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Numero do processo: 10630.720030/2008-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1803-000.055
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso voluntário, nos termos dos §§ 1° e 2°, do art. 62-A do Regimento Interno do CARF.
Nome do relator: SELENE FERREIRA DE MORAES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso voluntário, nos termos dos §§ 1° e 2°, do art. 62A do Regimento Interno do CARF. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “Contra a contribuinte retro identificada foram lavrados os Autos de Infração de fls. 25/54, referentes ao IRPJ, no valor de R$ 78.648,55, à CSLL, no valor de R$ 46.059,76, ao PIS, no valor de R$ 27.721,11 e à Cofins, no valor de R$ 127.943,82, aos quais foram acrescidos multa de oficio qualificada e juros moratórios calculados até 31/01/2008, perfazendo um crédito tributário no valor de R$ 946.380,94. Fl. 1DF CARF MF Processo nº 10630.720030/200839 Resolução n.º 180300.055 S1TE03 Fl. 2 2 No Relatório de Auditoria Fiscal, às fls. 57/109, a Fiscalização descreve inicialmente que no cadastro do órgão a autuada é empresa INAPTA, uma vez que estava omissa em relação ao cumprimento das obrigações tributárias (principal e acessória), tendo no seu quadro societário — FLÁVIA CABRINI GUIMARÃES DA COSTA E RUNCIÊ CUNHA VIEIRA. A sócia não foi localizada em seu endereço cadastral e o senhor Runciê que informou nunca ter sido sócio ou proprietário da referida empresa; que teve seus documentos roubados e utilizados por uma mulher; que foi aberto inquérito policial — processo 105041102309, onde encontrase as provas documentais obtidas na investigação criminal. A seguir o Fisco relata os diversos procedimentos adotados, as intimações lavradas e os depoimentos tomados de pessoa de uma forma relacionaramse com a fiscalizada. Foi emitida a RMF Requisição da Movimentação Financeira, visto a inexistência de escrituração e conseqüentemente arbitrado o lucro da empresa, no anocalendário de 2002. Em razão da utilização de interpostas pessoas, além de outras irregularidades detalhadas no Relatório foi aplicada multa qualificada. Com fundamento nos arts. 121, inciso I, 124, inciso I, e 135, incisos II e III, do Código Tributário Nacional (CTN), foram arrolados como responsáveis pelo crédito tributário lançado de oficio as seguintes pessoas: EDYR CORDEIRO DE PAULA SILVA, CPF 409.636.32434 e LUIZ SERGIO BITTENCOURT FARAH, CPF 680.423.88691 Cientificados os responsabilizados, apresentaram defesa que redundaram nas seguintes solicitações: Sr Luiz Sérgio Bittencourt Farah fls. 1587/1606, com juntada de documentos às fls. 1607/1669. "A vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, pede o impugnante que seja acolhida a presente impugnação diante das preliminares suscitadas, com vistas a julgar improcedente o auto de infração com o seu arquivamento. Pede, em relação ao mérito, seja julgado procedente a presente impugnação e improcedente o auto de infração, tendo em vista a falta de prova da responsabilidade do impugnante, da responsabilidade única de Wellington Martins da Cruz e pelo fato de os documentos e depoimentos serem imprestáveis, cancelandose a responsabilidade fiscal apontada contra o impugnante pelos débitos lançados contra a empresa Cristal Informática. Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidas, em especial, documental testemunhal, pericial e outros meios que se fizerem necessários no curso do presente processo fiscal" Sr. Edyr Cordeiro de Paula Silva fls. 1673/1698, com juntada de documentos às fls. 1699/1827. ... pede a esta colenda Delegacia de Julgamento que: Fl. 2DF CARF MF Processo nº 10630.720030/200839 Resolução n.º 180300.055 S1TE03 Fl. 3 3 (i) seja reconhecida a insubsistência do Auto de Infração por vícios insanáveis, ante as preliminares de nulidade do lançamento suscitadas na presente defesa, quais sejam: nulidade por ausência de intimação e nulidade por excesso ilegal de prazo, para o julgar insubsistente e determinar seu arquivamento; ou (ii) no mérito, seja julgado totalmente procedente a presente a Impugnação e improcedente o Auto de Infração, em virtude: da ausência de provas da responsabilidade do contribuinte pelo lançamento contra a “Cristal”: da responsabilidade única dos senhores Wellington Martins e Luiz Sérgio pelo lançamento contra a “Cristal”pela ilegalidade na quebra do sigilo bancário e no uso dos dados bancários; e pela inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário. Requerimentos Requer provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos na forma prevista no art. 16 III §4° e art. 18 do Decreto 70.235, em especial a prova documental que ora apresenta e a produção de prova pericial e testemunhal. Requer, outrossim, seja utilizada como prova os documentos referidos pelo contribuinte relativos ao : PAF 10630.720.316/200733 Datamicro Informática Ltda; PAF 10630.720.368/200718 Ibituruna Turismo Ltda e, PAF 10630.720364/200721 AM Informática Ltda , a teor... Requer, a teor do art. 16 e 33 do Decreto 70.235, seja o Advogado do contribuinte intimado pessoalmente da decisão a ser proferida por essa ilustre Delegacia de Julgamento, bem como dos demais atos a serem lavrados com a instauração do processo tributário administrativo." A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente em parte, com base nos seguintes fundamentos (volume 9 fls. 1839/1853): a) Quanto à alegação de nulidade do lançamento em virtude do prazo de duração da fiscalização, a norma do art. 196 do CTN é dirigida ao legislador, não havendo prazo predeterminado para que a ação fiscal se encerre, conforme já decidiu o Conselho de Contribuintes. b) Não houve cerceamento do direito de defesa porque o procedimento preparatório do ato de lançamento, enquanto atividade administrativa vinculada, ex vi do disposto no parágrafo único do art. 142 do CTN, é atividade meramente fiscalizatória, não envolvendo litígio entre o sujeito passivo e a Fazenda Pública. c) Também não se visualiza o vício no procedimento de fiscalização argüido, ou seja, que os auditores coagiram o depoente, ora impugnante "através de demonstração de conseqüências possíveis ao responsável por determinado ato..." (fl. 1649) d) Com fundamento no art. 124, I, e art. 135, II e III, do CTN, a autoridade lançadora apontou e cientificou as pessoas arroladas no TVF como responsáveis pelo crédito tributário lançado de ofício, "visando os princípios constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa." Fl. 3DF CARF MF Processo nº 10630.720030/200839 Resolução n.º 180300.055 S1TE03 Fl. 4 4 e) Responsabilidade do sr. Luiz Sérgio Bittencourt Farah: era ele quem comprava as mercadorias, fazia pagamentos; era o único gerente da fiscalizada; era o responsável pela movimentação bancária; que não fazia os depósitos, mas somente os saques; que reconhece como sua as assinaturas aposta na frente e verso de cheques; que forneceu talões assinados em branco para o "senhor Roberto", dono da fiscalizada; que Wellington Martins Cruz era o dono da Datamicro e não tinha relação com a autuada; que na verdade o "senhor Roberto" era EDYR CORDEIRO DE PAULA SILVA; Que recebia ordens diretas do sr. Edyr e, era para ele que passava os cheques assinados em branco; f) Responsabilidade do sr. Edyr Cordeiro de Paula Silva: que o único depoimento válido é o do senhor Mildo Dias, os demais seriam inverídicos e nulos por terem sido feitos à sua revelia; não é responsável pela fiscalizada (Cristal) como afirma também o contador Mildo; que a gerência da empresa autuada era realizada por Wellington Martins e posteriormente por Luiz Sergio B. Farah, sendo que este último é quem possuía procuração para movimentar a conta do Unibanco; que o Sr. Luiz Sérgio falsificou os documentos do senhor Runciê, fato que o desqualifica; que os depoimentos realizados por Alysson, Patrícia, Sônia, Alexandre Passos não possuem credibilidade. g) É fato inconteste nos autos que a empresa autuada tinha pessoas interpostas ("laranjas") como sócios. Com o aprofundamento da fiscalização foi demonstrado que as pessoas responsabilizadas, embora não constassem do contrato social da fiscalizada CRISTAL INFORMÁTICA LTDA, intervieram de modo decisivo em seus atos, agindo com excesso de poderes, infração à lei, bem como se beneficiando das receitas auferidas pela pessoa jurídica. h) Além de estar configurada a dissolução irregular da empresa no sentido "latu sensu", em razão da utilização de pessoas interpostas ("sócios laranja"), está também caracterizada a dissolução irregular no sentido estrito, pois a Cristal Informática Ltda não se encontra mais estabelecida no endereço constante em seu contrato social e cadastrado na Receita Federal. Isto posto, correta a sujeição passiva levada a efeito no lançamento. Fl. 4DF CARF MF Processo nº 10630.720030/200839 Resolução n.º 180300.055 S1TE03 Fl. 5 5 i) A RMF feita para o Unibanco, pela qual foram obtidos documentos bancários, se justifica em razão dos fatos revelados no curso da ação fiscal, como os fortes indícios de interposição de pessoas e o fato da empresa não possuir, conforme declarado pelo contador, livros e documentos relativos à sua escrituração, bem como prestar informações sobre sua movimentação financeira, conforme sobejamente demonstrado nos autos. Portanto, consoante indicado no Termo de Verificação Fiscal, a RMF tem respaldo na LC n.° 105/2001, art. 6°, e no Decreto n.° 3.724/2001, arts. 2° e 3°, incisos VII, X e XI. j) Compulsando os autos, observo que, consoante Termos de Intimação, (fl. 1538/1548) AR acostado às fls. 1549/1550, o sr. Edyr foi intimado a comprovar entre outras coisas "a origem dos recursos depositados na conta corrente bancária nº 1068233, agência 0658, do Unibanco — União de bancos Brasileiros S/A, nesta cidade, relacionados na planilha “VALORES DEPOSITADOS' que segue anexa a este termo". k) À vista desses fatos, entendo ter sido atendida a determinação do art. 42 da Lei n.° 9.430/96, pois a titular da conta bancária em questão era a Cristal Informática Ltda, sendo que a movimentação financeira foi feita pelo Sr. Luiz Sérgio Bittencourt Farah que, conforme comprovado nos autos, exerceu os amplos poderes inclusive para "abrir, movimentar e encerrar contas bancárias" , que lhe foram outorgados por meio de procuração. l) Quanto à inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário, não compete ao julgador administrativo apreciar a matéria do ponto de vista constitucional (Parecer Normativo CST n.° 329/70), exceto quando houver declaração de inconstitucionalidade pelo STF de lei, tratado ou ato normativo, caso em que é permitido às autoridades administrativas afastar a sua aplicação, nos estritos termos do Decreto n.° 2.346/97, o que não ocorreu no caso vertente. m) A luz do art. 173, I, do CTN, já teria decaído o direito da Fazenda Pública efetuar o lançamento, do IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA JURÍDICA, em 31/12/2007, com relação aos fatos geradores ocorridos no 1°, 2° e 3° trimestres de 2002, cujo primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado foi 01/01/2003, visto que no lucro arbitrado os fatos geradores são trimestrais. n) O mesmo não ocorre com referência ao 4° trimestre de 2002 o marco inicial foi o dia 01/01/2004, pois só poderia haver o lançamento a partir vencimento do tributo devido no ano de 2003. Assim, não ocorreu a decadência em relação ao lançamento correspondente a fato gerador ocorrido no 4° trimestre de 2002. o) Devido à relação de causa e efeito a que se vinculam ao lançamento principal e não tendo sido apresentado razões de inconformidade quanto às contribuições, o mesmo entendimento deve ser adotado com relação aos lançamentos reflexos, em virtude de serem decorrentes. p) Quanto ao pedido de perícia, não foi mencionado "o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito", razão pela qual esse pedido deve ser considerado não formulado, consoante determina o § 1° do art. 16 do Decreto n.° 70.235/72. Fl. 5DF CARF MF Processo nº 10630.720030/200839 Resolução n.º 180300.055 S1TE03 Fl. 6 6 Contra a decisão, interpôs o responsável tributário Edyr Cordeiro de Paula e Silva o presente Recurso Voluntário, em que tece as seguintes considerações: a) A Portaria RFB 4.066/2007 prevê em seu art. 14 que o MPF se extingue com o decurso do prazo referido nos arts. 12 e 13, que tratam das prorrogações para fiscalização ou diligência. b) O excesso de prazo deve ser reconhecido por esse egrégio Conselho. c) O recorrente deveria ter sido intimado para comparecer nos depoimentos das pessoas ouvidas pelos Auditores, colhidos no processo em questão, no qual estava sendo apontada a sua responsabilidade pela empresa Cristal. d) Devem ser utilizadas as normas previstas nos arts. 3°, 26 e 28 da Lei 9.784, uma vez são aplicáveis ao procedimento de determinação do tributo diante da lacuna deixada pelo Decreto 70.235/1972. e) Diante disso, a nulidade por ausência de intimação para acompanhar os depoimentos deve ser reconhecida por esse egrégio Conselho. f) Alega a inconstitucionalidade do sigilo bancário. É o relatório. Voto Alega a recorrente a inconstitucionalidade da quebra do sigilo fiscal. Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2ª Turma da DRJ/JFA, envolvendo direito creditório no valor de R$ 946.380,94. O §1°, do art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria n° 256, de 22 de junho de 2009, assim dispõe: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” Uma das matérias discutidas no presente recurso é a constitucionalidade da quebra do sigilo bancário pela autoridade administrativa. Fl. 6DF CARF MF Processo nº 10630.720030/200839 Resolução n.º 180300.055 S1TE03 Fl. 7 7 Tal matéria está sendo objeto de análise pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática do art. 543B, no RE n° 601.314, de relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski. A seguir, transcrevemos trecho do despacho do Ministro LEWANDOWSKI em recurso extraordinário com questão idêntica à do RE n° 601.314, publicado em 22/10/2010. Nele o recurso não é sobrestado, mas devolvido para ser sobrestado pelo Tribunal de origem, in verbis: "Isso posto, preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, dou provimento ao agravo de instrumento para admitir o recurso extraordinário e, com fundamento no art. 328, parágrafo único, do RISTF, determino a devolução destes autos ao Tribunal de origem para que seja observado o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso extraordinário discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314RG/SP." No meu entendimento, tal despacho demonstra que o Supremo Tribunal Federal está processando os recursos extraordinários que discutem a constitucionalidade da quebra do sigilo bancário pela autoridade administrativa, nos termos do art. 543B, e está sobrestando os recursos extraordinários que versam sobre a matéria, nos termos do art. 328 de seu regimento interno. No CARF, por disposição regimental, os recursos que versarem sobre a mesma matéria dos recursos extraordinários submetidos à sistemática do art. 543B, também devem ser sobrestados até que seja proferida a decisão da Suprema Corte. Diante do exposto, sobresto o julgamento do presente recurso voluntário, nos termos dos §§ 1° e 2°, do art. 62A do Regimento Interno do CARF. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 7DF CARF MF
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Numero do processo: 10875.901144/2006-43
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.360
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEÃO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1294; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 2 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10875.901141/200618 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1802000.360 – 2ª Turma Especial Data 09 de outubro de 2013 Assunto Diligência Recorrente CONVERPLAST EMBALAGENS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 75 .9 01 14 1/ 20 06 -1 8 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10875.901141/200618 Resolução nº 1802000.360 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas (SP), que por unanimidade de votos julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte. Por economia processual, passamos a adotar o relatório da DRJ, senão vejamos: “Tratase do Despacho Decisório n° 745563045 de 14/02/2008, emitido pela DRF Guarulhos/SP para não homologar a compensação formalizada na DCOMP n° 23033.21354, transmitida em 23/12/2003, tendo em conta que o crédito informado (pagamento indevido de CSLL Lucro Real Trimestral, efetuado por meio de DARF, no valor de R$ 36.893,40, com cód. de receita 6012, relativo ao 3 o trimestre de 1999, arrecadado em 30/11/1999) estava utilizado para quitação de débito da empresa, não remanescendo crédito disponível para a compensação formalizada na DCOMP sob apreciação. Cientificada da decisão, em 27/02/2008 (AR de fls. 84), a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 01/05, em 25/03/2008, de seguinte teor: 1. apresenta balanço, demonstrativo de resultado e DIPJ para provar que não apurou CSLL a pagar no 3 o trimestre de 1999, na medida em que a CSLL apurada teria sido completamente absorvida pela dedução de 1/3 da Cofins efetivamente paga; 2. que teria extinto a CSLL de R$ 163.363,00, com o saldo negativo de CSLL de 1998 de R$ 53.778,58 e por três DARF no total de R$ 36.528,14; 3. que com a dedução de 1/3 da Cofins efetivamente paga de R$ 101.187,79 a CSLL devida seria de apenas R$ 62.175,21, extinta mediante compensação com o saldo negativo de CSLL de 1998 de R$ 53.778,58, e pelo pagamento, no valor de R$ 8.396,63, efetuado em 29/10/1999; 4. que a compensação do crédito de 1/3 da Cofins com a CSLL apurada teria sido formalizada mediante as DCOMP n° 40830.82504, 19840.55524 e 23033.21354 ora sob apreciação, apresentadas em 23/12/2003, antes do decurso do prazo prescricional; Requer a homologação das compensações.” A DRJ de Campinas (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Período de apuração: 01/07/1999 a 30/09/1999 DEDUÇÃO DE 1/3 DA COFINS. PRAZO Fl. 149DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10875.901141/200618 Resolução nº 1802000.360 S1TE02 Fl. 4 3 Na forma da legislação em vigor, a dedução de 1/3 da Cofins efetivamente paga da CSLL devida, não pode ensejar, em nenhuma hipótese, saldo de CSLL a restituir ou a compensar com o devido em períodos de apuração subsequ entes. Decorre daí que a dedução somente pode ser admitida até a data da extinção e no valor necessário à extinção da CSLL devida, não podendo ser reconhecida a posteriori. Compensação com Saldo Negativo de Período Anterior. Para que seja possível validar tal extinção do débito fiscal e apurar se houve ou não indébito tributário, é imprescindível a prova da compensação porventura efetuada com o saldo negativo de período anterior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 17/03/2011, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 15/04/2011 onde busca demonstrar as compensações realizadas e ao fim pugna pela sua homologação. É o relatório. