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Numero do processo: 15889.000246/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2010 a 30/09/2010
CONSTRUÇÃO CIVIL. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO TÉRMINO DA OBRA. DATA DO CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES.
Não demonstrando o sujeito passivo a data do término de obra de construção civil de sua responsabilidade, faculta-se ao fisco adotar a data do cálculo das contribuições devidas como marco final da edificação.
OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. DECADÊNCIA.
Na aferição indireta da remuneração relativa à obra de construção civil, o percentual da obra alcançada pela decadência é definido como a razão entre o número de meses decadentes e o período total de duração da obra.
OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL.
A comprovação da regularidade de obra de construção civil não pode prescindir da juntada das GFIP e guias de recolhimento com inequívoca vinculação com a obra.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.181
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares e Carolina Wanderley Landim, que davam provimento parcial para declarar a decadência das obras matrícula CEI nº 50.018.48821/74 e nº 50.018.049097/76.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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FALTA DE COMPROVAÇÃO DO TÉRMINO DA OBRA. DATA DO CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. Não demonstrando o sujeito passivo a data do término de obra de construção civil de sua responsabilidade, facultase ao fisco adotar a data do cálculo das contribuições devidas como marco final da edificação. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. DECADÊNCIA. Na aferição indireta da remuneração relativa à obra de construção civil, o percentual da obra alcançada pela decadência é definido como a razão entre o número de meses decadentes e o período total de duração da obra. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. A comprovação da regularidade de obra de construção civil não pode prescindir da juntada das GFIP e guias de recolhimento com inequívoca vinculação com a obra. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 02 46 /2 01 0- 91 Fl. 1713DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares e Carolina Wanderley Landim, que davam provimento parcial para declarar a decadência das obras matrícula CEI nº 50.018.48821/74 e nº 50.018.049097/76. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1714DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15889.000246/201091 Acórdão n.º 2401003.181 S2C4T1 Fl. 1.697 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 14 33.150 de lavra da 6.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou procedente em parte a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.297.9823. O crédito em questão diz respeito às contribuições patronais para a Seguridade Social, inclusive aquela destinada ao custeio dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. De acordo com o relatório fiscal, fls. 51 e segs., os fatos geradores foram as remunerações pagas a segurados que laboraram em obras de construção civil de propriedade da autuada, as quais foram obtidas por aferição indireta levandose em conta a área construída e o tipo e padrão da edificação (método CUB). Listouse as obras contempladas no lançamento. Afirmase que a empresa não atendeu a intimação do fisco para apresentação dos documentos relativos às obras de construção civil fiscalizadas . O fisco indica ainda o percentual das áreas que foram consideradas decadentes, tomandose como marco inicial para contagem deste prazo a data da matrícula das obras. Sustentase que não há recolhimentos específicos para as matrículas das obras em questão. O sujeito passivo ofertou defesa, fls. 69 e segs., alegando que as contribuições lançadas foram alcançadas pela decadência. Sustenta que os galpões para armazenamento de açúcar, os principais itens do levantamento, não demoraram mais de um ano para sua construção, portanto, foram concluídos há mais de cinco anos da data da abertura da matrícula. Afirma que a regularidade das obras pode ser verificada pela documentação que juntou, tais como: contratos, notas fiscais e guias de recolhimento vinculadas às CEI(s). A DRJ, ver fls. 1.609 e segs, afastou a decadência suscitada, alegando que o fisco já houvera considerado o transcurso parcial do prazo de decadência, adotando a regra do inciso I do art. 173 do CTN, conforme determina a legislação de regência. Entendeuse no acórdão recorrido que não havia recolhimentos para as matrículas em questão, além de que os documentos acostados não têm vinculação com as obras fiscalizadas, não servindo para comprovar a decadência. Indeferiuse o pedido para juntada de novos documentos. A empresa interpôs recurso voluntário, fls. 1.629 e segs., no qual aponta que o programa utilizado para cálculo indireto da mãodeobra levou em conta o prazo decadencial de dez anos, contrariando, assim, o que dispõe a Súmula Vinculante n. 08 do STF. Fl. 1715DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Afirma que a maioria das obras fiscalizadas (galpões para armazenamento de açúcar) não levaram mais de um ano para serem concluídas. A decisão recorrida, afirma, chancelou a arbitrariedade do fisco que desconsiderou documentos apresentados pela recorrente que comprovariam a regularidade fiscal das obras, bem como o seu término no prazo decadencial. Ao final, pede a reforma da decisão da DRJ, com consequente cancelamento do AI. É o relatório. Fl. 1716DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15889.000246/201091 Acórdão n.º 2401003.181 S2C4T1 Fl. 1.698 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso deve ser conhecido, posto que apresenta os requisitos de tempestividade e legitimidade. Decadência É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ............................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que não havendo a menção à Fl. 1717DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 ocorrência de recolhimentos, com base nos elementos constantes nos autos, seja possível se chegar a uma conclusão segura acerca da existência de pagamento antecipado. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Na situação sob enfoque, o fisco reconheceu a decadência parcial para todas as obras, conforme tabela juntada no relatório fiscal, considerando como marco inicial a data de abertura da matrícula. Para definição da área decadente foi adotado como período da obra lapso temporal entre a abertura da matrícula e a data do cálculo das contribuições (20/09/2010). O procedimento foi justificado pelo fato da empresa não haver disponibilizado durante a fiscalização documentos hábeis a comprovar o término das obras. Na impugnação, a empresa alegou que as obras, na maioria galpões para armazenamento de açúcar, foram edificados em menos de um ano, sendo patente a decadência das contribuições lançadas. A DRJ asseverou que na espécie foi aplicado o prazo decadencial previsto no CTN, além de que, no procedimento para demarcação dos termos inicial e final para contagem da decadência, o fisco utilizouse das regras previstas na Instrução Normativa IN RFB n. 971/2009. Quanto aos documentos acostados, consignouse na decisão recorrida que as notas fiscais, guias de recolhimento, contratos, propostas técnicas, recibos, relação de prestadores de serviço, relatório de bens do ativo imobilizado, dentre outros, não eram hábeis a comprovar o término das obras. Por essa razão, foi afastada a pretendida decadência. Para nós, acertou o fisco quando fixou a data do início da obra como o momento em que foi aberta da matrícula no INSS. Quanto a esse ponto a recorrente não se insurge. O dissenso ocorre quanto ao marco final das edificações. Vejamos o que dispões a IN n. 971/2009 acerca da questão: Art. 390. O direito de a RFB apurar e constituir créditos relacionados a obras de construção civil extinguese no prazo decadencial previsto na legislação tributária. (...) § 3. A comprovação do término da obra em período decadencial darseá com a apresentação de um ou mais dos seguintes documentos: I habitese. Certidão de Conclusão de Obra (CCO); II um dos respectivos comprovantes c/e pagamento de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), em que conste a área c/a edificação; Fl. 1718DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15889.000246/201091 Acórdão n.º 2401003.181 S2C4T1 Fl. 1.699 7 III certidão de lançamento tributário contendo o histórico do respectivo IPTU; IV auto de regularização, auto de conclusão, auto de conservação ou certidão expedida pela prefeitura municipal que se reporte ao cadastro imobiliário da época ou registro equivalente, desde que conste o respectivo número no cadastro, lançados em período abrangido pela decadência, em que conste a área construída, passível de verificação pela RFB; V termo de recebimento de obra, no caso de contratação com órgão público, lavrado em período decadencial; VI escritura de compra e venda do imóvel, e/n que conste a sua área. lavrada em período decadencial; VII contrato de locação com reconhecimento de firma em cartório em data compreendida no período decadencial, onde conste a descrição do imóvel e a área construída. § 4. A comprovação de que trata o § 3. darseá também com a apresentação de no mínimo, 3 (três) dos seguintes documentos: I correspondência bancária para o endereço da edificação, emitida em período decadencial; II contas de telefone ou de luz, de unidades situadas no último pavimento, emitidas em período decadencial; III declaração de Imposto sobre a Renda comprovadamente entregue em época própria à RFB, relativa ao exercício pertinente a período decadencial, na qual conste a discriminação do imóvel, com endereço e área; IV vistoria do corpo de bombeiros, na qual conste a área do imóvel, expedida em período decadencial; V planta aerofotogramétrica do período abrangido pela decadência, acompanhada de laudo técnico constando a área do imóvel e a respectiva ART no Crea. § 5. o As cópias dos documentos que comprovam a decadência deverão ser anexadas à DISO. § 6. A falta dos documentos relacionados nos 3. e 4. poderá ser suprida pela apresentação de documento expedido por órgão oficial ou documento particular registrado em cartório, desde que seja contemporâneo à decadência alegada e nele conste a área do imóvel. Consultando a vasta documentação acostada pela empresa, verificase das nove obras constantes do lançamento foram juntados documentos relativos a sete delas, quais sejam as de n. 38060.01641/77 (galpão industrial); 50018.52677/79 (galpão industrial); Fl. 1719DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 50108.48821/74 (galpão industrial); 50018.49097/76 (galpão industrial); 38.060.01642/79 (galpão industrial). Quanto à documentação que serviria de comprovação do término da obra CEI n. 50008.83838/72 (salas comerciais), notase que não tem pertinência com a edificação, posto se tratar de papéis relativos à construção de um galpão industrial. De fato, a luz da IN n. 971/2009 nenhum dos documentos acostados serviriam para comprovar o término das obras. Devendose ressaltar que o fisco, sem sucesso, intimou a empresa para disponibilizar esses elementos. Todavia, em homenagem ao princípio da verdade material, aprofundamos pesquisa nos papéis juntados à defesa, no intuito de encontrar a resposta que desse uma solução satisfatória para a lide, haja vista que tem plausibilidade a alegação da recorrente de que a construção de um galpão industrial não costuma se estender por mais de um ano. Deparamonos com o relatório denominado “RELAÇÃO DOS BENS DO ATIVO IMOBILIZADO POR CONTA E CENTRO DE CUSTO” e o analisamos com cuidado, posto que este poderia nos responder a pergunta que desejávamos, todavia, veremos que não atendeu a nossas expectativas. Para melhor elucidar o nosso posicionamento, tomemos como exemplo o documento de fls. 1.257/1.270. O relatório se refere à obra de n. 50018.52677/79 (galpão industrial de 7.440 m²). Na “RELAÇÃO DOS BENS DO ATIVO IMOBILIZADO POR CONTA E CENTRO DE CUSTO” verificase que o primeiro lançamento data de 20/02/2002, todavia, verificase dos documentos colacionados que há despesas de períodos anteriores relacionadas à edificação. Tal fato é indicativo de que o relatório em questão não apresenta o registro de todos os custos da obra, portanto, não possui a confiabilidade necessária a determinar com segurança o momento do seu término. De se concluir que os documentos juntados pelo sujeito passivo não se prestam a demonstrar a ocorrência da decadência total das contribuições lançadas, devendo prevalecer a apuração fiscal que aplicou a caducidade parcial para apurar por arbitramento as contribuições devidas. Observese que a aplicação do inciso I do art. 173 do CTN está em consonância com o entendimento dominante neste Colegiado, uma vez que as guias de recolhimento apresentadas referemse aos períodos de 2000 a 2003 (excluído pelo fisco em razão da decadência). Já as guias do ano de 2005 não tem relação com as obras fiscalizadas, posto que vinculadas a construção de galpão industrial não contemplado no lançamento. Inexistência de débitos A recorrente não logrou demonstrar a alegada regularidade fiscal das obras auditadas. Inicialmente há de se ter em conta que a fiscalização dessas edificações se deu exatamente em razão da inércia da empresa em regularizálas perante o órgão previdenciário. Os documentos acostados na defesa, por sua vez, não são hábeis a comprovar que houve o recolhimento das contribuições decorrentes da remuneração paga aos segurados que laboraram nas edificações de propriedade da autuada. Fl. 1720DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15889.000246/201091 Acórdão n.º 2401003.181 S2C4T1 Fl. 1.700 9 Não foi apresentada nenhuma Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP relativa às obras em questão, conforme prevê a legislação, nem há guias de pagamento no período não decadente com vinculação inequívoca às edificações. Conclusão Voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 1721DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10183.002857/2006-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001
PROVA PERICIAL - DESNECESSIDADE
A produção de prova pericial não se mostra necessária quando os elementos necessários à comprovação das áreas a serem excluídas da base de cálculo são provas documentais que podem ser apresentadas pelo contribuinte e que são suficientes para formar o convencimento do julgador.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - LAUDO TÉCNICO - NECESSIDADE
São áreas de preservação permanente as hipóteses estipuladas no art. 2º da Lei n. 4.771/65. São áreas determinadas por lei, de maneira que o ADA, neste caso, tem natureza puramente declaratória, pois o reconhecimento da APP depende de laudo técnico que comprove sua existência. As áreas de preservação permanente passíveis de reconhecimento por órgão ambiental são aquelas descritas no art. 3º da Lei n. 4.771/65, neste caso é preciso declaração de órgão ambiental competente que grave a parcela da terra com restrição ambiental para que reste reconhecida a APP. O ADA quando desacompanhado de laudo técnico não é suficiente ao reconhecimento da área para fins de dedução da base de cálculo do ITR.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. NECESSIDADE
O art. 16, § 8º, da Lei nº 4.771/65 exige a prévia averbação da Área da Reserva Legal à margem da inscrição da matrícula do imóvel para que esta reste excluída da base do cálculo de produtividade do imóvel.
VALOR DA TERRA NUA - ARBITRAMENTO - REQUISITOS
O arbitramento do Valor da Terra Nua dos imóveis é permitido, pelo art. 14 da Lei n. 9.393/96, quando constatado subavaliação, prestação de informações inexatas, incorretas, fraudulentas, ou no caso de falta de entrega da DIAC ou DIAT. Conduto, o art. 12 da Lei n. 8.629/93 impõe a observância de requisitos mínimos ao arbitramento, quais sejam, a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel.
Recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 2202-002.538
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de voto, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para restabelecer o Valor da Terra Nua declarado.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez- Presidente Substituto.
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo - Relator.
RAFAEL PANDOLFO - Redator designado.
EDITADO EM: 20/01/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Heitor de Souza Lima Junior (suplente convocado), Rafael Pandolfo, Márcio de Lacerda Martins (suplente convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Antonio Lopo Martinez (Presidente Substituto).
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2001 PROVA PERICIAL - DESNECESSIDADE A produção de prova pericial não se mostra necessária quando os elementos necessários à comprovação das áreas a serem excluídas da base de cálculo são provas documentais que podem ser apresentadas pelo contribuinte e que são suficientes para formar o convencimento do julgador. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - LAUDO TÉCNICO - NECESSIDADE São áreas de preservação permanente as hipóteses estipuladas no art. 2º da Lei n. 4.771/65. São áreas determinadas por lei, de maneira que o ADA, neste caso, tem natureza puramente declaratória, pois o reconhecimento da APP depende de laudo técnico que comprove sua existência. As áreas de preservação permanente passíveis de reconhecimento por órgão ambiental são aquelas descritas no art. 3º da Lei n. 4.771/65, neste caso é preciso declaração de órgão ambiental competente que grave a parcela da terra com restrição ambiental para que reste reconhecida a APP. O ADA quando desacompanhado de laudo técnico não é suficiente ao reconhecimento da área para fins de dedução da base de cálculo do ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. NECESSIDADE O art. 16, § 8º, da Lei nº 4.771/65 exige a prévia averbação da Área da Reserva Legal à margem da inscrição da matrícula do imóvel para que esta reste excluída da base do cálculo de produtividade do imóvel. VALOR DA TERRA NUA - ARBITRAMENTO - REQUISITOS O arbitramento do Valor da Terra Nua dos imóveis é permitido, pelo art. 14 da Lei n. 9.393/96, quando constatado subavaliação, prestação de informações inexatas, incorretas, fraudulentas, ou no caso de falta de entrega da DIAC ou DIAT. Conduto, o art. 12 da Lei n. 8.629/93 impõe a observância de requisitos mínimos ao arbitramento, quais sejam, a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Recurso voluntário parcialmente provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de voto, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para restabelecer o Valor da Terra Nua declarado. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez- Presidente Substituto. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo - Relator. RAFAEL PANDOLFO - Redator designado. EDITADO EM: 20/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Heitor de Souza Lima Junior (suplente convocado), Rafael Pandolfo, Márcio de Lacerda Martins (suplente convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Antonio Lopo Martinez (Presidente Substituto).
