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Numero do processo: 10715.004861/2009-19
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-004.801
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Nayara Fonseca Cunha, OAB/DF 24.083.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Nayara Fonseca Cunha, OAB/DF 24.083. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 48 61 /2 00 9- 19 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 12 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes. 2 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 12 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10715.004861/200919, contra o acórdão nº 0721.875, julgado pela 1ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis (DRJ/FNS), na sessão de julgamento de 29 de outubro de 2010, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou: “Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 35.000,00, referentes à multa regulamentar por não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, na forma e no prazo estabelecidos pela Receita. Conforme se descrição dos fatos, a interessada deixou de registrar os dados de embarque de Declarações de Exportação no Siscomex, na forma e prazo estabelecidos, conforme o disposto no art. 37 da IN SRF n° 28/94. Entendendo estar caracterizada a prestação de informação fora do prazo estabelecido pela Receita Federal do Brasil, a autoridade fiscal aplicou a multa de R$ 5.000,00 por embarque, pelo descumprimento do prazo na informação dos dados de embarque no Siscomex. Regularmente cientificada a interessada apresentou impugnação que, em síntese, apresenta os seguintes argumentos: em razão do erro operacional de seu estabelecimento no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, as informações concernentes ao embarque das mercadorias foram fornecidas com atraso, variável, em sua grande maioria, de 01 a 08 dias além do prazo concedido pela legislação para a prestação das informações junto ao Siscomex, nos termos da tabela que acompanha o Auto de Infração. ao contrário do que faz crer a autoridade administrativa, não basta à mera inobservância da legislação aduaneira para validar a imputação de multa. Mister que se configure a intenção dolosa do agente em fraudar o controle aduaneiro, bem como o dano ao Erário incorrido, a fim de justificar a imputação das multas capitaneadas pela legislação que regulamenta o comercio exterior, o que não se apresenta no presente caso. a aplicação da pena de multa mostrase de todo desarrazoada e desproporcional, devendo na espécie se aplicado o artigo 654, do Regulamento Aduaneiro vigente época, Decreto 4.543/2002, 3 Fl. 117DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 12 o qual prevê a relevação de multa quando a infração não tenha resultado em falta ou insuficiência de recolhimento de tributos. o Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento de que se aplica às infrações da mesma espécie, apuradas em uma mesma ação fiscal, a teoria da continuidade delitiva, de modo que, ainda que se entendesse pela configuração da infração, esta somente poderia ensejar a imputação de uma multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por todas as infrações apurados na fiscalização. Requer que o Auto de Infração seja julgado improcedente, com a consequente relevação da multa, em razão da ausência de dolo ou prejuízo ao Erário, bem como por força da desproporcionalidade entre a infração cometida e a sanção imposta; ou, em sede de pedido eventual, na hipótese de configurada a infração, e não relevada a multa, que o credito tributário seja reduzido ao valor de R$ 5.000,00 (cinco mil, reais), mediante aplicação da teoria da continuidade delitiva. É o relatório. A DRJ de Florianópolis (DRJ/FNS) decidiu pela improcedência da impugnação, no que se refere à multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto Lei nº 37/1966. Colaciono a ementa do referido. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 REGISTRO NO SISCOMEX DOS DADOS DE EMBARQUE. PRAZO. O registro dos dados de embarque no Siscomex em prazo superior a 7 dias, contados da data do efetivo embarque, para a via de transporte aérea, caracteriza a infração ontida a línea e”, inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei n° 37/66. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI TRIBUTÁRIA. Aplicase a lei tributária, em matéria de penalidades, a ato ou fato pretérito não definitivamente julgado quando for mais benéfica ao sujeito passivo. INFRAÇÃO CONTINUADA. EMBARQUES DIFERENTES. MERA REITERAÇÃO DA CONDUTA INFRACIONAL. É incabível falar em infração continuada quando os atos caracterizadores da infração não resultam do aproveitamento das condições objetivas que balizaram a prática das infrações anteriores. 4 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 12 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. Tendo em vista a presunção de constitucionalidade das normas legais que foram legitimamente inseridas no ordenamento jurídico, cabe à autoridade administrativa tão somente verificar se os fatos subsumemse na norma de regência e aplicar a penalidade em face da existência de expressa determinação legal, dado que o lançamento não é atividade discricionária, mas, bem ao contrário, vinculado e obrigatória. Impugnação rocedente em Parte Crédito Tributário Mantido Parte Inconformada com a improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, expondo que: 1 O auto de infração seria nulo por não comprovar as supostas infrações; 2 A infração não é objetiva, sendo necessário perquirir se houve dolo ou dano ao Erário; 3 Aplicação do art. 654 quanto à relevação multa, tendo em vista a ausência de dolo ou dano ao Erário; 4 A manutenção da multa ofende os princípios da proporcionalidade e razoabilidade; É o relatório. 5 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 12 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto. Denúncia Espontânea A questão em debate cingese à incidência da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66. Muito embora compartilhe do entendimento que as agências de carga não possam ser sujeitas da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, devendo ser estas serem impostas somente ao transportador, tenho que deve ser adotado o entendimento deste egrégio Conselho, já exposto em diversos acórdãos, como, v.g., o de nº 3401002.443, julgado na sessão de 26 de novembro de 2013. Ocorre que diversos são os julgados deste Conselho onde foi compreendido que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Todavia, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso. Ocorre que embora não tenha sido objeto de defesa no presente recurso voluntário, entendo que por ter a Recorrente apresentado as declarações, mesmo que fora do prazo, passou a existir o instituto da denúncia espontânea, matéria de ordem pública que deve ser ponderada. Assim, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Consultados os autos, nas planilhas apresentadas pela fiscalização é possível verificar que as declarações foram entregues, todavia em atraso de no máximo 03 (três) dias, não configurando dano algum ao Erário. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código 6 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 12 Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentado após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. No presente caso temse que o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior lavratura do Auto de Infração, bem como de qualquer outra intimação da RFB. Deste modo, aplicase ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) 7 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 12 No presente caso, temos, portanto que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicar in casu a retroatividade benigna da alteração legislativa processada pela referida Medida Provisória, conforme determina o artigo 106 do CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento. Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, entendo pelo provimento do recurso e passo a analisar as demais matérias, não obstante prejudicadas, para fins de privilégio do devido processo legal. Nulidade do auto de infração Entendo que não assiste razão o recorrente na sua insurgência sobre a nulidade do auto de infração por não bem comprovar a conduta da recorrente. A fiscalização apresentou a planilha contendo o número das declarações, a data do embarque a data em que foi enviada a declaração e a que voo pretendia, não se olvidando que estas informações são feitas de forma eletrônica e pelo próprio recorrente. Nestes termos, não havendo o recorrente comprovado que de fato as datas de envio não seriam aquelas que apontados pelo fisco, não logrou êxito em desincumbirse do ônus de comprovar a tempestividade das emissões, por força do art. 333, II, do CPC. Ausência de Dano ao Erário Em que pese não tenha ocorrido dano pecuniário do ente público, o entendimento no caso é por embaraçar a fiscalização do fisco. As declarações a que as empresas de transporte são obrigadas a apresentar são obrigações acessórias com finalidade exclusiva de auxiliar a fiscalização das importações e exportações, possibilitando a ciência do que cada empresa que utiliza a transportadora tem transportado, para onde vai e se foi recolhido o tributo a que esta operação está sujeita. Nestes termos, entendo que há o embaraço da fiscalização, quando as transportadoras não cumprem o prazo de emissão da declaração, não obstante entenda que não deve incidir a multa regulamentar neste caso, apenas nos casos de omissão. 8 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 12 Multa Singular e o Princípio da Proporcionalidade e Razoabilidade A recorrente se insurge contra a aplicação da multa regulamentar contra as declarações expedidas as destempo em cada uma das viagens de voo declarações de forma extemporânea, evocando o princípio da razoabilidade de proporcionalidade. Neste ponto, entendo que não há maculas o julgado da DRJ, posto que determinou que em cada voo cujas declarações tenham sido expedidas com atraso deveria ser aplicada multa apenas na proporção de viagens, respeitando a proporcionalidade e razoabilidade ao contrario do que afirma o recorrente. Neste sentido, entendo por interpretar a norma de forma mais favorável sem infringir a legalidade ao contribuinte quando esta determina penalidade ao tipo de conduta, conforme resta estabelecido no art. 112, do Código Tributário Nacional – CTN que: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Havendo dúvida sobre capitulação legal do fato deve ser afastada a aplicação da multa. Sobre o tema em comendo, temse decidido nas sessões deste Conselho a interpretação da norma em favor do infrator. Vejamos: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2006 ILEGIMITIDADE PASSIVA. MULTA. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. EXPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. É legitimo para figurar no polo passivo da autuação, o transportador que registou os dados de embarque fora do prazo estabelecido no art. 37, §2º, da Instrução Normativa SRF nº 28/94. Inteligência dos arts. 107, inciso IV, alínea “e” e 37 do DecretoLei nº 37/66 c/c arts. 37, §2º, 44 e 46 da Instrução Normativa SRF nº 28/94. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM 9 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 12 VEÍCULO TRANSPORTADOR. Ocorrendo dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza da penalidade aplicação, ou à sua gradação, deve ser aplicada a interpretação mais favorável ao acusado (art. 112, CTN). A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação no Siscomex é aplicada por viagem do veículo transportador e não por carga (Declaração para Despacho de Exportação). DUPLICIDADE DA COBRANÇA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovada documentalmente o alegado bis in idem, improcedente a alegação de duplicidade da cobrança e a consequente identidade de objetos entre dois processos administrativos fiscais. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138, CTN. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. Não alegado em momento oportuno, o argumento está precluso, pelo que não merece ser conhecido, ex vi dos arts. 16, inciso III e 17, do Decreto nº 70.235/72. (Recurso Voluntário nº 11968.001039/200717, Relator Bruno Mauricio Macedo Curi, da 2ª Câmara da 3ª Sessão de Julgamento do Carf, Publicada em 11/09/2013) Nestes termos, entendo que a penalidade do art. 107, IV, alínea “e” do Decreto Lei nº 37/66, deve ser aplicada por viagem e não por declaração de carga, conforme julgou a primeira instância. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Em face do exposto, encaminho o voto para dar provimento ao recurso voluntário, no sentido de reconhecer que uma vez apresentada a declaração está explicita a denúncia espontânea, motivadora da exclusão da multa regulamentar. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator 10 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 12 11 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10630.001460/2009-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
RECURSO INTEMPESTIVO.
É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-004.562
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestividade.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestividade. Julio César Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 00 14 60 /2 00 9- 39 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de auto de infração lavrado pelo descumprimento da obrigação tributária acessória prevista no art. 32, inciso III, da Lei 8.212/1991, c/c os art. 225, inciso III, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, em razão da empresa não ter prestado ao Fisco todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, conforme exposto no Relatório Fiscal da Infração, para as competências 01/2006 a 12/2007. Segundo o Relatório Fiscal da Infração, a autuada – apesar de devidamente intimada, conforme Termo de Intimação Fiscal (TIF) – deixou de apresentar ao Fisco esclarecimentos e informações no tocante aos livros ou fichas auxiliares utilizados para registro individualizado de fatos escriturados contabilmente de forma englobada. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 15/07/2009 (fls. 01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 20/25), alegando, em síntese, que: 1. Preliminarmente, alega nulidade do lançamento sob o fundamento de que a fiscalização compreendeu período distinto daquele conStante do Termo de Inicio de Ação Fiscal (TIAF) n° 0610300.2008.00448, datado de 19/09/2008. Aduz que o citado Termo informa o período de 03/2006 a 08/2008 e a fiscalização ocorreu em relação aos anos de 2004, 2005, 2006, 2007 até 10/2008, sem que qualquer comunicação acerca de tal mudança lhe fosse feita; 2. No mérito salienta que mantém em dia sua contabilidade, revestida das formalidades legais e aplicação dos princípios contábeis geralmente aceitos, não se encontrando documentos apócrifos que dêem causa a fato gerador de tributo. Afirma que todos os documentos foram entregues 6. fiscalização e que, como se pode perceber pelas cópias acostadas aos autos, seus livros contábeis foram escriturados em conformidade com os princípios e normas contábeis vigentes; 3. Assegura que a contabilização de forma englobada não gerou necessidade de aferição indireta das bases de calculo de contribuições e que não houve ausência de lançamentos ou base de cálculo diferenciada; 4. Diz que em nenhum momento prejudicou o trabalho da fiscalização, negando informações ou deixando de apresentar documentos que lhe foram exigidos, tendo inclusive entregue o sistema integrado de coleta (Sinco) arquivos contábeis, nos parâmetros determinados pela legislação vigente; Fl. 92DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10630.001460/200939 Acórdão n.º 2402004.562 S2C4T2 Fl. 3 3 5. Ressalta que não há qualquer outro livro contábil auxiliar obrigatório em nosso ordenamento jurídico, porque se houvesse seria escriturado e apresentado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte/MG – por meio do Acórdão 0231.394 da 9a Turma da DRJ/BHE (fls. 59/63) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que não havia justificativa nem amparo legal para prosperar a pretensão da Impugnante no sentido de considerar o procedimento fiscal passível de nulidade. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Governador Valadares/MG informa que o recurso interposto é intempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Quanto à tempestividade do recurso voluntário interposto, verificase que não houve cumprimento de tal requisito de admissibilidade. A Recorrente foi intimada da decisão de primeira instância em 25/03/2011, mediante correspondência postal acompanhada de Aviso de Recebimento (AR), conforme documento dos Correios juntado aos autos. Por sua vez, a Recorrente interpôs recurso voluntário, apresentando as mesmas alegações postuladas na sua peça de impugnação, não se manifestou à respeito da tempestividade do recurso. Em decorrência dos elementos fáticos constantes nos autos, verificase que a Recorrente interpôs o recurso voluntário em 28/04/2011, nos termos da papeleta do recurso voluntário, devidamente carimbada pelo Fisco da Delegacia da Receita Federal em Governador Valadares/MG, papeleta inicial do recurso. O art. 5º, parágrafo único, do Decreto 70.235/1972 – diploma que trata do contencioso administrativo fiscal no âmbito dos tributos arrecadados e administrados pela União – estabelece como serão computados os prazos para interposição de recurso, transcrito abaixo: Art. 5º. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Salientase que a tempestividade do recurso voluntário é aferida pela data do protocolo junto ao órgão preparador do processo (circunscrição do domicílio fiscal da Recorrente). Em outras palavras, o que importa, para verificar a tempestividade do recurso, é que ele tenha sido apresentado ao protocolo dentro do prazo legalmente previsto, nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/1972, transcrito abaixo: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão.(g.n.) A Recorrente teve ciência da decisão de primeira instância – proferida por meio do Acórdão 0231.394 da 9a Turma da DRJ/BHE (fls. 59/63) –, em 25/03/2011 (sexta feira). Assim, levandose em consideração que os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão, nos exatos termos do parágrafo único do artigo 5º do Decreto 70.235/1972, o prazo para interposição de recurso teve início em 28/03/2011 (segundafeira). O trigésimo dia ocorreu em 26/04/2011 (terçafeira). Entretanto o recurso só teria sido postado ao Fisco em 28/04/2011, quintafeira (papeleta inicial do recurso voluntário). Fl. 94DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10630.001460/200939 Acórdão n.º 2402004.562 S2C4T2 Fl. 4 5 Com o mesmo entendimento, o art. 15 do Decreto 70.235/1972 estabelece que a peça recursal deverá ser apresentada no local do órgão preparador de circunscrição do sujeito passivo. Decreto 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal PAF): Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (g.n.) A regra na contagem dos prazos processuais é a continuidade, ou seja, os prazos não se suspendem nem se interrompem, com exceção das hipóteses de força maior ou de caso fortuito, como greves ou outros fatos que impeçam o funcionamento dos órgãos da Administração. Essas hipóteses devem ser devidamente comprovadas nos autos e, no momento, não as encontramos presentes neste processo. Nesse sentido, resta claro que a autuada não verificou o prazo para apresentação do recurso, só vindo a apresentálo após o vencimento legal. CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso interposto em razão da sua intempestividade. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 13609.001127/2003-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
PRELIMINAR - ILEGITIMIDADE PASSIVA - DE CUJUS - ESPÓLIO -
Não há nulidade sem prejuízo da parte. Se o erro na identificação do sujeito passivo não maculou o seu direito de defesa, como ocorreu no presente caso, não há necessidade de se proceder a um novo lançamento.