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10875.901141/200618 Resolução nº 1802000.360 S1TE02 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. Inicialmente a Recorrente alega a preliminar de prescrição dos débitos referentes aos 5 (cinco) anos anteriores ao lançamento do presente processo. Essa preliminar deve ser inteiramente rejeitada. Ao julgar os Embargos no Recurso Extraordinário n° 94.4621/SP, o Plenário do Supremo Tribunal Federal enfrentou essa questão, resolvendoa da seguinte forma: "Prazos de prescrição e decadência em direito tributário com a lavratura do auto de infração, consumase o lançamento do crédito tributário (art. 142, CTN). Por outro lado, a decadência só é admissível no período anterior a essa lavratura; depois, entre a ocorrência dela e até que flua o prazo para a interposição do recurso administrativo, ou enquanto não for decidido o recurso dessa natureza de que se tenha valido o contribuinte, não mais corre prazo de decadência, e ainda não se iniciou a fluência de prazo para prescrição; decorrido o prazo para interposição do recurso administrativo, sem que ela tenha ocorrido, ou decidido o recurso administrativo interposto pelo contribuinte, há a constituição definitiva do crédito tributário, a que alude o art. 174, começando a fluir, daí, o prazo de prescrição da pretensão do Fisco". O STF entendeu, que, com o auto de infração, consumase o lançamento do crédito tributário, ou seja, constituise o crédito tributário, fluindo, até aquele momento, o prazo decadencial. A partir do auto de infração não se pode mais cogitar de decadência, e, se houve recurso administrativo, também não cabe falar em prescrição, cujo prazo somente começa a fluir na data da decisão administrativa final, quando, mantido o lançamento, no todo ou em parte, temse como definitivamente constituído o crédito tributário lançado. No entanto, essa decisão do Supremo está em consonância com o disposto no art. 151, inciso 111, do CTN, por força do qual as reclamações e os recursos administrativos figuram como causa de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Estando o crédito tributário com sua exigibilidade suspensa, não pode ele ser cobrado, nem, consequ entemente, prescrever. Conforme já esclarecido pela DRJ, tratase a processamento eletrônico de compensação, sem que incidisse em critérios de baixa para tratamento manual ou mais pormenorizado, mas apenas com as informações disponíveis nos bancos de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. A DRJ confirmou que efetivamente houve erro no preenchimento da DIPJ por parte da contribuinte, razão pela qual passouse a considerar a retificação da declaração que retratou o 3º trimestre do anocalendário de 1999 transmitida em 11/09/2003. Foi constatado Fl. 151DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10875.901141/200618 Resolução nº 1802000.360 S1TE02 Fl. 6 5 então que a diferença entre as bases de cálculo informadas na DIPJ original e retificadora de R$ 31.728,44 decorre da retificação, na Ficha 07A da DIPJ Demonstração do Resultado da Linha 30 Despesa Operacional, de R$ 556.820,04 para R$ 588.548,48. A partir daí a DRJ passou para a análise do direito creditório da Recorrente, externando suas concluões da seguinte forma: “Da leitura dos preceitos, concluise que a dedução de 1/3 Cofins efetivamente paga da CSLL devida, tinha uma série de restrições, dentre as quais cumpre destacar a expressamente consignada no §3° do art. 8º , qual seja: da dedução não poderia decorrer, em nenhuma hipótese, saldo de COFINS ou CSLL a restituir ou a compensar com o devido em períodos de apuração subsequ entes. É o que pretende a Manifestante, tendo em conta que a CSLL devida no 3º trimestre de 1999 foi extinta mediante compensações e pagamentos, e com a apresentação da DCOMP n° 23033.21354, transmitida em 23/12/2003, pretende a contribuinte o reconhecimento do indébito tributário em relação à CSLL paga, já que teria direito à dedução de 1/3 da Cofins efetivamente paga. (...) Por fim, não se pode deixar de mencionar que as compensações porventura efetuadas da CSLL devida no 3º trimestre de 1999, com o saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1998, não se encontra regularmente comprovada no processo, principalmente tendo em conta as informações prestadas na DCTF acerca do saldo a pagar em três quotas da CSLL de R$ 163.363,00. Deveriam ser trazidas aos autos provas hábeis, capazes de corroborar a compensação efetuada na escrituração comercial da pessoa jurídica, e não informada na DCTF. Nos bancos de dados da RFB, constam apenas os pagamentos efetuados em 29/10, 30/11 e 30/12/1999, no valor total de R$ 109.584,38, insuficiente para extinguir o valor devido da CSLL de R$ 163.363,00” A Recorrente por sua vez alega que seu direito creditório não está suportado pelo terço de COFINS compensada com a CSLL, mas que após reconhecer o valor da COFINS efetivamente paga como dedução na apuração de sua base de cálculo da CSLL no 3º trimestre de 1999, os pagamentos feitos através de DARF’s somados com o saldo negativo do ano calendário anterior geraram um crédito de R$ 101.187,79. Considerando que a nova base de cálculo da Recorrente, ajustada pela dedução de 1/3 do valor da COFINS calculada pela Recrrente em sua ecrita fiscal não teve qualquer óbice pela autoridade fazendária, a lide passa a se concentrar nos valores que foram recolhidos / compensados para a extinção da obrigação tributária da Recorrente no 3º trimesre de 1999. De acordo com a escrita fiscal e declarações prestadas temos os seguintes dados: 1 – CSLL apurada conforme DIPJ retificada, ficha 30, linha 31 R$ 62.175,21 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10875.901141/200618 Resolução nº 1802000.360 S1TE02 Fl. 7 6 2 – Composição dos créditos 2.1 Saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1998 R$ 53.778,58 2.2 DARF’s recolhidos, conforme fls. 99 /100 Cód. 6012 (Registro 23091960389) R$ 36.528,14 Cód. 6012 (Registro 23445181183) R$ 36.528,14 Cód. 6012 (Registro 23752467483) R$ 36.528,14 Total R$ 109.584,42 Pelo que foi depreendido, os documentos apresentados portanto fazem prova a favor da Recorrente, sendo certo que a DRJ se equivocou ao entender que a Recorrente intencionava a compensar o 1/3 de COFINS de exercícios anteriores ao invés de saldo recolhido a maior em decorrência da correção da base de cálculo da CSLL que não havia considerado o aproveitamento da dedução do 1/3 de COFINS. Essa correção gerou um recolhimento de CSLL (através da DARF’s) a maior, e, portanto, inteiramente passível de compensação. A DRJ alegou que não foi juntado aos autos a comprovação da existência do saldo negatovo de 1998, bem como a falta de dados constantes na DCTF para a comprovação do crédito me parece um argumento um tanto quanto absurdo. Negar o direito creditório da Recorrente baseado em supostos erros materiais apresentados entre a DIPJ e a DCTF, sem a análise do crédito, afronta aos princípios basilares de Justiça. Com a devida vênia, ao contrário da análise feita pela DRJ, o julgador sempre que possível deve buscar a solução mais justa para depois dar uma roupagem jurídica. A DIPJ alegada pelo contribuinte como matéria de prova está supostamente com os dados da apuração compatíveis com o crédito tributário alegado na PER/DCOMP, portanto divergentes da DCTF. Sendo assim, estamos diante de duas declarações oficiais, com informações divergentes entre si, onde uma assiste razão ao contribuinte e a outra ao Fisco. Tendo em vista que não há qualquer dispositivo na legislação que disponha sobre hierarquia entre as declarações, sendo ambas válidas e legítimas, necessário se faz a complementação das provas. Considerando que os DARF’s foram juntados (fls. 99/100), falta apenas a comprovação do saldo negativo do anocalendário de 1998 compensado. Diante do exposto, voto no sentido de que os presentes autos sejam encaminhados à DRF de origem Guarulhos/SP para diligenciar e informar as questões acima, bem como outras que entender necessárias à luz da escrituração contábil e fiscal a evidenciar o valor do crédito pleiteado, para que se possa homologar ou não a compensação declarada pelo contribuinte e extinção do débito de que tratam os presentes autos. É primordial que a DRF Fl. 153DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10875.901141/200618 Resolução nº 1802000.360 S1TE02 Fl. 8 7 junte aos autos a cópia da DIPJ do anocalendário de 1998, bem como ateste o pagamento da COFINS referente ao 3º trimestre de 1999, nos valores indicados na DIPJ. Concluída a diligência, deve ser elaborado relatório circunstanciado, do qual deve ser dada ciência ao Contribuinte para sua manifestação, se do seu interesse, no prazo de 30 (trinta dias). Apresentada a manifestação ou transcorrido o prazo, devem os autos retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento. (documento assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 154DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10580.000100/98-93
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2008
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Ano-calendário: 1989, 1990, 1991
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO.
Competência Ratione Materiae. Compete ao Primeiro Conselho
de Contribuintes julgar recursos de oficio ou voluntário de
decisão de 1ª Instância que envolva a aplicação da legislação
referente ao imposto sobre a renda e proventos de qualquer
natureza, adicionais, empréstimos compulsórios a ele vinculados
e contribuições, inclusive, penalidade isolada.
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO
Numero da decisão: 303-35.711
Decisão: ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, declinar da competência ao Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, em razão da matéria, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: VANESSA ALBUQUERQUE VALENTE
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ementa_s : OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano-calendário: 1989, 1990, 1991 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. Competência Ratione Materiae. Compete ao Primeiro Conselho de Contribuintes julgar recursos de oficio ou voluntário de decisão de 1ª Instância que envolva a aplicação da legislação referente ao imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, adicionais, empréstimos compulsórios a ele vinculados e contribuições, inclusive, penalidade isolada. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO
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RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. Competência Ratione Materiae. Compete ao Primeiro Conselho de Contribuintes julgar recursos de oficio ou voluntário de decisão de P Instância que envolva a aplicação da legislação referente ao imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, adicionais, empréstimos compulsórios a ele vinculados e contribuições, inclusive, penalidade isolada. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de • contribuintes, por unanimidade de votos, declinar da competência ao Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, em razão da matéria, nos termos do voto da relatora. el ANELISE D • DT PRIETO - Presidente VANESSA ALBUQUERQUE VALENTE - Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Nilton Luiz Bartoli, Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Heroldes Bahr Neto, Celso Lopes Pereira Neto e Tarásio Campelo Borges. 14ocesso n° 10580.000100/98-93 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.711 Fls. 677 Relatório Adoto integralmente o relatório componente do julgamento de primeira instância, que transcrevo a seguir: "Trata-se de pedido de restituição de valores recolhidos a maior a título da Contribuição para o Fundo de Investimento Social — FINSOCIAL no período de setembro de 1989 a setembro dei 991. Por bem sintetizar os fatos deste processo, transcrevo trecho do Parecer n.° 067/2005 — SEORT-PJ (fls. 444/450): A solicitação fundamenta-se na Ação Judicial n.° 93.0008529-8, através da qual a peticionaria questionou a majoração das alíquotas do FINSOCIAL promovidas pelo artigo 7' da Lei n.° 7.787/89, artigo 1° da Lei n.° 7.894/89 e artigo 1° da Lei n.° 8.147/90 e requereu devolução/compensação dos valores indevidamente pagos a maior. No campo 05 do Pedido de Restituição de fl. 01, formalizado em 29/12/97, a postulante requer que o crédito a que faz jus seja destinado à compensação de débitos parcelados através dos processos n.° 10580.008024/96-39, 10580.008025/96-02 e 10580.003910/96-58. Foram juntados no processo, ainda, os Pedidos de Compensação de fls. 03, 117, 318, 346, 352 e 358, nos quais a empresa solicita a compensação do saldo credor remanescente com outros débitos de sua responsabilidade. Além dos documentos já mencionados, integram o processo os DARF's originais dos recolhimentos efetuados a maior (fls. 19/45), cópias dos Registros de Apuração de ISS/ICMS de fls. 49/110, comprobató rias da receita bruta mensal auferida nos meses de setembro de 1989 a 1111 setembro de 1991, os demonstrativos de apuração do crédito pleiteado (fls. 121 e 125) assim como cópias de partes do processo judicial n.° 93.0008529-8 (fls. 142/187) e do processo de execução n.° 98.001900-5 (lis. 189/197). Tendo em vista o citado Parecer n.° 067/2005 — SEORT-PJ 444/450), a Delegacia da Receita Federal em Salvador reconheceu o direito creditório do FINSOCIAL calculado no demonstrativo de fls. 451/452 e homologou a compensação "dos débitos consignados na coluna 8 do demonstrativo constante no anexo III, que integra este parecer, observado o limite de crédito". Desta forma, após compensação dos valores informados nos documentos de fls. 469/480, remanesceram os débitos da Cotins elencados à fl. 482. Cientificada do referido parecer em 31/03/2005 (Aviso de Recebimento — AR à fl.485), a interessada apresenta em 25/04/2005 a Manifestação de Inconformidade de fls. 486/489 alegando, em síntese: a tliP 111' 2 Processo n° 10580.000100/98-93 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.711 Fls. 678 - Na compensação efetuada pela DRF/Salvador, foi indevidamente incluído o valor de R$ 50.623,41 relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido do exercício de 1995, vencida em 29/03/1996, inserida à fl. 314 dos autos, quantia que não foi objeto de pedido de compensação; - Conseqüentemente, uma vez que não ocorreu a suspensão da sua exigibilidade, o crédito tributário deveria ter sido oportunamente cobrado pelo Fisco, tendo fluído o prazo prescricional de 5 (cinco) anos a partir da data do seu vencimento, 29/03/1996." A 4' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador —Ba, ao apreciar as razões aduzidas na manifestação de inconformidade, indeferiu o pleito do contribuinte, conforme Decisão DRJ/SDR N.° 07.329 de 24 de maio de 2005, fls. 504/507, assim ementada: "Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 1989, 1990, 1991 Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. O prazo prescricional se inicia a partir da constituição definitiva do crédito tributário, não alcançando débito objeto de pedido de compensação apresentado pela contribuinte e ainda pendente de apreciação pela Secretaria da Receita Federal. Solicitaçéio Indeferida" Em 30 de maio de 2005, o Contribuinte, ainda não cientificado da decisão de 1' instância, protocolizou aditamento à sua Manifestação de Inconformidade, às fls. 508/512, suscitando os seguintes pontos: - Que em decorrência de autorização judicial, liminar confirmada por sentença, passou a compensar, a partir do período de competência 0110 maio de 1993, as quantias devidas à União Federal relativas aos tributos e contribuições federais administradas pela Secretaria da Receita Federal. - Com o retorno dos autos do Tribunal Regional Federal da 1" Região, denegando parcialmente a segurança, por entender que a compensação era de exclusiva responsabilidade da autoridade administrativa, passou a DRJ em Salvador a coagir a empresa a pagar os valores compensados ou requerer o parcelamento, sob pena de ser autuada. - Para evitar uma autuação, tratou a empresa de requerer o parcelamento de todos os valores compensados a partir de 1993, cujos processos tomaram os seguintes números: 10580.008.024/96 (IRPJ), 10580.008.025/96-00 (CSLL) e 10580.003.910/96-58 (COFINS). - De posse da decisão judicial transitada em julgado, deferindo a restituição, protocolizou na DRJ de Salvador pedido de Restituição/Compensação — Processo n.° 10580. 00100/98-93, requerendo, com fulcro na Instrução Normativa n.° 32/97 a 3 - Processo n° 10580.000100/98-93 CCO3/CO3 Acórdão n°303-35.711 Fls. 679 Convalidaçã o dos valores compensados, inclusive a CSLL de 1995 e, conseqüente, extinção dos pedidos de parcelamento. - Que ao levantar o Balanço de 1996, período base de 1995, foi apurada a quantia de R$ 41.951,62, relativa à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, passando a compensá-la com o mesmo crédito objeto da decisão judicial. - Discordando de procedimentos adotados pela empresa, o Fisco, em 17 de dezembro de 1996, lavrou o Auto de Infração de n.° 10580.0081 72/96-26, cobrando toda a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido do ano base de 1995. - A empresa, através da petição de fls. 25/26 e pedido de compensação fls. 27, requereu a CONVALIDAÇÃO dos valores compensados a partir de 1993, inclusive o SALDO REMANESCENTE da CSLL em 22/03/1999, levantado pelo Auto de Infração n.° 10580.008172/96-26, 0110 cujo valor original está registrado nas fls. 315 e o saldo remamescente em 22/03/1999, no valor de R$ 50.623,41 nas fls. 317 do processo n.° 10580. 000100/98-93. - Como o seu pedido de restituição, só veio a ser julgado em março de 2005, os valores pedidos em CONVALIDAÇÃO foram integralmente liquidados, parte através de pedido de parcelamento e os R$ 50.623,41, apurados no processo n.° 10580.008172/96-26, também pedidos em CONVALIDAÇÃO, foram pagos no próprio Auto de Infração, já arquivado. - Requer, ao final, que seja DECLARADA NÃO COMPENSADA e anulada a HOMOLOGAÇAO da quantia de R$ 50.623,41, uma vez que tal quantia foi levantada e liquidada no Auto de Infração de n.° 10580.008172/96-26. Às fls. 581 dos autos, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador-Ba, à titulo de esclarecimento, acresce "Deixamos de analisar os documentos de fls. • 508 a 580 em virtude de terem sido apresentados em data posterior ao julgamento do processo". Ciente da decisão de i a Instância, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 585/591), reiterando argumentos e fundamentos apresentados no Aditamento à sua Manifestação de Inconformidade, requerendo: 1 — Que seja DECLARADA NÃO COMPENSADA e anulada a HOMOLOGAÇÃO, da quantia de R$50.623,41 (cinqüenta mil, seiscentos e vinte e três reais e quarenta e um centavos), que além de ter sido levantada e liquidada no Auto de Infração n.