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Numero do processo: 10845.003111/92-45
Data da sessão: Wed Jun 22 00:00:00 UTC 1994
Numero da decisão: 302-00.702
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência à Polícia Federal, através da Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Elizabeth Emilio de Moraes Chieregatto
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DRF - SANTOS - SP R E S O L U C A O N. 302-702 • VISTOS, relatados e discutidos os presentes autos, RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência à Polícia Federal, através da Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presen- te julgado. Brasília-DF, em 22 de junho de 1994 . /~I.~.~k.J. ~. ~AMPEL~ETO - Presidente em exercício Ú'aC4,~ ELIZABETH EMILIO MORAES CHIEREGATTO - Relatora VISTO EM tfd t~~_ \""'''.)ANNA LTjIIA GAT'kJDE 2 9 JUN 1995 OLIVEIRA - Procuradora Faz. Nac. • Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselhei- ros: RICARDO LUZ DE BARROS BARRETO, ELIZABETH MARIA VIOLATTO e LUIS ANTONIO FLORA. Ausente os Cons. JOSE SOTERO TELLES DE MENEZES e PAU- LO ROBERTO CUCO ANTUNES . •• • • MF - TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES -- SEGUNDA CAMARA RECURSO N. 115.861 -- RESOLUÇAO N. 302-702 RECORRENTE: MURCHISON TERMINAIS DE CARGA S.A. RECORRIDA DRF - SANTOS - SP REALTORA ELIZABETH EMILIO MORAES CHIEREGATTO R E L A T O R I O Murchison Terminais de Carga S.A., agente consignatária do navio "Sea Trade", entrado no Porto de Santos em 13.06.1990, manifestou o transporte de um container n. UFCU-384734-2 "STC", ou seja, dizendo conter "uma peça de máquinaít''',consignado a Ae- rofree S.R.L. -- Ciudad del Este, Paraguai, conforme Bill of La- ding às fls. 44 dos autos, ou a Carlos A. Vasquez, Assuncion, Pa- raguai, de acordo com Bill of Lading às fls. 37. Tal container constava no Manifesto de Carga com um peso de 4,08 toneladas e lacre n. 5819 (fls. 12). Em 21.09.90, o segundo consignatário, Carlos A. Vas- quez, apresentando-se como importador através de despachante aduaneiro, requereu a designação de AFTN para assistir ao esva- ziamento e verificação do container, colocando que o seu conteúdo era um automóvel marca Mercedes Benz, ano 1989, cor azul, modelo 300-E (fls. 07). O instrumento da procuração outorgada foi firmado em Santos, perante o Delegado Administrador do Depósito Franco do Paraguay, em 21.09.90, tendo sido nomeada inicialmente como "pro- curador" Brazner Despachos Aduaneiros S/C Ltda., que a subdelegou ao despachante aduaneiro Antonio Paulo Roca dos Santos em 01.10.90. Neste instrumento, o outorgante explicitou a autoriza- ção para a importação do automóvel anteriormente citado. (fls. 38/39) . Em 09.11.90, foi realizada a verificação fiscal do con- tainer sendo que, após o mesmo ser aberto, verificou-se que seu interior encontrava-se completamente vazio; o cofre de carga por- tava lacre de metal, já enferrujado porém aparentemente intacto (fls. 08). O container, quando da descarga, havia sido lançado no Termo de Avaria n. 36818 como "amassado, arranhado, enferrujado, com lacre n. 093 4246" (fls. 11). Foi este o lacre rompido quando da verificação fiscal. A época, não foi realizada a Vistoria Aduaneira. O importador, ou quem suas vezes fazia, silenciou. O despachante aduaneiro que representava o importador por subesta- belecimento da Brazner Despachos Aduaneiros S/C Ltda., intimado, apresentou a petição de fls. 13 do PCl apenso aos autos, afirman- do que, ao receber o referido container para despachar, embora estivesse declarado no BL que seu conteúdo era "uma peça de má- quina", insistia o interessado através do seu procurador que tra- tava-se de um "automóvel". Face ao impasse surgido entre este ~~ • • Rec. 115.861 Re s. 3 O2 - 7 O2 3 despachante e o procurador, decidiu-se desovar o cofre de carga. A partir deste momento, nada mais lhe foi informado a respeito, pelo que acreditava ser necessário entrar em contacto com o pro- curador do importador, para novos esclarecimentos. Intimado, o representante da firma procuradora do im- portador paraguaio (Brazner Despachos Aduaneiros S/C Ltda.), Sr. Mario Aderbal Nery, ratificou, em 29.10.91, que recebera a infor- mação de que o container trazia efetivamente um automóvel e que, ao ser verificado que o mesmo estava vazio, teria solicitado es- clarecimentos ao importador, que não deu nenhuma resposta; ale- gou, outrossim, que desconhece o paradeiro do citado importador. Informou, ainda que, à época, havia procurado o chefe do Setor de Trânsito Aduaneiro da DRF/Santos para informar sobre a divergên- cia de conteúdo do container (fls. 20 - PCI apenso). As fls. 21 do referido PCI encontra-se o esclarecimento do Chefe do SETRAN, datado de 25.03.92, de que as informações prestadas pelo representante do importador não corresponderam a verdade, uma vez que não havia sido procurado pelo mesmo, e pro- pondo que fosse solicitado à CODESP informações sobre o peso do container por ocasião da descarga. Informou ainda que o processo havia permanecido naquele setor por longo tempo pois o procurador do importador havia prometido levar cópia da documentação exis- tente, tendo ao final, comunicado que não mais possuía nenhum do- cumento em seu arquivo, devendo os mesmos terem sido extraviados quando da mudança de endereço de seu escritório. nhou cofre carga. Em 18.02.92, Murchison Terminais de Carga S.A. encami- petição à DRFjSantos solicitando autorização para retirar o de carga do TECON, face ao tempo decorrido desde sua des- • • Intimada a prestar esclarecimentos sobre as providên- cias que teria tomado em relação à solicitação de Vistoria Adua- neira, afirmou que não havia solicitado pois a iniciativa com referência a este procedimento deveria ter partido do importador, uma vez que tratava-se de um container em regime "house to hou- se" . Por não haver sido realizada a competente Vistoria até aquele momento, foi a mesma determinada "ex officio", ocorrendo em 21.05.92. Verificou a Comissão de Vistoria que o referido co- fre de carga foi encontrado com um lacre sem identificação, dito como sendo da CODESP, acusou peso líquido de 2.270 kg e encontra- va-se "vazio". Com base nos fatos apurados, ou seja, que: a) havia divergência entre o lacre constante do Mani- festo de Carga e o consignado pela CODESP em seu Termo de Avaria; b) havia diferença do peso manifestado e o verificado, concluiu que houve extravio de mercadoria, de responsabilidade do transportador mas que não possuía elementos de convicção nem do- cumentos para lan9amento do crédito tributário e opinou pelo ar- quivamento do processo (fls. 19/21). As fls. 22-verso consta a determinação do Delegado da Receita Federal em Santos para que se prosseguisse com a apuração ~d • 302-702 4 do crédito tributário, com base nas afirmações do consignatá- rio/importador da mercadoria e com os dados constantes no pcr apenso aos autos. (26.05.92). Em decorrência, foram realizadas diligências e audito- ria fiscal nos estabelecimentos das empresas envolvidas, no caso, Brazner Despachos Aduaneiros S/C Ltda., Murchison Terminais de Carga e do despachante aduaneiro, para verificação de documentos e levantamento de dados sobre o assunto. Como resultados, obteve-se: -- o Bill of Lading n. JAX SOA 00597, consignado a Car- gos A. Vasquez, acobertando a mercadoria descrita como "peça de máquina" (fls. 37); -- a procuração outorgada por Carlos A. Vasquez à Braz- ner Despachos Aduaneiros Ltda. (fls. 38); o instrumento particular de substabelecimento de procuração para Antonio Paulo Roca dos Santos, despachante adua- neiro (fls. 39); pela CODESP (fls. 40); a Ficha de Mercadoria Abandonada n. 1028, em 18.09.90, referente ao container UFCU emitida 384734-2 • • o relatório desconsolidado do cofre de carga (com observação de que a mercadoria, de acordo com o BL, era consti- tuída por "peça de máquina" e de que, no documento entregue à DRF pelo despachante, a mesma constava como "automóvel"; à época, fo- ram feitos vários pedidos de informação sobre o pagamento de fre- te, etc.) (fls. 43); Bill of Lading n. AMEU JAX SOA 000597, consignado à Aerofree SRL, descrevendo a mercadoria transportada como "peça de máquina" (fls. 44); documentação solicitando a desconsolidação da mer- cadoria acondicionada no container (fls. 45); declaração de que o frete referente ao BL JAX SOA 000597 encontrava-se pendente de liquidação em poder da Sociedade Crowley Agência Marítima Ltda. (fls. 46); -- "mensagem" informando sobre o não pagamento do frete (fls. 47/48); o Manifesto de Carga que acobertou o transporte (fls. 49); cópia FAX 849/90 de Trape/Foz para Murchison. No endereço da Brazner Despachos Aduaneiro S/C Ltda., funcionava, quando da diligência, a firma United Maritime Navega- ção e Comércio Ltda., tendo a primeira sido declarada como baixa- da no CGC/MF. Na firma United Maritime Navegação e Comércio Ltda. ~~ • • • • • Rec. 115.861 Re s. 3 O2 - 7 O2 5 foi constatada a presença de var~as mercadorias estrangeiras de- sacompanhadas de prova de sua importação ou aquisição regulares. Após sua retenção (fls. 51/52) foi nomeado o Sr. Mário Aderbal Nery, sócio gerente da firma, como seu fiel depositário. As fls. 59 dos autos consta o "Demonstrativo de Classi- ficação e Avaliação de Mercadorias Vistoriadas" referente ao BL JAX 000597, identificando como mercadoria objeto do mesmo "um au- tomóvel marca Mercedes Benz, modelo 300-E, ano de fabricação 1989, cor azul", tendo como documentos-suporte para determinação do valor da mercadoria a Fatura n. 200.295 de "K.G. Falcon Export GMBH" e a D. 1. n. 22. 221-6 . E importante salientar que ambos os documentos-suporte acobertaram a importação de um "automóvel para passageiros marca Mercedes Benz tipo 300-E Sedan, ano de fabricação 1989, realizada por Abou Latif, consul geral da Rep. Arabe da Síria no Rio de Ja- neiro, em junho de 1989 -- embarque diplomático . As fls. 64 consta o Aditivo ao Termo de Vistoria Adua- neira lavrado em 21.05.92, indicando crédito tributário apurado pelo extravio da mercadoria, composto de 1.1. e multa capitulada no art. 106, item 11, alínea "d" do D.L. 37/66 . As fls. 65 consta o Auto de Infração decorrente, inti- mando Murchison Terminais de Carga S.A. a recolher o crédito tri- butário de 155.255,00 UFIRS, constituído de 1.1., IPI, multa do art. 521, lI, "d", do R.A., multa do art. 365, inc. I, RIPI e multa do art. 526, 11, R.A. A "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" assim ex- pôs: "Em ato de Vistoria Aduaneira lavrada a cabo em 21.05.92 e complementada por diligências constantes do processo n. 10845.003111/92-45, apurou-se o extravio de um veículo Mercedes Benz - modo 300-E, ano 1989, cor azul ..." Devidamente intimada, a autuada apresentou tempestiva- mente impugnação à ação fiscal, alegando basicamente que (fls. 68/72) : 1) a autuação delira de prova; 2) para que, através de vistoria aduaneira ou de conferência fi- nal de manifesto, se possa apontar falta de mercadoria importada, é imprescindível que a mercadoria esteja regularmente manifesta- da; 3) o automóvel considerado faltante não estava manifestado pelo Conhecimento n. 597 de Jacksonville, pois este documento dava co- bertura apenas a "1 peça de máquina" cujo destino final era o Pa- raguai; 4) o Manifesto n. 1448/90, do vapor "Sea Trade" também indicava, sob o Conhecimento n. 597 do porto de Jacksonville, o transporte ~ • • • • Rec. 115.861 Res. 302-702 6 de um volume contendo "i peça de máquina"; 5) o fiscal autuante baseou-se em petição protocolada em 06.11.1990 firmada em nome do importador paraguaio por seu despa- chante aduaneiro para concluir que no container em questão havia sido acondicionado um automóvel; 6) este mesmo despachante aduaneiro informou que, ao receber para despachar o container em questão, verificou a divergência entre o conteúdo apontado pelo B/L e aquele indicado pelo procurador do importador. Tal fato ocasionou a desova do cofre de carga; 7) não há como se deixar de reconhecer que a mercadoria manifes- tada era constituída de uma peça de máquina, sendo irrelevante o fato de haver a requerente, equivocadamente, manifestado incorre- tamente sua concordância com o pedido de "desova" de um automóvel formulado pelo importador paraguaio sem base em qualquer documen- to idôneo; 8) a ação fiscal, além de improcedente, é insubsistente, pois, tratando-se de importação paraguaia, indevida seria a cobrança de direitos aduaneiros pela Fazenda Nacional, inexistindo qualquer prejuízo a ser indenizado; 9) pede e espera que se declare a insubsistência ou a improcedên- cia da ação fiscal. Na réplica, o autor do feito considerou as alegações apresentadas pela autuada improcedentes, pelo que expôs: 1) a mercadoria foi regularmente manifestada pois, conforme re- querimento as fls. 07 dos autos, a autuada convalidou a informa- ção prestada pelo despachante aduaneiro com um "de acordo", sem qualquer contestação quanto à declaração do conteúdo; 2) facilmente se conclui pela existência de dolo, no trato com dois B/Ls para uma mercadoria só e dois consignatários distintos, sendo que os conhecimentos levam o mesmo número e foram emitidos pela AMTRANS; 3) a empresa Murchison convalidou, sem contestar, o requerimento já citado, apesar da divergência dos consignatários para ~ merca- doria; 4) encontra-se nos autos procuração específica para a documenta- ção do automóvel, visada pelo Administrador do Depósito Franco do Paraguai; 5) o Termo de Vistoria apontando o extravio da mercadoria e res- ponsabilizando American Transport Lines jamais foi contestado, o que implica numa anuência de suas conclusões; 6) opina pela manutenção integral do auto de infração . Considerando os fundamentos de fato e de direito expos- tos no Relatório e Parecer de fls. 79/82, a autoridade singular julgou procedente a ação fiscal, através da Decisão n. 081/93, ~d Rec. 115.861 Res. 302-702 7 assim ementada: "Extravio de mercadoria -- No presente caso, constatou- se mediante farta documentação entregue pelas partes envolvidas, o extravio de um automóvel marca Mercedes Benz 300-E, ano de fabricação 1989; pela transgressão é exigível o recolhimento do 1.1. e do IPI, bem como as multas dos artigos 521, 11, "d" e 526, 11, do R.A. (De- creto n. 91.030/85) e artigo 365, I, do RIPI (Decreto n. 87.981/82)." Intimada e inconformada, com guarda do prazo a autuada recorreu a este Egrégio Conselho, insistindo nas razões que apre- sentou na fase impugnatória, especialmente em que: a comprovação da colocação de mercadoria a bordo de utilizado no transporte marítimo, terrestre ou aéreo através de um documento emitido pelo transportador cimento de embarque ou conhecimento de transporte; veículo é feita o conhe- • • no caso, o transportador emitiu este documento -- B/L 597 de Jacksonville, de modo que não se pode deixar de reconhecer que, no porto de origem, foi embarcado um container (UFCU 384734-2) com peças de maquinaria; esta era a mercadoria manifestada; apenas com base em petição firmada em nome do importador, con- cluiu-se que, no container, teria sido acondicionado um auto- móvel; o próprio despachante aduaneiro esclareceu que não havia con- cordado com a divergência entre o B/L e a informação prestada pelo procurador do importador; não existe fundamento para a afirmação de que teria sido cons- tatado o extravio de um veículo; além do que, qualquer que fosse a mercadoria estivada no inte- rior do container, não poderia ser acolhida a pretensão fis- cal, dado que se tratava de importação paraguaia; não ocorre- ria o fato gerador do referido tributo, que é o desembaraço alfandegário; requer que seja dado provimento integral ao recurso. E o relatório. .------------------------------------------- 8 Rec. 115.861 Res. 302-702 v O T O No processo em análise, varlas são as peças conflitan- tes apresentadas e singular é o procedimento das pessoas envolvi- das que tentam eximir-se de qualquer responsabilidade perante o fisco. A existência de dois E/Ls consignados a pessoas dife- rentes causa espécie. Contudo, ambos os B/Ls acobertam a importa- ção de "uma peça de máquina". A forma como estes B/Ls foram emi- tidos também deve ser considerada. Aparentemente, um deles não é verdadeiro. • • No manifesto de carga, consta que a mercadoria é "uma peça de máquina" destinada à Aerofree - Paraguai. A procuração outorgada pelo Sr. Carlos Vasquez, embora identifique a importação de um automóvel, não é prova suficiente de que esta era, efetivamente, a mercadoria estivada no interior do container. Não constam dos autos documentos que indentifiquem cla- ramente a importação objeto do litígio. Mesmo que se concluisse que houve extravio de "uma peça de máquina", seu valor não é conhecido pois não existe nem fatura comercial nem informação sobre o mesmo nos documentos de trans- porte. A própria Vistoria concluída em 21.05.92, fls. 19/21, colocou que houve extravio de mercadoria de responsabilidade do transportador mas concluiu que não possuía elementos de convicção nem documentos que respaldassem o lançamento do crédito tributá- rio, uma vez que dispunha apenas do B/L o qual descreve a merca- doria como "peça de máquina", impossibilitando qualquer tipo de valoração ou classificação tarifária. O Auto de Infração considerou o "Demonstrativo de Clas- sificação e Avaliação de Mercadorias Vistoriadas" sendo que este último teve como suporte documentos que acobertaram outra impor- tação. E presunção concluir-se que, mesmo que tivesse ocorrido o extravio de um automóvel, o mesmo teria os mesmos acessórios e elementos daquele carro regularmente importado. O art. 481 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo De- creto 91.030/85 dispõe que "observado o disposto no art. 107, o valor dos tributos referentes à mercadoria avariada ou extraviada será calculado à vista do manifesto ou dos documentos de importa- ção". Esclarece ainda, em seu parágrafo 1., que "Se os dados do ~éL Rec.115.861 Re s. 3 O2 - 7 O2 9 manifesto ou dos documentos de importação forem insuficientes, o cálculo terá por base o valor de mercadoria contida em volume idêntico" . No caso, nenhuma das duas determinações pode ser obede- cida. Considerando todo o exposto e tudo o mais que do pro- cesso consta, voto no sentido de transformar o julgamento em di- ligência à Polícia Federal via repartição de origem, para que a mesma se pronuncie sobre a matéria. Se nada for apurado, outras penalidades devem ser im- postas aos envolvidos. Sala das Sessões, em 22 de junho de 1994. • 19l ELIZABETH EMILIO MORAES CHIERGATTO - Relatora 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009
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Numero do processo: 10580.726759/2010-76
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2006
NULIDADE. SIGILO BANCÁRIO.
A requisição das informações bancárias do contribuinte junto às instituições financeiras está autorizada pelo art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, regulamentado pelo Decreto nº 3.724, de 2001, sendo lícita a utilização dessas informações na fundamentação de exigência tributária.
ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 2006
OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. BASE DE CÁLCULO.
A presunção de omissão de receitas estipulada no artigo 42 da Lei nº 9.430/1996 não faz qualquer segmentação das receitas presumidas, submetendo todas à tributação, na qualidade de receita omitida, inclusive receitas oriundas de prestação de serviços.
OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONSUMO DA RENDA.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Súmula CARF n°26.
MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. LEGALIDADE
A multa de ofício exigida nos percentuais de 75% e 150% possui fundamento legal em norma válida e não pode ser afastada em razão de alegação de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 1201-002.974
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário apenas para reduzir o valor da multa administrativa aplicada com fundamento legal no artigo 21 da Lei n° 9.317/1996, que deve ser exigida no valor de RS 12.644,47. Vencidos os conselheiros, Luís Henrique Marotti Toselli, Alexandre Evaristo Pinto, Gisele Barra Bossa e André Severo Chaves (Suplente Convocado), que afastavam a multa administrativa e a qualificação da multa de ofício.
