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Numero do processo: 10820.001023/90-06
Data da sessão: Fri Mar 25 00:00:00 UTC 1994
Numero da decisão: CSRF/01-00.068
Decisão: RESOLVEM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Luiz Alberto Cava Maceira
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BERTO CAVA MACEI LUIZ FERNANDO OLIVE - PRESIDENTE - RELATOR t RAES - PROCURADOR DA FA- ZENDA NACIONAL MINISTiRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO PROCESSO N9 10820/001.023/90-06 Sessão de 25 de março d e 19 94 Recurso ng: RD/104-0.490 Recorrente CONSTANCIO FIOROTTO Recorrida QUARTA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES INTERESSADA: FAZ ENDA NACIONAL RESOLUQA0 N9-CSRF/01-0.068 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de ecurso interposto por CONSTANCIO FIOROTTO: RESOLVEM os Membros da Câmara Superior de Recursos iscais, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em dili- 5ncia, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o pre- ente julgado. articiparam, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselhei- P)s: SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL, KASUKI SHIOBARA (Suplente Convoca co), WALDEVAN ALVES DE OLIVEIRA, CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER, VICTO t,UIS DE SALLES FREIRE, LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO, CARLOS WALBERTO HAVES ROSAS, CELI DEFINE MARIZ DELDUQUE, JACKSON SCHNEIDER (Suplen Convocado), JOSÉ CARLOS GUIMARAES, WILFRIDO AUGUSTO MARGUES (Su= plente Convocado), RAFAEL GARCIA CALDERON BARRANCO, DfCLER DE ASSUN Ik() e JACKSON GUEDES FERREIRA. EFP/DF-SECOB N4 064/90 DA PROCESSO Ng 10820.001023/90-06 2. RECURSO N9 RD/104-0.490 REsoLugko N9-CSRF/01-0.068 RECORRENTE: CONSTANCIO FIOROTTO RECORRIDA: QUARTA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES RELATÓRIO Não se conformando com a decisão prolatada no Recurso n9 64.599 e objeto do Acórdão ng 104-8.572, de 11.06.91, o contribuinte CONSTANCIO FIOROTTO interpôs recurso especial A Camara Superior de Recursos Fiscais, com fundamento no item II do art. 49 do Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais - CSRF. A matéria de fato que ensejou o feito diz respeito & circunstância de a pessoa física do sócio ter classificado como rendimentos não tributáveis em sua Declaração de Rendimentos relativa ao exercício de 1986, as quantias recebidas a titulo de reembolso de reservas de lucros e a parte de sua participação no capital social da empresa Bebidas Fiorotto Ltda., com infração ao art. 34, inciso I, do RIR/80. A Câmara Recorrida manteve a exigência tributária, em decisão assim ementada: "IRPF - CÉDULA "F" - Tributa-se nessa cédula os lucros entregues pela pessoa jurídica aos sócios, quando estes não tenham optado pela tributação exclusiva na fonte. No caso de uma pessoa jurídica tributada pelo lucro presumido, se a lei cria a presunção da distribuição automática de 70%, no mínimo, do lucro apurado aos sócios, só pode ocasionar a consequência de que tais lucros deixaram de existir na pessoa jurídica. Se alguém pagou 6 porque outro recebeu, sendo que ninguém pode efetuar um pagamento sem que haja diminuição de suas disponibilidades. A presunção fixada no artigo 397 do RIR/80 deve ser examinada em todos os seus aspectos e em todas as suas 3. consequências. Recurso não provido." No apelo a esta Camara Superior o Recorrente, resumidamente, aduz que a tributação indevida decorre da não correção monetária de aplicações de capital efetuadas desde agosto de 1974, bem como que eventuais lucros que tivessem sido distribuídos seriam os apuráveis em balanço de abertura, acrescentando ainda, que a época e no exíguo prazo do recurso especial não foi possível conseguir cópia dos atos societários para proceder o cálculo do custo monetariamente atualizado das aplicações em quotas de capital da empresa da qual participava. Através do Despacho ng 104-029 (doc. fls. 72/73), o Sr. Presidente da Quarta Camara admitiu o apelo interposto pelo contribuinte. iiis fls. 74/81 o Sr. Procurador da Fazenda Nacional apresentou suas contra-razões, endossando e transcrevendo o Relatório e Voto do Sr.Conselheiro Relator da Quarta Camara. É o relatório. PROCESSO 10820.001023/90-06 4. Resolução ngCSRF/0.068 VOTO Considerando a necessidade de informações adicionais & solução da lide, proponho a conversão do presente julgamemto em diligência, retornando os autos & Delegacia de origem, para que a digna autoridade monocrática providencie no que segue: - Intimar o sujeito passivo para que apresente o Contrato Social e as posteriores alterações contratuais da empresa Bebidas Fiorotto Ltda, da qual era sócio, de forma a possibilitar a comprovação do período integral em que participou da sociedade, bem como a determinação da sua efetiva participação, anexando aos autos a documentação competente; - Elaborar Quadro Demonstrativo dos aportes de capital pelo sócio, atualizando-os monetariamente em função dos coeficientes oficiais de correção monetária para o diversos períodos abrangidos até a data do evento "extinção da empresa"; julgar cabível. - Apresentar Relatório Conclusivo caso É como voto. Brasilia, DF, 25 de março de 1994. LUIZ IBERTO CAV MACEIRA - Relator
score : 1.0
Numero do processo: 10730.001209/2001-99
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:1995, 1996, 1997, 1998
PASSIVO NÃO COMPROVADO. OMISSÃO DE RECEITA.
Autoriza a presunção de omissão de receita, a manutenção no passivo de obrigação cuja exigibilidade não foi comprovada.
DEDUTIBILIDADE DE CUSTOS E DESPESAS.
São dedutíveis na apuração do lucro real os custos e despesas pagas ou incorridas, necessárias, usuais ou normais a atividade e à manutenção das operações da fonte produtora, desde que comprovados com documentação hábil e idônea, registrada contabilmente.
LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO MÍNIMA.
Mantém-se o lançamento, ante a falta de argumentos sobre a origem do lucro inflacionário diferido.
LANÇAMENTOS REFLEXOS. PIS, COFINS E CSLL.
Inexistindo fatos novos a serem apreciados, estendem-se aos lançamentos reflexos os efeitos da decisão prolatada no lançamento matriz.
Numero da decisão: 1802-001.154
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Gustavo Junqueira Carneiro Leão
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:1995, 1996, 1997, 1998 PASSIVO NÃO COMPROVADO. OMISSÃO DE RECEITA. Autoriza a presunção de omissão de receita, a manutenção no passivo de obrigação cuja exigibilidade não foi comprovada. DEDUTIBILIDADE DE CUSTOS E DESPESAS. São dedutíveis na apuração do lucro real os custos e despesas pagas ou incorridas, necessárias, usuais ou normais a atividade e à manutenção das operações da fonte produtora, desde que comprovados com documentação hábil e idônea, registrada contabilmente. LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO MÍNIMA. Mantém-se o lançamento, ante a falta de argumentos sobre a origem do lucro inflacionário diferido. LANÇAMENTOS REFLEXOS. PIS, COFINS E CSLL. Inexistindo fatos novos a serem apreciados, estendem-se aos lançamentos reflexos os efeitos da decisão prolatada no lançamento matriz.
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OMISSÃO DE RECEITA. Autoriza a presunção de omissão de receita, a manutenção no passivo de obrigação cuja exigibilidade não foi comprovada. DEDUTIBILIDADE DE CUSTOS E DESPESAS. São dedutíveis na apuração do lucro real os custos e despesas pagas ou incorridas, necessárias, usuais ou normais a atividade e à manutenção das operações da fonte produtora, desde que comprovados com documentação hábil e idônea, registrada contabilmente. LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO MÍNIMA. Mantémse o lançamento, ante a falta de argumentos sobre a origem do lucro inflacionário diferido. LANÇAMENTOS REFLEXOS. PIS, COFINS E CSLL. Inexistindo fatos novos a serem apreciados, estendemse aos lançamentos reflexos os efeitos da decisão prolatada no lançamento matriz. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 953DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10730.001209/200199 Acórdão n.º 1802001.154 S1TE02 Fl. 37 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Fl. 954DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10730.001209/200199 Acórdão n.º 1802001.154 S1TE02 Fl. 38 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro (RJ) que considerou improcedente o recurso apresentado pela contribuinte, mantendo o auto de infração lançado pela Delegacia da Receita Federal de Niterói (RJ). O auto de infração lavrado pela DRF de Niterói referente aos anos calendários de 1995 a 1998, exige do contribuinte os seguintes tributos: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, no valor de R$ 8.604,96 (fls. 346/355); a contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, no valor de R$ 34.319,26 (fls.357/361); e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins, no valor de R$ 105.597,76 (fls. 362/366); todos acrescidos da multa de 75% e encargos moratórios; bem como a redução da base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL, no valor de R$ 6.009.859,05 (fls. 376/371). Fundamentaram, materialmente, as exações: A) IRPJ A.1) Omissão de receitas — passivo fictício: caracterizada pela não comprovação, através de documentação hábil, de valores registrados na conta de “fornecedores” e “financiamentos a curto prazo", no montante de R$ 1.061.218,00 (em 1996) e R$ 4.218.670,25 (em 1997). A.2) Custos ou despesas não comprovadas: falta de comprovação das despesas de “serviços prestados por terceiros” (conta n° 3115050072), nos valores de R$ 410.995,99 (em 1996) e de R$ 318.974,77 (em 1997). A.3) Não realização do valor mínimo do lucro inflacionário, cujo saldo acumulado em 31/12/1995 era de R$ 25.809,66. Tributouse os valores de R$ 2.580,96 (em 1995), R$ 2.322,87 (em 1996), R$ 2.090,58 (em 1997) e R$ 1.881,52 (em 1998). A.4) Excesso de remuneração dos administradores não adicionada ao lucro liquido. Uma vez que o interessado apurou prejuízo fiscal, para cada um dos diretores, num total de 2, é assegurado remuneração mensal igual ao dobro do limite de isenção para efeito de desconto do imposto de renda na fonte, conforme a seguir: • Remuneração de 2 diretores 654.842,26 • Remuneração mínima assegurada (43.200,00) • Excesso de retiradas adicionado (5.618,00) • Excesso a tributar (31/12/1996) 606.024,26 Fl. 955DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10730.001209/200199 Acórdão n.º 1802001.154 S1TE02 Fl. 39 4 A.5) Exclusões indevidas na apuração do lucro real (outras exclusões): falta de comprovação da legitimidade para exclusão dos valores R$ 2.158.427,92 (em 1995) e R$ 368.906,77 (em 1997). Tais valores não foram escriturados no Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR. B) PIS e COFINS Sob o titulo “omissão de receita”, atribuiuse a mesma infração citada no item “A.1” acima, para os períodos de 31/12/1996 e 31/12/1997. C) CSLL C.1) Omissão de receitas — passivo ficticio: caracterizada pela não comprovação, através de documentação hábil, de valores registrados na conta de “fornecedores” e “financiamentos a curto prazo”. C.2) Custos ou despesas não comprovadas: falta de comprovação das despesas de “serviços prestados por terceiros” (conta n° 3115050072). Ao impugnar as exigências, fls. 386/397, e documentos de fls. 398/749, a Recorrente: alegou que o autuante presumiu as infrações sem qualquer aprofundamento no levantamento fiscal e sem respaldo na legislação; juntou os contratos de financiamentos e cópias das folhas do diário para comprovar os respectivos saldos das contas passivas (fls. 398/581); apresentou as guias de importação e contratos de fechamento de câmbio das operações com a Silversea (fls. 582/647) para justificativa da conta “fornecedores”. A contrapartida desses lançamentos foram em conta de ativo, fato que nada altera o resultado. A jurisprudência dominante é do entendimento da presunção de omissão de receita sob a forma de passivo fictício não prosperar, se o valor lançado no passivo for compensado com idêntico valor no ativo; informou que o lucro inflacionário foi totalmente realizado na Declaração de imposto sobre a renda — DIRPJ, anocalendário de 1994 conforme documentos juntados às fls. 648/674. questionou o demonstrativo do lucro inflacionário (Sapli) utilizado pela fiscalização, onde somente consta o pretendido saldo (fl. 675), não permitindo a identificação do inverídico dado da Secretaria da Receita Federal —SRF, a ele se contrapondo a DIRPJ e o Lalur; informou que o Sapli caracteriza manifesto cerceamento do direito de defesa, posto não há outros elementos para contraditas o saldo. Requer a apresentação completa, reabrindose o prazo para a devida contestação; com relação às remunerações dos dirigentes, é impossível concluir, visto que o autuante considerou o dobro dos valores lançados na DIRPJ do anocalendário de 1996 (fls. 678, 679, 695 e 701); Fl. 956DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10730.001209/200199 Acórdão n.º 1802001.154 S1TE02 Fl. 40 5 informou que os valores de "outras exclusões" na apuração do lucro real é composto de provisões de Pis e Cofins (R$ 1.335.347,92 — fls. 702/718) e dos ajustes de estoques registrados nas contas 41420000113 e 414100011 (R$ 821.080,00), perfazendo o total de R$ 2.158.427,92, para o anocalendário de 1995, o qual encontrase registrado na DIRPJ retificadora (fls. 719/736); alegou que o valor de R$ 368.906,77, indicado na DIRPJ do anocalendário de 1997, diz respeito ao ajuste de juros pagos ao Banerj, provisionado a menor em 1996, não tendo transitado por conta de resultado, não implicando em prejuízo para o fisco na correta apuração do lucro real (fls. 737/749). Verificando não se acharem ainda reunidos todos os elementos necessários, foi determinada a diligência de fls. 752/759. Em função da diligência, foi dado ao interessado cópia do demonstrativo do lucro inflacionário, no qual está demonstrado a origem do saldo diferido a tributar (fls. 766), elaborado o relatório dos trabalhos executados (fls. 853/855) e dado ciência deste relatório (fl. 858). Não foram aditadas novas razões. A DRJ do Rio de Janeiro manteve parte do lançamento efetuado, considerando devido o imposto sobre a renda pessoa jurídica no valor de R$ 8.604,96, a contribuição para o Programa de Integração Social PIS, no valor de R$ 2.004,28 e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, no valor de R$ 6.167,04, todos acrescidos da multa de 75% e encargos moratórios. Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 19/03/2008, a Contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 881 a 888 em 16/04/2008, onde reforça as razões de sua impugnação referente a parte do auto de infração mantida pela DRJ do Rio de Janeiro. Este é o Relatório. Fl. 957DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10730.001209/200199 Acórdão n.º 1802001.154 S1TE02 Fl. 41 6 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. No recurso apresentado a contribuinte apresenta alegações referentes ao passivo fictício, ao excesso de remuneração aos dirigentes, e as exclusões indevidas na apuração do Lucro Real (outras exclusões), pontos esses que serão analisados e votados a seguir. A Passivo Fictício Na impugnação a ora Recorrente juntou documentos para comprovar os saldos de empréstimos bancários (31/12/1996 e 31/12/1997), da seguinte forma: BEN (fls. 400/401); Bradesco (fls. 431/438 e 548/562); Sofisa (fls. 440/441); BIC (fls. 443/447); Banco do Brasil (fls. 449/458); Banestado (fls. 460/478 e 570/577); BNL (fls. 480/497 e 573) e; Cacique (fls. 459/528). Em 30/12/1997 a Recorrente contabilizou a importação de equipamentos da Silversea, no montante de R$ 692.924,83 em duplicidade. O primeiro lançamento foi debitado em conta de ativo (1222130146 “Fábrica de atum importação em andamento” fls. 343 e 797); o segundo lançamento foi debitado em conta de despesa (conta 4142000143 “outros custos” fls. 343 e 799); ambos com contrapartida a crédito no passivo (conta 2132000853 “Silversea”). Em 30/01/1998 o interessado estornou o primeiro lançamento (fl. 801). Ante aos indícios apresentados, a autoridade autuante lançou o valor de R$ 692.924,83 como passivo fictício, sem identificar o respectivo lançamento, contudo a DRJ do Rio de Janeiro exonerou essa parte do auto de infração por entender que a contrapartida em conta de ativo, cuja transação comercial referese a importação de equipamento, não permite a interpretação de que haja omissão de receita. Embora fosse ônus da Recorrente a comprovação da exigibilidade dos demais valores autuados, a título de omissão de receita por criação de passivo fictício, assim não o fez, nem em sua impugnação, tampouco no presente recurso, de modo que voto pela manutenção dos demais valores lançados nessa rubrica. B Excesso de Remuneração dos Dirigentes A Recorrente remunerou dois dirigentes com o montante total de R$ 327.421,40, contabilizando esses valores na conta 3111010149 “honorários da diretoria” (fl. 802). No preenchimento da declaração de IRPJ, indicou na ficha 4 (Custos de bens e serviços vendidos), item 5 (Remuneração a dirigentes de indústria), o valor de R$ 327.421,13 (fl. 678), e na ficha 5 (Despesas operacionais), item I (Remuneração a dirigentes e a conselho adminis.), o valor de R$ 327.421,13 (fl. 679), portanto em duplicidade. O interessado reconhece que houve erro no preenchimento da declaração (fl. 790). Fl. 958DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10730.001209/200199 Acórdão n.º 1802001.154 S1TE02 Fl. 42 7 Pelo exposto, concordo com essa parte da autuação e voto pela manutenção do lançamento no valor de R$ 606.024,26. C Exclusões Indevidas na Apuração do Lucro Real (outras exclusões) C.1 – Provisões de PIS e COFINS Em sua Impugnação a Recorrente alega que as provisões de PIS e Cofins não haviam sido consideradas na apuração do lucro real, por não terem sido pagas. A dedução se deu na apresentação da declaração retificadora, na rubrica “outras exclusões” do Lucro Real, no montante corrigido de R$ 1.335.347,92. Em diligência (fl. 854), constatouse que as provisões para o PIS e a Cofins foram contabilizadas em conta de despesa (fls. 820/839), tendo sido consideradas na apuração do lucro liquido do exercício (fls. 840/841). Ao deduzílas na apuração do lucro real, o interessado não só o fez em duplicidade, como também considerou uma correção monetária sem previsão legal, visto que a partir do anocalendário de 1995 os tributos passaram a ser dedutíveis pelo regime de competência (Lei nº 8.981/95, art. 41). Desse modo, entendo que a glosa deve ser mantida. C.2 – Perdas no processo produtivo A Recorrente deduziu R$ 823.080,00 alegando que se trata de perdas ocorridas no processo produtivo de sardinha e atum enlatados, bem como da fabricação das latas. Contudo, juntou somente cópias dos razões e lançamentos contábeis (fls. 845/852). A legislação a época vigente, RIR/94, art. 233, inciso I, que dispõe que integra o custo o valor das quebras e perdas razoáveis ocorridas no processo produtivo. Por outro lado, a citada legislação determina a manutenção da escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (art. 197). Essa legislação ainda contém a previsão de que os livros e documentos devem ser conservados em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações pertinentes (art. 210). O Conselho Federal de Contabilidade CFC, através da resolução 563/83, aprovou a norma NBC T 2, item 2.1.2, que trata das formalidades da escrituração contábil. Na letra "e", está especificado que a escrituração contábil será feita com base em documentos de origem externa ou interna, bem como em elementos que comprovem ou evidenciem fatos e a prática de atos administrativos. Também, através da resolução 597/85, o CFC aprovou a norma NBC T 2, item 2.2, que trata da documentação contábil, já reproduzidas as fls. 868. Considerando que a Recorrente foi incapaz de comprovar as perdas ocorridas nos estoques, voto no sentido da manutenção da glosa feita pela autoridade administrativa. D – Lançamentos reflexos de PIS, Cofins e CSLL Não foram contestados no recurso voluntário os lançamentos reflexos de PIS, Cofins e CSLL, de modo que voto pela manutenção manutenção da decisão da DRJ. Dadas as circunstâncias do presente caso, tendo em vista que não foram apresentadas novas provas ou fatos ao presente processo, voto no sentido de NEGAR Fl. 959DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10730.001209/200199 Acórdão n.º 1802001.154 S1TE02 Fl. 43 8 provimento ao Recurso, mantendo integralmente a decisão da DRJ do Rio de Janeiro, as fls 860 / 870. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 960DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10980.002913/99-13
