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Numero do processo: 10945.005094/95-31
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2001
Ementa: SUBFATURAMENTO. Idêntica mercadoria apresentada à
fiscalização à mesma época, mas com discrepância de valor acima
da tolerância legalmente admitida. Demonstrada de forma
inequívoca a prática do subfaturamento na importação
Mantida a exigência de diferença de impostos e bem assim das
multas de ofício e a multa administrativa (inciso III do art. 526 do Regulamento Aduaneiro).
Numero da decisão: CSRF/03-03.184
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: João Holanda Costa
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Sessão de : 08 DE MAIO DE 2001 Acórdão n° : CSRF/03-03.184 SUBFATURAMENTO. Idêntica mercadoria apresentada à fiscalização à mesma época, mas com discrepância de valor acima da tolerência legalmente admitida. Demonstrada de forma inequívoca a prática do subfaturamento na importação Mantida a exigência de diferença de impostos e bem assim das multas de ofício e a multa administrativa (inciso III do art. 526 do Regulamento Aduaneiro). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. • ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. 5 SON PEREI 00 GUES PRESIDENT JOÃ LANDA COSTA RE TOR FORMALIZADO EM: 24 OUT 2001 RC Processo n° : 10945.005094195-31 Acórdão no . CSRF/03-03.184 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros :CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, MOACYR ELOY DE MEDEIROS, MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ, HENRIQUE PRADO MEGDA, PAULO ROBERTO CUCO ANTUNES e NILTON LUIZ BARTOLI. 2 s. Processo n° : 10945.005094/95-31 Acórdão n° : . CSRF/03-03.184 Recurso n° : RP/301-0.565 Recorrente : FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO Com o acórdão 301-28.919, de 9 de dezembro de 1.998, a douta 18 câmara do 3° Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, deu provimento ao recurso de FRESAT — Comércio de Importação e Exportação de Manufaturados Ltda. Entendeu a Câmara ter havido presunção de subfaturamento e este fato por si só, não basta para punir, sendo imprescindível que as provas sejam irrefutáveis para tipificar a diferença do preço como subfaturamento. A ação fiscal teve início com a verificação de diferença de preço de mesmo produto importado, entre o que fora submetido a despacho com as Dl 000297, 001516 e 007059, com o valor unitário de US$ 0,30, e o produto submetido a despacho com as Dl 009458 e 000265 que apresentavam o valor unitário de US$ 3.50. Em face da diferença e considerando o disposto no art. 2° do Código de Valoração Aduaneira, a fiscalização optou por adotar o valor de US$ 3.50 como valor base para a exigência dos tributos e aplicou a multa do inciso III do art. 526 do Regulamento Aduaneiro além das multas de ofício de II e IPI e juros de mora. A mercadoria constou nas três primeiras Dis, registradas em 13.01.93, 03.03.93 e 01.09.93, respectivamente, como sendo "partes e peças para aparelhos da posição 8527.39, placa de circuito impresso, montada, utilizada na montagem de receptores de sinais de microondas de alta frequência emitidos por satélite, posta no código TAEVTIPI/SH 8529.90.9900; com a mesma descrição e na mesma classificação taritária, a mercadoria foi igualmente declaradas nas outras Dl registradas em 08.12.93 e 14.01.94, feitas entre os dois grupos de Dl as comparações. A autoridade de primeira instância julgara procedente em parte a ação, para o fim de excluir da exigência as mercadorias desembaraçadas através das Dl 00297 e 001516, de 1993, mantendo-a apenas com relação à mercadoria desembaraçada através da Dl 007059 No recurso especial, a Fazenda Nacional diz entender que o subfaturamento foi comprovado de forma irrefutável.Com efeito, a descrição da mercadoria em todos os despachos foi sempre a mesma e com a mesma classificação fiscal, com divergência, porém, de valor pois as primeiras apresentam o valor unitário de US$ 0.30, as outras trazem-no de US$ 3.50. A afirmativa do 3 Processo n° : 10945.005094/95-31 Acórdão n° : . CSRF/03-03.184 contribuinte de que se trata de placas de circuito impresso diferentes dando como prova a diferença de peso unitário. Quanto a a este aspecto, o julgador singular excluiu da exigência inicial as importações registradas em janeiro/93 e março/93, mas manteve a autuação quanto à Dl de setembro/93 apurado ficara que o peso líquido por peça coincidia com o encontrado nas importações de dez/93 e jan194, pelo que considerou como provado o subfaturamento e manteve a autuação. Pede ao final seja restabelecida a exigência conforme consta da decisão singular. Instado a se manifestar em contra-razões, o contribuinte deixou de fazê-lo. É o relatório. 