(documento assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Júnior, Alexandre Evaristo Pinto, André Severo Chaves (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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SIGILO BANCÁRIO. A requisição das informações bancárias do contribuinte junto às instituições financeiras está autorizada pelo art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, regulamentado pelo Decreto nº 3.724, de 2001, sendo lícita a utilização dessas informações na fundamentação de exigência tributária. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. BASE DE CÁLCULO. A presunção de omissão de receitas estipulada no artigo 42 da Lei nº 9.430/1996 não faz qualquer segmentação das receitas presumidas, submetendo todas à tributação, na qualidade de receita omitida, inclusive receitas oriundas de prestação de serviços. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONSUMO DA RENDA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Súmula CARF n°26. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. LEGALIDADE A multa de ofício exigida nos percentuais de 75% e 150% possui fundamento legal em norma válida e não pode ser afastada em razão de alegação de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário apenas para reduzir o valor da multa administrativa aplicada com fundamento legal no artigo 21 da Lei n° 9.317/1996, que deve ser exigida no valor de RS 12.644,47. Vencidos os conselheiros, Luís Henrique Marotti Toselli, Alexandre Evaristo Pinto, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 67 59 /2 01 0- 76 Fl. 675DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-002.974 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.726759/2010-76 Gisele Barra Bossa e André Severo Chaves (Suplente Convocado), que afastavam a multa administrativa e a qualificação da multa de ofício. (documento assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Júnior, Alexandre Evaristo Pinto, André Severo Chaves (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório ABATEDOURO AVÍCOLA RODRIGUES LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 15-27.695 (fls. 586), pela DRJ Salvador, interpôs recurso voluntário (fls. 606) dirigido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma daquela decisão. O presente processo trata de lançamentos tributários para exigir IRPJ-Simples, CSLL-Simples, PIS-Simples, COFINS-Simples, INSS-Simples e multa regulamentar (fls. 295), relativos ao ano 2006, bem como juros de mora e multa de ofício qualificada (150%), totalizando o crédito tributário de R$ 3.955.075,55. A fiscalização presumiu a omissão de receitas a partir da constatação da existência de depósitos bancários de origem não comprovada. A inclusão da referida omissão na receita bruta do contribuinte causou uma mudança de faixa de tributação, pelo que também foi lançada a correspondente insuficiência de pagamento. A acusação fiscal está detalhada em Relatório Fiscal (fls. 280). O contribuinte impugnou os lançamentos tributários (fls. 380). A impugnação foi julgada por meio do Acórdão nº 15-27.695 (fls. 586), quando foi considerada improcedente. Na mesma decisão, foi julgada a manifestação de inconformidade do contribuinte contra a sua exclusão do Simples, inicialmente formalizada no processo nº 10580.726878/2010-29, que hoje segue em apenso ao presente processo, quando foi mantida a referida exclusão. O contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 606) manifestando-se contra o lançamento tributário e requerendo a reversão de sua exclusão no Simples. O recurso voluntário apresentado traz os argumentos assim sintetizados: i) parcela significativa dos recursos que transitaram pelas contas bancárias seriam de terceiros, em razão de o contribuinte ter exercido a atividade de intermediação na venda de frangos, para a qual apenas recebia uma bonificação; ii) o Livro Caixa apresentado à fiscalização comprovaria a origem dos depósitos bancários; Fl. 676DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-002.974 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.726759/2010-76 iii) as notas fiscais das operações de intermediação não teriam sido emitidas porque não eram exigidas pelos fiscos estaduais; iv) a realização de uma perícia seria necessária para que a fiscalização comprove que os depósitos em suas contas bancárias são fruto da atividade de intermediação comercial; v) a auditoria fiscal realizada com base em informações da movimentação financeira do contribuinte obtida sem autorização judicial vulneraria o sigilo bancário constitucionalmente protegido; vi) o recurso deveria ser enviado à "Procuradoria Fiscal da Receita Federal do Brasil" para a devida análise; vii) os sócios da empresa autuada não teriam tido ganho patrimonial no período fiscalizado, o que indicaria que a movimentação financeira não gerou qualquer enriquecimento; vi) as multas impostas deveriam ter seu percentual reduzido, em razão da "ilegalidade e inconstitucionalidade dos critérios punitivos para a sua fixação". É o relatório. Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. Não há registro nos autos de cientificação ao contribuinte da decisão de primeira instância, embora tenha sido juntada uma intimação nesse sentido, em 13/09/2011 (fls. 599). O recurso voluntário em análise foi apresentado em 20/10/2011 (fls. 606). Entendo que a dúvida pode ser solucionada no sentido de admitir a tempestividade do recurso, pela proximidade entre a juntada da intimação aos autos e a apresentação do recurso e em homenagem ao princípio da ampla defesa. Assim, o recurso é considerado tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, pelo que passo a conhecê-lo. O recorrente opõe-se à decisão de primeira instância com os argumentos a seguir apresentados e apreciados. 1 Base de cálculo - depósitos bancários - bonificação O recorrente afirma que parcela significativa dos recursos que transitaram por sua conta bancária são de terceiros, em razão de ter exercido a atividade de intermediação na venda de frangos, para a qual apenas recebia uma bonificação, conforme o seguinte excerto (fls. 608): Em paralelo ás suas operações comerciais de vendas a varejo a consumidor final, a empresa efetuava uma transação comercial de Aquisição de frangos vivos, junto a fornecedores (pequenos produtores rurais) no estado de M.G. a qual recebia uma carga fechada através de caminhão Truck, e quando o produto chegava aqui Salvador era distribuídos a outros abatedouros, efetuando-se assim a cobrança dos valores a qual eram depositados em c/c, e depois repassado aos fornecedores de forma fracionada.. Neste mesmo expediente, informou que ganhava com isto era apenas uma BONIFICAÇÃO, em produto (frangos) líquido das despesas de frete, distribuição entre outras, a qual perfaziam convertendo-se em dinheiro ao percentual de 1,3% de bonificação líquida, traduzindo-se então que os repasses dos valores que transitavam pela conta corrente eram enviados aos fornecedores, tratando-se, portanto, de uma conta transitória de valores. [...] Fl. 677DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-002.974 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.726759/2010-76 Diante dessa circunstância, o Contribuinte apesar de ter um CNAE diverso da forma que executou esta atividade, correlata com seu objeto, praticou de fato uma INTERMEDIAÇÃO COMERCIAL, a qual consta devidamente escriturada e evidenciada no seu Livro Caixa ( Doc. 2 - anexado na defesa inicial ) em que teve uma Bonificação em Produtos - Frangos de 1,3% perfazendo um valor de R$ 90.574,90 (Noventa mil quinhentos e setenta e quatro reais e noventa centavos), que é o valor JUSTO A TRIBUTAR referente a Autuação Fiscal. Verifico que o contribuinte já havia apresentado esta justificativa à fiscalização, mas esta não a reconheceu como suficiente para comprovar da origem dos depósitos bancários, conforme o seguinte excerto do RF (fls. 285): Ainda que a afirmativa do contribuinte seja verdadeira (haja vista a não apresentação de Notas Fiscais de Saída) de que a conta 69-8 responderia pelos recebimentos de vendas a varejo, permaneceu SEM COMPROVAÇÃO a origem dos créditos detectados nas contas 111.432-8 (poupança e conta corrente). Isto porque: a) O contribuinte alegou atuar como representante comercial na venda de frangos vivos, MAS SEU CONTRATO SOCIAL e suas ALTERAÇÕES não trazem, em nenhum momento, intenção de atuar neste ramo, e sim meramente no COMÉRCIO VAREJISTA; b) Sendo optante pelo regime de tributação simplificado (SIMPLES), o contribuinte JAMAIS poderia atuar como REPRESENTANTE COMERCIAL, conforme artigo 9o, inciso XIII; c) Ainda que, transgredindo à lei, atuasse no SIMPLES como representante comercial, não comprovou o recebimento das mercadorias, pois não apresentou NENHUMA NOTA FISCAL DE ENTRADA dos frangos vivos oriundos de produtores mineiros. Alegou que não havia emissão de documentos fiscais para remessa de cargas entre os estados da Bahia e Minas Gerais era virtude da isenção de ICMS concedida pelos estados. Nesta alegação comete o contribuinte duas impropriedades, a saber: c.1) Primeiramente, a concessão de qualquer benefícios fiscais pela legislação estadual não tem o condão de desobrigar o contribuinte da emissão das respectivas notas fiscais de saída, até porque estas comprovam o conteúdo transportado e são objeto de auditorias nas barreiras interpostas pelos fiscos estaduais. Ademais, a ausência desses documentos impede os fiscos federal e municipal de apurar os tributos que lhe são devidos. Frise-se que TODAS AS OPERAÇÕES que envolvam a circulação de mercadorias devem estar amparadas por documento fiscal idôneo emitido por contribuinte em situação fiscal regular; c.2) Determina a legislação estadual do ICMS e do IPI que os dispositivos que concedem benefícios fiscais às operações (isenção, diferimento, não-incidência, redução da base de cálculo, etc) devem ser mencionados no campo "Dados Adicionais" do documento fiscal emitido (ex; isenção concedida conforme o art..... do RICMS/BA). No âmbito federal todos os contribuintes estão obrigados à emissão de notas fiscais, independentemente do valor da operação e de estarem ou não obrigados a tanto pela legislação estadual e municipal. c.3) O representante comercial, sendo pessoa jurídica, deve emitir NOTA FISCAL DE SERVIÇOS, dos valores devidos a título de comissão. Já nas notas fiscais de remessa (venda) das mercadorias, figuram apenas os dados do emitente (vendedor) e do destinatário (cliente); sobre o valor da nota de venda é calculada a comissão do REPRESENTANTE. Embora assim devam ser registradas as operações, o contribuinte NÃO APRESENTOU NENHUMA NOTA FISCAL DE SERVIÇO referente às "bonificações" alegadas, nem 2ª via das notas fiscais de venda emitidas pelos produtores mineiros, destinadas diretamente aos clientes (abatedouros) na Bahia. Fl. 678DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1201-002.974 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.726759/2010-76 c.4) Com relação ao recebimento das vendas de mercadorias, não transita na conta corrente do REPRESENTANTE valor outro que não o de sua comissão. É que o pagamento é feito diretamente pelo destinatário (cliente) da nota fiscal ao emitente (vendedor), sendo que este último é que geralmente arca com o ônus do pagamento da comissão. Entendo que assiste razão à fiscalização e adoto os próprios fundamentos do lançamento tributário como razão de decidir. O contribuinte traz uma alegação que o coloca no campo da ilegalidade e, assim, sendo impossível de ser presumida. A única evidência apontada para sustentar a sua alegação é o Livro Caixa apresentado à fiscalização (fls. 188). Contudo, verifico que este foi confeccionado somente em razão da intimação da fiscalização (fls. 26) e que não foi apresentado qualquer documento que comprove os lançamentos lá realizados, apenas espelhando os extratos bancários. Isso retira todo o seu possível valor probante. Assim, entendo que não há evidências suficientes de que a alegação do contribuinte é verdadeira. Não tendo cumprido o ônus de comprovar a sua alegação, esta deve ser afastada no âmbito do contencioso administrativo. 2 Perícia O recorrente requer a realização de perícia para que a fiscalização comprove, por meio de circularização, que os depósitos em suas contas bancárias são fruto da atividade de intermediação comercial, conforme o seguinte excerto (fls. 612): A empresa requereu dentro dos requisitos necessários constantes no art. 16 do Decreto no. 70235/72, a qual foi indeferida pelo Relator, a qual deve ser anulada esta decisão, pois isto visa esclarecer melhor para um julgamento pleno e favorável as alegações do contribuinte e provas que for necessário no curso deste procedimento; o pedido de perícia é um direito do contribuinte deste que cumpra as formalidades do art. 16, que foram cumpridas e afirmadas nas fls. 576 do acórdão. Neste sentido, de contraposição das provas, é que se faz necessária a perícia. Verifico que o contribuinte teve a oportunidade de demonstrar a origem dos depósitos bancários e teve o empenho da fiscalização para apreciar a sua demonstração, de forma que a fase de dilação probatória foi, no meu entendimento, devidamente exaurida. A diligência fiscal prevista para o curso do contencioso administrativo, nos termos do artigo 18 do Decreto nº 70.235/1972, é cabível quando o feito não está suficientemente instruído para possibilitar a convicção dos julgadores. Na espécie, entendo que o feito está apto para ser julgado e que o pedido de diligência em tela, no meu entendimento, é uma tentativa de suprir a inércia do contribuinte em atender ao seu ônus de prova, transferindo-o para a Administração Tributária. Assim, entendo que a perícia requerida é desnecessária, pelo que a indefiro. 3 Sigilo bancário O recorrente afirma que a auditoria fiscal foi realizada com base em informações da movimentação financeira do contribuinte obtidas sem autorização judicial, o que vulneraria o sigilo bancário constitucionalmente protegido e contaminaria o procedimento de nulidade, conforme o seguinte excerto (fls. 613): O Fisco não pode ter acesso direto aos dados bancários do contribuinte. Este é o entendimento do Tribuna Federal da 3" Região, proferido no dia 25/08, ao anular um Fl. 679DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1201-002.974 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.726759/2010-76 auto de infração lavrado contra um contribuinte, com base no acesso da Receita Federal aos seus dados bancários. A requisição das informações bancárias do contribuinte junto às instituições financeiras foi efetuada por meio de RMF. Tal procedimento está autorizado pelo art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, que foi regulamentado pelo Decreto nº 3.724, de 2001: Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. O Supremo Tribunal Federal já declarou a constitucionalidade dos artigos 5º e 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, ao julgar, em conjunto, as ações diretas de inconstitucionalidade nº 2390, nº 2386, nº 2397 e nº 2859, de cujo acórdão se extrai o seguinte trecho de sua ementa: 4. Os artigos 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e seus decretos regulamentares (Decretos n° 3.724, de 10 de janeiro de 2001, e n° 4.489, de 28 de novembro de 2009) consagram, de modo expresso, a permanência do sigilo das informações bancárias obtidas com espeque em seus comandos, não havendo neles autorização para a exposição ou circulação daqueles dados. Trata-se de uma transferência de dados sigilosos de um determinado portador, que tem o dever de sigilo, para outro, que mantém a obrigação de sigilo, permanecendo resguardadas a intimidade e a vida privada do correntista, exatamente como determina o art. 145, §1º, da Constituição Federal. Assim, entendo que não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal em razão da utilização das informações financeiras do contribuinte e afasto a presente alegação de nulidade. 4 Outros pedidos O recorrente requereu o envio do presente recurso à "Procuradoria Fiscal da Receita Federal do Brasil" (fls. 612). Todavia, não há qualquer órgão com essa denominação na estrutura do Ministério da Economia, de forma que o pedido é impossível, juridicamente e de fato, e não pode ser conhecido. O recorrente também requereu a "anulação dos efeitos da exclusão do SIMPLES" (fls. 613), mas não apresenta qualquer argumento adicional aos que já foram aqui apreciados, de forma que o pedido deve ser indeferido, pois todos os argumentos do recorrente foram aqui refutados. O recorrente afirma que os sócios da empresa autuada não tiveram ganho patrimonial no período, o que indicaria que a movimentação financeira não gerou nenhum enriquecimento patrimonial. Entendo que a análise da evolução patrimonial dos sócios da empresa autuada não é pertinente à presente lide, uma vez que o lançamento se deu em razão da presunção legal prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430/1996 e esta aplicação prescinde de averiguação do consumo da renda que circulou pela conta bancária do contribuinte, conforme entendimento sedimentado na Súmula CARF n° 26, a qual possui o seguinte enunciado: Súmula CARF n° 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Fl. 680DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1201-002.974 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.726759/2010-76 Por fim, subsidiariamente, o recorrente requereu a redução do percentual das multas impostas, em razão de alegada "ilegalidade e inconstitucionalidade dos critérios punitivos para a sua fixação" (fls. 647). Verifico que foram impostas ao contribuinte a multa de ofício, parcialmente qualificada, e uma multa administrativa. A multa de ofício aplicada tem como fundamento o artigo 44, incisos I e II, da Lei nº 9.430/1996, abaixo transcrito. Portanto, deve ser afastada a acusação de ilegalidade. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II - cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Ademais, não há declaração de inconstitucionalidade desse dispositivo legal, pelo que ele não pode deixar de ser aplicado sobre o fundamento de inconstitucionalidade, conforme o entendimento pacificado neste tribunal administrativo, por meio da Súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF n° 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A multa administrativa foi aplicada com fundamento legal no artigo 21 da Lei nº 9.317/1996 e assim fundamentada pela fiscalização (fls. 292): Os trabalhos fiscais demonstraram que a microempresa ultrapassou, durante o ano- calendário de 2006, o limite de receita bruta acumulada de R$ 240.000,00, e não efetuou, como lhe era obrigação acessória fazer, nos moldes dos art. 13, inciso II, parágrafos 2o e 3o, da Lei n° 9.317/96, até o último dia útil do mês de janeiro de 2007, a comunicação de sua exclusão no SIMPLES na condição de Microempresa. Como conseqüência, e conforme determina o art. 21 do já mencionado diploma legal, foi aplicada uma multa correspondente a 10% (dez por cento) do total dos impostos e contribuições devidos de conformidade com o SIMPLES no mês que antecedeu o início dos efeitos da exclusão, valor este que não poderia ser inferior a R$ 100,00 (cem reais). [...] No caso em tela, o contribuinte teria que comunicar à Receita Federal do Brasil até o último dia útil do mês de janeiro de 2007 o fato de ter excedido o limite legal de receita na condição de microempresa, conforme determina o art 21 da Lei n° 9.317/96; como este não o fez, cabível é a multa de 10% sobre o imposto devido no mês de dezembro de 2006, mês este que antecedeu o início dos efeitos da exclusão. Em dezembro de 2006 a alíquota aplicável ao SIMPLES é de 12,6% acrescido de 20% , ou seja, 15,12% sobre a base de cálculo de dezembro/06 (RS 9.459.706,26), sendo a multa de oficio cabível de RS 143.030,76 (15,12% x R$ 9.459.706,26 x 10%). Verifico que a fiscalização, no cálculo da multa em tela, considerou que toda a movimentação financeira analisada (RS 9.459.706,26) ocorreu em dezembro de 2006, o que não é verdade, uma vez que a tabela de fls. 257 aponta o valor de R$ 836.275,07 para movimentação financeira não comprovada daquele mês. Assim, a multa deve ser reduzida, conforme o patamar correto da base de cálculo, da seguinte forma: R$ 836.275,07 × 15,12% × 10% = R$ 12.644,47. Fl. 681DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1201-002.974 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.726759/2010-76 5 Conclusão Diante das razões acima expostas, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário apenas para reduzir o valor da multa administrativa aplicada com fundamento legal no artigo 21 da Lei nº 9.317/1996, que deve ser exigida no valor de R$ 12.644,47. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 682DF CARF MF
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Numero do processo: 00007.150051/62-79
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 1981
Numero da decisão: CSRF/03-00.006
Decisão: RESOLVEM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Edwaldo Reis da Silva
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Numero do processo: 11020.002052/00-36
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 1997, 1998, 1999
Ementa:
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DÉBITOS E CRÉDITOS. CIRCULARIDADE.
Na compensação tributária, como regra geral, o débito apontado para o encontro de contas, nos termos da legislação de regência, deve ser superveniente ao crédito. No caso vertente, em que se almeja compensar débito do ano de 1996 com crédito apurado no ano de 1998, crédito esse constituído a partir do débito que se pretendeu compensar, resta evidente a ocorrência de circularidade impeditiva do acolhimento do pedido.
ESTIMATIVA. RECOLHIMENTO INDEVIDO.
Restando configurado o recolhimento indevido de estimativas, há que se acolher a pretensão do contribuinte de fazer incidir os juros com base na taxa selic a partir do momento em que os pagamentos foram efetivados.
Inaplicável, no caso, o disposto no artigo 10 (in fine) da Instrução Normativa RFB nº 600, de 2005.
Numero da decisão: 1302-000.608
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, dar provimento PARCIAL ao recurso para reconhecer, adicionalmente, os créditos nos montantes de R$ 92.555,96, R$ 5.073,90 e R$ 35.006,36, relativos aos juros selic incidentes sobre as estimativas recolhidas indevidamente.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARÃES
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1997, 1998, 1999 Ementa: COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DÉBITOS E CRÉDITOS. CIRCULARIDADE. Na compensação tributária, como regra geral, o débito apontado para o encontro de contas, nos termos da legislação de regência, deve ser superveniente ao crédito. No caso vertente, em que se almeja compensar débito do ano de 1996 com crédito apurado no ano de 1998, crédito esse constituído a partir do débito que se pretendeu compensar, resta evidente a ocorrência de circularidade impeditiva do acolhimento do pedido. ESTIMATIVA. RECOLHIMENTO INDEVIDO. Restando configurado o recolhimento indevido de estimativas, há que se acolher a pretensão do contribuinte de fazer incidir os juros com base na taxa selic a partir do momento em que os pagamentos foram efetivados. Inaplicável, no caso, o disposto no artigo 10 (in fine) da Instrução Normativa RFB nº 600, de 2005.
