Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,886)
- Primeira Turma Ordinária (16,420)
- Primeira Turma Ordinária (16,227)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,219)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,909)
- Segunda Turma Ordinária d (14,490)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,514)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,492)
- Quarta Câmara (85,208)
- Terceira Câmara (67,880)
- Segunda Câmara (56,645)
- Primeira Câmara (20,759)
- 3ª SEÇÃO (16,219)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,732)
- Segunda Seção de Julgamen (115,217)
- Primeira Seção de Julgame (77,090)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,975)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,488)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,906)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,234)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,931)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,803)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,628)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,711)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 16327.002929/2001-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO ADICIONAL.
Findo os processos administrativos a que eram decorrentes seus créditos, de se conceder o crédito e homologar as compensações até o seu limite, naqueles em que restou extinto o PA em favor do contribuinte.
Numero da decisão: 1301-003.232
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de crédito adicional de R$265.270,55 e homologar as compensações até este limite. Vencido o Conselheiro Augusto Daniel Neto que votou por dar provimento integral ao recurso e manifestou interesse em apresentar declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO ADICIONAL. Findo os processos administrativos a que eram decorrentes seus créditos, de se conceder o crédito e homologar as compensações até o seu limite, naqueles em que restou extinto o PA em favor do contribuinte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16327.002929/2001-10
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5892961
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-003.232
nome_arquivo_s : Decisao_16327002929200110.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
nome_arquivo_pdf_s : 16327002929200110_5892961.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de crédito adicional de R$265.270,55 e homologar as compensações até este limite. Vencido o Conselheiro Augusto Daniel Neto que votou por dar provimento integral ao recurso e manifestou interesse em apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
id : 7395077
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586122813440
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1501; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 467 1 466 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.002929/200110 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301003.232 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de julho de 2018 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente BANCO BRADESCO FINANCIAMENTOS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO ADICIONAL. Findo os processos administrativos a que eram decorrentes seus créditos, de se conceder o crédito e homologar as compensações até o seu limite, naqueles em que restou extinto o PA em favor do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de crédito adicional de R$265.270,55 e homologar as compensações até este limite. Vencido o Conselheiro Augusto Daniel Neto que votou por dar provimento integral ao recurso e manifestou interesse em apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 29 29 /2 00 1- 10 Fl. 467DF CARF MF Processo nº 16327.002929/200110 Acórdão n.º 1301003.232 S1C3T1 Fl. 468 2 Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório BANCO BRADESCO FINANCIAMENTOS S.A., já qualificado nos autos, recorre da decisão proferida pela 8a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) DRJ/SP (efls. 201 e ss), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Segundo o Relatório do acórdão recorrido: O interessado protocolizou na unidade fazendária, em 27/12/2001, pedido de restituição, cumulado com compensação, o qual se converteu em Declaração de Compensação, a partir de 12/11/2002, nos termos do §5º do art. 74, da Lei 9430/96, e arts. 1º e 2º da IN 233/2002, no montante de R$2.577.887,84. Despacho Decisório da DRF A DEINF/SPO emitiu Despacho Decisório, efls. 144, no qual não homologa a compensação pleiteada, por falta de liquidez e certeza, nos termos do art. 170A do CTN, e ainda aplicou multa isolada com base no artt. 44, iciso IV, c/c art. 2º da Lei 9430/96, incidentes sobre os valores indevidamente compensados de IRPJ estimativa e CSLL estimativa, de março de 2000, objeto do presente processo administrativo. E homologou outras compensações até o limite creditório de R$1.267.435,14, que correspondiam à parcela do Saldo Negativo de IRPJ de 2000, originária de antecipações em DARF. Da Manifestação de Inconformidade Nos termos da decisão da DRJ, segue o relato da Manifestação de Inconformidade,fls. 163/166, que aduziu os seguintes argumentos: 8. Após desenvolver sua argumentação requereu fosse homologado o presente pedido de restituição haja vista que os débitos tributários provenientes das compensações já efetuadas pelo ora impugnante atinentes aos meses de março e maio de 2.000, bem como as respectivas parcelas destinadas ao FINOR, respectivamente, encontramse suspensos (competência março de 2.000) ou extintos (competência maio de 2.000). 7. Requereu, ainda, fosse suspenso o julgamento do presente pedido de restituição (atualmente "Declaração de Compensação"), até o julgamento, em caráter definitivo, do pedido de restituição concernente ao crédito tributário apurado no períodobase de 1.998, exercício financeiro de 1.999 (proc no. 16327.00011739/0004). Fl. 468DF CARF MF Processo nº 16327.002929/200110 Acórdão n.º 1301003.232 S1C3T1 Fl. 469 3 Em julgamento realizado em 05 de julho de 2005, a 8ª Turma da DRJ/SPO, considerou improcedente a manifestação apresentada e prolatou o acórdão 7.459, assim ementado, efls. 201 e ss: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2000 Ementa: Processo Administrativo Fiscal. Sobrestamento. Impossibilidade. O processo administrativo fiscal é regido por princípios, dentre os quais o da oficialidade, que obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final. Solicitação Indeferida Do Recurso Voluntário A contribuinte apresentou recurso voluntário às efls. 206 e ss, onde reforça os argumentos já apresentados em sede de manifestação de inconformidade, atendose aos seguintes pontos: da antecipação referente ao mês de mar/00 R$450.972,86; da antecipação referente ao mês de mai/00 R$265.270,55; pela homologação dos créditos e extinção de todos os débitos tributários compensados. Da Resolução 10102.605, efls. 235. Os autos chegaram a este CARF e em 29/03/2007, por meio da Resolução 10102.605, a turma entendeu, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, para se encaminhar estes autos à Primeira Câmara para julgamento por aquele colegiado após a realização da diligência no âmbito do PA 16327.001739/0004, e posteriormente acerca do andamento da ação judicial da ação PAF 104140.003203/0035, onde houve a emissão do DCC (Documento Comprobatório da Compensação)10410.005279/9962. Da Resolução 10102.666, efls. 239. Em nova Resolução, de 24/09/2008, diante da pendência dos dois PAs, determinouse, por unanimidade, o retorno dos atos à DRF de origem, até decisão definitiva proferida na esfera administrativa desses processos. Às efls. 315 e ss, foi juntado o Acórdão 1301002.071, de 05/07/2016, em que o Colegiado, por unanimidade de votos, negou provimento ao Recurso Voluntário nos autos do PA 16327.001739/0004, com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1999 RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ESTIMATIVAS MENSAIS COMPENSADAS POR FORÇA DE AÇÃO JUDICIAL. Fl. 469DF CARF MF Processo nº 16327.002929/200110 Acórdão n.º 1301003.232 S1C3T1 Fl. 470 4 DECISÃO DESFAVORÁVEL DA JUSTIÇA. COMPENSAÇÃO DAS ESTIMATIVAS INEFICAZ. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. Tendo a ação judicial em que se discute créditos de IOF transitado em julgado em desfavor da interessada, resta ineficaz a compensação por ela levada a efeito de tais créditos com débitos de estimativas mensais de IRPJ. Não tendo sido tais estimativas extintas por compensação ou qualquer outro meio, não há de ser reconhecido, nestes autos, direito creditório de saldo negativo de IRPJ que se fundava exatamente em tais estimativas mensais. Contra esta decisão não foi apresentado novo recurso, tendo assim, se encerrado a discussão administrativa, conforme documento de efls. 379. Quanto ao outro PA, 10410005.279/9962 consta do despacho de fls. 381 e ss que se encontra extinto por revisão, conforme efls. 326/331. Recebi os autos por sorteio em 26/01/2018. É o relatório. Fl. 470DF CARF MF Processo nº 16327.002929/200110 Acórdão n.º 1301003.232 S1C3T1 Fl. 471 5 Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora. A contribuinte foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/SPO e intimada ao recolhimento do débito em 21/10/2005, (AR à efl. 220), e apresentou em 12/11/2005, recurso voluntário, juntado às fls. 206 e ss. Já que atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e tempestivo, dele conheço. Trata o presente caso de Pedido de Restituição, cumulado com pedido de compensação, decorrente de Saldo Negativo de IRPJ do anocalendário de 2000, cujo valor inicial era de R$5.577.887,84. A DRJ proveu parcialmente a Manifestação de Inconformidade e reconheceu o crédito, bem como homologou as compensações de R$1.267.435,14 e FINOR R$244.593,42, restando um saldo remanescente de R$716.243,41 que permanece em discussão no Recurso Voluntário, uma vez que a DRJ entendeu que tal parcela não se encontrava com liquidez e certeza. Pois bem. Essa parcela em discussão decorre de antecipações que foram objeto de outras compensações. Uma delas, referente à antecipação do mês de março/2000, de R$450.972,86, havia sido objeto de Compensação decorrente do ano de 1998, cuja discussão encontrase no PA 16327.001739/0004. Esse processo findou em 05/07/2016, através do Acórdão 1301002.071, cujo Colegiado, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário do contribuinte, pois o crédito ali utilizado, decorrente de IOF, terminou em desfavor da recorrente, assim, inexistente o crédito, as antecipações realizadas com tais compensações também inexistem, assim como o crédito aqui pleiteado. Contra este Recurso Voluntário não foi interposto nenhum outro, restando definitiva na esfera administrativa, conforme despacho de efls. 381 e ss e informação às efls. 315/322. Com relação ao outro Processo, PA 10410005.279/9962, também encontravase pendente de decisão administrativa, pois não obstante tenha sido expedido o DCC Documento Comprobatório de Compensação, não havia informações acerca do trânsito. Esta parcela estava relacionada com a antecipação de maio/2000, em que o recorrente havia se utilizado de crédito de terceiros, no valor de R$265.270,55. Fl. 471DF CARF MF Processo nº 16327.002929/200110 Acórdão n.º 1301003.232 S1C3T1 Fl. 472 6 Conforme informação do despacho de efls. 381 e ss este processo foi extinto por Revisão de Lançamento, segundo o extrato do processo de efls. 326/331, por Lançamento Improcedente: Dessa forma, entendo que também este processo se findou, mas neste caso, em benefício do recorrente, devendo seu crédito ser reconhecido e as compensações homologadas, caso ainda exista, devendo a unidade de origem fazer este levantamento. Este acórdão deverá ser anexado nos apensos que decorrem deste processo. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL provimento para conhecer o direito à utilização do crédito de R$265.270,55, bem como homologar as compensações até este limite. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 472DF CARF MF Processo nº 16327.002929/200110 Acórdão n.º 1301003.232 S1C3T1 Fl. 473 7 Declaração de Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Peço vênia para divergir da Ilustre Conselheira em relação ao reconhecimento do crédito referente a antecipação do mês de março/2000, de R$450.972,86, havia sido objeto de Compensação decorrente do ano de 1998, cuja discussão encontrase no PA 16327.001739/0004. O processo foi encerrado através do Acórdão 1301002.071, através do qual o Colegiado, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário do contribuinte, pois o crédito ali utilizado, decorrente de IOF, terminou em desfavor da recorrente, assim, inexistente o crédito utilizado para o adimplemento da antecipação, restando o crédito a ser cobrado pela Administração Tributária. A Conselheira Amelia Yamamoto, em seu voto, segue prevalecente da turma, no sentido de que as estimativas compensadas e não homologadas não dariam direito ao crédito correspondente para a composição do saldo negativo compensado nestes autos na esteira do julgamento do Acórdão CARF nº 1402002.330. Estabeleceu o Colegiado, como marco, a garantia de adimplemento do crédito tributário como condição para que fosse reconhecido o direito creditório correspondente do contribuinte, sob o argumento de que não se poderia pleitear crédito sobre um débito que sequer foi pago. Com a devida vênia, entendo que essa condição só faria sentido diante de um pedido de restituição, que o art. 165 do Código Tributário Nacional exige expressamente a ocorrência de pagamento na forma do art. 162 da mesma lei: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. No presente caso, entretanto, tratase de compensação, cujo tratamento jurídico está delineado no art. 170 do CTN: Fl. 473DF CARF MF Processo nº 16327.002929/200110 Acórdão n.º 1301003.232 S1C3T1 Fl. 474 8 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com CRÉDITOS LÍQUIDOS E CERTOS, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Da mesma forma, no âmbito federal, dispõe o caput do art. 74 da Lei nº 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que APURAR CRÉDITO, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Como se vê da literalidade dos dispositivos, o que a lei exige, para fins de compensação, é que o crédito seja apurado e goze de liquidez e certeza, atributos que restaram efetivamente verificados uma vez que a discussão no âmbito administrativo se tornou definitiva, inclusive com a inclusão dos mesmos em CDAs, tornandoos exequíveis. Portanto, reconheço que a geração de saldo negativo de IRPJ não está condicionado ao efetivo e terminal adimplemento das estimativas, mas ao reconhecimento delas enquanto crédito tributário líquido e certo, não havendo que se confundir fases distintas do fenômeno tributário, quais sejam, o reconhecimento/nascimento do crédito e o seu adimplemento. Um argumento que me parece reforçar a desnecessidade de pagamento ou compensação para que se reconheça o crédito correspondente à estimativa consiste na possibilidade desse crédito tributário declarado e não pago ser extinto por diversas formas, como decadência, prescrição ou remissão, nos termos do art. 156 do CTN, ou mesmo por prescrição intercorrente, no âmbito da execução fiscal, sem que essa ausência de pagamento impeça o aproveitamento da estimativa extinta na composição de saldo negativo compensável. Assim, estou convicto de que o adimplemento ou garantia deste não é condição do reconhecimento do crédito compensável, mas sim a sua liquidez e certeza, hauridas da consolidação administrativa da discussão e da ausência de discussão do montante declarado pelo contribuinte. Nesses termos, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário para reverter a glosa de crédito feita pela fiscalização. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 474DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10811.000530/2010-47
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2010
EXCLUSÃO DE OFÍCIO. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO.
A exclusão de ofício da pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional dá-se quando houver comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho com efeitos a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva.
