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Numero do processo: 14033.000235/2005-41
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
Ementa:
COMPENSAÇÃO - IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL - PRINCIPAL, JUROS, MULTA - INEXISTÊNCIA DE REGRA
Não há regra legal tributária estatuindo a imputação proporcional do pagamento entre principal e juros, ou entre principal, juros e multa de mora. Ao contrário, há regra legal que chancela a possibilidade jurídica de pagamento só de principal com atraso. A fortiriori, é possível o pagamento só de juros de mora e/ou de multa de mora. Inexistência de vedação à compensação só de juros de mora e de multa de mora.
Numero da decisão: 1103-000.801
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva- Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Shigueo Takata - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 Ementa: COMPENSAÇÃO - IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL - PRINCIPAL, JUROS, MULTA - INEXISTÊNCIA DE REGRA Não há regra legal tributária estatuindo a imputação proporcional do pagamento entre principal e juros, ou entre principal, juros e multa de mora. Ao contrário, há regra legal que chancela a possibilidade jurídica de pagamento só de principal com atraso. A fortiriori, é possível o pagamento só de juros de mora e/ou de multa de mora. Inexistência de vedação à compensação só de juros de mora e de multa de mora.
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ELETROBRAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 Ementa: COMPENSAÇÃO IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL PRINCIPAL, JUROS, MULTA INEXISTÊNCIA DE REGRA Não há regra legal tributária estatuindo a imputação proporcional do pagamento entre principal e juros, ou entre principal, juros e multa de mora. Ao contrário, há regra legal que chancela a possibilidade jurídica de pagamento só de principal com atraso. A fortiriori, é possível o pagamento só de juros de mora e/ou de multa de mora. Inexistência de vedação à compensação só de juros de mora e de multa de mora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Shigueo Takata Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 03 3. 00 02 35 /2 00 5- 41 Fl. 315DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 28/12/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14033.000235/200541 Acórdão n.º 1103000.801 S1C1T3 Fl. 305 2 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de declarações de compensação de fls. 2 a 48 e 172 a 196, transmitidas eletronicamente pela recorrente e consolidadas na tabela 2 (fl. 217), referentes a crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2004. O valor original do saldo negativo apurado na DIPJ/05 era de R$ 125.039.573,12, com débitos de IRPJ, CSL, PIS e COFINS, e, acrescidos os encargos legais, totalizou o valor de R$ 144.260.692,09. Em 30/11/2006, a recorrente foi intimada a apresentar comprovantes das retenções correspondentes ao anocalendário de 2004. Respondeu, em 7/12/2006, com esclarecimentos nas fls. 125 a 128 e os comprovantes solicitados nas fls. 131 a 171. DO DESPACHO DECISÓRIO Em 15/5/2007, foi proferido despacho decisório pela DRF de Brasília, às fls. 225 a 233, autorizou a compensação de crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004 no montante de R$ 125.039.573,12, demonstrado na tabela 6, fl. 221, a título de IRRF, conforme opção da recorrente à fl. 50, e homologou suas declarações de compensação, sob as razões que seguem. Afirmou que as declarações de compensação constantes da tabela 2, fl. 217, são tempestivas por terem sido transmitidas durante os anoscalendário de 2005 e 2006 com o intuito de estabelecerem direito creditório de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004. Sendo assim, verificouse que foi observado pela recorrente o prazo de 5 anos disposto no art. 165, I, e 168, I, do CTN. Foram analisados primeiramente os débitos constantes das Dcomps apresentadas pela recorrente (18 no total: 14 originais, 3 retificadoras e 1 canceladora). Após análise, a autoridade fiscal elaborou: · Tabela 1, fl. 218: Dcomps que seriam cadastradas no sistema Profisc (admitidas de acordo com a IN 600/05). · Tabela 2, fl. 219: situações dos débitos declarados em cada Dcomp com relação ao sistema Profisc. · Tabela 3, fl. 220: débitos a serem cadastrados no sistema Profisc. Total não atualizado: R$ 101.783.218,00. · Tabela 4, fl. 221: montante passível de utilização para pagamento de IR por estimativa mensal durante o anocalendário de 2004. Total não atualizado: R$ 780.509.951,70. · Tabela 5, fl. 222: retenções sofridas na fonte (matriz e filiais). Fl. 316DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 28/12/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14033.000235/200541 Acórdão n.º 1103000.801 S1C1T3 Fl. 306 3 · Tabela 6, fl. 223: apuração de saldo negativo confirmado pelos dados contidos nos sistemas da SRF. Total não atualizado: R$ 125.039.573,12. Os valores deduzidos pela recorrente foram representados em tabela à fl. 228 dos presentes autos e são encontrados tanto em DCTFs (fls. 82 a 100), como em suas Dcomps. Sendo assim, foi validado o montante de R$ 780.509.951,70 a título de IR mensal pago por estimativa de acordo com a declaração feita na DIPJ/2005, fl. 50, dos presentes autos. Afirmou, ainda, ser de R$ 161.079.326,40 o montante passível de utilização para composição do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004 a título de IRRF. Isso porque a recorrente já havia utilizado o montante de R$ 489.755.054,90 para redução de estimativa em 2004, conforme se observa em sua DIPJ mensal (fls. 51 a 62). Também se verificou na análise da documentação que a recorrente optou por utilizar apenas R$ 125.039.573,12 para compensação do IRRF. Assim, foi validado, o montante de R$ 125.039.573,12 a título de IRRF (fl. 50) e confirmado como saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004 (tabela 6 – fl. 223). Por fim, teceu considerações acerca da incidência de acréscimos legais incidentes tanto sobre créditos, quanto sobre débitos, mencionando como fundamento o art. 28, § 1º, da IN 460/04. Assim, afirmou que, ainda que a recorrente tenha declarado em suas Dcomps apenas o valor principal, os acréscimos legais serão cobrados proporcionalmente e independentemente de a contribuinte têlos declarado posteriormente. A compensação de juros e de multa seria admitida apenas se o valor principal tivesse sido declarado na mesma Dcomp. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Intimada e inconformada com o despacho decisório retro, a postulante apresentou, em 5/9/2007, manifestação de inconformidade de fls. 242 a 250, com os seguintes argumentos. Afirmou que cinco das dezoito Dcomps apresentadas fazem referência a quitação de juros e multas de débitos quitados através de compensações em datas posteriores ao vencimento e sem acréscimos legais. Sendo assim, o entendimento apresentado no despacho decisório recorrido criou restrições ao exercício da compensação que não estão previstas em lei. Alegou que os artigos 165 do CTN e 74 e seguintes da Lei 9.430/96 preveem a matéria e não apresentam as restrições nas quais se baseou a autoridade administrativa. E, ainda, as Instruções Normativas 460/04, 210/02 e 600/05 também não previram as referidas restrições. Ademais, caso a contribuinte adimplisse o valor principal somente em data póstuma ao seu vencimento e posteriormente solvesse os juros e a multa calculados corretamente, isso não teria o condão de causar nenhum prejuízo ao erário. Sendo assim, inválido o fundamento apresentado no despacho decisório que afirmou subsistir base de cálculo para juros e multa a serem pagos. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 28/12/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14033.000235/200541 Acórdão n.º 1103000.801 S1C1T3 Fl. 307 4 Pelo exposto, requereu a homologação das Dcomps desconsideradas pelo fisco. DA DECISÃO DA DRJ Em 30/11/2007, acordaram os julgadores da 4ª Turma da DRJ de Brasília, por unanimidade de votos, indeferir a manifestação de inconformidade, pelos motivos abaixo sintetizados. Afirmou que o art. 28 da IN 210/02 e o art. 28, § 1º, da IN 600/05, que possuem status de norma complementar, preconizam que os juros e multa sobre pagamentos ou compensações em atraso têm de ser computados junto ao principal da Dcomp. E que, assim, não houve restrição ao direito de compensação da recorrente e sim adoção dos procedimentos previstos pela legislação. Ademais, o simples fato de no art. 74 da Lei 9.430/96 não haver impedimento para a compensação não é suficiente para afirmar que o procedimento adotado pela recorrente é correto. Tampouco a jurisprudência da CSRF tem força vinculante sobre as decisões da administração. Proferida da maneira correta, portanto, a decisão da DRF/Brasília em seu despacho decisório, que atendeu às disposições legislativas que dispõem sobre a matéria. RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificada em 7/4/2008 a recorrente interpôs recurso voluntário em 5/5/2008 alegando, em síntese, o que segue. Alegou que não há, de fato, previsão legal que obrigue a compensação do principal e a compensação dos acréscimos legais sejam realizadas na mesma Dcomp. Ou, ainda, previsão legal que proíba a compensação de principal em uma Dcomp e juros e multa em outra. Afirmou que a interpretação extensiva dada pelo despacho decisório às Instruções Normativas 210/02 e 600/05 viola o princípio da legalidade previsto pelo art. 5º II, da CF/88. Isso porque atos administrativos normativos não possuem o condão de impor obrigações pelo fato de não serem autônomos. Asseverou que as normas de direito público devem ser respeitadas tanto pelos contribuintes, quanto pelas autoridades fiscais, de forma que não podem restringir os direitos dos contribuintes que estejam especificados em lei, como o direito à compensação. Reiterou, por fim, a inexistência de prejuízo ao erário. Pelo exposto, requereu a homologação das Dcomps desconsideradas pelo fisco. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 28/12/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14033.000235/200541 Acórdão n.º 1103000.801 S1C1T3 Fl. 308 5 É o relatório. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 28/12/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14033.000235/200541 Acórdão n.º 1103000.801 S1C1T3 Fl. 309 6 Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade (fls. 281 e 282). Dele, pois, conheço. Como se vê do relatório, todo o direito creditório postulado nas compensações foi reconhecido pela Diort da DRF/Brasília. No caso, cuidase de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004, no montante de R$ 125.039.573,12, conforme declarado em suas Dcomps e como consta na linha 20 da Ficha 12A da DIPJ/05 (fl. 50). O saldo negativo de IRPJ nesse montante decorreu da apuração de IRPJ devido de R$ 799.312.375,75 (linhas 1 e 3 da Ficha 12A), deduzido: dos incentivos de caráter cultural e artístico de R$ 18.697.819,05; da aplicação da alíquota sobre as despesas com PAT de R$ 104.605,00; dos IR mensais por estimativa de R$ 780.509.951,70; e de IRRF de R$ 125.039.573,12. Ou seja, o valor do IRRF deduzido do IRPJ devido corresponde ao valor do saldo negativo de IRPJ. Da análise do sistema SIEFDirf, constatouse o total de IRRF de R$ 650.834.831,30. Desse montante, R$ 489.755.054,90 foram utilizados na dedução dos IR mensais por estimativa. Assim, restaram R$ 161.079.326,40 de IRRF utilizáveis como dedução do IRPJ devido, para apuração do saldo negativo de IRPJ. Entretanto, a recorrente usara somente R$ 125.039.573,12 na sua DIPJ/05, de modo que, em princípio, ela teria direito a um adicional de saldo negativo de R$ 36.039.753,28 (R$ 161.079.326,40 R$ 125.039.573,12). De todo modo, não constam nos autos elementos que indiquem retificação de sua DIPJ/05 aumentando o valor do saldo negativo. Ainda, importa aqui é a declaração do valor de saldo negativo de R$ 125.039.573,12 nas Dcomps. Vale dizer, nos limites deste feito, interessa é o valor de saldo negativo declarado nas Dcomps e chancelado pelo despacho decisório. É o que se deu (confirmação do direito ao saldo negativo declarado e postulado). Para tanto, ainda, houve a verificação do adimplemento das estimativas de IR e que resultou na confirmação do total informado na linha 17 da Ficha 12A da DIPJ/05: R$ 780.509.951,70, conforme tabela 4 de fl. 219. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 28/12/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14033.000235/200541 Acórdão n.º 1103000.801 S1C1T3 Fl. 310 7 A lide instaurada com o inconformismo da recorrente se fixa não no valor do crédito postulado, mas dos débitos declarados e não compensados, conquanto houvesse saldo de crédito suficiente para absorção daqueles. Precisamente os débitos correspondentes às Dcomps indicadas nas linhas 7, 9, 10, 12 e 16 da Tabela 2 (fl. 219) anexa ao despacho decisório. Tratase de Dcomps cujos débitos não foram admitidos à compensação e, pois, não incluídos no sistema Profisc, porquanto representam somente acréscimos moratórios, sem o principal. São as Dcomps de nºs: 21781.76966.050805.1.7.028752, 06667.76590.050805.1.7.026231, 33553.87379.080805.1.3.020090, 30189.25580.090805.1.3.027502, 19389.76208.191205.1.3.026018. Quer dizer, são débitos de juros de mora e de multa de mora objetivados autonomamente à compensação. Ao teor do despacho decisório, só seriam possíveis as compensações com imputação proporcional, i.e., contendo ao menos parte do principal. Para tanto, invocou o art. 28, caput, da IN SRF 210/02 e o art. 28, caput e § 1º, da IN SRF 460/04. Eis a dicção de tais dispositivos, respectivamente: Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios na forma prevista nos arts. 38 e 39 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. (Redação dada pela IN SRF nº 323, de 24/04/2003) Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 51 e 52 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. § 1º. A compensação total ou parcial de tributo ou contribuição administrados pela SRF será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. O órgão julgador de origem reconheceu que o procedimento adotado pela recorrente não traz prejuízo ao Erário, porém é contrário ao previsto pela legislação. Nesse sentido, acentuou que o entendimento exarado no despacho decisório se encontra conforme os precitados preceitos infralegais. A recorrente aduz que nem as leis, nem os citadas preceituações infralegais interditam o adimplemento dos encargos moratórios tal como procedido pela recorrente, i.e., segregado da solvência do principal. Pois bem. Discordo quanto à asserção de que o procedimento em causa não possa trazer prejuízo ao Erário comparativamente à imputação proporcional do pagamento entre principal e juros ou entre principal, juros e multa de mora. Contudo, é imperativo acentuar que não há norma legal tributária estabelecendo regra de imputação de pagamento entre principal e encargos moratórios. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 28/12/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14033.000235/200541 Acórdão n.º 1103000.801 S1C1T3 Fl. 311 8 O art. 163 do CTN prevê somente a regra de imputação de pagamentos de dois ou mais débitos envolvendo todos os débitos: a) principal; b) só penalidades e juros de mora; c) só de juros de mora. O art. 161 do CTN dispõe que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora. O CTN não entre regra de imputação entre um só principal e juros e mesmo multa de mora. De outra parte, há o art. 354 do Código Civil que estabelece a imputação do pagamento primeiro aos juros e depois ao principal, salvo estipulação em contrário ou se o credor passar quitação pelo principal. Não nos parece que, em matéria tributária, seja aplicável a disposição do Código Civil. Aliás, a Súmula 464 do STJ dispõe que essa regra de imputação não se aplica às hipóteses de compensação tributária. Outrossim, não há regra legal tributária estatuindo a imputação proporcional do pagamento entre capital e juros, ou entre capital, juros e multa de mora. Logo, é possível se fazer o pagamento ou adimplemento somente do principal, com o uso de código de arrecadação próprio, como somente de juros e/ou de multa de mora. Mais. Essa possibilidade jurídica ficou expressa com o advento do art. 43 da Lei 9.430/96, segundo o qual pode ser formalizada exigência exclusivamente de juros de mora ou de multa de mora ou, conjuntamente, de juros e de multa de mora. Eis sua dicção: Auto de Infração sem Tributo Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Ora, para ser possível a exigência só de juros de mora ou só de multa de mora ou só de ambos conjuntamente, é porque se chancela legalmente a possibilidade jurídica de pagamento só de principal com atraso. Logo, a fortiriori, é possível o pagamento só de juros de mora e/ou de multa de mora. Nesse sentido, o art. 5º da IN SRF 77/98 disciplinava justamente as hipóteses em que havia pagamento de principal, porém sem os encargos moratórios, ou pagamento de principal com multa de mora, mas sem os juros ou com o pagamento dos juros em valor menor que o devido. Art. 5º Os juros moratórios serão cobrados por meio de auto de infração, na forma do art. 43 da Lei nº 9.430, de 1996: I juntamente com a multa de lançamento de ofício, quando o contribuinte efetuar o pagamento do tributo ou contribuição fora do prazo, sem a incidência dos acréscimos moratórios; Fl. 322DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 28/12/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14033.000235/200541 Acórdão n.º 1103000.801 S1C1T3 Fl. 312 9 II isoladamente, quando o contribuinte efetuar o pagamento do tributo ou contribuição fora do prazo legal, com o acréscimo de multa moratória, mas sem o acréscimo de juros ou com o pagamento desses a menor. Também, observo que na chamada “malha DCTF”, o “lançamento eletrônico” é feito considerandose a forma de pagamento procedida pelo contribuinte. Assim, no lançamento de multa de mora e de juros de mora, tomase em conta o valor pago a título de principal pelo contribuinte – o valor integral – e se lançam a multa de mora e os juros de mora pagos a menor (ou não pagos). Não há imputação proporcional entre principal, juros e multa de mora como aduzido no despacho decisório, nem mesmo imputação proporcional entre principal e juros. E não há, porque inexiste previsão legal para tanto, como disse. Pelo contrário, há chancela legal do pagamento somente do principal sem os encargos moratórios – caso em que o contribuinte, motu proprio, faz à parte o pagamento dos encargos ou o fisco os lança. De mais a mais, não vejo no art. 28 da IN SRF 210/02, nem no art. 28 da IN 460/04 preceituação que exija que a compensação só possa ser feita com principal e juros ou com principal, juros e multa de mora. Especificamente, o que o art. 28, § 1º, da IN 460/04 prevê é a incidência de acréscimos legais na proporção do principal compensado. A propósito, reputo como de discutível legalidade a “leitura” do dispositivo ora citado no sentido de que a compensação de principal deva ser acompanhada necessariamente de compensação dos encargos moratórios, proporcionalmente ao principal compensado. Enfim, resulta muito claro que não há exigência legal de imputação proporcional do pagamento ou adimplemento entre principal, juros e multa de mora, nem entre principal e juros de mora. Noutras palavras, inexiste vedação legal para adimplemento, por compensação, somente de juros de mora e/ou de multa de mora. Por outro lado, também é nítido que há saldo de direito creditório suficiente para absorção dos débitos em dissídio. Sob essa ordem de considerações e juízo, dou provimento ao recurso, recomendando ao órgão de origem a aferição da existência ou não de outras Dcomps em que se utilizem o mesmo crédito para solver os mesmos débitos desta lide. É o meu voto. Sala das Sessões, em 6 de dezembro de 2012 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 323DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 28/12/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14033.000235/200541 Acórdão n.º 1103000.801 S1C1T3 Fl. 313 10 Fl. 324DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 28/12/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 19515.001435/2006-01
Data da sessão: Thu Aug 20 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Aug 20 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Exercício: 2002
IRRF - PAGAMENTO SEM CAUSA
Fica sujeito ao imposto de Renda Retido na Fonte, todo pagamento ou
recurso entregue pela pessoa jurídica a terceiros quando não houver
comprovação da operação ou sua causa.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.269
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara
da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRF- ação fiscal - outros