Data da sessão: Mon Jan 23 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 201-00.248
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Antonio Mario de Abreu Pinto
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DRJ em Curitiba - PR RESOLUÇÃO N° 201-00.248 .'.~ • G Vistos, relatados e discutidos os presentes autos do recurso interposto por: PRÓ- VASCULAR REPRESENTAÇÕES COMERCIAIS LTDA. RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. 42Jorge reire Presidente Antonio Má Relator EaaVcf 1 Processo Recurso MIINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10980.002913/99-13 115.594 Recorrente : PRÓ- VASCULAR REPRESENTAÇÕES COMERCIAIS LTDA. RELATÓRIO p O 1) Trata-se de Auto de Infração de fls. 67/71 pelo recolhimento a menor da Contribuição para o PIS no período de 09/91 a 05/96, lavrado em 26.03.1999, fundamentado na Lei Complementar n.o 07/70, c/c a Lei Complementar n.o 17/73, bem como na Medida Provisória n.o 1.212/95. Em 23.04.1999, a contribuinte instaurou a fase litigiosa, oferecendo a Impugnação de fls. 73/93, alegando, em síntese, que: 1. preliminarmente, a contribuinte argúi a decadência dos créditos tributários, vez que o prazo decadencial não se interrompe com a interposição de ação judicial; 2. a alíquota exigida foi de 0,75% sobre o faturamento, com base no mês anterior. No entanto, o PIS deve incidir sobre o faturamento de seis meses atrás, como preceituava o art. 60 da Lei Complementar n.o 07/70; 3. os valores referentes ao período entre 02/1996 e 06/96 estão devidamente quitados; a TR não deve incidir sobre o crédito tributário; a multa de 75% é indevida, pois houve uma ordem judicial deferindo o levantamento de 89% dos depósitos judiciais, sem qualquer objeção por . parte da Fazenda Nacional; e , : J 4.( 5. 6. deve, ainda, ser excluída a aplicação da Taxa SELIC, dada sua inconstitucionalidade. Mesmo que seja considerada constitucional, não deve ser cumulada com a correção monetária. À fl. 105, a contribuinte requer a aplicação da multa sob o percentual de 50% no crédito tributário até 29.12.1994, como era a previsão legal da época. 2 )' -'::;,-' .Nos autos, às fls. 128/146, o Delegado da Delegacia da Receita Federal de' Julgamento em CuJitiba ''""":PR decidiu pela procedência, em parte, do ~uto de infraçã.o, com os seguintes argumentos: '. Processo Recurso " MIINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES . .' 10980.002913/99-13 '115.594 . 1. o direito de a FaZenda Pública constituir créditos de Contribuição para0. PIS é de 10 (dez) anos; . . . 2. o fato gerador do PIS é o faturamento do próprio período de apuração, pois l~is ordinárias alteraram o prazo de recolhimento;. , 3~ a atualização monetária .é .feita com. base na legislação pertin(fnte. A autoridade fiscal exerce atividade vinculada, não lhe cabendo a análise de constitucionálidade ou não da lei. A multa de 75% e os juros de mora tambéni são legalmente previstos. A alegada multa de 50% não tem qualquer respaldo legal;. Tendo, tomado ciência' da. decisão singular em 30.06.2000, a contribuinte apresentou, às fls. 151/172, eI,ll28.07.2000, Recurso Voluntário, aduzindoque:. . 4.,., í li I I íc;".~ , 1\1 I t t t [, \ o' fato de à. Fazenda Nacional não ter se oposto' aó levantamento dos . valores depositados judicialmente não é uma, hipótese de extinção do crédito tributário; e 5. os valores informados em DCTF não devem 'ser lançados, pois são uma confissãb de dívida e .devem -ser executadqs e não lançados. É de se manter, apenas, os valores não informados em nCTF. , 1. reafirma a preliminar argüida de decadência no' prazo de 05 (cinco) anos para a constituição do crédito tributário;' '. 2~ o prazo de recolhimento deve ser de seis meses, como determinava a Lei COJIlplementar,n.o 07170; 3. . O' alrto de infração deve ser declarado nulo, em face dos equí~ocos rel,atados; 4. a exigência da Taxa SELIC ou outro índice, hem como a multa de 75~o, , são totalmente indevidos; e 3 . I, Processo Recurso MIINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10980.00.2913/99-13 115.594 5. . se os depósitos foram efetuados e a Fazenda Nacional não se pronunciou quando do levantamento .dos depó~itos judiciais, não se pode cobrar os juros de mora e a multa de oficio.- . . I t Are rente juntou ao processo, à fi. 173, aguia referente. ao cumprimento da exigência do depositp ec rsal de 30%, dando regular seguimento ao recurso. 4 f . .". VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR AN'fONIO MARIO DE ABREU PINTO Processo Recurso MIINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 1()980•.002913/99-13 115.594 ., , f. .O Recurso é tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento . . Para o julgamento do presente recurso; é imprescindívél se saber se a atividade da Pró-Vascular Representações Comerciais Ltda., pessoa jurídica de direito privado, é, simplesmente, a prestação. de serviços de representação comercial, ou' ,se pratica, também, .atividades mercantis como compra e venda de mercadorias, a fim de que possa caracterizar, ou . não, ser a Recorr~nte empresa mista, do ponto. de vista tributário, necessário se faz,. tal esclarecimento .. Assim sendo, voto no sentido de converter o julgamento' do recurso' ~m diligência para que a Delegacia da Receita Federal em Curitiba -',PR verifique qual a atividade da recorrente - s~prestação de servi o ou mista (prestação de serviços' e comercial de compra e venda de ~ercadorias). . . .Sala das Sessões, e J: . .5 / .! 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005
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Numero do processo: 10820.001076/98-11
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2001
Ementa: DCTF – ENTREGA A DESTEMPO DA DECLARAÇÃO – DENÚNCIA ESPONTÂNEA – A entrega de DCTF é obrigação acessória autônoma, puramente formal, e as responsabilidades acessórias autônomas, que não possuem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN Precedentes do STJ
Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/02-01.031
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Francisco Maurício R. de Albuquerque Silva (Relator) Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Otacilio Dantas Cartaxo
Nome do relator: Francisco Mauricio R de Albuquerque Silva
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-07T04:52:56Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-07T04:52:56Z; Last-Modified: 2009-07-07T04:52:56Z; dcterms:modified: 2009-07-07T04:52:56Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-07T04:52:56Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-07T04:52:56Z; meta:save-date: 2009-07-07T04:52:56Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-07T04:52:56Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-07T04:52:56Z; created: 2009-07-07T04:52:56Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2009-07-07T04:52:56Z; pdf:charsPerPage: 1501; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-07T04:52:56Z | Conteúdo => -,:— 2,e,kN, .'" ',--; MINISTÉRIO DA FAZENDA :r CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS ~I .,:ts.‘.,, SEG UN DA TURMA/ Processo n° 10820.001076/98-11 Recurso n°. RD/202-0 401 Matéria DCTF Recorrente . LOPES SUPERMERCADOS LTDA Interessada . FAZENDA NACIONAL Recorrida 2a CÂMARA DO 2° CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sessão de 21 DE MAIO DE 2001 Acórdão n° : CSRF/02-01 031 DCTF – ENTREGA A DESTEMPO DA DECLARAÇÃO – DENÚNCIA ESPONTÂNEA – A entrega de DCTF é obrigação acessória autônoma, puramente formal, e as responsabilidades acessórias autônomas, que não possuem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN Precedentes do STJ Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso especial interposto por LOPES SUPERMERCADOS LTDA ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Francisco Maurício R. de Albuquerque Silva (Relator) Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Otacilio Dantas Cartaxo PR 7,2<go"--- 4..,.---------- ON PEREI" ' RODRIGUES ESIDENT s , .\\ OTACíLIO DA TAS CARTAXO RELATOR - DESIGNADO FORMALIZADO EM 24 OUT 2001 Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, JORGE FREIRE, SÉRGIO GOMES VELLOSO, MARCOS VINÍCIUS NEDER DE LIMA e DALTON CESAR CORDEIRO DE MIRANDA Processo n° 10820 001076/98-11 Acórdão n° CSRF/02-01 031 Recurso n° DR/202-0.401 Recorrente LOPES SUPERMERCADOS LTDA RELATÓRIO Trata-se o presente processo de exigência de multa por atraso nas entregas de Declarações de Contribuições e Tributos Federais — DCTF, onde a Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, negou provimento ao Recurso Voluntário, com base no entendimento de que o instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte, cabendo a aplicação da penalidade pelo descumprimento prevista no Decreto — Lei n 2 124/84 Às fls 119/128 Recurso Especial, com razões estribadas no no art 138 do CTN, e no fato de que a entrega as destempo das DCTF's foi efetuada antes de qualquer ação fiscal, isto comprovado no próprio corpo do Auto de Infração Além do que, afirma que os débitos tributários declarados nos documentos dos quais se ora se cuida, já estavam devidamente recolhidos e reitera o trabalho expendido pelo Conselheiro Relatar Luiz Roberto Domingo e conclui mais uma vez destacando que os tributos constantes das DCTF's entregues com atraso, foram recolhidos tempestivamente Oferece a doutrina de Luciano Amaro e jurisprudência administrativa e judicial Contra — Razões, às fls, 146/147, alegando que a jurisprudência trazida aos autos não se aplica ao caso e transcreve ementa da 1 a Turma do E STJ, decidindo que o instituto da denú 13 , .a espontânea não se aplica aos casos de descumprimento de \ àk,\ obrigação formal, a exe ,to da declaração de imposto de renda \s \ É o relatório ', Processo n° 10820,001076/98-11 Acórdão n°, CSRF/02-01 031 VOTO VENCIDO Conselheiro — Relator Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Inicialmente, entendo o art 138 do CTN como abrangente das infrações de natureza formal quando trata da possibilidade de infração sem pagamento de tributo, posto que, contém no texto indicação clara de possibilidade alternativa — se for o caso Essa possibilidade alternativa, é claramente possibilitadora da inclusão das infrações de ordem formal no amplexo do princípio da espontaneidade, posto que, quando se refere ao não pagamento de tributo está comandando as obrigações acessórias Por outro lado, jamais poderia ser a multa de que se trata, de natureza compensatória, posto que, não haveria o que compensar uma já que a DCTF é mero artefato de controle, que não atinge positiva ou negativamente o pagamento do tributo Quanto ao entendimento do E STJ, transcrito nas Contra — Razões a este Recurso sobre a entrega com atraso da Declaração de Imposto de Renda, considerando que as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art.. 138, não exergo nele, ligação ao caso presente, uma vez que, a Recorrente recolheu os tributos tempestivamente e, apenas informou-os a destempo Portanto, tratando-se efetivamente, a meu ver, de san o punitiva em face do descumprimento de obrigação tributária formal, feita a destempé porém nos Processo n° 10820001076/98-11 Acórdão n° CSRF/02-01 031 exatos limites preceituados pelo artiv) 138 do CTN, voto no sentido de reformar a Decisão guerreada, dando provime t ao Recurso Especial interposto Sala das Sess6es, IF) em 2 de maio - 2 061 FRANCISCO Ø r, BUQUERQUE SILVA Processo n°, . 10820001076/98-11 Acórdão n°. CSRF/02-01.031 VOTO VENCEDOR CONSELHEIRO RELATOR — DESIGNADO - OTACíLIO DANTAS CARTAXO O recurso especial cumpre todos os requisitos necessários para sua admissão, portanto dele conheço. O STJ em recentes julgados vem entendendo que o instituto da denúncia espontânea, albergado pelo art. 138 do CTN, não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de obrigações acessórias. Nesse sentido transcrevo as razões de voto do Exmo. Sr. Ministro do STJ José Delgado, proferidas no Resp n° 190388/GO, que tratou da multa pelo atraso na entrega da declaração do imposto de renda, plenamente aplicável, pela similitude, também à entrega de DCTF: "A configuração da denúncia espontânea como consagrada no art. 138, do CTN, não tem a elasticidade que lhe emprestou o venerando acórdão recorrido, deixando sem punição as infrações administrativas pelo atraso no cumprimento das obrigações fiscais., O atraso na entrega da declaração do imposto de renda é considerado como sendo o descumprimento, no prazo fixado pela norma, de uma atividade fiscal exigida do contribuinte, É regra da conduta formal que não se confunde com o não pagamento de tributo, nem com as multas decorrentes por tal procedimento. A responsabilidade de que trata o art.. 138, do CTN, é de pura natureza tributária e tem sua vinculação voltada para as obrigações principais e acessórias àquelas vinculadas. As denominadas obrigações acessórias autônomas não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Elas se impõem como normas necessárias para que se possa ser exercida a atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem qualquer laço com os efeitos de qualquer fato gerador de tributo, 7 Processo n°. 10820..001076198-11 Acórdão n°. : CSRF/02-01 031 A multa a aplicada é em decorrência do poder de polícia exercido pela administração pelo não cumprimento de regra de conduta imposta a uma determinada categoria de contribuinte." Reforçando esse entendimento, manifestou o mesmo Magistrado, no EARESP n° 258141/PR, cujo acórdão foi assim ementado: "PROCESSUAL CIVIL.. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO., INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO NO ACÓRDÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENTREGA COM ATRASO DE DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS - DCTF PRECEDENTES 1. (omissis) 2. (omissis) 3.. (omissis) 4. A entidade "denúncia espontânea" não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a Declaração de contribuições e Tributos Federais — DCTF. 5. As responsabilidades acessórias autônomas sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. 6 (omissis) 7. Embargos declaratórios rejeitados." (grifei) A Câmara Superior de Recursos Fiscais também se pronunciou sobre o assunto; e, nesse sentido, destaco a ementa do Acórdão CSRF n° 02-0,829, da lavra da Ilustre Conselheira Maria Teresa Martínez lóper "DCTF — DENÚNCIA ESPONTÂNEA — É devida a multa pela omissão na entrega da Declaração de Contribuições Federais, As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art 138, do CTN. Precedentes do STJ. Recurso a que se dá provimento." Isso posto, vejo que a multa legalmente prevista para a entrega a destempo das DCTF é plenamente exigível, pois trata-se de responsabilidade acessória autônoma não alcançada pelo art., 138 do CTN. 8 Processo n° 10820 001076/98-11 Acórdão n° CSRF/02-01 031 Dessa forma, concluo que o acórdão recorrido não merece reforma e nego provimento ao recurso especial É assim como voto Sala das Sessões, em 21 de maio de 2001 NN‘ OTACÍLIO DAN S CARTAXO 9 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1
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Numero do processo: 10860.001875/2004-94
Data da sessão: Mon Jul 05 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SIMPLES NACIONAL
Exercício: 2002
NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO - MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA - RECONHECIMENTO PIE A DRJ - NÃO APRECIAÇÃO DO MÉRITO PELA INSTÂNCIA JULGADORA - PRECLUSÃO DO DIREITO DE DEFESA,
Embargos procedentes da Fazenda Nacional aponta omissão quanto a
apreciação pelo colegiado administrativo anterior relativamente a apreciação da intempestividade da defesa inicial do sujeito passivo, o que foi analisado pela DM, sem análise do mérito.
