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Numero do processo: 19515.004768/2003-31
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 1998
Ementa:
NULIDADE DO ACÓRDÃO DE ORIGEM
As razões do veto aos §§ 1º e 2º do art. 24 da Lei 11.457/07 permitem
sinalizar outro alcance do previsto no caput do art. 24, o qual se encontra em capítulo diverso ao do processo administrativo fiscal federal. Ainda, não há como se conferir efeito de extinção e arquivamento do feito, o que seria
atribuir ultratividade à norma legal, ou o efeito antecipado de prescrição
intercorrente. Nulidade inocorrente.
DESPESAS DE JUROS COM EMPRÉSTIMOS EM MOEDA ESTRANGEIRA
Da análise de toda a documentação acostadas aos autos, nada há que
comprove a representação dos fatos registrados contabilmente (despesas com
empréstimos em moeda estrangeira). Tampouco é feita conexão e correlação
entre os documentos. Despesas incomprovadas.
Numero da decisão: 1103-000.847
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, também por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recuso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Marcos Takata
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 Ementa: NULIDADE DO ACÓRDÃO DE ORIGEM As razões do veto aos §§ 1º e 2º do art. 24 da Lei 11.457/07 permitem sinalizar outro alcance do previsto no caput do art. 24, o qual se encontra em capítulo diverso ao do processo administrativo fiscal federal. Ainda, não há como se conferir efeito de extinção e arquivamento do feito, o que seria atribuir ultratividade à norma legal, ou o efeito antecipado de prescrição intercorrente. Nulidade inocorrente. DESPESAS DE JUROS COM EMPRÉSTIMOS EM MOEDA ESTRANGEIRA Da análise de toda a documentação acostadas aos autos, nada há que comprove a representação dos fatos registrados contabilmente (despesas com empréstimos em moeda estrangeira). Tampouco é feita conexão e correlação entre os documentos. Despesas incomprovadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, também por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recuso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 47 68 /2 00 3- 31 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/06/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.004768/200331 Acórdão n.º 1103000.847 S1C1T3 Fl. 531 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/06/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.004768/200331 Acórdão n.º 1103000.847 S1C1T3 Fl. 532 3 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de autos de infração de IRPJ e CSL de fls. 348 a 356, lavrados pela DRF de São Paulo I, em 19/12/2003, com ciência da recorrente na mesma data, que constituíram, para fatos geradores que teriam ocorrido no anocalendário de 1998, crédito tributário de IRPJ e CSL no valor de R$ 1.454.895,14. A empresa foi autuada por ausência de documentação probatória suficiente a amparar a dedução das glosas de despesas com aluguel, bem como de despesas com juros sobre empréstimos em moeda estrangeira. Em 27/6/2002, a recorrente foi intimada, através do termo de intimação nº 1, a apresentar arquivo magnético contendo o plano de contas e os lançamentos contábeis efetuados no período de 1º/1/1998 a 31/12/1998, de acordo com as especificações da IN SRF 86/01. Em análise à documentação apresentada, a autoridade fiscal verificou erro nos arquivos magnéticos apresentados e, em 14/8/2002, enviou o termo de intimação nº 2, solicitando novamente apresentação dos arquivos magnéticos, reiterando que estivessem em conformidade com a IN SRF 86/01. Ainda no mês de agosto a recorrente apresentou os arquivos magnéticos solicitados, fl. 142, bem como seus livros diário auxiliares em meio magnético (contas a pagar, a receber e bancos). Em setembro, complementou as informações em meio magnético ao apresentar o cadastro de empregados, a folha de pagamento e a tabela de proventos e descontos, fl. 143. Foram lavrados os termos de intimação de nº 3 a 5, que foram respondidos tempestivamente e de acordo com o solicitado. Em 21/10/2003, foi lavrado o termo de intimação de nº 6, com ciência da recorrente em 26/10/2003, e não houve atendimento completo à solicitação, conforme consta da resposta juntada à fl. 190. Em 4/12/2003, foi lavrado o termo de intimação nº 7, requerendo documentação completa sobre as contas que não tiveram seus valores comprovados, quais sejam, despesas com: despachante aduaneiro L. Moura Comissária de Despachos Ltda., Rodoviário Michelon Ltda., aluguel, variação cambial sobre contas a receber do exterior e juros sobre empréstimo moeda estrangeira. Em resposta ao referido termo a recorrente apresentou: carta explicativa sobre os valores considerados a título de juros – não foram explicados todos os valores considerados na conta 8000/400; planilhas de cálculo e contratos cambiais que justificariam a contabilização dos valores questionados; documentos fiscais relacionados às empresas Rodoviário Michelon e L. Moura Comissária de Despachos Ltda.; contrato de locação de prédio com primeira e segunda alterações. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/06/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.004768/200331 Acórdão n.º 1103000.847 S1C1T3 Fl. 533 4 Após análise, foram constatadas despesas caracterizadas como não dedutíveis do lucro líquido na apuração do lucro real, tendo em vista o fato de que a recorrente não logrou comprovar sua efetiva realização. Às fls. 341 e 342 foram apresentadas planilhas sobre as despesas com aluguel de imóveis, no valor de R$ 420.000,00, e juros sobre empréstimo de moeda estrangeira, no valor de R$ 1.034.895,14. Sobre as despesas contabilizadas a título de aluguel de imóveis, conta 6700/901, após análise da documentação apresentada, ponderouse que: 1. O contrato de locação firmado em 1º/6/1994, estipulou, dentre outras condições: a. O prazo de vigência da locação seria de 24 meses, iniciando em 1º/9/1994 e encerrando em 31/5/1996; b. O prazo mencionado poderia ser prorrogado por igual período, desde que mediante novo contrato escrito a ser celebrado; c. Além do novo contrato supramencionado, a locatária deveria enviar à locadora uma comunicação escrita com antecedência de, no mínimo, 60 dias do término do contrato; d. O aluguel seria pago mensalmente no valor de 100.000 URV. 2. A primeira alteração contratual, em 1º/6/1995, apenas reajustou o valor do aluguel para R$ 128.930,00; 3. A segunda alteração contratual, em 1º/6/1996, apenas reajustou o valor do aluguel para R$ 130.000,00; 4. A segunda alteração contratual foi firmada após o término da vigência do contrato original, tendo em vista seu término em 31/5/1996; 5. Sendo assim, não foram considerados, portanto, o contrato e suas alterações, apresentados como documentos hábeis a comprovar a despesa com aluguel contabilizada mensalmente em 1998, no valor de R$ 35.000,00; 6. Ressaltouse que a empresa Armco Comercial S.A., que figurou como locadora nos contratos apresentados, era controlada pela empresa Armco do Brasil S.A., conforme se verifica da ficha 44 – Participação Permanente em Coligadas ou Controladas, da DIPJ/99, fl. 134; 7. As despesas com aluguel tinham como contrapartida a conta 1658/400 – Mútuo com Itaratá, fls. 214 a 221; 8. E, por fim, a empresa Itaratá Participações Ltda. detinha, em 1998, 64,69% do capital votante da Armco do Brasil S.A., fl. 337. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/06/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.004768/200331 Acórdão n.º 1103000.847 S1C1T3 Fl. 534 5 Assim, as referidas despesas foram glosadas por falta de documentação hábil a sua comprovação. Acerca das despesas com juros sobre empréstimos de moeda estrangeira, conta 8000/400, após análise da documentação apresentada, ponderouse que: 1. Com relação aos valores apresentados em tabela de fl. 343, a recorrente não apresentou nenhum documento hábil a comprovar sua escrita fiscal; 2. Com relação aos valores apresentados em tabela de fl. 344, a recorrente apresentou contratos de câmbio de planilhas de cálculo que não estabeleceram relação com os valores escriturados na contabilidade da empresa, conforme resposta da recorrente ao termo de intimação nº 7, fls. 207 e 208. Assim, foram glosados os valores supramencionados também por falta de documentação hábil a sua comprovação. Por fim, através do termo de verificação fiscal, a recorrente foi intimada a retificar seu LALUR para espelhar as alterações de prejuízos fiscais, bem como a retificar seus controles de base negativa da CSL para espelhar as alterações de base de cálculo em função das glosas efetuadas pela autoridade fiscal. As glosas efetuadas enquadraramse nas hipóteses dos arts. 193; 195, I; 197, § único; 242, §§ 1º e 2º; 243 e 318, I, do RIR/94. E, ainda, art. 2º e §§, da Lei 7.689/88, art. 19 da Lei 9.249/95, art. 1º e § único, da Lei 9.316/96 e art. 28 da Lei 9.430/96. DA IMPUGNAÇÃO Irresignada, a recorrente apresentou tempestivamente impugnação em 20/1/2004, de fls. 361 a 377, em que aduz, em síntese, o que segue. Afirmou que a autoridade fiscal não observou a aplicação do princípio da legalidade, genericamente consignado pelo art. 5º, II, da CF/88, tendo em vista que a conclusão do AFRF não foi respaldada por nenhum dispositivo legal que permita a glosa de despesas devidamente comprovadas. Houve, apenas, presunção de idoneidade dos documentos apresentados durante a fiscalização. Ademais, havendo dúvida com relação aos documentos apresentados, caberia à autoridade fiscal verificar a veracidade das despesas, não presumir sua inidoneidade sem embasamento em nenhum fundamento legal. Assim sendo, entendeu que os autos de infração foram lavrados de forma abusiva, uma vez que as despesas glosadas foram comprovadas através de documentação hábil e idônea. Defendeu o cancelamento dos autos de infração, por serem nulos de pleno direito, devendo ser canceladas as glosas realizadas, em virtude de clara violação às garantias constitucionais previstas pelo art. 37 e 150, I, da CF/88. Entendeu, também, ter havido violação ao conceito de renda e do princípio da capacidade contributiva. Após tecer considerações acerca das limitações feitas pela CF/88 e Fl. 5DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/06/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.004768/200331 Acórdão n.º 1103000.847 S1C1T3 Fl. 535 6 pelo CTN, acerca da incidência do IRPJ, bem como ter citado a previsão do art. 28 da Lei 9.430/96 sobre a regra de incidência da CSL, a recorrente afirmou que ambos os tributos não podem incidir sobre valor que não corresponda a acréscimo patrimonial, sob pena de haver tributação do capital. Em outras palavras, havendo restrição a seu direito à dedução das despesas com aluguel e com juros sobre empréstimos das bases de cálculo de IRPJ e CSL a recorrente levará à incidência dos tributos valores que não correspondem nem à renda, nem ao lucro. Isso porque “foram ignoradas parcelas da despesa do exercício que não poderão ser deduzidas da tributação”. Colacionou a previsão do art. 145, § 1º, da CF/88, que dispõe sobre a capacidade econômica do contribuinte. Isso para alegar que as pessoas devem contribuir “na medida de seus haveres”. Acrescentou, ainda, que o auto de infração afastou a aplicação da Lei de S.A., particularmente seu art. 181, descumprindo a previsão do art. 110 do CTN. Com base no art. 299, §§ 1º e 2º, do RIR/99, bem como em consonância com o Parecer Normativo da CST nº 7/76, afirmou que as despesas glosadas tratam de despesas operacionais e necessárias a sua atividade. Inclusive, sobre o contrato de locação questionado pelo fisco, o art. 56, parágrafo único, da Lei 8.245/91 prevê que se o locatário permanecer no imóvel por mais de 30 dias após o vencimento do contrato, este fica tacitamente prorrogado, por tempo indeterminado, o que evidencia a comprovação da referida despesa. Mais. A menção feita pelo AFRF à contrapartida do lançamento contábil da despesa de aluguel ser em conta de mútuo não tem o condão de afetar a dedutibilidade da despesa, tendo em vista que a locadora possui débito de mútuo com a locatária. Ademais, não há óbice nas normas contábeis e fiscais que restrinja o lançamento. Sobre o assunto, lembrou, ainda, o art. 368 do Código Civil de 2002. Assim, em caso de uma empresa possuir um débito com outra que possui crédito para com aquela, é possível a realização de compensação, eliminando débitos e créditos entre si, nos valores correspondentes. Nesse sentido, não há que se falar em presunção de não realização de despesas quando da não apresentação de elementos adicionais de prova. Por fim, afirmou que não há como serem considerados válidos os autos de infração lavrados. Isso porque todas as despesas glosadas foram comprovadas mediante apresentação tanto de contrato de locação de imóvel e suas alterações – válido, conforme a legislação vigente sobre locação – quanto de contratos de adiantamento de câmbio (ACC) e planilhas elaboradas pela contabilidade da recorrente. Pelo exposto, requereu o cancelamento dos autos de infração, com o cancelamento do lançamento de ajustes nas bases de cálculo do IRPJ e da CSL para refletir a glosa das despesas no valor de R$ 1.454.895,14 e a consequente alteração no LALUR do saldo acumulado de prejuízo fiscal. DA DECISÃO DA DRJ Em 19/10/2007, acordaram os julgadores da 4ª Turma da DRJ de São Paulo I, por unanimidade de votos, considerar procedente em parte os lançamentos de “ajuste de base de cálculo da CSL”, conforme o entendimento que segue. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/06/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.004768/200331 Acórdão n.º 1103000.847 S1C1T3 Fl. 536 7 Acerca das despesas com aluguel, afirmouse que a recorrente apresentou contrato firmado com a locadora que, mesmo vencido em 1998, apresentava validade em virtude da Lei de Locação. Além disso, o fato de os pagamentos terem sido realizados através de conta corrente não invalida a ocorrência das despesas. Ademais, a fiscalização não logrou trazer aos autos elementos que pudessem evidenciar a não ocorrência das despesas, tais como: prova de que o imóvel não fosse propriedade da Armco Comercial S.A., ou que o valor da locação fosse desvinculado da realidade – dando indícios de transferências fictícias para alterações de resultados tributáveis entre companhias coligadas, dentre outros. Consequentemente, concluiu que as despesas foram suportadas por documentação hábil. Assim, propôsse a exoneração da parte do lançamento realizado correspondente a essa glosa, no valor de R$ 420.000,00. Foram desconsiderados, portanto, os lançamentos de retificação do prejuízo fiscal e da base negativa da CSL. Quanto à glosa dos juros sobre empréstimos em moeda estrangeira, houve divisão em duas partes, conforme discriminação que segue. Foi proposta a manutenção da glosa realizada pelo fisco no valor de R$ 510.299,86, para a qual a recorrente não apresentou nenhum documento durante a fiscalização, nem junto à impugnação, sob o argumento de que para comprovação de lançamento contábil não basta a apresentação aleatória de documentos e sim demonstração de clara relação entre o valor do lançamento nos livros contábeis com o valor dos documentos apresentados. Sobre a glosa realizada no valor de R$ 524.595,28, verificouse que a documentação apresentada em sede de impugnação é praticamente a mesma apresentada durante a fiscalização. Assim, a recorrente não comprovou de maneira clara, através de documentos, os lançamentos contábeis realizados, por não haver demonstrado relação entre os valores contabilizados e os constantes na documentação apresentada. Nesse sentido, foi mantida a glosa. Por fim, afirmou ter havido apresentação de motivação bastante para o entendimento adotado pela autoridade fiscal, diferentemente do que alegado pela recorrente. E, quanto aos princípios constitucionais que teriam sido violados, asseverou que a competência de tais considerações é exclusiva do Poder Judiciário. RECURSO VOLUNTÁRIO Em 8/6/2009, a recorrente interpôs recurso voluntário de fls. 496 a 505, alegando, em síntese, o que segue. Preliminarmente afirmou que o presente processo administrativo deve ser extinto e arquivado, sob pena de a própria administração negar vigência ao art. 24 da Lei 11.457/07 e ao art. 5º, XXXIII, XXXIV e LXVIII, da CF/88. Alegou que o acórdão recorrido foi proferido em 19/10/2007, mais de três anos após a apresentação de sua impugnação administrativa, contrariando a previsão do art. 24 da Lei 11.457/07. E, ainda que se entenda que a referida norma somente pode ser aplicada para Fl. 7DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/06/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.004768/200331 Acórdão n.º 1103000.847 S1C1T3 Fl. 537 8 o período posterior ao de sua edição, da mesma forma deve ser extinto e arquivado o presente processo administrativo. Isso porque entre o início da vigência da Lei 11.547/07 e a ciência da recorrente, que se deu em 8/5/2009, se passaram mais de treze meses. No mérito. Acerca das despesas realizadas com juros sobre empréstimos em moeda estrangeira, colacionou às fls. 500 e 501 ementas de julgados da 7ª Câmara do antigo 1º Conselho de Contribuintes, a fim de corroborar seu entendimento sobre a possibilidade de dedução das referidas despesas, bem como sobre a suficiência dos documentos apresentados para comprovação de sua efetividade. Acrescentou, ainda, tratarse de dever da autoridade fiscal se certificar sobre a concretização dos eventos por ela descritos, evitando que sejam imputadas consequências legais ao contribuinte de maneira indevida, configurando flagrante insegurança jurídica. Assim, deve ser apurada a verdade jurídica, que somente é possível ser obtida através de provas. Nesse sentido, colacionou doutrina favorável. Afirmou que sua defesa foi inteiramente baseada em provas apresentadas durante a fiscalização e em sede de impugnação. Entretanto, os julgadores a quo deixaram de analisar provas apresentadas junto à impugnação sob o argumento de serem basicamente as mesmas apresentadas anteriormente. Os documentos juntados que seriam capazes de comprovar a verdade dos fatos e que teriam sido ignorados pelos julgadores são: a) Certificados de registros emitidos pelo departamento de capitais estrangeiros do Bacen; b) Contratos de câmbio e de compra assinados entre a recorrente e as instituições financeiras; c) Razão contábil; d) Contrato de mútuo; e) Planilha detalhada do controle ACC (Adiantamento sobre Contrato de Câmbio). Após, pontuou os locais em que se encontram, nos documentos probatórios apresentados, as comprovações bastantes para excluir as glosas realizadas pelo fisco. Em seguida, apresentou entendimento jurisprudencial no sentido de que as glosas devem ser rejeitadas em caso de presença dos requisitos de necessidade e normalidade dos dispêndios e que o fisco não tenha logrado provar a falsidade das operações. Pelo exposto, requereu o reconhecimento da perda do direito do fisco de apurar eventuais inconsistências decorrentes de sua declaração. Alternativamente, requereu o ajuste das bases de cálculo do IRPJ e da CSL. E, ainda, a baixa dos autos em diligência para que sejam realizadas as conferências dos Fl. 8DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/06/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.004768/200331 Acórdão n.º 1103000.847 S1C1T3 Fl. 538 9 documentos apresentados junto à impugnação para que sejam apurados os devidos ajustes de bases de cálculo. Por derradeiro, requereu a realização de sustentação oral a fim de demonstrar suas alegações. É o relatório. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/06/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.004768/200331 Acórdão n.º 1103000.847 S1C1T3 Fl. 539 10 Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade (fls. 494, 496, 506 a 509). Dele, pois, conheço. Como ficou visto do relatório, a lide na fase recursiva se limita à questão da glosa das despesas de juros sobre empréstimos em moeda estrangeira. Há preliminar de nulidade do acórdão a quo, com pedido de extinção e arquivamento do feito, por agressão ao art. 24 da Lei 11.457/07 e aos incisos XXXIII, XXXXIV e LXVIII do art. 5º da Constituição Federal. Sobre o art. 24 da Lei 11.457/07, observo o seguinte. Conquanto louvável o comando legal em comento, entendo que ele não é aplicável ao processo administrativo fiscal federal regido pelo Decreto 70.235/72, assim, às DRJ’s e ao CARF. Tanto que o art. 24 da Lei 11.457/07 se encontra no Capítulo II – Da Procuradoria da Fazenda Nacional, ao passo que o Capítulo III é dedicado ao processo administrativo fiscal federal referenciando o Decreto 70.235/72. E nenhum dispositivo há na Lei 11.457/07, seja nesse capítulo, seja em outro que faça remissão ao art. 24 para o processo administrativo fiscal federal regido pelo Decreto 70.235/72. Ainda que assim não seja, é de se ver que as razões do veto aos §§ 1º e 2º do art. 24 da Lei 11.457/07 permitem sinalizar outro alcance do previsto no caput do art. 24. De outra parte, ainda que houvesse violação ao preceito nele contido, o efeito jamais poderia ser a extinção e arquivamento do feito, o que seria conferir efeito de ultratividade à norma legal e às normas constitucionais. Ou, ainda, o efeito antecipado de prescrição intercorrente. Não há tal previsão em nosso ordenamento jurídico, e quanto à prescrição intercorrente (antecipada), há a Súmula nº 10 do 1º Conselho de Contribuintes e consolidada na Súmula nº 11 do CARF, a que este órgão administrativo judicante se subordina: Súmula CARF nº 11 Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Outrossim, rejeito a preliminar posta. Passo ao exame do mérito. De início, observo que a glosa das despesas de juros com empréstimos em moeda estrangeira não teve motivo no art. 299 do RIR/99, i.e., a glosa de tais despesas não foi por se considerarem não necessárias. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/06/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.004768/200331 Acórdão n.º 1103000.847 S1C1T3 Fl. 540 11 O motivo é a quaestio facti da comprovação da efetividade das despesas escrituradas contabilmente como de juros com empréstimos em moeda estrangeira. A glosa se deu por incomprovação de tal efetividade – ausência da documentação probatória de tais despesas registradas contabilmente como incorridas. Do rol de despesas analisadas pelo autuante, resultaram como não comprovadas as de aluguel, cuja glosa já foi derruída pelo órgão julgador a quo, e as despesas em comentário, relacionadas no termo de verificação fiscal (TVF, de fls. 339 a 346). No caso das despesas do 2º quadro do tópico 2.b do TVF, a detecção foi da ausência de correlação entre os contratos de câmbio e planilhas de cálculo com as despesas registradas. E quanto às despesas do 1º quadro do tópico 2.b do TVF, não foram apresentados quaisquer documentos hábeis a comprovar a incorrência das despesas. Analisando os autos, constato o seguinte. Fora juntada com a impugnação cópia do Certificado de Registro no Firce do Bacen nº 241/32080, no qual se vê que o registro para captação externa se deu para emissão de commercial papers em regime de private placement. Conquanto em regime de private placement, não há dados nos autos, que indiquem se o subscritor dos commercial papers era controlada, coligada ou outra pessoa vinculada à recorrente. Mas, ainda que seja, não há relevância jurídica nisso, porquanto totalmente estranho à lide. A recorrente procura demonstrar a comprovação das despesas com juros de commercial papers, exemplificativamente, indicando a 4ª linha da primeira planilha elaborada pelo autuante para despesas financeiras, a fl. 2 do anexo 1 do referido Certificado de Registro no Firce do Bacen, e o razão contábil – lançamento de transferência de numerário de 31/7. Assim também, indica as 8ª, 10ª e 12ª linhas da mencionada planilha, a citada fl. do anexo 1 do Certificado de Registro, e o razão contábil – lançamento de transferência de numerário, de 30/7 (a bem ver, seria 30/9), 31/10 e 30/11. As linhas indicadas são da primeira planilha (ou quadro) do tópico 2.b do TVF. Os valores das despesas com juros de commercial papers acusados nas 4ª, 8ª, 10ª e 12ª linhas do primeiro quadro do tópico 2.b do TVF não guardam nenhuma correlação com os valores descritos na fl. 2 do anexo 1 do Certificado de Registro. São extremamente distantes. Assim, o valor dos juros somados das 4ª, 8ª, 10ª e 12ª linhas é de R$ 148.902,19 (31/7/98, 30/9/98, 31/10/98 e 30/11/98), e os valores constantes na fl. 2 do anexo citado para o período de 15/7/98 a 17/11/98 são de US$ 312.500,00 (R$ 540.000,00), e para o período de 15/1/98 a 14/7/98 são de US$ 5.300.000,00 (sem indicação em reais). As contas do razão são de mútuo com a Ações Amazônia (conta 1658/500 50) e de mútuo com a Itaratá (conta 1658/40025). Nada têm de ver com as contas do razão relativas à saída da conta bancos ou caixa para débito em conta ativa de câmbio comprado a liquidar ou congênere, ou mesmo diretamente contra débito do passivo. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/06/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.004768/200331 Acórdão n.º 1103000.847 S1C1T3 Fl. 541 12 Ademais disso, também os valores lançados nas referidas datas como transferências de numerário não correspondem aos dos juros acusados nas linhas mencionadas do quadro do TVF. Aliás, a conta 1658/40025 é a conta de mútuo usada para pagamento dos aluguéis – e não dos juros ao exterior. A recorrente afirma em sua peça recursiva que a documentação juntada aos autos com a peça impugnatória é capaz de comprovar a verdade dos fatos alegados. Da análise de toda a documentação acostada aos autos com a peça impugnatória, não há nada que comprove a representação dos fatos registrados contabilmente (despesas com empréstimos em moeda estrangeira). Tampouco é feita a conexão e correlação entre os documentos, a demonstrar a correção dos fatos contábeis em causa. Nem há os contratos de ACC e de prépagamento de exportação com instituição financeira. Aliás, a recorrente fala em certificados de registro quando só há um juntado aos autos com a impugnação. Diante disso tudo, deve ser mantida a glosa das despesas em dissídio. Sob essa ordem de considerações e juízo, nego provimento ao recurso. É o meu voto. Sala das Sessões, em 7 de maio de 2013 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 12DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/06/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 11080.930907/2011-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004
MATÉRIA NÃO CONTESTADA EM IMPUGNAÇÃO.
