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Numero do processo: 16408.000121/2007-93
Data da sessão: Mon Apr 12 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2005
IRPF - OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES - GANHO DE
CAPITAL.
As operações que importem alienação a qualquer título, de bens e direitos,
estão sujeitos a apuração do ganho de capital.
A incorporação de ações constitui uma forma de alienação em sentido amplo.
O sujeito passivo transferiu ações, por incorporação de ações, para outra empresa, a título de subscrição e integralização das ações que compõem seu capital, pelo valor de mercado.
A diferença a maior (entre o valor de mercado e o valor constante na declaração de bens) deve ser tributada como ganho de capital.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-000.663
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage, Manoel Coelho Arruda Junior, Moises Goiacomelli Nunes da Silva , Francisco Assis de Oliveira Junior e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira que negavam provimento
Matéria: IRPF- ação fiscal (AF) - ganho de capital ou renda variavel
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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As operações que importem alienação a qualquer título, de bens e direitos, estão sujeitos a apuração do ganho de capital. A incorporação de ações constitui uma forma de alienação em sentido amplo. O sujeito passivo transferiu ações, por incorporação de ações, para outra empresa, a título de subscrição e integralização das ações que compõem seu capital, pelo valor de mercado. A diferença a maior (entre o valor de mercado e o valor constante na declaração de bens) deve ser tributada como ganho de capital. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage, Manoel Coelho Arruda Junior, Moises Goiacomelli Nunes da Silva , Francisco Assis de Oliveira Junior e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira que negavam provimento. C • s ALBE • 1 REIT1j(AS ARRETO- Presidente ELIA" 4 PAIO 1' EIRE — Relator EDITADO EM: 1 1 JUN. 2010 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Trata-se de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional sob o fundamento de que houve, em decisão não unânime, violação à lei tributária, especificamente, aos artigos 117 e 132 do RIR/99, e, como decorrência ao art. 3°, § 3° da Lei n° 7.713/88, bem como o art. 23 da Lei n.° 9.249/95, em decorrência de o acórdão recorrido ter considerado que em operação de incorporação de ações não houve omissão de ganho de capital, assim ementado: IRPF - OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES - INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL Afigura da incorporação de ações, prevista no artigo 252 da Lei n° 6.404/76, difere da incorporação de sociedades e da subscrição de capital em bens. Com a incorporação de ações, ocorre a transmissão da totalidade das ações (e não do patrimônio) e a incorporada passa a ser subsidiária integral da incorporadora, sem ser extinta, ou seja, permanecendo com direitos e obrigações. Neste caso, se dá a substituição no patrimônio do sócio, por idêntico valor, das ações da empresa incorporada pelas ações da empresa incorporadora, sem sua participação, pois quem delibera são as pessoas jurídicas envolvidas na operação. Os sócios, pessoas fisicas, independentemente de terem ou não aprovado a operação na assembléia de acionistas que a aprovou, devem, apenas, promover tal alteração em suas declarações de ajuste anual. Ademais, nos termos do artigo 38, á' único, do RIR/99, a tributação do imposto sobre a renda para as pessoas físicas está sujeita ao regime de caixa, sendo que, no caso, a contribuinte não recebeu nenhum numerário em razão da operação autuada. Não se aplicam à incorporação de ações o artigo 3°, 5S. 3°, da Lei n° 7.713/88, nem tampouco o artigo 23 da Lei n° 9.249/95. 2 Processo n° 16408.000121/2007-93 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.663 Fl. 2 Inexistência de fundamento legal que autorize a exigência de imposto de renda pessoa física por ganho de capital na incorporação de ações em apreço. Recurso voluntário provido. A Fazenda Nacional alega em síntese que as operações que importem alienação a qualquer título, de bens e direitos, estão sujeitos a apuração do ganho de capital e, as pessoas fisicas poderão transferir a pessoas jurídicas, a título de integralização do capital, bens e direitos, pelo valor constante da respectiva declaração ou pelo valor de mercado e, se a transferência não se fizer pelo valor constante da declaração de bens, a diferença a maior será tributável como ganho de capital. O contribuinte, cientificado do recurso especial da Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu seguimento, apresentou contra-razões. Argumentando em síntese que: a) a operação de incorporação de ações não tem a mesma natureza jurídica das operações de incorporação de sociedades ou de subscrição de bens de capital; b) não existe previsão legal para tributação dos atos praticados no âmbito de uma operação de incorporação de ações; c) quando muito, poderia ser admitido o tratamento de incorporação de empresas e não o de alienação a qualquer título; d) não podem ser aplicados dispositivos de tributação de pessoa fisica sobre atos praticados pela pesssoa jurídica; e) a substituição das ações operada em virtude da incorporação de ações foi realizada na proporção das ações anteriormente possuídas; e f) só há a obrigação de reconhecer eventual ganho de capital na operação de substituição de ações quando houver alienação a terceiros, ou seja, quando houver fluxo financeiro ou circulação de valores. É o relatório. 1(1. 3 Voto Conselheiro ELIAS SAMPAIO FREIRE, Relator Saliente-se que, não obstante o aludido recurso não encontrar previsão no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a Portaria Ministerial MF no . 256, de 22 de junho de 2009, em suas disposições transitórias, prevê que os recursos com base no inciso I do art. 7° e do art. 9° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, interpostos em face de acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à 1° de julho de 2009, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento. Por seu turno o inciso I do art. 7° do Regimento Interno da Câmarq Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, fazia previsão de interposição de recurso especial na hipótese de contrariedade à lei. Examinando-se o recurso especial apresentado com supedâneo no inciso I, verifica-se que ele demonstrou, fundamentadamente, em que a decisão recorrida seria contrária à lei, no entendimento da Fazenda Nacional, consoante o disposto no inciso I do artigo 7° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Assim, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Não há como discordar do relator do acórdão recorrido, no sentido de que: "A matéria que chega à apreciação deste Colegiado é nova e envolve a exigência de imposto de renda incidente sobre ganho de capital apurado em operação denominada "incorporação de ações", a qual se encontra disciplinada pelo artigo 252 da Lei n° 6.404/76" Para o deslinde da questão, faz-se mister transcrever o histórico das operações que ensejaram à fiscalização considerar a ocorrência do fato gerador da exação: 1) Neiry Galvão da Silva, e seu filho Rafael Gaivão da Silva eram os únicos sócios da empresa Insol Intertrading do Brasil Ind. e Com. Ltda., com participação de 92% e 8% no capital social da referida empresa, equivalentes a 1.380.000 e 120.000 ações, respectivamente, consoante 4' alteração contratual à fl. 208. A participação do autuado foi consignada em sua declaração de bens pelo valor de R$ 120.000,00, em 31/12/2003, consoante declarações de bens às fls. 23 e 28; 2) Em 02/07/2004, os sócios (Neiry e Rafael), aprovaram a transformação do tipo jurídico da sociedade empresarial limitada, para sociedade por ações, sob a denominação de Insol Intertrading do Brasil Ind. e Com. S/A, permanecendo inalterada a participação dos sócios no capital da sociedade no valor de R$ 1.500.000,00, que passou a ser representado por 1.500.000 ações ordinárias nominativas, no valor de R$ 1,00 cada, das quais 1.380.000 foram distribuídas à sócia Neiry Galvão da Silva, e 120.000 ao sócio Rafael Galvão da Silva, que pemianeceram sendo os únicos acionistas da empresa, conforme Ata da Assembléia Geral de fls. 218/226. 4 Processo n° 16408.000121/2007-93 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.663 Fl. 3 3) Por sua vez, em 15/09/2004, Marcelo Brunetta e Telvino Brunetta constituíram a empresa MSB Assessoria Empresarial Ltda, com capital social de R$ 3.000,00, dividido em 3.000 quotas de R$ 1,00 cada. 4) Em 29/12/2004, da Ata de Assembléia Geral de Quotista para Transformação da MSB Assessoria Empresarial Ltda. em Sociedade Anônima e Incorporação de Ações; constata-se as seguintes deliberações (fls. 235/248): a) Transformação do tipo jurídico da sociedade empresarial limitada, para sociedade anônima, sob a denominação de MSB Assessoria Empresarial SIA, mencionando que o capital subscrito e integralizado permaneceria o mesmo, convertido em 3.0000 (três mil ações , no valor nominal de R$ 1,00 (um real) cada uma, assim distribuído: Marcelo Brunetta — 1.500 ações e Telvino Brunetta — 1.500 ações. b) Aprovação dos termos do "Protocolo e Justificação de Incorporação de Ações para Conversão em Subsidiária Integral", que contém proposta de incorporação de 1.500.000 (um milhão e quinhentas mil) ações da Insol Intertrading do Brasil Ind. e Com. S/A. c) Aprovação do Laudo de Avaliação para Efeitos de Incorporação de Ações da companhia Insol, nos termos do art. 252 da Lei n° 6.404/76, elaborado pela empresa especializada ZHC Consultores S/S Ltda.,que avaliou o acervo líquido da a preço de mercado, da empresa Insol Intertrading do Brasil Ind. e Com. S/A, em R$ 45.000.000,00. d) Aprovação do Laudo de Avaliação para Efeitos de Incorporação de Ações da Companhia MSB, nos termos do art. 252 da Lei n° 6.404/76, elaborado pela empresa especializada ZHC Consultores S/S Ltda.,que avaliou o acervo líquido Companhia MSB com base em valores contábeis e que representam o valor de mercado em R$ 3.000,00. e) Aprovação do aumento do capital social da companhia MSB em R$ 45.000.000,00 (quarenta e cinco milhões de reais, em função da incorporação das ações da companhia INSOL, mediante emissão de 45 milhões de novas ações, no valor nominal de R$ 1,00 (um real) cada uma, totalmente subscritas pelos acionistas da INSOL, da seguinte forma: 41.400.000 com Neiry Gaivão da Silva e 3.600.000 com Rafael Galvão da Silva. 5) Assim, com a elevação do capital social, a MSB Assessoria Empresarial S/A passou a ter capital social subscrito e totalmente integralizado de R$ 45.003.000,00, mediante a subscrição de 45.003.000 ações ordinárias e nominativas, com valor nominal de R$ 1,00 cada ação, das quais 1.500 permaneceram com Marcelo Brunetta (subscritas e integfalizadas por transformação de tipo societário), 1.500 com Telvino Brunetta (subscritas e integralizadas por transformação de tipo societário), 41.400.000 com Neiry Galvão da Silva (subscritas e integralizadas por incorporação de ações da Insol Intertrading do Brasil Ind. e Com. S/A) e 3.600.000 com Rafael Galvão da Silva (subscritas e integralizadas por incorporação de ações da Insol Intertrading do Brasil Ind. e Com. S/A), de acordo com o boletim de subscrição de MSB Assessoria Empresarial S/A. Destarte, indubitavelmente, a situação acima descrita enquadra-se na denominada incorporação de ações, prevista no artigo 252 da Lei n° 6.404/76, in verbis: "Art. 252. A incorporação de todas as ações do capital social ao património de outra companhia brasileira, para convertê-la em subsidiária integral, será submetida à deliberaçã o da ('(' 5 assembléia-geral das duas companhias mediante protocolo e justificação, nos termos dos artigos 224 e 225. § I°. A assembléia-geral da companhia incorporadora, se aprovar a operação, deverá autorizar o aumento do capital, a ser realizado com as ações a serem incorporadas e nomear os peritos que as avaliarão; os acionistas não terão direito de preferência para subscrever o aumento de capital, mas os dissidentes poderão retirar-se da companhia, observado o disposto no art. 137, II, mediante o reembolso do valor de suas ações, nos termos do art. 230. § 2°. A assembléia-geral da companhia cujas ações houverem de ser incorporadas somente poderá aprovar a operação pelo voto de metade, no mínimo, das ações com direito a voto, e se a aprovar, autorizará a diretoria a subscrever o aumento do capital da incorporadora, por conta dos seus acionistas; os dissidentes da deliberação terão direito de retirar-se da companhia, observado o disposto no art. 137, II, mediante o reembolso do valor de suas ações, nos termos do art. 230. § 3°. Aprovado o laudo de avaliação pela assembléia-geral da incorporadora, efetivar-se-á a incorporação e os titulares das ações incorporadas receberão diretamente da incorporadora as ações que lhes couberem. Por certo, como assevera o relator do acórdão recorrido, a "incorporação de sociedades" e a "incorporação de ações" reguladas pelos artigos 227 e 252 da Lei das S.A., respectivamente, são fenômenos distintos. A incorporação de ações é a operação societária por meio da qual a totalidade das ações de emissão de uma sociedade anônima é incorporada ao patrimônio de outra companhia, convertendo aquela em subsidiária integral desta. Diferentemente da operação de incorporação de sociedade, quando a incorporadora absorve ativo e passivo da incorporada, que deixa de existir, a incorporação de ações opera exclusivamente sobre as ações da companhia incorporada, que são integralmente absorvidas pela incorporadora. Os acionistas da companhia incorporada transferem a totalidade das suas ações para a incorporadora, que se toma a acionista única da primeira. A companhia cujas ações forem transferidas ao capital da outra sociedade - a incorporada - não se extingue, permanece como pessoa jurídica independente, com plena autonomia patrimonial, sem que ocorra sucessão de direitos e obrigações entre as companhias envolvidas. Egberto Lacerda Teixeira e José Alexandre Tavares Guerreiro, em seu livro "Das Sociedades Anônimas no Direito Brasileiro" (José Bushatsky, Editor, 1979, vol.2, p.727), leciona que: "Apesar da semelhança da operação em tela com o instituto regulado no artigo 227, parece-nos que a expressão escolhida pelo legislador — incorporação de ações — é, de certo modo imprópria, por suscitar confusões com aquele instituto. Na verdade, a incorporação de ações nada mais significa do que um aumento de capital social de determinada companhia brasileira, mediante a conferência, pelos subscritores, de todas as ações do capital de outra sociedade, que se converte em subsidiária 6 Processo n° 16408.000121/2007-93 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.663 Fl. 4 integral, recebendo seus ex-acionistas ações novas do capital da primeira". Por outro lado, não acolho o entendimento manifestado no acórdão recorrido, no sentido de que inexiste fundamento legal que dê sustentação ao lançamento, ao considerar que não há de se falar em "subscrição de capital em bens". Aliás, parcela da doutrina entende que na incorporação de ações há uma transferência de bens (no caso, ações), em realização de capital da incorporadora, acarretando a incidência de imposto sobre o ganho de capital. Fran Martins, em seu livro "Comentários à Lei das Sociedades Anônimas", Forense, 1975, vol. 3, p. 316, leciona que na operação de incorporação de ações há um aumento de capital na sociedade incorporadora com a subscrição das ações pelos acionistas que vai tornar-se subsidiária integral: "Pois, na verdade, a conversão de uma sociedade anônima em subsidiária integral mediante a chamada incorporação das ações da primeira no patrimônio da segunda nada mais é do que um aumento de capital da sociedade controladora, ou, na expressão da lei, incorporadora, com a subscrição das ações desse aumento pelos acionistas da sociedade que vai tornar-se subsidiária integral, sendo o pagamento dessas ações feito não em dinheiro, mas com as ações dos acionistas da sociedade que vai ser incorporada". Edmar Oliveira Andrade Filho, in Imposto de de Renda das Empresas, São Paulo, Ed. Atlas, p. 461/462, considera que a incorporação de ações constitui uma forma de alienação em sentido amplo e posiciona-se favoravelmente a incidência de imposto de renda sobre ganho de capital quando a subscrição realizar-se por valor superior ao valor contábil: "No campo tributário, existem algumas controvérsias da eventual tributação do ganho de capital eventualmente apurado por ocasião da "troca" de ações ou quotas nos casos de incorporação de ações regidas pelo artigo 252 da Lei n° 6.404/76. Sob a perspectiva daquele que realiza da "troca" das ações ou quotas, há substituição de investimento que pode acarretar ou não a apuração de ganho ou perda de capital; tudo fica a depender do valor a ser atribuído à operação, se maior ou menor que o valor contábil do investimento primitivo, que é substituído por outro. Esta operação pode ser qualificada como sendo passível de produzir uma alienação ou uma liquidação do investimento. A incorporação de ações constitui uma forma de alienação em sentido amplo; com efeito, o detentor das ações ou quotas as entrega sob a forma de conferencia de bens para subscrição de capital e recebe ações ou quotas da sociedade que teve o seu capital aumentado e que passou a ser a única acionista da sociedade convertida em subsidiária integral. Todavia, não se pode olvidar que o fenômeno possui afinidade funcional com a liquidação de investimento por incorporação de sociedade nos 7 termos do artigo 227 da Lei n° 6.404/76; de fato, o investimento na antiga sociedade (aquela que se tornou a subsidiária integral) deixa de existir em razão do cancelamento das antigas ações ou quotas que são substituídas por ações da controladora (única acionista ou quotista) da subsidiária integral. Os negócios jurídicos que compõem o instituto da incorporação de ações ocorrem em razão de manifesta deliberação dos sócios ou acionistas das sociedades envolvidas mediante assembléias, nos termos do artigo 252 da Lei n° 6.404/76; portanto, são os acionistas que determinam os valores pelas quais as operações serão realizadas (observadas as prescrições legais tendentes a proteger acionistas minoritários) de modo que se a operação de subscrição realizar-se por valor superior ao valor contábil haverá apuração de ganho de capital tributável(..)" (GRIFEI) De acordo com a legislação tributária, as operações que importem alienação a qualquer título, de bens e direitos, estão sujeitos a apuração do ganho de capital e, as pessoas físicas poderão transferir a pessoas jurídicas, a titulo de integralização de capital, bens e direitos, pelo valor constante da respectiva declaração ou pelo valor de mercado e, se a transferência não se fizer pelo valor constante da declaração de bens, a diferença a maior será tributável como ganho de capital, nos termos em que dispõe o artigo 3°, § 3°, da Lei 1107.713/88 e o artigo 23, § 2°, da Lei n° 9.249/95, in verbis: "Art. 3 0. O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9° a 14 desta Lei. ,55' 3°. Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins." "Art. 23. As pessoas físicas poderão transferir a pessoas jurídicas, a titulo de integralização de capital, bens e direitos pelo valor constante da respectiva declaração de bens ou pelo valor de mercado. ,sç I°. Se a entrega for feita pelo valor constante da declaração de bens, as pessoas físicas deverão lançar nesta declaração as ações ou quotas subscritas pelo mesmo valor dos bens ou direitos transferidos, não se aplicando o disposto no art. 60 do Decreto-Lei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e no art. 20. II, do Decreto-Lei n°2.065. de 26 de outubro de 1983. ,5S 2 0. Se a transferência não se fizer pelo valor constante da declaração de bens, a diferença a maior será tributável como ganho de capital" 8 Processo n° 16408.000121/2007-93 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.663 Fl. 5 Ademais, não merece prosperar o entendimento que só há a obrigação de reconhecer eventual ganho de capital na operação de substituição de ações quando houver fluxo financeiro ou circulação de valores. O fato de o sujeito passivo não ter recebido nenhum numerário não afasta a hipótese de incidência prevista no artigo 23, § 2°, da Lei n° 9.249/95, que prevê justamente a tributação em situação em que, apesar de não haver recebimento de numerário, a pessoa física transfere a pessoa jurídica, a titulo de integralização de capital, bens e direitos em valor superior ao constante da declaração de bens. Destarte, há de se concluir que ocorreram todas os fatos previstos na hipótese de incidência da exação: 1) houve alienação de bens: ações da Insol Intertrading do Brasil Ind. e Com. S/A, na operação de incorporação de ações pela MSB Assessoria Empresarial S/A; 2) pessoa fisica transferiu a pessoa jurídica, a titulo de integralização de capital, bens pelo valor de mercado: o sujeito passivo transferiu ações da Insol Intertrading do Brasil Ind. e Com. S/A, por incorporação de ações, para a empresa MSB Assessoria Empresarial S/A, a título de subscrição e integralização das ações que compõem seu capital, pelo valor de mercado. Portanto, a diferença a maior (entre o valor de mercado e o valor constante na declaração de bens) deve ser tributada como ganho de capital. Por todo o exposto, o o no sentido de dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. • Elias Samp. o Freire - Relator 9
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Numero do processo: 13839.002653/2002-92
Data da sessão: Wed Jun 30 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Aug 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/06/2002
VALORAÇÃO DOS DÉBITOS. DATA DE ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.
Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os débitos sofrem a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação.
Numero da decisão: 3401-000.798
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO - Presidente.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Redator designado ad hoc.
EDITADO EM: 03/08/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Dalton César Cordeiro de Miranda (Relator).
Incumbe-me o Presidente da Câmara da redação do acórdão, dado que o Conselheiro Dalton renunciou ao mandato sem o apresentar à Secretaria.
Nome do relator: Damião Cordeiro de Moraes
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/06/2002 VALORAÇÃO DOS DÉBITOS. DATA DE ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os débitos sofrem a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação.
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VALORAÇÃO DOS DÉBITOS Recorrente ERTEX QUÍMICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/06/2002 VALORAÇÃO DOS DÉBITOS. DATA DE ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os débitos sofrem a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Redator designado ad hoc. EDITADO EM: 03/08/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Dalton César Cordeiro de Miranda (Relator). Incumbeme o Presidente da Câmara da redação do acórdão, dado que o Conselheiro Dalton renunciou ao mandato sem o apresentar à Secretaria. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 26 53 /2 00 2- 92 Fl. 502DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/08/2 015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAM OS 2 Relatório Transcrevo, como era praxe do dr. Dalton, o relatório da instância de piso. A contribuinte solicitou o ressarcimento de IPI (fl. 01). no valor de RS] 16.934.89. relativamente aos 1°, 2°, 3° e 4° trimestres de 2001 e 1° e 2° trimestres de 1001 referente a saldo credor de IPI em seu Livro Registro de Apuração. Apresentou ainda. inicialmente, o pedido de compensação de tributos de fl. 03. no qual não estavam discriminados os débitos a serem compensados. Posteriormente. em 26/10/2004. transmitiu por meio eletrônico as declarações de compensação juntadas as 117/413. em que os débitos estão devidamente relacionados. Com base na informação fiscal de fls. 174/175, a Delegacia da Receita Federal em Jundiaí proferiu o Despacho Decisório de fls. 422/427, no qual deferiu integralmente o pedido de ressarcimento originariamente efetuado e homologou as compensações até o limite do direito creditório reconhecido. Em virtude do vencimento expirado dos valores a serem compensados, já que os débitos foram valorados considerandose a data de transmissão das declarações de compensação, a contribuinte foi intimada a recolher o saldo devedor resultante das compensações efetuadas. Regularmente cientificada, a postulante apresentou manifestação de inconformidade de fls. 430/433, procurando demonstrar que os créditos deferidos são suficientes para a compensação dos débitos declarados. Por fim, requer o cancelamento da indevida cobrança e arquivamento do processo. No recurso, o contribuinte repisa as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Júlio César Alves Ramos Radator designado ad hoc o Na elaboração de acórdãos a cuja redação tenha sido convocado, descabe ao redator designado emitir a sua própria opinião sobre a matéria. Deve, ao contrário, limitarse a reproduzir as discussões e conclusões havidas no colegiado, mesmo que delas discorde. Fl. 503DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/08/2 015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAM OS Processo nº 13839.002653/200292 Acórdão n.º 3401000.798 S3C4T1 Fl. 233 3 Embora não tenha eu participado da votação, sei, por outros pronunciamentos emitidos pelos integrantes naquela composição, que o colegiado partilhava a conclusão essencial da decisão recorrida, qual seja, independentemente da data em que protocolado o pedido de ressarcimento, a data de valoração dos débitos que se quer compensar é a de entrega do pedido (ou declaração) de compensação. Por isso, limitome a transcrever o voto que conduziu o acórdão recorrido, como, de certo, faria o conselheiro Dalton: O valor original do pedido de ressarcimento foi totalmente deferido. Conseqüentemente, a questão apresentada limitase à cobrança do saldo devedor resultante das compensações efetuadas. A manifestante sustenta que o crédito deferido é suficiente para a compensação dos débitos declarados, e que haveria inclusive uma sobra de crédito de RS 1.934,89. Entretanto, não é o que se verifica nos autos, como detalhadamente está comprovado nos demonstrativos de fls. 418/421. O que ocorreu foi que, quando apresentou o pedido de ressarcimento, a contribuinte juntou um formulário de pedido de compensação (fl.03), porém, o referido formulário não apresenta as informações obrigatórias e necessárias para a efetivação da compensação de débitos, tais como, os tributos a serem compensados, os períodos de apuração, os vencimentos e o valor dos tributos. Na verdade, não é possível considerálo como um pedido de compensação. Deste modo, a interessada ingressou com a declaração de compensação de débitos somente quando transmitiu , por meio eletrônico. as DCOMPS em 26/10/2004. Assim determinava o art. 28 da IN SRF n° 210/2002. com a redação dada pela SRF n° 323/2003. vigente à época em que a contribuinte transmitiu as declarações de compensação: Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios na forma prevista nos arts. 38 e 39 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórias, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. (Redação dada pela IN SRF n2 323, de 24/04/2003) Parágrafo único. Na compensação de oficio, os juros compensatórios e acréscimos moratórios de que trata o caput serão calculados considerandose as seguintes datas: (incluido pela IN SRF n 2 323, de 24/04/2003) I do consentimento, expresso ou tácito, da compensação: ou (incluído pela IN SRF n2 323, de 24/04/2003) Fl. 504DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/08/2 015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAM OS 4 da efetivação da compensação, quando se tratar de débito inscrito em Divida Ativa da União. (lncluido pela IN SRF n 2 323, de 24/04/2003) (grifouse) Como se pode concluir, os débitos relacionados pela empresa foram corretamente valorados pela data de entrega da declaração de compensação, 26/10/2006, o que pode ser facilmente constatado no demonstrativo analítico de compensação de fls. 420/421. Conseqüentemente, o crédito deferido não foi suficiente para compensar todos os débitos declarados, resultando na homologação parcial das compensações. Essas considerações fizeram o colegiado negar, por unanimidade, provimento ao recurso, sendo esse o acórdão que me coube redigir. Conselheiro Júlio César Alves Ramos Declaração de Voto CONSELHEIROS FENELON MOSCOSO E ANGELA SARTORI Com a máxima vênia ao entendimento esposado pelo Nobre Relator no seu bem elaborado voto, no sentido de que, para aplicação da multa pecuniária prevista no art. 69, §1º, da Lei 10.833/03, seria necessário ao Fisco, por meio de procedimento administrativo que admitisse regularização prévia das informações inexatas ou incompletas, demonstrar conduta fraudulenta do agente e comprovar elemento subjetivo doloso para a consumação do ilícito, ousamos dele discordar em relação a esses fundamentos do voto, pelas razões que seguem. No que se refere a necessidade de procedimento administrativo que admitisse regularização prévia das informações inexatas ou incompletas, entendemos que tal exigência aplicarseia somente no curso do despacho aduaneiro, não sendo essa a situação objeto da acusação fiscal, imputada em momento diverso posterior, tratandose de ilícito constatado em atividade de Revisão Aduaneira de Declarações de Importação – DI. Quanto a necessidade de demonstrar conduta fraudulenta do agente e comprovar elemento subjetivo doloso para a consumação do ilícito previsto no art. 69, §1º, da Lei 10.833/03, entendemos estar diante de norma típica ensejadora de responsabilidade objetiva por infrações da legislação tributária, independente da intenção do agente (art. 136 da Lei 5.172/66 – Código Tributário Nacional – CTN), portanto, desnecessária a comprovação dos elementos subjetivos reclamada no voto vencedor. Da redação do art. 136 do CTN, salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária é objetiva, não havendo no art. 69 da Lei 10.833/03 ou no art. 84 da Medida Provisória 2.15835/01, onde a multa imposta está prevista, qualquer referência a tratarse de infração em cuja definição o elemento subjetivo intencional do agente seja elementar. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/08/2 015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAM OS Processo nº 13839.002653/200292 Acórdão n.º 3401000.798 S3C4T1 Fl. 234 5 Do mesmo art. 136 do CTN, trazemos os fundamentos para termos acompanhado as conclusões do D. Relator em dar provimento parcial ao recurso, afastando a multa imposta por prestação inexata de informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial. Também, salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. No caso concreto, entendemos existir disposição de lei tratando sobre efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato ilícito à ensejar a aplicação de penalidade pela infração prevista no §1º, do art. 69, da Lei 10.833/03: Art. 69. A multa prevista no art. 84 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, não poderá ser superior a 10% (dez por cento) do valor total das mercadorias constantes da declaração de importação. § 1º A multa a que se refere o caput aplicase também ao importador, exportador ou beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. § 2º As informações referidas no § 1º, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo: ... IV países de origem, de procedência e de aquisição; e ... A nosso ver, esse foi o espírito da lei, condicionar à sua aplicação que a informação inexata ou incompleta seja necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado, devendo a exigência da informação sobre os países de origem, de procedência e de aquisição, contida no inciso IV, do §2º, do art. 69, da Lei 10.833/03, ser interpretada em consonância com o disposto ao final do §1º do mesmo artigo, retro grifado. O fato é que, em nenhum momento a acusação fiscal logrou argumentar como a informação inexata influenciou na determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado, não houve dano ao erário ou prejuízo a fazenda pública. Tratase de um mero erro formal desnecessário ao controle administrativo no caso concreto. No caso, independente do país de origem informado, o procedimento de controle aduaneiro seria o mesmo. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/08/2 015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAM OS 6 Dessa forma, por discordarmos dos fundamentos do voto proferido pelo Nobre Relator do presente acórdão, no sentido de que, para aplicação da multa pecuniária prevista no art. 69, §1º, da Lei 10.833/03, seria necessário ao Fisco, por meio de procedimento administrativo que admitisse regularização prévia das informações inexatas ou incompletas, demonstrar conduta fraudulenta do agente e comprovar elemento subjetivo doloso para a consumação do ilícito, votamos no sentido dar provimento parcial ao recurso, afastando a multa imposta por prestação inexata de informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial, pelas razões ora declaradas. CONSELHEIROS FENELON MOSCOSO E ANGELA SARTORI Fl. 507DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/08/2 015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAM OS
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Numero do processo: 14120.000317/2007-79
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2002 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PROCESSO ADMINISTRATIVO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL
A opção pela via judicial importa renúncia às instâncias administrativas, não cabendo conhecer das razões de defesa quanto à matéria sob o crivo do Poder Judiciário. A propositura de ação judicial afasta o pronunciamento da jurisdição administrativa sobre a matéria objeto da pretensão judicial, razão pela qual não se aprecia o seu mérito. Aplicação da Súmula CARF nº 1.
