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Numero do processo: 10283.720483/2014-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2009 a 30/09/2010
AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. MATÉRIA SUMULADA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 01).
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA.
De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
COMPENSAÇÃO. SENTENÇA JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. EXIGÊNCIA.
O artigo 170-A do CTN é explicito e não permite a compensação de sentença judicial antes do trânsito em julgado.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu.
TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA.
De acordo com o disposto na Súmula CARF nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2201-003.731
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
EDITADO EM: 31/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2009 a 30/09/2010 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. MATÉRIA SUMULADA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 01). ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. COMPENSAÇÃO. SENTENÇA JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. EXIGÊNCIA. O artigo 170-A do CTN é explicito e não permite a compensação de sentença judicial antes do trânsito em julgado. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula CARF nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
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RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. MATÉRIA SUMULADA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 01). ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. COMPENSAÇÃO. SENTENÇA JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. EXIGÊNCIA. O artigo 170A do CTN é explicito e não permite a compensação de sentença judicial antes do trânsito em julgado. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula CARF nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 04 83 /2 01 4- 09 Fl. 726DF CARF MF Processo nº 10283.720483/201409 Acórdão n.º 2201003.731 S2C2T1 Fl. 703 2 inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. EDITADO EM: 31/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls. 546/607), interpostos contra decisão da DRJ em Ribeirão Preto/SP, de fls. 507/535, que julgou procedente o lançamento de contribuições patronais devidas à Seguridade Social decorrente da glosa de compensação, supostamente objeto de contestação judicial, sem que a respectiva decisão judicial tenha transitado em julgado. A compensação indevida foi relativa às competências de 11/2009 a 09/2010, e originou o crédito tributário da contribuição previdenciária objeto do DEBCAD 51.068.9108 no valor total de R$ 10.232.047,68, já inclusos juros e multa de mora (até o mês da lavratura), apurado com base nos valores efetivamente compensados pelo contribuinte, por meio de declaração em GFIP. Além disso, foi efetuado o lançamento da multa isolada de 150%, com base no art. 89, §10, da Lei nº 8.212/91, por falsidade na declaração nas competências de 12/2009, 01/2010 a 10/2010, objeto do DEBCAD 51.068.9094, cujo valor é de R$ 9.407.552,03. Os autos de infração encontramse acostados às fls. 283/301, com ciência da RECORRENTE em 28/11/2014 (fl. 294 e 301). Fl. 727DF CARF MF Processo nº 10283.720483/201409 Acórdão n.º 2201003.731 S2C2T1 Fl. 704 3 De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 307/311, “as contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social, levantadas neste AI (...), correspondem ao valor da glosa das compensações efetuadas nas competências 11/2009 a 10/2010, uma vez que a empresa efetuou as compensações sem possuir o respectivo crédito originário”. A autoridade lançadora acrescenta ainda que “o contribuinte efetuou compensação de créditos inexistentes, uma vez que considerou o pagamento de diversas parcelas incidentes de contribuição previdenciária como recolhimento indevido. A planilha de compensação apresentada pelo contribuinte demonstra que este se compensou de valores referente a férias gozadas e 1/3 das férias gozadas, sem esperar o trâmite definitivo da sentença conforme previsto no art 170A CTN”. A RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 314/388 em 18/12/2014. Quando do julgamento do caso, a DRJ de origem, às fls. 507/535, dos autos, julgou procedente o lançamento. Tal decisão contém o seguinte relatório, que adoto, por sua clareza e precisão: Fundamentos dos lançamentos fiscais Resultaram da ação fiscal os seguintes lançamentos fiscais: 1. DEBCAD 51.068.9094 – objeto: a imposição de multa isolada em razão da realização de compensações consideradas irregulares pela Fiscalização. 2. DEBCAD 51.068.9108 – objeto: glosa das compensações realizadas. O Relatório Fiscal se reporta à legislação que trata da compensação das contribuições previdenciárias e destaca que o Contribuinte, ao realizar as compensações, deixou de observar a exigência legal contida no artigo 170A do CTN. A incidência da multa isolada foi assim justificada pela Fiscalização: 11. A Empresa não retificou e nem recolheu, embora intimada pela EQMACO (conforme consta em peça anexada aos presentes autos e que deu inicio a esta Fiscalização), as GFIPs referentes ao período objeto de glosa, mesmo após ciência da r. sentença que citou o art 170A do CTN e da intimação EQMACO e SEORT/MNS, todas anexas ao eprocesso. Dessa forma, como não houve declaração em GFIP da retenção sofrida pela empresa nessas competências, não há que se falar em crédito no valor de RS 6.271.701,35, merecendo este ser glosado combinada com multa isolada, tendo em vista a inserção de informações não verdadeiras em GFIP. Fundamentos da Impugnação O Contribuinte apresenta sua Impugnação, acompanhada de cópias de documentos diversos, com as seguintes razões e respectivos requerimentos: 1. Protesta pela tempestividade da Impugnação. Fl. 728DF CARF MF Processo nº 10283.720483/201409 Acórdão n.º 2201003.731 S2C2T1 Fl. 705 4 2. Segue, afirmando que a compensação glosada foi feita com base em mandado de segurança que patrocina; que o procedimento fiscal estaria em desacordo com a legislação atinente e que teriam sido ignorados os documentos apresentados, documentos esses que seriam suficientes para determinar a homologação do procedimento realizado. 3. Sustenta que, por não haver “correlação lógica entre os valores lançados e a base de cálculo utilizada para a apuração dos supostos créditos tributários” a autuação estaria eivada por “vício insanável”. 4. Assim descreve o objeto e fundamentos da medida judicial intentada, bem como as razões que justificariam a compensação realizada: Aliás, as parcelas compensadas pela impugnante, referemse às contribuições sociais providenciarias incidentes nos quinze (15) primeiros dias de afastamento da atividade laboral, antes da concessão do auxíliodoença e do auxílioacidente, bem como sobre as verbas pagas a título de adicional de 1/3 de férias, férias gozadas e salário maternidade. Em sendo tais valores pagos em circunstâncias em que não há, indubitavelmente, prestação de serviço por parte de seus colaboradores, temse que não configurada, por consequência, a hipótese de incidência prevista no inciso I do artigo 22, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1.991. 5. Ressalva a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários lançados, em face das disposições do artigo 15 do Decreto 70.235/1972 e artigo 151 do CTN. E acrescenta que, em razão do trâmite da medida judicial intentada, seriam nulas as medidas adotadas pela Fiscalização, ao que se acrescentariam os efeitos da liminar obtida: Assim, enquanto houver decisão e acórdão que assegure a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não há como a Autoridade administrativa autuar a ora Impugnante, devendo o presente auto ser considerado nulo. Nesse sentido, corrobora a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, que durante a vigência da liminar, caracterizada pela suspensão da exigibilidade do crédito tributário, ocorre o afastamento dos juros e multa de mora em relação ao aludido período da vigência da suspensão, qual seja: (...). Desse modo, é inequívoco o entendimento dos tribunais superiores que, enquanto houver a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, a Fazenda, ora Impugnada, não pode utilizar nenhum meio de cobrança das exações vinculadas à aludida suspensão, principalmente, porque não há o decurso da decadência ou prescrição, bem como, não há a incidência de multa e juros moratórios durante o referido período. Fl. 729DF CARF MF Processo nº 10283.720483/201409 Acórdão n.º 2201003.731 S2C2T1 Fl. 706 5 6. Sobre a mesma questão – efeitos da suspensão da exigibilidade dos créditos tributários – aduz: Observase assim claramente a insubsistência dos lançamentos, uma vez que ao menos parte dos débitos nele englobados encontrase com exigibilidade suspensa. Portanto, imperioso o provimento da Impugnação, para CANCELAR a cobrança das fixações, haja vista a ausência de liquidez, certeza e mesmo executoriedade quanto aos valores lançados. Subsidiariamente, requer a Impugnante seja o julgamento do presente processo convertido em diligência, para que se apure e exclua no cômputo total do suposto débito a parcela inegavelmente suspensa da Contribuição Previdenciária. 7. Discorre sobre o que considera inconstitucionalidade de contribuições previdenciárias sobre as seguintes rubricas: Remuneração devida ao segurado doente ou acidentado nos primeiros quinze dias de afastamento. Saláriomaternidade. Férias e respectivo terço constitucional. 8. Transcreve jurisprudência e invoca a “aplicação do recurso representativo da controvérsia – repetitivo – art. 543C do CPC”. 9. Defende a viabilidade jurídica da compensação na forma e condições realizadas, com fundamento no artigo 66 da Lei 8.383/1991, na medida em que o procedimento não demandaria prévia “outorga judicial”. E, quanto, à exigência contida no artigo 170A do CTN, assim se posiciona: Por outro lado, também não houve violação ao artigo 170A do CTN, uma vez que esta é uma regra que o Legislador dirigiu ao Poder Judiciário e não ao contribuinte. O Juiz, ante a imposição do artigo 170A do CTN, está impedido de autorizar a compensação antes do trânsito em julgado, mas o dispositivo não proíbe que o contribuinte faça seu regular pedido de compensação. (...). Como se não bastasse, a Lei n° 8.383/91, em seu art. 66, trata de uma modalidade de compensação passível de ser realizada pelo contribuinte no âmbito do lançamento por homologação, sujeita a posterior fiscalização. O art. 170 do Código Tributário – e seu apêndice, o artigo 170A – cuidam de outra modalidade de compensação, realizada diretamente pelos agentes fiscais a pedido do contribuinte, e que extingue o credito tributário (já constituído, portanto), nos termos do art. 156, II, do CTN. 10. Ainda quanto à possibilidade legal de seu procedimento, acrescenta: Fl. 730DF CARF MF Processo nº 10283.720483/201409 Acórdão n.º 2201003.731 S2C2T1 Fl. 707 6 Por seu turno, o Superior Tribunal de Justiça assentou, em sede de embargos de divergência, que, na hipótese de tributos lançados por homologação, o contribuinte pode realizar a compensação independente de qualquer procedimento administrativo preparatório, a qual estará, naturalmente, apenas sujeita à posterior homologação pelo Fisco: (...) Ao invés de antecipar o pagamento do tributo, o contribuinte registra na escrita fiscal o credito oponível à Fazenda Pública, recolhendo apenas o saldo eventualmente devido. A homologação subsequente, se for o caso, correspondente à constituição do crédito tributário que, nessa modalidade de lançamento fiscal, se extingue concomitantemente pelo efeito de pagamento que isso implica (STJ, 1a Seção, Embargos de Divergência no REsp n° 78.301/BA, j. em 11.12.1997, RSTJ 96/46). Dessa forma, temse claro que não há nenhuma ilegalidade no procedimento levado a efeito pela Impugnante, bem como não foi utilizado nenhum ardil com o objetivo do fraudar a arrecadação. Antes, tratase de compensação perfeitamente autorizada pelo Ordenamento Jurídico, efetivada por meio de expedientes contábeis próprios. 11. Nega que a compensação, na forma de inclusão de crédito em GFIP, constitua irregularidade: A conduta de informar em GFIP ao órgão da administração pública nada mais é do que uma obrigação acessória do contribuinte, não sendo apta a substituir o lançamento tributário, função primordialmente atribuída ao Fisco. 12. Quanto à incidência da multa isolada, discorre sobre as premissas legais da sua incidência; sobre as presentes circunstâncias e transcreve jurisprudência. E, enfim, assim se manifesta: Ademais, ainda que se entenda por indevidas as compensações, a multa isolada deve ser afastada, seja por inexistência de indícios de falsidade, seja por se tratar de multa confiscatória, desproporcional e desarrazoada. Conforme já esclarecido acima, resta consignado que os valores lançados pela Impugnante nas suas GFIP's, refletem a apurações de recolhimentos indevidos e amparados por sentença parcialmente procedente, e que a impugnante comprova a sua INDUBITÁVEL BOAFÉ, submetendo todas as informações, procedimentos e documentos ao crivo do Judiciário e do próprio Fisco, o que se materializou nos autos do Mandado de Segurança acima mencionado. A realização de compensação em qualquer uma das hipóteses autorizada pela Lei, não caracteriza fraude fiscal e, tampouco, o dolo, já que não há que se falar em fraude se não houver dolo. Sonegação, fraude e conluio são formas diversas de evasão fiscal, e em todas essas hipóteses deverá estar presente o dolo. Fl. 731DF CARF MF Processo nº 10283.720483/201409 Acórdão n.º 2201003.731 S2C2T1 Fl. 708 7 (...). Assim, não poderá haver presunção de fraude para fins de aplicação da multa isolada aqui confrontada, visto que esta deverá ser provada e caberá prova em contrário. Dentro deste contexto, em razão de tudo o que foi demonstrado, não há, em absoluto, que se falar em máfé ou em indícios de falsidade, devendo ser afastada não só a absurda, desproporcional, desarrazoada e confiscatória (CF, art. 150, inciso IV) multa isolada, julgandose o Al TOTALMENTE IMPROCEDENTE. 13. Além do mais, defende que a multa aplicada afrontaria princípios constitucionais (isonomia tributária, moralidade da “administração pública fiscal”, capacidade contributiva, da estrita legalidade, não confisco), concluindo a respeito: Impõese, portanto, caso Vossa Senhoria entenda pela legitimidade total do auto ora atacado, seja afastado o parâmetro estabelecido a título de multa aplicada, ante seu evidente caráter confiscatório, a fim de que seja adotado patamar condizente com a realidade dos fatos. 14. Ainda, quanto à aplicação da multa isolada, ressalva e requer: Fora reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal a repercussão geral acerca do caráter confiscatório de multas estabelecidas sem atendimento aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade no Recurso Extraordinário n° 640.452/RO, atualmente de relatoria do Ministro Roberto Barroso, conforme se depreende da manifestação apresentada pelo relator, Ministro Joaquim Barbosa, e levada a apreciação no plenário eletrônico: (...). Sendo assim, como a impugnação trata do caráter confiscatório da multa, é imperioso que o trâmite do presente processo administrativo seja sobrestado até que se tenha a apreciação do tema pelo Pretório Excelso, nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e conforme já decidiu este egrégio Conselho no acórdão n° 230102.448, proferido nos autos do processo n° 13888.002355/200721 em 01 de dezembro de 2011: (...). Nestes termos, deve o Processo Administrativo permanecer sobrestado até que se resolva a questão incidente em sede de Recurso Extraordinário. 15. Formula seus requerimentos: Anulação dos lançamentos fiscais, em razão de “preterição do direito de defesa, ou violação da motivação dos atos administrativos, do contraditório e da ampla defesa”. Fl. 732DF CARF MF Processo nº 10283.720483/201409 Acórdão n.º 2201003.731 S2C2T1 Fl. 709 8 Pleiteia “que o presente seja suspenso devido à repercussão geral”. Quanto “ao mérito”, a anulação dos débitos, em face da sua “insubsistência”, sendo “convalidada” a compensação realizada. Requer a “descaracterização” da multa isolada. Requer, também, a realização de “sustentação oral”, “quando do julgamento da referida Impugnação”; “a realização de diligências necessárias para o real deslinde do feito e regularização da fiscalização realizada”. Finalmente, pede que as publicações e intimações “referentes ao presente feito sejam sempre lançadas em nome do patrono...”, sob pena de nulidade. Conforme já exposto, a DRJ de origem julgou improcedente a impugnação. O acórdão proferido na ocasião possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2009 a 30/09/2010 JUÍZO DE INCONSTITUCIONALIDADE INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. É vedado à instância administrativa de julgamento proferir decisões acerca da inconstitucionalidade das leis (artigo 26A do Decreto 70.235/1972). CONCOMITÂNCIA DE DISCUSSÕES NOS ÂMBITOS JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. As normas que disciplinam o Processo Administrativo Fiscal não prevêem seu sobrestamento até o deslinde de ação judicial que verse sobre a mesma matéria, não obstante a impossibilidade da discussão na esfera administrativa das questões submetidas à discussão judicial. ACRÉSCIMOS LEGAIS. PERCENTUAIS E VALORES DAS MULTAS APLICADAS. No âmbito do processo administrativo fiscal, atendidos os limites e parâmetros legais pertinentes, não há o que considerar, em relação à multa aplicada, quanto às alegações de inobservância de princípios administrativos e constitucionais (tais como razoabilidade ou vedação ao confisco). COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS ATRAVÉS DE GFIP. HIPÓTESES LEGAIS. No âmbito das contribuições previdenciárias, admitese a compensação nos casos de pagamento ou recolhimento indevido ou a maior, assim como nos casos de retenção em razão de prestação de serviços de cessão de mãodeobra ou empreitada Fl. 733DF CARF MF Processo nº 10283.720483/201409 Acórdão n.º 2201003.731 S2C2T1 Fl. 710 9 (Lei 8.212/1991), sujeitandose, entretanto, mesmo nessas hipóteses, às condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, inclusive a operacionalização por GFIP e de acordo com as respectivas regras pertinentes. GFIP. INOBSERVÂNCIA DAS REGRAS APLICÁVEIS. A prestação de informações através de GFIP está sujeita às correspondentes determinações legais, inclusive, as regras constantes do respectivo Manual, sujeitandose o declarante à multa quando deixa de observar as respectivas regras, especialmente ao transmitir dados incorretos ou omissos. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS. A suspensão da exigibilidade dos créditos tributários se sujeita às respectivas regras legais (CTN, artigo 151). PRODUÇÃO DE PROVAS. Quanto à produção de provas, o processo administrativo fiscal está sujeito a regras próprias (Decreto 70.235/1972), estando, por isso, a sua realização condicionada a prérequisitos legais específicos, aqui não cumpridos. SUSTENTAÇÃO ORAL. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. O pedido de sustentação oral deve ser indeferido, no âmbito do processo administrativo fiscal, em julgamento de primeira instância, por falta de previsão legal. INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. A intimação do Contribuinte, quanto aos atos relativos ao processo administrativo fiscal, deve se dar nos termos e condições do Decreto 70.235/1972. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO VOLUNTÁRIO A RECORRENTE, devidamente intimada da decisão da DRJ em 24/05/2016, conforme faz prova o “Aviso de Recebimento” de fl. 543, apresentou o recurso voluntário de fls. 546/607 em 22/06/2016. Em suas razões, praticamente reiterou os argumentos da Impugnação. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Fl. 734DF CARF MF Processo nº 10283.720483/201409 Acórdão n.º 2201003.731 S2C2T1 Fl. 711 10 Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Em princípio, passo a analisar as questões preliminares arguidas pela RECORRENTE. PRELIMINARES Nulidade por violação da motivação dos atos administrativos Alega a RECORRENTE que o modo superficial como a questão foi tratada nos autos tornou impossível compreender as infrações imputadas contra ela. Assim, ante a ausência de motivação explícita, clara e congruente, restou prejudicada o seu direito à ampla defesa. No entanto, entendo que não merece prosperar a alegação da RECORRENTE. Verificase que os Autos de Infração de fls. 283/301, aliado ao Relatório Fiscal de fls. 307/311, trazem todos os fatos e embasamento legal que envolvem o presente caso, não deixando margem para dúvidas de que o lançamento se originou da glosa de compensação informada em GFIP pela RECORRENTE no período de 11/2009 a 09/2010. A autoridade lançadora deixa claro que, mediante análise ada documentação apresentada pela RECORRENTE, esta utilizou créditos inexistentes para efetuar a compensação, pois “considerou o pagamento de diversas parcelas incidentes de contribuição previdenciária como recolhimento indevido” sem esperar o trânsito em julgado de sentença judicial, conforme determina o art. 170A do CTN. A autoridade fiscal apontou o crédito discriminado por competência, conforme tabela abaixo extraído do Relatório Fiscal (fl. 308), e alegou que a base de cálculo foi apurada de acordo com os valores efetivamente compensados pelo contribuinte, por meio de declaração em GFIP (R$ 6.271.701,35): Fl. 735DF CARF MF Processo nº 10283.720483/201409 Acórdão n.º 2201003.731 S2C2T1 Fl. 712 11 Sendo assim, entendo que não deve prosperar tal alegação de nulidade, na medida em que não foram apontados vícios relacionados ao ato de constituição do crédito tributário especificados no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, nem qualquer afronta ao art. 142 do CTN, quais sejam: Decreto nº 70.235/72: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Conforme acima exposto, o lançamento não se encontra eivado de vícios. Tanto que a RECORRENTE, em sua defesa, rebateu os fatos descritos pela autoridade lançadora, inclusive discute sobre a legitimidade do crédito utilizado na compensação das contribuições previdenciárias, demonstrando entender perfeitamente as acusações que lhes foram imputadas. Suspensão da exigibilidade do crédito ante a apresentação de defesa administrativa A RECORRENTE afirma que deve ser suspensa a exigibilidade dos créditos ora discutidos uma vez que houve a apresentação de Recurso Voluntário. Fl. 736DF CARF MF Processo nº 10283.720483/201409 Acórdão n.º 2201003.731 S2C2T1 Fl. 713 12 Tal questão não comporta maiores digressões, eis que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, em discussão administrativa, independe de qualquer requerimento por parte da contribuinte, uma vez que decorre de expressa previsão do art. 151, III, do CTN. Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; Face ao exposto, não conheço a preliminar. MÉRITO Em seu apelo, a RECORRENTE alega que os créditos por ela utilizados na compensação são absolutamente legais. Em suma, afirma que não merecer prosperar a glosa da compensação, haja vista que utilizou créditos provenientes do Mandado de Segurança nº 2008.32.00.0069621 (NPU 000683476.2008.4.01.3200), cujo objeto é afastar a exigibilidade da contribuição previdenciária sobre as seguintes rubricas: (i) auxílio acidente e auxílio doença (nos primeiros 15 dias); (ii) férias gozadas; (iii) adicional de férias; e (iv) salário maternidade. Alega que houve sentença proferida no referido processo judicial determinando a suspensão da “exigibilidade da contribuição previdenciária incidente sobre o valor pago pela impetrante referente aos 15 primeiros dias de afastamento do empregado em gozo de auxíliodoença e auxílioacidente, bem como reconhecer o direito à compensação, nos termos da legislação aplicável à matéria, de valores pagos pela impetrante, em razão do referido dispositivo legal, até a vigência das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002, corrigidos pela taxa SELIC, nos termos do artigo 39, §4º, da Lei nº 9.250/95”. Assim, afirmou que era legítimo o seu direito à compensação, mesmo reconhecendo que estava pendente de julgamento o recurso extraordinário interposto nos autos do mencionado Mandado de Segurança. Nos autos do presente processo administrativo, a RECORRENTE faz um relato acerca da competência para instituir a contribuição previdenciária patronal, prevista no art. 195, I, da Constituição, e concluiu que sua hipótese de incidência é o pagamento destinado a retribuir o trabalho efetivo ou potencial, nos termos do art. 22, I, da Lei nº 8.212/91. Neste sentido, em ofensa ao princípio da legalidade estrita, a autoridade fiscal estaria cobrando da RECORRENTE as contribuições previdenciárias “sobre valores pagos em situações em que não há remuneração por serviços prestados”, quais sejam: Fl. 737DF CARF MF Processo nº 10283.720483/201409 Acórdão n.º 2201003.731 S2C2T1 Fl. 714 13 (i) importâncias pagas nos 15 primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado (antes da eventual obtenção do auxíliodoença ou auxílioacidente; (ii) valores pagos a título de salário maternidade; (iii) importâncias pagas a título de férias gozadas e adicional de férias de 1/3; (iv) aviso prévio indenizado; Alega que todas as verbas acima teriam caráter indenizatório e, portanto, “não se inserem na hipótese de incidência prevista no artigo 22, inciso I, da Lei nº 8.212/91”, haja vista que não são remunerações devidas em razão de trabalho prestado. Neste sentido, a RECORRENTE expõe em seu recurso voluntário as razões pelas quais entende ser indevida a exigência da contribuição previdenciária sobre as verbas acima mencionadas. Feitas essas considerações, passo a analisar a delimitação do litígio objeto do presente processo administrativo. Da delimitação do litígio: processo judicial e questões de inconstitucionalidades A RECORRENTE afirma que ajuizou a ação nº 2008.32.00.0069621 (NPU 000683476.2008.4.01.3200) para suspender a exigibilidade da contribuição previdenciária prevista no art. 22, I, da Lei nº 8.212/91 sobre verbas que considera ser de caráter indenizatório, conforme já exposto acima. Neste ponto, alega que a autoridade fiscal “lançou tais valores relativos à parte suspensa da Contribuição Previdenciária”, o que denota a insubsistência do lançamento, pois “ao menos parte dos débitos nele englobados encontramse com exigibilidade suspensa”. Assim, requereu o cancelamento da autuação ou, subsidiariamente, a conversão em diligência para apurar e excluir do lançamento a parcela inegavelmente suspensa da contribuição previdenciária. A cópia do processo judicial nº 2008.32.00.0069621 encontrase acostada às fls. 665/689 dos autos. Neste ponto, importante trazer dois aspectos afim de delimitar o que pode ser objeto do presente processo: O primeiro aspecto diz respeito ao fato de a RECORRENTE ter levado ao judiciário a discussão da incidência de contribuição previdenciária acerca das seguintes verbas: (i) 15 primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado (antes da eventual obtenção do auxíliodoença ou auxílioacidente; (ii) salário maternidade; e (iii) férias gozadas e adicional de férias de 1/3. Neste sentido, colaciono parte do pedido apresentado no mandado de segurança nº 2008.32.00.0069621 (fl. 687): Fl. 738DF CARF MF Processo nº 10283.720483/201409 Acórdão n.º 2201003.731 S2C2T1 Fl. 715 14 Portanto, uma vez que tal pleito está sendo discutido na ação judicial nº 2008.32.00.0069621 (NPU 000683476.2008.4.01.3200), é inviável o conhecimento das alegações da RECORRENTE por parte deste Tribunal Administrativo, nos termos da Súmula CARF nº 1, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Não pode o CARF se debruçar sobre tais questões na medida em que a matéria se encontra sub judice. Ademais, as alegações de inconstitucionalidade da cobrança da contribuição previdenciária sobre as várias verbas mencionadas pela RECORRENTE (importâncias pagas nos 15 primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado antes da obtenção do auxíliodoença ou auxílioacidente; salário maternidade; férias gozadas e adicional de férias de 1/3; e aviso prévio indenizado) também não podem ser objeto de apreciação pelo CARF, nos termos da Súmula 02: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. O segundo aspecto importante para delimitar o litígio concerne no fato de que o lançamento ocorreu em decorrência da glosa de compensação acusada como indevida pela autoridade fiscal, ao passo que em diversas passagens de sua defesa a RECORRENTE acusa que estaria sendo lançada a contribuição previdenciária sobre verbas de natureza indenizatórias e, inclusive, parcelas cuja exigibilidade encontrase suspensa por força de decisão judicial. Importante esclarecer que, se a RECORRENTE, a partir de determinada competência, não incluiu tais verbas em GFIP e, consequentemente, deixou de recolher a respectiva contribuição previdenciária, este fato não é objeto do presente processo. A discussão nesses autos é a “glosa das compensações efetuadas nas competências 11/2009 a 10/2010, uma vez que a empresa efetuou as compensações sem possuir o respectivo crédito originário” Ou Fl. 739DF CARF MF Processo nº 10283.720483/201409 Acórdão n.º 2201003.731 S2C2T1 Fl. 716 15 seja, o que se discute é a utilização de crédito inexistente no valor de R$ 6.271.701,35 para compensar contribuições previdenciárias devidas no período de 11/2009 a 10/2010. Durante a fiscalização, após intimação da RECORRENTE para prestar esclarecimentos acerca da compensação realizada, a RECORRENTE afirmou que o crédito por ela utilizado era decorrente “do processo judicial que afastou do campo de incidência da contribuição previdenciária determinados valores” (fl. 168). Também em resposta ao Termo de Intimação de fls. 160/161, a RECORRENTE apresentou planilha identificando a origem dos valores compensados (fls. 189/191). Da análise da referida planilha, é possível observar que o crédito apurado pela RECORRENTE tem origem na contribuição previdenciária sobre as seguintes verbas: (i) 15 primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado (antes da eventual obtenção do auxíliodoença ou auxílioacidente; (ii) salário maternidade; e (iii) férias gozadas e adicional de férias de 1/3. Ou seja, é exatamente o objeto do mandado de segurança nº 2008.32.00.0069621, por ela impetrado. E o período do suposto crédito é de janeiro/1999 a agosto/2008 (mês anterior à impetração do mandamus). Sendo assim, as alegações a respeito da incidência de contribuições previdenciárias sobre o aviso prévio indenizado não guardam qualquer pertinência com o presente caso. Ou seja, o que está em jogo é a glosa da compensação, e não eventual lançamento sobre verbas porventura não declaradas em GFIP. Neste sentido, os argumentos da RECORRENTE não a socorrem, pois o que interessa é observar a razão de o crédito não ter sido aceito. Segundo a autoridade fiscal, o crédito não foi aceito pois anda estava em litigio judicial a questão. Portanto, a lide se resume a discussão acerca da possibilidade de a RECORRENTE aplicar o art. 66 da Lei nº 8.383/91 para efetuar a compensação, ou deveria ter ela observado o disposto no art. 170A do CTN. Do dispositivo legal aplicável às compensações Conforme acima exposto, a totalidade do crédito que a RECORRENTE alega possuir, e que foi por ela utilizado para compensar débitos de contribuições previdenciárias, é objeto de ação judicial. Sendo assim, não cabe neste processo reconhecer a legitimidade de tais créditos, haja vista que é do Poder Judiciário a palavra final sobre a possibilidade ou não de não incidência de contribuições sobre as verbas que a RECORRENTE entende serem indenizatórias. No entanto, é preciso saber se foi correta a atitude da RECORRENTE de tratar como legítimos os créditos pleiteados em ação judicial, mesmo antes do trânsito em julgado. Em sua defesa, a contribuinte afirma que o art. 66 da Lei nº 8.383/91 possibilita a utilização de créditos de tributos pagos a maior ou indevidamente para compensar débitos vincendos, “independentemente de autorização da Administração Pública ou de sentença transitada em julgado”: Fl. 740DF CARF MF Processo nº 10283.720483/201409 Acórdão n.º 2201003.731 S2C2T1 Fl. 717 16 Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. § 2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. § 4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. Argumenta ainda que o STJ, em sede de embargos de divergência em Recurso Especial nº 78.301/BA, já definiu que, na hipótese de tributos lançados por homologação, o contribuinte pode realizar a compensação independente de qualquer procedimento administrativo preparatório, e que tal compensação estará apenas sujeita a posterior homologação pelo Fisco. No entanto, entendo que não merece prosperar as argumentações da RECORRENTE, pois, no presente caso, a contribuinte considerou como existentes os créditos que ela mesma está discutindo a legitimidade em ação judicial. Ora, é evidente que a orientação do STJ é válida em relação ao procedimento de compensação de tributos. No entanto, a questão objeto deste processo diz respeito a utilização de crédito objeto de ação judicial movida pela RECORRENTE antes de ter ocorrido o trânsito em julgado da ação. Quando a compensação é realizada mediante a utilização de créditos incontroversos, o Fisco simplesmente homologa tal ato e extingue o débito compensado. Por outro lado, quando for verificada a utilização de créditos ilegítimos, o Fisco não homologa a compensação e, ato continuo, realiza o procedimento previsto em lei para cobrar o crédito indevidamente compensado. Assim, entendo que não podem ser considerados incontroversos os créditos tributários cuja legitimidade está sendo discutida em ação judicial movida pelo próprio contribuinte, pendente de trânsito em julgado da decisão final. Existe no ordenamento jurídico disposição expressa neste sentido, conforme art. 170A do CTN: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Ao levar para o Judiciário a discussão acerca da não incidência de contribuição previdenciária sobre determinadas regras e, consequentemente, da existência de créditos relativos aos respectivos valores recolhidos nos últimos anos, o contribuinte deve Fl. 741DF CARF MF Processo nº 10283.720483/201409 Acórdão n.º 2201003.731 S2C2T1 Fl. 718 17 aguardar a decisão final de seu pleito. E isto devese em homenagem ao princípio da segurança jurídica, a fim de evitar contradição entre a ordem judicial e o ato de compensação levado ao conhecimento do Fisco. Maior exemplo disso é a própria sentença proferida nos autos do mandado de segurança impetrado pela RECORRENTE (fls. 217/225), oportunidade em que foi concedida parcialmente a segurança postulada, “para suspender a exigibilidade da contribuição previdenciária incidente sobre o valor pago pela impetrante referente aos 15 primeiros dias de afastamento do empregado em gozo de auxíliodoença e auxílioacidente, bem como reconhecer o direito à compensação, nos termos da legislação aplicável à matéria, de valores pagos pela impetrante, em razão do referido dispositivo legal, até a vigência das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002, corrigidos pela taxa SELIC, nos termos do artigo 39, §4º, da Lei nº 9.250/95, contado do recolhimento indevido, sem descurar do disposto no artigo 170A, do Código Tributário Nacional”. Ou seja, a sentença reconheceu que são devidas as contribuições previdenciárias sobre o salário maternidade, as férias e o adicional de 1/3, pois considerou tais verbas como de natureza remuneraria e, portanto, base de cálculo da contribuição. Ora, se o próprio Poder Judiciário não está reconhecendo a legitimidade de parte dos créditos pleiteados pela RECORRENTE, embasado em que a contribuinte efetuou a compensação utilizando tais créditos? Reitero que as decisões judiciais não podem ser revistas pela autoridade julgadora administrativa. Importante destacar que caso a RECORRENTE efetuasse a compensação sem levar o caso ao Poder Judiciário, estaria se discutindo na esfera administrativa a legitimidade de tais créditos. No entanto, como o contribuinte levou a questão para apreciação do Judiciário, não cabe mais no processo administrativo fazer análise acerca da existência do crédito. Portanto, deve o contribuinte respeitar a regra insculpida no art. 170A do CTN, qual seja, aguardar o trânsito em julgado da decisão judicial para apurar o crédito considerado legítimo e efetuar a compensação com os débitos que possuir. Neste sentido, cito vasta jurisprudência do CARF: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2009 a 30/04/2011 (...) COMPENSAÇÃO. SENTENÇA JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. EXIGÊNCIA. O artigo 170A do CTN é explicito e não permite a compensação de sentença judicial antes do trânsito em julgado. (...) (acórdão nº 2201003.369; 2ª Seção / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária; julgado em 18/01/2017) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 742DF CARF MF Processo nº 10283.720483/201409 Acórdão n.º 2201003.731 S2C2T1 Fl. 719 18 Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2012 (...) COMPENSAÇÃO. CONTESTAÇÃO JUDICIAL De acordo com o artigo 170A do Código Tributário Nacional " é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (...) (acórdão nº 2202003.768; 2ª Seção / 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária; julgado em 04/04/2017) Ademais, a sentença é expressa ao afirmar que a RECORRENTE deveria aguardar o trânsito em julgado da decisão judicial para realizar a compensação dos tributos pagos a maior, ante a impossibilidade de provimento jurisdicional de imediato em relação a um direito condicionado a uma decisão cujo resultado futuro ainda era incerto. Colaciono a parte da sentença que trata sobre o tema (fl. 223): Esclareçase que o acórdão proferido no processo judicial (fls. 253/267) não conheceu da Apelação interposta pela RECORRENTE (pois intempestiva) e deu parcial provimento ao apelo da Fazenda Nacional apenas para limitar a compensação dos créditos com débitos de contribuições destinadas ao custeio da Seguridade Social. Fl. 743DF CARF MF Processo nº 10283.720483/201409 Acórdão n.º 2201003.731 S2C2T1 Fl. 720 19 Foram interpostos Recursos Extraordinários, mas que se encontram sobrestados, aguardando julgamento de recurso representativo da controvérsia no STF, conforme tela do extrato de acompanhamento processual: A decisão de sobrestamento encontrase acostada às fls. 268/271. Aqui, acredito ser importante apontar exemplo da importância de se aguardar o transito em julgado de decisão judicial para realizar a compensação de tributos, conforme determina o art. 170A do CTN. O acórdão de fls. 253/267 aplicou ao caso a prescrição decenal para pleitear a compensação e, assim, reconheceu tãosomente a prescrição das parcelas recolhidas anteriormente a 02/10/1998 (10 anos antes da impetração do mandado de segurança). No entanto, a decisão de sobrestamento do feito (fls. 268/271) já reconheceu que tal questão encontrase superada pela jurisprudência do STF, que reconheceu válida a aplicação do prazo de 05 anos para pleitear a restituição/compensação para as ações ajuizadas a partir de 09/06/2005 (após decurso da vacatio legis da Lei Complementar nº 118/2005). Sendo assim, como o mandado de segurança foi impetrado pela RECORRENTE em 02/10/2008, a decisão judicial foi expressa ao afirmar que o acórdão recorrido deverá, no momento oportuno, ser submetido ao juízo de retratação. No entanto, no presente caso, além de utilizar créditos não reconhecidos por sentença judicial, a RECORRENTE ainda apura o suposto crédito no período de janeiro/1999 a agosto/2008, por entender que teria direito ao prazo prescricional de 10 anos para pleitear compensação. No entanto, já há expresso reconhecimento de que, caso subsista o direito creditório da RECORRENTE, este deve se limitar aos 05 anos anteriores ao ajuizamento do mandado de segurança. Esta é a segurança jurídica que se almeja e que deve ser observada. Portanto, não há qualquer conflito entre a norma do art. 66 da Lei nº 8.383/91 e aquela disposta no art. 170A do CTN, devendo esta última ser aplicada ao caso concreto. Multa isolada. Não cabimento. Caráter confiscatório Como consequência do lançamento pela compensação indevida, são também aplicadas as sanções previstas em lei pela utilização de crédito inexistente, haja vista que a compensação é ato que extingue o crédito tributário, nos termos do art. 156, II, do CTN. Ou Fl. 744DF CARF MF Processo nº 10283.720483/201409 Acórdão n.º 2201003.731 S2C2T1 Fl. 721 20 seja, ao contrário do pedido de restituição, na compensação o contribuinte extingue um débito que tinha com o Fisco. Assim, caso a autoridade fiscal detecte que a compensação foi realizada com créditos inexistentes, não incontroversos, deve aplicar a correspondente multa isolada de 150% prevista no art. 89, §10, da Lei nº 8.212/91: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. Por sua vez, o art. 44 da Lei nº 9.430/96 possui a seguinte redação: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Neste sentido, a declaração falsa prestada pelo contribuinte no sentido de alegar a existência de créditos em seu favor autoriza a lavratura da multa isolada de 150% sobre o valor total do débito indevidamente compensado. No presente caso, o Relatório Fiscal afirma que “a empresa efetuou as compensações sem possuir o respectivo crédito originário. O contribuinte efetuou compensação de créditos inexistentes, uma vez que considerou o pagamento de diversas parcelas incidentes de contribuição previdenciária como recolhimento indevido (...) sem esperar o trâmite definitivo da sentença conforme previsto no art 170A CTN”. Tais compensações foram consideradas indevidas porque a Lei não prevê a compensação de valores que estão em discussão judicial antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, muito menos antes de obter decisão favorável. Ademais, a RECORRENTE utilizou créditos já prescritos, portanto, inexistentes. Sobre o tema, transcrevo as já mencionadas ementas dos julgados proferidos pelo CARF: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 745DF CARF MF Processo nº 10283.720483/201409 Acórdão n.º 2201003.731 S2C2T1 Fl. 722 21 Período de apuração: 01/11/2009 a 30/04/2011 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. INSERÇÃO DE INFORMAÇÃO FALSA. OCORRÊNCIA A Lei de Custeio da Previdência Social determina a aplicação da multa isolada no caso de compensação indevida em que se verifique falsidade da declaração prestada pelo sujeito passivo. É falsa a informação que diverge daquela constante da sentença que possibilita a compensação efetuada. (...) (acórdão nº 2201003.369; 2ª Seção / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária; julgado em 18/01/2017) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2012 (...) COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES COM CRÉDITOS INEXISTENTES. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos inexistentes, de fato ou de direito, seja por utilizar créditos prescritos, seja pela compensação antes do trânsito em julgado de ação judicial. Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da Lei nº 8.212/1991, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" à compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. (acórdão nº 2202003.768; 2ª Seção / 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária; julgado em 04/04/2017) Deste modo, entendo correta a aplicação da multa de 150% sobre o valor total do débito indevidamente compensado, haja vista que a RECORRENTE não possuía o direito líquido e certo para utilizar tais créditos na compensação de tributos, restando evidenciada a falsidade da declaração em GFIP. Sobre eventual caráter confiscatório da penalidade, esclareço que o art. 142 do CTN dispõe sobre o dever da autoridade lançadora de aplicar a penalidade cabível quando do lançamento do crédito tributário, sob pena de responsabilidade funcional, visto que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória. Assim, no momento em que o auditor realiza de ofício o lançamento, devem ser aplicadas as correspondentes multas (de ofício e/ou isoladas) envolvendo os fatos constatados, por estrita determinação legal. Fl. 746DF CARF MF Processo nº 10283.720483/201409 Acórdão n.º 2201003.731 S2C2T1 Fl. 723 22 Portanto, é insubsistente o argumento da RECORRENTE, de que a multa possui caráter confiscatório, haja vista a previsão legal para a incidência da multa não pode deixar de ser observada. Quanto às alegações de inconstitucionalidade levantadas pela RECORRENTE, esclareçase, novamente, que, de acordo com o disposto na Súmula nº 02 deste órgão julgador administrativo, esta é matéria estranha à sua competência. Conforme já exposto, a aplicação da multa é dever da autoridade fiscal, que tem a obrigação de aplicala sob pena de responsabilidade funcional. Não é, portanto, penalidade aplicada ao livre arbítrio pelo auditor fiscal a ensejar a discussão acerca de seu efeito confiscatório. A análise do caráter confiscatório é reservada ao STF, a quem competente a guarda da Constituição da República, nos termos do art. 102 da Carta Magna. Importante esclarecer que as decisões judiciais apontadas pela RECORRENTE em seu recurso voluntário apenas produzem efeitos entre as partes dos processos nos quais as mesmas foram proferidas, não estendendo seus efeitos ao presente caso. As decisões judiciais, a exceção daquelas proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade de normas legais, não têm caráter de norma geral, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão àquele objeto da decisão. Portanto, não há razão para afastar a aplicação da multa isolada de 150%. Taxa Selic A RECORRENTES alega ser indevida a aplicação da correção pela SELIC. No entanto, de acordo com a Súmula nº 04 deste CARF, sobre os créditos tributários, são devidos os juros moratórios calculados à taxa referencial do SELIC, sendo a conferir: “SÚMULA CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Portanto, não se pode requerer que a autoridade lançadora afaste a aplicação da lei, na medida em que não há permissão ou exceção que autorize o afastamento dos juros moratórios. A aplicação de tal índice de correção e juros moratórios é dever funcional do Fisco. CONCLUSÃO Por todo o exposto, conheço em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Fl. 747DF CARF MF Processo nº 10283.720483/201409 Acórdão n.º 2201003.731 S2C2T1 Fl. 724 23 (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 748DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.000064/2006-39
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2000 TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PRÉVIO PAGAMENTO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário tem como termo inicial: (i) em regra, o disposto no art. 173, I, do CTN, ou seja, o prazo é de cinco anos contados "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado"; (ii) nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando existir prévio pagamento, o prazo é de cinco anos contado do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS E DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL (LEI Nº 9.430/96, ART. 42). INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, deixar de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Em se tratando de presunção legal, cabe ao Fisco a prova do fato indiciário. Ao contribuinte incumbe provar que o fato indiciário não leva, em seu caso concreto, ao fato presumido por lei. Esse ônus não pode ser transferido pelo contribuinte à Administração Tributária.