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO EM DUPLICIDADE. COMPROVAÇÃO DA INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO.
Comprovada a inexistência do direito creditório por se encontrar alocado a outros débitos (pagamento/compensação), deve o pedido de restituição ser indeferido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.460
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO EM DUPLICIDADE. COMPROVAÇÃO DA INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. Comprovada a inexistência do direito creditório por se encontrar alocado a outros débitos (pagamento/compensação), deve o pedido de restituição ser indeferido. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 09 07 /2 01 1- 30 Fl. 135DF CARF MF Processo nº 11080.930907/201130 Acórdão n.º 3302006.460 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferir o Pedido de Restituição (PER), em razão do fato de que o pagamento informado já se encontrava alocado a outros débitos declarados pelo próprio contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do seu direito, com a anulação do despacho decisório, arguindo o seguinte: a) trata o pedido de restituição de créditos da contribuição (PIS/Cofins) incidente sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica, cuja alíquota havia sido reduzida a zero por força do art. 2º da Lei nº 10.312/2001; b) tem direito à restituição com base no art. 165 do CTN e na Lei nº 10.312/2001, tratandose de incentivo dado pelo governo, tendo em vista o risco do País em ficar dependente exclusivamente de energia gerada pelo setor hidrelétrico; c) diante do contido no art. 13 da Lei nº 10.438/2002, que criou em seu art. 13 a Conta de Desenvolvimento Energético, os valores recebidos a título de reembolso, representando um subsídio ou uma subvenção, não podem ser classificados como receita, estando fora do campo de incidência das contribuições (PIS/Cofins), pois, no conceito de receita, incluise apenas o ingresso de recursos constitutivos do patrimônio da empresa; d) a autoridade Fiscal, sem qualquer justificativa fática ou legal, ignorou o disposto na Lei nº 10.312/2001, bem como o art. 165 do CTN, afrontando princípios constitucionais invioláveis, ao deixar de reconhecer o pedido de restituição. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 10043.375, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que a aplicação da redução de alíquota da contribuição prevista nos art. 1º e 2º da Lei n.º 10.312/2001 restou condicionada à publicação de ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda, ainda não efetivada, tratandose, portanto, de norma de eficácia limitada ou condicionada, não aplicável de imediato por depender de regulamentação. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando as alegações concernentes à redução a zero das alíquotas de PIS/Pasep e Cofins sobre a venda de gás natural canalizado e de carvão mineral, previstas nos artigos 1º e 2º da Lei nº 10.312/2001, e à não incidência das contribuições sobre o reembolso da Conta de Desenvolvimento Energético, previsto no artigo 13 da Lei nº 10.438/2002, por se tratar de subvenção. Ainda pugnou pela ilegalidade e inconstitucionalidade do artigo 58 do Decreto nº 4.524/2002, ao estabelecer requisito condicional para a redução a zero sobre a venda de carvão mineral, não existente na Lei nº 10.312/2001. É o relatório. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 11080.930907/201130 Acórdão n.º 3302006.460 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.454, de 30/01/2019, proferida no julgamento do processo nº 11080.930902/201115, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.454): O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A recorrente, desde a manifestação de inconformidade, alegou que o crédito seria decorrente das apurações das contribuições para o PIS/Pasep nãocumulativo, decorrente da redução a zero sobre as vendas de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica e da não incidência sobre o reembolso da Conta de Desenvolvimento Energético, previsto no artigo 13 da Lei nº 10.438/2002, por se tratar de subvenção, tendo a decisão de primeira instância analisado a matéria de direito relativa a esta redução, bem como considerando a ausência de prova de que os valores objeto da restituição seriam oriundos do reembolso da referida Conta de Desenvolvimento e, ainda que estivesse comprovado, tal reembolso seria tributável por ausência de previsão legal . Ocorre que toda a discussão travada é estranha ao motivo do indeferimento do pedido de restituição. Observase que o despacho decisório de efl. 27 indeferiu a restituição por ter o crédito pleiteado sido utilizado em outra declaração de compensação de nº 33017.86154.300905.1.7.042407, entregue em 30/09/2005, portanto, anterior à aqui considerada, que foi entregue em 30/03/2006. Constatase que à efl. 33, consta tela do sistema SIEF no qual o valor de R$ 11.693,53 do DARF recolhido em 15/04/2004, relativo ao fato gerador de 31/03/2004, foi bloqueado e vinculado à declaração de compensação nº 33017.86154.300905.1.7.042407, cujo débito era de R$ 13.168,08, que foi totalmente homologada. Assim, a discussão sobre as matérias de direito até agora aqui travadas são completamente estranhas ao motivo de indeferimento do pedido de restituição, que se referiu, tão simplesmente, à já utilização do referido DARF em outra declaração de compensação anteriormente transmitida e homologada. Assim, o crédito relativo ao DARF de R$ 11.693,53 já foi reconhecido pela Administração Tributária e utilizado para compensar débito da declaração de compensação 33017.86154.300905.1.7.042407, já homologada. Destarte, não há qualquer litígio sobre a natureza jurídica do direito creditório, mas apenas Fl. 137DF CARF MF Processo nº 11080.930907/201130 Acórdão n.º 3302006.460 S3C3T2 Fl. 5 4 o indeferimento de sua duplicidade de utilização, o que sequer foi contestado pela recorrente em sua manifestação de inconformidade. Diante do exposto, voto para conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, para negarlhe provimento. Ressaltese que, também no presente processo, o motivo do indeferimento do pedido de restituição foi a alocação anterior do crédito pleiteado, conforme tela(s) de consulta ao sistema de Arrecadação presente(s) à(s) efl.(s) 33. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 138DF CARF MF
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Numero do processo: 13502.901388/2009-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2005
DCTF. DIRF. CONCORDÂNCIA DE INFORMAÇÕES. DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS.
A existência de erros na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) apresentada pode ser suprida pela concordância das informações contidas em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), entregue tempestivamente e desde que acompanhada dos documentos comprobatórios das informações declaradas.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO.
A autoridade administrativa somente autorizará a compensação de crédito tributário com créditos líquidos e certos do sujeito passivo.
Numero da decisão: 2402-006.878
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar proposta de conversão do julgamento em diligência para que fosse verificada da efetiva disponibilidade do crédito pleiteado para a compensação, sendo vencidos os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima (autor da proposta) e Renata Toratti Cassini, e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Denny Medeiros da Silveira, Wilderson Botto, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2005 DCTF. DIRF. CONCORDÂNCIA DE INFORMAÇÕES. DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. A existência de erros na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) apresentada pode ser suprida pela concordância das informações contidas em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), entregue tempestivamente e desde que acompanhada dos documentos comprobatórios das informações declaradas. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. A autoridade administrativa somente autorizará a compensação de crédito tributário com créditos líquidos e certos do sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar proposta de conversão do julgamento em diligência para que fosse verificada da efetiva disponibilidade do crédito pleiteado para a compensação, sendo vencidos os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima (autor da proposta) e Renata Toratti Cassini, e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Denny Medeiros da Silveira, Wilderson Botto, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, e Renata Toratti Cassini.
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DIRF. CONCORDÂNCIA DE INFORMAÇÕES. DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. A existência de erros na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) apresentada pode ser suprida pela concordância das informações contidas em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), entregue tempestivamente e desde que acompanhada dos documentos comprobatórios das informações declaradas. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. A autoridade administrativa somente autorizará a compensação de crédito tributário com créditos líquidos e certos do sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar proposta de conversão do julgamento em diligência para que fosse verificada da efetiva disponibilidade do crédito pleiteado para a compensação, sendo vencidos os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima (autor da proposta) e Renata Toratti Cassini, e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Denny Medeiros da Silveira, Wilderson Botto, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, e Renata Toratti Cassini. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 90 13 88 /2 00 9- 03 Fl. 180DF CARF MF Processo nº 13502.901388/200903 Acórdão n.º 2402006.878 S2C4T2 Fl. 181 2 Relatório Trata o presente processo do Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP) nº 23031.69605.030206.1.3.047750, fls. 49 a 53, relativo a pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), realizado no ano calendário de 2005, e que não foi homologado, segundo o Despacho Decisório de fl. 12, no qual restou assim consignado: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 41.909,05. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada da decisão, a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 2 a 11, alegando, em síntese, que: a) apesar de ter retido apenas R$ 26.972.829,10 a título de IRRF sobre juros sobre capital próprio creditados a terceiros, a Requerente promoveu indevidamente o pagamento do aludido tributo, no total de R$ 27.014.738,15. b) Tal equívoco se deu pelo fato de o Banco Itaú instituição financeira responsável por efetuar o crédito dos juros sobre capital próprio para terceiros ao prestar informações sobre as operações realizadas pela Requerente, no ano de 2005, ter informado, de forma equivocada, que os JCP'S pagos naquele ano totalizavam R$ 216.853315,65, pelo que o imposto retido e que, portanto, deveria ser recolhido aos cofres públicos perfazia o total de R$ 27.014738,15, conforme atesta a correspondência ora anexada, enviada pelo aludido banco, em 04 de janeiro der2006 (doc. 03). c) Exatamente por conta disto, na mesma data em que recebeu a aludida correspondência, a Requerente promoveu o recolhimento do IRRF sobre remuneração de capital próprio (Código de Receita 5706), no valor total de R$ 27.014.738,15, através de três DARF'S: um, no valor de R$ 7.014.738,17 (doc. 04); e outros dois, cada um no valor de R$ 9.999.999,99 (docs. 05 e 06). d) Nesta perspectiva, a Requerente informou em sua Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, relativa ao mês de dezembro de 2005 (doc. 07), que havia apurado IRRF sobre remuneração de juros sobre capital próprio, no valor de R$ 27.014.738,15, tendo alocado ao aludido débito os pagamentos realizados através dos três DARF'S citados no parágrafo acima e ora colacionados. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 13502.901388/200903 Acórdão n.º 2402006.878 S2C4T2 Fl. 182 3 e) O fato é que, para sua surpresa, em seguida, o próprio Banco Itaú constatou que havia se equivocado quanto aos números informados à Requerente, relativos ao pagamento de juros sobre capital próprio e, por conseqüência, relativos ao imposto de renda que foi retido e que efetivamente era devido à Fazenda Nacional, razão pela qual enviou um novo demonstrativo (doc. 08), desta vez, contemplando os valores corretos: (a) valor bruto relativos ao pagamento de JCP, R$ 216.499.674,14; e (b) LRRF sobre pagamento de JCP, R$ 26.972.829,10. f) Diante desta nova informação, verificou a Manifestante que havia feito o recolhimento a maior do IRRF sobre remuneração de capital próprio (código de receita 5706), uma vez que havia recolhido o montante de R$ 27.014.738,15, quando, na verdade, devia apenas R$ 26.972.829,10. g) Assim, apercebendose da existência de crédito, decorrente do pagamento a maior a título de IRRF (código de receita 5706), no valor de R$ 41.909,05, a ora Manifestante houve por bem utilizálo para compensação de débito de CIDE (Código de Receita: 8741), relativo à competência janeiro de 2006, no valor de R$ 42.328,14, o que fez através da apresentação da Declaração de Compensação PER/DCOMP n° 23031.69605.030206.1.3.047750, transmitida em 03/02/2006 (doc. 11). h) a Requerente logrou declarar na DIRF relativa ao ano calendário de 2005, cujo resumo segue anexo (doe. 10), o valor do imposto de renda que efetivamente reteve em razão do pagamento de juros sobre capital próprio, qual seja, R$ 26.954.373,66 (doc. 10). i) Vêse, portanto, que restou configurada a existência de um indébito tributário em favor da ora Requerente, no valor de R$ 41.909,05, passível de compensação com débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. j) Assim foi que a Requerente, em 03/02/2006, transmitiu à Receita Federal do Brasil, a PER/DCOMP n° 23031.69605.030206.1.3.04 7750, através da qual pleiteou a compensação do crédito decorrente do pagamento indevido a título de IRRF (código de receita 5706), com débito de CIDE, relativo à competência de janeiro de 2006, no valor de R$ 42.328,14 (doc. 11). l) Todavia, por um lapso, olvidou a Requerente de apresentar à época competente Declaração de Créditos e Débitos de Tributos Federais DCTF Retificadora, relativa ao mês de dezembro de 2005, com o fim de corrigir o valor declarado a título de IRRF (código de receita 5706), de R$ 27.014.738,15 para R$ 26.972.829,10. Ao julgar a manifestação de inconformidade, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) de Belém/PA, por unanimidade de votos, Fl. 182DF CARF MF Processo nº 13502.901388/200903 Acórdão n.º 2402006.878 S2C4T2 Fl. 183 4 conclui pela sua improcedência, conforme assim consignado no voto condutor do Acórdão nº 01.29.598, fls. 63 a 72: a) O pagamento informado pela recorrente encontrase confirmado; b) Não houve, por parte da recorrente, alteração dos valores descritos na DCTF do 4º trimestre de 2005, na qual foram informados os débitos e os pagamentos por ela efetuados, relativos aos créditos tributários por ela declarados; c) A DIRF retificadora, relativa ao ano calendário 2005, apresentada anteriormente ao despacho decisório, indica os valores alegados pela recorrente, mas, legalmente, a DCTF possui a natureza jurídica de “confissão de dívidas”; d) há a necessidade, para reconhecimento do direito creditório, que haja coincidência entre os débitos declarados e os fatos geradores descritos, em termos concretos, em DIRF e DCTF; A inexistência de alteração de valores descritos na DCTF original, cuja natureza jurídica é de confissão de dívidas, não pode ser aceita pois não corrobora com as informações declaradas pela recorrente em sua em DIRF retificadora, mesmo esta tempestivamente enviada, assim como pela ausência documentos da contabilidade que comprovem a prevalência das informações da DIRF em relação à DCTF NÃO RETIFICADA. Para maior clareza quanto ao decidido, transcrevemos, também, a ementa constante da decisão de primeira instância: DIRF.VERDADE MATERIAL. A existências de erros na apresentação de DCTF pode ser suprida pela concordância das informações contidas em DIRF entregue tempestivamente, antes da ciência de despacho decisório denegatório de DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPENSAÇÃO. A autoridade administrativa somente autorizará a compensação de credito tributário com créditos líquidos e certos do sujeito passivo. Cientificada da decisão de primeira instância, em 29/7/14, segundo o termo de fl. 75, a contribuinte, por meio de seu advogado (procuração de fls. 90 a 91), interpôs o recurso voluntário de fls. 77 a 88, em 28/8/14, conforme Recibo de Entrega de Arquivos Digitais de fl. 104, alegando, em síntese, que: 1. DOS FATOS [...] 1.16 [...] ante a ausência de DCTF retificadora, o órgão julgador de piso entendeu por bem julgar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, mesmo tendo Fl. 183DF CARF MF Processo nº 13502.901388/200903 Acórdão n.º 2402006.878 S2C4T2 Fl. 184 5 expressamente reconhecido que “o pagamento informado pela recorrente encontrase confirmado”. [...] 2. DA NECESSÁRIA PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL EM RAZÃO DA EFETIVA COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO PLEITEADO ATRAVÉS DA PER/DCOMP DE Nº 23031.69605.020206.1.3.047750 2.9 [...] A Recorrente, em 03/02/2006, transmitiu à Receita Federal do Brasil, a PER/DCOMP nº 23031.69605.020206. 1.3.047750, através da qual pleiteou a compensação do crédito decorrente do pagamento indevido a título de IRRF (código de receita 5706), com débito de CIDE, relativo à competência de janeiro de 2006, no valor de R$ 42.328,14 (doc. 08). 2.10 Todavia, por um lapso, olvidou a Recorrente de apresentar à época competente Declaração de Créditos e Débitos de Tributos Federais – DCTF Retificadora, relativa ao mês de dezembro de 2005, com o fim de corrigir o valor declarado a título de IRRF (código de recita 5706), de R$ 27.014.738,15 para R$ 26.972.829,10. 2.11 Não foi por outro motivo que o sistema eletrônico da Receita Federal do Brasil não logrou identificar crédito disponível para fazer frente à compensação declarada pela Recorrente através da PER/DCOMP [...], objeto do presente processo administrativo, gerando o Despacho Decisório Eletrônico ora combatido. 2.12 Entretanto, diante do quanto aqui exposto e comprovado, não restam dúvidas quanto à efetiva existência do crédito pleiteado, bem como do direito da Recorrente de utilizálo na compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, a teor do que determina a legislação fiscal pátria. 2.13 Nessa perspectiva, é evidente que a decisão de piso deve ser integralmente reformada, a fim de que prevaleça a verdade material sobre o erro material cometido – o qual, salientese, não só pode, como deve ser retificado, de ofício, pela própria autoridade fiscal e, finalmente, seja homologada a compensação declarada pela Recorrente. [...] Em outros termos, uma vez detectado o erro material cometido pelo contribuinte, deve prevalecer a verdade material, impondo se a retificação de ofício de eventual declaração entregue, a teor, inclusive, do que prescreve o art. 147, § 2º, do Código Tributário Nacional – CTN [...]. É o relatório. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 13502.901388/200903 Acórdão n.º 2402006.878 S2C4T2 Fl. 185 6 Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira – Relator. Da admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6/3/72. Assim, dele tomo conhecimento. Das alegações recursais Segundo a defesa, a DCTF não teria sido retificada por lapso (esquecimento), porém, uma vez que a decisão de primeira instância reconheceu o pagamento (recolhimento) do valor informado em DIRF, deveria prevalecer a verdade material e homologada a compensação, com a retificação de ofício da DCTF, caso fosse necessário. Pois bem, conforme se observa, em que pese a Recorrente ter demonstrado o recolhimento e retificado a DIRF de 2005, de modo a guardar consonância com o seu PER/DCOMP, deixou de retificar a DCTF de dezembro de 2005, em relação a qual ocorreu o recolhimento sob análise. Dessa forma, na ótica da decisão a quo, tendo em vista que a DCTF possui natureza de confissão de dívida, para que os valores informados na DIRF retificadora pudessem prevalecer sobre a DCTF, deveria a defesa ter apresentado documentos da contabilidade que fizessem a comprovação desses valores, porém, como tais documentos não foram apresentados, foi mantida a não homologação da compensação. Acontece que agora, com seu recurso, a Recorrente novamente não apresenta qualquer documento da contabilidade capaz de atestar os valores informados na DIRF retificadora, mas apenas cópia de parte de uma folha do Razão Geral, fl. 145, que mostra os valores retidos, os quais totalizam R$ 27.014.738,15. Para comprovar o IRRF de R$ 26.972.829,10, a Recorrente carreou aos autos apenas a cópia simples de um informe do Banco Itaú, fl. 140, emitido em 5/1/06, porém, tal informe, por si só, não se mostra suficiente para justificar a retificação de ofício da DCTF. Todavia, tendo em vista que a DCTF, em questão, diz respeito ao período de 1/12/05 a 31/12/05, que os informes do Itaú são de 4/1/06 e 5/1/06 e que o PER/DCOMP foi apresentado em 3/2/06, deveria a Recorrente ter efetuado a retificação da DCTF, antes de pleitear a compensação, porém, não o fez. Ademais, dado o porte da BRASKEM S/A e da sua estrutura jurídico e contábil, não vemos como ser possível aceitar a mera alegação de que teria olvidado em fazer a retificação, por lapso. Diante desse quadro, a única verdade material que se observa é a que se refere ao recolhimento da retenção de R$ 27.014.738,15, realizado em 4/1/06 e que está demonstrado pelos extratos de fls. 133 a 135. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 13502.901388/200903 Acórdão n.º 2402006.878 S2C4T2 Fl. 186 7 Ponderese que a não homologação da compensação goza do atributo de presunção relativa de legalidade e veracidade, e, portanto, cumpria à Recorrente o ônus de afastar, mediante prova robusta e inequívoca em contrário, essa presunção (vide art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972), o que não ocorreu no presente caso. Dessa forma, sendo condição indispensável à compensação de tributos, a liquidez e certeza do crédito, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN), Lei n° 5.172 de 25/10/66, e uma vez não comprovada nos autos a existência de direito creditório líquido e certo da Recorrente, passível de compensação, não há retoque a se fazer na decisão de primeira instância. Conclusão Isso posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 186DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.735446/2017-89
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS.
Da legislação de regência, extrai-se que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano-calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973.
