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Numero do processo: 35309.000248/2006-94
Data da sessão: Tue Jul 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 08/11/2005
RESULTADO DE DILIGÊNCIA FISCAL, SEM A CIÊNCIA DA
RECORRENTE, - VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO, SUPRESSÃO DE
INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA.
O recorrente possui direito de participação no processo administrativo em relação a qualquer ato praticado ou documento juntado. Diligência sem a comunicação de seu resultado à parte viola o princípio do contraditório. Transgressão ao art. 59, inciso II do Decreto n° 70,235 de 1972. Decisão Notificação emitida sem observância dos princípios que regem o processo
administrativo merece ser anulada.
Anulada a Decisão de Primeira Instância
Numero da decisão: 2302-000.541
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Marco Andre Ramos Vieira
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 08/11/2005 RESULTADO DE DILIGÊNCIA FISCAL, SEM A CIÊNCIA DA RECORRENTE, - VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO, SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. O recorrente possui direito de participação no processo administrativo em relação a qualquer ato praticado ou documento juntado. Diligência sem a comunicação de seu resultado à parte viola o princípio do contraditório. Transgressão ao art. 59, inciso II do Decreto n° 70,235 de 1972. Decisão Notificação emitida sem observância dos princípios que regem o processo administrativo merece ser anulada. Anulada a Decisão de Primeira Instância
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O recorrente possui direito de participação no processo administrativo em relação a qualquer ato praticado ou documento juntado. Diligência sem a comunicação de seu resultado à parte viola o princípio do contraditório. Transgressão ao art. 59, inciso II do Decreto n " 70,235 de 1972. Decisão- Notificação emitida sem observância dos princípios que regem o processo administrativo merece ser anulada. Anulada a Decisão de Primeira Instância, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos ACORDAM os membros da .3 11 Câmara / 2" Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto do relator, Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi, Adriana Saio, Arlindo Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Júnior, Thia go Davila Melo Fernandes e Marco André Ramos Vieira (presidente), elatou Relatório Em 8/11/2005, alegando recolhimento indevido à Previdência Social, o recorrente solicitou a restituição das contribuições, abrangendo o período de abril a outubro de 2004, conforme cópias às fls. 10 a 14. No referido período, alega que o recolhimento foi indevido em função de incidir sobre a remuneração de detentor de mandato eletivo. Foi juntado Parecer da Procuradoria às fls. 71 a 72. O requerimento foi indeferido, sob o fundamento (lis 73) de que o exercente de mandato eletivo é segurado obrigatório. inconformado, o recorrente interpôs recurso, fls. 01 a 04. É o relatório. Voto Conselheiro MARCO ANDRÉ RAMOS VIEIRA, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme lis, 75 e 01. Pressuposto superado, passo pata o exame das questões preliminares ao mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Analisando os autos verifiquei uma irregularidade. A Receita Previdenciaria antes da emissão da decisão de primeira instância, formulou consulta à Procuradoria Federal, fl. 70, Como resultado dessa consulta, a Procuradoria emitiu parecer às lis. 71 a 72, pugnando pelo indeferimento do pleito. Não há provas de que o recorrente foi cientificado da juntada das lis, 71 a 72, sendo emitida a Decisão-Notificação sem a possibilidade do contraditório em relação ao resultado da consulta formulada A impossibilidade de conhecimento dos fatos elencados pela Procuradoria ocasionou a supressão de instância. O recorrente possui o direito de apresentar suas contra-razões aos fatos apontados pela fiscalização ou aos documentos .juntados ainda na primeira instância administrativa.. Da forma como foi realizado, o direito do contribuinte ao contraditório foi conferido somente em grau de recurso De acordo com o previsto no art. 32 da Portaria MPS n ° 520/2004, que regia o contencioso administrativo na época, as decisões proferidas com preterição do direito de defesa são nulas. No mesmo sentido é o disposto no art 59, inciso II do Decreto n " 70,235 de 1972. Assim, deve ser anulada a Decisão-Notificação, reabrindo-se o prazo para manifestação, conferindo ciência ao recorrente do resultado da consulta às fls. 71 e 72. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por ANULAR a DECISÃO de indeferimento. É como voto Sala das Sessões, em 06 de julho de 2010.
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001861/2008-28
Data da sessão: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2003 a 31/08/2007
DECADÊNCIA. ACOLHIMENTO
De acordo com a Súmula CARF 99 acima, o pagamento antecipado a que se refere o art. 150, §4º está caracterizado por força do recolhimento de contribuição previdenciária realizada no período autuado, ainda que tais pagamentos não se refiram as rubricas autuadas.
VALE TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA
A discussão acerca de eventual natureza salarial do vale transporte pago em dinheiro encontra-se definitivamente solucionada por ocasião da publicação da Súmula 89 deste Conselho, a qual dispõe: A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de vale-transporte, mesmo que em pecúnia.
Numero da decisão: 2401-004.751
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, reconhecer a decadência até a competência 12/03, e, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2003 a 31/08/2007 DECADÊNCIA. ACOLHIMENTO De acordo com a Súmula CARF 99 acima, o pagamento antecipado a que se refere o art. 150, §4º está caracterizado por força do recolhimento de contribuição previdenciária realizada no período autuado, ainda que tais pagamentos não se refiram as rubricas autuadas. VALE TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA A discussão acerca de eventual natureza salarial do vale transporte pago em dinheiro encontra-se definitivamente solucionada por ocasião da publicação da Súmula 89 deste Conselho, a qual dispõe: A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de vale-transporte, mesmo que em pecúnia.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, reconhecer a decadência até a competência 12/03, e, no mérito, dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2003 a 31/08/2007 DECADÊNCIA. ACOLHIMENTO De acordo com a Súmula CARF 99 acima, o pagamento antecipado a que se refere o art. 150, §4º está caracterizado por força do recolhimento de contribuição previdenciária realizada no período autuado, ainda que tais pagamentos não se refiram as rubricas autuadas. VALE TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA A discussão acerca de eventual natureza salarial do vale transporte pago em dinheiro encontrase definitivamente solucionada por ocasião da publicação da Súmula 89 deste Conselho, a qual dispõe: A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 18 61 /2 00 8- 28 Fl. 465DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, reconhecer a decadência até a competência 12/03, e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 466DF CARF MF Processo nº 16327.001861/200828 Acórdão n.º 2401004.751 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interpostos em face da decisão da 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SP1), que julgou, por unanimidade de votos, considerar, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o julgado, a IMPUGNAÇÃO IMPROCEDENTE, MANTENDO O CRÉDITO TRIBUTÁRIO, conforme ementa do Acórdão nº 1622.767 (fls. 246/263): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2003 a 31/08/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados a seu serviço. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Com a declaração de inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n.º 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da Súmula Vinculante n.º 8, publicada no Diário Oficial da União em 20/06/2008, o lapso de tempo de que dispõe a Secretaria da Receita Federal do Brasil para constituir os créditos relativos às contribuições previdenciárias será regido pelo Código Tributário Nacional (Lei n.º 5.172/66). O lançamento das contribuições relativas às competências abrangidas pelo presente Auto de Infração foi realizado no prazo quinquenal previsto no CTN, não havendo que se falar em decadência. VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. São devidas as contribuições sociais incidentes sobre os valores pagos aos empregados a título de valetransporte em desacordo com a Lei n.º 7.418/85 e o Decreto n." 95.247/87. CON\/ENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. INCAPACIDADE DE ALTERAR OBRIGAÇÕES DEFINIDAS EM LEI. As Convenções Coletivas de Trabalho comprometem empregadores e empregados, não possuindo capacidade de alterar as normas legais que obrigam terceiros, ou de isentar o contribuinte de suas obrigações definidas por lei. JUROS. TAXA SELIC. Fl. 467DF CARF MF 4 Sobre as contribuições sociais pagas com atraso incidem juros equivalentes a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE. A declaração de inconstitucionalidade de lei ou atos normativos federais, bem como de ilegalidade destes últimos, é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O Presente processo é composto pelos Auto de Infração (AI) DEBCAD nº 37.014.4651 (fls. 02/46), referente ao período de 01/09/2003 a 31/08/2007, consolidado em 15/12/2008, referente a contribuições destinadas à Seguridade Social, previstas no art. 22, incisos I e II, § 1º da Lei 8.212/91, correspondentes à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidente sobre valores pagos aos empregados a título de vale transporte, não declarados em GFIP e não recolhidos, no montante de R$ 2.625.690,26, incluídos juros de mora e multa de ofício (Levantamento VTF – VALE TRANSPORTE FOLHA). O Relatório Fiscal do Auto de Infração (fls. 41/44), em síntese, informa que: · Em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal – MPF n° 08.1.66.00200800730, foi instaurado o procedimento de fiscalização, do período de 09/2003 a 08/2007 · Durante a fiscalização, verificouse que a rubrica Vale Transporte, presente na folha de pagamento, foi paga e/ou creditada aos empregados na forma de pecúnia, razão pela qual passa a integrar o salário de contribuição, base de cálculo da contribuição previdenciária, por não estar em conformidade com a legislação, conforme disposto no art. 28, § 9º, alínea f, da Lei 8.212/91, nos art. 2º e art. 4º da Lei 7.418/85, e no art. 5º do Decreto 95.247/87; · Toda a base de cálculo objeto deste levantamento não está declarada em GFIP, motivo pelo qual foi lavrado o AI; · Não foi elaborada Representação Fiscal para Fins Penais já que os dados estavam presentes nas folhas de pagamento e em sua contabilidade, o que, em tese, não configura crime de sonegação de contribuição previdenciária; · As alíquotas aplicadas sobre os salários de contribuição, nas respectivas competências, estão discriminadas no relatório DAD Discriminativo Analítico de Débito, que integra este AI; · O crédito lançado encontrase embasado na legislação constante do relatório FL.D Fundamentos Legais do Débito, que integra este AI. Fl. 468DF CARF MF Processo nº 16327.001861/200828 Acórdão n.º 2401004.751 S2C4T1 Fl. 4 5 · No levantamento VTF Vale Transporte Folha, foram lançados os valores da rubrica Vale Transporte que deveriam integrar os salários de contribuição dos segurados empregados. Consta à fl. 48 que, em 26/12/2008, foram apensados ao presente processo os Processos nº 16327.001862/200872 e 16.327.001863/200817, sendo, em 14/10/2009, desapensado o Processo nº 16.327.001863/200817 (fl. 264). O sujeito passivo foi pessoalmente cientificado do AI em 17/12/2008 (fl. 02), tendo apresentado tempestivamente, em 15/01/2009, sua Impugnação (fls. 49/77 e anexos às fls. 78/242), onde requer a reunião dos processos relativos aos DEBCADs nºs. 37.014.4651, 37.014.4660 e 37.014.4678, e alega: · Decadência do direito de constituir as contribuições relativas a fatos geradores ocorridos há mais de 5 anos; · A regularidade dos pagamentos de Vales Transporte em dinheiro conforme estipulado em Convenção Coletiva; · Incompetência do agente fiscal para invalidar estipulações de Convenções Coletivas; · A não incidência de contribuições sociais sobre os valores pagos de Vales Transporte porque não possuem natureza remuneratória e não integrarem o salário de contribuição; · A ilegalidade da aplicação da taxa Selic para atualização do crédito constituído pelo AI. Encaminhado o processo para apreciação e julgamento pela 11ª Turma da DRJ/SP1, foi julgado IMPROCEDENTE mantendo o crédito constituído pelo AI. Intimada do Acordão nº 1622.767 em 23/10/2009 (AR fl. 267), apresentou tempestivamente, em 19/11/2009, seu Recurso Voluntário (fls. 268/293 e anexos às fls. 294/421) onde alega: · A decadência do direito de constituir as contribuições de períodos anteriores a dezembro do ano de 2003, nos termos do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional; · A regularidade dos pagamentos de Vales Transporte em dinheiro conforme estipulado em Convenção Coletiva; · Incompetência do agente fiscal para invalidar estipulações de Convenções Coletivas; · A não incidência de contribuições sociais sobre os valores pagos de Vales Transporte porque não possuem natureza remuneratória e não integrarem o salário de contribuição. Fl. 469DF CARF MF 6 Por fim, requer que o seja determinado a reforma integral da decisão proferida pela 11ª Turma da DRJ/SP1, julgando procedente o Recurso Voluntário, cancelando o AI. Em 29/12/2011 o Recorrente, como forma de trazer mais subsídios para a decisão a ser dada pelo CARF, traz à colação julgados recentes, por meio dos quais se decidiu que o Vale Transporte pago em dinheiro não integra o salário de contribuição (fls. 425/459). É o relatório. Fl. 470DF CARF MF Processo nº 16327.001861/200828 Acórdão n.