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Numero do processo: 10680.902617/2015-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 29/02/2012
DCTF. PREENCHIMENTO.
Reconhecida a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo.
Numero da decisão: 1301-003.541
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a ausência de retificação da DCTF anterior ao despacho decisório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise a liquidez e certeza do crédito requerido e emita despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.902600/2015-41, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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PREENCHIMENTO. Reconhecida a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a ausência de retificação da DCTF anterior ao despacho decisório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise a liquidez e certeza do crédito requerido e emita despacho decisório complementar, retomando se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.902600/201541, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 26 17 /2 01 5- 06 Fl. 251DF CARF MF 2 Relatório EMPRESA DE ASSISTENCIA TECNICA E EXTENSAO RURAL DO ESTADO DE MINAS GERAIS EMATERMG recorre a este Conselho em face do acórdão proferido pela 6ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 165 do Código Tributário Nacional e no art. 74 da Lei nº 9.430/96. Trata o presente processo de Declaração de Compensação PER/DCOMP, por meio da qual a contribuinte pretendeu extinguir débitos próprios com suposto crédito decorrente de pagamento a maior oriundo de DARF de Código de Receita 2362, recolhido em 29/02/2012, no valor de R$ 591.219,08. A DRF/Belo Horizonte emitiu Despacho Decisório eletrônico não homologando o feito sob o fundamento de que o DARF indicado como fonte do valor pago a maior estava integralmente utilizado para quitação de outro débito confessado pelo contribuinte, não restando saldo disponível para a compensação declarada. Cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde alega, em síntese, que a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ evidencia a inexistência de IRPJ a pagar, que houve o recolhimento do DARF indevido demonstrado em DCTF e, assim, mediante as evidências da DIPJ, concluise pela existência de crédito tributário por pagamento indevido a maior, passível de compensação de débitos tributários. A autoridade de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, por meio do acórdão cuja ementa encontrase abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 29/02/2012 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débitos confessados. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. A alegação de erro no preenchimento do documento de confissão de dívida deve ser acompanhada de provas que atestem a declaração a maior de tributo a pagar, justificando a alteração dos valores registrados em DCTF. Sem a comprovação da liquidez e certeza quanto ao direito de crédito não se homologa a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10680.902617/201506 Acórdão n.º 1301003.541 S1C3T1 Fl. 3 3 O principal argumento das autoridades fiscais foi no sentido de que "a contribuinte indicou na DIPJ apuração anual do Lucro Real e Base de cálculo da CSLL registrados no LALUR, contudo, não apresentou a escrituração contábil e fiscal suficiente para comprovar a existência dos seus débitos, indicados na DIPJ." Cientificado da decisão de primeira instancia em 30/05/2017, o contribuinte apresentou, em 29/06/2017, recurso voluntário, repisando os argumentos levantados em sede de manifestação de inconformidade e apresentando uma vasta documentação contábil e fiscal visando, enfim, sua linha de argumentação. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.523, de 22/11/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10680.902600/2015 41, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.523): "O recurso voluntário é TEMPESTIVO e uma vez atendidos também às demais condições de admissibilidade, merece, portanto, ser CONHECIDO. Conforme acima relatado, a EMATERMG, optante pelo lucro real, realizou a apuração do IRPJ e CSLL conforme a Lei n°8.981 de 20 de janeiro de 1995, ou seja, lucro real anual com base no balancete mensal de suspensão redução. Alega o contribuinte que os valores apurados dos impostos abaixo descritos, foram liquidados com utilização dos créditos provenientes das retenções na fonte de notas fiscais emitidas e recebidas e também de aplicações financeiras. Após estes ajustes teriam sido realizados pagamentos em espécie através de DARF, que o ocasionaram um pagamento a maior ao final do exercício apresentado. Conforme demonstrado na tabela de cálculo abaixo. Fl. 253DF CARF MF 4 Descrição Valor Anexo para Consulta IRPJ 1.878.907,15 Anexo I Demonstração do Resultado do Exercício () IR Retido na Fonte de Orgãos Publicos 396.434,37 Anexo II Razão Contábil conta 110.211.0015 () IR retido na Fonte 1.067.820,00 Anexo III Razão Contábil conta 110.211.0004 Valor a Recolher 414.652,78 () Pagamento em 29/02/2012 591.219,08 Anexo IV DARF Recolhida em 29/02/2012 cod 2362 () Pagamento em 29/04/2012 55.721,60 Anexo V DARF Recolhida em 29/04/2013 cod 2430 VALOR RECOLHIDO A MAIOR 232.287,90 Descrição Valor Anexo para Consulta CSLL 1.104.476,29 Anexo I Demonstração do Resultado do Exercício ()CSLL Retido na Fonte de Orgãos Publicos74.016,43 Anexo VI Razão Contábil conta 110.211.0016 () CSLL Retido na Fonte 837,41 Anexo VII Razão Contábil conta 110.211.0012 Valor a Recolher 1.029.622,45 () PERD/DCOMP 17/08/2012 139.413,59 Anexo VIII Declar. 42685.42010.170812.1.3.040857 () PERD/DCOMP 04/09/2012 11.431,75 Anexo IX Declar. 37686.72607.040912.1.3.040923 () Pagamento em 29/02/2012 236.273,46 Anexo X DARF recolhida em 29/02/2012 cod 2484 () Pagamento em 29/04/2012 682.915,50 Anexo XI DARF recolhida em 29/04/2013 cod 6773 VALOR RECOLHIDO A MAIOR 40.411,85 No entanto, de acordo com o contribuinte, foram identificadas informações indevidas no preenchimento da DIPJ anocalendário 2012 e das DCTFs de competência janeiro de 2012 e dezembro de 2012, relativas a identificação do crédito de IRPJ e CSLL, decorrentes de pagamento a maior destes tributos. Teriam sido efetuadas, então, as retificações da DIPJ anocalendário 2012 e das DCTFs de competência janeiro de 2012 e dezembro de 2012 com o objetivo de evidenciar e comprovar o crédito tributário utilizado pela EMATERMG. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10680.902617/201506 Acórdão n.º 1301003.541 S1C3T1 Fl. 4 5 apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas, prosseguindose assim, o processo de praxe." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por . dar provimento parcial ao recurso para superar a ausência de retificação da DCTF anterior ao despacho decisório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise a liquidez e certeza do crédito requerido e emita despacho decisório complementar, retomando se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 255DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11052.000483/2010-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL.
Caracterizam-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 1301-003.501
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracterizam-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 2. 00 04 83 /2 01 0- 33 Fl. 423DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. Fl. 424DF CARF MF Processo nº 11052.000483/201033 Acórdão n.º 1301003.501 S1C3T1 Fl. 424 3 Relatório Inicialmente, adotase o relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos ocorridos e os fundamentos adotados até então: Tratase de cinco autos de infração lavrados em desfavor da pessoa jurídica Marisol Rio Madeiras Ltda, para dela exigir, relativamente ao anocalendário 2006 e no âmbito do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples: a) imposto sobre a renda (IRPJ) no valor •de R$ 24.596,78; b) contribuição para o Programa de Integração Social (Pis) no valor de R$ 18.017,18; c) contribuição para o financiamento da Seguridade Social (Cofins) no valor de R$ 72.464,78; d) contribuição social sobre o lucro liquido (CSLL) no valor de R$ 24.596,78; e) contribuição para Seguridade Social — INSS no valor de R$ 209.513,13. Todos os tributos foram acrescidos da multa de oficio de 75% e dos juros de mora (fls. 272/339). As exigências decorreram das seguintes acusações: omissão de receitas indiciada por depósitos bancários de origem não comprovada e insuficiência de recolhimento de valores do Simples. No termo de verificação de fls. 267/271, a autoridade fiscal consignou tabela indicativa dos depósitos bancários de origem não comprovada deduzidos das receitas escrituradas em Livro Caixa e informadas pela interessada na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica — Simples (fls.02/19 e 176/245): As fls. 30/173, anexaramse aos autos os extratos bancários que embasaram os lançamentos efetuados — extratos esses apresentados autoridade fiscal pela própria pessoa jurídica (fls. 27). Cientificada dos lançamentos em 12/08/2010 (fls. 270, 273, 283, 293, 303 e 313), a interessada impugnouos em 10/09/2010 (fls. 350/356). Fl. 425DF CARF MF 4 Alegou, em síntese: a) que a autoridade fiscal "deixou de levar em consideração durante a ação fiscal o que preceitua o art. 18 da Lei n° 9.317/96, pois se limitou a apurar uma suposta diferença entre a movimentação bancária da impugnante e o declarado na Declaração 410 Simplificada da Pessoa Jurídica — Simples"; b) que a autoridade fiscal "também deixou de levar em consideração valores transferidos de contas, empréstimos, aplicações financeiras etc"; c) que o procedimento de acesso aos dados bancários da pessoa jurídica não foi obedecido pela autoridade fiscal; e d) que reconhece suas receitas pelo regime de competência, o que significaria dizer "que receitas consideradas como auferidas no mês do recebimento por certo estarão contaminadas por receitas reconhecidas em momentos anteriores, em períodos anteriores" (cita, como exemplo, que os depósitos bancários do mês de janeiro "provavelmente foram reconhecidos como receitas no exercício anterior"). A 9ª Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro julgou improcedente a impugnação, em decisão que recebeu a ementa abaixo: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Ciente da decisão, a interessada ingressou com recurso voluntário (fls. 399) repisando os argumentos levantados em sede de impugnação. É o relatório. Fl. 426DF CARF MF Processo nº 11052.000483/201033 Acórdão n.º 1301003.501 S1C3T1 Fl. 425 5 Voto Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e estão reunidos os demais requisitos de admissibilidade, portanto dela conheço. Fatos Tratase de cinco autos de infração lavrados em desfavor da pessoa jurídica Marisol Rio Madeiras Ltda, para dela exigir, relativamente ao anocalendário 2006 e no âmbito do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte. Todos os tributos foram acrescidos da multa de oficio de 75% e dos juros de mora. As exigências decorreram das seguintes acusações: omissão de receitas indiciada por depósitos bancários de origem não comprovada e insuficiência de recolhimento de valores do Simples. Mérito O art. 42 da Lei 9.430/96 instituiu presunção legal de omissão de receitas quando comprovada a existência de créditos bancários sem comprovação mediante documentação hábil e idônea da origem dos recursos utilizados nas operações. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Pela leitura do acima transcrito, entende que, nos casos de presunções legais, como a omissão de receita, o ônus da prova fica invertido, cabendo ao contribuinte a prova em contrário dos fatos presumidos. Mencionado dispositivo, ao alçar os depósitos bancários de origem não comprovada à categoria de presunção legal de omissão de receitas, aperfeiçoou a legislação existente que já admitia o lançamento com base em depósitos bancários, mediante presunção simples, desde que outros elementos consolidassem os indícios apurados. Conforme relatado, não houve juntada de documentos em sede de Recurso Voluntário que pudesse comprovar os fatos presumidos pelas autoridades fiscais. Alega a Recorrente, como argumentos principais, repisando o já levantado em sede de impugnação, que (i) não houve cumprimento do disposto no art.18 da Lei 9.317/96; (ii) não obediência ao regime de competência; (iii) não houve observância, pelas autoridades Fl. 427DF CARF MF 6 julgadoras, das normas estabelecidas pelo Decreto 70.235/72 e Portaria RFB 666/2008, com relação ao julgamento dos processos. Quanto as alegações da Recorrente, entendo, em linha com o que já decidiu a decisão de primeira instancia, que não à razão para provimento do recurso voluntário. Neste sentido reproduzo abaixo trecho do voto condutor da mencionada decisão que me valho para fundamentação do presente voto com base no art. 57 parágrafo 3o da Portaria MF Nº 343/15, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017: O art. 18 da Lei n° 9.317/96 estende, para a apuração das receitas integrantes da base de cálculo dos valores a serem pagos no Simples, todas as presunções de omissão de receita existentes na legislação de regência dos impostos e contribuições abrangidos pelo sistema: (...) Nessa esteira, o art. 42 da Lei n° 9.430/96 presume como omissão de receita os depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo: (...) Pois bem, os documentos constantes dos autos demonstram a incorreção da afirmativa da interessada de que a autoridade fiscal "deixou de levar em consideração durante a ação fiscal o que preceitua o art. 18 da Lei n° 9.317/96, pois se limitou a apurar uma suposta diferença entre , a movimentação bancária da impugnante e o declarado na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica — Simples". Na realidade, a diferença apurada pela autoridade fiscal foi entre a movimentação bancária da impugnante e as receitas escrituradas em seu Livro Caixa (fls. 176/245). 0 que talvez tenha confundido a interessada foi o fato de os valores declarados na DSPJ (fls. 02/19) serem os mesmos escriturados no Livro Caixa. Quanto à alegação de que a autoridade fiscal de origem não teria obedecido ao procedimento de acesso à movimentação financeira da pessoa jurídica, afastoa com a observação que os extratos bancários que embasaram os lançamentos tributários em análise foram entregues à autoridade fiscal pela própria pessoa jurídica, conforme demonstra o documento de fls. 27. Por fim, no que toca aos argumentos de que os lançamentos tributários efetuados não teriam respeitado o regime de competência bem como teriam deixado "de levar em consideração valores transferidos de contas, empréstimos, aplicações financeiras etc", desconsideroos porquanto não foram eles secundados por documentos comprobatórios. Ressaltese que a interessada não s6 não comprovou essas suas argumentações como sequer discriminou nos extratos bancários os depósitos que seriam oriundos de "empréstimos, aplicações financeiras etc", ou que teriam sido tributados em exercícios anteriores (regime de competência). Fl. 428DF CARF MF Processo nº 11052.000483/201033 Acórdão n.º 1301003.501 S1C3T1 Fl. 426 7 Conclusão Diante de todo o acima exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 429DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13748.720010/2018-19
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
Faz jus às deduções, o contribuinte que prova e comprova por meio de documentos hábeis seus lançamentos.
Numero da decisão: 2002-000.668
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencida a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll que lhe negou provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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DESPESAS MÉDICAS. Faz jus às deduções, o contribuinte que prova e comprova por meio de documentos hábeis seus lançamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencida a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll que lhe negou provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 8. 72 00 10 /2 01 8- 19 Fl. 248DF CARF MF Processo nº 13748.720010/201819 Acórdão n.º 2002000.668 S2C0T2 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário (fls. 75/127) contra decisão de primeira instância (fls. 67/71), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz: Em nome do contribuinte acima identificado foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 55/60, relativa ao anocalendário 2012, que apurou crédito tributário total de R$ 24.704,75, sendo R$ 10.892,75 de IRPF Suplementar, R$ 8.169,56 de multa de ofício e R$ 5.642,44 de juros de mora. O lançamento decorreu do processamento da Declaração de Ajuste Anual – DAA IRPF/2013, apresentada à RFB pelo contribuinte, cujo resultado havia sido de imposto a pagar no valor de R$ 9.474,84. Motivou o lançamento de ofício a constatação de dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 39.610,00, por falta de comprovação da efetividade do pagamento dos serviços prestados aos profissionais Leonardo Delaroili (Fisioterapeuta R$ 9.000,00), Denise S. B. Filgueiras (Psicóloga R$ 7.920,00), Bianca R Barreto Lima (Cirurgiã dentista R$ 8.500,00), Cristiane G. Alves (Fisioterapeuta R$ 8.000,00) e Alex de Oliveira Lampe (Cirurgiãodentista R$ 6.190,00), conforme requerido em intimação específica. Cientificado em 09/01/2018 (fls. 61), o interessado apresentou a impugnação de fls. 02/05 em 12/01/2018, reapresentando os recibos das despesas, alegando que atendem à legislação tributária, e juntando declarações dos profissionais confirmando as prestações dos serviços e informando que os pagamentos foram efetuados em espécie. Inconformada, a contribuinte apresentou recurso reiterando as alegações da impugnação e, juntando novos documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. A contribuinte foi cientificada em 11/03/2018 (fl. 74); Recurso Voluntário protocolado em 10/04/2018 (fl. 75), assinado por procurador legalmente constituído (fl. 128). Responde a contribuinte nestes autos, pela seguinte infração: a) Dedução Indevida de Despesas Médicas. Fl. 249DF CARF MF Processo nº 13748.720010/201819 Acórdão n.º 2002000.668 S2C0T2 Fl. 4 3 Relata o Sr. AFR, que a glosa no valor de R$ 39.610,00, ocorreu em razão da contribuinte não ter comprovado o efetivo pagamento dos serviços prestados pelos seguintes profissionais: Leonardo de Paulo Delarolli, Denise S. B. Filgueiras, Bianca R. Barreto Lima, Cristiane G. Alves, Alex de Oliveira Lampe. A r. decisão revisanda, julgou procedente a ação fiscal tendo como estribo a seguinte fundamentação: “não tendo o contribuinte comprovado o efetivo pagamento das despesas médicas, como intimado pela autoridade lançadora, deve ser mantida a glosa”. Irresignada, a recorrente apresenta recurso próprio, combatendo o mérito e trazendo documentos. Tendo em vista a documentação apresentada nos autos: · Dra. Denise (fls. 10/14) – Declaração + recibos (casal) = R$ 7.920,00 · Dr Alex (fls. 15/16) – Declaração = R$ 6.190,00 · Dr Leonardo (fls. 17/19) – Recibo/Declaração/Laudo (Edgard) = R$ 4.800,00 · Dr Leonardo (fls. 28/30) – Recibo/Declaração/Laudo (Sonia) = R$ 4.200,00 · Dra. Bianca (fls. 20/23) – Declaração/Recibos/Laudo (Sonia) = R$ 4.700,00 · Dra. Bianca (fls. 31/34) – Declaração/Recibos/Laudo (Edgard) = R$ 3.800,00 · Dra. Cristiane (fls. 24/27) – Declaração/Recibos/Laudo (Edgard) = R$ 4.400,00 · Dra. Cristiane (fls. 35/38) – Declaração/Recibos/Laudo (Sonia) = R$ 3.600,00 · (fls. 166/168) – Extratos bancários – Itaú · (fls. 169/180) – Extratos bancários – Banco do Brasil · (fl. 43) – DIRPF – consta o esposo como dependente OBSERVANDO OS EXTRATOS BANCÁRIOS, É POSSÍVEL CONSTATAR QUE A CONTRIBUINTE EFETUAVA OS PAGAMENTOS EM ESPÉCIE. · NO RECURSO ELA TRAZ NOVAMENTE TODA A DOCUMENTAÇÃO JÁ APRESENTADA E JUNTA OS EXTRATOS BANCÁRIOS · (fls. 181/185) Anexo 49 – Tabela explicativa dos valores pagos a cada profissional e dos saques feitos, os quais podem ser confirmados nos extratos bancários. Restou provado as alegações da recorrente. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito dáse provimento. É como voto. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 13748.720010/201819 Acórdão n.º 2002000.668 S2C0T2 Fl. 5 4 (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 251DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.900248/2013-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. PRODUTOS COM NOTAÇÃO "NT". CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N. 20.