Numero da decisão: 2001-000.867
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2014 PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS. Da legislação de regência, extrai-se que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano-calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal - Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
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REQUISITOS. Da legislação de regência, extraise que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 54 46 /2 01 7- 89 Fl. 110DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa a Imposto de Renda Pessoa Física, lavrada em nome do sujeito passivo em epígrafe, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2014, anocalendário de 2013. De acordo com o Relatório de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, foi apurada a glosa sobre as deduções indevidamente realizadas pelo sujeito passivo a título de pensão alimentícia judicial/por escritura pública, no valor de R$ 69.501,34. Regularmente cientificado da Notificação, o contribuinte apresentou impugnação administrativa ao lançamento fiscal, alegando, em síntese, que tanto a comprovação da obrigação alimentar por decisão judicial/escritura pública, como os comprovantes de pagamentos encontramse nos autos. Traz argumentos para sustentar a dedução e cita jurisprudência e doutrina para corroborar os seus argumentos. A DRJ Campo Grande, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que o contribuinte não logrou êxito parcial em comprovar seus argumentos eis que o entendimento da DRJ é no sentido claro de que filhos maiores não ensejam dedução de despesas com pensão alimentícia. Principalmente no caso em tela, em que se verifica que além de maiores, com 40 e 44 anos de idade, suas filhas são servidoras publicas, com plena capacidade de prover a mantença própria. Em sede de Recurso Voluntário, repisa o contribuinte as mesmas razões aventadas na Impugnação e traz argumentos claros para sustentar o seu pleito. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Pensão alimentícia O presente lançamento decorre de glosa efetuada pela autoridade tributária em função de maioridade e total e plena capacidade de sua filhas, de 40 e 44 anos de idade, ambas servidoras publicas e absolutamente independente financeiramente. Nesta senda, merece trazer a baila o que dispõe a legislação no que se refere à pensão alimentícia. Vejamos o que está previsto no art. 8º, II, “f”, da Lei nº 9.250/1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; Fl. 111DF CARF MF Processo nº 11080.735446/201789 Acórdão n.º 2001000.867 S2C0T1 Fl. 3 3 II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais; Ressaltese que a alínea “f” do inciso II do artigo 8º da Lei nº 9.250, de 1995, passou a ter nova redação com o advento da Lei n.º 11.727, de 23 de junho de 2008, redação esta que, nos termos do art. 21 desta Lei, entrou em vigor na data da publicação da Lei nº 11.441, de 4 de janeiro de 2007. Eis a nova redação: f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou deescritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Conforme verificase da legislação acima transcrita, são requisitos para a dedução: a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; que o pagamento tenha a natureza de alimentos; que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do anocalendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. No caso em comento discutese a dedução das despesas com pensão alimentícia a filhos maiores, capazes e independente financeiramente (ambas maiores de 40 anos e servidoras publicas). Entendo que são dedutíveis do Imposto de Renda os valores pagos a título de pensão alimentícia para filho, ainda que maior de 21 anos, em acordo homologado pelo Poder Judiciário. No entanto, para isso é necessário que o contribuinte demonstre a necessidade de pagar ainda a pensão, seja por incapacidade de seus dependentes, seja por necessidade financeira dos mesmos. Nessa senda, vale uma reflexão acerca dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade para se decidir sobre o caso em comento. O princípio da razoabilidade é uma diretriz de senso comum, ou mais exatamente, de bomsenso, aplicada ao Direito. Esse bomsenso jurídico se faz necessário à medida que as exigências formais que decorrem do princípio da legalidade tendem a reforçar mais o texto das normas, a palavra da lei, que o seu espírito. Enunciase com este princípio que a Administração, ao atuar no exercício de discrição, terá de obedecer a critérios aceitáveis do ponto de vista racional, em sintonia com o senso normal de pessoas equilibradas e respeitosas das finalidades que presidiram a outorga da competência exercida. Razoabilidade e proporcionalidade constituem instrumentos de controle Fl. 112DF CARF MF 4 de atos estatais abusivos, seja qual for a sua natureza. O princípio da razoabilidade representa, a rigor, uma dimensão concretizadora da supremacia do interesse primário (da coletividade), verdadeiro interesse público, sobre o interesse secundário (Estado). São princípios jurídicos que têm caráter fluído e que convidam o operador do direito a refletir um pouco mais sobre suas próprias práticas, sobre as situações postas e a buscar soluções equilibradas. O princípio da razoabilidade adquire um papel ainda mais forte com a Jurisprudência dos Valores, justamente porque, nesta visão do direito tributário, as idéias de ponderação, de equilíbrio, e de harmonização ganham força e é, através da razoabilidade que se consegue estabelecer balizamentos mínimos quanto ao equilíbrio entre os poderes do Estado. É através da razoabilidade que se vai ponderar entre os princípios da capacidade contributiva/justiça e o da segurança jurídica. Pois bem. Feita esta breve reflexão, questionase: é de bom senso, é razoável que seja paga pensão alimentícia a filhas não apenas maiores de idade, com 40 e 44 anos, mas plenamente capazes, independente financeiramente e com cargos públicos remunerados? Tendo em vista, como muito bem colocado na decisão a quo, que o alimentante tinha pleno direito em pleitear na justiça a descaracterização da obrigação de pagar pensão, seja porque o beneficiário alcançou a maioridade ou que já tenha condições de se manter, mas continua o fazendo sem questionamentos, nos parece mais, realmente, que se tratam tais desembolsos de mera liberalidade, não contemplados pela legislação do Imposto de Renda para sua dedução. Estando evidente, pois, o manifesto descompasso com o binômio possibilidade x necessidade norteador da obrigação no Direito de Família, e pelos motivos acima expostos, bem como todos aqueles colocados na decisão a quo, os quais compartilho e re ratifico, entendo que deve ser negado provimento ao Recurso Voluntário para manter o lançamento fiscal em comento. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para manter a glosa referente a pensão alimentícia. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 113DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.727138/2016-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011, 2012
NULIDADE.
Inexistindo incompetência ou preterição do direito de defesa, não há como alegar a nulidade do lançamento.
DECADÊNCIA.
Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação e/ou não antecipação de pagamento de imposto, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (Art. 173, I do CTN).
SUJEITO PASSIVO.
Na constituição do crédito tributário pelo lançamento, a autoridade administrativa identificou o contribuinte segundo a regra do art. 121, I, do Código Tributário Nacional, ou seja, atribuiu-se a responsabilidade pela obrigação principal àquele que de fato teve relação pessoal e direta com a situação que constituiu o fato gerador do imposto de renda.
RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. VANTAGENS INDEVIDAS.
Os rendimentos derivados de atividades ou transações ilícitas, ou percebidos com infração à lei, são sujeitos a tributação, sem prejuízo das sanções que couberem.
TRIBUTOS PAGOS NA PESSOA JURÍDICA. COMPENSAÇÃO COM O IMPOSTO DE RENDA EXIGIDO NA PESSOA FÍSICA. IMPOSSIBILIDADE.
O art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002, não admite a compensação de créditos com débitos de terceiros. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, somente pode utilizá-lo na compensação de débitos
próprios.
Numero da decisão: 2301-005.781
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares, vencido o conselheiro Wesley Rocha, que entendeu caracterizado cerceamento do direito de defesa, e, no mérito, acordam em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Alexandre Evaristo Pinto e Wesley Rocha, que deram provimento.Foi levantada, pelos patronos dos recorrentes, questão de ordem. Protestaram quanto à votação da qualificação da multa, porquanto essa matéria já teria sido objeto de votação na sessão havida em novembro; portanto, os conselheiros que a teriam votado e presentes na sessão não poderiam modificarseus votos. Debatida a questão de ordem, o colegiado decidiu, por unanimidade, que a votação da qualificação da multa, por não constar registrada na ata da sessão de novembro, devia ser apreciada pelo colegiado, porquanto o resultado do julgamento não foiprolatado, respeitado o § 5º do art. 58 do Ricarf. Consigne, a pedido da parte, que o patrono do recorrente alegou cerceamento do direito de defesa por não lhe ser permitida a manifestação durante os debates. Manifestou interesse em apresentar declaração de voto o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Reginaldo Paixão Emos), Wesley Rocha, Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada para substituir o conselheiro João Bellini Junior), Marcelo Freitas de Souza Costa Juliana Marteli Fais Feriato e João Maurício Vital (Presidente em Exercício), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausentes justificadamente os conselheiros João Bellini Junior e Reginaldo Paixão Emos.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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Inexistindo incompetência ou preterição do direito de defesa, não há como alegar a nulidade do lançamento. DECADÊNCIA. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação e/ou não antecipação de pagamento de imposto, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (Art. 173, I do CTN). SUJEITO PASSIVO. Na constituição do crédito tributário pelo lançamento, a autoridade administrativa identificou o contribuinte segundo a regra do art. 121, I, do Código Tributário Nacional, ou seja, atribuiuse a responsabilidade pela obrigação principal àquele que de fato teve relação pessoal e direta com a situação que constituiu o fato gerador do imposto de renda. RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. VANTAGENS INDEVIDAS. Os rendimentos derivados de atividades ou transações ilícitas, ou percebidos com infração à lei, são sujeitos a tributação, sem prejuízo das sanções que couberem. TRIBUTOS PAGOS NA PESSOA JURÍDICA. COMPENSAÇÃO COM O IMPOSTO DE RENDA EXIGIDO NA PESSOA FÍSICA. IMPOSSIBILIDADE. O art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002, não admite a compensação de créditos com débitos de terceiros. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 71 38 /2 01 6- 54 Fl. 4408DF CARF MF 2 administrados pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, somente pode utilizálo na compensação de débitos próprios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares, vencido o conselheiro Wesley Rocha, que entendeu caracterizado cerceamento do direito de defesa, e, no mérito, acordam em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Alexandre Evaristo Pinto e Wesley Rocha, que deram provimento.Foi levantada, pelos patronos dos recorrentes, questão de ordem. Protestaram quanto à votação da qualificação da multa, porquanto essa matéria já teria sido objeto de votação na sessão havida em novembro; portanto, os conselheiros que a teriam votado e presentes na sessão não poderiam modificarseus votos. Debatida a questão de ordem, o colegiado decidiu, por unanimidade, que a votação da qualificação da multa, por não constar registrada na ata da sessão de novembro, devia ser apreciada pelo colegiado, porquanto o resultado do julgamento não foiprolatado, respeitado o § 5º do art. 58 do Ricarf. Consigne, a pedido da parte, que o patrono do recorrente alegou cerceamento do direito de defesa por não lhe ser permitida a manifestação durante os debates. Manifestou interesse em apresentar declaração de voto o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Reginaldo Paixão Emos), Wesley Rocha, Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada para substituir o conselheiro João Bellini Junior), Marcelo Freitas de Souza Costa Juliana Marteli Fais Feriato e João Maurício Vital (Presidente em Exercício), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausentes justificadamente os conselheiros João Bellini Junior e Reginaldo Paixão Emos. Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra o contribuinte acima identificado em face do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) nos exercícios 2011 e 2012, com ciência do contribuinte em 14/11/2016. De acordo com a fiscalização o autuado omitiu rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, por meio de e interpostas pessoas tendo havido também a omissão de rendimentos caracterizados por valores creditados em conta de depósito, mantida em instituição financeira, em relação aos quais, o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 4409DF CARF MF Processo nº 18470.727138/201654 Acórdão n.º 2301005.781 S2C3T1 Fl. 4.403 3 Sobre os valores de impostos apurados decorrentes de omissão de rendimentos recebidos, por meio de interposta pessoa, nos anoscalendário de 2010 e 2011, foi aplicada multa de ofício qualificada. Segundo o Termo de Verificação Fiscal, a conduta dolosa do contribuinte visava impedir a autoridade fazendária de conhecer e mensurar rendimentos milionários auferidos, de maneira ilícita. Transcrevemos abaixo as razões que levaram a fiscalização a efetuar o presente lançamento: De acordo com o Termo de Verificação Fiscal TVF, o procedimento fiscal iniciado contra o contribuinte se relaciona aos fatos apurados no âmbito da denominada “Operação Lava Jato”. No curso desta operação, foi verificada a existência de um gigantesco esquema para fraudar a competitividade dos procedimentos licitatórios referentes a obras contratadas pela empresa Petrobrás Brasileiro S/A, envolvendo a prática de crimes contra a ordem econômica, corrupção e lavagem de dinheiro. Foi verificada a formação de um “cartel” de grandes empreiteiras que ajustavam previamente qual delas iria sagrarse vencedora da licitação. Para funcionamento desse “cartel”, foram corrompidos empregados públicos de alto escalão da citada empresa, assim como foram recrutados operadores financeiros para a concretização dos ilícitos e lavagem de dinheiro. Convém observar que, em 16/04/2015, o Juiz Federal Sérgio Moro compartilhou documentos bancários que se achavam em poder do Ministério Publico Federal e da Policia Federal com a Secretaria da Receita Federal, referentes à “Operação Lava Jato” Ainda de acordo com o TVF, em face das denúncias e provas obtidas no decorrer da Operação Lava Jato, restou demonstrado que a Engevix Engenharia S/A, empresa do “Cartel”, celebrou contratos sobre valorados com a empresa Petrobrás Brasileiro S/A, tendo utilizado o contribuinte e seu irmão Milton Pascowitch como operadores financeiros para viabilizar a lavagem da vantagem indevida para os funcionários públicos corrompidos e para os integrantes do núcleo político que sustentavam os citados funcionários em seus altos cargos. Ainda no curso das investigações, surgiram evidências de que grande parte do pagamento de propina aos empregados públicos e ao núcleo político era operacionalizada por meio da empresa JAMP Engenheiros Associados Ltda, empresa da qual o contribuinte e seu irmão são os únicos sócios, com substrato em contratos de consultoria e assessoria simulados. Milton Pascowitch admitiu que pagou pessoalmente e por meio também da mencionada empresa JAMP Engenheiros Associados Ltda vantagens indevidas em decorrência de contratos da empresa Petrobrás Brasileiro S/A com as empresas Multitek Engenharia Ltda, Hope Serviços Ltda, Personal Service Recursos Humanos e Assessoria Empresarial Ltda e Consist Software Ltda S/A. Consta no TVF que não foram apresentados documentos hábeis e idôneos para comprovar a origem de parte dos depósitos bancários listados nos Termos de Intimação Fiscal, o que caracteriza omissão de rendimentos, nos termos do art. 42 da Lei nº9.430/1996. A fiscalização consignou no TVF que o contribuinte e seu irmão Milton Pascowitch criaram a empresa sediada em Miami MJP Engineering and Consulting LLC, com o objetivo único de reduzir a carga tributária incidente sobre os dois contratos de prestação de serviços, realizada diretamente pelas citadas pessoas físicas, para a Ecovix Construções Oceânicas S/A. As atividades de prestação de serviços realizadas pelo o contribuinte e seu irmão ao Grupo Engevix englobam tanto o uso de conhecimento técnico, quanto a atuação como operadores financeiros, mas resta impossível segregar, entre os serviços prestados, a Fl. 4410DF CARF MF 4 atividade licita praticada decorrente de eventuais consultorias e/ou assessorias da atividade ilícita imbricada com o pagamento de vantagens indevidas para fins de êxito na obtenção de certo contrato. Entre 2010 a 2014, foi verificado que todos os depósitos na conta de titularidade da MJP Engeneering and Consulting LLC têm, como origem, dois contratos firmados com a Ecovix Construções Oceânicas S/A. Intimada a comprovar a operação que deu causa às transferências financeiras de mais USD 26 milhões, efetuada em conta mantida pela empresa MJP Engeneering and Consulting LLC, a empresa Ecovix Construções Oceânicas S/A disponibilizou apenas contratos, tendo afirmado, por outro lado, não ter como comprovar a efetiva prestação de serviços. O contribuinte, intimado a comprovar a efetiva prestação de serviços para com a Ecovix Construções Oceânicas S/A, também se limitou a apresentar os contratos firmados. A fiscalização também consignou no TVF, após transcrição de textos extraídos de termos de colaboração assinados por Milton Pascowitch e por Pedro José Barusco Filho que os serviços que o contribuinte e seu irmão ofereceram à EngevixEcovix foi o de atuar como veículo para prática de crimes (corrupção, lavagem de ativos, etc), não havendo parcela lícita nos rendimentos que os contribuintes receberam. Ainda segundo a fiscalização, os contratos firmados pela empresa MJP Engeneering and Consulting LLC são atos simulados, sendo inegável que os serviços descritos jamais poderiam ser prestados por uma pessoa jurídica, que não pode ter como objeto social a operacionalização do pagamento de propinas. A fiscalização entendeu que a conduta, contrária à função social da pessoa jurídica, possibilita a requalificação jurídica dos fatos pela autoridade lançadora, com base no poder de revisão do lançamento que lhe foi atribuído pelo art. 149 do Código Tributário Nacional. A fiscalização, assim sendo, considerou as receitas declaradas como auferidas pela empresa MJP Engeneering and Consulting LLC, em decorrência de contratos simulados com a Ecovix Construções Oceânicas S/A, como rendimentos auferidos pelo contribuinte e seu irmão em partes iguais. Ao longo dos itens 5 e 6 do TVF, a fiscalização discorre sobre o procedimento fiscal iniciado em face da empresa JAMP Engenheiros Associados Ltda e sobre o acordo de colaboração premiada do contribuinte. De acordo com as informações contidas nestes itens, o representante legal da empresa JAMP, em resposta ao Termo de Intimação, relacionou numa planilha os contratos de prestação de serviços firmados de 2010 a 2013, as correspondentes notas fiscais emitidas, os valores que corresponderiam a efetiva prestação de serviços e os valores destinados a terceiros, sendo que, apesar de intimado, a citada empresa não logrou apresentar documentos que comprovassem a efetiva prestação de serviços. A empresa JAMP foi intimada a identificar, de forma individualizada, os terceiros beneficiários dos recursos financeiros elencados na planilha, apresentada, mas não foi capaz de apresentar documentos hábeis e idôneos que comprovasse o efetivo repasse aos beneficiários finais dos recursos financeiros indicados. Em seus acordos de delações premiadas, o contribuinte e seu irmão admitiram que operacionalizaram o pagamento de vantagens indevidas e que receberam parte destas vantagens, já que eram beneficiários do rateio existente dos recursos desviados da Petróleo Brasileiro S/A. No item 7 do TVF (dos contratos simulados firmados com a Engevix Engenharia S/A), a fiscalização aduz que, apesar dos contratos firmados e das notas fiscais emitidas, está claro que não houve a efetiva prestação de serviços por parte da empresa JAMP com a Engevix, que o serviço prestado pelo contribuinte e seu irmão à empresa Engevix foi de atuar como veículo para a prática de crimes, cabendo assim reclassificar as receitas declaradas como auferidas pela empresa, tratandoas como rendimentos auferidos pelo contribuinte e seu irmão. A fiscalização, por fim, conclui pela desconsideração de eventuais repasses de propinas feitas pelos operadores, porque não foram comprovados e por não haver base legal que permita considerar como dedução da base de cálculo o repasse de propinas, Fl. 4411DF CARF MF Processo nº 18470.727138/201654 Acórdão n.