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Numero do processo: 35301.007082/2007-98
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Sun Sep 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Nov 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CABIMENTO.
Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição deve-se proferir novo Acórdão, para retificar o Acórdão embargado. Hipótese em que, no acórdão embargado, houve contradição entre o teor do voto vencedor e seu decisum.
Numero da decisão: 9202-006.056
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, re-ratificando o Acórdão nº 9202-005.466, de 24/05/2017, com efeitos infringentes, alterar a decisão recorrida para, re-ratificando o Acórdão nº 9202-004.477, de 28/09/2016, e também alterando sua decisão originária, seja dado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, a fim de que seja afastada a decadência do presente lançamento para as competências de 10 a 12/2001, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CABIMENTO. Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição deve-se proferir novo Acórdão, para retificar o Acórdão embargado. Hipótese em que, no acórdão embargado, houve contradição entre o teor do voto vencedor e seu decisum.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CABIMENTO. Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição devese proferir novo Acórdão, para retificar o Acórdão embargado. Hipótese em que, no acórdão embargado, houve contradição entre o teor do voto vencedor e seu decisum. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, reratificando o Acórdão nº 9202005.466, de 24/05/2017, com efeitos infringentes, alterar a decisão recorrida para, reratificando o Acórdão nº 9202004.477, de 28/09/2016, e também alterando sua decisão originária, seja dado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, a fim de que seja afastada a decadência do presente lançamento para as competências de 10 a 12/2001, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 30 1. 00 70 82 /2 00 7- 98 Fl. 291DF CARF MF Processo nº 35301.007082/200798 Acórdão n.º 9202006.056 CSRFT2 Fl. 292 2 Relatório Tratase de embargos de declaração de iniciativa deste membro do Colegiado, com fulcro no previsto no art. 65, §1o. inciso I, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Referese aqui ao Acórdão nº 9.202005.466 (efls. 284 a 288), deste Colegiado, julgado na sessão plenária de 24 de maio de 2017. Transcrevese a ementa e decisão do julgado mencionado: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CABIMENTO. Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição devese proferir novo Acórdão, para retificar o Acórdão embargado. Hipótese em que, no acórdão embargado, houve omissão acerca da impossibilidade da aplicação da penalidade em questão no prazo de noventa dias, contado dos fatos geradores das contribuições em questão. Decisão: por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, reratificando o Acórdão nº 9202 004.477, de 28/09/2016, com efeitos infringentes, para, alterando a decisão anterior, dar provimento ao Recurso Especial, a fim de que seja afastada a decadência do presente lançamento para a competência de 12/2001, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário. A propósito, o Conselheiro Relator, em sede de embargos de efls. 289/290, notou contradição na decisão constante da ata da sessão e reproduzida na parte dispositiva do Acórdão formalizado, uma vez que: a) O voto vencedor do recorrido (efl. 287) assim afirma: Assim, diante do exposto, voto por acolher, com efeitos infringentes, os embargos da Fazenda Nacional, a fim de que se mantendo a aplicação na contagem do prazo decadencial o art. 173, I do CTN, lhe seja dado provimento ao Recurso Especial, afastada, todavia, agora, a decadência do presente lançamento para as competências de 10 a 12/01. b) Todavia, o decisum limitase a afastar a decadência exclusivamente para a competência 12/01 (efl. 284), expressis verbis: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, re Fl. 292DF CARF MF Processo nº 35301.007082/200798 Acórdão n.º 9202006.056 CSRFT2 Fl. 293 3 ratificando o Acórdão nº 9202004.477, de 28/09/2016, com efeitos infringentes, para, alterando a decisão anterior, dar provimento ao Recurso Especial, a fim de que seja afastada a decadência do presente lançamento para a competência de 12/2001, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário. Os embargos, na forma de despacho de admissibilidade de efl. 290, foram regularmente admitidos. É o relatório. Fl. 293DF CARF MF Processo nº 35301.007082/200798 Acórdão n.º 9202006.056 CSRFT2 Fl. 294 4 Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. A partir do Relatório supra, tornase nítida a contradição entre teor do decisum do Acórdão embargado acerca da contagem do prazo decadencial (efl. 284) quando comparado com o teor do voto vencedor de efl. 287, devendo prevalecer este último, consistente com a fundamentação ali constante, no sentido de afastamento da decadência para as competências de 10 a 12/2001. De se ressaltar, por fim, que, no caso em questão, verificase que houve infração de não contabilização para todas as 3 competências, mas, ainda assim, devese notar que a multa é única, ou seja, para qualquer combinação das competências acima, uma vez restando caracterizada a infração (de forma singular ou múltipla) se estaria diante da mesma multa a ser aplicada. Assim, diante do exposto, voto por acolher, com efeitos infringentes, os embargos da Fazenda Nacional, a fim de que, reratificando o Acórdão nº 9202005.466, de 24 de maio de 2017, alterese a decisão anterior, de forma a que, reratificando o Acórdão nº 9202004.477, de 28 de setembro de 2016, e também alterando sua decisão originária, seja dado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, a fim de que seja afastada a decadência do presente lançamento para as competências de 10 a 12/2001, com retorno dos autos ao Colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 294DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.720402/2011-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2005
OMISSÃO. NULIDADE
Constatada que a omissão apontada em sede de embargos macula integralmente a validade do ato, ´deve-se reconhecer sua nulidade para que outro seja emitido na boa e devida forma.
Numero da decisão: 2201-004.033
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer e acolher os embargos propostos pelo Procuradoria da Fazenda Nacional para, sanando a omissão apontada, declarar a nulidade do Acórdão nº 2101-002.418, de 18 de março de 2014. Vencido o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho, que manifestou interesse em apresentar declaração de voto.]
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
EDITADO EM: 27/11/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausentes os Conselheiros Dione Jesabel Wasilewski e Daniel Melo Mendes Bezerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2005 OMISSÃO. NULIDADE Constatada que a omissão apontada em sede de embargos macula integralmente a validade do ato, ´devese reconhecer sua nulidade para que outro seja emitido na boa e devida forma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer e acolher os embargos propostos pelo Procuradoria da Fazenda Nacional para, sanando a omissão apontada, declarar a nulidade do Acórdão nº 2101002.418, de 18 de março de 2014. Vencido o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho, que manifestou interesse em apresentar declaração de voto.] (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. EDITADO EM: 27/11/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausentes os Conselheiros Dione Jesabel Wasilewski e Daniel Melo Mendes Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 04 02 /2 01 1- 76 Fl. 7665DF CARF MF 2 Relatório Tratamse de embargos de declaração propostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2201002.418, fl. 7582 a 7586, exarado pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2006, 2007 PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR PESSOA JURÍDICA. A existência da empresa previamente à prestação do serviço e a não exclusividade de atendimento descaracteriza o vínculo empregatício. Recurso Voluntário Provido Cientificada do Acórdão, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração formalizado pela petição de fl. 7588 a 7593, o qual foi, inicialmente, não conhecido, conforme despacho de fl. 7642/7643. Contudo, após nova manifestação da representação da Fazenda Nacional, fl. 7647 a 7649, o Presidente da 2ª Seção de Julgamento deste CARF exarou o despacho de fl. 7659/7660, com o qual revisou o decisão de não conhecimento anterior, admitindo os embargos originais. A representação da Fazenda alega que o Acórdão embargado incorreu em omissão, lastreada nas seguintes razões: (...) No entender da União (Fazenda Nacional) há grave violação aos direitos das partes objeto do presente processo administrativo fiscal. Expliquese. Ocorre que o acórdão embargado foi omisso sobre os fundamentos que ensejaram o provimento parcial do Recurso Voluntário, conforme transcrição integral do voto condutor, nestes termos: “Faço notar que: a) a presente Conselheira não participava deste Colegiado à época do julgamento do Recurso e da conseqüente prolação do Acórdão aqui formalizado; b) foram improfícuas as tentativas de obtenção das razões de decidir adotadas pelo voto condutor e encampadas pela maioria do Colegiado, sendo que o Conselheiro Relator não mais compõe o presente Colegiado. Destarte, me limito, na presente formalização, a reproduzir o decisum constante em ata." Como visto, a ilustre Relatora AdHoc designada não apontou fundamento algum que respalde a conclusão do julgado.... Após apresentar as considerações e fundamentos legais que julgou pertinentes, requereu a retificação do Acórdão embargado para nele fazer constar as razões de convencimento da Turma Julgadora ou, no caso de impossibilidade, que seja proferido novo acórdão. Fl. 7666DF CARF MF Processo nº 10830.720402/201176 Acórdão n.º 2201004.033 S2C2T1 Fl. 7.666 3 E o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Inicialmente, expresso minha concordância com os pressupostos de admissibilidade contidos no despacho de fls. 7659/7660. A análise perfunctória do Acórdão embargado, em particular do teor da análise de mérito expressa no voto, restrito a apenas dois parágrafos, fl. 7586, evidencia sem qualquer dúvida que a decisão em questão não enumerou com clareza e objetividade as conclusões e fundamentos legais que ampararam o decidido. Senão vejamos: O recurso é tempestivo, atende aos requisitos legais e foi conhecido pela Turma julgadora. A recorrente comprovou que as empresas arroladas como prestadoras de serviços já existiam anteriormente à contratação, sendo que mais de 80% das empresas continuavam a operar à época da impugnação. Adicionalmente, as notas fiscais emitidas pelas prestadoras à recorrente não configuravam exclusividade de atendimento e, portanto, tais prestadoras possuíam outros clientes. Entendo que tais motivos podem ter sido a causa de decidir da maioria da Turma. Faço notar que: a) a presente Conselheira não participava deste Colegiado à época do julgamento do Recurso e da conseqüente prolação do Acórdão aqui formalizado; b) foram improfícuas as tentativas de obtenção das razões de decidir adotadas pelo voto condutor e encampadas pela maioria do Colegiado, sendo que o Conselheiro Relator não mais compõe o presente Colegiado. Destarte, me limito, na presente formalização, a reproduzir o decisum constante em ata. Recurso Voluntário provido. É fato que foi apontada a causa para tal, que seria a designação de Redator que não participava do Colegiado na época da decisão, contudo, a circunstância não supre o conteúdo mínimo necessário para que a decisão pudesse ser compreendida por todos os interessados. Por serem indispensáveis, entendo oportuno destacar alguns preceitos que tratam do tema: Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (...) Fl. 7667DF CARF MF 4 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. A Lei nº 9.784/99 estabelece em seu artigo 2º que a Administração Pública obedecerá, dentre outros, o princípio da motivação e, em seu art. 38, prevê que os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. A questão da motivação toma caráter de tamanha importância que a lei citada no parágrafo precedente dedica ao tema um capítulo exclusivo (XII), determinando, em seu art. 50, inciso V, que os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos quando decidam recursos administrativos. Por sua vez, a Lei nº 4.717/1965 (Lei da Ação Popular), ao tratar da anulação de atos lesivos ao patrimônio público, permite, em seu art. 2º, uma análise comparativa entre os diferentes elementos que compõe o ato administrativo (competência, forma, objeto, motivo e finalidade): “Art. 2º São nulos os atos lesivos ao patrimônio das entidades mencionadas no artigo anterior, nos casos de: a) incompetência; b) vício de forma; c) ilegalidade do objeto; d) inexistência dos motivos; e) desvio de finalidade. Parágrafo único. Para a conceituação dos casos de nulidade observarseão as seguintes normas: Fl. 7668DF CARF MF Processo nº 10830.720402/201176 Acórdão n.º 2201004.033 S2C2T1 Fl. 7.667 5 a) a incompetência fica caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou; b) o vício de forma consiste na omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato; c) a ilegalidade do objeto ocorre quando o resultado do ato importa em violação de lei, regulamento ou outro ato normativo; d) a inexistência dos motivos se verifica quando a matéria de fato ou de direito, em que se fundamenta o ato, é materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado obtido; e) o desvio de finalidade se verifica quando o agente pratica o ato visando a fim diverso daquele previsto, explícita ou implicitamente, na regra de competência.” (grifos acrescidos) No caso em comento, não vislumbro uma simples omissão passível de saneamento mediante embargos de declaração. O que identifico é uma indiscutível ausência de motivação do Acórdão, que resulta em claro cerceamento do direito de defesa das partes envolvidas, que sem saber o que levou à decisão, não terão como produzir provas que pudessem lastrear seus supostos direitos, o que configura afronta ao direito ao contraditório e à ampla defesa, expressamente elencados na Constituição Federal (art. 5º, inciso LV). Conclusão: Desta forma, considerando as razões e fundamentos legais acima expostos, voto por conhecer e acolher os embargos propostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional para, sanando a omissão apontada, declarar a nulidade do Acórdão nº 2101002.418, de 18 de março de 2014, nos termos ao art. 61 do Decreto 70.235/72, para que outra decisão seja emitida por este Colegiado, na boa e devida forma. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Declaração de Voto Conselheiro José Alfredo Duarte Filho A decisão apontada no voto do relator, pela acolhida dos Embargos interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, conduz a que o Colegiado faça novo julgamento, por declarada nulidade do Acórdão nº 2101002.418, em razão de possível ausência de motivação no decidido, o que teria resultado em cerceamento do direito de defesa das partes envolvidas, o que configuraria afronta ao direito do contraditório e à ampla defesa. Fl. 7669DF CARF MF 6 A divergência aqui apresentada amparase em duas fortes razões que lastreiam e posicionam a presente declaração de voto, sendo uma delas a convicção de que o uso de Embargos não pode ter o propósito de mudar o fulcro da decisão de linha horizontal, em Colegiado de mesma instância no fluxo processual administrativo fiscal. Outra, as circunstâncias fáticas do processo, as provas e as decisões proferidas no caso em análise. DOS EMBARGOS Por definição, Embargos de Declaração consistem em um instrumento jurídico de recurso pelo qual uma das partes do processo judicial ou administrativo pede ao julgador para sanar dúvida, omissão, contradição ou obscuridade, eventualmente existente na decisão proferida. Assim que, se não tiver ocorrido omissão ou qualquer outra falta na decisão proferida, o que seria objeto de Embargos de Declaração, esta não é a providência recomendada para o caso. Quando a situação se consubstancia em equívoco ou inconsistência na decisão, outro julgamento deve ser proferido em atendimento ao pressuposto do estabelecimento da justiça na lide e, em caso de tal natureza, o processo deve ser submetido à instância superior, razão da existência de escalonamento de graus de julgamento do sistema processual. Vejamos o que diz o Regimento Interno do STF, em seus arts. 337 e 338, sobre a apreciação de Embargos de Declaração: STF – Regimento Interno EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Art. 337. Cabem embargos de declaração quando houver no acórdão obscuridade, dúvida, contradição ou omissão que devam ser sanadas. Art. 338. Se os embargos forem recebidos, a nova decisão se limitará a corrigir a inexatidão, ou a sanar a obscuridade, dúvida, omissão ou contradição, salvo se algum outro aspecto da causa tiver de ser apreciado como consequência necessária. Somente é cabível a utilização de Embargos de Declaração para sanar obscuridade, dúvidas, contradição ou omissão, o que não se pode confundir com anulação de uma decisão para ter como consequência outra decisão que poderá ser de sentido diverso da anterior, o que seria um retrabalho ou rejulgamento de mesma matéria na mesma instância. O art. 338, do RI do STF, ao contrário do que possa parecer, não vem em socorro da hipótese de um novo julgamento que possa permitir a possibilidade a radicalização em sentido contrário à decisão anterior. A expressão “salvo se algum outro aspecto da causa tiver de ser apreciado como consequência necessária”, visa identificar outra situação, além de “corrigir a inexatidão, ou a sanar a obscuridade, dúvida, omissão ou contradição”, para agregar ou suprimir elemento não tratado na decisão embargada, tão somente em adendo ou subtração parcial, pontual, mantendose a raiz da decisão já proferida, de forma a não incorrer em modificação de COISA JULGADA. CONSTITUIÇÃO FEDERAL Fl. 7670DF CARF MF Processo nº 10830.720402/201176 Acórdão n.