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Processo n° 19515.001435/2006-01 Recurso n" 159.400 Voluntário 1 Acórdão n° 2101-00.269 — 1" Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 20 de agosto de 2009 Matéria IRF Recorrente TECNOLOGIA BANCÁRIA S/A Recorrida 2' TURMA/DRJ-SÃO PAULO I/SP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - 1RRF Exercício: 2002 IRRF - PAGAMENTO SEM CAUSA Fica sujeito ao imposto de Renda Retido na Fonte, todo pagamento ou recurso entregue pela pessoa jurídica a terceiros quando não houver comprovação da operação ou sua causa. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao rec so no • termos do voto da Relatora. 10 41p.4 eit CAIO ARCOS CÂNDIDO Presi e ente ---- , -- 41111rAtkaWHO1Q,Wk2L Relatora FORMALIZADO EM: 2 5 SET 2009 1 Processo 'n° 19515.001435/2006-01 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.269 Fl. 1.085 Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos, Silvana Mancini Karam, Alexandre Naoki Nishioka e Gonçalo Bonet Allage. Relatório O lançamento tributário de que trata o presente processo resultou de operação fiscal levada a efeito junto ao sujeito passivo acima identificado, que teve corno conseqüência a exigência tributária referente a imposto sobre a renda na fonte (IRF), no montante de R$ 12.180.882,38, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, por ter sido constatada a falta de recolhimento do tributo sobre pagamentos sem causa ou de operação não comprovada, com base em operações com Títulos do Tesouro Norte Americano (U.S. Treasury Bill), supostamente adquiridos no exterior e negociados no Brasil, nos termos do disposto no artigo 61 da Lei n°8.981, de 20/01/1995. 2. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 242 a 250), o autor do procedimento, relatoti os fatos nos seguintes termos: DAS OPERAÇÕES CONTRATUAIS DA EMPRESA BOMBRIL S/A REFERENTES A T-BILLS I. Em decorrência de fiscalização empreendida na empresa BOMBRIL S/A e mediante Mandado de Procedimento Fiscal Extensivo, aquela ação fiscal intimou a empresa Tecnologia Bancária S/A, em 28/10/03, a apresentar diversos documentos referentes à comercialização de títulos lançados no exterior, e que fora transacionado entre as empresas. 2. Em atendimento, a empresa Tecnologia Bancária S/A apresentou diversos Instrumento Particular de Compra e Venda de Ativos nos quais a empresa BOMBRIL S/A figurava como compradora e a empresa fiscalizada (Tecnologia Bancária S/A) como vendedora. 3. Conforme se depreende de sua cláusula primeira, estes instrumentos têm como objeto a venda de ativos financeiros que se encontram no exterior, de propriedade da empresa Tecnologia Bancária S/A, com as características 'U.S. • TREASURY BILLS', emitidos pela República dos Estados Unidos em 22 de fevereiro de 1999. 4. Ainda em atendimento à intimação de 28/10/03 a empresa apresentou diversos PURCHASE AGREEMENT (Contrato de Compra), acompanhadas de tradução para o idioma português, nos quais a empresa Tecnologia Bancária S/A adquire de IGNA CIO ROSPIDE DE LEON — CORREDOR DE BOLSA, 2 Processo n° 19515.001435/2006-01 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.269 Fl. 1.086 corretora localizada na cidade de Montevidéu, Uruguai, Obrigações do Tesouro dos Estados Unidos (cada unia delas unia T-Bills), detidas por esta corretora. 5. As compras das Obrigações do Tesouro dos Estados Unidos pela empresa Tecnologia Bancária foram seguidas pelas TRANSFER REQUEST (Solicitação de Transferência), na mesma data em que foram compradas, na qual a compradora (Tecnologia Bancária S/A) solicita a Ignacio Rospide de Leon que transfira as referidas Obrigações do Tesouro dos Estados Unidos à empresa BOMBRIL S/A. 6. As operações de compras de detidas por Ignacio Rospide de Leon, e as de vendas dessas nzesmas T-Bills para a empresa Bombril S/A, e que tiveram documentos firmados na mesma data, foram justificadas pela empresa Tecnologia Bancária S/A em suas afirmativas de que "cabe assim sublinhar que as compras de `T.Bills' no exterior e sua venda no pais, . tiveram por motivação exclusiva a internação dos recursos para gerar o numerário indispensável para a atividade da TECBAN de manter os terminais eletrônicos da rede Banco24Horas, tendo em conta que se mantiveram sem resposta e qualquer orientação às indagações que formulou ao Departamento de Câmbio do Banco Central do Brasil" e ainda, que "a adoção da modalidade negociai consistente na compra e venda de `T.Bills' para ingresso dos recursos no pais deveu-se ao desencontro nos entendimentos que desde 1999 a TECBAN vinha mantendo co,:: o Departamento de Câmbio do Banco Central do Brasil, como amplamente demonstrado pelos documentos e informações fornecidas de forma completa ao Banco Central do Brasil". 7. Assim, a documentação apresentada quer fazer crer que as aquisições pela empresa Tecnologia Bancária S/A, dos "ativos" detidos por Ignacio Rospide de León, foram seguidas, ato contínuo, pela sua venda à empresa Bombril S/A, de vez que, para cada PURCHASE AGREEMENT (Contrato de Compra)e TRANSFER REQUEST (Solicitação de Transferência) há INSTRUMENTO PARTICULAR DE COMPRA E VENDA DE ATIVOS firmados na mesma data que aqueles. DA DESCONSIDERAÇÃO DAS OPERAÇÕES CONTRATUAIS RELATIVAS ÀS T-BILLS 13. Os títulos emitidos pelo governo dos Estados Unidos da América podem ser descritos em quatro principais categorias de títulos cujas características são diferenciadas pelo prazo de vencimento, bem como da incidência ou não dos cupons juros,). 14. Estes títulos são escriturais, ou seja, não são emitidos em forma de documento não existindo, portanto, a circulação fisica dos mesmos, sendo que a transferência de sua titularidade é efetuada, em regra, pelos agentes intervenientes autorizados pelo governo norte-americano. 3 • Processo n° 19515.001435/2006-01 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.269 Fl. 1.087 15. O primeiro dessas categorias são os Treasury Bills (T-Bills) cujo prazo de vencimento é de até 1 (um) ano de sua emissão, ou seja, são Ofertadas por prazo de vencimento medidos em semanas ou dias, nas quais as usuais são 4 semanas (28 dias), 13 semanas (91, dias), 26 semanas (182 dias) e 52 semanas (364 dias). 16. Os Tresuiy Bills não pagam juros sendo, portanto, negociados com desconto e com cupom zero ("zero cupon Bond'). 17. A segunda categoria são os Treasury Notes, rendem juros semestrais, e têm prazo de vencimento de até 10 (dez) anos de sua emissão, sendo os usuais aqueles emitidos com vencimento em 2, 3, 5, e 10 anos. 18. A terceira categoria são os Treastay Bonds cuja característica é a de ter o prazo de vencimento de 30 anos de sua emissão, pagando juros semestrais até o seu vencimento. 19. A quarta categoria são os Treasury Inflation-Protected Securities (TIPS) cuja característica é ter proteção contra os efeitos inflacionários, ou seja, a taxa de juros são fixas, porém, o principal sobre os quais recaem os juros são corrigidos semestralmente com base em índice de inflação, assegurando ao investidor ganhos acima da inflação. 20. Desta forma, visto o panorama sobre as características dos títulos acima descritos, há que se desconsideraras operações efetuadas pelo contribuinte pelas considerações a seguir aduzidas: 20.1 De acordo com a documentação apresentada pelo contribuinte, a empresa Tecnologia Bancária S/A promoveu venda de ativos financeiros para as empresas Bombril S/A, Negosel Lida, Monte Mor S/A Com. In?. Exportação, Madeplac Participações e Investimentos Lula e Red Dunes Estabilishment; ç 20.2. Conforme os diversos INSTRUMENTO PARTICULAR DE COMPRA E VENDA DE ATIVOS firmados entre as referidas empresas, consta na CLÁUSULA PRIMEIRA que "o VENDEDOR é proprietário de ativos financeiros que se encontram no exterior com as características: "U.S. TRESURY BILLS" emitidos pela República dos Estados Unidos em 22 de fevereiro de 1999. (OS ATIVOS)" 20.3 Em consulta ao site cio emitente dos títulos (http://www.publicdebt.treas.gm ) não houve emissão, em 22 de fevereiro de 1999, de qualquer das principais categorias de títulos (Treastay Bills, Treasuly Notes, Treasury Bonds, Treasury lnflation-Protected Securitiesj as emissões ocorridas no mês de fevereiro de 1999 foram as seguintes: Modalidade Data Leilão Data Emissão Vencimento CUSIP 4 Processo ri" 19515.001435/2006-01 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.269 Fl. 1.088 20.4 Os Instnanentos Particulares de Compra e Venda de Ativos indicam a comercialização de U.S. Tresury Bills, entretanto, os vencimentos descritos no Purchase Agreement, admitindo a emissão dos títulos em 22 de fevereiro de 1999, permitem afirmar que os ativos transacionados não possuem as características de Treasury Bills, vez que teríamos prazo para vencimento superior a 1 (um) ano de sua emissão; 20.5 Sendo os títulos escriturais, não há, em nenhum documento apresentado, a identificação da instituição financeira custodiante (que deve ser obrigatoriamente norte-americana) e que assegura a identificação do proprietário dos títulos por meio da "cotzfirmation"; 20.6 Apesar de Ignacio Rospide de León — Corredor de Bolsa, apresentar-se como unia corretora ('conforme assinala a Tradutora Pública Juramentada), o Purchase Agreement indica que o mesmo "atualmente detém Obrigações do Tesouro dos Estados Unidos (cada uma dela uma "rBills")" e que também "tem a titularidade válida das T'Bills e as T'Bills estão livres e isentas de quaisquer ônus, garantias reais sobre bem móvel (security interests), reinvindicaçães ou outros gravames de qualquer tipo" (alínea a do item 3.1 do Purchase Agreenzent) e que, ainda, "... deverá entregar as T'Bills na Data de Fechamento ao COMPRADOR" (itrem 1.2 do Purchase Agreement). 20.7 Referidas cláusulas querem fazer crer que as T-Bills são documentos ao portador ou nominativos, transferíveis pela tradição ou pelo endosso, o que não é verdade, pois as T-Bills são escriturais. 20.8 Depreende-se do item 1.2 de cada uma das Purchase Agreement, conforme assinalada pela Tradutora Pública Juranzentada, que "O COMPRADOR (..) deverá comprar as T'Bills do VENDEDOR pelo Preço de Compra, na Data de Fechamento. O VENDEDOR deverá entregar as T'Bills na Data do Fechamento ao COMPRADOR". 20.9 Conforme visto, a data de fechamento é que determina a data que a empresa Tecnologia Bancária S/A tem obrigação de comprar as e conforme alínea d do item 3.2 do Purchase Agreement, referida data corresponde à data de transferência do Preço de Compra para a conta do VENDEDOR. (destaques do original) 3. A ciência do auto de infração ocorreu aos 13/07/2006, e, em contraposição, foi apresentada a impugnação de fls. 261 a 272, acompanhada dos documentos de fls. 279 a 457. 4. Submetida a impugnação a julgamento, os membros da 2a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP I (SP) acordaram em dar o lançamento por procedente, resumindo o seu entendimento nos termos da ementa a seguir transcrita: v Processo n° 19515.001435/2006-01 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.269 Fl. 1.089 Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data cio fato gerador: 03/07/2001, 11/07/2001, 16/07/2001, 18/07/2001, 25/07/2001, 31/07/2001, 04/10/2001, 11/10/2001, 19/10/2001, 25/10/2001 IRRF — PAGAMENTO SEM CAUSA Fica sujeito ao imposto de Renda Retido na Fonte, todo pagamento ou recurso entregue pela pessoa jurídica a terceiros quando não houver comprovação da operação ou sua causa. Lançamento Procedente 5. Intimado do acórdão de primeira instância aos 31/01/2007, o sujeito passivo apresenta sua irresignação, tempestivamente, obtendo media liminar em Mandado de Segurança, com o escopo de se eximir do arrolamento de bens, para seguimento do apelo. 6. Na petição recursal, o sujeito apresenta, em apertada síntese, os seguintes argumentos de defesa: I — indispensável destacar o fato econômico em que se constituíram as compras e vendas dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos para extrair a causa concreta, o fim do negócio jurídico; II — buscando ampliar o atendimento dos clientes das instituições integrantes da rede Banco24Horas, sobretudo diante da conjuntura de intensificação das relações do pais com o exterior, celebrou convênio com a rede internacional de serviços CIRRUS SYSTEM INC., aos 23/09/1998, em decorrência, os titulares dos cartões magnéticos das instituições financeiras e administradoras de cartão de crédito do exterior passaram a ser atendidos nos terminais eletrônicos da rede Banco24Horas; III — enviou ao Departamento de Câmbio do Banco Central do Brasil (BCB) carta em que, ao noticiar a nova linha de atendimento de suas operações, direcionada exclusivamente aos usuários de cartões emitidos no exterior, informava a abertura de conta- corrente bancária no exterior, junto ao ABN AMRO BANK em Nova Iorque, Estados Unidos da América, o que tronava-se necessário, para recebimento do numerário destinado a ressarcir - os saqties realizados pelos usuários dos cartões internacionais, através dos terminais eletrônicos (ATM); IV — sendo as operações de saques realizadas no exterior, a reposição de numerário implicou no fluxo de dinheiro do exterior para o país, a fim de permitir que os montantes em moeda estrangeira gerassem, em moeda nacional, o volume necessário para abastecimento dos ATM; V — as afirmações da fiscalização, no sentido de que os recursos em questão saíram do patrimônio da sociedade na data indicada nos lançamentos contábeis são mera suposição, uma vez que a evidência do ocorrido está justamente na retificação da declaração de rendimentos, acompanhada do estorno contábil de lançamentos, em razão de erro na contabilidade, e, na realidade representada pela efetiva liquidação de responsabilidades da empresa com as disponibilidades que permaneciam no seu ativo; 6 Processo n° 19515.001435/2006-01 S2-C ITI Acórdão n.° 2101-00.269 Fl. 1.090 VI — a CIRRUS passou a efetivar os depósitos na conta bancária no ABN AMRO BANK, em Nova Iorque, EUA, para pagamento da remuneração por seus serviços, submetido à tributação devida, e pagamento de taxas relativas aos manuais operacionais, entre outros, os montantes necessários para reposição do numerário sacado nos terminais eletrônicos da rede Banco24Horas, no país; VII — enquanto aguardava a manifestação do BCB, tornou-se cada vez mais premente a necessidade de dispor de numerário para reposição das cédulas de moeda nacional em quantidade correspondente aos saques dos cartões internacionais, e, para superar essa necessidade, contratou as operações mediante as quais negociou Títulos do Tesouro dos Estados Unidos da América, conhecidos como T-Bill, para obter os recursos correspondentes, em moeda nacional, ao saldo da conta bancária aberta no exterior; VIII — além do cuidado preventivo de certificar-se da legalidade das operações, foi adotada a taxa de câmbio comercial de venda, para apuração do quanttun, em moeda nacional, aos montantes a serem internados em moeda estrangeira, não havendo nenhum ganho decorrente da variação cambial; IX — entre outubro de 1999 e outubro de 2001, quando se aperfeiçoou a sistemática operacional, com a mudança da reposição dos saques via depósitos em sua conta- corrente no exterior, houve 280.536 operações de saques de cartões internacionais na rede Banco24Horas, que totalizaram R$ 100.584.490,00; X — todos os registros, bem como os documentos que permitem a identificação da origem dos pagamentos foram fornecidos ao BCB e ao fisco, e as compras e vendas dos T-Bill foram objeto de contratações efetivamente formalizadas, com completa identificação das respectivas contrapartes, como se verifica em cada instrumento contratual, tanto os de compra, celebrados no exterior, corno os de venda, formalizados no país; XI — não estava, por qualquer razão, impedida de ingressar com tais recursos no país, o que retira a suspeita de as T-Bill terem sido escolhidas para perpetrar fraude à lei, nem logrou vantagem indevida por fazê-lo, corno de resto o faria se os depósitos no exterior houvessem sido recebidos diretamente por banco autorizado a operar em câmbio; XII — o mandamento do artigo 113 do Código Civil determina que os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa fé e usos do lugar de sua celebração, sendo que, de conformidade com o artigo 109 do Código Tributário Nacional, os princípios gerias de direito privado utilizam-se para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance dos seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários, o que permite corretamente interpretar os negócios de compra e venda dos títulos em questão, que existiam e, alguns, ainda existem, até porque, se assim não fosse, os adquirente já teriam ajuizado as competentes ações contra a recorrente; XIII — a movimentação da conta bancária no ABN AMRO BANK, Nova Iorque, EUA, em que estão registrados os créditos realizados pela CYRRUS INC., ali indicada como MASTERCARD, bem como os respectivos débitos para pagamento do preço de compra dos T-Bill, encontram-se na cópia do extrato bancário, anexado à impugnação; XIV — os recebimentos em moeda nacional, decorrentes da venda dos T-Bill no país, consta da cópia do extrato da conta-corrente no Banco Real ABN AMRO S/A, na agência Paulista, São Paulo, SP, anexado à impugnação; j". 7 Processo n° 19515.001435/2006-01 S2-CITI Acórdão In.° 2101-00.269 Fl. 1.091 XV — os instrumentos contratuais de compra dos T-Bill, acompanhados das respectivas notas de compra, emitidas pelo corretor, e documentos de transferência dos títulos, os instrumentos contratuais correspondentes a cada uma das vendas de T-Bill no país, e relativa a cada compra, acostados à impugnação; XVI — a utilização dos sítios eletrônicos do BCB e do Tesouro dos Estados Unidos da América não têm qualquer utilidade para o deslinde da questão, vez que, no primeiro, trata-se de material ilustrativo, e, no segundo, há a informação apenas das atualizações procedidas nas regras do financiamento do governo norte-americano, ou seja, o que e como vigora no momento; XVII - a completa identificação de todos os beneficiários dos pagamentos realizados, demonstra a sua causa comprovada, o que afasta a incidência do disposto no artigo 61, § 1°, da Lei n° 8.981, de 1995. 