Recurso Voluntário Não conhecido
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 2301-003.218
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em não conhecer do Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Adriano Gonzáles Silvério.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2002 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PROCESSO ADMINISTRATIVO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL A opção pela via judicial importa renúncia às instâncias administrativas, não cabendo conhecer das razões de defesa quanto à matéria sob o crivo do Poder Judiciário. A propositura de ação judicial afasta o pronunciamento da jurisdição administrativa sobre a matéria objeto da pretensão judicial, razão pela qual não se aprecia o seu mérito. Aplicação da Súmula CARF nº 1. Recurso Voluntário Não conhecido Direito Creditório Não Reconhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em não conhecer do Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Adriano Gonzáles Silvério.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1964; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 586 1 585 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14120.000317/200779 Recurso nº 263.443 Voluntário Acórdão nº 2301003.218 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de novembro de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS Recorrente PANTANEIRA IND. E COM. DE CARNES E DERIVADOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2002 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PROCESSO ADMINISTRATIVO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL A opção pela via judicial importa renúncia às instâncias administrativas, não cabendo conhecer das razões de defesa quanto à matéria sob o crivo do Poder Judiciário. A propositura de ação judicial afasta o pronunciamento da jurisdição administrativa sobre a matéria objeto da pretensão judicial, razão pela qual não se aprecia o seu mérito. Aplicação da Súmula CARF nº 1. Recurso Voluntário Não conhecido Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em não conhecer do Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Adriano Gonzáles Silvério. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 12 0. 00 03 17 /2 00 7- 79 Fl. 606DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa PANTANEIRA INDUSTRIA E COM. DE DERIVADOS LTDA em face da decisão que não conheceu da impugnação apresentada pela empresa. 2. Narra o relatório fiscal que a apuração se deu com base no levantamento de créditos “de contribuições devidas à Previdência Social e ao SENAR – Serviço Nacional de Aprendizagens Rurais, relativas às aquisições de gado de produtores rurais pessoas físicas destinadas à industrialização, situação em que a empresa adquirente, consumidora ou consignatária fica subrogada, na forma da lei, das obrigações do produtor rural”. (f. 55) 3. O acórdão de primeira instância restou ementado nos termos que transcrevo abaixo: “RENÚNCIA AO PROCESSO ADMINISTRATIVO POR INTERPOSIÇÃO DE MANDADO DE SEGURANÇA. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo importa renúncia ao contencioso regulado por este ato, de acordo com o art. 41 da Portaria MPS n.º 520/04, c/c Portaria RFB 10.875, de 16.08.2007, que disciplinam a matéria. Impugnação não Conhecida” (f. 492) 4. Buscando reverter a decisão proferida, o contribuinte apresentou recurso voluntário aduzindo, em síntese: a) preliminarmente, que o recurso deve ser conhecido tendo em vista que a matéria que está sendo discutida no Judiciário referese à contribuição social denominada Funrural e é relativa às competências a partir de 07/2007 e não ao período objeto do presente lançamento 09/2002 a 12/2006; b) que não renunciou a seu direito de ver decidida a questão pela esfera administrativa, tendo em vista que a ação movida no Poder Judiciário não trata do mesmo período deste lançamento fiscal; c) no mérito, alega a inconstitucionalidade da contribuição para o Funrural, pois com a Lei que instituiu a contribuição foi criada hipótese de contribuição social sobre a receita bruta proveniente das operações de venda ou consignação da produção rural, que é a mesma base de cálculo do ICMS e da COFINS; d) os dispositivos legais que instituíram a contribuição para o Funrural criaram “uma hipótese de contribuição social sobre a receita bruta, equiparando os empregadores rurais a segurados especiais, e compelindo a uma bitributação, ou seja, um duplo recolhimento para a mesma finalidade, sendo uma sobre a folha de pagamento e outra sobre o resultado da comercialização da produção (= receita bruta)”; Fl. 607DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14120.000317/200779 Acórdão n.º 2301003.218 S2C3T1 Fl. 587 3 e) a lei que instituiu a contribuição social diferenciada para o produtor rural, pessoa física e para o segurado especial, não determinou o fato gerador da obrigação tributária, o que é da competência do Poder Legislativo ao instituir a norma; f) por fim, requer que o recurso seja conhecido e que o lançamento seja julgado improcedente. 5. Sem contrarrazões os autos foram encaminhados à apreciação deste Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. 1. O presente recurso não atende aos pressupostos de admissibilidade. 2. Cumpre ressaltar que a matéria pertinente ao presente recurso foi submetida ao crivo do poder judiciário. O processo que envolve tal exação é o de n° 2007.60.00.0062783 em tramite perante a 2ª Vara Federal de Campo GrandeMS. 3. Conforme se extrai do Mandado de Segurança acostado aos autos às ff. 444 a 491, a ação judicial versou sobre os seguintes pontos: “A Impetrante. não concorda com essa exigência fiscal de reter dos empregadores rurais, pessoa físicas e/ou jurídicas, e recolher ao INSS, a titulo de contribuição social, denominada Funrural, o valor correspondente ao percentual de 2,3% incidente sobre o valor da nota fiscal de venda(= nota fiscal de entrada emitida pelo frigorifico) dos bovinos, já que se trata de uma exigência coativa e inconstitucional. Dai este mandado de segurança”. 4. Diante do entendimento sedimentado neste Conselho, exerce o contribuinte o seu direito de acesso ao Judiciário e promovendo ações judiciais de modo a obter posicionamento a seu favor. 5. A Lei de Execuções Fiscais, Lei n. 6.830/80, no seu art. 38, parágrafo único, prevê a renúncia ao recurso administrativo quando o contribuinte houver ajuizado ação para discutir judicialmente a dívida ativa. Essa norma já teve a sua constitucionalidade confirmada pelo Supremo Tribunal Federal, verbis: “CONSTITUCIONAL. PROCESSUAL TRIBUTÁRIO. RECURSO ADMINISTRATIVO DESTINADO À DISCUSSÃO DA VALIDADE DE DÍVIDA ATIVA DA FAZENDA PÚBLICA. PREJUDICIALIDADE EM RAZÃO DO AJUIZAMENTO DE AÇÃO QUE TAMBÉM TENHA POR OBJETIVO DISCUTIR A VALIDADE DO MESMO CRÉDITO. ART. 38, PAR. ÚN., DA LEI 6.830/1980. O direito constitucional de petição e o princípio da legalidade não implicam a necessidade de esgotamento da via Fl. 608DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 administrativa para discussão judicial da validade de crédito inscrito em Dívida Ativa da Fazenda Pública. É constitucional o art. 38, par. ún., da Lei 6.830/1980 (Lei da Execução Fiscal LEF), que dispõe que "a propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo [ações destinadas à discussão judicial da validade de crédito inscrito em dívida ativa] importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto". Recurso extraordinário conhecido, mas ao qual se nega provimento." (RE 233582, Rel. Min. Marco Aurélio, Red. p/ Acórdão Min. Joaquim Barbosa, Tribunal Pleno, julgado em 16/08/2007, DJe088 DIVULG 15052008 PUBLIC 16052008 EMENT VOL0231905 PP 01031) 6. Nesse sentido é a jurisprudência do CARF: “PROCESSO ADMINISTRATIVO. Não se conhece do recurso quando o contribuinte optou pela via judicial. Art. 38, parágrafo único, da Lei 6.830/80. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO”. (Terceiro Conselho de Contribuintes. 2ª Câmara. Turma Ordinária. Acórdão nº 30237391. Processo 12466001380200281. Data 22/03/2006) 7. A Súmula nº 01 do CARF também assevera que importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual: Súmula CARF nº 1:Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. 8. É impossível, dessa forma, adentrar no mérito recursal, o que se discute são exatamente as mesmas rubricas dos processos submetidos ao Judiciário. 9. Dessa forma, no caso, se trata de não conhecimento pela concomitância (art. 38, p. ún. da LEF). CONCLUSÃO 10. Dado o exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário, nos termos alinhavados acima. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes – Relator Fl. 609DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 16327.001885/2008-87
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 28/02/2005
VALE TRANSPORTE. NATUREZA INDENIZATÓRIA
Segundo entendimento firmado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, o pagamento ou desconto de valores referentes ao benefício do Vale-Transporte não é integrante da remuneração do segurado, pois nítida a sua natureza não salarial, razão pela qual não pode integrar o salário de contribuição.
Numero da decisão: 2301-003.141
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, por se tratar de vale transporte em pecúnia, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes - Relator
Presentes à sessão de julgamento os conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, MAURO JOSE SILVA e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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NATUREZA INDENIZATÓRIA Segundo entendimento firmado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, o pagamento ou desconto de valores referentes ao benefício do Vale Transporte não é integrante da remuneração do segurado, pois nítida a sua natureza não salarial, razão pela qual não pode integrar o salário de contribuição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, por se tratar de vale transporte em pecúnia, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Presentes à sessão de julgamento os conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, MAURO JOSE SILVA e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Relatório Tratase de Auto de Infração de Descumprimento de Obrigação Principal lavrado em face do BANCO ITAU S/A, referente às contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre os valores pagos a título de Vale Transporte em pecúnia, inclusive o adicional AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 18 85 /2 00 8- 87 Fl. 390DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 16327.001885/200887 Acórdão n.º 2301003.141 S2C3T1 Fl. 3 2 de 2,5% previsto no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212/1991 correspondente ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, conforme se infere do Relatório Fiscal, às fls. 35/39. Ainda segundo o Relatório Fiscal, a Recorrente é parte do processo judicial em andamento nº 2001.03.99.0000062, que teve origem no Mandado de Segurança 96.00065080 impetrado, com pedido de liminar, objetivando suspender a exigibilidade da contribuição previdenciária incidente sobre o pagamento em dinheiro do vale transporte, tendo sido proferida sentença favorável. Contudo, em 30 de setembro de 2008, a ação foi julgada pelo Tribunal Regional Federal da 3ª a Região, tendo sido proferido acórdão dando provimento à apelação do Instituto Nacional do Seguro Nacional, com remessa oficial para reformar a sentença, cassando a liminar. Diante disso, foi efetuado o lançamento no montante de R$ 12.040.826,51 (doze milhões, quarenta mil e oitocentos e vinte e seis reais e cinquenta e um centavos). O contribuinte tomou ciência da autuação contra ele lavrada em 18/12/2008, apresentando impugnação tempestiva, às fls. 245/260. Entretanto, o crédito tributário exigido foi mantido, conforme acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP), às fls. 139/152, cuja ementa assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 28/02/2005 DECADÊNCIA INEXISTÊNCIA. Com o entendimento sumulado da Egrégia Corte (Súmula n° 08/2008) e do Parecer PGFN/CAT n° 1.617/2008, aprovado pelo Sr. Ministro de Estado da Fazenda em 18/08/2008,. na contagem do prazo decadencial para constituição dó crédito das contribuições devidas à Seguridade Social, na hipótese de inexistência de pagamento, utilizase a regra geral do art. 173 do CTN. VALE TRANSPORTE. O montante do vale transporte concedido em dinheiro e, portanto, em desacordo com a Lei específica, integra o salário de contribuição das contribuições devidas à Seguridade Social. ADICIONAL DE 2,5% SOBRE A CONTRIBUIÇÃO PATRONAL DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Nos casos das instituições financeiras e equiparadas, além das contribuições previstas nos art. 22 e 23, da Lei 8.212/91, também é devida a contribuição adicional de dois vírgula cinco por cento sobre a remuneração total dos segurados empregados e dos segurados contribuintes individuais. Lançamento Procedente Inconformada, interpôs Recurso Voluntário, sob exame, às fls. 314/330, cujas razões podem ser resumidas às seguintes: Fl. 391DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 16327.001885/200887 Acórdão n.º 2301003.141 S2C3T1 Fl. 4 3 1) O lançamento em debate deve ser cancelado em parte, considerando que decaíram os supostos fatos geradores ocorridos no período de janeiro/2003 a novembro/2003, já que a ciência de sua lavratura ocorreu somente em 18/12/2008, ou seja, há mais de cinco anos contados do fato gerador, segundo art. 150, §4° do CTN. 2) Ao analisar a natureza jurídica do Reembolso Transporte, constatou que o mesmo não pode ser considerado parcela remuneratória, visto que se trata de ajuda de custo, indenização ou ressarcimento de despesas efetivadas e devidamente comprovadas, não sendo considerado como salário, com fulcro no art. 457 § 2° da CLT, bem como no Decreto n° 95.247/1987, o qual expõe que a verba salarial em questão não tem natureza salarial. 3) Ainda que concedido em pecúnia, não há descaracterização da sua natureza de ajuda de custo, em razão do preceituado no parágrafo único, do artigo 4°, da Lei 7.418/1985. 4) A ajuda de custo a titulo de vale transporte é isenta de qualquer incidência previdenciária, expressamente reconhecida nos artigos 4°, parágrafo único, da Lei 7.418/1985 e 6°, incisos I e II, do Decreto n° 95.247/1987. 5) Haja vista a impossibilidade de o vale transporte em pecúnia integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias, não vigora a incidência do SAT aplicado ao caso apreciado. 6) A instituição de um adicional da contribuição previdenciária às instituições financeiras é inconstitucional, pois confronta os Princípios da Igualdade e da Isonomia, visto que trata de forma desigual contribuintes situados em circunstâncias semelhantes, já que não existe distinção entre a folha de salários de uma instituição financeira e de uma empresa não financeira. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Fl. 392DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 16327.001885/200887 Acórdão n.º 2301003.141 S2C3T1 Fl. 5 4 Da ausência de renúncia à via administrativa Em análise aos autos, verificase que o Relatório Fiscal menciona a existência de mandado de segurança, de nº 96.00065080, que não teria decisão em vigor impeditiva do lançamento do presente auto de infração. À primeira vista, verifiquei a possibilidade de renúncia à via administrativa, uma vez que a identidade entre a ação judicial e a impugnação ou o recurso voluntário do contribuinte implicaria o não conhecimento das razões de defesa do contribuinte, ante a impossibilidade de decisão administrativa conflitante com a do Poder Judiciário. Ocorre que, em análise mais detalhada, observei que a ação judicial referese à uma NFLD específica, qual seja, a de nº 31.618.2028 e ao reembolso transporte do período de 01/1990 a 05/1994, não tendo, portanto, qualquer relação ao caso dos autos, que tem por número 37.195.8520 e competências de 01/2003 a 02/2005. Deste modo, deve ser conhecido o presente recurso voluntário. Sendo tempestivo o recurso, passo ao seu exame. Da natureza não remuneratória dos valores pagos a título de vale transporte Aqui, o cerne da questão consiste na legalidade ou não dos valores pagos a titulo de “vale transporte” integrarem a base de cálculo das contribuições previdenciárias. No meu sentir, a origem da verba referente ao pagamento de ValeTransporte tem natureza jurídica indenizatória, pois, destinada ao ressarcimento das quantias pagas em razão do transporte dos empregados, pois foi assim que a norma que criou o benefício deixou consignado. A Lei n.º8.212/91 tratou da matéria da seguinte forma: Art. 28 Entendese por salário de contribuição: (...) Parágrafo 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; (...) Como se pode perceber, nos termos do art. 28, parágrafo 9º, alínea “f”, da Lei nº 8.212/91, a quantia (parcela) recebida a título de valetransporte não compõe o salário de contribuição, para fins de apuração da contribuição previdenciária. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 16327.001885/200887 Acórdão n.º 2301003.141 S2C3T1 Fl. 6 5 É dizer, não se pode admitir que o desconto realizado por percentual menor que o previsto possa descaracterizar ou alterar a natureza jurídica do ValeTransporte. Até porque, o fato de o empregador descontar parcela inferior ao exigido pelo Decreto regulamentador do benefício não agride o instituto, que continua mantendo a sua destinação específica, qual seja, a de ajudar no custeio do transporte dos empregados. De mais a mais, o fornecimento do transporte aos seus empregados é imprescindível para a execução do trabalho e não pela execução do mesmo. Ora, tal ordem de raciocínio é mais do que suficiente para afastar a legitimidade do lançamento efetivado, pois quando o benefício é ofertado para a execução do trabalho, o mesmo não pode compor a base de cálculo da contribuição previdenciária. Nesse sentido, até mesmo nos casos em que o benefício é pago em espécie, o entendimento asseverado pelo Egrégio Tribunal Superior do Trabalho, ratifica o acima exposto quando reconheceu a validade da antecipação em dinheiro do ValeTransporte, acordado coletivamente, consoante se observa da ementa a seguir reproduzida: “ACORDO COLETIVO DE TRABALHO – PREVISÃO DE ANTECIPAÇÃO DO VALETRANSPORTE E REDUÇÃO DO PERCENTUAL DE PARTICIPAÇÃO DO EMPREGADO – VALIDADE. ‘Acordo coletivo – Validade – Antecipação do valetransporte em janeiro. Ao vedar a antecipação em dinheiro do valetransporte o decreto regulamentador extrapolou os limites da lei instituidora do benefício. Válido o ajuste coletivo que prevê a antecipação em dinheiro do vale transporte e a redução do percentual de participação do trabalhador.” (Ac da SDC do TST – Ação Anulatória 366.360/97. 4 – Rel. Min. Fernando Eizo Ono – j. 1º.06.98 – Autor: Ministério Público do Trabalho; Réus: Federação Nacional dos Bancos e outros – DJU 1 07.08.98, pp 314/6 – ementa oficial)” (in “Repertório IOB de Jurisprudência, Caderno 2, pág. 381) (negritamos e sublinhamos) Deixo registrado, que o pagamento do vale transporte em pecúnia não gera nenhum prejuízo ao trabalhador e a empresa não agiu com o intuito de sonegar tributos. Também não há ganho salarial para o trabalhador, pois a verba é paga especificamente para que o trabalhador faça o percurso para o seu trabalho, ou seja tem caráter estritamente indenizatório. Cabe registrar por fim que o Plenário do Supremo Tribunal Federal – STF enfrentou a matéria no exame do Recurso Extraordinário n.º 478.410/SP, julgado, em 10/03/2010, em que firmou convencimento no sentido de que o benefício em tela não constitui base de incidência de contribuição previdenciária, in verbis: EMENTA: RECURSO EXTRORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em vale transporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em Fl. 394DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 16327.001885/200887 Acórdão n.º 2301003.141 S2C3T1 Fl. 7 6 dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de vales transporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento. Nesse julgamento, ficou assente que o ValeTransporte mesmo quando pago em pecúnia ou descontado a menor, não perde o seu caráter indenizatório, sendo, portanto, incabível a incidência de contribuição previdenciária sobre essa rubrica. Em conclusão, verificase que a exigência pretendida através do presente lançamento é descabida, razão pela qual deve a mesma ser afastada. Da Conclusão Ante ao exposto, CONHEÇO e DOU TOTAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. Sala das Sessões, em 17 de outubro de 2012 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 395DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIR A
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Numero do processo: 10680.725069/2010-71
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jan 07 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2301-000.552
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral a Dra. Tatiana Zuconi Viana Maia, OAB/DF 15.534.