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ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE LAUDO TÉCNICO NECESSIDADE São áreas de preservação permanente as hipóteses estipuladas no art. 2º da Lei n. 4.771/65. São áreas determinadas por lei, de maneira que o ADA, neste caso, tem natureza puramente declaratória, pois o reconhecimento da APP depende de laudo técnico que comprove sua existência. As áreas de preservação permanente passíveis de reconhecimento por órgão ambiental são aquelas descritas no art. 3º da Lei n. 4.771/65, neste caso é preciso declaração de órgão ambiental competente que grave a parcela da terra com restrição ambiental para que reste reconhecida a APP. O ADA quando desacompanhado de laudo técnico não é suficiente ao reconhecimento da área para fins de dedução da base de cálculo do ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. NECESSIDADE O art. 16, § 8º, da Lei nº 4.771/65 exige a prévia averbação da Área da Reserva Legal à margem da inscrição da matrícula do imóvel para que esta reste excluída da base do cálculo de produtividade do imóvel. VALOR DA TERRA NUA ARBITRAMENTO REQUISITOS O arbitramento do Valor da Terra Nua dos imóveis é permitido, pelo art. 14 da Lei n. 9.393/96, quando constatado subavaliação, prestação de informações inexatas, incorretas, fraudulentas, ou no caso de falta de entrega da DIAC ou DIAT. Conduto, o art. 12 da Lei n. 8.629/93 impõe a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 28 57 /2 00 6- 11 Fl. 476DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 observância de requisitos mínimos ao arbitramento, quais sejam, a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Recurso voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de voto, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para restabelecer o Valor da Terra Nua declarado. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente Substituto. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. RAFAEL PANDOLFO Redator designado. EDITADO EM: 20/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Heitor de Souza Lima Junior (suplente convocado), Rafael Pandolfo, Márcio de Lacerda Martins (suplente convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Antonio Lopo Martinez (Presidente Substituto). Fl. 477DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.002857/200611 Acórdão n.º 2202002.538 S2C2T2 Fl. 477 3 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização Com a finalidade de viabilizar a análise dos dados informados na declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural do exercício de 2001, a recorrente, em 27/03/06, foi intimada (fls.1719) a apresentar: a) seu CNPJ, bem como comprovante de identificação; b) certidão ou matrícula atualizada do imóvel, constando todas as averbações dos últimos 10 anos, de forma que fosse possível precisar a área total do imóvel ao longo do tempo; c) para a comprovação da área de reserva legal: certidão ou cópia da matrícula no Cartório de Registro de Imóveis com averbação da área de reserva legal, ou Termo de Responsabilidade firmado junto ao IBAMA, caso fosse identificado que o recorrente possui apenas a posse da área declarada, e ainda, ADA, emitido pelo IBAMA, ou comprovante de requerimento do mesmo; d) para a comprovação da área de reserva particular do patrimônio natural: documento que comprovasse que órgão competente, federal ou estadual, tenha assim declarado a área, e ADA emitido pelo IBAMA, ou comprovante de requerimento do mesmo; e) para a comprovação da área de preservação permanente: laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou floresta, acompanhado de ART, devidamente registrada no CREA, comprovando a área de preservação permanente (podendo ser substituída por Certidão do IBAMA, ou de outro órgão público ligado à preservação ambiental, contendo dados técnicos suficientes para caracterizar as condições e dimensões da área objeto do enquadramento); ADA emitido pelo IBAMA ou comprovante de requerimento do mesmo; documento que comprovasse que o Poder Público tenha declarado a área como de preservação permanente; f) para a comprovação do Valor da Terra Nua: laudo técnico de avaliação, acompanhado da ART devidamente registrada no CREA, efetuado por perito (engenheiro civil, agrônomo ou florestal), com os requisitos da NBR 14653 3 da ABNT, demonstrando os métodos de avaliação e as fontes que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel, devendo o laudo ter grau de fundamentação de no mínimo 2. Em 15/04/06, o recorrente esclareceu que, conforme laudo emitido em 23/09/99 originado de prova pericial em processo judicial, o valor da terra nua da propriedade foi avaliada em R$638.799,00, tendo como data de referência 31/12/94, e drasticamente reduzido para R$362.165,00 um ano depois, e que, de acordo com as escrituras de compra e Fl. 478DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 venda, parte das áreas do imóvel foram comercializadas, quais sejam, áreas alagadiças e áreas de melhor aproveitamento agropastoril. Na oportunidade, o recorrente juntou aos autos os seguintes documentos: a) CNPJ; b) matrícula atualizada do imóvel com averbação da área de reserva legal; c) ADA; d) laudo de avaliação da terra nua elaborado por engenheiro agrônomo; e) cópia do ART do engenheiro responsável pela elaboração do laudo (fls.21163). Ante a falta de comprovação das informações contidas na declaração do contribuinte, a fiscalização encerrou o procedimento de fiscalização. 2 Notificação do Lançamento Em 08/08/06, a autoridade administrativa efetuou lançamento de ofício (fls.0109), embasado na falta de recolhimento do ITR, exercício 2001, apurado após a alteração da declaração do contribuinte, na ausência de comprovação das informações nela contidas. Dentre as informações não comprovadas pelo recorrente, a autoridade fiscal ressaltou os seguintes pontos: a) domicílio tributário do imóvel: foi modificado o domicílio do imóvel de Barra do Garças para Cocalinho; b) área de utilização limitada: documentação probatória da averbação da reserva em cartório de registro de imóveis à margem da matrícula do imóvel informa área menor que a declarada. Está averbado na matricula 20% da área total do imóvel, o que equivale a 2.800 ha, sendo assim substituído pelo declarado; c) área de preservação permanente: contribuinte não apresentou laudo elaborado por engenheiro agrônomo ou florestal, informando as áreas detalhadas caso a caso, que se enquadram no art. 2º ou 3º da Lei nº 4.771/65, conforme art. 10, §1º, III, “a”, da Lei nº 9.393/96, sendo desconsiderado o valor declarado; além do citado, o ADA apresentado pelo contribuinte declara a existência de 2.800 ha, valor menor que o declarado; d) VTN: contribuinte não apresentou o Laudo de Avaliação de Imóveis Rurais para comprovação do VTN, com grau de fundamentação e precisão II e que deve se referir à data do fato gerador. Pela falta de precisão do laudo, o VTN foi arbitrado com base nas informações do SIPT; Foi arbitrado o VTN pelo valor constante a título de VTN/médio para o município de Cocalinho no SIPT: R$ 60,65/ha (fl. 16). O total do crédito tributário constituído foi de R$ 351.770,86, incluídos imposto suplementar apurado, multa de ofício de 75% e juros moratórios calculados até 31/07/06. O contribuinte tomou ciência da notificação em 27/03/06. 3 Impugnação Fl. 479DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.002857/200611 Acórdão n.º 2202002.538 S2C2T2 Fl. 478 5 Indignado com a autuação, o recorrente apresentou impugnação tempestiva (fls.166182) esgrimindo os seguintes argumentos: a) possui apenas um imóvel com área total de 14.000 ha, denominado Fazenda Santa Rita de Owawe, composta por dois Títulos dominais, sendo a matrícula nº 4.181 com 5.809 ha desmembrado de um imóvel denominado de Fazenda Concórdia, e a matrícula nº 4.183 com 8.191 ha correspondente ao lote denominado Silvânia; b) o imóvel estava registrado com o NIRF nº 14293609 perante a DRF, contudo, com a incorporação da empresa Sydel Agropecuária Ltda., o NIRF passou a ser de nº 35565926. Inadvertidamente, tanto a recorrente, quanto a RFB passaram a usar, ora um NRF, ora outro, e tal fato originou dois Termos de Intimação Fiscal (o presente e o de nº 10.183.006.6346/200597) referentes ao mesmo imóvel; c) enquanto no presente processo o valor atribuído ao ITR 2001 foi de R$135.536,28, com VTN no montante de R$60,65 por ha, no outro processo administrativo o valor do ITR 2001 do mesmo imóvel foi arbitrado em R$441.632,28; contudo, em ambos não foi apresentado qualquer documento ou fundamento que pudesse embasar o arbitramento; d) as áreas da região são alagadas durante quase todo o período do ano, restando apenas três meses em que são aproveitáveis; e) o laudo técnico apresentado demonstra que a área de utilização limitada é de 9.485 ha, não havendo motivos para que o auditor desconsiderasse a área declarada para reduzila a 2.800 ha; f) não há motivo justificado para permitirse a adequação promovida pelo auditor, pois a área de reserva legal é determinada pelos arts. 16 a 44 da Lei 4.771/65, e é limitada a 20%, no mínimo, da área total da propriedade, devendo esta ser registrada na matrícula imobiliária, distintamente do que ocorre nas áreas de preservação permanente, disciplinadas pelos arts. 2º, 3º, 5º, 6º, 9º e 18 da Lei nº 4771/65; g) cabe à fiscalização comprovar que não existe no imóvel a APP, caso contrário, prevalece a declaração do contribuinte; h) juntou aos autos o laudo técnico elaborado por engenheiro agrônomo que comprova a existência das áreas de preservação permanente, de utilização limitada, área de reserva legal e o VTN. Ademais, o ADA menciona a existência de 9.485 ha; i) obteve do IBAMA o reconhecimento da área de utilização limitada equivalente a 2.800 ha e, portanto, tem direito à isenção do ITR, sendo que mesmo que esteja averbada junto à matrícula área menor, prevalece a área declarada pelo órgão fiscalizador. Ademais, tendo apresentado o ADA, não pode ser penalizado e sofrer incidência do ITR; Fl. 480DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 j) a SRF encontrase em dúvida quanto ao VTN, uma vez que nos dois processos administrativos em que o mesmo imóvel sofreu arbitramento do valor do hectare há grande divergência entre os valores. Igualmente, em ambos não foram juntados as planilhas ou os quadros de informação expedidos pelo SIPT, nem mesmo pesquisa de mercado ou outro meio idôneo, tendo o VTN sido aplicado ao bem prazer do fiscalizador; k) foi apresentado laudo elaborado por engenheiro, dentro dos padrões da ABNT datado de 23/09/99 onde ficou constatado exatamente o VTN; l) a pretensão em realizar provas periciais, conforme facultado pelo art. 16 do Decreto nº 70.235/72, justificandoa na existência de laudo técnico efetuado, em que constam todas as informações pretendidas pela fiscalização, mas que não se refere à ocorrência do fato gerador, e na existência de dois processos administrativos, cada qual com um VTN distinto; Anexos à impugnação, foram juntados os seguintes documentos: a) contrato social (fls.187192); b) cópia do auto de infração do processo nº 10.183.006346/200597 (fls.199 206); c) planilha das NIRF’S do imóvel (fl.207); d) planilha contendo as vendas de parte da Fazenda Santa Rita Owawe em 2002 (fl.208); e) NIRF da Fazenda Santa Rita Owawe e relatório da situação cadastral emitido pela RFB (fl.209); f) certidão negativa de débitos do imóvel rural (fl.210211); g) comprovante de pagamento ITR 1991 (fls.212213); h) contrato social de incorporação do sócio (fls.214225 e fls.230241); i) NIRF nº 1.429.360.9 referente à Sydel Agropecuária Ltda. até o ano de 1992 (fl.226); j) comprovante de ITR feito em 1992, em nome da Agroflorestal Santa Cecília e Sydel requerendo a mudança de contribuinte (fl.227229); k) comprovante de recebimento em duplicidade de cobrança do ITR 1993 e comprovante da petição pedindo o cancelamento da duplicidade (fls.242 250); l) notificação de lançamento de ITR 1994, 1995, 1996 (fls.255257); m) declaração de ITR 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005, auto de infração e comprovantes de pagamento (fls.258294); n) certidão das matrículas do imóvel (fls.295297); Fl. 481DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.002857/200611 Acórdão n.º 2202002.538 S2C2T2 Fl. 479 7 4 Despacho decisório do processo nº 10183.006346/200597 Em 23/10/06, a Sacat/DRF/Cuiabá/MT, por despacho decisório, cancelou de oficio o cadastro NIRF 1.429.3609 por duplicidade cadastral com o NIRF 3.556.5926, e cancelou de ofício a DITR/2001 do cadastro NIRF 3.556.5926, ND 01.40056.51, por motivo de duplicidade de Declaração, razão pela qual determinou o envio do processo à DRJ de Campo Grande MS para ser julgado o lançamento de oficio do ITR/2001 (fls.301303). 5 Sobrestamento do feito Foi constatada a duplicidade de cadastro do imóvel pelos NIRF’S 35565926 e 14293609 até o exercício 2001, por terem sido entregues DITR’s a partir desse exercício somente com o NIRF 35565926, tendo sido determinado o cancelamento do NIRF 14293609. Com relação à duplicidade de declaração, foi determinado o cancelamento da DIRT/2000 do NIRF 35565926 e mantida a do NIRF 14293609, por esta ter sido objeto do lançamento de oficio. Para o exercício 2001, por haver lançamentos de ofício distintos para cada NIRF a Sacat/DRF/Cuiabá/MT não se manifestou sobre a questão da duplicidade e encaminhou o processo à DRJ. Contudo, os processos foram encaminhados em momentos distintos e, quando do recebimento do presente, já havia sido proferido julgamento no processo nº 10183.006346/200597, no qual, conforme acórdão 0411.204, a Turma decidiu julgar procedente o lançamento do ITR/2001 do imóvel com NIRF 14293609. Houve, ainda, apresentação de recurso ao Conselho de Contribuintes. Diante disto, a Primeira Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande MS, em 20/11/07, determinou o sobrestamento do processo até o julgamento em segunda instância do recurso apresentado no processo nº 10183.006346/200597 (fl.306). 6 Acórdão do processo nº 10183.006346/200597 Em 22/05/09, a Segunda Turma Ordinária, da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste Conselho, no acórdão 310200.306, deu provimento ao recurso voluntário para declarar nulo o lançamento do crédito tributário em decorrência da duplicidade do cadastro do imóvel da NIRF 1.429.3609 pela SRFB (fls.307310). 7 Acórdão de Impugnação A impugnação foi julgada improcedente pela 1ª Turma da DRJ/CGE, por unanimidade (fls.353361 do eprocesso), mantido o crédito tributário exigido. Os fundamentos foram os seguintes: a) foi comprovado o cancelamento do NIRF 1.429.3609 por decisão da DRF/Cuiabá/MT, e do lançamento do ITR/2001 — formalizado com utilização da referida NIRF — por acórdão da 1ª Câmara do CARF, de modo que restou rejeitada a preliminar de nulidade do lançamento; b) o § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393/96 nada mais faz do que informar que não há necessidade de comprovação dos dados declarados quando do cálculo do Fl. 482DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 imposto e entrega do DITR, o qual é observado pela Receita Federal, mas isto não dispensa o contribuinte de comprovar o declarado quando assim solicitado pela fiscalização, e tampouco afasta a atribuição da autoridade fiscal de proceder à verificação desses dados e de efetuar o lançamento de ofício se o contribuinte não lograr comprovar, quando solicitado, que os dados declarados correspondem à situação existente no imóvel no fato gerador do ITR; c) a apresentação de provas pelo contribuinte deve ser feita no momento da impugnação, conforme disposto no § 4º, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, sendo possível a juntada posterior de documentos, desde que observado o art. 5º do referido decreto, não sendo possível, todavia, o deferimento do pedido de juntada posterior de provas, de forma genérica, sem que haja justificativa suficiente para sua não apresentação com impugnação; d) o pedido de realização de diligência ou perícia deve constar da impugnação, conforme art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/72, o qual exige ainda a exposição de motivos que justifiquem a formulação de quesitos referentes aos exames desejados e o nome, endereço e qualificação profissional do perito. Ainda, cabe à autoridade julgadora de primeira instância determinar, de oficio, ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias; e) a prova pericial deve ser produzida antes de qualquer outra, pois tem o fim de firmar o convencimento do julgador, que pode ter necessidade, em face da presença de questões de difícil deslinde, de se municiar de mais elementos de prova. As perícias se destinam à formação da convicção do julgador, devendo limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo das provas já incluídas no processo. Jamais poderão as perícias estenderse à produção de novas provas ou à reabertura, por via indireta, da ação fiscal, pois não se pode conceber o uso da prova pericial para fins de suprir material probatório cuja apresentação está a parte pleiteante obrigada, e que poderia ser levantado por outros meios; f) para elidir a exigência do tributo, total ou parcial, caberia ao contribuinte apenas comprovar os dados declarados, configurando a ocorrência de fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do lançamento; g) os dados a serem considerados para o lançamento do ITR devem se reportar à situação do imóvel no ano anterior ao do exercício do lançamento e ao VTN verificado na data do fato gerador; h) a exigência de apresentação do ADA, além de constar de Instruções Normativas expedidas pela RFB, está prevista expressamente no art. 17O, §1º, da Lei nº 6.938/81, e para o reconhecimento das APP, além da comprovação do cumprimento da obrigação de protocolar o ADA junto ao Ibama, dentro do prazo estipulado na legislação tributária, sua existência deve ser comprovada com a apresentação de laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da ART, que apresente a perfeita indicação do total de áreas do imóvel que se enquadram nessa definição e mencione, especificamente, em que art. da Lei nº 4.771/65 a área se enquadra; Fl. 483DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.002857/200611 Acórdão n.º 2202002.538 S2C2T2 Fl. 480 9 i) para a área de reserva legal, além da comprovação do cumprimento da obrigação de protocolar o ADA junto ao Ibama, dentro do prazo estipulado na legislação tributária, é necessário comprovar sua averbação junto ao Cartório de Registro de Imóveis, conforme art. 16, § 8º, do Código Florestal; j) no trabalho de malha, a autoridade fiscal procedeu à correção dos dados da DITR/2001, tendo aceitado 2.800 ha de área de reserva legal e glosado totalmente a APP por considerar que essa não foi devidamente comprovada, conclusão que está em consonância com os comprovantes da situação do imóvel apresentados pelo contribuinte, tendo em vista que o laudo técnico apresentado não discriminou essa área de forma a demonstrar seu enquadramento nos arts. 2º e 3º do Código Florestal. Inclusive, a ausência de apresentação de novo laudo técnico que discrimine devidamente as APP’S do imóvel, inviabiliza a alteração do lançamento; k) existe no imóvel rural área sem exploração que não se enquadra na definição de área isenta do ITR. Ainda que seu proprietário procure mantêla intacta buscando a preservação do meio ambiente, deve ser considerada aproveitável mas não utilizada, o que influencia na apuração do Grau de Utilização, assim, correto o lançamento com relação a essas áreas; l) quanto ao VTN, o procedimento utilizado pela fiscalização para sua apuração, com base nos valores constantes em sistema da RFB encontra amparo no art. 14 da Lei nº 9.393/96; m) o laudo apresentado pela recorrente foi rejeitado pela autoridade lançadora que apontou deficiências quanto a não observância de determinações da ABNT. Além do mais, não foi apresentado outro laudo para suprir as deficiências citadas na autuação, sendo que o laudo apresentado foi elaborado no ano de 1999, e utilizando como amostras informação sobre oferta de imóveis dos anos de 1993 e 1994, considerando informações sobre imóveis localizados em municípios diversos do ora tratado. Ainda, não foi apresentada comprovação das transações consideradas e da situação dos imóveis paradigmas; n) para configuração de laudo com fundamentação e grau de precisão como requerido pela autoridade fiscal, devese observar a NBR 14.653 da ABNT que exige o levantamento de elementos amostrais, com comprovação da situação de cada imóvel tomado como paradigma, tratamento estatístico, apresentação de fórmulas e de parâmetros utilizados pelo profissional, dentre outros itens necessários para configurar o rigor científico. Além do mais, os dados de mercado coletados, “no mínimo, cinco dados de mercado efetivamente utilizados”, devem se referir a imóveis localizados no município do imóvel avaliado, contemporâneos às data do fato gerador do ITR. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 8 Recurso Voluntário Notificado da decisão em 18/01/12, o recorrente, não satisfeito com o resultado do julgamento, interpôs recurso voluntário (fls.372396 do eprocesso) em 17/02/12, repisando as alegações da impugnação, acrescentando os seguintes argumentos: a) o laudo apresentado pela recorrente não poderia ter sido desconsiderado. Se os membros da DRJ não concordaram com o mesmo, deveriam ter determinado a produção de prova pericial; b) os fundamentos do acórdão sobre os erros cometidos pelo profissional contratado pela recorrente somente poderiam ser apontados por outro engenheiro, já que podem não ter influenciado nas conclusões da perícia, como aquela em que são apontadas as áreas de preservação permanente e de utilização limitada, assim como o VTN; c) o especialista não é obrigado no laudo a fazer comprovação das transações imobiliárias, já que constam de escrituras públicas e registros em Cartório de Registro de Imóveis; d) o ônus da prova é do Fisco e não do contribuinte e, no caso, o Fisco não produziu prova a seu favor; e) ainda que se considerasse que a recorrente deveria provar o fato constitutivo do seu direito, ela o fez com laudo de engenheiro, e o Fisco não se incumbiu de mostrar que a ela estava errada; f) em relação à multa, é aplicável o princípio in dubio pro reo, conforme art. 112 do CTN, o qual estabelece que cabe ao Fisco apresentar provas mais convincentes do que as do contribuinte, e, em caso contrário, a multa deve ser afastada. Em outras palavras, a presunção em relação à apreciação das provas é favorável ao contribuinte; g) a DRJ disse que não seria possível a juntada de documento naquela fase processual, a não ser para contrapor a fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, ainda, afirmou que a recorrente não apresentou outro laudo para suprir deficiências citadas na autuação. Contudo, no exíguo prazo para apresentação desse documento não seria possível a um engenheiro se deslocar para o local do imóvel, vistoriálo e elaborar laudo, de modo que deveria ter sido deferida a prova pericial requerida; h) a presunção não é meio idôneo para amparar tributação, pois a verificação da matéria tributável é um dos requisitos imposto ao servidor na constituição do crédito tributário, nos termos do caput do art. 142 do CTN; i) o imóvel localizase em CocalinhoMT e está dentro dos limites da Amazônia Legal. No imóvel há grande área de utilização limitada, de utilização restrita a apenas três meses por ano em função dos alagamentos típicos da região; j) o imóvel classificase como propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal, conforme consta do art. 16, I, da Lei nº 4.771/65, assim a área de reserva legal é de 80% de cada propriedade, não Fl. 485DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.002857/200611 Acórdão n.