IRPF - DEPÓSITO BANCÁRIO - RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.ESPÓLIO .
A obrigação de comprovar a origem dos depósitos bancários, para efeito do disposto no artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996, é do(s) titular(es) da conta-corrente e tem natureza personalíssima. Portanto, não há como imputar ao espólio a obrigação de comprovar depósitos feitos à época que o contribuinte era vivo. Nessas condições, não subsiste a ação fiscal levada a efeito, desde o seu início, contra o espólio.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 2202-002.639
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR: pela maioria de votos, rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo (Relator) e Guilherme Barranco de Souza, que acolhiam a preliminar. Designado para redigir o voto vencedor nessa parte a Conselheira Dayse Fernandes Leite QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo - Relator.
(Assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Pedro Anan Junior, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Suplente convocado), Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada), Rafael Pandolfo.
Nome do relator: Rafael Pandolfo
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998 PRELIMINAR - ILEGITIMIDADE PASSIVA - DE CUJUS - ESPÓLIO - Não há nulidade sem prejuízo da parte. Se o erro na identificação do sujeito passivo não maculou o seu direito de defesa, como ocorreu no presente caso, não há necessidade de se proceder a um novo lançamento. IRPF - DEPÓSITO BANCÁRIO - RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.ESPÓLIO . A obrigação de comprovar a origem dos depósitos bancários, para efeito do disposto no artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996, é do(s) titular(es) da conta-corrente e tem natureza personalíssima. Portanto, não há como imputar ao espólio a obrigação de comprovar depósitos feitos à época que o contribuinte era vivo. Nessas condições, não subsiste a ação fiscal levada a efeito, desde o seu início, contra o espólio. Recurso Voluntário provido.
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secao_s : Segunda Seção de Julgamento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR: pela maioria de votos, rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo (Relator) e Guilherme Barranco de Souza, que acolhiam a preliminar. Designado para redigir o voto vencedor nessa parte a Conselheira Dayse Fernandes Leite QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez - Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo - Relator. (Assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite - Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Pedro Anan Junior, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Suplente convocado), Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada), Rafael Pandolfo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2194; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13609.001127/200308 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202002.639 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de abril de 2014 Matéria IRPF Recorrente GERALDO DA SILVA SANTANA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 PRELIMINAR ILEGITIMIDADE PASSIVA DE CUJUS ESPÓLIO Não há nulidade sem prejuízo da parte. Se o erro na identificação do sujeito passivo não maculou o seu direito de defesa, como ocorreu no presente caso, não há necessidade de se proceder a um novo lançamento. IRPF DEPÓSITO BANCÁRIO RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.ESPÓLIO . A obrigação de comprovar a origem dos depósitos bancários, para efeito do disposto no artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996, é do(s) titular(es) da conta corrente e tem natureza personalíssima. Portanto, não há como imputar ao espólio a obrigação de comprovar depósitos feitos à época que o contribuinte era vivo. Nessas condições, não subsiste a ação fiscal levada a efeito, desde o seu início, contra o espólio. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR: pela maioria de votos, rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo (Relator) e Guilherme Barranco de Souza, que acolhiam a preliminar. Designado para redigir o voto vencedor nessa parte a Conselheira Dayse Fernandes Leite QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 11 27 /2 00 3- 08 Fl. 395DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 04/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO 2 Rafael Pandolfo Relator. (Assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Pedro Anan Junior, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Suplente convocado), Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada), Rafael Pandolfo. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 04/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13609.001127/200308 Acórdão n.º 2202002.639 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização A fiscalização iniciouse a partir de MPF com a finalidade de apurar a origem dos depósitos/creditamentos na conta nº 260266 do Banco Bradesco, ao longo do ano calendário 1998. O presente contribuinte é falecido, motivo pelo qual, após intimar o juízo da vara onde o inventário estava ocorrendo, procedeuse reiteradas tentativas de intimação da inventariante, Sra. Ana Terezinha Volpi, viúva do contribuinte. Devido ao insucesso na obtenção de informações junto à inventariante, a Fiscalização utilizouse de RMF (Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira) com o fim de descobrir a origem dos depósitos. Após uma série de RMF’S, o Fisco acabou por concluir a forma dos depósitos e a cotitular da conta bancária, a Sra. Claudia Maria Volpi Santana. Após ser intimada, a contribuinte informou que os saques na conta visavam movimentar as atividades do Posto Vapabuçu. Por considerar insuficientes as explicações concedidas, a Fiscalização decidiu lavrar o Auto de Infração. 2 Auto de Infração A autoridade fiscal repartiu o ônus tributário do lançamento entre os dois contribuintes detentores da contaconjunta na qual foi verificada a movimentação atípica. Com base nos valores encontrados na conta bancária nº 26.0266 do Banco Bradesco, foi lançado crédito tributário no valor total de R$ 1.276.239,95, inclusos juros de mora e multa. 3 Impugnação Indignado com a autuação, a inventariante do recorrente apresentou impugnação (fls. 104141) tempestivamente, esgrimindo os seguintes argumentos: a) o contribuinte é finado e está sendo representado por sua viúva, a Sra. Ana Terezinha Volpi, que é também sua inventariante; b) embora a Lei determine que as obrigações do contribuinte sejam passadas ao espólio, na figura do inventariante, é impossível para a inventariante esclarecer fato ocorridos mais de cinco anos antes da abertura da sucessão. Além disso, somente é obrigação do inventariante prestar informações referentes aos tributos devidos pelo espólio enquanto espólio, conforme a IN nº 53/98; c) só foi possível chegar a tais valores através de quebra de sigilo bancário; d) além da quebra de sigilo bancário, a Fazenda ainda aplicou retroativamente a Lei Complementar nº 105/01; Fl. 397DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 04/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO 4 e) as intimações prévias não foram atendidas, pois além da impossibilidade da inventariante conhecer a intimidade bancária do falecido marido, as correspondência foram remetidas ao finado, sendo que já era conhecido à época, pelo Fisco, que o mesmo não estava mais vivo; f) o sigilo foi quebrado sem a existência de procedimento fiscal prévio, conforme determina o art. 2º do Decreto nº 3.724/01. A quebra de sigilo bancário ocorreu em 29/03/01, sendo que o Mandado de Procedimento Fiscal que deu origem a esse procedimento é de 13/10/03; g) os valores eram referentes à movimentação do Posto Vapabuçu, sendo os cheques descontados provenientes de caminhoneiros. Os cheques eram descontados em sua conta, mas, logo havia o saque da quantia e apenas pequena parcela era retida pelo Posto Vapabuçu Ltda. a título de venda de combustível para os caminhoneiros. Algumas vezes, os cheques eram diretamente repassados aos fornecedores do posto. Sendo assim, os valores apurados não são rendimento do contribuinte, que era gerente administrativo e sócio majoritário do posto; h) as regras básicas do processo prescrevem que aquele que alega deve provar, não podendo a Fazenda se basear em presunções para lançar o imposto sobre suposta omissão, quando deveria comprovar valor por valor a existência de omissão; i) a inconstitucionalidade da aplicação da taxa Selic. Junto à impugnação, acostou aos autos os seguintes documentos: a) cópias de notas fiscais do fornecedor Ale Combustíveis S/A; b) cheques utilizados para pagar as compras demonstradas nas notas fiscais, com recursos da conta do contribuinte; c) declarações de caminhoneiros referentes aos recebimentos; d) cópias dos cheques utilizados para pagar os referidos caminhoneiros; 4 Acórdão de Impugnação A impugnação foi julgada pela 5ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade, improcedente (fls. 29310), sendo o crédito tributário integralmente mantido. Os fundamentos foram os seguintes: a) não procede o pedido do julgamento conexo com o processo administrativo da contribuinte Claudia Maria Santana Volpi, pois isto deve ocorrer somente para processos do mesmo sujeito passivo que compartilhem os mesmos elementos de prova; b) a quebra de sigilo foi autorizada em processo administrativo de quebra de sigilo (fls. 287292); c) a retroatividade da Lei Complementar nº 105/01 é permitida, pois referente às regras procedimentais; Fl. 398DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 04/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13609.001127/200308 Acórdão n.º 2202002.639 S2C2T2 Fl. 4 5 d) foram seguidos os ditames legais, uma vez que o lançamento é atividade vinculada; e) as provas não podem ser juntadas após a impugnação, pois segundo o art. 16, § 4º, preclui, em regra, esta faculdade; f) a presunção utilizada no lançamento é proveniente de lei, sendo necessária a comprovação da sua existência, e cabendo ao contribuinte desqualificar os rendimentos da categoria de tributáveis;; g) o contribuinte apenas diz que a origem dos recursos decorre das operações do Posto Vapabuçu, mas não há comprovação necessária desta relação, e a análise dos livros contábeis da empresa não demonstram tal relação. Ademais, os valores comprovadamente pagos a caminhoneiros sequer fazem parte do lançamento, o mesmo vale para os cheques juntados em anexo à declaração da Siderúrgica Bandeirante Ltda.; h) não cabe ao órgão administrativo se pronunciar sobre a constitucionalidade da utilização da taxa Selic; i) a jurisprudência judicial e administrativa não vincula a administração tributária, salvo se for coisa julgada em favor do próprio contribuinte. 5 Recurso Voluntário Não satisfeito com o resultado do julgamento, o contribuinte interpôs, tempestivamente, recurso voluntário, arguindo que: a) a intimação extrapolou no tocante às exigências feitas ao inventariante, que somente tem o dever de prestar informações relativas aos anos calendário referentes à duração do processo de inventário; b) o procedimento é nulo, pois foi efetuada quebra de sigilo bancário sem existência de processo administrativo fiscal. Além disso, a decisão comete o desaino de declarar que o falecido, Sr. Geraldo da Silva Santana, fora cientificado do processo; c) o sujeito passivo correto deveria ser o Espólio de Geraldo Santana da Silva, não a Sra. Ana Teresinha Volpi. A responsabilidade de terceiros do art. 134 do CTN só se aplica quando ocorre ilicitude por parte de terceiro, e o de cujus não pode ser sujeito passivo, pois não mais existe; d) foi desrespeitado o disposto no art. 2º do Decreto nº 3.724/01, uma vez que foi efetuada quebra de sigilo bancário antes da abertura do procedimento fiscal; e) a utilização do cadastro da CPMF atingiu períodos anteriores à entrada em vigência da Lei nº 10.174/01, que permitiu a utilização das informações; Fl. 399DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 04/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO 6 f) as informações teriam sido obtidas sem a devida quebra de sigilo bancário por meio judicial; g) a atuação é inválida, pois foi descumprido o disposto no art. 42 da Lei nº 9.430/96, que determina a prévia intimação dos titulares da conta antes da lavratura do auto de infração, o que não ocorreu, uma vez que o contribuinte, Geraldo Santana, estava morto à época das intimações e, mesmo assim, foi destinatário desta; h) a fiscalização não comprovou que os depósitos caracterizavam rendimentos omissos; i) os valores depositados eram provenientes da ação de troca de cheques para caminhoneiros que abasteciam no Posto Vapabuçu Ltda., que davam o cheque para que o contribuinte descontasse, e recebiam o valor do cheque descontado do valor do combustível que havia sido utilizado para abastecer seus veículos de trabalho. A prática era um atrativo para que os profissionais abastecessem no Posto Vapabuçu Ltda. Inclusive, por diversas vezes, os cheques eram utilizados para pagar a Fornecedora Ale Combustíveis; j) o que comprova as afirmações é que a própria fiscalização listou como cheques devolvidos, seis cheques utilizados por caminhoneiros; k) é inconstitucional a aplicação da taxa Selic. 6 Sobrestamento Em 12/03/12, através da Resolução nº 2202000.168 (fls. 386394 do e processo), este processo foi sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03/01/12, tendo em vista que para alcançar seu desiderato, a Fiscalização utilizou RMF e que a constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais – como a RMF – encontravase em análise pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, que tramitava em regime de repercussão geral. É o relatório. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 04/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13609.001127/200308 Acórdão n.º 2202002.639 S2C2T2 Fl. 5 7 Voto Vencido Conselheiro Rafael Pandolfo 1. PRELIMINAR 1.1 Do sobrestamento O presente processo teve seu julgamento sobrestado devido ao disposto no § 1º do art. 62A do Regimento Interno deste Conselho Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. No presente caso houve utilização, pela Fiscalização, de meios administrativos para quebrar o sigilo bancário do contribuinte (Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira — RMF), sem o crivo prévio do Poder Judiciário. A análise da regularidade dessa prerrogativa, em sede de repercussão geral, é objeto RE nº 601.314, que está sendo julgado no STF sob o regime do art. 543B, do CPC. Assim, existindo o sobrestamento do tema no STF, o mesmo ocorria no CARF, corolário do dispositivo regimental acima indicado. Ocorre que, os §§ 1º e 2º do art. 62A do Regimento Interno do CARF, acima referidos, foram revogados pelo art. 1º da Portaria nº 545, de 18 de novembro 2013, que abaixo transcrevo: Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Dessa forma, foi ordenada a retomada dos julgamentos dos processos que foram sobrestados com fulcro no dispositivo revogado. 1.2 Da Ilegitimidade Passiva O Auto de Infração (fls. 0309) debatido no presente recurso, foi lavrado em 22/11/03, e nele figurou como sujeito passivo o contribuinte Geraldo da Silva Santana. Ocorre que, já no início do procedimento de fiscalização, a autoridade administrativa tomou ciência de que o contribuinte em questão era falecido, de modo que solicitou ao Magistrado da Vara de Fl. 401DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 04/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO 8 Família/Sucessões da Comarca de Sete Lagoas MG (fl. 70), cópia do documento de constituição do inventariante do espólio do de cujus. Com a documentação em mãos, a fiscalização continuou a intimar o de cujus, tendo sua inventariante respondido às intimações em momento posterior, conforme se vê nas intimações de fls. 54, 311313. A ciência da Fiscalização de que o contribuinte já era falecido, pode corroborada pelas informações contidas no Termo de Início de Fiscalização, as quais transcrevo abaixo: “Consultando a última Declaração de Rendimentos entregue à SRF (exercício 2003, anocalendário de 2002) constatamos tratarse de espólio, tendo em vista a natureza da ocupação informada (Código 81).” O Código Tributário Nacional, em seu art. 142, prevê que compete à autoridade administrativa constituir o crédito tributário através do lançamento, no qual deve identificar corretamente o sujeito passivo. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Igualmente, o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, norma geral que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, estabelece os requisitos obrigatórios que devem constar no auto de infração: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá, obrigatoriamente: I – a qualificação do autuado; II – o local, a data e a hora da lavratura; III – a descrição do fato; IV – a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V – a determinação da exigência e a intimação para cumprila e impugnala no prazo de trinta dias; VI – a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O art. 131, III, do CTN, define o espólio como sujeito passivo da obrigação tributária que não pode ser constituída contra quem não mais existe (de cujus), senão vejamos: Art. 131. São pessoalmente responsáveis: III – o espólio, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão. Assim, nos casos de sucessão, temos a transferência da obrigação jurídica tributária: falecida uma pessoa física, ou extinta uma pessoa jurídica, que ocupavam posições Fl. 402DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 04/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13609.001127/200308 Acórdão n.º 2202002.639 S2C2T2 Fl. 6 9 passivas numa relação jurídica tributária, a pessoa sucessora (o espólio, no caso em análise) passa a responder pela obrigação. Todavia, no caso em tela, o auto de infração foi lavrado em face de contribuinte já falecido, conquanto tivesse a fiscalização ciência desse fato. Isto é, deveria a fiscalização ter lavrado o auto de infração tendo como polo passivo o Espólio do Sr. Geraldo da Silva Santana, pois à época do lançamento era de conhecimento da autoridade administrativa que o mesmo era falecido, bem como quem representava seu espólio, pois, nos termos do art. 131 do CTN, o espólio é pessoalmente responsável. Nesse sentido: ASSUNTO: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural EXERCÍCIO: 2001 ITR, ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO, NULIDADE DO LANÇAMENTO. É nulo o lançamento feito em face de pessoa que na data do fato gerador já se encontrava morta. No caso o lançamento deveria ter ocorrido em face do espólio do morto e não contra este. Decisão recorrida nula. Vistos, relatos e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade, declarar a nulidade do lançamento, nos termos do voto do relator, suscitada de ofício pelo relator por erro de identificação do sujeito passivo. (CARF. 2ª Seção. 