O legislador ordinário, conforme as diretrizes dadas pela Constituição Federal e pelo CTN, criou o sistema de créditos de IPI que, regra geral, confere ao contribuinte o direito de creditar-se do imposto cobrado nas operações anteriores para ser compensado com o que for devido nas operações de saída dos produtos tributados do estabelecimento contribuinte no mesmo período de apuração.
Com a entrada em vigor da Lei n° 9.779/99 somente foi admitida a possibilidade de aproveitamento do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de insumos aplicados na industrialização de produtos isentos ou tributados a alíquota zero, mas não de produtos com notação "NT" na TIPI (imunes ou não industrializados).
Súmula CARF nº 20: "Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT".
Recurso Voluntário negado
Direito Creditório não reconhecido
Numero da decisão: 3402-006.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A Conselheira Cynthia Elena de Campos acompanhou a relatora pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Thais De Laurentiis Galkowicz que davam provimento ao recurso por entenderem inaplicável a Súmula CARF 20 ao caso.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. PRODUTOS COM NOTAÇÃO "NT". CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N. 20. O legislador ordinário, conforme as diretrizes dadas pela Constituição Federal e pelo CTN, criou o sistema de créditos de IPI que, regra geral, confere ao contribuinte o direito de creditar-se do imposto cobrado nas operações anteriores para ser compensado com o que for devido nas operações de saída dos produtos tributados do estabelecimento contribuinte no mesmo período de apuração. Com a entrada em vigor da Lei n° 9.779/99 somente foi admitida a possibilidade de aproveitamento do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de insumos aplicados na industrialização de produtos isentos ou tributados a alíquota zero, mas não de produtos com notação "NT" na TIPI (imunes ou não industrializados). Súmula CARF nº 20: "Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT". Recurso Voluntário negado Direito Creditório não reconhecido
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INSUMOS. PRODUTOS COM NOTAÇÃO "NT". CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N. 20. O legislador ordinário, conforme as diretrizes dadas pela Constituição Federal e pelo CTN, criou o sistema de créditos de IPI que, regra geral, confere ao contribuinte o direito de creditarse do imposto cobrado nas operações anteriores para ser compensado com o que for devido nas operações de saída dos produtos tributados do estabelecimento contribuinte no mesmo período de apuração. Com a entrada em vigor da Lei n° 9.779/99 somente foi admitida a possibilidade de aproveitamento do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de insumos aplicados na industrialização de produtos isentos ou tributados a alíquota zero, mas não de produtos com notação "NT" na TIPI (imunes ou não industrializados). Súmula CARF nº 20: "Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT". Recurso Voluntário negado Direito Creditório não reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A Conselheira Cynthia Elena de Campos acompanhou a relatora pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Thais De Laurentiis Galkowicz que davam provimento ao recurso por entenderem inaplicável a Súmula CARF 20 ao caso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 02 48 /2 01 3- 11 Fl. 416DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versa o processo sobre pedido de ressarcimento de créditos de IPI relativo ao 2o trimestre de 2008, ao qual foi vinculado declaração de compensação. O pedido de ressarcimento foi indeferido e as compensações declaradas no PER/DCOMP não foram homologadas, mediante o Despacho Decisório nº de Rastreamento: 065794786, emitido em 02/10/2013, nos seguintes termos: O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. Redução do saldo credor do trimestre, passível de ressarcimento, resultante de débitos apurados em procedimento fiscal. Informações complementares da análise do crédito estão disponíveis na página internet da Receita Federal, e integram este despacho. Diante do exposto: NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no(s) seguinte(s) PER/DCOMP: 38002.00273.261109.1.3.010692 INDEFIRO o pedido de restituição/ressarcimento apresentado no(s) PER/DCOMP: 27809.87941.251109.1.1.015397 A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo, em síntese, conforme consta na decisão recorrida, "que tem direito ao crédito por força do princípio da nãocumulatividade previsto no artigo 153,§3º, II, da Constituição Federal e que a legislação tributária, tanto na sua interpretação, como aplicação, a ele deve se subordinar". O julgador a quo não acolheu as razões de defesa da manifestante, sob os seguintes fundamentos principais: Com a entrada em vigor do art. 11 da Lei nº 9.779/99 e da IN SRF nº 33/99 deixou de existir a obrigatoriedade de estornar o crédito relativo a insumo a ser empregado em produto isento, tributado com alíquota zero ou imune, sendo passível de aproveitamento Fl. 417DF CARF MF Processo nº 16682.900248/201311 Acórdão n.º 3402006.083 S3C4T2 Fl. 417 3 (compensação com débitos na conta gráfica do imposto) nos moldes dos créditos anteriormente referidos como básicos, permitido inclusive o ressarcimento, o que, pelas normas anteriores, só era possível na hipótese de se tratar de crédito incentivado. Permaneceu obrigatório, no entanto, o estorno dos créditos relacionados a insumos empregados na fabricação de produtos não tributados. Nessa linha também dispõe o ADI SRF nº 05/2006. Também o RIPI/2002 consolida e ratifica o entendimento de que, a partir de 01/01/1999, os estabelecimentos industriais passaram a ter direito ao crédito do IPI relativo às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem empregados na industrialização de todos os produtos imunes, isentos e tributados à alíquota zero, excetuando se somente os produtos não tributados. Desta forma, o art. 11 da Lei nº 9.779/99 e a IN SRF nº 33/99, que admitem a possibilidade de se aproveitar o saldo credor do IPI oriundos da entrada de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, via ressarcimento, não se aplicam ao presente caso, já que foram aplicados em produtos não tributados pelo imposto. Cientificada dessa decisão em 19/02/2015, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 16/03/2015, com as seguintes alegações: a) A presente manifestação de inconformidade está atrelada ao processo nº 15563.720204/201395, objeto de auto de infração lavrado pela RFB, no qual as argumentações ali esposadas aqui se repercutem. b) A Lei nº 9.779/99, o Decreto nº 4.544/2002 e a IN SRF nº 33/99 autorizam a utilização dos créditos de MP, PI e ME quando empregados na industrialização de produtos amparados pela imunidade sem qualquer restrição, de forma que a limitação imposta pelo ADI SRF nº 05/2006 é ilegal. Ademais, as Soluções de Consulta formuladas por seus concorrentes devem ser estendidas a recorrente e a todos que se encontram na mesma situação, sob pena de ofensa aos princípios da livre concorrência e da isonomia. c) Na hipótese de o Tribunal admitir a validade do ADI nº 05/2006, deve ser afastada a aplicação de qualquer penalidade, juros e atualização monetária decorrente da utilização desses créditos, nos termos do art. 100, parágrafo único do CTN. d) Em relação a eventuais saídas de produtos sem a incidência de IPI em desacordo com o disposto na TIPI, enfatizase que tal fato não invalida o pleito de ressarcimento/compensação do imposto. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Fl. 418DF CARF MF 4 O processo nº 15563.720204/201395, mencionado pela recorrente, trata de auto de infração para exigência de IPI, lavrado em 22 de agosto de 2013, relativamente aos períodos de apuração de abril de 2008 a dezembro de 2009. À vista da apuração e classificação dos créditos de IPI escriturados, a fiscalização constatou falta de destaque do IPI em algumas saídas, o que teve implicação sobre os saldos credores apurados. Ademais, a fiscalização apurou os créditos ressarcíveis e não ressarcíveis, efetuando a reconstituição da escrita fiscal da interessada. Alguns créditos foram glosados em razão de CFOP incompatíveis, divergência de alíquota em relação à TIPI e relativos a insumos empregados na fabricação de produtos não tributados. O presente processo versa sobre pedido de ressarcimento/compensação de créditos de IPI relativo ao 2o trimestre de 2008, período também sob discussão no processo nº 15563.720204/201395 no que concerne aos débitos e aos créditos, razão pela qual há conexão entre os dois processos. No entanto, não seria o caso de vinculação deste àquele por conexão, em face do disposto no art. 6º, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF1, tendo em vista que o processo nº 15563.720204/201395 já foi julgado em 26/11/2018, conforme consta no trecho abaixo da Ata da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção: Relator(a): LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO Processo: 15563.720204/201395 Recorrentes: PETROBRAS DISTRIBUIDORA S A e FAZENDA NACIONAL Acórdão 3401005.459 Decisão: Acordam os membros do colegiado: (i) por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, por não restar superado o limite de alçada, na forma da Súmula CARF 103; (ii) por unanimidade de votos, em afastar a alegação recursal de decadência; e (iii) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (relator), André Henrique Lemos e Cássio Schappo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Lazaro Antonio Souza Soares. Dessa forma, não há impedimento para o imediato julgamento de mérito do presente processo, mormente quando o seu resultado seja no mesmo sentido da decisão proferida no processo conexo relativamente ao período de apuração em comum. Esclarece a recorrente que os produtos derivados de petróleo produzidos pelo seu estabelecimento, em quase sua totalidade, são classificados nos códigos NCM 2710.19.31 e 2710.19.32, com notação NT na TIPI. A impossibilidade de creditamento de IPI sobre insumos utilizados em produtos com notação NT é tratada na Súmula CARF nº 20, com o seguinte enunciado: "Não 1 Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. (...) Fl. 419DF CARF MF Processo nº 16682.900248/201311 Acórdão n.º 3402006.083 S3C4T2 Fl. 418 5 há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT". É verdade, como dito pela recorrente, na esteira da Declaração de Voto do Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz no Acórdão nº 340301.678, que "notação “NT” da TIPI é polissêmica", sendo que o "Executivo a emprega para designar realidades diferentes entre si, ora aludindo a produtos industrializados favorecidos por imunidade – caso dos combustíveis e dos derivados de petróleo – ora prestandose a definir produtos como não industrializados". Disso poderseia deduzir que a Súmula CARF nº 20 está se referindo a todas as hipóteses de produtos classificados na TIPI como NT, inclusive imunes. Vale dizer que, no Acórdão nº 340301.678, a situação tratada era diferente da presente, eis que se estava ali "diante de hipótese em que ao produto imune não correspondia, na TIPI, a notação “NT”", razão pela qual, no referido julgado, foi afastada a aplicação da Súmula CARF nº 20, conforme Declaração de Voto referida pela recorrente2. No caso presente, nem discorda a recorrente que estamos diante de produtos finais "classificados na TIPI com a notação NT", de forma que aqui deve, sim, ser aplicado o enunciado da Súmula CARF nº 20, de aplicação obrigatória pelos membros deste Conselho, nos termos do art. 72 e art. 45, VI do Anexo II do seu Regimento Interno. Conforme se denota na fundamentação de um dos Acórdãos Paradigmas, nº 20215366, de 03/12/2003, o legislador ordinário, consoante as diretrizes da Constituição Federal e do CTN, "criou o sistema de créditos que, regra geral, confere ao contribuinte o direito de creditarse do imposto cobrado nas operações anteriores para ser compensado com o que for devido nas operações de saída dos produtos tributados do estabelecimento contribuinte, em um mesmo período de apuração", sendo que, "com a entrada em vigor da Lei n° 9.779, de 1999, somente foi admitida a possibilidade de aproveitamento do saldo credor do IPI, decorrente da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem aplicados na industrialização de produtos isentos ou tributados a alíquota zero, jamais de produtos não tributados pelo IPI (NT)". Esse entendimento ajustase perfeitamente ao caso sob análise, que trata do creditamento na aquisição de insumos utilizados na fabricação de produtos com notação NT na TIPI, operação que não sofreu a incidência do IPI. O fato de o produto final ser imune ou não 2 Acórdão nº 340301.678 (...) Declaração de Voto (...) As considerações acima, no entanto, não têm inteira pertinência com a hipótese em julgamento. É que a “emulsão asfáltica de petróleo” classificase na TIPI sob o código 2715.00.00 (misturas betuminosas à base de asfalto ou de betumes naturais, betume de petróleo, de alcatrão mineral ou de breu de alcatrão mineral), ao qual não correspondia à época dos fatos geradores a notação “NT”. Correspondia incidência à alíquota positiva de 5%. Não foi a TIPI, portanto, o veículo normativo que reconheceu ao produto a condição de imune. Foi a resposta expedida em consulta fiscal formulada por entidade de classe à qual a recorrente é filiada que o fez. Circunstancialmente, pois, estamos diante de hipótese em que ao produto imune não corresponde, na TIPI, a notação “NT”. Essa constatação tem relevância na medida em que afasta a aplicação ao caso da Súmula CARF nº 20, de acordo com a qual “a fabricação de produtos classificados na TIPI como NT” não confere direito de crédito sobre os respectivos insumos. Com estas considerações, acompanho o relator para dar provimento ao recurso voluntário. Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 420DF CARF MF 6 industrializado (notação NT) não altera o tratamento relativamente à impossibilidade de creditamento sobre a aquisição do insumo a ser nele aplicado, vez que a autorização dada pelo art. 11 da Lei nº 9.779/993 somente atinge a fabricação de produtos isentos ou tributados a alíquota zero. Quanto ao entendimento, depois revogado, que poderia advir da leitura isolada do art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33/994, no sentido de que o direito de aproveitamento de saldo credor referido no art. 11 da Lei nº 9.779/99 se estenderia aos produtos imunes, ele deveria ser compatibilizado com o disposto no art. 2º, §3º da mesma Instrução Normativa, resolvendose o conflito de normas com o direito de aproveitamento de créditos somente sobre os insumos destinados aos produtos imunes que não tivessem notação NT, o que não beneficiaria a ora recorrente no presente processo. Mais importante ainda é que, no período de apuração sob análise, o Secretário da Receita Federal, mesma autoridade responsável pela edição da malfadada Instrução Normativa SRF nº 33/99, já havia revogado os entendimentos no sentido acima, tanto no que concerne aos produtos com notação NT (imunes ou não industrializados) ou meramente imunes, nos termos do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 5, de 17 de abril de 2006, publicado(a) no DOU de 18/04/2006, nos seguintes termos: Dispõe sobre a aplicação do art. 11 da Lei nº 9.779, de 11 de janeiro de 1999, combinado com o art. 5º do Decretolei nº 491, de 5 de março de 1969, e o art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999. 3 Lei nº 9.779, de 1999: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, acumulado em cada trimestre calendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal– SRF, do Ministério da Fazenda. (g.n) 4 IN SRF nº 33, de 4 de março de 1999: Art. 1º A apuração e a utilização de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, inclusive em relação ao saldo credor a que se refere o art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, darseá de conformidade com esta Instrução Normativa. (g.n) Art. 2º Os créditos do IPI relativos a matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME), adquiridos para emprego nos produtos industrializados, serão registrados na escrita fiscal, respeitado o prazo do art. 347 do RIPI: I – quando do recebimento da respectiva nota fiscal, na hipótese de entrada simbólica dos referidos insumos; II no período de apuração da efetiva entrada dos referidos insumos no estabelecimento industrial, nos demais casos. § 1º O aproveitamento dos créditos a que faz menção o caput darseá, inicialmente, por compensação do imposto devido pelas saídas dos produtos do estabelecimento industrial no período de apuração em que forem escriturados. § 2º No caso de remanescer saldo credor, após efetuada a compensação referida no parágrafo anterior, será adotado o seguinte procedimento: I o saldo credor remanescente de cada período de apuração será transferido para o período de apuração subseqüente; II ao final de cada trimestrecalendário, permanecendo saldo credor, esse poderá ser utilizado para ressarcimento ou compensação, na forma da Instrução Normativa SRF nº 21, de 10 de março de 1997. § 3º Deverão ser estornados os créditos originários de aquisição de MP, PI e ME, quando destinados à fabricação de produtos não tributados (NT). (g.n) (...) Art. 4º O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1º de janeiro de 1999. (...) Fl. 421DF CARF MF Processo nº 16682.900248/201311 Acórdão n.º 3402006.083 S3C4T2 Fl. 419 7 O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 230 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 30, de 25 de fevereiro de 2005, e tendo em vista o que consta do processo nº 10168.000853/200696, declara: Art. 1º Os produtos a que se refere o art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, são aqueles aos quais ao legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) garante o direito à manutenção e utilização dos créditos. Art. 2º O disposto no art. 11 da Lei nº 9.779, de 11 de janeiro de 1999, no art. 5º do Decretolei nº 491, de 5 de março de 1969, e no art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, não se aplica aos produtos: I com a notação "NT" (nãotributados, a exemplo dos produtos naturais ou em bruto) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto nº 4.542, de 26 de dezembro de 2002; II amparados por imunidade; III excluídos do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5º do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI). Parágrafo único. Excetuamse do disposto no inciso II os produtos tributados na TIPI que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior. Não há que se falar em qualquer ilegalidade no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 5/2006, que trouxe interpretação no âmbito da Receita Federal em conformidade estrita ao disposto no art. 11 da Lei nº 9.779/99, o qual introduziu a possibilidade de aproveitamento de saldo credor em relação aos insumos aplicados tão somente nos produtos isentos ou tributados à alíquota zero. Vale dizer que o que transborda a lei é a interpretação que cogita do direito ao creditamento sobre as aquisições de insumos destinados a produtos imunes. Cabe esclarecer à recorrente que, à época dos fatos, eventuais Soluções de Consulta vigentes formuladas por seus concorrentes em sentido contrário ao Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 5/2006 já não produziam mais efeitos, nos termos da legislação de regência5. Dessa forma, diante da vigência, no período de apuração sob análise, do entendimento veiculado pelo Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 5, de 17 de abril de 2006, o disposto no art. 100, parágrafo único do CTN não pode socorrer a recorrente quanto a eventual exclusão de penalidades. Por fim, em relação a "eventuais saídas de produtos sem a incidência de IPI em desacordo com o disposto na TIPI", a recorrente meramente alega que tal fato não invalidaria o pleito de ressarcimento/compensação do imposto, não apresentando qualquer fato ou fundamento que possa ser analisado por este Colegiado. Assim, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. 5 Instrução Normativa RFB nº 740, de 02 de maio de 2007: Art. 21. A publicação, na Imprensa Oficial, de ato normativo superveniente modifica as conclusões em contrário constantes em soluções de consultas ou em soluções de divergências. Instrução Normativa RFB nº 1396, de 16 de setembro de 2013: Art. 30. A publicação, na Imprensa Oficial, de ato normativo superveniente modifica as conclusões em contrário constantes em Soluções de Consulta ou em Soluções de Divergência, independentemente de comunicação ao consulente. Fl. 422DF CARF MF 8 (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 423DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.000694/2004-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/04/1999, 31/12/1999
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
REGIME DE TRIBUTAÇÃO.
O regime de tributação adotado pela contribuinte deve ser único em relação aos tributos IRPJ, CSLL, contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, seja geral, conforme o caput do artigo 30, §1º da MP 2.15835, de 2001, seja, opcionalmente, de competência, conforme o parágrafo primeiro deste artigo.
JUROS DE MORA. MANDADO DE SEGURANÇA. LIMINAR. SÚMULA CARF Nº 5.
O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorrente de liminar deferida em ação de mandado de segurança não afasta a exigência dos juros moratórios.
