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Numero do processo: 10840.905707/2012-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2012
PROCESSUAL - ADMINISTRATIVO - NULIDADE RECONHECÍVEL DE OFÍCIO
Falece, à DRJ, competência para considerar "não-declarada" compensação analisada e não homologada pela Delegacia da Receita Federal, impondo-se, neste passo, o reconhecimento de sua nulidade de ofício, nos termos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72
Numero da decisão: 1302-002.883
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para acolher a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, suscitada de ofício pelo Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, determinando o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2012 PROCESSUAL - ADMINISTRATIVO - NULIDADE RECONHECÍVEL DE OFÍCIO Falece, à DRJ, competência para considerar "não-declarada" compensação analisada e não homologada pela Delegacia da Receita Federal, impondo-se, neste passo, o reconhecimento de sua nulidade de ofício, nos termos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2012 PROCESSUAL ADMINISTRATIVO NULIDADE RECONHECÍVEL DE OFÍCIO Falece, à DRJ, competência para considerar "nãodeclarada" compensação analisada e não homologada pela Delegacia da Receita Federal, impondose, neste passo, o reconhecimento de sua nulidade de ofício, nos termos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para acolher a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, suscitada de ofício pelo Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, determinando o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 57 07 /2 01 2- 18 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10840.905707/201218 Acórdão n.º 1302002.883 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Cuida o feito de pedido de compensação de crédito resultante de pretenso indébito concernente à CSLL trimestral recolhida no ano de 2012, para quitação do mesmo tributo devido no mesmo ano calendário. Este pedido não foi homologado pela Unidade de Origem, cujo despacho decisório consignou a seguinte motivação fática: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O contribuinte opôs a sua manifestação de inconformidade para deduzir alegações de nulidade de praxe, comumente apresentadas em processos como o ora analisado, afirmando ser desmotivado o despacho decisório e, mais, ter ocorrido cerceamento de defesa por não ter sido franqueado, à empresa, a produção de provas concernentes ao crédito cuja compensação se postulava. No mérito, afirmou que o crédito teria origem numa genérica assertiva de que a empresa teria incluído na base de cálculo receitas que, a teor de "algumas teses tributárias já julgadas pelo Suprem Tribunal Federal de favorável aos contribuinte, a exemplo (!?) a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinas despesas, etc (?!?). Pediu, ao fim, a produção de prova pericial, sem, inclusive, declinar os quesitos necessários à análise de validade do pedido, a teor dos preceitos do art. 16, IV, do Decreto 70.235/72. Instada a analisar as razões de insurgência do contribuinte, a DRJ de Ribeirão Preto, inovando o despacho decisório, houve por bem considerar não declarada a compensação deixando, consequentemente, de conhecer da aludida manifestação. Cientificado do conteúdo do acórdão em 04/02/2014, a empresa interpôs seu recurso voluntário em 28/02/2014, por meio do qual, a par de uma "preliminar" de tempestividade totalmente estranha ao feito, basicamente reiterou os argumentos deduzidos em sua manifestação de inconformidade. Este é o relatório. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10840.905707/201218 Acórdão n.º 1302002.883 S1C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.872, de 14/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10840.905696/2012 76, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.872): Aos meus pares, vale o destaque: este processo é, virtualmente, idêntico ao PA de nº 3851.903041/201222, cujo acórdão de nº 1302002.642 já foi, inclusive, objeto de publicação. Assim, peço vênia, antes mesmo de me pronunciar sobre a tempestividade e os requisitos de cabimento do RV, para reproduzir todas as razões que lá expus, já que integralmente aplicável ao caso em análise: I Da análise do cabimento do RV e de questão de ordem pública prejudicial. Antes mesmo de me pronunciar sobre o cabimento do recurso, é necessário dirimir questão de relevo surgida apenas com o advento da decisão de primeira instância. Tal como descrito no relatório, a DRJRPO não conheceu da manifestação de inconformidade por entender que o crédito, cuja compensação se postulava, decorreria, a seu ver, de discussão judicial, o que, em tese, atrairia, ao caso, a aplicação da regra encartada no artigo 74, § 12, II, “f”, da Lei n.º 9.430, de 1996. Como a decisão primerva considerou como "não declarada" a compensação, entendeu descabida a manifestação de inconformidade já que, nesta hipótese, caberia tão só o recurso hierárquico a que alude o art. 56 da Lei 9.784/96 (por força da determinação constante do art. 39, § 2º, da IN 900/08, vigente à época da transmissão da declaração de compensação). O grande problema, todavia, é que, a teor do art. 74, § 10, da citada Lei 9.430, só caberia recurso a este Conselho para o caso de improcedência da manifestação inconformidade: § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10840.905707/201218 Acórdão n.º 1302002.883 S1C3T2 Fl. 5 4 Demais disso, reprisese, que, uma vez considerada como "nãodeclarada" a compensação, como já dito, descabe manifestação de inconformidade e, por conseguinte, recurso voluntário; o rito que se segue, neste passo, é, e apenas, aquele descrito na anteriormente citada Lei 9.784. Ou seja, em tese, não nos seria cabível conhecer do recurso voluntário. Todavia, entendo, particularmente, que a DRJ incorreu, no caso, em dois erros, data venia... Primeiramente, o crédito postulado pelo contribuinte não advinha de decisão judicial ou de alegação de inconstitucionalidade, já que, da DECOMP de nº (...), que efetivamente descreve o crédito, a sua origem e natureza, informa, explicitamente, que a pretensão deduzida pelo recorrente não estava fundada em discussão judicial. Insistase, a alegação, por demais genérica, de que haveria ocorrido um indébito em decorrência de eventual discussão judicial ou alegação de inconstitucionalidade de norma adveio, apenas, na manifestação de inconformidade. Por isso, inclusive, que a Unidade de Origem apenas deixou de homologar o pedido da empresa. Como não o fez, à DRJ competia, tão só, se pronunciar sobre a existência ou não do crédito, pena de, inclusive, incorrer em reformatio in pejus (como de fato o fez, já que ao considerar como nãodeclarada a compensação, o órgão Colegiado a quo tornou muito mais gravosa a situação do contribuinte). Vejam bem, a DRF não reconheceu o direito creditório pleiteado porque o contribuinte não cuidou de informálo! Não há, nos autos, notícias de que o recorrente tenha retificado eventuais declarações (DCTF) a fim de permitir à Unidade de Origem inferir a existência de um indébito restituível; tivesse a parte tomado tal providência a DRF cuidaria de intimálo para explicar tal retificação e, apresentadas as considerações constantes da manifestação de inconformidade, aí sim, considerar a aplicação dos preceitos do art. 74, § 12, da Lei 9.430/96. Como tais procedimentos não foram adotados, a DRF, corretamente, deixou de homologar a compensação pela razão já apontada no relatório acima: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10840.905707/201218 Acórdão n.º 1302002.883 S1C3T2 Fl. 6 5 Este o limite da atuação da DRJ; este o limite do objeto da manifestação de inconformidade que deveria ter sido observado pela instância a quo. Uma vez que não homologado o pedido de compensação, o cabimento da citada manifestação de inconformidade é decorrência estrita e lógica da Lei 9.430 (art. 74, § 7º,) e cabia à DRJ dela conhecer para, se assim entendesse cabível, julgála improcedente. No entanto, vale o destaque, o recurso voluntário não atacou o fundamento específico da DRJ; o contribuinte, digase, não se insurgiu, por seu apelo, contra o não conhecimento da sua manifestação de inconformidade nem tampouco questionou as razões que levaram ao colegiado de primeira instância a considerar não declarada a sua compensação. O recorrente, pois, não devolveu à este Conselho a matéria (que, na minha concepção, não encerra, neste ponto, o conhecimento de ofício), tendo, pois, se operado a preclusão neste particular (inteligência do art. 33 do Decreto 70.235/72). Resta a análise do segundo equívoco incorrido pela DRJ. E aqui, a discussão ganha um realce bastante diferente. Ainda que não disponha de artigo específico para determinar a competência para a análise das Declarações de Compensação transmitidas à DRF, a Lei 9.430 a todo momento deixa, quando menos, implícita tal competência (vejase, por exemplo, os preceitos do § 4º do art. 74). Nada obstante, a IN 1.300 (que revogou a IN 900, vigente à época da transmissão da DECOMP objeto deste feito), é suficientemente clara ao dispor, em seu art. 46, caput¸ "a autoridade competente da RFB considerará não declarada a compensação nas hipóteses previstas no § 3º do art. 41". O § 8º, deste mesmo preceito, põe um pedra de toque sobre o assunto: O lançamento de ofício da multa isolada de que tratam os §§ 6º e 7º será efetuado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) da unidade da RFB que considerou não declarada a compensação. A competência, portanto, para considerar não declarada eventual compensação é exclusiva da DRF, cabendo ao Auditor Fiscal o mister de efetuar o lançamento da multa isolada preconizada pelos §§ 6º e 7º. Em linhas gerais, a DRJ não detém competência para considerar não declarada eventual compensação por ventura transmitida pelo contribuinte (até mesmo pelos motivos já suscitados anteriormente, já que as situações descritas no § 12 do art. 74 devem ser apuradas pela Auditoria Fiscal no curso da análise das DECOMP). Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10840.905707/201218 Acórdão n.º 1302002.883 S1C3T2 Fl. 7 6 Atentem, agora, para os preceitos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72: Art. 59. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. A luz de tais premissas, temse no caso, hipótese clara e inegável de nulidade do acórdão da DRJ que, inadvertidamente, proferiu decisão sobre matéria que não lhe competia analisar. E a nulidade descrita no art. 59, supra, é, esta sim, matéria de ordem pública conhecível em qualquer grau ou instância, conforme art. 64, §1º, do CPC, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo por força dos preceitos do art. 15 do mesmo digesto processual civil. Dito isto, a anulação do acórdão ora recorrido é medida que se impõe. II Conclusão. Diante disto, voto por conhecer do recurso voluntário (porque tempestivo) e declarar a nulidade da decisão de primeiro grau pelas razões expostas anteriormente, determinandose o retorno dos autos à DRJRPO a fim de que proceda à análise do mérito do pedido de compensação objeto desta demanda." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para acolher a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, suscitada de ofício pelo Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, determinando o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720133/2015-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/12/2010
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO POR FIP. RAZÕES EXTRATRIBUTARIAS. PLANEJAMENTO SUCESSÓRIO. VALIDADE. OPONIBILIDADE AO FISCO
A transferência de investimento para um Fundo de Investimento em Participações (FIP) por motivos de planejamento sucessório familiar e posterior alienação de tal investimento para terceiro com o conseqüente oferecimento do ganho de capital à tributação pela FIP é ato plenamente oponível ao Fisco desde que ausentes fraude, simulação ou abuso de direito.
PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. CARÁTER INDUTOR DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. UTILIZAÇÃO DE FIP. OPONIBILIDADE AO FISCO. POSSIBILIDADE.
A legislação tributária ao criar tributação mais favorecida aos fundos de investimento induz o contribuinte a utilizar tal instrumento como forma de planejamento tributário válido que pode ser oponível ao Fisco desde que ausentes fraude, simulação ou abuso de direito.
Numero da decisão: 1201-002.278
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício. Vencidos os conselheiros: Eva Maria Los (relatora) e José Carlos de Assis Guimarães que davam parcial provimento ao recurso de Ofício para negar o diferimento da tributação do ganho de capital, e davam provimento em parte ao Recurso Voluntário para reduzir a multa de ofício para 75% e exonerar a responsabilidade solidária de Hélio de Athayde Vasone Júnior e Alceu Rodrigues Vasone. Designado o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Relatora
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Extrordinária. Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2010 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO POR FIP. RAZÕES EXTRATRIBUTARIAS. PLANEJAMENTO SUCESSÓRIO. VALIDADE. OPONIBILIDADE AO FISCO A transferência de investimento para um Fundo de Investimento em Participações (FIP) por motivos de planejamento sucessório familiar e posterior alienação de tal investimento para terceiro com o conseqüente oferecimento do ganho de capital à tributação pela FIP é ato plenamente oponível ao Fisco desde que ausentes fraude, simulação ou abuso de direito. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. CARÁTER INDUTOR DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. UTILIZAÇÃO DE FIP. OPONIBILIDADE AO FISCO. POSSIBILIDADE. A legislação tributária ao criar tributação mais favorecida aos fundos de investimento induz o contribuinte a utilizar tal instrumento como forma de planejamento tributário válido que pode ser oponível ao Fisco desde que ausentes fraude, simulação ou abuso de direito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício. Vencidos os conselheiros: Eva Maria Los (relatora) e José Carlos de Assis Guimarães que davam parcial provimento ao recurso de Ofício para negar o diferimento da tributação do ganho de capital, e davam provimento em parte ao Recurso Voluntário para reduzir a multa de ofício para 75% e exonerar a responsabilidade solidária de Hélio de Athayde Vasone Júnior e Alceu Rodrigues Vasone. Designado o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente (assinado digitalmente) Eva Maria Los - Relatora (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Extrordinária. Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2010 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO POR FIP. RAZÕES EXTRATRIBUTARIAS. PLANEJAMENTO SUCESSÓRIO. VALIDADE. OPONIBILIDADE AO FISCO A transferência de investimento para um Fundo de Investimento em Participações (FIP) por motivos de planejamento sucessório familiar e posterior alienação de tal investimento para terceiro com o conseqüente oferecimento do ganho de capital à tributação pela FIP é ato plenamente oponível ao Fisco desde que ausentes fraude, simulação ou abuso de direito. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. CARÁTER INDUTOR DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. UTILIZAÇÃO DE FIP. OPONIBILIDADE AO FISCO. POSSIBILIDADE. A legislação tributária ao criar tributação mais favorecida aos fundos de investimento induz o contribuinte a utilizar tal instrumento como forma de planejamento tributário válido que pode ser oponível ao Fisco desde que ausentes fraude, simulação ou abuso de direito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício. Vencidos os conselheiros: Eva Maria Los (relatora) e José Carlos de Assis Guimarães que davam parcial provimento ao recurso de Ofício para negar o diferimento da tributação do ganho de capital, e davam provimento em parte ao Recurso Voluntário para reduzir a multa de ofício para 75% e exonerar a responsabilidade solidária de Hélio de Athayde Vasone Júnior e Alceu Rodrigues Vasone. Designado o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado para redigir o voto vencedor. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 33 /2 01 5- 75 Fl. 3974DF CARF MF Processo nº 16561.720133/201575 Acórdão n.º 1201002.278 S1C2T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relatora (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Extrordinária. Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório Trata o processo dos autos de infração de págs. 2.323/2.347, relativos a fato gerador em 31/12/2010, que exigem: R$64.155.081,60 de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, relativo à infração GANHOS E PERDAS DE CAPITAL APURADOS INCORRETAMENTE. INFRAÇÃO: GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE INVESTIMENTO AVALIADO PELO MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, R$23.106.126,77, reflexo da infração descrita; foi aplicada multa de ofício 150%. Os procedimentos de fiscalização e as autuações estão descritos no Termo de Verificação Fiscal (TVF) de págs. 2.291/2.322. 2. Foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária, págs. 2.348/2.387: Nome CPF/CNPJ Base legal Hélio de Athayde Vasone 004.584.06872 arts. 124, I e 135, III do CTN Marilena Rodrigues Vasone 255.275.61821 arts.124, I e 135, III do CTN Hélio de Athayde Vasone Júnior 031.045.55885 art. 135, III do CTN Alceu Rodrigues Vasone 116.209.47889 art. 135, III do CTN Fl. 3975DF CARF MF Processo nº 16561.720133/201575 Acórdão n.º 1201002.278 S1C2T1 Fl. 4 3 Oliveira Trust Servicer S/A 02.150.453/000120 arts. 134, 135, I do CTN FHMV Participações e Empreendimentos Ltda 15.235.277/000170 art. 132 do CTN, art. 5º DL 1.598, de 1977 FRV Participações e Empreendimentos Ltda 15.811.126/000113 art. 132 do CTN, art. 5º DL 1.598, de 1977 FCV Participações e Empreendimentos Ltda 16.628.096/000177 art. 132 do CTN, art. 5º DL 1.598, de 1977 3. Cientificados, o contribuinte e responsáveis solidários apresentaram impugnações, págs. 2.415/3.375, julgadas pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de JaneiroI/RJ DRJ/RJ1, que proferiu o Acórdão nº 1286.078 de 17/03/2017, págs. 3.422/3.475, nos seguintes termos: Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe, ACORDAM os membros desta Turma, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, DAR provimento PARCIAL à Impugnação, para: Por voto de qualidade, reconhecer o direito da Interessada ao regime de diferimento da tributação previsto no art. 421 do RIR/99, e, dessa forma, considerar devidos R$ 45.776.276,47 em Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e R$ 16.489.756,92 em Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), vencidos os AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil Carlos Roberto Andrade Guerra e Alexandre Lugon Soares; Por maioria de votos, manter a multa qualificada de 150%, vencido o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil Jacob Frajdenberg; Por unanimidade de votos: Manter os juros de mora sobre tributos e respectivas multas; Manter como responsáveis tributários solidários HÉLIO DE ATHAYDE VASONE, MARILENA RODRIGUES VASONE, HÉLIO DE ATHAYDE VASONE JÚNIOR, ALCEU RODRIGUES VASONE, FHMV PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA, FRV PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA. e FCV PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA.; Exonerar da responsabilidade tributária a OLIVEIRA TRUST SERVICER S/A. 4. As ementas são as seguintes: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2010 ABUSO DE DIREITO. ÂMBITO DE APLICAÇÃO. O conceito de abuso de direito, embora positivado no Código Civil, tem aplicação sobre todo o ordenamento jurídico brasileiro, pois não se pode admitir que alguém exerça seu direito para atingir finalidade diversa daquela para a qual foi criado, em prejuízo de terceiros. Fl. 3976DF CARF MF Processo nº 16561.720133/201575 Acórdão n.º 1201002.278 S1C2T1 Fl. 5 4 SEGURANÇA JURÍDICA. DESCONSIDERAÇÃO DE ATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS ARTIFICIOSOS. O princípio da segurança jurídica, mais do que não acudir quem usa de artifícios para reduzir sua carga tributária, fundamenta a desconsideração de atos e negócios jurídicos artificiosos. REDUÇÃO DE CAPITAL. DESVIO DE FINALIDADE. ABUSO DE DIREITO. Quem utiliza o instituto da redução de capital a fim de transferir participação societária que já é objeto de negociação e, dessa forma, enquadrar a alienação em regra de tributação menos gravosa, abusa do seu direito de auto organização. COMPROVAÇÃO DO PROPÓSITO EXTRATRIBUTÁRIO. Em regra, não basta enunciar as possíveis vantagens de certa alternativa para demonstrar que de fato se decidiu em razão dos benefícios invocados. Devese também mostrar que as vantagens foram realmente perseguidas e alcançadas, ou explicar por que não foram. Sem esse complemento, as vantagens alegadas podem servir como mero pretexto para alcance de finalidades diversas. VENDAS DE BENS DO ATIVO PERMANENTE. MOMENTO DE OPÇÃO PELA FORMA DE RECONHECIMENTO DO LUCRO. Caso o contribuinte não seja intimado pela Fiscalização a declarar se opta pela forma de tributação prevista no art. 421 do RIR/99, poderá manifestar sua escolha na impugnação. DÚVIDA QUANTO À PENALIDADE APLICÁVEL. A dúvida a que se refere o art. 112 do CTN não se confunde com polêmica. Independentemente de haver na doutrina ou na jurisprudência posições divergentes quanto à aplicação de um dispositivo, o art. 112 do CTN se refere às situações em que o AuditorFiscal está em dúvida quanto a algum elemento relevante para a aplicação da penalidade. ABUSO DE DIREITO E MULTA QUALIFICADA. O abuso de direito caracterizado pela falta de propósito negocial não se confunde com fraude, logo não enseja, por si só, a qualificação da multa de ofício. JUROS. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA. O art. 61, § 3o, da Lei 9.430/96, determina que os juros incidirão sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, e não simplesmente sobre tributos e contribuições. Como as multas decorrem dos tributos, sobre aquelas também incidem os juros. EMPRESA CINDENDA. TRIBUTOS E MULTAS DEVIDOS PELA EMPRESA CINDIDA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. A empresa cindenda responde solidariamente por tributos e multas devidos pela empresa cindida até a data do ato. RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES. CARACTERIZAÇÃO DA FRAUDE. DESNECESSIDADE. A responsabilização dos administradores com base no art. 135 do CTN independe da caracterização de fraude, pois pode basear se em outras formas de infração à lei, como, por exemplo, o abuso de direito. RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES. ALCANCE. SOLIDARIEDADE. O art. 135, III, do CTN trata de responsabilidade solidária entre a empresa e os administradores Fl. 3977DF CARF MF Processo nº 16561.720133/201575 Acórdão n.º 1201002.278 S1C2T1 Fl. 6 5 que praticaram atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto. 5. A DRJ/RJ1 recorreu de ofício, em atenção à Portaria MF nº 63 de 09 de fevereiro de 2017. 6. O contribuinte e responsáveis solidários foram cientificados em 28, 29, 30/03/2017 e 01/04/2017, págs. 3.491/3.498; a autuada apresentou recurso voluntário em 19/04/2017, tempestivo; os responsáveis solidários (exceto a Oliveira Trust Servicer S/A, na mesma data, tempestivos. Recurso Voluntário. Hemava Administração e Empreendimentos S.A, de págs. 3.502/3.620 7. Acusa que os Agentes Fiscais descartaram as sucessivas explicações e razões "extratributárias" apresentadas pela RECORRENTE e demais pessoas fiscalizadas, pois já tinham uma visão préconcebida sobre os fatos no que foram seguidos pela DRJ/RJ1 cuja decisão, igualmente se mostrou prédisposta a enxergar ilícito onde apenas houve fruição regular de direitos, do contrário, o acórdão teria se preocupado em analisar o laudo técnico, elaborado pela PricewaterhouseCoopers, e juntado aos autos antes do julgamento, mas, sobre o qual, não obstante confirmar a efetividade dos objetivos relatados ao fisco, esvaziando o cerne da acusação fiscal, não foi feita sequer menção pelo aresto recorrido, nem ao menos para justificar sua desconsideração na análise do caso. 8. Diz que apresentou todas as razões que comprovam a realização de planejamento patrimonial sucessório, feito nos termos da legislação regente, devidamente informados às respectivas autoridades competentes (fisco incluso), sem que tenha sido identificado qualquer ato que esvaziasse, ou mesmo desfizesse seus efeitos jurídicos, sendo, portanto, absurdo falar se em "falta de motivação extratributária" e, por via de consequência, em abuso de direito ou fraude, na linha do próprio entendimento até aqui prevalecente, dado que o TVF foi claro ao afirmar que "se a alienação da ZAR estiver no contexto das justificativas extratributárias dadas para a existência do FIP, o ganho auferido pelo fundo será legítimo"; mesmo que se admitisse a ausência de qualquer "motivação extratributária", isto não autoriza a conclusão de que houve "fraude", muito menos "abuso de direito", como afirmou o acórdão n. 1286.078 para manter a qualificação da multa, de modo que o acórdão deve ser cancelado. 9. Requer a nulidade do Acórdão DRJ/RJ1, por violar os arts. 142 e 146 do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, dado que alterou os critérios jurídicos do lançamento, pois reconheceu a não ocorrência de fraude, mas entendeu ter havido abuso de direito, a justificar a multa de 150%, mesmo reconhecendo não ser hipótese para tal. 10. Assevera , que o real alienante da ZAR foi o HMV FIP; HMV FIP não agiu como um simples agente da HEMAVA. A presença do HMV FIP no contrato de compra e venda ocorreu de maneira efetiva, possuindo o HMV FIP a condição de titular do ganho de capital realizado e de beneficiário efetivo dos recursos financeiros auferidos com a venda; aduz que, juntamente com a HEMAVA, os patriarcas também transferiram a LOCALPAR ao HMV FIP, investimento esse mantido pelo fundo até a presente data; os recursos financeiros da alienação da ZAR foram recebidos pelo HMV FIP, passando a integrar o seu patrimônio, empregados em "private equity", ou transferidos para os FIQs que detinham o seu controle, posteriormente transformados em fundos de investimento multimercados, conforme site da CVM; apresenta Fl. 3978DF CARF MF Processo nº 16561.720133/201575 Acórdão n.