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Numero do processo: 13603.905765/2012-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL.
Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF.
Numero da decisão: 3401-003.926
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, acolhendo a informação prestada em diligência.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, acolhendo a informação prestada em diligência. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 57 65 /2 01 2- 32 Fl. 290DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente sobre PER/DCOMP utilizando créditos de COFINS, no valor total de R$ 33.865,51. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação não foi homologada, visto que o pagamento foi localizado, mas integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Cientificada da decisão de piso, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, basicamente, que: (a) o crédito se refere a COFINSimportação de serviços recolhida indevidamente, e que a informação de que o valor foi utilizado integralmente para quitar débito da empresa se deve a ter sido originalmente informado em DCTF valor igual ao total do recolhimento; (b) que foi retificada a DCTF, após o despacho decisório, sendo que o valor não era devido por tratarse de remessa ao exterior em pagamento de licença de uso de marca, a título de royalties, não caracterizando contrapartida de serviços provenientes do exterior, conforme Solução de Consulta RFB no 263/2011; e (c) a DCTF retificadora não foi recepcionada pela RFB tendo em vista ter se esgotado o prazo de cinco anos para a apresentação. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob o fundamento de carência probatória a cargo do postulante, que não apresenta contrato que discrimine os royalties dos serviços técnicos e de assistência técnica, de forma individualizada, e de que a prazo para retificação de DCTF já havia se esgotado quando da apresentação de declaração retificadora pela empresa. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, afirmando que: (a) celebrou contrato exclusivamente referente a licenciamento para uso de marcas, não envolvendo a importação de quaisquer serviços conexos, e que em 52 despachos decisórios distintos, a autoridade administrativa não homologou as compensações, por simples cotejo com DCTF, e que a DRJ manteve a decisão sob os fundamentos de ausência de apresentação de contrato e de retificação extemporânea de DCTF; (b) há necessidade de reunião dos 52 processos conexos para julgamento conjunto; (c) deve o CARF receber de ofício a DCTF retificadora, em nome da verdade material; e (d) o crédito foi documentalmente comprovado, figurando no contrato celebrado, anexado aos autos, que o objeto é exclusivamente o licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos, aplicandose ao caso o entendimento externado na Solução de Divergência no 11, da COSIT, como tem entendido o CARF em casos materialmente e faticamente idênticos (Acórdão no 3801001.813). No CARF, o julgamento foi convertido em diligência por meio da Resolução no 3803000.477, para que a autoridade local da RFB informasse “...acerca dos valores devidos pela recorrente na data de transmissão da DComp, bem assim se o valor reconhecido a título de direito creditório (original ou atualizado) é o bastante para solver os débitos existentes nessa data, mediante o confrontamento de valores ou, informar acerca da diferença encontrada” (sic). Em resposta a fiscalização informa que o pagamento objeto do direito creditório não se encontra disponível, uma vez que utilizado para quitação de débito declarado em DCTF, e que, relativamente ao confronto de valores, restou demonstrado “... ser bastante o valor do pagamento pleiteado nestes autos para extinção do débito declarado pela Fl. 291DF CARF MF Processo nº 13603.905765/201232 Acórdão n.º 3401003.926 S3C4T1 Fl. 279 3 contribuinte por meio de compensação”, não havendo necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação. O processo foi a mim distribuído, mediante sorteio, em maio de 2017. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O cumprimento dos requisitos formais de admissibilidade já foi verificado na conversão em diligência, passandose, então, aqui, à análise de mérito. De fato, não se tem dúvidas de que, ao tempo da análise massiva, por sistema informatizado, das DCOMP apresentadas, os débitos declarados em DCTF correspondiam aos pagamentos efetuados, ainda que estes fossem eventualmente indevidos. Daí os despachos decisórios eletrônicos, limitados a cotejamento entre dados declarados em DCOMP e DCTF, e pagamentos efetuados com DARF, terem sido pelo indeferimento. No entanto, também não se tem dúvidas de que a empresa já entendia, na data de protocolo dos PER/DCOMP, serem indevidos os pagamentos efetuados, independente de ter ou não retificado as respectivas DCTF. Não há que se falar, assim, em decurso de prazo para repetir o indébito, visto que os PER/DCOMP foram transmitidos dentro do prazo regular para repetição. Após o indeferimento eletrônico da compensação é que a empresa esclarece que a DCTF foi preenchida erroneamente, tentando retificála (sem sucesso em função de trava temporal no sistema informatizado), e explica que o indébito decorre de serem os pagamentos referentes a COFINSserviços incabíveis pelo fato de se estar tratando, no caso, exclusivamente de licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos. No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado a DCTF anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Fl. 292DF CARF MF 4 Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tãosomente para indicar porque entende ser o valor indevido, sem amparo documental justificativo (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância não motiva o indeferimento somente na ausência de retificação da DCTF, mas também na ausência de prova do alegado, por não apresentação de contrato. Diante da ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegase à situação descrita acima como “b”. Contudo, no julgamento inicial efetuado por este CARF, que resultou na baixa em diligência, concluiuse pela ocorrência da situação “c”, diante dos documentos apresentados em sede de recurso voluntário. Entendeu assim, este colegiado, naquele julgamento, que o comando do art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 seria inaplicável ao caso, e que diante da verossimilhança em relação a alegações e documentos apresentados, a unidade local deveria se manifestar. E a informação da unidade local da RFB, em sede de diligência, atesta que os valores recolhidos são suficientes para saldar os débitos indicados em DCOMP, entendendo a fiscalização, inclusive que, diante do exposto, não haveria necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação, apesar de ainda estarem os pagamentos alocados à DCTF original. Resta pouco, assim, a discutir no presente processo, visto que o único obstáculo que remanesce é a ausência de retificação da DCTF, ainda que comprovado o direito Fl. 293DF CARF MF Processo nº 13603.905765/201232 Acórdão n.º 3401003.926 S3C4T1 Fl. 280 5 de crédito, como se atesta na conversão em diligência, mediante o respectivo contrato, acompanhado da invoice correspondente. Atribuir à retificação formal de DCTF importância superior à comprovação do efetivo direito de crédito é típico das máquinas, na análise massiva, mas não do julgador, humano, que deve ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Como atesta a Solução de Divergência COSIT no 11/2011: “Não haverá incidência da CofinsImportação sobre o valor pago a título de Royalties, se o contrato discriminar os valores dos Royalties, dos serviços técnicos e da assistência técnica de forma individualizada. Neste caso, a contribuição sobre a importação incidirá apenas sobre os valores dos serviços conexos contratados. Porém, se o contrato não for suficientemente claro para individualizar estes componentes, o valor total deverá ser considerado referente a serviços e sofrer a incidência da mencionada contribuição.” (grifo nosso) E a cópia do contrato de licença apresentada e analisada, e de seus adendos, atesta que o contrato se refere “exclusivamente a licenciamento de uso de marcas”, não tratando de serviços. Assim, é indevida a COFINS, não havendo qualquer manifestação em sentido contrário pela própria unidade diligenciante. Aliás, efetivamente apreciou turma especial do CARF assunto idêntico, no Acórdão no 3801001.813, de 23/04/2013, acordando unanimemente pela não incidência de COFINSserviços em caso de contrato de “knowhow” que não engloba prestação de serviços: “CONTRATO DE “KNOW HOW”. REMESSAS AO EXTERIOR RELATIVAS A ROYALTIES E DIREITOS PELO USO DE MARCAS E TRANSFERÊNCIA DE CONHECIMENTO E TECNOLOGIA. NÃO INCIDÊNCIA DA COFINS IMPORTAÇÃO. Uma vez discriminados os valores dos Royalties dos demais serviços, de forma individualizada, não incidirá a COFINSImportação.” Há ainda outros precedentes recentes e unânimes deste tribunal, no mesmo sentido, e com características adicionais em comum com o presente processo: “NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não é nulo o despacho decisório que se fundamenta no cotejo entre documentos apontados como origem do crédito (DARF) e nas declarações apresentadas que demonstram o direito creditório (DCTF). APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE. DEMONSTRAÇÃO DE INDÍCIO DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO. VERDADE MATERIAL. Indícios de provas apresentadas anteriormente à prolação do despacho decisório que denegou a homologação da compensação, consubstanciados na apresentação de DARF de pagamento e DCTF retificadora, ratificam os argumentos do contribuinte Fl. 294DF CARF MF 6 quanto ao seu direito creditório. Inexiste norma que condiciona a apresentação de declaração de compensação à prévia retificação de DCTF, bem como ausente comando legal impeditivo de sua retificação enquanto não decidida a homologação da declaração. ROYALTIES. REMUNERAÇÃO EXCLUSIVA PELO USO DE LICENÇA E TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. INEXISTÊNCIA DE SERVIÇOS CONEXOS. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS/COFINSIMPORTAÇÃO. A disponibilização de "informações técnicas" e "assistência técnica", por intermédio de entrega de dados e outros documentos pela licenciadora estrangeira, para utilização na fabricação de produtos licenciados no País, não configura prestação de serviços conexos ao licenciamento para efeitos de incidência de Contribuições para o PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação. À luz do contrato de licenciamento e dos efetivos pagamentos realizados ao exterior, não incidem as Contribuições para o PIS/Pasepimportação e Cofins importação, pois tais pagamentos, cujos cálculos baseiamse nas vendas líquidas de produtos licenciados, referemse, exclusivamente, à remuneração contratual pela transferência de tecnologia, com natureza jurídica de royalties. (grifo nosso) (Acórdãos no 3201002.404 a 420, Rel. Cons. Windereley Morais pereira, sessão de 28 set. 2016) Deve, então, ser acolhido o pleito da empresa, removido o derradeiro obstáculo indevido ao reconhecimento do direito creditício e à compensação. Resta, por fim, tecer comentários sobre o pleito da recorrente para análise conjunta dos 52 processos referentes a suas DCOMP, visto que este relator recebeu, em sorteio, apenas 44 dos referidos processos. Em nome da verdade material, efetuei consulta ao sistema eprocessos, sobre a situação dos oito processos restantes, verificando o que se resume na tabela abaixo: N. do processo Situação atual Observações 13603.905762/201207 CARF – “Distribuir/Sortear” (indevidamente) Julgamento convertido em diligência, nas mesmas circunstâncias do presente, mas ainda não enviado à unidade local, para diligência, tendo em vista necessidade de saneamento (erro na anexação do arquivo contendo a Resolução de conversão em diligência). 13603.905764/201298 Idem Idem 13603.905772/201234 Idem Idem 13603.905785/201211 Idem Idem 13603.905790/201216 Idem Idem Fl. 295DF CARF MF Processo nº 13603.905765/201232 Acórdão n.º 3401003.926 S3C4T1 Fl. 281 7 13603.905775/201278 CARF – SEDIS/GECAP – Verificar Processo Processo sequer apreciado pelo CARF ainda, nem para converter o julgamento em diligência. 13603.905793/201250 Idem Idem 13603.905794/201202 Idem Idem Assim, há efetivamente apenas 44 processos maduros para julgamento, visto que os 8 restantes, por falhas processuais (5 deles com juntada incorreta de arquivos e 3 com pendência de verificação de procedimentos pelo setor competente do CARF) acabaram não chegando à unidade local, para realização da diligência. E os 44 processos, prontos para julgamento, serão efetivamente julgados conjuntamente, nesta sessão. Pelo exposto, e acolhendo a informação prestada em sede de diligência, voto por dar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 296DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.720658/2012-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 22/05/2012
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DESCUMPRIMENTO - DECADÊNCIA. ART. 150, § 4º DO CTN. INAPLICABILIDADE.
O lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória, rege-se pelo artigo art. 173, I, do CTN.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 22/05/2012
PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. MULTA DE NATUREZA CONFISCATÓRIA. MATÉRIAS DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE . MATÉRIA SUMULADA PELO CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. PRESCINDIBILIDADE
Torna-se prescindível a diligência quando restar nos autos elementos probatórios que permitem ao julgador a cognição dos fatos, nos termos artigo 29 do Decreto nº 70.235, de 1972.
Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 22/05/2012
MULTA PELA NÃO ENTREGA DOS ARQUIVOS DIGITAIS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA LIMITADA AO PERÍODO DOS ARQUIVOS NÃO APRESENTADOS. CABIMENTO.
A não entrega dos arquivos digitais, referentes à relação insumo/produto e controle patrimonial, enseja a aplicação da multa prevista no art. 12, III, da Lei 8.218, de 1991, calculada sobre o valor da receita bruta do período correspondente aos arquivos não apresentados.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-004.758
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a base de cálculo da multa lançada para os fatos geradores de 2008 à receita bruta auferida no primeiro semestre de 2008, vencidos os Conselheiros Maria do Socorro F. Aguiar e Paulo Guilherme Dérouléde. Designado o Conselheiro José Fernandes do Nascimento para redigir o voto vencedor.
[assinado digitalmente]
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
[assinado digitalmente]
José Fernandes do Nascimento - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 22/05/2012 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DESCUMPRIMENTO - DECADÊNCIA. ART. 150, § 4º DO CTN. INAPLICABILIDADE. O lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória, rege-se pelo artigo art. 173, I, do CTN. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 22/05/2012 PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. MULTA DE NATUREZA CONFISCATÓRIA. MATÉRIAS DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE . MATÉRIA SUMULADA PELO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. PRESCINDIBILIDADE Torna-se prescindível a diligência quando restar nos autos elementos probatórios que permitem ao julgador a cognição dos fatos, nos termos artigo 29 do Decreto nº 70.235, de 1972. Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 22/05/2012 MULTA PELA NÃO ENTREGA DOS ARQUIVOS DIGITAIS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA LIMITADA AO PERÍODO DOS ARQUIVOS NÃO APRESENTADOS. CABIMENTO. A não entrega dos arquivos digitais, referentes à relação insumo/produto e controle patrimonial, enseja a aplicação da multa prevista no art. 12, III, da Lei 8.218, de 1991, calculada sobre o valor da receita bruta do período correspondente aos arquivos não apresentados. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Auto de Infração.Multa Isolada Recorrente BRASKEM S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 22/05/2012 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DESCUMPRIMENTO DECADÊNCIA. ART. 150, § 4º DO CTN. INAPLICABILIDADE. O lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória, regese pelo artigo art. 173, I, do CTN. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 22/05/2012 PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. MULTA DE NATUREZA CONFISCATÓRIA. MATÉRIAS DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE . MATÉRIA SUMULADA PELO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. PRESCINDIBILIDADE Tornase prescindível a diligência quando restar nos autos elementos probatórios que permitem ao julgador a cognição dos fatos, nos termos artigo 29 do Decreto nº 70.235, de 1972. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 22/05/2012 MULTA PELA NÃO ENTREGA DOS ARQUIVOS DIGITAIS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA LIMITADA AO PERÍODO DOS ARQUIVOS NÃO APRESENTADOS. CABIMENTO. A não entrega dos arquivos digitais, referentes à relação insumo/produto e controle patrimonial, enseja a aplicação da multa prevista no art. 12, III, da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 72 06 58 /2 01 2- 74 Fl. 837DF CARF MF 2 Lei 8.218, de 1991, calculada sobre o valor da receita bruta do período correspondente aos arquivos não apresentados. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a base de cálculo da multa lançada para os fatos geradores de 2008 à receita bruta auferida no primeiro semestre de 2008, vencidos os Conselheiros Maria do Socorro F. Aguiar e Paulo Guilherme Dérouléde. Designado o Conselheiro José Fernandes do Nascimento para redigir o voto vencedor. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. [assinado digitalmente] José Fernandes do Nascimento Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: Tratase de Auto de Infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, pretendendo a cobrança de multa isolada (falta/atraso na entrega de arquivo magnético), calcada no inciso III do artigo 12 da Lei nº 8.218, de 1991. A descrição detalhada dos fatos e das conclusões a que chegou o autuante são encontradas no Termo de Verificação Fiscal anexo ao auto de infração. São os seguintes os apontamentos do fiscal autuante: (...) a utilização de sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal é facultativo para as pessoas jurídicas que, caso optem por essa forma de controle, ficam sujeitas às exigências previstas no art. 11 da Lei nº 8.218, de 1991. Por outro lado, a aplicação da disposições presentes nos incisos do art. 12 da Lei nº 8.218, de 1991, decorre do fato de não ter o sujeito passivo, depois de previamente intimado, apresentado à autoridade fiscal os arquivos magnéticos e sistemas informatizados que seja obrigado a manter. (...) Fl. 838DF CARF MF Processo nº 13502.720658/201274 Acórdão n.º 3302004.758 S3C3T2 Fl. 838 3 [...]Assim, considerando que o contribuinte não apresentou os arquivos especificados nos itens “4.6 Relação Insumo/Produto” e “4.7 Controle Patrimonial” do Anexo Único do ADE COFIS Nº 15/2001, conforme previsto na Instrução Normativa SRF Nº 86, de 22 de outubro de 2001, devese aplicar a multa objeto do inciso III do art. 12 da Lei nº 8,218, de 1991, (...)(grifei). Cientificada da exigência fiscal, a autuada apresenta Impugnação, sendo essas as suas razões de defesa, em síntese: • Dos fatos: A impugnante, em relação aos arquivos digitais especificados na IN SRF nº 86/2001, esclareceu à Fiscalização que perdera acesso aos sistemas eletrônicos operacionais da Ipiranga Petroquímica, pessoa jurídica incorporada. A despeito disso, informou que prosseguiria nas buscas pelos arquivos digitais. • Considerando, entretanto, a possibilidade de não lograr êxito em tais buscas, enfatizou na ocasião da fiscalização que tais dificuldades não causariam quaisquer embaraços à ação fiscal, tendo inclusive se comprometido a apresentar relatórios contendo informações suficientes e necessárias à avaliação dos créditos objeto de ressarcimento/compensação. Porém, quanto aos arquivos digitais especificados nos itens 4.6, 4.7 e 4.10, informou a impugnante que, após buscas empreendidas, concluíra que estes não constavam de fato nos sistemas eletrônicos da pessoa jurídica incorporada, motivo pelo qual deixaria de entregálos. • Muito embora a impugnante não tenha apresentado os arquivos digitais nos exatos formatos especificados no ADE COFIS nº15/2001, houve por bem suprir a fiscalização de todos os dados suficientes à investigação quanto à sua pretensão creditória.• Contudo, surpreendentemente, após o encerramento do procedimento fiscalizador, foi lavrado o Auto de Infração ora impugnado. • Da Decadência: Antes das discussões de mérito, cabe, preliminarmente, a demonstração da consumação da decadência. A guarda dos arquivos eletrônicos necessários à avaliação dos créditos de PIS e Cofins está circunscrita ao prazo decadencial qüinqüenal do art. 150, § 4º, do CTN. Tendo sido a ciência do auto de infração em 29/05/2012, já havia transcorrido o prazo de 5 anos para a multa devida nos meses de janeiro a abril de 2007. • Da Capitulação Legal: Ao receber os documentos oferecidos pela impugnante, a Fiscalização deu demonstração inequívoca de que os aceitava, a Fl. 839DF CARF MF 4 despeito de terem sido apresentados em forma diversa daquela definida na legislação. Neste contexto, é impensável que a Fiscalização venha agora exigir o pagamento de multa pelo suposto atraso na apresentação de arquivos digitais. Decerto que, se cabível alguma penalidade, esta haveria que ser a prevista no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.218, de 1991 (“multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos”), jamais aquela capitulada pela Fiscalização. • A despeito da constatação do descabimento da multa aplicada no inciso III do art. 12 da Lei nº 8,218, de 1991, não se pode pretender “consertar” a equivoca autuação do Fisco, devendo o lançamento ser declarado insubsistente. • Da Ofensa a Princípios Constitucionais: A multa aplicada ofende aos Princípios da Proporcionalidade e da Razoabilidade, porquanto se está a exigir uma penalidade correspondente quase que integralmente ao somatório dos créditos postulados pela autuada. • A aplicação da multa também atenta contra o Princípio da Instrumentalidade das Formas, visto que a própria legislação de regência da matéria previu a possibilidade de os arquivos e sistemas previstos na IN nº 86/2001 serem apresentados em formato diverso daquele estabelecido nas normas. A imposição de multa tão exorbitante também ofende ao Princípio do Não Confisco e até mesmo da Moralidade. • Há ofensa também ao Princípio da Não Propagação da Multa no Tempo, visto que a multa aplicada é de 0,02% para cada dia sobre a receita bruta, até alcançar o limite de 1% desta. A multa foi sendo somada diariamente até atingir o limite. • Do Erro na Quantificação da Multa: A Fiscalização calculou a multa para o período de 2008 utilizando o valor da receita bruta de R$ 2.341.755.356,17, quando o correto é R$ 1.338.942.541,77, como se comprova pelo Balancete relativo ao 1º semestre de 2008. • Diligências: Requer a realização de diligências fiscais para constatação dos fatos aqui alegados. É o relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 22/05/2012 DECADÊNCIA. MULTA REGULAMENTAR. Fl. 840DF CARF MF Processo nº 13502.720658/201274 Acórdão n.º 3302004.758 S3C3T2 Fl. 839 5 O prazo decadencial relativo ao lançamento de ofício por descumprimento de obrigação acessória é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ARQUIVO MAGNÉTICO. MULTA REGULAMENTAR. As pessoas jurídicas obrigadas a manter arquivos magnéticos de livros e documentos de natureza contábil e fiscal à disposição dos órgãos fiscalizadores estão sujeitas à multa prevista no artigo 12, III, da Lei n.