º 2202002.538 S2C2T2 Fl. 481 11 podendo prevalecer a presunção que consta do lançamento de que a reserva legal seja de apenas 20% do imóvel; k) o STJ considera inexigível ADA para reconhecimento de APP, bastando a comprovação da existência da área; Em anexo foram juntados os contratos sociais da empresa Vale do Rio Grande Reflorestamento Ltda (fls.398468 do eprocesso); Em 01/03/12, a recorrente foi intimada a apresentar cópia autenticada ou cópia simples acompanhada do original dos seguintes documentos: a) documento de identificação que comprove a assinatura da peticionária Sra. Eliane Maria Ferreira Magalhães; b) contrato social e alterações contratuais, contrato social consolidado, estatuto social, bem como ata da eleição da atual diretoria, conforme o caso, para conferência da representatividade do peticionário; c) procuração em que a recorrente outorgue poderes ao peticionário a representala, caso o signatário do recurso voluntário seja procurador (fl.472 do eprocesso). É o relatório. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 Voto Conselheiro Rafael Pandolfo 1 PRELIMINAR: Do Indeferimento da Prova Pericial A prova pericial é subsídio à formação da convicção do julgador, e visa aprofundar as questões referentes às provas e aos elementos constantes nos autos, não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação legal. Prevê o art. 18 do Decreto nº 70.235/72, com redação dada pelo art. 10 da Lei nº 8.748/93, que: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante a realização de perícias ou diligencias, quando entendelas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no artigo 28, in fine.” Como se depreende da leitura do dispositivo acima, é facultado à autoridade julgadora indeferir o pedido de prova pericial quando considerar que a sua produção é prescindível ou impraticável. Ou seja, é possível que a perícia seja considerada desnecessária quando os elementos presentes nos autos são suficientes para a formação da convicção do julgador, de modo que apenas se falará na necessidade da prova pericial quando houver dúvida na matéria de fato e na convicção do julgador. Nesse sentido, é o entendimento dessa Turma: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR Exercício: 2005 RETIFICAÇÃO DAS ÁREAS DISTRIBUÍDAS E UTILIZADAS DO IMÓVEL. A alteração da distribuição das áreas do imóvel informadas na DIRT, somente é possível quando constatada a ocorrência de erro de fato, comprovado por meio seguros de prova. DA ÁREA TOTAL DO IMÓVEL. Não tendo sido comprovada, por meio de documentos hábeis, área total diversa da apurada pela fiscalização, resta incabível a pretensão do contribuinte. DO VALOR DA TERRA NUA. Para alteração do VTN/ha arbitrado pela autoridade fiscal, com base no Laudo de Avaliação apresentado pela própria contribuinte, exige0se outra prova demonstrando o erro e desacerto do trabalho apresentado. PROVA PERICIAL. CONVERSÃO DOS AUTOS EM DILIGÊNCIA. O Recorrente deve trazer a prova que pretende produzir para comprovar o direito alegado. A conversão dos autos em diligência ou deferimento da prova pericial somente é necessária se houver dúvida na matéria de fato e convicção do julgador. RESERVA LEGAL. DIREITO DE PROPRIEDADE. LIMITAÇÃO DA PROPRIEDADE. DOMÍNIO PLENO. DOMÍNIO ÚYIL E POSSE. DETENÇÃO. NUA PROPRIEDADE. O ITR incide sobre a propriedade, o domínio útil e a posse. Propriedade corresponde ao domínio pleno de usar, gozar, dispor e reivindicar a propriedade. Domínio útil corresponde ao domínio limitado de uso e fruição da propriedade. A posse sujeita ao imposto corresponde à posse aquisitiva com animus domini ou Fl. 487DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.002857/200611 Acórdão n.º 2202002.538 S2C2T2 Fl. 482 13 ad usucapionem, posse com os poderes e os atributos da propriedade. Posse sem os poderes e atributos da propriedade corresponde à mera detenção. O proprietário, titular do domínio pleno, que se destituir de domínio útil ou da posse passa a deter apenas a nua propriedade ou o domínio direto, sem se sujeitar ao tributo. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (CARF. 2ª Seção. 2ª Câmara. 2ª Turma Ordinária. Ac. 2202 001.774. Rel. Conselheiro Odmir Fernandes. Julg. 15/05/2012). Ainda, convém ressaltar que o pedido de perícia pode ser considerado descabido quando os elementos necessários à comprovação das exclusões da base de cálculo são provas documentais, as quais o contribuinte deixou de apresentar, ou apresentou de forma insatisfatória aos anseios da fiscalização, como no caso em análise. Da análise dos autos, se verifica que a decisão de Primeira Instância entendeu pelo indeferimento do pedido de realização de perícia ao argumento de que “Jamais poderão as perícias estenderse à produção de novas provas ou à reabertura, por via indireta, da ação fiscal. Não se pode conceber o uso da prova pericial para fins de suprir material probatório e cuja apresentação está a parte pleiteante obrigada, que poderia ser levando por outros meios. Com isso, impõese rejeitar o pedido de diligência apresentado na impugnação.”. A responsabilidade pela apresentação das provas do alegado compete ao contribuinte, não cabendo a determinação de diligência ou perícia para a busca de provas. No caso, a autoridade julgadora de Primeira Instância indeferiu o pedido de perícia para que fosse feito novo laudo técnico, uma vez que o apresentado não teria atendido aos intuitos da fiscalização, entendendo que o laudo apresentado pelo contribuinte era suficiente para formação de sua convicção. Assim, entendo ser incabível a solicitação de perícia para apresentação de novo laudo técnico uma vez que o apresentado pelo recorrente foi suficiente para firmar o convencimento da Primeira Instância, e é suficiente para formar o deste Relator. 2 Da Área de Preservação Permanente O imposto territorial rural é um imposto gravado pela extrafiscalidade. Sua regulamentação não poderia deixar de ser diferente. A tabela de alíquotas do Imposto Territorial Rural possui dois eixos de valoração, um eixo relativo ao tamanho da propriedade rural em si, pautado pela ideia da capacidade contributiva pressuposta, e outro eixo relativo à produtividade da terra. Mas não apenas à produtividade se dirige a legislação do ITR; ela também está alinhada com a preocupação ambiental inerente ao Código Florestal. Seria irrazoável tributar uma parcela da terra sob a qual foi gravada restrição ambiental, e na qual nada se poderá cultivar. É por este motivo que, entre outras, as Áreas de Preservação Permanente (ou APP’s) são excluídas da base de cálculo do ITR. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 Área de Preservação Permanente é gênero do qual podemos apreender duas espécies: Áreas de Preservação Permanente legalmente estipuladas; e Áreas de Preservação Permanente passíveis de reconhecimento por órgão ambiental. Quanto à primeira espécie, suas hipóteses estão elencadas no art. 2º da Lei 4.771/1965 – Código Ambiental: Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. Quanto à segunda espécie, esta é definida pelo artigo 3º: Art. 3º Consideramse, ainda, de preservação permanentes, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; Fl. 489DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.002857/200611 Acórdão n.º 2202002.538 S2C2T2 Fl. 483 15 c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. § 1° A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. § 2º As florestas que integram o Patrimônio Indígena ficam sujeitas ao regime de preservação permanente (letra g) pelo só efeito desta Lei. Essa distinção não é meramente teórica. A primeira espécie é determinável pela lei, sendo que o ADA, neste caso, tem natureza puramente declaratória. As áreas por ela compreendidas são imperativamente destinadas à preservação permanente, razão pela qual sua desconstituição é penalizada e seu reconhecimento depende tão somente de laudo técnico que comprove sua existência. Assim, estivéssemos diante dessa primeira espécie de área de preservação permanente, a exigência de ADA mostrase inadequada, pois não só a área é constituída pela própria existência da lei a partir de critérios objetivos, como pode ter sua existência comprovada de modo mais eficaz através de laudo técnico. Tal exigência revelarseia inconciliável com a interpretação sistemática do ordenamento jurídico, sobretudo diante do Subprincípio da Necessidade (Princípio da Proporcionalidade), previsto no 2º da Lei 9784/99, caput (Proporcionalidade) e Parágrafo Único, inciso VI (Adequação.). Isso porque a mesma finalidade, com grau superior de precisão e segurança, é obtida por laudo técnico devidamente elaborado. Quanto à segunda espécie, não há veto imperativo à sua utilização até que haja a declaração de órgão ambiental competente que grave a parcela da terra com a restrição ambiental. Sendo assim, mero laudo técnico desacompanhado de ato declaratório de órgão ambiental (que neste caso possui eficácia constitutiva) não é suficiente ao reconhecimento da área para fins de dedução da base de cálculo do ITR. O grande problema do caso em questão é que o laudo técnico apresentado pelo recorrente é insuficiente ao qualificar as áreas. O laudo técnico (fls.107175) apresentado foi elaborado com a finalidade de terminar o VTN do imóvel, ou seja, o mesmo não teve o intuito de comprovar a existência de APP total de 9.485 há. Dessa forma, o laudo apenas indica a existência da mesma apresentando simples tabela de distribuição das terras do imóvel, não qualificando as áreas como de preservação permanente sem maiores esclarecimentos acerca da espécie de APP que lá foi constituída. Ante a ausência de laudo técnico que comprove a Fl. 490DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 16 existência e a qualificação da área declarada como APP, o ADA apresentado pelo contribuinte tornase insuficiente ao reconhecimento da área para fins de dedução da base de cálculo do ITR. Deste modo, impossível o reconhecimento da APP alegada. 3 Da Área de Reserva Legal O ponto relativo à alegada reserva legal, capaz de refletir no cálculo do grau de utilização e significar redução da alíquota, deve ser analisado com cuidado. A finalidade extrafiscal do ITR direciona seu regime de incidência. Isto pode ser observado na leitura do art. 10, §1º, II da Lei nº 9.393/97, mediante o qual se exclui da área tributável todas as áreas do imóvel nas quais é impossibilitada a utilização agrícola, seja por impossibilidades naturais ou por restrições legais/administrativas. Dentre estas encontrase a área de reserva legal, existente por força da Lei nº 4.771/65 – Código Florestal: Art.16.As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; § 8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. Para fins de ITR, a Lei determinou estas áreas como livres da incidência do imposto, através de sua exclusão da base de cálculo, conforme pode ser observado pela leitura do art. 10 da Lei 9.393/96: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; Fl. 491DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.002857/200611 Acórdão n.º 2202002.538 S2C2T2 Fl. 484 17 c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão ambiental; e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. Analisando a situação, observase que o total da área do imóvel é de 14.000 ha, e que o contribuinte alega que sua propriedade fica na Amazônica Legal, o que significa dizer que a Área de Reserva Legal deveria ser de 80% do imóvel, e não de 20% como considerado pela fiscalização, uma vez que esse valor referese a imóveis situados em área de vegetação nativa que não de floresta atlântica ou floresta amazônica. Nesta senda, o recorrente declarou e constituiu a Área de Reserva Legal como Área de Utilização Limitada, em um total de 9.485 ha, o que corresponde, aproximadamente a 70% de sua propriedade, tal valor é corroborado pelo ADA. Ocorre que, o recorrente também apresentou a matrícula de registro do imóvel, na qual consta como averbada a área de 1.800 ha como Área de Utilização Limitada, ou seja, encontrase averbada como Área de Reserva Legal lote correspondente a 20% da propriedade. Diferentemente do que ocorre nas Áreas de Preservação Permanente, o art. 16, §8º, da Lei nº 4.771/65 exige a prévia averbação da Área da Reserva Legal à margem da inscrição da matrícula do imóvel, pois a averbação tem por finalidade a proteção do meio ambiente, uma vez gravada determinada parcela da propriedade, reconhecese o perímetro da Reserva Legal, devendo incidir a concessão do benefício fiscal. Tal entendimento é corroborado pelo Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. DESAPROPRIAÇÃO. RESERVA LEGAL NÃO AVERBADA DE MODO INDIVIDUALIZADO. EXCLUSÃO PARA FINS DE CÔMPUTO DA PRODUTIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE. 1. A Área de Reserva Legal, para ser excluída do cálculo da produtividade do imóvel, deve ter sido averbada no registro imobiliário antes da vistoria. Precedentes do STF e do STJ. 2. Não basta a averbação genérica. "Não se encontrando individualizada na averbação, a reserva florestal não poderá ser excluída da área total do imóvel desapropriando para efeito de cálculo da produtividade" (MS 24.924/DF, Relator para o acórdão Min .Joaquim Barbosa, Tribunal Pleno, j. 24/2/2011, DJe211). 3. Agravo Regimental não provido. (AgRg no AREsp 196.566/PA, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/09/2012, DJe 24/09/2012) Fl. 492DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 18 Logo, ainda que o contribuinte apresente valores a maior referente à Área de Reserva Legal, seja em sua DITR, seja em ADA, seja em laudo técnico, ou ainda que o recorrente sustente que seu imóvel encontrase na Amazônia Legal e que, portanto, a Área de Reserva Legal corresponde 80% do imóvel, deve prevalecer o valor indicado na averbação junto à matrícula de registro do imóvel, pois é a averbação que tem o condão de excluir a Área de Reserva Legal do cômputo da produtividade do imóvel. Com base no acima exposto, entendo que deve ser mantido o valor glosado a título de Área de Reserva Legal, pois a área glosada corresponde à área averbada. 4 Do Valor da Terra Nua e do Arbitramento O art. 14 da Lei 9.393/96 permite à Fiscalização o arbitramento do Valor da Terra Nua dos imóveis fiscalizados quando for constatada subavaliação, prestação de informações inexatas, incorretas, fraudulentas, ou no caso de falta de entrega da DIAC ou DIAT: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei 8629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. § 2º As multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis aos demais tributos federais. Ao permitir o arbitramento, a lei impôs a observância de requisitos mínimos ao arbitramento, quais sejam, os do inciso II do § 1º do art. 12 da Lei nº 8.629/1993, conforme a redação à época, a saber: Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. § 1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel. Embora a redação do artigo tenha sido modificada pela Medida Provisória 2.18356/2001, os critério continuam os mesmos em relação à terra: Fl. 493DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.002857/200611 Acórdão n.º 2202002.538 S2C2T2 Fl. 485 19 Art. 12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: I localização do imóvel; II aptidão agrícola; III dimensão do imóvel; IV área ocupada e ancianidade das posses; V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. Como se observa, o arbitramento substitui o VTN informado em DITR, pelo VTN constante no SIPT, não tendo sido realizado com base nos critérios corretos, pois apenas usou as informações do SIPT, sem considerar a aptidão agrícola, já que foi utilizado o VTN/ha médio do município. Por este motivo, deve ser declarado nulo o VTN arbitrado. Com base no acima exposto, voto para que seja REJEITADA A PRELIMINAR e seja DADO PARCIAL PROVIMENTO ao recurso interposto para restabelecer o VTN declarado. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator Fl. 494DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10845.906763/2011-49
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.591
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligencia, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flavio De Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, e eu , Sidney Eduardo Stahl, Relator
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligencia, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flavio De Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, e eu , Sidney Eduardo Stahl, Relator
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligencia, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flavio De Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, e eu , Sidney Eduardo Stahl, Relator RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 45 .9 06 76 3/ 20 11 -4 9 Fl. 317DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.906763/201149 Resolução nº 3801000.591 S3TE01 Fl. 318 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ de Ribeirão Preto que indeferiu pedido de restituição/compensação da contribuinte. A DRF de origem proferiu despacho decisório eletrônico não homologando a compensação sob o fundamento de que o pagamento informado em PER/DCOMP, através de guia DARF, foi integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Inconformado, apresentou o contribuinte manifestação de inconformidade sustentando, em síntese, que a origem do seu crédito decorre de pagamentos a maior, realizados em função da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei n.º 9.718/1998 e que houve falta de aprofundamento na investigação dos fatos. Em face da inconstitucionalidade alegada, reclama que, na base de cálculo do tributo, somente deveriam ter sido incluídos os valores correspondentes ao seu faturamento, excluindose a parcela que foi calculada sobre receitas financeiras acostando aos autos os demonstrativos e os documentos correspondentes. Em sede de Manifestação de Inconformidade retifica o valor inicialmente pleiteado A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis e somente pode afastar as normas declaradas inconstitucionais nos casos expressamente previstos no ordenamento jurídico. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 318DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.906763/201149 Resolução nº 3801000.591 S3TE01 Fl. 319 3 Apresenta a contribuinte o presente Recurso Voluntário apontando como fundamento os mesmos apresentados na manifestação de inconformidade. É o importa relatar. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.906763/201149 Resolução nº 3801000.591 S3TE01 Fl. 320 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. São dois os pontos que ainda se encontram em discussão no presente processo: o um, a possibilidade da recorrente retificar a Per/Dcomp em sua manifestação de inconformidade e o dois o seu direito ao aproveitamento dos valores indevidamente pagos em decorrência do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS por conta da alteração do artigo 3 º, da Lei n.º 9.718/98. Quanto ao primeiro ponto, tenho que não há como se alterar o pedido de compensação/restituição no curso do presente processo, quer porque os limites do processo se dão na sua origem, nos termos do disposto no Decreto 70.235/1972, quer subsidiariamente pelo disposto no Código de Processo Civil, além disso, havendo meio próprio de retificação da Per/Dcomp não se pode permitir que se o faça por outros meios. Quanto ao segundo ponto apesar da brilhante tese esposada no acórdão da DRJ tenho que o presente processo deve seguir caminho diverso. O Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98, conforme ementa abaixo colacionada: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.906763/201149 Resolução nº 3801000.591 S3TE01 Fl. 321 5 Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585235, abaixo colacionado: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Assim, considerandose o disposto no art. 62A da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 20101 (Regimento Interno do CARF), devese afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas com base no disposto no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Nada obstante, o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.906763/201149 Resolução nº 3801000.591 S3TE01 Fl. 322 6 Não considerar tais documentos e negar o direito da contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria enriquecimento sem causa do Estado. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 4 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados devem ser devidamente examinados para se apurar se os referidos créditos estão corretos. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) Examine os documentos existentes e a escrita fiscal da interessada em relação às compensações requeridas apurando se estão corretos os valores inicialmente pleiteados correspondentes á indevida ampliação da base de cálculo do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98; b) Cientificar a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação, se assim desejar; c) Retornar o processo a este CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl, Relator 4 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10380.014209/2007-61
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 19/11/2007
AÇÃO JUDICIAL. MATÉRIA DECIDIDA EM OUTRA ESFERA. CONHECIMENTO NA VIA ADMINISTRATIVA. VEDAÇÃO. MATÉRIA DIFERENCIADA. CONHECIDA E AFASTADA. SALVO QUANTO AO NOVO PATAMAR DE MULTA. APLICAÇÃO DE OFÍCIO.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-002.761
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator para determinar a aplicação da multa benéfica do artigo 32-A, I, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009.
(Assinado Digitalmente).
Helton Carlos Praia e Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente).
