Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,886)
- Primeira Turma Ordinária (16,420)
- Primeira Turma Ordinária (16,227)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,219)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,909)
- Segunda Turma Ordinária d (14,490)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,514)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,492)
- Quarta Câmara (85,208)
- Terceira Câmara (67,880)
- Segunda Câmara (56,645)
- Primeira Câmara (20,759)
- 3ª SEÇÃO (16,219)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,732)
- Segunda Seção de Julgamen (115,217)
- Primeira Seção de Julgame (77,090)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,975)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,488)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,906)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,234)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,931)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,803)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,628)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,711)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10580.725551/2011-11
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2007 a 31/12/2007
PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. EXCEÇÃO À REGRA.
Tratando-se de contraposição a fatos e/ou razões aduzidos nos autos somente após a impugnação, não se tem por configurada a preclusão.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/2007 a 31/12/2007
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
O crédito tributário, quer se refira a tributo, quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês de pagamento.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2007 a 31/12/2007
BASE DE CÁLCULO. COMPOSIÇÃO. DESCONTOS OBTIDOS.
Os descontos obtidos sobre os preços praticados pelo fornecedor estão contidos na receita bruta, sendo irrelevante, para o comprador, se eles foram concedidos de forma condicional ou não.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2007 a 31/12/2007
BASE DE CÁLCULO. COMPOSIÇÃO. DESCONTOS OBTIDOS.
Os descontos obtidos sobre os preços praticados pelo fornecedor estão contidos na receita bruta, sendo irrelevante, para o comprador, se eles foram concedidos de forma condicional ou não.
RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR PARCIALMENTE PROVIDO
RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO
Numero da decisão: 9303-003.548
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional para restabelecer os juros sobre multa de ofício e negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento ao recurso da Fazenda Nacional e davam provimento ao recurso do sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201603
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/03/2007 a 31/12/2007 PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. EXCEÇÃO À REGRA. Tratando-se de contraposição a fatos e/ou razões aduzidos nos autos somente após a impugnação, não se tem por configurada a preclusão. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/03/2007 a 31/12/2007 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo, quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2007 a 31/12/2007 BASE DE CÁLCULO. COMPOSIÇÃO. DESCONTOS OBTIDOS. Os descontos obtidos sobre os preços praticados pelo fornecedor estão contidos na receita bruta, sendo irrelevante, para o comprador, se eles foram concedidos de forma condicional ou não. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/2007 a 31/12/2007 BASE DE CÁLCULO. COMPOSIÇÃO. DESCONTOS OBTIDOS. Os descontos obtidos sobre os preços praticados pelo fornecedor estão contidos na receita bruta, sendo irrelevante, para o comprador, se eles foram concedidos de forma condicional ou não. RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR PARCIALMENTE PROVIDO RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 25 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10580.725551/2011-11
anomes_publicacao_s : 201607
conteudo_id_s : 5613447
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 26 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9303-003.548
nome_arquivo_s : Decisao_10580725551201111.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 10580725551201111_5613447.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional para restabelecer os juros sobre multa de ofício e negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento ao recurso da Fazenda Nacional e davam provimento ao recurso do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2016
id : 6448979
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:14:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076783567962112
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2228; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 16.550 1 16.549 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10580.725551/201111 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9303003.548 – 3ª Turma Sessão de 17 de março de 2016 Matéria PIS E COFINS AUTOS DE INFRAÇÃO Recorrentes BOMPREÇO BAHIA SUPERMERCADOS LTDA e FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL e BOMPREÇO BAHIA SUPERMERCADOS LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2007 a 31/12/2007 PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. EXCEÇÃO À REGRA. Tratandose de contraposição a fatos e/ou razões aduzidos nos autos somente após a impugnação, não se tem por configurada a preclusão. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2007 a 31/12/2007 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo, quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês de pagamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2007 a 31/12/2007 BASE DE CÁLCULO. COMPOSIÇÃO. DESCONTOS OBTIDOS. Os descontos obtidos sobre os preços praticados pelo fornecedor estão contidos na receita bruta, sendo irrelevante, para o comprador, se eles foram concedidos de forma condicional ou não. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2007 a 31/12/2007 BASE DE CÁLCULO. COMPOSIÇÃO. DESCONTOS OBTIDOS. Os descontos obtidos sobre os preços praticados pelo fornecedor estão contidos na receita bruta, sendo irrelevante, para o comprador, se eles foram concedidos de forma condicional ou não. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 55 51 /2 01 1- 11 Fl. 16550DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10580.725551/201111 Acórdão n.º 9303003.548 CSRFT3 Fl. 16.551 2 RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR PARCIALMENTE PROVIDO RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional para restabelecer os juros sobre multa de ofício e negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento ao recurso da Fazenda Nacional e davam provimento ao recurso do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de recursos especiais interpostos pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) e pelo contribuinte supra identificado em face de decisão da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, cujo acórdão restou ementado da seguinte forma: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2007 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. COMPOSIÇÃO. DESCONTOS DE CARÁTER CONTRAPRESTACIONAL. Os descontos de caráter contraprestacional não são considerados descontos incondicionais, e compõem a base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP. MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA. Fl. 16551DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10580.725551/201111 Acórdão n.º 9303003.548 CSRFT3 Fl. 16.552 3 A multa de ofício referida no art. 44 da Lei no 9.430/1996 não possui natureza confiscatória. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2007 COFINS. BASE DE CÁLCULO. COMPOSIÇÃO. DESCONTOS DE CARÁTER CONTRAPRESTACIONAL. Os descontos de caráter contraprestacional não são considerados descontos incondicionais, e compõem a base de cálculo da COFINS. MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA. A multa de ofício referida no art. 44 da Lei no 9.430/1996 não possui natureza confiscatória. Decidiu o Colegiado, (i) pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário quanto à exclusão das bonificações da base de cálculo da contribuição, (ii) por maioria de votos, dar provimento para excluir a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício e (iii) por maioria de votos, negar provimento quanto à exclusão do rateio das despesas de propaganda da base de cálculo da contribuição. Cientificada, a Fazenda Nacional interpõe Recurso Especial, devidamente admitido pelo Presidente da Câmara, e requer, preliminarmente, o reconhecimento da ocorrência de preclusão e de supressão de instância quanto ao cancelamento dos juros de mora sobre a multa de ofício, por se tratar de matéria contestada pelo contribuinte somente em grau de recurso voluntário. No mérito, requer a PGFN o restabelecimento da incidência de juros de mora, à taxa Selic, sobre a multa de ofício. Cientificado do acórdão e do recurso especial da PGFN, o contribuinte apresenta contrarrazões, alegando que são inadmissíveis os argumentos da Fazenda Nacional, pois, segundo ele, a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício configura matéria de ordem pública, passível de enfrentamento de ofício por parte do Colegiado, não se sustentando as alegações do Recorrente relativamente à ocorrência de preclusão e de supressão de instância. Além das contrarrazões, o contribuinte interpõe Recurso Especial, também devidamente admitido pelo Presidente da Câmara, sustentando que os descontos negociados com os seus fornecedores, não sujeitos a condições, não representam receita ou acréscimo de patrimônio, tratandose, em verdade, de redutores de custos de aquisição de mercadorias, não compondo, por conseguinte, as bases de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Em contrarrazões, a PGFN sustenta que os descontos obtidos pelo contribuinte se referem, em verdade, a “pedágios” por ele cobrados de seus fornecedores e operacionalizados por meio de descontos nos pagamentos a esses fornecedores, configurando se receitas de prestação de serviços. Fl. 16552DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10580.725551/201111 Acórdão n.º 9303003.548 CSRFT3 Fl. 16.553 4 Segundo a PGFN, "[os] valores cobrados pela autuada aos fornecedores integram a base de cálculo da COFINS e do PIS, na sistemática nãocumulativa, regulada pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, pois são auferimento de receita, embora não fisicamente, mas por meio de “compensação”, já que a base de cálculo no regime não cumulativo é a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica." (fl. 16.531). É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. Os recursos atendem aos pressupostos de admissibilidade e devem ser conhecidos. Conforme acima relatado, controvertese nesta instância sobre as seguintes matérias: a) ocorrência de preclusão e de supressão de instância quanto ao cancelamento dos juros de mora sobre a multa de ofício, por se tratar de matéria contestada pelo contribuinte somente em grau de recurso voluntário (Recurso Especial da Fazenda Nacional); b) incidência de juros de mora, à taxa Selic, sobre a multa de ofício (Recurso Especial da Fazenda Nacional); c) incidência das contribuições sobre descontos negociados com os fornecedores após a efetivação das vendas (Recurso Especial do Contribuinte). I. Preclusão e supressão de instância. A Fazenda Nacional alega a ocorrência de preclusão e de supressão de instância no que tange ao cancelamento dos juros de mora sobre a multa de ofício promovido pela turma julgadora recorrida, por se tratar, segundo ela, de matéria contestada pelo contribuinte somente em grau de recurso voluntário. Contudo, compulsando os autos, verificase à fl. 2 que, originalmente, como ocorre em todos os lançamentos de ofício da espécie, o lançamento da multa de ofício se dera a partir da aplicação do percentual de 75% sobre o valor do principal, em valor nominal, sem o acréscimo dos juros de mora. Após a decisão da DRJ Salvador/BA, enviouse ao contribuinte o Demonstrativo de Débitos de fls. 16.266 a 16.267, em que constam os valores do principal e da multa, sendo reproduzidos na coluna da multa os mesmos valores do principal, o que pode, a meu ver, ter levado o contribuinte a considerar que os valores originais da multa lançada, no percentual de 75% sobre o principal, encontravamse corrigidos monetariamente. A partir de então, no recurso voluntário, passou ele a contestar a aplicação dos juros Selic sobre a multa de ofício, tendo obtido decisão favorável na segunda instância, com a exclusão dessa incidência. Fl. 16553DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10580.725551/201111 Acórdão n.º 9303003.548 CSRFT3 Fl. 16.554 5 Por se tratar de questão que exsurgiu apenas após a decisão de primeira instância, ela se encontra, para fins de aferição de eventual ocorrência de preclusão ou de suspensão de instância, albergada, indiretamente, pela regra contida na alínea "c" do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, verbis: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Destaquese que, não obstante não se tratar o presente caso de apresentação extemporânea de provas documentais, mas de apresentação posterior de argumentos de defesa, o referido dispositivo, a meu ver, aqui também se aplica, pois que abarca a contraposição a fatos ou razões trazidas aos autos a posteriori. Nesse sentido, por se tratar de controvérsia que surgiu nos autos apenas depois da decisão de primeira instância, afastase a preliminar de preclusão ou de supressão de instância. II Incidência de juros de mora, à taxa Selic, sobre a multa de ofício. No mérito, argui a Fazenda Pública que, diferentemente do que restou decidido no acórdão recorrido, sobre a multa de ofício incidem os juros de mora, calculados com base na taxa Selic. Essa matéria já foi objeto de análise nesta CSRF em 15 de agosto de 2013, no acórdão nº 9303002.400, da relatoria do conselheiro Joel Miyazaki, tendo este relator acompanhado o respectivo voto condutor, quando se decidiu nos seguintes termos: A matéria trazida à apreciação deste colegiado restringese à incidência de juros de mora sobre multa de ofício não paga na data de seu vencimento. A decisão recorrida afastou os juros sobre a multa de oficio sob o argumento de que haveria necessidade de lei específica que previsse tal hipótese. A meu sentir esse entendimento não merece prosperar, vez que a legislação tributária prevê, expressamente, a incidência de juros moratórios sobre os créditos tributários não pagos no vencimento, aí incluídos aqueles decorrentes de penalidades, senão vejamos. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento do tributo ou de penalidade pecuniária, e extinguese com o crédito dela decorrente, conforme o § 1º do art. 113 do CTN. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. Fl. 16554DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10580.725551/201111 Acórdão n.º 9303003.548 CSRFT3 Fl. 16.555 6 § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Paralelamente, o art. 139 do CTN dispõe que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Do cotejo desses dispositivos legais, concluise, indubitavelmente, que o crédito tributário inclui tanto o valor do tributo quanto o da penalidade pecuniária, visto que ambos constituem a obrigação tributária, a qual tem a mesma natureza do crédito a ela correspondente. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Conforme palavras do ilustre conselheiro Henrique Pinheiro Torres: “Um é a imagem, absolutamente, simétrica do outro, apenas invertida, como ocorre no reflexo do espelho. Olhandose do ponto de vista do credor (pólo ativo da relação jurídica tributária, verseá o crédito tributário; se se transmutar para o pólo oposto, o que se verá será, justamente, o inverso, uma obrigação. Daí o art. 139 do CTN declarar expressamente que um tem a mesma natureza do outro. “ Assim, como o crédito tributário correspondente à obrigação tributária e esta é constituída de tributo e de penalidade pecuniária, a conclusão lógica é que a penalidade é crédito tributário. Passamos agora a verificar o tratamento dispensado pela Legislação às hipóteses em que o crédito não é liquidado na data de vencimento. A norma geral, estabelecida no art. 161 do Código Tributário Nacional, dispõe que, o crédito não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Fl. 16555DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10580.725551/201111 Acórdão n.º 9303003.548 CSRFT3 Fl. 16.556 7 A par dessa norma geral, para não deixar margem à dúvida, o legislador ordinário, estabeleceu que os créditos decorrentes de penalidades que não forem pagos nos respectivos vencimentos estarão sujeitos à incidência de juros de mora. Essa previsão consta, expressamente, do art. 43 da Lei 9.430/1996, que transcrevo abaixo. Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em suma, temse que o crédito tributário, independentemente de se referir a tributo ou a penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Nesse sentido, acolhese a contestação da Fazenda Nacional, no sentido de restabelecer a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício não paga na data do respectivo vencimento. III Receita/Faturamento. Descontos negociados com fornecedores após a efetivação das vendas. O contribuinte alega que os descontos negociados com os seus fornecedores, não sujeitos a condições, não representam receita ou acréscimo de patrimônio, tratandose, em verdade, de redutores de custos de aquisição de mercadorias, não compondo, por conseguinte, as bases de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. A Fazenda Nacional, por seu turno, sustenta que os descontos obtidos pelo contribuinte se referem, em verdade, a “pedágios” por ele cobrados de seus fornecedores e operacionalizados por meio de descontos nos pagamentos a esses mesmos fornecedores, configurando receitas de prestação de serviços. Referida matéria já foi objeto de análise nesta CSRF em 14 de junho de 2012, no acórdão nº 9303002.017, tendo como redator designado do voto vencedor o conselheiro Júlio César Alves Ramos, tendo este relator acompanhado o respectivo voto condutor, quando se decidiu nos seguintes termos: É que se trata aqui de valores que a empresa registrara em sua contabilidade como uma obrigação a saldar junto a fornecedores, mas que efetivamente saldou por um valor menor do que estava contabilmente registrado. Para essa hipótese, a ciência contábil também não diverge: dado que o valor desembolsado não corresponderá à obrigação – Fl. 16556DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10580.725551/201111 Acórdão n.º 9303003.548 CSRFT3 Fl. 16.557 8 ficará registrado ainda um saldo devedor, incorreto, pois a dívida foi mesmo integralmente quitada – determinam os princípios contábeis seja feito um lançamento a débito daquela conta de Passivo cuja contrapartida será a crédito de uma segunda conta, normalmente intitulada de “descontos obtidos”. Por representar um aumento do Patrimônio Líquido (redução do Passivo sem correspondente redução do Ativo) esse lançamento tem a natureza de uma receita (receita financeira), ainda que seja forçoso reconhecer que nenhum ingresso novo ocorreu. Exatamente este último aspecto – ausência de ingresso de direito novo – fez o dr. Jorge votar pela sua não inclusão na base de cálculo. Ocorre que diante do comando legal taxativo do § 1º do art. 3º da Lei 9.718, repetido, ipsis literis, na Lei 10.637/2002 e na Lei 10.833/2003, não vejo como possa essa receita deixar de compor a base de cálculo da contribuição senão considerando ditos comandos inconstitucionais. Desnecessário dizer que, como regra, não o podemos fazer, além do que, no caso concreto, há decisão judicial afirmando que até mesmo o primeiro deles é constitucional, embora já haja inúmeras decisões que afirmam exatamente o contrário. Para finalizar, vale repetir aqui o que já disse alhures: em se tratando de desconto obtido, é totalmente irrelevante a investigação de se ele foi concedido incondicionalmente ou não. É que a Lei 9.718, ao tratar dos descontos incondicionais, estava a beneficiar o concedente do desconto, isto é, aquele que está vendendo o produto ou prestando o serviço. Para maior clareza, reproduzo o artigo destacando o que interessa: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...) § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; No caso de que nos ocupamos, a tributação está sendo discutida no comprador. Não há que se aplicar ao caso, pois, a figura tratada no artigo acima. Fl. 16557DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10580.725551/201111 Acórdão n.º 9303003.548 CSRFT3 Fl. 16.558 9 Notese que no caso de desconto incondicional, isto é, aquele que já é concedido no momento da celebração do contrato de venda ou prestação de serviço, nada obriga ou recomenda que o adquirente registre a sua obrigação por um valor maior do que, já sabe, irá desembolsar em seu vencimento. Tudo ao contrário, deve fazêlo pelo valor efetivo, o que leva a que não surja a figura aqui discutida. Ela, ao contrário, surge quando o vendedor somente concede o desconto em razão de o comprador quitar, antes do prazo, a dívida. Nesse caso, ela estará corretamente registrada em sua contabilidade pelo valor inicialmente pactuado. E por isso de incondicional nada tem: ele é um desconto condicionado à antecipação do pagamento. Esse é, aliás, o motivo para que sua contrapartida tenha a natureza de receita financeira. Nesse sentido, concluise que não assiste razão ao contribuinte, pois os descontos por ele obtidos junto a seus fornecedores compõem a base de cálculo das contribuições, precipuamente as calculadas sob a sistemática da não cumulatividade, que vem a ser o caso dos presentes autos. Destaquese que, à ocasião da implementação da não cumulatividade das contribuições, não mais existia a controvérsia acerca da inconstitucionalidade do alargamento de sua base de cálculo, pois que, diferentemente da Lei nº 9.718, de 1998, as Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, já se sustentavam na nova redação constitucional dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998, que passou a prever a incidência das contribuições sociais sobre as receitas, genericamente consideradas, e não mais apenas sobre o faturamento. IV Conclusão. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso especial do Contribuinte e DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso especial da Fazenda Nacional, para restabelecer a exigência dos juros de mora, calculados com base na taxa Selic, sobre a multa de ofício não paga no vencimento. É como voto. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 16558DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10580.725551/201111 Acórdão n.º 9303003.548 CSRFT3 Fl. 16.559 10 Fl. 16559DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.912943/2012-18
Data da sessão: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.462
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento de direito de defesa e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
ementa_s :
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10830.912943/2012-18
anomes_publicacao_s : 201806
conteudo_id_s : 5867335
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1001-000.462
nome_arquivo_s : Decisao_10830912943201218.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10830912943201218_5867335.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento de direito de defesa e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
dt_sessao_tdt : Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
id : 7309879
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:15:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076783578447872
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1358; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 2 1 1 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.912943/201218 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.462 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 13 de abril de 2018 Matéria IRPJ E CSLL. LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES HOSPITALARES. Recorrente OCC ONCOLOGIA CLINICA DE CAMPINAS SOCIEDADE EMPRESÁRIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO LUCRO PRESUMIDO ATIVIDADES HOSPITALARES ANOCALENDÁRIO 2004 DIPJ RETIFICADORA. A DIPJ retificadora, por si só, não se constitui em instrumento hábil para a exigência dos valores nela informados A DCTF é que se constitui, de fato, em confissão de dívida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento de direito de defesa e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 29 43 /2 01 2- 18 Fl. 1098DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília, que por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente, não reconhecendo o seu direito creditório. Por economia processual passo a adotar o suscinto relatório elaborado pela DRJ, in verbis: “Trata o presente processo de despacho decisório eletrônico (fl. 28), no qual a compensação realizada no Per/Dcomp nº 13760.08995.260209.1.2.048211, pela empresa acima identificada, não foi homologada por inexistência/insuficiência do crédito compensado, haja vista o pagamento relativo ao DARF ali discriminado, foi integralmente utilizado para quitar débito do CSLL, PA30/09/2004, não restando saldo disponível. A contribuinte tomou ciência do despacho decisório em 17/12/2012 (AR fl. 34). Inconformada, por intermédio de seu procurador (Gustavo Froner Minatel), apresentou manifestação de inconformidade (fls. 2 a 9) em 16/01/2013, na qual transcreve os fatos, dispositivos da legislação tributária e, em síntese, argumenta o seguinte: inicialmente no trimestre em análise apurou débito de CSLL, quitado da seguinte forma: (i) parte por retenções sofridas; e (ii) parte com DARF; revendo a apuração da CSLL, constatou que estava aplicando o percentual incorreto de presunção do lucro (32%), tendo em vista sua atividade ser enquadrada como serviços hospitalares, previsto no art. 15, §1°, III, combinado com o art. 20 da Lei n° 9.249/95. Diante do equívoco, aplicou o percentual correto (12%), e apurou CSLL devida de no trimestre, resultando pagamento a maior, e retificou a DIPJ do período para demonstrar o valor correto da CSLL; do valor pago, parte foi utilizada para liquidar a CSLL devida no trimestre e o restante pago a maior, pediu a restituição. No entanto, a DRF/Campinas indeferiu o pedido de restituição no despacho decisório, em flagrante desrespeito à legislação tributária, especialmente a que trata de necessidade de lançamento e de restituição (Arts. 142 e 165 do CTN) devendo ser reformado, porque não foi considerado a DIPJ retificadora apresentada antes da emissão do despacho decisório; a autoridade fiscal não pode, a seu critério, efetuar lançamento ou deixar de fazêlo, porque sua atividade é vinculada e obrigatória. Com efeito, o artigo 15, parágrafo 1º, Inciso III, alínea "a" da Lei n° 9.249/951, vigente à época dos fatos, determinava que os prestadores de serviços hospitalares poderiam utilizar na apuração da CSLL na sistemática do lucro presumido percentual de 12% sobre a receita bruta (art. 20 da Lei 9.249/95); apesar da clareza na redação no que concerne à aplicação do percentual de 12% sobre a receita bruta na prestação de serviços hospitalares, o legislador não definiu o que seriam considerados serviços hospitalares para fins de aplicação do Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 10830.912943/201218 Acórdão n.