° 10580.008172/96-26, deveria ter sido compensada, se devida fossse, como R$ 41.951,64 (quarenta e um mil, novecentos e cinquenta e um reias e cinquenta e quatro centavos), ou seja, 50.623,41 UFIRS; 2 — Que seja disponibilizado, como crédito, a favor da empresa, a preços de 31/12/1995, a quantia de R$ 50.623,41, utilizado pelo Fisco para pagamento, pela via compensação, da quantia ora questionada, homologada indevidamente. 1(1/40 4 Processo n° 10580.000100/98-93 CCO3/CO3 Acórdão n.°303-35.711 Fls. 680 Instrui o Recurso Voluntário, dentre outros documentos, inteiro teor do Processo de n.° 10580.008172/96-26, assim como, Declaração de Ajuste - IRPJ do Exercício de 1996, ano-base 1995, Balanço Patrimonial levantado em 31/12/1995, Cópia do Pedido de Compensação apresentado em 17/03/1999, Extratos dos valores compensados (fls. 603/672). É o Relatório. • Processo n° 10580.000100/98-93 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.711 Fls. 681 Voto Conselheira VANESSA ALBUQUERQUE VALENTE, Relatora Por conter matéria deste E. Conselho e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo Contribuinte. Ao teor do relatado, versa o presente processo sobre Pedido de Restituição/Compensação de valores recolhidos a maior a título da Contribuição para o Fundo de Investimento Social — FINSOCIAL no período de setembro de 1989 a setembro de 1991. Na decisão de 1a instância, observa-se, que os fundamentos do voto condutor do 1111 acórdão recorrido limitam-se, essencialmente, à análise da preliminar de prescrição, não adentrando no mérito do litígio. Vejamos, em síntese, o Voto: "A irresignação da interessada — que se cinge ao valor de R$ 50.623,41 relativo à CSLL do exercício de 1995 e cujo transcurso do prazo prescricional impediria sua inclusão na compensação efetuada pela DRF/Salvador — não resiste a simples análise do demonstrativo anexo ao Parecer n.° 067/2005 — SEORT-RI. Na coluna 6 ("Pedido Compensação Fls.") à fl. 453, consta que o pedido de compensação daquela quantia encontra-se à fl. 117, devidamente preenchido e assinado pelo sócio da empresa, conforme documento à fl. 495, com data de 17/03/1999. Encontrava-se, portanto, em discussão no presente processo, não havendo que se falar no transcurso do prazo prescricional. Isto posto, voto pela improcedência da Manifestação de Inconformidade da interessada". 411 Em sede de Recurso Voluntário, a Contribuinte, cinge-se a discutir a quantia de R$ 50.623,41, relativa à CSLL do período de apuração 12/1995, cobrada através do Auto de Infração, Processo Administrativo Fiscal n.° 10580.008172/96-26, que, segundo ela, foi integralmente liquidada no referido processo, e, homologada equivocadamente pelo Fisco quando do Pedido de Compensação ora em comento. Em princípio, antes de analisarmos o mérito, entendo prudente enfrentarmos questão preliminar. Conforme se verifica do pedido do presente recurso, trata-se da análise de direito creditório relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL). No caso que se cuida, entendo estranha à competência deste colegiado a matéria litigiosa por força do disposto no artigo 20 da Portaria MF 147, de 25 de junho de 2007: Art. 20. Compete ao Primeiro Conselho de Contribuintes julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de l a Instância sobre a aplicação da legislação referente ao imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, adicionais, empréstimos compulsórios a ele Processo n° 10580.000100/98-93 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.711 Fls. 682 vinculados e contribuições, inclusive, penalidade isolada, observada a seguinte distribuição: I — às Primeira, Terceira, Quinta, Sétima e Oitava Câmaras, os relativos à: a) tributação de pessoa jurídica; b) tributação de pessoa física e à incidência na fonte, quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu também para determinar a prática de infração à legislação pertinente à tributação de pessoa jurídica; c) exigência da contribuição social sobre o lucro líquido; (.) Em face do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso e endereçá-lo ao competente Primeiro Conselho de Contribuintes para julgamento. • Sala das Sessões, em 15 de outubro de 2008 VA ESSA ALBUQUERQUE VALENTE - Relatora 010 7
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Numero do processo: 18471.001347/2004-21
Turma: Quinta Turma Especial
Câmara: Sexta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 1083-000.001
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: LUCIANO INÔCENCIO DOS SANTOS
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, Cicyvvr,L L. A„iraIt. ev.4, LEONARDO DE ANDJ DE OUTO — Presidente LUCIANO.INOCÊNCIO D S SANTOS Aelator , EDITADO EM: "3 IAN Participaram, da sessão de julgamento, os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch Luciano Inocencio dos Santos, Benedicto Celso Benicio Júnior e José Clóvis Alves (Presidente da Câmara na data do julgamento). Processo n 8471.001347/2004-21 S 1-011 1 Resolução na 1803-00.001 Fl 2 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra decisão da DRPRI 1, a qual julgou procedente em parte o lançamento, referente aos Autos de Infração, fls. 127/136, 137/141, 142/146 e 147/155, contra a empresa supra qualificada, exigindo-lhe o pagamento de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição pata o Financiamento da Seguridade Social (COF1NS) no total de R$ 204,838,07 (duzentos e quatro mil, oitocentos e trinta e oito reais e sete centavos), ai incluídos multa por lançamento de oficio e juros moratórios, Nos fundamentos da autuação, descritos no Termo de Verificações Fiscais, foram apuradas as seguintes inflações: OMISSÃO DE RECEITA Subscrição de Capital Intimada a comprovar a efetiva entrega e a origem dos valores referentes aos suprimentos dos sócios para a subscrição de capital, o contribuinte informou, quanto à integralização realizada pelo sócio Mário Ângelo Brandão de Oliveira Miranda, o seguinte Os valores de R$ 115.000,00 e R$ 9.000,00 foram recebidos em dinheiro, respectivamente em 02/01/99 e 22/02/99,- e Os valores de R$ 12 0 000,00, em 04/02/99, e R$ 5.000,00, em 06/09/99, foram realizados, respectivamente, em cheques e ordem de crédito.. A fiscalização concluiu pela não comprovação da origem dos recursos acima, pela ausência de documentação hábil e idônea, coincidente en2 valores e datas, enquadrando a situação como omissão de receita, na forma tipificada no art.. 282 do Decreto n°3.000/99 (RIR/99). 2) Empréstimo de Sócio A autoridade fiscal detectou também ausência de comprovação em situaçães de empréstimos feitos pelo mesmo sócio, em datas diversas e totalizando os valores abaixo • relacionados, concluindo, igualmente, pela presunção de omissão de receitas do Hi citado art. 282, 1999 2000 2001 R$ 128,000,00 R$ 42 000,00 R$ 38 000,00 A despeito de tal constatação, verifica-se que o valor tribi tável referente ao ano-calendário 2000 considerado para lançamento foi de R$ 12.000,00. II DESPESAS OPERACIONAIS Entendeu a autoridade,fiscal que houve violação dos preceitos contidos nos incisos II, III, IV, VI e VII do art. 13 da Lei n." 9,249/95, bem assim do art. 299 do RIR/99, em razão da redução indevida do lucro liquido 2 Processo n° 18471 001347/2004-21 S1-CITI - Resoluc5o n ° 1803 -00.001 Fl 3 pela dedução de despesas não autorizadas para a apuração do lucro real, quais sejam.: Período Descrição Valor 1999 Locação de veículos Gol R$ 5419,57 Doação ao Aroso Paço Hotel R$ 1.500,00 Despesas com refeições (restaurantes diversos) R$ 10.239,20 Despesas de representação (restaurantes e casas noturnas diversas) RS 47,30 2000 Despesas com refeições (restaurantes diversos) R$ 28 205,28 Despesas de representação (restaurantes e casas noturnas diversas) R$ 13.442,22 Serviços prestados por pessoas jurídicas R$ 19350,00 Cientificado dos autos de infração em 20/09/2004, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva em 20/10/2007, fig. 177/200, alegando, em síntese, que: "I PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS A presunção do art.. 282 do RIR/99 é relativa, constituindo verdade formal até que o contrário seja provado. Mesmo quando legais, as presunções estão condicionadas à existência de liame lógico entre as premissas e suas conclusões, não sendo o.fato de um comando legal descrever a presunção de determinado resultado suficiente para que o operador do direito declare esse efeito sem reflexão. Afiscalização desconsiderou a circunstância da Interessada encontrar- se em .fase pré-operacional até abril/99, portanto sequer havia iniciado suas atividades quando do recebimento dos recursos supridos pelo sócio Mário, tornando a presunção de omissão de receitas totalmente incompatível com a realidade. As proms de que o inicio de suas atividades ocorreu em abril/99 Na DIR1/2000 (fls. 215/255), ano-calendário 199.9, existência de despesas pré-operacionais no curso do ano e de receitas somente a partir do mês de abril; e Extratos bancários (J7s. 257/270) de sua única conta-corrente sem nenhum valor depositado, além dos suprhnentos ora entendidos como receitas omitidas (exceto o de R$ 16.000,00, anterior a abertura da conta) e da integralização de R$ 50.927,24 (11/03/99) realizada pela sócia Quinta do Portal SA, no período pré-operacional. Quanto à origem dos recursos que serviram para as integralizações de capital de R$ 120.000,00 e de R$ 5.000,00, e para os empréstimos de R$ 1.750,00, R$ 28.250,00 e R$ 35.000,00 (1999); e de R$ 12.000,00 e R$ 30.000,00 (2000), a Interessada informa que os mesmos são provenientes do património pessoal do pai do sócio Mário e .foram m ra Processo n" 18471.001347/2004-21 SI-CITI Resoluc5o n.° 1803-00.001 Fl , 4 transferidos pata a conta da empresa em nome deste, conforme documentos fls. 271/302. Otranto aos demais aportes de capital, foram realizados em dinheiro e são de valor inexpressivo face ao capital social de R$ 600.000,00, na forma da primeira alteração contratual, ãs11.5. 208/213. Sobre os aportes de R$ L650,00, R$ 15.000,00 e R$ 35,000,00 (1999), informa a Interessada que a efetiva transferência em dinheiro restou comprovada pelos extratos bancários anexos ((Is. 342/345) e tern origem comprovada e declarada pelo sócio supridor em suas declarações de rendimentos (fls. 347/350). II, DESPESAS INDEDUTIVEIS NECESSIDADE DAS DESPESAS — A necessidade de uma despesa há de ser avaliada diante de cada situação concreta, levando em conta a existência de fundamento econômico a justificar sua dedutibilidade. Tendo a Interessada por objeto social o comércio de gêneros alimentícios (notadamente vinhos importados), para a consecução de suas atividades inseriu seus produtos no mercado nacional através de inúmeros revendedores, estabelecidos nas mais diversas localidades e que eram visitados por representantes comerciais.. LOCAÇÃO DE VEÍCULOS — Para cumprir a atividade acima referida, os vendedores da empresa utilizaram, inicialmente, veículos alugados, razão pela qual afirma que as despesas com locação de automóveis, comprovadas pelas notas .fiscais às fls. 352/376, foram inevitáveis.. Posteriormente, em 2000, a empresa adquiriu frota própria (lis. 380/382). DECORAÇÃO DE EVENTO /DOAÇÃO A HOTEL — Sobre a despesa de R$ 1.500,00 corn a decoração de adega em evento de degustação de seus produtos, informa a Interessada a ocorrência de erro de nomeclatura da conta em que foi lançada a despesa, já que tratava-se de gasto com a promoção e divulgação de vinhos que comercializa, que, a despeito de tal fato, foi escriturado como "Despesas com Doagdo". Alega, contudo, que tal imprecisão não transmitta a natureza da despesa, cujo objetivo notório seria de inserção de nova marca no mercado, juntando os documentos fls. 384/389 como meios de prom. ALIMENTAÇÃO — Quanta as despesas com refeições, reclama a impugnante pelo reconhecimento da dedutibilidade do montante de R$ 16.519,71, alegando tratarem-se de gastos de alimentação exclusivamente dos representantes de venda — quer em encontros gastronômicos ou em meras refeições dos funcionários que atuavam externamente — e que atendem todos os requisitos legais com este fim, posto que são: (i) necessárias para a realização das transações exigidas pela atividade da pessoa jurídica; (ii) usuais e normais, em razão da atividade empresarial desempenhada; e (iii) comprováveis por meio de notas fiscais e/ozt recibos idôneos. A título de exempla, juntou o comprovante de 391. Pondera a Interessada pela impertinência da autoridade fiscal ao invocar o art, 13, IV da Lei n." 9,249/95 para classificar as despesas Processo ne 18471001347/2004-21 S1-C1T1 Resolução n.a 1803-00,001 Fl 5 acima como refeições de sócios, acionistas ou administradores, mormente se o único sócio brasileiro e também o (inky a exercer a gerência da sociedade não seria capaz de, sozinho, consumir muitas vezes mais de quatro refeições diárias, como exemplificado 393/394. Informa a interessada que as referidas despesas possuem documentação de suporte para legitinui-las e que as mesmas já .foram apresentadas ao Auditor, em resposta ao Termo de Reintimação Fiscal que recebeu em 06/0.2/2004 «Is. 396/398), motivo pelo qual decidiu não reapresentó-las, em razão de seu expressivo volume. SERVIÇOS PRESTADOS POR PESSOAS JURÍDICAS — Contra a glosa das despesas por tais serviços, a Interessada apresenta as notas .fiscais de fls. 400/402, referentes a serviços contratados para assessoria de imprensa. Informa que os R$ 14,350,00 restantes referem-5e ao pagamento da parcela à vista na aquisição de veículos para frota própria.. III DESCONSIDERAÇÃO DE SALDO DE PREJUÍZO FISCAL E DE BASE NEGATIVA DE CSLL A par dos argumentos acima relatados, a Interessada pleiteia a consideração dos saldos dos prejuízos ,fiscais e das bases negativas de CSLL idoneamente apurados no ano-calendário 1998, ambos no valor de R$ 7,997,53 e que, segundo seu entendimento, deveriam ter sido, de oficio, integralmente deduzidos do lucro liquido apurado pela . fiscalização, já que contidos nos limites previstos nos arts. 15 e 16 da Lei n." 9.065/95 e não compensados até a ocasião, tendo em vista a opção pela tributação com base no lucro presumido . feita desde 2001, conforme documentos às .11s. 411/433. 0 mesmo ocorre em relação ao período de 2000, nos valores do LALUR àsfls. 407/408." Em sede de julgamento, a DRJ Rio de Janeiro/RJ decidiu por manter parcialmente o lançamento, cuja ementa assim dispõe: "OMISSÃO DE RECEITAS, INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL., EMPRÉSTIMO DE SÓCIO. Não cabe o lançamento por omissão de receitas em razão de suprimento de valores, por empréstimo ou por integralização de capital, se tal ingresso de recursos ocorre em período pré-operacional da sociedade. DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS, NECESSIDADE , COMPROVAÇÃO. São dedutiveis do lucro real as despesas necessárias its operações referentes à atividade Jim da empresa, assim entendidas aquelas que, sendo passíveis de comprovação por documentos hábeis e idôneos, ocorrem com habitualidade ou que contribuem para o ingresso de receitas.. Lançamento Procedente em Parte" Inconformada corn a decisão da DRJ, da qual teve ciência, a recorrente, apresentou Recurso Voluntário, reprisando os argumentos trazidos em sua peça impugnatória. o relatório, 5 Process() n° 18471.001347/2004-21 S1-C111 Resoluçrm n ° 1803-00,001 Fl 6 Conselheiro LUCIANO INOCENCIO DOS SANTOS O recurso 6 tempestivo e preenche os requisitos essenciais à sua admissibilidade, razão pela qual, dele tomo conhecimento. V8-se, de plano, que uma das matérias tratadas na decisão recorrida, notadamente A omissão de receitas, carece de esclarecimentos a fim de elucidar questões de fato que podem influir significativamente no convencimento dos julgadores deste colegiado, Isto porque, entendo que não é qualquer suprimento de recursos de origem não comprovada que enseja a situação presuntiva de omissão de receita, 6 necessário que o reflexo desse suprimento aponte para um ativo descoberto, cujo reflexo econômico justifique o indicio da referida omissão de receitas. Neste particular, permito-me trazer a colação um trecho da declaração de voto de um dos limos, julgadores da decisão recorrida, o qual ilustra perfeitamente essa situação, cujo teor assim versa: "(„) o procedimento fiscal que se restringe a tributar o seu valor total. Ora, para guardar um mínimo de tazoabilidade, esse procedimento precisaria ir além; deveria excluir da conta caixa o valor do suprimento, de modo a verificar se, com isso, o saldo dela se converteria em credor. Em caso positivo, al, sim, poder se ia, com base no art 12, § do Decreto-lei n" 1.598, de 1977 (NR/1999, art. 281), presumir omissão de receitas, mas em valor igual ao maior saldo credor de caixa verificado no período examinado." Surge então uma dúvida, qual seja, se abstrairmos os referidos suprimentos de recursos (não exonerados do lançamento pela DRJ) das contas de "caixa e bancos", tomados no seu conjunto, o saldo seria negativo (credor)? Cotejando os documentos juntados nos autos deste PAF não consegui elucidar este fato, razão pela qual entendo que o deslinde desta questão careça desta resposta. Diante do exposto, determino a conversão do feito em diligência para: 1. Constatar se o saldo das contas de caixa e de bancos, tomados em seu conjunto, ficariam ou não negativos (credor), caso fossem abstraídos os referidos suprimentos tidos como receita omitida e que não foram exonerados do lançamento na decisão proferida pela DIU; 2. Cientificar a interessada acerca do feito; e 3, Encaminhar o resultado dessa diligência à la Sessão do CARF para julgamento. E como voto, LUCIANO INOC NCI6 OS SANTOS) Relator 6
score : 1.0
Numero do processo: 10865.002718/2007-07
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/1996 a 31/12/1996
PRELIMINARMENTE. DECADÊNCIA TOTAL. QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE N 8. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO. ART.150, § 4º. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL.
O STF, em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de
crédito tributário”.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
Tratando-se de contribuição social previdenciária, tributo sujeito ao lançamento por homologação, aplica-se a decadência do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional.
REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART.62-A.
VINCULAÇÃO À DECISÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RESP N
973.733/SC. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART.173, I , CTN.