Eduardo de Oliveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior, ausentes os Conselheiros Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 19/11/2007 AÇÃO JUDICIAL. MATÉRIA DECIDIDA EM OUTRA ESFERA. CONHECIMENTO NA VIA ADMINISTRATIVA. VEDAÇÃO. MATÉRIA DIFERENCIADA. CONHECIDA E AFASTADA. SALVO QUANTO AO NOVO PATAMAR DE MULTA. APLICAÇÃO DE OFÍCIO. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator para determinar a aplicação da multa benéfica do artigo 32A, I, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009. (Assinado Digitalmente). Helton Carlos Praia e Lima Presidente. (Assinado Digitalmente). Eduardo de Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior, ausentes os Conselheiros Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 42 09 /2 00 7- 61 Fl. 741DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.014209/200761 Acórdão n.º 2803002.761 S2TE03 Fl. 371 2 Relatório O presente Auto de Infração – AI, com DEBCAD 37.138.6241, CFL.68, objetiva a aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, que consistiu em apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, parágrafo 3º, acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV, parágrafo 5º., também, acrescentado pela Lei 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4º., do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA, fls. 01. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 23/11/2007, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA, de fls. 01. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, as fls. 34 a 44 , recebida, em 24/12/2007, fls. 33, a qual foi acompanhada dos documentos, de fls. 45 e 148. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 149 e 150. O órgão julgador de primeiro grau baixou os autos em diligência Despacho nº112 – 6ª Turma da DRJ/REC, fls. 155 e 156. A diligência não foi cumprida e tal situação foi esclarecida pela Informação Fiscal, de fls. 158 a 160, sendo que a recorrente se recusou a atender à fiscalização e obteve no judiciário federal em MS liminar e sentença de mérito, para suspender a ação fiscal, fls. 161 a 168. Os autos foram devolvidos a DRJ/REC, fls. 169. A DRJ suspendeu o curso do PAF e devolveu os autos a DRF para aguardar a solução do MS. O TRF5, conforme consta, as fls.182 a 187, deu provimento a apelação da fazenda e a remessa oficial. A diligência finalmente foi cumprida, fls. 188 a 324, e elaborada IF à DRJ/REC, fls. 326 e 327. O órgão julgador de primeiro grau prolatou o Acórdão Nº 1132.030 7ª Turma, datado de 29/11/2010, fls. 328 a 337, por intermédio da qual considerou a impugnação improcedente. No entanto, o crédito foi retificado em razão do reconhecimento de oficio da decadência, tendo sido excluídas do débito as competências 11/2001 e anteriores. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 25/04/2011 , AR, de fls. 344. Fl. 742DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.014209/200761 Acórdão n.º 2803002.761 S2TE03 Fl. 372 3 Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com as razões recursais, as fls. 345 a 364, recebida, em 25/05/2011, acompanhado dos documentos, de fls. 365 a 367. As teses recursais sumariadas estão a seguir expostas. Mérito. · que a recorrida deixou de apreciar a impugnação, sob a alegação de que a recorrente impetrou MS com o mesmo objeto, mas a Administração cabe aplicar o princípio da autotutela, podendo rever o lançamento, pois em desacordo com a lei, uma vez que não há incidência da norma do artigo 22, IV, da Lei 8.212/91, em face da recorrente; · que o princípio da legalidade é a expressão maior do Estado Democrático de Direito, estando no âmbito tributário tal princípio previsto no artigo 150, I, da CF/88, redundando este no princípio da tipicidade, devendo a lei conter todos os elementos da tributação; · que os autos sobre vergasta está eivado de ilegalidade, haja vista a não ocorrência do fato gerador do artigo 22, IV, da Lei 8.212/91, pois a autuada não toma os serviços das cooperativas, apenas faz intermediação dos contratos e não cobra nenhum adicional de seus associados, apenas busca obter um plano de saúde em melhores condições, sendo a cobrança e a aplicação da multa descabidas por violar a ampla defesa e contraditório; · que a incidência da contribuição do artigo 22, IV, da Lei 8.212/91, não ocorre, pois as cooperativas não prestam serviços a recorrente e sim aos associados destas, bem como a recorrente não presta serviços aos seus associados; · que a recorrente apenas é intermediária da relação entre os seus associados e as cooperativas médicas e odontológicas, sendo que a lei 9.876/99 criou uma nova contribuição previdenciária, não amparada no artigo 195, I, da CF/88, pois não incide sobre a relação de emprego, folha de salários ou o lucro; · que as notas e faturas emitidas em nome da recorrente são apenas os repasses dos associados as cooperativas, sendo que a recorrente não é beneficiária dos serviços, mas sim os seus associados, não sendo os valores descontados dos associados receita da recorrente, haja vista a inconstitucionalidade da exação, invasora do patrimônio da associação e confiscatória; · que é necessária a realização de perícia para preservação e busca da verdade material, cita doutrina e jurisprudência, inclusive, administrativa do CARF, sendo esta importantíssima para a solução do caso, pondo sua contabilidade à disposição do fisco, configurando cerceamento de defesa seu indeferimento, cita o STF e o STJ; Fl. 743DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.014209/200761 Acórdão n.º 2803002.761 S2TE03 Fl. 373 4 · que embora a recorrente figure como contratante nos contratos, não é ela a beneficiária dos serviços, não auferindo renda com a intermediação, apenas buscando oferecer planos de saúde em melhores condições a seus associados, sendo ilegal e inconstitucional o lançamento por presunção; · Ao final a recorrente pede: a) que os autos não prosperem, pois é mera intermediária da relação; b) que o autos sejam julgados improcedentes; c) provar o alegado por todos os meios admitidos em direito, inclusive, com a juntada posterior de provas; d) que as intimações sejam efetuadas em nome dos advogados e no endereço declinado, sob pena de nulidade. O Recurso Voluntário foi considerado tempestivo pelo órgão preparador, fls. 369. Por fim, os autos subiram ao CARF, fls. 369. É o Relatório. Fl. 744DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.014209/200761 Acórdão n.º 2803002.761 S2TE03 Fl. 374 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira Relator O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. O órgão julgador a quo não deixou de julgar a impugnação da entidade, este órgão apenas e tão somente aplicou a lei como ela está posta, inclusive, aplicando a Súmula 1 do CARF. No presente caso a recorrente optou por impetrar ação judicial para discutir a sua posição jurídicotributária em relação a contratação de cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho em favor de seus associados. No caso o judiciário decidiu, conforme transcrição que consta do Acórdão de primeiro grau, que a recorrente é a responsável tributária pela contribuição, o que afasta a discussão em sede administrativa, uma vez que a decisão judicial se sobrepõe sempre a decisão administrativa, sendo inócuo decidir nesta seara, o que decidido na via judicial. A lei contém todos os elementos para fazer nascer a obrigação tributária e o respectivo crédito e foi por isso, que o judiciário decidiu na ação interposta pela recorrente que ela é a contribuinte da exação. Como diz a lei, a recorrente contrata os cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho e os associados da contratante são os beneficiados pelos serviços e isto já foi decidido na ação judicial, assim, a contratante é a obrigada tributária. Desta forma, a discussão desta questão na via administrativa fica afastada, pois no caso concreto o TRF5 decidiu a questão em desfavor da recorrente, não cabendo mais discutir esta na via administrativa. Não sendo o recurso conhecido nesta parte. A perícia, também, se mostra desnecessária, descabida e inócua, pois além do judiciário ter resolvido a questão, o lançamento não depende da perícia, uma vez que o agente lançador deixou claro em seu REFISC, de fls. 11 a 27, que este está baseado nas notas fiscais emitidas em face da recorrente pelas cooperativas, sendo tal indeferimento perfeitamente possível e cabível. HABEAS CORPUS. ART. 19, PARÁGRAFO ÚNICO, DA LEI Nº 7.492/1986. ART. 333, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CÓDIGO PENAL. PACIENTE ABSOLVIDO. PEDIDO PREJUDICADO. INDEFERIMENTO DE PROVA PERICIAL REQUERIDA NA DEFESA PRELIMINAR E NA FASE DO ART. 499 DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL. DISCRICIONARIEDADE DO JULGADOR. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. DECISÃO FUNDAMENTADA. Fl. 745DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.014209/200761 Acórdão n.º 2803002.761 S2TE03 Fl. 375 6 RAZOABILIDADE. 1. Diante da notícia de que um dos pacientes foi absolvido na ação penal de que aqui se cuida, o writ mostra se prejudicado quanto a ele. 2. É pacífico o entendimento jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal de que o deferimento de prova pericial e de diligências na fase do art. 499 do Código de Processo Penal está condicionado à avaliação de sua conveniência, cabendo ao julgador aferir, em cada caso, dentro da esfera de discricionariedade, a real necessidade da medida para a formação de sua convicção. 3. Não há que falar em cerceamento de defesa se o indeferimento da realização da perícia está suficientemente justificado, de forma razoável, notadamente pela possibilidade de a defesa produzir provas diversas capazes de atingir o fim almejado com a perícia, assim também pela existência de outros elementos de convicção hábeis a comprovar a prática do delito, não evidenciado qualquer constrangimento ilegal. 4. Habeas corpus julgado prejudicado quanto a a Flávio Antônio Bonet e denegado em relação a Cezar Antônio Bonet. (HC 200601141456, PAULO GALLOTTI, STJ SEXTA TURMA, 30/06/2008) (grifo meu). Indefiro o pedido de intimação em nome dos causídicos e nos endereços destes, uma vez que o artigo 127, da Lei 5.172/66 c/c o artigo 23, do Decreto 70.235/72 não trazem tal hipótese e estabelecem as formas, meios e locais de comunicação ao sujeito passivo. Assim sendo, entendo que não há razão nas alegações apresentadas no presente recurso, na parte conhecida. Todavia, ainda, que não alegado pela recorrente, reconheço que a aplicação da multa como estabelecido, à época, no auto de infração fere o espírito da nova lei, pois a pena que era estipulado no artigo 32, parágrafo 5º, com a limitação do parágrafo 4º, tudo da Lei 8.212/91 na redação anterior, passou a ter outro patamar, conforme nova sistemática introduzida pelo artigo 32 A, I, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009. Assim sendo, nos termos do artigo 106, II, “c”, da Lei 5.172/66 deve a multa ser recalculada na forma estabelecida em lei, como acima declinado e sem levar em consideração o cálculo da PT Conjunta PGFN/RFB 14/2009. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer parcialmente do recurso, em razão da ação judicial, para no mérito darlhe provimento parcial de ofício para determinar a aplicação da multa benéfica do artigo 32 – A, I, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 746DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.014209/200761 Acórdão n.º 2803002.761 S2TE03 Fl. 376 7 Fl. 747DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10480.909723/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004
Ementa:
DENÚNCIA ESPONTÂNEA - ARTIGO 138 do CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL - CANCELAMENTO DE MULTA MORATÓRIA.
Deve ser reconhecida a aplicação do artigo 138 do Código Tributário Nacional - CTN - nos casos em que, antes da ocorrência do procedimento de fiscalização o contribuinte realiza a declaração do tributo até então não recolhido, acompanhada de pagamento. Entendimento expressado pelo Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial nº 962.379, julgado em caráter.
COMPENSAÇÃO - INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. Quando o contribuinte utiliza-se de crédito em valor superior àquele que tem direito, a compensação deve ser apenas parcialmente homologada, até o limite do direito creditório que lhe é garantido.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-002.181
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencido a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negava provimento. O conselheiro Walber José da Silva apresentará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA
Presidente
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Gileno Gurjão Barreto e Jonathan Barros Vita.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Deve ser reconhecida a aplicação do artigo 138 do Código Tributário Nacional CTN nos casos em que, antes da ocorrência do procedimento de fiscalização o contribuinte realiza a declaração do tributo até então não recolhido, acompanhada de pagamento. Entendimento expressado pelo Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial nº 962.379, julgado em caráter. COMPENSAÇÃO INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. Quando o contribuinte utilizase de crédito em valor superior àquele que tem direito, a compensação deve ser apenas parcialmente homologada, até o limite do direito creditório que lhe é garantido. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencido a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negava provimento. O conselheiro Walber José da Silva apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 97 23 /2 00 9- 11 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10480.909723/200911 Acórdão n.º 3302002.181 S3C3T2 Fl. 11 2 Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Gileno Gurjão Barreto e Jonathan Barros Vita. Relatório Tratase de Declaração de Compensação de PIS com débito de IRPJ (fls. 01/05), transmitida em 30/06/2007. O crédito referese a pagamento efetuado em 29/04/2005, e relativo à competência 06/2004, e decorre de pagamento a maior da contribuição, em virtude de diferenças na aplicação de regime cumulativo e não cumulativo de apuração da contribuição. Segundo informações da Recorrente, com a entrada em vigor do regime de não cumulatividade, passou a sujeitarse a tal sistemática de cálculo do PIS. No entanto, em relação a contratos firmados antes de 31/10/2003, as receitas derivadas de tais acordos permaneceram tributadas na forma cumulativa – por expressa determinação legal. Em 2005, ao realizar a atualização de preços de determinados contratos, firmados antes da data acima indicada, a Recorrente não sabia se deveria promover a migração para o regime não cumulativo – no que se refere às receitas advindas destes contratos. Na dúvida, o fez. Passou a tributar as receitas de contratos cujos preços haviam sido atualizados, pelo regime não cumulativo. Daí que promoveu o recolhimento de PIS relativo a receitas auferidas em 06/2004, no regime não cumulativo, porém com atraso, tendo sido promovida a inclusão de juros de mora neste pagamento, mas sem recolhimento de multa moratória. Posteriormente, com a edição da Lei n° 11.196/06, esclareceuse que mero reajuste de preços não alteraria o regime de apuração das contribuições, ou seja, esclareceuse que os valores relacionados a contratos firmados antes de 31/10/2003, ainda que atualizados, permaneceriam sujeitos à sistemática da cumulatividade. Neste momento, a Recorrente percebeu que havia recolhido o PIS da competência 06/2004 sob o regime de apuração errado – não cumulativo ao invés do cumulativo. Ao confrontar os valores devidos por uma e por outra sistemática de apuração verificou que havia recolhido tributo a maior. Após esta constatação utilizou tal crédito na compensação sob análise. O Despacho Decisório (fls. 06/08) homologou parcialmente a compensação, sob o fundamento de que não havia crédito suficiente para quitar o débito que se pretendeu extinguir. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10480.909723/200911 Acórdão n.º 3302002.181 S3C3T2 Fl. 12 3 Inconformada, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 09/13) por meio da qual alega que a suposta inexistência de crédito suficiente para realizar a compensação pretendida ocorreu em razão de o Fisco ter entendido que, no recolhimento do PIS efetuado em atraso, em 2005 (ref. Competência 06/2004), a contribuinte deveria ter recolhido multa moratória, em razão de seu pagamento em atraso. Promoveu, então, a imputação dos valores e concluiu pela inexistência de saldo/crédito suficiente à quitar o débito objeto da compensação. A Recorrente defende que não deveria ter incluído multa moratória no recolhimento em atraso, pois o recolhimento foi realizado como denúncia espontânea, do que decorre que nenhuma penalidade seria devida. Em sua defesa, a Recorrente apresenta a DCTF retificadora, transmitida em 05/03/2007 (fls. 23/26), na qual informa o débito de PIS para a competência 06/2004, como sendo de R$ 192.915,31, vinculado ao DARF pago em atraso (em 29/04/2005), acrescido de juros moratórios, cujo valor de principal era de R$ 367.646,33. A diferença corresponde justamente ao valor utilizado na DCOMP objeto destes autos. A declaração em DCTF restou consignada da seguinte forma, a saber: A A DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da Recorrente e manteve a homologação parcial da compensação, por entender que a multa moratória é devida em pagamentos atrasados, ainda que na forma de denúncia espontânea (fls. 55/60), verbis: DARF 1 PA: 30/06/2004 CÓDIGO RECEITA – 6912 VCTO – 15/07/2004 Valor do Principal R$ 367.646,33 Valor da Multa R$ 0,00 Valor dos Juros R$ 42.683,74 Valor Total do DARF R$ 410.330,07 Valor Pago do Débito R$ 192.915,31 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10480.909723/200911 Acórdão n.º 3302002.181 S3C3T2 Fl. 13 4 “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 Ementa: PAGAMENTO ESPONTÂNEO EM ATRASO. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA. Sobre o valor do tributo pago após o vencimento, mesmo que a denúncia seja espontânea, antes do inicio de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração, incide a multa de mora prevista no art. 61 da Lei n° 9.430/96. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. COBRANÇA DA PARCELA NÃO HOMOLOGADA. Constatada insuficiência de crédito para fazer frente aos débitos declarados em DCOMP, cabe a cobrança da parcela não homologada, com os acréscimos legais cabíveis (§§ 2° e 7° do art. 74 da Lei n° 9.430/96).” Assim como a Recorrente, os julgadores administrativos foram em busca da origem da causa da glosa, valendose de pesquisas, simulações e análises do sistema da Receita Federal. Inicialmente consignaram a ocorrência do pagamento declarado pela contribuinte anexando para tanto o extrato do SINAL (fls. 51 – vcto 12/12/04), onde consta que em 29/04/2005, foi recolhido o valor de R$ 410.330,07 (sendo R$ 367.646,33 a título de principal e R$ 42.683,74 de multa). Irresignada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário (fls. 68/74), no qual reitera os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, além de trazer jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça favorável a seu entendimento. Vieramme então, os autos para decisão. É o relatório. Voto Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, Relatora O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele conheço. O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele conheço. Após extenso relatório, necessário para a compreensão dos fatos ocorridos, percebese que a questão em discussão referese (i) à possibilidade de a autoridade administrativa exigir, em sede de procedimento de compensação, multa moratória que em etapa Fl. 107DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10480.909723/200911 Acórdão n.º 3302002.181 S3C3T2 Fl. 14 5 anterior reduziria o crédito tributário e (ii) incidência de multa de mora no caso de denúncia espontânea. Algumas premissas fáticas devem ser consideradas. Primeiro, nestes autos não se discute a origem do crédito, ou seja, não se questiona se a contribuinte poderia voltar ao regime cumulativo do PIS e COFINS ou se teria direito ao crédito a maior. Em segundo lugar, não há dúvida quanto ao valor do débito principal devido pela Recorrente, ao contrário, pois as autoridades administrativas assumiram o valor indicado na DCTF retificadora (R$ 192.915,31) Vale dizer, tanto Fisco como o contribuinte concordam que o valor de principal devido a título de PIS neste caso representa o valor indicado na segunda retificadora da DCTF. Consolidado o valor principal em R$ 192.915,31, o que se discute nos autos é a possibilidade da cobrança de multa de mora em relação, justamente, a este número que foi o único considerado como devido e efetivamente pago por meio da guia DARF em 29/04/05, que recolheu R$ 410.330,07. Especificamente, a Recorrente entende que possui um determinado saldo credor, enquanto as autoridades administrativas entendem que o valor é outro, a saber: (A) DARF PAGO (B) VALOR DEVIDO (C = A B) SALDO DE CRÉDITO O QUE PENSA? Principal Multa Juros Contribuinte 410.330,07 192.915,31 X 22.397,46 292.478,89 DRF/DRJ 410.330,07 192.915,31 38.583,06 22.397,46 253.895,83 O valor entendido por devido pelas autoridades administrativas está demonstrado na Guia DARF simulada (fls. 54). Em resumo, a questão é justamente o crédito. Enquanto a Recorrente entende que tem direito ao crédito de R$ 292.478,89; a DRF/DRJ conclui que o crédito efetivo é no montante de R$ 253.895,83. A diferença é exatamente o valor da multa (R$ 38.583,06). Neste aspecto alcançamos a primeira questão a ser analisada. É possível, por meio da análise da presente compensação, avaliar o crédito indicado para compensação? A resposta é afirmativa. Todavia, esta revisão não permite a constituição, via transversa, de débito tributário até então não constituído. Conforme constatado dos documentos dos autos, a constituição do débito tributário foi realizada pela contribuinte quando da apresentação da segunda DCTF retificadora, quando a Recorrente confessou o débito em atraso mas não constituiu a multa. Nesta oportunidade a Recorrente declarou como devido o principal e os respectivos juros, uma vez que pretendeu a realização de denúncia espontânea. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10480.909723/200911 Acórdão n.º 3302002.181 S3C3T2 Fl. 15 6 O presente processo não é o meio hábil para lançar a multa que não foi constituída pela contribuinte ou fiscalização. A próxima questão a ser avaliada referese à denúncia espontânea. Inicialmente cumpre registrar que o processo administrativo nº 19647.004378/200528, no qual, de acordo com informações contidas nos autos, a questão da denúncia espontânea estaria sendo discutida, não tratou do procedimento espontâneo adotado pelo Contribuinte, conforme se atesta dos documentos trazidos aos autos. Assim, não há concomitância no julgamento da questão, razão pela qual adentro ao mérito da questão. Nos termos relatados, a insuficiência do crédito se deu em razão de a fiscalização entender que a denúncia espontânea realizada pelo contribuinte em 29/04/05 não afastar a multa incidência de moratória de 20%. Ocorre que tal interpretação não se coaduna com a jurisprudência majoritária, menos ainda com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça proferido em sede de recurso repetitivo1: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado 1 As decisões proferidas em sede de Recurso Repetitivo pelo Superior Tribunal de Justiça são de observação obrigatória pelos julgadores administrativos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF conforme artigo 62A do Regimento Interno: "Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF." Fl. 109DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10480.909723/200911 Acórdão n.º 3302002.181 S3C3T2 Fl. 16 7 em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (Recurso Especial nº 1.149.022 SP (2009/01341424) – Ministro Luix Fux – destaquei) Inaplicável, portanto o entendimento do v. acórdão no sentido de impossibilidade de se eximir a multa de mora com a denúncia espontânea,o que faz com que o crédito pleiteado pela Recorrente seja suficiente à satisfação da compensação pretendida. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10480.909723/200911 Acórdão n.º 3302002.181 S3C3T2 Fl. 17 8 Ante o exposto, conheço do presente recurso para o fim de DARLHE PROVIMENTO, reconhecendo a compensação nos termos como realizados. É como voto. Sala das Sessões, em 27 de junho de 2013. (assinado digitalmente) Relatora Fabiola Cassiano Keramidas Declaração de Voto CONSELHEIRO WALBER JOSÉ DA SILVA Inicialmente, acato a decisão da DRJ de não analisar a legitimidade dos débitos declarados ou pagos pela Recorrente, isto é, se o valor devido de PIS do PA 06/04 está correto ou não (tanto no regime cumulativo como no regime não cumulativo). A minha análise se restringirá ao objeto da lide estabelecida (ocorreu ou não denúncia espontânea com direito ao pagamento do PIS sem a multa de mora) pelo fato da Recorrente (i) ter efetuado o pagamento de um débito de PIS em atraso e sem multa de mora (que julgava devido); (ii) ter comunicado o fato à RFB para caracterizar a denúncia espontânea; (iii) não ter efetuado a retificação da DCTF quando do pagamento; (iv) e posteriormente (dois anos depois) apresenta DCTF retificadora declarando um débito de valor diferente do constante da comunicação feita à RFB via processo (do mesmo PA) e vinculandoo ao mesmo DARF constante da referida comunicação à RFB (para liquidar débito). Há que se decidir se o débito de PIS declarado na DCTF retificadora, do mesmo PA, mas com valor diferente do débito constante da “denúncia espontânea” e do DARF pago dois anos antes é o mesmo débito (como defende a Recorrente) ou é um débito “novo” que o contribuinte pretende quitar com aquele DARF, como entendeu a DRJ. Também é necessário decidir se esta situação estar albergada pela decisão proferida pelo STJ (REsp nº 1.149.022 – SP rito RR) sobre a incidência da multa de mora nos pagamentos espontâneos, posto que não houve a retificação do valor declarado anteriormente (DCTF) quando do pagamento, vindo o contribuintes a fazêlo dois anos depois, mudando para menos o valor do débito que entende devido. Tudo isto sem que houvesse procedimentos fiscalizatório prévio. Passo à análise das questões de mérito da lide. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10480.909723/200911 Acórdão n.º 3302002.181 S3C3T2 Fl. 18 9 A comunicação da “denuncia espontânea” feita pela Recorrente em maio/05 é inócua e em anda afeta meu entendimento sobre a lide. Portanto, não a levarei em consideração. Conforme abaixo se vê, a decisão do STJ (REsp nº 1.149.022 – SP) trata do caso em que o contribuinte retifica declaração de débito para incluir diferença e, concomitantemente, efetua o pagamento da diferença, tudo isto antes de qualquer procedimento fiscalizatório. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. [...] 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. No caso dos autos, previamente a qualquer procedimentos fiscalizatório, o contribuinte, antes de efetuar a retificação da declaração, efetuou o pagamento de PIS e, muito tempo depois, é que procedeu a retificação da declaração (DCTF) para incluir uma diferença menor do que a que tinha pago anteriormente (vinculou na DCTF o débito ao DARF pago anteriormente) e, por entender indevido parte do pagamento efetuado, está pleiteando a restituição do indébito. A DRJ entende que discussão restringese à multa de mora, não sobre o pagamento realizado a destempo (o DARF), mas sim sobre o débito que o sujeito passivo pretende quitar com aquele DARF. Muito bem. Fiquemos com o entendimento da DRJ de que aqui não se discute se sobre o débito de PIS pago no dia 29/04/2005 incidia ou não a multa de mora. Mas sim se sobre o débito que a Recorrente pretende quitar com aquele pagamento incide ou não multa de mora. Lembro que, como bem disse a decisão recorrida, o aproveitamento do pagamento na DCTF é feito pelo total do DARF recolhido e não pelo valor de cada uma das parcelas pagas. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10480.909723/200911 Acórdão n.º 3302002.181 S3C3T2 Fl. 19 10 Também é importante lembrar que aqui não se está tratando de compensação de débitos de PIS com créditos de PIS. Isto porque o DARF utilizado para quitar o débito declarado também é de PIS e do mesmo período de apuração do DARF pago. Portanto, tratase aqui de simples alocação de pagamento de PIS a débito declarado de PIS do mesmo PA. O detalhe é que o pagamento ocorreu após o vencimento do débito. No DARF pode ter sido destacado, ou não, multa e juros de mora. Não faz diferença porque a alocação é feita pelo total pago e não parcela por parcela, como se disse. Outro detalhe fundamental é que o débito se refere a diferença, ou seja, é um complemento do valor regularmente declarado em DCTF e esta diferença só foi declarada em DCTF muito tempo após a realização do pagamento. Pagamento e retificação da declaração não foram concomitantes. E este detalhe – pagamento e retificação da declaração não são concomitantes – faz toda a diferença para a decisão recorrida. A decisão do STJ no REsp acima citado se refere a retificação de declaração e pagamento concomitantes. No meu entendimento, SMJ, se o pagamento e a retificação da declaração ocorreram antes de qualquer procedimento de ofício, e o pagamento antecedeu à retificação da declaração, aplicase a decisão do STJ sobre a matéria. Se entre o pagamento e retificação da DCTF tivesse o Fisco iniciado procedimento de fiscalização, não se caracterizaria a denúncia espontânea (mesmo com a comunicação do contribuinte via processo) porque a condição estabelecida pelo STJ é que ocorra a retificação da declaração (que impede o lançamento de ofício) e o pagamento. Sem um ou sem o outro, é devido a multa de mora ou de ofício, conforme o caso. Por isto é que a decisão do STJ é no sentido de que a multa de mora é devida no caso de débito declarado e não pago. No caso dos autos, pagamento e retificação da declaração não ocorreram simultaneamente. No entanto, o pagamento ocorreu antes da retificação da DCTF e não houve procedimento fiscalizatório antes da retificação da DCTF. Por esta razão, entendo que ao caso aplicase a decisão do STJ no Recurso Repetitivo acima referido para declarar indevida a multa de mora no pagamento em tela. Isto posto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Fl. 113DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 19515.000470/2002-71
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1998, 1999
MULTA DE OFÍCIO. DADOS FORNECIDOS PELA FONTE PAGADORA. INAPLICABILIDADE.