2ª Câmara. 1ª Turma Ordinária. Ac. 2201 000.725. Julg. Em 17/06/10). Classificação de Mercadorias Exercício: 2003 IRPF – DEDUÇÃO DE DESPESAS DE LIVROCAIXA – LANÇAMENTO LAVRADO QUANDO JÁ FALECIDO O CONTRIBUINTE – ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Se comprovadamente o contribuinte já havia falecido muito antes da lavratura do auto de infração, sem sequer ter participado dos atos antecedentes da fiscalização, há de reconhecerse a ilegitimidade passiva do contribuinte. Recurso provido. (CARF. 2ª Seção. 2ª Câmara. 2ª Turma Especial. Ac. 2802 001.027. Rel. Dayse Fernandes Leite. Julg. em 16/07/13). PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. IPTU. IMÓVEL TRIBUTATO. VIÚVA MEEIRA. COPROPRIETÁRIA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INCLUSÃO NO POLO PASSIVO DA EXECUÇÃO FISCAL POR DECISÃO JUDICIAL. SUBSTITUIÇAÕ DA CDA. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 04/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO 10 1. O cônjuge meeiro deve ser incluído no lançamento do crédito tributário e, a fortiori, na CDA, para viabilizar sua letigimatio ad causam (sic) passiva para a execução fiscal. 2. O falecimento do cônjuge virago, por si só, no curso da execução fiscal, com fulcro em lançamento efetivado apenas em nome do de cujus, não autoriza a execução direta contra o cônjuge supérstite. 3. É que, resulta cediço na Corte que: a. Iniciada a execução, é vedada a substituição da CDA para a inclusão do cônjuge sobrevivente na condição de contribuinte do IPTU (CTN, art. 34) e não como sucessor (CTN, art. 131, II). b. É que a presunção de legitimidade da CDA alcança as pessoas nela referidas. Por isso que este e. STJ firmou entendimento no sentido de que “A Fazenda Pública pode substituir a certidão ativa (CDA) até a prolação da sentença de embargos, quando se tratar de correção de erro material ou forma, veda a modificação do sujeito passivo da execução” (Súmula 392/STJ). Precedente: REsp 1045472/BA, Rel. Ministro LUIZ FUX, DJe 18/12/2009 c. In casu, o cônjuge supérstite não é sucesso do cônjuge falecido, senão titular da metade do imóvel. 4. O falecimento do contribuinte não impede o Fisco de prosseguir na execução dos seus créditos, sendo certo que, na abertura da sucessão, o espólio é responsável pelos tributos devidos pelo “de cujus”, nos termos do art. 133, III, do CTN. 5. A doutrina nos revela que “se a dívida é inscrita em nome de uma pessoa, não pode a Fazenda ir cobrála de outra nem tampouco pode a cobrança abranger outras pessoas não constantes do termo e da certidão, salvo, é claro, os sucessores, para quem a transmissão do débito é automática e objetiva, sem reclamar qualquer acertamento judicial ou administrativo. Em suma, a coresponsabilidade tributária não pode, em regra, decorrer de simples afirmação unilateral da Fazenda no curso da execução fiscal”. (Humberto Theodoro Júnior. Lei de Execução Fiscal. 11ª ed., p.40). 6. No mesmo sentido: “Quando haja equívocos no próprio lançamento ou na inscrição em dívida, fazendose necessária alteração de fundamento legal ou do sujeito passivo, nova apuração do tributo com aferição de base de cálculo por outros créditos, imputação de pagamento anterior à inscrição etc..., será indispensável que o próprio lançamento seja revisado, se ainda viável em face do prazo decadencial, oportunizandose ao contribuinte o direito à impugnação, e que seja revisada a inscrição, de modo que não se viabilizará a correção do vicio apenas na certidão de dívida. A certidão é um espelho da inscrição que, por sua vez, reproduz os termos do lançamento. Não é possível corrigir, na certidão, vícios do lançamento e/ou da inscrição. Nestes casos, será inviável simplesmente substituir se a CDA.” (Leandro Paulsen, René Bergmann Ávila e Ingrida Schroder Sliwka, in “Direito Processual Tributário: Processo Administrativo Fiscal e Execução Fiscal à luz da Doutrina e da Jurisprudência”, Livraria do Advogado, 5ª ed., Porto Alegre, 2009, pág..205_. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 04/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13609.001127/200308 Acórdão n.º 2202002.639 S2C2T2 Fl. 7 11 7. In casu, incontroverso que a ora recorrente é coproprietária do imóvel tributado, do mesmo modo, irrefragável que os lançamentos de ofício do IPTU e da TLCVLP foram realizado exclusivamente em nome do “de cujus”, por opção do fisco municipal, que poderia têlos realizado em nome dos co proprietários. 8. Os embargos de declaração que enfrentam explicitamente a questão embargada não ensejam recurso especial pela violação do artigo 535, II, do CPC. 9. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 10. Recurso especial provido. (REsp 1124685/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUZ, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/10/2010, DJe 03/11/2010). grifei. Ressalto que a intimação da Sra. Cláudia Maria Volpi Santana, cotitular da conta bancária dos créditos glosados, e a posterior lavratura de auto de infração em face dessa contribuinte, não convalidam o erro de identificação do sujeito passivo, pois a Sra. Cláudia não é a inventariante do espólio do contribuinte Geraldo da Silva Santana. A inventariante, como informado pelo Poder Judiciário, e é a Sra. Ana Terezinha Volpi, viúva do Sr. Geraldo da Silva Santana. 2. MÉRITO O crédito tributário objeto do presente lançamento tem por fundamento legal o artigo 42 da Lei nº 9.430/96 que se refere a uma obrigação não só de caráter pessoal, como também de caráter personalíssimo, dirigida ao contribuinte, “titular, pessoal física ou jurídica”, e que não pode ser transferida ao responsável tributário. In verbis: Art42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. É pacífico que a tributação de depósitos bancários de origem não comprovada, tratase de Presunção, esta sendo o resultado de processo lógico mediante o qual do fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido cuja existência é provável. Tendo respaldo legal e admitindo prova em contrário (presunção relativa), é considerada válida no direito tributário. No caso da técnica de apuração baseada em presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430/96, o fato conhecido é a existência de depósitos bancários, que denotam, a priori, acréscimo patrimonial; tendo em vista que renda, para fins de imposto de renda, é considerada como o acréscimo patrimonial em determinado período de tempo, a existência de depósitos sem origem e sem tributação comprovados levam à presunção de que houve acréscimo patrimonial não oferecido à tributação, logo omitido – o fato desconhecido de existência provável. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 04/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO 12 Por ser presunção relativa, é necessário que a contribuinte seja intimado regularmente, e que este seja intimado do resultado da apuração dos depósitos discriminados individualmente, de modo a possibilitar a defesa, o que ocorreu no presente procedimento. O art. 42 da Lei nº 9.430/96 tem como elemento essencial a prévia intimação do titular da conta bancária. Destacase que em se tratando de conta bancária é conjunta, a jurisprudência deste Conselho é pacífica no sentido de que devem ser intimados todos os co titulares da conta bancária para que busquem comprovar a origem dos depósitos nela havidos, sob pena de improcedência da autuação quanto à parte não intimada. Nesse sentido é a Súmula CARF nº 29: Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. No caso em análise, a hipótese normativa é de materialização impossível, pois o titular das contas bancárias autuadas, Sr. Geraldo da Silva Santana, já era falecido antes mesmo do início da fiscalização. Conforme referido, a obrigação prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, não se transfere ao inventariante ou ao espólio, pois esses não se confundem com o de cujus. Uma vez que é impossível a intimação do titular da conta bancária para o mesmo comprove a origem dos depósitos apontados, pois já falecido, não há como materializar a hipótese de incidência tributária prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96, em decorrência do princípio da legalidade tributária. Assim, a exigência de comprovação da origem dos depósitos implicaria em transformar uma presunção relativa em uma presunção absoluta, pois, ao fim e ao cabo, a totalidade dos depósitos seria considerada como não comprovados, uma vez que seria impossível a sua comprovação. Como se ainda assim não fosse, se violaria o princípio da legalidade quando dirigida a intimação – elemento essencial da norma jurídicotributária do referido art. 42 – à inventariante, já que ela não se confunde com o de cujus. Prevê o art. 131, II e III, do CTN, a responsabilidade tributária por sucessão. In verbis: Art. 131. São pessoalmente responsáveis: I o adquirente ou remitente, pelos tributos relativos aos bens adquiridos ou remidos; II o sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da partilha ou adjudicação, limitada esta responsabilidade ao montante do quinhão do legado ou da meação; III o espólio, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão. Ocorre que a referida previsão apenas se configuraria, ainda que se considera que os fatos que ensejaram a autuação são anteriores ao falecimento do contribuinte, se fosse material e autonomamente possível a aplicação da previsão contida na regra que embasa o lançamento, o que não ocorre neste caso, pois as o art. 42 da Lei nº 9.430/96 tem como elemento essencial a prévia intimação do titular da conta bancária, como referido anteriormente. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 04/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13609.001127/200308 Acórdão n.º 2202002.639 S2C2T2 Fl. 8 13 Como se percebe, a obrigação tributária que decorre da previsão do art. 42 é de nascimento impossível no caso em análise, em virtude da impossibilidade de intimação do titular da conta bancária. Nem mesmo podese cogitar a hipótese de responsabilidade tributária, pois ela depende de uma obrigação tributária préconstituída, inexistente no caso em exame. Desta forma, vêse que a figura da responsabilidade tributária não é autônoma, pois pressupõe a existência de uma obrigação tributária préconstituída (independentemente da sua formação ou declaração pelo lançamento) e cujo comprometimento não foi honrado pelo contribuinte, por qualquer uma das situações previstas no CTN. No que refere ao caráter de “norma secundária” da responsabilidade tributária, e quanto à sua dependência em relação à norma principal que instituiu a obrigação tributária, Misabel Abreu Machado Derzi leciona que: “Toda vez que estamos diante da eleição de um responsável por lei, estamos diante de duas normas jurídicas interligadas. A primeira é a norma básica ou matriz, a que já nos referimos anteriormente, que disciplina a obrigação tributária principal ou acessória. A segunda é a norma complementar ou secundária, dependente da primeira, que se presta a alterar apenas o aspecto subjetivo da conseqüência da norma anterior, uma vez ocorrido o fato descrito em sua hipótese. Nesse sentido, podemos falar em hipótese ou fato gerador básico ou matriz e em fato gerador secundário, complementar e dependente. Se não ocorrer o fato descrito na hipótese de incidência da norma básica ou matriz, ou mesmo ocorrendo e estando extinta a obrigação do contribuinte, então também inexistirá a obrigação do responsável tributário. O fato gerador da norma secundária não é, assim, suplementar ou sucedâneo (chamado de Ersatztatbestand pelos alemães), nem de substituição, mas pressupõe, antes de tudo, a ocorrência do fato gerador da norma básica ou matriz (quer da obrigação principal, acessória ou das sanções).” (DERZI, Misabel Abreu Machado, In: BALEEIRO, Aliomar. Direito Tributário Brasileiro, Editora Forense, 11ª Edição, 1999, Rio de Janeiro, pág. 724 – negritos e sublinhados nossos, outros destaques do original) Assim, no momento em que o titular das contas bancárias autuadas não é intimado para comprovar a origem dos respectivos depósitos, não se materializa a previsão normativa da obrigação tributária básica ou matriz (prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96), o que, consequentemente, não enseja o surgimento da norma secundária, relativa à responsabilidade tributária por sucessão. Desta forma, resta claro que o procedimento adotado pela fiscalização, desde o seu primeiro ato, acabou por transformar o responsável tributário – espólio e seu inventariante – em verdadeiro contribuinte do IRPF objeto desta autuação. Ressalto que as decisões deste Conselho que atribuem e reconhecem a responsabilidade do espólio pelas obrigações tributárias do de cujus referemse a situações em que o lançamento foi feito ainda contra o de cujus, o que difere do caso concreto. Nesse sentido: Fl. 407DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 04/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO 14 “ESPÓLIO RESPONSABILIDADE Responde o espólio pelos tributos devidos, inclusive decorrentes de descumprimento de obrigação acessória, caso constatado o ilícito e lançado o crédito tributário antes do falecimento do Contribuinte. Recurso negado.” (Acórdão nº 10614828, de 10.08.2005, Relator Cons. José Carlos da Matta Rivitti – grifos nossos) Em caso idêntico ao presente, vejase o seguinte acórdão: “IRPF – DEPÓSITO BANCÁRIO – RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA – ESPÓLIO A obrigação de comprovar a origem dos depósitos bancários, para efeito do disposto no artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996, é do(s) titular(es) da contacorrente e tem natureza personalíssima. Portanto, não há como imputar ao espólio a obrigação de comprovar depósitos feitos à época que o contribuinte – único titular das contascorrentes – era vivo. Nessas condições, não subsiste a ação fiscal levada a efeito, desde o seu início, contra o espólio e a inventariante. Recurso de Ofício Negado. (Acórdão nº 10422.290, de 28.03.2007) Diante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário em virtude da manifesta ilegitimidade do sujeito passivo tributário. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator Fl. 408DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 04/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13609.001127/200308 Acórdão n.º 2202002.639 S2C2T2 Fl. 9 15 Voto Vencedor Inobstante o bem fundamentado voto do Relator, não posso acompanhar seu entendimento no que toca a preliminar de ilegitimidade passiva: Registrese, por pertinente, que no relativo a materia de mérito, entendeu o colegiado por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assim, quanto a preliminar de ilegitimidade passivo, entendo que não assiste razão à recorrente, pois a identificação do sujeito passivo sem a denominação “espólio” não causou nenhum prejuízo à sua defesa. Compulsando os autos, verificase que a autoridade fiscal, ao tomar conhecimento de que o contribuinte havia falecido, foi diligente no sentido de identificar quem seria o inventariante. Para tanto, encaminhou ofício ao Juízo da Vara de Sucessões solicitando cópia do documento de constituição do inventariante do espólio. A partir da resposta do Juízo, todas as intimações foram direcionadas à inventariante, tais como o termo de início de fiscalização (fl. 68) e o auto de infração (fl. 98). A inventariante, por meio de procurador, apresentou impugnação ao lançamento (fls. 104 a 141) e recurso voluntário (fls. 314 a 340). Não há nulidade sem prejuízo da parte. Se o erro na identificação do sujeito passivo não maculou o seu direito de defesa, como ocorreu no presente caso, não há necessidade de se proceder a um novo lançamento. Conforme Leandro Paulsen: Não há requisitos de forma que impliquem nulidade de modo automático e objetivo. A nulidade não decorre propriamente do descumprimento do requisito formal, mas dos seus efeitos comprometedores do direito de defesa assegurado constitucionalmente ao contribuinte já por força do art. 5º, LV, da Constituição Federal. Isso porque as formalidades se justificam como garantidoras da defesa do contribuinte; não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. Alegada eventual irregularidade, cabe, à autoridade administrativa ou judicial verificar, pois, se tal implicou efetivo prejuízo à defesa do contribuinte. Daí falarse do princípio da informalidade do processo administrativo. (PAULSEN, Leandro. Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 13ª ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2011.) Nesse sentido foi proferida decisão pela Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL INTIMAÇÃO Para a sua validade, é primordial que o ato de intimação seja capaz de dar Fl. 409DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 04/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO 16 total conhecimento ao sujeito passivo do resultado do procedimento fiscal, sendo eficaz no seu objetivo da mais larga defesa do sujeito passivo. A identificação concreta do prejuízo causado à defesa do sujeito passivo seria, por si só, suficiente para a invalidação da intimação, o que não ocorre na espécie, vez que exsurgem dos autos evidências que demarcam não ter ocorrido qualquer dano ao recorrente. NOTIFICAÇÃO EM NOME DO "DE CUJUS" SEM A IDENTIFICAÇÃO DE ESPÓLIO Os atos processuais têm caráter instrumental, e, se a finalidade da lei for alcançada, embora mediante forma imperfeita, há de se ter a forma ou o ato como válidos. Se a notificação for feita em nome do "de cujus", sem o acréscimo da palavra "espólio" após o nome próprio do falecido, mas o representante legal impugnar o lançamento em nome do espólio e todos os demais atos forem praticados em nome ou contra o espólio, a finalidade da lei foi alcançada, mesmo que a forma adotada no lançamento não tenha sido perfeita (Precedente da CSRF). IRPF ESPÓLIO MULTA DE OFICIO Não responde o s sucessor pela multa de natureza fiscal que deva ser aplicada em razão de infração cometida pelo "de cujus". Inteligência do artigo 133 do CTN. (Precedentes da CSRF). Recurso parcialmente provido. (Acórdão nº 10615.703 – 1º Conselho de Contribuintes – Sexta Câmara). Dessa forma, em não tendo havido qualquer dano à defesa do autuado e tendo sido alcançada a finalidade da lei, não há que ser acolhida a alegação de nulidade do lançamento. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Redatora Designada Fl. 410DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 04/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO
score : 1.0
Numero do processo: 10880.722564/2013-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. PRESSUPOSTOS.
Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e objetivam, tão-somente, sanar obscuridade, contradição ou omissão, de maneira a permitir o exato conhecimento do teor do julgado, não podendo, por isso, ser utilizados com a finalidade de sustentar eventual incorreção do decisum hostilizado ou de propiciar novo exame da própria questão de fundo, em ordem a viabilizar, em sede processual inadequada, a desconstituição do ato regularmente proferido.
Embargos de Declaração Rejeitados
Numero da decisão: 3402-002.585
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer os Embargos de Declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. PRESSUPOSTOS. Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e objetivam, tão-somente, sanar obscuridade, contradição ou omissão, de maneira a permitir o exato conhecimento do teor do julgado, não podendo, por isso, ser utilizados com a finalidade de sustentar eventual incorreção do decisum hostilizado ou de propiciar novo exame da própria questão de fundo, em ordem a viabilizar, em sede processual inadequada, a desconstituição do ato regularmente proferido. Embargos de Declaração Rejeitados
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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer os Embargos de Declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
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ADMISSIBILIDADE. PRESSUPOSTOS. Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e objetivam, tãosomente, sanar obscuridade, contradição ou omissão, de maneira a permitir o exato conhecimento do teor do julgado, não podendo, por isso, ser utilizados com a finalidade de sustentar eventual incorreção do decisum hostilizado ou de propiciar novo exame da própria questão de fundo, em ordem a viabilizar, em sede processual inadequada, a desconstituição do ato regularmente proferido. Embargos de Declaração Rejeitados ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer os Embargos de Declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Relator Participaram do julgamento os conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 25 64 /2 01 3- 15 Fl. 459DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 2 A Representação Jurídica da Fazenda Nacional invocou o § 1º do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF, com as alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010, para interpor Embargos de Declaração contra o Acórdão nº 3403003.014, de 29 de maio de 2014, fls. 447 a 449, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 AÇÃO JUDICIAL CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO ADMINISTRATIVO IMPOSSIBILIDADE A semelhança da causa de pedir, expressada no fundamento jurídico da ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária, ou mandado de segurança, com o fundamento da exigência consubstanciada em lançamento de ofício, impede o prosseguimento do processo administrativo no tocante aos fundamentos idênticos, prevalecendo a solução do litígio através da via judicial provocada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MEDIDA JUDICIAL. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. PENALIDADE. Na constituição de crédito tributário cuja exigibilidade houver sido suspensa por medida liminar em mandado de segurança, não cabe a aplicação de multa de lançamento de ofício. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido O arrazoado de fls. 453 a 456, após síntese dos fatos relacionados com a lide, inquina a decisão do vício de obscuridade ao aplicar o § 1° do art. 63 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, para negar provimento a recurso de ofício e manter o cancelamento da aplicação de multa de lançamento de ofício. O voto condutor da decisão embargada ratificou a decisão de primeira instância, por entender que ela teria dado à matéria sub judice – aplicação de multa de lançamento de ofício nos lançamentos para prevenir a decadência – o tratamento previsto no referido dispositivo, quando, efetivamente, isso na aconteceu. Requer que sejam conhecidos e providos os ED, com efeitos infringentes, para sanar obscuridade apontada. A numeração de folhas reportase à atribuída pelo processo eletrônico. É o Relatório. Fl. 460DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10880.722564/201315 Acórdão n.º 3402002.585 S3C4T2 Fl. 460 3 Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RICARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma, e poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada, no prazo de cinco dias contados da ciência do acórdão. Os autos digitais foram encaminhados à PGFN para ciência da decisão embargada, em 17/06/2014 (fls. 452). De acordo com § 3° do art. 7° da Portaria MF nº 527, de 9 de novembro de 2010, a intimação ficta do Procurador da Fazenda Nacional ocorreu em 17/07/2014, e o prazo para a interposição do recurso encerrouse em 22/07/2014. Assim sendo, o recurso, apresentado em 11/07/2014, é francamente tempestivo. Na apreciação do recurso de ofício interposto pelo Presidente da 2ª Turma da DRJ/BSB contra a decisão daquele Colegiado de cancelar a aplicação da multa de lançamento de ofício para prevenir a decadência, o voto condutor da decisão embargada considerou que se deu a matéria o tratamento estabelecido no art. 63 da Lei n° 9.430, de 1996: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Para tanto, considerou que o lançamento, lavrado em 02/08/2013, depois da concessão da medida liminar, em 29/05/2013, satisfazia os ditames do art. 63 suso transcrito. Há de se reconhecer, a redação do julgado foi clara, não oferecendo qualquer dificuldade para sua intelecção ou interpretação, inexistindo o vício de que foi inquinada. Assim, inobstante o eventual error in judicando em que teria incorrido o Colegiado, consubstanciado na inobservância de norma vigente a restringir a hipótese de lançamento de ofício para prevenir o crédito tributário dos efeitos da decadência sem aplicação de multa, devese ressaltar que inexiste no acórdão embargado qualquer obscuridade a reclamar o acolhimento dos presentes embargos, pois tanto os fatos quanto os fundamentos da decisão foram expostos de forma clara, concisa e nítida. A inconformidade manifestada pelo embargante não merece, pois, acolhida, haja vista destinarse, evidentemente, ao simples reexame do litígio e como meio de alterar a decisão, o que é impossível na via ora utilizada. Fl. 461DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 4 Com essas considerações, voto pela rejeição dos declaratórios da PFN. Sala de sessões, em 27 de janeiro de 2015 Fl. 462DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 13839.909795/2012-54
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012
COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. FUNDAMENTAÇÃO.
Estando o Despacho Decisório suficientemente fundamentado, demonstrando com clareza as razões de fato e de direito que justificaram a não homologação da compensação, não há que se falar em reforma da decisão recorrida.
Numero da decisão: 1801-002.294
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fernando Daniel de Moura Fonseca - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA
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DESPACHO DECISÓRIO. FUNDAMENTAÇÃO. Estando o Despacho Decisório suficientemente fundamentado, demonstrando com clareza as razões de fato e de direito que justificaram a não homologação da compensação, não há que se falar em reforma da decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Daniel de Moura Fonseca Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 97 95 /2 01 2- 54 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 13/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES 2 Tratase de recurso voluntário interposto por Nova Injeção Sob Pressão e Comércio de Peças Industriais Ltda contra o acórdão de nº 1144045, prolatado pela 3ª Turma da DRJ de Recife/PE, que manteve integralmente o despacho decisório objeto de discussão nestes autos. Neste processo, discutese a não homologação da PER/DCOMP de nº 38330.40281.121112.1.3.049395 (fls. 2529), transmitida pela Recorrente e por meio da qual se pretendia compensar crédito de IRPJ com débito de IPI. A Receita Federal, através do despacho decisório de fl. 86, deixou de homologar a compensação, alegando que o valor recolhido através do DARF (R$56.409,68) havia sido integralmente consumido para quitação do débito de IRPJ apurado em 30/12/2007, declarado na DCTF da Recorrente. Em sua Manifestação de Inconformidade (fls. 0312), a Recorrente alegou nulidade do despacho decisório, que a seu ver teria cerceado o seu direito de defesa ao não fundamentar a contento a não homologação da compensação. Ao conhecer das razões da Recorrente, a 3ª Turma da DRJ de Recife/PE, através do acórdão ora recorrido (fls. 9093), manteve o despacho decisório, nos seguintes termos: “O texto constante do Despacho Decisório em lide, é claro ao expor que a não homologação da compensação se deu em razão do fato de que o DARF indicado como origem do crédito estar totalmente vinculado a débito declarado como devido em DCTF. Como se sabe, nos termos da legislação de regência (Instruções Normativas SRF nº 077, de 24 de julho de 1998, 016, de 14 de fevereiro de 2000, e posteriores), a DCTF constitui instrumento de confissão de dívida quanto aos débitos nela declarados”. (fl. 9192) Sustentou ainda a DRJ que a Receita Federal não poderia ter reconhecido crédito algum em favor da contribuinte, já que, ao tempo do despacho decisório, o pagamento que supostamente geraria o crédito estava integralmente alocado ao pagamento de débito regularmente declarado pela empresa. Irresignada, a Recorrente apresentou o recurso voluntário ora analisado (fls. 99105), sustentando que o ato administrativo que analisa a compensação tem natureza vinculada e, por isso, deveria ter indicado os pressupostos de fato e de direito que justificaram a não homologação. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Daniel de Moura Fonseca Conheço o recurso voluntário, pois tempestivo. Em seu recurso voluntário, a Recorrente sustenta que a Receita Federal, ao deixar de homologar a compensação pretendida, não fundamentou a contento sua decisão, deixando de expor os fundamentos de fato e de direito que justificariam a não homologação. É ver as palavras da Recorrente: Fl. 120DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 13/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Processo nº 13839.909795/201254 Acórdão n.º 1801002.294 S1TE01 Fl. 120 3 “08. Muito bem, ao indeferir o pedido ao direito de compensação da recorrente, é necessário que aponte os pressupostos do ato administrativo, pois estamos diante de um ato vinculado. 09. A indicação dos pressupostos de fato e dos pressupostos de direito, a compatibilidade entre ambos e a correção da medida encetada compõem obrigatiedades decorrentes do princípio da legalidade. 10. O detalhamento, ou justificativa, será maior ou menor conforme o ato seja vinculado ou discricionário. A motivação mostra se imprescindível para a efetivação de eficaz controle sobre a atuação administrativa. (...) 12. Dessa forma, estamos diante de um ato administrativo vinculado, sendo necessário preencher os requisitos atribuídos por lei, isto é, não houvera a fundamentação de quais foram os pagamentos localizados, visto que simplesmente noticia por meio da margem da discricionariedade que foram localizados um ou mais pagamentos.” (fl. 67) Com a devida vênia ao entendimento da contribuinte, o seu recurso parte da premissa equivocada de que o despacho decisório não teria sido fundamentado suficientemente. No entanto, pela mera leitura da decisão (que está acostada nestes autos à fl. 86) é possível depreender claramente as razões que levaram a Receita Federal a negar a homologação pretendida pela empresa: o DARF que supostamente geraria o crédito já estava integralmente alocado para pagamento de débitos declarados pelo próprio contribuinte. É ver a redação do despacho, que é clara nesse sentido: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na PER/DCOMP.” Ou seja, a despeito do que sustenta o recurso voluntário ora analisado, a Receita Federal, ao analisar a declaração de compensação da empresa, foi clara em apontar o pressuposto de fato da não homologação: inexistência de recolhimento a maior, pois o recolhimento no valor de R$56.409,68 foi integralmente consumido pelo débito de IRPJ declarado pela própria contribuinte. E como se sabe, o art. 165, I, do CTN apenas autoriza a restituição de tributos pagos quando eles forem indevidos ou tiverem sido pagos a maior. Portanto, apenas nessas duas hipóteses podese falar em créditos passíveis de compensação. E, no presente caso, a Recorrente sequer invocou qualquer dessas hipóteses em seu favor. A partir do momento em que o despacho decisório consignou nestes autos que não havia crédito em nome da Recorrente a ser compensado, competia a esta instruir sua manifestação de inconformidade com documentos que comprovassem que o DARF gerador do crédito foi pago indevidamente ou a maior. Afinal, o ônus de comprovar a existência do crédito é do contribuinte. Como isso não foi feito nestes autos, a conclusão a que se chega é que a Recorrente não se desincumbiu do seu ônus de comprovar a presença de uma das hipóteses Fl. 121DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 13/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES 4 autorizadoras da restituição/compensação de tributos (art. 165, I, do CTN). E sem essa comprovação, impossível é a compensação pretendida pela Recorrente nestes autos. Por estas razões, nego provimento ao recurso voluntário e mantenho incólume a decisão ora recorrida. É como voto. (assinado digitalmente) Fernando Daniel de Moura Fonseca Relator Fl. 122DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 13/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10925.001118/2002-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/05/2000
AUTO DE INFRAÇÃO. COMPENSAÇÃO COMO MATÉRIA DE DEFESA. REQUISITOS E CONDIÇÕES.