º 2201004.033 S2C2T1 Fl. 7.668 7 Art. 5º (...) XXXVI a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada; Se julgado está, mesmo que com resultado equivocado ou inconsistente, somente decisão superior pode reverter a situação mediante outro julgamento, em obediência à hierarquia processual e à garantia do mandamento constitucional da Coisa Julgada, assim entendido, em cada instância. Embargos Declaratórios é um remédio de uso voluntário para apreciar decisão prolatada, monocrática ou de colegiado para sanar eventual vício ou omissão por ventura constatada após publicação do decidido. A propositura deste instrumento jurídico requer que a impropriedade se encontre inserida no corpo da decisão embargada, caso em que se providenciará o exame do decidido, o que não se confunde com rejulgamento da matéria. Uma vez interpostos e acolhidos os embargos deverão estes ser julgados sem a realização de novo preparo. Oportuno lembrar que é condição fundamental desse instituto, que a parte embargante aponte expressamente o defeito a ser sanado, na decisão já proferida, até porque não há oportunidade para oferecimento de contrarrazões de mérito da parte oposta. Ainda que tal providência resulte em efeitos infringentes não se pode dar oportunidade para a produção de resultado contrário à decisão anteriormente proferida. Esta linha de posicionamento sustenta que embora os Embargos Declaratórios estejam relacionados no segmento “Dos Recursos”, mesmo assim não possuem natureza recursal, pois sua finalidade não pode ser a reforma substancial do julgado insatisfatório, mas o mero reexame que se circunscreve na própria decisão. Há uma nítida linha limítrofe entre a hipótese da necessidade de um novo julgamento a ser intentado através de recurso à instância superior e a possibilidade de se proceder ao aclaramento de determinada decisão, no âmbito da função dos Embargos de Declaração, com efeitos infringentes. A função dos Embargos de Declaração, mesmo que infringentes, não é a de modificar o resultado da decisão, fazendo com que a parte perdedora se converta em ganhadora e, sequer, de oportuniza a essa ocorrência. A função típica dos Embargos de Declaração é esclarecer obscuridade, eliminar contradição, suprimir omissão e corrigir erro material, sem jamais dar oportunidade de mudança do núcleo contextual da decisão embargada. Nesse sentido cabe trazer a lume jurisprudência do STJ, que trata a matéria como pacificada naquela Corte Superior. A Corte Especial do STJ, a partir do julgamento do REsp 1.522.347/ES, sob a relatoria do Ministro Raul Araújo, pacificou o entendimento que configura violação ao art. 538 do CPC o recebimento de Embargos de Declaração como mero “pedido de reconsideração”, ainda que contenha nítido pedido de efeitos infringentes. Os embargos de declaração, ainda que contenham nítido pedido de efeitos infringentes, não devem ser recebidos como mero "pedido de reconsideração". STJ. Corte Especial. REsp Fl. 7671DF CARF MF 8 1.522.347ES, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 16/9/2015 (Info 575). CORTE ESPECIAL DIREITO PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO COM EFEITOS INFRINGENTES E PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO. Os embargos de declaração, ainda que contenham pedido de efeitos infringentes, não devem ser recebidos como "pedido de reconsideração". Os embargos de declaração são um recurso taxativamente previsto na Lei Processual Civil e, ainda que contenham indevido pedido de efeitos infringentes, não se confundem com mero "pedido de reconsideração", este sim, figura processual atípica, de duvidosa existência. Inclusive, a hipótese sequer comporta a aplicação do princípio da fungibilidade recursal, pois "pedido de reconsideração" não é recurso. Assim, devese reconhecer que os embargos de declaração apresentados tempestivamente com pedido de efeitos infringentes não devem ser recebidos como "pedido de reconsideração", porque tal mutação não atende a nenhuma previsão legal, tampouco aos requisitos de aplicação do princípio da fungibilidade. Ademais, a jurisprudência desta Corte é firme no sentido da impossibilidade de recebimento de mero "pedido de reconsideração" como embargos de declaração, por ausência de previsão legal e por isso constituir erro grosseiro (Pet no AREsp 6.655RN, Quarta Turma, DJe 15/10/2013). Ora, se inexiste respaldo legal para receberse o "pedido de reconsideração" como embargos de declaração, é evidente que não há arrimo legal para receberse os embargos de declaração como "pedido de reconsideração". Não se pode transformar um recurso taxativamente previsto em lei (art. 535 do CPC) numa figura atípica, que não possui previsão legal ou regimental. Além disso, a possibilidade de o julgador receber os embargos de declaração com pedido de efeito modificativo como "pedido de reconsideração" traz enorme insegurança jurídica ao jurisdicionado, pois, apesar de interposto tempestivamente o recurso cabível, ficará à mercê da subjetividade do magistrado (REsp 1.213.153SC, Primeira Turma, DJe 10/10/2011). (grifei) Neste sentido, as questões de mérito da matéria em julgamento devem ser alegadas na fase de conhecimento, em contestação e justificadamente no conteúdo da lide, em atendimento ao que dispõe o art. 538 do CPC, caso em que se aplica as “disposições sobre o cumprimento de obrigação de fazer ou de não fazer”. DO PROCESSO A decisão motivadora dos embargos opostos referese ao processo de nº 10830.720402/201176, que trata de multa isolada e juros sobre suposta falta de retenção sobre pagamentos à pessoas jurídicas, entendidas pela fiscalização e apontadas no lançamento como equiparadas à pessoa pessoas físicas para efeito de tributação na fonte. A lide aqui examinada, objeto da decisão embargada se refere à multa isolada e juros sobre tal falta de retenção na Fl. 7672DF CARF MF Processo nº 10830.720402/201176 Acórdão n.º 2201004.033 S2C2T1 Fl. 7.669 9 fonte em pagamentos realizados à pessoa jurídica. Ocorre que o principal é tratado em outro processo e teve julgamento favorável ao contribuinte, forçandose concluir que se ao recurso voluntário referente ao principal foi dado provimento e, que restou decidido, também, que os acessórios não teriam razão de percistir, nada mais há que se contestar. Assim, legalmente e processualmente respaldada pela decisão de provimento em favor do contribuinte para excluir a exigência do principal, a decisão ora embargada não poderiam ter outra solução senão o acolhimento também do recurso voluntário referente à multa e juros. Isso foi o que aconteceu nos julgamentos acontecidos e por isso os Embargos Declaratórios não deveriam ter sido acolhidos. Passase a relatar a seguir, sem análise de mérito, somente com o fim de apresentar a questão como Coisa Julgada, em segunda instância de turmas ordinárias. PRINCIPAL Processo nº 10830.012365/200823 Acórdão nº 2401002.811 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de Julgamento 22 de janeiro de 2013 PAGAMENTOS EFETUADOS A PESSOAS FÍSICAS POR INTERMÉDIO DE PESSOAS JURÍDICAS INTERPOSTAS. CARACTERIZAÇÃO DO VÍNCULO EMPREGATÍCIO. LANÇAMENTO. ENQUADRAMENTO. NECESSIDADE DA DEMONSTRAÇÃO DA PRESENÇA CUMULATIVA DOS REQUISITOS PREVISTOS NO ART. 3O DA CLT. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. NULIDADE. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. (...) Conclusão Ante todo o exposto, voto no sentido de conhecer dos recursos voluntários e DARLHES PARCIAL PROVIMENTO para excluir do lançamento integralmente as rubricas P31 SEG EMPRE SR PJ 2003 a 2005 e P32 SEG EMPRE SR PJ 2006 A 2007, bem como para conhecer do recurso de ofício e NEGARLHE PROVIMENTO e manter a decadência conforme reconhecido pelo v. acórdão de primeira instância para que seja aplicado ao caso o art. 150, § 4o do CTN. MULTA E JUROS Processo nº 10830.720402/201176 Acórdão nº 2101002.418 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de Julgamento 18 de março de 2014 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Fl. 7673DF CARF MF 10 Anocalendário: 2006, 2007 PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR PESSOA JURÍDICA. A existência da empresa previamente à prestação do serviço e a não exclusividade de atendimento descaracteriza o vínculo empregatício. Recurso Voluntário Provido A partir do relatório, a Relatora conclui seu voto afirmando que “o Recurso Voluntário foi provido tendo em vista que a recorrente comprovou que as empresas arroladas como prestadoras de serviços já existiam anteriormente à contratação, sendo que mais de 80% das empresas continuavam a operar à época da impugnação. Adicionalmente, as notas fiscais emitidas pelas prestadoras à recorrente não configuravam exclusividade de atendimento e, portanto, tais prestadoras possuíam outros clientes. Entendo que tais motivos podem ter sido a causa de decidir da maioria da Turma”. Interpreto, neste caso, que a pouca firmeza do texto não compromete o resultado da decisão. Em 03 de setembro de 2015, a Procuradoria da Fazenda Nacional já havia intentado Embargos de Declaração pelos mesmos motivos, nos termos seguintes: Ante o exposto, requer a União (Fazenda Nacional) que sejam conhecidos e providos os presentes Embargos de Declaração, retificando o acórdão embargado para fazer constar as razões de convencimento da turma julgadora ou, se não for possível tal procedimento, proferir novo acórdão em consonância com os princípios resguardados no ordenamento jurídico pátrio. Em 08 de fevereiro de 2016, pelo despacho nº 24007 – 4ª Câmara – 1ª Turma Ordinária tratou dos embargos Declaratórios, como segue: Tratase de Embargos Declaratórios interpostos em 03/09/2015 pela Fazenda Nacional, em face do Acórdão 2101002418 1a. Câmara/1a. Turma Ordinária desta Seção de Julgamento, que deu provimento integral ao Recurso Voluntário do contribuinte, para exonerar o crédito tributário de IRRF, objeto do processo administrativo fiscal. TEXTO DO DESPACHO Observo, contudo, que este é um processo reflexo (art 6o. do anexo II da Portaria 343/2015, a seguir transcrita) do processo 10830.012365/2008/23, relativo a lançamento fiscal de contribuições previdenciárias. Em assim sendo, entendo que a decisão neste processo administrativo depende visceralmente da decisão proferida no processo principal, que ora anexo aos autos. Explicando, o lançamento das contribuições previdenciárias relativas aos valores pagos como prestações de serviços gerou o lançamento de IRRF relativo às multas isoladas e juros pelo não recolhimento do IRRF na época do pagamento dos valores. Acrescento ainda que tais valores, por não terem sido considerados como salários, não foram oferecidos à tributação pelos beneficiários em suas declarações de Imposto de Renda no período próprio (anos 2006 e 2007). O lançamento Fl. 7674DF CARF MF Processo nº 10830.720402/201176 Acórdão n.º 2201004.033 S2C2T1 Fl. 7.670 11 está embasado no art. 9 da Lei 10.426/2002, ainda vigente no sistema legal tributário brasileiro. CONCLUSÃO DO DESPACHO A Embargante alega que as razões de decidir não foram definidas claramente, causando cerceamento do direito de defesa. Entendo que as razões de decidir estão embasadas em fundamento fático, no qual a autoridade julgadora aceita a documentação acostada aos autos sobre a idoneidade das empresas prestadoras de serviço. A interposição de embargos está associada à existência de obscuridade, contradição ou omissão no julgado. No caso do acórdão recorrido, foram consignadas razões de decidir que refletem motivo relevante para a decisão, considerando os documentos dos autos, e observando o direito pátrio. Desta forma, não vislumbro que tenha ocorrido obscuridade, contradição ou omissão no julgado que pudesse causar cerceamento do direito de defesa. Ademais, por economia processual, entendo que a irresignação com o resultado do julgamento no processo reflexo deve ser primeiramente analisada à luz do decidido no processo principal. Dado o exposto, entendo que os embargos declaratórios não devem ser conhecidos. ACOLHIMENTO ATUAL DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO O principal e definitivo argumento para o acolhimento dos Embargos, agora apreciados, tem como forte a afirmativa que "a decisão não possibilitou às partes terem ciência dos argumentos que respaldaram o provimento do recurso voluntário interposto pela contribuinte", nos termos em que segue: A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou petição de f. 7647 a 7649, em que destaca “sua incompreensão e inconformismo” com o não conhecimento dos Embargos de Declaração opostos em face do Acórdão nº 2101002.418. Nos referidos embargos, foi alegada omissão no tocante à fundamentação do Acórdão, haja vista que a decisão não possibilitou às partes terem ciência dos argumentos que respaldaram o provimento do recurso voluntário interposto pela contribuinte. Aduz a PFN que o despacho que não conheceu dos embargos (f. 7642 a 7643), apesar de reconhecer a omissão, por lapso, conclui, de forma contraditória, pelo não acolhimento dos embargos de declaração. O despacho que agora acolheu os embargos de execução traz como argumento o que segue: Dessa forma, há que se reconhecer que a decisão, tal como se apresenta aos interessados, mostrase omissa em relação aos argumentos levantados na impugnação, bem como pela ausência Fl. 7675DF CARF MF 12 de fundamentação que levou ao resultado do julgamento. Essa omissão, nos termos do art. 65 do anexo II da Portaria MF n° 343, de 2015, que aprova o Regimento Interno do CARF, é condição suficiente para oposição de embargos e, de fato, foram originalmente opostos embargos contra o referido acórdão n° 2101002.418. Todavia, no Despacho de Análise de Admissibilidade dos embargos, de fls. 7642 a 7643: (a) é reconhecida a omissão; (b) entretanto, na conclusão, decidiuse por não conhecer dos Embargos Declaratórios. Assim, resta evidente a existência de lapso manifesto no despacho de admissibilidade de embargos, o qual deve ser reparado, nos termos do art. 60 do Decreto n° 70.235, de 1972, combinado com o art. 66 do anexo II da Portaria MF n° 343, de 2015, que aprova o Regimento Interno do CARF. Ante o exposto, acolho os Embargos Inominados, para o fim de retificar o despacho que analisou originalmente os embargos de declaração. Assim, revendo a análise de admissibilidade dos embargos originais, é de se reconhecer a omissão constante do Acórdão e, em consequência, devese dar seguimento aos embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional. CONCLUSÃO DESTA DECLARAÇÃO DE VOTO Em vista do que dispõe o art. 1.022 da Lei nº 13.105/2015, frente às hipóteses de cabimento dos Embargos de Declaração postas no novo CPC, concluise pelo que segue: Não há mácula ao presente processo administrativo fiscal, referente à decisão do Acórdão nº 2191002.418, porque no relatório está bem especificada a matéria tratada e há total clareza quanto ao tratamento do processo reflexo, tendo sido juntado aos autos o acórdão Acórdão nº 2401002.811, com ampla e profunda abordagem do mérito. No trâmite do processo referente ao Acórdão 2191002.418 foi possibilitado às partes terem ciência dos argumentos que respaldaram o provimento do Recurso Voluntário interposto pela contribuinte, e naquela fase estava plenamente permitida a apresentação de contrarrazões fundamentadas. Inexiste a alegada possibilidade de ocorrência do cerceamento do direito de defesa porque o estado de direito tem suas regras, no caso, obediência ao devido processo legal. Assim, a fase de apresentação de contrarrazões se encerrou com o julgamento do processo, pelo provimento do recurso voluntário e publicação do Acórdão. Por despacho, a eminente Conselheira Relatora ad hoc teceu inúmeras considerações no sentido de que as razões para o entendimento do colegiado estariam pautadas no julgamento do processo 10830.012365/2008/23. Afirmou a Relatora que “a decisão neste processo administrativo depende visceralmente da decisão proferida no processo principal” e, naquela oportunidade, o anexou aos autos, bem como ratificou os argumentos fáticoprobatórios no relatório, e concluiu inexistir omissão a ser sanada no Acórdão embargado e não conheceu os Embargos de Declaração, quando apresentados por primeira vez. Fl. 7676DF CARF MF Processo nº 10830.720402/201176 Acórdão n.º 2201004.033 S2C2T1 Fl. 7.671 13 Portanto, inexiste vício na decisão guerreada, mas tãosomente, na melhor das hipóteses, entendimento divergente da Embargante, que pretende rediscutir matéria, conquanto os Embargos de Declaração não se prestam a atingir tal finalidade, sob pena de se estabelecer um segundo turno de votação, pelo rejulgamento indevido. Por fim, temse que o objetivo dos Embargos de Declaração é o esclarecimento, complemento ou correção material da decisão. Portanto, eles não se prestam a invalidar decisão por ventura defeituosa nem a reformar uma decisão que contenha um erro de julgamento. Em razão disso e, avaliando com forte restrição a possibilidade de afrontar entendimento de outra Turma que venha macular decisão sobre o mesmo processo de julgamento de Segunda Instância do CARF, buscando prestigiar Colegiado de igual hierarquia julgadora e, ainda, não permitindo produzir inovação na lide para conservar a legitimidade do processo administrativo fiscal, concluo por manter o julgamento antes proferido. Por todo o exposto, voto por REJEITAR OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. José Alfredo Duarte Filho Fl. 7677DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14751.000487/2006-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
GLOSA DE CUSTOS. UTILIZAÇÃO DE NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS.
Notas fiscais de mercadorias sem selos de controle de postos de fronteira de fiscos estaduais, ou com selos com data posterior à data de emissão da nota fiscal; pagamentos a beneficiários não identificados e custos sem comprovação aliados à carência de documentos e argumentos aptos a constituírem prova em sentido contrário, caracterizam a inidoneidade das notas fiscais utilizadas para comprovar custos.
OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. EMPRÉSTIMO BANCÁRIO INEXISTENTE.
O lançamento a débito na conta Caixa e a crédito em contas do grupo Operações Bancárias de valores não comprovado por extratos bancários, ou por quaisquer outros meios existentes, configura-se omissão de receitas. A retificação da omissão de receita em Livro Diário fornecido após o início do procedimento de fiscalização, retira a espontaneidade do contribuinte.
MULTA QUALIFICADA DE 150%
Os documentos probatórios carreados aos autos, comprovam a sucessão de atos que resultaram na fraude, aliados à falta de apresentação de prova em sentido oposto, são elementos suficientes à comprovação do dolo, aptos a ensejar a aplicação da multa qualificada.