Numero da decisão: 1802-000.956
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
Nome do relator: Nelso Kichel
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INEXISTÊNCIA DE PRÉVIO PAGAMENTO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário tem como termo inicial: (i) em regra, o disposto no art. 173, I, do CTN, ou seja, o prazo é de cinco anos contados "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado"; (ii) nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando existir prévio pagamento, o prazo é de cinco anos contado do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS E DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL (LEI Nº 9.430/96, ART. 42). INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, deixar de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Em se tratando de presunção legal, cabe ao Fisco a prova do fato indiciário. Ao contribuinte incumbe provar que o fato indiciário não leva, em seu caso concreto, ao fato presumido por lei. Esse ônus não pode ser transferido pelo contribuinte à Administração Tributária. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL 2 ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL IMPRESTÁVEL. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA NÃO ESCRITURADA. ARBITRAMENTO DO LUCRO. NATUREZA INCONDICIONAL. Cabível o arbitramento do lucro quando, além da não escrituração do livro Registro de Inventário, a escrituração contábil dos livros apresentados é imprestável para apuração do lucro real, em face da falta de escrituração da movimentação financeira bancária, a qual representa a imensa maioria da receita bruta da empresa dos períodos de apuração fiscalizados. O regime de arbitramento do lucro é incondicional. A eventual disponibilização da documentação posteriormente, cuja falta ensejou o arbitramento do lucro, não tem o condão de modificar o ato administrativo do lançamento. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. Após ciência do início do procedimento de fiscalização, o contribuinte perde a espontaneidade fiscal e a falta de pagamento espontâneo dos tributos, em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da fiscalização, implica na exigência do principal com multa de ofício mínima de 75% (setenta e cinco por cento), desde que não seja hipótese de agravamento por embaraço à fiscalização ou de qualificação por conduta dolosa (fraude fiscal), quando a multa será ainda maior. LANÇAMENTOS REFLEXOS: CSLL, PIS E COFINS. A decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, aos decorrentes, por força da relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Marcelo Baeta Ippolito e Marco Antonio Nunes Castilho. Ausente justificadamente o Conselheiro André Almeida Blanco. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL Processo nº 10283.000064/200639 Acórdão n.º 180200.956 S1TE02 Fl. 2 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 397/404 contra decisão da 1ª Turma da DRJ/Belém (fls. 386/391verso) que julgou procedente, em parte, o lançamento do crédito tributário do IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e Cofins) do anocalendário 2000, pelo reconhecimento de decadência parcial. Quanto aos fatos, consta do auto de infração do IRPJ que houve arbitramento do lucro, quanto ao anocalendário 2000 (fls.11/13), in verbis: (...) Razão do arbitramento no(s) período(s): 03/2000 06/2000 09/2000 12/2000 Arbitramento do lucro tributável (IRPJ) e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) que se faz tendo em vista que a escrituração mantida pelo contribuinte é imprestável para determinação, com segurança, do lucro real em razão de omitir parcela de 83 % (oitenta e três por cento), igual a R$ 3.425.020,21, do total das vendas brutas conhecidas, igual R$ 4.112.091,50, na respectiva declaração de informações econômicofiscais (DIPJ) e de apurar prejuízo fiscal nos 4(quatro) trimestres do anocalendário (erro insanável). Enquadramento Legal: A partir de 01/04/1999 Art. 530, inciso II, do RIR/99. (...) 001 DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS (...) No curso de procedimento de fiscalização do IRPJ desenvolvido, iniciado em 300404, constatamos que o contribuinte DEIXOU DE INCLUIR em seus livros Diário e Razão, bem como na respectiva declaração de informações econômico fiscais (DIPJ), créditos efetuados em suas contascorrentes bancárias, no ano calendário 2000, no valor total anual de R$ 3.425.020,21, cujas origens de que não se tratam de recursos oriundos das atividades comerciais (vendas de mercadorias) deixou de ser comprovado, inequivocamente. A falta de escrituração e de inclusão na declaração DIPJ dos referidos créditos bancários caracteriza omissão de registro de receitas operacionais em igual valor, de acordo com o disposto no artigo 287 do RIR/99. Com base nos extratos bancários apresentados pelo próprio contribuinte, elaboramos o Demonstrativo dos Créditos em Fl. 430DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL 4 ContasCorrentes e os Extratos da Movimentação Financeira, em anexo, que passam a ser partes integrantes e inseparáveis deste Auto de Infração. (...) 002 RECEITAS OPERACIONAIS (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA) DESCLASSIFICAÇÃO DE ESCRITURAÇÃO (VENDAS DE PRODUTOS) (...) Também foi constatada a falta de escrituração do livro Registro de Inventário, com os saldos dos estoques de mercadorias apurados em 311299, em 310300, em 310600, em 300900 e em 311200. Assim sendo, por erro insanável, desclassificamos a escrituração dos livros diário e razão e os respectivos resultados apresentados pelo contribuinte, para ARBITRAR o lucro tributável e a base cálculo da Contribuição Social com base nas receitas brutas declaradas, no total anual de R$ 687.071,29, conforme Demonstrativo dos Créditos em ContasCorrentes, em anexo, que passam a ser partes integrantes e inseparáveis deste Auto de Infração. (...) Infrações imputadas: 1) – Receitas omitidas – presunção legal depósitos bancários não contabilizados e de origem não comprovada, no valor de R$ 3.425.020,21 (RIR/99, art. 287; Lei nº 9.430/96, art. 42). Exigência do IRPJ e Reflexos (CSLL, PIS e Cofins); 2) – Receita bruta operacional declarada R$ 687.071,29 (também submetida ao arbitramento do lucro, em face da desclassificação da escrituração contábil/fiscal). Exigência de IRPJ e CSLL. Obs: a autuada no anocalendário 2000, no regime de apuração do lucro real trimestral, apurou prejuízos fiscais nos 4 (quatro) trimestres, ou seja, não apurou IRPJ e CSLL, conforme cópia da DIPJ (fls. 333/338 e 339/342). A contribuinte forneceu os extratos bancários do anocalendário 2000, objeto do lançamento fiscal. Foi aplicado, pela fiscalização, o coeficiente de arbitramento do lucro de 9,6% sobre a receita bruta. O crédito tributário, lançado de ofício, totaliza a quantia de R$ 645.882,63, incluindo o principal (IRPJ, PIS, Cofins e CSLL), a multa de oficio e os juros de mora atualizados até 30/11/2005. A contribuinte tomou ciência do lançamento fiscal em 30/12/2005 (fls. 10, 18, 25 e 32), oferecendo impungnação na primeira instância, cujas razões, em síntese, são as seguintes: Fl. 431DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL Processo nº 10283.000064/200639 Acórdão n.º 180200.956 S1TE02 Fl. 3 5 Decadência: que os créditos tributários dos fatos geradores até 30/11/2000 estão atingidos pela decadência, na forma do art. 150, § 4º, do CTN; Omissão de receitas: a) que da receita omitida devem ser excluídos os valores dos créditos oriundos de transferências bancárias, incluídos nos Extratos da Movimentação Financeira das três contascorrentes (Banco Rural — conta n° 0016414; Banco do Brasil — conta n° 14842 e Banco Sudameris —conta n° 26018496), na forma do art. 287, do RIR/99; b) que os créditos efetuados nas contas bancárias têm origem legal e comprovada; c) que os créditos bancários apontados para fins de tributação não se prestam como prova irrefutável do controle paralelo das receitas; d) que cabe ao fisco demonstrar que as operações que deram origem aos depósitos bancários derivam de vendas; e) que, nos termos do art. 333, I, do CPC, o ônus da prova cabe ao autor da alegação quanto ao fato constitutivo de seu direito, no caso a Receita Federal do Brasil; f) que eventual falta de contabilização de parte dos depósitos bancários deve ser analisada em conjunto com a escrituração dos gastos relacionados; g) que coloca à disposição da RFB seus livros e documentos contábeis para, se for o caso, realizar perícias ou um novo procedimento fiscal. Arbitramento do lucro: a) que somente caberia a desclassificação da escrituração contábil se os livros não tivessem sido apresentados durante a fiscalização; b) que o livro Registro de Inventário não foi apresentado à fiscalização por ter sido extraviado, porém, em caso de imprescindibilidade, poderia ainda ser refeito; c) que art. 288 do RIR determina a manutenção do regime de tributação adotado pelo contribuinte autuado. A decisão recorrida, como já mencionado, manteve o lançamento fiscal em parte, reconhecendo a decadência quanto apenas aos períodos de apuração que, antes do início da fiscalização, havia comprovadamente prévio pagamento parcial (aplicação do art. 150, § 4º, do CTN). Por outro lado, em relação aos períodos de apuração, sem prévio pagamento parcial, aplicou o prazo decadencial do art. 173, I, também, do CTN. A propósito, a decisão recorrida tem a seguinte ementa (fl. 386): (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 Fl. 432DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL 6 IRPJ. PIS. COFINS. CSLL. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos lançamento cuja exação se faz por homologação, havendo pagamento antecipado do imposto, ou da contribuição, e ausentes o dolo, fraude ou simulação, realizase a contagem do prazo decadencial pelo disposto no § 4° do art. 150 do CTN. De outra forma, aplicase a regra ordinária da decadência estampada no art. 173, inciso I, do CTN. PRESUNÇÃO JURIS TANTUM. INVERSÃO DO ONUS DA PROVA. FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. A presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova. Nesse caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos (fato jurídico tributário), nos termos do art. 334, IV, do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Os vícios, erros e deficiências encontrados na escrituração, que a torne imprestável para indicar a movimentação bancária ou determinar o lucro real, são motivos suficientes para arbitramento do lucro. PIS. COFINS. CSLL Aplicase às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decido em relação ao lançamento matriz, dada a intima relação de causa e efeito que os une. Lançamento Procedente em Parte (...) Irresignada com a decisão a quo da qual tomou ciência em 06/04/2009 (fl. 392verso), a recorrente apresentou Recurso Voluntário em 06/05/2009 de fls. 397/404, cujas razões, em síntese, são as seguintes: que para os fatos geradores do anocalendário 2000, ocorridos até o dia 30/11/2000, decaiu o direito de lançamento de ofício a partir de 01/12/2005 para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, independentemente da existência, ou não, de prévio pagamento parcial; que, se vencida na preliminar suscitada, ainda assim, os lançamentos não devem prosperar, pois: a) quanto aos depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada: não há que se falar em inversão do ônus da prova, mas sim fazer a correta apreciação dos livros escriturados e documentos apresentados; b) em relação ao arbitramento do lucro: a eventual falta de escrituração de parte dos depósitos bancários do anocalendário 2000 deve ser analisada em conjunto com a escrituração, ou seja, com os gastos ou despesas relacionados à produção dessas receitas; que o fisco não levou em consideração os livros contábeis da empresa, para efeito de dedução dos Fl. 433DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL Processo nº 10283.000064/200639 Acórdão n.º 180200.956 S1TE02 Fl. 4 7 custos/despesas; que o fisco tem a obrigação legal de fazer a correta apuração, sob pena de enriquecimento ilícito; que não cabe a alegação de que os livros contábeis e fiscais são imprestáveis; que os lançamentos devem ser feitos por homologação e não por arbitramento. c) deve ser afastada a multa de 75% pela ausência de dolo, fraude ou simulação, e pela inexistência de diferenças a serem exigidas; d) devese considerar os valores pagos a título do IRPJ e excluir da base de cálculo as receitas de vendas não recebidas; e) devem as exigências reflexas seguir a sorte do IRPJ. Por fim, com base nessas razões, a recorrente pediu provimento ao recurso. É o relatório. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL 8 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, tratam os autos de crédito tributário do IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e Cofins) do anocalendário 2000, em face das seguintes infrações imputadas: a) omissão de receitas – presunção legal – depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada. Exigência do IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e Cofins); b) receitas declaradas na DIPJ (também submetidas ao lucro arbitrado em face da desclassificação da escrituração contábil/fiscal). Nesse anocalendário, no regime de apuração do lucro real trimestral, a contribuinte apurou prejuízos fiscais nos quatro trimestres, ou seja, não apurou IRPJ e CSLL, conforme cópia da DIPJ (fls. 333/338 e 339/342). Exigência do IRPJ e da CSLL. A decisão recorrida, com base no art. 150, § 4º, do CTN, reconheceu a decadência parcial do crédito tributário apenas quanto aoss períodos de apuração que houve, comprovadamente, prévio pagamento parcial, ou seja: a) CSLL, período de apuração/2º trimestre 2000; b) Cofins, períodos de apuração: janeiro, fevereiro e junho/2000; c) PIS, períodos de apuração: janeiro, fevereiro, junho e julho/2000. Para os demais períodos de apuração do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, que não houve prévio pagamento parcial, a decisão recorrida aplicou o prazo de decadência do art. 173, I, do CTN. DIREITO DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA A recorrente irresignada com a decisão a quo, reitera que o prazo para lançamento do crédito tributário, nos tributos sujeitos à lançamento por homologação, contase a partir do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), independentemente da existência de prévio pagamento parcial. Não tem razão a recorrente. Quanto aos períodos de apuração que houve, comprovadamente, prévio pagamento de imposto e contribuições, a decisão recorrida já reconheceu a decadência parcial da diferença de crédito tributário lançada de ofício. Desde o início, convém frisar que, em consonância com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ, o entendendimento deste Égregio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, e desta Turma também, é no sentido de que inexistindo prévio pagamento da respectiva exação fiscal submetida a lançamento por homologação, há Fl. 435DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL Processo nº 10283.000064/200639 Acórdão n.º 180200.956 S1TE02 Fl. 5 9 deslocamento da contagem do prazo decadencial do art. 150, § 4º, para o inciso I do art. 173, ambos, dispositivos legais, do CTN. Nesse sentido, trascrevo precedente do STJ, in verbis: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. EXTINÇÃO DO PROCESSO DE EXECUÇÃO. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECLARADO E NÃO PAGO. CORRETA APLICAÇÃO DO ART. 173, I, DO CTN. PRECEDENTES. RECURSO DESPROVIDO. 1. Esta Corte temse pronunciado no sentido de que o prazo decadencial para constituição do crédito tributário pode ser estabelecido da seguinte maneira: (a) em regra, seguese o disposto no art. 173, I, do CTN, ou seja, o prazo é de cinco anos contados "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado"; (b) nos tributos sujeitos a lançamento por homologação cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo é de cinco anos contados do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. (REsp nº 413.265). Como demonstrado, o STJ adota duas regras distintas para definir o prazo decadencial para exercício do lançamento: uma geral, contida no artigo 173, I, do CTN; outra específica, do artigo 150, § 4º, aplicável aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, desde que relativo ao período de apuração tenha havido prévio pagamento parcial. Ou seja: havendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial é de 5 (cinco) anos, para o lançamento de eventuais diferenças, contado o prazo a partir do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Por outro lado, inexistindo prévio pagamento, o termo inicial do prazo é o do art. 173, I, do mesmo diploma legal citado. No mesmo sentido, também os precedentes jurisprudenciais deste CARF: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL ANOCALENDÁRIO: 1991 DECADÊNCIA A partir da Súmula 8 do STF, a contagem do prazo decadencial para o lançamento da CSLL deve orientarse pelos dispositivos do CTN, e não mais pelo art. 45 da Lei 8.212/1991. A extinção definitiva do crédito tributário pelo § 4º do art. 150 do CTN, e a conseqüente decadência a ela atrelada, só ocorre se, antes disso, a situação sob exame configurar, a partir de um juízo de tipicidade, a hipótese prevista no caput deste mesmo artigo. Não havendo antecipação de pagamento, a contagem do prazo decadencial é feita pelo art. 173 do CTN, e não pelo art. 150. (Acórdão 19800.074, sessão de 09/12/2008, Relator José de Oliveira Ferraz Corrêa). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS. Período de apuração: 01/01/1998 a 30/09/1998. COFINS. DECADÊNCIA. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL 10 Uma vez que o STF, por meio da Súmula Vinculante nº 8, considerou inconstitucional o art. 45 da Lei n2 8.212/91, há que se reconhecer a decadência, em conformidade com o disposto no Código Tributário Nacional. Assim, o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente ao PIS decai no prazo de cinco anos fixado pelo CTN, sendo, com fulcro no art. 150, § 4º, caso tenha havido antecipação de pagamento, inerente aos lançamentos por homologação, ou art. 173, I, em caso contrário. (Acórdão 20181.461, sessão de 08/10/2008, Relator Maurício Taveira e Silva). Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário. Data do fato gerador: 12/03/1997. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. O prazo decadencial é de cinco anos, contados do exercício seguinte àquele em que o lançamento do crédito poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I do CTN, para os tributos cuja lei prevê o lançamento por homologação, nos casos em que o contribuinte não tenha efetuado o pagamento. (Ac. 30134.676, sessão de 12/08/2008, Relatora Irene Sousa da Trindade Torres). Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1998 a 31/07/2002. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. DECADÊNCIA. PRAZO. INCONS TITUCIONALIDADE. DECISÃO DO STF. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA. Ao julgar os Recursos Extraordinários nºs 556.664, 559.882, 559.943 e 560.626, em 11/06/2008, e ao fixar os efeitos modulatórios da referida decisão, o pleno do STF declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Assim, a teor do disposto no art. 4º, parágrafo único, do Decreto nº 2.346/97, havendo pagamento parcial, o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente às eventuais diferenças de Cofins e do PIS extinguese em cinco anos, contados da data de ocorrência do fato gerador, conforme disposto no art. 150, § 4º, do CTN. (Acórdão 20219.214, sessão de 05/08/2008, Relator Antonio Zomer). Como demonstrado, não há reparo a fazer na decisão recorrida. Por conseguinte, rejeito a preliminar de decadência. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS E DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS . PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA . ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96. ANOCALENDÁRIO 2000 A recorrente, intimada pelo fisco, forneceu cópias dos extratos bancários de suas contas correntes do anocalendário 2000; intimada a comprovar a origem dos depósitos bancários não escriturados, não conseguiu desencumbirse desse ônus. Nesta instância de julgamento, mais uma vez, a recorrente não produziu prova para afastar a presunção legal de omissão de receitas. Do total de receita bruta conhecida, anocalendário 2000, ou seja, R$ 4.112.091,50, a recorrente deixou de registrar na sua escrituração contábil 83% de suas receitas, ou seja, R$ 3.425.020,21 (depósitos bancários a crédito não registrados na sua escrituração contábil e de origem não comprovada, configurando, por presunção legal, omissão de receitas – art. 287 do RIR/99 e art. 42 da Lei nº 9.430/96). Fl. 437DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL Processo nº 10283.000064/200639 Acórdão n.º 180200.956 S1TE02 Fl. 6 11 O fisco pode sim, por presunção legal, imputar omissão de receitas, no caso de depósitos bancários de origem não comprovada com documentos hábeis e idôneos, uma vez que não mais se aplica a Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos e, também, não se aplicam os precedentes jurisprudenciais invocados, administrativos ou judiciais, pois calcados em legislação revogada. Isto porque existem duas realidades distintas no que se refere ao uso da movimentação financeira para a caracterização da omissão de receitas, sendo uma com base no art. 6°, § 5°, da Lei nº 8.021/1990 (dispositivo legal revogado pela Lei n. 9.430/96), e a outra com base no art. 42 da Lei n° 9.430/1996, vejamos: Lei n° 8.021/1990 "Art. 6º. O lançamento de oficio, além dos casos já especificados em lei, farse á arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. (...) § 5º O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações."[revogado] Lei n°9.430/1996 "Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantido junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Com base nos dispositivos acima transcritos, verificase que o que distingue uma realidade da outra é que a partir de 01/01/1997 — entrada em vigor da Lei n° 9.430/96 , a existência de depósitos não escriturados ou de origem não comprovada tornouse uma nova hipótese legal de presunção de omissão de receitas, que veio a se juntar as outras já existentes no ordenamento jurídico, sendo que, a partir daí, atenuouse a carga probatória atribuída ao fisco, que precisa apenas demonstrar a existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada para satisfazer o onus probandi a seu cargo. Antes, tal previsão para depósitos bancários inexistia e, com isso, o fisco necessitava, nos estritos termos do art. 6°, caput, e § 5°, da Lei n° 8.021/1990, não apenas constatar a existência dos depósitos bancários, mas estabelecer uma conexão, um nexo causal, entre tais depósitos e alguma exteriorização de riqueza e/ou operação concreta do sujeito passivo que pudesse dar ensejo à omissão de receitas. O fato é que, após a edição da Lei n° 9.430/1996, a movimentação bancária mantida ao largo da escrituração contábil da empresa ou sem comprovação da origem, presumese realizada com valores omitidos à tributação, salvo prova em contrário, não mais se aplicando, portanto, o entendimento exarado na Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL 12 Para fatos geradores a partir de 1°/01/1997, no tocante à omissão de rendimentos/receitas, com base em depósitos bancários com origem não comprovada, tem vigência única e plenamente o art. 42 da Lei n° 9.430196. Esse diploma legal encerra presunção legal que implica inversão do ônus da prova. O ônus da prova de que não houve omissão de receitas/rendimentos, por conseguinte, é da contribuinte. Não há que se falar em sinais exteriores de riqueza ou prova do consumo da renda para tributar depósitos bancários com origem não comprovada pelo contribuinte, conforme matéria já sumulada: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. O depósito bancário de origem não comprovada é rendimento tributável pelo imposto de renda, por presunção legal. Esse entendimento encontrase pacificado, inclusive, no âmbito do Conselho de Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Nesse sentido, transcrevo precedentes jurispruencias deste Egrégio Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantidos junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.(Acórdão nº 10809.836, sessão de 05 de fevereiro de 2009, Relatora Valéria Cabral Géo Verçoza). ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA Ano calendário: 2002 a 2004 Ementa: IRPJ — DEPÓSITOS BANCÁRIOS — OMISSÃO DE RECEITAS PRESUNÇÃO LEGAL Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.(Acórdão nº 10197.116, sessão de 05 de fevereiro de 2009, Relator Valmir Sandri). ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES Exercício: 2003, 2004 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA —PROCEDÊNCIA Caracterizam omissão de receita os valores Fl. 439DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL Processo nº 10283.000064/200639 Acórdão n.º 180200.956 S1TE02 Fl. 7 13 creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA PRESUNÇÃO LEGAL Em se tratando de presunção legal, cabe ao Fisco a prova do fato indiciário. Ao contribuinte incumbe provar que o fato indiciário não leva, em seu caso concreto, ao fato presumido por lei. Esse ônus não pode ser transferido pelo contribuinte à Administração Tributária.(Acórdão nº 10517.369, sessão de 17 de dezembro de 2008, Relator Waldir Veiga Rocha). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício. 2000, 2001, 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI N° 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÓNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários.(Acórdão nº 10249.393, sessão de 06 de novembro de 2008. Relatora Núbia Matos Moura). Assunto: SIMPLES NACIONAL EXERCÍCIO: 2004, 2005 Ementa: PRESUNÇÃO LEGAL OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA ARTIGO 42, DA LEI N°. 9.430, DE 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.(Acórdão nº 195 0.088, sessão 09 de dezembro de 2008, Relator Benedicto Celso Benicio Junior). OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS: Caracterizase como omissão de receita os depósitos bancários feitos em nome de interposta pessoa quando as pessoas envolvidas devidamente intimadas não comprovem a origem em Fl. 440DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL 14 renda ou receita. A proporcionalização de acordo com a receita declarada de cada pessoa jurídica que movimentou recursos nas contas não macula o lançamento, pois demonstra a aplicação da prudência da lógica e coerência por parte da fiscalização. (AC. CSRF nº 0105.643, sessão de 27 de março de 2007, Redator designado José Cóvis Alves). Em relação a utilização dos dados de movimentação financeira bancária para lançamento de tributos (sigilo bancário), prejudicada qualquer discussão, pois a recorrente espontaneamente forneceu os extratos bancários de suas contas correntes. Portanto, quanto à infração omissão de receitas por presunção legal (depósitos bancários, a crédito, não escriturados e de origem não comprovada), não há reparo a fazer na decisão recorrida. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL IMPRESTÁVEL. ARBITRAMENTO DO LUCRO A recorrente rebelase contra o ato de arbitramento do lucro do ano calendário 2000, em face da desclassificação de sua escrituração contábil/fiscal que implicou não aproveitamento das despesas/custos escriturados. Aqui, também, não tem melhor sorte a recorrente. No anocalendário 2000, a recorrente escriturou os custos e despesas, porém deixou de registrar na sua escrituração contábil/fiscal 83% de sua receita bruta (omissão de receitas). Em face disso, com base no regime de apuração do lucro real trimestral, a contribuinte apurou prejuízos fiscais nos 4 (quatro trimestres) desse ano, não apurando IRPJ e CSLL. Nesse contexto, a recorrente foi submetida a procedimento de fiscalização pela RFB, culminando na desclassificação de sua escituração contábil/fiscal, por ser imprestável para apuração do IRPJ e da CSLL com base no lucro real. A desclassificação da sua escrituração contábil/fiscal deuse à luz do art. 47 da Lei n° 8.981/95, que assim dispõe, verbis: Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: I – o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real ou submetido ao regime de tributação de que trata o DecretoLei n°2.397, de 1987, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real. (...) Fl. 441DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL Processo nº 10283.000064/200639 Acórdão n.º 180200.956 S1TE02 Fl. 8 15 Do total de receita bruta conhecida, anocalendário 2000, ou seja, R$ 4.112.091,50, a recorrente deixou de registrar na sua escrituração contábil 83% de suas receitas, ou seja, R$ 3.425.020,21 (depósitos bancários a crédito não registrados na sua escrituração contábil e de origem não comprovada). No caso, como demonstrado, o arbitramento do lucro de ofício, diversamente do entendimento da recorrente, foi imprescindível. Na verdade, o regime do arbitramento do lucro foi a única solução possível em face da imprestabilidade de sua escrituração contábil e fiscal, e por ser, nesse caso, o regime de tributação menos oneroso à recorrente. Senão vejamos: Se a fiscalização, simplesmente, adicionasse o montante das receitas omitidas às receitas declaradas e apurasse o IRPJ e a CSLL com base no lucro real trimestral (regime de apuração da recorrente até então), subtraindo os valores dos tributos já declarados com base na receita declarada, a carga tributária dessas exações fiscais seria maior (muito maior), por duas razões: (i) as despesas/custos seriam apenas os já registrados na escrituração contábil imprestável; (ii) não havia, além disso, IRPJ e CSLL recolhidos para o anocalendário com base na receita declarada, pois a contribuite apurou prejuízos fiscais no ano (em face da omissão de receitas). Já, pela aplicação de ofício do regime do lucro arbitrado, a base de cálculo do IRPJ foi de apenas 9,6% (coeficiente de presunção do lucro) e da CSLL foi de 12% (coeficiente de presunção) sobre o montante da receita bruta apurada pelo fisco (receita escriturada + receita omitida). Ou seja, para o IRPJ foram considerados 90,4% de custos/despesas presumidos e para a CSLL foram considerados custos/despesas presumidos de 88%. Nesse caso, realmente a jurisprudência deste Egrégio Conselho Administrativo, e da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, é firme no sentido de fazer prevalecer o arbitramento do lucro, pois a manutenção do regime do lucro real, sem despesas/custos a deduzir em relação às receitas omitidas, seria demasiadamente oneroso para a contribuinte. Nesse sentido, transcrevo ementas de decisões deste Egrégio Conselho (precedentes) que, mutatis mutandis, reconhecem e justificam a aplicação do arbitramento do lucro, quando a escrituração contábil/fiscal é imprestável para apuração do lucro real, como no caso: IRPJ GLOSA DE DESPESAS PRESERVAÇÃO DA APURAÇÃO PELO LUCRO REAL Incabível a preservação da tributação pelo lucro real quando a autoridade fiscal procede à glosa da quase totalidade das despesas operacionais lançadas. Nesse caso, deve o Fisco arbitrar o lucro da pessoa jurídica, pois a tributação pelo lucro real pressupõe a existência de escrituração regular, assim entendida aquela que tem seus lançamentos lastreados por documentos hábeis e idôneos, registrados em livros comerciais e fiscais, tendo como ponto de partida o lucro liquido, que é a soma algébrica de receitas, Fl. 442DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL 16 custos e despesas. Recurso de ofício negado.(1º CC/Acórdão nº 10808.184). IRPJ GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS Incabível a preservação da tributação pelo real, quando a autoridade fiscal procede à glosa de 100% dos custos e 99,97% das despesas operacionais da pessoa jurídica, em razão da não apresentação dos documentos comprobatórios reiteradamente solicitados. Nesse caso, deve o Fisco arbitrar o lucro da pessoa jurídica, pois a tributação pelo lucro real pressupõe escrituração regular, assim entendida, aquela que tem seus lançamentos lastreados em documentos hábeis e idôneos. Recurso voluntário provido.(Acórdão CSRF 0102.554). Como demonstrado, o arbitramento de lucro não é penalidade; é regime de apuração do imposto, em face da imprestabilidade da escrituração contábil e fiscal. Tanto não é penalidade que, sua aplicação, dáse, como no caso, quando a maior parte da receita bruta é omitida (contabilidade imprestável), afastando a aplicação do regime de tributação mais gravoso (Lucro Real), pela inexistência de despesas/custos escriturados atinentes às receitas omitidas. Além disso, o arbitramento é sempre definitivo ou incondicional, sendo incabível reapreciação posterior da escrituração da contribuinte, conforme os seguintes precedentes deste Égrégio Conselho: IRPJ ANO CALENDÁRIO 1997— LUCRO ARBITRADO — SUJEITO PASSIVO REGULARMENTE INTIMADO DEIXA DE APRESENTAR DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS DO REGIME DE TRIBUTAÇÃO ADOTADO — ARBITRAMENTO CONDICIONAL — INEXISTÊNCIA — Cabível o arbitramento do lucro quando a pessoa jurídica deixa de exibir ao Fisco, após reiteradas intimações, os livros e documentos de sua escrituração comercial e fiscal, comprobatórios do regime de tributação conforme as regras do lucro real (art. 47, inciso III da Lei n° 8.981/1995). O Regime de arbitramento é incondicional. A eventual disponibilização da documentação cuja falta ensejou o arbitramento do lucro, não tem o condão de modificar o ato administrativo do lançamento.(Acórdão CC nº 10194.411, sessão de 04/11/2003, Relator Raul Pimentel). OMISSÃO DE RECEITAS. LUCRO ARBITRADO. Inexistente a escrituração regular e não atendidos os requisitos para tributação pelo lucro presumido ou real, impõese o regime do lucro arbitrado, que será aplicado sobre as receitas declaradas e omitidas, compensandose o imposto já recolhido. (...) LUCRO ARBITRADO. PERÍCIA CONTÁBIL. O arbitramento do lucro não é condicional, sendo defeso a apresentação posterior de escrituração contábil, indeferindose o pedido de perícia formulado sem atender os requisitos do art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72. (Acórdão CARF nº 1803 –00.764, sessão de 26/01/2011, Relator Walter Adolfo Maresch). ESCRITURAÇÃO COMERCIAL. DEFICIÊNCIAS. LUCRO ARBITRADO. A apresentação de escrituração incompleta, impedindo a devida apuração dos tributos por parte da Fiscalização, enseja o arbitramento dos lucros auferidos pela Fl. 443DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL Processo nº 10283.000064/200639 Acórdão n.º 180200.956 S1TE02 Fl. 9 17 pessoa jurídica. LUCRO ARBITRADO. ESCRITURAÇÃO APRESENTADA POSTERIORMENTE. Tendo em vista a não existência de arbitramento condicional, o ato administrativo do lançamento não é modificável pela apresentação posterior da escrituração, cuja inexistência ou não apresentação foi a causa do arbitramento. (Acórdão CARF nº 130200.458, sessão de 26/01/2011, Relator Marcos Rodrigues de Mello). ARBITRAMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS. Comprovada a falta de apresentação dos livros que amparariam a tributação com base no lucro real, cabível é o arbitramento do lucro. Atendidos os pressupostos objetivos e subjetivos na prática do ato administrativo de lançamento, sua modificação ou extinção somente se dará nos casos previstos cru lei (CTN, art. 141). Como inexiste arbitramento condicional, o ato administrativo de lançamento não é modificável pelo posterior oferecimento do documentário cuja falta de apresentação foi a causa do arbitramento. (Acórdão CARF nº 1801 – 00.075, sessão de 25/08/2009, Relator Marcos Vinícius Barros Ottoni). ARBITRAMENTO DO LUCRO LEGITIMIDADE É legítimo o arbitramento do lucro fundado na não apresentação dos livros e documentos fiscais e contábeis, sendo inócua a sua apresentação posterior à fase de instrução, eis que não existe arbitramento condicional.(Acórdão CC nº 10517.385, sessão de 04/02/2009, Relator Paulo Jacinto do Nascimento). ARBITRAMENTO. APRESENTAÇÃO DOS LIVROS CONTÁBEIS EM FASE DE JULGAMENTO. Não se conhece da apresentação dos livros que não foram exibidos durante o procedimento fiscal, ensejando o arbitramento do lucro, tendo sido a empresa regularmente intimada a apresentálos, por diversas vezes. Não existe arbitramento condicional.(Acórdão CC nº 19100.045, sessão de 11/12/2008, Relatora Ana de Barros Fernandes). A recorrente alegou, ainda, que fosse retirado da receita bruta pretensas receitas de vendas não recebidas. Tratase de alegação sem nexo, inoportuna, pois, em relação às receitas escrituradas, foram computadas e consideradas as receitas declaradas ao fisco pela própria contribuinte (oferecidas à tributação pela própria contribuinte). E, em relação às receitas não escrituradas (depósitos bancários, a crédito, de origem não comprovada), não há que se falar em valores não recebidos, pois foram utilizados os valores recebidos (depósitos a crédito em suas contas correntes bancárias). Por conseguinte, quanto ao Lucro Arbitrado, não há reparo a fazer na decisão recorrida. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. Após ciência do início do procedimento de fiscalização, o contribuinte perde a espontaneidade fiscal e a falta de pagamento espontâneo dos tributos, em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da fiscalização, implica na exigência do principal com multa de ofício mínima de 75%, desde que não seja hipótese de agravamento por embaraço à Fl. 444DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL 18 fiscalização ou de qualificação por conduta dolosa (fraude fiscal), quando a multa será ainda maior. Configuradas as infrações imputadas, não há como afastar a multa de ofício de 75%, que é a multa mínima para lançamento de ofício (Lei nº 9.430/96, art. 44, I). Se houvesse dolo na conduta das infrações (omissão de receitas falta de pagamento dos tributos), a multa, em tese, não seria essa, mas sim qualificada, ou seja, de 150%. Logo, pela não configuração do elemento dolo, foi aplicada, por conseguinte, corretamente a multa mínima de 75%, cuja penalidade deve ser mantida, por ser a cominada legalmente. Não há reparo a fazer na decisão recorrida. LANÇAMENTOS REFLEXOS: CSLL, PIS E COFINS. A decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, aos decorrentes, por força da relação de causa e efeito que os vincula. Por tudo que foi exposto, voto para AFASTAR a preliminar suscitada e, no mérito, para NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 445DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 10980.007316/00-27
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/1988 a 31/12/1995
PIS. PEDIDO ADMINISTRATIVO. DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. SÚMULA CARF 91
Nos termos de decisão Plenária do STF e da Súmula CARF 91, o prazo para restituição/compensação é de 10 anos contado do fato gerador quanto aos pedidos apresentados antes de 9 de junho de 2005.
RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS.
A partir da edição do Ato Declaratório PGFN n.º 10/2008, é cabível a aplicação nos pedidos de restituição/compensação, objeto de deferimento na via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução do Conselho da Justiça Federal.
Numero da decisão: 9303-005.479
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para aplicar a Súmula CARF nº 91.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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PEDIDO ADMINISTRATIVO. DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. SÚMULA CARF 91 Nos termos de decisão Plenária do STF e da Súmula CARF 91, o prazo para restituição/compensação é de 10 anos contado do fato gerador quanto aos pedidos apresentados antes de 9 de junho de 2005. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. A partir da edição do Ato Declaratório PGFN n.º 10/2008, é cabível a aplicação nos pedidos de restituição/compensação, objeto de deferimento na via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução do Conselho da Justiça Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em darlhe provimento. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para aplicar a Súmula CARF nº 91. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 73 16 /0 0- 27 Fl. 414DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratamse de recursos interpostos pela Fazenda Nacional e sujeito passivo contra Acórdão nº 20216.952, da 2ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso, consignando a seguinte ementa: “PIS. RESTITUIÇÃO. NORMA INCONSTITUCIONAL. PRAZO DECADENCIAL. O prazo para requerer a restituição dos pagamentos da Contribuição para o PIS, efetuados com base nos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88, é de 5 (cinco) anos, iniciandose a contagem no momento em que eles foram considerados indevidos com efeitos erga omnes, o que só ocorreu com a publicação da Resolução n2 49, do Senado Federal, em 10/10/1995. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. A base de cálculo do PIS, até a entrada em vigor da MP nº 1.212/95, corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao de ocorrência do fato gerador. CORREÇÃO MONETÁRIA. A atualização monetária, até 31/12/95, dos valores recolhidos indevidamente, deve ser efetuada com base nos índices constantes da tabela anexa à Norma de Execução Conjunta SRF/Cosit/Cosar n 2 8, de 27/06/97, Fl. 415DF CARF MF Processo nº 10980.007316/0027 Acórdão n.º 9303005.479 CSRFT3 Fl. 415 3 devendo incidir a taxa Selic a partir de 01/01/96, nos termos do art. 39, § 4 2, da Lei nº 9.250/95.” Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão que afastou a prescrição do direito de pleitear a restituição do indébito tributário oriundo de pagamentos indevidos ou a maior realizados com base nos DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88, trazendo, entre outros, que o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 anos, contados da data do pagamento do tributo indevido, conforme inteligência dos artigos 168, caput e inciso I, 165, inciso I, e 156, inciso I, do CTN. Em Despacho às fls. 369 a 371, foi dado seguimento ao Recurso Especial. Insatisfeito também, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, eis que a decisão não considerou os expurgos inflacionários no período de 1988 a 1992. Em Despacho às fls. 402 a 405, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Contrarrazões ao Recurso Especial do sujeito passivo foram apresentadas pela Fazenda Nacional, trazendo, entre outros, que: · A alegação do sujeito passivo é exemplo de desbordamento dos limites impostos ao julgamento administrativo pelo princípio da imutabilidade da coisa julgada, assim como o princípio da legalidade, e não pode ser mantido por esta Câmara Superior de Recursos Fiscais; · Isso porque não se pode admitir, na instância administrativa, a correção monetária de tributos recolhidos indevidamente que não obedeça aos expressos contornos do título judicial; É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Fl. 416DF CARF MF 4 Depreendendose da análise dos recursos interpostos pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlos, eis que atendidos os pressupostos de admissibilidade constante do art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. O que concordo com os exames de admissibilidade constantes dos Despachos às fls. 369 a 371 e 402 a 405. No que tange à discussão trazida em Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional – qual seja, prazo para a contagem do prazo prescricional/decadencial, importante trazer que, com a alteração promovida pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, que introduziu o art. 62A ao Regimento Interno do CARF, determinando que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (dispositivo atual – art. 62, § 2º, Anexo I, do RICARF/15 – Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015)), essa questão não mais comportaria debates. Vêse que tal matéria foi objeto de decisão do STJ sem sede de recursos repetitivos, na apreciação do REsp nº 1110578/SP, de relatoria do Ministro Luiz Fux (data do julgamento 12/05/2010). Não obstante ao termo inicial, vêse que há outra questão sob lide, qual seja, qual seja, o prazo para se pleitear a repetição de indébito – que, por sua vez, também tratou da definição do termo a quo para a aplicação do prazo decadencial – na discussão acerca do prazo de 5 anos ou 10 anos. Nesse ponto, a matéria também foi decidida pelo STJ, inclusive definindo de forma clara o termo inicial a ser considerado, sob procedimento de recursos repetitivos, no julgamento do Recurso Especial n°1.002.932 SP, ao apreciar o texto trazido pela Lei Complementar n° 118/05. Após apreciação da matéria, o STJ firmou o entendimento de que, relativamente aos pagamentos indevidos efetuados anteriormente à Lei Complementar n° 118/05, o prazo prescricional para a restituição do indébito permaneceria regido pela tese dos “cinco mais cinco”, isto é, pelo prazo de dez anos, limitado, porém, a cinco anos contados a partir da vigência daquela lei. Fl. 417DF CARF MF Processo nº 10980.007316/0027 Acórdão n.º 9303005.479 CSRFT3 Fl. 416 5 O Supremo Tribunal Federal, por conseguinte, enfrentando o tema, decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário 566.621RS (04/08/2011), ser aplicável o novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Ou seja, para os pedidos de repetição de indébito apresentados anteriormente a 9 de junho de 2005, poderseia considerar o prazo prescricional/decadencial de 10 anos. Para melhor compreensão, transcrevo a ementa do referido acórdão: “PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621 Rio GRANDE DO Sul. RELATORA : MIN. ELLEN GRACIE DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE '9 DE JUNHO DE 2005. O que resta reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Em vista de todo o exposto, temse que no caso vertente, o pedido foi protocolado em 10.10.00 e abrangia recolhimentos efetuados no período de julho de 1988 a dezembro de 1995. Sendo assim, considerando que os pedidos foram apresentados antes de 9.6.05, devese, em respeito ao art. 62, § 2º, Anexo I, da Portaria 343/2015, afastar a prescrição do período correspondente aos fatos geradores ocorridos a partir de 10.10.90. Isto posto, conheço o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, dandolhe provimento parcial. Fl. 418DF CARF MF 6 Quanto à discussão trazida em Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo – qual seja, direito à inclusão dos expurgos inflacionários em compensação/restituição de créditos tributários, ainda quando a decisão judicial não tenha se manifestado expressamente neste sentido, utilizo como fundamento em minhas razões de decidir o Acórdão nº 9303004.202, sessão de julgamento realizada em 07 de julho de 2016, da lavra da nobre colega Conselheira Érika Costa Camargos Autran: "A matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior, referese à aplicação de índices de correção monetária que contemplem os denominados expurgos inflacionários. Em virtude das decisões prolatadas no AgRg no RESP 935594/SP (DJ 23.04.2008); EDcl no REsp 773.265/SP (DJ 21.05.2008); EDcl nos EREsp 912.359/MG (DJ 27.22.2008); EREsp 912.359/MG (DJ 03.12.2007), foi pacificado o entendimento de que na repetição de indébito tributário, a correção monetária será calculada segundo os índices indicados para os Cálculos da Justiça Federal, aprovado pela Resolução n.º 561 do Conselho da Justiça Federal. Cumpre destacar que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional através do Parecer PGFN/CRJ n.º 2.601/2008 foi dispensada de interpor recursos nas ações que requeiram a inclusão dos índices expurgados de planos econômicos para atualização dos créditos tributários, conforme ementa e conclusão abaixo transcritas (grifos meus): "PARECER PGFN/CRJ/Nº 2601/2008Tributário. Correção Monetária. Inclusão de índices expurgados de planos econômicos para atualização dos créditos tributários. Jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. Procuradoria Geral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. O escopo do presente Parecer é analisar a possibilidade de se promover, com base no inciso II do artigo 19 da Lei nº 10.522, de 19/07/2002, e no Decreto n.º 2.346, de 10.10.1997, a dispensa de interposição de recursos ou requerimento de desistência dos já interpostos, com relação às decisões judiciais que entendem pela inclusão dos índices expurgados de planos econômicos no cálculo da correção monetária de valores recolhidos indevidamente a serem compensados ou restituídos. Fl. 419DF CARF MF Processo nº 10980.007316/0027 Acórdão n.º 9303005.479 CSRFT3 Fl. 417 7 2. Tal Parecer, em face da alteração trazida pela Lei nº 11.033, de 2004, à Lei nº 10.522/2002, terá também o condão de dispensar a apresentação de contestação pelos Procuradores da Fazenda Nacional sobre a matéria. 3. Este estudo é feito em razão da existência de decisões reiteradas no Superior Tribunal de Justiça – STJ, no sentido de que é devida a aplicação dos índices de inflação expurgados pelos planos econômicos governamentais, como fator de atualização monetária de débitos judiciais. 4. O entendimento reiteradamente invocado pela Fazenda Nacional em sua defesa sempre foi no sentido de ser descabida a aplicação dos índices. expurgados para fins de correção monetária de valores recolhidos indevidamente a serem compensados ou restituídos, somente sendo possível, para este fim, a aplicação dos índices legalmente estatuídos. 5. Ocorre que o Poder Judiciário entendeu diversamente, tendo sido pacificado no âmbito do STJ o entendimento no sentido de que devem ser incluídos, para cálculo da correção monetária de débitos judiciais, os percentuais dos expurgos inflacionários verificados na implantação dos planos governamentais, sendo esta incidência decorrente de lei (Lei 6.899/81), pelo que se faz desnecessária a expressa menção no pedido formulado em juízo, a teor do que dispõe o art. 293 do CPC. 6. No que atine ao critério a ser utilizado para cálculo da correção monetária, firmouse orientação no sentido de que os índices a serem aplicados na compensação ou repetição do indébito tributário são os constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução n. 561 do Conselho da Justiça Federal, de 2.7.2007, a saber: (...)" Por fim, em vista a aprovação do parecer acima, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, através do Ato Declaratório n.º 10/2008 determina que é cabível a aplicação dos expurgos inflacionários constantes na Tabela Única da Justiça Federal aprovada pela Resolução n.º 561, de 02/07/2007, do Conselho da Justiça Federal, senão vejamos: “ATO DECLARATÓRIO Nº 10, DE 1ºDE DEZEMBRO DE 2008 Fl. 420DF CARF MF 8 O PROCURADOR GERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2601/2008, desta Procuradoria – Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 8/12/2008, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem a obter declaração de que é devida, como fator de atualização monetária de débitos judiciais, a aplicação dos índices de inflação expurgados pelo planos econômicos governamentais constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução nº 561 do Conselho da Justiça Federal, de 02 de julho de 2007.” Portanto, cotejando os atos normativos acima transcritos, é possível afirmar que os índices a serem aplicados na compensação ou repetição do indébito tributário são os constantes na Tabela Única da Justiça Federal. Assim, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte para que sejam aplicados os índices do Conselho da Justiça Federal". Concordando com o exposto transcrito, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Sendo assim, conheço dos recursos interpostos: · Dando provimento parcial ao recurso da Fazenda Nacional para aplicar a Súmula CARF 91; · Dando provimento ao recurso do sujeito passivo. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 421DF CARF MF Processo nº 10980.007316/0027 Acórdão n.º 9303005.479 CSRFT3 Fl. 418 9 Fl. 422DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.721239/2012-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2008
ATIVIDADE GRÁFICA EM ENVELOPES, PASTAS, BLOCOS, CALENDÁRIOS E SACOLAS. NÃO INDUSTRIALIZAÇÃO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. INCIDÊNCIA SOMENTE DO ISS. PREVISÃO ESPECÍFICA E EXPRESSA.
A atividade gráfica personalizada e por encomenda em envelopes, pastas, blocos, calendários e sacolas, caracteriza prestação de serviço e não beneficiamento e industrialização.
Apesar de não se enquadrar nas hipóteses de exclusão de incidência do IPI previstas no Art. 5.º, IV e V e 7.º, II, a e b, do RIPI/02, a incidência do ISS tem previsão expressa e taxativa no item 13.05 e Art. 1.º, §2.º da Lei Complementar 116/03, assim como o Decreto Lei 2471/88, Art. 9.º, determinou o cancelamento dos processo administrativos de cobrança de IPI sobre produtos personalizados, resultantes de serviços de composição e impressão gráfica.
Assim, além da incidência do ISS observar o principio da legalidade estrita, ter previsão expressa e mais específica, está em consonância com a previsão do Art. 146, I, da CF/88, que determina que cabe à Lei Complementar regular os conflitos de competência no poder de tributar. Logo, se a Lei Complementar define de forma expressa e específica a incidência do ISS nas exatas atividades gráficas exercidas pelo contribuinte, a incidência do IPI deve ser afastada, em respeito ao princípio da Segurança Jurídica, para evitar conflito de competência no poder de tributar entre a União e o Município.
CAIXAS. PREVISÃO EXPRESSA DE NÃO INCIDÊNCIA DO ISS. INCIDÊNCIA DO IPI.
Em conformidade com o previsto no ítem 13.05 da Lei Complementar de n.º 116/03, não incide ISS sobre as "caixas" que contenham impressões gráficas, seja por encomenda ou não, destinadas a posterior operação de comercialização ou industrialização, ainda que incorporadas, de qualquer forma, a outra mercadoria que deva ser objeto de posterior circulação.
Não sendo hipótese de exclusão de incidência do IPI prevista no Art. 5.º, IV e V e 7.º, II, a e b, do RIPI/02 e não sendo hipótese de incidência do ISS, a incidência do IPI não pode ser afastada no âmbito deste Conselho administrativo.
CRÉDITO. PRODUTO NÃO TRIBUTADO. IMPOSSIBILIDADE.
Impõe-se a glosa dos créditos relativos às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na industrialização, quando a empresa não possui contabilidade de custos que permita a segregação dos insumos empregados, indistintamente em produtos não tributados NT, conforme Súmula 20 do CARF e IN SRF 33/99.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CAIXAS. INCIDÊNCIA DO IPI.
Diante da correta reclassificação das "caixas" por parte da fiscalização, cabe a exigência das diferenças de alíquotas sobre as saídas das "caixas" personalizadas, hipótese de incidência do IPI.
INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO.
Na ausência de prova nos autos que permita confirmar a legitimidade e a liquidez do crédito, este deve ser glosado, cabendo a exigência dos valores apurados de IPI não lançados e não recolhidos.
Numero da decisão: 3201-003.009
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para afastar a exigência do IPI para os produtos considerados tributados pelo ISS. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que negava provimento ao recurso. Ficou de apresentar declaração de voto o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira, Renato Vieira de Avila.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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NÃO INDUSTRIALIZAÇÃO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. INCIDÊNCIA SOMENTE DO ISS. PREVISÃO ESPECÍFICA E EXPRESSA. A atividade gráfica personalizada e por encomenda em envelopes, pastas, blocos, calendários e sacolas, caracteriza prestação de serviço e não beneficiamento e industrialização. Apesar de não se enquadrar nas hipóteses de exclusão de incidência do IPI previstas no Art. 5.º, IV e V e 7.º, II, a e b, do RIPI/02, a incidência do ISS tem previsão expressa e taxativa no item 13.05 e Art. 1.º, §2.º da Lei Complementar 116/03, assim como o Decreto Lei 2471/88, Art. 9.º, determinou o cancelamento dos processo administrativos de cobrança de IPI sobre produtos personalizados, resultantes de serviços de composição e impressão gráfica. Assim, além da incidência do ISS observar o principio da legalidade estrita, ter previsão expressa e mais específica, está em consonância com a previsão do Art. 146, I, da CF/88, que determina que cabe à Lei Complementar regular os conflitos de competência no poder de tributar. Logo, se a Lei Complementar define de forma expressa e específica a incidência do ISS nas exatas atividades gráficas exercidas pelo contribuinte, a incidência do IPI deve ser afastada, em respeito ao princípio da Segurança Jurídica, para evitar conflito de competência no poder de tributar entre a União e o Município. CAIXAS. PREVISÃO EXPRESSA DE NÃO INCIDÊNCIA DO ISS. INCIDÊNCIA DO IPI. Em conformidade com o previsto no ítem 13.05 da Lei Complementar de n.º 116/03, não incide ISS sobre as "caixas" que contenham impressões gráficas, seja por encomenda ou não, destinadas a posterior operação de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 12 39 /2 01 2- 67 Fl. 244DF CARF MF 2 comercialização ou industrialização, ainda que incorporadas, de qualquer forma, a outra mercadoria que deva ser objeto de posterior circulação. Não sendo hipótese de exclusão de incidência do IPI prevista no Art. 5.º, IV e V e 7.º, II, a e b, do RIPI/02 e não sendo hipótese de incidência do ISS, a incidência do IPI não pode ser afastada no âmbito deste Conselho administrativo. CRÉDITO. PRODUTO NÃO TRIBUTADO. IMPOSSIBILIDADE. Impõese a glosa dos créditos relativos às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na industrialização, quando a empresa não possui contabilidade de custos que permita a segregação dos insumos empregados, indistintamente em produtos não tributados “NT”, conforme Súmula 20 do CARF e IN SRF 33/99. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CAIXAS. INCIDÊNCIA DO IPI. Diante da correta reclassificação das "caixas" por parte da fiscalização, cabe a exigência das diferenças de alíquotas sobre as saídas das "caixas" personalizadas, hipótese de incidência do IPI. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. Na ausência de prova nos autos que permita confirmar a legitimidade e a liquidez do crédito, este deve ser glosado, cabendo a exigência dos valores apurados de IPI não lançados e não recolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para afastar a exigência do IPI para os produtos considerados tributados pelo ISS. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que negava provimento ao recurso. Ficou de apresentar declaração de voto o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira, Renato Vieira de Avila. Relatório Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10480.721239/201267 Acórdão n.º 3201003.009 S3C2T1 Fl. 245 3 Tratase de Recurso Voluntário de fls. 204 em face da decisão de primeira instância da DRJ/BA de fls. 180 que manteve o lançamento de IPI, diante de indícios de produto saído com Nota Fiscal sem o devido lançamento do IPI, inobservância de classificação fiscal e crédito básico indevido. A autoridade lavrou o Auto de Infração de IPI às fls. 03. Como é de costume desta Turma de julgamento a transcrição do relatório do Acórdão de primeira instância, segue para apreciação conforme fls. 180 apontadas acima: “Tratase de Auto de Infração e Demonstrativos (fls. 03/12), lavrado contra o contribuinte acima identificado, que pretende a cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI no valor de R$23.180,21, acrescido de juros de mora e da multa de ofício, pertinente ao período compreendido entre 01/07/2007 a 30/09/2008, em razão de ter sido constatada a falta de lançamento do IPI, por inobservância de classificação fiscal e alíquota específica do IPI, e glosa de créditos apropriados indevidamente. O enquadramento legal dada a falta de lançamento do IPI na saída de produtos tributados quanto ao período de 01/07/2007 a 30/09/2008, quanto aos créditos indevidos e a falta de estorno de crédito no período de 31/07/2007 a 30/09/2008 e a não comprovação da origem dos créditos apropriados está discriminado às fls. 05/08. Tratase também da multa regulamentar sobre o IPI não lançado com cobertura de crédito no valor de R$25.208,62, conforme demonstrativo de apuração do IPI e reconstituição da escrita fiscal (fls.13 e 14 e 17/19). O enquadramento legal se encontra discriminado à fl.14. Segundo o autuante, verificouse que o contribuinte protocolou diversos pedidos de ressarcimento e declarações de compensação, todos baseados em saldo credores decorrentes de créditos do IPI relativos a matériasprima, produtos intermediários e material de embalagem adquiridos para emprego na industrialização de produtos não tributados e tributados, à alíquota zero. O auditor fiscal que realizou diligência informou no Termo de Informação Fiscal de fls. 23/29 que a empresa solicitou ressarcimento de créditos em relação aos insumos tributados adquiridos para utilização em produtos que industrializa, desde o período relativo ao 3º trimestrecalendário até o 3º trimestre calendário de 2008. Após conferência dos livros e escrituração fiscais e contábeis descreve a auditoria que a empresa industrializa produtos não tributados e tributados à alíquota zero, mas não os segregava, tendo se creditado indistintamente de todos os insumos adquiridos pra industrialização dos seus produtos, inclusive, por conseguinte, em atendimento o art.3º da IN SRF nº 33, de 1999, procedeu ao estorno dos créditos do período em questão com base nas saídas das mercadorias do trimestre anterior. Fl. 246DF CARF MF 4 Consta ainda no relatório fiscal que, após intimação para apresentação das notas fiscais de entrada com crédito do IPI informado no PER/DCOMP a empresa informou que não foram encontradas as notas fiscais solicitadas, tendo sido efetuado o estorno do crédito relativo a estas notas. Além disso, efetuou lançamento de débitos de IPI em razão divergências na classificação e alíquotas aplicadas pelo contribuinte, com base nas Notas Explicativas da posição. Segundo a nota da posição classificada, resta o entendimento de que o produto continua a ser o mesmo, ainda que apresentem dizeres impressos, desde que estes não sejam suficientes para dar um caráter essencial ao produtos e sim um caráter acessório relativamente à utilização do produto. Assim, classificou os seguintes produtos: blocos com folhas impressos, classificado para a posição 4820.10.00, alíquota 15%; pastas impressas, código 4820.90.00, alíquota 15%; envelopes impressos, classificação fiscal 4817.10.00, alíquota 5%; calendários, posição 4910.00.00, alíquota 10%; caixas, código 4819.10.00, alíquota 15% e sacolas, classificação fiscal 4819.40.00, alíquota 15%. Cientificado do lançamento em 30/01/2012, fl.04, o interessado apresentou a impugnação de fls.124/134, alegando em síntese que: • industrializa produtos gráficos personalizados e sob encomenda, é contribuinte do Imposto sobre Serviços ISS, nos termos do item 13.05 da Lista de Serviços anexa à Lei Complementar nº116, de 31/07/2003; • adquire insumos (matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem), tributados pelo IPI (lonas, adesivos, papel, chapa, tinta, etc), na sua maioria classificados nos Capítulos 39 e 43 da TIPI, e os utiliza na produção dos sus impressos personalizados, classificados no Capítulo 49 da TIPI, de diversos produtos gráficos, todos tributados pelo IPI sob à alíquota "zero" ou imunes; • nas disposições contidas no item 2 das Notas Explicativas, que transcreve, faz jus ao crédito em total consonância com o art. 11, da Lei n° 9.779, de 19.01.1999 e na IN/SRF n.° 33/99; • protocolou perante a Secretaria da Receita Federal SRF, o Pedido de Ressarcimento dos saldos credores acumulados trimestralmente do IPI, sem considerar qualquer débito do IPI, o que fez com que fosse requerido ressarcimento da integralidade dos seus créditos escriturais relativos aos 3º Trimestre/2007 ao 3° Trimestre/2008; • o auditor fiscal da Receita Federal ao apurar os créditos passíveis de ressarcimento considerou que seus produtos eram tributados: PASTAS DE PAPEL PERSONALIZAOS E FEITAS SOB ENCOMENDA dá ensejo à tributação do IPI mediante a aplicação do percentual de 15% (quinze por cento), por enquadrar o produto no NCM 4820.90.00; ENVELOPES DE PAPEL PERSONALIZADOS E FEITOS SOB ENCOMENDA dão ensejo à tributação do IPI mediante a aplicação do percentual de 5% (cinco por cento), por enquadrar o produto no NCM 4817.10.00; BLOCOS COM FOLHAS IMPRESSAS Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10480.721239/201267 Acórdão n.º 3201003.009 S3C2T1 Fl. 246 5 PERSONALIZADAS E FEITAS SOB ENCOMENDA dão ensejo à tributação do IPI mediante a aplicação do percentual de 15% (quinze por cento), por enquadrar o produto no NCM 4820.90.00; CAIXAS DE PAPEL E PERSONALIZADAS dão ensejo à tributação do IPI mediante a aplicação do percentual de 15% (quinze por cento), por enquadrar o produto no NCM 4819.10.00; as SACOLAS DE PAPEL E PERSONALIZADAS, dão ensejo à tributação do IPI mediante a aplicação do percentual de 15% (quinze por cento), por enquadrar o produto no NCM 4819.40.00; CALENDÁRIOS PERSONALIZADOS E FEITOS SOB ENCOMENDA, dão ensejo à tributação do IPI diante a aplicação do percentual de 10% (dez por cento), por enquadrar o produto no NCM 4910.00.00; • o Auditor Fiscal terminou por recompor a escrita fiscal, donde decorreu no deferimento parcial dos créditos do IPI, sob o fundamento de que a atividade de IMPRESSÃO GRÁFICA PERSONALIZADA E SOB ENCOMENDA, passível de tributação pelo IPI; • analisando o relatório da auditora fiscal verificase que esta concluiu que não há direito ao creditamento do IPI calculado sobre os insumos destinados à fabricação de livros, jornais e revistas; deveria haver o estorno proporcional, previsto no art. 3º da IN/SRF n.° 33/99; • a empresa apropriou seus créditos partindo do entendimento da própria Receita Federal, através do art. 4º da IN/SRF n.° 33/99, e também diversas Soluções de Consulta, que transcreve, ao admitir o crédito decorrente das aquisições de insumos (MP, PI e ME) tributados pelo IPI utilizados na fabricação de produtos IMUNES, assim sendo faz jus ao crédito; • a auditoria desconsiderou algumas notas fiscais cujos créditos foram apropriados pela recorrente. Mas, isto aconteceu por um breve espaço de tempo. Algumas notas foram localizadas e pelo Princípio da Verdade Material devem ser observadas, doc.05; • outras notas fiscais não foram localizadas e por isso protesta pela realização de diligência no sentido de intimar os seus fornecedores a apresentar os documentos relacionados no anexo, doc.06, onde consta número da nota fiscal, período, emitente, CFOP, NCM dos produtos, valor das notas fiscais e o IPI destacado; • os serviços gráficos só devem sofrer incidência do ISS e não do IPI. O IPI só é devido quando ocorrer o fato de um produto, sendo industrializado, sair do estabelecimento produtor, em razão de um negócio jurídico translativo de sua posse ou propriedade, consubstanciado numa obrigação de "dar".; • o ISS só é devido quando ocorrer uma prestação de serviço, compreendendo um negócio jurídico pertinente a uma obrigação de "fazer", de conformidade com os postulados e diretrizes do direito privado; Fl. 248DF CARF MF 6 • é necessário estabelecer o critério jurídico para distinguir o campo de incidência do IPI e do ISS. O IPI não se distingue do ISS pela qualificação, dificuldade, grandeza ou espécie de esforço humano, mas fundamentalmente pela prática de negócios jurídicos, implicando obrigação de "dar" um bem. Sem a concretização de tal negócio jurídico que implique no nascimento de uma relação jurídica consubstanciada numa obrigação de "dar", não há o que se falar em exigibilidade do IPI; • dúvidas não podem restar de que (a) os negócios jurídicos envolvendo os produtos industrializados, sujeitos à tributação do IPI, e (b) a prestação de serviços, sujeitos à tributação do ISS, são juridicamente inconfundíveis, configurando cada qual, um tipo distinto de obrigação, qual seja, o primeiro (a) obrigação de "dar" e o segundo (b) obrigação de "fazer"; • a Recorrente produziu diversos produtos gráficos PERSONALIZADOS E SOB ENCOMENDA para os seus clientes, sujeitos ao ISS, o que faz com que a alíquota do IPI seja reduzida a 0%; • apesar de parecer, à primeira vista, uma aquisição de produtos industrializados, a atividade de composição gráfica é impulsionada por uma obrigação de fazer, o que, para fins tributários, enseja a tributação do Imposto sobre Serviços de competência municipal, e não do Imposto sobre Produtos Industrializados de competência federal, conforme bem indica o item 774 da lista de serviços anexa a Lei Complementar n° 56/87, reproduzido no item 13.055 da lista de serviços anexa à Lei Complementar n.° 116/2003. Assim, também se posiciona a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal como se vê no RE n° 106.069/SP in RTJ 115/1419; • assim também se pronunciava o Tribunal Federal de Recursos, taxativo quanto à incidência do ISS nas atividades das empresas gráficas, conforme se pode observar na Súmula n° 143, bem como Superior Tribunal de Justiça STJ, tendo o STJ assentado a Súmula de n° 156, in DJU 1 de 29.03.96, p. 9.546; • presente caso já foi levado à apreciação do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, que assim decidiu "IPI INCIDÊNCIA Serviço de Composição Gráfica. Estando a operação incluída na Lista de Serviços anexa ao DecretoLei nr. 406/68, sobre ela ocorre a incidência, apenas, do ISS, com exclusão, pois, da do IPI. Recurso provido."; • assim, dúvidas não restam de que a aquisição, por parte da Recorrente, de os produtos frutos da composição gráfica PERSONALIZADA E SOB ENCOMENDA, enquadrase como prestação de serviços, devendo, então, sofrer a incidência tão somente do ISS, o que faz com que a alíquota do IPI seja reduzida a 0%; • os produtos que fornece aos seus clientes não devem ser onerados pelo IPI, mas sim pelo ISS. Conforme consta nos Autos, o Ilustre Auditor Fiscal classificou as atividades de IMPRESSÃO PERSONALIZADA E SOB ENCOMENDA DE PASTAS DE PAPEL, ENVELOPES, BLOCOS, CAIXAS, Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10480.721239/201267 Acórdão n.º 3201003.009 S3C2T1 Fl. 247 7 SACOLAS e CALENDÁRIOS, como sendo produtos tributados pelo IPI; • mas, conforme amplamente demonstrado, a atividade da Recorrente é a INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS GRÁFICOS PERSONALIZADOS também chamados de COMPOSIÇÃO GRÁFICA. Diante disso, adquire os seus insumos, dentre os quais se destacam o papel e os adesivos lisos, isto é, sem qualquer impressão, para poder fazer a impressão sobre esses insumos e fornecer aos seus clientes; • a atividade da recorrente é a IMPRESSÃO sobre papéis, o que daria ensejo no Capítulo 49 da TIPI, especialmente nas disposições contidas no item 2 das Notas Explicativas que assim prescreve: "2. Na acepção do Capítulo 49, o termo impresso significa também reproduzido mediante duplicador, obtido por processo comandado por uma maquina automática para processamento de dados, por estampagem, fotografia, fotocópia, termocópia ou datilografia."; • os produtos feitos pela Recorrente não são utilizadas como insumo em um processo produtivo e, nem tampouco, são utilizadas para revenda, como se mercadorias fossem. Os impressos personalizados, como os calendários feitos pela Recorrente aos seus clientes, servem para fazer propaganda destes últimos e são, via de regra, distribuídas gratuitamente aos seus clientes; • o mesmo acontece com os blocos de papel, pastas e envelopes. • diferentemente seria se esses produtos: não fossem feitos sob encomenda e personalizados, o que fatalmente constituiria mercadorias para revenda; fossem lisas, ou seja, sem impressão que identificasse o seu cliente, posto que aí sim poderiam ser vendidas a qualquer consumidor, e ainda, poderiam ser revendidas para qualquer usuário. Neste caso, terseia um calendário, pasta, bloco de papel como sendo uma MERCADORIA. Este entendimento foi adotado pelo Supremo Tribunal Federal STF, conforme se depreende da leitura do Informativo/STF n.° 614, de 2001; • requer diligência para que fique demonstrado que os insumos que adquire são tributados e são utilizados para elaborar sua atividade, que consiste na prestação de serviços; como se dá a saída dos produtos na venda e se os adquirentes os revende; • superada preliminar, requer provimento da presente impugnação, para que seja realizada uma nova apuração dos saldos devedores de IPI, considerando que os produtos elaborados pela interessada estão sujeitos a tributação da alíquota 0%, por se tratar de atividade industrial de impressão gráfica e não da produção de papéis, adesivos, etc, como determinado pela auditor fiscal da RFB, o que faz com que o auto de infração questionado seja anulado e o respectivo processo administrativo arquivado. Fl. 250DF CARF MF 8 Tendo em vista o disposto na Portaria RFB nº453, de 11 de abril de 2013, e no art.2º da Portaria RFB nº1.006, de 24 de julho de 2013, e conforme definição da Coordenação Geral de Contencioso Administrativo e Judicial da RFB, o processo foi encaminhado para esta DRJ/Salvador para julgamento, conforme despacho de fl.179.” Este Acórdão de primeira instância da DRJ/BA de fls. 180 foi publicado com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2008 ATIVIDADE GRÁFICA. INDUSTRIALIZAÇÃO. INCIDÊNCIA. A atividade gráfica caracterizase como industrialização, salvo se realizada por encomenda direta do consumidor ou usuário, na residência do preparador ou em oficina, desde que preponderante o trabalho profissional. Configurada a operação como industrial, estará sujeita à incidência do IPI quando da saída do produto do estabelecimento. DIREITO AO CRÉDITO. PRODUTO NÃO TRIBUTADO. Impõese a glosa dos créditos relativos às aquisições de matérias prima, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na industrialização, quando a empresa não possui contabilidade de custos que permita a segregação dos insumos empregados, indistintamente em produtos tributados e não tributados “NT”. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. Na ausência de prova nos autos que permita confirmar a legitimidade e a liquidez do crédito, este deve ser glosado, cabendo a exigência dos valores apurados de IPI não lançados e não recolhidos.” Os autos foram distribuídos para este Conselheiro e pautados para julgamento nos moldes do regimento interno. Relatório proferido. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10480.721239/201267 Acórdão n.º 3201003.009 S3C2T1 Fl. 248 9 atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. CRÉDITO INDEVIDO – BÁSICO. Verificouse que após intimação para apresentação das notas fiscais de entrada com crédito do IPI informado no PER/DCOMP a empresa informou que não foram encontradas as notas fiscais solicitadas, tendo sido efetuado o estorno do crédito relativo a estas notas. Em sede de impugnação, o contribuinte apresentou tais Notas Fiscais, mas como constatou a DRJ/BA, tais Notas Fiscais estão ilegíveis, o que poder ser confirmado com a visualização das fls 157 e seguintes. Logo, ainda que tratase de crédito básico de IPI, não há como reconhecer tais créditos porque não são líquidos e certos e não estão comprovados. Merece ser mantido o lançamento neste tópico. CRÉDITO INDEVIDO – FALTA DE ESTORNO – PRODUTOS NT E ALÍQUOTA ZERO. Foi constatado que o contribuinte protocolou diversos pedidos de ressarcimento e declarações de compensação sobre saldo credores decorrentes de créditos do IPI relativos a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem adquiridos para emprego na industrialização de produtos não tributados e tributados, à alíquota zero. Após conferência dos livros e escrituração fiscal e contábil, descreveu a fiscalização que a empresa industrializa produtos não tributados e tributados à alíquota zero, mas não os segregava, tendo se creditado indistintamente de todos os insumos adquiridos pra industrialização dos seus produtos. Em observação ao disposto no art.3º da IN SRF nº 33/99, procedeu ao estorno dos créditos do período em questão com base nas saídas das mercadorias do trimestre anterior. É certo ao julgamento administrativo de segunda instância, conforme Súmula 20 deste Conselho, que não há direito a crédito de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT e, não há qualquer prova ou sequer alegação do contribuinte que permita concluir que este não se creditou nestas situações, oportunidade em que o contribuinte deveria ter estornado os créditos (vide §3.