João Bellini Júnior- Presidente.
Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Nathalia Correia Pompeu, Luciana de Souza Espíndola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral a Dra. Tatiana Zuconi Viana Maia, OAB/DF 15.534. João Bellini Júnior Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Nathalia Correia Pompeu, Luciana de Souza Espíndola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .7 25 06 9/ 20 10 -7 1 Fl. 742DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10680.725069/201071 Resolução nº 2301000.552 S2C3T1 Fl. 742 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG) contra o Acórdão n.º 0251.333 da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte (MG), f. 604609, que julgou procedente em parte a impugnação ao Auto de Infração de Obrigação Acessória (AIOA) lavrado sob o Debcad nº 37.312.2330. De acordo com o relatório fiscal de fl. 711, o AIOA referese à exigência de penalidade por infração ao artigo 32, inciso IV, parágrafo 5º, da Lei n.° 8.212, de 24/07/1991, na redação da Lei n.° 9.528, de 10/12/1997, pelo fato de a empresa ter apresentado Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), no período intermitente de 03/2005 a 12/2006, com omissão dos valores pagos, devidos ou creditados, pela Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG), aos empregados e a administradores, diretores e membros de Conselhos, a título de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), em desacordo com a Lei nº 10.101/2000. Segundo a fiscalização, não há base legal para exclusão da incidência sobre os pagamentos feitos a este título a administradores, diretores e conselheiros, além disso, os acordos coletivos não abarcam essas categorias de trabalhadores. Quanto aos pagamentos feitos aos empregados, o foram sem que tenham sido estabelecidos objetivos e metas, mais de duas vezes ao ano e com base em acordo coletivo firmado no final do ano. Constam do pólo passivo do lançamento, na condição de contribuinte, a Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG), CNPJ 17.155.730/200164, e na condição de responsáveis solidárias integrantes do grupo econômico, com base no art. 30, IX, da Lei 8.212/91, CEMIG Geração e Transmissão S/A, CNPJ 06.981.176/000158 e CEMIG Distribuição S/A, CNPJ 06.981.180/000116. Os sujeitos passivos foram cientificados do lançamento em 21/12/2010 e apresentaram tempestivamente impugnação única. Em 29/10/2012, a DRJ converteu o julgamento em diligência, nos termos do despacho de fls. 578579. Em atendimento ao pedido de esclarecimentos, foi emitido relatório fiscal complementar de fls. 580581. Os pontos controvertidos apresentados na impugnação e o resultado da diligência foram sintetizados no relatório do acórdão recorrido, o qual adoto aqui: Informa que a suposta infração que resultou no auto de infração ora impugnando também embasou os autos de infração 37.312.2284, 37.312.2292 e 37.212.230 6. Inicialmente, diz que o auto de infração é nulo, pois o valor da multa aplicada é R$ 97.135,61 e no relatório fiscal de aplicação da multa é apontado como valor da penalidade o montante de R$ 85.907,04, o que resulta no comprometimento do seu direito de defesa. Disserta sobre a metodologia utilizada para aplicação da multa, e afirma que deveria ser aplicado o artigo 32A da Lei 8.212/91, pois a Fl. 743DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10680.725069/201071 Resolução nº 2301000.552 S2C3T1 Fl. 743 3 comparação deveria ser entre a multa prevista nos parágrafos 4o e 5o do art. 32 da Lei 8.212/91, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, com a multa atualmente vigente e que consta no art. 32A da Lei 8.212/91. No mérito, apresenta os mesmos argumentos que constam na defesa do processo principal 10680.725064/201049, Debcad 37.312.2284, ao qual o presente processo está vinculado, lavrado na mesma ação fiscal, cujo conteúdo foi relatado no Acórdão 02 51.330, julgado juntamente com o presente processo, na mesma sessão de julgamento desta turma da DRJ/BHE. Pede: que seja declarado nulo o auto de infração; seja reconhecida a decadência referente às competências anteriores a dezembro de 2005; o cancelamento da multa aplicada; caso seja mantido o lançamento, requer o cancelamento da aplicação da multa de ofício ao caso; seja reconhecida a inexistência de responsabilidade solidária; e o julgamento conjunto com os demais autos de infração conexos. Os autos foram baixados em diligência para manifestação do auditor fiscal autuante sobre a aplicação da multa, conforme despacho de fls. 577/578. Em Informação Fiscal de fls. 579/580 consta que o valor da multa expresso na capa do AI deve ser alterado de R$ 97.135,60 para R$ 85.907,40, conforme anexo 1 de fl.581. O sujeito passivo foi cientificado da Diligência Fiscal em 23/8/13, sendo aberto o prazo de trinta dias para manifestação. Em 23/9/13, o contribuinte apresentou manifestação de fls. 590/599, onde reitera os argumentos e pedidos apresentados na defesa. A DRJ julgou a impugnação procedente em parte e manteve em parte o crédito tributário, retificando erro de cálculo do valor da multa e excluindo os responsáveis solidários por entender que a responsabilidade solidária não se aplica às multas aplicadas por descumprimento de obrigações acessórias. Foram rejeitados os demais argumentos da defesa, com base nos seguintes fundamentos: a) incide a regra decadencial do art. 173, I, do CTN, por se tratar de lançamento de ofício; b) os argumentos de mérito são os mesmos do Acórdão 02 51.330, proferido no processo principal 10680.725064/201049. Dessa decisão, o contribuinte e os responsáveis solidários foram intimados em 20/01/2014, fls. 611619. Em 19/02/2014, Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG) interpôs recurso voluntário, fls. 620648, apresentando suas razões, cujos pontos relevantes são: Sustenta que é indevida a exigência de informação em GFIP dos pagamentos feitos a título de PLR, porquanto não são fatos geradores de contribuições previdenciárias. Alega que a Lei 10.101/2000 não prevê obrigatoriedade de que sejam fixados objetivos e metas para se legitimar os pagamentos realizados a título de PLR. Fl. 744DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10680.725069/201071 Resolução nº 2301000.552 S2C3T1 Fl. 744 4 Afirma que os acordos coletivos firmados entre a empresa e os sindicatos definem com clareza a forma e o prazo de apuração e pagamento de PLR. Com relação à periodicidade dos pagamentos, explica que foi observada a regra temporal prevista em lei. Acrescenta que os pagamentos feitos em março e julho de 2005 não foram destinados aos mesmos funcionários. Esses pagamentos se referem à PLR 2004 (resultado de 2004) e foram pagos em março/2005, exceto aos empregados que tinham se desligado da empresa ao longo de 2004, que tiveram seus pagamentos em julho/2005 (alíneas “b” e “b.1” da Cláusula Septuagésima Oitava do Acordo Coletivo 2004/2005). Que em novembro e dezembro de 2005 houve o pagamento a titulo de Participação nos Resultados – Distribuição Extraordinária – PRE, decorrente do resultado verificado em 2005 e correspondente a 4 remunerações, dividido em duas parcelas, conforme definido em comum acordo com os Sindicatos (Cláusula Septuagésima Nona do Acordo Coletivo 2005/2006). Que os pagamentos feitos em março e julho de 2006 não foram destinados aos mesmos funcionários. Esses pagamentos decorrem do resultado de 2005, mediante distribuição de 3% do resultado operacional da empresa e foram pagos em março de 2006, exceto aos empregados que haviam se desligado da empresa no decorrer do ano de 2005, que tiveram seus pagamentos em julho de 2006 (alíneas “b” e “b.1” da Cláusula Septuagésima Oitava do Acordo Coletivo 2005/2006). Que os valores pagos em janeiro e maio de 2006 referemse a ajustes e correções: a) janeiro/2006: diferença de PLR devida a 19 empregados que auferiram aumentos salariais com data retroativa a 1o de novembro de 2005 e a empregados que estavam cedidos a outras empresas e voltaram a prestar serviços à recorrente; b) maio/2006: parcela de PLR paga a trabalhadores readmitidos por força de decisão judicial e também para corrigir diferenças decorrentes de aumentos salariais retroativos. Os pagamentos em dezembro de 2006 referemse à Participação nos Resultados – Distribuição Extraordinária – PLRE, decorrente do resultado verificado em 2006 e correspondente a 2,8 remunerações (Cláusula Quinta do Acordo Coletivo 2006/2007). Argumenta que não há respaldo legal para se exigir que o acordo seja firmado antes do início do ano que servirá de base para a distribuição. Sustenta que não incide contribuições previdenciárias sobre valores pagos a título de PLR a administradores, diretores e membros do Conselho, sem vínculo empregatício, com base no art. 7o da Constituição Federal e Lei 101.101/2000, e art. 152 da Lei 6.404/76, não sendo aplicável a limitação do inciso X alínea “a” do inciso V do § 9o do art. 214 do Decreto 3.048/99. Entende que, de qualquer modo, caso afastada a sua natureza de PLR, esses pagamentos não integram o salário de contribuição porque são abonos pagos desvinculados do trabalho e sem natureza contraprestativa e sem habitualidade, pois feitos com base na lucratividade da empresa. Alega que a multa mais benéfica é a prevista no art. 32A da Lei 11.941/2009. Fl. 745DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10680.725069/201071 Resolução nº 2301000.552 S2C3T1 Fl. 745 5 Pede o cancelamento do crédito tributário exigido, ou, eventualmente, caso mantida a exigência do Processo principal (10680.725064/201049), que seja aplicada a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. É o relatório. Fl. 746DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10680.725069/201071 Resolução nº 2301000.552 S2C3T1 Fl. 746 6 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora. Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. Conexão por Prejudicialidade Tratase de Auto de Infração lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista na Lei 8.212/91, art. 32, inciso IV, § 5o, acrescentados pela Lei nº 9.528/1997 c/c art. 225, inciso IV e § 4o do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto 3.048/1999, que consiste em a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. As contribuições incidentes sobre os fatos geradores não declarados em GFIP foram objeto de lançamento no Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) nº 10680/725064/201049 (empresa) e 10680.725065/201093 (segurados), existindo conexão entre os processos de NFLD e o presente processo. O lançamento fiscal referente ao crédito tributário proveniente da obrigação tributária principal deve ser julgado conjuntamente com o presente recurso já que a relação jurídicotributária de seus respectivos fatos geradores é consubstanciada pela homogeneidade temporal e pela mesma hipótese fática de incidência tributária ou pela mesma hipótese fática na aplicação da multa decorrente do descumprimento da obrigação tributária acessória. Em decorrência, se no julgamento do lançamento relativo às contribuições correspondentes aos fatos geradores omitidos, no mérito, for decidido pela improcedência, não há como prevalecer o auto de infração pelo descumprimento de obrigação acessória relativa a tais fatos geradores. Portanto, o presente processo deve seguir o mesmo andamento do processo principal nº 10680/725064/201049, o qual foi devolvido à Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem, para cumprimento de solicitação de diligência, nos termos da Resolução nº 2301000.549, sessão de 09/12/2015. Encaminhese à DRF Belo Horizonte (MG), para aguardar o resultado da diligência do processo nº 10680/725064/201049, e, após, restituamse os autos a este Conselho, para julgamento do recurso voluntário. Conclusão Com base no exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência. Luciana de Souza Espíndola Reis Fl. 747DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR
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Numero do processo: 10840.000017/96-53
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 1997
Ementa: IRPF - ACORDO JUDICIAL - REPOSIÇÃO DE PERDAS SALARIAIS -
URP - Embora a Muro de indenização, são tributáveis os rendimentos
concedidos através de- ação trabalhista, por correspondem, a
reposição de perda salarial, a diferença de vencimentos, os juros e a correção monetária, não- tendo- como isentá-los por falta -de amparo legal, devendo compor a base de cálculo do imposto de renda.
Recurso negado.
Numero da decisão: 102-41.575
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrara presente julgado.
