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Numero do processo: 13854.000059/2005-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
COFINS NÃO-CUMULATIVO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO APLICAÇÃO E PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. ASSEPSIA DE EMBALAGENS. AQUISIÇÃO DE EMBALAGENS. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO.
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
Tratando-se de produção de alimentos, os gastos com bens e serviços utilizados na limpeza ou assepsia das embalagens para os produtos finais dão direito ao creditamento das contribuições não cumulativas, por guardarem relação de essencialidade e pertinência com o processo produtivo.
O custo com embalagens utilizadas para o transporte ou para embalar o produto para apresentação deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins, por se enquadrar no conceito de insumo, quando pertinente e essencial ao processo produtivo, desde que não ativado.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-006.091
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento. Vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), que lhe deram provimento parcial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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HIPÓTESES DE CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO APLICAÇÃO E PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. ASSEPSIA DE EMBALAGENS. AQUISIÇÃO DE EMBALAGENS. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. Tratandose de produção de alimentos, os gastos com bens e serviços utilizados na limpeza ou assepsia das embalagens para os produtos finais dão direito ao creditamento das contribuições não cumulativas, por guardarem relação de essencialidade e pertinência com o processo produtivo. O custo com embalagens utilizadas para o transporte ou para embalar o produto para apresentação deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins, por se enquadrar no conceito de insumo, quando pertinente e essencial ao processo produtivo, desde que não ativado. Recurso Especial do Procurador Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 4. 00 00 59 /2 00 5- 11 Fl. 1356DF CARF MF Processo nº 13854.000059/200511 Acórdão n.º 9303006.091 CSRFT3 Fl. 1.310 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento. Vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), que lhe deram provimento parcial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, em face do Acórdão nº 3402002.793, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 Ementa: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. ASSEPSIA DE EMBALAGENS. CREDITAMENTO. Insumos, para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas, são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo, cuja subtração obsta a atividade produtiva ou implica substancial perda de qualidade do serviço ou do produto final resultante. Tratandose de produção de alimentos, os gastos com bens e serviços utilizados na limpeza ou assepsia das embalagens para os produtos finais dão direito ao creditamento das contribuições não cumulativas, por guardarem relação de essencialidade e pertinência com o processo produtivo. INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE. O custo com embalagens utilizadas para o transporte ou para embalar o produto para apresentação deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins quando pertinente e essencial ao processo produtivo. Fl. 1357DF CARF MF Processo nº 13854.000059/200511 Acórdão n.º 9303006.091 CSRFT3 Fl. 1.311 3 CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. APROVEITAMENTO. Com o advento da Lei nº 10.925/2004 o crédito presumido da agroindústria deixou de se submeter à tríplice forma de aproveitamento estabelecida no art. 5º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.637/02 e no art. 6º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.833/03, só podendo ser utilizado para o abatimento das contribuições devidas por operações no mercado interno. O presente processo referese a pedido de Ressarcimento de Crédito da COFINS NãoCumulativa, relativo ao quarto trimestre de 2005. A Derat/SP reconheceu em parte o direito ao crédito pleiteado, conforme despacho decisório de fls. 1.064 a 1.085, confirmado pela DRJ/SP1 que, ao apreciar a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, a julgou improcedente (Acórdão 1648.831, fls. 1.200/1.210). A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas relativas ao gás nitrogênio e, sob a rubrica "material de embalagem", somente os tambores de aço TF, baldes de aço, etiquetas adesivas, lacres metálicos, tambores de aço de tampa removível, sacos plásticos, tamboretes plásticos, bombonas plásticas, fio de nylon (fitilho) e caixas de papelão. A Fazenda apresentou recurso especial (fls. 1.286 a 1.302), suscitando divergência quanto à inclusão, no cálculo do valor a ser descontado da contribuição social devida na forma da Lei n° 10.833/2003, das despesas com material de limpeza e desinfecção e embalagens utilizadas para o transporte. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi integralmente admitido pela comprovação da divergência suscitada, no que diz respeito ao conceito de insumo utilizado para fins de creditamento da COFINS, conforme despacho de admissibilidade (fls. 1.304 a 1.306). O sujeito passivo apresentou suas contrarrazões (fls. 1.313 a 1.338). É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Conforme relatado, o tempestivo recurso foi integralmente admitido pela comprovação da divergência suscitada, no que diz respeito ao conceito de insumo utilizado para fins de creditamento de COFINS. Visando comprovar a divergência, a Fazenda Nacional apresentou como paradigmas os Acórdãos nº 3302002.027 e 310100.795, cujos inteiro teor das ementas foram transcritas no recurso. O confronto das decisões comprova a divergência. Fl. 1358DF CARF MF Processo nº 13854.000059/200511 Acórdão n.º 9303006.091 CSRFT3 Fl. 1.312 4 Enquanto a turma a quo admitiu à inclusão das despesas com material de limpeza e desinfecção e com embalagens utilizadas para o transporte no cálculo do valor a ser descontado da contribuição social devida, as decisões paradigmas, em sentido contrário, firmaram entendimento quanto à não caracterização como insumos de gastos com material de limpeza e desinfecção, além de admitir crédito somente quanto às embalagens empregadas e incorporadas aos produtos fabricados durante o processo produtivo. Diante da comprovação do dissídio jurisprudencial alegado e atendido os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. Portanto, a matéria devolvida ao Colegiado cingese à questão do conceito de insumo para fins de creditamento de PIS e COFINS, em especial as despesas com material de limpeza e desinfecção e embalagens utilizadas para o transporte. Os arts. 3º, inciso II das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, dispõem sobre a possibilidade de a pessoa jurídica descontar créditos relacionados a bens e serviços, utilizados como “insumo” na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Visando normatizar o termo “insumo” a Receita Federal editou as Instruções Normativas nºs 247/02, art. 66, § 5º, no caso do PIS; e 404/04, art. 8º, § 4º, para a Cofins. Nelas, o fisco limitou a abrangência do termo “insumos” utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, à matériaprima, ao produto intermediário, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Em se tratando de serviços, os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços. Necessário, ainda, que os bens não estejam incluídos no ativo imobilizado, bem assim, os serviços sejam prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, sendo aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto ou prestação do serviço. De modo a esclarecer o alcance de tais normas em relação a casos concretos, foram editadas diversas Soluções de Consultas, por vezes conflitantes, as quais acabaram por ensejar a elaboração de inúmeras Soluções de Divergência. Na sequência dos acontecimentos, decorridos alguns anos desde a edição das leis criadoras do PIS e da Cofins na sistemática não cumulativa, percebese ser cada vez mais intenso o coro a rejeitar a não cumulatividade dessas contribuições de modo tão restritivo, nos moldes do IPI. A jurisprudência do CARF caminhou no sentido a considerar que o conceito de insumos trazido pelas normas de regência se posiciona de forma intermediária entre o conceito restritivo do IPI e aquele mais extensivo (do IRPJ). Soluções que aplicam puramente a legislação do IPI ou do IRPJ estão ficando como posições isoladas e não mais tem prosperado, em termos de votação das inúmeras turmas que tratam da matéria. Entendo que o termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos. Fl. 1359DF CARF MF Processo nº 13854.000059/200511 Acórdão n.º 9303006.091 CSRFT3 Fl. 1.313 5 Em casos similares de minha relatoria (Acórdão 9303002.630 e 9303 003.195), este colegiado aplicou esse conceito intermediário, entendendo como “insumo” aquele elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. O STJ tem reconhecido o direito aos créditos de PIS e COFINS com base no critério da essencialidade, conforme extraise do excerto da ementa do REsp 1.246.317: 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Com efeito, o conceito a ser utilizado nesse voto será a relação direta com o processo produtivo, dentro do critério da essencialidade (se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção, e se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços), além de outras permissivas contidas na lei, por óbvio. Feitos todos esses comentários, passemos à análise dos insumos, objeto do presente caso: material de limpeza e desinfecção e embalagens utilizadas para o transporte. A atividade principal da recorrida consiste na produção e exportação de suco de laranja. O item em questão, relativo à limpeza e desinfecção, é o gás nitrogênio, utilizado no processo de envase e armazenagem do suco de laranja produzido pela Recorrida. Transcrevo excerto das contrarrazões apresentadas pela Recorrida, com a referência do item em seu processo produtivo: “44. Com isso, com vistas a manter a qualidade do produto fabricado, bem como de forma a manter referida qualidade até seu destino final, a Recorrida promove intensa higienização e assepsia em seu processo produtivo. 45. Nesse sentido, a Recorrida utiliza de gás nitrogênio no processo de envase e de armazenagem do suco de laranja, cujo procedimento consiste em efetuar um sopro de nitrogênio no bocal das embalagens de suco a cada período determinado, o que elimina qualquer resíduo do local, deixandoo asséptico para fechamento. Ou seja, o nitrogênio é produto essencial ao processo produtivo da Recorrida uma vez que, ao higienizar e limpar os bocais de embalagem, elimina qualquer impureza e mantém a qualidade do suco de laranja produzido.” Analisando os fatos e as alegações da Recorrente, constatase que a decisão recorrida não merece reparos, neste ponto. Fl. 1360DF CARF MF Processo nº 13854.000059/200511 Acórdão n.º 9303006.091 CSRFT3 Fl. 1.314 6 Pelo exposto, conforme decidido pela turma a quo, constatase que o “gás nitrogênio é essencial para a obtenção do suco de laranja nas condições desejadas para comercialização e consumo humano no período de validade, eis que a subtração desse insumo no seu processo produtivo acarretaria perda substancial de qualidade do produto”. Nenhuma ressalva há que ser feita na decisão recorrida, neste ponto, sendo mantida a reversão da glosa relativa à aquisição do gás nitrogênio já decidida pelo julgador a quo. Com relação ao material de embalagem, a decisão recorrida também reverteu a glosa da fiscalização, por entender que não caberia a distinção entre material de embalagem e material de transporte para fins de direito a crédito das contribuições, visto que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também seria um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, excetuando apenas as aquisições de bens ativáveis. Também não há qualquer reparo a ser feito na decisão recorrida. Bens que, pela sua própria natureza, não se consomem no processo produtivo, e que obrigatoriamente devem ser incorporados ao ativo permanente da contribuinte, geram crédito das contribuições apenas nas despesas de depreciação, conforme normas específicas. O ponto chave para a concessão do direito creditório é saber se as embalagens, ainda que destinadas a transporte, são bens do ativo permanente da empresa ou não. Caso positivo, o direito creditório seria apenas na depreciação do bem. Caso negativo, se configuradas como essenciais e pertinentes ao processo produtivo, os gastos com embalagens geram crédito. Constatase que, sob a rubrica "material de embalagem", os tambores de aço TF, baldes de aço, etiquetas adesivas, lacres metálicos, tambores de aço de tampa removível, sacos plásticos, tamboretes plásticos, bombonas plásticas, fio de nylon (fitilho) e caixas de papelão não são materiais ativáveis e são enviados juntamente com os produtos. Portanto, dão direito ao creditamento das contribuições sociais não cumulativas. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, mantendo integralmente a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1361DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.901160/2013-96
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012
RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA ALHEIA À MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE OU AO ACÓRDÃO RECORRIDO. PRECLUSÃO.
É precluso o direito de se apresentar argumentos que não tenham sido suscitados na manifestação de inconformidade e na decisão recorrida.
RECURSO NÃO APRESENTA NOVAS RAZÕES. DECISÃO RECORRIDA. MANUTENÇÃO PELOS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS.
O recorrente, afora os argumentos não suscitados na decisão recorrida, apresenta recurso que basicamente repete e reitera as razões de manifestação de inconformidade. Nestes termos, cumpre ressaltar a faculdade garantida ao julgador da segunda instância, pelo Regimento Interno do CARF, da proposta de manutenção da decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos.
Numero da decisão: 3001-000.237
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, deixando de conhecer em relação à preclusão, vencido o conselheiro Renato Vieira de Avila que não conheceu do recurso. O conselheiro Cássio Schappo não se manifestou em relação ao conhecimento. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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MATÉRIA ALHEIA À MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE OU AO ACÓRDÃO RECORRIDO. PRECLUSÃO. É precluso o direito de se apresentar argumentos que não tenham sido suscitados na manifestação de inconformidade e na decisão recorrida. RECURSO NÃO APRESENTA NOVAS RAZÕES. DECISÃO RECORRIDA. MANUTENÇÃO PELOS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. O recorrente, afora os argumentos não suscitados na decisão recorrida, apresenta recurso que basicamente repete e reitera as razões de manifestação de inconformidade. Nestes termos, cumpre ressaltar a faculdade garantida ao julgador da segunda instância, pelo Regimento Interno do CARF, da proposta de manutenção da decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, deixando de conhecer em relação à preclusão, vencido o conselheiro Renato Vieira de Avila que não conheceu do recurso. O conselheiro Cássio Schappo não se manifestou em relação ao conhecimento. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 11 60 /2 01 3- 96 Fl. 64DF CARF MF 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 0258.352, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG DRJ/BHE que, em sessão de julgamento realizada no dia 29.07.2014, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconheceu o direito creditório postulado e, por decorrência, não homologou a compensação pleiteada. Dos fatos Por bem sintetizar os fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido (efls. 36 a 43): DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório com número de rastreamento 43266677, emitido eletronicamente em 01/02/2013, referente ao PER/DCOMP nº 04149.70481.310712.1.3.040409. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de COFINS, Código de Receita 2172, no valor de R$ 8.600,66, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 25/05/2012. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que a alegação de que não restou crédito disponível não pode ser entendida como fundamento para o DD; que a autoridade administrativa quedouse inerte na análise de qualquer situação que legitima o crédito postulado; que o processo administrativo no âmbito federal tem regulamentação própria e deve ser observada pela autoridade julgadora; que a Lei 9784, de 1999, no art. 2, inciso VIII, dispõe, entre outros, sobre os princípios da legalidade, motivação e observância das formalidades; Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10880.901160/201396 Acórdão n.º 3001000.237 S3C0T1 Fl. 65 3 que a autoridade não se deu nem sequer ao trabalho de motivar seu despacho; que se torna evidente que a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, porque o crédito propriamente dito nem sequer foi apreciado; que a autoridade administrativa limitouse a verificar se o pagamento realizado estava disponível em seus sistemas; que diversas situações que acarretariam na restituição do valor recolhido, seja pela inclusão indevida de valores na base de cálculo, seja por erro de fato na apuração do imposto, seja por situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo, hipóteses que são regulamentadas pela IN 1.300/2012; que a autoridade administrativa furtouse em analisar qualquer das possibilidades que ensejaria a restituição postulada; que simplesmente não homologar a compensação sem explicar os motivos da suposta indisponibilidade do crédito, torna a decisão totalmente nula, por não oferecer os elementos necessários para que a empresa possa promover sua defesa e a prova da existência deste crédito; que houve cerceamento de direito de defesa, porque a autoridade nem sequer intimou a empresa a prestar os esclarecimentos necessários; em observância ao princípio constitucional da eficiência, a administração está obrigada a intimar o interessado a fazer os esclarecimentos necessários e comprovar o alegado, sempre que lhe restar dúvidas; que ficou impossibilitada a oportuna apresentação de prova do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe o motivo do indeferimento, tampouco a impugnante; há de ser aplicada a regra autorizadora da produção posterior de provas, para o momento em que a lide esteja delineada em seus termos. Ao final, pedese que seja determinada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, que seja acatada a preliminar de nulidade, que sejam promovidas as diligências necessárias à comprovação do crédito, que este seja reconhecido e que a compensação seja homologada. Da decisão de 1ª Instância A 2ª Turma da DRJ/BHE, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou citado acórdão, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: Fl. 66DF CARF MF 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2012 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do recurso voluntário Irresignado com os termos do acórdão vergastado, o requerente interpôs recurso voluntário. Saliento, de plano, que referida peça é composta por dois conjuntos de argumentos, um primeiro no qual aduz que a autoridade administrativa deixou de apreciar o processo judicial 001862627.2013.4.03.6100, que segundo alega, está em trâmite na 22ª Vara Federal da Capital/SP e que julgou o pedido procedente, bem como determinou a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins do recorrente; e um segundo em que, fazendo uso de outras palavras, desenvolve os mesmos questionamentos, ou seja, aqueles já apresentados na sua manifestação de inconformidade. No que confere identidade com as alegações suscitadas em ambas as peças (manifestação de inconformidade e recurso voluntário), a fim de evidenciála, tomo a liberdade de transcrever os itens do recurso voluntário a seguir, ipsis litteris: (...) 11. Pois bem, no despacho que indeferiu o pedido da recorrente ficou consignado; A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando credito(sic) disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Grifei 12. Dessa forma, estamos diante de um ato administrativo vinculado, sendo necessário preencher os requisitos atribuídos por lei, isto é, não houvera a fundamentação de quais foram os pagamentos localizados, visto que simplesmente noticia por meio da margem da discricionariedade que foram localizados um ou mais pagamentos. 13. Dessa forma, a violação de qualquer dos princípios da Administração ou do direito administrativo, assim como suas regras, pode inibir a edição do ato, a violação isolada ou conjuntamente, sugere o exercício do controle dos atos da administração, seja por meio da aplicação dos princípios da auto tutela e tutela. 14. Deve a Recorrida rever seus próprios atos, seja para revogá los (quando inconvenientes) seja para anulálos (quando Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10880.901160/201396 Acórdão n.º 3001000.237 S3C0T1 Fl. 66 5 ilegais). "..." (Sumula(sic) 473 do Supremo Tribunal Federal))(sic). 15. A atuação administrativa desconforme, ou contraria aos princípios enunciados, carreta (sic), por isso, ao ato a invalidade dos efeitos almejados pelo agente ou pela Administração. 16. Como sabemos, a Constituição da República, em norma revestida de conteúdo VEDATÓRIO (CF, art. 5º, LVI), desautoriza, por incompatível com os postulados que regem uma sociedade fundada em bases democráticas (CF, art. 1º), qualquer prova cuja obtenção, pelo Poder Público, derive de transgressão a cláusulas de ordem constitucional, repelindo, por isso mesmo, quaisquer elementos probatórios que resultem de violação do direito material (ou, até mesmo, do direito processual), não prevalecendo, em consequência, no ordenamento normativo brasileiro, em matéria de atividade probatória, a fórmula autoritária do 'male captum, bene retetum'.(sic) 18.