º 2401004.751 S2C4T1 Fl. 5 7 Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar de decadência Preliminarmente, a Recorrente alega que parte do crédito tributário encontra se atingido pela decadência, nos termos do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. A DRJ entendeu que não há antecipação de pagamento tendo em vista que a empresa não efetuou o recolhimento sobre as contribuições incidentes sobre o fato gerador vale transporte em pecúnia, atraindo a incidência do art. 173, I do CTN. Como se vê do Termo de Verificação Fiscal – TVF, a presente autuação abarcou o período de setembro de 2003 a agosto de 2007 (fl. 41). O lançamento se perfectibilizou em 17 de dezembro de 2008, quando da ciência do contribuinte (fl. 2). Com efeito, para fins de aplicação da regra decadencial, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, quando do julgamento do REsp 973.733/SC, submetido ao rito do art. 543C do CPC, firmou entendimento no sentido de que, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que não ocorra o pagamento antecipado, ou comprovada a existência de fraude ou simulação, deve ser aplicado o prazo estabelecido no art. 173, I do CTN; aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, quando o sujeito passivo antecipa, ainda que parcialmente, parte do pagamento do tributo devido, senão vejamos a ementa a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia Fl. 471DF CARF MF 8 ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) Fl. 472DF CARF MF Processo nº 16327.001861/200828 Acórdão n.º 2401004.751 S2C4T1 Fl. 6 9 Por outro lado, no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, foi editada a Súmula 99, que estabelece o seguinte: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Feitas essas considerações, passase ao exame da norma aplicável para a contagem do prazo decadencial no caso concreto. De acordo com a Súmula 99 acima mencionada, o pagamento antecipado a que se refere o art. 150, §4º está caracterizado por força do recolhimento de contribuição previdenciária realizada no período autuado, ainda que tais pagamentos não se refiram as rubricas autuadas. Segundo se verifica no TVF, apenas a rubrica vale transporte presente na folha de pagamento, deixou de ser incluída na base de cálculo da contribuição previdenciária da empresa, ocorrendo, por conseguinte, pagamentos parciais de valores de contribuições devidas no período levantado, embora de outra natureza. Em consonância com o entendimento do STJ consignado no recurso especial nº 973.733, as circunstâncias acima descritas levam à conclusão de que a contagem do prazo decadencial deve se dar na forma do art. 150, §4º, do CTN, observandose o prazo de cinco anos contados a partir da ocorrência do fato gerador. Portanto, tendo ocorrido a ciência do auto de infração em 17 de dezembro de 2008, encontramse fulminados pela decadência os créditos tributários das competências até dezembro de 2003. Assim, acato a preliminar de decadência suscitada pela parte Recorrente. Mérito Conforme se verifica do Relatório, a autoridade fiscal procedeu ao lançamento do Auto de Infração à epígrafe com vista à constituição de crédito referente a parte empresa e destinados ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), em virtude da rubrica vale transporte, presente na folha de pagamento, ter sido paga e/ou creditada aos empregados na forma de pecúnia, não ter integrado o salário de contribuição, base de cálculo da contribuição previdenciária. A DRJ entendeu que o auxílio transporte pago em pecúnia deve integrar o salário de contribuição para efeito de incidência da contribuição social previdenciária. Fl. 473DF CARF MF 10 Em seu Recurso voluntário o contribuinte pleiteia a não incidência das contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de vale transporte, na medida em que não possuem natureza remuneratória e não integram o salário de contribuição. Tratase de matéria com trânsito em julgado no Supremo Tribunal Federal em 24/02/2012, que, em sua composição plenária firmou entendimento no sentido de que não incide da contribuição previdenciária sobre as verbas referentes a auxíliotransporte, mesmo que pagas em pecúnia, tendo em vista a sua natureza indenizatória. Trago à colação trechos dos Votos prolatados no RE 478.410/SP: Ministro Luiz Fux: Em outras palavras, o que consta do acórdão embargado é a afirmação de que o só pagamento em dinheiro do valetransporte não modifica a natureza do benefício, de modo que não se mostra válida, apenas por conta disso, a pretensão de incidir a contribuição previdenciária prevista no art. 195, I, da CF, que, reiterese, pressupõe rendimento do trabalho (CF, art. 195, I), o que é repetido, em termos relativamente distintos, pelo teor do § 4º do art. 201 da CF [...] Daí se compreende a menção, nos votos dos Mins. Cezar Peluso e Eros Grau, à infringência ao princípio da legalidade tributária. Ministro Eros Grau: Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. Pois é certo que, a admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. Ministro Cezar Peluso: Estou de absoluto acordo não apenas com a fundamentação teórica do Ministro Relator, mas também com a conclusão de que o fato de a lei prever determinado instrumento para cumprimento da obrigação de pagar não altera essa obrigação e não descaracteriza a natureza do instituto. Ele continua sendo valetransporte, seja pago mediante pedacinho de papel escrito "valetransporte", ou seja paga em dinheiro. [...] O descumprimento da norma legal pode conduzir, em defesa, vamos dizer assim, da verdade salarial, da verdade do pagamento, a outro tipo de sanção, não, porém, a uma que equivaleria a cobrar tributos sem lei que o preveja. Ministro Ayres Brito: E cobrar tributos sobre uma verba que não é salarial. Tem caráter indenizatório, tanto que não integra os benefícios do trabalhador quando da aposentadoria nem a pensão dos seus dependentes. Ministra Cármen Lúcia: [...] independentemente da forma de pagou do meio pelo qual se dá esse pagamento, pareceme que isso não muda realmente a natureza, que é uma natureza de ressarcimento. Ministro Ricargo Lewandowski: Entendo que, tal como fez o Ministro Eros Grau e outros que o acompanharam, o vale transporte, ainda que pago em dinheiro, tem natureza indenizatória, não remuneratória aliás, o Ministro Ayres Britto Fl. 474DF CARF MF Processo nº 16327.001861/200828 Acórdão n.º 2401004.751 S2C4T1 Fl. 7 11 já referiu esse tema; portanto, ele não integra o salário para efeito do cálculo da contribuição previdenciária, ainda que pago habitualmente. Destarte, a discussão acerca de eventual natureza salarial do vale transporte pago em dinheiro encontrase definitivamente solucionada por ocasião da publicação da Súmula 89 deste Conselho, a qual dispõe: Súmula CARF nº 89: A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. Assim, entendo que assiste razão a recorrente, razão porque devem ser cancelados os lançamentos efetuados a esse título. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário, para, acolher a preliminar de decadência das competências até dezembro de 2003, e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, exonerando o crédito tributário. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 475DF CARF MF
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Numero do processo: 13116.001377/2004-62
Data da sessão: Mon Aug 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 31/10/1999 a 31/08/2004
Agravo intempestivo. Conhecimento do Recurso Especial. Impossibilidade.
Demonstrada a intempestividade do agravo, não há possibilidade de se proceder ao reexame do despacho de admissibilidade agravado, permanecendo este inalterado, nos termos em que proferido pelo presidente da Câmara recorrida. A inadmissibilidade do recurso, declarada pelo Presidente do Colegiado a quo, e tornada definitiva pela interposição intempestiva do agravo de reexame, retira a devolutividade do recurso e veda o órgão julgador ad quem dele tomar conhecimento.
Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-001.030
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de requisito de admissibilidade. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama (Relatora), Rodrigo Cardozo Miranda e Maria Teresa Martínez López. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Nanci Gama
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/10/1999 a 31/08/2004 Agravo intempestivo. Conhecimento do Recurso Especial. Impossibilidade. Demonstrada a intempestividade do agravo, não há possibilidade de se proceder ao reexame do despacho de admissibilidade agravado, permanecendo este inalterado, nos termos em que proferido pelo presidente da Câmara recorrida. A inadmissibilidade do recurso, declarada pelo Presidente do Colegiado a quo, e tornada definitiva pela interposição intempestiva do agravo de reexame, retira a devolutividade do recurso e veda o órgão julgador ad quem dele tomar conhecimento. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de requisito de admissibilidade. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama (Relatora), Rodrigo Cardozo Miranda e Maria Teresa Martínez López. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Nanci Gama Relatora Henrique Pinheiro Torres Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 00 13 77 /2 00 4- 62 Fl. 593DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo contribuinte com fulcro no artigo 32, II, do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n.º 55/1998, em face ao acórdão de n.º 20178.557, proferido pela Primeira Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, que, por unanimidade de votos, negou provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte, conforme ementa a seguir: “COFINS. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. PRAZO. O prazo para a Fazenda exercer o direito de fiscalizar e constituir, pelo lançamento, a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins é fixado no artigo 45 da Lei n.º 8.212/91, à qual não compete ao julgador administrativo negar vigência. MULTA QUALIFICADA. Estando presentes os elementos que demonstram o evidente intuito de fraude no comportamento do contribuinte, há que se aplicar a multa qualificada prevista no inciso II do artigo 44 da Lei n.º 9.430/96. Recurso negado.” Inconformado com a decisão de aludido acórdão, o contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência, sustentando argumentações tanto em oposição ao entendimento referente à decadência, quanto ao entendimento acerca da incidência da multa agravada prevista no artigo 44, inciso II, da Lei n.º 9.430/96. No que se refere à decadência, o Recorrente sustentou, com base em acórdãos divergentes, apontados como paradigmas, que o prazo para a autoridade fiscal efetuar o lançamento de tributos sujeitos a lançamento por homologação seria dado em conformidade com o estipulado no § 4º do artigo 150 do CTN, ou seja, em 5 (cinco) anos, a serem contados da data da ocorrência do fato gerador e não em conformidade ao disposto no artigo 45 da Lei 8.212/91. Já no que se refere à multa, a Recorrente baseou seus argumentos em acórdãos, também utilizados como paradigmas, os quais entenderam que, para que seja aplicada a multa agravada de 150%, prevista no inciso II do artigo 44 da Lei n.º 9.430/96, seria necessário que tivesse ocorrido um dos casos previstos nos artigos 71 a 73 da Lei n.º 4.502/64, o que não teria ocorrido in casu. Em 30/12/2005, o contribuinte foi intimado do despacho exarado pela Sra. Presidente da Primeira Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, às fls. 543/545, a qual inadmitiu o Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, por ter entendido que a divergência não teria sido configurada nem no que se refere à decadência referente à COFINS, nem no que se refere à multa qualificada de 150%, posto que, em ambos os temas, entendeu a Fl. 594DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13116.001377/200462 Acórdão n.º 9303001.030 CSRFT3 Fl. 585 3 Sra. Presidente que não haveria similitude fática entre o acórdão recorrido e os utilizados como paradigmas. Em 09/01/2006, o contribuinte apresentou Agravo de Instrumento, para esclarecer que, no que se refere à decadência, tanto o acórdão recorrido, ao tratar da COFINS, como o acórdão utilizado como paradigma, ao tratar do IRPJ/IRF, fazem referência a tributos sujeitos a lançamentos por homologação, restandose comprovada a divergência entre os acórdãos recorrido e paradigma. Defendeu, ainda, que a divergência também teria sido demonstrada no que se refere à multa qualificada prevista no artigo 44, II da Lei nº 9.430/96, eis que, para que a mesma fosse aplicada, seria necessário restar configurado o intuito de fraude, o que não teria ocorrido nos presentes autos, eis que, segundo apontado pelo acórdão tido como paradigma, o intuito de fraude seria um conceito que “não se presume”, sendo, dessa forma, “inaplicável a exigência fundada em simples insuficiência de prova, mormente quando ausente cabal demonstração de conduta material suficiente para sua caracterização”. Em despacho de fls. 564, o Sr. Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovou o despacho de fls. 563/564, o qual reexaminou a admissibilidade do Recurso Especial, em conformidade aos esclarecimentos fornecidos pelo contribuinte em sede de Agravo, para dar seguimento parcial ao Recurso Especial no que se refere à decadência e negar no que se refere a multa, por entender não ter sido configurada a divergência. A Fazenda Nacional apresentou contrarazões alegando, primeiramente, que o Agravo apresentado pelo contribuinte foi intempestivo, posto que o termo final do prazo para a sua apresentação seria em 06/01/2005 e não em 09/01/2005, data em que foi apresentado. Além disso, a Fazenda Nacional apresentou as suas defesas de mérito, repisando o entendimento exarado no acórdão recorrido e requerendo a sua manutenção. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Nanci Gama, Relatora Primeiramente cabe a esta Relatora observar se os requisitos de admissibilidade do Recurso Especial foram devidamente preenchidos em conformidade ao disposto no Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais vigente à época, o qual se tratava daquele aprovado pela Portaria MF n.º 55/98, com as alterações dadas pela Portaria MF n.