Numero da decisão: 3301-005.558
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida negar provimento.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/04/1999, 31/12/1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. O regime de tributação adotado pela contribuinte deve ser único em relação aos tributos IRPJ, CSLL, contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, seja geral, conforme o caput do artigo 30, §1º da MP 2.15835, de 2001, seja, opcionalmente, de competência, conforme o parágrafo primeiro deste artigo. JUROS DE MORA. MANDADO DE SEGURANÇA. LIMINAR. SÚMULA CARF Nº 5. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorrente de liminar deferida em ação de mandado de segurança não afasta a exigência dos juros moratórios.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1856; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 508 1 507 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.000694/200445 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301005.558 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de novembro de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Recorrente MERRILL LYNCH PARTIC FIN E SERVICOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/04/1999, 31/12/1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. O regime de tributação adotado pela contribuinte deve ser único em relação aos tributos IRPJ, CSLL, contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, seja geral, conforme o caput do artigo 30, §1º da MP 2.15835, de 2001, seja, opcionalmente, de competência, conforme o parágrafo primeiro deste artigo. JUROS DE MORA. MANDADO DE SEGURANÇA. LIMINAR. SÚMULA CARF Nº 5. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorrente de liminar deferida em ação de mandado de segurança não afasta a exigência dos juros moratórios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida negar provimento. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 06 94 /2 00 4- 45 Fl. 508DF CARF MF Processo nº 19515.000694/200445 Acórdão n.º 3301005.558 S3C3T1 Fl. 509 2 Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado). Relatório Visando à elucidação do caso, adoto e cito o relatório do constante da decisão recorrida, Acórdão no 1317.720 4a Turma da DRJ/RJOII (fls 374 e seguintes): Contra a empresa qualificada em epígrafe foi lavrado auto de infração de fls. 95/99 em virtude da apuração de falta de recolhimento da Contribuição para o PIS no períodos 04/1999 e 12/1999, exigindoselhe contribuição de R$183.939,10 e juros de mora de R$139.106,30, calculados até 27/02/2004, perfazendo o total de R$323.045,40. No Termo de Verificação Fiscal de folhas 91 a 94 o fiscal autuante informa que a interessada deixou de incluir na base de cálculo do PIS e da Cofms, nos meses de abril e dezembro de 1999, variações monetárias ativas, decorrentes de atualização monetária de obrigação contraída no exterior. Informa ainda que, considerando provimento judicial obtido nos autos do Mandado de Segurança no 2000.61.00.0348390, no qual a impugnante busca afastar a exigibilidade da Contribuição para o PIS nos moldes instituídos pela Lei no 9.718/98, efetuou o lançamento com exigibilidade suspensa, sem imposição de multa de oficio, nos termos do art. 151 do CTN. O enquadramento legal foi consignado a fl. 98. Cientificada em 29/03/2004, a interessada apresentou em 27/04/2004 a impugnação de fls. 101 a 128, na qual alegou: Ter impetrado o Mandado de Segurança n° 2000.61.00.034839 , por meio do qual pretende ver garantido o direito de recolher a Contribuição para o PIS com base na Lei no 9.715/98 e declarada a inconstitucionalidade da Lei 9.718/98. Objetivava ainda a concessão de liminar para suspender a exigibilidade do PIS, relativo ao mês de agosto de 2000 e subseqüentes, nos moldes estabelecidos pelos arts. 2° e 30 da Lei 9.718/98, bem como resguardar o direito da impugnante de proceder a compensação dos valores indevidamente recolhidos no período de fevereiro de 1999 a julho de 2000, com parcelas vincendas da mesma exação; Fl. 509DF CARF MF Processo nº 19515.000694/200445 Acórdão n.º 3301005.558 S3C3T1 Fl. 510 3 Em que pese a existência de demanda judicial, a impugnação deve ser conhecida uma vez que, em sentido diverso, versa sobre erro na apuração da base de cálculo e a não incidência de juros mora sobre o crédito supostamente devido; Argumenta que a autuação decorreu apenas da exigência da Contribuição para o PIS sobre receitas decorrentes de variação cambial. Neste tipo de operação, os ganhos ou perdas so podem ser apurados ao final do contrato. Ocorre que por força da legislação comercial e tributária, está obrigada a contabilizar suas receitas e despesas pelo regime de competência. Isso significa que pode ter perdas em um mês e lucros nos meses posteriores sem que isso represente, no contexto da operação, um acréscimo patrimonial. Contesta o entendimento dado pelo fiscal que reconhece a receita para fins de tributação pelo PIS, sem antes computar a respectiva despesa, ainda que oriundas do mesmo fato. Ou seja, ha necessidade de se auferir a correta apuração dos resultados correlatos (receita x despesa) para formação da base de cálculo da contribuição, sob pena de se estar tributando algo que não representa receita. Argumenta que nem todas as entradas configuram receita, mas somente aquelas que representam riqueza nova, ou seja, acréscimo de patrimônio. Assim, é incosteste que o ingresso positivo oriundo de variação cambial, antes da finalização do contrato de repasse, jamais poderia ensejar a tributação do PIS, sendo imprescindível, primeiramente, a dedução da despesa deste mesmo evento, residindo, neste aspecto, a nulidade da autuação ora inquinada. Por fim, argumenta que a ordem judicial concessiva da liminar, embora não obste a realização do lançamento para constituição do crédito tributário, resguarda a recorrente de eventual aplicação, de penalidades, que não são devidas em função da suspensão da sua exigibilidade, razão pala qual impõese a nulidade do Auto de Infração que impôs o pagamento dos juros moratórios. Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade, com a seguinte ementa (fl. 374): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/04/1999, 31/12/1999 VARIAÇÃO CAMBIAL. REGIME DE COMPETÊNCIA. Até dezembro de 1999, o regime de competência era utilizado como regra de tributação para a Cofins e para o PIS sobre as receitas provenientes de variações monetárias, seja em função da taxa de câmbio, seja em função de outros indices aplicáveis por disposição legal ou contratual. JUROS DE MORA. Fl. 510DF CARF MF Processo nº 19515.000694/200445 Acórdão n.º 3301005.558 S3C3T1 Fl. 511 4 É legitima a inclusão dos juros de mora, quando da formalização do crédito tributário pelo lançamento de oficio, com o objetivo de prevenir a decadência. Foi apresentado Recurso Voluntário (fls. 401 e seguintes), no qual a Recorrente retoma suas razões. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira Relatora. A 1a Turma Especial da 3a Seção de Jugamento deste CARF decidiu a respeito da Contribuição para PIS/PASEP em relação à mesma contribuinte, mesmo fatos e no período de 1999 a 2000, no processo 19515.000042/200591,por meio do Acórdão nº 3801002.961– 1ª Turma Especial. Verifico na petição inicial do mandado de segurança no processo mencionado que solicitou a concessão de medida liminar para, relativamente ao período base de agosto de 2000 e subseqüentes, suspender a exigibilidade da contribuição para o PIS efetuada com base na Lei nº 9.718/98, ou seja, sobre as demais receitas que não as decorrentes da venda de mercadorias e/ou prestação de serviços, garantindo à impetrante o direito de recolhêla com a base de cálculo e alíquota previstas na Lei nº 9.715/98; e, para o período de fevereiro de 1999 a julho de 2000, que fosse resguardado o direito de proceder à compensação de valores indevidamente recolhidos com parcelas vincendas da mesma exação. Reproduzo trecho da Certidão de Objeto e Pé da ação constante do processo mencionado: “OBJETO: Recolhimento da contribuição para o PIS, com a base de cálculo e alíquota previstas na Lei n°9.715/98, afastando se, via incidental, por inconstitucionais, os dispositivos da Lei . n° 9.718/98, bem como para resguardar o direito da impetrante de proceder à compensação dos valores indevidamente recolhidos no período de fevereiro de 1999 a julho de 2000, com parcelas vincendas da mesma exação, acrescidos da tam de juros do SELIC a partir de 1996, conforme determinado pela Lei n° 9.250, de 27.12.95, tendo o seguinte andamento: (..)” Logo, há concomitância com processo judicial em relação a todos os períodos autuados. Aplicase ao caso a Súmula CARF nº 1, verbis: “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Fl. 511DF CARF MF Processo nº 19515.000694/200445 Acórdão n.º 3301005.558 S3C3T1 Fl. 512 5 Há uma matéria discutida no recurso voluntário que deve ser apreciadas, porque não são objeto do processo judicial. Tratase dos juros de mora. Diz o art. 161 do Código Tributário Nacional: Art. 161. 0 crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nestaLei ou em lei tributária. O art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, determina que não sejam exigidas as multas de ofício e de mora. Juros não são penalidade, logo, não estão excluídos da exigência fiscal. A alegação de que a obtenção de liminar favorável antes da lavratura do auto de infração afastaria a exigência de juros de mora não pode ser acatada, por força do que dispõe a Súmula CARF nº 5 assim enunciada: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário na matéria abrangida pela decisão judicial referida, por força da concomitância dos processos judicial e administrativo. Na parte conhecida, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 512DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16045.000275/2007-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
EMPRESA LOCADORA DE VEÍCULOS AUTOMOTORES. OBJETO SOCIAL. NÃO CONSTAM ATIVIDADES DE COMERCIALIZAÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS, USADOS E/OU VENDAS DE VEÍCULOS RECEBIDOS EM CONSIGNAÇÃO. BASE DE CÁLCULO VALOR TOTAL DA OPERAÇÃO. DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO NÃO OFERECIDA À TRIBUTAÇÃO.
A pessoa jurídica que tenha como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores usados, e comercialize sob consignação, pode aderir ao Simples, desde que os contratantes preencham as condições previstas nos arts. 693 e 694 do Novo Código Civil (contrato de comissão mercantil) e demais exigências da legislação tributária. Nesse caso, a base de cálculo do valor relativo ao recolhimento unificado dos impostos e contribuições sociais abrangidos pelo Simples é a diferença verificada entre o preço de venda destacado em nota fiscal e o custo de aquisição constante da nota fiscal de entrada.
As pessoas jurídicas optantes pelo Simples sujeitam-se à apuração de ganho de capital obtido na alienação de ativos, hipótese na qual se deve observar o conceito explícito acerca de bens ativáveis e de depreciação, amortização e exaustão previsto na legislação aplicável às demais pessoas jurídicas.
Entretanto, a empresa que tem como objeto social a locação de veículos automotores (pessoa jurídica do Simples Federal), caso exercite atividades não constantes do objeto do contrato social, não previstas no objeto social, como a comercialização de veículos novos, usados e/ou vendas de veículos recebidos em consignação, por não serem classificáveis no ativo permanente/imobilizado da pessoa jurídica, a venda ou revenda (quando a entrada e respectiva saída do veículo automotor ocorrer em lapso temporal menor de um ano e um dia) configura receita tributável na sistemática do Simples Federal o valor total da operação.
OMISSÃO DE RECEITAS. PAGAMENTOS EFETUADOS À MARGEM DA ESCRITURAÇÃO. MATÉRIA PRECLUSA.
Configura matéria preclusa a infração imputada pela fisco não impugnada na instância a quo.
INSUFICIÊNCIA DE PAGAMENTO DOS TRIBUTOS DO SIMPLES. RECEITA DECLARADA. INFRAÇÃO REFLEXA.
Constatado valor de receita excedente ao declarado, segue-se o necessário realinhamento das alíquotas incidentes no Simples, exigindo-se_as espécies tributárias recolhidas em valor insuficiente, além daquelas incidentes sobre os valores excedentes à receita declarada.
LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS. CONTRIBUIÇÃO PARA SEGURIDADE SOCIAL - INSS.
A solução dada ao litígio principal, relativa ao IRPJ, aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa.
Numero da decisão: 1301-003.652
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto- Presidente.
(assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: NELSO KICHEL
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OBJETO SOCIAL. NÃO CONSTAM ATIVIDADES DE COMERCIALIZAÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS, USADOS E/OU VENDAS DE VEÍCULOS RECEBIDOS EM CONSIGNAÇÃO. BASE DE CÁLCULO VALOR TOTAL DA OPERAÇÃO. DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO NÃO OFERECIDA À TRIBUTAÇÃO. A pessoa jurídica que tenha como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores usados, e comercialize sob consignação, pode aderir ao Simples, desde que os contratantes preencham as condições previstas nos arts. 693 e 694 do Novo Código Civil (contrato de comissão mercantil) e demais exigências da legislação tributária. Nesse caso, a base de cálculo do valor relativo ao recolhimento unificado dos impostos e contribuições sociais abrangidos pelo Simples é a diferença verificada entre o preço de venda destacado em nota fiscal e o custo de aquisição constante da nota fiscal de entrada. As pessoas jurídicas optantes pelo Simples sujeitamse à apuração de ganho de capital obtido na alienação de ativos, hipótese na qual se deve observar o conceito explícito acerca de bens ativáveis e de depreciação, amortização e exaustão previsto na legislação aplicável às demais pessoas jurídicas. Entretanto, a empresa que tem como objeto social a locação de veículos automotores (pessoa jurídica do Simples Federal), caso exercite atividades não constantes do objeto do contrato social, não previstas no objeto social, como a comercialização de veículos novos, usados e/ou vendas de veículos recebidos em consignação, por não serem classificáveis no ativo permanente/imobilizado da pessoa jurídica, a venda ou revenda (quando a entrada e respectiva saída do veículo automotor ocorrer em lapso temporal AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 5. 00 02 75 /2 00 7- 41 Fl. 493DF CARF MF Processo nº 16045.000275/200741 Acórdão n.º 1301003.652 S1C3T1 Fl. 494 2 menor de um ano e um dia) configura receita tributável na sistemática do Simples Federal o valor total da operação. OMISSÃO DE RECEITAS. PAGAMENTOS EFETUADOS À MARGEM DA ESCRITURAÇÃO. MATÉRIA PRECLUSA. Configura matéria preclusa a infração imputada pela fisco não impugnada na instância a quo. INSUFICIÊNCIA DE PAGAMENTO DOS TRIBUTOS DO SIMPLES. RECEITA DECLARADA. INFRAÇÃO REFLEXA. Constatado valor de receita excedente ao declarado, seguese o necessário realinhamento das alíquotas incidentes no Simples, exigindose_as espécies tributárias recolhidas em valor insuficiente, além daquelas incidentes sobre os valores excedentes à receita declarada. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS. CONTRIBUIÇÃO PARA SEGURIDADE SOCIAL INSS. A solução dada ao litígio principal, relativa ao IRPJ, aplicase, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Fl. 494DF CARF MF Processo nº 16045.000275/200741 Acórdão n.º 1301003.652 S1C3T1 Fl. 495 3 Relatório Tratase do Recurso Voluntário (efls. 472/483) em face do Acórdão da 4ª Turma da DRJ/Campinas que manteve parcialmente o lançamento fiscal, ao julgar improcedente, em parte, a Impugnação (efls. 420/447). Quanto aos fatos, consta dos autos: que, em 27/06/2007, a Fiscalização da DRF/Taubaté lavrou Autos de Infração do SIMPLES Federal (IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e Contrib. Seg. Social INSS), anoscalendário 2003, 2004 e 2005, com multa de 75%, ao imputar as seguintes infrações (e fls. 245/319): (...) 001 OMISSÃO DE RECEITAS PAGAMENTOS EFETUADOS COM RECURSOS ESTRANHOS À ESCRITURAÇÃO Valor apurado conforme Relatório Fiscal anexo. Fato Gerador Valor Tributável Multa % 31/03/2003 R$ 50.000,00 75 31/10/2003 R$ 12.500,00 75 31/10/2003 R$ 29.500,00 75 Enquadramento legal: Art. 24 da Lei n° 9.249/95; arts. 2º, § 2º , 3°, § 1°, alínea "a", 5°, 7°, § 1°, 18, da Lei n°9.317/96.; Art. 3° da Lei n° 9.732/98.; Arts. 186, 188 e 199, do RIR/99. 002 DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO Valor apurado conforme Relatório Fiscal anexo. Fato Gerador Valor Tributável Multa % 31/10/2003 R$ 15.700,00 75 31/03/2004 R$ 53.742,43 75 31/05/2004 R$ 31.800,00 75 30/06/2004 R$ 167.094,04 75 31/07/2004 R$ 29.872,74 75 31/08/2004 R$ 141.759,52 75 30/09/2004 R$ 85.935,78 75 30/11/2004 R$ 72.727,18 75 31/12/2004 R$ 36.000,00 75 28/02/2005 R$ 103.500,00 00 (Obs.a decisão a quo já subtraiu R$ 26.000,00 indevidamente computado pela Fiscalização), valor tributável remanescente = R$ 77.500,00) 75 31/03/2005 R$ 169.404,98 75 30/04/2005 R$ 64.000,00 75 31/05/2005 R$ 113.060,54 75 30/06/2005 R$ 20.000,00 75 Fl. 495DF CARF MF Processo nº 16045.000275/200741 Acórdão n.º 1301003.652 S1C3T1 Fl. 496 4 31/07/2005 R$ 19.900,00 75 30/11/2005 R$ 27.932,18 75 Enquadramento legal: Arts. 2°, § 2°, 3°, § 1°, alínea "a", 5° e 7°, § 1°, da Lei n°9.317/96.; Art. 3° da Lei n° 9.732/98.; Arts. 186 e 188 , do RIR/99. 003 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO (infração reflexa) (...) Enquadramento legal: Art. 5° da Lei n°9.317/96 c/c art. 3° da Lei n° 9.732/98.; Arts. 186 e 188, do RIR/99. (...) que, ainda, quanto aos fatos infrações imputadas consta do Relatório Fiscal (efls. 241/244), parte integrante do lançamento fiscal, in verbis: (...) A fiscalizada é optante do SIMPLES instituído pela Lei 9.317/96 e alterações. Pelo montante do seu faturamento foi enquadrada como Empresa de Pequeno Porte (EPP). Conforme se verifica do Contrato Social e alterações posteriores, a empresa tem por objeto o seguinte: Locação (aluguel) de automóveis, aparelhos de comunicação e de informática, fls. 75. Posteriormente procedeu a alteração do ramo de negócio acrescentando além da atividade anteriormente citada, mais: Locação (aluguel) de automóveis, vans, microônibus, ônibus rodoviários, aparelhos de comunicação e de informática, fls. 86. Quando do enquadramento como EPP, declarou o CNAE de n° 7121800 (Locação de Veículos). Portanto, a fiscalizada, por sua própria opção sempre esteve enquadrada como LOCADORA DE VEÍCULOS, e nessa condição vinha apurando e oferecendo à tributação as receitas mensais oriundas dessa atividade. Durante os anos fiscalizados, constatamos que a empresa, além da LOCAÇÃO, passou também a COMERCIALIZAR (vender), veículos novos e usados e sequer procedeu à necessária alteração do seu novo ramo de negócio e opção de tributação, com isso deixando de apurar corretamente os encargos tributários. Fl. 496DF CARF MF Processo nº 16045.000275/200741 Acórdão n.º 1301003.652 S1C3T1 Fl. 497 5 É prudente lembrar o que diz o art. 5° da Lei 9.716/98, bem como a IN 152/98: "As empresas de compra e venda de veículos usados, com este objeto social declarado em seus atos constitutivos, podem adotar desde 30.10.98, na determinação da base de calculo do IR o regime aplicável às operações de consignação, computando a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver sido alienado, constante da NF de venda, e o seu custo de aquisição, constante da nota fiscal de entrada". A contrário senso, significa dizer: o beneficio de consignação não se estende à fiscalizada !!!, (...) Quanto aos veículos novos, grande parte foi adquirida diretamente de montadoras, vide notas fiscais anexas, fls. 105/169. (...) A fiscalizada, por estar enquadrada no SIMPLES, julgava que poderia apurar o GANHO DE CAPITAL (...). Veículos eram adquiridos e revendidos praticamente no mesmo dia ou quando muito na semana ou no máximo no mês seguinte, com muita rotatividade, fls. 111, 112, 113, 153 e 154. (...) Para melhor elucidar a questão, transcrevemos abaixo, a definição de RECEITA BRUTA, prevista no Estatuto da Microempresa), eilo: ... Considerase receita bruta, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionalmente concedidos. Ressalvadas essas exclusões, é vedado, para fins de determinação da receita bruta apurada mensalmente, proceder se a qualquer outra exclusão, em virtude da alíquota incidente ou de tratamento tributário diferenciado, tais como, substituição tributária, diferimento, crédito presumido, redução de base de cálculo e isenção (Lei n° 9.317/66, art. 2° parágrafos 2° e 4°, e IN SRF n° 355 de 2003, art. 4° parágrafo 1° e art. 19). Assim sendo, procedemos ao levantamento das receitas oriundas das vendas que não foram corretamente apuradas. DIFERENÇAS DAS BASES DE CÁLCULO QUE ESTÃO SENDO TRIBUTADAS (DE OFÍCIO): Fl. 497DF CARF MF Processo nº 16045.000275/200741 Acórdão n.