º 1001000.462 S1C0T1 Fl. 3 3 aludido percentual, questão essa central para o deslinde da controvérsia ora analisada; na busca de uma interpretação do alcance da norma, foram editados pela Receita Federal do Brasil uma série de atos normativos para regulamentar a questão e tentar definir o que seriam "serviços hospitalares", sendo o primeiro deles a IN SRF n° 306/2003 que em seu artigo 23 conceituou "serviços hospitalares" para fins do disposto no artigo 15, § 1º, inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249/95; a sua atividade estava expressamente listada no artigo 23, inciso V, alíneas "i" e "k", da IN SRF n° 306/2003, vigente à época dos fatos, e atendia a todos os requisitos mencionados no referido dispositivo, vez que os serviços eram prestados por pessoa jurídica que possuía estrutura física condizente para a execução e desenvolvimento das atividades de radioterapia e quimioterapia, tanto que autorizado seu funcionamento pela ANV1SA, o que confirma a aplicação do percentual de 12% na apuração da base de cálculo da CSLL apurado no ano calendário de 2004; assim, com base no artigo 15, § 1o, inciso III, alínea "a", da Lei n° 9.249/95 (redação original), confirmada pela IN SRF n° 306/03, refez o cálculo da CSLL de 2004, aplicando o percentual de 12% e constatou recolhimento a maior, devendo assim o crédito ser reconhecido e o pedido de restituição integralmente deferido; diante de apuração, não desconstituída pelo Fisco, os valores de CSLL recolhidos a maior caracterizamse indébitos tributários, pois extrapolam o critério quantitativo da sua base de cálculo. Nesse sentido, são esclarecedoras as palavras do ilustre professor Paulo de Barros Carvalho. No PEDIDO, requer seja conhecida a Manifestação de Inconformidade, declarandose a ineficácia da decisão, a fim de que seja reconhecido integralmente o direito creditório com a consequentemente restituição do valor pleiteado, acrescido de juros SELIC, nos termos da legislação de regência. É o breve relatório.” A DRJ de Brasília (DF) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Para serem considerados serviços hospitalares, as atividades dos contribuintes que desejem usufruir do benefício legal de redução de alíquota, em face da legislação tributária de Fl. 1100DF CARF MF 4 regência e orientação traçada pela Administração tributária, devem atender cumulativamente todas às exigências e/ou requisitos previstos nos normativos, devidamente comprovada mediante documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” No Recurso faz extenso arrazoado sobre os motivos pelo qual o acórdão exarado pela DRJ não deve prosperar, reiterando em seguida as alegações feitas por ocasião da sua manifestação de inconformidade e, no fim, pugnando pelo provimento do seu Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator O presente processo tratase de retorno de diligência, conforme decisão deste egrégio Conselho, em 27/11/2014. Por economia processual reproduzo parcialmente o voto do relator: O Recurso é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. A presente lide consiste na interpretação da Delegacia da Receita Federal que entendeu que a contribuinte, optante pelo lucro presumido, deveria utilizar o percentual de lucro de 32% sobre sua receita bruta de prestação de serviços hospitalares, portanto divergente do percentual de 12%, o qual a contribuinte utilizou entendendo ser pertinente às suas atividades. De acordo com o entendimento da fiscalização, a Lei nº 10.684/2003 criou a alíquota de 32% para a apuração da CSLL para as pessoas jurídicas optantes pelo Lucro Presumido, enquadradas na mesma situação da contribuinte, embora a mesma tenha continuado a utilizar a alíquota de 12%. Vejamos o diploma legal em questionamento: “Art. 22. O art. 20 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do ano calendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 10830.912943/201218 Acórdão n.º 1001000.462 S1C0T1 Fl. 4 5 Parágrafo único. A pessoa jurídica submetida ao lucro presumido poderá, excepcionalmente, em relação ao quarto trimestrecalendário de 2003, optar pelo lucro real, sendo definitiva a tributação pelo lucro presumido relativa aos três primeiros trimestres." (NR) Passo portanto a análise do mérito. Para tanto colaciono o dispositivo questionado, constante da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995: “Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada Lei nº 10.684, de 2003) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.119, de 205) (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência)” Reproduzindo também o dispositivo referente ao IRPJ, o qual ampara a CSLL: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) [...] Como de plano se observa, a Lei n° 11.727, de 23 de junho de 2008, promoveu alteração no sentido de adicionar atividades específicas no rol de exceções à aplicação da alíquota de 32%, sem adicionar contudo, os serviços radiológicos. Ocorre que tal alteração não afeta o caso em tela em virtude de: Fl. 1102DF CARF MF 6 (I) não servir de caráter expressamente interpretativo para o termo “serviços hospitalares”, fato que poderia ensejar a retroatividade nos termos do art. 106, I, do Código Tributário Nacional; e (II) vir após a ocorrência dos fatos geradores que lhe deram causa (anoscalendário de 2003, 2004, 2005 e 2006). Portanto, da análise devese verificar o texto legal vigente à época dos fatos geradores, que era “prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares”. Neste prisma, a Recorrente entende prestar serviços hospitalares e, nesta condição, entende que nos fatos geradores supra estaria na regra de exceção à aplicação da alíquota de presunção de lucro a 32%. Confrontada com idêntica situação, o STJ através do REsp n° 859.574, de relatoria do Ministro Castro Meira, julgado em 23/06/2009 se pronunciou no sentido de se interpretar o termo “serviços hospitalares” objetivamente. No voto do Ilustre Ministro, que também citou precedente do decidido no REsp 951.251/PR, concluiuse o seguinte: ... a Seção decidiu que o benefício fiscal de redução de base de cálculo foi concedido de modo objetivo, pois leva em consideração o serviço prestado e não a natureza ou estrutura do prestador. Nesses termos, definiuse que a alíquota reduzida beneficia todos os prestadores de serviços tipicamente hospitalares – que são aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde , independentemente da complexidade ou da estrutura para internação de pacientes. A mens legis da norma em debate busca, através de um objetivo extrafiscal, minorar os custos tributários de serviços que são essenciais à população, não vinculando a prestação desses a determinada qualidade do prestador capacidade de realizar internação de pacientes , mas, sim, à natureza da atividade desempenhada. No julgamento citado, excetuaramse, apenas, as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. Na oportunidade foram fixadas duas situações que convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por instituição que, no desenvolvimento de sua atividade, possuía custos diferenciados do simples atendimento médico, sem, contudo, decorrerem estes necessariamente da internação de pacientes. No caso, tratase de entidade que presta serviços de radiologia, ultrassonografia e diagnóstico por imagens dentro do Hospital Geral pertencente à Associação de Caridade Santa Casa do Rio Grande, que não possui esses serviços e, portanto, os terceiriza à recorrente. Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 10830.912943/201218 Acórdão n.º 1001000.462 S1C0T1 Fl. 5 7 Não se trata de simples consulta médica, mas de atividade que se insere, indubitavelmente, no conceito de “serviços hospitalares, já que demanda maquinário específico, geralmente adquirido por hospitais ou clínicas de grande porte.” É importante deixar consignado – por sugestão do Min. Teori Zavascki no julgamento do REsp 951.251/PR – que a redução da base de cálculo somente deve favorecer a atividade tipicamente hospitalar desempenhada pela recorrente – especificamente a prestação de serviços de radiologia, ultrassonografia e diagnóstico de imagens – excluídas as simples consultas e outras atividades de cunho administrativo. [...] (Grifouse) Retornando a matéria ao pleito do STJ, decidiu este pacificar seu entendimento no julgamento do REsp n° 1.116.399/BA, quando aplicou o regime do art. 543C do Código de Processo Civil, representativo da controvérsia, assim ementado: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir Fl. 1104DF CARF MF 8 que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. (REsp 1116399/BA, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/10/2009, DJe 24/02/2010) Tal decisão ainda foi consolidada pelo julgamento de Embargos Declaratórios, cuja ementa também transcrevo a seguir, por adicionar elementos interessantes, em especial, a inaplicação do conceito de “serviços hospitalares” para “consultas médicas”, vejamos: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 10830.912943/201218 Acórdão n.º 1001000.462 S1C0T1 Fl. 6 9 ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO.OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. 1. Os embargos de declaração são cabíveis quando o provimento jurisdicional padece de omissão, contradição ou obscuridade nos ditames do art. 535, I e II, do CPC, bem como para sanar a ocorrência de erro material. 2. A parte embargante aduz que há no acórdão embargado, basicamente, três questões a serem esclarecidas, quais sejam: (i) a atividade de consulta médica realizada no interior dos hospitais por profissionais com vínculo com a instituição deve ser conceituada como serviços hospitalares para efeito de beneficiarse da redução da base de cálculo?; (ii) estão (ou não) abrangidas pelo benefício fiscal as consultas médicas prestadas em consultório médico não localizado no interior do hospital, mas com prestação de serviços que não a simples consulta médica?; e (iii) as consultas médicas prestadas em consultório médico de forma exclusiva se incluem no benefício? 3. No caso dos autos, o Colegiado foi claro e preciso ao afirmar que são excluídas dos benefícios tendentes à redução das alíquotas ora pleiteadas as atividades destinadas unicamente à realização de consultas médicas, de sorte que a conclusão ora buscada pela embargante decorre da simples leitura do acórdão embargado. 4. Não obstante, a fim de dirimir quaisquer dúvidas sobre o que foi efetivamente decidido pelo colegiado, prevenir interpretações errôneas do julgado, bem como o manejo de novos aclaratórios, devese esclarecer que a redução da base de cálculo de IRPJ na hipótese de prestação de serviços hospitalares prevista no artigo 15, § 1º, III, "a",da Lei 9.249/95, efetivamente, não abrange as simples atividades de consulta médica realizada por profissional liberal, ainda que no interior do estabelecimento hospitalar. Por conseguinte, também é certo que o benefício em questão não se aplica aos consultórios médicos situados dentro dos hospitais que só prestem consultas médicas. 5. Ademais, por ocasião do julgamento dos embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional em face do acórdão proferido no REsp 951.251PR, o eminente Ministro Relator afirmou que: "Não há que se estender o benefício aos consultórios médicos somente pelo fato de estarem localizados dentro de um hospital, onde apenas sejam realizadas consultas médicas que não envolvam qualquer outro procedimento médico." 6. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no REsp 1116399/BA, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/09/2010, DJe 29/09/2010) Como se observa, o entendimento jurisprudencial de “serviços hospitalares” ficou consolidado em sentido amplo, Fl. 1106DF CARF MF 10 relacionandose ao serviço prestado, e não à natureza ou a estrutura do prestador. A interpretação do dispositivo, portanto, é objetiva. Ressaltese que o CARF se sujeita ao definido nos termos do art. 543C do Código de Processo Civil, nos termos da Portaria CARF n° 256, de 22 de junho de 2009: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. A contrario sensu, a DRJ havia entendido pela aplicação temporã dos fatos geradores, à luz das Instruções Normativas vigentes a cada tempo, que vinham restringindo o conceito de serviços hospitalares. “Seguindo este raciocínio, pacificouse no âmbito da administração tributária federal o entendimento de que serviços hospitalares são aqueles prestados em decorrência da internação e tratamento de doentes ou aqueles que necessitam de intervenções cirúrgicas em hospitais. Não se consideram como tais, para os fins específicos da tributação pelo imposto de renda e CSLL das pessoas jurídicas, mormente no regime do lucro presumido, os serviços ambulatoriais, os meros serviços de clínica médica, de exames clínicos, de análises clínicas (laboratoriais, radiológicas, ecográficas, de ressonância magnética, de tomografia computadorizada, etc.), de clínica odontológica que não necessitam de um complexo hospitalar, ou seja, dos recursos materiais e humanos próprios de um hospital, inclusive para promover a internação dos pacientes. Não bastassem estes argumentos, outra justificativa que aponta a intenção do legislador em distinguir, para fins tributários, os serviços profissionais de médico dos serviços hospitalares encontrase no custo suportado pelas pessoas jurídicas que atuam no ramo da saúde. Com efeito, os custos e despesas operacionais dos hospitais são bem superiores aos de outros serviços médicos/odontológicos/psicológicos prestados em clínicas, consultórios médicos e laboratórios, o que fundamenta a diferenciação de percentual adotada pela lei para fixação do lucro presumido da pessoa jurídica. De fato, aos custos dos serviços prestados por hospitais, além dos gastos dos profissionais especializados e dos materiais empregados no atendimento, somamse, permanentemente, os custos de hotelaria, alimentação, enfermagem, lavanderia e pesquisa, além do que devem abranger o estado de prontidão para o atendimento a possíveis situações de emergência (atendimento 24 horas). Este, pois, é o sentido teleológico da norma: considerar como base de cálculo do imposto de renda uma porcentagem menor da receita bruta para quem atua no ramo de serviços hospitalares Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 10830.912943/201218 Acórdão n.º 1001000.462 S1C0T1 Fl. 7 11 em relação aos serviços médicos ou odontológicos em geral, uma vez que seus custos são bem superiores aos serviços prestados em clínicas, ambulatórios, consultórios médicos ou laboratórios. Claro está, mais uma vez, a especificidade do conceito de serviços hospitalares para fins do artigo 15, III, a, in fine, da Lei nº 9.249/95. A INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 306/2003 E A PORTARIA GM Nº 1.884/1994 À época dos fatos, a Coordenação Geral do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal do Brasil solicitou parecer ao Ministério da Saúde a respeito do conceito de “serviços hospitalares” com o desiderato de esclarecer caso concreto em solução de consulta a ela formulada, cuja resposta consubstanciada na Nota Técnica CGPI/DP/SIS/MS nº 020, de 18 de fevereiro de 2002, assim concluiu a questão: Conforme exposto acima podemos concluir que as definições sobre serviços hospitalares e serviços préhospitalares devem ser elaboradas a partir da normatização atualmente vigente, podendose resumir da seguinte forma: SERVIÇOS HOSPITALARES: para a verificação de serviços hospitalares, devese avaliar se no caso concreto a pessoa jurídica exerce uma das seguintes atribuições: i) promoção, prevenção e vigilância à saúde da comunidade; atendimento eletivo de assistência à saúde em regime ambulatorial; ii) atendimento imediato de assistência à saúde: prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação por período superior a 24 horas; iii) atendimento a pacientes internos e externos em ações de apoio direto ao reconhecimento e recuperação do estado da saúde. Em face dessas conclusões, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Instrução Normativa SRF nº 306/2003, acolheu o posicionamento externado na Nota Técnica CGPI/DP/SIS/MS nº 020/2002, ao estabelecer em seu art. 23, as hipóteses em que os serviços prestados por determinadas pessoas jurídicas poderão ser considerados como serviços hospitalares, para os fins previstos no art. 15, § 1º, inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249/95. Eis o teor do dispositivo: Art. 23. Para os fins previstos no art. 15, § 1º inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249, de 1995, poderão ser considerados serviços hospitalares aqueles prestados por pessoas jurídicas, diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde, que possuam estrutura física condizente para a execução de uma das atividades ou a combinação de uma ou mais das atribuições de que trata a Parte II, Capítulo 2, da Portaria GM nº 1.884, de 11 de novembro de 1994, do Ministério da Saúde, relacionadas nos incisos seguintes: Fl. 1108DF CARF MF 12 I – realização de ações básicas de saúde, compreendendo as seguintes atividades: (...) II – prestação de atendimento eletivo de assistência à saúde em regime ambulatorial, compreendendo as seguintes atividades: (...) III – prestação de atendimento imediato de assistência à saúde, compreendendo as seguintes atividades: (...) IV – prestação de atendimento de assistência a saúde em regime de internação, compreendendo as seguintes atividades: (...) V – prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia, compreendendo as seguintes atividades: (...) Frisese: para que sejam considerados hospitalares, exigese que os serviços descritos nos incisos do art. 23 da IN SRF 306/2003 sejam prestados por estabelecimentos que possuam estrutura física condizente com as atividades que desempenha. Para que se verifique isso, fazse necessária a apresentação de provas que demonstrem que os estabelecimentos cumprem as condições exigidas em lei para ser considerado como estabelecimento assistencial de saúde (EAS). Neste ponto, a Portaria GM nº 1.884/94 disciplinou sobre a organização físicofuncional dos estabelecimentos assistenciais de saúde, determinando quais as condições necessárias exigidas para que um estabelecimento possa prestar serviço hospitalar. Lembrese, ainda, que o caput do art. 23 da IN SRF nº 306/2003, exige que o estabelecimento assistencial de saúde possua estrutura física condizente com as atividades que desempenha, sendo obrigatório, portanto, oferecer os seus serviços de maneira plena e integral. Além disso, é imprescindível a pessoa jurídica contar com todas as instalações e os equipamentos adequados para a prestação do serviço hospitalar equiparado, devendo estar apta a prestar os serviços necessários para os quais foi criada e executálos em local onde se encontram seus equipamentos, materiais, mãodeobra especializada, etc., os quais justificam os custos assemelhados à atividade hospitalar. Se, porventura, o contribuinte tãosomente dispensa atendimentos superficiais, sendo incapaz de propiciar o efetivo diagnóstico e tratamento de seus pacientes, concluise que ela não possui uma estrutura capaz de usufruir os proveitos fiscais em análise. Aduziu, portanto, que a definição de empresário e sociedade empresária não se coaduna como elemento de empresa pela simples prestação de serviços profissionais na área médica, Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 10830.912943/201218 Acórdão n.º 1001000.462 S1C0T1 Fl. 8 13 afastando pelas características estruturais o contribuinte da condição de estabelecimento hospitalar de que trata a lei. Ora, como já abordado, o STJ decidiu que o termo “serviços hospitalares” deve ser analisado objetivamente. No caso, houve uma interpretação subjetiva, levandose em conta outros fatores que não se relacionam à prestação do serviço, mas à estrutura e outras condições do estabelecimento, restringindo sua aplicação ao caso. Neste estigma, é oportuno ressaltar que este Conselho não se submete aos atos da Secretaria da Receita Federal, que é parte interessada na arrecadação, mas deve atenção ao conteúdo estabelecido por leis, decretos, tratados ou acordos internacionais, nos termos da Portaria CARF n° 256, de 22 de junho de 2009: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: [...] Assim, é de se afastar a interpretação restritiva emanada através do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF n° 18, de 23 de outubro de 2003, bem como, as Instruções Normativas SRF n° 306, de 12 de março de 2003, n° 480, de 15 de dezembro de 2004 e n° 539, de 25 de abril de 2005, que não se coadunam ao conceito objetivo de “serviços hospitalares” e se apegar ao precedente jurisprudencial representativo da controvérsia emanado pelo STJ supracitado. Por derradeiro, ainda que possam haver discussões, vale colacionar decisões deste Conselho já levadas a efeito nesta matéria que consolidam a interpretação esposada: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 SERVIÇOS HOSPITALARES. ESPÉCIE DE SOCIEDADE. HIPÓTESE NÃO PREVISTA EM LEI. PERCENTUAL DE APURAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. A expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva, ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte, porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Para a empresa que presta “serviços hospitalares”, o percentual de apuração do lucro presumido sobre as receitas da atividade, para os anos de 2002 a 2005, é de Fl. 1110DF CARF MF 14 8% para o IRPJ e de 12% para a CSLL, consoante arts. 15 e 20 da Lei nº 9.249/95. (Acórdão n° 1202000.584, Relator Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Segunda Câmara, Primeira Seção, julgado em 04/10/2011) IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 LUCRO PRESUMIDO. CLÍNICA DE DIAGNÓSTICOS. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE No julgamento do Recurso Especial nº 1.116.399BA (2009/00064810), havido na sistemática dos recursos especiais repetitivos, o STJ decidiu, com a ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727 de 2008 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, que a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde), excluindose, contudo, as simples consultasmédicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Subsistindo o lançamento principal, na seara do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, igual sorte colhe o lançamento que tenha sido formalizado em legislação que toma por empréstimo a sistemática de apuração daquele. (Acórdão n° 1103000.552, Relator Conselheiro Jose Sergio Gomes, Primeira Câmara, Primeira Seção, julgado em 04/10/2011) Assim a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva, ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte, porquanto a lei, ao conceder o menor percentual estimado de lucro, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Para a empresa que presta “serviços hospitalares”, o percentual de apuração do lucro presumido sobre as receitas da atividade é de 12% para a CSLL, consoante o art. 20 do mesmo diploma legal. Apesar de tudo o que foi dito o julgamento do presente processo necessita de uma instrução complementar para que se verifique a natureza do serviço prestados no período em que os créditos foram apurados. Isto posto, voto pela conversão do presente Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 10830.912943/201218 Acórdão n.º 1001000.462 S1C0T1 Fl. 9 15 processo em diligência para que a Delegacia de origem verifique: a) através das notas fiscais de saída a natureza dos serviços que estão sendo faturados; b) a existência de ativos, próprios ou alugados de terceiros, condizentes com a prestação de serviços que tenham custos diferenciados em relação à simples consultas; c) demais elementos julgados pertinentes que possam esclarecer a natureza das receitas auferidas pela ora Recorrente, bem como o coeficiente para presunção do lucro. Reproduzo a seguir, resumidamente, o relatório da diligência realizada pela unidade de origem: Portanto à luz da interpretação da forma objetiva, qual seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte, conclui se que, de acordo com os documentos e informações disponibilizadas referente ao período diligenciado (2003 a 2006), há fortes indícios que a mesma tenha prestado serviços relacionados ao tratamento de quimioterapia, com equipamentos específicos (de quimioterapia), possuindo custos diferenciados do simples atendimento médico, e os indícios também apontam que a mesma exerceu (no período) atividade tipicamente hospitalar. A análise da rubrica “Honorários Médicos” não foi conclusiva devido a especificidade e a natureza da prestação de serviços de quimioterapia, ficando a cargo do julgador o que entender ser correto. Embora, em sua conclusão, o agente tenha mencionado que a análise da rubrica “honorários médicos” não tenha sido conclusiva e que ficaria a cargo do julgador o que “entender ser o correto”, no próprio relatório da diligência efetuada há a menção de que os honorários são uma parte pequena do faturamento da clínica, conforme reproduzo: Das informações e documentos coletados não temos como estabelecer se os “Honorários Médicos” teriam sido consultas médicas dissociadas ou não do tratamento de quimioterapia. O que é cediço é que os “Honorários Médicos” constituem uma parcela menor do faturamento da clínica, e que devido as características e as especificidades da prestação de serviços de quimioterapia, é bem plausível que estejam relacionados com o tratamento como um todo. Em seu recurso voluntário, a recorrente alegou, além das questões relativas à sua atividade, já tratadas acima, que houve cerceamento do direito de defesa, posto que: Fl. 1112DF CARF MF 16 · · Alega com base na PER, acostada aos autos é possível verificar que não há compensação, mas, pedido de restituição, que o equívoco é inadmissível de quem, pelo visto, não analisou os documentos acostados aos autos com o devido cuidado. Portanto, é patente o cerceamento do direito de defesa da Recorrente perpetrado pela decisão recorrida, vez que traz argumentos relacionados a fatos que a recorrente sequer consegue identificar a origem. De imediato, afasto o pedido de cerceamento do direito de defesa, pois, a recorrente foi capaz de identificar, claramente, do que se tratava a lide, posto que mencionado o número do pedido (identificado no acórdão) e os argumentos para o indeferimento, ou seja, não retificação da DCTF e o enquadramento da atividade da Recorrente. Subsequentemente, em uma petição, anexada aos autos , a recorrente alega de acordo com o Parecer Normativo COSIT 2/2015 "a não retificação da DCTF não impede que o crédito informado seja comprovado por outros meios". Na verdade, o referido parecer normativo indica o contrário, como veremos mais adiante. Por todo o exposto, como indica, visivelmente, o resultado da diligência, fica evidente que os serviços prestados pela recorrente foram de natureza hospitalar. Entretanto, observase que na correspondente sessão de julgamento, cujo processo foi convertido em diligência, não foi tratado o fato de a Recorrente apenas ter retificado a DIPJ, originalmente, entregue, sem ter efetuado a correspondente retificação da DCTF que, como bem afirmou a autoridade julgadora de primeira instância. Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 10830.912943/201218 Acórdão n.º 1001000.462 S1C0T1 Fl. 10 17 No entanto, é cediço que a DCTF constituise, de fato, em confissão de dívida (constitui o crédito tributário) e não a DIPJ, como já decidido em outras sessões nesta turma.. De acordo com o art. 1º da IN SRF 077/98: Art. 1º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. (grifei) Assim temos que a DIPJ é uma declaração meramente informativa, enquanto a DCTF constituise em confissão de dívida, o que torna sem efeito a alegação da necessidade de lançamento tributário. O Parecer Normativo COSIT n° 2/2015, assim dispõe: 3 É possível o reconhecimento do crédito com base em provas ou indícios sem a retificação da DCTF? Não. A DCTF é confissão de dívida, portanto sua retificação é imprescindível para o reconhecimento do crédito. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados na DCTF afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento do pedido. A súmula 436 do Superior Tribunal de Justiça STJ assim enunciou: A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco. Assim, rejeito a preliminar de nulidade pelo cerceamento do direito defesa para, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 1114DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13808.000380/2002-17
Data da sessão: Mon Aug 30 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1996
DECADÊNCIA - EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO
Não sendo imputada A contribuinte a prática de dolo, fraude ou simulação, o recolhimento, ainda que parcial, enseja a aplicação da regra contida no art. 150, § 40, do CTN, para efeito de reconhecimento da decadência. Esse é o entendimento exarado no Parecer PGFN/CAT n° 1617/2008.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano-calendário: 1996
DECADÊNCIA - AUSÊNCIA DE PAGAMENTO
A extinção definitiva do crédito tributário pelo § 4 0 do art. 150 do CTN, e a consequente decadência a ela atrelada, só ocorre se, antes disso, a situação sob exame configurar, a partir de um juizo de tipicidade, a hipótese prevista no caput deste mesmo artigo. Diante da ausência de pagamento, a contagem do prazo decadencial 6 feita pelo art. 173, I, do CTN.