Numero da decisão: 1302-002.368
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente Substituta.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogerio Aparecido Gil, Edgar Braganca Bazhuni (Suplente Convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente-Substituta). Ausente justificadamente o conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005 GLOSA DE CUSTOS. UTILIZAÇÃO DE NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. Notas fiscais de mercadorias sem selos de controle de postos de fronteira de fiscos estaduais, ou com selos com data posterior à data de emissão da nota fiscal; pagamentos a beneficiários não identificados e custos sem comprovação aliados à carência de documentos e argumentos aptos a constituírem prova em sentido contrário, caracterizam a inidoneidade das notas fiscais utilizadas para comprovar custos. OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. EMPRÉSTIMO BANCÁRIO INEXISTENTE. O lançamento a débito na conta Caixa e a crédito em contas do grupo Operações Bancárias de valores não comprovado por extratos bancários, ou por quaisquer outros meios existentes, configurase omissão de receitas. A retificação da omissão de receita em Livro Diário fornecido após o início do procedimento de fiscalização, retira a espontaneidade do contribuinte. MULTA QUALIFICADA DE 150% Os documentos probatórios carreados aos autos, comprovam a sucessão de atos que resultaram na fraude, aliados à falta de apresentação de prova em sentido oposto, são elementos suficientes à comprovação do dolo, aptos a ensejar a aplicação da multa qualificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 04 87 /2 00 6- 46 Fl. 2437DF CARF MF Processo nº 14751.000487/200646 Acórdão n.º 1302002.368 S1C3T2 Fl. 2.438 2 Ester Marques Lins de Sousa Presidente Substituta. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogerio Aparecido Gil, Edgar Braganca Bazhuni (Suplente Convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Ester Marques Lins de Sousa (PresidenteSubstituta). Ausente justificadamente o conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Por bem retratar os históricos da infração, e do processo administrativo, adoto relatório da DRJSPO a seguir transcrito, apenas complementandoo ao final: “Contra a sociedade empresária acima identificada foram lavrados os Autos de Infração, às fls.76 a 124, relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, à Contribuição para o PIS, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e ao Imposto de Renda Retido na Fonte, para exigência de créditos tributários referentes aos anos calendário de 2003,2004 e 2005, adiante especificados: Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal dos respectivos Autos de Infração e no Relatório de Trabalho Fiscal (fls. 125 a 204), que passam a integrar a presente decisão como se aqui transcritos fossem a autoridade autuante descreve detalhadamente todas as informações concernentes ao procedimento fiscal e relata as infrações apuradas nesta auditoria que passamos a resumir abaixo: Fl. 2438DF CARF MF Processo nº 14751.000487/200646 Acórdão n.º 1302002.368 S1C3T2 Fl. 2.439 3 DA AÇÃO FISCAL O Relatório de Trabalho Fiscal abrange somente o crédito tributário correspondente ao IRPJ e reflexos, à CSLL e o IRRF, pela falta de seus recolhimentos no período aludido. O crédito tributário relativo à Contribuição para o PIS e à COFINS foi constituído em autos de infração próprios formalizados no processo nº 14751.000427/200712. A sociedade empresária foi construída em 15/05/1981, tendo como sócios a partir de 28/09/2004, após diversas alterações contratuais (fls.127/130), a Sra. Jacquelyne de Lucena Aguiar e o Sr. João Rafael de Aguiar. Cópia do contrato de constituição e alterações às fls.264 a 296. A contribuinte sob ação fiscal apresentou as Declarações Simplificadas da Pessoa Jurídica – SIMPLES, referentes aos anos calendário de 2003,2004 e 2005. A ação fiscal foi iniciada em 11/10/2006, conforme Termo de Início de Ação Fiscal (fls.205), com ciência na mesma data. Houve uma série de intimações solicitando documentos e informações à contribuinte e outros, inclusive a SEFAZPE, assim como uma relação de documentos contábeis e fiscais entregues, estando detalhadamente listados no Relatório de Trabalho Fiscal, às fls.130 a 148. DA EXCLUSÃO DO SIMPLES A contribuinte fez opção pelo SIMPLES na condição de Empresa de Pequeno Porte EPP. A receita bruta declarada à SRF, relativa ao ano calendário de 2003, foi de R$ 1.151.383,59. Ocorre que a sócia Jaquelyne Lucena Aguiar foi admitida como sócia da empresa Rádio Rural de Guarabira Ltda, CNPJ nº 08.848.63/00111, em 03/07/2003 e detém a participação de 33% do capital social da referida empresa. A receita bruta das empresas acima citadas acumulada até o mês de novembro de 2003 foi de R$ 1.336.494,89, conforme demonstrativo de fls.65, valor superior a R$ 1.200.000,00, limite estabelecido pela legislação para EPP, infringindo o art.9º, inciso IX da Lei n° 9.317/96. Em 19/12/2006, mediante Termo de Ciência de Exclusão do SIMPLES (fls.1694), a contribuinte tomou ciência de sua exclusão do SIMPLES, efetuada através do Ato Declaratório Executivo nº 57, de 06/12/2006 (fls 1695/1696), com efeitos a partir de 01/12/2003. Em 19/02/2006, mediante Termo de Intimação Fiscal (fls. 1697), a contribuinte foi intimada a apresentar os livros contábeis: Diário e Razão; o LALUR e os demonstrativos de apuração dos créditos e das bases de cálculo na apuração das Contribuições Sociais (PIS e COFINS), se optar pelo Regime Não Cumulativo, referentes ao período de 12/2003 a 12/2005. Fl. 2439DF CARF MF Processo nº 14751.000487/200646 Acórdão n.º 1302002.368 S1C3T2 Fl. 2.440 4 A contribuinte apresentou os Livros Diário e Razão, referentes aos anos calendário de 2003 a 2005. DA FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E DA CSLL No decorrer da fiscalização, a contribuinte apresentou novos Livros Diários e Razão, retificadores, referentes aos anos calendário de 2004 e 2005. Da análise da Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica SIMPLES, ano calendário 2004 (fls.225/242), constatase a receita bruta total anual declarada de R$ 1.182.059,97. Da analise dos Livros Diário e Razão, referentes ao ano calendário 2004, constatase que a contribuinte informou nas Demonstrações de Resultados receitas no valor anual total de R$ 2.899.894,46(quadro fls.152). Concluise que a contribuinte omitiu receitas operacionais, no ano calendário de 2004, no montante de R$ 1.717.834,49. Da análise da Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – SIMPLES, ano calendário 2005 (fls.243/260), constatase que a contribuinte informou mês a mês R$ 0,00 como a receita bruta total. Da análise dos Livros Diário e Razão, referentes ao ano calendário 2005, constatase que a contribuinte informou nas Demonstrações de Resultados receitas no valor anual total de R$ 6.971.624,41(quadro fls.153). Concluise que a contribuinte omitiu receitas operacionais, no ano calendário de 2005, no montante de R$ 6.971.624,41. O retiramento da conduta irregular e os valores expressivos a ela associados denotam verdadeiras ações dolosas elisivas, objetivando impedir a ocorrência do fato gerador e ou o não pagamento de tributos. Em face da conduta da contribuinte demonstrar o evidente intuito de fraude, foi aplicada a multa de oficio qualificada de 150%, prevista no inciso II do art.44 da Lei nº 9.430/96. Da análise das demonstrações contábeis constantes nos Livros Diário e de Apuração do lucro Real LALUR, originais e retificadores, referentes aos anos calendários de 2003,2004 e 2005, a autoridade fiscal constatou que a contribuinte apresentou resultados, deixando de recolher o IRPJ e a CSLL, conforme quadros demonstrativos às fls.154 a 156. A partir da análise desses demonstrativos (fls.154 a 156), identificamse os valores lançados pela autoridade fiscal, correspondendo à infração RESULTADOS OPERACIONAIS NÃO DECLARADOS. São eles: Fl. 2440DF CARF MF Processo nº 14751.000487/200646 Acórdão n.º 1302002.368 S1C3T2 Fl. 2.441 5 Com base nos pagamentos do SIMPLES efetuados pela contribuinte (fls.2068 a 2073), a autoridade fiscal realizou o rateio dos valores arrecadados em relação ao IRPJ, CSLL, COFINS, Contribuição para o PIS e Contribuição para a Seguridade Social, conforme demonstrativos às fls.2074 a 2076. DA OMISSÃO DE RECEITAS (SALDOS CREDOR DE CAIXA) Da análise da contabilidade da contribuinte, constatouse três lançamentos a débito da conta Caixa Geral e a crédito da conta Banco do Brasil, em 20/01, 10/02, e 01/03/2005, nos valores de R$ 70.000,00, R$ 50.000,00 e R$ 30.000,00, respectivamente, referentes a aporte de valores, conforme Livro Diário nº 11(fls.1076,1077 e 1078). De forma inversa, constatouse três lançamentos a créditos da conta Caixa Geral e a débito da conta Banco do Brasil, em 20/04, 20/05 e 20/06/06/2005, nos valores de R$ 70.000,00, R$ 50.000,00 e R$ 30.000,00, respectivamente, referentes a aporte de valores, conforme Livro Diário nº 11 (fls. 1093 e 1094, 1098 e 1100). Da análise dos extratos bancários da conta corrente do Banco do Brasil nos meses de janeiro a junho/2005 (fls. 309 a 317), constatase a inexistência de registros de empréstimos. A contribuinte intimada a comprovar os empréstimos junto ao Banco do Brasil nos valores e datas acima discriminadas, respondeu em 19/09/2007 (fls. 1803) informando que não tinha muito acrescentar ao que está escriturado. Temse, então, que a contribuinte não comprovou as operações de empréstimo. Da análise da conta Caixa Geral, procedeuse à exclusão dos débitos efetuados na conta Caixa e obtevese o maior saldo credor no ano calendário de 2005, o qual ocorreu em 01/04/2005, no valor de R$ 127.696,41, conforme demonstrativo às fls. 2007.assim apresentado a conta Caixa saldo credor, por expressa determinação de dispositivo legal, caracterizada está a omissão de receita, ensejado sua cobrança de oficio. GLOSA DE CUSTOS/DESPESAS Fl. 2441DF CARF MF Processo nº 14751.000487/200646 Acórdão n.º 1302002.368 S1C3T2 Fl. 2.442 6 · DA UTILIZAÇÃO DE NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS PARA COMPROVAR CUSTOS Em razão dos elementos probatórios produzidos pela fiscalização se repetirem na maioria das situações, serão elencados os principais aspectos presentes, em geral, de maneira repetida, sendo apenas destacados fatos novos quando surgidos. Assim, da análise das notas fiscais deduzidas pela contribuinte como custo/despesa e emitidas pelas pessoas jurídicas evidenciadas nos tópicos seguintes, constatouse, em quase todos os casos, basicamente que: todas as notas fiscais não apresentam carimbos de controle dos postos de fronteira dos fiscos estaduais dos Estados de Pernambuco e Paraíba, já que o transporte foi por via terrestre; a Secretaria da Fazenda do Estado de Pernambuco encaminhou informação fiscal (fls.2090 a 2107), onde mostra que as pessoas jurídicas abaixo relacionadas encontramse com a inscrição estadual cancelada. Quanto aos registros de entradas e saídas de mercadorias interestaduais e internas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2005, a SEFAZPE informou estar impossibilitada de prestar a informação uma vez que as contribuintes emitentes das notas fiscais não apresentam o SEF (Sistema de Escrituração Fiscal); a contribuinte contabilizou pagamentos às pessoas jurídicas abaixo listadas, mas não apresentou documentação hábil e idônea que comprovasse tais pagamentos; a contribuinte apropriou como custo o valor constante das notas fiscais; a autoridade fiscal ressaltou, também, que a contribuinte, na contabilização dos créditos da Contribuição para o PIS e da COFINS pelo regime não cumulativo, deduziu 1,65%, em função do PIS, e 7,60%, em função da COFINS, do valor das aquisições de mercadorias. Portanto, na apuração da glosa dos custos pela utilização de notas fiscais inidôneas, reduziu o percentual de 9,25% dos glosados. A autoridade fiscal, então, glosou os custos representados por uma série de notas fiscais contabilizadas pela contribuinte sob fiscalização e emitidas por várias pessoas jurídicas, conforme demonstrativos (fls.2108 e 2109), encontrandose no Relatório de Trabalho Fiscal a identificação pormenorizada das notas fiscais e a descrição detalhada dos motivos que levaram à glosa de tais custos. Foram as seguintes as pessoas jurídicas: · Ano calendário de 2004 SILVANA MARIA DA SILVA CONFECÇÕES, CNPJ 06.181.244/000102: neste caso, a inscrição estadual foi cancelada por não ter sido localizada, sendo informado pela vizinhança que o estabelecimento nunca funcionou no local constante do cadastro da SEFAZ/PE; Fl. 2442DF CARF MF Processo nº 14751.000487/200646 Acórdão n.º 1302002.368 S1C3T2 Fl. 2.443 7 ADRIANO VIRGINIO BEZERRA, CNPJ 05.414.874/000109: neste caso, a inscrição estadual foi cancelada por apresentar informações divergentes de seu movimento, além de indícios de possível venda de notas fiscais; JOSÉ RINALDO DO NASCIMENTO, CNPJ: 05.846.024/000180: neste caso, a inscrição estadual foi cancelada por não ter sido localizada, sendo informado que o estabelecimento nunca funcionou no local constante do cadastro da SEFAZ/PE; JOSÉ PEDRO DA SILVA CONFECÇÕES, CNPJ: 06.181.251/000104: neste caso, a inscrição estadual foi cancelada por não ter sido localizada, sendo informado que o estabelecimento nunca funcionou no local constante do cadastro da SEFAZ/PE; BENJAMIN CONFECÇÕES LTDA, CNPJ: 24.268.377/000194: neste caso, em resposta à intimação (fls. 2028 e 2084), esta pessoa jurídica informou que a empresa Industria e Confecções Rota’s Ltda, no período de 2004 e 2005, não consta de sua Carteira de Clientes, que os números das notas fiscais encontramse nos seus talonários fiscais sem emissão, inexistindo, portanto, qualquer venda; · Ano de calendário de 2005. IVANSIL LTDA, CNPJ: 12.898.250/000170: neste caso, a contribuinte contabilizou no Livro Diário nº 08 que os cheques relacionados foram sacados no banco para suprimento de Caixa, alterando, durante o procedimento fiscal, ao retificar os lançamentos par pagamentos das notas fiscais citadas, conforme o Livro Diário nº 11, retificador do nº 08. As notas fiscais foram emitidas em data anterior à data em que os selos de controle do fisco estadual de Pernambuco foram autorizados; CLEBSON ROBERTO BRAINER DE OLIVEIRA, CNPJ: 07.580.464/0001 63: neste caso, a contribuinte contabilizou no Livro Diário n º 08 que os cheques relacionados foram sacados no banco para suprimento de Caixa, alterando, durante o procedimento fiscal, ao retificar os lançamentos para pagamento das notas fiscais citadas, conforme o Livro Diário nº 11, retificador do nº 08. As notas fiscais foram emitidas em data anterior à data em que os selos de controle do fisco estadual de Pernambuco foram autorizados; SÉRGIO ALEXANDRE LIMA DA SILVA, CNPJ 07.384.406/000164: NESTE CASO, A CONTRIBUINTE CONTABILIZOU NO Livro Diário nº 08 que os cheques relacionados foram sacados no banco para suprimento de Caixa, alterando, durante o procedimento fiscal, ao retificar os lançamentos para pagamentos das notas fiscais citadas, conforme o Livro diário nº 11, retificador do nº 08. As notas fiscais foram emitidas em data anterior à data em que os selos de controle do fisco estadual de Pernambuco foram autorizados; Fl. 2443DF CARF MF Processo nº 14751.000487/200646 Acórdão n.º 1302002.368 S1C3T2 Fl. 2.444 8 GEOVA PAIXÃO DE LIMA CONFECÇÕES, CNPJ 06.254.545/000100: neste caso, a contribuinte contabilizou no Livro Diário nº 08 que os cheques relacionados foram sacados no banco para suprimento de Caixa, alternando, durante o procedimento fiscal, ao retificar os lançamentos para pagamentos das notas fiscais citadas, conforme o Livro Diário nº 11, retificador do nº 08. A firma individual foi intimada a confirmar as operações e apresentar a documentação comprobatória, mas a referida intimação foi devolvida com a informação “ DESTINATÁRIO DESCONHECIDO” (fls.2086). A inscrição estadual foi cancelada por não ter sido localizada, além de apresentar indícios de possível venda de Notas Fiscais; M J DA SILVA MENDES CONFECÇÕES, CNPJ: 07.550.057/00103: neste caso, a contribuinte contabilizou no Livro Diário nº 08 que os cheques relacionados foram sacados no banco para suprimento de Caixa, alterando, durante o procedimento fiscal, ao retificar os lançamentos para pagamento das notas fiscais citadas, conforme o Livro Diário nº 11, retificador do nº 08. A inscrição estadual foi cancelada por apresentar informações divergentes de seu movimento, além de indícios de possível venda de notas fiscais; SALATIEL PEDRO DA SILVA, CNPJ: 07.580.450/000140: neste caso, a contribuinte contabilizou no Livro Diário nº 08 que os cheques relacionados foram sacados no banco para suprimento de Caixa, alterando, durante o procedimento fiscal, ao retificar os lançamentos para pagamento das notas fiscais citadas, conforme o Livro Diário nº 11, retificador do nº 08. A inscrição estadual foi cancelada por apresentar informações divergentes de seu movimento, além de indícios de possível venda de notas fiscais. A firma individual apresentou a declaração simplificada da PJ como INATIVA, referente ao ano calendário de 2005 (fls. 2051). A firma individual foi intimada a confirmar as operações e apresentar a documentação comprobatória, mas a referida intimação “ NÃO EXISTE Nº INDICADO” (fls.2050); DIANA DE ARAÚJO SILVA, CNPJ 07.629.723/000101: neste caso, a contribuinte contabilizou no Livro Diário nº 08 que os cheques relacionados foram sacados no banco para suprimento de Caixa, alterando, durante o procedimento fiscal, ao retificar os lançamentos para pagamento das notas fiscais citadas, conforme o Livro Diário nº 11, retificador do nº 08. A inscrição estadual foi cancelada por apresentar informações divergentes de seu movimento, além de indícios de possível venda de notas fiscais. A firma individual apresentou a declaração simplificada da PJ como INATIVA, referente ao ano calendário de 2005 (fls.2054); Fl. 2444DF CARF MF Processo nº 14751.000487/200646 Acórdão n.º 1302002.368 S1C3T2 Fl. 2.445 9 WESLEY VINICIUS GALHARDO DA SILVA, CNPJ 07.572.817/000183: neste caso, a contribuinte contabilizou no Livro Diário nº 08 que os cheques relacionados foram sacados no banco para suprimento de Caixa, alterando, durante o procedimento fiscal, ao retificar os lançamentos para pagamento das notas fiscais citadas, conforme o Livro Diário nº 11, retificador do nº 08. A inscrição estadual foi cancelada por apresentar informações divergentes de seu movimento, além de indícios de possível venda de notas fiscais. A firma individual apresentou a declaração simplificada da PJ como INATIVA, referente ao ano calendário de 2005 (fls.2058). A firma individual foi intimada a confirmar as operações e apresentar a documentação comprobatória, mas a referida intimação foi devolvida com a informação “ NÃO EXISTE Nº INDICADO” (fls.2057); INDÚSTRIA CONFECÇÕES GRAZIELLE LTDA, CNPJ:24. 