(sic) Assim, esse tipo de procedimento que indeferiu o pedido do contribuinte por meio de um ato discricionário e noticia que foram localizados um ou mais pagamentos, por meio de sua administração tributária, vais ao desencontro aos postulados consagrados pela Constituição da República, e revelamse inaceitáveis e não são corroborados pelo Supremo Tribunal Federal, conforme jurisprudência in verbi(sic): (...) Do encaminhamento O presente processo digital, então, foi encaminhado para ser analisado por este CARF na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da tempestividade O contribuinte, por seu procurador, segundo o "Termo de Ciência por Abertura de Mensagem Comunicado", em 14.02.2016, tomou conhecimento do acórdão de manifestação de inconformidade (efl. 47). Irresignado com a referida decisão, o recorrente, conforme o "Termo de Análise de Solicitação de Juntada" (efl. 62), em 14.03.2016, registrou a solicitação de juntada do recurso voluntário apresentado (efls. 49 a 56). No caso, compulsando as datas acima destacadas e confrontandoas com a legislação processual de regência, concluise que o recurso voluntário é tempestivo. Fl. 68DF CARF MF 6 Do não conhecimento Proferida decisão de primeira instância administrativa que seja total ou parcialmente desfavorável ao contribuinte, desta caberá recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos do art. 33 do Decreto 70.235, de 06.03.1972: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. O dispositivo acima transcrito não deixa dúvida de que os motivos de fato ou de direito, os pontos de discordância e as razões e provas que o sujeito passivo possuir devem ser apresentados em sede de impugnação/manifestação de inconformidade. Quanto ao recurso voluntário, este deve ser interposto em face da decisão de piso (recorrida), restando precluso o direito de se trazer argumentos que não tenham sido suscitados na impugnação/manifestação de inconformidade ou no decisum a quo. No entanto, compulsando a manifestação de inconformidade e o recurso voluntário constatase, conforme já evidenciado no relatório deste acórdão, que, ainda que em sede de manifestação de inconformidade o recorrente tenha se ocupado em rebater as razões de decidir do despacho decisório, para nela suscitar o acatamento das diversas preliminares aduzidas, no intuito de pretender a declaração de nulidade do despacho, por entender que este está eivado de vício insanável, em face da suposta ausência da exposição dos fundamentos que culminaram com a não homologação da compensação declarada, bem assim, para que fosse determinada a remessa dos autos para a unidade de origem, a fim de esta realizar as diligências necessárias à comprovação do alegado crédito, no recurso voluntário, para além de reprisálas circunstância que será devidamente tratada no próximo tópico, traz argumento sobre o qual foi silente na manifestação de inconformidade, qual seja, a que diz respeito ao fato de que "a autoridade administrativa" deixar "apreciar o processo judicial em tramite(sic) na 22ª Vara Federal da Capital/SP, processo n. 001862627.2013.4.03.6100, que julgou o pedido procedente, bem como determinou a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins". Vejase que, embora desprovidos de consistência, não há como conhecer do argumento contido no recurso voluntário que trata do aventado processo judicial 0018626 27.2013.4.03.6100, eis que a questão nele abordada não foi objeto da manifestação de inconformidade, tampouco da decisão recorrida. Isto porque não pode o recorrente modificar o pedido ou invocar outra causa petendi (causa de pedir) nesta fase do contencioso administrativo, sob pena de violação do princípio da congruência e ofender aos preceitos gravados nos artigos 16 e 17 do Decreto 70.235 de 1972 e nos artigos 141, 223, 329 e 492 do Código de Processo Civil, mormente quando falece razão para somente agora trazer aduzir estes novos questionamentos. Por decorrência, a matéria ventilada no recurso voluntário deve limitarse àquela trazida pelo recorrente em sua manifestação de inconformidade, posto que é defeso à parte contrária ser surpreendida com novos argumentos nesta fase processual, sob pena de violar o princípio do contraditório e da ampla defesa, da supressão de instância e da lealdade processual, que deve preponderar entre as partes e ser incentivada e supervisionada pelo órgão julgador. Da manutenção dos fundamentos da decisão recorrida Dispõe o artigo 57 do Anexo II do RICARF (Portaria MF 343 de 09.06.2015), in verbis: Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10880.901160/201396 Acórdão n.º 3001000.237 S3C0T1 Fl. 67 7 Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: (...) § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. (...) § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) (grifei) Nos termos do faculdade garantida ao julgador do colegiado ad quem, pela norma acima transcrita e grifada, a decisão recorrida deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos no que se refere (i) ao pedido de posterior juntada de prova e realização de diligência, (ii) à arguição de nulidade do despacho decisório, (iii) à motivação do despacho decisório, (iv) à falta de intimação para prestar esclarecimentos e, por fim, (v) ao ônus da prova, razão pela qual transcrevo na íntegra seu voto condutor. Vejamos: Voto A manifestação de inconformidade é tempestiva e dela tomase conhecimento. PEDIDO DE POSTERIOR JUNTADA DE PROVA E DILIGÊNCIA O momento oportuno para a juntada de provas em que se fundamentam as alegações é quando da apresentação da impugnação (art. 15 do Dec. n.º 70.235, de 1972). O § 4º e o § 5º do art.16 do Dec. n.º 70.235, de 1972, instituídos pelo art. 67 da Lei n.º 9.532, de 10 de dezembro de 1997, estabelecem a preclusão da juntada de prova documental depois de trazida a impugnação, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Sem a comprovação da ocorrência de uma dessas condições, não há falar em juntada de novos documentos. Alegase que a apresentação de provas não foi possível, porque o interessado não sabe o motivo da não homologação da compensação. O alegado desconhecimento não se justifica, conforme se demonstra no tópico seguinte deste voto. Da mesma forma, considerase não formulado o pedido de diligência que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Dec. n.º 70.235, de 1972, acrescido pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748, de 09 de dezembro de 1993 (§ 1º do Fl. 70DF CARF MF 8 mesmo art. 16). O pedido de diligência deve conter os motivos que o justifiquem e os quesitos referentes aos exames desejados, não sendo admitido quando efetuado de forma genérica. De toda sorte, o pedido de diligência deve ser indeferido, por ser prescindível. Não cabe a realização de diligência para sanar a insuficiência de prova das alegações do contribuinte. A diligência só se justifica quando há dúvida diante dos fatos; ela visa a fornecer ao julgador informações necessárias para a formação da sua convicção que não estejam a sua disposição. No caso, há nos autos elementos suficientes para a solução da lide. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO Quanto à argüição de nulidade do despacho, ela é descabida. A matéria é regida pelos arts. 59 e 60 do Dec. n.º 70.235, de 1972, abaixo transcritos: "Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ................................................... Art. 60 As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio." O despacho contestado não é nulo, porque não observadas as hipóteses do inciso II do art. 59 acima transcrito. O ato foi lavrado por autoridade competente e não houve preterição do direito de defesa. A alegada falta de motivação do despacho não se confirma e a falta de intimação prévia não prejudica a defesa, conforme será demonstrado em tópico mais adiante deste voto. Outras irregularidades, incorreções e omissões não importam nulidade, mas saneamento, quando muito. Entretanto, nada há que demande o saneamento previsto no art. 60 do Dec. n.º 70.235, de 1972, transcrito no item anterior deste voto. No ato contestado não há o que prejudique o próprio processo, ou o estabelecimento da relação jurídica processual, nele constando todas as formalidades exigidas na legislação para que seja considerado válido ou juridicamente perfeito. Em verdade, não se verificam, no despacho decisório, irregularidades, incorreções nem omissões que prejudiquem o reclamante, ou influam na solução do litígio. Motivação do Despacho Decisório O despacho não deixa dúvida quanto à sua motivação: o fundamento de fato para a não homologação é a inexistência do crédito utilizado na compensação; o fundamento legal é, entre outros, o art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996. O caput do referido artigo diz que o sujeito passivo que apurar crédito passível de restituição ou de ressarcimento poderá utilizálo na Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10880.901160/201396 Acórdão n.º 3001000.237 S3C0T1 Fl. 68 9 compensação de débitos próprios. Isso significa que, se o sujeito passivo não apurar crédito passível de restituição ou ressarcimento, não poderá fazer compensação. Portanto, a inexistência do crédito utilizado no PER/DCOMP é fundamento de fato legítimo e suficiente para a não homologação. O despacho decisório explicita de maneira fundamentada, como se concluiu pela inexistência do crédito utilizado. Lá consta que o Darf apresentado como origem do crédito foi utilizado para pagamento de tributo declarado. Entre as informações nele apresentadas, estão o valor original do débito declarado, seu período de apuração e o código do tributo. Demonstrase, assim, que o despacho traz, de forma explícita, a motivação da não homologação. A exposição é clara e exaustiva, não havendo preterição do direito de defesa. A análise da motivação é questão de mérito. Sua eventual improcedência não é motivo de nulidade e não afeta o estabelecimento da relação jurídica processual. Falta de Intimação Para Prestar Esclarecimentos Pelo que dispõe o Decreto nº 70.235, de 1972, não constitui irregularidade a falta de oportunidade para a manifestação do sujeito passivo antes da ciência do despacho decisório de não homologação da compensação. O Decreto nº 70.235, de 1972, rege o processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União e o de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal (art. 1º). A sua sistemática compreende a existência de autos de infração ou notificações de lançamento, que formalizam a exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada, nos termos de seu art. 9º, com a redação data pela Lei nº 8.748, de 1993. No caso, não se trata de processo de exigência de crédito tributário, mas de não homologação de compensação. Outras normas facultaram a apresentação de reclamação contra atos administrativos distintos do lançamento e imputaram a competência de seu julgamento, em 1ª instância, também às Delegacias da Receita Federal de Julgamento. Diz o § 9º do art. 74 da Lei n.º 9.430, 27 de dezembro de 1996, que é facultado ao sujeito passivo, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. De acordo com o § 11 do mesmo artigo 74, a manifestação de inconformidade de que trata o § 9º segue o Decreto n.º 70.235, de 1972. O Dec. n.º 70.235, de 1972, tratou da lide fiscal como algo que gira em torno da exigência fiscal e é por ela delimitada. Antes da formalização da exigência, com a ciência do auto de infração, não há o que contestar, não há do que se defender, não há litígio. Intimações para prestar esclarecimentos, quando feitas Fl. 72DF CARF MF 10 no curso das investigações, não conferem contraditório; respostas a elas dadas não constituem defesa, pois sem auto de infração, não há acusação do que se defender. A impugnação da exigência é que instaura a fase litigiosa do procedimento (art. 14 do Dec. n.º 70.235, de 1972). O direito ao contraditório e a ampla defesa surgem com a ciência do lançamento. No processo de nãohomologação de compensação não há auto de infração nem lançamento. O despacho decisório não constitui “decisão” no processo administrativo, e sim ato contra o qual se instaura o litígio. O tratamento que o Decreto determina para o auto de infração deve ser dado ao despacho decisório contestado (ato de nãohomologação da compensação); o tratamento determinado para a impugnação deve ser dado à manifestação de inconformidade. Assim sendo, o litígio só se instaura com a apresentação da manifestação de inconformidade. Antes da ciência do despacho decisório, não há falar em contraditório, muito menos em oportunidade para o sujeito passivo se manifestar contra a motivação da nãohomologação da compensação. Assim sendo, é despropositada a alegação de falta de oportunidade para defesa. A oportunidade foi dada pelo despacho decisório, no qual o sujeito passivo é alertado para o direito ao contraditório que lhe assiste. Tal direito foi exercido com a apresentação de manifestação de inconformidade. A análise que aqui se faz da manifestação de inconformidade comprova que o direito de defesa e o devido processo legal estão sendo respeitados. ÔNUS DA PROVA É condição indispensável para a homologação da compensação pretendida, que o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública seja líquido e certo (art. 170 do CTN). Em um processo de restituição, ressarcimento ou compensação, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, quer por pedido de restituição ou ressarcimento, quer por compensação, em ambos os casos mediante a apresentação do PER/DCOMP, de tal sorte que incumbirá a ele – o contribuinte – demonstrar seu direito. Levandose em conta que o crédito oferecido à compensação deve ser líquido e certo, concluise que a RFB deve indeferir o pedido ou não homologar a compensação, quando não há certeza e liquidez, como ocorre nos casos de contradição do próprio contribuinte em suas declarações. Se o Darf indicado como origem do crédito utilizado no PER/DCOMP foi anteriormente vinculado em DCTF pelo próprio sujeito passivo a um débito nela declarado, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. A DCTF tem a natureza jurídica de confissão de dívida e é instrumento hábil e suficiente para a exigência do débito nela confessado. A declaração presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 219 e CPC, art. 368). A declaração válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10880.901160/201396 Acórdão n.º 3001000.237 S3C0T1 Fl. 69 11 o sujeito passivo e em favor do fisco. Assim, para contestar o fundamento do despacho decisório, cabe ao recorrente demonstrar erro ou a falsidade de sua DCTF. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. O contribuinte não trouxe aos autos nenhum documento contábil ou fiscal que demonstrasse suas afirmações genéricas. Ele alega que há situações que podem dar ensejo à restituição, como a inclusão indevida de valores na base de cálculo, erro material na apuração do imposto e reduções de valores da base de cálculo que são autorizadas. Contudo, não prova nenhuma situação concreta que o favoreça e que não tenha sido considerada na apuração do débito confessado em DCTF. As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo podem ser assim consolidadas: (...) Ainda que o DARF utilizado constituísse pagamento indevido, não seria suficiente para fazer frente a tantas compensações com ele pretendidas. O mesmo DARF, no valor de R$ 8.730,85, foi utilizado em 16 PER/DCOMP para compensar débitos que somam R$ 126.257,13, conforme abaixo discriminado: PER/DCOMP Nº PROCESSO TOTAL DÉBITO 1 04149.70481.310712.1.3.040409 10880.901160/201396 8.632,81 2 36094.19042.301012.1.3.048053 10880.901161/201331 8.734,16 3 12303.62092.301012.1.3.049050 10880.901162/201385 6.403,97 4 40587.35976.191212.1.3.042732 10880.901163/201320 7.355,73 5 30023.26009.260313.1.3.042728 9.274,77 6 32770.24109.190413.1.3.040093 8.720,85 7 34217.56586.190413.1.3.040240 8.711,23 8 35783.65062.190413.1.3.041008 8.730,85 9 36580.53877.230513.1.3.049285 8.640,21 10 41183.75600.230513.1.3.048023 9.123,56 11 30295.79067.230513.1.3.049453 5.858,42 12 10698.02195.230513.1.3.044407 9.325,45 13 39690.61584.230513.1.3.045474 9.312,32 14 13124.37746.230513.1.3.047838 6.258,11 15 21738.25268.160813.1.3.040172 6.274,70 16 19945.52157.160813.1.3.049510 4.899,99 SOMA 126.257,13 Fl. 74DF CARF MF 12 Isto porque, ao meu sentir resta absolutamente demonstrado (i) a lisura do procedimento que culminou no despacho decisório, (ii) seus aspectos intrínsecos e extrínsecos e, de resto, (iii) a ausência de fundamentos jurídicos e fáticos que pudessem dar guarida às pretensões do recorrente, posto que não logrou, seja em sede de manifestação de inconformidade seja em fase recursal, comprovar, de forma mínima sequer, a existência do suposto crédito, informado no PER/DCOMP 04149.70481.310712.1.3.040409. Por todos esses fatos, não tenho como chegar a outra conclusão senão a de que a decisão contida no acórdão recorrido é inelutável. Da conclusão Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer da parte do Recurso Voluntário apresentado que trata da não apreciação do processo judicial 0018626 27.2013.4.03.6100, em face da preclusão, e na parte conhecida negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 75DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.002467/2006-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2004 a 30/09/2005
COFINS. CRÉDITOS. REGIME NÃO CUMULATIVO. ROYALTIES
Royalty enquanto remuneração pelo direito de uso de determinada tecnologia, escapam da autorização legal para descontar créditos, haja vista não se tratar, nem de aquisição bem, nem de contratação de serviço.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3402-004.893
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Maysa de Sá Pittondo Deligne que deram provimento ao Recurso, nos termos da declaração de voto do Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2004 a 30/09/2005 COFINS. CRÉDITOS. REGIME NÃO CUMULATIVO. ROYALTIES Royalty enquanto remuneração pelo direito de uso de determinada tecnologia, escapam da autorização legal para descontar créditos, haja vista não se tratar, nem de aquisição bem, nem de contratação de serviço. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Maysa de Sá Pittondo Deligne que deram provimento ao Recurso, nos termos da declaração de voto do Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 24 67 /2 00 6- 71 Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10865.002467/200671 Acórdão n.º 3402004.893 S3C4T2 Fl. 297 2 Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de Créditos da COFINS Exportação, requerido pela empresa KSPG AUTOMOTIVE BRAZIL LTDA. (fls. 03/06), relativos aos períodos de apuração: abril a junho de 2006, no valor de R$ 1.747.167,27, e de Declarações de Compensação vinculadas ao referido crédito (fls. 03/14, 53/56 e 179/180). A DRF de Piracicaba/SP, por meio do Despacho Decisório de fls. 181/185, reconheceu o crédito parcialmente, no montante de R$ 1.644.657,12 (de um total pleiteado de R$ 1.747.167,27), e homologou as compensações até o limite do direito creditório reconhecido. De acordo com o Fisco, a diferença de crédito não homologada está relacionada a 2 itens específicos: (i) aquisição de sucata de alumínio e (ii) royalties. Por bem narrar os fatos e com a devida clareza, valhome do relatório da decisão nº 1454.883, de 19/11/2014, prolatada pela DRJ em Ribeirão Preto/SP, vazada nos seguintes termos (fls. 242/261): "(...) Neste despacho decisório, a autoridade administrativa assim fundamenta sua decisão (os destaques são do original): Através de análise às peças do processo observamse as averiguações dos Serviços de Fiscalização, das Delegacias da Receita Federal, em Limeira e Piracicaba, tendo como resultado as Informações Fiscais (fls. 43/44) e (164/168), das quais se extraiu os seguintes trechos: DRF/LIMEIRA "... Resposta às intimações com a juntada de documentos, além de Planilhas demonstrando a conciliação dos valores constantes dos DACONS, com os dos Balancetes Contábeis e da Escrituração Fiscal, comparando os valores registrados nos CF0Ps, com as Notas Fiscais e pelo trabalho desenvolvido na empresa, chegamos à conclusão de que a compensação de R$ 982.216,29, registrada às fls. 03/04 do Processo, referente ao saldo remanescente, está em consonância com os registros anteriormente escriturados e que obedeceram a legislação vigente à época dos fatos. Assim sendo, somos de parecer favorável à concordância com o requerido..." DRF/PIRACICABA A KSPG Automotive Brazil Ltda, atual denominação da KS Pistões Ltda, apurou um montante de R$ 2.035.051,69 em créditos da COFINS não cumulativa Exportação, no período de apuração 2° trimestre de 2006. Deste montante utilizou R$ 287.884,42 para deduções da própria contribuição, remanescendo a importância de R$ 1.747.167,27 para realizar compensações (fl. 04). De acordo com informações do processo ( fl. 56), a DRF/Limeira legitimou créditos de apenas R$ 982.216,29, ficando a cargo desta fiscalização a análise da procedência do montante integral apurado no trimestre. Da análise por amostragem da documentação apresentada pela empresa para averiguações sobre a legitimidade dos créditos do trimestre, dois itens de despesas suscitaram dúvidas: aquisição Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10865.002467/200671 Acórdão n.º 3402004.893 S3C4T2 Fl. 298 3 de sucata de alumínio e Royalties, que serão analisados a seguir: Aquisição de Sucata de Alumínio Vedada a utilização de crédito de que tratam o inciso II do caput do art. 3° da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e o inciso ll do caput do art. 3° da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, pelas aquisições de desperdícios, resíduos ou aparas de plástico, de papel ou cartão, de vidro, de ferro ou ago, de cobre, de níquel, de alumínio, de chumbo, de zinco e de estanho, (art. 47 da Lei 11.196/2005). Neste item glosados os valores de: R$ 14.039,63 e R$ 15.929,75, respectivamente em relação aos meses de abril e maio de 2006. Como os percentuais de rateio em relação aos mercados interno e externo nos meses de abril e maio de 2006, foram de 50% e 44% para o mercado externo, os valores glosados efetivamente foram: R$ 7.019,81 e R$ 7.009,09 = R$ 14.028,90. Royalties Simplesmente por não serem considerados insumos, não podem ser utilizados para fins de desconto de crédito na apuração da COFINS nãocumulativa. São considerados insumos os serviços aplicados diretamente na produção ou fabricação dos produtos a serem vendidos (Lei 10.833/2003, art. 3°, inciso II, e Lei 10.865/2004, art. 15, inciso II). Neste item glosados os valores de: R$ 64.989,31, R$ 58.870,09 e R$ 66.852,77, respectivamente em relação aos meses de abril a junho de 2006. Como os percentuais de rateio em relação aos mercados interno e externo nos meses de abril a junho de 2006, foram de 50%, 44% e 45% para o mercado externo, os valores glosados efetivamente foram: R$ 32.494,66, R$ 25.902,84 e R$ 30.083,75 = R$ 88.481,25. As glosas totais em créditos da Cofins Exportação foram de R$ 102.510,15. Assim sendo, os créditos apurados no 2° trimestre de 2006, disponível para compensação são de valor R$ 1.644.657,12, conforme quadro de fl. 163. Como a DRF em Limeira já homologou créditos no valor de R$ 982.216,29, resta para nova compensação o valor de R$ 662.440,83. Propõe o auditor diligente o retorno do processo ao SEORT para a decisão do pleito. Pois bem, em face do parecer parcialmente favorável, do auditor diligente da DRF em Piracicaba, e por estarem os créditos da COFINS — NÃO CUMULATIVA, na conformidade da IN SRF n° 460/2004, que tem por base legal as Leis 10.637/02 e 10.833/2003, é de se proceder à compensação pedida pela empresa, no valor de R$ 1.644.657,12, em decorrência das glosas anteriormente mostradas. Por pertinente vejamos o que estabelece a referida Instrução Normativa 460/2004. (…) Fl. 298DF CARF MF Processo nº 10865.002467/200671 Acórdão n.º 3402004.893 S3C4T2 Fl. 299 4 Registrese, por oportuno, que houve pleito de compensação eletrônica utilizando este direito de crédito conforme pesquisa extraída do Sistema CPERDCOMP Consulta parâmetros básicos, de fl. 169, contudo baixado para tratamento manual através deste processo, e os débitos estão cadastrados no SINCORPROFISC segundo acusa o extrato de f1. 46, além do SIEF Fiscalização Eletrônica (fl. 150). (...) Cientificada do despacho decisório, a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 196/209, na qual “admite que registrou incorretamente créditos de COFINS decorrentes da aquisição de sucata de alumínio”, informa o pagamento dos débitos que haviam sido compensados com os referidos créditos, e contesta as glosas relativas às despesas com royalties. A este respeito, alega, em síntese e fundamentalmente, a essencialidade, para a produção dos pistões, do “knowhow” transferido por sua matriz. Sustenta que, em face dessa essencialidade, o “knowhow” configuraria um insumo absolutamente necessário a seu processo produtivo e, consequentemente, seria uma despesa que ensejaria o direito ao crédito de Cofins. Prossegue com arrazoado sobre a essencialidade do knowhow transferido por sua matriz para a produção de pistões, configurandose assim em insumo no seu processo produtivo, enquadrandose no conceito estabelecido no art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 e, em conseqüência, gerando direito a crédito das contribuições não cumulativas. Sustenta que o argumento utilizado pela fiscalização, de que os royalties não estariam ligados à produção, já que a obrigação contratual com a matriz surge apenas quando os produtos já estão prontos e acabados, seria absolutamente equivocado. E ainda, que não há dúvidas de que a tecnologia adquirida pela Impugnante é absolutamente necessária e está totalmente vinculada à produção dos pistões, e a forma de determinação do valor a ser pago não altera a natureza dos insumos adquiridos. Transcreve trechos do contrato entre a Impugnante e sua matriz e expõe pormenores de seu processo produtivo, com o intuito de demonstrar a imprescindibilidade da transferência de tecnologia remunerada pelos royalties para seu processo produtivo. Refuta novamente a vinculação do critério de remuneração à caracterização dos royalties como insumo, e transcreve ementa da Solução de Consulta nº 62/2009, proferida pela Superintendência Regional da Receita Federal – 10ª RF. Conclui o tema, defendendo a tese de que o termo “insumo” deve ser interpretado de forma ampla, como todo e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, transcrevendo jurisprudência do Carf e STJ. Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10865.002467/200671 Acórdão n.º 3402004.893 S3C4T2 Fl. 300 5 É o relatório. No entanto, os argumentos aduzidos pela Recorrente, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão DRJ/RPO abaixo transcrito (fl. 242): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2004 a 30/09/2005 CRÉDITOS. INSUMOS. ROYALTIES. Os valores pagos a título de royalties não se enquadram no conceito de insumo e não geram créditos a serem descontados das contribuições não cumulativas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Regularmente notificado do julgado em 29/01/2015 (fl. 266) e não concordando, a Recorrente apresentou seu recurso voluntário em 09/02/2015 (fls. 268/282), reiterando os argumentos expendidos na Manifestação de Inconformidade, em resumo com as seguintes razões: a. Da caracterização dos royalties como insumo a Recorrente não concorda com a glosa dos créditos de COFINS decorrentes dos pagamentos por ela realizados a título de royalties por transferência de tecnologia à sua matriz (KS Kolbenschmidt GmbH) estabelecida na Alemanha, na medida em que essa tecnologia (knowhow) consiste em insumo absolutamente necessário a seu processo produtivo e, assim, lhe confere o direito ao crédito de COFINS; que o principal argumento da fiscalização é no sentido de que os royalties não estariam ligados à produção dos pistões, já que a obrigação contratual com a matriz apenas surge quando os produtos já estão prontos e acabados; já conclusão alcançada na DRJ foi no sentido de que os royalües pagos não ensejariam os créditos de COFINS pleiteados, já que não se tratam de insumo empregado na produção ou fabricação dos produtos destinados à venda, conforme definido pelas Instruções Normativas 247/02 e 404/04; o knowhow que é fornecido à Recorrente nada mais é do que a transferência de toda a tecnologia, suporte, experiência e conhecimento necessários à produção dos pistões. É evidente que o knowhow para produção é necessário e diretamente aplicado ao processo produtivo, constituindo, sem sombra de dúvidas, em insumo para a produção. transcreve no recurso os principais dispositivos do contrato celebrado entre a Recorrente e sua matriz, onde a transferência de todo esse knowhow pode ser constatada; demonstrando a essencialidade da tecnologia que é fornecida por sua matriz, a Recorrente expõe no corpo do recurso, de forma sumarizada, o funcionamento do seu processo produtivo; Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10865.002467/200671 Acórdão n.º 3402004.893 S3C4T2 Fl. 301 6 b. Da impertinência do critério de remuneração à caracterização dos royalties como insumo a fiscalização acaba por atrelar, de forma incorreta, o conceito de insumo ao critério de pagamento estipulado contratualmente. De acordo com o entendimento exposto pelo agente autuante, o knowhow não seria um insumo pelo fato do pagamento dos royalties respectivos ser feito em função da venda e não da produção dos pistões; ou seja, o Fisco baseouse primordialmente na forma de remuneração da tecnologia descrita acima para definir se são insumos ou não e deixando de examinar, no caso concreto, se eles são ou não aplicados na produção. c. Do conceito de insumo imputado pelas dd. autoridades fiscais vale reiterar que o entendimento exposto pela fiscalização, baseado essencialmente nas Instruções Normativa n°s 247/02 e 404/044, no sentido de que somente deveriam ser tratados como insumos bens e serviços consumidos no processo de produção, deve ser prontamente afastado, por falta de fundamento legal na legislação da COFINS e pela falta de pertinência à sistemática dessas contribuições. Cita precedentes do CARF. Por fim, requer o provimento do presente apelo e que seja reformada a decisão de piso, de forma que seja reconhecido o direito aos créditos de COFINS e, consequentemente, canceladas as exigências fiscais que ainda estão em disputa. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator 1. Da admissibilidade do Recurso O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 2. Objeto da lide A disputa travada nos autos deste processo está estritamente relacionada à possibilidade ou não do registro de créditos de COFINS/Importação, em decorrência dos pagamentos efetuados pela Recorrente à sua matriz a título de royalties por transferência de tecnologia (knowhow). Cumpre destacar que a COFINS/Importação sobre o pagamento de royalties foi integralmente recolhida aos cofres públicos pela Recorrente, tal como reconhecido no Relatório de Fiscalização de fls. 173/177. 3. Do Conceito de Insumos Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10865.002467/200671 Acórdão n.º 3402004.893 S3C4T2 Fl. 302 7 No que se refere ao desconto de créditos, o núcleo da questão em combate, concentrase sobre a subsunção no conceito de insumos bens e serviços adquiridos, que geram direito aos créditos de PIS e da COFINS. É pertinente, portanto, que, antes do exame das questões fáticas objeto da controvérsia sejam feitas breves considerações acerca do referido regime de incidência, nas quais abordaremos, em conjunto, questões atinentes aos regimes da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, dada a similitude existente entre os mesmos. O regime de incidência nãocumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS foi instituído, respectivamente, pelas leis nº 10.637, de 30/12/2002 (conversão da Medida Provisória no 66, de 2002), e 10.833, de 29/12/2003 (conversão da medida Provisória no 135, de 2003), tendo passado a produzir efeitos, em relação à nãocumulatividade dessas contribuições na mesma ordem a partir de 1o de dezembro de 2002 e de 1o de fevereiro de 2004. Atualmente, este Conselho Administrativo (CARF), na maior parte de suas decisões, não tem adotado, para fins de aproveitamento de créditos do PIS/Pasep e da Cofins, a interpretação do conceito de insumos segundo a legislação do Imposto de Renda, nem aquela veiculada pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004, conforme bem esclarece o Acórdão nº 3403002.656, julgado em 28/11/2013, Relator Conselheiro Rosaldo Trevisan, cuja ementa ora se transcreve: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Acórdão nº 3402003.169, julgado em 20/07/2016, Relator Conselheiro Antonio Carlos Atulim: REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo apenas os “bens e serviços” que integram o custo de produção. Filiome ao entendimento deste CARF que tem aceitado os créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que neles sejam empregados indiretamente, Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10865.002467/200671 Acórdão n.º 3402004.893 S3C4T2 Fl. 303 8 conforme ilustra a ementa abaixo do Acórdão nº 3403003.052, julgado em 23/07/2014, por voto condutor do Relator Conselheiro Alexandre Kern: (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes (...). Como vimos acima, concluímos que geram direito de crédito todos os insumos bens ou serviços que sejam aplicados na produção de bens ou serviços, cuja receita esteja sujeita à incidência sob o regime nãocumulativo. No entanto, não é toda e qualquer aquisição que gera direito de crédito, mas apenas aquelas que se enquadrem nas hipóteses de crédito previstas nas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. São estas Leis a fonte primária de definição dos critérios para o direito de crédito. Em suma, o entendimento deste Conselho, com efeito, é de que: “O conceito de insumo previsto no inciso II do art. 3° da Lei n° 10.637/02 e normalizado pela IN SRF n° 247/02, art. 66, § 5°, inciso I, na apuração de créditos a descontar do PIS não cumulativo, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária à atividade da empresa, mas tão somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. (…) (Acórdão 330100.423, Processo 11080.003383/200483, Rel. Cons. Maurício Taveira e Silva, j. 03/02/2010). Em resumo, especificamente falando, são os custos de produção, gastos incorridos no processo direto propriamente dito de obtenção de produtos e de serviços colocados à venda, não se incluindo nesse grupo, como exemplo, as despesas financeiras, as despesas de venda e as de administração, as quais constituem, do ponto de vista contábil, as despesas gerais de uma empresa. Nesse escopo, para decidir quanto ao direito ao crédito de PIS e da COFINS nãocumulativo é imprescindível que primeiro se confiram as características da atividade produtiva desenvolvida pela empresa para, então, analisar neste caso sob exame, quais as Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10865.002467/200671 Acórdão n.º 3402004.893 S3C4T2 Fl. 304 9 aquisições que configuram insumo para os bens e serviços por ela produzidos (que integram o custo de produção). Consta do Recurso Voluntário à fls. 273/275 dos autos, um sumário do seu processo produtivo, onde especifica que o objetivo é a fabricação de: "PISTÕES", nos termos do presente contrato, são pistões de metal leve de até 160 mm de diâmetro para motores de combustão." "Os pistões são peças utilizadas nos motores a combustão interna desde sua invenção, por volta de 1860. Apesar de suas funções básicas não terem mudado desde então, os desenvolvimentos e melhorias tecnológicas constantemente desafiam os limites operacionais dessas peças. A necessidade de manter o bom desempenho, mesmo tendo condições cada vez mais adversas, impulsiona a pesquisa e o desenvolvimento nesse campo". Os adquirentes das peças, são os fabricantes de motosserras e de motocicletas. 4. Das despesas com os Royalties (knowhow) A Recorrente controverte em seu recurso a glosa dos créditos tomados sobre o pagamento de Royalties. Afirma a Recorrente em seu recurso que, "(...) Com efeito, o fato de a remuneração ser atrelada ao volume de vendas não interfere na caracterização do knowhow como insumo de produção. Como detalhadamente exposto acima, os pistões apenas estão prontos e acabados porque a Recorrente se utilizou do knowhow adquirido de sua matriz. Sem esse knowhow, repitase, não haveria produção de pistões e, obviamente, receita decorrente da venda desse produto". Por outro lado, vale transcrever os argumentos expostos pela Fiscalização em seu Relatório, para sustentar a glosa dos créditos em debate (fl. 175): "(...) São considerados insumos os serviços aplicados diretamente na produção ou fabricação dos produtos a serem vendidos (Lei 10.833/2003, art. 3°, inciso II, e Lei 10.865/2004, art. 15, inciso II). Estes serviços são prestados durante o processo de fabricação, quando ainda os produtos não estão prontos. A remuneração paga pela KS do Brasil à sua matriz alemã, a titulo de Royalties, não tem nada a ver com a produção. Esta obrigação surge somente quando a KS Brasil vende pistões que já estão prontos e acabados". "Fica claro, pelo exposto acima, que os royalties não são necessários para a produção em si dos Pistões, é apenas uma obrigação contratual entre particulares. Não é um item de despesa do processo produtivo, por isso não é considerado insumo e, portanto, não gera crédito ". Primeiramente, entendo que há a necessitada de visitar o dispositivo legal que trata do que venham a ser insumos, enquanto concessores do direito ao desconto de créditos, nos seguintes termos do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003: Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I (...). II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10865.002467/200671 Acórdão n.º 3402004.893 S3C4T2 Fl. 305 10 lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004). Portanto, é importante repisar que o inciso II, do artigo 3° da lei acima (que rege a não cumulatividade das contribuições sociais), admitem o desconto de créditos com relação a bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou à prestação de serviços. Os “royalties”, no direito brasileiro, representam pagamentos decorrentes da exploração lucrativa de bens incorpóreos (direito de uso) vinculados à transmissão de tecnologia, representados pela propriedade de invento patenteado, assim como conhecimentos tecnológicos, fórmulas, processos de fabricação, e ainda, marcas de indústria ou comércio notórias, aptas a produzir riqueza através da comercialização, em virtude da aceitação dos produtos que a representam, conforme se verifica do artigo 22 da Lei nº 4.506, de 1964, in verbis: “Art. 22. Serão classificados como “royalties” os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos, tais como: a) direito de colher ou extrair recursos vegetais, inclusive florestais; b) direito de pesquisar e extrair recursos minerais; c) uso ou exploração de invenções, processos e fórmulas de fabricação e de marcas de indústria e comércio; d) exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra. Parágrafo único. Os juros de mora e quaisquer outras compensações pelo atraso no pagamento dos “royalties” acompanharão a classificação destes.” Nas convenções internacionais, em regra, o termo “royalties”, designa as remunerações derivadas da transferência de tecnologia, quais sejam, o uso ou concessão do uso e equipamentos industriais, comerciais ou científicos e informações correspondentes à experiência adquirida no setor industrial, comercial ou científico. Nessa esteira, prossegue a Recorrente em seu recurso informando que "(...) Como já exposto nos autos deste processo, o knowhow que é fornecido à Recorrente nada mais é do que a transferência de toda a tecnologia, suporte, experiência e conhecimento necessários à produção dos pistões. É evidente que o knowhow para produção é necessário e diretamente aplicado ao processo produtivo, constituindo, sem sombra de dúvidas, em insumo para a produção. "(...) 2.1 A KS confere à KSP o direito não exclusivo de produzir PISTÕES no Brasil, fazendo uso do KNOWHOW e das PATENTES, bem como de vender no Brasil e, nos termos dos incisos 2.2 e 2.3, também em outros países, os PISTÕES produzidos." Como se sabe, o contrato de “knowhow” é aquele mediante o qual o licenciante transmite informações tecnológicas previamente existentes de natureza sigilosa que lhe pertencem, por cessão temporária ou definitiva de direitos, autorizando o licenciatário a Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10865.002467/200671 Acórdão n.º 3402004.893 S3C4T2 Fl. 306 11 explorar por conta própria, sem que o licenciante interfira na aplicação da tecnologia ou garanta o resultado. Dentro desse contexto, quando discorrendo sobre a natureza jurídica dos royalties, desta forma restou bem definido pelo Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, no Acórdão nº 3402003.821, de 26/01/2017: " (...) 24. No caso decidendo o que se afigura é a transferência de tecnologia desenvolvida pela empresa estrangeira para fins de fabricação de automóveis no país, mediante a contrapartida do pagamento de royalties pela empresa nacional em favor da detentora desta tecnologia. 25. Dessa feita, o que se percebe existir aqui é a cessão de um direito e não a prestação de um serviço, na medida em que a obrigação avençada apresenta natureza de obrigação de dar e não de fazer. Logo, os valores pagos pela recorrente para a empresa estrangeira e que foram objeto de autuação apresentam natureza jurídica de royalties e não de remuneração de serviço, o que afasta a exigência fiscal aqui tratada". (Grifei) Pois bem. Como já abordado neste voto, a controvérsia aqui discutida trata da possibilidade de tomada de créditos a título de insumo sobre royalties pagos na importação de tecnologia. Entendo que, a luz da legislação e dos conceitos que rege a matéria aqui discutido, o direito ao crédito de COFINS estaria circunscrito a aquisição de bens ou serviços, e que os royalties não representariam nenhum dos dois institutos referidos. Segundo Alberto Xavier, em “Direito Tributário Internacional do Brasil” (Editora Forense, Rio de Janeiro, 6ª edição, 2004. p. 765), Royalty é uma categoria de rendimentos que representa a remuneração pelo uso, fruição ou exploração de determinados direitos (bens incorpóreos), diferentemente dos aluguéis, que representam a retribuição do capital aplicado em bens corpóreos, e dos juros, que exprimem a contrapartida do capital financeiro. Portanto, diante do conceito de insumo definido neste voto e a luz da legislação vigente, é forçoso concluir que as despesas de royalties que é a remuneração paga pelo direito de uso de determinada tecnologia, não geram direito a crédito na apuração da COFINS não cumulativa, por não se caracterizar como aquisição de bens nem da contratação de serviços utilizados como insumos na produção de bens da Recorrente, além de não estarem relacionadas entre as demais despesas listadas na Leis nº 10.833, de 2003, como passíveis de creditamento. Por fim, nesse mesmo sentido é também o entendimento predominante pela RFB, como se vê nas Soluções de Consultas de diversas Superintendências Regionais, indicadas a seguir: Solução de Consulta 57/2007 SRRF/5ª RF ; (Solução de Consulta 343/2005 SRRF/6ª RF; Solução de Consulta 194/2005 SRRF/7ª RF; Solução de Consulta 372/2010 SRRF/8ª RF; Solução de Consulta 115/2006 SRRF/10ª RF e Solução de Consulta 199/2009 SRRF/9ª RF. Na decisão a quo, restou consignado que por haver uma série de posicionamentos contrários nas diversas Regiões Fiscais da Receita Federal, a Coordenação Geral do Sistema de Tributação (Cosit) proferiu a Solução de Divergência nº 11/2011, pacificando o entendimento: Fl. 306DF CARF MF Processo nº 10865.002467/200671 Acórdão n.º 3402004.893 S3C4T2 Fl. 307 12 Royalties. Não haverá incidência da Contribuição para o PIS/PasepImportação sobre o valor pago a título de Royalties, se o contrato discriminar os valores dos Royalties, dos serviços técnicos e da assistência técnica de forma individualizada. Neste caso, a contribuição sobre a importação incidirá apenas sobre os valores dos serviços conexos contratados. Porém, se o contrato não for suficientemente claro para individualizar estes componentes, o valor total deverá ser considerado referente a serviços e sofrer a incidência da mencionada contribuição. (Grifei) E o fundamento desse entendimento foi justamente o fato dos royalties não corresponderem a uma prestação de serviços, impossibilitando seu enquadramento como insumo e, em decorrência, a geração de créditos. Concluindo, enquanto remuneração pelo direito de uso de determinada tecnologia, os royalties escapam da autorização legal, haja vista não se tratar, nem de aquisição de bem, nem de contratação de serviço. 5. Conclusão Forte em todo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Declaração de Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Peço vênia ao Ilustre Relator para expor aqui as razões de minha divergência quanto à possibilidade de creditamento dos gastos a título de royalties pagos em razão da cessão de direito de uso de know how específico e essencial ao processo produtivo da Recorrente. De saída, é preciso frisar que acompanhamos o Relator na questão prejudicial relativa ao conceito de insumo para fins de créditos de PIS/Cofins, adotando a concepção versada no Acórdão nº 3402003.169, julgado em 20/07/2016, Relator Conselheiro Antonio Carlos Atulim: REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10865.002467/200671 Acórdão n.º 3402004.893 S3C4T2 Fl. 308 13 legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo apenas os “bens e serviços” que integram o custo de produção. Dito isto, aderimos ao ponto de partida do voto do relator, ao concluir que geram direito de crédito todos os insumos bens ou serviços que sejam aplicados na produção de bens ou serviços, cuja receita esteja sujeita à incidência sob o regime não cumulativo. Se verifica, portanto, que esse critério é erigido à partir de uma relação de pertinência do bem ou serviço em relação ao processo produtivo da Recorrente, deixando evidente a intenção do legislador em permitir o creditamento dos custos, mas não das despesas do contribuinte. Os custos, de forma assaz sintética, são os gastos realizados com bens e serviços que serão utilizados para a produção de outros bens ou prestação de serviços que componham o objeto social da empresa, ao passo que a despesa, conforme o NPC 14, é o encargo necessário para comercializar os bens ou serviços, objetos da atividade, bem como para a manutenção da estrutura empresarial independentemente da sua freqüência a despesa, embora direta ou indiretamente necessária para a geração da receita, não está associada à prestação do serviço ou à produção do bem, não sendo, pois, agregada ao custo. A legislação das contribuições não cumulativas (Leis nº 10.637/02 e 10.833/03) trouxe um rol extenso de hipóteses de creditamento, abrangendo lá todas as espécies de custos de produção, em seu art. 3º, II, mas também diversas hipóteses de despesas, como por exemplo o aluguel de prédios, previsto no art. 3º, IV. O cerne da questão, portanto, consiste em determinar se os royalties pagos em razão da transferência do know how para a produção dos pistões seria uma despesa e portanto não dando direito ao crédito em razão da ausência de previsão legislativa específica ou custo dando direito ao crédito como insumo. Adiantamos que entendemos que esses royalties pagos possuem natureza de custo, o que leva ao segundo ponto controvertido, que diz respeito à sua natureza de bem ou serviço, para enquadramento na previsão do art. 3º, II das Leis 10.637/02 e 10.833/03. Passemos às razões de nosso voto. Em primeiro lugar, é preciso deixar claro que resta patente nos autos que o know how fornecido é essencial à produção do bem objeto da atividade industrial da Recorrente, tratandose de gasto intrinsecamente vinculado à operação da empresa e ao produto que será produzido. É, pois, muito diferente dos royalties pagos pela utilização de uma marca, com potencial de incrementar a geração de receitas, que não impacta diretamente na produção do bem, ou pela utilização de invenção que otimiza o processo produtivo, imprimindolhe eficiência, ainda que não seja condição sine qua non da produção. Art. 22. Serão classificados como “royalties” os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos, tais como: a) direito de colher ou extrair recursos vegetais, inclusive florestais; Fl. 308DF CARF MF Processo nº 10865.002467/200671 Acórdão n.º 3402004.893 S3C4T2 Fl. 309 14 b) direito de pesquisar e extrair recursos minerais; c) uso ou exploração de invenções, processos e fórmulas de fabricação e de marcas de indústria e comércio; d) exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra. Essa distinção é sufragada pela legislação do Imposto de Renda (RIR/99), ao estabelecer quais são os royalties passíveis de dedutibilidade na apuração desse imposto em seu art. 352 e 353: Art.352.A dedução de despesas com royalties será admitida quando necessárias para que o contribuinte mantenha a posse, uso ou fruição do bem ou direito que produz o rendimento (Lei nº 4.506, de 1964, art. 71). Art.353.Não são dedutíveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 71, parágrafo único): Ios royalties pagos a sócios, pessoas físicas ou jurídicas, ou dirigentes de empresas, e a seus parentes ou dependentes; IIas importâncias pagas a terceiros para adquirir os direitos de uso de um bem ou direito e os pagamentos para extensão ou modificação do contrato, que constituirão aplicação de capital amortizável durante o prazo do contrato; III os royalties pelo uso de patentes de invenção, processos e fórmulas de fabricação, ou pelo uso de marcas de indústria ou de comércio, quando: a)pagos pela filial no Brasil de empresa com sede no exterior, em benefício de sua matriz; b)pagos pela sociedade com sede no Brasil a pessoa com domicílio no exterior que mantenha, direta ou indiretamente, controle do seu capital com direito a voto, observado o disposto no parágrafo único; IVos royalties pelo uso de patentes de invenção, processos e fórmulas de fabricação pagos ou creditados a beneficiário domiciliado no exterior: a) que não sejam objeto de contrato registrado no Banco Central do Brasil; ou b) cujos montantes excedam aos limites periodicamente fixados pelo Ministro de Estado da Fazenda para cada grupo de atividades ou produtos, segundo o grau de sua essencialidade, e em conformidade com a legislação específica sobre remessas de valores para o exterior; V os royalties pelo uso de marcas de indústria e comércio pagos ou creditados a beneficiário domiciliado no exterior: Fl. 309DF CARF MF Processo nº 10865.002467/200671 Acórdão n.