RECEITAS FINANCEIRAS - FALTA DE CONTABILIZAÇÃO
Deve ser mantido o lançamento na parte em que não restou cai acterizada a ocorrência de erro na informação prestada pela fonte pagadora, e nem erro no processamento desta informação pela Fiscalização. Não sendo o valor da infração suficiente para reverter a base negativa apurada no pel iodo, mesmo assim, mantém-se o lançamento para fins de redução desta base negativa.
Numero da decisão: 1802-000.611
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolhei a
preliminar de decadência em relação ao IRPJ, vencido o Conselheiro Nelso Kichel, e no mérito, poi. unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do
Relator
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORRÊA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201008
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1996 DECADÊNCIA - EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO Não sendo imputada A contribuinte a prática de dolo, fraude ou simulação, o recolhimento, ainda que parcial, enseja a aplicação da regra contida no art. 150, § 40, do CTN, para efeito de reconhecimento da decadência. Esse é o entendimento exarado no Parecer PGFN/CAT n° 1617/2008. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano-calendário: 1996 DECADÊNCIA - AUSÊNCIA DE PAGAMENTO A extinção definitiva do crédito tributário pelo § 4 0 do art. 150 do CTN, e a consequente decadência a ela atrelada, só ocorre se, antes disso, a situação sob exame configurar, a partir de um juizo de tipicidade, a hipótese prevista no caput deste mesmo artigo. Diante da ausência de pagamento, a contagem do prazo decadencial 6 feita pelo art. 173, I, do CTN. RECEITAS FINANCEIRAS - FALTA DE CONTABILIZAÇÃO Deve ser mantido o lançamento na parte em que não restou cai acterizada a ocorrência de erro na informação prestada pela fonte pagadora, e nem erro no processamento desta informação pela Fiscalização. Não sendo o valor da infração suficiente para reverter a base negativa apurada no pel iodo, mesmo assim, mantém-se o lançamento para fins de redução desta base negativa.
numero_processo_s : 13808.000380/2002-17
conteudo_id_s : 5744562
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1802-000.611
nome_arquivo_s : Decisao_13808000380200217.pdf
nome_relator_s : JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORRÊA
nome_arquivo_pdf_s : 13808000380200217_5744562.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolhei a preliminar de decadência em relação ao IRPJ, vencido o Conselheiro Nelso Kichel, e no mérito, poi. unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator
dt_sessao_tdt : Mon Aug 30 00:00:00 UTC 2010
id : 6870800
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:14:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076783583690752
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-10-10T14:06:10Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-10-10T14:06:09Z; Last-Modified: 2011-10-10T14:06:10Z; dcterms:modified: 2011-10-10T14:06:10Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:39767ab7-a43f-45d8-b3c6-3acc6da5648b; Last-Save-Date: 2011-10-10T14:06:10Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-10-10T14:06:10Z; meta:save-date: 2011-10-10T14:06:10Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-10-10T14:06:10Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-10-10T14:06:09Z; created: 2011-10-10T14:06:09Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2011-10-10T14:06:09Z; pdf:charsPerPage: 1839; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-10-10T14:06:09Z | Conteúdo => SI-TE.02. Fl 429 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13808.000380/2002-17 Recurso no 161.513 Voluntário Acórdão n" 1802-00.611 — 2" Turma Especial Sessão de 30 de agosto de 2010 Matéria IRPI E OUTRO Recorrente TECHINT S/A Recorrida TURMA/DIU-SÃO PAULO/SP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1996 DECADÊNCIA - EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO Não sendo imputada A contribuinte a prática de dolo, fraude ou simulação, o recolhimento, ainda que parcial, enseja a aplicação da regra contida no art. 150, § 40, do CTN, para efeito de reconhecimento da decadência. Esse é o entendimento exarado no Parecer PGFN/CAT n° 1617/2008. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano-calendário: 1996 DECADÊNCIA - AUSÊNCIA DE PAGAMENTO A extinção definitiva do crédito tributário pelo § 4 0 do art. 150 do CTN, e a conseqüente decadência a ela atrelada, só ocorre se, antes disso, a situação sob exame configurar, a partir de um juizo de tipicidade, a hipótese prevista no caput deste mesmo artigo. Diante da ausência de pagamento, a contagem do prazo decadencial 6 feita pelo art. 173, I, do CTN. RECEITAS FINANCEIRAS - FALTA DE CONTABILIZAÇÃO Deve ser mantido o lançamento na parte em que não restou cai acterizada a ocorrência de erro na informação prestada pela fonte pagadora, e nem erro no processamento desta informação pela Fiscalização. Não sendo o valor da infração suficiente para reverter a base negativa apurada no pel iodo, mesmo assim, mantém-se o lançamento para fins de redução desta base negativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolhei a preliminar de decadência em relação ao IRPJ, vencido o Conselheiro Nelso Kichel, e no ( Ester S dte Stag-a - mérito, poi . unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator.. °se de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator. EDITADO EM: 0 \\2\1 20 Participaram da sessão de julg nento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Jose de Oliveira Ferraz Corrêa, Edwal asoni de Paula Fernandes Jianior, Nelso Kichel, Alfiedo Henrique Rebell() Brandão e Gilberto aptista. 2 Processo n" 13808 000380/2002-17 SI-TE 02 Acórcliio n " 1802-00.611 1.-. 1 430 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Sao Paulo/SP, que considerou procedente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto sabre a Renda da Pessoa da Jurídica IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL,, conforme autos de infração de fls. 119 a 127, nos valores de R$ 652.750,23 e R$ 160,296,85, respectivamente, incluindo-se nesses montantes a multa de oficio de 75% e os juros moratórias. A exigência fiscal decorreu da não contabilização de receitas provenientes de aplicaçõ'es financeiras no Banco Santander S.A., no valor de R$ 1,086.767,41, e na Nossa Caixa, no valor de R$ 9.939,35, totalizando R$ 1.096.706,76 de amiss -do de receitas financeiras no ano-calendário de 1996, 0 lançamento foi realizado no regime do lucro real anual . Instaurada a fase litigiosa, corn a impugnação de fls. 1.30 a 133, e confoi me descrito na decisão de primeira instância, Acórdão n°16-11.665 (fls.. 228 a 234), a Contribuinte apresentou os seguintes argumentos: 61 a receita de R$ 1.086.767,41 proveniente do Banco Santander SÃ.. .foi contabilizada em 1996 como sendo proveniente do Banco Bozzano Simonsen S.A., que era a denominação do Banco Santander SA. naquela ocasião, visto que o Banco Santander SÃ., CNPJ 33,517.640/0001-22, é o adquirente e sucessor do Banco Bozzano, Simonsen S.A , conforme D.O. do Estado do Rio de Janeiro, de 18/10/2000, de forma que a receita financeira de R$ 1.255,011,52, recebida do Banco Bozzano Simonsen SA., conforme documentos contdbeis anexos, que corresponde a uma DIRE de valor R$ 0,00, conforme a planilha da .fiscalização (11.113), representa, na verdade, a DINT de R$ 1.086 767,41, do Banco Santander S na mesma planilha; ou seja: o Banco Santander S.A., de CNPJ 33..517.640/0002-03, informou DIRE de R$ 1,086.767,41 que, na verdade, é referente it receita paga pelo seu antecessor, Banco Bozz.ano Simonsen S.A,, cujo CNPJ é exatamente de n° 33,517.640/0001-22, e cujo nome foi alterado para Banco Santander S.A ;por tanto, não houve a alegada omissão; 6 2 ,jci quanto à receita dc R$ 9.939,35, proveniente da Nossa Caixa, não foi possível localizá-la, e certamente Ira ta-se de equivoco da instituição financeira, pois a impugnante não opera corn a referida instituição, não se sabendo se não seria algum "deposito judicial" classificado erroneamente por ela, sendo o seu valor irrisório e imaterial para quem contabilizou receitas financeiras de quase R$ 6.000.000,00 naquele ano-calendário, de forma que devem ser aplicados os princípios da boa-fé, do bom senso e da razoabilidade para afastar a respectiva exigência ou, alternativamente, intimar a referida instituição financeira para que esta esclareça a pendência,' portain0 não houve a alegada omissão; 6 3 se os documentos ora apresentados 11(10 foi em suficientes para o cancelamento da autuação, requer- diligdncia para constatar os lançamentos contábeis e fiscais já indicados, b) sejam intimados o Banco Central do Brasil, o Banco Santander SÃ. e a Nossa Caixa para es c/a: ecerem os fatos. Como mencionado, a DRJ São Paulo/SP considerou procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1996 DILIGENCIA INTIMAÇÕES A TERCEIROS Constatar lançamentos comábeis e fiscais não 6 um inativo plausível para a lealização de diligência.Intimações a terceiros para obter esclarecimentos que a impirgnante já poderia ter obtido são desnecessárias Pi eliminates indelLridas ASSUNTO. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário.. 1996 OMISSÃO DE .RECEITAS RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS DIRE. APLICAÇÕES EM INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS A exigência deve ser mantida se não comprovada a contabilização das receitas provenientes de aplicações em instituições financeiras informadas em DIRE. AUTOS REFLEXOS. CSLL. O voto no mêrito do IRPJ repercute na tributação reflexa L an gamento Procedente Em sua decisão, a Delegacia de Julgamento considerou não haver prova, ou mesmo indicio, de que houve alguma confusão administrativa na informação prestada pelo Banco Santander S.A. Frisou também que não havia coincidência nem de valores, e nem de datas, porque o Banco Bozzano Simonsen S,A, foi adquirido pelo Banco Santander S.A somente no ano de 2000, e os fatos em questão ocorreram em 1996.. Inconformada corn essa decisão, da qual tomou ciência em 27/06/2007, a Contribuinte apresentou em 27/07/2007 o recurso voluntário de fls. 263 a 288, onde desenvolve aigumentos sobre os seguintes tópicos: Decadência: - já decaiu o direito de o Fisco efetuar' o lançamento, urna vez que os fatos geradores ocorreram entre os meses de janeiro e setembro de 1996, e a autuação ocorreu apenas no dia 04 de maw() de 2002. Passados cinco anos da ocorrência do fato gerador, tem-se homologado tacitamente o lançamento efetuado pelo contribuinte; Processo n" 13808 00038012002-17 S 1 -TE02 AcórcIiio " 1802-00.611 Fl 431 - ainda que se contasse o prazo decadencial em consonância corn o artigo 173, I, do CTN, também teria se operado a decadência do direito do Fisco em efetuar o lançamento. Receitas objeto da autuação: - estão plenamente explicitadas as incompatibilidades constantes da tabela descrita no termo de verificação fiscal acostado às fls. 141 dos autos, na qual aparece o montante contabilizado de R$ 1.255.011,52 para o Banco Bozzano Simonsen, sem qualquer valor em DIRF, e R$ 1.086.767,41 sem contabilização, mas, aparentemente, constante da DIRF apresentada pelo Banco Santander .' S.A. - da analise dos dados constantes do referido extrato da DIRF, verifica-se que a declarante foi a instituição financeira com CNRJ n" 33.517.640/0002-03, e que essa declaração, de n° 07-671-2-0005-5, foi processada em 03/04/2001; - tal CNPJ pertenceu, até o ano de 2000, ao Banco Bozzano Simonsen e, após esta data, corn sua aquisição pelo Banco Santander, foi transferido para aquela instituição financeira em virtude da transferência de controle societário, conforme se infere da informação contida no sitio do Banco Central do Brasil (www.bcb.gov.br ) e consignada na r. decisão objeto do presente recurso; - os extratos do COMPROT (doe. 3 e 4) comprovam a transferência de CNPJ. No processo n° 16327.20058.3/99-92, referente â notificação de lançamento/aviso de cobrança, o CNPJ 33.517.640/0002-03 aparece vinculado ao Banco Bozzano Simonsen. Por outro lado, no processo n" 16.327.000427/2001-54, referente à Retificação de DARF - IRP.J, o mesmo CNPJ de n°33.517.640/0002-03 aparece vinculado ao Banco Santander; provavelmente, a DD. Fiscal autuante, ao olhar para o extrato da D1RF acostado aos autos do processo em tela, tornou a simples providência de consultar a quem pertencia o CNPJ junto ao sitio da Secretaria da Receita Federal, e encontrou, como resultado, o Banco Santander, sem observar que, à época dos fatos, o citado CNPI pertencia ao Banco Bozzano Simonsen S/A. - nesse contexto, requer a Recorrente seja o presente feito baixado em diligencia para que a DIRF n° 07-671-2-0005-5 seja anexada aos autos do processo em questão e comprove que a mesma foi entregue pelo Banco Bozzano Simonsen S/A. - na Ata que deliberou a aquisição do Banco Bozzano Simonsen pelo Banco Santander, consta como CNPJ do Banco Bozzano Simonsen um número corn a mesma raiz do CNPJ constante da DIRF, o que também comprova que o CNPJ em questão pertencia ao Banco Bozzano Simonsen; - para espancar qualquer dúvida, a Recorrente apresenta uma planilha que apresenta a composição dos valores por ela contabilizados, e ietidos pelo Banco Bozzano Simonsen, comparando-os corn a rendimento bruto e o IRRF retido constante do extrato da DIRF acostada às fls. 55 destes autos; - os valores contemplados nesta planilha estão cabalmente comprovados por intermédio dos contratos firmados com o Banco Bozzano Simonsen (doc. 07); extratos bancários (doc. 08) e planilhas (doe. 09); (I) 5 - o mesmo se deu corn a Nossa Caixa. Nesse contexto, protesta a Recorrente pela juntada dos documentos comprobatórios de tal operação, no reduzidissimo valor de R$ 9.93935, que feria ocasionado a retenção de IR no montante de R$ 1.490,89; - dúvidas não restam de que a Recorrente jamais omitiu teceita a titulo de operações de renda fixa efetuadas com o Banco Santander, uma vez que tais operações foram, de fato, realizadas com o Banco Bozzano Simonsen, como robustamente demonstrado. Multa de 75% e juros Selic: - é inadmissível a cobrança de multa no percentual de 75% (setenta e cinco por cento), pelo seu card -ter confiscatário e desproporcional. - os juros não poderiam ser calculados corn base na taxa SELIC, dada a sua inconstitucional idade, tal como reconhecido pelo E. SIT Este é o Relatório. Processo n" 13808.000380/2002-17 Ac6rd5o n ° 1802-00.611 Si -TM Fl 432 Voto Conselheiro Relator, José de Oliveira Fen -az Corrêa O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade . Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, trata-se de exigência de IRPJ e CHI, decoi rente da nao contabilização de receitas financeiras provenientes de duas instituições - Banco Santander S.A, e Nossa Caixa, no valor total de R$ 1.096.706,76. Essas receitas foram apuradas com base nas D1RF apresentadas pelas fontes pagadoras . O lançamento abrangeu o ano-calendário de 1996, e foi realizado no regime do lucro real anual . Quanta a decadência, não mais remanescem dúvidas de que o recolhimento do tributo, ainda que parcial, excluindo-se os casos de dolo, fraude ou simulação, enseja a aplicação da regra contida no art. 150, § 4 0, do Código Tributário Nacional - CTN. Este, inclusive, é o entendimento consignado no Parecer PGFN/CAT N" 1617/2008, aprovado pelo Ministro da Fazenda em 18/08/2008, e que estabelece orientações serem observadas pela Secretaria da Receita Federal e pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional quanto a essa matéria, em face da edição pelo Supremo Tribunal Federal da Súmula Vinculante n" 8. Oportuno destacar o item 40 do referido Parecer: "PA RE CER PGFN/CAT N" 1617/2008 Supremo Tribunal Federal, Súniula Vinculante n" 8 Alcance. Contribuições Previdenciciria,s. Forma de contagem de prazos Fixação do termo a quo de prazos de decadência e de prescrição Art. 1.50, § 4", do CTN. Art 173, I, do CTN. Inconstilucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei n" 8.212, de .24 de julho de 1991 e do parágrafo único do art. 5" do Decreto-Lei n° 1.569, de 8 de agosto de 1977 40 Do que, então, emerge mais uma conclusão: o pamnento antecipado da contribuição (ainda que parcial) suscita a aplicacão da regra especial, isto 6, do ,F 4" do art. 150 do CTN„ inexistência de pagamento justifica a utilização da regra cio art. 173 do CTN, para efeitos de fixação do dies a quo dos prazos de caducidade, p1 ojetados iia.s contribiiições previdencicirias. Isto é, no que se refere à contagem dos prazos de decadencia. Tal concepção em principio, pode ser aplicada para todos os tributos federais, e não somente, para as contribuições previdencicirias." (grifos acrescidos) Em relação ao IRPJ, é importante destacar que os rendimentos de aplicação financeira auferidos pela Recorrente sofreram retenções de IR, conforme indica o próprio extrato das DIRE (fls, 52 a 58), retenções que, de acordo corn a própria legislação do imposto, são consideradas como antecipações de pagamento em relação ao devido no final do período anual (art. 837 do RIR199). Assim, à vista das retenções de IR ocorridas em 1996, e considerando ainda que a fiscalização não imputou à autuada qualquer das figuras excludentes previstas no § 4 0 do art. 150 do CTN (dolo, fraude ou simulação), o prazo de decadência a ser aplicado em relação ao IRPJ deve ser o previsto no art. 150 do CIN, e não o do art. 173. Deste modo, há que se acolher a alegação de decadência par a o fato gerador do IRPJ, ocorrido em 31/12/1996, urna vez que o lançamento somente foi consumado em 1W03/2002. Corn relação à CSLL, contudo, não se aplica a mesma regra, posto que não houve qualquer antecipação de pagamento, ou mesmo pagamento no ajuste, conforme evidencia a cópia da DIPJ constante dos autos. No caso, a apuração deu-se pelo regime anual, corn fato gerador ocorrido em 31/12/1996, e, diante da total ausência de pagamento, considero que a contagem da decadência para a CSLL deve seguir a regra contida no art, 173, I, do CTN, e não a regra do § 4" do art. 150. Isto porque o caput do art. 150 do CTN estabelece requisitos (tipicidade) para a inclusão nesta "modalidade de lançamento", ou melhor, nesta forma de tributação, de onde surgem os seus respectivos efeitos, dentre eles aquele previsto no § 4" (extinção definitiva do ci edito pela homologação tacita). Assim, a extinção definitiva do crédito tributário pelo § 4 0 do art 150 do CIN, e a conseqüente decadência a ela atrelada, só ocorre se, antes disso, a situação sob exame configurar, a partir de um juizo de tipicidade, a hipótese prevista no caput deste mesmo artigo.. Com efeito, antes de se inserir no parágrafo, a situação deve estar primeiramente abrangida pelo caput do dispositivo legal, segundo urn juizo de tipicidade para o caso concreto. E como não houve qualquer pagamento para a quitação da CSLL, ainda que parcialmente, a contagem da decadência deve seguir a regra do art. 173, I, do CTN. Deste modo, para o fato gerador ocorrido em 31/12/1996, o prazo de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte Aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado pela Fiscalização esgotou-se em 01/01/2003. Corno o lançamento foi realizado em 12/03/2002, concluo que o direito de lançar a CSLL não se encontrava extinto pela decadência. Uma vez afastada a preliminar de decadência para a CSLL, é necessário adentrar no exame de mérito. A planilha constante do Termo de Verificação traz a seguinte informação: Banco Contabilizado DIRE Process o n" 13808 000.38012002-17 SI-TE02 Acóratio n 1802-00.611 Fl 433 BOZANO 1 255 011,12 0,00 SANTANDER 0,00 1 086 767,41 E está muito claro nos autos que o CNP.T n" 33.517.640/0002-03, constante do extrato da DIRF A. fl. 55, de onde se extraiu o valor de R$ 1 086.767,41 como I eccita não contabilizada, realmente pertencia ao Banco Bozano Simonsen S.A. Portanto, este valor deve ser excluído do lançamento. Quanto aos R$ 9.939,35 provenientes da Nossa Caixa, embora a Recorrente tenha alegado tratar-se do mesmo problema, não foi apresentado nenhum documento que evidenciasse a ocorrência de erro na informação prestada pela forte pagadora, e nem erro no processamento desta informação pela Fiscalização. A força probatória da DTRF é sempre relativa, como ocorre com todos Os demais documentos obtidos pelo Fisco junto a terceiros. Mas milita a seu favor o fato de que prestação de informações equivocadas nesta declaração, registrando pagamentos em valor maior do que o efetivamente realizado, não pode ser tomada como regra, inclusive porque as empresas estariam criando para si urna obrigação indevida de recolhimento a titulo de IR-fonte.. Deste modo, a infração relativa à não contabilização do valor pi oveniente da Nossa Caixa deve ser mantida. Contudo, ela não é suficiente para reverter a base negativa apurada em 1996, no montante de R$ 312.532,27, conforme DIP.T fl. 23/verso, mas apenas para diminui-la. Por isso, as demais questões relativas à multa de oficio e aos juros de mora ficam prejudicadas. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso para: - acolher a preliminar de decadência em relação ao IRPJ; - excluir da apuração da CM., o valor de RS 1.086.767,41, relativamente As receitas provenientes do Banco Bozano Simonsen S.A.; - manter a autuação sobre o valor de R$ 9.939,35, proveniente da Nossa Caixa, apenas par a fins de reduzir a base negativa da CSL,L, apurada em 31/12/1996. Salad s Sessões, em 30 de agosto de 2010 — / 9-- / .,-,.. (1 //Jose de Oliveira Ferraz Corrêa i . 7% 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA - PRIMEIRA SEÇÃO PROCESSO: 13808..000350/2002-17 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada nos despachos supra, nos termos do art. 81, § 3 0 , do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n" 256, de 22 de junho de 2009. Brasilia, 09 de novembro de 2010. Maria Conceição de Sousa Rodrigues Seer etária da Camara Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PEN: [J apenas com ciência; H com Recurso Especial; com Embargos de Declaração. lo
score : 1.0
Numero do processo: 13609.000078/2001-16
Data da sessão: Mon Feb 16 00:00:00 UTC 2004
Numero da decisão: 202-00.635
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator
Nome do relator: Gustavo Kelly Alencar
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200402
numero_processo_s : 13609.000078/2001-16
conteudo_id_s : 5963996
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 202-00.635
nome_arquivo_s : Decisao_13609000078200116.pdf
nome_relator_s : Gustavo Kelly Alencar
nome_arquivo_pdf_s : 13609000078200116_5963996.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator
dt_sessao_tdt : Mon Feb 16 00:00:00 UTC 2004
id : 7616579
ano_sessao_s : 2004
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:15:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076783587885056
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: 20200635_13609000078200116_200402; xmp:CreatorTool: Smart Touch 1.7; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dcterms:created: 2017-06-26T14:18:19Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: 20200635_13609000078200116_200402; pdf:docinfo:creator_tool: Smart Touch 1.7; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:encrypted: false; dc:title: 20200635_13609000078200116_200402; Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: ; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:subject: ; meta:creation-date: 2017-06-26T14:18:19Z; created: 2017-06-26T14:18:19Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2017-06-26T14:18:19Z; pdf:charsPerPage: 553; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; pdf:docinfo:custom:Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; meta:keyword: ; producer: Eastman Kodak Company; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:created: 2017-06-26T14:18:19Z | Conteúdo => ," I" i/ :--'~ • Processo nORecurso nO Recorrente Recorrida Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13609.000078/2001-16 119.800 PLANTAR SIDERÚRGICA S/A DRJ em Juiz de Fora - MG RESOLUÇÃO N° 202-00.635 ~ .. 'ld • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: PLANTAR SIDERúRGICA S/A. RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Sala das Sessões, em 16 de fevereiro de 2004 ~~ . 4/"~~_' -:J#. /f.::"~u" '1'''''',enn uef>úiherro 1(0 es Presidente avo~}~ eM R ator~ cVopr 1 • Processo n°Recurso nO Recorrente Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13609.000078/2001-16 119.800 PLANTAR SIDERÚRGICA S/A RELATÓRIO 12'C~MFIFI. • Trata o presente processo de auto de infração de IPI, lavrado em 15/02/2001, relativo aos períodos de apuração de 10/04/1996 e 30/04/1997. A autuação decorre de aproveitamento indevido de crédito presumido do IPI, em 27/02/1998, pela qual reconstituiu-se a escrita fiscal do Contribuinte, sob o fundamento de que, na apuração do valor do referido crédito, o Contribuinte incluiu os valores dos insumos adquiridos de pessoas fisicas e cooperativas, razão pela qual utilizou um valor superior ao correto. "" Irresignado, o Contribuinte apresenta impugnação, às fls. 48/59, alegando em síntese que o aproveitamento dos créditos foi correto, que somente antecipou créditos em valor muito inferior ao verificado pela Fiscalização, e, por fim, questiona os consectários moratórios, juros e multa. Remetidos os autos à DRJ em Juiz de ForaIMG, é o auto mantido, em decisão assim ementada fi. 78: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de Apuração: 11/03/1997 a 20/04/1997 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI AQUISIÇÃO DE INSUMOS DE PESSOAS FÍSICAS. Não é permitido incluir o valor das aquisições de insumos de pessoas fisicas, não contribuintes do PIS e da Cofins, no cálculo do crédito presumido, por falta de autorização legal. FALTA DE RECOLHIMENTO _. Constatada a falta de recolhimento do Imposto sobre Produtos industrializados, após efetuados os ajustes necessários à reconstituição da escrita fiscal, impõe-se o lançamento de oficio sobre as parcelas subtraídas ao crivo do imposto. Lançamento Procedente ". Inconformado, interpôs o Contribuinte o recurso voluntário que ora se julga. É o relatório. >/( 2 i • Processo n°Recurso n° Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13609.000078/2001-16 119.800 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR GUSTAVO KELLY ALENCAR /2'CC.-Mf IFI. decidir. Sendo tempestivo o recurso, acompanhado de arrolamento de bens, passo a • • No caso em tela, verifico que o lançamento apontado nos autos se deu por conta do aproveitamento de supostos créditos indevidos de IPI, relativos a outro processo, conforme informação de fi. 04, verbis: "O contribuinte protocolizou pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPL em 27/02/1998, relativo aos trimestres do ano de 1997~" Cabe mencionar trecho de magistral obra de Marcos Vinicius Neder de Lima e Maria Teresa Martínez López, Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, que assim dispõe às fls. 129/130: "20.1 Conceitos de processo principal, decorrente ou reflexo. Inexiste, no processo administrativo fiscal, o conceito do que seja "decorrência" ou "processo decorrente li. Na prática processual, utiliza-se este conceito para designar o processo que deriva de outro processo chamado principal, ou seja, quando o seu resultado é "reflexo" do processo principal, nascido em primeiro lugar. Embora os processos possuam existência própria, o entendimento manifestado em relação ao lançamento principal estende-se aos decorrentes. Diz-se processo principal ou matriz, em relação aos outros pr~cessos que desse dependem, aquele que contém a matéria que deverá ser apreciada em primeiro lugar. Assim, por exemplo, se a fiscalização constata a ocorrência de omissão de receita e procede ao lançamento do imposto de renda relativo a esses valores, conseqüentemente, efetuará, também, lançamentos para a exigência das contribuições sociais em processo tidos como decorrentes. Logo, respeitando-se a fundamentação legal de cada contribuição, tem-se que o resultado do processo principal terá reflexo nos decorrentes. Assim, se o julgador decidir que, de fato, ocorreu a omissão de receitas -nele, igualmente terá ocorrido para os processos relativos às contribuições. A decorrência se justifica, para se evitar que decisões contraditórias sejam proferidas. 20.2 Jurisprudência Acórdão n° 101-93.463, sessão de 24/5/2001 - DOU de 2/10/2001. Ementa: Contribuição Social sobre o lucro - Decorrência. Por se tratar de lançamento reflexo daquele que deu origem à exigência do imposto de renda da pessoa jurídica, aplica-se a este o mesmo entendimento manifestado em relação ao lançamen(o principal ".) ;!( 3 ,. Processo n° Recurso n° Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13609.000078/2001-16 119.800 ~ b:J • '. Por mais que não se trate aqui de autos de infração distintos, mas de um auto de infração e um pedido de ressarcimento, é manifesta a dependência entre estes, vez que, sendo concedidos os créditos conforme pleiteado pelo Contribuinte, pelo menos em parte será o auto cancelado. Como a presente autuação depende do reconhecimento da existência ou não daqueles créditos, com o intuito de melhor formar meu convencimento, evitando também a prolação de decisão condicionada, voto no sentido de se converter o presente julgamento em diligência, a fim de que se traga à colação a decisão definitiva proferida naqueles autos, caso haja, senão, que o presente processo seja sobrestado até que aquele seja definitivamente julgado, favorável ou desfavoravelmente ao Contribuinte, após o que devem .QS presentes Autos retomarem a este Colegiado para apreciação. É como voto. Sala das Sessões, em 16 de fevereiro de 2004 ~\,~ AVO KE3Y ALENCAR ~ 4 00000001 00000002 00000003 00000004
score : 1.0
Numero do processo: 10280.720724/2008-93
Data da sessão: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
PIS. SUJEIÇÃO PASSIVA. CONDOMÍNIO. PRÁTICA DE ATOS DE COMÉRCIO. RECEITA DE ESTACIONAMENTO.