° 8.218, de 1991, no caso de não apresentação desses arquivos quando solicitados. INCONSTITUCIONALIDADE. A Secretaria da Receita Federal do Brasil, como órgão da administração direta da União, não é competente para decidir quanto à inconstitucionalidade de norma legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Embora conste nos autos a Intimação nº 268/2013, fl.659 que visa dar ciência ao contribuinte do Acórdão de Impugnação, verificase que referida ciência ocorreu em 10/05/2013, conforme AR de fl. 823, apresentando o contribuinte em 10/06/2013, através do termo de Solicitação de Juntada fl. 668, Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, de fls.669/735 e documentos anexados, fls.736/744, repisando os argumentos já apresentados em sede de primeira instância. Através da Resolução Carf nº 1202000.248, de 05/06/2014, em virtude de tratarse a matéria dos autos da competência da Terceira Seção de Julgamento, foi declinada na turma da Primeira Seção do CARF, a competência para julgamento, sendo o processo redistribuído para Terceira Seção de Julgamento deste E. Conselho. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: PRELIMINARES Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da inexistência de decadência Fl. 841DF CARF MF 6 Argui a Recorrente que a decisão recorrida não acolheu os fundamentos aduzidos no bojo da impugnação apresentada quanto à decadência, relativamente às competências compreendidas entre os meses de janeiro e abril de 2007. Destaca que ousa divergir do entendimento manifestado pelo órgão julgador "a quo" por reputálo absolutamente equivocado, [tendo em vista que, em se tratando de lançamento de multa pela não apresentação de documentos necessários à averiguação da legitimidade dos créditos fiscais de PIS e COFINS Não Cumulativos, o Fisco está jungido ao mesmo prazo decadencial aplicável à fiscalização das referidas contribuições, que, afigurandose exações lançadas por homologação, submetemse ao lustro decadencial inscrito no art. 150, § 4o do Código Tributário Nacional]. Antes de adentrar ao exame do prazo decadencial, cabe ressaltar a seguinte distinção: O lançamento de ofício, direto ou ex officio, é aquele efetuado pela autoridade fiscal, que tem o dever legal de lançar o tributo ou penalidade, por força das disposições do art 142 do CTN, nas hipóteses disciplinadas no artigo 149 do referido diploma legal. No lançamento por homologação, nos termos do artigo 150 do CTN, a lei atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o recolhimento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa, operandose pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Assim a contagem dos prazos de decadência e prescrição, inclusive das contribuições da Seguridade Social, deve ser realizada de acordo com o Código Tributário Nacional. O lançamento em análise, trata da exigência de multa isolada por falta de entrega de arquivo magnético, fundamentado no inciso III do artigo 12 da Lei nº 8.218, de 1991. Nesse sentido, destaquese a prescrição do artigo 11 do referido diploma legal: Art.11.As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária.(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001)(Vide Mpv nº 303, de 2006)(grifei). Tratandose portanto de lançamento de multa, depreendese que não comporta ao caso o lançamento por homologação, visto que o lançamento de uma penalidade é atividade eminentemente de ofício, portanto a hipótese é de lançamento de ofício. Com efeito, observase que a regra expressa no artigo 11 acima transcrito determina a obrigatoriedade de manter os respectivos arquivos digitais pelo prazo previsto na legislação tributária, portanto o prazo decadencial para o lançamento de ofício, que é efetuado segundo as regras do artigo 173 do CTN: Fl. 842DF CARF MF Processo nº 13502.720658/201274 Acórdão n.º 3302004.758 S3C3T2 Fl. 840 7 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A regra em análise já foi objeto de julgado pelo Superior tribunal de Justiça STJ, conforme ementa e excertos do voto a seguir transcritos: REsp 1055540 / SC RECURSO ESPECIAL 2008/00984908 Relator(a)Ministra ELIANA CALMON (1114) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 19/02/2009 Data da Publicação/Fonte DJe 27/03/2009 TRIBUTÁRIO EXECUÇÃO FISCAL CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA APRESENTAÇÃO DA GFIP OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DESCUMPRIMENTO DECADÊNCIA REGRA APLICÁVEL: ART. 173, I, DO CTN. 1. A falta de apresentação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), assim como o fornecimento de dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias devidas configura descumprimento de obrigação tributária acessória, passível de sanção pecuniária, na forma da legislação de regência. 2. Na hipótese, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário é regido pelo art. 173, I, do CTN, tendo em vista tratarse de lançamento de ofício, consoante a previsão do art. 149, incisos II, IV e VI. 3. Ausente a figura do lançamento por homologação, não há que se falar em incidência da regra do art. 150, § 4º, do CTN. 4. Recurso especial não provido. Excertos do voto Fl. 843DF CARF MF 8 Esta Corte tem firmado o entendimento de que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário pode ser estabelecido da seguinte maneira: a) em regra, seguese o disposto no art. 173, I, do CTN, ou seja, o prazo é de cinco anos, contado "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado"; b) nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo é de cinco anos, contado do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. Ausente qualquer pagamento por parte do contribuinte, e iniciado o procedimento administrativo de fiscalização, o fisco dispõe de cinco anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, para proceder ao lançamento direto substitutivo a que se refere o art. 149 do CTN, sob pena de decadência. Na hipótese dos autos, segundo se depreende do acórdão recorrido, a recorrente foi autuada por ter apresentado à Previdência Social dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias devidas, ou seja, pelo descumprimento de obrigação acessória, que tem por objeto, segundo explica o art. 113, § 2º, do CTN, as prestações, positivas ou negativas, previstas na legislação tributária, no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. A obrigação principal tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente, nos termos do art. 113, § 1º, do CTN, tendo por fato gerador, de acordo com o art. 114 do mesmo diploma legal, a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Já o fato gerador da obrigação tributária acessória, diz o art. 115 do CTN, é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Estabelecidas essas premissas, sobressai nítido o equívoco da tese defendida pela recorrente, no sentido de que não seria razoável aplicar critérios diferentes a obrigações tributárias decorrentes de um mesmo fato gerador, pois, como demonstrado, os fatos geradores da obrigação principal e da acessória não se confundem. Ademais, pelo simples fato da sua inobservância, a obrigação acessória é convertida em principal (CTN, art. 113, § 3º), sujeitandose ao lançamento de ofício, na forma do art. 149, incisos II, IV e VI, do CTN. Tratandose de lançamento de ofício, a regra a ser observada é a do art. 173, I, do CTN, como bem decidiu o Tribunal de origem. Confirase, a propósito, mutatis mutandis, os seguintes precedentes desta Corte:(grifei). Conclui a decisão de piso: In casu, aplicando a regra do art. 173, I, do CTN e considerando que a ciência do Auto de Infração se deu em 29/05/2012, não estão abrangidos pela decadência os lançamentos efetuados, os quais reportamse a eventos ocorridos nos anos de 2007 e 2008. Fl. 844DF CARF MF Processo nº 13502.720658/201274 Acórdão n.º 3302004.758 S3C3T2 Fl. 841 9 Nesses termos, verificase que o lançamento foi efetuado no decurso do prazo decadencial previsto para o lançamento de multa decorrente de descumprimento de obrigação acessória, cuja contagem atémse ao art. 173, I, do CTN . Do Pedido de diligência prescindibilidade A contribuinte requer a realização de diligência para que haja manifestação de fiscal estranho ao feito para que : (i) avalie a base utilizada pela fiscalização para fins de lançamento da multa; (ii) verifique o período a que se referem as receitas sobre as quais foi imputada multa; (iii) analise os balancetes relativos ao Io semestre de 2008, a fim de apurar a base de cálculo da multa, amparandose nas receitas ali registradas, a fim de que, em sendo a autuação mantida, seja a penalidade ao menos calculada em conformidade com a realidade dos fatos. O pedido de realização de realização de diligência deve se analisado à luz do que dispõe o 1artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, sendo importante ressalvar que o deferimento de um pedido de diligência ou perícia, pressupõe a necessidade de se conhecer determinada matéria ou colher determinada prova, que o exame dos autos não seja suficiente para dirimir a dúvida, o que não é o caso dos autos, como restará demonstrada na análise de mérito, uma vez que além de estar a base de cálculo arguída expressa na legislação, existem elementos probatórios que permitem ao julgador a cognição dos fatos que motivaram o presente feito, motivo pelo qual o pedido de diligência deve ser indeferido nos termos do citado art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. Dos princípios da proporcionalidade, razoabilidade e vedação ao confisco Em relação ao malferimento dos princípios invocados, da proporcionalidade, razoabilidade e vedação ao confisco, matéria em essência de natureza constitucional, de competência decisória exclusiva do Poder Judiciário, cabe ressaltar que o 2art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, à exceção do disposto em seu § 6º, vedou expressamente aos órgãos de julgamento, no âmbito do processo administrativo 1 “Art. 18 – A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, ‘in fine’.” 2 Decreto nº 70.235, de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6.º. O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I–que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II–que fundamente crédito tributário objeto de: a)dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; b)súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n.º 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c)pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Todo o parágrafo 6.o incluído pelo art. 25 da Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 845DF CARF MF 10 fiscal, afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Na esteira das referidas disposições legais o Regimento Interno deste E. Conselho prevê em seu 3artigo 62 que é vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, exceto nas hipóteses previstas no § 1º do mencionado dispositivo regimental. Não se enquadrando o caso em exame em nas hipóteses excepcionadas, aplicase como fundamento decisório sobre essa matéria a Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MÉRITO Multa por não entrega de arquivos digitais Verificase dos autos que a Recorrente é pessoa jurídica de direito privado que tem por objeto social a industrialização e a comercialização de produtos químicos e petroquímicos; revestindose, assim da condição de contribuinte da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e da Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS). Em seu recurso destaca que diante da impossibilidade de se utilizar da integralidade dos créditos vinculados às receitas de exportação, apurados entre o 1º e o 4º Trimestres de 2007 e no 1º e 2º Trimestres de 2008, na dedução do valor das contribuições a recolher decorrente das demais operações no mercado interno, a antiga IPIRANGA PETROQUÍMICA S/A, em estrita observância à legislação que regula a matéria, apresentou os Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento PER, seguidos das Declarações de Compensação, por meio das quais promoveu o encontro de contas entre os aludidos créditos de COFINS e PIS e débitos próprios de outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil (RFB). 3 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 846DF CARF MF Processo nº 13502.720658/201274 Acórdão n.º 3302004.758 S3C3T2 Fl. 842 11 Esclarece a fiscalização no auto de infração fls.02/18 que em razão dos pedidos de ressarcimento de créditos de PIS e COFINS nãocumulativo (período de janeiro/2007 a junho /2008) destacados, iniciou a fiscalização procedimento fiscal visando a análise dos referidos pedidos, no entanto, após várias intimações e pedidos de prorrogação de prazo o contribuinte deixou de apresentar os arquivos: “4.6 Relação Insumo/Produto” e “4.7 Controle Patrimonial” do Anexo Único do ADE COFIS Nº 15/2001, ensejando assim o lançamento da multa prevista no artigo 12 da Lei nº 8.218, de 1991: Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária.(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001)(Vide Mpv nº 303, de 2006)(grifei). Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: I – (...) II – (...) III multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. Parágrafo único. Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o anocalendário em que as operações foram realizadas. (grifei). Posto os fatos e a base normativa que rege a espécie, constatase do exame do caderno processual que é incontroverso nos autos a inexistência dos arquivos digitais, visto que desde a impugnação foi afirmado pela defesa que [A impugnante, em relação aos arquivos digitais especificados na IN SRF nº 86/2001, esclareceu à Fiscalização que perdera acesso aos sistemas eletrônicos operacionais da Ipiranga Petroquímica, pessoa jurídica incorporada. A despeito disso, informou que prosseguiria nas buscas pelos arquivos digitais], circunstância ratificada no recurso com idêntico teor. Assim trata o recurso de hipóteses alternativas oferecidas à fiscalização, que segundo o entendimento da defesa atenderiam perfeitamente aos exames pretendidos pela fiscalização, em substituição aos arquivos não encontrados. Ocorre que estando a cominação de penalidades no campo da reserva legal, ou melhor, reserva absoluta da lei, sendo exigível para a espécie, lei em sentido material e formal, significa que somente nas hipóteses expressamente delineadas no tipo legal pode ser aplicável uma penalidade, assim restando demonstrado pela natureza cogente da norma no inciso III do artigo 12 da Lei nº 8.218, de 1991 e inexistindo no texto legal hipóteses Fl. 847DF CARF MF 12 alternativas de cumprimento da obrigação acessória imposta, resta configurada a infração tipificada no referido dispositivo legal, sendo despicienda a adoção de outras medidas ou a invocação da boafé para satisfazer a pretensão normativa invocada, haja vista que dispõe o Código Tributário Nacional, que a responsabilidade por infrações da legislação tributária é objetiva. Esta é a lição que emana do seu artigo 136, nos seguintes termos: Art. 136 Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Inferese da leitura do dispositivo acima que impera no Direito Tributário o princípio da responsabilidade objetiva, segundo o qual constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe em inobservância dos preceitos legais ou normativos. Assim, os argumentos da defesa, no âmbito do Direito Tributário não têm guarida para fins de exclusão da penalidade imposta. Em breve síntese discorreu a decisão de piso: Da análise dos documentos que constam nos autos, concluise que não assiste razão à autuada, quando se acompanha os fatos que ocorreram durante a ação fiscal. Após diversas intimações da Fiscalização e concessões de dilação de prazo requeridas pela fiscalizada, esta finalmente reconhece que não possui os arquivos magnéticos solicitados, arquivos estes que deveriam estar a pronta disposição dos órgãos fiscalizadores, conforme legislação já citada.(grifei) Ora, como a própria autuada afirma que não há como apresentar os arquivos, concluise que o lançamento está correto. Os arquivos não foram apresentados, e não se tratando apenas de questão de inconsistências nos dados. Da leitura das primeiras intimações apontando falhas, restou demonstrado que as mesmas eram insanáveis. Todas intimações finalizavam com orientações para obter a correta formatação dos arquivos. Em outras palavras, a apresentação de arquivos em desacordo com o previsto na legislação é o mesmo que jamais tivesse sido atendida a intimação. Ainda assim, a autuada teve, desde o início do procedimento fiscal, prazo para providenciar a entrega dos arquivos digitais no formato determinado pelo ADE COFIS nº 15/2001. Ora, com base na legislação em vigor, registrese que a obrigatoriedade de manter em meio magnético os dados relativos aos livros contábeis e fiscais existe desde a edição da Lei nº 8.218/91, sendo que atual formato é aquele definido desde 2001, pelo Ato Declaratório Executivo COFIS nº 15/2001. Assim, uma vez intimado, o contribuinte deve ter de pronto os arquivos, cabendo observar tão somente o prazo de 20 dias para entrega dos mesmos. Ou seja, qualquer justificativa no sentido de prorrogar este prazo significa, em outras palavras, que o contribuinte não estava cumprindo a obrigação prevista na legislação quanto à forma de armazenamento das informações. Fl. 848DF CARF MF Processo nº 13502.720658/201274 Acórdão n.º 3302004.758 S3C3T2 Fl. 843 13 Quanto ao suposto erro na base de cálculo, verificase da tabela 1, fl.17 do auto de infração que a base de cálculo adotada pela fiscalização está correta, haja vista que há no parágrafo único do artigo 12 da Lei nº 8.218, de 1991, abaixo transcrito, a interpretação contextual acerca da interpretação do período compreendido, de modo que a quantificação da referida multa pela fiscalização está em consonância com o texto legal referido: [...] Parágrafo único. Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o anocalendário em que as operações foram realizadas.(grifei). Quanto ao argumento de que se cabível alguma penalidade, esta haveria que ser a prevista no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.218, de 1991 (“multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos”), jamais aquela capitulada pela fiscalização, cabem os mesmos fundamentos já aduzidos de que em observância ao princípio da estrita legalidade, a subsunção dos fatos à hipótese legal há que ser observada na cominação de uma penalidade. A matéria sub examine encontra precedente na E. CSRF, a exemplo do Acórdão nº 9101002.716, de 03/04/2017, cuja ementa e excertos do voto a seguir se transcreve: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2001 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA ISOLADA. ASPECTO OBJETIVO. Ao contrário do tributo, em que se tutela a arrecadação de recursos públicos visando financiar a atividade estatal, na multa a principal tutela é de se coibir conduta específica. No caso, o descumprimento de obrigação acessória de prestar informações corretas sobre atividades tributáveis ao Fisco tem penalidade expressa, objetiva, que não comporta análise de circunstâncias subjetivas, como boafé ou ausência de culpa. Excertos do voto: Como se pode observar, tratase de obrigação acessória a que se submete a pessoa jurídica, devendo manter à disposição do Fisco arquivos digitais e sistemas que contenham informações contábeis, econômicas e financeiras. E, havendo descumprimento, aplicase multa prevista na legislação. A multa em questão comporta apenas o aspecto objetivo, ou seja, não há que se falar em aspecto subjetivo, como ausência de culpa. Não há espaço para se apreciar as circunstâncias que levaram a Contribuinte ao descumprimento da obrigação acessória. Não há como se afastar a penalidade com base em análise subjetiva de que teria havido boafé, de que a contabilização empresarial e fiscal apesar de divergentes não Fl. 849DF CARF MF 14 trariam prejuízo ao erário, ou de que foram entregues as informações corrigidas posteriormente para a Fiscalização (ainda que com atraso).(grifei). Ante o exposto, VOTO POR REJEITAR A PREJUDICIAL DE DECADÊNCIA, AS PRELIMINARES SUSCITADAS E NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Voto Vencedor Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator Designado. A divergência em relação ao bem fundamentado voto da nobre Relatora cingese apenas ao período da base de cálculo da multa aplicada, que se encontra definida nos arts. 11 e 12, III, da Lei 8.218/1991, a seguir transcritos: Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: [...] III multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. Parágrafo único. Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o anocalendário em que as operações foram realizadas. (grifos não originais). Para a i. Relatora, o período da base cálculo da multa aplicada compreende o faturamento de todo o anocalendário em ocorreu as operações, independentemente, do período relativo aos documentos solicitados. Com a devida vênia da nobre Relatora, este Conselheiro entende que o período de aplicação da multa compreenderá o todo o anocalendário somente quando os arquivos digitais solicitados também referiremse a todo o ano anocalendário. Caso contrário, o período de aplicação restringirseá apenas aos meses do anocalendário em que os arquivos digitais solicitados não forem apresentados. E essa foi a situação que aconteceu na autuação em apreço. Com efeito, o motivo da aplicação da multa em questão foi a não apresentação dos arquivos digitais especificados nos itens “4.6 Relação Insumo/Produto” e “4.7 Controle Patrimonial” do Anexo Fl. 850DF CARF MF Processo nº 13502.720658/201274 Acórdão n.º 3302004.758 S3C3T2 Fl. 844 15 Único do ADE COFIS N° 15/2001, relativos ao período de janeiro/2007 a junho/2008, conforme relatado nos excertos da descrição dos fatos e no termo de verificação fiscal que integram o presente auto de infração, que seguem transcritos: Multa aplicada em decorrência da não apresentação dos arquivos especificados nos itens "4.6 Relação Insumo/Produto" e "4.7 Controle Patrimonial" do Anexo Único do ADE COFIS N° 15/2001, conforme previsto na Instrução Normativa SRF N°86, de 22 de outubro de 2001, que regulamentou o art. 11 da Lei n° 8.218, de 1991, de acordo com o inciso III do art. 12 da Lei n° 8.218, de 1991, conforme evidenciado no Termo de Verificação Fiscal, que é parte integrante e indissociável do presente Auto de Infração. [...] O presente procedimento fiscal decorre dos resultados alcançados no âmbito do diligência fiscal objeto do MPF n° 05.1.04.002012000083 que, iniciada em 25/01/2012, conforme ciência do Termo de Início de Diligência Fiscal, analisou os pedidos de ressarcimento de créditos da PIS nãocumulativo (período de janeiro/2007 a junho/2008) e da COFINS não cumulativa (período de janeiro/2007 a junho/2008) da empresa incorporada IPIRANGA PETROQUÍMICA S.A., CNPJ n° 88.939.236/000139. (grifos não originais) Assim, resta demonstrado que, em relação ao anocalendário 2008, a recorrente foi intimada a apresentar e não apresentou apenas os citados arquivos digitais atinentes aos meses de janeiro a junho de 2008. Em decorrência, em relação ao citado ano calendário, a sanção deve restringirse apenas ao citado período. Por todo o exposto, votase pelo provimento parcial do recurso, para, em relação ao anocalendário de 2008, reduzir a base de cálculo da multa lançada ao valor da receita bruta auferida no primeiro semestre de 2008. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 851DF CARF MF
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Numero do processo: 13116.900559/2013-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/09/2008
PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE.
A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni - Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA.