Numero da decisão: 1003-000.115
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2010 EXCLUSÃO DE OFÍCIO. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. A exclusão de ofício da pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional dá-se quando houver comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho com efeitos a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10811.000530/2010-47
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5894848
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1003-000.115
nome_arquivo_s : Decisao_10811000530201047.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CARMEN FERREIRA SARAIVA
nome_arquivo_pdf_s : 10811000530201047_5894848.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
id : 7403865
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586127007744
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1444; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 101 1 100 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10811.000530/201047 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003000.115 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 08 de agosto de 2018 Matéria SIMPLES NACIONAL Recorrente SUPERMERCADO TERMAS DE IBIRA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2010 EXCLUSÃO DE OFÍCIO. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. A exclusão de ofício da pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional dáse quando houver comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho com efeitos a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório A Recorrente optante pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional foi excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/SJR/SP nº 153, de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 1. 00 05 30 /2 01 0- 47 Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10811.000530/201047 Acórdão n.º 1003000.115 S1C0T3 Fl. 102 2 03.09.2010, fl. 49, com efeitos a partir de 01.02.2010, com base nos fundamentos de fato e de direito indicados: A Chefe da Seção de Controle e Acompanhamento Tributário da DRF em São José do Rio Preto, no uso das atribuições que lhe foram delegadas pelo inciso XXIII, art 1° da Portaria DRF/SJR nº 30, de 01/06/2010, DOU de 02/06/2010, originariamente previstas no inciso IV do art 203 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n° 125, de 04 de março de 2009 e tendo em vista o disposto nos artigos 17, 28 a 32 da Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, com as alterações promovidas pela Lei Complementar n° 127, de 14 de agosto de 2007 e Lei Complementar n° 128, de 19 de dezembro de 2008 , considerando o que consta do processo n° 10811.000530/201047, declara: 1º ESTÁ EXCLUÍDO o contribuinte SUPERMERCADO TERMAS DE IBIRÁ LTDA CNPJ n° 67.268.581/000118 do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES NACIONAL, de que trata o artigo 3° da Lei Complementar n° 123/2006 por COMERCIALIZAR MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO, de acordo com art 29, inciso VII da LC 123/2006. 2° Os efeitos da exclusão obedecem ao disposto no art 29, inciso VII, § 1° da LC 123/2006, ou seja, a partir de 01/02/2010, estando assegurado ao contribuinte o direito de, no prazo de 30 (trinta) dias da ciência desta publicação, manifestar por escrito sua inconformidade dirigida ao Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento, relativamente ao procedimento acima, assegurando assim o contraditório e a ampla defesa. 3° Não havendo manifestação nesse prazo, a exclusão tornarseá definitiva. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação. Está registrado nos excertos da ementa e do voto condutor do Acórdão da 9ª Turma/DRJ/RPO/SP nº 1441.748, de 03.05.2013, efls. 7678: SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIA OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. A comercialização de mercadoria objeto de contrabando ou descaminho constitui motivo para exclusão de ofício da empresa do Simples Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 21.08.2013, efl. 81, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 17.09.2013, efls. 8298, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. A respeito do motivo do ato de exclusão esclarece que: Na época da impugnação não havíamos localizado a nota de n° 387725 do fornecedor J.H.M. Distribuidora Ltda. Em contato com o mesmo este nos forneceu a NF (em anexo) NF 387725, serie 3, data 31/03/2010 no qual constam os produtos (cigarros) objeto da apreensão. O fornecedor entregava os produtos e posteriormente emitia a nota fiscal. Por isso a data da nota é posterior a data da apreensão. Este era o costume na época. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10811.000530/201047 Acórdão n.º 1003000.115 S1C0T3 Fl. 103 3 Como esta nota estava extraviada não foi escriturada na época própria. Estamos providenciando a correção para fins tributários. A Razão Social Mercado de Paula Ltda do destinatário na NF é a nossa denominação anterior, pois o fornecedor não atualizou no seu cadastro de clientes, conforme o contrato social. Concernente ao pedido expõe que: Por fim, queremos registrar que agimos de boa fé e momento algum pretendíamos infringir a legislação tributária. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, observado o disposto no § 3A do art. 4º da Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007, em relação aos efeitos da exclusão de ofício. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido pertinente ao cumprimento das obrigações tributárias, principal e acessória, aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte relativo aos impostos e às contribuições estabelecido em cumprimento ao que determina no inciso X do art. 170 e no art. 179 da Constituição Federal de 1988 pode ser usufruído desde que as condições legais sejam preenchidas. Com o escopo de implementar esses princípios constitucionais foi editada a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, que instituiu o Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional. O Simples Nacional está regulamentado pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN). A opção do sujeito passivo deve ser manifestada por meio da internet até o último dia útil do janeiro sendo irretratável para todo anocalendário oportunidade em que presta declaração quanto ao nãoenquadramento nas vedações legais. A exclusão por comunicação decorrente de opção ou de obrigatoriedade é feita pela internet. Atinente à questão está literalmente firmado na Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006: Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: [...] Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10811.000530/201047 Acórdão n.º 1003000.115 S1C0T3 Fl. 104 4 VII comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho; [...] Art. 30. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, darseá: [...] II obrigatoriamente, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação previstas nesta Lei Complementar; ou [...] Art. 31. A exclusão das microempresas ou das empresas de pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos: [...] II na hipótese do inciso II do caput do art. 30 desta Lei Complementar, a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva; [...] Art. 32. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Cabe esclarecer que a opção pelo Simples é um direito da pessoa jurídica que preenche todos os requisitos legais. Porém a optante deve comunicar obrigatoriamente a sua exclusão à RFB, por meio do Portal do Simples Nacional na internet, quando incorrer em hipótese legal de vedação. Verificada a falta de informação espontânea, há exclusão de ofício mediante emissão do termo de exclusão do Simples Nacional pela autoridade competente, sob pena de responsabilidade funcional, devendo ser observadas as determinações do processo administrativo fiscal1. A exclusão de ofício da pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional dáse quando houver comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho com efeitos a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva (inciso VII do art. 29 e inciso II do art. 30 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006). Podese entender que a prática de contrabando consiste na importação ou exportação de mercadoria proibida, atentando contra a saúde pública e administração pública. Por sua vez, a prática de descaminho é a ilusão do pagamento do tributo de mercadoria permitida, ofendendo a ordem tributária2. Porém, está pacificado no Supremo Tribunal Federal que "Não há razão para discriminação entre contrabando e descaminho, [...], quando o art. 334 do C.P. os considera sinônimas". 3 As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para 1 Fundamentação legal: art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 29, art. 33 e art. 39 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 15 de 23 de julho de 2007 e art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990. 2 BALTAZAR JUNIOR, José Paulo. Crimes Federais. 9. ed. São Paulo: Saraiva, 2014. p.386. 3 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em HC nº 35341/DF. Órgão Julgador: Tribunal Pleno. Relator: Ministro Antônio Martins Vilas Boas. Julgado em: 18 out. 1957. Publicado no DJ em: 12 dez.1957. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28CONTRABANDO+E+DESCAMIN HO%29&pagina=10&base=baseAcordaos&url=http://tinyurl.com/zg2uqbk>. Acesso em 05 jul. 2018. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10811.000530/201047 Acórdão n.º 1003000.115 S1C0T3 Fl. 105 5 que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais4. O princípio da legalidade estabelece que a atuação administrativa que decorre da aplicação da lei de ofício, de modo que deve ser feito o que a lei determina, pois sua atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (art. 37 da Constituição Federal e art. 142 do Código Tributário Nacional). A legislação de regência da matéria determina as consequências da exclusão do Simples Nacional, no sentido de que a pessoa jurídica sujeitase a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas e art. 32 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006). Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Sobre a comprovação temse que o Regulamento de Imposto de Renda, previsto no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, assim determina: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). Art. 924. Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 2º). A Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, prevê: Art. 26. As microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional ficam obrigadas a: I emitir documento fiscal de venda ou prestação de serviço, de acordo com instruções expedidas pelo Comitê Gestor; II manter em boa ordem e guarda os documentos que fundamentaram a apuração dos impostos e contribuições devidos e o cumprimento das obrigações acessórias a que se refere o art. 25 desta Lei Complementar enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes. [...] 4 Fundamentação legal: art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10811.000530/201047 Acórdão n.º 1003000.115 S1C0T3 Fl. 106 6 § 2º As demais microempresas e as empresas de pequeno porte, além do disposto nos incisos I e II do caput deste artigo, deverão, ainda, manter o livrocaixa em que será escriturada sua movimentação financeira e bancária. Está registrado na Relação de Mercadorias (Anexo ao Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda nº 081070000995/10), fl. 08, consta a apreensão de 150 maços de cigarros, conforme discriminado no Boletim de Ocorrência n° 30/2010, fl. 18, a saber: 53 maços de da marca Eight, 29 maços da marca TE e 68 maços da marca Mill. A Recorrente apresenta como comprovação a Nota Fiscal nº 387.725, com data de emissão ilegível, expedida pela pessoa jurídica JHM Distribuidora Ltda., CNPJ 01.847.833/000155, onde consta que a Recorrente é a destinatária da venda de cigarros, a saber: quantidade de 10 da marca El8HT KS, quantidade de 20 da marca Oscar's Silver, quantidade de 10 da marca 2000 KS e quantidade de 10 da marca Imperial KS, efls. 98. Cotejando as informações contidas no Boletim de Ocorrência n° 30/2010, fl. 18, e na Nota Fiscal nº 387.725, efl. 98, verificase a ausência de comprovação de forma cabal da circunstância, uma vez que a quantidade de maços e as marcas dos cigarros afastam a compatibilidade comercial e regularidade fiscal das mercadorias objeto de mercancia. Consta na Representação Fiscal para Exclusão do Simples Nacional, fl. 01 02, cujos fundamentos são adotadas nessa segunda instância de julgamento: I INTRODUÇÃO Senhor Delegado, Em operação realizada no dia 22/02/10, por policiais da DISE Delegacia Seccional de Polícia Civil de S. José do Rio Preto/SP, no estabelecimento comercial Supermercado Termas de Ibirá Ltda.,CNPJ n" 67.268.581/000118, estabelecido à R. Minas Gerais, n° 220 Termas de Ibirá, na cidade dc Ibiráí/SP, dc propriedade de Valtair de Paula , onde foram encontradas mercadorias estrangeiras sem a documentação comprobatória de sua importação regular. Esse fato configura infração ao disposto no Regulamento Aduaneiro Decreto 6.759 de 05 de fevereiro de 2009 e por conseqüência à aplicação do disposto no do artigo 29 item Vil, da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. [...] III DESCRIÇÃO DOS FATOS CARACTERIZADORES DO ILÍCITO Os policiais da DISE Delegada Seccional de Polícia Civil de S. José do Rio Preto/SP, compareceram no estabelecimento comercial Supermercado Termas de Ibirá Ltda., onde encontraram no seu interior as mercadorias de procedência estrangeira, sem prova de introdução regular no país, portanto, cm desacordo com a legislação vigente configurando, em tese, crime de contrabando/descaminho. As referidas mercadorias, foram recebidas pela FERA/EFA/SAFIS/DRF/SJR/SP, em 09/04/2010, através do ofício n° 093/2010caf da DP de Ibirá/SP, e foi lavrado em 24/05/2010 o Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal n° 0810700/00995/10, originando assim o processo administrativo n° 10811.000256/201014. [...] O conjunto probatório produzido nos autos corroboram a conduta da Recorrente de comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho, quais Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10811.000530/201047 Acórdão n.º 1003000.115 S1C0T3 Fl. 107 7 sejam, cigarros de procedência estrangeira, conforme Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal n° 0810700/00955/10, Ofício n° 093/2010caf, Boletim de Ocorrência n° 30/2010, Auto de Exibição e Apreensão, Laudo, Ofício n° 417/10CCjcf, e Ofício n° 084010 caf, fls. 0325. Especificamente no que se refere ao Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal n° 0810700/00955/10 temse que houve "Apreensão de cigarros, ou charutos ou fumo de procedência estrangeira por encontrarse desprovida de documentação comprobatória de sua introdução regular no País." Assim, este procedimento foi formalizado no processo 10811.000256/201014 e segue rito próprio e especial previsto no DecretoLei nº 1.455, de 07 de abril de 1976, DecretoLei nº 399, de 30 de dezembro de 1968, Decreto nº 6.759, de 05 de fevereiro de 2009 e DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966. Restou comprovado que houve apreensão, efetuada pela Polícia Civil do Estado de São Paulo, de cigarros estrangeiros, objeto de contrabando ou descaminho, no estabelecimento comercial da Recorrente, fato que conformase com atividade mercantil destes produtos. Demonstrado que a mercadoria foi apreendida no interior do veículo de propriedade da Recorrente ressai nítida a sua condição de sujeito passivo da obrigação tributária e evidencia o caráter comercial da atividade, independentemente da quantidade de itens e o modo como estão expostos à venda. Ademais, a instância judiciária penal é independente da instância administrativa. 5 Por conseguinte, há autonomia entre o trânsito em julgado da decisão judicial relativa ao crime de contrabando ou descaminho e a verificação de circunstância legal de exclusão do Simples Nacional na esfera administrativatributária. Especificamente sobre o princípio da insignificância, temse que deve ser analisado em conexão com os postulados da fragmentariedade e da intervenção mínima do Estado em matéria penal – tem o sentido de excluir ou de afastar a própria tipicidade penal, examinada esta na perspectiva de seu caráter material 6. Vale transcrever excertos de ementas de orientações firmadas no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Superior Tribunal de Justiça (STJ) que firmaram o entendimento no sentido de que a importação não autorizada de cigarros constitui o crime de contrabando ou descaminho, insuscetível de aplicação do princípio da insignificância: 2. Este Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que a introdução clandestina de cigarros, em território nacional, em desconformidade com as normas de regência, configura o delito de contrabando, ao qual não se aplica o princípio da insignificância, por tutelar interesses que transbordam a mera elisão fiscal. 7 5 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em RHC nº 33136/PR. Órgão Julgador: Tribunal Pleno. Relator: Ministro Nelson Hungria. Julgado em: 09 jun 1954. Publicado no DJ em: 19 set. 1954. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28CONTRABANDO+E+DESCAMIN HO%29&pagina=11&base=baseAcordaos&url=http://tinyurl.com/zg2uqbk>. Acesso em 05 jul. 2018. 6 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em Habeas Corpus nº 98.152/MG. Órgão Julgador: Segunda Turma. Relator: Ministro Celso de Mello. Julgado em 19 mai.2009. Publicado no DJe em 05 jun. 2009. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%2898152%29&pagina=5&base=baseAc ordaos&url=http://tinyurl.com/ybhv4wnta>. Acesso em 05 jun. 2018. 7 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em AgRg no AREsp nº 1116451/MT. Órgão Julgador: Sexta Turma. Relator: Ministro Nefi Cordeiro. Julgado em: 19 abr. 2018. Publicado no DJe em: 02 mai. 2018. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10811.000530/201047 Acórdão n.º 1003000.115 S1C0T3 Fl. 108 8 2. Esta Corte de Justiça vem entendendo, em regra, que a importação de mercadorias de proibição relativa, como cigarros ou medicamentos, configura crime de contrabando. 8 4. Nos termos da jurisprudência desta Corte Superior, o crime de contrabando de cigarros não comporta aplicação do princípio da insignificância, haja vista o elevado grau de reprovabilidade da conduta, que ofende a saúde e a segurança públicas. 9 1. Nos termos da pacífica orientação da Terceira Seção desta Corte, a importação não autorizada de cigarros constitui o crime de contrabando, insuscetível de aplicação do princípio da insignificância. 10 2. Consoante entendimento do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, não se aplica o princípio da insignificância ao contrabando de cigarros. Tal entendimento decorre do fato de a conduta não apenas implicar lesão ao erário e à atividade arrecadatória do Estado, como na hipótese de descaminho. De fato, outros bens jurídicos são tutelados pela norma penal, notadamente a saúde pública, a moralidade administrativa e a ordem pública. 11 É assente na jurisprudência desta Corte que o trancamento de ação penal ou de inquérito policial, em sede de habeas corpus, constitui medida excepcional, somente admitida quando restar demonstrado, sem a necessidade de exame do conjunto fático probatório, a atipicidade da conduta, a ocorrência de causa extintiva da punibilidade ou a ausência de indícios suficientes da autoria ou prova da materialidade. Precedentes. Consoante já assentado pelo Supremo Tribunal Federal, o princípio da insignificância deve ser analisado em correlação com os Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. 8 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em AgRg no AREsp nº 1706471/PR. Órgão Julgador: Quinta Turma. Relator: Ministro Joem Ilan Paciornik. Julgado em: 20.mar. 2018. Publicado no DJe em: 04.abr. 2018. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. 9 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em AgRg no AREsp nº 1226987?RJ. Órgão Julgador: Quinta Turma. Relator: Ministro Reynaldo Soares da Fonseca. Julgado em: 20.mar. 2018. Publicado no DJe em: 02 abr. 2018. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. 10 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em AgRg no AREsp nº 1706397/RS. Órgão Julgador: Quinta Turma. Relator: Ministro Reynaldo Soares da Fonseca. Julgado em: 20.fev. 2018. Publicado no DJe em: 28.fev. 2018. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. 11 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em RHCnº 89755/RS. Órgão Julgador: Quinta Turma. Relator: Ministro Ribeiro Dantas. Julgado em: 05 out.2017. Publicado no DJe em: 11.out. 2017. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10811.000530/201047 Acórdão n.º 1003000.115 S1C0T3 Fl. 109 9 postulados da fragmentariedade e da intervenção mínima do Direito Penal, no sentido de excluir ou afastar a própria tipicidade da conduta, examinada em seu caráter material, observandose, ainda, a presença dos seguintes vetores: (I) mínima ofensividade da conduta do agente; (II) ausência total de periculosidade social da ação; (III) ínfimo grau de reprovabilidade do comportamento e (IV) inexpressividade da lesão jurídica ocasionada (HC n. 84.412/SP, de relatoria do Ministro Celso de Mello, DJU 19/4/2004). Na espécie, inferese que o acórdão recorrido encontrase alinhado à jurisprudência desta Corte, no sentido de que a introdução de cigarros em território nacional é sujeita a proibição relativa, sendo que a sua prática, fora dos moldes expressamente previstos em lei, constitui o delito de contrabando, o qual inviabiliza a incidência do princípio da insignificância. Isto porque o bem juridicamente tutelado vai além do mero valor pecuniário do imposto elidido, pois visa a proteger o interesse estatal de impedir a entrada e a comercialização de produtos proibidos em território nacional, bem como resguardar a saúde pública. 12 1. A tipicidade penal não pode ser percebida como exame formal de subsunção de fato concreto à norma abstrata. Além da correspondência formal, para a configuração da tipicidade é necessária análise materialmente valorativa das circunstâncias do caso, para verificação da ocorrência de lesão grave e penalmente relevante do bem jurídico tutelado. 2. Impossibilidade de incidência, no contrabando ou descaminho de cigarros, do princípio da insignificância. 13 1. O princípio da insignificância não incide na hipótese de contrabando de cigarros, tendo em vista que, além do valor material, os bens jurídicos que o ordenamento jurídico busca tutelar são os valores éticosjurídicos e a saúde pública. Precedentes: HC 120550, Primeira Turma, Relator Min. Roberto Barroso, DJe 13/02/2014; ARE 924.284 AgR, Segunda Turma, Relator Min. Gilmar Mendes, DJe 25/11/2015, HC 125847 AgR, Primeira Turma, Relator Min. Rosa Weber, DJe 26/05/2015, HC 119.596, Segunda Turma, Relator: Min. Cármen Lúcia, DJe 26/03/2014. 14 O ato declaratório executivo foi lavrado por servidor competente que verificando a ocorrência da causa de vedação emitiu o ato revestido das formalidades legais 12 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em RHC nº 82276/RS. Órgão Julgador: Quinta Turma. Relator: Ministro Reynaldo Soares da Fonseca. Julgado em: 20 jun. 2017. Publicado no DJe em: 30 jun.2017. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. 13 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em RHC nº 131205/MG. Órgão Julgador: Segunda Turma. Relator: Ministra Cármen Lúcia. Julgado em: 06 set. 2016. Publicado no DJe em: 22 set. 2016. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28CONTRABANDO+E+DESCAMIN HO%29&base=baseAcordaos&url=http://tinyurl.com/zg2uqbk>. Acesso em 05 jul. 2018. 14 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em HC nº 129382/PR. Órgão Julgador: Primeira Turma. Relator: Ministro Luiz Fux. Julgado em: 23 ago. 2016. Publicado no DJe em: 16 set. 2016. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28CONTRABANDO+E+DESCAMIN HO%29&base=baseAcordaos&url=http://tinyurl.com/zg2uqbk>. Acesso em 05 jul. 2018. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10811.000530/201047 Acórdão n.º 1003000.115 S1C0T3 Fl. 110 10 com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilo ou impugnálo no prazo legal. A notificação do ato administrativo, em regra, pode ser efetivada pessoalmente, por via postal ou por meio eletrônico (art. 23 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Assim a intimação do ato administrativo está regular, pois foi efetivada observando as determinações legais. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. Consta no Acórdão da 9ª Turma/DRJ/RPO/SP nº 1441.748, de 03.05.2013, efls. 7678, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): Conforme consta no Auto de Infração foram apreendidos 53 maços de cigarros da marca Eight, 29 maços de cigarros da marca TE e 68 maços de cigarros da marca MIL no estabelecimento comercial em epígrafe, por falta de comprovação de origem lícita, eis que não possuía qualquer documentação legal. Em conseqüência da apreensão dessa mercadoria, foi emitido o devido Ato Declaratório Executivo, excluindo a empresa do Simples Nacional, tendo em vista a constatação de comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho, de acordo com o disposto na Lei Complementar 123/2006, art. 29, inc. VII. Conforme esclarece Maria Helena Diniz, em seu Dicionário Jurídico1, comercializar é: 1: Colocar algo no comércio; 2: Criar objeto com possibilidade de ser explorado comercialmente, de ser vendido, fabricado ou exposto, de modo que possa render dinheiro. Vislumbrase que o conceito do termo ‘comercializar’ abrange não só o produto efetivamente vendido ao consumidor, mas também aquele produto criado com essa finalidade. Dessa forma, o fato das mercadorias serem apreendidas no estabelecimento comercial da manifestante já é suficiente à demonstração do caráter comercial envolvido na situação, não devendo ser acolhidas as alegações apresentadas pela defesa desprovidas de qualquer elemento probatório em sentido contrário. O contribuinte alega que deve ser aplicada somente a pena de perdimento de mercadoria uma vez que a mercadoria apreendida é insignificante. A alegação não deve ser acatada, uma vez que a LC 123/2006, art. 29, VII não define a quantidade de mercadoria comercializada. Quanto à alegação de que não tinha conhecimento de que se tratava de mercadoria irregular e que jamais teve a intenção de burlar o fisco, esclarecese que a responsabilidade por infrações, no âmbito fiscal, revestese de natureza objetiva, independendo, assim, da intenção do agente ou responsável e da efetividade, da natureza e da extensão dos efeitos do ato (art. 94, § 2° do Decretolei n° 37/66). As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos, nos termos legais. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10811.000530/201047 Acórdão n.º 1003000.115 S1C0T3 Fl. 111 11 Ademais, a decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma matéria, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da Recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas 15. O enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca s demonstrar de quaisquer inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo constantes nos dados informados à RFB ou ainda quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência (149 do Código Tributário Nacional). Por essa razão a Recorrente foi corretamente excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/SJR/SP nº 153, de 03.09.2010, fl. 49, com efeitos a partir de 01.02.2010. A ilação designada na peça recursal destacase como improcedente. A boafé não pode ser considerada, pois "a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato", salvo disposição de lei em contrário (art. 136 do Código Tributário Nacional). No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso, nos termos do art. 100 do Código Tributário Nacional. Atinente aos princípios constitucionais, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade16. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). 15 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 16 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF e Súmula CARF nº 2. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10811.000530/201047 Acórdão n.º 1003000.115 S1C0T3 Fl. 112 12 Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.914195/2012-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.886
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10980.914195/2012-86
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5879970
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-003.886
nome_arquivo_s : Decisao_10980914195201286.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10980914195201286_5879970.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7363189
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586163707904
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1759; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.914195/201286 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201003.886 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de junho de 2018 Matéria RESTITUIÇÃO Recorrente METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 41 95 /2 01 2- 86 Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10980.914195/201286 Acórdão n.º 3201003.886 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 12 079.820, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que a base de cálculo das contribuições (PIS/Cofins) é o faturamento, que corresponde à receita bruta auferida, não havendo previsão legal para exclusão do valor do ICMS que compõe o preço de venda da mercadoria. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal que reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. Arguiu, ainda, que o CARF entende, em observância ao princípio da Verdade Material, ser admissível a juntada de documentos que comprovem os fatos alegados pelo contribuinte após a impugnação e até o momento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.882, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.914262/201262, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.882): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.914195/201286 Acórdão n.º 3201003.886 S3C2T1 Fl. 4 3 A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição do PIS apurado em julho de 2005. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10980.914195/201286 Acórdão n.º 3201003.886 S3C2T1 Fl. 5 4 haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10980.914195/201286 Acórdão n.º 3201003.886 S3C2T1 Fl. 6 5 declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 56DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10735.903883/2012-12
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012
NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA NOVA DECISÃO.
Há de ser decretada a nulidade de decisão recorrida por preterição do direito de defesa do contribuinte, quando esta determina a "apensação" de processos administrativos e os julga em conjunto, sem individualizar as circunstâncias de cada processo, e sem analisar fundamentos específicos e peculiares a cada um deles (art. 59 do Decreto nº 70.235/1972).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Aguardando Nova Decisão.
Numero da decisão: 3002-000.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no presente caso, para, acatando a preliminar apresentada, decretar a nulidade da decisão recorrida, determinando que os autos retornem à DRJ para que esta providencie o desapensamento dos processos nº 10735-903884/2012-67, 10735-903885/2012-10, 10735-903888/2012-45, 10735-903883/2012-12, 10735-903894/2012-01 e 10735-903898/2012-81, e, em seguida, julgue cada uma das manifestações de inconformidade apresentadas, separadamente.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2012 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA NOVA DECISÃO. Há de ser decretada a nulidade de decisão recorrida por preterição do direito de defesa do contribuinte, quando esta determina a "apensação" de processos administrativos e os julga em conjunto, sem individualizar as circunstâncias de cada processo, e sem analisar fundamentos específicos e peculiares a cada um deles (art. 59 do Decreto nº 70.235/1972). Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10735.903883/2012-12
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5887178
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3002-000.225
nome_arquivo_s : Decisao_10735903883201212.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
nome_arquivo_pdf_s : 10735903883201212_5887178.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no presente caso, para, acatando a preliminar apresentada, decretar a nulidade da decisão recorrida, determinando que os autos retornem à DRJ para que esta providencie o desapensamento dos processos nº 10735-903884/2012-67, 10735-903885/2012-10, 10735-903888/2012-45, 10735-903883/2012-12, 10735-903894/2012-01 e 10735-903898/2012-81, e, em seguida, julgue cada uma das manifestações de inconformidade apresentadas, separadamente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
id : 7374956
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586177339392
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1753; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 154 1 153 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10735.903883/201212 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.225 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 13 de junho de 2018 Matéria NULIDADE. Recorrente FOCAL ENGENHARIA E MANUTENÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA NOVA DECISÃO. Há de ser decretada a nulidade de decisão recorrida por preterição do direito de defesa do contribuinte, quando esta determina a "apensação" de processos administrativos e os julga em conjunto, sem individualizar as circunstâncias de cada processo, e sem analisar fundamentos específicos e peculiares a cada um deles (art. 59 do Decreto nº 70.235/1972). Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no presente caso, para, acatando a preliminar apresentada, decretar a nulidade da decisão recorrida, determinando que os autos retornem à DRJ para que esta providencie o desapensamento dos processos nº 10735903884/201267, 10735903885/2012 10, 10735903888/201245, 10735903883/201212, 10735903894/201201 e 10735 903898/201281, e, em seguida, julgue cada uma das manifestações de inconformidade apresentadas, separadamente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 38 83 /2 01 2- 12 Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10735.903883/201212 Acórdão n.º 3002000.225 S3C0T2 Fl. 155 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, à fl. 66/67 dos autos: FOCAL ENGENHARIA E MANUTENCAO LTDA contribuinte requerente), com fulcro no art. 15 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), apresenta manifestação de inconformidade ao despacho que indeferiu o pleito consubstanciado nos processos abaixo relacionados: Número do Processo Tributo 10735903898201281 COFINS 10735903894201201 COFINS 10735903888201245 COFINS 10735903885201210 COFINS 10735903884201267 COFINS 10735903883201212 COFINS Tais processos estão sendo juntados por “apensação”, considerando principal o de nº 10735903883201212, visando otimizar os procedimentos processuais e lavratura de atos relativos a todos eles, haja vista tratarse do mesmo contribuinte e mesma matéria em litigio. Tratamse pedidos de reconhecimento de direito creditório, formalizados mediante “Pedidos de Ressarcimento ou Restituição Eletrônicos – Declaração de Compensação” – PERDCOMP juntados aos autos dos aludidos processos. Em todos os pedidos a contribuinte registra que se trata de recolhimento indevido ou a maior, a exemplo da PERDCOMP de fls. 3 e seguintes do “processo principal” transmitida em 19/12/2011 que se refere ao recolhimento da COFINS relativo ao período de apuração de agosto/2010. Consoante despachos decisórios da DRF de Origem, a exemplo de fls. 8 do “processo principal”, proferido em 5/12/2012, todos os pleitos foram indeferidos em face da apuração da inexistência do crédito, ou seja, os pagamentos que se alega foram realizados a maior já se encontravam alocados a débitos declarados e confessados pelo próprio contribuinte. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestações de inconformidade, tal qual à fl. 1 do processo principal, alegando em síntese que se equivocou na apuração dos tributos devidos, daí o recolhimento a maior. Equivocouse também no preenchimento da DCTF. Todavia, logo a seguir, apresentou as DCTF retificadoras. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10735.903883/201212 Acórdão n.º 3002000.225 S3C0T2 Fl. 156 3 Ao final requer seja acolhida a DCTF Retificadora, bem com reconhecido o direito creditório pleiteado nos aludidos processos anexando memória de cálculo dos valores que entende fazer jus, além das declarações retificadas. Importante relatar, ainda, em relação à Manifestação de Inconformidade apresentada (fls. 10/14), a alegação do contribuinte de que foi desconsiderada a retificação da DCTF, realizada anteriormente à emissão do despacho decisório e da própria compensação, e que, face à liquidez e certeza do crédito, o que também teria ficado configurada pela farta e robusta documentação que afirmou ter juntado com a peça defensiva, deveria haver a homologação da compensação realizada. Juntou, naquela oportunidade, os seguintes documentos: i) cartão de CNPJ (fls. 15); ii) atos constitutivos e de representação da empresa (fls. 16/29); iii) despacho decisório (fls. 30/31); iv) DACON (fl. 32); v) comprovante de arrecadação (fl. 33); vi) planilha com discriminação de pagamento indevido de COFINS (fl. 34); vii) PER/DECOMP nº 21428.80210.201211.1.3.044510 (fls. 35/40); viii) DCTF retificadora (fls. 41/56). Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, à unanimidade de votos, por julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012 RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A restituição, tal qual a compensação, pressupõe a existência de crédito do devedor para com o credor. No momento em que o sujeito passivo não retificou a DCTF antes da apreciação do pleito na DRF, não fez com que se materializasse junto à Administração Tributária o valor que alega ter recolhido a maior, cujo montante pretendia ver reconhecido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em seus fundamentos, o acórdão da primeira instância (fls. 65/70) consignou que inexiste no PER/DCOMP qualquer registro de qual seria o motivo do alegado recolhimento a maior. Afirmou, também, não se tratar de simples erro no preenchimento do PER/DCOMP passível de retificação, mas se tratar de vício insuperável, inclusive, em razão do decurso do prazo de cinco anos para pleitear restituição. Por essas razões, manteve o despacho decisório. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 29/01/2015 (vide Termo de Ciência por abertura de mensagem à fl. 77 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 10/02/2015, Recurso Voluntário (fls. 87/91), por meio do qual requereu: (i) fosse declarada nula a decisão recorrida, visto que teria deixado de analisar os aspectos fáticos atinentes a cada um dos processos administrativos apensados; ou, superado o pedido anterior (ii) fosse dado provimento ao seu recurso, para fins de homologar os PER/DCOMPs objeto deste recurso em face do crédito líquido e certo existente a seu favor. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10735.903883/201212 Acórdão n.º 3002000.225 S3C0T2 Fl. 157 4 É o breve relatório. Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 1. Da preliminar de nulidade Conforme acima narrado, a DRJ proferiu uma única decisão administrativa para os seguintes processos administrativos: Número do Processo Tributo 10735903898201281 COFINS 10735903894201201 COFINS 10735903888201245 COFINS 10735903885201210 COFINS 10735903884201267 COFINS 10735903883201212 COFINS Fundamentou o procedimento adotado da seguinte forma: Tais processos estão sendo juntados por “apensação”, considerando principal o de nº 10735903883201212, visando otimizar os procedimentos processuais e lavratura de atos relativos a todos eles, haja vista tratarse do mesmo contribuinte e mesma matéria em litigio. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte apresentou pedido preliminar no sentido de que fosse declarada nula a decisão recorrida, visto que teria deixado de analisar os aspectos fáticos atinentes a cada um dos processos administrativos apensados. Informou que as manifestações de inconformidade apresentadas nos processos nº 10735903884/201267, 10735903885/201210 e 10735903888/201245 realmente possuíam a mesma fundamentação. Contudo, que as manifestações apresentadas nos processos nº 10735903883/201212, 10735903894/201201 e 10735903898/201281 apresentavam questões de fato e de direito totalmente peculiares a cada pedido de compensação, que em nenhum momento foram ventiladas ou citadas pela decisão recorrida. Ressaltou, por exemplo, que no que tange ao processo nº 10735 903883/201212, a DCTF retificadora foi apresentada em data anterior ao despacho decisório, o que põe em cheque toda a fundamentação da decisão recorrida, centrada na suposta ausência de entrega de DCTF retificadora antes da apreciação do pleito pela DRF. De outro norte, no que tange ao processo nº 10735903894/201201, destacou que o seu fundamento de defesa dizia respeito ao fato de que a DCOMP indicava apenas o número de um DARF, quando teria realizado o pagamento através de dois DARFs. Por último, quanto ao processo nº 10735 903898/201281, informou que, antes mesmo de receber o despacho decisório, teria promovido o cancelamento da correspondente DCOMP. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10735.903883/201212 Acórdão n.º 3002000.225 S3C0T2 Fl. 158 5 Sendo assim, defendeu que, por ter a DRJ tratado de fatos diferentes e situações peculiares de uma mesma forma, teria findado por proferir uma decisão nula. Concordo com o Recorrente em seus fundamentos. Da análise dos autos, entendo que não era o caso de apensação dos processos em referência. Ao contrário do que entendeu a DRJ, não basta que os processos tenham o mesmo contribuinte e a mesma matéria em litígio para que sejam apensados. Isso porque, a consequência de apensação de processos é que o resultado proferido em um terá validade, automaticamente, para todos os demais processos. Acontece que, considerando que os processos aqui analisados tratam de pedidos de homologação de compensações apresentadas, entendo que a apensação não foi adequada, visto que, em processos desta natureza, o que está em discussão não é apenas a matéria de direito, como também a matéria fática, atinente à comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário alegado pelo contribuinte em cada um dos casos, cujos períodos de competência variam e cuja documentação comprobatória há de ser realizada tendo em vista a particularidade de cada caso específico. Logo, ainda que a matéria de direito seja a mesma, penso que, em tais casos, se apresenta imprescindível que seja apreciada a matéria fática e a documentação apresentada em cada um dos processos administrativos, sob pena de cerceamento do direito de defesa do contribuinte. Como se não bastasse, entendo que a apensação se demonstra ainda mais inadequada quando se constata que haviam questões de fato e de direito distintos em vários dos processos apensados, e que a DRJ não se manifestou sobre boa parte dessas questões, tornandoa nula de pleno direito, visto que carente de fundamentação. Ademais, verificase que a decisão recorrida apresentase deveras sucinta, não tendo individualizado os processos administrativos que estavam sendo julgados, tendo tratado todos como se fossem idênticos entre si, o que não são. Sendo assim, entendo que a indevida apensação dos processos em referência, somada à ausência de fundamentação sobre vários dos argumentos apresentados pelo contribuinte em suas manifestações de inconformidade, torna a decisão recorrida nula, por cerceamento do direito de defesa do contribuinte. Sobre a nulidade, assim dispõe o Decreto nº 70.235/1972: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (Grifos apostos). Sendo assim, entendo que se apresenta imperativo o retorno dos autos à DRJ, para que esta providencie o desapensamento dos processos em referência e, ato contínuo, proceda ao julgamento, em separado, de cada um dos processos administrativos referidos. 2. Da conclusão Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10735.903883/201212 Acórdão n.º 3002000.225 S3C0T2 Fl. 159 6 Diante do acima exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no presente caso, para, acatando a preliminar apresentada, decretar a nulidade da decisão recorrida, determinando que os autos retornem à DRJ para que esta providencie o desapensamento dos processos em referência e, em seguida, julgue cada uma das manifestações de inconformidade apresentadas, separadamente. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 160DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.914210/2012-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.851
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10980.914210/2012-96
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5879957
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-003.851
nome_arquivo_s : Decisao_10980914210201296.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10980914210201296_5879957.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7363161
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586187825152
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1759; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.914210/201296 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201003.851 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de junho de 2018 Matéria RESTITUIÇÃO Recorrente METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 42 10 /2 01 2- 96 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.914210/201296 Acórdão n.º 3201003.851 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 12 077.918, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, diante da não comprovação do crédito pleiteado. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal proferida no dia 8 de outubro de 2014, nos autos do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852/MG, que também reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.778, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.912250/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.778): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em novembro de 2006. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10980.914210/201296 Acórdão n.º 3201003.851 S3C2T1 Fl. 4 3 a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10980.914210/201296 Acórdão n.º 3201003.851 S3C2T1 Fl. 5 4 objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.914210/201296 Acórdão n.º 3201003.851 S3C2T1 Fl. 6 5 comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 54DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.904818/2008-34
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
O conhecimento do recurso está condicionado à satisfação do requisito de admissibilidade da tempestividade, estando ausente este, por interposição extemporânea, não se conhece o mérito recursal. Dicção dos arts. 5.º e 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972.
É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência da decisão recorrida efetivada por via postal. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Dicção da Súmula n.º 9 do CARF.
Demonstrado nos autos que o recurso foi interposto após vencido o prazo, sem que tenha sido apresentado qualquer prova de ocorrência de eventual fato impeditivo, não é admissível o seu conhecimento.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 1002-000.290
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. O conhecimento do recurso está condicionado à satisfação do requisito de admissibilidade da tempestividade, estando ausente este, por interposição extemporânea, não se conhece o mérito recursal. Dicção dos arts. 5.º e 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972. É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência da decisão recorrida efetivada por via postal. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Dicção da Súmula n.º 9 do CARF. Demonstrado nos autos que o recurso foi interposto após vencido o prazo, sem que tenha sido apresentado qualquer prova de ocorrência de eventual fato impeditivo, não é admissível o seu conhecimento. Recurso Voluntário Não Conhecido Direito Creditório Não Reconhecido
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10882.904818/2008-34
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5887629
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1002-000.290
nome_arquivo_s : Decisao_10882904818200834.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
nome_arquivo_pdf_s : 10882904818200834_5887629.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
id : 7375757
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586203553792
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1732; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 108 1 107 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.904818/200834 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.290 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 04 de julho de 2018 Matéria Simples PER/DCOMP Recorrente ALUMINAC ESQUADRIAS METALICAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. O conhecimento do recurso está condicionado à satisfação do requisito de admissibilidade da tempestividade, estando ausente este, por interposição extemporânea, não se conhece o mérito recursal. Dicção dos arts. 5.º e 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972. É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência da decisão recorrida efetivada por via postal. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Dicção da Súmula n.º 9 do CARF. Demonstrado nos autos que o recurso foi interposto após vencido o prazo, sem que tenha sido apresentado qualquer prova de ocorrência de eventual fato impeditivo, não é admissível o seu conhecimento. Recurso Voluntário Não Conhecido Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 48 18 /2 00 8- 34 Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10882.904818/200834 Acórdão n.º 1002000.290 S1C0T2 Fl. 109 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 35/38) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 26/31), proferida em sessão de 09 de outubro de 2014, consubstanciada no Acórdão n.º 0539.326, da 6.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP (DRJ/CPS), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efl. 9) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 25/09/2008 (efl. 7), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 23247.56406.061103.1.3.048102, transmitido em 06/11/2003, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer pagamento indevido ou a maior, negando a restituição, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 DIREITO CREDITÓRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO INVOCADO. RECOLHIMENTO INDEVIDO. PROVA DE ERRO. A homologação da compensação declarada pelo contribuinte está condicionada ao reconhecimento da liquidez e da certeza do direito creditório alegado pelo sujeito passivo. A demonstração de erro quanto à alíquota utilizada para o cálculo da contribuição devida ao Simples exige a demonstração de erro quanto à apuração da receita bruta relativa à faixa de sujeição do contribuinte, não bastando a mera retificação da Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica Simples PJSI. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10882.904818/200834 Acórdão n.º 1002000.290 S1C0T2 Fl. 110 3 Tratase de Declaração de Compensação formulada pelo sujeito passivo, conforme documento eletrônico PER/DCOMP n.º 23247.56406.061103.1.3.048102 (fl. 02/06), postulando a homologação de compensação de débitos relativos ao período de apuração de outubro de 2003, no valor de R$ 4.626,65. Segundo o referido PER/DCOMP, o crédito do contribuinte está consubstanciado em recolhimento levado a efeito pelo sujeito passivo sob a sistemática do Simples, em relação ao período de apuração de 30/06/2003, conforme código de receita n.º 6106. Em 25/09/2008 houve a emissão do Despacho Decisório Eletrônico – DDE, cadastrado sob n.º de rastreamento 791203795 (fl. 07). Segundo referido ato, não houve a homologação da compensação informada pelo sujeito passivo em sua Declaração de Compensação, pelo fato do recolhimento informado como ensejador do direito de crédito, DARF n.º 1436376961, estar alocado parcialmente ao débito relativo ao período de apuração 01/06/2003 (R$ 14.638,55) e parcialmente ao PER/DCOMP n.º 21014.51278.101003.1.3.046643 (R$ 7.319,28). Cientificado o contribuinte, o mesmo comparece aos autos apresentando seu instrumento de manifestação de inconformidade de fl. 09, alegando, em síntese, que o Despacho Decisório considerou como utilizada a quantia de R$ 7.319,28 na Declaração de Compensação PER/DCOMP 21014.51278.101003.1.3.046643, quando, em realidade, somente fora utilizado o valor de R$ 2.024,18; que o saldo de crédito original é de R$ 5.295,10, sendo suficiente para a quitação. O Despacho Decisório informa que o crédito pleiteado, a título de restituição, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, inexiste, razão pela qual não se homologou a compensação. Informase, outrossim, que, a partir das características do DARF discriminado no próprio PER/DCOMP, foram localizados pagamentos integralmente utilizados para quitação de outros débitos do contribuinte, de modo a não mais haver crédito disponível para utilizar em operação de compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi quitado, isto é, não foi compensado. Temse o seguinte quadro sintético demonstrativo da situação de inexistência do crédito: Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração (PA) Código de Receita Valor total do DARF Data de Arrecadação 30/06/2003 6106 R$ 21.957,83 08/07/2003 Utilização dos Pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP Número do Pagamento Valor Original Total Processo (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) Valor Original Utilizado 1436376961 R$ 21.957,83 PD: 21014.51278.101003.1.3.046643 R$ 7.319,28 DB: cód 6106 PA 01/06/2003 R$ 14.638,55 Valor Total R$ 21.957,83 A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, mantendose o não reconhecimento do crédito e, por conseguinte, não homologando a compensação, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10882.904818/200834 Acórdão n.º 1002000.290 S1C0T2 Fl. 111 4 (...), não há nos autos qualquer elemento que permita concluir pelo descabimento do recolhimento levado a efeito originariamente pelo sujeito passivo. Efetivamente, consta nos sistemas da Receita Federal do Brasil o seguinte documento de arrecadação: (...) (...) Dessa forma, o recolhimento, até que o contribuinte demonstre o contrário, prevalece como válido e regularmente feito, não havendo motivo para desconsiderar parte do seu valor como tal, validandoo como crédito a ser passível de aproveitamento em outras compensações. O surgimento de um crédito depende da demonstração de que houve o recolhimento indevido ou a maior, isto é, um recolhimento no todo ou em parte maculado pelo erro do contribuinte. No caso dos autos, não há a demonstração de erro quanto ao recolhimento apontado em relação ao Simples, de forma que carece o pedido do contribuinte de amparo material, por não restar demonstrado o erro de apuração que ensejou o recolhimento que se pretende aproveitar parcialmente em outro período de apuração. (...) (...) Ademais, partindose da premissa segundo a qual o pedido de compensação é uma faculdade do contribuinte, o seu exercício não deve se afastar dos postulados necessários à sua legalidade, qual seja, a demonstração de que o crédito invocado seja certo quanto à sua existência e líquido quanto à sua dimensão valorativa, tal qual posto no artigo 170 do Código Tributário Nacional – CTN. Dessa forma, caberia ao sujeito passivo trazer aos autos elementos que pudessem demonstrar que o recolhimento levado a efeito o foi de forma incorreta, o que não ocorreu, razão pela qual, não se pode acolher a mera alegação de titularidade de um crédito sem a demonstração efetiva da ocorrência do fundamento de fato ensejador da incorreção do recolhimento. Esses foram os principais fundamentos do indeferimento na decisão da DRJ. No recurso voluntário, inicialmente o contribuinte diz que tomou ciência da decisão recorrida em 15/01/2013 (efl. 36, capítulo "II. Do Direito"), a despeito do aviso de recebimento nos autos com data de 07/01/2013 (efl. 33). No mérito, trata do recolhimento a maior e, ao final, pede para ser reconhecido o crédito. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10882.904818/200834 Acórdão n.º 1002000.290 S1C0T2 Fl. 112 5 Admissibilidade Inicialmente, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF (RICARF), com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. A despeito da competência desta Turma Extraordinária, o Recurso Voluntário não atende ao pressuposto de admissibilidade extrínseco relativo a tempestividade, uma vez que foi interposto após o trintídio legal estabelecido no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, de modo que não se pode conhecêlo. Deveras, observo a confirmação da entrega da intimação postal, dando ciência da decisão de primeira instância, em 07/01/2013, segundafeira, conforme aviso de recebimento colacionado nos autos (efl. 33), no entanto o recurso voluntário só foi apresentado em 13/02/2013, quartafeira de cinzas (efl. 35), quando já vencido o prazo, vez que o prazo fatal era em 06/02/2013 (quartafeira, na semana anterior ao carnaval). Portanto, não é possível conhecêlo. Registrese, por oportuno, que este Conselho Administrativo de Recurso Fiscais possui súmula confirmando a validade da intimação por via postal entregue no endereço do sujeito passivo, a teor da Súmula n.º 9, vejase: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. A referida súmula teve por suporte os seguintes paradigmas: Acórdão n.º 10246574, de 01/12/2004, Acórdão n.º 10420408, de 26/01/2005, Acórdão n.º 106 14266, de 21/10/2003, Acórdão n.º 10707076, de 20/03/2003, Acórdão n.º 10807562, de 16/10/2003, Acórdão n.º 20168026, de 20/05/1992, Acórdão n.º 20208457, de 21/05/2003, Acórdão n.º 20209572, de 14/10/1997, Acórdão n.º 20171773, de 02/06/1998, Acórdão n.º 20306545, de 09/05/2000. Demais disto, estabelece o Decreto n.º 70.235, de 1972, que os prazos são contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento (art. 5.º, caput) e que os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato (art. 5.º, parágrafo único), mas, ainda assim, mantémse o recurso sob o crivo da intempestividade e, por outro lado, o recorrente não apresentou qualquer prova de ocorrência de eventual fato impeditivo ao manejo do seu recurso a tempo e modo esperado. Por conseguinte, não há que se admitir recurso extemporâneo, caso contrário, estaria sendo declarada uma inconstitucionalidade incidenter tantum do Decreto n.º 70.235, de 1972, vedada no Regimento Interno do CARF (art. 62, Anexo II, aprovado pela Portaria MF n.º 343, de 2015) e pela súmula a seguir deste Egrégio Conselho: "Súmula CARF n.º 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Destaco, por oportuno, que esta Colenda 2.ª Turma Extraordinária da Primeira Seção de Julgamentos já analisou caso tratando de recurso intempestivo e deu Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10882.904818/200834 Acórdão n.º 1002000.290 S1C0T2 Fl. 113 6 igual tratamento a teor dos Acórdãos ns.º 1002000.076, 1002000.141, 1002000.142, 1002000.147, 1002000.197 e 1002000.206. Por conseguinte, não tendo sido demonstrada a tempestividade do recurso voluntário, dele não conheço. Considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ e reitero a intempestividade do recurso. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em não conhecer do Recurso Voluntário, por ausência do requisito de admissibilidade extrínseco da tempestividade, consequentemente mantendo íntegra a decisão da primeira instância. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 113DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.005718/2010-79
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO E OBSCURIDADE. ACOLHIMENTO.