7. Ao final, pleiteia o acolhimento integral do recurso, com o cancelamento do auto de infração. É o Relatório. Voto Conselheira ANA NEYLE OLÍMPIO HOLANDA, Relatora O recurso obedece aos requisitos de admissibilidade, dele torno conhecimento. O lançamento objeto dos presentes autos exige imposto sobre a renda retido na fonte (IRF), e resultou de ação fiscal em que foram constatados pagamentos sem causa, com base em operações com Títulos do Tesouro Norte Americano ((IS. Treasury Bill), supostamente adquiridos no exterior e negociados no Brasil. Tais operações foram justificadas pela empresa Tecnologia Bancária S/A em suas afirmativas de que as compras de T-Bills no exterior e sua venda no país, tiveram por motivação exclusiva a internação dos recursos para gerar o numerário indispensável para a sua atividade de manter os terminais eletrônicos da rede Banco24Horas. Isto porque, se mantivêram sem resposta e orientação as indagações que formulou ao Departamento de Câmbio do Banco Central do Brasil" e ainda, que "a adoção da modalidade negociai consistente na compra e venda de T-Bills para ingresso dos recursos no país deveu-se ao desencontro nos entendimentos que desde 1999 a recorrente vinha mantendo com o Departamento de Câmbio do Banco Central do Brasil. As operações de vendas das T-Bills foram lastreadas por Instrumentos Partictilares de Compra e Venda de Ativos, com vencimentos descritos no Purchase Agreement, admitindo a emissão dos títulos em 22 de fevereiro de 1999. Os títulos emitidos pelo governo dos Estados Unidos da América, na modalidade Treasury Bills (T-Bills) têm prazo de vencimento é de até 1 (um) ano de sua emissão, ou seja, são ofertadas por prazo de vencimento medidos em semanas ou dias, nas Dl" 8 Processo n° 19515.001435/2006-01 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.269 Fl. 1.092 quais as usuais são 4 semanas (28 dias), 13 semanas (91 dias), 26 semanas (182 dias) e 52 semanas (364 dias). Os Tresury Bills não pagam juros sendo, portanto, negociados com desconto e com cupom zero (zero cupon Bond) e são títulos escriturais, ou seja, não são emitidos em forma de documento não existindo, portanto, a circulação física dos mesmos, sendo que a transferência de sua titularidade é efetuada, em regra, pelos agentes intervenientes autorizados pelo governo norte-americano. Na espécie, a exação fiscal teve origem em investigações do Banco Central e o Ministério Público Federal de Curitiba (PR), onde foram verificados indícios de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e outras atividades financeiras ilícitas realizadas pela empresa Bornbril S/A, auxiliadas por outras empresas brasileiras, no período de abril de 1996 a abril de 2.001. No curso das investigações foi desvendado um esquema articulado de produção de documentação forjada e registro de falsas declarações, em especial junto ao Banco Central, viabilizando, assim, a ocultação da verdadeira finalidade das transferências internaCionais realizadas para dentro e fora do território nacional, comprovadamente ilegítimas. Foi verificado que no período de 1996 a 2001 a referida empresa Bombril S/A remeteu irregularmente para o exterior a quantia de R$ 2.223.948.230,28 (dois bilhões, duzentos e vinte e três milhões, novecentos e quarenta e oito mil, duzentos e trinta reais e vinte e oito centavos). Em decorrência da ação do parquet federal, um ex-diretor da empresa Bombril S/A, foi denunciado como incurso nos artigos 6°, 7°, incisos I, II e IV c/c artigo 1°, § 1°, incisos I e II, e artigo 22, parágrafo único, todos da Lei n° 7.492, de 1986, art. 1°, V, VI e VII c/c § 1°, II, § 2°, II e § 4°, todos da Lei n°9.613, de 1998, e artigo 288 do Código Penal. A denúncia do Ministério Público Federal arrima-se na alegativa de participação em "articulado esquema de produção de documentação forjada e registro de falsas declarações, em especial, junto ao Banco Central, assim viabilizando a ocultação da verdadeira finalidade das transferências internacionais realizadas para dentro e fora do território nacional, que, ao final, se apuraram como ilegítimas". Após negativanegativa de concessão de habeas corpus pela Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o denunciado impetrou o remédio jurídico junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), HC 98840 MC/SP, distribuído ao Ministro Joaquim Barbosa, que em sua decisão, aos 28/04/2009, assim se reportou às operações com os títulos do tesouro americano, que envolveram a empresa Bombril S/A: Segundo a denúncia, o esquema se processava da seguinte forma: qualquer empresa que pretendesse enviar recursos ao exterior deveria fazer o depósito nas contas de algumas empresas de fachada, que repassavam para a Bom bril S.A que, por sua vez, remetia o montante ao exterior Sob o pretexto de ter adquirido títulos do tesouro dos Estados Unidos (T-bills) e outros títulos de emissão própria (BG Notes e BE Bonds). Ao que tudo indica, referida negociação com títulos nunca existiu, apenas foi criada para dar aparência de legitimidade ao fluxo de dinheiro. Consta da exordial acusatória, ainda, que as empresas Hard Sell Arquitetura Promocional Indústria e Comércio Ltda. e Logística Operações Promocionais e Eventos Ltda. mantinham 9 Processo n° 19515.001435/2006-01 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.269 Fl. 1.093 contas correntes regulares no Brasil, com o único fim de receber depósitos de pessoas físicas ou jurídicas interessadas em remeter divisas ao exterior e, em seguida, transferiam tais recursos a crédito em conta corrente da Bombril S.A, junto ao Banco Bradesco que, posteriormente, realizava as transferências ao exterior. Segundo matéria veiculada pela Revista ÉPOCA, edição n° 218, de - 22/07/2002, as suspeitas de irregularidades com os supostos títulos do tesouro americano surgiram depois que os agentes fiscais do Banco Central do Brasil examinaram os contratos de compra e venda de títulos feitos pela Bombril S/A, celebrados, em sua maioria, com duas empresas, Hard Sell e Logística, e que não mencionavam, como manda a regra de mercado, os bancos responsáveis pela custódia dos títulos— uma garantia da confiabilidade dos papéis. As alegadas negociações com os títulos serviriam para justificar o trânsito de dinheiro pela contabilidade de contas-correntes de empresas envolvidas no esquema e aparentar motivação legítima para realizar sua conversão em dólares dos Estados Unidos e remetê-los para o exterior. A investigação apurou que as empresas Hard Sell, a Logística, ambas controladas por empresas situadas no Uruguai, e representadas no Brasil por um mesmo procurador, e outras três empresas mantinham contas-correntes apenas para receber depósitos em nome da Bombril S/A, que depois eram transformados em dólares e enviados para o exterior. Foi observado que, nos contratos de compra e venda de títulos públicos, a Hard Sell e a Logística declaram o mesmo endereço no município de Barueri, em São Paulo. A empresa Bombril S/A enviaria cerca de US$ 300.000.000,00 (trezentos milhões de dólares americanos) por ano para o exterior, quando seu lucro anual seria inferior a tal cifra. Para operar as remessas ao exterior, a Bombril S/A informava tratar-se de recursos próprios enviados à Bombril nos Estados Unidos. Sendo que o dinheiro no exterior serviria, em alguns casos, para fazer empréstimos e, em outros, para se proteger de oscilações cambiais bruscas. Entretanto, os contratos de compra e venda dos títulos apresentados pela empresa Bombril S/A não informavam a quantidade de títulos, nem sua numeração, nem os bancos nos quais estariam custodiados — dados que, usualmente, devem constar em contratos k eu respaldem tais operações. Na espécie, verifica-se que a recorrente apresenta Contratos de Compra (Purchase Agreement) para justificar a compra de Treseiry Bills (T-Bills) de Ignacio Rospide de Leon, corretor de bolsa, uma corretora com escritório de negócios na Missiones, 1444, 1° piso, na cidade de Montevidéu, Uruguai, e as vendeu, sob Instrumento Particular de Compra e Venda de Ativos, sempre na mesma data da compra, às empresas: BOMBRIL S/A, com sede na Avenida Brigadeiro Faria Lima, 2601, 12° andar, São Paulo (SP), em sua maioria, NEGOSEL S/C LTDA., sediada na Avenida Brigadeiro Faria Lima, 2553, conjunto 31, São Paulo (SP), MONTE MOR S/A COMÉRCIO IMPORTAÇÃO EXPORTAÇÃO, com sede na Rua Agostinho Gomes, 852, São Paulo (SP), MADEPLAC PARTICIPAÇÕES E INVESTIMENTOS LTDA., sediada na Avenida Angélica, 1814, 4° andar, conjunto 14, São Paulo (SP), RED DUNES ESTABILISHMENT, com sede em Aeulestrasse, 38, Vaduz, Principado de Liechtenstein. Conforme determinado em todos os instrumentos particulares de compra e venda de ativos, firmados entre a recorrente e as supostas compradoras dos títulos, consta que o io s. , . Processo n° 19515.001435/2006-0 1 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.269 Fl. 1.094 objeto da operação seriam "U.S. TRESURY BILLS, emitidos pela República dos Estados Unidos, em 22 de fevereitro de 1.999". Ocorre que a autoridade fiscal, em consulta ao sítio do emitente dos títulos, (http://www.publicdebt.treas.gov), constatou não ter havido emissão, aos 22 de fevereiro de 1999, de qualquer das principais categorias de títulos (Treaswy Bills, Treasury Notes, Treasuty Bonds, Treasury Inflation-Protected Securities), por tal, entendeu não ter se configurado a operação aventada, pelo que, considerou que os pagamentos efetuados pela recorrente, para a aquisição das T-Bills, não apresentaram a comprovação da operação ou a sua causa. Com efeito, a exação fiscal foi fundamentada no artigo 61 e seus parágrafos da Lei n° 8.981, de 20/01/1995, que assim preceitua: Art. 61. Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, a aliquota de 35% todo pagamento , efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. ssS 1 0 A incidência prevista no "caput" aplica-se também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como á hipótese de que trata o ssS 2°, do art. 74 da Lei n" 8.383, de 1991. :s+ 2° Considera-se vencido o imposto de renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. 3S-* 3 0 o rendimento de que trata esse artigo será considerado liquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. É a própria lei que define serem os pagamentos a beneficiários não )?.- identificados, omissão de receita, e não somente meros indícios; razão por que não há obrigatoriedade de se estabelecer o nexo causal entre cada pagamento e o fato que represente . omissão de receita. A hipótese em que existe a inversão do ônus da prova no direito tributário se opera quando, por transferência, compete ao sujeito passivo o ônus de provar que não houve o fato infringente, sendo que inversão sempre se origina da existência em lei. A presunção representa uma prova indireta, partindo-se de ocorrências de fatos secundários, fatos indiciários, que apontam para o fato principal, necessariamente desconhecido, mas relacionado diretamente ao fato conhecido. Nas situações em que a lei presume a ocorrência do fato gerador, as chamadas presunções legais, a produção de tais provas é dispensada. Assim dispõe o Código de Processo Civil nos artigos 333 e 334: Art. 333. O ónus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; i 3- ti Processo n° 19515.001435/2006-01 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.269 Fl. 1.095 II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 334. Não dependem de prova os fatos: IV — em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. Verifica-se no texto legal que a tributação em tela deriva de presunção de renda legalmente estabelecida. Entretanto, por outro lado, trata-se de presunção juris tantum, ou seja presunção relativa que pode a qualquer momento ser afastada mediante prova em contrário, cabendo ao contribuinte sua produção, o que não foi feito na espécie. Cabendo observar que, em tais casos, a falta da comprovação efetiva do sujeito passivo, para contraditar a exação, cabe ao fisco o lançamento. O que se busca no processo administrativo é a verdade real e não a formal, portanto, a retificação dos lançamentos contábeis, por si só, não tem o condão de excluir a incidência do imposto lançado. Nesse sentido, reporto-me ao posicionamento do Conselheiro Nelson Mallmann, no Acórdão n° 104-21.051, em que trata da tributação com base no artigo 61 da Lei n°8.981, de 1995, cujo excerto transcrevo: A presunção é justamente essa ilação mental entre o fato indiciário e o fato que se pretende provar. O indício e a presunção são partes de uni mesmo expediente probatório, são como duas faces de unia mesma moeda. Não faz sentido separá- los: primeiro provar por indícios, sem uso de qualquer presunção, a entrega de numerários aos sócios ou terceiros para, em seguida, aplicar-se à presunção. Não pode ser este o sentido da norma em exame. É fato que o direito processual consagrou o princípio de que a prova incumbe a quem afirma. Porém, é igualmente sabido que não se pode apresentar prova inconteste de fato negativo, corno por exemplo, no caso da lide, que os pagamentos não existiram. Nesses casos admiteLse que a prova se faça por meios dos lançamentos contábeis existentes, cabendo à parte demandada a contraprova de que os pagamentos efetuados se destinaram a beneficiário identificado, comprovando a respectiva operação e causa. No caso dos autos, resta caracterizada a divergência entre a exteriorização do ato e a vontade para a sua efetivação, isto é, são praticados determinados atos formalmente, enquanto subjetivamente, os que se executam são outros, o que evidencia a simulação. A simulação é urna das formas de fraude fiscal e um defeito do ato jurídico e está expressamente regulada, no artigo 167 do . Código Civil Brasileiro, nos seguintes termos: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. Haverá siniulação nos negócios jurídicos quando: 12 ,. Processo n° 19515.001435/2006-01 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.269 Fl. 1.096 / - aparentarem conferir ou transferir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem. II - contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; Hl - os instrumentos particulares forem antedatados ou pós-, , datados., áç 2 0. Ressalvam-se os direitos de terceiros de boa-fé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado. Nesses termos, a simulação é uma declaração enganosa da vontade, visando produzir efeito diverso do ostensivamente indicado, que sempre que visar prejudicar terceiros ou violar disposição de lei, a simulação invalida o ato jurídico, podendo ser demandada a sua nulidade pelos terceiros lesados, ou pelos representantes do poder público, a bem da lei ou da Fazenda Pública. Segundo Orlando Gomes (Introdução ao Estudo do Direito, 7' ed., Rio de Janeiro: Forense, 1983, p. 374), ocorre a simulação quando "em um negócio jurídico se verifica intencional divergência entre a vontade real e a vontade declarada, com o fim de enganar terceiros". A simulação é urna deformação voluntária do ato ou negócio jurídico com o intuito de fugir à disciplina normal prevista em lei. Nela ocorre um desacordo intencional entre a vontade interna das partes, efetivamente querida, e a declarada. Para Silvio Rodrigues (Direito Civil - Parte Geral, vol. 1, 15'. ed., São Paulo: Saraiva, 1985, p. 218), negócio simulado "é aquele que oferece uma aparência diversa do efetivo querer das partes. Estas fingem um negócio que na realidade não desejam". Assim, na simulação, os atos exteriorizados são sempre desejados pelas partes, mas apenas no aspecto formal, pois, na realidade, o ato praticado é outro. Para que ocorra a simulação ou dissimulação há necessidade dos seguintes requisitos: )f—i) conluio entre as partes, na maioria dos casos configurando urna declaração bilateral de vontade; • ii) não-correspondência entre a real intenção das partes e o negócio por elas declarado, apenas aparentemente querido; , iii) intenção de enganar, iludir terceiros, inclusive o fisco. Com efeito, por tudo que dos autos consta, e de toda a situação fática que envolve as operações realizadas pelo sujeito envolvendo os Títulos do Tesouro Americano (T- Bills), configurada a simulação. Assim, devida a imposição tributária, por tal, e, forte no exposto, somos pelo não acolhimento do recurso voluntário apresentado. , Sala das Sessões- DF, em 20 de agosto de 2009.1 KOcQsz --klit nt;YLE OLINIFIO HOLANDA 13
score : 1.0
Numero do processo: 10670.002007/2002-05
Data da sessão: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 1998
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS.
A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto, o que não ocorreu no presente caso.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-000.144
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage, que negaram provimento
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1998 ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS. A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto, o que não ocorreu no presente caso. Recurso especial provido.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-09-30T11:16:15Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-09-30T11:16:14Z; Last-Modified: 2009-09-30T11:16:15Z; dcterms:modified: 2009-09-30T11:16:15Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-09-30T11:16:15Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-09-30T11:16:15Z; meta:save-date: 2009-09-30T11:16:15Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-09-30T11:16:15Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-09-30T11:16:14Z; created: 2009-09-30T11:16:14Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2009-09-30T11:16:14Z; pdf:charsPerPage: 1217; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-09-30T11:16:14Z | Conteúdo => CSRF-T2 Fl. 2 , • k5;1" MINISTÉRIO DA FAZENDA.• "p4f(L? CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 10670.002007/2002-05 Recurso n° 302-129.565 Especial do Procurador Acórdão n° 9202-00.144 — 2 Turma Sessão de 18 de agosto de 2009 Matéria ITR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PLANTAR S/A PLANEJAMENTO, TÉC. E ADM. DE REFLORESTAMENTOS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1998 ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS. A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto, o que não ocorreu no presente caso. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Roberta de Az- edo Ferreira Pagetti (convocada), Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Rycars's Henrique M. lalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage que negaram provimento. CARLA, • LBERTO ITAS B TO — Presidente ELIAS SAY AIO FRE ' — Relato EDITADO EM: ,1 8 SEI 2009 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (substituto do Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Julio Cesar Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Júnior, Moisés Giaconelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Trata-se de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional em virtude de o acórdão recorrido ter descartado a exigência, antes da ocorrência do fato gerador do tributo, a averbação da reserva legal para fins de não incidência do ITR. O contribuinte apresentou contra-razões clamando pelo desprovimento do recurso. Voto Conselheiro ELIAS SAMPAIO FREIRE, Relator O Recurso é tempestivo, estando também demonstrado o dissídio jurisprudencial, pressupostos regimentais indispensáveis à admissibilidade do Recurso Especial. Assim, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. De feito, a questão controvertida disse respeito à exigência da averbação da área de reserva legal para fins de isenção do ITR. A decisão recorrida partiu da premissa de que o Código Florestal ao tratar da averbação da área de reserva legal o fez com finalidade diversa da tributária, ao concluir que a exigência de averbação como pré-condição para o gozo de isenção do ITR não encontra amparo na lei ambiental. Para o deslinde da questão vale repassar as normas legais regedoras da isenção de ITR incidente sobre a área de reserva legal e, conseqüentemente, do próprio conceito de área de reserva legal. O art. 10, § 1°, inciso II, que trata da área tributável do imóvel para fins de ITR, exclui da incidência do imposto a áreas de preservação permanente e de reserva legal previstas no Código Florestal Brasileiro, in verbis: Art. 10 sç 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: 2 Processo n° 10670.002007/2002-05 CSFtF-T2 Acórdão n.° 9202-00.144 Fl. 3 • t",! • a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; Por seu turno, a Lei n° Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989 (Código Florestal Brasileiro), portanto, à época dos fatos geradores, previa a obrigatoriedade de averbação da área de reserva legal no registro de imóveis competente, nos seguintes termos: Art. 16. As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação permanente, previstas nos artigos 2° e 3° desta lei, são suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições: § 2°A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989). No meu entender a averbação da área de reserva legal à margem da inscrição de matrícula do imóvel no registro de imóveis competente é condição para que a referida área seja, efetivamente, considerada como área de reserva legal. Precedente do Supremo Tribunal Federal (Mandado de Segurança n° 22.688/PB) é explícito no sentido de que determinada área somente pode ser considerada como área de reserva legal após a averbação desta situação no registro de imóveis, assim ementado: EMENTA: Mandado de segurança. Desapropriação de imóvel rural para fins de reforma agrária. Preliminar de perda de objeto da segurança que se rejeita. - No mérito, não fizerem os impetrantes prova da averbação da área de reserva legal anteriormente à vistoria do imóvel, cujo laudo (fls. 71) é de 09.05.96, ao passo que a averbação existente nos autos data de 26.11.96 (fls. 73-verso), posterior inclusive ao Decreto em causa, que é de 06.09.96.(GRIFEI) Mandado de segurança indeferido. Por relevante, transcrevo excerto voto vista do Ministro Sepúlveda Pertence proferido no julgado do Mandado de Segurança acima ementado, em que afirma peremptoriamente que sem a averbação determinada pelo §2° do art. 16 da lei n° 4.771/1965 não existe reserva legal: A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ser excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade (.) (lk 3 A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja determinada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel o que dos novos proprietários só estaria obrigado a preservar vinte por cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averbaçáo determinada pelo §2° do art. 16 da lei n°4.771/1965 não existe reserva legal. (GRIFEI) Portanto, a averbação no registro de imóveis não se trata tão somente de matéria de prova acerca da configuração da área de reserva legal ou, ainda, de obrigação acessória a ser cumprida pelo contribuinte, pelo contrário, trata-se de ato constitutivo da própria área de reserva legal. Destarte, a área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto, o que não 'correu no presente caso. Por todo exp n sto, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Elias Sampaio Freire - Re ator 4
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Numero do processo: 14041.001451/2007-77
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. REUNIÃO DE PROCESSOS PARA JULGAMENTO CONJUNTO. INEXISTÊNCIA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DE NORMA OBRIGANDO TAL PROCEDIMENTO.
Inexiste no âmbito do Processo Administrativo Fiscal Federal norma que torne obrigatório o julgamento conjunto de processos lavrados contra o mesmo contribuinte, ainda que guardem relação de conexão, quando há elementos que permitam o julgamento em separado.
PROGRAMA DE INCENTIVO. PREMIO ATRAVÉS DE CARTÃO. GRATIFICAÇÃO. REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA.
A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, administrativo por empresas de premiação é fato gerador de contribuição previdenciária.
PROVA PERICIAL. APRESENTAÇÃO. DILAÇÃO DE PRAZO. IMPROCEDÊNCIA.