º 1301003.652 S1C3T1 Fl. 498 6 Vendas de veículos que permaneceram no estabelecimento num período de até 12 meses, conforme planilhas devidamente fornecidas e assinadas pela fiscalizada, uma vez que não fazia parte de seu ramo de negócio compra e venda e sim aluguel de veículos, conforme segue: (fls. 170/200): Mês/ano Valor 31/10/2003 R$ 15.700,00 31/03/2004 R$ 53.742,43 31/05/2004 R$ 31.800,00 30/06/2004 R$ 167.094,04 31/07/2004 R$ 29.872,74 31/08/2004 R$ 141.759,52 30/09/2004 R$ 85.935,78 30/11/2004 R$ 72.727,18 31/12/2004 R$ 36.000,00 28/02/2005 R$ 103.500,00 (Obs.a decisão a quo já subtraiu R$ 26.000,00 indevidamente computado pela Fiscalização), valor tributável remanescente = R$ 77.500,00) 31/03/2005 R$ 169.404,98 30/04/2005 R$ 64.000,00 31/05/2005 R$ 113.060,54 30/06/2005 R$ 20.000,00 31/07/2005 R$ 19.900,00 30/11/2005 R$ 27.932,18 Obs: Os demais veículos, que permaneceram pelo prazo superior a 12 meses e 01 dia na fiscalizada, foram considerados como pertencentes a sua frota, (integrantes do ativo permanente), portanto, não constituíram as bases de calculo acima, quando da sua venda. Ainda no anocalendário de 2003, a empresa deixou à margem da contabilidade, não escriturando a aquisição e/ou venda, dos seguintes veículos, cópias dos certificados anexos, fls. 201/207. Data Aquisição Veículo Placa Valor (R$) 03.10.2003 Vectra Milenium DDM 2060 29.500,00 03.10.2003 VWGol DEI 1003 12.500,00 13.03.2003 Camionete C.dupla DEI 0234 50.000,00 Lembrando ainda que, aplicamse à ME e à EPP todas as presunções de omissão de receitas existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata a Lei 9.317/96, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas, ainda que fundamentadas em elementos comprobatórios junto a terceiros. (IN SRF n° 355, de 2003, art. 33). INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS: Em razão das infrações anteriormente demonstradas, os percentuais de tributação Empresa de Pequeno Porte (EPP), sofreram reajuste, "conforme consta do Auto de Infração, razão pela qual efetuamos o lançamento do crédito tributário por Insuficiência de Recolhimentos. MAJORAÇÃO DOS PERCENTUAIS APLICÁVEIS (ALÍOUOTAS MAJORADAS) Fl. 498DF CARF MF Processo nº 16045.000275/200741 Acórdão n.º 1301003.652 S1C3T1 Fl. 499 7 Em se tratando de pessoas jurídicas optantes do simples, que aufiram receita bruta decorrente de prestação de serviços em montante igual ou superior a 30% da receita bruta total acumulada, os percentuais ficam acrescidos de 50%, Lei n° 10.684/2003 art. 24 e Lei n° 10.822/2003, art. 82, vide planilha anexa onde demonstra os meses que atingiu aquele percentual, fls. 210. (...) que o montante do crédito tributário lançado de ofício, nada data de lavratura dos autos de infração do SIMPLES Federal, perfaz o montante de R$ 240.082,33, assim discriminado por exação fiscal: Auto de Infração Principal (R$) Juros de Mora calculados até 31/05/2007 (R$) Multa de Ofício de 75% Total IRPJSimples 6.069,94 2.277,78 4.552,36 12.900,08 PISSimples 6.069,94 2.277,78 4.552,36 12.900,08 CSLL Simples 13.202,11 5.001,88 9.901,47 28.105,46 Cofins Simples 26.404,20 10.003,85 19.803,06 56.211,11 Contrib. Seg. Social INSS Simples 60.916.42 23.361,96 45.687,22 129.965,60 Total 240.082,33 Ciente do lançamento fiscal em 29/06/2007, por intermédio de seu procurador, o sujeito passivo apresentou Impugnação parcial (efls. 322/338), in verbis: (...) Quanto a Omissão de Receitas, a impugnante manifesta seu acatamento ao lançamento, sendo efetuados os recolhimentos pertinentes. Quanto a Diferença da Base de Cálculo, cujo principal argumento de autuação encontrase apoiada no Relatório Fiscal onde podemos extrair os seguintes dizeres: (...) (...) nos período fiscalizados foram alienados 92 (noventa e dois) veículos e somente 39 (trinta e nove) veículos foram considerados como (sic) receita operacional, e dentre esses, 19 (dezenove) tinham características que comprovam o equívoco fiscal, o que adiante demonstraremos. (...) que ao adquirir um veículo para locálo, e tal negócio jurídico não se realizando, se faz imperioso a alienação do bem para não comprometer o fluxo da empresa, muito menos possuir um bem ocioso. Além da discrepância entre os números apontados, com a realidade dos fatos, pois há bens alienados com centenas de dias de uso. Fl. 499DF CARF MF Processo nº 16045.000275/200741 Acórdão n.º 1301003.652 S1C3T1 Fl. 500 8 Pelos números acima, podemos questionar qual o critério para considerarmos habitualidade? como enquadrarmos tais números como receita operacional? ou ainda, qual o critério fiscal e seu respectivo enquadramento legal para somente considerarmos usado o veículo após 12 (doze) meses de uso? respostas ou provas que não encontramos na presente autuação. Quanto à menção do Diligente Auditor Fiscal de que a empresa "além da locação, passou também a comercializar (vender) veículos novos e usados e sequer procedeu a necessária alteração de seu novo ramo de negocio e opção tributária, nos parece temerária desacompanhada de qualquer prova ou demonstrativo documental do exercício liberal da atividade de "comercialização de veículos novos e usados", pois só encontramos notas fiscais de compra e recibo de vendas de veículos, a maioria sem lucratividade sem qualquer exercício por parte do fisco, de que o número de veículos era desproporcional à frota de veículos da fiscalizada, qual tempo que cada veículo permaneceu no ativo da mesma, ou qualquer intimação pedindo justificativa ou explicação sobre o ocorrido. Para contrapor a tentativa da "Presunção Fiscal" de comerciante de veículos, informamos que a atividade de "locação de veículos" pressupõe que a empresa prestadora de tal serviço esteja preparada tecnicamente de bens objeto de locação (sua única fonte de renda), ou seja, de veículos novos ou semi usados em bom estado de conservação, pouca quilometragem, dotados de toda tecnologia (álcool, gasolina, diesel ou flex) e disponíveis imediatamente para locação. Por estas exigências, todas empresas que se habilitam a exercer a atividade de "locadora de veículos" se veem obrigadas a adquirir constantemente veículos e renovar sua frota, e as vezes diante da possibilidade de locação adquirir determinado veículo para atender especificamente ao pedido de um potencial cliente, que por contingência particular ou melhor preço do concorrente não contrata a locação. Portanto, ao receber tal veículo não resta outra alternativa ao Locador a não ser a venda do veículo recentemente adquirido cuja locação foi cancelada, e isto realmente ocorreu durante os três anos fiscalizados, em que foram compulsoriamente alienados 20 (vinte) veículos desta forma, dentre os 92 (noventa e dois) alienados no período. Outro fator relevante na presente autuação, referese ao demonstrativo fiscal de veículos vendidos, precisamente no mês de fevereiro de 2005, onde pelas alienações de veículos registrados no referido mês encontramos apenas três veículos vendidos que totalizam R$ 77.500,00 (setenta e sete mil e quinhentos reais), e não o valor fiscal de R$ 103.500,00 (cento e três mil e quinhentos reais) conforme abaixo demonstramos: (...) Outro argumento fiscal desprovido de qualquer amparo legal, ou mesmo contábil, consta do citado relatório onde o Auditor afirma "venda de veículos que permaneceram no Fl. 500DF CARF MF Processo nº 16045.000275/200741 Acórdão n.º 1301003.652 S1C3T1 Fl. 501 9 estabelecimento num período de até 12 meses, conforme planilhas devidamente fornecida e assinada pela fiscalizada, uma vez que não fazia parte de seu ramo de negócio compra e venda e sim aluguel de veículos conforme segue" Tal afirmação, desacompanhada de dispositivo legal que autoriza este entendimento, padece de autenticidade tributária e legalidade, devendo ser desconsiderada. Com relação ao dever de imobilizar, existe sim dispositivo legal, artigo 301 § 2o do RIR, abaixo transcrito que disciplina e define o acerto da Impugnante em considerar Ativo Permanente todas as aquisições de veículos (bem com vida útil superior a 12 meses) na sua aquisição e destinação, o que por contingências contrárias à vontade da Impugnante não se concretizaram em alguns veículos. Ainda neste sentido, informamos que todos os veículos alienados no período foram objeto de tributação como ganho de capital, sendo recolhido à título de imposto de renda a alíquota de 15% (quinze por cento), todos os resultados positivos, que totalizarem no período fiscalizado o valor de R$ 13.822,12 (treze mil oitocentos e vinte e dois reais e doze centavos) cujas cópias de DARFs anexamos. Obs: 6297 IRPJGANHOS DE CAPITAL NA ALIEN. DE ATIVOS– MICROEMPRESA/EPP OPTANTE PELO SIMPLES (efls. 342/353). Dentre os veículos considerados como objeto de comercialização e Receita Operacional, ou seja, como atividade clandestina segunda afirmação fiscal, destacamos como anteriormente dito os 19 (dezenove) veículos que pelas suas características não poderiam ser considerados como Receita Operacional. (...) Pelos números ~ e datas acima, verificase (...) que o critério fiscal de considerar como Receita não Operacional somente os veículos após 12 (doze) meses de uso ou aquisição, sem observar as características intrínsecas de cada um deles, tais como: quilometragem, estado de conservação, destinação e uso na empresa, ou forma de alienação, produziram desacerto fiscal, pois, dentre os veículos "selecionáveis" encontramos apenas como exemplo: "um Caminhão Volkswagen ano 2001 Placa BTR 8142, adquirido para transporte de veículos (rampa móvel) caracterizadamente como de uso próprio da impugnante alienado pelo valor de R$ 63.000,00 (sessenta e três mil reais); ou mesmo o absurdo de considerar como Receita Operacional a indenização de veículo Gol 2005 Placa DMQ 5482, furtado em 30.11.2005, no valor de R$ 27.932,18 (vinte e sete mil novecentos e trinta e dois reais e dezoito centavos)" conforme comprova os documentos anexos. (efls. 340/341) DA ILEGALIDADE DO LANÇAMENTO Pelo princípio da legalidade tributária, por conseguinte, temse a garantia de que nenhum tributo será instituído, nem Fl. 501DF CARF MF Processo nº 16045.000275/200741 Acórdão n.º 1301003.652 S1C3T1 Fl. 502 10 aumentado, a não ser através de lei. A Constituição Federal é explícita. Tanto a criação como o aumento dependem de lei (...) Na sessão de 17/09/2009, a 4ª Turma da DRJ/Campinas julgou a impugnação procedente em parte, ao excluir do valor tributável da infração diferença de base de cálculo a importância de R$ 26.000,00 quanto ao fato gerador de fevereiro/2005 (redução do valor tributável de R$ 103.500,00 para R$ 77.500,00 pois a venda do veículo de R$ 26.000,00 ocorreu em agosto/2005), conforme Acórdão (efls. 420/447), cuja ementa, parte dispositiva e fundamento do voto, nessa parte, transcrevo: (...) ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003, 2004, 2005 Omissão de Receitas. Pagamentos não Escriturados. Matéria não Impugnada. Consolidase administrativamente a matéria que não tenha sido objeto de impugnação, operandose, em relação a ela, a preclusão processual. Diferença de Base de Cálculo. Comercialização de Veículos equiparada a Operação de Consignação. Não Cabimento. As pessoas jurídicas optantes pelo Simples sujeitamse à apuração de ganho de capital obtido na alienação de ativos, hipótese na qual se deve observar o conceito explícito acerca de bens ativáveis e de depreciação, amortização e exaustão, previsto na legislação aplicável às demais pessoas jurídicas. A venda de veículos não classificáveis no ativo permanente da pessoa jurídica configura receita tributável na sistemática do Simples, pelo valor total da operação. Não se aplica aos optantes pelo Simples a regra de tributação diferenciada, equiparada à operação de consignação, porque, além de alcançar apenas a venda de veículos usados, desde que a atividade esteja prevista no contrato social, é específica para as pessoas jurídicas que apuram seu resultado pelo lucro real, presumido ou arbitrado. Retificase a exigência para excluir da base de cálculo a receita decorrente de venda de veículo computada em período de apuração indevido. Fl. 502DF CARF MF Processo nº 16045.000275/200741 Acórdão n.º 1301003.652 S1C3T1 Fl. 503 11 Realinhamento da Alíquota. Majoração do Percentual Aplicável. Insuficiência de Recolhimento sobre os Valores Declarados. Constatado valor de receita excedente ao declarado, seguese o necessário realinhamento das alíquotas incidentes no Simples, exigindose_as espécies tributárias recolhidas em valor insuficiente, além daquelas incidentes sobre os valores excedentes à receita declarada. Justificase a majoração do percentual aplicável, quando verificado o atendimento aos pressupostos contidos na legislação vigente. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte (...) Acordam os membros da 4a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em JULGAR PROCEDENTE EM PARTE a Impugnação e MANTER EM PARTE o crédito tributário trazido a litígio, nos termos do voto da relatora. (...) Voto (...) Quanto à objeção da impugnante em relação aos bens comercializados no mês de fevereiro/2005, o Demonstrativo "Frota — Veículos" e o Demonstrativo "Movimentação", constantes de fls. 170/199, cujas informações foram fornecidas ao Fisco pela própria fiscalizada, aponta a venda dos seguintes veículos, no referido período: (...) Notase que, de fato, assiste razão à impugnante, quanto aos veículos vendidos em fevereiro/2005, em período inferior a doze meses, totalizarem R$ 77.500,00, e não R$ 103.500,00, como considerado pelo Fisco, fato que enseja a devida retificação, para exclusão da diferença exigida, a qual consiste na importância de R$ 26.000,00 (R$ 103.500,00— R$ 77.500,00). De acordo com os mesmos Demonstrativos de fls. 170/199, observase que tal valor de R$ 26.000,00 corresponde exatamente àquele pelo qual foi vendido o veículo Gol 1.0, ano 2005, cor prata, Placa DMQ5325, adquirido da Volkswagen do Brasil Ltda, conforme NF 156918, no mês de fevereiro/2005 (em 01/02/2005), e transferido em agosto/2005 (em 02/08/2005), mês no qual deixou de ser computada essa venda, a despeito da comercialização ter se dado em período inferior a doze meses da respectiva aquisição. Vejamse todas as vendas no mês de agosto/2005: (...). Fl. 503DF CARF MF Processo nº 16045.000275/200741 Acórdão n.º 1301003.652 S1C3T1 Fl. 504 12 A constatação desse equívoco cometido pela fiscalização implicaria a inclusão dessa receita de venda, de R$ 26.000,00, no mês de agosto/2005, sujeita à incidência da tributação simplificada. Porém, a inovação do lançamento é atividade que se encontra fora da alçada de competência da autoridade julgadora, cumprindo o seu exercício à autoridade lançadora, quando ainda não transcorrido o prazo decadencial para formalização da exigência. (...) Ciente desse decisum em 16/10/2009 (sextafeira) por via postal, Aviso de Recebimento AR (efl. 471), o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário parcial em 17/11/2009 (teçafeira ) (efls. 472/483) reiterando, em suma, as mesmas razões já aduzidas na instância a quo quanto às infrações: Diferença de Base de Cálculo e Insuficiência de Recolhimento quanto às receitas declaradas no Simples (infração reflexa), pedindo a reforma da decisão recorrida para que seja julgado procedente o recurso quanto à matéria recorrida. O sujeito passivo não recorreu da infração imputada OMISSÃO DE RECEITAS (matéria preclusa, pois também não fora objeto de impugnação na instância a quo). É o relatório. Fl. 504DF CARF MF Processo nº 16045.000275/200741 Acórdão n.º 1301003.652 S1C3T1 Fl. 505 13 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Portanto, conheço do recurso. Tratase de exigência de crédito tributário do SIMPLES Federal de pessoa jurídica optante do SIMPLES Federal, ramo de atividade locação de veículos automotores. As matérias objeto do recurso: a) infração imputada Diferença de Base de Cálculo (diferença tributável) anoscalendário 2003, 2004 e 2005, atinente a vendas de veículos novos e usados que segundo o entendimento da Fiscalização e da decisão recorrida é vedado a ativação como bens do ativo permanente/imobilizado, pois o prazo entre a compra e a venda dos bens veículos automotores foi inferior ao um ano e um dia (RIR/99, art. 301, § 2º). A contribuinte não tem como objeto social a venda de veículos novos, usados e ainda não tem como objeto social a venda em consignação de veículos usados. Assim, o valor das vendas deve ser somado à receita bruta, para incidência dos tributos e contribuições do SIMPLES Federal, pelo valor total da respectiva operação. b) insuficiência de recolhimento concernente às receitas informadas, declaradas no Simples Federal, em face do recálculo dos tributos do Simples pela mudança de faixa de alíquota a qual é definida pela receita bruta acumulada até o respectivo mês objeto do recálculo do anocalendário considerado (infração reflexa). Obs: Não foi objeto do recurso voluntário a infração imputada Omissão de Receitas pagamentos efetuados à margem da escrituração. Matéria preclusa. Nesse parte, consta expressamente do voto condutor da decisão quo que a matéria restou preclusa na instância administrativa (efl. 430), in verbis: (...) Em sua defesa, a interessada concorda com a infração correspondente à omissão de receitas, questionando a matéria que trata da diferença de base de cálculo e, por consequência, da insuficiência de recolhimento, em virtude do lançamento se fundamentar em presunção, sem lastro em formação probatória das acusações fiscais. Inicialmente, quanto à omissão de receitas, consolidase administrativamente a matéria, porque não objeto de impugnação, operandose, em relação a ela, a preclusão processual. Fl. 505DF CARF MF Processo nº 16045.000275/200741 Acórdão n.º 1301003.652 S1C3T1 Fl. 506 14 (...) Identificadas as matérias objeto do recurso voluntário, inexistindo preliminar a ser enfrentada, passo a analisar o mérito dos pontos controvertidos. DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO Infração imputada Diferença de Base de Cálculo (diferença tributável) anoscalendário 2003, 2004 e 2005, atinente a vendas de veículos novos e usados que segundo o entendimento da Fiscalização e da decisão recorrida é vedado a ativação como bens do ativo permanente/imobilizado, pois o prazo entre a compra e a venda dos bens veículos automotores foi inferior ao um ano e um dia (RIR/99, art. 301, § 2º). A contribuinte não tem como objeto social a venda de veículos novos, usados e ainda não tem como objeto social a venda em consignação de veículos usados. Assim, o valor das vendas deve ser somado à receita bruta, para incidência dos tributos e contribuições do SIMPLES Federal, pelo valor total da respectiva operação. Destarte, o valor total das vendas de veículos novos e usados, com prazo menor de um ano e um dia da data de registro de entrada, deve ser somado às demais receitas da pessoa jurídica receita bruta para incidência dos tributos e contribuições do SIMPLES Federal; Relação dos veículos que, segundo a Fiscalização da RFB, é incabível a escrituração no ativo imobilizado consta do TVF. Valor tributável infração imputada Diferença de Base de Cálculo do SIMPLES Federal: Obs: Quanto ao PA mês de fev/2005, do valor tributável inicial de R$ 103.500,00 já foi excluído R$ 26.000,00 pela decisão a quo, ou seja, um veículo que havia sido incluído pela Fiscalização indevidamente, valor remanescente tributável R$ 77.500,00. Portanto, após exclusão do citado valor de veículo q não fora comercializado no PA Fev/2005, conforme decisão a quo, apresento a relação mensal de veículos comercializados (vendas) e valores mantidos pela decisão a quo. Ou seja, remanescem comercializados antes de um ano e um dia, a partir da entrada: 1Outubro/2003: R$ 15.700,00 (1 veículo) Fl. 506DF CARF MF Processo nº 16045.000275/200741 Acórdão n.º 1301003.652 S1C3T1 Fl. 507 15 2 Março/2004: R$ 53.742,43 (2 veículos) 3Maio/2004: R$ 31.800,00 (2 veículos) 4Junho/2004: R$ 167.094,04 (05 veículos) Fl. 507DF CARF MF Processo nº 16045.000275/200741 Acórdão n.º 1301003.652 S1C3T1 Fl. 508 16 5Julho/2004: R$ 29.872,74 (01 veículo ) 6 Agosto/2004: R$ 141.759,52 (05 veículos ) Fl. 508DF CARF MF Processo nº 16045.000275/200741 Acórdão n.º 1301003.652 S1C3T1 Fl. 509 17 7 Setembro/2004: R$ 85.935,78 (03 veículos) Fl. 509DF CARF MF Processo nº 16045.000275/200741 Acórdão n.º 1301003.652 S1C3T1 Fl. 510 18 8 Novembro/2004: R$ 72.727,18 (03 veículos) 9 Dezembro/2004: R$ 36.000,00 (01 veículo) 10 Fevereiro/2005: R$ 103.500,00 (valor revisado, reduzido, pela decisão recorrida para R$ 77.500,00). (03 veículos remanescem tributáveis) Fl. 510DF CARF MF Processo nº 16045.000275/200741 Acórdão n.