138.414/000220: neste caso, a contribuinte contabilizou no Livro Diário nº 08 que os cheques relacionados foram sacados no banco para suprimento de Caixa, alterado, durante o procedimento fiscal, ao retificar os lançamentos para pagamento das notas fiscais citadas, conforme o Livro Diário nº 11, retificador do nº 08. Intimada a comprovar as operações a empresa informou, mediante correspondência datada de 14/09/2007 (fls. 2039), “ Nunca vendemos para a empresa INDÚSTRIA DE CONFECÇÕES ROTA’S LTDA, CNPJ Nº 08.331.623/000197, que a sequência dos números das notas fiscais não corresponde ao ano de 2005 como consta da intimação da Receita e sim ao ano de 1996 e que os valores divergem totalmente dos valores informados. Em anexo cópia das notas fiscais. JOSÉ ADRIANO AIRES CLEMENTINO, CNPJ: 07.145.992. /000194: neste caso, a contribuinte contabilizou no Livro Diário nº 08 que os cheques relacionados foram sacados no banco para suprimento de Caixa, alterando, durante o procedimento fiscal, ao retificar os lançamentos para pagamento das notas fiscais citadas, conforme o Livro Diário nº 11, retificador do n 08. A inscrição estadual foi cancelada por alteração de endereço sem prévia comunicação, sendo constatado que o mesmo não existe. Posta em dúvida a idoneidade de notas fiscais apresentadas como comprovantes de custos e não tendo o contribuinte demonstrado a efetiva existência das operações respectivas por outros meios usuais da praxe comercial, procedeuse aos lançamentos que glosaram os custos nelas fundamentados, aplicandose a multa qualificada, em face do evidente intuito de fraude. · CUSTOS SEM COMPROVAÇÃO Fl. 2445DF CARF MF Processo nº 14751.000487/200646 Acórdão n.º 1302002.368 S1C3T2 Fl. 2.446 10 Neste outro caso, da análise dos livros contábeis se das notas fiscais deduzidas pela contribuinte como custo/despesa e emitida pelas pessoas jurídicas evidenciadas nos tópicos seguintes, constatouse, em quase todos os casos, basicamente que: estavam faltando notas fiscais contabilizados como custo direito da produção; a contribuinte intimada a apresentar as notas fiscais identificadas, informou que não dispunha das referidas notas fiscais solicitadas; em alguns casos, a secretaria da Fazenda do Estado de Pernambuco informou que as pessoas jurídicas encontravamse com a Inscrição estadual cancelada; a autoridade fiscal ressaltou, também, que a contribuinte, na contabilização dos créditos da Contribuição para o PIS e da CONFINS pelo regime não cumulativo, deduziu 1,65%, em função do PIS, e 7,60%, em função da COFINS, do valor das aquisições de mercadorias. Portanto, na apuração da glosa dos custos pela não comprovação das notas fiscais, reduziu o percentual de 9,25% dos valores glosados, conforme demonstrativos (fls.2108 e 2109). A autoridade fiscal, então, glosou os custos representados por uma série de notas fiscais contabilizadas pela contribuinte sob fiscalização e emitidas por uma série de pessoas jurídicas, encontrandose no Relatório de Trabalho Fiscal a identificação pormenorizada das notas fiscais e a descrição detalhada dos motivos que levaram à glosa de tais custos. Foram as seguintes pessoas jurídicas: SILVANA MARIA DA SILVA CONFECÇÕES, CNPJ: 06.181.244/000102; DAMIÃO BERNARDO DE LUCENA FILHO, CNPJ: 05.681.690/000105: neste caso, a inscrição estadual foi cancelada por não ter sido localizada, além de apresentar indícios de possível venda de Notas Fiscais; D.TENÓRIO SIQUEIRA TECIDOS, CNPJ: 06.952.264/000121: neste caso, a inscrição estadual foi cancelada por não ter sido localizada, não mais funcionando no local há mais de seis meses; JOSEFA S PEREIRA DE ASSIS, CNPJ: 04.583.758/000150: neste caso, a pessoa jurídica se encontra INAPTA no CNPJ, da SRF, com efeitos a partir de 17/07/2004 (fls. 2061). Tal fato, glosa de custos, ensejou a cobrança do Imposto de Renda, mediante lançamentos tributários que glosaram os custos fundamentados nessas notas fiscais não apresentadas pela contribuinte em fiscalização. DO PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO Fl. 2446DF CARF MF Processo nº 14751.000487/200646 Acórdão n.º 1302002.368 S1C3T2 Fl. 2.447 11 No Relatório de Trabalho Fiscal, às fls. 189 a 202, a autoridade fiscal descreveu todos os termos de intimação enviados e as respectivas respostas da contribuinte. Em seguida, relacionou os cheques emitidos pela contribuinte e contabilizados como custos, analisando seus elementos e chegando à conclusão de que a contribuinte não conseguiu comprovar o efetivo pagamento às pessoas jurídicas por ela relacionadas. A pessoa jurídica que não comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços, sujeitarseá ao pagamento do IRRF. São fatos geradores do IRRF: importâncias pagas pelas PJ a beneficiários não identificados, desde que não tenham natureza de rendimentos do trabalho, ressalvado o disposto em normas especiais; e pagamentos efetuados a terceiros, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. A autoridade fiscal conclui, então, que é legitima a glosa de custos suportados por documentação inidônea ou por falta de comprovação, ficando provada a impossibilidade da efetiva realização do negócio. A liquidação das pseudo obrigações implicará no lançamento do IRRF (pagamento a beneficiário não identificado), conforme o art.61 da Lei nº 8.981/95 (art. 674 do RIR/99). DA REPRESENTAÇÃO FISCAL FINS PENAIS A prática reiterada de omissão de receitas operacionais devido a não declaração e pagamento à SRF constituise, em tese, crime contra a ordem tributária, previsto na Lei nº 8.137/90. Formalizouse, então, a Representação Fiscal para Fins Penais, contida no Processo nº 14751.00429/200701. DA IMPUGNAÇÃO Devidamente notificada, e não se conformando com o procedimento fiscal, a contribuinte apresentou, tempestivamente, as suas razões de defesa, às fls.2122 a 2146, nas quais contestou, parcialmente, os Autos de Infração, alegando em síntese o seguinte: a Impugnante, preliminarmente, por não ter como comprovar a irregularidade cometida por terceiros, admite a exigência do IRPJ, da CSLL e o do IRRF, referente às notas fiscais listadas às fls.2123. Em assim sendo, a Impugnante informou que parcelou o débito tributário referente às mencionadas notas fiscais, no âmbito do IRPJ e da CSLL, apresentado quadro com os valores. Quanto ao IRRF relativo às citadas notas fiscais, a Impugnante efetuou o recolhimento do débito tributário respectivo, mediante DARF calculado conforme planilha às fls.2124; Fl. 2447DF CARF MF Processo nº 14751.000487/200646 Acórdão n.º 1302002.368 S1C3T2 Fl. 2.448 12 DA FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA E DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO consta ás fls.155/156 do Relatório de Trabalho Fiscal, os valores de lucro real obtidos pela Impugnante no 4 º trimestre de 2003, no 3º trimestre de 2004, e nos 2º e 4º trimestre de 2005. Ocorre, porém, que na formação da base de cálculo do IRPJ não foram deduzidos pelo Fisco os valores lançados a títulos de CSLL, do PIS e da COFINS, estes últimos exigidos no Processo nº 14751.000427/200712. Tampouco foram deduzidos da base de cálculo da CSLL os valores lançados a títulos de PIS e de COFINS exigidos no mencionado processo. A Impugnante citou o art.344, caput.344, caput e § 1º, do RIR/99, além de transcrever algumas ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes admitido tais deduções. A Impugnante, então, requer sejam deduzidos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL os valores do PIS e da COFINS exigidos neste processo e no de nº 1451.000427/200712, bem como seja deduzido da base de cálculo do IRPJ o valor da CSLL exigido processo; a Impugnante se insurgiu contra a multa de 150% aplicada na forma do art. 44, II, da Lei nº 9.430/96. Houve, por lapsos do setor administrativo contábil, omissão na escrituração de receitas operacionais. Tais valores, entretanto, estavam registrados nos extratos bancários anexados a este processo. Nenhum documento ou esclarecimento foi omitido pela Impugnante. Não houve a prática de fraude para obtenção da omissão de rendimento. Não se utilizou de expedientes como nota fiscal calçada ou documentos falsificados. A jurisprudência do Conselho de Contribuinte é abundante no determinar a desclassificação da penalidade na ausência de provas contundentes do evidente intuito de fraude. Transcreveu ementas de acórdãos. A Impugnante requereu que a penalidade cominada seja reduzida para 75%. DA OMISSÃO DE RECEITA (SALDO CREDOR DE CAIXA) A Impugnante esclarece que estas omissões ocorreram antes de o Diário nº 8 ser retificado pelo de nº 11. Foram das receitas operacionais até então omitidas na contabilidade, que se originaram os suprimentos de R$ 70.000,00, de R$ 50.000,00 e de R$ 30.000,00. Como as receitas operacionais omitidas foram oferecidas à tributação através da retificação do Diário nº 11(ano calendário de 2005), temse que o saldo credor de caixa de R$ 127.696,41 já foi incluído no item “ Da falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL”. Pede, pois, a Impugnação que o valor de R$ 127.696,11 seja excluído da exigência fiscal, para que não ocorra a bitributação. Insurgese, ainda, Fl. 2448DF CARF MF Processo nº 14751.000487/200646 Acórdão n.º 1302002.368 S1C3T2 Fl. 2.449 13 contra a majoração da penalidade trazendo os mesmos argumentos utilizados no item anterior. DOS CUSTOS SEM COMPROVAÇÃO Consta do Relatório de Trabalho Fiscal (fls.184/189) que a Impugnante contabilizou como custos o valor das notas fiscais emitidas pelas empresas Silva Maria da Silva Confecções, Damião Bernardo de Lucena Filho, D. Tenório Siqueira Tecidos e Josefa S. Pereira de Assis, discriminadas na peça de contestação às fls.2133. A Impugnante, em relação às empresas Damião Bernardo de Lucena Filho, D. Tenório Siqueira Tecidos e Josefa S.Pereira de Assis, alegou que: as notas fiscais foram emitidas muito tempo antes do cancelamento da inscrição estadual; elas se referem à aquisição de matéria –prima para utilização pela Impugnante, e os respectivos pagamentos foram efetuados em espécie, por solicitação do fornecedor; das 4 notas fiscais emitidas pela empresa Josefa S. Pereira de Assis, somente a primeira foi emitida antes do seu cancelamento da inscrição estadual, mas à Impugnante não cabe verificar a situação cadastral de cada fornecedor; as notas fiscais durante a auditoria fiscal não foram encontradas, mas agora elas foram encontradas em local não apropriado. A Impugnante trouxe à colação as notas fiscais em questão (FLS.2217/2227), requerendo seja afastada a glosa efetuada e, em consequência, estabelecidos os custos devidamente escriturados. Requer ainda seja afastada a incidência prevista no art.674 do RIR/99 sobre os valores aqui relacionados. DA UTILIZAÇÃO DE NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS PARA COMPROVAR CUSTOS O Fisco, estribado basicamente em informações da SEFAZPE, considerou inidôneas diversas notas fiscais referentes a matériasprimas adquiridas pela Impugnante, conforme fls.133/148 e fls. 159/184 do Relatório de Trabalho Fiscal. · Das considerações gerais A Impugnante transcreveu o disposto na Portaria MF 187/93, nos arts. 1º, 3º e 5º, como também na Instrução Normativa SRF 200/02, nos arts.29 e 37, que tratam da emissão de documentos com indícios de falsidade ou da declaração de inapta da inscrição da pessoa jurídica. Fl. 2449DF CARF MF Processo nº 14751.000487/200646 Acórdão n.º 1302002.368 S1C3T2 Fl. 2.450 14 A Impugnante ressalta que pela legislação transcrita a inidoneidade das notas fiscais deve ser declarada pelo Secretário da Receita Federal, o que não aconteceu no presente caso. Notou também que o motivo preponderante para se considerar uma nota fiscal ineficaz é a não localização da empresa emitente. · Das considerações especificas No demonstrativo de fls. 2108/2109 estão relacionadas as notas fiscais cujos valores foram glosados como custos operacionais. Elas se distribuem agora nas três situações seguintes: 1) Notas fiscais que não puderam ser exibidas durante a auditoria e estão sendo agora, fato que as afasta de tributação. São elas: notas fiscais 231 e 240 emitidas por Silvana Maria da Silva Confeções; notas fiscais 660 e 675 emitidas por Damião Bernardo de Lucena Filho; notas fiscais 819, 846 e 849 emitidas por Josefa S. Pereira de Assis; notas fiscais 991, 993 e 996 emitidas por D.Tenório Siqueira Tecidos. 2) As notas fiscais que tiveram parcelado o débito tributário correspondente. São elas: notas fiscais 657 e 698 emitidas por Sérgio Alexandre Lima da Silva; notas fiscais 1501, 1505,1508, 1514 e 1517 emitidas por Ivansil Ltda; notas fiscais 195 e 200 emitidas por Clebson Roberto Brainer de Oliveira. 3) As restantes notas fiscais, emitidas pelas empresas a seguir enunciadas, foram contestadas na impugnação. São elas: JOSÉ RINALDO DO NASCIMENTO, CNPJ: 05.846.024/000180; SILVANA MARIA DA SILVA CONFECÇÕES CNPJ: 06.181.244/00102 JOSÉ PEDRO DA SILVA CONFECÇÕES, CNPJ: 06.181.251/000104; ADRIANO VIRGINIO BEZERRA, CNPJ: 05.414.874/000109; BENJAMIN CONFECÇÕES LTDA, CNPJ: 24.268.377/000194; GEOVA PAIXÃO DE LIMA CONFECÇÕES, CNPJ: 06.254.545/000100; Fl. 2450DF CARF MF Processo nº 14751.000487/200646 Acórdão n.º 1302002.368 S1C3T2 Fl. 2.451 15 INDUSTRIA CONFECÇÕES GRAZIELLE LTDA, CNPJ: 24.138.414/0002 20; MJ DA SILVA MENDES CONFECÇÕES, CNPJ: 07.550.057/000103; SALATIEL PEDRO DA SILVA, CNPJ 07.580.450/000140; WESLEY VINICIUS GALHARDO DA SILVA, CNPJ: 07.572.817/000183; DAIANA DA ARAÚJO SILVA, CNPJ: 07.629.723/000101; JOSÉ ADRIANO AIRES CLEMENTINI, CNPJ: 07.145.992/00194. · ADRIANO VIRGINIO BEZERRA O Fisco, ás fls.146, enfatizou que a firma em referência teve a inscrição na SEFAZPE cancelada em 18/08/2005 e que a partir dessa data os seus atos são nulos. Na informação emanada da SEFAZPE não se fala em atos nulos. Ademais, as notas fiscais emitidas pela firma Adriano Virgínio Bezerra (fls. 1939/1955) por venda de matérias primas para a Impugnante o foram no período de julho de 2004 a novembro de 2004, muito antes da data do cancelamento da inscrição. A SEFAZPE foi evasiva na sua informação ao dizer: “ indícios de possível venda de Notas Fiscais”. Indício requer aprofundamento do exame para constatar o fato concreto. O indício alegado não se referiu a “ provável”, mas apenas a “ possível”, o que é bem diferente. Os pagamentos foram efetuados em espécie seguindo orientação do fornecedor, que se livrava da incidência da CPMF e não pretendia ter o produto de suas vendas depositado em contas bancárias. Apresentou a Impugnante comprovante da situação cadastral ativa (CNPJ) da empresa em tela, bem como certidão conjunta negativa da situação dela quanto aos tributos federais (fls.2228/2229). · JOSÉ RINALDO DO NASCIMENTO Consta às fls.164 que a inscrição estadual da empresa em tela foi cancelada em 22/06/2004, porque não foi localizada e alterou o endereço sem prévia comunicação à SEFAZPE. Não houve busca em outro endereço, bastaria consultar o CNPJ para se saber que a empresa está em situação cadastral ativa e estabelecida na rua Siqueira Campos, 181, térreo, loja A, em Santa Cruz do Capibaribe (fls.2230). Fl. 2451DF CARF MF Processo nº 14751.000487/200646 Acórdão n.º 1302002.368 S1C3T2 Fl. 2.452 16 O pagamento foi realizado em espécie por orientação do fornecedor, por problemas fiscais supõe a Impugnante. A data do cancelamento da inscrição estadual (22/06/2004) não tem a importância dada pelo Fisco, pois as notas fiscais 384 e 397 foram emitidas em maio de 2004. A assertiva do Fisco de que os documentos emitidos pela empresa a partir de 10/06/2004 são nulos (fls. 164) não encontra respaldo na informação da SEFAZPE (fls.145). · SALATIEL PEDRO DA SILVA Consta às fls .175/177 que a inscrição estadual da empresa em tela foi cancelada em 01/11/2005, por divergência entre o movimento apresentado nos postos fiscais e o informado à SEFAZ. A SEFAZPE foi evasiva na sua informação ao dizer: “ indícios de possível venda de Notas Fiscais “. Indício requer aprofundamento do exame para constatar o fato concreto. O indício alegado era tão frágil que não se referiu a “ provável”, mas apenas a “ possível”. A nota fiscal em questão foi emitida em 25//09/2005, bem anterior, portanto ao cancelamento da inscrição estadual. O pagamento foi efetuado em espécie seguindo orientação do fornecedor. Apresentou a Impugnante comprovante da situação cadastral ativa (CNPJ) da empresa em tela, bem como a certidão negativa da situação dela quanto aos tributos federais (fls.2231/2232). · M. J. DA SILVA MENDES CONFECÇÕES Consta às fls. 174 que a inscrição estadual da empresa em tela foi cancelada em 18/10/2005, por apresentar declaração inexata à SEFAZ. As notas fiscais em questão foram emitidas em 19/09/2005, 21/09/2005, 26/09/2005 e 30/09/2005, antes, portanto do cancelamento da inscrição estadual do fornecedor. O pagamento foi efetuado em espécie por solicitação da empresa em questão. Apresentou a Impugnante comprovante da situação cadastral ativa (CNPJ) da empresa em tela perante a Receita Federal do Brasil (fls. 2233). · JOSÉ ADRIANO AIRES CLEMENTINO Consta às fls. 183 que a inscrição estadual da empresa em tela foi cancelada em 11/05/200, por alteração de endereço sem prévia comunicação à SEFAZ. Fl. 2452DF CARF MF Processo nº 14751.000487/200646 Acórdão n.º 1302002.368 S1C3T2 Fl. 2.453 17 A nota fiscal 233 foi emitida em 03/04/2005, antes, portanto do cancelamento da inscrição estadual. O pagamento foi efetuado em espécie por solicitação da empresa em questão. Apresentou a Impugnante comprovante da situação cadastral ativa (CNPJ) da empresa em tela perante a Receita Federal do Brasil (fls. 2234). · WESLEY VINICIUS GALHARDO DA SILVA Consta às fls .180 que a inscrição estadual da empresa em tela foi cancelada em 18/10/2005, por divergência entre o movimento apresentado nos postos fiscais e o informado à SEFAZ. A SEFAZPE foi evasiva na sua informação ao dizer: “ indícios de possível venda de Notas Fiscais “. Indício requer aprofundamento do exame para constatar o fato concreto. O indício alegado era tão frágil que não se referiu a “ provável”, mas apenas a “ possível”. As notas fiscais 77,90 e 95 foram emitidas em 28/09/2005 e 17/10/2005, antes do cancelamento da inscrição estadual. O pagamento foi efetuado em espécie por solicitação do fornecedor. Apresentou a Impugnante comprovante da situação cadastral ativa (CNPJ) da empresa em tela, bem como certidão conjunta negativa quanto aos tributos federias (fls.2235/2236). · DAIANA ARAÚJO SILVA Consta às fls .177 que a inscrição estadual da empresa em tela foi cancelada em 22/11/2005, por divergência entre o movimento apresentado nos postos fiscais e o informado à SEFAZ. A SEFAZPE foi evasiva na sua informação ao dizer: “ indícios de possível venda de Notas Fiscais “. Indício requer aprofundamento do exame para constatar o fato concreto. O indício alegado era tão frágil que não se referiu a “ provável”, mas apenas a “ possível”. As notas fiscais 98,99 e 100 foram emitidas em 22/10/2005, 24/10/2005 e 03/11/2005, antes do cancelamento da inscrição estadual. O pagamento foi efetuado em espécie seguindo orientação do fornecedor. Apresentou a Impugnante comprovante da situação cadastral ativa (CNPJ) da empresa em tela, bem como a certidão negativa da situação dela quanto aos tributos federais (fls.2237/2238). Fl. 2453DF CARF MF Processo nº 14751.000487/200646 Acórdão n.