Observado o prazo legal para apresentação de prova pericial não há previsão legal que permita a autoridade administrativa dilatar temporalmente prazo processual.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-001.897
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Bianca Delgado Pinheiro, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato, Osmar Pereira Costa.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2004 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. REUNIÃO DE PROCESSOS PARA JULGAMENTO CONJUNTO. INEXISTÊNCIA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DE NORMA OBRIGANDO TAL PROCEDIMENTO. Inexiste no âmbito do Processo Administrativo Fiscal Federal norma que torne obrigatório o julgamento conjunto de processos lavrados contra o mesmo contribuinte, ainda que guardem relação de conexão, quando há elementos que permitam o julgamento em separado. PROGRAMA DE INCENTIVO. PREMIO ATRAVÉS DE CARTÃO. GRATIFICAÇÃO. REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, administrativo por empresas de premiação é fato gerador de contribuição previdenciária. PROVA PERICIAL. APRESENTAÇÃO. DILAÇÃO DE PRAZO. IMPROCEDÊNCIA. Observado o prazo legal para apresentação de prova pericial não há previsão legal que permita a autoridade administrativa dilatar temporalmente prazo processual. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Bianca Delgado Pinheiro, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato, Osmar Pereira Costa.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2004 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. REUNIÃO DE PROCESSOS PARA JULGAMENTO CONJUNTO. INEXISTÊNCIA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DE NORMA OBRIGANDO TAL PROCEDIMENTO. Inexiste no âmbito do Processo Administrativo Fiscal Federal norma que torne obrigatório o julgamento conjunto de processos lavrados contra o mesmo contribuinte, ainda que guardem relação de conexão, quando há elementos que permitam o julgamento em separado. PROGRAMA DE INCENTIVO. PREMIO ATRAVÉS DE CARTÃO. GRATIFICAÇÃO. REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, administrativo por empresas de premiação é fato gerador de contribuição previdenciária. PROVA PERICIAL. APRESENTAÇÃO. DILAÇÃO DE PRAZO. IMPROCEDÊNCIA. Observado o prazo legal para apresentação de prova pericial não há previsão legal que permita a autoridade administrativa dilatar temporalmente prazo processual. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 14 51 /2 00 7- 77 Fl. 330DF CARF MF Impresso em 23/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/1 1/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 14041.001451/200777 Acórdão n.º 2803001.897 S2TE03 Fl. 331 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Bianca Delgado Pinheiro, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato, Osmar Pereira Costa. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 23/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/1 1/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 14041.001451/200777 Acórdão n.º 2803001.897 S2TE03 Fl. 332 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa CAIXA VIDA PREVIDÊNCIA S.A. em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve o lançamento de débito referente ao período de 01/05/2004 a 31/12/2006, por descumprimento de obrigação acessória. 2. Consta no relatório fiscal (f. 10) que a empresa deixou de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, referente a pagamentos efetuados aos empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviços, a título de prêmios, bonificações e comissões, por meio de crédito em conta corrente, cartões de créditos ou débitos, ou pontos de fidelização para posterior resgate. Do mencionado relatório consta que: “O procedimento fiscal foi aberto para verificar os valores pagos pela SEGURADORA à empresa SPIRIT INCENTIVO E FIDELIZAÇÃO LTDA – CNPJ nº 04.182.848/000130, tendo em vista que referidos valores poderiam referirse a remuneração transferida a seus empregados por serviços prestados, a título de premiação, bonificação, fidelização e outros. Tais fatos geradores foram levantados através de técnicas de auditoria tais como testes de observância e substantivos, aplicados aos documentos, arquivos digitais, arquivos contábeis, folha de pagamento e outros. Foi realizada circularização de informações junto às empresas CEF, FENAE CORRETORA E GRUPO CAIXA, realizadas reuniões técnicas com os responsáveis das empresas supra mencionadas. Durante os procedimentos de auditoria, realizada a circularização, verificouse as situações abaixo descritas, conforme informações prestadas pelos seus empregados: 1. VALORES PAGOS INTERNAMENTE PELA SEGURADORA AOS SEUS EMPREGADOS: a) Premiação concedida aos funcionários sob a forma de valores em espécie, comissões e pontos de fidelização, pagos pela SEGURADORA e por intermédio de empresas de Marketing e endoMarketing – ações de marketing voltadas para o público interno; 2. VALORES PAGOS AOS SEUS EMPREGADOS PELAS OUTRAS EMPRESAS DO GRUPO CAIXA, CEF E FENAE CORRETORA: a) Comissões, pagas em moeda corrente através de crédito em conta corrente ou por cartões de crédito/débito ou outras formas de cartões, relativo aos produtos comercializados das empresas do GRUPO CAIXA cuja atividade de corretagem está a cargo da Fl. 332DF CARF MF Impresso em 23/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/1 1/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 14041.001451/200777 Acórdão n.º 2803001.897 S2TE03 Fl. 333 4 empresa FENAE CORRETORA, responsável esta pelo repasse dos valores a seus empregados; b) Pontos de fidelização dos programas de incentivo de marketing das empresas do GRUPO CAIXA, denominados por estas de Programa PAR e Programa de Relacionamento do Grupo Caixa Seguros – Sempre ao lado, creditados em conta fidelidade administrada pela empesa SPIRIT INCENTIVO E FIDELIZAÇÃO LTDA. – CNPJ nº 04.182.848/000130. Os resgates dos referidos pontos ocorrem pela aquisição de bens tangíveis e intangíveis junto a empresas do comércio eletrônico de mercadorias tais como a Produtos Americanas.com, CVC, Pão de Açúcar, C&A, Cinemark, Abril e Carta Capital; DESCRIÇÃO DOS FATOS No período a CAIXA SEGURADORA S.A deixou de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos referente às remunerações pagas, devidas ou creditadas sob a forma de prêmios, bonificações e comissões, utilizandose de crédito em conta corrente, cartões de créditos ou débitos ou pontos de fidelização para posterior resgate. Da análise dos arquivos digitais, livros e documentos entregues verificouse que os valores foram lançados em contas de publicidade e propaganda.” (fls. 09/10). 3. A empresa foi cientificada do lançamento fiscal em 30/04/2007 (fl. 15), e, em seguida apresentou impugnação tempestiva às fls. 249/254. No entanto, o Colegiado de primeira instância julgou improcedente a impugnação da contribuinte, por considerar que incide contribuições previdenciárias sobre os valores pagos pela empresa, a título de prêmio, a seus empregados (ff. 295 e ss). 4. O acórdão da decisão restou ementado nos termos que transcrevo abaixo: “OMISSÃO DE FATOS GERADORES NA CONTABILIDADE. Constitui infração deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. PRÊMIO. PRODUTIVIDADE. O pagamento de prêmio/plano de incentivo a segurados empregados tem natureza salarial, integrando o salário de contribuição, por não estar contemplado nas exclusões arroladas no parágrafo 9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/91 e alterações posteriores. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 23/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/1 1/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 14041.001451/200777 Acórdão n.º 2803001.897 S2TE03 Fl. 334 5 PRÊMIOS. TERCEIROS. O pagamento de prêmio/plano de incentivo ao empregado por empresas que não se revistam da qualidade de empregador, mas com o consentimento deste, aproveitando a relação de emprego e as oportunidades daí advindas, integra o salário de contribuição. Lançamento procedente”. (f. 295/303). 5. Inconformada com a decisão proferida o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 306/314), no qual aduz em síntese: a) que, uma vez que a obrigação acessória segue a principal, deve o presente auto de infração ser cancelado, pois o crédito tributário discutido nos autos da NFLD nº 37.114.4509 (obrigação principal) ainda não foi definitivamente constituído; b) sustenta que para dar o devido cumprimento ao princípio da verdade material que norteia o Processo Administrativo, devese deferir o pedido de apresentação da perícia contratada pela autuada. 6. O fisco não apresentou contrarrazões e o processo foi encaminhado para análise e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 23/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/1 1/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 14041.001451/200777 Acórdão n.º 2803001.897 S2TE03 Fl. 335 6 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DO JULGAMENTO CONJUNTO COM A OBRIGAÇÃO PRINCIPAL 2. Considerando que a recorrente suscita o cancelamento do auto de infração tendo em vista que o crédito tributário discutido nos autos da NFLD nº 37.114.4509 (obrigação principal) até o presente momento não foi apreciado, é oportuno mencionar que o artigo 9º, do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, aplicável à época do lançamento, determina que “a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito”. 3. Da mesma forma assim determina o Decreto n.º 7.574, de 29 de setembro de 2011, que destaca a necessidade de que cada processo (autos de infração ou notificações) seja instruído de maneira que ambos possam ser analisados separadamente: “Art. 38. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 9º, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, art. 25). §1º Os autos de infração ou as notificações de lançamento, em observância ao disposto no art. 25 deverão ser instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do fato motivador da exigência.” 4. Em obediência ao citado dispositivo, os dados constantes dos processos devem ser suficientes para o deslinde da controvérsia e convencimento do Colegiado julgador, o que afasta a necessidade de apreciação conjunta com outros processos lavrados contra o mesmo sujeito passivo. 5. Tornase necessário, ainda, que seja observado o princípio da celeridade processual trazido pelo inciso LXXVIII, do artigo 5º, da Constituição Federal, o qual dispõe que “a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação”. 6. Assim, com base no referido princípio, devese buscar a solução dos conflitos suscitados no processo da forma mais breve possível, evitando, assim, as dilações Fl. 335DF CARF MF Impresso em 23/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/1 1/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 14041.001451/200777 Acórdão n.º 2803001.897 S2TE03 Fl. 336 7 indevidas. E como os processos já se encontram distribuídos à relatoria de diferentes conselheiros, a pausa em seus julgamentos para a redistribuição dos autos poderia acarretar em um atraso desnecessário. 7. Evidentemente que em alguns casos o julgamento conjunto, caracterizando a conexão entre os processos, será necessário, por considerar fato importante para o deslinde da controvérsia constante em processo diverso, contudo, a análise será delimitada pelo julgador caso a caso. 8. No mesmo sentido, tem decidido esse Conselho ao julgar casos semelhantes, conforme ementas de julgados recentes que transcrevo a seguir: “(...). REUNIÃO DE PROCESSOS PARA JULGAMENTO CONJUNTO. INEXISTÊNCIA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DE NORMA OBRIGANDO TAL PROCEDIMENTO. Inexiste no âmbito do Processo Administrativo Fiscal Federal norma que torne obrigatório o julgamento conjunto de processos lavrados contra o mesmo contribuinte, ainda que guardem relação de conexão, quando há elementos que permitam o julgamento em separado. (...).” (1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 2ª Seção de julgamento do CARF, Ac. 240102.044, de 29/9/2011, rel. Kleber Ferreira de Araújo, processo nº10120.000951/201056). “(...). CONEXÃO DE PROCESSOS. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. Não pode ser atendido o pedido de conexão de processos administrativos desacompanhado de sua motivação. São autônomas as decisões proferidas em cada processo administrativo fiscal, ainda que versando sobre questões congêneres.(...).” (2ª Turma Ordinária, da 1ª Câmara, da 3ª Seção de Julgamento do CARF, Ac. 310200.800, de 27/8/2010, rel. Ricardo Rosa, Processo nº 10830.002668/200757). 9. Por essa razão, apesar dos presentes autos se tratarem de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, não restou comprovada cabalmente a necessidade de julgamento conjunto com o respectivo processo referente à obrigação principal, uma vez que consta nos autos arcabouço documental e suficiente para que se realize o julgamento em separado. 10. Por fim, é plausível o receio da recorrente de haverem julgamentos conflitantes a respeito da mesma matéria, uma vez que no processo que analisará a obrigação principal, esta poderá ser desconsiderada como base de cálculo das contribuições previdenciárias e assim, prejudicaria o objeto do auto de infração. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 23/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/1 1/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 14041.001451/200777 Acórdão n.º 2803001.897 S2TE03 Fl. 337 8 11. Ocorre que quanto à caracterização do montante pago aos empregados a título de prêmios, por intermédio de empresa responsável por programa de incentivo à produtividade, a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) é uníssona para considerar tais valores como hipótese de incidência das contribuições, ou seja, não haverá prejuízo para a recorrente, uma vez que as decisões caminham num único sentido. 12. Nessa esteira, transcrevo ementas de acórdãos proferidos pelo Superior Tribunal de Justiça e pelo CARF, que alicerçam a posição adotada: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. "PRÊMIODESEMPENHO". CARÁTER REMUNERATÓRIO. NEGATIVA DE VIGÊNCIA DO ART. 535, II, DO CPC. INEXISTÊNCIA. 1. Cuidase de recurso especial interposto pela Companhia Vale do Rio Doce contra acórdão proferido pelo TRF da 2ª Região que negou provimento ao apelo autoral ao concluir que a Lei n. 5.890/73 é taxativa e impõe a incidência de contribuição previdenciária sobre qualquer parcela paga ao empregado. A recorrente aponta negativa de vigência dos arts. 535, II, do CPC, 76 da Lei n. 3.807/60, 173 do Decreto n. 60501/67, 223 do Decreto n. 72771/73 e 457 da CLT, além de divergência jurisprudencial. Em suas razões, sustenta, em síntese, que: a) embora devidamente suscitado no recurso integrativo, não houve pronunciamento acerca do conceito de remuneração e salário decontribuição previsto nos Decretos n. 60.501/67 e 72.771/73 e na CLT; b) as parcelas recebidas pelos empregados a título de "prêmiodesempenho" foram pagas eventualmente sem nenhuma contraprestação, logo não se enquadram no conceito de salário decontribuição. 2. Se o Tribunal de origem adota entendimento diverso do pretendido pela parte analisando a questão sob o prisma que julga pertinente à lide de forma motivada e fundamentada, não há violação do art. 535, II, do CPC. 3. A legislação vigente à época dos débitos em discussão (08/1973 a 02/1974), Lei n. 3.807/60, art. 76, bem como o entendimento do egrégio STF, assinalado na Súmula n. 241, reconhecia que as parcelas recebidas pelo empregado, pagas a qualquer título, integravam o saláriodecontribuição. 4. Na espécie, diante das circunstâncias fáticas apresentadas em juízo destacou o Tribunal de Origem: "O caso é que o "bônus" ou "prêmio desempenho" tem caráter remuneratório, sendo irrelevante, o fato de se tratar de parcela paga por ato de liberalidade do empregador." (fl. 120). 5. Recurso especial nãoprovido. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 23/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/1 1/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 14041.001451/200777 Acórdão n.º 2803001.897 S2TE03 Fl. 338 9 (REsp 910.214/ES, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/05/2007, DJ 11/06/2007, p. 293). TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DAS EMPRESAS EM GERAL. LEI 7.787/89. INCIDÊNCIA SOBRE PARCELA DENOMINADA 'PRÊMIO PRODUÇÃO'. CARÁTER REMUNERATÓRIO. 1. O lançamento de contribuição previdenciária patronal, relativa aos meses de julho, agosto e setembro do ano de 1990 regese pela Lei 7.787/89, vigente à época do fato gerador (CTN, art. 144). 2. Dispondo, o art. 3º da Lei 7.787/89, que a base de cálculo da exação é "o total das remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados empregados" e, considerandose que o "prêmio produção", no caso concreto, consistiu em "gratificação destinada à recuperação do serviço telefônico prejudicado por movimento paredista deflagrado pelo Sindicato dos empregados" (fl. 167), de caráter nitidamente remuneratório, resta evidente a incidência da contribuição previdenciária patronal. 3. Recurso especial interposto pelo INSS provido e recurso da Brasil Telecom S/A prejudicado. (REsp 565375/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/08/2006, DJ 31/08/2006, p. 199). NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO. REMUNERAÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, administrativo por empresas de premiação é fato gerador de contribuição previdenciária. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. APLICAÇÃO DE JUROS SELIC. PREVISÃO LEGAL. Dispõe a Súmula nº 03, do CARF: “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais.” Fl. 338DF CARF MF Impresso em 23/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/1 1/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 14041.001451/200777 Acórdão n.º 2803001.897 S2TE03 Fl. 339 10 O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. (...). Recurso Voluntário Provido em Parte (2ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária do CARF, Processo nº 14041.000407/200740, Acórdão nº 2401 01.795, data da sessão 14/04/2011, Relatora: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira). SUCESSÃO Ocorre sucessão de fato toda vez que uma empresa é absorvida por outra, sem solução de continuidade, devendose levar em consideração, principalmente, os elementos que integram a atividade empresarial, quais sejam: ramo do negócio, ponto, clientela, móveis, máquinas, organização e empregados. PROGRAMA DE INCENTIVO. PREMIO ATRAVÉS DE CARTÃO. GRATIFICAÇÃO. REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, mesmo através de cartões de premiação, constitui gratificação e, portanto, tem natureza salarial. Recurso Voluntário Negado Credito Tributário Mantido (2ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária do CARF, Processo nº 10510.003261/200760, Acórdão nº 2302 000.779, data da sessão 02/12/2010, Relatora: Liege Lacroix Thomasi). 13. Pelo exposto supra, inferese que não procede o pedido de cancelamento do auto de infração, exarado pela recorrente. DO REQUERIMENTO DE DILAÇÃO DE PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DE PERÍCIA 14. A empresa em 27/02/2008 apresentou pedido de dilação do prazo para apresentação da perícia que essa contratou para proceder a análise técnica dos fundamentos do lançamento, fls. 290/293, conforme trecho destacado: “Seja pela ausência de pagamentos em espécie, seja pela responsabilização da Impugnante por débitos de outros sujeitos passivos; fato é que a Impugnante pretende trazer aos autos os apontamentos necessários para corroborar as explicitações de defesa. Assim, quando notificada, a Contribuinte iniciou um levantamento detalhado da base de cálculo para pontuar e quantificar estas inconsistências. Ocorre que este trabalho, preciso e detalhado, está em sua fase final de batimento para que Fl. 339DF CARF MF Impresso em 23/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/1 1/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 14041.001451/200777 Acórdão n.º 2803001.897 S2TE03 Fl. 340 11 se possa complementar as razões já deduzidas, facilitando a apreciação por esta Colenda Turma julgadora. Desta feita, permitindose a inteira apreciação das razões deduzidas em sede de impugnação, em atenção aos princípios constitucionais da ampla defesa, contraditório e devido processo legal (incisos LIV e LV, do artigo 50 da Constituição Federal), roga seja concedido prazo de 15 (quinze) dias para conclusão deste trabalho pericial e apresentação destes dados A Receita, para julgamento acertado da Impugnação.” 15. Ora, o Decreto n.º 72.235, de 1972, com redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993 que regula do Processo Administrativo Fiscal, diz: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta; IV as diligências que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993); IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). (...). Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. 16. Vêse, portanto, da leitura do dispositivo que, além de ser obrigada a cumprir requisitos legais para ter o pedido de perícia deferido, tal deferimento só ocorrerá diante do entendimento da autoridade administrativa no que concerne à necessidade da mesma. 17. Nesse sentido, não basta que o sujeito passivo deseje a realização da perícia, esta tem que ser considerada essencial para o deslinde da questão pela autoridade administrativa, nos termos da legislação aplicável. 18. Cumpre mencionar que no caso em análise o Colegiado a quo observou rigorosamente o prazo legal concedido à recorrente para apresentação de prova pericial, o que não foi atendido e deu origem ao pedido de concessão de quinze dias para manifestação. Diante disso, vêse que não assiste razão à solicitação da recorrente, uma vez que, de fato, não há Fl. 340DF CARF MF Impresso em 23/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/1 1/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 14041.001451/200777 Acórdão n.º 2803001.897 S2TE03 Fl. 341 12 previsão legal que permita submeter a juízo da autoridade administrativa a dilação temporal de prazo processual. CONCLUSÃO 19. Ante ao exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos acima alinhavados. (assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos – Relator Fl. 341DF CARF MF Impresso em 23/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/1 1/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
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Numero do processo: 13888.002379/2006-08
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005
NULIDADE - CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL - INEXISTÊNCIA - As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão.