Uma vez ausente a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, e precluso o direito de inconformismo do contribuinte, carece o recurso voluntário de pressuposto necessário para seu conhecimento.
Numero da decisão: 1202-000.315
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado por unanimidade de votos, acolher os embargos opostos para alterar a decisão consubstanciada no acódão 391-00.043, da sessão de 21/10/2008, para não conhecer do recurso por intempestiva a impugnação., nos termos do
relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Orlando José Gonçalves Bueno
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ME Recorrida 1" 'F. /DRI-Campi nas/SP ASSUN TO: SIMPLES NACIONAL Exercício: 2002 NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO - MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE IN LEMPEST IVA - RECONI IECIMENTO PIE A DRI - N À° APRECIAÇÃO DO MÉRITO PELA INSTÀN"CIA JULGADORA - PRECLU SÃO DO DIREITO) 11 -)E DEFESA, Embaigos procedentes da Fazenda Nacional aponta omissão quanto a apreciação pelo colegiado administrativo anterior relativamente a apreciação da intempestividade da defesa inicial do sujeito passivo, o que .foi analisado pela DM, sem análise do mérito. Uma vez ausente a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, e precluso o direito de inconformismo do contribuinte, carece o recurso voluntário de pressuposto necessário para seu conhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos ACORDAM os membros do colegiado por unanimidade de votos, acolher os embargos opostos para alterar a decisão consubstanciada no acói dão 391-00.043, da sessão de 21/10/2008, para não conhecer do recurso por intempestiva a impugnação., nos termos do relatório e voto que integn m o presente julgado. elsonso i io -esidente 7 1 6 ,,au , -, Orlando ' :c Gon a es Bueno — Relator 0 I> i EDITADO LM: Q5 AH 2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Loss() Filho (Presidente), Carlos Alberto Donassolo, Valeria Cabral Geo Verçoza, Darei Mendes de Carvalho Filho (Suplente Convocado), Nereida de Miranda Finamore Horta, Orlando Jose Gonçalves Bueiro (Vice Presidente da Turma). Relatório O Contribuinte foi excluído do Simples, nos termos do Ato Declaratório Executivo DRF/TAll n 466256, de 07 de agosto de 7003, com efeitos a partir de 01/01/2002 (fl, 1 1), à conta da atividade econômica explorada. Pleiteou, em 28/05/2004, o reingresso sistemática (fls. 01102), o qual não foi conhecido pela DRF de origem, ao fundamento da intempestividade de sua insurgência, tornada em conta a circunstância de a ciência do referido ato de, exclusão haver-se processado por meio de edital, este afixado em 09/12/2003 e desafixado em 29/12/2003 (fls. 08/09). Cientificado desta última decisão em 11/09/2006 (fl. 13, verso), apresentou petição em 19/0912006 (tis 20/21).. Ali, alega que: a) Que não houvera sido cientificado do ato de exclusão; b) Prescindiria, para o exercício de sua atividade, domínio de conhecimento técnico-científico próprio de profissional da engenharia e/ou assemelhado; c) Não concorda com a exigência para á apresentação de DIR1 e DCTF; d) Seria "uma empresa conhecida em Caçapava e não deveria ser desenquadrado por AVITAL- (II 21; destaques do original). A DRJ de Campinas não conheceu da inani testação por a considerar intempestiva com base no seguinte entendimento: Ao tempo da expedição do Ato Declaratório Executivo DRF/TAU no 466.256, de 07/08/2003 (ft 1 1) e sua posterior postagem, em 25/08/2003, com aviso de recebimento (ft 07), constava nos cadastros informatizados da SRF a anolação do seguinte domicílio tributário: Rua Guilherme de Almeida, 1.05, Jd. Campo Grande, CEP 12.282-550, Caçapava/SP (fl. 34, ora juntada). Sobre referido domicílio, a sua alteração foi informada à SRF apenas em :10/03/2005 (fl. 34, ora juntada). Passou a ser: Rua Osório da Cunha Lara Neto, 98, Morada do Jataí, CEP 122827-030, CaçapavalSIP, Ora, a comunicação de exclusão do Simples foi enviada para o endereço constante nos sistemas informatizados da SRF, sendo certo e óbvio que a atualização de tal dado é de responsabilidade única e exclusiva do Contribuinte. Retornada a comunicação originalmente enviada, seguiu-se na aplicação do tanto quanto disposto no art. 23, § 1", do Decreto ri' 70.235/72: intimação por edital, Fixado este em 09/12/2003, respeitado o comando contido nos seus próprios dizeres (ti. 08), teve o Contribuinte 45 (quarenta e cinco) dias para apresentar sua inconformidade contra o ato de sua exclusão do Simples, a qual, só veio, em 28/05/2004 (11 01), sendo, portanto, claramente intempestiva. Contra a decisão acima foi interposto recurso voluntário, insurgindo-se o sujeito passivo alegando que sua atividade é de prestação de serviços de reparação e _ Cr\ 2 Proccsso n" 10860 001875/2004-91 SI -C2-12 AcórMo n " 1202-00.315 UI 2 manutenção de máquinas e aparelhos mecânicos e que não possui em seu quadro de pessoal nenhum funcionário engenheiro.. O processo foi encaminhado à Primeira Turma [special do antigo -Ferecito Conselho de Contribuintes, a qual, com o acórdão n" 391-00.043, de 21 de outubro de 2008, _julgou o processo anulado por entender não juntada a I" via aos autos do ADE e sendo impossível a emissão da. 2" via, o ato administrativo deixa de existir, _juntamente com todos os seus efeitos, não havendo mais que se falar em exclusão ou impedimento ao regime simplificado.. Ato continuo, a Fazenda Nacional, no prazo, opôs embargos de declaração, alegando omissão no que tange a análise dos pressupostos de admissibilidade do processo, tendo em vista a inequívoca intempestividade da peça impugnatória. Alega que, quanto muito, a colenda turma .julgadora, em reconhecendo a incorreção da. intempestividade decretada, somente lhe competiria a anulação da decisão recorrida, para que outra tosse proferida pela DRI, com enfrentamento das razões de mérito, tudo sob pena de flagrante violação ao princípio do duplo grau. Aduz que o acórdão embargado é silente acerca da intempestividade, partindo diretamente para análise da legalidade do ato de exclusão da empresa do SIMPLES, o que configurou supressão de instância do órgão julgador.F por fim, alega a incidência do art. 14 do Decreto 70..235/72, tendo ocorrida preclusão, uma. vez não instaurada a .fase litigiosa do procedimento, requerendo, por derradeiro a retificação do acórdão embargado, para desconhecer o recurso voluntário, mantendo-se a validade do ato de exclusão do SIMPLF.S. Eis o relatório.. 3 Voto Conselheiro ORLANDO JOSÉ GONÇALVES BUENO, Relator Como relatado, trata-se de Embargos de Declaração opostos pelo representante da Fazenda Nacional, alegando omissão relativamente ao Acórdão n" 391- 00.043, de 21 de outubro de 2008, da Turma Especial do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes, que deixou de apreciar o pressuposto processual de tempestividade da defesa inicial do contribuinte, A Fazenda Nacional tem razão em sua oposição dos embargos aludidos. De tato, o citado acórdão enfrenta diretamente o mérito da discussão, sem apreciar, em nenhum momento) de seu texto, a questão preliminar para desenvolvimento regular e válido do processo administrativo fiscal, qual seja, a intempestividade do inconformismo inicial do sujeito passivo. A decisão da DRJ de Campinas explicitou, em suas razões de decidir, que deixou de conhecer a manifestação de inconformidade por internpestividade, cabeudo reproduzir, na íntegra, os seus dizeres: Voto Ao tempo da expedição do Ato Declaratório Executivo DRE/FAU no 466.256, de 07/08/2003 (fl. 11) e sua posterior postagem, em 25/0812003, com aviso de recebimento (I1 07), constava nos cadastros informatizados da SRF a anotação do seguinte domicilio tributário: Rua Guilherme de Almeida, 105, Jd. Campo Grande, CEP 12.282-550, Caçapava/SP (ft 34, ora juntada). Sobro referido domicílio, a sua alteração foi informada à SRF apenas em 10/03/2005 (fl. 34, ora juntada), Passou a ser: Rua Osório da Cunha Lara Neto, 98, Morada do "atai, CEP 12.282:030, Caçapava/Sle. Ora, a comunicação de exclusão do Simples foi enviada para o endereço constante DOS sistemas informalizados da SRF, sendo certo e óbvio que a atualização de tal dado é de responsabilidade única e exclusiva do Contribuinte, Retomada a comunicação originahnente enviada, seguiu-se na aplicação do tanto quanto disposto no art. 23, §, 1", do Decreto ri° 70.235/72: intimação por edital. Fixado este em 09/12/2003, respeitado o comando contido nos seus próprios dizeres (11. 08), teve o Contribuinte 45 (quarenta e cinco) dias para apresentar sua inconformidade contra o ato de sua exclusão do Simples, a qual, só veio, em 28/05/2004 (11. 01), sendo, portanto, claramente intempestiva. 13em se constata que, de fato, a responsabilidade pela atualização cadastral incumbe ao sujeito passivo e que a alteração de seu endereço foi realizada em 2005, sendo que o ato de exclusão foi de 2004, não podendo o mesmo alegar em seu próprio beneficio sua própria desídia ou falta própria perante dever primeiro que lhe competia of Processo n" 1 0860 00 1 8 75/2004-94 S1-C2:12 Acórdão fr." 1.202-00315 ri 3 Desta maneira, o referido colegiado de segunda instância administrativa. omitiu-se quanto a esse pronunciamento, cabendo, neste ato, sanar tal situação, Por conta disso, e considerando que, desde a decisão de primeira instância, estava precluso o direito de defesa do contribuinte, neste processo administrativo, em decorrência da intempestividade processual, não poderia a segunda instância, por absoluta falta de um pressuposto de admissibilidade reeursal, isto é, a ausência da fase litigiosa do procedimento, como determina do art.. 14 do Decreto n" 70,2.35/72, tomar conhecimento do recurso como foi feito, inclusive adentrando no mérito, violando outro pressuposto necessário para o regular desenvolvimento do processo, que é a existência prévia e precedente da. análise meritória da primeira instancia, a qual foi suprimida pela decisão embargada.. Em fãce ao exposto, sou por sanar a omissão apontada, a fim de acolher os embargos opostos, reconhecendo a existência nos autos de óbices insuperáveis para o conhecimento do recurso voluntário, conforme descrito no parágrafo anterior, mormente a inexistência de litígio nos termos aduzidos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, por intempestividade da defesa inicial do contribuinte, prejudicando, destarte, qualquer processamento dos demais atos administrativos com o objetivo de apreciação do mérito da questão formalizada nestes autos.. Assim, sou por acolher os embargos, para suprir a omissão apontada, modificando-se a decisão consubstanciada no Acórdão 391-00.04.3, de 21 de outubro de 2008, da Turma Especial do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes, para não conhecer o recurso voluntário por falta de pressuposto processual, qual seja, a intempestividade da impugnação inicial. Eis como voto, Brasília, 05 de julho à 2010.. C.,.-Y---/ )k j0 Orlan o 'José -Go ç<: es Bueno . 5
score : 1.0
Numero do processo: 10680.012648/2008-36
Data da sessão: Thu Sep 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2004 GLOSA DE CUSTOS Constatada, em procedimento fiscal, a falta de comprovação da efetiva prestação de serviços ou venda de mercadorias retratadas nas notas fiscais que fundamentaram o registro contábil do suposto custo incorrido, é lícito à autoridade fiscal proceder à glosa dos valores deduzidos indevidamente, legitimando o lançamento das diferenças de tributo, com os acréscimos legais devidos. TRIBUTAÇÃO REFLEXA O lançamento reflexo deve observar o mesmo procedimento adotado no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1302-000.371
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Recorrida 2ª TURMA/DRJBHE MG ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2004 GLOSA DE CUSTOS Constatada, em procedimento fiscal, a falta de comprovação da efetiva prestação de serviços ou venda de mercadorias retratadas nas notas fiscais que fundamentaram o registro contábil do suposto custo incorrido, é lícito à autoridade fiscal proceder à glosa dos valores deduzidos indevidamente, legitimando o lançamento das diferenças de tributo, com os acréscimos legais devidos. TRIBUTAÇÃO REFLEXA O lançamento reflexo deve observar o mesmo procedimento adotado no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente e relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Lavinia Moraes de Almeida N. Junqueira, Eduardo de Andrade , Irineu Bianchi e Marcos Rodrigues de Mello . Fl. 579DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 23/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.012648/200836 Acórdão n.º 130200.371 S1C3T2 Fl. 987 2 Relatório Conselheiro Marcos Rodrigues de Mello, relator. Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o auto de infração de fls. 02/06 para exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), multa de ofício de 150% e juros de mora calculados até 29/08/2008, no montante de R$1.482.821,07, abrangendo fatos geradores compreendidos no exercício de 2004. Na descrição dos fatos, constam os seguintes registros: 001 – Custos dos bens ou serviços vendidos – Comprovação inidônea: glosa de custo em virtude da contabilização dos documentos inidôneos, conforme Termo de Verificação Fiscal – TVF. Em decorrência desse procedimento, foi lavrado o auto de infração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), multa de ofício de 150% e juros de mora calculados até 29/08/2008, no total de R$548.470,32 (fls. 07/11), compreendendo o mesmo período abrangido pelo lançamento do IRPJ. Foi lavrado ainda o auto de infração correspondente ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), acrescido de multa de ofício de 150% e dos juros de mora pertinentes, no montante de R$256.942,53 (fls. 12/18), abrangendo fatos geradores compreendidos no exercício de 2004, em virtude da constatação de pagamentos a beneficiários não identificados, conforme TVF e planilha em anexo. No citado TVF, anexado às fls. 19/30, foram relatados os procedimentos fiscais, com destaque para a situação fiscal do contribuinte e as intimações expedidas no curso da ação fiscal. A autoridade fiscal discorreu acerca dos documentos apresentados pelo contribuinte e das diligências efetuadas, nos casos em que não foi atendida plenamente a exigência contida no Termo de Constatação Fiscal. Foi ressaltado que a ação fiscal visava à verificação do cumprimento de obrigações tributárias do IRPJ do anocalendário de 2003, especialmente no que atine à apropriação de custos ou despesas de produtos/serviços contratados. Em seguida, foi feita uma relação dos fornecedores que, intimados, reconheceram e apresentaram documentos relativos aos serviços executados, tais como: cópias de notas fiscais, registros contábeis, registros eletrônicos de recebimento, entre outros, os quais foram considerados hábeis para fazer prova da efetiva prestação dos serviços. Também foi elaborada uma relação contendo o detalhamento sobre fornecedores que não responderam ou não foram encontrados, tendo a fiscalização concluído que a Cogefe não comprovou integralmente e de forma satisfatória, com documentação hábil e idônea, os custos de prestação de serviços escriturados, mesmo após várias intimações, re intimações e prorrogações de prazo. Fl. 580DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 23/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.012648/200836 Acórdão n.