4 Processo no : 10945.005094/95-31 Acórdão n° : . CSRF/03-03.184 VOTO CONSELHEIRO RELATOR JOÃO HOLANDA COSTA No presente caso, está bem demonstrada a prática do subfaturamento na importação registrada em set/93em que o contribuinte atribuiu a cada unidade de peça o valor de US$ 0.30 ao passo que das outras duas Dl o valor para idêntica mercadoria foi dado como US$ 3.50. Quanto a esta importação, as razões do contribuinte não puderam prevalecer mas ficou demonstrado que, quanto ao peso as mercadorias o tinham idênticos não podendo ser aceito este único argumento dado como prova de dessemelhança entre as respectivas placas de circuito impresso. Transcrevo a fundamentação da decisão proferida pela digna autoridade singular, na decisão de primeira instância, que entendo bem formulada: " A revisão aduaneira das Dl n° 000297, 001516 e 007059, registradas, respectivamente, em 13/01/93, 03/03/93 e 01/09/93 (fls. 01 a 27) está amparada nos artigos 455e 456 do regulamento aduaneiro, aprovado pelo Decreto 90.030/85. A mercadoria desembaraçada nessas Dl é descrita comosendo "partes e peças para aparelhos da posição 8527.39, na quantidade "n" de peças de placa de circuito impresso, montada, utilizada na montagem de receptores de sinais de microondas de alta frequência emitidos por satélite", classificadas no código TABÍTIPI/SH 8529.90.9900. Referidas descrição e classificação tarifária constam também nas Dl 009458 e 000265, registradas, respectivamente, em 8/12/93 e 14/01/94 (fls. 28 a 41), tomadas para base de comoparação, haja vista a discrepância de preço por unidade da mercadoria: nas Dl utilizadas na comparação, o valor unitário é de US$ 0,30 (trinta centavos de dólar americano) e nas Dl utilizadas nacomparação, o valor unitário é de US$ 3.50 (tres dólares e cinquenta centavos de dólar americano), por peça. - Justificou o Impugnante que as peças constantes nos dois últimos despachos são mais completas e têm um componente a mais que as acompanha (peça impugnatória, fls. 70, 50 parágrafo), não esclarecendo, entretanto, qual seria esse componente. Baseia suas alegações na grandeza peso bruto por peça, dados extraídos dos conhecimentos aéreos (fls. 32e 39), que instruem as Dl tomadas para comparação na revisão fiscal, calculando o peso .1C 3 . . Processo n° : 10945.005094/95-31 Acórdão n° : . CSRF/03-03.184 bruto igual a 0,94 g (3.760 Kg: 4.000 unidades e 282,5 Kg: 300 unidades). Nas Dl objeto da revisão, as peças apresentam o peso de 0,1338 Kg e ),1416 por peça, conforme os conhecimentos de fls. 06, 17 e 26, respectivamente. Entendemos que para comparar a grandeza peso, é imprópria a utilização do valor bruto, pois estaria sendo computado o peso da embalagem que pode apresentar variação e portanto deve ser descartado. Nesse caso a Guia de Importação (GI) e o Extrato da GI, por informarem o peso liquido da mercadoria importada são mais adequados. Com base, portanto, nesses documentos e não no conhecimento aéreo, analisando a grandeza peso líquido, prova cabal para distinção das peças, segundo defende o lmpugnante, chegamos aos seguintes resultados: D. I. Registro Folhas Ext Peças Ps.Liqui P VI/Unit Gl/fl. d Lq/peç da peça 00297 13/01/9 01/03 10.000 US$ 01516 3 12/14 04 10.000 1.338 133,8g 0,30 07059 03/03/9 25 15 15.000 kg 87,0 g 0,30 09458 3 28/30 25 4.000 870 166,7 g 0,30 00265 01/09/9 35/37 31 300 Kg 166,7 g 3,50 3 38 2.500 160.0 g 3,50 08/12/9 Kg 3 667 14/01/9 Kg 4 48 Kg De acordo com a grandeza sob análise verificamos na coluna "Peso Líquido por peça"que apresentam dessemelhança com as demais apenas as desembaraçadas através das Dl 00297 e 001516, as quais apresentam o preço unitário de US$ 3,50 enquanto as desembaraçadas através das Dl 007059, 009458 e 000265 apresentam, as duas primeiras, o mesmo peso líquido porpeça e a última valor aproximado das duas anteriores.entretanto, verifica-se que há deiscrepância njo que se refere ao custo unitário das peças: a primeira dessa série, embora de mesmo peso da que lhe sucede e de