º 3402004.893 S3C4T2 Fl. 310 15 a)que não sejam objeto de contrato registrado no Banco Central do Brasil; ou b)cujos montantes excedam aos limites periodicamente fixados pelo Ministro de Estado da Fazenda para cada grupo de atividades ou produtos, segundo o grau da sua essencialidade e em conformidade com a legislação específica sobre remessas de valores para o exterior. Como se vê, a legislação estabelece serem dedutíveis apenas os royalties pelo uso de patentes de invenção, processos e fórmulas de fabricação, ou pelo uso de marcas de indústria ou de comércio, estabelecendo diversas condições para tanto. Além de delimitar a possibilidade ou não de dedução, o RIR/99 traz, em seu art. 355, uma limitação quantitativa à dedução, estabelecendo: Art.355.As somas das quantias devidas a título de royalties pela exploração de patentes de invenção ou uso de marcas de indústria ou de comércio, e por assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante, poderão ser deduzidas como despesas operacionais até o limite máximo de cinco por cento da receita líquida das vendas do produto fabricado ou vendido (art. 280), ressalvado o disposto nos arts. 501 e 504, inciso V (Lei nº 3.470, de 1958, art. 74, e Lei nº 4.131, de 1962, art. 12, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 6º). §1ºSerão estabelecidos e revistos periodicamente, mediante ato do Ministro de Estado da Fazenda, os coeficientes percentuais admitidos para as deduções a que se refere este artigo, considerados os tipos de produção ou atividades reunidos em grupos, segundo o grau de essencialidade (Lei nº 4.131, de 1962, art. 12, §1º). Como se vê, não há uma simetria entre o art. 355 e 353, no tocante ao alcance em relação às espécies de royalties elencados, deixando de fora da limitação quantitativa aqueles relativos a processos e fórmulas de fabricação. Tal restrição, entretanto, foi "afastada" através da Portaria MF nº 436/58 e o Parecer Normativo CST nº 117/1975, que consideravam sujeitos aos coeficientes percentuais estabelecidos pelo Ministro da Fazenda todas as espécies de royalties mencionados no art. 353 do RIR/99, em patente inovação normativa sem suporte na legislação. Parecenos que a exclusão dos royalties relativos a processos e fórmulas de fabricação não foi excluído do art. 355 do RIR/99 por "esquecimento" do legislador, mas sim por consciência de que se trata de um custo, e não uma despesa, do contribuinte por ser conceitualmente relacionado ao processo produtivo da empresa ora, não há como se negar que processos e fórmulas de fabricação estão essencialmente imbricados na processo produtivo da empresa, qualificandose com custo, de acordo com as definições mencionadas anteriormente. Portanto, há que se constatar a existência de dois tipos de royalties distintos, para fins contábeis: os royaltiescustos, relacionados e essenciais ao processo produtivo da empresa, como aqueles relativos a processos e fórmulas de fabricação, e os royaltiesdespesas, mais usuais, que são ligados à geração de receita ou manutenção da estrutura empresarial, sem Fl. 310DF CARF MF Processo nº 10865.002467/200671 Acórdão n.º 3402004.893 S3C4T2 Fl. 311 16 ter vínculo direto com a produção do bem ou a prestação do serviço, como o uso de marcas e as patentes de invenção. No presente caso, restou patente estarmos diante de royaltiescustos, haja vista a comprovada necessidade do know how cedido para a produção da Recorrente. Ultrapassado o primeiro ponto, de que os royalties pagos pelo know how cedido estariam devem ter tratamento de custo, cabe passar ao segundo ponto, relativo à sua compatibilidade com o art. 3º, II das Leis 10.637/02 e 10.833/03. Como aduziu o relator: Segundo Alberto Xavier, em “Direito Tributário Internacional do Brasil” (Editora Forense, Rio de Janeiro, 6ª edição, 2004. p. 765), Royalty é uma categoria de rendimentos que representa a remuneração pelo uso, fruição ou exploração de determinados direitos (bens incorpóreos), diferentemente dos aluguéis, que representam a retribuição do capital aplicado em bens corpóreos, e dos juros, que exprimem a contrapartida do capital financeiro. Portanto, diante do conceito de insumo definido neste voto e a luz da legislação vigente, é forçoso concluir que as despesas de royalties que é a remuneração paga pelo direito de uso de determinada tecnologia, não geram direito a crédito na apuração da COFINS não cumulativa, por não se caracterizar como aquisição de bens nem da contratação de serviços utilizados como insumos na produção de bens da Recorrente, além de não estarem relacionadas entre as demais despesas listadas na Leis nº 10.833, de 2003, como passíveis de creditamento. Nesse ponto, o voto vencedor deste acórdão afastou a caracterização dos royalties como bens em razão da ausência de substância corpórea, tratandoos como transferências de direitos de uso de tecnologia, revestindose de natureza jurídica de direito, para fins de afastar a sua subsunção ao inciso II do art. 3º da legislação de regência das contribuições. Entretanto, há que se rememorar que o art. 83, III do Código Civil é expresso em equiparar tais direitos a bens móveis, para todos os efeitos legais, senão vejamos: Art. 82. São móveis os bens suscetíveis de movimento próprio, ou de remoção por força alheia, sem alteração da substância ou da destinação econômicosocial. Art. 83. Consideramse móveis para os efeitos legais: I as energias que tenham valor econômico; II os direitos reais sobre objetos móveis e as ações correspondentes; III os direitos pessoais de caráter patrimonial e respectivas ações. Tal definição deve, antes de tudo, ser observada no âmbito tributário, por força do art.109 do Código Tributário Nacional, que determina: Fl. 311DF CARF MF Processo nº 10865.002467/200671 Acórdão n.º 3402004.893 S3C4T2 Fl. 312 17 Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. É dizer, a legislação tributária deve respeitar a natureza jurídica do instituto tal como determinada no âmbito do Direito Privado, apenas atribuindolhe efeitos fiscais de modo que se a lei determinou que royalties são bens móveis, não pode o Direito Tributário tratálo como simples transferência de tecnologia. Para fins do direito ao crédito de importações realizadas por pessoas jurídicas sujeitas ao PIS/Cofins não cumulativo, determinado o art. 15, II da Lei 10.865/04 (de redação semelhante à parte pertinente do art. 3º, II das leis 10.637/02 e 10.833/03): Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Regulamento) (...) II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; Como se vê, o legislador se referiu exclusivamente a bens, não distinguindo entre as diferentes categorias existentes, na legislação civil, o que permite inferir que qualquer restrição feita à abrangência do dispositivo implicaria na realização de uma interpretação restritiva, vedada pelo art. 111 do Código Tributário Nacional, que prescreve ser literal a interpretação de dispositivos dessa natureza. Além disso, o voto vencedor se baseou na categoria de distinção entre bens corpóreos e incorpóreos, uma classificação estritamente doutrinária e que não encontra respaldo no Direito Positivo, nunca tendo sido utilizada pelo Código Civil de 2002, tampouco pelo seu antecessor. Tratase, pois, de uma classificação irrelevante para o presente caso, no qual o Direito Privado já determinou que o tratamento jurídico dos royalties analisados deve ser de bem móvel. Portanto, i) na condição de bem móvel e ii) caracterizado como custo da empresa, configuramse plenamente atendidos os requisitos para o reconhecimento do direito ao creditamento de tais royalties, na condição de insumos do processo produtivo analisado. Desse modo, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para conceder o direito aos créditos sobre os royalties pagos pela cessão do direito de uso da tecnologia necessária à fabricação dos produtos (know how). É como voto. Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 312DF CARF MF Processo nº 10865.002467/200671 Acórdão n.º 3402004.893 S3C4T2 Fl. 313 18 Fl. 313DF CARF MF
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Numero do processo: 10805.908238/2011-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
LUCRO PRESUMIDO. ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO. EQUIPARAÇÃO A SERVIÇOS HOSPITALARES.
De acordo com a definição dada pelo STJ por meio do Recurso Repetitivo nº 217, são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindo-se, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar.
Numero da decisão: 1401-002.263
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO EQUIPARAÇÃO A SERVIÇOS HOSPITALARES Recorrente LAB HORMON LABORATÓRIO ESPECIALIZADO EM DOSAGENS HORMONAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 LUCRO PRESUMIDO. ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO. EQUIPARAÇÃO A SERVIÇOS HOSPITALARES. De acordo com a definição dada pelo STJ por meio do Recurso Repetitivo nº 217, são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 82 38 /2 01 1- 34 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10805.908238/201134 Acórdão n.º 1401002.263 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DRJ/BSB), que, por meio do Acórdão 03054.239, de 22 de agosto de 2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade da empresa. Reproduzo, por oportuno, o teor do relatório constante no acórdão da DRJ: (início da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) Trata o presente processo de despacho decisório eletrônico (fl. 15), no qual a compensação realizada no Per/Dcomp nº 14397.98340.310107.1.3.046471, pela empresa acima identificada, não foi homologada por inexistência do crédito compensado, haja vista o pagamento relativo ao DARF ali discriminado, foi integralmente utilizado para quitar débito do IRPJ, PA 30/06/2001, não restando saldo disponível. A contribuinte tomou ciência do despacho decisório em 17/09/2010 (AR fl. 18). Inconformada, por intermédio de seu procurador (Francisco Ferreira Neto), apresentou manifestação de inconformidade (fls. 21 a 27) em 19/10/2010, na qual transcreve os fatos, dispositivos da legislação tributária e escorandose em jurisprudenciais e manifestações doutrinárias, em síntese, argumenta o seguinte: vinha apurando normalmente o IRPJ e a CSLL com base no lucro presumido aplicando 32% sobre a receita bruta para as prestadoras de serviços em geral. Com a nova redação dada pela Lei n° 10.684/2003, alterou a alíquota de 12% para 32%, exceto para "serviços hospitalares", para a apuração da CSLL; após a edição da IN SRF n° 539/2005 e da resposta a Solução de Consulta (anexa), verificouse que havia pago a maior os tributos de Código 2089 e 2372, nos períodos de 30/10/2000 a 28/07/2005. Em 19/01/2006, formulou vários pedidos de restituição, um para cada pagamento indevido ou a maior. Se valendo da faculdade do contribuinte, ao invés de aguardar o depósito em conta bancária do valor a restituir optou pela compensação; a forma da apuração do IRPJ e da CSLL, nos períodos de 2000 em diante, foram externadas nas DCTF relativas à época, no entanto, como a IN/SRF e a Solução de consulta só foram dadas em 2005/2006, mas de conteúdo interpretativo e retroativo, as DCTF não mais condizem com a verdade dos fatos; com a edição da IN/SRF n° 539 de 25/04/2009, que deu nova redação ao artigo 27, da IN/SRF n° 480/2004, a interessada foi equiparada a "serviços hospitalares". Assim, começou a apurar o seu IRPJ e a CSLL pela alíquota de 8% e de 12%, respectivamente; os impostos e as contribuições já pagas foram recalculadas e se verificou pagamentos maior os tributos devidos. Assim, providenciou o Pedido de Restituição por meio do programa Per/DComp, devidamente informado em suas Declarações de compensação; uma vez que a IN/SRF n° 539/2005 atribuiu nova interpretação a lei em vigor, o entendimento deve retroagir no espaço e surtir os efeitos desde a vigência da lei em questão; uma vez que já havia pago os respectivos DARF e lançado em DCTF o valor recolhido, bem como o valor apurado, segunda a legislação na época, o sistema da Receita Federal do Brasil não foi capaz de identificar o pagamento a maior; Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10805.908238/201134 Acórdão n.º 1401002.263 S1C4T1 Fl. 4 3 para se verificar o pagamento a maior, a fiscalização deverá examinar a aplicação das novas alíquotas nas bases de cálculos já conhecidas pela RFB, onde se constatará que cada pedido de restituição realizado corresponde a um DARF pago à maior. Por ultrapassar o qüinqüênio, está impedida de prestar estas informações através de retificadora de DCTF; não bastasse toda a legislação que dá amparo legal para que procedesse a compensação com estes novos créditos apurados, resta ainda trazer à baila o Comunicado SEORT n° 831/2006, que dá ciência da SOLUÇÃO DE CONSULTA, elaborado especialmente pela interessada (anexo), no Processo Administrativo n° 10805.000720/200403; a resposta ofertada à consulta contém uma interpretação autorizada que garante a segurança jurídica da consultante. A própria solução apresentada orienta o contribuinte a proceder com o novo enquadramento e reconhece o pagamento a maior efetuado ao longo do tempo; o Ato de NãoHomologação deve ser anulado e a fiscalização deve oportunizar a interessada em prestar esclarecimentos quanto ao montante apurado, com os devidos documentos fiscais que podem ser livremente exigidos por intimação; a 1N/SRF nº 791, de 10/12/2007, revogou a redação dada pela IN/SRF nº 539/2005, do artigo 20, da IN/SRF nº 480/2004. Ocorre que a nova interpretação só surtirá efeito após 10.12.2007, enquanto os pedidos de restituição foram realizados antes da nova interpretação e na vigência da resposta a consulta; outro não é o entendimento do Conselho de Contribuintes que conclui assim, certo de ter demonstrado que mesmo diante de uma infinidade de normas tributárias que cercam a interessada, esta não procurou obter vantagem indevida ou se aproveitar do instituto da restituição e da compensação para se livrar de suas obrigações tributárias. Pelo contrário, formulou o pedido de consulta e só depois da orientação dada pela autoridade competente é que procedeu aos pedidos eletrônicos de restituição e as declarações de compensação. Por fim, requer seja conhecida e julgada procedente esta interposição, anulando a decisão administrativa que nãohomologou as compensações realizadas, restaurar e manter os efeitos da extinção do crédito tributário compensado. (término da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) A DRJ, por meio do Acórdão 03054.239, de 22 de agosto de 2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade da empresa, conforme a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2002 PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Para serem considerados serviços hospitalares, as atividades dos contribuintes que desejem usufruir do benefício legal de redução de alíquota, em face da legislação tributária de regência e orientação traçada pela Administração tributária, devem atender cumulativamente todas às exigências e/ou requisitos previstos nos normativos, devidamente comprovada mediante documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10805.908238/201134 Acórdão n.º 1401002.263 S1C4T1 Fl. 5 4 Cientificada da decisão da DRJ na data de 05/11/2013 via ARECF de efls. 63 e não satisfeita com a decisão da delegacia de piso, apresentou recurso voluntário em 04/12/2013 (efls. 65 a 74), conforme protocolo de efl. 65, repetindo basicamente os argumentos apresentados na impugnação, mas precipuamente atacando a decisão da DRJ nos seguintes pontos: É ausente, no v. acórdão, qualquer menção, ainda que de passagem, de que a recorrente não teria direito à aplicação dos coeficientes de 8% e 12%, respectivamente para a determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por não atender aos requisitos exteriorizados. E nesse ponto, peca a decisão, que deixou de analisar concretamente o caso para apenas expor a legislação tributária de caráter geral. Noutras palavras, para exemplificar, é como negar um pedido à uma empresa sob o fundamento de que somente indústria pode formular tal pedido, sem se perguntar se a empresa é, ou não, indústria. Outrossim, a recorrente reproduz a ementa da DRJ, que indica que o fundamento para indeferir o direito creditório pautase na falta de apresentação de documento expedido pela vigilância sanitária estadual e municipal. E conclui com o seguinte: Nobres Julgadores, o direito creditório deve ser reconhecido exatamente pelos mesmos fundamentos que o negaram, e para comprovar, segundo restou consignado na decisão hostilizada, que o fato se subsume à norma, faz juntar os documentos expedidos pelos órgãos de vigilância sanitária, responsáveis pela fiscalização e controle de cada um dos estabelecimentos da recorrente. Assim, não havendo divergência quanto ao direito invocado e aplicado, a questão se resume à matéria de fato, cuja prova conduz à reforma da decisão combatida. No CARF, coube a mim a relatoria do processo. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.246, de 22.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10805.902133/201091. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.246): O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. No presente processo, devese avaliar se a atividade exercida pela empresa se enquadra no conceito de atividades hospitalares, para que possa tributar o IRPJ e a CSLL se servindo da base de presunção de tais atividades. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10805.908238/201134 Acórdão n.º 1401002.263 S1C4T1 Fl. 6 5 Para tanto, convém reproduzir a legislação vigente à época dos fatos geradores apurados, incluídas suas alterações posteriores, aplicada às empresas que exercem atividades hospitalares (Lei nº 9.249/1995): IRPJ Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 (Vide Lei nº 11.119, de 205) Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto no art. 12 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, sem prejuízo do disposto nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: ................... III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) ......... CSLL Art. 20. A partir de 1º de janeiro de 1996, a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do ano calendário. Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10805.908238/201134 Acórdão n.º 1401002.263 S1C4T1 Fl. 7 6 jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 2003) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.119, de 205) Base de cálculo da CSLL Estimativa e Presumido Art. 20. A base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal ou trimestral a que se referem os arts. 2º, 25 e 27 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, corresponderá a 12% (doze por cento) sobre a receita bruta definida pelo art. 12 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, auferida no período, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a 32% (trinta e dois por cento). (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014 (Vigência) Como se pode ver, a redação contemporânea à realização dos fatos geradores permitia que os serviços hospitalares poderiam se enquadrar nas alíquotas de presunção de 8% (oito por cento) e 12% (doze por cento) para o IRPJ e CSLL, respectivamente. É de se notar, também, que não havia nenhuma outra condição para tal enquadramento. Em resposta à consulta formulada por meio do processo administrativo nº 10805.000720/200403, a Receita Federal estabeleceu as seguintes condições para que a empresa pudesse se enquadrar nas atividades de serviços hospitalares. Veja as conclusões da Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DISIT/Nº 273, de 15 de agosto de 2006 (efls. 46 a 53): (início do trecho da conclusão da Solução de Consulta) 19. Diante do exposto e com base nos atos legais citados, solucionase presente consulta informando à consulente o seguinte: 19.1. à prestação de serviços hospitalares aplicamse os percentuais de 8% e 12% sobre a receita bruta para fins de determinação das bases de calculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sabre o Lucre Liquido, respectivamente; 19.2. serviços hospitalares são aqueles prestados por empresário ou sociedade empresaria que exerça uma ou mais das atribuições elencadas pelo art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, na redação dada pela IN SRF nº 539, de 2005, tratadas pela RDC nº 50, de 2002, e que possua estrutura física condizente com o disposto no Item 3 da Parte II da retrocitada resolução, devidamente comprovada por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal; (destaquei) 19.3. não se consideram serviços hospitalares aqueles prestados exclusivamente pelos sócios da pessoa jurídica ou referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza cientifica, dos profissionais envolvidos, ainda que envolvam o Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10805.908238/201134 Acórdão n.º 1401002.263 S1C4T1 Fl. 8 7 concurso de auxiliares ou colaboradores, e, também, quando a pessoa jurídica, prestadora do serviço, não possuir estrutura física condizente para desempenhar suas atividades. Neste caso, para a tributação com base no lucro presumido aplicarseá o percentual de 32% (trinta e dois por cento) para a determinação das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. (destaquei) (término do trecho da conclusão da Solução de Consulta) Como visto, para que a empresa pudesse ter o direito ao enquadramento nas alíquotas de 8% (oito por cento) e 12% (doze por cento), além de exercer uma ou mais das atribuições elencadas pelo art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, na redação dada pela IN SRF nº 539, de 2005, tratadas pela Resolução RDC nº 50, de 2002, entendeu a Receita Federal que também deveria possuir estrutura física condizente com o disposto no Item 3 da Parte II da retrocitada resolução, devidamente comprovada por licença sanitária estadual ou municipal. Independentemente das atividades exercidas pela recorrente, vejo que a licença sanitária municipal mais remota apresentada licença nº 0208/2003 remete aos idos de 2003 (10/06/2003), período posterior ao crédito aqui solicitado. Desta forma, se fosse seguir o que dispõe a solução de consulta, não haveria como atestar que, no período objeto dos créditos solicitados, a recorrente se enquadrava nas condições estabelecidas pela Receita Federal. Não obstante o entendimento exarado pela Receita Federal, todavia, não posso compartilhar com tal decisão. O STJ, por meio da resolução constante no Recurso Repetitivo nº 217, entendeu que a atividade hospitalar caracterizase tão somente pela prestação de serviços de atendimento à saúde, e independe do local de prestação, excluindose desta regra, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar, veja: Para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão 'serviços hospitalares', constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'. 1 Dentre forma, os serviços de diagnóstico, tratamento, internação, desenvolvidos nos hospitais ou (inclusive) fora deles, enquadramse como serviços hospitalares nos termos do art. 15, III, "a" e art. 20, ambos da Lei nº 9.249/1995. 1 extraído do seguinte endereço eletrônico: http://www.stj.jus.br/repetitivos/temas_repetitivos/pesquisa.jsp Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10805.908238/201134 Acórdão n.º 1401002.263 S1C4T1 Fl. 9 8 Como a alegação da Receita Federal e da DRJ para o indeferimento do crédito pleiteado pela empresa pautouse na falta de apresentação de licença sanitária contemporânea aos fatos geradores e, uma vez vencida tal proposição pelo STJ, concluo que a referida empresa se enquadra no conceito de serviços hospitalares, podendo usufruir das alíquotas de presunção de 8% (oito por cento) e de 12% (doze por cento), para o IRPJ e CSLL, respectivamente, razão pela qual proponho dar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Diante do exposto, voto por DAR provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.001882/2007-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Direitos Antidumping, Compensatórios ou de Salvaguardas Comerciais
Período de apuração: 25/07/2002 a 27/11/2002
DIREITOS ANTIDUMPING. RESOLUÇÃO CACEX. VIGÊNCIA. REVISÃO DE FINAL DE PERÍODO. NÃO RENOVAÇÃO. EFEITOS EX NUNC.