º 130200.371 S1C3T2 Fl. 988 3 Foi relatado também que, à época, diversos fornecedores, mesmo formalmente constituídos, encontravamse desativados ou extintos, inaptos, baixados ou em local ignorado. Prosseguiu a autoridade fiscal salientando que, salvo prova hábil e idônea, restava caracterizada indevida a redução do resultado do exercício, cujos custos lastreados por documentos não revestidos das formalidades legais exigidas caracterizavam, em tese, operação lastreada por documentação inidônea. As operações descritas foram glosadas em virtude de estarem lastreadas em documentação fiscal inidônea ou falta de documentação idônea, em conseqüência, os respectivos pagamentos caracterizaram o pressuposto material para a ocorrência da incidência do IRRF, à alíquota de 35%, com supedâneo no art. 61 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, cujo levantamento foi feito de acordo com planilha anexa (fls. 31/36). Concluiu a autoridade fiscal, destacando que procedeu ao lançamento dos custos não justificados ou insuficientemente comprovados que, em tese, configuraram crime contra a ordem tributária, acarretando a multa prevista no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Os demais documentos que fundamentam a exigência constam das fls. 37/758. Cientificado dos lançamentos em 29/09/2008, conforme consignado nos Autos de Infração e no TVF, a impugnação, datada de 29/10/2008, foi encaminhada via Memo/CAC/DRF/BHE nº 2131, de 29/10/2008 (fl. 761), e anexada aos autos às fls. 762/938, além do Anexo I contendo 238 folhas. O resumo do contraditório é feito em seguida, a começar com a impugnação apresentada relativamente à exigência ao lançamento do IRPJ, juntada às fls. 762/828. O impugnante faz referências às conclusões consignadas no TVF, salientando que parece ter passado despercebido pelo exator que estamos submetidos ao Princípio da Legalidade (Constituição Federal, art. 93, IX). Ressalta que não é dado ao contribuinte suscitar a possibilidade de terceiros, com quem mantém operações mercantis, estarem ou não regulares para com a Receita Federal do Brasil. Sustenta que diversas decisões administrativas dão conta de que esse tipo de exigência não guarda a menor relação com o direito vigente, pois, ademais de reportarse a tributações atinentes ao ICMS, a matéria de direito repetidas vezes consignada tem aplicação em qualquer tipo de exação. Nesse sentido, faz referência a julgado da Câmara Superior do CC/MG. O impugnante cita ainda jurisprudência do Poder Judiciário e entendimentos doutrinários acerca do assunto. Assevera que a impropriedade da exação decorre das conclusões do exator, em especial quando transfere para o contribuinte a responsabilidade de verificar a situação jurídica da empresa que forneceu materiais ou serviços, em face desse ou daquele órgão, impondolhe, via de conseqüência, obrigação não prevista em lei; atuando, assim, em detrimento do disposto na Constituição Federal, no inciso II do art. 5o. Fl. 581DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 23/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.012648/200836 Acórdão n.º 130200.371 S1C3T2 Fl. 989 4 Destaca o defendente que o lançamento tem por fundamento hipótese que, por cediço, não pode, por si só, autorizar qualquer tipo de exação fiscal, especialmente se se considera que a exação deve ter em conta um fato determinado que, por óbvio, não se confunde com hipóteses. Aos argumentos expendidos, acrescentese a expressa determinação do impugnante de, no que tange à matéria de fato, produzir provas de forma ampla, nos exatos termos do inciso IV, do art. 5o, da Constituição, sob pena de nulidade do procedimento administrativo, inclusive para efeitos de colheita de prova testemunhal e pericial, desde já, pedida e requerida. Assim, na esteira do que vêm decidindo os tribunais superiores, em especial o Superior Tribunal de Justiça, bem como em face dos articulados precedentes, impõemse, em razão da dedução processual administrativa que se exige, com a colheita integral de provas de qualquer natureza, ao final a sua total improcedência. À impugnação foi juntada cópia de alteração contratual e de peças do processo administrativo. Relativamente ao IRRF e à CSLL, o contribuinte apresentou as impugnações de fls. 831/938, tendo ressaltado o caráter reflexivo dessas exigências relativamente ao lançamento do IRPJ. Manifestase, assim, no sentido de suspender o processamento dessas exigências até final julgamento do processo principal dos quais decorrem. Por sua vez, no Anexo I foram juntadas cópias de documentos pertinentes às seguintes empresas: Planeje Construção Civil Ltda. (fls. 02/30); Cintra Engenharia e Consultoria Ltda. (fls. 31/51); Soutto Mayor Engenharia e Comércio Ltda. (fls. 52/77); ZF Consultoria e Serviços Técnicos Ltda. (fls. 78/95); Lage Planejamento Assessoria e Construções Ltda. (fls. 96/120); Alusol Extrusão de Alumínio Ltda. (fls. 121/132); e Organização Neves Barreto de Serviços Ltda. (fls. 133/237). Registrese que à fl. 940 consta informação acerca do competente processo de representação fiscal para fins penais, formalizado sob nº 10680.012787/200860. A DRJ decidiu conforme a ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2004 GLOSA DE CUSTOS Constatada, em procedimento fiscal, a falta de comprovação da efetiva prestação de serviços ou venda de mercadorias retratadas nas notas fiscais que fundamentaram o registro contábil do suposto custo incorrido, é lícito à autoridade fiscal proceder à glosa dos valores deduzidos indevidamente, legitimando o lançamento das diferenças de tributo, com os acréscimos legais devidos. TRIBUTAÇÃO REFLEXA O lançamento reflexo deve observar o mesmo procedimento adotado no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Fl. 582DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 23/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.012648/200836 Acórdão n.º 130200.371 S1C3T2 Fl. 990 5 Exercício: 2004 PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS PAGAMENTOS SEM CAUSA Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado ou quando não for comprovada a operação ou a causa do pagamento. A recorrente tomou ciência do acórdão DRJ em 31/03/2009 e apresentou recurso em 28/04/2009. Em seu recurso reitera os argumentos apresentados em sede de impugnação, em especial no que se refere ao fato de terem sido consideradas indedutíveis as despesas e custos, mesmo quando comprovado o pagamento por transferência bancária. Traz jurisprudência e doutrina que pregam não ser de responsabilidade do adquirente a conduta irregular dos fornecedores, tendo, no caso dos autos, agido de boafé. Voto Conselheiro MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Relator O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. Observo, inicialmente que a recorrente, no final de seu recurso, requer que seja reconhecida nulidade que teria apontado. A única alegação que poderia ser considerada como de nulidade á que consta a fls. 980: A verdade é que passou despercebido pelas signatários da decisão recorrida que estamos submetidos ao Princípio da Legalidade insculpido na Constituição Federal que, por corolário lógico, se reporta ao disposto no IX, do art. 93, que estabelece que todas as decisões serão fundamentadas, não podendo ser tido como devidamente fundamentado convencimento de que a Recorrente não teria, integral e satisfatoriamente, comprovado os custos incorridos para, assim, concluir que presente hipótese de redução indevida de resultado por pagamentos sem causas. Em relação a esta alegação, trago abaixo trecho da manifestação DRJ sobre o tema: Salientese ainda que, diante do trabalho fiscal que evidenciou a precariedade dos documentos que sustentaram o aproveitamento desses custos, apontando inconsistências em relação aos fornecedores do autuado, que não confirmaram as operações retratadas nas notas fiscais supostamente por eles emitidas, motivando a glosa, cumpre ao contribuinte produzir as provas tendentes a infirmar o lançamento. Nesse sentido, para fazer jus à dedução dos custos, é preciso haver documentos Fl. 583DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 23/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.012648/200836 Acórdão n.º 130200.371 S1C3T2 Fl. 991 6 comprobatórios do pagamento e da realização inequívoca da prestação dos serviços contratados ou da venda de mercadorias, condições estas indispensáveis e indissociáveis. Me parece bastante clara a manifestação da DRJ, motivando a decisão de considerar incomprovadas as despesas, não se podendo aceitar a nulidade alegada. Observo que a recorrente não questiona a aplicação da multa qualificada ou da tributação pelo IRF por pagamentos a beneficiários não identificados/pagamentos sem causa. Não sendo matérias de ordem pública e não havendo recursos sobre estas matérias, elas não devem ser conhecidas, exceto se, por terem vinculação lógica com os fatos que levaram ao lançamento do IRPJ, sofrerem as mesmas conseqüências do que for decidido em relação aquele lançamento. A alegação da recorrente se reduz a não poder ser responsabilizada por atos cometidos por terceiros. Observo que em todos os casos que levaram à glosa dos custos/despesas, a fiscalização intimou regularmente a recorrente a demonstrar que os serviços tinham sido prestados e, em resposta, obteve a entrega das notas fiscais e, em alguns casos, a comprovação de pagamentos. Em nenhum dos casos houve resposta dos prestadores de serviço às intimações da fiscalização seja por não terem localizados no endereço cadastral, seja porque simplesmente não atenderam à intimação fiscal. A recorrente, em nenhum caso, traz sequer outro início de prova de que tenha contratado o serviço, que não seja notas fiscais e, em alguns casos, comprova o pagamento, embora parcialmente. A Fiscalização, em termo de fls. 28, afirma: Considerando que a COGEFE ENGENHARIA COMÉRCIO E EMPREENDIMENTOS LTDA não comprovou integralmente e de forma satisfatória, com documentação hábil e idónea, os custos da prestação de serviços escriturados, mesmo após várias intimações, reintimações e prorrogações de prazo concedidas. Considerando, também, que, à época, diversos fornecedores mesmo formalmente constituídos, encontravamse desativados e/ou extintos, inaptos, baixados ou em local ignorado e/ou desconhecido. Salvo prova hábil e idônea, resta caracterizada indevida redução do resultado do exercício, cujos custos lastreados por documentos não revestidos das formalidades legais exigidas caracterizam, em tesa, operação lastreada por documentação inidônea. Dessa forma, considerando que correrá a hipótese fática de pagamento sem causa sempre que a pessoa jurídica efetuar pagamento que não comprovar a operação, ou a causa, ainda que contabilizados, sobretudo se a operação estiver lastreada em documentos emitidos por pessoa jurídica considerada ou declarada inapta, ou com endereço desconhecido, ou cuja empresa ficou inativa durante todo o anocalendário em exame. Fl. 584DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 23/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.012648/200836 Acórdão n.º 130200.371 S1C3T2 Fl. 992 7 AS operações descritas serão glosadas em virtude de estarem lastreadas em documentação fiscal inidônea e/ou falta de documentação idônea, em conseqüência, os correspondentes pagamentos caracteriza o pressuposto material para a ocorrência da incidência do imposto sobre a renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, com supedâneo no artigo 61 da Lei n° 8.981/95, matriz legal do artigo 674 do RIR/99, conforme abaixo: Artigo 674 do RIR/99; Art. 674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pela pessoa jurídica a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais ( Lei n° 8.981/95, art. 61) Parágrafo Primeiro: A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou sua causa ( Lei n a 8.9131/95, art. 61, parágrafo primeiro ) Parágrafo Segundo: Considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância ( Lei nº 8.981/95, art. 61, parágrafo segundo ) Isto posto, procedemos o lançamento dos custos não justificados e/ou insuficientemente comprovados que, em tese, configuram crime contra a ordem tributária, com a multa prevista no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96. A recorrente em sua impugnação e no recuso não ataca diretamente as glosas, afirmando genericamente que não pode ser responsabilizado por atos de terceiros. No entanto, nos casos que levaram às glosas, a fiscalização não acatou as provas apresentadas pela recorrente, por entender não serem hábeis e idôneas para tanto. De fato, a recorrente não consegue demonstrar nos autos que os serviços tenham sido prestados e entendo que somente a apresentação de notas fiscais e demonstração parcial de pagamento não fazem prova suficiente , pois não instrui os autos com qualquer outro documento hábil (contratos, relatórios, controle de freqüência) que, somados às notas fiscais e pagamentos (se estes fossem totais) poderiam demonstrar a prestação dos serviços. Entendo que quando o contribuinte não logra demonstrar com prova inabalável a existência do custo/despesa, indícios congruentes devem ser considerados eficazes para fazer prova. No entanto, no caso concreto, opera contra a recorrente o fato dos contribuintes ou não terem sido localizados ou se declararem inativos perante o fisco durante o anocalendário. Esse fato traz a necessidade de existência de prova robusta ou pelo menos conjunto de indícios congruentes favoráveis a tese da recorrente, o que não se observa no caso concreto. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso, mantendo o lançamento, inclusive reflexos. Fl. 585DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 23/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.012648/200836 Acórdão n.º 130200.371 S1C3T2 Fl. 993 8 (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO, relator. Sala das Sessões, em 02 de setembro de 2010 Fl. 586DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 23/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 10976.000276/2009-61
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: FALTA DE ATRIBUIÇÃO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA OU
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
Nas situações em que a fiscalização atribui a sujeição passiva solidária de que trata o art. 124 do CTN, ou atribui a responsabilidade tributária de que trata o art. 135 do CTN, cabe a apreciação dessas matérias nas instâncias administrativas, entretanto, por não haver acusação fiscal dessa natureza, não
é o caso de serem apreciadas por este colegiado, cabendo essa discussão em sede de execução fiscal.
SUJEIÇÃO PASSIVA. CONTRIBUINTE. A constituição do crédito
tributário, pelo lançamento, efetuada sobre pessoa jurídica regularmente constituída, enseja lhe a condição de contribuinte de direito e pólo passivo da relação jurídico tributária.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA.
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receitas com base nos valores depositados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira para os quais o titular da conta, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos
utilizados nessas operações.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Nos termos da Súmula n º 2, do CARF, este colegiado não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária.
PENALIDADE. MULTA QUALIFICADA.
O fato da empresa ter apresentado declaração na situação de inativa e ter movimentado recursos financeiros em sua conta bancária, não é suficiente para caracterizar as circunstâncias qualificadoras a que se referem os arts. 71 a 73 da Lei nº. 4.502/64.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA Nº 4 DO CARF.
Nos termos da Súmula nº 4 do CARF, a partir de 1º de abril, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela RFB são devidos, no período de inadimplência, à taxa Selic.
Numero da decisão: 1402-000.435
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de ofício de 150% para 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Albertina Silva Santos de Lima
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ementa_s : FALTA DE ATRIBUIÇÃO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA OU RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Nas situações em que a fiscalização atribui a sujeição passiva solidária de que trata o art. 124 do CTN, ou atribui a responsabilidade tributária de que trata o art. 135 do CTN, cabe a apreciação dessas matérias nas instâncias administrativas, entretanto, por não haver acusação fiscal dessa natureza, não é o caso de serem apreciadas por este colegiado, cabendo essa discussão em sede de execução fiscal. SUJEIÇÃO PASSIVA. CONTRIBUINTE. A constituição do crédito tributário, pelo lançamento, efetuada sobre pessoa jurídica regularmente constituída, enseja lhe a condição de contribuinte de direito e pólo passivo da relação jurídico tributária. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receitas com base nos valores depositados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira para os quais o titular da conta, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA Nº 2 DO CARF. Nos termos da Súmula n º 2, do CARF, este colegiado não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. PENALIDADE. MULTA QUALIFICADA. O fato da empresa ter apresentado declaração na situação de inativa e ter movimentado recursos financeiros em sua conta bancária, não é suficiente para caracterizar as circunstâncias qualificadoras a que se referem os arts. 71 a 73 da Lei nº. 4.502/64. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA Nº 4 DO CARF. Nos termos da Súmula nº 4 do CARF, a partir de 1º de abril, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela RFB são devidos, no período de inadimplência, à taxa Selic.