º 13/05. Conforme já mencionado no relatório, o Recurso Especial do contribuinte não foi admitido, conforme se verifica do despacho de fls. 543/545, do qual o contribuinte foi intimado em 30/12/05 e, somente apresentou Agravo em 09/01/06. Como se sabe, o prazo para apresentação de Agravo, para reexame de admissibilidade do Recurso Especial, é de 5 (cinco) dias, a serem contados da ciência do despacho que lhe negou seguimento, conforme determinado pelo parágrafo 1º do artigo 9º do Fl. 595DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais vigente à época1, restando, dessa forma, intempestivo o Agravo do contribuinte apresentado em 09/01/06, quando o prazo teria sido findado no dia 06/01/06. Ocorre que, o Sr. Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovou o despacho de fls. 563/564, o qual reexaminou a admissibilidade do Recurso Especial do contribuinte, considerando os esclarecimentos formalizados pelo mesmo em sede de Agravo, dandolhe seguimento no que se refere à discussão sobre a decadência do direito de lançar créditos da COFINS e negando no que se refere à multa agravada. Referido despacho restou imutável, nos termos dos §§ 6º e 7º do art. 17 do antigo regimento interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, vigente à época em que foi proferido o despacho, eis que a Fazenda Nacional não opôs manifestação, como poderia fazêlo mediante Embargos de Declaração, apontando omissão do Sr. Presidente a época quanto à intempestividade do Agravo apresentado pelo contribuinte, Logo, a meu ver, a parte do Recurso Especial do contribuinte referente à decadência deve ser apreciada por este colegiado. Mesmo que fosse possível admitir que o agravo não poderia ser conhecido em razão de sua intempestividade, o que se admite somente para argumentar, considerando que a matéria em julgamento versa sobre questão solucionada pela Súmula Vinculante n.º 8, a qual declara inconstitucional, dentre outros dispositivos, o artigo 45 da Lei n.º 8.212/91, inafastável é sua aplicação, nos termos do artigo 64B, introduzido pela Lei n.º 11.417/06 à Lei n.º 9.784/99, o qual reveste a súmula de garantia do seu efeito vinculante e imediato, tão logo seja publicado o teor de seu enunciado na imprensa oficial, sob pena de responsabilização pessoal, verbis: “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal.” (Grifouse) Assim, tendo o acórdão recorrido defendido que o prazo de decadência do direito da fiscalização realizar o lançamento da COFINS seria dado em conformidade ao disposto no artigo 45 da Lei n.º 8.212/91, e que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pela súmula vinculante nº 8, cabe conhecer do Recurso Especial do contribuinte para que seja aplicada a Súmula Vinculante n° 8. Dessa forma, considerando que a COFINS se trata de tributo sujeito a lançamento por homologação, entendo que, para reger a decadência de aludido tributo, deve ser aplicado o disposto no artigo 150, § 4º, do CTN 2, o qual determina que o prazo para que a 1“Artigo 9º Cabe agravo do despacho que negar seguimento ao recurso especial. § 1º O reexame de admissibilidade de recurso especial será requerido em petição dirigida ao Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no prazo de cinco dias contado da ciência do despacho que lhe negou seguimento.” 2 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) Fl. 596DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13116.001377/200462 Acórdão n.º 9303001.030 CSRFT3 Fl. 586 5 Fazenda Pública realize lançamentos referentes a tributos sujeitos a lançamento por homologação, decai em 5 (cinco) anos, a serem contados do fato gerador. Face ao exposto, conheço a parte do Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte no que se refere à decadência, para, no mérito, darlhe provimento parcial para reconhecer decaído o direito da fiscalização em lançar créditos de COFINS. Nanci Gama § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Voto Vencedor Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Redator Designado O recurso apresentado pelo sujeito passivo não foi admitido pela então Presidenta da Câmara recorrida, por não ter sido comprovado o dissídio jurisprudencial, conforme consignado no Despacho nº 201430, às fls. 543 a 545. A ciência desse despacho foi dada à recorrente em 30 de dezembro de 2005, como atesta o AR juntado à fl. 547. Em 9 de janeiro de 2006, a recorrente agravou do despacho que negara seguimento a seu recurso especial. O Agravo foi admitido para reformar o despacho que negara seguimento ao recurso especial do sujeito passivo, de modo a admitir, em parte, esse apelo. No que pese o juízo a quo de admissibilidade haverse posicionado pelo conhecimento do agravo, ouso aqui divergir, pois, da análise dos autos, verificase ser o pedido de reexame intempestivo, já que interposto após o decurso do prazo regimental, de 5 dias, para sua interposição, contado a partir da ciência do despacho que negara seguimento ao recurso. O documento denominado Aviso de Recebimento AR, juntado à fl. 547 dá conta que a ciência do mencionado despacho foi entregue à reclamante em 30 de dezembro de 2.005, sextafeira. O prazo para apresentação do pedido de reexame começa a fluir no primeiro dia útil seguinte, 2 de janeiro de 2006, segundafeira, completandose o interstício em 6 de janeiro de 2.006, sextafeira. Todavia, o agravo de reexame foi protocolado na Delegacia da Receita Federal em AnápolisGO, conforme atesta a autenticação mecânica aposta à fl. 552, em 9 de janeiro de 2006, segundafeira, portanto, após exaurido o prazo regimental. Fl. 597DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Demonstrada a intempestividade do agravo, não há possibilidade de se proceder ao reexame do despacho de admissibilidade agravado, permanecendo este inalterado, nos termos em que proferido pelo presidente da Câmara recorrida. A inadmissibilidade do recurso, declarada pelo Presidente do Colegiado a quo, e tornada definitiva pela interposição intempestiva do agravo de reexame, retira a devolutividade do recurso e veda o órgão julgador ad quem dele tomar conhecimento. Com essas considerações, voto no sentido de não conhecer do recurso especial apresentado pelo sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Fl. 598DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 13971.720491/2011-34
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1102-000.196
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, encaminhar o processo administrativo ao relator do processo, relativo ao IRPJ, de nº 13971.720490/2011-90, ainda pendente de julgamento na Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção, em face da conexão entre os feitos.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: Não se aplica
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Omissão de receitas. Recorrente HENNINGS VEDAÇÕES HIDRÁULICAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, encaminhar o processo administrativo ao relator do processo, relativo ao IRPJ, de nº 13971.720490/201190, ainda pendente de julgamento na Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção, em face da conexão entre os feitos. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .7 20 49 1/ 20 11 -3 4 Fl. 11276DF CARF MF Processo nº 13971.720491/201134 Resolução nº 1102000.196 S1C1T2 Fl. 11.277 2 O presente processo trata de auto de infração de IPI relacionado aos mesmos fatos e elementos de prova que originaram outros lançamentos de IRPJ e reflexos. A 3ª Seção do CARF declinou sua competência para o julgamento do feito amparada no seguinte relato: Tratase de recurso voluntário contra acórdão da DRJ que manteve auto de infração relativo ao IPI, decorrente de omissão de receitas caracterizada, segundo a fiscalização, “pela distribuição de parte do faturamento entre duas pessoas jurídicas distintas que, na verdade, formam uma única empresa” (fl. 4244). Conforme o Termo de Verificação Fiscal anexo ao auto de infração, a exigência do IPI foi formalizada em processo distinto pela necessidade de tramitação em separado. “Embora se refira aos mesmos fatos e elementos de prova, que originaram lançamento de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS” (fl. 4270). Em seu recurso voluntário, a empresa autuada informa que o acórdão recorrido “limitouse a reproduzir ipsis litteris a decisão proferida no PAF nº 13971.720490/201190, que exige outros tributos (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS)”. Tal processo encontrase aguardando relato para julgamento na 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara desta 1ª Seção de Julgamento, sob a responsabilidade do Conselheiro Carlos Alberto Donassolo. É a síntese do necessário. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio Considerando sua pertinência para a análise do caso, transcrevo o conteúdo do que dispõem os artigos 2º, inciso IV, e 49, § 7º, do Anexo II do RICARF: Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (...) IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em Fl. 11277DF CARF MF Processo nº 13971.720491/201134 Resolução nº 1102000.196 S1C1T2 Fl. 11.278 3 fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; (grifo nosso) Art. 49 (...) § 7° Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc..(grifo nosso) Como se vê, o artigo 2º, IV, declara que o julgamento dos processos que contém procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, apesar de versarem sobre a aplicação de tributos distintos do IRPJ e da CSLL, cabe a esta 1ª Seção porque suas exigências estão “lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ”. Além disso, o artigo 49, § 7º, dispõe que os processos conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio. Portanto, proponho a redistribuição do presente processo ao relator do processo nº 13971.720490/201190, o Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, integrante da 2a Turma Ordinária da 2a Câmara desta 1a Seção de Julgamento. É como voto. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 11278DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.001463/00-28
Data da sessão: Thu Jul 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Data do fato gerador: 24/11/1997
RESTITUIÇÃO. EFEITOS DE DECISÃO QUE TORNA INSUBSISTENTE DECISÃO EM PROCESSO DE CONSULTA DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL
O pedido de restituição deve ser analisado considerando-se o direito do contribuinte na data do protocolo do mesmo, sendo indiferente para o resultado do julgamento decisão posterior a esta data, que tornou insubsistente a decisão proferida anteriormente em processo de consulta a qual embasou o pedido, pois a mesma não pôde retroagir para prejudicar o contribuinte.
Embargos Conhecidos e Rejeitados.
Numero da decisão: 3201-000.500
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e rejeitar os embargos de declaração.
Nome do relator: Marcelo Ribeiro Nogueira
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Recorrida DRJ-FORTALEZA/CE ASKUNTO: NORNIAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUI ARIA Data do fato gerador: 24/11/1997 RESTITUIÇÃO. EFEITOS DE DECISÃO QUE. TORNA INSUBSISTENTE DECISÃO FM PROCESSO DF, CONSULTA DE CLASSIFICAÇÃo FISCAL. 0 pedido de restituição deve ser analisado considerando-se o direito do contribuinte na data do protocolo do mesmo, sendo indiferente para o resultado do julgamento decisdo posterior a esta data, que tornou insubsistente a decisilo proferida anteriormente em processo de consulta a qual embat•iiou o pedido, pois a mesma não pôde retroagir para prejudicar o contribuinte. Embargos Conhecidos e Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.. Acordam os membros do Colegiadb, por unanimidade de votos, conhecer e rejeitar os embargos de declaracao. klk-SlAiLVA,(7) arcelo Ribeiro Nogueira - Relato..J Editado Em : 03 de Janeiro de 2011 Processo 1.0314 001463/00 -2S S3-C211 Ac6t<tio ii ' 3201 -00„500 H 215 Partieiparam do presente julgamento os Conselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando, Mércia 1.1elena Trajano D'Amoran, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Ricardo Paulo Rosa c Tanana Midori Migiyama (Suplente). Relatório Adoto O relatório da decisao de primeira instfincia por entendei que o mesmo resume -bem. os fatos dos autos ate aquele momento processual: 1..)o pedido de reslitui(ao e poster i:of compenAa(ão (Fla o present(' processo do manifestação de inconfinmidade contra d.(.'("isão que indefer in pedido de restituição do Imposto de Importação, acompanhado de pedido de compensação, no valor dc R$ 24 241,02 (vinte e quatro mil duzentos e quarenta e um reais e dois centavos), conforme documentos às fl.s. 02/07, inerente ó Declaração de Importação n" 97/1098125-0 ('fls, 18/21), registrada em 24/11/19.97. Consta dos autos que, através de uma outra .sob n" 069865, registrada em 20/06/1995, a requerente procedeu importação da mer-cadoria ".1141/1S0tV A iC WI-HTE" (N,N,N,N tetraacctiletilenodiamina estabilizado corn carboximetil-celusose sádica), classificando-a no código NC/I4 2922 30 90 (al/quota do 1.1 ---- 2%). Naquela ocasião. C0111 base nos exames procedidos pelo Laboratório Nacional de Análises TAL/ANA (Ils 33/34), a Equip(' de Classificação e Valor ação Aduaneira discordou do código ado/ado pela requerente e entendeu que o correto sena o cádigo NOW 3823 90 90 (al/quota II 14%) peso forma, em 29/05/1.996, a referida equipe dcii ciénela ao imporiador do Demonstrativo de Cálculo dc Lançamento Complemental' (fls 32), onde o mesmo foi intimado a apresentar Declaração Complementar de Importação (DC/i, a lim de recolher os tributos e acréscimos- leais decor; ewes da reclassificação fiscal Em vem requerimento (lis. 02/07), a peticionaria infirrma que a partir desta autuação passou a adotar o código apontado pela /is'eafr'açcb u e conseqiiententente, o inwasto de importação passou a ser calculado e recolhido com base na al/quota de 14%. 