º 1302002.368 S1C3T2 Fl. 2.454 18 · SILVANA MARIA DA SILVA CONFECÇÕES Consta às fls .160 que a inscrição estadual da empresa em tela foi cancelada em 27/07/2004, por não ter sido localizada quando da visita fiscal. A nota fiscal 249 foi emitida em 19/05/2004, antes do cancelamento da inscrição estadual. O pagamento foi efetuado em espécie por solicitação do fornecedor. · JOSÉ PEDRO DA SILVA CONFECÇÕES Consta às fls .165 que a inscrição estadual da empresa em tela foi cancelada em 27/07/2004, por não ter sido localizada quando da visita fiscal. As nota fiscais 234, 241 e 245 foram emitidas em 04/07/2004 e 09/07/2004, antes do cancelamento da inscrição estadual. O pagamento foi efetuado em espécie por solicitação do fornecedor. Apresentou a Impugnante comprovante da situação cadastral ativa (CNPJ) da empresa perante a Receita Federal do Brasil (fls.2239). · GEOVÁ PAIXÃO DE LIMA CONFECÇÕES Consta às fls .173 que a inscrição estadual da empresa em tela foi cancelada em 10/08/2005, por não ter sido localizada quando da visita fiscal. A SEFAZPE foi evasiva na sua informação ao dizer: “ indícios de possível venda de Notas Fiscais “. Indício requer aprofundamento do exame para constatar o fato concreto. O indício alegado era tão frágil que não se referiu a “ provável”, mas apenas a “ possível”. As notas fiscais 451,453,457 e 460 foram emitidas em 04/07/2005, 05/07/2005, 15/05/2005 antes do cancelamento da inscrição estadual. O pagamento foi efetuado em espécie seguindo orientação do fornecedor. Apresentou a Impugnante comprovante da situação cadastral ativa (CNPJ) da empresa perante a Receita Federal do Brasil (fls.2240). A Impugnante, diante do que foi exposto e comprovado, requer sejam restabelecidos os custos referentes às notas fiscais pelas empresas discriminadas neste item. DO PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO Fl. 2454DF CARF MF Processo nº 14751.000487/200646 Acórdão n.º 1302002.368 S1C3T2 Fl. 2.455 19 A Impugnante voltou a admitir a exigência do IRPJ, da CSLL e do IRRF incidentes sobre o valor das notas fiscais relacionada no início de sua impugnação, referentes às empresas Ivansil Ltda, Clebson Roberto Brainer de Oliveira e Sérgio Alexandre Lima da Silva, fazendo o recolhimento dos tributos. A exigência referente às outras empresas relacionadas às fls. 190/198 do Relatório de Trabalho Fiscal e listadas pela Impugnante às fls. 2146, já foi objeto de contestação no item “ Da utilização de notas fiscais inidôneas para comprovar custos”. A Impugnante reafirma para o presente caso tudo foi esclarecido e comprovado naquele item, como se aqui estivesse transcrito. Assim, requer que sejam excluídos da tributação prevista no art.674 do RIR o valor das notas fiscais emitidas pelas empresas aqui relacionadas. DA CONCLUSÃO Reitera a Impugnante as suas pretensões explicitadas no final de cada item desta contestação.” A DRJ ao julgar a impugnação interposta pelo contribuinte exarou a seguinte decisão, litteris: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE: A RENDA DE PESSOA JURÍDICAIRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005 IRPJ. BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÃO DA CSLL. DESCABIMENTO. A partir de 1° de janeiro de 1997, segundo determina o art 1° da Lei n° 9.316/1996 (art. 344, § 6° do RIR/ 1999), o valor da contribuição social sobre o lucro líquido não poderá ser deduzido para efeito de determinação do lucro real. MULTA QUALIFICADA DE 150%. A deliberada intenção da contribuinte em impedir o conhecimento, por parte da SRF, da ocorrência do. real fato gerador, mediante a subtração de receitas da base de cálculo de tributação, impõe a aplicação de multa qualificada de 150%, na forma do art.. 44, inciso II da Lei n° 9.430/1996. OMISÃO DE RECEITA. SALDO CREDOR DE CAIXA. Fl. 2455DF CARF MF Processo nº 14751.000487/200646 Acórdão n.º 1302002.368 S1C3T2 Fl. 2.456 20 Caracterizase como omissão no registro de receita a indicação na escrituração de saldo credor de caixa. CUSTOS AMPARADOS EM DOCUMENTAÇÃO INIDÔNEA. Legítima a glosa de custos suportados por documentação inidônea, apurada mediante criterioso trabalho fiscal. Lançamento Procedente A referida decisão julgou Improcedente a Impugnação, mantendo integralmente os Autos de Infração do presente processo pelos seguintes fundamentos: (i) Incialmente cumpre destacar que foi declarada a procedência dos lançamentos referente aos créditos cuja exigência foi reconhecida pela contribuinte sob a alegação de que não teria como comprovar irregularidade cometida por terceiro. (ii) O valor da contribuição social sobre o lucro líquido, ao contrário do que alega a interessada, não poderá ser deduzido para efeito de determinação do lucro real em razão do que dispõe o art. 1º da Lei nº 9.316/1996 (art. 344, §6º do RIR/1999). Já quanto aos valores da Contribuição para PIS e da COFINS, apesar da dedução ser autorizada pelo art. 344, do RIR/99, no caso em comento, não são dedutíveis visto que estão com a exigibilidade suspensa por impugnação. (iii) Quanto à multa aplicada na forma do art. 44, II, da Lei nº 9.430/96, apesar da contribuinte alegar que não houve a comprovação do evidente intuito de fraude, a DRJ entendeu que houve o perfeito enquadramento das infrações tributárias ao que está prescrito na lei tributária visto que a contribuinte cometeu a prática continuada de deixar de computar parte de suas receitas nas declarações apresentadas à SRF. (iv) No que diz respeito à omissão de receita, a contribuinte aduz que houve uma retificação no Diário de nº 11, devendo, portanto, os valores serem excluídos da exigência fiscal para que não ocorresse bitributação. Porém, a decisão recorrida aponta que não há que se falar em bitributação visto que ocorreram duas infrações diferentes, sendo uma omissão de receita e a outra, resultado operacional não declarado. (v) A contribuinte argumenta que não houve declaração de inidoneidade das notas fiscais pelo Secretário da Receita Federal. Em resposta, a DRJ, em sua decisão, ressalta que no presente procedimento fiscal não houve a declaração de ineficácia para todos os efeitos tributários, dos documentos emitidos pelas pessoas jurídica, mas sim a não aceitação das operações de compras de matériaprima contabilizadas como custo pela sociedade empresária autuada em razão de uma série de fatores e não apenas por se considerar as notas fiscais como documentos ineficazes. Fl. 2456DF CARF MF Processo nº 14751.000487/200646 Acórdão n.º 1302002.368 S1C3T2 Fl. 2.457 21 (vi) A Impugnante não se contrapôs especificamente às notas fiscais emitidas pelas pessoas jurídicas BENJAMIN CONFECÇÕES LTDA e INDÚSTRI CONFECÇÕES GRAZIELLE LTDA as quais em resposta às intimações informaram que inexiste qualquer venda para a empresa autuada. (vii) No tocante aos custos sem comprovação a decisão recorrida adotou o mesmo posicionamento quando do julgamento da glosa de custos operacionais representados por notas fiscais acrescentando ainda que o intuito de fraude da contribuinte se evidenciou tendo em vista que esta apresentou notas fiscais em que constava impresso a informação de autorização de selos do controle do fisco estadual de Pernambuco em data posterior à data de emissão das respectivas notas fiscais. Da decisão, a Recorrente exerceu o contraditório, interpondo o presente Recurso Voluntário, aduzindo, em síntese, que o Acórdão recorrido possui os seguintes equívocos: (a) Alegou que houve cerceamento a ampla defesa no que tange às notas fiscais inidôneas para comprovar os custos visto que não se verificou no acórdão debatido, o desdobramento no que tange a “ineficácia”, mas tão somente sob o rótulo de inidoneidade dos documentos fiscais. (b) Aduz que a não aceitação das operações de compras de matériaprima contabilizadas como custo implica no seguinte raciocínio; “se não houve matériaprima, certamente não houve produção. Se não houve produção, não houve faturamento. Não havendo faturamento, certamente não existe tributação”. (c) Que houve violação do artigo 149 do CTN em razão da decisão recorrida ter sido baseada em presunções não em comprovações e que indício não é meio suficiente para corroborar uma autuação. (d) Que com relação às informações ditadas pelas pessoas jurídicas BENJAMIM CONFECÇÕES LTDA. e INDÚSTRIA DE CONFECÇÕES GRAZIELLE LTDA, sequer foram objeto de contra prova de seus alegados, assim se constituindo no mais absoluto cerceamento ao direito da ampla defesa. (e) Quanto a inexistência de carimbos de controle dos postos de fronteira dos Fiscos estaduais de Pernambuco e Paraíba, a contribuinte aponta que no procedimento fiscal não houve diligência no sentido de oficiar a Receita do Estado da Paraíba para coletar dados se tais notas fiscais foram registradas no Livro de Entradas, assim vistoriado pelo Fisco e, pela GIM. É o relatório. Fl. 2457DF CARF MF Processo nº 14751.000487/200646 Acórdão n.º 1302002.368 S1C3T2 Fl. 2.458 22 Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. O presente recurso é tempestivo, motivo pelo qual dele conheço. Da Dedução do PIS e da COFINS da Base de Cálculo do IRPJ e da CSLL Alega a Recorrente que o acórdão recorrido restou omisso no que diz respeito a possibilidade de dedução dos valores do PIS e da COFINS da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, requerendo as referidas deduções. Contudo, a pretensão do recorrente não merece provimento. Isto porque, conforme preceitua o artigo 344, §1º do RIR/99, não será possível a dedução de tributos e contribuições, cuja exigibilidade esteja suspensa, na determinação do lucro real. Destacase que a própria recorrente reconhece que este é o caso da presente demanda conforme trecho do Recurso Voluntário a seguir transcrito: In casu, houvese a IMPUGNAÇÃO de forma e modo tempestivamente apresentada, ao que se caracteriza como um dos recursos, assim previstos nas normas reguladoras do procedimento tributário, ainda em fase administrativa. Desta feita e, por imperativo legal, a sua exibilidade encontrarseá suspensa. O contrário, afrontase diretamente o art. 5º., inciso II, da Carta Política Maior. É o que desde já fica prequestionado. Em face do exposto, entendo adequado o posicionamento adotado pela DRJ quanto à impossibilidade de haver dedução dos valores referentes ao PIS e a COFINS da base de cálculo do IRPJ e da CSLL visto que as referidas contribuições se encontram com exigibilidade suspensas. Da Glosa de Despesas e Custos Fl. 2458DF CARF MF Processo nº 14751.000487/200646 Acórdão n.º 1302002.368 S1C3T2 Fl. 2.459 23 A essência da controvérsia quanto a este ponto do processo administrativo, como bem demonstrado na decisão recorrida, diz respeito a idoneidade das notas fiscais apresentadas pela Recorrente para comprovar supostas despesas e custos junto a fornecedores. A Fiscalização justificou a glosa de custos e despesas procedida na contabilidade da contribuinte, a partir de três fundamentos: (i) utilização de notas fiscais inidôneas para comprovar custos; (ii) custos sem comprovação; e (iii) pagamento a beneficiário não identificado. Com relação a este último, a recorrente se utiliza dos mesmos argumentos levantados em face dos outros dois tópicos, razão pela qual as conclusões alcançadas quanto àqueles dois se aplicam, de igual forma, a este. Utilização de Notas Fiscais Inidôneas para Comprovar Custos Com relação ao primeiro item, a autoridade fiscal intimou o contribuinte para comprovar a efetiva existência das operações respectivas; entretanto, o contribuinte não conseguiu demonstrar tal existência, o que ensejou os lançamentos que glosaram os custos nelas fundamentados, aplicandose a multa qualificada, em face do evidente intuito de fraude. A DRJ ratificou os lançamentos por entender estarem fundados em provas produzidas nos estritos limites das normas legais vigentes a demonstrar, o seguinte (análise fundamentada de uma empresa, que serviu para as demais, em decorrência dos elementos probatórios reunidos aliado à similitude dos argumentos contrapostos pela recorrente): (i) que em todas as notas fiscais emitidas pelas empresas, não constam carimbos de controle dos postos de fronteira dos fiscos estaduais de Pernambuco e Paraíba, mesmo tendo sido o transporte por via terrestre; (ii) que a SEFAZ/PE não pôde informar acerca dos registros de entradas e saídas de mercadorias interestaduais em razão da empresa não apresentar o SEF (Sistema de Escrituração Fiscal). Daí constar, no QUADRO 02, a empresa como não tendo emitido nota fiscal para a indústria de Confecções Rotas Ltda no ano calendário de 2004; (iii) que a SEFAZ cancelou a inscrição estadual constatando haver indícios de possível venda de notas fiscais; (iv) a autoridade fiscal demonstrou ainda que não foi apresentada documentação hábil e idônea que comprovasse os efetivos pagamentos, pois ficou provada a impossibilidade da efetiva realização do negócio. Verificase, portanto, que apesar das notas fiscais terem sido emitidas no período em que a sociedade empresária ainda não se encontrava com sua inscrição estadual cancelada, a autoridade fiscal conseguiu coletar um conjunto de evidências descritas acima que caracterizam irregularidades praticadas por esta pessoa jurídica acarretando o cancelamento de sua inscrição estadual. Dessa forma, não há como se considerar válidas as supostas operações de compras de matérias primas e sua consequente dedução como custos, representadas pelas referidas notas fiscais cujos valores foram glosados dos custos. Fl. 2459DF CARF MF Processo nº 14751.000487/200646 Acórdão n.º 1302002.368 S1C3T2 Fl. 2.460 24 No tocante à alegação de que a SEFAZPE foi evasiva na sua informação ao dizer “indícios de possível venda de Notas Fiscais”, a decisão recorrida sustentou a possibilidade de uso da prova indireta no processo administrativo fiscal. Por fim, a DRJ afirma que os argumentos trazidos pela contribuinte não podem ser considerados frente ao somatório de fatos reunidos pela fiscalização que conduzem à afirmação da não realização dessas operações, no caso, compras de matéria prima deduzidas como custos bem como que o fato da sociedade empresária possuir perante à SRF o CNPJ ativo e certidão negativa quanto aos tributos federais não desconstituem os fatos e provas relacionados. O contribuinte, em seu Recurso Voluntário, alega que: (i) Não houve inspeção in locu, sobre a idoneidade das empresas emitentes de notas fiscais; (ii) Que não houve base legal para que o I. Servidor ditasse que as notas fiscais eram idôneas; (iii) Que presunção não é prova. Que o v. acórdão restou omisso, quando a questão de quem era a competência para provar o seu alegado e que in casu, o I. servidor que ditou serem as notas fiscais inidôneas; (iv) Que as notas fiscais foram emitidas em data anterior ao cancelamento das inscrições estaduais das empresas emitentes e que não se poderia exigir da contribuinte, ora recorrente, que “adivinhasse” que as empresas fornecedoras seriam emitentes de “venda de notas fiscais mais adiante”. Esclarecidos os pontos controvertidos, passo a análise. Ao longo de sua peça recursal, ao imputar ao Fisco o dever de provar que as notas fiscais apresentadas são inidôneas, a Recorrente busca, na verdade, se eximir do ônus de trazer documentos aptos a desconstituir a presunção relativa constituída pelo Fisco através de toda a gama de documentos probatórios constantes dos autos. Na presente demanda o que se verifica da análise do Relatório de Trabalho Fiscal é que de fato os documentos apresentados pela recorrente não são hábeis ou aptos a demonstrar e identificar a transação, seu objeto, os valores, os beneficiários e os respectivos pagamentos de modo que não houve a efetiva comprovação dos custos e despesas que foram deduzidos da base de cálculo do IRPJ. Isto se revela ao passo que nas notas fiscais emitidas pelas empresas SILVANA MARIA DA SILVA CONFECÇÕES, ADRIANO VIRGÍNIO BEZERRA, JOSÉ RINALDO DO NASCIMENTO, JOSÉ PEDRO DA SILVA CONFECÇÕES, BENJAMIN CONFECÇÕES LTDA, IVANSIL LTDA, CLEBSON ROBERTO BRAINER DE OLIVEIRA, SÉRGIO ALEXANDRE LIMA DA SILVA, GEOVÁ PAIXÃO DE LIMA CONFECÇÕES, M J DA SILVA CONFECÇÕES, SALATIEL PEDRO DA SILVA, DAIANA DE ARAÚJO SILVA, WESLEY VINICÍUS GALHARDO DA SILVA, INDÚSTRIA CONFECÇÕES GRAZIELLE LTDA E JOSÉ ADRIANO AIRES CLEMENTINO, DAMIÃO BERNARDO DE LUCENA FILHO, D TENÓRIO SIQUEIRA TECIDOS, JOSEFA S PEREIRA DE ASSIS Fl. 2460DF CARF MF Processo nº 14751.000487/200646 Acórdão n.º 1302002.368 S1C3T2 Fl. 2.461 25 constam uma série de irregularidades sintetizadas a seguir (conforme fls. 161 a 189 do Relatório de Trabalho Fiscal): A) não constam nas notas fiscais carimbos de controle dos postos de fronteira dos fiscos estaduais dos estados de Pernambuco e da Paraíba, necessários visto que o transporte ocorreu por via terrestre; B) a Recorrente contabilizou que os pagamentos ocorreram através de cheques do Banco do Brasil S/A e do Banco Caixa S/A, dentre outros, porém não comprovou os referidos pagamentos; C) Que as empresas emitentes das notas fiscais analisadas tiveram as suas inscrições estaduais canceladas algumas em razão de possível venda de notas fiscais; D) Que as empresas emitentes de notas fiscais não apresentaram SEF (Sistema de Escrituração Fiscal) à SEFAZ do respectivo Estado. Cabe frisar que dentre os indícios que indicam a possível venda de notas fiscais das empresas que tiveram a sua inscrição estadual cancelada por este motivo, temse grande número de notas fiscais emitidas aliado à divergência de informação entre posto fiscal e movimento informado (conforme exposto no Relatório de Trabalho Fiscal). Posta em dúvida a idoneidade de notas fiscais apresentadas como comprovantes de custos, e não tendo o contribuinte demonstrado a efetiva existência das operações respectivas por outros meios usuais da praxe comercial, é perfeitamente cabível a glosa dos custos e despesas nelas fundamentados, em face do evidente intuito de fraude. Nesse sentido, transcrevo passagem da decisão recorrida: Ao se abordar o conceito de prova, vale lembrar que, no processo administrativo, se admite a prova indiciária ou indireta, assim conceituada aquela que se apoia em conjunto de indícios capazes de demonstrar a ocorrência da infração e de fundamentar o convencimento do julgador. O Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Dec. n.° 1.041, de 11 de janeiro de 1994 (RIR, de 1994), no § 1° do art. 894, faz alusão à adoção do indício veemente, legitimandoo: “Art. 894. Farseá o lançamento de ofício: (...) § 2". Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão. " (grifo acrescentado) Indícios são fatos conhecidos, comprovados, que se ligam a outro fato que se tem de provar. São a base objetiva do raciocínio, ou da atividade mental, por via dos quais se pode chegar ao fato desconhecido. Presentes os caracteres Fl. 2461DF CARF MF Processo nº 14751.000487/200646 Acórdão n.