Apenas podem ser deferidas compensações quando o correlato direito de crédito objeto de pedido de ressarcimento for deferido pela Administração, por revestir as condições de liquidez, certeza e exigibilidade, de modo que deve ser mantido o lançamento que visou constituir o crédito tributário à míngua do cumprimento dos requisitos da compensação pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3402-002.569
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 2ª Turma / 4ª Câmara, da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG (Presidente Substituto), MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2000 AUTO DE INFRAÇÃO. COMPENSAÇÃO COMO MATÉRIA DE DEFESA. REQUISITOS E CONDIÇÕES. Apenas podem ser deferidas compensações quando o correlato direito de crédito objeto de pedido de ressarcimento for deferido pela Administração, por revestir as condições de liquidez, certeza e exigibilidade, de modo que deve ser mantido o lançamento que visou constituir o crédito tributário à míngua do cumprimento dos requisitos da compensação pelo contribuinte. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 2ª Turma / 4ª Câmara, da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG (Presidente Substituto), MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
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COMPENSAÇÃO COMO MATÉRIA DE DEFESA. REQUISITOS E CONDIÇÕES. Apenas podem ser deferidas compensações quando o correlato direito de crédito objeto de pedido de ressarcimento for deferido pela Administração, por revestir as condições de liquidez, certeza e exigibilidade, de modo que deve ser mantido o lançamento que visou constituir o crédito tributário à míngua do cumprimento dos requisitos da compensação pelo contribuinte. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 2ª Turma / 4ª Câmara, da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 11 18 /2 00 2- 57 Fl. 405DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG (Presidente Substituto), MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10925.001118/200257 Acórdão n.º 3402002.569 S3C4T2 Fl. 406 3 Relatório Tratase de Auto de Infração referente à contribuição para a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com o crédito tributário no valor total de R$26.649,08 (vinte e seis mil, seiscentos e quarenta e nove reais e oito centavos), acrescido de multa de ofício de 75% e de juros moratórios calculados pela taxa SELIC, totalizando um valor de R$55.190,24 (cinquenta e cinco mil, cento e noventa reais e vinte e quatro centavos). DA IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA A Contribuinte apresentou em 06/09/2002, Impugnação Administrativa acostada às fls. 28 (numeração eletrônica) alegando, em síntese, o seguinte: a) que incorporou a empresa Prenda S/A, e através do processo administrativo fiscal nº 13063.000111/9748, solicitou o ressarcimento do crédito presumido do IPI, relativo aos períodos de apuração de 1995 a 1996, no valor de R$26.649,08; b) em maio de 2000 a incorporadora protocolou pedido de compensação deste crédito com débito da COFINS, relativo ao mês de maio de 2000, neste mesmo valor. A DRF de Santo Ângelo – RS indeferiu o pedido de ressarcimento do crédito presumido de IPI; c) A contribuinte interpôs recurso o qual foi negado provimento, sendo mantido o despacho denegatório do ressarcimento. Desta decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes; d) A contribuinte foi intimada a comprovar o recolhimento da COFINS no valor de R$26.649,08, cujo valor é objeto de compensação com o valor do crédito presumido do IPI, o qual julga a contribuinte ser credora em face do processo acima citado. Em resposta, informou que deixou de recolher a importância devida ao argumento de que interpôs recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes e este, em reiterados julgados, acolheu a tese defendida pela ora requerente; e) Alega que em 09/07/2002 teve contra si lavrado um auto de infração e imposição de multa, onde teria infringido a legislação tributária federal, sendo aplicada a multa prevista no artigo 44, I da Lei nº 9.430/96; f) Quanto ao direito, argumentou quanto ao procedimento administrativo de compensação e a suspenção da exigibilidade do crédito tributário e do apensamento do presente processo ao principal. Ao final, requereu a contribuinte o recebimento da defesa para cancelar integralmente o lançamento fiscal, antes a inexistência de qualquer infração à legislação tributária, bem como a suspensão do crédito tributário ou ainda o apensamento ao processo principal ou o sobrestamento do mesmo enquanto não sobrevier decisão final sobre a matéria. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis (SC), em 30/04/2003, proferiu acórdão de nº 2.462, às fls. 40 (numeração eletrônica), nos seguintes termos: ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2000 Ementa: COMPENSAÇÃO. CONDIÇÕES – Somente créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública podem ser compensados com créditos tributários. Quando o reconhecimento da liquidez e certeza exigidas depender de decisão administrativa, esta deverá obrigatoriamente preceder a compensação. Lançamento Procedente A DRJ considerou por julgar procedente o lançamento, tendo em vista que o alegado crédito tributário contra a Fazenda Pública não era líquido e certo, que é condição exigida pelo art. 170 do CTN, e que está sendo discutida administrativamente, sendo que sua falta impede a compensação pretendida. A prematura compensação feita pela contribuinte foi realizada ilegalmente e indevidamente, não podendo produzir ao seu favor os efeitos pretendidos. Assim, não é correta a assertiva de que os processos devam ser apensados ou este deva ser sobrestado. DO RECURSO Cientificado do Acórdão de Primeira Instância em 23/05/2003 (conforme AR de fls. 50 – numeração eletrônica), a contribuinte apresentou em 23/06/2003 recurso contra decisão proferida pela DRJ de Florianópolis – SC. Aduz a contribuinte, em síntese, que as “reclamações e os recursos administrativos, inclusive referentes a pedidos de compensação, suspendem a exigibilidade do crédito tributário”. E que ainda há de operarse a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários, os quais durante o período suspensivo não poderão ser objeto de autuações, fiscais ou de cobrança administrativa ou mesmo judicial, bem como colaciona o entendimento do TRF da 4ª Região. Assim, até que não aconteça a decisão final do Conselho de Contribuintes, não pode o Fisco constituir crédito tributário dos valores objetos de compensação, uma vez que o mesmo já foi constituído através da DCTF. Argumentou que a constituição do crédito tributário, em conformidade com a lei, somente seria após a decisão final que considerar a compensação como indevida ou não comprovada. Antes disso, não seria possível juridicamente afirmar que a compensação é indevida, conforme reiterados julgados do Conselho de Contribuintes, em que era reconhecido o crédito presumido, bem como o que é pleiteado pela requerente, sendo este, legítimo. Ainda que fosse outra a interpretação correta, o processo deveria aguardar o julgamento do processo principal por tratase da mesma matéria fática e jurídica. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10925.001118/200257 Acórdão n.º 3402002.569 S3C4T2 Fl. 407 5 Diante do exposto, requereu pelo provimento do Recurso, julgando procedente a pretensão da contribuinte com a inversão do ônus sucumbencial. DA DILIGÊNCIA Através da Resolução nº 20200.709, o Segundo Conselho de Contribuintes, em 17/06/2004, converteu o julgamento do recurso em diligência para: 1. Verificar se, realmente, o período objeto do presente lançamento também é aquele contido no citado processo de compensação nº 13063.000111/9748; 2. Aguardar a decisão definitiva do processo de compensação e anexar cópia da decisão final; 3. Verificar se a compensação efetuada, nos moldes definidos pela decisão final administrativa proferida nos autos do processo nº 13063.000111/97848, foi suficiente para cobrir o valor lançado no presente Auto de Infração, elaborando demonstrativo dos cálculos; e 4. Elaborar planilha de cálculos e relatório conclusivo, anexando os documentos que se fizerem necessários. Às fls. 366 – numeração eletrônica, a Delegacia da Receita Federal em Joaçaba – SC, proferiu Informação Fiscal de nº 114/2006 solicitando o sobrestamento até o deslinde do processo nº 13063.000111/9748. De acordo com a Informação Fiscal SAFIS 048/2010, às fls. 400 – numeração eletrônica, “em relação ao primeiro item [..] o tributo apurado foi a COFINS referente ao período de maio de 2000, no valor de R$26.649,09 [...], ou seja, o valor e o período são os mesmos. [...] ao item 2, foi juntada ao processo [...] a decisão [...] a qual encerra a lide do processo nº 13063.000111/9748. Em referência ao item 3, verificamos que a SAORT desta Delegacia analisou o pedido de ressarcimento de IPI à luz da decisão final mencionada anteriormente, conforme despacho Decisório nº 1025/2010 [...] tal despacho não continham alguns elementos essenciais ao cálculo do crédito. Por esse motivo, o contribuinte foi intimado a apresentar esclarecimentos no prazo de 20 dias, o qual foi prorrogado por mais 60 dias a pedido do contribuinte. Entretanto o prazo expirou em 06/11/2010, sem nenhuma manifestação por parte do contribuinte. Deste modo, respondendo ao item 3, como o pedido de ressarcimento do contribuinte foi indeferido, não há nenhum crédito para cobrir o valor lançado no Auto de Infração objeto do presente processo”. Esgotouse o prazo sem apresentação de manifestação por parte do contribuinte. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 02 (dois) Volumes, numerado até a folha 404 (quatrocentos e quatro), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção do CARF. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 É o relatório. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10925.001118/200257 Acórdão n.º 3402002.569 S3C4T2 Fl. 408 7 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. Retornam os autos de diligência designada pelo extinto Segundo Conselho de Contribuintes, de Relatoria da Ilustre Conselheira Nayra Bastas Manatta, a qual, diante dos argumentos trazidos pelo sujeito passivo no recurso voluntário de fls. 5158 (numeração eletrônica), houve por bem em entender prejudicado o julgamento dos autos, tendo em vista a pendência da decisão administrativa que analisaria o pedido de ressarcimento e a compensação até então não homologada (realizados pelo contribuinte), objeto deste lançamento. Conforme se pode depreender do relatório dos autos acima sintetizado, o auto de infração que ora se analisa decorre do indeferimento do pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI e da consequente não homologação compensação da COFINS apurada pelo contribuinte, cuja ausência de recolhimento então foi alvo de lançamento pela Autoridade Fiscal. Diante do fato de que referido ressarcimento/compensação ainda não possuíam decisão final administrativa à época – tanto do lançamento, quanto do julgamento do extinto Segundo Conselho – foi o julgamento convertido em diligência para averiguação de elementos que seriam essenciais ao deslinde da causa, sendo concomitantemente, sobrestado até decisão final do PAF 13063.000111/9748. Findo o referido PAF, foram então anexadas cópias das principais decisões adotadas no processo e elaborada a solicitada Informação Fiscal, respondendo aos quesitos formulados na Resolução anteriormente prolatada, os quais davam conta de que o crédito do contribuinte, apesar de reconhecido em instância superior, não havia sido comprovado pelo sujeito passivo, motivo pelo qual permaneceram indeferidos os ressarcimentos apresentados, bem como não homologada a compensação alvo do Auto de Infração. Desta forma, considerando que o contribuinte foi intimado no referido processo em que sua sucedida pleiteava o ressarcimento dos créditos, temse que acabou restando patente a ausência de liquidez e certeza do crédito, e, em face do que dispõem os arts. 170, do CTN e 74, da Lei n° 9.430/96, não é possível deferir a compensação se o crédito nela utilizado não é passível de restituição ou, como no caso, de ressarcimento. Assim, não resta outra alternativa a esta Câmara senão aplicar o resultado do processo que julgou o direito ao ressarcimento de créditos, para refletir sobre a compensação que é apresentada como matéria de defesa do lançamento tributário em análise. Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 8 Fl. 412DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 16045.000317/2009-14
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DE CO-TITULAR. NULIDADE. SÚMULA CARF Nº 29.
Cumpre decretar a nulidade de lançamento baseado em depósitos de origem não comprovada, quando não intimados todos os co-titulares das contas conjuntas, conforme entendimento consolidado na Súmula CARF nº 29.
ART. 42, § 3º, II DA LEI 9.430/96. DESCONSIDERAÇÃO DOS DEPÓSITOS INFERIORES A R$ 12.000,00, OBSERVADO O LIMITE DE R$ 80.000,00 REFERENTE AO TOTAL DE CRÉDITOS EM DADO ANO-CALENDÁRIO. SÚMULA CARF Nº 61.
Consoante regra o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, não devem ser considerados, para fins de determinação dos rendimentos omitidos por pessoa física, os créditos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00. Entendimento consolidado na Súmula CARF nº 61.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2802-003.313
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Junior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado) e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DE COTITULAR. NULIDADE. SÚMULA CARF Nº 29. Cumpre decretar a nulidade de lançamento baseado em depósitos de origem não comprovada, quando não intimados todos os cotitulares das contas conjuntas, conforme entendimento consolidado na Súmula CARF nº 29. ART. 42, § 3º, II DA LEI 9.430/96. DESCONSIDERAÇÃO DOS DEPÓSITOS INFERIORES A R$ 12.000,00, OBSERVADO O LIMITE DE R$ 80.000,00 REFERENTE AO TOTAL DE CRÉDITOS EM DADO ANO CALENDÁRIO. SÚMULA CARF Nº 61. Consoante regra o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, não devem ser considerados, para fins de determinação dos rendimentos omitidos por pessoa física, os créditos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00. Entendimento consolidado na Súmula CARF nº 61. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 5. 00 03 17 /2 00 9- 14 Fl. 267DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Junior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado) e Carlos André Ribas de Mello. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP) DRJ/SP1, que julgou procedente Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), exigindo crédito tributário no valor total de R$ 77.405,66 relativo ao anocalendário 2004. O lançamento decorreu da constatação de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, verificada em contas corrente mantidas nas instituições financeiras Banco Santander Banespa S/A. (agência nº 502, c/c nº 010047559 e c/c nº 010063766) e Banco do Brasil S/A.(agência nº 27480, c/c nº 7165 X), em relação às quais o contribuinte respondeu ao Termo de Inicio de Fiscalização, não apresentando, porém, qualquer documentação comprobatória referente à origem dos créditos discriminados. Os termos da impugnação vertida foram bem descritos pela decisão recorrida, motivo pelo qual passo, com a devida vênia, a transcrever o correspondente excerto do relatório desse julgado: 3.1 O trabalho fiscal se baseou em suposições, considerando até mesmo fatos e procedimentos totalmente estranhos ao requerente, o que, por si só, descaracteriza a lavratura do auto de infração. A fiscalização tem por finalidade a determinação real dos fatos ocorridos e a configuração da verdade, não sendo razoável que, de interpretação contrária, facilmente comprovável, se ache no direito de exigir impostos acompanhados de multas escorchantes, que ultrapassam em muito a capacidade contributiva do requerente, constituindose esse procedimento em verdadeiro confisco. Por tudo isso, fica requerido em preliminar, seja considerado o auto de infração nulo de pleno direito, principalmente por não ficar comprovada a movimentação bancária alegada, e ainda por não considerar que grande parte daquela movimentação se refere a valores de terceiros, como adiante ficará provado. 3.2 Além das atividades advocatícias, o contribuinte exerce ainda a atividade de corretor de imóveis, com escritório no município de UbatubaSP. Por consequência dessa atividade, movimenta diversas quantias de terceiros em sua conta pessoal, quantias essas que não se referem exclusivamente a aluguel, mas também para pagamento de consumo de água, consumo de luz, IPTU e manutenção de todos os imóveis administrados pelo declarante. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 16045.000317/200914 Acórdão n.º 2802003.313 S2TE02 Fl. 268 3 3.3 Por conta dessa atividade, mantêm controle especifico dessa movimentação, cuja origem e destinação foi objeto de esclarecimento nas planilhas elaboradas pelo impugnante, nas quais, mês a mês, são identificados todos os beneficiários e todos os valores transferidos a cada um deles. A fiscalização não analisou as referidas Planilhas, nem mesmo se manifestou sobre as mesmas. 3.4 Solicita que as planilhas apresentadas sejam objeto de analise pela autoridade julgadora, a qual poderá facilmente identificar que grande parte da movimentação referese a valores de terceiros ali identificados, inclusive com nome, CPF e número das respectivas contas correntes, para as quais foram repassados os correspondentes valores. Se as planilhas anexadas não forem analisadas, aí não restarão duvidas de que o objetivo da fiscalização é meramente arrecadatório. Ainda sobre as mesmas, fica facilmente comprovado que os valores conciliam com os depósitos efetuados, até em seus centavos e datas, e com isso não prosperará a alegação de que a movimentação bancária ocorrida se refere a omissão de receitas. 3.5 Dentro desse principio de conciliação e comparação de valores depositados, com os efetivos créditos de terceiros, o contribuinte destacou às fls. 201 a 205 alguns exemplos de valores arrecadados dos locatários e correspondentes a despesas de água, luz, telefone, IPTU e aluguel eventual, repassados aos favorecidos locadores. 3.6 Como pode se observar, as movimentações bancárias correspondentes aos diversos depósitos efetuados conciliam em data e valores com os repasses efetuados aos respectivos favorecidos. Isso por si só comprova que referidos depósitos não são receitas do requerente, mas tão somente movimentação de valores de terceiros. 3.7 Quanto ao sujeito passivo da obrigação, fica comprovado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiros, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas não poderá permanecer em nome do titular da conta de depósito ou de investimento. Na realidade os valores movimentados na conta corrente do requerente é que pertencem a terceiros, pois nesse caso, o mesmo tornase um simples intermediário da operação. Isso fica evidenciado quando comparamos os referidos valores depositados e repassados diretamente a cada um dos favorecidos. Vale destacar ainda que nem sempre esses valores correspondem a rendimentos de alugueis, pois, na maioria das vezes, tratamse de numerários utilizados exclusivamente para cumprimento de obrigações financeiras tributárias e de utilização de serviços públicos. 3.8 Alem do que, como ficará provado, o requerente mantém e sempre movimentou as suas únicas duas contas correntes em conjunto com a esposa Sra. Lea Maria Morais do Nascimento, inscrita no CPF(MF) sob n° 122.059.20804, e dessa situação, se eventualmente ainda restar algum valor que se presuma ser omissão de receita do contribuinte, teria que esse montante ser rateado nas mesmas proporcionalidades para ambos, conforme preceitua a legislação tributária vigente. 3.9 Ainda que se considere que o requerente optou por declaração em conjunto, entende que, do montante apurado, que atinge o total de R$ 131.881,71, se rateado entre ambos, caberia a cada um a obrigação tributária sobre o montante individual de R$ 65.940,86. Pois bem, considerando essa linha de raciocínio, pois, conforme exposto, a própria legislação tributária assim determina, que, quando se tratar de conta conjunta, o montante das eventuais omissões de receitas devem ser rateado entre os titulares de cada conta corrente e, nesse caso, caberia individualmente o montante acima descrito, ou seja, R$ 65.940,86. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON 4 3.10 O impugnante no ano calendário de 2.005 recebeu a titulo de rendimentos tributáveis valores correspondentes a honorários advocatícios que atingiram R$ 5.762,93 para o requerente e R$ 4.595,80 para sua esposa, além dos valores recebidos a titulo de aluguéis de pessoa jurídica, que também atingiram o montante de R$ 10.800,00 anual. Pois bem, todas somatórias correspondentes a esses rendimentos acabaram por circular através das contas correntes do requerente e, ainda assim, embora devidamente declarado e já tributado anteriormente, a autoridade fiscalizadora não considerou essas exclusões do montante apurado na movimentação bancária. Esses rendimentos, cuja somatória totaliza R$ 21.258,73, já foram devidamente tributados na correspondente declaração e não podem, sob pena de caracterizar bitributação, serem novamente, aqui, levados a nova tributação. 3.11 Finalmente reafirma que na movimentação ocorrida junto ao Banco do Brasil S.A. (001), agência 27.480, durante o ano de 2.004, todos os históricos correspondentes a “Desbloqueio de Depósitos”, não se referem a depósitos nem mesmo a créditos, ou seja, essa movimentação consiste na liberação de um depósito efetuado anteriormente, que já foi objeto de consideração e alegação de omissão de receitas. 3.12 Por tudo isso e por tudo aquilo que nos autos constam, julgar procedente o referido Auto de Infração é um ato não só de injustiça, como também de falta de bom senso, o que não é peculiar da autoridade julgadora. Isto posto, requer em preliminar que seja o auto de infração declarado nulo e, no mérito, seja julgado totalmente improcedente, cancelandose o suposto crédito tributário. A DRJ/SP1 manteve integralmente a autuação, consubstanciando seu entendimento no acórdão assim ementado: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997 a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. O contribuinte interpôs recurso voluntário em 30/8/2012, repisando as razões e os pedidos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Rezam o caput e § 6º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Fl. 270DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 16045.000317/200914 Acórdão n.º 2802003.313 S2TE02 Fl. 269 5 Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º a 5º Omissis § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Com efeito, no caso de contas bancárias de titularidade conjunta, é necessário, para a correta aferição dos aspectos quantitativos e pessoais do consequente normativo da regra matriz de incidência tributária, a intimação de todos os seus cotitulares. Registrese que, ainda que a declaração de ajuste tenha sido de natureza conjunta, o caput do art. 42 da Lei nº 9.430/96 requer que o titular da conta seja intimado, ainda que essa titularidade seja exercida conjuntamente com outra pessoa. Em outras palavras, não é bastante que somente um dentre os titulares de conta conjunta seja intimado, mas sim todos. Compulsando os autos, pode ser verificado nos extratos das contascorrentes de nº 010047559 e nº 010063766 (fls. 73/140), ambas mantidas no Banco Santander S/A. e representando a ampla maioria dos depósitos sujeitos à comprovação de origem (fls. 153/165), que elas possuem titularidade conjunta do autuado e de sua esposa, Lea Maria Morais do Nascimento, CPF nº 122.059.20804, sendo que esta em nenhum momento foi devidamente intimada para esclarecimentos no curso do procedimento fiscal. A matéria foi tema da Súmula CARF nº 29, aprovada pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) em sessão de 8/12/2009, e de observância obrigatória para os membros do CARF, nos termos do caput do art. 72 do Regimento Interno do CARF (RICARF Portaria MF nº 256, de 22/6/2009). Leiase o teor da súmula: Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Vale consignar que com sua publicação em 14/7/2010 no D.O.U da Portaria MF nº 383, de 12/7/2010, foi atribuído à Súmula CARF nº 29 efeito vinculante em relação à administração tributária federal. Ademais, com a exclusão dos depósitos vinculados às contas mantidas no Banco Santander Banespa S/A., temse que os créditos remanescentes objeto de justificação, atinentes à conta nº 7165X do Banco do Brasil, são todos inferiores a R$ 12.000,00 e Fl. 271DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON 6 totalizam tão somente R$ 20.632,09 (fl. 153), atraindo na espécie a incidência da Súmula CARF nº 61, aprovada pela Segunda Turma da CSRF em sessão de 29/11/2010: Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Cumpre, portanto, aplicar as referidas Súmulas ao caso concreto, cancelando se a exigência fiscal. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 272DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON
score : 1.0
Numero do processo: 10540.901369/2009-24
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
ÔNUS DA PROVA.