7'odavia, p01 meio do processo administrativo n" 10880 014252/98-80, a requerente efetuou consulta fiscal com o intuito de esclarecer a classificação do produto Como resposta, e conforme fundamentação contida na Decisão DIANA/SR1?P/8" RP n" .319, de 29/06/1998 (f/s 22/26), concluiu-se quo o código a ser adotado é 2922 30 90, ou seja, o código adotado pela Pro(xsso n" 103 I .1 001463/00-2S S3-C2 I I Acido n " 3201 -00.500 II 216 contribuinte 011/01101 men le ao evento do Demonstrafivo de Ceilculo de 1,einça11'1ento Complementar acima mcneionado. Diorite disso, ettrat•és do presente processo e con? fundamento na IN S'R/ 1 n" 21/97, a 1 000110100 solicita iestituição acompanhada dc pedido compensado de parte do pagamento do Impost() de Imporiação rehitivo à me; cadoiia objeto da Declaração dc Importação n" 97/1098125-0 (fis 18/21), regi suada cm 24/11/1997, o qual ehjemle lei sido pago a maim. Do indeferimento (hi pleito Ao apreciai o pleito del interessada, o „SEFIA/110,/81)., pOT meio do despacho às . f1s. 36/37, destacou que, "ao . fivinalLar o pedido de consulter, a intewssada elciyou de infirmar que jà havia sido intimada a crimp,* obrigação tribukiria re1ative-1 ao lato obreto da consulter .) razão pela qual, entendemas configurada hipóte.se de não atendimento ao art. 52, LI do Decreto 70.235/72 (PAE)"., paro, em .seguida, concluir que "a decisão DIANA/SRRE/8" RE não se aplica ao presente easo„ ulna ve.z. que, nos tem MOA do Decieto 70 23.5/72 (P.1 F), o Decreto 2.227/85 e IN SAP' 59/8.5, a nova classificação comente serf aplicada aos fatos ,e:CVOY10Fe.S °COTT idOS até a data da protoi-.yilizaçã0 da consulter. e aos fatos geradores ocorridas a partir da data em que a considente fOr notificada da decisdo que .1?1/SULTI2, - EM AGRAVAMENTO DA TRIBIITAC/TO". Ern decorréncia, foi oposto 0 encaminhamento do pi ocesso ao SESTIYIRE'/SP, para apreciação Em 18/12/2000, 00 api eclat a questão, o SESIT yolicitou a rvalização de consulta DISH/SRRE/8" RE, nos seguintes lermos (I1 38) "1 OHO/ a correta classificação tarifiiria a set para o produto de que trata a referida consult:a 2. A partly de que moment() a decisào de unia consulta ref erente classificação tarifiiria produz cfclios 3. Lima decisão dessa iiatureza ic/i oage para fins de refificação da classifieaçdo do mesino produto jó desemben °cad° cm situações anteriores a relCiida consulta ?" processo seguiu à S'AORPIRE/ST que, nas termos da Decisão n" 102/2003 (f/s . 48/49), indefitiu o pedido da interessada, não reconhecendo o direito à restituição do crédito iii butario pleiteado 1)enure outras considerações, ri/árida decisào apresenta como fundamentos para negativa da restituição o lato de que 0 em 29/01/2001, feii awl; ada a DEC/SI 0 DIANA/SRRE/8"RE n" 005, tornando insubsistente a DE,C1S140 DIANA/SRRF/8"R1' n" 319, de 29/06/1998, de acordo coin a manikstação do S'Ll'IA/GRED (Ils% 36/38), *Weida a ievisão da Di 97/1098125-0, de 24/11/97, sem resultado, não tendo sido autorizada a sua re/ficação, concluindo, ainda, pela inexistência de yellows a screw icstituidos 1)a inanifestaeilo de inconformidade Processo o 0314 001z16.3/0(1-2 S3-C211 Ae6r(Kio ri 3201-00.500 11 217 Cicritilicarla do despacho rlecisório em 22/12/2003, contra-me Aviso de Recebimento funtado as 52, a interessada apre.sentou sua Ilia/it/cst(lç(W de inconfininidade 0 . 53/63) em 13/01/2004, por fild0 repre.sentação (Jis, 64/67), oportunidade em que, apCis um breve rchao das fatos, discordou da decisão proferida, nos seguintes termos: 00 contrário do alegado na decisao impugnada, tem a requerente direito a restituição dos valores pagos a maim., &ante da incorreta classificação fiscal adotada pelo (1,14C171e (10 lis co, foi protocolizada peranie a própria ,S'ecietaria da Receita l'ederal consulla fiscal sob o n" 10880 014252/98-80, na qual eschnercir a classificaçao correta do podia°, que seria a 2922 30 90, incidindo aliquota de 2%, decisaes do Conselho de Conn ibuintes demonstram restar claro o direito de restituicao dos valores pagos a maim. , .seu direito cneontra fundamento em consulta fiscal respondida pela propria Reeeito Federal, que afirma a correta rlassilicação para o produ.to, cm que pcse pedida de compensaçao haver .sido indejerida, .sob O arlvimento de que a Decisao n" 005 de 05/04/2001 tor nou nula Decisão 319 de 29/0671998, esse fat() nao obsia o direito de restitulça0 da requerente, lima vez que a mesma estava recolhendo o valor da ai/quota a major desde 24/0511996 quando foi autuada e concomitantemente ao procedimento autuação, a requerente prolocolizou a consulta, quo fin solucionada em 29/06/19.98, permanecendo seu direito a restiluição em . face do lapso de tempo entre o.s dois procedimento .s, mesa/ta a questdo da segurança iuridica para defender que a recorrente nap pode set penaliza//a pot cumprir dispositivo exarado pela própria Receita Mleral, e, pondera ainda que, negar o pleito e o mesmo que agir dc modo contrário ao incipio da retroatividade mais benigna ao cararibuirae, transcreve trecho da ohm de Valdh de Oliveira Rocha (Comentário ao Codigo Ributária Nacional, vol 2, Ed. SarailV, p 56), que se refere ao art 5", XL, da Constituiçao Federal ("a lei penal na0 retroagirá, salvo para beneficial, rtfw"); alc'qn de texto da lavra de (..'elso Ribeiro Basios, onde destaca o principio expresso no art 2", copra, do Código Penal (Ningur'In pode ser punido por fato que lei posterior deixa de consider ar crime, cessando ern virtude dela a execução e os eleitos portais da sentença condemnor principio este que entende deva ser aplicado pot analogia ao ea so presente, tranvcrevendo ainda outras ementas de julgarlo do SfI e 1RF/2"R, e ainda, stischando o parágrajri Unico do artigo 100 do CiN,. destaca que na ocasiao do pagamento e posterior pedido de restituição, a norma que es/ova ern vigor Ora a da resposta 4 occss.0 n'' 1 03 14 00 1463/00-28 S3-C 2T J. Ac.61-(150 n." 3201-00.5110 1-1 210 consulta expedida pela Dee:iv-to n" 319 de 29/06/1998, niio cabendo a alega(do de que a Deals ao de n" 005, de 05/04/2001 retroage setts (/cites, send() certo que a nies iui OMCMie /ern Wilithide a f ficada a pat fir de .sua publica 00 datada de 19/03/2001, ou s eta, a tecoirente, em /ace do principio da temporalidadc, se elm:miliaria protegida soh a jgielc do efeito da consult() fiscal n" 319/98, no period() de 18/06/1998 a 19/03/2001, por fini, 'equal a 1 (Vitlik(70 do Imposto Imporra(ito pa.5_o a maior e a consequente r(fin ma da dce is-Jo J CIOH Manic da inanifesta(iio de inconfOrmidadc apresentada, e apOs O juntada da doenmenta(Jo pertinente, o pi ocesso encaminhado cm 17/03/2004 DR,1/SPO 11/SP, unidade originalmente competente para julgar a lide Por força da Portaria 956, de 08/04/2005, 0.0 U de 12/04/2005, que tratisfiTiu a competência de ridge-in-lento, o processo foi encaminhado a est.(' .1):10/Fot taleza Da conversão do julgamento em diligdncia Submetido a apreciacdo desta 2"1M-ina da DRJ/Foi ',aka& poi unanimidade dos votos de seus inte grantes-, esta resolvett pela COI1Vertiiio do .fulgrimento em dili gência, nos termos det ResoluçJo 1)1?1/1,-01? n" 525, de 19/12/2005 (11s 83/89) Em atendimento as providências .solicitadas por este órgJo julgado/, fOram juntados etos autos as doeumentos de fis. 92/141, tendo sido dado elenc.ia a intetessada do resultado do diligência, corifOrme fk 109/110, calminando COW S110 Mani fi.!81•0(ii0 112/118, acompanhado dos documentas de onto; ga de podei es ao signatário 128/130 Cabe aqui destaca; a eis/ neta de outros process(); (confol me numeraçào relacionada no cabeçalho do despacho às 11; 44/45 dos (1utos) onde a mattç.ria tratada e idêntica deste, e, como em atendimento a diligência solicitada, por ulna questíto de economia processual, tuna cópia do process() de consulta Mb 10880.0/4.252/98-80 foi juntada ao processo Mb 10314 001471/00-56 Quanto nova metniksta çào (ipresentada pela interessada, esta, em sintese, latifiCOU 0 teor de Sliel Mailikstaçao ressaltando, quanto aos motivos que .sliscitarain a anul(vio da DECIS/TO DIANA/SRRFXRF n" 319, de 29/06/1998, que o auto de infraçáo já se enumtrava extinto per pa,gantento Prisou que I) pagamento objeto do pleito foi comprovado no sistema SINAL, e ao final, solicitou a P•c:s.titui(iio conforme peti çào Lin 13/07/2007, o processo retornou a esta 1)1/1/FOR para prosseguimento do julgamento A deeisdo recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: Proccso 10314 001463/00_28 S3-C2TI Acúrcrio n " 3201-90..500 F1 20) Assunto • Normas dc Adminishação ibutária Data do fato gerador 24/11/1 997 MANIELSTACJO DE INCONFORMIDADE PEDIDO DE RESTITUIC/TO E COMPANSAC.,40 CIAS'SITA'A('/10 FISCAL Com/atado que o produto AilMON AK' WRITE (N,N,N,N - tenaacetiletilenodiamina estabilizado com owl oximetil-celtdose sódiexi) classifica-so no e.ádigo NCM $824 90 89, quo sua correspondente aliquot(' do imposto de importação é igual a do código NCM aplicado no despacho aduaneiro; « quo, via do con.soqiiéncia, o valor reeolhido do impost() de importação coincido oom 0 valor desic tributo bierente a da correta classificação fiscal do bem importado, não há o'édito tributário a .ser restimido ou compensado. As.sunto • .Proce.s.s0 .Administrativo Fiscal Data do fato gerador 24/11/1997 SOLt_1(2i0 DE CONSULTA A LTERA(J0 DE EN7ENDIMEN70 ANYFRIOR L1'E1105" altoração de entendimento expr0.5 W) em Solução dc Consulta alcançara apenas o.s [alas goxidores que ocorreram após a .sua publicação ou apos a ciéricia do coma/onto, oxecto w a nova of Mc for mais favorável, 00.50 cm quo esta também, o period() abrangido pela solução anteriormente dada. Constatado quo 0 fato gcrador ()Non) do pedido dc restituição ou compensação ()Correll anictiotmente à Solução do Con.sulta tornado insubsistente e _suporada iyir• uma nova orientacao, clue, /201 s'n 0 vo, não acarrota orn tratamento mais /1;va-6yd., ineabivel seril a aplicação do ptincipio da retroatividade mais benigna Solicita 0o in(1eler ida. O contribuinte, restando inconformado com a decisao de primeira instfincia, apresentou recurso voluntario no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de iinpugnaydo.. Os autos foram enviados ao antigo Terceiro Conselho de Contribuintes e fui designado coino relator do presente recurso voluntário, na forma regimental_ Telldo sido eriado o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, • pela Medida Provisória n" 449, de 03 de dezembro de 2008, e mantida a competência deste Consellieiro para atuar como relator no .julgainento deste processo, na forma da Portaria IV 41, dc 15 de fevereiro de 2009, requisitei a inclus50 em pauta para julgamento deste recurso.. É o Relatório. Procosso n' I 0314 001463/00-2 53-C2 11 Acorraio " 3201 -M0.500 1'1 220 Voto Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira, Relator.. 0 recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, portaato, dele tomo conheci in cato. Como bem resumiu a decisão recorrida, a cronologia relativa A correta classificação do produto cm questdo e ã resposta de consulta formulada pelo contribuinte seguinte: Antes de 29/05/19.96 - 4 interc.ssada adotava O (/d/go 2922..30.90 - .411quota rlo 11- 2%, L in 29/0.5/1996 - Auto de lnfraçao - Lançamento - código 3823 90 90, Em 09/09/1997 - 1)1 97/0812930-5 - e6digo 3824 90 90 - Aliquot() do - 14%, Lat 18/06/1998 - 1[w-1;1(11k:00o de Proccs.s-o de Con,sulta - process° a" 10880 0.14.252/98-80, Em 29/06/1998 - SolwiTio da Consulla - Dec/silo 1M4N/1/SkIll'78"Rlf a" 319, de 29/06/1998 C.I'onciu,sdo - código 2922.30,90, Em 05/04/2000 - Pedido de Rcstitut(iio/Collipeus .a.ifo - ruadamcatacdo - código 292.2.30.90,- Ern 29/01/200.1 - Deciscio DI4NA/SRRF/8"RE a" 005, de 29/01/2001 - Tr)rna insubsi.stente a Dec/silo DIANA/SRRF/8"RP n" 319, de 29/06/1998 - ConcIusao acerca da classificactio fiscal da metcadoria - cyjdigo 3824 90 89 - cuja al/quota do 11 era de 14% em 09/09/1997 (data do regisiro da .1).1 97/0812930-5), Dec/silo SA 01?1 a" 096/2003, de 24/11/2003 - unidade IN rya; adorn iiidcfei > o pedalo da intore55ada Como resultado da consulta formulada pela recorrente -ficou estabelecido que a correta classificação fiscal para o produto em questão é a posição 2922.3090, donde surgiu o direito A repetição dos valores pagos indevidamente a titulo de imposto de importação pela utilização de outra classificação fiscal que resultava em aliquota de incidência superior A correta. A revogação da decisão DIAN.A/SRRF/8"RI n" 005, de 29/01/2001, que 101[110 .11 insubsistente a Decisão D1ANA/SRRF/8"RF n" 319, dc 29/06/1998, cm nada afeta o direito do contribuinte de ser ressarcido dos valores pagos indevidamente. isto porque, esta decisão de insubsistência não pode retroagir para atingir 0 direito do contribuinte, que deve ser considerado na data do protocolo do respectivo pedido, e Proccsso a 10:314 (014(0/00-28 S3 -C2i I A ekn Xio n 32011-00.500 Fl 221 somente a demora na 5olue50 do processo de ressarcimento é que possibilitou a conflis)o relativa a resposta a. consulta.. Ou melhor, tivesse sido o pedido de ressarcimento decidido no mesmo dia do protocol°, nao existiria a deeisiio DIANA/SRRF/8"RF u." 005/2001, e é nesta posiedo temporal que deve set avaliado o direito da recorrente. Outro iIo é o entendimento que se extrai do art. 106 do CTN, verbis: Art. 106. A lei aplica-.se a aio ou falo preteVito.• 1 - cm qualquer ease), quando eja expressamente interpretativa, elecluida a aphcayio de! penalidade infra(ilo dos dispositivos interpretados, II - ii atando-se de ato rilio delinitivamente fulgado . a) quando dei-ve de doeini-lo coin() intr (Ica°, quando deixe de trvla-lo conio contrario a qualquer exigCncla de (Ica() 011/I GO. desde queflUo tenha sido fraudul('nto e nit() tenha implicado em 'alto de pagamento de c) quarrel° lhe comine penalidade menus severa (pie o prevista na lei vigente ao tempo da stta pr(niat. Este Colegiado ja teve oportunidade de examinar recurso praticamente idêntico ao presente, ao julgar o recurs° n 0 141 075, da relatoria do ilustre Conselheiro Lucian° 1,opes de Almeida Moraes, cuja ementa 6 a seguinte: Assunto. - Noimas de Adminisnaciio Tributaria Data do tilt° gerador 03/07/1997 PLIJIDO DE RESTIIII100 E COMPENSA(Ii0 CIASS11'1C,100 E1ET1OS DA CONSULT-1 DE (TASSIFICA00 1 , 1SC'4L. 0 novo criteVio juridic° para a clas,sUica(lio, adotado pela trehninistraçâo em altera0o do anterior, de inane/ia menos favoreivel ao contribuinte como/ente. .s6 é capaz dc produzir eitos ex hone, isto é. a pai/li da eiencier ao interessado ou da publicaoTio RECURS () VOLUNTÁRIO PROVIDO. Assim, VOTO por conhecer do recurso para dar-lhe integral provimento pant reconhecer o direito do contribuinte, ora recorrente, repelled° dos valores. Var i 12_ -ell/LA) IV) ca .celo Ribeiro Noguelra
score : 1.0
Numero do processo: 10410.004669/2003-53
Data da sessão: Mon Jan 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/03/2003
PIS E COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CALCULO.
1NCONSTITUCIONALIDADE.