Nome do relator: Maria Goretti Azevedo Alves Dos Santos
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-07T17:35:36Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-07T17:35:36Z; Last-Modified: 2009-07-07T17:35:36Z; dcterms:modified: 2009-07-07T17:35:36Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-07T17:35:36Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-07T17:35:36Z; meta:save-date: 2009-07-07T17:35:36Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-07T17:35:36Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-07T17:35:36Z; created: 2009-07-07T17:35:36Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2009-07-07T17:35:36Z; pdf:charsPerPage: 1368; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-07T17:35:36Z | Conteúdo => ,i.-; MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES . n74 , ;,,,- Processo n°. : 10840.000017/96-53 Recurso n°. : 10.842 Matéria : IRPF - EX.: 1995 Recorrente : OSCAR CHIGUE0 NARITA Recorrida : DRJ em RIBEIRÃO PRETO - P Sessão de : 13 DE MAIO DE 1997 - Acórdão n°. : 102-41.575 - IRPF - ACORDO JUDICIAL - REPOSIÇÃO DE PERDAS SALARIAIS - URP - Embora a Muro de indenização, são tributáveis os rendimentos concedidos através de- ação trabalhista, por- correspondcrem, a reposição de_ perda salarial, a-diferença de vencimentos, os juros e a correção monetária, não- tendo- como isentá-los por falta -de amparo.. legal, devendo compor a base de cálculo do imposto de renda. Recurso negado. Vistos, relatados e_discutidos os presentes autos de recurso interposto por OSCAR CHIGUE0 NARITA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do-Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrara presentejulgado. ANTONIO D Çz/3Fl.*'''''—ITAS DUTRA PRE 10 TE . _ ai" A p.. MARIA GO-4,Jii . ~a. DO ALVES_ DOS SANTOS RELATORA FORMALIZADO EM: 1 3 juN 1997 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros UIRSULA HANSEN, JOSÉ CLÓVIS ALVES, JÚLIO CÉSAR GOMES DA SILVA, RAMIRCr HEISE e FRANCISCO DE PAULA CORRÊA CARNEIRO GIFFONI. Ausente-, justificadarnente, a Conselheira SUELI EFIGÊNIA MENDES-DEBRITTO. MLCM • MINISTÉRIO DA FAZENDA :!su• PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES e • Processo na. : 10840.000017/96-53 Acórdão n°. : 102-41.575 s., Recurso na. : 10.842 Recorrente- : OSCAR CHIGUEO NARITA RELATÓRIO OSCAR CHIGUEO NARITA, inscrito no CPF sob o na 744.784.518-34, inconformado com a decisão da Delegacia da_Receita Federal dei Julgamento Ribeirão Preto - SP, interpõe-recurso a este Cc4egiado, visando-a reforma da sentença de 10 grau de Jurisdição. Em decorrência de revisão sumária de_ sua Declaração de Rendimentos relativa ao exercício de 1995, ano calendário 1994, foram incluídos entre os valores 11.029,49 URirs, indicados como não tributável, consoante o comprovante de rendimentos fornecidos pela fonte pagadora. Alega o contribuinte que conforme consta do Informe-de Rendimentos Pagos/Retenção de IR na fonte (cópia em anexo) o Recorrente obteve, ano base de 1994, rendimentos na ordem de 77.608,91 UFIR's. Afirma, outrossim, o Recorrente com efeito, que tal valor recebido a título de indenização, situa-se no quadro de Rendimentos Isentos e não tributáveis. Contudo, em decorrência de revisão sumária de sua Declaraçá"o de Rendimentos relativa ao exercício de 1995 - ano base 1994, foram incluídos os r valores tributáveis, indicados como não, sendo exigido imposto a pagar equivalente a 1 3.308,77 UFIR's, conforme Notificação de fls. 4. Em seu socorro, o Contribuinte/Recorrente alega em sua impugnação, em síntese o seguinte: a) após discussão com sua fonte pagadora sobre •a reposição das perdas salariais decorrentes do- Plano Verão, fora- firmado acordo I , 2 ; MINISTÉRIO DA FAZENDA "nn PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES e : Processo n°. : 10840.000017196-53 Acórdão n°. : 102-41.575 judicial, e-que os valores recebidos teriam sido pagos a título de indenização; b) que tais valores não_ teriam sido incorporados a sua massa salarial, não gerando-reflexos nos aumentos salariais posteriores, e c) que a importância recebida não poderia ser considerada como salário, correspondendo a uma verba indenizatória, em face de acordo judicial. Após analisar detidamente todos os elementos constantes dos autos, refutando os argumentos formulados, a autoridade julgadora monocrática mantém o lançamento, em decisão ementada corno-se segue: "IMPOSTO DE PRENDA - PESSOA FÍSICA ACORDO JUDICIAL - REPOSIÇÃO DE-PERDAS SALARIAIS - Embora a título de indenização, a diferença de-vencimentos, os juros e a correção monetária não- podem ser admitidos como não tributáveis, devendo compor a base de cálculo dó imposto de renda". Em suas razões de recurso voluntário, acostadas aos autos às fls. 27/29 o Contribuinte reitera basicamente os argumentos já expendidos na fase impugnatória. A Procuradoria da Fazenda às fls. 34/37 consigna que o contribuinte não trouxe nenhum fato novo que pudesse macular o lançamento impugnado, entendendo que o recurso apresentado a este Conselho, trata-se de expediente meramente protelatório. É o Relatório. 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA. •• PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • Processo n°. : 10840.0G0017196-53 Acórdão n°. : 102-41.575. VOTO Conselheira MARIA GORETT1 -AZEVEDO ALVES DOS SANTOS, Relatora. Recurso revestido das rormalidades legais, razão pela qual_ deve ser conhecido. A pendência do litígio gira em torno de rendimentos auferidos através de indenização recebida em decorrência da propositura de ação- trabalhista que versava sobre diferenças salariais, ou seja, o recebimento dai URP a partir de fevereiro de 1989. A matéria que- deu ensejo a Reclamação, fundamentou-se em reposição do percentual de 26,5% sobre a perda salarial, atendendo ao disposto no artigo 3°, do Decreto-Lei n° 2.335, de 12.06.1987, que determinou o referido reajuste salarial. Não há que_ se negar seja garantido ao trabalhador, no decurso do tempo, a reparação do dano sofrido, ou seja-a justa correção monetária, acrescida ,de juros, com a precípua finalidade de restabelecer a situação anterior a que fazia jus por determinação legal, que foi sobejamente descumprida pelo empregador, sendo portanto necessário que os empregados ajuizassem ação própria para reaverem os seus direitos usurpados. Conforme assinala a decisão recorrida Dispõe a Medida Provisória n° 032, de 15.01.89, posteriormente convertida na Lei 7.730, de 31.01.89, em-seu artigo 50: ))+,, 4 , -;. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo na. : 10840-.000017/96-53 Acórdão na. : 102-41575- "Art. 50- - Os salários, vencimentos, soldos, aposentadorias , e demais remunerações de agsalariados, bem corno pensões relativas- ao mês- de fevereiro de 1989, se inferiores ao respectivo valor médio reat de 1988, calculado de acordo com o anexo, I, serão para este valor aumentados". Portanto, os pagamentos relativos ao acordo judicial em questão constituem, na verdade, satário, por corresponderem a aumento salarial determinado por lei, o qual, não tendo sido pago tempestivamente, foi questionado no acordo judicial, cuja decisão foi favorável ao contribuinte. Assim sendo, a parcera em discussão nos autos, está cristalinarnente caracterizada como recomposição salarial concedida pelo Decreto-Lei 2.335/87, visando exclusivamente, minimizar o_ desfalque sofrido pelos assalariados, face a inflação desenfreada existente no período de sua vigência. É de elementar sabença, que a fonte pagadora estaria obrigada a reter a imposto de renda na fonte, na qualidade de responsável tributária, entretanto "oblitaren o recorrente que a lei é restritiva: "A falta de retenção' do imposto pela fonte pagadora, não exonera o beneficiário de inclui-lo na declaração de rendimentos, oferecendo-o tributação". Destaca-se, que a correção monetária e os juros de mora em Reclamação Trabalhista, serão, também classificados como rendimentos da trabalho assalariado. As contra-razões apresentadas pelo M.D. Representante da Fazenda Nacional fortificam com a decisão recorrida. \ #1\f 5 rj MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES e e r` Processo n°. : 10840.000017196-53 Acórdão n°. : 102-41.575 Com base na bem elaborada decisão-singular, ao declarar- como tributável os rendimentos auferidos pelo sujeito passivo e que não foram oferecidos, à tributação, deve ser mantida integralmente, por seus próprios fundamentos. Face ao exposto, nego provimento ao recurso interposto. Sala das Se_ssões - DF, em 13 demi° de 1997. 4trifflowir. MARIA GOR AZ. EDO Á LVES DOS SANTOS 6 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1
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Numero do processo: 10166.003984/91-71
Data da sessão: Fri Aug 25 00:00:00 UTC 1995
Ementa: FINSOCIAL FATURAMENTO -
DECORRÊNCIA - Tratando-se de lançamento
reflexivo, a decisão proferida no processo matriz
se projeta no julgamento do processo decorrente
recomendando o mesmo tratamento, dada a íntima
relação de causa e efeito.
Numero da decisão: 102-30.152
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso para adequar esta decisão ao decidido no processo matriz, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: Waldevan Alves de Oliveira
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por NOVADATA SISTEMAS E COMPUTADORES S/A. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso para adequar esta decisão ao decidido no processo matriz, nos termos do relatório e voto que passam a integar o presente julgado. Sala das Sessões, em 25 de agosto de 1995 ibt WALDEVj' DE OLIVEIRA - VICE-PRESIDENTE E RELATOR VISTO EM LOUREMBERG RIBEIRO NUNES ROCHA - PROCURADOR DA SESSÃO FAZENDA NACIONAL 2 AG0 1995 Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselheiros. Ursula Hansen, Maria Clélia de Andrade Figueiredo, Júlio César Gomes da Silva, José Clóvis Alves e José Carlos Passuello. MINISTÉRIO DA FAZENDA 02 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N° 10166/003.984/91-71 RECURSO N°: 81.356 ACÓRDÃO N° 102-30.152 RECORRENTE: NOVADATA SISTEMAS E COMPUTADORES S/A RELATÓRIO NOVADATA SISTEMAS E COMPUTADORES S/A., empresa sediada em Brasília, Distrito Federal, na guarda do prazo legal, recorre a este Conselho do ato do titular da DRF daquela cidade, que, indeferindo a sua impugnação, manteve lançamento ex-officio em sua declaração de rendimentos apresentada para o exercício de 1987, ensejando a cobrança do imposto no valor de Cr$ 291,14, acrescido da multa de 50% e demais encargos legais. Iniciou-se o procedimento em decorrência de ação fiscal levada a efeito contra a pessoa jurídica, processo matriz, o que deu origem ao lançamento consubstanciado no auto de infração de fls. 01, do seguinte teor: "DISCRIMINAÇÃO VALOR (Cr$) 1- CONTRIBUIÇÃO (FINSOCIAL FATURAMENTO) 291,14 2- COR.MONET./TRD 2 009.254,93 3 - MULTA (Passível de Redução) 1.004.773,03 4- JUROS DE MORA 964.587,93 5 - TOTAL 3.978.907,03" Notificada do lançamento, a empresa apresentou impugnação tempestiva às fls. 12/17, procurando demonstrar a sua improcedência, discutindo o mérito do lançamento relativamente ao processo da pessoa jurídica. A decisão da autoridade julgadora de primeira instância foi proferida às fls. 26, deferindo parcialmente a pretensão da recorrente, cujos fundamentos se acham sintetizados na seguinte ementa: , MINISTÉRIO DA FAZENDA 03 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N° 10166/003.984/91-71 Acórdão N° 102-30.152 "FINSOCIAL FATURAMENTO - Aplica-se o decidido no processo matriz do qual este é decorrente." Não se conformando com a decisão retro, a empresa interpôs recurso a este Conselho às fls. 31/32, reeditando as mesmas razões ofertadas no processo matriz, lidas na integra em sessão. É o relatório \\-----:\k, MINISTÉRIO DA FAZENDA 04 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N° 10166/003.984/91-71 Acórdão N° 102-30.152 VOTO Conselheiro WALDEVAN ALVES DE OLIVEIRA, Relator: A matéria submetida ao julgamento desta Câmara decorre de lançamento ex-officio levado a efeito contra a pessoa jurídica, processo matriz, relativamente a imposto de renda, resultando daí o lançamento decorrente nos termos do auto de infração de fls. 01. Trata-se, portanto, de lançamento reflexivo, do conhecimento da recorrente, revelado em sua peça hnpugnatória e bem assim em seu recurso onde insiste na vinculação deste processo ao julgamento do processo principal Ocorre, todavia, que o recurso interposto pela pessoa jurídica, a propósito do imposto de renda foi objeto de julgamento por esta Câmara, em sessão de 22.08.95, que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso, conforme faz certo o Acórdão N° 102-30.075. Destarte, em se tratando de lançamento decorrente, a decisão proferida nos autos do processo principal se projeta neste processo reflexivo, recomendando o mesmo tratamento, dada a íntima relação de causa e efeito. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, adequando-o ao decidido no processo matriz. Brasília - DF, 25 de agosto de 1995 \ WALDEVAN L 1 5 DE OLIVEIRARAVE Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
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Numero do processo: 13839.002609/2002-82
Data da sessão: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1989 a 30/09/1995
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÃO NO JULGADO. ERRO DE FATO. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS.
Estando presente a argüida contradição no julgado, procede-se sua retificação, mantendo-se inalterada a parte não embargada.