º 2301005.781 S2C3T1 Fl. 4.404 5 ainda que não decorram de meras liberalidades, bem como de outras despesas inerentes à atividade ilícita desenvolvida pelos contribuintes. A fiscalização, nos itens de 8 a 15 do mencionado TVF, relaciona contratos firmados pela empresa JAMP com os respectivos clientes, os números da notas fiscais, os valores totais pagos por nota fiscal, e o valor considerado como sendo rendimento omitido recebido de pessoa jurídica pelo contribuinte, que corresponde a 50% de cada nota fiscal relacionada. A fiscalização assim procedeu por ter entendido que foram estabelecidos contratos fictícios pela empresa JAMP com esses clientes para operacionar pagamento de propina, não tendo restado comprovado que a empresa JAMP recebeu valores destes clientes em retribuição a serviços técnicos efetivamente prestados. Segundo os itens 14 e 15, o representante legal da empresa JAMP inclusive relatou no âmbito da “Operação Lava Jato” que a integralidade dos valores recebidos não se refere a efetiva prestação de serviços em relação aos contratos com a Multitek Engenharia S/A e com a Consist Software Ltda S/A. Após a impugnação a DRJ de Belo Horizonte julgou procedente o lançamento (efls 4094 e sgts). Inconformado com referida decisão o contribuinte apresentou recurso a este conselho reiterando os mesmos argumentos da impugnação onde alega em síntese: Tratase de Auto de Infração lavrado para exigência de Imposto de Renda da Pessoa Física, cuja fiscalização decorreu da denominada Operação Lava Jato. O recorrente firmou Acordo de Colaboração Premiada com o Ministério Público Federal, tendo sido sentenciado pelo Juiz Sérgio Moro, a partir das confissões e robustas provas colhidas pela Polícia Federal, pelo Ministério Público e por ele apresentadas. A despeito de ter sido homologado o acordo de colaboração, a fiscalização pinçou na sentença prolatada apenas as declarações que podem ser utilizadas como fundamento para justificar a linha utilizada para cobrar o máximo de tributos, ao arrepio da Lei, com o intuito de utilizar o tributo para penalizar o impugnante já condenado e cumprindo pena. A fiscalização, ao escolher quais os fatos que a interessavam para constituir créditos tributários no maior montante possível, incorreu em bis in idem, considerando as repercussões tributárias analisadas em conjunto, tendo em vista que esta considerou a mesma renda como passível de tributação 6 vezes, de 5 pessoas distintas, exigindo, a título de tributo, percentual equivalente a 175%. Conforme será demonstrado, somandose a multa aplicada, o montante das exigências corresponde a 395% do valor das rendas auferidas, o que evidencia o efeito confiscatório da atuação e torna inequívoca a intenção de utilizarse dos tributos para indevidamente punir o recorrente, ignorando fatos apurados pelo Ministério Público Federal, pela Polícia Federal, confessados pelos réus, amplamente investigados e divulgados. No TVF, o auditor fiscal afirmou ser do seu conhecimento que parcela significativa do faturamento da JAMP Engenheiros Associados Ltda não tinha nenhuma relação com as atividades ilícitas objeto da Colaboração objeto do Processo nº 5045241 84.2015.404.7000; que parcela significativa dos recursos operados por meio da citada empresa era repassada a terceiros; que a receita decorrente dos contratos simulados foi tributada na citada empresa JAMP; que recursos recebidos no exterior decorrem de contratos lícitos Fl. 4412DF CARF MF 6 firmados com a Ecovix Construções Oceânicas S/A; e que as declarações feitas pelo impugnante foram tidas como verdadeiras pelo Juiz Federal Sérgio Moro. A despeito das informações constantes no TVF, sem amparo legal e em total desrespeito à sentença prolatada, o auditor fiscal afirma que “resta impossível segregar, entre os 'serviços prestados', a atividade lícita praticada pelos contribuintes decorrente de eventuais consultorias e/ou assessorias, da atividade ilícita imbricada com o pagamento de vantagens indevidas para fins de êxito na obtenção de certo contrato, em função da detalhada forma de autuação das empreiteiras integrantes do 'Cartel'”, que o diligenciado “foi incapaz de apresentar documentos hábeis e idôneos para fins de comprovação do efetivo repasse aos beneficiários finais dos recursos financeiros indicados” e que os tributos recolhidos pela pessoa jurídica não foram considerados no lançamento. Tais afirmações foram utilizadas como fundamentos para exigência de crédito tributário, sendo lavrado auto para exigência de imposto, de multa de ofício qualificada sobre as parcelas relativas à desconsideração das pessoas jurídicas, de multa de ofício sobre as parcelas relativas a "depósitos bancários de origem não comprovada" e de juros de mora, que deve ser cancelado, haja vista as ilegalidades a seguir expostas. Desconsideração da Personalidade Jurídica da JAMP Engenheiros Associados e da MJP Engineering and Consulting LLC O fisco alega que o impugnante se utilizou da JAMP e da MJP Engineering para firmar contratos dos quais resultaram vantagens ilícitas, cujos reais beneficiários foram as pessoas físicas dos sócios e, em decorrência desse ato simulado, o referido montante foi reclassificado como seu rendimento. Ocorre que o auditor cometeu dois erros; o primeiro, quando pinçou na sentença prolatada, nos autos da Ação Penal nº 504524184.2015.4.04.7000, apenas trechos que fundamentam o seu desejo de usar o imposto de renda como sanção e, o segundo, quando extraiu do art. 167, § 1º, inciso II, do Código Civil, efeitos que não lhes são próprios. Afirmase isso, pois da leitura do TVF, é perceptível que o auditor entendeu que: (i) não existe prova da real existência da JAMP e da MJP; (ii) a JAMP e a MJP foram constituídas para seus sócios fugirem da tributação pelo IRPF; e (iii) os valores oriundos de fontes ilícitas são rendimentos dos sócios da JAMP e da MJP. Contudo, tal entendimento desrespeita a decisão prolatada nos autos da citada Ação Penal, o Código Civil e a legislação tributária. Da Regular Constituição da JAMP A JAMP Engenheiros Associados Ltda. é uma pessoa jurídica de direito privado, com sede na capital do Estado de São Paulo, que tem como sócios o impugnante e seu irmão, engenheiros de sólida formação e vasta experiência, o que possibilita a prestação de serviços pela sociedade. A maior parte de suas atividades era realizada por meio de reuniões presenciais e, pela natureza dos serviços prestados, não eram produzidos relatórios. A prova desta alegação poderia ser feita por meio de emails trocados entre os sócios da JAMP e seus clientes, mas os equipamentos eletrônicos da empresa e do recorrente foram apreendidos durante a Operação Lava Jato e quando devolvidos, os discos rígidos estavam formatados. Fl. 4413DF CARF MF Processo nº 18470.727138/201654 Acórdão n.º 2301005.781 S2C3T1 Fl. 4.405 7 Todavia, a existência da JAMP pode ser demonstrada por meio dos contratos de locação da sala comercial, onde funciona a sede da empresa, por meio da verificação do cumprimento de todas as obrigações acessórias e do pagamento de todos os tributos, e por meio de empregado, compartilhado com outra empresa da qual participa o impugnante, desempenhando as atividades administrativas e de secretaria. Merece destaque o fato de a JAMP ter sido fiscalizada pela Secretaria da Fazenda do Município de São Paulo, para verificação de regularidade quanto ao desempenho de sua atividade, o que ensejou realização de parcelamento dos débitos de ISS, portanto, não há dúvida da efetiva existência da citada empresa. Quanto à alegação de que a sociedade foi constituída para fugir a incidência do IRPF, esqueceuse a fiscalização do disposto no art. 129 da Lei nº 11.196, de 2005, que determina que “para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil.” O recorrente e seu sócio são engenheiros que se uniram em sociedade para prestar serviços de natureza intelectual, quais sejam: (i) promoção comercial de natureza técnica especializada; (ii) assessoria técnica para apresentação de propostas e escolha de fornecedores; e (iii) gestão de projetos. Conforme reconhecido pela própria fiscalização, parte dos valores recebidos pela JAMP referemse a serviços efetivamente prestados. A despeito da discussão travada em torno desse tema, após a citada Lei, não há dúvida da legalidade desse modelo societário para fins fiscais e previdenciários, como demonstram as decisões do CARF, dos Tribunais Regionais Federais e dos TRFs colecionadas. Os arestos transcritos demonstram que o entendimento da fiscalização afronta tanto a literalidade do art. 129 da Lei nº 11.196/2005, como a jurisprudência. O trecho final do art. 129, da 11.196/05, dispõe: "sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil". O art. 50 da Lei nº 10.406/2002, que disciplina a desconsideração da personalidade jurídica, interpretado em conjunto com o art. 129, já citado, possibilita que, em situações específicas, seja afastado o princípio da autonomia patrimonial, que limita a responsabilidade de cada sócio ao valor de suas quotas, assim, presentes os requisitos do art.50, o patrimônio dos sócios responderá, integralmente, por obrigações da pessoa jurídica. Por outros termos, a sociedade constituída para prestar serviço intelectual, sujeitase à legislação tributária aplicável às pessoas jurídicas, logo, a responsabilidade dos sócios é limitada, exceto em algumas situações, quando será possível que o patrimônio integral dos quotistas responda por obrigação assumida pela pessoa jurídica, o que não significa, contudo, que o sujeito passivo da obrigação deixe de ser a pessoa jurídica. Fl. 4414DF CARF MF 8 No TVF, consta que o ato foi simulado, sendo que os efeitos considerados pela fiscalização não possuem fundamentos legais. O art. 167, § 1º, inc. II, do Código Civil estabelece que “é nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma, sendo que haverá simulação nos negócios jurídicos quando contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira". A simulação decorre do fato que parte dos serviços declarados e tributados pela JAMP não foi prestado, já que os recursos foram repassados a terceiros a título de vantagem ilícita, tendo o Juiz Moro afirmado, em sua sentença, expressamente que "o acusado colaborador Milton Pascowitch falou a verdade perante este Juízo quanto aos repasses de propinas ao grupo político de José Dirceu de Oliveira e Silva em decorrência dos contratos da Engevix Engenharia com a Petrobrás, enquanto José Dirceu de Oliveira e Silva faltou com a verdade" e que as afirmações do impugnante "estão bem amparadas em prova documental". As transcrições de partes da sentença constantes na impugnação afastam qualquer dúvida de que os recursos oriundos dos contratos simulados foram repassados a terceiros, portanto, não há fundamento legal para os rendimentos oriundos desses atos serem imputados ao recorrente. A respeito da existência de efetivos repasses, reconhecidos como "bem amparadas em prova documental" pela sentença, é de se notar que há nos autos do processo criminal, e nas notícias veiculadas, diversos elementos que demonstram que o recorrente realizou pagamentos às empresas indicadas pelos beneficiários finais, tendo adquirido bens (como obras de arte), realizado pagamentos por obras e reparos em diversos imóveis, pago para a realização das atividades dos sujeitos ocultados, etc. Mesmo em relação aos pagamentos em dinheiro, inclusive para o Partido dos Trabalhadores, as provas foram consideradas suficientes para a condenação criminal, sendo que, em outras delações realizadas, inclusive pelo Sr. Fernando Moura, confirmase o recebimento de valores e o repasse aos destinatários finais. É prova contundente a afirmação de alguém que pagou e de outro que recebeu. Parece que a fiscalização se vale da impossibilidade de apresentação de um recibo atestando aquilo que, por todo o óbvio, se queria ocultar, para construir a tese que lhe permite alcançar valor estrondoso e ilegal a ser cobrado a título de tributo. Os verdadeiros sujeitos de direito dos recursos ilícitos são as pessoas citadas pelo Juiz Federal Sérgio Moro, tendo o recorrente apenas colaborado para a prática do ato simulatório. Nas palavras de Mariz de Oliveira, a requalificação da sujeição passiva em nome do Impugnante desrespeita tanto a lei quanto a decisão prolatada na Ação Penal nº 504524184.2015.4.04.7000. Em suma, tais valores devem ser exigidos das pessoas citadas pelo Dr. Moro na sentença, portanto, é perceptível a nulidade do lançamento, pois os rendimentos não são do recorrente, o que demonstra o vício na determinação do sujeito passivo. Ademais, por aplicação da regra da concentração da defesa, ainda que se entenda que os recursos são do recorrente, deveria a fiscalização, por aplicação do princípio da Fl. 4415DF CARF MF Processo nº 18470.727138/201654 Acórdão n.º 2301005.781 S2C3T1 Fl. 4.406 9 boafé, excluir o que foi pago na pessoa jurídica, o que, no caso concreto, corresponde a mais da metade do valor exigido. Dado o exposto, deve ser cancelado o auto de infração por erro na identificação do sujeito passivo. Caso seja outro o entendimento deste Conselho, deve ser declarada a nulidade da autuação, nos termos do art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72, por preterição do direito de defesa, já que os documentos que poderiam fazer prova em favor do recorrente foram apreendidos. Por fim, indeferidos os pedidos anteriores, deve ser excluído o que já foi tributado na pessoa jurídica. Da Efetiva Prestação de Serviço no Exterior por intermédio da MJP Engineering and Consulting LLC A MJP Engineering and Consulting LLC é uma pessoa jurídica regularmente constituída nos Estados Unidos da América, que tem por objeto a prestação de serviço, no exterior, de assessoria técnica. A despeito disso, entendeu a fiscalização, que "assim sendo, reclassificamos as receitas declaradas como auferidas pela empresa MJP ENGINEERING AND CONSULTING LLC em decorrência de contratos simulados firmados com a pessoa jurídica ECOVIX CONSTRUÇÕES OCEÂNICAS S/A, tratandoas, como corolário lógico, como rendimentos auferidos pelos operadores financeiros MILTON PASCOWITCH e seu irmão JOSÉ ADOLFO PASCOWITCH, em partes absolutamente iguais, diante da constatação da relação pessoal e direta destes com as situações que constituíram os fatos geradores do tributo (IRPF) e da apuração negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo e a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária". Os valores "reclassificados" pela fiscalização correspondem a contraprestação por serviços efetivamente prestados no exterior à Ecovix Construções Oceânicas S/A, recebidos em 28/10/2010 e em 15/12/2011. Conforme observase do depoimento do irmão do impugnante, no Termo Complementar nº 05, acostado neste processo, especificamente nos minutos 20'29'' e 39'55'', a prestação de serviços consistia em assessoria técnica, identificação, aproximação de fornecedores, busca de parceiros comerciais para participação em licitações e realização de projetos na área naval, que requer um vasto conhecimento técnico e especializado. A prestação dos serviços é comprovada por meio de diversas viagens ao exterior (China, Turquia, Espanha, Portugal, Itália e EUA) na tentativa de captar parceiros comerciais na área naval feitas pelo irmão do contribuinte. Cabe esclarecer ainda que, em decorrência da natureza dos serviços e sigilo, não eram gerados relatórios, pois a assessoria técnica era prestada durante as reuniões, onde se discutiam todos os aspectos do negócio e as decisões eram tomadas. A prova desta alegação poderia ser feita também por meio de emails trocados entre os prestadores e os tomadores dos serviços, mas os equipamentos eletrônicos do impugnante foram apreendidos durante a Operação Lava Jato, tendo sido os discos rígidos formatados quando devolvidos. Fl. 4416DF CARF MF 10 Assim, considerando que a MJP Engineering and Consulting LLC está devidamente constituída, que foram apresentados os contratos firmados, os comprovantes de recebimento, a relação de viagens realizadas pelos consultores da MJP Engineering and Consulting LLC, não há dúvida que tais serviços devem ser tributados na pessoa jurídica. A fiscalização limitase a afirmar que os contratos entre a MJP e Ecovix foram simulados, sem, contudo, apresentar provas, sendo que, como é sabido, o ônus de provar é de quem acusa, nos termos do art. 376, I, do Novo CPC. Ademais, caso este Conselho mantenha o auto pelos fundamentos apresentados pela fiscalização, qual seja, que os contratos foram simulados, devem ser atribuídos os efeitos extraíveis do art. 167, §1º do Código Civil, quais sejam, os valores repassados devem ser tributados nas pessoas que, segundo o agente do fisco, receberam os montantes previstos nos atos, mais uma vez, segundo ele, simulados. Dado o exposto, deve ser cancelado o Auto de Infração, pois os serviços foram efetivamente prestados por empresa localizada no exterior. Na eventualidade de este Conselho entender de modo diverso, o auto também deve ser cancelado por erro na identificação do sujeito passivo. Caso seja outro o entendimento desse Colegiado, deve ser declarada a nulidade da autuação, nos termos do art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72, por preterição do direito de defesa, já que os documentos que poderiam fazer prova em favor do impugnante foram apreendidos. Por fim, indeferidos os pedidos anteriores, deve ser excluído o que já foi tributado na pessoa jurídica. Do Bis in Idem, Tributo Como Sanção e Tributação Exclusiva de Fonte Da Cobrança De Tributos Sobre a Mesma Renda Seis Vezes, de Cinco Pessoas Diferentes A fiscalização escolheu os fatos que consideraria como provados no âmbito da ação penal, assim, apesar de reconhecer a existência de uma simulação de prestação de serviços em relação a parte dos valores recebidos pela JAMP, considerou como não provados parte dos fatos reconhecidos como suficientes pela Polícia Federal, pelo Ministério Público Federal e pela Justiça Criminal para condenação dos réus, sendo que os fatos considerados não provados são exatamente aqueles que implicariam no cancelamento da exigência tributária ora impugnada. Se há comprovação da ocorrência de simulação, todos os atos formais realizados para ocultação do negócio real devem ser desprezados, considerandose apenas o negócio realmente ocorrido. No presente caso, não há dúvidas que houve pagamento de "sobrepreço" pela Petrobrás para a Engevix/Ecovix, com o objetivo de que tais valores fossem, ao final, repassados para os funcionários da própria Petrobrás (Renato Duque e Pedro Barusco) e, ou, para o núcleo político (Partido dos Trabalhadores ou José Dirceu, por exemplo). Assim, todos os atos e negócios jurídicos formalmente realizados devem ser igualmente desconsiderados, prevalecendo os efeitos jurídicos, inclusive no âmbito tributário, do pagamento realizado pela Petrobrás ou da Engevix/Ecovix para o destinatário final (Renato Duque, Pedro Barusco, José Dirceu, Partido dos Trabalhadores etc). Não pode, como pretende a fiscalização, requalificar apenas parcialmente os atos e negócios jurídicos, especialmente da forma como foi procedida, com o claro objetivo de Fl. 4417DF CARF MF Processo nº 18470.727138/201654 Acórdão n.º 2301005.781 S2C3T1 Fl. 4.407 11 aumentar substancialmente os valores a serem arrecadados a título de tributo, utilizando a tributação como meio de aplicar mais uma sanção ao já condenado recorrente. Prevalecendo a linha sustentada pela fiscalização, tributandose os valores em cada uma das etapas da operação orquestrada com o objetivo de ocultar o pagamento da vantagem ilícita ("propina"), a tributação total seria de 175%. Cabe observar que o impugnante identificou que foram lavrados Autos de Infração contra a Engevix (Processo nº 13896.723568/201500), contra a Multitek (Processo nº 10830.727135/201672), contra SWR, nova denominação de Consist (Processo nº 10830.727128/201671), contra a NM Engenharia (Processo nº 13896.723976/201553), e Niplan (Processo nº 13896.724054/201563) e indagou à fiscalização se os Autos de Infração referemse aos pagamentos considerados como tributáveis na pessoa física do recorrente, objeto do auto de infração, conforme se observa da petição protocolada em 02/12/2016. Cabe também observar que o i recorrente identificou que foram lavrados Autos de Infração contra José Dirceu (Processo nº 16004.720202/201647), Pedro Barusco (Processo nº 10872.720489/201608, nº 10872.720490/201624 e nº 10872.720491/201679), Renato Duque (Processo nº 12448.728681/201670), e indagou à fiscalização se os Autos de Infração referemse aos pagamentos considerados como tributáveis na pessoa física do impugnante, objeto do auto de infração, conforme se observa na petição. O procedimento realizado pela fiscalização implica em tributação de 175% do valor da mesma renda, nas diversas etapas da operação realizada, o que configura utilização da tributação como forma de confisco, vedado pela Constituição Federal. Da Utilização Indevida de Tributos Como Forma Sansão. Além disso, a adoção da linha sustentada pela fiscalização tem como conseqüência a utilização desvirtuada do tributo como meio de penalizar os infratores, em evidente contrariedade ao disposto no art. 35 do Código Tributário Nacional. Fundamental ressaltar que o recorrente não está sustentando que os rendimentos decorrentes de atos ilícitos não possam ser tributados, e sim que a renda não pode ser tributada por quem não a auferiu, inclusive em decorrência de ato ilícito ou criminoso. O recorrente reconhece que realizou ato ilícito, colaborou com a Justiça e com os órgãos de investigação, foi condenado e está cumprindo integralmente a sua pena, mas que, por outro lado, não pode ser novamente apenado. O que pede e espera é que seja respeitado o seu direito a apenas se submeter ao recolhimento de tributos que sejam por ele devidos, cancelandose exigência de tributos que sejam relativos a rendas que pertencem aos beneficiários finais. Da Impossibilidade de Exigir Tributo sobre Renda Sujeita a Tributação Exclusiva de Fonte Além de todos os fundamentos já explicitados, o lançamento deve ser julgado improcedente também em razão de os valores recebidos pela JAMP estarem sujeitos à incidência de imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, haja vista o enquadramento dos pagamentos realizados pela Engevix e pelas demais empresas que Fl. 4418DF CARF MF 12 contrataram os serviços da JAMP, para viabilizar repasses, como pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. O art. 61, da Lei nº 8.981, de 1995, estabelece que os valores pagos a beneficiário não identificado ou quando não for comprovada a causa do pagamento, ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte. Observase da leitura do citado artigo, que a alíquota do tributo é majorada (equivalente a 53,84%, já que os 35% são considerados líquidos) para propiciar uma espécie de "substituição tributária" para a frente, tributandose todas as demais etapas da circulação dessa riqueza, já que a fiscalização perderá a rastreabilidade dos valores, por não identificar a causa e, ou, o beneficiário do rendimento. Tratandose de situação sujeita à incidência exclusiva de fonte, não pode haver exigência de tributo em nenhuma outra etapa do recebimento desse rendimento, sob pena de contrariedade à legislação acima transcrita e configuração de bis in idem. O recorrente protocolou petição, em 02/12/2016, requerendo à fiscalização que informasse se as empresas que contrataram os serviços da JAMP, para enquadramento dos pagamentos como sem causa ou a beneficiário não identificado, mas até a presente data, não houve resposta à sua indagação, o que cerceia o seu direito de defesa, gerando nulidade do lançamento. De todo modo, ainda que a autuação não tenha sido levada a efeito pela Receita Federal, o fato de a operação sujeitarse à incidência exclusiva de fonte já é suficiente para afastar cobranças realizadas daqueles que receberam os valores já tributados na fonte. Do Valores Devolvidos: Não Caracterização como “Renda” Não levado em consideração pela fiscalização foi a devolução dos valores recebidos a título de vantagem indevida no montante R$ 20.000.000,00 pelo contribuinte. Sendo assim, tais valores não podem ser caracterizados como renda tributável, já que não houve acréscimo patrimonial, tendo em vista que tais valores ingressaram temporariamente no seu patrimônio e foram, posteriormente, ressarcidos à Petrobrás. Renda é o acréscimo patrimonial que somente ocorre quando o valor ingressa na propriedade do contribuinte. Ressaltese que os valores recebidos pelo recorrente, como distribuição de lucros apurados pelas pessoas jurídicas que participa, relativas às vantagens indevidas, não lhe pertenciam e foram efetivamente devolvidos. Uma das conseqüências do descortinamento das operações é a constatação de que o recorrente não auferiu renda a ser tributada, nos termos do art. 43, do CTN, não tendo sequer revelado capacidade contributiva, o que levaria, inclusive, à caracterização de pagamentos indevidos no âmbito da JAMP e eventual retificação de suas declarações e das da empresa, o que é permitido pela legislação, a ser efetuada tanto pelo contribuinte quanto pela fiscalização, no âmbito da revisão do lançamento, prevista nos artigos 149 e 150 do CTN. Ainda que o lançamento não fosse improcedente por todas as razões anteriormente sustentadas, não há dúvidas de que houve o desfazimento, com a devolução dos valores recebidos, assim, deve ser cancelada a exigência, pois meros ingressos, posteriormente devolvidos, não se enquadram na hipótese de incidência do tributo exigido. Fl. 4419DF CARF MF Processo nº 18470.727138/201654 Acórdão n.