Considerando a exigência prevista no Regimento Interno do CARF no art.62-A, esse Conselho deve reproduzir as decisões do Superior Tribunal de Justiça proferidas em conformidade com o art.543C
do Código de Processo Civil. No caso de decadência de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o RESP n 973.733/SC decidiu que o art.150,§ 4º do Código Tributário Nacional só será aplicado quando for constada a ocorrência de recolhimento,
caso contrário, será aplicado o art.173, I, do Código Tributário Nacional.
NFLD 37.742.6576. NULA. PERÍODO DECADENTE. NOVA NFLD 37.122.0297.
COBRANÇA INDEVIDA. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO EXTINTO.
No caso em tela, a nova NFLD (n 37.122.0297) substituiu a NFLD n
37.742.6576.
Todavia, a validade da nova NFLD encontra-se comprometida,
ao passo que exige uma dívida já acobertada pela decadência, ou seja, um crédito extinto.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-000.724
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, reconhecendo a decadência por quaisquer dos critérios do CTN.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: CID MARCONI GURGEL DE SOUZA
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DECADÊNCIA TOTAL. QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE N 8. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO. ART.150, § 4º. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. O STF, em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Tratandose de contribuição social previdenciária, tributo sujeito ao lançamento por homologação, aplicase a decadência do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART.62A. VINCULAÇÃO À DECISÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RESP N 973.733/SC. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART.173, I , CTN. Considerando a exigência prevista no Regimento Interno do CARF no art.62 A, esse Conselho deve reproduzir as decisões do Superior Tribunal de Justiça proferidas em conformidade com o art.543C do Código de Processo Civil. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 No caso de decadência de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o RESP n 973.733/SC decidiu que o art.150,§ 4º do Código Tributário Nacional só será aplicado quando for constada a ocorrência de recolhimento, caso contrário, será aplicado o art.173, I, do Código Tributário Nacional. NFLD 37.742.6576. NULA. PERÍODO DECADENTE. NOVA NFLD 37.122.0297. COBRANÇA INDEVIDA. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO EXTINTO. No caso em tela, a nova NFLD (n 37.122.0297) substituiu a NFLD n 37.742.6576. Todavia, a validade da nova NFLD encontrase comprometida, ao passo que exige uma dívida já acobertada pela decadência, ou seja, um crédito extinto. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, reconhecendo a decadência por quaisquer dos critérios do CTN. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente. Cid Marconi Gurgel de Souza – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.002718/200707 Acórdão n.º 2403000.724 S2C4T3 Fl. 202 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado às fls.163 a 169 contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto/SP (fls.151 a 158) que julgou PROCEDENTE o lançamento constante na NFLD n° 37.122.0297, no valor consolidado em 28/09/2007 de R$ 29.280,37 (vinte e nove mil, duzentos e oitenta reais e trinta e sete centavos). Segundo o relatório fiscal às fls.22 a 31, a presente NFLD é substitutiva de outra que foi julgada nula pelo acórdão n 2955/2005 pela 4 Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social e referese às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa e ao financiamento dos benefícios concedidos incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e à parte dos segurados (rubricas: empresa, SAT/RAT e segurados). A fiscalização teve como objetivo apurar o cumprimento das obrigações tributárias (tomador de serviços terceirizados) perante o sujeito passivo e indicar o responsável solidário para o pagamento do tributo incidente sobre tais serviços. Ainda segundo o relato fiscal, o crédito apurado em auditoria devese à responsabilidade solidária existente entre o tomador de serviços (Município de Mogi Mirim) e o executor (D. Cardoso Transportes ME), o qual foi contratado para prestar o serviço de transporte de alunos da zona rural das escolas da rede oficial de ensino de Mogi Mirim, ficando seus veículos sujeitos à vistoria pela segurança da Prefeitura Municipal. Cabe destacar que a ação fiscal que resultou na lavratura da NFLD n 37.122.0297 identificou o crédito apurado com o levantamento CM6 – D CARDOSO TRANSP. ME. e procedeu à intimação dos responsáveis solidários de acordo com o art.31 da Lei n 8.212/91. Desta autuação, foram notificados, em 28/09/2007, o Município de Mogi Mirim e D. Cardoso TransportesME, os quais apresentaram suas impugnações respectivamente às fls. 99 a 108 e fls. 124 a 130 carreadas de documentos, alegando em síntese: Município de Mogi Mirim: Preliminarmente: Que ocorreu a decadência dos débitos apurados, os quais estão compreendidos entre outubro de 1995 a dezembro de 2006, motivo pelo qual deuse também a extinção desse crédito tributário; No Mérito: Que não há como ser cogitada a hipótese de responsabilidade solidária entre o Município e as empresas prestadoras de serviços de transporte, tendo Fl. 3DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 em vista que tal atividade não constitui atividadefim,o que seria necessário para a imputação desse tipo de responsabilidade, trazendo decisão do TST e doutrina para ratificar a tese; Por fim, requereu que fosse reconhecida e declarada a decadência da constituição do crédito tributário, em sede de preliminar, de modo que a NFLD fosse julgada nula. Alternativamente, requereu que fosse reconhecida a inconstitucionalidade do art.71, parágrafo 2 da Lei n 8.666/93, afastando a responsabilidade solidária do Município autuado, vindo a ser declarada a NFLD em tela. Requereu ainda que fosse determinada a suspensão dos autos para o fim de se determinar a realização de diligências no escritório da empresa contratada, bem como postulou a notificação desta para que apresentasse a cópia de todos os recolhimentos das contribuições previdenciárias durante o período da prestação dos serviços. D. CARDOSO TRANSPORTES – ME: No mérito: Alegou ter procedido ao recolhimento da contribuição devida aos segurados, bem como procedeu à apuração da contribuição devida pela empresa, na forma da lei, motivo pelo qual não deve responder solidariamente com o Município tomador de serviço; Informou que durante o período do crédito previdenciário só prestou seus serviços unicamente ao Município Mogi Mirim; Alegou ser indevida a aplicação da aferição indireta ao caso em tela. Por fim, requereu a improcedência do lançamento de ofício, tendo em vista a cobrança já ter sido paga, conforme documentos anexados à impugnação. Instada a manifestarse acerca da impugnação, a 9 Turma da DRJ/POR (Ribeirão Preto) proferiu acórdão (n°1419.199) nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1996 a 31/12/1996 INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para o lançamento de contribuições previdenciárias é de 10 anos, contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CESSÃO DE MÃODEOBRA. CARACTERIZAÇÃO. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.002718/200707 Acórdão n.º 2403000.724 S2C4T3 Fl. 203 5 Entendese como cessão de mãodeobra a colocação disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos não relacionados diretamente com as atividades normais da empresa, tais como construção civil, limpeza e conservação, manutenção, vigilância e outros, independentemente da natureza e da forma de contratação. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CESSÃO DE MÃODEOBRA. SOLIDARIEDADE. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes da Lei 8.212/91, em relação aos serviços a ele prestados, ficando ressalvado ao contratante o direito regressivo contra o executor e admitida a retenção de importâncias a este devidas para a garantia do cumprimento das obrigações da citada lei, na forma estabelecida em regulamento. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CESSÃO DE MÃODEOBRA. SOLIDARIEDADE. ELISÃO. A responsabilidade solidária decorrente da contratação de serviços executados mediante cessão de mãodeobra é elidida somente mediante a comprovação pelo executor do recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura, o que se dá com a elaboração de folhasdepagamento e guias de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folhadepagamento. AFERIÇÃO INDIRETA. DOCUMENTO OU INFORMAÇÃO. RECUSA OU SONEGAÇÃO. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, deve a fiscalização, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de oficio importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Lançamento Procedente. Irresignada com a decisão supra, a recorrente D. Cardoso TransportesME interpôs recurso voluntário às fls.163 a 169, no qual ratificou todos os argumentos expendidos na impugnação, requerendo a procedência do presente recurso com a consequente anulação do lançamento e extinção do crédito tributário. Às fls.173 e 174, consta julgamento da 2 Turma Ordinária da 4 Câmara da 2 Seção de Julgamento do CARF, a qual decidiu, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência determinando que a repartição de origem respondesse a data exata em que os responsáveis solidários foram notificados da NFLD anulada. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Em resposta ao pleito, a DRJ de origem juntou às fls.175 a 178 os AR’s que comprovam as datas em que os contribuintes foram intimados da NFLD 35.742.6576. Prefeitura Municipal Mogi Mirim em 06/07/2004 e D. Cardoso Transp. ME em 05/07/2004. Às fls.182, há despacho do Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Limeira, propondo o retorno dos autos ao CARF para ratificar decisão anterior de dar ciência aos interessados da diligência executada ou confirmar a baixa do processo por julgamento ou determinar outro procedimento. É o relatório. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.002718/200707 Acórdão n.º 2403000.724 S2C4T3 Fl. 204 7 Voto Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator. DA PRELIMINAR: I – DA DECADÊNCIA TOTAL: De acordo com a fls.182 dos autos, o processo retornou ao CARF para que fosse procedida à ratificação da decisão anterior ou à baixa do PAF, por julgamento, ou à determinação de outro procedimento. Analisando atentamente os autos, verifiquei que há uma atipicidade no caso em tela. O processo teve seu julgamento nulo por um vício formal, quando, na verdade, a decisão poderia ter sido no sentido de reconhecer a decadência do crédito tributário apurado em auditoria (competências 05/1996 a 12/1996). Sobre a decadência dos créditos tributários, vale destacar que as controvérsias que existiam no âmbito dos contenciosos administrativos e no judiciário com relação ao prazo decadencial da Secretaria da Receita Federal para apurar os valores devidos a título de contribuições previdenciárias tiveram seu fim com o advento da Súmula Vinculante n° 8, a qual reconheceu como inconstitucional os arts.45 e 46 da Lei n° 8.212/91. Ambos os dispositivos previam que os prazos para a Seguridade Social apurar e cobrar os seus créditos extinguiamse com 10 (dez) anos. A grande celeuma era a não aplicação do prazo previsto no Código Tributário Nacional de que os créditos tributários só poderão ser apurados ou cobrados até 5 (cinco) anos, estabelecendo ainda esta legislação o marco inicial para a contagem desses prazos. Assim, após várias decisões invocando a inconstitucionalidade dos arts.45 e 46 da Lei n° 8.212/91, o Egrégio Supremo Tribunal Federal sumulou a matéria com a edição da Súmula Vinculante de n º 8, in verbis: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Sabese ainda que essas súmulas têm efeito vinculante sobre a Administração Pública, conforme previsão do art.103A da Constituição Federal, motivo pelo qual este Colegiado deve aplicar o entendimento acima. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas Fl. 7DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional, o qual disciplina a decadência no art. 173 e no art. 150, § 4. Em ambos, o direito de a Fazenda constituir o crédito extinguese em cinco anos, sendo que pela regra do art. 150, § 4º, a contagem é a partir da ocorrência do fato gerador e a do 173, I, é a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ou da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Código Tributário Nacional Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homolo¬gação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos an¬teriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por tercei¬ro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. * * * Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Fl. 8DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.002718/200707 Acórdão n.º 2403000.724 S2C4T3 Fl. 205 9 Pelo exposto, percebese que o marco inicial da decadência diverge no Código Tributário Nacional. A regra exposta no art.173, inciso I é aplicável às espécies tributárias que não estão sujeitas ao lançamento por homologação, pois as que se sujeitam a este tipo de lançamento têm o prazo decadencial regulado pelo art.150, §4° do CTN. Não obstante a consideração de que o art.150, §4° do Código Tributário Nacional aplicase aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, vale destacar que esse Conselho só tem aplicado essa regra aos casos em que ocorre o recolhimento da exação, em virtude do entendimento do Superior Tribunal de Justiça na decisão do Recurso Especial n 973.733/SC (Informativo n 402/STJ), na qual teve como ponto pacífico a aplicação do dispositivo retro somente quando for constatado pagamento das contribuições. Desse modo, deve esse Conselho sujeitarse à regra definida pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça em razão do previsto no Regimento Interno do CARF, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, levando em consideração o acima exposto, e, tendo o presente recurso voluntário como matéria objeto de discussão a decadência, fazse necessária a vinculação deste voto ao preceito do Regimento Interno do CARF enquanto tal regra permanecer vigente, tendo em vista que o julgamento do RESP n 973.733/SC ocorreu nos moldes do art.543C do Código de Processo Civil. No presente caso, foi verificada a ocorrência de recolhimento, considerando as diferenças que foram apuradas. Entretanto, para o caso em tela, a informação de ter ou não havido recolhimento não mudará em nada a aplicação da decadência ao crédito tributário, tendo em vista que a data da ciência da NFLD 37.742.6576 ocorreu em 06/07/2004 com relação aos créditos das competências 05/1996 a 12/1996, informação considerada imprescindível pelo conselheiro relator da 2 Turma da 4 Câmara da 2 Seção do CARF às fls.174: “No entanto, para sabermos inequivocamente se a decadência teria operado ou não seus efeitos no lançamento anterior, é imperioso que tenhamos a informação de quando exatamente os contribuintes foram cientificados da NFLD anulada, informação que não consta dos autos”. Em resposta ao solicitado pela 2 Turma da 4 Câmara da 2 Seção do CARF, através da Resolução n 240200.081, verificouse que os responsáveis solidários foram notificados em 05/07/2004 e 06/07/2004, ou seja, o direito do fisco constituir seu crédito já estava extinto quando da ciência desta NFLD, tendo em vista que a fiscalização teve como período objeto do levantamento as competências 05/1996 a 12/1996. Desse modo, a decadência operouse no lançamento efetuado na NFLD 37.742.6576, extinguindo o crédito tributário objeto daquela autuação, que correspondia às competências 05/1996 a 12/1996, nos moldes do art.156, V, do Código Tributário Nacional: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: Fl. 9DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 (...) V a prescrição e a decadência Por esse motivo, a NFLD 37.122.0297, ao substituir a antiga que foi declarada nula por vício formal (ausência da indicação do dispositivo legal que autorizava o arbitramento) já se encontrava viciada, tendo em vista que o crédito objeto de cobrança já estava extinto pela decadência quinquenal com base nos arts.150, §4° e 173, I, do Código Tributário Nacional. Ademais, podese questionar se o mais correto não seria a aplicação do art.173, II, do Código Tributário Nacional cujo marco inicial é a data do trânsito em julgado da decisão que entender pela nulidade do lançamento por vício formal. Sobre possível indagação, informo que sua aplicação não se faz possível, considerando que a nova NFLD já foi lavrada indevidamente, ou seja, tendo como objeto de cobrança um crédito acobertado pela decadência. Sendo assim, sabendo que a ciência da NFLD 37.742.6576 deuse em 06/07/2004, e, as datas das competências que estavam sendo objeto de discussão abrangerem os períodos de 05/1996 a 12/1996, têmse que os valores cobrados na notificação fiscal estão acobertados pela decadência, independentemente do critério adotado pelo Código Tributário Nacional (art.150, §4° ou art.173, I, do Código Tributário Nacional), motivo pelo qual a nova NFLD 37.122.0297 não poderá prosperar sob pena de ser considerada cobrança indevida/cobrança de crédito já extinto pela decadência. Destaco que mesmo que a NFLD 37.122.0297 não contivesse nenhuma irregularidade ou conexão com a NFLD 37.742.6576, ainda assim sua validade estaria comprometida, tendo em vista que, sendo a ciência em 28/09/2007, e o período levantado correspondente às competências 05/1996 a 12/1996, a decadência também seria aplicada ao caso em tela com base nos arts. 150, §4° e art.173, I, do Código Tributário Nacional. Por todo o exposto, acato a preliminar ora examinada, restando prejudicado o exame de mérito. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para, em preliminar, DARLHE PROVIMENTO, reconhecendo a decadência dos valores relativos às competências de 05/1996 a 12/1996, independentemente do critério a ser utilizado pelo Código Tributário Nacional (art150, §4 ou art.173, I) com base ainda na Súmula Vinculante n 8 do Supremo Tribunal Federal. É como voto. Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.002718/200707 Acórdão n.º 2403000.724 S2C4T3 Fl. 206 11 Fl. 11DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/ 09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10074.000411/2004-27
Data da sessão: Fri Sep 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Sep 17 00:00:00 UTC 2009
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO DE OFÍCIO. PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE. LIMITE DE ALÇADA.
Não se conhece do recurso de oficio interposto, quando o crédito
tributário exonerado situa-se abaixo do limite de alçada fixado pela Portaria MF n° 3, de 03 de janeiro de 2008 (Publicado no D.O,U de 07/01/2008).