O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.908
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2008 PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE. A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni - Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
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ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE. A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 05 59 /2 01 3- 17 Fl. 43DF CARF MF Processo nº 13116.900559/201317 Acórdão n.º 3201002.908 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório UNIÃO BRASILIENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição para o PIS. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o Pedido de Restituição, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição pleiteada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório tinha por fundamento a isenção da contribuição para o PIS decorrente da adesão ao Programa Universidade para Todos ProUni, nos termos da Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009, em que se reafirmou o direito à isenção durante o período de vigência do Termo de Adesão (art. 5º da Medida Provisória nº 213/2004). Nos termos do Acórdão nº 14054.561, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de inexistir comprovação, por meio de documentação contábil e fiscal, do direito creditório pleiteado e por não ter havido a comprovação da adesão da instituição ao ProUni, nos termos do art. 8º da Lei nº 11.096/2005. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando a existência a seu favor de solução de consulta da Receita Federal assegurando o direito à isenção, o que, segundo ela, tornava "legalmente desnecessária" a exigência de comprovação de sua adesão ao programa. Argumenta, ainda, que, nos casos da espécie, é "faticamente impossível" a apresentação de documentos, por se tratar o pedido de restituição de procedimento eletrônico. Na sequência, sustenta a absoluta desnecessidade dos elementos de prova exigidos pela Delegacia de Julgamento, quais sejam, folhas de salário e contabilidade, por se tratar de questão aperfeiçoada e superada ante a homologação da base de cálculo da contribuição por parte da Fiscalização, tendo em vista que constou do despacho decisório que o valor declarado encontravase exato e perfeito. Supletivamente, pugna, caso o CARF entenda necessário, pela realização de diligência junto à repartição de origem, para que a autoridade administrativa oficie o Ministério da Educação com vistas a elucidar os termos no quais se manteve a sua adesão ao ProUni no período sob comento. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator Fl. 44DF CARF MF Processo nº 13116.900559/201317 Acórdão n.º 3201002.908 S3C2T1 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.885, de 28/06/2017, proferido no julgamento do processo nº 13116.900001/201412, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.885): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O dispositivo legal que trata da isenção de impostos e contribuições às instituições de ensino que aderirem ao Prouni é o art. 8º da Lei nº 11.096/2005, reproduzido no que se aplica ao caso (grifei): Art. 8o A instituição que aderir ao ProUni ficará isenta dos seguintes impostos e contribuições no período de vigência do termo de adesão: (Vide Lei nº 11.128, de 2005) (...) III Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social, instituída pela Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991; e IV Contribuição para o Programa de Integração Social, instituída pela Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970. § 1° A isenção de que trata o caput deste artigo recairá sobre o lucro nas hipóteses dos incisos I e II do caput deste artigo, e sobre a receita auferida, nas hipóteses dos incisos III e IV do caput deste artigo, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2° A Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda disciplinará o disposto neste artigo no prazo de 30 (trinta) dias. § 3° A isenção de que trata este artigo será calculada na proporção da ocupação efetiva das bolsas devidas. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). A Lei foi regulamentada pelo Decreto nº 5.493, de 18/07/2005, com os dispositivos que se aplicam ao caso transcritos (grifei): Art. 1o O Programa Universidade para Todos PROUNI, de que trata a Lei no 11.096, de 13 de janeiro de 2005, destinase à concessão de bolsas de estudo integrais e bolsas de estudo parciais de cinqüenta por cento ou de vinte e cinco por cento, para estudantes de cursos de graduação ou seqüenciais de formação específica, em instituições privadas de ensino superior, com ou sem fins lucrativos, que tenham aderido ao PROUNI nos termos da legislação aplicável e do disposto neste Decreto. Parágrafo único. O termo de adesão não poderá abranger, para fins de gozo de benefícios fiscais, cursos que exijam formação prévia em nível superior como requisito para a matrícula. Art. 2o O PROUNI será implementado por intermédio da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação. Fl. 45DF CARF MF Processo nº 13116.900559/201317 Acórdão n.º 3201002.908 S3C2T1 Fl. 5 4 § 1o A instituição de ensino superior interessada em aderir ao PROUNI firmará, em ato de sua mantenedora, termo de adesão junto ao Ministério da Educação. (...) Art. 12. Havendo indícios de descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão, será instaurado procedimento administrativo para aferir a responsabilidade da instituição de ensino superior envolvida, aplicandose, se for o caso, as penalidades previstas. (...) A Secretaria da Receita Federal em cumprimento ao disposto no § 2º do art. 8º acima, editou a Instrução Normativa SRF nº 456/2004, posteriormente revogada pela IN RFB nº 1.394/2013, que dispunha, no que se aplica ao caso (grifei): Art. 1º A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (ProUni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, das seguintes contribuições e imposto: I Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); II Contribuição para o PIS/Pasep; (...) § 1º A isenção de que trata o caput recairá sobre o lucro na hipótese dos incisos III e IV, e sobre o valor da receita auferida na hipótese dos incisos I e II, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2º Para fins do disposto nos incisos III e IV do caput a instituição de ensino deverá apurar o lucro da exploração referente às atividades sobre as quais recaia a isenção, observado o disposto no art. 2º e na legislação do imposto de renda. (...) Art. 3º Para usufruir da isenção, a instituição de ensino deverá demonstrar em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, custos, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção segregados das demais atividades. (...) O termo de adesão foi previsto no art. 5º da Lei nº 11.096/2005, in verbis (grifei): Art. 5o A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, poderá aderir ao Prouni mediante assinatura de termo de adesão, cumprindolhe (...) § 1o O termo de adesão terá prazo de vigência de 10 (dez) anos, contado da data de sua assinatura, renovável por iguais períodos e observado o disposto nesta Lei. Fl. 46DF CARF MF Processo nº 13116.900559/201317 Acórdão n.º 3201002.908 S3C2T1 Fl. 6 5 (...) Art. 7o As obrigações a serem cumpridas pela instituição de ensino superior serão previstas no termo de adesão ao Prouni, no qual deverão constar as seguintes cláusulas necessárias: (...) Art. 9o O descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão sujeita a instituição às seguintes penalidades: (...) Art. 16. O processo de deferimento do termo de adesão pelo Ministério da Educação, nos termos do art. 5o desta Lei, será instruído com a estimativa da renúncia fiscal, no exercício de deferimento e nos 2 (dois) subseqüentes, a serusufruída pela respectiva instituição, na forma do art. 9o desta Lei, bem como o demonstrativo da compensação da referida renúncia, do crescimento da arrecadação de impostos e contribuições federais no mesmo segmento econômico ou da prévia redução de despesas de caráter continuado A recorrente alega a desnecessidade de apresentação de qualquer documento que comprove sua regular adesão ao Prouni sob o fundamento de que o documento é totalmente eletrônico e a própria Lei nº 11.096/2005 em seu art. 11, § 1º, remete a competência para tais verificações e exigências ao Ministério da Educação. Não é o que se extrai da leitura dos dispositivos acima. O termo de adesão é documento a ser firmado no qual se inserem requisitos de participação no referido Programa. Os diversos dispositivos transcritos (Lei, Decreto e Instrução Normativa) apontam para vários elementos a serem inseridos no Termo que permitiram não somente a adesão da instituição de ensino, mas o controle de sua permanência, enquanto regular e vigente, a aplicação de penalidade, e, principalmente ao que interessa ao presente litígio, a isenção de contribuições. Dessa forma, a exibição do documento "Termo de Adesão" é essencial ao gozo do benefício fiscal de isenção das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins Ao contrário do que alega a recorrente, o termo de Adesão, ainda que eletrônico, prevê o ato de sua assinatura, para que se dê a devida validade e autenticidade. Realmente é emitido no âmbito do Ministério da Educação, o que demonstra não estar nos sistemas internos (informatizados) da Secretaria da Receita Federal; e, se de fato materializado apenas em formato eletrônico em razão de sua essencialidade, é de se presumir a possibilidade de sua impressão, típica das emitidas por órgãos públicos, com chave de segurança para confirmação da autenticidade. Ademais, documento oficial, que confere benefícios tributários de outra ordem, e firmado entre partes Ministério da Educação e instituição de ensino privada há de ser mantido pela parte interessada para o gozo dos benefícios previstos no Termo. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13116.900559/201317 Acórdão n.º 3201002.908 S3C2T1 Fl. 7 6 Nada obstante, o que a recorrente argumenta para a não apresentação do Termo de adesão ao Prouni outros recorrentes em situação idêntica não se escusaram do cumprimento de singelo mister. Vejase exemplo de julgado proferidos neste Conselho em que se demonstrou a possibilidade fática de apresentar e comprovar a adesão e mantença no Programa (grifei): Autoridade Julgadora de 1ª Instância bem observou ainda que o contribuinte em questão comprovou nos autos (fls. 3.325) a adesão ao Programa Universidade para Todos, trecho que merece ser reproduzido por ser de extrema valia: "60. Para comprovar a adesão ao PROUNI o contribuinte anexou aos autos cópia do correio eletrônico do MEC (fls. 3.118) e cópia do Termo de Adesão (fls. 3.119 a 3.273). (Acórdão nº 3402001.704, processo nº 19515.000260/200879, relatoria do cons. João Carlos Cassuli Junior, sessão de 22/03/2012) Não se pode concluir de outra forma, senão a que a recorrente não se dignou a comprovar a existência e aposição de assinatura no Termo de Adesão e a regular fruição do Programa que aderiu. Tenho que este fundamento é suficiente para negar provimento ao recurso voluntário; contudo, há de se tecer ainda argumentos pertinentes ao ônus probatório a cargo a de quem pleiteia direito seu. Antes, porém, analisase as demais teses suscitadas no recurso voluntário que visam seu provimento Sustenta ainda a desnecessidade de apresentação das folhas de salário e respectivamente contabilidade pois entende que no despacho decisório há o reconhecimento expresso de que a base de cálculo encontrase "exata e perfeita", além de "devidamente homologada". Quanto à exigência de apresentação de documentos fiscais e contábeis, assentou o voto condutor do acórdão recorrido que deveria também ter juntado a folha de salários, a fim de demonstrar a base de cálculo do PIS, e os livros fiscais que demonstrassem os lançamentos relativos a ela. Ora, em que pese a ressaltava da DRJ, com a qual concordo, que a isenção do PIS prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 não alcança a parcela que incide sobre a folha de salários, a Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009 proferiu entendimento cuja interpretação errônea da contribuinte adiante será enfrentado lhe é favorável quanto à isenção do PISfolha de salários. Ad argumentandum tantum, justamente firmada no entendimento favorável que extraiu do ato expedido pela autoridade, a recorrente pleiteia a restituição do PISfolha de salários, código de receita "8301". Se há o entendimento de que faz jus à esta isenção deveras tem o ônus de fazer prova documental de seu pretenso direito, qual seja, a apresentação dos documentos e livros atinentes à rubrica "salários" para que se comprove qual sua dimensão (quantificação) na base de cálculo. Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13116.900559/201317 Acórdão n.º 3201002.908 S3C2T1 Fl. 8 7 Por fim, assevera que a controvérsia quanto ao direito à isenção está superado pela conclusão da indigitada Solução de Consulta, que entende terlhe assegurado a isenção do PIS sobre folha de salários. Mais uma vez, sem razão a contribuinte. A Solução de Consulta expressamente consignou que a isenção alcança a Contribuição para o PIS, nada dispondo acerca do PIS folha de salários. Digase que na elaboração da peça a consulente, ora recorrente, apenas informou ter realizada a adesão ao Prouni, sem qualquer comprovação naquele autos de consulta, e apresenta seu entendimento de que a isenção alcançaria o PIS folha de salários, para ao final requerer a manifestação do Órgão quanto ao seu entendimento. Eis a cartaconsulta: Entendo que ao fundamentar a solução da consulta, a autoridade que a proferiu fez constar em seus fundamentos a legislação que trata da incidência do PIS sobre a folha de salários, à alíquota de 1%, deixando assente a tributação sobre esta rubrica, com a transcrição do art. 13 e incisos III e IV, da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Colacionou os dispositivos que tratam da isenção do PIS sobre a receita auferida pela instituição de educação que aderir e assim se mantém no Prouni. Transcreveu os arts. 8º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º da Lei nº 11.096/2005; arts. 1º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º, e 3º caput e parágrafo único da IN SRF nº 456/2004, para em seguida enunciar no mesmo tópico "fundamentos" que: " 5. Ante os dispositivos acima expostos, verificase que a instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória n° 213, de 2004, Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13116.900559/201317 Acórdão n.º 3201002.908 S3C2T1 Fl. 9 8 ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS." Conclui a solução da consulta com o enunciado: Conclusão 6. Em face do exposto, concluise que a instituição privada de ensino superior com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao programa Universidade para Todos (prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Completase os fatos com a apresentação da ementa da Solução de Consulta SRRF/1ªRF/Disit nº 86, de 2 de junho de 2009: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: PIS. PROUNI. INCIDÊNCIA. A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5o da Medida Provisória nº 213. de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Dispositivos Legais: art.13 da Medida Provisória n° 2.15835/2001; art.8° da Lei n° 11.096/2005; arts. 1º e 3o da Instrução Normativa nü 456/2004. Não vislumbro imprecisão no Ato que poderia dar a interpretação de que toda e qualquer incidência do PIS a que se sujeitam as entidades aderentes ao Prouni estaria isenta. A uma, os dispositivos legais da ementa da solução de consulta informam a legislação aplicada, primeiro, a que dispõe acerca do Pis folha de salários tributado à alíquota de 1% e após, a que trata do PIS alcançado pela isenção; a duas, porque nos fundamentos, a autoridade trouxe a legislação que faz distinção entre PISfolha de salário tributada à alíquota de 1%, e o PIS sobre receitas isentos nos termos e requisitos das legislação; a três, a omissão do termo "PIS sobre folha de salários" não tem o condão de fazêlo incluir na isenção pelo motivo a seguir; a quatro, nos termos do art. 111 caput e inciso II do CTN, "interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção"; a cinco, não caberia a autoridade fiscal ou administrativa contrariar preceito legal. Por fim, sacramentando o entendimento do não alcance da isenção ao PIS sobre folha de salários, o Órgão Central da Secretaria da Receita Federal editou a Solução de Divergência Cosit nº 1, de 2015, publicada no D.O.U de 24/12/2015, com a ementa: SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 1, DE 10 DE FEVEREIRO DE 2015. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR. PROUNI. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE A FOLHA Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13116.900559/201317 Acórdão n.º 3201002.908 S3C2T1 Fl. 10 9 DE SALÁRIOS. A isenção de que trata o art. 8º da Lei nº 11.096, de 2005, não se aplica à Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de pagamentos da pessoa jurídica que adere ao Prouni. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 9.532, de 1997, art. 12; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 9º e 46; Lei nº 11.096, de 2005, art. 8º; DecretoLei nº 5.172 (CTN), de 1966, art. 111,II; Instrução Normativa RFB nº 1.394, de 2013 e Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 2001. O último argumento da recorrente referese à eventual realização de diligência, oficiandose ao Ministério da Educação acerca da sua manutenção no Prouni, acaso não seja superada os fundamentos ante aduzidos que entende suficiente ao direito à restituição pleiteada decorrente do pagamento indevido da Contribuição. Primeiramente, desnecessária a providência pois como assentado neste voto os fundamentos antecedentes são suficientes para negar provimento ao recurso. Não há dúvidas intransponíveis nos autos que necessitam de serem completadas para decidir o litígio. Nos processos, como o presente, que tratam de solicitação de restituição e compensação, a comprovação do direito aos créditos incumbe ao postulante. É seu dever carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, em especial quando necessário à fruição de benefício tributário de isenção. Caso essa comprovação houvesse sido feita, e ainda restasse dúvida ao julgador quanto a permanência regular e temporal no Programa, cabível seria a diligência. Assim, incabível a solicitação de diligência dirigida ao Ministério da Educação para apresentação do Termo de Adesão, documento primário e essencial ao compromisso assumido e firmado pela instituição educacional que requer o gozo dos benefícios do Prouni e que não se dignou a apresentar aos autos. Até esse ponto, restou assente que a recorrente não apresentou o Termo de Adesão ao Prouni, folhas de salário e escrituração contábil; e não permaneceu silente quanto às exigências. Em todas as peças recursais impugnação e recurso voluntário sustentou a desnecessidade desse dever, pois entendeu que o despacho decisório e a solução de consulta reconheceram expressamente seu direito à isenção do PIS relativo ao Programa, sem colacionar qualquer documento seu aos autos. A ausência de elementos probantes viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 373, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Lei nº 13.105/2015 CPC Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13116.900559/201317 Acórdão n.º 3201002.908 S3C2T1 Fl. 11 10 "Art. 373. 0 ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. As Declarações (DCTF, DCOMP e DACON, PER/DCOMP), os documentos fiscais e contábeis e aqueles pertinentes a benefícios tributários, celebrados com órgãos públicos, são produzidos e celebrados pelo próprio contribuinte ou com sua participação, de sorte que, havendo inconsistências ou omissões, impõe a obrigação da recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, sustentada em documentos, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional/CTN). Conclusão Por todo o exposto a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o alegado direito líquido e certo, decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido de PIS. Assim, não encontro razão para modificar a decisão a quo e VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO e NÃO RECONHECER O DIREITO CREDITÓRIO. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 52DF CARF MF
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Numero do processo: 10715.003248/2010-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/03/2007 a 30/03/2007
REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA
EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, E, DO DECRETO-LEI 37/1966 (IN
SRF 28/1994, 510/2005 E 1.096/2010). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE.
RETROATIVIDADE BENIGNA.
Em se tratando de descumprimento do prazo de registro dos dados de embarque na exportação estabelecido pelo art. 37 da IN SRF 28/1994, a multa instituída pelo artigo 107, IV, e do DL 37/1966, deve ser mitigada diante do novo prazo imposto pela IN SRF 1.096/2010, em decorrência da retroatividade benigna.
Numero da decisão: 3302-004.710
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Walker Araújo
Nome do relator: LENISA RODRIGUES PRADO
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MULTA DO ART. 107, IV, E, DO DECRETO-LEI 37/1966 (IN SRF 28/1994, 510/2005 E 1.096/2010). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em se tratando de descumprimento do prazo de registro dos dados de embarque na exportação estabelecido pelo art. 37 da IN SRF 28/1994, a multa instituída pelo artigo 107, IV, e do DL 37/1966, deve ser mitigada diante do novo prazo imposto pela IN SRF 1.096/2010, em decorrência da retroatividade benigna. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Walker Araújo. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinatura digital) Lenisa Prado - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Prado. A C Ó R D Ã O G E R A D O N O P G D -C A R F PR O C E SS O 1 07 15 .0 03 24 8/ 20 10 -1 8 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária agosto de 2017 agosto de 2017 Obrigações Acessórias Obrigações Acessórias AMERICAN AIRLINES INC AMERICAN AIRLINES INC FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL AA Fl. 357DF CARF MF 2 Relatório A questão tem início na lavratura de auto de infração contra a contribuinte American Airlines Inc. consolidando a exigência da multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decreto-lei 37/1966, com a redação conferida pelo artigo 77 da Lei n. 10.833/2003, regulamentado pelas Instruções Normativas SRF 28, de 1994, e 510, de 2005. De acordo com a descrição dos fatos apresentados pela autoridade fiscal, constatou-se que a contribuinte deixou de registrar as informações de embarque de Declarações de Exportação, na forma e prazo estabelecidos pelo artigo 37 da IN SRF 28/1994. Por esse motivo, foi imposta multa em desfavor da ora recorrente, no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por embarque desacompanhado do respectivo registro no SISCOMEX. Regularmente cientificada sobre a imposição da sanção pecuniária, a contribuinte apresentou impugnação, oportunidade na qual discorreu sobre os seguintes argumentos: a) em razão de erro operacional de seu estabelecimento no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, as informações concernentes ao embarque das mercadorias foram fornecidos ao SISCOMEX com atraso que excedeu entre 1 a 8 dias do prazo previsto na legislação de regência; b) ao contrário do que afirma a autoridade fiscal, para a imposição de multa não basta a mera inobservância da legislação aduaneira; é necessária a demonstração da intenção dolosa do contribuinte em fraudar o controle aduaneiro, bem como a comprovação de dano ao Erário, o que não restou configurado na hipótese dos autos; c) a aplicação da pena é desarrazoada e desproporcional, devendo ser aplicado o que dispõe o artigo 654 do Regulamento Aduaneiro vigente há época dos fatos (Decreto n. 4.543/2002), a qual prevê a relevação da multa quando a infração não tenha resultado em falta ou insuficiência de recolhimento de tributos; d) o Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento que se aplica às infrações de uma mesma espécie, apuradas numa mesma ação fiscal, a teoria da continuidade delitiva, de modo que, ainda que se entendesse pela configuração da infração, esta somente poderia ensejar a imputação de uma multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por todas as infrações apuradas pela fiscalização. A impugnação foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamentos de Florianópolis (SC), em acórdão que resultou na seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 REGISTRO NO SISCOMEX DOS DADOS DE EMBARQUE. PRAZO. Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10715.003248/2010-18 Acórdão n.º 3302-004.710 S3-C3T2 Fl. 357 3 O registro dos dados de embarque no Siscomex em prazo superior a 7 dias, contados da data do efetivo embarque, para a via de transporte aérea, caracteriza a infração ontida a línea e", inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei n° 37/66. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI TRIBUTÁRIA. Aplica-se a lei tributária, em matéria de penalidades, a ato ou fato pretérito não definitivamente julgado quando for mais benéfica ao sujeito passivo. INFRAÇÃO CONTINUADA. EMBARQUES DIFERENTES. MERA REITERAÇÃO DA CONDUTA INFRACIONAL. É incabível falar em infração continuada quando os atos caracterizadores da infração não resultam do aproveitamento das condições objetivas que balizaram a prática das infrações anteriores. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. Tendo em vista a presunção de constitucionalidade das normas legais que foram legitimamente inseridas no ordenamento jurídico, cabe à autoridade administrativa tão somente verificar se os fatos subsumemse na norma de regência e aplicar a penalidade em face da existência de expressa determinação legal, dado que o lançamento não é atividade discricionária, mas, bem ao contrário, vinculado e obrigatória. Impugnação rocedente em Parte Crédito Tributário Mantido Parte Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, o que ensejou a subida dos autos a este Conselho. Em 27 de janeiro de 2015, a 1ª Turma Especial desta 3ª Seção de julgamentos, ao apreciar os argumentos defendidos pelo contribuinte, deu provimento ao recurso voluntário, em decisão que foi assim sumariada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração:01/11/2006 a 30/11/2006 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE Fl. 359DF CARF MF 4 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido. Com supedâneo no artigo 67, do Anexo II do RICARF, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial contra a decisão proferida no apelo do contribuinte. Ultrapassado o juízo inicial de admissibilidade, o recurso foi levado a julgamento pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, tendo sido parcialmente provido. Segue ementa do acórdão: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/11/2006 a 30/11/2006 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-lei 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei n. 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Naquela assentada, restou determinado que o processo deveria retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas em recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação na oportunidade de seu julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Lenisa Prado Na oportunidade do primeiro julgamento do recurso voluntário, foram apreciados os seguintes argumentos: Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10715.003248/2010-18 Acórdão n.º 3302-004.710 S3-C3T2 Fl. 358 5 (i) Sobre a denúncia espontânea- a turma de julgamento concluiu que a multa imposta deve ser cancelada, em estrita obediência ao artigo 138 do CTN, uma vez que a contribuinte informou à administração tributária as infrações por ela praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. (ii) Sobre a nulidade do auto de infração- tal argumento não foi reconhecido por aquele Colegiado, já que "a fiscalização apresentou planilha contendo o número das declarações, a data do embarque e a data em que foi enviada a declaração e a que vôo pretendia" o que não resulta na nulidade argüida pelo contribuinte. (iii) Sobre a ausência de dano ao Erário- foi afastada a argumentação sobre inexistência de dano aos cofres públicos porque prevaleceu o entendimento que houve embaraço à fiscalização, já que: "as declarações a que as empresas de transporte são obrigadas a apresentar são obrigações acessórias com finalidade exclusiva de auxiliar a fiscalização das importações e exportações, possibilitando a ciência do que cada empresa que utiliza a transportadora tem transportado, para onde vai e se foi recolhido o tributo a que esta operação está sujeita". (iv) Sobre a multa singular e o Princípio da Proporcionalidade e Razoabilidade - o colegiado não constatou equívocos na decisão proferida na impugnação, já que a multa foi imposta sobre cada informação prestadas em atraso em relação cada vôo (proporcional ao número de viagens). Concluiu-se, portanto, que foram respeitados os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Integram o recurso voluntário as seguintes alegações: 1. PRELIMINARES. SOBRE A NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA: * O auto de infração não fornece qualquer elemento que comprove que a contribuinte tenha deixado de prestar informações no prazo de 2 dias; * Não foram indicadas no auto de infração os números das Declarações de Exportação relacionando-os com os respectivos conhecimentos aéreos (AWBs); * Indica a existência de várias decisões administrativas proferidas pelos órgãos julgadores da Receita Federal que declararam nulas as autuações idênticas à que se submete a julgamento. 2. MÉRITO. DA RETROATIO IN MELIUS 1 . * Após a lavratura do auto de infração foi publicada a Instrução Normativa RFB n. 1.096, de 13/13/2010, que ampliou o prazo para registro dos dados pertinentes no SISCOMEX para 7 dias2. Afirma que o art. 106 do CTN permite que a dilação do prazo pela publicação da recente norma deve gerar benefícios a seu favor, já que não é mais considerada infração o não fornecimento de informações no prazo de 2 dias. 1 Transcrição ipsis literis da petição de recurso voluntário. 2 O prazo anterior era de 2 dias, conforme determinava a IN RFB 28, de 27/04/1997. Fl. 361DF CARF MF 6 Considerando que não poderão ser objeto de deliberação por este Colegiado as matérias abordadas no recurso voluntário e que já foram objeto de deliberação, nos resta apreciar, unicamente, o argumento sobre o fato superveniente, que é a publicação da IN RFB n. 1.096/2010 e se seus efeitos retroagem à data dos fatos descritos no auto de infração. E, sobre esse tópico, filio-me à vasta jurisprudência deste Conselho, que reconhece que os efeitos benignos da IN RFB n. 1.096/2010 devem surtir efeitos em hipóteses análogas à dos autos. Isso porque estamos diante de uma sanção (ainda que na seara tributária) e a melhor interpretação sobre o texto contido no inciso XL do artigo 5º da Constituição Federal 1988 impõe o reconhecimento que a lei penal deverá retroagir, sempre que for para beneficiar o réu (no caso, o contribuinte apenado pela multa). A propósito, e ilustrativamente, segue a ementa de julgado deste Conselho3, o qual adoto como fundamento: TERCEIRA SECÃO DE JULGAMENTO / 2ª CAMARA / 2ª TURMA ORDINARIA / ACÓRDÃO 3202-000.486 em 25/04/2012 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA. Data do fato gerador: 04/07/2006, 06/07/2006, 10/07/2006, 11/07/2006, 13/07/2006, 15/07/2006, 23/07/2006 e 29/07/2006 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, 'E' DO DL 37/1966 (INs SRF 28/1994, 510/2005 E 1.096/2010). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em se tratando do descumprimento do prazo de registro dos dados de embarque na exportação estabelecido pelo art. 37 da IN SRF no 28/1994, a multa instituída no art. 107, IV, 'e' do Decreto-lei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, somente começou a ser passível de aplicação a partir de fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo de dois dias para o registro desses dados no Siscomex. Uma vez que a IN SRF no 1.096/2010 fixou o prazo de sete dias para o registro dos dados no Siscomex, deve ser aplicada, com fulcro no princípio da retroatividade benigna, a norma mais benéfica ao contribuinte. CONTAGEM DE PRAZO. DIA ÚTIL. A contagem dos prazos estipulados na legislação tributária deve seguir os ditames do artigo 210 do Código Tributário Nacional. Os prazos iniciam e terminam apenas em dias úteis. SISCOMEX. INDISPONIBILIDADE. PROVA. A parte que alega a indisponibilidade do sistema SISCOMEX deve apresentar prova irrefutável sobre tal situação. A mera 3 Acórdão n. 3202-000.486, proferido no julgamento do Processo Administrativo n. 10715.001370/2010-41, em 25/04/2012. Fl. 362DF CARF MF Processo nº 10715.003248/2010-18 Acórdão n.º 3302-004.710 S3-C3T2 Fl. 359 7 alegação, sem comprovação do alegado, não é capaz de influir no entendimento do julgador. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA N. 02 DO CARF. De acordo com a Súmula n. 02 do CARF, o órgão não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Recurso voluntário conhecido em parte. Na parte conhecida, preliminar de nulidade do auto de infração não acolhida e, no mérito, recurso voluntário provido em parte. (grifos adicionados) Assim, entendo que o recurso voluntário deve ser provido para que as multas impostas em decorrência das informações prestadas dentro do prazo de 7 dias (IN SRF n. 1.096/2010) sejam canceladas. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinatura digital) Relatora Lenisa Prado - Relatora Fl. 363DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11040.720083/2007-81
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL
A partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão, o ADA foi protocolizado após o início da ação fiscal. Destarte, não é possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR.