Numero da decisão: 9900-000.854
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER e DAR parcial provimento aos embargos de declaração para retificar o acórdão embargado, com efeitos modificativos, determinando o retorno à unidade de origem para análise do direito creditório, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martinez Lopez, Júlio César Alves Ramos e Francisco Maurício Rebelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1989 a 30/09/1995 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÃO NO JULGADO. ERRO DE FATO. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. Estando presente a argüida contradição no julgado, procede-se sua retificação, mantendo-se inalterada a parte não embargada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER e DAR parcial provimento aos embargos de declaração para retificar o acórdão embargado, com efeitos modificativos, determinando o retorno à unidade de origem para análise do direito creditório, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martinez Lopez, Júlio César Alves Ramos e Francisco Maurício Rebelo de Albuquerque Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2213; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFPL Fl. 3 1 2 CSRFPL MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13839.002609/200282 Recurso nº Embargos Acórdão nº 9900000.854 – Pleno Sessão de 09 de dezembro de 2013 Matéria PRESCRIÇÃO/REPETIÇÃO DE INDÉBITO Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado SAJOMAR TRANSPORTADORA TURÍSTICA LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1989 a 30/09/1995 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÃO NO JULGADO. ERRO DE FATO. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. Estando presente a argüida contradição no julgado, procedese sua retificação, mantendose inalterada a parte não embargada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER e DAR parcial provimento aos embargos de declaração para retificar o acórdão embargado, com efeitos modificativos, determinando o retorno à unidade de origem para análise do direito creditório, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 26 09 /2 00 2- 82 Fl. 435DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 25/02/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martinez Lopez, Júlio César Alves Ramos e Francisco Maurício Rebelo de Albuquerque Silva. Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN contra decisão do Pleno, proferida na sessão de 29 de agosto de 2012, consubstanciada no acórdão nº 9900000.732, a qual considerou que o prazo prescricional de 5 (cinco) anos, do direito à repetição de indébitos fiscais, para os pedidos de restituição/compensação protocolizados na repartição da Receita Federal do Brasil – RFB, somente seria aplicável aos pedidos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias até a vigência da Lei Complementar nº 118/2005, ou seja, a partir do dia 09 de junho de 2005. Sendo assim, somente para os pedidos formalizados anteriormente a essa data (09/06/2005) é que o prazo para repetição ou compensação de indébito seria de 10 (dez) anos, contados do seu fato gerador (tese dos cinco + cinco), tendo em conta a aplicação combinada dos artigos 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do Código Tributário Nacional – CTN. No presente caso, o pedido de restituição/compensação foi formalizado em 24/07/2002 e se refere a fatos geradores ocorridos entre 01/1989 e 09/1995, tendo a decisão embargada considerado que todo o período não estaria alcançado pela prescrição. A embargante aponta a existência de contradição no acórdão, porquanto o mesmo considerara não prescritos indébitos tributários concernentes a fatos geradores ocorridos anteriormente ao dia 24/07/1992, quando, na realidade, os mesmos já se encontravam fulminados pela aludida prescrição decenal. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, relator. Os presentes declaratórios interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN foram acolhidos pelo Presidente deste Colegiado através do Despacho nº 9900 – Pleno, de 21 de outubro de 2013, merecendo, assim, ser conhecido. Dispõe o referido Despacho que a decisão embargada deveria ser reformada a fim de espelhar a real situação da decisão do Colegiado, que seria pelo provimento parcial do recurso especial da PFN, considerando como alcançados pela decadência os fatos geradores ocorridos até 24/07/1992. Dessa forma, o caso é submetido à presente deliberação plenária, conforme determina o art. 65, § 3º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009 – RICARF/2009. A contradição argüida diz respeito ao fato de na decisão embargada ter sido considerado não prescritos os indébitos fiscais recolhidos em face de obrigações tributárias com fatos geradores compreendidos no período de 01/1989 a 09/1995, tendo o pedido de Fl. 436DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 25/02/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13839.002609/200282 Acórdão n.º 9900000.854 CSRFPL Fl. 4 3 restituição/compensação sido formalizado em 24/07/2002, portanto anteriormente à vigência da LC nº 118/2005, ocorrida em 09/06/2005, ao passo que a regra a ser seguida, com base na decisão do Supremo Tribunal Federal – STF no RE nº 566.621/RS, é a de que, para esses casos, considerase válida a aplicação do prazo prescricional de dez anos, contados a partir da data do fato gerador até a data da protocolização do pedido de restituição/compensação. Sendo assim, contrariamente ao que fora consignado no aresto embargado, estariam prescritos os indébitos fiscais sobre obrigações com fatos geradores ocorridos até o dia 24/07/1992, significando dizer que os indébitos fiscais relativos ao período de 01/1989 a 07/1992 estariam alcançados por esse instituto, não mais existindo o direito à pretendida repetição. Diante do exposto, acolho os embargos declaratórios, com efeitos modificativos, por considerar presente a arguida contradição no julgado, devendo a decisão ser retificada no sentido de se considerar prescrito o direito à repetição relativo aos indébitos fiscais sobre fatos geradores ocorridos no período de 01/1989 a 07/1992, ratificandose a decisão quanto à parte não embargada, retornandose os autos à unidade de origem para análise do direito creditório. É como voto. (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Fl. 437DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 25/02/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10680.933176/2009-38
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1401-000.168
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 33 17 6/ 20 09 -3 8 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.933176/200938 Resolução nº 1401000.168 S1C4T1 Fl. 792 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra Acórdão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Belo HorizonteMG. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP), mediante utilização de pretenso "Pagamento Indevido/a Maior" no valor de R$ 4.001.678,88. 2.As compensações declaradas pelo contribuinte, sinteticamente: Crédito utilizado Débitos compensados DCOMP Data Origem Valor Cód igo Valor do principal Vencim ento 14245.99518.310108.1.3.04‐ 4975 31/01/2008 Pagamento indevido/ a maior R$ 4.001.678,88 2484 R$ 5.478.298,39 31/01/2008 3.A análise do documento protocolizado pelo contribuinte foi efetuada pela DRF através do Despacho Decisório n° 848544391 anexado à fl. 34, exarado aos 07/10/2009, que assim se manifestou: "Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMPpor tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o Saldo Negativo de IRPJ ou CSLL do período ". 3.1Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170 da Lei n° 5.172, de 1966 ( CTN), art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005 e art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996. 4.Tendo em vista as razões acima expendidas, a DRF NÃO HOMOLOGA a compensação declarada pelo contribuinte na DCOMP identificada no item 2. Manifestação de Inconformidade 5.O contribuinte foi cientificado do procedimento em 20/10/2009, conforme documento à fls. 55. Irresignado, o contribuinte apresenta em 18/11/2009 a manifestação de inconformidade anexada às fls. 01 a 09, onde, em síntese, argumenta: 5.1A tempestividade da apresentação da manifestação de inconformidade. 5.2Informa que apurou o IRPJEstimativa Mensal no mês de abril/2005 no montante de R$ 6.642.176,70, informou o valor apurado em DCTF e efetuou o recolhimento da importância correspondente. 5.2.1Acrescenta que, posteriormente, constatou erro na apuração do valor do IRPJ (estimativa mensal) para o período, "acabou por apurar prejuízo", "gerando o recolhimento indevido de todo o montante anteriormente recolhido no valor de R$6.642.176,70". (grifo e negrito do original. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.933176/200938 Resolução nº 1401000.168 S1C4T1 Fl. 793 3 5.2.2A DCTF originalmente apresentada foi retificada e os valores apurados como devidos estão em conformidade com as informações prestadas em DIPJ. O indébito apurado foi utilizado em compensações de débito declaradas em DCOMP. 5.3A autoridade fiscal Não Homologou a compensação declarada, exigindo do contribuinte o principal, multa e juros referentes ao débito compensado. "Todavia, a Requerente demonstrará ser totalmente ilegal a cobrança do saldo devedor acima referido, pleiteando pela homologação das compensações declaradas e a anulação do despacho decisório (...)". 5.4Tendo em vista a motivação apresentada pela DRF argumenta que "o entendimento da autoridade fiscal destoa do entendimento do Conselho de Contribuintes sobre o assunto, não atendendo aos ditames da Lei n° 9.430, de 1996,\ Invoca os arts. 2o e 74 da Lei n° 9.430, de 1996 para alegar que "não há qualquer impedimento legal à compensação pleiteada". Afirma que a única restrição existente está prevista no art. 10 da IN SRF n° 600, de 2005. Ilustra com acórdãos e voto do Conselho de Contribuintes. 5.4.1Argumenta que "a Requerente efetuou recolhimento antecipado de IRPJ e, em função de ter constatado erro na apuração da base de cálculo mensal, apurou antecipação superior à que seria efetivamente devida dentro do próprio mês.'''' Informa a retificação da DCTF, "tornandoperfeitamente identificável o mês de geração do indébito tributário". 5.4.2Ressalta que a Instrução Normativa n° 900, de 2008, que revogou a IN SRF n° 600, de 2005 revogou "a hipótese de vedação à compensação dentro do próprio ano, o que demonstra uma mudança de entendimento dentro da própria RFB, em relação ao tema objeto da presente impugnação". 5.5Em outra linha argumentativa, o manifestante "requer que seja preservado o direito à restituição do indébito tributário, tendo em vista que a Declaração de Compensação e a presente impugnação, tempestivamente apresentada, são provas do cumprimento do prazo prescricional de 05 (cinco) anos previsto no art. 168 do CTN\ Destaca ainda que "na hipótese de o despacho decisório em epígrafe não for reformado, considerase resguardado o seu direito de contestação na esfera judicial em até dois anos contados da decisão administrativa que denegar a compensação, por força do art. 169 do Código Tributário Nacional. 5.6Por fim, requer o acolhimento da manifestação de inconformidade para reformar o Despacho Decisório prolatado pela DRF e a homologação da compensação, além da suspensão da exigibilidade do crédito tributário. 6.Diante da manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, o processo foi encaminhado a esta DRJ para manifestação acerca da lide (fl.56). A DRJ INDEFERIU a solicitação, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/05/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, passíveis de restituição ou ressarcimento, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. COMPENSAÇÃO PAGAMENTOS POR ESTIMATIVA As estimativas mensais, ainda que pagas em valor superior ao calculado na forma da lei não se caracterizam, de imediato, como tributo indevido ou a maior passível de Fl. 158DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.933176/200938 Resolução nº 1401000.168 S1C4T1 Fl. 794 4 restituição/compensação. A opção pelo pagamento mensal por estimativa difere para o ajuste anual a apuração do possível indébito, quando ocorre a efetiva apuração do imposto devido. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.933176/200938 Resolução nº 1401000.168 S1C4T1 Fl. 795 5 VOTO Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Em apertada síntese, a Recorrente alega que cometera erro material nos recolhimentos a estimativas e que eventuais recolhimentos a maior do que o devido, a título de estimativas (segundo as regras aplicáveis à espécie), seriam passíveis de compensação/ restituição, a partir do mês subsequente ao do recolhimento. A DRJ, por sua vez, esposa o entendimento de que para as pessoas jurídicas tributadas com base nas regras do lucro real, o crédito ou o débito decorrente do confronto do pagamento das estimativas, de que trata o artigo 2° da Lei n° 9.430, de 1996, com o valor devido a título de IRPJ e CSLL, só seria apurado em 31 de dezembro de cada anocalendário. Antes do encerramento do anocalendário não haveria que se falar em tributo a restituir. Dessa forma, partindo da premissa de que o fato gerador do imposto de renda e da contribuição social para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real somente se concretizaria no final de cada anocalendário, seria a partir deste evento que se encontraria o saldo do imposto a pagar ou a recuperar, nos termos do artigo 6º, § 1°, I e II, da Lei nº. 9.430, de 1996. Esta Turma, por maioria de votos, a partir do Acórdão da relatoria do Conselheiro Alkmim, nº 140100.420, de 25 de janeiro de 2011, sufragou entendimento diverso. Havendo prova recolhimento superior àquele imposto por lei, ainda que sob a alcunha de “estimativa”, resta caracterizado o recolhimento a maior passível de restituição ou compensação. Esse inclusive é o entendimento da CSRF. Vide Recurso nº 101150.629, de 24 de agosto de 2009, da relatoria do Conselheiro Guidoni: Assunto: Classificação de Mercadorias Exercício: 2005 Ementa: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO – RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA A MAIOR QUE O DEVIDO – O valor do recolhimento a título de estimativa que supera o valor devido a título de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de De fato, a legislação não estabelece que recolhimentos a maior que os estabelecidos pelas regras da apuração da antecipação mensal por estimativa também devem ser considerados como antecipação do imposto. Em outros termos, o recolhimento que exceda o valor apurado de acordo com as regras para o cálculo das antecipações mensais por estimativa não tem natureza de antecipação do imposto, mas de pagamento indevido, restituível nos termos do art. 165 do CTN. Outrossim, o artigo 74 da Lei no n° 9.430, de 1996, que regula a compensação, ao se referir as vedações, não dispôs expressamente acerca de qualquer restrição à compensação de estimativas pagas a maior ou indevidamente, mesmo porque não haveria mesmo que se proceder, pois estaria a adentrar no óbvio, já previsto na própria legislação que regulamenta a apuração e o pagamento de estimativas mensais. É claro que dentro da sistemática de apuração pelo lucro anual prevista na Lei n. 9.430/96, que é não é de todo simples, se pode incorrerse em erro material, seja na apuração do montante a ser pago a cada mês a título de estimativa quando se aplica o percentual de Fl. 160DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10680.933176/200938 Resolução nº 1401000.168 S1C4T1 Fl. 796 6 estimativa com a receita bruta; seja também quando do confronto do que já foi pago através dessa composição do percentual de estimativa com a receita bruta, com o valor do que deveria ser pago segundo o balancete de suspensão/redução. Bem caracterizado o erro nesse procedimento, referido excesso, ainda que sob a terminologia de “estimativa” não precisa ser levado à composição do tributo adiantado para fins do ajuste anual, simplesmente porque se trata de tributo pago indevidamente, podendo o mesmo ser restituído, ex vi art. 168 do CTN. Nesse contexto, em que se afastou de plano o pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir valores recolhidos a maior daqueles estabelecidos por lei a título de antecipação em balancete suspensão/redução, inclinome pela realização de uma diligência específica para que a fiscalização: Investigue se de fato houve erro material naquele procedimento, bem assim verificando a existência, suficiência, e disponibilidade do crédito pretendido na compensação. Intimar, se for o caso, o contribuinte a apresentar novas informações, esclarecimentos que entender pertinentes à solução da lide; Prosseguir na validação do saldo negativo informado pelo sujeito passivo na DIPJ através da análise das parcelas que compõem o crédito informadas no PER/DCOMP; Após as verificações acima, verificar se ainda resta algum débito remanescente a ser coberto, não homologando às que superarem o valor encontrado a título de pagamento indevido. Fazer essa verificação em conjunto com o processo nº 10680.935077/200991, que também foi baixado em diligência neste mesmo sentido e se refere também à compensação de saldo negativo do anocalendário de 2003; A autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo das verificações efetuadas nos itens anteriores. Ao final entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 161DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 36547.000113/2006-89
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2001 a 31/12/2001
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INEXISTÊNCIA.