O condomínio que, exercendo atividade comercial típica, aufere receita da prestação de serviços de estacionamento, equipara-se à pessoa jurídica contribuinte do PIS relativamente a tais serviços, sujeitando-se à incidência tributária respectiva.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3201-000.719
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: Luciano Lopes de Almeida Moraes
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201106
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 PIS. SUJEIÇÃO PASSIVA. CONDOMÍNIO. PRÁTICA DE ATOS DE COMÉRCIO. RECEITA DE ESTACIONAMENTO. O condomínio que, exercendo atividade comercial típica, aufere receita da prestação de serviços de estacionamento, equipara-se à pessoa jurídica contribuinte do PIS relativamente a tais serviços, sujeitando-se à incidência tributária respectiva. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
numero_processo_s : 10280.720724/2008-93
conteudo_id_s : 6121104
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 20 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 3201-000.719
nome_arquivo_s : Decisao_10280720724200893.pdf
nome_relator_s : Luciano Lopes de Almeida Moraes
nome_arquivo_pdf_s : 10280720724200893_6121104.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
id : 8054999
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:16:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076783593127936
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1543; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 1.038 1 1.037 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.720724/200893 Recurso nº 001 Voluntário Acórdão nº 3201000.719 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 02/06/2011 Matéria PIS Recorrente CONDOMÍNIO SHOPPING CENTER IGUATEMI BELÉM Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 PIS. SUJEIÇÃO PASSIVA. CONDOMÍNIO. PRÁTICA DE ATOS DE COMÉRCIO. RECEITA DE ESTACIONAMENTO. O condomínio que, exercendo atividade comercial típica, aufere receita da prestação de serviços de estacionamento, equiparase à pessoa jurídica contribuinte do PIS relativamente a tais serviços, sujeitandose à incidência tributária respectiva. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. Judith do Amaral Marcondes Armando Presidente Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Ribeiro Nogueira, Daniel Mariz Gudino, Luis Eduardo Garrossino Barbieri e Mércia Helena Trajano D'Amorim. Fl. 1DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.1119.15037.5F0A. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata o presente processo de Auto de Infração relativo à Contribuição para o PIS, com período de apuração de 01/01/2003 a 31/12/2003, no valor de R$ 89.306,55 (fl. 325), compreendendo principal, multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 28/11/2008. A autoridade fiscal, nos termos da descrição de fatos de fl. 327, informa que o lançamento referese a resultados operacionais não declarados, oriundos da exploração empresarial de serviços de estacionamento. O Relatório Fiscal de fls. 316/324 explicita que: “Em auditoria procedida junto ao Condomínio Shopping Center Iguatemi Belém (...) foi constatado que, durante o ano calendário de 2003, o mesmo exerceu atividade empresarial de prestação de serviços de estacionamento, conforme atesta a documentação contábil apresentada. As receitas de estacionamento supra referidas foram apuradas mensalmente e devidamente escrituradas nas fls. 206 a 232 do Livro Razão nº 18 (...), porém não oferecidas à tributação, conforme verificado durante procedimento fiscal ora encerrado. (...) Para o PIS/Pasep foi adotada sistemática não cumulativa, nos termos da Lei nº 10.637/2002, constando do corpo do auto de infração (...) planilhas de apuração dos débitos e créditos do PIS/Pasep não cumulativo, bem como planilha final de créditos tributários desta contribuição social. (...) Informamos, ainda, a inexistência de qualquer recolhimento a título de (...) PIS/Pasep e COFINS. (...) Nos termos de reiteradas decisões emanadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, firmouse o entendimento administrativo de que apenas o condomínio em edificações, que tem por fim exclusivo cuidar dos interesses comuns dos co proprietários de edifícios, na forma da Lei nº 4.951, de 16/12/1964, não é pessoa jurídica ou equiparada, devendo incidir tributação sobre os valores auferidos pelos condomínios, quando decorrentes de prestação de serviços e aluguéis, equiparandoos, nestas situações, à pessoa jurídica (...). (...) Assim, e por todo o exposto, quando aufere a contribuinte receitas de terceiros, em razão do exercício de atividade tipicamente negocial, não o faz, por óbvio, ao abrigo da Lei nº 4.591/64, caracterizandose, com relação ao exercício de tal Fl. 2DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.1119.15037.5F0A. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10280.720724/200893 Acórdão n.º 3201000.719 S3C2T1 Fl. 1.039 3 atividade, como pessoa jurídica. Em outras palavras, sua caracterização como condomínio pressupõe, a par das formalidades legais indispensáveis, o exercício de atividades que são próprias desse tipo de associação. (...) Desta forma, concluímos pela sujeição passiva tributária por parte do Condomínio Shopping Center Iguatemi Belém, em razão da relação pessoal direta com o fato gerador dos tributos (...) nos termos do disposto pelos artigos 121, I, e 126, III, do CTN (...). Salientamos, ainda, que o contribuinte em epígrafe recolhe ISS (...) incidente sobre as receitas de prestação de serviços de estacionamento. Nesse sentido, podemos observar clara contradição no comportamento adotado com relação ao fisco municipal e o federal.” Cientificado do lançamento em 10/12/2008 (fl. 326), o contribuinte apresentou, em 08/01/2009, a impugnação de fls. 341/366, na qual se encontra: “O impugnante constitui condomínio edilício regulado pelos artigos 1.331 a 1.358 do Código Civil de 2002. Antes de mais nada, revelase oportuno deixar expresso que legalmente o condomínio não constitui pessoa jurídica visto que não está incluído no rol exaustivo contido no art. 44 da Codificação Civil (...) (...) Assim, o condomínio situase no âmbito dos bens juridicamente considerados, sendo enquadrado como uma coisa (res) inserida na propriedade de diversas pessoas. Por esse motivo, não pode jamais ser tachado de sujeito de direito, mas sim, de bem jurídico diferenciado face às particularidades que o cercam. (...) o Condomínio ora Impugnante constitui um bem de titularidade coletiva, dividido em partes autônomas e comuns, naturalmente desprovido de personalidade jurídica. Embora exista no mundo real, sua concepção jurídica deriva da necessidade de representação dos condôminos e até mesmo organização dos direitos de propriedade de cada um deles. Assim, determinado ato praticado pelo síndico ou administrador, em nome do condomínio, representa conduta praticada por todos e cada um dos condôminos, sendo estes, na verdade, os sujeito responsáveis pelas conseqüências das medidas adotadas pelo gestor com base no estatuto condominial ou na assembléia geral de condôminos. (...) Conforme acima exposto, o Impugnante constitui bem de propriedade coletiva, dotado de partes individualmente titularizadas e de áreas de propriedade comum, vale dizer, Fl. 3DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.1119.15037.5F0A. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 pertencentes a todos os condôminos. Dentre essas áreas comuns, estão incluídos os espaços destinados ao estacionamento de veículos. Sendo área comum do Condomínio ora Impugnante, o espaço físico de estacionamento pertence a todos os condôminos, conforme atesta o instrumento particular de instituição do Condomínio (...). E, por sua natureza, a área comum enquadra se na propriedade de todos os condôminos, na proporção da fração ideal de seus bens individuais, sendo usufruída coletivamente por todos eles (...). Desse modo, são os próprios condôminos os beneficiários e empreendedores da atividade de estacionamento existente no edifício do shopping, sendo o condomínio edilício ora impugnante apenas uma forma de representação desses mesmos proprietários e de organização dos direitos imobiliários correspondentes. Não exerce, portanto, o Condomínio ora impugnante, a administração de estacionamento, visto que essa atividade é explorada diretamente pelos proprietários do imóvel onde o estacionamento está situado, representados pela pessoa jurídica por eles contratada para os fins de desempenho das funções de administradora/síndica. (...) (...) Todavia, o fato de o Condomínio existir não significa que ele seja o beneficiário das atividades exercidas, visto que os proveitos são auferidos diretamente pelos condôminos, não usufruindo o impugnante desse produto, visto que funciona como mero ente repassador. Tanto é assim que o produto da atividade é transferido mensalmente às pessoas jurídicas que figuram como condôminas do impugnante. Assim, perceberam valores proporcionalmente rateados e promoveram o recolhimento dos tributos devidos, de acordo com os regimes jurídicos ao qual eram enquadrados (...) Os repasses às pessoas jurídicas acima elencadas estão lançados no livro razão do impugnante (cópia em anexo) sob a rubrica “receitas a distribuir (empreendedores)”. Com isso, ratificase, portanto, que o impugnante nada mais é do que uma ficção jurídica decorrente da existência de direitos imobiliários organizados coletivamente, bem como que os proveitos econômicos dessas propriedades imobiliárias são auferidos diretamente pelos condôminos, e não pelo condomínio edilício ora impugnante. (...) Somente a pessoa jurídica pode ser sujeito passivo do PIS. Como esta contribuição é sempre identificada, em todos os seus elementos,com a COFINS, é interessante que se analise a legislação do Imposto de Renda, que amplia o rol dos sujeitos passivos daquele imposto ao equiparar alguns entes à Pessoa Jurídica para fins de incidência do IRPJ. Fl. 4DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.1119.15037.5F0A. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10280.720724/200893 Acórdão n.º 3201000.719 S3C2T1 Fl. 1.040 5 (...) apenas as pessoas jurídicas e as denominadas empresas individuais podem ser sujeito passivo do IRPJ, assim como do PIS. (...) o condomínio não tem natureza de pessoa jurídica, estando inserido no campo do direito das coisas (...). Além das pessoas jurídicas regularmente constituídas e das empresas individuais, a legislação federal equipara outras pessoas à condição de pessoa jurídica para fins de incidência do IRPJ. (...) Como se vê, há hipóteses em que entes que não são pessoas jurídicas são sujeitos passivos do IRPJ. No entanto, em fiel consonância com o Sistema Constitucional Tributário, todas foram criadas por Lei em sentido estrito. No caso em análise, não há lei em sentido estrito, e nem mesmo normas de natureza infra legal, que atribuam ao condomínio a condição de pessoa jurídica para fins de incidência de quaisquer tributos federais, o que torna a tentativa da autoridade fazendária de realizar essa equiparação flagrantemente ilegal e inconstitucional. O Princípio da Reserva Legal é o Pilar de sustentação de todo o sistema de Princípios e Garantias que protegem o Contribuinte e disciplinam a Incidência Tributária em nosso ordenamento. (...) (...) A própria lei deve prever, de forma expressa, clara e detalhada, todos os elementos que caracterizam o Fato Imponível do tributo (...). Todos os cinco elementos devem estar expressamente previstos em uma Lei em sentido estrito. Somente dessa forma poderá ser considerado instituído um tributo, e somente dessa forma um fato poderá ser considerado tributável. (...) Se algum elemento previsto na Lei não for identificado no fato, então ele não pode ser considerado fato imponível, não ocorrera a subsunção da Fato à norma, e o fato não poderá ser tributado. (...) Vimos que somente as Pessoas Jurídicas, e as exceções legalmente previstas, podem ser Sujeitos Passivos da PIS. O impugnante é um condomínio, não é uma pessoa jurídica (...). No entanto, o auto de lançamento e infração ora impugnado foi lavrado contra o condomínio. Ele foi eleito como sujeito passivo da obrigação tributária. Fl. 5DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.1119.15037.5F0A. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 Ocorre que, como já vimos, não há previsão na Lei e no Regulamento que instituem o Imposto de Renda e a PIS, e em qualquer outra lei federal, que elejam o Condomínio como Sujeito Passivo desses tributos. O elemento pessoal da Hipótese de Incidência (Sujeição Passiva) não está presente no fato tributado. (...) Abaixo, segue um aresto do Tribunal Regional Federal da Terceira Região, que analisando questão análoga, reconhece que o Condomínio não é pessoa jurídica, e que por isso não pode figurar como sujeito passivo de obrigação tributária (...). (...) Portanto, podese afirmar, com a mais absoluta certeza, que o Condomínio Shopping Center Iguatemi não pode sofrer a incidência do IRPJ, da CSLL, da COFINS e do PIS, uma vez que o Condomínio não foi eleito como Sujeito Passivo dos mencionados tributos pela Legislação Tributária em vigor, até porque não é sujeito de direito. Qualquer ato ou decisão neste sentido é flagrantemente ilegal e inconstitucional, por ofensa direta aos dispositivos legais acima transcritos, e aos Princípios da Estrita Legalidade e Tipicidade Tributárias. O relatório fiscal (...) justifica a tributação do condomínio sob a alegação de que estaria deturpando a sua finalidade e exercendo atividade empresarial, e com isso auferindo receita e renda. Ainda segundo a autoridade fazendária, o exercício desta atividade provocaria concorrência desleal (...). A conclusão obtida só pode decorrer de uma interpretação equivocada do conceito de condomínio e da própria função que este desempenha o fato tributário. Na verdade, há sim desempenho de atividade, mas esta é exercida pelas pessoas jurídicas que formam o condomínio, e não pelo Condomínio, que não é pessoa jurídica. Portanto, não há tentativa de concorrer de forma desleal, pois os tributos são regularmente recolhidos pelas pessoas jurídicas que exercem atividade. O condomínio foi apenas uma forma, legalmente prevista, para organizar a propriedade que detém coletivamente. (...) (...) fato é que há uma questão anterior, que é prejudicial à própria análise da Sujeição Passiva: Não há fato imponível. (...) para que haja incidência da PIS é necessário que o sujeito passivo tenha auferido receita e que esta seja qualificada como faturamento. O faturamento decorre ou da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Fl. 6DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.1119.15037.5F0A. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10280.720724/200893 Acórdão n.º 3201000.719 S3C2T1 Fl. 1.041 7 (...) ocorre que (...) a receita de Estacionamento não pertence ao impugnante, mas sim aos seus Condôminos, proprietários do Estacionamento. O impugnante sequer administra o estacionamento, já que há uma empresa específica contratada individualmente pelos proprietários para gerir o Shopping Center (...). (...) O simples fato de que os valores pagos pelos clientes ingressam temporariamente em uma conta corrente em nome do condomínio, para que lá seja feito o rateio, não configura a ocorrência do Fato Gerador, seja este a receita ou a obtenção de renda. (...) (...) Se o Superior Tribunal de Justiça reconhece que os valores repassados por outras pessoas jurídicas não devem ser considerados como receita desses prepostos, certamente entenderá que os valores recebidos pelo condomínio e repassados aos condôminos também não constitui receita do Condomínio. Segue em anexo Cópia Integral do Livro Razão do Impugnante no ano de 2003, que comprova o repasse dos valores aos condôminos (...). Além disso, seguem comprovantes de depósitos bancários e/ou extratos, que atestam que os valores contabilizados efetivamente foram enviados aos condôminos. Com isso, resta absolutamente comprovado que a receita efetivamente foi destinada aos condôminos. (...) O não respeito à Capacidade Contributiva gera a transgressão direta de outro princípio, o da Vedação ao Confisco. No caso dos autos, está mais que comprovado que o impugnante não obteve faturamento. Logo, a exigência do Estado de que o Impugnante contribua com base em algo que não recebeu é absolutamente confiscatóra, e atenta contra direitos fundamentais do contribuinte, como o direito de propriedade. (...) os tributos ora exigidos não deixaram de ser recolhidos. Muito pelo contrário, foram pagos pelos efetivos contribuintes, que realizaram o fato imponível (...) Desse modo, a presente autuação não só é ilegal e inconstitucional e confiscatória como representa tentativa flagrante de BiTributação. (...) Segue em anexo, somente a título de exemplo, documentação que comprova o recolhimento dos tributos federais incidentes sobre essas receitas, feito diretamente pela CAPAF (...). (...) Em situação semelhante (...) o Superior Tribunal de Justiça já reconheceu a configuração de BiTributação (...). Fl. 7DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.1119.15037.5F0A. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 (...) (...) na remota hipótese de ser mantida a exigência, impõese que seja considerada improcedente parcialmente o auto de infração, na parte em que exige o pagamento de multa de ofício. (...) No caso, há previsão legal para a incidência da multa nos casos em que o contribuinte deixa de recolher no prazo tributo em relação ao qual a lei lhe atribua, de forma expressa, a condição de sujeito passivo. Não pode se exigir do contribuinte que preveja uma interpretação que será atribuída no futuro pela autoridade fazendária, se a lei não o obriga expressamente. (...) Pelo exposto, espera o impugnante: (...) 3 Seja dado total provimento à presente impugnação, pelas razões de fato e de direito acima expostas, para que seja o auto de lançamento e infração impugnado julgado totalmente improcedente. 4 – Pelo princípio da eventualidade, na remota hipótese de não serem acolhidas as razões de mérito que tornam o lançamento totalmente insubsistentes, espera (...) que seja julgada improcedente a autuação na parte em que exige o impugnante o pagamento de multa e juros moratórios.” Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém/PA indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/BEL nº 15.575, de 10/11/2009, fls. 994/999: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. São improfícuos os julgados judiciais trazidos pelo sujeito passivo, por lhes falecer eficácia normativa, na forma do artigo 100, II, do Código Tributário Nacional. PIS. SUJEIÇÃO PASSIVA. CONDOMÍNIO. PRÁTICA DE ATOS DE COMÉRCIO. RECEITA DE ESTACIONAMENTO. O condomínio que, exercendo atividade comercial típica, aufere receita da prestação de serviços de estacionamento, equiparase à pessoa jurídica contribuinte do PIS relativamente a tais serviços, sujeitandose à incidência tributária respectiva. PIS. CONDOMÍNIO DE IMÓVEIS. RECEITA DE ESTACIONAMENTO. BITRIBUTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Na hipótese do desempenho da atividade de prestação de serviços de estacionamento para terceiros, a receita decorrente integra a base de cálculo do PIS devido pelo condomínio, sem Fl. 8DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.1119.15037.5F0A. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10280.720724/200893 Acórdão n.º 3201000.719 S3C2T1 Fl. 1.042 9 prejuízo da eventual incidência da referida contribuição sobre o ulterior faturamento auferido pelos condôminos, não havendo que se falar em bitributação, haja vista tratarse de pessoas jurídicas e receitas absolutamente distintas e independentes. Impugnação Improcedente. Em face da decisão, o contribuinte é intimado às fls. 1002 e interpõe recurso voluntário de fls. 1005/1036. Após, foi dado seguimento ao recurso interposto. É o relatório. Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. O presente processo discute basicamente a sujeição passiva do condomínio frente ao PIS, bem como a impossibilidade de cobrança de juros e multa. Entendo que a recorrente não possui razão. A base de cálculo do PIS está bem descrita na Lei n.º 10.637/2002: Art. I'1 A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1" Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. §2aA base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. (...) Na medida em que a recorrente aufere receita decorrente da prestação de serviços de estacionamento, deve ser tributada pelo PIS. Não pode ser adotado o entendimento de que a recorrente, por não ser pessoa jurídica, não possuiria capacidade tributária passiva para figurar como contribuinte da contribuição em tela. Neste sentido, o Código Tributário Nacional é claro: Art. 121 sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento do tributo ou penalidade pecuniária. Fl. 9DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.1119.15037.5F0A. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 10 Parágrafo único — O sujeito passivo da obrigação principal, dizse: lo contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador;(...) Art. 126 A capacidade tributária passiva independe: (...) Ill de estar a pessoa jurídica regularmente constituída, bastando que configure uma unidade econômica ou profissional. " Mesmo que a recorrente não seja pessoa jurídica regularmente constituída, ainda assim deve ser tributada, até porque guarda relação pessoal e direta com o fato gerador da contribuição, tal como preceitua o art. 1º da Lei n° 10.637/2002. Ademais, a recorrente é uma unidade econômica, na medida em que presta serviço, aufere receita e contabilizaa. Não nos esqueçamos também que a MP n.º 2.15835/2001 expressamente determina a tributação dos condomínios: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: (...) IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; (...) Vemos que os condomínios também são sujeitos passivos do PIS, devendo recolher a contribuição incidente sobre o seu faturamento. Lembremos, ainda, que, diferentemente do que aduz a recorrente, ela aufere sim toda a receita da prestação de serviço de estacionamento, repassando apenas parte desta para os condôminos fls. 998/v: E que, conforme demonstram e comprovam o livro Razão e os extratos bancários trazidos aos autos pelo próprio interessado, a receita total (bruta) auferida pelo condomínio é em muito superior aos valores "repassados"' aos condôminos, os quais correspondem apenas a uma fração própria da receita do condomínio. Com efeito, no mês de janeiro de 2003, a receita total auferida pelo condomínio foi de RS 194.204,00 (conforme consolidado no Demonstrativo de fl. 327), enquanto o total "repassado" aos condôminos foi de apenas RS 48.497,21 (R$ 46.478,00 e R$ 2.019,21, como se constata na cópia do livro razão, à fl. 448, e na cópia de extrato de contacorrente, à fl. 452), o mesmo se verificando em relação aos demais meses do anocalendário de 2003. Ou seja, a prova trazida aos autos pelo impugnante não lhe vem em proveito, muito antes confirmando Fl. 10DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.1119.15037.5F0A. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10280.720724/200893 Acórdão n.º 3201000.719 S3C2T1 Fl. 1.043 11 que a receita que aufere é diversa daquela a que fazem jus os condôminos (os quais apenas recebem espécie de remuneração pela "cessão dos direitos de exploração" da atividade econômica de prestação de serviços de estacionamento desenvolvida, como se verifica, inteiramente pelo autuado), também ratificando a conclusão de que tal faturamento não foi, como deveria haver sido, oferecido à tributação. Ainda que toda a receita fosse repassada, ainda assim seria tributada, pois a norma que previa sua exclusão nunca vigeu. Em suma, vemos que adotar o entendimento da recorrente é buscar afastar a tributação devida de forma incorreta, o que não pode ser permitido. Por fim, quanto à cobrança de juros SELIC e multa, estas foram aplicadas conforme prevê a legislação, não havendo motivo para afastar sua aplicação. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso interposto, prejudicados os demais argumentos. Sala das Sessões, em 02/06/2011 Luciano Lopes de Almeida Moraes Fl. 11DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.1119.15037.5F0A. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES em 03/06/2011 10:55:17. Documento autenticado digitalmente por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES em 03/06/2011. Documento assinado digitalmente por: JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO em 13/09/2011 e LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES em 03/06/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 05/11/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP05.1119.15037.5F0A Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 7E0B56F1AC382531CB0255511AA5DC4D36B4CF30 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10280.720724/2008-93. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
score : 1.0
Numero do processo: 11030.001303/2006-11
Data da sessão: Thu Feb 04 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Ano-calendário: 2003
PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO/PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO SEM CAUSA PAGAMENTO EFETUADO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA - ARTIGO 61 DA LEI N° 8,981/95 - CARACTERIZAÇÃO - ERRO DE FATO.