Recurso de Oficio Não Conhecido,
Numero da decisão: 3101-000.246
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
Nome do relator: VANESSA ALBUQUERQUE VALENTE
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Numero do processo: 10380.901398/2006-23
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1802-000.050
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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E COMÉRCIO DE ALIMENTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10380.901398/200623 Resolução n.º 1802000.050 S1TE02 Fl. 2 2 Relatório. O presente processo tem origem no PER/DCOMP n.° 1307.13362.310305.1.7.044074 (fls. 02/06), retificador, que tem por objetivo ver reconhecida a compensação de suposto crédito decorrente de pagamento indevido e/ou a maior de estimativa de CSLL (código 2484), em 29/11/2002, no valor de R$ 392.963,26, com débito de Cofins, (Período de Apuração: Fev. / 2003 e Vencimento: 14/03/2003). Sobre a análise do PER/DCOMP pela autoridade administrativa originária da Delegacia da Receita Federal de Fortaleza/CE, consta do relatório da decisão recorrida (fl.64) o seguinte: 0 Despacho Decisório (fls. 21/23) considerou improcedente o crédito informado na PER/DCOMP, à luz da seguinte fundamentação: Somente o saldo negativo da CSLL apurado no encerramento do período de apuração constitui valor passível de restituição/compensação, não sendo cabível, portanto, a solicitação decorrente de eventuais valores relativos a recolhimentos efetuados por estimativa no decorrer do ano calendário. 0 referido decisório está arrimado no artigo 10 da Instrução Normativa SRFn° 460, de 2004. Cientificada do despacho decisório a interessada apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Fortaleza/CE), conforme decisão proferida mediante o venerando Acórdão nº 0818.559, de 13 de julho de 2010 (fls.64/69), cientificado ao interessado em 10/08/2010 (fl.71). A decisão recorrida possui a seguinte ementa (fl.64): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INTEGRAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO AO PAGAMENTO A MAIOR. ART. 10 DA IN SRF 600/2005. CARÁTER VINCULANTE. Por força do artigo 10 das INs SRF n° 460, de 2004, e 600, de 2005, a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento Fl. 107DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10380.901398/200623 Resolução n.º 1802000.050 S1TE02 Fl. 3 3 indevido de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 19/08/2010, alegando, essencialmente, o seguinte: que, o credito fiscal alvo da compensação pleiteada pela impugnante decorreu de pagamento indevido “a maior” de CSLL mensal recolhido por estimativa mensal em 20/11/2002, por erro, e que, para tanto, basta a simples verificação do valor devido declarado ao fisco através da DCTF e do valor recolhido. Portanto, o recolhimento efetuado foi superior ao devido e declarado através da DCTF; que, a apuração da recorrente é anual e, após a conclusão do ano calendário podese observar o valor do pagamento indevido ou a maior que compõe o saldo negativo do IRPJ ou CSLL do período; que, o direito à restituição ou compensação dos valores , indevidamente recolhidos pelo contribuinte encontrase previsto no inciso II do art.165 do CTN; que, em um primeiro momento, a impugnante declarou o valor objeto deste recurso à titulo de estimativa mensal da CSLL, e, em momento posterior, revisando o cômputo da monta devida, constatou erro de determinação do montante do debito, retificando a competente declaração (DCTF), informando o valor correto que deveria ser recolhido; que, o equívoco foi devidamente saneado e informado à SRF através da retificação da DCTF do período nos moldes do § 1º do art. 9º da IN SRF Nº.255/02, vigente a época dos fatos em debate; que, o que não poderia ser alvo de compensação, pelas normas expostas como fundamento da decisão, é o valor do tributo calculado e recolhido a titulo de estimativa, ou seja, o valor exato da exação devida sob o regime de estimativa e não eventuais recolhimentos a maior; Finalmente, requer seja dado provimento ao recurso e desconsiderar a decisão recorrida. É o relatório. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10380.901398/200623 Resolução n.º 1802000.050 S1TE02 Fl. 4 4 Voto Conselheira Relatora Ester Marques Lins de Sousa Conforme relatado o presente processo trata do PER/DCOMP nº 1307.13362.310305.1.7.044074, retificador, (fls. 02/06), transmitido em 31/05/2005, em que a contribuinte pretende compensar débitos de Cofins (Período de Apuração: Fev. / 2003 e Vencimento: 14/03/2003), com suposto crédito decorrente de pagamento indevido e/ou a maior de CSLL por estimativa (código 2484), em 29/11/2002, no valor original de R$ 392.963,26. O Per/Dcomp foi analisado pela Delegacia da Receita Federal de Fortaleza/CE, e, expedido o Despacho Decisório de fls.21/22, que não homologou a compensação com arrimo no artigo 10 da Instrução Normativa nº 460,de 18 de outubro de 2004, abaixo transcrito: "Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período." (grifei) Desse modo concluiu que, somente o saldo negativo da CSLL apurado no encerramento do período de, apuração constitui valor passível de restituição/compensação, não sendo cabível, portanto, a solicitação decorrente de eventuais valores relativos a recolhimentos efetuados por estimativa no decorrer do anocalendário. Pelos mesmos fundamentos expendidos no Despacho Decisório acima mencionado, é a decisão de primeira instância proferida no Acórdão nº 0818.559, de 13 de julho de 2010 (fls.64/69), ou seja, a Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade da pessoa jurídica com escora também no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004, confirmado pelo artigo 10 da IN SRF n° 600, de 2005. Em síntese, a recorrente alega que, o pagamento indevido decorre da CSLL mensal por estimativa mensal em 29/11/2002, recolhido a maior, por erro. Afirma que o erro está configurado pela simples verificação do valor devido declarado ao fisco através da DCTF e do valor recolhido. Concluindo, pois, que o recolhimento efetuado foi superior ao devido e declarado através da DCTF. Afirma que, a apuração da recorrente é anual e, após a conclusão do ano calendário podese observar o valor do pagamento indevido ou a maior que compõe o saldo negativo do IRPJ ou CSLL do período. É de ver, que o contribuinte vincula seu pleito ao saldo negativo da CSLL em 31/12/2002. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10380.901398/200623 Resolução n.º 1802000.050 S1TE02 Fl. 5 5 Assim, descaracterizado o indébito do pagamento de estimativa, em virtude da afirmação acima e, a não apresentação de Balancete de Suspensão/Redução, pode ser atendido, em parte, o pedido formulado, na forma de pagamento a maior ou saldo negativo, desde que presentes as seguintes condições: (i) o requerente não utilizou o alegado pagamento indevido de estimativa no ajuste anual do imposto ou contribuição; (ii) o sujeito passivo declarou saldo negativo e não compensado com outros indébitos. Cabe verificar, portanto, se o pagamento efetuado de CSLL à titulo de estimativa mensal, relativo ao período de apuração: 31/10/2002, vencimento: 30/11/2002, Data de Arrecadação: 29/11/2002, DARF: R$ 618.698,48, foi utilizado na dedução da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2002. Diante do exposto, voto no sentido de que os presentes autos sejam encaminhados à DRF de origem – Fortaleza/CE, para diligenciar e informar: (i) Se o requerente utilizou o alegado pagamento indevido de estimativa no ajuste anual da CSLL/2002; (ii) Se o sujeito passivo declarou saldo negativo e, qual a sua utilização para fins de compensação de débitos, à luz da escrituração contábil e fiscal, de sorte a evidenciar o saldo negativo de CSLL para que se possa homologar ou não a compensação declarada pelo contribuinte e extinção dos débitos de que tratam os presentes autos. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10314.001459/00-51
Data da sessão: Mon Oct 19 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Oct 19 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃo TRIBUTÁRIA
Data do fato gerador: 23/10/1996
RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. SOLUÇÃO DE CONSULTA. ALTERAÇÃO DE ENTENDIMENTO ANTERIOR. EFEITOS.
A decisão que responde à consulta fiscal vem a ser norma individual e concreta que expressa o entendimento da Administração Tributária sobre a classificação fiscal da mercadoria, num determinado período de tempo, durante o qual a Administração está plenamente vinculada aos termos de sua
conclusão; não porque a interpretação dada naquele momento seja a mais correta, mas sim porque é a interpretação legítima e legalmente instituída em nosso sistema jurídico. A Administração Tributária está autorizada a modificar a sua interpretação a respeito da matéria consultada, entretanto, os efeitos dessa nova interpretação não podem atingir os atos praticados sob os efeitos da Solução de Consulta exarada anteriormente, sob pena de
desconstituir o próprio instituto da consulta e malferir o sobre princípio da segurança jurídica e o precioso principio da moralidade administrativa.
A questão fundamental neste contencioso não é identificar qual o código TEC correto no momento da decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, e sim quais são os códigos TEC corretos nos diversos momentos dos atos e fatos que alteraram a classificação da mercadoria importada pela recorrente, para se saber se, de fato, a recorrente possuía direito subjetivo à
classificação fiscal pretendida na data do pedido de restituição cumulado com compensação Trata-se de questão eminentemente de direito intertemporal, em que os códigos corretos são alterados no tempo, de acordo com as decisões administrativas, as quais geram direitos, que uma vez exercitados passam a fazer parte do patrimônio da pessoa como direito subjetivo ou direito adquirido.
Recurso V1untário Provido.
Numero da decisão: 3101-000.249
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso. O Conselheiro Henrique Pinheiro Torres votou pelas conclusões.
Matéria: II/IE/IPI- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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CLASSIFICAÇÃO FISCAL. SOLUÇ -ÃO DE CONSULTA. ALTERAÇÃO DE ENTENDIMENTO ANTERIOR. EFEITOS. A decisão que responde à consulta fiscal vem a ser norma individual e concreta que expressa o entendimento da Administração Tributária sobre a classificação fiscal da n-lerc adoria, num determinado período de tempo, durante o c:aliai a Administração está plenamente vinculada aos termos de sua conclusão; não porque a interpretação dada naquele momento seja a mais correta, rnas sim porque é a interpretação legítima e legalmente instituída em nosso sistema jurídico. A Administração Tributária está autorizada a modificar a su.a interpretação a respeito da matéria consultada, entretanto, os efeitos dessa nova interpretação não podem atingir os atos praticados sob os efeitos da_ Solução de Consulta exarada anteriormente, sob pena de desconstituir o próprio instituto da consulta e malferir o sobreprincípio da segurança jurídica e o precioso principio da moralidade administrativa. A questão fundamental neste contencioso não é identificar qual o código TEC correto no momento da decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, e simn quais são os códigos TEC corretos nos diversos momentos dos atos e fatos que alteraram a classificação da mercadoria importada pela recorrente, para se saber se, de fato, a recorrente possuía direito subjetivo à classificação fiscal pretendida na data do pedido de restituição cumulado com compensação_ Trata-se de questão eminentemente de direito intertemporal, em que os códigos corretos são alterados TIO tempo, de acordo com as decisões administrativas, as quais geram direitos, que uma vez exercitados passam a fa.zer parte do patrimônio da pessoa como direito subjetivo ou/ direito adq-uirido Recurso V1untário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos_ Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. O Conselheiro Henrique Pinheiro Torres votou pelas conclusões. Henrique Pinhero Torres - Presidente Corintho Oliviir . chado - Relator EDITADO EM: 05/11/2009 Participaram do prisente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tarásio Carnpelo Borges, C. rintho Oliveira Machado, Luiz Roberto 'Domingo e Valdete Aparecida Marinheiro. Ausente a Conselheira Vanessa Albuquerque Valente_ Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase, com as devidas adições: Do pedido de restituição e posterior compensação Trata o presente processo de manifestação de inconforrniclade contra decisão que indeferiu pedido de restituiçéio do Irnposto de Importação, acompanhado de pedido de compensação_ no valor de R$ 46.065,12 (quarenta e seis mil e sessenta e cinco reais e doze centavos), conforme documentos ás fls. 02/07, inerente à Declaração de Importação n° 416278 (fls. 19/23), registrada ern 23/10/1996. Consta dos autos que, através de uma outra Z2I, sob n° 069865, registrada em 20/06/1995, a requerente procedeu à irnportaçéio da mercadoria "MYKO1V" ATC ~TE (N"uviv- - tetraacetiletilenodiamina estabilizado com car-boximeti 1-celu.sose sódica), classificando-a no código NCM 2922. 3 0.90 (aliquota do II - 2%). Naquela ocasião, com base nos exames procedidos pelo Laboratório Nacional de Análises - LABAIVA ((is. 34135), a Equipe de Classificação e Valoração Aduaneira discordou do código adotado pela requerente e entendeu que o correto seria o código 1VC1t1 3823.90.90 (aliquota - 14%). _De_stcz fbrrna, ern 29/05/1996, a referida equipe deu ciência co importador- do Demonstrativo de Cálculo de Lançamento Complementar (fls. 33), onde o mesmo foi intimado a apresentar Declarczçã o Complementar de Importação (DCA a fim de recolher os tributos e acréscimos legais decorrentes da reclassificaçã o fiscal. ./11 2 - Processo n° 103 14.00 1459/00-5 1 53-C1T1 Acórdão n.° 3101-00-249 Fl. 200 Em seu requerimento (lis. 02/07), a peticionária informa que a partir desta autuação passou a adotar o códig-o apontado pela fiscalização, e conseqüentemente,. o imposto de importação passou a ser calculado e recolhido com base na aliquota de 14%. Todavia, por meio do processo administrativo n° 10880. 01 4252/98-80, a requerente efetuou consulta fiscal com o intuito de esclarecer a classificação do produto. Corno resposta, e conforme fundamentação contida na _Decisão 114NA/SRRF/8" RF n° 31 9, de 29706/1998 (fis. 24/28), concluiu-se que o código a ser adotado é 2922.30.90, ou seja, o código adotado pela contribuinte arzteriorrriente ao e-vento do _Demonstrativo de Cálculo de _Lançamento Conz_plernentar acima merzcionado. Diante disso, através do presente processo e com _fundamento na IIV SRF"' n° 21/97, a recorrente solicita restituição acompanhada de pedido de compensação de parte do pagamento do Imposto de Importação relativo à mercadoria objeto da Declaração de Importação n° 416278 (ff.s. 19723), registrada ern 23/10/1996, o qual defende ter sido pago a maior_ Do ind'eferimento .do pleito Ao apreciczr o pleito da interessada, o SEFIA/1R1YSP, por meio do despacho às _fls. 37/38, destacou que, "ao for-rnalizar o pedido de consulta, a interessada deixou de informar que já havia sido intimada a cumprir obrigação tributei ria relativa ao fato objeto da corzsulta razão pela qual, entendemos configurada a hipótese cie não atendimento ao art_ 52, II, cio Decreto 70.235/72 (II'AF)'', para, em seguida, concluir que "a decisão DIAIV4/SW/8" _RF não se aplica ao presente caso, uma vez que, nos termos do Decreto 70.235/72 (P ._AF), o Decreto 2.227/85 e 11V S_R_F 59185, a nova classificação somente será aplicada aos fatos geradores ocorridos até a data da protocolização da consulta e aos fatos grel'adores- ocorridos a partir da data em que a consulente for- notificada da decisão que RESULTE E_A/1- A G RA VA_MEIVT00 DA TR_IB UTA ÇA c" Em decorrência, foi proposto o encaminhamento cio processo ao SES1T/IRF/SF', para apreciação. Em 26/12/2000, ao apreciar a questão, o SESTT solicitou a realização de consulta à DISITTSI?R_F/8" _12...E„. nos seguintes termos 39/40): "1. Qual cz correta classificação tarifária a ser seguida para o produto de que trata a referida consulta ? 2. A partir de que momento a decisão de 1.1/71/1 corzsulta referente à classificação tarifária produz efeitos ? 3. Uma decisão dessa natureza retrocige para fins de retificação da classificação do mesmo produto já desembaraçado em situaçõ-e.s- anteriores à referida consulta ?" O processa seguiu à SAORTZIRF/SP que, nos termos da Decisão n° 100/2003 (fl.s. 49/50), indeferiu o pedido da interessada, não/ 1 3 _ reconhecendo o direito à restituição do crédi to tributário pleiteado. Dentre outras considerações, re_ferida decisão apresenta como fundamentos para negativa da r- estituiçao o fato de que: i) em 29/01/2001, foi exarada a _DECISÃO DIANA/SRRF/8°RF n° 005, tornando insubsistente a _DECISÃO DI4NA/SRRF/8°RF n° 319, de 29/06/1998, h) cie ac-ordo corri a manifestação do SEFIA/GRED (fis. 37/38), foi efetuada a revisão da DI n° 416278, de 23/10/1996, sem resultado,, não tendo sido autorizada a sua retificação, concluindo, ainda, pela irze_xiste-ncia de valores a serem restituídos. Da manifestação de inconformidade Cientificada do despacho decisório em 22/12/2 003, conforme Aviso de Recebimento juntado às fls. 53, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade (f7.s-. 54/64) em 13/01/2004, por meio de representação 65167), oportunidade em que, após um breve relato dos fatos, discordou da decisão proferida, nos seguintes termos: ao contrário do alegado na decisão impugnada, tern a requerente direito a restituição dos valores pagos a maior, diante da incorreta classificação fiscal adotada pelo agente do fisco; foi protocolizada perante a própria Secretaria da Receita Federal consulta fiscal sob o n° 10880.014252/98-80, na qual esclareceu a classificação correta do produto, que ser-ia a 2922.30.90, incidindo alíquota de 2%; decisões do Conselho de Contribuintes demonstram res tar claro o direito de restituição dos valores pagos a maior,- seu direito encontra fundamento em consulta fiscal r-esporzdida pela própria Receita Federal, que afirma a correta c-lassificaçii o para o produto; em que pese o pedido de compensação haver sido indeferido, sob o argumento de que a Decisão n°005 de 05/04/2 00_1 tornou nula a Decisão n° 319 de 29/06/1998, esse fato não obsta o direi to de restituição da requerente, uma vez que a mesma estava recolhendo o valor da alíquota a maior desde 24./0_5/1996 quando foi autuada e concomitantemente ao procedimento de autuação, a requerente protocolizou a corzsuita, que foi solucionada em 29/06/1998, permanecendo seu direito à restituição em face do lapso de tempo entre os dois procedimentos; ressalta a questão da segurança jurídica para defender que a recorrente não pode ser penalizada por currz.prir dispositivo exarado pela própria Receita Federal, e, pondera ainda que, negar o pleito é o mesmo que agir de modo contrário ao princípio da retroatividade mais benigna ao contribuinte; transcreve trecho da obra de Valdir de Go li-veircz Rocha (Comentário ao Código Tributário Nacional, vol 2, Ed. Saraiva, p. 56), que se refere ao art. 5°, XL, da Constituiç .ac:, Federai "a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar réu') ; além texto da lavra de Celso Ribeiro Bastos, onde destczca o principio Processo n° 10314.001459/00-51 S3-C1T1 Acórdão n.° 3101-00_249 Fl. 201 expresso no art. 2°, capta, do Código Penal (Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime, cessando em virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença condenató ria), princípio este que entende deva ser aplicado por analogia cio caso presente; transcrevendo ainda outras ementas de julgados do ST.T e 7RP-72°R, e ainda, suscitando o parágrafo único do artigo 100 do C7757; destaca que na ocas icio do pagamento e posterior pedido de restituição, a norma que estava em vigor era a da resposta à consulta expedida pela .4Deciscão n° 319 de 29/06/1998, não cabendo a alegação de que a Decistio de n° 005, de 05/04/2001 retroage seus efeitos, sendo certo que a mesma somente tem validade e eficácia a partir de sua publica ça`o datada de 19/03/2001, ou seja, a recorrente, em face do principio da temporalidade, se encontraria protegida sob a égide do efeito da consulta fiscal rz° 3 1 9/98, no período de 18/06/1998 a 1 9/03/2001 ; por fim, requer a restituição do Imposto de Importação pago a maior e a conseqüente reforma da decisão recorrida. Diante da manifes-tação de inconformidade apresentada, e após a juntada da documentação pertirzente, o processo foi encaminhado em 1 7/03/2004 à DRJ/SPO 1I/SP, unidade originalmente corrz_peterzte parcz julgar- a lide. Por força da Portaria .SRP" rz° 956, de 08/04/2005, D.O.0 de 12/04/2 005, que transferiu a competência de. julgamento, o processo foi encaminhado a esta DAT/Fortaleza. Da conversão do fidgaryzerzto em diligência Submetido à apreciação desta 2" Turma da DR.J/Fortaleza, por unanimidade dos -votos- de seus irztegrantes, esta resolveu pela conversão do julgamento em diligência, nos termos da Resolução DRJ/FOR 522, de 19/12/2005 (17s. 84/90). Em atendimento às _providências solicitadas por este órgão julgador, foram juntados aos autos os documentos cie fls. 93/142, tendo sido dado ciência à interessada do resultado da diligência, conforme fls. 1 1 0/1 1 1, culminando com sua manifestczoão às fls. 113/119, acompanhada dos documentos de outorga de poderes ao signatário ãs_f/s-. 