Devem ser acolhidos os embargos de declaração para sanar a contradição e obscuridade apontadas, quando constatado que o acórdão embargado efetivamente tinha esses defeitos.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRÊMIO. NATUREZA REMUNERATÓRIA. NÃO EVENTUALIDADE.
Pagamentos feitos pelo empregador aos empregados a título de prêmios integram o salário-de-contribuição, pois têm natureza remuneratória e não podem ser considerados pagamentos eventuais, ainda que pagos apenas uma vez no ano.
O termo eventual designa aquilo que é incerto, imprevisível e não o que é raro ou pouco freqüente.
Numero da decisão: 9202-007.047
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 9202-006.133, de 24/10/2017, com efeitos infringentes, reconhecer que a matéria em litígio é relativa a verba de prêmios e não de previdência complementar e, no mérito, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que mantiveram a decisão original de dar-lhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora
(Assinado digitalmente)
PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício)
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO E OBSCURIDADE. ACOLHIMENTO. Devem ser acolhidos os embargos de declaração para sanar a contradição e obscuridade apontadas, quando constatado que o acórdão embargado efetivamente tinha esses defeitos. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRÊMIO. NATUREZA REMUNERATÓRIA. NÃO EVENTUALIDADE. Pagamentos feitos pelo empregador aos empregados a título de prêmios integram o salário-de-contribuição, pois têm natureza remuneratória e não podem ser considerados pagamentos eventuais, ainda que pagos apenas uma vez no ano. O termo eventual designa aquilo que é incerto, imprevisível e não o que é raro ou pouco freqüente.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15504.005718/2010-79
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5894219
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9202-007.047
nome_arquivo_s : Decisao_15504005718201079.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PATRICIA DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 15504005718201079_5894219.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 9202-006.133, de 24/10/2017, com efeitos infringentes, reconhecer que a matéria em litígio é relativa a verba de prêmios e não de previdência complementar e, no mérito, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que mantiveram a decisão original de dar-lhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora (Assinado digitalmente) PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício)
dt_sessao_tdt : Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
id : 7402292
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586218233856
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1928; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 617 1 616 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15504.005718/201079 Recurso nº Embargos Acórdão nº 9202007.047 – 2ª Turma Sessão de 24 de julho de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado GLOBAL VALUE SOLUÇÕES LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO E OBSCURIDADE. ACOLHIMENTO. Devem ser acolhidos os embargos de declaração para sanar a contradição e obscuridade apontadas, quando constatado que o acórdão embargado efetivamente tinha esses defeitos. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRÊMIO. NATUREZA REMUNERATÓRIA. NÃO EVENTUALIDADE. Pagamentos feitos pelo empregador aos empregados a título de prêmios integram o saláriodecontribuição, pois têm natureza remuneratória e não podem ser considerados pagamentos eventuais, ainda que pagos apenas uma vez no ano. O termo “eventual” designa aquilo que é incerto, imprevisível e não o que é raro ou pouco freqüente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 9202 006.133, de 24/10/2017, com efeitos infringentes, reconhecer que a matéria em litígio é relativa a verba de prêmios e não de previdência complementar e, no mérito, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que mantiveram a decisão original de darlhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 57 18 /2 01 0- 79 Fl. 617DF CARF MF 2 Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora (Assinado digitalmente) PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício) Relatório Em sessão plenária de 24/10/2017, foi julgado o Recurso Especial interposto pela Contribuinte (efls. 425 a 434), proferindose a decisão consubstanciada no Acórdão nº 9202006.133 (efls 581 a 597), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. REMUNERAÇÃO. PRÊMIO. CARÁTER NÃO EVENTUAL. A totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, independentemente de serem ou não habituais, encontramse no campo de incidência das contribuições previdenciárias por definição da legislação previdenciária. As importâncias recebidas a título de ganhos eventuais encontramse excluídas da base de cálculo das contribuições previdenciárias por definição da legislação a elas atinente. A habitualidade é requisito para que a prestação in natura, integre o saláriodecontribuição e diz respeito à freqüência da concessão da referida prestação. Já a eventualidade, como elemento caracterizador da isenção prevista no art. 28, § 9º, alínea “e”, item “7”, ou seja, que decorram de importâncias recebidas a títulos de ganhos eventuais, diz respeito à ocorrência de caso fortuito ou incerto. No presente caso há de se assinalar que foram realizados pagamentos em pecúnia a título de prêmio, o que afasta a necessidade de se indagar a habitualidade com que o pagamento foi realizado, bastando que ele não fosse fortuito para que incidisse a tributação previdenciária. Fl. 618DF CARF MF Processo nº 15504.005718/201079 Acórdão n.º 9202007.047 CSRFT2 Fl. 618 3 LEI COMPLEMENTAR 109/2001. LEI 8.212/1991. APLICAÇÃO NORMA POSTERIOR PARA EFEITOS DE APURAÇÃO DO CONCEITO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO A legislação que disciplina a exclusão da base de cálculo de contribuições previdenciárias pode ser afastada por novel legislação de previdência complementar que se reporte expressamente à matéria tributária. REMUNERAÇÃO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. AUTOMÓVEIS CEDIDOS A EMPREGADOS COM CARGO DE GESTÃO. Integram o saláriodecontribuição os valores das utilidades oferecidas com habitualidade aos empregados em posição de gerência, decorrentes da relação laboral com a empresa, ainda que não se enquadrassem no conceito de salário para os fins do Direito do Trabalho. A decisão foi assim registrada: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para afastar a tributação dos valores relacionados à previdência privada aberta, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento integral. Votou pelas conclusões a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada). O processo foi encaminhado à PGFN em 22/11/2017 (Despacho de Encaminhamento de efl. 598) e, de acordo com o disposto no art. 79, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, com a redação da Portaria MF nº 39, de 2016, a intimação presumida da Fazenda Nacional ocorreria em 22/12/2017. Em 15/12/2017, a Fazenda Nacional opôs, tempestivamente, os Embargos de Declaração de efls. 599 a 605 (Despacho de Encaminhamento de efl. 606), com fundamento no art. 65, do Anexo II, do RICARF, alegando a existência de contradição e obscuridade no acórdão embargado. O vício foi assim resumido: "1) a Turma, s.m.j., partiu da premissa fática equivocada de que os prêmios foram pagos a título de previdência privada; 2) os levantamentos de Previdência Privada e Prêmios de IRRF são distintos; 3) já houve exoneração da parte do lançamento relativa a Previdência Privada pelo acórdão nº 2402004.546, inexistindo recurso da União; 4) o entendimento esposado pela Turma no acórdão ora embargado (...) acerca dos conceitos de habitualidade e eventualidade, conduzem, s.m.j., à manutenção do lançamento relativo ao Prêmio de IRRF; Fl. 619DF CARF MF 4 5) (...) está obscura a fundamentação adotada pela Turma; a União requer que o Colegiado esclareça se existe nos autos algum elemento probatório que conduza à conclusão de que os prêmios foram pagos a título de previdência privada, explicitando suas razões de decidir. E, caso entenda que houve equívoco na premissa fática utilizada, confira efeitos infringentes aos presentes embargos para restabelecer o lançamento (levantamento Prêmio), procedendo às devidas retificações no acórdão." Com efeito, o Recurso Especial interposto pela Contribuinte, ao qual foi dado seguimento integral, referiase a duas matérias, quais sejam, pagamento de prêmios/não eventualidade e salário indireto/automóveis cedidos a empregados com cargo de gestão. Não obstante, a primeira matéria foi analisada no acórdão embargado como se tratasse de previdência privada aberta, não disponibilizada a todos os dirigentes e empregados, matéria essa efetivamente julgada no Acórdão de Recurso Voluntário, porém com provimento a favor da Contribuinte, e obviamente não suscitada no seu Recurso Especial. Dita matéria também não foi objeto de Recurso Especial pela Fazenda Nacional, ora Embargante. Assim, os argumentos da Embargante estão a demonstrar que a matéria "pagamento de prêmios/não eventualidade" efetivamente carece de reapreciação pela Instância Especial. Os Embargos de Declaração foram acolhidos a fim de sanar a contradição constante do relatório e do voto. É o relatório Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora Conforme Despacho de Admissibilidade de Embargos os Embargos de Declaração da Fazenda Nacional foram acolhidos para sanar a contradição alegada, conforme trecho transcrito abaixo: Assim, os argumentos da Embargante estão a demonstrar que a matéria "pagamento de prêmios/não eventualidade" efetivamente carece de reapreciação pela Instância Especial. Diante do exposto, com fundamento no art. 65, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, ACOLHO os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional. Conforme voto proferido pelo Ilmo. Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos o objeto do litígio Inicialmente cabe destacar que, no que toca ao levantamento de previdência privada, a Segunda Turma da Quarta Câmara da Segunda Seção do CARF deu provimento ao recurso voluntário para excluíla do lançamento. É o que se extrai do seguinte trecho conclusivo do voto condutor do acórdão nº 2402004.546: Fl. 620DF CARF MF Processo nº 15504.005718/201079 Acórdão n.º 9202007.047 CSRFT2 Fl. 619 5 Com base no exposto, voto por conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento, acatar a preliminar de decadência, excluindo o período até 03/2005, também para os levantamentos PR (Prêmios) e PP (Previdência Privada), e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, excluindo a parte do lançamento relativa à parcela de previdência privada (levantamento PP), e determinando que o crédito tributário relativo à parcela in natura pela cessão de veículos aos empregados (levantamento AV) seja calculado de acordo com o critério inscrito no Parecer Normativo COSIT n° 11/92. Nesse contexto, considerando que a parte do lançamento relativa ao levantamento de Previdência Privada foi exonerada pelo Colegiado a quo, inexistindo recurso da Fazenda Nacional, temse que ao contrário do que constou no voto condutor do acórdão ora embargado, a matéria não foi devolvida à apreciação da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Ocorre que tal premissa fática está incorreta e em contradição com o segundo parágrafo do relatório do acórdão, que descreve as infrações fiscais. Cabe ressaltar que o lançamento englobou três levantamentos distintos, conforme se extrai do Discriminativo de Débito de fl. 4, que apontou irregularidades relativas a: 1) Aluguel de Veículo (levantamento AV), 2) Previdência Privada (levantamento PP) e 3) Prêmio (levantamento PR). O relatório fiscal (fls. 41/46) descreveu essas três irregularidades, independentes, nos seguintes itens: 1) Aluguel de Veículos (itens 4 a 6); 2) Prêmios com IRRF (itens 7 a 8); e 3) Previdência Privada (itens 9 a 10). Isto posto, considero que: 1) a Turma partiu da premissa fática equivocada de que os prêmios foram pagos a título de previdência privada; 2) os levantamentos de Previdência Privada e Prêmios de IRRF são distintos; 3) já houve exoneração da parte do lançamento relativa a Previdência Privada pelo acórdão nº 2402 004.546, inexistindo recurso da União; 4) o entendimento esposado pela Turma no acórdão ora embargado acerca dos conceitos de habitualidade e eventualidade, podem conduzir ou não à manutenção do lançamento relativo ao Prêmio de IRRF; 5) que está obscura a fundamentação adotada pela Turma; Entendo, conforme meu voto que Fl. 621DF CARF MF 6 Assim, reconhecendo que houve equívoco na premissa fática utilizada voto no sentido de conhecer e acolher os Embargos de Declaração apostos pelo Fazenda para re ratificar o acórdão 9202006.133, para sanar o vício apontado no decisum, verbis: Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso especial da contribuinte, para dar lhe provimento parcial, para afastar a tributação dos valores relacionados a prêmios. É como voto. (Assinado digitalmente) Patrícia da Silva Voto Vencedor Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Redator Designado Divergi da i. Relatora quanto ao mérito a respeito do conceito de eventualidade aplicável à espécie e, conseqüentemente, à caracterização da verba em apreço como saláriodecontribuição. Entendo, no mesmo sentido do voto condutor do acórdão recorrido, que prêmios, por natureza, constituem parcelas contraprestativas pagas pelo Fl. 622DF CARF MF Processo nº 15504.005718/201079 Acórdão n.º 9202007.047 CSRFT2 Fl. 620 7 empregador , destinadas a retribuir o trabalho e, como tais, não podem ser tidas como ganhos eventuais a que se refere o art. 28, § 9º, “e”, “7”, como quer a Contribuinte, verbis: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa ... § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) ... e) as importâncias: (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97 ... 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). O termo eventual não significa raro, pouco freqüente, mas incerto, imprevisível, fortuito, e não é esse o caso do prêmio, que é, por definição, retribuição vinculada ao desempenho do beneficiário e, portanto, é algo prometido, anunciado, previamente pactuado expressa ou tacitamente, vinculado a um desempenho prévio, do qual é contrapartida. No caso concreto foram pagas verbas a esse título a apenas alguns empregados e, embora tenham sido pagas apenas uma vez no ano, não podem ser tida como eventual, pois, como referido acima, não se pode afirmar tratarse de pagamento imprevisível. O art.128, inciso I, da Lei nº 8.212, de 1991 não deixa margem a duvida quanto à abrangência do conceito de salário de contribuição ao referirse aos pagamentos “destinados aretribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma”. O pagamento na forma de prêmio não desnatura a natureza de remuneração pelo trabalho. É certo que o mesmo art. 28 admite exceções, mas estas, como se viu, não abarcama a verba aqui analisada. Ante o exposto, entendendo serem tributáveis as verbas recebidas a título de prêmios, nego provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Fl. 623DF CARF MF 8 Pedro Paulo Pereira Barbosa –Redator designado Fl. 624DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10325.000712/2005-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
COFINS. CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS.
O direito de crédito pelas aquisições de insumos, na apuração não cumulativa da Cofins, nos termos da Lei nº 10.637/02, legitima-se por meio dos documentos comprobatórios do recebimento e do efetivo pagamento pelos bens, incumbindo a prova dessa situação jurídica ao contribuinte, a teor do art. 373, I do Código de Processo Civil (2015), e art. 36 da Lei nº 9.784/99, de modo que, não se desvencilhando o interessado de produzir essa prova, não há como reconhecer-lhe o direito (de crédito) vindicado.