Como regra geral os direitos antidumping, estabelecidos por resolução da CACEX, devem ser extintos em cinco anos (artigo 57 do Decreto n. 1.602/1995, atualmente no artigo 93 do Decreto n. 8.058/2013). Todavia, esse prazo pode ser prorrogado em virtude de as autoridades determinarem que a extinção dos direitos levaria à continuação ou retomada do dumping e do dano ao mercado doméstico.
Assim, passados os cinco anos de vigência, em revisão de final de período, são feitos os estudos necessários no âmbito da SECEX para a análise da eventual continuidade do dano ao mercado nacional e do nexo causal para a aplicação do direito antidumping sobre a mercadoria. Decidindo-se pelo encerramento da aplicação da medida restritiva (não renovação do direito antidumping), somente as importações posteriores ao término da vigência da resolução CACEX que impunha o direito antidumping não se sujeitarão ao seu pagamento. Já para as importações ocorridas durante o período de cinco da vigência da resolução da CACEX, permanece a obrigação de recolhimento dos direitos antidumping definitivos.
DIREITOS ANTIDUMPING. NATUREZA JURÍDICA. CRÉDITO NÃO-TRIBUTÁRIO. NECESSIDADE DE DESTAQUE E RECOLHIMENTO ESPECÍFICO NA IMPORTAÇÃO.
A prática do dumping condenável culmina na aplicação de medidas (ou direitos) antidumping, as quais consistem num montante em dinheiro, igual ou inferior à margem de dumping apurada, exigido por ocasião das importações realizadas a preços de dumping, com o objetivo de afastar os efeitos danosos à indústria nacional. Assim, as medidas antidumping (artigo 695 do Decreto 4.543/2002) não se enquadram em quaisquer das espécies de tributos previstas no nossos sistema jurídico (artigo 1º, parágrafo único da Lei n. 9.019/95), além de não se submeter ao princípio da legalidade e ter destinação orçamentária diversa. Assim, os valores recolhidos a título de direito antidumping necessitam ser precisamente destacados, em campo próprio, na declaração de importação, com comprovação do respectivo recolhimento.
MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. CARF.
A argumentação sobre o caráter confiscatório da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-004.830
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(Assinado com certificado digital)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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ementa_s : Assunto: Direitos Antidumping, Compensatórios ou de Salvaguardas Comerciais Período de apuração: 25/07/2002 a 27/11/2002 DIREITOS ANTIDUMPING. RESOLUÇÃO CACEX. VIGÊNCIA. REVISÃO DE FINAL DE PERÍODO. NÃO RENOVAÇÃO. EFEITOS EX NUNC. Como regra geral os direitos antidumping, estabelecidos por resolução da CACEX, devem ser extintos em cinco anos (artigo 57 do Decreto n. 1.602/1995, atualmente no artigo 93 do Decreto n. 8.058/2013). Todavia, esse prazo pode ser prorrogado em virtude de as autoridades determinarem que a extinção dos direitos levaria à continuação ou retomada do dumping e do dano ao mercado doméstico. Assim, passados os cinco anos de vigência, em revisão de final de período, são feitos os estudos necessários no âmbito da SECEX para a análise da eventual continuidade do dano ao mercado nacional e do nexo causal para a aplicação do direito antidumping sobre a mercadoria. Decidindo-se pelo encerramento da aplicação da medida restritiva (não renovação do direito antidumping), somente as importações posteriores ao término da vigência da resolução CACEX que impunha o direito antidumping não se sujeitarão ao seu pagamento. Já para as importações ocorridas durante o período de cinco da vigência da resolução da CACEX, permanece a obrigação de recolhimento dos direitos antidumping definitivos. DIREITOS ANTIDUMPING. NATUREZA JURÍDICA. CRÉDITO NÃO-TRIBUTÁRIO. NECESSIDADE DE DESTAQUE E RECOLHIMENTO ESPECÍFICO NA IMPORTAÇÃO. A prática do dumping condenável culmina na aplicação de medidas (ou direitos) antidumping, as quais consistem num montante em dinheiro, igual ou inferior à margem de dumping apurada, exigido por ocasião das importações realizadas a preços de dumping, com o objetivo de afastar os efeitos danosos à indústria nacional. Assim, as medidas antidumping (artigo 695 do Decreto 4.543/2002) não se enquadram em quaisquer das espécies de tributos previstas no nossos sistema jurídico (artigo 1º, parágrafo único da Lei n. 9.019/95), além de não se submeter ao princípio da legalidade e ter destinação orçamentária diversa. Assim, os valores recolhidos a título de direito antidumping necessitam ser precisamente destacados, em campo próprio, na declaração de importação, com comprovação do respectivo recolhimento. MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. CARF. A argumentação sobre o caráter confiscatório da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2. Recurso voluntário negado.
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RESOLUÇÃO CACEX. VIGÊNCIA. REVISÃO DE FINAL DE PERÍODO. NÃO RENOVAÇÃO. EFEITOS EX NUNC. Como regra geral os direitos antidumping, estabelecidos por resolução da CACEX, devem ser extintos em cinco anos (artigo 57 do Decreto n. 1.602/1995, atualmente no artigo 93 do Decreto n. 8.058/2013). Todavia, esse prazo pode ser prorrogado em virtude de as autoridades determinarem que a extinção dos direitos levaria à continuação ou retomada do dumping e do dano ao mercado doméstico. Assim, passados os cinco anos de vigência, em revisão de final de período, são feitos os estudos necessários no âmbito da SECEX para a análise da eventual continuidade do dano ao mercado nacional e do nexo causal para a aplicação do direito antidumping sobre a mercadoria. Decidindose pelo encerramento da aplicação da medida restritiva (não renovação do direito antidumping), somente as importações posteriores ao término da vigência da resolução CACEX que impunha o direito antidumping não se sujeitarão ao seu pagamento. Já para as importações ocorridas durante o período de cinco da vigência da resolução da CACEX, permanece a obrigação de recolhimento dos direitos antidumping definitivos. DIREITOS ANTIDUMPING. NATUREZA JURÍDICA. CRÉDITO NÃO TRIBUTÁRIO. NECESSIDADE DE DESTAQUE E RECOLHIMENTO ESPECÍFICO NA IMPORTAÇÃO. A prática do dumping condenável culmina na aplicação de medidas (ou direitos) antidumping, as quais consistem num montante em dinheiro, igual ou inferior à margem de dumping apurada, exigido por ocasião das importações realizadas a preços de dumping, com o objetivo de afastar os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 18 82 /2 00 7- 01 Fl. 225DF CARF MF 2 efeitos danosos à indústria nacional. Assim, as medidas antidumping (artigo 695 do Decreto 4.543/2002) não se enquadram em quaisquer das espécies de tributos previstas no nossos sistema jurídico (artigo 1º, parágrafo único da Lei n. 9.019/95), além de não se submeter ao princípio da legalidade e ter destinação orçamentária diversa. Assim, os valores recolhidos a título de direito antidumping necessitam ser precisamente destacados, em campo próprio, na declaração de importação, com comprovação do respectivo recolhimento. MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. CARF. A argumentação sobre o caráter confiscatório da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Recife, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela Contribuinte sobre a cobrança de Direito Antidumping e seus consectários legais, consubstanciada no auto de infração em questão, no importe de R$ 246.002,52. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, com riqueza de detalhes, colaciono o relatório do acórdão recorrido in verbis: O importador em questão submeteu a despacho de importação pêssego em calda originário da Grécia, exportados pela empresa ‘Kronos S/A Industrial and Commercial Enterprises of Canned Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10120.001882/200701 Acórdão n.º 3402004.830 S3C4T2 Fl. 334 3 of Canned Fruits and Vegettables’, classificada no subitem 2008.70.10 da TEC, em quantidades e valores declarados em suas respectivas declarações de importação (fl. 04). Ocorre que pelas disposições da Resolução CAMEX n° 5, de 26/04/2002 (fl. 16), para as importações de conservas de pêssegos, originárias da Grécia, e em específico da empresa referida acima, foi previsto, além da alíquota normal do Imposto de Importação, a cobrança de direitos antidumping, à alíquota de 22,8 %, a qual não foi recolhida pelo importador, por ocasião do registro de importação. De outra parte, contraditando o procedimento em causa, as contrarrazões apresentadas pela impugnante podem ser sinteticamente descritas como seguem (fls. 75 a 133). A) Argui a impugnante, em sede preliminar, que o trabalho fiscal deve ser rechaçado de plano, eis que irremediavelmente eivado de nulidade, porque baseado em meros indícios, partindo de presunções e conclusões arbitrárias e injustificadas, e lavrado com diversos erros, vícios e imperfeições, em total desrespeito aos direitos da impugnante. Como visto, apenas os fatos aventados pela fiscalização são insuficientes para caracterizar qualquer infração, motivo pelo qual o presente auto de infração deve ser anulado, em sede preliminar, ou, em se apreciando o mérito, deve o mesmo ser julgado improcedente, fls. 78 a 83; B) Ainda em caráter preliminar, a impugnante teve contra si lavrado o auto de infração em que representa quase o valor do tributo questionado. De certo, não é vã a regra constitucional que estabelece a vedação da utilização de tributo com efeito confiscatório, o que estaria afrontado no presente lançamento, fls. 84 a 88; C) Quanto ao mérito, afirma que os valores relativos aos direitos antidumping “foram efetivamente recolhidos pela Impugnante, inclusive em valor maior ao exigido pelo Fisco...simples análise das DI’s mencionadas...verificase que houve o recolhimento com a aplicação da alíquota máxima estabelecida pelo GATT/OMC, qual seja, 55% (cinquenta e cinco por cento)”, não se podendo falar assim em autuação, mas em devolução, fls. 88 a 90; Ao final, requer que seja declarado improcedente o presente lançamento, com fundamento nas razões de fato e de direito apresentadas. É acima o relatório. Sobreveio então o Acórdão 1146.981, da 6ª Turma da DRJ/REC, negando provimento à impugnação da Contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 25/07/2002 a 27/11/2002 Fl. 227DF CARF MF 4 ARGUIÇÃO DE NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. DESCRIÇÃO DOS FATOS. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. DIREITO AO CONTRADITÓRIO E À AMPLA DEFESA. Diante de alentada descrição dos fatos e indicação da fundamentação legal no auto de infração, o qual é instruído ainda com os elementos de prova em que se baseia a exigência fiscal, resta infundada a arguição de nulidade por cerceamento do direito de defesa. CONSTITUCIONALIDADE DAS NORMAS LEGAIS QUE DISPÕEM SOBRE INFRAÇÕES E PENALIDADES. A análise dos princípios constitucionais apontados, em especial, de vedação ao confisco, demandaria o exame da constitucionalidade de dispositivos legais em vigor, procedimento vedado a este órgão. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS. REGISTRO DE IMPORTAÇÃO. VEDAÇÃO. Diante das disposições da Lei nº 9.430/96, art. 74, § 3º, inciso II, resta clara a vedação de compensação de tributos por ocasião do registro de importação. Tributos recolhidos a maior devem ser objeto de restituição, e aqueles recolhidos a menor, de complementação, ou lançamento de ofício, caso não tenha sido recolhido espontaneamente. DIREITOS ANTIDUMPING. NATUREZA JURÍDICA NÃO TRIBUTÁRIA. Direito antidumping constitui sanção a ato ilícito, enquanto restrição a uma prática comercial tida como prejudicial à indústria doméstica, frente ao dogma da livre concorrência que rege as práticas comerciais, e ato administrativo complexo, como medida jurídicopolítica, não sendo assim diretamente instituído por lei, o que o diferencia frontalmente da natureza jurídica dos tributos, na forma prevista no art. 3º, do Código Tributário Nacional. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls 210/217) a este Conselho, em que não mais insiste na preliminar de nulidade anteriormente apresentada, porém repisa o ponto de ter efetivamente recolhido os direitos antidumping e sobre o seu caráter confiscatório. Ademais, destaca em nova preliminar que fora apresentada petição de fls 168 a 170, posteriormente ao protocolo da impugnação, informando o conteúdo da Circular SECEX n. 23, de 24/04/2008, que excluiria o débito cobrado por meio do presente processo administrativo. É o relatório. Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10120.001882/200701 Acórdão n.º 3402004.830 S3C4T2 Fl. 335 5 Voto Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz A Contribuinte teve ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 18/08/2014, conforme Termo de Abertura de Documento de fls. 207 e apresentou em 17/09/2014 o recurso voluntário de fls. 210/217, conforme o artigo 33 do Decreto 70.235/72. Assim, o recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. 1. O direito antidumping no ordenamento jurídico brasileiro Antes de adentrar no caso concreto, cumpre apresentar algumas considerações sobre o contexto jurídico que o envolta, o qual será necessário para a sua solução. Ao lado das funções de controle e de tributação, a Aduana possui como missão a aplicação de restrições. Tal função aproxima o Direito Aduaneiro ao Direito Econômico à medida que define as prioridades políticas/econômicas nacionais pela forma da interação comercial do Estado brasileiro com o restante das nações. Tratase, assim, de instrumento de política aduaneira. Dentro desta função, é possível encontrar a implementação de medidas de protecionismo comercial por instrumentos de restrições contra práticas desleais de comércio exterior (segundo os acordos da OMC), dos quais destacamse os direitos antidumping. 1 Em poucas palavras, o dumping é uma prática desleal de comércio que consiste na venda de um produto para exportação por um preço inferior ao seu valor normal. O dumping é admissível apenas quando não causar dano ao mercado doméstico, já quando houver dano à indústria nacional do país importador, demonstrado por nexo causal, o dumping passa a ser condenável, tudo conforme a regulamentação do Decreto 8.058, de 26 de julho de 2013, que revogou e substituiu o Decreto nº 1.602, de 23 de agosto de 1995, este último vigente à época dos fatos tratados nesse processo. A prática do dumping condenável culmina na aplicação de medidas (ou direitos) antidumping, as quais consistem genericamente num montante em dinheiro, igual ou inferior à margem de dumping apurada, exigido por ocasião das importações realizadas a preços de dumping, com o objetivo de afastar os efeitos danosos à indústria nacional. 2 Assim, as medidas antidumping (vide artigo 695 do Decreto 4.543/2002) 3 são imposições com o 1 FERNANDES, Rodrigo Mineiro. Notas introdutórias sobre o direito aduaneiro e sua relação com o direito tributário. In: Revista Direito Aduaneiro, Marítimo e Portuário vol.5, n.26. São Paulo: IOB, 2015, p.88109. 2 LOBO, Marcelo Jatobá. Direitos Antidumping.1.ed. São Paulo: Quartier Latin, 2007. p. 210. 3 "Art. 695. Para os efeitos deste Capitulo, entendese por: I dumping, a introdução de um bem no mercado doméstico, inclusive sob as modalidades de drawback, a preço de exportação inferior ao preço efetivamente praticado para o produto similar nas operações mercantis normais, que o destinem a consumo interno no pais exportador (Acordo sobre Implementação do Artigo VI do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio 1994, Artigo 2, item 1, aprovado pelo Decreto Legislativo n. 30, de 1994, promulgado pelo Decreto n2 1.355, de 1994, e internalizado pelo Decreto n. 1.602, de 23 de agosto de 1995, art. 0);" Fl. 229DF CARF MF 6 objetivo de proteger o mercado brasileiro de práticas comerciais predatórias, não se enquadrando em quaisquer das espécies de tributos previstas no nossos sistema jurídico. São diversos os elementos normativos que corroboram essa última assertiva, que serão devidamente tratados abaixo. Para pontuar histórico legislativo sobre o tema, o direito antidumping foi introduzido em nosso ordenamento legal por meio da Lei nº 9.019, de 30 de março de 1995, em decorrência a acordos firmados pelo país no âmbito do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio (Gatt). Antes disso só havia sido tratado na legislação interna por normas infralegais. Com efeito, até o advento da Lei n° 9.019/95, a Resolução n° 1.227/87, com as alterações da Resolução n° 1.582/89, ambas da extinta Comissão de Política Aduaneira, cuidavam do tema, preceituando o direito antidumping como um adicional do Imposto de Importação: Art.1° Os direitos antidumping e compensatórios definitivos, de que tratam os Acordos Antidumping e de Subsídios e Direitos Compensatórios, constituem imposto de importação adicional. Ocorre que, posteriormente, a citada Lei n. 9.019/95 textualmente colocou que "os direitos antidumping e os direitos compensatórios serão cobrados independentemente de quaisquer obrigações de natureza tributária relativas à importação dos produtos afetados." Ou seja, a legislação passou a expressamente afastar a natureza tributária do direito antidumping, como já clamava a doutrina sobre o tema. 4 Outrossim, legalmente o direito antidumping distanciouse dos tributos no que diz respeito ao tratamento orçamentário. Enquanto aquele é tratado como receita originária e enquadrado na categoria de entradas compensatórias, não compreendidas na lei orçamentária (artigo 10 da Lei n. 9.019/1995); estes são considerados receitas correntes, compreendidas na lei orçamentária (artigo 11 da Lei n 4.320/1964). Assim, o direito antidumping pode ser definido como instrumento utilizado pelo Estado, com fundamento no artigo 174 da Constituição Federal, para intervir no domínio econômico, com o objetivo de incentivar a economia e garantir a competitividade da indústria doméstica. Pois bem. Neste contexto, o sistema brasileiro de defesa no comércio internacional é dividido em duas competências distintas. Na primeira encontrase a SECEX (Secretaria de Comércio Exterior, que tem o Decom Departamento de Defesa Comercial , como um de seus cinco departamentos), que é responsável por propor a abertura 5 e conduzir investigações destinadas à aplicação de medidas antidumping.6 Como segunda competência aparece a CAMEX (Câmara de Comércio Exterior), cuja obrigação é fixar os direitos antidumping, em caráter definitivo ou provisório, por meio de resoluções. Disto já é possível constatar que o direito antidumping não se submete ao princípio da legalidade, o que também demonstra seu caráter não tributário, já que não se amolda ao artigo 150, inciso I da Constituição e ao artigo 3º do CTN. Sua instituição, isto sim, se dará por ato exarado pelas citados órgãos competentes, mediante o procedimento estabelecido pelo Decreto 8.058, de 26 de julho de 2013, que revogou e substituiu o Decreto nº 1.602, de 23 de agosto de 1995. 4 BAPTISTA, Luiz Olavo, “Dumping e AntiDumping no Brasil”, in OMC e o Comércio Internacional. AMARAL JÚNIOR, Alberto do (coord.). São Paulo: Aduaneiras, 2002. 5 Mediante solicitação da indústria nacional, por iniciativa governamental (ex officio) ou por terceito país interessado. 6 Bem como medidas compensatórias e medidas de salvaguarda. Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10120.001882/200701 Acórdão n.º 3402004.830 S3C4T2 Fl. 336 7 Como regra geral os direitos antidumping postos em vigência pela CACEX devem ser extintos em 5 (cinco) anos (artigo 57 do Decreto n. 1.602/1995, atualmente no artigo 93 do Decreto n. 8.058/2013). Todavia, esse prazo pode ser prorrogado em virtude de as autoridades determinarem que a extinção dos direitos levaria, muito provavelmente, à continuação ou retomada do dumping e do dano ao mercado brasileiro. Para isso é necessária uma revisão de final de período, pela qual são feitos os estudos necessários no âmbito da SECEX para a análise da eventual continuidade do dano ao mercado nacional e do nexo causal para a aplicação do direito antidumping sobre a mercadoria. Paralelamente às competências da SECEX e da CAMEX, órgãos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), a Receita Federal é responsável pela fiscalização e arrecadação das medidas de defesa comercial (artigo 237 da Constituição), o que ocorre por ocasião do registro da declaração de importação. Traçadas tais premissas, passo à análise dos argumentos apresentados pela Recorrente. 