º 1301003.652 S1C3T1 Fl. 511 19 11 Março/2005: R$ 169.404,98 (05 veículos) Fl. 511DF CARF MF Processo nº 16045.000275/200741 Acórdão n.º 1301003.652 S1C3T1 Fl. 512 20 12 Abril/2005: R$ 64.000,00 (03 veículos) 13 Maio/2005: R$ 113.060,54 (03 veículos) Fl. 512DF CARF MF Processo nº 16045.000275/200741 Acórdão n.º 1301003.652 S1C3T1 Fl. 513 21 14 Junho/2005: R$ 20.000,00 (01 veículo) 15 Julho/2005: R$ 19.900,00 (01 veículo) 16 Novembro/2005: R$ 27.932,18 (01 veículo) Obs: Veículo sinistrado. O produto da sua venda e/ou indenização por sinistro restou equiparado à receita bruta decorrente da atividade de comercialização, porque não passível de ser considerado ganho de capital. Por sua vez, nas razões do recurso (reiterando as razões já apresentadas na Impugnação), a recorrente rebelase contra a decisão recorrida e contra o entendimento da Fiscalização de que as compras e vendas de veículos automotores, ocorridas em prazo inferior a um ano e um dia, seria incabível a ativação no permanente/imobilizado. A contribuinte, em suma, argumenta que a exigência ou observância desse prazo mínimo de um ano e um dia para que seja permitida ou justificada a escrituração contábil do bem móvel como ativo permanente/imobilizado seria ilegal, pois, no caso, estaria implicando carga tributária mais onerosa. Fl. 513DF CARF MF Processo nº 16045.000275/200741 Acórdão n.º 1301003.652 S1C3T1 Fl. 514 22 Ou seja, o Fisco está exigindo os tributos do SIMPLES Federal sobre o valor integral do preço de venda do bem (receita operacional, sem dedução de custos) e não sobre a diferença entre o preço de compra e venda (ganho de capital sobre receita não operacional).. Não procede a irresignação da recorrente, ou seja, não merece guarida. Primeiro, convém frisar que a regra geral no âmbito do Simples Federal a tributação dáse pela incidência de alíquota diretamente sobre a receita bruta, dispensado o controle das despesas e custos para produção da receita bruta. O legislador quando da fixação das alíquotas do Simples (tributação com alíquotas reduzidas) já presumiu os custos/despesas, por isso não há que se falar em controle de custos/despesas para efeito de apuração dos tributos do Simples Federal, nos termos da Lei 9.317/96. Em face da legislação contábil e fiscal vigente na data dos fatos geradores dos anos calendário 2003, 2004 e 2005, o sujeito passivo contribuinte do SIMPLES Federal atividade locação de veículos automotores, conforme objeto social constante do Contrato Social , sujeitase às normas desse Sistema Simplificado de Tributação e observância, também, e das normas aplicáveis aos contribuintes em geral, quando pertinentes, mormente quanto às regras de ativação de bens. No caso, a diferença de base de cálculo no âmbito do Simples Federal, quanto às operações de venda de veículos novos e usados, é exigível por duas razões: 1ª) como a contribuinte não tem como objeto social a compra e venda de veículos novos e usados (seu objeto social referese a locação de veículos automotores), logo as operações de compra e venda de bens (veículos automotores novos e usados), realizadas antes de um ano e um dia, não são bens ativáveis (ativo permanente/imobilizado); por isso, são receitas operacionais pelo valor total para efeito de tributação pelo Simples Federal; 2º) ainda, não se aplica, no caso, a tributação pela diferença entre o preço de venda e de compra quanto às vendas de veículos usados recebidos em consignação (regime especial de consignação de trata o art. 5º da Lei 9.716/98), pois não consta do instrumento de contrato social da recorrente que seria objeto social a compra e venda de veículos usados ou em consignação para efeito de equiparação à consignação. Logo, para efeito do Simples Federal incide tributação sobre o valor total da operação de venda de veículos usados e novos, inclusive quanto ao valor do veículo sinistrado. A propósito, a decisão a quo já enfrentou a matéria adequadamente e, por isso, adoto também, como razão de decidir, sua fundamentação e que transcrevo, no que pertinente, in verbis: (...) Nesse tocante, observou a fiscalização que o objeto social da autuada consistia em locação de veículos, condição na qual a interessada vinha recolhendo os tributos incidentes sobre o Simples, suportada pelo código CNAE (7121800), informado na respectiva Declaração Anual Simplificada — DAS. E que, no entanto, além da locação, a empresa vinha efetuando a venda de veículos novos e usados, sem alteração de seu objeto social, tributando o ganho de capital sobre o lucro obtido, à Fl. 514DF CARF MF Processo nº 16045.000275/200741 Acórdão n.º 1301003.652 S1C3T1 Fl. 515 23 alíquota de 15%, ou seja, mediante equiparação da operação à venda por consignação, quando tal faculdade se aplica, unicamente, em relação aos veículos usados, desde que previsto o objeto "compra e venda" no respectivo contrato social. Tudo isso, ainda, na condição de optante do Simples, em que a tributação incide sobre a receita bruta, assim considerada o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia (remuneração na consignação mercantil, por exemplo), não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionalmente concedidos. Ressaltou a fiscalização que o ganho de capital, como calculado, até seria admissível, desde que correspondesse à venda do ativo permanente, para renovação da frota, fato que não restou devidamente caracterizado, relativamente_aos veículos comercializados em até 12 meses da respectiva aquisição. Por pertinente, registrese, ante as razões de defesa apresentadas, não constar do processo que a fiscalização, ao constatar a venda de veículos novos e usados, tenha concluído pela mudança da natureza das operações comerciais da contribuinte, desconsiderando as atividades de locação, mas apenas que, além dos aluguéis, a pessoa jurídica também aufere rendimentos decorrentes da comercialização de veículos, tributados de maneira equivocada.(ou seja, oferecidos à tributação de forma equivocada pela contribuinte). Acerca da questão envolvida na venda de veículos, observase, primeiramente, que a Lei n° 9.716, de 26 de novembro de 1998, admitiu a possibilidade de equiparação de operações de venda de veículos, adquiridos para revenda, a operações de consignação, desde que relativa a bens usados e prevista a atividade de compra e venda no respectivo contrato social. Veja se o texto da lei: "Art. 5° As pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores poderão equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação, as operações de venda de veículos usados adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados. Parágrafo único. Os veículos usados, referidos neste artigo, serão objeto de Nota Fiscal de Entrada e, quando da venda, de Nota Fiscal de Saída, sujeitandose ao respectivo regime fiscal aplicável às operações de consignação." (negrejouse e grifou se) A fiscalização constatou que a contribuinte pretendeu usar da faculdade prevista na legislação acima transcrita não só para bens usados, como também para bens novos e, ainda, sem constar de seu contrato social a previsão da atividade de Fl. 515DF CARF MF Processo nº 16045.000275/200741 Acórdão n.º 1301003.652 S1C3T1 Fl. 516 24 compra e venda, conforme faz prova os seus atos constitutivos (fls. 73/93). (...) Acerca da questão, Soluções de Consulta emitidas por Unidades Regionais da Receita Federal do Brasil, expressam, em suas ementas, o seguinte: (...) SOLUÇÃO DE CONSULTA/SRRF/10° RF/DISIT N° 349, de 15 de outubro de 2004 Assunto: ... Simples Ementa: Simples. Opção. Possibilidade. Venda de veículos sob consignação. Base de cálculo dos pagamentos. A pessoa jurídica que tenha como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores, e comercializeos sob consignação, pode aderir ao Simples, desde que atendidas as demais exigências da legislação de regência. A diferença entre o valor de alienação e o custo de aquisição do automóvel integra a base de cálculo do montante a ser pago pela sistemática do Simples.(Grifouse) SOLUÇÃO DE CONSULTA/SRRF/10a RF/DISIT N°133, de 25 de agosto de 2006 Assunto: ... Simples Ementa: Simples. COMPRA E VENDA DE VEÍCULOS EQUIPARAÇÃO A OPERAÇÕES DE CONSIGNAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. A pessoa jurídica que tenha como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores, e comercializeos sob consignação, pode aderir ao Simples, desde que os contratantes preencham as condições previstas nos arts. 693 e 694 do Novo Código Civil (contrato de comissão mercantil) e demais exigências da legislação tributária. Nesse caso, a base de cálculo do valor relativo ao recolhimento unificado dos impostos e contribuições sociais abrangidos pelo Simples é a diferença verificada entre o preço de venda destacado em nota fiscal e o custo de aquisição constante da nota fiscal de entrada. (Grifouse) (...) Ainda, para melhor elucidar a questão, impõese buscar o conceito de bens ativáveis, constante da legislação, a fim de caracterizar a frota de veículos pertencente à autuada, voltada à Fl. 516DF CARF MF Processo nº 16045.000275/200741 Acórdão n.º 1301003.652 S1C3T1 Fl. 517 25 locação, operação a qual se destina à manutenção da atividade da pessoa jurídica, segundo o seu contrato social. A regra é estipulada no art. 179 da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976 (Lei das Sociedades Anônimas LSA), diploma legal recepcionado pela legislação do imposto de renda (DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977). O citado dispositivo assim diz: (...). Observese que os bens ativáveis no imobilizado são aqueles adquiridos para serem utilizados de modo permanente pela empresa, na produção de bens e serviços. Não se destinam a ser vendidos, mas sim a participar na produção de lucro ao longo de vários exercícios. Assim, os gastos com sua aquisição devem ser ativados, isto é, não podem ser deduzidos como despesas correntes e a sua perda de valor é apropriada aos resultados auferidos ao longo de sua vida útil, sob o título de depreciação, nos termos do art. 307 do RIR/99. Essa é a regra geral. Contudo, a teor do disposto no Decretolei n° 1.598, de 1977, arts. 15 e 45 (base legal do art. 301 do RIR/99), duas exceções são feitas quanto a bens que, por sua natureza, seriam do ativo imobilizado, mas que têm seu custo de aquisição admitido como despesa operacional na apuração do resultado da pessoa jurídica. A primeira, quando o bem for de pequeno valor unitário e a atividade da empresa não exigir a utilização simultânea de um conjunto desses bens. Nesse caso, o gasto com a sua aquisição pode ser levado diretamente ao resultado do exercício da aquisição, como despesa corrente. A segunda, quando tiver prazo de vida útil inferior a um ano. Aqui, nem se trata propriamente de uma exceção à regra geral, porque o gasto com a aquisição de tais bens não irá beneficiar os resultados de mais de um exercício social. Não se trata de um gasto de capital e, sim, uma despesa corrente, de um gasto que vai beneficiar apenas um período. Ainda que a interessada, por ser optante pelo Simples, seja dispensada da escrituração completa, bem como da apuração do resultado segundo o lucro real, tais conceitos são relevantes para enquadrar os veículos adquiridos como componentes do imobilizado ou do circulante da pessoa jurídica; mesmo porque, na apuração do ganho de capital, impõese à contribuinte optante pela tributação simplificada a determinação do valor de aquisição do bem imobilizado, diminuído dos encargos de depreciação, amortização ou exaustão, aí integrandose, portanto, o conceito de valor contábil determinado pela legislação do imposto de renda. Esse é o entendimento expresso pela Administração Tributária em atos de orientação interna. Fl. 517DF CARF MF Processo nº 16045.000275/200741 Acórdão n.º 1301003.652 S1C3T1 Fl. 518 26 Deveras, a opção pelo Simples implica o pagamento unificado e integral de todos os impostos e contribuições abrangidos pelo Sistema. Tal pagamento, entretanto, não contempla todos os impostos e contribuições federais e nem exclui a incidência de todos os não contemplados. (...) Com relação à apuração do ganho de capital, a Instrução Normativa SRF nº 93, de 24 de dezembro de 1997, dispõe que a apuração do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas, a partir do anocalendário de 1997, será feita da seguinte forma: (...). Como regra, pela legislação do imposto de renda, o ganho de capital, nas alienações de bens do ativo permanente e de ouro não considerado ativo financeiro, corresponderá à diferença positiva entre o valor da alienação e o respectivo valor contábil. Considerase valor contábil o custo de aquisição, diminuído dos encargos de depreciação, amortização ou exaustão acumulada. É o que se pode inferir do art. 418 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), transcrito abaixo: (...). A regra geral descrita acima referese à apuração do imposto de renda pelo lucro real. O mesmo RIR/99 também trata da situação em que a pessoa jurídica é tributada pelo lucro presumido: "Art. 521 (...)", Ressaltese que o art. 418 do RIR/99 apenas define o que vem a ser valor contábil do bem, podendose inferir, por decorrência lógica, que no art. 521 do mesmo RIR/99 devese levar em conta o valor da depreciação, amortização ou exaustão acumulada, no caso de a tributação ser feita pelo lucro presumido. Desse entendimento, poderiam surgir dúvidas com relação à obrigatoriedade de a pessoa jurídica optante pelo lucro presumido ter que manter escrituração contábil para poder considerar o valor contábil, da maneira como dispõe o art. 418 do RIR199. Com relação a essa questão, as instruções de preenchimento da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica do exercício de 2004 (DIPJ 2004, anocalendário 2003), aprovada pela Instrução Normativa SRF n° 413, de 26 de março de 2004, em seu subitem 18.2.6.3.1, que trata dos valores integrantes da base de cálculo do lucro presumido, assim determina: "O lucro presumido, apurado trimestralmente, é a soma dos seguintes valores: Fl. 518DF CARF MF Processo nº 16045.000275/200741 Acórdão n.º 1301003.652 S1C3T1 Fl. 519 27 a) (...); b) dos valores correspondentes aos demais resultados e ganhos de capital, assim considerados: b.1) os ganhos de capital, nas alienações de bens e direitos, inclusive de aplicações em ouro não caracterizado como ativo financeiro. O ganho corresponde à diferença positiva verificada, no mês, entre o valor da alienação e o respectivo custo de aquisição, diminuído dos encargos de depreciação, amortização ou exaustão acumulada, ainda que a empresa não matenha escrituração contábil;" (negrejouse) Para as empresas optantes pelo Simples o tratamento deve ser o mesmo, sendo que este entendimento também já foi manifestado pela Receita Federal do Brasil em sua publicação denominada "Perguntas e Respostas da Pessoa Jurídica 2004", em sua questão de número 125, transcrita abaixo: "Como serão tributados os rendimentos, os ganhos líquidos e os ganhos de capital auferidos pela pessoa jurídica inscrita no Simples ? Os ganhos e rendimentos auferidos em qualquer das citadas modalidades são tributados consoante as regras a seguir: (...) c) os ganhos de capital auferidos em alienações de bens do ativo permanente da pessoa jurídica e de ouro não considerado ativo financeiro, resultantes da diferença positiva obtida entre o valor da alienação e o valor contábil, expressos em reais, serão tributados à alíquota de 15% (quinze por cento), sendo recolhidos pela própria pessoa jurídica, até o último dia útil do mês subseqüente ao da percepção dos ganhos. NOTAS: Código de Receita de Ganho de Capital 6297 Valor contábil é o valor de aquisição diminuído da depreciação, amortização ou exaustão acumulada e, no caso de investimentos, considerado o ágio ou deságio." (negrejouse) Assim, as pessoas jurídicas tributadas pelo Simples deverão apurar ganho de capital mediante a diferença positiva entre o valor da alienação e o custo de aquisição do bem, diminuído da depreciação, amortização ou exaustão acumulada. E para a existência da depreciação, basta o atendimento aos pressupostos contidos na legislação em regência, quanto ao que se consideram bens depreciáveis (art. 307 do RIR/99). Como visto, só há de se falar em ganho de capital quando da venda de bens integrantes do imobilizado da pessoa jurídica. Fl. 519DF CARF MF Processo nº 16045.000275/200741 Acórdão n.º 1301003.652 S1C3T1 Fl. 520 28 Por via de consequência, o produto da venda de veículos não classificados no imobilizado não configura ganho de capital, incluindose, portanto, necessariamente, no conceito de receita bruta, esta última definida como base de cálculo da tributação simplificada, a qual abrange, inclusive, o rendimento decorrente de indenização em razão de sinistro, por configurar a compensação de um bem por dinheiro. Pois bem, respondendo aos questionamentos da impugnante, foi justamente a classificação determinada pelo art. 179 da LSA e pelo DecretoLei n° 1.598, de 1977, o critério adotado pelo Fisco para avaliar quais os veículos da frota da contribuinte são passíveis de serem enquadrados no imobilizado, considerando como tal aqueles cuja aquisição e correspondente venda se deu em período superior a 12 meses. Por conseguinte, os veículos adquiridos e vendidos em período inferior a 12 meses foram classificados como componentes do circulante da pessoa jurídica, de sorte que o produto da sua venda e/ou indenização por sinistro restou equiparado à receita bruta decorrente da atividade de comercialização, porque não passível de ser considerado ganho de capital. Nesse contexto, considerando o conceito de ganho de capital e de receita bruta já explicitados neste voto, irrelevante que a interessada exerça, com habitualidade, a atividade de comercialização. Não obstante, a fiscalização tomou o cuidado de anexar ao processo os Demonstrativos "Frota — Veículos" (fls. 170/174) e "Movimentação" (fls. 175/199), nos quais constam as datas de aquisição e venda dos veículos, bem como os respectivos destinatários, donde se extrai a informação da venda (...) veículos em período inferior a doze meses, ao longo dos anos fiscalizados (2003 a 2005), conforme quadro transcrito no relatório. A autoridade fiscal, inclusive, apurou que a fiscalizada vinha repassando, com assiduidade, veículos novos à empresa do grupo (Tale Veículos e Comércio Ltda), adquiridos com suporte em contrato de mútuo, tudo de acordo com os documentos de fls. 94/108. A própria fiscalizada admite que efetua a venda de veículos, porque frustrada a sua locação, para não comprometer o fluxo da empresa e não possuir um bem ocioso, conforme excerto da defesa, que novamente se reproduz: "Por estas exigências, todas empresas que se habilitam a exercer a atividade de "locadora de veículos" se vêm obrigadas a adquirir constantemente veículos e renovar sua frota, e as vezes diante da possibilidade de locação adquirir determinado veículos para atender especificamente ao pedido de um potencial cliente, que por contingência particular ou melhor preço do concorrente não contrata a locação. Portanto, ao receber tal veículo não resta outra alternativa ao Locador a não ser a venda do veículo Fl. 520DF CARF MF Processo nº 16045.000275/200741 Acórdão n.º 1301003.652 S1C3T1 Fl. 521 29 recentemente adquirido cuja locação foi cancelada, e isto realmente ocorreu durante os três anos fiscalizados, em que foram compulsoriamente alienados 20 (vinte) veículos desta forma, dentre os 92 (noventa e dois) alienados no período. "(grifos do original) Assim, caracterizada está a comercialização de veículos. (...) Como demonstrado, a infração Diferença de Base de Cálculo está baseada, calcada, estribada, em prova direta (após excluído um veículo pela decisão recorrida, remanescem os veículos automotores adquiridos e vendidos no intervalo de menos de um ano e um dia (intervalo entre a data de entrada e saída), conforme relação, discriminação minuciosa fornecida pela própria contribuinte à Fiscalização, com respectivas cópias das notas fiscais e relação dos nomes dos adquirentes) (relação já transcrita acima), cujo lançamento fiscal está em consonância com os critérios estabelecidos pela legislação de regência, tanto para fins de classificação de bens no ativo permanente, como para fins de apuração de ganho de capital e de receita bruta, aplicáveis às pessoas jurídicas optantes pela tributação simplificada (regime do SIMPLES Federal). Quanto ao veículos usados (comercializados antes de um ano e um dia, entre a data de entrada e de saída), inaplicável o art. 5º da Lei 9.716, 1998, pois não faz parte do objeto social a atividade de comercialização com veículos usados, logo as entradas e saídas antes de um ano e um dia, não se equiparam para efeito fiscal a venda de veículos recebidos em consignação (bens não ativáveis no permanente, mas sim no circulante). É tributável pelo Simples Federal o valor total da operação. Inaplicável, por conseguinte, a Súmula CARF nº 85, cujo verbete transcrevo: Súmula CARF nº 85 Na revenda de veículos automotores usados, de que trata o art. 5o da Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998, aplicase o coeficiente de determinação do lucro presumido de 32% (trinta e dois por cento) sobre a receita bruta, correspondente à diferença entre o valor de aquisição e o de revenda desses veículos. No que concerne à comercialização de veículos novos, também, atividade não consta do objeto do contrato social, logo o valor tributável pelo Simples Federal é o valor total da operação. Portanto, os valores recebidos pela contribuinte nas operações de compra e venda de desses veículos novos e usados, bem como do veículo sinistrado cujo valor foi compensado, ou seja, ressarcido pelo seguro, integram a base de cálculo para apuração dos valores devidos pela sistemática do SIMPLES Federal dos anoscalendário 2003, 2004 e 2005, pelo valor total da operação, pois entre a operação de entrada/registrada e a saída o lapso temporal foi inferior a um ano e um dia (não ativáveis no permanente, mas sim no circulante). Fl. 521DF CARF MF Processo nº 16045.000275/200741 Acórdão n.º 1301003.652 S1C3T1 Fl. 522 30 INSUFICIÊNCIA DE PAGAMENTO DOS TRIBUTOS DO SIMPLES. RECEITA DECLARADA. INFRAÇÃO REFLEXA. Constatado valor de receita excedente ao declarado, seguese o necessário realinhamento das alíquotas incidentes no Simples, exigindose, reflexamente, as espécies tributárias recolhidas em valor insuficiente, além daquelas incidentes sobre os valores excedentes à receita declarada. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS. CONTRIBUIÇÃO PARA SEGURIDADE SOCIAL INSS. A solução dada ao litígio principal, relativa ao IRPJ, aplicase, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa. Portanto, deve ser mantida a decisão a quo. Porto tudo que foi exposto, voto para conhecer do recurso e no mérito negar provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 522DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10437.720783/2014-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. COTAS ADQUIRIDAS ATÉ 31.12.1983. DL 1.510/1976.