0 Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei n° 9.718, de 1989.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-001.310
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos. em dar provimento ao recurso especial.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Judith do Amaral Marcondes Armando
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/03/2003 PIS E COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CALCULO. 1NCONSTITUCIONALIDADE. 0 Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 3 0 da Lei n° 9.718, de 1989. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos. em dar provimento ao recurso especial. r- Participardn1 do presente julgamento os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann, Judith do Amaral Marcondes Armando, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Nanci Gama, Maria Teresa Martinez López e Caio Marcos Cândido. Relatório Por bem descrever os fatos adoto o Relatório do acórdão recorrido: Troia o presente julgamento de analisar os termos do Recurso Voluntário interposto pela interessada contra decisão da DRJ em Recife/PE, que considerou inteiramente procedente o lançamento de oficio efetuado em 03/10/2003 por meio de dois autos de infração, um relativo à Cofins envolvendo os períodos de apuração de fevereiro de 1999 a março de 2003, com um crédito tributário apurado da ordem de R$ 374.429,16, nele incluídos o principal, os juros de mora e a multa de oficio de 75%, e o outro, relativo ao PIS/Pasep envolvendo os períodos de apuração de fevereiro de 1999 a novembro de 2002, com um crédito tributário apurado de RS 14.972,50, nele incluídos o principal, os juros de mora e a multa de oficio de 75%. De acordo com o autor do procedimento, o lançamento foi motivado pelo fato da interessada não ter incluído na base de cálculo de ambas as contribuições valores relativos a 'Outras Receitas Operacionais', e, especificamente eni relação à Cofins, pelo fato de ter calculado o valor devido coin base na alíquota de 2%, quando o correto seria a de 3%. Na impugnação do auto de infração da Cofins a interessada, em resumo, suscita a inconstitucionalidade do sS. 10 do artigo 30 da Lei n° 9.718, de 1998, que promoveu alargamento da base de cálculo das contribuições devidas ao PIS e à Cofins, bem como do sç 1° do artigo 8° da mesma lei, que promoveu o aumento da aliquota da Cofins, de 2% para 3%. EM relação às rubricas que não incluiu na base de cálculo — Receitas de Incentivo Fiscal decorrente do Prodesin2 e Receitas Diversas decorrentes do ressarcimento de crédito de IPI 3 — defende a Impugnante, cm relação às primeiras, que, por se con stituirem em verdadeira subvenção, não possuem as características de unia receita propriamente dita, e, em relação à segunda, que teria havido desrespeito à Constituição por parte do Fisco ao na base de cálculo das contribuições. Ainda em relação a inclusão pelo Fisco na base de cálculo da contribuição, dos valores dos créditos de IPI, esclarece a impupumle que o seu Pedido de Ressarcimento e Declaração de Compensação ainda não foram objeto de decisão definitiva na esfera administrativa e que, portanto, a rigor, ainda não se teria configurada a receita. Além disso, a seu ver, o Fisco teria ignorado aflito de que os valores da Cofias dos períodos de apuração de janeiro, fevereiro e março de 2003 foram infOrmados na Declaração de Compensação para serem quitados mediante o aproveitamento dos créditos de. IPI, o que implicaria em violação a regra contida no ,sç 2° do artigo 74 da Lei n° 9.430, c/c 27 de dezembro de 1996, que dispõe sobre a extinção do crédito tributário quando houver compensação declarada. Ein outras palavras, entende a Impugnanle que, ao menos em relação a tais débitos, o Fisco deveria tê-los considerado para fins de determinar o montante em aberto e que acabou por ser lançado de oficio. 2 Processo n° 10410.004669/2003-53 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-01.310 Fl. Na Impugnação apresentada em relação ao auto de infração do PIS/Pasep, os argumentos foram repetidos, exceção feita existência de débitos do PIS/Pasep constantes de declaração de compensação. A 2" Turma da DRJRecife/ PE proferiu decisão assim ementada: Acórdão DRJ 1117601 de 2006 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO ADMINISTRATIVA OU JUDICIAL DEFINITIVA. Na determinação do valor devido da contribuição, a compensação de supostos créditos pleiteados administrativamente ou judicialmente somente é cabível se restar comprovada a existência de autorização definitiva para a sua efetivação. COFINS.PIS. BASE DE CALCULO. A Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS e a Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, incidirão sobre o faturamento do mês, deduzidas as exclusões previstas em lei. Contribuição para o PIS/Pasep. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRELIMINAR DE NULIDADE. Estando os atos administrativos, consubstanciadores do lançamento, revestidos de suas formalidades essenciais, não se há que falar em nulidade do procedimento fiscal. INCONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS. Não se encontra abrangida pela competência da autoridade tributária administrativa a apreciação da inconstitucionalidade das leis, vez que neste juizo os dispositivos legais se presumem revestidos do caráter de validade e eficácia, não cabendo, pois, na hipótese negar-lhe execução. Lançamento Procedente. No Recurso Voluntário a interessada cita a recente decisão do STF que considerou inconstitucional o 5S. 1 0 do artigo 3 0 da Lei n° 9.718, de 1998, que promoveu o alargamento da base de cálculo das contribuições devidas ao PIS e à Cofins, clamando, nessa linha, para que igual tratamento seja dado por este Colegiado. No mais, com alguma ou outra ênfase, reitera os termos da impugnação, inovando ao clamar pelo desmembramento dos lançamentos atinentes aos débitos da Cofins cuja quitação, a seu ver, se deram pelo instituto da compensa cão. É o Relatório. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 28/02/1999 a 31/03/2003 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. SUMULA N° 2. O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. No caso, a Recorrente se insurgiu contra a legalidade do § 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718, de 1998, que promoveu o alargamento da base de cálculo das contribuições devidas ao PIS e a Cofins, e do artigo 8° do mesmo dispositivo legal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS Período de apuração . 28/02/1999 a 31/03/2003 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. ART. 3°, § 1°, LEI N° 9.718/98. A base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins é a receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. BASE DE CÁLCULO. INCENTIVOS FISCAIS ESTADUAIS. SUBVENÇÕES. RECEITAS. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. Devem ser considerados como receitas os valores recebidos a titulo de incentivo fiscal (subvenção) e, como tal, se submeterem a incidência do PIS/Pasep e da Cofins, nos termos da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, que toma como fato gerador das respectivas contribuições o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS. SALDO CREDOR DE IPI. 0 valor do ressarcimento de crédito de IPI, decorrente da apuração de saldo credor em face da aquisição de insumos aplicados na elaboração de produtos isentos (Artigo 1° do DecretoLei n° 491/69, o chamado Crédito Prêmio a Exportação) é receita, e como tal, deve ser considerada para fins de apuração do PIS/Pasep e da Cofins. DÉBITOS INFORMADOS EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CONSIDERAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO NA APURAÇÃO DAS DIFERENÇAS. NULIDADE E NECESSIDADE DE DESMEMBRAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. De se manter o procedimento da fiscalização que, para fins de apuração das diferenças a serem objeto do lançamento, levou em conta os valores de débitos da Cofins informados pela Recorrente em declaração de compensação apresentada antes do inicio da ação fiscal. Nulidade e necessidade de desmembramento de débitos improcedentes. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 28/02/1999 a 30/11/2002 BASE DE CÁLCULO. FATURA1VIENTO, ART. 30, § 1°, LEI N° 9.718/98. A base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins é a receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pela pessoa ),‘ 4 Processo n° 10410.004669/2003-53 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-01.310 Fl.;p jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. BASE DE CÁLCULO. INCENTIVOS.FISCAIS ESTADUAIS.SUBVENÇÕES. RECEITAS. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. Devem ser considerados como receitas os valores recebidos a titulo de incentivo fiscal (subvenção) e, como tal, se submeterem a incidência do PIS/Pasep e da Cofins, nos termos da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, que toma como fato gerador das respectivas contribuições o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS. SALDO CREDOR DE IPI.. O valor do ressarcimento de crédito de IPI, decorrente da apuração de saldo credor em face da aquisição de insumos aplicados na elaboração de produtos isentos (Artigo 1° do Decreto-Lei n° 491/69, o chamado Crédito Premio a Exportação) é receita, e como tal, deve ser considerada para fins de apuração do PIS/Pasep e da Cofins. Recurso Voluntário Não Conhecido em Parte e, na Parte Conhecida, Negado Provimento. O sujeito passivo dissentiu da decisão que lhe foi desfavorável e apresentou recurso especial, fls. 890/918, por meio do qual requereu a reforma do acórdão ora fustigado. O recurso foi parcialmente admitido pelo Presidente da 4a Câmara da 3' Seção de Julgamento do CARF, por meio de despacho às fls. 922. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contra razões as fls. 925/928. É o Relatório. Voto Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando, Relatora Aprecio o Recurso Especial do contribuinte, parcialmente admitido conforme consta às fls. 922, cujo arrazoado tomo como meu. Conforme relatado, o contribuinte irresignou-se com a parte da decisão que lhe foi desfavorável alargamento da base de cálculo das contribuições tendo logrado ver admitido seu Recurso Especial. 6' 5 por demais sabido que o STF julgou inconstitucional o art. 3° da Lei n° 9.718, de 1989, por violação do art. 195, I da Constituição Federal vigente à época. A teor dessa definição do Tribunal, é ilegítima a cobrança das contribuições em questão. contribuinte. Tendo sido a única matéria em lide, dou provimento ao recurso do * 4l • , Judith do Amaral Marconi es Armando 6
score : 1.0
Numero do processo: 13840.000043/2001-34
Data da sessão: Mon Apr 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/1991 a 31/03/1992
FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. MP N°1.110/95.
A prescrição do direito de pleitear a compensação/restituição da Contribuição para o Finsocial tem como prazo inicial, na hipótese dos autos, a data da publicação da Medida Provisória n° 1.110/95, a qual dispensa a constituição e exigência da exação declarada inconstitucional pelo STF em sede de Recurso Extraordinário. Assim, a partir de 31/08/1995, conta-se 05 (cinco) anos para o protocolo do pedido (termo final).
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-000.862
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Judith do Amaral Marcondes Armando, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Põssas e Carlos Alberto Freitas Barreto votaram pelas conclusões.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Leonardo Siade Manzan
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1991 a 31/03/1992 FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. MP N°1.110/95. A prescrição do direito de pleitear a compensação/restituição da Contribuição para o Finsocial tem como prazo inicial, na hipótese dos autos, a data da publicação da Medida Provisória n° 1.110/95, a qual dispensa a constituição e exigência da exação declarada inconstitucional pelo STF em sede de Recurso Extraordinário. Assim, a partir de 31/08/1995, conta-se 05 (cinco) anos para o protocolo do pedido (termo final). Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Judith do Amaral Marcondes Armando, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Põssas e Carlos Alberto Freitas Barreto votaram pelas conclusões. EDITADO EM: 24/01/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa POssas, Maria Teresa Martinez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório A contribuinte em epígrafe, interpôs o presente Recurso Especial de Divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais — CSRF —, contra decisão da extinta Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes que negou provimento a seu Recurso Voluntário, por reconhecer a ocorrência da prescrição do direito de pleitear a restituição. Em seu arrazoado do apelo extremo, a contribuinte alega haver divergência de interpretação quanto ao termo inicial para pleitear a restituição/compensação da Contribuição para o Finsocial pagos indevidamente em razão da inconstitucionalidade da exigência. A decisão recorrida defende a data de publicação da MP n° 1.110/95 como termo a quo para a contagem do prazo prescricional, enquanto a contribuinte alega que o prazo quinquenal de prescrição começa a fluir somente a partir da edição da MP n° 1.621-36/98. 0 recurso interposto foi admitido pelo Despacho n.° 302-0.224, exarado pela Presidente daquela extinta Segunda Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes. A douta Procuradoria da Fazenda Nacional tomou ciência do recurso interposto e apresentou contrarrazões As fls. 127/130, pugnando pela manutenção do acórdão recorrido. Subiram, por conseguinte, os autos a esta Casa para julgamento. o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Siade Manzan, Relator 0 recurso especial interposto é tempestivo e, nos termos do art. 67 do Regimento Interno do CARP, aprovado pela Portaria/MF n° 256, de 22 de junho de 2009, preenche os demais requisitos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento e passo A sua análise. Conforme relatado, o presente litígio cinge-se ao termo inicial para a contagem do prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição/compensação dos valores pagos indevidamente da Contribuição para o Finsocial em virtude da declaração de inconstitucionalidade da exação. Entendo deva ser mantida a decisão recorrida. Em relação ao direito do contribuinte de repetir o indébito tributário, vejamos o que apregoa o Código Tributário Nacional: 2 Processo n° 13840.000043/2001-34 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.862 Fl. 148 Art. 165.. 0 sujeito passivo tern direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no ,art. 4° do artigo 162, nos seguintes casos: III — reforma. anulação, revogação ou rescisão de decisão condenató ria. Art. 168. 0 direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: II — na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Pela leitura dos artigos acima transcritos, verifica-se que o legislador deu tratamento diferenciado ao caso em que o direito do contribuinte de pleitear restituição de valores pagos indevidamente decorre de situação litigiosa, isso porque o direito A. repetição somente surge para o contribuinte a partir da decisão do conflito sobre a validade da exação, ou seja, o tributo somente torna-se indevido no momento em que é declarada a sua ilegalidade e dispensada sua exigência, seja por meio de declaração de inconstitucionalidade por ADI, seja por Resolução do Senado Federal ou até mesmo pelo reconhecimento da própria Administração Tributária. Por concordar com as palavras do ex-Conselheiro José Antonio Minatel, da extinta 8' Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes, exaradas em voto precursor a respeito deste tema (Acórdão CSRF no 108-05.791), peço vênia para transcrevê-las: "0 mesmo não se pode dizer quando o indébito é exteriorizado no contexto de solução jurídica conflituosa, uma vez que o direito de repetir o valor indevidamente pago só nasce para o sujeito passivo corn a solução definitiva daquele conflito, sendo certo que ninguém poderá estar perdendo direito que não possa exercitá-lo. Aqui, está coerente a regra que fixa o prazo de decadência para pleitear a restituição ou compensação só a partir 'da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa, ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou- rescindido a decisão condenatória' (art. 168, II, do CTN). Nesse contexto, o direito à repetição do indébito somente surgiu para os contribuintes a partir da publicação da Medida Provisória n° 1.110/95, momento em que foi dispensada a constituição e a cobrança de créditos tributários relativos ao Finsocial, tendo em vista a inconstitucionalidade da Contribuição ao Finsocial ter sido declarada pelo Supremo Tribunal Federal pela via de exceção, através de julgamento de Recurso Extraordinário. A MP n° 1.110/95 foi publicada em 31/08/1995, sendo, portanto o termo inicial para a contagem do prazo quinquenal para requerer a restituição do Finsocial. No caso 3 dos autos, o pedido de restituição foi protocolizado somente em 23/01/2001, quando já ultrapassado o prazo para pleitear a repetição do indébito, findado em 31/08/2000. CONSIDERANDO os articulados precedentes e tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial de Divergência interposto pela contribuinte. 4