A pessoa jurídica que efetuar pagamento a beneficiário não identificado ou não comprovar a operação ou a causa do pagamento efetuado ou recurso entregue a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, bem coma não comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização de serviços, referidos em
documento emitido por pessoa jurídica considerada ou declarada inapta, sujeitar-se-á à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à aliquota de 35%, a titulo de pagamento a beneficiário não identificado e/ou pagamento a beneficiário sem causa. Quando há erro de fato comprovado pelo contribuinte, não ha que se falar na aplicação desse dispositivo legal.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2202-000.419
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRF- ação fiscal - ñ retenção ou recolhimento(antecipação)
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRF- ação fiscal - ñ retenção ou recolhimento(antecipação)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201002
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano-calendário: 2003 PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO/PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO SEM CAUSA PAGAMENTO EFETUADO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA - ARTIGO 61 DA LEI N° 8,981/95 - CARACTERIZAÇÃO - ERRO DE FATO. A pessoa jurídica que efetuar pagamento a beneficiário não identificado ou não comprovar a operação ou a causa do pagamento efetuado ou recurso entregue a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, bem coma não comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização de serviços, referidos em documento emitido por pessoa jurídica considerada ou declarada inapta, sujeitar-se-á à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à aliquota de 35%, a titulo de pagamento a beneficiário não identificado e/ou pagamento a beneficiário sem causa. Quando há erro de fato comprovado pelo contribuinte, não ha que se falar na aplicação desse dispositivo legal. Recurso provido.
numero_processo_s : 11030.001303/2006-11
conteudo_id_s : 6124912
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 24 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 2202-000.419
nome_arquivo_s : Decisao_11030001303200611.pdf
nome_relator_s : PEDRO ANAN JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 11030001303200611_6124912.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 04 00:00:00 UTC 2010
id : 8066506
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:16:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076783602565120
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-03-10T13:11:52Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 8; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-03-10T13:11:52Z; Last-Modified: 2011-03-10T13:11:52Z; dcterms:modified: 2011-03-10T13:11:52Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:76447e17-50cb-443f-9463-c855e31b5475; Last-Save-Date: 2011-03-10T13:11:52Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-03-10T13:11:52Z; meta:save-date: 2011-03-10T13:11:52Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-03-10T13:11:52Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-03-10T13:11:52Z; created: 2011-03-10T13:11:52Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2011-03-10T13:11:52Z; pdf:charsPerPage: 1634; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-03-10T13:11:52Z | Conteúdo => ANN - Presidente AN IONIOR - Relator EDITADO EM: 11 FEV 2011 S2-C2T2 Fi 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 11030 001303/2006-11 Recurso n" 162,622 Voluntário Acórdão n" 2202-00.419 — 2" (Amara / 2" Turma Ordinária Sessão de 04 de fevereiro de 2010 Matéria IRF- Ano(s).: 2003 Recorrente SCORSATTO CONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano-calendário: 2003 PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO/PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO SEM CAUSA PAGAMENTO EFETUADO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA - ARTIGO 61 DA LEI N° 8,981/95 - CARACTERIZAÇÃO - ERRO DE FATO. A pessoa juridica que efetuar pagamento a beneficiário não identificado ou não comprovar a operação ou a causa do pagamento efetuado ou recurso entregue a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, bem coma não comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização de serviços, referidos em 'documento emitido por pessoa jurídica considerada ou declarada inapta, sujeitar-se-á à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à aliquota de .35%, a titulo de pagamento a beneficiário não identificado e/ou pagamento a beneficiário sem causa. Quando há erro de fato comprovado pelo contribuinte, não ha que se falar na aplicação desse dispositivo legal. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Pedro Arran Júnior, Maria Lucia Moniz de Aragdo Ca'amino Astorga, Helenilson Cunha Pontes, Gustavo Lian Haddad e Nelson Mallmann (Presidente) 2 Processo np 11030 001303/2006-11 S2-C212 Acórdão n " 2202-00419 Fl. 2 Relatório Contra a SCORSATTO CONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES LTDA, inscrita no CNPJ sob o IV 74,008.244/0001-57, foi lavrado Auto de Infração para a exigência de créditos relativos ao Imposto de Renda Retido na Fonte — IRRF, referente a fato gerador ocorrido no ano calendário de 2003 (fls.. 03 a 06). Também foi elaborado o Termo de Constatação de fls. 07 a 12. De acordo corn a descrição dos fatos, a autuação decorreu da constatação pela autoridade fiscal de: Falta de recolhimento do Imposto de Renda na Fonte sobre pagamento a beneficiário não identificado no valor de R$ 217,820,61, ocorrido em 20/10/2003 referente a NF n° 084885, da Comercial Zaffari Ltda, no valor de R$ 218,39, 0 lançamento contábil foi no valor de R$ 218.039,00 a débito da conta Mão-de-obra/Despesas com Alimentação e a crédito da conta Caixa. A autoridade lançadora considerou como pagamento a beneficiário não identificado a diferença entre o valor de RS 218,039,00 (contabilizado como saída de caixa) e o valor de R$ 218,.39 (valor da NF 084885), 0 lançamento gerou uma exigência de IRRF no valor de R$ 76.237,21. A autuada, por meio de seu representante legal, impugnou o lançamento (fls. 30 a 42), alegando em síntese: Inicialmente informa que o regime de tributação para o ano calendário de 2003 foi o REGIME DO LUCRO PRESUMIDO e que apurou a base de cálculo nos termos da legislação em vigor, no caso da impugnante, utilizando o percentual de 8%, desse modo empresa atendeu a este regime de tributação, satisfazendo plenamente ao que determina a legislação. (grifo do impugnante) - Independentemente do erro cometido ao contabilizar o valor de R$ 218.0.39,00, ao invés de RS 218,39, não haveria a minima razão para a empresa proceder desta forma alterando valores de despesas, propiciando uma retirada oculta, Alega que poderia ter distribuído lucro sem "emus de tributo", desde que, devidamente contabilizado.(grifo do impugnante). Que o fato tão evidenciado pelo autuante não trouxe qualquer beneficio para a mesma, ao contrário prejudicou-a, pois diminuiu o lucro do exercício que poderia ser distribuído aos sócios. - Com relação a outro beneficiário não identificado, que não aos sócios, qualquer pagamento em que houvesse a retenção na fonte, esta por sua vez, não é ônus da empresa, mas sim do beneficiário. (grifo do impugnante), - Alega, ainda, que jamais procederia desta forma, pois atende as exigências da tributação. Frisa que este equívoco de escrituração, não foi usada má fé ou dolo, assim que 3 não houve omissão de tributos e neste caso o autuante deveria simplesmente avisar a empresa para que a mesma procedesse à correção do saldo de caixa,(grifo do impugnante) Reafirma que não teria o mínimo interesse em efetuar pagamentos desta forma, e sem a devida comprovação legal, pois a única prejudicada seria a impugnante, que apuraria neste caso um lucro irreal (grifo da impugnante) - Por fim, não concorda com o lançamento, pois não é devido e foi lançado de forma equivocada. A la Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Santa Maria — DIU/STM, ao examinar o pleito decidiu por unanimidade pela procedência do lançamento, através do acórdão DRJ/STM n° 18-7,689, de 05 de setembro de 2007 (fls. 44/48), consubstanciado na seguinte ementa: Assunto . Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Ano-calendário: 2003 PAGAMENTO A BENEFICIARIO WO IDENTIFICADO, A comprovação de pagamento sem justa causa ou a beneficiário não identificado configura o fato gerador do Imposto de Renda na Fonte Devidamente cientificado dessa decisão em 26 de setembro de 2007, ingressa o contribuinte tempestivamente com recurso voluntário em 05 de outubro de 2007, ãs fls 52/63, onde requer a reforma da decisão reiterando os argumentos da impugnação. o relatório 4 Processo n° 11030.001303/2006-11 S2-C2T2 Aceirdao n ° 2202-00.419 Fl 3 Voto Conselheiro PEDRO ANAN JUNIOR, Relator No presente caso, verifica-se que a exigência do imposto de renda na fonte foi apurada em operações de pagamentos efetuados, quando não for comprovada a operação ou sua causa, que serão tributados pelo imposto de renda na fonte, conforme previsto no art. 61 da Lei IV 8,981/95, A partir de 1995, os pagamentos a beneficiário não identificado e os pagamentos sem causa estão sujeitos à tributação de imposto de renda exclusivamente na fonte, cabendo as pessoas juridicas reter e recolher o respectivo imposto de renda na data da ocorrência do fato gerador . Desta forma deve ficar provado, pela fiscalização, que a conjugação dos pagamentos efetuados com o preceito legal contido no art, 61 e parágrafos, da Lei n.° 8.981/95, atributivo de efeito àquele acontecimento, compõe o fato juridic° gerador do imposto de renda na fonte ali vislumbrado. Nestes termos, por ser oportuno, toma-se necessário a transcrição do dispositivo legal infringido, onde constata-se a necessidade da identificação ou não do beneficiário e da origem da operação, bem como do nexo causal com o emitente (comprovação da operação ou a sua causa), alem do mais é fundamental que haja a comprovação do pagamento ou saida de recursos da fonte pagadora ao beneficiário do rendimento, Diz o diploma legal - Lei n° 8.981, de 1995: "Art, 61 - Fica siJeito à incidência do imposto de renda exchtsivamente na fonte, à aliquota de 3.5%, todo pagamento qfetuado pelas pessoas . jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1° A incidência prevista no caput aplica-se, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sécios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou sua causa, bem como à hipótese de que trata o § do art, 74, da Lei n° 8.383, de 1991. § 2° Considera-se vencido o imposto de renda na fonte no dia do pagamento da referida importância, § 3° 0 rendimento de que trata este artigo será considerado liquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. " E verificado nos autos que foi registrado na contabilidade a operação, onde o recomente lançou os valores objeto da autuação em débito de despesa e a contrapartida em 5 crédito no caixa, e está claro nos autos que houve um erro na contabilização efetuada pelo contribuinte ao analisarmos a nota fiscal que deu origem ao lançamento. Desta forma não há porque que subsistir o lançamento uma vez que no presente caso não há que se falar em pagamentos a beneficiário não identificado ou pagamentos sem causa, uma vez que trata-se de clam erro de digitação efetuado pelo Recorrente, portanto erro de fato este sentido, não é devida a presente tributação com base no artigo 61 da Lei n° 8.9 Portant recurso e no mérito dou provimento PEDRO AN JUNIOR 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2' CAMARA/2 SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n°: 11030.001303/2006-11 Recurso n°: 162.622 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3' do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial IV 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tornar ciência do Acórdão n° 2202-00.419. Brasilia/DF, 11 de fever, de 2011. EVELINE COELHO DE MELO HOMAR Chefe da Secretaria Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 10293.720107/2007-68
Data da sessão: Wed Jul 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR
Exercício: 200.3
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO,
Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no SIPT, exige-se que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preços de 1°/01/2003.
ÁREA TOTAL DO IMÓVEL, ALTERAÇÃO, NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO.
A área total do imóvel não foi objeto de qualquer alteração por parte da fiscalização, e sua alteração está condicionada à comprovação do erro alegado.
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - RESERVA LEGAL.
AVERBAÇÃO - ATO CONSTITUTIVO,
Os §§ 4º e 8º do artigo 16 do Código Florestal, na redação que lhe foi dada pela MP 2.166-67/2001, dispõe que a localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, e ainda impõe que sua averbada deve ser efetuada à margem da inscrição de
matrícula do imóvel.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, EXCLUSÃO. ATO
DECLARATÓRIO AMBIENTAL,
Para fins de exclusão da base de cálculo do 1TR, após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000, é imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal.
Recursos negados.
Numero da decisão: 2101-000.601
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
NEGAR provimento ao recurso de oficio. Por voto de qualidade, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Goncalo Bonet Allage E Odmir Fernandes, que davam provimegto, parcial para excluir da base de cálculo do
ITR a área de preservação permanente de 1.736,16 hectares.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201007
ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR Exercício: 200.3 VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO, Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no SIPT, exige-se que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preços de 1°/01/2003. ÁREA TOTAL DO IMÓVEL, ALTERAÇÃO, NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A área total do imóvel não foi objeto de qualquer alteração por parte da fiscalização, e sua alteração está condicionada à comprovação do erro alegado. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO - ATO CONSTITUTIVO, Os §§ 4º e 8º do artigo 16 do Código Florestal, na redação que lhe foi dada pela MP 2.166-67/2001, dispõe que a localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, e ainda impõe que sua averbada deve ser efetuada à margem da inscrição de matrícula do imóvel. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL, Para fins de exclusão da base de cálculo do 1TR, após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000, é imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal. Recursos negados.