Nos contratos de construção civil por empreitada total firmados pela Administração Pública, fica esta dispensada tanto da retenção de 11% como da responsabilidade solidária. Na hipótese de a referida contratação ser firmada mediante empreitada parcial ou de o contrato ter por objeto serviços de construção civil, sejam eles prestados mediante cessão de mão de obra ou por empreitada de mão de obra, ambos contratante e contratado estarão sujeitos, a contar de 1º de fevereiro de 1999, não mais ao instituto da solidariedade, mas, sim, ao regime da retenção de 11% de que trata o art. 31 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.711/98.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2302-002.778
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, em conformidade com o disposto no Parecer AGU AC nº 055, de 17 de novembro de 2006.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2001 a 31/12/2001 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INEXISTÊNCIA. Nos contratos de construção civil por empreitada total firmados pela Administração Pública, fica esta dispensada tanto da retenção de 11% como da responsabilidade solidária. Na hipótese de a referida contratação ser firmada mediante empreitada parcial ou de o contrato ter por objeto serviços de construção civil, sejam eles prestados mediante cessão de mão de obra ou por empreitada de mão de obra, ambos contratante e contratado estarão sujeitos, a contar de 1º de fevereiro de 1999, não mais ao instituto da solidariedade, mas, sim, ao regime da retenção de 11% de que trata o art. 31 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.711/98. Recurso Voluntário Provido
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CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INEXISTÊNCIA. Nos contratos de construção civil por empreitada total firmados pela Administração Pública, fica esta dispensada tanto da retenção de 11% como da responsabilidade solidária. Na hipótese de a referida contratação ser firmada mediante empreitada parcial ou de o contrato ter por objeto serviços de construção civil, sejam eles prestados mediante cessão de mão de obra ou por empreitada de mão de obra, ambos contratante e contratado estarão sujeitos, a contar de 1º de fevereiro de 1999, não mais ao instituto da solidariedade, mas, sim, ao regime da retenção de 11% de que trata o art. 31 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.711/98. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, em conformidade com o disposto no Parecer AGU AC nº 055, de 17 de novembro de 2006. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 54 7. 00 01 13 /2 00 6- 89 Fl. 260DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/05/2001 a 31/12/2001 Data da lavratura da NFLD: 31/05/2005. Data da Ciência da NFLD: 13/01/2006. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Delegacia da Receita Previdenciária em São Luís/MA que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio da NFLD nº 35.809.6260, consistente em contribuições sociais previdenciárias a cargo dos segurados empregados, incidentes sobre seus respectivos Salários de Contribuição, bem como contribuições sociais a cargo do Município destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, por responsabilidade solidária com a empresa construtora, incidentes sobre a remuneração de empregados da empresa construtora/prestadora de serviços de construção civil contratada para a execução de obras de construção civil de propriedade do Município de São Luis Prefeitura Municipal, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 46/54. Informa o auditor fiscal notificante que o Município fiscalizado, contratante das obras/serviços de construção civil, não comprovou o recolhimento das contribuições sociais por parte da empresa executora dos serviços de Construção Civil, incidentes sobre a remuneração incluída em notas fiscais de serviço e ou faturas correspondentes aos serviços executados, quer seja pela não apresentação das Guias de Recolhimento de Contribuições Previdenciárias — GRPS correspondentes, quer seja porque as guias apresentadas não atendiam ao disposto na legislação pertinente. Por tal razão, a Fiscalização procedeu ao lançamento do vertente crédito tributário em nome do Município de São Luis — Prefeitura Municipal, atribuindolhe responsabilidade solidária pelo adimplemento das obrigações decorrentes da prestação de serviços de Construção Civil ora em apreço, cuja base de cálculo houvese por apurada por aferição indireta, com base no valor das notas fiscais de serviço emitidas em face do Notificado. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 74/86. A Seção de Contencioso Administrativo da Delegacia da Receita Previdenciária em São Luís/MA proferiu Decisão Notificação a fls. 104/124, julgando procedente o lançamento, e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo houvese por cientificado da decisão de 1ª Instância em 29/10/2007 conforme Aviso de Recebimento a fls. 180 e 182. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 36547.000113/200689 Acórdão n.º 2302002.778 S2C3T2 Fl. 261 3 Inconformado com a decisão proferida pelo órgão Julgador a quo, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Voluntário a fls. 214/236, pugnando pela improcedência da NFLD. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 29/10/2007. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 13 de novembro do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Estando cumpridos os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO MUNICÍPIO. Malgrado não haja sido suscitada pelo Recorrente, a condição intrínseca de matéria de ordem pública nos autoriza a examinar ex officio a questão relativa à responsabilidade solidária do Município com as empresa prestadoras contratadas para a execução de serviços de construção civil, pelas contribuições previdenciárias a cargo destas, incidentes sobre os serviços executados mediante cessão de mão de obra. De início, cabe iluminar a relevância do caso concreto para a interpretação das normas jurídicas aplicáveis à espécie sobre a qual ora nos debruçamos. Cumpre realçar que, de há muito, notáveis Juristas já prelecionam que a interpretação jurídica constituise atividade intelectual que objetiva fornecer soluções possíveis para as hipóteses fáticas a que se dirige a norma, eis que, somente na aplicação efetiva de enunciados normativos, genéricos e abstratos por natureza, aos fatos ocorrentes na vida real é que se revela completamente o conteúdo significativo de uma regra legal de conduta. O instituto da responsabilidade solidária, há muito sedimentado no Direito Civil, vem paulatinamente, desde longa data, se consolidando no âmbito do Direito Previdenciário. O §2º do art. 142 da Consolidação das Leis da Previdência Social, aprovada pelo Decreto nº 77.077/76, reproduzindo integralmente mutatis mutandis as normas aviadas no art. 79, §2º da Lei nº 3.807/60 Lei Orgânica da Previdência Social , já dispunha que “O proprietário, o dono da obra, ou o condômino de unidade imobiliária, qualquer que seja a Fl. 262DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 forma por que haja contratado a execução de obras de construção, reforma ou acréscimo de imóvel, é solidariamente responsável com o construtor pelo cumprimento das obrigações decorrentes desta Consolidação, ressalvado seu direito regressivo contra o executor ou contraente das obras e admitida a retenção de importâncias a estes devidos para garantia do cumprimento dessas obrigações, até a expedição do "Certificado de Quitação" (artigo 152, item I, letra c )”. Autores de nomeada, tendo em consideração a ausência de norma específica em relação à contratação de obras públicas, passaram a adotar a conclusão de que tais disposições da legislação previdenciária também aplicarseiam à Administração Pública, a qual passou, então, a responder solidariamente com as empresas contratadas prestadoras de serviços de construção civil. Publicado com o desígnio de consolidar a regulamentação jurídica das licitações e contratos públicos em um único e específico diploma legal, o DecretoLei nº 2.300/86 estatuiu formalmente a intransferibilidade, nos contratos públicos, das responsabilidades do contratado para a Administração Pública, afastando assim responsabilidade solidária do Estado em relação aos encargos previdenciários originados das obras públicas por ele contratadas. Em reforço à norma de exclusão de solidariedade assim erigida, foi publicado o DecretoLei nº 2.348/87, acrescentando ao art. 61 do mencionado DecretoLei nº 2.300/86 o parágrafo primeiro, o qual estabelecia expressamente que a inadimplência do contratado, com referência aos encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais, não tinha o condão de transferir à Administração Pública a responsabilidade pelo seu pagamento, nem poderia onerar o objeto do contrato ou restringir a regularização e o uso das obras e edificações. DecretoLei nº 2.300, de 21 de novembro de 1986. Art. 61. O contratado é responsável pelos encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais, resultantes da execução do contrato. §1º A inadimplência do contratado, com referência aos encargos referidos neste artigo, não transfere à Administração Pública a responsabilidade de seu pagamento, nem poderá onerar o objeto do contrato ou restringir a regularização e o uso das obras e edificações, inclusive perante o Registro de Imóveis. (redação dada pelo DL nº 2.348/87) Hodiernamente, a matéria em realce tem sua disciplina estruturada no art. 30 da Lei nº 8.212/91, cujo inciso VI lhe confere as condições de contorno específicas, sem introduzir substanciais modificações em relação aos Documentos Legislativos que a precederam, havendose que se enaltecer, todavia, a previsão no texto legal de se promover, facultativamente, a retenção, sobre o valor a ser pago ao construtor, dos valores devidos pelo contratante a título de contribuições previdenciárias, como forma eficaz de se exonerar da solidariedade em apreço. Nessa mesma toada, o art. 31 da citada Lei de Custeio da Seguridade Social também previu a incidência do instituto da solidariedade em tela à contratação de serviços prestados mediante cessão de mão de obra, aqui também se incluindo, aqueles associados à construção civil. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Fl. 263DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 36547.000113/200689 Acórdão n.º 2302002.778 S2C3T2 Fl. 262 5 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620/93) (...) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; (Redação dada pela Lei 9.528/97) (grifos nossos) Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta lei, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23. Em consequência, a regulamentação das contribuições previdenciárias decorrentes da contratação de obra de engenharia civil passou a ter tratamento dúplice em função do objeto efetivo do contrato, a saber: a) Art. 30, VI da Lei nº 8.212/91: Contratação de construção, reforma ou acréscimo; b) Art. 31 da Lei nº 8.212/91: Contratação de serviço de construção civil executado mediante cessão de mão de obra. Não se deve olvidar que, para ambas as situações acima descritas, a lei previa ab initio a responsabilidade solidária do contratante com o contratado pelas contribuições previdenciárias referentes ao contrato, a qual, todavia, não se estendia aos contratos da mesma espécie celebrados pela Administração Pública, por força do então vigente DecretoLei nº 2.300/86. Em 22 de junho de 1993, foi publicada a Lei nº 8.666/93, que revogou expressamente o DecretoLei nº 2.300/86, mantendo, todavia, inclusive com a mesma redação anterior, a norma que estabelecia a impossibilidade de se transferir para a Administração Pública aqueles mesmos encargos já tratados anteriormente, de responsabilidade direta do contratado, derivados das contratações públicas de obras e serviços de construção civil, in verbis: LEI Nº 8.666, de 21 de junho de 1993 Art. 71. O contratado é responsável pelos encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais resultantes da execução do contrato. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 §1º A inadimplência do contratado, com referência aos encargos estabelecidos neste artigo, não transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu pagamento, nem poderá onerar o objeto do contrato ou restringir a regularização e o uso das obras e edificações, inclusive perante o Registro de Imóveis. Ocorre, todavia, que, em 28 de abril de 1995, o Presidente da República Fernando Henrique Cardoso sancionou a Lei nº 9.032/95 que, ao alterar substancialmente os preceitos encartados nos artigos 31 da Lei nº 8.212/91 e 71 da Lei nº 8.666/93, promoveu uma reviravolta na interpretação de tais dispositivos. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta lei, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23. §1° Fica ressalvado o direito regressivo do contratante contra o executor e admitida a retenção de importâncias a este devidas para a garantia do cumprimento das obrigações desta lei, na forma estabelecida em regulamento. §2º Entendese como cessão de mão de obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos relacionados direta ou indiretamente com as atividades normais da empresa, tais como construção civil, limpeza e conservação, manutenção, vigilância e outros, independentemente da natureza e da forma de contratação. (redação dada pela Lei nº 9.032/95) §3º A responsabilidade solidária de que trata este artigo somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura. (incluído pela Lei nº 9.032/95) §4º Para efeito do parágrafo anterior, o cedente da mão de obra deverá elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. (incluído pela Lei nº 9.032/95) LEI Nº 8.666, de 21 de junho de 1993 Art. 71. O contratado é responsável pelos encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais resultantes da execução do contrato. §1º A inadimplência do contratado, com referência aos encargos trabalhistas, fiscais e comerciais não transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu pagamento, nem poderá onerar o objeto do contrato ou restringir a regularização e o uso das obras e edificações, inclusive perante o Registro de Imóveis. (redação dada pela Lei nº 9.032/95) <> Fl. 265DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 36547.000113/200689 Acórdão n.º 2302002.778 S2C3T2 Fl. 263 7 §2º A Administração Pública responde solidariamente com o contratado pelos encargos previdenciários resultantes da execução do contrato, nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. (redação dada pela Lei nº 9.032/95) (grifos nossos) No que pertine às alterações introduzidas no art.31 da Lei nº 8.212/91, estas promoveram, tão somente, o detalhamento dos meios legais de elisão da responsabilidade solidária do contratante com o cedente, nos contratos de prestação de serviços executados mediante cessão de mão de obra. No que tange ao art. 71 da Lei nº 8.666/93, seu caput não foi objeto de modificações legislativas, o que poderia denotar que a responsabilidade pelos encargos previdenciários continuaria sendo do contratado, isoladamente. Sucede, contudo, que a impossibilidade de transferência dos encargos previdenciários do contratado para a administração pública foi manifestamente suprimida da redação do seu parágrafo Primeiro. Tal supressão decorreu da opção político/legislativa de atribuir ao ente público em voga a responsabilidade solidária pelas contribuições previdenciárias a cargo das empresas cedentes, resultantes da execução de contratos prestados mediante cessão de mão de obra, nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212/91, conforme expressamente assentado no §2º do art. 71 da Lei nº 8.666/93. Cumpre, neste comenos, trazer à luz que, conforme salientado em parágrafos anteriores, especificamente nas contratações de obras e serviços de construção civil, duas eram as hipóteses de solidariedade previstas na Lei nº 8.212/91: a do art. 30, VI, reservada à contratação de construção, reforma ou acréscimo; e aquela assentada no art. 31, aplicável à contratação de serviço de construção civil executado mediante cessão de mão de obra, dispositivo este expressamente referido na Lei nº 8.666/93. A pergunta que não quer se calar indaga se ambas as hipóteses de solidariedade foram atingidas pelas modificações legislativas ora tratadas ou apenas aquela última? Concretando os alicerces da opinio juris que ora se ergue, atinese, no plano principiológico, que a responsabilidade solidária não se presume. Ela há de constar expressa na lei ou no contrato celebrado entre as partes. Nesse cenário, avulta que a remissão encapsulada no novel §2º do art. 71 da Lei nº 8.666/93 dirigese, unicamente, ao art. 31 da Lei nº 8.212/91, inexistindo qualquer referência, sequer indireta, às disposições encartadas no inciso VI do art. 30 da aludida Lei de Custeio. Tendo por espeque o princípio da estrita legalidade, dessumese que a atribuição de responsabilidade solidária à administração pública ocorrerá, apenas, nas contratações de serviços prestados mediante cessão de mão de obra, conforme tratadas no tantas vezes citado art. 31 da Lei nº 8.212/91. Em ádito, o parágrafo primeiro do art. 220 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, ao regular o instituto da solidariedade no âmbito do Poder Executivo, estabeleceu, literalmente, que não se qualifica como cessão de mão de obra, para fins de atribuição de responsabilidade solidaria, a contratação de construção civil em que a Fl. 266DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 empresa construtora assuma a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente. Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 220. O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária cuja contratação da construção, reforma ou acréscimo não envolva cessão de mão de obra, são solidários com o construtor, e este e aqueles com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. §1º Não se considera cessão de mão de obra, para os fins deste artigo, a contratação de construção civil em que a empresa construtora assuma a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente. (grifos nossos) Em continuidade ao aprimoramento que sofreu a legislação de regência do instituto em apreço, em 20 de novembro de 1998 foi editada a Lei nº 9.711/98 que alterou radicalmente o art. 31 da Lei nº 8.212/91, promovendo uma substancial mudança de paradigma no recolhimento de contribuições previdenciárias, quando presente prestação de serviços executados mediante cessão de mão de obra, afastando definitivamente o instituto da solidariedade até então remanescente, fazendo incidir na espécie, uma hipótese de substituição tributária consistente na retenção de 11% incidente sobre o valor bruto das notas fiscais relativas aos serviços prestados mediante cessão de mão de obra. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mão de obra, observado o disposto no §5º do art. 33. (Redação dada pela Lei nº 9.711/98). (...) §4º Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: (Redação dada pela Lei nº 9.711/98). I limpeza, conservação e zeladoria; (Incluído pela Lei nº 9.711/98). II vigilância e segurança; (Incluído pela Lei nº 9.711/98). III empreitada de mão de obra; (Incluído pela Lei nº 9.711/98). IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974. (Incluído pela Lei nº 9.711/98). Fl. 267DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 36547.000113/200689 Acórdão n.