Incumbe à Administração Tributária o ônus da prova dos fatos que fundamentam a sua decisão.
INTIMAÇÃO. CIÊNCIA.
A ciência no Processo Administrativo Fiscal se dá apenas por uma das formas exaustivamente relacionadas no artigo 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, não sendo a presunção hominis um meio juridicamente aceito para este fim.
Numero da decisão: 1801-002.338
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional e ratificar o decidido no Acórdão nº 1801-002.113, proferido em sessão realizada em 23 de setembro de 2014, nos termos do voto do Relator..
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Relator
Participaram do julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Leonardo Mendonça Marques, Neudson Cavalcante Albuquerque, Joselaine Boeira Zatorre, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich..
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 ÔNUS DA PROVA. Incumbe à Administração Tributária o ônus da prova dos fatos que fundamentam a sua decisão. INTIMAÇÃO. CIÊNCIA. A ciência no Processo Administrativo Fiscal se dá apenas por uma das formas exaustivamente relacionadas no artigo 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, não sendo a presunção hominis um meio juridicamente aceito para este fim. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional e ratificar o decidido no Acórdão nº 1801002.113, proferido em sessão realizada em 23 de setembro de 2014, nos termos do voto do Relator.. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 90 13 69 /2 00 9- 24 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 10540.901369/200924 Acórdão n.º 1801002.338 S1TE01 Fl. 3 2 Participaram do julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Leonardo Mendonça Marques, Neudson Cavalcante Albuquerque, Joselaine Boeira Zatorre, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.. Relatório A FAZENDA NACIONAL, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 1801002.113 (fl. 155), por este colegiado, interpõe embargos de declaração (fl. 160) objetivando o aperfeiçoamento da decisão. O presente processo trata da declaração de compensação de nº 37262.89027.290607.1.3.040079 (fl. 14), que não foi homologada pela Receita Federal do Brasil, nos termos do despacho decisório de fl. 13: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.. Ciente dessa decisão, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fl. 1, em que alega, em síntese, que a DCTF correspondente foi preenchida com erro, o que foi sanado mediante apresentação de DCTF retificadora. A DRJ Salvador julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ementando assim a sua decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. AUSÊNCIA DE PROVAS. Na falta de comprovação de pagamento indevido ou a maior, considerase inexistente o direito creditório alegado pelo contribuinte, indeferindose o pedido de compensação a ele vinculado. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. RETIFICADORA POSTERIOR À CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. Considerando que o débito foi reduzido apenas em DCTF retificadora apresentada em momento posterior à ciência do Despacho Decisório, há que haver comprovação contábil do seu valor, sob pena de manutenção da cobrança. Cientificado dessa decisão em 08/05/2013, por meio de remessa postal (fl. 37), o contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário (fl. 31), em 06/06/2013, em que alega: Fl. 168DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 10540.901369/200924 Acórdão n.º 1801002.338 S1TE01 Fl. 4 3 a) a DRJ não pode negar o efeito probante da DCTF retificadora enquanto a DRF intima o contribuinte a apresentar DCTF retificadora para sanear a situação da DCOMP; b) a DRJ desconsiderou a DIPJ apresentada antes do despacho decisório, que corrobora a existência do indébito; c) houve pagamento a maior do tributo e o seu não reconhecimento importa em enriquecimento ilícito por parte da Fazenda. Ao apreciar o feito, esta Turma de Julgamento deu provimento ao recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório e homologando a compensação declarada, conforme o seguinte fundamento (fl. 158): Embora o despacho de fl. 23 informe que o contribuinte foi cientificado duas vezes do despacho decisório, não há nos autos a indicação da data da segunda intimação e, muito menos, comprovação da sua realização. Portanto, devese admitir como data de ciência aquela única comprovada nos autos, ou seja, 26/02/2010. Destarte, entendo que a DCTF retificadora supracitada foi realizada espontaneamente e constitui prova a favor do contribuinte, mormente quando apresenta coerência com o conteúdo da DIPJ apresentada, indubitavelmente, antes do despacho decisório.[destaquei] A Fazenda Nacional interpôs os presentes embargos por entender que o acórdão recorrido deixou de considerar informação contida nos autos, conforme a seguinte transcrição (fl. 163): Nesse contexto, considerando que: [1] a Egrégia Turma restou omissa no que toca à análise da confissão constante na manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte de que a DCTF fora retificada após a ciência do despacho decisório; [2] o fundamento para o provimento do recurso foi justamente o entendimento de que a DCTF retificadora apresentada antes da ciência do despacho decisório constitui prova a favor do contribuinte, o que não se confirmou no caso concreto; fazse mister que a Turma emita seu posicionamento, tendo em consideração a afirmação constante na manifestação de inconformidade de que a DCTF fora retificada após a ciência do despacho decisório. É o relatório. Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. Os embargos são tempestivos por força do §9º do artigo 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, quando determina que os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados pessoalmente das decisões deste Conselho com o término do prazo de Fl. 169DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 10540.901369/200924 Acórdão n.º 1801002.338 S1TE01 Fl. 5 4 trinta dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à Procuradoria. Na espécie, os autos foram movimentados para a Procuradoria em 07/10/2014 (fl. 159), presumindose a ciência no dia 06/11/2014. Os autos regressaram em 05/11/2014 (fl. 165), portanto, dentro do prazo legal. A razão dos embargos é a alegada omissão, ao apreciar as provas, de declaração do contribuinte contida na sua manifestação de inconformidade, que seria suficiente para demonstrar que a supracitada retificação da DCTF se deu após a ciência do despacho decisório, o que seria bastante para desacreditar das informações lá contidas. A declaração referida é a seguir transcrita (fl. 1): Apesar do recolhimento a maior, a DCTF de janeiro de 2006 foi equivocadamente preenchida pelo valor total do DARF, fato que o contribuinte corrige através do envio de DCTF retificadora nesta data, conforme recibo em anexo. De fato, a DCTF retificadora foi entregue em 04/12/2009 (fl. 6), mesma data em que a manifestação de inconformidade foi assinada (fl. 4). Apreciando as razões do embargante, verificase que ele entende que este fato é suficiente para provar que a ciência do despacho decisório se deu antes dessa data. Todavia, conforme consta dos autos, a ciência do despacho decisório ocorreu posteriormente, em 26/02/2010 (fl. 22). No argumento do recorrente há uma premissa implícita, a de que não é possível a contestação do despacho decisório sem a sua ciência. Como houve a contestação então, necessariamente, teria havido a ciência. Certamente este é um raciocínio logicamente válido, mas não deixa de ser uma presunção, sob a ótica do Direito Processual, uma vez não há nos autos um documento que demonstre essa ciência, nem mesmo há nos autos uma prova de que o contribuinte teve vistas dos autos. A ciência no Processo Administrativo Fiscal se dá apenas por uma das formas exaustivamente relacionadas no artigo 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, em que a única via de ciência ficta é o edital. Não sendo a presunção hominis um meio juridicamente aceito para se afirmar a ciência do despacho decisório, prendome às provas dos autos para reafirmar a espontaneidade jurídica do contribuinte ao retificar a DCTF em tela. Destaco outro fato que também foi utilizado nos fundamentos da decisão recorrida, embora de forma complementar: o valor contido na DCTF retificadora é o mesmo já declarado na DIPJ, entregue bem antes da emissão do despacho decisório em análise. Diante do exposto, voto por rejeitar os embargos de declaração. (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 170DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 10540.901369/200924 Acórdão n.º 1801002.338 S1TE01 Fl. 6 5 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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Numero do processo: 13855.721630/2013-35
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
SIGILO BANCÁRIO. SOLICITAÇÃO DE INFORMAÇÕES À INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. LEGALIDADE.
Diante da recusa do contribuinte em franquear seus extratos bancários, é lícito ao fisco requisitar informações perante as instituições financeiras, a teor do art. 6º da LC nº 105/2001.
GLOSA DE CRÉDITOS. SERVIÇOS PRESTADOS POR EMPRESA TERCEIRIZADA MEDIANTE SIMULAÇÃO.
A criação de empresa prestadora de serviços que não tem existência real caracteriza simulação, fato que rende ensejo à glosa dos créditos de PIS e COFINS ilicitamente aproveitados pela tomadora dos serviços.
MULTA DE OFÍCIO. INFRAÇÃO QUALIFICADA. SONEGAÇÃO.
A interposição de pessoa jurídica inexistente de fato, apenas para gerar redução de custos previdenciários e créditos de PIS e COFINS, caracteriza a sonegação, circunstância que autoriza a imposição da multa de ofício no patamar de 150%.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA CARF Nº 28.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3403-003.604
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O Conselheiro Domingos de Sá Filho votou pelas conclusões.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2008, 2009, 2010 SIGILO BANCÁRIO. SOLICITAÇÃO DE INFORMAÇÕES À INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. LEGALIDADE. Diante da recusa do contribuinte em franquear seus extratos bancários, é lícito ao fisco requisitar informações perante as instituições financeiras, a teor do art. 6º da LC nº 105/2001. GLOSA DE CRÉDITOS. SERVIÇOS PRESTADOS POR EMPRESA TERCEIRIZADA MEDIANTE SIMULAÇÃO. A criação de empresa prestadora de serviços que não tem existência real caracteriza simulação, fato que rende ensejo à glosa dos créditos de PIS e COFINS ilicitamente aproveitados pela tomadora dos serviços. MULTA DE OFÍCIO. INFRAÇÃO QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. A interposição de pessoa jurídica inexistente de fato, apenas para gerar redução de custos previdenciários e créditos de PIS e COFINS, caracteriza a sonegação, circunstância que autoriza a imposição da multa de ofício no patamar de 150%. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA CARF Nº 28. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Recurso voluntário negado.