Numero da decisão: 9202-005.690
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado em substituição à conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira), Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado em substituição à conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira), Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
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ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL A partir do exercício de 2001, tornouse requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão, o ADA foi protocolizado após o início da ação fiscal. Destarte, não é possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 72 00 83 /2 00 7- 81 Fl. 161DF CARF MF Processo nº 11040.720083/200781 Acórdão n.º 9202005.690 CSRFT2 Fl. 162 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado em substituição à conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira), Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2202001.860, prolatado pela 2a Turma Ordinária da 2a. Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 20 de junho de 2012 (efls. 98 a 114). Ali, pelo voto de qualidade, negouse provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) POR LEI. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR). Recurso negado. Decisão: pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos os Conselheiros Odmir Fernandes (Relator), Rafael Pandolfo e Pedro Anan Junior, que proviam parcialmente o recurso para restabelecer a Área de Preservação Permanente equivalente a 371,2 ha, com base no laudo apresentado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Nelson Mallmann. Enviados os autos à contribuinte para fins de ciência, ocorrida em 07/08/2012 (efl. 120), esta apresentou, em 21/08/2012 (efl. 122), Recurso Especial (efls. 122 a 138 e anexos), com fulcro nos arts. 67 e 68 do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22.06.2009. O recurso contém alegações de existência de divergência interpretativa quanto à apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA), tendo sido admitido consoante exame de admissibilidade de efls. 145/146. Após demonstrar o atendimento ao requisito do préquestionamento, alega se, no pleito, divergência em relação ao decidido pela 3a. Turma desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, através do Acórdão 0305.499, prolatado em 12 de novembro de 2007, e, ainda, em relação ao decidido pela 3a. Câmara do então 3o. Conselho de Contribuintes, através Fl. 162DF CARF MF Processo nº 11040.720083/200781 Acórdão n.º 9202005.690 CSRFT2 Fl. 163 3 do Acórdão 30335.352, prolatado em 20 de maio de 2008, de ementas e decisões a seguir transcritas: Acórdão CSRF 0305.499 ITR — 2000. Prevalece a inteligência do parágrafo sétimo do artigo 10 da Lei 9.393/96 introduzido pela Medida Provisória 2.16667 de 24/08/01 em detrimento do disposto na Lei 10.165/2000 que traz a presunção legal em favor do contribuinte, de modo que vale o por ele declarado, em termos de áreas de preservação permanente e de reserva legal, até que o fisco demonstre, por meio de provas hábeis, a falsidade de sua declaração. A ausência do ADA não tem o condão de fazer incidir o ITR sobre as áreas de reserva legal e de preservação permanente declarada pelo contribuinte, ainda mais, quando devidamente comprovadas por ele. Neste mesmo sentido, a ausência de averbação não tem o condão de fazer incidir o 1TR sobre a área de reserva legal. Recurso a que se nega provimento. Decisão: por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Acórdão 30335.352 Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2000 ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. COMPROVAÇÃO. A comprovação das áreas de preservação permanente e de reserva legal, para efeito de sua exclusão na base de cálculo de ITR, não depende, exclusivamente, da apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA), no prazo estabelecido. Com efeito, a teor do artigo 10º, parágrafo 7º, da Lei N. 9.393/96, modificado pela Medida Provisória 2.16667/2001, basta a simples declaração do contribuinte quanto à existência de área de preservação permanente e de reserva legal, para fins de isenção do ITR, respondendo o mesmo pelo pagamento do imposto e consectários legais em caso de falsidade. ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA TRIBUTAÇÃO. O reconhecimento de isenção quanto ao ITR independe de averbação da área de reserva legal no Registro de Imóveis, quando o Contribuinte a comprove por outros meios idôneos. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DE LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 11040.720083/200781 Acórdão n.º 9202005.690 CSRFT2 Fl. 164 4 Não cabe às autoridades administrativas analisar a inconstitucionalidade ou ilegalidade de legislação infraconstitucional, matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário, conforme disposto no art. 102, inciso I, alínea “a”, da Constituição Federal. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Decisão: por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade de lançamento. Por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário quanto à área de reserva legal, vencidos os Conselheiros Tarásio Campelo Borges, Luis Marcelo Guerra de Castro e Celso Lopes Pereira Neto que negaram provimento. Por unanimidade de votos dar provimento quanto à área de preservação permanente. Quanto à matéria em litígio, apresentação tempestiva do ADA para fins de exclusão de área de preservação permanente da base de cálculo do ITR, se alega: a) Que a exclusão área de preservação permanente em litígio da base de cálculo do ITR não corresponde a nenhuma finalidade extrafiscal de política socialeconômica e, sim, apenas a uma questão ambiental objetivando a proteção do ecossistema, haja vista ser a mesma inexplorável e sob a tutela do estado; b) Ademais, conforme dispõe o parágrafo 7o., artigo 10, da Lei no. 9.393, de 19 de dezembro de 1996, alterada pela Medida Provisória n. 2.16667, de 24 de agosto de 2001, essa área não está sujeita a prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos na legislação fiscal, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira. Não sendo esta, todavia, a situação do imóvel em questão, pois é verdadeira e cabalmente comprovada a existência da mesma no imóvel, situação ratificada, para não pairar dúvida, com a anexação de laudo técnico de utilização e avaliação do imóvel emitido de acordo com as normas da ABNT e com base no mapa descritivo, assinado por profissional habilitado com a devida ART, por ocasião da impugnação. Desta forma, pretender tributar área desta natureza por falta de ato que objetiva comprovar a existência da mesma, suprido pelas peças anexadas na presente, seria uma injustiça fruto de uma interpretação errônea, atécnica e contrária ao sistema, levada a efeito pelo agente fiscal, que desconhece o sentido teleológico das leis e realiza uma exegese empírica calcada em presunções e ficções incoerentes com ordenamento jurídico e os princípios que o alicerçam; c) Ratifica que não está em discussão neste processo a existência efetiva da área de preservação permanente, sobejamente comprovada pela litigante, inclusive com novo laudo, e, sim, o cumprimento tempestivo de obrigação prevista na legislação para que a mesma seja excluída da tributação pertinente, conforme entendimento do fisco; d) Alega a necessidade de observância ao princípio da verdade material. Entende que o ato de "zerar" uma informação dada pelo contribuinte só pode ocorrer se, comprovadamente, a mesma for inverídica, fraudulenta, omissa ou incompleta, conforme estabelece o Código Tributário Nacional CTN. Mesmo assim, a comprovação não pode ser imputada como ônus do contribuinte, sob a alegação da falta de apresentação de documento Fl. 164DF CARF MF Processo nº 11040.720083/200781 Acórdão n.º 9202005.690 CSRFT2 Fl. 165 5 por parte do proprietário. A função do fisco é fiscalizar a materialidade do fato declarado, isto é, para inutilizar ou desconsiderar uma informação do contribuinte deve, por obrigação funcional, comprovar a inverdade dela ou sua inexistência; e) Ora, a Lei n° 6.938, de 1981, com alteração da Lei n° 10.165, de 2000, exige a prévia comprovação pelo ADA, mas a Lei n° 9.393, de 1996, com a redação da MP 216667, de 2001, não faz a prévia exigência. Deixa a critério do contribuinte a comprovação, da reserva legal, preservação permanente e servidão florestal ou ambiental, se questionado pela fiscalização. Há assim aparente conflito ou antinomia de normas no tempo, supletiva, especial e geral, que devem ser resolvidas e compatibilizadas pelo interprete e aplicador da lei. A Lei n° 6.938, de 1981 é norma supletiva ou geral em relação ao ITR e a sua alteração pela Lei n° 10.165, de 2000. Por ser lei supletiva e geral não pode derrogar ou revogar a disposição normativa especifica da lei especial do ITR, sob pena de afronta à regra de aplicação e interpretação prevista na Lei de Introdução ao Código Civil; f) Cita julgados não vinculantes a este CARF, oriundos do STJ, para defender que a instância maior do judiciário reconheceu que o § 7o., do art. 10, da Lei n°. 9.393, de 1996, inserido pela MP n° 2.16667, de 2001, que dispôs sobre a exclusão do ITR incidente sobre as áreas de preservação permanente e de reserva legal, previu a dispensa de prévia apresentação pelo contribuinte do ADA expedido pelo IBAMA, para fins de isenção do referido imposto, posição, aliás, reiterada pelo art. no. 48 da Lei no. 11.428, de 2006; g) Defende a natureza declaratória do ADA, pois entende que este é uma obrigação estabelecida com a finalidade de levar ao conhecimento do órgão de fiscalização ambiental as informações relativas às áreas do imóvel sujeitas a preservação, que poderá verificar sua exatidão e confirmálas ou não. Havendo divergência entre as informações prestadas e as constatadas pelo órgão ambiental, este fará a competente comunicação à Receita Federal do Brasil que, por sua vez, fará o lançamento suplementar do imposto, que tenha sido reduzido pela exclusão indevida das áreas não enquadradas nas definições da legislação, ou que não tenham sido efetivamente conservadas; h) Ressalta que, no processo em análise, a recorrente ao atender a intimação fiscal apresentou laudo técnico contemporâneo ao fato gerador, emitido de acordo com os requisitos exigidos, cópia do ADA protocolizado junto ao IBAMA em 05/10/2007 e mapa com memorial descritivo do imóvel rural, comprovando a existência da área de preservação permanente de 371,2 ha; i) Entende que, na hipótese dos autos, a razão dada pelo fisco para glosar a área declarada pela interessada como de preservação permanente, não é suficiente para descaracterizála, considerandose que as provas apresentadas não deixam dúvidas da existência da mesma no imóvel rural. A apresentação do ADA, mesmo a destempo, para futura fiscalização pelo IBAMA e de laudo técnico são prérequisitos suficientes para que as áreas de interesse ambiental sejam consideradas isentas do ITR, colacionando jurisprudência administrativa do Conselho de Contribuintes que respaldaria este entendimento. Ressalta que no lançamento não foi feita prova de que por ocasião do fato gerador do imposto não existia a área mantida e preservada, tornandose um exagero a interpretação do fisco das normas legais pertinentes; j) Registra que o recurso voluntário foi negado pelo voto de qualidade do Presidente da 2a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento do CARF, uma vez que houve empate na votação dos conselheiros. Esse fato demonstra com uma clareza solar que este contencioso Fl. 165DF CARF MF Processo nº 11040.720083/200781 Acórdão n.º 9202005.690 CSRFT2 Fl. 166 6 administrativo foi decidido por um detalhe regimental voto de minerva havendo razões legais e suficientes para sustentar as duas teses em comento, esperandose que prevaleça nessa instância superior a da recorrente, restabelecendose a justiça fiscal. Ainda, cita que o relator do acórdão, o Conselheiro Odmir Fernandes, cujo voto foi vencido, deu parcial provimento ao recurso, aceitando a exclusão da área de preservação permanente de 371,2 ha da base de cálculo do ITR/2005. Requer, assim, que seja admitido e provido o presente Recurso Especial apresentado, a fim de retificar o acórdão ora recorrido, no sentido de considerar a área de preservação permanente de 371,2 ha., excluída da base tributável do ITR/2005, restabelecendo se, assim, o imposto originalmente declarado. Encaminhados os autos à Fazenda Nacional para fins de ciência, houve oferecimento de contrarrazões tempestivas de efls. 148 a 159, onde a sua Procuradoria, em breve síntese: a) Insurgese contra o conhecimento do Recurso, por entender que os casos confrontados estão sujeitos a disciplinas jurídicas diversas, o que já foi evidenciado inclusive por meio de enunciado de Súmula, segundo o qual até o exercício de 2000 não se poderia exigir a apresentação de ADA tempestivo como condição obrigatória para o reconhecimento de isenção de áreas designadas como sendo de preservação permanente; b) Cita o estabelecido no art. 10, inciso II, da Lei no. 9.393, de 1996, defendendo que o mesmo estabelece concessão de benefício fiscal e, assim, deve ser interpretado literalmente, de acordo com o art. 111 do CTN; c) Defende que, para efeito da exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da incidência do ITR, é necessário que o contribuinte comprove o reconhecimento formal específica e individualmente da área como tal, protocolizando o ADA no IBAMA ou em órgãos ambientais delegados por meio de convênio, no prazo de seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da declaração. Cita que tal obrigatoriedade foi respaldada pelas Instruções Normativas SRF nos. 43/97, com redação dada pela IN SRF no. 67/97, 73/2000, 60/2001 e 256/2002, Manual de Perguntas do ITR/2002 e art. 10 do Decreto no. 4.382, de 19 de setembro de 2002, bem como Solução de Consulta COSIT no. 12, de 21 de maio de 2003; d) Relembra que a exigência do ADA encontrase consagrada na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 1º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000; e) A exigência do ADA não caracteriza obrigação acessória, visto que a sua exigência não está vinculada ao interesse da arrecadação ou da fiscalização de tributos, nem se converte, caso não apresentado ou não requerido a tempo, em penalidade pecuniária, definida no art. 113, §§ 2º e 3º, da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional – CTN). Ou seja: a ausência do ADA não enseja multa regulamentar o que ocorreria caso se tratasse de obrigação acessória , mas sim incidência do imposto; f) Entende como inteiramente equivocado o entendimento no sentido de que não existe mais a exigência de prazo para apresentação do requerimento para emissão do ADA, em virtude do disposto no § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, incluído pelo art. 3º da Medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, uma vez que: Fl. 166DF CARF MF Processo nº 11040.720083/200781 Acórdão n.º 9202005.690 CSRFT2 Fl. 167 7 "(...). O que não é exigido do declarante é a prévia comprovação das informações prestadas. Assim, o contribuinte preenche os dados relativos às áreas de preservação permanente e de utilização limitada, apura e recolhe o imposto devido, e apresenta a sua DITR, sem que lhe seja exigida qualquer comprovação naquele momento. No entanto, caso solicitado pela Secretaria da Receita Federal, o contribuinte deverá apresentar as provas das situações utilizadas para dispensar o pagamento do tributo." g) A obrigatoriedade do ADA, portanto, não desborda da regulamentação dos dispositivos legais, porquanto não viola direitos do contribuinte, além de lhe ser claramente favorável. O que não se pode conceber é que o contribuinte queira se valer da exclusão das áreas tributáveis da incidência do ITR sem cumprir as exigências previstas na legislação. O direito ao benefício legal deve estar documentalmente comprovado. E o ADA, apresentado tempestivamente, é o documento exigido para tal fim; h) No caso concreto, a contribuinte não apresentou ADA tempestivamente, não atendendo, portanto, às exigências da legislação do ITR, razão pela qual deve ser mantida a glosa efetivada pela fiscalização. Requer, assim, que seja negado provimento ao Recurso Especial interposto, mantendose a decisão proferida pela Segunda Turma da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Quanto às óbices ao conhecimento do recurso levantadas pela Douta Procuradora, faço notar que : a) A Súmula CARF no. 41 não foi objeto de utilização pelo recorrido e nem poderia ser, uma vez que seus efeitos se circunscrevem aos exercícios até o ano de 2000, enquanto, aqui, o litígio se refere ao exercício 2005. Ou seja, a referida Súmula não faz parte do arcabouço normativo a ser analisado, para exercícios de 2001 em diante, uma vez que só regula, de forma bastante nítida, lançamentos de ITR para fatos geradores ocorridos até exercícios até 2000. Aqui tratase de ITR/2005. Desta forma, não houve qualquer tipo de extrapolação da aplicação da Súmula, o que é claramente demonstrado pelo fato da Súmula estabelecer hipótese de dispensa de exigência, enquanto no Recorrido se negou provimento ao Recurso Voluntário; b) Quanto aos paradigmas, devese notar que, na época de seu julgamento, inexistia a referida Súmula CARF no. 41, mas, notese, já se levou em conta ali, inobstante se Fl. 167DF CARF MF Processo nº 11040.720083/200781 Acórdão n.º 9202005.690 CSRFT2 Fl. 168 8 tratar de ITR/2000, não só a mencionada alteração promovida pela Lei 10.165, de 2000, à Lei no. 6.938, de 31 de agosto de 1981, mas bem assim a posterior instituição do §7° do art. 10, da Lei n.° 9.393, de 1996, pela Medida Provisória n.° 2.16667, de 2001, o que permite, assim, caracterizar a divergência. Transmudado o caso presente ao Colegiado paradigmático, a divergência estaria plenamente caracterizada, por concluir aquele pela dispensa com fulcro no mencionado §7o.. c) No que tange à comprovação analítica da divergência, é posicionamento pacífico deste Colegiado não obstar o seguimento do Recurso, sempre que se possa depreender plenamente das ementas transcritas o dissídio jurisprudencial levantado, o que ocorre no caso em questão. Assim, conheço do recurso e passo à análise de mérito. Para que todos possam firmar suas convicção quanto ao mérito recursal, destaco os seguintes elementos de interesse acostados aos autos: a) Início da ação fiscal: mesmo não havendo nos autos o AR referente ao Termo de Intimação Fiscal de efls. 06/07, podese garantir, porém, que o início da ação fiscal deuse entre a lavratura do referido termo, datado de 16/07/2007, e a data de 01/10/2007, consoante informação constante da resposta a tal intimação, à efl. 15, o que é suficiente para fins do deslinde do presente processo; b) ADA/2007 protocolizado em 05/10/2007, consoante efl. 21; c) Laudos anexados pelo contribuinte efls. 17 e ss. e 52 e ss. Limitado o litígio, assim, à possibilidade de exclusão dos 371,2 ha. a título de área de preservação permanente (consoante pedido do Recurso), acerca do tema entendo que a fruição da redução da base de cálculo do ITR (possuidora, a meu ver de natureza isentiva), seja por áreas de preservação permanente ou de interesse ecológico, encontra um de seus requisitos legais claramente estabelecido, desde 2000, a partir do disposto no art. 17O da Lei nº 6.938, de 1981, em especial em seu caput e parágrafo 1º, com atual redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, verbis: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000)(...)o. § 1oA utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) (g.n.) Ou seja, mandatório para que se admita a redução da base tributável de áreas a título de Preservação Permanente ou de Interesse Ecológico que constem as mesmas de ADA entregue ao IBAMA. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 11040.720083/200781 Acórdão n.º 9202005.690 CSRFT2 Fl. 169 9 Tratase aqui, notese, de dispositivo legal específico, posterior à Lei no. 9.393, de 1996, restando, assim, quando da instituição de tal requisito, plenamente respeitado o princípio da Reserva Legal. Notese ser plenamente consistente a coexistência de tal obrigação com a vigência e aplicação da Lei no. 9.393, de 1996, sem qualquer tipo de antinomia. Ainda, de se rejeitar qualquer argumentação de revogação do dispositivo pelo §7° do art. 10 da Lei n.° 9.393, de 1996, instituído pela Medida Provisória n.° 2.16667, de 2001. O que se estabelece ali é uma desnecessidade de comprovação prévia tão somente no momento da declaração (DITR), sendo perfeitamente factível, porém, que, posteriormente, em sede de ação fiscal, sejam demandados elementos necessários à comprovação do constante na DITR do declarante e realizado o lançamento no caso de insuficientes elementos comprobatórios, a partir do expressamente disposto nos arts. 14 e 15 daquela mesma Lei no. 9.393, de 1996. Tal posicionamento encontrase muito bem detalhado no âmbito do Acórdão CSRF 9202003.620, de 04 de março de 2015, no qual funcionei como Redator ad hoc do voto vencedor em substituição ao redator do voto designado, Dr. Alexandre Naoki Nishioka, adotando assim aqui seus fundamentos a seguir como razões de decidir, verbis: "(...) Pois bem. Muito embora inexistisse, até o exercício de 2000, qualquer fundamento para a exigência da entrega do ADA como requisito para a fruição da isenção, com o advento da Lei Federal n.° 10.165/2000 alterouse a redação do §1° do art. 17 O da Lei n.° 6.938/81, que passou a vigorar da seguinte forma: "Art. 17O. (...) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória." Ora, de acordo com uma interpretação evolutiva do referido dispositivo legal, isto é, cotejandose o texto aprovado quando da edição da Lei n.° 9.960/00, em contraposição à modificação introduzida pela Lei n.° 10.165/00, verificase que, para o fim específico da legislação tributária, passouse a exigir a apresentação do ADA, como requisito inafastável para a fruição da redução da base de cálculo prevista pela Lei n.° 9.393/96, mais especificamente por seu art. 10, §1°, II. Assim, sendo certo que as normas que instituem isenções devem ser interpretadas de forma estrita, ainda que não se recorra somente ao seu aspecto literal, como se poderia entender de urna análise superficial do art. 111, do Código Tributário Nacional, fato é que, no que atine às regras tratadas como exclusão do crédito tributário pelo referido codex, a legislação não pode ser interpretada de maneira extensiva, de maneira que não há como afastar a exigência do ADA para o fim específico de possibilitar a redução da base de cálculo do ITR. (...)" Fl. 169DF CARF MF Processo nº 11040.720083/200781 Acórdão n.º 9202005.690 CSRFT2 Fl. 170 10 Atendose mais especificamente ao caso em questão, notase, ao compulsar os autos, que o referido requisito foi efetivamente cumprido pelo contribuinte em 05/10/2007 (efl. 21), assim, posteriormente ao início da ação fiscal que se deu necessariamente antes de 01/10/2007, conforme informação expressa de efl. 15 (contato telefônico acerca da intimação nesta última data). A propósito, quanto ao momento de entrega do ADA, com a devida vênia aos Conselheiros que adotam posicionamento diverso, o melhor posicionamento é, novamente em linha com o adotado no âmbito do mesmo Acórdão CSRF 9202003.620, admitir a protocolização do Ato Declaratório Ambiental até o início da ação fiscal, com fulcro nos seguintes fundamentos: "(...) Feita esta observação, relativa, portanto, à obrigatoriedade de apresentação do ADA, cumpre mover à análise do prazo em que poderia o contribuinte protocolizar referida declaração no órgão competente. No que toca a este aspecto específico, tenho para mim que é absolutamente relevante uma digressão a respeito da mens legis que norteou a alteração do texto do art. 17O da Lei n.