DEPÓSITO BANCÁRIO - DECADÊNCIA - Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. O fato gerador do IRPF, tratando-se de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, se perfaz em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN).
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - NULIDADE DO PROCESSO FISCAL - Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 - Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS - VALOR INDIVIDUAL IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00 - LIMITE ANUAL DE R$ 80.000,00 - No caso de pessoa física, não são considerados rendimentos omitidos, para os fins da presunção do artigo 42, da Lei n° 9.430, de 1996, os depósitos de valor igual ou inferior a R$ 12.000,00, cuja soma anual não ultrapasse R$ 80.000,00 (§3°, inciso II, da mesma lei, com a redação dada pela Lei n° 9.481, de 1997).
Preliminar de decadência acolhida.
Preliminar de nulidade rejeitada.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2202-002.065
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher a arguição de decadência suscitada pelo Recorrente e declarar extinto o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativo ao ano-calendário de 2000; rejeitar a preliminar suscitada pelo Recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência o ano-calendário de 2002.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 NULIDADE - CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL - INEXISTÊNCIA - As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão. DEPÓSITO BANCÁRIO - DECADÊNCIA - Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. O fato gerador do IRPF, tratando-se de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, se perfaz em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN). CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - NULIDADE DO PROCESSO FISCAL - Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 - Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS - VALOR INDIVIDUAL IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00 - LIMITE ANUAL DE R$ 80.000,00 - No caso de pessoa física, não são considerados rendimentos omitidos, para os fins da presunção do artigo 42, da Lei n° 9.430, de 1996, os depósitos de valor igual ou inferior a R$ 12.000,00, cuja soma anual não ultrapasse R$ 80.000,00 (§3°, inciso II, da mesma lei, com a redação dada pela Lei n° 9.481, de 1997). Preliminar de decadência acolhida. Preliminar de nulidade rejeitada. Recurso provido em parte.
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DEPÓSITO BANCÁRIO DECADÊNCIA Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. O fato gerador do IRPF, tratandose de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, se perfaz em 31 de dezembro de cada anocalendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN). CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NULIDADE DO PROCESSO FISCAL Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 23 79 /2 00 6- 08 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 DEPÓSITOS BANCÁRIOS VALOR INDIVIDUAL IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00 LIMITE ANUAL DE R$ 80.000,00 No caso de pessoa física, não são considerados rendimentos omitidos, para os fins da presunção do artigo 42, da Lei n° 9.430, de 1996, os depósitos de valor igual ou inferior a R$ 12.000,00, cuja soma anual não ultrapasse R$ 80.000,00 (§3°, inciso II, da mesma lei, com a redação dada pela Lei n° 9.481, de 1997). Preliminar de decadência acolhida. Preliminar de nulidade rejeitada. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher a arguição de decadência suscitada pelo Recorrente e declarar extinto o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativo ao anocalendário de 2000; rejeitar a preliminar suscitada pelo Recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência o anocalendário de 2002. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13888.002379/200608 Acórdão n.º 2202002.065 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, ESTEVAM DE CASTRO FILHO, foi lavrado o Auto de Infração, relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (fls. 239/259), anos calendário 2000 a 2005, para cobrança do crédito tributário de R$ 882.197,35, sendo R$ 383.364,38 de imposto; R$ 287.523,27 de multa proporcional; R$ 1.847,02 de multa isolada e R$ 209.462,68 de juros de mora calculados até 31/08/2006. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, foi apurada a seguinte infração: 01 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida em instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Constatação em anexo, que é parte integrante deste Auto de Infração. 02 MULTA ISOLADAS POR FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPF A TÍTULO DE CARNÊ LEÃO, APURADAS NAS DIRF DOS ANOS CALENDÁRIOS 2001, 2004 E 2005. Após ser cientificado, em 02/10/06, do Auto de Infração em referência, na pessoa de seu Procurador (fl. 239), o interessado, por intermédio do mesmo, apresentou a impugnação de fls. 263/283, valendose, em síntese, dos seguintes argumentos: CERCEAMENTO DE DEFESA E OFENSA AO DEVIDO PROCESSO LEGAL. A autoridade fiscal não intimou regularmente o contribuinte para que apresentasse documentos comprovantes da origem dos depósitos bancários, relativos ao ano calendário de 2005, tendo lavrado o Auto de Infração sem que o mesmo tivesse a oportunidade de se manifestar sobre os documentos comprobatórios dos depósitos em sua conta bancária. Assim, evidente o cerceamento de defesa, pois o Auto de Infração foi lavrado sem observância do disposto no caput do art. 42 da Lei n° 9.430/96, incidindo a nulidade prevista no artigo 59, II do Decreto n° 70.235/72. DA DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo ao ano calendário de 2000 está decaído. Com o intuito de ilustrar esse entendimento transcreve diversos julgados das Delegacias Regionais de Julgamento sobre o tema. DO MÉRITO DA IMPOSSIBILIDADE DE CÁLCULO DE VALORES DEVIDOS A TÍTULO DE IMPOSTO DE RENDA COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 A administração tributária não pode recorrer a métodos indiciários para determinar renda tributável, bem como recorrer a presunções para concluir terem sido praticados fatos geradores tributáveis; Os débitos de impostos de renda que tenham por base a renda presumida através de arbitramento sobre os depósitos bancários são ilegítimos, pois os depósitos bancários não constituem fato gerador do imposto de renda visto não caracterizarem disponibilidade econômica de renda e proventos. A corroborar essa tese apresenta diversas decisões administrativas. A DRJSão Paulo II ao apreciar as razões do contribuinte, julgou o lançamento procedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NULIDADE DO LANÇAMENTO. Tendo o auto de infração sido lavrado com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento e, existentes no instrumento todas as formalidades necessárias para que o contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa e conseqüente nulidade do lançamento. DECADÊNCIA. NATUREZA DO LANÇAMENTO. Tendo havido recolhimento a menor do tributo, ensejando lançamento de ofício, o início da contagem do prazo decadencial terá efeito no primeiro dia do exercício seguinte àquele previsto para a entrega da declaração de ajuste anual, conforme o disposto no art. 173, Ido CTN. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei n° 9.430/1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Lançamento Procedente Insatisfeito, o contribuinte interpõe recurso voluntário ao Conselho onde reitera as mesmas razões da impugnação, enfatizando os seguintes pontos: que embora tenha sido intimado a apresentar apenas os anos de 2000 a 2004, o lançamento incluiu o ano calendário de 2005, sem ter existido qualquer intimação para esse ano calendário; do cerceamento do direito de defesa, determinando a nulidade do lançamento por não atender os requisitos de ordem pública contidos no artigo 142 do CTN; Fl. 4DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13888.002379/200608 Acórdão n.º 2202002.065 S2C2T2 Fl. 4 5 da decadência do lançamento de tributo sujeito a lançamento de homologação; do lançamento efetuado apenas com base em depósito bancário. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da Preliminar de Decadência Nessa senda, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial para os rendimentos omitidos, deduções indevidas e infrações tributárias que ocorreram ao longo do ano de 2000, previsto no art. 150, parágrafo 4º, do CTN é de 1º de janeiro de 2001, posto que é o 1º dia após a ocorrência do fato gerador. Desta forma, o lançamento poderia ser realizado até a data de 31/12/2005, para que pudesse alcançar os valores percebidos no anocalendário de 2000. Como o auto de infração foi encaminhado ao contribuinte teve ciência do auto de infração apenas em 02/10/2006, entendo que nessa data já havia decaído o direito da fazenda constituir o referido crédito tributário. Como é sabido, o lançamento é o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, identificar o seu sujeito passivo, determinar a matéria tributável e calcular ou por outra forma definir o montante do crédito tributário, aplicando, se for o caso, a penalidade cabível. Com o lançamento constituise o crédito tributário, de modo que antes do lançamento, tendo ocorrido o fato imponível, ou seja, aquela circunstância descrita na lei como hipótese em que há incidência de tributo, verificase, tão somente, obrigação tributária, que não deixa de caracterizar relação jurídica tributária. É sabido, que são utilizados, na cobrança de impostos e/ou contribuições, tanto o lançamento por declaração quanto o lançamento por homologação. Aplicase o lançamento por declaração (artigo 147 do Código Tributário Nacional) quando há participação da administração tributária com base em informações prestadas pelo sujeito passivo, ou quando, tendo havido recolhimentos antecipados, é apresentada a declaração respectiva, para o juste final do tributo efetivamente devido, cobrandose as insuficiências ou apurandose os excessos, com posterior restituição. Por outro lado, nos precisos termos do artigo 150 do CTN, ocorre o lançamento por homologação quando a legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, a qual, tomando conhecimento da atividade assim exercida, expressamente a homologa. Inexistindo essa homologação expressa, ocorrerá ela no prazo de 05 (cinco) anos, a contar do fato gerador do tributo. Com outras palavras, no lançamento por homologação, o contribuinte apura o montante e efetua o recolhimento do tributo de forma definitiva, independentemente de ajustes posteriores. Neste ponto está a distinção fundamental entre uma sistemática e outra, ou seja, para se saber o regime de lançamento de um tributo, basta compulsar a sua legislação e verificar quando nasce o dever de cumprimento da obrigação tributária pelo sujeito passivo: se dependente de atividade da administração tributária, com base em informações prestadas pelos sujeitos passivos (lançamento por declaração), hipótese em que, antes de notificado do lançamento, nada deve o sujeito passivo; se, independente do pronunciamento da administração tributária, deve o sujeito passivo ir calculando e pagando o tributo, na forma estipulada pela legislação, sem exame do sujeito ativo lançamento por homologação, que, a Fl. 6DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13888.002379/200608 Acórdão n.º 2202002.065 S2C2T2 Fl. 5 7 rigor técnico, não é lançamento, porquanto quando se homologa nada se constitui, pelo contrário, declarase à existência de um crédito que já está extinto pelo pagamento. Importante frisar que o recorrente apresentou declaração de ajuste anual do exercício de 2001 em 11/04/2001, tendo apurado imposto a pagar. Em suma, no meu entendimento cabe considerar o lançamento do ano de 2000 como decadente. Caso o auto de infração tivesse sido cientificado ao recorrente ainda no ano de 2005, estaria afastada essa hipótese. Da Nulidade do Auto de Infração Formula o contribuinte preliminar de nulidade alegando que a autoridade administrativa promoveu ato ilegal no seus atos administrativos, eivando de vício de nulidade o auto de infração. Ocorre que, nos presentes autos, não ocorreu nenhum vício para que o procedimento seja anulado, como bem discorreu a autoridade recorrida, os vícios capazes de anular o processo são os descritos no artigo 59 do Decreto 70.235/1972 e só serão declarados se importarem em prejuízo para o sujeito passivo, de acordo com o artigo 60 do mesmo diploma legal. Sob a argumentação de que o contribuinte não teria sido intimado para o ano 2005, o termo de verificação fiscal esclarece a questão as fls 260, “Em 07/07/2006, através de Termo de Intimação Fiscal (fls. 202), novamente intimamos o contribuinte a apresentar os documentos comprobatórios da origem dos recursos depositados no Banco HSBC, conforme relação anexada, do período de jan/2000 a nov/2005 (fls. 155 a 166) (por engano de redação, o referido termo faz referência ao período de jan/2000 a dez/2004).”, Logo na verdade o contribuinte, foi efetivamente intimando, uma vez que na relação figura depósitos ao longo do ano de 2005. Deste modo, se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. É de se rejeitar a preliminar de nulidade por cerceamento de direito de defesa. Da Presunção baseada em Depósitos Bancários O lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). Fl. 7DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza nãotributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.º 9.430/1996). Dos Limites previstos no Art. 42 da Lei. 9.430/96 No que toca aos limites percebese da analise dos autos que os valores movimentados na conta bancária da recorrente, e que embasaram o lançamento, foi respectivamente de R$ 514.257,98, R$ 212.838,61 , R$ 18.602,67 e R$126.003,98, R$ 263.548,88 e R$ 291.105,14 , nos anos calendários de 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005. Desta forma, resta verificar se o procedimento fiscal atentou ao limites disposto na legislação vigente. Para uma correta elucidação acerca deste ponto cabe transcrever os excertos legais pertinentes: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às Fl. 8DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13888.002379/200608 Acórdão n.º 2202002.065 S2C2T2 Fl. 6 9 normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). (Alterado pela Lei nº 9.481, de 13.8.97) (grifos postos) Depreendese do excerto transcrito que não se pode considerar, para efeitos de determinação da receita omitida, os depósitos individuais iguais e inferiores a quantia de R$ 12.000,00, desde que o somatório destes não ultrapassem o valor de R$ 80.000,00. Com base no quadro de fls.218 a 238, apurase os valores lançados como omissão depósitos bancários por ano, segregando entre aqueles quais são iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 e os que são superiores. Pelo que se nota, apenas no ano calendário de 2002, o montante de depósitos de origem não comprovada com valores iguais ou inferiores a R$ 12.000,00, apresenta valores inferiores a R$ 80.000,00. Não há depósitos não comprovados de valor superior a R$12.000,00 Deste modo é de se dar provimento a essa parte do recurso, afastando integralmente o lançamento para o ano calendário 2002. Ante ao exposto, voto por acolher a arguição de decadência suscitada pelo Recorrente e declarar extinto o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativo ao anocalendário de 2000; rejeitar a preliminar suscitada pelo Recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência o anocalendário de 2002. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 9DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 13802.000208/94-52
Data da sessão: Wed May 13 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed May 13 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1994
Ementa:
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA — Tratando-se de lançamento com a exigibilidade suspensa, efetivado com intuito de evitar a decadência, cabível
a exoneração da multa de oficio com base em aplicação retroativa do art. 63 da Lei n° 9.430/96, vez que presente circunstância autorizadora do emanado pelo mi. 106 do Código Tributário Nacional.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO PRIVATIVO DA AUTORIDADE
ADMINISTRATIVA — Consoante o disposto no art. 142 do Código
Tributário Nacional, compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, ato por meio do qual verifica se a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determina-se a matéria tributável, calcula-se o montante do tributo devido, identifica-se o
sujeito passivo, aplicando-se, se for caso, a penalidade cabível.
CONCOMITÂNCIA — Importa renúncia às instâncias administrativas a
propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
JUROS DE MORA. EXIGIBILIDADE — Nos termos da legislação aplicável
à matéria (art. 50 do Decreto-Lei n° 1.736/79), os juros de mora são devidos mesmo durante o período em que a cobrança houver sido suspensa por decisão judicial ou administrativa.
1 1NCONSTITUCIONALIDADE - À autoridade administrativa cumpre, no
exercício da atividade de lançamento, o fiel cumprimento da lei. Exorbita à competência das autoridades julgadoras a apreciação acerca de suposta inconstitucionalidade ou ilegalidade de ato integrante do ordenamento jurídico vigente a época da ocorrência dos fatos.
Numero da decisão: 1301-000.073
Decisão: ACORDAM os membros da 3º câmara / lº turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO. Recurso de oficio - por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Recurso voluntário: por unanimidade de votos, não conhecer da matéria discutida na esfera Judicial por concomitância e de inconstitucionalidades de lei alegadas, e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Wilson Fernandes Guimarães
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1994 Ementa: LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA — Tratando-se de lançamento com a exigibilidade suspensa, efetivado com intuito de evitar a decadência, cabível a exoneração da multa de oficio com base em aplicação retroativa do art. 63 da Lei n° 9.430/96, vez que presente circunstância autorizadora do emanado pelo mi. 106 do Código Tributário Nacional. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO PRIVATIVO DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA — Consoante o disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional, compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, ato por meio do qual verifica se a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determina-se a matéria tributável, calcula-se o montante do tributo devido, identifica-se o sujeito passivo, aplicando-se, se for caso, a penalidade cabível. CONCOMITÂNCIA — Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. JUROS DE MORA. EXIGIBILIDADE — Nos termos da legislação aplicável à matéria (art. 50 do Decreto-Lei n° 1.736/79), os juros de mora são devidos mesmo durante o período em que a cobrança houver sido suspensa por decisão judicial ou administrativa. 1 1NCONSTITUCIONALIDADE - À autoridade administrativa cumpre, no exercício da atividade de lançamento, o fiel cumprimento da lei. Exorbita à competência das autoridades julgadoras a apreciação acerca de suposta inconstitucionalidade ou ilegalidade de ato integrante do ordenamento jurídico vigente a época da ocorrência dos fatos.