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Numero do processo: 19647.008530/2004-61
Data da sessão: Tue Mar 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
SIMPLES. EXCLUSÃO. IRRETROATIVIDADE DA LEI
Não caracteriza ofensa ao princípio da irretroatividade da lei, o ato declaratório de exclusão do SIMPLES (Lei 9.317/96), que fundamentado na própria lei de regência, determina a exclusão por excesso de receita bruta atribuindo efeitos "ex tune" ao ato administrativo, desde a constatação da ocorrência.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A teor da Súmula n° 04, do 1° Conselho de Contribuintes, a partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e
Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 1803-000.307
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo É' 19647.008530/2004-61 Recurso n° 165.192 Voluntário Acórdão n° 1803-00.307 — 3° Turma Especial Sessão de 09 de março de 2010 Matéria IRPJ e OUTRO - ANOS-CALENDÁRIO: 2002 a 2004 _ Recorrente RINALDO RAUPP SILVA - ME Recorrida 4aTURMA/DRJ-RECIFE/PE ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 SIMPLES. EXCLUSÃO. IRRETROATIVIDADE DA LEI Não caracteriza ofensa ao princípio da irretroatividade da lei, o ato declaratório de exclusão do SIMPLES (Lei 9.317/96), que fundamentado na própria lei de regência, determina a exclusão por excesso de receita bruta atribuindo efeitos "ex tune" ao ato administrativo, desde a constatação da ocorrência. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A teor da Súmula n° 04, do 1° Conselho de Contribuintes, a partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. arBn.S. -~(%• *E FERREIRA DE MORAES - Presidente A. 140. $21 WALTER ADOLFO ARESCH - Relator EDITADO EM: o 9 AOR 2010- Participaram, da presente sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes, Walter Adolfo Maresch, Benedicto Celso Benício Júnior, Sérgio Rodrigues Mendes, Luciano Inocência dos Santos e Silvana Rescigno Guerra Barrette. Processo na 19647.008530/200441 SI-TE03 Acórdão n.° 1803-00.307 n 1.008 Relatório RINALDO RAUPP SILVA (ME), pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ RECIFE (PE), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ. Contra a contribuinte acima qualificada foram lavrados os Autos de Infração, às fls. 06129 para exigência do crédito tributário, referente aos anos calendários de 2001, 2092 e 2003, adiante especificado: Tributos Folhas Principal Juros Multa Total 1RPJ 06/08 35.463,35 14.652,43 26.597,48 76.713,26 CSLL 18/20 25.928,01 10.681,67 19.445,97 56.055,65 TOTAL 132.768,91 Constituem partes integrantes dos Autos de Infração lavrados, a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, e o Relatório de Auditoria Fiscal, nos quais estão descritos a matéria tributável e a base legal da tributação, os Demonstrativos de apuração do FRPJ e CSLL e os Demonstrativos de Multa e Juros de Mora, documentos que constituem as fls.09/17; 21/29 e 30/34 do processo. Objetivando o esclarecimento da tributação o autuante instruiu o processo com os documentos de fls.35/921. I. Da Autuação. Conforme descrição dos fatos às fls.05 e no Relatório de Auditoria Fiscal às fls. 34/53, a autuação teve por base a constatação, durante o procedimento de oficio, da seguinte irregularidade: Durante o procedimento de verificações obrigatórias, a fiscalização observou que: a) a contribuinte era optante pelo SIMPLES, tendo entregado as declarações simplificadas relativamente aos anos calendários de 2000, 2001, 2002 e 2003. b) Com base nas Notas Fiscais emitidas pela contribuinte, consoante demonstrativos às fls. 64/72, consolidados no demonstrativo de fis.63, do processo n.° 19647.008529/2004-36, relativo ao lançamento do SIMPLES, a fiscalização apurando as receitas brutas mensais do ano calendário de 2000, constatou que a empresa havia ultrapassado, o limite de receita bruta para permanência no SIMPLES pois obteve - receita bruta total de R$1.951.697,30, quando o limite para permanência do sistema integrado é R$ 1.200.000,00, estabelecido no inciso II do art. 9.° da Lei n.° 9.317/96. c) Como a pessoa jurídica não efetuou a exclusão do SIMPLES, foi expedido pelo Sr. Delegado da Receita Federal em Recife o Ato Declaratório Executivo n°48/04 de 05/08/2004, publicado no Diário Oficial da União no dia 09/08/2004, cópia anexa às fls.80/81, consoante "Relatório de Auditoria Fiscal" ft 32 efetuando a exclusão da empresa do sistema integrado, com efeitos a partir de 01/01/2001, constante do processo n°19647.007275/2004-39, que se encontra arquivado desde 16/02/2005, consoante informação do Sistema COMPROT anexo as fls. 963. d) De acordo com o art. 16 da Lei n°9.317/1996 a pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitar-se-á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão as normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. No presente caso, a ação fiscal teve seu início no curso do ano calendário de 2004. Intimada a apresentar seus livros fiscais e contábeis dos anos calendários de 2001 a 2003 (fI.67), através do 'Termo de Reintimação Fiscal n°005" no qual consta o seguinte comando "informar por escrito se pode recompor a escrita contábil dos respectivos períodos, e em que prazo, pois estará sujeito ao arbitramento fiscal" (sic), a contribuinte informou, através do documento de fls. 71, não possuir escrituração contábil e não ter condições de recompor a escrita fiscal dos períodos solicitados Em vista da legislação pertinente a fiscalização procedeu, ao arbitramento do lucro com base nas receitas contidas nas Notas Fiscais emitidas pela contribuinte, consoante demonstrativos às fls. 36/49, consolidadas no demonstrativo de fl. 35. I.2.Dos Autos de Infração: 12.1- IRPJ Fato Gerador: quatro trimestres de 2001, 2002 e 2003, descritos às fls.07/08. Enquadramento Legal: art. 530, inciso III, do RIR/99, arts. 16 da Lei n° 9.249/95; art.27, inciso I, da Lei n°9.430/96. 1.2.2 - CSLL. Fato Gerador: quatro trimestres de 2001, 2002 e 2003, descritos às fls.19/20. Enquadramento Legal: descrito às fls. 20. II. Da Impugnação. Devidamente notificada, e não se conformando com o procedimento fiscal, a contribuinte apresentou, tempestivamente, as suas razões de defesa, às fls. 923/929, na qual questiona integralmente os autos de infração, alegando em síntese o seguinte: II.1- Da preliminar de nulidade. A empresa afirma que foi excluída do SIMPLES em 5/08/2004 através do Ato Declaratório n°48, publicado no Diário Oficial, porém não tomou ciência do mesmo. Assevera ainda que o Auditor Fiscal mencionou o Ato Declaratório, porém, não identificou qual a sua origem. A impugnante alega que a sua exclusão do SIMPLES por não ter sido dado ..qualquer oportunidade de manifestação de defesa, enseja a nulidade do processo p 2 ferir o 4C5(.. Processo tf 19647.008530/2004-61 S1-TE03 Acórdão 11.° 1803-00307 FL 1.009 • princípio disposto no art. 5°, inciso LV da Constituição Federal, afirmando se tratar de "ato arbitrário, violento, praticado com efeitos retroativos e sem ciência da vitima "(sic) A autuada afirma que os autos de infração em lide, apesar de terem sido devidamente cientificados, decorreram de um procedimento de exclusão do SIMPLES do qual a empresa não teve chances de se defender, portanto, o procedimento de exclusão não poderia ter sido utilizado como fundamento para os autos de infração em lide. Assevera ainda a impugnante que a legislação processual prevê que a notificação por edital é secundária, cabendo proceder antes à notificação pessoal. A impugnante afirma que "não se argumente com o fato de que o contribuinte pôde exercitar o seu direito ao se defender do Auto de Infração. Essa circunstância não elimina a supressão de seu direito no tocante à exclusão do SIMPLES (sic) Conclui a impugnante que "não tendo o processo de exclusão do SIMPLES, observado as formalidades da lei processual, contrariando os princípios constitucionais do Contraditório e da Ampla Defesa, nula é a notificação via edital, e nulo é todo o procedimento fiscal que teve como suporte ato flagrantemente ilegal e inconstitucionar(sic). 11.2- Da não compensação dos valores pagos pelo SIMPLES A impugnante se insurge contra a falta de consideração dos valores pagos a titulo de SIMPLES, anexando os DARF's de fls. 938/955. 11.3- Da Ilegalidade da utilização da Taxa Selic como juros moratórios. A impugnante se insurge contra a utilização da taxa SELIC na apuração dos juros moratórios, às fls. 926/928, alegando inconstitucionalidade. 11.4- Do Pedido. Diante das alegações trazidas a impugnante requer: a) o recebimento da presente defesa, suspendendo-se a exigibilidade do Crédito Tributário, nos termos do art. 151, III do CTN; b) a compensação dos valores pagos a titulo de SIMPLES protestando por meio de todos os meios de prova, inclusive pericial; c) a declaração da ilegalidade na aplicação dos juros moratórios com base na Taxa Selic; d) a improcedência de toda ação fiscal. A DRJ RECIFE (PE), através do acórdão 11-19.923, de 17 de agosto de 2007 (fls. 968/980), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não é cabível a alegação de cerceamento ao legitimo direito de defesa quando as infrações apuradas estiverem perfeitamente identificadas e os elementos dos autos demonstrarem, inequivocamente, a que se refere à autuação, dando suporte material suficiente para que o sujeito passivo possa conhecê-los e apresentar a sua defesa e também para que o julgador possa formar livremente a sua convicção e proferir a decisão do feito. Estando o lançamento revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto n.° 70.235/72, sem preterição do direito de defesa, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal. EFEITOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES DE OFICIO.A empresa que na condição de empresa de pequeno porte, tenha auferido, no ano-calendário, receita bruta superior a R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais) será excluída do SIMPLES a partir do ano calendário subseqüente. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitar-se-á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS. Não tendo a pessoa jurídica comprovado reunir condições de submeter seus resultados pelo lucro Real ou presumido, obedecidas às obrigações acessórias próprias, tais como de opção na própria, escrituração do Livro Caixa, ou escrituração contábil completas, nos termos da legislação comercial e fiscal, cabível o arbitramento do lucro. RECEITA BRUTA CONHECIDA. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, quando conhecida à receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos do RIR11999, acrescidos de vinte por cento. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. O entendimento adotado relativamente ao auto reflexo acompanha o do principal, em vista da íntima relação de causa e efeito existente entre eles. SIMPLES RECOLHIMENTOS. EXCLUSÃO DO LANÇAMENTO. Excluem-se do lançamento de oficio do IRPJ e da CSLL os valores a eles correspondentes recolhidos a titulo de Simples. Ciente da decisão em 28/12/2007, conforme AR constante às fls. 914, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 24/01/2008, onde assevera a ilegalidade do ato declaratório de exclusão do SIMPLES por afronta ao principio da irretroatividade da lei e a ilegalidade da taxa de juros SELIC. • É o relatório. sahi Processo n° 19647.008530/200441 Sl-TE03 Acórdão n.° 1803-00307 Fl. 1.010 Voto Conselheiro WALTER ADOLFO MARESCH, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de autos de infração IRPJ e CSLL, por arbitramento do lucro nos anos calendários 2001 a 2003, lavrados em virtude de exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresaat das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES (Lei n° 9.317/96), por excesso de receita bruta no ano calendário 2000, bem como, foi apreciada concomitantemente, a legalidade do ato de exclusão do sistema simplificado. Em seu recurso voluntário, insurge-se a recorrente apenas em relação à legalidade do ato declaratório de exclusão do SIMPLES e a inaplicabilidade da taxa de juros SELIC, não se manifestando acerca da matéria tributária apurada pela fiscalização. Afirma em seu arrazoado, de que o ato de exclusão está eivado de nulidade por ter dado efeito retroativo a operar a exclusão do SIMPLES desde 01/01/2001, considerando que o Ato Declaratório somente foi editado em 05 de agosto de 2004 (fls. 80), o que considera vedado ante o princípio da irretroatividade da lei. Não assiste razão à interessada. Inicialmente, esclareça-se que o mérito da exclusão foi apreciado somente no processo de lançamento dos tributos, em virtude de que o Ato Declaratório de exclusão foi publicado no Diário Oficial da União, mas não enviado para ciência ao contribuinte. Desta forma, reabriu-se o prazo para manifestação que foi acolhida juntamente com a impugnação ao lançamento de oficio. Quanto ao fato de que o Ato Declaratório Executivo n° 48 (fls. 80), atribuiu efeitos "ex tune" para a exclusão do SIMPLES, por excesso de receita bruta no ano calendário • 2000 (fato não rebatido pela recorrente), não se vislumbra qualquer ilegalidade no ato administrativo. Com efeito, confonne dispõe o art. 14, inciso I, da Lei 9.317/96 não tendo havido a comunicação obrigatória de excesso de receita bruta e exclusão do sistema, por parte da própria contribuinte — arts. 12 e 13, inciso II da Lei 9.317/96, efetuou a Administração Tributária a exclusão de oficio através do ADE n° 48/2004 (fls. 80), de 05 de agosto de 2004. A própria Lei n°9.317/96 em seu art. 15, inciso IV, com plena vigência nos anos calendários objeto do lançamento (2001 a 2003), constitui-se no fundamento legal, invocado pela ato de exclusão, que dispõe: Art. 15.-A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: IV - a partir do ano-calendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9'; Assim, tendo sido constatado excesso de receita bruta no ano calendário de 2000, e ante a inércia da contribuinte em comunicar sua obrigatória exclusão do sistema SIMPLES, editou-se o Ato Declaratório de exclusão, com os efeitos "ex tune" atribuídos pela própria lei de regência, que determinou expressamente a exclusão a partir do ano calendário seguinte à ocorrência. Não há que se falar portanto em irretroatividade da lei tributária ou mesmo de direito adquirido pois estando em situação irregular desde o ano calendário 2001, a contribuinte atraiu a incidência da norma tributária, que atribuiu expressamente a exclusão do sistema SIMPLES, a partir do ano calendário subseqüente, podendo esta constatação ser feita a qualquer tempo, dentro do período decadencial dos tributos envolvidos. Por fim, mister registrar que as jurisprudências judiciais coligidas pela recorrente, além de não fazer coisa julgada administrativa, referem-se à exclusões fundamentadas no art. 15, inciso II da Lei n° 9.317/96, o que não é o caso dos autos. Já no tocante à inaplicabilidade da taxa SELIC a matéria foi objeto de Súmula n°04, do CARF, no seguinte teor: A partir de I° de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da _ Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. tAt Ostsell WALTER ADOLFO J.4ARESCH ai‘
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Numero do processo: 11128.004063/96-31
Data da sessão: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2001
Ementa: CLASSIFICAÇÃO FISCAL - ÁLCOOL ESTEARÍLICO - REGRAS GERAIS DE INTERPRETAÇÃO - O Álcool Estearílico, ou Álcool Ceto-Estearílico, álcool graxo (gordo) industrial, comercializado com os nomes comerciais de NAFOL 1618-S, HYDRENOL O, LOROL INDUSTRIAL ( objeto do presente litígio ) e ALFOL 1618S, por ter sua característica essencial determinada pelo Álcool Estearina), segundo a Regra Geral de Interpretação 3, alínea "b", deve ser classificado na posição TAB/NBM 1519.20.9903.
Numero da decisão: CSRF/03-03.260
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de
Recursos Fiscais, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Henrique Prado Megda, Carlos Alberto Gonçalves Nunes e Edison Pereira Rodrigues.