º 2301005.781 S2C3T1 Fl. 4.408 13 Das Nulidades do Lançamento Do Erro na Eleição do Sujeito Passivo A primeira nulidade do lançamento decorre do erro de eleição do sujeito passivo, tendo em vista que, descortinada a simulação empreendida, para ocultar os reais beneficiários dos valores pagos pelas contratantes da JAMP, constatase que o sujeito passivo da obrigação tributária, em relação aos valores repassados, objeto da autuação, são as pessoas físicas que receberam os montantes apurados. Desse modo, verificada a efetiva circulação da riqueza e identificado o beneficiário final da renda, não pode o lançamento ser constituído contra aquele que apenas realizou a transferência dos recursos para terceiros. Pertinente aos casos de depósitos não identificados, o art. 42, §5, da Lei nº 9.430, de 1996, estabelece que, nos casos de interposição de pessoas, os rendimentos devem ser considerados como pertencentes aos sujeitos ocultados. Assim, o lançamento está maculado, na sua essência, por erro de eleição do sujeito passivo e, portanto, é nulo, não havendo possibilidade de convalidar tal lançamento. Do Erro na Determinação da Base de Cálculo Ainda que fossem superadas as argumentações expendidas, o lançamento está maculado por erro na forma de apuração do imposto e na quantificação procedida. A despeito de ter conhecimento de que a operação realizada pelo recorrente consistia em considerar os valores recebidos para repasse como receitas tributáveis na JAMP e de ter todo o acesso aos recolhimentos procedidos pela pessoa jurídica, a fiscalização não deduziu os valores recolhidos sobre os montantes ora tributados. A fiscalização age de forma incoerente, porquanto, embora reconheça que os tributos foram pagos pela pessoa jurídica, optou por não deduzir do montante ora exigido os valores então pagos. Isso mostra que a articulação do TVF é mera retórica acusatória, porque, prevalecendo o lançamento ora recorrido, o que se admite ad argumentandum, haverá pagamento em duplicidade: na pessoa física e na pessoa jurídica. Todavia, este tipo de comportamento viola a segurança jurídica, a boafé objetiva e implica em enriquecimento ilícito por parte do Poder Público, levando, em termos práticos, a nulidade do lançamento, conforme enuncia a doutrina e jurisprudência, assim deve este ser declarado nulo, ou, quanto menos, deve ser determinado o recalculo da exação. Da Inaplicabilidade de Multa e Não Enquadramento na Situação de Qualificação da Penalidade Da Inaplicabilidade de Penalidade por Observância à Jurisprudência Administrativa O lançamento recorrido aplicou multa de ofício em percentual de 150% sobre os rendimentos supostamente recebidos pelo Impugnante como "vantagem indevida", por, Fl. 4420DF CARF MF 14 supostamente, tratar se de operação simulada em relação à caracterização como receitas da pessoa jurídica, que, segundo a fiscalização, seriam rendimentos do impugnante. Ocorre que ainda que o tributo fosse exigível do recorrente, e mesmo que se tratasse de uma situação de "pejotização", nenhuma penalidade poderia ser aplicável, já que, no presente caso, o recorrente teria atuado de acordo com orientação cristalizada das autoridades fiscais e no entendimento do CARF. Para lavrar o Auto de Infração, a fiscalização adotou dois entendimentos muito peculiares, quais sejam: (i) o de que os rendimentos não seriam dos reais beneficiários finais, a despeito de a sentença proferida afirmar estar "bem amparada em prova documental", e (ii) de que os valores recebidos pela JAMP seriam tributáveis na pessoa física do recorrente e não na pessoa jurídica, por se tratar de "serviço pessoal". Todavia, conforme já destacado, a lei expressamente permite a organização das pessoas em empresas, inclusive para realização de serviços pessoais e há precedentes reiterados e consolidados referendando a conduta praticada pelo recorrente. A orientação jurisprudencial desperta confiança legítima nos contribuintes, que adotam práticas com base nas decisões proferidas pelos órgãos de julgamento, agindo com boafé objetiva, que deve ser observada pelos julgadores. Em razão dos denominados planejamentos tributários, que, frisese, nem sequer se enquadram de forma categórica à situação dos autos, a dogmática tributária passou a analisar com maior regularidade o princípio da boafé objetiva, especialmente para verificação da aplicação de multa e da sua qualificação. O CARF já enfrentou a questão da boafé, tendo chegado a afastar a aplicação de multa de ofício, ou de reduzila, com base no instituto penal do "erro de proibição", em razão da nova orientação adotada naquela instância de julgamento. Decisões administrativas e judiciais podem despertar confiança nos contribuintes que, agindo de boafé, não poderão sofrer sanções, em razão da impossibilidade de atribuição de eficácia retroativa à reforma do entendimento anteriormente manifestado. O artigo 76 da Lei nº 4.502, de 1964, mesmo diploma legal em que estão previstas as situações de aplicação da qualificação da multa (arts. 71, 72 e 73), estabelece que não serão aplicadas penalidades, enquanto prevalecer o entendimento, aos que tiverem agido ou pago o imposto de acordo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado. Portanto, havendo modificação do entendimento da Administração, o que sequer aconteceu no presente caso, em que a jurisprudência é firme, manifestado no exercício das suas funções regulamentar e de julgamento, a própria legislação estabelece que tal alteração interpretativa não pode ensejar a penalização do sujeito passivo. Entender de modo diverso seria permitir que o Estado agisse de modo contraditório, contudo, o direito, em especial o direito público, repudia veementemente o venire contra factum proprium. Assim, devem ser canceladas as multas aplicadas no caso dos presentes autos, tendo em vista que o impugnante agiu estritamente em conformidade com a orientação jurisprudencial firmada anteriormente, razão pela qual não pode sofrer qualquer punição. Fl. 4421DF CARF MF Processo nº 18470.727138/201654 Acórdão n.º 2301005.781 S2C3T1 Fl. 4.409 15 Da Inaplicabilidade da Qualificação da Multa Ao contrário do que sustenta a fiscalização, é totalmente descabida a qualificação da multa porque, uma vez que não houve simulação com o intuito de impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador. Ao contrário, o modus operandi da operação tinha como um dos efeitos o pagamento de tributos que sequer seriam devidos, haja vista que, a interposição da JAMP, que reconhecia como suas receitas que sequer lhe pertenciam, e, consequentemente, as tributava, tinha o objetivo de ocultar o real beneficiário da renda (destinatários da "propina"). Ademais, conforme estabelecido pelos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964, para a aplicação da multa qualificada, é necessário comprovar o evidente intuito de sonegação ou de fraude, a partir de ação ou omissão dolosa, o que efetivamente não foi realizado pela fiscalização. A multa qualificada tão somente se aplica nas hipóteses de sonegação, fraude ou dolo, figuras que claramente não se aplicam ao caso em tela, em que efetivamente houve pagamento a maior de tributos com o intuito de ocultar o destinatário final dos recursos. Portanto, ainda que pudesse ser mantida a multa de ofício, a penalidade teria que ser desqualificada, haja vista a inexistência de intenção de deixar de pagar tributo, e, especialmente, porque, configurada a utilização de pessoa jurídica para a prestação de serviços pessoais, havia uma confiança legítima despertada pelo CARF. Do Depósito Bancário de Origem Não Comprovada O vício da autuação neste enquadramento reside no fato que o recorrente, durante a fiscalização, ter informado que os valores creditados em sua conta têm como origem crédito de mútuo obtido frente ao Geraldo Prestes de Camargo, sendo tal alegação instruída com provas hábeis e idôneas. Atestam a veracidade dessa afirmação: (i) o contrato de mútuo, (ii) o depósito comprovando as entradas e (iii) a extinção do débito por meio de doação, conforme consta na DAA do anocalendário de 2014, o que demonstra a "saída". Vale pontuar que o contrato de mútuo, nos termos do Código Civil de 2002, quanto à forma, é uma avença nãosolene, uma vez que a forma é livre para a validade da estipulação contratual. Os requisitos exigidos pela Lei e pela jurisprudência do CARF seriam a comprovação da saída do numerário da conta do mutuante (fl. 3866); informação na DAA (fl.02/141); e quitação (fls. 120/126). Em relação às transferências feitas pela “OMINT SERV S LTD”, é fato público e notório que a Omint é uma operadora de plano de saúde, assim, de acordo com a Instrução Normativa da Receita Federal do Brasil nº 985, de 22/11/2009, envia Declaração de Serviços Médicos (DMED), contendo, dentre outras informações, “os valores reembolsados à pessoa física beneficiária do plano, individualizados por beneficiário titular ou dependente e por prestador de serviço”, nos termos do art. 4º, II, “c”. Fl. 4422DF CARF MF 16 Dado o exposto, nos termos do art. 42, da Lei n° 9.430/96, deve ser cancelada esta infração, pois: (i) o recorrente juntou provas hábeis e idôneas que comprovam as suas alegações, e (ii) o recurso recebido a título de mútuo não compõe a base de cálculo de do IRPF. Da Decadência Diante da evidente ausência de simulação realizada com o intuito de postergar a incidência ou deixar de recolher os tributos, haja vista que a operação realizada teve o objetivo de ocultar o real beneficiário dos rendimentos, mediante pagamento de tributos, pela JAMP, sobre valores que sequer eram devidos (rendimentos de terceiros, beneficiários finais dos repasses), os créditos tributários objeto do Auto de Infração ora impugnado, em relação aos períodos de apuração de janeiro de 2010 a outubro de 2011, ainda que fossem devidos, encontramse extintos pela decadência, já que o recorrente foi notificado do lançamento em 14/11/2016, mais de cinco anos após a ocorrência do fato gerador. Não restaram caracterizados atos realizados com o objetivo de postergar a incidência ou não recolher tributos nos termos do disposto no art. 173, inc. I, do CTN. Vale observar que o recorrente procedeu a recolhimentos durante os períodos de apuração abrangidos pelo lançamento, conforme se observa dos DARFs anexos. Nestes termos, o recorrente requer, em preliminar de mérito, que o Auto de Infração seja cancelado, em face da extinção pela decadência dos créditos tributários apurados entre janeiro de 2010 e outubro de 2011, conforme art. 156, inc. V, do CTN. Decadência do Direito à Aplicação de Penalidades A multa qualificada, que tem matriz legal na Lei nº 4.502/64, também não pode ser aplicada por força de decadência específica. De acordo com o art. 78 da referida Lei, “o direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, contados da data da infração." Tratase de norma especial para contagem de sanção punitiva, que remete à data da infração, não se aplicando, nem por hipótese, a regra do art. 173 do CTN. Deste modo, além de ser descabida a exação e, por conseqüente, a multa, bem como de inexistir qualquer pressuposto legal para se aventar a presença de dolo, fraude ou simulação, com o objetivo de postergar a incidência ou evitar a ocorrência do fato gerador do tributo, é inconteste que, quando a intimação foi enviada, já estava decaído o direito de se impor penalidade. Dos Juros SELIC Sobre Multa de Ofício A exigência de juros sobre multa de oficio afronta o artigo 161, do CTN, o principio da legalidade, o art. 2º, inc. I, da Lei nº 9.784, 1999, art. 142 do CTN, o art. 10 do Decreto nº 70.235/72 E, ad argumentandum e apenas ad argumentandum, caso esse Conselho decida pela procedência da cobrança de juros sobre a multa de ofício, a respectiva cobrança deve se limitar a juros de 1% ao mês. Por fim, requer o provimento do recurso para que seja cancelada a exigência fiscal. Fl. 4423DF CARF MF Processo nº 18470.727138/201654 Acórdão n.º 2301005.781 S2C3T1 Fl. 4.410 17 É o relatório Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Relator O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade Invertemos aqui a ordem das alegações contidas no recurso afim de analisarmos primeiramente aquelas atinentes a eventual nulidade da autuação. DAS PRELIMINARES No tocante aos aspectos relativos à nulidade dos atos que compõem o processo fiscal, destaquese o estabelecido pelo artigo 59, do Decreto n" 70.235, de 6 de março de l972: Art. 59. São nulos. I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa Da leitura dos dispositivos acima transcritos, concluise que o Auto de Infração só poderá ser declarado nulo se lavrado por pessoa incompetente ou quando não constar, ou nele constar de modo errôneo, a descrição dos fatos ou o enquadramento legal de modo a consubstanciar preterição do direito de defesa. No caso em tela, observase que o auto de infração contém os elementos necessários e suficientes para o atendimento do art. 10 do Decreto n. 70.235/72, não ensejando declaração de nulidade. Desta forma, não merece prosperar a alegação de nulidade do auto de infração suscitada pelo recorrente. Notese que o recorrente teve todo entendimento dos fatos e razões da autuação, apresentando impugnação, juntando documentos, sendo cientificado de todos os atos processuais ocorridos, inclusive da decisão de primeira instância contra a qual se insurgiu através do recurso voluntário ora analisado. Do erro da sujeição passiva Nos presentes autos, não há qualquer dúvida de que os sócios tinham efetivo controle sobre os valores recebidos pelas pessoas jurídicas, sendo os responsáveis pelo controle de suas contas bancárias. Ou seja, a disponibilidade econômicofinanceira para as pessoas jurídicas importava disponibilidade para os sócios. Verificase então que a percepção dos valores auferidos no esquema fraudulento se deu pelos sócios da empresa. Significa dizer, os valores que ingressaram nas contas da JAMP ENGENHEIROS ASSOCIADOS LTDA, e que são objeto da presente autuação, correspondem à parte que cabia a MILTON PASCOWITCH e seu irmão JOSÉ ADOLFO PASCOWITCH, Fl. 4424DF CARF MF 18 em decorrência da atuação em benefício da ENGEVIX ENGENHARIA S/A, em relação aos contratos firmados com a Petrobras. É justamente tal fato que justifica o acréscimo patrimonial apurado logo acima, não cabendo a alegação de erro na sujeição passiva. DO MÉRITO Inicialmente vale lembrar que a presente autuação referese a cobrança de Imposto de Renda Pessoa Física SUPLEMENTAR, em decorrência da constatação de: i) omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, por meio de interpostas pessoas, nos anoscalendário de 2010 e 2011 e ii) omissão de rendimentos caracterizados por valores creditados em conta de depósito, mantida em instituição financeira, em relação aos quais, o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, no anocalendário de 2011. Como dito no Termo de Verificação Fiscal TVF e pelo próprio recorrente em sua peça recursal, a fiscalização fora levada a efeito em decorrência de fatos apurados na chamada " Operação Lava Jato" conduzida pela Polícia Federal, Ministério Público Federal e Justiça Federal que apurou um esquema de corrupção até então nunca descoberto em nosso país. O recorrente se insurge contra a autuação aduzindo que a fiscalização incorreu em bis in idem, considerando as repercussões tributárias analisadas em conjunto, tendo em vista que esta considerou a mesma renda como passível de tributação 6 vezes, de 5 pessoas distintas, exigindo, a título de tributo, percentual equivalente a 175%. Ocorre que, do que se depreende dos autos, os valores ora lançados foram obtidos da contabilidade das Empresas das quais o recorrente é sócio e se utilizara para a obtenção das vantagens indevidas. Ora, apesar de intimada a apresentar documentos que comprovassem a efetiva prestação dos serviços por ela reconhecidos, a empresa JAMP não apresentou provas por meio dos quais seria possível validar sua alegação, tendo se limitado a apresentar cópias de contratos e argumentar que, pela natureza dos serviços prestados, não havia geração de relatórios, sendo a maior parte dos trabalhos realizados mediante reuniões entre os sócios e os clientes Constam ainda nos autos,vários extratos de contas correntes do recorrente onde sistematicamente haviam transferências de numerários para tais contas. Nas próprias Delações Premiadas do recorrente e de seu irmão, que foram juntadas nos presentes autos, são informadas as movimentações financeiras que visavam tão somente a lavagem de dinheiro recebidos como propina através de contratos fraudulentos. No trecho onde é abordada esta questão, o julgador de primeira instância foi muito feliz ao enfrentar esta questão, senão vejamos: (...) Intimada a apresentar documentos que comprovassem a efetiva prestação dos serviços por ela reconhecidos, a empresa JAMP não apresentou provas por meio dos quais seria possível validar sua alegação, tendo se limitado a apresentar cópias de contratos e argumentar que, pela natureza dos serviços prestados, não havia geração de relatórios, sendo maior parte dos trabalhos realizados mediante reuniões entre os sócios e os clientes. Fl. 4425DF CARF MF Processo nº 18470.727138/201654 Acórdão n.º 2301005.781 S2C3T1 Fl. 4.411 19 Registrese que não restou comprovado nos autos da ação penal nº 5045241 84.2015.404.7000 que a empresa JAMP tenha prestado efetivamente serviços ao grupo Engevix, não tendo sido apreendido ou apresentado provas neste sentido. No TVF, a fiscalização reproduz trechos extraídos da sentença exarada pelo Juiz Sergio Mouro na citada ação penal neste sentido, que cabe aqui transcrever: “620. Quanto aos repasses de propinas em contratos da Engevix com a Petrobrás, eles teriam se iniciado apenas com o contrato celebrado para a Fase III de Cacimbas, em 05/03/2007. [...]674. Em contratos que chegam a mais de um bilhão de reais, o percentual de remuneração de Milton Pascowitch admitido pelo próprio Gerson de Mello Almada, de 1 a 1,5% é muito elevado. Destaquese que, para o contrato de Cacimbas Fase III, o montante repassado em contratos de consultoria a ele vinculados é ainda superior, atingindo cerca de 2,25% do valor dele. 675. O montante total repassado de Engevix Engenharia ou dos Consórcios dos quais ela fazia parte atingiram o expressivo montante de R$ 46.412.340,00 entre 25/06/2007 a 21/12/2012. 676. Só um dos contratos de consultoria, o primeiro vinculado a Cacimbas Fase III, tem sozinho o valor de R$ 28.866.786,00. 677. Inexistentes ainda nos autos quaisquer provas materiais de que esses contratos tenham gerado serviços técnicos relevantes por parte de Milton Pascowitch e da Jamp Engenheiros. Nada foi pelo menos apreendido ou apresentado nesse sentido. 688. Não há serviços técnicos, nem serviços de mero lobbie prestados pela Engevix Engenharia, que aparentam justificar o pagamento de cerca de 1,5% dos valores dos contratos ou especificamente R$ 46.412.340,00.” Cabe também observar que a empresa Engevix, instada a demonstrar a efetividade de serviços contratados com a empresa JAMP, serviços esses reconhecidos pela esta última como tendo sido em parte prestados, conforme planilha de fls. 1651 a 1664, limitouse a apresentar contratos e notas fiscais. Consoante TVF, o contribuinte utilizouse da empresa MJP Engeneering and Consulting LLC sediada em Miami, da qual é sócio, juntamente com o seu irmão, para reduzir a carga tributária incidente sobre dois contratos firmados com a empresa Ecovix Construções Oceânicas S/A, cujo recebimento se deu entre 2010 e 2014, sendo que, entre 2010 e 2011, foi depositado o valor total de R$ 10.658.140,00, observado a conversão de moedas. Foi constatado pela fiscalização que todos os depósitos em conta corrente da empresa MJP Engeneering and Consulting LLC entre 2010 e 2014 têm origem nos dois contratos firmados com a Ecovix Construções Oceânicas S/A. Instada a comprovar a efetiva prestação de serviço por parte da empresa MJP Engeneering and Consulting LLC de contratos que totalizaram mais de USD 26 milhões entre 2010 e 2014, a empresa Ecovix Construções Oceânicas S/A disponibilizou apenas os contratos firmados, tendo afirmado, por outro lado, não ter como comprovar a efetiva Fl. 4426DF CARF MF 20 prestação de serviços, sendo incapaz até o momento de apresentar documentos referentes à materialidade do objeto dos contratos. A fiscalização relatou no TVF, com minúcias, toda estrutura empresarial montada no exterior pelo o contribuinte e seu irmão para prestar serviço a uma empresa sediada no Brasil (Grupo Engevix), que contratou com outra empresa sediada no Brasil (Petrobrás/PNBV/Sete Brasil), que executou os serviços para a estatal no Brasil (Estaleiro Rio Grande/RS) e que fez todas as transferências financeiras para conta no exterior da MJP Engeneering and Consulting LLC. A fiscalização destacou no TVF que não restou comprovada a existência de fato das empresas no exterior, tendo esta verificado que o endereço da empresa MJP Engeneering and Consulting LLC coincide com o endereço de empresa de locação de escritórios virtuais “Davinci Virtual Offfice Solucion”. O contribuinte intimado, por meio do Termo de Intimação nº 6, a disponibilizar os contratos e a descrever os serviços prestados detalhadamente à Ecovix Construções Oceânicas S/A, bem como a apresentar a documentação comprobatória da efetiva realização, como, por exemplo, publicações, pesquisas, relatórios de medições, relatórios, trabalhos, estudos, pareceres, análises, diário de obras, atas de reunião, planilhas de trabalho, demonstrativos, correspondências, emails, relatórios de viagens, comprovantes de compra de passagens, comprovantes do pagamento de hotéis e refeições, e outros elementos que se prestem a comprovar a efetiva prestação dos serviços, limitouse a apresentar os contratos. Além dos contratos firmados com o grupo Engevix objeto do presente processo, para operacionalização de pagamento de vantagens indevidas, o contribuinte confessou no seu Termo de Colaboração nº 2, que firmou contrato fictício, por meio da empresa JAMP, com a empresa Multitek Engenharia Ltda para o recebimento e o repasse de vantagens indevidas no valor total de R$ 804.138,00 no anocalendário de 2011, sem ter havido qualquer prestação de serviço. Em relação à empresa Consist Software Ltda, o contribuinte confessou no seu Termo de Colaboração nº 19, que firmou contrato fictício, por meio da empresa JAMP, com esta empresa para o recebimento e o repasse de vantagens indevidas no valor total de R$841.415,80 no anocalendário de 2011, sem ter havido qualquer prestação de serviço. Esclarece ainda o julgador de primeira instância, que o recorrente, informa através de uma tabela bastante didática quais os serviços prestados e não prestados, bem como o valores recebidos por tais serviços e as empresas que repassaram os numerários. Contudo, não trouxe aos autos provas que comprovassem que recebeu recursos de pessoas jurídicas, por meio das empresas JAMP e MJP, em virtude de serviços por ele reconhecidos como efetivamente prestados. Como se tratam de valores bastante significativos, era de se esperar que as empresas JAMP e MJP apresentassem documentação idônea para corroborar sua alegações de forma a deixar claro quais teriam e como teriam sido executados os serviços dito por elas que foram efetivamente executados. A bem da verdade e, como dito pela fiscalização, o verdadeiro serviço executado por tais empresas foi o de operacionalização e pagamento de vantagens indevidas, razão pela qual a autoridade lançadora afastou as relações jurídicas meramente formais ou Fl. 4427DF CARF MF Processo nº 18470.727138/201654 Acórdão n.