É isento do Imposto de Renda o acréscimo patrimonial decorrente da alienação das participações societárias adquiridas sob a égide do DL nº 1510 /76, que foram mantidas por cinco anos ou mais, no patrimônio do investidor durante a sua vigência, ainda que tal alienação ocorra após a vigência da Lei nº 7.713 /88.
O mesmo entendimento não se aplica às participações bonificadas emitidas após 31.12.83, tendo em vista o não preenchimento das condições prevista no DL nº1.510/76
Numero da decisão: 2402-006.865
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, no sentido de reconhecer a isenção de Imposto de Renda sobre o ganho de capital decorrente da alienação de quotas adquiridas até 31/12/83. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci e Gregório Rechmann Junior.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, no sentido de reconhecer a isenção de Imposto de Renda sobre o ganho de capital decorrente da alienação de quotas adquiridas até 31/12/83. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci e Gregório Rechmann Junior. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
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COTAS ADQUIRIDAS ATÉ 31.12.1983. DL 1.510/1976. É isento do Imposto de Renda o acréscimo patrimonial decorrente da alienação das participações societárias adquiridas sob a égide do DL nº 1510 /76, que foram mantidas por cinco anos ou mais, no patrimônio do investidor durante a sua vigência, ainda que tal alienação ocorra após a vigência da Lei nº 7.713 /88. O mesmo entendimento não se aplica às participações bonificadas emitidas após 31.12.83, tendo em vista o não preenchimento das condições prevista no DL nº1.510/76 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, no sentido de reconhecer a isenção de Imposto de Renda sobre o ganho de capital decorrente da alienação de quotas adquiridas até 31/12/83. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci e Gregório Rechmann Junior. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 7. 72 07 83 /2 01 4- 89 Fl. 806DF CARF MF Processo nº 10437.720783/201489 Acórdão n.º 2402006.865 S2C4T2 Fl. 807 2 Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que considerou improcedente a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Foi lavrado Auto de Infração em face do recorrente para exigência do IR na monta de R$ 3.290.931,88 (principal) sobre o Ganho de Capital GCAP experimentado na alienação de 50.000 cotas da sociedade DEG IMPORTAÇÃO DE PRODUTOS QUÍMICOS LTDA para a FRAGON EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, pelo valor de R$ 27.500.000,00, sendo: R$ 24.700.000,00 em 14.12.2010 e R$ 2.800.000,00, em 31.1.13. (TVF às fls. 314/319) Regulamente cientificado do lançamento, o sujeito passivo apresentou sua Impugnação (fls. 334/372) que, como já dito, foi julgada improcedente pela DRJ fls. 644/656. O acórdão de piso foi assim ementado: Fl. 807DF CARF MF Processo nº 10437.720783/201489 Acórdão n.º 2402006.865 S2C4T2 Fl. 808 3 Cientificado do acórdão, apresentou o Recurso Voluntário de fls. 665/711, por meio do qual aduz em resumo: Que 99,9165% das cotas alienadas estariam isentas da incidência do IR com fulcro no DL 1.510/76, ao passo que os demais 0,0835% teriam sido tributados à luz da Lei 7.713/88. Assim, considerando o valor da alienação que cabia ao recorrente (R$ 27.500.000,00, o valor tributável seria da ordem de R$ 22.962,50 e o isento, de R$ 27.477.037,50. Que o lote de ações apontado como isento (99,9165% das 50.000) foi adquirido e integralmente subscrito antes de 1/6/83. Que às ações recebidas em bonificação deve ser aplicada a mesma regra prevista no DL 1.510/76, independentemente da data de seu recebimento, conforme preceituava seu artigo 5º. Que a decisão proferida no Mandado de Segurança impetrado por seu sócio, visando o reconhecimento da isenção na alienação de sua participação na mesma empresa, deve ser tomada como questão prejudicial ao presente julgamento. Fl. 808DF CARF MF Processo nº 10437.720783/201489 Acórdão n.º 2402006.865 S2C4T2 Fl. 809 4 É, em síntese, o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator A autuada tomou ciência do acórdão de piso em 9.11.17, consoante se denota de fls. 660 e apresentou, tempestivamente, seu Recurso Voluntário em 29.11.17 (fls. 662/663). Preenchido os demais requisitos, dele passo a conhecer. De início, cumpre analisar o pleito no sentido de que fosse reconhecida, como questão prejudicial ao presente julgamento, a decisão judicial proferida nos autos do MS impetrado pelo sócio do recorrente, relacionado à alienação de suas cotas na mesma empresa. Tal pretensão não merece prosperar. Nesse ponto, adoto como razões de decidir, os fundamentos contidos na decisão recorrido, abaixo colacionados: No que toca à discussão acerca do aproveitamento da isenção à luz do DL 1.510/76, com relação às cotas adquiridas até 1983 e que permaneceram no patrimônio do contribuinte por, no mínimo, cinco anos até a entrada em vigor da Lei 7.713/88, malgrado meu entendimento pessoal, curvome ao posicionamento dos nossos tribunais superiores, já reconhecido, inclusive, pela representação judicial da Fazenda Nacional, consoante se denota no item "u" do tema 1.22 Imposto de Renda de sua Lista de Dispensa de Contestar e Recorrer, 1 no sentido de que referida isenção aplicase às alienações de participações societárias efetuadas após 1° de janeiro de 1989, desde que tais participações já constassem do patrimônio do adquirente em prazo superior a cinco anos, contado da referida data. Esse é inclusive o posicionamento que constou da recente Solução de Consulta nº 505 Cosit/RFB, de 17.10.2017, a seguir ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA SOB A ÉGIDE DO DECRETOLEI Nº 1510, DE 1976. ALIENAÇÃO 1 http://www.pgfn.fazenda.gov.br/assuntos/legislacaoenormas/documentosportaria502/listadedispensade contestarerecorrerart2ovviiea7a73oa8odaportariapgfnno5022016 Fl. 809DF CARF MF Processo nº 10437.720783/201489 Acórdão n.º 2402006.865 S2C4T2 Fl. 810 5 NA VIGÊNCIA DE NOVA LEI REVOGADORA DO BENEFÍCIO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. A hipótese desonerativa prevista na alínea “d” do art. 4º do DecretoLei nº 1.510, de 27 de dezembro de 1976, aplicase às alienações de participações societárias efetuadas após 1° de janeiro de 1989, desde que tais participações já constassem do patrimônio do adquirente em prazo superior a cinco anos, contado da referida data. A isenção é condicionada à aquisição comprovada das ações até o dia 31/12/1983 e ao alcance do prazo de 5 anos na titularidade das ações ainda na vigência do Decretolei nº 1.510, de 1976, revogado pelo art. 58 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Por sua vez, observado o posicionamento acima, não quer dizer, com isso, que este Relator entenda pela extensão do benefício fiscal às ações bonificadas que ingressaram no patrimônio do sujeito passivo após o ano de 1983, por vislumbrar, se assim fosse, flagrante afronta ao artigo 111 do CTN, quando estabelece que deve ser interpretada literalmente a legislação que disponha sobre outorga de isenção. Vejase, a leitura conjunta dos artigos 1º, 4º e 5º daquele decretolei não autoriza, penso eu, a concluir que tal isenção possa ser estendida indiscriminadamente às ações bonificadas. Confirase: Art 1º O lucro auferido por pessoas físicas na alienação de quaisquer participações societárias está sujeito à incidência do imposto de renda, na cédula "H" da declaração de rendimentos (...) Art 4º Não incidirá o imposto de que trata o artigo 1º: (...) d) nas alienações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação. Art 5º Para os efeitos da tributação prevista no artigo 1º deste Decretolei, presumese que as alienações se referem às participações subscritas ou adquiridas mais recentemente e que as bonificações são adquiridas, a custo zero, às datas de subscrição ou aquisição das participações a que corresponderem. Percebase, todo o fundamento para que se entenda pelo reconhecimento da isenção conferida por aquele DL 1.510/76, revogado desde a edição da Lei 7.713/88, nas alienações efetuadas após a sua revogação, reside na tese de que aqueles que mantiveram participações societárias em seu patrimônio, na vigência do DL, por cinco anos ou mais passaram a ter o direito adquirido à isenção. Fl. 810DF CARF MF Processo nº 10437.720783/201489 Acórdão n.º 2402006.865 S2C4T2 Fl. 811 6 Em outras palavras, para que haja subsunção do caso à tese do direito adquirido, temse por necessário que as participações já estivem, à data da revogação do DL, incorporadas ao patrimônio do alienante por no mínimo cinco anos. Com efeito, considerando a conjugação da legislação tributária aplicada ao tempo da alienação com a tese encampada pelos tribunais, penso que a melhor interpretação daquele artigo 5º é no sentido de que a isenção é estendida às ações bonificadas desde que, quando da revogação citada acima, já estivessem incorporadas ao patrimônio do investidor há no mínimo cinco anos. Notese que entendimento diverso poderia dar azo à indevida extensão da isenção em situações em que o lastro para a capitalização não tivesse sequer transitado pelo patrimônio da empresa na vigência do mencionado decretolei. Explico: imagine determinada empresa, constituída nos idos de 1980 e que permanecera em inatividade por um longo período de tempo. Voltando à operação em 2000, teria apurado lucros e, ao invés de distribuílos, decidira incorporálos ao seu capital com a distribuição de ações bonificadas aos sócios. Vejase que, com a devida venia, não se mostra sequer razoável a pretensão em se reconhecer um benefício isentivo revogado há mais de dez anos (1980 X 2000) quando se estar a considerar eventos desconexos e relativamente autônomos em relação àquela participação originária de 1980. Nesse mesmo sentido, o acórdão proferido na apelação cível nº CNJ : 000339023.2011.4.02.5101 (2011.51.01.0033903), no TRF2, com a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DECRETOLEI Nº 1.510 /1976. ALIENAÇÃO DE AÇÕES: SOCIETÁRIAS E BONIFICADAS. ISENÇÃO. RECURSO E REMESSA NECESSÁRIA, CONSIDERADA COMO EXISTENTE, DESPROVIDOS. 1. O Superior Tribunal de Justiça já teve a oportunidade de apreciar a matéria em diversas ocasiões e, por último, acabou firmando o entendimento no sentido de que é isento do Imposto de Renda o acréscimo patrimonial decorrente da alienação das ações societárias adquiridas sob a égide do DL nº 1510 /76, após cinco anos da respectiva aquisição, ainda que tal alienação ocorra após a vigência da Lei nº 7.713 /88 (REsp nº 1.133.032). 2. O mesmo entendimento não se aplica às ações bonificadas emitidas após 31.12.1983, tendo em vista o não preenchimento das condições prevista no DL nº 1.510 /76. 3. REsp nº 1.470.768 (2014/01830514): "O art. 4º, d, do Decretolei nº 1.510 /76 previa isenção de imposto de renda de alienações de quotas sociais efetivadas após o decurso do prazo de cinco anos da data da subscrição ou da aquisição das quotas societárias, de modo que, ainda que recebidas em caráter de bonificação, às mesmas não se estende a isenção do Decreto Fl. 811DF CARF MF Processo nº 10437.720783/201489 Acórdão n.º 2402006.865 S2C4T2 Fl. 812 7 lei, porquanto não se enquadram na hipótese do dispositivo aludido". 4. O artigo 111 do CTN estabelece que legislação tributária que outorga isenção deve ser interpretada literalmente, não se admitindo interpretação extensiva, ampliativa ou analógica. 5. Recurso e remessa necessária, considerada como existente, desprovidos. Prosseguindo na analise do recurso, sustenta o recorrente que o lote de ações apontado como isento (99,9165% das 50.000) foi adquirido e integralmente subscrito antes de 01/06/1983. Entretanto, em seu recurso, após listar as alterações contratuais de 1975 em diante (total de 27, sendo 21 após 31.12.83) e colacionar o quadro analítico abaixo, não foi capaz de esclarecer como se chegou nos percentuais acima. Por sua vez, o TVF é categórico ao afirmar que "conforme alterações contratuais apresentadas pelo contribuinte, constatous agrupamentos de cotas em Fl. 812DF CARF MF Processo nº 10437.720783/201489 Acórdão n.º 2402006.865 S2C4T2 Fl. 813 8 23.04.1986 (conversão para cruzados), em 01.06/1989 (conversão para cruzados novos), em 15.04.1994 (conversão para cruzeiros reais e alteração do valor nominal das cotas) e 15.03.1995 (conversão para reais)" E, após sintetizar as alterações contratais (tabela abaixo), prosseguiu o Fisco concluindo que "com relação o aventado direito adquirido, destacase que as cotas possuídas pelo contribuinte em 31.12.1982 (portanto, a mais de cinco anos da revogação da isenção), que totalizavam 4.600.000 (quatro milhões e seiscentas mil cotas), tornaram totalmente inexpressivo em razão dos agrupamentos realizados." Fl. 813DF CARF MF Processo nº 10437.720783/201489 Acórdão n.º 2402006.865 S2C4T2 Fl. 814 9 Quando a esse aspecto, de fato, à luz das alterações contratuais e considerandose que a alienação ocorrida em 14.12.10 alcançou todas as 50.000 cotas que detinha o recorrente, podese notar que parcela significativa das cotas alienadas ingressaram ao seu patrimônio, sem dúvida, após 1983. Exemplificando, das 50.000 cotas alienadas, 10.100 teriam sido recebidas em 10.02.1998 e 13.500 em 12.08.02. Nesse contexto, penso que dado a relevância dos valores envolvidos, a parcela das cotas adquiridas após 31.12.83 deve ser levantada em sede de liquidação do julgado. Face ao exposto, VOTO no sentido de CONHECER do recurso para DAR LHE parcial provimento, no sentido de reconhecer a isenção do IR sobre o ganho de capital na alienação das cotas adquiridas até 31.12.83. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 814DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.910320/2012-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.695
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versa o processo sobre Declaração de Compensação de crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior, cuja homologação não se deu nos termos requeridos pela recorrente. A interessada apresentou manifestação de inconformidade, sustentando a legitimidade dos créditos pleiteados no fato de que teria tributado erroneamente à alíquota de 3% as receitas de venda de produtos de Código NCM 9018.39.29, sujeitos à alíquota zero (Decreto nº 6.426/2008), tendo, inclusive, retificado a DCTF após a ciência do despacho decisório para constar o valor correto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .9 10 32 0/ 20 12 -9 1 Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10580.910320/201291 Resolução nº 3402001.695 S3C4T2 Fl. 3 2 A Delegacia de Julgamento não acatou os argumentos da impugnante, vez que ela, em desacordo ao disposto no art. 147 do CTN, limitouse à retificação da DCTF, sem a comprovação do erro correspondente. Cientificada dessa decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, alegando, em síntese, que o recolhimento a maior poderia ser facilmente comprovado pelas Notas Fiscais juntadas, bem como pelos livros fiscais da empresa, comprovantes de arrecadação emitidos pela RFB e pela sua Declaração de Imposto de Renda. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido n Resolução 3402001.683 de 29 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10580.910312/201245, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.683): "Atendidos aos requisitos de admissibilidade tomase conhecimento do recurso voluntário. O julgador a quo salientou em sua decisão que: "Para que fosse possível apurar se houve tributação indevida de parte de suas receitas, o interessado deveria ter apresentado todas notas fiscais do período de apuração, acompanhadas dos livros contábeis, para que se pudesse contabilizar as receitas totais, apartar as receitas tributadas à alíquota zero e comparar a Cofins devida com o montante recolhido". Nos termos do art. 16, §4º, "c" do Decreto nº 70.235/761, a recorrente apresentou os documentos reclamados na decisão recorrida, os quais, poderiam, em tese, comprovar o seu direito creditório ou parte dele. Conforme assentado na Resolução nº 3401000.737, da 4ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária, em sessão de 24/07/2013, esta 3ª Seção de Julgamento do CARF tem orientado sua jurisprudência no sentido de que, em situações em que há alguns indícios de provas, o 1 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) (...) Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10580.910320/201291 Resolução nº 3402001.695 S3C4T2 Fl. 4 3 julgamento pode ser convertido em diligência para análise da nova documentação acostada. Nessa esteira, em referência ao princípio da verdade material, e com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/72 e nos arts. 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011, voto no sentido de determinar a realização de diligência para que a Unidade de Origem: a) Analise a suficiência da documentação apresentada pela recorrente para comprovar o direito creditório alegado e, em caso negativo, intimea a apresentar, dentro de prazo razoável, a documentação que, conforme entendimento da fiscalização, falte para a referida comprovação; b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da verificação de toda a documentação juntada aos autos pela recorrente e sua habilidade para comprovar a legitimidade e regularidade do direito creditório pleiteado e em que medida; c) Intime a recorrente do resultado da diligência, concedendo lhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011; e d) Por fim, devolva os autos a este Colegiado para prosseguimento no julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o presente processo em diligência para que a Unidade de Origem: a) Analise a suficiência da documentação apresentada pela recorrente para comprovar o direito creditório alegado e, em caso negativo, intimea a apresentar, dentro de prazo razoável, a documentação que, conforme entendimento da fiscalização, falte para a referida comprovação; b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da verificação de toda a documentação juntada aos autos pela recorrente e sua habilidade para comprovar a legitimidade e regularidade do direito creditório pleiteado e em que medida; c) Intime a recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011; e d) Por fim, devolva os autos a este Colegiado para prosseguimento no julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 120DF CARF MF
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Numero do processo: 13161.001381/2007-28
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS.
Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO.
Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte.
É de se atentar ainda, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição.
PIS/PASEP. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125.
No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS.
Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
COFINS. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO.
Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte.
É de se atentar, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição.
COFINS. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125.
No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
Numero da decisão: 9303-007.572
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para reformar o Acórdão recorrido reconhecendo os créditos de PIS e COFINS em relação aos fretes de produtos acabados e aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negou provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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DIREITO DE CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES NO TRANSPORTE DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. Recorrente COOPERATIVA AGROPECUÁRIA INDUSTRIAL EM LIQUIDAÇÃO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar ainda, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 00 13 81 /2 00 7- 28 Fl. 679DF CARF MF Processo nº 13161.001381/200728 Acórdão n.º 9303007.572 CSRFT3 Fl. 3 2 PIS/PASEP. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125. No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. COFINS. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. COFINS. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125. No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para reformar o Acórdão recorrido reconhecendo os créditos de PIS e COFINS em relação aos fretes de produtos acabados e aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negou provimento. Fl. 680DF CARF MF Processo nº 13161.001381/200728 Acórdão n.º 9303007.572 CSRFT3 Fl. 4 3 (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3302003.266, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CRÉDITO BÁSICO. GLOSA POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. PROVA APRESENTADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. RESTABELECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE. Se na fase impugnatória foram apresentados os documentos hábeis e idôneos, que comprovam o custo de aquisição de insumos aplicados no processo produtivo e o gasto com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, restabelecese o direito de apropriação dos créditos glosados, devidamente comprovados. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO OU DE TRANSPORTE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Por falta de previsão legal, não gera direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os gastos com o frete relativo ao transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, bem como os gastos com frete relativo às operações de compras de bens que não geram direito a crédito das referidas contribuições. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. INOCORRÊNCIA. A atividade de beneficiamento de grãos, consistente na sua classificação, limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária. Fl. 681DF CARF MF Processo nº 13161.001381/200728 Acórdão n.º 9303007.572 CSRFT3 Fl. 5 4 COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal, é vedado às cooperativas de produção agropecuária a apropriação de crédito presumido agroindustrial. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. UTILIZAÇÃO MEDIANTE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO APURADO A PARTIR DO ANOCALENDÁRIO 2006. SALDO EXISTENTE NO DIA 26/6/2011. POSSIBILIDADE. 1. O saldo dos créditos presumidos agroindustriais existente no dia 26/6/2011 e apurados a partir anocalendário de 2006, além da dedução das próprias contribuições, pode ser utilizado também na compensação ou ressarcimento em dinheiro. 2. O saldo apurado antes do anocalendário de 2006, por falta de previsão legal, não pode ser utilizado na compensação ou ressarcimento em dinheiro, mas somente na dedução do débito da respectiva contribuição. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA COM SUSPENSÃO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal (art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004), é vedado a manutenção de créditos vinculados às receitas de venda efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA EXCLUÍDA DA BASE DE CÁLCULO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é permitido à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária a manutenção de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados às receitas de venda excluídas da base de cálculo das referidas contribuições. VENDA DE BENS E MERCADORIAS A COOPERADO. EXCLUSÃO DO ARTIGO 15, INCISO II DA MP Nº 2.158 35/2001. CARACTERIZAÇÃO DE ATO COOPERATIVO. LEI Nº 5.764/1971, ARTIGO 79. NÃO CONFIGURAÇÃO DE OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA NEM OPERAÇÃO DE MERCADO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. APLICAÇÃO DO RESP 1.164.716/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF. As vendas de bens a cooperados pela cooperativa caracteriza ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, não implicando tais operações em compra e venda, de acordo com o REsp nº 1.164.716/MG, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos e de observância obrigatória nos Fl. 682DF CARF MF Processo nº 13161.001381/200728 Acórdão n.º 9303007.572 CSRFT3 Fl. 6 5 julgamentos deste Conselho, conforme artigo 62, §2º do RICARF. Destarte não podem ser consideradas como vendas sujeitas à alíquota zero ou não incidentes, mas operações não sujeitas à incidência das contribuições, afastando a aplicação do artigo 17 da Lei 11.033/2004 que dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes. CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Independentemente da forma de utilização, se mediante de dedução, compensação ou ressarcimento, por expressa vedação legal, não está sujeita atualização monetária ou incidência de juros moratórios, o aproveitamento de crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, insurgindose com as seguintes discussões: (i) dos fretes sobre operações de transferências de mercadorias; (ii) dos fretes sobre compras de adubos, fertilizantes, corretivos e sementes; (iii) previsão legal para a incidência da Selic. Em Despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, foi negado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Irresignado com o exame de admissibilidade, o sujeito passivo interpôs Agravo, expondo as divergências dos arestos recorrido e indicados como paradigma por matéria, requerendo a admissibilidade de todos os pontos do Recurso Especial propostos. Em Despacho do Presidente da CSRF o agravo foi acolhido para dar seguimento ao Recurso Especial relativamente às matérias “possibilidade de tomada de créditos de PIS/Cofins sobre despesas com fretes relativos a transferência de insumos e mercadorias entre estabelecimentos”, “possibilidade de tomada de créditos de PIS/Cofins sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas à alíquota zero (fertilizantes e sementes)” e “correção dos créditos pela taxa Selic”. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pela Fazenda Nacional, que apresentou, dentre outros, os seguintes argumentos: · Permitir que o contribuinte se credite de despesas necessárias, nos termos da legislação do imposto de renda redundaria em um aumento na distorção na base de cálculo dos tributos; · Como visto, na busca pela definição do que deva ser considerado insumo, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, devese adotar um conceito que esteja situado entre a noção de matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem do IPI e a ideia de despesas necessárias do IRPJ, compatibilizandose, assim, a não cumulatividade com a materialidade daquelas contribuições; Fl. 683DF CARF MF Processo nº 13161.001381/200728 Acórdão n.º 9303007.572 CSRFT3 Fl. 7 6 · Há vedação expressa quanto a incidência de juros compensatórios no ressarcimento de créditos de PIS e de Cofins nãocumulativos. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.562, de 20/11/2018, proferido no julgamento do processo 13161.001369/200713, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.562): "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, eis que atendidos os requisitos de conhecimento constantes do art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/15 com alterações posteriores. O que concordo com o exame de admissibilidade constante do Despacho de agravo. Eis o que diz o Despacho de agravo (Grifos meus): “[...] O escopo do agravo, nestes termos, é avaliar a adequação do despacho questionado ao recurso especial originalmente formulado pelo interessado, sendo inadmissível inovação destinada a suprir deficiência na demonstração inicial da divergência. O despacho agravado, comum a todos eles, concluiu pelo não seguimento nos seguintes termos: (...) Demonstração da legislação interpretada divergentemente [...] Essa fundamentação alcança as três matérias que o recorrente queria levar ao colegiado superior, a saber, a: 1) possibilidade de tomada de créditos de PIS/COFINS sobre 1.1 despesas com fretes relativos a transferências de insumos e mercadorias entre estabelecimentos; 1.2) despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas a alíquota zero (fertilizantes e sementes); 2) correção dos créditos pela taxa SELIC Fl. 684DF CARF MF Processo nº 13161.001381/200728 Acórdão n.º 9303007.572 CSRFT3 Fl. 8 7 O agravo apresentado procura demonstrar que o recurso especial cumpriu todos os requisitos regimentais, em especial, a indicação da legislação contrariada. Pede, ao final, que seja dado seguimento a ele na íntegra. Com respeito às duas primeiras matérias, afirma que o recurso teria apontado que a legislação contrastada nos acórdãos seria o art. 3º, incisos II e IX das leis instituidoras da nãocumulatividade das contribuições (10.637 e 10.833); quanto à terceira, seria o art. 13 da mesma Lei 10.833, já que o paradigma entendeu que ele não se aplicaria quando houvesse impedimento por parte da Administração. Esses os fatos. Para começar, deve ser enfatizado que os recursos foram apresentados quando já estava em vigor a Portaria MF 39, de fevereiro de 2016, que alterou a redação do § 1º do art. 67 do RICARF para: §1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. Vejase que, com essa alteração, que retirou a expressão "de forma objetiva" antes presente e que vinha levando à interpretação, aqui repetida, de que o parágrafo estaria a impor a indicação precisa e expressa do dispositivo legal interpretado divergentemente, apenas se exige que haja demonstração da legislação tributária que teria sido interpretada de forma divergente. Não se exige, de modo algum, que haja indicação expressa de algum dispositivo legal específico. [...] Demais disso, é mesmo fato, como apontado no agravo, que o recurso especial apresentado trazia sim menções às legislações contrariadas. É certo que ele não está estruturado do modo exemplar que caracteriza o despacho que o examinou. Em especial, não destaca ele tópico específico para demonstrar o cumprimento, um a um, dos requisitos previstos no art. 67 do RICARF. Ele principia pela enunciação da matéria que entende ter sido analisada divergentemente, seguida de imediata indicação e transcrição da ementa do pretendido paradigma, passando, ato contínuo, a demonstrar a divergência em si. Isso, não obstante, é igualmente certo que o RICARF, e antes dele o próprio Decreto 70.235, não estabelecem forma rígida para apresentação dos recursos neles previstos. Por isso, ainda que a menção aos atos legais não seja bem ordenada, há de ser reconhecida, e superado, portanto, o óbice apontado. E, por economia processual, vêse desnecessário o retorno dos autos à Câmara recorrida para o exame do cumprimento do requisito material de demonstração da divergência em relação às três matérias. Ela é manifesta. Com efeito, a primeira, exatamente na forma como enfrentada no recorrido, o foi no primeiro paradigma arrolado. Lá, contrariamente ao que se decidiu aqui, entendeuse possível a tomada de créditos sobre fretes pagos para o transporte de mercadorias entre estabelecimentos. O mesmo se passa com as outras duas, bastando a leitura de suas ementas para se ver que se trata da mesma matéria com conclusões opostas. Fl. 685DF CARF MF Processo nº 13161.001381/200728 Acórdão n.º 9303007.572 CSRFT3 Fl. 9 8 Vale o registro de que a essa mesma conclusão, de comprovação da divergência com respeito a essas três matérias, chegou o mesmo Presidente da Terceira Câmara ao analisar diversos outros dentre aqueles 56 processos da empresa acima mencionados, cujos recursos especiais traziam, quanto a elas, os mesmos paradigmas e tinham a mesma redação. Constatase, assim, a presença dos pressupostos de conhecimento do agravo e a necessidade de reforma do despacho questionado. Por tais razões, propõese que o agravo seja ACOLHIDO para DAR seguimento ao recurso especial relativamente às matérias "possibilidade de tomada de créditos de PIS/COFINS sobre despesas com fretes relativos a transferências de insumos e mercadorias entre estabelecimentos"; "possibilidade de tomada de créditos de PIS/COFINS sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas a alíquota zero (fertilizantes e sementes)" e "correção dos créditos pela taxa SELIC." Vêse que, relativamente ao item: · Créditos de fretes sobre operação de transferência de mercadorias, houve demonstração de divergência entre os arestos, vez que o aresto recorrido interpretou de uma forma o inciso IX das Leis 10.637/02 e 10.833/03, diferentemente dos indicados como paradigmas que reconheceram o direito ao crédito sobre o mesmo item; · Créditos de fretes sobre compras de fertilizantes e sementes. O aresto recorrido entendeu pela impossibilidade de se constituir crédito sobre o custo de transporte, vez que a mercadoria importada transportada não teria sido onerada pelas contribuições. E os paradigmas se direcionam pelo reconhecimento dos mesmos créditos, vez que o custo do transporte não se vincula ao tratamento tributário dada às mercadorias objeto desse transporte. · Taxa Selic, da mesma forma houve a divergência. Em vista de todo o exposto, conheço o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo na parte admitida em despacho de agravo – ou seja, das seguintes matérias: · Possibilidade de tomada de créditos de PIS e Cofins sobre despesas com fretes relativos a transferências de mercadorias entre estabelecimentos; · Possibilidade de tomada de créditos de PIS e Cofins sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas à alíquota zero (fertilizantes e sementes); e · Correção dos créditos pela taxa Selic. Ventiladas tais considerações, quanto às duas primeiras matérias trazidas e que envolvem a constituição de crédito de PIS e Cofins, passo a discorrer. No que tange à discussão envolvendo a possibilidade ou não de tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre os custos de fretes nas transferências internas de mercadorias, recordase que essa Fl. 686DF CARF MF Processo nº 13161.001381/200728 Acórdão n.º 9303007.572 CSRFT3 Fl. 10 9 discussão já foi apreciada por nossa turma, tendo sido firmado posicionamento de que os custos de frete de mercadorias entre estabelecimentos gerariam o direito à constituição e crédito. Frisese a ementa do acórdão 9303005.156: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIAS PRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Os fretes na transferência de matérias primas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matériaprima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto.” Nesse ínterim, proveitoso citar os acórdãos 9303005.155, 9303005.154, 9303005.153, 9303005.152, 9303005.151, 9303005.150, 9303005.116, 9303 006.136, 9303006.135, 9303006.134, 9303006.133, 9303006.132, 9303 006.131, 9303006.130, 9303006.129, 9303006.128, 9303006.127, 9303 006.126, 9303006.125, 9303006.124, 9303006.123, 9303006.122, 9303 006.121, 9303006.120, 9303006.119, 9303006.118, 9303006.117, 9303 006.116, 9303006.115, 9303006.114, 9303006.113, 9303006.112, 9303 006.111, 9303005.135, 9303005.134, 9303005.133, 9303005.132, 9303 005.131, 9303005.130, 9303005.129, 9303005.128, 9303005.127, 9303 005.126, 9303005.125, 9303005.124, 9303005.123, 9303005.122, 9303 005.121, 9303005.127, 9303005.126, 9303005.125, 9303005.124, 9303 005.123, 9303005.122, 9303005.121, 9303005.120, 9303005.119, 9303 005.118, 9303005.117, 9303006.110, 9303004.311, etc. Fl. 687DF CARF MF Processo nº 13161.001381/200728 Acórdão n.º 9303007.572 CSRFT3 Fl. 11 10 Não obstante, para melhor elucidar meu entendimento, passo a discorrer a priori sobre o conceito de insumos, vez que influenciará na questão da segmentação das atividades da recorrente. Primeiramente, sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito do PIS e da Cofins trazida pela Lei 10.637/02 e Lei 10.833/03, não é demais enfatizar que se tratava de matéria controvérsia – pois em fevereiro de 2018 o STJ, em sede de recurso repetitivo, definiu que o conceito de insumo, para fins de constituição de crédito de PIS e de Cofins, deve observar o critério da essencialidade e relevância – considerandose a imprescindibilidade do item para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte.. Definiu, ainda, ser ilegal a disciplina de creditamento prevista nas IN SRF 247 e 404 que, por sua vez, traz um entendimento mais restritivo que descrita na lei. Nessa linha, efetivamente a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, ainda que o acórdão do STJ não tenha sido publicado, tal como já entendia, expresso que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pela contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante recordar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins nãocumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais Fl. 688DF CARF MF Processo nº 13161.001381/200728 Acórdão n.º 9303007.572 CSRFT3 Fl. 12 11 restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo. Não obstante à jurisprudência dominante, importante discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: Fl. 689DF CARF MF Processo nº 13161.001381/200728 Acórdão n.º 9303007.572 CSRFT3 Fl. 13 12 “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Ademais, a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. Fl. 690DF CARF MF Processo nº 13161.001381/200728 Acórdão n.º 9303007.572 CSRFT3 Fl. 14 13 O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. Tal como expressou o STJ em recente decisão. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: (Incluído) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: Fl. 691DF CARF MF Processo nº 13161.001381/200728 Acórdão n.º 9303007.572 CSRFT3 Fl. 15 14 a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. Fl. 692DF CARF MF Processo nº 13161.001381/200728 Acórdão n.º 9303007.572 CSRFT3 Fl. 16 15 O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que Fl. 693DF CARF MF Processo nº 13161.001381/200728 Acórdão n.º 9303007.572 CSRFT3 Fl. 17 16 excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: “COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos.” Fl. 694DF CARF MF Processo nº 13161.001381/200728 Acórdão n.º 9303007.572 CSRFT3 Fl. 18 17 Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Nessa linha, aguardamos o transito em julgado da decisão do STJ proferida após apreciação, em sede de repetitivo, do REsp1.221.170 – e que trouxe, pelas discussões e votos proferidos, o mesmo entendimento já aplicável pelas suas turmas e pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Privilegiando, assim, a segurança jurídica que tanto merece a Fazenda Nacional e o sujeito passivo. Passadas tais considerações, tenho que os custos de fretes de mercadorias entre estabelecimentos são essenciais e pertinentes à sua atividade. O que geraria crédito de PIS e Cofins. Proveitoso ainda trazer que, recentemente, a PGFN publicou a Nota SEI 63/18 – dispondo sobre o conceito de insumo para fins de constituição de crédito de PIS e Cofins não cumulativo, considerando o decidido, em sede de repetitivo, pelo STJ que, por sua vez, entendeu ser ilegal a disciplina de creditamento prevista nas INs SRF 247/2002 e 404/2004. Traz, em síntese, que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. E que para constatarmos que tal item seria essencial e pertinente à atividade do sujeito passivo, seria importante fazer o “teste de subtração”. Eis a parte que traduz esse teste: “[...] 41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Fl. 695DF CARF MF Processo nº 13161.001381/200728 Acórdão n.º 9303007.572 CSRFT3 Fl. 19 18 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindose mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo. [...]” Ou seja, se aplicarmos o teste de subtração para tal custo – a atividade do sujeito passivo seria efetivamente prejudicada. Em vista do exposto e, considerando o entendimento que esse Colegiado tem proferido, voto por dar provimento ao recurso nessa parte, reconhecendo o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de mercadorias entre estabelecimentos. Continuando, relativamente à outra discussão, qual seja, possibilidade de tomada de créditos de PIS e Cofins sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas à alíquota zero (fertilizantes e sementes), entendo que tais fretes são essenciais e pertinentes à atividade do sujeito passivo – o que geraria crédito de PIS e Cofins. Ora, é de se atentar que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição – art. 3º, § 2º, inciso II, das Leis 10.637/02 e 10.833/03. Não há vedação legal e tais custos são essenciais à sua atividade. É de se clarificar que a constituição do crédito observou tão somente os valores referentes às despesas de fretes dos produtos, e não os valores de aquisição dos insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições. Em vista do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo nessa parte. Direcionandome para a última matéria trazida em recurso, qual seja, se há ou não correção pela taxa Selic sobre os créditos da Contribuição para o PIS e Cofins, decorrentes da aplicação do regime da não cumulatividade, independentemente da forma de aproveitamento, curvome à Súmula CARF 125, recémpublicada – que já definiu entendimento no âmbito administrativo: “Súmula CARF nº 125 No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Sendo assim, nessa parte, nego provimento ao recurso do contribuinte. Fl. 696DF CARF MF Processo nº 13161.001381/200728 Acórdão n.º 9303007.572 CSRFT3 Fl. 20 19 Diante do exposto, conheço o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo e dou provimento parcial ao seu recurso." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, para reconhecer os créditos de PIS e COFINS em relação aos fretes de produtos acabados e aos fretes relativos ao transporte de insumos adquiridos com alíquota zero. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 697DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.721170/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2301-000.742
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até o deslinde do processo judicial nº 2005.61.00.016613-2, em trâmite na Justiça Federal da Terceira Região.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Reginaldo Paixão Emos), Wesley Rocha, Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada para substituir o conselheiro João Bellini Junior), Marcelo Freitas de Souza Costa Juliana Marteli Fais Feriato e João Maurício Vital (Presidente em Exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros João Bellini Junior e Reginaldo Paixão Emos.