O lançamento efetuado com informações espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração, não comporta multa de ofício.
IRPF. VERBAS. AUXÍLIO GABINETE E HOSPEDAGEM. NÃO INCIDÊNCIA.
O imposto de renda não incide sobre as verbas recebidas regularmente por parlamentares a título de auxílio de gabinete e hospedagem, exceto quando a fiscalização apurar a utilização dos recursos em benefício próprio não relacionado à atividade legislativa.
Numero da decisão: 9202-002.935
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso do Contribuinte e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional.
(assinado digitalmente)
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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DADOS FORNECIDOS PELA FONTE PAGADORA. INAPLICABILIDADE. O lançamento efetuado com informações espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração, não comporta multa de ofício. IRPF. VERBAS. AUXÍLIO GABINETE E HOSPEDAGEM. NÃO INCIDÊNCIA. O imposto de renda não incide sobre as verbas recebidas regularmente por parlamentares a título de auxílio de gabinete e hospedagem, exceto quando a fiscalização apurar a utilização dos recursos em benefício próprio não relacionado à atividade legislativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso do Contribuinte e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 04 70 /2 00 2- 71 Fl. 443DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19515.000470/200271 Acórdão n.º 9202002.935 CSRFT2 Fl. 415 3 Relatório Tratamse de Recursos Especiais por contrariedade, fls. 0158, interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e por divergência, fls. 0365, interposto pelo sujeito passivo, contra acórdão, fls. 0135, que decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário do sujeito passivo, nos seguintes termos: RENDIMENTOS. TRIBUTAÇÃO NA FONTE. ANTECIPAÇÃO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Em se tratando de imposto em que a incidência na fonte se dá por antecipação daquele a ser apurado na declaração, inexiste responsabilidade tributária concentrada, exclusivamente, na pessoa da fonte pagadora, devendo o beneficiário, em qualquer hipótese, oferecer os rendimentos . à tributação na Declaração de Ajuste Anual. IRPF IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. AUXÍLIOENCARGOS GERAIS DE GABINETE E HOSPEDAGEM A PARLAMENTAR São rendimentos tributáveis conforme a legislação do imposto de renda as verbas recebidas por parlamentar com mandato eletivo na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo sob a denominação de auxílioencargos gerais de gabinete e hospedagem. IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS AUXÍLIO GABINETE Não sendo comprovada a efetiva utilização de verba recebida a título de "auxílio gabinete" para o fim a que se propõe, deve a mesma ser tomada como rendimento tributável. IRPF MULTA EXCLUSÃO Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. TAXA SELIC. APLICABILIDADE A partir de 1° de abril de 1995 os créditos tributários vencidos e não pagos incidem juros de mora calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia Selic, para títulos federais, acumulada mensalmente. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por JOÃO MARCELO F1ORESE GONÇALVES. ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a multa de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Vencidos os Conselheiros José Ribamar Barros Penha (Relator) que negou provimento e, Gonçalo Bonet Allage, José Carlos da Matta Rivitti e Wilfrido Augusto Marques que deram provimento integral. Designada como redatora do voto vencedor a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Destaquese que o dispositivo do acórdão foi modificado, por embargos da PGFN, para ficar claro que a decisão foi por maioria. Como esclarecimento inicial, informamos que os litígios em questão versam sobre: I. Recurso da PGFN: exclusão de multa de ofício, quando há erro de quem deveria arrecadar o tributo; e II. Recurso do sujeito passivo: verbas de auxílio gabinete e hospedagem não podem ser tributadas, pois recebidas para o trabalho. Em seu recurso especial a Procuradoria alega, em síntese, que: 1. A decisão recorrida está equivocada, pois entendeu ser incabível a cobrança de multa de ofício quando caracterizada a existência de erro escusável do contribuinte; 2. O sujeito passivo deixou de oferecer à tributação as verbas “auxílio—encargo de gabinete” e “auxílio hospedagem”; 3. A decisão recorrida contraria o artigo 136 do Código Tributário Nacional (CTN) e o disposto no artigo 44, inciso I, da Lei n. 9.430/96; 4. A verba recebida pelo contribuinte deve ser tributada normalmente, com o acréscimo dos demais encargos legais cabíveis, tal como a multa de ofício; 5. Questionamentos acerca de eventual erro cometido pelo contribuinte, se escusável ou inescusável, são irrelevantes ante a legalidade e a responsabilidade objetiva que regem a aplicação da legislação tributária; e 6. Pelo exposto, requer o conhecimento e o provimento de seu recurso. Por despacho, fls. 0172, deuse seguimento ao recurso especial. O sujeito passivo – devidamente intimado apresentou suas contra razões, fls. 0338, argumentando, em síntese, que o recurso deve ser improvido, como, também apresentou recurso especial, fls. 365, alegando, em síntese, que as verbas não podem sofrer tributação, pois foram recebidas para o trabalho e não pelo trabalho realizado, conforme paradigma anexo. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19515.000470/200271 Acórdão n.º 9202002.935 CSRFT2 Fl. 416 5 Por despacho, fls. 0405, deuse seguimento ao recurso especial do sujeito passivo. A PGFN apresentou suas contrarazões, alegando, em síntese, que a decisão deve ser mantida, no ponto recorrido pelo sujeito passivo, fls. 0410. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade – recursos tempestivos, com contrariedade comprovada e divergência confirmada e não reformada conheço dos Recursos Especiais e passo à análise de suas razões recursais. Antes de mais nada, quanto ao recurso do sujeito passivo, ressaltamos, pois muito relevante, que há recente súmula que trata da questão. Súmula CARF nº 87: O imposto de renda não incide sobre as verbas recebidas regularmente por parlamentares a título de auxílio de gabinete e hospedagem, exceto quando a fiscalização apurar a utilização dos recursos em benefício próprio não relacionado à atividade legislativa. Portanto, como a determinação da súmula acima coincide perfeitamente com o fundamento do lançamento, dou provimento ao recurso do sujeito passivo. Com o resultado, proviemnto integral na questão da súmula, há que se negar provimento ao recurso da nobre PGFN, já que, por lógica, o acessório (multa) não irá existir com o provimento do principal (tributo). Além do mais, o recurso da nobre PGFN versa sobre a aplicação da multa de ofício sobre os valores tributáveis, quando a fonte dos rendimentos não arrecada o tributo. Entendemos, neste caso, como a responsabilidade é da fonte pagadora em arrecadar e recolher, que não há como aplicar penalidade sobre sujeito passivo que não agiu para não pagar o tributo. Essa, aliás, é decisão que consta em acórdãos recentes do CARF: MULTA DE OFÍCIO. DADOS CADASTRAIS. O lançamento efetuado com dados espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração, não comporta multa de ofício. (Acórdão 2202 002.471, Relator: Pedro Paulo Pereira Barbosa) ... MULTA DE OFÍCIO. DADOS CADASTRAIS. O lançamento efetuado com dados espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração, não comporta multa de ofício. (Acórdão 2201 001.725, Relator: Pedro Paulo Pereira Barbosa) Portanto, pelas razões citadas, voto em negar provimento ao recurso da PGFN. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19515.000470/200271 Acórdão n.º 9202002.935 CSRFT2 Fl. 417 7 CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em negar provimento ao recurso da PGFN e em dar provimento ao recurso do sujeito passivo, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 449DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001101/2003-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
Embargos de Declaração. Enfrentamento de ponto sobre o qual deveria haver-se pronunciado o Colegiado. Procedência. Retificação de acórdão. Verificada omissão de ponto sobre o qual deveria haver-se pronunciado a turma, deve-se acolher os embargos, para suprir a omissão, e rerratificar o acórdão, de modo que este passe a refletir o resultado do exame completo de todas as questões devolvidas à instância de julgamento.
DECADÊNCIA.
O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à contribuição para o Programa de Integração Social - PIS é de 05 anos, contados da data de ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento do tributo devido.
Embargos providos.
Numero da decisão: 9303-002.374
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos embargos, para suprir a omissão e dar efeitos infringentes aos declaratórios, de modo a retificar o acórdão embargado no tocante ao termo inicial da contagem de prazo da decadência, que se desloca do primeiro dia do exercício seguinte, como consignado no acórdão originário, para a data de ocorrência do fato gerador, em razão de ter havido antecipação de pagamento do tributo lançado.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Ivan Allegretti, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Enfrentamento de ponto sobre o qual deveria haverse pronunciado o Colegiado. Procedência. Retificação de acórdão. Verificada omissão de ponto sobre o qual deveria haverse pronunciado a turma, devese acolher os embargos, para suprir a omissão, e rerratificar o acórdão, de modo que este passe a refletir o resultado do exame completo de todas as questões devolvidas à instância de julgamento. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à contribuição para o Programa de Integração Social PIS é de 05 anos, contados da data de ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento do tributo devido. Embargos providos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos embargos, para suprir a omissão e dar efeitos infringentes aos declaratórios, de modo a retificar o acórdão embargado no tocante ao termo inicial da contagem de prazo da decadência, que se desloca do primeiro dia do exercício seguinte, como consignado no acórdão AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 11 01 /2 00 3- 14 Fl. 667DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 originário, para a data de ocorrência do fato gerador, em razão de ter havido antecipação de pagamento do tributo lançado. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Ivan Allegretti, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos, tempestivamente, pelo Sujeito Passivo em face do Acórdão nº 02203.679, sob a justificativa de ocorrência de omissão sobre questão que deveria terse manifestado o Colegiado. Segundo a embargante, 14. (...), a D. Autoridade Julgadora desconsiderou completamente as alegações da Recorrente e da própria Autoridade Fazendária que lavrou o auto de infração, tratando o caso como se não houvesse recolhimento da contribuição. 15. Notese que o ilustre Relator Henrique Pinheiro Torres reconhece que, para a contagem do prazo decadencial, no caso do contribuinte antecipar o pagamento, "(...) o termo do início deve coincidir com a data de ocorrência do fato gerador (...)". 16. Assim, importante que o acórdão ora embargado seja retificado para sanar a omissão nele existente, haja vista o pagamento do PIS efetuado nos meses de janeiro e fevereiro de 1998, consoante se observa dos comprovantes de arrecadação anexos (Doc. 02). Por meio do Despacho de fls. 636/637, o Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais conheceu dos Declaratórios e determinou o retorno dos autos à pauta de julgamento, para que este Colegiado possa examinar os embargos apresentados pelo Sujeito Passivo e, se assim entender, proceder a retificação do acórdão embargado. É o relatório. Fl. 668DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.001101/200314 Acórdão n.º 9303002.374 CSRFT3 Fl. 639 3 Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator Os embargos são tempestivos e apontaram o suposto vício no procedimento, in casu, a omissão de ponto sobre o qual deveria pronunciarse o Colegiado. Desta feita, atendido aos requisitos de admissibilidade, devese conhecer dos embargos de Declaração opostos pelo Sujeito Passivo, para que se possa suprimir a omissão aponta rerratificando o julgado de modo que se coadune com a realidade dos autos. Da análise dos autos, confirmase que o Colegiado deixou de pronunciarse sobre a evidência de ter havido antecipação de pagamento, o que levaria a resultado diverso do julgado. De fato, consta do Termo de Verificação Fiscal que o sujeito passivo, relativamente aos meses de janeiro a dezembro de 1998, recolheu a contribuição com base no PISRepique, e que, ainda de acordo com a Fiscalização, da apuração do PIS devido, foi excluído o PIS recolhido a título de PIS – Repique. Ora, esse fato, por si só, altera completamente o resultado do julgamento, posto que, o prazo decadencial foi contado levando em conta a ausência de antecipação de pagamento, o que deslocou o termo inicial da data de ocorrência do fato gerador para a do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia haver sido efetuado. De outro lado, o sujeito passivo traz aos autos, junto com os embargos apresentados, cópia de comprovante de pagamento do PIS relativo a fatos geradores ocorridos em janeiro e fevereiro de 1998, o que retira qualquer dúvida sobre ter havido antecipação de pagamento. Esclareçase, por oportuno, que a juntada desses comprovantes não foi valorada na admissão dos declaratórios, pois a omissão apontada não poderia ser sobre valoração de prova que ainda não constava dos autos. Na realidade, a menção que se faz a esses comprovantes é apenas no sentido de que eles confirmam informações que já constavam do Termo de Verificação Fiscal, mas que foram omitidas no acórdão embargado. Em síntese, houve omissão e esta foi suficiente para alterar o resultado do julgamento, com isso, deve o Colegiado sanar esse vício, e reapreciar a questão da decadência considerando que houve antecipação de pagamento. Com isso, o termo inicial do prazo extintivo para a constituição do crédito tributário deslocase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia haver sido efetuado, in casu, 1º de janeiro de 1999, para 31 de janeiro de 1998, relativamente ao primeiro período de 1998, já para o segundo período, o termo inicial é 28 de fevereiro de 1998, 31 de março para o terceiro período e assim sucessivamente. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento aos embargos de declaração opostos pelo sujeito passivo para suprir a omissão, e retificar o acórdão embargado para reconhecer a decadência relativa aos períodos de apuração compreendidos entre janeiro e fevereiro de 1998. Henrique Pinheiro Torres Fl. 669DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 16561.000001/2008-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
DECADÊNCIA. PRESENÇA DE PAGAMENTOS. REGRA DO ART. 150, § 4o DO CTN. EVENTO DE INCORPORAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DO FATO GERADOR.
O lançamento por homologação ocorre quando o sujeito passivo da obrigação tributária apura o montante tributável e efetua o pagamento do imposto devido, ainda que parcialmente, sem prévio exame da autoridade administrativa, hipótese em que a contagem do prazo decadencial, quando há pagamento e quando ausentes dolo, fraude ou simulação, se rege pelo disposto no art. 150, § 4o, do CTN, como foi o caso. O fato gerador do IRPJ e da CSLL das sociedades optantes pelo lucro real anual que, via de regra materializa-se em 31 de dezembro, se antecipa, no que concerne à decadência, para a data do evento de incorporação por meio da qual a Recorrente absorveu patrimônio de outra pessoa jurídica, fato este que ensejou também a entrega antecipada da DIPJ, fechando o balanço da incorporada até o mês da ocorrência do evento de incorporação (inteligência do art. 5º da Lei n. 9.959/2000).