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' SI-C3T1 n. 1 • friirt,',nIx tr-1 MINISTÉRIO DA FAZENDA-4\ '‘ *-'t #c4 ,• CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. s., rfssr. ,;as -,a,t, • PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO o' Processo n° 13802.000208/94-52 Recurso n° 158.271 De Oficio e Voluntário . Acórdão n° 1301 -00.073 — 3 Câmara / I' Turma Ordinária Sessão de 13 de maio de 2009 Matéria 1RPJ - EX. 1994 Recorrentes r TURMA DA DRJ EM SÃO PAULO-SP I e CRTS - CONSTRUTORA DE REDES TELEFÔNICAS SOROCABANA LTDA Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1994 Ementa: LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA — Tratando-se de lançamento com a exigibilidade suspensa, efetivado com intuito de evitar a decadência, cabível a exoneração da multa de oficio com base em aplicação retroativa do art. 63 da Lei n° 9.430/96, vez que presente circunstância autorizadora do emanado pelo mi. 106 do Código Tributário Nacional. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO PRIVATIVO DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA — Consoante o disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional, compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, ato por meio do qual verifica- se a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determina-se a matéria tributável, calcula-se o montante do tributo devido, identifica-se o sujeito passivo, aplicando-se, se for caso, a penalidade cabível. CONCOMITÂNCIA — Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. JUROS DE MORA. EXIGIBILIDADE — Nos termos da legislação aplicável à matéria (art. 50 do Decreto-Lei n° 1.736/79), os juros de mora são devidos mesmo durante o período em que a cobrança houver sido suspensa por 0 decisão judicial ou administrativa. 1 1NCONSTITUCIONALIDADE - À autoridade administrativa cumpre, no exercício da atividade de lançamento, o fiel cumprimento da lei. Exorbita à ‘-521., 1 , Processo n° 13802.000208/94-52 S1-C3T1 AcArdão n.° 1301-00.073 Fl. 2 competência das autoridades julgadoras a apreciação acerca de suposta inconstitucionalidade ou ilegalidade de ato integrante do ordenamento jurídico vigente a época da ocorrência dos fatos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' câmara / l a turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO. Recurso de oficio - por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Recurso voluntário: por unanimidade de votos, não conhecer da matéria discutida na esfera Judicial por concomitância e de inconstitucionalidades de lei alegadas, e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que passam a integrar o fipresente julgado. , LOVIS S Presidente WI SON F . N' %to. o' S GU • RAES R, lator Z' Fo . lizado e ... 9 JUN 2009 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros. Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jacinto do Nascimento, Marcos Rodrigues de Mello, Leonardo Henrique M. de Oliveira, Waldir Veiga Rocha, Alexandre Antonio Allcmim Teixeira, José Carlos Passuello e José Clóvis Alves. • 2 Processo n° 13802.000208/94-52 SI-C3TI Acórdão a° 1301-00.073 Fl. 3 Relatório CRTS — Construtora de Redes Telefônicas Sorocabana Ltda, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão prolatada pela 2' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, que manteve parcialmente o lançamento efetivado, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Outrossim, a 2' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, consubstanciada no art. 34, inciso I, do Decreto n.° 70.235/72, com a alteração introduzida pela Lei n.° 9.532/97, recorre a este Colegiado de sua decisão, em face da exoneração que prolatou concernente à parcela do crédito tributário constituído contra a empresa em referência. Trata o processo da exigência de IRPJ, relativa ao exercício de 1994, formalizada em decorrência da constatação de que a contribuinte excluiu a totalidade da diferença de correção monetária IPC/BTNF, sem observar as limitações impostas pela legislação de regência. Consta dos autos que a contribuinte ingressou com mandado de segurança objetivando o direito de não se submeter às referidas limitações, tendo sido concedida liminar. O auto de infração foi lavrado com a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, visando evitar a decadência. Inconformada, a autuada apresentou impugnação aos feitos fiscais, fls. 23/33, argumentando, em síntese, o seguinte: - que o auto de infração seria nulo, pois, por força do art. 151, IV, do CTN, estava suspensa a exigibilidade do crédito tributário, por força da medida liminar (fls. 53 e 54) obtida no processo n° 94.03.041558-4; - que, por força da liminar obtida, estava o Fisco impedido de praticar qualquer ato fiscal contra ela; - que não estaria sujeita, pelo mesmo motivo, a qualquer tipo de encargo legal, ou seja, multa de oficio, multa de mora, ou juros de mora. - que, relativamente ao mérito, a Lei n°8.200/91 criou de forma arbitrária um critério injusto para os pagamentos efetuados a maior relativos à correção monetária IPC/BTNF, os quais somente poderiam ser compensados a partir de 1993, em quatro parcelas anuais (o número de parcelas foi posteriormente alterado pela Lei n° 8.682/93 para seis parcelas); - que tal procedimento prescrito pela lei tipifica um empréstimo compulsório, com infração ao art. 148 da CF; 3 Processo n° 13802.000208/94-52 SI-C3TI Acórdão n.• 1301-00.073 Fl. 4 - que também feriria o principio da capacidade contributiva, esculpido no art. 145 da CF, além de constituir confisco, o que seria vedado pela Constituição Federal em seu art. 150, inciso IV; - que a Lei n° 8.383/91 permitia a imediata compensação do crédito, conforme art. 66; - que, no que dizia respeito à multa aplicada de 100%, seria ela extorsiva, além do fato de estar protegido pela liminar obtida no citado mandado de segurança; - que, no que tange aos juros de mora, não teria ocorrido qualquer atraso no pagamento, não havendo, assim, como se falar em mora; A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio da Resolução DRJ/SPO/SP n°417/95.11.335 (fl. 56), resolveu sobrestar o julgamento do processo com base no argumento de que a matéria encontrava-se sub judice. Às fls. 752 dos autos, conforme decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal em Sorocaba, foi proposto o encaminhamento do presente processo a Delegacia de Julgamento para apreciação da matéria que divergia da discutida na esfera judicial. A 2° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, São Paulo, analisando os feitos fiscais e a peça de defesa, prolatou o Acórdão n° 16-10.601, de 14 de setembro de 2006, conforme ementa abaixo reproduzida. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO PELO LANÇAMENTO. EUGIBILIDADE SUSPENSA. A Fazenda Pública tem o poder-dever, mesmo em período protegido por decisão judicial, de lavrar o ato de lançamento, formalizando o crédito tributário de forma a prevenir a decadência. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Alegações de inconstitucionalidade são de exclusiva competência do Poder Judiciário. Matérias que as questionam não são apreciadas na esfera administrativa. PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda Pública, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa em renúncia às instâncias administrativas. MULTA DE OFICIO. INAPLICABILIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. Não é cabível a aplicação da multa de oficio nos casos em que o crédito tributário estava com a sua exigibilidade suspensa, aplicando-se a retroatividade benigna. JUROS DE MORA. CABIMENTO. Os juros de mora são devidos por expressa disposição legal, inclusive durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por medida judicial, impugnação ou recurso administrativo. Da decisão em referência, extraem-se os seguintes fragmentos: C29.— 4 Processo n° 13802.000208/94-52 SI-C3T1• Acórdão n.° 1301-00.073 Fl. 5 Entendo que a multa de oficio de 100% aplicada pela Autoridade Fiscal deva ser exonerada. A Autoridade Lançadora, no Termo de Verificação Fiscal, reconhece que havia liminar favorável ao Contribuinte obtida no mandado de segurança n° 94.03.041558-4, tendo lavrado o auto de infração com a exigibilidade do crédito tributário suspensa, de acordo com o art. 151, IV, do CTN. Na época, não havia previsão legal para a não aplicação da multa de oficio nos casos previstos no art. 151 do CT1V: O art. 63 da Lei 9.430/96 assim disciplina: Lei n°9.430/96 Art. 63. Não caberá lançamento de multa de oficio na constituição do crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributos e contribuições de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma do inciso IV do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966. Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de oficio. (A redação do caput deste artigo foi dada pelo artigo 70 da Medida Provisória n°2.158-34 de 27.07.2001). § 1 0 0 disposto neste artigo aplica-se, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de oficio a ele relativo. (.) CM' Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: 1- moratória; II - o depósito do seu montante integral; III - as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV - a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V — a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; (Inciso incluído pela LC n°104, de 10.1.2001) VI — o parcelamento. (Inciso incluído pela LC o° 104, de 10.1.2001) fr 5 Processo n° 13802.000208/94-52 S1-C3T1• Acórdão n.° 1301-00.073 Fl. 6 Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações assessórios dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela conseqüentes. Observe-se que transcrevemos acima o art. 63 da Lei 9.430/96 com a sua redação original e como figura agora, com a nova redação dada pela MP n° 2.158/2001. Como havia liminar obtida em mandado de segurança, deve-se aplicar ao presente caso o Princípio da Retroatividade Benigna. • Inconformada, a empresa apresentou o recurso de folhas 794/811, por meio do qual, renovando as razões trazidas em sede de impugnação, sustenta, ainda: - que a decisão recorrida merece reforma, devendo ser anulado o termo lavrado de fls. 02/03, visto que afronta a medida liminar concedida em mandado de segurança e se mostra ineficaz, pois o crédito foi constituído por ela própria em sua declaração; - que, relativamente ao não conhecimento de inconstitucionalidades na esfera administrativa, consigna que tal posicionamento afronta princípios constitucionais da Administração, tal como o da moralidade; - que a ausência da análise do mérito na esfera administrativa não se justifica, pois, o contribuinte tem o direito, ainda que em paralelo ação judicial, de conhecer o pronunciamento da administração, sob pena de infração das normas e princípios constitucionais que regem a Administração, tal como o principio da moralidade e o princípio da eficiência; - que, estando a exigibilidade do crédito suspensa desde a data do suposto vencimento, não há que se falar em mora, sendo, assim, descabida a aplicação dos juros; - que, ainda que se desconsidere a compensação efetuada mediante autorização judicial, observa-se que haverá um crédito a favor do Fisco e um crédito a favor dela, uma vez que as seis parcelas então vincendas e impostas pela Lei 8.200/91 já estão vencidas; - que, diante da existência incontroversa dos créditos acima citados, requer seja autorizada a compensação. É o Relatório. 7 6 Processo n° 13802.000208/94-52 SI-C3TI Acórdão n.• 1301-00.073 Fl. 7 Voto Conselheiro WILSON FERNANDES GUIMARAES, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata a lide de exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, relativa ao exercício de 1994, formalizada em decorrência da constatação de que a contribuinte excluiu a totalidade da diferença de correção monetária IPC/13TNF, sem observar as limitações impostas pela legislação de regência. A autoridade de primeira instância, tendo exonerado parcela do crédito tributário constituído, impetrou recurso de oficio. A contribuinte, por sua vez, inconformada com a decisão prolatada em primeira instância, traz razões, em sede de recurso voluntário. Passo, pois, a apreciar os recursos impetrados RECURSO DE OFICIO Depreende-se dos autos que a exoneração promovida pela decisão de primeira instância repousa sobre a multa de oficio lançada, exoneração essa fundamentada na aplicação retroativa de norma que estabeleceu que, tratando-se de lançamento que vise prevenir a decadência, não se deve aplicar a citada penalidade. A meu ver, não merece reparo o decidido em primeiro grau, eis que aplicável ao caso as disposições do art. 106 do Código Tributário Nacional. RECURSO VOLUNTÁRIO NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Alega a Recorrente que o auto de infração seria nulo, pois, por força do art. 151, IV, do CTN, estava suspensa a exigibilidade do crédito tributário em razão da medida liminar (fls. 53 e 54) obtida no processo no 94.03.041558-4. Para ela, em virtude da liminar obtida, estava o Fisco impedido de praticar qualquer ato fiscal contra ela. Não merece guarida o arguido pela Recorrente, vez que a ordem judicial referenciada por ela não criou qualquer impedimento para que o crédito tributário fosse constituído. Como se observa no documento de fls. 54, a liminar foi concedida nos termos em que foi requerida. No Mandado de Segurança impetrado, a contribuinte limitou-se a pedir que lhe fosse assegurado o direito de deduzir, por ocasião do pagamento do imposto de renda e da CSLL, créditos, assim denominado por ela, que detinha em razão da diferença de correção monetária. 7 . ‘ Processo n° 13802.000208/94-52 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.073 Fl. 8 Nesse contexto, não há que falar em nulidade do lançamento. ENCARGOS LEGAIS Alega a Recorrente que não estaria sujeita a qualquer tipo de encargo legal, ou seja, multa de oficio, multa de mora, ou juros de mora. No que tange aos juros de mora, argumenta que não teria ocorrido qualquer atraso no pagamento, não havendo, assim, que se falar em mora. A multa de oficio aplicada, como se viu, foi exonerada pela autoridade julgadora de primeira instância, em razão da aplicação retroativa das disposições do art. 63 da Lei n° 9.430/96. Quanto aos juros de mora, ainda que a exigibilidade do crédito tributário estivesse suspensa em razão de decisão judicial, por força do disposto no art. 5° do Decreto-Lei n° 1.736, de 1979, eles seriam devidos. Decreto-Lei n°1.736, de 20 dezembro de 1979 Are 5° - A correção monetária e os juros de mora serão devidos inclusive durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial MÉRITO No mérito, sustenta a Recorrente que a Lei n° 8.200/91 criou de forma arbitrária um critério injusto para os pagamentos efetuados a maior relativos à correção monetária IPC/BTNF, os quais somente poderiam ser compensados a partir de 1993, em quatro parcelas anuais (alterado posteriormente para seis parcelas). Afirma que tal procedimento prescrito pela lei tipifica um empréstimo compulsório, com infração ao art. 148 da CF. Argumenta que também feriria o princípio da capacidade contributiva, esculpido no art. 145 da CF, além de constituir confisco, o que seria vedado pela Constituição Federal em seu art. 150, inciso IV. Diz, ainda, que a Lei n° 8.383/91 permitia a imediata compensação do crédito, conforme art. 66. Para a Recorrente, a ausência da análise do mérito na esfera administrativa não se justifica, pois, o contribuinte tem o direito, ainda que em paralelo exista ação judicial, de conhecer o pronunciamento da administração, sob pena de infração às normas e princípios constitucionais que regem a Administração, tal como o principio da moralidade e o principio da eficiência. Quanto a tal argumentação, trazida em oposição ao fato de a autoridade de primeiro grau, alegando concomitância de esferas, não ter apreciado as questões de mérito constantes da peça impugnatória, cabe ressaltar que o assunto já se encontra pacificado no âmbito deste Colegiado Administrativo, conforme súmula abaixo reproduzida. Súmula 1°CC n° I: Importa renúncia às instáncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante 57do processo judicial. a Processo n° 13802.000208/94-52 SI-C3T1• Acórdão n.° 1301-00.073 H. 9 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Argumenta a Recorrente que a decisão recorrida merece reforma, devendo ser anulado o termo lavrado de fls. 02/03, visto que afronta a medida liminar concedida em mandado de segurança e se mostra ineficaz, pois o crédito foi constituído por ela própria em sua declaração. Como é cediço, ainda " que se possa encontrar literatura autorizada classificando o denominado lançamento por homologação como se autolançamento fosse, o certo é que, a luz do ordenamento jurídico vigente a constituição do crédito por meio do lançamento é ato privativo da autoridade administrativa (art. 142 do Código Tributário Nacional). Não obstante a inexistência de norma legal autorizadora, a autoridade fiscal, a partir da constatação de que a contribuinte detinha amparo judicial para apurar a base de cálculo do imposto sem observar disposição da legislação tributária, promoveu o lançamento com a suspensão da exigibilidade, visando com isso prevenir o eventual desaparecimento do direito de a Fazenda Pública fazê-lo em momento posterior. Diante de tal providência, adotada com fiel observância das disposições do art. 142 do Código Tributário Nacional, descabe falar em afonta à medida liminar, pois, como já se disse, a ordem judicial não criou qualquer impedimento à efetivação do lançamento tributário. INCONSTITUCIONALIDADES Alega a contribuinte que o posicionamento da autoridade julgadora de primeira instância no sentido de não apreciar questões relacionadas às inconstitucionalidades argüidas, afronta princípios constitucionais da Administração, tal como o da moralidade. Aqui, diferentemente do que entende a Recorrente, mas, em convergência com o decidido em primeira instância, releva ressaltar que a autoridade julgadora administrativa, seja em razão dos limites legais impostos à sua atividade, seja em virtude de norma regimental, não pode deixar de aplicar norma legal que, por não ter sido expurgada por meios regulares do ordenamento jurídico, gozava de vigência plena à época da ocorrência dos fatos. CRÉDITOS ' Alega a contribuinte que, ainda que se desconsidere a compensação efetuada mediante autorização judicial, observa-se que haverá um crédito a favor do Fisco e um crédito a favor dela, uma vez que as seis parcelas então vincendas e impostas pela Lei 8.200/91 já estão vencidas. Requer, diante do que classificou como incontroversa existência dos créditos, que seja autorizada a compensação. Pelo que é possível depreender, o que a contribuinte requer é que, na medida em que o direito de deduzir a despesa de correção monetária já se exauriu, ela teria um crédito a seu favor. Não encontro elementos nos autos capazes de autorizar o pretendido pela orRecorrente. Em primeiro lugar, a q : ..7o foi suscitada por ocasião da interposição da peça a/ t PC::'71 9 • Processo n° 13802.000208194-52 SI-C3T1 Acórdão n. 1301-00.073 Fl. 10 impugnatória, pois, ainda que as pacelas passíveis de serem deduzidas não estivessem vencidas por ocasião da apresentação de defesa, o efeito agora alegado poderia, mesmo que parcialmente, ter sido comprovado. Em segundo, a Recorrente não colaciona aos autos elementos que comprovem que o imposto postergado foi em momento posterior devidamente quitado, em razão da ocorrência de bases de cálculo positivas do imposto. Assim, diante de todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AOS RECURSOS impetrados. Sala das Sessões, em 13 de maio de 2009 WILSa,• • • „, %.;;ArtIORAES _...000r to Page 1 _0057800.PDF Page 1 _0057900.PDF Page 1 _0058000.PDF Page 1 _0058100.PDF Page 1 _0058200.PDF Page 1 _0058300.PDF Page 1 _0058400.PDF Page 1 _0058500.PDF Page 1 _0058600.PDF Page 1
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Numero do processo: 10120.001421/2003-04
Data da sessão: Mon Nov 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/1998
SUJEIÇÃO PASSIVA. NÃO CONHECIMENTO.
Não há divergência entre acórdãos que não possuam similitude fática, não sendo suficiente a juntada de um acórdão que simplesmente alegue que a ilegitimidade passiva proporciona a nulidade do lançamento, sem que, portanto, o mesmo se relacione à hipótese figurada nos autos.
PIS. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA. ART. 150, § 4º, DO CTN. VINCULAÇÃO DOS CONSELHEIROS DO CARF ÀS DECISÕES PROFERIDAS PELO STF E STJ NA SISTEMÁTICA DOS ARTIGOS 543-B E 543-C DO CPC. ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF (PORTARIA 249/2009). INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 45, I, DA LEI Nº 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE Nº 08.
O direito da fiscalização constituir o crédito tributário, referente a tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido declarados, mas pagos de forma supostamente equivocada, decai, conforme o julgamento do recurso especial representativo de controvérsia de nº 973.733, em 5 (cinco) anos a contar do fato gerador, em conformidade ao que dispõe o artigo 150, § 4º, do CTN. Tendo o contribuinte sido cientificado da autuação em 07/04/2003, decaído encontra-se o direito da fiscalização de constituir os valores de PIS cujos fatos geradores ocorreram entre 31/01/1994 e 31/03/1998.
Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-001.715
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, em parte, do recurso especial, ao qual se dá provimento, nos termos do voto da Relatora.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Nanci Gama - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: NANCI GAMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/1998 SUJEIÇÃO PASSIVA. NÃO CONHECIMENTO. Não há divergência entre acórdãos que não possuam similitude fática, não sendo suficiente a juntada de um acórdão que simplesmente alegue que a ilegitimidade passiva proporciona a nulidade do lançamento, sem que, portanto, o mesmo se relacione à hipótese figurada nos autos. PIS. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA. ART. 150, § 4º, DO CTN. VINCULAÇÃO DOS CONSELHEIROS DO CARF ÀS DECISÕES PROFERIDAS PELO STF E STJ NA SISTEMÁTICA DOS ARTIGOS 543-B E 543-C DO CPC. ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF (PORTARIA 249/2009). INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 45, I, DA LEI Nº 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE Nº 08. O direito da fiscalização constituir o crédito tributário, referente a tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido declarados, mas pagos de forma supostamente equivocada, decai, conforme o julgamento do recurso especial representativo de controvérsia de nº 973.733, em 5 (cinco) anos a contar do fato gerador, em conformidade ao que dispõe o artigo 150, § 4º, do CTN. Tendo o contribuinte sido cientificado da autuação em 07/04/2003, decaído encontra-se o direito da fiscalização de constituir os valores de PIS cujos fatos geradores ocorreram entre 31/01/1994 e 31/03/1998. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/1998 SUJEIÇÃO PASSIVA. NÃO CONHECIMENTO. Não há divergência entre acórdãos que não possuam similitude fática, não sendo suficiente a juntada de um acórdão que simplesmente alegue que a ilegitimidade passiva proporciona a nulidade do lançamento, sem que, portanto, o mesmo se relacione à hipótese figurada nos autos. PIS. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA. ART. 150, § 4º, DO CTN. VINCULAÇÃO DOS CONSELHEIROS DO CARF ÀS DECISÕES PROFERIDAS PELO STF E STJ NA SISTEMÁTICA DOS ARTIGOS 543B E 543C DO CPC. ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF (PORTARIA 249/2009). INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 45, I, DA LEI Nº 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE Nº 08. O direito da fiscalização constituir o crédito tributário, referente a tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido declarados, mas pagos de forma supostamente equivocada, decai, conforme o julgamento do recurso especial representativo de controvérsia de nº 973.733, em 5 (cinco) anos a contar do fato gerador, em conformidade ao que dispõe o artigo 150, § 4º, do CTN. Tendo o contribuinte sido cientificado da autuação em 07/04/2003, decaído encontrase o direito da fiscalização de constituir os valores de PIS cujos fatos geradores ocorreram entre 31/01/1994 e 31/03/1998. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 14 21 /2 00 3- 04 Fl. 891DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, em parte, do recurso especial, ao qual se dá provimento, nos termos do voto da Relatora. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Nanci Gama Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte com fulcro no artigo 56, II do antigo Regimento Interno do Conselho de Contribuintes em face ao acórdão de n.º 20312.354, proferido pela Terceira Câmara do extinto Conselho de Contribuintes, que, por unanimidade de votos, afastou a decadência do direito da Fazenda Nacional constituir seus créditos tributários, tendo considerado que o prazo decadencial seria o de 10 (dez) anos conforme prevê o artigo 45 da Lei nº 8.212/1991, e, por maioria de votos, negou provimento ao recurso voluntário para entender que o fato de os recolhimentos serem centralizados ou descentralizados não alteraria a sujeição passiva da contribuição, conforme ementa a seguir: “COFINS. DECADÊNCIA. 10 ANOS. O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à COFINS é de 10 anos, conforme previsto no art. 45 da Lei n. 8,212/1991. SUJEIÇÃO PASSIVA. OPÇÃO PELO PAGAMENTO CENTRALIZADO OU DESCENTRALIZADO. IRRELEVÂNCIA. Na época em que o pagamento do PIS ou da COFINS podia ser feito de forma centralizada ou descentralizada, à opção da pessoa jurídica, a sujeição passiva não se alterava em função de tal opção. O contribuinte desse tributo foi e continua sendo a pessoa jurídica, a ser considerada na sua totalidade e levandose em conta todos os recolhimentos realizados pela matriz e filiais, sendo que a circunstância de os recolhimentos serem centralizados ou descentralizados não altera a sujeição passiva da contribuição. Recurso negado.” Inconformado, o contribuinte interpôs recurso especial aduzindo que acórdãos utilizados como paradigmas teriam entendido que o prazo decadencial, para que a fiscalização constituísse créditos tributários de COFINS, seria o de 5 (cinco) anos previsto ou no artigo 150, §4º ou no artigo 173, I, ambos do CTN e que, inclusive, esse entendimento teria sido pacificado no Superior Tribunal de Justiça. Fl. 892DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10120.001421/200304 Acórdão n.º 9303001.715 CSRFT3 Fl. 879 3 Aduziu, ainda, que a decisão recorrida, ao entender por ser irrelevante a opção pelo pagamento centralizado ou descentralizado, teria contrariado o entendimento esposado no acórdão de nº 10418373, o qual aduziu que “a indicação indevida do sujeito passivo na obrigação tributária torna ineficaz o auto de infração e, consequentemente, insustentável a exigência do crédito tributário nele formalizado”. Assim, entendeu o contribuinte que o acórdão recorrido teria se equivocado ao entender dessa forma, eis que outros acórdãos teriam entendido por declarar o lançamento como sendo nulo nesses casos. Em despacho de fls. 836, o i. Presidente da Terceira Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, aprovando o despacho de fls. 835/836, deu seguimento parcial ao recurso especial do contribuinte apenas no que se refere à decadência, tendo, em contrapartida, negadolhe seguimento quanto à questão relativa à ilegitimidade passiva. Regularmente intimada, a Fazenda Nacional apresentou suas contra razões requerendo fosse negado provimento ao recurso especial do contribuinte, de forma que restasse integralmente mantido o acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora Considerando a tempestividade do recurso especial de divergência, cabe a esta relatora analisar a sua admissibilidade no que se refere aos dois pontos suscitados como divergentes pelo contribuinte, quais sejam, o relativo à sujeição passiva e o relativo à decadência. Quanto à matéria relativa à sujeição passiva, entendo que não restaram preenchidos os requisitos de admissibilidade necessários à interposição do recurso especial, eis que não há qualquer similitude fática entre o acórdão recorrido e o de nº 10418373, o qual foi utilizado como paradigma para genericamente entender que a ilegitimidade passiva enseja à nulidade do auto de infração, e cuja cópia foi anexada aos autos pelo contribuinte. Dessa forma, quando a esse ponto, voto em conformidade ao exame de admissibilidade no sentido de não conhecer o recurso especial do contribuinte. O outro ponto, relativo à decadência, consiste em determinar se o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário do PIS é de 10 (dez) anos contados do exercício seguinte àquele em que o crédito tributário poderia ter sido constituído, conforme estipulado pelo artigo 45, I, da Lei 8.212/91 ou se o mesmo é de 5 (cinco) anos contados do fato gerador, conforme determinado pelo § 4º do artigo 150 do CTN, ou, ainda, se o mesmo é de 5 (cinco) anos contados do exercício seguinte, conforme prevê o artigo 173, I, também do CTN. A relevância da presente discussão se dá, portanto, para os fatos geradores ocorridos entre 31/01/1994 e 31/03/1998, tendo em vista que a ciência do lançamento pelo contribuinte apenas se deu em 07/04/2003, estando, dessa forma, fora de discussão os fatos Fl. 893DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 geradores ocorridos entre 30/04/1998 e 31/12/1998, também abarcados no auto de infração em epígrafe. Primeiramente, considerando que, segundo o artigo 62A1 do atual Regimento Interno do CARF, qual seja, o aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, mister se faz que esta Relatora reproduza o teor exarado pela Súmula Vinculante de nº 082, a qual respaldou o entendimento do STF de que o artigo 45 da Lei 8.212/91 é inconstitucional. Portanto, é certo que a aplicação de aludido dispositivo inconstitucional, como fez o acórdão recorrido, mostrase totalmente equivocada, cabendo mencionar, também, que esse mesmo artigo já foi, inclusive, revogado pela Lei Complementar de nº 128/2008. Feitas essas considerações acerca da inaplicabilidade do prazo de 10 (dez) anos previsto no inconstitucional artigo 45, I, da Lei nº 8.212/91, cabe a esta Conselheira analisar se o direito da fiscalização constituir crédito tributário de COFINS no presente caso, em que houve antecipação do pagamento por parte do contribuinte (conforme, inclusive, assume a fiscalização às fls. 535), decaiu em 5 (cinco) anos a contar dos fatos geradores, conforme dispõe o artigo 150, § 4º, do CTN, ou se o mesmo decaiu em 5 (cinco) anos a contar do exercício seguinte aos fatos geradores, conforme dispõe o artigo 173, I do CTN. Considerando o disposto no artigo 62A do Regimento Interno do CARF, vale considerar que o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o recurso especial representativo de controvérsia de nº 973.733, o qual esta Câmara Superior de Recursos Fiscais deve reproduzir integralmente, considerou, em seu teor, as regras para a aplicação dos dispositivos do CTN, referentes à decadência, da seguinte forma: “(...) 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, 1 “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” 2 Súmula Vinculante nº 08: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” Fl. 894DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10120.001421/200304 Acórdão n.º 9303001.715 CSRFT3 Fl. 880 5 Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210).” 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Fl. 895DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigurase como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de ofício, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial iniciase da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória.(...)” (g.n.) Dessa forma, considerando que o presente caso se enquadra na regra (iii), eis que a Contribuição para o PIS se trata de tributo sujeito à lançamento por homologação, e, também, que houve pagamento antecipado pelo contribuinte, cabe a aplicação do prazo decadencial de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, § 4º, do CTN em detrimento ao prazo de 10 (dez) anos previsto no artigo 45, I, da Lei 8.212/91, o qual foi declarado inconstitucional pelo STF, bem como em detrimento ao previsto no artigo 173, I, do CTN, o qual não se aplica para os casos em que houve pagamento antecipado pelo contribuinte. Em face do exposto, não conheço a parte do recurso especial do contribuinte relativa à sujeição passiva, mas, paralelamente, conheço do seu recurso especial no que se refere à matéria relativa à decadência, e, nessa parte conhecida, voto no sentido de lhe dar provimento para reconhecer a decadência do direito da fiscalização constituir os valores de PIS relativos aos fatos geradores ocorridos entre 31/01/1994 e 31/03/1998, tendo em vista que a ciência do lançamento pelo contribuinte apenas se deu em 07/04/2003. Nanci Gama Fl. 896DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10235.000191/2005-22
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003.
ALEGADA NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA.
Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa do contribuinte quando este se limita a requerer a abertura de prazo para a apresentação de documentos, sem, no entanto, utilizar das oportunidades processuais, inclusive com realização de diligência, existentes ao longo do processo administrativo para comprovar suas alegações.
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS, PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3301-000.003
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Silvana Mancini Karam
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003. ALEGADA NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa do contribuinte quando este se limita a requerer a abertura de prazo para a apresentação de documentos, sem, no entanto, utilizar das oportunidades processuais, inclusive com realização de diligência, existentes ao longo do processo administrativo para comprovar suas alegações. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS, PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Recurso negado.
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ALEGADA NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa do contribuinte quando este se limita a requerer a abertura de prazo para a apresentação de documentos, sem, no entanto, utilizar das oportunidades processuais, inclusive com realização de diligência, existentes ao longo do processo administrativo para comprovar suas alegações. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS, PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS - Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1' de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei no, 9..430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Recurso negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatara, E M LAQ S PESSOA MONTEIRO P sidente Processo n° 10235000191/2005-22 53-C3 T I Acórdilo n ° 3301-00.003 Fl 2 i/ttrat/t SILVANA MANCINI KARAM Relatora , FORMALIZADO EM: 30 JUL 2010 Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Alexandre Naoki Nishioka, Eduardo Tadeu Farah, Vanessa Pereira Rodrigues Domene e Moises Giacomelli Nunes da Silva. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado, em 22/02/2005, o auto de infração de fis.102/112, no qual foi formalizado crédito tributário no valor total de R$ 2.587.501,16, sendo R$ 1.083.576,67 de imposto de renda pessoa fisica, R$ 812.682,49 de multa proporcional e R$691.242,00 de juros de mora, calculados até 31/01/2005. De acordo com os fatos apurados pela fiscalização, houve a omissão de receita por parte do contribuinte por depósitos bancários de origem não comprovada. Inconformado com a autuação o contribuinte apresentou sua impugnação às fls 120130, alegando, em breve síntese: I • A ilegalidade do lançamento por ofensa ao art. 5 0 da Constituição Federal, já que o sigilo bancário apenas pode ser quebrado em decorrência de determinação judicial; no caso dos autos o Fisco se valeu, Iindevidamente, da "Requisição de Movimentação Financeira — RMF" antes mesmo da entrega voluntária ou recusa de entrega dos extratos bancários pelo contribuinte; • A improcedência do lançamento tributário com base em meros depósitos bancários, pois estes, por si só, não caracterizam disponibilidade econômica, nos termos do art. 43 do CTN; • Que é proprietário da firma individual GILSON COLARES COHEN- ME, empresa de onde se originaram grande parte dos valores tidos como tributáveis pelo Fisco; assim, parte dos valores depositados na conta corrente do contribuinte são pertencentes e originários das receitas auferidas por sua empresa, pela prestação de serviços ou vendas de mercadorias; • Que no período fiscalizado o contribuinte, por atuar como intermediário em vários negócios, recebeu depósitos de amigos garimpeiros que trabalhavam em outros municípios e lhe enviavam dinheiro para ser entregue às suas famílias ou, ainda para a compra de algum bem; por este "serviço" cobrava comissão; ti , Processo n° 10235.000191/2005-22 S3-C3T1 Acórdão n ° 3301-00.003 Fl 3 o Desta forma, o erro na identificação do sujeito passivo enseja a nulidade do lançamento tributário; o Na firma individual a pessoa fisica, via de regra, se confunde com sua pessoa jurídica, fato que obriga o Fisco a verificar se as transferências de valores entre contas do mesmo titular, ou depósitos originários e pertencentes à firma individual são valores realmente omissos, posto que se foram omitidos pela pessoa fisica podem ter sido declarados e devidamente tributados pela pessoa jurídica; o Por questões de força maior (repetidas alterações de endereço) a juntada dos documentos aptos a comprovar as alegações expostas não é possível, motivo pelo qual deve ser aplicado o art. 16, § 40, "a", do Decreto 70,235/72, que autoriza a juntada de provas em momento posterior à defesa. Juntou os documentos de fls, 131/143. Em análise à impugnação sobreveio decisão de primeira instancia às fls, 146159, que julgou procedente o lançamento de oficio, sob os seguintes argumentos: o Nos termos do art. 59 do Decreto n°. 70,2.35/72, apenas os atos e termos processuais lavrados por pessoa incompetente, ou os despachos e decisões proferidas por autoridades incompetentes ou com preterição do direito de defesa podem ensejar a nulidade do auto de infração; o Não cabe às autoridades administrativas realizar o controle da constitucionalidade das leis, tarefa exclusiva do Poder Judiciário; o Os termos da Lei Complementar IV. 105/2001 privilegiam o interesse público e social sobre o interesse privado ou individual e excepcionam, expressamente, o sigilo bancário; o O contribuinte não logrou comprovar, com documentação hábil e idônea, que a sua conta serviu meramente como instrumento de recebimento de valores pertencentes a terceiros ou de operações comerciais de sua firma individual; tampouco, referidos valores foram oferecidos à tributação à época própria, pois o contribuinte não apresentou as Declarações de Ajuste Anual dos exercícios de 2001, 2002 e 2003; o Nos termos do art. 16, III e § 40 do Decreto 70,2.35/72, não há como acolher o pleito do contribuinte para a apresentação de provas após a fase impugnatória. O contribuinte foi intimado desta decisão em 19/01/2006 (fls. 164), e interpôs Recurso Voluntário em 16/02/2006 (fis, 165/174), no qual aduziu, preliminarmente, a nulidade da decisão prolatada em sede de primeira instância administrativa, ao argumento de que houve cerceamento do direito de defesa pela não concessão de prazo para apresei) 4ção de provas. No mérito, reforçou as argumentações apresentadas em sede de impugnação. 3 Processo n° 10235.000191/2005-22 S3-C3 TI Acórdão n," 3301-00.003 R 4 Em sessão realizada nesta Colenda Câmara, em 05 de dezembro de 2007, decidiu-se converter o julgamento em diligência, nos termos da Resolução n. 102.02.410, em razão da presença de inúmeras transferências entre contas apontadas na listagem de fis. 13, e que foram incluídas no lançamento. Decidiu-se ainda, naquela oportunidade que a fiscalização deveria considerar a pessoa jurídica e segregar os depósitos eventualmente de titularidade da In. Em cumprimento à Resolução, a autoridade fiscal intimou novamente o contribuinte para prestar os esclarecimentos necessários. Inicialmente, o interessado requereu prazo adicional para responder a intimação (fi.233). Concedido o prazo solicitado, o contribuinte responde que não foi possível identificar de quais contas procedem as transferências e que, tampouco foi possível manter contato com os depositantes. Reafirma que os depósitos eram em sua maioria, de titularidade da pessoa jurídica. Entretanto, alega que não tem como recuperar os documentos, Às fis, 239 e 240 foi apensado o Relatório de Diligência Fiscal, onde conclui "Considerando que o contribuinte fora intimado, reintimado e, intimado novamente, para manifestar-se sobre os questionamentos necessários ao deslinde do procedimento, conforme os termos de fls., 227/235, sendo-lhe oferecido, no total, mais de 90 dias, para manifestação e, considerando a resposta de fl, 237, a qual fora detalhada neste relatório, e na qual assumiu o fiscalizado a impossibilidade de responder e comprovar todos os itens mencionados „,.", É o relatório, Voto Conselheira SILVANA MANCINI KAR.AM, Relatora, O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto ri'. 70,235, de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legítima e está devidarnente fundamentado. Ademais, tendo em vista a orientação do Ato Declaratório hiterpretativo SRF n°, 9, de 5 de junho de 2007 às Unidades da Receita Federal do Brasil, para que deixem de exigir o arrolamento ou depósito (facultativo em substituição ao arrolamento) como condição para o seguimento do recurso voluntário, conheço o recurso e passo ao seu exame. Preliminarmente: Da alegada nulidade da decisão recorrida: Aduz o Recorrente que a r. decisão recorrida é nula pois, ao contrário do pleiteado em sede de impugnação, não concedeu novo prazo à apresentação de documentos, aptos, segundo afirma, a comprovar a efetiva origem dos recursos depositados em sua conta corrente. / Ao Recorrente, todavia, não assiste razão. 4 Processo n° 10235.000191/2005-22 S3-C3T1 Acórdão n." 3301-00.,003 Fl 5 Observo que o contribuinte teve, durante todo o procedimento de fiscalização e, posteriormente, em sede de impugnação, a possibilidade de apresentar os documentos que pudessem, ao menos, trazer indícios sobre as origens dos recursos questionados pelo Fisco. Ainda que o prazo mencionado não fosse suficiente, o interessado teve nova oportunidade de se defender por ocasião da conversão do julgamento do recurso voluntário em diligência, conforme se demonstrou. Entretanto, compulsando os autos, não é possível a constatação de qualquer documento que possa demonstrar, ainda que em parte, a origem destes recursos. De igual modo, após a realização da diligência. Registre-se que, no recurso voluntário o Recorrente alegou que o prazo de 30 dias concedido pela fiscalização foi exíguo para a localização e apresentação de documentos, que segundo alega se encontravam extraviados. É certo, contudo, que, quando da lavratura do auto de infração o contribuinte já tinha conhecimento do procedimento de fiscalização iniciado há oito meses. Neste sentido, cumpre ressaltar que o MPF foi instaurado em 07/06/2004 (fls. 01) e o auto de infração lavrado apenas em 22/02/2005. Ainda que não se leve em consideração o prazo verificado até a lavratura do auto de infração, é de rigor notar que entre a data da impugnação (18/0.3/2005 — fls. 120/130) e a data da interposição do Recurso Voluntário (15/02/2006 — fls. 164/174) decorreu quase urn ano, período em que o Recorrente poderia ter tomado as providências para tornar possível a apresentação das provas que entendesse cabíveis no caso concreto e então apresentá-las a este E. Conselho de Contribuintes. Não bastasse isto, quando o processo chegou a este E.Conselho foi o julgamento convertido em diligência, quando novamente, o contribuinte teve oportunidade de prestar esclarecimentos. Todavia, assim não procedeu o Recorrente. Ressalto, ainda, que a alegada dificuldade na guarda de documentos fiscais, em razão de constantes alterações de domicílio, não constitui "força maior", nos termos do art 16, § 4°, "a", do Decreto n'. 