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Nas situações em que a fiscalização atribui a sujeição passiva solidária de que trata o art. 124 do CTN, ou atribui a responsabilidade tributária de que trata o art. 135 do CTN, cabe a apreciação dessas matérias nas instâncias administrativas, entretanto, por não haver acusação fiscal dessa natureza, não é o caso de serem apreciadas por este colegiado, cabendo essa discussão em sede de execução fiscal. SUJEIÇÃO PASSIVA. CONTRIBUINTE. A constituição do crédito tributário, pelo lançamento, efetuada sobre pessoa jurídica regularmente constituída, ensejalhe a condição de contribuinte de direito e pólo passivo da relação jurídico tributária. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receitas com base nos valores depositados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira para os quais o titular da conta, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA Nº 2 DO CARF. Nos termos da Súmula n º 2, do CARF, este colegiado não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. PENALIDADE. MULTA QUALIFICADA. O fato da empresa ter apresentado declaração na situação de inativa e ter movimentado recursos financeiros em sua conta bancária, não é suficiente Fl. 1DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10976.000276/200961 Acórdão n.º 140200435 S1C4T2 Fl. 2 2 para caracterizar as circunstâncias qualificadoras a que se referem os arts. 71 a 73 da Lei nº. 4.502/64. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA Nº 4 DO CARF. Nos termos da Súmula nº 4 do CARF, a partir de 1º de abril, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela RFB são devidos, no período de inadimplência, à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de ofício de 150% para 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Viviani Aparecida Bacchmi, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10976.000276/200961 Acórdão n.º 140200435 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento do anocalendário de 2005, relativo à infração de omissão de receitas, por falta de comprovação da origem de depósitos bancários, efetuado pelo lucro arbitrado, em razão de o contribuinte não possuir escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, com imposição de multa qualificada (empresa declarouse como inativa). Exigiuse o IRPJ, a CSLL, a contribuição para o PIS e a COFINS. Consta no Termo de Verificação Fiscal: a) durante a ação fiscal, a empresa informou que no anocalendário de 2005, encontravase inativa, conforme informação do Sr. Edílson Pereira da Silva, sócio da empresa no período de 01.09 a 21.11.2006 e 01.12.2006 a 23.02.2007 b) Em 15.08.2008, a empresa informou que quando da aquisição da empresa, a nova sócia, Araújo e Bretas Participações Ltda, adquiriu as cotas de uma empresa inativa, que não havia efetuado movimentações financeiras e bancárias em período anterior, e que os livros fiscais não existiam, em razão da inatividade; c) Que foram obtidos os extratos bancários por meio de requisição de movimentação financeira, e uma vez intimada a empresa, a comprovar a origem dos valores creditados/depositados em sua conta corrente bancária, a mesma afirmou não saber sobre a movimentação financeira e que os atuais sócios desconhecem qualquer movimentação (fls. 164/165); d) A empresa iniciou suas atividades em fevereiro de 1992, e em fevereiro e junho de 2005, por meio da 14ª e 15ª alterações contratuais mudou de endereço, onde se encontrava funcionando e alterou o quadro societário; em 01.08.2005 ocorreu a 16ª alteração do contrato social, com a mudança da razão social para Canal Distribuidora de Cereais Ltda e admissão na sociedade do sócio Valdete Barbosa Araújo; e) Em 01.09.2006, o sócio Valdete cede e transfere suas cotas para Edílson Pereira da Silva, e dois meses depois, esse sócio cede e transfere suas cotas para Luis Cláudio Cardoso Rodrigues; e em 01.12.2006, os sócios Fábio Alan da Mota e Luis Cláudio Barbosa Rodrigues retiramse da sociedade cedendo e transferindo suas cotas para Araújo & Bretas Participações Ltda (sócios: Valdete Barbosa Araújo, Laura Bretas Araújo, Cecília Bretas Araújo e Rafael Bretas Araujo) e Edílson Pereira da Silva, que havia sido sócio entre setembro e novembro de 2006; f) Em fevereiro de 2007, o sócio Edílson Pereira da Silva retirase novamente da sociedade cedendo e transferindo suas cotas para a sócia Araújo & Bretas Participações Ltda e para os novos sócios Laura Bretas Araújo, Cecília Bretas Araújo e Rafael Bretas Araújo (filhos do Sr. Valdete Barbosa Araújo); g) Conclui a fiscalização que a resposta da empresa é no mínimo estranha porque os atuais sócios Laura, Cecília e Rafael declaram desconhecer qualquer movimentação Fl. 3DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10976.000276/200961 Acórdão n.º 140200435 S1C4T2 Fl. 4 4 financeira efetuada pela empresa em 2005, mas que no entanto, os mesmos são filhos do Sr. Valdete, que em 2005 era sócio da empresa e participava de sua administração; h) A fiscalização intimou a empresa a comprovar a origem da movimentação financeira (excluiu as transferências de mesma titularidade, estornos, devoluções, resgates de aplicações financeiras), conforme relação anexa ao Termo de Intimação 121/2009 (fls. 153/163), mas a comprovação não foi efetuada, razão pela qual o lançamento foi efetuado, com base no art. 42 da Lei 9.430/96; i) O lucro foi arbitrado, com a alíquota de 9,6%, tendo em conta seu objeto social de comércio atacadista; j) A qualificação da multa se deu porque a empresa declarouse como inativa, sendo que a mesma movimentou recursos financeiros, com constantes depósitos em sua conta corrente junto ao Banco Itaú. Apresentada impugnação, o lançamento foi considerado procedente em parte, conforme ementas a seguir transcritas: SUJEIÇÃO PASSIVA CONTRIBUINTE A constituição do crédito tributário, pelo lançamento, efetuada sobre pessoa jurídica regularmente constituída e em atividade, ensejalhe a condição de contribuinte de direito e pólo passivo da relação jurídico tributária. INFRAÇÕES DE NATUREZA TRIBUTÁRIA RESPONSABILIDADE OBJETIVA A responsabilidade por infração da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. OMISSÃO DE RECEITAS PRESUNÇÃO LEGAL DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Configuram omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CHEQUES DEVOLVIDOS E ESTORNOS DE DEPÓSITOS. Devem ser excluídos do lançamento os débitos identificados nos extratos bancários com histórico de devolução de cheques depositados e estorno de depósitos, cujos valores correspondentes compuseram o levantamento fiscal como créditos de origem não comprovada. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA A multa de oficio qualificada será aplicada quando, em procedimento fiscal, ficar caracterizada ação dolosa do contribuinte, consubstanciada em conduta tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, evidenciada pela apresentação de declaração de inatividade em contradição Fl. 4DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10976.000276/200961 Acórdão n.º 140200435 S1C4T2 Fl. 5 5 com a expressiva movimentação bancária mantida no ano calendário correspondente. JUROS DE MORA TAXA SELIC É legítima a exigência de juros de mora tendo por base percentual equivalente à taxa Selic para títulos federais, acumulada mensalmente. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Verificada a omissão de receita, o valor correspondente deverá ser considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social, do PIS e da Cofins. Impugnação Procedente em Parte A Turma Julgadora excluiu os valores correspondentes aos cheques devolvidos e aos estornos dos depósitos, quadros I a IX, conforme trecho da decisão abaixo transcrito: No tocante aos valores que serviram como base de cálculo do lançamento, sustentou o impugnante que não foram levados em conta os cheques devolvidos, tendo anexado levantamento feito por amostragem às fls. 361/380. Nesse demonstrativo, além dos cheques devolvidos, foram indicados também os estornos de depósitos. Analisando o levantamento fiscal consubstanciado na Tabela 01 (fls.34/44), efetuado com base nos extratos bancários apresentados (fls. 72/151), verificase que foram relacionados os créditos representados por depósitos efetuados em dinheiro e depósitos por meio de cheques, não tendo sido feita nenhuma menção à devolução de cheques e a estornos de depósitos. Entretanto, em relação aos depósitos de cheques, de fato existem diversos registros de débitos nos dias subsequentes, com histórico de "DEV CH DEP" ou "DEV CH NAC", atestando a devolução de cheques . depositados, que não foram deduzidos no lançamento; devem ser excluídos ainda os débitos identificados como "ESTORNO DEPÓSITO". Por outro lado, existem estornos anulando operações de devolução de cheques, que não foram observados na elaboração do demonstrativo apresentado pelo impugnante, que também considerou indevidamente, como débito, operações de crédito identificadas como "DEV .... SEM FAVOREC", a exemplo do registro, a crédito da conta bancária, datado de 18/05/2005— "DEV CH000091 SEM FAVOREC" no valor de R$6.000,00 (doc. fls. 86 e 371). Dessa forma, para a correta apuração da base de cálculo dos tributos lançados, relativamente à omissão de receitas representada pelos depósitos cuja origem não foi comprovada pelo contribuinte, devem ser excluídos os valores correspondentes aos cheques devolvidos e aos estornos de Fl. 5DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10976.000276/200961 Acórdão n.º 140200435 S1C4T2 Fl. 6 6 depósitos, observados ainda os eventuais estornos de devoluções. O levantamento assim empreendido consta dos denominados Quadros I a IX (valores expressos em R$), que podem ser encontrados ao final do Voto, como partes integrantes deste, elaborados com base nos registros constantes dos mencionados extratos bancários, contendo somatórios mensais, cumprindo observar que os estornos de devoluções de cheques aparecem entre parênteses, anulando o respectivo registro anterior do cheque devolvido. A ciência do lançamento se deu em 27.08.2009 e o recurso voluntário foi apresentado em 28.09.2009. Um dos pontos centrais do litígio é a alegada ilegitimidade passiva da recorrente. Aduz que o argumento utilizado pela Turma Julgadora para tentar refutar as alegações da recorrente sobre a impossibilidade de sua figuração no pólo passivo da lide, versa sobre a ausência de competência da autoridade administrativa de julgamento para determinar ou não a responsabilidade tributária. Alega que é absurda essa tese de que a fiscalização simplesmente arrola os possíveis responsáveis e que competiria à Fazenda Nacional decidir se ajuizaria a competente Execução Fiscal contra este ou aquele responsável. Aduz que o registro no Termo de Declaração de Sujeição Passiva não é uma mera informação destinada a subsidiar a PFN para a inscrição em dívida ativa, porque seria exatamente na esfera administrativa que o contribuinte, tem a oportunidade, de em razão do princípio da ampla defesa, demonstrar que não participou dos fatos geradores que culminaram no crédito tributário que o fisco pretende exigir. Assim, restando configurada a ausência de responsabilidade tributária nesta fase processual, a PFN estaria impedida de constar na Certidão de Dívida Ativa o nome dos coobrigados que foram excluídos do pólo passivo do auto de infração, de forma que não seria possível uma futura execução fiscal contra essas pessoas. Afirma que a autoridade administrativa de julgamento é competente para analisar a questão da ausência de responsabilidade de coobrigados e autuados, impedindo abusos da fiscalização, e até mesmo, evitando futuras alegações de nulidade na esfera judicial por ausência de manifestação sobre este tema, e consequentemente por cerceamento de direito de defesa dos coobrigados. Acrescenta que a Turma Julgadora incorreu em contradição, pois quando convém ao fisco menciona que todas as pessoas físicas e jurídicas mencionadas nos autos são responsáveis pelo crédito tributário, tendo em vista que a fiscalização apurou situações que supostamente os caracterizam como coobrigados, mas nos momentos, em que não beneficia o fisco, o acórdão tenta se esquivar de julgar a questão alegando que a indicação da recorrente é decorrente de sua condição de contribuinte, não cabendo na esfera administrativa, maiores ilações sobre esse fato. Faz a seguinte pergunta: A inclusão no pólo passivo de um processo administrativo fiscal é mera informação ou constitui direito para o fisco exigir dessas pessoas o crédito tributário? Fl. 6DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10976.000276/200961 Acórdão n.º 140200435 S1C4T2 Fl. 7 7 Alega que se for mera informação, então deveria ser ressaltado nos autos de forma expressa que os indicados como responsáveis não serão surpreendidos por qualquer exigência fiscal, eis que meras informações não podem constituir direitos. Se constituir direito para o fisco exigir dessas pessoas o crédito tributário, estaria claro que a matéria deve ser discutida na esfera administrativa, neste caso, em favor da recorrente, tendo em vista que os argumentos e provas constantes do processo são inquestionáveis no sentido de afastar sua responsabilidade, fazendoa recair apenas nas pessoas físicas que praticaram os atos dolosos mencionados nos autos. Conclui que não haveria dúvidas sobre a necessidade de discussão da ilegitimidade passiva da recorrente, ainda na discussão administrativa do lançamento tributário. A seguir aborda a responsabilidade pessoal dos agentes por atos dolosos. Cita o art. 135, III, do CTN. Afirma que a legislação vigente determina o direcionamento da autuação fiscal contra diretores, gerentes, ou representantes legais da pessoa jurídica, quando comprovada (como seria, o caso dos autos conforme documentos anexos), a prática de atos com excesso de poderes, infração da lei, contrato social ou estatutos. Aduz que esse dispositivo expressa a regra de que deve arcar com o crédito tributário aquele que efetivamente realizou a prática do fato gerador ou do ilícito tributário, nos casos como o presente em que não há retenção ou substituição tributária. Interpreta que assim, a pessoa jurídica que normalmente deveria ser compelida ao pagamento do tributo ficaria legalmente afastada dessa obrigação quando alguns de seus sócios agem dolosamente no sentido de fraudar o fisco, ou seja, eles mesmos, por sua própria conta praticam o fato gerador e o ilícito tributário e não a pessoa jurídica, não sendo correto penalizar outros sócios ou mesmo a própria sociedade nesses casos excepcionais. Conclui que a responsabilidade pessoal dos sócios é media excepcional que retira o dever de cumprimento da obrigação tributária por parte da pessoa jurídica em razão de que aquele que age de máfé deve se responsabilizar sozinho. Afirma que é exatamente neste sentido, que a Primeira Seção do STJ, ressalta de forma inequívoca que, quando verificada, a responsabilidade pessoal, somente aquele agente praticante do ato deve ser incluído no pólo passivo da obrigação tributária. Cita o EREsp 446.955/SC. Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 09/04/98. Ressalta, que diante disso, o expediente realizado pela fiscalização de fazer constar do auto de infração, além da empresa autuada, os seus sócios, com o único objetivo de conferir suposta garantia ao crédito tributário, não possui razões de subsistir no ordenamento jurídico, e que a responsabilidade pessoal dos sócios somente pode ser aplicada nos casos em que restar inequivocamente comprovada pelo fisco, a ilicitude de seus atos, excluindose a responsabilidade da empresa. A recorrente pretende provar que os sócios da recorrente, à época dos fatos geradores anteriores agiram com máfé, abrindo a conta bancária em questão e utilizando a pessoa jurídica para fins questionáveis. Afirma que os documentos anexados comprovariam que a conta bancária foi aberta em 28.03.2005 (anexa cópia de proposta de abertura de conta Universal Pessoa Fl. 7DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10976.000276/200961 Acórdão n.º 140200435 S1C4T2 Fl. 8 8 Jurídica), em nome ainda de Betinho Comercial Ltda, pelo então sócio, Alan Pereira Mendes, sócio detentor da maior parcela do capital social à época (anexa cópia de documentos pessoais desse sócio utilizados na abertura da conta). Em 14.12.2005, a representação da recorrente perante o Banco e conta corrente analisada passou do Sr. Alan para o Sr. Fábio Alan da Mota, o qual passou a responder pela autuada, assinando inclusive cheques após essa data Referida conta foi encerrada em 05.05.2006, pelo Sr. Fábio, pouco mais de um ano de sua abertura, fato que levaria a crer que sua criação coincidente com os depósitos glosados, serviu apenas para fins dolosos, que os sócios atuais, ou mesmo a pessoa jurídica que permanece ativa, não possuem qualquer responsabilidade. Aduz que foram juntados aos autos cópias das microfilmagens de diversos cheques emitidos pela empresa à época das operações glosadas (acrescenta mais documentos com o recurso). Destaca que todos os cheques até então obtidos da instituição financeira foram assinados pelo Sr. Alan Pereira Mendes, sem qualquer conhecimento dos atuais sócios. Informa ainda que os cheques após 14.12.2005 foram todos assinados pelo outro sócio, Sr. Fábio Alan da Mota, conforme documentos anexos. Salienta que somente os Srs. Fábio Alan da Mota e Alan Pereira Mendes tinham conhecimento e poderes sobre a movimentação financeira da recorrente, e que, responsabilizar a pessoa jurídica, e consequentemente seus atuais sócios, pelos atos dolosos praticados pelas pessoas mencionadas seria medida arbitrária e não condizente com o que determina o art. 135, III, do CTN. Assim, essas pessoas é que deveriam assumir, isoladamente, a responsabilidade por seus atos dolosos, e na pior das hipóteses, apenas os sócios à época dos fatos geradores poderiam ser responsabilizados pelo crédito tributário em discussão, nunca a pessoa jurídica. Destaca que inclusive existiu no caso em comento, a inclusão de suposto sócio, por meio de assinaturas deliberadamente falsificadas, no contrato social da recorrente, conforme estaria comprovado no laudo grafotécnico anexo. Argumenta que os documentos anexados aos autos (cópias autenticadas pela Junta Comercial do Estado de Minas Gerais) demonstrariam que o Sr. Valdete Barbosa Araújo, teria sido admitido como sócio, na recorrente, em 01.08.2005, mediante a 16ª alteração contratual, que somente foi levada a registro em 24.08.2006. Sua retirada (17ª alteração) teria se dado em 01.09.2006, levada a registro em 18.09.2006. Segundo a recorrente, o laudo grafotécnico comprova que nenhuma das assinaturas constantes nas alterações contratuais mencionadas foi oposta pelo Sr. Valdete Barbosa Araújo. Ressalta que segundo a perita grafotécnica, que no contrato social que teria sido admitido o Sr. Valdete como sócio, toda sua qualificação foi realizada no gênero feminino, o que reforça que a pessoa que produziu o contrato e o assinou falsificadamente sequer sabia que o Valdete na verdade se tratava de um homem. Conclui que a responsabilidade dos Srs. Fábio Alan da Mota e Alan Pereira Mendes é pessoal, em substituição à pessoa jurídica, nos termos do art. 135, III, do CTN, e que Fl. 8DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10976.000276/200961 Acórdão n.