º 1302002.368 S1C3T2 Fl. 2.462 26 de gravidade, precisão e concordância, prestamse como ponto de partida para as presunções relativas, gerando o efeito de inverter o ônus da prova. Apenas um indício, desde que veemente, pode levar a conclusão da ocorrência de um fato. Da mesma forma, vários indícios em si fracos, quer dizer, com baixo teor de gravidade e precisão, podem, somados, fazer prova do ilícito, desde que todos indiquem a mesma direção. Claro está, portanto, que indícios, também, chamados de prova indireta, são considerados pela legislação como elementos suficientes a demonstrar a ocorrência da infração e de fundamentar o convencimento tanto da autoridade lançadora quanto o do julgador. Dos Custos Sem Comprovação Neste ponto, a autoridade fiscal glosou os custos representados por uma série de notas fiscais contabilizadas pela fiscalizada e emitidas por uma série de pessoas jurídicas encontrandose no Relatório de Trabalho Fiscal a identificação pormenorizada das notas fiscais e a descrição detalhada dos motivos que levaram à glosa de tais custos. Foram as seguintes pessoas jurídicas: SILVANA MARIA DA SILVA CONFECÇÕES; DAMIÃO BERNARDO DE LUCENA FILHO; D.TENÓRIO SIQUEIRA TECIDOS; JOSEFA S PEREIRA DE ASSIS. A recorrente não apresentou as notas fiscais quando intimada; porém, afirma que após algumas buscas, localizou as notas fiscais correspondentes à aquisição de matérias primas utilizadas. Destarte, requer o imediato cancelamento da glosa procedida com relação a tais custos, em suma, pelos motivos que seguem: com relação à empresa SILVANA MARIA DA SILVA, porque o pagamento foi feito em espécie; com relação às empresas SILVANA DAMIÃO BEZERRA DE LUCENA FILHO, D. TENÓRIO SIQUEIRA e JOSEFA S PEREIRA DE ASSIS, porque o cancelamento da inscrição estadual destas empresas se deu em data posterior à data em que houve a emissão das notas fiscais a elas concernentes; No entanto, atentase para o fato de que em todas as notas fiscais trazidas à colação pela contribuinte constava impressa a informação de autorização de selos do controle do fisco estadual de Pernambuco em data posterior à data de emissão da referida nota fiscal (fls. 2400 e 2401). Desse modo, a documentação apresentada não possui qualquer força probante não sendo possível desconsiderar os lançamentos tributários correspondentes a essa infração. Ante o exposto, entendo ter a Fiscalização apresentado documentação suficiente à comprovação da inidoneidade dos documentos como fazem prova as constatações acima mencionadas, as quais constituíram presunção da qual a recorrente não conseguira se eximir através das documentos e argumentos contrapostos. Portanto, entendo correta a glosa das despesas e dos custos ratificadas pelo acórdão recorrido. Fl. 2462DF CARF MF Processo nº 14751.000487/200646 Acórdão n.º 1302002.368 S1C3T2 Fl. 2.463 27 Da Omissão de Receitas (Do Saldo Credor de Caixa) Conforme as fls. 157 a 159 do Relatório de Trabalho Fiscal, da análise da contabilidade do contribuinte sob ação fiscal, constatouse três lançamentos a débito da conta 1.1.1.01.001 Caixa Geral e a crédito da conta 2.2.2.01.002 Banco do Brasil C/C 2.4562 , pertencente ao grupo 2.1.1.0] Operações Bancárias (Passivo Circulante) em 20/01, 10/02 e 01/03/2005, no valor de R$ 70.000,00, RS 50.000,00 e RS 30.000,00, respectivamente, referentes a aportes de valores, conforme folhas 012, 023 e 033 do livro Diário 11° 011, registrado na Junta Comercial do Estado da Paraíba em 12/07/2007, fls. 1076, 1077 e 1078, respectivamente. Da mesma forma, constatouse três lançamentos a credito da conta 1. 1.101.001 Caixa Geral e a débito da conta 2.2.2.01.002 Banco do Brasil C/C 2.4562 em 20/04, 20/05 e 20/06/2005, no valor de R$ 70.000,00, R$ 50.000,00 e R$ 30.000,00, respectivamente, referentes a aportes de valores, conforme folhas 69 e 70, 83 e 101 do livro Diário n° 011, registrado na Junta Comercial do Estado da Paraíba em 12/07/2007, fls. 1093 e 1094, 1098 e 1100, respectivamente. Da análise dos extratos bancários da conta corrente n° 2.4562 do Banco do Brasil S/A nos meses de janeiro, fevereiro, março, abril, maio e junho/2005, fls. 309 a 317, constatase a inexistência recebimentos e pagamentos de empréstimos. Intimado a prestar maiores esclarecimentos e comprovação hábil dos referidos empréstimos a contribuinte informou não ter muito a acrescentar ao que está escriturado, de modo que restaram comprovadas as operações de empréstimo configurando a omissão de receita. A controvérsia relativa a este tópico consiste no fato de que ao apresentar defesa administrativa a contribuinte aduziu que havia retificado as omissões de receita no Livro Diário de nº 11 requerendo a exclusão dos valores da autuação. Contudo, em sua decisão, a DRJ entendeu que a contribuinte teria perdido a espontaneidade e manteve a atuação por omissão de receita. Em Recurso Voluntário a contribuinte alegou que não houve a correta análise da situação jurídica colocando os seguintes questionamentos: a) a recorrente estava no gozo de sua espontaneidade? b) não estando no gozo de sua espontaneidade, poderia o Fisco fazer uso dos dados inseridos no Diário nº 11? No entanto, as alegações da recorrente não merecem prosperar, uma vez que a retificação procedida foi feita após o início do procedimento de fiscalização o que retirou o caráter de espontaneidade daquela, estando o contribuinte sujeito às penalidades cabíveis. A esse respeito, importa destacar o teor do disposto no artigo 138, parágrafo único do Código Tributário Nacional a seguir transcrito: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade Fl. 2463DF CARF MF Processo nº 14751.000487/200646 Acórdão n.º 1302002.368 S1C3T2 Fl. 2.464 28 administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. (grifado) Nesse sentido, é pacífica jurisprudência deste Conselho: “RENDIMENTOS DECLARADOS APÓS O INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO Após o início da ação fiscal não há que se falar em espontaneidade para efetuar retificação da declaração, nos termos do art. 138 do CTN. (Acórdão n.º 2401004.626; Data da Sessão: 14/03/2017) INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTERIOR OU CONCOMITANTE À RETIFICAÇÃO DE DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. AUTUAÇÃO MANTIDA. REGIMENTO INTERNO DO CARF. REPRODUÇÃO DE DECISÃO DO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO. Consoante o disposto no artigo 62 § 2º do Regimento Interno do CARF, devem ser reproduzidas nos julgamentos administrativos realizados por este Conselho as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo. De acordo com a decisão do STJ no REsp 1.149.022, a denúncia espontânea somente resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá antes ou concomitantemente. Em sentido contrário, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), não elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada, que não fora quitada à época da retificação da declaração, não se aplicando o artigo 138 do CTN” (Acórdão n.º 2202 003.455; Data da Sessão: 15/06/2016) Fl. 2464DF CARF MF Processo nº 14751.000487/200646 Acórdão n.º 1302002.368 S1C3T2 Fl. 2.465 29 Como visto, a retificação de omissão de receita, por sujeito passivo que perdera a espontaneidade pelo início do procedimento fiscal, não tem efeito de extinguir o crédito tributário que for apurado no curso normal da ação fiscal. Da Multa Qualificada Com relação à multa qualificada, a Fiscalização entendeu que a prática reiterada da conduta irregular, bem como os valores expressivos a ela associados, denotam verdadeiras ações dolosas, objetivando impedir a ocorrência do fato gerador e/ou o não pagamento de tributos. Dispondo do mesmo entendimento, a DRJ, ratificou que a deliberada intenção da contribuinte em impedir o conhecimento, por parte da SRF, da ocorrência do real fato gerador, mediante a subtração de receitas da base de cálculo de tributação, impõe a aplicação de multa qualificada de 150%, na forma do art. 44, inciso II da Lei n° 9.430/1996. A recorrente argumenta pela desqualificação da multa, afirmando que não houve dolo em sua conduta, visto que nenhum documento ou esclarecimento foi omitido pela recorrente; que não houve a prática de fraude para obtenção da omissão de rendimento; e que não se utilizou de expedientes como nota fiscal calçada ou documentos falsificados. Entretanto, para a aplicação da multa qualificada, devese comprovar a existência do dolo, pois este é elemento constitutivo do tipo. E esta comprovação não poderá recair sobre a intenção do agente propriamente dita – inatingível, por ser intrassubjetiva e passada –, mas sobre os fatos adjacentes à fraude, tais como frequência, voluntariedade, complexidade e consequências, bem como sobre as características do agente que o praticou. Conjunto este, que MARIA RITA FERRAGUT (As Provas e o Direito Tributário, 2016) outorgou a denominação “dinâmica da fraude”. Desta forma, o Direito outorgou às autoridades fiscais o instituto da presunção relativa “juris tantum”, ou seja, presunção válida até que sejam produzidas provas em contrário. Trazse à colação, as palavras de PAULO DE BARROS CARVALHO (A Prova no Procedimento Administrativo Tributário, p. 109), para quem “a presunção é resultado lógico, mediante o qual do fato conhecido, cuja existência é certa, inferese o fato desconhecido ou duvidoso, cuja existência é, simplesmente, provável.” Isso porque, o Direito não convive com decisões incertas; para o sistema, o fato terá ou não sido dolosamente praticado. Assim, é dado à autoridade fiscal, através da coleta de provas de fatos cuja existência é certa, constatar indícios que autorizam a constituição de presunções. Essas presunções, no entanto, admitem prova em contrário, devendo ser o administrado intimado a apresentar documentos que desconstituam a presunção mencionada. Dito isso, torno claro que os documentos probatórios carreados aos autos, tais como: o grande número de notas fiscais emitidas referentes a operações feitas com empresas com inscrição estadual cancelada, por apresentarem indícios de venda de nota fiscal; divergência de informação entre posto fiscal e movimento informado; divergência de valores informados nas Declarações entregues à Receita, dos constantes nos livros Diário e Razão da contribuinte; a inexistência de empréstimo contraído juntamente ao Banco do Brasil, conforme extratos bancários; custos sem comprovação; pagamentos a beneficiários não identificados; são Fl. 2465DF CARF MF Processo nº 14751.000487/200646 Acórdão n.º 1302002.368 S1C3T2 Fl. 2.466 30 elementos mais que suficientes à comprovação do dolo, aptos a ensejar a aplicação da multa qualificada. Portanto, entendo ser aplicável ao caso dos autos, a multa qualificada de 150%. Conclusão Em razão do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 2466DF CARF MF
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Numero do processo: 13851.902235/2009-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
DCTF - PRAZO PARA RETIFICAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO
O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN.
DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92
A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.540
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 DCTF - PRAZO PARA RETIFICAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN. DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1747; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13851.902235/200913 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1302002.540 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de outubro de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente SUNFLOWER SCHOOL ESCOLA DE IDIOMAS LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 DCTF PRAZO PARA RETIFICAÇÃO HOMOLOGAÇÃO O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinalase o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN. DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 22 35 /2 00 9- 13 Fl. 43DF CARF MF Processo nº 13851.902235/200913 Acórdão n.º 1302002.540 S1C3T2 Fl. 3 2 Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do indeferimento da Manifestação de Inconformidade apresentada em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito(s) (COFINS e PIS/PASEP) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Cientificada do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que se equivocou no preenchimento da DCTF e que a existência do crédito tem fundamento na Solução de Divergência n° 14, de 07/08/2003, que reduziu o percentual de 32% para 16% sobre a receita bruta, para fins de apuração da base de cálculo do lucro presumido, bastandose comparar os valores apresentados na DIPJ retificadora (Declaração de Informações EconômicoFiscais) com a guia de recolhimento do tributo. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. [...] Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com o decisum, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que é dever do Fl. 44DF CARF MF Processo nº 13851.902235/200913 Acórdão n.º 1302002.540 S1C3T2 Fl. 4 3 Fisco analisar os pedidos de compensação, quer pela garantia que a RFB deve ter em relação a valores, quer em relação a defesa do interesse público envolvido, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP e DIPJ, as quais apresentam presunção de legitimidade, valendose apenas e tão somente da informação prestada em DCTF para promover a cobrança. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais, devendo ser conhecido. A controvérsia instaurada devese a pedido de compensação de débito(s) de responsabilidade da interessada com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.403, de 19.10.2017, proferido no julgamento do processo nº 13851.902171/200942, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.403): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. No caso em tela, a contribuinte restringe a controvérsia à existência do crédito reportado na DCOMP, buscando comprovar suas alegações, essencialmente, por intermédio de sua DIPJretificadora e cópia do documento de arrecadação federal. Salientese que a contribuinte não apresentou qualquer retificação em sua DCTForiginal, nem prova documental que abrigue a alegada alteração dos importes que foram levados a efeito para fins de constituição definitiva do imposto, sob a modalidade de lançamento por homologação, cuja informação confessada na declaração original serviu de base para certificação da inexistência de crédito tipificado na modalidade de pagamento indevido ou a maior. Nesse sentido, cumpre observar que a DIPJ, desde o ano calendário de 1999, tem caráter meramente informativo, isto é, as informações nela prestadas não configuram confissão de dívida a Instrução Normativa n° 127, de 30 de outubro de Fl. 45DF CARF MF Processo nº 13851.902235/200913 Acórdão n.º 1302002.540 S1C3T2 Fl. 5 4 1998, que extinguiu, em seu art. 6°, inciso I, a DIRPJ Declaração .de Rendimentos da Pessoa Jurídica e instituiu, em seu art. 10, a DIPJ — Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica, deixou de fazer referência à confissão de tributos ou contribuições a pagar, cabendo apenas a DCTF está função. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 92: “A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.” Feitas essas considerações, passaremos a análise do presente caso. O documento intitulado Declaração de Compensação (DCOMP) se presta, assim, a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. De fato, o pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação, posto que tal procedimento desnatura o próprio objeto do processo. Eventual manifestação da instância julgadora sobre a legitimidade de crédito tributário não admitido junto à autoridade responsável pelo exame de pedidos dessa natureza representaria verdadeira usurpação da competência da referida autoridade, o que também não se pode admitir. O Decreto nº 70.235/72 (art. 32) que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal fala o seguinte sobre as inexatidões materiais: Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. Logo, por inexatidões materiais, no preenchimento dos PER/DCOMP primitivos ou originais, entendese serem os lapsos manifestos que se percebem primo ictu oculi; que, de plano, se verifica não traduzirem o pensamento ou vontade do contribuinte; consistem, em suma, em pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade, cuja correção não inova o teor do ato objeto de correção. Fl. 46DF CARF MF Processo nº 13851.902235/200913 Acórdão n.º 1302002.540 S1C3T2 Fl. 6 5 Assim, são exemplos de inexatidões materiais: inversão ou troca da ordem dos dígitos, equívoco de datas, erros ortográficos de digitação, troca de campos no preenchimento etc. A pretensão da recorrente, como já dito, não se trata de mera correção de inexatidão material, mas, sim, de inovação (retificação de DCTF para disponibilização do seu direito creditório almejado), exigindose, quanto à compensação dos débitos em aberto, a apresentação de DCTF retificador, situação que não ocorreu no presente caso. Como bem defendido no acórdão recorrido, é vedada a retificação de DCTF após o decurso do prazo de 5 anos, sendo este o prazo que tem direito o contribuinte para proceder à retificação da DCTF, no que se refere às alterações e retificações pertinentes aos impostos e contribuições federais. Dessa forma, evidenciase que a DCTForiginal, reportada na manifestação de inconformidade da contribuinte, fora transmitida em 13/11/2001. Portanto já transcorrido 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador correlato ao IRPJ, código de receita: 2089, inerente ao 3° trimestre de 2001, encontrase formalmente homologada e definitivamente extinta perante a Fazenda Nacional, em conformidade com os termos do art. 150, § 4° do CTN. Noutra senda, tomando por substrato os atributos essenciais pertinentes ao crédito para sua restituição/compensação (certeza e liquidez), o reconhecimento de um direito creditório e a consequente homologação (total ou parcial) ou não de uma compensação estão condicionados à perfeita identificação do crédito pela postulante (origem e valor), haja vista ser o instituto da compensação eletrônica procedimento efetuado por conta e risco tanto da Administração Federal quanto do contribuinte, correndo contra a primeira o prazo de homologação, que uma vez decorrido impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente, e de outro lado, sobre o contribuinte, que tem o dever de evidenciar o crédito em todos os seus atributos, visto que, uma vez analisado o PER/DCOMP, não é mais admitida qualquer alteração do seu conteúdo por imposição legal. Assim, à luz dos elementos constantes no pedido (DCOMP), não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a recorrente, haja vista a não identificação correta da origem do crédito pleiteado e que o crédito aludido pelo contribuinte já foi totalmente alocado para quitação de outro débito, não havendo saldo disponível para pleitear o pagamento indevido ou a maior. Por fim, verificase que a recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a prolação do despacho decisório, bem como em relação a decisão proferida em primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13851.902235/200913 Acórdão n.º 1302002.540 S1C3T2 Fl. 7 6 Para esse Relator, fica claro que a recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão n.°2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Ante ao exposto e, em face da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, adoto os fundamentos do acórdão paradigma acima transcritos e voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 48DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10435.721366/2014-73
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2013
Ementa
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS.