Numero da decisão: 1401-001.051
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM DAR provimento integral ao recurso em face da decadência, e NÃO CONHECER do recurso de ofício por ter ficado totalmente prejudicada a sua análise.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Roberto Armond Ferreira da Silva e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 DECADÊNCIA. PRESENÇA DE PAGAMENTOS. REGRA DO ART. 150, § 4o DO CTN. EVENTO DE INCORPORAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DO FATO GERADOR. O lançamento por homologação ocorre quando o sujeito passivo da obrigação tributária apura o montante tributável e efetua o pagamento do imposto devido, ainda que parcialmente, sem prévio exame da autoridade administrativa, hipótese em que a contagem do prazo decadencial, quando há pagamento e quando ausentes dolo, fraude ou simulação, se rege pelo disposto no art. 150, § 4o, do CTN, como foi o caso. O fato gerador do IRPJ e da CSLL das sociedades optantes pelo lucro real anual que, via de regra materializa-se em 31 de dezembro, se antecipa, no que concerne à decadência, para a data do evento de incorporação por meio da qual a Recorrente absorveu patrimônio de outra pessoa jurídica, fato este que ensejou também a entrega antecipada da DIPJ, fechando o balanço da incorporada até o mês da ocorrência do evento de incorporação (inteligência do art. 5º da Lei n. 9.959/2000).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 DECADÊNCIA. PRESENÇA DE PAGAMENTOS. REGRA DO ART. 150, § 4o DO CTN. EVENTO DE INCORPORAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DO FATO GERADOR. O lançamento por homologação ocorre quando o sujeito passivo da obrigação tributária apura o montante tributável e efetua o pagamento do imposto devido, ainda que parcialmente, sem prévio exame da autoridade administrativa, hipótese em que a contagem do prazo decadencial, quando há pagamento e quando ausentes dolo, fraude ou simulação, se rege pelo disposto no art. 150, § 4o, do CTN, como foi o caso. 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(assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 00 01 /2 00 8- 02 Fl. 1835DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16561.000001/200802 Acórdão n.º 1401001.051 S1C4T1 Fl. 1.835 2 (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Roberto Armond Ferreira da Silva e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 1836DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16561.000001/200802 Acórdão n.º 1401001.051 S1C4T1 Fl. 1.836 3 Relatório Tratase de analisar recursos de ofício e voluntário perante Acórdão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de São Paulo ISP que cancelou em parte o lançamento. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: DA AUTUAÇÃO Conforme Termo de Constatação e Verificação Fiscal de fls. 767 a 772, em fiscalização empreendida junto à contribuinte acima identificada, foi constatado o seguinte: DAS VERIFICAÇÕES EFETUADAS A Bombardier opera, no Brasil, principalmente na área de sinalização e controle ferroviário, com a venda de produtos e a prestação de serviços, por encomenda. O controle do estoque é feito por projeto Centro de Custo mantendo a contribuinte todos os insumos nas contas devedoras de estoque, e lançando o Custo dos Produtos e Serviços Vendidos contra Transferência de Produtos, redutoras do estoque. O saldo final é apurado por diferença. Foram analisadas as DIPJs referentes ao anocalendário de 2001 e aos períodos de 01/01/2002 a 20/12/2002 e de 21/12/2002 a 31/12/2002. Por Termo de Início de Fiscalização, de 27/10/2006, a contribuinte foi intimada a, entre outros, apresentar seus arquivos magnéticos na forma da IN SRF n° 86/2001 e Ato Declaratório Executivo Cofis n° 15/2001, informar suas operações de importações e documentação de suporte aos métodos utilizados na apuração de preços de transferência, bem como suas operações de empréstimo com partes vinculadas. Em maio de 2007, a contribuinte foi instada a reapresentar os arquivos faltantes e incompletos., tendo respondido em 16/05/2007. Continuaram as mesmas lacunas em relação aos arquivos anteriores. As informações prestadas pela contribuinte com relação aos preços de transferência foram consideradas satisfatórias pela fiscalização. Na análise de lançamentos de custos e despesas, foram apurados fornecedores de mercadorias ou serviços omissos, ou com DIPJ com declaração de inativa ou com receita zerada. Ademais, o objeto social de alguns dos prestadores de serviço não se coadunava com os supostos serviços prestados. Com relação aos fornecedores Office Consult Consultoria e Comércio Ltda, Plaza Fomento Comercial Ltda., Info Tecno Informática Ltda. EPP, e Record Telecomunicações e Informática Ltda, a contribuinte foi intimada a fazer prova da Fl. 1837DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16561.000001/200802 Acórdão n.º 1401001.051 S1C4T1 Fl. 1.837 4 efetiva prestação dos serviços ou de sua real necessidade (fls. 457 e 460), não logrando fazêlo. Com relação ao fornecedor Sygen Engenharia e Montagem Ltda., os documentos apresentados pela contribuinte comprovam a efetiva prestação dos serviços pelo fornecedor a clientes da Bombardier até 12/08/2002, não tendo a contribuinte esclarecido a razão de terem sido pagos supostos fornecimentos após essa data, em que houve o encerramento do relacionamento comercial entre as partes. Foi, então, efetuada a glosa de R$ 190.580,27, referente ao período posterior à supracitada data. DAS IRREGULARIDADES CONSTATADAS Os lançamentos do arquivo 4.1.1 Arquivo de Lançamentos Contáveis revelam que os números de lançamento apresentam lacunas em sua numeração, além de haver lançamentos com data anterior à seqüência seguida. A contribuinte jamais entregou os arquivos 4.6.1 Arquivo de Insumos Relacionados da IN SRF n° 86/2001; 4.5.1 Arquivo de Controle de Estoque da IN SRF n° 86/2001; e 4.5.2 Arquivo de Registro de Inventário da IN SRF n° 86/2001. Com relação ao arquivo 4.5.2, apresentou apenas e tão somente um arquivo em Excel, que não contém as informações prescritas pelo Ato Declaratório COFIS n° 15/2001, dele nada se podendo extrair quanto a saldos e valores físicos e monetários do estoque. Em relação à Ficha 04 Custo dos Bens e Serviços Vendidos, não logrou a contribuinte comprovar a composição da Linha 16 Outros Custos, no valor de R$ 4.806.879,39. Nas 4 planilhas referentes ao CMV não é possível a identificação das contas e saldos que compuseram tal linha. Além disso, o valor de R$ 4.421.841,13, utilizado para chegar, por diferença, ao valor de R$ 4.806.879,39, foi, por sua vez, apurado por diferença entre as contas de estoque e custos, sendo que os lançamentos apresentados, que supostamente o embasariam, não permitem a perfeita identificação das contas movimentadas, tendo vários a contrapartida de "Diversos". Por conseguinte, o supracitado valor de R$ 4.806.879,39 foi glosado por falta de comprovação. Os fornecedores para os quais foi constatada omissão de entrega de DIPJ ou DIPJ como inativa ou com receitas zero tiveram suas despesas/custos glosadas por falta de comprovação, sendo que, no caso da Plaza Fomento, o foram por não comprovação da efetiva prestação de serviço e da sua necessidade. Compras e matérias primas foram glosadas pelo valor integral do pagamento além do valor lançado em custo posto que o IPI e o ICMS diminuíram a base imponível do tributo. A planilha anexa (fls. 775/777), com a relação das despesas/custos glosados, apresenta, para as supostas compras de insumos, o valor total dos pagamentos efetuados para cada nota fiscal, obtidos da planilha 4.1.1 Lançamentos Contábeis, do crédito a Bancos e débito a Fornecedores Nacionais. Por conseguinte, foi glosado o valor de R$ 6.278.062,72. A DIPJ referente a 20/12/2002 (Ficha 09) não apresenta ajuste de preços de transferência. Fl. 1838DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16561.000001/200802 Acórdão n.º 1401001.051 S1C4T1 Fl. 1.838 5 Dessa forma, o valor do ajuste de preços de transferência, no total de R$ 4.348.628,49, foi considerado não lançado, adotandose o cálculo da própria contribuinte como base imponível. DO AUTO DE INFRAÇÃO Considerando o acima exposto, "foi a multa de ofício agravada pelo evidente intuito de fraude, destarte ensejando representação fiscal para fins penais" (sic). DOS LANÇAMENTOS Em face do exposto, foram efetuados os seguintes lançamentos, relativos ao anocalendário de 2002: Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) Auto de Infração fls. 778 a 783 Fundamento legal artigos 241, 249, inciso I, 251, e,§ único, 289,290, inciso I, 292 e 300 do RIR/99 Crédito Tributário (em reais) 3.858.392,65 4.340.691,73 2.948.969,50 Imposto Multa proporcional (112,5%) Juros de mora (cálculo até 30/11/2007) 11.148.053,88 TOTAL Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL) Auto de Infração fls. 784 a 789 Fundamento legal artigo 2o, e §§, da Lei n° 7.689/88; artigo 19 da Lei n° 9.249/95; artigo 1o da Lei n° 9.316/96; artigo 28 da Lei n° 9.430/96; e artigo 6o da MP n° 1.858/99 e reedições Crédito Tributário (em reais) 698.351,34 785.645,25 533.749,92 Contribuição Multa proporcional (112,5%) Juros de mora (cálculo até 30/11/2007) 2.017.746,51 TOTAL Crédito Tributário Total (em reais) Consolidado até 30/11/2007 11.148.053,88 2.017.746,51 IRPJ CSLL 13.165.800,39 TOTAL Obs. Na apuração da CSLL houve compensação de base de cálculo negativa de períodos anteriores (limite de 30%). DA IMPUGNAÇÃO Cientificada dos lançamentos em 27/12/2007 (fls. 780 e 786), a contribuinte, por meio de seus advogados, regularmente constituídos (fls. 876 e 877), apresentou, em 23/01/2008, a impugnação de fls. 798 a 871, alegando, em síntese, o seguinte: FATOS A impugnante está compelida ao recolhimento de IRPJ e CSLL, relativamente a infrações supostamente cometidas no período compreendido entre 01/01/2002 e 20/12/2002, a seguir sintetizadas: (1)Não comprovação dos valores computados na Linha 16 Outros Custos, da Ficha 04A Custos dos Produtos de Fabricação Própria Vendidos; Fl. 1839DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16561.000001/200802 Acórdão n.º 1401001.051 S1C4T1 Fl. 1.839 6 (2)Dedução indevida de serviços considerados como não comprovados; (3)Não comprovação da efetividade dos serviços prestados pela empresa Plaza Fomento Mercantil Ltda.; e (4)Não oferecimento à tributação dos excessos de custo apurados na aplicação dos métodos de preços de transferência na importação de bens. Com relação ao item (1), será demonstrado que os lançamentos não comprovados sequer tiveram sua composição questionada no decorrer de todo o processo de fiscalização. Com relação ao item (2), ressalta a impugnante que nenhum dos fornecedores possuía, ou chegou a possuir, CNPJ declarado como inapto, nos termos da legislação fiscal. O Auditor Fiscal assumiu a premissa de que a impugnante tem poder de polícia sobre alguns de seus prestadores de serviços, e imputou a ela a obrigação que na verdade era, e continua sendo, sua: fiscalizar os contribuintes. Houve casos, como dos serviços contratados junto à empresa Compusolda, em que o Auditor Fiscal nem sequer verificou as contrapartidas contábeis dos montantes glosados. Como partiu dos controles financeiros que relacionavam apenas os pagamentos, glosou itens que nem sequer foram contabilizados como despesas e, portanto, jamais produziram efeito na apuração do IRPJ e da CSLL. Outro exemplo que ilustra tal postura foi a glosa do montante de R$ 114.218,00, constante da Nota Fiscal n° 27, da Office Consult. Embora essa nota tenha sido relacionada no arquivo eletrônico disponibilizado, o fato é que não foi paga, porque foi emitida em duplicidade pela prestadora de serviços. A despeito de a impugnante ter neutralizado contabilmente esse equívoco, o Auditor Fiscal manteve a glosa. Com relação ao item (3), a impugnante demonstrará e comprovará que os referidos serviços foram prestados pela Plaza Fomento Mercantil Ltda. Com relação ao item (4), cumpre esclarecer que o mencionado ajuste foi registrado apenas na Parte A do LALUR, e não na DIPJ, tendo em vista que, considerado isoladamente, não era capaz de gerar base tributável pelo IRPJ e pela CSLL, em razão de seu montante ser inferir ao prejuízo fiscal e à base de cálculo negativa da CSLL do próprio período de apuração. Alias, destaca a impugnante que o Auditor Fiscal desconsiderou, por completo e sem justificativa, a existência de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL existentes no próprio período, compreendido entre 01/01/2002 e 20/12/2002. Também não considerou o saldo de prejuízos fiscais de anos anteriores (limitados a 30% da base de cálculo apurada). Mencionese que, para fins de cálculo da CSLL, o montante apurado foi deduzido em 30% com parte do saldo de períodos anteriores, o que nos leva a crer que o Auditor Fiscal simplesmente equivocouse ao lavrar o Auto de Infração do IRPJ. Com relação à multa agravada (de 75% para 112,5%), sobre todos os itens da autuação, a impugnante destaca que não há, em todo o processo administrativo, qualquer descrição por parte do Auditor Fiscal de eventos que se coadunem com as hipóteses legais que autorizam o referido agravamento. Fl. 1840DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16561.000001/200802 Acórdão n.º 1401001.051 S1C4T1 Fl. 1.840 7 Por fim, a impugnante destaca a decadência do direito da autoridade fiscal de constituir o crédito tributário em questão. PRELIMINARMENTE Evento de incorporação em 20/12/2002 Precipitação da ocorrência do fato gerador Para que a impugnante demonstre cabalmente o decurso do prazo decadencial, é importante ressaltar que o fato gerador do IRPJ e da CSLL das sociedades optantes pelo lucro real anual que, via de regra materializase em todo 31 de dezembro, foi deslocado (antecipado) para 20/12/2002 no caso dos presentes autos, em razão do evento de incorporação por meio da qual a impugnante absorveu patrimônio de outra pessoa jurídica, fato este que ensejou a entrega antecipada da DIPJ, preenchida com base nas informações do período de 01/01/2002 a 20/12/2002. Decadência do direito à constituição do crédito tributário Os eventos ocorridos entre 01/01/2002 e 20/12/2002 não mais poderiam ser objeto de análise pela autoridade fiscal para fins de lançamento de IRPJ e de CSLL, tendo em vista o transcurso do prazo decadencial. Ocorre que o Auto de Infração ora impugnado foi lavrado/cientificado em 27/12/2002, após o transcurso do prazo de 5 anos da ocorrência do respectivo fato gerador de tais tributos, em 20/12/2002. Destaquese que o IRPJ e a CSLL são tributos cujo lançamento é feito por homologação, fato este que pressupõe a aplicação do § 4o do artigo 150 do CTN, que estabelece que a contagem do prazo decadencial (de 5 anos), para tributos dessa natureza, ocorre a partir da ocorrência dos respectivos fatos geradores. Nem se alegue, por fim, que o prazo decadencial para lançamento da CSLL seria de 10 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, nos termos do artigo 45 da Lei n° 8.212/91. Isso porque a referida norma fere frontalmente as regras do CTN (artigos 150, § 4o, e 173) e da Constituição Federal (artigo 146, inciso III, b). Considerações iniciais Histórico da fiscalização Com o intuito de demonstrar que em momento algum houve, de sua parte, qualquer atitude que minimamente pudesse significar falta de zelo no atendimento à fiscalização, a impugnante apresenta, às fls. 822 a 825, pequeno resumo dos fatos ocorridos no decorrer da ação fiscal, confirmados pelos documentos juntados ora aos autos (doe. 03). Observa a impugnante que, desde seu início em 27/10/2006, a fiscalização foi direcionada à verificação dos controles e métodos de preços de transferência nas operações de importação. Apenas em novembro de 2007, e após constatar a inexistência de pontos de questionamento em relação à apuração dos preços de transferência que, segundo o Auditor Fiscal, foi corretamente efetuada pela impugnante é que passou a surgir questionamentos em relação a alguns itens, que acabariam por ser autuados. Fl. 1841DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16561.000001/200802 Acórdão n.º 1401001.051 S1C4T1 Fl. 1.841 8 Mesmo o Auditor Fiscal dando poucas oportunidades de resposta à impugnante, nunca deixou de ser atendido. Por fim, destaca a impugnante a grande informalidade do Auditor Fiscal (muitas solicitações verbais, algumas por email e pouquíssimos Termos de Intimação) e que a ausência de Termos de Intimação demonstra um desenrolar tranqüilo do processo de fiscalização. MÉRITO Impropriedade da glosa de custos da Linha 16 "Outros Custos" da Ficha 04A "Custo dos Bens e Serviços Vendidos" da DIPJ2003 (2002) de 20/12/2002 A presente exigência mantevese apenas porque não houve compreensão por parte do Auditor Fiscal da metodologia de apuração dos custos. Não trata, pois, de questionamento fundamentado na inexistência de documentação suporte dos custos, sendo desnecessária a apresentação de notas fiscais dos custos registrados. Em 24/11/2006, visando atender ao Termo de Intimação Fiscal de 27/10/2006, a impugnante apresentou as informações requeridas, inclusive quadros demonstrativos da abertura das respectivas linhas das Ficha 04A Custo dos Bens e Serviços Vendidos, da DIPJ de 20/12/2002. Desde o seu início, a fiscalização estava focada na verificação dos controles de preços de transferência, de tal forma que o Auditor Fiscal não demonstrou empenho na análise dos quadros demonstrativos. Tivesse o Auditor Fiscal intimado ou questionado tempestivamente a impugnante, prontamente seria esclarecido quanto à metodologia de formação do estoque e dos custos dos produtos vendidos. A impugnante tem por atividade o fornecimento de bens e prestação de serviços na área de sinalização e controle ferroviário. Pela característica dos projetos que comercializa, todos de médio e longo prazo, os custos diretos e indiretos de cada projeto, quando incorridos, são registrados em contas contábeis do grupo 116 "Estoque". Os custos registrados em conta de estoque são realizados e apropriados em conta de resultado do exercício (grupo 32) à medida que as fases dos projetos são concluídas, momento em que, paralelamente, a receita proporcional à fase concluída é também apropriada ao resultado. No anocalendário de 2002, até o mês de dezembro, os custos incorridos totalizaram o montante de R$ 33.641.269,40, o qual foi devidamente apropriado no resultado daquele exercício, tal como se demonstra no Balancete Analítico do período (doe. 04). Nos quadros demonstrativos apresentados no início da fiscalização (doe. 05), a impugnante demonstrou que esse valor foi apurado em harmonia com a metodologia aritmética aceita pelos princípios contábeis e pela legislação fiscal, isto é: Custo dos Produtos Vendidos = Estoque Inicial + Compras/Custos Incorridos Estoque Final. O quadro a seguir resume a composição do custo apropriado (valores em reais): Estoque Inicial em 31/12/20013.220.253,57 Fl. 1842DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16561.000001/200802 Acórdão n.º 1401001.051 S1C4T1 Fl. 1.842 9 (+) Compras/Custos Incorridos40.582.804,00 () Estoque Final5.737.987,48 (=) CPV38.065.070,09 () Ajuste de provisão redutora de estoque4.423.841,13 (=) CPV incorrido até 20/12/200233.641.228,96 Desse demonstrativo, destaquemse os valores de compras/custos incorridos, de R$ 40.582.804,00 (conforme movimentação das contas de estoque 116.1, 116.2 e 116.4) e o valor do ajuste de estoque, de R$ 4.423.841,13 (o Termo de Verificação Fiscal menciona erroneamente o valor de R$ 4.421.841,13), os quais esclarecem o procedimento adotado para se apurar o montante de R$ 4.806.879,39, consignado na Linha 16, da Ficha 04A, da DIPJ de 20/12/2002. Pela movimentação dos estoques, o CPV deveria corresponder a R$ 38.065.070,13. No entanto, à época, a impugnante percebeu que o equivalente a R$ 4.423.841,13, baixados do grupo de estoque, já haviam sido apropriados no resultado de exercícios anteriores, pois de tratava de provisões (indedutíveis) de custos de garantia de produtos e peças. A impugnante apresenta cópia de todos os lançamentos contábeis que identificam todas as partidas dobradas dos registros, em estoque e na conta de provisão, registros estes que totalizam a quantia de R$ 4.423.841,13. Assim, não se trata esse valor de R$ 4.423.841,13 de um ajuste qualquer, pois se refere à baixa de produtos e peças que foram entregues a clientes em substituição de outros com defeitos. No preenchimento da DIPJ de 20/12/2002 (Ficha 04A), a impugnante procurou observar as disposições legais e administrativas contidas no MAJUR. Assim, desdobrou o valor total de Compras/Custos Incorridos no período nas respectivas linhas da ficha, conforme quadro a seguir (valores em reais): Compras/Custos Incorridos40.582.804,00 Importações em andamento807.938,78 Linha 02 Compras de insumos à vista(16.232.420,33) Linha 05 Custo do pessoal aplicado na produção(1.896.343,14) Linha 06 Encargos sociais(1.097.706,04) Linha 07 Alimentação do trabalhador(178.708,92) Linha 08 Manutenção/reparo bens aplicados na produção(17.267,30) Linha 10 Encargos de depreciação/amortização/exaustão(53.437,17) Linha 12 Serviços prestados por PF s/ vínculo empregatício(27.060,79) Linha 13 Serviços prestados por PJ(12.657.119,00) Saldo remanescente de custos pelo movimento de estoque9.230.680,09 Ajuste de provisão redutora de estoque(4.423.841,13) Fl. 1843DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16561.000001/200802 Acórdão n.º 1401001.051 S1C4T1 Fl. 1.843 10 Linha 16 Outros Custos4.806.838,96 Observese que do total de compras/custos incorridos que estavam no grupo de estoque, depois de deduzidos os valores alocados nas linhas específicas, remanesceu o montante de R$ 9.230.680,09. Desse valor a impugnante expurgou o supracitado montante de R$ 4.423.841,13, obtendo o montante de R$ 4.806.879,39, alocado na Linha 16 Outros Custos, pela inexistência de linha específica. Impropriedade da glosa de custos de prestação de serviços e de fornecimento de bens A impugnante desmembra, no quadro a seguir, o total dos custos glosados por fornecedores (valores em reais): Fornecedor Valor Office Consultoria e Comércio Ltda. 1.260.042,00 Info Tecno Informática Ltda. 977.265,00 Record Telecomunicações e Informática Ltda. 514.330,00 Sygen Engenharia e Montagem Ltda. 190.580,27 Compusolda Indústria e Comércio Ltda. 1.911.232,52 DSM Engenharia Ind. Com. Produtos Eletrônicos Ltda. 216.753,93 Setedel Serviços Técnicos de Engenharia Ltda. 52.859,00 Subtotal 5.123.062,72 Plaza Fomento Comercial Ltda. 1.155.000,00 Total 6.278.062,72 Duas foram as razões centrais para que a fiscalização julgasse indedutíveis os custos de fornecedores de bens. A primeira, que materializou a glosa do montante de R$ 5.123.062,72, é o fato de que a omissão de rendimentos na declaração de renda dos fornecedores ("receita zero") ou a apresentação de declaração de inatividade, por si só, justificaria a presunção de que as despesas não são legítimas, por falta de comprovação. A segunda justificativa, esta aplicável especificamente ao caso da Plaza Fomento, cuja glosa de custo correspondeu a R$ 1.155.000,00, seria a de que a impugnante não comprovou a efetividade da prestação dos serviços e a sua real necessidade. O fato de alguns fornecedores estarem em situação irregular perante o Fisco (destaquese que nenhuma das irregularidades gerou a inaptidão do CNPJ), desde que demonstrada a boafé do contribuinte e os documentos que comprovam a operação, como é patente no presente caso, não autoriza os agentes fiscais a glosar os custos ou despesas incorridos, relacionados a bens e serviços adquiridos desses fornecedores (todos com inscrição no CNPJ e com inscrições Estadual e Municipal em condições regulares). Observese, nesse sentido, jurisprudência do Conselho de Contribuintes (fls. 834 e 835). O exercício do poder de polícia na fiscalização da situação dos contribuintes compete, única e exclusivamente, à Receita Federal do Brasil. Aos adquirentes de bens e serviços assiste apenas a obrigatoriedade de apresentar os documentos fiscais Fl. 1844DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16561.000001/200802 Acórdão n.