º 1201002.278 S1C2T1 Fl. 7 6 quadro com evolução anual da carteira dos fundos, pág. 3.523 e descreve as aquisições do HMV FIP depois da venda da ZAR, pág. 3.524/3.525. O capital social da ZAR era detido majoritariamente pelo Sra. Zilda Aranha Rodrigues, mãe da Sra. Marilena Rodrigues Vasone e Sra. Maristela Rodrigues Marco Antônio; a ZAR detinha 58,81% do capital social da São Luiz Operadora Hospitalar S.A. ("SLOH"), operadora de planos de saúde que, por sua vez, detinha praticamente a totalidade do capital social do HOSPITAL SÃO LUIZ. Falecida a Sra. Zilda, a participação societária na ZAR foi para suas filhas, , até o ano de 2002, quando os patriarcas da Família Vasone transferiram a sua participação na ZAR para HEMAVA , que passou a ser sociedade holding controlada pela Família Vasone. Também os patriarcas da Família Marco Antonio, transferiram a sua participação na ZAR para uma holding por eles controlada. Visaram assegurar uma gestão dos negócios e livre das eventualidades que atingem as pessoas naturais (falecimentos, incapacidades, dissoluções conjugais, discórdias, etc). Em 2009, os patriarcas da Família Vasone decidiram implementar o seu planejamento sucessório: em 01/12/2009, a HEMAVA foi transformada uma sociedade por ações, necessária à sua transferência ao HMV FIP, pois esse tipo de fundo so pode investir em sociedades anônimas. Em 18.12.2009. as ações ordinárias detidas pelos patriarcas no capital social da HEMAVA foram transferidas ao HMV FIP, a título de integralização de cotas, permanecendo as ações preferenciais da HEMAVA sob a titularidade direta dos patriarcas3. Na mesma ocasião, transferiram para o HMV FIP as suas ações ordinárias na empresa Localpar Participações S/A , holding recentemente constituída para consolidar os investimentos detidos nas empresas: Localfrio S.A. Armazéns Gerais Frigoríficos, Localimob Participações S.A. e Translocal Intcrmodal Transportes e Armazenagens Ltda. Na mesma data, em 18/12/2009. os patriarcas da Família Vasone constituíram, ainda, os Fundos de Investimento em Quotas de Fundos de Investimento (FIQs), transferindo para cada fundo 25% das cotas que detinham no HMV FIP: (i) AV FIQ FIP Fundo de Investimento em Quotas de Fundos de Investimento em Participações ("AV FIQU"); (ii) CV FIQ FIP Fundo de Investimento em Quotas de Fundos de Investimento em Participações ("CV FIQ"); (iií) HVJ FIQ FIP Fundo de Investimento em Quotas de Fundos de Investimenio em Participações ("HVJ FIQ"); e (iv) RV FIQ FIP Fundo de Investimento em Quotas de Fundos de Investimento em Participações ("RV FIQ")6. sob a titularidade direta dos patriarcas3. Em 27.4.2010. a HEMAVA transferiu a sua participação na ZAR diretamente ao HMV FIP, via redução de capital executada mediante o cancelamento de parte das ações ordinárias representativas do capital social da HEMAVA, as quais eram detidas pelo HMV FIP Ata de Assembleia Geral Extraordinária naquela data. 5.2. Em virtude da redução de capital e cancelamento das respectivas ações ordinárias de emissão da Companhia, os acionistas aprovam a entrega pela Companhia aü acionista HMV Fundo de Investimento em Participações, a título de restituição do valor de RS 36.039.943,00 correspondentes às suas ações canceladas, nos termos do itom 5.1. acima, de 21.323.363 ações ordinárias de emissão da ZAR Participações e Empreendimentos, sociedade por Ações, [,..] ["Ações da ZAR"), com tudo o que as mesmas representam, livres e desembaraçadas de todos e quaisquer gravames. Em virtude da redução de capital da HEMAVA. o HMV FIP passou a deter diretamente o investimento na ZAR. Vale observar, entretanto, que essa participação já se encontrava inserida na estrutura do fundo de investimento, sendo indiretamente controlada pelo HMV FIP. Quatro meses depois da redução de capital da HEMAVA, em 2/9/2010. o HMV FIP celebrou o contrato de compra e venda da sua participação na ZAR para a empresa FMG Empreendimentos Hospitalares S.A. ("FMG"). 11. Argumenta que a motivação da transferência da ZAR para HMV FIP foi extratributária: gestão patrimonial, controle de riscos, segregação de ativos, linhas de negócios, manutenção do controle dos investimentos, proteção de herdeiro incapaz e segurança jurídica, preservar o patrimônio da família e evitar conflitos entre os herdeiros e que a organização de ativos em fundos de investimento é alternativa de gestão muito flexível; o planejamento sucessório dos patriarcas foi efetivado mediante a doação das quotas dos FIQs aos filhos e netos;. destaca o Acordo de Quotistas de Fundos de Investimento celebrado e as regras que objetivam a proteção de filha incapaz, sob curatela dos patriarcas, bem como as regras de sucessão; destaca que a transferência da participação da ZAR e redução de capital da Hemava, não devem ser analisadas isoladamente, mas no contexto maior do planejamento sucessório; Fl. 3979DF CARF MF Processo nº 16561.720133/201575 Acórdão n.º 1201002.278 S1C2T1 Fl. 8 7 que a manutenção da Hemava entre HMV FIP e a ZAR geraria duplicidade desnecessária na linha vertical de comando; a Hemava não era holding pura, explorava a atividade rural e imobiliária; a função de holding familiar passou a ser desempenhada pela HMV FIP e a Hemava em empresa imobiliária e a atividade operacional da Alvi no ramo de prestação de serviços médicos já estava encerrada quando da sua transferência para a Hemava; apresenta o organograma final à pág. 3.540; não tem como atestar a veracidade dos "documentos" da Rede d'Or. 12. Argui que devolução de capital é opção fiscal concedida pelo legislador, art. 22 da Lei nº 9.249, de 1995, e que o legislador concede a faculdade (opção fiscal) de reduzir o capital pelo valor contábil, sem a realização de ganho de capital; cita jurisprudência do CARF e autores. De todo modo, a RECORRENTE passa a demonstrar que o contribuinte {ou melhor, no caso, a pessoa que sequer é contribuinte porque não ocorreu qualquer fato gerador de obrigação tributária em que ela tenha sido sujeito passivo) tem o direito de organizar os seus negócios com o objetivo de diminuir a sua carga tributária (elisão fiscal). O que não se tolera é unicamente a realização de negócios simulados ou fraudulentos (evasão fiscal). Vêse que o STJ reconheceu o direito de o Poder Legislativo, titular da competência tributária, preencher os vazios legislativos, ou zonas de não incidência, dentro dos quais se desenvolve o planejamento tributário, mas que tal preenchimento deve ser feito através da edição de novas normas (como a do art. 33 do Decretolei n° 2.341, então "sub judice"), e se observadas as balizas do CTN e as constitucionais. 13. Assevera que, no presente processo, por adentrarem nos motivos da Recorrente e demais pessoas, os fiscais, tirando conclusões suas, divergentes dos motivos que lhes foram declarados, ao invés de procederem como determina o parágrafo 1° do art. 845 do RIR/99, simplesmente acharam que os declarantes estariam mentindo e encobrindo a verdade dos motivos e a verdade, que seria a que eles pregaram. 14. Acusa ilegalidade na qualificação da multa de ofício para 150%. 15. Reclama de ilegalidade da cobrança de juros sobre multa Recurso Voluntário. Hélio de Athayde Vasone, Marilena Rodrigues Vasone, Hélio de Athayde Vasone Júnior, Alceu Rodrigues Vasone, FHMV Participações E Empreendimentos Ltda, FRV Participações e Empreendimentos Ltda. e FCV Participações E Empreendimentos Ltda., págs. 3.745/3.815. 16. Sobre a acusação de fraude, dizem que, ainda que se admitisse que os contribuintes possuem a obrigação legal de revelar as "motivações" dos seus negócios para as autoridades fiscais, o que nem por um momento as Recorrentes admitem, a falta da prestação de esclarecimentos às autoridades fiscalizadoras, quando muito, poderia ensejar a aplicação da multa agravada prevista no art. 44, §2°, I, da Lei n. 9.430/96; jamais a caracterização das hipóteses de fraude, conluio, dolo, ou simulação, previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/64, pressuposto para aplicação da multa qualificada de 150% e para atribuição de Fl. 3980DF CARF MF Processo nº 16561.720133/201575 Acórdão n.º 1201002.278 S1C2T1 Fl. 9 8 responsabilidade aos diretores, na forma do art. 135, III, do Código Tributário Nacional; pois a fraude da fraude, deve necessariamente estar relacionada aos fatos, ausência de registros ou falsificação de documentos relacionados ao negócio jurídico celebrado. 17. Reiteram os argumentos opostos pela Hemava: nulidade da decisão DRJ e demais argumentos. 18. Apontam ausência de qualquer infração á lei ou estatuto social, sendo impossível equiparar a suposta ausência de motivação extratributária ao conceito de fraude e atribuirlhes responsabilidade tributária com fundamento no art. 135, III, do CTN, o qual requer a presença do elemento subjetivo "dolo", ou seja, ato deliberado consistente na pratica de crime contra a ordem tributária. 19. Invoca a Portaria nº 2.284, de 29/11/2010, da RFBrasil, que estabelece que os AuditoresFiscais, deverão, sempre que, no procedimento de constituição do crédito tributário, identificarem hipóteses de pluralidade de sujeitos passivos, reunir as provas necessárias para a caracterização dos responsáveis pela satisfação do crédito tributário lançado; que neste caso, os agentes fiscais descumpriram essa determinação. O ônus da prova de que determinado administrador atuou de maneira fraudulenta compete às autoridades fiscais. No presente caso, simplesmente presumiuse que todos os diretores teriam indistintamente praticado atos fraudulentos, sem que tenha sido apresentada qualquer prova nesse sentido. 20. Aponta impossibilidade de atribuição simultânea de responsabilidade à Hemava e aos seus Diretores, nos termos do art. 135 do CTN, que cuida da responsabilidade pessoal e exclusiva dos administradores, quando o nascimento da obrigação tributária resultou de atos praticados por estes, á margem das atividades funcionais, em prejuízo da pessoa jurídica. Em suma, das duas uma: (i) ou se está diante de uma situação na qual os administradores agiram dentro dos seus poderes normais de gestão e representação, caso em que a sociedade representada é a única responsável pelo pagamento do débito tributário; (ii) ou se está presente uma situação na qual os administradores agiram com excesso de poderes, extrapolando um limite funcional derivado da lei ou do estatuto social, caso em que os administradores são os únicos responsáveis pelo pagamento do tributo, com exclusão da responsabilidade da empresa. 21. Argumenta sobre a ausência de "interesse comum" (art. 124, I, do CTN) entre a Hemava e Hélio e Marilena Vasone, patriarcas da família Vasone, reconhecida pela DRJ. 22. Acerca da responsabilidade tributária das sociedades sucessoras, FHMV Participações, FRV Participações e FCV Participações, que incorporaram parcelas resultantes da cisão parcial da Hemava, argumenta não ser razoável atribuirlhes responsabilidade solidária integral pelo auto de infração, no total de R$259.061.075,41, se o total de parcelas da Hemava que incorporaram foi de R$8.012.717,10. 23. Asseveram que jamais pediram que fosse declarada a "inconstitucionalidade" do art. 132 do CTN. Pediram, apenas, que a determinação do alcance desse dispositivo legal fosse feita em conformidade com os princípios constitucionais da proporcionalidade e da razoabilidade que orientam a tarefa do julgador e ainda do princípio da capacidade contributiva e do direito de propriedade, equidade e justiça; cita o art. 1.792 do Código Civil, regra que Fl. 3981DF CARF MF Processo nº 16561.720133/201575 Acórdão n.º 1201002.278 S1C2T1 Fl. 10 9 deve ser aplicada por analogia, a teor do art. 108, I do CTN, admitindose, no máximo, a responsabilização apenas até o limite da parcela cindida. 24. Destacam que as Sociedades Sucessoras não respondem pelas multas cobradas, especialmente, se, como no caso, o correspondente débito tributário foi constituído posteriormente á realização da operação societária; invoca o princípio da individualidade da pena. 25. Requerem o cancelamento dos Termos de Responsabilidade dos Diretores da Hemava; as Sociedades Sucessoras da mesma forma e subsidiariamente a limitação da responsabilidade ao valor da cisão e apenas em relação ao principal, excluindose a multa; se o CARF entender pela necessidade de documentos e esclarecimentos adicionais, requer a conversão em diligência. Contrarrazões ao recurso Voluntário e Razões ao recurso de Ofício. Procuradoria da Fazenda Nacional, págs. 3.878/3.920 26. Após historiar os fatos, enfatiza que houve quebra da relação entre HEMAVA e ZAR (investimento alienado), com o estabelecimento de artificiosa relação entre HMV FIP e ZAR, o que revelou a real motivação da autuada: transferir o ganho de capital para o Fundo, de modo a evadirse dos tributos devidos; que não houve racionalidade econômica na interposição de um fundo, com a manutenção de duas holdings e com incremento significativo dos custos, sem que qualquer benefício consistente fosse apresentado, a não ser a economia tributária de aproximadamente R$ 48,45 milhões, além do diferimento da tributação para o momento do resgate. 27. Descreve a reorganização societária e a alienação da ZAR e que, por meio dessa reestruturação, a família Vasone obteve duas vantagens tributárias: (i) o diferimento da tributação do ganho de capital para o momento de resgate das cotas do FIP; e (ii) a redução de alíquota, que passou de 34% (IRPJ + CSLL) para 15 a 22,5% de imposto de renda, dependendo do prazo de permanência do investimento no fundo, e destaca que a fiscalização considerou inconteste que a passagem para o FIP das ações da ZAR detidas pela HEMAVA foi artificiosamente concebida para que o ganho de capital auferido pela HEMAVA ficasse ao abrigo do HMV FIP; que a Oliveira Trust Servicer SA (OTS), de fato, não atuou como administradora/gestora do fundo HMV FIP. 28. No que tange ao recurso de ofício, discorda da exoneração parcial do crédito constituído, pois o fato gerador foi comprovado de forma suficiente e adequada, a hipótese de incidência correta, assim como a base de cálculo e alíquotas, bem como o sujeito passivo, o que foi reconhecido e confirmado no Acórdão DRJ; que o diferimento da tributação é questão alheia aos elementos da obrigação tributária e não poderia ter havido a exoneração se o próprio acórdão reconheceu o acerto da apuração; que a permissão no art. 421, do RIR de 1999, é direcionada ao contribuinte, não sendo norma destinada à Fiscalização, e tem por premissa que o próprio contribuinte faça sua opção e a reflita em sua contabilidade. Isso permite concluir que o referido dispositivo não se aplica aos lançamentos de ofício, pois o seu pressuposto é o lançamento por homologação. Pretender a sua aplicação, de modo indevido, ao lançamento de ofício, acarreta o equívoco ora verificado no acórdão recorrido; se fosse assim, constaria da legislação, como por exemplo o art. 20A da Lei nº 9.430, de 1996, relativo à opção por método de apuração de preço de transferência; o contribuinte assumiu um risco ao estruturar o planejamento tributário da forma como o fez. Se assim optou, ciente da possibilidade de ser descoberto pela Fiscalização, utilizandose de artifícios, deslocando e diferindo, de modo Fl. 3982DF CARF MF Processo nº 16561.720133/201575 Acórdão n.º 1201002.278 S1C2T1 Fl. 11 10 indevido, a tributação para o fundo de investimento, isso implica a renúncia tácita ao permissivo contido no art. 421 do RIR, de 1999. 29. Quanto à exoneração da responsabilidade tributária da Oliveira Trust Servicer S/A (OTS), gestora do HMV FIP, diz que o acórdão recorrido compreendeu mal o fundamento da responsabilização, que foi o art. 135, I do CTN; o art. 134, III não foi o fundamento e, sendo assim , cabe averiguar se há algum administrador de bens de terceiro que tenha praticado atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos para que seja ele responsabilizado pelos créditos correspondentes à obrigação tributária em questão. 30. Cita o relatório de fiscalização, para concluir que a responsabilidade tributária da OTS, está bem fundamentada, diante dos fatos apurados, das respostas dadas pela própria OTS e das demais provas constantes dos autos; que é inconteste que a OTS, colocandose em posição subserviente, mesmo detendo a expertise na administração de fundos, contribuiu para a fraude à legislação tributária e, ainda, infringiu ela, diretamente, a normatizaçâo atinente aos fundos de investimento em participação. 31. O equívoco do acórdão recorrido é que, mesmo adotando a sua interpretação, a DRJ ignorou que as operações foram desconsideradas para fins tributários; por consequência, a HEMAVA foi identificada como alienante do investimento, o que foi aceito e reconhecido pela DRJ; então, também para fins tributários o bem deve ser considerado como de propriedade da HEMAVA, e não do HMV FIP, o que confirma a responsabilidade da OTS. Devese levar em conta, que o HMV FIP, sendo fundo de investimento em participações, não possui personalidade jurídica. As ações da ZAR, portanto, sendo parte do fundo (condomínio) eram bens que estavam sob administração formal da OTS. 32. Quanto ao recurso voluntário, a PFN argumenta conforme resumese a seguir. 33. Discorda do pleito de nulidade do Acórdão DRJ, pois a adoção de diversos argumentos como fundamento não implica alteração do critério jurídico da autuação; os critérios utilizados pela Fiscalização foram reconhecidos como corretos pelo acórdão recorrido que, eventualmente, apresentou reforço do entendimento com outros argumentos, relacionados aos próprios critérios adotados pela Fiscalização. 34. Sobre um dos fundamentos do recurso voluntário de que não há previsão legal que autorize a desconsideração dos atos e negócios efetivamente ocorridos, exclusivamente sob a alegação de que foram praticados em razão de economia tributária, ou seja, sem um real propósito negocial, aponta ser equivocado o entendimento do contribuinte; a atuada, como sociedade empresária, detém uma empresa, entendida como exploração organizada da atividade econômica, que possui um objeto social, isto é a empresa existe em razão de propósitos negociais, devendo atender corretamente sua função social. A substância econômica é inerente à empresa. Disso se entende que a prática de atos empresarias com o intuito único de economia tributária, ou seja, sem um real propósito negocial, caracteriza uma utilização indevida da empresa. Tratase, na verdade, de uma distorção ou de um desvirtuamento de sua finalidade. Exercer um direito para um recolhimento tributário a menor, sem a existência de substrato econômico, caracteriza abuso desse direito, toma o ato ilícito e conduz à ineficácia do planejamento tributário. E cita precedente histórico do CARF, citado no Acórdão recorrido; e contesta os argumentos da autuada. 35. Sobre o acordo de confidencialidade e tratativas de negociação da ZAR antes da sua alienação ao HMV FIP, aponta que a alienação da ZAR já era prevista haja vista a existência Fl. 3983DF CARF MF Processo nº 16561.720133/201575 Acórdão n.º 1201002.278 S1C2T1 Fl. 12 11 de uma minuta datada de 22/04/2017, portanto, anterior à alienação da ZAR ao HMV FIP, que foi em 27/04/2010 obtida junto à Rede d'Or (adquirente das ações da ZAR em 02/09/2010). Tal fato evidencia a artificialidade da alienação da ZAR ao HMV FIP. 36. Sobre a opção fiscal do art. 22 da Lei nº 9.249, de 1995, o Acórdão recorrido evidenciou que essa questão não é relevante, mas sim a motivação extratributária para a redução do capital social da Hemava. O que o contribuinte deve justificar é a decisão de reduzir o capital. 37. Pugna pela manutenção da multa qualificada, haja vista a autuada ter agido de forma dolosa para impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária originada da alienação das ações da ZAR. 38. Em relação à responsabilidade tributária, as operações que visaram o ganho tributário indevido foram arquitetadas pelos administradores à época dos fatos. Assim, é claro o art. 135, inciso III, do CTN, ao dispor que os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis; discorda que tal responsabilidade é pessoal e exclusiva, o que impossibilita a atribuição simultânea de responsabilidade da Hemava, pois o Superior Tribunal de Justiça STJ possui diversos precedentes no sentido de que a responsabilidade do art. 135, III, do CTN, é solidária, ou seja, respondem juntamente com a sociedade empresária os seus dirigentes e cita córdão, que, além de reconhecer a natureza de responsabilidade solidária do dispositivo do CTN; cita CARF. 39. Sobre incidência de juros de mora sobre multa, invoca o art. 161 do CTN. Petição. Oliveira Trust Servicer S/A, págs. 3.925/3.950. 40. Cientificada em 30/03/2017, págs. 3.488 e 3.876, a Oliveira Trust Servicer S/A apresentou Manifestação, em 01/08/2017, em relação às Contrarrazões da PFN, para reiterar as razões de fato e de direito que impõem a manutenção do cancelamento do Termo de Sujeição Passiva lavrado contra ela. 41. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Eva Maria Los, Relatora 42. Haja vista o recurso de ofício da DRJ e recursos voluntários da Autuada e Responsáveis Solidários, cabe a análise de todas as questões suscitadas. 1 Acórdão 1ª Instância. Nulidade. 43. A autuação fiscal se baseou em que não houve propósito negocial na criação do fundo HMV FIP e na transferência das ações da ZAR, detidas pela Hemava para o fundo HMV FIP, exceto reduzir a tributação do ganho de capital apurado na venda da ZAR, que foi efetuada logo em seguida. Não é lícito que se utilize um fundo de investimentos em participação de forma desviada da maneira como é normalmente Fl. 3984DF CARF MF Processo nº 16561.720133/201575 Acórdão n.º 1201002.278 S1C2T1 Fl. 13 12 utilizado, em especial quando se está diante de estruturação flagrantemente artificiosa e sem substância econômica. 44. E aplicou multa qualificada segundo o seguinte entendimento de que ocorreu fraude (art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964) identificada por: 81. A HEMAVA, ao transferir, sem qualquer motivação extratributária, as ações da ZAR para o HMV FIP, agiu dolosamente para impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador (definição de fraude) nascido com a alienação que ela, HEMAVA, em essência, fez. A conduta dolosa da HEMAVA é patente, pois ela quis, por meio de uma transferência artificiosa da ZAR para o HMV FIP, impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação principal originada pela alienação das ações da ZAR. 45. A DRJ : 85. O que toma inoponível ao Fisco o negócio desprovido de motivação extratributária é o abuso de direito. Como este não se confunde com fraude, assiste razão à Interessada quando afirma que a ausência de motivação extratributária não enseja, por si só, a qualificação da multa. Vale dizer: a ausência de motivação extratributária que configura abuso de direito, não caracteriza necessariamente fraude. a. E após rememorar os esclarecimentos oferecidos pela autuada, concluiu: 89. Todos esses elementos demonstram que a transferência da ZAR não ocorreu por qualquer das razões apresentadas pela Interessada, mas para que a alienação se enquadrasse artificiosamente em regra de tributação menos gravosa. Dessa forma, é forçoso concluir que a Interessada prestou intencionalmente informações inverídicas à Fiscalização quantos às suas motivações, devendose manter a multa qualificada. b. Ou seja, em outras palavras, também concluiu que houve intenção dolosa a justificar a qualificação da multa. 46. A Recorrente requer a nulidade do Acórdão DRJ/RJ1, por violar os arts. 142 e 146 do CTN, pois teria alterado os critérios jurídicos do lançamento. 47. Não se pode qualificar a conclusão da DRJ como modificação no critério jurídico adotado pelos autuantes no exercício do lançamento. 48. E a nulidade de uma decisão como o caso da DRJ, só se justifica se ocorrer a preterição do direito de defesa, conforme estatuem os arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 3985DF CARF MF Processo nº 16561.720133/201575 Acórdão n.º 1201002.278 S1C2T1 Fl. 14 13 1.1 PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. 49. A preterição do direito de defesa não ocorreu, pois a impugnação que apresentou foi apreciada e o recurso voluntário ao CARF foi apresentado e acolhido para julgamento. 2 Autuação Fiscal. Mérito. 2.1 TRANSFERÊNCIA ZAR AO HMV FIP. 2.1.1 Fundo de Investimento em Participação. Objetivo. 3. A Instrução CVM no 391, de 16 de julho de 2003, vigente à épca dos fatos analisados, com alterações introduzidas pelas Instruções CVM nº 435/06, 450/07, 453/07, 496/11, 498/11, 535/13, 540/13, 545/14, 549/14 e 554/14, determinava: Art. 2o O Fundo de Investimento em Participações (fundo), constituído sob a forma de condomínio fechado, é uma comunhão de recursos destinados à aquisição de ações, debêntures, bônus de subscrição, ou outros títulos e valores mobiliários conversíveis ou permutáveis em ações de emissão de companhias,abertas ou fechadas, participando do processo decisório da companhia investida, com efetiva influência na definição de sua política estratégica e na sua gestão, notadamente através da indicação de membros do Conselho de Administração. §1o Sempre que o fundo decidir aplicar recursos em companhias que estejam, ou possam estar, envolvidas em processo de recuperação e reestruturação, será admitida a integralização de cotas em bens ou direitos, inclusive créditos, desde que tais bens e direitos estejam vinculados ao processo de recuperação da sociedade investida e desde que o valor dos mesmos esteja respaldado em laudo de avaliação elaborado por empresa especializada. §2o A participação do fundo no processo decisório da companhia investida pode ocorrer: I – pela detenção de ações que integrem o respectivo bloco de controle, II – pela celebração de acordo de acionistas ou, ainda, III – pela celebração de ajuste de natureza diversa ou adoção de procedimento que assegure ao fundo efetiva influência na definição de sua política estratégica e na sua gestão. 4. A Instrução supra foi revogada em 30/08/2014, pela Instrução CVM nº 578, de 30 de agosto de 2016, que sofreu ainda alterações pela Instrução CVM nº 579, de 2017, porém manteve a definição supra (art. 5º, art. 20, § 6º). 5. A Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCAP) elaborou uma cartilha (Fonte: http://www.abvcap.com.br/Download/Guias/2726.pdf), em março/2015: 3 Private Equity:(...) aportam recursos em empresas já bem desenvolvidas, em processo de consolidação de mercado, para ajudálas a se preparar para abrir capital, fundirse ou serem adquiridas por outras grandes empresas. Fl. 3986DF CARF MF Processo nº 16561.720133/201575 Acórdão n.