numero_processo_s : 10293.720107/2007-68
conteudo_id_s : 5994549
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2101-000.601
nome_arquivo_s : Decisao_10293720107200768.pdf
nome_relator_s : JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 10293720107200768_5994549.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de oficio. Por voto de qualidade, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Goncalo Bonet Allage E Odmir Fernandes, que davam provimegto, parcial para excluir da base de cálculo do ITR a área de preservação permanente de 1.736,16 hectares.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 28 00:00:00 UTC 2010
id : 7710832
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:16:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076783606759424
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-11-18T18:52:13Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-11-18T18:52:11Z; Last-Modified: 2010-11-18T18:52:13Z; dcterms:modified: 2010-11-18T18:52:13Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:456c6bb9-e164-4b0c-84f7-95105037ba2e; Last-Save-Date: 2010-11-18T18:52:13Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-11-18T18:52:13Z; meta:save-date: 2010-11-18T18:52:13Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-11-18T18:52:13Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-11-18T18:52:11Z; created: 2010-11-18T18:52:11Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; Creation-Date: 2010-11-18T18:52:11Z; pdf:charsPerPage: 1683; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-11-18T18:52:11Z | Conteúdo => S2-C1T1 F1 241 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 10293,720107/2007-68 Recurso n° 343,801 De Oficio e Voluntário Acórdão n" 2101-00.601 — 1" Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 28 de julho de 2010 Matéria 1TR Recorrentes ia TURMA DA DRJ RECIFE/PE e LEÔNIDAS FERREIRA CHAVES Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR Exercício: 200.3 VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO, Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no SIPT, exige-se que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preços de 1°/01/200.3. ÁREA TOTAL DO IMÓVEL, ALTERAÇÃO, NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A área total do imóvel não foi objeto de qualquer alteração por parte da fiscalização, e sua alteração está condicionada à comprovação do erro alegado, ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO - ATO CONSTITUTIVO, Os §§ 4' e 8' do artigo 16 do Código Florestal, na redação que lhe foi dada pela MP 2,166-67/2001, dispõe que a localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, e ainda impõe que sua averbada deve ser efetuada à margem da inscrição de matrícula do imóvel. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL, Para fins de exclusão da base de cálculo do 1TR, após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000, é imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal. Recursos negados. Presidente LCIA CAIO MARCOS - I EDITADO EM: 24 2010 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de oficio. Por voto de qualidade, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Goncalo Bonet Allage E Odmir Fernandes, que davam provimegto, parcial para excluir da base de cálculo do ITR a área de preservação permanente de 1.73y16 lOctares, JOSÉ RAIMUNDb TTA SANTOS - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, José Raimundo Tosta Santos, Odmir Fernandes, Goncalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka e Ana Neyle Olimpio Holanda, Relatório Os recursos de oficio e voluntário foram interpostos pela P Turma da DRJ Recife e Leônidas Ferreira Chaves, respectivamente, em face do Acórdão ri° 11-21334 (fis, 189/209), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o Auto de Infração, para considerar devido o imposto sobre a propriedade territorial rural suplementar, referente ao exercício de 2003, no valor de R$ 354.694,13 (trezentos e cinqüenta e quatro mil, seiscentos e noventa e quatro reais e treze centavos), além da multa de oficio no percentual de 75% e juros de mora com base na taxa SELIC, conforme legislação que rege a matéria. Consta ainda no dispositivo do acórdão a remessa oficial ao Órgão julgador de 2' grau, nos termos do art. 34 do Decreto n° 70.235, de 1972 e alterações introduzidas pela Lei n° 8.748, de 1993 e Portaria MF n° 375, de 2001, por força de recurso necessário. A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a que nos seguintes termos: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 12/16, na qual é cobrado o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, exercício 2003, relativo ao imóvel denominado "Fazenda Morumgaba", localizado no município de Sena Madureira - AC, NIRF 0.866.529-0, com área total de 60,000,0 ha, no valor de R$ 8.999.974,13 (oito milhões, novecentos e noventa e nove mil, novecentos e setenta e quatro reais e treze centavos), acrescido de multa de lançamento de oficio e de juros de mora, calculados até 30/11/2007, perfazendo uni crédito tributário total de R$ 21.307.438,74 (vinte e um milhões, trezentos e sete mil, quatrocentos e trinta e oito reais e setenta e quatro centavos). 2 Processo n° 10293 720107/2007-68 82-C11-1. Acórdão n,° 2101-000.601 Fl. 242 2. No procedimento de análise e verificação das informações declaradas na DITR/2003, a fiscalização apurou a seguinte infração, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls.. 13/14: - falta de recolhimento do 1TR, em virtude de glosa das áreas de preservação permanente e de utilização limitada e alteração do Valor da Terra Nua, tendo em vista a não- comprovação, por parte do contribuinte, dos valores declarados. 3. Ciência do lançamento em 19/12/2007, conforme tela de fls. 18. 4. Não concordando com a exigência, o contribuinte apresentou, em 16/01/2008, por intermédio de procurador — instrumento de procuração à fls. 69 -, a impugnação de fls. 19/68, acompanhada dos documentos de fls. 70/135, alegando, em síntese: I — que parte do imóvel foi desapropriado pelo Governo Federal para fins de interesse ecológico desde 1990, nos termos do Decreto if 99.144, de 12/03/1990 (documento n° 06) e o lbama interpôs em 1992 ação de desapropriação por interesse social contra o impugnante para desapropriar uma área de 20 235,0 ha (documentos n's 07 e 08); II — que requer que os processos relativos aos lançamentos referentes aos exercícios de 2004 e 2005 sejam apensados ao presente processo, pois o objetivo das impugnações aos três lançamentos é o mesmo, nos termos do art. 9 0, § 1 0, do Decreto n' 70.235/1972, com a redação dada pela Lei n° 11.196, de 2005; III — que requer a transferência dos processos para a DRF em Curitiba, pois o contribuinte tem seu domicílio em Guarapuava/PR, sendo difícil o deslocamento até o Estado do Acre para acompanhar e movimentar os processos; IV — que o lançamento é nulo face à inexistência de termo de início de fiscalização válido (art. 7 0, I, do Decreto n0 70.235/1972), bem como por ter levado em consideração área superior à propriedade do impugnante, em função de desapropriação de parte da área pelo lbama e outra parte pela Funai; V — que o lançamento é nulo por restar caracterizado cerceamento ao direito de defesa do impugnante, em virtude de ausência do termo de início de fiscalização, inobstante tenha solicitado prorrogação de prazo para atendimento ao contido na intimação; VI—que não teve como apresentar os documentos solicitados dentro do último prazo estipulado pela fiscalização, fato que levou à lawatura de lançamento totalmente equivocado, por ofensa ao disposto no art. 142 do CTN, pois não consta prova material e contundente da exigência pretendida; VII—que é pacífico na doutrina e jurisprudência o entendimento de que todo ato administrativo-fiscal deve conter obrigatoriamente, além dos fatos, o direito, citando decisões administrativas e judiciais; VIII — que, pela falta de indicação dos motivos de fato e dos dispositivos infringidos com sua contundente e efetiva comprovação, além do fato de se ter considerado área superior à área efetiva, o lançamento é nulo; IX — que o auto de infração limita-se a informar que a irnpugnante teria deixado de incluir na base de cálculo parte da área tributável, bem como, arbitrariamente, informou que não foi comprovado o valor da terra nua declarado; X — que discutia judicialmente a desapropriação de parte de sua propriedade com o lhama, tendo esperança que ela voltaria ao patamar de 60 000,0 ha, razão pela qual declarava este valor na DITR; XI — que, face à declaração de interesse ecológico pelo Governo Federal e à desapropriação em 1992 pelo lhama parte da área ficou isenta de tributação (utilização limitada); XII — que o autuante não comprovou a existência das áreas tributáveis, limitando-se a apresentar mero demonstrativo, sem valor probatório; XIII — que a área total, pelas razões já colocadas, foi reduzida para 19.610,0 ha, não tendo o autuante considerado também as áreas de preservação permanente, de utilização limitada e de interesse ecológico existentes; XIV — que na ação de desapropriação proposta pela lhama consta uma área de 20,235,0 ha, sendo que desse total 10.091,75 ha são de uma propriedade do cônjuge do contribuinte, Sra. Maria Terezina Bottini Chaves (NIRI 0,866,528-1); XV — que foi declarada uma área de reserva legal correspondente a 80% da área do imóvel (48,000,0 ha), nos termos da Lei rf 4.771/1965, além de área de preservação permanente de 11 700,0 ha, restando uma área de 300,0 ha de área tributável, que subtraída da área de benfeitorias, resulta em uma área tributável de 298,0 ha; XVI — que deve-se considerar para fins tributários uma área total de 19,610,0 ha, com área de utilização limitada de 15,688,0 ha, com área de preservação permanente de 3922,0 ha e com área utilizável de 300,0 ha (sendo 2,0 ha de benfeitorias); XVII — que o Decreto n" 99.144, de 1990, que criou a Reserva Extrativista Chico Mendes, ao ser publicado, já restringiu o direito de uso na área, vez que referido RESEX é unidade de conservação do grupo de uso sustentável (att, 14, IV, da Lei n° 9 985, de 2000), razão pela qual o 'barna não mais autorizou qualquer atividade na área desde 1992; XVIII — que o cerceamento ao direito de defesa resta também demonstrado por ter o autuante ignorado todas as provas produzidas pelo impugnante, tendo havido afronta ao princípio da tipicidade pela não indicação do dispositivo violado; XIX — que as áreas de reserva legal e de preservação permanente existem independentemente do seu registro ou averbação no registro de imóveis ou órgãos de proteção ambiental, sendo que, em relação à reserva legal, trata-se de imposição da lei cuja observação o proprietário do imóvel rural situado na Amazônia Legal está obrigado sob pena de incorrer em crime ambiental; XX - que foi apresentado laudo técnico (documento n° 13) indicando a existência de área de preservação permanente no imóvel, além de foto de satélite; XXI — que a eventual não-apresentação do ADA não tem o condão de retirar a isenção das áreas de preservação permanente e de reserva legal existentes na área, pois o ADA é simples mecanismo de atualização de informações cadastrais, citando Acórdãos do Conselho de Contribuintes; XXII — que a aplicação das alíquotas é parametrizada por tabela própria, constante em anexo à Lei n°9393/1996; XXIII — que sejam analisados os documentos ora juntados, bem como aqueles que serão juntados no decorrer da instrução do processo. CV' 4 Processo rl° 10293.720107/2007-68 82-C1T1 Acórdão n' 2101-000.601 Fl 243 5. Posteriormente, em petição datada de 14/02/2008 e postada em 19/02/2008 (envelope à fls.. 1.36), o impugnante apresentou, por intermédio de seus procuradores, cópias autenticadas dos mesmos documentos juntados anteriormente com a impugnação Ao apreciar o litígio a 1 Turma da MU Brasília, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - Exercício: 2003 ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA: NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A exclusão de áreas declaradas como de preservação permanente e de utilização limitada da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do 1TR, está condicionada ao seu reconhecimento pelo Ibama ou por órgão estadual competente, mediante Ato Declarató rio Ambiental (ADA), o qual deverá ser protocolizado junto àqueles órgãos no prazo de seis meses contado da data da entrega da D1TR. EXIGÊNCIA DO ADA. DETERMINAÇÃO LEGAL„ Com a alteração da Lei 6938/1981 pela Lei 10.165/2000, torna- se incabível a alegação de ilegalidade da exigência de ADA para fins de redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTIV), ALTERAÇÃO PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA, LAUDO TÉCNICO DE AVALIA ÇÃO. É elemento de prova suficiente, para impugnar o VTN adotado pelo Fisco para o lançamento do ITR, tomando por base informação constante do Sistema de Preços de Terra (SIPT), Laudo de Avaliação elaborado por profissional devidamente habilitado, que preenche os requisitos das normas expedidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisãe.s administrativas proferidas pelos órgãos colegiado.s não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus .julgados não se aproveitam em l'elação a qualquer outra ocorrência, senão aquela objeto da decisão. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício.. 2003 AUTO DE INFRAÇÃO, NULIDADE. Não restando comprovada a ocorrência de preterição do direito de defesa nem de qualquer outra hipótese expressamente prevista na legislação, não há que se falar em nulidade do lançamento. PRINCIPIO DO CONTRADITÓRIO. Antes da lavratura do auto de infração, não há que se falar em violação ao Princípio do Contraditório, já que a oportunidade de contradizer o .fisco é prevista em lei para a . fase do contencioso administrativo, que se inicia com a impugnação do lançamento. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Se o autuado revela conhecer as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as de .forma meticulosa, com impugnação que abrange questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. SOLICITAÇÃO DE JUNTADA DE PROCESSOS E DE TRANSFERÊNCIA DO JULGAMENTO PARA OUTRA UNIDADE DA RFB, Por não restar caracterizado cerceamento do direito de defesa e por .falta de embasamento legal, não é de ser acatada a solicitação de juntada de processos relativos a lançamentos de outros exercícios nem a solicitação de que o julgamento do processo seja procedido por outra unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Lançamento Procedente enz Parte Em sua peça recursal de fls, 218/238 o contribuinte rebate os argumentos da decisão recorrida, enfatizando suas razões já apresentadas na impugnação, no que tange à área total do imóvel, em face da ação de desapropriação promovida pelo INCRA, e a desnecessidade do ADA para exclusão das áreas de reserva legal e preservação permanente na DITR do exercício de 2003, e de averbação no cartório imobiliário em relação à área de reserva legal. Ressalta que o laudo técnico apresentado foi acolhido na decisão recorrida para comprovar o VTN pleiteado, mas desconsiderado para fins de comprovação das referidas áreas, em descompasso com a jurisprudência administrativa colacionada, É o relatório, Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator ch 6 Processo n° 10293 720107/2007-.68 S2-C1T1 Acórdão n ° 2101 -000.601 F1 244 O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Inicialmente, entendo não ser possível reunir os autos de infração relativos aos processos 10291,720128/2007-83 e 10293.720149/2007-07, relacionado ao mesmo imóvel rural, como requer o recorrente, pois se referem a fatos geradores do ITR de períodos diversos, ocorridos em 01/01/2004 e 01/01/2005, com matérias de fato e de direito que não são necessariamente as mesmas. O art, 9°, § 1 0, do Decreto n° 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 113 da Lei ri° 11.196, de 2005, dispõe que os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos dependerem dos mesmos elementos de prova. Em relação à parte exonerada no julgamento a quo, nego provimento ao recurso de oficio. A decisão recorrida muito bem analisou os elementos de prova apresentados para justificar a redução do VTN do imóvel rural denominado "Fazenda Morumgaba", localizado no Município de Sena Madureira/AC, demonstrando, de forma inequívoca, o seu valor fundiário em 1°/01/2003, através de Laudo Técnico, que é instrumento hábil para esse fim, mas não o é para substituir requisitos estabelecidos em lei para o gozo de beneficio fiscal. Como a soma do imposto e multa exonerados ultrapassa R$1.000,000,00 deve-se apreciar o recurso de oficio, por força do disposto no art. 34 do Decreto n° 70.235, de 1972 e alterações posteriores, para negar-lhe provimento, tendo em vista a correta aplicação da norma ao caso em exame. Confira-se: 56. No que se refere ao Valor da Terra Nua, o ar!. 14 da Lei n" 9.393/1996 assim dispõe.. Art. 14. No caso de/alta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de .subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou ,fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de oficio do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1" As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § I', inciso II da Lei n" 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. 57. Em atendimento ao dispositivo legal supracitado, e com o objetivo de ,fornecer informações relativas a valores de terras para o cálculo e lançamento do ITR, foi editada a Portaria SRF n' 447, de 28/03/2002, publicada no Diário Oficial da União de 07/06/2002, que aprovou o Sistema de Preços de Terra (SIPT). 58. In casu, verifica-se o VTIOnédio/ha fixado para o município de Sena Madureira/AC para o exercício de 2003 .foi de 750,00 R$/ha, que, multiplicado pela área total do imóvel (60.000,0 ha), resultou em um VTN de R$ 45.000.000,00. ár_ 7 58. 1 Saliente-se que referido VIN/ha, de R$ 750,00 R$/ha, é o menor, em relação ao exercício de 2003, que consta do Oficio de .11s. 11, encaminhado pela Secretaria Municipal de Produção da Prefeitura de Sena Madureira/AC, na forma prevista na lei. 59. Os valores fornecidos à Receita Federal tomam sempre por base as peculiaridades de cada um dos municípios pesquisados, tais como; limitação do crédito rural, custos e exigências,' crise econômica e social na região,- instabilidade climática nos municípios localizados na região semi-árida, aumentando consideravelmente os riscos das atividades agropecuárias; baixos preços dos produtos agrícolas e elevados custos dos insumos; possível acidez do solo, etc... 60. Vê-se, portanto, que o procedimento administrativo que precedeu a .fixação do VTN para o exercício de 2003 .foi realizado com absoluta observância da legislação de regência, 61, Deve ser salientado que o art. 8", § 2", da Lei n° 9.393/1996, estabelece que o VTN deve refletir necessariamente o preço de mercado do imóvel, apurado em 1' de janeiro do ano a que se referir o D1AT, e que o art. 40 do Decreto n" 4.382, de 19/09/2002 (Regulamento do 1TR) determina que os documentos que comprovem as informações prestadas na D1TR devem ser mantidos' pelo contribuinte em boa guarda à disposição da RFB, até que ocorra a prescrição dos créditos tributários relativos às situações e aos fatos a que se refiram. 62. Assim, é pe?feitamente legal que o Fisco, diante de um VTN/ha declarado muito inferior ao VTNmédio constante do SIPT, intime o contribuinte a apresentar os documentos que o levaram a informar aquele valor como sendo o preço de mercado do imóvel. 63. Entretanto, objetivando o direito ao contraditório e em atenção às particularidades de cada imóvel, é .facultado à autoridade administrativa competente decidir; a seu prudente critério, sobre a revisão ou não do Valor da Terra Nua médio fixado pela RFB, quando este for questionado pelo contribuinte do 1TR, com base em laudo técnico emitido por entidade de reconhecida capacitação técnica ou profissional devidamente habilitado, devidamente anotado no CREA, que atenda às exigências da NBR n" 14.653-3/2004, da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, que disciplina a atividade de avaliação de imóveis' rurais. 64. Voltando ao caso concreto, a .fiscalização, tendo em vista o .fato de o contribuinte ter indicado um VTN/ha de 19,17 R$/ha (R$ 1.150.000,00/60_000,0 ha) — correspondente a 2,5% (dois e meio por cento) daquele fornecido à RFB pela Secretaria Municipal de Sena Madureira/AC — intimou o contribuinte a apresentar laudo técnico que comprovasse que o valor de mercado em 01/01/2003 era, de fato, o valor constante da D1TR, sob pena de utilização do valor constante do SIPT (fls. 01/02). O contribuinte, conforme /á salientado, não atendeu à intimação. 65. In casa, para fins de revisão do VTN foi apresentado o Laudo Técnico de . 11s. 91/100, devidamente anotado no CREA-AC, conforme Anotação de Responsabilidade Técnica ('AR?) de ,fls. 8 9 37. Ocorre que: Processo n° 10293.720107/2007-68 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-000.601 Fl. 245 101 -, emitido por Engenheiro Florestal, que é profissional habilitado, nos termos do art. 13, da Lei n" .5. 194/1966, e, portanto, legalmente responsável pelas infortnações constantes dos trabalhos por ele realizados. 66. O autor do trabalho apresenta as características particulares do imóvel e a avaliação propriamente dita da propriedade, atribuindo ao imóvel rural uni VTN por hectare de R$ 29,.56, com desvio padrão de R$ 7,61, o que implicaria em um VTN de R$ 1..773.600,00 (= 29,56 R$/ha* 60.000,0 ha).. 66.1 Verifica-se que foram colhidos dados representativos, conforme itens 3,3 e 3,4 do laudo, 67. Logo, tendo em vista que o laudo técnico de avaliação seguiu as diretrizes indicadas na NBR n" 14,653-3/2004, da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, que disciplina a atividade de avaliação de imóveis rurais, entendo deva ser considerado o VTN de R$ 1 .773.600,00, Em relação ao recurso voluntário, a alteração pretendida na área total do imóvel não merece prosperar. A área total do imóvel não foi objeto de qualquer alteração por parte da fiscalização, e sua alteração está condicionada à comprovação do erro alegado. A análise efetuada pela decisão recorrida não merece qualquer reparo, motivo pelo qual acolho seus fundamentos como razões de decidir: 33. O contribuinte questiona por diversas vezes o fato de a fiscalização ter se utilizado equivocadamente de dado incorreto no que se refere à área total do imóvel, o que ensejaria, no seu ponto de vista, inclusive, a nulidade do lançamento. 34. Em primeiro lugar, cabe esclarecer que a área total do imóvel não . foi objeto de qualquer alteração por parte da .fiscalização: consta da DITR/2003 que ela totalizaria 60.000,0 ha, tendo sido este o mesmo valor considerado quando do lançamento (fls. 15). 35, Assim, é inteiramente descabido se falar em erro da fiscalização,' se erro houve, ele foi cometido pelo próprio contribuinte, e somente poderá ser objeto de alteração, neste momento, se restar comprovado tal erro mediante comprovação documental inequívoca. Afinal, o erro não pode simplesmente ser alegado, mas deve necessarianzente ser comprovado pelo contribuinte. 36. O contribuinte junta aos autos os seguintes documentos: cópia do Decreto n" 99,144/1990, que cria a Reserva Extrativísta Chico Mendes (fls. 80/82); cópia da ação de desapropriação, em grande parte ilegível (lls. 83/90); laudo elaborado por engenheiro .florestal ((ls. 91/101), indicando que a área total seria de 19,610,0 ha; cópia de requerimento protocolizado junto ao Ibama em 17/03/200.5 solicitando autorização para desenvolvimento de projeto de manejo . florestal (f7.s. 103/104) mapas (fls. 120/125), a) a cópia do Decreto, em si, nada comprova, tendo em vista a condição estatuída pelo seu art. 3" (desapropriação das áreas privadas); b) o laudo é datado de 2008, indicando, quando muito, a extensão da propriedade na data em que ele foi elaborado; c) o plano de manejo florestal somente poderia comprovar algo em relação à DITR/2006, tendo em vista que ele foi protocolizado em 2005, 38, Quanto à cópia da ação de desapropriação, além de parte ilegível, especifica que os dados deveriam ser transcritos no Registro de Imóveis competente (despacho à fls. 90), sendo que a certidão de . fls. 77/79, expedida em 04/01/2007 pelo Cartório de Registro de Imóveis de Sena 'Vadia-eira, indica que, em 08/09/1992, sob o número 'R-14-487": "em cumprimento ao constante da carta precatória, extraída dos autos do processo n' 92,556-0 — ação de desapropriação, oriunda da Justiça Federal — Seção Judiciária do Estado do Acre ,„ do imóvel objeto da matrícula retro denominada Fazenda Monmgaba, com 60.000,0 ha, de propriedade de Leônidas Ferreira Chaves, .„, foi desapropriado parte do referido imóvel em favor do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis — lhama, 39. Contudo, consta da mesma certidão, logo na seqüência, sob o número "AV-15-487", que, em 31/05/1993, "em cumprimento ao r, despacho exarado sobre o Of N°374/93, ..., pelo MM. Juiz de Direito desta Comarca e consoante m despacho proferido às fls. 202, nos autos de desapropriação ir 92.556-0 pelo Juiz Federal — Seção Judiciária do Estado do Acre, procedo o cancelamento do R-14-487, feito em 08/09/92, neste livro, que havia desapropriado parte da Fazenda Morungaba (20.235,0 us'cnome do iba ma. " (grifei) 40, Ou seja: como o cancelamento do registro da desapropriação fez com que a área total do imóvel voltasse a ser, desde 31/05/1993, de 60,000,0 ha, conforme consta da D1TR/2003, entendo não restar comprovado o erro alegado, devendo ser mantido o valor declarado pelo contribuinte. Diferentemente do que aduz o recorrente, o Código Florestal, mais especificamente em seu art. 16, na redação que lhe foi dada pela MP 2.166-67/2001, dispõe que a localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, e ainda impõe que sua averbada deve ser efetuada à margem da inscrição da matricula do imóvel, Confira-se: §4' A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados; no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: bo plano de bacia hidrográfica; e) O Processo n" 10293.720107/2007-68 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-000.601 Fl. 246 1I-o plano diretor municipal; III-o zoneamento ecológico-econômico; 1V-outras categorias de .zoneamento ambiental; e V-a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. §8' A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código, §9° A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural .familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. §10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com . força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicando-se, no que coubel; as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. Precedente do Supremo Tribunal Federal (Mandado de Segurança n" 22,688/PB) é explicito no sentido de que determinada área somente pode ser considerada como área de reserva legal após a averbação desta situação no registro de imóveis: EMENTA: Mandado de segurança. Desapropriação de imóvel rural para fins de reforma agrária. Preliminar de perda de objeto da segurança que se rejeita, - No mérito, não fizerem os impetrantes prova da averbação da área de reserva legal anteriormente à vistoria do imóvel, cujo laudo (fls. 71) é de 09.05.96, ao passo que a averbação existente nos autos data de 26.11.96 (fls. 73-verso), posterior inclusive ao Decreto em causa, que é de 06.09.96.(GRIFED Mandado de segurança indeferido. O Ministro Sepúlveda Pertence, proferiu voto vista no julgado acima referido, em que afirma peremptoriamente que sem a averbação determinada pelo §2° do art. 16 da lei if 4,771/1965 não existe reserva legal. Do voto transcrevo o seguinte excerto: A questão, portanto, é sabei; a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ser excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade ( .) A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. 