° 6.938/81. Analisandose, nesse passo, o real intento do legislador ao estabelecer a obrigatoriedade de apresentação do ADA, podese inferir que a mudança de paradigma deveuse a razões atinentes à efetividade da norma isencional, especialmente no que concerne à aferição do real cumprimento das normas ambientais pelo contribuinte, de maneira a permitir que este último possa usufruir da redução da base de cálculo do ITR. Em outras palavras, a efetiva exigência do ADA para o fim específico da fruição da redução da base de cálculo do ITR foi permitir uma efetiva fiscalização por parte da Receita Federal da preservação das áreas de reserva legal ou de preservação permanente, utilizandose, para este fim específico, do poder de polícia atribuído ao IBAMA. Em síntese, podese afirmar que a alteração no regramento legal teve por escopo razões de praticabilidade tributária, a partir da criação de um dever legal que permita, como afirma Helenílson Cunha Pontes, uma "razoável efetividade da norma tributária'" (PONTES, Helenílson Cunha. O princípio da praticidade no Direito Tributário (substituição tributária, plantas de valores, retenções de fonte, presunções e ficções, etc.): sua necessidade e seus limites. In: Revista Internacional de Direito Tributário, v. 1, n.° 2. Belo Horizonte, jul/dez2004, p. 57) , no caso da norma isencional. De fato, no caso da redução da base de cálculo do ITR, mais especificamente no que atine às áreas de interesse ambiental lato senso, além da necessidade de fiscalizar um número extenso de contribuintes, exigirseia, não fosse a necessidade da obrigatória protocolização do ADA, que a Receita Federal Fl. 170DF CARF MF Processo nº 11040.720083/200781 Acórdão n.º 9202005.690 CSRFT2 Fl. 171 11 tomasse para si o dever de fiscalizar o extenso volume de propriedades rurais compreendido no território nacional, o que, do ponto de vista econômico, não teria qualquer viabilidade. Por esta razão, assim, passouse, com o advento da Lei Federal n.° 10.165/00 a exigir, de forma obrigatória, a apresentação do ADA para o fim de permitir a redução da base de cálculo do ITR, declaração esta sujeita ao poder de polícia do IBAMA. Tratandose, portanto, da interpretação do dispositivo em comento, deve o aplicador do direito, neste conceito compreendido o julgador, analisar o conteúdo principiológico que norteia referido dispositivo legal, a fim de conferirlhe o sentido que melhor se amolda aos objetivos legais. Partindose desta premissa basilar, verificase que o art. 17O da Lei n.° 6.938/81, em que pese o fato de imprimir, de forma inafastável, o dever de apresentar o ADA, não estabelece qualquer exigência no que toca à necessidade de sua protocolização em prazo fixado pela Receita Federal para o fim específico de permitir a redução da base de cálculo do ITR. A exigência de protocolo tempestivo do ADA, para o fim específico da redução da base de cálculo do ITR, não decorre expressamente de lei, mas sim do art. 10, §3°, I, do Decreto n.° 4.382/2002, que, inclusive, data de setembro de 2002, (...). (...) Com efeito, sendo certo que a instituição de tributos ou mesmo da exclusão do crédito tributário, na forma como denominada pelo Código Tributário Nacional, são matérias que devem ser integralmente previstas em lei, na forma como estatuído pelo art. 97, do CTN, mais especificamente no que toca ao seu inciso VI, não poderia sequer o poder regulamentar estabelecer a desconsideração da isenção tributária no caso da mera apresentação intempestiva do ADA. Repisese, nesse sentido, que não se discute que a lei tenha instituído a obrigatoriedade da apresentação do ADA, mas, sim, que o prazo de seis meses, contado da entrega da DITR, foi instituído apenas por Instrução Normativa, muito posteriormente embasada pelo Decreto n.° 4.382/2002, o que, com a devida vênia, não merece prosperar. Em virtude, portanto, da ausência de estabelecimento de um critério rígido quanto ao prazo para a apresentação do ADA, eis que não se encontra previsto em lei, cumpre recorrer aos mecanismos de integração da legislação tributária, de maneira a imprimir eficácia no disposto pelo art. 17O da Lei n.° 6.398/81. Dentre os mecanismos de integração previstos pelo ordenamento jurídico, dispõe o Código Tributário Nacional, em seu art. 108, I, que deve o aplicador recorrer à analogia, sendo referida opção vedada apenas no que toca à instituição de tributos não previstos em lei, o que, ressaltese, não é o caso. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 11040.720083/200781 Acórdão n.º 9202005.690 CSRFT2 Fl. 172 12 Nesse esteio, recorrendose à analogia para o preenchimento de referida lacuna, devese recorrer à legislação do ITR relativa às demais declarações firmadas pelo contribuinte, mais especificamente no que atine à DIAT e à DIAC, expressamente contempladas pela Lei n.° 9.393/96, aplicadas ao presente caso tendose sempre em vista o escopo da norma inserida no texto do art. 17O da Lei n.° 6.398/81, isto é, imprimir praticabilidade à aferição da existência das áreas de reserva legal e preservação permanente, para o fim específico da isenção tributária. Pois bem. Sendo certo que a apresentação do ADA cumpre o papel imprimir praticabilidade à apuração da área tributável, verificase que cumpre o escopo norma a sua entrega até o início da fiscalização, momento a partir do qual a apresentação já não mais cumprirá seu desiderato. De fato, até o início da fiscalização em face do contribuinte, verificase que a entrega do ADA possibilitará a consideração, por parte da Receita Federal, da redução da base de cálculo do ITR, submetendo as declarações do contribuinte ao pálio do órgão ambiental competente e retirando referida aferição do âmbito da Receita Federal do Brasil. A entrega, portanto, ainda que intempestiva, muito embora pudesse ensejar a aplicação de uma multa específica, caso existisse referida norma sancionatória, seria equivalente à retificação das demais declarações relativas ao ITR, isto é, da DIAT e da DIAC, devendo, pois, ter o mesmo tratamento que estas últimas, em consonância com o que estatui o brocardo jurídico "ubi eadem ratio, ibi eaedem legis dispositio", isto é, onde há o mesmo racional, a legislação não pode aplicar critérios distintos. À guisa do exposto, portanto, no que toca à entrega do ADA, tenho para mim que cumpre seu desiderato até o momento do início da fiscalização, a partir do qual a omissão do contribuinte ensejou a necessidade de fiscalização específica relativa ao recolhimento do ITR, o que implica nos custos administrativos inerentes a este fato. Assim, aplicase ao ADA, de acordo com este entendimento basilar, a regra prevista pelo art. 18 da Medida Provisória n.° 2.18949/01, que assim dispõe, verbis: "Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa." De acordo com a interpretação que ora se sustenta, pois, é permitida a entrega do ADA, ainda que intempestivamente, desde que o contribuinte o faça até o início da fiscalização. (grifei) (...)" Fl. 172DF CARF MF Processo nº 11040.720083/200781 Acórdão n.º 9202005.690 CSRFT2 Fl. 173 13 Repetindose uma vez mais, que, no caso em questão, só houve entrega de ADA, contemplando a área de preservação permanente glosada em litígio, em 05/10/2007, assim, posteriormente ao início da ação fiscal (iniciada antes de 01/10/07, conforme efl. 15), é de se manter a glosa da área de preservação permanente perpretada pela autoridade fiscal. Assim, diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial da Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 173DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.001259/2003-32
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1996 COMPENSAÇÃO. CSLL. DECADÊNCIA. TESE DOS 5 + 5. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO QUE MERECE DEFERIMENTO. PRECEDENTE DO STJ - RECURSO REPETITIVO. AFASTAMENTO DA APLICAÇÃO DO ART. 4° DA LEI COMPLEMENTAR N° 118/05. O STJ firmou entendimento no REsp n° 1.002.932/SP que os lançamentos anteriores a 09/06/2005 obedecem o prazo decadencial decenal, não se aplicando o art. 4° da Lei Complementar n° 118/05. Mas se assim não fosse, a legislação é firme ao estabelecer que o saldo negativo apurado pelo contribuinte, respeitados os demais critérios, é imprescritível pela sua natureza.
Numero da decisão: 1802-001.107
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar parcial provimento ao recurso, para afastar a prescrição do crédito, devolvendo os autos para a DRF pronunciar-se quanto ao mérito do PER/DCOMP. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: Marciel Eder Costa
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1996 COMPENSAÇÃO. CSLL. DECADÊNCIA. TESE DOS 5 + 5. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO QUE MERECE DEFERIMENTO. PRECEDENTE DO STJ RECURSO REPETITIVO. AFASTAMENTO DA APLICAÇÃO DO ART. 4° DA LEI COMPLEMENTAR N° 118/05. O STJ firmou entendimento no REsp n° 1.002.932/SP que os lançamentos anteriores a 09/06/2005 obedecem o prazo decadencial decenal, não se aplicando o art. 4° da Lei Complementar n° 118/05. Mas se assim não fosse, a legislação é firme ao estabelecer que o saldo negativo apurado pelo contribuinte, respeitados os demais critérios, é imprescritível pela sua natureza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar parcial provimento ao recurso, para afastar a prescrição do crédito, devolvendo os autos para a DRF pronunciarse quanto ao mérito do PER/DCOMP. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Marciel Eder Costa Relator. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente da turma), Marciel Eder Costa, Marco Antonio Nunes Castilho, Nelso Kichel, Jose de Oliveira Ferraz Correa e Gustavo Junqueira Carneiro Leao. Relatório Tratam os presentes autos de não homologação de compensação, pela aplicação da decadência nos termos dos arts. 165, I e II e 168, I do Código Tributário Nacional. Pela clareza na descrição dos fatos, reproduzo o relatório da 3a Turma da DRJ/RPO, sob Acórdão n° 1417.893 (fls. 78/79): A interessada apresentou declaração de compensação de créditos de saldo negativo de contribuição social sobre o lucro liquido — CSLL do anocalendário de 1996 com débitos da mesma contribuição (código 2484) relativa ao fato gerador ocorrido em 31/01/2003 com vencimento em 28/02/2003 (fl. 1). Instruem o processo o anexo de fl. 2 e os documentos de fls. 3/10. A Delegacia da Receita Federal em Piracicaba, SP, por meio do despacho decisório de fls. 21/24, não homologou a compensação declarada pela contribuinte em razão da decadência do direito de pleitear a restituição. Inconformada com o indeferimento de seu pedido, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade as fls. 28/41, requerendo a esta DRJ a reforma da decisão proferida pela DRF. Alegou que o direito de pleitear a restituição/compensação de créditos existentes se extingue com o decurso do prazo de 5 anos, contados nas hipóteses dos incisos I e II do art.165 do Código Tributário Nacional (CTN), da data da extinção definitiva do crédito tributário, somandose mais 5 anos da ocorrência da homologação expressa ou tácita, prevista pelo art. 150, § 4°, do mesmo diploma legal. Citou jurisprudência. Contestou a possibilidade de aplicação retroativa da Lei Complementar (LC) n° 118, de 2005. Naquela oportunidade, entendeu a DRJ/RPO manter a exigência e não homologar a compensação intentada pela ora Recorrente, no valor de R$ 214,89, o fazendo com a seguinte conclusão (fls. 81): No presente caso, tratase de saldo negativo de CSLL, apuração anual, cujo fato gerador ocorreu em 31/12/1996, com recolhimentos por estimativa no decorrer do anocalendário, que se tornaram indevidos por ocasião da apuração do resultado anual. Portanto, contandose cinco anos a partir dessa data, temos que o direito de pleitear sua restituição se Fl. 176DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.001259/200332 Acórdão n.º 180201.107 S1TE02 Fl. 132 3 extinguiu em 31/12/2001. Como a declaração de compensação foi protocolada somente em 07/07/2003, o pedido é completamente intempestivo. Quanto à LC n° 118, de 2005, não foi utilizada pela DRF/Piracicaba como base para o despacho decisório proferido. Ademais, o entendimento de que o prazo se conta da data da extinção do crédito tributário já era adotado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) muito antes da edição desta lei. No que diz respeito à jurisprudência trazida aos autos, é de se observar o disposto no art. 472 do Código de Processo Civil, que determina que a sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Donde se conclui que, não sendo parte nos litígios objetos dos acórdãos, a interessada não pode usufruir os efeitos das sentenças ali prolatadas, pois os efeitos são inter partis e não erga omnes. Em sede recursal, a Recorrente reitera seus argumentos, argüindo que a CSLL é tributo sujeito a lançamento por homologação e que portanto merece a aplicação do art. 165, I e II (05 anos de prazo decadencial) somado ao art. 150 § 4°, ambos do CTN (05 anos de prazo prescricional). Também impugna pelo afastamento da retroatividade da LC 118/05 ao caso, requerendo seja reconhecida que o prazo para compensação é de 10 anos. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Marciel Eder Costa O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Como se observa, o cerne da questão está no direito de compensação de saldo negativo de CSLL apurado no ano calendário de 1996 com o valor da CSLL apurada por estimativa no período de 01/2003. Neste sentido, o STJ sujeitou a matéria em tela ao rol dos recursos repetitivos – art. 543C do CPC – e assim encerrou a controvérsia a respeito deste tema, da seguinte forma: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição,do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: (...) 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada." ). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.001259/200332 Acórdão n.º 180201.107 S1TE02 Fl. 133 5 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços,tornando legítimo o pagamento da COFINS. 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (Resp n° 1.002.932/SP, Relator Min. LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 11/11/2009 DJE em 18/12/2009) Assim decidindo, o STJ sedimentou entendimento de que, nos tributos por homologação, o prazo prescricional deve observar a vigência da Lei Complementar n° 118/05, a saber: (I) Se o indébito tributário for anterior à sua vigência (09/06/2005) aplicase o prazo decenal – tese dos 5 + 5, desde que tal prazo não ultrapasse referida data e; (II) Se o indébito tributário for após o início da vigência da referida Lei (09/06/2005), aplicase o disposto no art. 4° da mesma, a saber, o prazo de 05 anos. Esta aplicação tem sido seguida pelos tribunais de todo o País. Vejase decisão do TRF4: APELAÇÃO. TRIBUTÁRIO. PREFACIAL DE NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO REJEITADA. PRESCRIÇÃO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DECORRENTES DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ. PREENCHIMENTO DA 'DCOMP'. ERRO FORMAL. IMPOSSIBILIDADE DE INVALIDAÇÃO DE CRÉDITOS PASSÍVEIS DE COMPENSAÇÃO. PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL. A Fazenda Nacional observou os fundamentos de fato e de direito na confecção da peça recursal, sendo que a simples repetição dos argumentos desenvolvidos na contestação de modo algum pode ser tido como não preenchimento do requisito previsto no inciso II do art. 514 do Código de Processo Civil. Incabível falar em prescrição, pois os recolhimentos a maior a título de saldo negativo de IRPJ ocorreram entre janeiro e dezembro de 2004 (antes de 09/06/05, portanto prazo de 10 anos) e a compensação envolveu débitos de PIS e COFINS relativos a dezembro de 2004, vencíveis em janeiro de 2005. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Embora evidente o equívoco cometido pelo contribuinte, deve a exigência tributária pautarse pela verdade material, de modo que defeito formal do ato não tem o condão de invalidar créditos passíveis de compensação, até porque, entendimento contrário resultaria em possível locupletamento ilícito do Fisco, pois, de um lado, a compensação não quitou a dívida, que será cobrada novamente, e de outro, a obtenção do referido crédito, a esta altura resta inviável, pois ele é tido como prescrito pela administração. (Apelação em Reexame Necessário n° 0006796 83.2009.404.7100/RS, 1a TURMA TRF4, Rel. Des. Federal Maria de Fátima Freitas Labarrère, julgado em 10.08.2011 D.E. em 18.08.2011) Assim, tendo em vista a Recorrente ter requerido a compensação de seu indébito em 07/07/2003, ou seja, antes de 09/06/2005, contase o prazo decenal, sendo possível utilizar o saldo negativo da CSLL do anocalendário de 1996. Mas, se ainda assim não fosse, o crédito advindo de saldo negativo apurado por anocalendário não possui prazo prescricional estabelecido, dado sua natureza peculiar. É isto que disciplina a Lei n° 9.065/95: Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do ano calendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. Como se observa, a Lei estabeleceu limite de 30%, sem contudo, criar um limite para o reconhecimento do direito de compensar dos contribuintes. Desta forma, melhor conclusão não se vislumbra que acolher o pedido da Recorrente, para afastar a prescrição do crédito tributário, alinhando o entendimento com o Fl. 180DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.001259/200332 Acórdão n.º 180201.107 S1TE02 Fl. 134 7 proferido pelo STJ. Sendo o pedido de compensação anterior à 09/06/2005 e sendo tributo por homologação, aplicase o prazo decadencial e prescricional somado, a saber, 10 anos. Assim, deverá o processo ser encaminhado à Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto/SP para que se digne julgar as demais questões de mérito, em especial, sobre a existência do saldo suscitado. É como voto. (documento assinado digitalmente) Marciel Eder Costa Relator Fl. 181DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10530.904865/2011-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.980
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se requerer a reforma do despacho decisório exarado pela repartição de origem. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado na Declaração de Compensação já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí o indeferimento do pedido de restituição. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito à restituição da contribuição recolhida sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, cujo teor deve ser reproduzido pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .9 04 86 5/ 20 11 -7 3 Fl. 1185DF CARF MF Processo nº 10530.904865/201173 Resolução nº 3201000.980 S3C2T1 Fl. 3 2 A decisão da DRJ Belo Horizonte/MG, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito, dada a ausência de apresentação da prova do indébito. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito tributário postulado e requerendo seu integral deferimento, tendose em conta o princípio da verdade material que exige o aprofundamento da investigação dos fatos por parte da Fiscalização, em face do conjunto probatório por ele produzido. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201000.905, de 29/06/2017, proferido no julgamento do processo 10530.904837/201156, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201000.905): A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a seguir transcrita: "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27 112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Temse, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede de repercussão geral é de aplicação obrigatória por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende da redação do art. do RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 1186DF CARF MF Processo nº 10530.904865/201173 Resolução nº 3201000.980 S3C2T1 Fl. 4 3 (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" A jurisprudência deste colegiado administrativo é pacífica em relação ao tema. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal." (Processo 11516.002621/200719; Acórdão 3401003.239; Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Sessão de 26/09/2016) Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o LivroRazão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Fl. 1187DF CARF MF Processo nº 10530.904865/201173 Resolução nº 3201000.980 S3C2T1 Fl. 5 4 Neste sentido já decidiu o CARF: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585235 QORG." (Processo 10280.905801/2011 89; Acórdão 3302003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque) Recentemente, em questão similar, em processo relatado pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (10830.917695/201111 Resolução 3201000.848), esta Turma por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora." Do voto da relatora destaco: "Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Ademais, em casos análogos envolvendo a recorrente, este conselho administrativo nos processos 10530.902899/201123 e Fl. 1188DF CARF MF Processo nº 10530.904865/201173 Resolução nº 3201000.980 S3C2T1 Fl. 6 5 10530.902898/201189 decidiu por converter o julgamento em diligência através das Resoluções 3801000.816 e 3801000.815. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos e apresente documentos adicionais, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pelo contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, também foram juntados em cópias nestes autos (planilha, balancete e/ou razão). Dessa forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, decido por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora certifique a efetiva existência do crédito postulado, a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte e por meio de outras diligências que se mostrarem necessárias, apurando os valores do débito e do crédito existentes na data de transmissão do PER/DCOMP, consignandoos em relatório pormenorizado. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 1189DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13864.000076/2008-82
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003 DECADÊNCIA - FATO GERADOR TRIMESTRAL - MARCO INICIAL O fato gerador do IRPJ, no caso de apuração pelo lucro presumido, ocorre no final de cada trimestre, conforme definido pelos arts. 1º e 25 da Lei 9.430/1996. Se a Contribuinte antecipou o pagamento, realizando-o mensalmente, conforme alega, isso não tem o condão de alterar a data de ocorrência do fato gerador, porque esta é a definida em lei, independentemente da conduta adotada pela Contribuinte. Como o fato gerador do primeiro trimestre de 2003 ocorreu em 31/03/2003, na data do lançamento, em 24/03/2008, ainda não havia transcorrido o prazo previsto no art. 150, § 4º, do CTN. Improcedente a alegação de decadência para os meses de janeiro e fevereiro de 2003. ATIVIDADE DE BINGOS DE CARTELA E MÁQUINAS ELETRÔNICAS DE JOGOS - LUCRO PRESUMIDO - COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO Os valores recebidos com as apostas configuram receita da Recorrente, e como tal devem ser considerados para a apuração do lucro presumido, independentemente dos encargos e de outros custos por ela assumidos para o exercício de sua atividade. TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL, PIS e COFINS Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. ATIVIDADE DE BINGOS DE CARTELA E MÁQUINAS ELETRÔNICAS DE JOGOS - PIS E COFINS - COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO Fl. 819 DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 11/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13864.000076/2008-82 Acórdão n.º 1802-00.869 S1-TE02 Fl. 367
Numero da decisão: 1802-000.869
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em REJEITAR a
decadência, e no mérito, por voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros André Almeida Blanco, Marcelo Assis Guerra e Marco Antônio Castilho, que davam provimento ao recurso.