º 1201002.278 S1C2T1 Fl. 15 14 (...), os fundos de participação são condomínios fechados, administrados por gestores independentes, em geral. Eles têm duração predefinida em regulamento, um prazo que pode chegar a até dez anos. Tudo é regulamentado e surpervisionado, no caso dos fundos brasileiros, pela Comissão de Valores Mobiliários, a CVM (www. cvm.gov.br), com base na Instrução CVM n° 209 e respectivas alterações (Fundos de Participação em Empresas Emergentes FMIEE) e na Instrução CVM n° 391 e alterações posteriores (Fundos de Investimento em Participações FIP). Os fundos devem vender suas participações nas empresas investidas nos prazos previstos nos regulamentos e retornar os valores ao seus investidores. Primeiro, eles captam recursos. Depois, prospectam as empresas que podem ser alvo de seus investimentos e selecionam as mais promissoras. Dai começa uma fase de análise e negociação das condições de investimento, até ocorrer realmente o aporte de recursos. Depois, há todo um período de acompanhamento da empresa investida pela gestora. Ao surgir uma boa oportunidade, os fundos vendem suas participações, fazendo o chamado "desinvestimento", para poder devolver o capital e o lucro aos investidores, recebendo uma remuneração pela performance obtida em seus investimentos. Será que os fundos levam muito tempo para analisar as empresas? (...) essa análise leva algum tempo, sim, pois há ainda outras características a serem avaliadas, como, por exemplo, a rentabilidade do empreendimento, que é determinante para o investidor de private equity, seed e venture capital. Outra avaliação importante é a da possibilidade de saída do negócio, porque, quando investem numa empresa, os fundos já vislumbram a estratégia de saída, e analisam, mesmo antes de investir, se haverá liquidez para se desfazer do negócio e a melhor forma de obter um bom retorno para seu investimento.(Grifouse.) 6. O FIP foi criado no Brasil para suprir a demanda existente por um instrumento adequado nos moldes do private equity estrangeiro; para que recursos de investidores fossem agregados visando o investimento em companhias em desenvolvimento ou expansão. 7. Atualmente, informa a BM&Bovespa (http://www.bmfbovespa.com.br/pt_br/produtos/listadosavistaederivativos/renda variavel/fundosdeinvestimentoemparticipacoesfip.htm): Fundos de Investimento em Participações (FIP). O produto. O Fundo de Investimento em Participações (FIP) é uma comunhão de recursos destinados à aplicação em companhias abertas, fechadas ou sociedades limitadas, em fase de desenvolvimento. Cabe ao administrador constituir o fundo e realizar o processo de captação de recursos junto aos investidores através da venda de cotas. Fl. 3987DF CARF MF Processo nº 16561.720133/201575 Acórdão n.º 1201002.278 S1C2T1 Fl. 16 15 O FIP é um investimento em renda variável constituído sob a forma de condomínio fechado, em que as cotas somente são resgatadas ao término de sua duração ou quando é deliberado em assembleia de cotistas a sua liquidação. O fundo deverá participar do processo decisório da companhia investida, com efetiva influência na definição de sua política estratégica e na sua gestão, notadamente através da indicação de membros do Conselho de Administração. A participação do fundo no processo decisório da companhia investida pode ocorrer: · pela detenção de ações que integrem o respectivo bloco de controle; · pela celebração de acordo de acionistas; ou pela adoção de procedimento que assegure ao fundo efetiva influência na definição de sua política estratégica e na sua gestão. Buscase criar valor para a companhia, por meio do desenvolvimento de seu negócio, bem como pela implementação de práticas de governança corporativa. Os FIPs devem ser classificados nas seguintes categorias, de acordo com a composição de sua carteira: FIP Capital Semente: (...) FIP Empresas Emergentes: (...) FIP – Infraestrutura (FIPIE) e FIP – (...) FIP – Multiestratégia: são aqueles que não se classificam nas demais categorias por admitir o investimento em diferentes tipos e portes de sociedades investidas. Estes fundos têm a possibilidade de investir até 100% de seu capital subscrito em ativos no exterior, porém, neste caso, são destinados exclusivamente a investidores profissionais. 8. Fonte: www.bmfbovespa.com.br/lumis/portal/file/fileDownload.jsp?fileId: Vantagens do produto • A gestão do FIP é realizada por um gestor profissional, especializado e com condições técnicas de analisar os investimentos com maior perspectiva de retorno. • O investidor participa do crescimento dos negócios das companhias investidas, independentemente de serem de capital aberto ou fechado ou ainda limitada. • FIPs buscam investimentos com alto potencial de retorno, o que resulta em oportunidades de ganhos relevantes. • Permite a participação em diferentes investimentos, com redução do risco global da carteira. 2.1.2 Fundo de Investimento em Quotas de Fundos de Investimento em Participações FIQ FIP 9. Enquanto um fundo de investimento, tradicional, investe seus recursos em ativos, como ações, títulos públicos, operações cambiais, e outros. O fundo de investimento em cotas aplica cerca de 95% de seus recursos em cotas de outros fundos. (fonte: https://topinvest.com.br/fundodeinvestimentoxfundodeinvestimentoemcotas/) Fl. 3988DF CARF MF Processo nº 16561.720133/201575 Acórdão n.º 1201002.278 S1C2T1 Fl. 17 16 2.1.3 Objetivos na criação do HMV FIP e dos FIQ (fundos de investimentos em quotas ou cotas) 10. Analisese, à luz dessas informações, a criação do HMV FIP e dos FIQ. 11. O grupo familiar Vasone decidiu organizarse para a sucessão dos membros da família nos empreendimentos, a fim de evitar disputas e garantir a continuidade dos negócios. 12. Paralelamente, havia a intenção de alienar a participação detida de 50% na holding ZAR Participações e Empreendimentos S/A. 13. Em 25/10/2002, págs. 697/763, os detentores da ZAR Administração e Empreendimentos Ltda (cujo objeto social era administração de bens móveis e imóveis e realização de empreendimentos imobiliários) eram: familia Vasone, que se retira da sociedade e transfere suas quotas para a holding Hemava Administração e Empreendimentos Ltda (que havia sido constituída em 28/11/1981, fonte Laudo Técnico); e família Marco Antonio, que se retira da sociedade e transfere suas quotas para outra empresa holding, respectivamente. 14. A ZAR passou então a ser 50% detida pela holding Hemava Administração e Empreendimentos Ltda, por sua vez 100% detida por 4 (quatro) pessoas físicas membros da família Vasoni, págs. 25/72; o objeto social da Hemava era: administração de bens móveis e imóveis e realização de empreendimentos imobiliários; gestão de negócios mercantis; participação em outras sociedades, tal qual a ZAR; a Hemava foi convertida em SA fechada, em 01/12/2009, mantendo o objeto social e como acionistas apenas as pessoas que foram denominadas "patriarcas", a diretoria era composta por estes e mais dois filhos que eram anteriormente também sócios da Ltda, págs. 257/286, e recurso voluntário. 15. Em 18/12/2009, as ações ordinárias detidas pelos patriarcas no capital social da Hemava foram transferidas ao HMV FIP, a título de integralização de cotas, permanecendo as ações preferenciais da HEMAVA sob a titularidade direta dos patriarcas (a Recorrente relata que na mesma ocasião, transferiram para o HMV FIP as suas ações ordinárias na empresa holding Localpar Participações S/A, de empresas de armazenagem, transportes e participações), fonte recurso voluntário. 16. E na mesma data, em 18/12/2009, os patriarcas constituíram os Fundos de Investimento em Quotas de Fundos de Investimento (FIQs), transferindo para cada fundo 25% das cotas que detinham no HMV FIP: (i) AV FIQ FIP Fundo de Investimento em Quotas de Fundos de Investimento em Participações ("AV FIQU"); (ii) CV FIQ FIP Fundo de Investimento em Quotas de Fundos de Investimento em Participações ("CVFIQ"); (iií) HVJ FIQ FIP Fundo de Investimento em Quotas de Fundos de Investimento em Participações ("HVJFIQ"); e (iv) RV FIQ FIP Fundo de Investimento em Quotas de Fundos de Investimento em Participações ("RVFIQ") sob a titularidade direta dos patriarcas. 17. O que é confirmado à pág. 988, resposta ao TIF nº 2: R: (...) Na verdade, as ações da Hemava foram transferidas para o HMV FIP e então as cotas do HMV FIP foram transferidas para os 4 FIQs. Fl. 3989DF CARF MF Processo nº 16561.720133/201575 Acórdão n.º 1201002.278 S1C2T1 Fl. 18 17 18. Concluise que o Fundo HMV FIC passa ser detido 100% pelos Fundos FIQ em nome dos patriarcas; o Fundo HMV FIC, por sua vez, ficou titular das ações ordinárias da Hemava, enquanto as preferenciais restaram com os patriarcas. 19. O CS da Hemava, desde aumento efetuado em 01/12/2009, era R$70.690.908,00, págs. 14/24. 20. Em 27/04/2010, págs. 73/75, foi deliberada redução do Capital Social da Hemava, "por ser considerado excessivo em relação ao seu objeto social", no valor correspondente a R$36.039.943,00, valor este que era constituído por ações ordinárias de titularidade do HMV FIP (correspondentes às ações da ZAR), que foram canceladas; o valor da redução do capital foi entregue ao HMV FIP, na forma das ações da ZAR; o CS da Hemava se reduziu a R$34.650.965,00. Consta ainda da Ata desta AGE: 5.2.1 Os acionistas deixam consignado que, sem prejuízo da transferência pela Companhia das Ações da ZAR para o acionista HMV Fundo de Investimento em Participações, conforme aprovado no item 5.2 acima, a Companhia reterá, bem como estará legitimada a exercer, em nome próprio, até o encerramento do presente exercício social, o usufruto dos direitos econômicos das Ações da ZAR ora transferidas, sendo que enquanto perdurar a retenção, o pagamento de dividendos e juros sobre capital próprio pela ZAR será feito diretamente à Companhia, podendo referida retenção ser antecipadamente terminada mediante notificação conjunta da Companhia e do acionista HMV Fundo de Investimento em Participações entregue à ZAR, 21. Este resumo dos fatos demonstra a sequência de operações societárias que resultou na transferência da empresa posteriormente vendida, ZAR, para a titularidade 100% do fundo HMV FIP, e a exclusão da Hemava Administração e Empreendimentos S/A dessa sociedade. 22. A Recorrente destaca que essa participação já se encontrava inserida na estrutura do fundo de investimento, sendo a ZAR indiretamente controlada pelo HMV FIP. 23. A venda das ações da Zara foi efetuada pelo HMV FIP, em 02/09/2010, págs. 601/674 e 978/685. 24. Após a operação de venda, em 17/10/2010, págs. 1.894/1.983, os patriarcas transferiram a quatro grupos de seus descendentes as quotas que detinham nos quatro fundos FIQ. 25. Posteriormente, ocorreram aumentos de capital social (CS) da Hemava, da seguinte forma: a. em 01/02/2011, págs. 88/91, o fundo HMV FIP aumenta o CS da Hemava em R$11.000.000,00; b. em 20/08/2011, págs. 92/97, o fundo HMV FIP aumenta o CS da Hemava em R$14.000.000,00; c. (...) Fl. 3990DF CARF MF Processo nº 16561.720133/201575 Acórdão n.º 1201002.278 S1C2T1 Fl. 19 18 d. Em 31/12/2012, pág. 2.252, cisão parcial da Hemava, com redução do CS de R$39 Milhões para R$31 Milhões; o patrimônio cindido é incorporado pelas empresas FHMV Participações e Empreendimentos S/A, FRV Participações e Empreendimentos S/A e FCV Participações e Empreendimentos S/A, todas SAs fechadas tendo como sócios o fundo HMVFIP 99,99% e Hélio de Athayde Vasoni (patriarca). 50. A situação anterior era: as ações da ZAR detidas pela Hemava S/A, 100% detida pelos patriarcas. 51. No momento da venda das ações da ZAR, estas haviam sido transferidas para o fundo HMV FIP, totalmente controlado pelos Fundos FIQ, que eram 100% de propriedade dos patriarcas e, o instrumento de cisão e entrega das ações da ZAR ao Fundo HMV FIC, págs. 73/75, continha restrição, porque determinou que a Hemava continuou, a exercer, em nome próprio, até o encerramento do exercício social 2010 (porém a ZAR foi vendida antes disso), o usufruto dos direitos econômicos das ações da ZAR transferidas e o pagamento de dividendos e juros sobre capital próprio pela ZAR podese dizer que a ZAR foi transferida sem qualquer efeito prático, a não ser reduzir a tributação, na venda. 52. Observase que as ações visando a sucessão nos negócios não foram o motivo pelo qual a ZAR foi transferida para o Fundo HMV FIP, porque, assim como a ZAR foi vendida pelo Fundo HMV FIP, detida pelos quatro Fundos FIQ; também poderia ter sido vendida pela Hemava, detida pelos quatro Fundos FIQ em ambas situações, os proprietários e decisores eram os patriarcas. 53. A sucessão se deu mediante a transferência aos herdeiros dos Fundos FIQ em 17/10/2010, após a venda da ZAR, em 02/09/2010. 54. Os Fundos FIQ cumpriram sua função de transmitir a herança aos herdeiros. 55. Quanto ao Fundo HMV FIP, recebeu as ações da Hemava e da holding Localpar Participações S/A; no caso da Hemava, foi simplesmente para realizar a operação de venda. 56. Portanto, correta a conclusão fiscal de que o Fundo HMV FIP foi interposto sem finalidade negocial, sendo a motivação a redução da tributação. 57. Citemse as Contrarrazões apresentadas pela PFN: a prática de atos empresarias com o intuito único de economia tributária, ou seja, sem um real propósito negocial, caracteriza uma utilização indevida da empresa. Tratase, na verdade, de uma distorção ou de um desvirtuamento de sua finalidade. 58. A Hemava foi corretamente identificada como a vendedora das ações da ZAR. 2.1.4 Laudo Técnico. págs. 3.376/3.409. 59. Reclamou a interessada que não foi levado em conta Laudo Técnico elaborado por PricewaterhouseCoopers Contadores Públicos Ltda PWC , o qual se analisa a seguir e do qual se extrai algumas afirmativas relativas ao Fundo HMV FIP: O HMV FIP foi constituído a partir das propriedades e investimentos da família Vasone, sendo que seu funcionamento é regido com base em dois documentos: (i) o Regulamento do Fl. 3991DF CARF MF Processo nº 16561.720133/201575 Acórdão n.º 1201002.278 S1C2T1 Fl. 20 19 Fundo, que prevê as regras relativas à sua administração e política de investimento, composição e diversificação de carteira, e; (ii) o Acordo de Quotistas, que dispõe sobre a propriedade das quotas do fundo, sobre as reuniões e decisões da Assembleia Geral de Quotistas e do Comitê de Investimentos. Em análise aos termos do Regulamento do HMV FIP, é possível verificar que seus objetivos estão em conformidade com as disposições da Instrução CVM n° 391/2003. A intenção dos quotistas é alocar os recursos do fundo no investimento em participações em companhias e atuar no mercado de valores mobiliários. (...) A administração do FIP deve ser realizada por pessoas jurídicas qualificadas para exercer tal atividade, as quais necessariamente serão autorizadas pela CVM para gerir carteira de valores mobiliários, conforme artigo 90 da Instrução n° 391 da CVM. A exigência de administração profissional e qualificada está relacionada aos objetivos do FIP, os quais são a manutenção e o acúmulo do capital investido pelo quotista. O administrador do HMV FIP, a partir de constituição e até maio de 2013, foi a Oliveira Trust Servicer S.A., empresa localizada no Rio de Janeiro. No referido período, foram realizadas as operações questionadas pelas autoridades fiscais federais, em especial a redução de capital da HEMAVA para o HMV FIP e, posteriormente, a alienação da ZAR. (...) De acordo com a norma regulamentar da CVM, o administrador tem poderes para exercer todos os direitos inerentes aos títulos e valores mobiliários integrantes da carteira do fundo, inclusive o de ação e o de comparecer e votar em assembleias gerais e especiais. Apesar da delegação da gestão dos ativos do fundo a um administrador, os quotistas do HMV FIP mantém participação ativa no processo decisório relacionado aos investimentos realizados, por meio do Comitê de Investimento e das Assembleias de Quotistas. Esse fato é evidenciado no preâmbulo do Acordo de Quotistas do HMV FIP: Considerando que o FIP determinará por meio do seu Comitê de investimento: (a) os votos a serem proferidos nas Assembleias Gerais da Localpar e HEMAVA, e, consequentemente, (b) os votos a serem proferidos pela Localpar e HEMAVA nas Assembléias Gerais de Acionistas e Reuniões Prévias de partes de acordos de acionistas (quando aplicável) das suas controladas, incluindo, sem limitação, Localfrio, Localimob, Translocal e Acordo S.A; A Instrução CVM n° 391/2003, artigo 10o, §1°, prevê a possibilidade de compartilhamento, entre o administrador e o Fl. 3992DF CARF MF Processo nº 16561.720133/201575 Acórdão n.º 1201002.278 S1C2T1 Fl. 21 20 comitê, das decisões inerentes à composição da carteira de investimentos, como aquisição e venda de ativos da carteira do fundo. Os poderes, atribuições, e regras referentes ao processo decisório sobre os investimentos são definidos no Regulamento do fundo. 60. E conclui que a atuação do Fundo vem sendo de acordo com as disposições da CVM e descreve a continuidade da atuação do fundo e como os recursos resultantes da alienação da ZAR foram aplicados, inclusive repassados aos quatro Fundos FIQ. 61. Sobre a redução do CS da Hemava, destaca ser decisão do Comitê de Investimentos e pelos acionistas da Hemava em Assembléia Geral; que a Hemava foi direcionada a concentrar a atividade de gestão de patrimônio imobiliário. 62. Sobre os 4(quatro) FIQ FIP, relata que foram posteriormente convertidos em FIQ FIM (multimercado), ou seja, foi alterada a política de investimentos e relata seus investimentos posteriores, ou seja, que continuam atuando em conformidade com seus objetivos. 63. Do exame dos documentos e operações descritas e o laudo descrito, verificase que a atuação do fundo HMV FIP, como condomínio de investidores não merece reparo; os Fundos FIQ cumpriram suas finalidades, aliado ao fato de terem sido instrumento de sucessão. 64. No que tange às decisões da Assembléia Geral da Hemava e do Comitê de Investimentos, quanto à transferência das ações da ZAR ao HMV FIP, evidencia a responsabilidade destes na operação societária objeto da presente autuação. 2.2 DIFERIMENTO DA TRIBUTAÇÃO. 65. O IRPJ está sendo exigido, entre outros, com base no art. 249, II e 418 do RIR de 1999: Art. 249. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 2º): II os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, devam ser computados na determinação do lucro real. Art. 418. Serão classificados como ganhos ou perdas de capital, e computados na determinação do lucro real, os resultados na alienação, na desapropriação, na baixa por perecimento, extinção, desgaste, obsolescência ou exaustão, ou na liquidação de bens do ativo permanente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 31). § 1º Ressalvadas as disposições especiais, a determinação do ganho ou perda de capital terá por base o valor contábil do bem, assim entendido o que estiver registrado na escrituração do contribuinte e diminuído, se for o caso, da depreciação, amortização ou exaustão acumulada (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 31, § 1º). Fl. 3993DF CARF MF Processo nº 16561.720133/201575 Acórdão n.º 1201002.278 S1C2T1 Fl. 22 21 § 2º O saldo das quotas de depreciação acelerada incentivada, registradas no LALUR, será adicionado ao lucro líquido do período de apuração em que ocorrer a baixa. 66. O Acórdão DRJ reconheceu o direito da autuada ao regime de diferimento da tributação do art. 421 do RIR de 1999: Art. 421. Nas vendas de bens do ativo permanente para recebimento do preço, no todo ou em parte, após o término do anocalendário seguinte ao da contratação, o contribuinte poderá, para efeito de determinar o lucro real, reconhecer o lucro na proporção da parcela do preço recebida em cada período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 31, §2º). Parágrafo único. Caso o contribuinte tenha reconhecido o lucro na escrituração comercial no período de apuração em que ocorreu a venda, os ajustes e o controle decorrentes da aplicação do disposto neste artigo serão efetuados no LALUR. 67. A Fiscalização entendeu que a Hemava não exerceu essa opção, por isso não tem o direito, e que descabe à Fiscalização assumir esse papel, em seu lugar; citese acórdão CARF nesse sentido: Tipo do Recurso RECURSO DE OFÍCIO e RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 21/02/2018 Nº Acórdão 1401002.196 GANHO DE CAPITAL. TRIBUTAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. REDUÇÃO DE CAPITAL E TRANSFERÊNCIA DAS COTAS AOS ANTIGOS SÓCIOS. IMPOSSIBILIDADE. CASO ESPECÍFICO.Inaceitável quanto aos efeitos fiscais a operação de redução de capital e devolução da participação acionária aos sócios pessoas físicas, para posterior alienação com pagamento do ganho em alíquota inferior.Impossibilidade de realização da operação diante da existência de cláusula negocial em favor da empresa detentora das cotas no momento da oferta. Caracterização de planejamento fiscal abusivo. DIFERIMENTO DO IMPOSTO PARA A ÉPOCA DO RECEBIMENTO DO GANHO. DA PESSOA JURÍDICA. INEXISTÊNCIA DE OPÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.Caracterizandose a realização de operação onde o contribuinte buscou a modificação da sujeição passiva para as pessoas físicas dos sócios da companhia, inocorreu opção, por parte da pessoa jurídica, do diferimento do pagamento do ganho de capital. Assim, inaplicável o deferimento ao caso. Voto (...) Com relação ao argumento de que, mesmo que mantida a autuação, esta deveria ser revista, vez que deve incidir sobre a operação a regra do art. 421, do RIR que permite a postergação da tributação para a época do pagamento dos valores do preço. Quanto a este ponto não há como se acatar este argumento, vez que como a operação não foi realizada da forma normal pela pessoa jurídica, esta em nenhum momento realizou a opção pelo diferimento da tributação e, assim, não se pode, em sede de análise de recurso voluntário, permitir que se faça esse Fl. 3994DF CARF MF Processo nº 16561.720133/201575 Acórdão n.º 1201002.278 S1C2T1 Fl. 23 22 deferimento, haja vista que só agora a operação está sendo tributada no contribuinte correto. Mais ainda, a opção do art. 421 deixou de ser exercida em razão de opção da empresa pelo planejamento tributário acima tratado, deixando de ter direito ao benefício deste artigo. Por isso, nego provimento ao pedido de revisão do auto e diferimento da tributação calcado no art. 421, do RIR. 2.3 DEVOLUÇÃO DE CAPITAL. VALOR CONTÁBIL. 68. Sobre o invocado art. 22 da Lei nº 9.249, de 1995, em que o legislador concede a faculdade (opção fiscal) de reduzir o capital pelo valor contábil, sem a realização de ganho de capital, adoto o racional da DRJ: O entendimento da Interessada não encontra amparo na legislação, pois o que essa determina é que, havendo ganho de capital, ele seja tributado. A Interessada parece querer reforçar que o bem pode ser avaliado a valor contábil, mas essa questão, como vimos, é impertinente. 69. A "devolução de capital" ao Fundo HMV FIP, mediante o cancelamento das ações ordinárias e entrega das ações da ZAR, não é objeto da apuração do ganho de capital autuado, onde o custo foi apurado pelo valor contábil. 3 Responsabilidade solidária. Sócios e Diretores. 70. As decisões pertinentes ao fato gerador desta autuação foram tomadas em Assembléia Geral da Hemava (Hélio de Athayde Vasone, sócio e Diretor Presidente; Marilena Rodrigues Vasone, sócia e Diretora; Hélio de Athayde Vasone Junior, Diretor e Alceu Rodrigues Vasone, Diretor, págs. 25/72) e pelo Comitê de Investimentos do HMV FIP (o HMV FIP era detido pelos 4 (quatro) Fundos FIQ, por sua vez ainda detidos por Hélio de Athayde Vasone e Marilena Rodrigues Vasone não consta a composição do Comitê de Investimento nos autos. 71. O Contrato de Compra e Venda, págs. 601/674, foi assinado, (na qualidade de Vendedores), por: Helio de Athayde Vasone; Marilena Rodrigues Vasone; Helio de Athayde Vasone Júnior; Alceu Rodrigues Vasone. 72. E assinaram em nome do HMV FIP (na qualidade de Vendedora): Hélio de Athayde Vasone; Marilena Rodrigues Vasone; Hélio de Athayde Vasone Junior; Alceu Rodrigues Vasone. 73. A responsabilidade tributária solidária por interesse comum na situação que constitua o fato gerador, prevista no art. 124, I, do CTN, requer o interesse imediato e comum de seus membros nos resultados decorrentes do fato gerador. 74. O Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o Recurso Especial REsp 884845 SC 2006/02065654, em que foi relator o Ministro Luiz Fux, manifestou o seguinte entendimento sobre o assunto: Fl. 3995DF CARF MF Processo nº 16561.720133/201575 Acórdão n.º 1201002.278 S1C2T1 Fl. 24 23 Conquanto a expressão “interesse comum” – encarte um conceito indeterminado, é mister procederse a uma interpretação sistemática das normas tributárias, de modo a alcançar a ratio essendi do referido dispositivo legal. Nesse diapasão, temse que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. Isso porque feriria a lógica jurídicotributária a integração, no polo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação. (grifos no original) ... Forçoso concluir, portanto, que o interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível. 75. É solidária a pessoa que realiza, junto com outra, a situação que constitui o fato gerador, pouco importando se ela tira vantagem econômica do ato, do fato ou do negócio tributado. A atuação conjunta na situação que constitui o fato é que reflete a existência do interesse comum de que trata a norma legal. 76. À vista disso, caberia manter a responsabilização solidária dessas pessoas, com base do art. 124, I do CTN, devido a serem os tomadores das decisões que resultaram na infração fiscal autuada. 77. Contudo, dado que Helio de Athayde Vasone Júnior; Alceu Rodrigues Vasone tiveram a responsabilidade solidária capitulada no art. 135, III do CTN, cabe exonerálos da responsabilidade, restando mantida a responsabilidade de Hélio de Athayde Vasone; Marilena Rodrigues Vasone (art. 124, I do CTN). 4 Responsabilidade solidária. Oliveira Trust Servicer S/A 78. Resposta pág. 1.739/1.742, sobre decisão de venda da ZAR pelo HMV FIPB: Ainda, com relação a todo e qualquer procedimento de compra ou venda de ativos alvo pelo Fundo, notadamente ações de emissão de sociedades anônimas, cumprenos destacar que a OTS não participava das respectivas negociações, ficando estas a cargo dos membros do Comitê de Investimento do Fundo. Nesse sentido dispõe o regulamento, quando condiciona toda e qualquer operação de investimento e desinvestimento em ativos alvo à apreciação e aprovação pelo Comitê de Investimentos e/ou Assembleia Geral de Quotistas. Esclarecimentos: Com relação aos investimentos e desinvestimentos a OTS deveria seguir as determinações do Comitê de Investimentos do Fundo e da Assembleia Geral de Quotistas, conforme previsto no regulamento do Fundo, de modo que todas as movimentações nesse sentido dependiam de formalização via Comitê e/ou Assembleia, inclusive no que se Fl. 3996DF CARF MF Processo nº 16561.720133/201575 Acórdão n.