º 2301005.781 S2C3T1 Fl. 4.412 21 artificiais, no caso, dolosas, objetivando identificar os verdadeiros sujeitos passivos da obrigação tributária, Como bem conclui o acórdão guerreado:" A não comprovação da efetiva prestação de serviços de valores milionários, tanto pelos contratantes, quanto pelas contratadas, a estrutura empresarial montada no exterior, as confissões feitas pelo o contribuinte e seu irmão em relação a contratos são indícios que, quando analisados conjuntamente, levam a conclusão de que as receitas de serviços se trataram, na verdade, de um artifício para encobrir o pagamento de vantagens indevidas ao contribuinte. Importante esclarecer que a autoridade fiscal não aplicou a teoria da desconsideração da pessoa jurídica, apenas identificou o contribuinte segundo a regra do art. 121, I, do Código Tributário Nacional, ou seja, atribuiuse a responsabilidade pela obrigação principal àquele que de fato teve relação pessoal e direta com a situação que constituiu o fato gerador do imposto de renda. O fato de os recursos indevidos terem sido recebidos por meio de pessoas jurídicas, mediante um artifício de se forjar receitas fictícias de prestação de serviços por sociedades empresárias, não altera o lançamento, mormente porque se tratou de recursos cujo destinatário era o recorrente. Quanto ao argumento de que as transcrições de itens da sentença exarada nos autos do processo nº 504524184.2015.404.7000 afastam qualquer dúvida de que os recursos oriundos dos contratos simulados foram repassados a terceiros, portanto, não há fundamento legal para os rendimentos oriundos desses atos serem imputados ao recorrente, lembramos que durante a ação fiscal as empresas JAMP e MJP foram intimadas a identificar os beneficiários finais de recursos indicados na coluna intitulada “Valor Destinado a Terceiros”, porém, os documentos apresentados não foram capazes de discriminar a quem e em quais datas ocorreram, bem como não foi demonstrado se houve saques totalizando o valor que alega ter repassado em dinheiro. Importante esclarecer que, do que consta dos autos (item 13 TVF), não foram considerados na apuração da base de cálculo rendimentos a título de vantagens indevidas pagos pelas empresas Hope e Personal, quer em dinheiro, quer por meio de depósitos. Portanto, tendo sido valores repassados ao Partido do Trabalhadores decorrentes de valores que não integram a base de cálculo objeto do lançamento, não há o que se alterar nos cálculos realizados pela fiscalização. Seria imprescindível o recorrente demonstrar documentação capaz de relacionar o fluxo financeiro de suas movimentações com os repasses das vantagens indevidas oriundas dos contratos simulados. Caberia ao recorrente apresentar prova em contrário, por meio dos elementos que demonstrem a efetividade do direito alegado, bem como hábeis para afastar a imputação da irregularidade apontada. Ao julgador administrativotributário, somente cabe complementar e ir em busca de provas para formar o seu livre convencimento, não lhe competindo suprir elementos que deveriam ser trazidos aos autos pelas partes do processo. Vale lembrar que a legislação tributária específica do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física – IRPF dispõe que o fato gerador ocorre à medida em que os valores são recebidos, ou seja, quando a riqueza nova se agrega ao patrimônio do beneficiário, acrescendo o, configurando, assim, a hipótese prevista no art. 2º da Lei n. 7.713/88: Fl. 4428DF CARF MF 22 Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos.” Sobre o aproveitamento de tributos já recolhidos pela pessoa jurídica, no caso a empresa JAMP, o art. 74 da Lei 9.43/96, com redação dada pela Lei 10.637/02 não permite a compensação de crédito com débitos de terceiros. Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1oA compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (…) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (…) II em que o crédito: a) seja de terceiros; Nesse sentido, a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, no art. 68: Art. 68. É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos a tributo administrado pela RFB, com créditos de terceiros. (…) Sobre a alegação de que devolveu valores recebidos a título de vantagens indevidas, corroboro com o entendimento do julgador de primeira instância que assim se manifestou: A disposição contida no art. 26 da Lei nº 4.506, de 1964 é a de que os rendimentos derivados de atividades ilícitas são sujeitos à tributação, sem prejuízo das sanções que couberem. A exigência do lançamento do tributo decorre do fato gerador da obrigação tributária, cujos efeitos não são alterados por circunstâncias posteriores, de acordo com o que preceitua o CTN em seus artigos 116 e 118. A legislação tributária não prevê a possibilidade de que se anistie os investigados que decidiram colaborar com a Justiça e que devolveram ao erário os recursos obtidos ilicitamente. Conforme já relatado anteriormente, a autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, deve limitarse a aplicála, não podendo, sob pena de responsabilidade, afastar, desviar ou inovar. Ocorrido o fato gerador, a autoridade fiscal efetuou o lançamento de omissão de rendimentos recebidos de pessoa física. Fl. 4429DF CARF MF Processo nº 18470.727138/201654 Acórdão n.º 2301005.781 S2C3T1 Fl. 4.413 23 Por fim, cabe observar que o fato de valores que compõem a base de cálculo do processo em pauta serem por ventura tributados em processos lavrados em nome de outros contribuintes, quer pessoa física, quer pessoa jurídica, não tem o condão de modificar o presente lançamento, pois foi constatada omissão de rendimentos por parte do contribuinte. De acordo com o item 16 do Parecer Normativo SRF nº 01, de 24 de setembro de 2002, "após o prazo final fixado para a entrega da declaração, no caso de pessoa física, a responsabilidade pelo pagamento do imposto de rendimentos sujeitos ao ajuste anual pagos por pessoas jurídicas que não efetuaram a retenção do imposto passa a ser do contribuinte." Ademais, a devolução se deu através de uma acordo entre o contribuinte e o Ministério Público a título de "Multa Compensatória" e em nenhum momento é dito que aqueles valores se tratam do totum desviado, ou ainda que esta devolução isenta o "delator" das demais sanções administrativas cabíveis, em especial de débitos com a SRFB. Portanto, não há qualquer manifestação na esfera penal que tenha o condão de vincular a administração tributária no tocante à quantificação dos valores devidos a título de tributo. Da mesma forma não procede o argumento de que a SRFB estaria cobrando 6 vezes os mesmos valores de 5 pessoas diferentes. A bem da verdade, embora não tenhamos conhecimento de todo teor dos processos administrativos mencionados pelo recorrente, o certo é que a presente autuação se deu em decorrência de valores a ele repassados, corroborados pelos extratos juntados aos autos bem como por ele confessados em face de sua delação em processo judicial compartilhado à Receita Federal. O mesmo se pode dizer sobre o PAF autuado junto à Engevix. Em cada um a fiscalização fez o levantamento com base nos valores repassados irregularmente a cada autuado. Eventuais múltiplas exigências tributárias sobre os diferentes participantes do esquema fraudulento decorrem da caracterização de diversos fatos geradores do consequente surgimento das obrigações tributárias respectivas. Sobre os depósitos bancários de origem não comprovada, mais uma vez o recorrente não se desincumbiu de demonstrar a origem dos valores mantidos em instituição financeira. Assim, agiu a fiscalização dentro do contido no art. 42. da Lei 9.430/96: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às Fl. 4430DF CARF MF 24 normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I – os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II – no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.” Lembramos que, segundo o Termo de Verificação Fiscal, o contribuinte foi intimado a apresentar, dentre outros documentos, extratos bancários de todas as contas correntes, de poupança e de investimentos, mantidas no Brasil e no exterior, pelo contribuinte e seus dependentes. Da análise da manifestação e documentos entregues, a fiscalização concluiu que não foi identificada devidamente a origem de depósitos ocorridos no ano/calendário de 2011 na conta nº 310.810, mantida no Banco Itaú no valor total de R$ 253.690,56. O contribuinte tentou justificar tais valores como sendo originária de mútuo realizado com Geraldo Prestes de Camargo, porém os valores não corresponderam ao informado, bem como não foi comprovada a natureza da operação que deu causa ao crédito. Da mesma maneira com relação aos valores recebidos pela Omint Serviços de Saúde Ltda, que o recorrente justifica através do documento de efls. 4.084, pois, os valores ali constante não refletem os valores tidos pela fiscalização como não comprovados conforme consta no TVF às efls. 3861. Da Multa Qualificada A qualificação da multa ficou bem demonstrada pelo vasto conjunto probatório trazido aos autos e pela demonstração da comprovação das hipóteses previstas nos Fl. 4431DF CARF MF Processo nº 18470.727138/201654 Acórdão n.º 2301005.781 S2C3T1 Fl. 4.414 25 art. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64, especialmente pela fraude e simulação ocorrida na obtenção dos valores pelo recorrente. Tais fraudes/simulações e dolo em meu entendimento beneficiaram ao recorrente no sentido de que não houve o recolhimento dos impostos devidos, que só estão agora sendo cobrados na presente autuação em virtude da chamada "Operação Lavajato" onde foram descobertos rendimentos recebidos pelo recorrente e seu irmão, sujeitos a incidência do IRPF. Das Decadências alegadas Com relação a decadência, como foi identificada a ocorrência de simulação o prazo decadencial a ser aplicado é o contido no art. 173, I do CTN não restando período decaído na presente autuação. O saldo de imposto a pagar decorrente do ajuste anual, referente ao ano calendário 2010, só poderia ter sido constituído a partir de maio de 2011, em face do prazo legal para o pagamento do imposto e da apresentação da declaração de ajuste anual (último dia útil do mês de abril de 2011). Porquanto, a contagem do prazo decadencial teve termo inicial em 01/01/2012 (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), expirandose em 31/12/2016. Como a ciência do Auto de Infração deuse em 14/11/2016, não há que se falar em decadência. No que se refere a alegação da decadência do direito da aplicação da penalidade temse o mesmo entendimento acima mencionado. A aplicação no caso é a do art. 44 da Lei 9.430/96 e não do art. 78 Lei nº 4.502/64 que se refere a imposto de consumo. Também rejeito tais argumentos. Dos Juros SELIC Sobre Multa de Ofício Afirma o recorrente que a 'Fiscalização pretende exigir da Recorrente, SIMULTÂNEA e CUMULATIVAMENTE, os "juros" moratórios de 1% ao mês, e TAXA SELIC, todos sobre o valor corrigido do suposto "débito"'. Considera tal cobrança arbitrária, ilegal e inconstitucional, por exigir concomitantemente três verbas de caráter moratório (os juros e a multa moratória). Neste aspecto, aplicase a Súmula CARF nº 108, que assim dispõe: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Importa salientar que a cobrança dos juros não é simultânea, mas sucessiva. No mês em que incide SELIC não incide os juros de 1% ao mês, e viceversa. Ademais, as questões de inconstitucionalidade não podem ser conhecidas por este Conselho (Súmula CARF nº 2) e a incidência da taxa SELIC para os tributos federais também é matéria já sumulada por este CARF, portanto de observância obrigatória pelos conselheiros: Fl. 4432DF CARF MF 26 Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais.Dili DA DILIGÊNCIA Levantada de ofício pelo Ilustre Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto a necessidade de diligência, esta restou vencida. Ante ao exposto, voto no sentido de Conhecer do recurso, rejeitar as preliminares e no mérito negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Declaração de Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Com a devida vênia ao voto do ilustre conselheiro relator, abro divergência para apresentar as razões pelas quais entendo que deve ser dado parcial provimento ao Recurso Voluntário. Em primeiro lugar, cabe mencionar que a corrupção deve ser duramente combatida, uma vez que ela proporciona efeitos nefastos na sociedade, sobretudo em uma sociedade tão desigual quanto a brasileira. No âmbito do ordenamento jurídico brasileiro, há diversos mecanismos de combate à corrupção, sendo alguns preventivos e outros reativos. Com relação aos mecanismos reativos, há que se citar que diversas são as condutas de corrupção que são tipificadas como crime, dentre as quais podemos destacar o peculato (art. 312 do Código Penal), o emprego irregular de verbas ou rendas públicas (art. 315 do Código Penal), a concussão (art. 316 do Código Penal), o excesso de exação (art. 316, §1º, do Código Penal), a corrupção passiva (art. 317 do Código Penal), a prevaricação (art. 319 do Código Penal), a advocacia administrativa (art. 321 do Código Penal), a corrupção ativa (art. 333 do Código Penal), o impedimento, perturbação ou fraude de concorrência (art. 335 do Código Penal), dentre outras. Cumpre citar também as sanções aplicáveis aos agentes públicos nos casos de enriquecimento ilícito no exercício de mandato, cargo, emprego ou função na administração pública direta, indireta ou fundacional, que estão previstas na Lei n. 8.429/92, a dita Lei de Improbidade Administrativa, bem como as normas que tratam da responsabilização Fl. 4433DF CARF MF Processo nº 18470.727138/201654 Acórdão n.º 2301005.781 S2C3T1 Fl. 4.415 27 administrativa e civil de pessoas jurídicas pela prática de atos contra a administração pública, nacional ou estrangeira, e dá outras providências, previstas na Lei n. 12.846/13, a chamada Lei Anticorrupção. Dessa forma, há uma série de disposições normativas que tem por objetivo punir quem pratique atos que possam ser enquadrados como corrupção. Ocorre que tais punições se encontram sobretudo no âmbito do Direito Penal e Direito Administrativo, sendo que o Direito Tributário expressamente não pode ser utilizado para fins de punir uma conduta ilícita ou não desejável. Nessa linha, o artigo 3º do Código Tributário Nacional, ao determinar o conceito de tributo, prevê expressamente que o tributo não constitui "sanção de ato ilícito", conforme observado abaixo: Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Tal menção se faz importante na medida em há que se levar em conta que embora as condutas descritas ao longo do processo sejam reprováveis, devese ter em mente que o Direito Tributário não é o meio para que tais condutas sejam punidas. Em outras palavras, a análise que deve ser feita no presente processo diz respeito à determinação ou não do cumprimento do fato gerador tributável pelo Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Vale destacar que o fato gerador de um tributo pode estar relacionado com uma situação de fato ou com uma situação jurídica, isto é, o legislador tributário pode estabelecer como fato tributável uma situação econômica ou uma situação jurídica, tal qual preceitua o artigo 116 do Código Tributário Nacional: Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) No caso do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, o fato gerador está definido no artigo 43 do Código Tributário Nacional, aqui transcrito: Fl. 4434DF CARF MF 28 Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. § 2o Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. A partir da leitura do artigo 43 do Código Tributário Nacional, verificase que o fato gerador do imposto sobre a renda repousa em uma situação de fato, ou seja, não se fundamenta necessariamente em uma relação jurídica, mas sobre uma situação de recebimento de rendimentos do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, ou até mesmo de outros acréscimos patrimoniais que não se enquadrem como rendimentos do capital ou do trabalho. Cumpre destacar aqui inclusive o posicionamento de Ricardo Mariz de Oliveira na interpretação da distinção entre disponibilidade jurídica e econômica de renda, para o qual tal distinção somente faria sentido se a disponibilidade econômica de renda abrangesse uma renda que não pudesse ser cobrada juridicamente, de forma que a disponibilidade econômica abrangeria a renda de atividades ilícitas ou oriunda de jogos, ao passo que a disponibilidade jurídica abrangeria apenas a renda de atividades lícitas (OLIVEIRA, Ricardo Mariz. "Disponibilidade econômica de rendas e proventos. Princípio da realização da renda e princípio da capacidade contributiva". In: MARTINS, Ives Gandra da Silva; e PASIN, João Bosco Coelho (coords.). Direito Tributário Contemporâneo estudos em homenagem a Luciano Amaro. São Paulo: Saraiva, 2013, pp. 285288.). Na mesma linha, José Eduardo Soares de Melo entende que a disponibilidade econômica abrangeria a renda decorrente de fatos irrelevantes ao direito, como no caso dos ganhos de jogos, ou de atividade ilícita, como nos casos de renda de juros usurários ou contrabando (MELO, José Eduardo Soares de. Curso de Direito Tributário. 6" ed. São Paulo: Dialética, 2005, pp. 377378.). Embora o artigo 43 do Código Tributário Nacional já possa servir de base para a tributação das rendas ilícitas, vale lembrar que o próprio artigo 118 do Código Tributário Nacional já autorizaria a tributação de rendas ilícitas ou atos jurídicos inválidos, conforme se observa abaixo: Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. Fl. 4435DF CARF MF Processo nº 18470.727138/201654 Acórdão n.º 2301005.781 S2C3T1 Fl. 4.416 29 O referido dispositivo afirma a adoção pelo Direito Tributário Pátrio do denominado princípio do "non ollet", pelo qual a tributação é feita abstraindose a validade jurídica dos atos jurídicos, isto é, independentemente da licitude ou ilicitude dos atos praticados que se relacionem com o fato gerador do tributo. Como conseqüência, não há dúvida de que os rendimentos oriundos de atividades ilícitas são tributáveis pelo Imposto sobre a Renda, seja por força do artigo 118, I, do Código Tributário Nacional, seja em razão do artigo 43, I e II, do Código Tributário. Todavia, em que pese fossem potencialmente tributáveis as rendas auferidas pela pessoa jurídica detida pelo Recorrente, há que se verificar qual vem sendo o tratamento tributário de tal rendimento nos autos de infração relacionados com a fonte pagadora dos rendimentos, que estão sendo objeto de diversos julgamento na 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse sentido, verificase que as construtoras, que são as fontes pagadoras de rendimentos no presente caso, não estão tendo a dedutibilidade para fins de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro das despesas relacionados com a prestação de serviço relacionado com os rendimentos aqui discutidos, assim como está sendo cobrado o Imposto de Renda na Fonte sobre os valores pagos às prestadoras de serviço, na medida em que se trata de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. Tal entendimento já foi consubstanciado nos Acórdãos n. 9101003.341 (Indra), 1302002.087 (UTC), 1301003.019 (N M Engenharia), 1301002.618 (Engevix), todos da 1ª Seção de Julgamento do CARF. Assim, o CARF vem aplicando o tratamento tributário previsto no artigo 61 da Lei n. 8.981/95 sobre os pagamentos feitos pelas construtoras às prestadoras de serviço, tal qual a pessoa jurídica da qual o Recorrente é titular. É fundamental citar expressamente o mencionado artigo 61 da Lei n. 8.981/95, que assim dispõe: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. Como resultado da aplicação do referido dispositivo, verificase que os julgados decidiram que a tributação da renda deve ser feita exclusivamente no âmbito da pessoa jurídica, que é a fonte pagadora, ou seja, a decisão optou por aplicar uma tributação Fl. 4436DF CARF MF 30 mais alta, tanto em termos de alíquota nominal mais alta quanto em termos de impossibilidade de nenhuma dedução dos rendimentos. Vale destacar que na seara da pessoa física, o artigo 47 da Lei n. 7.713/88 dispõe que os rendimentos ou ganhos de capital pagos a beneficiários não identificados são tributados exclusivamente na fonte, "in verbis": Art. 47. Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta por cento, todo rendimento real ou ganho de capital pago a beneficiário não identificado. Como decorrência lógica do referido dispositivo legal, fica claro que sabendose que houve a tributação do rendimento segundo o artigo 61 da Lei n. 8.981/95 (tributação exclusivamente na fonte), não há que se falar em nova tributação de tal rendimento na pessoa física. A eventual nova tributação de uma renda, que tinha sido sujeita a uma tributação exclusiva na fonte, configura um "bis in idem", uma vez que se está tributando novamente uma renda sujeita à tributação exclusiva na fonte. Não há como interpretar tal tributação de uma maneira não sistemática, caso contrário estarseia transformando uma tributação exclusiva na fonte em tributação retida na fonte por antecipação. A interpretação da tributação da renda de forma segregada implica o descumprimento claro do texto legal do artigo 61 da Lei n. 8.981/95 e do artigo 47 da Lei n. 7.713/88. Ainda que possa ser argumentado que o artigo 61 da Lei n. 8.981/95 não teve a sua melhor aplicação na seara dos julgamentos da 1ª Seção do CARF, o fato é que não pode ser olvidada a sua aplicação no CARF, de modo que aplicar nova tributação na pessoa física é reconhecer por meio transverso a inconstitucionalidade do artigo 61 da Lei n. 8.981/95. Destaquese, ainda, que se fosse analisada uma potencial antinomia entre o artigo 61 da Lei n. 8.981/95 e os artigos 2º e 3º da Lei n. 7.713/88, merece ser citado o artigo 2º, §1º, da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro (Decretolei n. 4.657/42), pelo qual se estabelece que "a lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior". Logo, considerando que o artigo 61 da Lei n. 8.981/95 é posterior aos artigos 2º e 3º da Lei n. 7.713/88, no caso de antinomia, deve valer a tributação exclusiva na fonte prevista no artigo 61 da Lei n. 8.981/95. Recorrendose, mais uma vez, à Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro, verificase que o artigo 2º, §2º, da referida lei prevê que lei nova que estabeleça disposições especiais não revoga nem modifica a lei anterior, ou seja, a regra do artigo 61 da Lei n. 8.981/95 (que estabelece a tributação exclusiva na fonte) deve ser aplicável ao caso concreto por ser mais específica que a regra dos artigos 2º e 3º da Lei n. 7.713/88. Há que se mencionar, ainda, que parte dos recursos oriundos da corrupção auferidos pela pessoa jurídica de titularidade do Recorrente foram devolvidos no âmbito do processo penal, de modo que nesse caso sequer há que se falar em disponibilidade da renda. Nesse sentido, cito aqui trecho de artigo de Michell Przepiorka: Fl. 4437DF CARF MF Processo nº 18470.727138/201654 Acórdão n.º 2301005.781 S2C3T1 Fl. 4.417 31 "quando há condenação do réu a uma pena de perdimento, nos termos da legislação penal, ou no caso de devolução para fins de se aproveitar o benefício de uma delação premiada, assumindo que o sujeito devolveu todo o valor atualizado e seus rendimentos, não há espaço para a tributação pelo imposto sobre a renda". (PRZEPIORKA, Michell. A Tributação de Rendimentos Provenientes de Atos Ilícitos. In: Direito Tributário Atual n. 35. Instituto Brasileiro de Direito Tributário. p. 480.) Assim, não há que se falar em disponibilidade econômica do total dos recursos recebidos pela pessoa jurídica de propriedade do Recorrente, uma vez que houve devolução de parte de tais recursos. Ainda que durante o período em que tais recursos ficaram de posse da pessoa jurídica, possa ser Preliminar de Nulidade Sigo o relator Decadência Meu voto de mérito tem como resultado a desnecessidade da análise da decadência. Todavia, ao entender não tratar de simulação, se enfrentasse a questão da decadência, aplicaria o artigo 150, §4º, do CTN. Multa Qualificada Meu voto de mérito acaba abrangendo a não aplicação da multa, muito menos a multa qualificada SELIC Sigo o relator Com base no exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Fl. 4438DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.905315/2011-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/09/2000
CONEXÃO. PERÍODO DE APURAÇÃO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE.
Processos com a mesma matéria e períodos de apuração diversos não obrigam a reunião por conexão prevista pelo artigo 6º, §1º, I, Anexo II do RICARF.
FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. APURAÇÃO EM DILIGÊNCIA.
A falta de retificação da DCTF não impede a aplicação do Princípio da Verdade Material, tornando oportuna a averiguação da existência do crédito através de diligência.
INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 3º, §1º DA LEI Nº 9.718 DE 1998. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF.
O alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, previsto pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento ao Recurso Extraordinário nº 585.235/ MG, sob repercussão geral. Incidência do artigo 62, § 2º do RICARF.
FATURAMENTO. CONCEITO. RECEITAS OPERACIONAIS.