Nome do relator: José de Oliveira Ferraz Corrêa
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003 DECADÊNCIA - FATO GERADOR TRIMESTRAL - MARCO INICIAL O fato gerador do IRPJ, no caso de apuração pelo lucro presumido, ocorre no final de cada trimestre, conforme definido pelos arts. 1º e 25 da Lei 9.430/1996. Se a Contribuinte antecipou o pagamento, realizando-o mensalmente, conforme alega, isso não tem o condão de alterar a data de ocorrência do fato gerador, porque esta é a definida em lei, independentemente da conduta adotada pela Contribuinte. Como o fato gerador do primeiro trimestre de 2003 ocorreu em 31/03/2003, na data do lançamento, em 24/03/2008, ainda não havia transcorrido o prazo previsto no art. 150, § 4º, do CTN. Improcedente a alegação de decadência para os meses de janeiro e fevereiro de 2003. ATIVIDADE DE BINGOS DE CARTELA E MÁQUINAS ELETRÔNICAS DE JOGOS - LUCRO PRESUMIDO - COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO Os valores recebidos com as apostas configuram receita da Recorrente, e como tal devem ser considerados para a apuração do lucro presumido, independentemente dos encargos e de outros custos por ela assumidos para o exercício de sua atividade. TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL, PIS e COFINS Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. ATIVIDADE DE BINGOS DE CARTELA E MÁQUINAS ELETRÔNICAS DE JOGOS - PIS E COFINS - COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO Fl. 819 DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 11/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13864.000076/2008-82 Acórdão n.º 1802-00.869 S1-TE02 Fl. 367
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2100; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 366 1 365 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13864.000076/200882 Recurso nº 165.681 Voluntário Acórdão nº 180200.869 – 2ª Turma Especial Sessão de 23 de maio de 2011 Matéria IRPJ E OUTROS Recorrente MMM COMÉRCIO ASSESSORIA E ADMINISTRAÇÃO DE EVENTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DECADÊNCIA FATO GERADOR TRIMESTRAL MARCO INICIAL O fato gerador do IRPJ, no caso de apuração pelo lucro presumido, ocorre no final de cada trimestre, conforme definido pelos arts. 1º e 25 da Lei 9.430/1996. Se a Contribuinte antecipou o pagamento, realizandoo mensalmente, conforme alega, isso não tem o condão de alterar a data de ocorrência do fato gerador, porque esta é a definida em lei, independentemente da conduta adotada pela Contribuinte. Como o fato gerador do primeiro trimestre de 2003 ocorreu em 31/03/2003, na data do lançamento, em 24/03/2008, ainda não havia transcorrido o prazo previsto no art. 150, § 4º, do CTN. Improcedente a alegação de decadência para os meses de janeiro e fevereiro de 2003. ATIVIDADE DE BINGOS DE CARTELA E MÁQUINAS ELETRÔNICAS DE JOGOS LUCRO PRESUMIDO COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO Os valores recebidos com as apostas configuram receita da Recorrente, e como tal devem ser considerados para a apuração do lucro presumido, independentemente dos encargos e de outros custos por ela assumidos para o exercício de sua atividade. TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL, PIS e COFINS Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. ATIVIDADE DE BINGOS DE CARTELA E MÁQUINAS ELETRÔNICAS DE JOGOS PIS E COFINS COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO Fl. 819DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 11/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13864.000076/200882 Acórdão n.º 180200.869 S1TE02 Fl. 367 2 Os valores recebidos com as apostas configuram receita da Recorrente, e como tal devem ser tributados, independentemente das destinações legais, ainda que obrigatoriamente assumidas pela Contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em REJEITAR a decadência, e no mérito, por voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros André Almeida Blanco, Marcelo Assis Guerra e Marco Antônio Castilho, que davam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, André Almeida Blanco, Nelso Kichel, Marcelo Assis Guerra e Marco Antônio Castilho. Fl. 820DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 11/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13864.000076/200882 Acórdão n.º 180200.869 S1TE02 Fl. 368 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, que considerou parcialmente procedente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa da Jurídica – IRPJ, à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, conforme autos de infração de fls. 220 a 246, nos valores de R$ 65.604,91, R$ 7.167,82, R$ 33.083,14 e R$ 22.482,76, respectivamente, incluindose nesses montantes a multa de ofício de 75% e os juros moratórios. O lançamento deveuse à constatação de omissão de receitas ao longo do anocalendário de 2003, e a apuração de IRPJ e CSLL foi realizada pelo lucro presumido. Por muito bem descrever os fatos, reproduzo o relatório constante da decisão de primeira instância, Acórdão nº 0526.100, às fls. 315 a 322: Auto de Infração 2. A autoridade fiscal elaborou o Termo de Verificação Fiscal e Descrição dos Fatos, fls. 215/219, que se transcreve: “O presente termo visa a tornar clara, identificando passo a passo os procedimentos adotados que justificam as infrações apuradas contra o Regulamento do Imposto de Renda e seus reflexos pela empresa supra citada. O presente termo é parte integrante do auto de infração. (...) Em 10/05/2006 foram enviadas ao contribuinte sob fiscalização o Mandado de Procedimento Fiscal de Diligência n.º 0812000 2006000988 (fl. 06) e o Termo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos Nº 01 (fl. 07) intimandoo a apresentar os elementos necessários ao desenvolvimento da diligência, tendo tomado ciência do mesmo em 18/05/2006 (fl. 08). O contribuinte apresentou a documentação solicitada em 12/06/2006. Após a análise dos documentos apresentados, verificouse que a fiscalizada não havia contabilizado os valores que eram repassados à entidades desportivas, a Caixa Econômica Federal, a União, ao comitê Olímpico e Paraolímpico e os valores distribuídos como prêmio, incluindo neste último os valores referentes ao Imposto de Renda Retido na Fonte. Em 17/08/2006, a fiscalizada foi intimada, através do Termo de Intimação n.º 001 (fl. 11 e 12) a demonstrar como eram registrados contabilmente esses valores, tendo tornado ciência deste termo em 22/08/2006. Fl. 821DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 11/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13864.000076/200882 Acórdão n.º 180200.869 S1TE02 Fl. 369 4 Analisando a resposta apresentada em 25/08/2006 (fl. 13 a 102), o contribuinte alega que: Item “III dos Valores Administrados pela fiscalizada no ano de 2003 e suas respectivas destinações;” (fl. 15 e 16). “Mensalmente, durante o ano de 2003, a fiscalizada destinou os valores que administrou, da seguinte forma: Para premiação (incluindo a parcela correspondente ao imposto sobre renda) (51,5%); a CEF (7%); a UNIÃO (4,5%) ao COB/CPB (2%) e a Sociedade Bunkio de São José dos Campos (entidade esportiva) (7%); para ela própria, referente ao pagamento pela prestação de serviço de administração (18%).” E ainda afirma no item IV (fl. 17) que: Item “IV – Da Contabilização dos valores administrados pela fiscalizada: A fiscalizada somente prestava serviço de administração do jogo para a entidade desportiva, recebendo, para tanto, 28% do valor total arrecadado. Assim, pela natureza do serviço que prestava, todos os repasses que fazia, fazia em nome da entidade desportiva sociedade Bunkio de São José dos Campos, conforme demonstram os documentos em anexo (doc 05)” e apresenta cópias de DARF de IRRF em nome da sociedade supracitada (fl. 87 a 102). E ainda conclui “Quanto a fiscalizada, na condição de prestadora de serviço, simplesmente contabilizava sua receita bruta, ou seja, o valor referente ao pagamento pelo serviço prestado (28% do valor arrecadado), de acordo com as Notas Fiscais emitidas, conforme determina o artigo 519, do Regulamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (fl. 17). A fiscalizada apresentou, conforme documento 4 (fl. 35 a 86), da resposta apresentada em 25/08/2006, uma relação do valor arrecadado do prêmio pago, do IRRF, dos valores pagos a entidades (CEF, COB, CPB, União, Bunkio) e os valores que ficaram com a fiscalizada. Diante do exposto, foi elaborada a planilha 1 (fl. 212), extraída da “Planilha de Movimentação Mensal” constante do documento 4 apresentado (fl. 75 a 86). A planilha 1 representa o total arrecadado mensalmente pela fiscalizada, com a atividade de bingo (cartela). Fl. 822DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 11/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13864.000076/200882 Acórdão n.º 180200.869 S1TE02 Fl. 370 5 Os valores obtidos na planilha 1 foram comparados com os valores escriturados (fl. 191 a 193) pela fiscalizada com a identificação ‘VR RF SERV PREST MÊS SOCIEDADE BUNKIO DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS.”, que se referem às notas fiscais 47, 50, 53, 54, 58, 62, 66, 71, 76, 81 e 86 (fl. 110 a 149) emitidas para Sociedade Bunkio de São José dos Campos. Os valores das notas fiscais, acima citadas, são os que a fiscalizada reconhece como receita da atividade de bingo (cartela) de janeiro a dezembro de 2003. Da resposta da fiscalizada se depreende o que ela arrecadou, porém parte destes recursos foi transferida, em nome da Sociedade Bunkio, para as pessoas já descritas (CEF, COB, etc), sendo que os valores transferidos não foram reconhecidos como receita da fiscalizada. Do total arrecadado, a fiscalizada somente reconhece como sua receita o valor constante da coluna “C” da planilha 2, ou seja, o que foi escriturado como receita de serviço prestado para Sociedade Bunkio de São José dos Campos, conforme notas fiscais emitidas. Diante do exposto, entende a fiscalização que a contribuinte deixou de escriturar integralmente suas receitas, conforme coluna D da planilha 2 abaixo, pelos motivos descritos acima. Planilha 2 Período Receita Receita Receita Arrecadada Escriturada Não Escriturada A B C D=CB janeiro R$ 22.277,93 R$ 6.237,82 R$ 16.040,11 fevereiro R$ 25.256,22 R$ 7.071,74 R$ 18.184,48 março R$ 26.258,08 R$ 7.352,26 R$ 18.905,82 abril maio R$ 6.694,21 R$ 2.476,86 R$ 4.217,35 junho R$ 22.984,02 R$ 5.833,05 R$ 17.150,97 julho R$ 30.549,00 R$ 8.553,72 R$ 21.995,28 agosto R$ 45.051,25 R$ 12.614,35 R$ 32.436,90 setembro R$ 36.115,55 R$ 10.112,35 R$ 26.003,20 outubro R$ 43.045,34 R$ 12.052,70 R$ 30.992,64 novembro R$ 52.788,08 R$ 14.780,66 R$ 38.007,42 dezembro R$ 59.615,83 R$ 16.692,43 R$ 42.923,40 Cabe ressaltar que a fiscalizada reconhece outras receitas, cujas notas fiscais são emitidas para “consumidor” e que esses valores se referem a outras prestações de serviço que não fazem parte da prestação de serviço efetuada para a Sociedade Bunkio de São José dos Campos e ainda que os valores relativos a estas notas fiscais foram escriturados e declarados pela fiscalizada. Ciente que a fiscalizada possuía, além da atividade de Bingo (cartela), a posse de máquinas eletrônicas, tipo videobingo, videopôquer e caçaníqueis, que foram locadas durante o ano Fl. 823DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 11/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13864.000076/200882 Acórdão n.º 180200.869 S1TE02 Fl. 371 6 calendário de 2003. A fiscalizada foi intimada através do termo de intimação n.º 001 (fl. 172 e 173) a apresentar a relação de máquinas eletrônicas que foram locadas bem como os beneficiários do aluguel. Em resposta apresentada pela fiscalizada, a mesma apresentou cópia de treze notas fiscais, conforme Doc. 1 (fl. 177 a 189), sendo que constam em todas as notas citadas a informação de “REMESSA PARA LOCAÇÃO”, como natureza da operação, porém no encaminhamento efetuado (fl. 174 a 176), a contribuinte descreve a natureza do negócio jurídico que realizou com as empresas proprietárias das máquinas eletrônicas como não sendo um contrato de locação e sem “um contrato verbal de parceria comercial, onde o valor líquido arrecadado pelas máquinas (valor bruto menos os prêmios pagos) foi rateado na proporção de 50% para cada parceiro, ou seja, 50% para a fiscalizada e 50% para a empresa proprietária da máquina”. Ao receber a quantia referente à sua participação na parceira (50%), a fiscalizada emitia “nota fiscal ao consumidor”, pois não tinha condição de identificar as pessoas que jogaram nas máquinas”. Analisando as notas fiscais emitidas pela fiscalizada (fl. 108 a 149) foram localizadas as notas fiscais emitidas que tiveram como beneficiários a descrição “consumidor”. Essas notas fiscais foram compiladas na planilha 3 (fl. 213). Diante do exposto, entende a fiscalização que o contribuinte não tem como excluir os valores repassados às pessoas acima mencionadas (bingo cartela), bem como o valor relativo ao aluguel das máquinas, ou como queira a denominação dada pela fiscalizada o valor do “contrato de parceria” (máquinas eletrônicas), por falta expressa de previsão legal que autorize esta exclusão. E ainda que a Lei 9.615/98 apresentada pela contribuinte não determina que os valores repassados sejam excluídos da base de cálculo dos impostos e contribuições. As empresas de jogo de bingo que optarem pelo pagamento do IRPJ com base no lucro presumido, como é o caso em questão, não podem excluir tais valores da base de cálculo do IRPJ e nem da CSLL, visto que não há previsão legal autorizando esta exclusão. Cabe esclarecer que, de acordo com o art. 4º, da Lei n.º 9.981, de 14 de julho de 2000, na hipótese de a administração do jogo de bingo ser entregue à empresa comercial, é de exclusiva responsabilidade desta o pagamento de todos os tributos e encargos da seguridade social incidentes sobre as respectivas receitas omitidas obtidas com essa atividade. (...) Cabe ainda esclarecer que, de acordo com os art. 2º e 3º, §1º, da Lei n.º 9.718, de 1998, a base de cálculo da contribuição para o Fl. 824DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 11/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13864.000076/200882 Acórdão n.º 180200.869 S1TE02 Fl. 372 7 PIS/Pasep e da Cofins é o faturamento que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, ajustada pelas exclusões expressamente autorizadas pelo §2º, do seu art. 3º, com alterações introduzidas pela Medida Provisória 2.15830, de 2001. No caso dos Bingos, a base de cálculo destas contribuições corresponde a 100% da receita auferida, visto que não há previsão legal para exclusão dos valores destinados a outras atividades. Tendo em vista o exposto, a fiscalização considera como omissão de receita da atividade o valor demonstrado na coluna “D” da planilha 4 (fl. 214), que se refere à parcela do faturamento que não foi reconhecida como receita pela fiscalizada tanto da atividade de bingo cartela como da atividade de jogos de máquinas eletrônicas.” Impugnação 3. Inconformada com a exigência fiscal, a contribuinte, por meio de seus representantes legais, apresentou a impugnação de fls. 253/290, em 22 de abril de 2008, com as seguintes razões de defesa. 3.1. Argumenta que, intimada pela autoridade fiscal, esclareceu que os valores depositados/creditados em suas contas correntes tinham por origem a prestação de serviços de administração de jogo de bingo de cartela. Dessa forma, eram muitos superiores a sua receita, tendo em conta que eram repassados para outras instituições e entidades. Acrescenta que somente o percentual de 28% dos valores que transitaram pelas suas contas correntes correspondiam a sua receita bruta. 3.2. Esclareceu também, em relação aos valores auferidos com as máquinas de videobingos, que se tratava de parceria comercial, por meio de contrato verbal, onde o valor líquido arrecadado pelas máquinas era rateado na proporção de 50% para cada parceiro, pois a metade dos recursos cabia à empresa proprietária das máquinas. 3.3. Requer a decadência das exigências fiscais formalizadas com fatos geradores anteriores ao mês de março de 2003, nos termos do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. 3.4. Acrescenta que, no caso do IRPJ, pela sistemática do lucro presumido, apurava mensalmente o valor do imposto e antecipava os pagamentos, razão pela qual o crédito tributário com fatos geradores em janeiro e fevereiro de 2003 encontram se decaídos. 3.5. Disserta amplamente sobre o fato gerador do IRPJ. Fundamentase em ampla doutrina e referese aos artigos 43 a 45 do Código Tributário Nacional. Com base nos artigos 518, 519 e 224 do RIR/99, entende que a receita bruta, para as Fl. 825DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 11/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13864.000076/200882 Acórdão n.º 180200.869 S1TE02 Fl. 373 8 empresas prestadoras dos serviços, corresponde tão somente ao preço dos serviços prestados. 3.6. Aduz que a exploração de jogos de bingo, no anocalendário de 2003, era regida pela Lei n.º 9.615, de 1998, com as alterações efetuadas pela Lei n.º 10.264, de 2001, bem como pelo Decreto n.º 3.659, de 2000. Em suas palavras: “Independentemente de a administração do jogo ser realizada pela entidade desportiva ou por empresa comercial idônea, a legislação determinava que os recursos arrecadados em cada sorteio fossem destinados da seguinte forma (artigo 14, do Decreto n.º 3.659/2000): 53,5% para a premiação, incluindo a parcela correspondente ao imposto sobre a renda e outros eventuais tributos sobre a premiação; 28% para o custeio de despesas de operação, administração e divulgação; 7% para as entidades desportivas; 4,5% para a União; 7% para a Caixa Econômica Federal. (...) Desta forma, de todo o montante arrecadado no ano de 2003, somente 28% pertenciam à impugnante, tendo em conta ser sua receita bruta pelos serviços prestados. Os demais valores somente transitaram pelas suas contas (por ser ela a administradora), porém, pertenciam a terceiras pessoas! Já no que diz respeito às máquinas de videobingo, a impugnante celebrava contrato verbal de parceria comercial, onde o valor líquido arrecadado pelas máquinas era rateado na proporção de 50% para cada parceiro, ou seja, 50% ficava com a fiscalizada e 50% ficava com a empresa proprietária da máquina. É importante ressaltar que a “medição” do resultado era feita somente por pessoa autorizada da empresa proprietária das máquinas (que detinha a chave do compartimento onde ficava armazenado o dinheiro), a qual repassava à fiscalizada a proporção que lhe pertencia (50%). Ao receber a quantia referente a sua participação na parceria (sua receita bruta), a fiscalizada emitia “Nota Fiscal a Consumidor”.” 3.7. Argumenta que, para que ocorra a tributação, é imprescindível que o fato concreto se subsuma à situação hipotética descrita na norma. Se não há subsunção em relação à parte dos valores auferidos pela empresa (72% referentes ao jogo de bingo de cartela e 50%, referentes aos vídeosbingo), não se pode tributar tais parcelas, restando inaplicável a norma jurídica sobre tais valores. Fl. 826DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 11/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13864.000076/200882 Acórdão n.º 180200.869 S1TE02 Fl. 374 9 3.8. Referese à tributação das empresas de publicidade e propaganda, nas quais se faz a exclusão dos valores administrados, mas pertencentes a terceiros. Solicita o emprego da analogia. Cita o Processo de Consulta n.º 22/04, da Superintendência da Receita Federal – 7ª Região Fiscal, fls. 285/286. 3.9. Por fim, pleiteia improcedência das exigências fiscais e que os lançamentos sejam anulados. Decisão de Primeira Instância Como mencionado, a DRJ Campinas/SP considerou parcialmente procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2003 IRPJ. CSLL. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. O lançamento por homologação ocorre quando o sujeito passivo da obrigação tributária apura o montante tributável e efetua o pagamento do imposto devido, sem prévio exame da autoridade administrativa. Na forma de apuração pelo lucro presumido, os fatos geradores são trimestrais. Cientificada do lançamento em 24 de março de 2008, não se consumou o prazo qüinqüenal previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. Portanto, não ocorreu a decadência para o IRPJ e CSLL. DECADÊNCIA. CSLL. CONTRIBUIÇÃO AO PIS. COFINS. Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do prazo decadencial regese pelo disposto no Código Tributário Nacional. Presentes pagamentos nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil e cientificada dos lançamentos em 24 de março de 2008, consuma se a decadência para os meses de janeiro e fevereiro do ano calendário de 2003, no caso da Contribuição ao PIS e COFINS. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 ATIVIDADE DE JOGOS DE BINGO. BASE DE CÁLCULO. LUCRO PRESUMIDO. IRPJ. CSLL. Na apuração do imposto e da contribuição social pelo lucro presumido, o valor tributável corresponde a vinte e oito por cento dos recursos arrecadados pela empresa administradora, na atividade de jogo de bingo (cartelas), nos termos da legislação específica que rege as transferências dos recursos, em vista da definição do fato jurídico tributário, o qual delimita a Fl. 827DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 11/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13864.000076/200882 Acórdão n.º 180200.869 S1TE02 Fl. 375 10 base de cálculo como sendo o lucro da entidade, seja para o IRPJ (lucro real), ou par a CSLL (lucro líquido ajustado). No entanto, das receitas auferidas com as máquinas eletrônicas, na atividade de vídeobingo, vídeopôquer e caçaníqueis, não podem ser deduzidas quaisquer despesas ou custos, inclusive as despesas de aluguel pagas aos proprietários das máquinas ou mesmo que se tratasse de contratos de parceira, em vista da sistemática de tributação adotada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 BASE DE CÁLCULO. PIS. COFINS. Na atividade de jogos de bingo por empresa administradora, a base de cálculo para as contribuições incidentes sobre o faturamento é a receita bruta total advinda das apostas, correspondente ao valor total arrecadado, diante da própria definição do elemento material do fato jurídico tributário que dá suporte à incidência dessas contribuições. Lançamento Procedente em Parte Recurso Voluntário Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 17/07/2009, a Contribuinte apresentou em 17/08/2009 o recurso voluntário de fls. 337 a 360, onde reitera as mesmas razões de sua impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores, acrescentando os seguintes argumentos: ao decidir sobre o IRPJ e a CSLL, a Delegacia de Julgamento entendeu que deveria excluir a incidência destes tributos sobre as receitas auferidas pela Contribuinte e destinadas a terceiros, no percentual de 72% sobre o total arrecadado na atividade de jogo de bingo (cartelas); sendo assim, ao concluir que os valores pertencentes a terceiros não integram a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, como dizer que podem integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS? ambos os tributos versam sobre valores recebidos e destinados à pessoa jurídica ora Contribuinte; o legislador, ao disciplinar que serão tributados os valores pertencentes à pessoa jurídica que estejam disponíveis econômica ou juridicamente, nada mais faz que dispor que a tributação deve recair somente sobre as receitas próprias; foi nesse mesmo sentido que entendeu o nobre julgador de primeira instância, ou seja, que os valores destinados a terceiro não integravam a base de cálculo do IRPJ; Fl. 828DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 11/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13864.000076/200882 Acórdão n.º 180200.869 S1TE02 Fl. 376 11 desse modo, como pode esse mesmo julgador entender que os valores destinados a terceiro não integram o IRPJ, mas integram a base de cálculo do PIS e da COFINS, se as receitas próprias são as mesmas? portanto, somente devem ser tributados os valores considerados como receita própria da Contribuinte, e, no caso em tela, os valores repassados a terceiro não integram tal receita, não podendo esse Contribuinte ser responsabilizado por sua tributação. Este é o Relatório. Fl. 829DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 11/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13864.000076/200882 Acórdão n.º 180200.869 S1TE02 Fl. 377 12 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, o litígio versa sobre lançamento para a exigência de IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e COFINS), a partir de omissão de receitas ao longo do anocalendário de 2003. A apuração de IRPJ e CSLL foi realizada pelo lucro presumido. O lançamento ocorreu em 24/03/2008, conforme Aviso de Recebimento AR de fl. 248. Em relação à decadência, cabe observar que a Delegacia de Julgamento – DRJ já aplicou o menor dos prazos do Código Tributário Nacional, ou seja, aquele previsto em seu art. 150, § 4º, por ter sido constatada a existência de pagamento (ainda que parcial). Deste modo, foram excluídas na primeira instância as exigência de PIS e COFINS referentes aos meses de janeiro e fevereiro de 2003. Contudo, como o IRPJ e a CSLL possuem apuração trimestral, por tratarse de lucro presumido, com fato gerador em 31/03/2003, a decadência não foi acolhida para estes dois tributos. Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte alega que apurava mensalmente o IRPJ e a CSLL, antecipando o pagamento, e que, portanto, os meses de janeiro e fevereiro também estariam decaídos para estes tributos, como ocorreu com o PIS e a COFINS. Entendo que tal argumento não merece prosperar, eis que o fato gerador do IRPJ e da CSLL, no caso de apuração pelo lucro presumido, ocorre no final de cada trimestre, conforme definido pelos arts. 1º e 25 da Lei 9.430/1996. O fato de a Contribuinte antecipar o pagamento, realizandoo mensalmente, conforme alega, não tem o condão de alterar a data da ocorrência do fato gerador, porque esta é a definida em Lei, independentemente da conduta adotada pela Contribuinte. A referida norma do Código Tributário Nacional estabelece que: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Fl. 830DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 11/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13864.000076/200882 Acórdão n.º 180200.869 S1TE02 Fl. 378 13 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo acrescido) Assim, como o fato gerador do primeiro trimestre de 2003 ocorreu em 31/03/2003, na data do lançamento, em 24/03/2008, ainda não havia transcorrido o prazo acima mencionado. Improcedente, portanto, a alegação de decadência para o IRPJ e a CSLL dos meses de janeiro e fevereiro de 2003. Quanto ao mérito, cabe primeiramente ressaltar que a empresa atua no ramo de administração de jogos de bingo de cartela, e de máquinas eletrônicas de vídeobingo, vídeopôquer e caçaníqueis. A controvérsia inicial surgiu porque a Fiscalização entendeu que tanto os valores correspondentes às destinações legais, conforme os percentuais indicados na parte do relatório, quanto os pagamentos feitos à proprietária das máquinas eletrônicas deveriam compor as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, apurados pelo lucro presumido, e também as bases de cálculo de PIS e COFINS. A Delegacia de Julgamento, por sua vez, admitiu a exclusão das destinações legais, mas somente na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, mantendo o lançamento em relação às outras matérias, o que ensejou a apresentação do recurso voluntário a ser aqui analisado. Entendo que não cabe a exclusão, relativamente ao IRPJ e a CSLL, dos valores transferidos aos proprietários das máquinas eletrônicas de vídeobingo, vídeopôquer e caçaníqueis, como também não é possível excluir da base de cálculo de PIS e COFINS nenhuma das rubricas em comento. Como bem ressaltado pela decisão de primeira instância: (...) 