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DÉBITOS E CRÉDITOS. CIRCULARIDADE. Na compensação tributária, como regra geral, o débito apontado para o encontro de contas, nos termos da legislação de regência, deve ser superveniente ao crédito. No caso vertente, em que se almeja compensar débito do ano de 1996 com crédito apurado no ano de 1998, crédito esse constituído a partir do débito que se pretendeu compensar, resta evidente a ocorrência de circularidade impeditiva do acolhimento do pedido. ESTIMATIVA. RECOLHIMENTO INDEVIDO. Restando configurado o recolhimento indevido de estimativas, há que se acolher a pretensão do contribuinte de fazer incidir os juros com base na taxa selic a partir do momento em que os pagamentos foram efetivados. Inaplicável, no caso, o disposto no artigo 10 (in fine) da Instrução Normativa RFB nº 600, de 2005. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, dar provimento PARCIAL ao recurso para reconhecer, adicionalmente, os créditos nos montantes de R$ 92.555,96, R$ 5.073,90 e R$ 35.006,36, relativos aos juros selic incidentes sobre as estimativas recolhidas indevidamente. “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Fl. 663DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11020.002052/0036 Acórdão n.º 130200.608 S1C3T2 Fl. 3.214 2 Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Irineu Bianchi, Eduardo de Andrade e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junior. Fl. 664DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11020.002052/0036 Acórdão n.º 130200.608 S1C3T2 Fl. 3.215 3 Relatório RANDON S/A IMPLEMENTOS E SISTEMAS AUTOMOTIVOS, já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, que indeferiu, em parte, os pedidos veiculados por meio de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da Delegacia da Receita Federal em Caxias do Sul. Trata o processo de pedidos de restituição de Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, relativos a saldos negativos apurados nos anos calendário de 1996, 1997 e 1998, cumulados com pedidos de compensação. Reproduzo, a seguir, relatório elaborado em primeira instância. Tratase de Pedidos de Restituição, totalizando o valor (principal) de R$ 1.606.730,56: pedido de fl. 01 de “IRPJ pago a maior nos anos de 1997 e 1998”, para compensação, no valor (principal) de R$ 1.312.036,89; pedido de fl. 02 de “CSLL paga a maior nos anos de 1996 e 1997” para compensação, no valor (principal) de R$ 294.693,67. Adicionalmente, a interessada apresentou pedidos de compensação dos valores acima com tributos administrados pela SRF, conforme documentos de folhas 03 e 04. Tais documentos foram cancelados e substituídos pelos documentos de folhas 242 e 243. Após análise das informações constantes dos pedidos de restituição e compensação apresentados pela interessada, a Delegacia da Receita Federal em Caxias do Sul elaborou intimação (fls. 387 a 389) para prestação de esclarecimentos e apresentação de documentos pela interessada. Tendo sido apresentados vários documentos e termos de esclarecimento pela interessada, a Delegacia da Receita Federal em Caxias do Sul realizou nova análise e em Despacho Decisório DRF/CXL/Gabinete, de 24 de outubro de 2003 (fls. 668 a 675), reconheceu o direito creditório da interessada contra a Fazenda Pública da União no valor de R$ 1.517.191,06, valor posteriormente retificado para R$ 1.514.008,41 (conforme doc de fls. 1084 a 1087), homologando os pedidos/declarações de compensação até o limite do crédito reconhecido. Os fundamentos do despacho decisório encontram se relatados a seguir. 1 – O valor do direito creditório da interessada, referente ao IRPJ, reconhecido pela delegacia de origem, foi de: (1) R$ Fl. 665DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11020.002052/0036 Acórdão n.º 130200.608 S1C3T2 Fl. 3.216 4 1.203.607,45 relativo a 1997, a título de saldo negativo do imposto, apurado no período e não utilizado em períodos subseqüentes, sendo esse valor composto por recolhimentos realizados a partir de 2001 (em parcelamento) e (2) R$ 15.707,31 em 31/12/1998, a título de saldo negativo do imposto. O total reconhecido, portanto, alcança o montante (em valores originários) de R$ 1.219.314,76, em detrimento do valor objeto do pedido, que alcançou a cifra (em valores originários) de R$ 1.312.036,89; a diferença, no valor de R$ 92.722,13, é devida aos motivos abaixo. a) Não foi aceito o valor informado pela interessada na declaração de IRPJ referente a novembro e dezembro de 1996, por referirse a direitos creditórios surgidos posteriormente, em 1997, o que seria proibido pelo art. 14 da IN SRF n° 21, de 1997. Tal procedimento ensejou a inexistência do saldo negativo de 31/12/1996, posteriormente utilizado para compensar débitos e, conseqüentemente, prejudicou o valor do presente processo. b) Não foi aceito o valor informado pela interessada na declaração de IRPJ referente ao anocalendário de 1997, relativamente ao mês de abril, por tratarse de compensação do débito com saldo negativo do ano de 1996 (que, conforme item acima) era inexistente. Esse procedimento implicou redução do direito creditório alegado pela interessada, referente a 1997. c) Na declaração de IRPJ relativa ao anocalendário de 1997 foi informado o valor total de R$ 274.067,50 (R$ 241.807,45 + R$ 32.260,05) a título de IRRF a ser compensado com débitos no ano (com estimativas ou no ajuste anual). Desse valor, não foi aceito o valor de R$ 4.867,90 (foi erroneamente digitado o valor de R$ 2.049,90 na fl. 661 e devidamente retificado para 4.867,90 na fl. 994). A razão da não aceitação desse valor foi a falta da comprovação da respectiva origem, pelos seguintes motivos: a utilização do IRRF relativo ao ano de 1994 resultou em saldo negativo de IRPJ para o período (passível de utilização em 1997) no valor de 4.535,3547 Ufir, que, foi atualizado para 01/01/96 pela taxa de R$ 0,8287 e, a partir daquela data, pela variação da taxa SELIC, para quitação de débitos da interessada; a utilização do IRRF relativo ao ano de 1995 resultou em um saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 147.453,86 (passível de utilização em 1997), atualizado para 01/01/96 e, a partir dessa data, pela variação da taxa SELIC, para quitação de débitos da interessada. Cumpre referir que, das retenções na fonte informadas pela interessada no período, somente não foram aceitos os valores de R$ 6.534,30 (doc de fl. 588) por tratarse de tributação definitiva (art. 36 da Lei n° 8.541, de 1992) e de R$ 8,47 (doc de fl. 584) por tratarse de retenção ocorrida em maio de 1995, sendo que a empresa Randon Implementos S/A somente teria sido incorporada em 30/06/1995. a apuração do saldo negativo dos anos de 1994 e 1995 encontrase apresentada na tabela de fl. 655 (retificada na fl. Fl. 666DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11020.002052/0036 Acórdão n.º 130200.608 S1C3T2 Fl. 3.217 5 993) e a utilização desse saldo para compensar débitos de 1997 encontrase na tabela de fl. 661 (retificada na fl. 994), resultando no valor em aberto de R$ 4.867,90. d) Do valor informado pela interessada, a título de pagamentos indevidos ou a maior, no ajuste de 1997 (R$ 1.040.167,59) somente foram aceitos R$ 947.611,63. A razão do indeferimento da diferença, de R$ 92.555,96, reside no fato de que ela corresponde a juros sobre o valor original, de R$ 947.611,63. Esse valor original consiste no somatório das estimativas pagas no próprio anocalendário (informado na declaração original). Na declaração retificadora, a interessada realizou a troca de tipo de adiantamento mensal do imposto (de estimativa sobre a receita bruta para estimativa com base em balancete de redução ou suspensão) e, assim, considerou o valor recolhido a título de adiantamento mensal do imposto como indevido desde seu recolhimento, computando – conseqüentemente – acréscimo de juros sobre ele desde a data do recolhimento. A fiscalização, entendendo que não podia ser realizada essa mudança, indeferiu o montante de juros referentes ao próprio anocalendário. e) Na Declaração de IRPJ relativa ao anocalendário 1998, parte dos valores informados a título de compensação de saldo negativo de declaração de períodos anteriores não foram aceitos porque o valor pela interessada informado, a título de saldo negativo de períodos anteriores, considerava pagamentos (relativos a 1997 – estimativas – no valor de R$ 1.203.607,45) que não tinham sido realizados até o momento da declaração (que foram objeto de parcelamento posterior, somente quitado em 2003), sendo aceito apenas o valor original de 52.552,39, recolhido no período. f) Na declaração de IRPJ relativa ao anocalendário de 1998, do valor informado a título de pagamento indevido, que incluía o valor original e os respectivos juros, somente foi aceito o respectivo valor original. Esses valores, na declaração original, referiamse a adiantamento mensal do imposto (apurado pela sistemática da receita bruta) e na declaração retificadora fora mudada a sistemática de apuração dos adiantamentos mensais (para balancete de suspensão ou redução). A fiscalização, entendendo que não podia ser realizada essa mudança, indeferiu o montante de juros informados. 2 – O valor do direito creditório da interessada, referente à CSLL, reconhecido pela delegacia de origem, foi: (1) com relação a 1996, a totalidade do valor pedido, de R$ 59.309,86 e (2) com relação a 1997, de R$ 235.383,80, inclusive superior ao valor objeto do pedido, que alcançava a cifra de R$ 234.383,81. Com relação a 1997, mesmo reconhecendo o valor antes demonstrado, é feita uma crítica aos elementos informados na respectiva declaração retificadora; pois, na declaração original, constava adiantamento mensal do imposto apurado pela sistemática da receita bruta e, na declaração retificadora, fora mudada a sistemática de apuração dos adiantamentos mensais Fl. 667DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11020.002052/0036 Acórdão n.º 130200.608 S1C3T2 Fl. 3.218 6 (para balancete de suspensão ou redução). A fiscalização entendeu que não podia ser realizada essa mudança. A seguir, para fins de clareza, estão representados os valores pedidos pela interessada, em comparação com os valores reconhecidos pela autoridade preparadora. Total irpj 1997 996.977,98 csll 1996 59.309,86 irpj 1998 315.058,91 csll 1997 234.383,81 1.312.036,89 293.693,67 1.605.730,56 1.517.191,06 1.514.008,41 3.182,65 Total irpj 1997 1.203.607,45 csll 1996 59.309,85 irpj 1998 15.707,31 csll 1997 235.383,80 1.219.314,76 294.693,65 1.514.008,41 Pedido inicial (fls. 01 e 02) IRPJ CSLL IRPJ CSLL Valor inicialmente reconhecido (despacho de fls. 668/675) Valor reconhecido após retificação do erro da planilha de fl. 661 Diferença Explicitação dos valores deferidos De acordo com a Notificação DRF/CXL/Saort n° 498, de 28 de outubro de 2004 (fl. 983) a interessada em 04/11/2004 (conforme AR de fl. 988) foi cientificada: do Despacho Decisório DRF/CXL/Gabinete, de 24 de outubro de 2003; de que foram realizadas compensações constantes do processo até o limite do crédito reconhecido; de que restaram débitos a serem pagos constantes da Carta de Cobrança – Saort de n° 310/2004 (fl. 984) e DARFS (fl. 986 e 987). Em 02 de dezembro de 2004, a interessada apresentou MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE ao indeferimento parcial de seu pleito, realizado através do despacho decisório DRF/CSL/Gabinete, de 24 de outubro de 2003 (fls. 1006 a 1042), argumentando estar demonstrada a insubsistência e improcedência do indeferimento parcial de seu pleito e requerendo que fosse acolhida sua Manifestação de Inconformidade, reconsiderado o Despacho decisório DRF/CXL/Gabinete, de 24 de outubro de 2003, e o cancelada/arquivada a Carta Cobrança n° 310/2004 – SAORT (fl. 1042). As alegações da manifestação de inconformidade estão a seguir relatadas. a) Insurgese contra o fato de não ter sido aceito o valor por ela informado na declaração de IRPJ referente a novembro e dezembro de 1996, por referirse a direitos creditórios surgidos posteriormente, em 1997, o que seria proibido pelo art. 14 da IN SRF n° 21, de 1997, ou seja, que seria necessária solicitação específica à SRF, por meio de Pedido de Restituição, Fl. 668DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11020.002052/0036 Acórdão n.º 130200.608 S1C3T2 Fl. 3.219 7 acompanhado do respectivo Pedido de Compensação – item 3.1 do despacho decisório. Alega que o pedido de restituição em tela (objeto do presente processo) supriria essa condição. b) Insurgese contra a nãoaceitação do valor por ela informado na declaração de IRPJ do anocalendário de 1997, relativamente ao mês de abril, por tratarse de compensação do débito com saldo negativo do ano de 1996, que seria inexistente – item 3.2 do despacho decisório. Alega que, com a aceitação dos valores referentes a novembro e dezembro de 1996 – item anterior – resta existente o saldo negativo de 1996, para aproveitamento no mês de abril de 1997. c) Concorda com a nãoaceitação de alguns créditos informados a título de IRRF pela inexistência da origem de tal importância – item 3.3 do despacho decisório. d) Insurgese contra a aceitação parcial do valor por ela informado a título de pagamentos indevidos ou a maior, no ajuste de 1997 (do valor informado, R$ 1.040.167,59 somente foram aceitos R$ 947.611,63 e indeferida a diferença, de R$ 92.555,96, correspondente a juros incidentes sobre o valor original, de R$ 947.611,63), sob o fundamento de que, esse valor referese a estimativas pagas no próprio anocalendário, informadas na declaração original, sobre o qual não incidem juros e que, na declaração retificadora, não poderia ter sido realizada a troca de tipo de adiantamento mensal do imposto (de estimativa sobre a receita bruta para estimativa com base em balancete de redução ou suspensão) – item 3.4 do despacho decisório. Alega que a opção por estimativas sobre a receita bruta ou com base em balancetes de suspensão ou redução é uma faculdade sua e que, considerando a utilização de balancetes de suspensão ou redução, não teria havido imposto a pagar nos meses em que efetuou antecipação do tributo, recolhida a título de estimativa apurada sobre a receita bruta. Conclui, assim, que a estimativa paga corresponderia a pagamento indevido e que, a partir do momento desse pagamento, já incidiriam juros moratórios. e) Insurgese contra a aceitação parcial do valor por ela informado a título de pagamentos indevidos ou a maior, relativos ao anocalendário 1998. Parte dos valores informados a título de compensação de saldo negativo de declaração de períodos anteriores não haviam sido aceitos porque o valor pela interessada informado, a título de saldo negativo de períodos anteriores, considerava pagamentos (relativos a 1997 – estimativas – no valor de R$ 1.203.607,45) que não tinham sido realizados até o momento da declaração (que foram objeto de parcelamento posterior, somente quitado em 2003) – item 3.5 do despacho decisório. Alega que teria havido saldo negativo de 1997 já apurado, composto por estimativas mensais superiores ao valor devido ao final do período e que essas estimativas teriam sido posteriormente quitadas (no âmbito do citado parcelamento). Fl. 669DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11020.002052/0036 Acórdão n.º 130200.608 S1C3T2 Fl. 3.220 8 f) Insurgese contra a aceitação parcial do valor por ela informado a título de pagamentos indevidos ou a maior, no ajuste do anocalendário de 1998 – item 3.6 do despacho decisório –, alegando as mesmas razões de inconformidade apresentadas contra o item 3.4 do despacho decisório, relatados na letra (d), acima. g) Insurgese contra a fundamentação constante do item 4.2 do despacho decisório que, com relação a 1997, não aceita na íntegra os elementos informados na respectiva declaração retificadora; pois, na declaração original, constava adiantamento mensal do imposto apurado pela sistemática da receita bruta e, na declaração retificadora, fora mudada a sistemática de apuração dos adiantamentos mensais (para balancete de suspensão ou redução), entendendo, a fiscalização, que a opção seria definitiva. Alega, em resumo, as mesmas razões de inconformidade apresentadas contra o item 3.4 do despacho decisório, relatados na letra (d), acima. h) Insurgese, finalmente, contra a fundamentação constante do item 6 do despacho decisório. De acordo com o despacho decisório, o valor do saldo negativo de Imposto de Renda, relativo ao anocalendário de 1997, composto por antecipações mensais do tributo, devidas e não absorvidas pelo valor apurado ao final do período (que foi inferior ao das antecipações) resultou em saldo negativo do Imposto de Renda, passível de restituição / compensação. Ainda de acordo com o despacho decisório, as citadas antecipações mensais não teriam sido recolhidas tempestivamente, tendo sido objeto de parcelamento (processo administrativo n° 11020002265/0077, deferido em 31/10/2000 e com a última parcela paga em 31/03/2003) e, assim, a autoridade preparadora entendeu que os valores a serem restituídos/compensados somente deveriam ser acrescidos de juros a partir da data do efetivo recolhimento (ocorrido entre 2001 e 2003). A interessada, entretanto, discorda da conclusão esposada no despacho, alegando que, tendo recolhido os valores relativos a 1997 com os respectivos acréscimos moratórios, seu direito creditório remonta ao final do anocalendário de 1997 e que, assim, os juros moratórios deveriam ser considerados a partir dessa data. Afirma a interessada que, alternativamente, a autoridade poderia ter considerado o termo inicial da fluência dos acréscimos legais na data do efetivo pagamento do parcelamento, mas que, nesse caso, deveria considerar no valor do indébito a ser restituído o total pago (valor original e acréscimos). i) Pede perícia, nos seguintes termos “para verificação das razões de fato e de direito alegadas na presente Manifestação, a fim de demonstrar a inexistência de qualquer débito tributário”, nomeando e qualificando perito para tal. Tendo sido constatada a presença de erros de digitação na elaboração das planilhas de fls. 661 e seguintes (referidas pelo despacho decisório), a Delegacia da Receita Federal em Caxias do Sul / RS, emitiu o documento de fls 998 a 1005, denominado Fl. 670DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11020.002052/0036 Acórdão n.º 130200.608 S1C3T2 Fl. 3.221 9 Despacho Decisório Retificador DRF/CXL/Gabinete, de 29 de novembro de 2004. De acordo com o conteúdo do referido documento, a Delegacia da Receita Federal em Caxias do Sul mantém o mérito e a fundamentação do Despacho Decisório DRF/CXL/Gabinete, de 24 de outubro de 2003 (fls. 668 a 675), porém, com fulcro nas planilhas retificadas (fls. 993 e seguintes), conclui que o direito creditório da interessada contra a fazenda pública ficaria reduzido ao montante de R$ 1.514.008,41, conforme tabela abaixo: Total irpj 1997 996.977,98 csll 1996 59.309,86 irpj 1998 315.058,91 csll 1997 235.383,81 1.312.036,89 294.693,67 1.606.730,56 1.517.191,06 1.514.008,41 Valor inicialmente reconhecido (despacho de fls. 668/675) Valor reconhecido após retificação do erro da planilha de fl. 661 Pedido inicial (fls. 01 e 02) IRPJ CSLL Não foi dada ciência do referido documento à interessada, conforme pode se depreender da análise dos autos do processo. Não logrando, assim, tal documento, tornar sem efeito o Despacho Decisório de 24 de outubro de 2003. A Quinta Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre decidiu, conforme acórdão 075 de 15 de março de 2006, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, para que, mantendose a validade do Despacho Decisório DRF/CXL/Gabinete, de 24 de outubro de 2003 (fls. 668 a 675), fosse providenciada sua retificação, em documento contendo apenas a referência aos erros de fato e sua retificação, com abertura de prazo para manifestação da interessada sobre a parte retificada. A Delegacia da Receita Federal em Caxias do Sul – RS, mantendo na íntegra o Despacho Decisório DRF/CXL/Gabinete, de 24 de outubro de 2003, em termos de (1) fatos analisados, (2) documentação referenciada e (3) fundamentação legal, indicou as planilhas onde tinha ocorrido erro de digitação, na informação DRF/CXL/Gabinete, de 12 de abril de 2006 (fls. 1084 a 1087), conforme a seguir: Fl. 671DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11020.002052/0036 Acórdão n.º 130200.608 S1C3T2 Fl. 3.222 10 valor inicialmente digitado fl 661 39.229,68 valor posteriormente retificado fl 994 42.047,68 diferença 2.818,00 valor inicialmente digitado fl 655 1.258.977,84 valor posteriormente retificado fl 993 1.256.159,84 diferença (2.818,00) valor inicialmente digitado fl 662 54.327,39 valor posteriormente retificado fl 995 51.509,39 diferença em 31/12/1997 (2.818,00) diferença em julho/98 variação da selic: 1,1294 (3.182,65) valor inicialmente digitado fl 662 87.378,35 valor posteriormente retificado fl 995 90.561,00 diferença 3.182,65 valor inicialmente digitado fl 663 86.308,23 valor posteriormente retificado fl 996 89.490,88 diferença 3.182,65 Valor do crédito não quitado relativo ao AC 1998 soma dos valores devidos e não quitadas no AC 1997 Saldo negativo reconhecido, referente à declaração do AC 1997 Crédito a compensar em 1998, relativo ao AC 1997 Valor do crédito não quitado relativo ao AC 1997 A ciência da informação acerca da retificação realizada foi dada à interessada em 19 de abril de 2006 (fl. 108). A interessada apresentou, em 17 de maio de 2006 (conforme documento de fls. 1091 a 1101), manifestação sobre a informação acerca da retificação, requerendo: (1) preliminarmente a nulidade da retificação realizada, pelo transcurso do prazo de 5 anos do pedido (2) a declaração da preclusão da Autoridade Fazendária de apresentar quaisquer novos cálculos, em virtude da instauração da fase litigiosa do processo, (3) a desconsideração da Informação DRF/CXL/Gabinete, de 12 de abril de 2006, por descumprimento dos requisitos do § 3o do art. 18 do Decreto 70.235, de 1972 (PAF). Adicionalmente, reiterou as alegações de sua Manifestação de Inconformidade original (fls. 1006 a 1042), bem como o respectivo pedido de perícia. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre, apreciando os argumentos expendidos pela contribuinte, decidiu, por meio do acórdão nº 10 9.960, de 29 de setembro de 2006, pelo deferimento parcial da solicitação formalizada pela contribuinte, conforme ementa a seguir transcrita. EXISTÊNCIA DE INCOERÊNCIA ENTRE DOCUMENTOS. NECESSIDADE DE ESCLARECIMENTO E RETIFICAÇÃO DE LAPSO MANIFESTO. INEXISTÊNCIA DE INOVAÇÃO MATERIAL. INEXISTÊNCIA DE AGRAVAMENTO DA SITUAÇÃO IMPUTADA À INTERESSADA. A Retificação de lapso manifesto que não consiste em inovação material no despacho decisório original não logra agravar a situação da Fl. 672DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11020.002052/0036 Acórdão n.º 130200.608 S1C3T2 Fl. 3.223 11 interessada; mormente quando todos os fatos a ela imputados já tinham sido corretamente descritos e todos os documentos a ele relativos já tinham sido juntados ao processo. A existência de incoerência entre: (a) o que era descrito no despacho e (b) o que havia sido digitado em planilhas por ele referidas demanda esclarecimento, o que foi realizado através da retificação. PERÍCIA PRESCINDÍVEL. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância deve indeferir o pedido de perícias, quando entendêlas prescindíveis ou impraticáveis. IRPJ. CSLL. DIREITOS CREDITÓRIOS SURGIDOS POSTERIORMENTE AO DÉBITO. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DIRETO EM DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. NECESSIDADE DE PEDIDO EM PROCESSO ESPECÍFICO. Direitos creditórios surgidos posteriormente ao débito não podem ser objeto de aproveitamento direto, em declaração de Imposto de Renda, mas – para aproveitamento – devem ser objeto de pedido em processo específico. IRPJ. CSLL. ADIANTAMENTOS MENSAIS DO IMPOSTO DE RENDA. REGRA GERAL: ESTIMATIVAS SOBRE A RECEITA BRUTA E ACRÉSCIMOS. VALOR RECOLHIDO PASSÍVEL DE DEDUÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO SEM ATUALIZAÇÃO DENTRO DO ANOCALENDÁRIO. A OPÇÃO PELA UTILIZAÇÃO DE BALANCETES DE REDUÇÃO OU SUSPENSÃO DO IMPOSTO SOMENTE É POSSÍVEL ATÉ A DATA DO RECOLHIMENTO DA ANTECIPAÇÃO. Os recolhimentos realizados a título de adiantamento mensal do imposto de renda podem ser objeto de dedução do tributo devido ao final do período, porém sem atualização dentro do ano calendário. A regra geral de apuração dos adiantamentos mensais é a utilização da receita bruta e acréscimos. A opção pela utilização de balancetes de suspensão ou redução, na apuração dos adiantamentos mensais do imposto, demanda levantamento específico de balanço, ou balancete, com transcrição no livro Diário até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês. Não tendo sido provado o cumprimento destes requisitos, concluise pela utilização da regra geral – adiantamentos apurados sobre a receita bruta e acréscimos. IRPJ. CSLL. SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO DE RENDA E CSLL NA APURAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO AO FINAL DO ANOCALENDÁRIO. POSSÍVEL A COMPENSAÇÃO OU O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO COM ATUALIZAÇÃO A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO ANOCALENDÁRIO SUBSEQÜENTE. Foi apurado, em 1997, saldo negativo de Imposto de Renda, pelo valor das antecipações mensais superar o imposto devido ao final do período de apuração. As antecipações mensais, apesar de não terem sido recolhidas tempestivamente, foram objeto de parcelamento já quitado e, conseqüentemente, recolhidas com os devidos acréscimos legais. Tal procedimento resulta em idêntico efeito ao do recolhimento espontâneo, ou seja, purgada a mora Fl. 673DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11020.002052/0036 Acórdão n.º 130200.608 S1C3T2 Fl. 3.224 12 (pelo recolhimento de acréscimos legais sobre o valor principal parcelado) os recolhimentos operam efeito extunc. Assim, resta caracterizado o saldo negativo do imposto, passível de restituição / compensação acrescido de juros equivalentes à taxa SELIC a partir de 1º de janeiro de 1998. Inconformada, a contribuinte impetrou o recurso voluntário de fls. 1.255/1.270, por meio do qual sustentou: que havia extrema necessidade de realização de perícia para que, demonstrando o equívoco da autoridade julgadora de primeira instância, fosse constatado que ela efetuou as apurações e os recolhimentos das antecipações mensais de imposto de renda através do método de suspensão/redução do devido por estimativa, apurações essas alicerçadas em balanços ou balancetes de redução ou suspensão do imposto, devidamente transcritos no Livro Diário, conforme constaria em anexo; que não procederia a alegação de que ela efetuou a troca de tipo de adiantamento mensal do imposto: de estimativa sobre a receita bruta para estimativa com base em balancete de redução ou suspensão; que, caso não fosse deferido seu pedido de perícia, requeria a análise das provas anexadas ao recurso; que os saldos negativos de imposto de renda dos períodos de janeiro a julho de 1996 e de agosto a outubro de 1996, conforme as respectivas DIPJs, atualizados até dezembro de 1996, deveriam ser aceitos para a compensação com débitos de IRPJ apurado em novembro de 1996, tendo em vista se tratarem de tributos da mesma espécie e de créditos anteriores aos débitos, tal qual a previsão do artigo 14 da Instrução Normativa nº 21, de 1997, uma vez que foi parcialmente homologado o Pedido de Compensação dos créditos de 1997 e de 1998 com os débitos de 1996; que o crédito correspondente ao saldo negativo apurado nos meses de novembro e dezembro de 1996 deveria ser mantido, sendo possível sua compensação com débito apurado no mês de abril do anocalendário de 1997, restabelecendose o saldo negativo apurado no anocalendário de 1997; que, caso as compensações requeridas não fossem homologadas, o efetivo pagamento do imposto tornaria as compensações solicitadas sem efeito, liberando os créditos correspondentes para utilização em futuras compensações, a partir do encerramento do presente processo. No que tange aos demais créditos não reconhecidos pela autoridade julgadora de primeira instância, sustentou a Recorrente, com base em argumentação anteriormente expendida, que haveria saldos negativos e pagamentos indevidos de IRPJ e CSLL, nos anos calendário de 1997 e de 1998, superiores aos considerados pela Receita Federal. Ao final, alegando que o acórdão recorrido não estava suficientemente claro acerca dos valores envolvidos, ensejando obscuridade e incerteza acerca do valor cobrado, ressaltou ser importantíssima a realização da perícia antes requerida. Fl. 674DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11020.002052/0036 Acórdão n.º 130200.608 S1C3T2 Fl. 3.225 13 Esta Segunda Turma Ordinária, por meio da Resolução nº 130200.019, de 29 de setembro de 2009, decidiu pela conversão do julgamento em diligência para que a unidade administrativa de jurisdição da contribuinte promovesse as seguintes verificações: a) informasse se o valor registrado como SALDO DE IR A COMPENSAR DE PERÍODOS ANTERIORES (linha 6 da Ficha 09) da declaração relativa ao período de novembro a dezembro de 1996, no montante de R$ 93.769,23, decorria de saldos negativos dos períodos de janeiro a julho de 1996 e agosto a outubro de 1996, atualizados até dezembro de 1996, o que implicaria não ter havido violação das disposições do artigo 14 da IN SRF nº 21/97; e b) informasse qual a forma de apuração das estimativas devidas assinalada pela contribuinte nas declarações que foram objeto de retificação (anoscalendário de 1997 e de 1998), se com base na receita bruta ou com suporte em balanços/balancetes de suspensão/redução; c) independentemente da forma assinalada (receita bruta ou balanços/balancetes de suspensão/redução), informasse como foram efetuados os recolhimentos das estimativas devidas (se com base na receita bruta ou com suporte em balanços/balancetes de suspensão/redução); d) caso as estimativas tivessem sido recolhidas com base em balanços/balancetes de suspensão/redução, informasse se a contribuinte tinha observado as determinações da legislação de regência e explicitasse a natureza das retificações empreendidas. Em atendimento, a Delegacia da Receita Federal em Caxias do Sul trouxe aos autos a INFORMAÇÃO DRF/CXL/Seort nº 42, fls. 3.199/3.202, da qual releva destacar os seguintes excertos: 3. Inicialmente, cabe registrar que, as estimativas de que decorrem os saldos negativos dos períodos de janeiro a julho de 1996 e agosto a outubro de 1996, somente foram objeto de Pedido de Compensação protocolizado em 06/10/2000, fl. 03, retificado em 19/03/2001, fl. 243.Assim, caso os saldos negativos existissem à época, os valores seriam suficientes para quitar o valor de R$ 93.570,69 em dezembro de 1996, conforme doc. de fls. 1770/1772. Falase em inexistência de saldo negativo, pois as estimativas que comporiam os referidos créditos somente foram objeto de Pedido de Compensação formalizado em 06/10/2000. 4. A contribuinte informa ter apurado as estimativas com base em Balanço/balancete de suspensão/redução nos anos calendário de 1997 e 1998, juntando planilha de fl. 1811. Registra, ainda, que as diferenças dos valores apurados entre as declarações originais e retificadoras decorrem de utilização inicial de cem por cento de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL e, nas retificadoras, "para que seu procedimento ficasse em consonância com a legislação vigente à época de cada período de apuração, ou seja, com a utilização dos prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa de CSLL Fl. 675DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11020.002052/0036 Acórdão n.º 130200.608 S1C3T2 Fl. 3.226 14 limitados em 30% ( trinta por cento) do respectivo lucro tributável". 4.1 As bases de cálculo, informadas na planilha 1811, apresentam apenas uma pequena divergência na CSLL de fevereiro de 1997 em comparação com as DIPJs originais de 1997 e 1998. 4.2. Os valores informados na linha 14 Saldo de Imposto de Renda da ficha 9 na DIPJ original do anocalendário 1997 correspondem às importâncias pagas por meio dos Darfs, cujas cópias constam das fls. 19/22, e extratos do sistema Sinal10 de fl. 367, com exceção do Darf pago referente ao período de apuração agosto de 1997, cujo valor pago a maior foi compensado no mês seguinte. 4.3. Quanto aos valores informados na linha 25 Saldo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da ficha 9 na DIPJ original do anocalendário 1997, correspondem às importâncias pagas por meio dos Darfs, cujas cópias constam das fls. 26/29, e extratos do Sistema Sinal10 de fls. 367/368. 4.4. Os valores informados na linha 11 Pagamentos Imposto de Renda da ficha 12 na DIPJ original do anocalendário 1998 correspondem às importâncias pagas por meio dos Darfs, cujas cópias constam da fl. 23, e extratos do sistema Sinal10 de fl. 367. 4.5. Quanto aos valores informados na linha 6 Pagamentos da ficha 29 na DIPJ original do anocalendário 1998, correspondem às importâncias pagas por meio dos Darfs, conforme o extrato do Sistema Sinal10 de fls. 368. 4.6. Assim, em resposta ao quesito c, concluise que foram recolhidos com base em balanço/balancete de suspensão ou redução. 5. Em atendimento ao quesito d, de acordo com o artigo 35 da Lei n° 8.981, de 1995, alterado pela Lei n° 9.065, de 1995, somente é possível a redução do imposto e da CSLL devidos, desde que a contribuinte demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, e da CSLL calculados com base no lucro real e na base de cálculo da CSLL do período em curso. Assim, as cópias dos livros diários que foram juntadas ao presente processo comprovam que a contribuinte escriturou os balancetes ao final de cada mês dos anoscalendário em referência. Quanto às cópias dos Livros de Apuração do Lucro Real, registram as compensações de prejuízo fiscal de acordo com as declarações retificadoras. 5.1. Com base nas cópias dos livros acima referidos, foi criada a planilha resumo de fl. 3198, que demonstra algumas divergências entre o Livro Diário e o Livro de Apuração do Lucro Real. Fl. 676DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11020.002052/0036 Acórdão n.º 130200.608 S1C3T2 Fl. 3.227 15 5.2. Quanto à natureza das retificações empreendidas, conforme informação do item 4, referemse à utilização inicial de cem por cento de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa e, nas retificadoras, observando o limite de trinta por cento. Cientificada da referida Informação, a contribuinte, por meio do documento de fls. 3.204/3.206, adita que, conforme demonstração, as divergências apontadas na planilha de fl. 3.198 não refletem qualquer prejuízo ao erário. É o Relatório. Fl. 677DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11020.002052/0036 Acórdão n.º 130200.608 S1C3T2 Fl. 3.228 16 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Versa a lide sobre pedidos de restituição, cumulados com pedidos de compensação, em que a autoridade julgadora de primeira instância, apreciando razões trazidas por meio de manifestação de inconformidade, deferiu, em parte, os pleitos da contribuinte. O quadro abaixo permite visualizar a origem dos créditos pleiteados e o montante reconhecido pela autoridade que primeiro analisou os pedidos (Delegacia da Receita Federal em Caxias do Sul). Tributo/Ano Pedido (R$) Reconhecido DRF – Caxias do Sul (R$) IRPJ/1997 996.977,98 1.203.607,45 IRPJ/1998 315.058,91 15.707,31 TOTAL 1.312.036,89 1.219.314,76 CSLL/1996 59.309,86 59.309,85 CSLL/1997 234.383,81 235.383,80 TOTAL 293.693,67 294.693,65 Os valores representam os montantes originais requeridos pela contribuinte. Considerados os valores originais, a diferença entre o pleiteado pela Recorrente e o reconhecido pela Delegacia da Receita Federal em Caxias do Sul foi de R$ 92.722,13, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica. A análise empreendida pela Delegacia da Receita Federal em Caxias do Sul envolveu também a parcela de restituição determinada com base na atualização, pela aplicação da taxa selic, dos valores originais acima indicados. Nessa linha, as glosas efetuadas nos valores originais e nas atualizações efetuadas pela contribuinte (juros selic) tiveram por base os seguintes fatos: 1. a contribuinte registrou na linha 6 da Ficha 09 (SALDO DE IR A COMPENSAR DE PERÍODOS ANTERIORES) da declaração relativa ao período de novembro a dezembro de 19961 o valor de R$ 93.769,23 (fls. 70). De acordo com informações 1 Conforme informação contida nos autos, em virtude de cisões, a contribuinte entregou declarações relativas ao anocalendário de 1996 para os períodos de janeiro a julho, agosto a outubro e novembro a dezembro. Fl. 678DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11020.002052/0036 Acórdão n.º 130200.608 S1C3T2 Fl. 3.229 17 prestadas por ela (fls. 392), tal valor seria referente aos saldos negativos dos períodos de janeiro a julho de 1996 e agosto a outubro de 1996, atualizados até dezembro de 1996 (mês do vencimento do IRPJ devido por estimativa correspondente a novembro de 1996). A compensação não foi aceita porque os referidos saldos negativos seriam decorrentes de compensação solicitada por meio do pedido de fls. 243, cujo crédito seria do exercício de 1998, com quitação posterior ao débito apontado na citada ficha, o que contrariaria as disposições do artigo 14 da IN SRF nº 21/97; 2. em razão da não aceitação descrita no item anterior, também não foi aceita a compensação do montante de R$ 50.705,16, informado na linha 11 da Ficha 09 (SALDO NEGATIVO DE PERÍODOS ANTERIORES) do mês de abril da declaração relativa ao ano calendário de 1997, que, de acordo com informação da contribuinte, seria referente a saldo negativo apurado em dezembro de 1996; 3. foram glosados valores relativos ao imposto de renda retido na fonte; 4. de um total de R$ 1.040.167,59, declarados a título de pagamentos a maior efetuados nos meses de maio a novembro de 1997, acrescidos de taxa selic até 31 de dezembro de 1997, aceitouse apenas a importância original paga a título de estimativa no montante de R$ 947.611,63; 5. foram glosados parte dos valores informados a título de compensação de saldo negativo de declaração sem processo nos meses de junho e julho de 1998; 6. de um total de R$ 317.070,26, declarados a título de pagamentos a maior efetuados nos meses de setembro e novembro de 1998, acrescidos de taxa selic até 31 de dezembro de 1998, aceitouse apenas a importância original paga a título de estimativa no montante de R$ 311.996,36; 7. relativamente à CSLL, de um total de R$ 270.390,17, declarados a título de pagamentos a maior efetuados nos meses de janeiro a junho de 1997, acrescidos de taxa selic até 31 de dezembro de 1997, aceitouse apenas a importância original paga a título de estimativa no montante de R$ 235.383,81. A autoridade julgadora de primeira instância, por sua vez, decidiu: ... a) Não tem razão a insurgente quanto à alegação de que o pedido de restituição objeto do presente processo supriria a condição do art. 14 da IN SRF n° 21, de 1997, consistindo em solicitação específica à SRF, por meio de Pedido de Restituição. Com efeito, não foi aceito valor informado pela interessada na declaração de IRPJ referente a novembro e dezembro de 1996, por referirse a direitos creditórios surgidos posteriormente. Salientese que esse valor foi diretamente informado em Declaração de apuração do Imposto de Renda referente ao ano calendário de 1996 e, portanto, antes do deferimento do direito creditório objeto do presente processo. Esse valor não podia ser utilizado diretamente pela interessada, para gerar saldo a seu favor, sob pena de se criar um aproveitamento duplo de um único direito (utilizar saldo negativo de imposto para quitar Fl. 679DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11020.002052/0036 Acórdão n.º 130200.608 S1C3T2 Fl. 3.230 18 débitos anteriores e, assim, gerar mais saldo negativo do imposto, passível de restituição). b) A nãoaceitação do valor por ela informado na declaração de IRPJ do anocalendário de 1997, relativamente ao mês de abril, por tratarse de compensação do débito com saldo negativo do ano de 1996, à época inexistente – item 3.2 do despacho decisório – é uma conseqüência do que foi exposto no item (a) acima. Assim, resta improcedente a alegação da insurgente relativamente a este aspecto da decisão. c) Resta incontroversa a nãoaceitação de alguns dos créditos informados pela insurgente a título de IRRF, pela inexistência da origem de tal importância – item 3.3 do despacho decisório – devidamente retificado nos termos do documento de fls. 1084 a 1087, denominado informação DRF/CXL/Gabinete, de 12 de abril de 2006. Não tendo sido apresentada inconformidade específica quanto ao mérito desses valores, eles revelamse incontroversos. Quanto à retificação de lapso manifesto constante das planilhas que referem esses valores, entendo ser perfeitamente possível, conforme analisado acima neste voto. d) A inconformidade contra a aceitação parcial do valor, pela insurgente informado a título de pagamentos indevidos ou a maior, no ajuste de 1997 (do valor informado, R$ 1.040.167,59 somente foram aceitos R$ 947.611,63 e indeferida a diferença, de R$ 92.555,96, correspondente a juros incidentes sobre o valor original, de R$ 947.611,63), sob o fundamento de que, esse valor referese a estimativas pagas no próprio anocalendário, informadas na declaração original, sobre o qual não incidem juros e que, na declaração retificadora, não poderia ter sido realizada a troca de tipo de adiantamento mensal do imposto (de estimativa sobre a receita bruta para estimativa com base em balancete de redução ou suspensão) – item 3.4 do despacho decisório – é um ponto crucial na presente controvérsia. Com efeito, o entendimento acerca deste aspecto do processo afeta diretamente o valor do direito creditório, sendo responsável por uma parcela relevante da diferença entre o valor do pedido de restituição e o valor do direito creditório reconhecido no despacho decisório. Entendo que está correto o entendimento apresentado no despacho decisório, acerca da definitividade da opção pelo método de apuração das antecipações mensais do imposto e que, por via de conseqüência, é improcedente a alegação da interessada de que poderia a qualquer momento alterar essa opção. É verdade que a opção por apuração e recolhimento das antecipações mensais de Imposto de Renda (obrigatórias para os contribuintes optantes pela sistemática do Lucro Real Anual) podem ser realizados através de dois métodos: (1) estimativas sobre a receita bruta e acréscimos – que é a regra geral e (2) estimativas apuradas através de balanços ou balancetes de redução ou suspensão do imposto – que consiste em um benefício que pode ser utilizado pelo contribuinte, desde que cumpridos os Fl. 680DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11020.002052/0036 Acórdão n.º 130200.608 S1C3T2 Fl. 3.231 19 respectivos requisitos. Nesse sentido, cabe fazer referência aos artigos 223, 225 e 230 do Decreto 3.000, de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda e os artigos 10 e 12 da Instrução Normativa SRF n° 93, de 1997: ... Pela leitura dos dispositivos acima, percebese que há – efetivamente – a possibilidade de opção pelo recolhimento das antecipações mensais por estimativa do imposto calculado sobre a receita bruta ou a partir de balancetes de redução. Entretanto, resta claro que a opção pela utilização de balancetes de suspensão ou redução demanda levantamento específico de balanço, com transcrição no livro Diário até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês. Salientese que a insurgente não trouxe ao processo qualquer prova nesse sentido. Assim, não tendo sido provado o cumprimento das condições para aproveitamento da suspensão ou redução do tributo, pela utilização do balancete de suspensão ou redução, resta a opção padrão – antecipações mensais do imposto por estimativa sobre a receita bruta e acréscimos. Sendo devidas as antecipações mensais, por estimativa sobre a receita bruta, não há que se falar em pagamento indevido de antecipação mensal, mas – tão somente – em saldo negativo do tributo (apurado ao final do exercício, mediante a diferença entre o imposto devido e as antecipações mensais – sem qualquer atualização dentro do próprio exercício). Dessa forma, resta correto, neste ponto, o procedimento realizado pela delegacia de origem, que embasou o despacho decisório ora atacado. e) Não tem razão a insurgente quanto à irresignação relativa à aceitação parcial do valor por ela informado a título de pagamentos indevidos ou a maior, relativos ao anocalendário 1998. Com efeito, aqui se aplicam as mesmas razões antes apresentadas, neste voto, no item (a), acima. f) Também, não tem razão a insurgente quanto à irresignação relativa à aceitação parcial do valor por ela informado a título de pagamentos indevidos ou a maior, no ajuste do ano calendário de 1998, pelas mesmas razões já apresentadas, neste voto, no item (d), acima. g) Pelas mesmas razões, já apresentadas neste voto, na letra (d), acima, entendo que não tem razão a insurgente, quando a sua irresignação contra a fundamentação constante do item 4.2 do despacho decisório que, com relação a 1997, que não aceita na íntegra os elementos informados na respectiva declaração retificadora. Nesse sentido, são aplicáveis as mesmas razões já apresentadas, neste voto, no item (d) acima. h) Com razão a insurgente em sua irresignação contra a fundamentação constante do item 6 do despacho decisório. Fl. 681DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11020.002052/0036 Acórdão n.