1. Preliminar sobre a Circular SECEX n. 23, de 24/04/2008 Vejamos inicialmente o conteúdo da Resolução CAMEX n. 5, de 25 de abril de 2002, que foi o fundamento para a cobrança do direito antidumping por meio do presente processo administrativo: RESOLUÇÃO CAMEX Nº 5, DE 25 DE ABRIL DE 2002 DOU 26/04/2002 O PRESIDENTE DA CÂMARA DE COMÉRCIO EXTERIOR, no exercício da atribuição que lhe confere o § 3º do art. 6º do Decreto nº 3.981, de 24 de outubro de 2001, e, tendo em vista o disposto no inciso XV do art. 2º do mesmo diploma legal e no art. 6º da Lei nº 9.019, de 30 de março de 1995 e alterações, assim como o contido no Processo MDIC/SAA/CGSG 52100000070/00 15 e no Parecer nº 4, de 5 de abril de 2002, elaborado pelo Departamento de Defesa Comercial – DECOM, da Secretaria de Comércio Exterior – SECEX, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior – MDIC, a respeito de investigação de dumping nas exportações de conservas de pêssego originárias da Grécia, conforme consta do Anexo à presente Resolução, RESOLVE, ad referendum da Câmara, Art. 1º Encerrar a investigação com a fixação de direitos antidumping definitivos sobre as importações de conservas de pêssego, classificadas nos itens 2008.70.10 e 2008.70.90 da Nomenclatura Comum do MERCOSUL NCM, quando originárias da Grécia, conforme segue: Art. 2º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União e terá vigência de até cinco anos, nos termos do disposto no art. 57 do Decreto nº 1.602, de 23 de agosto de 1995. Fl. 231DF CARF MF 8 De seu texto podemos constatar que foram vigentes desde 26/04/2002 até 26/04/2007 os direitos antidumping incidentes sobre as importações de pêssego em calda proveniente da Grécia, classificados na NCM sob os n. 2008.70.10 e 2008.70.90. Terminada a vigência da medida, a SECEX, como é de sua competência (artigo 17 do Decreto nº 8.917, de 29 de novembro de 2016), iniciou a revisão do direito antidumping em questão, por meio Circular SECEX n 21, de 24 de abril de 2007, publicada no Diário Oficial da Unido de 26 de abril de 2007. Feitos os estudos necessários para a análise da eventual continuidade do dano ao mercado nacional e do nexo causal para a aplicação do direito antidumping sobre o pêssego em calda importado da Grécia, decidiuse pelo encerramento da aplicação da medida restritiva, conforme consta da Circular SECEX n. 24, de 24 de abril de 2008, trazida à discussão pela Recorrente. Destaco a seguir seus dizeres: CIRCULAR N° 23, DE 24 DE ABRIL DE 2008 (publicada no D.O.U. de 25/04/2008) O SECRETÁRIO DE COMÉRCIO EXTERIOR DO MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR, nos termos do Acordo sobre a Implementação do Artigo VI do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio GATT 1994, aprovado pelo Decreto Legislativo n' 30, de 15 de dezembro de 1994, promulgado pelo Decreto n' 1.355, de 30 de dezembro de 1994, de acordo com o disposto no art. 3' do Decreto n' 1.602, de 23 de agosto de 1995, tendo em vista o que consta do Processo MDIC/SECEX 52000 001208/200724 e do Parecer n2 08/06, de 14 de março de 2008, elaborado pelo Departamento de Defesa Comercial — DECOM desta Secretaria, decide: 1. Encerrar a revisão que se iniciou por meio Circular SECEX n 21, de 24 de abril de 2007, publicada no Diário Oficial da Unido de 26 de abril de 2007, dos direitos antidumping definitivos estabelecidos por meio da Resolução CAMEX n. 5, de 25 de abril de 2002, publicada no Diário Oficial da Unido — DOU de 26 de abril de 2002, aplicado as importações brasileiras de pêssego em conserva, classificado nos itens 2008.70.10 e 2008.70.90 da Nomenclatura Comum do MERCOSUL — NCM, quando exportadas pela Grécia, sem a aplicação de medidas considerando que, no período de analise, não restou demonstrado ser provável que uma futura retomada da pratica de dumping nas exportações da Grécia para o Brasil provocará dano à indústria doméstica, 2. Tornar públicos os fatos que justificaram a decisão, conforme o Anexo a esta Circular. Assim, não resta dúvida sobre a improcedência do argumento da Recorrente no sentido de que a Circular SECEX n. 23/2008 seria causa extintiva dos valores aqui discutidos. Ora, as DIs foram registradas de julho a novembro de 2002 (fls 4), data em que a Resolução CAMEX n. 5/2002 era plenamente vigente, determinado o recolhimento dos direitos antidumping sobre as importações efetivadas pela Recorrente. Tal obrigação só cessou em 26/04/2007, e, depois de procedimento de revisão pelos órgãos competentes, não foi renovada para o futuro. Isto sim é o que estabelece a Circular SECEX n. 23/2008, em nada Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10120.001882/200701 Acórdão n.º 3402004.830 S3C4T2 Fl. 337 9 influenciando os montantes devidos no passado, como os constantes do auto de infração sob análise. Dessarte, afasto a preliminar aventada pela Recorrente. 2. Mérito Com relação ao mérito, sobre o qual a Recorrente alega que os valores relativos aos direitos antidumping foram efetivamente recolhidos, inclusive em valor maior ao exigido pelo Fisco. Não merece qualquer reparo o acórdão recorrido, que tratou cuidadosamente da questão e se amolda aos pressupostos trazidos no início deste voto, especialmente sobre a natureza do direito antidumping e seu tratamento jurídico orçamentário distinto das receitas tributárias. Assim, adoto os dizeres do acórdão a quo como razão de decidir nesse julgamento, nos moldes do artigo 50, §2º da Lei n. 9.784/99: A afirmação da recorrente não encontra respaldo em qualquer elemento probatório constante dos autos, vez que simples verificação do extrato de recolhimento de tributos constante na página inicial de cada declaração de importação constata recolhimento zero para os direitos antidumping (ver fls. 18, 32, 45 e 55). O que se observa é um recolhimento a maior do imposto de importação à alíquota de 55% (fls. 21, 35, 48 e 58), porém, sem qualquer referência ou expressão quantitativa ao direito antidumping, que mesmo acrescido deste, restaria ainda superior ao total devido, evidenciando o caráter fortuito de seu recolhimento (erro casual). Vale ressaltar, que na sistemática de recolhimento dos valores devidos por ocasião do registro de importação, o cálculo e destaque dos direitos antidumping possuem tratamento próprio, com distinção para todas as parcelas devidas (ver extrato da declaração de importação, fls. 18, 32, 45 e 55). Diante de parcela a maior recolhida para o imposto de importação, não há que se falar em compensação para o direito antidumping não recolhido, vez que este não possui natureza tributária, e se assim ainda o fosse, também não seria possível tal compensação de ofício, haja vista expressa vedação legal à compensação de tributos devidos no registro de declaração de importação, na forma prevista no art. 77, § 3º, II, da Lei nº 9.430, de 1996 [sic leiase 74, §3º inciso II], com as alterações da Lei nº 10.637, de 2002. Este Conselho já examinou questão análoga à aqui discutida, decidindo no mesmo sentido ora proposto, mesmo que adotando premissa mais benéfica ao contribuinte, qual seja, a natureza jurídica tributária do direito antidumping: DIREITO ANTIDUMPING. Fl. 233DF CARF MF 10 O direito antidumping tem a mesma natureza jurídica do Imposto de Importação, configurandose como exação tributária e sendo qualificado como adicional daquele imposto, ex vi da legislação aplicável e tendo como origem os Acordos firmados no âmbito da OMC/GATT. Embora tenham a mesma natureza jurídica são cobrados independentemente, mercê o caráter transitório e cumulativo do adicional. Ao procedimento de exigência aplicase o rito processual do contenciosotributário regido pelo PAF. Cabível a multa de ofício e os juros de mora. NEGADO PROVIMENTO POR MAIORIA. (Acórdão 30130673) Ressalto por fim que, segundo a Circular SECEX n. 42, de 25/10/00, as alíquotas do imposto de importação para aqueles itens da NCM foram de: 41% em 1996; 35% no período de 1o de janeiro a 12 de novembro de 1997; 38% no período de 13 de novembro a 31 de dezembro de 1997; 33% em 1998; 28% em 1999; e de 23% no período de 1o de janeiro a 10 de outubro de 2000. A partir de 11 de outubro e até 31 de dezembro de 2000 a alíquota será de 55%, reduzindo para 14% a partir de 1º de janeiro de 2001. Dessarte, o recolhimento do imposto de importação nessa alíquota de 55% também não indica o recolhimento do direito antidumping, ainda que não discriminado nas declarações de importação. Portanto, não há razão para afastar a incidência dos direitos antidumping cobrados por meio do presente auto de infração, devendo ser mantido o lançamento como foi efetuado, sem prejuízo de eventual pedido de restituição de indébito a ser promovido pela Recorrente dos valores indevidamente pagos a título de imposto de importação. 3. Multa confiscatória A Recorrente brada ainda pela decretação do caráter confiscatório da sanção que lhe foi aplicada, com base no artigo 150 inciso IV, além do princípio da proporcionalidade e da razoabilidade, todos estampados na Constituição Federal. Entretanto, a argumentação da Recorrente não escapa de uma necessidade de aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais, no âmbito do processo administrativo fiscal é expressamente vedado afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, por força do artigo 59 do Decreto no 7.574/2011. Portanto, não conheço da alegação de que o direito antidumping seria confiscatório e, portanto, inconstitucional. Dispositivo Por essas razões, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10120.001882/200701 Acórdão n.º 3402004.830 S3C4T2 Fl. 338 11 Fl. 235DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.000682/2011-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.678
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem junte a decisão definitiva do processo nº 10830.720562/2010-34.
(assinatura digital)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem junte a decisão definitiva do processo nº 10830.720562/201034. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Walker Araujo. 1. Relatório Por bem transcrever os fatos e ser sintético, adotase a o relatório da DRJ/Ribeirão Preto, fls. 480 e seguintes1: Tratase de auto de infração (fls. 03/16) lavrado para exigir R$ 25.068.760,92 relativos ao IPI e juros de mora calculados até 30/12/2010, decorrentes da glosa de créditos fictícios do IPI, que a empresa escriturou indevidamente, relativos a entradas de insumos 1 Todas as páginas, referenciadas no voto, correspondem ao eprocesso. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .0 00 68 2/ 20 11 -0 1 Fl. 610DF CARF MF Processo nº 10830.000682/201101 Resolução nº 3302000.678 S3C3T2 Fl. 3 2 tributados à alíquota zero, para os quais não há previsão legal para o creditamento, utilizando estes créditos para o abatimento de débitos do imposto. Conforme consta da descrição dos fatos de fls. 05/08, o auto de infração foi lavrado com base nos documentos e nas informações contidas nas ações fiscais em nome da Unilever Brasil Higiene Pessoal e Limpeza Ltda, CNPJ 03.085.759/000102. Tendo em vista que a partir de julho de 2010, em virtude de incorporação, a fiscalizada passou a operar sob o CNPJ 01.615.814/00648, pertencente a Unilever Brasil Industrial Ltda, o competente auto de infração foi lavrado em seu nome. De acordo com os documentos apresentados pela fiscalizada em 20/05/2008, em resposta ao Termo de Intimação lavrado em 06/03/2008 (MPF nº 08.1.04.00.2007.005866), a escrituração dos referidos créditos, identificados como “IPI presumido alíq 0%”, foi autorizada por meio do agravo de instrumento de n° 2001.01.00.0317451, ao qual foi deferido o efeito suspensivo ativo contra decisão do juiz singular que indeferiu pedido de tutela antecipada, no processo judicial principal 2001.34.00.0171595 (fls. 68/133). A sentença de 1ª Instância, datada de 14/02/2003, foi favorável à fiscalizada (julgou procedente o pedido, declarando o direito da fiscalizada ao creditamento contábil do IPI verificado quando na entrada de insumos, materiais de embalagens e produtos intermediários cujas operações sejam ou tenham sido beneficiadas pela isenção, não incidência ou alíquota zero, tendo como alíquota de dedução aquela aplicada à venda do produto manufaturado, fls.135/146). Tendo em vista que a fiscalizada, amparada por decisão judicial, escriturou créditos indevidos (oriundos da aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à aliquota (sic) zero) no período de set/2001 a jul/2007 e considerando que com a lavratura do Auto de Infração em 02/12/2010 (processo administrativo n° 10830.720562/201034), houve alteração dos saldos originais da escrita fiscal da fiscalizada, com apuração de saldo devedor do IPI a partir de agosto de 2006, a fiscalização elaborou nova reconstituição da escrita, com a glosa dos créditos indevidos restantes, no montante de R$ 17.100.874,33. Por meio do “DEMONSTRATIVO DE RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL DO PERÍODO DE SETEMBRO DE 2001 A AGOSTO DE 2006” (fls. 09/13), reconstituiuse a escrita fiscal da fiscalizada, excluindo, dos valores originais consignados no Livro do IPI (RAIPI), os créditos identificados como “IPI presumido alíq 0%” consignados na rubrica “OUTROS CRÉDITOS”, referente ao período de setembro de 2001 a dezembro de 2005 (coluna (H) do Demonstrativo). Nesta nova reconstituição também foram considerados as glosas de créditos efetuadas e os débitos apurados no Auto de Infração, lavrado em 02/12/2010, objeto do processo 10830.720562/201034, no período Fl. 611DF CARF MF Processo nº 10830.000682/201101 Resolução nº 3302000.678 S3C3T2 Fl. 4 3 de janeiro de 2006 a agosto de 2006 (colunas (F) e (G) respectivamente do Demonstrativo). Conforme demonstrado na coluna (K) desta Reconstituição da Escrita, foram apurados débitos de IPI, a serem cobrados no presente Auto de Infração, nos períodos de maio a agosto de 2006. O crédito tributário apurado por meio do presente Auto de Infração foi lançado com a exigibilidade suspensa por força da sentença em 1ª Instância nos autos do processo judicial de n° 2001.34.00.0171595 da 3ª Vara Federal do Distrito federal, que julgou procedente o pedido da fiscalizada, declarando o direito ao creditamento contábil do IPI verificado quando na entrada de insumos, materiais de embalagens e produtos intermediários cujas operações foram beneficiadas pela isenção, não incidência ou alíquota zero, tendo como alíquota de dedução aquela aplicada à venda do produto manufaturado. Regularmente cientificada, a interessada apresentou a impugnação de fls. 361/381, instruída com os documentos de fls. 382/476, alegando, em resumo, o seguinte: a) Se não bastasse a impossibilidade de revisão da escrita do período de set/2001 a dez/2005, em razão da decadência, o próprio MPF que suporta a fiscalização menciona que o período a ser fiscalizado corresponde a jan/2006 a ago/2006, ou seja, não há amparo formal, e legal, para proceder com a revisão da escrita fiscal no período anterior a 2006; b) Tendo em vista a presença de vícios formais insanáveis no procedimento de fiscalização, resta claro a necessidade de anulação do presente auto de infração; c) A procedência da presente autuação só poderá ser analisada após serem validadas as premissas adotadas pelo auto de infração objeto do processo administrativo nº 10830.720562/201034. Assim, requer o sobrestamento do presente feito até o julgamento do processo administrativo nº 10830.720562/201034, pois a sistemática de cálculo adotada pela fiscalização ainda está em discussão; d) Nos termos do parágrafo 4º do artigo 150 do CTN, bem como de acordo com a doutrina e jurisprudência que cita, salienta que todo o saldo credor, discutido nos presentes autos, já foi definitivamente constituído e validado, por ocasião da homologação tácita do procedimento de apuração realizado pela impugnante, cinco anos após a ocorrência dos respectivos fatos geradores. Dessa forma, operouse a decadência do direito de rever a escrita fiscal do tributo, relativamente aos períodos de apuração considerados pela fiscalização (setembro de 2001 a dezembro de 2005); e) Destaca ainda, que se a discussão fosse no sentido inverso, qual seja, se a impugnante nunca houvesse se apropriado de crédito de “IPI alíquota zero” e, num dado momento, os Tribunais Superiores se manifestassem no sentido de autorizar a tomada de tais créditos, a Impugnante só poderia reaver os últimos 5 anos de créditos não usufruídos; Ao final, requer a produção de todos os meios de prova em direito admitidos, inclusive a apresentação de novos documentos, realização de diligências e as demais que se fizerem, bem como, que todas as intimações sejam encaminhadas ao advogado da empresa. Fl. 612DF CARF MF Processo nº 10830.000682/201101 Resolução nº 3302000.678 S3C3T2 Fl. 5 4 A DRJ/Ribeirão Preto considerou improcedente a impugnação, vide ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/05/2006 a 31/08/2006 DECADÊNCIA. GLOSA DE CRÉDITOS FICTOS DO IPI. É correta a glosa de créditos indevidos há qualquer tempo, pois não ocorre fato gerador do tributo no momento do creditamento. O uso indevido do crédito é que gera conseqüências tributárias, pois ao usá lo deixase de pagar o tributo devido, ocorrendo prazo de decadência apenas para o lançamento de débitos decorrente desta glosa. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste a figura do sobrestamento do processo administrativo, pois o princípio da oficialidade obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. LANÇAMENTO. Descabe a argüição de irregularidade do lançamento relacionada ao Mandado de Procedimento Fiscal MPF, porquanto a expedição do mesmo constituise em mero ato de controle administrativo, não maculando a atividade fiscal do próprio Estado, que é atribuída por lei àqueles servidores que detêm a competência para promover o lançamento tributário. COMUNICAÇÃO DOS ATOS PROCESSUAIS. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO DO SUJEITO PASSIVO. As notificações e intimações devem ser enviadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. APRESENTAÇÃO DE PROVAS FORA DE PRAZO. Sob pena de preclusão temporal, o momento processual para o oferecimento da impugnação, ou da manifestação de inconformidade, é o marco para apresentação de provas e alegações com o condão de modificar, impedir ou extinguir a pretensão fiscal, consideradas as exceções previstas no estatuto processual tributário. INDEFERIMENTO DE DILIGÊNCIA. Indeferese o pedido de perícia quando a providência se mostra desnecessária à solução da lide. A contribuinte, irresignada, apresentou Recurso Voluntário, fls. 494 e seguintes, repisando a argumentação da impugnação. É o relatório. 2. Voto Fl. 613DF CARF MF Processo nº 10830.000682/201101 Resolução nº 3302000.678 S3C3T2 Fl. 6 5 Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 07 de julho de 2011, fls. 493, e o recurso foi protocolado em 04 de agosto de 2011, fls. 494. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Da proposição de retorno dos autos à unidade Observase a partir da análise do auto de infração, fls. 3 e seguintes, que o período de apuração do presente processo corresponde a maio de 2006 a agosto de 2006. Ocorre que tal período decorre da reconstituição da escrita fiscal do período de setembro de 2001 a agosto de 2006, apurados no autos 10830.720562/201034. Como há evidente conexão entre o presente processo e os autos 10830.720562/201034, não há como julgar o presente auto sem saber a respeito da decisão definitiva do auto formalizado em 2010, que reconstituiu a escrita fiscal, que embasou o presente auto. A Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 RICARF prevê o seguinte: RICARF Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; (...) § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. (grifos não constam no original) Assim, propõese o retorno dos autos à unidade de origem a fim de que seja juntada a decisão definitiva dos autos 10830.720562/201034. Após finalizada a diligência, intime a contribuinte para se manifestar a respeito desta no prazo de 30 (trinta) dias conforme o artigo 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 2011. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Fl. 614DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.721884/2011-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. VÍCIO DE CONTRADIÇÃO COMPROVADO. CORREÇÃO DO JULGADO EMBARGADO. POSSIBILIDADE.