º, Art. 2.º da mencionada IN). Portanto, não merece provimento o presente tópico do Recurso Voluntário, de forma que seria correto o creditamento sobre produtos com alíquota zero (Súmula 16 do Fl. 252DF CARF MF 10 CARF) se este fosse o caso, mas não é. Logo, incorreto o creditamento sobre os produtos NT e por isto esta cobrança deve ser mantida. INOBSERVÂNCIA DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Foram lançados débitos de IPI em razão de divergências na classificação e alíquotas aplicadas pelo contribuinte, com base nas Notas Explicativas da posição. A fiscalização reclassificou os seguintes produtos: blocos com folhas impressos, classificado para a posição 4820.10.00, alíquota 15%; pastas impressas, código 4820.90.00, alíquota 15%; envelopes impressos, classificação fiscal 4817.10.00, alíquota 5%; calendários, posição 4910.00.00, alíquota 10%; caixas, código 4819.10.00, alíquota 15% e sacolas, classificação fiscal 4819.40.00, alíquota 15% e cobrou a diferença do IPI não recolhido. Verificase no capítulo do Recurso Voluntário que trata da “natureza jurídica do estabelecimento da recorrente – da maioria dos produtos industrializados pela recorrente”, que o contribuinte alega que atua no ramo de serviços de impressões em produtos gráficos personalizados, que são feitos sob encomenda e que seus produtos são imunes (conforme CF). Em seguida o contribuinte alegou pela impossibilidade de incidência do IPI sobre os impressos gráficos feitos personalizadamente e sob encomenda (fato incontroverso nos autos), uma vez que os produtos estão sujeitos ao ISS. Finaliza seu recurso alegando que a classificação correta de seus produtos é “outros impresso gráficos”, posição 49.11 da TIPI, mas especificamente nas NCMs 49.11.10, 49.11.10.90 e 49.11.99.00, todos tributados pela alíquota 0% ou imunes (livros, jornais e revistas). Segue texto da posição: “49.11 Outros impressos, incluindo as estampas, gravuras e fotografias.” Em oposição, a fiscalização reclassificou os produtos de forma discriminada e individualizada, conforme segue: Envelope impresso: “48.17 Envelopes, aerogramas, bilhetespostais não ilustrados e cartões para correspondência, de papel ou cartão; caixas, sacos e semelhantes, de papel ou cartão, que contenham um sortido de artigos para correspondência.” Pastas impressas: “48.20 Livros de registro e de contabilidade, blocos de notas, de encomendas, de recibos, de apontamentos, de papel para cartas, agendas e artigos semelhantes, cadernos, pastas para documentos, classificadores, capas para encadernação (de folhas soltas ou outras), capas de processos e outros artigos escolares, de escritório ou de papelaria, incluindo os formulários em blocos tipo manifold, mesmo com folhas intercaladas de papelcarbono, de papel ou cartão; álbuns para amostras ou para coleções e capas para livros, de papel ou cartão. 4820.90.00 – Outros.” Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10480.721239/201267 Acórdão n.º 3201003.009 S3C2T1 Fl. 249 11 Bloco com folhas impressos: “4820.10.00 Livros de registro e de contabilidade, blocos de notas, de encomendas, de recibos, de apontamentos, de papel para cartas, agendas e artigos semelhantes.” Calendários: “4910.00.00 Calendários de qualquer espécie, impressos, incluindo os blocoscalendários para desfolhar.” Caixas e sacolas: “48.19 Caixas, sacos, bolsas, cartuchos e outras embalagens, de papel, cartão, pasta (ouate) de celulose ou de mantas de fibras de celulose; cartonagens para escritórios, lojas e estabelecimentos semelhantes. 4819.10.00 Caixas de papel ou cartão, ondulados 4819.40.00 Outros sacos; bolsas e cartuchos” Verificase, pela simples comparação entre os textos das posições, que todas as mercadorias foram reclassificadas corretamente, portanto, merece prosperar a reclassificação realizada pela fiscalização. Porém, para que a reclassificação permita a cobrança das diferenças de IPI, é preciso analisar se a própria incidência do IPI é possível ou não neste caso em concreto. De pronto, é possível constatar que nenhum dos produtos reclassificados são livros, jornais ou periódicos, nos moldes do Art. 150, VI, d, da CF. Tais produtos não são imunes nem em sentido lato, conforme bem tratou com doutrinador Heleno Torres sobre o tema. 1 Sobre a alegação de que a incidência do ISS “remove” a incidência do IPI, assim como sobre a possibilidade de diligência na produção do contribuinte para verificar a sua real atividade (restrita à impressão), é importante considerar que as informações constantes nos autos são suficientes para verificar a possibilidade ou não da incidência do IPI. A partir desta premissa, é possível concluir que a diligência não é necessária, uma vez que, mesmo que no Contrato Social do contribuinte conste que suas atividades são mesmo restritas à impressão (fls. 222 e 230), não há qualquer dúvida ou contestação de que os produtos em questão foram comercializados e, portanto, cobrados dos consumidores os valores dos produtos somados ao valor da impressão, o que configuraria o beneficiamento de produto conforme Art. 46 do CTN. Somado a isto, a situação não se enquadra nas hipóteses de exclusão de incidência do IPI, conforme Art. 5.º, IV e V e 7.º, II, a e b, do RIPI/02, porque não se trata de atividade preponderante do trabalho profissional (acima de 60% da industrialização do produto). 1 http://www.conjur.com.br/2012ago15/consultortributariotributacaoservicosimpressaoembalagens Fl. 254DF CARF MF 12 Logo, não sendo situação de exclusão de incidência de IPI e ocorrido o beneficiamento, o IPI poderia incidir sobre o beneficiamento dos produtos em questão. Ao menos, esta foi a lógica do lançamento. Contudo, a atividade gráfica personalizada e por encomenda (fato incontroverso nos autos) em envelopes, pastas, blocos, calendários e sacolas, caracteriza prestação de serviço e não beneficiamento e industrialização. Porque, apesar de não se enquadrar nas hipóteses de exclusão de incidência do IPI previstas no Art. 5.º, IV e V e 7.º, II, a e b, do RIPI/02, a incidência do ISS tem previsão expressa e taxativa no item 13.05 e Art. 1.º, §2.º da Lei Complementar 116/03, assim como o Decreto Lei 2471/88, Art. 9.º, determinou o cancelamento dos processo administrativos de cobrança de IPI sobre produtos personalizados, resultantes de serviços de composição e impressão gráfica. Assim, além da incidência do ISS observar o principio da legalidade estrita, ter previsão expressa e mais específica, está em consonância com a previsão do Art. 146, I, da CF/88, que determina que cabe à Lei Complementar regular os conflitos de competência do poder de tributar. Logo, se a Lei Complementar define de forma expressa e específica a incidência do ISS nas exatas atividades gráficas (personalizadas e por encomenda) exercidas pelo contribuinte, a incidência do IPI deve ser afastada, em respeito ao princípio da Segurança Jurídica, para evitar conflito de competência no poder de tributar entre a União e o Município. Inclusive, este é o entendimento da Câmara Superior desta Seção, deste Conselho, que acompanhou o brilhante voto da Conselheira Tatiana Midori, publicado com a seguinte Ementa no Acórdão 9303004.394: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 CONFLITOS DE COMPETÊNCIA. UNIÃO, ESTADOS E MUNICÍPIOS. IPI. PRINCÍPIO DA EFICÁCIA VINCULANTE DOS PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS. Em respeito ao Princípio da Eficácia Vinculante dos Precedentes, emanado explicitamente pelo Novo Código de Processo Civil, cabe no processo administrativo, quando houver similitude fática dos casos tratados e jurisprudência pacificada, a observância dos precedentes jurisprudenciais fluidos pelos Tribunais, conforme arts. 15, 926 e 927 da Lei 13.105/15. Ressurgindo à competência tributária trazida pela Constituição Federal, quando se tratar de atividades relacionadas aos serviços gráficos personalizados passíveis de tributação pelo ISS, é de se afastar a incidência de IPI, conforme inteligência promovida pelo art. art. 1º, § 2º, da LC 116/03." Verificase que a Turma da Câmara Superior acompanhou entendimento ainda mais extensivo, porque considerou as disposições dos Art. 926 e 927 do novo CPC, que tratam da eficácia vinculante dos precedentes. Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10480.721239/201267 Acórdão n.º 3201003.009 S3C2T1 Fl. 250 13 Realmente, no âmbito do Poder Judiciário, considerados os inúmeros precedentes (Resp 437.324/RS, Resp 966.184/RJ e Resp 103409/RS), assim como as Súmulas 156 do STJ e 143 do TRF, é possível concluir que a incidência do IPI sobre as atividades gráficas personalizadas não deve ocorrer, dentro do Sistema Tributário Brasileiro. Por exemplo, dentro de um raciocínio lógico, é possível fazer um paralelo com o ICMS, de forma que, se a Súmula 156 do STJ confirma o entendimento de que não há a circulação de uma mercadoria, mas sim a prestação de serviços (gráfica), logicamente, o IPI não poderia incidir sobre um serviço. Diante do exposto, o IPI não deve incidir sobre os envelopes, pastas, blocos, calendários e sacolas, neste caso em concreto. Com relação às caixas, em conformidade com o previsto no ítem 13.05 da Lei Complementar de n.º 116/03, não incide ISS sobre as "caixas" que contenham impressões gráficas, seja por encomenda ou não, destinadas a posterior operação de comercialização ou industrialização, ainda que incorporadas, de qualquer forma, a outra mercadoria que deva ser objeto de posterior circulação. Não sendo hipótese de exclusão de incidência do IPI prevista no Art. 5.º, IV e V e 7.º, II, a e b, do RIPI/02 e não sendo hipótese de incidência do ISS, a incidência do IPI sobre as "caixas" não pode ser afastada no âmbito deste Conselho administrativo. Logo, o lançamento do IPI sobre as "caixas", assim como a cobrança da diferença das alíquotas de reclassificação fiscal, devem ser mantidos. CONCLUSÃO Devem ser canceladas as multas e juros nas hipóteses em que esta Turma de julgamento votou por afastar a cobrança do IPI no tópico do lançamento que tratou de "produto saído com Nota Fiscal sem o devido lançamento do IPI". O inverso é igualmente válido, de forma que devem ser mantidas as multas e juros sobre os tópicos em que o lançamento foi mantido. Já com relação ao tópico do lançamento que tratou do crédito indevido, é importante registrar que nos casos em que foi decidido pela não incidência do ipi, também não há direito ao crédito, porque são produtos NT. Diante de todo o exposto, votase para dar PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 256DF CARF MF 14 Declaração de Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira Utilizo desta declaração de voto para externar posicionamento contrário ao relator quanto às matérias: 1. Atividade gráfica na produção de envelopes, pastas, blocos, calendários e sacolas, caracterizandose prestação de serviços, não sujeitos à incidência do IPI. 2. A tomada de crédito do IPI sobre as aquisições de insumos para a produção de artigos "impressos", com fundamento na Súmula CARF nº 16. A recorrente alega que sua atividade é de impressão gráfica e por isso seus produtos são considerados impressos, classificados nos códigos 4911.10.10.90 e 49.11.99.00, cuja alíquota é zero, e, nessa condição (alíquota 0%), tem direito ao ressarcimento do IPI à luz do art. 11 da Lei nº 9799/99 nas aquisições tributadas de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem. Produção e classificação na TIPI de artigos considerados da atividade gráfica. Divirjo da posição externada pelo relator, e acompanhada pelos demais conselheiros da Turma, de que os artigos confeccionados pela recorrente caracterizamse atividade gráfica, sujeitas à incidência do ISS. Sustenta a recorrente que não industrializa produtos mas exerce a atividade de prestação de serviços. Justamente por esse fato a classificação fiscal dos produtos é, conforme seu entendimento, no Capítulo 49 da TIPI, como impressos. Fundamenta seu entendimento com a menção da nota 2 do Capítulo 49: 2.Na acepção do Capítulo 49, o termo “impresso” significa também reproduzido mediante duplicador, obtido por processo comandado por uma máquina automática para processamento de dados, por estampagem, fotografia, fotocópia, termocópia ou datilografia. Verificase que a Nota 2 não se refere à atividade impressão, mas ao produto sobre o qual houve uma atividade que o tornou um impresso. A diferença é sutil, contudo, primordial para caracterizar a classificação fiscal na TIPI sob o código 49.11.10 Impressos publicitários, catálogos comerciais e semelhantes tratase efetivamente de um produto, não um serviço. Ademais, impresso é apenas um predicado do produto que teve o acréscimo de um elemento gráfico, permanecendo com sua natureza e característica original. Ou seja, temse blocos com folhas, pastas e envelopes que por intermédio de técnicas gráficas tiveram em seu corpo impressões, tornandose blocos com folhas impressos, pastas impressas e envelopes impressos, que não sofreram modificações em sua natureza, e assim, mantiveramse Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10480.721239/201267 Acórdão n.º 3201003.009 S3C2T1 Fl. 251 15 em suas classificações originais na TIPI (Capítulo 48), como se não fossem alterados pela impressão. O argumento da recorrente leva ao seguinte raciocínio: os produtos que realiza atividade de impressão tem sua classificação alterada para o código 49.11.10 impressos. Ou seja, utiliza dos códigos da TIPI que classificam produtos industrializados para dizer que a atividade exercida altera a natureza do produto final; exemplificando: um bloco de folha classificado na TIPI no código 4820.10.00 (IPI = 15%) ao se submeter a um processo de impressão passa a ser classificado no código 4911.10.90 (IPI = 0%) Todavia, os produtos não deixam de ser classificados nos códigos originais pelo fato de receber uma impressão; é o que diz as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH e os textos das posições 48.20 e 48.17 Desse, modo e por aplicação das NESHs e das notas correspondentes às posições 48.20 e 48.17, resta o entendimento de que o produto continua a ser o mesmo, ainda que apresentem dizeres impressos, desde que estes não sejam suficientes para dar um caráter essencial ao produtos e sim acessório relativamente à utilização do produto. Passo às considerações acerca da atividade de industrialização e de prestação de serviços. Tenho por fundamento que os requisitos para uma atividade gráfica situarse no campo de incidência do ISS e não do IPI são: o produto deve ser encomendado pelo cliente, com impressão personalizada e customizada , destinada ao seu consumo. Customizar um produto é adequálo à forma requerida pelo cliente. Personalizar, é identificar o cliente no produto. Temse pois que a atividade de customização e personalização do produto encomendado, que identifica uma prestação de serviço, é aquela em que o produto deverá destinarse ao consumo do encomendante e que não caracteriza uma simples venda do prestador ao clienteencomendante. A peculiaridade da customização e personalização é que o produto com essas características atenderá somente aos fins do encomendante e não de qualquer outro e que ainda seja para o seu consumo, não uma revenda. Em síntese, o produto é útil tãosó ao encomendante, a ele não é bem de comércio. O estabelecimento que se dedica às atividades de impressão poderá comportar serviços da indústria gráfica e fabricação/comercialização de produtos de escritório/papelaria. Nessa situação será contribuinte do ISS na prestação de serviços e contribuinte do IPI e ICMS na industrialização/operações de circulação de artigos de escritório/papelaria. Produtos fabricados pela industria gráfica que podem ser estocados, expostos à venda e vendidos pela gráficafabricante para qualquer cliente, ainda que por encomenda, tendo ou não contrato de exclusividade em relação ao impresso produzido, não impede a tributação pelo IPI. Estará, contudo, sujeito à incidência do ISS o produto fabricado conforme especificações expressas de customização e personalização e se destine exclusivamente ao consumo do encomendante. Fl. 258DF CARF MF 16 Retornando ao caso dos autos, não há informação que permite inferir que os produtos sejam encomendas de cliente, com impressão personalizada e customizada, destinada ao seu consumo final. A recorrente não juntou contrato, notas fiscais de serviço que demonstre ser customização, personalização de forma a apontar que se destina ao consumo do cliente Tomada do crédito do IPI na aquisição de insumos da atividade gráfica Divirjo na matéria em relação ao voto do relator. Assevera a recorrente que seus produtos resultantes da atividade gráfica de impressão, e classificados no capítulo 49 da TIPI, cujas alíquotas do IPI é zero, caracterizamse prestação de serviços, sujeitos à incidência do ISS e não do IPI; contudo, a aquisição de seus insumos permitem a manutenção do crédito do IPI pois que o produto final é tributado à alíquota zero, pelo IPI. Separemos as operações e sujeição ao tributo. Na entrada do insumo a recorrente se diz contribuinte do IPI e, portanto, tem o direito ao crédito do imposto nos termos do art. 11 da Lei nº 9.799/99, que prescreve: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Na saída do "impresso", entende a recorrente não se sujeitar ao IPI vez que o produto não é resultado de operação de industrialização, mas de uma prestação de serviço que altera sua classificação para um dos códigos do capítulo 49 da TIPI, cujas alíquotas do IPI são zero, o que lhe permite, inclusive, manter o crédito do imposto na entrada no insumo. Em síntese, na saída é contribuinte do ISS. Pois bem, tratase de um raciocínio incongruente e ilógico. Pretende a recorrente obter o benefício do crédito do IPI na entrada, fazendose contribuinte do imposto; contudo, ignora essa condição (contribuinte do IPI) na saída, pois que se considera então contribuinte do ISS. Tal raciocínio não prevalece. Acaso não se considera contribuinte do IPI não poderá se creditar nas entradas. O crédito autorizado no art. 11 da Lei nº 9.799/99 somente pode ser tomado por contribuinte do Imposto, o que a recorrente alega não ser. De outra banda, se de fato os produtos saídos não são tributados pelo IPI, mas apenas pelo ISS, não serão tributados à alíquota zero como pretende, pois se encontram fora do campo de incidência. Tal situação impede a tomada do crédito ou a manutenção do saldo credor, e a Súmula CARF nº 16 bem como o art. 11 da Lei nº 9.799/99, não se aplica à operação, eis que concernente tãosomente aos contribuintes do IPI cujas saídas se dão à alíquota zero ou sob o manto da isenção. Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10480.721239/201267 Acórdão n.º 3201003.009 S3C2T1 Fl. 252 17 Aplicase à saída não tributada as regras de cancelamento ou estorno do crédito previsto no art. 2º da IN SRF 33/99 e no art. 193 do RIPI, todos com supedâneo legal: IN SRF 33/99 Art. 2o Os créditos do IPI relativos a matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME), adquiridos para emprego nos produtos industrializados, serão registrados na escrita fiscal, respeitado o prazo do art. 347 do RIPI: (..) § 3o Deverão ser estornados os créditos originários de aquisição de MP, PI e ME, quando destinados à fabricação de produtos não tributados (NT). Decreto 4.544/2002 RIPI Art. 193. Será anulado, mediante estorno na escrita fiscal, o crédito do imposto (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25, § 3º, Decreto lei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 8ª, Lei nº 7.798, de 1989, art. 12, e Lei nº 9.779, de 1999, art. 11): a) empregados na industrialização, ainda que para acondicionamento, de produtos nãotributados; (...) Conclusão De tudo ante exposto, entendo que as atividades da recorrente são próprias das operações de industrialização, tributadas na saída pelo IPI e, portanto, passíveis de aproveitar crédito na entrada, na hipótese de se possuir contabilidade de custos que permita a segregação dos insumos empregados, o que de fato a recorrente não possui. Assim, votei para negar provimento ao recurso voluntário. Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 260DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.004738/2009-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri May 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. CTN, ART. 173, I. INOCORRÊNCIA DE DECADÊNCIA. CPC/1973, ART. 543-C, REPETITIVO. RICARF/2015, ART. 62, §2º.
Da falta de comprovação de pagamento do tributo decorre a aplicação do artigo 173, I, do CTN, rejeitando-se a alegação de decadência. Reprodução do entendimento do Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial nº 973.733, decidido sob o regime do artigo 543-C, do Código de Processo Civil/1973, nos termos do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 343/2015, artigo 62, §2º).
Numero da decisão: 9101-002.851
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Gerson Macedo Guerra, que lhe deu provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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CTN, ART. 173, I. INOCORRÊNCIA DE DECADÊNCIA. CPC/1973, ART. 543C, REPETITIVO. RICARF/2015, ART. 62, §2º. Da falta de comprovação de pagamento do tributo decorre a aplicação do artigo 173, I, do CTN, rejeitandose a alegação de decadência. Reprodução do entendimento do Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial nº 973.733, decidido sob o regime do artigo 543C, do Código de Processo Civil/1973, nos termos do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 343/2015, artigo 62, §2º). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Gerson Macedo Guerra, que lhe deu provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 47 38 /2 00 9- 11 Fl. 391DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de recurso especial de divergência (fls. 276 a 327) interposto pelo Contribuinte em epígrafe contra o Acórdão de nº 1103000.866, (fls. 256 a 265), mediante o qual, por unanimidade de votos, rejeitouse a preliminar de decadência e, no mérito, negouse provimento ao recurso voluntário. O recorrente defende a decadência contada com base no art. 150, §4º, do CTN, quando não há pagamento stricto sensu, mas há a declaração dos tributos. Na origem, tratase de Auto de Infração lavrado para cobrança de IRPJ e CSLL diante da glosa de custo do primeiro trimestre de 2004, pela aquisição de matérias de fornecedor inidôneo. a ciência da lavratura se deu em 01/12/2009. Por bem resumir o ocorrido, vale aqui transcrição de parte do TVF: "Para o ressarcimento dc IPI, relativo ao crédito de compra dc insumos, o contribuinte foi intimado a apresentar a Relagdo*de MatériasPrima e Produtos de Embalagens, juntamente com as Notas Fiscais de Aquisição, que deram „origem ao crédito pleiteado, além das verificações nos livros fiscais, onde estão registradas essas notas fiscais de aquisição mod. 01) e o devido estorno do crédito de IPI no Livro de Apuração de IPI (mod. 08). Com base nessa Relação de Matérias rima ;L" Produtos de Embalagens Fornecedores, relativos ãs compras efetuadas nos anoscalendáricrde 2003 e 2004: constamos que os produtos de maior valor foram adquiridas do fornecedor INDUSTRIA E COMERCIO DE BEBIDAS NUVEM DE PRATA LTDA — ME — CNPJ no 52.593.084/000118 —%cjue, segundo pesquisas aos sistemas informatizados na SRF, verificouse que o referido fornecedor ,se;encontra com situação cadastral perante a SRF como INAPTA, com motivo de situação cadastral INEXISTENTE DE FATO, desde 01/01/2003. A INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BEBIDAS NUVEM DE PRATA LTDA — ME — CNPJ n° 52.593.084/000118, foi declarada INAPTA, por INEXISTENTE DE FATO, por meio do Ato Declaratório Executivo n° 25/2007, cujo procedimento consta nos autos do Processo Administrativo Fiscal n° 15889.000341/200799, de 28/08/2007, produzindo os efeitos a partir de 01/01/2003. Fl. 392DF CARF MF Processo nº 19515.004738/200911 Acórdão n.º 9101002.851 CSRFT1 Fl. 368 3 Acrescentase que, com o intuito de verificar a efetiva realização da operação comercial/financeira, já que os valores das aquisições de matériasprimas são de grande monta e que o fornecedor consta como MICROEMPRESA, solicitamos ao adquirente da matériaprima que fornecesse o documentário fiscal de aquisição da matéria prima fornecida pela INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BEBIDAS NUVEM DE PRATA LTDA — ME — CNPJ no 52.593.084/000118, bem como os comprovantes de pagamentos feitos àquela empresa. De posse do documentário fiscal, procedemos a análise dos mesmos e constatamos as notas fiscais de venda foram preenchidas à máquina de datilograr elétrica, estando em branco os dados relativos empresa transportadora e o recebimento dos produtos (campoconstante no rodapé da nota fiscal), com o agravante que a maioria das duplicatas quitadas apresentadas, embora de valores elevados, não foram pagas junto à rede bancária e sim, através de cheques ' pagos diretamente empresa fornecedora sendo esses procedimentos passíveis de irregularidades. Com estes argumentos, lavramos Autos de Infrações pela glosa dos valores lançados como custo na apuração de IRPJ.e CSLL (reflexo); assim como pela glosa dos créditos de PIS e Cofins 'não Cumulativo de 2004 referentes às compras acima mencionadas." o Auto de Infração foi regularmente impugnado, momento em que o Contribuinte arguiu a decadência pela aplicação do artigo 150, §4º, dentre outras questões. A DRJ, entretanto, julgou procedente o lançamento. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário ao CARF, reiterando suas razões de impugnação. No julgamento do Recurso a 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da 1ª Seção de Julgamento rejeitou a preliminar de decadência negou provimento ao Recurso, conforme ementa e decisão abaixo transcritas: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE Recurso voluntário sem apresentar nenhum argumento ou fato que fosse de encontro a decisão proferida a Recorrente não apresenta qualquer indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou a apresentação de motivos pelos quais deveria ser modificada, ferindo o princípio da dialeticidade, segundo o qual os recursos devem expor claramente os fundamentos da pretensão à reforma. DIVERGÊNCIA ENTRE A RECEITA INFORMADA NOS LIVROS CONTÁBEIS E A DECLARADA AO FISCO FEDERAL (DIPJ). Fl. 393DF CARF MF 4 Não logrando o contribuinte justificar a diferença dos valores dos faturamentos consignados, em relação a idêntico período, nas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica DIPJ versus Livros Diários, procede o lançamento com base nos valores efetivamente levantados pela fiscalização. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL. PIS. COFINS. Aplicase as exigência ditas decorrentes o que foi decido em relação à exigência matriz nos casos de íntima relação de causa e efeito entre elas. Impugnação Improcedente Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma Ordinária da 1ª. Câmara da Primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.” Cientificado da decisão o Contribuinte, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, objetivando rediscutir a decadência. Para demonstração da divergência a Fazenda apresenta como paradigma o Acórdão 3202001.605, argumentando que o entendimento foi totalmente oposto àquele contido no recorrido, no sentido de que, existindo a declaração de débito, ainda que sem o pagamento antecipado, aplicase a regra do art. 150, § 4º, do CTN, operandose a decadência em cinco anos, contados da data do fato gerador. Nesse contexto, o Contribuinte requer o conhecimento de seu Recurso Especial. Em suas razões, alega, em suma: ü A DIPJ juntada aos autos comprova a declaração e pagamento do IRPJ e CSLL relativos ao 1º trimestre de 2004; ü O próprio STJ, no julgamento do Resp 973.733, representativo de controvérsia, trata a declaração de débito como equivalente ao pagamento; ü Assim, como o IRPJ e CSLL são tributos sujeitos ao lançamento por homologação e que não há nos autos a prova de dolo, fraude ou simulação, aplicase a regra decadencial do artigo 150, §4º, do CTN; ü Há que se observar, ainda que no presente caso ocorreu efetivamente o pagamento dos tributos, tendo em vista que a glosa de custos efetuada apenas alterou o resultado tributável do período, elevando o valor dos tributos apurados e pagos à época dos fatos. A Autoridade competente deu seguimento ao Recurso Especial, nos seguintes termos: “Passandose à averiguação da alegada divergência jurisprudencial, destacase que, diante situações fáticas Fl. 394DF CARF MF Processo nº 19515.004738/200911 Acórdão n.º 9101002.851 CSRFT1 Fl. 369 5 semelhantes, o Colegiado a quo entendeu que, para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art. 173, I do CTN, pouco importando se houve ou não declaração. Por sua vez, o entendimento do acórdão paradigma foi no sentido de que, se houve declaração de débito, a contagem do prazo se dá pela regra do art. 150, § 4º, do mesmo Diploma. Ante o exposto, resta configurada divergência de interpretações entre o acórdão recorrido e o paradigma apresentado.” Regularmente intimada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, alegando e requerendo, em suma: ü Impende destacar que não se operou lançamento por homologação algum, pois o contribuinte não antecipou o pagamento do tributo lançado nessas competências. É por conta disto que se procedeu ao lançamento de ofício da exação, na linha preconizada pelo art. 173, I, do CTN; ü O Superior Tribunal de Justiça, ao interpretar a combinação entre os dispositivos do art. 150, §4º e 173, I, do CTN, entende que, não se verificando recolhimento de exação e montante a homologar, o prazo decadencial para o lançamento dos tributos sujeitos a lançamento por homologação segue a disciplina normativa do art. 173 do CTN; ü Assim, em respeito à jurisprudência majoritária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e do Superior Tribunal de Justiça, e diante da inexistência de pagamento parcial, não se deve admitir na hipótese destes autos a contagem do prazo decadencial a partir do fato gerador, como previsto no §4º do art. 150 do CTN, mas sim a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que lançamento poderia ter sido efetuado, tal como previsto no art. 173, I, do CTN. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Não há reparos a se fazer na análise da admissibilidade do presente Recurso, eis que presentes os pressupostos de admissibilidade. Assim, passo à análise do mérito da questão. O lançamento por homologação, regulado pelo artigo 150 do CTN, tem como principal característica a atribuição ao contribuinte do dever de antecipar o pagamento do tributo, ficando a autoridade administrativa com o dever de posteriormente chancelar ou não o valor do recolhimento efetuado e, sendo o caso, efetuar cobrança de diferença, verbis: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de Fl. 395DF CARF MF 6 antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. A regra da decadência do direito do fisco de lançar o tributo por homologação é regra especial, contida no §4º, do artigo 150 em questão, que estabelece o prazo de cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, caso não comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, verbis: § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, por ocasião do julgamento do Recurso Especial repetitivo 973.733/SC, firmou o seguinte entendimento em relação a questão em debate: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.” (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Ao se posicionar sobre o tema a 1ª Turma da CSRF, por maioria, se manifestou que a aplicação do artigo 173, I, do CTN na constituição de crédito relativo a tributos sujeitos ao lançamento por homologação, apenas pode ocorrer na hipótese de não haver pagamento, nem declaração do tributo, conforme trecho do voto vencedor do Acórdão 9101002.021, abaixo transcrito: A interpretação do texto transcrito nos leva à conclusão de que devemos nos dirigir ao artigo 173, I, do CTN quando, a despeito da previsão legal de pagamento antecipado da exação, o mesmo inocorre e inexiste declaração prévia do débito que constitua o crédito tributário. Fl. 396DF CARF MF Processo nº 19515.004738/200911 Acórdão n.º 9101002.851 CSRFT1 Fl. 370 7 Assim, encontraríamos duas condições para sairmos do artigo 150, §4º: 1) não haver o pagamento e 2) não haver declaração prévia constitutiva do crédito. Assim, mesmo não existindo o pagamento, a declaração prévia constitutiva do crédito bastaria para mantermos a contagem do prazo a partir do fato gerador. Entendo pertinente essa última colocação, no sentido de que a declaração prévia basta para manutenção da contagem do prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador. Isso porque, não pago o tributo a União já possui informação suficiente para efetivação de seu lançamento. Nesse contexto o próprio STJ, no fim do ano de 2015, editou a Súmula 555, que possui a seguinte redação: Quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase exclusivamente na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Nesse contexto, a meu ver, para fins de contagem do prazo decadencial a declaração do débito na competente obrigação acessória se equivale ao pagamento. Assim, para a aplicação do §4º, do artigo 150, do CTN exigese a ocorrência dos seguintes situações: 1. A lei deve estabelecer que o lançamento do tributo é realizado na modalidade homologação; 2. Não ocorra a comprovação de dolo, fraude ou simulação pelo ente tributante; 3. Haja pagamento e/ou declaração do tributo. Passo, então, a verificar a aplicação da decisão representativa de controvérsia do Recurso Especial nº 973.733 ao caso ora sob análise. Compulsando os autos foi possível verificar a existência de declaração (DIPJ), donde se pode detectar que o contribuinte apurou Lucro tributável (fl. 20 Ficha 9A Demonstração do Lucro Real PJ em Geral) e CSLL a pagar (fl. 26 Ficha 17 Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) no período do lançamento (1º trimestre de 2004). Logo, vislumbro o cumprimento dos requisitos constantes da decisão do STJ anteriormente citada, qual seja, a declaração dos tributos. Nesse contexto, como o lançamento apenas foi efetivado em 09/12/2009, e que o contribuinte era optante pelo regime de lucro real trimestral, operouse a decadência contida no artigo 150, §4º, do CTN. Nesse contexto, voto DAR provimento ao recurso do Contribuinte, para reformar o quanto decidido pela Turma a quo em relação à decadência. Fl. 397DF CARF MF 8 (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Voto Vencedor Conselheira Cristiane Silva Costa, Redatora Com a devida vênia, divirjo do entendimento do Ilustre Relator com relação à decadência alegada nos autos. Com efeito, ausente comprovação de pagamento dos tributos em análise, há que se aplicar o prazo decadencial estabelecido pelo artigo 173, I, do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; A divergência com o voto do Ilustre Relator é a respeito da interpretação dos artigos 150, §4º e 173, alinhandose ao acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, nos autos do Recurso Especial nº 973.733, decidido sob o regime do artigo 543C, do Código de Processo Civil/1973 e, portanto, de aplicação obrigatória por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Regimento Interno vigente (Portaria nº 343/2015, em seu artigo 62, §2º). Destaco trechos da ementa do acórdão em julgamento daquele Recurso Especial nº 973.733: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (...) 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco Fl. 398DF CARF MF Processo nº 19515.004738/200911 Acórdão n.º 9101002.851 CSRFT1 Fl. 371 9 regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.(Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 12/08/2009) A falta de pagamento comprovado nos autos impõe a aplicação do artigo 173, I, do CTN, em observância ao repetitivo acima citado. Nesse sentido, a mera declaração de rendimentos (DIPJ) não é suficiente para aplicação do artigo 150, §4º, do CTN, conforme entendimento da maioria deste Colegiado. Por tais razões, nego provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 399DF CARF MF 10 Fl. 400DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.001470/2007-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002
CONCOMITÂNCIA. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 01. A teor da Súmula CARF nº 01, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
LANÇAMENTO. CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS. INSTRUMENTOS LEGAIS. AUTO DE INFRAÇÃO OU NOTIFICAÇÃO LANÇAMENTO. Os artigos 10 e 11 do Decreto nº. 70.235/72 tratam, respectivamente, dos requisitos a serem observados no auto de infração e na notificação de lançamento, sendo ambos instrumentos legais para o lançamento de créditos tributários.
DECADÊNCIA. PRAZO. Para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplica-se a regra do art. 173, inc. I do CTN, pouco importando se houve ou não declaração, contando-se o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
MULTA CONFISCATÓRIA. CONSTITUCIONALIDADE. ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. De acordo com a Súmula Carf nº 02, o CARF não tem competência para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno.