º 1201002.278 S1C2T1 Fl. 25 24 refere a representação do Fundo em todo e qualquer movimento societário exercido nas companhias investidas. Esclarecimentos: Como informado acima, no que se refere ã mencionada aquisição das ações da ZAR, a Administradora reitera não se tratar de investimento, uma vez que o Fundo já era detentor indireto de suas ações e passou a ser detentor direto em decorrência da redução de capital da Hemava. Como indicado acima, o desinvestimento ocorreu por força de decisão do Comitê de Investimento e da Assembleia Geral de Quotistas do Fundo. Esclarecimento preliminar: Diversamente do apontado acima, os cotistas dos Fundos que detém cotas do HMV FIP são os filhos e netos de Hélio de Athayde Vasone e Marilena Rodrigues Vasone, para os quais as cotas foram doadas com reserva de usufruto. 79. Neste ponto, a relatora concorda com a conclusão da DRJ: A Fiscalização responsabiliza a Oliveira Trust Servicer S/A (OTS) com base nos arts. 135, I, a 134, III, ambos do CTN, “pois era ela que figurava como administradora/gestora do HMV FIP à época em que a HEMAVA indevidamente transferiu as ações por ela detidas na ZAR, as quais foram indevidamente recebidas pelo FIP” (fl. 2318). O art. 134, III, estabelece a responsabilidade dos “administradores de bens de terceiros pelos tributos devidos por estes”. 95. A OTS era administradora/gestora do HMV FIP, logo, com base no dispositivo invocado, só poderia ser responsabilizada por tributos devidos pelo Fundo. A responsabilidade da OTS por tributos devidos pela HEMAVA teria que se fundamentar em dispositivo diverso, posto que a primeira não administrava os bens da segunda. 96. Sendo assim, como o HMV FIP não figura como sujeito passivo do lançamento, devese exonerar a OTS da responsabilidade. 80. Os trechos transcritos do Laudo Técnico PWC, em item precedente corroboram a conclusão. 81. Concluise que descabe a atribuição de responsabilidade solidária, com base no art. 135, III do CTN, ao administrador do Fundo interposto para ser o alienante de investimento, o administrador tem poderes para exercer todos os direitos inerentes aos títulos e valores mobiliários integrantes da carteira do fundo, porém, apesar da delegação da gestão dos ativos do fundo a um administrador, os quotistas deste Fundo mantém participação ativa no processo decisório e os poderes, atribuições, e regras referentes ao processo decisório sobre os investimentos são definidos no Regulamento do fundo, que não consta dos autos. 5 Responsabilidade solidária. Sucessoras. 82. Em 31/12/2012, pág. 2.252, cisão parcial da Hemava; o patrimônio cindido é incorporado pelas empresas FHMV Participações e Empreendimentos S/A, FRV Fl. 3997DF CARF MF Processo nº 16561.720133/201575 Acórdão n.º 1201002.278 S1C2T1 Fl. 26 25 Participações e Empreendimentos S/A e FCV Participações e Empreendimentos S/A, todas SAs fechadas tendo como sócios o fundo HMV FIP 99,99% e Hélio de Athayde Vasoni (patriarca). 83. Consta da Ata desta AGE, publicada: 5. Deliberações: “Aprovadas, por unanimidade” 5.1. A proposta da Diretoria p/ a cisão parcial da Cia, c/ a incorporação do patrimônio cindido da Cia pelas Incorporadoras (“Operação”), nos termos do Protocolo, a qual será considerada válida e eficaz, p/ todos os fins e efeitos, a partir da presente data. 5.1.1. Cada uma das Incorporadoras sucederá a Cia em todos os direitos e obrigações relativos à parcela do patrimônio cindido da Cia que lhe será transferida nos termos do Protocolo, sem solução de continuidade. A Cia e as Incorporadoras responderão solidariamente pelas obrigações da Cia anteriores à Operação. 5.2. O Protocolo, o qual estabeleceu os termos e condições da Operação, o qual, após rubricado pelos presentes, passou a constituir o Anexo I à presente ata. 84. A Fiscalização atribuiu responsabilidade solidária às empresas sucessoras com base no art. 132 do CTN porque receberam o patrimônio cindido da Hemava. 85. A Súmula CARF nº 47, citada no Termo de Verificação Fiscal, determinava: Súmula CARF nº 47: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. 86. A Súmula CARF nº 47 foi revogada em..., pela Súmula CARF nº ........., pelo motivo (Nota Técnica nº 03/ASTEJ/PRESIDÊNCIA/CARF/MF): Ocorre que, por ocasião do julgamento do REsp nº 923.012/MG, submetido ao regime do artigo 543C do CPC/1973, já transitado em julgado desde 04/06/2013, o STJ firmou a seguinte tese, consolidada na Súmula 554 do mesmo tribunal superior2: "A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. Como é possível concluir, a partir da comparação do texto do enunciado sumular e da decisão do STJ, há uma disparidade entre o primeiro, que exige a demonstração de que sucessor e sucedido estivessem sob controle comum ou pertencessem ao mesmo grupo econômico, e o segundo, que exige Fl. 3998DF CARF MF Processo nº 16561.720133/201575 Acórdão n.º 1201002.278 S1C2T1 Fl. 27 26 exclusivamente que os fatos geradores tenham ocorrido antes do evento sucessório. 87. Cabe manter a responsabilidade solidária das sucessoras inclusive pelas multas. 5.1 MULTA QUALIFICADA. 150% 88. Foi aplicada a multa de ofício do art. 44, II, da Lei nº 9.430, de 1996, dada pela Lei nº 11.488/2007; cabe, portanto, analisar se há provas nos autos da ocorrência das hipóteses citadas: sonegação, fraude, conluio, se houve simulação dolosa; em caso contrário, a multa deve ser reduzida a 75%. 89. A Fiscalização entendeu que: A HEMAVA, ao transferir, sem qualquer motivação extratributária, as ações da ZAR para o HMV FIP, agiu dolosamente para impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador nascido com a alienação que ela, HEMAVA, em essência, fez. A conduta dolosa da HEMAVA é patente, pois ela quis, por meio de uma transferência artificiosa da ZAR para o HMV FIP, impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação principal originada pela alienação das ações da ZAR. 90. Contudo, as operações foram efetuadas às claras, embora o caminho adotado evidencia que interposição do fundo HMV FIP não teve fins negociais, mas de economia de tributos. 91. O Autuante recompôs a apuração ao identificar a real alienante transação; apurou o IRPJ e CSLL a serem exigidos. Efetivamente, não há elementos a apontar que operações tenham sido ocultadas, dado que foram regularmente declaradas, com registros oficiais, junto a órgãos reguladores. Neste contexto, não se identifica que tenha sido cometida fraude, na estrita acepção do termo, dado que a transferência das ações da empresa vendida ao fundo HMV FIP, para que a tributação fosse menor, embora claramente desprovida de objeto negocial, não envolveu falsificação de documentos, ou ações escusas. Os sócios e diretores vislumbraram uma oportunidade de redução da tributação que incidiria se a venda tivesse sido efetuada pela empresa Hemava; a Administração Tributária entende que se tratou de um artifício inaceitável, embora não tenha ocorrido infringência direta à legislação. À vista disso, entendese que descabe a qualificação da multa, neste caso. À vista de não restar evidente a infração à Lei nº 4.502, de 1964, deve a multa qualificada ser convertida na multa de ofício do art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, isto é deve ser reduzida a 75%. Fl. 3999DF CARF MF Processo nº 16561.720133/201575 Acórdão n.º 1201002.278 S1C2T1 Fl. 28 27 5.2 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. 92. A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, estará sujeita à incidência de juros conforme estabelecido no art. 113 do CTN. 93. Esse é também o entendimento do STJ sobre o assunto, conforme se observa na ementa ao AgRg no REsp 1335688/PR (DJe de 10/12/2012) seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. 26. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, determina: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 94. Notese que no caput do art. 61, o texto é “débitos [...] decorrentes de tributos e contribuições” e não meramente “débitos de tributos e contribuições”. O termo “decorrentes” evidencia que o legislador não quis se referir, apenas aos tributos e contribuições em termos estritos para todas as situações. 95. Finalmente a Súmula CARF nº 5: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. 96. E o CTN determina: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato Fl. 4000DF CARF MF Processo nº 16561.720133/201575 Acórdão n.º 1201002.278 S1C2T1 Fl. 29 28 gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. 97. Assim, o crédito tributário decorre da obrigação principal que, por sua vez, tem por objeto também a penalidade pecuniária. Consequentemente, o entendimento sumulado compreende todo o crédito tributário lançado, ou seja, tributos e multas aplicadas. 6 Conclusão. Voto por dar PROVIMENTO PARCIAL ao recurso de Ofício negando o diferimento da tributação do ganho de capital, e dar PROVIMENTO EM PARTE ao recurso Voluntário para reduzir a multa de ofício para 75% e exonerar a responsabilidade solidária de Hélio de Athayde Vasone Júnior, Alceu Rodrigues Vasone. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 4001DF CARF MF Processo nº 16561.720133/201575 Acórdão n.º 1201002.278 S1C2T1 Fl. 30 29 Voto Vencedor Não obstante o brilhantismo técnico e argumentativo do voto da ilustre Relatora Conselheira Eva Maria Los, devo discordar de sua posição e passo a explicar minhas razões. Resumo da Discussão Em apertadíssima síntese, a discussão aqui posta gira em torno do ganho de capital obtido pela Recorrente (Hemava) pela alienação das ações da ZAR, visto que entendeu o fisco que ausente qualquer motivação extratributária na antecedente operação de transferência das ações da ZAR para a HMV Fundo de Investimento em Participações (HMV FIP) onde o ganho de capital pela alienação da ações da ZAR foi oferecido à tributação. A fiscalização enxergou a ocorrência de fraude na série de operações perpetradas pelo Fisco e por isso aplicou a multa qualificada de 150%. A DRJ entendeu não ter havido fraude mas sim abuso de direito o que devo confessar me causou certa confusão e manteve a multa qualificada. Assim, o presente voto se prestará a analisar se, de fato, o encadeamento de operações realizadas pela Recorrente ou por seus acionistas apresentaram motivação extratributária que justificasse a tributação do ganho de capital pela venda da ZAR na HMV FIP, como ocorreu na vida real ou se procedente o racional adotado pelo fisco exclui os efeitos tributários de tais operações para mover o fato gerador do ganho de capital para a ora Recorrente (Hemava). Aliás, o presente voto analisará também se, ausente a fraude, simulação ou abuso de direito nas operações da contribuinte e se essas foram perpetradas dentro da normalidade de gestão dos negócios da contribuinte, pode o fisco retirarlhes os efeitos para fins de tributação. Das Razões extratributárias Como já defendido em inúmeras decisões deste Conselho, na análise de reorganizações societárias complexas compostas por etapas diversas deve ser afastada a análise isolada de cada uma das etapas como se fossem fotos estáticas sem relação entre sim, pelo contrário, a análise deve ser conjunta e levar em conta o encadeamento das etapas como se fossem cenas contínuas de um filme. Neste contexto, o título do filme poderia ser "Plano Sucessório da Família Vasone", pois, conforme será visto neste tópico, é em torno de tal planejamento sucessório que se desenvolveram as etapas da reorganização societária ora posta em análise. Fl. 4002DF CARF MF Processo nº 16561.720133/201575 Acórdão n.º 1201002.278 S1C2T1 Fl. 31 30 Originalmente, a empresa ZAR era detida majoritariamente pela Sra. Zilda Aranha Rodrigues. Após o falecimento da Sra. Zilda, sua participação na ZAR foi transferida para suas filhas e cônjuges. Até 2002, o capital da ZAR restou dividido entre a Família Vasone (50%) e Família Marco Antônio (50%). Em 2002, a família Vasoni transferiu sua participação na ZAR para a ora Recorrente (Hemava) que passou a funcionar como holding da Família Vasoni. Tal estrutura perdurou até 2009, ano no qual foi dado início ao planejamento sucessório da Família Vasoni, sendo que o primeiro passo foi a transformação da ora Recorrente em sociedade por ações (S.A) em dezembro de 2009. No passo subsequente, ainda no mesmo mês, as ações da ora Recorrente (Hemava) foram transferidas para a HMV FIP a título de integralização de cotas no fundo. Cabe ressaltar, o mesmo foi feito em relação à outras empresa detida pela família que é a LOCALPAR, que não é objeto do presente processo. Neste mesmo período, a Família Vasone constituiu 04 Fundos de Investimento em Quotas de Fundo de Investimento (FIQs). Cada um desses fundos recebeu 25% das quotas da HMV FIP. Temos aqui uma evidência importante do planejamento sucessório e não tributário deste conjunto de operações que é o fato da constituição de 04 FIQs basearse no objetivo de doar as quotas de cada uma dessas FIQs a cada um dos 04 filhos do casal Vasoni, que foi o que realmente aconteceu na sequência, com exceção de um dos FIQs cuja trasferência foi efetuada diretamente aos netos. E, abril de 2010, a ora Recorrente (Hemava) transferiu suas ações na ZAR para a HMV FIP por meio de redução de seu capital. Após quatro meses, a HMV FIP alienou à empresa FMG as ações da ZAR. Tal alienação gerou ganho de capital tributado na HMV FIP, contudo, entende o Fisco que tal ganho deveria ser tributado pela Recorrente que em seu entendimento foi a real alienante. Primeiramente, é importante pontuar que do ponto de vista formal,legal e regulatório, não resta qualquer dúvida que a alienante da ZAR foi a HMV FIP, o que se colocou em dúvida nos presentes autos é se tal encadeamento de operações poderia gerar efeitos tributários. O principal ponto de discórdia do Fisco reside no fato das ações da ZAR terem sido transferidas da Recorrente para a HMV FIP para após alguns meses as ações da ZAR serem vendidas para um terceiro e o ganho de capital ter sido, por conseqüência, oferecido à tributação pela HMV FIP e não pela Recorrente. Neste ponto, é importante analisar a coerência desta etapa de operações e aqui devemos levar em consideração que não somente as ações da ZAR mas também de outra empresa, a LOCALPAR, foi transferida para a HMV FIP e que tal investimento ainda permanece ou ao menos permaneceu por muitos anos na HMV FIP. Fl. 4003DF CARF MF Processo nº 16561.720133/201575 Acórdão n.º 1201002.278 S1C2T1 Fl. 32 31 Ressalto isso para concluir que a permanência do ativo LOCALPAR na HMV FIP demonstra o real objetivo da consolidação do investimentos neste fundo no contexto do planejamento sucessório dos investimentos da Família Vasoni e que o fato de um dos ativos (ZAR) ter sido alienado no futuro, não invalida e nem vicia tais atos. O papel da HMV FIP neste contexto foi o de consolidar a gestão dos ativos, o que implica eventualmente em venda de tais ativos para compra de outros. Tratase da dinâmica do mundo de investimento, cujo objetivo ao final é a acumulação de um patrimônio cada vez maior e isso se dá, inclusive, através da troca de ativos por caixa e na seqüência de caixa por ativos. Concorda o presente julgador que eventual transferência dos recursos obtidos com a venda da ZAR de volta para a Recorrente representaria um abuso de forma no sentido da HMV FIP ter servido como mero veículo ou barriga de aluguel do investimento cujo objetivo teria sido mover de forma artificial o ganho de capital para um regime mais benéfico de um FIP. Mas isso não ocorreu. Os recursos decorrentes da alienação da ZAR para o terceiro permaneceram na HMV FIP e passaram a integrar seu patrimônio que passou a ser utilizado em outras formas de investimento ou foram transferidos para os seus quotistas que são as FIQs que detinha cada qual 25% da quotas da HMV FIP. Trago abaixo, um interessante quadro trazido pela Recorrente em seu Recurso Voluntário que demonstra a extensão dos investimentos da HMV FIP: Fl. 4004DF CARF MF Processo nº 16561.720133/201575 Acórdão n.º 1201002.278 S1C2T1 Fl. 33 32 No quadro acima, é possível perceber que a função da HMV FIP na estrutura societária desenhada pela Família Vasoni vai muito além do simples instrumento de entidade veículo do investimento da ZAR. Conforme descrito pela Recorrente, após a venda da ZAR, a HMV FIP continuou de forma coerente seu papel de gestora de investimento, tendo adquirido, por exemplo, participação societária nas empresas Jaux Holding S.A e Marck Honding S.A. A Recorrente apresentou nos autos um Laudo elaborado pela PwC que demonstra a efetiva aplicação dos recursos obtidos pela HMV FIP com a venda da ZAR. Da leitura deste laudo é possível verificar que houve um efetivo aumento do patrimônio da HMV FIP de R$ 78,7 milhões para R$ 434,6 milhões entre 2009 e 2015 e isso foi obtido através de diversos investimentos efetuados pela HMV FIP com utilização, inclusive, dos recursos decorrentes da venda da ZAR. Isso a meu ver demonstra que o produto da venda da ZAR não apenas continuou mas também foi aplicado e aumentou dentro da HMV FIP não havendo que se falar em devolução à Recorrente o que poderia configurar um artificialismo. Neste ponto, poderia o fisco criticar o presente voto no sentido de que a análise do filme se prendeu apenas à cena final que é a venda da ZAR pela HMV FIP. Pois bem, vamos então retroceder algumas cenas. Os patriarcas da Família Vasoni tinham 04 filhos e pretendiam estruturar a sucessão de seu patrimônio. Cada um dos filhos tinham seus cônjuges, vida e objetivos próprios. A simples transferência direta dos investimentos poderia levar à uma cena comum em que as decisões de negócio podem ser impactadas negativamente por divergências entre os sócios herdeiros. Imaginese a situação em que o terceiro adquirente apresentasse a proposta de compra da ZAR e partes dos filhos quisesse vender e outra parte não. Nesta situação o negócio poderia não ocorrer. Com a transferência dos ativos para a HMV FIP que por sua vez possui regulação própria e padrões próprios de governança cujo objetivo é possibilitar que a FIP desempenhe seu papel de ferramenta de gestão de investimentos de uma forma eficaz, a Família Vasoni mitigou tais risco e me parece que o plano funcionou, tendo em vista o crescimento do patrimônio da HMV FIP. Neste sentido, muito interessante a doutrina trazida aos autos de Márcia Setti Phebo sobre a utilização das FIPs no planejamento sucessório: "Essas novas ferramentas têm auxiliado sobremaneira o planejamento sucessório, por permitirem o direcionamento da gestão dos ativos de forma personalizada, adequandose aos riscos escolhidos. Fundos de Investimentos fechados, nos quais os cotistas são todos integrantes de uma mesma família, vêm sendo criados para administrar o patrimônio familiar (aplicações financeiras, ações em Bolsa, participações societárias etc...). O regulamento do fundo pode contemplar Fl. 4005DF CARF MF Processo nº 16561.720133/201575 Acórdão n.º 1201002.278 S1C2T1 Fl. 34 33 tanto regras impostas pelo chefe da família, determinantes dos critérios norteadores do investimento e da destinação do patrimônio, quanto, por exemplo, para postergar a retirada do patrimônio pelos herdeiros propiciando dessa forma, que os recursos principais permanecem aplicados, e não sejam inadvertidamente investidos em empreitadas arriscadas que os consuma de uma só vez." ("Planejamento Sucessório". Ed. Norses: São Paulo, 2014. p. 188189) Assim, me parece que as razões extratributárias restaram devidamente demonstradas no presente caso, não havendo que se falar em artificialidade, fraude ou abuso de direito no presente caso. Planejamento Tributário e Caráter Indutor da Legislação Tributária Não obstante o trecho acima do voto ter demonstrado e concluído que as operações executadas pela Recorrente e seus acionistas possuíam sim um propósito extratributário muito claro que foi a estruturação de um projeto sucessório familiar nos investimentos dos patriarcas da família Vasoni, julgo de suma importância avaliar do ponto de vista jurídico e prático do caso em tela que trata da utilização de uma FIP para consolidação de investimentos, o alcance do planejmaneto tributário lícito e o poder indutor que a legislação exerce sobre os contribuintes no Brasil. É importante destacar que os conceitos de propósito negocial e substância econômica carecem de fundamento legal, tornandose subjetivos e abrangentes. Não são elementos aceitos e incorporados pelo ordenamento jurídico brasileiro, inexistindo qualquer dispositivo legal que lhes dêem substrato. O alcance destes conceitos atinge a existência de razões econômicas que vão além da obtenção de vantagem fiscal, única e exclusivamente. Partindo deste conceito, a presença de um propósito negocial deve ser precedente ao fato gerador do tributo. Ocorre, porém, que a indefinição dos conceitos no ordenamento jurídico impede a formação de entendimento uníssono a respeito de seus termos e limites, tornando qualquer discussão acerca das operações de ágio como ao menos parcialmente subjetivas. A utilização dos chamados FIPs vêm sendo alvo de pesadas autuações pela Receita Federal que são invariavelmente acompanhadas de acusação de fraude, simulação ou abuso de forma, de forma a justificar a desconsideração da figura do FIP para fins tributários o que se traduz no lançamento fiscal de tributos contra outras pessoas jurídicas com aplicação, inclusive, de multa qualificada de 150%. Nesses casos, o racional do fisco baseiase numa visão conceitual extremamente restrita e limitada do que seja propósito negocial e substância econômica da operações. Fl. 4006DF CARF MF Processo nº 16561.720133/201575 Acórdão n.º 1201002.278 S1C2T1 Fl. 35 34 O que se busca com referidos conceitos é a identificação de abuso, fraude ou simulação, perfazendo caráter arbitrário e artificial que vise apenas o aproveitamento do benefício fiscal. A percepção do propósito negocial e substância econômica como definidor deste cenário pode ser favorável, mas diante da referida subjetividade, freqüentemente inaugura uma nova posição acerca de seu alcance, diante de casos concretos distintos, dotados cada qual de especificidade e peculiaridade. Se presta, então, o presente voto, a partir deste ponto, a analisar detalhadamente todos as informações e alegações levantadas pela fiscalização para definir se, necessário ou não um motivador para a operação que vá além do beneficio fiscal, bem como, ausente ou presente o tal propósito negocial e, da mesma forma, se presentes indícios de fraude ou simulação na operação. É importante ressaltar a frequente utilização pelo Fisco da teoria da ausência de propósito negocial por meio do qual defende que a simples inexistência sob a ótica do fisco de outros motivadores para a operação que não o alcance do benefício fiscal, já é elemento suficiente que invalida os atos do contribuinte ou, ao menos, inviabiliza o benefício fiscal almejado. Entendo que tal racional adotado pela autoridade fiscal guarda flagrante contradição com diversas regras e estruturas criadas pelo legislador brasileiro quando se oferece um benefício fiscal ou condição tributária mais favorável aos contribuintes como parte integrante de uma política econômica. O exemplo mais claro que me surge é o regime fiscal da Zona Franca de Manaus, que oferece incentivos fiscais para as empresas que lá se estabelecerem e produzirem, gerando empregos, desenvolvimento econômico e social e, mesmo, arrecadação de tributos para a região. Neste caso, não há qualquer exigência de que as empresas lá estabelecidas tenham propósitos negociais além do gozo do incentivo fiscal em si, para lá se estabelecerem. Isso porque, não é preciso ser um economista ou administrador de grande experiência para saber que nenhuma empresa busca a Zona Franca de Manaus em razão da maior proximidade com o mercado consumidor, melhor infraestrutura, logística mais eficiente e barata ou maior oferta de mão de obra qualificada. O objetivo claro, transparente e indisfarçável das empresas que se estabelecem na Zona Franca de Manaus é o gozo do incentivo fiscal, que seja suficiente para compensar os desafios e dificuldades adicionais que se apresentam às empresas que se estabelecem em região tão remoto dos grandes centros urbanos do Brasil. E isso é garantido às empresas que cumpram todos os requisito da legislação, independentemente da existência de outras razões extratributárias. Este é um exemplo muito pertinente do caráter indutor da legislação tributária no Brasil, no sentido de que quando a legislação cria um determinado benefício, acaba por induzir o contribuinte a agir de determinada forma. Fl. 4007DF CARF MF Processo nº 16561.720133/201575 Acórdão n.º 1201002.278 S1C2T1 Fl. 36 35 Aliás, a dinâmica econômica, social e política é exatamente essa e não há nada de errado nisso. Vejam o caso acima: o legislador tem por objetivo levar desenvolvimento à uma região distante do território brasileiro e para isso oferece incentivos fiscais. As empresas são então induzidas a fazer um estudo de custo e benefícios de se instalarem nessa região e tomam a decisão. O cálculo é muito simples: as dificuldades geradas pelo estabelecimento nessa região são compensadas com o incentivo fiscal. Para o Governo no sentido lato, o cálculo também é simples: abrese mão de parcela da arrecadação fiscal em troca da criação de empregos e desenvolvimento social e econômico na região. Não há preocupação em questionar o contribuinte se outros fatores, além do benefício fiscal, o levaram a se estabelecer em tal região. Tratase, portanto, de verdadeira relação de troca entre fisco e contribuinte. O contribuinte propicia desenvolvimento social e o fisco, aqui entendido na figura da administração federal, oferece em troca uma tributação mais favorável. Outro bom exemplo é a possibilidade prevista na Lei n. 11.196/05 do contribuinte evitar a tributação do ganhio fiscal obtido na venda do imóvel, desde que preenchidos determinados requisitos (único imóvel, limites de valor e etc..), dos quais destaco para fins de desenvolvimento do racional aqui exposto a necessária aplicação do produto da venda do imóvel na aquisição de outro no prazo máximo de 180 dias. Vejam, se o contribuinte vende seu imóvel de residência com ganho de capital e adquire outro imóvel em 180 dias evitará assim a tributação sobre o ganho de capital. Não se discute aqui se o contribuinte, realmente, tinha vontade de comprar este outro imóvel no prazo de 180 dias ou se ele realmente irá morar no imóvel, deixálo vazio ou alugálo. O que importa é que o contribuinte aplicou o produto da venda do imóvel anterior na compra de outro dentro do prazo de 180 dias. Seria coerente que o Fisco viesse questionar que a isenção fora inválida em determinado caso, pois, o contribuinte que evitou a isenção através da compra do novo imóvel, pouco tempo depois, resolveu ir morar no exterior o que demonstraria, portanto, que a compra do imóvel mostrouse desnecessária e sem propósito negocial? Acredito que não. Seria aceitar uma ingerência inaceitável do fisco na vida privada dos contribuintes. O que é aceitável é concluir que o contribuinte poderia não ter tanta pressa para adquirir novo imóvel mas foi induzido pela legislação efetuar tal aquisição em 180 dias para evitar a tributação. Isso não é errado desde que a aquisição seja real e legalmente válida. No caso do FIP , o racional é o mesmo. Ora, é indubitável que um mercado de capitais robusto é condição indispensável para qualquer economia que tenha aspirações a ser considerada como desenvolvida. No Brasil, o mercado de capitais vem se desenvolvendo ano após ano mas não no ritmo e cadência desejada e necessária para a economia brasileira o que demandou regulação específica que trouxesse maior transparência e segurança aos chamados investidores Fl. 4008DF CARF MF Processo nº 16561.720133/201575 Acórdão n.