Nome do relator: Nilton Luiz Bartoli
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Sessão de : 26 DE OUTUBRO DE 2001 Acórdão n° : CSRF/03-03.260 CLASSIFICAÇÃO FISCAL - ALCOOL ESTEARLICO - REGRAS GERAIS DE INTERPRETAÇÃO - O Álcool Estearílico, ou Álcool Ceto-Estearílico, álcool graxo (gordo) industrial, comercializado com os nomes comerciais de NAFOL 1618-S, HYDRENOL O, LOROL INDUSTRIAL ( objeto do presente litígio ) e ALFOL 1618S, por ter sua característica essencial determinada pelo Álcool Estearina), segundo a Regra Geral de Interpretação 3, alínea "b", deve ser classificado na posição TAB/NBM 1519.20.9903. Vistos relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Henrique Prado Megda, Carlos Alberto Gonçalves Nunes e Edison Pereira Rodrigues. .--'''' ------ -_,--- EDI-gON PEREIRA - : é -t, en--- PRESIDENTE -- ._.---- -,._..... 11\p0 OrZ BAR LI ELAT fè - FORMALIZADO EM: 1 2 DEZ2ubi Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, MOACYR ELOY DE MEDEIROS, MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ, HENRIQUE PRADO MEGDA, PAULO ROBERTO CUCO ANTUNES e NILTON LUIZ BARTOLI. Processo n° :11128.004063/96-31 Acórdão n° : CSRF/03-03.260 Recurso n° : RP1302-0.679 Recorrente : FAZENDA NACIONAL Sujeito Passivo : CASA FACHADA LTDA. RELATÓRIO Trata-se de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, que se manifesta contrária ao Acórdão n.° 302-34.286, prolatado pela Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, cuja ementa transcrevo: "CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA — Álcool Ceto-Estearílico Industrial 30/70 — classifica-se na posição mais específica que deve prevalecer sobre a mais genérica — posição TAB-SH-1519.20.9903 — aplicação da R.GI 3 — "a". RECURSO PROVIDO." O processo originou-se de revisão aduaneira que reclassificou o produto importado pela empresa Recorrente, por ter esta importado produto discriminado como "Álcool Ceto Estearílico 30/70, Qualidade: Industrial, Estado Físico: Escamas", enquadrando-o no Código Tarifário 1519.20.9905, como sendo "Ácidos Graxos (gordos) Monocarboxílicos Industriais; Óleos Ácidos de Refinação; Álcoois Graxos (gordos) Industriais — Misturas de álcoois primários alifáticos". Baseada em Laudo de Análise (f1.55/96), a fiscalização alfandegária, entendeu que a classificação correta para o produto seria no Código 1519.20.0100, por tratar-se de Álcool Estearílico Industrial (Álcool Ceto-Estearílico), (Mistura de Álcoois Graxos Industriais com predominância do Álcool Estearílico), um Álcool Graxo (Gordo) Industrial com características de Cera Artificial. Foi formalizado Auto de Infração para exigir do importador o recolhimento da diferença do tributo IPI, acrescida da multa capitulada no inciso ll do Art. 364 do RIPI/82. Inconformada, a autuada apresentou Impugnação, conforme relata o 2 Processo n° :11128.004063/96-31 Acórdão n° : CSRF/03-03.260 douto Conselheiro Luis Antônio Flora, alegando basicamente que o laboratório concluiu no Laudo, que o produto importado é álcool cetoestearilico, tal como declarado no despacho aduaneiro, pelo que não há embasamento legal que justifique a reclassificação tarifária, uma vez que a TAB/SH em sua subposição 1519.20 menciona "Álcoois Graxos Gordos Industriais" e no sub-item 0100 devem ser classificados os produtos com características de "Ceras Artificiais" Acrescenta que todos os Álcoois Graxos que contenham entre 14 e 18 átomos de carbono, apresentam-se em estado físico sólido (característica de cera) em temperatura ambiente e ainda que foi constatado no Laudo Técnico pertinente aos autos, que a composição do produto importado é a de 67,4% de Álcool Estearílico e 32,3% de Álcool Cetílico, concluindo o mesmo, que o produto trata-se efetivamente de "álcool estearilico industrial", ou seja, uma mistura de álcoois primários alifáticos, conforme consta da declaração. Cita a RGI/SH n.° 3, que determina que quando determinado produto possa ser classificado em duas ou mais posições, a classificação deve ser feita de forma que a mais específica prevaleça sobre as mais genéricas, contudo, "quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou à apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerar-se, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria." Finaliza argumentando estar amparada pelo art.112 do CTN e que a multa capitulada no art.364, inciso li, do RIPI, é incabível à tipificação como declaração inexata, nos termos do Parecer CST n.° 477/88, já que a descrição do produto foi correta. Requer que os autos sejam remetidos ao LABANA ou ao INT, afim de que sejam dirimidos os pontos conflitantes do processo. 3 Processo n° : 11128.004063196-31 Acórdão n° : CSRF/03-03.260 Em Primeira Instância, a Ação Fiscal foi julgada parcialmente procedente, consubstanciada a decisão na seguinte ementa: "Ementa: CLASSIFICAÇÃO FISCAL O produto "Álcool Ceto Estearílico 30/70, Qualidade: Industrial, Estado Físico: Escamas", não se classifica na posição 1519.20.9905, e sim na posição 1519.20.0100 por que apresenta características de cera artificial. Resultado do julgamento: LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE." O entendimento da autoridade julgadora de primeira instância, é de que "é devida a diferença de IN não paga, bem como a multa do artigo 364 do RIM, (art.80 da Lei n.° 4.052/64), pela falta de recolhimento ocorrida, para a qual aplica-se a redação do art.45 da Lei n.° 9.430/96, por ser mais benéfica para o caso, sendo devido o crédito tributário de 75% do valor que deixou de ser recolhido. Não é possível exonerar a multa nos termos do ADN n.° 10/97, que revogou o ADN n.° 36195, já que a descrição do produto conduz a uma classificação tarifária divergente da correta." Em discordância, a autuada apresentou Recurso Voluntário, reiterando os argumentos exauridos em sua Peça Impugnatória, vindo trazer diversas decisões emanadas deste Conselho de Contribuintes, que reafirmam seu entendimento. O fundamento da decisão, proferida na Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, em suma, foi o Acórdão 301-28.702, proferido pela Terceira Câmara, do qual cito trechos que sintetizam o julgado: ¡g Afirma o LABANA em suas conclusões, que "TRATA-SE DE UM ÁLCOOL ESTEARíLICO (ÁLCOOL CETOESTEARíLICO), UM ÁLCOOL GRAXO (GORDO) INDUSTRIAL COM CARACTERÍSTICAS DE CERA ARTIFICIAL." Aplicando-se a RG3-b, por se tratarem de produtos misturados 4 Processo n° : 11128.004063196-31 Acórdão n° : CSRF/03-03.260 dada a impossibilidade da aplicação da RG3-a, a conclusão irretorquível é que o produto é "álcool estearílico". E aí não há discordância nas conclusões do Fisco, em consonância com as análises do LABANA. Porém, padece de falha de falha a classificação adotada pelo Contribuinte, 1519.30.9999 — qualquer outro, uma vez que o álcool estearílico possui classificação específica, ou seja, 1519.39.9903 — álcool estearílico. Portanto, a meu ver, a classificação correta seria um terceiro código, distinto dos adotados pelo Autuante e Autuada, o que vicia de forma insanável o Auto de Infração. Ora, parece-me evidente, que em sendo o produto álcool estearílico, como constatado pelo LABANA, a classificação específica, 1519.30.9903 se afigura correta, mesmo porque é específica. Qualquer um dos processos pelos quais se fabricam os álcoois graxos, estes terão, invariavelmente, as características de ceras artificiais mencionadas na NESH. Em adição a esta afirmação, existem outros álcoois graxos que não estão contemplados nas posições específicas, 1519.30.9901 a 9904, tais como os que possuem 20 a 22 átomos de carbono, cite-se álcool bchenílico. A inferência natural desta constatação não pode ser outra senão a de que o código 1519.30.0100 — Com características de ceras artificiais criado pelo legislador, se destina a um albergar os álcoois graxos que não têm classificação específica, como os araquidílico e o behenílico, mas, jamais, o ESTEARtLICO. Tendo em vista os argumentos supra, e o fato da classificação correta contemplar uma terceira posição, distinta das adotadas pelo Autuante e Importador, dou provimento ao Recurso." Em Recurso Especial, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, alega que conforme destacado na declara 'ção de voto apresentada pelos Conselheiros Henrique Prado Magda, Maria Helena Cotta Cardozo e Francisco Sérgio Nalinim é pacífico nos autos que a mercadoria importada é um álcool graxo industrial com características de cera, pelo que sua classificação mais específica é a 1519.20.01. Fundamenta seu Recurso nas argumentações dos Conselheiros 5 Processo n° : 11128.004063/96-31 Acórdão n° : CSRF/03-03.260 vencidos, requerendo que seja mantida a decisão de Primeira Instância. Em Contra-Razões, a contribuinte requer preliminarmente pela inadmissibilidade do Recurso interposto pela Fazenda Nacional, visto que o Acórdão recorrido, em momento algum, violou entendimento firmado pela Lei Tributária, como alega equivocadamente a Procuradoria da Fazenda Nacional. Quanto ao mérito, reitera o alegado em Recurso Voluntário, ao que destaco a citação da Informação Técnica n.° 082/95, exarada pelo LABANA, nos autos do Processo 11128-000.561/94-24, de interesse da Recorrida e que versa sobre o mesmo produto: "Em atendimento à solicitação de informação técnica exarada às fls. 37 e 38 do presente processo, referente à mercadoria ÁLCOOL ESTEARÍLICO 30/70, de interesse da firma em epígrafe, informamos: Pergunta: Existem Álcoois esteáricos industriais sem características de ceras artificiais? Resposta: Não. De acordo com referência bibliográfica os Álcoois Estearílicos Industriais apresentam características de cera. Em função disso, normalmente são utilizados em produtos farmacêuticos e cosméticos (cremes, pomadas, loções, ungüentos, shampoos, etc.) por conferirem aos produtos finais: emulsão de boa estabilidade, textura suave, poder emoliente, ajudar a manter a umidade das formulações e, ao mesmo tempo, a resistência a água." Alega que tal informação, "derruba, de forma definitiva, a base legal da autuação". É o Relatório. 6 Processo n° :11128.004063/96-31 Acórdão n° : CSRF/03-03.260 VOTO Conselheiro NILTON LUIZ BARTOLI, Relator: A questão não é fácil, seja pelo fato de a própria Regra Geral de Interpretação do Sistema harmonizado, deixar uma certa dúvida em relação à aplicação no caso da Regra 3, alínea "a", ou 3, alínea "b", uma vez que tanto uma como a outra declinam tratamento para as misturas, seja pelo fato de a característica extrínseca do produto causar certa dúvida ao aplicador da norma no momento de sua visualização. Mas os critérios de interpretação existem e devem ser amplamente utilizados com o fim de perseguir a correta aplicação da norma jurídica, inclusive em se tratando de classificação fiscal de produtos, cujo tecnicismo, por vezes, açambarcam com a dúvida até os mais preparados juristas. Diante destas considerações, submeto à Câmara a questão, sendo que, por estar convicto de meu entendimento, adoto meu voto prolatado no Acórdão 303.28.916: "Trata-se, como visto, de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente importadora, com o fim de ver reformada a r. decisão singular que entendeu procedente o auto de infração, mantendo o lançamento tributário do Imposto sobre Produtos Industrializados e respectivos juros de mora, por ter a Recorrente importado mercadoria de nome comercial NAFOL 1618-S, que é um Álcool Ceto-Estearílico, classificando-a na posição NBM/TAB 1519.20.9999, sendo que o entendimento da fiscalização é pela Classificação na posição NBM/TAB 1519.20.0100. 7 Processo n° : 11128.004063/96-31 Acórdão n° : CSRF/03-03.260 Preliminarmente, cabe razão à D. Procuradoria quanto a desnecessidade de amostra específica, neste caso, vez que o produto é padronizado e definido como um Álcool Ceto-Estearílico, motivo pelo qual entendo que as provas acostadas aos autos são suficientes para a determinação da correta Classificação Fiscal do Produto. Ainda, em relação às preliminares, rejeito a preliminar suscitada pela Recorrente quanto ao cerceamento de defesa, pois o fato de a autoridade julgadora ter pautado sua decisão em argumentos que não adotam explicitamente as conclusões dos Laudos Técnicos do INT, não estão relacionados ao direito de defesa, mas sim com o mérito da questão, vez que remetem-se ao caráter interpretativo do exercício de jurisdição que detém qualquer julgador. O fato de a interpretação dos laudos pelo julgador não ter alcançado o objetivo pretendido pela Recorrente, não configura cerceamento de defesa. Quanto ao mérito, refuta-se desnecessário maiores abordagens quanto à origem do produto em questão, pois é inegável pelas provas constantes nos autos que: (i) o Álcool Graxo (gordo) Industrial, nele incluídos os álcoois cetilico e estearílico, é um produto natural extraído com intervenção do Homem, mas sem que sejam inseridos novos elementos ou compostos, capazes de alterar essa característica para artificiais (fls. 132); 8 Processo n° :11128.004063/96-31 Acórdão n° : CSRF/03-03.260 (ii) o Álcool Graxo (gordo) Industrial é um produto isolado originário de matéria gordurosa vegetal ou animal, e que tem constituição química definida (fis. 132); (iii) o Álcool Ceto-Estearílico é um Álcool Graxo (gordo) Industrial e, como todos, tem características de Cera Artificial, conceito este que está firmado pelo INT - Instituto Nacional de Tecnologia, no laudo Relatório Técnico n.° 103682, de 04.08.97, trazido aos autos (fls. 182); (iv) os Álcoois Cetílico e Estearílico são Álcoois Primários Alifáticos, contudo o Álcool Ceto-Estearílico não pode ser considerado "merceologicamente de mistura de álcoois primários alifáticos". Portanto, são descabidas todas as discussões relativas à possibilidade de o produto NAFOL 1618-S ser classificado na posição NBM/TAB 3404, que, inclusive, é excluído expressamente dessa posição pela Nota de Capítulo n.