JUROS DE MORA. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC. Sobre os débitos tributários para com a União, não pagos nos prazos previstos em lei, aplicam-se juros de mora calculados, a partir de abril de 1995, com base na taxa SELIC.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.635
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por conhecer parcialmente do recurso voluntário e na parte conhecida negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 01. A teor da Súmula CARF nº 01, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. LANÇAMENTO. CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS. INSTRUMENTOS LEGAIS. AUTO DE INFRAÇÃO OU NOTIFICAÇÃO LANÇAMENTO. Os artigos 10 e 11 do Decreto nº. 70.235/72 tratam, respectivamente, dos requisitos a serem observados no auto de infração e na notificação de lançamento, sendo ambos instrumentos legais para o lançamento de créditos tributários. DECADÊNCIA. PRAZO. Para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art. 173, inc. I do CTN, pouco importando se houve ou não declaração, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA CONFISCATÓRIA. CONSTITUCIONALIDADE. ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. De acordo com a Súmula Carf nº 02, o CARF não tem competência para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. JUROS DE MORA. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC. Sobre os débitos tributários para com a União, não pagos nos prazos previstos em lei, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 14 70 /2 00 7- 30 Fl. 341DF CARF MF 2 aplicamse juros de mora calculados, a partir de abril de 1995, com base na taxa SELIC. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por conhecer parcialmente do recurso voluntário e na parte conhecida negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Contra a empresa COOPERATIVA DE CRÉDITO DOS MÉDICOS E DEMAIS PROFISSIONAIS DE SAÚDE DE BLUMENAU Cooperativa, foi lavrado Auto de Infração formalizando a exigência da Contribuição para a COFINS, com intimação para recolhimento no valor de R$ 276.682,69, referente a fatos geradores entre 01/2002 e 12/2002. Nesse valor encontramse acrescidos da multa e dos juros moratórios (fls. 114/122). Consta do Termo de Verificação de Infração que foi interposto a Ação Ordinária nº 2002.72.05.00122888, junto ao TRF4, objetivando a suspensão e declaração de inexigibilidade da cobrança da Cofins. Em sentença proferida no dia 11/12/2002, foi denegada a segurança, reconhecendo a constitucionalidade dos dispositivos questionados. Foi interposto Recurso de Apelação junto ao STF. O processo se encontra atualmente na fase de Recurso Extraordinário por parte da Contribuinte. Conforme o Termo de Verificação de Infração (TVI) COFINS (fls. 106/113), as Cooperativas de crédito são contribuintes com base no faturamento (receita bruta), com as exclusões e deduções específicas contidas no parágrafo 5º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, regulamentado pelos artigos 10 e 26 do Decreto nº 4.524, de 2002, e normatizado pelo art. 27 da Instrução Normativa SRF nº 247, de 2002, vigente à época das contribuições. A apuração da base de cálculo foi feita através da análise da ficha 19C da DIPJ Cálculo da Contribuição para o PIS, onde foi verificado que a Recorrente, mensalmente, zerava a base de cálculo de acordo com valores a título de “Outras Exclusões” (quadro demonstrativo mensal à fl. 112), que, segundo alegação da própria Recorrente em resposta ao Termo de Intimação Fiscal 2007.037/005, se referiam à soma de despesas administrativas, aprovisionamentos e ajustes patrimoniais, outras despesas operacionais e sobras Fl. 342DF CARF MF Processo nº 13971.001470/200730 Acórdão n.º 3402004.635 S3C4T2 Fl. 342 3 resultantes de atos cooperativos. Como tais exclusões não são permitidas, de acordo com a legislação, os respectivos valores foram revertidos para a base de cálculo das contribuições. Em sua Impugnação, em síntese, a Recorrente aborda, inicialmente, que a natureza jurídica das sociedades cooperativas e, particularmente, a natureza jurídica das cooperativas de créditos. Faz ainda uma longa explanação sobre a natureza do ato cooperativo e acerca das despesas e prejuízos das cooperativas para alegar que realiza somente atos cooperativos, que estes não geram faturamento ou receita que possam ser utilizados pela sociedade, e que, desta forma, não há base imponível para as contribuições. Argumenta que as sociedades cooperativas prestam serviços aos associados (cooperados), que não há faturamento nem receita, não há como objeto a formação de lucro, e que o prejuízo ou despesas são adimplidos proporcionalmente aos seus associados. Aduz suas razões, sob os seguintes fundamentos, em resumo que: que cabe exclusivamente à Lei Complementar dispor sobre as sociedades cooperativas, de acordo com o art. 146, inciso III, da Constituição Federal de 1988; não há incidência do PIS e da Cofins nas sociedades cooperativas, seja pela inconstitucionalidade da Lei nº. 9.718/98, por afrontar o texto constitucional do §4º., do art. 195; do inciso I, do art. 154; e, especialmente por afrontar o art. 146, III, ‘c’, que reserva à Lei Complementar o adequado tratamento tributário às sociedades cooperativas; ou, ainda, pela ilegalidade e inconstitucionalidade da Medida Provisória nº. 1.99112/ 1999 (e reedições sob o nº. 1.858/1999) através do seu art. 15; a inexistência de fato imponível da PIS em relação aos atos cooperativos” (IV), alega que, como cooperativa que é, presta serviço aos seus associados e seu objetivo é fomentar as atividades do cooperado via assistência creditícia (traz entendimentos jurisprudenciais do Superior Tribunal de Justiça STJ e do Supremo Tribunal Federal STF); Quanto a "Autuação Fiscal e Notificação de Lançamento”, alega, em síntese, que é impossível lançar imposto em auto de infração; que é a multa que se lança em auto de infração; requer a desconsideração dos valores lançados a título de multa e dos juros de mora; sob o tópico “Da decadência dos períodos anteriores à março de 2002", alega que a notificação foi emitida no mês de março de 2007, já tendo ocorrido o prazo decadencial em relação aos lançamentos anteriores a março de 2002 e no item “Inaplicabilidade da Selic”, alega, em suma, que é inadmissível a aplicação desta taxa sobre os débitos fiscais, considerando as limitações constitucionais e legais vigentes. Por fim, que a multa de 75% configurase como confiscatória, o que é vedado no nosso ordenamento jurídico. No entanto, os argumentos aduzidos pela Recorrente, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão DRF/FNS nº 0729.465, de 29/06/2012, abaixo transcrito (fls. 227/235): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. EFEITOS. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente ao procedimento administrativo, importa a renúncia às instâncias administrativas no que se refere ao mesmo objeto do processo judicial e do processo administrativo, tendo este prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada Fl. 343DF CARF MF 4 LANÇAMENTO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS. INSTRUMENTOS LEGAIS. Os artigos 10 e 11 do Decreto nº. 70.235/72 tratam, respectivamente, dos requisitos a serem observados no auto de infração e na notificação de lançamento, sendo ambos instrumentos legais para o lançamento de créditos tributários. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 JUROS DE MORA. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC. Sobre os débitos tributários para com a União, não pagos nos prazos previstos em lei, aplicamse juros de mora calculados, a partir de abril de 1995, com base na taxa SELIC. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. DECADÊNCIA. PRAZO. Para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art. 173, inc. I do CTN, pouco importando se houve ou não declaração, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Impugnação Improcedente / Crédito Tributário Mantido Em 15/08/2012 (fl. 249) a empresa foi devidamente cientificada e não resignada com a recorrida decisão, em 14/09/2012 (fl. 250), interpôs o presente recurso voluntário, (fls. 250/325), no qual repisa os argumentos de sua impugnação, que em resumo, conclui com as seguintes solicitações: requer que seja este Recurso recebido como tempestivo e declarado o seu efeito suspensivo; que seja declarado nulo o julgamento a quo, determinando sua remessa aquela instância, para ver enfrentadas as matérias não analisadas, sob pena de cerceamento de defesa; requer que seja reformada a decisão a quo, pelos seguintes motivos: a) tendo em a inexistência de fato imponível do PIS sob os atos cooperativos (tanto pela ilegalidade e inconstitucionalidade da rubrica do PIS sob as sociedades cooperativas); b) tendo em vista que os valores anteriores a março de 2002, já terem sido atingidos pela decadência; c) tendo em vista a aplicação de multa confiscatória, o que é vedado em nosso ordenamento jurídico; d) tendo em vista a diferenciação entre Auto de Infração e Notificação Fiscal, e a impossibilidade de concentração de ambos em um único procedimento ou sua confusão; e) tendo em vista a inaplicabilidade dos juros de mora antes de decisão final em processo regular administrativo irrecorrível e sua inscrição em dívida ativa, que não respeitou a forma legal; Fl. 344DF CARF MF Processo nº 13971.001470/200730 Acórdão n.º 3402004.635 S3C4T2 Fl. 343 5 f) tendo em vista a inaplicabilidade da taxa de juros que tem por base o índice da SELIC, que não corresponde à forma do sistema constitucional tributário; Ao final, requer com base em todo o exposto, o cancelamento da Auto de Infração ora guerreada, total ou parcialmente. Esse é o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator. 1. Da admissibilidade dos recursos O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. 2. Objeto da lide Trata o presente processo, da base de cálculo dos créditos tributários em razão da aplicação da Lei nº 9.718/98, da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, e suas reedições (culminando na MP nº 2.15835, de 2001), a qual revogou expressamente, a partir de 30 de junho de 1999, a isenção do PIS e da Cofins quanto aos atos cooperativos próprios das finalidades das cooperativas, prevista no art. 6º, inciso I, da Lei Complementar nº. 70, de 1991. Em resumo, questionase, a legalidade da incidência da contribuição do PIS sobre os atos cooperativos, além da ampliação da base de cálculo das contribuições. 3. Da Ação Judicial Ação Ordinária nº 2002.72.05.00122888 Compulsando os autos, verificase que parte do que é discutido pela Recorrente foi alegado nos autos da Ação Ordinária nº 2002.72.05.00122888, da Vara da Justiça Federal de Florianópolis/SC, a qual ainda não transitou em julgado em razão da interposição de recurso extraordinário junto ao STF (RE nº 412.764, cf. informação de fl. 43). Como bem asseverado pela decisão recorrida, conforme a inicial desse processo (constante dos autos às fls. 44/91), a Recorrente suscita a ilegalidade e inconstitucionalidade da Lei nº. 9.718/98 e da Medida Provisória nº. 1.99112/ 99 (e reedições anteriores sob o nº. 1.858/99). Questiona, em suma, a legalidade da incidência das contribuições sobre os atos cooperativos, além da ampliação da base de cálculo das contribuições. Consta do TVI (Termo de Verificação de Infração), que as cooperativas de crédito são contribuintes com base na totalidade das receitas auferidas. Desta forma, lançou o total dos valores contidos na linha Faturamento/Receita Bruta (Ficha 19C) da DIPJ, com as exclusões e deduções específicas contidas no parágrafo 5º. do art. 3º.da Lei nº. 9.718/98, regulamentado pelos artigos 10 e 26 do Decreto nº. 4.524/02, e normatizado pelo art. 27 da Instrução Normativa SRF nº. 247/02, vigente à época das contribuições lançadas (PIS). Desta forma, verificase a concomitância de instâncias (Administrativa e Judicial|) no que se refere às alegações tratadas nos itens “Da previsão da Constituição Federal Fl. 345DF CARF MF 6 de 1988 às Sociedades Cooperativas”, “PIS”, e “Inexistência de fato imponível do PIS em relação aos atos cooperativos” deste Processo Administrativo Fiscal, pois nestes tópicos a Recorrente traz os mesmos argumentos expendidos na Ação Judicial mencionada. Posto isto, conforme determina o § 2º do art. 1º do Decretolei nº 1.737/1979 que a "propositura, pelo contribuinte, de ação anulatória ou declaratória da nulidade do crédito da Fazenda Nacional importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto" e também o art. 38 da Lei nº 6.830/80 traz disposição semelhante em relação às ações judiciais de mandado de segurança, repetição do indébito ou anulatória do ato declarativo da dívida. Nessa linha, o CARF aprovou o enunciado de Súmula CARF nº 01, publicada no DOU de 22/12/2009, no seguinte sentido; "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". O art. 87 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, regulamentou a matéria no mesmo sentido: Art. 87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas (Lei no 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único). Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. E, ainda por meio do Parecer Normativo COSIT nº 7, de 08/2014, as unidades da RFB foram orientadas a não conhecerem dos recursos interpostos pelos contribuintes, naqueles casos em que o objeto e as causas de pedir forem idênticas àquelas postas à apreciação da Justiça, antes ou posterior à autuação. Operase, neste caso, uma renúncia tácita do contribuinte ao recurso administrativo. Desta forma, não se conhece aqui das razões da Recorrente quanto à base de cálculo dos créditos tributários em razão da aplicação da Lei nº 9.718/98, da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de junho de 1999, e suas reedições (culminando na MP nº 2.15835, de 2001), a qual revogou expressamente, a partir de 30 de junho de 1999, a isenção do PIS e da Cofins quanto aos atos cooperativos próprios das finalidades das cooperativas, prevista no art. 6º, inciso I, da Lei Complementar nº. 70, de 1991. 4. Das demais matérias diferentes do objeto da Ação Judicial Por outro lado, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada. Desta forma, passase à análise dos demais itens do recurso. 5. Da decadência dos períodos anteriores à março de 2002 Aduz a Recorrente em seu recurso que, "(...) Necessário também a reforma do julgamento de primeira grau administrativo, pois nos valores lançados na Notificação Fiscal, existem alguns que se encontram alcançados pela decadência, valores que devem ser Fl. 346DF CARF MF Processo nº 13971.001470/200730 Acórdão n.º 3402004.635 S3C4T2 Fl. 344 7 desconsiderados". Alega que já teria ocorrido o prazo decadencial em relação aos lançamentos efetuados anteriormente a março de 2002. A questão do prazo decadencial para constituição das contribuições destinadas a financiar a seguridade social foi disciplinada pelo artigo 45 da Lei nº 8.212/1991, que dispõe sobre a organização da Seguridade Social. Ocorre que, em sessão de 12 de junho de 2008, o Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal editou o enunciado da Súmula Vinculante nº 8, que foi publicada no Diário Oficial da União, em 20 de junho de 2008. A partir de então, para fins do cômputo do prazo decadencial, cabível a adoção do entendimento de que: tendo havido pagamento antecipado (sujeito, portanto, à homologação), aplicase a regra do § 4º do art. 150 do CTN; não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art. 173, I, do CTN, pouco importando se houve ou não declaração. Portanto, inexistindo qualquer pagamento das contribuições sociais devidas, o direito da Fazenda lançar o correspondente crédito tributário decai em cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No caso em concreto, a ciência dos autos ocorreu em 09/07/2007, em relação a lançamentos das competências 01/2002 a 12/2002. A Recorrente não traz qualquer documento de arrecadação do PIS sobre o faturamento no período. Aplicase, portanto, a regra decadencial do artigo 173, I, do CTN para os meses de janeiro a dezembro de 2002. Portanto, não há que se falar em decadência dos lançamentos para as contribuições devidas: para o fato gerador mais antigo, ocorrido em 01/01/2002, a contagem do prazo decadencial iniciou em 01/01/2003 e expirou em 31/12/2007; a ciência dos autos de infração ocorreu em 09/07/2007, não ultrapassando o prazo para o lançamento das contribuições. Portanto, não há que se falar em decadência em relação aos lançamentos efetuados anteriormente a março de 2002. 6. Da Autuação Fiscal e Notificação de Lançamento A Recorrente alega que é impossível lançar imposto em Auto de Infração e que é a multa que se lança em Auto de Infração; que não há nos autos discussão de qualquer infração, somente apuração do valor decorrente de incidência tributária a contribuinte; que, por este motivo, os valores dos impostos lançados devem ser excluídos. Sobre essa questão e as seguintes deste voto, adoto todos os fundamentos da decisão recorrida, que tenho por boa e conforme a lei (forte no art. 50, § 1º, da Lei no 9.784, de 1991), que faço algumas adaptações pontuais. Em que pese o argumento da Recorrente, o art. 142 do CTN aborda a competência da autoridade administrativa para constituir o crédito tributário através do lançamento. Conforme o art. 9º.do Decreto nº. 70.235/72, a exigência do crédito tributário será formalizada em auto de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Os artigos 10 e 11 do Decreto nº. 70.235/72 tratam, respectivamente, dos requisitos a serem observados no auto de infração e na notificação de lançamento, tais como a qualificação do Fl. 347DF CARF MF 8 autuado, a descrição do fato, a determinação da exigência, a disposição infringida, a penalidade, etc. Tais dispositivos tiveram por objetivo fixar os procedimentos formais a serem observados no auto de infração e na notificação de lançamento, instrumentos os quais, ao final e ao cabo, tem por objetivo a exigência de créditos tributários. É por demais evidente que tanto os autos de infração quanto as notificações de lançamento constituem instrumentos hábeis para a constituição de créditos tributários. A única distinção entre tais instrumentos, conforme se observa nos artigos 10 e 11 do referido Decreto, reside em que os autos de infração são lavrados por autoridades fiscais (em atividades de fiscalização externa e interna), enquanto as notificações são expedidas pelo órgão responsável pela administração tributária. Assim, a aplicação do direito material pelo Fisco está presente no ato de lançamento através do auto de infração impugnado, praticado de forma ordenada e com observância dos direitos da Recorrente, motivo pelo qual não há que acatar o seu pleito. 7. Da incidência dos Juros de Mora antes da Decisão Administrativa final A Recorrente alega que, estando a exigibilidade do crédito suspensa, não há que falar em mora. Requer o expurgo dos juros e que não incidam quaisquer valores a este título até que se consolide os valores pleiteados pelo fisco, no final do processo administrativo regular. No entanto, não há como atender ao pleito da Recorrente. Em relação aos acréscimos moratórios, o Código Tributário Nacional (CTN), em seu art. 161, outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento, estabelecendo o parágrafo 1º desse artigo, que os juros serão calculados à taxa de 1% ao mês, se a lei não fixar outra taxa. Portanto, nos termos do CTN, ocorrendo a falta de pagamento integral, seja qual for o motivo, os respectivos juros serão devidos. Esse entendimento já se encontra pacificado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) no Acórdão nº 0104.444. Igualmente, nesse sentido dispõe a Súmula nº 5 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), orientando que: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Desta forma, o dispositivo legal constante do auto de infração, acerca do enquadramento legal dos juros de mora, está em perfeita harmonia com a norma complementar. 8. Da Inaplicabilidade da Selic A Recorrente alega, em suma, que é inadmissível a aplicação da taxa SELIC sobre os débitos fiscais, considerando as limitações constitucionais e legais vigentes. Fl. 348DF CARF MF Processo nº 13971.001470/200730 Acórdão n.º 3402004.635 S3C4T2 Fl. 345 9 No que tange aos argumentos da impugnante de que a taxa SELIC seria inaplicável no presente lançamento, cabe observar que a sua utilização está expressamente prevista no artigo 13 da Lei nº 9.065/95, abaixo reproduzido: “Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a 2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente.” (Grifei). A corroborar a legislação exposta, trazse à colação a Súmula CARF nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, deve ser mantida a exigência dos juros moratórios calculados com base na taxa SELIC. 9. Da alegada multa confiscatória Argumenta em seu recurso que, "(...) Por fim, verificase que a multa de 75% aplicada se configura como confiscatória, o que é expressamente vedado em nosso ordenamento. Destarte, mister sair do plano da demonstração dos valores e explicitar o entendimento dos tribunais e doutrinadores no repúdio contra a multa aplicada com caráter confiscatório". Quanto à multa, a qual a contribuinte atribui o efeito de confiscatória, digase apenas que se encontra legalmente prevista no art. 44, inciso I, da Lei n°. 9.430/96, sendo que foi regularmente aplicada pela autoridade fiscalizadora, o que faz com que a única forma de se afastar a imposição da penalidade na situação posta pela contribuinte seja a da via da declaração da ilegalidade ou inconstitucionalidade daquele dispositivo legal, coisa que, à evidência, não pode este juízo administrativo fazer. O artigo 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo artigo 25 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, assim dispõe: Art 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Como se vê, tratase de matéria que, como se sabe, não pode ser apreciada no âmbito administrativo, consoante entendimento consolidado na Súmula CARF nº 2, segundo o qual o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não tem competência para a declaração de inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses do art. 62 do Regimento Interno: Súmula Carf nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 349DF CARF MF 10 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. 10. Do pedido de efeito suspensivo Uma vez que é efeito automático do Recurso Voluntário a suspensão da exigibilidade do crédito lançado, por força do art. 151, inciso III, do CTN, e do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, descabe qualquer providência desse Órgão Julgador quanto ao pedido levado a efeito pela Recorrente nesse sentido. 11. Dispositivo Em conformidade com o acima exposto, voto da seguinte forma: (i) por não conhecer do recurso voluntário, quanto à matéria levada à apreciação do Poder Judiciário, ou seja, quanto às alegações de ilegalidade e inconstitucionalidade dos dispositivos legais que embasam a base de cálculo das contribuições lançada pelo fisco; e (ii) no que se refere às matérias não tratadas no âmbito judicial, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinatura digital) Waldir Navarro Bezerra Relator. Fl. 350DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.724352/2014-31
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
DESPESAS. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. PERÍODOS ANTERIORES. REGIME DE COMPETÊNCIA. INDEDUTIBILIDADE.
As despesas com juros sobre o capital próprio (JCP) se submetem às regras gerais de contabilização de despesas, obedecendo o regime de competência: somente podem incorrer no mesmo exercício social em que as receitas correlacionadas - geradas com o uso do capital que os JCP remuneram - se produzem, formando o resultado daquele exercício. Não se admite a dedução de JCP calculados sobre as contas do patrimônio líquido de exercícios anteriores.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2010
LANÇAMENTOS REFLEXOS OU DECORRENTES.
Pela íntima relação de causa e efeito, aplica-se o decidido ao lançamento principal ou matriz de IRPJ também ao lançamento reflexo ou decorrente de CSLL.
Numero da decisão: 9101-003.066
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os conselheiros Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio. Encerrado o prazo regimental, a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio não apresentou declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Relatora e Presidente em Exercício
Participaram do presente julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Leonardo de Andrade Couto, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Gerson Macedo Guerra e Daniele Souto Rodrigues Amadio. Ausente justificadamente o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 DESPESAS. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. PERÍODOS ANTERIORES. REGIME DE COMPETÊNCIA. INDEDUTIBILIDADE. As despesas com juros sobre o capital próprio (JCP) se submetem às regras gerais de contabilização de despesas, obedecendo o regime de competência: somente podem incorrer no mesmo exercício social em que as receitas correlacionadas - geradas com o uso do capital que os JCP remuneram - se produzem, formando o resultado daquele exercício. Não se admite a dedução de JCP calculados sobre as contas do patrimônio líquido de exercícios anteriores. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2010 LANÇAMENTOS REFLEXOS OU DECORRENTES. Pela íntima relação de causa e efeito, aplica-se o decidido ao lançamento principal ou matriz de IRPJ também ao lançamento reflexo ou decorrente de CSLL.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 DESPESAS. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. PERÍODOS ANTERIORES. REGIME DE COMPETÊNCIA. INDEDUTIBILIDADE. As despesas com juros sobre o capital próprio (JCP) se submetem às regras gerais de contabilização de despesas, obedecendo o regime de competência: somente podem incorrer no mesmo exercício social em que as receitas correlacionadas geradas com o uso do capital que os JCP remuneram se produzem, formando o resultado daquele exercício. Não se admite a dedução de JCP calculados sobre as contas do patrimônio líquido de exercícios anteriores. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2010 LANÇAMENTOS REFLEXOS OU DECORRENTES. Pela íntima relação de causa e efeito, aplicase o decidido ao lançamento principal ou matriz de IRPJ também ao lançamento reflexo ou decorrente de CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os conselheiros Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio. Encerrado o prazo regimental, a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio não apresentou declaração de voto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 43 52 /2 01 4- 31 Fl. 2061DF CARF MF Processo nº 11080.724352/201431 Acórdão n.º 9101003.066 CSRFT1 Fl. 2.062 2 (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Relatora e Presidente em Exercício Participaram do presente julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Leonardo de Andrade Couto, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Gerson Macedo Guerra e Daniele Souto Rodrigues Amadio. Ausente justificadamente o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório A FAZENDA NACIONAL recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de fls. 19952018, contra o acórdão nº 1301001.891, de 21 de janeiro de 2016 (fls. 19821993), que, por maioria, deu provimento ao recurso voluntário. O recurso apontou divergência em relação a uma única matéria: a possibilidade de deduzir despesa com o pagamento de juros sobre o capital próprio (JCP) referente a períodos pretéritos. Foi admitido por meio do Despacho de fls. 20212023. Na matéria objeto da presente discussão, o acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2010 (...) JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. APROPRIAÇÃO DE DESPESA. REGIME DE COMPETÊNCIA. Tratandose de despesa com juros sobre capital próprio, a alusão a regime de competência não pode ser dissociada do momento em que o dispêndio é incorrido. À evidência, ausente a despesa, eis que nem paga, nem incorrida, descabe falar em inobservância de regime de competência. Uma vez deliberado o pagamento de juros sobre o capital próprio, do ponto de vista estritamente tributário, o que releva verificar é se, no momento em que a despesa foi incorrida, foram atendidos os requisitos legais objetivos autorizadores da sua dedutibilidade. A Recorrente apresentou o paradigma nº 120100.348, cuja ementa está assim redigida na parte de interesse: REGIME DE COMPETÊNCIA. Fl. 2062DF CARF MF Processo nº 11080.724352/201431 Acórdão n.º 9101003.066 CSRFT1 Fl. 2.063 3 Os juros sobre o capital próprio, como, de regra, as demais despesas, somente podem ser levados ao resultado do exercício a que competirem. As alegações de mérito da Recorrente, são, em síntese, as seguintes: a) que inexiste previsão legal para pagamento de Juros sobre Capital Próprio retroativo na forma pretendida pelo sujeito passivo; b) que os juros sobre capital próprio repassados aos sócios são passíveis de dedução, como despesa financeira, e que é um benefício fiscal para a pessoa jurídica que opta por pagálos; c) que os parágrafos de um artigo devem ser interpretados de acordo com seu caput e, que o texto do caput do art. 9º traz norma que estatui hipótese de dedução de resultado de exercício financeiro. A norma é: o resultado do exercício pode ser deduzido pelo pagamento do JCP. O parágrafo primeiro restringese a veicular os limites da distribuição de JCP; d) argumenta que há manifesta relação de principalacessório entre a norma contida no caput e no parágrafo primeiro do art.9º, destarte, a previsão do parágrafo primeiro (i) não pode subsistir sem que seja aplicado o caput do artigo e (ii) deve ser em função deste interpretada; e) partindo dessas premissas, defende ser imprescindível que haja resultado a ser reduzido por meio do pagamento de JCP para que se aplique a limitação prevista no parágrafo primeiro, e que não há que se falar em dedutibilidade de despesas, sem que haja deliberação pelo pagamento de JCP; f) acrescenta que a limitação prevista no parágrafo primeiro do art. 9º é calculada em função do resultado do exercício (“existência de lucros”), portanto o resultado sobre o qual incidirá a limitação insculpida no parágrafo primeiro deve coincidir com o resultado ao qual se refere a norma trazida pelo caput do dispositivo; g) que a teleologia da norma impõe a existência de identidade entre o resultado sobre o qual se calcula o montante a ser pago a título de JCP e o resultado cujos lucros serão utilizados para o pagamento do JCP; h) que os Juros sobre Capital Próprio constituem forma privilegiada de remuneração dos sócios com o objetivo de estimular o reinvestimento nas atividades produtivas e, portanto, os limites legais a sua utilização devem ser aplicados sobre os resultados efetivamente destinados ao pagamento de JCP; i) que se os limites legais para cálculo de JCP são aplicados sobre resultados diferentes daqueles a serem utilizados para o efetivo pagamento de JCP, significa que aqueles resultados que serviram como parâmetro de cálculo tiveram destinação diversa do pagamento de JCP; j) que a previsão do parágrafo primeiro não pode ser aplicada de forma independente de seu caput, portanto, o cálculo das limitações previstas no parágrafo do art. 9º, deve tomar por base o resultado previsto na norma veiculada pelo caput, ou seja, não se pode calcular o valor que seria passível de pagamento por meio de JCP segundo o resultado de um exercício e pretender usar o resultado de outro exercício para pagamento de JCP; Fl. 2063DF CARF MF Processo nº 11080.724352/201431 Acórdão n.º 9101003.066 CSRFT1 Fl. 2.064 4 k) que o parágrafo primeiro não veicula autorização legal para cálculo de JCP relativo a período pretérito; l) que a equivocada interpretação parece partir de confusão entre expectativa de direito e direito adquirido. Acrescenta que o caput do art. 9 da Lei n. 9.249/95 estabelece a condição para gozo do benefício: existência de resultados. Estabelece, em seguida, a fórmula de cálculo: incidência da TJLP sobre as contas do patrimônio líquido. O efetivo gozo do benefício, consistente na dedução de despesas financeiras do resultado do exercício, depende do efetivo pagamento do JCP; m) que ao reunir as condições necessárias, mas não suficientes, para deduzir o JCP, o contribuinte passou a deter expectativa de direito. O direito à dedução somente surgiria com a distribuição do JCP levada a cabo. Ao deixar de deliberar o pagamento, o sujeito passivo permitiu que o direito precluísse, inexistindo, ao contrário do que busca defender, direito a crédito a ser usado em período futuro; n) que a pretensão do sujeito passivo afronta os princípios da competência, que regem a contabilidade societária, e o ato jurídico perfeito; o) que o conceito de competência, é a regra geral e critério básico para registro das operações da pessoa jurídica na contabilidade societária, e dele decorre a necessidade de enquadrar as demonstrações financeiras aos fatos econômicos e financeiros ocorridos no espaço de tempo a que elas reportam; p) que no parágrafo veiculase a noção de que, para dar adequada concretização ao princípio, é imprescindível que as despesas e receitas correlacionadas sejam confrontadas ao mesmo tempo; q) que de acordo com o princípio do competência o pagamento antecipado ou postergado de uma despesa não deve afetar o resultado da empresa, que a sua escrituração deve ocorrer de acordo com o período a que se referem; r) que o regime de competência encontrase expresso no art. 177 da Lei nº 6.404/76, e que o art.187 traz orientação neste sentido, especificamente no que cuida do resultado do exercício (transcreveu ambos os artigos); s) cita o art.29 da Instrução Normativa 11/96 que faculta a dedução das despesas de JCP, com observância ao regime de competência. Ressalta que tal disposição é repetida na IN SRF nº 40/98; t) que é evidente, no caso dos autos, a afronta ao Princípio da Competência e à regra trazida pelo art. 187 na pretensão de correlacionar despesas e receitas de exercícios financeiros diversos. As despesas com JCP, segundo aduz o contribuinte, são referentes aos exercícios de 1998 a 2009 e objetivase correlacionálas com a receita do exercício de 2010; u) cita o parágrafo único do art. 9º da Resolução CFC nº 750/93, com redação dada pela Resolução CFC nº. 1.282/10, e conclui que as despesas dedutíveis devem se referir aos juros incidentes sobre o patrimônio líquido do exercício para o qual se apura o lucro real em que se fará a dedução, não podendo se referir a juros incorridos em períodos anteriores; Fl. 2064DF CARF MF Processo nº 11080.724352/201431 Acórdão n.º 9101003.066 CSRFT1 Fl. 2.065 5 v) faz referência a julgados do CARF (acórdão nº 130200.044, acórdão 195 0.023, 140100.348); w) que nos termos dos arts.121 c/c art.132, inc. I e II da Lei nº 6.404/76, existe a obrigatoriedade de a empresa realizar assembléiageral ordinária anual para deliberar acerca da distribuição dos JCP nos quatro primeiros meses seguintes ao término do exercício social e que, essa deliberação vincula todos os sócios, ainda que ausentes ou dissidentes; x) que, em se tratando de exercícios sociais pretéritos para os quais já houve a realização de assembléiageral ordinária, nas quais foi externada a vontade social sobre a destinação dos lucros e aprovação das demonstrações financeiras, temse ato jurídico perfeito, apto a produzir todos os seus efeitos e somente modificável caso provado erro, dolo, fraude ou simulação, o que não teria ocorrido no presente feito. Portanto, as deliberações que deram destinos outros que não o pagamento de JCP aos resultados dos exercícios são imutáveis; y) que uma vez que a assembléia não deliberou nesse sentido na época própria, houve preclusão lógica insuperável; z) remete ainda ao instituto da renúncia, posto que a dedução de valores pagos a título de JCP, nos limites autorizados pela lei, é uma faculdade conferida à empresa e se a empresa, por meio de seus sócios e no momento adequado, resolveu não deliberar sobre o pagamento de JCP ou, ao fazêlo, determinou o pagamento abaixo do limite permitido, renunciou à faculdade que lhe foi conferida; Ao final, pede a Recorrente pela manutenção do lançamento. A Contribuinte apresentou contrarrazões (fls.20342054), aduzindo, em essência, o que segue. Preliminarmente: a) que o recurso não deve ser conhecido, uma vez que as conclusões do paradigma e recorrido não colidem, não são divergentes; b) nesse sentido, transcreve trechos do voto vencido no acórdão recorrido, do voto vencedor da lavra do Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, bem como do acórdão nº 1301001.118 do mesmo Conselheiro, citado no voto vencido; No mérito: a) defende inicialmente a impossibilidade de inovação promovida pelo acórdão da DRJ, pois entende que esta manteve o crédito por fundamento diverso do que sustentou o lançamento contestado, pois afirma que a Fiscalização, à fl. 692, consignou entendimento de que as empresam não precisam promover o pagamento dos juros no mesmo exercício em que apurado o lucro e, em face disso, jamais se defendeu de qualquer acusação no sentido de não estar autorizada a fazer os pagamentos de JCP em exercícios posteriores aos que lhe deram origem, assim, estarseia ferindo de morte o princípio da ampla defesa e do contraditório; Fl. 2065DF CARF MF Processo nº 11080.724352/201431 Acórdão n.º 9101003.066 CSRFT1 Fl. 2.066 6 b) por isso, se a CSRF resolver examinar o mérito do recurso especial, não poderá reformar o acórdão recorrido com base nos fundamentos jurídicos estampados na decisão da DRJ; c) que os limites e restrições para dedutibilidade dos JCP pagos em cada exercício estão previstos no art. 9º e §§ da Lei nº 9.249/95; d) que o Acórdão recorrido entendeu que tais limites (existência de lucros e reservas de lucros em 2010 superiores a duas vezes os juros totais pagos – tenham sido ou apontados como relativos a outros exercícios – e valor equivalente à TJLP aplicada sobre as contas do patrimônio líquido de 2010) foram observados, de sorte que a dedutibilidade não pode ser afastada; e) que ainda que a deliberação de pagamento de JCP ocorra em exercício subsequente, se naquele exercício da deliberação, considerando os lucros existentes e o patrimônio líquido existente, os limites legais foram observados, há de ser considerado legítima para fins fiscais a despesa apropriada e deduzida; f) que no caso de pagamento de JCP referente a exercícios passados, não há que se falar em desrespeito ao regime de competência, desde que, obviamente, os juros sejam calculados com base no patrimônio líquido de cada um dos anos pretéritos, utilizandose as taxas de TJLP correspondentes. Acrescenta que há de se considerar que o período no qual a empresa deve registrar a despesa de JCP é aquele em que ocorrer a deliberação societária estabelecendo o pagamento ou crédito de JCP; g) que só se pode cogitar da existência da despesa relativa aos JCP no momento em que o pagamento desses se torna obrigatório para a pessoa jurídica; h) que se houvesse previsão estatutária de distribuição obrigatória de JCP por parte da Recorrida, dúvidas não existiriam no sentido de que a despesa surgiria em cada um dos exercícios nos quais a Recorrida preenchesse as demais condições para o pagamento de tais valores. No caso concreto, entretanto, a distribuição de JCP é faculdade da Recorrida, na forma do art. 37 do seu estatuto social (transcreveu o citado artigo); i) que o direito dos acionistas de receberem tal valor não surge no momento em que preenchidas as demais condições legais que permitiriam o pagamento dos JCP, mas quando, além de tais condições estarem preenchidas, houver deliberação para pagamento por parte do Conselho de Administração da Recorrida; j) que no caso concreto, a deliberação para pagamento de JCP relativos ao exercício de 2010 e referentes a 1/3 do valor apurado entre os exercícios de 1998 a 2009, ocorreu em assembléia realizada em 16 de dezembro de 2010; k) faz referência ao princípio da competência externado no art.29 da IN SRF nº 11/96, complementado pelos esclarecimentos constantes da IN SRF nº 41/98; l) que o princípio da competência aponta para o reconhecimento de uma receita ou despesa no momento em que essa efetivamente surge. No caso dos JCP da Recorrida, portanto, no momento em que há a deliberação prevista no art. 37 do seu Estatuto Social; Fl. 2066DF CARF MF Processo nº 11080.724352/201431 Acórdão n.º 9101003.066 CSRFT1 Fl. 2.067 7 m) citou jurisprudência do CARF, destacando o acórdão proferido no processo 16327.001201/200928; e do Superior Tribunal de Justiça (RESP 1086752/PR); Por fim, a Contribuinte requer preliminarmente, que não seja conhecido o recurso especial da Fazenda; e no mérito, que seja desprovido o recurso. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora Da Admissibilidade A Recorrida alega em contrarrazões que não há divergência entre o aresto recorrido e o paradigma apresentado nº 120100.348. Inicia sua argumentação transcrevendo trechos do voto vencido, onde o Conselheiro cita um outro acórdão de nº 1301001.118, da lavra do relator do voto vencedor. Discorre sobre este acórdão e o confronta com as razões do aresto recorrido. A divergência deve ser cotejada entre o entendimento do voto vencedor no aresto recorrido e as conclusões consignadas no acórdão paradigma, razão pela qual se exime da análise do acórdão nº 1301001.118. No acórdão a quo, considerouse possível a dedução de despesas com pagamento com JCP de períodos anteriores ao correspondente à apropriação da despesa, tendo em vista a observância dos limites estampados na legislação de regência no momento em que ela foi incorrida. Acrescentou o relator que não era cabível menção ao regime de competência, posto que ausente a despesa nos exercícios anteriores, eis que nem paga, nem incorrida, descaberia falar em inobservância do citado regime. Por sua vez, no paradigma, firmouse entendimento de que, por força do regime de competência, as despesas com JCP somente poderiam ser levadas ao resultado do exercício a que competirem, nos seguintes termos: No caso sob exame, tratase da dedução de despesa com juros sobre o capital próprio (JCP) para o qual o art . 9o da Lei 9.249/95, a seguir transcrito, não estabeleceu exceção ao regime de competência. (...) Em outras palavras, se pretender gozar da faculdade de distribuir JCP a seus sócios, a pessoa jurídica deverá reconhecer a despesa ao longo do tempo em que empregado o capital objeto da remuneração. Constituída, se for o caso, a obrigação de distribuir JCP, a pessoa jurídica poderá extingui la imediatamente através de “pagamento” ao sócio, ou deixar a extinção para momento posterior, caso em que deverá registrar, também imediatamente, o “crédito” ao sócio. Fl. 2067DF CARF MF Processo nº 11080.724352/201431 Acórdão n.º 9101003.066 CSRFT1 Fl. 2.068 8 Como, no caso, a contribuinte deduziu no anocalendário de 1999 despesas com juros sobre o capital próprio que, por força do regime de competência, somente poderíam ter sido levadas ao resultado dos anos de 1997 e 1998, voto por manter essa parcela do lançamento. É importante observar que, consoante consignado no relatório do acórdão recorrido (item 6.1), o colegiado a quo se debruçou sobre uma acusação fiscal de que a contribuinte acumulou, de forma extracontábil, JCP de períodos anteriores (1998 a 2009), e, em 2010, reconheceu a despesa e pagou. Tal fato foi aceito pelo colegiado a quo porque entendeu que foram obedecidos os limites quando considerou a despesa incorrida em 2010. Já o paradigma consignou o entendimento de que para deduzir o JCP a pessoa jurídica deveria deduzir a despesa ao longo do período em que empregado o capital objeto da remuneração, e não acumuladamente, como ocorreu no recorrido, conforme transcrição acima. É flagrante, portanto, a divergência de forma que, se aplicado o entendimento do colegiado do acórdão paradigma ao caso concreto, o lançamento teria sido mantido, motivo pelo qual vislumbrase a divergência apontada pela Fazenda Nacional e, considerando que o recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele se toma conhecimento. Do Mérito O lançamento de IRPJ compreendeu a infração de adições não computadas na apuração do lucro real referente ao excesso de Juros Sobre Capital Próprio, com reflexo na CSLL. Ao contrário do que afirma a Recorrida, a autuação foi totalmente calcada na impossibilidade de pagamento de juros sobre capital próprio acumulados de uma competência para outra. Basta verificar o item 5 intitulado "Resumo da Autuação", sobre o que recaiu a acusação fiscal. Mais adiante, no item 6.1, a Fiscalização consigna "que a autuada acumulou, de forma extracontábil, JSCP (Juros sobre Capital Próprio) calculados entre os anos de 1998 a 2009", consigna que a deliberação para pagamento em 2010 contrariou o princípio da competência ressaltando expressamente que tal princípio "veda o pagamento de JSCP oriundo de exercícios distintos daqueles nos quais tais juros estão sendo pagos". Na fl. 692, o que a Recorrida chama de palavras da Fiscalização para dizer que o entendimento do Fisco "não é o de que as empresas devem promover o pagamento dos juros a seus acionistas no mesmo exercício em que apurado o lucro", na verdade é uma transcrição, que a Fiscalização fez, de trechos de um outro voto. A leitura de todo o Termo de Verificação Fiscal permite concluir, sem qualquer sombra de dúvidas, a motivação e o entendimento da autoridade fiscal e o resumo trazido no acórdão recorrido da Impugnação já é suficiente para se perceber que houve sim, o devido processo legal, sendo até mesmo descabido se falar em cerceamento do direito de defesa. Mas o fato é que a contribuinte, por ocasião de seu recurso voluntário, alegou que houve inovação na decisão de 1ª instância. Contudo, o aresto, ora guerreado pela Fazenda, deu provimento ao recurso voluntário da contribuinte, porque considerou dedutível os JCP Fl. 2068DF CARF MF Processo nº 11080.724352/201431 Acórdão n.