43. Ressaltese que ainda que tais receitas fossem auferidas na forma de parceria, como argumenta a contribuinte, o valor a ser oferecido à tributação é o total das receitas de tal atividade, porque auferidas em nome e no estabelecimento da contribuinte, a qual poderia, por exemplo, repassar a parte dos proprietários após descontados os tributos e contribuições incidentes. 44. Portanto, correta a exigência fiscal, no que se refere à inclusão integral das receitas auferidas com as máquinas eletrônicas, sem a dedução da parcela de 50% (cinqüenta por cento). 45. No caso da Contribuição ao PIS e da COFINS, merece melhor exame a questão da base de cálculo dessas contribuições, Fl. 831DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 11/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13864.000076/200882 Acórdão n.º 180200.869 S1TE02 Fl. 379 14 considerando que a própria legislação de regência prevê a necessária vinculação de parte das respectivas receitas auferidas para o pagamento dos prêmios (51,5%), entidades desportivas (7%), União (4,5%), Caixa Econômica Federal (7%) e Comitês Olímpico e Paraolímpico brasileiros (2%). (...) 47 Ao definir a hipótese de incidência, ou regramatriz de incidência, e a respectiva base de cálculo da COFINS, o artigo 2º, da Lei Complementar n.º 70, de 1991, e da Lei n.º 9.718, de 1998, expressamente estabelece que a referida contribuição incide sobre o “faturamento mensal” da pessoa jurídica, “assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza”, o que desde logo já indica que tais contribuições incidem sobre a receita bruta total, e não sobre parte dela. 48 Portanto, descabe a argumentação da contribuinte no sentido de que somente parte da receita lhe é destinada, pois as exações tributárias incidem sobre a receita bruta, que abrange a totalidade das receitas auferidas. 49. Acrescentese que não é exclusividade da contribuinte ter custos, despesas ou destinações a terceiros dos recursos com origem em seu processo produtivo, situação esta comum a todas as entidades, qualquer que seja sua natureza. Uma empresa comercial, por exemplo, arca com o custo das mercadorias vendidas, transferências a terceiros (royalties), despesas financeiras e uma outra sorte de dispêndios na exploração de suas atividades; contudo tais valores não implicam exclusão da base de cálculo das contribuições incidentes sobre o faturamento. (...) 50. A contribuinte aufere, em nome próprio, os valores das apostas feitas, sendo tais quantias, na sua integridade, receita bruta da interessada, a partir da qual ela faz os repasses previstos na legislação e arcando com os custos respectivos. Enfim, a receita angariada não é resultado em conta de terceiros e sim receita própria da contribuinte. Com efeito, a Contribuinte aufere em seu próprio nome os valores das apostas. Sua atuação não se resume a um simples repasse entre as outras partes envolvidas (os clientes e as entidades destinatárias de parte dos recursos arrecadados com as apostas), como se houvesse um vínculo direto entre elas, com exclusão da autuada, que figuraria como uma mera agenciadora ou intermediária. Os valores recebidos com as apostas configuram sim receita da Recorrente, e como tal devem ser tributados, independentemente das destinações legais, dos encargos e de outros custos por ela assumidos para o exercício de sua atividade. Fl. 832DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 11/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13864.000076/200882 Acórdão n.º 180200.869 S1TE02 Fl. 380 15 Não cabe aqui a alegada analogia com as empresas de publicidade, pois estas, na relação existente entre o anunciante e o veículo de comunicação, fazem realmente o papel de mera agenciadora, o que não ocorre com a Recorrente. Seu inconformismo decorre, em parte, de uma opção inadequada de tributação, posto que, sendo elevados os custos globais necessários à execução dos serviços, deveria ela ter optado pela tributação com base no lucro real, e não pelo lucro presumido, como ocorreu em 2003. Oportuno transcrever novamente a mesma jurisprudência colacionada pela decisão de primeira instância: COFINS. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. BINGO. A base de cálculo inerente à hipótese de incidência da COFINS é o faturamento, assim entendido a receita auferida com a venda das cartelas de jogo de bingo. (Acórdão 20190.950, de 11 de março de 2008, Segundo Conselho de Contribuintes1ª Câmara) COFINS. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição é o total da receita bruta obtida com a venda de cartelas em bingos realizados por entidades desportivas, ou à sua ordem. (fatos geradores anteriores a 1999). Recurso ao qual se nega provimento. (Acórdão 20215349, Segundo Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara) COFINS. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição é o total da receita bruta obtida em bingos realizados por entidades desportivas, ou à sua ordem (fatos geradores anteriores a 1999). (Acórdãos 20215960 e 203 09408, Segundo Conselho de Contribuintes, 2ª e 3ª Câmaras) Cabe ainda observar que, a meu ver, de fato houve uma contradição na decisão de primeira instância, mas em prejuízo do Fisco, e não da Contribuinte. Tudo o que se disse até aqui sobre a configuração da receita bruta deveria valer também para o IRPJ e a CSLL, inclusive no que toca às destinações legais, embora a decisão de primeira instância tenha manifestado entendimento diverso: 35. Dessa forma, diante da própria definição do fato jurídico tributário que delimita a incidência do IRPJ, não se justifica a inclusão, na receita da empresa, dos valores auferidos com a atividade de jogo de bingo, destinados a terceiros (União, Caixa Econômica Federal, Entidades e Comitês Desportivos). 36. Acrescentese que não teria sentido exigir que todo o valor arrecadado fosse utilizado para fins de apuração do lucro presumido da contribuinte, uma vez que, enquanto por essa sistemática 32% das receitas são oferecidas à tributação, a legislação específica destina apenas 28% do total arrecadado à empresa administradora. 37. Enfim, se obedecido o critério escolhido pela autoridade fiscal, nesse aspecto, estarseia tributando 32% de toda a Fl. 833DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 11/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13864.000076/200882 Acórdão n.º 180200.869 S1TE02 Fl. 381 16 receita auferida, percentual este superior ao total das receitas destinado à autuada (28% do arrecadado). (...) 39. Portanto, assiste razão à contribuinte quando argumenta que somente parte do total arrecadado com a atividade de jogo de bingo (cartelas), no percentual de 28% das receitas auferidas, constituemse em receitas próprias, a partir da qual se presume o lucro, à alíquota de 32% (trinta e dois por cento), relativo à prestação de serviços em geral, nos termos da alínea “a”, do inciso III, do § 1º, do artigo 519, do Regulamento do Imposto sobre a Renda, aprovado pelo Decreto n.º 3.000, de 1999. 40. Concluindo, excluise da exigência o IRPJ e a CSLL incidentes sobre as receitas auferidas pela contribuinte, destinadas a terceiros, no percentual de 72% sobre o total arrecadado na atividade de jogo de bingo (cartelas), conforme consolidação que se faz ao final deste acórdão. Em relação a esse aspecto, penso que a lei, ao fixar os coeficientes para a presunção de lucro, não excluiu quaisquer receitas da incidência do IRPJ e da CSLL, mas apenas dimensionou a partir delas o lucro a ser tributado. Deste modo, a receita bruta sobre a qual deve ser aplicado o coeficiente de 32%, para fins de cálculo do lucro presumido, abrange a totalidade dos valores recebidos, que, como visto, integram a receita bruta da empresa. Se o percentual de 32% é inadequado para a apuração do lucro pelas vias da presunção, dadas as reais condições da Contribuinte, uma vez que a lei estipula destinações obrigatórias em percentuais elevados que comprometem de plano esta margem de lucro, restaria ainda a possibilidade de apuração pelo Lucro Real. De todo modo, a imperfeição na apuração do lucro, que é inerente à forma presumida, não pode ser compensada pela exclusão de receitas próprias, sem que haja autorização legal para tanto. Finalmente, é importante esclarecer que as considerações acima não visam implementar qualquer reversão na decisão de primeira instância quanto à parte provida, pela proibição da “reformatio in pejus”. Os comentários servem tão somente para indicar o motivo pelo qual o entendimento da DRJ sobre as destinações legais, no tocante ao IRPJ e a CSLL, não pode ser estendido ao PIS e à COFINS. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a decadência e, no mérito, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 834DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 11/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13864.000076/200882 Acórdão n.º 180200.869 S1TE02 Fl. 382 17 Fl. 835DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 11/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 12893.000090/2007-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 10/05/2007
COFINS. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DALEI Nº 9.718/1998.
Reconhecida a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, a base de cálculo da contribuição deve ser determinada a partir do caput do art. 2º da Lei Complementar nº 70/1991. A Cofins, portanto, deve incidir sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza.
INCONSTITUCIONALIDADE.
Não compete apreciar, no âmbito administrativo, arguições de inconstitucionalidade de norma legitimamente inserida no sistema jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário.
Numero da decisão: 3301-003.926
Decisão: Recurso Voluntário Provido em Parte
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Liziane Angelotti Meira- Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antônio da Costa Cavalcanti Filho, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DALEI Nº 9.718/1998. Reconhecida a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, a base de cálculo da contribuição deve ser determinada a partir do caput do art. 2º da Lei Complementar nº 70/1991. A Cofins, portanto, deve incidir sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete apreciar, no âmbito administrativo, arguições de inconstitucionalidade de norma legitimamente inserida no sistema jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Liziane Angelotti Meira Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antônio da Costa Cavalcanti Filho, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 3. 00 00 90 /2 00 7- 95 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 12893.000090/200795 Acórdão n.º 3301003.926 S3C3T1 Fl. 79 2 Relatório Por economia processual, adoto o relatório elaborado pela decisão recorrida, abaixo transcrito: Trata o presente de Pedido de Restituição de pagamento indevido ou a maior para a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, no valor de R$ 94.443,89. Tal pagamento foi efetuado através de compensação realizada no processo n° 13851.000919/200113, conforme documento de fls. 02. Alega o interessado que o indébito é decorrência de ter incluído na base de cálculo da contribuição parcelas referentes à ampliação da base de cálculo por força da Lei n° 9.718, de 1998, julgada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal STF no Recurso Especial 346.084, e também o valor do ICMS, que deve ser excluído da base de cálculo. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Araraquara, através do Despacho Decisório de fls. 11/16, indeferiu o pedido, baseando sua decisão na inexistência de efeito erga omnes para a decisão do STF que considerou inconstitucional o § 1° do art. 3º da Lei n° 9.718, de 1998, efeito esse que decorre da suspensão, pelo Senado Federal, da execução do referido dispositivo legal, suspensão essa que até a presente data não ocorreu. Destaca o caráter vinculante e obrigatório da atividade administrativa, conforme dispõe o art. 142 do Código Tributário Nacional — CTN, que impede referida autoridade aplicar a legislação tributária, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua legalidade, constitucionalidade ou outros aspectos de validade. Quanto à exclusão da base de cálculo da contribuição, da parcela referente ao ICMS, demonstra que não existe previsão legal para tal procedimento, possível apenas para o ICMS cobrado pelo vendedor de bens ou prestador de serviços na condição de substituto tributário, o que não é o caso do interessado. Ressalta, ao final, o disposto nos arts. 26 e 31 da Instrução Normativa SRF (IN) n° 600, de 2005, a respeito da impossibilidade de compensação de crédito já indeferido pela autoridade administrativa (art. 26) e da declaração de não formulação do pedido de restituição e da não declaração da compensação na hipótese prevista (art. 31). Cientificado da decisão em 27/06/2007, fl. 18, o interessado apresentou manifestação de inconformidade em 19/07/2007, fls. 19/24, alegando, em breve síntese: Que a autoridade fiscal pretende defender a legalidade do disposto no §1°, do art. 3°, da Lei n° 9.718, de 1998, dispositivo já declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal STF em inúmeros julgados, não havendo mais controvérsia a respeito, inclusive no Conselho de Contribuintes. Reproduz acórdãos a respeito; No que tange ao ICMS, que compõe o preço de venda das mercadorias, este não tem o conceito de faturamento, sendo mera despesa do contribuinte. Cita parte Fl. 79DF CARF MF Processo nº 12893.000090/200795 Acórdão n.º 3301003.926 S3C3T1 Fl. 80 3 do voto de Ministro do STF, no julgamento do Recurso Extraordinário 240.785, cujo julgamento ainda não foi concluído. Ao final requer a restituição dos valores recolhidos a maior, referentes a Cofins incidente sobre as receitas que não integram o faturamento e sobre o ICMS, incluídos na base de cálculo. Ao julgar a impugnação, a 1ª Turma da DRJ/RPO proferiu o Acórdão nº 14 22.966, de 6 de abril de 2009, com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 10/05/2007 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. PREVISÃO LEGAL. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, que corresponde à receita bruta, entendida como a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. Somente as parcelas legalmente autorizadas podem ser excluídas da base de cálculo, não se enquadrando nessa situação os valores devidos a título de ICMS. Solicitação Indeferida A interessada apresentou recurso voluntário, de folhas 48 a 56, no qual alega, em síntese, que: É indevida a inclusão na base de cálculo da Cofins de valores estranhos ao conceito de faturamento. Defende a inconstitucionalidade do artigo 3°, § 1°, da Lei nº 9.718/98 e colaciona jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Assevera que o § 1° do art. 3° da Lei nº 9.718/98 ampliou significativamente a base de cálculo da contribuição para a COFINS, ao prescrever que nela fosse considerada a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, e não simplesmente o seu faturamento. Defende que o legislador ordinário ofendeu frontalmente o mandamento constitucional do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, bem como contrariou a norma consubstancia no art. 110 do Código Tributário Nacional, a qual proíbe a alteração, por lei tributária, da definição, do conteúdo e do alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Defende também que o ICMS não deve integrar a base de cálculo da contribuição para a COFINS. É o relatório. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 12893.000090/200795 Acórdão n.º 3301003.926 S3C3T1 Fl. 81 4 Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Mister consignar que a Lei Complementar nº 70/91, no seu art. 2º, restringia a materialidade do tributo ao faturamento “mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza”. Não havia previsão para incidência sobre outras receitas, o que somente ocorreu com o advento da Lei nº 9.718/98, a qual, no seu art. 3º, § 1°, ampliou o âmbito normativo da contribuição, de modo a compreender a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. O § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 foi julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 346.084/PR: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE – ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 – EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO – INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF. T. Pleno. RE 346.084/PR. Rel. Min. ILMAR GALVÃO. Rel. p/ Acordão. Min. MARCO AURÉLIO. DJ 01/09/2006). Esse entendimento foi reafirmado no julgamento do RE nº 585.235/RG, decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B), no qual também foi deliberada e edição de súmula vinculante sobre a matéria: RECURSO Extraordinário. Tributo. Contribuição Social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.09.2006; Res n º 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (STF. RE 585235 RGQO. Rel. Min. CESAR PELUSO. DJ 28/11/2008). Fl. 81DF CARF MF Processo nº 12893.000090/200795 Acórdão n.º 3301003.926 S3C3T1 Fl. 82 5 Nesse sentido, é de se concluir que assiste razão à Recorrente quando defende a inconstitucionalidade da no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, e consequentemente, defende ser indevida no período em pauta a inclusão na base de cálculo da contribuição para a Cofins de valores estranhos ao conceito de faturamento constante da Lei Complementar nº 70/91. No que concerne à inclusão do valor ICMS na base de cálculo da Cofins, a matéria encontrase disciplinada no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1996, a seguir transcrito: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001)(Vide arts. 49 e 98 da MP nº 627, de 11 de novembro de 2013) (...) § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; (Vide arts. 49 e 98 da MP nº 627, de 11 de novembro de 2013) (grifos nossos) (...) Da leitura do preceito legal, extraise que somente o valor do ICMS cobrado nas operações submetidas ao regime de substituição tributária podem ser excluídos da base de cálculo das citadas Contribuições. Contrario sensu, o valor do ICMS cobrado nas demais modalidades de operações, situação em que se enquadra o caso em apreço, por falta de previsão legal, tal valor deve compor a referida base cálculo. Deveras, o faturamento compreende o valor total da operação de venda, nele incluído o valor do ICMS. Aliás, a própria base de cálculo do ICMS, definida como o valor da operação da circulação de mercadorias (art. 155, II, da CF/1988, c/c arts. 2º, I, e 8º, I, da LC 87/1996), inclui o próprio montante do ICMS incidente, pois ele faz parte da importância paga pelo comprador e recebida pelo vendedor na operação. Tratase da metodologia de cálculo, denominada de “método por dentro”, em que o imposto é incluído no valor da mercadoria, constituindo o destaque do valor do imposto mero controle escritural. Logo, se o ICMS incide sobre si mesmo, outra não pode ser a conclusão de que ele integra faturamento e, por conseguinte, da base de cálculo da Cofins. Nesse sentido, o entendimento jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), reafirmada no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 582.461/SP, sob o regime segue transcrito: 1. Recurso extraordinário. Repercussão geral. (...) 3. ICMS. Inclusão do montante do tributo em sua própria base de cálculo. Constitucionalidade. Precedentes. A base de cálculo do ICMS, definida como o valor da operação da circulação de mercadorias (art. 155, II, da CF/1988, c/c arts. 2º, I, e 8º, I, da LC 87/1996), inclui o próprio montante do ICMS incidente, pois ele faz parte da importância paga pelo comprador e recebida pelo vendedor na operação. A Emenda Constitucional nº 33, de 2001, inseriu Fl. 82DF CARF MF Processo nº 12893.000090/200795 Acórdão n.º 3301003.926 S3C3T1 Fl. 83 6 a alínea “i” no inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal, para fazer constar que cabe à lei complementar “fixar a base de cálculo, de modo que o montante do imposto a integre, também na importação do exterior de bem, mercadoria ou serviço”. Ora, se o texto dispõe que o ICMS deve ser calculado com o montante do imposto inserido em sua própria base de cálculo também na importação de bens, naturalmente a interpretação que há de ser feita é que o imposto já era calculado dessa forma em relação às operações internas. Com a alteração constitucional a Lei Complementar ficou autorizada a dar tratamento isonômico na determinação da base de cálculo entre as operações ou prestações internas com as importações do exterior, de modo que o ICMS será calculado "por dentro" em ambos os casos. (...) 5. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (STF. Tribunal Pleno. RE 582461/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, j. 18/5/2011, DJe158 divulg 1708 2011) grifos não originais Entretanto, cabe esclarecer que a constitucionalidade do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, que, explicitamente, autoriza a inclusão do valor ICMS na base cálculo das citadas Contribuições, ainda se encontra no Supremo Tribunal Federal, no âmbito da Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, proposta pelo Presidente da República, em que, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário, juízos e tribunais suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei n o 9.718/98. A suspensão dos julgamentos determinada liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 4/2/2009, em 16/9/2009, e, finalmente, em 25/3/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Em consulta realizada no sítio do STF, no dia Sessão de julgamento do presente recurso voluntário, verificouse que a decisão concernente à ADC nº 18 ainda se encontrava pendente de publicação. Cabe destacar que, após a perda da eficácia da medida liminar prolatada no âmbito da citada ADC, o plenário do STF retomou o julgamento do RE nº 240.785/MG, que se encontrava suspenso. No julgado, realizado em 08/10/2014, por maioria, o plenário decidiu que o valor do ICMS não integrava a base de cálculo das referidas contribuições, conforme se infere nos enunciados das ementas que seguem transcritos: TRIBUTO – BASE DE INCIDÊNCIA – CUMULAÇÃO – IMPROPRIEDADE. Não bastasse a ordem natural das coisas, o arcabouço jurídico constitucional inviabiliza a tomada de valor alusivo a certo tributo como base de incidência de outro. COFINS – BASE DE INCIDÊNCIA – FATURAMENTO – ICMS. O que relativo a título de Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços não compõe a base de incidência da Cofins, porque estranho ao conceito de faturamento. (RE 240785, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 08/10/2014, DJe246 DIVULG 15 122014 PUBLIC 16122014) A referida decisão se tornou definitiva em 23/2/2015, com seu trânsito em julgado, porém, por se tratar de decisão definitiva de mérito não submetida à sistemática de repercussão geral, definida no art. 1.035 do novo CPC (Lei 13.105/2015) e, portanto, por não Fl. 83DF CARF MF Processo nº 12893.000090/200795 Acórdão n.º 3301003.926 S3C3T1 Fl. 84 7 atender os requisitos do art. 62, § 2º, do Anexo II do vigente Regimento Interno deste Conselho (RICARF/2015), não há obrigatoriedade da sua reprodução nos julgamentos deste Conselho. Na esfera infraconstitucional, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça (STJ) a jurisprudência consolidouse no sentido de que o valor do ICMS integra a base de cálculo das referidas contribuições, conforme explicitado nos enunciados das Súmulas STJ 68 e 94, a seguir transcritos: SÚMULA 68: A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. SÚMULA 94: A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Em recentes julgamentos, o STJ vinha reafirmando esse entendimento. Nesse sentido, a decisão proferida no julgamento, realizado em 11/2/2014, no Agravo Regimental no Recurso Especial (AgRg no REsp) nº 1.422.739/PR, cujo enunciado da ementa segue reproduzido: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO AO PIS E DE COFINS. PRECEDENTES. 1. A jurisprudência consolidada em ambas as Turmas especializadas em direito público deste Tribunal é firme no sentido de que os valores provenientes do crédito do ICMS não ostentam natureza de receita ou faturamento, mas mera recuperação de custos na forma de incentivo fiscal concedido pelo governo para desoneração das operações, não integrando, portanto, a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. Precedentes: Ag 1.352.512, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 10/11/10; REsp 1.205.072/RS, Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma, DJe 14/2/12; AgRg no REsp 1.318.196/RS, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 24.8.2012; AgRg no REsp 1.214.684/PR, Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, Segunda Turma, DJe 1.8.2012; AgRg no REsp 1159562/RS, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 16/03/2012; AgRg no REsp 1165316/SC, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 14/11/2011; AgRg no REsp 1229134/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 03/05/2011; REsp 1025833/RS, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJe 17/11/2008; AgRg no REsp 1.282.211/PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 19.6.2012. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1422739/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 11/02/2014, DJe 18/02/2014) Com base nessas considerações, e por entender que o valor do ICMS integra a base de cálculo da Cofins e também por não haver ainda decisão definitiva publicada, na sistemática de repercussão geral e dos recursos repetitivos, proferidas pelo STF e STJ, voto pela manutenção da cobrança da Cofins calculada sobre o valor do ICMS. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário. Liziane Angelotti Meira Relatora Fl. 84DF CARF MF Processo nº 12893.000090/200795 Acórdão n.º 3301003.926 S3C3T1 Fl. 85 8 Fl. 85DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.723143/2012-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2008 a 31/12/2008
CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 1.
Estabelece a Súmula CARF nº 1 que importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA RESPECTIVA DECISÃO JUDICIAL. 170-A DO CTN.
Nos termos do art. 170-A do Código Tributário Nacional, é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. FALSIDADE DE INFORMAÇÃO EM GFIP.