RELATÓRIO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até o deslinde do processo judicial nº 2005.61.00.0166132, em trâmite na Justiça Federal da Terceira Região. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Reginaldo Paixão Emos), Wesley Rocha, Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada para substituir o conselheiro João Bellini Junior), Marcelo Freitas de Souza Costa Juliana Marteli Fais Feriato e João Maurício Vital (Presidente em Exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros João Bellini Junior e Reginaldo Paixão Emos. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto por CARGILL AGRÍCOLA S/A., contra o acórdão de julgamento n.º 1656.484, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo I SP (2 ª Turma da DRJ/SP1), que julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário, referente às contribuições previdenciárias sociais, em razão de pagamento de remuneração variável por metas atingidas de seus colaboradores, utilizados pela empresa como " Programa de Bônus", que seriam Participação nos Resultados RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 21 17 0/ 20 11 -1 1 Fl. 862DF CARF MF Processo nº 19515.721170/201111 Resolução nº 2301000.742 S2C3T1 Fl. 127 2 (PPR), mediante crédito nas contas dos planos de previdência privada complementar dos participantes (indivíduos remunerados pela empresa instituidora do plano, contribuinte em epígrafe) junto à empresa ITAÚ Vida e Previdência S.A., CNPJ 92.661.388/000190 (na época dos fatos UNIBANCO AIG Previdência, em 2007). O Acórdão recorrido, descreve o seguinte: "Tratase de Auto de Infração (AI) DEBCAD n.º 37.270.0128, com código de fundamento legal (CFL) 68, lavrado, pela fiscalização, contra o contribuinte retro identificado, por infração ao disposto no artigo 32, inciso IV e parágrafo 5º da Lei n.º 8.212, de 24/07/1991, na redação dada pela Lei n.º 9.528, de 10/12/1997, e no artigo 225, inciso IV e parágrafo 4º do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 06/05/1999, tendo em vista que, de acordo com o Relatório Fiscal, de fls. 06 a 11, e planilha anexa, de fl. 454, ele deixou de informar, em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social), fatos geradores de contribuições previdenciárias, nas competências 06/2007, 07/2007 e 12/2007. O Relatório Fiscal, de fls. 06 a 11, em suma, traz as seguintes informações: • que a empresa é obrigada a informar mensalmente, através da GFIP, todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias relativas a cada competência a que se refere; • que, durante ação fiscal verificouse que a empresa omitiu das GFIP’s, em junho, julho e dezembro de 2007, os pagamentos de remuneração efetuados aos funcionários ocupantes de cargos de chefia através de aportes em contas de previdência privada, cujos valores constam do anexo denominado “Valores de aportes em previdência privada” (DOC. 12); • que o valor do Auto de Infração será atualizado pela SELIC, conforme dispõe a Portaria Conjunta PGFN/SRF n.° 10/2008, de 14/11/2008, publicada no D.O.U. de 17/11/2008, bem como na legislação que a ampara; • que a infração ao disposto no artigo 32, IV, § 5° da Lei n.° 8.212/91, acrescentado pela Lei n.° 9.528/97, combinado com o art. 225, IV, § 4° do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99, isto é apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, sujeita o infrator à pena administrativa que corresponde à multa de 100% (cem por cento) do valor da contribuição devida à Receita Federal do Brasil calculada sobre a remuneração não declarada, respeitado o limite máximo, por competência, conforme o artigo 284, inciso II e o art. 373 do RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99 e o artigo 32, § 5° da Lei n.° 8.212/91; • que o limite da multa, por competência, é calculada em razão do número de segurados da empresa infratora, de acordo com os valores previstos na tabela do artigo 32, IV, § 4° da Lei n.° 8.212/91, na redação da Lei n.° 9.528/97, atualizados conforme Portaria Interministerial MPS/MF n.° 568, de 31/12/2010 – D.O.U. de 03/01/2011; • que os valores de base de cálculo de contribuições previdenciárias constatados em fiscalização, não informados em GFIP Fl. 863DF CARF MF Processo nº 19515.721170/201111 Resolução nº 2301000.742 S2C3T1 Fl. 128 3 antes do início da ação fiscal e sem comprovar o devido recolhimento das contribuições sociais, foram objeto de autuações lavradas nesta ação fiscal pelo descumprimento de obrigação principal; • que o valor da contribuição devida por competência não informada em GFIP em época própria está discriminado no Anexo deste Al denominado "Demonstrativo do Cálculo da Multa Aplicada" – DOC 27; • que foi considerado, para fins de cálculo da multa, o limite mensal resultante da multiplicação do valor mínimo – atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF n.º 568, de 31/12/2010, de R$ 1.523,57 (um mil, quinhentos e vinte e três reais e cinqüenta e sete centavos) – pelo valor estabelecido pela tabela do artigo 32, IV, § 4° da Lei n.° 8.212/91, em função do número de funcionários; • que o número de funcionários obtido através da folha de pagamento para junho, julho e dezembro de 2007 é acima de 5.000 segurados e o multiplicador, nesse caso, é de 50 x o limite da multa de R$ 1.523,57, de modo que o limite máximo para aplicação da multa é R$ 76.178,50; • que foi aplicada multa no valor de R$ 228.535,50 (duzentos e vinte e oito mil e quinhentos e trinta e cinco reais e cinqüenta centavos), conforme demonstrado em planilha anexa; • que as demais infrações pelo descumprimento de obrigações acessórias ensejaram a lavratura dos seguintes Autos de Infração, que compõem o processo n.º 19515.721144/201192: a) CFL 30 – AIOA 51.002.5803, por deixar de preparar folhas de pagamento de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela RFB; b) CFL 34 – AIOA 51.002.5790, por deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições; • que a empresa, em atendimento a Termo de Intimação Fiscal, apresentou listagem com nome, CPF e valor dos aportes feitos por ela, como instituidora do plano, em conta de previdência privada na seguradora ITAU VIDA E PREVIDÊNCIA S.A.; • que esses dados foram comparados com as informações de Folha de Pagamento apresentadas pela empresa em fiscalização, com as GFIP’s entregues via conectividade social pela empresa antes do início da ação fiscal, e com as informações prestadas pela seguradora; • que, dessa análise, verificouse que os valores de aporte em previdência privada não foram informados em Folha de Pagamento e em GFIP da empresa; • que foi constatado, ainda, que cinco beneficiários dos aportes em previdência privada efetuados pela empresa não constavam informados em sua Folha de Pagamento ou GFIP, sendo estes considerados como contribuintes individuais para o levantamento da contribuição previdenciária devida; • que foi elaborada, pela fiscalização, planilha em anexo denominada "Valores de aportes em previdência privada", com os dados provenientes da empresa dos aportes efetuados por ela aos segurados empregados e contribuintes individuais, no total anual de R$ 11.967.367,55 (sendo R$ 2.328.529,40 para contribuinte individual e R$ 9.638.838,15 para empregado); Fl. 864DF CARF MF Processo nº 19515.721170/201111 Resolução nº 2301000.742 S2C3T1 Fl. 129 4 • que houve a lavratura dos seguintes Autos de Infração pelo descumprimento de obrigação principal, que compõem o processo n.º 19515.721037/201164: a) AI n.º 37.270.0012 – valores devidos pela empresa (patronal); e, b) AI n.º 37.270.0055 – valores devidos a terceiros (Outras Entidades)". Após análise da defesa, a DRJ de origem lançou entendimento de que a matéria teria sido objeto de contestação judicial, e que, portanto, haveria renúncia à demanda administrativa, tendo em vista o ajuizamento pela contribuinte da ação declaratória n.º 2005.61.00.0166132, que tramita perante a Justiça Federal da Terceira Região, em face do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e da União Federal. Em seu recurso, a contribuinte reproduz as mesmas razões de primeira instância, acrescentando que não pode haver a decretação de renúncia ao seu direito, uma vez que a ação judicial que busca validar o PLR, objeto de autuação, se deu anterior ao período fiscalizatório, e que, ao seu entender, não há renúncia daquilo que ainda não teria sido objeto de Lançamento fiscal. Nesse sentido, alega que: "nos autos daquela ação judicial – que versaria sobre os pagamentos feitos por ela a título de PLR sobre acordos coletivos e sobre os pagamentos feitos espontaneamente, os quais teriam dado ensejo ao presente lançamento – defenderia seu posicionamento de que a participação dos empregados nos lucros e resultados poderia ser implementada por três formas, não excludentes entre si: (i) mediante comissão escolhida pelo empregador e pelos empregados, integrada por um representante do Sindicato (inciso I do art. 2º da Lei n.° 10.101/2000); (ii) por acordo ou convenção coletiva (inciso II do artigo 2º); e, (iii) por planos mantidos espontaneamente pela empresa (art. 3º, § 3º)". Aduz ainda que a existência de depósito judicial constitui em obstáculo ao fisco lançar o crédito fiscal. No mérito, além do que já reproduzido acima, alega a legalidade do plano de previdência privada e dos seus respectivos rasgastes, bem como afirma que não houve a intenção de simulação na relação jurídica realizada entre a instituição seguradora e a empresa autuada. Solicita, ainda, que os valores que ainda não tiver sido resgatados sejam excluídos do Lançamento fiscal, e pede a anulação da autuação. Por fim, relatase que da presente ação fiscal gerouse outras autuações, que consistem na exigência de obrigação acessória decorrente do fato gerador, bem como da exigência de imposto de renda sobre os aportes realizados (processos n.º 19515.721037/2011 64; e n.º 19515.721144/201192 e 19515.721294/201104), e que conforme se constatou da tramitação desses processos, este relator solicitou o apensamento desses para julgamento em conjunto, a fim de se evitar decisões conflitantes. Diante dos fatos narrados, é o relatório. VOTO Conselheiro Relator Wesley Rocha O Recurso Voluntário apresentado está revestido do requisito formal de tempestividade. Portanto, dele o conheço. Fl. 865DF CARF MF Processo nº 19515.721170/201111 Resolução nº 2301000.742 S2C3T1 Fl. 130 5 A presente ação administrativa visa exigir obrigação acessória da recorrente, que em demanda judicial questionou somente a obrigação principal. Nesse sentido, a decisão de primeira instância identificou que a demanda administrativa guarda relação com a ação judicial ajuizada pela recorrente, antes do início da fiscalização e autuação fiscal. Em análise do relatório fiscal do processo principal (19515.721037/201164) em conjunto com a petição inicial, sentença e recurso de apelação (efls. 316, e seguintes daquele processo), verificase que há clara concomitância em relação ao que se discute na ação judicial. Inclusive, nas páginas 30 e 31 do eprocesso principal, existe discriminação de tudo que foi solicitado na petição inicial com o que foi atuado na presente demanda administrativa. A ação declaratória n.º 2005.61.00.0166132 pretende declarar a inexistência de relação jurídicotributário, para desobrigar a recorrente ao recolhimento de contribuições previdenciárias e de terceiros sobre os planos de participações nos lucros e resultados estabelecidos por meio dos acordos coletivos e dos planos mantidos espontaneamente por ela, uma vez que tais planos, no seu entendimento, estariam em conformidade com a Lei n.º 10.101/2000. Apesar da autuação ser específica quanto a exigência de contribuições previdenciárias em PPR de empregados em cargos de gerência e de diretores, e da ação judicial ser mais ampla, onde discute também o PPR de funcionários e estagiários (incluindo gerentes e diretores executivos) a matéria registra semelhança, pois os executivos recebiam a participação de acordo com os planos de bônus próprios mantidos espontaneamente pela empresa, e, portanto, caracteriza a concomitância, conforme descrição de parte do relatório fiscal abaixo: Por outro lado, observase que a ação judicial teve julgado seu mérito quanto aos PPRs de executivos e estagiários. Porém, não foi julgada a matéria no que diz respeito à regularidade plano de participação de resultados de seus funcionários, tendo em vista que o juiz de primeiro grau entendeu que como não havia ainda autuação sobre a contribuinte, não haveria interesse de processual pela demandante, ora recorrente. Assim, a contribuinte alega que corre o risco de não ter decisão de mérito quanto a possível matéria que não teria sido julgado pelo poder judiciário. Contudo, ponto central da questão é que fica inviável ter uma decisão administrativa de conteúdo que está posto perante demanda judicial. A decisão da DRJ já se pronunciou sobre isso, afirmando que não caberia Fl. 866DF CARF MF Processo nº 19515.721170/201111 Resolução nº 2301000.742 S2C3T1 Fl. 131 6 "naquele momento da decisão" afastar qualquer incidência das demais contribuições que não foram objeto de análise de mérito da sentença proferida, uma vez que o processo judicial encontravase em andamento, e ainda completou (efl. 803): "É de se notar, também, que o resgate, como informado pela fiscalização, não se trata de condição essencial para a lavratura dos Autos de Infração em tela, tendo sido tal dado trazido aos autos apenas como mais um elemento para reforçar a sua tese de que estaria havendo a subversão da utilização do instituto da previdência privada". Entretanto, como visto, o recurso de apelação aguarda julgamento pela segunda instância, e nesse sentido, esse colegiado fica impossibilitado de decidir sobre matéria que ainda pende de análise do poder judiciário. Tendo em vista que, o presente processo trata de obrigação acessória e que esse decorre do mesmo fato gerador que originou o ajuizamento da ação judicial sobre a obrigação principal, entendo que seja caso de suspender o feito, enquanto a decisão no processo judicial é proferida, a fim de que se possa apreciar a matéria posta em julgamento, diante do fato de que obrigação acessória não foi questionada na ação judicial. CONCLUSÃO Em face do exposto, voto por sobrestar o presente feito até o deslinde do processo judicial nº 2005.61.00.0166132, em trâmite na Justiça Federal da Terceira Região. É como voto. (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator. Fl. 867DF CARF MF
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