º 130200.608 S1C3T2 Fl. 3.232 20 De acordo com o despacho decisório: (1) o valor do saldo negativo de Imposto de Renda, relativo ao anocalendário de 1997, composto por antecipações mensais do tributo, devidas e não absorvidas pelo valor apurado ao final do período (que foi inferior ao das antecipações mensais) resultou em saldo negativo do Imposto de Renda, passível de restituição / compensação; (2) as citadas antecipações mensais não teriam sido recolhidas tempestivamente, tendo sido objeto de parcelamento (processo administrativo n° 11020002265/0077, deferido em 31/10/2000 e com a última parcela paga em 31/03/2003); (3) a autoridade preparadora concluiu, assim, que os valores a serem restituídos / compensados somente deveriam ser acrescidos de juros a partir da data do efetivo recolhimento de cada parcela (referente ao parcelamento ocorrido entre 2001 e 2003). O saldo negativo do imposto de renda do anocalendário de 1997 era passível de restituição acrescido de juros equivalentes à taxa SELIC, a partir de 1o de janeiro de 1998, mediante a formalização de processo específico. Nesse sentido, cumpre fazer referência ao conteúdo do MAJUR IRPJ/98 – Manual de Instruções para o Preenchimento da Declaração – Imposto de Renda – Pessoa Jurídica, que na página 87, item (b) das instruções do preenchimento da linha 08/26 – Saldo do Imposto de Renda, dispõe: Linha 08/26 – Saldo de Imposto de Renda ... Pessoas Jurídicas Submetidas à Apuração Anual do Imposto O saldo terá o seguinte tratamento ... b) se negativo, poderá ser compensado com o imposto a ser pago nos períodos subseqüentes, acrescido dos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e custódia – SELIC para Títulos Federais, acumulada mensalmente, a partir de 1o de janeiro de 1998 até o mês anterior ao da compensação e de 1% no mês da compensação, facultada a opção pelo pedido de restituição em processo específico. (grifos na transcrição) No presente caso, é pacífico que houve saldo negativo apurado em 1997 e que esse saldo negativo de Imposto de Renda é resultante da confrontação entre as antecipações mensais e o imposto devido ao final do período de apuração. Cumpre referir que as antecipações mensais, apesar de não terem sido recolhidas tempestivamente, foram objeto de parcelamento quitado anteriormente à data do despacho decisório em tela e, conseqüentemente, recolhidas com os devidos acréscimos legais o que resulta em idêntico efeito ao do recolhimento espontâneo, ou seja, purgada a mora (pelo recolhimento de acréscimos legais sobre o valor principal parcelado) os recolhimentos operam efeito extunc. Assim, resta caracterizado o saldo negativo do imposto. Ora, havendo saldo negativo do imposto em 31/12/1997, esse saldo é passível de restituição / compensação acrescido de juros equivalentes à taxa SELIC a partir de 1o de janeiro de 1998, conforme visto acima. Fl. 682DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11020.002052/0036 Acórdão n.º 130200.608 S1C3T2 Fl. 3.233 21 i) A perícia requisitada pela insurgente é perfeitamente dispensável. Entendo ser aqui aplicável o artigo 18 do Decreto nº 70.235/1972, com a redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 8.748/1993, que preceitua o indeferimento de diligências ou perícias quando forem prescindíveis ou impraticáveis. ... (GRIFO DO ORIGINAL) Em sede de recurso voluntário, a contribuinte sustentou que haveria extrema necessidade de realização de perícia para que, demonstrando o equívoco da autoridade julgadora de primeira instância, fosse constatado que ela efetuou as apurações e os recolhimentos das antecipações mensais de imposto de renda através do método de suspensão/redução do devido por estimativa, apurações essas alicerçadas em balanços ou balancetes de redução ou suspensão do imposto, devidamente transcritos no Livro Diário, conforme constava em anexo. Disse que não procederia a alegação de que ela tinha efetuado a troca de tipo de adiantamento mensal do imposto (de estimativa sobre a receita bruta para estimativa com base em balancete de redução ou suspensão). Alegou que os saldos negativos de imposto de renda dos períodos de janeiro a julho de 1996 e de agosto a outubro de 1996, conforme as respectivas DIPJs, atualizados até dezembro de 1996, deveriam ser aceitos para a compensação com débitos de IRPJ apurado em novembro de 1996, tendo em vista se tratarem de tributos da mesma espécie e de créditos anteriores aos débitos, tal qual a previsão do artigo 14 da Instrução Normativa nº 21, de 1997, uma vez que foi parcialmente homologado o Pedido de Compensação dos créditos de 1997 e de 1998 com os débitos de 1996. Afirmou que o crédito correspondente ao saldo negativo apurado nos meses de novembro e dezembro de 1996 deveria ser mantido, sendo possível sua compensação com débito apurado no mês de abril do anocalendário de 1997, restabelecendose o saldo negativo apurado no anocalendário de 1997. Argumentou que, caso as compensações requeridas não fossem homologadas, o efetivo pagamento do imposto tornaria as compensações solicitadas sem efeito, liberando os créditos correspondentes para utilização em futuras compensações, a partir do encerramento do presente processo. Relativamente aos demais créditos não reconhecidos pela autoridade julgadora de primeira instância, sustentou, com base em argumentação anteriormente expendida, que haveria saldos negativos e pagamentos indevidos de IRPJ e CSLL, nos anoscalendário de 1997 e de 1998, superiores aos considerados pela Receita Federal. Por meio da Resolução nº 130200.019, de 29 de setembro de 2009, o julgamento foi convertido em diligência para que a unidade administrativa de jurisdição da contribuinte promovesse as seguintes verificações: a) informasse se o valor registrado como SALDO DE IR A COMPENSAR DE PERÍODOS ANTERIORES (linha 6 da Ficha 09) da declaração relativa ao período de novembro a dezembro de 1996, no montante de R$ 93.769,23, decorria de saldos negativos dos períodos de janeiro a julho de 1996 e agosto a outubro de 1996, atualizados até dezembro de 1996, o que implicaria não ter havido violação das disposições do artigo 14 da IN SRF nº 21/97; e b) informasse qual a forma de apuração das estimativas devidas assinalada pela contribuinte nas declarações que foram objeto de retificação (anoscalendário de 1997 e de 1998), se com base na receita bruta ou com suporte em balanços/balancetes de suspensão/redução; Fl. 683DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11020.002052/0036 Acórdão n.º 130200.608 S1C3T2 Fl. 3.234 22 c) independentemente da forma assinalada (receita bruta ou balanços/balancetes de suspensão/redução), informasse como haviam sido efetuados os recolhimentos das estimativas devidas (se com base na receita bruta ou com suporte em balanços/balancetes de suspensão/redução); d) caso as estimativas tivessem sido recolhidas com base em balanços/balancetes de suspensão/redução, informasse se a contribuinte tinha observado as determinações da legislação de regência e explicitasse a natureza das retificações empreendidas. Em atendimento, a Delegacia da Receita Federal em Caxias do Sul trouxe aos autos a INFORMAÇÃO DRF/CXL/Seort nº 42, fls. 3.199/3.202, por meio da qual prestou os seguintes esclarecimentos: 1. as estimativas de que decorrem os saldos negativos dos períodos de janeiro a julho de 1996 e agosto a outubro de 1996, somente foram objeto de Pedido de Compensação protocolizado em 06 de outubro de 2000, retificado em 19/03/2001; 2. caso os saldos negativos existissem à época, os valores seriam suficientes para quitar o valor de R$ 93.570,69 em dezembro de 1996; 3. a contribuinte informou ter apurado estimativas com base em balanço/balancete de suspensão/redução nos anoscalendário de 1997 e de 1998, esclarecendo que as diferenças dos valores apurados entre as declarações originais e retificadoras decorreram da utilização inicial de cem por cento do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa de CSLL, enquanto nas retificadoras, para que o procedimento ficasse em consonância com a legislação vigente, a compensação do prejuízo fiscal e da base negativa foi limitada a trinta por cento; 4. os recolhimentos das estimativas devidas foram efetuados com base em balanço/balancete de suspensão ou redução, tendo sido observadas as normas tributárias aplicáveis a essa forma de apuração. Passo, então, a apreciar os argumentos de defesa apresentados pela Recorrente. IMPOSTO DE RENDA DE PERÍODOS ANTERIORES – DECLARAÇÃO RELATIVA AO PERÍODO DE NOVEMBRO E DEZEMBRO DE 1996 – R$ 93.769,23 Entendo não merecer reparo o decidido em primeira instância, vez que resta patente que, na compensação tributária, nos termos da legislação aplicável ao caso sob apreciação (art. 14 da Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997), em regra, o débito deve se referir a período subseqüente ao crédito. Apesar de os saldo negativos se referirem a períodos de apuração anteriores ao débito objeto de análise, eis que dizem respeito a saldos apurados nos períodos de janeiro a julho de 1996 e agosto a outubro do mesmo ano, enquanto o débito referese ao período de novembro a dezembro de 1996, inexiste controvérsia quanto ao fato de que referidos saldos negativos surgiram a partir de compensação envolvendo crédito do exercício de 1998. Em que pese o fato do parágrafo 7º do art. 14 da Instrução Normativa SRF nº 21 prever a possibilidade da compensação envolver créditos com débitos de períodos anteriores Fl. 684DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11020.002052/0036 Acórdão n.º 130200.608 S1C3T2 Fl. 3.235 23 ao crédito, situação em que o procedimento dependia de requerimento, resta claro que no caso presente tal norma não poderá ser aplicada. Com efeito, por ocasião da interposição da manifestação de inconformidade, pretendeu a Recorrente que o pedido feito por meio do presente processo suprisse a exigência contida no parágrafo 7º do art. 14 acima referenciado, ocasião em que a autoridade julgadora de primeira instância esclareceu, acertadamente, que isso representaria gerar aproveitamento em duplicidade de um único direito, isto é, utilizar saldo negativo decorrente de débitos de períodos anteriores extintos por esse mesmo saldo negativo. À evidência, tal pretensão não pode ser acolhida. Observese que os saldos negativos apurados na declarações relativas aos períodos de 01/01/1996 a 31/07/96 e 01/08/96 a 31/10/1996, utilizados pela contribuinte para compor o saldo negativo apurado na declaração do período de novembro a dezembro de 1996, decorrem de estimativas que não foram extintas sob qualquer forma, vez que constam do pedido de compensação de fls. 243. Nas circunstâncias retratadas nos autos, descabe falar em aproveitamento futuro do crédito a partir da não homologação das compensações. IMPOSTO DE RENDA DE PERÍODOS ANTERIORES – DECLARAÇÃO RELATIVA AO ANOCALENDÁRIO DE 1997 – R$ 50.705,16 Tratandose de saldo negativo apurado em dezembro de 1996, decorrente dos analisados no item anterior (saldos negativos de janeiro a julho e de agosto a outubro de 1996), cabem aqui as mesmas considerações ali expendidas. JUROS SOBRE PAGAMENTOS EFETUADOS A MAIOR NOS ANOS CALENDÁRIOS DE 1997 E DE 1998 Combatendo os fundamentos da decisão exarada em primeiro grau, argumenta a Recorrente que não procede a alegação de que ela efetuou a troca de tipo de adiantamento mensal do imposto: de estimativa sobre a receita bruta para estimativa com base em balancete de redução ou suspensão. Diz que tal assertiva pode ser verificada através de análise dos documentos contábeis e fiscais da empresa, como balanços/balancetes, devidamente transcritos no Livro Diário. No presente item, os créditos em litígio são os derivados da aplicação da taxa selic dentro do próprio período de recolhimento das estimativas, na forma abaixo descrita. R$ 92.555,96 – representativos da diferença entre R$ 1.040.167,59 e R$ 947.611,63 (tidos como recolhidos a maior pela contribuinte no anocalendário de 1997, a título de IRPJ); R$ 5.073,90 – representativos da diferença entre R$ 317.070,26 e R$ 311.996,36 (tidos como recolhidos a maior pela contribuinte no anocalendário de 1998, a título de IRPJ); Fl. 685DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11020.002052/0036 Acórdão n.º 130200.608 S1C3T2 Fl. 3.236 24 R$ 35.006,36 – representativos da diferença entre R$ 270.390,17 e R$ 235.383,81 (tidos como recolhidos a maior pela contribuinte no anocalendário de 1997, a título de CSLL). Em resposta a intimação formalizada pela Fiscalização, a Recorrente apresentou quadro demonstrativo dos valores recolhidos a maior (fls. 392/94), os quais reproduzo a seguir. MÊS IR RECOLHIDO CONFORME DARF IR DEVIDO CONFORME DECLARAÇÃO VALOR PAGO A MAIOR MAI/97 256.319,12 122.164,67 134.154,45 JUN/97 328.093,60 228.665,20 99.428,40 JUL/97 1.025.179,31 724.333,34 300.845,97 AGO/97 311.965,29 210.594,67 101.370,62 SET/97 439.370,83 311.204,92 128.165,91 OUT/97 419.513,77 290.392,61 129.121,16 NOV/97 167.985,11 113.459,99 54.525,12 TOTAL 2.948.427,03 2.000.815,40 947.611,63 MÊS IR RECOLHIDO CONFORME DARF IR DEVIDO CONFORME DECLARAÇÃO VALOR PAGO A MAIOR SET/98 286.955,04 186.082,20 100.872,84 NOV/98 299.835,06 88.711,54 211.123,52 TOTAL 586.790,10 274.793,74 311.996,36 MÊS CSLL RECOLHIDA CONFORME DARF CSLL DEVIDA CONFORME DECLARAÇÃO VALOR PAGO A MAIOR JAN/97 41.385,44 31.287,39 10.098,05 FEV/97 27.241,14 18.789,49 8.451,65 MAR/97 225.529,37 155.832,28 69.697,09 ABR/97 271.541,11 242.524,20 29.016,91 MAI/97 144.916,88 101.441,82 43.475,06 JUN/97 104.831,95 73.991,22 30.840,73 JUL/97 351.948,56 308.144,24 43.804,32 Fl. 686DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11020.002052/0036 Acórdão n.º 130200.608 S1C3T2 Fl. 3.237 25 TOTAL 1.167.394,45 932.010,64 235.383,81 Os valores indicados na coluna IR/CSLL DEVIDO CONFORME DECLARAÇÃO, são exatamente os que foram apontados nas declarações retificadoras anexadas às fls. 083/115 e 116/221. Observo que a interpretação feita em primeira instância acerca do fundamento utilizado pela Delegacia da Receita Federal em Caxias do Sul para rejeitar a restituição da atualização feita pela Recorrente é merecedora de reparo. Com efeito, ao se pronunciar pelo não acolhimento da pretensão da contribuinte, a Delegacia da Receita Federal em Caxias do Sul assinalou: ... 3.4 na linha 19 da ficha 8 da declaração do anocalendário de 1997, a contribuinte informa a importância de R$ 1.040.167,59. No item 3 (fls. 392 /393) da resposta à intimação foi informado que esse valor corresponde ao montante dos pagamentos a maior efetuados nos meses de maio a novembro de 1997 acrescidos de juros à taxa Selic até 31/12/1997, de acordo com a planilha de fl. 485. Neste item, apenas foi aceita como crédito a importância original paga a título de estimativa nesses meses além do valor apurado na declaração retificadora (R$ 947.611,63), porque de acordo com o disposto no artigo 35 da Lei n° 8.981, de 20/01/1995, e artigo 2° da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, a pessoa jurídica pode suspender ou reduzir o pagamento do imposto ou contribuição devidos em cada mês, todavia, após efetuado o pagamento mensal, referido valor é considerado definitivo e levado para o resultado anual e somente considerado crédito se superior ao apurado neste momento; ... (GRIFEI) No voto condutor da decisão de primeira instância, por sua vez, consignou se: ... d) A inconformidade contra a aceitação parcial do valor, pela insurgente informado a título de pagamentos indevidos ou a maior, no ajuste de 1997 (do valor informado, R$ 1.040.167,59 somente foram aceitos R$ 947.611,63 e indeferida a diferença, de R$ 92.555,96, correspondente a juros incidentes sobre o valor original, de R$ 947.611,63), sob o fundamento de que, esse valor referese a estimativas pagas no próprio anocalendário, informadas na declaração original, sobre o qual não incidem juros e que, na declaração retificadora, não poderia ter sido realizada a troca de tipo de adiantamento mensal do imposto (de estimativa sobre a receita bruta para estimativa com base Fl. 687DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11020.002052/0036 Acórdão n.º 130200.608 S1C3T2 Fl. 3.238 26 em balancete de redução ou suspensão) item 3.4 do despacho decisório é um ponto crucial na presente controvérsia. Com efeito, o entendimento acerca deste aspecto do processo afeta diretamente o valor do direito creditório, sendo responsável por uma parcela relevante da diferença entre o valor do pedido de restituição e o valor do direito creditório reconhecido no despacho decisório. Entendo que está correto o entendimento apresentado no despacho decisório, acerca da definitividade da opção pelo método de apuração das antecipações mensais do imposto e que, por via de conseqüência, é improcedente a alegação da interessada de que poderia a qualquer momento alterar essa opção. ... (GRIFEI) Com a devida permissão, entendo que a Delegacia da Receita Federal em Caxias do Sul, ao fazer referência à definitividade, estava se referindo ao pagamento, e não à forma de apuração da estimativa, se com base na receita bruta ou tomando por suporte balanços/balancetes de suspensão/redução. A meu ver, a referida unidade administrativa indeferiu a incidência dos juros selic a partir do recolhimento indevido com base no que dispunha o art. 10 da IN SRF nº 600, de 2005, a seguir transcrito. Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Lembro, todavia, que a disposição destacada acima não foi reproduzida pela IN RFB nº 900, de 2008, ato normativo que revogou a IN SRF nº 600, de 2005. Acertada, digase de passagem, a ausência de reprodução da norma, eis que não se deve confundir pagamento indevido com saldo negativo, conceito que, nos termos da lei, decorre dos pagamentos devidos, efetuados de forma antecipada. Tenho, portanto, que, se considerarmos que o fundamento para o não acolhimento da pretensão da contribuinte, no presente caso, se deu em razão do disposto no art. 10 acima transcrito, o indeferimento não poderá subsistir. Não obstante, ainda que se considere como correta a interpretação feita em primeira instância, isto é, que o indeferimento em questão levou em conta a impossibilidade de se promover a alteração da forma de apuração da estimativa devida, o indeferimento deve ser revisto, eis que: a) ao reconhecer o direito creditório correspondente ao valor original das estimativas indicadas pela Recorrente, resta fora de dúvida de que tais montantes foram efetivamente recolhidos e que resultaram em saldo negativo; b) em procedimento de diligência, Fl. 688DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11020.002052/0036 Acórdão n.º 130200.608 S1C3T2 Fl. 3.239 27 requisitada por esta instância julgadora, foi verificado que tais recolhimentos foram efetuados com base em balancetes de suspensão ou redução, o que invalida a tese de que houve mudança na forma de apuração das estimativas devidas; c) os balancetes que serviram de suporte para a determinação das estimativas devidas foram devidamente transcritos nos Livros Diário; e d) o imposto e contribuições devidos, dos quais resultaram os recolhimentos a maior indicados pela Recorrente, são exatamente os registrados nas declarações retificadoras. Assim, ainda que se possa fazer algum reparo a afirmação de que a retificação das declarações teve por base o fato de, na original, ter sido utilizado cem por cento dos prejuízos fiscais e das bases negativas enquanto nas retificadoras observouse o limite de trinta por cento para fins de compensação2, não estando tal matéria sendo objeto de discussão no presente processo, sou pelo acolhimento do requerido pela Recorrente. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO A Recorrente ainda se insurge contra o indeferimento da compensação de saldo negativo, sem processo, nos meses de junho e julho de 1998. Nesse sentido, assinala: 5. PAGAMENTOS INDEVIDOS OU A MAIOR, RELATIVOS AO ANO CALENDÁRIO DE 1998 (Voto do Relator item 2, letra "e") As considerações sobre a inconformidade da Recorrente em relação a este item são as mesmas apresentadas nos item 3 do presente Recurso, pois, de acordo com o entendimento da Recorrente há saldo negativo de IRPJ referente ao ano calendário de 1997 superior ao considerado pela Secretaria da Receita Federal, utilizado (compensado) na Declaração de IRPJ no anocalendário de 1998. Na mesma linha adotada pela Recorrente, reitero aqui os fundamentos utilizados para não reconhecer os créditos relativos ao anocalendário de 1996, em especial o relacionado à impossibilidade de aplicação, ao caso vertente, do disposto no parágrafo 7º do art. 14 da IN SRF nº 21, de 1997. Por todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para reconhecer, adicionalmente, os créditos nos montantes de R$ 92.555,96, R$ 5.073,90 e R$ 35.006,36, relativos aos juros selic incidentes sobre as estimativas recolhidas indevidamente. Sala das Sessões, em 29 de junho de 2011 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães 2 Nessas circunstâncias, o que se poderia esperar seria um recolhimento a menor, e não pagamento a maior do que o devido. Fl. 689DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11020.002052/0036 Acórdão n.º 130200.608 S1C3T2 Fl. 3.240 28 Fl. 690DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 10680.006962/2001-11
Data da sessão: Sat Dec 07 00:00:00 UTC 205
Numero da decisão: 202-00.899