º 2302002.778 S2C3T2 Fl. 264 9 Além de relacionar de forma não exaustiva diversas categorias de serviços historicamente prestados mediante cessão de mão de obra, o mesmo §4º ainda agora referido, conferiu ao Regulamento a competência legislativa para estabelecer outros serviços os quais também estariam sujeitos à retenção caso fossem prestados mediante cessão de mão de obra. As conclusões externadas no parágrafo anterior são corroboradas pelos preceitos encartados nos §§ 2º e 3º do art. 219 do Regulamento da Previdência Social, o qual, aditivamente, sem extrapolar a competência que lhe fora outorgada pela Lei nº 9.711/98, ampliou o rol de serviços que, se prestados mediante cessão de mão de obra, estariam sujeitos a retenção, assim dispondo: REGULAMENTO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no §5º do art. 216. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) §1º Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entendese como cessão de mão de obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. §2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mão de obra: (grifos nossos) (...) III construção civil; (...) §3º Os serviços relacionados nos incisos I a V também estão sujeitos à retenção de que trata o caput quando contratados mediante empreitada de mão de obra. (...) O preceito enjaulado no §3º do art. 219 do RPS não deixa dúvidas de que, nos serviços de construção civil, o regime da retenção previdenciária é de observância obrigatória tanto nos serviços prestados mediante cessão de mão de obra quanto naqueles contratados mediante empreitada de mão de obra. Operando em reforço aos dispositivos legais e regulamentares selecionados, a Instrução Normativa INSS/DC nº 100, 18 de dezembro de 2003, veio elucidar os conceitos de cessão de mão de obra e de empreitada de mão de obra, para os fins específicos da retenção previdenciária, obstando assim o dispêndio de energias intelectuais no exame da legislação em abstrato, à luz do que emana, com extrema clareza, dos seus artigos nº 152 e 153, in verbis: Instrução Normativa INSS/DC nº 100, 18 de dezembro de 2003 Art. 152. Cessão de mão de obra é a colocação à disposição da empresa contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, Fl. 268DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 de trabalhadores que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com sua atividade fim, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 1974. §1º Dependências de terceiros são aquelas indicadas pela empresa contratante, que não sejam as suas próprias e que não pertençam à empresa prestadora dos serviços. §2º Serviços contínuos são aqueles que constituem necessidade permanente da contratante, que se repetem periódica ou sistematicamente, ligados ou não a sua atividade fim, ainda que sua execução seja realizada de forma intermitente ou por diferentes trabalhadores. §3º Por colocação à disposição da empresa contratante entende se a cessão do trabalhador, em caráter não eventual, respeitados os limites do contrato. Art. 153. Empreitada é a execução, contratualmente estabelecida, de tarefa, de obra ou de serviço, por preço ajustado, com ou sem fornecimento de material ou uso de equipamentos, que podem ou não ser utilizados, realizada nas dependências da empresa contratante, nas de terceiros ou nas da empresa contratada, tendo como objeto um resultado pretendido. Avultase auspicioso destacar, que a introdução do regramento de substituição tributária acima aludido não importou no colapso definitivo da responsabilidade solidária no ramo do Direito Previdenciário, eis que, reiterese, na construção civil, o regime da retenção acima pontilhado convive com o serôdio instituto da solidariedade, de molde que o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária cuja contratação da construção, reforma ou acréscimo não envolva cessão de mão de obra, são solidários com o construtor, e este e aqueles com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem, conforme estabelece o art. 220 do RPS. Regulamento da Previdência Social Art. 220. O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária cuja contratação da construção, reforma ou acréscimo não envolva cessão de mão de obra, são solidários com o construtor, e este e aqueles com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. (grifos nossos) §1º Não se considera cessão de mão de obra, para os fins deste artigo, a contratação de construção civil em que a empresa construtora assuma a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente. (grifos nossos) (...) Fl. 269DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 36547.000113/200689 Acórdão n.º 2302002.778 S2C3T2 Fl. 265 11 Por outro viés, colimando elucidar o alcance efetivo de cada um dos institutos ora revisitados, a Instrução Normativa INSS/DC nº 69, de 10 de maio de 2002, encerrou em seus artigos 27 e 37 as hipóteses de incidência da solidariedade e da retenção, respectivamente, não sem antes fixar os conceitos de empreitada e de subempreitada para os fins das obrigações dispostas na Lei nº 8.212/91, conforme se vos seguem: INSTRUÇÃO NORMATIVA INSS/DC N° 69, de 10/05/2002 Art. 2º Para os efeitos desta Instrução Normativa, considerase: (...) XXIII contrato de empreitada: o contrato celebrado entre o proprietário, o incorporador, o dono da obra ou o condômino e uma empresa, para execução de obra ou serviço de construção civil, podendo ser: (Redação dada pela Instrução Normativa INSS/DC nº 080, de 27.08.2002). a) total, quando celebrado exclusivamente com empresa construtora que assume a responsabilidade direta pela execução de todos os serviços necessários à realização da obra, compreendidos em todos os projetos a ela inerentes, com ou sem fornecimento de material; (grifos nossos) b) parcial, quando celebrado com empresa construtora ou prestadora de serviços na área de construção civil, para execução de parte da obra, com ou sem fornecimento de material; (grifos nossos) XXIV contrato de subempreitada, o contrato celebrado entre a empreiteira interposta e outra empresa, para, na qualidade de subempreiteira, executar obra ou serviços de construção civil, no todo ou em parte, com ou sem fornecimento de material; (grifos nossos) (...) §2º Receberá tratamento de empreitada parcial: I o contrato de empreitada com empresa construtora que contenha cláusula estabelecendo o faturamento de subempreiteira, contratada pela construtora, diretamente para o proprietário, dono da obra ou incorporador; Art. 27. Aplicase a responsabilidade solidária de que trata o inciso VI do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, nos seguintes casos: (grifos nossos) I na contratação de empreitada total; II quando houver repasse integral do contrato celebrado na forma do inciso I deste artigo, nas mesmas condições pactuadas, observado o disposto nos parágrafos 1º e 2º do art. 13. Parágrafo único. Na hipótese prevista no inciso II, aplicarseá a responsabilidade solidária a todas as empresas envolvidas. Art. 37. Na empreitada parcial ou na subempreitada e nos serviços de construção civil, com ou sem fornecimento de material, deverá a contratante efetuar a retenção de 11% (onze Fl. 270DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 por cento) do valor bruto dos serviços contidos na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em documento de arrecadação identificado com a razão social e o CNPJ da contratada. (grifos nossos) A análise do conceito postado na legislação previdenciária revela que a pedra de toque para tal diferenciação assentase na responsabilidade direta pela execução de todos os serviços necessários para a realização da obra, restando tal responsabilidade a cargo da empresa construtora, na empreitada total, e do proprietário do imóvel, o incorporador, o dono da obra ou o condômino, no caso da empreitada parcial. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no §2º, I do art. 2º da IN INSS/DC nº 69/2002, forte no sentido de que receberá tratamento de empreitada parcial, isto é, sujeitarseá ao regime da retenção, o contrato de empreitada com empresa construtora que contenha cláusula estabelecendo o faturamento de subempreiteira, contratada pela construtora, diretamente para o proprietário, dono da obra ou incorporador. Diante dos aludidos dispositivos, avulta, por decorrência lógica e sistemática, que, se a contratação de obra de construção civil se der mediante o critério da empreitada global, incidirá o instituto da solidariedade entre a construtora e a empresa contratante, pelas obrigações talhadas na Lei nº 8.212/91. De outro eito, se a contratação se der mediante empreitada parcial, por subempreitada ou referirse a serviços de construção civil, as empresas contratante e contratadas sujeitarseão ao regime da retenção de que trata o art. 31 da Lei nº 8.212/91. Da análise da legislação mencionada, dessumese que: a) A Lei de Licitações e Contratos previu que a Administração Pública responderia solidariamente com o contratado pelos encargos previdenciários resultantes da execução do contrato, nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212. b) Que o suso referido art. 31, desde 20 de novembro de 1998, não mais comporta hipótese de responsabilidade solidária, mas, sim, de regime de substituição tributária. c) Que a única possibilidade de se aplicar o instituto da responsabilidade solidaria pelo recolhimento de contribuições previdenciárias na construção civil somente ocorreria na hipótese de a administração pública contratar obra de construção civil pelo regime da empreitada global. Tal hipótese, todavia, não se enquadraria na regra do art. 31 da Lei nº 8.212/91, mas, sim, na do inciso VI do art. 30 do mesmo Diploma Legal, não sendo alcançada, por tal razão, pela abrangência do preceito inscrito no §2º do art. 71 da Lei nº 9.711/98. Nesse cenário, em virtude da reestruturação legislativa imposta pela Lei nº 9.711/98 ao regramento encapsulado no art. 31 da Lei nº 8.212/91, podese asseverar que se encontra afastada qualquer hipótese de responsabilidade solidária da Administração Pública no âmbito ora em foco, inexistindo regra de hermenêutica que nos autorize a extrair do §2º do art. 71 da Lei nº 8.666/93, com a redação dada pela Lei nº 9.032/95, interpretação jurídica que admita a responsabilização solidária da pessoa jurídica de direito público interno pelo Fl. 271DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 36547.000113/200689 Acórdão n.º 2302002.778 S2C3T2 Fl. 266 13 pagamento de contribuições previdenciárias devidas por terceiros em razão de contratos de obras ou serviços de construção civil. Tal compreensão caminha em harmonia com as conclusões consignadas no Parecer AGU AC nº 055, de 17 de novembro de 2006, cuja ementa importamos a seguir, para o perfeito entendimento de suas ilações. Parecer AGU AC nº 055, de 17 de novembro de 2006 EMENTA: PREVIDENCIÁRIO. ADMINISTRATIVO. CONTRATOS. OBRAS PÚBLICAS. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA E RETENÇÃO. DEFINIÇÃO. I Desde a Lei nº 5.890/73, até a edição do DecretoLei nº 2.300/86, a Administração Pública respondia pelas contribuições previdenciárias solidariamente com o construtor contratado para a execução de obras de construção, reforma ou acréscimo de imóvel, qualquer que fosse a forma da contratação. II Da edição do DecretoLei nº 2.300/86, até a vigência da Lei nº 9.032/95, a Administração Pública não respondia, nem solidariamente, pelos encargos previdenciários devidos pelo contratado, em qualquer hipótese. Precedentes do STJ. III A partir da Lei nº 9.032/95, até 31.01.1999 (Lei nº 9.711/98, art. 29), a Administração Pública passou a responder pelas contribuições previdenciárias solidariamente com o cedente de mão de obra contratado para a execução de serviços de construção civil executados mediante cessão de mão de obra, nos termos do artigo 31 da Lei nº 8.212/91 (Lei nº 8.666/93, art. 71, §2º), não sendo responsável, porém, nos casos dos contratos referidos no artigo 30, VI da Lei nº 8.212/91 (contratação de construção, reforma ou acréscimo). IV Atualmente, a Administração Pública não responde, nem solidariamente, pelas obrigações para com a Seguridade Social devidas pelo construtor ou subempreiteira contratados para a realização de obras de construção, reforma ou acréscimo, qualquer que seja a forma de contratação, desde que não envolvam a cessão de mão de obra, ou seja, desde que a empresa construtora assuma a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente (Lei nº 8.212/91, art. 30, VI e Decreto nº 3.048/99, art. 220, § 1º c/c Lei nº 8.666/93, art. 71). V Desde 1º.02.1999 (Lei nº 9.711/98, art. 29), a Administração Pública contratante de serviços de construção civil executados mediante cessão de mão de obra deve reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa contratada, cedente da mão de obra (Lei nº 8.212/91, art. 31). Em magnífico trabalho doutrinário, o Prof. Fábio Zambitte Ibrahim (in Curso de Direito Previdenciário. 6ª ed., Rio de Janeiro, Impetus, 2005) realçou as notas Fl. 272DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 características da responsabilidade solidária ora em debate, nas situações em que figurar como contratante Pessoa Jurídica de Direito Público Interno, em excerto rememorado adiante ad perpetuam rei memoriam, na roupagem literária requintada que lhe é peculiar: [...] No entanto, devido à previsão específica da lei de licitações (Lei nº 8.666/93), há interpretação administrativa que impõe aplicação limitada de tais regras às contratações realizadas por entidades da Administração Pública, o que, nos termos do art. 1º da citada lei, inclui, além dos órgãos da administração direta, os fundos especiais, as autarquias, as fundações públicas, as empresas públicas, as sociedades de economia mista e demais entidades controladas direta ou indiretamente pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios. O tema é desenvolvido no Parecer AGU AC nº 055, de 17 de novembro de 2006, o qual entende que desde a edição da Lei nº 9.711/98, a Administração Pública, quando contrata obra de construção civil por empreitada total, não possui responsabilidade solidária, e não é também cabível a retenção de 11%. Havendo, por parte da Administração, a contratação na forma de empreitada parcial, há, todavia, na conclusão do parecer citado, a necessidade da retenção de 11%. A lógica desenvolvida foi a seguinte: na redação original do art. 31 da Lei nº 8.212/91, assim como ainda prevê o art.30, VI da Lei nº 8.212/91, havia responsabilidade solidária entre prestador e tomador de serviço (o art. 31 para prestações de serviço por cessão de mão de obra e o art. 30, VI restrito à construção civil). Apesar de tal previsão, enquanto ainda era aplicável o Decreto Lei nº 2.300/86 (anterior à Lei nº 8.666/93), a Administração não possuía responsabilidade alguma, cabendo o ônus previdenciário sempre ao prestador de serviço (art. 61). A dispensa da Administração frente a qualquer responsabilidade tributária foi mantida pela Lei nº 8.666/93 (art. 71, § 1º), até a edição da Lei nº 9.032/95, a qual dá nova redação à Lei nº 8.666/93, trazendo a responsabilidade solidária, ao menos no aspecto previdenciário, também para a Administração Pública, pois a nova redação do art. 71, § 2º da Lei nº 8.666/93 impunha a aplicação do art. 31 da Lei nº 8.212/91 (o qual, na época, ainda previa responsabilidade solidária entre prestador e tomador de serviço). No entanto, de acordo com o Parecer AGU AC nº 055/2006, a mutação somente ocorreu frente às prestações de serviço em geral (art. 31, Lei nº 8.212/91), mas sem atingir a construção civil, que conta com responsabilidade tributária prevista em artigo apartado (art. 30, VI, Lei nº 8.212/91) e, a contrario sensu, não seria aplicável à Administração Pública, mesmo com a alteração legal de 1995. Conforme destacado, com propriedade, pelo Prof. Zambitte, conclui o Parecer AGU AC nº 055/2006, in verbis: Parecer AGU AC nº 055, de 17 de novembro de 2006 [...] Fl. 273DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 36547.000113/200689 Acórdão n.º 2302002.778 S2C3T2 Fl. 267 15 36. Portanto, atualmente, e desde 1º.02.1999 (Lei nº 9.711/98, art. 29), o quadro em relação à contratação de obras de engenharia civil pela Administração Pública, quanto à responsabilidade pelo pagamento das contribuições previdenciárias decorrentes do contrato, é o seguinte: a Administração Pública não responde, nem solidariamente, pelas obrigações para com a Seguridade Social devidas pelo construtor ou subempreiteira contratados para a realização de obras de construção, reforma ou acréscimo, qualquer que seja a forma de contratação, desde que não envolvam a cessão de mão de obra, ou seja, desde que a empresa construtora assuma a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente (Lei nº 8.212/91, art. 30, VI e Decreto nº 3.048/99, art. 220, § 1º c/c Lei nº 8.666/93, art. 71); a Administração Pública contratante de serviços de construção civil executados mediante cessão de mão de obra deve reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa contratada, cedente da mão de obra (Lei nº 8.212/91, art. 31). Cumpre salientar, por relevante, que o aludido Parecer AGU AC nº 055/2006 foi aprovado pelo Excelentíssimo Senhor Presidente da República, mediante despacho exarado em 20 de novembro de 2006, devendo seu conteúdo ser observado por todos os membros das turmas de julgamento do CARF, conforme determinado pelo art. 62, Parágrafo Único, II, ‘c’ do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda. PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Dessarte, à vista dos ensinamentos colhidos na melhor doutrina, e diante dos enunciados normativos destacados, restou visível que, a contar de 1º de fevereiro de 1999, caso Fl. 274DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 a Administração Pública contrate obra de construção civil por empreitada total, fica dispensada tanto da retenção de 11% como da responsabilidade solidária. De outro eito, na hipótese de a referida contratação ser firmada mediante empreitada parcial ou de o contrato ter por objeto serviços de construção civil, sejam eles prestados por cessão ou por empreitada de mão de obra ou empreitada, ambos contratante e contratados estarão sujeitos ao regime da retenção de 11% de que trata o art. 31 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.711/98, sendo inaplicável ao caso o instituto da responsabilidade solidária. No caso de que ora se cuida, sendo de 01/05/2001 a 31/12/2001 o período de apuração do crédito tributário objeto do vertente lançamento, avulta inexistir responsabilidade solidária do Município de São Luis – Prefeitura Municipal pelas obrigações tributárias de decorrentes dos fatos geradores apurados pela Fiscalização, em atenção às disposições inscritas no Parecer AGU AC nº 055, de 17 de novembro de 2006. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 275DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
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