129/130_ Cabe aqui destacar a ex-istêncicz de outros processos (conforme numeração relacionada no cabeçalho do despacho às fls. 45/46 dos autos) onde a matéria tratada é idêntica a deste, e, como tal, em atendimento à diligência solicitada, por uma questão de economia processual, urrzcz cópia do processo de consulta MF 10880.014252/98-80 foi juntada ao processo MF 1 031 4.001471/00-56. Quanto à nova manifestação apresentada pela interessada, esta, em síntese, ratificou o teor de sua manifestação inicial, ressaltando, quanto aos motivos que suscitaram a anulação dai 5 DECISÃO DI4NA/SRRF/8°RF n°319, de 29/O6/1998, que o auto de infração já se encontrava extinto por pagamento. Frisou que o pagamento objeto do pleito foi comprovado no sistema SINAL, e ao final, solicitou a restituição conforme petição inicial. Em 13/07/2007, o processo retornou a esta 12n12J/FOR para prosseguimento do julgamento. A DRJ em FORTALEZA/CE julgou improcedente a solicitação, alicerçando seu entendimento de acordo com a ementa: Assunto.- Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 23/10/1996 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDA_DE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Constatado que o produto MYKON ATC _TE - tetraacetiletilenodiamina estabilizado com carboximeti 1-celulose sódica) classifica-se no código NCM 3824.90.89; que sua correspondente alíquota do imposto de importação é igual a do código 1VCM aplicado no despacho aduaneiro; e que, via de conseqüência, o valor recolhido do imposto de importação coincide com o valor deste tributo inerente à da correta classificação fiscal do bem importado, não há crédito tributário a ser restituído ou compensado. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 23/10/1996 soLuçÃo DE CONSULTA. A LTE1RA ÇÃO ENTENDIMENTO ANTERIOR. EFEITOS. A alteração de entendimento expresso em Solução de Consulta alcançará apenas os fatos geradores que ocorreram após a sua publicação ou após a ciência do consulente, exceto se a nova orientação lhe for mais favorável, caso ern que esta atingirá, também, o período abrangido pela solução anteriormente dada. -Constatado que o fato gerador objeto do pedido de restituição ou compensação ocorreu anteriormente à Solução de Consulta tornada insubsistente e superada por uma nova orientação, que, por sua vez, não acarreta em tratamento mais favorável, incabível será a aplicação do princípio da retroatividade mais benigna. Solicitação Indeferida. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 155 e seguintes onde reproduz os argumentos alinhavados cm primeiro grau e requer a reforma da decisão recorrida. A Repartição de origem, considerando a presença do recurso -voluntário, encaminhou os presentes autos para apreciação do Conselho, fl. 197. É o Relatório. 6 Processo n° 10314.001459/00-51 S3-C1T1 Acórdão n.° 3101-00.249 Fl. 202 Voto Conselheiro CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em não havendo preliminares, passa-se, de plano, ao mérito do litígio. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, após diligência efetuada, esclareceu que: ii) o ato que tornou insubsistente a Decisão DIANA/SRRE/8°RF n° 319, de 29/06/1998 (processo n°10880.014252/98-80), objeto da Decisão DIANA/SRRF/8°RF n° 005, de 29/01/2001, não foi, tal como discorreu o despacho da SEFIA/IRF/SP às fls. 37/38, ter havido vício de forma, ou seja, pelo fato de que, (..) ao formalizar o pedido de consulta, a interessada deixou de informar que havia sido intimada a cumprir obrigação tributária relativa ao fato objeto da consulta (.), e sim, em decorrência de mudança de entendimento em relação ao código TEC correto para a mercadoria em questão, tendo concluído pelo código 3824.90.89, cuja alíquota do II, à época do registro da DI n° 416278, de 23/10/1996, era de 14%; Em primeiro plano, cumpre dizer o que significa, sob a ótica tributária, a resposta a uma Consulta sobre classificação de mercadorias, feita por uma sociedade empresária, pois disso depende, ao meu ver, a solução deste contencioso, na medida em que a base de sustentação do pedido de restituição/compensação, formulado pela recorrente, é a resposta a uma Consulta desse tipo. A decisão que responde à consulta fiscal patrocinada pela recorrente vem a ser uma norma individual (vale apenas para a recorrente) e concreta (acerca de mercadoria importada ou em vias de o ser) que expressa o entendimento da Administração Tributária sobre a classificação fiscal da mercadoria descrita na consulta, num determinado período de tempo, durante o qual a Administração está plenamente vinculada aos termos de sua conclusão; não porque a interpretação dada naquele momento seja a mais correta, mas sim porque é a interpretação legítima (por quem tem competência) e legalmente instituída em nosso sistema jurídico. A esse passo, releva dizer, outrossim, que a Administração Tributária está autorizada a modificar a sua interpretação a respeito da matéria consultada, entretanto, os efeitos dessa nova interpretação não podem atingir os atos praticados sob os efeitos da Solução de Consulta exarada anteriormente, sob pena de desconstituir o próprio instituto da consulta (que visa proteger o sujeito passivo diligente e cauteloso em momento de indagação ao Estado- Fisco acerca de sua interpretação autorizada sobre classificação de mercadorias) e malferir o sobreprincípio da segurança jurídica e o precioso princípio da moralidade administrativa. Não é por menos que à época dos fatos figurava na Instrução Normativa SRF n° 230/2002, os/ seguintes preceitos: x 7 • Art. 14. A consulta eficaz impede a aplicação de penalidade relativamente à matéria consultada, a partir da data de sua protocolização até o trigésimo dia seguinte ao da ciência, pelo consulente, da Solução de Consulta. § 6° Na hipótese de alteração de entendimento expresso em Solução de Consulta, a nova orientação alcança apenas os fatos geradores que ocorrerem após a sua publicação na imprensa oficial ou após a ciência do consulente, exceto se a nova orientação lhe for mais favorável, caso em que esta atingirá, também, o período abrangido pela solução anteriormente dada. § 7° Na hipótese de alteração ou reforma, de oficio, de Solução de Consulta sobre classificação de mercadorias, aplicam-se as conclusões da solução alterada ou reformada em relação aos atos praticados até a data em que for dada ciência ao consulente da nova orientação. Dito isso, reporto-me aos fatos significativos do processo, de forma bem sintética: Em 23/10/1996 - Registro DI 96/416278 - código 3824.90.90 - Alíquota II - 14%; Em 18/06/1998 - Formalização de Consulta - processo n° 10880.014252/98-80; Em 29/06/1998 - Solução de Consulta - Decisão DIANA/SRRF/8°RF n°319, de 29/06/1998 - Conclusão -> código TEC 2922.30.90; Em 10/04/2000 - Pedido de Restituição/Compensação - Fundamentação -> código TEC 2922.30.90 (alíquota 5%); Em 29/01/2001 - Decisão DIANA/SRRF/8°RF e 005, de 29/01/2001 - Reforma o entendimento inicial - Torna insubsistente a Decisão DIANAISRRF/8°RF n° 319, de 29/06/1998 - Conclusão -> código TEC 3824.90.89 - Alíquota de 17%; Em 24/11/2003 - Unidade preparadora nega o pleito; Em 10/10/2007 - Acórdão 08-11.937, da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em FORTALEZA/CE mantém o indeferimento do pleito. O julgado lastreou-se no seguinte pensamdito - (.) a questão fundamental a ser analisada, de modo a solucionar a presente demanda, é identificar qual é o código TEC correto para a mercadoria importada pela interessada. E neste sentido, cabe destacar a Decisão DIANA/SRRF/8°RF n° 005, de 29/01/2001, que alicerçada em robustos fundamentos, aos quais me vinculo, concluiu como correto o código TEC 3824.90.89 (..). Com a devida vênia do entendimento expresso supra, já manifestei-me anteriormente no sentido de que a questão fundamental aqui é a significação, sob a ótica tributária, da resposta a uma Consulta sobre classificação de mercadorias, feita por uma sociedade empresária, incluindo, obviamente, os efeitos temporais dessa resposta, ou seja, o\\ 18 - Processo n° 10314.001459/00-51 S3-C1T1 Acórdão n.° 3101-00.249 Fl. 203 fundamental, ao meu sentir, não é identificar qual é o código TEC correto no momento da decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, e sim quais são os códigos TEC corretos nos diversos momentos dos atos e fatos que alteraram a classificação da mercadoria importada pela recorrente, para se saber se, de fato, a recorrente possuía direito subjetivo à classificação fiscal pretendida na data do pedido de restituição cumulado com compensação (momento em que o código correto era o da Solução de Consulta eficaz). Trata-se de questão eminentemente de direito intertemporal, em que os códigos corretos são alterados no tempo, de acordo com as decisões administrativas, as quais geram direitos, que uma vez exercitados passam a fazer parte do patrimônio da pessoa como direito subjetivo ou direito adquirido. Forte nas premissas acima, volto à cronologia: Em 23/10/1996 - Registro DI 96/416278 - pergunta-se: Qual o código correto? É o TEC 2922.30.90, em virtude da Solução de Consulta, e do exercício, por parte da recorrente, do seu direito à classificação de mercadorias tal como na Solução de Consulta; Em 18/06/1998 - Formalização de Consulta - o código correto é o da Solução de Consulta eficaz (TEC 2922.30.90), pois certamente os efeitos daquela decisão aplicam-se retroativamente; Em 29/06/1998 - Solução de Consulta - Decisão DIANA/SRRF/8°RF n° 319, de 29/06/1998 - Conclusão -> código correto é o TEC 2922.30.90; Em 10/04/2000 - Pedido de Restituição/Compensação - Fundamentação -> código correto TEC 2922.30.90 (alíquota 5%) - a recorrente exercita o seu direito à classificação de mercadorias tal como na Solução de Consulta e adquire direito subjetivo; Em 29/01/2001 - Decisão DIANA/SRRF/8°RF n° 005, de 29/01/2001 - Reforma o entendimento inicial - Torna insubsistente a Decisão DIANA/SRRF/VRF n° 319,-- de 29/06/1998 - Conclusão -> código correto é o TEC 3824.90.89, porém somente para fatos geradores posteriores à ciência da alteração da Solução de Consulta, por parte da recorrente ; Em 24/11/2003 - Unidade preparadora nega o pleito sem levar em consideração o direito intertemporal, pois o código correto foi alterado somente após a recorrente exercitar o seu direito à classificação de mercadorias tal como na Solução de Consulta; Em 10/10/2007 - Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em FORTALEZA/CE mantém o indeferimento do pleito incidindo no mesmo equivoco da Unidade preparadora. Nessa mold/T an vpto pelo PROVIMENTO ao recurso voluntário. Corintho 0041111 a Machado ft / . 9
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Numero do processo: 13502.721089/2014-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Feb 28 00:00:00 UTC 2022
Numero da decisão: 3302-000.549
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, por unanimidade de votos, o julgamento foi convertido em diligência.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza -Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
Nome do relator: Não se aplica
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(assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. Relatório Tratase de auto de infração para lançamento da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. Do relatório do acórdão da DRJ/Ribeirão Preto, fls. 48075/480811, extraemse trechos importantes para a elucidação da lide: Tratase de exigência fiscal formalizada nos autos de infração de fls. 02/21 (a numeração referese sempre à versão digital dos autos) relativa à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins e contribuição para o Programa de Integração Social – PIS. O feito, relativo a fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2010 1 Todas as páginas referenciadas no voto correspondem à numeração do eprocesso. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 02 .7 21 08 9/ 20 14 -4 6 Fl. 48257DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13502.721089/201446 Resolução nº 3302000.549 S3C3T2 Fl. 3 2 constituiu crédito tributário nas cifras de R$ 6.6061.593,72 (Cofins) e R$ 1.316.003,93 (PIS), incluídos principal, multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora. Os motivos da autuação foram descritos no Termo de Verificação Fiscal, efls. 22/67 e vão a seguir resumidos. No início do citado Termo a auditoria relata fatos relacionados à tributação do IRPJ e CSLL sobre as quantias auferidas com o incentivo fiscal concedido pelo Estado da Bahia no âmbito do Programa de Desenvolvimento Industrial e Integração Econômica do Estado da Bahia Desenvolve, do qual é beneficiária. As verificações levaram à formalização de exigência fiscal objeto de autos de infração tratados no processo administrativo nº13502.721088/201400. Parte do crédito tributário formalizado em relação ao PIS e à Cofins objeto dos presentes autos decorre de constatações relacionadas a valores auferidos como incentivo no escopo do citado programa Desenvolve. No tocante ao plano de incentivo, o Termo de Verificação referese à legislação que criou o programa Desenvolve (Lei Estadual nº 7.980, de 2001 e Decreto Estadual nº 8.205, de 2002). O benefício, em síntese, foi instituído com o objetivo de fomentar e diversificar a matriz industrial e agroindustrial, com formação de adensamentos industriais nas regiões econômicas e integração das cadeias produtivas essenciais ao desenvolvimento econômico e social e à geração de emprego e renda no Estado. O benefício consistia na dilação do prazo de pagamento do saldo devedor e no diferimento do lançamento e pagamento do Imposto sobre Operações Relativas a Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS devido. Também foi concedido, no âmbito do programa, desconto de até 90% para a liquidação antecipada do imposto cujo prazo fora dilatado. A receita auferida com o incentivo em foco, prossegue a auditoria, prossegue e relata que a receita auferida pela fiscalizada com o incentivo foi contabilizada nas rubricas nº 3211.49 e 3231.49 (ICMS – Incentivo Fiscal Estadual) sob o histórico: Ganho com desenvolve no mês de (mês)/2010. (...) Na continuação do Termo Fiscal, o auditor descreve as demais infrações que justificaram a formalização de crédito tributário, vindo a compor a matéria exigida no auto de infração. A autoridade relata ter analisado a linha referente a “Outras Operações com Direito a Crédito” informada pela contribuinte nos DACONs mensais. Intimada, a fiscalizada anotou que os valores consignados na citada linha do DACON correspondiam a acertos financeiros efetuados por meio de Notas de Crédito (NC) referentes a faturamentos efetuados a maior em fornecimentos realizados à CBE – Cia Brasileira de Estireno”. (...) Fl. 48258DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13502.721089/201446 Resolução nº 3302000.549 S3C3T2 Fl. 4 3 76 – Nas Notas Fiscais apresentadas pelo contribuinte, referente às vendas para a CBE, não consta qualquer tipo de desconto. Nos registros contábeis da empresa também não há nenhuma conta referente a “Descontos Incondicionais”. Desta forma, a base de cálculo das contribuições é o valor da rubrica contábil “Receitas Brutas” (conta contábil 3100.00), acrescida das receitas de aluguel, e subtraída das Receitas Sujeitas à Alíquota Zero (DACON, Fichas 07 A e 17 A, linha 04) e de Venda para Exportação (DACON, Fichas 07 A e 17 A, linha 07). (...) 78 – Quanto à possibilidade das operações descritas neste tópico concederem direito a crédito, verificase que não há respaldo legal para tal creditamento. As hipóteses do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 são taxativas, e a operação aqui analisada não se enquadra em nenhuma delas. 79 – A concessão de um crédito para uma empresa controlada pelo fato desta ter, supostamente, pago um valor a maior pelos produtos não se enquadra em nenhuma das hipóteses previstas para gerar créditos da nãocumulatividade. 80 – Ademais, a fiscalizada não comprovou qual o valor pago a maior e nem o porquê de ter ocorrido este excesso. O fato da Proquigel ter decidido, seja por qual motivo, conceder um crédito a sua controlada, mesmo se esta pagou um valor alto em relação ao mercado de commodities, só encontra repercussão no âmbito da relação entre as duas empresas, sem qualquer efeito fiscal. 81 – Observese que não houve qualquer cancelamento de venda ou devolução de mercadorias por parte da CBE. 82 – Nesse contexto, tais créditos devem ser glosados, com o lançamento, via Auto de Infração, das contribuições respectivas. Abrindo nova frente, o Termo Fiscal discorre sobre a glosa de créditos indevidamente descontados, calculados sobre valores com fretes internos Logo, percebese que são três infrações, contidas no Termo de Verificação Fiscal: i) as subvenções que foram consideradas como de custeio e não foram submetidas à tributação pela Recorrente; ii) os descontos concedidos que não foram considerados incondicionais pela fiscalização; iii) a glosa referente a fretes internos. Ainda do relatório da DRJ/Ribeirão Preto, extraise o resumo da impugnação apresentada pela contribuinte, fls. 48081/48084: A defesa combate o entendimento fiscal de que as subvenções estatais, independente de sua natureza estariam submetidas à incidência de PIS e de Cofins, nos termos da base de cálculo fixada pelas Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. A seu ver os valores recebidos a título de subvenção para investimento são expressamente afastados da tributação do PIS e da COFINS, nos termos dos arts. 18 e 21 da Lei nnº 11.941/2009. Fl. 48259DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13502.721089/201446 Resolução nº 3302000.549 S3C3T2 Fl. 5 4 Nesse contexto, busca demonstrar que, ao contrário do entendimento fiscal, o incentivo concedido pelo Estado da Bahia – Desenvolve caracterizase como subvenção para investimento e, portanto, estaria fora do escopo da tributação do PIS e da Cofins. A impugnante destaca que a Câmara Superior de Recursos Fiscais no julgamento do Recurso Especial nº 141.268 (Acórdão nº 9101.00566) externou entendimento diverso daquele disposto no PN/CST nº 112, de 1978, que embasa a classificação feita pela autoridade com relação ao incentivo. Segundo o citado julgado, a aplicação dos valores recebidos, por conta do benefício fiscal, na efetiva implantação do empreendimento, ao contrário do que entende o PN/CST/112/1978 não é obrigatória para a caracterização da subvenção na categoria “para investimento”. Especificamente sobre o incentivo concedido do âmbito do programa Desenvolve do Estado da Bahia, continua, diz que no acórdão CSRF nº 910101.239, a Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais manifestouse em favor da classificação do incentivo como tendo a natureza de subvenção para investimento. (...) Na sequência, a impugnante anota ter atendido estritamente o disposto na legislação fiscal para fins de ver não tributado o valor das subvenções para investimentos, nos termos dos requisitos incluídos no art. 38 do DecretoLei n° 1.598/77, na redação que lhe foi dada pelo Decretolei n° 1.730/79 e art. 443 do RIR/99, com as alterações trazidas pela Lei n° 11.638/2007. (...) Destaca, na sequência, haver registrado os valores auferidos com o incentivo em conta de reserva de capital assim mantendoos até a efetiva capitalização. Adiciona que o art. 177 da Lei n° 6.404, de 1976, dispôs expressamente que os ajustes contábeis realizados para ajustes e harmonização de normas contábeis não podem ser base de incidência de impostos ou contribuições nem ter qualquer efeito tributário. Assim, ainda que os valores fosse levados a contas de resultado, poderiam ser excluídos da base de cálculo desde que não fossem distribuídos aos sócios ou acionistas. (...) A impugnante avança contestando a glosa sobre os créditos descontados em relação a operações de fornecimento à Companhia Brasileira de Estireno CBE, empresa integrante do grupo econômico de que faz parte: (...) Postula, assim o cancelamento da exigência correspondente. No último tópico a autuada investe contra a glosa das despesas com fretes interplantas. Defende que o conceito de insumo para fins de apuração de créditos de PIS e COFINS é mais amplo do que defende o Fisco e Fl. 48260DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13502.721089/201446 Resolução nº 3302000.549 S3C3T2 Fl. 6 5 nele devem ser compreendidos também os gastos gerais, diretos e indiretos, incorridos pela empresa na produção de bens e serviços. Sobreveio, então, a decisão da DRJ/Ribeirão Preto, cuja ementa é colacionada abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. PROGRAMA DESENVOLVE. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. Os recursos fornecidos às pessoas jurídicas pela Administração Pública, quando não estritamente atrelados a implantação ou a expansão do empreendimento projetado, constituem estímulo fiscal que não se reveste das características próprias das subvenções para investimento, não sendo permitida sua exclusão da base de cálculo da contribuição. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. GERAÇÃO DE CRÉDITOS. DESCONTOS INCONDICIONAIS. NÃO CARACTERIZAÇÃO. GLOSA. Os descontos incondicionais concedidos não ingressam na formação da base de cálculo da contribuição. Descontos concedidos posteriormente à operação de venda, por conta de ajustes de preço a valores de mercado não são considerados descontos incondicionais e não geram créditos no regime da não cumulatividade bem como não podem ser excluídos da base de cálculo. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. GERAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. FRETES DESVINCULADOS DE OPERAÇÃO DE VENDA. Não geram créditos no regime da não cumulatividade os dispêndios com bens e serviços que não se enquadram no conceito de insumo definido na legislação, como os fretes contratados para transporte de bens em elaboração ou de produtos acabados entre a fábrica e o centro distribuidor. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2010 a 31/12/2010 SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. PROGRAMA DESENVOLVE. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. Os recursos fornecidos às pessoas jurídicas pela Administração Pública, quando não estritamente atrelados a implantação ou a expansão do empreendimento projetado, constituem estímulo fiscal que não se reveste das características próprias das subvenções para investimento, não sendo permitida sua exclusão da base de cálculo da contribuição. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. GERAÇÃO DE CRÉDITOS. DESCONTOS INCONDICIONAIS. NÃO CARACTERIZAÇÃO. GLOSA. Fl. 48261DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13502.721089/201446 Resolução nº 3302000.549 S3C3T2 Fl. 7 6 Os descontos incondicionais concedidos não ingressam na formação da base de cálculo da contribuição. Descontos concedidos posteriormente à operação de venda, por conta de ajustes de preço a valores de mercado não são considerados descontos incondicionais e não geram créditos no regime da não cumulatividade bem como não podem ser excluídos da base de cálculo. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. GERAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. FRETES DESVINCULADOS DE OPERAÇÃO DE VENDA. Não geram créditos no regime da não cumulatividade os dispêndios com bens e serviços que não se enquadram no conceito de insumo definido na legislação, como os fretes contratados para transporte de bens em elaboração ou de produtos acabados entre a fábrica e o centro distribuidor. Irresignada a contribuinte apresentou recurso voluntário, fls. 48119/48140, repisando os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 22 de junho de 2015, fls. 48116, e o recurso foi protocolado em 21 de julho de 2015. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Da necessidade de sobrestamento Do Termo de Verificação Fiscal, extraise a seguinte informação, fls. 48075: No início do citado Termo a auditoria relata fatos relacionados à tributação do IRPJ e CSLL sobre as quantias auferidas com o incentivo fiscal concedido pelo Estado da Bahia no âmbito do Programa de Desenvolvimento Industrial e Integração Econômica do Estado da Bahia Desenvolve, do qual é beneficiária. As verificações levaram à formalização de exigência fiscal objeto de autos de infração tratados no processo administrativo nº13502.721088/201400. Logo, tratase de caso de processos que devem ser vinculados, pois são reflexos, conforme prevê o regime interno do Carf: RICARF Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observando se a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: (...) Fl. 48262DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13502.721089/201446 Resolução nº 3302000.549 S3C3T2 Fl. 8 7 III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. (...) § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. (grifos não constam no original) Ademais, conforme o artigo 6º, § 5º, do RICARF, como se trata de processo em que o principal se encontra na 1ª Seção de Julgamento e o reflexo na 3ª Seção, há necessidade de sobrestar o presente processo até que se tenha a decisão do processo administrativo nº 13502.721088/201400. Em consulta ao sítio do Carf, na data da sessão de julgamento dos presentes autos, qual seja o dia 25 de janeiro de 2017, observase que o último andamento processual do processo principal nº 13502.721088/201400, é datado de 07 de novembro de 2016, onde consta que os autos estão para serem distribuídos/sorteados para a 1ª Seção 4ª Câmara 1ª Turma Ordinária. Por todo exposto, em cumprimento ao regimento interno, sobrestase o presente feito na 3ª Câmara da 3ª Seção até que haja decisão dos autos nº 13502.721088/201400, cumprindo a determinação de se aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Fl. 48263DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 15889.000365/2007-48
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 22 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Fri Oct 22 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - PERÍODO PARCIALMENTE ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL SÚMULA VINCULANTE STF N° 8.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n 8212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário".
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal A recorrente teve ciência do Auto de Infração no dia 24,08.2007, o período objeto do Auto de Infração é de 01/1999 a 12/2004. Dessa forma, constata-se que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados ate a competência 07/2002, inclusive, nos termos do art, 150, § 4°,
CTN.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - SALÁRIO IN NATURA - ALIMENTAÇÃO - EMPRESA NÃO INSCRITA NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR - PAT - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
A alimentação in wawa, fornecida aos segurados empregados por empresa não inscrita no PAT - Programa de Alimentação do Trabalhador, integra o salário de contribuição e se constitui em fato gerador de contribuiç6es sociais previdenciárias. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO GFIP - APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS
Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciarias.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, ern forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, § 5°, LEI Nº
8.212/91 - APLICAÇÃO DO ART. 32,1V, LEI N° 8„212/91 C/C ART. 32-A, LEI N° 8.212/91 - PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA - ATO
NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO - ART. 106,11, C, CTN
Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional - CTN a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua pratica.
Desta forma, ha que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, GIN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei n° 8.212/1991 c/c art 32, § 5º, Lei n° 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei n° 8.212/1991 c/c o art. 32-A, Lei ri° 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE
Numero da decisão: 2403-000.266
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, nas preliminares, por maioria de
votos, em reconhecer a decadência das competências até 07/2002, inclusive, com base no Art 150, § 4º do CTN. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Núbia Moreira Barros Mazza e
Marcelo Magalhães Peixoto. NO MÉRITO, por maioria de votos, ern dar provimento parcial ao recurso para determinar o recalculo da multa, se mais benéfico ao contribuinte de acordo
com o disciplinado no Art. 32 — A, da Lei 8.212/91, incluído pela Lei 11.941/2009. Vencidos os Conselheiros Núbia Moreira Barros Mazza, na questão de multa de mora e Marcelo Magalhães Peixoto que entende que a cesta alimentação não integra salário de contribuição.
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
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O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n 8212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Sumulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal A recorrente teve ciência do Auto de Infração no dia 24,08.2007, o período objeto do Auto de Infração é de 01/1999 a 12/2004. Dessa forma, constata-se que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados ate a competência 07/2002, inclusive, nos termos do art, 150, § 4°, CTN.. PREVIDENCIARIO - CUSTEIO - SALÁRIO IN NATURA - ALIMENTAÇÃO - EMPRESA NÃO INSCRITA NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR - PAT - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. A alimentação in wawa, fornecida aos segurados empregados por empresa não inscrita no PAT - Programa de Alimentação do Trabalhador, integra o salário de contribuição e se constitui em fato gerador de contribuiç6es sociais previdencidrias. PREVIDENCIARIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO GFIP - APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIARIAS Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciarias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de- infração, o qual se constitui, principalmente, ern forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tern por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, § 5°, LEI 1\1' 8.212/91 - APLICAÇÃO DO ART. 32,1V, LEI N° 8„212/91 C/C ART. 32-A, LEI N° 8.212/91 - PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA - ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO - ART. 106,11, C, CTN ConfOrme determinação do art.. 106, II, c do Código Tributário Nacional - CTN a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua pratica. Desta forma, ha que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, eonfonne o art. 106, II, c, GIN: (a) a norma anterior, corn a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei n° 8.212/1991 c/c art 32, § 5 0, Lei n° 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei n° 8.212/1991 c/c o art. 32-A, Lei ri° 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, nas preliminares, por maioria de votos, em reconhecer a decadência das competências até 07/2002, inclusive, com base no Art 150, § 40 do CTN. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Núbia Moreira Barros Mazza e Marcelo Magalhães Peixoto.. NO MÉRITO, por maioria de votos, ern dar provimento parcial ao recurso para determinar o recalculo da multa, se mais benéfico ao contribuinte de acordo corn o disciplinado no Art. 32 — A, da Lei 8.212/91, incluído pela Lei 11.941/2009. Vencidos os Conselheiros Nribia Moreira Banos Mazza, na questão de multa de mora e Marcelo Magalhães Peixoto que entende que apesta alimentaçâo não integra salário de contribuição. 17/4/ /7 - CARLOS ARE STRINGARI - Presidente N 1 ' PAULO MAU C 0 IN EIRO MONTEIRO — Relator Processo no 15889.000365/2007-48 S2-C4T3 Ac6rdilo no 2403-00.266 Fl. 125 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Cid Marconi Gurgel de Souza, Marthius Sávio Cavalcante Lobato, Marcelo MagalhAes Peixoto e Ni.ibia Moreira Barros Mazza (Suplente). Ausente o Conselheiro Ivacir Júlio de Souza. Relatório Trata-se de recurso voluntário, As fls. 62 a 73, apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto - SP, Acórdão n° 14- 19.169 — T Turma, fls. 44 a 52, que julgou procedente a autuação por descurnprimento de obrigação acessória, Auto de Infração n'. 37.117.516-0, com ciência da recorrente em 24.08.2007, As fls. 21, com valor consolidado de R$ 45,123,90 (quarenta e cinco mil, cento e vinte e três reais e noventa centavos). Conforme o Relatório Fiscal da Infração, As fls. 04, o Auto de Infração n°. 37.117.516-0, Código de Fundamentação Legal — CFI, 68, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter apresentado Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social - GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdencidrias, ou seja, as remunerações dos empregados referentes As parcelas "in natura"pagas a titulo de "Cestas de Alimentos" - nas competências 01/1999 a 12/2004. No caso, conforme o Relatório Fiscal da Infração, As fit 04 e o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, As fl. 05, bem como o Anexo corn cópia do Relatório Fiscal da correlata NFLD n° 37.117.514-3, As fls. 11 a 20, nas GFIP não foram incluídos os valores de cestas básicas distribuídas aos segurados empregados, parcelas in natura que integram suas remunerações, estando identificados no citado anexo ao AI, os fatos geradores não incluidos em GFIP, por competência. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inc. IV e §§ 3 0 e 5°, acrescentado pela Lei no 9.528, de 10/12/1997, combinado com art. 225, IV e § 4°, do Regulamento da Previdência Social -.RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, §5 0, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, e Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 284, inc. II, e art. 373. A multa é apurada por competência, sendo seu valor total a soma dos valores de cada competência em que ocorreu a Infração. O periodo de apuração, de acordo com o Mandado de Procedimento Fiscal — MPF n° 09396444F00, foi de 01/1997 a 12/2004, fls. 08 0 período objeto do auto de infração, conforme os anexos do Relatório Fiscal da Infração, fls. 18 a 20, é de 01/1999 a 12/2004. A recorrente teve ciência do Auto de Infração no dia 24.08.2007, conforme Aviso de Recebimento — AR, As fls. 21. 0 Relatório Fiscal da Infração, fls. 04 e 05, indiretamente, mostra que o autuado é primário, não registra a existência de circunstância agravante, conforme a descrição do inciso V do art. 290, do Decreto n° 3.048/1999, tampouco registra a existência de circunstância atenuante, prevista no art. 291 do Decreto n° 3.048/1999. Processo n' 15889.000365/2007-48 S2-C4T3 AeOrdfio n ° 2403 -00.266 Fl 126 Contra a autuação, a Recorrente apresentou impugnação tempestiva, dc fls. 28 a 33. Após análise, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto - SP, emitiu o Acórdão n° 14-19.169 — 7 8 Turma, fls, 44 a 52, julgando procedente a autuação e mantendo a multa aplicada, conforme a Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRMS Data do fato gerador 22/08/2007 AUTO-DE-INFRAÇÁO OBRIGAÇÁO ACESSÓRIA INFORMAÇÕES CORRESPONDENTES A TODOS FATOS GERADORES DESCUMPRIMENTO Constitui infração à legislação previdenciciria a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos fatos geradores de contribuições previdenciárias. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÁO. ALIMENTAÇÃO CESTA &LUCA Integra o salário de contribuição do segurado empregado a parcela in natura paga pela empresa, sem a observância da legislação do PAT— Programa de Alimentação do Trabalhador Lançamento Procedente Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário, fls.. 62 a 73, na qual alega em síntese que: (a) Preliminarmente, do prazo decadencial para o lançamento da contribuição, com fulcra na Stimula Vinculante 8, STF; requer a decadência até a competência 07/200.2, inclusive. No Mérito: (b) Inexistência de fatos geradores a serem informados em GFIP. A lavratura do presente AI está vinculada á NFLD citada acima, sendo assim, será necessário a abordagem da obrigação principal para se verificar então a obrigação acessória, objeto deste AI Junta cópia da Impugnação apresentada á NFLD. A Recorrente não teria que informar as parcelas in natura pagas a titulo de cestas básicas na GFIP, posto que elas não correspondem a fato gerador de contribuição previdenciária. A distribuição de cestas básicas foi feita de maneira ocasional e mediante entrega dos produtos. Não sendo uma distribuição habitual, esses valores não integram o salário de contribuição. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 123. o relatório. 5 Vo to Conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: 0 recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 123. Anota-se ainda que o Supremo Tribunal Federal — STF ao editar a Súmula Vinculante n". 21 afastou a exigência de depósito para a admissibilidade de recurso na esfera administrativa. Súmula Vinculante 21 inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso adnilnistrativo, Fonte de Publicação. ale n" 210, p, I, em 10/11/2009 DOU de 10/11/2009, p. 1. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (a) Da decadência A recorrente assim se manifesta.: "Do paw decadencial para o lançamento da contribuição, com fulcro na Súmula Vinculante 8, STF; requer a decadência até a competência 07/2002, inclusive," Deve-se verificar a ocorrência, ou não, da decadência. 0 Supremo Tribunal Federal - STF, conforme o Informativo STF n° 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários no s 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei if 8.212/91, atribuindo-se, h. decisão, eficácia ex Mine apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.61008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante n° 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Minutia Vinculante n° 8 - São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5" do Decreto-lei 1,569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8 212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção I, Processo n° 15889000365/2007-48 S2-C4T3 Acórd5o n ° 2403-00.266 H 127 E necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103-A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional n° 45/2004. in veibis: ‘eirt. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria COnSiiilleiOlial, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e it administração pziblica direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. .§ 1" A súmula lei-6 por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre guava() idêntica, ,§ 2" Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. yç 3' Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicam; caber-6 reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgando-a procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o. caso (g.n ) " Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, conclui-se que a vinculação A súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64-B da Lei 9384/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. "Art. 64-B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinczdante, dar-se-it ciência a autoridade prolatora e ao órgão competente para o jzdgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal na-s esferas dye!, administrativa e penal" Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF n° 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. 7 Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: "Art. 62. Fica vedado aos menzbros das turmas de julgamento do CARP' afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob . fundamento de inconstitucionalidade Parágrafo único. 0 disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II - que fundamente crédito ti ibutcirio objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratdrio do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do art 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993, ou c) parecei.. do Advogado-Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na ,forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (gn.)" Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 pelo STF, ha que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional - CTN. Dessa forma, constata-se que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4 °, e 173 do Código Tributário Nacional. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece ern seu artigo 173: "Art. 173. 0 direito r de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data enz que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parági afo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele pi evisto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do credito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento, (giz)" Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido ern fraude, dolo ou simulação, aplica-se o disposto no § 4°, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, sera ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: 8 Processo n° 15889.000365/2007-48 S2-C413 Acórdilo n ° 2403-00266 Fl 128 "Art.150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1" - O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2" - Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito ,sç 3" - Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação, § 4" - Se a lei não fixar prazo a homologação, seal ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou (g,n.)" Essas interpretações estão em sintonia com decisões do Poder Judiciário. "Ementa. - —1, 0 entendimento jurisprudencial consagrado no Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo decadencial de que dispõe o Fisco para constituir o crédito tributário é de cinco altos, contados a partir do fato gerador. Todavia, se não houver pagamento antecipado, incide a regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional" (Sri. 1" Turma, AgRg no Ag 972.949/RS, Rel.: Mm Denise Arruda.,ago/08.) (g n.) "Ementa: Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, conta-se o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art 150, § 40, do CTN). Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova defraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, 1, do CTN Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5.Hipótese dos autos em que não houve pagamento antecipado, aplicando-se a regra do art. 173, I, do CTN" (STJ. 2" Turma, AgRg no Ag 939,714/RS, Rel.: Min. Diana Cahnon., fev/08.) . "Ementa.: Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, ern conjunto, os arts. 150, § 4", e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de langamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial sera de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, (.. ) Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do(.7N.." (STJ E'REsp 278727/DF Rel.; Min, Franciulli Netto. I" Seção. Decisão• 27/08/03, DJ de 28/10/03, p. 184) (g n) Urna corrente doutrinária também aponta que no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento, se aplica uma regra especial disposta no art. 150, § 4°, CTN em detrimento da aplicação da regra geral do art. 173, I, CTN. No entanto, nos casos de dolo, fraude ou simulação, de modo a que se configure a comprovada má-fé do sujeito passivo, não cone o prazo do art. 150, § 4°, C'TN mas sim a decadência tributária se rege pela disposição genérica do art. 173, I, CTN. Nesta corrente doutrinária pode-se citar, dentre outros, Ricardo Lobo Torres', Eduardo Sabbag2, Mauro Luis Rocha Lopes3 e Leandro Paulsen 4 . Ha vozes discordantes na doutrina que defendem que a decadência opera corn base na regra geral de decadência esposta no art. 173 do CTN, haja ou não pagamento antecipado no caso de lançamento por homologação, de forma a não se aplicar o art 150, § 4 0, CTN. O meu posicionamento se identifica com o direcionamento do Superior Tribunal de Justiça STJ e com a primeira con ente doutrinária exposta no sentido de no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento e não se configure os casos de dolo, fraude ou simulação, se aplica a regra especial disposta no art. 150, § 4°, CTN. Segundo o Relatório Fiscal da Infração, As fls. 04, os Levantamentos referem- se a salário in natura, recebido pelo trabalhador, da empresa não inscrita no PAT — Programa de Alimentação do Trabalhador, instituído pela Lei no. 6.321 de 14.04.1976. Ainda assim, conforme o Relatório Fiscal da Infração, As fls. 04, tem-se que a NFLD correlata a este Auto de Infração é a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito - NFLD n° 37.117.514-3. Nesta Notificação Fiscal de Lançamento de Débito - NFLD no 37.117.514-3, o Relatório Fiscal, As fls. 11 a 15, aponta : 3.. Constituiram fatos geradores do presente lançamento fiscal renumerações a segurados empregados pagas em utilidades ("in natura9 sob a forma cesta de Alimentos, 4. Os valores- foram obtidos em contas contábeis classificadas no Custo de Produção e em Despesas Gerais; conforme se seguem. q) Nos Custos de Produção. 1907 a 2001 - Cesta de Alimentos - Produção 5.1.1.18.000-4 'TORRES, Ricardo Lobo Curso de direito financeiro e tributário 16. ed Rio de Janeiro: Renovar, 2009. p. 283. 2 SABBAG, Eduardo. Manual de direito tributário. Sao Paulo: Saraiva, 2009, p 723 3 LOPES, Mauro Luis Rocha. Direito tributário brasileiro. Rio de Janeiro: Impetus, 2009. p,. 248, 4 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 11 ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2009. p, 1036. 10 Process() n° 15889.000365/2007-48 S2-C4T3 AcOrclao n ° 2403-00.266 Fl 129 2002 a 2004 - Cesta de Alimentos p/ Funcion. Produção 5.01.01.002.0002 b) Nas Despesas Administrativas: 1997 a 2001 - Cesta Alimentos - Despesas Gerais 6,23 .72.018-6 2002 a 2004 - Cesta Básica p/ Funcionários 6.02.01.003.0001 5. A empresa não comprovou inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador ("doravante denominado "PAT") nos termos da Lei 6.321 .de 14/0411976; apesar de intimada para tat 5.1.. Ademais, Ith fatos que demonstram a desmotiva cão paid a inscrição da empresa junto ao PAT: a) Há alguns meses sem aquisição e, portanto, sem distribuição das cestas. Isso se verifica nas competências 08/2002, 09/2002, 11/2002, 12/2002 (valor infinzo), 03/2003 e 01/2004 a 03/2004. b) As aquisições das cestas rem comportamento de 13 "salário em dezembro: 116 duas aquisições nos anos de 1997 a 2001, 2003 e 2004. Uma no inicio e outra ein meados do mês; ambas com valores aproximados aos valores das demais competências, c) As despesas de cestas apropriadas conta bilmente no setor de Administração é cerca de 25 % ou 1/4 em relação ao total, sendo que o Setor da Produção tem, notoriamente, a maioria dos empregados. • d) Considerando os valores per capita dos totais mensais das aquisições de cestas (total dividido pelo número em empregados em Folhas de Pagamentos), verificamos valores baixos entre 1997 e 2002,: principalmente no ano de 2002 quando tivemos pregos hzflacionadas de produtos da cesta básica. Isso, aliado c'z distribuição desproporcional para o Setor Administrativo, faz inferir que houve distribuição de cestas de baixo valor nutrido. 5.2, Esses elementos podem ser visualizados na da planilha demonstrativa enz anexo com dados das duas contas de Cesta (dos custos e das despesas gerais) consolidados em cada mês e totalizados anualmente. Nesse denzonstrativo se vê as colunas competência, empregados em Foi/ias de Pagamentos, valores de aquisição de cestas (da produção da administração e o total), 0 valor per capita das cestas (valor total dividido pelo minter() de empregados), o percentual das cestas da administração em relação as da produção e observações. 5.3. Acrescente-se: a inscrição no PAT determina requisitos mínimos (conforme legislação, por exemplo, Portaria Interministerial 05 de 30.11.1999, art. 50 - calorias por refeição).. Desta forma, considerando-se que Notificação Fiscal de Lançamento de Débito - NFLD n° 37.117.514-3 se refete a diferenças que a Auditoria-Fiscal reputou sujeitas 11 tributação, ou seja, Levantamentos de salário in natura, recebido pelo trabalhador, da empresa não inscrita no PAT, considero que houve a antecipação de pagamento posto que, pelo que se infere do Relatório Fiscal, a recorrente declara em GFIP a remuneração do segurado. Ademais, no Relatório Fiscal, a Auditoria-Fiscal, expressamente, se manifesta pela não existência de apropriação indébita. Outrossim, .devemos observar o art. 32, § 11, Lei 8.212/1991, na qual se determina que os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. Art, 32. A empresa é também obrigada a: § 11, Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigagli es de que train este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram.. (Redação dada pela Lei n°11.941, de 2009) Então, em função do exposto em relação à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD ri° 37.117.514-3 no ponto em que a mesma se refere a diferenças que a Auditoria-Fiscal reputou sujeitas A tributação, além , do atendimento ao insculpido no art. 32, § 11, Lei 8.212/1991, há que se aplicar a regra dei decadência para os tributos lançados por. homologação, insculpida no art. 150, § 4°, CTN. Verifica-se, .da análise dos autos, que: O período objeto do auto de infração, conforme os anexos do Relatório Fiscal da Infração, fls. 18 a 20, é de 01/1999 a 12/2004. A recorrente teve ciência do Auto de Infração no dia 24.08.2007, conforme Aviso de Recebimento — AR, As fls. 21. Dessa forma, constata-se que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 07/2002, inclusive, nos termos do art. 150, 4 40, CTN. DO MÉRITO (b) Inexistência de fatos geradores a serem informados em GFIP A Recorrente alega que: A lavratura do presente AI está vinciilada á NFLD citada acima, sendo assim, será necessário a abordagem da obrigação principal para se verificar então a obrigação acessória, objeto deste AI Junta cópia da Impugnação apresentada a NFLD. A Recirriente não teria que informar as parcelas in nanua pagas a titulo de cestas básicas na GFIP, posto que elas não correspondem a fato gerador' de contribuição previdenciá ria A distribuição de cestas básicas foi feita de maneira ocasional e mediante entrega dos produtos . Não sendo uma distribuição habitual, esses valores não integram o salário de contribuição, 12 Processo n° 15889.000365/2007-48 S2-C4T3 Acórdão n 2403-00166 Fl 130 Em relação A correlata Noti ficação Fiscal de Lançamento de Débito - NFLD no 37.117.514-3, a decisão da recorrida aponta, nas fls. 47, que foi julgado procedente a Notificação Fiscal em 1" instância: " Ocorre qzte, nesta mesma sessão da T turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de .Julgamento de Ribeirao Preto, a Impugnação apresentada a NFLD referenciada acima foi objeto de julgamento e que concluiu, através do Acórdão 14-19168, pela procedência total do débito ali lançado, considerando fatos geradores de contribuições previdenciárias os valores das cestas básicas distribuídas aos segurados empregados, uma vez que as parcelas in nature em tela integram sim o salário de contribuição," A questão de fundo argüida pela recorrente é a de que a cesta básica não integra o salário de contribuição. Conforme o constatado no Relatório Fiscal da Infração, As fls. 04 e 05, na Impugnação da recorrente, As fls. 28 a 33, e no recurso Voluntário, As fls. 62 a 73, a empresa reconhece que fornece alimentação aos empregados, sem estar inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), conforme o disposto expressamente na legislação. Observa-se que em nenhum momento a recorrente fez prova em contrário em relação à falta de inscrição no PAT, de modo que, a recorrente aduz indiretamente, conforme jurisprudência colacionada As fis. 30 a 32, que a inscrição no PAT seria até mesmo desnecessária. Outrossim, deve-se observar que a recorrente alega que esses fornecimentos de alimentação ocorrem de forma não habitual, o que então retiraria o caráter de salário de contribuição. De plano, há que se observar clue em todo o período levantado descrito no Relatório Fiscal da Infração, conforme fls. 16 e 17„ que compreende 72 (setenta e duas) competências., ou seja, de 01/1999 a 12/2004, verifica-se que em apenas 9 (nove) não se verificou a distribuição de cestas básicas: 08/2002; 09/2002; 11/2002; 03/2003; 08/2003; 11/2003; 02/2004; 03/2004; 04/2004. Desta forma, em relação a argumentação da recorrente de o fornecimento de alimentação seria não habitual, não confiro razão à recorrente pois em todo o período levantado no presente Auto de Infração, que compreende 72 (setenta e duas) competências, quais sejam, de 01/1999 a 12/2004, em apenas 9 (nove) não se verificou a distribuição de cestas básicas. Ademais, não há fundamentação nas normas legais de regência dos salários in natura para que se afaste a incidência de contribuição previdencidria nesta hipótese de fornecimento de alimentação sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT. Neste sentido, veja-se a legislação. A Lei n° 6.321, de 14 de abril de 1976, que trata do Programa de Alimentação do Trabalhador: 13 Art 3 0. Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga 'in natura' pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho 0 Decreto n° 5, de 14 de janeiro de 1991, que regulamenta a Lei n°6.321/76: Art 1° A pessoa jurídica poderá deduzir, do imposto de renda devido, valor equivalente a aplicação da aliquota cabível do imposto de renda sobre a soma das despesas de custeio realizadas, no período-base, em Programas de Alimentação do Trabalhador, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e Previdência Social - MTPS nos termos deste regulamento. (...) ,f 4° para os efeitos deste Decreto, entende-se como prévia aprovação pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, a apresentação de documento hail a ser definido em Portaria dos Ministros do Trabalho e Previdência Social, da Economia, Fazenda e Planejamento e da Saúde. ) Art 4°. Para a execução dos programas de alimentação do trabalhador, a pessoa jurídica beneficiária pode manter serviço próprio de efeiçães, distribuir alimentos e. firmar convênio com entidades fornecedoras de alimentação coletiva, sociedades civis, sociedades comerciais e sociedades cooperativas. (Redação dada pelo Decreto n. 0 2.101, de 23 de dezembro de 1996). Art. 6 0.. Nos programas de alimentação do trabalhador, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência: Social a parcela paga natura' pela empresa não tem natureza salarial, não se incorpora h remuneraçâo para quaisquer efeitos, não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e nem i se configura como rendimento tributável do trabalhador. Desta forma, de acordo com a legislação de regência do PAT, o fornecimento de alimentação não integra o salário-de-contribuição para fins de incidência de contribuições previdenciórias, quando, nos termos da Lei n°6.321, de 1976, atenda os requisitos do programa de alimentação previamente aprovado pelo Ministério do Trabalho. Conforme o disposto na legislação previdenciária, art. 28, § 9° • c, Lei 8.212/1991, o fornecimento de alimentação integra o salário -de-contribuição para fins de incidência de contribuições previden.ciárias quando não atenda os requisitos do programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho. (Lei 8 212/1991) Art 28. Entende-se por salário-de- contribuição. (. ) ,§ 9" Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivaMente: (Redação dada pela Lei n" 9.528, de 10.12 97) ( ) c) a parcela "in natura" recebida de acordo corn os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei n" 6.321, de 14 de abril de 1976; 14 Processo n° 15889.000365/2007-48 S2-C4T3 Acórdão n.° 2403-00.266 Fl 131 Ademais, embora existam decisões judiciais em sentido contrário, o Poder Judiciário também apresenta posicionamentos neste sentido da exigibilidade da contribuição previdenciária: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. CONTRIBUIÇÃO Pl?EVIDENCL4 RIA. PAGAMENTOS A FUNCIONÁRIOS DO BANCO. ACORDO COLETIVO. HABITUALIDADE E FINALIDADE. NATUREZA JURÍDICA, REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA. EDGIBILIDADE LANÇAMENTO. DECADÊNCIA PARCIAL. I - Os pagamentos habituais efetuados pelo banco aos seas funcionários empregados, tais como ajuda de custo para supervisor de contas, prêmio produção, salário, licença prêmio, gratificação semestral, auxilio creche-babá e ajuda de custo aluguel/alimentação/transporte compõem a renumeração e integram o salário de contribuição, donde exigível a contribuição previdenciciria sobre tais verbas (Lei CF, art. 201 § 11°c Lei 8212/91, art. 28, I). II - O acordo coletivo e a convenção coletiva de trabalho não têm o condão de afastar a lei, dispondo sobre a natureza jurídica de vem bar percebidas pelo empregado, nem tampouco exclui-las da incidência da contribuição previdenciária, (TRF3 — REO — REMESSA EX- OFICIO 429742 - Processo n° 98030621629 SP. Decisão 28/05/2002. 2° Turma. Relatora Des, Marianina Galante, WU 28/02/2002). Desta forma, não prospera a argumentação da recorrente pois a legislação aponta expressamente a incidência de contribuição previdencidria na parcela "in natura" recebida em desacordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social Programa de Alimentação do Trabalhador. (c) Recálculo da multa com base no art. 32-A, II, Lei 8.212/1991, a partir da alteração da Lei 11.941/2009. CÁLCULO DA MULTA No que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face h edição da recente Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A citada Lei 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas GFIP. Para tanto, a Lei 11.941/2009, inseriu o art. 32-A, o qual dispõe o seguinte: "Art 32-A.0 contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentá-la ou a prestar esclarecimentos e sujeitar-se-á às seguintes multas: I- de dois por cento ao mês-calendário ou fiação, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração 15 ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no 0'; e II- de 11$ 20,00 (vinte reais)para cada gi upo de dez informações incorretas ou omitidas §F-Para efeito de aplicação da =ha prevista no inciso I do capuz, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao ténnino do prazo fixado para enn ega da declaração e como teimo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não- apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento §`2" Observado o disposto no ,§" 3°, as multas serão reduzidas: ti metade, quando a declai ação for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio; ou II- a setenta e cinco por cento, se houvet apresentação da declaração no pm 'azo em intimação 0' A multa minima a ser aplicada será de: R$ 200,00 (duzentos reais), tratando-se de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciáriai R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos". Considerando o principio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso H, alínea "c", do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art.106 - A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: - tratando-se de ato não definitivamente julgado: c) quando lhe comine penalidade menos severa que a plevista na vigente ao tempo da sua prática, No caso da presente autuação, Auto de Infração n°. 37.117.516-0, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, Lei n°8.212/1991 e do att. 32, § 5°, da Lei n° 8212/1991, o qual previa que pena administrativa correspondente a multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4', da Lei n° 8 212/1991. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, corn a multa prevista no att. 32, inciso IV, Lei n°8.212/1991 c/c o art. 32, § 5°, Lei IV 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei n° 8.212/1991 c/c o art. 32-A, Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei 1 L941/2009. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, corn base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. 16 Processo n° 15889.000365/2007-48 S2-C4T3 Acórdão n ° 2403-00.266 Fl 132 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, NAS PRELIMINARES, acolher a decadência até a competência 07/2002, inclusive, nos termos do att. 150, § 4°, CTN, NO MÉRITO DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32-A da Lei 8.212/91, na redacRo dada pela Lei 11.941/2009, Sala das Sessões, em 22 d outubro de 2010 PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO - Relator 17 MINISTÉRIO DA FAZENDA -CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA SEGUNDA SEÇÃO Processo n°: 15889.000365/2007-48 Recurso n°: 166.728 TERMO DE INTIIVIACÂO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial no 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Camara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão no 2403-00.266 Brasilia, 06 de Dezembro de 2010 Uka, MARIA MADALENA SILVA Chefe da Secretaria da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: Apenas com Ciência [ 3 Com Recurso Especial Com Embargos de Declaray5o Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
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