º 1401001.051 S1C4T1 Fl. 1.844 11 que comprovam a operação, como, aliás, a impugnante apresentou no processo de fiscalização. Com relação aos serviços prestados pela Plaza Fomento, glosados sob alegação de que sua efetividade e necessidade não foram comprovadas, destaca a impugnante que durante o processo de fiscalização foi intimada a apresentar os documentos que comprovavam a prestação dos referidos serviços, tendo apresentado cópia dos contratos celebrados, que definiram analiticamente o escopo dos serviços contratados, das Notas Fiscais de prestação de serviços e os comprovantes de pagamentos. Esclareceu, ainda, em resposta ao Termo de Intimação de 05/12/2007, que no final do anocalendário de 2001 identificouse desequilíbrio econômicofinanceiro em contrato firmado junto à CTPM, devido à intensa desvalorização do real. Considerando que o contrato com a CTPM possuía preços em reais, e parcela significativa dos itens a serem fornecidos era importada e, portanto, tinha seus preços contratados em moedas estrangeiras, a impugnante entendeu por bem contratar os serviços da Plaza Fomento para elaborar estudo e cálculos, em conjunto com profissionais da impugnante, para apresentação à CPTM, objetivando a renegociação do contrato em vigor. O interesse da impugnante em renegociar o contrato com a CPTM faz prova inequívoca da real necessidade d contratação dos serviços da Plaza Fomento. Não tivesse a mediação dessa prestadora de serviços, que compartilhou seus conhecimentos técnicos em análise e elaboração de fluxos de caixa, não teria a impugnante conseguido sucesso na renegociação com a CPTM, e as perdas apuradas pela desvalorização do real jamais seriam recuperadas. Assim que prestou os serviços, a Plaza Fomento emitiu as respectivas notas fiscais, especificando no corpo das mesmas a natureza analítica dos serviços, e a sua vinculação com os projetos e o contrato. Assim, não houve insuficiência de informação no descritivo da nota fiscal, que pudesse impedir a vinculação dos serviços contratados. Outro aspecto importantíssimo, e que foi omitido no Termo de Constatação e Verificação Fiscal, referese ao motivo pelo qual o Auditor Fiscal considerou as despesas não necessárias à atividade da impugnante. Em relação aos fornecedores Office Consultoria, Info Tecno e Record Telecomunicações, esclarece a impugnante que desde que assumiu, no ano calendário de 2001, por sucessão, o controle da DaimlerChrysler Rail System (Brasil) Ltda. (antiga Abb DaimlerBens Transportation (Brasil) Ltda.), precisou fazer inúmeras alterações no sistema de informática que havia sucedido, para adaptar as rotinas antes desenvolvidas nesse sistema à nova realidade operacional. Em razão disso, foi necessária a contratação de serviços externos de consultoria e assessoria em informática, tendo sido eleitas para determinadas demandas as referidas empresas para a realização dos serviços. Para provar o que antes se argumentou em tese, acerca da forma dos meios de comprovação dos custos de prestação de serviços e de fornecimento de bens, a impugnante traz aos autos os documentos fiscais, hábeis e idôneos, que comprovam a efetividade dos custos incorridos e seus pagamentos. Fl. 1845DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16561.000001/200802 Acórdão n.º 1401001.051 S1C4T1 Fl. 1.845 12 As fls. 839 a 850, a impugnante traz esclarecimentos e relação de documentos relativos aos fornecedores Office Consultoria, Info Tecno, Record Telecomunicações, Plaza Fomento Comercial, Sygen Engenharia, DSM Engenharia, Setedel Serviços Técnicos, e Compusolda Indústria e Comércio. Necessidade de compensação dos prejuízos fiscais e das bases negativas da CSLL apuradas no próprio anocalendário e em períodos anteriores Na constituição do crédito tributário o Auditor Fiscal (1) não levou em consideração a existência de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas da CSLL apuradas no próprio anocalendário fiscalizado (2002); e (2) não procedeu, no caso do IRPJ, à compensação do saldo de prejuízos fiscais de períodos anteriores, limitados em 30% da base tributável apurada. A impugnante apresenta, à fl. 857, quadro demonstrativo que compara a exigência fiscal tal como materializada no Auto de Infração e como deveria ter sido constituída, levandose em conta os saldos de prejuízos fiscais e de bases negativas da CSLL. Multa agravada Falta de apresentação de documentos A impugnante também repudia a aplicação da multa agravada e 112,5%, prevista no artigo 44, inciso I, § 2o, da Lei n° 9.430/96, pois resta evidente que não houve recusa da impugnante emprestar esclarecimentos, bem como em apresentar os documentos solicitados. No tocante aos arquivos de registro de inventário, alega a fiscalização que não foi apresentado qualquer arquivo. Tal fato causa muita surpresa para a impugnante, tendo em vista que apresentou o seu Livro de Registro de Inventário, o qual, inclusive, foi mencionado pelo Auditor Fiscal no seu Termo de Constatação e Verificação Fiscal (fl. 768, item 11). Outro fato que causa estranheza e surpresa à impugnante é a alegação de não apresentação de documentos referentes à IN SRF n° 86/2001. Essa argumentação é no mínimo contraditória, porque a impugnante não teve nenhum fato imponível a título de preços de transferência, pelo contrário, o Auditor Fiscal afirma expressamente que os documentos apresentados e as informações prestadas foram totalmente satisfatórios para a fiscalização. Ademais, a expressão "não atendimento", contida no dispositivo legal em comento, referese a uma inação, à inércia absoluta, que em nada se coaduna com a conduta da impugnante durante o processo de fiscalização. Por fim, ainda que os arquivos magnéticos apresentados estivessem fora das especificações da IN SRF n° 86/2001, tal fato não pressupõe necessariamente o agravamento da multa. Fosse assim, não existiria multa específica para a não apresentação dos arquivos magnéticos. Vale salientar que as Delegacias da Receita Federal de Julgamento, inclusive essa, vêm entendendo que quando não resta demonstrado nos autos, como ocorre no presente caso, a intenção do contribuinte em postergar a entrega dos documentos solicitados não pode ser aplicada a penalidade do agravamento da multa de ofício, consoante se verifica das decisões recentes transcritas à fl. 862. Ademais, o Primeiro Conselho de Contribuintes vem reiteradamente se manifestando no sentido de que a simples falta de apresentação de documentos e Fl. 1846DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16561.000001/200802 Acórdão n.º 1401001.051 S1C4T1 Fl. 1.846 13 atendimento supostamente insatisfatório à fiscalização não autoriza a majoração da multa de ofício de 75% para 112,5%, conforme decisões transcritas às fls. 863 e 864. Há, por fim, um ponto que a impugnante apenas préquestionará por ter certeza de que foi incluído por engano no corpo do Termo de Constatação e Verificação Fiscal. Há uma frase no final do referido documento, no sentido de que "a multa foi agravada pelo evidente intuito de fraude, destarte ensejando representação fiscal para fins penais", absolutamente descontextualizada do restante da autuação. Além de não restar demonstrada qualquer conduta que caracterize "evidente intuito de fraude", o percentual da multa seria de 150% (e não 112,5%). De todo o exposto, resta insofismável a total insubsistência da imposição da multa majorada de 112,5%. SELIC sobre o principal A norma contida no artigo 13 da Lei n° 9.065/95, ao invés de instituir taxa de juros de natureza moratória, pretende equiparála à taxa de juros remuneratórios, o que é inadmissível. Destaquese que o STJ já proferiu decisão considerando ilegal e inconstitucional a cobrança da taxa SELIC, acolhendo exatamente essa argumentação. SELIC sobre a multa de ofício Segundo consta, a SRFB, após 30 dias da lavratura do Auto de Infração, vem exigindo dos contribuintes a taxa SELIC sobre as multas aplicadas, com fundamento legal na MP n° 1.62131/98, atualmente convertida na Lei n° 10.522/2002 (artigos 29 e 30). No entanto, essa exigência deve ser afastada, visto que afronta o artigo 161 do CTN. Apenas e tão somente o valor principal deve ser atualizado pelos juros, ressalvado o direito de o Fisco exigir a multa correspondente, sem que a mesma seja atualizada. Ainda no que diz respeito à multa, caso mantida a autuação, esta deverá ter seu percentual reduzido, cabendo destacar que o TRF da 5o Região, fundamentado em decisões do STF, tem manifestado seu entendimento de que a multa não pode superar percentual de 30% (entendimento este extensivo à multa proporcional). PEDIDO Ante o exposto, requer a impugnante que seja cancelada a exigência fiscal na sua totalidade. A DRJ MANTEVE EM PARTE os lançamentos, nos termos da ementa abaixo e RECORRENDO DE OFÍCIO da parte CANCELADA: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 Fl. 1847DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16561.000001/200802 Acórdão n.º 1401001.051 S1C4T1 Fl. 1.847 14 IRPJ. DECADÊNCIA. O prazo para constituir o lançamento iniciase no 1o dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. Alegação de decadência rejeitada. GLOSA DE CUSTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não trazendo a impugnante aos autos elementos probatórios que comprovem a apuração de parcela de custos declarada na DIPJ, mantémse a glosa correspondente. GLOSA DE FORNECEDORES. COMPROVAÇÃO. Diante dos esclarecimentos e da documentação apresentados pela contribuinte, restabelecese integralmente a dedutibilidade dos valores glosados a título de fornecedores. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA AJUSTES APURADOS PELA PRÓPRIA CONTRIBUINTE. Tendo sido os ajustes relativos aos preços de transferência calculados pela própria contribuinte (mas não informados na DIPJ) e aceitos pela fiscalização, mantémse a exigência correspondente. RESULTADOS NEGATIVOS. COMPENSAÇÃO. Na apuração da base de cálculo do tributo há que se considerar os resultados negativos do período e anteriores (limitados a 30%). MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO POR NÃO ATENDIMENTODASINTIMAÇÕES. INSUBSISTÊNCIA. Descabe o agravamento da multa de ofício, por não atendimento das intimações, quando não resta caracterizado o descaso da contribuinte para com a fiscalização ou o descumprimento proposital das solicitações. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. O cálculo dos juros de mora com base na taxa SELIC tem previsão legal, não competindo à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Tratandose de aspecto concernente à cobrança do crédito tributário, a autoridade julgadora não se manifesta a respeito de juros sobre multa de ofício. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação dele decorrente. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário (fls. 1564 a 1597) a este CARF da parte ainda mantida, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. É o relatório Fl. 1848DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16561.000001/200802 Acórdão n.º 1401001.051 S1C4T1 Fl. 1.848 15 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Recorrente foi autuada por cometido 04 (quatro) infrações legais: (1)Falta de comprovação dos valores computados na Linha 16 "Outros Custos", da Ficha 04A "Custos dos Produtos de Fabricação Própria Vendidos"; (2) Dedução indevida de serviços considerados como não comprovados, tendo em vista que os seus respectivos prestadores omitiram a entrega da DIPJ ou a entregaram em condição de inativa ou declarando receita zero; (3) não comprovação da efetividade dos serviços prestados pela empresa Plaza Fomento Mercantil S/A; e (4) não oferecimento à tributação dos excessos de custo apurados na aplicação dos métodos de Preços de Transferência na importação de bens. Os itens 2 e 3 foram cancelados pela DRJ e foram submetidos à Recurso de Ofício. PREJUDICIAL DE MÉRITO – DECADÊNCIA Alega a Recorrente a decadência do direito da autoridade fiscal de constituir o crédito tributário, devido à incorporação ocorrida em 20/12/2002 (fls. 1506 a 1509), que antecipou a ocorrência do fato gerador para a referida data; e à aplicação do § 4o do artigo 150 do CTN, que estabelece que a contagem do prazo decadencial (de 5 anos) a partir da ocorrência do fato gerador. A decisão de piso, apesar de o IRPJ ser um imposto por homologação, não adotou a tese do art. 150, §4 combinado com o art. 173, I, a depender da existência de pagamentos. Dessa forma, apesar de reconhecer a antecipação do fato gerador pelo fato de ter havido incorporação, não acolheu a decadência. Eis as palavras da DRJ: Assiste razão à impugnante ao observar que a incorporação ocorrida em 20/12/2002 antecipou a ocorrência do fato gerador para a referida data. No entanto, não ocorreu a alegada decadência, pois não procedem os demais argumentos de sua defesa. Fl. 1849DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16561.000001/200802 Acórdão n.º 1401001.051 S1C4T1 Fl. 1.849 16 No caso, a decisão de piso, adotou a tese prevista no art. 173, I para o caso que se cuida. Segundo a DRJ, tratase de hipótese em que não há nada para se homologar, dado que o sujeito passivo não cumpriu, ou cumpriu de modo diverso com suas obrigações. Assim ocorrendo, a atividade a ser praticada pelo Fisco, segundo essa tese, não poderia ser caracterizada como mera homologação, já que esta pressupõe a existência das providências adotadas pelo contribuinte passíveis de confirmação pela autoridade administrativa. Nesse caso, caberia ao Fisco, na forma estabelecida pelo art. 149 do CTN, proceder ao lançamento de ofício, que é executado também nos casos de omissão ou inexatidão do sujeito passivo no cumprimento dos deveres que lhe foram legalmente atribuídos. Não comungo dessa mesma tese. O IRPJ sendo um imposto por homologação, não há sentido algum em trabalhar com a hipótese de que a homologação se daria no caso de cumprimento perfeito da obrigação pelo contribuinte. É claro que o ato de homologação irá envolver todo um procedimento de comparação entre o que foi pago e o que deveria se pagar e essa diferença deve ser lançada ainda dentro do contexto do imposto por homologação. E essa tese majoritariamente adotada pelo STJ em que se entende que a aplicação do art.150, §4º, do CTN atrai a realização de um pagamento. Na ausência desse pagamento, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese também após 5 (cinco) anos, mas, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art.173, I, do CTN). Quanto à matéria, adoto, portanto, a posição consolidada do STJ: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PETIÇÃO DE RECURSO ESPECIAL ASSINADA POR ADVOGADO SEM PROCURAÇÃO NOS AUTOS. SÚMULA 115/STJ. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. COMPETÊNCIA DA SUPREMA CORTE. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. ..... 3. Nos créditos tributários relativos à contribuição previdenciária – tributo sujeito a lançamento por homologação – cujo pagamento não foi antecipado pelo contribuinte, caso em que se aplica o art. 173, I, do CTN, deve o prazo decadencial de cinco anos para a sua constituição ser contado a partir do primeiro dia do exercício financeiro seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Portanto, escorreito o acórdão recorrido, o qual entendeu pela exigibilidade integral dos débitos referentes ao ano base de 1992. ..... 7. Recurso especial não conhecido.(Segunda Turma, REsp 1154592 / PR, Min. Castro Meira, Julg. 20/05/2010, DJe 02/06/2010). AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. Fl. 1850DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16561.000001/200802 Acórdão n.º 1401001.051 S1C4T1 Fl. 1.850 17 1. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando inocorre o pagamento antecipado pelo contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de ofício substitutivo é determinado pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. 2. Orientação reafirmada pela Primeira Seção desta Corte, no julgamento do REsp nº 973.733/SC, Relator Ministro Luiz Fux, sob o rito dos recursos repetitivos (Código de Processo Civil, artigo 543C). 3. Agravo regimental improvido. (Primeira Turma, AgRg no REsp 1120220 / PR, Min. Hamilton Carvalhido, Julg. 18/05/2010, DJe 02/06/2010) PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). ..... 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (Primeira Seção, REsp 973.733/SC, Min. Luiz Fux, Julg. 12/08/2009, DJe 18/09/2009) A mesma lógica se aplica à CSLL dado que a regra específica para as contribuições sociais na figura do art. 45 da Lei Lei nº 8.212, de 1991 foi declarada inconstitucional. Outrossim, identifico nos autos a ocorrência de pagamentos na forma de retenções de IRRF, portanto, adotase a regra do art. 150 §4º, do CTN. Fl. 1851DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16561.000001/200802 Acórdão n.º 1401001.051 S1C4T1 Fl. 1.851 18 Com razão a Recorrente e a DRJ ao afirmar que a incorporação ocorrida em 20/12/2002 antecipou a ocorrência do fato gerador para a referida data. É que existe regramento próprio (art. 5º da Lei 9.959, de 27 de janeiro de 2000) no sentido de que havendo um evento especial de incorporação há ocorrência de certas obrigações que denotam nitidamente o fechamento de um período de apuração e início de novo período, antecipandose assim o fato gerador para a data da ocorrência desse evento especial. Ou seja, o que já era fato certo para empresa incorporada virou também regra a ser adotada pela empresa incorporadora. Lei n. 9959/2000: Art. 5º Aplicase à pessoa jurídica incorporadora o disposto no art. 21 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e no § 1º do art. 1º da Lei nº 9.430, de 1996, salvo nos casos em que as pessoas jurídicas, incorporadora e incorporada, estivessem sob o mesmo controle societário desde o anocalendário anterior ao do evento. Lei n. 9430/96: Art. 1º A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. § 1º Nos casos de incorporação, fusão ou cisão, a apuração da base de cálculo e do imposto de renda devido será efetuada na data do evento, observado o disposto no art. 21 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. § 2° Na extinção da pessoa jurídica, pelo encerramento da liquidação, a apuração da base de cálculo e do imposto devido será efetuada na data desse evento. Lei 9.249/1995: . Art. 21. A pessoa jurídica que tiver parte ou todo o seu patrimônio absorvido em virtude de incorporação, fusão ou cisão deverá levantar balanço específico para esse fim, no qual os bens e direitos serão avaliados pelo valor contábil ou de mercado. § 1º O balanço a que se refere este artigo deverá ser levantado até trinta dias antes do evento. § 2º No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado, que optar pela avaliação a valor de mercado, a diferença entre este e o custo de aquisição, diminuído dos encargos de depreciação, amortização ou exaustão, será considerada ganho de capital, que deverá ser adicionado à base de cálculo do imposto de renda devido e da contribuição social sobre o lucro líquido. § 3º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, os encargos serão considerados incorridos, ainda que não tenham sido registrados contabilmente. § 4º A pessoa jurídica incorporada, fusionada ou cindida deverá apresentar declaração de rendimentos correspondente ao período transcorrido durante o ano calendário, em seu próprio nome, até o último dia útil do mês subseqüente ao do evento. Fl. 1852DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16561.000001/200802 Acórdão n.º 1401001.051 S1C4T1 Fl. 1.852 19 Em resumo, o fato gerador do IRPJ e da CSLL das sociedades optantes pelo lucro real anual que, via de regra materializase em 31 de dezembro, foi deslocado (antecipado) para 20/12/2002 no caso concreto, em razão do evento de incorporação por meio da qual a impugnante absorveu patrimônio de outra pessoa jurídica, fato este que ensejou a entrega antecipada da DIPJ, preenchida com base nas informações do período de 01/01/2002 a 20/12/2002. Cabe também sublinhar que a Recorrente anexou aos autos provas suficientes (fls. 1755/1783) para se aferir que a Recorrente cumpriu integralmente o mandamento do art. 5º da Lei n. 9959/2000, inclusive demonstrando que não se enquadra na ressalva final do referido artigo: “(....) salvo nos casos em que as pessoas jurídicas, incorporadora e incorporada, estivessem sob o mesmo controle societário desde o anocalendário anterior ao do evento.” Em face do exposto, concluise que, na data do lançamento (27/12/2007, fls. 780 e 786), já encontravase decaído o direito do Fisco de constituir o crédito tributário, eis que o prazo disponível para o fato gerador abrangido (20/12/2002) teria se findado (20/12/2007) , de acordo com o disposto no art.150, §4º, do CTN c/c art. 5º da Lei nº 9959/2000. Restando acolhida a decadência, ficam prejudicadas a análise das demais razões de mérito, bem assim a análise do recurso de ofício. Ante todo o exposto, DOU provimento integral ao Recurso, em face da decadência; e NÃO CONHEÇO do recurso de ofício por ter ficado totalmente prejudicada a sua análise. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 1853DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10783.902701/2008-34
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001
VEÍCULO DE DIVULGAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. DESCONTO| PADRÃO DE AGÊNCIA. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Os veículos de divulgação não podem excluir da base de cálculo da Cofins, por falta de previsão legal, o valor devido às agências de publicidade, a título de desconto padrão de agência.