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SOLICITAÇÃO DE INFORMAÇÕES À INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. LEGALIDADE. Diante da recusa do contribuinte em franquear seus extratos bancários, é lícito ao fisco requisitar informações perante as instituições financeiras, a teor do art. 6º da LC nº 105/2001. GLOSA DE CRÉDITOS. SERVIÇOS PRESTADOS POR EMPRESA TERCEIRIZADA MEDIANTE SIMULAÇÃO. A criação de empresa prestadora de serviços que não tem existência real caracteriza simulação, fato que rende ensejo à glosa dos créditos de PIS e COFINS ilicitamente aproveitados pela tomadora dos serviços. MULTA DE OFÍCIO. INFRAÇÃO QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. A interposição de pessoa jurídica inexistente de fato, apenas para gerar redução de custos previdenciários e créditos de PIS e COFINS, caracteriza a sonegação, circunstância que autoriza a imposição da multa de ofício no patamar de 150%. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA CARF Nº 28. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Recurso voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O Conselheiro Domingos de Sá Filho votou pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 72 16 30 /2 01 3- 35 Fl. 4209DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de autos de infração com ciência do contribuinte por via postal em 10/07/2013 lavrados para exigir o crédito tributário relativo ao PIS e COFINS, multa de ofício e juros de mora, em razão da falta de recolhimento das contribuições no período compreendido entre janeiro de 2008 e dezembro de 2010. Segundo o termo de verificação fiscal, a empresa valeuse de simulação para segmentar suas atividades com fim de reduzir os encargos previdenciários e de gerar créditos das contribuições não cumulativas de forma ilícita. Em procedimento de fiscalização das contribuições previdenciárias foi constatado, em síntese, que a TJ CALÇADOS utilizou a empresa JOSÉ CLÓVIS PEREIRA FRANCA EPP como interposta pessoa com a finalidade de contratar empregados com redução ilícita de encargos previdenciários, uma vez que sendo esta última optante pelo SIMPLES NACIONAL, não recolhe a contribuição previdenciária patronal calculada com base na folha de pagamento mensal. As evidências que conduzem a tal entendimento, são, em síntese, as seguintes: 1) as duas empresas ocupam o mesmo espaço físico e os empregados da JOSÉ CLÓVISEPP trabalham nas instalações da TJ CALÇADOS; 2) o trânsito de mercadorias entre as duas empresas era livre e não há nenhuma preocupação em se fazer o controle; 3) dos 39 empregados que tiveram seus contratos de trabalho rescindidos pela TJ CALÇADOS nos meses de abril e junho de 2003, 37 trabalhadores foram imediatamente registrados como empregados da JOSÉ CLÓVIS EPP; 4) com a publicação da MP nº 540/2011 que entrou em vigor a partir de novembro de 2011, as indústrias de calçados passaram a contribuir com o percentual de 1,5% sobre a receita bruta em substituição às contribuições previstas nos incisos I e III do art. 22 da Lei nº 8.212/91. A partir de então a TJ CALÇADOS voltou a recontratar os empregados da JOSÉ CLÓVIS EPP; 5) todos os custos da JOSÉ CLÓVIS EPP são suportados pela TJ CALÇADOS; 6) a JOSÉ CLÓVIS EPP presta serviços de corte, preparação, montagem, chanfração e pesponto de calçados. Entretanto, todo o maquinário é de propriedade da TJ CALÇADOS e foi repassado gratuitamente à JOSÉ CLÓVIS EPP por empréstimo. Toda manutenção dos equipamentos é efetuada pela TJ CALÇADOS; 6) O faturamento da JOSÉ CLÓVISEPP é insuficiente para cobrir as despesas geradas em seu nome; 7) a TJ CALÇADOS pagou viagens à Europa e também a construção de um apartamento de luxo ao senhor José Clóvis Pereira, sócio da JOSÉ CLÓVISEPP; 8) o departamento pessoal e a contabilidade das duas empresas funcionam no mesmo local e o serviço é efetuado pelas mesmas pessoas; 9) os equipamentos de proteção individual para todos os empregados são adquiridos pela TJ CALÇADOS; 10) trabalhadores formalmente registrados na JOSÉ CLÓVISEPP tiveram seus planos de saúde custeados pela TJ CALÇADOS; 11) A TJ CALÇADOS é a única cliente da JOSÉ CLÓVISEPP. Fl. 4210DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13855.721630/201335 Acórdão n.º 3403003.604 S3C4T3 Fl. 7 3 Com base nesse conjunto de fatos, concluiu a fiscalização que os empregados formalmente registrados pela empresa JOSÉ CLÓVISEPP eram, de fato, empregados da TJ CALÇADOS. Considerando que os serviços destacados nas notas fiscais emitidas pela JOSÉ CLÓVISEPP para sua única cliente, a TJ CALÇADOS, foram executados pelos próprios empregados desta última, são indevidos os créditos de PIS e COFINS tomados pela TJ CALÇADOS com base nessas notas fiscais. Foram glosados os créditos indevidos e lavrados os autos de infração de PIS e COFINS com multa qualificada de 150%, pois houve ocorrência de sonegação, fraude e conluio. Foram arrolados como responsáveis solidários, com base no art. 135, III, do CTN os sócios da TJ CALÇADOS, senhor Jamil César David, CPF 072.254.81843 e a senhora Mary Aparecida Gomes David, CPF 071.780.25824; assim como o titular da empresa JOSÉ CLÓVISEPP, senhor José Clóvis Pereira, CPF 055.336.56812. Regularmente notificados todos os sujeitos passivos, o auto de infração foi impugnado apenas pela pessoa jurídica TJ CALÇADOS, tendo sido alegado o seguinte: 1) Houve quebra de quebra de sigilo bancário com violação do art. 5º, X, da Constituição. O STF já decidiu em Recurso Extraordinário, com repercussão geral reconhecida, que a Receita Federal do Brasil não pode ter acesso aos dados bancários do contribuinte. Essas provas são ilícitas e a documentação exigida está fora do período fiscalizado (2011/2012); 2) No que tange à localização das empresas envolvidas, alega que não há qualquer prova da conversa entre o sócio da autuada, em que este teria dito que a empresa José Clóvis mantinha endereço apenas formal na Rua Francisco Marques, 1400, não sendo admissível como elemento fático probatório; que o prédio é alugado pela empresa José Clóvis, conforme contrato de aluguel juntado aos autos; que o depoimento do Senhor Aparecido, no qual diz estar no local há cinco anos e que, anteriormente, no local funcionava as seções de corte e pesponto sob a responsabilidade do senhor José Clóvis, não possui legitimidade porque teria sido conduzido pela fiscal sem a presença de testemunhas e sem um representante da autuada; que as provas carreadas aos autos são frágeis e obtidas por meio fraudulentos; que a auditora deixa de citar fatos que contestariam de forma cabal as provas por ela elaboradas; que não há provas da conversa entre o representante legal e a auditora e que esta nunca existiu; que o CFOP das notas só demonstra a legalidade e transparência da relação empresarial; e que existe mãodeobra alocada pela José Clovis para produzir para a autuada, pelo que não há nenhuma hipótese de proibição legal; 3) Sobre a formalização dos registros de empregados, em resumo, a contribuinte alega que as provas articuladas se referem a fatos ocorridos em 2003 e não provam nenhum conluio ou armação e sim uma relação empresarial legítima; que o único fato que se prova neste procedimento é que a autuada diminuiu seus pedidos à prestadora em 2012 e se viu em situação benéfica com a diminuição de custos para contratação; que a empresa José Clovis continua trabalhando para a autuada e possui uma filial em Pedregulho/SP que não foi citada nos autos, e que, se o interesse da autuada fosse fraudar o fisco, não teria porque manter uma filial em funcionamento após a desoneração da folha de pagamento; Fl. 4211DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 4) Em relação ao comparativo entre faturamento e despesas da José Clóvis EPP, alega que esta se sustenta e é bastante lucrativa; que não há erro contábil e sim de análise da auditoria fiscal; que os documentos relativos ao valores recebidos pelo titular da empresa não foram apresentados porque ferem o sigilo bancário; que o ordenamento jurídico protege o cidadão no sentido de não produzir qualquer tipo de prova contra ele mesmo; que houve manipulação nos dados do Quadro 07 em relação às receitas e despesas (demonstrativos contábeis e comprovantes grifados em anexo); 5) Quanto às despesas de funcionamento e manutenção, alega que não há nos autos provas que identifiquem o endereço das contas de água, esgoto, energia e telefone, e se está contabilizada na empresa TJ e efetuados os pagamentos por esta, as contas são da empresa autuada. Argumenta ainda que não há crime em fazer a manutenção das máquinas e equipamentos utilizados pela José Clóvis EPP e nem é incomum a exclusividade na prestação de serviços; 6) Do vínculo entre o Senhor José Clóvis Pereira e a TJ Calçados, especialmente sobre o pagamentos de viagens ao exterior, alega que não são viagens de férias, que é de praxe que os grandes empresários mandem seus prestadores de serviços, representantes e funcionários a grandes centros, em busca de novidades e lançamentos. Quanto ao pagamento dos apartamentos, alega que não merecem explicação, que foram obtidas provas por meio fraudulento, protegidas por sigilo bancário, e que houve abuso de direito do fisco, com a manipulação de documentos e informações; 7) Quanto aos demais elementos de prova, apenas reitera que as provas juntadas aos autos demonstram uma relação empresarial comum, sem vícios, sem fraude e sem máscaras, que as duas empresas são idôneas com suas estruturas, funcionários, dependências, não havendo confusão entre as mesmas; 8) Da responsável pelo departamento fiscal das empresas envolvidas, alega que a contadora das duas empresas possui escritório de contabilidade na qual presta serviços para mais de 300 (trezentas) empresas, de modo que o fato desta ser contadora das duas empresas não comprova conluio e nem fraude entre ambas. Aduz que o Quadro 09 não faz jus ao período da fiscalização; que, durante o período fiscalizado, a funcionária foi registrada somente na José Clóvis; e que a funcionária trabalhava como freelancer para a TJ uma ou duas vezes por semana; 9) Dos equipamentos de segurança e proteção dos trabalhadores, argumenta que, diante da legislação trabalhista, a tomadora de serviços é subsidiária ou solidária aos erros e problemas gerados pela sua prestadora, sendo justa a preocupação com o fornecimento desses aparelhos ao empregados desta; 10) Do plano de saúde, alega que o departamento pessoal cometeu erro no tocante aos funcionários alocados aos convênios, o que será auditado pelo departamento financeiro e pelos sócios; e que este descontrole e desorganização por parte das duas empresas não são capazes de comprovar conluio ou fraude; 11) Do processo trabalhista, alega que a reclamação terminou em acordo sem reconhecimento de vínculo com a autuada e que todo o acordo foi quitado pela José Clóvis (ata de audiência juntada aos autos); 12) Da movimentação financeira entre as empresas envolvidas e da transferência de recursos financeiros da TJ Calçados para a José Clóvis EPP, alega que foram Fl. 4212DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13855.721630/201335 Acórdão n.º 3403003.604 S3C4T3 Fl. 8 5 obtidas por meio ilícito; que, em nenhum momento as empresas permitiram que fossem retirados os extratos bancários; que são várias as respostas aos termos de intimação, nas quais as duas empresas informam que os extratos foram retirados sem a sua permissão, pedindo a devolução dos mesmos. Reitera que houve quebra de sigilo bancário; 13) Sobre a terceirização, alega, em síntese que não há o vínculo empregatício entre a empresa tomadora e os trabalhadores arregimentados pela empresa prestadora e que não existe vedação à exclusividade na prestação de serviços. Remete à Lei nº 8.212/91 e ao Decreto nº 3.048/99 para alegar que compete ao Auditor Fiscal do Trabalho garantir o cumprimento da ordem jurídica trabalhista e avaliar os casos de contratação através de interpostas pessoas. Assim, sustenta que o auditor fiscal da RFB extrapolou da sua competência funcional ao analisar as contratações terceirizadas, e que a atuação deste deve se ater à verificação do cumprimento da legislação de tributos PIS e COFINS; 14) Alegou que não existe na legislação dos tributos PIS e Cofins previsão legal acerca do instituto da terceirização, pelo que a fiscalização teria afrontado o princípio da legalidade; 15) Segundo a defesa, a empresa José Clóvis – EPP encontrase regularmente enquadrada no Simples Nacional e que não há vedação para que os optantes possam prestar serviços terceirizados. Remetendo aos termos do relatório fiscal no que tange ao faturamento, argumenta ainda que o fisco poderia ter procedido à exclusão de ofício da referida empresa do Super Simples com fulcro na Lei Complementar 123/2006, sem ferir o princípio da legalidade. Alegou que a empresa autuada foi fiscalizada pelo Ministério do Trabalho em 2007 e 2009 e que a José Clóvis – EPP foi fiscalizada em 2007 e 2009 (em anexo), e que não foram lavrados autos de infração porque ausentes os requisitos legais da relação de emprego, dependência econômica, subordinação e direção dos empregados pela tomadora dos serviços (artigos 2º e 3º da CLT). Em sentido contrário, o Auditor da RFB não tomou o depoimento de nenhum dos funcionários que trabalhavam na tomadora de serviços, embora tenha visitado in loco a TJ Calçados. Observa que, no período fiscalizado, a auditoria cita apenas uma única reclamatória trabalhista, ajuizada em face da empresa prestadora de serviço e tomadora, quando é cediço que, nas lides trabalhistas que envolvam terceirização, o empregado ajuíza a reclamatória em face da prestadora e tomadora, em razão da responsabilidade subsidiária. Alegou que firmou um Termo de Ajuste de Conduta – TAC entre a tomadora e prestadora, perante o Ministério do Trabalho, no qual o empregador se compromete a cumprir obrigações ou a deixar de fazer alguma coisa ilícita ou considerada prejudicial à coletividade dos trabalhadores. Reafirma, ainda, que não há contratação irregular por meio de empresa interposta, ou seja, para a atividadefim; 16) Quanto à aplicação da multa qualificada, a contribuinte remete aos termos do relatório fiscal e a sua fundamentação legal para afirmar que não existe a previsão legal na legislação do PIS e da Cofins, e assim, restaria ferida de morte a fundamentação utilizada em face ao princípio constitucional da Legalidade, previsto nos artigos 5º da CF/88; 17) Reitera que a fiscalização não logrou êxito em provar a existência de interposta pessoa, lembrando que a TJ Calçados bem como a José Clóvis – EPP foram fiscalizadas pelo Ministério do Trabalho, e que este não apontou nenhuma irregularidade; Fl. 4213DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 18) Quanto à representação fiscal para fins penais, alega que, enquanto não solucionado o litígio administrativo, não haverá representação criminal. Por meio do Acórdão nº 33.794, de 15/01/2013, a 4ª Turma da DRJ Florianópolis julgou a impugnação improcedente. O julgado recebeu a seguinte ementa: "(...) SIMULAÇÃO. EFEITOS TRIBUTÁRIOS. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. SIGILO BANCÁRIO. LICITUDE DO ATO ADMINISTRATIVO. É lícito ao Fisco examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem indispensáveis, o que não implica em quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto, em contrapartida, há o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais por dever de ofício. SIMULAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. Ao restar comprovada a prática de negócios simulados, com declaração enganosa de vontade, com o único propósito de esquivarse das obrigações tributárias, impõese a aplicação de multa qualificada no percentual de 150%. Todos os sujeitos passivos foram regularmente notificados do acórdão de primeira instância por via postal, conforme avisos de recebimento juntados aos autos. A TJ CALÇADOS, regularmente notificada em 27/01/2014, foi a única a apresentar recurso voluntário em 21/02/2015, no qual reprisou as alegações de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. O contribuinte alegou que seu sigilo bancário foi violado de forma ilícita e pleiteia a aplicação do RE 389.808, que no seu entender foi submetido à sistemática da repercussão geral. Pesquisandose o inteiro teor desse julgado, verificase que o STF realmente julgou inconstitucional a quebra de sigilo bancário pela Receita Federal com base no art. 6º da Lei Complementar 105/2001, que permite a entrega das informações por parte dos bancos, a pedido do fisco sem autorização judicial. Fl. 4214DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13855.721630/201335 Acórdão n.