º 140200435 S1C4T2 Fl. 9 9 na pior das hipóteses, os sócios pessoas físicas da recorrente, são as únicas pessoas que podem constar no pólo passivo da obrigação tributária e jamais, a pessoa jurídica autuada, levandose em consideração que o Sr. Valdete Barbosa Araújo teve seu nome incluído no quadro societária da recorrente através de assinaturas falsas, não podendo responder por quaisquer atos praticados por ela. Aborda ainda a ausência de responsabilidade tributária sem a verificação de culpa por parte do agente (a correta inteligência do art. 136 do CTN). Salienta que sobre a decisão de primeira instância que alega que a responsabilidade pessoal é objetiva, independendo da intenção do agente, por meio de uma análise sistêmica do art. 136 do CTN, principalmente em conjunto com os artigos 112 e 137, bem como, em relação aos direitos e garantias fundamentais do cidadãocontribuinte, verificar se que não há que se propugnar a existência de responsabilidade tributária independente da constatação de culpa por parte do agente. Diz que aqui não se exige o dolo para que haja a responsabilidade pessoal, mas daí ao texto deixar também de exigir a culpa é interpretação distorcida do ordenamento jurídicotributário. Cita julgado da esfera judicial (REsp, 743.839/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, 1ª Turma, Julgado em 14.11.206), entre outros, para concluir que a responsabilidade tributária não pode prescindir da comprovação da culpa. Quanto ao mérito, discute a impossibilidade de autuação fiscal com base em extratos bancários, por ausência de comprovação inequívoca da disponibilidade econômica de renda e proventos. Cita diversos acórdãos dos Conselhos de Contribuintes para concluir que a disponibilidade de dados relativos a movimentações bancárias ocorridas em determinado período não autoriza o fisco a exigir o imposto de renda justamente, porque tais informações não guardam relação direta com a disponibilidade econômica de renda e de proventos. Alega que o lançamento fiscal foi baseado em indícios, o que seria vedado pelo ordenamento jurídico, em função do princípio da estrita legalidade tributária, e que a fiscalização nunca diligenciou no sentido de tentar comprovar que os depósitos seriam efetivamente considerados como receita. Aduz que a simples transferência de dinheiro entre contas correntes, por si só, não é capaz de provar a omissão de receitas. Salienta que o ônus é do fisco por se tratar de uma presunção simples. Quanto aos valores estornados e cheques devolvidos, a própria autoridade administrativa de julgamento reconheceu a ponderação realizada na impugnação, mas ressalta que as supostas operações de estorno da devolução de cheques, da mesma forma como demonstrado, não implicam na ocorrência do fato gerador do imposto de renda e seus reflexos. Entende que deve ser revista a reformulação do crédito tributário procedida pela DRJ/BHE, a fim de que efetivamente todas as devoluções de cheques e estornos de créditos sejam retiradas da base de cálculo utilizada para o cálculo do suposto crédito tributário, caso efetivamente seja considerada, procedente a acusação do fisco. Também discute a impossibilidade de aplicação da multa no patamar exigido pelo fisco. Alega que princípios como a ampla defesa, a moralidade, a razoabilidade, a capacidade contributiva, a vedação ao confisco e a eficiência, por exemplo, devem ser atendidos pela autoridade administrativa em qualquer hipótese. Considera que esses princípios Fl. 9DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10976.000276/200961 Acórdão n.º 140200435 S1C4T2 Fl. 10 10 não foram corretamente aplicados, e assim, pode requerer que a própria autoridade administrativa se manifeste sobre a matéria. Tal fato não implicaria em argüição de inconstitucionalidade, mas simplesmente observância da Constituição Federal. Salienta que foi infringido o princípio da vedação do confisco e que não foi observado a capacidade contributiva da recorrente. No item V.3.2, combate a exigência de multa isolada. No item V.3.3 contesta a qualificação da multa de ofício, por inexistência dos requisitos legais para sua imposição. Aduz que não restou comprovado qualquer das circunstâncias qualificadoras constantes nos arts. 71 a 73 da lei 4.502/64, por parte da recorrente ou seus sócios atuais, tendente a impedir ou a retardar o conhecimento da autoridade tributária da ocorrência do fato gerador, o que implicaria na sonegação. Requer que caso se entenda cabível a multa de ofício, que a mesma seja aplicada em seu grau mínimo. No item V.4, aborda que ainda que o julgador não esteja vinculado à jurisprudência trazida aos autos, é fonte de direito tributário que não pode ser descartada. Contesta também a aplicação da taxa selic. Alega que devem ser excluídos os juros de mora com base na taxa selic, aplicandose tãosomente, os juros previstos no CTN, na base de 1% ao mês incidente sobre o principal do tributo. É o relatório. Voto Conselheira Albertina Silva Santos de Lima O recurso atende às condições de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de lançamento do IRPJ, CSLL, contribuição para o PIS e COFINS do anocalendário de 2005, contra o contribuinte CANAL DISTRIBUIDORA CEREAIS LTDA, em razão da infração de omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários cuja origem dos recursos não foi comprovada. O lucro foi arbitrado por falta de apresentação dos livros e documentos contábeis e fiscais. A multa de ofício aplicada corresponde a 150%. A recorrente alega ilegitimidade passiva, porque à época da ocorrência do fato gerador, os sócios eram outros. Argumenta que o lançamento deveria ter sido efetuado em nome de Alan Pereira Mendes e Fábio Alan da Mota. De início devese esclarecer que nestes autos não há acusação de sujeição passiva solidária, de que trata o art. 124 do CTN, e tampouco foi atribuída a responsabilidade tributária, de que trata o art. 135, III, do CTN, seja para os atuais sócios seja para os sócios anteriores. Quanto à ilegitimidade passiva, a recorrente argumenta que o lançamento deveria ter sido efetuado em nome dos exsócios, em razão da responsabilidade pessoal. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10976.000276/200961 Acórdão n.º 140200435 S1C4T2 Fl. 11 11 Concordo com a Turma Julgadora que entendeu que: O impugnante sustentou que a pessoa jurídica deveria ser excluída do pólo passivo do auto de infração, tendo defendido a responsabilização pessoal dos antigos sócios da empresa em razão "da prática de atos dolosos" e anexado documentação bancária que atestaria a participação de Fábio Alan da Mota e Alan Pereira Mendes na movimentação financeira da empresa no período objeto da autuação (doc. fls. 271/335). Procurou ainda isentar de responsabilidade os sócios atuais e o Sr. Valdete Barbosa Araújo, nesse caso alegando, com base em laudo grafotécnico anexo (doc. fls. 336/360), que houve falsificação da assinatura deste último nos contratos sociais da empresa Conforme constou do TVF, a pessoa jurídica Canal Distribuidora de Cereais Ltda., quando da realização dos procedimentos fiscais, tinha existência de fato e estava em condições de assumir o pólo passivo da relação jurídico tributária na condição de contribuinte de direito, haja vista sua relação pessoal e direta com a situação definida em lei, consoante disposições contidas no art. 121, parágrafo único, inciso I do CTN. Assim, não está caracterizada a alegada ilegitimidade passiva. A questão de atribuir a responsabilidade tributária “pessoal” aos exsócios, deve ser discutida no foro próprio, que é o processo de execução, uma vez que a fiscalização não atribuiu a responsabilidade tributária ou a solidária, a qualquer dos sócios, atuais ou os que eram sócios à época da ocorrência do fato gerador. Da jurisprudência, cito o acórdão 10322690, de 19.10.2006, relativo ao recurso 146547 (relator: Leonardo de Andrade Couto) cuja ementa a seguir transcrevo: ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE.INOCORRÊNCIA A autuação deve ser lavrada contra a pessoa jurídica, sujeito passivo titular da. relação jurídicotributária, que não se confunde com o responsável tributário. Preliminar rejeitada. Devese ressaltar que nas situações em que a fiscalização atribui a sujeição passiva solidária de que trata o art. 124 do CTN ou atribui a responsabilidade tributária de que trata o art. 135 do CTN, cabe a apreciação dessas matérias nas instâncias administrativas, entretanto, não é este o caso destes autos. Quanto à acusação fiscal de omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários, cuja origem não foi comprovada, transcrevo o caput do art. 42 da Lei 9.430/96, que assim dispõe: Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente Fl. 11DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10976.000276/200961 Acórdão n.º 140200435 S1C4T2 Fl. 12 12 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A redação da lei é clara, tratase de uma presunção legal, em que o ônus da prova é do sujeito passivo. Cabe a ele apresentar com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias. No caso destes autos, o sujeito passivo, não apresentou provas durante o procedimento fiscal e tampouco, com o início da fase litigiosa trouxe aos autos qualquer elemento de prova que pudesse comprovar a origem dos recursos. Portanto, não se trata de presunção simples, em que o ônus da prova é do fisco, e sim de uma presunção legal, em que o ônus da prova é do sujeito passivo. A lei é que determina que caracterizase omissão de receitas, os valores creditados em contas bancárias, para os quais o sujeito passivo, regularmente intimado, como o foi no caso dos autos, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. Cito a seguir algumas ementas representativas da jurisprudência do colegiado de segunda instância administrativa. Acórdão 10517328, de 13.11.2008: relator: Waldir Veiga Rocha LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº. 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Acórdão 10196886, de 15.08.2008, relator: Sandra Maria Faroni OMISSÃO DE RECEITAS PRESUNÇÃO LEGAL A presunção legal de omissão de receitas exige do fisco apenas a comprovação do fato indício, no caso, existência de depósitos bancários cuja origem o contribuinte não comprova. Acórdão 10323640, de 17.12.2008, relator: Leonardo de Andrade Couto OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. Acórdão 10709189, de 17.10.2007, relator: Carlos Alberto Gonçalves Nunes. OMISSÃO DE RECEITAS INDICIADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS – A partir de 1º/01/97, por força do disposto nos artigos 42 e 87, da Lei nº 9.430/96, a falta de escrituração de depósitos bancários configuram caso de omissão de receitas, se Fl. 12DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10976.000276/200961 Acórdão n.º 140200435 S1C4T2 Fl. 13 13 o titular da contacorrente, devidamente intimado, não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações, com documentos hábeis e idôneos. Por se tratar de regra que inverte o ônus da prova, cabe ao contribuinte infirmar a presunção legal Acórdão 10819811, de 19.12.2008, relator: Irineu Bianchini IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA Caracteriza omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais a interessada, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. Portanto, a jurisprudência administrativa de segunda instância é farta no sentido de que cabe ao contribuinte, o ônus de provar a origem dos créditos bancários de suas contas mantidas junto a instituições financeiras. A Turma Julgadora excluiu os depósitos que foram estornados e cheques devolvidos, mas não excluiu o estorno da devolução de cheques. A recorrente pediu a revisão da reformulação do crédito tributário procedida pela Turma Julgadora, a fim de que efetivamente todas as devoluções de cheques e estorno de créditos sejam retiradas da base de cálculo utilizada para o cálculo do suposto crédito tributário. Transcrevo trecho do voto condutor do acórdão da Turma Julgadora: O levantamento assim empreendido consta dos denominados Quadros I a IX (valores expressos em R$), que podem ser encontrados ao final do Voto, como partes integrantes deste, elaborados com base nos registros constantes dos mencionados extratos bancários, contendo somatórios mensais, cumprindo observar que os estornos de devoluções de cheques aparecem entre parênteses, anulando o respectivo registro anterior do cheque devolvido. Assim, os estornos de devoluções de cheques significam a anulação dos registros de cheques devolvidos, ou seja, o estorno da devolução de cheques equivale à prevalência dos depósitos originais, portanto, correta a decisão da Turma Julgadora. Sobre o combate à exigência de multa isolada, desconhecese esses argumentos, uma vez que o auto de infração não exigiu multa isolada, mas apenas a multa de ofício de 150%. Em relação à qualificação da multa, o fato da empresa terse declarado inativa e ter movimentado recursos financeiros em sua conta bancária, não é suficiente para caracterizar as circunstâncias qualificadoras a que se referem os arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, devendo a multa de 150% ser reduzida para 75%. Quanto ao argumento de confisco, aplicase a Súmula do CARF nº 2, que assim dispõe: Súmula CARF Nº 2 Fl. 13DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10976.000276/200961 Acórdão n.º 140200435 S1C4T2 Fl. 14 14 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto à discussão sobre a aplicação dos juros de mora incidentes sobre débitos tributários calculados pela taxa Selic, aplicase a Súmula nº 4 do CARF: Súmula CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Aplicase aos lançamentos da CSLL, COFINS e contribuição para o PIS, o decidido em relação ao tributo principal, por decorrerem de tributação reflexa. Do exposto, oriento meu voto para dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de ofício de 150% para 75%. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Relatora Fl. 14DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 10945.002463/2008-65
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2202-002.534
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por Raef Ali Abbas.
RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator, vencido o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal..
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Pedro Anan Junior Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldsmith Pedro Anan Junior e Pedro Paulo Pereira Barbosa.
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RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator, vencido o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior– Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldsmith Pedro Anan Junior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. . RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 45 .0 02 46 3/ 20 08 -6 5 Fl. 367DF CARF MF Processo nº 10945.002463/200865 Resolução nº 2202002.534 S2C2T2 Fl. 101 2 Relatório O auto de infração de fls. 274 a 285 exige o crédito tributário de R$ 2.323.910,70, a título de Imposto de Renda Pessoa Física acrescido de multa de ofício à razão de 75 % e juros moratórios, totalizando até 30/09/2008, o montante de R$ 5.083.428,84. A infração que está sendo imputada ao impugnante é omissão de rendimentos caracterizada por 'depósitos bancários com origem não comprovada, relativamente aos anos calendário de 2003, 2004, 2005 e 2006, tendo como sustentação legal o disposto no artigo 42 da Lei 9.430 de 1996, transcrita no Termo de Verificação Fiscal, o artigo 1° 'da Medida Provisória n°22, de 2002, convertida na Lei n° 10.451, de 10 de maio de 2002, artigo 1° da Lei 11.119, de 2005 e artigo 1° da Lei n° 11.311, de 2006. É mencionado, ainda, o artigo 849 do Decreto n 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda. A exigência da multa de oficio tem sua sustentação legal no inciso I do artigo 44 da Lei n° 9.430 de1 1996 (fl. 278). Cientificado da exigência em 27/10/2008 (fl.288), o interessado apresentou impugnação ao feito ',(fl. 290/291),. A oitava turma de julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba, DRJ/CTA, ao analisar a impugnação negou provimento através do acórdão 06 20.268, de 11 de dezembro de 2008. Devidamente cientificado dessa decisão o contribuinte apresenta recurso voluntário onde reitera os argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 10945.002463/200865 Resolução nº 2202002.534 S2C2T2 Fl. 102 3 VOTO Conselheiro Pedro Anan Junior, Relator Ante de apreciar o recurso cabe discutir se o referido processo estaria sujeito a sobrestamento. Após análise pormenorizada dos autos entendo que cabe aqui sobrestamento de julgado feito de ofício pelo relator, nos termos do art. 62A e parágrafos do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ocorre que está em Repercussão Geral pela utilização de dados obtidos com base em RMF. Recurso extraordinário em que se discute, à luz dos artigos 5º, X, XII, XXXVI, LIV, LV; 145, § 1º; e 150, III, a, da Constituição Federal, a constitucionalidade, ou não, do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial, bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. A constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais utilização de dados da CPMF e obtenção de informações junto às instituições através da RMF está sendo analisada pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, que tramita em regime de repercussão geral, reconhecida em 22/10/09, conforme ementa abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE Fl. 369DF CARF MF Processo nº 10945.002463/200865 Resolução nº 2202002.534 S2C2T2 Fl. 103 4 SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL Conforme disposto no § 1º do art. 62A da Portaria MF nº 256/09, devem ficar sobrestados os julgamentos dos recursos que versarem sobre matéria cuja repercussão geral tenha sido admitida pelo STF. O dispositivo há pouco referido vai ao encontro da segurança jurídica, da estabilidade e da eficiência, pois ao tempo em que assegura a coerência do ordenamento, confere utilidade à atividade judicante exercida no âmbito do CARF. Assim, reconhecida, pelo STF, a relevância constitucional de tema prejudicial à validade do procedimento utilizado na constituição do crédito tributário, deve ser sobrestado o julgamento do recurso no CARF. Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que acolheu o recurso extraordinário interposto pelos contribuintes. O Recurso foi pautado pelo Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do RISTF, que determina que todos os recursos relacionados ao tema do caso admitido como paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto à mecânica processual de julgamento dos recursos extraordinários anteriores à Emenda Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente adstrito à reanálise da medida cautelar requerida pela parte recorrente, desbordou para enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada, sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua consequência à apuração do quorum de votação. A atipicidade do caso, entretanto, não indica posicionamento da Corte afastando as consequências imediatas da repercussão geral, como o sobrestamento dos processos que veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda. O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE 389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas: DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura ? Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro D IAS T OFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA ? PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA ? SIGILO DADOS BANCÁRIOS ? FISCO ? Fl. 370DF CARF MF Processo nº 10945.002463/200865 Resolução nº 2202002.534 S2C2T2 Fl. 104 5 AFASTAMENTO ? ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 ? SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): "ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO ? UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS ? IMPOSTO DE RENDA ? QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO ? PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 ? APLICAÇÃO IMEDIATA ? RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN ? PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO ? RECURSO ESPECIAL PROVIDO." Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgR Fl. 371DF CARF MF Processo nº 10945.002463/200865 Resolução nº 2202002.534 S2C2T2 Fl. 105 6 AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal ?discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Sendo assim, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 26A, §1º, da Portaria 256/09, ratificado pelas decisões acima transcritas, que retratam o quadro descrito pela Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único). Nesses termos, voto para que seja sobrestado o presente recurso, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 601.314, pelo STF. Diante de todo o exposto, proponho o SOBRESTAMENTO do julgamento do presente Recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. Observandose que após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior Fl. 372DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.917119/2013-31
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/01/2013
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO
É válido o despacho decisório eletrônico que menciona que "foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados", demonstra os cálculos e apuração, proferido por autoridade competente e que segue os demais requisitos legais, não havendo de se falar em mácula ao contraditório.
ÔNUS DO CONTRIBUINTE. DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DE SEU CRÉDITO.