º 1201002.278 S1C2T1 Fl. 37 36 em portfólios. Os fundos preenchem a necessidade dos investidores de contarem com um instrumento de investimento que possibilite a adoção de ambiente de governança específica que propicie a agilidade e transparência necessária na dinâmica deste mercado. A existência de uma autorregulação para fundos FIP e FIEE disciplinadas pelo Código ABVCAP |ANBIMA de Regulação e Melhores Práticas que define padrões operacionais aos administradores, gestores e distribuidores de FIP e FIEE demonstra o conjunto de ações que visam fomentar, através da maior transparência e conseqüente segurança, a utilização de tais instrumentos de investimento tão importantes para o desenvolvimento do mercado de capitais brasileiro. E neste contexto, a atribuição pelo legislador pátrio de tributação mais favorecida aos fundos configura a acima mencionada relação de troca entre fisco e contribuinte, no qual a oferta de tributação mais favorecida tem como contrapartida o desenvolvimento de um determinado mercado, neste caso o mercado de capitais. A tributação mais favorecida, neste caso, tem forte caráter indutor, no sentido que induz o contribuinte a utilizar a estrutura de um FIP para consolodar seus investimentos em substituição a outros formatos que não contam com tal benefício. Se não fosse a vontade do legislador que os aplicadores gozassem de tal benefício, bastaria não criálo! O que não é possível aceitar é a criação de um benefício fiscal que quando utilizado pelo contribuinte mostrase, pela ação do fisco, verdadeira armadilha fiscal pelo meio do qual criase a possibilidade de cobrança de tributos indevidos adicionados de multas de até 150%. O legislador induziu o contribuinte a escolher o FIP como um instrumento mais atraente de investimento e a utilização deste instrumento somente pode ser questionado pelo Fisco se utilizada de forma simulada ou abusiva. Contudo, no presente caso, a utlização per se é que foi questionada pela fiscalização. Desta forma, o conceito a ser adotado para definir o propósito negocial deve ser no sentido de considerar a busca pela redução das incidências tributárias, por si, como um propósito negocial válido. Já temos importantes precedentes do CARF nesta direção: GANHO DE CAPITAL. VENDA DE QUOTAS. PLANEJAMENTO FISCAL ILÍCITO. DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS. INOCORRÊNCIA NAS REDUÇÕES DE CAPITAL MEDIANTE ENTREGA DE BENS OU DIREITOS, PELO VALOR CONTÁBIL A PARTIR DA VIGÊNCIA DA LEI 9.249/1995. Constitui propósito negocial legítimo o encadeamento de operações societárias visando a redução das incidências tributárias, desde que efetivamente realizadas antes da ocorrência do fato gerador, bem como não visem gerar economia de tributos mediante criação de despesas ou custos artificiais ou fictícios. A partir da vigência do art. 22 da Lei 9.249/1995 a redução de capital mediante entrega de bens ou direitos, pelo valor contábil,não mais constituiu hipótese de distribuição disfarçada de lucros, por expressa determinação legal. Fl. 4009DF CARF MF Processo nº 16561.720133/201575 Acórdão n.º 1201002.278 S1C2T1 Fl. 38 37 (Acórdão nº 1402001.472 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária – Sessão de 09 de outubro de 2013) PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. NEGÓCIOS JURÍDICOS. ATOS JURÍDICOS. LICITUDE. O fato dos atos praticados visarem economia tributária não os torna ilícitos ou inválidos. O fato dos negócios praticados visarem economia tributária não os torna ilícitos ou inválidos. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. MOTIVO DO NEGÓCIO. CAUSA DO NEGÓCIO. LICITUDE. Motivo do negócio é a razão subjetiva pela qual o contribuinte faz o negócio jurídico. Causa do negócio ou sua função econômica é o efeito que o negócio produz nas esferas jurídicas dos participes. O motivo ilícito implica em nulidade, quando declarada por um Juiz. Se a motivação do negócio é economia tributária, não se pode falar em motivo ilícito. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. MOTIVO DO NEGÓCIO. CONTEÚDO ECONÔMICO. PROPÓSITO NEGOCIAL. LICITUDE. Não existe regra federal ou nacional que considere negócio jurídico inexistente ou sem efeito se o motivo de sua prática foi apenas economia tributária. Não tem amparo no sistema jurídico a tese de que negócios motivados por economia fiscal não teriam "conteúdo econômico" ou "propósito negocial" e poderiam ser desconsiderados pela fiscalização. O lançamento deve ser feito nos termos da lei. (...) Outra tese do Fisco que merece análise é a de que os atos praticados poderiam ser desconsiderados, porque não teriam conteúdo econômico (ou propósito negocial), já que teriam sido praticados com o único objetivo de economia tributária. Porém, tal afirmativa está em descompasso com o ordenamento jurídico. Como se vê, em última análise, a afirmação do Fisco consiste em sustentar que o planejamento tributário é proibido e que a economia tributária só é admissivel se for acidental. Apenas por isso, já se percebe a improcedência do argumento. Mas, a análise da tese do Fisco confirma o equivoco desta interpretação da fiscalização, pois nem esta motivação vicia o negócio e nem existe lei atribuindo tal efeito. As razões de ordem subjetiva que levam a pessoa a concluir algum negócio jurídico denominamse motivos. Já o efeito que o negócio produz nas esferas jurídicas dos participes chamase causa ou função econômica do negócio. Assim, independente da causa do negócio jurídico, se ele é praticado visando redução da Fl. 4010DF CARF MF Processo nº 16561.720133/201575 Acórdão n.º 1201002.278 S1C2T1 Fl. 39 38 carga tributária, podese dizer que o motivo do negócio foi economia fiscal. Conforme o Código Civil, apenas o motivo ilícito (se for determinante do negócio e comum As partes) implica em nulidade (inciso III, art. 166 do CC). Mesmo assim, tal nulidade precisa ser declarada por um Juiz. No entanto, salvo disposição de lei em contrário, não há como supor que a intenção de economizar tributos é ilícita. Assim, o inciso III, art. 166 do Código Civil não poderia ser aplicada sequer por juizes aos negócios jurídicos pelos quais a pessoa executa seu planejamento tributário. E, muito menos, poderia ser aplicada pela fiscalização, para efetuar lançamento de oficio. De outra banda, não existe regra federal ou nacional que considere negócio jurídico inexistente ou sem efeito se o motivo de sua prática foi apenas economia tributária. Somente se existisse uma lei com este conteúdo é que a fiscalização poderia desconsiderar os efeitos jurídicos dos negócios. " (Acórdão n. 1101000.835 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária – Sessão de 04 de dezembro de 2012) Neste sentido, existem também bons e recentes exemplos desta brilhante turma, merecendo destaque trecho do voto do Ilustre Conselheiro Marcelo Cuba Netto no acórdão n. 1201001.267 de 19 de janeiro de 2016: "(...)Repare que a abusividade do planejamento tributário pode ter como característica (desde que não seja a única) justamente a ausência de propósito negocial. Entretanto, quando exista uma norma jurídica incentivando, sob o ponto de vista fiscal, a realização de um negócio jurídico, seria absurdo imaginarse que além do propósito de economia fiscal deveria haver também algum outro propósito. Esse é exatamente o caso dos presentes autos." Assim, me parece claro que a simples alegação de ausência de propósito negocial não é suficiente para a desconsideração da alienação do investimento na ZAR pela HMV FIP e considerála ocorrida na ora Recorrente como pretendeu a fiscalização no presente caso. No presente caso foram utilizados os instrumento legais adequado e toda a legislação e regulação aplicável foi obedecida. Além disso, inexistente a fraude, simulação ou abuso de direito, o que torna a fruição da tributação favorecida perfeitamente válida. Todo o acima exposto permite o presente julgador a considerar totalmente improcedente o lançamento fiscal ora em combate que deve ser cancelado integralmente. Fl. 4011DF CARF MF Processo nº 16561.720133/201575 Acórdão n.º 1201002.278 S1C2T1 Fl. 40 39 Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do RECURSO DE OFÍCIO para NEGAR LHE PROVIMENTO e CONHEÇO dos RECURSOS VOLUNTÁRIOS para DARLHES PROVIMENTO. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 4012DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13116.000623/2008-92
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2005
OPÇÃO. CIRCUNSTÂNCIA VEDADA. LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
No caso em que a Recorrente/Contratada responsabilizar-se técnica e legalmente, pela execução, perfeição e solidez dos serviços, seus empregados, arca com todos os tributos, contribuições, encargos trabalhistas e previdenciários e demais contribuições de recolhimento compulsório, que incidam ou venham a incidir sobre os serviços contratados, provê aos seus empregados os Equipamentos de Proteção Individual (EPI's) de uso obrigatório nas áreas de serviço, enfim fornece toda a mão de obra, direta e indireta, todos os materiais, máquinas, ferramentas, equipamentos, utensílios, transportes necessários ou úteis a execução dos serviços contratados, não resta configurada realização de operações relativas a locação de mão de obra (alínea f do inciso XII do art. 9º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996).
Numero da decisão: 1003-000.074
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2005 OPÇÃO. CIRCUNSTÂNCIA VEDADA. LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. No caso em que a Recorrente/Contratada responsabilizar-se técnica e legalmente, pela execução, perfeição e solidez dos serviços, seus empregados, arca com todos os tributos, contribuições, encargos trabalhistas e previdenciários e demais contribuições de recolhimento compulsório, que incidam ou venham a incidir sobre os serviços contratados, provê aos seus empregados os Equipamentos de Proteção Individual (EPI's) de uso obrigatório nas áreas de serviço, enfim fornece toda a mão de obra, direta e indireta, todos os materiais, máquinas, ferramentas, equipamentos, utensílios, transportes necessários ou úteis a execução dos serviços contratados, não resta configurada realização de operações relativas a locação de mão de obra (alínea f do inciso XII do art. 9º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1826; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 235 1 234 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13116.000623/200892 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003000.074 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 05 de julho de 2018 Matéria SIMPLES Recorrente JOSÉ WILSON CAMPOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 OPÇÃO. CIRCUNSTÂNCIA VEDADA. LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. No caso em que a Recorrente/Contratada responsabilizarse técnica e legalmente, pela execução, perfeição e solidez dos serviços, seus empregados, arca com todos os tributos, contribuições, encargos trabalhistas e previdenciários e demais contribuições de recolhimento compulsório, que incidam ou venham a incidir sobre os serviços contratados, provê aos seus empregados os Equipamentos de Proteção Individual (EPI's) de uso obrigatório nas áreas de serviço, enfim fornece toda a mão de obra, direta e indireta, todos os materiais, máquinas, ferramentas, equipamentos, utensílios, transportes necessários ou úteis a execução dos serviços contratados, não resta configurada realização de operações relativas a locação de mão de obra (alínea “f” do inciso XII do art. 9º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 00 06 23 /2 00 8- 92 Fl. 235DF CARF MF Processo nº 13116.000623/200892 Acórdão n.º 1003000.074 S1C0T3 Fl. 236 2 Relatório A Recorrente optante pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples foi excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo ADE DRF/Anápolis/GO nº 11, de 09.06.2008, fl. 79, com efeitos a partir de 01.01.2005, motivada na realização de operações relativas a locação de mão de obra (alínea “f” do inciso XII do art. 9º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996) e ainda com base nos fundamentos de fato e de direito indicados: O DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM ANÁPOLIS, Estado de Goiás, no uso das atribuições que lhe são conferidas pelo artigo 238 do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF n° 95, de 30 de abril de 2007, publicada no DOU em 2 de maio de 2007 Edição Extra, e tendo em vista o disposto no parágrafo único do artigos 23 da Instrução Normativa SRF n° 608, de 9 de janeiro de 2006, e face ao que consta de Representação da Sarac/DRF/ANA/GO no processo administrativo n° 13116.000623/200892, declara: Art. 1° Excluído do sistema de pagamento dos impostos e contribuições de que trata o art. 3° da Lei n° 9.317 de 051296, denominado SIMPLES, o contribuinte JOSÉ WILSON CAMPOS, estabelecido na rua Minas Gerais n° 79, Bairro Belo Horizonte em Niquelândia GO, inscrito no CNPJ sob o n° 37.331.261/0001O2, tendo em vista o disposto na alínea "e" do inciso XI do artigo 20 da Instrução Normativa SRF n° 608, de 9 de janeiro de 2006. Art. 2° A exclusão do Simples surtirá efeitos a partir de 01012005, nos termos do inciso IX, do artigo 24 da Instrução Normativa SRF n° 608, de 9 de janeiro de 2006. Art. 3° Poderá o contribuinte, dentro do prazo de trinta dias da ciência deste, manifestar sua inconformidade , por escrito, nos termos do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1.972, e suas alterações posteriores, relativamente à exclusão do Simples, à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília DF, assegurados o contraditório e a ampla defesa. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em face da exclusão. Está registrado na ementa do Acórdão da 4ª Turma/DRJ/BSB/DF nº 03 38.731, de 19.08.2010, fls. 9193: Ementa: Opção pelo Simples Condição Vedada Impossibilidade. Não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica que incorre em vedação ã opção estabelecida em lei. . Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 20.10.2010, fl. 101, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 12.11.2010, fls. 102103, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fatos aduz que: Fl. 236DF CARF MF Processo nº 13116.000623/200892 Acórdão n.º 1003000.074 S1C0T3 Fl. 237 3 A empresa em todo o período de atividade trabalhou como prestadora de serviços de manutenção em ar condicionado (lei 10.964 art. 4° inciso V) e que nenhum momento realizou serviços de vigilância limpeza, conservação e locação de mãodeobra (lei 9.317/1996, art. 9°, inciso XII, letra “f”). No que diz respeito à efetiva receita auferida afirma que: Venho entregar na presença dos méritos julgadoras o registro na JUCEG (primitivo e todas as alterações) que são a prova concreta que o ramo de atividade exercida pela empresa não se enquadra em hipótese alguma nas atividades vedadas ao ingresso do regime do SIMPLES, venho a informar que conforme contrato em anexo com a Empresa Anglo American Brasil Ltda. (anteriormente razão social Codemin S/A), na qual prestamos serviços de manutenção em ar condicionado consta conforme descrição as operações realizadas, venho mais uma vez posicionar contra quanto a afirmação de locação de mão de obra e vigilância, pois somente fazemos os serviços descritos em contrato. Segue documentos que comprovam o ramo de atividade bem como as operações realizadas pela empresa e documentação conforme legislação de segurança, meio ambiente e saúde ocupacional no qual também registram nosso ramo de atuação: Anexo 1 Cópia registro JUCEG e alterações; Anexo 2 Cópia do contrato entre as partes José Wilson Campos e Codemin S/A e aditamentos; Anexo 3 Cópia notas fiscais dos referidos ano 2005, 2006 e 2007; Anexo 4 Cópia do registro de funcionários e atestado de saúde ocupacional (ASO); Anexo 5 Cópia do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA); Anexo 6 Cópia do Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional (PCMSO); Anexo 7 Convenção coletiva de trabalho (categoria empresa); Anexo 8 Cópia do comprovante de registro ambiental (IBPMA) (cadastro de gases poluentes); Anexo 9 Cópia do Alvará de funcionamento da prefeitura do estabelecimento: Concernente ao pedido expõe que: À vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente re:urso para o fim de assim ser decidido, cancelandose a exclusão do sistema simples, evitando assim que uma empresa hoje estabelecida no :amo de refrigeração com sete (O7) funcionários atualmente, e com todos os impostos em dias não venha a fechar suas portas. Tendo em vista ainda que como a empresa no período 2005 estivesse no regime simples com tratamento diferenciado conforme o art. 179 da lei 9.317/96 cita. O contrato firmado entre as partes teve condições de oferecer um preço diferenciado devido tais sistema de simplificação, e com a exclusão retroativa fará que a empresa pague grande diferença de tributos, certamente a empresa não suportará tais encargos e teremos que dar por vencidos neste recurso a qual temos direito. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 13116.000623/200892 Acórdão n.º 1003000.074 S1C0T3 Fl. 238 4 É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente afirma que fez a opção nos termos legais. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) é mensal e uma opção do sujeito passivo para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada mediante a alteração cadastral no prazo previsto em lei. A opção pelo Simples é um direito da pessoa jurídica que preenche todos os requisitos legais e que não incorra em circunstância objeto de vedação por expressa previsão legal. O pressuposto é de que os motivos que impedem sua adesão ou permanência no regime sejam dela conhecidas. A exclusão de ofício darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da RFB que jurisdicione a pessoa jurídica optante, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. A manifestação unilateral da RFB deve ser formalizada por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais que constituem pressupostos essenciais de sua existência e de sua validade1. A exclusão de ofício tem cabimento no caso de pessoa jurídica obter receita bruta decorrente de circunstância impeditiva. O pressuposto é de que não pode optar pelo Simples, a pessoa jurídica que realize operações relativas a locação de mão de obra, de acordo com a alínea “f” do inciso XII do art. 9º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: [...] XII que realize operações relativas a: [...] 1 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 13116.000623/200892 Acórdão n.º 1003000.074 S1C0T3 Fl. 239 5 f) prestação de serviço vigilância, limpeza, conservação e locação de mãodeobra; (grifos acrescentados) Atinente à realização de operações relativas à locação de mão de obra, o seu pressuposto básico é a utilização do trabalho alheio. A empresa fornecedora pode se limitar ao fornecimento da mão de obra e assumir a obrigação de contratar os trabalhadores, sob sua exclusiva responsabilidade do ponto de vista jurídico. Dessa forma, tornase a responsável pelo vínculo empregatício e pela prestação dos serviços, muito embora os trabalhadores sejam colocados à disposição da contratante, que detém o comando das tarefas e fiscaliza a execução e o andamento dos serviços. Há ainda as operações nas quais o objeto contratado identificase com a apresentação de um resultado. A empresa contratada associase com a finalidade de apresentar um resultado específico, obra ou serviço. Ela obrigase a fazer alguma coisa para uso ou proveito da contratante, fica responsável pelo fornecimento da mão de obra necessária à produção desta coisa, objeto da contratação, assume o ônus relativo à fiscalização, orientação e planejamento dos trabalhos, e também a gestão do risco de apresentação do resultado, que pode ser uma obra completa ou a prestação de um serviço, ambos perfeitamente identificados como produto final. Se o recurso fornecido pela contratada é exclusivamente a mão de obra, esta modalidade de contratação também é impeditiva da inscrição no sistema. Outra possibilidade reúne a colocação da mãodeobra à disposição da contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, para a realização de serviços em condições de continuidade e habitualidade. Vale ainda tecer esclarecimentos sobre a relação de trabalho. Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço e empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Os sujeitos do contrato de trabalho são: (a) o empregado é a pessoa física que realiza pessoalmente a operação relativa à prestação de serviços, com habitualidade, subordinação e mediante contraprestação e (b) o empregador que assume o risco da atividade econômica, ou seja, não pode transferir os custos decorrentes do empreendimento, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços, bem como detém o poder de direção, organização, fiscalização, regulação, controle e disciplina advindos da relação jurídica com seus empregados. Assim, podese inferir que a pessoa jurídica empregadora não realiza operação relativa à locação de mãodeobra2. Para contextualizar a questão vale transcrever excertos da Solução de Consulta COSIT nº 312, de 06 de novembro de 2014, que apresenta outros elementos: 10. Concluise, assim, que quando uma empresa cede trabalhadores a outra empresa, ela transfere a essa outra empresa a prerrogativa que era sua de comando desses trabalhadores. Ela abre mão, em favor da contratante, do seu direito de dispor dos trabalhadores que cede; abre mão do seu direito de coordenálos. Dizer, então, que trabalhadores de uma empresa contratada estão à disposição de uma empresa contratante de serviços significa dizer que essa empresa 2 Fundamentação legal: art. 2º e art. 3º da Consolidação das Leis do Trabalho e Parecer Cosit RFB 69, de 10 de novembro de 1999. Fl. 239DF CARF MF Processo nº 13116.000623/200892 Acórdão n.º 1003000.074 S1C0T3 Fl. 240 6 contratante pode deles dispor; pode deles exigir a execução de tarefas dentro dos limites estabelecidos, previamente, em contrato, sem que eles necessitem, para executálas, reportarem se à empresa que os cedeu. Nesse tipo de contrato o objeto é a mão de obra. Nesse tipo de contrato a empresa contratante define a quantidade de trabalhadores que ela necessita para executar serviços que são de sua responsabilidade. [...] 14. Esse, inclusive, tem sido o entendimento do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme pode ser constado na ementa de acórdão proferido por esse Tribunal, abaixo transcrita (destacouse): TRIBUTÁRIO. SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. NULIDADE DO ATO. 1. A prestação de serviços pela empresa contratada, com a utilização de mãodeobra própria, a qual permanece sob a sua direção e dependência exclusiva, havendo apenas o deslocamento dos trabalhadores até o local da execução, seguindose a prestação do serviço sob as ordens da contratada não se confunde com a atividade de locação de mãodeobra, que pressupõe que a empresa simplesmente coloque os seus empregados à disposição do tomador de serviços, o qual determina as diretrizes de trabalho e comanda a realização do serviço. 2. Não tendo restado evidencia, na representação fiscal, de forma inequívoca, a cessão de mãodeobra, deve ser declarado nulo o ato que determinou a exclusão da autora do SIMPLES. (Processo 500421972.2013.404.7208, Segunda Turma, D.E. 27/05/2014) Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. O princípio da legalidade estabelece que a atuação administrativa que decorre da aplicação da lei de ofício, de modo que deve ser feito o que a lei determina, pois sua atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (art. 37 da Constituição Federal e art. 142 do Código Tributário Nacional). No presente caso, tem cabimento analisar o conjunto probatório produzidos nos autos para fins de dar efetividade ao princípio da persuasão racional, previsto no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, nos limites do litígio configurado, qual seja, exclusão do Simples motivada pela realização de operações relativas a locação de mão de obra. Na descrição do objeto no Requerimento de Empresário consta, fls. 0304: SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO E CONSERVAÇÃO DE EQUIPAMENTOS E ACESSÓRIOS DE REFRIGERAÇÃO. Fl. 240DF CARF MF Processo nº 13116.000623/200892 Acórdão n.