O faturamento, para fins de incidência dessas contribuições, corresponde à totalidade das receitas da pessoa jurídica, fruto de todas suas atividades operacionais, principais ou não.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3402-005.860
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório no limite da diligência fiscal. Os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro e Maysa de Sá Pittondo Deligne acompanharam a relatora pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1676; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.905315/201161 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402005.860 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de novembro de 2018 Matéria Contribuição para o PIS/Pasep Recorrente RODOBENS CAMINHÕES CIRASA S.A. (SUCESSORA DE BELÉM DIESEL S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/09/2000 CONEXÃO. PERÍODO DE APURAÇÃO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE. Processos com a mesma matéria e períodos de apuração diversos não obrigam a reunião por conexão prevista pelo artigo 6º, §1º, I, Anexo II do RICARF. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. APURAÇÃO EM DILIGÊNCIA. A falta de retificação da DCTF não impede a aplicação do Princípio da Verdade Material, tornando oportuna a averiguação da existência do crédito através de diligência. INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 3º, §1º DA LEI Nº 9.718 DE 1998. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. O alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, previsto pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento ao Recurso Extraordinário nº 585.235/ MG, sob repercussão geral. Incidência do artigo 62, § 2º do RICARF. FATURAMENTO. CONCEITO. RECEITAS OPERACIONAIS. O faturamento, para fins de incidência dessas contribuições, corresponde à totalidade das receitas da pessoa jurídica, fruto de todas suas atividades operacionais, principais ou não. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 53 15 /2 01 1- 61 Fl. 315DF CARF MF Processo nº 10280.905315/201161 Acórdão n.º 3402005.860 S3C4T2 Fl. 0 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório no limite da diligência fiscal. Os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro e Maysa de Sá Pittondo Deligne acompanharam a relatora pelas conclusões. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Versa o processo sobre pedido de restituição de crédito de contribuição não cumulativa, o qual foi indeferido pela DRF de origem, em razão de o recolhimento indicado ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pela contribuinte em outro PER/DCOMP. A interessada apresentou a manifestação de inconformidade, sustentando seu direito creditório na inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/1998 (RE nº 390.840/MG e RE nº 585.235, com repercussão geral). O julgador de primeira instância não acolheu as razões de defesa da interessada, consoante argumentos plasmados no Acórdão nº 14041.283. Inconformada com esta decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual defende o direito ao crédito pleiteado. Na apreciação deste recurso, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, nos termos da Resolução nº 3402001.070, para que a Unidade de Origem realizasse o seguinte levantamento: i) Apurar a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes; ii) Elaborando Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontá los com o recolhido; Fl. 316DF CARF MF Processo nº 10280.905315/201161 Acórdão n.º 3402005.860 S3C4T2 Fl. 0 3 iii) Apurar, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. Em cumprimento à Resolução foi apresentada a Informação Fiscal que concluiu pela inexistência de recolhimento a maior, não sendo possível o reconhecimento do crédito para a compensação requerida. Intimada a se manifestar sobre o resultado da diligência, a Recorrente argumentou que o raciocínio adotado pela fiscalização sobre a natureza dos valores escriturados em algumas das contas contábeis não merece prevalecer, fundamentando acerca da natureza das verbas recebidas a título de bonificações e recuperação de despesas com garantia, bem como pela impossibilidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre recuperação de custos e despesas e, com isso, reiterando o pedido de provimento do recurso voluntário interposto e reconhecimento integral do direito ao crédito postulado. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.856, de 27 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10280.900095/201260, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402005.856): "Pressupostos legais de admissibilidade Como já observado pela Resolução nº 3402001.051, o Recurso Voluntário de fls. 73 a 90 é tempestivo, uma vez que a intimação do Acórdão nº 1441253 ocorreu via postal na data de 10/06/2013 (fls. 71), com interposição da defesa em data de 08/07/2013 (Termo de Solicitação de Juntada de fls. 72). Por atender aos pressupostos legais de admissibilidade, deve o recurso ser conhecido por este Colegiado. Do pedido preliminar para reunião dos processos Preliminarmente a Recorrente argumenta que os seguintes processos têm o mesmo objeto do caso em análise, referente ao questionamento sobre a restituição de crédito decorrente do recolhimento indevido da COFINS, pautado na inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei nº 9.718/98: Fl. 317DF CARF MF Processo nº 10280.905315/201161 Acórdão n.º 3402005.860 S3C4T2 Fl. 0 4 Considerando que não há fatos jurídicos tributários idênticos, uma vez que os processos têm períodos de apuração diversos, não há vinculação que torne obrigatória a aplicação do artigo 6º do RICARF. Ademais, o presente recurso foi distribuído como paradigma, seguindo a sistemática dos recursos repetitivos, conforme regulamentação do artigo 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Conforme informado em Termo de Intimação Fiscal nº 01 SAORT/DRFSJR de fls. 241 a 242, a diligência foi realizada em cumprimento às Resoluções de nºs 3402001.050 a 3402 001.067, proferidas por este Colegiado, resultando na análise do crédito pleiteado nos seguintes processos: 10280.900096/201212, 10280.900095/201260, 10280.900097/201259, 10280.900106/201210, 10280.904424/201161, 10280.904437/201130, 10280.904438/201184, 10280.904439/201129, 10280.904440/201153, 10280.904441/201106, 10280.904442/201142, 10280.904443/201197, 10280.904444/201131, 10280.904445/201186, 10280.904446/201121, 10280.904447/201175, 10280.904971/201146, 10280.904972/201191, 10280.904973/201135, 10280.904974/201180, 10280.905315/201161, 10280.905316/2011 13,10280.905317/201150, 10280.905318/201102, 10280.905319/201149, 10280.905320/201173, 10280.905321/201118, 10280.905322/201162, 10280.905323/201115, 10280.905325/201104, 10280.905326/201141, 10280.905328/201130, 10280.905329/201184, 10280.905330/201117, 10280.905331/201153, 10280.905332/201106, 10280.905333/201142, 10280.905334/201197, 10280.905781/201146, 10280.905782/201191, 10280.905784/201180, 10280.905785/201124, Fl. 318DF CARF MF Processo nº 10280.905315/201161 Acórdão n.º 3402005.860 S3C4T2 Fl. 0 5 10280.905786/201179, 10280.905787/201113, 10280.905790/201137, 10280.905803/201178 e 10280.905804/201112. Portanto, resta prejudicada a preliminar invocada no Recurso Voluntário em análise. Do mérito Pede a Recorrente pelo reconhecimento do direito à restituição da COFINS calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, explanando sobre a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 e necessária incidência do artigo 62. § 1º, inciso II e Alínea "b" do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Para tanto, pugna pela aplicação da Verdade Material, uma vez que a DCTF não é o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, configurando a decisão recorrida em formalismo exagerado. Pede, ainda, pela complementação da produção probatória necessária para lastrear a existência de seu crédito. Com já relatado, tanto o reconhecimento da inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 e aplicação do artigo 62, § 1º, inciso II e Alínea "b" do RICARF, quanto o pedido de produção de prova complementar, restaram superados através da Resolução nº 3402001.051 (fls. 234238), pela qual este Colegiado converteu o julgamento do recurso em diligência com a seguinte determinação: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. Por sua vez, a matéria suscitada sobre declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998 é questão decidida em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal através do RE 585.235/MG, resultando na aplicação do artigo 62, § 2 do RICARF. Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10280.905315/201161 Acórdão n.º 3402005.860 S3C4T2 Fl. 0 6 Portanto, neste ponto dou provimento ao recurso, com a produção de prova já realizada através da diligência acima mencionada. Do resultado da diligência Em sequência, dando cumprimento ao artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011, a Recorrente manifestouse sobre o resultado da diligência às fls. 338351, sustentando sobre a natureza das verbas recebidas a título de bonificações e recuperação de despesas com garantia, bem como pela impossibilidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre recuperação de custos e despesas. Em síntese, alega a Recorrente que "....as bonificações não são receitas da recorrente, mas apenas recuperação do custo de aquisição dos bens adquiridos por e para revenda. Como a recuperação de custos realmente aumenta o lucro bruto da recorrente, eis que diminuem o custo da mercadoria vendida, mas, por outro lado, não interferem nas receitas da recorrente, eis que o valor das vendas não é alterado, não havendo qualquer interferência desses valores na receita da recorrente, passível de tributação pela contribuição ao PIS e pela COFINS." A questão atinente às verbas recebidas a título de bonificações e recuperação de despesas foi objeto de análise por esta Turma Ordinária no PAF nº 10280.900096/201212, de relatoria da Eminente Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula e cujo julgamento ocorreu em data de 25 de setembro de 2018. Com isso, como solução deste litígio, adoto o entendimento que prevaleceu no Acórdão nº 3402005.569, pelo qual foi aplicado o inciso III do art. 44 da Lei nº 4.506/19641, bem como as Soluções de Consulta Cosit nºs 291/20172 e 34/20133. 1 Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. 2 Solução de Consulta nº 291 Cosit Data 13 de junho de 2017 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP NÃO CUMULATIVIDADE. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. DOAÇÃO. VENDA. INCIDÊNCIA. Bonificações em mercadorias entregues gratuitamente, a título de mera liberalidade, sem vinculação a operação de venda, são consideradas receita de doação para a pessoa jurídica recebedora dos produtos (donatária), incidindo a Contribuição para o PIS/Pasep sobre o valor de mercado desses bens. A receita de vendas oriunda de bens recebidos a título de doação deve sofrer a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, na forma da legislação geral das referidas contribuições. Dispositivos Legais: Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil), art. 538; Lei nº 10.637, de 2002, art. 1º e art. 3º, §2º, II; Parecer Normativo CST nº 113, de 1978. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS NÃO CUMULATIVIDADE. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. DOAÇÃO. VENDA. INCIDÊNCIA. Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10280.905315/201161 Acórdão n.º 3402005.860 S3C4T2 Fl. 0 7 Para tanto, transcrevo a fundamentação que embasa a decisão em referência, a qual cita trechos extraídos da respectiva Informação Fiscal, reproduzindo os mesmos termos constantes do resultado da diligência realizada neste processo, motivo pelo qual deve ser considerada como embasamento do presente voto: "Quanto ao mérito, valem aqui as considerações já expedidas na Resolução que determinou a conversão do julgamento em diligência, a seguir transcritas: Como se sabe, é obrigatória aos membros deste CARF a reprodução do conteúdo de decisão definitiva de mérito proferida pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil. Também não se desconhece que foi declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, tendo sido reconhecida a repercussão geral, para reafirmar a jurisprudência do Tribunal nesse sentido. Em consequência, para as empresas que se dedicam à venda de mercadorias comerciais e industriais e/ou à prestação de serviços, é ao total das receitas oriundas dessas atividades que corresponde a base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins enquanto aplicável aquele ato legal. Assim, em face da declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, relativamente ao alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, deve ser aplicado neste julgamento o entendimento do Supremo Tribunal Federal proferido em regime de repercussão geral no Recurso Extraordinário nº 585.235/MG. Como bem esclareceu a fiscalização na diligência, devem ser excluídos do conceito de faturamento os aportes (...) Dispositivos Legais: Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil), art. 538; Lei nº 10.833, de 2003, art. 1º e art. 3º, §2º, II; Parecer Normativo CST nº 113, de 1978. 3 Solução de Consulta nº 34 Cosit Data 21 de novembro de 2013 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ BASE DE CÁLCULO. DESCONTOS CONDICIONAIS E INCONDICIONAIS. Os descontos incondicionais consideramse parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos; esses descontos não se incluem na receita bruta da pessoa jurídica vendedora e, do ponto de vista da pessoa jurídica adquirente dos bens ou serviços, constituem redutor do custo de aquisição, não configurando receita. Os descontos condicionais são aqueles que dependem de evento posterior à emissão da nota fiscal, usualmente, do pagamento da compra dentro de certo prazo, e configuram despesa financeira para o vendedor e receita financeira para o comprador. Dispositivos Legais: Lei nº 8.981, de 1995, art. 31; Decreto nº 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999), arts. 373 e 374; Instrução Normativa SRF nº 51, de 1978, item 4.2. Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10280.905315/201161 Acórdão n.º 3402005.860 S3C4T2 Fl. 0 8 financeiros estranhos à atividade desenvolvida pela empresa: 7. No anexo da Nota PGFN/CRJ nº 1.114, de 30/08/2012, está delimitado o julgado pelo STF no RE n° 585.235, nos seguintes termos: “DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: O PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidência do PIS/COFINS as receitas não operacionais. (...)” 8. A delimitação da matéria decidida é também fruto dos julgados do STF, que entendem que o conceito de faturamento abrange a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços das empresas, e todas as receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Esta é a interpretação dada pelo RE n. 371.258 AgR (Segunda Turma, Rel. Min. Cezar Peluzo, julgado em 03.10,2006), pelo RE n. 400.4798/RJ ( Segunda Turma, Rel. Min. Cezar Peluzo, julgado em 10.10,2006) e pelo RE n 527.602/SP (Tribunal Pleno, Rel Min Eros Grau, Rel. p/ acórdão Min. Marco Aurélio, julgado em 05.08.2009), sendo que neste último ficou estabelecido que somente são excluídos do conceito de faturamento “os aportes financeiros estranhos à atividade desenvolvida pela empresa”. Assim, o faturamento corresponde à totalidade das receitas da pessoa jurídica, fruto de todas suas atividades operacionais, principais ou não. Com efeito, adotando tal entendimento, a fiscalização excluiu do faturamento, para fins de incidência das contribuições, as receitas que não se enquadravam como operacionais, resultando num recolhimento a maior, passível de reconhecimento de crédito para compensação no valor mencionado no relatório acima. Não obstante tenha sido devidamente intimada, a recorrente não se manifestou em face do resultado da diligência, pelo que se pressupõe que com ele concordou. Ademais, na diligência foram acolhidos, em grande parte, os demonstrativos/memórias de cálculo elaborados pela própria contribuinte em resposta à intimação da fiscalização, ressalvadas poucas divergências, quanto às receitas originadas das bonificações recebidas e das recuperações de despesas, como se vê nos seguintes trechos da Informação fiscal: 9. Concorda o contribuinte, conforme seus demonstrativos, que devem ser incluídas na base de cálculo da Cofins as seguintes receitas operacionais (líquidas das devoluções/deduções): vendas de veículos novos (de fev/03 e mar/03), vendas de veículos usados, instalação e vendas de peças e acessórios, instalação e vendas de Kits de conversão Gás, prestação de serviços da oficina, vendas de outras mercadorias e outras prestações de serviços (outras atividades). 10. Também devem ser incluídas na base de cálculo da Cofins as bonificações recebidas das montadoras, mesmo que em Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10280.905315/201161 Acórdão n.º 3402005.860 S3C4T2 Fl. 0 9 mercadoria (contas 37201.00001 Bonificação MBB Veículos, 37201.00002 Bonificação MBB Sprinter e 37202.00001 Bonificação MBB Peças e Motores) e a recuperação de despesas com veículos e peças em garantias (contas 37202.00009 Recup. Desp. c/ Garantia e 37204.00009 Recup. Desp. c/ Garantia), pelo que segue. Nada há a reparar no entendimento da fiscalização no sentido de que as "recuperações de despesas também constituem receitas operacionais, conforme determina o inciso III do art. 44 da Lei nº 4.5061, de 30 de novembro de 1964, base legal do inciso II do art. 392 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999)", sobre as quais há a incidência do PIS/Pasep e da Cofins. Quanto às bonificações, embora em algumas situações específicas elas possam configurar descontos incondicionais, o que, se fosse o caso, poderia ensejar a exclusão de tais receitas do conceito de faturamento, nos termos das Soluções de Consulta Cosit nºs 291/2017 e 34/20132, não há qualquer argumentação da recorrente nesse sentido, no recurso voluntário ou na diligência do presente processo, razão pela qual deve ser mantido o resultado do direito creditório apurado na diligência com base na declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, que é o mérito do recurso voluntário e do pedido de restituição da interessada. Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório no montante certificado na diligência, determinando a homologação das compensações vinculadas na medida correspondente." Portanto, deve imperar o resultado da diligência que corretamente refez a apuração da COFINS do período em análise, com base no demonstrativo e registros contábeis apresentados pela Contribuinte. Dispositivo Ante o exposto, conheço o Recurso Voluntário e julgo parcialmente provido em razão da incidência do artigo 62, § 2 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, considerando a declaração da inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, devendo ser reconhecido o direito creditório no limite da diligência fiscal realizada nos autos." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10280.905315/201161 Acórdão n.º 3402005.860 S3C4T2 Fl. 0 10 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado conheceu o Recurso Voluntário e julgouo parcialmente provido em razão da incidência do artigo 62, §2º do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, considerando a declaração da inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, devendo ser reconhecido o direito creditório no limite da diligência fiscal realizada nos autos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 324DF CARF MF
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Numero do processo: 10840.002465/2005-80
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2002-000.050
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência à Unidade de origem para que esta junte ao presente processo o Auto de Infração completo lavrado contra o recorrente e a Declaração de Ajuste Anual do exercício 2002 objeto do lançamento.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência à Unidade de origem para que esta junte ao presente processo o Auto de Infração completo lavrado contra o recorrente e a Declaração de Ajuste Anual do exercício 2002 objeto do lançamento. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência à Unidade de origem para que esta junte ao presente processo o Auto de Infração completo lavrado contra o recorrente e a Declaração de Ajuste Anual do exercício 2002 objeto do lançamento. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Tratase de Auto de Infração (efls. 78/79) lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2002. O contribuinte apresentou impugnação (efls. 02/08), cujas alegações foram sintetizadas no relatório do acórdão recorrido (efls. 90): RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 40 .0 02 46 5/ 20 05 -8 0 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10840.002465/200580 Resolução nº 2002000.050 S2C0T2 Fl. 123 2 Relata a impugnante que o lançamento apurou omissão de rendimentos das seguintes fontes pagadoras: Biomedical, no valor de R$ 33.675,93, com omissão apenas parcial; e Risa Comércio, Tasa Comércio e RW Comércio, cada uma tendo pago rendimento no valor de R$ 14.005,20. Prossegue afirmando que houve glosa da dedução de pensão alimentícia no valor de R$ 7.595,57 e a imposição de multa pela insuficiência de recolhimento do imposto mensal obrigatório (carnê leão). Quanto à pensão alimentícia, alegou a impugnante não ter sido intimada pela Fiscalização para comprovar os respectivos pagamentos. Afirmou que ficara acertado, quando da conversão da separação litigiosa em consensual, que lhe caberia o pagamento de R$ 1.500,00 a título de pensão alimentícia a seu filho Cristiano Mazzoni Ristum, além de arcar com o complemento das despesas relativas ao filho Carlos Eduardo Mazzoni Ristum. Assim, pagou cinqüenta por cento do plano de saúde de Carlos Eduardo e a anuidade da London Guidhall University para Cristiano, para quem, além disso, foram feitas remessas para o exterior de R$ 3.826,00 e R$ 3.143,16. Concluiu afirmando ter efetuado gastos com pensão alimentícia em montantes superiores ao pleiteado na declaração de ajuste. Restabelecidas tais deduções, deixa de existir, afirmou a impugnante, a obrigação de fazer recolhimentos mensais. No que tange à omissão de rendimentos, sustentou que as informações contidas nas DIRFs não condizem com a verdade, uma vez que, em abril de 2001, fez acordo para rescindir os contratos de locação com Risa, Tasa e RW, que estavam inadimplentes com os respectivos aluguéis. Já a Biomedical não teria fornecido o comprovante de rendimentos do i ano base de 2001. Regularmente cientificado do lançamento em 09/05/2005 (f1s.05), o contribuinte autuado apresentou, em 02/06/2005, impugnação (fls.0l), acompanhada de documentos (fls.02/04), que vêm a ser cópia parcial do lançamento e de páginas da carteira profissional do contribuinte autuado, com os quais busca embasar suas razões de defesa, alegando, em síntese, o que adiante se relata. Afirma, ainda, ter anexado um disquete contendo a impugnação. O lançamento foi julgado procedente pela 2ª Turma da DRJ/CGE em decisão assim ementada (efls. 86/92): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 RENDIMENTOS DECLARADOS EM DIRF. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. Presumemse corretos os valores informados na DIRF quando o beneficiário dos rendimentos admite a existência de vínculo contratual com a fonte pagadora, bem como o recebimento de valores, ainda que divergentes daqueles declarados. PENSÃO ALIMENTÍCIA. DECISÃO JUDICIAL OU ACORDO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE. PROVA DE PAGAMENTO. REQUISITOS. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10840.002465/200580 Resolução nº 2002000.050 S2C0T2 Fl. 124 3 São requisitos para dedução de pensão alimentícia o estabelecimento da obrigação por decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e a prova do efetivo pagamento. Cientificado do acórdão de primeira instância em 14/11/2008 (efls. 97), o interessado ingressou com recurso voluntário em 09/12/2009 (efls. 100/112) com os argumentos a seguir sintetizados. Relaciona as alegações apresentadas na impugnação. Quanto ao recebimento de aluguéis, expõe que, se as locatárias não estavam quitando nem a conta de água, de energia elétrica e o IPTU, fácil concluir que a primeira coisa que elas deixaram de pagar foi exatamente os aluguéis dos imóveis locados. Defende que o simples fato de tais valores terem constado de DIRF não é prova conclusiva de que foram recebidos pela locadora. Vencidas as obrigações das empresas, as importâncias correspondentes são provisionadas, mas isto não significa que foram ou serão efetivamente pagas. Sustenta que a suposta insuficiência de elementos probatórios não poderia ser invocada como fundamento para se rejeitar as alegações da contribuinte, visto que, na busca da verdade material, competia à administração determinar, de ofício, as diligências tendentes a verificar e comprovar a real ocorrência do fato gerador do imposto exigido. No que se refere à glosa da dedução, entende que a DRJ proferiu sua decisão à vista de outro termo de audiência de tentativa de conciliação, pois na que foi realizada perante o Juízo da 10ª Vara Cível de Ribeirão Preto ficou acertado que a recorrente pagaria uma pensão alimentícia no valor de R$ 1.500,00 ao filho Cristiano, bem como complementaria o sustento do filho Carlos Eduardo. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Relatora O recurso é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Extraise do relatório da decisão recorrida que, de acordo com a impugnação apresentada, a autoridade lançadora teria apurado a omissão de rendimentos referente às fontes pagadoras Biomedical, Risa Comércio, Tasa Comércio e RW Comércio, efetuado a glosa da dedução de pensão alimentícia e aplicado a multa pela insuficiência de recolhimento do imposto mensal obrigatório (carnêleão). Em seu recurso voluntário o contribuinte discorre sobre os mesmos temas. Não obstante, verificase que o Auto de Infração juntado ao processo está incompleto (efls. 78/79), não sendo possível identificar que infrações foram de fato apuradas no lançamento e quais as motivações apontadas pela fiscalização. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10840.002465/200580 Resolução nº 2002000.050 S2C0T2 Fl. 125 4 Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que a Unidade de origem junte ao presente processo: 1 O Auto de Infração completo lavrado contra o recorrente. 2 A Declaração de Ajuste Anual do exercício 2002 objeto do lançamento. Após, os autos devem retornar ao CARF, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 125DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.720871/2014-37
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OCORRÊNCIA.
Encontra-se eivado de vício insanável o Acórdão que se fundamenta em situação diversa da realidade fática dos autos.
Numero da decisão: 3002-000.499
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acatar a preliminar suscitada, vencido o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves, que a rejeitou, e em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer a nulidade da decisão da DRJ, determinando o retorno dos autos para novo julgamento, vencido o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente).
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente).
Alan Tavora Nem - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator).
Nome do relator: ALAN TAVORA NEM
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OCORRÊNCIA. Encontra-se eivado de vício insanável o Acórdão que se fundamenta em situação diversa da realidade fática dos autos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acatar a preliminar suscitada, vencido o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves, que a rejeitou, e em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer a nulidade da decisão da DRJ, determinando o retorno dos autos para novo julgamento, vencido o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente). Larissa Nunes Girard - Presidente. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1433; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 2 1 1 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.720871/201437 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.499 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 11 de dezembro de 2018 Matéria AI ADUANA Recorrente COMISSARIA PIBERNAT LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OCORRÊNCIA. Encontrase eivado de vício insanável o Acórdão que se fundamenta em situação diversa da realidade fática dos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acatar a preliminar suscitada, vencido o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves, que a rejeitou, e em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer a nulidade da decisão da DRJ, determinando o retorno dos autos para novo julgamento, vencido o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente). Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 08 71 /2 01 4- 37 Fl. 98DF CARF MF Processo nº 11128.720871/201437 Acórdão n.º 3002000.499 S3C0T2 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 12095.057 da DRJ/RJO, que manteve integralmente o Crédito Tributário lançado pelo Auto de Infração, que exige do contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre carga transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37, de 1966, cuja redação foi dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, conforme relatório da 4ª Turma da DRJ/RJO (fls. 73/76), exarado nos seguintes termos: "Versa o processo sobre a controvérsia instaurada em razão da lavratura pelo fisco de auto de infração para exigência de penalidade prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003. Os fundamentos para esse tipo de autuação nesse conjunto de processos administrativos fiscais são os seguintes: As empresas responsáveis pela desconsolidação da carga lançaram a destempo o conhecimento eletrônico, pois segundo a IN SRF nº 800/2007 (artigo 22), o prazo mínimo para a prestação de informação acerca da conclusão da desconsolidação é de 48 horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. Caso não se concluindo nesse prazo é aplicável a multa. Devidamente cientificada, a interessada traz como alegações, além das preliminares de praxe, acerca de infringência a princípios constitucionais, prática de denúncia espontânea, ilegitimidade passiva, ausência de motivação, tipicidade, e que tragam ao auto de infração a ineficiência e a desconstrução do verdadeiro cerne da autuação que foi o descumprimento dos prazos estabelecidos em legislação norteadora acerca do controle das importações, a argumentação de que de fato as informações constam do sistema, mesmo que inseridas, independente da motivação, após o momento estabelecido no diploma legal pautado pela autoridade aduaneira.". Analisando os argumentos do contribuinte, a DRJ/RJO julgou improcedente a Impugnação (fls. 48/55), deixando de "acolher as preliminares trazidas pela interessada, eis que as argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade não estão afetas ao julgador administrativo" no mérito refutou o argumento da denúncia espontânea, bem como, da ausência de tipicidade, da ilegitimidade passiva e da "relevação da penalidade" concluindo que "o lançamento extemporâneo do conhecimento eletrônico, fora do prazo estabelecido na IN SRF nº 800/2007, por causar transtornos ao controle aduaneiro, deve ser mantido", por Acórdão dispensado de ementa, de acordo com a Portaria RFB nº 2.724/2017. O contribuinte cientificado da decisão, ingressou com Recurso Voluntário (fls. 86/93) requerendo a reforma do Acórdão recorrido, tendo em vista: a) nulidade da decisão prejuízo ao direito de defesa, b) o Princípio da Verdade Material e, por fim, c) os Princípios da Razoabilidade, da Proporcionalidade e da Vedação ao Confisco, É o relatório. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 11128.720871/201437 Acórdão n.º 3002000.499 S3C0T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Alan Tavora Nem Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. A discussão em análise consiste em saber se o contribuinte poderia sofrer a penalidade aplicada pela fiscalização em razão de deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute de acordo com o art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37, de 1966. Preliminar Nulidade Alega o contribuinte que a "referida nulidade, esta também se verifica no enquadramento legal da exigência fiscal que não enquadra a recorrente e também não permite que se determine com segurança a infração, se é que houve alguma infração" e continua "a IN RFB 889/2008, norma infralegal e posterior ao fato, que ainda estabelece que os prazos de antecedência somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009". No meu entender, portanto, a decisão recorrida revestese de vício intransponível de motivação, apta a configurar a preterição do direito de defesa do contribuinte, nos moldes do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)". (grifado). Conforme se percebe, da confrontação do teor da manifestação de inconformidade com o voto condutor do Acórdão recorrido, constatase que a DRJ deixou de atacar o argumento trazido pelo contribuinte, ou seja, "os prazos de antecedência somente serão obrigatórios a partir de 1° de abril de 2009. Cabe recordar que o fato ocorreu em 23/0312009!". Sendo assim, não restam dúvidas que o acórdão recorrido trouxe em seus Fl. 100DF CARF MF Processo nº 11128.720871/201437 Acórdão n.º 3002000.499 S3C0T2 Fl. 5 4 fundamentos razões que não estão relacionadas à presente contenda e se assim não o fizer estará caracterizado o cerceamento de defesa Sendo assim, ao meu ver, assiste razão o contribuinte em sua alegação, pois o Acórdão recorrido, de fato não a enfrentou. Dessa forma, acato a preliminar apresentada pelo contribuinte. Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer a nulidade do Acórdão recorrido, determinando a devolução do processo à instância a quo para que profira novo julgamento. É como voto. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Fl. 101DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915177/2012-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. CÔMPUTO NO AJUSTE.