º 9101003.066 CSRFT1 Fl. 2.069 9 referentes a períodos pretéritos, mas não acolheu a alegação de alteração nos fundamentos do lançamento. O acórdão restou assim ementado em relação à inovação: INOVAÇÃO EM RELAÇÃO AO LANÇAMENTO INOCORRÊNCIA. Se a decisão analisou e rejeitou motivadamente os argumentos de defesa dirigidos contra o fundamento do lançamento, o fato de aduzir outras razões para manter a exigência não configura alteração do fundamento do lançamento. Transcrevo entendimento do voto condutor (fl.1991): Constatase, claramente, que a argumentação da decisão recorrida não alterou o fundamento do auto de infração. A autoridade julgadora de primeira instância manifestouse na mesma linha, ainda que usando outras palavras, inclusive como reforço de argumentos. Entendo, desse modo, que não houve alteração no fundamento do lançamento pela DRJ, mas, apenas o reforço argumentativo da sua procedência. Não houve qualquer recurso especial por parte da contribuinte em relação ao tema da inovação dos fundamentos do lançamento. Sendo assim, essa matéria encontrase definitivamente julgada e não serão considerados os argumentos da contribuinte levantados em contrarrazões que procuram limitar o juízo de cognição deste Colegiado. Isto porque após alegar alteração dos fundamentos jurídicos, acrescenta a seguinte afirmação (fl.2045): Em vista do exposto, há de restar claro que esse egrégio Conselho, caso venha a examinar o mérito do Recurso Especial, se entender pela manutenção do lançamento, só poderá fazêlo corroborando os fundamentos que sustentaram tal ato. Não poderá, portanto, reformar o acórdão recorrido com base nos fundamentos jurídicos estampados na decisão da DRJ, uma vez que esses não fizeram parte da motivação do ato administrativo de lançamento, sob pena de violação ao disposto no art. 145, I, II e III do Código Tributário Nacional, assim como aos constitucionais princípios da ampla defesa e do contraditório, também aplicáveis aos processos administrativos tributários. Ressaltase, que a divergência apontada pela Fazenda, e admitida no presente recurso, limitase aos juros sobre capital próprio no que concerne à dedutibilidade de períodos pretéritos, e a ela se atém o voto. Juros sobre Capital Próprio Períodos Anteriores A discussão cingese à possibilidade de a pessoa jurídica deduzir, na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL de determinado anocalendário, tão somente os juros sobre o capital próprio (JCP) calculados sobre os valores das contas do patrimônio líquido no exercício social correspondente ao anocalendário em questão (entendimento da Fiscalização) ou também em relação a exercícios sociais anteriores (entendimento da Contribuinte). Fl. 2069DF CARF MF Processo nº 11080.724352/201431 Acórdão n.º 9101003.066 CSRFT1 Fl. 2.070 10 Como se extrai do Relatório de Atividade Fiscal RAF (fls. 666710), a contribuinte, na competência 12/2010 efetuou pagamento de JCP no valor de R$ 70.228.363,31, conforme declarado na DIPJ. A deliberação para o pagamento ocorreu através de reunião do Conselho de Administração em 16/12/2010. Desse montante total, o valor deduzido de R$ 47.300.177,57 refere se ao anocalendário de 2010 propriamente dito e o valor de R$ 22.933.679,37 é referente a 1/3 (um terço) do valor apurado (R$ 68.801.038,10) referente aos anoscalendários de 1998 a 2009. Isso porque a empresa, em seu cálculo, considerou possível o pagamento de JCP referentes a exercícios sociais anteriores, tomando como limite de cada ano o produto da aplicação da TJLP prórata dia sobre o Patrimônio Líquido correspondente. Como resta evidente pelos próprios precedentes trazidos pela Fazenda e pela Contribuinte, a matéria não se encontra pacificada no âmbito do CARF. As decisões mais recentes desta 1ª Turma da CSRF, no entanto, vão no sentido da indedutibilidade dos JCP em relação a períodos pretéritos. Com efeito, na sessão de 20 de janeiro de 2016, foram prolatados três acórdãos (de nºs 9101002.180, 9101002.181 e 9101002.182), todos de relatoria do Conselheiro Rafael Vidal de Araújo nessa linha. Em todas essas votações, meu voto acompanhou o Relator, por entender que: a) os Juros sobre o Capital Próprio representam uma remuneração dos sócios pelo capital investido; b) por serem juros pagos pelas pessoas jurídicas a seus sócios, têm a natureza contábil de despesas (contrapartida das receitas advindas do uso desse capital); c) por serem uma despesa, transitam pelo resultado; e d) por transitarem pelo resultado, não podem ser pagos ou creditados após o encerramento do período. Já na sessão de 1º de março de 2016, um processo de minha relatoria foi a julgamento, tendo esta Turma decidido que não se admite a dedução de JCP calculados sobre as contas do patrimônio líquido de exercícios anteriores (acórdão nº 9101002.248). Nesse contexto, trazse para o presente caso os argumentos expendidos na decisão em questão, dirimidas eventuais diferenças. Em primeiro lugar, registrese presente o fato de que a Lei nº 9.249/1995 visou estimular o investimento de capital nas empresas e desestimular o financiamento das atividades operacionais, mediante empréstimos, que caracterizavam uma subcapitalização. Constatase, também, que a lei não mencionou o momento em que tais juros devem ser pagos. Contudo, vislumbrase isso desnecessário, porque se a norma estabelece limites para fins de dedução do lucro real, é porque estamos falando de uma despesa contábil, que tem limites de dedutibilidade para fins de lucro real. Por oportuno, transcrevese trecho do acórdão nº 1102000.934, de 8 de outubro de 2013, da lavra do exConselheiro José Evande Carvalho Araújo: Fl. 2070DF CARF MF Processo nº 11080.724352/201431 Acórdão n.º 9101003.066 CSRFT1 Fl. 2.071 11 Contudo, pareceme evidente que, quando a lei permite que se deduza, para efeitos da apuração do lucro real, os JCP calculados pela aplicação pro rata dia da taxa TJLP sobre os valores das contas do patrimônio líquido, estáse limitando o cálculo para o mesmo período da apuração do lucro real. Apesar de a doutrina afirmar que a natureza jurídica dos juros sobre o capital próprio é a de distribuição sui generis de lucro, não há dúvidas de que a lei fiscal lhes dá o tratamento de despesa financeira. E como despesa financeira, só podem ser apropriados no período a que competirem. Não é razoável se entender que a lei permitiu implicitamente a dedução de uma despesa calculada com base no patrimônio de períodos anteriores. Isso seria o mesmo que admitir, por exemplo, a dedução de juros sobre um empréstimo relativos ao anocalendário anterior. (Grifei) Antes da deliberação para o pagamento dos JCP não há que se falar em direito subjetivo dos sócios ao seu recebimento, nem em despesa incorrida. De fato, a despesa só surge após deliberação acerca do pagamento ou do creditamento dos juros e da sua correspondente contabilização. Correto o Ilustre relator do acórdão recorrido quando afirma que para os exercícios pretéritos, não tendo havido pagamento da despesa ou apropriação da obrigação para pagar aos sócios em conta de passivo, não há que se falar em despesa incorrida. Todavia, resta equivocado quando declara ser descabida menção à inobservância do regime de competência, posto que não houve despesa incorrida. Há inobservância ao regime de competência quando em 2010, a contribuinte apropria uma despesa, cujos fatos geradores ocorreram entre 1998 a 2009. Neste sentido, trago à colação a lição de Hiromi Higuchi (HIGUCHI, Hiromi. Imposto de Renda das Empresas: Interpretação e Prática. 38ª ed. São Paulo: IR Publicações, 2013. p. 127.): Alguns tributaristas entendem que os juros sobre o capital próprio são dedutíveis na determinação do lucro real, ainda que não contabilizados no períodobase correspondente, desde que escriturados como exclusão no LALUR e sejam contabilizados no períodobase seguinte como ajuste de exercício anterior. Entendemos que a contabilização no períodobase correspondente é condição para a dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio por tratarse de opção do contribuinte. Sem o exercício da opção de contabilizar os juros não há despesa incorrida. É diferente de juros calculados sobre o empréstimo de terceiro porque neste há despesa incorrida, ainda que os juros sejam contabilizados só no pagamento. (Grifei) Fl. 2071DF CARF MF Processo nº 11080.724352/201431 Acórdão n.º 9101003.066 CSRFT1 Fl. 2.072 12 E também os ensinamentos de Edmar Oliveira Andrade Filho1: Se em determinado exercício social passado não foram pagos ou creditados juros sobre o capital e se demonstrações contábeis já tiverem sido aprovadas pelos acionistas é lícito inferir que eles deliberaram pelo nãopagamento ou crédito dos juros. Se as pessoas que detinham competência para deliberar sobre o pagamento dos juros não o fizeram e aprovaram as demonstrações financeiras sem que tal obrigação fosse considerada, parece fora de dúvida que elas renunciaram à faculdade prevista em lei. Em decorrência dessa renúncia e considerando demonstrações contábeis, depois de aprovadas pelos sócios ou acionistas são consideradas "ato jurídico perfeito", impõese a conclusão de que elas só podem ser modificadas em caso de erro, dolo ou simulação. Portanto, lógica e juridicamente, não há como imputar a exercícios passados os efeitos de deliberação societária (sujeita a uma disciplina jurídica específica) tomada no presente. Essa imputação só poderá ocorrer se o Balanço vier a ser retificado por determinação dos sócios ou acionistas, mas tal retificação só poderia ser juridicamente justificada se demonstrada a anterior ocorrência de erro, dolo ou simulação. (Grifei) E é aqui que reside a questão: o momento que em o valor dos juros é imputado ao resultado do exercício. Como após a apuração do lucro, não há que se falar mais em pagamento ou reconhecimento da obrigação referentes às despesas de juros sobre o capital próprio, relativamente aos anoscalendário de 1998 a 2009, não se poderia mais pagar juros sobre capital próprio; daí porque o “períodobase correspondente”, como dito, necessariamente precisa ser o de apuração do lucro. No presente processo, em relação aos anoscalendário 1998 a 2009, para os quais a deliberação para pagamento de JCP só ocorreu em dezembro de 2010, e não foi constituída a obrigação de pagar os JCP correspondentes nos AC 1998 a 2009, não há que se falar em dessas despesas incorridas. Poderseia argumentar que a lei autoriza o cálculo de JCP sobre os lucros acumulados de anos anteriores; contudo, a menção aos lucros acumulados trazida pela Lei nº 9.249, de 1995, diz respeito tão somente a um dos limites para fins de dedutibilidade do lucro real, senão vejamos: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. § 1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, 1 (Disponível em <http://www.fiscosoft.com.br/a/2fac/irpjecslljurossobreocapitalpropriocalculadosobrea movimentacaodopatrimonioliquidoosfatoseaconsultaedmaroliveiraandradefilho>, acesso em 10/07/2017, às 15h58min ) Fl. 2072DF CARF MF Processo nº 11080.724352/201431 Acórdão n.º 9101003.066 CSRFT1 Fl. 2.073 13 ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. (Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) (Grifei) Neste sentido também entendeu a Conselheira Edeli Pereira Bessa, por meio do Acórdão nº 1101000.904, de 12 de junho de 2013: Esclareçase, ainda, que o fato de a remuneração do capital próprio por meio de juros atribuídos aos sócios ter seus limites estabelecidos, também, em função do montante de lucros acumulados no momento da deliberação, não significa que o cálculo dos juros podem considerar períodos de apuração anteriores, cujos resultados integram aquele saldo acumulado, mas apenas que os juros incorridos no período de referência podem ser pagos ainda que superem o resultado do exercício correspondente, desde que haja saldo em conta de lucros acumulados que suportem este pagamento. Inadmissível, assim, a redução dos lucros apurados no ano calendário 2005 em razão de juros decorrentes da utilização de capital próprio em período de apuração distinto daquele ao qual se refere os lucros que se pretendeu destinar à remuneração de capital. (Grifei) Além disso, o fato de o Conselho de Administração deliberar em dezembro/2010 acerca do pagamento de juros sobre o capital, que poderia ter sido deliberado em exercícios passados, não tem o condão de subverter o regime de competência e tornar dedutível despesa não incorrida a seu tempo. É dizer, não tendo a despesa com JCP incorrido no exercício correspondente, não se pode deduzila na apuração do lucro real de exercício posterior. A imputação dessa despesa só poderia ser efetivada com retificação do balanço, e esta retificação só tem previsão nas hipóteses de ocorrência de erro, dolo ou simulação, o que não é o caso. Para se considerar a despesa como efetivamente incorrida, são necessários dois requisitos: i) a deliberação acerca do pagamento ou creditamento dos JCP e ii) a devida contabilização do pagamento da despesa ou da apropriação da obrigação em conta de passivo. Dessa forma, a deliberação em reunião do Conselho de Administração para creditar aos sócios JCP incidentes sobre patrimônio líquido de exercícios anteriores (1998 a 2009) não tem validade para fins fiscais, pois se refere a despesas que não foram incorridas naqueles exercícios. Não se discute que a deliberação, nos termos do art. 37 do Estatuto Social da autuada, é uma faculdade. O ponto é que essa faculdade precisa ser exercida no momento da apuração do lucro, por se estar tratando de uma despesa da pessoa jurídica. É uma faculdade do Conselho de Administração deliberar sobre pagamento de JCP em 2010, poderia não têlo feito. Mas ao decidir fazer uso desta faculdade, a deliberação só pode abranger o pagamento de JCP sobre o patrimônio líquido existente ao final do anocalendário de 2010, não podendo criar despesas para períodos de apuração já encerrados. Fl. 2073DF CARF MF Processo nº 11080.724352/201431 Acórdão n.º 9101003.066 CSRFT1 Fl. 2.074 14 De fato, a análise dos requisitos de dedutibilidade não pode ficar restrita à possibilidade de pagamento posterior dos juros do capital próprio, sob pena de se concluir, equivocadamente, que a legislação estipulou o regime de caixa para seu reconhecimento. Se a lei silencia, o regime a ser adotado é o de competência, estabelecido no art.177 da Lei nº 6.404/76 como regra geral, verbis: Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. § 1º As demonstrações financeiras do exercício em que houver modificação de métodos ou critérios contábeis, de efeitos relevantes, deverão indicála em nota e ressaltar esses efeitos. (Grifei) Ou seja, a Lei nº 6.404/76 adotou o regime de competência como regra geral, devendo o regime de caixa ser aplicado excepcionalmente, para isso, deve estar previsto expressamente em lei. Nesse mesmo sentido, a citada lei, em seu art.187, que trata da demonstração do Resultado do Exercício, vincula as despesas, custos e encargos às receitas correspondentes do mesmo exercício, verbis: Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: (...) § 1º Na determinação do resultado do exercício serão computados: a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos. Temse ainda a Instrução Normativa SRF nº 11/96, que em seu artigo 29 disciplina a possibilidade de dedução de juros sobre capital próprio, e ratifica a interpretação da Lei nº 6.404/76, verbis: Juros Sobre Capital Próprio Art. 29. Para efeito de apuração do lucro real, observado o regime de competência, poderão ser deduzidos os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração de capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pró rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo – TJLP. (Grifei) A contribuinte invoca o mesmo normativo (art.29 da IN SRF nº 11/96) para declarar que respeitou o regime de competência, na medida em que só se pode cogitar da existência da despesa relativa ao JCP no momento em que o pagamento se torna obrigatório para a pessoa jurídica, e que essa obrigatoriedade só surgiu após a deliberação do Conselho de Administração em dezembro de 2010. Fl. 2074DF CARF MF Processo nº 11080.724352/201431 Acórdão n.º 9101003.066 CSRFT1 Fl. 2.075 15 Conforme já mencionado, tal entendimento não tem cabimento, uma vez que a inobservância ao regime de competência decorre do fato de a contribuinte tentar apropriar despesas, em descompasso com as receitas geradas com o uso do capital que os JCP remuneram. A matéria também se encontra regulamentada na IN SRF nº 41/98, nos seguintes termos: Art. 1º Para efeito do disposto no art. 9º da Lei Nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, considerase creditado, individualizadamente, o valor dos juros sobre o capital próprio, quando a despesa for registrada, na escrituração contábil da pessoa jurídica, em contrapartida a conta ou subconta de seu passivo exigível, representativa de direito de crédito do sócio ou acionista da sociedade ou do titular da empresa individual. (Grifei) O normativo acima esclarece que é possível o pagamento posterior de juros sobre capital próprio, mas desde que a despesa tenha sido reconhecida e devidamente registrada no anocalendário correspondente ao que foi utilizado para cômputo do JCP, em contrapartida à conta do passivo, que represente a obrigação perante os sócios para pagamento futuro. No caso em tela, a contribuinte manteve uma planilha de JCP acumulados à margem da contabilidade da empresa. Conforme já dito, a recorrida, em suas contrarrazões, cita um trecho do Relatório de Atividade Fiscal para defender a ideia de que a acusação fiscal não impedia o pagamento de JCP em exercícios posteriores, transcrevese (fl.2042): Enquanto à fl. 692 a Autoridade Autuante afirma que “o entendimento preconizado pelo Fisco não é o de que as empresas devem promover o pagamento dos juros a seus acionistas no mesmo exercício em que apurado o lucro”, o acórdão da DRJ deixa de reconhecer a dedutibilidade da despesa não em razão dos JCP dizerem respeito a outros exercícios, mas sim pelo fato de sequer ser possível, em seu entendimento, o pagamento de JCP em exercícios outros que não aquele ao que diria respeito. Longe de se tratar de mera filigrana, a diferenciação acima é de suma importância no caso concreto. A Recorrida jamais se defendeu de qualquer acusação no sentido de não estar autorizada a fazer os pagamentos de JCP em exercícios posteriores aos que lhe deram origem, o que fere de morte o princípio da ampla defesa e do contraditório. Do trecho transcrito foi suprimida uma parte relevante do texto, sendo assim, reproduzse a sua íntegra (fl. 692 do RAF): “O entendimento preconizado pelo Fisco não é o de que as empresas devem promover o pagamento dos juros a seus acionistas no mesmo exercício em que apurado o lucro. O que se preconiza apenas é que de fato se materializasse o fato gerador correspondente a essa despesa, e isso pode se dar também sob a forma de creditamento em favor dos sócios ou acionaista e não Fl. 2075DF CARF MF Processo nº 11080.724352/201431 Acórdão n.º 9101003.066 CSRFT1 Fl. 2.076 16 apenas de pagamento, que seria a outra forma prevista em Lei, mas não a única..."(grifei) O entendimento inserido pela autoridade fiscal em seu relatório não merece reparos. Como dito anteriormente, o pagamento pode ser efetivado em momento posterior, desde que haja o creditamento em favor dos sócios, ou seja, a devida contabilização da obrigação em conta de passivo, em contrapartida a contabilização da despesa incorrida em conta de resultado. No caso em apreço, muito embora a contribuinte tenha calculado os JCP com base em patrimônio líquido de cada um dos anos pretéritos, como não contabilizou a despesa no exercício correspondente, não pode de fato fazêlo a posteriori, pelas razões já expendidas. Resta claro, assim, que a legislação adota como regra geral o regime de competência para o registro das mutações patrimoniais e das receitas e despesas. As exceções devem vir explícitas na lei. Contudo, a Lei nº 9.249/95 não tratou de excepcionar a regra geral, razão pela qual seria um contrassenso, calcular os JCP com base no patrimônio líquido de um determinado anocalendário, e apropriar essa despesa em um anocalendário distinto daquele que serviu como parâmetro para o cálculo dos JCP. Antes, é preciso compreender os juros sobre capital próprio como destinação do lucro formado a partir da aplicação do capital dos sócios, e uma destinação opcional, em substituição à distribuição de lucros, consoante expressa o art. 9º, §7º da Lei nº 9.249/95, ao permitir que o valor dos JCP seja "imputado ao valor dos dividendos" obrigatórios, "de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo" da retenção na fonte prevista no §2º daquele dispositivo. Ressaltese que o caput do art. 9º permite a dedução, para efeitos da apuração do lucro real, dos juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio. Por óbvio que o capital próprio a ser remunerado por juros ao final de cada ano é o capital dos sócios ou acionistas naquele anocalendário. Esse aspecto da legislação precisa ser observado, porque leva ao seguinte questionamento: ocorrendo a deliberação acerca do pagamento de JCP em 2010, referente a anoscalendários anteriores (1998 a 2009), os sócios/acionistas que receberam a remuneração dos juros foram individualizadamente aqueles constantes do quadro societário/acionistas de 1998 a 2009? Ou foram os sócios/acionistas existentes em 2010? Poderia a Conselho de Administração em 2010 rever as decisões tomadas pelos sócios/acionistas anteriores? Observese, portanto, que se a contribuinte delibera em 2010 o pagamento de JCP dos anoscalendários 1998 a 2009, os sócios a serem remunerados deveriam ser aqueles constantes do quadro societário nos respectivos anoscalendários sobre o qual se calcula os JCP, não os sócios existentes em 2010, sob pena de não se estar a remunerar o capital próprio, mas o capital de outrem. Certamente não é isso o que acontece. O Conselho de Administração não ia decidir, no presente, remunerar sócios/acionistas que não mais fazem parte da sociedade, quando poderia remunerar os sócios/acionistas atuais através de dividendos. Remunerar os sócios atuais com juros sobre um capital de anoscalendários pretéritos, seria desvirtuar completamente o instituto do juros sobre capital próprio, pois estar seia a remunerar um capital que pertencia a outrem, logo, não haveria remuneração de capital próprio dos sócios. Fl. 2076DF CARF MF Processo nº 11080.724352/201431 Acórdão n.º 9101003.066 CSRFT1 Fl. 2.077 17 Por todo exposto, temse que as despesas com JCP somente podem incorrer, no mesmo exercício social em que as receitas correlacionadas (geradas com o uso do capital que os JCP remuneram) se produzem, formando o resultado daquele exercício. Ressalto que despesas incorridas são aquelas efetivamente pagas ou apropriadas contabilmente como obrigação em conta de passivo. Não tendo incorrido no exercício correspondente, não se pode deduzilas na apuração do lucro real de exercício posterior. É dizer, não se admite a dedução de JCP calculados sobre as contas do patrimônio líquido de exercícios anteriores. Quanto ao precedente do Superior Tribunal de Justiça STJ trazido pela Contribuinte em contrarrazões [REsp nº 1.086.752PR (2008/01933882), 1ª Turma, Rel. Ministro Francisco Falcão, DJ 11/03/2009], observase que não se trata de decisão definitiva de mérito proferida pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C da Lei nº 5.869, de 1973 CPC). Não se aplica, portanto, o comando de vinculação de decisões veiculado no art. 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria nº 343, de 9 de junho de 2015. Acrescentese que este REsp nº 1.086.752 do STJ é um precedente isolado, não havendo outros no mesmo sentido. Além do que, seu entendimento contraria frontalmente o art.177 da Lei nº 6.404/76, que estabelece a regra geral do regime de competência. Colacionase um excerto do RESP, que demonstra tal contradição: II A legislação não impõe que a dedução dos juros sobre capital próprio deva ser feita no mesmo exercíciofinanceiro em que realizado o lucro da empresa. Ao contrário, permite que ela ocorra em anocalendário futuro, quando efetivamente ocorrer a realização do pagamento. III Tal conduta se dá em consonância com o regime de caixa, em que haverá permissão da efetivação dos dividendos quando esses foram de fato despendidos, não importando a época em que ocorrer, mesmo que seja em exercício distinto ao da apuração. (Grifei) Logo, data venia, resta equivocado o entendimento consignado neste RESP, e talvez por esta razão, não se encontrem outros julgados neste sentido. Ainda em contrarrazões, a contribuinte colaciona a íntegra da ementa do acórdão nº 1402001.179 (processo administrativo nº 16327.001201/200928), o qual foi reformado em 11/04/2016 pelo acórdão da CSRF nº 9101002.249, de minha relatoria, por meio do qual expus esses mesmos argumentos e o Colegiado, por maioria, deu provimento ao recurso da Fazenda. Mas apenas para se deixar bastante claro, descabe falar nos presentes autos em impossibilidade de lançamento ao fundamento de que este somente teria lugar acaso houvesse postergação de pagamento de tributos, nos termos do art. 273 do RIR/99. Isso porque a acusação fiscal aduz que uma despesa não é dedutível posto que não observou o período de competência, mas também afirma que não houve o reconhecimento em momento anterior. Fl. 2077DF CARF MF Processo nº 11080.724352/201431 Acórdão n.º 9101003.066 CSRFT1 Fl. 2.078 18 Ora, se não houve o reconhecimento em momento anterior, não houve antecipação de despesa. E, se houve o reconhecimento em um período posterior, de forma indevida, houve redução de tributos apenas no período em que a despesa, indevidamente foi apropriada, o que consiste exatamente no presente lançamento, ou seja, a base de cálculo de 2010 é que foi reduzida indevidamente. Correta, portanto, a glosa levada a cabo pela Fiscalização do montante deduzido pela Recorrida como despesa com juros sobre capital próprio referente a períodos pretéritos, devendo ser mantido o lançamento. Conclusão Em face do exposto, conheço do recurso e, no mérito, voto no sentido de DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Declaração de Voto Conselheiro Luís Flávio Neto. Na reunião de setembro de 2017, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (doravante “CSRF”) analisou o recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (doravante “recorrente” ou “PFN”), no processo n. 11080.724352/201431, em que figura como sujeito passivo LOJAS RENNER S.A. (doravante “recorrido” ou “contribuinte”) . Em tal recurso, a PFN requer a reforma do acórdão recorrido, que reconheceu a dedutibilidade de Juros sobre o Capital Próprio (doravante “JCP”) efetivamente pagos ou creditados aos seus acionistas. Nesta declaração de voto, permissa venia, apresento os fundamentos que me fizeram votar por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial, por compreender que a cobrança tributária em questão ofende as normas que tutelam a matéria, especialmente aquelas que decorrem do art. 9o da Lei n. 9.249/95. 1. O conceito de “Juros sobre Capital Próprio” (“JCP”). O JCP corresponde a um “mecanismo de integração” adotado pelo legislador brasileiro. Por meio dele, buscase amenizar o desestímulo reconhecido pela Ciência Econômica causado pela dupla tributação da renda, em que há tributação do lucro empresarial tanto na órbita da pessoa jurídica quanto nas mãos de seus sócios (pessoas físicas ou Fl. 2078DF CARF MF Processo nº 11080.724352/201431 Acórdão n.º 9101003.066 CSRFT1 Fl. 2.079 19 jurídicas)2, bem como induzir a preferência ao investimento de capital próprio dos sócios (participações permanentes) e não à capitalização da companhia com recursos de terceiros (“alavancagem”). Por se tratar de medida com reflexo em políticas econômicas amplas, cabe a cada país decidir, por meio de seus agentes competentes, qual método de integração será adotado para a tributação da renda da pessoa jurídica e de seus sócios ou, ainda, se não irá adotar algum deles. Assim, por exemplo, podem as leis de um país tributar apenas as pessoas físicas, deixando as pessoas jurídicas na zona de não incidência tributária. Outros, por sua vez, podem tributar a renda em ambos os níveis, mas conceder aos sócios o direito ao crédito do imposto pago pela pessoa jurídica. O certo é que os métodos de integração podem ser os mais variados. O Brasil adota em especial dois métodos de integração, vocacionados a amenizar ou afastar o indesejado fenômeno da dupla tributação da renda: Dividendos: Os lucros da empresa devem ser tributados no âmbito da pessoa jurídica, com alíquotas de IRPJ e CSL próximas a 34%. Por sua vez, os lucros distribuídos sob a forma de dividendos, observadas as regras vigentes, não devem ser tributados nas mãos dos sócios que os recebem e nem são dedutíveis para as empresas que os distribuem. Nesse caso, o método de integração consiste na isenção dos dividendos recebidos por quotistas ou acionistas. JCP: Os lucros da empresa devem ser tributados no âmbito da pessoa jurídica, com alíquotas de IRPJ e CSL próximas a 34%. O JCP pago ou creditado pela pessoa jurídica aos seus sócios poderá ser deduzida de seu lucro líquido, de forma a neutralizar proporcionalmente a tributação de IRPJ e CSL sobre tais porções. O JCP recebido pelo sócio, por sua vez, está sujeito ao imposto de renda, retido na fonte, à alíquota de 15% (tributação definitiva para as pessoas físicas e mera antecipação para as pessoas jurídicas). Tal como o regime de tributação dos dividendos, o JCP corresponde a um mecanismo de integração da empresa com o sócio, prescrito pelo legislador brasileiro para amenizar a dupla tributação nefasta à livre iniciativa e ao desenvolvimento econômico. A adoção pelo legislador brasileiro do JCP como método de integração tem o claro propósito de induzir o investimento e a manutenção de capital investido em pessoas jurídicas nacionais. Sob a perspectiva da empresa, há o incentivo à capitação de recursos dos sócios e não de terceiros, já que a remuneração de ambos se tornou igualmente dedutível. Somese a isso outras vantagens do JCP, a exemplo do fato de que a capitação de recursos dos sócios não influencia no nível de endividamento da companhia, bem como que estes são 2 Remonta aos primeiros registros de tributação da renda de pessoas jurídicas a preocupação dos Estados com a adoção de mecanismos de integração entre a empresa e os sócios, a fim de que a mesma renda não fosse duplamente tributada. Ocorre que o interesse arrecadatório do Estado é garantido não quando se arrecada muito de uma vez só, mas sim com a continuidade da atividade empresarial, que gere lucros perenes sujeitos à tributação razoável. Como a tributação do lucro empresarial tanto nas mãos da pessoa jurídica quanto na pessoa física de seus sócios pode gerar desestímulo à constituição e condução dos negócios por meio de pessoas jurídicas, à geração de emprego e ao desenvolvimento, os métodos de integração compõem as políticas econômicas dos Estados. Nesse sentido, vide: SANTOS, Ramon Tomazela. Aspectos controvertidos atuais dos juros sobre capital próprio (JCP): o impacto das mutações no patrimônio líquido, o pagamento acumulado e a sua qualificação nos acordos de bitributação, in Revista Dialética de Direito Tributário n. 214. São Paulo : Dialética, 2013, p. 109 e seg. Fl. 2079DF CARF MF Processo nº 11080.724352/201431 Acórdão n.º 9101003.066 CSRFT1 Fl. 2.080 20 remunerados por índice geralmente menor que o de mercado, qual seja, a Taxa de Juros de Longo Prazo (doravante “TJLP”). Por sua vez, sob a perspectiva do acionista, a sistemática estabelecida pelo legislador para o JCP afeta o equacionamento de seu custo de oportunidade, fundamental para a decisão de onde e quanto investir. Especialmente no mercado brasileiro, entre os fatores que remerecem reflexão, o investidor deve comparar o resultado obtido em um determinado empreendimento com aquele que seria obtido com uma simples aplicação bancária, geralmente com menor risco. Dessa forma, a remuneração do capital investido pelo acionista em uma companhia brasileira por meio de JCP tem o condão de neutralizar o custo de oportunidade que, de outra forma, se mostraria mais pungente em face de outras opções de investimento. O legislador, por meio dessa medida, induz o incremento dos investimentos em companhias brasileiras. 2. A norma de dedutibilidade de JCP pago ou creditado. Caso se adote o sentido estrito da expressão “planejamento tributário” 3, o tema “JCP” estará fora dessa matéria. Ocorre que a regra expressa pelo art. 9o da Lei n. 9.249/95 está situada, em termos estritos, entre as “economias de opção” ou “opções fiscais”. Nas chamadas opções fiscais, o sistema jurídico tributário oferece ao contribuinte mais de uma sistemática para que submeta os seus signos de riqueza à tributação: é garantida ao contribuinte a liberdade para optar pelo caminho que lhe parecer mais adequado, seja por praticidade ou por lhe proporcionar menor ônus tributário. Explorando o exemplo da DIRPF4, com opção pela sistemática simplificada ou completa, verificase que o legislador prescreveu ao contribuinte uma fórmula procedimental básica a ser seguida pela pessoa física: no programa de computador fornecido pela Receita Federal, o contribuinte deve pura e simplesmente optar pelo modelo simplificado ou completo. O programa de computador calcula para o contribuinte qual opção lhe trará o menor custo de IRPF e, caso se opte pelo modelo mais oneroso, o sistema não prossegue até que o contribuinte confirme estar certo de que realmente irá optar por pagar mais (mensagem semelhante não aparece caso o contribuinte opte pelo caminho mais natural de poupar despesas tributárias). Neste exemplo, não estaria o contribuinte realizando um “planejamento tributário”, mas algo não apenas tolerado como regulado e incentivado pelo legislador: “opções fiscais” ou “economias de opção”. Outra economia de opção conhecida consiste nos regimes de tributação da renda pelo “lucro real”, “lucro presumido” ou, ainda, SIMPLES NACIONAL. Nestes, o legislador oferece caminhos diversos que podem ser adotados pelos contribuintes e que podem apresentar elevada variação na obrigação tributária que a União seria legitimada a exigir. A 3 Em meio às muitas divergências que o tema suscita na doutrina nacional, alguns autores incluem no conceito de planejamento tributário a utilização de opções fiscais e de normas tributárias indutoras, já que o contribuinte, ao praticar os referidos atos, certamente teria realizado prévio estudo, planejandoos. Nesse sentido, vide: ANDRADE FILHO, Edmar Oliveira. Planejamento tributário. São Paulo : Saraiva, 2009, p. 02. Outros, por sua vez, as excluem “do âmbito do planejamento, pois correspondem a escolhas que o ordenamento positivo coloca à disposição do contribuinte, abrindo expressamente a possibilidade de escolha” Nesse sentido, vide: GRECO, Marco Aurélio. Planejamento tributário. São Paulo : Dialética, 2008, p. 100. BARRETO, Paulo Ayres. Elisão tributária limites normativos. Tese apresentada ao concurso de livre docência do Departamento de Direito Econômico e Financeiro da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. São Paulo : USP, 2008, p. 240. 4 DIRPF Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física. Fl. 2080DF CARF MF Processo nº 11080.724352/201431 Acórdão n.º 9101003.066 CSRFT1 Fl. 2.081 21 escolha de um desses caminhos, por si só, não corresponde a um planejamento tributário em sentido estrito, mas uma mera opção fiscal. O que se dá com o regime jurídico do JCP não é diferente. A norma jurídica, construída a partir do art. 9o, da Lei n. 9.249/95, estabelece uma opção à pessoa jurídica, que poderá destinar uma parte de seus lucros aos seus sócios qualificandoos como “JCP” e não como “dividendos“. O mesmo dispositivo prescreve as duas consequências jurídicotributárias do pagamento ou creditamento de JCP: (i) a pessoa jurídica que realiza o pagamento ou creditamento do JCP poderá deduzílo diretamente à conta de lucros acumulados da companhia, com a proporcional redução da base de cálculo do IRPJ e da CSL; (ii) a parte beneficiária do JCP (sócio da pessoa jurídica) está sujeita à tributação de imposto de renda, com retenção pela fonte pagadora à alíquota de 15% na data de seu pagamento ou creditamento. A norma prescreve uma fórmula de cálculo, com limites quantitativo e temporal. Há também um outro fator temporal prescrito pela Lei n. 9.249/95, mas que não se refere ou mesmo interfere no cálculo do JCP. Tratase da tutela do momento em que o JCP se torna dedutível à pessoa jurídica e tributável do sócio. O legislador foi claro e expresso em relação a esses elementos dessa fórmula, não autorizando a dedutibilidade de valores que com eles não se coadunem. Por outro lado, a clareza e o modo expresso com que o legislador tratou a questão também conferem segurança jurídica ao contribuinte, que encontra na lei ordinária a moldura dentro da qual o seu agir estará em conformidade com a economia de opção que lhe foi outorgada. Assim, se por um lado não é possível exigir do particular o cumprimento de requisitos ou a observância de limites não requeridos pelo legislador, por outro deve ser exigido do contribuinte o efetivo cumprimento dos aludidos fatores prescritos em lei. Aludidos elementos serão analisados mais detidamente nos tópicos “3” e “4” da presente declaração de voto. A base jurídica para a apuração e identificação das consequências tributárias do JCP consiste no art. 9o da Lei 9.249, de 26.12.1995, que passou por alterações em 1996 (Lei 9.430/96), 2014 (Lei 12.973/14) e 2015 (Medida Provisória nº 694, de 30.09.2015, não convertida em lei até essa data). No presente caso, a autuação fiscal em discussão decorreu de pagamentos/creditamentos efetivamente realizados pelo contribuinte, a título de JCP, tomando se por base os exercícios anteriores. Dessa forma, interessa à solução dessa contenda a seguinte redação da Lei 9.249/95, art. 9o: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. Fl. 2081DF CARF MF Processo nº 11080.724352/201431 Acórdão n.º 9101003.066 CSRFT1 Fl. 2.082 22 § 1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados.5 § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário. § 3º O imposto retido na fonte será considerado: I antecipação do devido na declaração de rendimentos, no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real; II tributação definitiva, no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, inclusive isenta, ressalvado o disposto no § 4º; § 4º (Revogado pela Lei nº 9.430, de 1996) § 5º No caso de beneficiário sociedade civil de prestação de serviços, submetida ao regime de tributação de que trata o art. 1º do DecretoLei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, o imposto poderá ser compensado com o retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos sócios beneficiários. § 6º No caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto de que trata o § 2º poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. § 7º O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2º. § 8º Para os fins de cálculo da remuneração prevista neste artigo, não será considerado o valor de reserva de reavaliação de bens ou direitos da pessoa jurídica, exceto se esta for adicionada na determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido. § 9º. (Revogado pela Lei nº 9.430, de 1996) § 10. (Revogado pela Lei nº 9.430, de 1996) 3. A fórmula de cálculo do JCP. A pessoa jurídica optante pelo lucro real poderá destinar aos seus acionistas ou quotistas JCP calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da TJLP (art. 9o, caput, da Lei n. 9.249/95). Como limites quantitativos à dedutibilidade do JCP, o seu valor deve ficar adstrito a um dos seguintes montantes: (i) 50% do lucro líquido do período em que for realizado o seu pagamento/crédito ou; (ii) 50% dos lucros acumulados e das reservas de lucros de períodos anteriores (art. 9o, § 1º, da Lei n. 9.249/95). 5 Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996. Em seu original: “§ 1º. O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados”. Fl. 2082DF CARF MF Processo nº 11080.724352/201431 Acórdão n.º 9101003.066 CSRFT1 Fl. 2.083 23 Notese que a norma traz uma única limitação temporal, ao prescrever que o JCP deverá ser dedutível apenas sobre o período que o acionista manteve o seu capital investido na pessoa jurídica, devendo o seu cálculo ser realizado “pro rata dia”. Desse modo, o JCP “deverá ser calculado com base na TJLP do espaço temporal de manutenção, na pessoa jurídica, do capital próprio a ser remunerado, ou seja, aplicada a taxa sobre o respectivo patrimônio líquido, proporcionalmente aos respectivos dias, ou seja, ‘pro rata die’ para mais ou para menos, descontada apenas a reserva de reavaliação ainda não tributada” 6. Podese cogitar, por exemplo, que um particular, em 20X2, realize investimento em uma companhia que tenha deliberado e pago JCP pela última vez em 20X0. Caso a assembleia delibere, em 20X4, que serão pagos JCP aos acionistas sobre o capital mantido naquela sociedade desde o último pagamento realizado, o particular em questão não faria jus a qualquer valor atinente ao ano de 20X1, pois não manteve capital investido na sociedade nesse período. No caso, a regra expressa no art. 9o da Lei 9.249/95 apresenta dois efeitos: ‐ limita o pagamento de JCP à proporção temporal (“pro rata dia”) de manutenção do capital investido na pessoa jurídica. O particular, no exemplo citado, estaria limitado a receber JCP em relação aos anos de 20X2, 20X3 e 20X4. ‐ garante ao particular o direito receber JCP sobre todo o período (“pro rata dia”) que mantiver capital investido na pessoa jurídica, caso assim delibere a assembleia geral. O particular, no exemplo citado, teria garantido o direito de receber JCP em relação aos anos de 20X2, 20X3 e 20X4, submetendose, naturalmente ao imposto de renda na fonte, à alíquota de 15%, sobre todo o período. Como decorrência dessa delimitação temporal, se houver deliberação da assembleia geral, o investidor poderá ser remunerado por JCP em relação ao todo o período que mantiver o seu capital investido na pessoa jurídica, mas nem um dia a mais do que isso. 4. O momento em que o JCP se torna dedutível à pessoa jurídica e tributável do sócio: “regime de competência” e “regime de caixa”. No âmbito contábil, a adoção do regime de competência corresponde a um princípio fundamental de contabilidade. Notese o que prescreve o art. 177 da Lei n. 6.404/76: Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. (grifos acrescidos) 6 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Juros sobre o Capital Próprio – momento de dedução da despesa, in Revista de Direito Tributário Atual n. 28. São Paulo : IBDT/Dialética, 2012, p. 318. Fl. 2083DF CARF MF Processo nº 11080.724352/201431 Acórdão n.