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: Marcelo Marcondes Meyer-Kozlowski
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RESOLUÇÃO N~ 202-00.899 ~Ld !! Vistos, relatados e discutidos os presentes autos v~de recurso interposto por MINERAÇÕES BRASILEIRAS REUNIDAS S/A - MBR. RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. 7 de dezembro de 2005. MINISTÉRIO DA FAZENDA SegjJAdo CQnsetho de Conttlbuil"tte'S CONFERI: CO.MO ORIG1NÂt/ 8rasilla--OF, ~m.JLJl_jà)tJo ~IrJk:fUji Secretároa da Segunda Câmara Participaram, ainda, da presente resolução os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Gustavo Kel1y Alencar, Antonio Zomer, Raimar da Silva Aguiar, Evandro Francisco Silva Araújo (Suplente) e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. Por bem descrever os fatos, adoto como relatório aquele constante do Acórdão recorrido, a seguir transcrito em sua inteireza: "Versa"o presente processo sobre apreciação de pedido da interessada em epígrafe (fls. 01.e 12) acerca de ressarcimento/compensação do crédito presumido do IPI de que trata a Lei nO9.363, de 13 de dezembro de 1996, formalizado em 09/07/2001, no valor de R$3, 955. 526, 5{ referentemente ao 2° trimestre do ano-calendário de 2000. Em análise de legitimidade, a Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (DERAT) no Rio de Janeiro - RI, por meio do despacho decisório de fls. 56/63, indeferiu o pleito em questão sob os fundamentos transcritos sinteticamente a seguir: " "(..) não encontra respaldo na legislação de regência o aproveitamento de crédito do IPI nas operações que envolvam produtos 'Nr, conseqüÚltemente, resta inadmissível a obtenção do ressarcimento do crédito presumido deIPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME neles empregados, de que trata a Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996. Ora, o pleito da empresa versa exatamente sobre o creditamento presumido de IPI decorrente da aquisição de MP, PIe ME empregados na,operação que envolve produto Nr. para o qual, como provado, à exaustão, NÃÔ ...HÁ PREVISÃO LEGALpara deferimento. Por fim, sobre o argumento de que o Conselho de Contribuintes já reconheceu o direito ao beneficio fiscal em tela, cumpre esclarecer que, embora de inestimável valor como fonte de consulta, tais decisões não constituem normas complementares da legislação tributária, porquanto não existe lei que lhes confira efetividade de caráter normativo (Parecer Normativo CST n. ° 390/71). Isso posto, conclui-se que é IMPROCEDENTEo pleito do contribuinte objeto do Pedido de ressarcimento em questão, motivo pelo qual proponho o seu INDEFERIMENTO e a NÃO- HOMOLOGAÇÃO da Declaração de Compensação de (l. 12 do presente processo. cujos débitos encontram-se declarados em DCTF,conforme telas de fls. 55 do presente " Cientificada do indeferimento de seu pleito, a interessada, por meio de representante legal (fls. 90/91), apresentou manifestação de inconformidade de fls. 71/89, na qual, em síntese, apresentou argumentos resumidos conforme a transcrição abaixo: "FUNDAMENTOS JURÍDICOS \ ,I r?lld STÉRIO DA FAZENDAM I N I C lhodeConlriltuintes ~eÓ~~~R~~O~P~R'~~~6' Bfasilia.OF, em I . ~Jáfuji Secreláll8 da Segunda Cj",~f~ MINERAÇÕES BRASILEIRAS REUNIDAS S/A - MBR RELATÓRIO 10680.006962/2001-11 130.727 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Recorrente Processo n!!. Recurso n!!. a) Disciplina Legal- Crédito Presumido: (..) a Contribuinte está obrigada a cumprir tão somente o disposto na lei, sabido que o nosso ordenamento jurídico consagra o PRINCÍP 10 DA LEGALIDADE: (..) b) Requisitos do Beneficio Fiscal - Adimplemento ( ..) 2 q Processo n~ Recurso n!! Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10680.006962/2001-11 130.727 MINISTÉRIO DA FAZ~~DA Segundo Conselho de Conlf1butntes CONFERE COM O ORIGINA'6 Brasllia-DF. em..k!_I_,20() ~lrifUji Sllcretilla da Segunda Cámara ~ld o fundamento do Despacho Decisório é o mesmo contido no Parecer MF/SRF/COSIT DITIP n° 139/1996, contudo, data vênia, é inadmissível, porque ao intérprete da lei não é atribuída competência para inovar a ordem jurídica. Assim, nenhum ato normativo emanado do poder executivo poderá restringir o alcance da Lei n° 9.363/1996, para aplicá-la somente em relação aos produtores com status de industriplizados sujeitos a uma alíquota ou isentos do IPI, se a LEI elegeu como condiçf1o ao beneficio a exportação de 'MERCADORIA '. Também não se extrai da Lei n° 9.963/1996 nenhuma restrição ao direito aos créditos de IPI presumidos. na hipótese de produtores exportadores de produtos NT (não-tributados). (..) ( ..) a Contribuinte implementa todos os requisitos previstos na LEI para usufruir desse direito ao crédito de IPI presumido, ou seja, é produtora e exportadora de mercadorias nacionais, alcançadas pela imunidade. ". (..) (..) a concessão desse beneficio fiscal não está limitada ClÓS ditames da legislação do IPI, cuja aplicação é tão somente subsidiária. (..) (..) o fato da MERCADORIA exportada pela Contribuift((! estar classificada na TIPI como N/T '(não-tributada) não a impede do exercício dô:'direito em questão, porque a intenção da lei não foi beneficiar somente os produtos tributados pela legislação do IPI, mas, toda e qualquer mercadoria destinada ao exterior. ( ..) o entendimento do Despacho Decisório diverge do entendimento jurisprudencial do Eg. Conselho de Contribuintes. (..) c) Apuração do Crédito Presumido: (..) o crédito presumido merece deferimento em relação a qualquer aquisição que represente custos de produção, pois, a intenção da lei foi desonerar as exportações do PIS e da COFINS - incidentes no ciclo de produção sob o efeito cumulativo. (..) (..) a Instrução Normativa n° 23/1997 também não poderia restringir a utilização dos créditos, na forma do seu art. 2~ 9 2~ porque a norma jurídica por ato emanado do Poder Executivo. (..) d) Extinção de obrigação tributária: Uma vez demonstrada a legitimidade dos créditos presumidos de IPI, é imperiosa a homologação das compensações entre os créditos com débitos de outros tributos federais. (..) O desfecho da obrigação tributária é o seu cumprimento, desaparecendo o tributo ao verificar-se qualquer causa extintiva dessa obrigação. 3 oJ" "." rn''1"1?''" "I:~V-~I'"lt .••...1. _•.•••••..1ll&liai.ll!lmU~l~IflIJ~fiAi(- """_ Processo n!! Recurso n!! Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10680.006962/2001-11 130.727 MINISTÉRIO DA FAZ~~DA Segundo Conselho de Contnbulntes CONFERE COM O ORIGINA~ Brasília-DF. em.-Jd-I_I_' ZeJ ~kafuji :Secretána da Segunda Cámara ~ld o direito contempla as causas extintivas das obrigações tributárias, dentre elas a COMPENSAÇÃO, que tem o poder de impedir que se exija novamente a exação, que não mais existe em decorrência da extinção da relação obrigacional. (..) Assim sendo, repitam-se legítimas as compensações promovidas pela Contribuinte, merecendo, ao final, serem declaradas como homologadas. e) Atualização Monetária: A Contribuinte acrescenta finalmente que desde o protocolo do seu pedido até a presente data já transcorreu um longo período, portanto, se os valores dos créditos presumidosforem deferidos, devem ser seguidos da ATUALIZAÇÃO MONETARIA desde as suas ocorrências, para recompor esses valores dos efeitos da inflação. (..) Constata-se que o óbice à correção monetária cria uma vantagem ilícita em favor da União Federal, em desequilíbrio ao PRINCÍPIO DA IGUALDADE, considerando que a União Federal recorre à correção monetária para atualizar" os seus créditos. (...) Assim sendo, os valores correspondentes aos créditos de IPI presumidos devem ser atualizados a partir das ocorrências, nos mesmos moldes ''t(tilizados pela Secretaria da Receita Federal para atualizar os tributos pagos emiÚraso, em cumprimento do PRINCÍPIO DA ISONOMIA". Por tudo que expôs, propugnou pela reforma do despacho decisório recorrido, com a conseqüente procedência do seu pedido de ressarcimento. " Às fls. 95/106, acórdão proferido pela 3~Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora - MO, sintetizado na seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. O direito ao crédito presumindo do IPI instituído pela Lei n° 9.363, de 1996 condiciona- se a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, não estando, por conseguinte, alcançados pelo beneficio os produtos não-tributados (NT). Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 Ementa: 1- LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA. LEGALIDADE. As normas e determinações previstas na legislação tributária presumem-se revestidas do caráter de legalidade, contando com validade e eficácia, não cabendo à esfera administrativa questioná-las ou negar-lhes aplicação. 2- CORREÇÃO MONETARIA E JUROS. É incabível, por falta de previsão legal, a incidência de atualização monetária ou de juros sobre créditos escriturais legítimos do IPI Para créditos que se revelem inexistentes ou ilegítimos. a pretensão de tal incidência é, deveras, absurda. V~ 4 Processo n!!. Recurso n!!' Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10680.006962/2001-11 130.727 MINISTÉRIO DA FAZ~~DA Segunda Conselho de ContribUintes CONFERE COM O ORIGIN~ BrasHia-OF. em_>1I..LJ£- ~hfuji '~el:let31l8 da Segunda Cámara ~.C-MF bd Solicitação Indeferida". Irresignada, interpõe a contribuinte o recurso voluntário de fls. 111/128, basicamente repisando os argumentos já aduzidos em sede de impugnação. É o relatório. ;, , ,.1 r \ 5 • Processo n.2 Recurso n.2 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10680.006962/2001-11 130.727 MINISTÉRIO DA FAZ~~DA Segundo ConselhO de ContnbUlntes CONFERE COM O 0fIG'J'4A? Brasília-DF. em 31 I_/~ A.t ..l~'f ..élr!z7T6."a UJl SeerelállB da Segunda Cámar. ~bJ ", 't VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR MARCELO MARCONDES MEYER-KOZLOWSKI Às fls. 24/27, foi determinado pela Divisão de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receitá Federal de Administração Tributária no Rio de Janeiro - RJ que se realizasse uma diligência no domicílio fiscal da recorrente para que se verificasse, dentre outros itens, se os créditos são legítimos e se os insumos foram efetivamente aplicados na industrialização de produtos exportados ou vendidos a empresa comercial exportadora com fim específico de exportação para o exterior. Dita verificação, entretanto, não foi realizada, aparentemente por não ser a recorrente contribuinte do IPI e, conseqüentemente, no entender da fiscalização, não fazer jus ao crédito postulado. ~.' Nesse diapasão, por considerar a questão absolut~ente prejudicial à apreciação do presente recurso voluntário, determino a conversão de seu Julgamento em diligência à repartição de origem para que esta realize todas as verificações requisitadas às fls. 24/27. Uma vez encerrada, intime-se a recorrente para que se manifeste a respeito do resultado da diligência no prazo de 10 (dez) dias, querendo. Sala das Sessões, em 7 de dezembro de 2005. WSKI 6 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006
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Numero do processo: 13673.000025/97-57
Data da sessão: Wed Oct 20 00:00:00 UTC 1999
Ementa: ITR - VALOR DA TERRA NUA - Há que ser revisto, conforme autoriza o
4° do art. 3° da Lei n° 8.847/94, o VTN que tiver seu questionamento fundamentado em laudo técnico convenientemente elaborado por profissional habilitado.
Recurso provido.
Numero da decisão: 201-73.225
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Nome do relator: Serafim Fernandes Corrêa
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score : 1.0
Numero do processo: 14120.000159/2008-38
Data da sessão: Thu Sep 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005
Ementa:
IRPJ E CSLL. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA.
O IRPJ e a CSLL têm por base de cálculo o lucro, o qual não se confunde com a receita bruta.
Numero da decisão: 1302-000.379
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Interessado 2ª TURMA DRJ/CGE - MS Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005 Ementa: IRPJ E CSLL. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. O IRPJ e a CSLL têm por base de cálculo o lucro, o qual não se confunde com a receita bruta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício MARCOS RODRIGUES DE MELLO - Presidente. e relator. EDITADO EM: 21/09/2010 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros WILSON FERNANDES GUIMARÃES, DANIEL SALGUEIRO DA SILVA, LAVINIA MORAES DE ALMEIDA N. JUNQUEIRA, EDUARDO DE ANDRADE , IRINEU BIANCHI e MARCOS RODRIGUES DE MELLO Fl. 576DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 21/09/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 2 Relatório Conselheiro Marcos Rodrigues de Mello, relator. Trata-se de recurso de ofício em relação ao acórdão DRJ que julgou improcedente parcialmente os autos de infração nos quais a Fiscalização, apurando omissão de receita, formalizou a exigência de IRPJ e de CSLL, acrescidos ambos de juros de mora e de multa proporcional e isolada. Em decorrência dos mesmos fatos, foram ainda lavrados autos de infração de PIS e COFINS. Os lançamentos, na sua totalidade, perfazem o montante de R$ 1.394.823,66, tendo por fundamento o art. 841 do Regulamento do Imposto de Renda - RIR e demais dispositivos indicados nos autos de infração de fls. 425 a 468. A impugnante alegou que os lançamentos do IRPJ e da CSLL foram feitos indevidamente com base em arbitramento, uma vez que não estaria presente nenhuma das hipóteses previstas no art. 530 do RIR, autorizadoras daquela forma de apuração do lucro. Além disso, os tributos teriam sido calculados diretamente sobre a receita bruta e não sobre o lucro arbitrado. Afirmou, acerca da imposição de multa isolada, não ser possível sua exigência dada a apuração de prejuízo nos anos de 2004 e 2005, como evidenciado na escrita contábil. Não houve contestação especificada aos lançamentos de PIS e COFINS. Remetidos os autos a esta DRJ para julgamento, a impugnação não foi conhecida por desatender ao requisito da tempestividade, conforme decisão de fls. 506 a 508. A DRF - Campo Grande, entretanto, recebendo os autos do processo e constatando erro na contagem, os devolveu para nova análise (fl. 509). A DRJ decidiu conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Deve ser recebida como embargos de declaração a manifestação da unidade de origem acerca da tempestividade da impugnação, quando os elementos necessários para aferir esse requisito de admissibilidade se encontrem nos autos. IRPJ E CSLL. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. O IRPJ e a CSLL têm por base de cálculo o lucro, o qual não se confunde com a receita bruta. MULTA ISOLADA. PREJUÍZO NO PERÍODO. POSSIBILIDADE. O fato gerador da multa isolada é a falta de pagamento das antecipações a que o contribuinte se obriga quando faz a escolha pela apuração do lucro real anual, sendo irrelevante eventual prejuízo apurado no fim do período. O voto condutor do acórdão recorrido prescreveu: Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro. Fl. 577DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 21/09/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 14120.000159/2008-38 Acórdão n.º 1302-00.379- S1-C3T2 Fl. 2 3 O lançamento do IRPJ e da CSLL teve por base omissão de receita, apurada mediante o exame da escrita fiscal e comercial. Nas Declarações de Informações Econômico-Fiscais – DIPJ, referentes aos anos de 2004 e 2005, a impugnante, em desconformidade com os dados constantes dos livros fiscais e contábeis, não informou ter auferido qualquer receita nos dois períodos. Não declarou também para esses tributos débitos em DCTF. Dos livros fiscais e contábeis, extraiu-se a seguinte receita para os anos de 2004 e 2005: Com fulcro nesses números, a Fiscalização apurou o montante do IRPJ e da CSLL devidos. Entretanto o fez sem atentar para o fato de que o lucro, base de cálculo de ambos os tributos, não se confunde com a receita. No cálculo do quantum debeatur, os totais das receitas, em cada ano, foram considerados como lucro. Eis os cálculos que levaram aos valores exigidos nos autos de infração ora impugnados: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ANO BASE 2004 ANO BASE 2005 RECEITA 917.322,82 RECEITA 1.129.165,47 RECEITA OMITIDA EM 2004 RECEITA OMITIDA EM 2005 MÊS RECEITA MÊS RECEITA JANEIRO 68.505,99 JANEIRO 27.106,40 FEVEREIRO 54.259,98 FEVEREIRO 90.651,10 MARÇO 65.867,21 MARÇO 76.719,10 ABRIL 63.936,71 ABRIL 84.893,73 MAIO 55.379,72 MAIO 87.954,87 JUNHO 65.430,05 JUNHO 92.131,36 JULHO 86.400,73 JULHO 114.620,96 AGOSTO 124.139,29 AGOSTO 114.543,27 SETEMBRO 88.355,68 SETEMBRO 124.881,27 OUTUBRO 68.056,55 OUTUBRO 89.732,65 NOVEMBRO 93.181,46 NOVEMBRO 69.417,62 DEZEMBRO 83.809,45 DEZEMBRO 156.513,14 TOTAL 917.322,82 TOTAL 1.129.165,47 IMPOSTO DE RENDA ANO BASE 2004 ANO BASE 2005 RECEITA 917.322,82 RECEITA 1.129.165,47 IR 15% 137.598,42 IR 15% 169.374,82 ADICIONAL 10% 67.732,28 ADICIONAL 10% 88.916,55 TOTAL DO IR 205.330,71 TOTAL DO IR 258.291,37 MULTA 75% 153.998,03 MULTA 75% 193.718,53 Fl. 578DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 21/09/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 4 CSLL 9% 82.559,05 CSLL 9% 101.624,89 MULTA 75% 61.919,29 MULTA 75% 76.218,67 O procedimento não encontra respaldo legal. Qualquer que fosse a forma de apuração do lucro tributável (real, presumido ou arbitrado), a receita bruta não poderia ser considerada a expressão do próprio lucro. É oportuno ressaltar que, no caso em tela, não caberia a apuração por arbitramento, porquanto não ficou caracterizada a existência de nenhuma das hipóteses que autorizam essa forma de apuração. Já a apuração pelo lucro real exige que se considerem as despesas incorridas nos períodos, lançadas nos livros de escrita comercial, os quais, convém frisar, não foram desqualificados pela Fiscalização. A propósito da apuração pelo lucro real, não se poderia, com base nos elementos que constam dos autos, afastar a hipótese de prejuízo fiscal, ao se considerarem os custos e despesas incorridas no período, caso em que não haveria nem mesmo a materialização do próprio fato imponível. O problema aqui apontado torna inválido, no seu todo, o lançamento do IRPJ e da CSLL, já que a eliminação do vício só pode ser feita mediante novo lançamento, o que é vedado à DRJ fazer. Dos livros fiscais e contábeis, extraiu-se a seguinte receita para os anos de 2004 e 2005: RECEITA OMITIDA EM 2004 RECEITA OMITIDA EM 2005 MÊS RECEITA MÊS RECEITA JANEIRO 68.505,99 JANEIRO 27.106,40 FEVEREIRO 54.259,98 FEVEREIRO 90.651,10 MARÇO 65.867,21 MARÇO 76.719,10 ABRIL 63.936,71 ABRIL 84.893,73 MAIO 55.379,72 MAIO 87.954,87 JUNHO 65.430,05 JUNHO 92.131,36 JULHO 86.400,73 JULHO 114.620,96 AGOSTO 124.139,29 AGOSTO 114.543,27 SETEMBRO 88.355,68 SETEMBRO 124.881,27 OUTUBRO 68.056,55 OUTUBRO 89.732,65 NOVEMBRO 93.181,46 NOVEMBRO 69.417,62 DEZEMBRO 83.809,45 DEZEMBRO 156.513,14 TOTAL 917.322,82 TOTAL 1.129.165,47 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ANO BASE 2004 ANO BASE 2005 RECEITA 917.322,82 RECEITA 1.129.165,47 CSLL 9% 82.559,05 CSLL 9% 101.624,89 MULTA 75% 61.919,29 MULTA 75% 76.218,67 Eis os cálculos que levaram aos valores exigidos nos autos de infração ora impugnados: IMPOSTO DE RENDA Fl. 579DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 21/09/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 14120.000159/2008-38 Acórdão n.º 1302-00.379- S1-C3T2 Fl. 3 5 ANO BASE 2004 ANO BASE 2005 RECEITA 917.322,82 RECEITA 1.129.165,47 IR 15% 137.598,42 IR 15% 169.374,82 ADICIONAL 10% 67.732,28 ADICIONAL 10% 88.916,55 TOTAL DO IR 205.330,71 TOTAL DO IR 258.291,37 MULTA 75% 153.998,03 MULTA 75% 193.718,53 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ANO BASE 2004 ANO BASE 2005 RECEITA 917.322,82 RECEITA 1.129.165,47 CSLL 9% 82.559,05 CSLL 9% 101.624,89 MULTA 75% 61.919,29 MULTA 75% 76.218,67 O procedimento não encontra respaldo legal. Qualquer que fosse a forma de apuração do lucro tributável (real, presumido ou arbitrado), a receita bruta não poderia ser considerada a expressão do próprio lucro. É oportuno ressaltar que, no caso em tela, não caberia a apuração por arbitramento, porquanto não ficou caracterizada a existência de nenhuma das hipóteses que autorizam essa forma de apuração. Já a apuração pelo lucro real exige que se considerem as despesas incorridas nos períodos, lançadas nos livros de escrita comercial, os quais, convém frisar, não foram desqualificados pela Fiscalização. A propósito da apuração pelo lucro real, não se poderia, com base nos elementos que constam dos autos, afastar a hipótese de prejuízo fiscal, ao se considerarem os custos e despesas incorridas no período, caso em que não haveria nem mesmo a materialização do próprio fato imponível. O problema aqui apontado torna inválido, no seu todo, o lançamento do IRPJ e da CSLL, já que a eliminação do vício só pode ser feita mediante novo lançamento, o que é vedado à DRJ fazer. Voto Conselheiro MARCOS RODRIGUES DE MELLO O valor exonerado é superior a R$ 1.000.000,00, devendo ser conhecido o recurso de ofício. Não há reparo a fazer à decisão recorrida. A fiscalização apurou falta de recolhimento/declaração do imposto de renda e da CSLL, com base nos registros nos livros Registros de Saídas e Razão. No entanto, utilizou as próprias receitas como base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Fl. 580DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 21/09/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 6 Não há de se falar no caso de arbitramento, pois não foi o caso, ficando evidenciado que a alíquota foi aplicada sobre a receita e não sobre o lucro em qualquer de suas espécies (real, presumido ou arbitrado). Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Conselheiro Marcos Rodrigues de Mello, Presidente e Relator. Fl. 581DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 21/09/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 19515.004843/2003-64
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 1999 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. DESPESA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS.COMPROVAÇÃO. As despesas de prestação de serviços devem ser comprovadas mediante a efetividade da prestação de serviços e o desembolso realizado coincidentes em datas e valores com a escrituração contábil e fiscal. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTO DECORRENTE.