º 3403003.604 S3C4T3 Fl. 9 7 Entretanto esse recurso extraordinário não é vinculante para o CARF, pois ao contrário do alegado, ele não foi submetido à sistemática da repercussão geral. No caso concreto, além da defesa não ter apresentado nenhuma prova da alegação de que a fiscalização teria se apropriado de documentos bancários ao arrepio de autorização da recorrente, as informações prestadas pelo banco foram franqueadas ao fisco com base em dispositivo legal com vigência e eficácia plenas (art. 6º da LC nº 105/2001) não existindo nenhuma ilegalidade cometida pelo fisco. Por outro lado, acrescentese que as informações bancárias obtidas pela fiscalização não possuem nenhuma relação direta com a exigência dos tributos PIS e COFINS, objeto dos autos de infração albergados neste processo. As glosas dos créditos indevidos foram feitas com base em documentos existentes na contabilidade da empresa, não tento nenhuma relação com as informações bancárias. No mérito, a fiscalização levantou uma série de fatos que analisados de forma global produzem a convicção de que a empresa JOSÉ CLÓVIS EPP existia apenas no papel para gerar desoneração previdenciária e, ao mesmo tempo, gerar créditos das contribuições não cumulativas. Tanto no recurso voluntário quanto na impugnação, a defesa rebateu isoladamente cada fato apontado pela fiscalização, tentando demonstrar que a acusação fiscal baseiase em mera presunção desacompanhada de provas. Conforme narrado pela fiscalização, a empresa José Clóvis – EPP funciona dentro das instalações da TJ Calçados há pelo menos cinco anos, incluindo assim o período fiscalizado, mantém um endereço apenas “formal” para fins cadastrais em outro endereço, não existem diferenças ou distinção entre os empregados das duas empresas dentro do prédio da TJ Calçados, sendo que esta situação vem ocorrendo aproximadamente há cinco anos, englobando o período fiscalizado (2008 a 2010). Relativamente aos documentos fiscais emitidos pela JOSÉ CLÓVISEPP, constatou a fiscalização que o CFOP 5124, utilizado nas notas da empresa, é a classificação de “saídas de mercadorias industrializadas para terceiros, compreendendo os valores referentes aos serviços prestados e os das mercadorias de propriedade do industrializador empregadas no processo industrial, e que consta no campo da descrição a expressão “serviços prestados dentro da própria indústria". Considerou ainda o fisco que o trânsito das mercadorias entre as duas empresas era livre e não havia qualquer preocupação em se fazer o seu controle, visto que mesmo os códigos em suas notas fiscais indicam que apenas houve a saída de mercadoria industrializada para terceiros sem o código de retorno de mercadoria utilizada na industrialização por encomenda para formalizar o retorno das mercadorias recebidas para industrialização. Esse fato é relevante, e demonstra que se a empresa JOSÉ CLÓVISEPP não existisse, os serviços por ela prestados continuariam a serem executados dentro da TJ CALÇADOS da mesma forma, sem nenhuma solução de continuidade. Fl. 4215DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 Quanto à localização das duas empresas, foi alegado que a fiscalização não juntou provas da conversa do sócio da autuada, onde este teria dito que a empresa JOSÉ CLÓVISEPP mantinha endereço apenas para fins cadastrais. O exame dos autos revela que existe prova de que a JOSÉ CLÓVISEPP mantinha um endereço apenas para fins cadastrais, conforme depoimento prestado pelo Senhor Aparecido Gonçalves de Oliveira. Observase que o teor desse depoimento confirma integralmente o teor da conversa que a auditorafiscal diz ter presenciado. Nesse depoimento está dito com todas as letras o seguinte: Que está no local há cinco anos, que o local pertence a Jamil César David e que anteriormente funcionava no local a linha de produção da T J Calçados. Desse período para cá passou a ser banca de pesponto do senhor José Clóvis, sendo a própria TJ a responsável pelo pagamento das despesas de funcionamento do local. Até cinco anos atrás neste local funcionava as seções de corte e pesponto, e quem era o responsável era o senhor José Clóvis. Agora no local, só funciona uma pequena banca de pesponto que faz apenas o excesso da produção da TJ Calçados (...). Que há aproximadamente cinco anos a TJ Calçados comprou um barracão no Distrito Industrial e lá passou a centralizar a sua linha de produção, ficando neste local uma pequena banca para trabalhar o excesso de produção. Declarou que é o encarregado da banca, responsável por organizar o trabalho e controlar os empregados, porém não tem registro em carteira, seu contrato é informal. Que presta contas para o senhor José Clóvis e que os empregados estão registrados em nome do senhor José Clóvis, mas que os controles ficam sob a responsabilidade da TJ Calçados. Portanto, o depoimento de um terceiro que não tem nenhuma relação formal com as duas empresas envolvidas, revela que a JOSÉ CLÓVISEPP é inteiramente subordinada à TJ CALÇADOS. Relativamente aos registros de empregados, a defesa alegou que as provas se referem a fatos ocorridos em 2003 e não provam nenhum conluio ou armação e sim uma relação empresarial legítima; que o único fato que se prova neste procedimento é que a autuada diminuiu seus pedidos à prestadora em 2012 e se viu em situação benéfica com a diminuição de custos para contratação; que a empresa JOSÉ CLÓVISEPP continua trabalhando para a autuada e possui uma filial em Pedregulho/SP que não foi citada nos autos; e que, se o interesse da autuada fosse fraudar o fisco, não teria porque manter uma filial em funcionamento após a desoneração da folha de pagamento. Não tem razão a recorrente, pois o fisco demonstrou a ligação umbilical entre as duas empresas, com total subordinação da JOSÉ CLÓVISEPP à TJ CALÇADOS. Praticamente todos os empregados (90%) da TJ CALÇADOS foram contratados pela JOSÉ CLÓVISEPP para prestar os mesmos serviços que executavam na antiga contratante. Posteriormente, com a desoneração da folha de pagamento promovida pelo Governo, todos os empregados que de fato eram da TJ CALÇADOS, voltaram a ser seus empregados de direito, pois não havia mais interesse em mantêlos ligados à empresa terceirizada. No que tange aos faturamentos da duas empresas e à movimentação financeira entre ambas, a defesa alegou uma série de impropriedades e abusos que teriam sido Fl. 4216DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13855.721630/201335 Acórdão n.º 3403003.604 S3C4T3 Fl. 10 9 cometidos pela fiscalização, encerrando o chavão de que ninguém é obrigado a produzir provas contra si mesmo. Nessa parte o fisco constatou a ocorrência de incorreções em diversos lançamentos escriturados no livros contábeis da empresa José ClóvisEPP como, por exemplo: nos livros Diário dos anos de 2008, 2009 e 2010 estão registrados a débito da conta Caixa e a crédito de Receitas Diversas as importâncias para capital de giro que teriam sido supostamente recebidas do titular, Senhor José Clóvis, pelas quais não foram apresentados ao fisco quaisquer documentos comprobatórios (demonstrações no Quadro 06 fl. 08 do Termo Fiscal); que, em grande parte do ano de 2008, a maioria dos pagamentos das despesas de José ClóvisEPP, inclusive a folha de pagamento, foi paga pela TJ Calçados por meio de débito em sua conta corrente nº. 676403 mantida no Bradesco; que a TJ Calçados continuou efetuando, pelo menos até o final de 2009, pagamentos de tributos e despesas da José Clóvis – EPP diretamente através de sua conta bancária; e que a TJ calçados é a única fornecedora de recursos financeiros para a José Clovis EPP fazer frente às despesas geradas em seu nome. Relata a fiscalização que a empresa José Clóvis presta serviços exclusivamente para a TJ Calçados, conforme informações prestadas verbalmente pelo Senhor Jamil César David, sócio desta última, e confirmada pelos documentos apresentados ao fisco; que a análise da sua contabilidade levou o fisco a concluir que foram criadas receitas fictícias e a ocultação de despesas em razão da receita bruta anual encontrarse prestes a atingir o limite para a permanência no Simples Nacional; que a demonstração do quadro 07 (fl. 08 do Termo Fiscal) indica que o faturamento da empresa José ClóvisEPP não foi suficiente para fazer frente às despesas geradas em seu nome; que o comparativo entre receitas e despesas não leva em conta outras despesas normais de funcionamento de uma empresa, tais como água e esgoto, energia elétrica, aquisição e manutenção de máquinas e equipamentos, aquisição de equipamentos e proteção para trabalhadores. Esses fatos evidenciam que a fiscalização, por meio da análise dos faturamentos e da massa salarial, revelou a distorção que transparece na falta de faturamento da empresa terceirizada para cobrir as despesas inerente às atividades de uma prestadora de serviços. A questão das despesas de funcionamento e manutenção, reforça o que até aqui foi visto, posto que não foram localizados quaisquer registros de despesas básicas de funcionamento de uma empresa tais como água e esgoto, energia elétrica, telefone e manutenção de máquinas e equipamentos; as despesas lançadas na contabilidade da empresa José ClóvisEPP, cujos gastos se referem quase que exclusivamente a despesas de pessoal e tributos (salários, férias, rescisões, décimo terceiro, FGTS, Simples, etc.), e as despesas de funcionamento, tanto do prédio da TJ Calçados, quanto do prédio usado como endereço formal da José Clovis EPP foram assumidas pelaTJ Calçados (quadro 08fl. 09 do Termo Fiscal). Portanto, devem ser julgadas improcedentes as alegações de defesa, pois a alegação de que o fisco manipulou dados veio desacompanhada de prova. Da mesma forma, são improcedentes as alegações de que a autuação não identifica o endereço das contas de água, esgoto, energia e telefone, e estão contabilizados na TJ, pois é óbvio que a referência no termo fiscal se refere à sede da TJ. Fl. 4217DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 Todos esses elementos, demonstram que JOSÉ CLÓVISEPP não era uma empresa terceirizada, mas apenas uma empresa de papel, criada para gerar desoneração de encargos previdenciários da TJ e créditos ilegítimos das contribuições não cumulativas ao PIS E COFINS. Reforça essa constatação o pagamento de viagens à Europa e de aquisição de apartamento de luxo efetuado pela TJ CALÇADOS para o a pessoa física do senhor José Clóvis Pereira. A alegação da defesa de que não se tratou de viagem de férias chega a ser risível, pois é pouco provável que um operário encarregado de operações fabris, que nem sequer pertence formalmente ao quadro de pessoal da TJ fosse enviado à Europa com tudo pago em busca de "novidades e lançamentos". Quanto ao pagamento de um apartamento de luxo para uma pessoa física estranha ao quadro de funcionários da TJ não foi apresentada nenhuma alegação de defesa, pois obviamente não há como explicar o inexplicável. Isso é o quanto basta para caracterizar que a JOSÉ CLÓVISEPP é uma empresa que não tem existência real, existindo apenas no papel para que a TJ CALÇADOS pudesse auferir redução de custos previdenciários e créditos ilegítimos das contribuições ao PIS e COFINS. A defesa discorre sobre terceirização e sobre competências da fiscalização federal tributária e do trabalho. Não houve vício de incompetência na lavratura do presente auto de infração, a teor do art. 142 do CTN e do art. 2º do Decreto nº 6.641/2008. No que concerne à terceirização, a Administração Tributária não condena nem a terceirização e nem o planejamento tributário, pois a teor do art. 170 da CF/88, empreendedor tem liberdade para organizar seu negócio de forma a reduzir seus custos e maximizar seu lucro. Não é crime reduzir custos e aumentar o lucro, desde que se respeite o ordenamento jurídico. No caso concreto, não haveria problema algum na criação da JOSÉ CLÓVIS EPP se esta empresa tivesse faturamento condizente com suas atividades, possuísse máquinas para prestar seus serviços, custeasse suas despesas e seus funcionários, ou seja, tivesse existência real e autônoma em relação à TJ CALÇADOS. O que não se admite é a criação de uma empresa de papel apenas para a geração de benefícios fiscais. Isso é simulação. E simulação é causa de nulidade dos atos jurídicos praticados, a teor do art. 167 do Código Civil. Tendo a fiscalização provado a existência de simulação, foi correto considerar que os serviços foram prestados pelos próprios empregados da TJ CALÇADOS, fato que autoriza a desconsideração das notas fiscais e a glosa dos créditos de PIS e COFINS pelos "serviços prestados" pela JOSÉ CLÓVISEPP. No que tange à multa de 150%, está correta a sua aplicação, pois a simulação foi engendrada com o fim de praticar a sonegação, a teor do art. 71 da Lei nº 4.502/64. Não tem fundamento a alegação da defesa no sentido de que a legislação do PIS e COFINS não prevê a qualificação da multa, pois a Lei nº 4.502/64 não é uma lei Fl. 4218DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13855.721630/201335 Acórdão n.º 3403003.604 S3C4T3 Fl. 11 11 específica para o IPI. Os conceitos de sonegação, fraude e concluio, são aplicáveis de forma geral a todos os tributos federais. No que tange à representação fiscal para fins penais, invoco o entendimento da Súmula CARF nº 28, in verbis: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Em face do exposto, não tendo o contribuinte apresentado nenhum motivo de fato ou de direito relevante para elidir as imputações que lhe foram feitas pela fiscalização, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Recomendase à autoridade administrativa da DRF Franca que prossiga na cobrança do crédito tributário em relação aos responsáveis solidários. Tal cobrança já deveria ter sido iniciada, a teor do que determina o art. 21 do Decreto nº 70.235/72, pois em relação aos devedores solidários o prazo de prescrição do art. 174 do CTN começou a fluir no trigésimo primeiro dia posterior à data de ciência do auto de infração, conforme ARs de fls. 3808 a 3813. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 4219DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10783.720897/2013-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3101-000.408
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente
Rodrigo Mineiro Fernandes Relator.
EDITADO EM: 21/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri, Demes Britto, José Mauricio Carvalho Abreu e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Henrique Pinheiro Torres Presidente Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator. EDITADO EM: 21/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri, Demes Britto, José Mauricio Carvalho Abreu e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Trata o presente processo de autos de infração lavrados para a cobrança das contribuições PIS e Cofins não recolhidas, relativos ao 4ª trimestre de 2008 e todo o ano de 2009, decorrente da glosa de créditos considerados indevidos e fictícios, derivados da aplicação do regime da incidência nãocumulativa das referidas contribuições. Os autos de infração constituemse do valor principal das contribuições, de juros de mora e de multa qualificada de 150%, em virtude da caracterização de fraude nas operações em questão. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .7 20 89 7/ 20 13 -1 6 Fl. 750DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10783.720897/201316 Resolução nº 3101000.408 S3C1T1 Fl. 4 2 Conforme extraise do Termo de Encerramento da Ação Fiscal (fls. 315 a 389), o procedimento fiscal teve como escopo a verificação de pretensos créditos deduzidos dos valores devidos da contribuição não cumulativa para a COFINS, bem como utilizados nos pedidos de ressarcimento/compensação por meio de PER/DCOMP. O direito creditório apreciado pela autoridade fiscal fazem parte dos processos 10783.720614/201247, 10783.720615/201291, 10783.720616/201236, 10783.720617/201281 e 10783.720613/201201. Segundo a alegação fiscal, o farto conjunto probatório colhido no curso das investigações que antecederam a referida ação fiscal, comprovou que toda a cadeia de comercialização do café passou a esquematizarse em função do regime de nãocumulatividade do PIS/COFINS, de tal sorte que as aquisições de café de produtores rurais/maquinistas passaram a ser guiadas fraudulentamente com notas fiscais de empresas laranjas visando o creditamento integral das alíquotas do PIS/COFINS. Para a fiscalização, esse esquema de utilização de empresas laranjas como intermediárias fictícias na compra de café de produtores para obtenção e apropriação dos créditos do PIS/COFINS teria sido descortinado nas investigações da DRF/Vitória/ES (“Operação Tempo de Colheita”), iniciadas em 10/2007, e que resultaram posteriormente na Operação “Broca”, deflagrada em 01/06/2010, fruto da parceria entre o Ministério Público Federal, Polícia Federal e Receita Federal. A fiscalização alega que o modus operandi teria sido descrito detalhadamente pelos agentes da cadeia de comercialização (produtor/maquinista, corretor e representantes das fictas intermediárias – empresas laranjas), bem como robustecidos pelos documentos colhidos no decorrer das investigações e por aqueles apreendidos na Operação Broca. A auditoria fiscal fundamentada nessas provas constatou que a STOCKL CAFÉ lançou mão de pseudoatacadistas para dissimular compras de café de pessoas físicas (produtores rurais/maquinistas), e assim se apropriar fraudulentamente dos créditos da COFINS. Devidamente cientificada a interessada sua impugnação, na qual alegou em apertada síntese: A vinculação entre os Processos Administrativos Fiscais n°s. 10783.720614/201247, 10783.720615/201291, 10783.720616/201236, 10783.720617/201281 e 10783.720613/201201, além do processo 10783.720898/201352, lavrado para a cobrança de multa regulamentar; A inexistência de provas irrefutáveis de que teria atuado de modo dissimulado, adquirindo produtos de pessoas jurídicas irregulares à luz do ordenamento jurídico; Que a autoridade fiscal não traz nenhuma prova de seu efetivo envolvimento com as pessoas jurídicas que alcunhou de "pseudo atacadistas" e "empresas de fachada", mas apenas reutiliza generalizações sobre o funcionamento do mercado cafeeiro, colhidas ao longo das investigações das Operações "Tempo de Colheita" e "Broca"; Fl. 751DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10783.720897/201316 Resolução nº 3101000.408 S3C1T1 Fl. 5 3 Que não sabia de qualquer artifício utilizado na comercialização de café, nem mesmo foi omissa em relação à existência de empresas supostamente fictícias, alegando sua boa fé. A 17ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. O acórdão 1264.195 foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009 FRAUDE. DISSIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO. NEGÓCIO ILÍCITO. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderando os negócios fraudulentos. USO DE INTERPOSTA PESSOA. INEXISTÊNCIA DE FINALIDADE COMERCIAL. DANO AO ERÁRIO. CARACTERIZADO. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva, sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública, rejeitandose peremptoriamente qualquer eufemismo de planejamento tributário. MULTA DE OFÍCIO. FRAUDE. QUALIFICAÇÃO. A multa de ofício qualificada deve ser aplicada quando ocorre prática reiterada, consistente de ato destinado a iludir a Administração Fiscal quanto aos efeitos do fato gerador da obrigação tributária, mormente em situação fraudulenta, planejada e executada mediante ajuste doloso. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ELEMENTOS DE PROVA. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluído o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, exceto quando justificado por motivo legalmente previsto. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, onde reprisa em sua totalidade os argumentos esgrimidos na impugnação, e requer o provimento de seu recurso para reformar a decisão da Delegacia da Receita Federal de Fl. 752DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10783.720897/201316 Resolução nº 3101000.408 S3C1T1 Fl. 6 4 Julgamento no Rio de Janeiro I, promovendose o cancelamento dos lançamentos tributários correspondentes. A unidade de origem encaminhou os presentes autos para apreciação deste órgão julgador de segunda instância. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. Conforme acima relatado, o auto de infração lavrado decorre da não homologação de parte das DCOMP’s e do indeferimento parcial dos ressarcimentos pleiteados pela Recorrente, em função de sua alegada participação no esquema de interpostas pessoas criadas para dissimular aquisições de café de pessoas físicas. O direito creditório apreciado pela autoridade fiscal fazem parte dos processos 10783.720614/201247, 10783.720615/201291, 10783.720616/201236, 10783.720617/2012 81 e 10783.720613/201201, que ainda se encontram pendentes de decisão administrativa definitiva. Desta forma, tendo em vista a vinculação entre os processos, devese aguardar o resultado definitivo dos processos 10783.720615/201291, 10783.720616/201236, 10783.720617/201281 e 10783.720613/201201, para o devido retorno do presente processo, para julgamento. Voto pela conversão do presente julgamento em diligência, com retorno dos autos à unidade de origem, para aguardar o resultado definitivo dos processos 10783.720614/201247, 10783.720615/201291, 10783.720616/201236, 10783.720617/2012 81 e 10783.720613/201201, anexando aos presentes autos, cópia das decisões definitivas dos processos acima referidos. Concluída a diligência, retornem os autos para julgamento. Sala das sessões, em 28 de janeiro de 2015. [Assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 753DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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