É do Contribuinte interessado na compensação de tributos demonstrar a liquidez e certeza do crédito que alega possuir, trazendo aos autos não apenas as DCTFs mas também documentação que possa fazer a prova ou ser indício do direito creditório.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.362
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente em exercício e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente em exercício), Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/01/2013 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO É válido o despacho decisório eletrônico que menciona que "foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados", demonstra os cálculos e apuração, proferido por autoridade competente e que segue os demais requisitos legais, não havendo de se falar em mácula ao contraditório. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DE SEU CRÉDITO. É do Contribuinte interessado na compensação de tributos demonstrar a liquidez e certeza do crédito que alega possuir, trazendo aos autos não apenas as DCTFs mas também documentação que possa fazer a prova ou ser indício do direito creditório. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente em exercício e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente em exercício), Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2013 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO É válido o despacho decisório eletrônico que menciona que "foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados", demonstra os cálculos e apuração, proferido por autoridade competente e que segue os demais requisitos legais, não havendo de se falar em mácula ao contraditório. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DE SEU CRÉDITO. É do Contribuinte interessado na compensação de tributos demonstrar a liquidez e certeza do crédito que alega possuir, trazendo aos autos não apenas as DCTFs mas também documentação que possa fazer a prova ou ser indício do direito creditório. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente em exercício e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente em exercício), Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 71 19 /2 01 3- 31 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.917119/201331 Acórdão n.º 3302006.362 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de homologação apenas parcial da compensação declarada, pelo fato de que os pagamentos informados já haviam sido parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte não trouxe aos autos qualquer alegação de mérito ou qualquer documento que pudesse corroborar o seu alegado direito ao crédito, limitandose a alegar a nulidade da decisão, sob o argumento de ausência de fundamentação. Questionou o então Manifestante a validade da decisão eletrônica, não submetida ao crivo de um Auditor Fiscal, e discorreu acerca do instituto da nulidade dos atos administrativos, trazendo aos autos farta doutrina e jurisprudência. Pugnou, também, pela posterior produção de provas, considerando a ausência de motivação da decisão a impossibilitar o conhecimento prévio da prova a ser produzida. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 14051.411, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, declarando a validade do Despacho Decisório, sob o argumento de que o documento, ainda que eletrônico, possuía todos os elementos legalmente exigidos, proferido por autoridade competente e motivado pela verificação dos valores objeto de outras declarações. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.361, de 13/12/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.917118/201397, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.361): Sinteticamente, a Recorrente questiona a validade do Despacho Decisório por meio do qual foi denegado o pedido de compensação de tributos, sob o argumento de que ele limitouse a afirmar. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.917119/201331 Acórdão n.º 3302006.362 S3C3T2 Fl. 4 3 "A análise do direito creditório está limitada ao "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, no valor de 1.248,99 Valor do crédito original reconhecido: 114,34 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante do exposto, HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada. Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/05/2013. (...) Para detalhamento da compensação efetuada, verificação de valores devedores e emissão de DARF, consultar o endereçowww.receita.fazenda.gov.br, menu "Onde Encontro", opção "PERDCOMP", item "PER/DCOMPDespacho Decisório". Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 1996. Art. 36 da IN RFB nº 900, de 2008." Em sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente não traz aos autos qualquer prova documental e para a dilação de sua entrega invoca o artigo 16, § 4º, a), do Dec. 70235 sob o argumento de que "... demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por força maior." eis que ao seu ver "... a autoridade administrativa quedouse inerte em expor os motivos pelos quais entendeu por não reconhecer o direito creditório e, por conseguinte, não homologar as compensações realizadas." Já no Recurso Voluntário também sustenta tratarse de um ato vinculado que, portanto, necessita ser realizado em conformidade com o ordenamento jurídico. Inicialmente, pela análise do Despacho Decisório é possível aferir que, data venia, ao contrário do que afirma a Recorrente, foi redigido de forma a permitir o exercício do devido processo legal, inclusive com expressa menção à legislação atinente e ao motivo do deferimento parcial. Este colegiado possui entendimento consolidado no sentido de que a Manifestação de Inconformidade é a ocasião em que o Contribuinte possui a oportunidade de trazer aos autos os elementos probatórios que estiverem ao seu alcance produzir, como notas fiscais e livros contábeis. É por meio da apresentação de tais provas, ou apenas indícios, se for o caso, que é possível, por exemplo, determinar a produção de outras mais robustas ou que se mostrem mais adequadas. O que não se pode admitir é que a Recorrente apresente alegações genéricas, sob o argumento de que não compreendeu o perfeito sentido e alcance do Despacho Decisório. Em relação à interpretação do artigo 16 do Dec. 70.235, vale destacar que ele permite a ulterior apresentação de provas em caso de força maior, e não a posterior alegação de argumentos por incompreensão do Despacho Decisório. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.917119/201331 Acórdão n.º 3302006.362 S3C3T2 Fl. 5 4 Quanto aos elementos essenciais ao ato administrativo, temse que encontramse presentes todos eles, quais sejam a autoridade competente, motivo, finalidade, objeto e forma. Especificamente no que diz respeito à motivação, a própria Recorrente reconhece que o ato foi motivado pela verificação da inexistência de crédito disponível a ser aproveitado, apresentando cálculos, cabendo a ela, interessada na compensação do crédito, demonstrar a existência do referido crédito, com documentação idônea. No caso concreto a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação ou qualquer indício de crédito, limitandose a afirmar que não lhe foi indicado quais teriam sido os pagamentos localizados, eis que lhe foi informado haver "... um ou mais pagamentos..." Desta forma, diante do fato de que o Contribuinte, ora Recorrente, não se desincumbiu do seu ônus processual de comprovar a liquidez e certeza de seu crédito, não havendo trazido aos autos qualquer documento, indício ou mesmo argumento de liquidez e certeza de seu crédito, e não vislumbrando qualquer ilegalidade no despacho por tratarse de não desincumbência do ônus de demonstrar a origem do direito, é de se negar provimento ao Recurso Voluntário. Por estes motivos, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 82DF CARF MF
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Numero do processo: 11050.000143/93-15
Data da sessão: Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2000
Ementa: CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO — Tolerância de falta, no transporte marítimo de granéis líquidos, de até 5%, conforme parecer do INT.
NEGADO PROVIMENTO
Numero da decisão: CSRF/03-03.125
Decisão: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencida a Conselheira Márcia Regina Machado Melaré. O Conselheiro Paulo Roberto Cuco Antunes apresentará declaração de voto.
Nome do relator: Moacyr Eloy de Medeiros
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ementa_s : CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO — Tolerância de falta, no transporte marítimo de granéis líquidos, de até 5%, conforme parecer do INT. NEGADO PROVIMENTO
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-08T14:40:11Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-08T14:40:10Z; Last-Modified: 2009-07-08T14:40:11Z; dcterms:modified: 2009-07-08T14:40:11Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-08T14:40:11Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-08T14:40:11Z; meta:save-date: 2009-07-08T14:40:11Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-08T14:40:11Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-08T14:40:10Z; created: 2009-07-08T14:40:10Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; Creation-Date: 2009-07-08T14:40:10Z; pdf:charsPerPage: 1157; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-08T14:40:10Z | Conteúdo => MINISTÉRIO DA FAZENDA ''',A10,erd'? CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS 's TERCEIRA TURMA PROCESSO N° : 11050 000143/93-15 RECURSO N° RP1303-1.248 MATÉRIA : MANIFESTO RECORRENTE . FAZENDA NACIONAL RECORRIDA : 3' CÂMARA DO 3° CONSELHO DE CONTRIBUINTES INTERESSADA CRANSTON WOODREAD AGENCIAMENTO MARÍTIMO LTDA SESSÃO 14 DE AGOSTO DE 2000 ACÓRDÃO N° CSRF/03-03 125 CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO — Tolerância de falta, no transporte marítimo de granéis líquidos, de até 5%, conforme parecer do INT. NEGADO PROVIMENTO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencida a Conselheira Márcia Regina Machado Melaré. O Conselheiro Paulo Roberto Cuco Antunes apresentará declaração de voto. _ SON PE • CP"' ír o • IGUES Presidente _ __- MOACYR ELOY DE MEDEIROS Relator Formalizado em . 1 4 DEZ 2000 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, HENRIQUE PRADO MEGDA, JOÃO HOLANDA COSTA e NILTON LUIZ BARTOLI. MINISTÉRIO DA FAZENDA ;;Vkkk, CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA TURMA PROCESSO N° : 11050.000143/93-15 ACÓRDÃO N° CSRF/03-03.125 RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL RECORRIDA 3' CÂMARA DO 3° CONSELHO DE CONTRIBUINTES INTERESSADA . CRANSTON WOODHEAD AGENCIAMENTO MARÍTIMO LTDA RELATÓRIO Recorre a Fazenda Nacional da Decisão contida no Acórdão 303- 28,, 663, assim ementado: CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. 1. Agente marítimo é responsável solidário com o transportador estrangeiro (art. 32, parágrafo único do DL 37/66, combinada com o art. I°, do DL. 2482/88), 2 Falta na descarga de ACIDO ORTOFOSFÓRICO - Tolerância de falta até 5,0% do total manifestado conforme PARECER específico do INT Rejeitada a preliminar de ilegitimidade de parte passiva. PROVIDO O RECURSO QUANTO AO MÉRITO. Alega a digna Procuradora, em seu Recurso Especial. "Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais A Colenda Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, ao julgar o Recurso de n° 118.538, decidiu, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso. A E. Câmara recorrida, ao dar provimento ao recurso, deixou de dar à lei tributária a melhor interpretação, como demonstraremos a seguir. Inicialmente, cumpre salientar que o d. Conselheiro designado relator, ao proferir seu voto vencedor, juntou aos presentes autos dois laudos do INT preparados para outros julgamentos, inclusive de empresas distintas. A tradição desse E. Tribunal Administrativo sempre foi de não aceitar lançamentos baseados em laudos ou pareceres que não tivessem sido especificamente elaborados para os respectivos processos utilizando-se amostra da mercadoria objeto do litígio, ou 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA TURMA PROCESSO N° : 11050.000143/93-15 ACÓRDÃO N° CSRF/03-03.125 seja, esse Conselho de Contribuintes nunca aceitou prova emprestada E agora, o ilustre Conselheiro se utiliza desse tipo de documento na fundamentação de seu voto, para dar provimento ao recurso do contribuinte. Parece-nos que são dois pesos, duas medidas Outrossim, ao examinarmos a decisão dessa CSRF transcrita no voto do i. Conselheiro como paradigma, verificamos que não há demonstração de que a apuração da falta seja coincidente para com o processo em exame Naquela decisão foi abordada a questão do resíduo sólido de ácido ortofosfórico que fica nos porões do navio após a descarga por ter sido desprezado pelo importador, e a decisão foi no sentido de desconsiderar aquele resíduo como falta de mercadoria No caso dos autos, não foi discutida, em momento algum, a existência ou não de resíduo do ácido ortofosfórico nos porões do navio. Portanto, o acórdão transcrito não se presta corno fundamento para a r. Decisão atacada Quanto ao mérito, a empresa foi autuada quando, em ato de Conferência Final de Manifesto, foi verificada a falta de 59.317,50 kg, o que ocorreu após a saída do navio do porto. O art. 71, parágrafo único do RA dispõe que, enquanto não concluídos os procedimentos fiscais destinados a verificar a existência de eventuais débitos para com a Fazenda Nacional, a autoridade aduaneira poderá permitir a saída do veículo, mediante termo de responsabilidade firmado pelo transportador ou por seu representante, em que se comprometa ao pagamento dos tributos, multas e outras obrigações decorrentes de irregularidades apuradas na forma do Regulamento. A Cópia do termo de responsabilidade firmado pela recorrida nos moldes do artigo referido encontra-se à fl. 06 do processo. Em nenhum momento foi questionada a autenticidade do termo mencionado. A única prova existente nos autos (laudo efetuado por técnico certificante credenciado pela Receita Federal) atesta a diferença a menor entre a carga manifestada e a efetivamente encontrada, diferença esta excedente a 0,5% (limite de tolerância). 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA TURMA PROCESSO N° . 11050000143/93-15 ACÓRDÃO N° : CSRF/03-03 125 A empresa recorrida deixou de exercer a faculdade de apresentar uma contraprova (relatório de "ullage") ao laudo constante do processo. Assim sendo, não resta dúvida de que a Câmara recorrida equivocou-se em seu julgamento, pois que os fatos evidenciam falta de mercadoria de responsabilidade do transportador ou seu representante. Face ao exposto e, mais os doutos subsídios da decisão de primeiro grau e do voto vencido da lavra do ilustre Conselheiro Guinês Mvarez Fernandes, que se têm corno aqui transcritos, requer a Fazenda Nacional seja provido o presente recurso para o fim de ser reformado o Acórdão Recorrido, e restabelecido o julgamento "a quo" Em suas contra-razões, apresentou, o sujeito passivo, os argumentos de fls 105/108, que leio em sessão. É o relatório. 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA ,•• CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA TURMA PROCESSO N° 11050.000143/93-15 ACÓRDÃO N° : CSRF/03-03.125 VOTO Trata-se de matéria relacionada com a falta apurada em Conferência Final de Manifesto, de 20.254 quilos de ácido fosfórico (granel líquido), em um total de 2.500.170 quilos, após ser descontada a quebra de 0,5%. A quebra verificada foi de 1,31%, portanto, dentro dos 5%, previsto nas INs ri% 12/76 e 113/91, para efeito de exclusão de responsabilidade do transportador e o consequente pagamento de multa. Fundamenta-se a primeira norma na inevitabilidade da ocorrência de falta, em face das características do transporte marítimo. A IN 95/84, por sua vez exclui do pagamento de tributos, também considerando a inevitabilidade de falta, devido ao meio de transporte, as diferenças a menor de 1% dos granéis sólidos, e 0,5%, dos granéis líquidos ou gososos. O Instituto Nacional de Tecnologia reconhece uma quebra de até 3% do peso manifestado, no caso do ácido ortofosfórico, transportado a granel, em estado líquido. Existe uma incoerência inadmissível entre as duas normas, pois enquanto admite uma quebra para exclusão de penalidades, considera outra para efeito do pagamento de tributos. A embarcação entrou no Porto de Rio Grande em 21/08/92, e foi descarregada na mesma data, para os tanques da Importadora, 2.467.416 Kg, de um total manifestado de 2.500.170 Kg. Considerando que. — As faltas apuradas no caso em tela foram verificadas em medições realizadas no tanque do importador (fls. 8 e 24); — o Instituto Nacional de Tecnologia - INT - já tem reiteradamente se pronunciado no sentido de que no caso do transporte marítimo de granéis, sólidos e líquidos, o valor aceitável da quebra se situa no valor aproximado de 5%; 5 frúa MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA TURMA PROCESSO N° 11050.000143/93-15 ACÓRDÃO N° . CSRF/03-03.125 — não foi realizada medição de "ullage", que identifica com maior precisão a efetiva descarga dos tanques das embarcações; — existem reiteradas decisões do Terceiro Conselho e Câmara Superior neste sentido; — o fato controverso de a Receita admitir a inevitabilidade da quebra, até o limite de 5%, e estabelecer limite de tolerância de apenas 0,5%; — o art. 480, do RA, exige prova de caso fortuito ou força maior, para exclusão da responsabilidade, por parte do responsável, no caso a Transportadora; — essa prova, implícita, é admitida pela SRF, nas INs SRF n's 12/76, 95/84 e 113/91, Nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 14 de agosto de 2000 MOACYR _ ELOY DE MEDEIROS - Relator 6 `-t7r MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA TURMA PROCESSO N° :11050.000143/93-15 RECURSO N° : RP/303-01.248 ACÓRDÃO N° : CSRF/03-03.125 DECLARAÇÃO DE VOTO A presente Declaração de Voto refere-se ao processo administrativo fiscal n° 11050-000143/93-15, originário da DRF — Rio Grande I RS, objeto do Recurso Voluntário n° 118.538, que recebeu o Acórdão n° 303-28.663 da D. Terceira Câmara do E. Terceiro Conselho de Contribuintes, tendo como interessada (Autuada) a empresa CRANSTON WOODHEAD AGENCÍAMENTO MARÍTIMO LTDA, na qualidade de responsável solidária por crédito tributário decorrente de extravio de mercadoria (Granel) transportada por via marítima. Apresento-a em homenagem à sábia decisão adotada peia maioria dos integrantes desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, ratificando brilhante e irretocável voto de lavra do Insigne Relator, Conselheiro Moacyr Eloy de Medeiros, que em poucas linhas definiu, com muita eficiência, a situação que envolve o processo em epígrafe e deu a melhor solução ao litígio aqui resolvido. Por ter sido autor de vários trabalhos envolvendo a matéria discutida nestes autos, inclusive diversos votos proferidos em minha Câmara de origem (2a Câmara do 30 Conselho de Contribuintes), em vários julgados sobre o mesmo assunto, animo-me em deixar aqui registrado, com maiores detalhes, o meu entendimento sobre o assunto, que apenas reforça a Decisão ora proferida. A situação objeto do lançamento fiscal de que se trata, como já muito bem relatado, diz respeito à falta de 