Numero da decisão: 3401-005.051
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson José Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 COFINS. CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. O direito de crédito pelas aquisições de insumos, na apuração não cumulativa da Cofins, nos termos da Lei nº 10.637/02, legitima-se por meio dos documentos comprobatórios do recebimento e do efetivo pagamento pelos bens, incumbindo a prova dessa situação jurídica ao contribuinte, a teor do art. 373, I do Código de Processo Civil (2015), e art. 36 da Lei nº 9.784/99, de modo que, não se desvencilhando o interessado de produzir essa prova, não há como reconhecer-lhe o direito (de crédito) vindicado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jul 06 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10325.000712/2005-32
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5874315
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 06 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-005.051
nome_arquivo_s : Decisao_10325000712200532.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
nome_arquivo_pdf_s : 10325000712200532_5874315.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson José Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
id : 7351747
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586221379584
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1548; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 1.107 1 1.106 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10325.000712/200532 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401005.051 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de maio de 2018 Matéria COFINS Recorrente VIENA SIDERÚRGICA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 COFINS. CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. O direito de crédito pelas aquisições de insumos, na apuração não cumulativa da Cofins, nos termos da Lei nº 10.637/02, legitimase por meio dos documentos comprobatórios do recebimento e do efetivo pagamento pelos bens, incumbindo a prova dessa situação jurídica ao contribuinte, a teor do art. 373, I do Código de Processo Civil (2015), e art. 36 da Lei nº 9.784/99, de modo que, não se desvencilhando o interessado de produzir essa prova, não há como reconhecerlhe o direito (de crédito) vindicado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson José Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 5. 00 07 12 /2 00 5- 32 Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 10325.000712/200532 Acórdão n.º 3401005.051 S3C4T1 Fl. 1.108 2 Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório 1. Adoto, por fidedigno, o relatório da Resolução CARF nº 3401000.854, abaixo transcrito: Trata o presente processo de pedido de ressarcimento do COFINS nãocumulativo do 2o trimestre de 2005. O crédito foi parcialmente indeferido, sob fundamento de que parte dele, decorrente da aquisição de carvão vegetal, tinha como base notas fiscais irregulares, pois se tratam de notas fiscais complementares emitidas pela própria Recorrente. O processo já foi analisado uma primeira vez por este Conselho (fls. 01/05), ocasião na qual o julgamento foi convertido em diligência para que o crédito fosse apurado com base nas páginas do livrorazão apresentadas e nos outros documentos fiscais da contribuinte. No relatório de diligência, consta a conclusão de existência de crédito superior ao declarado na DACON e ao pleiteado pela Contribuinte. A Contribuinte foi intimada do resultado da diligência , mas permaneceu inerte. É o Relatório. 2. Extraise do relatório de diligência fiscal, situado a partir da fl. 1095, relação de processos da mesma contribuinte com a discriminação do tributo e do período de apuração em debate: Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 10325.000712/200532 Acórdão n.º 3401005.051 S3C4T1 Fl. 1.109 3 3. Concluiu a diligência nos seguintes termos: A diligenciada apresentou planilha de notas fiscais complementares, emitidas no 2º trimestre de 2005, no montante de R$4.497.090,06 (quatro milhões, quatrocentos e noventa e sete mil, noventa reais e seis centavos), pela entrada do insumo carvão, adquirido de fornecedores sediados no país, que, conforme seus esclarecimentos, são decorrentes das diferenças de pesagem realizada no momento do recebimento. Daquele montante, os fornecedores pessoas jurídicas somam R$4.464.755,23 (quatro milhões, quatrocentos e sessenta e quatro mil, setecentos e cinquenta e cinco reais, vinte e três centavos), sediadas nos Estados do Maranhão, Minas Gerais, Pará e Tocantins. O valor de R$32.334,83 (trinta e dois mil, trezentos e trinta e quatro reais, oitenta e três centavos) referese a fornecedores pessoa física, domiciliados no Estado do Piauí, conforme demonstrado, a seguir. (...) Advertese que as notas fiscais complementares, objeto de glosa no Termo de Verificação Fiscal (vol. 2.2, fl. 416) somam R$4.537.430,69 (quatro milhões, quinhentos e trinta e sete mil, quatrocentos e trinta reais, sessenta e nove centavos). Ou seja, a planilha apresentada a essa diligência está reduzida de R$40.340,63 (quarenta mil, trezentos e quarenta reais, sessenta e três centavos). Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 10325.000712/200532 Acórdão n.º 3401005.051 S3C4T1 Fl. 1.110 4 O contribuinte não apresentou os comprovantes de pagamentos. Alegou, em sua resposta, que todos os documentos físicos do período foram perdidos, em razão do tempo. Indicou que há os registros escriturados nos livros de entrada, apuração do ICMS, Livro Diário e Livro Razão, constantes do processo. Esclareceu, ainda, que as impugnações apresentadas contêm amostras suficientes de demonstrativos, notas fiscais, notas fiscais complementares e seus comprovantes de pagamento que comprovam a idoneidade da operação. No processo, constatase que o contribuinte escriturou adiantamentos a fornecedores de carvão, relacionados nas notas fiscais complementares, e, de forma consolidada, o estoque de carvão vegetal e o montante do insumo carvão aplicado na produção, conforme o Balancete Contábil Analítico (vol. 2, fls. 304 e seguintes). Escriturou, no Razão Analítico, a aquisição de carvão vegetal e o frete decorrente do transporte (vol. 4.2, fls. 856 e seguintes). Porém, no processo, ao contrário do alegado pela diligenciada, não há comprovantes do efetivo pagamento do insumo carvão, identificado na relação de notas fiscais complementares, objeto de glosa no pedido de ressarcimento da COFINS não cumulativa, do 2º trimestre de 2005. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator O recurso voluntário preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 4. A questão, trazida pela mesma contribuinte, foi tratada por esta turma em diversas oportunidade, como, e.g., ambos publicados em 04/04/2018, no Acórdão CARF nº 3401004.452, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan, e no Acórdão CARF nº 3401 004.433, de relatoria do Conselheiro Robson José Bayerl, de cujas razões extraímos os seguintes trechos, com os quais comungamos: "O debate, nessa assentada, repousa na possibilidade de reconhecer direito de crédito em relação a pretensas aquisições de carvão vegetal, em grande parte (98%), de pessoas jurídicas, pela emissão de notas fiscais complementares pelo próprio adquirente, in casu, o recorrente. Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 10325.000712/200532 Acórdão n.º 3401005.051 S3C4T1 Fl. 1.111 5 A Resolução nº 3401000.227, de 03/02/2011, já havia fixado que esse procedimento, reprovado pela fiscalização, de fato, não contava com respaldo do Decreto nº 4.544/02, que, dentre as várias hipóteses para emissão de nota fiscal, não relacionava a “autorização para que o adquirente emita nota fiscal complementar para si mesmo”, entretanto, reconheceu que esse não era o único documento hábil a referendar o direito de crédito da não cumulatividade para o PIS/Pasep, oportunidade que, em nome do princípio da verdade material, determinou a aferição das quantidades de carvão adquiridas e registradas. Em retorno de diligência, a mesma turma julgadora, à vista da ausência de entrega dos arquivos digitais o que, segundo o recorrente, deveuse à perda da base de dados e à mingua de outras informações, entendeu que as aquisições não estavam devidamente demonstradas, porquanto fundadas simplesmente na escrituração das sobreditas notas fiscais complementares, e determinou nova diligência para que fossem apresentados, dentre outros documentos, os comprovantes de pagamento dessas diferenças. Esse novel procedimento não trouxe qualquer novo elemento comprobatório das vindicadas aquisições, mas apenas registros contábeis das notas complementares e o registro consolidado de adiantamentos a fornecedores de carvão. Consoante art. 3º, II, § 1º, I da Lei nº 10.637/02, o contribuinte poderá descontar créditos relativos aos bens, utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, adquiridos no mês. A espécie de “aquisição” tratada nesses autos é a operação de compra e venda de carvão vegetal, que se qualifica como tal pelo compromisso do vendedor de transferir o domínio da coisa (carvão vegetal) e do vendedor de pagarlhe o valor ajustado (preço), nos termos do art. 481 do Código Civil – Lei nº 10.406/02. Na mesma linha intelectiva da Resolução nº 3401000.227, o Decreto nº 4.544/02 dispõe que os créditos (aquisições) são escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista dos documentos que lhes conferem legitimidade (art. 190, caput reprodução do art. 171 do Decreto nº 2.637, de 1998). Como decidido naquela ocasião, as notas fiscais complementares emitidas pelo próprio contribuinte, ora recorrente, não contam com aval da legislação tributária para sua admissibilidade, o que, por via transversa, prejudica os lançamentos respectivos, razão pela qual o mero registro dessas notas fiscais, por não legitimarem o direito de crédito, não são suficientes à garantia desse mesmo direito. Então, afastada essa possibilidade probatória, cabia ao recorrente, por analogia ao art. 82, parágrafo único, da Lei nº 9.430/96, cumulativamente, comprovar o recebimento da mercadoria e a comprovação do efetivo pagamento. Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 10325.000712/200532 Acórdão n.º 3401005.051 S3C4T1 Fl. 1.112 6 A Resolução nº 3401000.227 aparentemente teria admitido as fichas de controle do IBAMA como prova do recebimento da mercadoria, todavia, a realização do pagamento não foi demonstrada, sendo de pouca valia a alegação descritiva do caráter informal, por assim dizer, do mercado local de carvão vegetal. Notese que o direito de crédito, à luz do art. 3º da Lei nº 10.637/02, se perfaz pela aquisição do insumo, não bastando a esse desiderato a simples prova do seu recebimento, mas principalmente a sua contrapartida: o pagamento. Nesse passo, segundo o art. 373, I do Código de Processo Civil (2015) e art. 36 da Lei nº 9.784/99, utilizados subsidiariamente no processo administrativo contencioso, a prova dos fatos constitutivos do direito que invoca é incumbência do autor do pedido, no caso de restituição e ressarcimento de créditos, o contribuinte, que, não se desvencilhando desse encargo, vê o seu direito perecer pela ausência de prova de sua existência. Nesse ponto, também não socorre o recorrente a alegação de perda desses documentos pela ação do tempo, haja vista que o art. 195, parágrafo único, do Código Tributário Nacional prevê que “os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram”, de maneira que, pendente de julgamento os recursos administrativos interpostos, e, por conseqüência, suspensa a exigibilidade do crédito tributário, ainda não ocorreu a sua prescrição, de sorte que era obrigatório ao contribuinte a manutenção em boa guarda de toda a documentação relativa aos lançamentos que contesta. Em síntese, não comprovado o pagamento das diferenças de carvão vegetal, objeto das notas fiscais complementares, não há como reconhecerlhes o qualificativo de aquisição de insumo, para a finalidade de creditamento da apuração não cumulativa do PIS/Pasep (Lei nº 10.637/02). Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário manobrado" (seleção e grifos nossos). 5. Coerente com a posição anteriormente adotada por este relator nas diversas vezes em que a matéria foi apreciada por este colegiado, sempre referentes à contribuinte ora recorrente, entendo que recalcitrância da autuada não merece, portanto, acolhida, sobrevindo carência probatória a seu pleito, nos termos das razões acima transcritas. Assim, pelos fundamentos acima expostos, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 10325.000712/200532 Acórdão n.º 3401005.051 S3C4T1 Fl. 1.113 7 (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 1113DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13123.720038/2015-42
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2015
OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS. INDEFERIMENTO.
Consoante o artigo 17, inciso V, da Lei nº 123, de 2006, é cabível o indeferimento da opção pelo Simples Nacional formulado pelas pessoas jurídicas que tenham débitos, sem exigibilidades suspensas, junto ao INSS ou, junto às Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, na data limite estipulada para formular a opção.