° 5, alínea "a". Com efeito, o NAFOL 1618-S é classificado na posição 1519, restando como dúvida para ser dirimida, em qual subitem estaria alocado. Para melhor visualização das classificações disponíveis na NBM/TAB transcrevemos abaixo, as subposi 'ções relativas à posição 1519: 9 $ , Processo n° :11128.004063/96-31 Acórdão n° : CSRF/03-03.260 9901 Álcool láurico 9902 Álcool cetílico 9903 Álcool estearílico 9904 Álcool oléico 9905 Mistura de álcoois primários alifáticos 9906 Álcool 9999 Qualquer outro Nota-se que, para os álcoois cetílico e estearílico, há posições específicas, havendo, inclusive, posição específica para os álcoois originários de Misturas de álcoois primários alifáticos. A interpretação não requisita maiores subsídios senão as próprias Regras Gerais de Interpretação, ou seja, segundo a Regra Geral de Interpretação 2, alínea "b": "b) Qualquer referência a uma matéria em determinada posição diz respeito a essa matéria ... A classificação destes produtos misturados ou artigos compostos efetua- se conforme os princípios enunciados na Regra 3.". A classificação remetida à Regra 3 pode enquadrar-se em duas metodologias de aferição da correta posição, constantes das alíneas "a" e "b": "a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerar-se, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda 10 °/) Processo n° :11128.004063/96-31 Acórdão n° : CSRF/03-03.260 que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as matérias apresentadas de sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3 a), classificam-se pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. É certo que o produto NAFOL 1618-S é um composto de Álcool Cetílico (29,5%), Álcool Mirístico (0,5%) e com predominância do Álcool Estearílico (70%), o que configura a mistura natural de álcoois primários alifáticos, mas que, nos dizeres da Informação Técnica 078/94, "não se trata merceologicamente de mistura. Tal conclusão remete, irremediavelmente, o produto para a analise segundo a Regar Geral de Interpretação 3, alínea "b", vez que trata-se de produtos misturados, cuja a característica essencial é dada pelo Álcool Estearílico. Se a característica essencial do produto NAFOL 1618-S é de um Álcool Estearílico, e a posição mais específica prevalece sobre a mais genérica, a Classificação Fiscal mais adequada é a 1519.20.9903. Contudo a classificação adotada pela Recorrente somente teria validade se a característica essencial do Álcool Ceto-Estearílico não fosse determinada pelo Álcool Estearílico, cuja preponderância verifica-se com clareza. Tal conclusão é extraída da interpretação 11 Processo n° :11128.004063/96-31 Acórdão n° : CSRF/03-03.260 sistemática dos Laudos, Pareceres e Relatórios Técnicos constantes dos autos. Aliás, caso a Recorrente entendesse que o produto deveria ser classificado na posição 1519.20.9999, o que parece ter aceitado como impróprio como se depura de suas próprias alegações às fls. 154 (Recurso Voluntário), caberia a ela, Recorrente, demonstrar ou requerer a demonstração técnica de que o Álcool Ceto-Estearílico não tem sua característica essencial determinada pelo Álcool Estearilico, para justificar sua defesa peia aplicação das Regra Geral de Interpretação 3, alínea "c". Quanto à decisão de primeira instância, cabe ressaltar que, não logrou êxito em motivar e demonstrar suficientemente que a posição base da autuação era mais adequada que a posição adotada pelo contribuinte, vez que centrou suas considerações para afastar o produto da classificação destinadas às ceras artificiais e ceras preparadas, pela distinção entre composição natural e artificial, sem, contudo, alcançar maestria na adoção da posição TAB/NBM 1519.20.0100. Ademais, as provas apensadas ao processo atestam que todo álcool estearílico ou ceto-estearílico invariavelmente possuem as referidas características de cera artificial, o que por si só espancam quaisquer dúvidas quanto à especificidade da classificação, que deve prevalecer sobre a mais genérica. Se não existe álcool estearílico industrial sem características de cera, premissa maior, obviamente que todo álcool estearílico industrial tem que ser, necessariamente, classificado na posição que lhe foi atribuída de forma específica, pelo legislador, premissa menor, 12 Processo n° :11128.004063/96-31 Acórdão n° : CSRF/03-03.260 obstando-se qualquer outra interpretação, eis que não é em vão que o legislador a previu na TAB destacada dos demais álcoois graxos industriais." Diante dessas considerações, e tendo o convencimento de que a questão da classificação fiscal do Álcool Ceto-Esteartilico ou Álcool Esteai-Bico, assim entendido o ÁLCOOL GRAXO (GORDO) INDUSTRIAL, deve ser resolvida segundo esse critério, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO DA PROCURADORIA, concluindo que o produto comercializado com o nome de NAFOL 1618-S deve ser classificado na posição TAB/NBM 1519.20.9903. Sala das Sessões, Brasília-DF, 26 de outubro de 2001 -.. ÁL9TN 0N,./ IZ BA OLI E À R ._---- 13 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1
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Numero do processo: 10980.720171/2010-04
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-002.147
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria sob repercussão geral, em razão do art. 62-A do Regimento Interno do CARF.
JÚLIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente
EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Clauter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos.
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RICARF, art. 62A, § 2º. PIS E COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente AROGAS COMÉRCIO DE COMBUSTÍVEIS LTDA Recorrida DRJ BELO HORIZONTEMG Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria sob repercussão geral, em razão do art. 62A do Regimento Interno do CARF. JÚLIO CESAR ALVES RAMOS Presidente EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Clauter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Relatório O processo trata de autos de infração do PIS Faturamento e da Cofins em períodos de apuração compreendidos 01/2007 e 12/2008, por falta de recolhimento integral dos valores relativos às duas Contribuições sobre a venda de álcool hidratado. Inicialmente os valores das Contribuições foram acompanhados de juros de mora e multa de ofício no percentual de 75%, mas depois, em Autos de Infração Complementares, foi exigida a diferença da penalidade, acrescida para o percentual qualificado de 75%. Foram incluídas na sujeição passiva, além da pessoa jurídica, três pessoas físicas, postos como responsáveis tributários conforme o Termo de Sujeição Passiva Solidária que acompanha os Autos – Laércio Barbosa Neto, sócioadministrador da empresa, Adriano RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .7 20 17 1/ 20 10 -0 4 Fl. 5730DF CARF MF Processo nº 10980.720171/201004 Resolução nº 3401002.147 S3C4T1 Fl. 5.731 2 Barbosa, gerente comercial de fato e Ricardo Antônio Berto, exsócio (no período de 23 de fevereiro de 2005 a 24 de maio de 2006) e depois gerente de fato. Os lançamentos foram impugnados pela pessoa jurídica e pelos três responsáveis tributários, sendo que duas das alegações contantes da peça impugnatória dizem respeito à transferência do sigilo bancário e à inclusão (ou não) do ICMS próprio nas bases de cálculo do PIS e Cofins, relatadas pela primeira instância assim (fl. 4.147): Ressalta inicialmente a necessidade da suspensão do processo administrativo até o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal de questões relativas à quebra do sigilo bancário diretamente pela autoridade administrativa e à exclusão da base de cálculo da Cofins e do PIS do ICMS, por não integrar a receita bruta da empresa. Relata que a Portaria MF nº 103/02 já previu que no caso de julgamentos do STF, os órgãos administrativos julgadores devem adotar o entendimento judicial. Cita doutrina e jurisprudência acerca do assunto. Alega violação do contraditório e cerceamento de defesa, destacando: que todos os documentos e informações foram fornecidos à autoridade fiscal não justificando, por isso, a quebra de seu sigilo bancário; que nem todos os documentos utilizados pela autoridade fiscal foram a ela disponibilizados ou devolvidos, como consta no relatório fiscal, como relatórios das fazendas estaduais e dos bancos; que não há remissão das páginas dos livros Razão e Diário de onde foi retirada a base de cálculo das contribuições; que não apresentou os papéis que utilizou para o início da ação fiscal, inclusive a requisição do Ministério Público; e que não apresentou o relatório de notas fiscais de álcool hidratado dos meses de agosto/2007 a setembro/2008, deixando dúvidas se foram utilizados os valores lançados nos livros ou os extratos bancários. Finaliza que recebeu apenas 72 folhas como resultado do auto de infração. Contesta a quebra de seu sigilo bancário, pois se os extratos fornecidos não atendiam as exigências fiscal, deveria ter ele exigido detalhadamente o que pretendia e não quebrar o seu sigilo fiscal, sem contudo observar a necessidade de ordem judicial (...) Pondera pela exclusão na base de cálculo do ICMS próprio e por substituição tributária, nos termos de entendimento da própria Receita Federal e de decisões proferias pelo Supremo Tribunal Federal. A DRJ cancelou parcialmente os dois lançamentos, acordando à unanimidade o seguinte (fl. 4.145): (a) rejeitar a preliminar de nulidade dos lançamentos; (b) indeferir o pedido de perícia formulado; (c) julgar procedente em parte a exigência de Contribuição ao PIS, cancelando o montante de R$ 272.133,95 dos PA de 08/2007 a 09/2008 (ICMS Substituição Tributária) e da exigência de R$ 223.362,16 do PA 10/2008 (Alíquota 0 – Substituição Tributária), bem como a multa de ofício e os acréscimos legais correspondentes; (d) julgar procedente em parte o lançamento de Contribuição para Fl. 5731DF CARF MF Processo nº 10980.720171/201004 Resolução nº 3401002.147 S3C4T1 Fl. 5.732 3 Financiamento da Seguridade Social Cofins, cancelando o montante de R$ 1.256.289,60 dos PA de 08/2007 a 09/2008 (ICMS Substituição Tributária), do montante de R$ 227.119,48 (R$ 176.570,35 do PA 01/2007; R$ 4.860,54 do PA 02/2007; R$ 3.417,26 do PA 03/2007 e R$ 42.271,33 do PA 07/2007 – motivação do lançamento) e da exigência de R$ 1.031.137,67 do PA de 10/2008 (Alíquota 0 – Substituição Tributária), bem como a multa de ofício e os acréscimos legais correspondentes; (e) manter a multa qualificada de 150% e os acréscimos legais pertinentes; (a) manter a responsabilidade tributária solidária das pessoas físicas de Laércio Barbosa Neto, Ricardo Antonio Berto e Adriano Barbosa. Ao tratar das duas alegações acima, o acórdão considerou o que segue (fls. 4.150/4.151, 4.153 e 4.157): Por outro lado, quanto à alegada necessidade da suspensão do processo administrativo até o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal de questões relativas à quebra do sigilo bancário diretamente pela autoridade administrativa e à exclusão da base de cálculo da Cofins e do PIS do ICMS, discutidas no presente processo, não encontra respaldo na legislação de regência. (...) Por outro lado, não cabe no âmbito deste processo a discussão atinente à quebra de seu sigilo bancário, uma vez que os lançamentos constantes dos autos referemse às contribuições ao PIS e à Cofins, onde suas bases de cálculo foram apuradas pela fiscalização utilizandose dos livros e documentos fiscais apresentados pela contribuinte, sendo a exigência dos valores devidos embasada nas informações constantes em declarações por ela prestadas e constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal, além de verificações acerca dos pagamentos realizados no período compreendido na ação fiscal. (...) Neste tópico, importa verificar o tratamento tributário conferido ao ICMS, conforme a sua legislação de regência, trazida pela Lei nº 9.718, de 1998, que abrange a incidência das contribuições na sistemática de cumulatividade: (...) Como se verifica, a previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo das referidas contribuições contempla exclusivamente o imposto cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Nos recursos, voluntários, apresentados pela pessoa jurídica e pelas pessoas físicas Laércio Barbosa Neto e Adriano Barbosa (não consta peça recursal da outra pessoa física, o Sr. Ricardo Antônio Berto), os sujeitos passivos insistem no cancelamento total das Fl. 5732DF CARF MF Processo nº 10980.720171/201004 Resolução nº 3401002.147 S3C4T1 Fl. 5.733 4 autuações. Repisam alegações das impugnações, dentre elas a de exclusão do ICMS da base de cálculo da Contribuição. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos do Processo Administrativo Fiscal, pelo que dele conheço. Todavia, o julgamento deve sobrestado por envolver a discussão sobre a inclusão (ou não) do ICMS próprio nas bases de cálculo do PIS e Cofins. Quanto à remessa de ofício, sua análise do mesmo modo deve adiada para que o julgamento se dê em conjunto com o recurso voluntário, de modo a ser formalizado um único acórdão deste Colegiado e o processo não ser apartado. Fosse apenas em face da alegação de suposta “quebra” do sigilo bancário (é preferível dizer “transferência”, já que os dados continuam sob a guarda da Receita Federal), com base na qual a pessoa jurídica também requer o sobrestamento deste julgamento, não veria tal necessidade. É que, como bem observou o acórdão recorrido, os valores lançados do PIS e da Cofins foram levantados pela fiscalização a partir dos livros e documentos fiscais apresentados pela contribuinte. Não se trata, por exemplo, de omissão de receita detectada a partir de movimentação bancária. Impõese o sobrestamento tãosomente porque o debate sobre inclusão (ou não) do ICMS na base de cálculo do PIS Faturamento e da Cofins está sob análise do Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário nº 574706, que versa sobre o seguinte (tema 69, dentre aqueles sob repercussão geral): Recurso extraordinário em que se discute, à luz do art. 195, I, b, da Constituição Federal, se o ICMS integra, ou não, a base de cálculo da contribuição para o Programa de Integração Social PIS e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS Não pode, pois, ser analisado nesta oportunidade, em obediência ao § 2º do art. do Anexo II do RICARF, acrescentado pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, que dispõe o seguinte: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. Fl. 5733DF CARF MF Processo nº 10980.720171/201004 Resolução nº 3401002.147 S3C4T1 Fl. 5.734 5 § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Como informa o sítio do Colendo Tribunal na internet (consulta em 03 de outubro de 2011), o debate A matéria também é objeto da ADC nº 18 e do RE nº 2407852/MG. Apreciando Medida Cautelar na referida Ação Declaratória de Constitucionalidade, o STF, em 13/08/2008, resolvendo questão de ordem suscitada no sentido de dar prosseguimento ao julgamento do RE nº 240.7852/MG, por maioria deliberou pela precedência do controle concentrado em relação ao controle difuso, conforme a ementa seguinte (negrito acrescentado): Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal. A eficácia da liminar acima foi prorrogada várias vezes pelo STF (vencidos os Min. Marco Aurélio e Celso de Melo), sempre pelo prazo de 180 dias, sendo que em 25/03/2010 tal prorrogação teria se dado pela última vez, segundo o Plenário do Colendo Tribunal (conforme o sítio do STF na internet, consultado em 09/08/2012). Pelo exposto, levando em conta art. 62A, § 2º, do RICARF, voto por sobrestar o julgamento até que o STF decida sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo do PIS Faturamento e Cofins. Somente após decisão transitada em julgado do Colendo Tribunal sobre o tema é que o processo deve retornar a esta Turma para julgamento. Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 5734DF CARF MF
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