20.254 quilos do produto denominado Ácido Ortofosfórico, transportado sob a forma de granel líquido, por via marítima, falta esta que representou, em relação à quantidade total transportada e manifestada, em termos percentuais, a 1,31% (hum vírgula trinta e um por cento). Ao promover o lançamento do crédito tributário respectivo, contra o Agente Marítimo, na qualidade de responsável solidário com o transportador marítimo estrangeiro, a fiscalização levou em consideração os termos de instrução Normativa da SRF n° 095, de 1984, com relação à exigência do tributo (imposto de importação), deixando de cobrar tal imposto sobre o percentual de 0,5%elo. por cento), considerado como limite de tolerância para a quebra, em se tratando de granel líquido. Igualmente respeitou o limite de tolerância fixado na Instrução Normativa da SRF n° 012, de 1976, com relação à aplicação da penalidade prevista para casos de falta de mercadorias (art. 521, inciso II, alínea "d", do Regulamento Aduaneiro), tolerância esta que é de 5% (cinco por cento), em relação ao total manifestado na mesma embarcação. Vê-se, claramente, a citação dessas duas normas no expediente de fís. 07/08 destes autos, que embasou o lançamento do crédito tributário de que se trata. PROCESSO N° :11050.000143/93-15 ACÓRDÃO N° CSRF/03-03.125 O Sujeito Passivo, em extenso arrazoado transcrito em sua petição recursal, que aborda diversos outros aspectos, invoca, com muita propriedade, as mesmas disposições da mencionada IN — SRF — 012/76 a qual, pelo que se sabe, continua plenamente em vigor até os dias atuais, requerendo que o mesmo percentual de tolerância para quebras de mercadorias transportadas a granel, por via marítima, líquido ou sólido, da ordem de 5% (cinco por cento) do total manifestado, seja respeitado, considerado e adotado, não só para efeito de aplicação de penalidade, como também para a exigência tributária. Nada mais lógico, em meu entender. Repito aqui, a respeito dessa questão, pronunciamento que já externei em vários outros julgados, com algumas correções, como segue: O que se vislumbra neste processo, como em inúmeros outros que por aqui tramitam com freqüência, é a dificuldade por parte dos Julgadores na aplicação do melhor direito, diante da confrontação entre dois atos normativos, conflitantes em suas conclusões, editados pelo Poder Executivo, ambos ainda em pleno vigor, que são as instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal — SRF, de n's. 012, de 1976 e 095, de 1984. Tais normas estabelecem limites distintos de tolerância no que se refere a falta (quebra) de mercadorias transportadas a granel, por via marítima, para efeito de aplicação de penalidade — a multa prevista no art. 521, inciso II, alínea "d", do Regulamento Aduaneiro de 1985 (Art. 521, II, "d", do DL 37/66), e para a cobrança do imposto de importação, a titulo de indenização, conforme previsto no art. 60, parágrafo único, do D.L. n° 37/66. Passo, então, às ponderações que considero importantes e adequadas sobre o campo de aplicação das referidas normas e que me levam a decidir o presente litígio aplicando a melhor justiça, sem ultrapassar, obviamente, os limites da estrita legalidade. A Instrução Normativa SRF n° 012/76, pelos diversos fatores que nela se encontram elencados, o que denota ter sido editada com respaldo em elementos técnicos devidamente investigados à época, admite a 1NEVITABIL1DADE" da quebra, em até 5% (cinco por cento), no caso de mercadorias transportadas a granel, por via marítima, sem distinguir a espécie da mercadoria (granéis líquidos ou sólidos). Tal tolerância, diga-se de passagem, veio novamente a ser admitida com a edição da Instrução Normativa, também da SRF, n° 113/91. Por sua vez, a outra norma citada — Instrução Normativa SRF n° 095/84, tratando exclusivamente da exigência tributária (imposto de importação) sobre o mesmo evento — Quebra de mercadoria transportada a granel, por via marítima, sem indicar respaldo algum em qualquer elemento técnico pesquisado, fixou limite de tolerância para exclusão do imposto, em relação à tais quebras, de apenas 1% (hum por cento) para os granéis sólidos; e 0,5% (meio por cento), para granéis líquidos. Como já visto, e aqui se ressalta, a primeira norma — IN-SRF-012/76, foi instituída, de acordo com seu fecho resolutivo, determinando a exclusão da responsabilidade com relação à penalidade cominada, antes indicada. Já a IN-SRF-095184 definiu a tolerância e, conseqüentemente, a exclusão de responsabilidade, em relação ao a PROCESSO N° : 11050.000143/93-15 ACÓRDÃO N° : CSRF/03-03.125 tributo incidente (imposto de importação). Os percentuais de tolerância, excludentes de responsabilidade, são diferentes, apenas com relação ao tipo de exigência (penalidade ou tributo). A nós, julgadores administrativos e ao Juízo em geral, cabe a tarefa de avaliar a questão essencialmente técnica inserida no contexto das referidas normas, ou que deveria estar inserida nas mesmas, para decidir, com a melhor precisão e legalidade, se existe efetivamente a responsabilidade do transportador ou do seu preposto, tanto no que diz respeito à exigência do tributo, quanto na aplicação de penalidade. Indispensável, para a solução do questionamento que ora se apresenta, observar, atentamente, o que existe de diferente e altamente relevante nas referidas Normas. Para tanto, iremos nos aprofundar um pouco mais em sua anáfise, individualmente. A Instrução Normativa SRF n° 012/76 reconhece, expressamente, a INEVITABILIDADE da diminuição de peso, em índices oscilantes, da mercadoria transportada a granel, por via marítima, em relação ao total manifestado, que resulta dos seguintes fatores elencados na mesma Norma : - forma de apresentação da mercadoria; - condições estruturais dos veículos transportadores; - peculiaridades dos meios operacionais de descarregamento; - fatores da natureza (ressecamentos ou volatilização). A existência desses fatores, cuja apuração decorreram, certamente, de estudos técnicos, levaram a Autoridade Administrativa — o então Sr. Secretário da Receita Federal, a fixar em 5% (cinco por cento) o percentual de perda (limite de tolerância) admissivel para esse tipo de mercadoria (granel, líquido ou sólido), quando transportado por via marítima. Repetimos aqui que está dito, expressamente, na referida Norma, que tal situação é INEVITÁVEL I A Instrução Normativa SRF n° 095/84, por sua vez, fixou dois limites de tolerância, diferentes e distintos, para a mesma situação, em relação à exigência do tributo sem, contudo, mencionar se aqueles elementos explicitados na IN SRF 012/76 deixaram de existir, ou se novos fatores passaram a influenciar sobre o mesmo evento. Mas, como se pode verificar, permaneceu essa nova Norma reconhecendo a INEVITABILIDADE das quebras, acrescentando outros fatores que têm por finalidade estabelecer um novo instituto na apuração dos resultados das descargas dos produtos, nos diversos portos de escala, qual seja, a COMPENSAÇÃO. São os seguintes, esses novos fatores inseridos. - ser freqüente a importação de mercadorias transportadas a granel por um mesmo navio, destinada a dois ou mais importadores com descarga em mais de um porto; PROCESSO N° 11050.000143193-15 ACÓRDÃO N° : CSRF/03-03.125 - na distribuição dos lotes nem sempre é possível a rigorosa observância das quantidades declaradas nos documentos de importação. Em razão desses outros elementos, determinou a nova Norma. 1. — que as respectivas multas imponiveis por falta ou acréscimo de mercadorias importadas a granel por mais de um importador, para o mesmo ou mais de um porto de descarga, só serão aplicadas após a apuração global de toda a quantidade descarregada pelo navio, no pais. Esclareça-se que tal disposição significa apenas a admissibilidade da compensação das faltas registradas para um determinado importador, com os acréscimos recebidos por outros, no mesmo ou em diversos portos de descarga. Estabelece, outrossim, que o resultado final da descarga, para efeito de apuração de eventuais diferenças em relação ao manifestado e da conseqüente responsabilidade tributária, deve levar em consideração a apuração global da descarga, em todos os portos de escala, no pais. Já com relação às quebras, o que aqui de fato nos interessa, a nova Norma — IN SRF 095/84, apenas admite a sua inevitabilidade em razão daqueles mesmos fatores elencados na Norma antiga — N SRF 012/86, ou seja, natureza da mercadoria, condições de transporte, etc. Portanto, a dispensa da exigência tributária pela falta de mercadorias a granel, nos percentuais estabelecidos nas alíneas a) e b), da referida IN SRF 095/84, nada possui de elemento técnico que seja diferente daqueles fatores alinhados na IN SRF 012/76. Vemos, assim, que as duas Normas questionadas são flagrantemente incoerentes, no mundo jurídico, no que diz respeito aos percentuais de tolerância para quebras (faltas), distintos e diferentes com relação ao tributo e à penalidade, mas sobre os mesmos fatores, sobre a mesma ocorrência. A IN SRF 012/76 poderia ter estabelecido, com plena observância da legalidade, a dispensa também da exigência de tributo, no mesmo percentual da penalidade (5%), motivada pelos mesmos fatores alinhados nas justificativas que concluíram pela inevitabilidade da ocorrência tipificada. E não se tem qualquer informação, pelo menos explícitos, dos motivos que levaram o então Sr. Secretário da Receita Federal, com a edição da IN SRF 095/84, a fixar tais limites de tolerância em 1% (granéis sólidos) e 0,5% (granéis líquidos), para fins de dispensa do tributo. Uma indagação se toma indispensável neste momento: Se por ocasião da edição da nova Norma — IN SRF 095/84, aqueles fatores que conduziram à conclusão, pelo órgão normatizante (Secretaria da Receita Federal) sobre a 1NEVITABILIDADE da quebra em até 5% (cinco por cento), das mercadorias transportadas a granel, por via marítima, deixaram de existir ou se tornaram menos influentes ? Pelo menos ao que nos parece, os citados fatores, alinhados na íN SRF 012/76, continuaram (ou continuam) a existir, pois que tal norma ainda não foi revogada, seja pela nova Norma antes citada, seja por qualquer outra. PROCESSO N° : 11050.000143193-15 ACÓRDÃO N° : CSRF/03-03 125 Continua, portanto, a prevalecer o percentual de tolerância de 5% (cinco por cento) para as quebras, que são consideradas inevitáveis, para efeitos de aplicação de penalidade. Mas, segundo a nova Norma — IN SRF 095184, tal inevitabílidade, até o limite de 5% (cinco por cento) deixa de assim ser considerado, para os efeitos de cobrança de tributo. Esse é o entendimento que, absurdamente, vem sendo seguido pelas repartições fiscais autuantes. E como deve se comportar o Julgador diante de tamanha incoerência das referidas normas, com relação ao percentual de tolerância — INEVITABILIDADE DAS QUEBRAS? Como admitir que determinados fatos, os mesmos fatos, possam ser considerados inevitáveis até 5% (cinco por cento) para aplicação de penalidade e, ao mesmo tempo, em um mesmo evento, deixem de ser assim considerados — inevitáveis, para a cobrança de tributo ? Resta-nos responder a tal irregularidade com razoável bom senso e coerência, sem nos afastarmos da legalidade, os quais nos levarão, certamente, a admitir que, em ambos os caos, tanto para multa quanto para tributo, deve ser considerado o percentual limítrofe mais favorável ao contribuinte, ou seja, aquele estabelecido na IN SRF 012/76. Ampara essa solução o fato de que a Norma mais nova — IN SRF 095/84, além de não revogar a anterior, permitindo que a penalidade seja dispensada quando o percentual de quebra se comporte dentro do limite de 5% (cinco por cento), significa admitir, mesmo que implicitamente, que tal percentual é acertado, a partir dos elementos técnicos pesquisados, resultando nos fatores de inevitabilidade elencados na Norma anterior. Portanto, diante de tais elementos, sendo certo que o percentual de tolerância de 5% (cinco por cento), estabelecido na IN SRF 012/76, em virtude do reconhecimento "expresso" da INEVITAB1LIDADE da quebra de mercadorias transportadas a granel, por via marítima, continua sendo admitido pela própria Secretaria da Receita Federal, não se pode vislumbrar a manutenção da responsabilidade do contribuinte, no caso o transportador marítimo ou seu preposto, quando a quebra situa-se abaixo desse limite, tanto para efeito de aplicação de penalidade quanto para a exigência de tributo. O Regulamento Aduaneiro, em seu artigo 478, com matriz legal no art. 60, parágrafo único, do Decreto-lei n° 37/66 estabelece, expressamente: "A responsabilidade pelos tributos apurados em relação a avaria ou extravio de mercadoria será de quem lhe deu causa..." (grifos meus) Ora, se a própria Administração Pública, por intermédio da Secretaria da Receita Federal, controladora do tributo envolvido, admite e reconhece que o fato aqui enfocado — quebra de mercadoria transportada a granel, por via marítima, até o limite 40, PROCESSO N° :11050.000143/93-15 ACÓRDÃO N° . CSRF/03-03.125 de 5% (cinco por cento) é situação de natureza INEVITÁVEL, nada mais nada menos que CASO FORTUITO OU FORÇA MAIOR, não há como, obviamente, admitir o Julgador que para efeito de exigência tributária a referida INEVITABILIDADE tenha que se limitar tão somente a 1% (um por cento) ou a 0,5% (meio por cento), dependendo do tipo do granel — sólido ou líquido. Atrevo-me, "máxima concessa venha", em afirmar que, se a fiscalização, os 1. Julgadores "a quo", assim como os DD. Pares deste Colegiado, nos julgados que por aqui transitam, ou transitaram, vêm considerando que ocorre a INEVITABILIDADE da quebra em até 5% (cinco por cento), mandando excluir a penalidade aplicada, agem (ou agiram) com total incoerência e afastados do bom direito ao mudarem, na mesma autuação ou decisão, o conceito dessa mesma INEVITABILIDADE, ao considerarem, para efeito de exigência do imposto, percentual de tolerância de apenas 1% (um por cento) ou 0,5% (meio por cento). Deve-se sempre destacar e lembrar que os órgãos colegiados de julgamentos administrativos, como é o caso dos Conselhos de Contribuintes e desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, não estão "atrelados, incondicionalmente, ao que mandam os Atos Normativos da espécie. Mas devem sim, quando possível, aproveitar os elementos que neles podem estar contidos, especialmente os de natureza técnica, para dar solução aos litígios que Lhes são submetidos à decisão. Resta claro, sobretudo pelos fatores explicitados na IN SRF 012/76, não revogada, e na ausência de outros elementos de igual relevância, contraditórios e supervenientes, na fundamentação da IN SRF 095/84, que a própria Secretaria da Receita Federal reconhece a inevitabilidade da quebra de mercadorias transportadas a granel, por via marítima, até o limite de 5% (cinco por cento), independentemente de fixar este ou aquele percentual para fins de exclusão de tributos e penalidades. Este é o elemento chave e relevante a ser levado em consideração para se alcançar a melhor decisão para os litígios da espécie. E o entendimento que exsurge do raciocínio acima alinhado já encontra-se amplamente adotado nos nossos mais altos Tribunais de Justiça, como retratam os arestos que a seguir citamos, dentre vários outros, a saber: S.T.J. — RE 169.418 — SP (98/0023062-9) TRIBUTÁRIO — IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO — MERCADORIA TRANSPORTADA A GRANEL — QUEBRA — DECRETO-LEI 37/66 — LEI 6.562/78 — INSTRUÇÃO NORMATIVA 12176-SRF. 1.No transporte de mercadoria importada a granel, se a quebra corresponde aos limites admitidos pelo Fisco, não há como falar em responsabilidade tributária. Precedente do Superior Tribunal de Justiça." (Decisão unânime — Primeira Turma — 20.04.1999) /' I 6 -4 PROCESSO N° 11050,000143193-15 ACÓRDÃO N° : CSRF103-03 125 .x.x.x. S.T.J. - RE N° 64.067-DF (95/0018974-7) TRIBUTÁRIO - IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO - MERCADORIAS A GRANEL - TRANSPORTE MARÍTIMO - QUEBRA - RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA - AUSÊNCIA DE CULPA - MULTA DISPENSÁVEL - CORREÇÃO MONETÁRIA - INCIDÊNCIA - JUROS DE MORA - DECRETO-LEI 37/66 (ARTS. 48, 60, PARÁGRAFO ÚNICO E 169) - LEI 6.562/78 (ART. 2°) - PRECEDENTES. - Nos casos de mercadorias importadas do exterior a granel, por via marítima, não superando a quebra os 5% estipulados como limite, não ocorrendo culpa do transportador, dispensável a multa, assim como inexigível o pagamento do tributo. - "In casu", a correção monetária incide sobre o total dos valores, inclusive sobre a multa, indevidamente recolhidos, a partir do pagamento indevido até o efetivo pagamento da importância repetida. - Os juros de mora incidirão sobre o total a ser devolvido, inclusive sobre o valor da multa, a partir do trânsito em julgado da decisão, à taxa de 1% (um) por cento ao mês. - Recurso conhecido e provido, invertendo-se os ônus da sucumbência. (Decisão unânime - Segunda Turma - 20.08.1998) .X.X.X. S.T.J. - RE TV 38.499-0 - RIO DE JANEIRO (93.0024813-8) Tributário. Imposto de Importação. Transporte Marítimo de Produto à Granel. Quebra. Responsabilidade Tributária. Decreto-Lei n° 37/66 (art. 48, 60, parágrafo único, e 169). Lei n° 6.562/78 (art. 2°). Instrução Normativa 12/76. Secretaria da Receita Federal. 1. À palma de transporte de produtos à granel, mantendo-se a quebra dentro do limite admitido como natural pelas autoridades fiscais, presumida a ausência de culpa do transportador, inocorre a responsabilidade para o recolhimento do tributo na importação. 2. No caso, não superando a quebra os 5% previstos como naturais, de logo, descabendo o pagamento da indenização cogitada no Parágrafo único, art. 60, Dec.Lei 37/66, as mesmas 7 t,) PROCESSO N° : 11050.000143/93-15 ACÓRDÃO N° : CSRF/03-03.125 razões que justificam o reconhecimento da dispensa da multa, também, não se tenha como exigível o pagamento do tributo. Na falta superior ao percentual aludido, somente o excesso poderá ser tributado. 3. Recurso provido" (Decisão unânime — Primeira Turma — 05.04.1995) Os argumentos acima alinhados, por si só, me conduzem à tranqüila convicção de que a Decisão ora adotada por esta Corte Superior foi, sem dúvida, a mais acertada. Além disso, no presente caso existe uma peculiaridade própria, em relação à mercadoria envolvida — Ácido Ortofosfórico - granel líquido. Como bem destacado no brilhante Voto que integra o Acórdão ora recorrido, o Instituto Nacional de Tecnologia (INT) já emitiu Pareceres a respeito dessa mercadoria, informando que o Ácido Ortofosfórico é um produto sujeito a sedimentação, que varia de 1% a 3% do seu volume, o qual não é bombeado. Portanto, ainda que não houvesse o limite de tolerância (inevitabilidade), de caráter geral, de 5% (cinco por cento) para quebras de mercadorias transportadas a granel, conforme acima demonstrado, de qualquer forma não poderia permanecer a exigência tributária no presente caso, relacionada à quebra em percentual de 1,31%, uma vez se trata, efetivamente, de vido próprio da mercadoria, excludente de responsabilidade do transportador marítimo. Por todo o exposto, ratificando o Voto proferido pelo Nobre Relator, nego provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, Sala das Sessões, 14 de agosto • e 2000 # PAULO ROBERT*" U 4 ANTUNES — Conselheiro. R Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1
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