Uma vez demonstrado a existência do alegado vício de contradição, acolhe-se os embargos de declaração interpostos, para rerratificar o acórdão embargado sem efeitos infringentes.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 3302-005.162
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios, para reconhecer o vício de contradição alegado e, sem efeitos infringentes, e rerratificar o acórdão embargado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. VÍCIO DE CONTRADIÇÃO COMPROVADO. CORREÇÃO DO JULGADO EMBARGADO. POSSIBILIDADE. Uma vez demonstrado a existência do alegado vício de contradição, acolhe-se os embargos de declaração interpostos, para rerratificar o acórdão embargado sem efeitos infringentes. Embargos Acolhidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios, para reconhecer o vício de contradição alegado e, sem efeitos infringentes, e rerratificar o acórdão embargado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. VÍCIO DE CONTRADIÇÃO COMPROVADO. CORREÇÃO DO JULGADO EMBARGADO. POSSIBILIDADE. Uma vez demonstrado a existência do alegado vício de contradição, acolhese os embargos de declaração interpostos, para rerratificar o acórdão embargado sem efeitos infringentes. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios, para reconhecer o vício de contradição alegado e, sem efeitos infringentes, e rerratificar o acórdão embargado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 18 84 /2 01 1- 15 Fl. 1679DF CARF MF 2 Relatório Tratase de embargos de declaração, tempestivamente opostos pela Fazenda Nacional, com o objetivo de suprir vício de contradição existente no acórdão nº 3202003.607, de 20 de fevereiro de 2017. No referido recurso, a embargante alegou a existência de vício de contradição entre os fundamentos e dispositivo da decisão, uma vez que, no dispositivo do julgado, por unanimidade de votos foi restabelecido os créditos sobre “serviços de sangria”, enquanto que, no voto do vencedor do redator designado, a glosa dos créditos relativos aos referidos havia sido mantida. Para a embargante a contradição revelase evidente, porque: [...] enquanto o voto vencedor do julgado afasta a glosa dos créditos decorrentes dos “Serviço de Expedição e Armazéns”, “Serviço de Transporte de Aves” e “Serviço de Carga e Descarga”; a ementa do julgado dá provimento parcial ao julgado neste mesmo quesito, porém em maior extensão, afastando também a glosa referente aos “serviços de sangria”. Em seguida, a recorrente concluiu, in verbis: Desse modo, ou o “serviço de sangria” foi incluído no resultado do julgamento de forma equivocada ou o resultado do julgamento não foi unanime nesta parte, tendo o Cons. Redator restado vencido quanto a referida glosa. Por meio do despacho de admissibilidade de fls. 1674/1678, os embargos foram admitidos, sob o argumento de que fora comprovada a contradição entre a decisão e os seus fundamentos. No mesmo despacho, este Conselheiro foi designado para proceder o saneamento do vício apontado. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. Uma vez cumprido os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento dos presentes embargos de declaração, para análise do alegado vício de contradição. O vício de contradição restou devidamente demonstrado nos presentes embargos. O simples cotejo entre os pertinentes excertos do voto vencedor e o dispositivo do acórdão confirma o asseverado, senão veja: Voto Vencedor: [...] Por essas razões, deve ser restabelecido o crédito, apenas para custo de prestação dos seguinte serviços: Serviço de Expedição e Armazenagem Gerais, Serviço de Transporte de Aves e Serviço de Carga e Descarga. Fl. 1680DF CARF MF Processo nº 11516.721884/201115 Acórdão n.º 3302005.162 S3C3T2 Fl. 1.626 3 Dispositivo do Acórdão: [...] Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário quanto aos créditos de serviços, para reconhecer os créditos sobre “Serviço de Expedição e Armazéns”, “Serviço de Transporte de Aves e Serviço de Carga e Descarga (transbordo) e “serviços de sangria”. (grifos não originais) Diante dessa constatação, a embargante indaga: “ou o ‘serviço de sangria’ foi incluído no resultado do julgamento de forma equivocada ou o resultado do julgamento não foi unanime [sic] nesta parte, tendo o Cons. Redator restado vencido quanto a referida glosa.” Não foi uma coisa nem outra. De fato, o que ocorreu foi mera omissão, por parte de Conselheiro, que, durante os debates em Sessão, convenceuse que o “serviço de sangria” era insumo produção, porque aplicado no processo produtivo da recorrente, e concordou em acrescentar o citado serviço à relação dos seguintes serviços: “Serviço de Expedição e Armazenagem Gerais, Serviço de Transporte de Aves e Serviço de Carga e Descarga.” Porém, por lapso, o mencionado serviço não foi adicionado a citada relação de serviços do voto vencedor. Dessa forma, uma vez reconhecido o equívoco, propõese a seguinte correção para a conclusão do item “2 Da glosa dos Serviços Utilizados Como Insumos (Ficha 06A, Linha 03)” do voto vencedor: Onde se lê: Por essas razões, deve ser restabelecido o crédito, apenas para custo de prestação dos seguinte serviços: Serviço de Expedição e Armazenagem Gerais, Serviço de Transporte de Aves e Serviço de Carga e Descarga. Leiase: Por essas razões, deve ser restabelecido o crédito, apenas para custo de prestação dos seguinte serviços: Serviço de Expedição e Armazenagem Gerais, Serviço de Transporte de Aves, Serviço de Carga e Descarga e Serviço de Sangria. Por todo o exposto, votase pelo acolhimento dos presentes embargos declaratórios, para reconhecer o vício de contradição alegado e, sem efeitos infringentes, rerratificar o acórdão embargado. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 1681DF CARF MF 4 Fl. 1682DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.725365/2011-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2401-000.629
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Alfredo Duarte Filho e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Alfredo Duarte Filho e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Fernanda Melo Leal.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Alfredo Duarte Filho e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Fernanda Melo Leal. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .7 25 36 5/ 20 11 -9 2 Fl. 445DF CARF MF Processo nº 10830.725365/201192 Resolução nº 2401000.629 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratam os presentes de Auto de Infração de fls. 312/315, acompanhado do demonstrativo de apuração fls. 325/330 e do Termo de Verificação Fiscal de fls. 316/324, relativo ao imposto sobre a renda de pessoa física do anocalendário 2007, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 191.877,08, composto da seguinte forma: R$ 86.479,97 relativo ao Imposto; R$ 40.537,18 de Juros de mora (calculados até 31/10/2011); e R$ 64.859,93 de Multa Proporcional. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 314), que o lançamento é decorrente de ganhos de capital obtidos na alienação de bens e direitos (ações/quotas não negociadas em bolsa) por parte do autuado, cujos fatos geradores ocorreram em entre janeiro e julho de 2007. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 42/46), a omissão de rendimentos decorrente de ganho de capital na alienação de bens e direitos se deu da seguinte forma: “DA OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS 20. Restou comprovado que os valores auferidos por ocasião da venda do imóvel e das participações societárias em foco foram os seguintes: 21. Em razão da alienação, o sujeito passivo recebeu os valores abaixo apontados: Fl. 446DF CARF MF Processo nº 10830.725365/201192 Resolução nº 2401000.629 S2C4T1 Fl. 4 3 22. Ora, a venda de 24.000 quotas do Auto Posto Cidade Jardim Americana Ltda, CNPJ 55.546.030/000190, adquiridas pelo valor de R$ 24.000,00, deu se pelo preço de R$ 626.666,66. Contudo, o ganho de capital oriundo da alienação de tais bens não foi oferecido à tributação, razão pela qual procedese ao correspondente lançamento de ofício. 23. Conforme mencionado, os alienantes arcaram, em 01/02/2007, com uma corretagem de R$95.000,00 (a fração do contribuinte corresponde a 1/3 – R$ 31.666,67). O valor da corretagem, quando suportado pelo alienante, será deduzido do valor da alienação e, quando se tratar de venda à prazo, com diferimento da tributação, a dedução farseá sobre o valor da parcela do preço recebida no mês do pagamento da referida corretagem (art. 19, § 4º da IN SRF nº 84/01). Assim, da parcela recebida em fevereiro de 2007 será deduzido o valor de R$ 31.667,67. 24. De todo o exposto, para efeito de cálculo do imposto sobre o ganho de capital na alienação dos bens em foco, consideramse os seguintes valores e datas: 25. O Cálculo do ganho de capital auferido na alienação das quotas e não oferecido à tributação consta do Demonstrativo da Apuração dos Ganhos de Capital, anexo ao presente termo. Fl. 447DF CARF MF Processo nº 10830.725365/201192 Resolução nº 2401000.629 S2C4T1 Fl. 5 4 Devidamente cientificados, os Interessados apresentaram, tempestivamente, impugnação (fls. 338/343 Ercides) e (fls. 367/375 – Norma Antonia), alegando, resumidamente, o que segue: Expõe o Sr. Ercides que, conforme documentos juntados aos autos, as cotas sociais estavam avaliadas em R$ 72.000.00, a escritura do imóvel foi realizada pelo valor de R$ 400.000,00, bem como foram pagos de comissão de corretagem o valor de RS 95.000.00. Afirma que, por ocasião da lavratura do auto de infração, o AFRFB considerou como ganho de capital a diferença entre o valor de RS 2.280.000,00 menos os RS 95.000,00. Após, considerou o imóvel no valor de RS 400.000.00 e o saldo de RS 1 785.000,00 como venda de cotas sociais, restando a cada um dos vendedores um imposto a pagar de RS 56.479,97, além da multa de 75% e taxa Selic. Contudo, no seu entendimento, o auto de infração é nulo de pleno direito porque o cálculo do imposto destoa da realidade dos fatos, visto que no contrato em que a AFRFB se baseou não consta que as cotas sociais teriam esse valor, mas tão somente que o imóvel mais o fundo de comércio, estavam sendo vendidos pelo valor de RS 2.280.000,00. Nesse plano, assevera que as cotas sociais valem o que consta no contrato social, ou seja RS 72.000,00 e que todas as benfeitorias estavam incorporadas ao imóvel, que, além do terreno, teve incorporado as bombas de abastecimento, todo o estoque de combustível, lubrificantes, estoque da loja de conveniência, a construção da estrutura do posto, máquina de lava jato e todos os demais acessórios que se incorporam ao principal para o exercício da atividade. Dessa forma, segundo o impugnante, o custo de aquisição é composto da seguinte forma: Valor recebido – R$ 2.280.000,00 ( ) cotas sociais – R$ 72.000.00 ( ) comissão de corretagem R$ 95.000,00 Custo do imóvel – R$ 2.113.000,00. Sendo assim, como cada sócio era detentor de 1/3, tanto do terreno, quanto das cotas sociais, o valor a ser tributado para cada um é de R$ 704.333,33. Na sequência, alega que, utilizandose do programa da Receita Federal do Brasil para o cálculo do imposto sobre ganho de capital, temse que o total devido pelo impugnante é de R$ 44.679,37, assim discriminados: janeiro/2007 R$ 697,78, fevereiro/2007 R$ 21.144,99, março a julho/2007 – R$ 4.567,32 cada mês. Relativamente às cotas sociais, argumenta que já foi esclarecido que em 14/07/2005 o capital social da empresa foi alterado para RS 72.000,00, cabendo a cada sócio o capital de R$ 24.000.00, conforme consta da Junta Comercial do Estado de SP (Jucesp), não havendo ganho de capital ou imposto a pagar. Fl. 448DF CARF MF Processo nº 10830.725365/201192 Resolução nº 2401000.629 S2C4T1 Fl. 6 5 Apesar disso, explica que houve equívoco do contador ao informar a alteração do capital social da empresa, fazendo constar o custo de aquisição de R$ 3.747,28. No entanto, acredita que esse fato não pode prejudicálo, já que procedeu às devidas alterações junto à JUCESP. Ainda assim, alega que, a partir de junho de 2005, é isento do Imposto de Renda o ganho de capital de pequeno valor, conforme valores definidos em lei. Por outro lado, argui que a multa de ofício aplica possui caráter confíscatório, requerendo, em função disso, a anulação do auto de infração por ofensa ao art. 150, inciso IV, da CF/88. Quanto à impugnação apresentada pela Srª Norma, atacou os mesmos pontos refutados pelo Sr. Ercides, com exceção do tema responsabilidade solidária, em relação ao qual acrescentou que não pode ser considerada solidária com os débitos, pelo simples fato de fazer a declaração de ajuste anual em conjunto; que nunca foi sócia da empresa Auto Posto Cidade Jardim Americana Ltda., não auferiu benefícios com a venda do posto e do imóvel, muito menos há nos autos prova disso; que não houve acréscimo ao seu patrimônio pessoal, visto que sua única fonte de renda é a aposentadoria que recebe do Estado; que somente assinou os documentos de compra e venda por exigência da lei devido ao seu regime de casamento ser o de comunhão geral de bens; e que o Código Tributário Nacional, em seus artigos 124 e 134, não prevê que a esposa, pelo simples fato de ser casada no regime de comunhão universal, obrigatório por lei à época, seja solidária com os débitos tributários do marido. Ao final, requereram o cancelamento do auto de infração. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0736.710 da 6ª Turma da DRJ/FNS, às fls. 417/425, julgando improcedentes as impugnações apresentadas em face do lançamento, mantendo o crédito tributário exigido em sua integralidade. Recordese: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIA. INAPLICABILIDADE DAS REDUÇÕES PREVISTAS PARA A VENDA DE BENS IMÓVEIS. Configura ganho de capital a diferença positiva entre o valor da alienação de participação societária e o seu custo de aquisição, não se aplicando a este ganho as reduções previstas legalmente para os bens imóveis. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CÔNJUGE CASADO SOB O REGIME UNIVERSAL DE BENS. CARACTERIZAÇÃO. O Cônjuge casado sob o regime de comunhão universal de bens é considerado responsável tributário em relação ao débito de imposto de Fl. 449DF CARF MF Processo nº 10830.725365/201192 Resolução nº 2401000.629 S2C4T1 Fl. 7 6 renda em nome do consorte decorrente da alienação de bem comum, por estar presente o interesse comum na situação jurídica que constitui o fato gerador do tributo. ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. BENS DE PEQUENO VALOR. INOCORRÊNCIA. São bens e direitos de pequeno valor aqueles cujo valor de alienação, tomados de forma individual ou de forma conjunta, se for de mesma natureza, não ultrapassar a R$ 35.000,00 no mês. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIAS DAS DRJ. As Delegacias de Julgamento não são competentes para apreciar arguições de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” O contribuinte Ercides Angeli foi cientificado da decisão de 1ª instância em 13/05/2015, conforme Aviso de Recebimento (AR) de fl. 429. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 432/437), apresentando os mesmos argumentos lançados em sua peça de Impugnação. É o relatório. Fl. 450DF CARF MF Processo nº 10830.725365/201192 Resolução nº 2401000.629 S2C4T1 Fl. 8 7 VOTO Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DO MÉRITO Consoante se observa do Termo de Verificação Fiscal (fl. 323), a Fiscalização, tendo constatado que o Sr. Ercides Angeli e Norma Antonia Bandiera Angeli são casados sob o regime de comunhão universal de bens, evidenciando o interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, atribuiu à Srª Norma Antonia Bandeira Angeli, CPF nº 055.625.89834, a responsabilidade solidária pelo crédito tributário, com fulcro no artigo 124, I, do CTN. Tanto é verdade, que ambos foram intimados do Auto de Infração conforme Avisos de Recebimento acostados às fls. 334/335 – Ercides Angeli e 336/337 – Norma Antonia Bandiera Angeli, apresentando suas respectivas Impugnações em separado (fls. 338/343 – Ercides e 367/375 – Norma). Observase, a propósito, que na sua peça de impugnação, a Contribuinte Norma Antonia Bandiera Angeli argüiu preliminar de ilegitimidade passiva ao fundamento de ausência de solidariedade entre ela e o seu cônjuge, tendo a matéria sido apreciada pela DRJ em Florianópolis. Confirase: “[...] Quanto à solidariedade passiva solidária da Srª Norma, é fato incontroverso nos autos de que o Sr. Ercides e a Srª Norma são casados sob o regime de comunhão universal de bens. A propósito desse regime de bens, Paulo Lôbo comenta: [...] Sendo assim, com apoio na lição de Paulo Lôbo, tendo em vista que nesse regime os bens adquiridos por um dos cônjuges pertencem ao casal, caracterizando uma compropriedade, entendo que fica caracterizado, inexoravelmente, o interesse comum de ambos na situação que constitui o fato gerador do tributo entre o Sr. Ercides e a Srª Norma a justificar a responsabilização desta pelos débitos devidos em função de ganho de capital auferido pela venda da participação societária no Auto Posto Cidade Jardim de Americana Ltda. Nesse sentido, aliás, oportuno transcrever o entendimento de Hugo Brito Machado a respeito: [...] Portanto, diante do exposto, considero que deve ser mantida a responsabilidade solidária da Srª Norma, com fulcro no art. 124, I, do CTN.” Fl. 451DF CARF MF Processo nº 10830.725365/201192 Resolução nº 2401000.629 S2C4T1 Fl. 9 8 Todavia, verifico que após o julgamento em primeira instância administrativa, apenas o sujeito passivo Ercides Angeli fora cientificado do referido Acórdão (fls. 429/430), não havendo nos autos notícia da ciência da então responsável solidária, Sra. Norma Antonia, tampouco recurso apresentado por ela. Ocorre, porém, que é dever legal e constitucional da Administração Tributária proceder a notificação de todos os responsáveis solidários das decisões proferidas. Assim, com o objetivo de evitar futuras alegações de violação a garantia constitucional do devido processo legal, e por consequência, cerceamento do direito de defesa da interessada na condição de responsáveis solidária pelo crédito ora discutido, voto no sentido de converter o Dessa forma, objetivando privilegiar a ampla defesa e o contraditório, voto no sentido de determinar o retorno dos presentes autos à unidade da Receita Federal com jurisdição sobre o contribuinte para que sejam adotadas as providências de estilo para cientificar a interessada Norma Antonia Bandiera Angeli do Acórdão nº 0736.710 da 6ª Turma da DRJ/FNS. Após o prazo legal, havendo recurso ou não, retornem os autos para inclusão em pauta de julgamento. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONVERTO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 452DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.720029/2005-65
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/1995 a 25/11/1998
PRAZO PRESCRICIONAL DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SÚMULA CARF nº 91.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3001-000.175
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleber Magalhães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: CLEBER MAGALHAES
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SÚMULA CARF nº 91. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 72 00 29 /2 00 5- 65 Fl. 147DF CARF MF 2 Por retratar com fidelidade os fatos, adoto o relatório produzido pela 5ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto (efl. 79 e ss): Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face de Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/Dcomp) de fls. 02/14, transmitida em 03/03/2004, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com créditos, no valor de R$ 30.207,11 (fl. 03), decorrentes de ação judicial, relativos A ADIN n° 1.417 0, que teria transitada em julgado, em 04/04/2001, perante o Supremo Tribunal Federal. A análise da liquidez e certeza dos créditos utilizados na Dcomp, bem como a sua suficiência para a extinção dos débitos nela declarados, foi efetuada pela DRF em Presidente Prudente no Despacho Decisório de fls. 18/20, de 18/03/2005, através do qual a autoridade competente não reconheceu o direito creditório e, por conseguinte, não homologou as compensações dos débitos fiscais declarados, sob o fundamento de que a inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em relação à MP n° 1.212, de 28 de novembro de 1995, se restringiu ii irretroatividade determinada para os fatos geradores ocorridos a partir de 10 de outubro daquele ano, julgando válida sua vigência depois de cumprida a carência nonagesimal, ou seja, para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de março de 1996, consoante, inclusive, a Instrução Normativa SRF n° 06, de 19/01/2000. Portanto, eventuais valores que a contribuinte pretendia ver restituído, relativamente ao período de 01/10/1995 a 29/02/1996, já foram alcançados pela decadência, uma vez que transcorrido mais de cinco anos da transmissão da presente PER/Dcomp. Cientificada do Despacho Decisório em 23/03/2005 (fl. 22), a contribuinte ingressou, em 06/04/2005, com a manifestação de inconformidade de fls. 23/58, na qual alega, em síntese, que: a) a decisão em ação direta de inconstitucionalidade da lei ou ato normativo federal ou estadual, proposta através de controle concentrado, tem efeito retroativo "ex tunc" e erga omnes"; b) a decisão administrativa colide diretamente com a Carta Constitucional; c) a nova redação dada ao texto da Lei n° 9.715, de 25/11/1998, jamais poderia ser estendida a épocas pretéritas como quer a autoridade administrativa; d) a retroatividade do PIS/PASEP A 01/10/1995, prevista no artigo 18 da Lei n° 9.715/98, foi considerada inconstitucional na ação direta de inconstitucionalidade — ADIN 1.4170; e) inexistente o fato gerador no período Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10835.720029/200565 Acórdão n.º 3001000.175 S3C0T1 Fl. 3 3 considerado inconstitucional de 01/10/1995 até a publicação da Lei n°9.715, em 25/11/1998; f) O STF já decidiu que uma lei inconstitucional não possui nenhum valor jurídico desde o momento em que pretendeu produzir efeitos contrários aos princípios e normas encartados na Constituição Federal; g) o Decreto n° 2.346/97 veda a aplicação de lei considerada inconstitucional; h) tendo em vista a Instrução Normativa SRF n° 06, de 19/01/2000, fica vedada a constituição de credito do PIS/PASEP no período compreendido entre 01/10/1995 a 29/02/1996, devendo os contribuintes serem restituidos dos valores pagos indevidamente nesse período, conforme disposto no inciso I do artigo 2° da IN/SRF n° 210/2002; i) houve ineficácia das reedições das medidas provisórias que trataram da cobrança do PIS, a partir da MP n° 1.212/95 até a edição da Lei n° 9.715/98, de modo que no período de outubro de 1995 a outubro de 1998 são indevidos os valores recolhidos a titulo de PIS por total ausência de lei; j) a Lei Complementar n° 7/70 foi revogada pela MP n° 1.212/95; k) relativamente A contagem do prazo qüinqüenal de decadência, afirma que em se tratando de repetição de indébitos de tributos e contribuições declarados inconstitucionais, contase o prazo decadencial a partir do trânsito em julgado da sentença definitiva que declarou a inconstitucionalidade, e no caso sob exame, da IN SRF n° 06, de 19/01/2000; k) há decisões também que fixam o prazo inicial para a restituição do valor de tributo pago indevidamente a data da publicação da Resolução do Senado Federal, que retira do ordenamento jurídico a norma declarada inconstitucional; 1) em consonância com a jurisprudência do STJ, em se tratando de recolhimentos antecipados a qualquer atividade fiscal, devem eles ter como marco inicial a homologação do lançamento por parte do sujeito ativo ou, se esta não ocorrer, da homologação tácita, neste caso fixado pelo Código Tributário Nacional no quinto ano posterior ao fato gerador do tributo (CTN, art. 150, § 4°); m) a Lei Complementar n° 118/2005 é inconstitucional e, ainda se não bastasse, a declaração de compensação foi transmitida antes de sua entrada em vigor; n) alega que o dispositivo da Medida Provisória n.° 232/2004, que estabeleceu o julgamento dos processos de compensação em instancia única, é inaplicável. Ao final, requer que seja acolhido o presente recurso e homologada a declaração de compensação objeto deste para os devidos fins de direito. A DRF de Ribeirão Preto produziu a seguinte ementa: Fl. 149DF CARF MF 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1995 a 25/11/1998 PIS. MEDIDA PROVISÓRIA N° 1.212, DE 1995 E LEI N°9.715, DE 1998. ADIN N° 1.4170. EFEITOS DA DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Em face da inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal quando do julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 1.4170, as disposições da Medida Provisória n° 1.212, de 1995, e suas reedições, convalidadas pela Lei n° 9.715, de 1998, aplicamse aos fatos geradores ocorridos a partir de 1° de março de 1996. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO • TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/1995 a 03/03/1999, 20/02/1995 a 03/03/2004 RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. 0 direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente, ou em valor maior que o devido, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados a partir da data de efetivação do suposto indébito. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante entrega de declaração de compensação (Dcomp), está condicionada A comprovação de certeza e liquidez (ydos alegados indébitos. Solicitação Indeferida Em Recurso Voluntário (efl. 99 e ss) a Recorrente, em suma, repete os argumentos utilizados na manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Cleber Magalhães Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. O limite da competência das Turmas Extraordinárias do CARF é de sessenta salários mínimos, segundo o 23B, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017. O valor do saláriomínimo nacional é de R$ 954,00, segundo Decreto nº 9.255, de 29 de dezembro de 2017. Dessa forma, o limite de valor de litígio para processos a serem julgados pelas turmas Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10835.720029/200565 Acórdão n.º 3001000.175 S3C0T1 Fl. 4 5 extraordinárias é de R$ 57.240,00. Como o valor em litígio é de R$ 30.207,11, (efl. 80), a análise do p.p. está dentro da alçada das turmas extraordinárias. A 5ª Turma da DRJ/RPO assim entendeu: No que tange ao direito creditório, pressuposto fático do direito de compensar, pelo exame dos arts. 165, I e 168, I, do Código Tributário Nacional, constatase que o direito de o sujeito passivo pleitear a restituição total ou parcial de tributo ou contribuição pago indevidamente ou a maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido, extinguese com o decurso do prazo de 5 anos, contados da data da extinção do crédito tributário. A Súmula nº 91 do CARF, entretanto, traz normativa diversa: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Seguindo nesse caminho, o RICARF, aprovado pela Portaria MF Nº 343, de 09 de junho de 2015, estabelece, em seu art. 72: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Assim, não há como deixar de dar razão à Recorrente, haja vista que não se pode caracterizar a extinção do direito da Recorrente após o prazo de apenas 5 anos . Assim, pelo exposto, voto pro DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Fl. 151DF CARF MF 6 Fl. 152DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.001158/2009-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO COMPROVADA A CONTRADIÇÃO. REJEIÇÃO.