Numero da decisão: 1001-000.578
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2015 OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS. INDEFERIMENTO. Consoante o artigo 17, inciso V, da Lei nº 123, de 2006, é cabível o indeferimento da opção pelo Simples Nacional formulado pelas pessoas jurídicas que tenham débitos, sem exigibilidades suspensas, junto ao INSS ou, junto às Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, na data limite estipulada para formular a opção.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13123.720038/2015-42
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5884723
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1001-000.578
nome_arquivo_s : Decisao_13123720038201542.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : EDUARDO MORGADO RODRIGUES
nome_arquivo_pdf_s : 13123720038201542_5884723.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
id : 7371949
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586222428160
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1391; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 2 1 1 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13123.720038/201542 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.578 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 05 de junho de 2018 Matéria Indeferimento de Opção SIMPLES Recorrente J. E. CARNEIRO ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2015 OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS. INDEFERIMENTO. Consoante o artigo 17, inciso V, da Lei nº 123, de 2006, é cabível o indeferimento da opção pelo Simples Nacional formulado pelas pessoas jurídicas que tenham débitos, sem exigibilidades suspensas, junto ao INSS ou, junto às Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, na data limite estipulada para formular a opção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 12 3. 72 00 38 /2 01 5- 42 Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13123.720038/201542 Acórdão n.º 1001000.578 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 35 a 45) interposto contra o Acórdão nº 0371.284, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF (fls. 26 a 30), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2015 OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS. INDEFERIMENTO. Consoante o artigo 17, inciso V, da Lei nº 123, de 2006, é cabível o indeferimento da opção pelo Simples Nacional formulado pelas pessoas jurídicas que tenham débitos, sem exigibilidades suspensas, junto ao INSS ou, junto às Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, na data limite estipulada para formular a opção. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio " Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " Trata o presente processo de manifestação de inconformidade em face do indeferimento, constante do “Termo de Indeferimento de Opção pelo Simples Nacional” de fl. 11 (data de registro em 09/02/2015), que não acatou a solicitação de opção pelo Simples Nacional formalizado pelo contribuinte em 22/01/2015. A opção foi indeferida em virtude de existir o débito de SIMPLES NACIONAL (código de receita 1507), inscrito em Dívida Ativa da União (ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional – PGFN) com o nº de inscrição 1441400178263 (processo nº 10746.503042/201441); o qual não se encontrava com a exigibilidade suspensa, com fundamento no inciso V, artigo 17 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Cientificada dessa pendência a pessoa jurídica interessada apresentou em 23/02/2015, por intermédio de procurador regularmente constituído (instrumento de mandato de fl. 04), a manifestação de inconformidade de fls. 02/03 alegando, em apertada síntese, que o débito foi quitado em 19/02/2015. Junta documentos visando fazer prova do que alega e solicita o enquadramento no Simples Nacional. " Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou o recurso sobre análise apenas reiterando os termos aventados em primeira instância. Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13123.720038/201542 Acórdão n.º 1001000.578 S1C0T1 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF, e por concordar com seu teor, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas: "(...) O litígio é decorrente do ato de indeferimento da opção pelo Simples Nacional para o ano de 2015 em virtude da existência de débito inscrito em Dívida Ativa da União que a interessada contesta, alegando que pagou. Não assiste razão à empresa manifestante. A Lei Complementar nº 123, de 2006, estabelece em seu artigo 17, inciso V, condição impeditiva para recolher tributos na sistemática do Simples Nacional a existência de débitos: Lei Complementar nº 123/2006 Das Vedações ao Ingresso no Simples Nacional Art.17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (...) Consoante o que dispõe a Resolução CGSN nº 94, de 29 de novembro de 2011, tal impedimento era passível de regularização, desde que tal regularização se desse no mesmo prazo concedido para fazer a opção pelo Simples Nacional: Resolução CGSN nº 94/2011 Art. 6º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13123.720038/201542 Acórdão n.º 1001000.578 S1C0T1 Fl. 5 4 opção, ressalvado o disposto no §5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2º) § 2º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; II efetuar o cancelamento da solicitação de opção, salvo se o pedido já houver sido deferido. (...) Excepcionalmente para o ano de 2015 o prazo para regularização das pendências motivadoras dos indeferimentos da opções dos contribuintes pelo Simples Nacional encerrouse em 06/02/2015, conforme notícia a seguir transcrita assinada pela SecretariaExecutiva do Comitê Gestor do Simples Nacional no sítio do Simples Nacional (http://www8.receita.fazenda.gov.br/SimplesNacional/Noticias/NoticiaCompleta.aspx?id=14 bb352c3e654ba2ba7620de6d004f01): Prazo de opção pelo Simples Nacional termina hoje, 30 de janeiro 30/01/2015 Os pedidos de opção pelo Simples Nacional para empresas em atividade, com validade para 2015, poderão ser feitos até às 23h59m do dia 30/01/2015, horário de Brasília. Eventuais pendências junto à Receita Federal do Brasil não impedem a formalização do pedido de opção, mas referidas pendências devem ser resolvidas até o dia 06/02/2015, sob pena de causar o indeferimento do pedido. Não há necessidade de o contribuinte comparecer às unidades de atendimento da Receita Federal. A maior parte das pendências pode ser resolvida pela Internet, a exemplo dos pedidos de parcelamento. Importante destacar que o pedido de parcelamento, para ser deferido, deve ter a primeira parcela paga até dois dias antes do prazo final para regularização. Ou seja, na hipótese de parcelamento, o valor da entrada deve ser pago até o dia 04/02/2015. As multas relativas à GFIP que se enquadrem na hipótese de anistia, em face do disposto nos artigos 48 a 50 a Lei nº 13.097/2014, não impedirão, por si só, o deferimento do pedido de opção. O resultado final da opção será divulgado dia 13 de fevereiro de 2015, no item Simples – Serviços > Opção > Acompanhamento da formalização da opção pelo Simples Nacional. SECRETARIAEXECUTIVA DO COMITÊ GESTOR DO SIMPLES NACIONAL No caso em exame, a ‘Informação Fiscal – N° 49/2015’ de fls. 20/21, prestada pela Seção de Orientação e Análise Tributária (SAORT) da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Palmas – TO, esclarece a questão posta nos autos ao assentar que o débito constante do Termo de Indeferimento de Opção Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13123.720038/201542 Acórdão n.º 1001000.578 S1C0T1 Fl. 6 5 pelo Simples Nacional de fl. 11 somente foi regularizado após a data limite de 06/02/2015 permitida pela legislação: (...) Tratase de empresa que teve sua opção pelo Simp1es Nacional (SN) no anocalendário 2015 indeferida em razão da existência de débito inscrito em Dívida Ativa da União na ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). O termo de indeferimento tem data de registro 09/02/2015 (fl. 11). A interessada alega em sua manifestação tempestiva, entre outras razões, que só tomou conhecimento da pendência após o prazo para a regularização do débito (fls. 2/3), o que foi feito em 19/02/2015 (fl. 13). Em pesquisa nos sistemas de controle da PGFN, foi extraído o relatório “Resultado de Consulta Inscrição Localizada”, no qual se confirma o pagamento realizado (fls. 18/19). (...) Pelo extrato de fls. 18/19, retirado dos sistemas internos da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – PGFN, verificase que somente em 19/02/2015, portanto após a data limite de 06/02/2015 permitida pela legislação que rege o Simples Nacional para o contribuinte regularizar a pendência que impediu a sua inclusão nesse regime de apuração a partir do ano de 2015, foi efetivamente pago o débito de SIMPLES NACIONAL (código 1507), inscrito em Dívida Ativa da União com o nº de inscrição 1441400178263 (processo nº 10746.503042/2014 41), que consta relacionado no Termo de Indeferimento de Opção pelo Simples Nacional de fl. 11. Assim, uma vez que efetivamente esse débito inscrito em Dívida Ativa da União que motivou o indeferimento da opção do contribuinte pelo Simples Nacional para o ano de 2015 não foi regularizado até a data limite de 06/02/2015 permitida pela legislação, correto o indeferimento do pedido de inclusão nessa sistemática de apuração. (...)" Assim, com base nos argumentos supra colacionados, provenientes da DRJ de origem, entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Desta forma, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13123.720038/201542 Acórdão n.º 1001000.578 S1C0T1 Fl. 7 6 Fl. 52DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720648/2015-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2013
BASE DE CÁLCULO DA COFINS. CORRETORA DE VALORES. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. RECEITAS OPERACIONAIS.COSIF.
As rendas operacionais do Plano Cosif consistem em receitas das atividades típicas, regulares e habituais das corretoras de valores e se sujeitam à incidência do PIS/Pasep e da Cofins, nos termos do RE 585.235-1/MG.
Numero da decisão: 3302-005.680
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recuso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2013 BASE DE CÁLCULO DA COFINS. CORRETORA DE VALORES. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. RECEITAS OPERACIONAIS.COSIF. As rendas operacionais do Plano Cosif consistem em receitas das atividades típicas, regulares e habituais das corretoras de valores e se sujeitam à incidência do PIS/Pasep e da Cofins, nos termos do RE 585.235-1/MG.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16327.720648/2015-48
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5893415
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-005.680
nome_arquivo_s : Decisao_16327720648201548.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 16327720648201548_5893415.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recuso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
id : 7396643
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586225573888
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1763; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 355 1 354 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.720648/201548 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302005.680 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de julho de 2018 Matéria Pis/Pasep e Cofins Recorrente TOV CORRETORA DE CÂMBIO, TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2013 BASE DE CÁLCULO DA COFINS. CORRETORA DE VALORES. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. RECEITAS OPERACIONAIS.COSIF. As rendas operacionais do Plano Cosif consistem em receitas das atividades típicas, regulares e habituais das corretoras de valores e se sujeitam à incidência do PIS/Pasep e da Cofins, nos termos do RE 585.2351/MG. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recuso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Trata o presente processo de Autos de Infração para constituição de créditos tributários relativos à Cofins, no período de janeiro de 2011 a dezembro de 2013, relativos à tributação das receitas operacionais, previstas na legislação, exceto a referente às registradas na conta 7.1.7.00.009 – Rendas de Prestação de Serviços, pois já tributadas pela recorrente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 06 48 /2 01 5- 48 Fl. 355DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201548 Acórdão n.º 3302005.680 S3C3T2 Fl. 356 2 Em impugnação a recorrente aduziu que nem todas receitas que aufere são receitas típicas de sua atividade empresarial; que é incabível a aplicação de multa de ofício em constituição de crédito tributário para prevenir a decadência; que o posionamento do STF quanto à incidência de PIS/Pasep e Cofins sobre as receitas oriundas das atividades empresariais típicas não permite entender que todas as receitas operacionais da recorrente, mas apenas as receitas que tenham relação direta com as atividades típicas da recorrente e concomitantemente se ocorrerem em decorrência da relação comercial ou de serviços com terceiros; que o Parecer PGFN nº 2.773/2007 não se aplica ao caso; que as demais receitas autuadas decorrem de aplicações financeiras obrigatórias com recursos de seu capital próprio para atendimento às exigências do Banco Central do Brasil, Bolsa de Valores e necessidade de mercado. Ao final, pediu o cancelamento do Auto de Infração por falta de subsunção do fato à norma, nulidade do Auto de Infração por cerceamento do direito de defesa, em razão de a fiscalização não ter do porquê e quais receitas efetivamente se enquadram no conceito de faturamento, que o saldo eventual mantido seja mantido com exigibilidade suspensa, em razão de liminar em mandado de segurança, que seja afastada a multa de ofício, em razão da decisão obtida em mandado de segurança, a não sujeição das receitas autuadas à incidência da Cofins. A Sexta Turma da DRJ em São Paulo proferiu o Acórdão nº 1673.674, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2013 BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. OBJETO SOCIAL. A declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do parágrafo 1º do art. 3º da Lei 9.718, de 1998, não teve implicação no fato de que as receitas financeiras que são resultado da atividade econômica empresarial vinculada ao objeto social da contribuinte compõem a base de cálculo do PIS/Pasep. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, deduzindo: 1. A nulidade do Auto de Infração por ausência de elementos fáticas que comprovem que as receitas financeiras são derivadas de atividades típicas da recorrente, estando ausente a comprovação de sua motivação, causando o cerceamento de defesa; 2. Que as receitas financeiras auferidas pela recorrente não são decorrentes de suas atividades típicas, razão pela qual se enquadram no alargamento da base de cálculo previsto no revogado §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, declarado inconstitucional pelo STF no RE 585.235/MG; 3. Que as aplicações financeiras não são atividades típicas, uma vez que a recorrente não possui como atividade típica a aplicação de capital próprio; Fl. 356DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201548 Acórdão n.º 3302005.680 S3C3T2 Fl. 357 3 4. Que a decisão do TRF 3º Região no Mandado de Segurança nº 0020273.14.2000.4.03.6100/SP manteve a inexigibilidade da Cofins sobre as receitas não provenientes das atividades típicas da recorrente; 5. A impossibilidade de aplicação do Parecer PGFN/CAT nº 2.773/2007, já que este tratou de bancos e seguradoras, mas não de corretoras de valores; 6. A não incidência de multa de ofício e juros de mora; Ao final, pediu que seja garantido o direito à sustentação oral e que as intimações sejam endereçadas aos advogados e à recorrente. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O recurso interposto atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Em preliminar, a recorrente pugna pela nulidade da autuação, por não conter os elementos fáticos que demonstrassem que as receitas autuadas decorrem de suas atividades típicas. Os requisitos para a lavratura do Auto de Infração constam do art. 10 do Decreto 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Quanto à nulidade, o referido decreto dispõe em seu artigo 59: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 357DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201548 Acórdão n.º 3302005.680 S3C3T2 Fl. 358 4 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Constatase, porém, que não houve qualquer violação aos pressupostos legais para a lavratura do Auto de Infração, pois foi lavrado por pessoa competente, ou seja, auditor fiscal da Receita Federal do Brasil, e contém toda descrição pormenorizada dos fatos, cálculo dos valores da contribuição devida, dos juros e da multa de ofício e indicação dos enquadramentos legais. No que tange à consideração das receitas que compõem as atividades típicas, a fiscalização interpretou que a decisão proferida pelo TRF 3º Região no Mandado de Segurança nº 2000.61.00.0202734/SP de "manter a inexigibilidade da Cofins apenas quanto às receitas não provenientes das atividades típicas" equivaleria à sujeição de todas as receitas operacionais da recorrente, com as exclusões e deduções previstas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998 Assim, a fiscalização apurou as receias operacionais, as exclusões e deduções, a partir dos balancetes contábeis da recorrente, demonstrando o cálculo no arquivo não paginável contido na efl. 132. A análise do conteúdo da decisão, bem como das receitas que compuseram a base de cálculo autuada é matéria de mérito. Destarte, afasto a apreliminar arguida e passo à apreciação do mérito. A matéria de mérito em litígio resumese à caracterização das receitas autuadas, especialmente as financeiras decorrentes de aplicações de recursos próprios, como decorrentes de atividades típicas, ou não, das corretoras de valores. A recorrente impetrou o Mandado de Segurança nº 2000.61.00.0202734/SP, objetivando o direito de não efetuar o recolhimento da Cofins nos moldes da Lei nº 9.718/1998, mas conforme a LC nº 70/1991 (certidão efl. 142). Obteve sentença obtendo o direito de não ser compelida ao recolhimento da Cofins, nos moldes do artigo 3º, §1ª da Lei nº 9.718/98, em razão do inconstitucional alargamento da base de cálculo, devendo observar a base de cálculo prevista na LC nº 70/91, mantida as demais disposições da Lei nº 9.718/98. Em julgamento da remessa oficial e apelações, o TRF 3º Região deu provimento parcial à remessa oficial e apelação da União, para manter a inexigibilidade da Cofins apenas quanto às receitas não provenientes das atividades típicas e negou provimento quanto à apelação da impetrante. A decisão proferida pelo TRF 3º Região trouxe os seguintes excertos e ementa (fl. 158/ do arquivo não paginável de efl. 29): Fl. 358DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201548 Acórdão n.º 3302005.680 S3C3T2 Fl. 359 5 E M E N T A MANDADO DE SEGURANÇA. COFINS. LEI 9.718/98. ISENÇÃO LC 70/91. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS E SOCIEDADES EQUIPARADAS. RECEITAS OPERACIONAIS TÍPICAS. PRESCRIÇÃO LC 118/2005. REMESSA OFICIAL E APELAÇÃO DA UNIÃO FEDERAL PARCIALMENTE PROVIDAS. APELAÇÃO DA IMPETRANTE IMPROVIDA. Ajuizamento da ação anterior à LC 118/2005. Prazo Decenal. Recurso Extraordinário 444.601 posicionamento restrito quanto aos efeitos do reconhecimento da inconstitucionalidade do § 1°, do artigo 3 o , da Lei 9.718/98, no que tange às instituições financeiras e demais sociedades equiparadas (artigo 22, § I o , da Lei 8.212/91). O conceito faturamento acatado pelo STF exclui tão somente as receitas não operacionais, aquelas não decorrentes da atividade regular explorada pela sociedade contribuinte. A incidência é afastada apenas quanto às receitas não provenientes das atividades típicas e características de intermediação financeira. No caso concreto, as atividades desenvolvidas pela impetrante, conforme descrito na cláusula segunda fls.14, inseremse nas atividades anteriormente elencadas, e enquadramse no conceito de faturamenlo. Dado provimento parcial à Remessa oficial e apelação da União Federal. Apelação da impetrante improvida. Excertos: "O conceito faturamento acatado pelo STF exclui tão somente as receitas não operacionais, aquelas não decorrentes da atividade regular explorada pela sociedade contribuinte. A incidência é afastada apenas quanto às receitas não provenientes das atividades típicas e características de intermediação financeira. No caso concreto, integra o faturamento da impetrante todas as receitas típicas da atividade de intermediação financeira e da prestação de serviços de natureza financeira, tais como: empréstimos, financiamentos, colocação c negociação de títulos e valores mobiliários e arrendamento mercantil. Desta forma, no caso concreto, as atividades desenvolvidas pela impetrante, conforme descrito na cláusula segunda fls.14, inseremse nas atividades anteriormente elencadas, e enquadramse no conceito de faturamento. Ainda em relação às instituições financeiras, o parágrafo 5o , do artigo 3 o , da Lei 9.718/98, dispõe: § 5o Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § Io do art. 22 da Lei nn 8.212, de 24 de julho de 1991.. serão admitidas, para os efeitos da COFINS. as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para ao PIS/PASEP. Fl. 359DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201548 Acórdão n.º 3302005.680 S3C3T2 Fl. 360 6 Por outro lado, o parágrafo 6o do art. 3o da Lei 9.718/98, com a redação dada pelo art. 2o da MP 2.15835/2001, assim dispõe: § 6o Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1° do art. 22 da lei n°8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5o, poderão excluir ou deduzir: I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito. a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; c) deságio na colocação de títulos; d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge. Da análise da legislação, concluise que, em relação às instituições financeiras ou entidades a ela equiparadas, o reconhecimento da inconstitucionalidade do § Io , do artigo 3o , da Lei 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, não afasta, pura c simplesmente a incidência da COFINS, mas tão somente em relação às atividades típicas e características de intermediação financeira. Ao julgar os Embargos de Declaração no Recurso Extraordinário 444.601, opostos por entidade de previdência privada, o Supremo Tribunal Federal deixou claro seu posicionamento restrito quanto aos efeitos do reconhecimento da inconstitucionalidade do § I o , do artigo 3 o , da Lei 9.718/98, no que tange às instituições financeiras e demais sociedades equiparadas (artigo 22, § I o , da Lei 8.212/91): [...] Ressalto que a questão é objeto de apreciação pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, nos autos dos Embargos Declaratórios opostos no Agravo Regimental no Recurso Extraordinário n° 400.479, divulgando o informativo STF 556 o voto do Ministro Cezar Peluso, 19/08/2009, nos seguintes termos: [...] Esta Corte em relação à incidência da COFINS sobre as atividades típicas desenvolvidas por instituições financeiras, manifestouse nos seguintes termos Fl. 360DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201548 Acórdão n.º 3302005.680 S3C3T2 Fl. 361 7 TRIBUTÁRIO. COFINS. ART. 3o, §1°, DA LEI N° 9718/98. INSTITUIÇÃO BANCÁRIA. RECEITAS OPERACIONAIS TÍPICAS. CONSTITUCIONALIDADE. PRECEDENTES. [...] Esse o entendimento que melhor harmonizase com a Lei Maior. A idéia de faturamento está intrinsecamente relacionada no resultado financeiro decorrente do exercício das atividades principais das empresas, ou seja, aquelas vinculadas ao seu objeto e que se referem, em regra, à maior parcela da entrada de valores da pessoa jurídica, em respeito aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva e também aos que regem a seguridade social, como da universalidade, solidariedade e equidade na forma de participação do custeio. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. ACOLHIMENTO. COFINS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ART. 3°, §§ 5" E 6", DA LEI N. PREJUD1CIALIDADE DOS EMBARGOS DECLARATÓRIOS DA ^AUTORA. I Acórdão deixou de considerar que a Autora é corretora de valores mobiliários, cujo recolhimento da COFINS submetese a uma sistemática específica, distinta das demais pessoas jurídicas. II Existência de contradição entre a matéria devolvida a esta Corte, e a apreciada pelo acórdão, cuja correção é cabível mediante embargos de declaração, nos termos do arl. 535, I, do Código de Processo Civil. III Reconhecida a inconstitucionalidade do § 1°, do arl, 3". da Lei 9.718/98, no julgamento do RE 346084/PR. Tese reafirmada no julgamento do RE 585235 RGQO, de relatoria do Min. Cezar Peluso, j. 10.09.08, DJe 28.11.08, submetido ao rito previsto no ar/. 543B, do Código de Processo Civil. IV Contudo, a declaração de inconstitucionalidade do arl. 3°, § 1º da Lei n. 9.718/98, não aproveita à Autora que, na condição de instituição financeira, possui tratamento diferenciado, recolhendo aludida contribuição por força dos parágrafos 5" e 6", do mesmo artigo. V Para as instituições financeiras, a receita financeira constitui receita inerente à sua atividade intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros (art. 17, Lei 4595/64) ocasionando que sua receita bruta operacional corresponda ao faturamento. VI Inexistindo crédito a compensar, restam prejudicados os embargos declaratórios da Autora. VII Embargos de declaração da União acolhidos, contradição sanada, efeitos infringentes emprestados, e embargos de declaração da Autora prejudicados. (TRF 3" Região, SEXTA TURMA, APELREEX 0025492 42.1999.4.03.6100, Rei. DESEMBARGADORA FEDERAL Fl. 361DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201548 Acórdão n.º 3302005.680 S3C3T2 Fl. 362 8 REGINA COSTA, julgado em 26/05/2011, eDJF3 Judicial 1 DATA:02/06/2011 PÁGINA: 1596) TRIBUTÁRIO. COFINS. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. LEI N. 9.718/1998. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITA BRUTA DECORRENTE DO EXERCÍCIO DO OBJETO SOCIAL. [...] Quando do julgamento dos Recursos Extraordinários mencionados, a Suprema Corte reconheceu a sinonímia existente entre os termos faturamento e receita bruta, para fins de incidência da COFINS. Entretanto, a realidade alcançada pelos termos citados não se limita simplesmente às operações de venda de mercadorias e de prestação de serviços, notadamente nos dias atuais, em que as atividades empresariais assumem formas as mais diversas, de modo que, mediante uma interpretação teleológica, o termo faturamento, assim como a receita bruta, abrange a totalidade das receitas decorrentes do exercício do objeto social. [...] Ante o exposto, dou parcial provimento.à remessa oficial e à apelação da União Federal para manter a inexigibilidade da C COFINS apenas quanto às receitas não provenientes das atividades típicas, e nego provimento à apelação da impetrante, consoante fundamentação. " Verificase que a decisão proferida pelo TRF 3º Região considerou que a recorrente é instituição financeira e que "integra o faturamento da impetrante todas as receitas típicas da atividade de intermediação financeira e da prestação de serviços de natureza financeira, tais como: empréstimos, financiamentos, colocação c negociação de títulos e valores mobiliários e arrendamento mercantil". A decisão considerou, também, que todas as receitas decorrentes das atividades expressas na Cláusula Segunda do Contrato Social se inseriam no conceito de faturamento, excetuandose apenas as não operacionais, ou seja, as não decorrentes da exploração da atividade regular da recorrente. O acórdão utilizou ainda de jurisprudência sobre outra corretora de valores, na qual restou expressa a inserção da corretora de valores na condição de instituições financeiras, para as quais, a aplicação de recursos próprios consiste em receita operacional. Reproduzo novamente o excerto: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. ACOLHIMENTO. COFINS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ART. 3°, §§ 5" E 6", DA LEI N. PREJUD1CIALIDADE DOS EMBARGOS DECLARATÓRIOS DA ^AUTORA. [...] Fl. 362DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201548 Acórdão n.º 3302005.680 S3C3T2 Fl. 363 9 V Para as instituições financeiras, a receita financeira constitui receita inerente à sua atividade intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros (art. 17, Lei 4595/64) ocasionando que sua receita bruta operacional corresponda ao faturamento. [...] (TRF 3" Região, SEXTA TURMA, APELREEX 0025492 42.1999.4.03.6100, Rei. DESEMBARGADORA FEDERAL REGINA COSTA, julgado em 26/05/2011, eDJF3 Judicial 1 DATA:02/06/2011 PÁGINA: 1596) Constatase, destarte, que não cabe mais discussão na esfera administrativa sobre a consideração de que a recorrente é uma instituição financeira e que suas receitas operacionais, inclusive, a aplicação de recursos próprios, são receitas operacionais típicas das atividades empresariais destas entidades, uma vez que a decisão judicial proferida pelo TRF 3º Região no Mandado de Segurança nº 2000.61.00.0202734/SP deixou expressa tal caracterização. Para que não paire dúvidas sobre a natureza das demais receitas autuadas, esclareçase que o artigo 17 da Lei nº 4.595/1964 definiu a instituição financeira nos termos abaixo, consistindo a atividade de aplicação de recursos próprios em atividade típica destas entidades: Art. 17. Consideramse instituições financeiras, para os efeitos da legislação em vigor, as pessoas jurídicas públicas ou privadas, que tenham como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros. Parágrafo único. Para os efeitos desta lei e da legislação em vigor, equiparamse às instituições financeiras as pessoas físicas que exerçam qualquer das atividades referidas neste artigo, de forma permanente ou eventual. Disciplinando as normas gerais de contabilidade a serem observadas pelas instituições financeiras, o Banco Central do Brasil publicou a Circular nº 1.273/1987. Referida circular dispôs em seu no preâmbulo que "2. As normas consubstanciadas no COSIF aplicam– se aos bancos comerciais, bancos de desenvolvimento, bancos de investimento, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de arrendamento mercantil, sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários, sociedades de crédito imobiliário, associações de poupança e empréstimo, caixas econômicas e cooperativas de crédito." (grifei) Já no item 2 da Seção Princípios Gerais, Capítulo Normas Básicas, determinou que as normas e procedimentos, bem como as demonstrações financeiras padronizadas ali previstas, eram de uso obrigatório para as instituições financeiras ali descritas, a saber: 2 – As normas e procedimentos, bem como as demonstrações financeiras padronizadas previstas neste Plano, são de uso obrigatório para: Fl. 363DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201548 Acórdão n.º 3302005.680 S3C3T2 Fl. 364 10 a) os bancos comerciais; b) os bancos de desenvolvimento; c) as caixas econômicas; d) os bancos de investimento; e) as sociedades de crédito, financiamento e investimento; f) as sociedades de crédito imobiliário e associações de poupança e empréstimo; g) as sociedades de arrendamento mercantil; (grifei) h) as sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários e câmbio; i) as sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários; j) as cooperativas de crédito. Por sua vez, na Seção 17 Receitas e Despesas, dentro do Capítulo de Normas Básicas, destacamse os esclarecimentos: 1. Para fins de registros contábeis e elaboração das demonstrações financeiras, as receitas e despesas se classificam em Operacionais e Não Operacionais. 2. As receitas, em sentido amplo, englobam as rendas, os ganhos e os lucros, enquanto às despesas correspondem as despesas propriamente ditas, as perdas e os prejuízos. 3. As rendas operacionais representam remunerações obtidas pela instituição em suas operações ativas e de prestação de serviços, ou seja, aquelas que se referem a atividades típicas, regulares e habituais. (grifei) 4. As despesas operacionais decorrem de gastos relacionados às atividades típicas e habituais da instituição. 5. As receitas não operacionais provêm de remunerações eventuais, não relacionadas com as operações típicas da instituição. Concluise, portanto, que as rendas operacionais consistem, para as instituições financeiras, em receitas relativas à sua atividade típica, regular e habitual. O elenco de contas do COSIF classifica as receitas operacionais dentro do grupo 7 Contas de Resultado Credoras, conforme estrutura abaixo1: II PASSIVO 7 CONTAS DE RESULTADO CREDORAS 7.1 RECEITAS OPERACIONAIS CÓDIGOS TÍTULOS CONTÁBEIS ATRIBUTOS E P 7.1.0.00.008 RECEITAS OPERACIONAIS UBDKIFJACTSWE ROLMNHZ 705 7.1.1.00.001 Rendas De Operacoes De Credito UBDKIFJACTSWE ROLMNHZ 711 7.1.2.00.004 Rendas De UBDKIFASWELMN 711 1 Fonte: http://www.bcb.gov.br/htms/cosif/default.asp. Início » Sistema Financeiro Nacional » Informações cadastrais e sobre Contabilidade » Informações sobre Contabilidade » Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional (COSIF) Fl. 364DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201548 Acórdão n.º 3302005.680 S3C3T2 Fl. 365 11 Arrendamento Mercantil Z 7.1.3.00.007 Rendas De Cambio UBIFCTOLMNZ 711 7.1.4.00.000 Rendas De Aplicacoes Interfinanceiras De Liquidez UBDKIFJACTSWE ROLMNHZ 711 7.1.5.00.003 Rendas Com Titulos E Valores Mobiliarios E Instrumentos Financeiros Derivativos UBDKIFJACTSWE ROLMNHZ 711 7.1.7.00.009 Rendas De Prestacao De Servicos UBDKIFJACTSWE RLMNHZ 711 7.1.8.00.002 Rendas De Participacoes UBDKIFACTSWER LMNHZ 711 7.1.9.00.005 Outras Receitas Operacionais UBDKIFJACTSWE ROLMNHZ 711 Destacase que as contas autuadas pela fiscalização constam dos demonstrativos do arquivo paginável de efl. 132 e se referem às contas 7.1.0.00.008, 7.1.3.00.007, 7.1.3.30.008, 7.1.4.00.000, 7.1.5.00.003, 7.1.5.80.009, 7.1.5.90.006, 7.1.7.00.009, 7.1.8.00.002, 7.1.9.00.005, 7.1.9.90.008, considerando como exclusões as contas 7.1.5.80.212, 7.1.5.80.391, 7.1.5.90.006, 7.1.8.00.002, 7.1.9.00.008, como deduções as contas 8.1.1.00.008, 8.1.5.00.000 e 8.1.4.00.007, bem como excluindo os lucros e dividendos de investimentos (conta 7079), ou seja, considerando as receitas operacionais e as exclusões e deduções previstas no §6º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998 e incisos I a III do artigo 1º da Lei nº 9.701/1998, o que está de acordo com o disposto na decisão judicial proferida pelo TRF 3º Região. Referidas receitas estão, outrossim, de acordo com a Resolução Banco Central nº 1.655/1989, que disciplinou a constituição, a organização e o funcionamento das sociedades corretoras de valores mobiliários. O art. 2º desse Regulamento dispõe sobre o objeto social dessas sociedades, que corresponde à Cláusula Segunda do Contrato Social (e fls.148/149): Art. 2º A sociedade corretora tem por objeto social: I operar em recinto ou em sistema mantido por bolsa de valores; II subscrever, isoladamente ou em consórcio com outras sociedades autorizadas, emissões de títulos e valores mobiliários para revenda; III intermediar oferta pública e distribuição de títulos e valores mobiliários no mercado; IV comprar e vender títulos e valores mobiliários por conta própria e de terceiros, observada regulamentação baixada pela Comissão de Valores Mobiliários e Banco Central do Brasil nas suas respectivas áreas de competência; V encarregarse da administração de carteiras e da custódia de títulos e valores mobiliários; VI incumbirse da subscrição, da transferência e da autenticação de endossos, de desdobramento de cautelas, de recebimento e pagamento de resgates, juros e outros proventos de títulos e valores mobiliários; VII exercer funções de agente fiduciário; Fl. 365DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201548 Acórdão n.º 3302005.680 S3C3T2 Fl. 366 12 VIII instituir, organizar e administrar fundos e clubes de investimento; IX constituir sociedade de investimento capital estrangeiro e administrar a respectiva carteira de títulos e valores mobiliários; X exercer as funções de agente emissor de certificados e manter serviços de ações escriturais; XI emitir certificados de depósito de ações; XII intermediar operações de câmbio; XIII praticar operações no mercado de câmbio de taxas flutuantes; XIV praticar operações de conta margem, conforme regulamentação da Comissão de Valores Mobiliários; XV realizar operações compromissadas; XVI praticar operações de compra e venda de metais preciosos, no mercado físico, por conta própria e de terceiros, nos termos da regulamentação baixada pelo Banco Central do Brasil; XVII operar em bolsas de mercadorias e de futuros por conta própria e de terceiros, observada regulamentação baixada pela Comissão de Valores Mobiliários e Banco Central do Brasil nas suas respectivas áreas de competência; XVIII prestar serviços de intermediação e de assessoria ou assistência técnica, em operações e atividades nos mercados financeiro e de capitais; XIX exercer outras atividades expressamente autorizadas, em conjunto, pelo Banco Central do Brasil e pela Comissão de Valores Mobiliários. (grifo acrescido) Concernente à aplicação do Parecer PGFN/CAT nº 2.773/2007, as conclusões ali expostas se coadunam com o entendimento exarado na decisão judicial, não havendo qualquer antinomia entre suas conclusões. Por fim, a recorrente pede o cancelamento da multa de ofício e dos juros de mora. Porém, a autuação versou sobre as receitas sujeitas à incidência da Cofins e, portanto, não amparadas pelo provimento judicial na parte favorável à recorrente. Decorre, pois, que a aplicação da multa de ofício possui fundamento na falta de declaração/recolhimento da contribuição, conforme artigo 44 da Lei nº 9.430/96. Sobre a legitimidade da taxa Selic como juros moratórios, previstos no artigo 61, §3º2 da Lei nº 9.430, de 1996, descabem maiores considerações, conforme decidido no REsp 879.844/MG, julgado em 11/11/2009 (recursos repetitivos), e no RE 582.461/SP, submetido à repercussão geral, julgado em 18/05/2011, e de acordo com o enunciado da Súmula CARF nº 4: 2 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) ... § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Fl. 366DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201548 Acórdão n.º 3302005.680 S3C3T2 Fl. 367 13 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 367DF CARF MF
score : 1.0