Integram o saldo negativo de CSLL do ano-calendário as estimativas compensadas.
BASE DE CÁLCULO. LUCROS NO EXTERIOR. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO.
Deve ser afastado o valor da CSLL devido relativo a lucro no exterior objeto de decisão judicial transitada em julgado.
Numero da decisão: 1302-003.303
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: CARLOS CESAR CANDAL MOREIRA FILHO
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2005 SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. CÔMPUTO NO AJUSTE. Integram o saldo negativo de CSLL do ano-calendário as estimativas compensadas. BASE DE CÁLCULO. LUCROS NO EXTERIOR. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. Deve ser afastado o valor da CSLL devido relativo a lucro no exterior objeto de decisão judicial transitada em julgado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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ESTIMATIVAS COMPENSADAS. CÔMPUTO NO AJUSTE. Integram o saldo negativo de CSLL do anocalendário as estimativas compensadas. BASE DE CÁLCULO. LUCROS NO EXTERIOR. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. Deve ser afastado o valor da CSLL devido relativo a lucro no exterior objeto de decisão judicial transitada em julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 51 77 /2 01 2- 40 Fl. 611DF CARF MF 2 Relatório A Recorrente apresentou Declaração de Compensação em 12/12/2008, fls. 2/10, utilizandose do crédito relativo ao saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor de R$13.909.265,91 do anocalendário de 2005 para extinguir sob condição resolutória débitos de estimativa de IRPJ (código 236209) relativa a abril de 2006 e estimativa de CSLL (código 248408), também relativa a abril de 2006. Despacho Decisório eletrônico à folha 11 reconheceu a parcela de R$49.058.066,37 de um total de R$57.374.539,96 informado na composição do crédito da DComp, não sendo confirmadas as seguintes parcelas: Considerando a CSLL devida de R$23.024.475,23, foi reconhecido um direito creditório no valor de R$26.033.591,14, com a homologação parcial da DComp 27512.38351.121208.1.7.033910 e a nãohomologação das DComp 29535.69551.121208.1.7.038263, 04156.24513.230710.1.7.036282, 33532.75260.121208.1.7.038573, 17005.95068.121208.1.7.031098, 17794.88898.220509.1.3.030662, 37609.82639.250509.1.3.035006 e 07618.19179.150509.1.7.036206. A Empresa apresentou manifestação de inconformidade, alegando que parte do valor da CSLL devida se refere a valor com exigibilidade suspensa, conforme quadro que apresenta, sendo que o saldo negativo real alcança o valor de R$35.320.860,41, e não R$34.350.064,73 como conta da DIPJ, dentre outros fundamentos. A DRJ baixou o processo em diligência, decidindo, posteriormente, pela confirmação (i) do imposto de renda pago no exterior, no valor de R$363.848,50 e (ii) das estimativas compensadas integralmente em relação à janeiro de 2005 (R$6.407.312,84) e parcialmente em relação à fevereiro de 2005, restando um saldo de R$240.493,82. Finalmente aquela DRJ não confirmou o crédito relativo à estimativa compensada de março de 2005, no valor de R$222.833,59. Assim, permaneceram em litígio apenas parte da estimativa compensada de fevereiro de 2005 e a totalidade de março de 2005, perfazendo um total de R$463.327,41, além do valor relativo à suspensão de exigibilidade que não constou na DIPJ por falta de linha específica. Em recurso voluntário, a Contribuinte repete os argumentos da manifestação da inconformidade em relação a parte que permaneceu em discussão. Fl. 612DF CARF MF Processo nº 10880.915177/201240 Acórdão n.º 1302003.303 S1C3T2 Fl. 490 3 É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator O Contribuinte foi cientificado do acórdão em 22 de novembro de 2016 (fl. 337), tendo apresentado o recurso em 20 de dezembro de 2016, portanto, tempestivamente. A representação é regular, conforme instrumento de folha 201/203. Conheço do recurso voluntário. ESTIMATIVAS COMPENSADAS Meus pares já conhecem a minha posição em relação à utilização no ajuste anual das estimativas compensadas. Assim, resumo meu fundamento à manifestação já apresentado em outros votos: No mérito, estamos tratando de uma sistemática de compensação e cobrança que vinha sendo entabulada normalmente nos procedimentos da RFB: a compensação das estimativas mensais e seu aproveitamento na composição da base negativa independentemente do resultado da DComp, uma vez que a cobrança seria realizada no processo de compensação. Ocorre que a natureza jurídica das estimativas não é de tributo, mas de antecipação deste, o que motivou a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) a emitir Pareceres que impediam a inscrição em dívida ativa dos débitos dessa natureza. Assim, todo o sistema que estava acertado deixou de ser saudável, na medida em que quebrouse a possibilidade de cobrança dos valores compensados a título de estimativa. Prevalecendo este entendimento só seria aceitável a utilização das estimativas compensadas na composição da base negativa após a homologação da compensação. Registrese, contudo, que no anocalendário de 2010 a polêmica ainda não tinha sido estabelecida, pois foi com a edição do Pareceres PGFN/CAT nº 1.658/2011 que a inscrição em dívida ativa dos débitos declarados em DComp relativos às estimativas foi vedada. Naquele ano ainda vigorava o aproveitamento, na formação do saldo negativo de CSLL , das estimativas compensadas, cobráveis que eram no próprio processo de compensação. Em 2014 foi emitido o Parecer PGFN/CAT nº 88 que assim concluiu sobre a possibilidade de cobrança dos valores de estimativas compensadas: Em síntese, os questionamentos levantados na consulta oriunda da Secretaria da Receita Federal do Brasil devem ser respondidos nos seguintes termos: a) Entendese pela possibilidade de cobrança dos valores decorrentes de compensação não homologada, cuja origem foi para extinção de débitos relativos a estimativa, desde que já tenha se realizado o fato que enseja a incidência do imposto de renda e a estimativa extinta na compensação tenha sido computada no ajuste; b) Propõese que sejam ajustados os sistemas e procedimentos para que fique claro que a cobrança não se trata de estimativa, mas de tributo, cujo fato gerador Fl. 613DF CARF MF 4 ocorreu ao tempo adequado e em relação ao qual foram contabilizados valores da compensação não homologada, a fim de garantir maior segurança no processo de cobrança. Desta forma, a cobrança das estimativas compensadas foi viabilizada no Parecer, já que, nas circunstância nele descritas, os créditos tributário inadimplidos seriam inscritos em dívida ativa. A 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) já se manifestou a respeito em julgado posterior ao referido Parecer 18, Acórdão 9101002.493 de 23 de novembro de 2016, da relatoria do I. Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP.DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Importa salientar que das soluções possíveis, portanto, para as declarações de compensação cujos débitos de estimativa integram o saldo negativo, não há, em nenhuma delas, prejuízo para o Erário, pois: (i) se homologada a compensação o crédito relativo à estimativa é extinto; (ii) se não for homologada a compensação os valores serão cobrados no próprio processo de compensação. Por outro lado, na ótica do contribuinte, o mesmo não ocorre, haja vista que na eventual exclusão da estimativa compensada do saldo negativo ele poderá ser alvo de dupla cobrança: no processo de compensação da estimativa (não homologada) e no processo de compensação do saldo negativo que a incluía. Assim dou provimento ao recurso quanto às estimativas compensadas. CSLL SOBRE LUCROS NO EXTERIOR A questão diz respeito ao valor devido de CSLL: na DIPJ consta R$ 23.024.475,23, enquanto a Recorrente requer seja reconhecido como indevido o montante de R$1.334.644,05, relativo à CSLL sobre lucro do exterior, do que resulta um valor devido de R$21.689.831,05. A Recorrente informa, contudo, que no cálculo do valor reduzido da CSLL devida já incluiu o imposto pago no exterior no valor de R$363.848,50, tendo feito o depósito judicial de R$974.395,68. À folha 474 consta certidão da Justiça Federal em São Paulo, que informa, dentre outras coisas, que: i) às folhas 820/823 decisão no sentido de afastar a incidência do artigo 7º da IN 213/2002; ii) que a decisão transitou em julgado em 04/10/2012; Fl. 614DF CARF MF Processo nº 10880.915177/201240 Acórdão n.º 1302003.303 S1C3T2 Fl. 491 5 A IN 213/2002 dispõe sobre a tributação de lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior pelas pessoas jurídicas domiciliadas no País e seu artigo 7º assim dispõe: EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL Art. 7º A contrapartida do ajuste do valor do investimento no exterior em filial, sucursal, controlada ou coligada, avaliado pelo método da equivalência patrimonial, conforme estabelece a legislação comercial e fiscal brasileira, deverá ser registrada para apuração do lucro contábil da pessoa jurídica no Brasil. § 1º Os valores relativos ao resultado positivo da equivalência patrimonial, não tributados no transcorrer do anocalendário, deverão ser considerados no balanço levantado em 31 de dezembro do anocalendário para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. § 2º Os resultados negativos decorrentes da aplicação do método da equivalência patrimonial deverão ser adicionados para fins de determinação do lucro real trimestral ou anual e da base de cálculo da CSLL, inclusive no levantamento dos balanços de suspensão e/ou redução do imposto de renda e da CSLL. § 3º Observado o disposto no § 1º deste artigo, a pessoa jurídica: I que estiver no regime de apuração trimestral, poderá excluir o valor correspondente ao resultado positivo da equivalência patrimonial no 1º, 2º e 3º trimestres para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL; II que optar pelo regime de tributação anual não deverá considerar o resultado positivo da equivalência patrimonial para fins de determinação do imposto de renda e da CSLL apurados sobre a base de cálculo estimada; III optante pelo regime de tributação anual que levantar balanço e/ou balancete de suspensão e/ou redução poderá excluir o resultado positivo da equivalência patrimonial para fins de determinação do imposto de renda e da CSLL. A decisão liminar e o depósito no código 7485 CSLL DEPÓSITO JUDICIAL no valor de R$974.395,68 estão comprovados às folhas 417/419. Ora, se a Empresa obteve êxito em MS que afasta a tributação pela CSLL dos lucros auferidos no exterior, o valor correspondente deve ser considerado indevido, sob pena de desobediência ao judiciário. A conclusão apresentada no Parecer juntado não traz muita novidade: a apuração de saldo negativo é feita na relação entre o valor devido (que não inclui os valores cuja exigibilidade está suspensa, que, por óbvio, não são devidos) e o valor pago, compensado, recolhido, relativo ao tributo. Entendo que o valor com exigibilidade suspensa deveria ser tratado lateralmente, sem computar o lucro no exterior na base de cálculo, pois a Empresa faria o depósito judicial e da discussão resultaria a conversão do depósito em renda ou o levantamento do depósito. Fl. 615DF CARF MF 6 Todavia, ao que se vê, o valor apurado em DIPJ parte de valor tributável que inclui o lucro auferido no exterior, do que se conclui que o valor devido de CSLL é composto por parcela indevida e que foi afastada por decisão judicial já transitada em julgado. Não se trata de suspensão de exigibilidade, que não foi concedida pelo juízo da causa, mas de cancelamento de cobrança indevida. Assim, tem razão a Recorrente quando pleiteia o reconhecimento de um valor devido de R$21.689.831,05 e não o apontado no DD, constante da DIPJ, de R$ 23.024.475,23. Com relação ao valor depositado a próprio Contribuinte reconhece o depósito a maior de R$3.600,00 motivo que leva este Relator a reconhecer o montante de R$970.795,68. Feitas essas considerações, dou provimento ao Recurso Voluntário, reconhecendo o direito creditório relativo às estimativas compensadas de fevereiro de 2005, no valor de R$ R$240.493,82 e março de 2005, no valor de R$222.833,59 e à CSLL sobre lucros no exterior, no valor de R$970.795,68, que deverão ser somados aos valores já reconhecidos no Despacho Decisório e no Acórdão da DRJ, homologando as compensações até o limite do crédito reconhecido. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator Fl. 616DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13808.000374/00-09
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1995, 1996, 1997
DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. DATA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. TRIBUTO SUJEITO AO AJUSTE ANUAL. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, havendo antecipação de pagamento e não se imputando ao contribuinte a prática de conduta com dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial tem início na data da ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 9202-007.367
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1995, 1996, 1997 DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. DATA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. TRIBUTO SUJEITO AO AJUSTE ANUAL. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, havendo antecipação de pagamento e não se imputando ao contribuinte a prática de conduta com dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial tem início na data da ocorrência do fato gerador.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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TERMO INICIAL. DATA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. TRIBUTO SUJEITO AO AJUSTE ANUAL. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, havendo antecipação de pagamento e não se imputando ao contribuinte a prática de conduta com dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial tem início na data da ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 03 74 /0 0- 09 Fl. 511DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 10246.596 proferido pelo Primeiro Conselho de Contribuintes da Segunda Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 26 de janeiro de 2005, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 347: DECADÊNCIA A Fazenda Nacional decai do direito de proceder ao lançamento após os cinco anos contados da data da entrega da declaração. OMISSÃO DE RENDIMENTOS ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Decorrência da tributação ocorrer à medida que a renda for sendo percebida e da determinação normativa para pagamento do tributo sobre os fatos ocorridos em cada mês, a presunção legal que dá suporte ao levantamento de eventuais infrações caracterizadas por omissões.de rendimentos com base na evolução positiva do patrimônio, somente pode ser estruturada em períodos mensais. NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA lnexiste obstrução à defesa se o procedimento fiscal foi desenvolvido com observação dos princípios inerentes à atividade, enquanto o lançamento, formalizado em acordo com a norma de fundo e acompanhado de esclarecimentos adicionais postos em Termo de Verificação Fiscal. Recurso parcialmente provido. Foram opostos Embargos de declaração pela Procuradoria da Fazenda Nacional, que, conforme Acórdão de fls. 124, restaram acolhidos sob os seguintes fundamentos: As alegações do interessado se limitaram portanto, ao documento mencionado no parágrafo acima e As preliminares de nulidade e de cerceamento do direito de defesa. Com efeito, os lançamentos relativos aos anos calendários de 1994 estão decadentes. Na forma do parágrafo 4° do artigo 150 do CTN., o prazo para constituição do crédito tributário é de 5 anos a contar da data da ocorrência do fato gerador. "In casu", o termo inicial portanto, é 31.12.1994. O termo final é 31.12.1999. Em conseqüência, a cobrança mediante o auto de infração lavrado em 12.05.2000 foi posterior ao encerramento do qüinqüênio e não pode prosperar. 0 mesmo não se da com relação ao ano calendário de 1995 e 1996. Em todos os casos (1994,1995 e 1996) a multa aplicada foi de 75% o que afasta a aplicação do artigo 173, I do CTN como tem sido o entendimento predominante desta E. 2'. Câmara. Entendo por fim que, a exclusão do montante de R$ 9.000,00 em dezembro de 1996 esta correta e deve ser ratificada. Fl. 512DF CARF MF Processo nº 13808.000374/0009 Acórdão n.º 9202007.367 CSRFT2 Fl. 3 3 Assim sendo, VOTO por ACOLHER os EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, DANDOLHES integral provimento para rerratificar a decisão anteriormente proferida (i) afastando por decadência o lançamento do ano calendário de 1994 e (ii) excluindo o montante de R$ 9.000,00 do APD de dezembro de 1.996. Da mencionada decisão, foi interposto Recurso Especial pela Procuradoria da Fazenda Nacional, fls. 426 a 433, houve sua admissão, por meio do Despacho de fls. 434 a 435, para rediscutir a decisão recorrida no tocante à Decadência. Em seu recurso, aduz a Fazenda, em síntese, que: a) o entendimento jurisprudencial em que fundamenta o presente recurso, e que foi recentemente firmado pelo S11, é no sentido de que, não havendo recolhimento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do respectivo crédito tributário regerseá pelo disposto no art. 173, I, do CTN, e não pelo art. 150, § 4 0, do mesmo diploma legal; b) com efeito, em casos como o dos autos, em que o contribuinte não antecipa o pagamento dos tributos recolhidos mediante "lançamento por homologação", a jurisprudência entende que hão haveria atividade do contribuinte a homologar; c) a simples Declaração de Imposto de Renda não pode ser considerada como atividade do contribuinte passível de homologação, como bem pretendeu a Câmara a quo. d) no caso em análise, o auto de infração foi lavrado dentro do prazo disposto no art. 173, I do CTN, não ocorrendo, portanto, a decadência do direito de lançar; e) termo inicial da 'contagem do prazo decadencial é, no presente caso,1º de janeiro de 1996, a teor do que dispõe o art. 173, inciso I, do CTN, portanto, teria o Fisco até 31 de dezembro de 2000 para efetuar o lançamento referente ao imposto de renda do anocalendário 1994/exercício 1995. Tendo sido o contribuinte notificado em 15 de maio de 2000, não há se falar em decadência. Intimado, o Contribuinte apresentou Contrarrazões, fls. 458 e seguintes, nas quais sustenta que: a) não obstante o recurso interposto insurja contra acórdão não unânime, não se verifica presente o segundo requisito necessário ao seu conhecimento, qual seja, que a decisão recorrida seja contraria a lei; b) acórdão exarado pela DD. 2a Câmara foi consubstanciado no entendimento já pacificado nesta Corte de que aos tributos sujeitos a lançamento por homologação aplicase o prazo decadencial previsto no art. 150, §4 0 do Código Tributário Nacional, salvo caso de dolo, fraude ou dissimulação; Fl. 513DF CARF MF 4 c) não se verifica no teor do acórdão recorrido qualquer hipótese de contrariedade ou inobservância de dispositivo legal, uma vez que se trata de entendimento já consolidado e que foram observados os estritos termos do disposto que regula o prazo decadencial dos tributos sujeitos a lançamento por homologação; d) nos presentes autos em momento algum restou evidenciado qualquer hipótese dentre estas mencionadas acima, tanto que o Ilmo. Auditor Fiscal aplicou multa de 75% (setenta e cinco por cento) na lavratura do Auto de Infração, ou seja, reconhecendo tão somente a ausência do recolhimento, qualquer dos ilícitos previsto na exceção do art. 150, §4°; e) como cediço, a teor o disposto no art. 44, inciso II da Lei 9.430/96, a multa a ser aplicada nos casos de constatação do intuído fraudulento seria a de 150%, o que não ocorreu, neste caso; f) não há razão que justifique, no presente caso, a aplicação do art. 173,! do Código Tributário Nacional; g) o art. 173 somente regula a decadência na modalidade de lançamento de oficio estabelecida pela legislação tributária aplicável a cada tributo; h) não se pode admitir que a mera ausência de antecipação do pagamento dê margem para a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 173, I do Código Tributário Nacional. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. 1. Do conhecimento. Sustenta a Recorrida que o Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional não deve ser conhecido, considerando a inexistência de contrariedade à lei, requisito necessário ao seu conhecimento. Não obstante as razões do Contribuinte, entendo que há violação à lei no que se refere à interpretação dada ao art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. Consoante se observa do acórdão recorrido, restou consignado que não aplicada a multa qualificada, diante da inexistência de dolo, fraude ou simulação, afastariase, por si, a aplicação do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Por outro lado, a interpretação abordada pela Procuradoria indica que a homologação do pagamento, com aptidão para atrair a regra do art. 150, § 4º, do CTN, não ocorreu no presente caso, devido a ausência de antecipação do pagamento do tributo. Assim, por consectário lógico, não seria possível homologar o inexistente. Fl. 514DF CARF MF Processo nº 13808.000374/0009 Acórdão n.º 9202007.367 CSRFT2 Fl. 4 5 Nesse contexto, conheço do Recurso Especial, tendo em vista a contrariedade à lei, em razão da interpretação atribuída ao art. 150, §4, do Código Tributário Nacional, consoante os termos do Despacho de Admissibilidade. 2. Da decadência. No que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação, o Superior Tribunal de Justiça – STJ julgou o Recurso Especial nº 973.733/SC (2007/01769940), em 12 de agosto de 2009, com acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do antigo CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), da relatoria do Ministro Luiz Fux, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543¬C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta¬se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi,"Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege¬se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos Fl. 515DF CARF MF 6 sujeitos a lançamento por homologação, revelando¬se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida¬se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deu¬se em 26.03.2001. 6. Destarte, revelam¬se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543¬C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Assim, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial se encerra depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador, conforme regra do art. 150, § 4º, CTN. Na ausência de pagamento antecipado ou nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o lustro decadencial para constituir o crédito tributário é contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, do Código tributário Nacional. No caso ora analisado, o Termo de Verificação Fiscal, fls. 252 a 257, evidencia o pagamento de imposto de renda no período fiscalizado, uma vez que aponta a existência de retenção na fonte, conforme se extrai do trecho abaixo: Rendimentos Não Tributáveis e Tributados Exclusivamente na Fonte foram considerados os valores lançados pelo contribuinte. Quanto a distribuição mensal, consideramos os dados constantes no sistema IRF/CONS, e os rendimentos das poupanças foram lançados no mês de janeiro. (...). Procedida à Análise da Evolução Patrimonial conforme demonstrativo de fls. , apuramos Acréscimo Patrimonial a Descoberto, não justificado ou comprovado por Rendimentos Tributáveis, Isentos e Não Tributáveis e Tributados Exclusivamente na Fonte, nos meses de janeiro a abril, julho a dezembro/94, sujeitos a tributação. Consta também dos autos planilha elaborada pela fiscalização na qual dispõe sobre as retenções, fls. 261 (volume I). Fl. 516DF CARF MF Processo nº 13808.000374/0009 Acórdão n.º 9202007.367 CSRFT2 Fl. 5 7 Diante desse contexto, mostrase imperiosa a aplicação do enunciado de súmula CARF abaixo transcrito: Súmula CARF nº 123: Imposto de renda retido na fonte relativo a rendimentos sujeitos a ajuste anual caracteriza pagamento apto a atrair a aplicação da regra decadencial prevista no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional. Sendo assim, houve o pagamento antecipado do tributo, o que atrai a regra do art. 150, §4º, do CTN para a contagem do prazo decadencial. Ou seja, o prazo decadencial é contado da ocorrência do fato gerador do tributo: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Dessa forma, ocorrido o fato gerador em 31/12/1994, o termo final do lapso decadencial foi 31/12/1999, portanto restou decadente o lançamento para o período sob análise, tendo em vista que a ciência do lançamento ao contribuinte aconteceu em 12/05/2000. Diante do exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz. Fl. 517DF CARF MF
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