Inexistindo obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, impõe-se a rejeição dos embargos de declaração.
Numero da decisão: 3302-005.358
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do relator.
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
José Renato Pereira de Deus - Relator.
EDITADO EM: 04/04/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO COMPROVADA A CONTRADIÇÃO. REJEIÇÃO. Inexistindo obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, impõe-se a rejeição dos embargos de declaração.
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Interessado CARBONÍFERA METROPOLITANA S.A. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO COMPROVADA A CONTRADIÇÃO. REJEIÇÃO. Inexistindo obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, impõese a rejeição dos embargos de declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do relator. Paulo Guilherme Déroulède Presidente. José Renato Pereira de Deus Relator. EDITADO EM: 04/04/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Carbonífera Metropolitana S.A., ora embargante, face ao Acórdão 3803003.380, de 21/08/2012, por suposta omissão, contradição e obscuridade da decisão. O acórdão embargado possui a seguinte ementa e dispositivo: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 11 58 /2 00 9- 50 Fl. 688DF CARF MF 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, insumos são todos aqueles bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados no processo produtivo, ou que o viabilizem, e na prestação de serviços, sem os quais não se realizem ou se incorra na perda substancial de qualidade dos produtos ou dos serviços prestados. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. ADMISSIBILIDADES. Ensejam direito a crédito, enquanto insumos da atividade produtiva: i) os custos da recuperação ambiental inerentes ao compromisso assumido em Termo de Ajustamento de Conduta firmado perante o Ministério Público, condicionante do exercício da atividade produtiva; ii) os custos dos serviços de retificação de motores de vida útil inferior a 1 (um) ano, diretamente vinculados ao processo produtivo; e iii) as despesas de depreciação incidentes sobre bens usados adquiridos e destinados ao ativo imobilizado. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, para reverter as glosas dos créditos decorrentes dos custos da recuperação ambiental inerentes aos compromissos assumidos no TAC, e dos custos dos serviços de retificação de motores diretamente vinculados ao processo produtivo do ora recorrente, desde que os bens retificados tenham vida útil inferior a 1 (um) ano, efetivamente comprovados nos autos; e, por maioria de votos, para admitir o creditamento das despesas de depreciação de bens adquiridos usados. Vencido o Relator. Designado para a redação do voto vencedor, quanto a esta matéria, o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. Segundo o entendimento da embargante, a decisão acima indicada estaria eivada de vícios que a levariam a omissão, contradição e obscuridade, conforme se depreende das efolhas 625 e seguintes do processo, conforme trecho abaixo colacionado: Consoante o objetivamente exposto na fundamentação e conclusão dispositiva dos votos decisórios proferidos, acolhido e assegurado o direito ao crédito, no regime de apuração não cumulativo das contribuições COFINS e PIS, em relação aos insumos assim entendidos e compreendidos como sendo os itens direta ou indiretamente vinculados e necessários ao processo produtivo como um todo (materiais e serviços em geral com tal precisa vinculação e indispensabilidade), como condição para o funcionamento da empresa e assim afetando e sendo responsável Fl. 689DF CARF MF Processo nº 11516.001158/200950 Acórdão n.º 3302005.358 S3C3T2 Fl. 3 3 pela concreta geração e possibilidade de auferir as receitas sujeitas a tributação por tais mesmas contribuições sociais (...) Ocorre que (...) demais relevantes itens vinculados e intrínsecos a este processo produtivo e ensejador de decorrente receita da aqui embargante foram igualmente desconsiderados e assim indevidamente vedados, para fins de creditamento, como embalagens de transporte e de comercialização de carvão mineral, canos/dutos para ingresso e saída de água das minas, fiação e material elétrico e demais estruturas de manutenção e conservação regulares e indispensáveis das minas, esteiras para ingresso e saída de material e produto dessas mesmas minas, etc; (...) também incluindo serviços e materiais de terraplenagem em decorrentes recuperações e conservações de natureza ambiental. Destarte impõese que também tais itens sejam especificamente considerados e declarados para fins de regular creditamento no regime de apuração não cumulativa das contribuições COFINS e PIS, sanando tal omissão no respeitável e colegiado decisum ora proferido, visto que, como afirmado pelo próprio e derradeiro acórdão proferido, insumo dedutível é todo aquele relacionado direta ou indiretamente com a produção do contribuinte e que afete as receitas tributadas pela contribuição social! Ademais, especificamente em relação aos gastos com mão de obra contratados e pagos com/a terceiras pessoas jurídicas igualmente contribuintes da COFINS e do PIS, considerando que as leis de regência expressamente vedam somente o creditamento de valores de mão de obra pagos a pessoa física e não a pessoa jurídica e ainda configurando os mesmos obrigações expressamente definidas em decisões judiciais homologatórias proferidas no âmbito da Justiça do Trabalho (de observância assim impositiva pelas empresas carboníferas como os TACs ambientais com o Ministério Público Federal), configura, com a máxima vênia, contradição e obscuridade, não acolher respectivo e postulado creditamento também sobre os valores de tais precisos itens igualmente direta ou indiretamente vinculados ao processo produtivo de forma notória e absoluta (iguais obrigações, de natureza trabalhista, impostas pelo Poder Público, como condição para o funcionamento da empresa, que geram significativas e correspondentes despesas, assim impositivas, necessárias e imprescindíveis a esse mesmo funcionamento e operação empresariais). Pede, pois, que especificamente se manifestem e esclareçam adicional e de maneira integrativa, acerca da contradição e obscuridade em tais termos fundamentada e arguida (...) Este imprescindível e obrigatório enfrentamento de tais expressamente alegados itens e argumentos e de seus supedâneos legais correspondentes restou, com a máxima vênia, ainda assim omitido e/ou não completa e claramente realizado, o que se faz impositivo seja ora formalizado pelos Eminentes Julgadores com e no pertinente acolhimento e julgamento dos presentes Embargos de Declaração. Fl. 690DF CARF MF 4 O exercício de admissibilidade do recurso se deu por meio do despacho de e folhas 682/686 ocorrendo de forma parcial, com o consequente encaminhamento desse para deliberação e julgamento dessa Turma, nos seguintes termos: Não obstante, entendo que houve omissão quanto à apreciação dos outros insumos. Explico. O acórdão de manifestação de inconformidade mantém as glosas efetuadas pela autoridade autuante segundo dois fundamentos: i) o conceito do termo “insumos” mais restrito que o considerado pelo contribuinte, e ii) a falta de provas quanto ao pertencimento de alguns insumos ao processo produtivo. No recurso voluntário o embargante suscita a questão do ônus da prova, argumentando que não lhe cabe a instrução probatória sobre a efetiva compra dos insumos e sobre sua vinculação com a produção (efolha 447 e seguintes). Reproduzo apenas o primeiro parágrafo dessa argumentação (efolha 447): Também já de início, com incisiva veemência, cumpre ora contestar observação/fundamento consignado neste acórdão de primeira instância, consistente na suposta assertiva de que os créditos controversos em questão não teriam sido materialmente comprovados pela empresa contribuinte, antes de todo o, demais, arguido. Todavia, o acórdão embargado não trata dessa questão. Com efeito, não há no acórdão embargado tratativa sobre insumos dos quais não se poderia deduzir, apenas pela descrição contábil, se estariam albergados pela decisão, e que não foram provados como tais pelo contribuinte, isto é, que teriam sido efetivamente adquiridos e utilizados direta ou indiretamente na produção. Por exemplo, os materiais elétricos, um dos insumos suscitados nos presentes embargos, podem pertencer ou não ao conceito de insumos que geram crédito, a depender de estarem efetivamente vinculados à produção. Portanto, entendo que o colegiado deva se manifestar acerca da prova da vinculação dos insumos glosados com o processo produtivo, e o respectivo ônus, considerando a importância desse tema para a liquidação da decisão. Com essas considerações, admito os embargos de declaração, por constatada omissão na decisão embargada. Determino a inclusão deste processo em lote para sorteio no âmbito desta Terceira Seção de julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus Fl. 691DF CARF MF Processo nº 11516.001158/200950 Acórdão n.º 3302005.358 S3C3T2 Fl. 4 5 Os presentes Embargos de Declaração foram devidamente admitidos, razão pela qual dele tomo conhecimento. Conforme acima descrito a embargante suscitou omissão, contradição e contrariedade do acórdão embargado e, segundo o nobre Conselheiro que recebeu o recurso para a análise dos requisitos de admissibilidade, teria havido omissão quanto a questão do ônus da prova e efetiva compra de insumos e sua vinculação ao processo produtivo. Para o Conselheiro "não há no acórdão embargado tratativa sobre insumos dos quais se poderia deduzir, apenas pela descrição contábil, se estariam albergados pela decisão, e que não foram provados como tais pelo contribuinte, isto é, que teriam sido efetivamente adquiridos e utilizados direta ou indiretamente na produção." E dessa forma entendeu "que o colegiado deva se manifestar acerca da prova da vinculação dos insumos glosados com o processo produtivo, e o respectivo ônus, considerando a importância desse tema para a liquidação da decisão." Não obstante, compulsando os autos não entendo tenha havido falta de provas, ou até mesmo que a fiscalização tenha deixado de analisar os documentos trazidos pela contribuinte embargante, explico. Do Despacho Decisório/Informação Fiscal encartado às fls. 213/223 do e processo, podemos verificar de forma clara que a fiscalização observou e analisou todos os documentos colacionados pela contribuinte, inclusive realizando inspeção in loco em uma das unidades da embargante, que teve por finalidade entender de forma exata a atividade da empresa para se ter por base qual tipo de material/prestação de serviços poderia ser considerado como insumo. Destaco trecho da informação fiscal, com inicio à fl. 220 do eprocesso: 4 Do Direito Creditório Em fiscalização realizada no estabelecimento do contribuinte verificouse que há um elevado número de insumos e serviços aplicados no processo de extração, beneficiamento e venda do carvão mineral. Impende informar que o processo produtivo de uma mineradora é totalmente diferente das demais empresas, pois nela as instalações para a extração do carvão são transferidas para dentro da mina, como máquinas, transformadores, cabos elétricos, luminárias, etc. Há também o apoio externo para o desenvolvimento das atividades lá dentro, como ventilador para inserir ar puro e exaustor para extrair ar contaminado. Para o desenvolvimento do trabalho de identificação dos insumos e serviços prestados na extração do carvão, que dão origem ao crédito do PIS e da COFINS, visitouse uma mina do contribuinte em plena atividade de extração. Com isso, podese visualizar de forma precisa todo o processo produtivo da empresa. A verificação fiscal dos documentos que deram origem ao crédito ora analisado, efetuada pelo método de amostragem, Fl. 692DF CARF MF 6 abrangeu o período de julho de 2004 a dezembro de 2007. Foram apreciadas as notas fiscais de entrada e as notas fiscais de saída, além das informações contidas nos registros contábeis fornecidos pela empresa, nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), fls. 51 a 114, nos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), fls. 13 a 28 e 115 a 153, e nos PERDCOMP e respectivas DCOMP, relacionados no DEMONSTRATIVO DOS PERDCOMPs, fls. 05 a 12. Além desses, a empresa forneceu, em meio magnético, arquivo contendo todas as notas fiscais utilizadas como "Compras de Insumos" Ao analisar os arquivos magnéticos fornecidos pelo contribuinte constatouse que foram incluídos como crédito, na apuração do COFINS, vários produtos e serviços que não se enquadram no conceito de insumos, conforme definido no art. 8º da IN SRF nº404, de 12 de março de 2004. Tais produtos estão arrolados na planilha juntada às fls. 180 a 191, e foram excluídos quando do cálculo da referida contribuição. Destaquese que os insumos não considerados na apuração do COFINS referemse a produtos e serviços que não estão ligados diretamente à produção (terraplenagem, turfas ambientais, análise da água, conserto de máquina de escrever, etc) e a produtos que não tem ligação alguma com a atividade da empresa (cartão de natal, bicicleta, camisas oficiais do Criciúma, boné para brinde, serviço hospitalar, etc). Há também a exclusão de alguns produtos baseado nos atos expedidos pela RFB, como é o caso das aquisições de bens usados — ex, aquisição de motores retificados. Segundo o I, § 30, art. 1° da IN SRF no 457/2004 é vedada a utilização de crédito decorrente da aquisição de bens usados. Outra exclusão diz respeito às instalações, máquinas ou motores novos que a empresa incluiu indevidamente no crédito de insumos, pois tais produtos estão sujeitos ao crédito de suas amortizações ou depreciações, conforme estabelece a legislação, e não do seu valor total quando da construção ou aquisição. Impende esclarecer, ainda, que os créditos decorrentes dos encargos de amortizações e depreciações que a empresa deixou de considerar na apuração das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos podem ser efetuadas dentro do prazo de 5(cinco) anos da construção ou amortização, conforme o caso. Nas memórias de cálculo apresentadas pelo contribuinte, fls. 177 a 179, verificouse que foram incluídos, no rol de créditos a serem descontados na apuração do PIS e da COFINS, serviços e produtos que não estavam relacionados nas "Compras de Insumos". Como esses "insumos" não estavam devidamente discriminados, intimouse a empresa a apresentar arquivo magnético contendo todas as informações necessárias à análise desses dados. Em atendimento à referida intimação, o contribuinte encaminhou arquivo contendo relação com nome completo do fornecedor e seu CNPJ, o no do documento, as Fl. 693DF CARF MF Processo nº 11516.001158/200950 Acórdão n.º 3302005.358 S3C3T2 Fl. 5 7 datas de emissão e entrada, a discriminação de cada produto/serviço e seu valor. Apurouse que alguns desses dispêndios não podem ser considerados como crédito na apuração do PIS e da COFINS, como é o caso das comissões de vendas, da assessoria fiscal e contábil, dos diversos cursos, das despesas com alimentação dos trabalhadores, do transporte dos empregados, das despesas com vigilância e limpeza, dentre outros. Diante disso, emitiuse novas memórias de cálculo, considerando apenas os insumos que dão direito ao crédito das contribuições em análise. Nelas inseriuse, também, os faturamentos da empresa, fls. 195 a 197. Destaquese, ainda, que os pagamentos efetuados a empresa GR TERRAPLENAGEM LTDA, inseridos nas memórias de cálculo apresentadas pelo contribuinte,contêm valores que não fazem parte do conceito de insumo, conforme planilha de custo dos serviços, fls. 192 a 194, motivo pelo qual excluiuse tais valores nas novas memórias de cálculo, supra mencionadas. Por sua vez, o contribuinte incluiu em alguns meses no cômputo dos valores tributários, de forma indevida, as receitas financeiras. Tais valores foram extraídos dos cálculos das contribuições, conforme se verifica nessas novas memórias de cálculo. As fls. 198, contém demonstrativo em que são apresentados o crédito de cada mês, o montante do trimestre, o valor solicitado de ressarcimento e o valor concedido. É importante ressaltar nesse momento que vários dos itens elencados no despacho parcialmente transcrito, já foram objeto de decisão, indicados inclusive quando da analise de admissão dos presentes Embargos de Declaração, havendo nesse momento deliberação somente sobre outros insumos que, a despeito de terem sido indicados pelo contribuinte, não foram objeto de análise do acórdão embargado. Assim, temos que o despacho decisório deve ser analisado conjuntamente com as planilhas de fls. 194 a 205 do eprocesso, onde podemos verificar de forma precisa quais itens indicados como insumo pela contribuinte embargante, foram objeto de glosa pela fiscalização. Analisando item a item de referidas planilhas, excluindo aqueles já tratados na decisão que não são objeto dos presentes embargos, podemos verificar que os eventuais créditos sobre insumo relacionados a embalagens de transporte e de comercialização de carvão mineral, canos/dutos para ingresso e saída de água das minas, fiação e material elétrico e demais estruturas de manutenção e conservação regulares e indispensáveis das minas, esteiras para ingresso e saída de material e produto dessas mesmas minas, não constam como itens glosados pela fiscalização, assim não haveria que se falar em impossibilidade de fruição dos créditos relacionados à aquisição desses itens, e, como consequência, não esta configurada a omissão alegada pela embargante. Dessa forma, entendo que não se trata de omissão, pois como podemos verificar dos autos do processo, em que pese não terem sido elevados à condição de "insumos", Fl. 694DF CARF MF 8 os produtos e materiais relacionados no parágrafo anterior, não foram, pelo menos é o que se depreende das planilhas trazidas pela fiscalização, objeto de glosa do crédito. Diante do exposto, voto por rejeitar os presentes embargos. É como voto. José Renato Pereira de Deus Relator Fl. 695DF CARF MF
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