11 12 Sem que esteja determinada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel o que dos novos proprietários só esta ia obrigado a preservar vinte por cento da sua parte, Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo §2" do art. 16 da lei n°4.771/1965 não existe reserva legal. (GRIFEI) Com efeito, a averbação no registro de imóveis não se refere a matéria de prova acerca da configuração da área de reserva legal ou, ainda, a obrigação acessória a ser cumprida pelo contribuinte. Pelo contrário, O Termo de Responsabilidade firmado com o órgão ambiental é ato constitutivo da própria área de reserva legal, que deverá ser levado a registro no cartório imobiliário. A apresentação de laudo técnico é ineficaz para o fim de substituir os requisitos estabelecidos em lei como necessários à obtenção do beneficio fiscal. O Decreto n° 4,382, de 19/09/2002, que regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do ITR (Regulamento do ITR), e que consolidou toda a base legal deste tributo que se encontrava em vigência à data de sua edição, assim dispôs sobre a matéria, em seu art. 10: Art. 10, Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas.' I - de preservação permanente (Lei n° 4 771, de 15 de setembro de 1965 - Código Florestal, arts. 2" e 3', com a redação dada pela Lei n" 7,803, de 18 de . julho de 1989, art. 19; II - de reserva legal (Lei n° 4771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória n° 2,166-67, de 24 de agosto de 2001, art. 19; III - de reserva particular do patrimônio natural (Lei n° 9,985, de 18 de julho de 2000, art, 21; Decreto e 1,922, de 5 de junho de 1996); IV - de servidão florestal (Lei n° 4.771, de 1965, art, 44-A, acrescentado pela Medida Provisória n°2.166-67, de 2001); 3 - de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, .federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas nos incisos I e lido caput deste artigo (Lei n" 9.393, de 1996, art, 10, § 1", inciso II, alínea " b" ); VI - comprovadamente imprestáveis para a atividade rural, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão Processo e 10293. 720107/2007-68 Acórdão o.° 2101-0110.601 S2-Clil F1 247 competente, federal ou estadual (Lei n" 9,393, de 1996, art 10, § 1', inciso II, alínea " c" ). (. ) § 2' A área total do imóvel deve se referir à situação existente na data da efetiva entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — D1TR„ § 3" Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o capta deverão:. 1 - ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA, nos prazos e condições .fixados em ato normativo (Lei n" 6..938, de 31 de agosto de 1981, art. 17-0, § 5", com a redação dada pelo art. 1" da Lei n" 10.16.5, de 27 de dezembro de 2000); e II - estar enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos 1 a VI em I" de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador do 1TR. Após intenso debate a esse respeito, a 2 n Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF, firmou o entendimento de que a averbação da reserva legal no registro imobiliário antes da ocorrência do fato gerador é condição para o reconhecimento da isenção do ITR sobre essas áreas (Acórdão n° 9202-00.077, sessão de 17/08/2009). Peço vênia ao ilustre relator Júlio César Vieira Gomes, para a transcrição de excertos do seu voto: "Devolve-se a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais o exame quanto à essencialidade ou não do cumprimento de determinadas exigências ou formalidades para fins de inclusão na base de cálculo do imposto territorial rural - ITR das áreas rurais de proteção ambiental, conforme artigo 11 da Lei n° 8.847/94, verbis: Art. 11. São isentas do imposto as áreas: I — de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 196.5, com a nova redação dada pela Lei n° 7.803, de 1989 (-) Embora ambas as áreas sejam protegidas, há distinção na legislação no que se refere ao tratamento fiscal a elas dispensado, especialmente quanto às exigências a serem cumpridas. Para a área conceituada como reserva legal pelo artigo 16, §2° do Código Florestal, com a redação trazida pela Lei n" 7.80.3/89, a exigência é a averbação no órgão competente de registro da destinação para preservação ambiental de área não inferior a 20% do total do imóvel, conforme região. É o que se conclui da combinação com a parte final do artigo 11 inciso 1 da Lei n° 8.847/94, acima transcrito. Tem-se que a, ao alterar o art. 16 da Lei n° 4.771/65, acrescentou-lhe dois parágrafos, sendo que, na hipótese dos autos, interessa-nos o § 20, com a seguinte redação, in verbis: (13 33 "AI t /0 5 § A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área.'' Além da definição, merecem ressaltos os efeitos da averbação de determinada área imobiliária como reserva legal, Não se trata de formalidade, mas sim de ato constitutivo. Ela modifica o direito real sobre o imóvel e para tanto deve ser adotada a mesma forma, que é o registro no órgão competente, nos termos do artigo 1,227 do Código Civil, verbis: Ari. 1227. Os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1,245 a L247), salvo os casos expressos neste Código. (-) Ressalta-se que permanece firme a jurisprudência do STF (MS 28.156/DF, de 02/03/2007) Por fim, adverte-se para a vedação prevista no artigo 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portar ia ME ri' 256, de 22/06/2009: Art. 62, Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARP.' afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Quanto às exigências relacionadas à reserva legal, portanto, conclui-se que a averbação junto ao registro de imóveis competente é essencial para a sua constituição como tal, o que implica a inclusão na base de cálculo do UR da área ainda não averbada quando da ocorrência do fato gerador do tributo." No que tange à área de preservação permanente, superada a jurisprudência administrativa colacionada no recurso. A 2 Turma da CSRF deste CARF tem decidido que após a vigência da Lei n° 10,165, de 27/12/2000, tomou-se imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal (Acórdão n° 9202-00A94, sessão de 18/08/2009), sendo ineficaz a apresentação de laudo técnico para o fim de substituir os requisitos estabelecidos em lei como necessários à obtenção do beneficio fiscal. Para o exercício de 2003, o prazo se expirou em 31/03/2004, ou seja, seis meses após o prazo final para a entrega da DITR, que foi 30/09/2003, conforme Instrução Normativa SRF n° 344, de 23/07/2003. No presente caso, o contribuinte não comprovou a entrega do Ato Declaratório Ambiental — ADA. Convém citar, aqui, decisão judicial favorável que confirma este entendimento. Em sentença denegatória de segurança, datada de 15 de dezembro de 2005, no âmbito do MS n° 2005.36)30.008725-0, impetrado pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso — FAMATO, o Dr. Jeferson Schneider, Juiz da 2" Vara Federal de Mato Grosso, asseverou pela legalidade da exigência do ADA, sob a égide do art, 17-0 da Lei 6,938/81, com a redação dada pelo art. 1° da Lei 10.165, de 27/12/2000, vigente à época do fato gerador do tributo (DITR/2002): 4N 14 Processo O° 10293.720107/2007-68 S2-C1 [1 Acórdão n." 2101-000.601 Fl 248 "( ..) Seguem os dois artigos para perfeita análise da questão controvertida: (transcreve art.. 17-0 da Lei n 0 6.938/81 e art, 10, ,s5- 70, da Lei n° 9393/96) Os dois dispositivos acima colacionados são perfeitamente compatíveis, ao contrário do que sustenta a impetrante.. A Receita Federal em nenhum momento está exigindo previamente a declaração, para .fins de isenção do ITR, a comprovação dessa declaração por meio do ADA — Ato Declaratório Ambiental, Como estatui a Lei n° 9,393/96, que trata do Imposto Territorial Rural — ITR, com a redação da Medida Provisória n° 2,166-67/01, a apuração e o pagamento do ITR são efetuados pelo contribuinte independentemente de prévio procedimento administrativo, (,) Assim, nenhum óbice há em que a administração exija do contribuinte o ADA, no prazo razoável de até em seis meses após o pagamento do tributo, pois é a partir desse Ato que poderá definir a exata dimensão da área tributada, assim como o acerto do valor pago. O que a impetrante pretende é que seja permitido aos substituídos reduzirem as áreas de tributação, mediante a exclusão das áreas de preservação permanente e reserva legal do total da área, sem que a administração tenha qualquer espécie de controle sobre essa redução. Ora, qual o problema que existe para o contribuinte em declarar ao IBAM,4 a dimensão da área de preservação permanente e a área de reserva legal mediante o ADA. Nenhum. (..) Daí a necessidade de apresentação do Ato Declaratório Ambiental para verificação posterior pelo Fisco, por tratar-se de lançamento por homologação (...)" (grifamos) Segundo dispõe o § 7 0 , do artigo 10, da Lei n° 9.39.3/96, na redação dada pela Medida Provisória n° 2,166-67, de 24/08/01 (DOU de 25/08/01), "a declaração para fim de isenção do 1TR relativa às áreas de que tratam as alíneas 'a' e `d', do inciso II, § 1°, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte da declarante". Ao dispensar a prévia comprovação das áreas de preservação permanente e de reserva legal, para fins de gozo da isenção, o dispositivo não inovou, o que é próprio do lançamento por homologação, conforme disposto no caput do artigo. Quando necessário, a comprovação das condições para fruição de beneficio fiscal será feita posteriormente, mediante intimação da fiscalização. Como todos os demais tributos sujeitos ao lançamento por homologação, as informações prestadas na DITR estarão sujeitas à verificação. O que podemos entender da leitura desse parágrafo é que está dispensada a apresentação dos documentos comprobatórios simultaneamente com a Declaração do ITR, porém, não está o contribuinte dispensado de comprovar, quando assim solicitado pelo Fisco, o que foi declarado. E, se as informações forem inexatas, ficará ele sujeito ao pagamento do imposto suplementar, com os devidos acréscimos legais, que não podem ser afastados por falta de previsão legal e devido ao caráter vinculado da atividade fiscal. Em face ao exposto, nego provimento aos recursos de oficio e voluntário. Sala das Sessões - In, em 28 de julho de 2010 JOSÉ RA1-1:TRDLFTOSTA SANTOS 15
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000230/2004-68
Data da sessão: Tue Jul 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO CSLL
Exercício: 1999
DECADÊNCIA, São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5" do
Decreto-lei n° 1,569, de 1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n" 8,212, de 1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 1801-000.273
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a decadência, dando provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Matéria: CSL - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : CSL - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201007
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO CSLL Exercício: 1999 DECADÊNCIA, São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5" do Decreto-lei n° 1,569, de 1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n" 8,212, de 1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Recurso Voluntário provido.
numero_processo_s : 16327.000230/2004-68
conteudo_id_s : 5772084
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1801-000.273
nome_arquivo_s : Decisao_16327000230200468.pdf
nome_relator_s : Carmen Ferreira Saraiva
nome_arquivo_pdf_s : 16327000230200468_5772084.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a decadência, dando provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
dt_sessao_tdt : Tue Jul 06 00:00:00 UTC 2010
id : 6937303
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:14:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076783616196608
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-12-21T10:02:49Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-12-21T10:02:47Z; Last-Modified: 2010-12-21T10:02:49Z; dcterms:modified: 2010-12-21T10:02:49Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:9f93bb11-a1ce-46e5-ad2c-b45df1d0ea3f; Last-Save-Date: 2010-12-21T10:02:49Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-12-21T10:02:49Z; meta:save-date: 2010-12-21T10:02:49Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-12-21T10:02:49Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-12-21T10:02:47Z; created: 2010-12-21T10:02:47Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2010-12-21T10:02:47Z; pdf:charsPerPage: 1183; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-12-21T10:02:47Z | Conteúdo => SI-TE01 Fl 188 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 16327.0002.30/2004-68 Recurso n" 166,539 Voluntário Acórdão n" 18014)0.273 – 1" Turma Especial Sessão de 06 de julho de 2010 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Recorrente BANCO TRICURY S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO CSLL Exercício: 1999 DECADÊNCIA, São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5" do Decreto-lei n° 1,569, de 1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n" 8,212, de 1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a decadência, dando provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. d— (---/`--,- ANA DE 1 ARROS FERNANDES - Presidente CARMEN FERREIRA SARAIVA - Relatara EDITADO EM: 1 2 N 2010 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Polastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, André Almeida Blanco, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes, Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fis, 03/09, com a exigência do crédito tributário no valor de R57 1,300,59, a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL e juros de mora, referente ao ano-calendário de 1998. O lançamento se fundamenta na insuficiência de recolhimento, tendo em vista que a Recorrente discute no Mandado de Segurança if 98,0050788-4, fls. 61/109, a diferença da alíquota de 8% (oito por cento) aplicável às demais pessoas jurídicas e aquela de 18% (dezoito por cento) imposta as instituições financeiras. Não houve aplicação da multa de oficio tendo em vista a Medida Cautelar 2000.03.00.005800-0, fls.. 111/122, que suspendeu a exigibilidade do credito tributário (art. 63 da Lei n° 9..430, de 27 de dezembro de 1996), Para tanto foi indicado o seguinte enquadramento legal: §§ do art. 2" da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, bem como art. 1" e art. 2" da Lei n" 9.316, de 22 de novembro de 1996 e art. 28 da Lei IV 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada em 03/03/2004, fl. 16, a Recorrente apresentou a impugnação, fis, 17/42, em 17/03/2004, argumentando em síntese que a exigência não deve prosperar. Suscita que a decadência deve ser reconhecida com base no § 4 0 do art. 150 do Código 'Tributário Nacional, por se tratar de tributo sujeito ao lançamento por homologação. Explica que ao presente caso não se pode aplicar as disposições do 45 da Lei ri° 8.212, de 24 de julho de 1991. Esclarece que discute a matéria objeto do lançamento no Mandado de Segurança if 98.0050788-4 e que o crédito tributário está com a exigibilidade suspensa por força da Medida Cautelar n° 2000.03.00.005800-0. Entende que não se encontra em mora. Cita princípios constitucionais que supostamente foram violados, Está registrado como resultado do Acórdão da 10" TURMA/DRI/São Paulo I/SP ri° 16-14.873, de 24/09/2007, fls. 126/132: "Lançamento Procedente" Consta que DECADÊNCIA. CSLL. PRAZO DECADENCIAL O direito da Fazenda Pública de efetuar o lançamento da contribuição social sobre o lucro é de 10 (dez) anos, nos termos do art. 45 da Lei n° 8 212/1991 JUROS DE MORA, CABIMENTO, Afalta de pagamento do tributo na data do vencimento implica a exigência de juros moratórias, calculados até a data do efetivo pagamento, seja qual for o motivo determinante da .falta, ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE Alegações de ilegalidade e inconstitucionalidade são de exclusiva competência do Poder Judiciário. 2 É o Relatório. G- Processo n0 16.327 000230/2004-68 S1-TE01 Acórdão o" 1801-00,273 Fl 139 Notificada em 29/10/2007, ff 1.35, a Recorrente apresentou o recurso voluntário, fis. 136/150, em 22/11/2007, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera todos os argumentos apresentados na impugnação. Conclui Face às razões acima expostas, a Recorrente postula seja conhecido e provido o presente Recurso Voluntário, a fim de que seja declarada a nulidade do presente auto de infração, desconstituindo o crédito tributário. 3 Voto Conselheira CARMEN FERREIRA SARAIVA O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele torno conhecimento. Inicialmente, vale ressaltar que a decadência é urna objeção, ou seja, é matéria de ordem pública que pode ser conhecida a qualquer tempo e em qualquer- instância de julgamento (art. 269 do Código de Processo Civil — CPC). Sobre a matéria, o Código Tributário Nacional assim determina: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Li .§ 4" Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, .fraude ou simulação. Em relação às contribuições para o custeio da seguridade social o Supremo Tribunal Federal assim se pronunciou mediante o enunciado da Súmula Vinculante n° 8, a saber: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5" do Decreto- lei n" 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n" 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário, Sobre a questão, vale ressaltar a jurisprudência administrativa, nos seguintes termos (fonte: www.earf:fazenda,gov:br em 04/03/2010): N" Recurso 260667 -Número do Processo 36624 00064 1/2006- 78 -Turma 5" Câmara Contribuinte ,IPMORGAN CHÁ SE .BA.NK Tipo do Recurso Recurso Voluntário - Negado Provimento Por Unanimidade-Data da Sessão 04/05/2009 Relator(a) Marco André Ramos Vieira N" Acórdão 2301-00283 -Tributo / Matéria Outros imposto e contrib federais adir: p/ SRF - ação fiscal Decisão 4 Processo n° 16327.000230/2004-68 SI-TE01 Acórdão n " 1801-00.273 Fl 190 Ementa Assunto: Contribuições Sociais Previdenciá rias Período de apuração: 01/10/1998 a 31/01/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PRAZO DECADENCIAL CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS, ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n " 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 4.5 da Lei n " 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela . fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso 1 do CTN. Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. f., Recurso Voluntário Negado Ainda em relação à matéria, cabe mencionar a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça — STJ proferida em recurso especial representativo da controvérsia (fonte: wwwstj,gov,br em 20/06/2010): Processo AgRg no REsp 1120220 / PRA GRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECI4L2009/0016310-0 Relator(a) Ministro HAMILTON CARVALHIDO (1112) órgão Julgador. Ti - PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 18/05/2010 Data da Publicação/Fonte DJe 02/06/2010 Ementa AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL DIREITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO, DECADÊNCIA. TERMO INICIAL I. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando inocorre o pagamento antecipado pelo contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de oficio substitutivo é determinado pelo artigo I 73, inciso I, do Código Tributário Nacional. 2. Orientação reafirmada pela Primeira Seção desta Corte, no .julgamento do REsp n" 973 733/SC, Relatar Ministro Luiz Fizx sob o rito dos recursos repetitivos (Código de Processo Civil, artigo 543-C). 3 Agravo regimental inzprovido. 5 Acórdôo Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Rekto, . Os Srs. Ministros Luiz Firx, Teori Albino Zavascki e Benedito Gonçalves (Presidente) votaram com o Sr Ministro Relatar É fato notório que o tributo constante no Auto de Infração está sujeito ao lançamento por homologação, cujo prazo decadencial é de cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador, desde que haja pagamento antecipado, em conformidade com a jurisprudência mencionada Restou comprovado que a Recorrente procedeu aos recolhimentos da CSLL mensais por estimativa no valor global de R$194557,46 no ano-calendário de 1998, conforme folha de continuação do Auto de Infração, fl. 56. A Recorrente teve ciência do Auto de Infração em 03/03/2004, fl. 16, e por essa razão o fato gerador ocorrido em 31/12/1998 foi alcançado pela decadência. Em face do exposto voto, em preliminar, acatar a decadência do lançamento e dar provimento ao recurso voluntário. CARMEN FERREIRA SARAIVA - Relatara 6
score : 1.0
Numero do processo: 10920.000773/2002-38
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2003
Numero da decisão: 201-00.325
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por maioria de votos, converter () julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator designado. Vencido lo Conselheiro Rogério Gustavo Dreyer (Relator). Designado o Conselheiro Jorge Fteire para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Mhur Pinto de Lemos Netto.
Nome do relator: Jorge Freire
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200303
numero_processo_s : 10920.000773/2002-38
conteudo_id_s : 5670304
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 05 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 201-00.325
nome_arquivo_s : Decisao_10920000773200238.pdf
nome_relator_s : Jorge Freire
nome_arquivo_pdf_s : 10920000773200238_5670304.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, converter () julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator designado. Vencido lo Conselheiro Rogério Gustavo Dreyer (Relator). Designado o Conselheiro Jorge Fteire para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Mhur Pinto de Lemos Netto.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2003
id : 6602052
ano_sessao_s : 2003
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:14:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076783622488064
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: 20100325_10920000773200238_200303; xmp:CreatorTool: Smart Touch 1.7; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dcterms:created: 2017-01-05T18:39:07Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: 20100325_10920000773200238_200303; pdf:docinfo:creator_tool: Smart Touch 1.7; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:encrypted: false; dc:title: 20100325_10920000773200238_200303; Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: ; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:subject: ; meta:creation-date: 2017-01-05T18:39:07Z; created: 2017-01-05T18:39:07Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2017-01-05T18:39:07Z; pdf:charsPerPage: 779; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; pdf:docinfo:custom:Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; meta:keyword: ; producer: Eastman Kodak Company; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:created: 2017-01-05T18:39:07Z | Conteúdo => .... 10920.000773/2002-38 120.545 . EMPRESA BRASILEIRA DE COMPRESSORES S.A - EMBRACO . DRJ em Porto Alegre - RS' RESOLUÇÃO N° 201-00.325 MinistérIo da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes J£ Relator-Designado •. 1 ).H-úL Q)h~vi~&v~T~/,J Josefa Maria Coelho Marques . , Presidente Sala das Sessões, em 18 demarçode2003.. . . Recor,rente Recorrida' RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do' Segundo Conselho de' Contribuintes, por maioria de votos, converter () julgamento do recurso em diligência, nos' termos do voto do 'Relator designado. Vencido lo Conselheiro Rogério Gustavo Dreyer (Relator). Designado o Conselheiro Jorge Fteire para redigir o voto vencedor. Fez. sustentaçãQ oral, pela recorrente, o Dr. Mhur Pinto de Lemos Netto. Processo nº Recurso nº Vistos, relatados e discutidos os' presentes autos de recurso' interposto por: , EMPRESÀ BRASILEIRA DE COMPRESSORES S.A., - EMBRACO.'. Iao/mdc \ . \ • I I , ,. I 1 I 'r Processo n!! Recurso n!! Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contr1buintes 10920.000773/2002-38 120.545 12' CC-MF IFI. Recorrente EMPRESA BRASILEIRA DE COMPRESSORES S.A - EMBRACO RELATÓRIO , .! L. j j I 1 1 lB.,i' ., i I l. l .i l .1: j j I ! '. . . Contra a contribuinte acima-foi lavrado o auto de infração defI.32, exigindo o IPI decorrente do creditamento a maior de valor referente à correção monetária de crédito-prêmio amparado em decisão judicial. Para melhJ1r compreensão da matéria, leio em Sessão o Termo de Verificação' Fiscal de fls'. 24 a 26. ' De fI. 37 a impugnação, propugnando, em preliminar, pela decadência do direito de lançar. 2 Ministério da Fazenda , Segundo Conselho de ~ontribuintes ! i ! I I Processo nº Recurso nº, , 10920.000773/2002-38 120.545 ~Ld I ~ I ! i ! " I I ! I 1["l~ f I, f 1.... l •.... " !; , A 33 Turma de Julgarnéntos da Dlp em Porto Alegre-RS assim erPentou a decisão recorrida: "A;sunto: Imposto sobre Produtos Industrializados -IPI. Período'de .apuração:' 28. 02.19?5 a 30 06.1995. Ementa: PRELIMINAR DE NULIDADE DO A UTO DE INFRA çà O ~ É válido o aproveitamento. de .provas constantes de processo declarado nulo porque formalizado na pendência de processo de consulta sobre a matéria, autuada, não contaminando o auto de infração lavrado posteriormente. . DECADENCIA- o PRAZO DE 5 ANOS, CONTADO DO FATO GERADOR. ,PARA A FORMALIZAÇÃO l)04LANÇAMENTO, REFERE-SE APENAS AS HIPÓTESES DE LANÇAMENTo'POR HOMOLOGAÇÃO, OU SEJA, QUANDO O 'CONTRIBUINTE ANTÉCIPA O RECOLHIMENTO DO TRIBUTO. Não e;stando caracterizado o lançamento por homologação, o pr.azo decadencial é contado do priméiro dia do' exercício. ~eguinte àquele em que o. lançamento- poderia ter sido ejetuado. ." "DEVOLUÇÃO DE BENEFÍCIO FISCAL - O valor relativo a beneficio fiscal à j exportação' utilizado indeyidamente deve ser devolvido à Fazenda acrescido de juros de mora' e de multa de 50%, quando o aproveitamento indevido tiver ocorrido antes da vigência da Lei n° 9.430, de 1996. Lançamento procedente em parte. ,; , . Às fls. 134 e seguintes; o presente recurso voluntário, garantido por arrolamento de bens. Quanto à preliminar de decadência, cita o artigo 56, 'IU, do RIPI/82, que considera pagamento a compensação dos débitós, no' período de apuração do imposto, com os créditos admitidos, sem resultar saldo a recebeL ' Áduz ainda a nulidade' da deCisão atacada, tendo em vista que a mesma altero~ os' fundamentos. da autuação. No mérito, persistiu defendendo a posição que alega desde a impugnação. É o relatório. 3 "Ii Processo nº . Recurso nº Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10920.000773/2002-38 120.545 VOTO DO CONSELHEIRO JORGE FREIRE RELATOR-DESIGNADO 1"ee.MF ;FI. 'I ( I ,, I ! I ! "" •..~ , lL 'I Conforme Termo de, Verificação Fiscal (fIs: 24,(27), o creditamento feito pela contribuinte no terceiro decêndio de fevereiro de 1995 deu-se com base em sentença proferida em autos demandado' de segurança pelo juízo de, Joinville/SC, e que tal mandamus teria sido . confirmado por Acórdão proferido pelo TRF da 4a Região,conforme'aduz o Citado Termo e ittTm .24 da decisão recorrida. ' ., ' ' Por outro lado, o mesmo Termo de Verificação Fiscal (fl. 26) e o despacho de fl. 477, asseveram que o Processo n° 10920.001983/95-35 estaria anexado ao presente. Contudo, tal não ocorre, certamente porque deve ter havido apartamento' dos autos em função da interposição de recurso de ofício e voluntário, que subiram a este Tribunál em momentos distintos. E, conforme nos dá conta o voto do relator originário, DL Rogerio Gustavo Dreyer, tudó indica que o primeiro lançamento teria sido anulado em função da matéria versar sobre objeto de consulta não definitivamente solucionada, processo este taTI)bérri não anexado/apensado ao presente: Assim; não temos nest~s autos as provas mencionadas tanto no lançamento quanto na L decisão, , o que, por certo, impede a devida apreciação da matéria em toda sua inteirezà. ' Também as cópias do Livro Registro de Apuração (fls. 08 a 20) estão com seu' cabeçalho rasurados, o que impede definir a que períodos se referem. Com base nessas considerações, que não permitem a devida análise da matéria em sua totalidade, decido por converter o pres~nté julgamento em diligência para que a unidade local providencie, 'ou de ofício ou intimando a contribuinte quaqdo da cientificação desta Resolução, para, que sejam anexados'aos presentes autos: ' . cópia da sentença no mandado de segurança nos autos do Processo n° , 94.0446476-7 e do Acórdão exarado em apelação àquela decisão monocrática; \ . ' '. certidão de trânsito em julgado em relação ao referido mandado de segurança; cópia do Process,o Administrativo n° 10920.001983/95-35; cópia do processo de consulta que deu margem à anulação do lançamento no pr9cesso mencionado no item precedente, ao qual refere-se o Acórdão n° "108-05.542, conforme averbado pelo insigne relator; e ' cópia legível do Livro Registro de Apuração de IPI, mês a mês, de julho de 1994 a julho de 1995. É a~sirri que voto. Sal.r ení' 18de ~arçode 2003. JORGE FREIRE ' ~, 4 00000001 00000002 00000003 00000004
score : 1.0
Numero do processo: 10935.003062/2005-07
Data da sessão: Fri Mar 12 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. ATO CONSTITUTIVO.