O lançamento de CSLL sendo decorrente da mesma infração tributária, a relação de causalidade que o informa leva a que o resultados do julgamento deste feito acompanhe aquele que foi dado à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1801-000.673
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar, em afastar as nulidade suscitadas e, no mérito, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. DESPESA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS.COMPROVAÇÃO. As despesas de prestação de serviços devem ser comprovadas mediante a efetividade da prestação de serviços e o desembolso realizado coincidentes em datas e valores com a escrituração contábil e fiscal. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTO DECORRENTE. Fl. 653DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19515.004843/200364 Acórdão n.º 180100.673 S1TE01 Fl. 599 2 O lançamento de CSLL sendo decorrente da mesma infração tributária, a relação de causalidade que o informa leva a que o resultados do julgamento deste feito acompanhe aquele que foi dado à exigência de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar, em afastar as nulidade suscitadas e, no mérito, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 194197, com a exigência do crédito tributário no valor de R$311.742,51 a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro real anual no anocalendário de 1998. O lançamento se fundamenta na glosa de despesa constatada em razão da não comprovação do desembolso e da efetividade da prestação de serviços de manutenção de revestimentos e de equipamentos, bom como locação de mão de obra temporária, em conformidade com as informações constantes nas notas fiscais de prestação de serviços, fls. 130182, que estão acompanhadas das cópias dos cheques correspondentes e na Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 3799, bem como no Termo de Verificação Fiscal (TVF), fls. 184189 ajustada com as seguintes pessoas jurídicas contratadas: Tabela 1 – Glosa de Despesa da Nivram Comércio e Serviços Ltda, CNPJ 01.871.357/000108, em 1998 Fl. 654DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19515.004843/200364 Acórdão n.º 180100.673 S1TE01 Fl. 600 3 Descrições Meses (A) Valor R$ (B) Nota Fiscal Número e Data de Emissão (C) Janeiro 5.000,00 14 (02.01.1998) Fevereiro 5.000,00 15 (02.02.1998) Fevereiro 5.000,00 16 (17.02.1998) Março 5.000,00 17 (02.03.1998) Março 3.500,00 18 (04.03.1998) Maio 5.000,00 20 (04.05.1998) Junho 5.000,00 21 (01.06.1998) Julho 5.000,00 22 (01.07.1998) Agosto 5.000,00 23 (03.08.1998) Setembro 5.000,00 24 (02.09.1998) Outubro 5.000,00 25 (01.10.1998) Novembro 5.000,00 27 (31.11.1998) Dezembro 5.000,00 28 (31.12.1998) Total 63.500,00 Tabela 2 – Glosa de Despesa da Nova Visão Recursos Humanos Ltda, CNPJ 02.187.386/000118, em 1998 Descrições Meses (A) Valor R$ (B) Nota Fiscal Número e Data de Emissão (C) Janeiro 46.008,99 5 (02.01.1998) Janeiro 2.546,38 8 (14.01.1998) Fevereiro 20.247,30 10 (19.02.1998) Fevereiro 78.840,72 13 (05.02.1998) Fevereiro 24.625,70 21 (19.02.1998) Março 55.005,55 24 (05.03.1998) Março 3.426,45 27 (16.03.1998) Março 6.333,79 31 (19.03.1998) Março 10.111,88 35 (24.03.1998) Abril 16.753,65 37 (03.04.1998) Abril 2.752,31 42 (14.04.1998) Abril 5.415,71 48 (17.04.1998) Abril 2.354,96 55 (30.04.1998) Maio 9.403,96 59 (05.05.1998) Maio 2.997,84 62 (12.05.1998) Junho 1.383,93 73 (04.06.1998) Outubro 114,26 127 (19.10.1998) Outubro 4.611,70 128 (19.10.1998) Outubro 7.930,21 130 (27.10.1998) Total 300.865,29 Tabela 3 – Glosa de Despesa da MS Recursos Humanos Ltda, CNPJ 00.893.969/000139, em 1998 Fl. 655DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19515.004843/200364 Acórdão n.º 180100.673 S1TE01 Fl. 601 4 Descrições Meses (A) Valor R$ (B) Nota Fiscal Número e Data de Emissão (C) Janeiro 24.644,65 612 (05.01.1998) Janeiro 21.515,40 613 (05.01.1998) Janeiro 2.965,60 621 (09.01.1998) Janeiro 565,85 622 (09.01.1998) Janeiro 746,85 627 (12.01.1998) Janeiro 11.802,60 630 (19.01.1998) Janeiro 4.689,75 631 (19.01.1998) Janeiro 4.689,75 639 (23.01.1998) Fevereiro 12.421,90 644 (05.02.1998) Fevereiro 26.448,17 645 (05.02.1998) Fevereiro 3.204,65 650 (20.02.1998) Fevereiro 28.908,18 658 (27.02.1998) Março 28.908,18 660 (05.03.1998) Março 11.919,58 665 (20.03.1998) Março 6.573,69 671 (31.03.1998) Abril 10.508,90 673 (03.04.1998) Abril 4.413,56 678 (20.04.1998) Maio 8.818,28 684 (05.05.1998) Maio 2.670,29 689 (11.05.1998) Maio 3.449,84 693 (20.05.1998) Junho 589,26 697 (05.06.1998) Total 219.173,98 Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: inciso I do art. 195, parágrafo único do art. 197, art. 242 e art. 243 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 1.041, de 11 de janeiro de 1994 (RIR, de 1994). Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foi constituído o seguinte crédito tributário pelo lançamento formalizado neste processo: II – O Auto de Infração às fls. 198201 com a exigência do crédito tributário no valor de R$120.191,77 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: §§ do art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 19 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, bem como art. 28 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 1º da Lei nº 9.316, de 22 de novembro de 1996. Cientificada em 22.12.2003, fls. 196 e 200, a Recorrente apresentou a impugnação em 23.01.2004, fls. 204211, com as alegações abaixo sintetizadas. Tece esclarecimentos sobre sua atividade de revestimento de tubulação destinada à condução de água e esgoto. Expõe que tendo em vista a grande demanda de prestação de serviço ajustou com várias pessoas jurídicas a contratação de mão de obra terceirizada. Suscita que demonstra que as despesas incorridas correspondentes são dedutíveis, porque são necessárias e úteis à fonte produtora do rendimento. Fl. 656DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19515.004843/200364 Acórdão n.º 180100.673 S1TE01 Fl. 602 5 Com o objetivo de fundamentar seus argumentos interpreta a legislação que rege a questão litigiosa, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e cita entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Diante de todo o exposto, requer, respeitosamente, a procedência desta Impugnação para que seja reconhecida a nulidade/improcedência do presente Auto de Infração e, conseqüentemente, o cancelamento da multa, juros e demais valores acessórios. Protesta provar o alegado pela juntada posterior de todas as provas admitidas, especialmente a documental, inclusive diligências, nos termos do artigo 16, IV, Decreto 70.235/72. Termos em que, Pede deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/SPO I/SP nº 1615.364, de 09.11.2007, fls. 565571: “Lançamento Procedente”. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 SERVIÇOS PRESTADOS POR TERCEIROS Os serviços prestados por terceiros devem ser comprovados através de documentação que venha a demonstrar a efetividade da prestação. AUTO REFLEXO CSLL Aplicase o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à intima relação de causa e efeito existente entre eles. Notificada em 22.02.2008, fl. 578, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 25.03.2008, fls. 579593, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. Acrescenta que Verificase que [na] da decisão recorrida, não houve justificativa plausível pela não comprovação da prestação dos serviços contratados, apesar da farta documentação juntada pela Recorrente, que não foi apreciada pela Autoridade de Primeira Instância. Conclui Por todo o acima exposto e reportandose aos documentos comprobatórios apresentados os quais se reitera sua apreciação por este Egrégio Conselho de Contribuintes restou demonstrada a improcedência da decisão recorrida, motivo pelo qual impõese o total provimento do presente Recurso Voluntário, cancelando se, por conseguinte, o respectivo Auto de Infração lavrado para cobrança de IRPJ, bem como o Auto de Infração para cobrança de CSLL, lavrado de forma reflexa. Fl. 657DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19515.004843/200364 Acórdão n.º 180100.673 S1TE01 Fl. 603 6 Por fim, requer a juntada do incluso instrumento de substabelecimento de mandato (doc. 01). Termos em que, Pede deferimento. A Recorrente apresentou Memorial. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Os Autos de Infração foram lavrados por servidor competente que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais o ato administrativo deve ser motivado, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos de modo explícito, claro e congruente1. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidade no curso do processo, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 do Código Tributário Nacional, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Fl. 658DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19515.004843/200364 Acórdão n.º 180100.673 S1TE01 Fl. 604 7 correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência 2. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente argúi que as despesas incorridas correspondentes à locação de mão de obra temporária são dedutíveis, porque são necessárias e úteis à fonte produtora do rendimento. Os registros contábeis devem ser realizados com observância aos princípios de contabilidade, devem conter a data do registro contábil, ou seja, a data em que o fato contábil ocorreu, a conta devedora, a conta credora, o histórico que represente a essência econômica da transação ou o código de histórico padronizado, neste caso baseado em tabela auxiliar inclusa em livro próprio, o valor do registro contábil e a informação que permita identificar, de forma unívoca, todos os registros que integram um mesmo lançamento contábil. Em conformidade com o regime de competência e com o princípio da independência dos exercícios, as despesas devem ser apropriadas simultaneamente às receitas que gerarem. Estas despesas, para serem dedutíveis, devem ser incorridas, necessárias, usuais ou normais para a realização das transações ou operações inerentes à atividade da pessoa jurídica e à manutenção da respectiva fonte produtora. São consideradas incorridas aquelas de competência do período de apuração relativos aos bens empregados nas operações exigidas pela atividade da pessoa jurídica, em relação aos quais já tenha nascido a obrigação correspondente. O pressuposto é de que a escrituração mantida com observância das disposições legais que somente faz prova em favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados se estes estiverem comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade administrativa a prova da não veracidade dos fatos ali registrados. Por esta razão, as despesas decorrentes da prestação de serviços para serem dedutíveis é indispensável a comprovação que o dispêndio corresponde à contrapartida de algo recebido e que, por isso mesmo, torna o pagamento devido. Ainda, no comprovante devem estar com identificação do beneficiário e da operação ou a causa que deu origem ao rendimento3. Tem cabimento, portanto, o exame da situação fática. O Livro Diário e o Balancete da Recorrente do período de 01.07.1998 a 31.12.1998 constam às fls. 533564 e os extratos bancários da conta corrente nº 130038786 da agência nº 0121 do Banco do Estado de São Paulo S/A do período de 01.01.1998 a 31.12.1998 de titularidade da Recorrente constam às fls. 465532. I) Nivram Comércio e Serviços Ltda, CNPJ 01.871.357/000108 Em relação à prestadora de serviços temse que: o Instrumento Particular de Contrato de Prestação de Serviços, fls. 263268, pactuado entre a Recorrente/Contratante e a Nivram Comércio e Serviços Ltda /Contratada tem o seguinte objeto: “a coordenação e supervisão de atividades, de instalação e manutenção preventiva e corretiva, elétrica e mecânica de equipamentos, bem como desenvolvimento de 2 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 3 Fundamentação legal: §§ do art. 45 e §§ do art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964, §§ do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, Lei nº 5.474, de 18 de Julho de 1968 Parecer Normativo CST nº 58, 01 de setembro de 1977 e Resolução CFC nº 1.330, de 18 de março de 2011. Fl. 659DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19515.004843/200364 Acórdão n.º 180100.673 S1TE01 Fl. 605 8 projetos para instalação e manutenção de revestimentos e equipamentos” e vigorou de 04.06.1997 até 08.12.1998, conforme Termo de Distrato e Quitação Recíproca, fl. 261; houve emissão das notas fiscais emitidas pela Contratada no período de 01.01.1998 a 31.12.1998 (Colunas B e C da Tabela 4), fls. 269291 e 459463; foram anexados os extratos bancários da conta corrente nº 130038786 da agência nº 0121 do Banco do Estado de São Paulo S/A do período de 01.01.1998 a 31.12.1998 de titularidade da Recorrente por meios dos quais se pode confirmar as compensação dos cheques utilizados para aos pagamentos correspondentes (coluna D da Tabela 4), fls. 465532; houve escrituração das notas fiscais acompanhada do número do cheque correspondente ao pagamento no Livro Diário e o Balancete da Recorrente do período de 01.07.1998 a 31.12.1998 (coluna E da Tabela 4), fls. 533564; do detalhamento dos valores das despesas glosadas (Tabela 1), tornase evidente o erro material no lançamento que considerou como sendo R$5.000,00 o valor Nota Fiscal nº 16, de 17.02.1998, fl. 274, ao invés da quantia correta de R$3.500,00. Tabela 4 – Situação Fática da Glosa de Despesa da Nivram Comércio e Serviços Ltda em 1998 Descrições Meses (A) Nota Fiscal Número e Data de Emissão (B) Valor Constante na Nota Fiscal R$ (C) Número do Cheque Compensado Correspondente à Nota Fiscal de Serviços (D) Comprovação do Registro no Livro Diário e no Balancete – Fls. (E) Valor Exonerado R$ (F) Fevereiro 16 (17.02.1998) 3.500,00 1.500,00 Julho 22 (01.07.1998) 5.000,00 002853 533534 e 536 5.000,00 Agosto 23 (03.08.1998) 5.000,00 002912 537539 5.000,00 Setembro 24 (02.09.1998) 5.000,00 002971 540542 5.000,00 Outubro 25 (01.10.1998) 5.000,00 003026 544 e 549550 5.000,00 Novembro 27 (31.11.1998) 5.000,00 003178 557558 e 560 5.000,00 Total 26.500,00 Assim, cabe esclarecer que: o total de total de R$25.000,00 correspondente aos valores lançados correspondentes ao período de julho a novembro deve ser exonerados, porque houve as comprovações da efetividade da prestação de serviços e do desembolso realizado coincidentes em datas e valores, em conformidade com o contrato, as notas fiscais de serviços, os extrato bancários, o Livro Diário e o Balancete; o valor de R$1.500,00 referente ao erro material no lançamento em relação ao valor Nota Fiscal nº 16, de 17.02.1998, fl. 274, deve ser exonerado; os lançamentos referentes aos demais valores devem ser mantidos, haja vista que nos autos não contêm as comprovações da efetividade da prestação de serviços e do Fl. 660DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19515.004843/200364 Acórdão n.º 180100.673 S1TE01 Fl. 606 9 desembolso realizado coincidentes em datas e valores com a escrituração contábil e fiscal da Recorrente. II) Nova Visão Recursos Humanos Ltda, CNPJ 02.187.386/000118 Em relação à prestadora de serviços temse que: o Contrato de Prestação de Serviços, fls. 293297, pactuado entre a Recorrente/Contratante e a Nova Visão Recursos Humanos Ltda/Contratada tem o seguinte objeto: “a locação de mão de obra temporária para suprir as necessidades de pessoal em virtude do acréscimo extraordinário de serviços” e vigorou por 90 (noventa) dias a contar de 31.10.1997; foram anexadas Guias de Recolhimento do FGTS do período de maio a agosto de 1998, fls. 300307; foram emitidas as notas fiscais fatura emitidas pela Contratada no período de 01.01.1998 a 31.12.1998 (colunas B e C da Tabela 5), fls. 308369; houve o estorno das notas fiscais escriturados no Livro Diário e o Balancete da Recorrente do período de 19.10.1998 a 27.10.1998 (coluna D da Tabela 5), fls. 533564. Tabela 5 – Situação Fática da Glosa de Despesa da Nova Visão Recursos Humanos Ltda em 1998 Descrições Meses (A) Nota Fiscal Número e Data de Emissão (B) Valor Constante na Nota Fiscal R$ (C) Comprovação do Registro no Livro Diário– Fls. (D) Valor Exonerado R$ (E) Outubro 127 (19.10.1998) 114,26 545 e 547 (Estorno em 27.10.1998) 114,26 Outubro 128 (19.10.1998) 4.611,70 545 e 548 (Estorno em 27.10.1998) 4.611,70 Outubro 130 (27.10.1998) 7.930,21 546 e 548 (Estorno em 30.10.1998) 7.930,21 Total 12.656,17 Assim, cabe esclarecer que: tendo em vista que o “estorno consiste em lançamento inverso àquele feito erroneamente, anulao totalmente” (Resolução CFC nº 1.330, de 18 de março de 2011), o total de R$12.656,17 correspondente aos valores lançados correspondentes ao mês de outubro deve ser exonerados, porque houve estorno das notas fiscais de serviços, em conformidade com o Livro Diário; os lançamentos referentes aos demais valores devem ser mantidos, haja vista que o contrato vigorou por 90 (noventa) dias a contar de 31.10.1997 e, precipuamente, ainda que nos autos não contêm as comprovações da efetividade da prestação de serviços e do desembolso realizado coincidentes em datas e valores com a escrituração contábil e fiscal da Recorrente; os extratos bancários não comprovam que as demais nf não estão registradas no extrato Fl. 661DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19515.004843/200364 Acórdão n.º 180100.673 S1TE01 Fl. 607 10 III) MS Recursos Humanos Ltda, CNPJ 00.893.969/000139 Em relação à prestadora de serviços temse que: o Contrato de Prestação de Serviços, fls. 371375, pactuado entre a Recorrente/Contratante e a MS Recursos Humanos Ltda/Contratada, tem o seguinte objeto: “a locação de mão de obra temporária para suprir as necessidades de pessoal em virtude do acréscimo extraordinário de tarefas” e vigorou por 90 (noventa) dias a contar de 31.05.1997; foram emitidas notas fiscais emitidas pela Contratada no período de 01.01.1998 a 31.12.1998, fls. 376436. Cabe esclarecer que os lançamentos referentes a estes valores devem ser mantidos, haja vista que o contrato vigorou por 90 (noventa) dias a contar de 31.05.1997 e precipuamente, i ainda que nos autos não contêm as comprovações da efetividade da prestação de serviços e do desembolso realizado coincidentes em datas e valores com a escrituração contábil e fiscal da Recorrente. Tem cabimento, portanto, excluir o valor total de R$39.156,17 da base tributável do IRPJ referente ao fato gerador ocorrido em 31.12.1998, referente ao somatório do valor de R$26.500,00 da Nivram Comércio e Serviços Ltda e do valor de R$12.656,17 da Nova Visão Recursos Humanos Ltda. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso4. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade5. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo6. O lançamento de CSLL sendo decorrente da mesma infração tributária, a relação de causalidade que o informa leva a que o resultado do julgamento deste feito acompanhe aquele que foi dado à exigência de IRPJ. Assim, devese excluir o valor total de R$39.156,17 da base tributável da CSLL referente ao fato gerador ocorrido em 31.12.1998. 4 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 5 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. 6 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 662DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19515.004843/200364 Acórdão n.º 180100.673 S1TE01 Fl. 608 11 Em face do exposto, voto, em preliminar, por afastar as nulidade suscitadas e, no mérito, por dar provimento em parte ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 663DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 19515.002056/2004-69
Data da sessão: Fri Jul 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2000
DECADÊNCIA, CONTRIBUIÇÕES, LEI N° 8.212, DE 1991. SÚMULA
VINCULANTE N° 8, DE 2008, DO STF.