º 1003000.074 S1C0T3 Fl. 241 7 No Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral da Pessoa Jurídica está registrado, fl. 05: CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE ECONÔMICA PRINCIPAL 52.71001 Reparação e manutenção de máquinas e de aparelhos eletrodomésticos, exceto aparelhos telefônicos No Contrato de Prestação de Serviços da Codemin S/A (contratante) e Recorrente (Contratada) nº D045024 emitido em 30.01.2003 está informado, fls. 112118: DESCRIÇÃO SERVIÇO DE MANUTENÇÃO DE 1 SECADOR DE AR DE 4 SELFS HITACHI [...] CLÁUSULAS ESPECIAIS [...] IV OBRIGAÇÕES DA CONTRATADA Ao aceitar e firmar o presente contrato, a CONTRATADA assume, além das obrigações abaixo especificadas, aquelas explícitas ou implícitas nas demais cláusulas deste instrumento, nos seus anexos e documentos complementares e os inerentes a execução dos serviços, destacandose: a) Respeitar e fazer cumprir a Legislação em vigor, sobre segurança, higiene e medicina do trabalho, bem como as normas internas da CONTRATANTE sobre o assunto, visando a proteção do pessoal e das instalações. b) Facilitar, por todos os meios ao seu alcance, a ampla ação da Fiscalização, provendo fácil acesso aos locais de serviço e atendendo prontamente as observações e exigências que lhe forem apresentadas. c) Suspender, retificar ou refazer, sem ônus para a CONTRATANTE, os serviços que, a critério da Fiscalização, apresentem incorreções técnicas, estejam fora das especificações contidas no presente contrato ou que coloquem em risco a segurança de bens ou pessoas. d) Manter, por si e por seus empregados e prepostos, total SIGILO E CONFIDENCIALIDADE sobre os trabalhos objeto deste contrato, mesmo apos o termino de sua vigência, não podendo, de forma alguma, salvo autorização prévia e por escrito da CONTRATANTE, levar ao conhecimento de terceiros, direta ou indiretamente, mesmo que resumidamente, quaisquer instruções, especificações, informações técnicas, plantas, projetos, desenhos e/ou qualquer outro dado que venha a ter ciência ou desenvolver em razão deste contrato, sob as penas da Lei. e) Responsabilizarse técnica e legalmente, pela execução, perfeição e solidez dos serviços, atendendo também as exigências de caráter burocrático de órgãos públicos, tais como, licenças, alvarás, autorizações, informações periódicas, registros e demais obrigações acessórias. f) Responder isoladamente, na forma da Lei, por quaisquer danos pessoais e materiais causados a CONTRATANTE ou a terceiros, decorrentes de ação ou omissão de seus funcionários, prepostos ou terceiros a seu serviço. Fl. 241DF CARF MF Processo nº 13116.000623/200892 Acórdão n.º 1003000.074 S1C0T3 Fl. 242 8 g) Retirar imediatamente da área de execução dos serviços, objetos ou equipamentos que coloquem em risco a segurança de pessoas ou bens, bem como afastar funcionários ou prepostos cujas condutas sejam julgadas inconvenientes, antiprofissionaius ou inadequadas pela contratante. h) Não subcontratar ou transferir a qualquer título os serviços ora contratados ou parte dos mesmos,sem anuência expressa da CONTRATANTE. A subcontratação ou transferência de encargos, ainda que consentidas, não ilidem responsabilidade direta da CONTRATADA, que continuara a responder por todas as obrigações deste contrato. i) Observar as normas disciplinares e administrativas da CONTRATANTE, em especial aquelas constantes das rotinas identificadas nos documentos Anexos. j) Arcar com todos os tributos, contribuições, encargos trabalhistas e previdenciários e demais contribuições d recolhimento compulsório, que incidam ou venham a incidir sobre os serviços contratados, fornecendo a CONTRATANTE cópia dos respectivos comprovantes de recolhimento, juntamente com os documentos de cobrança, facultado a CONTRATANTE, caso não tenha recebido tais cópias, reter os pagamentos devidos a CONTRATADA ou rescindir o presente contrato na forma do disposto na alínea "b.1" da clausula VI abaixo. j.1) Na hipótese de a CONTRATANTE ser informada, citada, notificada ou autuada em razão de débitos decorrentes de eventual responsabilidade solidária, com relação aos recolhimentos acima referidos, poderá a CONTRATANTE reter pagamentos ou créditos devidos a CONTRATADA nos valores necessários a satisfação dos feridos débitos. k) Observar as disposições legais e regulamentares sobre preservação ecológica e impacto ambiental, executando de imediato os trabalhos necessários a correção de eventuais ameaças ou danos provocados por sua ação ou omissão, abstendose de realizar qualquer atividade ou serviços dos quais possa decorrer riscos ou danos ambientais. l) Adequarse aos horários de trabalho definidos pela CONTRATANTE, observando as jornadas máximas de trabalho toleradas pela respectiva legislação. m) Fornecer aos seus empregados, terceiros a seu serviço e visitantes os Equipamentos de Proteção Individual (EPI's) de uso obrigatório nas áreas de serviço, mediante assinatura em ficha especifica, apos o treinamento adequado e fiscalizar o efetivo uso de tais EPI's. A transgressão dessas condições ensejara o afastamento do empregado ou do terceiro ou a suspensão dos serviços sem ônus para a CONTRATANTE. n) Providenciar todos os serviços de vigilância do local dos trabalhos, ficando a CONTRATANTE isenta de qualquer responsabilidade por furtos, extravios, etc, ocorridos em áreas de sua propriedade. o) Caso os serviços compreendam atividades que dependam de autorização de órgãos fiscalizadores (CREA, CRECI, CRM, CRO, etc.) e salvo disposição contratual em contrario, a CONTRATADA devera providenciar o tempestivo registro competente, sem ônus para a CONTRATANTE, em qualquer caso,no prazo máximo de 15 (quinze) dias a contar da assinatura deste contrato, sob pena de suspensão dos pagamentos ate a efetiva regularização. Obtidas as competentes Fl. 242DF CARF MF Processo nº 13116.000623/200892 Acórdão n.º 1003000.074 S1C0T3 Fl. 243 9 autorizações e/ou registros, devera a CONTRATADA encaminhar as vias originais ou copias autenticadas a CONTRATANTE. p) Fornecer toda a mãodeobra, direta e indireta, todos os materiais, máquinas, ferramentas, equipamentos, utensílios, transportes necessários ou úteis a execução dos serviços contratados, não ressalvados expressamente em clausulas especificas. q) Apresentar, com antecedência, a CONTRATANTE, a relação dos materiais, ferramentas e equipamentos que pretenda introduzir no canteiro de serviços ou em outras instalações desta, para que possam ser emitidos os respectivos passes de saída, quando solicitados. Instruir os empregados e prepostos, para facilitar a fiscalização da CONTRATANTE por ocasião dos procedimentos de revista durante a entrada e a saída nas de´pendências da CONTRATANTE, sempre que solicitado pelo vigilante de serviço, como medida preventiva e corretiva contra furtos e atos impróprios ao ambiente de trabalho. r) Fornecer, ate o último dia útil de cada mês, relação informando a ocorrência ou não de acidentes envolvendo seus empregados, acompanhada de todos os documentos relativos as mencionadas ocorrências (por exemplo: Boletins de Ocorrência Policiais, Atas de CIPA, Comunicações de Acidentes do Trabalho CAT, etc.). [...] VII ACEITAÇÃO DOS SERVIÇOS: a) A aprovação de Boletins de Medição ou de eventos vinculados a parcelas de pagamento não importam em aceitação definitiva dos serviços ali descritos, valendo tão somente para fins de determinar a remuneração do período ou pagamentos previstos. b) O recebimento final dos serviços será formalizado através da emissão, pela CONTRATANTE, de termo próprio. (grifos acrescentados) Este Contrato de Prestação de Serviços nº D45024 teve vários Termos Aditivos, fls. 119126 com a Codemin S/A, baixada por incorporação em 31.12.2004, efl. 233 e posteriormente sem solução de continuidade com a Anglo American Brasil Ltda, aberta em 12.12.2004, efl. 234. Nas Notas Fiscais emitidas pela Recorrente consta como Descrição dos Serviços decorrentes do No Contrato de Prestação de Serviços nº D045024, fl. 127129: Serviços de manutenção de ar condicionado janela ref. mês Fevereiro/2005, com fornecimento de peças. Conforme Contrato Prestação de Serviços D045024 [...] Serviços de manutenção de ar condicionado janela ref. mês Setembro/2006, com fornecimento de peças. Conforme Contrato Prestação de Serviços D045024 [...] Serviços de manutenção de ar condicionado janela ref. mês Abril/2007, com fornecimento de peças. Conforme Contrato Prestação de Serviços D045024 [...] No Livro de Registros de Empregados da Recorrente, está escrito como funções: mecânico de manutenção de refrigeração, mecânico de manutenção, mecânico em refrigeração, ajudante, ajudante em mecânico de refrigeração e auxiliar em mecânico de refrigeração, fls. 130164. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 13116.000623/200892 Acórdão n.º 1003000.074 S1C0T3 Fl. 244 10 No presente caso verificase que, a Recorrente/Contratada responsabilizarse técnica e legalmente pela execução, perfeição e solidez dos serviços, seus empregados, arca com todos os tributos, contribuições, encargos trabalhistas e previdenciários e demais contribuições de recolhimento compulsório, que incidam ou venham a incidir sobre os serviços contratados, provê aos seus empregados os Equipamentos de Proteção Individual (EPI's) de uso obrigatório nas áreas de serviço, enfim fornece toda a mão de obra, direta e indireta, todos os materiais, máquinas, ferramentas, equipamentos, utensílios, transportes necessários ou úteis a execução dos serviços contratados. Percebese que os empregados da Recorrente/Contratada limitamse a fazer o que está previsto em contrato, mediante sua ordem e sua coordenação. Neste caso, não resta configurada realização de operações relativas a locação de mão de obra (alínea “f” do inciso XII do art. 9º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996). A justificativa arguida na peça recursal, por essa razão, pode ser comprovada. Em assim sucedendo, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 244DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10860.721523/2011-88
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência), não constituindo nulidade o fato de ter sido anteriormente calculado com base no regime de caixa.
Numero da decisão: 9202-006.838
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Redatora designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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REGIME DE COMPETÊNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência), não constituindo nulidade o fato de ter sido anteriormente calculado com base no regime de caixa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 72 15 23 /2 01 1- 88 Fl. 110DF CARF MF 2 Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra acórdão que deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte para determinar o cancelamento do lançamento por meio do qual exigese IRPF sobre rendimentos recebidos acumuladamente em razão de decisão proferida em ação judicial. O acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ e Julgado do STJ sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62A do Regimento Interno. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidá lo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10860.721523/201188 Acórdão n.º 9202006.838 CSRFT2 Fl. 111 3 Recurso voluntário provido. Inconformado com a decisão, a Fazenda Nacional apresentou o presente recurso. A recorrente requer a aplicação ao caso do entendimento externado no acórdão paradigma o qual encaminhou pela manutenção do auto de infração, apenas determinando a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação das tabelas progressiva vigentes à época da aquisição dos rendimentos regime de competência. Intimado o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora O recurso preenche os requisitos formais razão pela qual, ratificando as razões do respectivo despacho de admissibilidade, dele conheço. Conforme exposto no relatório, por meio do Recurso Especial a Fazenda Nacional devolve a este Colegiado a discussão acerca do critério utilizado para o cálculo do IRPF incidente sobre rendimento recebidos acumuladamente, mais especificamente sobre a possibilidade de retificação de lançamento que na origem utilizouse do critério de caixa para o cálculo do imposto. Discutese sobre a possibilidade ou não do órgão julgador refazer o lançamento na tentativa de corrigir o equívoco perpetrado pela autoridade lançadora. Inicialmente, não tenho dúvidas de que o mérito da questão já foi decidido tanto pelo Superior Tribunal de Justiça quanto pelo Supremo Tribunal Federal, respectivamente sob os ritos do Recurso Repetitivo e da Repercussão Geral. Estamos falando do RESP 1.118.429/SP e do RE 614.406/RS, que receberam as seguintes ementas: RESP 1.118.429/SP TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. RE 614.406/RS Fl. 112DF CARF MF 4 IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Em relação ao julgado do STJ a tese firmada traz o seguinte texto: O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios previdenciários atrasados pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado, não sendo legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Assim, pelo fato de constar no texto da ementa e também da tese firmada referência ao fato de se ter discutido o pagamento de benefícios previdenciários há quem defenda a aplicação do julgado somente a estes casos. Entretanto, em relação ao julgado do Supremo Tribunal Federal, considerando o tema fixado para a Repercussão Geral é possível darlhe maior abrangência já que a redação da delimitação do tema ficou assim consignada: Tema 368 Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente. Neste último caso, vale mencionar que não foi feita qualquer ressalva quanto a origem dos rendimentos discutidos. Tal fato fica ainda mais cristalino quando nos debruçamos sobre a fundamentação utilizada pelo Ministro Marco Aurélio que levou em consideração o princípio da isonomia e o da capacidade contributiva. Em voto vista, a Ministra Carmem Lúcia citando a exposição de motivos da Medida Provisória nº 497/2010 (convertida na Lei n. 12.350/2010 que deu origem ao art. 12A da Lei 7.713/88) resume bem a questão: “52. Tratase da tributação de pessoa física que não recebeu o rendimento à época própria, recebendo em atraso o pagamento relativo a vários períodos. Nos termos do art. 12 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, esses rendimentos seriam tributados no mês do recebimento mediante a aplicação da tabela mensal, o que muitas vezes resulta em um imposto de renda muito superior àquele que seria devido caso o rendimento fosse pago no tempo devido” Assim, resta indiscutível a aplicação ao caso do art. 62, §2º, do Regimento Interno do CARF, o qual determina que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos que lhe foram submetidos. Ocorre que, embora os Tribunais Superiores tenham decido sobre a aplicação do regime de competência para fins de cobrança do IRPF sobre rendimentos recebidos acumuladamente e em que pese haver manifestação em sentido contrário, entendo que em nenhum momento os julgados analisaram a tese acerca da possibilidade de se determinar a correção de um lançamento fiscal que tenha adotado o critério de caixa declarado inconstitucional. Diante do entendimento dos nossos tribunais, vejamos a situação do lançamento: exigese do contribuinte imposto de renda apurado conforme sistemática declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Ainda que o auto de infração não faça menção expressa ao art. 12 da Lei nº 7.713/88, tendo fundamentado a autuação nos artigos 1º a 3º da lei, ainda assim a forma utilizada para cobrança do tributo permanece viciada. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10860.721523/201188 Acórdão n.º 9202006.838 CSRFT2 Fl. 112 5 E aqui entendo tratarse de vício que leva ao cancelamento do lançamento, pois a inconstitucionalidade impacta diretamente nos critérios quantitativos do lançamento uma vez que a depender da aplicação do regime de caixa ou de competência teremos alterações significativas de base de cálculo e alíquotas. Neste cenário, nos parece pouco razoável admitir a possibilidade de 'refazimento' do lançamento, sob pena de violação ao art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. A partir do citado dispositivo é pacifico o entendimento de o lançamento tributário ser procedimento de competência exclusiva da autoridade administrativa fiscal, cujo objetivo é verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, culminar penalidade. Com essa premissa, entendo que o julgador administrativo não tem competência para proceder novo lançamento valendose de critério para o cálculo do imposto não ventilado pela autoridade administrativa, novo critério inclusive inexistente quando da ocorrência do fato gerador. Por fim, e mais uma vez, fazendo uma abordagem histórica acerca da criação do art. 12A da Lei nº 7.713/88, o qual trouxe norma para adequar o sistema ao entendimento da jurisprudência que vinha se consolidando, vale mencionar que por meio da Mensagem de Veto nº 702, ao projeto de conversão que deu origem à Lei nº 12.350/2010, consolidouse o entendimento de que um novo critério jurídico não poderia ser aplicado de forma retroativa. Vejamos: MENSAGEM Nº 702, DE 20 DE DEZEMBRO DE 2010. § 8º do art. 12A da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, inserido pelo art. 44 do Projeto de Lei de Conversão “§ 8o O disposto neste artigo aplicase retroativamente aos fatos geradores não alcançados pela decadência ou prescrição.” Razões do veto “A aplicação retroativa da norma tributária gera insegurança jurídica sobre as situações definitivamente constituídas, produzindo efeitos de difícil mensuração nas esferas administrativas e judiciais. Além disso, o CTN, lei materialmente complementar e regra geral do direito tributário, estabelece no art. 144 que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada.” O próprio art. 12A em seu §7º é expresso ao limitar sua aplicação apenas aos rendimentos recebidos a partir do anocalendário de 2010, o que me parece reforçar a tese da Fl. 114DF CARF MF 6 impossibilidade de refazimento do presente lançamento e cobrança do imposto com base no regime de competência. Diante de todo o exposto, nego provimento ao recurso da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10860.721523/201188 Acórdão n.º 9202006.838 CSRFT2 Fl. 113 7 Voto Vencedor Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 90. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão Do Mérito Em face dos pontos trazidos no Recurso especial da Fazenda Nacional e do conteúdo do acórdão recorrido entendo que a apreciação do presente recurso cingise a discussão em relação a nulidade do lançamento, frente a suposta inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, o qual foi submetido à sistemática da repercussão geral prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, bem como a decisão do STJ na sistemática de recurso repetitivo sobre rendimentos recebidos acumuladamente. Um questão importante que ajudanos a delimitar o alcance da lide, referese ao fato de o relator do acórdão da Câmara a quo descrever em seu voto, mesmo que implicitamente que, o fundamento da declaração de nulidade diz respeito a impossibilidade de alteração de critério jurídico, após a decisão do STJ referida acima, porém em momento algum, deixa de reconhecer a incidência do tributo, nem faz qualquer referência ao caráter salarial ou indenizatório da verba. Podemos chegar a essa conclusão ao lermos os termos do voto abaixo transcrito: O Colegiado entendeu que deve ser aplicada a interpretação do art. 12 da lei 7.713/1988 segundo a qual o cálculo do imposto deve levar em conta as tabelas e alíquotas da época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos ao contribuinte. Diversamente, o lançamento adotou a interpretação do dispositivo legal que corresponde ao regime de caixa sobre o montante recebido acumuladamente. Não compartilho do entendimento de que o vício contido no lançamento pode ser resumido em um mero erro na aplicação da alíquota. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, a autoridade fiscal empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidálo. Fl. 116DF CARF MF 8 A solução proposta pela Relator não somente reduz a questão à correção da alíquota como também utiliza uma fórmula de apuração em que a base de cálculo dos rendimentos recebidos acumuladamente é definida independente do ajuste anual. Todavia, o Ajuste Anual é a regra para os rendimentos da pessoa física e não consta da interpretação dada pelo STJ que essa sistemática (ajuste anual) tenha sido afastada. A título de exemplo, cito trecho do Parecer PGFN/CAT Nº 815/2010 que no intuito de solucionar inúmeras dúvidas da expostas pela Secretaria da Receita Federal indicou a forma de cálculo que o Fisco deveria adotar à época em que vigoraram os Pareceres da PGFN que autorizavam as revisões de ofício com base na jurisprudência do STJ: [...] Pelo conjunto de razões acima expostas, entendo que a manutenção da exigência representaria um novo lançamento com outro critério jurídico. Ocorre que não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos mas tão somente afastar a exigência indevida. O Relator amparase em entendimento doutrinário controvertido acerca da interpretação do art. 146 do CTN2 para justificar que não haveria mudança de critério jurídico. Ressaltase que a razão subjacente à norma insculpida no referido dispositivo do CTN é a segurança dos direitos individuais do contribuinte. Se entenderseà guiza de argumentação – que, em relação ao fatos já ocorridos, não seria possível alterar um critério certo por outro igualmente certo, com muita mais razão, em relação a fatos já ocorridos, seria vedada a mudança de um critério errado por outro certo. O Relator defende a revisão de ofício do lançamento. Todavia, a possibilidade de revisão de ofício do lançamento encontra, no mínimo, óbice no parágrafo único do art. 149, uma vez que o prazo decadencial já teria sido ultrapassado. Nos demais pontos, acompanho integralmente o relator. A base do fundamento do acórdão recorrido encontrase na própria ementa do acórdão, fls. 64 e seguintes, assim descrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ e Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10860.721523/201188 Acórdão n.º 9202006.838 CSRFT2 Fl. 114 9 Julgado do STJ sujeito ao regime do art.543C do Código de Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62A do Regimento Interno. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidá lo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar o lançamento, nos termos do relatório e votos integrantes do julgado. Vencido o Conselheiro Jaci de Assis Júnior (Relator) que dava provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso. Ou seja, o cerne da questão referese ao questionamento se a decisão do STF que declarou a inconstitucionalidade parcial do art. 12 da 7.713/1988, em sede de repercussão geral, bem como a decisão do STJ, seria capaz de eivar de vício material o lançamento? Entendo que não! Ao apreciarmos o inteiro teor da decisão do STF, e mais, baseado na decisão do STJ, que ensejou o pronunciamento daquela corte máxima, observamos que toda a discussão cingee sobre o regime de tributação aplicável aos RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE RRA, se regime de caixa (como originalmente lançado no dispositivo legal), ou o regime de competência (forma adotada posteriormente pela própria Receita Federal calcada em pareceres, decisões do STJ que ensejaram inclusive alteração legislativa art. 12A da 7.713/1988. Entendo que a decisão do STJ descrita no Resp 1.118.429/SP, se coaduna com a do caso ora apreciado já que, em ambas, discutise a sistemática de cálculo aplicável na apuração do imposto devido: caixa ou competência. Dessa forma, entendo que a aplicação do repetitivo se amolda a questão trazida nos autos, já que a mesma apresentase em estrita consonância com a matéria objeto de repercussão geral no RE 614.406/RS. Na verdade a posição do STF, nada mais fez do que pacificar a questão que já vinha sendo observada pelo STJ em seus julgados e pela própria Receita Federal e PGFN, por meio de seus pareceres. Vale destacar que no âmbito deste Conselho não é a primeira vez que essa questão é enfrentada por essa Câmara Superior. No Recurso Especial da PGFN processo nº 11040.001165/200561, julgado na 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais Fl. 118DF CARF MF 10 Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, encontramos situação similar, cujo voto vencedor, do ilustre Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior trata da matéria ora sob apreciação. Vejamos a ementa do acórdão nº 9202003.695: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade de lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Ainda, como o objetivo de esclarecer a tese esposada no referido acórdão, transcrevo a parte do voto vencedor na parte pertinente ao tema: Verifico, a propósito, que a matéria em questão foi tratada recentemente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome ao julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei nº 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 12, em nenhum momento foram objeto de declaração de Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10860.721523/201188 Acórdão n.º 9202006.838 CSRFT2 Fl. 115 11 inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Com base nas questões levantadas pelo ilustre conselheiro Heitor de Souza Lima Junior aqui transcritas, e as quais uso como fundamento de razões para decidir, entendo que a posição tanto do STJ no REsp nº 1.118.429/SP como do STF no RE 614.406/RS não foi no sentido de inexistência ou inconstitucionalidade do dispositivo que definia os valores dos rendimentos recebidos acumuladamente como fato gerador de IR, mas tão somente no sentido de que a apuração da base de cálculo do imposto devido não seria pelo regime de caixa (na forma como descrito originalmente na lei, art. 12 da Lei 7783/88) já que conferiria tratamento diferenciado e prejudicial ao contribuinte, já definindo o novo regime a ser aplicável para apuração do montante devido. Não se trata de alteração de critério jurídico aplicado pela fiscalização, mas de aplicação dos termos de lei, que posteriormente por decisão judicial deixa claro qual a melhor interpretação acerca do regime aplicável. Fl. 120DF CARF MF 12 Por fim, considerando a delimitação da lide objeto deste Recurso Especial ser tão somente sobre a nulidade do lançamento, encaminho pelo provimento do Resp da Fazenda Nacional, para afastar a nulidade, contudo, no presente caso, não há retorno a Câmara a quo, tendo em vista que o acórdão recorrido já ter enfrntado as demais questões suscitadas. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para no mérito DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 121DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.722379/2016-68
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 04/02/2013
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AÇÃO COLETIVA. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA.