º 9101003.066 CSRFT1 Fl. 2.084 24 O legislador foi enfático, pois entre os “princípios de contabilidade geralmente aceitos” (ou “princípios fundamentais de contabilidade”7) está justamente o princípio da competência. A adoção de tais princípios contábeis como regra geral para a apuração do resultado das companhias também foi prescrita pelo art. 187 da Lei n. 6.404/76: Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: (...) § 1º Na determinação do resultado do exercício serão computados: a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos. A Resolução CFC n. 750/93 também exprimiu ser decorrência necessária do princípio da competência a adoção do método (ou “princípio”) do confronto das receitas e despesas, como se observa do art. 9o da aludida norma contábil: Art. 9º. As receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento. § 1º O Princípio da COMPETÊNCIA determina quando as alterações no ativo ou no passivo resultam em aumento ou diminuição no patrimônio líquido, estabelecendo diretrizes para classificação das mutações patrimoniais, resultantes da observância do Princípio da OPORTUNIDADE. § 2º O reconhecimento simultâneo das receitas e despesas, quando correlatas, é conseqüência natural do respeito ao período em que ocorrer sua geração. Com as alterações introduzidas pela Resolução CFC n. 1.282/10, o aludido dispositivo passou a constar com outra redação, sem alterar em nada o princípio do emparelhamento das receitas e despesas. Como nem poderia ser diferente, a norma contábil reafirma o método do emparelhamento de receitas e despesas como pressuposto para a concretização do princípio da competência: Art. 9º. O Princípio da Competência determina que os efeitos das transações e outros eventos sejam reconhecidos nos períodos a que se referem, independentemente do recebimento ou pagamento. Parágrafo único. O Princípio da Competência pressupõe a simultaneidade da confrontação de receitas e de despesas correlatas. ELISEU MARTINS, ERNESTO RUBENS GELBCKE, ARIOSVALDO DOS SANTOS e SÉRGIO DE IUDÍCIBUS8 lecionam que, no regime de competência, “as receitas e despesas são apropriadas ao período em função de sua ocorrência e da vinculação da despesa à receita, independentemente de seus reflexos no caixa”. Para fins exclusivamente contábeis (e não tributários), apontam que a “Lei das Sociedades por Ações não admite exceções”. Noutro diapasão, no âmbito do Direito tributário, especialmente no que se refere à tributação da renda, o regime de caixa e o regime de competência convivem harmonicamente. Ou seja, para fins tributários, o legislador pode adotar tanto o regime de caixa quanto o regime de competência para a tributação da renda. 7 Vide: OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Fundamentos do imposto de renda. São Paulo : Quartier Latin, 2008, p. 1038 e seg. 8 MARTINS, Eliseu; GELBCKE, Ernesto Rubens; SANTOS, Ariosvaldo dos; IUDÍCIBUS, Sérgio de. Manual de Contabilidade Societária da FIPECAFI. São Paulo : Atlas, 2013, p. 4. Fl. 2084DF CARF MF Processo nº 11080.724352/201431 Acórdão n.º 9101003.066 CSRFT1 Fl. 2.085 25 Ocorre que Código Tributário Nacional (doravante “CTN”), ao exercer a competência atribuída ao legislador complementar pelo art. 146 da Constituição Federal, conferiu ao legislador ordinário a possibilidade de tributar a renda das pessoas físicas e jurídicas pelo regime de caixa ou pelo regime de competência. É o que se observa de seu art. 43: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Embora não seja ponto livre de debates doutrinários, é possível afirmar ser razoavelmente difundida a ideia de que a “aquisição da disponibilidade econômica”, referida no caput do art. 43 do CTN, corresponde ao “regime de caixa”, enquanto que a “aquisição da disponibilidade jurídica” conduz ao “regime de competência”. Nesse seguir, o legislador ordinário possui competência para adotar o regime de competência ou o regime de caixa no exercício de seu poder para tributar a renda. O legislador tributário possui, assim, autonomia em relação ao princípio contábil da competência, podendo adotálo (como o faz, em geral), afastálo (com a adoção do regime de caixa) ou, ainda, adequálo para as suas necessidades. A sua autonomia em relação à contabilidade permite ao legislador tributário não apenas adotar regime diverso ao regime de competência, de forma a tributar a renda apenas conforme o regime de caixa. O legislador também pode, por exemplo, adotar o regime de competência com ajustes, atribuindolhe feições diversas das verificadas exclusivamente sob a perspectiva contábil. Ocorre que, em relação a tal aspecto, o legislador encontra limites apenas na Constituição Federal e no CTN. Para a tutela do JCP, o legislador se valeu de tal autonomia, do seguinte modo: ‐ O legislador elegeu o JCP não como uma despesa propriamente dita, a qual pressupõe, para a sua dedutibilidade, contribuição para a manutenção das atividades da pessoa jurídica. Tratase de forma de remuneração do capital próprio investido pelos sócios na pessoa jurídica, dedutível, portanto, diretamente dos lucros desta, não se sujeitando às regras ordinárias aplicáveis às despesas em geral; ‐ O legislador elegeu o efetivo pagamento como evento relevante para a incidência da norma tributária de JCP (Lei n. 9.249/95, art. 9o, caput). Assim, o nascimento do direito à dedutibilidade do JCP pago e a obrigação tributária do sócio que o recebe se dá, nessa hipótese, pelo regime de caixa. A adoção do referido regime será analisada com mais detalhes no subtópico “4.1” abaixo; ‐ O legislador também elegeu o creditamento como evento relevante para a incidência da norma tributária de JCP (Lei n. 9.249/95, art. 9o, caput). Assim, o nascimento do direito à dedutibilidade da empresa que credita o JCP Fl. 2085DF CARF MF Processo nº 11080.724352/201431 Acórdão n.º 9101003.066 CSRFT1 Fl. 2.086 26 e a obrigação tributária do sócio que é creditado se dá, nessa hipótese, por um regime de competência, embora com distinções relevantes em relação ao princípio contábil da competência. A adoção do referido regime será analisada com mais detalhes no subtópico “4.2” abaixo; Os referidos regimes foram adotados pelo legislador tributário para estabelecer o período a que pertencem os JCP, isto é, quando estes podem ser deduzidos. No entanto – e isso é decisivo para a solução do presente caso – o legislador não se baseou nos aludidos regimes para a composição da fórmula de cálculo do JCP a ser pago ou creditado. Significa dizer que o fato do JCP passar a ser dedutível no momento em que apurado pelo regime de caixa ou de competência em nada interfere no seu montante ou em seu cálculo sobre exercícios anteriores. 4.1. O reconhecimento do JCP pelo regime de caixa: a hipótese de efetivo pagamento aos sócios. O legislador ordinário tradicionalmente tributa as pessoas físicas pelo regime de caixa e as pessoas jurídicas pelo regime de competência. No entanto, embora o regime de competência seja a regra para a tributação da renda das pessoas jurídicas, há uma série de exceções. Entre outros exemplos, é possível verificar que, na sistemática de tributação da renda pelo lucro presumido, o regime de caixa é uma opção em relação ao regime de competência. Muitas pessoas jurídicas podem, anualmente, manifestar a sua opção pela tributação conforme o regime de caixa, excepcionando a regra geral do regime de competência. O regime de apuração adotado (caixa ou competência) deverá ser consistente em relação ao IRPJ, à CSL, à contribuição ao PIS e à COFINS durante todo o exercício fiscal atinente à opção.9 Entre as empresas tributadas pelo lucro real, o pagamento de JCP corresponde precisamente a uma hipótese em que o regime de competência pode dar lugar à adoção do regime de caixa para a apuração deste evento relevante ao IRPJ e à CSL. O art. 9o da Lei 9.249/95 prevê, para que a dedutibilidade do JCP seja regida pelo regime de caixa, dois fatos que devem estar necessariamente presentes: 1o fato: A deliberação da assembleia geral da companhia para que seja pago JCP aos acionistas, a partir do que este se considera “incorrido”, pois, a partir daí, os acionistas passam a ter direito ao pagamento ou creditamento de tais valores. Pelo regime de competência, aplicável em geral, seria desde já possível à pessoa jurídica deduzir aludidas despesas incorridas. A Lei n. 9.249/95, contudo, não autoriza a dedutibilidade do JCP meramente incorrido, exigindo o aperfeiçoamento do pagamento. 2o fato: O efetivo pagamento individualizado ao acionista nos moldes decididos na assembleia antecedente. Com o efetivo pagamento, evento 9 Vide: Solução de Divergência COSIT n. 37, de 5.12.2013. Fl. 2086DF CARF MF Processo nº 11080.724352/201431 Acórdão n.º 9101003.066 CSRFT1 Fl. 2.087 27 típico do regime de caixa, a Lei n. 9.249/95 autoriza a dedutibilidade do JCP, o que não é permitido antes de tal evento. Desse modo, não vige na legislação do imposto de renda um regime de competência absoluto e inarredável. O JCP é apenas mais uma exceção àquela regra geral. E o JCP é, ele próprio, algo excepcional. Tratase de elemento enunciado no ordenamento jurídico em 1995 e com raros paralelos na legislação estrangeira. O seu arranjo foi introduzido pelo legislador em meio a esse seu caráter excepcional, sendo compreensível a adoção, portanto, de exceção à regra do regime de competência. 4.2. O reconhecimento do JCP pelo regime de competência: a hipótese de creditamento aos sócios. Conforme o princípio da competência, as mutações positivas e negativas devem ser apropriadas ao patrimônio da entidade, respectivamente, conforme a aquisição dos respectivos direitos (receitas e rendimentos) ou incorrimento das obrigações (custos, despesas e perdas).10 Assim, a receita deve ser reconhecida no período em que vier a ser obtido o título jurídico que lhe dê suporte em caráter definitivo e incondicional, independentemente do seu recebimento, enquanto que a despesa será apropriada no período em que for exigível o cumprimento da obrigação correspondente, independentemente do seu pagamento. Notese que, nos termos do Parecer Normativo CST 110/71, conforme o regime de competência, “permitese deduzir do lucro das pessoas jurídicas, para efeito do Imposto de Renda, as despesas pagas ou incorridas no anobase da declaração de rendimentos, entendendose por incorridas as que embora realizadas e quantificadas não tenham sido pagas”. A noção de despesa incorrida é, portanto, fundamental à apuração do lucro real pelo regime de competência: devese considerar como dedutível da base de cálculo do IRPJ e da CSL as despesas que, independentemente de efetivo fluxo financeiro ou sacrifício para o seu adimplemento, possam ser consideradas como incorridas, ou seja, que já tenham caráter definitivo e incondicional, podendo ser juridicamente exigido pela parte credora. A sistemática adotada para o JCP não abriu um capítulo a parte à forma de apuração das despesas, pois de despesa não se trata. Tratase de forma de remuneração do capital próprio investido pelos sócios na pessoa jurídica, dedutível diretamente dos lucros desta e com regime próprio de apuração, não se sujeitando às regras ordinárias aplicáveis às despesas em geral. O art. 9o da Lei n. 9.249/95, além da possibilidade de adoção do regime de caixa para a dedutibilidade do JCP (subtópico “4.1”), também previu a adoção do regime de competência, embora com distinções relevantes em relação ao princípio contábil da competência: 1o fato: A deliberação da assembleia geral da companhia para que sejam pagos JCP aos acionistas, a partir do que já se poderia considerar a despesa como incorrida, já que, apenas a partir daí, os acionistas passam a ter direito ao recebimento de tais valores. Pelo regime de competência 10 Nesse sentido, vide: OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Juros sobre o Capital Próprio – momento de dedução da despesa, in Revista de Direito Tributário Atual n. 28. São Paulo : IBDT/Dialética, 2012, p. 318 e seg. Fl. 2087DF CARF MF Processo nº 11080.724352/201431 Acórdão n.º 9101003.066 CSRFT1 Fl. 2.088 28 “puro” aplicável às despesas em geral, já seria possível à pessoa jurídica deduzílas quando incorridas. A Lei n. 9.249/95, contudo, não autoriza a dedutibilidade do JCP meramente incorrido, exigindo, ao menos, o aperfeiçoamento de seu “creditamento”. 2o fato: efetivo crédito individualizado ao acionista nos moldes decididos na assembleia antecedente. A Lei n. 9.249/95 deslocou o evento relevante para o regime de competência, que geralmente poderia ser considerado como a assembleia geral de deliberação que tornou juridicamente obrigatório e incondicional o seu pagamento, para o momento do efetivo creditamento individualizado do JCP ao sócio. A questão é bem observada pela doutrina, como se observa deste trabalho acadêmico de RICARDO MARIZ DE OLIVEIRA11: “Realmente, apesar de a obrigação já ter sido constituída desde a deliberação, o parágrafo 1o do art. 9o da Lei 9.249 somente permite a dedução fiscal a partir do momento em que ela for cumprida no âmbito do direito privado mediante a efetivação do pagamento ou do crédito em conta individualizada do sócio ou acionista. Isso explica porque o regime de competência se constitui na regra geral acima descrita, mas nosso sistema legal relativo ao IRPJ e à CSL contém várias regras relacionadas à dedutibilidade de determinadas despesas ou custos, as quais estão inseridas no ordenamento jurídico a par da regra geral do regime de competência, sendo que algumas delas excepcionam, condicionam ou complementam tal norma geral. Assim, ao lado das regras que existem para declarar a indedutibilidade de determinadas despesas ou custos, ou para limitar o valor dedutível, ou para condicionar a dedução a esta ou àquela circunstância, há outras que, excepcionalmente, estabelecem o momento da dedução em momento distinto daquele em que o encargo já está incorrido.” O que se conclui é que o legislador não incorporou em sua integralidade o princípio contábil da competência, pois, conforme este, os valores em questão já deveriam ser reconhecidos desde a realização da assembleia geral da companhia em que o pagamento do JCP fosse aprovado. Tratase de um regime de competência ajustado. Assim, a Lei n. 9.249/95 adotou o regime de caixa e um regime de competência ajustado para estabelecer o momento em que o JCP se torna dedutível à empresa e o respectivo rendimento tributável em relação aos sócios. Significa dizer que o JCP pertence ao período em que o seu pagamento ou creditamento primeiro ocorrer. 5. A contabilidade: relevância para a apuração do JCP, com possíveis ajustes determinados pela lei fiscal; irrelevância para a tutela jurídicotributária das consequências fiscais do JCP pago ou creditado. Na sistemática do lucro real, a base de cálculo adotada pelo legislador corresponde ao “lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas” por lei. E o lucro líquido será apurado “com 11 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Juros sobre o Capital Próprio – momento de dedução da despesa, in Revista de Direito Tributário Atual n. 28. São Paulo : IBDT/Dialética, 2012, p. 324. Fl. 2088DF CARF MF Processo nº 11080.724352/201431 Acórdão n.º 9101003.066 CSRFT1 Fl. 2.089 29 observância das disposições das leis comerciais”, ou seja, a partir da contabilidade da pessoa jurídica.12 Para a solução do recurso especial ora em análise, é necessário verificar e distinguir a relevância da contabilidade para a apuração do JCP e para a delimitação da incidência da norma de dedutibilidade do JCP. Há um íntimo relacionamento entre as searas contábil e tributária, marcada por uma recente revolução. Durante décadas, a contabilidade brasileira esteve vinculada às necessidades da legislação do imposto de renda, o que não ocorre mais desde a edição da Lei n. 11.638/2007. A importante missão da contabilidade de informar usuários internos e externos à entidade é atualmente cumprida com a adoção de padrões internacionais e não da legislação tributária. Ao se reportar à “promulgação das Leis n. 11.638/07 e 11.941/09 (MP 449/08) e a independência da contabilidade brasileira”, os autores do Manual de Contabilidade Societária da FIPECAFI, ELISEU MARTINS, ERNESTO RUBENS GELBCKE, ARIOSVALDO DOS SANTOS e SÉRGIO DE IUDÍCIBUS13, trazem mensagem bastante esclarecedora: “A partir dessas legislações passou a ser possível praticarse, de fato, Contabilidade no Brasil sem influências diretas ou indiretas de natureza fiscal, com a Secretaria da Receita Federal Brasileira passando a ser enorme parceira da evolução contábil. De agora em diante, trabalham juntas, as normas contábeis e as normas fiscais, cada um seguindo o seu caminho. Nenhuma norma contábil nova, convergente às internacionais, provoca qualquer efeito tributário, aumentando ou reduzindo tributos, sem que haja uma outra norma de natureza fiscal para fazêlo; não saindo essa nova norma tributária, prevalece o que existia anteriormente (até o final de 2013 ainda prevalecem as do final de 2007). Por outro lado, se o Fisco determinar uma nova forma de apropriação de receita ou despesa para fins próprios, isso não tem automática aplicação na Contabilidade, sem que saia uma nova norma contábil. E todas essas diferenças são controladas no Lalur, agora ELalur, no FCont etc. Devemos, os Contabilistas brasileiros, aplaudir estes momentos históricos que estamos vivendo e aproveitar para fazer valer a grande utilidade da nossa profissão: a de ajudar no processo de controle e no bem informar.” Até 2007, receitas e receitas seriam reconhecidas pela contabilidade de maneira formalística (forma jurídica sobre a substância), em obediência à legislação tributária ou à normas de Direito privado. Naquele estágio, a contabilidade estava presa às amarras do Direito tributário; mas o Direito tributário jamais teve amarras involuntárias nas normas contábeis. É premissa fundamental que a resposta para “o que gera o dever de pagar tributos” não pode ser construída imediatamente com base na contabilidade. A análise de relatórios financeiros, pura e simples, não é conclusiva para a definição do quantum debeatur. A decisão sobre “o que gera o dever de pagar tributos” e, ainda, “quanto deve ser pago”, demanda, no regime democrático brasileiro, a decisão do legislador competente. Os eventos contábeis adquirem importância para o Direito tributário na medida em que são acolhidos pelo legislador tributário competente. 12 Decreto 3000/00 (Regulamento do Imposto de Renda), art. 247; DecretoLei no 1.598, de 1977, art. 6; Lei no 8.981, de 1995, art. 37, §1. 13 MARTINS, Eliseu; GELBCKE, Ernesto Rubens; SANTOS, Ariosvaldo dos; IUDÍCIBUS, Sérgio de. Manual de Contabilidade Societária da FIPECAFI. São Paulo : Atlas, 2013, p. 21. Fl. 2089DF CARF MF Processo nº 11080.724352/201431 Acórdão n.º 9101003.066 CSRFT1 Fl. 2.090 30 Também é preciso ter claro que não há comunicação necessária e indissociável entre a contabilidade e o Direito tributário. O legislador tributário pode, inclusive, se valer de conceitos próprios para capturar signos presuntivos de riqueza passíveis de tributação. Uma “receita” ou “despesa”, para fins societários e contábeis, pode não ter o mesmo sentido e tratamento para fins fiscais. Assim, tal como convergências conceituais da contabilidade e do Direito tributário podem ser facilmente encontradas no que tange ao IRPJ e à CSL, também não há dificuldade para se encontrar divergências, sem que isso represente qualquer ruído sistêmico. Nem a contabilidade e nem o Direito tributário ignoram tais possibilidades, antes as têm como naturais, de forma que cada qual possui as suas próprias soluções. Notese que, desde as Leis 11.638/07 e 11.941/09, a contabilidade brasileira ganhou independência em relação Direito tributário, mas este permanece, tal como antes, autônomo em relação àquela. A relação do Direito tributário com a contabilidade é de simbiose, quase parasitária, pois o legislador tributário se aproveita apenas daquilo que lhe interessa. O que não há, tal como nunca houve, é sujeição compulsória do legislador tributário às normas contábeis. No presente caso, o legislador tributário prevê que a contabilidade possui relevância para a apuração do JCP, com possíveis ajustes determinados pela lei fiscal para a deflagração das consequências tributárias. Tratase de um bom exemplo que o legislador tributário, no pleno exercício de suas funções e dentro dos limites que lhe são imanentes, selecionou da contabilidade apenas aquilo que lhe interessou para a mensuração do JCP. A relevância da contabilidade para a apuração do JCP passível de dedução fiscal será tanto maior quanto a evidenciação, reconhecimento e mensuração contábeis se derem em consonância com a fórmula adotada no art. 9o da Lei n. 9.249/95. Quanto mais a contabilidade se afastar dessa fórmula, menos relevante será para a aplicação da norma de dedutibilidade do JCP pago ou creditado. Por sua vez, é necessário reconhecer que as normas contábeis são irrelevantes para a tutela jurídicotributária das consequências fiscais do JCP pago ou creditado. Ainda que o princípio contábil da competência possa orientar a escrituração contábil do JCP de uma determinada forma, isso em nada influencia para que se deflagre a sua dedutibilidade fiscal. Importa unicamente que se cumpram os elementos tal qual prescritos no art. 9o da Lei 9.249/95. Prova disso é que a legislação tributária prevê a solução a ser adotada caso a contabilidade reconheça um determinado JCP que, para fins tributários, (ainda) não possa ser considerado dedutível da base de cálculo do IRPJ e da CSL. Com a aplicação cumulativa do art. 9o e do art. 13, I, da Lei 9.249/95, na hipótese da contabilidade, por hipótese, evidenciar o JCP no ato da assembleia que determinar o seu pagamento, este deverá ser considerado, para fins fiscais, como mera provisão indedutível, devendo ser adicionada ao lucro líquido do período para apuração do lucro tributável respectivo. No futuro, quando de fato se concretizar o pagamento/creditamento individualizado exigido para fins de dedutibilidade fiscal, este será Fl. 2090DF CARF MF Processo nº 11080.724352/201431 Acórdão n.º 9101003.066 CSRFT1 Fl. 2.091 31 realizado a débito da provisão e não do lucro líquido desse período.14 Dessa forma, cumprese o disposto no art. 6o do Decretolei 1.598/7715. 5. O vício imputado pela fiscalização para a glosa da dedução de JCP efetivamente pagos aos acionistas. No presente caso, a autuação fiscal em discussão decorreu de pagamentos/creditamentos efetivamente realizados pelo contribuinte, a título de JCP, tomando se por base os exercícios anteriores. Não há, contudo, qualquer vício na conduta praticada pelo contribuinte. 5.1. O pagamento ou creditamento de JCP acumuladamente, com base em exercícios anteriores. O investimento no capital social de pessoas jurídicas é, por definição, uma “participação permanente”16, o que evidencia uma noção de continuidade, perenidade. Embora o liame societário em questão possa ser extinto (realização do investimento), há expectativa de que o período de permanência do capital investido pelo acionista ou cotista perdure por mais de um exercício. Ao tutelar a remuneração do capital próprio investido pelos sócios (detentores dessa participação permanente), o legislador tributário precisou considerar tais fatores. O legislador precisou considerar tanto o pressuposto da continuidade do investimento mantido pelo sócio no capital social da pessoa jurídica investida, quanto a possibilidade legal de extinção desse liame societário a qualquer tempo. Quanto à possibilidade de extinção desse liame societário, o legislador prescreveu a única limitação temporal atinente ao JCP, analisada no tópico “3” acima: somente será considerado dedutível o JCP calculado sobre o período em que o sócio manteve o seu capital investido na pessoa jurídica, devendo, assim, ser calculado “pro rata dia”. Por sua vez, tendo em vista que o período de permanência do capital investido pelo sócio tende a perdurar por mais de um exercício, o legislador, de forma bastante técnica, prescreveu que o limite quantitativo aplicável (vide tópico “3” acima) pode ser tanto de 50% do lucro liquido do exercício, como de 50% dos lucros acumulados ou reservas de lucros, que se reportam justamente aos anos anteriores. Daí a correta assertiva doutrinaria de que, “não fosse assim, ou seja, fossem os JCP vinculados em seu cálculo exclusivamente aos presente períodobase, a lei teria limitado o seu valor apenas à metade do lucro líquido deste período”17. 14 Nesse sentido, vide: OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Juros sobre o Capital Próprio – momento de dedução da despesa, in Revista de Direito Tributário Atual n. 28. São Paulo : IBDT/Dialética, 2012, p. 3256. 15 Decretolei 1.598/77, art 6º. Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. (…) § 4º Os valores que, por competirem a outro períodobase, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do exercício, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente. 16 Vide Lei n. 6.404/74, art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo. (…) III em investimentos: as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa; 17 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Juros sobre o Capital Próprio – momento de dedução da despesa, in Revista de Direito Tributário Atual n. 28. São Paulo : IBDT/Dialética, 2012, p. 334. No mesmo sentido, vide: SANTOS, Ramon Tomazela. Aspectos controvertidos atuais dos juros sobre capital próprio (JCP): o impacto das mutações no patrimônio líquido, o Fl. 2091DF CARF MF Processo nº 11080.724352/201431 Acórdão n.º 9101003.066 CSRFT1 Fl. 2.092 32 Assim fez o legislador, ao prescrever que o efetivo pagamento ou crédito do JCP fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução desses juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes o JCP a ser pago ou creditado (Lei 9.249/95, art. 9o, § 1). Além disso, prescreveu expressamente o legislador (Lei 9.249/95, art. 9o): § 7º. O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2º. O dispositivo da Lei das S.A., a que faz referência a Lei 9.249/95, segue transcrito: Art. 20218. Os acionistas têm direito de receber como dividendo obrigatório, em cada exercício, a parcela dos lucros estabelecida no estatuto ou, se este for omisso, a importância determinada de acordo com as seguintes normas: I metade do lucro líquido do exercício diminuído ou acrescido dos seguintes valores: a) importância destinada à constituição da reserva legal (art. 193); e b) importância destinada à formação da reserva para contingências (art. 195) e reversão da mesma reserva formada em exercícios anteriores; II o pagamento do dividendo determinado nos termos do inciso I poderá ser limitado ao montante do lucro líquido do exercício que tiver sido realizado, desde que a diferença seja registrada como reserva de lucros a realizar (art. 197); III os lucros registrados na reserva de lucros a realizar, quando realizados e se não tiverem sido absorvidos por prejuízos em exercícios subsequentes, deverão ser acrescidos ao primeiro dividendo declarado após a realização. (...) Conforme a norma societária, os acionistas têm direito a receber dividendo obrigatório, em cada exercício, equivalente à parcela dos lucros estabelecida no estatuto ou, se este for omisso, em conformidade com as regras estabelecidas em lei. Entre essas regras, prevê o legislador societário que os valores registrados em reservas de lucros ou lucros acumulados de exercícios anteriores devem, após a sua realização, ser distribuídos na primeira oportunidade a título de dividendos. O legislador tributário fez remissão expressa à lei societária, atraindo para o âmbito do JCP a norma societária originalmente aplicável apenas aos dividendos. Diante da pagamento acumulado e a sua qualificação nos acordos de bitributação, in Revista Dialética de Direito Tributário n. 214. São Paulo : Dialética, 2013, p. 114115. 18 Em sua redação original, alterada pela Lei nº 10.303, de 2001, o caput e os seus incisos I, II e III possuíam a redação a seguir: “Art. 202. Os acionistas têm direito de receber como dividendo obrigatório, em cada exercício, a parcela dos lucros estabelecida no estatuto, ou, se este for omisso, metade do lucro líquido do exercício diminuído ou acrescido dos seguintes valores: I quota destinada à constituição da reserva legal (artigo 193); II importância destinada à formação de reservas para contingências (artigo 195), e reversão das mesmas reservas formadas em exercícios anteriores; III lucros a realizar transferidos para a respectiva reserva (artigo 197), e lucros anteriormente registrados nessa reserva que tenham sido realizados no exercício.” Fl. 2092DF CARF MF Processo nº 11080.724352/201431 Acórdão n.º 9101003.066 CSRFT1 Fl. 2.093 33 referida remissão legal, constróise norma segundo a qual os lucros registrados na reserva de lucros a realizar, quando realizados e se não tiverem sido absorvidos por prejuízos em exercícios subsequentes, deverão ser acrescidos ao primeiro dividendo declarado após a realização, podendo, ainda, ser destinados ao pagamento de juros sobre capital próprio. O legislador tributário prescreveu que o JCP, por também ter a natureza de distribuição de resultados, poderá ser pago no lugar dos dividendos obrigatórios referidos pelo art. 202 da Lei 6.404/76, destinando, inclusive, 50% dos valores registrados em reservas de lucros ou lucros acumulados de exercícios anteriores. Por remissão expressa na Lei n. 9.249/95, o legislador, que é uno, prescreve que até 50% das reservas de lucros ou lucros acumulados referidos pela Lei das S.A. podem: (i) servir de limite para o cálculo do JCP, coerentemente com a possibilidade de cálculo deste em relação aos períodos anteriores (Lei 9.249/95, art. 9, § 1º) e, ainda; (ii) servir de fonte de recursos para o pagamento do JCP, que de outra forma se prestariam apenas à distribuição de dividendos (Lei n. 9.249/95, art. 9o, § 7º). A norma prescrita pela Lei n. 9.249/95 é clara. O legislador não apenas permitiu o pagamento de JCP relativos a períodos anteriores, como também editou mais do que um parágrafo para regular a utilização de reservas de lucros ou lucros acumulados de períodos anteriores para o cálculo e fonte de recursos. Dessa forma, o auto de infração lavrado em face do contribuinte padece de vício insanável quanto à compreensão da norma de dedutibilidade do JCP. A aplicação equivocada do art. 9o da Lei n. 9.249/95 conduziu a fiscalização ao equívoco de restringir a dedutibilidade desses valores, não obstante a assembleia geral ter deliberado o pagamento de JCP relacionados a anos anteriores e que tais valores tenham sido efetivamente pagos ou creditados aos acionistas. 5.2. A equivocada qualificação do JCP como "despesa": ausência de impedimento à dedutibilidade de despesas de exercícios anteriores. Não se pode deixar de observar que sequer a equivocada qualificação do JCP como tendo natureza de juros comuns e, assim, como despesa, justificaria a glosa atinente aos exercícios anteriores.19 Ocorre que a relevância da autonomia e independência dos exercícios restou enfraquecida desde os idos de 1978, quando da introdução do Decretolei 1.598 ao sistema jurídico brasileiro. Até esse marco jurídico, as despesas atinentes a um exercício realmente não poderiam ser deduzidas em outro, qualquer que fosse o motivo. O Decretolei 1.598, contudo, expressamente passou a autorizar deduções extemporâneas, como se observa de seu art. 6º: Art 6º Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. § 1º O lucro líquido do exercício é a soma algébrica de lucro operacional (art. 11), 19 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Juros sobre o Capital Próprio – momento de dedução da despesa, in Revista de Direito Tributário Atual n. 28. São Paulo : IBDT/Dialética, 2012, p. 334. Fl. 2093DF CARF MF Processo nº 11080.724352/201431 Acórdão n.º 9101003.066 CSRFT1 Fl. 2.094 34 dos resultados não operacionais, do saldo da conta de correção monetária (art. 51) e das participações, e deverá ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial. § 2º Na determinação do lucro real serão adicionados ao lucro líquido do exercício: a) os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; b) os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária, devam ser computados na determinação do lucro real. § 3º Na determinação do lucro real poderão ser excluídos do lucro líquido do exercício: a) os valores cuja dedução seja autorizada pela legislação tributária e que não tenham sido computados na apuração do lucro líquido do exercício; b) os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária, não sejam computados no lucro real; c) os prejuízos de exercícios anteriores, observado o disposto no artigo 64. § 4º Os valores que, por competirem a outro períodobase, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do exercício, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente. § 5º A inexatidão quanto ao períodobase de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, correção monetária ou multa, se dela resultar: a) a postergação do pagamento do imposto para exercício posterior ao em que seria devido; ou b) a redução indevida do lucro real em qualquer períodobase. § 6º O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao períodobase de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro períodobase a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no § 4º. § 7º O disposto nos §§ 4º e 6º não exclui a cobrança de correção monetária e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência. Em seu art. 273, o RIR/99 incorporou tais normas, que permitem ao contribuinte a dedutibilidade de despesas pertencentes a períodos de apuração anteriores e que não tenham sido, conforme o regime de competência, apropriados no momento oportuno: Seção VIII Inobservância do Regime de Competência Art. 273. A inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, atualização monetária, quando for o caso, ou multa, se dela resultar (DecretoLei nº 1.598, de 1977, Fl. 2094DF CARF MF Processo nº 11080.724352/201431 Acórdão n.º 9101003.066 CSRFT1 Fl. 2.095 35 art. 6º, § 5º): I a postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao em que seria devido; ou II a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. § 1º O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao período de apuração de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período de apuração a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no § 2º do art. 247 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 6º). § 2º O disposto no parágrafo anterior e no § 2º do art. 247 não exclui a cobrança de atualização monetária, quando for o caso, multa de mora e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 7º, e DecretoLei nº 1.967, de 23 de novembro de 1982, art. 16) Nesse cenário, realmente a glosa empreendida pela fiscalização não possui fundamento legal de validade, devendo ser afasta, reconhecendose, assim, aa dedutibilidade do JCP pago ou creditado acumuladamente, com base em exercícios. 5.3. A compatibilidade do art. 29, da IN 11/96, com a Lei 9.249/95. Embora seja fonte secundária do Direito tributário, é oportuno observar o que diz a Instrução Normativa n. 11, de 21.02.1996, especialmente o seu art. 29: Art. 29. Para efeito de apuração do lucro real, observado o regime de competência, poderão ser deduzidos os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração de capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio liquido e limitados à variação pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP). § 1º À opção da pessoa jurídica, o valor dos juros a que se refere este artigo poderá ser incorporado ao capital social ou mantido em conta de reserva destinada a aumento de capital. § 2º Para os fins do cálculo da remuneração prevista neste artigo, não será considerado, salvo se adicionado ao lucro líquido para determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, valor: a) da reserva de reavalição de bens e direitos da pessoa jurídica; b) da reserva especial de trata o art. 428 do RIR/94; c) da reserva de reavaliação capitalizada nos termos dos arts. 384 e 385 do RIR/94, em relação às parcelas não realizadas. § 3º O valor do juros pagos ou creditados, ainda que capitalizados, não poderá exceder, para efeitos de dedutibilidade como despesa financeira, a cinqüenta por cento de um dos seguintes valores: a) do lucro líquido correspondente ao períodobase do pagamento ou crédito dos juros, antes da provisão para o imposto de renda e da dedução dos referidos juros; ou b) dos saldos de lucros acumulados de períodos anteriores. § 4º Os juros a que se refere este artigo, inclusive quando exercida a opção de que trata o § 1º ou quando imputados aos dividendos, auferidos por beneficiário pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no: a) lucro real, serão registrados em conta de receita financeira e integrarão lucro real Fl. 2095DF CARF MF Processo nº 11080.724352/201431 Acórdão n.º 9101003.066 CSRFT1 Fl. 2.096 36 e a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro; b) lucro presumido ou arbitrado, serão computados na determinação da base de cálculo do adicional do imposto. § 5º Os juros serão computados nos balanços de suspensão ou redução (art. 10). § 6º Os juros remuneratórios ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito. § 7º O imposto de renda incidente na fonte: a) no caso de beneficiário pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, será considerado antecipação do devido na declaração de rendimentos ou compensado com o que houver retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração do capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. b) será considerado definitivo, no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa jurídica não submetida ao regime de tributação com base no lucro real, inclusive isenta; c) no caso de beneficiária sociedade civil de prestação de serviços, submetida ao regime de tributação de que trata o art. 1º do Decretolei nº 2.397, de 1987, poderá ser compensado com o retido por ocasião do pagamento de rendimentos a seus sócios ; d) deverá ser pago até o terceiro dia útil da semana subsequente à do pagamento ou crédito dos juros. § 8º A pessoa jurídica que exercer a opção de que trata o § 1º assumirá o ônus do imposto incidente na fonte sobre os juros. § 9º O valor do imposto será determinado sem o reajuste da respectiva base de cálculo e não será dedutível para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro. § 10. O imposto incidente na fonte, assumido pela pessoa jurídica, será recolhido no prazo de quinze dias contados do encerramento do períodobase em que tenha ocorrido a dedução dos juros, sendo considerado: a) definitivo, nos casos de beneficiário pessoa física ou jurídica não submetida ao regime de tributação com base no lucro real, inclusive isentas; b) como antecipação do devido na declaração, no caso de beneficiário pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real. § 11. Na hipótese da alínea "b" do § anterior, a pessoa jurídica beneficiária deverá registrar, como receita financeira, o valor dos juros capitalizados que lhe couber e o do imposto de renda na fonte a compensar. § 12. O valor do imposto registrado como receita poderá ser excluído do lucro líquido para determinação do lucro real. Logo em seu caput, o art. 29 fez referência à observância do regime de competência, o que pode ter dado origem a uma série de confusões e à questão ora submetida a esta CSRF. Ocorre que alguns compreendem que desse dispositivo que o JCP pago ou creditado, para fins de dedutibilidade do IRPJ e da CSL, apenas poderia tomar com base o capital mantido pelo acionista na mesma competência em que o pagamento ou credito tenha sido realizado. No entanto, não se trata de interpretação exclusiva que possa ser obtida imediatamente dos elementos textuais do art. 29, da IN 11/96. Pelo contrário, RAMON Fl. 2096DF CARF MF Processo nº 11080.724352/201431 Acórdão n.º 9101003.066 CSRFT1 Fl. 2.097 37 TOMAZELA SANTOS20 bem explicitou interpretação coerentemente obtida do aludido dispositivo, in verbis: “Na prática, significa dizer que a dedução da despesa deve ocorrer no momento em que a pessoa jurídica efetuar o pagamento do JCP em favor do sócio ou acionista, em caráter definitivo e incondicional, ainda que a deliberação societária determine que o prazo de cômputo deve abranger lapso temporal superior a um anocalendário, com o objetivo de remunerar o capital investido pelo sócio ou acionistas em períodos pretéritos.” A questão deve ser solucionada com vistas ao tema das fontes do Direito tributário: instruções normativas correspondem a fontes secundárias, do Direito, cuja função subalterna é de apenas explicitar normas enunciadas por fontes primárias, entres as quais tem destaque a lei ordinária. Assim, a interpretação do art. 29, da IN 11/96, deverá ser empreendida de tal forma que este seja consentâneo com a norma veiculada pelo art. 9o da Lei n. 9.249/95. Ocorre que, como se viu no subtópico “5.1”, o art. 9o da Lei n. 9.249/95 legitima o pagamento ou creditamento de JCP acumuladamente, com base em exercícios anteriores. O legislador não se baseou no regime de caixa ou de competência para a composição da fórmula de cálculo do JCP a ser pago ou creditado, mas apenas para marcar o momento em que este passa a ser dedutível. 5.4. Jurisprudência do STJ sobre o objeto do recurso especial em análise. A Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça analisou recurso especial aparentemente com o mesmo objeto do recurso administrativo ora em análise. A r. decisão restou assim ementada: MANDADO DE SEGURANÇA. DEDUÇÃO. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO DISTRIBUÍDOS AOS SÓCIOS/ACIONISTAS. BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. EXERCÍCIOS ANTERIORES. POSSIBILIDADE. I Discutese, nos presentes autos, o direito ao reconhecimento da dedução dos juros sobre capital próprio transferidos a seus acionistas, quando da apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL no anocalendário de 2002, relativo aos anoscalendários de 1997 a 2000, sem que seja observado o regime de competência. II A legislação não impõe que a dedução dos juros sobre capital próprio deva ser feita no mesmo exercíciofinanceiro em que realizado o lucro da empresa. Ao contrário, permite que ela ocorra em anocalendário futuro, quando efetivamente ocorrer a realização do pagamento. III Tal conduta se dá em consonância com o regime de caixa, em que haverá permissão da efetivação dos dividendos quando esses foram de fato despendidos, não importando a época em que ocorrer, mesmo que seja em exercício distinto ao da apuração. IV "O entendimento preconizado pelo Fisco obrigaria as empresas a promover o creditamento dos juros a seus acionistas no mesmo exercício em que apurado o lucro, impondo ao contribuinte, de forma oblíqua, a época em que se deveria dar o exercício da prerrogativa concedida pela Lei 6.404/1976". V Recurso especial improvido. 20 SANTOS, Ramon Tomazela. Aspectos controvertidos atuais dos juros sobre capital próprio (JCP): o impacto das mutações no patrimônio líquido, o pagamento acumulado e a sua qualificação nos acordos de bitributação, in Revista Dialética de Direito Tributário n. 214. São Paulo : Dialética, 2013, p. 109 e seg. Fl. 2097DF CARF MF Processo nº 11080.724352/201431 Acórdão n.º 9101003.066 CSRFT1 Fl. 2.098 38 (STJ, REsp 1086752/PR, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 11/03/2009) Em seu voto, o i. Min. FRANCISCO FALCÃO consignou ser aplicável ao JCP o regime de caixa e não o regime de competência, como se observa do seguinte trecho: “Com efeito, a legislação não impõe que a dedução dos juros sobre capital próprio deva ser feita no mesmo exercíciofinanceiro em que realizado o lucro da empresa. Ao contrário, permite que ela ocorra em anocalendário futuro, quando efetivamente ocorrer a realização do pagamento. Tal conduta se dá em consonância com o regime de caixa, em que haverá permissão da efetivação dos dividendos quando esses foram despendidos, não importando a época em que ocorrer, mesmo que seja em exercício distinto ao da apuração”. Conforme exposto nesta declaração de voto, me alinho à conclusão dos Ministros da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça do STJ, no sentido de que “a legislação não impõe que a dedução dos juros sobre capital próprio deva ser feita no mesmo exercíciofinanceiro em que realizado o lucro da empresa”. No entanto, permissa venia, a r. decisão parece ter analisado apenas a hipótese em que há efetivo pagamento de JCP, em que o regime de caixa foi realmente acolhido pelo legislador. Conforme os fundamentos expostos no tópico “4.2” acima, o legislador tributário também elegeu o creditamento da JCP como elemento temporal para que este se torne dedutível, o que remete, então, a um regime de competência ajustado. Dessa ressalva decorre que a assertiva do i. Min. FRANCISCO FALCÃO deve, permissa venia, ser complementada do seguinte modo: “Ao contrário, permite que ela ocorra em anocalendário futuro, quando efetivamente ocorrer a realização do pagamento” ou creditamento. 6. O erro quanto ao extravasamento do limites de JCP que poderiam ser pagos ou distribuídos no próprio ano da assembléia. O contribuinte argumenta que os lucros auferidos no ano em que o JCP foi pago aos acionistas, o qual deu ensejo ao lançamento pra glosa de sua dedução, seria suportado pelo montante dos lucros correspondentes à mesma competência. Verificandose tal situação, sem dúvida fica ainda mais caracterizada a legalidade dos atos praticados pelo contribuinte e a necessidade da administração fiscal reconhecer a dedutibilidade do correspondente JCP. 7. Conclusão. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial quanto à matéria analisada nesta declaração de voto. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Fl. 2098DF CARF MF Processo nº 11080.724352/201431 Acórdão n.º 9101003.066 CSRFT1 Fl. 2.099 39 Fl. 2099DF CARF MF
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Numero do processo: 10665.904963/2012-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/04/2008
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INTEMPESTIVO.