A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
O instituto da denúncia espontânea não é aplicável às obrigações acessórias, que são atos formais criados para facilitar o cumprimento das obrigações principais, embora sem relação direta com a ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 1001-000.114
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2013 Ementa MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS. A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não é aplicável às obrigações acessórias, que são atos formais criados para facilitar o cumprimento das obrigações principais, embora sem relação direta com a ocorrência do fato gerador.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
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A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não é aplicável às obrigações acessórias, que são atos formais criados para facilitar o cumprimento das obrigações principais, embora sem relação direta com a ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 72 13 66 /2 01 4- 73 Fl. 64DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente processo sobre lançamento (fl. 27), no qual é exigido da contribuinte acima identificada crédito tributário relativo à multa por atraso na entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), relativa ao mês de abril de 2013. Ciente do lançamento, a contribuinte ingressou com impugnação (fls. 2/18) na qual solicita o cancelamento da exigência tributária, sob alegação de denúncia espontânea.. A decisão de primeira instância (efls. 33/35) manteve o crédito tributário. Cientificada da decisão de primeira instância em 12/08/2014 (efl. 38) a Interessada interpôs recurso voluntário em 04/09/2014 (efls. 41/60), em que aduz, em resumo (repetindo argumentos da impugnação): que a Recorrente entregou a DCTF em atraso, de forma espontânea, antes de qualquer procedimento da fiscalização em exigilas; que é inaplicável qualquer forma ou nominação de multa, quando da efetivação da denúncia espontânea e pagamento do tributo devido ou parcelamento deste, já que a expressão contida na lei se for o caso afasta a multa na hipótese de cumprimento espontâneo dá obrigação tributária, seja ela principal, acessória ou acessória que se tornou principal; apresenta acórdãos do Conselho de Contribuintes que corroborariam a tese de que o cumprimento a destempo, mas espontâneo e antes de qualquer exigência da administração fazendária, autorizaria a aplicação do disposto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, a fim de caracterizar a inexigibilidade da multa pretendida; que no acórdão recorrido.já na descrição do voto condutor, observarseia o equívoco do ilustre julgador ao considerar a DCTF como uma obrigação acessória desvinculada de natureza tributária, pois seria certo que as informações prestadas na referida declaração (DCTF) são situações tributárias ocorridas na empresa. Se exige informações das situações tributárias ocorridas na empresa, como desvinculála da ocorrência do fato gerador dos tributos. que até mesmo nos casos de pedidos de parcelamento há que se considerar a denúncia espontânea para elidir exigência de qualquer multa; seria absurdamente incoerente admitirse aplicação de penalidade a este contribuinte de forma idêntica à qual lhe seria aplicada caso permanecesse inerte, aguardando eventual manifestação da autoridade fazendária. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso voluntário é tempestivo. Definiu acertadamente a decisão de primeira instância que a entrega da DCTF constituise em obrigação acessória, desvinculada de natureza tributária, pois assim prevista nos §§ 2º e 3º do art. 113 do CTN: Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10435.721366/201473 Acórdão n.º 1001000.114 S1C0T1 Fl. 65 3 § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Mesmo nos casos de entrega espontânea da declaração, antes de qualquer procedimento por parte do Fisco, a aplicação de multa como a prevista no art. 7º da Lei nº 10.426/2002 permanece pertinente, uma vez que, em se tratando de obrigação acessória, a ela não se aplica o instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN. A exclusão de responsabilidade pela denúncia espontânea da infração (art. 138 do CTN) se refere à multa de ofício que acompanha a obrigação principal. A multa aplicada pela falta de entrega, ou entrega após o prazo legalmente estabelecido, nada tem a ver com o fato gerador da obrigação tributária principal. Tratase, sim, de uma penalidade decorrente do descumprimento de uma obrigação acessória formal. Este é o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) a respeito da matéria, já tendo sido, inclusive, objeto da Súmula CARF nº 49: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Adiantese que o § 2º do art. 7º da Lei nº 10.426/2002 prevê uma redução da multa aplicada, nos casos de a declaração ser apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício (redução à metade) ou uma redução a 75% no caso da declaração ser apresentada no prazo fixado em intimação, respeitados os limites mínimos estabelecidos no parágrafo 3º do mesmo artigo. Desta forma, é evidente que, ao contrário do que alega a recorrente, a imposição da penalidade está legalmente prevista, mesmo neste caso de apresentação espontânea da declaração (com ou sem paramento ou parcelamento do tributo), com a devida redução da multa à metade. Adiciono, no que se refere às decisões administrativas e judiciais apontadas, relacionamse a litígio entre partes específicas em que o sujeito passivo não foi parte do processo e/ou tratam de decisão sem força vinculante por não se enquadrar no disposto no RICARF, em especial em seus artigos 62, 72 e 74 (Portaria MF nº 343, de 2015). Desta forma, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator Fl. 66DF CARF MF 4 Fl. 67DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.003603/2007-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
Ementa:
ACÓRDÃO. OBSCURIDADE. CONTA CORRENTE E CONTA POUPANÇA.
Identificada a co-titularidade, tanto na conta corrente quanto na conta poupança vinculada, ambas mantidas na mesma agência e com a mesma numeração, é necessário estender a ambas a mesma conclusão.
LAPSO MANIFESTO. DECISÃO BASEADA EM PROVAS NOS AUTOS. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em lapso manifesto quando a decisão se baseia em fatos e provas constantes nos autos.
Numero da decisão: 2202-004.313
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os Embargos Inominados para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202-003.685, de 08/02/2017, esclarecer que a exclusão da base de cálculo referente aos créditos das contas de n° 45.078-2, agência n° 0503-7, do Bradesco, abrangem tanto a conta-corrente como a conta poupança.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002 Ementa: ACÓRDÃO. OBSCURIDADE. CONTA CORRENTE E CONTA POUPANÇA. Identificada a co-titularidade, tanto na conta corrente quanto na conta poupança vinculada, ambas mantidas na mesma agência e com a mesma numeração, é necessário estender a ambas a mesma conclusão. LAPSO MANIFESTO. DECISÃO BASEADA EM PROVAS NOS AUTOS. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em lapso manifesto quando a decisão se baseia em fatos e provas constantes nos autos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os Embargos Inominados para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202-003.685, de 08/02/2017, esclarecer que a exclusão da base de cálculo referente aos créditos das contas de n° 45.078-2, agência n° 0503-7, do Bradesco, abrangem tanto a conta-corrente como a conta poupança. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
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LAPSO MANIFESTO Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado MARCOS TEIXEIRA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 Ementa: ACÓRDÃO. OBSCURIDADE. CONTA CORRENTE E CONTA POUPANÇA. Identificada a cotitularidade, tanto na conta corrente quanto na conta poupança vinculada, ambas mantidas na mesma agência e com a mesma numeração, é necessário estender a ambas a mesma conclusão. LAPSO MANIFESTO. DECISÃO BASEADA EM PROVAS NOS AUTOS. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em lapso manifesto quando a decisão se baseia em fatos e provas constantes nos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os Embargos Inominados para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202 003.685, de 08/02/2017, esclarecer que a exclusão da base de cálculo referente aos créditos das contas de n° 45.0782, agência n° 05037, do Bradesco, abrangem tanto a contacorrente como a conta poupança. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 36 03 /2 00 7- 76 Fl. 410DF CARF MF Processo nº 19515.003603/200776 Acórdão n.º 2202004.313 S2C2T2 Fl. 411 2 (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. Relatório Em 08/02/2017 foi proferido o acórdão CARF nº 2202003.685, que restou assim ementado e acordado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2002 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. São cabíveis Embargos de Declaração para suprir omissão do acórdão embargado, hipótese em que o novo acórdão será proferido para integrar o acórdão omisso, sem alterarlhe na parte já julgada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202002.729, de 12/08/2014, alterar a parte dispositiva do acórdão para "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para anular o lançamento em relação à conta nº 6.3207, mantida perante a agência 3327 do Banco do Brasil, e à conta nº 45.0782, mantida perante a agência nº 05037 do Bradesco, nos termos do relatório e votos que integram esse acórdão". Os autos foram encaminhados para DRF, que apresentou então Embargos de Declaração (fls. 404/406), argumentando, em síntese: Conforme transcrito anteriormente, no voto do relator determinase a anulação do lançamento referente à conta n° 45.0782, mantida perante a agência n° 05037 do Bradesco, ocorre que existem duas contas com esse número, uma conta corrente e outra conta poupança. No julgado não fica se o lançamento deve ser anulado em relação às duas contas. Fl. 411DF CARF MF Processo nº 19515.003603/200776 Acórdão n.º 2202004.313 S2C2T2 Fl. 412 3 Retornando os autos a esta turma, o Conselheiro Presidente proferiu então Despacho de Admissibilidade de Embargos (fl. 409), que recebeuos como Embargos Inominados nos seguintes termos: De fato, não resta claro sobre qual conta estáse referindo o julgado. Ademais, observase, pelo voto vencedor do acórdão embargado, que foi considerado que as contas bancárias no Bradesco (contas nº 45.0782, da Agência 05037) eram de co titularidade do contribuinte fiscalizado (Marcos Teixeira) juntamente com Fernando Kiyoshi Ohno. No entanto, pela análise das fichas bancárias constantes dos autos (fls. 82/90 e fls. 84/92), observase que as contas do Bradesco eram na realidade em conjunto com Neila Emilia do Couto. Dessa forma, resta patente um lapso manifesto no julgado, o qual merece ser sanado, mediante a prolação de um novo acórdão, razão pela qual converto os Embargos de Declaração em embargos inominados opostos por este Conselheiro Presidente da Turma. É o relatório. Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Tendo em vista que, nos termos dos arts. 65 e 66 do Anexo II ao RICARF, o Cons. Presidente tem competência para opor Embargos Inominados e não há prazo, entendo que estão preenchidos os requisitos de admissibilidade e portanto dele conheço. Conforme o relatório e especialmente o Despacho de Admissibilidade, duas são as questões que merecem ser analisadas: a existência de omissão com relação à delimitação da(s) conta(s) bancária(s) a ser(em) anulada(s), e a existência de lapso manifesto em relação ao nome do(a) cotitular. Da cotitularidade Conforme o Despacho de Admissibilidade dos Embargos, há patente lapso manifesto no julgamento embargado, que se referiu como cotitular exclusivamente a um sr. Fernando Kiyoshi Ohno, enquanto, em relação às contas corrente e poupança nº 45.0782, mantidas perante a agência nº 05037 do Bradesco, tinham como verdadeira cotitular uma sra. Neila Emilia do Couto. Efetivamente, consta dos autos o "Cadastro de Clientes" referente à conta nº 45.0782, mantida perante a agência 5037 do Bradesco (fl. 147), na qual se identifica que se trata de conta conjunta (solidária e/ou), bem como os extratos da conta corrente (fls. 149/206 e fls. 243/297). Consta, principalmente, "Mestre e Cartão de Assinaturas para poupança fácil Bradesco" (fl. 90), no qual se identificam as assinaturas para a Sra. Neila Emília do Couto, esposa do Contribuinte, referente à conta 45.0782, mantida perante a agência nº 5037. Fl. 412DF CARF MF Processo nº 19515.003603/200776 Acórdão n.º 2202004.313 S2C2T2 Fl. 413 4 Compulsando os autos, constatase que a srª. Neila foi intimada em 26/10/2007 a comprovar individualizadamente os créditos efetuados em diversas contas, inclusive essa nº 45.0782, supra identificada (fl. 6/26). No mesmo sentido, constatase que ela respondeu intimação ainda em 30/10/2007 (fl. 27), estremando de dúvidas quanto à efetividade de sua intimação ao longo da fiscalização. Registrase que o lançamento foi formalizado em 27/11/2007 (fl. 337), tendo o Contribuinte sido intimado em 14/12/2007 (fl. 344). Essas informações foram inclusive citadas pela autoridade lançadora, que registrou ter intimado a cotitular srª. Neila, apontando que tanto ela quanto o Contribuinte afirmaram que a movimentação nessa (e em outras contas) pertenciam exclusivamente a este. Acontece que o Contribuinte, tanto em sua Impugnação quanto em seu Recurso Voluntário, afirma expressamente que o sr. Fernando Kiyoshi Ohno também era co titular desta conta mantida perante o Bradesco, trazendo como provas uma carta emitida pela instituição financeira na qual se afirma expressamente que eram cotitulares da conta corrente nº 45.0782, mantida perante a agência nº 05037, o Contribuinte (Marcos Teixeira) e o sr. Fernando Ohno (fl. 351). Portanto, constatase que não incorreu em lapso manifesto o acórdão embargado. Pelo contrário, o acórdão embargado expressamente aceitou a argumentação do Contribuinte de que essa conta era mantida em cotitularidade com esse sr. Fernando Ohno, inclusive apontando que esse fato já fora reconhecido pela DRJ. Efetivamente, o acórdão de 1º grau deu provimento parcial à Impugnação exatamente para reduzir a base de cálculo em 50% nas contas onde o Sr. Fernando Ohno ficou comprovado como cotitular. Nesse caminho, considerando sempre que consta dos autos carta emitida pela instituição financeira afirmando que o sr. Fernando Ohno era cotitular da referida conta nº 45.0782 (fl. 351), entendo que não houve lapso manifesto o julgamento se deu com base em fatos, alegações e provas constantes nos autos. Não cabe, em sede de Embargos Inominados lastreados em lapso manifesto, reanalisar se as provas juntadas são ou não suficientes para atestar se o sr. Fernando Ohno era cotitular, ou se foi efetivamente intimado durante a fiscalização, mas tão somente para verificar se o acórdão embargado realmente se referia a ele como cotitular ou à sra. Neila. Não é possível acolher os embargos nesse ponto. Da conta poupança De outra banda, os Embargos também foram admitidos para que se esclarecesse se foi cancelado o lançamento tão somente em relação à conta corrente ou também em relação à conta poupança. O extrato de conta poupança, com a mesma numeração da conta corrente, vem identificado como diferenciador apenas o registro de "Razão 10.51" (fl. 148). É perceptível que a conta poupança está associada à conta corrente, não apenas pela numeração como, por exemplo, pelo lançado de um débito no valor de R$ 1.39223, em 07/03/2002, com a descrição "Baixa Autom C. Corrente" e, na mesma data, foi creditada no extrato referente à conta corrente o mesmo valor com a descrição "Baixa Autom. Poupança" (fl. 158). Pois bem. Fl. 413DF CARF MF Processo nº 19515.003603/200776 Acórdão n.º 2202004.313 S2C2T2 Fl. 414 5 A regra geral é que a conta poupança, quando associada a uma conta corrente, seja dela dependente, tendo portanto os mesmos titulares. In casu, anotase que a instituição bancária apresentou o extrato da conta poupança em conjunto com o extrato da conta corrente, e ambos anexados ao cadastro de cliente, do qual se comprova a existência de cotitularidade. O que é mais: há folha de registro de assinatura da cotitular indicando especificamente se referir à conta poupança. Logo, não restam dúvidas de que tanto a conta corrente quanto a conta poupança, ambas vinculadas e com a mesma numeração, eram mantidas em cotitularidade, devendo a conclusão do acórdão embargado se estender a ambas. Dispositivo Diante de tudo quanto exposto, voto por acolher parcialmente os Embargos Inominados para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202003.685, de 08/02/2017, esclarecer que a exclusão da base de cálculo referente aos créditos das contas de n° 45.0782, agência n° 05037, do Bradesco, abrangem tanto a contacorrente como a conta poupança. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Fl. 414DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.003516/2008-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2201-000.290
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator.
assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
assinado digitalmente
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra. e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra. e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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score : 1.0
Numero do processo: 11020.001756/2010-34
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, busca-se a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte.
Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço.
COOPERATIVA PRODUTORA DE LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. PALLETS DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO STRETCH. PROCESSO DE "PALLETIZAÇÃO". DIREITO AO CRÉDITO.
Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. Assim, os pallets utilizados para armazenagem e movimentação das matérias-primas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, devem ser considerados como insumos. Da mesma forma, os materiais de acondicionamento e transporte - plástico de coberto e filme plástico do tipo "stretch" - são insumos pois indispensáveis ao adequado armazenamento e transporte das mercadorias produzidas pela Contribuinte, face ao tamanho reduzido das embalagens.