70.2.35/72, posto que a legislação tributária é expressa em determinar a necessidade de manutenção e guarda dos documentos ficais, sendo necessários, inclusive, para o correto preenchimento da Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física. Por tal motivo, afasto a alegação de nulidade da decisão de fls, 146/159. Do sigilo bancário: Com relação à argumentação de que a fiscalização utilizou de forma indevida e ilegal dados dos extratos bancários do contribuinte, em que pese as alegações do Recorrente, cumpre ressaltar que o interesse coletivo deve sempre prevalecer sobre o interesse do particular, sendo certo que o sigilo trazido pela Constituição Federal diz respeito à "comunicação de dados", não se tratando, de modo algum, de sigilo absoluto. Aliás, na quase totalidade dos países ocidentais existe a possibilidade de acesso às movimentações bancárias quando tal seja importante para apuração de crimes e fraudes tributárias em geral. Além do exposto, o entendimento mais correto é no sentido de que a Lei Complementar n° 105, de 2001 e a Lei n° 10.174, de 2001, ao contrário do alegado pelo 5 Processo n° 10235000191/200S-22 S3-C3I1 Acórdão n ° 3301-00.003 Fl. 6 Recorrente, têm natureza instrumental e pode ser aplicada para fins de prova de omissão de rendimentos correspondentes a períodos anteriores à sua vigência , A teor do que dispõe o art. 144, § 1', do Código Tributário Nacional, as leis 1 tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, ao passo que as leis de natureza material só alcançam fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. Sendo assim, a norma contida na Lei Complementar 105/01, que permite a utilização de informações bancárias para fins de apuração e constituição de credito tributário, por envergar natureza procedimental, tem aplicação imediata, podendo assim alcançar fatos geradores pretéritos. A exegese do art. 144, § 1°, do Código Tributário Nacional, considera a natureza formal da norma que permite o cruzamento de dados referentes à arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito tributário relativo a outros tributos, e conduz à conclusão da possibilidade da aplicação dos artigos 60 da Lei Complementar 105/01 e da Lei 10.174/01 ao ato de lançamento de tributos não alcançados pela decadência. ! Insta esclarecer, ademais, que a este Conselho de Contribuintes não cabe o controle de constitucionalidade das leis, conforme, inclusive, dispõe a Súmula 1° CC n". 2, "verbis": "Súmula MC re. 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária," Sendo assim, descabida a alegação do contribuinte de que a autoridade fiscal teria se utilizado de dados de seus extratos bancários de forma ilegal, visto que tal procedimento tem total respaldo legal, não merecendo o auto de infração ser anulado por este motivo. Mérito: A autuação fiscal com base na presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da lei n° 9430, de 24/12/1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Veja-se: "Ar t, 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa . física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1( O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira, § 2", Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação especificas, previstas na I gislação vigente à época em que foram auferidos ou recebidos, i 6 Processo n° 10235000t91/2005-22 S3-C3T1 Acórdão n.° 3301-011.003 1:1 7 § 3". Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados.' 1 - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica, II - no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12 000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano- calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), § 4" Tratando-se de pessoa física, as rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente i'. época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira § 50.. Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento § 6' Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidos em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares." As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão- somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. Isto porque o ônus da prova, neste caso, cabe ao interessado, no caso o contribuinte. Importa destacar também que o ônus de provar implica trazer elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto a determinado fato questionado. Logo, apenas ao sujeito passivo, trazer os elementos de prova de forma a comprovar a origem dos recursos que ingressaram em sua conta corrente ao longo dos períodos base analisados. Observe-se que o art. 332 da Lei n°, 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, estabelece que "todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos em que se funda a ação ou defesa". Desse modo, não havendo hierarquia do valor probante dos meios de prova, excetuado o uso de provas ilícitas (art. 5 0 , inciso LVI da Constituição Federal de 1988), pode-se provar qualquer situação de fato por qualquer via. Com efeito, diante do exposto, verifica-se que para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei n°, 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais 7, 7 Processo n° 102.35.000191)2005-22 53-C311 Acórdão o. 3301-00.003 El 8 o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. As constatações acima afastam as alegações acerca da suposta necessidade de comprovação, por parte do Fisco, de acréscimo patrimonial a descoberto ou mesmo de sinais exteriores de riqueza. O auto de infração lavrado no caso concreto, repise-se, é resultado da verificação de omissão de rendimentos, apurada com base em valores depositados em contas bancárias para os quais o contribuinte, devidamente intimado, não comprovou a origem. Insta destacar que a efetiva comprovação dos sinais exteriores de riqueza, por parte da fiscalização, era exigida apenas para os fatos geradores ocorridos sob a égide da Lei n°, 8.021/90, não sendo tal sistemática aplicável após o advento da Lei n°. 9.430/96, nos termos em que já se manifestou este E. tribunal. Veja-se: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF, Ano- calendário. 1994, 1995, Ementa: IMPOSTO DE RENDA - TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS FATOS GERADORES NA VIGÊNCIA DA LEI N" 8,021/90 - IMPOSSIBILIDADE — Sob égide da Lei n", 8,021/90, a jurisprudência administrativa assentou que os valores creditados em contas de depósito ou aplicações financeiras mantidos em instituições bancárias não poderiam, por si só, serem arbitrados como rendimentos omitidos, sem a comprovação dos sinais exteriores de riqueza. Somente a partir da ~nela do art. 42 da Lei n".9.430/96, o fisco não mais ficou ado a comprovar o Lgimsottrdse.....p_le~banc4.110Li comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados Recurso voluntário provida" (1" CC — Sexta Câmara — Recurso n", 161.143 — Relatar: Giovanni Christian Nunes Campos — Sessão de 09/10/2008) Feitos tais esclarecimentos noto que, no caso concreto, o Recorrente não logrou comprovar a origem dos recursos depositados em sua conta corrente. A alegação de que grande parte dos valores tidos como tributáveis pelo Fisco são pertencentes e originários das receitas auferidas de sua firma individual GILSON COLARES COHEN-ME não é apta a elidir a acusação fiscal, pois que desprovida de qualquer elemento comprobatório, ainda que indiciário. Vale observar que os documentos de fis, 131/139, anexados na oportunidade da impugnação, têm apenas o intuito de informar as reiteradas mudanças de endereço do contribuinte que, como já explicitado, não traduzem motivo de "força maior" para a não localização dos documentos comprobatórios de suas alegações. Já os documentos de fi& 175/218, juntados após o Recurso Voluntário, referem-se, sem exceção, ao arrolamento de bens para seguimento do apelo. Nota-se, assim, que o Recorrente não anexou aos autos documentos que trouxessem qualquer indic o acerca da veracidade das alegações desenvolvidas no curso deste processo administrativo. o 8 Processo n° 10235.000191/2005-22 S3-C3T1 Acórdão n° 3301-00.003 El 9 Afasto, ainda, a alegação de que na "firma individual" (atual "empresário individual") a pessoa física se confunde com sua pessoa jurídica. Para fins tributários, corno sabido, a "firma individual", em regra, se equipara a uma pessoa jurídica, nos termos do art. 150, § 1°, I, do RIR/99, "verbis": "A ri'. 150 - As empresas individuais, para os efeitos do imposto de renda, são equiparadas às pessoas jurídicas. Parágrafo 10_ São empresas individuais. I - as firmas individuais; A fim de corroborar o quanto exposto veja-se decisão deste E. CC se sobre o assunto: "EQUIPARAÇÃO DE PESSOA FÍSICA A PESSOA JURÍDICA - ATIVIDADE MERCANTIL - Demonstrado que a pessoa física exercia com habitualidade atividade mercantil, deve a fiscalização, de oficio, promover a sua inscrição no CNPJ como Pessoa Jurídica, de modo a estabelecer a exata sujeição passiva e proceder ao lançamento dos tributos pertinentes ILEGITIMIDADE PASSIVA - ERRO NA IDENTIFICA CÃO DO SUJEITO PASSIVO - Não comprovada a associação dos depósitos bancários realizados na conta_ conjunta da pessoa mica e seu côn'u e com nal uer atividade da # essoa Wridica — firma individual — caracteriza erro na identificação do sujeito passivo a tributação nesta última, por acarretar conseqüências que ultrapassam os limites do lançamento tributário." (1" CC — Quinta Câmara — Recurso mi", 149„503 — Recorrente. José Jacinto de Oliveira — ME — Relator: Irineti Bianchi — Sessão de 18/10/2007) Ademais, caberia ao contribuinte, demonstrar que os valores omitidos pela pessoa física foram devidamente oferecidos à tributação pela pessoa jurídica, o que não fez o Recorrente. Ainda, caso cabível a tributação da universalidade dos rendimentos auferidos pelo contribuinte conforme as regras de tributação aplicáveis às pessoas fisicas, ao Recorrente caberia demonstrar, de forma individualizada, a origem dos depósitos, pois não basta, nos termos do art. 42, § 3 0 , da Lei n°. 9.430/96, a mera alegação de que estes são originários das atividades exercidas pela pessoa jurídica. Assim, o Recorrente não logrou comprovar que os depósitos questionados pelo Fisco, e ensejadores do auto de infração, representam receitas auferidas pela empresa GILSON COLARES COHEN-ME, sendo que o mesmo ocorre com relação à alegação de que o contribuinte atuava, no período fiscalizado, como mero intermediário na "administração" de valores recebidos por amigos garimpeiros que trabalhavam em outros municípios, e que lhe enviavam dinheiro para ser entregue às suas famílias ou, ainda, para a compra de algum bem. Não ficou comprovado nem a referida intermediação e nem mesmo o recebimento das "comissões" mencionadas, decorrentes deste "serviço". 9 Processo na 10235 000191/2005-22 S3-C311 Acórdão n a 3301-00.003 Fl io Desta forma, afasto a alegação de "erro na identificação do sujeito passivo", já que o Recorrente não comprovou que os valores depositados em sua conta corrente não eram de sua titularidade, Por todos os motivos acima expostos, e, especialmente, considerando o resultado da diligência realizada, não há como afastar o lançamento que deve ser mantido em sua integralidade. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso do contribuinte. Sala das Sessões, em 04 de março de 2009 Silvana Mancini Karam io
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Numero do processo: 11070.001677/2008-13
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2004 a 31/07/2008
RURAL. INCONSTITUCIONALIDADE.
Julgada inconstitucional a incidência de contribuições previdenciárias sobre a comercialização da produção. art. 25 da lei 8.212/1991, na redação dada pelo art. 1º da lei 8.540/1992.
Numero da decisão: 2403-001.603
Decisão: Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda seção de julgamento, Por unanimidade de voto, em dar provimento ao recurso. Registra-se que o conselheiro Leôncio Nobre de Medeiros entendeu necessário declarar o vicio formal.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Leoncio Nobre de Medeiros e Marcelo Magalhaes Peixoto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2004 a 31/07/2008 RURAL. INCONSTITUCIONALIDADE. Julgada inconstitucional a incidência de contribuições previdenciárias sobre a comercialização da produção. art. 25 da lei 8.212/1991, na redação dada pelo art. 1º da lei 8.540/1992.
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INCONSTITUCIONALIDADE. Julgada inconstitucional a incidência de contribuições previdenciárias sobre a comercialização da produção. art. 25 da lei 8.212/1991, na redação dada pelo art. 1º da lei 8.540/1992. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, Por unanimidade de voto, em dar provimento ao recurso. Registrase que o conselheiro Leôncio Nobre de Medeiros entendeu necessário declarar o vicio formal. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 16 77 /2 00 8- 13 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Leoncio Nobre de Medeiros e Marcelo Magalhaes Peixoto. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11070.001677/200813 Acórdão n.º 2403001.603 S2C4T3 Fl. 138 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Santa Maria, Acórdão 1811.350 da 3ª Turma, que julgou improcedente a impugnação. A autuação foi assim apresentada no Relatório Fiscal: O lançamento trata das contribuições destinadas à Seguridade Social e a outras entidades decorrentes da receita bruta auferida pelo segurado especial proveniente da comercialização da sua produção. Constituem a base de cálculo do lançamento os valores distribuídos aos associados da Cooperativa a título de sobras do exercício, conforme política das cooperativas. Os registros foram efetuados na conta contábil 2.01.01.01.01.01.06.02 (retorno a distribuir no período de 04/2004 a 08/2005) e na conta 1.03.01.02.10.11.02.02 (antecipação de retorno de exercício no período de 01/06 a 07/2008). O valor da sobra distribuída corresponde a R$ 0,40 (quarenta centavos) por saca entregue pelos associados da Coopermil, conforme previsto na Assembléia Geral Ordinária/2007 e de 2008. Foi também aprovado em Assembléia, o pagamento de R$ 0,01 (um centavo) por litro de leite entregue pelos associados em 2007 a ser pago em 2008. Segundo o Auditor Fiscal, a empresa diz que do total do faturamento, incluindo supermercado, receitas com insumos, comercialização de produtos rurais e equipamentos, 20% do resultado do exercício é destinado à distribuição das sobras. O Auditor Fiscal discorda, afirmando não ocorrer a distribuição na forma apresentada pela empresa já que o percentual apurado por ele foi outro e também pelo fato de ser fixado o valor do complemento a ser pago e a sua antecipação no próprio exercício. O crédito lançado referese ao período de 04/2004 a 07/2008. Os créditos constituídos importam em: Processo n° 11070001677/200813 (principal): R$ 53.448,32 (cinqüenta e três mil, quatrocentos e quarenta e oito reais e trinta e dois centavos), consolidado em 22/10/2008. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Processo n° 11070001678/200868 (apensadoterceiros): R$ 5.090,33 (cinco mil, noventa reais e trinta e três centavos), consolidado em 22/10/2008. O sujeito passivo foi devidamente cientificado da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD e seus anexos, em 23/10/2008, conforme fls. 01 dos processos. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: · A Cooperativaautuada, já discutiu a questão em exame perante o Judiciário, através da Ação Ordinária n° 9414013016, na qual obteve êxito, tendo sido declarado expressamente a ilegalidade e inconstitucionalidade da cobrança de contribuição sobre comercialização rural em relação as suas sobras, conforme cópias que foram anexadas à defesa apresentada. · Havendo decisão transitada em julgado que DECLARA não incidir contribuição social sobre comercialização rural em relação às sobras vertidas aos associados, os agentes administrativos devem observar seus ditames, deixando de exigir a contribuição sobre tais fatos. · Nãoincidência de contribuição sobre comercialização rural em relação às sobras da cooperativaautuada · Ao final do exercício, as sobras são distribuídas entre os cooperados, proporcionalmente às operações realizadas por eles, fulcro no art. 4 0, VII, da Lei n° 5.764/71. · No sistema da Lei n° 5.764, de 16.12.71, art. 44, II, e na mais autorizada doutrina, sobras "nada mais são do que o numerário que pelos associados foi adiantado à sociedade, em quantia superior à efetivamente dispendida por esta, na prestação de seus serviços." · Não se trata de hipótese de incidência prevista na lei que congrega a regramatriz de incidência da referida exação. · A exigência sobre as sobras, fere os princípios da legalidade e da tipicidade cerrada, dispostos em nossa Carta Magna, e que determinam a existência de exata previsão legal de tributo a ser exigido. É o relatório. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11070.001677/200813 Acórdão n.º 2403001.603 S2C4T3 Fl. 139 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. TRIBUTAÇÃO RURAL Conforme relatório fiscal os fatos geradores referemse à aquisição de produtos rurais. A tese da fiscalização é que incide tributação na aquisição de produtos rurais (artigo 25 da Lei 8.212/91) e que existe a possibilidade de pagamento complementar quando ocorre a distribuição das sobras (cooperativas). 2.1.1. Constituem fatos geradores das contribuições lançadas deste débito os valores referentes à aquisição de produtos rurais de segurados especiais conforme Artigo 25, I, II da Lei n°. 8.212/91 de 24 de julho de 1991, fundamentos legais em anexo, nas competências de 04/2004 a 07/2004, 03/2005 a 08/2005, 05/2006 a 12/2006, 01/2007 a 03/2007, 05/2007 a 12/2007, 02/2008 a 05/2008 e 07/2008 na matriz. 2.1.1.1. Considerando que a empresa efetuou a aquisição de produtos rurais onde sobre o pagamento efetuado no ato da compra houve tributação do RURAL sobre o valor efetivamente pago aos associados, mas conforme política das cooperativas existe a possibilidade de pagamento complementar quando da previsão de lucratividade da empresa e então ocorre a distribuição das sobras destinada a Assembléia Geral Ordinária —AGO, sendo que desse valor quando pago aos associados não ocorreu tributação do RURAL e não repassado na época própria à Seguridade Social, referente ao período abrangido pelas competências conforme item acima. 2.1.1.2. Tal situação está contabilizado na conta 2.01.01.01.01.01.06.02 de Retorno a Distribuir no período de 04/2004 a 08/2005 e na conta 1.03.01.02.10.11.02.02 Antecipação de Retorno de Exercício no período de 01/06 a 07/2008. 2.1.2. Conforme previsto na AGO de 2007 o valor fixado foi de R$ 0,40 (quarenta centavos) por saca entregue pelos associados da Coopermil em 2006. Do montante de Sobras Liquida do Fl. 141DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Exercício de R$ 908.992,21 foi destinado R$ 148.778,60 a ser pago aos associados, representando 16,36% de distribuição de Sobras. 2.1.3. Na Assembléia Geral Ordinária de 2008 também apresentou uma Sobra Liquida do Exercício de R$ 4.277.580,75 sendo que desse valor foi colocado à disposição da AGO o montante de R$ 704.223,46' ser pago aos associados, ou seja, 16,46%. Dessa forma novamente houve aprovação do pagamento de R$ 0,40 (quarenta centavos) por saca de soja entregue por associado da Coopermil no ano de 2007, valor já pago em maio de 2007, ratificandose assim a decisão do conselho de administração relativa à referida antecipação, conforme consta na Ata da Assembléia Geral Ordinária. 2.1.3.1. Também houve aprovação de pagamento de R$ 0,01 (um centavo) por litro de leite entregue pelos associados em 2007 a ser pago em março de 2008. Em 1º/8/11, o Plenário do STF, no julgamento do RE 596.177, por unanimidade e nos termos do voto do relator, deu provimento ao recurso para declarar a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos arts. 12, V e VII, 25, I e II, e 30, IV, da Lei nº 8.212/91, e determinou a aplicação desse entendimento aos demais casos, nos termos do art. 543B do CPC. (acórdão publicado em 26/8/11). Ementa: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. INCIDÊNCIA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELO ART. 1º DA LEI 8.540/1992. INCONSTITUCIONALIDADE. I – Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador. II – Necessidade de lei complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social. III – RE conhecido e provido para reconhecer a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/1992, aplicandose aos casos semelhantes o disposto no art. 543B do CPC. Lei 8.212/91 Art. 25. A contribuição da pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: I dois por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; Fl. 142DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11070.001677/200813 Acórdão n.º 2403001.603 S2C4T3 Fl. 140 7 II um décimo por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento de complementação das prestações por acidente de trabalho. § 1º O segurado especial de que trata este artigo, além da contribuição obrigatória referida no"caput", poderá contribuir, facultativamente, na forma do art. 21 desta Lei. § 2º A pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12, contribui, também, obrigatoriamente, na forma do art. 21 desta Lei. § 3º Integram a produção, para os efeitos deste artigo, os produtos de origem animal ou vegetal, em estado natural ou submetidos a processos de beneficiamento ou industrialização rudimentar, assim compreendidos, entre outros, os processos de lavagem, limpeza, descaroçamento, pilagem, descascamento, lenhamento, pasteurização, resfriamento, secagem, fermentação, embalagem, cristalização, fundição, carvoejamento, cozimento, destilação, moagem, torrefação, bem como os subprodutos e os resíduos obtidos através desses processos. § 4º Não integra a base de cálculo dessa contribuição a produção rural destinada ao plantio ou reflorescimento, nem sobre o produto animal destinado a reprodução ou criação pecuária ou granjeira e a utilização como cobaias para fins de pesquisas científicas, quando vendido pelo próprio produtor e quem a utilize diretamente com essas finalidades, e no caso de produto vegetal, por pessoa ou entidade que, registrada no Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária, se dedique ao comércio de sementes e mudas no País. § 5º (VETADO) ... Art. 30..................................................................................................... ........................................... IV o adquirente, o consignatário ou a cooperativa ficam sub rogados nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea"a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; X a pessoa física de que trata a alínea "a"do inciso V do art. 12 e o segurado especial são obrigados a recolher a contribuição de que trata o art. 25 desta Lei no prazo estabelecido no inciso III deste artigo, caso comercializem a sua produção no exterior ou, diretamente, no varejo, ao consumidor. Os fatos geradores das contribuições lançadas são a aquisição de produtos rurais de segurados especiais conforme Artigo 25, I, II da Lei n°. 8.212/91 de 24 de julho de 1991. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Como visto acima, a determinação da incidência da contribuição sobre a comercialização da produção rural por empregador rural pessoa física foi declarada inconstitucional. CONCLUSÃO Voto no sentido de dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 144DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 13805.011927/97-58
Data da sessão: Thu Jul 09 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Jul 09 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/1990 a 30/09/1995
AVISO DE COBRANÇA. CONTESTAÇÃO
A lide foi decidida em caráter definitivo no âmbito administrativo com o transcurso do prazo previsto para apresentação de recurso especial à CSRF.
Não cabe a este colegiado se manifestar sobre aviso de cobrança expedido pela autoridade administrativa.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3301-000.163
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 1ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, pelo voto de qualidade, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto vencedor.
Vencidos os Conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Antônio Lisboa Cardoso e Maria Tereza Martinez López que davam provimento. Designado o Conselheiro Maurício Taveira e Silva para redigir o voto vencedor.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: Maria Teresa Martinez Lopez
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ementa_s : Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/1990 a 30/09/1995 AVISO DE COBRANÇA. CONTESTAÇÃO A lide foi decidida em caráter definitivo no âmbito administrativo com o transcurso do prazo previsto para apresentação de recurso especial à CSRF. Não cabe a este colegiado se manifestar sobre aviso de cobrança expedido pela autoridade administrativa. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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