Constitui infração, passível de aplicação de multa isolada agravada, a compensação das contribuições sociais feita em desconformidade da legislação previdenciária, nos termos do art. 89, §§ 9º e 10, da Lei nº 8.212/91.
Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da Lei nº 8.212/1991, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" à compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4.
Conforme disposto na Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-004.119
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que deram provimento parcial ao recurso, para afastar a multa isolada de 150%.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2008 a 31/12/2008 CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 1. Estabelece a Súmula CARF nº 1 que importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA RESPECTIVA DECISÃO JUDICIAL. 170-A DO CTN. Nos termos do art. 170-A do Código Tributário Nacional, é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. FALSIDADE DE INFORMAÇÃO EM GFIP. Constitui infração, passível de aplicação de multa isolada agravada, a compensação das contribuições sociais feita em desconformidade da legislação previdenciária, nos termos do art. 89, §§ 9º e 10, da Lei nº 8.212/91. Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da Lei nº 8.212/1991, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" à compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4. Conforme disposto na Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2001; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 418 1 417 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.723143/201213 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.119 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de agosto de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente PROMEDICA PATRIMONIAL S A PROPAT Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2008 a 31/12/2008 CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 1. Estabelece a Súmula CARF nº 1 que importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA RESPECTIVA DECISÃO JUDICIAL. 170A DO CTN. Nos termos do art. 170A do Código Tributário Nacional, é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. FALSIDADE DE INFORMAÇÃO EM GFIP. Constitui infração, passível de aplicação de multa isolada agravada, a compensação das contribuições sociais feita em desconformidade da legislação previdenciária, nos termos do art. 89, §§ 9º e 10, da Lei nº 8.212/91. Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da Lei nº 8.212/1991, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" à compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 31 43 /2 01 2- 13 Fl. 418DF CARF MF Processo nº 10580.723143/201213 Acórdão n.º 2202004.119 S2C2T2 Fl. 419 2 MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4. Conforme disposto na Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que deram provimento parcial ao recurso, para afastar a multa isolada de 150%. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Jose Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10580.723143/201213, em face do Acórdão nº 1532.566, julgado pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (DRJ/SDR), na sessão de julgamento de 11 de junho de 2013, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: "Tratase de processo que agrupa os Autos de Infração (AI) lavrados por descumprimento de obrigações tributárias principais, acessórias e acréscimos legais, sob os seguintes DEBCAD nº: 37.355.1924 e 37.355.1916, consolidados em 26/03/2012. Fl. 419DF CARF MF Processo nº 10580.723143/201213 Acórdão n.º 2202004.119 S2C2T2 Fl. 420 3 A tabela abaixo apresenta um resumo dos Autos de Infração que compõem o processo sob julgamento: Informa a Fiscalização que a empresa auditada é uma sociedade anônima e tem como principal objeto à atividade de atendimento hospitalar. Relata que o procedimento fiscal foi desenvolvido na modalidade fiscalização, tendo sido iniciada, através do MPF Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização n° 05.1.01.00201200132, seguida da emissão, em 06/03/2012, de Termo de Inicio Procedimento Fiscal TIPF através do qual foram solicitados os diversos documentos examinados no procedimento. Afirma que as contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social, levantadas no AI 37.355.1924 correspondem ao valor da glosa das compensações efetuadas no ano de 2008, uma vez que a empresa efetuou compensações sem possuir o respectivo crédito originário, nos termos do art. 89, § 9o e 10, da Lei 8.212/91. O contribuinte efetuou compensação de créditos inexistentes uma vez que considerou o pagamento de diversas parcelas incidentes de contribuição previdenciária como recolhimento indevido. A planilha de compensação apresentada pelo contribuinte demonstra que este se compensou de valores pagos sobre saláriomaternidade, férias gozadas e 1/3 das férias gozadas, sem o respectivo suporte legal ou jurídico. Questionado sobre as compensações o contribuinte apresentou esclarecimento assinado pelo escritório de advocacia que o assessora afirmando que tais compensações foram efetuadas por entenderem que sobre diversas parcelas recolhidas não haveria incidência de contribuição previdenciária, sendo, assim, cabível a compensação. Foram apresentadas à fiscalização cópias de dois processos judiciais ajuizados pelo contribuinte discutindo a incidência de contribuição sobre o saláriomaternidade, 1/3 de férias, insalubridade, periculosidade e outras parcelas. Tais processos tiveram sentenças desfavoráveis ao contribuinte em relação às parcelas que foram previamente compensadas. Salienta a Fiscalização que estes processos ainda não transitaram em julgado e que até o momento, a sentença foi desfavorável ao pleito do contribuinte, considerando as parcelas Fl. 420DF CARF MF Processo nº 10580.723143/201213 Acórdão n.º 2202004.119 S2C2T2 Fl. 421 4 indevidamente compensadas como incidentes de contribuição previdenciária. Ressalta que mesmo que as sentenças tivessem sido favoráveis ao contribuinte, o que não aconteceu, os valores somente poderiam ser compensados após o trânsito em julgado da sentença, conforme disposto no artigo 170A, do Código Tributário Nacional. A base de cálculo foi apurada de acordo com os valores efetivamente compensados pelo contribuinte, por meio de declaração em GFIP. Tais valores constam também das planilhas demonstrativas de compensação disponibilizadas pelo contribuinte fiscalizado. O valor da glosa da compensação corresponde ao exato valor compensado, corrigido pelos índices legais. Pontua ainda a Fiscalização que AI 37.355.1916 se refere à multa de ofício (multa isolada) da compensação efetuada sem o devido crédito, nos termos do art. 89, § 9o e 10, da Lei 8.212/91. As contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social, levantadas neste Auto de Infração, correspondem à multa de 150% sobre o valor da compensação indevida, nos termos do §10 do art. 89, da Lei 8.212/91, efetuada nos anos de 2009 e 2010, uma vez que a empresa efetuou compensações sem possuir o respectivo crédito originário. O valor do multa isolada, nos termos do art. 89, §10, da Lei 8.212/91, corresponde, na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, ao dobro da multa de 75% prevista no inciso I do caput do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Desta forma, a alíquota aplicável é de 150% incidente sobre os valores falsamente declarados em GFIP. Consta dos autos Termo (fl. 193) que informa a apensação do processo 10580.723145/201202 a este que é considerado como principal. O Autuado foi cientificado dos lançamentos pessoalmente em 27 de março de 2012, conforme assinaturas nas folhas de rosto dos AI integrantes deste processo. Em 26 de abril de 2012, apresenta impugnação, alegando, em síntese, o que se relata a seguir. Do direito de petição. Inicialmente, destaca que a presente Petição deve ser recebida, posto que encontra indubitável amparo no direito constitucional de petição, insculpido no artigo 5º, inciso XXXIV, alínea "a", da Constituição Federal. Dos fatos. A autoridade Administrativa formalizou os Autos de Infração referentes à glosa de compensações e à multa de ofício (multa isolada), ambos apurados no período de 01/2009 a 12/2010, compensações estas originárias de créditos discutidos Fl. 421DF CARF MF Processo nº 10580.723143/201213 Acórdão n.º 2202004.119 S2C2T2 Fl. 422 5 em duas ações judiciais, autuadas sobre os n°s. 0020064.16.2007.401.3300 (2007.33.00.0200736) e 0009908.27.2011.401.3300, buscando o direito ao crédito dos valores recolhidos nos últimos 10 anos anteriores a propositura das demandas, a titulo de contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração paga pelo empregador ao empregado nos 15 (quinze) primeiros dias que antecedem a concessão do auxíliodoença e auxilioacídente, sobre as férias indenizadas e o respectivo adicional de 1/3, insalubridade, periculosidade e outras parcelas. Deixou de observar a autoridade impugnada a decisão proferida nos autos da ação judicial n° 0020064.16.2007.401.3300 (2007.33.00.0200736) que reconheceu indevida a contribuição incidente sobre os 15 (quinze) dias que antecedo o auxilio doença e acidente, bem como o terço constitucional de férias, além de reconhecer legítimo o direito da impugnante quanto a compensação dos valores recolhidos indevidamente. Com efeito, o Auto de Infração ora combatido foi lavrado à margem da Constituição Federal e a legislação atinente, isto porque, entendeu por bem a fiscalização em proceder a lavratura, sem, sequer, analisar os documentos apresentados pela Impugnante, os quais seriam suficientes para a homologação dos créditos efetivamente compensados, ou quiçá, houvesse a lavratura do auto de infração e o mesmo continuasse com a exigibilidade suspensa até julgamento final das ações judiciais, buscando assim, evitar a decadência. Do vício insanável da autuação em razão da ausência de correlação lógica entre os valores lançados e a base de cálculo utilizada para apuração dos supostos créditos tributários. Inicialmente, destaca que a Impugnante cumpriu todas as suas obrigações fiscais, sejam elas principais ou acessórias. Prova disso são os documentos que foram apresentados, no transcorrer da fiscalização. As parcelas compensadas pela impugnante, referemse as contribuições sociais previdenciária incidente sobre os valores pagos nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado (antes da obtenção do auxíliodoença ou do auxílioacidente), sendo que, nestes casos, a jurisprudência é uníssona no sentido de inexigibilidade das sobreditas contribuições. Em sendo tais valores, pagos em circunstâncias em que não há indubitavelmente, prestação de serviço, por parte de seus colaboradores, temse que não está configurada, por consequência, a hipótese de incidência prevista no inciso I do artigo 22, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991. Do cabimento da impugnação e da suspensão da exigibilidade do suposto crédito tributário. Com fulcro no art. 15 do Decreto 70.235/72 e no art. 151 do CTN é indubitável que a exigibilidade dos supostos débitos deve ser suspensa, em razão da apresentação de impugnação, devendo a autoridade competente tomar as medidas cabíveis para que os DEBCAD não constem como restrições a Impugnante, seja de que natureza for. Assim, resta claro que a presente defesa apresentada pela Impugnante ratifica a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, Fl. 422DF CARF MF Processo nº 10580.723143/201213 Acórdão n.º 2202004.119 S2C2T2 Fl. 423 6 conforme dispõe o artigo 151 do Código Tributário, conforme entendimento jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça. Da contribuição previdenciária propriamente dita. Ocorre que em inegável ofensa ao princípio da legalidade estrita (Constituição Federal, art. 150, inciso I) bem como ao histórico legislativo e jurisprudencial exige a autoridade Impugnada o recolhimento da contribuição social previdenciária pretensamente incidente sobre valores pagos em situações em que não há remuneração por serviços prestados, ou seja, hipóteses que desbordam do fato gerador in abstracto, como as importâncias pagas nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado (antes da obtenção do auxíliodoença ou auxílioacidente) e a título de abono constitucional de 1/3 (um terço) de férias. Da legalidade da compensação prevista no art. 66 da Lei nº 8383/91. O aludido artigo 66 da Lei n° 8.383/91, faculta ao contribuinte a possibilidade de utilizar os créditos com a Fazenda Pública, cujos tributos pagos a maior ou indevidamente, o direito de compensar aludidos valores com débitos vincendos, independentemente de autorização da Administração Pública. Nesta hipótese, os valores a compensar são apurados e registrados pelo próprio contribuinte, em seus livros contábeis e fiscais, e a compensação efetivase independentemente de prévia autorização do ente tributário, cuja participação na operação, cingese a posterior revisão dos atos praticados pelo contribuinte, sua possível homologação, ou ao lançamento por discordância parcial ou total com a compensação realizada. Como se não bastasse, a Lei n° 8.383/91, em seu art. 66, trata de uma modalidade de compensação passível de ser realizada pelo contribuinte no âmbito do lançamento por homologação, sujeita a posterior fiscalização. O art. 170 do Código Tributário e seu apêndice, o artigo 170ª cuidam de outra modalidade de compensação, realizada diretamente pelos agentes fiscais a pedido do contribuinte e que extingue o crédito tributário (já constituído, portanto), nos termos do art. 156, II, do CTN. Desse modo, não pode a administração vincular aquele procedimento de compensação ao trânsito em julgado daquela decisão, por não ser aplicável ao procedimento aqui defendido. Da constituição do crédito tributário. É função do sujeito ativo da obrigação tributária, em caso de averiguação de ausência de pagamento, pagamento a menor, ou compensações supostamente indevidas, proceder ao lançamento de ofício e notificar o sujeito passivo para que pague no prazo assinalado, sob pena de, não o fazendo, sujeitarse à cobrança judicial, desde que precedida da inscrição na dívida ativa. Por decorrência lógica, ao informar por via de GFIP a suspensão ou pagamento com fundamento em processos judiciais, não pratica o sujeito passivo qualquer ato tendente a constituir o crédito tributário, não havendo razão para que o Fisco proceda à inscrição na dívida ativa e à respectiva cobrança de seus créditos. Fl. 423DF CARF MF Processo nº 10580.723143/201213 Acórdão n.º 2202004.119 S2C2T2 Fl. 424 7 Da indevida aplicação da Taxa Selic. Resta claro a impossibilidade da utilização da taxa de referência SELIC, como taxa de juros moratórios para as multas aplicadas, já que a mesma não possui natureza indenizatória, própria dos juros moratórios, além de tratarse de meio de remuneração e, não, de indenização, caso em que, se não observado tal fundamento, estará configurado o locupletamento ilícito. Da multa isolada de 150%. Imputação em razão da suposta inexistência de crédito. Ofensa aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e do não confisco. Ainda que se entenda por indevidas as compensações, a multa isolada de 150% deve ser afastada, seja por inexistência de indícios na apuração indevida de créditos, seja por se tratar de multa confíscatóría, desproporcional e desarrazoada. Pedidos. Por todo o que foi exposto, requerse seja a presente impugnação conhecida e regularmente processada, suspendendose nos termos do artigo 151, inciso III do CTN, a exigibilidade do crédito tributário, dandose a esta completo provimento, julgandose totalmente improcedente o lançamento. Requer a intimação da Impugnante na pessoa de seu representante legal infra assinado para oportuna sustentação oral, quando do julgamento da referida Impugnação; bem como a realização de diligências necessárias para o real deslinde do feito e regularização da fiscalização realizada. Requerse, sob pena de nulidade, que as publicações e/ou intimações referentes ao presente feito sejam sempre lançadas em nome do patrono Nelson Wilians Fratoni Rodrigues, inscrito na OAB/SP sob n° 128.341, com escritório matriz na Avenida Marginal Pinheiros n° 5200, Condomínio América Business Park, Edifício Montreal, 6o andar, Jardim Morumbi, São Paulo, Estado de São Paulo, CEP 05.693000, telefone (11) 33302299." A 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (DRJ/SDR) entendeu pela improcedência da impugnação apresentada. Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 340/362, reiterando as alegações expostas em impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto – Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Ação Judicial. Renúncia à via administrativa. Conforme se verifica dos autos, a contribuinte está discutindo judicialmente a incidência de contribuição previdenciária sobre algumas rubricas, dentre elas os valores pagos Fl. 424DF CARF MF Processo nº 10580.723143/201213 Acórdão n.º 2202004.119 S2C2T2 Fl. 425 8 nos primeiros 15 dias de afastamento dos empregados doentes ou acidentados e, também, aqueles pagos a título de terço constitucional de férias. No entanto, a Súmula nº 01 deste Conselho assim dispõe: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Portanto, não conheço das alegações quanto a não incidência de contribuição previdenciária sobre as rubricas em questão, diante da renúncia à instância administrativa. Glosa por compensação indevida. Trata o Auto de Infração DEBCAD 37.355.1924 da glosa de compensação de contribuição previdenciária declarada em GFIP e escudadas em ações judiciais 0020064.16.2007.401.3300 (2007.33.00.0200736) e 0009908.27.2011.401.3300 e que, atualmente, estão em fase de recurso, em trâmite no TRF da 1ª Região. Ocorre que o contribuinte procedeu à compensação antes do trânsito em julgado das decisões judiciais, prática vedada pelo art. 170A do Código Tributário Nacional. Assim, o direito da contribuinte escudado pelas ações judiciais ainda não foi definitivamente julgado pela Justiça, sendo, portanto, indevida a compensação declarada em GFIP nas competências referidas. A compensação de valores discutidos judicialmente deve obedecer o que determina o CTN, no artigo 170A: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (grifouse) Observase que na época da realização das compensações o referido processo ainda não havia sido definitivamente julgado. Dessa feita, em que pese o fato de haver discussão judicial acerca da incidência de contribuições previdenciárias sobre algumas verbas pagas a empregados, temse que não há nos autos nenhuma decisão judicial que, contrariando a legislação tributária de regência, autorizasse o contribuinte a compensar valores decorrentes de discussão judicial ainda não transitada em julgado com contribuições apuradas, conforme realizou. Portanto, em conformidade com o dispositivo citado, e em respeito à decisão judicial referida pela recorrente, as compensações, objeto de glosa por meio da autuação tratada no presente processo, foram efetuadas sem que, na oportunidade de sua realização, existissem créditos que lhes amparassem, devendo tais glosas serem mantidas. Fl. 425DF CARF MF Processo nº 10580.723143/201213 Acórdão n.º 2202004.119 S2C2T2 Fl. 426 9 Multa por compensação indevida. A contribuinte realizou compensações consideradas indevidas, por utilizarse créditos antes do trânsito em julgado. Constitui infração, passível de aplicação de multa isolada agravada, a compensação das contribuições sociais feita em desconformidade da legislação previdenciária, nos termos do art. 89, §§ 9º e 10, da Lei nº 8.212/91. Relativamente à aplicação da multa isolada de 150%, a Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, assim dispõe: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ... § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. O art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, por sua vez, com a redação da Lei nº 11.488, de 2007, dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata Da leitura destes dispositivos, não resta dúvida no sentido de que a constatação da falsidade da declaração é suficiente para a aplicação da multa isolada de 150%, sem a necessidade de comprovação de existência de dolo, ou qualquer uma das figuras penais descritas no §1º do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996. A multa de 150% é cabível não apenas em função da compensação indevida mas pela declaração falsa do contribuinte de possuir créditos em seu favor. Nesse passo, a compensação de créditos tributários inexistentes caracterizaria a falsidade requerida no dispositivo legal acima transcrito, restando perquirir, no presente caso, qual foi a situação que ensejou a glosa das compensações. O Relatório Fiscal fornece os fundamentos para a multa, descrevendo os supostos créditos que o contribuinte teria utilizado para as compensações. Tais compensações foram indevidas. Assim sendo, as importâncias utilizadas como crédito pelo contribuinte não Fl. 426DF CARF MF Processo nº 10580.723143/201213 Acórdão n.º 2202004.119 S2C2T2 Fl. 427 10 gozavam do pressuposto de liquidez e certeza, levando à conclusão de que este contribuinte compensouse de créditos inexistentes. Por pertinente, transcrevo trecho do voto vencedor da Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, proferido no Acórdão nº 9202004.341, em julgamento na Câmara Superior deste Conselho (sessão de 24/08/2016), sobre a aplicação da multa ora examinada: "Ou seja, o legislador determina a aplicação de multa de 150% quando se trata de falsidade de declaração, sem que no mencionado dispositivo, tenha a autoridade fiscal, mencionado a necessidade de imputação, de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. Mas, qual o limite entre a caracterização de simples informação inexata, ou sem que o recorrente tenha legitimidade para exercer naquele momento o direito e a falsidade propriamente dita? Ao efetivar compensação sobre valores de contribuições ao qual não demonstrou o recorrente ter efetivamente promovido o recolhimento, procedeu o recorrente a informação de existência de crédito na verdade inexistente, indicando nítida falsidade de declaração. ... Neste ponto, entendo pertinente transcrever o voto do ilustre Conselheiro Kleber Ferreira de Araujo, que tratou com muita propriedade a questão: "Verificase de início que a lei impõe como condição para aplicação da multa isolada que tenha havido a comprovada falsidade na declaração apresentada. Assim, para que o fisco possa impor a penalidade de 150% sobre os valores indevidamente compensados, é imprescindível a demonstração de que a declaração efetuada mediante a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP contém falsidade, ou seja, não retrata a realidade tributária da declarante. Pesquisando o significado do termo falsidade em http://www.dicionariodoaurelio.com, obtémse o seguinte resultado: “s.f. Propriedade do que é falso. / Mentira, calúnia. / Hipocrisia; perfídia. / Delito que comete aquele que conscientemente esconde ou altera a verdade.” Inserindo esse vocábulo no contexto da compensação indevida é de se concluir que se o sujeito passivo inserir na guia informativa créditos que decorrentes de contribuições incidentes sobre parcelas integrantes do saláriodecontribuição, evidentemente cometeu falsidade, haja vista ter inserido no sistema da Administração Tributária informação inverídica no intuito de se livrar do pagamento dos tributos. Fl. 427DF CARF MF Processo nº 10580.723143/201213 Acórdão n.º 2202004.119 S2C2T2 Fl. 428 11 Vale ressaltar que legislador foi bastante feliz na redação do dispositivo encimado, posto que utilizouse do art. 44 da ei n. 9.430/1996 apenas para balizar o percentual de multa a ser aplicado, não condicionando à aplicação da multa à ocorrência das condutas de sonegação, fraude e conluio, definidas respectivamente nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/1964. Esse opção legislativa serviu exatamente para afastar os questionamentos de que a mera compensação indevida não representaria os ilícitos acima, nos casos em que o sujeito passivo tivesse declarado corretamente os fatos geradores, posto que não se poderia falar em sonegação ou fraude fiscal." ... Contudo, não há que se confundir fraude com falsidade, tendo em vista que se o legislador, quisesse atribuir a mesma natureza as duas penalidades, teria simplesmente determinado a aplicação do art. 44, § 1º da 9430/1996. ... De se concluir que na imposição da multa isolada, relativa à compensação indevida de contribuições previdenciárias, a única demonstração que se exige do fisco é a ocorrência de falsidade na GFIP apresentada pelo sujeito passivo, como no presente caso. (sem grifos no original.)" Deste modo, entendo correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal, com relação à multa isolada, considerando que a informação em GFIP de compensações realizadas, sem que o contribuinte encontrese exercendo direito líquido e certo, leva sim, a uma declaração falsa, capaz de ensejar a aplicação da multa prevista no §10 do artigo 89 da Lei nº 8.212/91. Registro, ainda, que esta Turma, em julgamento em 04 de abril de 2017, por maioria de votos, entendeu pela manutenção da multa isolada de 150%, consoante ementa abaixo parcialmente transcrita: "[...] COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES COM CRÉDITOS INEXISTENTES. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos inexistentes, de fato ou de direito, seja por utilizar créditos prescritos, seja pela compensação antes do trânsito em julgado de ação judicial. Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da Lei nº 8.212/1991, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" à compensação, sem a necessidade de Fl. 428DF CARF MF Processo nº 10580.723143/201213 Acórdão n.º 2202004.119 S2C2T2 Fl. 429 12 imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. [...]" (Acórdão 2202003.786. Conselheira Relatora Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Redatora designada: Conselheira Cecília Dutra Pillar. Sessão de 04/04/2017) Assim, restando evidenciado que na declaração em GFIP houve falsidade da declaração apresentada, está configurada a situação prevista na Lei para a aplicação da penalidade de 150%. Alegações de inconstitucionalidade. Em relação a alegação de caráter confiscatório da multa aplicada, deixo de apreciála, por força do disposto na Súmula CARF nº 2, que assim dispõe: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.". Taxa Selic. Quanto à alegação de ilegalidade da utilização da Taxa SELIC, não merece guarida. Ocorre que, nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Conclusão. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 429DF CARF MF
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