Numero da decisão: 9303-006.060
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, busca-se a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. COOPERATIVA PRODUTORA DE LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. PALLETS DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO STRETCH. PROCESSO DE "PALLETIZAÇÃO". DIREITO AO CRÉDITO. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. Assim, os pallets utilizados para armazenagem e movimentação das matérias-primas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, devem ser considerados como insumos. Da mesma forma, os materiais de acondicionamento e transporte - plástico de coberto e filme plástico do tipo "stretch" - são insumos pois indispensáveis ao adequado armazenamento e transporte das mercadorias produzidas pela Contribuinte, face ao tamanho reduzido das embalagens.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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CRÉDITO. EMBALAGENS DE TRANSPORTE. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COOPERATIVA SANTA CLARA LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. COOPERATIVA PRODUTORA DE LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. “PALLETS” DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO “STRETCH”. PROCESSO DE "PALLETIZAÇÃO". DIREITO AO CRÉDITO. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. Assim, os “pallets” utilizados para armazenagem e movimentação das matériasprimas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, devem ser considerados como insumos. Da mesma forma, os materiais de acondicionamento e transporte plástico de coberto e filme plástico do tipo "stretch" são insumos pois indispensáveis ao AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 17 56 /2 01 0- 34 Fl. 303DF CARF MF Processo nº 11020.001756/201034 Acórdão n.º 9303006.060 CSRFT3 Fl. 3 2 adequado armazenamento e transporte das mercadorias produzidas pela Contribuinte, face ao tamanho reduzido das embalagens. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 3802001.633, proferido em 28/02/2013, que possui ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 PIS/PASEP. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. INSUMO. CONCEITO. CUSTO DE PRODUÇÃO. DESPESAS DE VENDA. EXIGÊNCIAS REGULATÓRIAS INDISPENSÁVEIS AO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE ECONÔMICA. O conceito de insumo, ressalvadas as exceções expressamente previstas na Lei nº 10.833/2003, abrange o custo de produção (DecretoLei n. 1.598, de 1977, art. 13, § 1º; Decreto n. 3.000/1999, arts. 290 e 291) e as despesas de venda do produto industrializado, quando incorridas para atender exigências regulatórias indispensáveis ao exercício de determinada atividade econômica ou à comercialização de um produto. Fl. 304DF CARF MF Processo nº 11020.001756/201034 Acórdão n.º 9303006.060 CSRFT3 Fl. 4 3 LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. AQUISIÇÃO DE “PALLETS” DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO “STRETCH”. INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO RECONHECIDO. Não cabe, à luz das disposições da Instruções Normativas n° 247/2002 e n° 404/2004, restringir o direito ao crédito às embalagens incorporadas ao produto no processo de industrialização. No segmento de laticínios, a paletização que envolve o acondicionamento no “pallet”, plástico de coberto e colocação do filme “strecht” não é realizada apenas para fins de transporte, mas para a própria estocagem do produto no estabelecimento industrial. Decorre ainda de normas de controle sanitário na área de alimentos (Portaria SVS/MS nº 326, de 30 de julho de 1997), que exigem o acondicionamento dos produtos acabados em estrados (item 5.3.10), de forma a impedir a contaminação e a ocorrência de alteração ou danos ao recipiente ou embalagem (item 8.8.1). Tratandose, assim, de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que decorre de exigências sanitárias, deve ser reconhecido o direito ao crédito. RECEITAS DECORRENTES DA VENDA DE PRODUTOS SUJEITO À ALÍQUOTA ZERO. CRITÉRIO DE RATEIO PROPORCIONAL. O critério de rateio proporcional, nos termos do art. 3º, §§ 7º e 8º, II, da Lei nº 10.883/2003, deve considerar a totalidade da receita bruta auferida no mês, e não apenas as receitas do estabelecimento produtor de bens sujeitos à alíquota zero. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Em face da referida decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto ao reconhecimento do direito de crédito das contribuições não cumulativas com relação a materiais de embalagem, acondicionamento e transporte – empregados na “palletização” – concedidos em sede de julgamento de recurso voluntário. Colacionou como paradigmas os acórdãos 3302002.027 e 310100.795. O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido por meio de despacho proferido pelo Presidente da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época. A Cooperativa Santa Clara apresentou contrarrazões postulando a negativa de provimento ao recurso especial. Na mesma oportunidade apresentou recurso especial, que, todavia, teve o seguimento negado, razão pela qual não será objeto de exame por este Colegiado. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Fl. 305DF CARF MF Processo nº 11020.001756/201034 Acórdão n.º 9303006.060 CSRFT3 Fl. 5 4 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.045, de 12/12/2017, proferido no julgamento do processo 11020.001732/201085, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.045): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito A discussão principal posta nos autos referese ao conceito de insumos para determinação se pode ser utilizado pela Contribuinte como crédito de PIS/Pasep os gastos incorridos com os materiais utilizados para a “palletização” – material de embalagem, acondicionamento e transporte dos produtos finais para a venda. Cumpre observar ter sido deferido nos presentes autos o direito ao creditamento das aquisições de matérias de embalagem (pallets de madeira), plástico de coberto e filme plástico do tipo “stretch”, com fulcro na atividade econômica desempenhada pela Contribuinte; na essencialidade dos referidos insumos para a produção e, ainda, nas exigências sanitárias correspondentes para o processo produtivo e de transporte, além da própria estocagem no estabelecimento industrial. Para o reconhecimento do direito ao crédito e reforma da decisão proferida pela DRJ, o acórdão recorrido passou ao largo da apresentação de provas pela Contribuinte, razão pela qual esse aspecto encontrase superado na presente demanda. Portanto, a discussão a ser travada no recurso especial referese à possibilidade de deferimento de créditos de PIS/Pasep dos valores relativos à aquisição de “pallets” de madeira, plástico de coberto e colocação do plástico filme “stretch”. Inicialmente, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Fl. 306DF CARF MF Processo nº 11020.001756/201034 Acórdão n.º 9303006.060 CSRFT3 Fl. 6 5 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotarse o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 307DF CARF MF Processo nº 11020.001756/201034 Acórdão n.º 9303006.060 CSRFT3 Fl. 7 6 operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processo no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo Fl. 308DF CARF MF Processo nº 11020.001756/201034 Acórdão n.º 9303006.060 CSRFT3 Fl. 8 7 de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo únic o, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de não cumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações Fl. 309DF CARF MF Processo nº 11020.001756/201034 Acórdão n.º 9303006.060 CSRFT3 Fl. 9 8 se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Ainda no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema está novamente em julgamento no recurso especial nº 1.221.170 PR, pela sistemática dos recursos repetitivos, contendo votos pelo reconhecimento da ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério amplo/próprio na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime não cumulativo. O julgamento não foi concluído até a presente data. A posição do Superior Tribunal de Justiça, para definição de insumo, mantémse pela adoção de critério próprio/amplo em função da receita, atendendo aos requisitos da pertinência, relevância e essencialidade. Embora existam casos isolados cujas decisões adotaram o critério restritivo (IPI), não há fato novo ou mudança de entendimento do Tribunal da Cidadania suficiente para acarretar mudança de posição da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Do contrário, estarseia adotando premissa de julgamento equivocada e, ainda, violando frontalmente o princípio da segurança jurídica. Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. De posse do critério a ser adotado para definição dos insumos aptos a gerar créditos de PIS e COFINS não cumulativos, adentrarseá a análise do caso concreto. A Contribuinte é pessoa jurídica que, nos termos do art. 2º do seu Estatuto Social (fls. 41 a 63), exerce atividade econômica na área de alimentos e tem por objetivos sociais: Art. 2º A Sociedade objetiva, com base na colaboração recíproca a que se obrigam seus associados, promover: I o estímulo, o desenvolvimento e a defesa de suas atividades econômicas de caráter comum; II A importação, a exportação, a industrialização e a comercialização em comum de sua produção agrícola, produção animal em geral, pecuária e de hortifrutigranjeiros, industrializada ou em espécie, tais como carnes, ovos, peixes, frutas, cereais, verduras, legumes, gorduras, condimentos em geral; café e ervas para infusão, laticínios, margarinas e derivados de soja, massas alimentícias, farinhas e fermentos em geral; doces, pós para fabricação de doces, açúcar e adoçantes em geral, bebidas alcoólicas e não alcoólicas, xaropes e sucos em geral; animais vivos e ovos para incubação; alimentos para animais; plantas e flores naturais, etc, nos mercados locais, nacionais ou internacionais; Fl. 310DF CARF MF Processo nº 11020.001756/201034 Acórdão n.º 9303006.060 CSRFT3 Fl. 10 9 [...] Em razão de sua atividade econômica, sujeitase a controles e exigências de diversos órgãos públicos, exemplificativamente: Agência Nacional de Vigilância Sanitária ANVISA, Ministério da Agricultura, Serviço de Inspeção Federal, Ministério da Saúde. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. No que concerne às embalagens utilizadas para transporte no processo produtivo da Contribuinte, uma vez essenciais, pertinentes e relevantes para obtenção do produto final, há de se considerarem as mesmas como insumos. As embalagens são realmente necessárias à armazenagem/conservação do produto nas diversas fases do processo produtivo. Considerandose a atividade própria da Contribuinte, temse que os “pallets” utilizados para armazenagem e movimentação das matériasprimas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, também devem ser considerados como insumos. Para atendimento das exigências sanitárias impostas pelos órgãos públicos responsáveis pelo controle e fiscalização, na movimentação e na armazenagem das matériasprimas e dos bens a serem utilizados na fabricação do produto final, e dos produtos finais em si, não pode haver contato com o chão, justamente para se evitar a contaminação por microorganismos, constituindose em mais uma das razões pelas quais é imprescindível a utilização dos “pallets” na cadeia produtiva. Levandose em conta a significativa quantidade de matériasprimas e produtos que serão empregados no processo produtivo e que precisam ser armazenados e transportados no ambiente fabril, é indispensável à Contribuinte utilizarse de mecanismos e ferramentas que, além de garantirem a observância das normas de higiene e limpeza, impostas pela ANVISA, otimizem o seu processo produtivo. Há de ser destacada, nesse aspecto, a desnecessidade do consumo do produto em contato direto com o bem produzido, admitindose o emprego indireto no processo de produção para caracterizarse determinado bem como insumo. Assim, os pallets guardam nítida relação de pertinência, relevância e essencialidade com a atividade produtiva do Sujeito Passivo, constituindose em insumos do processo produtivo e da fase de comercialização passíveis de creditamento de PIS e COFINS não cumulativos. Com relação a esse item, essa 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu decisão em casos análogos, nos processos administrativos nºs 10925.720046/2012 12 e 10925.720686/201222, na sessão realizada, em que receberam a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INDÚSTRIA AVÍCOLA. INDUMENTÁRIA. A indumentária de uso obrigatório na indústria de processamento de carnes é insumo indispensável ao processo produtivo e, como tal, gera direito a crédito DO PIS/COFINS. PIS/COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. ALÍQUOTA. Após a alteração veiculada pela Lei nº 12.865, de 2013, expressamente interpretativa, indiscutivelmente, os insumos da indústria alimentícia que processem produtos de origem animal classificados Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos Fl. 311DF CARF MF Processo nº 11020.001756/201034 Acórdão n.º 9303006.060 CSRFT3 Fl. 11 10 códigos 15.17 e 15.18, adquiridos de não contribuintes farão jus ao crédito presumido no percentual no percentual de 60% do que seria apurado em uma operação tributada. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS As leis instituidoras da sistemática nãocumulativa das contribuições PIS e COFINS, ao exigirem apenas que os insumos sejam utilizados na produção ou fabricação de bens, não condicionam a tomada de créditos ao "consumo" no processo produtivo, entendido este como o desgaste em razão de contato físico com os bens em elaboração. Comprovado que o bem foi empregado no processo produtivo e não se inclui entre os bens do ativo permanente, válido o crédito sobre o valor de sua aquisição. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVOS. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. Nos termos do § 4º do art. 3º das Leis 10.637 e 10.833 "o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes". Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 TAXA SELIC. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. REP Provido em Parte e REC Provido em Parte Acordam os membros do Colegiado, por maioria, em dar provimento parcial aos recursos especiais da Fazenda Nacional e do sujeito passivo, nos seguintes termos: I) recurso especial da Fazenda Nacional: a) limpeza e desinfecção: por maioria, em negar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator) e Carlos Alberto Freitas Barreto; b) embalagens utilizadas para transporte: por maioria em negar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres e Carlos Alberto Freitas Barreto; c) despesas de períodos anteriores: por maioria, em negar provimento. Vencido o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres; d) serviços de lavagem de uniformes: pelo voto de qualidade, em dar provimento. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Valcir Gassen, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martinez López; e) percentual de crédito presumido: por unanimidade, em negar provimento; f) juros sobre multa de ofício: por maioria, em dar provimento. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martinez López; e II) recurso especial do sujeito passivo: a) indumentária: por maioria, em dar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator), Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas e Carlos Alberto Freitas Barreto; e b) pallets: por maioria, em dar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator) e Carlos Alberto Freitas Barreto. Designados para redigir os votos vencedores o Conselheiro Júlio César Alves Ramos em relação às letras "a", “b” e “c” do item I e letra “b” do item II; e o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho em relação à letra a do item II. (grifouse) Há, ainda, de se examinar a caracterização dos materiais de acondicionamento e transporte plástico de coberto e filme plástico do tipo “stretch” – como insumos passíveis de gerar crédito de PIS/Pasep. Na linha relacional traçada no presente voto, considerandose que as mercadorias para serem devidamente armazenadas e transportadas após a produção, até chegarem ao consumidor final, exigem a utilização do plástico de coberto e do filme plástico do tipo “stretch”, é nítida a relação de pertinência, relevância e essencialidade com o processo produtivo, sendo imprescindível o seu reconhecimento como insumo. Fl. 312DF CARF MF Processo nº 11020.001756/201034 Acórdão n.º 9303006.060 CSRFT3 Fl. 12 11 Por fim, cumpre consignar que os itens, analisados no presente recurso especial, são empregados na “palletização” dos produtos a serem estocados e transportados pela Contribuinte, procedimento indispensável à correta armazenagem dos produtos face ao tamanho reduzido das embalagens individuais e, mais ainda, ao atendimento de exigências das normas de controle sanitário da área de alimentos, consoante Portaria SVS/MS (Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde) nº 326/1997. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, mantendose o reconhecimento ao direito creditório da Contribuinte. " Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 313DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.906725/2012-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 28/02/2009
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA.
O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de restituição ou compensação quando comprovadas a sua liquidez e certeza.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 28/02/2009
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.186
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/02/2009 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de restituição ou compensação quando comprovadas a sua liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/02/2009 INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 67 25 /2 01 2- 39 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10865.906725/201239 Acórdão n.º 3201003.186 S3C2T1 Fl. 3 2 RENASCER CONSTRUÇÕES ELÉTRICAS LTDA. transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da Cofins. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação em litígio neste processo, em virtude de o pagamento correspondente ter sido utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante alegou, laconicamente, que o "indeferimento parcial não pode prosperar porque os créditos oriundos de pagamento indevido ou maior já tinham sido devidamente disponibilizados em razão da desvinculação dos mesmos das DCTFs daquele período". Nos termos do Acórdão nº 02051.158, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão na falta de comprovação da existência e da suficiência do crédito pleiteado. Em seu recurso voluntário, o Recorrente alega que não atentara para o fato de que o seu departamento fiscal não procedera às retificações necessárias à confirmação das alegações por ele apresentadas, em razão do quê solicita a concessão de novo prazo para realizar a apuração efetiva do seu direito creditório, tendo em vista os princípios constitucionais da capacidade contributiva e do não confisco. É o relatório Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201003.176, de 28/09/2017, proferido no julgamento do processo 10865.906711/201215, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.176): O recurso voluntário, por mostrarse tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade, merece, por isto, ser conhecido. Nos termos do relatório fiscal, a lide do processo cingese à falta de comprovação pela Recorrente do seu direito creditório, nos termos constantes do despacho decisório, parte dos créditos declarados pelo contribuinte na DCOMP estavam vinculados ao pagamento de outros tributos, razão pela qual, as declarações de compensação foram homologadas parcialmente. Nas alegações do Recurso a Recorrente confirma que não realizou as apuração do seu direito creditório e não providenciou as alterações necessárias para confirmar o direito creditório alegado e pede uma prorrogação de prazo para realizar tais procedimentos. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10865.906725/201239 Acórdão n.º 3201003.186 S3C2T1 Fl. 4 3 A exigência de liquidez e certeza dos créditos sempre foi condição sine qua non para a compensação, necessitando de prova clara e inconteste do direito creditório. No caso em tela, o contribuinte alega a existência do indébito tributário, sem apresentar as provas necessárias para comprovar as suas alegações. O pedido para prorrogação de prazo não é matéria afeita a este processo, pois, os documentos e informações comprobatórios precisam acompanhar o recurso interposto, caso a Recorrente, junto com o seu recurso voluntário, tivesse apresentado informações ou documentos que pudessem comprovar o seu direito creditório, seria possível considerar a realização de diligências para averiguar tais informações. Entretanto, a Recorrente apenas confirma os fatos já apresentados no despacho decisório e posteriormente na decisão da primeira instância, que os créditos não aceitos pela fiscalização estão vinculados a outros pagamentos, não existindo nenhuma informação que possa contradizer estes fatos, não pode prosperar o pedido da Recorrente. Quanto à alegação de ofensa a princípios constitucionais, este Conselho não é competente para aprecia a matéria, conforme assentado na súmula nº 2 do CARF, publicada no DOU de 22/12/2009, que veda o pronunciamento sobre constitucionalidade de lei tributária. "Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação da compensação respectiva. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 60DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003680/2003-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 05 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ
Ano-calendário: 1997
PRAZO DECADENCIAL PARA O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO
Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para o fisco constituir o crédito tributário via lançamento de oficio, começa a fluir a partir da data do fato gerador da obrigação tributária, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, caso em que o prazo começa a fluir a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
Numero da decisão: 1401-000.308
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, reconhecer a decadência, vencidos os conselheiros Fernando Luiz Gomes de Mattos e Viviane Vidal Wagner
Nome do relator: Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ Ano-calendário: 1997 PRAZO DECADENCIAL PARA O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para o fisco constituir o crédito tributário via lançamento de oficio, começa a fluir a partir da data do fato gerador da obrigação tributária, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, caso em que o prazo começa a fluir a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
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