Numero da decisão: 3803-004.716
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1684; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 142 1 141 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10783.902701/200834 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803004.716 – 3ª Turma Especial Sessão de 23 de outubro de 2013 Matéria COFINS COMPENSAÇÃO Recorrente TELEVISÃO VITORIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001 VEÍCULO DE DIVULGAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. DESCONTO| PADRÃO DE AGÊNCIA. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os veículos de divulgação não podem excluir da base de cálculo da Cofins, por falta de previsão legal, o valor devido às agências de publicidade, a título de desconto padrão de agência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 27 01 /2 00 8- 34 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/11/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação DComp nº 10161.99594.130804.1 3.049682, fls. 88/92, utilizando como crédito pagamento supostamente a maior de Cofins Cumulativa, relativa ao mês de junho de 2001, no valor de R$ 1.135,42. Despacho Decisório eletrônico, de 12 de agosto de 2008, da DRF/Vitória, fl. 36, não homologou a DComp pelo fato de o pagamento informado já ter sido integralmente utilizado na quitação do débito declarado em DCTF. Em manifestação de inconformidade apresentada, fls. 3 a 18, a Contribuinte alegou que: a) a redação do artigo 1o das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03 é similar à do art. 3o, §1°, da Lei n° 9.718/98, norma que a precedeu e que foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal; b) tais contribuições, portanto, não podem nem devem incidir sobre receitas não auferidas pela pessoa jurídica, a exemplo do que ocorre com os valores recebidos pela cessão de seu espaço para agências de publicidade, tendo em vista que tais valores não permanecem em seu faturamento, pois são repassados às mencionadas agências; c) para que haja a incidência em comento não basta que a pessoa jurídica tenha receitas, entendida esta de acordo com a normatização contábil, mas também, é imprescindível que tais receitas sejam efetivamente auferidas, isto é, verdadeiramente percebidas. É imperioso que os valores decorrentes do faturamento tenham efetivamente ingressado nos cofres da Requerente, para composição do seu patrimônio, o que corresponde ao conceito jurídico de faturamento; d) sabendo que tais valores não deveriam ter sido incluídos na base de cálculo da Cofins e do PIS, e, tendo em vista a existência de débitos das mesmas contribuições, aproveitou os créditos decorrentes do pagamento a maior na compensação com tais débitos. A interessada juntou ao processo a petição de folhas 93 a 95 na qual informa que a documentação que comprova o faturamento da empresa e o efetivo repasse da receita de PIS/Cofins a terceiros (12.306 cópias em 52 volumes) foi apresentada nos autos do Processo Administrativo n° 10783.902198/200817, que discute créditos da mesma natureza deste e, ainda, afirma ser inconcebível a apresentação de toda a documentação em cada um dos processos, dada a grande quantidade de documentos. Ao fim, protestou pela realização de diligência destinada à produção de prova pericial. Em julgamento da lide a DRJ/Rio de Janeiro II contrapôsse aos argumentos da Manifestante em decisão ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 13/07/2001 VEÍCULO DE DIVULGAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. DESCONTO| PADRÃO DE AGÊNCIA EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/11/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10783.902701/200834 Acórdão n.º 3803004.716 S3TE03 Fl. 143 3 Os veículos de divulgação não podem excluir da base de cálculo da Cofins por falta de previsão legal, o valor devido às agências de publicidade, título de desconto padrão de agência. PEDIDO DE PERÍCIA. A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não ss justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado por meio de documentos carreados aos autos. Cientificada da decisão em 14 de novembro de 2012, irresignada, apresentou recurso voluntário, 114/131, em 14 de dezembro de 2011, em que manejou os mesmos argumentos trazidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele conheço. O fato jurídico em torno do qual a Contribuinte disputa o direito de não incluir seus valores na base de cálculo da contribuição é no seu dizer cessão de seu espaço para agências de publicidade, sob o argumento de que tais valores não permanecem em seu faturamento, sendo a estas repassados. A Recorrente é lacônica na exposição desse fato constitutivo do seu direito, deixando de referir acerca da sua dinâmica operacional envolvendo as agências e os anunciantes, de sorte a identificar no desenvolvimento da sua defesa o seu liame com direito aplicável no campo privado das relações jurídicas e, via de consequência, a regramatriz da incidência tributária para a espécie. A falta dessa menção impelenos a considerar o que regem as NormasPadrão da Atividade Publicitária, expedidas pelo Conselho Executivo de NormasPadrão[1] [2] , órgão 1 O Conselho Executivo das NormasPadrão CENP é uma entidade criada por entidades de classe do mercado publicitário para zelar pela observância das NormasPadrão da Atividade Publicitária, documento básico com recomendações e princípios éticos que buscam assegurar as melhores práticas comerciais no relacionamento mantido entre os principais agentes da publicidade brasileira. 2 Compete ao Conselho Executivo das NormasPadrão ou simplesmente CENP: a) avaliar e propor eventuais alterações a este instrumento e a seus anexos, face à dinâmica da evolução da atividade; b) esclarecer os interessados sobre o sentido de suas regras; c) outorgar os “Certificados de Qualificação Técnica” de que trata o item 2.5.1 deste instrumento; Fl. 144DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/11/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 privado de regulação das práticas no tópico Das Relações entre Agências, Anunciantes e Veículos, em disciplina ao que dispõem a Lei nº 4.680/65 e os Decretos nº 57.690/66 e 4.563/02: 2.4 O Anunciante é titular do crédito concedido pelo Veículo com a finalidade de amparar a aquisição de espaço, tempo ou serviço, diretamente ou por intermédio de Agência de Publicidade. 2.4.1 A Agência de Publicidade que intermediar a veiculação atuará sempre por ordem e conta do Anunciante, observado o disposto nos itens 2.4.1.1 a 2.4.1.3. 2.4.1.1 É dever da Agência de Publicidade cobrar, em nome do Veículo, nos prazos estipulados, os valores devidos pelo Anunciante, respondendo perante um e outro pelo repasse do “Valor Faturado” recebido ao Veículo. 2.4.1.2. A fatura do Veículo será encaminhada ao Anunciante por meio da Agência de Publicidade. 2.4.1.3 Tendo em vista que o fator confiança é fundamental no relacionamento comercial entre Veículo, Anunciante e Agência e sendo esta última depositária dos valores que lhes são encaminhados pelos Clientes/Anunciantes para pagamento dos Veículos e Fornecedores de serviços de propaganda, fica estabelecido que, na eventualidade da Agência reter indevidamente aqueles valores sem o devido repasse aos Veículos e/ou Fornecedores, terá suspenso ou cancelado seu Certificado de Qualificação Técnica concedido pelo CENP. 2.4.2 Em virtude de prévio e expresso ajuste, o Anunciante poderá repassar por meio do Veículo a importância correspondente ao “DescontoPadrão”, observado que nesta hipótese o Veículo somente poderá faturar ou contabilizar como receita própria a parcela correspondente ao “Valor Faturado”. 2.4.3 Excepcionalmente, nos termos de prévio e expresso ajuste, o Anunciante, poderá efetivar diretamente os pagamentos correspondentes ao “Valor Faturado” e ao “DescontoPadrão”, respectivamente, ao Veículo e à Agência de Publicidade. De se ver que a relação jurídica se dá entre o Anunciante e o Veículo de Comunicação, sendo desta para o primeiro a fatura do valor bruto, contabilizando o pagamento correspondente como receita própria do Veículo. A normatização não exclui a d) credenciar os institutos de pesquisa e seus respectivos serviços e informações, conforme previsto no item 2.5.4 deste instrumento; e) promover em conjunto com as Entidades participantes deste acordo o permanente aperfeiçoamento dos padrões qualitativos do mercado nos seus três segmentos, inclusive no que toca à ativa e leal concorrência dos que nele atuam. 7.2 O Fl. 145DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/11/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10783.902701/200834 Acórdão n.º 3803004.716 S3TE03 Fl. 144 5 excepcionalidade do prévio e expresso ajuste quanto à mecânica de segregação dos efeitos comerciais e, consequentemente, os fiscais, no bojo relação contratual, conforme itens 2.4.2 e 2.4.3, o que não se há de considerar, por não ser este o ponto invocado e descrito pela Recorrente. Como receita própria, ocorrente no recinto da regra básica fixada para este tipo de relação negocial, a exclusão da base de cálculo há de ser autorizada por lei específica, o que não se verificar haver no texto da Lei nº 10.637/2002 e Lei nº 10;833/2003, como, inclusive, não o aponta a Recorrente. Por falta da previsão legal vislumbro é que vem de ser sucinta na descrição do fato e parcimoniosa no fundamento jurídico, erigindo o seu argumento em torno da digressão sobre o alcance da expressão receitas auferidas. Lembro que as Soluções de Consulta vinculam a Administração Tributária apenas ao consulente e não compõem o acervo da legislação tributária nos termos do art. 96 do Código Tributário Nacional, estando inviabilizado o argumento que invoca a de nº 17, de 30 de abril de 2007, da SRRF 4ª RF/Disit. Enfim, bem andou a decisão recorrida, não merecendo reparo, pelo que corroborando os fundamentos ali fixados NEGO provimento ao recurso. É como voto. Sala das sessões, 23 de outubro de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 146DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/11/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10070.000155/2005-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SIMPLES. INAPLICABILIDADE RETROATIVA DA LEI 10.034/2000. Por
força do artigo 62-A do Regimento do CARF, em vista de que a questão posta à análise já foi objeto de decisão do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo, o que impõe ao Colegiado a sua reprodução nos julgados, a irretroatividade da Lei 10.034/2000, que excluiu as pessoas jurídicas dedicadas às atividades de creche, pré-escola e ensino fundamental das restrições à opção pelo SIMPLES, impostas pelo artigo 9º, da Lei nº 9.317/96, não pode ser aplicada, inexistente a subsunção a quaisquer das hipóteses previstas no artigo 106, do CTN.
Numero da decisão: 9101-001.366
Decisão: Acordam os membros do colegiado em, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, com retorno à câmara a quo.
Nome do relator: VALMAR FONSECA DE MENEZES
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INAPLICABILIDADE RETROATIVA DA LEI 10.034/2000.Por força do artigo 62A do Regimento do CARF, em vista de que a questão posta à análise já foi objeto de decisão do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo, o que impõe ao Colegiado a sua reprodução nos julgados, a irretroatividade da Lei 10.034/2000, que excluiu as pessoas jurídicas dedicadas às atividades de creche, préescola e ensino fundamental das restrições à opção pelo SIMPLES, impostas pelo artigo 9º, da Lei n.º 9.317/96, não pode ser aplicada, inexistente a subsunção a quaisquer das hipóteses previstas no artigo 106, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, com retorno à câmara a quo. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente. VALMAR FONSÊCA DE MENEZES Relator. EDITADO EM: 02/07/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, José Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Ausente, justificadamente, o Conselheiro João Carlos de Lima Junior. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 20/08 /2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Relatório Trata o presente processo de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional acerca de acórdão proferido por Câmara a quo que aplicou retroativamente a Lei XXX, com relação á inclusão do contribuinte na sistemática do SIMPLES. Adoto, por oportuno e esclarecedor, o relatório daquele acórdão, que transcrevo a seguir, in verbis: “Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo atranscrever: "O processo versa sobre PEDIDO DE INCLUSÃO no SIMPLES,formulado pela Interessada ao amparo de sentença proferida pela MM.Juíza da 18" Vara Federal do Rio de Janeiro, nos autos do Mandado de Segurança n" 99.00094069, impetrado pelo Sindelivre — Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Livre no Estado do Rio de Janeiro, em defesa dos interesses de seus filiados. O pleito foi INDEFERIDO, sob a justificativa de que a Interessada não consta da relação dos substituídos no Mandado de Segurança no. 99.00094069 (cfr. decisão fls. 40). Inconformada com o indeferimento de seu pedido, a Interessada recorre a esta Delegacia de Julgamento, alegando, em síntese, que os efeitos da sentença concessiva de segurança alcançam todos os filiados do Sindelivre." A DRJ/RJ indeferiu a solicitação (fis.111/116), nos termos da ementa transcrita adiante: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005 Ementa: MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. ALCANCE DA DECISÃO CONCESSIVA DE SEGURANÇA. A sentença proferida em mandado de segurança coletivo proposto por entidade sindical só produz efeitos em relação aos membros da entidade que se encontravam filiados à época do ajuizamento da ação. Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2005 Ementa: SIMPLES. ATIVIDADES ECONÔMICAS VEDADAS.CURSOS LIVRES. Os cursos livres estão impedidos de optar pelo regime do Simples, em razão de exercer atividade de professor ou a ela assemelhada (art. 9", inciso XIII, da Lei n°9.317/1996). Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário a este Colegiado(fls.118/122), aduzindo, em suma: Fl. 2DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 20/08 /2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10070.000155/200599 Acórdão n.º 910101.366 CSRFT1 Fl. 2 3 que de acordo com entendimento doutrinário, os Sindicatos não precisam fazer menção ao nome da Recorrente, pois atua como substituto processual da mesma, conforme artigo 3" da Lei 8.073; que a atividade desenvolvida pela empresa não necessita de profissional habilitado legalmente, bastando somente o conhecimento que ele tenha adquirido pela prática. Por fim, pede o enquadramento no SIMPLES. É o relatório. ” A Câmara recorrida proferiu decisão, nos seguintes termos: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES Anocalendário: 2005 SIMPLES INCLUSÃO RETROATIVA ATIVIDADES DE ENGENHARIA LEI COMPLEMENTAR 123/2006. As academias de atividades fisicas, desportivas, de natação e escolas de esportes não são mais vedadas ao SIMPLES nos termos do artigo 17, § 1 0, inciso XXI, da LC 123/2006. Aplicação retroativa em virtude do artigo 106, inciso II, alínea "b", do Código Tributário Nacional. SIMPLES. RETROATIVIDADE DE LEI NOVA.JULGAMENTOS PENDENTES. EFEITOS. A lei nova tem repercussão pretérita aos casos pendentes de julgamento, por força do caráter interpretativo da norma jurídica impeditiva anterior, revogada pela nova legislação, devendo seus efeitos se subsumirem à regra do artigo 106 do CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO” A Fazenda Nacional interpôs recurso especial, nos seguintes termos: “A recorrida fora excluída do SIMPLES por desenvolver atividade contida nas vedações do art. 9º., XIII, da Lei No. 9.317/96, qual seja,"Curso de Educação e Cultura Física; Curso de Natação; Boutique e Cantina;" (...) Na análise de recurso voluntário interposto pelo contribuinte, a Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes aduziu ser o caso de aplicação retroativa da LC 123/2006, artigo 17, §1Q, XXI, uma vez que por este dispositivo não há vedação para a atividade desempenhada pelo contribuinte,provendo o recurso, à unanimidade de votos. No entanto, a decisão ora impugnada merece reforma,porquanto diverge da jurisprudência deste Conselho de Contribuintes, como será demonstrado a seguir. De acordo com o art. 7, II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, caberá recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, de "decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que Fl. 3DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 20/08 /2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 lhe tenha dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais." (...) In casu, verificase que a Lei Complementar no. 123/2006, no capítulo referente às disposições finais e transitórias, não dispõe expressamente sobre a possibilidade de retroatividade da lei. Mui de revés, os arts. 88 e 89 são claros em afirmar que o regime de tributação instituído pela Lei do Super Simples somente entrará vigor a partir de 01 de julho de 2007, momento em que ficará revogada a Lei no. 9.317/1996. (...) Da simples leitura do dispositivo, vêse que o inciso I não tem aplicação ao presente caso, pois não estamos diante de lei interpretativa, mas sim de modificação das condições a serem observadas pelas empresas que desejam optar por este sistema específico de tributação, tratando de lei que enumerou novas hipóteses de adesão ao regime do SIMPLES, alterando a norma jurídica vigente até então (lei 9.317/96). (...) “ O recurso foi admitido, conforme despacho de fls. xx, e , tendo sido cientificado o contribuinte de tal expediente, não houve apresentação de contrarazões. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Valmar Fonsêca de Menezes Verifico que o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional preenche todos os requisitos de admissibilidade, conforme dispôs o despacho, nos autos, motivo pelo qual passo à sua apreciação. Tratase de aplicação direta do artigo 62A do nosso Regimento, em vista de que a questão posta à análise já foi objeto de decisão do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo, o que nos impõe a sua reprodução, nos nossos julgados. Segue a transcrição de ementa do Resp. no. 192.1263/SP, a seguir. REsp 1021263 / SP RECURSO ESPECIAL 2008/00029439 –MINISTRO LUIZ FUX PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. OPÇÃO PELO SIMPLES. INSTITUIÇÕES DE ENSINO MÉDIO QUE SE DEDIQUEM Fl. 4DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 20/08 /2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10070.000155/200599 Acórdão n.º 910101.366 CSRFT1 Fl. 3 5 EXCLUSIVAMENTE ÀS ATIVIDADES DE CRECHE,PRÉESCOLAS E ENSINO FUNDAMENTAL. ARTIGO 9º, XIII, DA LEI 9.317/96. ARTIGO 1º, DA LEI 10.034/2000. LEI 10.684/2003. 1. A Lei 9.317, de 5 de dezembro de 1996 (revogada pela Lei Complementar 123, de 14 de dezembro de 2006), dispunha sobre o regime tributário das microempresas e das empresas de pequeno porte,instituindo o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. 2. O inciso XIII, do artigo 9º, do aludido diploma legal, ostentava o seguinte teor: "Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XIII que preste serviços profissionais de corretor,representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico,dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico,administrador, programador, analista de sistema, advogado,psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; (...)" 3. A constitucionalidade do inciso XIII, do artigo 9º, da Lei9.317/96, uma vez não vislumbrada ofensa ao princípio da isonomia tributária, restou assentada pelo Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, quando do julgamento da Medida Cautelar em Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 1.643 DF,oportunidade em que asseverou: "... a lei tributária esse é o caráter da Lei nº 9.317/96 – pode discriminar por motivo extrafiscal entre ramos de atividade econômica, desde que a distinção seja razoável, como na hipótese vertente, derivada de uma finalidade objetiva e se aplique a todasas pessoas da mesma classe ou categoria. A razoabilidade da Lei nº 9.317/96 consiste em beneficiar as pessoas que não possuem habilitação profissional exigida por lei,seguramente as de menor capacidade contributiva e sem estrutura bastante para atender a complexidade burocrática comum aos empresários de maior porte e os profissionais liberais. Essa desigualdade factual justifica tratamento desigual no âmbito tributário, em favor do mais fraco, de modo a atender também à norma contida no § 1º, do art. 145, da Constituição Federal, tendose em vista que esse favor fiscal decorre do implemento da política fiscal e econômica, visando o interesse social. Portanto, é ato discricionário que foge ao controle do Poder Judiciário, envolvendo juízo de mera conveniência e oportunidade do Poder Executivo." (ADIMC 1643/UF, Rel. Ministro Maurício Corrêa, Tribunal Pleno,julgado em 30.10.1997, DJ 19.12.1997) 4. A Lei 10.034, de 24 de outubro de 2000, alterou a norma inserta na Lei 9.317/96, determinando que: Fl. 5DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 20/08 /2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 "Art. 1o Ficam excetuadas da restrição de que trata o inciso XIII do art. 9o da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, as pessoas jurídicas que se dediquem às seguintes atividades: creches,préescolas e estabelecimentos de ensino fundamental." 5. A Lei 10.684, de 30 de maio de 2003, em seu artigo 24, assim dispôs: "Art. 24. Os arts. 1o e 2o da Lei no 10.034, de 24 de outubro de2000, passam a vigorar com a seguinte redação: 'Art. 1o Ficam excetuadas da restrição de que trata o inciso XIIIdo art. 9o da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, as pessoas jurídicas que se dediquem exclusivamente às seguintes atividades: I – creches e préescolas; II – estabelecimentos de ensino fundamental; III – centros de formação de condutores de veículos automotores detransporte terrestre de passageiros e de carga; IV – agências lotéricas; V –agências terceirizadas de correios; VI – (VETADO) VII – (VETADO)' (NR) (...)" 6. A irretroatividade da Lei 10.034/2000, que excluiu as pessoas jurídicas dedicadas às atividades de creche, préescola e ensino fundamental das restrições à opção pelo SIMPLES, impostas pelo artigo 9º, da Lei n.º 9.317/96, restou sedimentada pelas Turmas de Direito Público desta Corte consolidaram o entendimento da irretroatividade da Lei uma vez inexistente a subsunção a quaisquer das hipóteses previstas no artigo 106, do CTN, verbis: "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática." 7. Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 1056956/MG, Rel.Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 26/05/2009, DJe01/07/2009; AgRg no REsp 1043154/SP, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/12/2008, DJe 16/02/2009; AgRgno REsp 611.294/PB, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA,julgado em 26/08/2008, DJe 19/12/2008; REsp 1.042.793/RJ, Rel.Ministro José Delgado, Primeira Turma, julgado em 22.04.2008, DJe21.05.2008; REsp 829.059/RJ, Rel. Ministra Denise Arruda, Fl. 6DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 20/08 /2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10070.000155/200599 Acórdão n.º 910101.366 CSRFT1 Fl. 4 7 Primeira Turma, julgado em 18.12.2007, DJ 07.02.2008; e REsp 721.675/ES, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 23.08.2005, DJ19.09.2005). 8. In casu, à data da impetração do mandado de segurança(07/07/1999), bem assim da prolatação da sentença (11/10/1999), não estava em vigor a Lei 10.034/2000, cuja irretroatividade reveste de legalidade o procedimento administrativo que inadmitiu a opção do SIMPLES pela escola recorrida. 9. Recurso Especial provido. Acórdão submetido ao regime do art.543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.” Desta forma, dou provimento ao recurso da Fazenda Nacional, devendo o processo retornar à Câmara de origem para análise das demais questões suscitadas no recurso voluntário. É como voto. Relator Valmar Fonsêca de Menezes Relator Fl. 7DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 20/08 /2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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