A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá suprimi-la da base de cálculo para apuração do ITR.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. IMPRESCINDIBILIDADE.
Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000 é imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal.
VALOR DA TERRA NUA. Prevalece o valor da terra nua indicado pela Administração Tributária, quando o contribuinte não apresenta laudo de avaliação que refute o VTN arbitrado, a preço de mercado em 01/01/2001.
ÁREA DE PASTAGEM.
Documento expedido pela Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Estado do Paraná, com base em comprovação de vacina contra febre aftosa de bovinos, é hábil para comprovar o quantitativo de animais da atividade pecuária, sobre o qual se deve calcular o índice de lotação.
Preliminar rejeitada.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2101-000.478
Decisão: Acordam os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para restabelecer o quantitativo de animais de grande porte de 1.330 cabeças, nos termos do voto do Relator.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201003
ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2001 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. ATO CONSTITUTIVO. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá suprimi-la da base de cálculo para apuração do ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. IMPRESCINDIBILIDADE. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000 é imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal. VALOR DA TERRA NUA. Prevalece o valor da terra nua indicado pela Administração Tributária, quando o contribuinte não apresenta laudo de avaliação que refute o VTN arbitrado, a preço de mercado em 01/01/2001. ÁREA DE PASTAGEM. Documento expedido pela Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Estado do Paraná, com base em comprovação de vacina contra febre aftosa de bovinos, é hábil para comprovar o quantitativo de animais da atividade pecuária, sobre o qual se deve calcular o índice de lotação. Preliminar rejeitada. Recurso parcialmente provido.
numero_processo_s : 10935.003062/2005-07
conteudo_id_s : 5991577
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2101-000.478
nome_arquivo_s : Decisao_10935003062200507.pdf
nome_relator_s : JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 10935003062200507_5991577.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para restabelecer o quantitativo de animais de grande porte de 1.330 cabeças, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Fri Mar 12 00:00:00 UTC 2010
id : 7703743
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:16:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076783625633792
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-07-13T14:02:04Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-07-13T14:02:03Z; Last-Modified: 2010-07-13T14:02:04Z; dcterms:modified: 2010-07-13T14:02:04Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:d47b1b59-5307-4ec2-a46b-3bb098779c50; Last-Save-Date: 2010-07-13T14:02:04Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-07-13T14:02:04Z; meta:save-date: 2010-07-13T14:02:04Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-07-13T14:02:04Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-07-13T14:02:03Z; created: 2010-07-13T14:02:03Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2010-07-13T14:02:03Z; pdf:charsPerPage: 1581; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-07-13T14:02:03Z | Conteúdo => S2-C1T1 Fl. 86 :;1\ , MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10935.003062/2005-07 Recurso n° 341.105 Voluntário Acórdão n° 2101-00.478 — 1' Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 12 de março de 2010 Matéria ITR Recorrente ELIZABETH DE OLIVEIRA Recorrida P TURMA/DRJ-CAMPO GRANDE/MS Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2001 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. ATO CONSTITUTIVO. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá suprimi-la da base de cálculo para apuração do ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATORIO AMBIENTAL. IMPRESCINDIBILIDADE. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000 é imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal. VALOR DA TERRA NUA. Prevalece o valor da terra nua indicado pela Administração Tributária, quando o contribuinte não apresenta laudo de avaliação que refute o VTN arbitrado, a preço de mercado em 01/01/2001. ÁREA DE PASTAGEM. Documento expedido pela Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Estado do Paraná, com base em comprovação de vacina contra febre aftosa de bovinos, é hábil para comprovar o quantitativo de animais da atividade pecuária, sobre o qual se deve calcular o índice de lotação. Preliminar rejeitada. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para restabelecer o quantitativo de animais de grande porte de 1.330 cabeças, nos termos do voto do Relator. fl / CAIO ARCOS,CÂNDIDO - Presidente • -- JOSÉ RA 'O OSTA SANTOS - Relator 1 8 JUN 2010 Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Ana Neyle Olímpio Holanda, Alexandre Naoki Nishioka, Gonçalo Bonet Allage e Robinson Passos de Castro e Silva. Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão n° 04-12.942, proferido pela i a Turma da DRJ Campo Grande (fls. 48/62), que, por unanimidade de votos, rejeito a preliminar de nulidade, e, no mérito, julgou procedente o Auto de Infração às fls. 10/19. A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes temos: Trata o presente processo do Auto de Infração/Anexos, fls. 01, 10/19, através do qual se exige, da interessada, o Imposto Territorial Rural — ITR, relativo ao exercício de 2001, acrescido de juros moratórios e multa de oficio, totalizando o crédito tributário de R$ 352.226,26, incidente sobre o imóvel rural denominado "Fazenda São Paulo", com NERF — -Número do Imóvel na Receita Federal — 5.962.580-5, área de 1.627,0 ha, localizado no município de Diamante do Sul/PR. 2. As alterações no cálculo do imposto estão demonstradas à fl. 15. Foram glosadas as áreas de preservação permanente, de utilização limitada/reserva legal, com o conseqüente aumento da área tributável para 1.622,0 ha. Também foi glosada totalmente a área de pastagens, face à aplicação do índice de lotação legal mínimo para pecuária e ainda foi substituído o VTN declarado pelo valor constante da tabela do SlPT. 3. Conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 17/19, as glosas foram efetuadas em virtude de, após regularmente intimado, conforme AR de fl. 07, a contribuinte não comprovou a existência e extensão das áreas de preservação permanente e de utilização limitada bem como o valor da terra nua declarado. 4. A interessada apresentou impugnação, tempestivamente, às fls. 23/25, na qual, após qualificar-se assim apresenta seus argumentos: 4.1 O imóvel em questão pertence à Paulo Pinto de Oliveira Filho e à Elizabeth de Oliveira com a percentagem de 50% para cada sócio; 2 Processo n° 10935.00306212005-07 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.478 Fl. 87 4.2 O art. 50 do Decreto n° 4.382/2002, estabelece contribuinte do TTR é o proprietário de imóvel rural, o titular do seu domínio útil ou o possuidor a qualquer título; e o artigo 6° do mesmo Diploma Legal diz que responsável pelo crédito tributário é o sucessor a qualquer título; 4.3 O Termo de Intimação Fiscal foi encaminhado apenas a dos sócios, ou seja, a Elizabeth de Oliveira, inclusive no dia do falecimento de seu pai, motivo pela qual não atendeu ao solicitado; 4.4 O Auto de Infração deve ser cancelado porque não observou o disposto no artigo 53 do Decreto n° 4.832/02, que reza que os sócios devem ser intimados do inicio do início do procedimento fiscal e novo prazo para apresentar documentos e prestar esclarecimentos; 4.5 O auditor fiscal, no exercício de suas funções, executando o procedimento fiscal de revisão da declaração de 2001, desconsiderou as infoimações ali prestadas e apontou algumas irregularidades, tais como, foi informado na DITR, que no imóvel a área de pastagens é 1.256,0 hectares, com lotação de 1.400 animais de grande porte e 200 de médio porte, o que comprova com notas fiscais de aquisição de vacinas; 4.6 Com relação à área de preservação permanente foi infoiniado que essa era de 326,0 ha e 40,0 ha de utilização limitada, que poderão ser comprovadas, oportunamente, mediante mapas e plantas georeferenciadas de uso e ocupação do solo que estão sendo elaborados pela empresa Oliveira Zaleski S/C Ltda; 4.7 O fiscal autuante mencionou a necessidade das áreas isentas serem informadas no ADA, protocolizado junto ao lbama, porém esse documento foi criado por Instrução Normativa, não tendo força de lei, para obrigar os contribuintes a apresentá-lo; 4.8 Foi declarado o valor da terra nua que julgou ser o correto, por serem terrenos com muitas dobras, pedregosos e impróprios para a mecanização, por isso declarou o valor de R$ 180.000,00, correspondente a R$ 166,05 ha; 4.9 Requer: a) Improcedência, insubsistência e cancelamento do Auto de Infração, por não terem sido intimados os sócios conforme determinado no art. 53 do Decreto n° 4.382; b) Acolhimento da impugnação; c) O prazo de 60 dias para prestar os esclarecimentos e informações que se fizerem necessários; d) Sejam aceitas as justificativas requeridas, com alteração do grau de utilização, bem como alteração da aliquota do ITR e cancelamento da multa; e) Por último, requer, ainda, vistoria e perícia para provar o alegado. 5. Instruíram a impugnação os documentos de fls. 26/47. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador a quo manteve integralmente o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: lt 3 Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2001 PROVA PERICIAL. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, somente, quando entendê-la necessária, indeferindo as que considerarem prescindíveis ou impraticável. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE / ÁREA DE RESERVA LEGAL. Não reconhecidas como de interesse ambiental nem comprovada a protocolizaçã o tempestiva do requerimento do Ato Declaratório junto ao IBAMA. ou órgão conveniado, incide o imposto sobre as áreas declaradas como sendo de preservação permanente e de utilização limitada. PASTAGENS. ÍNDICE DE RENDIMENTO. A aplicação do índice de rendimento da pecuária decorre de disposição legal contida no art. 10, ,f 1 0, inc. "V", "b", da Lei n° 9.393/96, não havendo previsão legal para que o índice possa ser afastado pela autoridade julgadora. ÁREA UTILIZADA. Somente é possível a alteração da área utilizada considerada no lançamento, quando o contribuinte comprova, mediante documentação hábil, que a utilização do imóvel deu-se em nível superior ao considerado no lançamento. VALOR DA TERRA NUA. Deve ser mantido o VTN arbitrado pela fiscalização, por falta de documentação hábil para comprovar o valor declarado do imóvel e suas características particulares desfavoráveis, que o justificassem. Lançamento Procedente A peça recursal de fls. 66/74 repisa as mesmas questões declinadas perante o Órgão julgador de primeiro grau, e junta o documento à fl. 83, expedido pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado do Paraná. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Inicialmente, rejeito a preliminar de nulidade do lançamento, tendo em vista que o imóvel rural que for titulado a várias pessoas flsicas ou jurídicas, enquanto for mantido indiviso, deve ser declarado por somente um dos titulares, na condição de condômino 4 Processo n° 10935.003062/2005-07 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.478 Fl. 88 declarante. Os demais titulares devem ser informados no Quadro Demais Condôminos. É o que orienta a Pergunta n° 206 para preenchimento da declaração do ITR, com base na Lei n° 5.172, de 1966, art. 124, 1; RITR/2002, art. 39; IN SRF n° 256, de 2002, art. 39. Por outro lado, a impugnação e o recurso voluntário foram conjuntamente assinados por Paulo Pinto de Oliveira Filho e Elizabeth de Oliveira, consignados na DIAC à fl. 29 como co-proprietários do imóvel rural denominado Fazenda São Paulo. Tal situação evidencia que todos os interessados tomaram conhecimento da ação fiscal e poderiam apresentar os elementos de prova que dariam suporte aos números informados na DITR do exercício de 2001, inclusive nesta instância de julgamento. No mérito, foram glosadas as áreas de preservação permanente e utilização limitada/reserva legal, de pastagens (que estão sujeitas à aplicação de índice de lotação para pecuária e a contribuinte não atendeu à intimação para comprovar o número de animais) e foi modificado o VTN declarado pelo valor constante da tabela do SIPT. Com exceção da área de pastagem, que deve ser retificada, tomando-se por base a totalidade de 1.330 bovinos, conforme Oficio à fl. 83, expedido pela Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Estado do Paraná — Núcleo Regional de Laranjeiras do SUL, as demais alterações efetuados pela fiscalização na DITR/2001 devem ser mantidas. Com efeito, entendo que somente o montante da área de reserva legal, comprovada com a certidão do cartório imobiliário, antes da ocorrência do fato gerador, deve ser excluída da tributação, pois o lançamento tributário reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada, nos termos em que disciplina o art. 144 do CTN. O art. 10, § 1°, inciso II, que trata da área tributável do imóvel para fins de ITR, exclui da incidência do imposto a áreas de preservação permanente e de reserva legal previstas no Código Florestal Brasileiro, in verbis: Art. 10 § 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; Por seu turno, a Lei n° Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989 (Código Florestal Brasileiro), portanto, à época dos fatos geradores, previa a obrigatoriedade de averbação da área de reserva legal no registro de imóveis competente, nos seguintes termos: Art. 16. As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação permanente, previstas nos artigos 2° e 3° desta lei, são suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições: .t?'\r; 5 § 2°A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989). Art. 44. Na região Norte e na parte Norte da região Centro- Oeste enquanto não for estabelecido o decreto de que trata o artigo 15, a exploração a corte raso só é permissível desde que permaneça com cobertura arbórea, pelo menos 50% da área de cada propriedade. Parágrafo único. A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 50% (cinqüenta por cento), de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei n° 7.803, de 18.7.1989)• No meu entender a averbação da área de reserva legal à margem da inscrição de matricula do imóvel no registro de imóveis competente é condição para que a referida área seja, efetivamente, considerada como área de reserva legal. Precedente do Supremo Tribunal Federal (Mandado de Segurança n° 22.688/PB) é explícito no sentido de que determinada área somente pode ser considerada como • área de reserva legal após a averbação desta situação no registro de imóveis: - EMENTA: Mandado de segurança. Desapropriação de imóvel rural para fins_de reforma agrária. Preliminar de perda de objeto da segurança que se rejeita. - No mérito, não fizerem os impetrantes prova da averbação da área de reserva legal anteriormente à vistoria do imóvel, cujo laudo (fls. 71) é de 09.05.96, ao passo que a averbação existente nos autos data de 26.11.96 (fls. 73-verso), posterior inclusive ao Decreto em causa, que é de 06.09.96.(GRIFEI) Mandado de segurança indeferido. O Ministro SepUlveda Pertence, proferiu voto vista no julgado acima referido, em que afirma peremptoriamente que sem a averbação determinada pelo §2° do art. 16 da lei n° 4.771/1965 não existe reserva legal. Do voto transcrevo o seguinte excerto: A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ser excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade (.) — - - A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. f6 Processo n° 10935.003062/2005-07 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.478 Fl. 89 Sem que esteja determinada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo .as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. •Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel o que dos novos proprietários só estaria obrigado a preservar vinte por cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinaçã o nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo §2° do art. 16 da lei n°4.771/1965 não existe reserva legal. (GRIFEI) A decisão recorrida manteve como tributável as áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, pelo fato da contribuinte não ter comprovado a averbação no cartório imobiliário da área de reserva legal declarada, bem assim por não ter apresentado ao IBAMA o Ato Declaratório Ambiental — ADA, no prazo de seis meses da entrega da DITR/2001, informando referidas áreas. Não há dúvida de que a partir da redação dada pelo artigo 1' da Lei n° 10.165, de 2000, ao artigo 17-0 da Lei 6.938/81, a apresentação do ADA deixou de ser opcional. Contudo, penso que para fins de constituição da reserva legal o ADA não tem qualquer relevância, pois o registro público da reserva legal faz prova a favor do requerente. • Com efeito, a averbação no registro de imóveis não se refere a matéria de prova acerca da configuração da área de reserva legal ou, ainda, a obrigação acessória a ser cumprida pelo contribuinte. Pelo contrário, trata-se de ato constitutivo da própria área de reserva legal, e para efeito de exclusão da área tributada pelo fTR deverá estar devidamente averbada no cartório de registro de imóveis até a data da ocorrência do fato gerador do imposto. Neste sentido, penso que tal conclusão não malfere o art. 17-0 da Lei 6.938/81, com a redação dada pelo art. 1° da Lei 10.165, de 27 de dezembro de 2000, a seguir transcrito, pois o beneficio fiscal relacionado à área de reserva legal não é concedido com base em Ato Declaratório Ambiental — ADA, diferentemente do que ocorre com a área de preservação permanente, para a qual não há exigência de ato especifico para a concessão deste beneficio fiscal, sendo, portanto, indispensável o requerimento do ADA ao IBAMA, no prazo de seis meses a partir da entrega da DITR: Art. 17-0. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratário Ambiental - ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo Vil da Lei n' 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a titulo de Taxa de Vistoria (Redação dada pela Lei n° 10.165, de 2000) GRIFEI. 7 Segundo dispõe o § 7°, do artigo 10, da Lei n° 9.393/96, na redação dada pela Medida Provisória n° 2.166-67, de 24/08/01 (DOU de 25/08/01), "a declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas 'a' e 'd', do inciso II, § 1°, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte da declarante". Ao dispensar a prévia comprovação das áreas de preservação permanente e de reserva legal, para fins de gozo da isenção, o dispositivo não inovou, o que é próprio do lançamento por homologação, conforme disposto no caput do artigo. Quando necessário, a comprovação das condições para fruição de beneficio fiscal será feita posteriormente, mediante intimação da fiscalização. Como todos os demais tributos sujeitos ao lançamento por homologação, as informações prestadas na DITR estarão sujeitas à verificação. O que podemos entender da leitura desse parágrafo é que está dispensada a apresentação dos documentos comprobatórios simultaneamente com a Declaração do ITR, porém, não está o contribuinte dispensado de comprovar, quando assim solicitado pelo Fisco, o que foi declarado. E, para as informações não comprovadas, como ocorreu no presente caso, o contribuinte ficará sujeito ao pagamento do imposto suplementar, com os devidos acréscimos legais. De fato, a contribuinte não comprovou o requerimento tempestivo do ADA nem a averbação da área de reserva legal. O Decreto n° 4.382, de 19/09/2002, que regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do ITR (Regulamento do ITR), e que consolidou toda a base legal deste tributo que se encontrava em vigência à data de sua edição, assim dispôs • sobre a matéria, em seu art. 10: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas: 1- de preservação permanente (Lei n°4.771, de 15 de setembro de 1965 - Código Florestal, arts. 2° e 3°, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989, art. 1°); II - de reserva legal (Lei n° 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória n° 2.166-67, de 24 de agosto de 2001, art. 19; III - de reserva particular do patrimônio natural (Lei n° 9.985, de 18 de julho de 2000, art. 21; Decreto n° 1.922, de 5 de junho de 1996); IV - de servidão florestal (Lei n° 4.771, de 1965, art. 44-A, acrescentado pela Medida Provisória n°2.166-67, de 2001); V - de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas nos incisos I e lido caput deste artigo (Lei n°9.393, de 1996 art. 10, § 1°, inciso II, alínea " b" ); VI - compro vadamente imprestáveis para a atividade rural, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual (Lei n°9.393, de 1996 art. 10, § 1°, inciso II, alínea " c" ). (.) § 2°A área total do imóvel deve se referir à situação existente na data da efetiva entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — DITR.. \ 8 Processo n° 10935.003062/2005-07 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.478 Fl. 90 § 3 0 Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: 1 - ser obrigatoriamente informadas em Ato Declarató rio Ambiental - ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAildA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei n° 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17-0, § 5 0, com a redação dada pelo art. 1 0 da Lei n° 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e II - estar enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos I a VI em 1 0 de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador do ITR. Após intenso debate a esse respeito, a 2' Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF, firmou o entendimento de que a averbação da reserva legal no registro imobiliário antes da ocorrência do fato gerador é condição para o reconhecimento da isenção do ITR sobre essas áreas (Acórdão no 9202-00.077, sessão de 17/08/2009). Peço vênia ao ilustre relator Júlio César Vieira Gomes, para a transcrição de excertos do seu voto: "Devolve-se a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais o exame quanto à essencialidade ou não do cumprimento de determinadas exigências ou formalidades para fins de inclusão na base de cálculo do imposto territorial rural - 1TR das áreas rurais de proteção ambiental, conforme artigo 11 da Lei n° 8.847/94, verbis: Art. 11. São isentas do imposto as áreas: I — de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 1965, com a nova redação dada pela Lei n° 7.803, de 1989. Embora ambas as áreas sejam protegidas, há distinção na legislação no que se refere ao tratamento fiscal a elas dispensado, especialmente quanto às exigências a serem cumpridas. Para a área conceituada como reserva legal pelo artigo 16, §2° do Código Florestal, com a redação trazida pela Lei n° 7.803/89, a exigência é a averbação no órgão competente de registro da destinação para preservação ambiental de área não inferior a 20% do total do imóvel, conforme região. E o que se conclui da combinação com a parte final do artigo 11 inciso I da Lei n° 8.847/94, acima transcrito. Tem-se que a, ao alterar o art. 16 da Lei ri° 4.771/65, acrescentou-lhe dois parágrafos, sendo que, na hipótese dos f<autos, interessa-nos o § 2 0, com a seguinte redação, in verbis: "Art. 16. § 1°. § 2°. A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo + 9 vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área." Além da definição, merecem ressaltos os efeitos da averbação de determinada área imobiliária como reserva legal. Não se trata de formalidade, mas sim de ato constitutivo. Ela modifica o direito real sobre o imóvel e para tanto deve ser adotada a mesma forma, que é o registro no órgão competente, nos termos do artigo 1.227 do Código Civil, verbis: Art. 1.227. Os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. L245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código. (---) • Ressalta-se que permanece firme a jurisprudência do STF (MS 28.156/DF, de 02/03/2007). Por fim, adverte-se para a vedação prevista no artigo 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria ME n° 256, de 22/06/2009: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Quanto às exigências relacionadas à reserva legal, portanto, conclui-se que a averbação junto ao registro de imóveis competente é essencial para a sua constituição como tal, o que implica a inclusão na base de cálculo do 1 IR da área ainda não averbada quando da ocorrência do fato gerador do tributo." No que tange à área de preservação permanente, também a 2 Turma da CSRF deste CARF tem decidido que após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000, tornou- se imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal (Acórdão n° 9202-00.194, sessão de 18/08/2009). Quanto ao VTN, a contribuinte não trouxe aos autos qualquer elemento de prova que refutasse a metodologia indicada no Termo de Verificação Fiscal, à fl. 18/19. Com efeito, o Sistema de Preço de Terras — SIPT foi instituído com base no § 1° do art. 14 da Lei 9.393/1996. Referida norma dispõe que a fiscalização procederá à determinação e ao lançamento de oficio do imposto, considerando informações sobre preços de terra, constantes de sistema a ser por ela instituído, observados os critérios estabelecidos no artigo 12, § 1°, inciso II da Lei n° 8.629, de 25/02/1993, e levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Por outro lado, não foi apresentado pela interessada laudo de avaliação, por aptidão agrícola proporcional às áreas declaradas, com Grau II de fundamentação e precisão, nos termos da NBR 14653 da ABNT, a demonstrar que o VTN dos imóveis rurais localizados no município de Diamante do Sul — PR é inferior ao arbitrado, mediante apuração de dados de mercado (ofertas/negociações/opiniões), referentes a pelo menos 05 (cinco) imóveis rurais, com o seu posterior tratamento estatístico (regressão linear ou fatores de homogeneização), de forma a apurar o valor de mercado da terra nua do imóvel, a preços de 01/01/2001. Em face ao exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, dou provimento parcial ao recurso, para restabelecer o quantitativo de animais de grande porte de 1.330 cabeças. 10 Processo n° 10935.003062/2005-07 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.478 Fl. 91 Sala das Sessõ :4 _ DF, e 1/12 de março de 2010 dildji ` 1111N4Ots; ,ffl JOSÉ RA I I Nd,fir IN *STA SANTOS . V <4 e 11
score : 1.0