A existência de Medida Judicial Coletiva interposta por associação de classe não tem o condão de caracterizar renúncia à esfera administrativa por concomitância.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3002-000.213
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, afastando a concomitância e determinando o retorno dos autos à DRJ para que profira novo julgamento analisando todas as alegações da Impugnação.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
1.0 = *:*
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AÇÃO COLETIVA. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A existência de Medida Judicial Coletiva interposta por associação de classe não tem o condão de caracterizar renúncia à esfera administrativa por concomitância. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, afastando a concomitância e determinando o retorno dos autos à DRJ para que profira novo julgamento analisando todas as alegações da Impugnação. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 23 79 /2 01 6- 68 Fl. 201DF CARF MF Processo nº 11128.722379/201668 Acórdão n.º 3002000.213 S3C0T2 Fl. 202 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão 16080.054 da DRJ/SPO, que manteve integralmente o Crédito Tributário lançado pelo Auto de Infração, que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. A partir desse ponto, transcrevo o relatório do Acórdão recorrido por bem retratar as vicissitudes do presente processo: "Tratase de auto de infração, lavrado contra a empresa . SLOT LOGÍSTICA LTDA., CNPJ , 07668541000131 , doravante denominada impugnante, no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), onde foi lançada a multa prevista no artigo 107, Inciso IV –alínea “e” do Decreto 37/66 , “ por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal” . O prazo que não foi obedecido e gerou a aplicação da multa foi o prazo previsto no artigo 22, Inciso III da IN RFB 800/2007. Descrição da Infração Consta do auto de infração que a impugnante concluiu a desconsolidação relativa a um conhecimento eletrônico a destempo, conforme quadro que segue. Ocorrência MBL DATA DE ATRACAÇÃO HBL (AGREGADO) DATA DE REGISTRO CARGA 1 151305012252908 05/02/2013 21:47 hs 151305021921833 04/02/2013 15:31 A carga objeto da desconsolidação em comento foi trazida ao Porto de Santos acondicionada no(s) container(es) MEDU6266639 MSCU2596739 MEDU1081890 MEDU3066283 MEDU6262551 MSCU6228083 CAIU2936032 MSCU3666255 MSCU6280203 MSCU3949825, pelo Navio M/V MSC MAUREEN, em sua viagem SS304R, com atracação registrada em 05/02/2013 21:47. Os documentos eletrônicos de transporte que ampararam a chegada da embarcação para a carga são: Escala 13000023134, Manifesto Eletrônico 1513500149436, Conhecimento Eletrônico (CE) MBL 151305012252908 e Conhecimento(s) Eletrônico(s) (CE) Agregado(s) HBL 151305021921833. Fl. 202DF CARF MF Processo nº 11128.722379/201668 Acórdão n.º 3002000.213 S3C0T2 Fl. 203 3 Do auto de infração a impugnante tomou ciência 07/04/2016 e apresentou impugnação tempestiva em 05/05/2016. A Impugnação Das Preliminares Preliminarmente a impugnante requer que a DRJ intime previamente ela e seu patrono regularmente inscritos no processo (cujos endereços físicos e eletrônicos se encontram no cabeçalho da página) para informar sobre a pauta do julgamento deste PAF, que deverá ter acompanhamento pessoal através de seu patrono, sob pena de nulidade processual. Tal requerimento encontrase fundamentado na decisão liminar em ação de mandado de segurança coletivo proposto contra Receita Federal. Tal decisão impõe que a Receita Federal publique previamente as pautas de julgamento e intime as partes quanto às datas dos julgamentos, permitindo o comparecimento das partes e seus advogados para assistir às sessões de julgamento das DRJ´s, podendo, inclusive, se assim quiserem, “ofertar questões de ordem sobre aspectos de fato da causa”. Do Mérito No mérito faz as seguintes alegações: Denúncia Espontânea Sobre o tema, alega que Impugnante inseriu as informações antes da atracação do navio no porto de destino final, pois o Navio atracou em 19/02/2013 às 19h50minh, enquanto as informações foram inseridas no sistema mercante SISCOMEX CARGA em 18/02/2013 às 00h05minh, ou seja, muito antes de qualquer procedimento fiscal e concluí. Assim, neste caso, o transportador pode se beneficiar do instituto da denúncia espontânea, a fim de não se submeter ao pagamento de multas, já que a Lei lhe deu essa prerrogativa de exclusão da responsabilidade. Desproporcionalidade da pena aplicada Sobre o tema alega que a multa é desproporcional, com valor acima do valor da prestação de serviço, sendo portanto de caráter confiscatória. Cita o princípio do não confisco. Alega a natureza jurídica da pena de multa, que exige para a sua aplicação a obediência a certos requisitos essenciais, que não foram obedecidos no caso em foco. Entre esses requisitos encontrase o Princípio da Individualização da Pena, Art 5o., XLVI da Constituição Federal de 1988. Art. 5º. – (...) XLVI A lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes: Fl. 203DF CARF MF Processo nº 11128.722379/201668 Acórdão n.º 3002000.213 S3C0T2 Fl. 204 4 Sobre o tema, alega que somente a lei pode impor a pena, e no caso a multa foi aplicada devido à Instrução Normativa , regra derivada, que não é lei. Concluí: Em suma, a impugnante não se amoldou a uma conduta prévia, inscrita em LEI, que lhe pudesse impor uma pena de multa de R$ 5.000,00. Desse modo, ao aplicar sobre a Impugnante a excessiva multa ora em tela, o agente alfandegário feriu o PRINCÍPIO DA INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA inscrito no inc. XLVI, art. 5º., CF/88. Alega também a total ausência de prejuízo à fazenda nacional, à ordem tributária ou à organização portuária. Aplicação ao caso dos princípios da proporcionalidade, razoabilidade, do não confisco e multa punitiva. Sobre o tema alega que a referida multa foi aplicada devido ao controle aduaneiro , sendo tal multa de caráter meramente administrativo e não fiscal, logo não havendo implicações financeiras diretas em termos de tributos. Concluí argumentando que: Em suma, o que se quer dizer é que não se configurou aqui situação danosa ou prejudicial que determinasse à imposição de multa, e, mais que isso, acaso tivesse o ente fiscalizador observado à matéria em questão debaixo dos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, certamente a multa não teria sido imposta por uma simples questão de bom senso. Nesse diapasão e sob os auspícios dos princípios do não confisco, da proporcionalidade e da razoabilidade, requer seja cancelada a multa imposta. Pleiteia a aplicação do Artigo 112 do CTN ao caso em tela. Alega que pelo fato da impugnante ter prestado informação antes da atracação e agido de boa fé e a multa a ele aplicada infringir os Princípios da Razoabilidade e Proporcionalidade, a infração deve ser observada debaixo do ditame do artigo 112 do CTN, ou seja, interpretada de maneira mais benéfica ao contribuinte como um todo. Faz uma solicitação, por ele denominada PEDIDO ALTERNATIVO, de que, "Se, todavia, não entenderem os Ilustres Julgadores desta DRJ/SRF pela exclusão da multa, de acordo com os tópicos acima inscritos, pedese, em observância à regra da aplicação da lei mais benéfica ao contribuinte, como permite o art. 106, I e II do CTN, que sobre o caso se opere, por analogia, os termos do artigo 736, “caput”, do decreto no. 6.759/2009, que permite seja relevada a penalidade imposta; sendo.....:" " Analisando as argumentações da contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SPO) julgou a Impugnação de modo a não Fl. 204DF CARF MF Processo nº 11128.722379/201668 Acórdão n.º 3002000.213 S3C0T2 Fl. 205 5 conhecêla, quanto à matéria objeto de ação judicial, e julgála improcedente, quanto à matéria diferenciada, por Acórdão que possui a seguinte ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 04/02/2013 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO JUDICIAL. Não se toma conhecimento da impugnação no tocante à matéria objeto de ação judicial. Parecer Normativo nº 7, de 22/0/2014. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 04/06/2012 AGENTE DE CARGA. REPRESENTANTE DO CONSOLIDADOR ESTRANGEIRO. LEGITIMIDADE PASSIVA. O Agente de Carga, na condição de responsável pela desconsolidação das cargas, foi o responsável pelas informações intempestivas no SISCOMEX, de dados relativos à cargas importadas em questão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seqüência, após ser cientificada dessa decisão, a contribuinte apresenta Recurso Voluntário (169/182), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando e reforçando argumentos jurídicos já apresentados. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 11128.722379/201668 Acórdão n.º 3002000.213 S3C0T2 Fl. 206 6 Embora não tenha sido alegada pela recorrente, por ser matéria de ordem pública, há que reconhecer que a principal controvérsia posta sob análise cingese à existência ou não de concomitância entre o processo administrativo e o judicial em casos de ações coletivas propostas por associações de classe, da qual o contribuinte faça parte. Essa matéria se mostra, atualmente, pacificada no âmbito desta Corte, como demonstram os recentes Acórdãos: Acórdão 1402001.629: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. PROCESSO TRIBUTÁRIO. CONCOMITÂNCIA. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. INOCORRÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo por associação de classe não impede que o contribuinte associado pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva, já que aquele (mandado de segurança) não induz litispendência e não produz coisa julgada em desfavor do contribuinte nos termos da lei. A renúncia à instância administrativa de que trata o art. 38 da Lei n. 6.830/80 pressupõe ato de vontade do contribuinte expressado mediante litisconsórcio com a associação na ação coletiva ou propositura de ação individual de objeto análogo ao processo administrativo, o que não se verifica na hipótese. CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA. NÃO ENFRENTAMENTO DE TODOS OS ARGUMENTOS DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. Afastadas a concomitância e a renúncia à discussão administrativa, é de se reconhecer a nulidade da decisão de primeira instância que deixou de apreciar todos os argumentos de impugnação. Nova decisão deve ser proferida, em atenção ao duplo grau de jurisdição previsto nas regras de regência do processo administrativo fiscal. Acórdão 9303005.472: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/1999 a 30/09/2004 Fl. 206DF CARF MF Processo nº 11128.722379/201668 Acórdão n.º 3002000.213 S3C0T2 Fl. 207 7 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa. Recurso Especial do Procurador negado. Acórdão 9303005.057 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/10/1995 a 31/10/1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo por associação de classe não impede que o contribuinte associado pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva, já que aquele (mandado de segurança) não induz litispendência e não produz coisa julgada em desfavor do contribuinte nos termos da lei. Ainda que haja alcance dos efeitos jurídicos da decisão para os representados da entidade, não se materializa a identidade entre os sujeitos dos processos, ou seja, autor da medida judicial e recorrente no âmbito administrativo, diante da qual é possível aferir a manifestação de vontade (critério subjetivo) que exige a renúncia. Assim, a existência de Medida Judicial Coletiva interposta por associação de classe não tem o condão de caracterizar renúncia à esfera administrativa por concomitância. Embora seja certo que as entidades de classe, quando propõem ações coletivas, estão agindo no interesse de seus filiados, também é correto supor que estes podem não ter manifestado sua concordância com a propositura daquelas ações. Mesmo quando assembléias aprovam o caminho judicial a ser seguido pela entidade, ainda assim, devemos ter em conta que a decisão da maioria não reflete, necessariamente, a vontade de todos os filiados. Creio oportuno trazer a colação as Súmulas do Supremo Tribunal Federal que ratificam a independência das entidades de classe, quanto à propositura de ações coletivas: Súmula STF nº 629 A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe em favor dos associados independe da autorização destes. Fl. 207DF CARF MF Processo nº 11128.722379/201668 Acórdão n.º 3002000.213 S3C0T2 Fl. 208 8 Súmula STF nº 630 A entidade de classe tem legitimação para o mandado de segurança ainda quando a pretensão veiculada interesse apenas a uma parte da respectiva categoria. (grifos nossos) Assim, pareceme não ser razoável o reconhecimento da concomitância somente pela existência de uma ação coletiva movida por entidade de classe, da qual o contribuinte faça parte, sem que esteja clara a vontade deste, pois diferentemente das ações individuais, nas quais resta cristalina a intenção de o contribuinte optar pela via judicial, nas coletivas, isto, em princípio, não ocorre. Ademais, quando o sujeito passivo impetra uma ação individual versando sobre a mesma matéria discutida em processo administrativo, ocorre uma presunção legal absoluta da desistência tácita ao contencioso administrativo. Contudo, em ações coletivas, ajuizadas por substitutos processuais, não se aplica tal presunção, pois do contrário, estaria se violando os Direitos Constitucionais ao Contraditório e à Ampla Defesa. Desta forma, entendo não existir concomitância no presente caso. Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, afastando a concomitância e determinando a devolução do processo à instância a quo para que profira novo julgamento analisando todas as alegações da Impugnação. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 208DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.906189/2012-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
Despacho Decisório. Pagamento Totalmente Utilizado. Fundamentação.
Considera-se fundamentado o despacho decisório que não homologa a compensação declarada ao argumento de que o pagamento indicado como indevido se encontra totalmente utilizado.
Pagamento Indevido. Direito de Crédito. ônus da Prova.
Em pedido de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte.
Numero da decisão: 1301-003.250
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a arguição de nulidade e o pedido de diligência, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 Despacho Decisório. Pagamento Totalmente Utilizado. Fundamentação. Considera-se fundamentado o despacho decisório que não homologa a compensação declarada ao argumento de que o pagamento indicado como indevido se encontra totalmente utilizado. Pagamento Indevido. Direito de Crédito. ônus da Prova. Em pedido de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1533; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10855.906189/201291 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1301003.250 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de julho de 2018 Matéria IRPJ COMPENSAÇÃO Recorrente AHK CONSTRUÇÕES E COMÉRCIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 DESPACHO DECISÓRIO. PAGAMENTO TOTALMENTE UTILIZADO. FUNDAMENTAÇÃO. Considerase fundamentado o despacho decisório que não homologa a compensação declarada ao argumento de que o pagamento indicado como indevido se encontra totalmente utilizado. PAGAMENTO INDEVIDO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. Em pedido de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a arguição de nulidade e o pedido de diligência, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 61 89 /2 01 2- 91 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10855.906189/201291 Acórdão n.º 1301003.250 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso interposto por AHK CONSTRUÇÕES E COMÉRCIO LTDA., pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra a decisão da DRJ Ribeirão Preto, que negou provimento à manifestação de inconformidade da recorrente e manteve o despacho decisório da DRF Sorocaba. No despacho decisório, a autoridade administrativa não reconheceu a existência do crédito pleiteado pela recorrente e, assim, deixou de homologar a compensação declarada em dcomp. A decisão fundouse no argumento de que, embora tendo sido encontrado o DARF, o pagamento já estava inteiramente utilizado para quitar outro débito da própria recorrente, não remanescendo qualquer valor. Na manifestação de inconformidade, a recorrente alegou que o despacho decisório carecia de fundamentação, já que não expunha os motivos que levaram ao indeferimento do direito creditório. Por conseguinte, teriam sido violados os princípios da legalidade e da ampla defesa. Aduziu ainda que a autoridade administrativa não teve o cuidado de esclarecer os motivos da indisponibilidade do pagamento, e não intimou a interessada a apresentar as razões pelas quais o pagamento seria indevido. Concluiu, portanto, ser nulo o despacho decisório. A contribuinte se manifestou acerca da origem de seu direito nos seguintes termos: A Impugnante, ao calcular o quantum debeatur da exação, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôla. Para tanto, utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, etc. Por esta razão é que postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior desta exação. A DRJ, alegando que o direito não tinha sido demonstrado e que não havia certeza, nem liquidez do crédito, negou provimento à manifestação de inconformidade. Não resignada, AHK CONSTRUÇÕES E COMÉRCIO LTDA. interpôs recurso, afirmando ter feito recolhimento a maior, "considerando as discussões jurídicas de legalidade e conceituação das disposições que regulam os tributos". Aduziu que "em Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10855.906189/201291 Acórdão n.º 1301003.250 S1C3T1 Fl. 4 3 decorrência das diversas legislações, da complexidade do ordenamento jurídico e, ainda, notadamente diante de todas as manifestações acerca da interpretação das normas aplicáveis aos tributos, a Recorrente postulou a restituição de tributos, utilizando o crédito em compensação.". Diversas seriam as "teses jurídicas" aplicáveis ao caso, que ensejariam a restituição ou compensação do valor recolhido, a exemplo do que se dá com a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofíns. Aduziu que o direito de repetir o indébito decorre diretamente da Constituição Federal e também do Código Tributário Nacional CTN, que asseguram ao contribuinte o direito de não pagar tributo ilegal. Portanto, deve ser afastada qualquer limitação ao direito imposta por norma regulamentar. No caso concreto, diz a recorrente, a Administração não apenas condicionou o direito ao crédito ao uso da declaração de compensação, como também exigiu a retificação da DCTF do período a que se refere o indébito. Afirmou que os fundamentos do despacho decisório e da decisão da DRJ não subsistem, e que foram violados os princípios da eficiência administrativa, da motivação, do contraditório e da ampla defesa. No mais, ressaltou que a dcomp não comporta a anexação de provas, as quais devem ser produzidas por iniciativa da autoridade administrativa, antes do despacho decisório. Com essas alegações, pugnou pelo provimento do recurso a fim de converter o julgamento em diligência, com o propósito de demonstrar a legitimidade do crédito. É o relatório. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10855.906189/201291 Acórdão n.º 1301003.250 S1C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.245, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10855.900721/2012 66, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O crédito analisado no processo paradigma referese a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, apurado no 2º trimestre/2008. No presente processo, o direito creditório analisado tem como origem pagamento indevido ou a maior do IRPJ, referente ao 4º trimestre/2008. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.245): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. De plano, cumpre frisar que não há nulidade no despacho decisório, nem na decisão recorrida. O despacho decisório está devidamente fundamentado. O fundamento consiste no fato de que o valor que a recorrente queria ver restituído estava integralmente utilizado para quitar débito que a própria recorrente havia declarado. Essa circunstância é suficiente para respaldar a decisão denegatória. Não há violação ao direito de defesa, nem ao contraditório. A recorrente poderia, na manifestação de inconformidade e, se fosse o caso, no recurso, demonstrar que, a despeito de ter declarado o débito, este não existia, ou não existia no montante declarado. Na mesma oportunidade, deveriam ser expostas as razões de fato e de direito da pretensão ao crédito, acompanhadas dos respectivos elementos de prova. A recorrente, sem razão, sustenta que a autoridade administrativa não teve o cuidado de esclarecer os motivos da indisponibilidade do pagamento. A autoridade administrativa explicou o porquê da indisponibilidade: o pagamento estava indisponível porque alocado a um débito que a recorrente confessou. Se o débito não existia e se não deveria ter sido confessado, isso competia à recorrente explicar. Não cabe, ademais, falar em violação do princípio da eficiência, que nunca foi requisito de validade de ato Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10855.906189/201291 Acórdão n.º 1301003.250 S1C3T1 Fl. 6 5 administrativo. A eventual falta de eficiência da Administração Pública não implica a invalidade do ato praticado. Quanto à exigência de apresentar declaração de compensação, é preciso dizer que ela não anula, nem limita o direito à compensação, sendo apenas uma forma estabelecida para o exercício desse direito. A dcomp, ademais, produzindo efeito extinto da obrigação compensada, protege o contribuinte contra eventual morosidade da Administração. Por último, é equivocada a afirmação de que a autoridade administrativa e a DRJ exigiam a retificação da DCTF. O que se exige é a prova do indébito. Com essas razões, afastase a preliminar de nulidade. Foi requerida a realização de diligência, a qual deve ser indeferida, pois a recorrente não delimitou de forma clara e específica o seu objeto. No mérito, cumpre dizer que, nos pedidos de restituição e nas compensações, o ônus da prova do fato constitutivo do direito de crédito cabe àquele que bate às portas do Fisco, pleiteando a devolução de uma quantia que teria sido vertida indevidamente aos cofres públicos. É errôneo acreditar que basta ao contribuinte pedir restituição, para que o simples requerimento transfira ao Fisco o ônus de provar que o direito não existe. O ônus da prova é de quem alega o fato. Por conseguinte, uma vez indeferida a compensação, a recorrente já deveria, na manifestação de inconformidade, ter exibido as provas documentais do suposto direito. No caso em exame, a recorrente falou que o direito estaria ancorado em "teses jurídicas", "discussões" e "teses já decididas pelo STF como inconstitucionais", sem, entretanto, anunciar quais seriam essas teses e como elas afetariam o montante devido do IRPJ. Sobretudo, não foi demonstrado como essas "teses jurídica" interferem no caso concreto. É importante notar que a recorrente pleiteou a integralidade do pagamento, dando a entender que, no período, ela não devia IRPJ, sem explicar a razão, sem demonstrar qual a tese jurídica que prevaleceu no Supremo Tribunal Federal e afastou, no todo, a obrigação de pagar IRPJ. Frisese, por último, que a questão envolvendo a base de cálculo de PIS e Cofins não afeta o IRPJ apurado na sistemática do lucro presumido. Em suma, por todas essas razões, a pretensão da recorrente não pode ser acolhida. Conclusão Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10855.906189/201291 Acórdão n.º 1301003.250 S1C3T1 Fl. 7 6 Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade, indeferir a diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por rejeitar a arguição de nulidade e o pedido de diligência, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.912248/2012-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO QUE REGE AS FORMALIDADES PARA SOLICITAR O RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO.
Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente e que não obedeça aos requisitos previstos na legislação vigente para seu ressarcimento e compensação.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3401-004.274
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rodolfo Tsuboi (suplente, em substituição a André Henrique Lemos, ausente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO QUE REGE AS FORMALIDADES PARA SOLICITAR O RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente e que não obedeça aos requisitos previstos na legislação vigente para seu ressarcimento e compensação. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rodolfo Tsuboi (suplente, em substituição a André Henrique Lemos, ausente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 22 48 /2 01 2- 24 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10980.912248/201224 Acórdão n.º 3401004.274 S3C4T1 Fl. 0 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário contra acórdão de Manifestação de Inconformidade, que considerou improcedente as razões da Recorrente contra despacho decisório que negou a existência de direto creditório da Recorrente referente à COFINS. Da PER/DCOMP e do Despacho Decisório A Recorrente apresentou pedido de Restituição de crédito de COFINS supostamente recolhida a maior em decorrência da inclusão do ICMS na base de cálculo da respectiva contribuição. Vale ressaltar que o pedido não restou baseado em decisão judicial transitada em julgado ou nas demais hipóteses previstas na IN RFB 900/2008, vigente quando do despacho decisório, ou mesmo até o presente, nos termos da IN RFB 1.717/2017, quando relacionadas à inconstitucionalidade da lei tributária que instituiu o referido tributo. Diante disso, não presentes os requisitos formais e materiais para a constituição do crédito em favor do contribuinte, foi exarado despacho decisório negando o direito pleiteado por insuficiência probatória. Da Manifestação de Inconformidade Irresignada, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, afirmando em suma: · Que o PER/DCOMP se refere a crédito decorrente de pagamento a maior de contribuição social, em razão da inclusão do ICMS nas suas respectivas bases de cálculos. · Que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é inconstitucional, conforme já reconhecida à época por decisões dos tribunais superiores (faço parêntese para ressaltar que ainda não havia sido julgado pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, ocorrido somente em 15.03.2017), e portanto, os pagamentos pretéritos da contribuição para o PIS e da COFINS seriam indevidos, fazendo a Recorrente jus à devolução do montante via ressarcimento. Frisese que, além das alegações de direito, não houve a inclusão de qualquer prova material da composição dos valores pleiteados. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio o Acórdão 0265.621, através do qual a respectiva Manifestação foi tida como improcedente, face a não comprovação da existência do crédito pleiteado. Do Recurso Voluntário Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10980.912248/201224 Acórdão n.º 3401004.274 S3C4T1 Fl. 0 3 Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, vindo a reprisar os argumentos apresentados na sua peça impugnatória. Pediu, alternativamente ao provimento do Recurso – para ser reconhecido o direito creditório – o sobrestamento do feito até a ulterior decisão do STF sobre a matéria. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.249, de 29 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.912230/201222, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.249): "Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, de modo que admito seu conhecimento. Do Mérito Em que se pese ter ocorrido recentemente a decisão do citado Recurso Extraordinário (RE 574.706/RG, de relatoria da Ministra Carmen Lúcia), sob os efeitos da repercussão geral, fato notório e objeto de ampla análise pela mídia especializada, é notório também que tal acórdão ainda está pendente de análise dos embargos de declaração, especialmente sobre a modulação temporal dos efeitos da decisão. Pode ser que essa modulação não tenha aplicação prática para muitos dos contribuintes, diante do fato de que muitos ingressaram com ações judiciais autônomas para discutir a tese da inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base das contribuições sociais. Porém, o presente caso é bem diferente. Não consta nos autos qualquer referência a qualquer medida judicial preparatória tomada pelo contribuinte para fazer valer o entendimento que fora objeto de discussão pelo Supremo Tribunal Federal por ocasião do mencionado Recurso Extraordinário. Tampouco existe decisão da Ação Direta de Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10980.912248/201224 Acórdão n.º 3401004.274 S3C4T1 Fl. 0 4 Constitucionalidade 18, que trata da mesma matéria, que pudesse gerar efeitos erga omnes à pretensão da Recorrente. Diante disso, muito embora o resultado do RE 574.706/RG parecer estar em comunhão com a pretensão da Recorrente, o precipitado modus operandi para reaver os supostos pagamentos indevidos não resta em linha com a legislação em vigor, impedindo o reconhecimento do direito creditório no presente momento. Explico. A Lei Federal 9.430/1996, ao dispor sobre a compensação e ressarcimento de tributos federais, transferiu a competência para regulamentar plenamente a matéria para a própria Receita Federal do Brasil, que o fez, sucessivamente, através das Instruções Normativas SRF/RFB 22/1996, 210/2002, 460/2004, 600/2005, 900/2008, 1.300/2012 e 1.717/2017 Em sua última regulamentação, o artigo 75, dispõe que somente serão admitidos os pedidos de ressarcimentos/compensação decorrenteS de pagamento indevido por haver reconhecimento da inconstitucionalidade da lei tributária, nas seguintes hipóteses: Art. 75. É vedada e será considerada não declarada a compensação nas hipóteses em que o crédito: (...) VI tiver como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de lei, exceto nos casos em que a lei: a) tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade; b) tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal; c) tenha sido julgada inconstitucional em sentença judicial transitada em julgado a favor do contribuinte; ou d) seja objeto de súmula vinculante aprovada pelo Supremo Tribunal Federal nos termos do art. 103A da Constituição Federal. Não é o caso presente. Por último e derradeiro, caberia, sim, ao contribuinte, para salvaguardar sua pretensão do efeito da decadência tributária, ajuizar, à época, medida judicial própria de modo a suspender tal prazo enquanto não houvesse o controle difuso de Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10980.912248/201224 Acórdão n.º 3401004.274 S3C4T1 Fl. 0 5 constitucionalidade ou a decisão transitada em julgado interpartes; e aguardar o desfecho das respectivas ações. Por isso mesmo, não resta qualquer razão à Recorrente nesse particular, restando também prejudicado, pelos mesmos fundamentos, o pedido de sobrestamento do feito. De outro modo, mesmo que fosse superada essa questão, a Recorrente, em nenhum momento, esmerouse em demonstrar a liquidez de seu direito creditório – mediante a apresentação de demonstrativos de cálculo das contribuições, livros fiscais de ICMS e respectivas notas fiscais de venda, entre outros documentos importantes para a validação do crédito pleiteado –, limitandose a anexar uma planilha impressa com o cálculo do crédito pleiteado sem qualquer documentação suporte, apenas apresentada já na fase de Recurso. Estaríamos, portanto, diante de hipótese de carência probatória. Por todo o exposto, conheço do Recurso, porém negolhe provimento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.912278/2012-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.806
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 22 78 /2 01 2- 31 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.912278/201231 Acórdão n.º 3201003.806 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 02 065.651, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, diante da não comprovação do crédito pleiteado. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal proferida no dia 8 de outubro de 2014, nos autos do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852/MG, que também reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.778, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.912250/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.778): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em novembro de 2006. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10980.912278/201231 Acórdão n.º 3201003.806 S3C2T1 Fl. 4 3 a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10980.912278/201231 Acórdão n.º 3201003.806 S3C2T1 Fl. 5 4 objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10980.912278/201231 Acórdão n.º 3201003.806 S3C2T1 Fl. 6 5 comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15771.721195/2012-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 28/02/2012, 19/03/2012
AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. CONCOMITÂNCIA.
A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto do lançamento, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa. Assim, o apelo interposto pelo sujeito passivo não deve ser conhecido no âmbito administrativo.
As matérias diferenciadas entre o processo judicial e o processo administrativo e impugnadas devem ser apreciadas no âmbito administrativo, desde que não tenham influência quanto ao mérito do objeto litigado judicialmente.
Numero da decisão: 3302-005.727
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 28/02/2012, 19/03/2012 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. CONCOMITÂNCIA. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto do lançamento, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa. Assim, o apelo interposto pelo sujeito passivo não deve ser conhecido no âmbito administrativo. As matérias diferenciadas entre o processo judicial e o processo administrativo e impugnadas devem ser apreciadas no âmbito administrativo, desde que não tenham influência quanto ao mérito do objeto litigado judicialmente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1694; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 720 1 719 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15771.721195/201213 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302005.727 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de julho de 2018 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente FUNDAÇÃO JOÃO PAULO II Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 28/02/2012, 19/03/2012 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. CONCOMITÂNCIA. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto do lançamento, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa. Assim, o apelo interposto pelo sujeito passivo não deve ser conhecido no âmbito administrativo. As matérias diferenciadas entre o processo judicial e o processo administrativo e impugnadas devem ser apreciadas no âmbito administrativo, desde que não tenham influência quanto ao mérito do objeto litigado judicialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 77 1. 72 11 95 /2 01 2- 13 Fl. 720DF CARF MF Processo nº 15771.721195/201213 Acórdão n.º 3302005.727 S3C3T2 Fl. 721 2 Relatório Por bem descrever a realidade dos fatos, adoto e transcrevo do relatório da decisão de piso de fls. 680686: São objeto do presente processo dois autos de infração lavrados com o objetivo de prevenir decadência do Imposto de Importação (II) e Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Foram lançados valores relativos aos impostos e multas de ofício. Consta que a importadora deixou de recolher os tributos incidentes na operação de importação consubstanciada na Declaração de Importação (DI) nº 12/03703807 sob amparo de decisão judicial exarada no Mandado de Segurança (MS) nº 001685582.2011.4.03.6100 da 5ª Vara Federal de São Paulo. Foram lançados: II R$ 265.613,18 Multa de Ofício R$ 199.209,89 IPI R$ 438.590,84 Multa de Ofício R$ 328.943,13 Total R$ 1.232.357,04 A Fundação João Paulo II obteve sentença que lhe concedeu a segurança em 1232012, que confirmou a liminar anteriormente deferida. O recurso fazendário encontrase pendente de julgamento no Tribunal Regional Federal da 3ª Região. A DI foi registrada em 2822012 e seu desembaraço ocorreu em 1932012, mesma data em que foram lavrados os autos de infração, cuja ciência se deu em 2032012. Inconformada, a Fundação interpôs, tempestivamente, impugnação. Primeiramente, expondo que está ao amparo de decisão judicial que reconhece sua imunidade tributária, alega que não pretende discutir essa matéria na via administrativa. Entretanto, pretende ver reconhecida isenção quanto aos tributos lançados com fulcro nos artigos 2º e 3º da Lei nº 8.032/90. Por fim, pretende ver afastadas as multas de ofício e os juros de mora. Em 30 de outubro de 2013, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 28/02/2012, 19/03/2012 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. AUTUAÇÃO. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. FORMALIZAÇÃO. CABIMENTO. A discussão da matéria tributável na esfera judicial não elide o dever da autoridade administrativa de constituir o crédito tributário. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto da autuação Fl. 721DF CARF MF Processo nº 15771.721195/201213 Acórdão n.º 3302005.727 S3C3T2 Fl. 722 3 importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, porém a matéria divergente terá prosseguimento normal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 28/02/2012 ENTIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ISENÇÃO. ENQUADRAMENTO. A isenção tributária decorrente do reconhecimento da importadora como entidade de assistência social só é possível a partir da prova do atendimento de todos os requisitos previstos na legislação. MULTA DE OFÍCIO. AÇÃO JUDICIAL. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa previamente ao lançamento, não caberá multa de ofício. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 19/03/2012 ENTIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ISENÇÃO. ENQUADRAMENTO. A isenção tributária decorrente do reconhecimento da importadora como entidade de assistência social só é possível a partir da prova do atendimento de todos os requisitos previstos na legislação. MULTA DE OFÍCIO. AÇÃO JUDICIAL. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa previamente ao lançamento, não caberá multa de ofício. Intimada da decisão em 19.11.2013 (fls.6914), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 03.12.2013 (fls. 693708), alegando, em síntese, os seguintes tópicos: (i) cabimento do recurso voluntário; e (ii) imposto de importação II e IPI a isenção da Recorrente quanto a esses impostos em função de sua natureza assistencial. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 19.11.2013 (fls.6.914) e protocolou Recurso Voluntário em 03.12.2013 (fls. 693708) dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que os recursos preenchem os requisitos de admissibilidade, deles tomo conhecimento. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 722DF CARF MF Processo nº 15771.721195/201213 Acórdão n.º 3302005.727 S3C3T2 Fl. 723 4 II Preliminar: II.1 O cabimento do presente recurso Neste ponto destaca Recorrente que o ponto a ser discutido neste processo diz respeito à isenção a que faz jus a Recorrente, de forma, se na ação judicial se discute sua imunidade, uma vez afastada a concomitância, como bem constou da r. decisão aqui recorrida, não há razões para que o citado recurso não seja recebido e processado. Considerando, que houve o regular processamento do recurso voluntário, resta prejudicado sua alegação concernente a admissão do famigerado recurso. III Mérito III.1 Renúncia à esfera administrativa Meritoriamente, melhor sorte não assiste à Recorrente. Isto porque, o mérito da autuação, em relação a incidência do imposto de importação II e IPI nas operações sob análise, foi levada pelo contribuinte à apreciação pelo Poder Judiciário, independemente se na ação judicial a Recorrente pretendeu afastar a incidência dos tributos com fundamento na imunidade tributária e, aqui discutese a não incidência dos tributos pelo instituto da isenção. Confirmando o quanto noticiado anteriormente, transcrevese trechos da sentença proferida no Mandado de Segurança Preventivo de nº 001685582.2011.4.03.6100 junto à 5ª Vara Federal de São Paulo: Vistos. Tratase de mandado de segurança, com pedido de liminar, impetrado por FUNDAÇÃO JOÃO PAULO II em face do INSPETOR DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL CLASSE "ESPECIAL A" EM SÃO PAULO, no qual pretende seja concedida a segurança para determinar à Autoridade Impetrada que se abstenha da exigência do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados, para o desembaraço aduaneiro das mercadorias adquiridas, relacionadas nas Proforma Invoices e Licenças de Importação acostadas aos autos (Docs 05/07 Fls. 81/141), bem como se abstenha da negativa de liberação dessas respectivas mercadorias diante do não recolhimento desses tributos, determinandose o desembaraço aduaneiro das mesmas e fornecidos todos os documentos fiscais aduaneiros necessários ao transporte das mercadorias. Relata que, nas operações de importação de bens indispensáveis ao desempenho de sua atividadefim (assistência social), vem sofrendo a exigência do II e IPI para o desembaraço aduaneiro das mercadorias, ao argumento de que não faz jus à imunidade tributária (art. 150, VI, "c" da CF) e que esta não abrange o II e IPI. Em suma, defende seu direito ao gozo da imunidade tributária prevista no art. 150, VI, "c" da CF e art. 9, IV, "c" do CTN, eis que preenche os requisitos do art. 14 do CTN. As Declarações de Importação acostadas aos autos são: 11/25620506, 11/25620514, 11/25620530, 11/25620557, 11/25620565, 11/2562057/3, 11/25620581, 11/25620590, 11/25620611, 11/25620620, 11/25620638, 11/25620646, 11/25620654, 11/2562066 211/25620670, 11/25624706, 11/25624714, 11/25624722, 11/25624730, 11/2725321/7, 11/27253225 (fls. 96/140). Fl. 723DF CARF MF Processo nº 15771.721195/201213 Acórdão n.º 3302005.727 S3C3T2 Fl. 724 5 (...) A decisão de fls. 776/777v. deferiu parcialmente a medida liminar. Em face desta decisão, foram opostos embargos de declaração pela Impetrante, os quais foram acolhidos parcialmente na forma da decisão de fls. 782/783. Ainda em face da decisão que deferiu parcialmente a liminar, a União interpôs às fls. 802/815 agravo de instrumento (processo n. 003411105.2011.403.0000), havendo, às fls. 821/823, juntada de comunicação eletrônica na qual se noticiou a conversão do recurso para a sua modalidade retida nos autos. As informações da Autoridade Impetrada vieram às fls. 784/795. Pugnou, em suma, pela denegação da segurança, alegando a inexistência de direito líquido e certo, asseverando ser "necessária uma verificação detalhada e minuciosa para se concluir que os bens a serem importados, livres de tributação, serão realmente empregados nas atividades da entidade de assistência social, sendo relacionados com suas finalidades essenciais". Destaquese, contudo, que não caberia a este Juízo determinar o desembaraço aduaneiro e o fornecimento de todos os documentos fiscais aduaneiros necessários ao transporte das mercadorias, mas tão somente apenas afastar a exigência do II e do IPI. Assim, caberá à autoridade administrativa competente conduzir o processo de desembaraço normalmente, apenas deixando de promover as exigências ora afastadas. A questão perde importância, todavia, ante a notícia de já ter ocorrido o desembaraço (fls. 832/933). Posto isso, CONCEDO A SEGURANÇA, para confirmar o decidido às fls. 776/777v. e 782/783, e determinar que a Autoridade Impetrada se abstenha de exigir o recolhimento do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados para efetivar o desembaraço aduaneiro das mercadorias relativas às Declarações de Importação acostadas aos autos, que são as seguintes: 11/28810780, 11/28810799, 11/28810802, 11/25620506, 11/25620514, 11/25620530, 11/25620557, 11/25620565, 11/2562057/3, 11/25620581, 11/25620590, 11/25620611, 11/25620620, 11/25620638, 11/25620646, 11/25620654, 11/2562066211/25620670, 11/25624706, 11/25624714, 11/25624722, 11/25624730, 11/27253217, 11/27253225 (fls. 86/93, 96/135 e 138/141). Portanto, houve a renúncia de sua discussão no âmbito administrativo, conforme disposto no art. 1º, §2º, do Decretolei nº 1.737/1979 e no art. 38, parágrafo único, da Lei nº 6.830/1980. Em face dessa opção, o tratamento a ser dispensado ao presente processo no âmbito administrativo quanto ao mérito da questão é o previsto no Parecer Normativo (PN) Cosit n.º 07, de 22/08/2014, o qual conclui que, in verbis: Conclusão 21. Por todo o exposto, concluise que: a) a propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública, em qualquer momento, com o mesmo objeto (mesma causa de pedir e mesmo pedido) ou objeto maior, implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto, exceto quando a adoção da via judicial tenha por escopo a correção de procedimentos adjetivos ou processuais da Administração Tributária, tais como questões sobre rito, prazo e competência; Fl. 724DF CARF MF Processo nº 15771.721195/201213 Acórdão n.º 3302005.727 S3C3T2 Fl. 725 6 b) por conseguinte, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que concerne à matéria distinta; c) a renúncia às instâncias administrativas abrange os processos de constituição de crédito tributário, de reconhecimento de direito creditório do contribuinte (restituição, ressarcimento e compensação), de aplicação de pena de perdimento e qualquer outro processo que envolva a aplicação da legislação tributária ou aduaneira; d) a decisão judicial transitada em julgado, seja esta anterior ou posterior ao término do contencioso administrativo, prevalece sobre a decisão administrativa, mesmo quando aquela tenha sido desfavorável ao contribuinte e esta lhe tenha sido favorável; e) a renúncia às instâncias administrativas não impede que a Fazenda Pública dê prosseguimento normal aos seus procedimentos, a despeito do ingresso do sujeito passivo em juízo; proferirá, assim, decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, e deixará de apreciar suas razões e de conhecer de eventual petição por ele apresentada, encaminhando o processo para a inscrição em DAU do débito, quando existente, salvo a ocorrência de hipótese que suspenda a exigibilidade do crédito tributário, nos termos dos incisos II, IV e V do art. 151 do CTN; f) o mesmo raciocínio se aplica, no que couber, aos processos administrativos em que não se discuta a exigibilidade do crédito tributário lançado de ofício, mas envolvam quaisquer outras matérias de interesse do sujeito passivo, que ele opte por submeter ao exame do Poder Judiciário (nestes casos, de igual modo, o curso do processo administrativo não será suspenso, ressalvada decisão judicial incidental determinando sua suspensão); g) a competência para declarar a concomitância de instâncias e seus efeitos é da autoridade competente para decidir sobre a matéria na fase processual em que se encontra o processo administrativo, qualquer que seja o rito a que esteja submetido; h) se, no ato da impugnação do lançamento, da manifestação de inconformidade ou da interposição de qualquer espécie de recurso, o interessado não informar que a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, em desobediência ao disposto no inciso V do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, e ficar constatada a concomitância total ou parcial com processo judicial, deverá o Delegado ou o InspetorChefe da RFB negar o seguimento da impugnação ou da manifestação quanto ao objeto coincidente; i)é irrelevante, na espécie, que o processo judicial tenha sido extinto sem resolução de mérito, na forma do art. 267 do CPC, pois a renúncia às instâncias administrativas, em decorrência da opção pela via judicial, é definitiva, insuscetível de retratação; j) a definitividade da renúncia às instâncias administrativas independe de o recurso administrativo ter sido interposto antes ou após o ajuizamento da ação; k) o disposto neste Parecer aplicase de igual modo a qualquer modalidade de processo administrativo no âmbito da RFB, ainda que sujeito a rito processual diverso do Decreto n° 70.235, Fl. 725DF CARF MF Processo nº 15771.721195/201213 Acórdão n.º 3302005.727 S3C3T2 Fl. 726 7 l) a configuração da concomitância entre as esferas administrativa e judicial não impede a aplicação do disposto no art. 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002, c/c a Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 1. de 12 de fevereiro de 2014; m) ficam revogados o Parecer MF/SRF/COSIT/GAB n° 27, de 13 de fevereiro de 1996 e o ADN Cosit n° 3. de 14 de fevereiro de 1996.(grifei) (destaquei) Este é, inclusive, o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF n° 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Verificase que o disposto na alínea “a” do referido Parecer Normativo estabelece a renúncia ou desistência às instâncias administrativas, quando da propositura de ação judicial pelo contribuinte com o mesmo objeto da autuação. No presente caso, em razão de parte dos argumentos ofertados na peça de defesa, temse caracterizada a situação de que trata a alínea “a” da conclusão do Parecer Normativo Cosit n.º 07, de 22/8/2014. Deste modo, correta a decisão de primeira instância que não conheceu da impugnação apresentada pela Recorrente. IV Conclusão Diante do exposto, voto em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negarlhe provimento. É como voto (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 726DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660324/2012-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.728
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 03 24 /2 01 2- 39 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660324/201239 Acórdão n.º 3401004.728 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660324/201239 Acórdão n.º 3401004.728 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660324/201239 Acórdão n.º 3401004.728 S3C4T1 Fl. 5 4 crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660324/201239 Acórdão n.º 3401004.728 S3C4T1 Fl. 6 5 onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660324/201239 Acórdão n.º 3401004.728 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.660324/201239 Acórdão n.º 3401004.728 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 81DF CARF MF
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