São inconstitucionais o parágrafo único do art, 50 do Decreto-lei nº 1.569, de 1977, e os arts, 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. [Súmula Vinculante n° 8, de 2008, do Supremo Tribunal Federal (STF)]
Numero da decisão: 1803-000.510
Decisão: Acordam os membros do Colegiada por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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I, • i ..-‘4-kâdit PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo te 19515.002056/2004-69 Recurso u° 178,668 Voluntário Acórdão u" 1803-00.510 – 3" Turma Especial Sessão de 09 de julho de 2010 Matéria PIS E COFINS - AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente IVECO LATIN AMÉRICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2000 DECADÊNCIA, CONTRIBUIÇÕES, LEI N° 8.212, DE 1991. SÚMULA VINCULANTE N° 8, DE 2008, DO STF. São inconstitucionais o parágrafo único do art, 50 do Decreto-lei n" 1.569, de 1977, e os arts, 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. [Súmula Vinculante n° 8, de 2008, do Supremo Tribunal Federal (STF)] Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiada por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. - e — Ferreira-de-Ms - Presidente Sérgio odrigues Máeno s - Relator EDITADO EM: 09/07/2010 Participaram presente de julgamento os Conselheiros: Selene Ferreira de Moraes, Walter . Adolfo Maresch, Luciano Inocência dos Santos, Roberto Armond Ferreira da Silva, Sérgio Rodrigues Mendes e Benedicto Celso Benício Júnior. t Processo n" 19515 002056/2004-69 SI-TE03 Aeórdiio n." 1803-00310 3so Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido, na parte ainda objeto de litígio (fls. 358 a 360): Versa o presente processo sobre Autos de Infração, com anexos, de Ajuste de Base de Cálculo do Imposto de Renda - IRPJ «is, 272-274), de exigência de Contribuição para o PIS «is, 275- 278, , de exigência de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS (fls. 279-282) e de Ajuste de Base de Cálculo da Contribuição Social - CSLL (17.5 . 283-285), referente aos fatos geradores 31/12/1999 (IRPJ e CSLL) e 31/07/1999 (PIS e COFINS). Também . foi lavrado o Termo de Verificação Fiscal (fls. 270-271). A autuação decorre da constatação de omissão de receitas .financeiras caracterizada pela falta ou inswiciência de contabilização de ganho obtido em operação de SWAP, em julho de 1999, no valor de R$ 962.245,43, conforme o Comprovante de Rendimentos e de Retenção na Fonte - Ano-Base 1999, emitido pela fonte pagadora Banco Real SIA. (11s, 252 e 269). Com relação ao IRPJ e à CSLL, não houve crédito tributário lançado, apenas redução do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa declarados pelo contribuinte no ano-calendário de 1999.. Enquadramentos legais: IRPJ. art. 24 da Lei e 9,249, de 1995, e arts. 249, inciso II, 251, parágrafb único, 278, 279, 280, 283, 288 do Regulamento do hnposto de Renda de 1999 (RIR199) — aprovado pelo Decreto n° 3000, de 29/03/1999; CSLL: ar!. 2° e ,§§, da Lei n° 7,689, de 1988; arts. 19 e 24 da Lei n° 9.249, de 1995; art. 1° da Lei n°9.316, de 1996, e ar!. 28 da Lei n° 9430, de 1996; art.. 6° da MP n° 1,858, de 1999 e reedições„ As contribuições lançadas (PIS e COFINS) foram de R$ 9.413,64 e R$ 28.867,36, respectivamente. Enquadramento Legal: PIS: art. 1° e 3°, da Lei Complementar 07, de 1970; ar! 24, § 2°, da Lei n°9,249, de 1995; arts. 2°, I, 8', I, e 9' da Lei n° 9.,715, de 1998; arts. 2 9-e 3° da Lei n° 9.718, de 1998, COFINS: art. 1° da Lei Complementar n° 70; . de . 1991; art . 24»§ 29, da Lei - • • • 9,249, de 1995; arts. 2°, 3° e 8° da Lei n° 9.718, de- 1998, com as alterações da MP n° 1.807, de 1999 e reedições, e com as alterações da MP n° 1.858, de 1999 e reedições. Os valores do PIS e COFINS acima estão acrescidos da multa de oficio com o percentual de 75%. Enquadramento legal: art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996. Também foram lançados juros de mora com base nos arts. 61, § da Lei n° 9.430, de 1996. O total do crédito tributário na data da autuação é de R$ 92.423,40, PR/cesso n° 19515 002056/2004-69 S1-TE03 Acórdão n " 1803-00310 Fl 381 A autuada, por meio de seu procurador (procuração às fls. 310/311), apresenta a impugnação e documentos de . 11,s. 294 a .350, fazendo, em síntese, as alegações a seguir.. Da decadência - PIS e COFINS • Os lançamentos ocorreram em outubro de 2004, tendo excedido ao prazo de cinco anos .fixados pelo Código Tributário Nacional - CTN • Conforme o disposto na Constituição Federal (art. 146, inciso III, alínea "b"), compete à legislação complementar (CTN) estabelecer as normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente no que se refere ao crédito tributário. • O CTN disciplina, no art. 150, o regime de lançamento por homologação, onde o contribuinte deverá efetuar o pagamento do tributo (PIS e COFINS) antes do exame prévio da autoridade administrativa, • Não havendo sido expressamente homologado pelo Fisco o pagamento antecipado pelo contribuinte, ou mesmo efetuado o lançamento de oficio do tributo indevidamente recolhido a nzenor, isto no prazo de .5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador da exação, resta homologado tacitamente o recolhimento efetuado, e definitivamente extinto o crédito tributário (§ 4' do art. 150 do CTN), • Não é válida a norma ordinária (Lei n° 8,212, de 1991), ao dispor de prazo maior de decadência para as contribuições sociais, pois contraria o art. 146 da Constituição Federal. Cita doutrina e posicionamento judicial sobre o tema. [ Ao .final, requer; a) A declaração da decadência do direito do Fisco proceder à constituição dos créditos tributários de PIS e COFINS anteriores a outubro de 1999, A decisão da instância a gr ito foi assim ementado (fls 357 e 358): ASSUNTO[ NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1999 DECADÊNCIA DO PIS E DA COFINS. O direito de proceder aos lançamentos dessas contribuições extingue-se após dez anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que os créditos poderiam ler sido constituídos, SP/(" Processo ri" 19515.002056/2004-69 81 -1.103 Acórdão n 1803-00,510 Fl 382 ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE Descabe, em sede de instância administrativa, a discussão acerca da ilegalidade e da inconstitucionalidade de dispositivos legais, por se tratar de matéria de competência privativa do Poder Judiciário, nos termos da Constituição Federal .1 Lançamento Procedente em Parte Cientificada da referida decisão em 10/11/2008 (A.R. de fls, 370), a tempo, em 02/12/2008, apresenta a interessada recurso de fls. 371 a 376, instruído com o documento de fls. 377, nele pleiteando, basicamente, que seja reconhecida a extinção dos créditos tributários de Pis e Cofins referentes aos fatos geradores ocorridos em julho de 1999, por força da decadência, nos termos do § 4° do art. 150 do CTN e do art. 156, inciso V, cio Código Tributário Nacional, Em mesa para julgamento. Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do recurso. Preliminar de decadência Incide, no presente caso, a Súmula Vinculante n° 8, de 2008, do Supremo Tribunal Federal (STF), de seguinte teor: São inconstitucionais o parágrafo (mico do artigo 5" do decreto- ki n" L569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n" 8212/199], que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. (DJe de 20/6/08; DOU de 20/6/08). Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Sérgio odrigue\"des 4 Processo n° 19515 002056/2004-69 S1-TE03 Acórdão n " 1803-00.510 F 1 383 •, TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3', do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009. Brasília n r A r. A- n , U1) A',,) AIO.. ,_ . 'W6 È-M.16WitUr-'5Seeretária da Câmara4\k'à Ciência Data: / / Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional . Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ j com Embargos de Declaração, 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF Processo n° : 19515.002056/2004-69 Interessado(a) : IVECO LATIN AMÉRICA LTDA. TERMO DE JUNTADA a Seção Declaro que juntei aos autos original do acórdão ri° 1803-00.510, (fls. ), e certifico que a cópia arquivada neste Conselho confere com o mesmo. Encaminhem-se os presentes autos à Procuradoria da Fazenda Nacional, para ciência do acórdão. Em ASSINATURA
score : 1.0
Numero do processo: 00710.010392/82-74
Data da sessão: Thu Feb 23 00:00:00 UTC 1984
Ementa: REDUÇÃO DO IMPOSTO - INVESTIMENTOS INCENTIVADOS -
Admite-se a redução de imposto correspondente ao valor aplicado na subscrição de ações, mediante o exercício do direito de preferência, de ações consideradas de interesse para o desenvolvimento da Amazônia e do Nordeste, a partir do exercício de
1982, nos termos do art 4º do Decreto-lei nº 1.841, de 1980.
Numero da decisão: 104-04.337
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Mário Rodrigues Teixeira Tereso Jesus Torres e Luiz Miranda que votaram por negar provimento.
Nome do relator: Carlos Walberto Chaves Rosas
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Sessão de .Z.3...de ..f.e.v.erei.rQ:le 19 ..6.4 .. ACORDÃO N°l.O'4."7:.4 ..•..3).7 .. Recurso nO 41.951 - IRPF - EX. DE 1982 Recorrente - JOSÉ CARLOS BARBOZA DE OLIVEIRA Recorrido _ DELEGADO DA RECEITA FEDERAL NO RIO DE JANEIRO - RJ REDUÇÃO DO IMPOSTO - INVESTIMENTOS INCENTIVADOS - Admite-se a redução de imposto correspondente ...ao valor aplicado na subscrição de ações, mediante o exerc:iéio do direito de preferência, de ações con sideradasde interesse para o desenvolvimento da Amazônia e do Nord.este, a partir do exercício de 1982, nos..:termos':doart .::i19;~do2:Decret6,...lei:ri.9. 1.841, de 1980. Vistos, relatados e discutidos os .presentes autos de re curso interposto por JOSÉ CARLOS BARBOZA DE OLIVEIRA, ACORDAM os Membros da.Quarta Câmara do Primeiro Conse-- lho de Contribuinte~" por maioria de votos, ;em DAR provimento ao re- curso. Vencidos os Conselheiros Mário Rodrigues Tei'xeiral"l.~Tereso Je- sus Torres e Luiz Miranda que votaram por neg~ provimento. Sala das Sessões (DF), FRANCIS~MA~SO em 23 de fevereiro de 1984. - PRESIDENTE 'VISTO..EM - RELATOR - PROCURADOR DA FAZENDA NA CIONALSESSÃO DE: 15 JUN 1984 RECURSO DA FAZENDA NACIONAL: RD/l04-0.247 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiro~ OIã~o~Jbãõ_Galvão;:Eugênio Botinelly Soares~e Helena Cristina Lana de Paula. J) ~Je 0l~,J~ $o; ~OVvtJ,'oíC1 f-e-lO QeOJLo!~ eSI2FjoL o. f)'3G. dL 1£-1£- Só ~ o-lf-c;~ k "'~ }eon: -f'on.-Uv..OWvi ~cl,,<k k úoltr" ~a-" y>-vo"';'-.-e-.-h 0\,..;0 M.e.CM/t-yv. ~C.A'~ ( "'V1.-0S ./-en~' J;o .rrR[c<~/n: lJ --e...,. UO.t-o ~ I" 't S S"'-- '" 4'1 M avo o ~ k JuI'1".J I>-_ .....•_-------- ' ..'- PRIMEIRO COrJSfU1O .OE OHT? ~lES . IL (4.' C.AMA'<'I) EM ..~ ..J.ot&vee / 19.ff.£' :i MARI~R8c.HA ..I..Ut'es "- Chefe da S';cretar'a • o SERViÇO POBLlCO FEDERAL PROCESSO N9 0710/010.392/82-74 RECURSO N9: 41.951 ACÓRDÃO N9: 4.337 RECORRENTE: JOS~ CARLOS BARBOZA DE OLIVEIRA o R E L A T O R I D c o Visando a redução de imposto devido. em razao da a quisiçao de ações da empresa INPASA- Indústrias de papéis S/A, no valor de Cr$ 300~OOO,00 no exercI cio de 1982, solicitou o ora re corrente a retificação de sua declaração de rendimentos relativa àquele exercIcio financeiro. Amparando~se nas informações de fls.35, houve por bem a autoridade julgadora de.primeiro grau indeferir o pedido, sob o fundamento de que, como advento do Decreto-Lei n9 1.841 , de 29 de dezembro de 1982, somente as subscrições de açoes decor rentes de emissão pública, registrada na Comissão de Valores Mobi liários faziam jus à redução do imposto. I~timado do decis5rio em 15 de junho de 1983, apr~ sentou ~~nformado ~pr~sente apelo em 14 de julho do mesmo ano.A. A ;susc~ntapeça recursal. sustenta que a norma supra citada âutoriza a redução nos casos de subscrições efetuadas me diante o exercIcio do direito de preferência, o que beneficiava o contribuinte já acionista da empresa desde 1973 e de participação' inexpressiva em comparação com ocapitalsociál da empresa. Em apenso aos autos acham-se os procedimentos n9s 768.051602/80 e 0710.010781/81 referentes a idênticos p~didos nos exercIcios de 1980 e 1981, culminando. indeferido o primeiro face a DMF - DF /1q c-c - Secgraf - 1600/75 c (<lI SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0710/010.392/82-74 2. Acórdão n9 104.4.337 irregularidade na subscrição das açoes e deferido o segundo. f'; o relatório. v O T O Conselheiro CARLOS WALBERTO CHAVES ROSAS, Relator Face à qportunidadé da interposição do presente apel~ nos termos'do que dispõe o art. 33 do Decreto n9 70.235, de 1972,d~ le conheço. Trata-se de exegese a se atribuir ao art. 49 do De- creto-lei n9 1.841, de 29 de dezembro de 1980, cujo teor e o segui!:! te, verbis: "Art. 49 - A redução do imposto de que tratam os n95.• I:I, ..'c e: 111 do art. 29 somente se refere à subscrição de ações decorrentes de emissão pública, registrada na Comissão de Valores Mobiliários, com- preendendo tambãm as subscrições efetuadas mediante o exerciciode direito de preferência." Não obstante, a obscura redação do dispositivo em te- la, entendo que, aoinvãs de excluir da redução fiscal a hipótese.de subscrição decorrente de exercicio de direito de preferência, a nOE ma em apreço ao estabelecer norma restritivagenãrica, ~:ressalvou, tão somente, os investimentos efetuados com a aquisição de açoes de empresas consideradas de interesse para o desenvolvimento econo- mico do Nordeste ou da Amazônia, quando registrada a respectiva e- missão pública das ações na Comissão de Valores Mobiliários e no caso em que a subscrição originou-se em razao do exercicio do direi to de preferência, porque já possuia a epoca, o investidor,açõês~da mesma empresa. Tal entendimento acha-se ratificado pela Egrãgia câ_ mara Superior de Recursos Fiscais que, ao apreciar matãria análoga a dos presentes autos, decidira: "IRPF - REDUÇÃO POR INVESTIMENTO. A redução de impos to das pessoàs fisicas pela subscrição de ações de empresas do Nordeste e da Amazônia, mesmo antes do SERViço PúBLICO fEDERAL Processo n9 0710/010.392/82-74 Acórdão n9 104-4.337 3. advento do Decreto-lei n9 1.841/80, somente contem pIava as subscrições públicas, ou particulares rea lizadas por companhias abertas,. mas registradas na Comissão de Valores'Mobiliários, ou mediante o exercIcio:dodireito de preferência, nessas socie- dades." (grifei) (Ac. n9 CSRF/Ol-0.326). No corpo do voto o ilustre Relator, Conselheiro Ur- gel Pereira Lopes, assevera: "A questão não oferece d6vidas após o advento e a vigência do'Decreto"'"'lei:'..n9 1.841, de 29.12.80, em cujo artigo tI9ficou claro que a redução do impos- to só ,~ permitido nos casos de emissão p6blica, re gistrada na CVM, e nas subscrições,efetuadas mé=, diante o exercicio de direito de preferência." Segundo, a conceituação.prevista na Lei 6.404, de 1976 (Lei das Sociedades Anônimas) a subscrição diretamente efetua da da empresa atrav~s do exercicio do direito de preferência ~ co~ siderada particular i daI porque ter ~ referido art~49do Decreto- -lei n9 1.841 feito expressa referência a essa subscrição a fim de legitimar a redução fiscal em decorrência do mencionado investimen to. Parece-me que o preceito em tela procurou manter a situação dosacioniàtas anteriores que passaram a exercer o direi to'de preferência na subscrição de ações da empresa. Tendo em vis- ta que tais pessoas, pela experiência adquirida quando das subscri ções"anteriores, pretendem voltar a subscrever açoesna mesma em- presa, a nova lei preservou~lhe o direito para oS' efeitos da redu- ção fiscal at~ então,garantida. Pelasrazoesoraexpostas'e por tudo mais que do processo consta. dou provimento ao recurso. BrasIlia-DF, em 23 de. fevereiro de 1984. CARLOS,WALBERTO - RELATOR 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005
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