É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida, após esse prazo legal considera-se intempestivo o recurso.
Recurso Voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3301-003.894
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/04/2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INTEMPESTIVO. É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida, após esse prazo legal considera-se intempestivo o recurso. Recurso Voluntário não conhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1848; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10665.904963/201266 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301003.894 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de junho de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO. PIS/COFINS. Recorrente DISTRIBUIDORA AMARAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/04/2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INTEMPESTIVO. É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida, após esse prazo legal considerase intempestivo o recurso. Recurso Voluntário não conhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 02045.469, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar a compensação em litígio. O Despacho Decisório proferido pela unidade de origem não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 49 63 /2 01 2- 66 Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10665.904963/201266 Acórdão n.º 3301003.894 S3C3T1 Fl. 3 2 localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, tempestivamente, conforme relatado na decisão recorrida, alegando, em síntese, o seguinte: verificase pelos documentos anexos, que foi realizada a apuração pelo regime não cumulativo no que atine ao mês em questão por meio do Dacon, porém segundo se apurou no Dacon retificador o valor do débito nãocumulativo devido seria inferior ao efetivamente recolhido, resultando um saldo a ser compensado no PerDcomp; deve ser esclarecido que, na época própria, o contribuinte realizou a devida retificação em anexo, porém, em virtude de alteração ocorrida na própria legislação que resultou na mudança de versões, tanto do Dacon quanto na DCTF, a retificação foi transmitida, gerando assim o débito constante do Despacho Decisório; contudo, a falha no sistema em deixar de transmitir a devida retificação não pode conduzir a que seja violado o princípio constitucional da nãocumulatividade, ainda que posteriormente demonstrada, de forma cabal e inequívoca, a existência do crédito que se pretende compensar; Requerendo, ainda, o acolhimento da manifestação de inconformidade para o fim de determinar o cancelamento do débito constante do presente processo. Tendo em vista a negativa do Acórdão da 2ª Turma da DRJ/BHE, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, este ingressou com Recurso Voluntário visando reformar a referida decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.883, de 29 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10665.900851/201236, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.883): "O Recurso Voluntário, de 22 de agosto de 2013, interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0245.458, de 25 de junho de 2013, é intempestivo, logo não atende um pressuposto legal de admissibilidade, motivo pelo qual não deve ser conhecido. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10665.904963/201266 Acórdão n.º 3301003.894 S3C3T1 Fl. 4 3 O prazo para que seja interposto o Recurso Voluntário contra as decisões das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento é de 30 dias a partir da ciência da referida decisão. Observase no presente processo que a Decisão recorrida foi proferida em 25 de junho de 2013 e o Contribuinte tomou ciência da decisão recorrida em 09 de julho de 2013 como se depreende da leitura do Termo de Abertura de Documento (fls. 95): TERMO DE ABERTURA DE DOCUMENTO O Contribuinte tomou conhecimento do teor dos documentos relacionados abaixo, na data 09/07/2013 8:14h, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) através da opção Consulta Comunicados/Intimações. Acórdão de Manifestação de Inconformidade Contribuinte: 21.759.758/000188 DISTRIBUIDORA AMARAL LTDA (ou seu Representante Legal) DATA DE EMISSÃO : 09/07/2013 Já às fls. 96 apurase no Termo de Ciência por Decurso de Prazo que essa ciência por decurso de prazo ocorreu em 19 de julho de 2013: TERMO DE CIÊNCIA POR DECURSO DE PRAZO Foi dada ciência, ao Contribuinte, dos documentos relacionados abaixo, por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização destes documentos através da Caixa Postal, Modulo eCAC do Site da Receita Federal. Data da disponibilização na Caixa Postal: 04/07/2013 Data da ciência por decurso de prazo: 19/07/2013 Acórdão de Manifestação de Inconformidade DATA DE EMISSÃO : 20/07/2013 Constatase assim que Contribuinte tomou ciência da decisão recorrida em 09 de julho de 2013 como se depreende da leitura do Termo de Abertura de Documento e pelo Termo de Ciência por Decurso de Prazo que essa ciência ocorreu em 19 de julho de 2013. Assim, no melhor dos quadros, o prazo final para interpor o recurso seria em 20 de agosto de 2013, e que só ocorreu em 22 de agosto de 2013. Para bem ilustrar o ocorrido cito abaixo imagem do Recurso Voluntário do Contribuinte com o devido protocolo da Analista Tributário Glêucia Felipe Santiago, matrícula 012.91476 (fls. 107): Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10665.904963/201266 Acórdão n.º 3301003.894 S3C3T1 Fl. 5 4 Portanto, de acordo com a legislação vigente e os autos do processo, voto em não conhecer do Recurso Voluntário por ser intempestivo." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário foi apresentado em 22/08/2013, e a data da ciência da decisão da DRJ, por decurso de prazo, também ocorreu em 19/07/2013. Comprovado está que também nestes autos o recurso voluntário foi apresentado após o prazo de 30 dias, portanto, intempestivamente. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do Recurso Voluntário, por ser intempestivo. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 97DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13878.000042/2007-58
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2008
NULIDADE.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio.
AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL.
DESNECESSIDADE.
O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário.
OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL.
A propositura pela Recorrente, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso voluntário interposto.
Numero da decisão: 1801-000.586
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar, em não conhecer do recurso voluntário pela concomitância de ação administrativa e judicial com o mesmo objeto jurídico, e, na matéria diferenciado, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: DCTF_IRPJ - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRPJ)
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2008 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. DESNECESSIDADE. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. A propositura pela Recorrente, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso voluntário interposto.
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No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. DESNECESSIDADE. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. A propositura pela Recorrente, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso voluntário interposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar, em não conhecer do recurso voluntário pela concomitância de ação administrativa e judicial com o mesmo objeto jurídico, e, na matéria diferenciado, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinhos Machado. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Fl. 1DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13878.000042/200758 Acórdão n.º 180100.586 S1TE01 Fl. 3.59 2 Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 21/33, com a exigência do crédito tributário no valor de R$58.344,83, a título de multa de mora isolada referente ao débito de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) calculado sobre a base estimada, código de arrecadação nº 2362, referente ao fato gerador de junho de 2002, informado na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) Retificadora apresentada em 23/08/2004. Restou esclarecido que este débito foi pago em 28/11/2003, ou seja, após o vencimento, acrescido da incidência de juros de mora, porém sem a aplicação da multa de mora. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 160 do Código Tributário Nacional (CTN), art. 43 e art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, bem como parágrafo único do art. 9º da lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002. Inconformada com a exigência fiscal, da qual teve ciência em 05/04/2007 (06/04/2007 sextafeira Paixão de Cristo), fl. 99, a Recorrente apresentou a impugnação em 08/05/2007, fls. 01/23, com as alegações abaixo sintetizadas. Em relação à nulidade do procedimento fiscal, defende que o a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal é imprescindível (MPF) o que não ocorreu no presente caso. Argúi que procedeu ao pagamento do tributo amparado no instituto da denúncia espontânea, impõe a aplicação dos juros de mora e o exime da responsabilidade pela multa de mora aplicada no caso de pagamento do tributo fora do prazo legal de vencimento, desde que seja efetuado antes de qualquer procedimento de ofício (art. 138 e art. 161 do Código Tributário Nacional). Diz que a multa de ofício de caráter de confisco não tem aplicação no presente caso (art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Em relação ao efeito da suspensão da exigibilidade do presente débito, aduz que impetrou o Mandado de Segurança nº 2005.61.10.0005614 objetivando a anulação da presente cobrança efetuando depósito do montante integral. Com o objetivo de fundamentar seus argumentos, interpreta a legislação que rege a questão litigiosa, indica os princípios que supostamente foram violados e cita entendimentos doutrinários e jurisprudenciais. Conclui Fl. 2DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13878.000042/200758 Acórdão n.º 180100.586 S1TE01 Fl. 4.59 3 Diante do exposto a autuada requer que: a) seja anulado o presente auto de infração, por toda matéria preliminar argüida; b) ou, que seja julgado insubsistente o AIIM em tela, pela inexistência de causas legais e legítimas que lhes dê embasamento como foi amplamente demonstrado nos itens precedentes. Requer, por oportuno a concessão de 10 (dez) dias de prazo para a juntada do instrumento de procuração a fim de regularizar a representação processual do ora 1 subscritor. E em .assim procedendo, estarão V. Sas., distribuindo a mais verdadeira Justiça. Termos em que, Pede e espera Deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 5ª TURMA DRJ/RPO/SP nº 1421.865, de 18/12/2008, fls. 107/115: “Lançamento Procedente”. Restou ementado ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A propositura de ação judicial, antes ou após o procedimento fiscal do lançamento, com o mesmo objeto, implica a renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela Autoridade Administrativa a que caberia o julgamento, ressalvandose as questões que deixarem de ser submetidas à esfera judicial. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. INAPLICABILIDADE. O instituto da denúncia espontânea não exclui a Multa de mora estipulada na legislação tributária, porquanto o seu pagamento é expressamente previsto para os casos em que o recolhimento do tributo ocorre espontaneamente após o vencimento da obrigação, sendo irrelevante à questão a distinção doutrinária entre caráter indenizatório ou punitivo da sua exigência. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. A suposta inobservância de ato regulamentar que visa ao controle interno não implica nulidade dos trabalhos praticados sob sua égide, tendentes à apuração e lançamento do crédito tributário, cuja atividade é vinculada à lei e obrigatória, nos termos do art. 142 do CTN. Somente a lei pode modificar a competência originária para o lançamento do crédito tributário. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. LANÇAMENTO SEM AUDIÊNCIA PRÉVIA. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13878.000042/200758 Acórdão n.º 180100.586 S1TE01 Fl. 5.59 4 Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de impugnar o lançamento, não há cerceamento do seu direito de defesa. Tampouco há que se falar em afronta ao direito de defesa pelo fato de a autoridade tributária, constatado o ilícito, lavrar o auto de infração sem intimar o sujeito passivo a se manifestar previamente à imposição tributária. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Argüições de inconstitucionalidade refogem à competência da instância administrativa, salvo se já houver decisão dó Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou 'ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Notificada em 03/04/2009, fl. 119, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 27/04/2009, fls. 120/150, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge reiterando todos os argumentos constantes na peça impugnatória. Acrescenta que há independência entre os processos administrativo e judicial, conforme entendimentos doutrinários identificados. Explica que não que se falar em identidade de objetos entre ambos. Conclui Diante do exposto a autuada requer que: a) seja recebido o presente recurso e processado e seja anulado o presente auto de infração, por toda matéria preliminar argüida; b) ou, que seja julgado insubsistente o AIIM em tela, pela inexistência de causas legais e legítimas que lhes dê embasamento, como foi amplamente demonstrado nos itens precedentes. Requer a juntada do substabelecimento em anexo, a fim de regularizar a atual representação processual E em assim procedendo, estarão V. Sªa. distribuindo a mais verdadeira Justiça. Termos em que, Pede deferimento. É o Relatório. Voto Fl. 4DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13878.000042/200758 Acórdão n.º 180100.586 S1TE01 Fl. 6.59 5 Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. O instrumento de procuração, fl. 151, é peça imprescindível para comprovar a regularidade da representação legal da Recorrente junto ao presente processo administrativo fiscal. Por esta razão deve ser recebida. No que se refere à suspensão da exigibilidade do presente crédito tributário, cabe transcrever a matéria regulada no Código Tributário Nacional (CTN): Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I moratória; II o depósito do seu montante integral; III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) VI – o parcelamento. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Verificase que como a Recorrente apresentou o recurso voluntário observando os requisitos legais, o presente crédito tributário constituído pelo lançamento e formalizado no Auto de Infração de fls. 24/32 está com a exigibilidade suspensa, nos termos das leis reguladoras dos processos administrativo fiscal. A Recorrente alega que o procedimento é nulo. O Auto de Infração foi lavrado por servidor competente que regularmente intimou a Recorrente para cumprilo ou impugnálo no prazo legal. No exercício da função pública, a autoridade administrativa, de forma vinculada e obrigatória, constituiu o crédito tributário, com observância de todos os requisitos legais que lhe confere existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Foi oferecida à Recorrente a oportunidade de apresentar, no prazo legal, a peça de defesa acompanhada de todos os meios de prova a ela inerentes. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e assim a indicação do enquadramento legal não propicia a nulidade do ato em litígio, já que ninguém pode se escusar de cumprir a lei alegando que não a conhece (art. 2º da Lei de Introdução ao Código Civil). Foram asseguradas à Recorrente as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição da República Federativa do Brasil (CR) e Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). Desta forma, a sua alegação não tem fundamento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova e a dilação probatória. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. A legislação pertinente ao processo administrativo fiscal estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses Fl. 5DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13878.000042/200758 Acórdão n.º 180100.586 S1TE01 Fl. 7.59 6 de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas. A Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência, embora tenha sido previamente notificada para solucionar as pendências tributárias. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. Assim, as solicitações devem ser indeferidas. A Recorrente diz que não há o imprescindível Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). O procedimento de fiscalização relativo a tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) é executado em nome desta pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (AFRB) (Decreto nº 6.641, de 10 de novembro de 2008). Este ato relativo a assunto interna corporis e instrumento de controle interno da RFB, de modo geral, é instaurado por intermédio de Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPFF) com o escopo de verificar do cumprimento das obrigações tributárias, por parte do sujeito passivo, mediante termo circunstanciado o qual lhe é notificado (Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001, bem como art. 7º e art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). Por seu turno, o auto de infração é lavrado por servidor competente de forma vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142 do Código Tributário Nacional e art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972). Sobre a matéria vale transcrever o enunciado da Súmula CARF n° 46, que é de adoção obrigatória (art. 72 do Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF), cuja a divulgação foi feita pela Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010 e que assim determina: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Assim, por falta de previsão legal expressa, a autoridade pode decidir ou não pela intimação ao sujeito passivo para prestar esclarecimentos antes do procedimento fiscal. Entendendo que detém todos os elementos para efetuar o feito, deve fazêlo, sendo desnecessária a prévia intimação à Recorrente. Por conseguinte, este argumento não pode prosperar. A Recorrente discorda da aplicação da multa de mora em relação ao tributo pago após o prazo de vencimento e antes do início de qualquer procedimento de ofício ao argumento de que está amparada pelo instituto da denúncia espontânea. Esclarece que o não que se falar em identidade de objetos entre o Mandado de Segurança nº 2005.61.10.0005614 e o presente lançamento fiscal. Relativamente à multa de mora, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, determina: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de Fl. 6DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13878.000042/200758 Acórdão n.º 180100.586 S1TE01 Fl. 8.59 7 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. [...] Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. A multa de mora tem natureza jurídica de penalidade aplicada por descumprimento da obrigação tributária principal dentro do prazo previsto na legislação. Excepcionalmente, o sujeito passivo pode recolher o tributo devido acrescido da incidência de juros de mora no trintídio a contar da data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo, desde que até então estivesse amparado por medida liminar. Atinente à denúncia espontânea, o Código Tributário Nacional (CTN) prevê: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A denúncia espontânea da infração é uma exteriorização de vontade do sujeito passivo perante a Fazenda Pública, sem qualquer forma prevista em lei, aplicável somente ao cumprimento a destempo da obrigação tributária principal de tributo que não esteja regularmente declarado e antes de qualquer procedimento fiscal. No caso de sua caracterização afasta a aplicação da multa de mora e da multa de ofício. Por conseguinte, no presente Fl. 7DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13878.000042/200758 Acórdão n.º 180100.586 S1TE01 Fl. 9.59 8 lançamento não se cogitou da imposição da multa proporcional de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata (art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Consta no Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, têm aplicação os entendimentos do STF e do STJ em decisões definitivas de mérito proferidas em repercussão geral e em recurso repetitivo, respectivamente, cujas matérias vinculam esta segunda instância de julgamento. Em relação à matéria, cabe mencionar a jurisprudência do STJ proferida em recurso especial representativo da controvérsia, cujo trânsito em julgado ocorreu em 01/09/2010 (Fonte: https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=10649420&s Reg=200901341424&sData=20100624&sTipo=5&formato=PDF, Acesso em 23/03/2011): RECURSO ESPECIAL Nº 1.149.022 SP (2009/01341424) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : BANCO PECÚNIA S/A ADVOGADO : SERGIO FARINA FILHO E OUTRO(S) RECORRIDO : UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), Fl. 8DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13878.000042/200758 Acórdão n.º 180100.586 S1TE01 Fl. 10.59 9 noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Documento: 10649420 EMENTA / ACORDÃO Site certificado DJe: 24/06/2010 Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13878.000042/200758 Acórdão n.º 180100.586 S1TE01 Fl. 11.59 10 Inferese que a denúncia espontânea afasta a aplicação da multa de mora no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação recolhido fora do prazo de vencimento, desde que este pagamento seja efetuado antes da declaração prévia pelo sujeito passivo e de qualquer procedimento de ofício. Este instituto também resta configurado no caso de o sujeito passivo, após efetuar a confissão parcial do débito tributário acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa, noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. Antes de analisar as condições fáticas que caracterizam a denúncia espontânea no presente processo, devese identificar o objeto do Mandado de Segurança 2005.61.10.0005614 à luz do que consta no Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. Cabe transcrever o enunciado da Súmula CARF n° 01, que é de adoção obrigatória (art. 72 do Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) e que assim determina: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Consta na petição inicial do Mandado de Segurança nº 2005.61.10.0005614 impetrado junto à Seção Judiciária de Sorocaba/São Paulo da Justiça Federal, fls. 33/52: A ora impetrante ao solicitar Certidão Negativa de Débito Fiscal perante a impetrada foi surpreendida com o indeferimento de seu pedido (conforme Anexo II – in verso). Dizse surpreendida, pois sempre administrou com rigor suas obrigações fiscais, respeitando e honrando todas as suas obrigações, em especial suas obrigações fiscais. Conforme consta do indeferimento (vide verso do pedido de certidão — Anexo II), seu..pedido foi indeferido sob a seguinte fundamentação: "INDEFIRO, uma vez que os darf's apresentados não são suficientes para quitar os débitos (sic) do IRPJ e CSLL do PA 06.2002 e há saldo devedor, conforme extrato 'Informações de Apoio p/ Emissão de Certidão', fls. 03 que segue em anexo". Fl. 10DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13878.000042/200758 Acórdão n.º 180100.586 S1TE01 Fl. 12.59 11 [...] Diante de todo o exposto, na forma do artigo 7° da Lei 1.533/51, REQUER que Vossa Excelência dignese conceder em caráter liminar, inaudita altera pars, ordem para que a autoridade coatora suspenda a exigibilidade da multa, ora questionada, com fundamento no todo exposto c.c. o artigo 151, inciso IV do CTN, bem como que seja determinada a expedição de Certidão Negativa de Débitos ou Certidão positiva com efeitos de negativa nos exatos termos do artigo 206 do CTN, oficiandose em caráter de urgência. No mérito propriamente dito requer, dignese Vossa Excelência em: a) Julgar procedente a presente demanda concedendo r: a segurança pleiteada, para reconhecer a ilegalidade da cobrança destituída de lançamento, anulandose assim o suposto débito, remanescendo o direito da impetrada de proceder o lançamento em conformidade com a legislação vigente; Verificase que a Recorrente ajuizou contra a Fazenda Nacional o Mandado de Segurança nº 2005.61.10.0005614 com o escopo de reconhecer a ilegalidade da cobrança e suspender a exigibilidade da multa de mora isolada referente ao débito de IRPJ do fato gerador ocorrido em junho de 2002. No lançamento formalizado no Auto de Infração houve a exigência do crédito tributário no valor de R$58.344,83, a título de multa de mora isolada referente ao débito de IRPJ calculado sobre a base estimada, código de arrecadação nº 2362, referente ao fato gerador de junho de 2002, informado na DCTF Retificadora apresentada em 23/08/2004. Restou esclarecido que este débito foi pago em 28/11/2003, ou seja, após o vencimento, acrescido da incidência de juros de mora, porém sem a aplicação da multa de mora. Por conseguinte, houve ação judicial com o mesmo objeto do lançamento, o que importa a desistência do recurso voluntário interposto em relação a esta matéria. No que se refere à interpretação da legislação indicada na peça recursal, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso (art. 100 do Código Tributário Nacional). Em relação aos princípios constitucionais que a Recorrente entende que supostamente foram violados, cabe transcrever o enunciado da Súmula CARF n° 2, que é de adoção obrigatória (art. 72 do Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF), e que assim determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Logo, este argumento não pode prosperar. Em face de o exposto voto, em preliminar, por não conhecer do recurso voluntário pela concomitância de ação administrativa e judicial com o mesmo objeto jurídico e, na matéria diferenciada, por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 11DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13878.000042/200758 Acórdão n.º 180100.586 S1TE01 Fl. 13.59 12 Fl. 12DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES
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Numero do processo: 10073.900266/2008-10
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 1997
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. EXTINÇÃO DE DÉBITOS.
Uma vez reconhecida a homologação tácita, a conseqüência que se
impõe, independentemente da liquidez, certeza e quantificação do
crédito pleiteado, é a extinção dos débitos que foram objeto da
declaração atingida pelo prazo máximo de cinco anos estipulado pelo
art. 74, § 5 da lei 9.430/1996.
Numero da decisão: 1802-000.788
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente)
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. EXTINÇÃO DE DÉBITOS. Uma vez reconhecida a homologação tácita, a conseqüência que se impõe, independentemente da liquidez, certeza e quantificação do crédito pleiteado, é a extinção dos débitos que foram objeto da declaração atingida pelo prazo máximo de cinco anos estipulado pelo art. 74, § 5 da lei 9.430/1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ESTER MARQUES LINS DE SOUSA – Presidente. (assinado digitalmente) EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR – Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 26/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Nelso Kichel, Henrique Magalhaes de Oliveira e Gilberto Baptista. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 8ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro/RJ. Ocupamonos de processo administrativo no qual se trata de pedido de restituição (fl. 01), protocolado em 14 de novembro de 1997, e de pedido de compensação de (fl. 31), protocolado em 05 de junho de 1997. Aludidos pedidos têm como objeto o mesmo crédito, no valor de R$ 110.346,60, referente a pagamento indevido ou a maior feito, sob o código 2362 (estimativas de IR) referentes ao ano de 1996. Consta dos autos que tendo sido solicitada, em 14 de janeiro de 1998, a confirmação da liquidez e certeza do crédito pretendido (fl. 35), foi realizada diligência cujo relatório conclusivo, juntado às folhas 43 e 44, ratifica a existência de indébito no total de R$ 99.315,35. Tendo em vista o referido relatório, foi emitido em 04 de setembro de 2008 o despacho decisório de folhas 85 a 87, no qual se consignou que a recorrente fundamentou seus pedidos de compensação em pagamento de imposto de renda que teria sido feito a maior do que o devido no ano de 1996, entretanto, pelo teor de sua declaração de rendimentos de 1997, verificouse na ficha 08 (fls. 15) que o valor pleiteado correspondia ao saldo negativo apurado na linha 18, a título de imposto de renda a pagar e por isso, considerou que a recorrente, no preenchimento de seu pedido, cometeu um erro de fato, ao indicar o crédito pleiteado como pagamento indevido e não como saldo negativo de imposto de renda, tratandoo dessa maneira, bem como conferindo ao pedido de compensação as inovações trazidas para o procedimento. Salientouse, no mérito, que de conformidade como que consta na ficha 08 da declaração de rendimentos de 1997, o saldo negativo de imposto de renda pagar, no montante de R$ 110.346,60, foi apurado, no encerramento do anocalendário 1996, a partir da dedução do imposto calculado (alíquota 15%), no valor de R$ 61.551,68 mais o adicional, (R$ 17.034,45), deduzidos do imposto de renda na fonte sobre operações com a Prefeitura de Angra dos Reis (R$ 18.480,06) e do imposto de renda mensal por estimativa, no valor de R$ 153.144,76 do imposto sobre o lucro real. Sendo assim, destacou a autoridade administrativa que conforme se verificaria no termo de diligência elaborado no âmbito da DRF em Nova Iguaçu, a recorrente considerou o valor de DARF pago em dezembro de 1996 como R$ 15.785,73 e o valor, comprovado (DARF) era de R$ 5.444,08 e por consequência a recorrente faria jus ao valor de R$ 99.315,35, em conformidade com o Termo de Diligência de folhas 43 a 45. Após essas claras e autoexplicativas conclusões, a Autoridade Administrativa afirmou expressamente que em nada obstante as considerações feitas acima, as Fl. 2DF CARF MF Emitido em 26/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE Processo nº 10073900266/200810 Acórdão n.º 180200.788 S1TE02 Fl. 184 3 compensações se encontravam homologadas tacitamente pelo decurso do prazo de 5 anos, com base no artigo 74, § 5º, da Lei nº 9.430/96 e que, portanto, os débitos nela relacionados estavam extintos conforme disposto no artigo 156, II, do Código Tributário Nacional. Surpreendentemente, a parte dispositiva do Despacho Decisório fez constar a homologação das compensações até o limite do crédito reconhecido. Cientificada (fl. 113), a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 125 – 126), reiterando seus argumentos e pugnando pelo reconhecimento do direito creditório. Verificase que consta na ementa da decisão proferida pela 8ª Turma da DRJ (fls. 143 – 148) o “status” de compensação homologada, consignandose que uma vez reconhecida a homologação tácita, a conseqüência que se impõe, independentemente da liquidez, certeza e quantificação do crédito pleiteado, é a extinção dos débitos que foram objeto da declaração atingida pelo prazo máximo de cinco anos estipulado pelo artigo 74, § 5º, da lei 9.430/1996. Registrou a decisão da DRJ, nessa toada, que da análise do despacho decisório depreendese que já se havia reconhecido a homologação tácita da declaração de compensação de folha 31, tendo, porém, sido atribuído a tal fato efeitos equivocados. Sublinhouse, portanto, que de conformidade com o comando do próprio ato decisório e demonstrativo de folhas 107 a 108, a extinção dos débitos que constam da declaração homologada foi operada, tão somente, até o limite do direito creditório então reconhecido e que nos termos do artigo 74, § 2° da Lei 9.430/1996, a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal do Brasil extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação, operando efeito o ato sob condição resolutória após o seu implemento, uma vez reconhecida a homologação tácita, se imporia, independentemente da liquidez, certeza e quantificação do crédito pleiteado, o reconhecimento da extinção dos débitos que foram objeto da declaração atingida pelo prazo máximo de cinco anos estipulado pelo artigo 74, § 5º da mesma lei 9.430/1996. Concluiuse, destarte, pela extinção integral dos débitos que foram objeto da declaração de compensação de folhas 31. No intuito de manifestarse sobre os pontos abordados na Manifestação de Inconformidade, que surpreendentemente nada tratou acerca dos efeitos equivocados emprestados ao despacho decisório, a DRJ afirmou que de fato não existiria nenhum direito creditório além daquele já reconhecido, mas nada refletindo, por isso, na conclusão de homologarse tacitamente as compensações declaradas. Em vista dessas circunstâncias, a DRF devolveu o processo à DRJ para adequarse o julgamento, que modificou (fl. 160) o resultado do julgamento de favorável ao interessado para desfavorável ao interessado. Devidamente cientificada da decisão proferida pela DRJ (fl. 163), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 164 – 170), insistindo na existência integral do crédito, nada tratando acerca dos efeitos da já reconhecida homologação tácita. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 26/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE 4 Voto Conselheiro EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Admito o presente Recurso unicamente para assegurar efetividade à homologação das compensações declaradas à folha 31 e para desfazer o imbróglio criado diante de tão simples conclusões a que chegaram tanto a DRF de origem como a DRJ. É pacífico no presente processo, que desde que foi proferido o Despacho Decisório as compensações declaradas pela recorrente no presente processo, foram integralmente homologadas pelo decurso do tempo. Quando ambas as decisões se manifestaram pela inexistência de parte do crédito, não o fizeram para atrelharlhe às homologações das compensações, mas sim, para fundamentar, alternativamente, suas razões de decidir. A propósito, a ementa da decisão recorrida prescinde de qualquer esforço hermenêutico, estatuindo que se homologavam as compensações, tacitamente, a independer da certeza e liquidez do crédito indicado. Portanto, não há mais controvérsia nos autos, as compensações foram homologadas tacitamente no mesmo valor do credito pleiteado, extintos os débitos indicados pela contribuinte, não havendo mais crédito a ser reconhecido. Isto posto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 22 de fevereiro de 2011 (assinado digitalmente) EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Fl. 4DF CARF MF Emitido em 26/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE Processo nº 10073900266/200810 Acórdão n.º 180200.788 S1TE02 Fl. 185 5 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 26/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE
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