peso aproximado da última, consta como adquirida a apenas US$ 0,30 enquanto as outras que se lhe assemelham em peso liquido, a US$ 3,50. A lmpugnante defende-se com evasivas, alegando queexiste um componente a mais nas peças adquiridas ao custo de US$ 3,50 mas não esclarece de que componente se trate e nem junta laudo provando o alegado. O ónus da prova pertence ao que alega. Ao autor quanto ao seu direito e ao Requerido quanto aos fatos 6 • Processo n° : 10945.005094/95-31 Acórdão n° : . CSRF/03-03.184 extintivos ou modificativos do direito do Autor, eegese do art. 333 do CPC, in vestis: Art. 333 — O Ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II — ao réu, quanto à existência do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Na bisca da verdade materialo, esta Autoridade Julgadora requereu diligências a serem realizadas no estabelecimento da Impugnante para, através de laudo técnico das peças, robustecer o convencimento, contudo, além de não promover, poriniciativa própria, a referida prova, dificultou a sua produção ao se mudar sem comunicar a esta repartição o novo endereço do estabelecimento, conforme consta no Termo de diligência juntado às fls. 33. O Termo de Constatação juntado às fls. 79, fruto de análise documental, prendeu-se, também, ao peso bruto das importações, o qual concluiu que todas as importações teriam peso aproximado e, segundo esse meio de prova, o Auto deveria ser mantido inegralmente, não atendendo, porém, à linha de julgamento adotado por esta autoridade julgadora. De forma que, segndo as provas dos autos e sua análise, concluímos que deve ser aplicado o 1° método de valoração aduaneira — Valor de Transação — às importações instruídas pela Dl 00297 e 001516 e considerando o 2° método de valoração aduaneira àquela desembaraçada através da Dl 007059. Assim dispõe o artigo 2° do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio, aprovado pelo Decreto 92.930, de 16 de julho dei .986: "a) Se o valor aduaneiro das mercadorias importadas não puder ser determinado segundo as disposições do artigo 1°, será ele o valor da transação de mercadorias idênticas vendidas para exportação, para o mesmo país de exportação e exportadas ao mesmo tempo que as mercadorias objeto de valoração, ou em tempo aproximado" Também essascaracterísticas se fazem presentes na importação instruída pela Dl 007059, registrada em 01/09/93, procedente de Taiwan. As importações tomadas para comparação, Dl 009458 e 00265, registradas em 08/12/93 e 14/01/94, além das semelhanças já verificadas, foram realizadas em tempo aproximado e se originam do mesmo produtor, sendo, portanto, válidos os parâmetros utilizados.' Sobreleva notar, por fim, a omissão do sujeito passivo em se manifestar em contra-razões . • -• .. . Processo n° : 10945.005094195-31 Acórdão n° : . CRU/03-03.184 Por todo o exposto, voto para dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Sala de Sessões, 8 de maio de 2.001 JOÃO H LAND COSTA Page 1 _0022800.PDF Page 1 _0023000.PDF Page 1 _0023200.PDF Page 1 _0023400.PDF Page 1 _0023600.PDF Page 1 _0023800.PDF Page 1 _0024000.PDF Page 1
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Numero do processo: 10830.721073/2009-66
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
PIS. INSUMO. FRETE. TRANSPORTE ENTRE MINA E COMPLEXO INDUSTRIAL. DESCONTO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
Insere-se no conceito de insumo a aquisição de matéria prima, materiais e embalagens, e, prestação de serviço quando esses se revela necessário e essencial atividade fabril, por ser específico e íntimo ao processo produtivo, sem o qual o processo de fabricação não acontece, no caso concreto, o frete pago pelo transporte de minérios, insumo básico a fabricação do produto, extraídos de minas de propriedade do mesmo proprietário do complexo industrial, por viabilizar a produção e guardar pertinência ao processo produtivo, insere no conceito de insumo, e, sendo assim, autoriza a tomada do crédito.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 3302-002.973
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. Sustentou pela Recorrente a advogada Priscila Cursi - OAB 334956 - SP.
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PIS. INSUMO. FRETE. TRANSPORTE ENTRE MINA E COMPLEXO INDUSTRIAL. DESCONTO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Insere-se no conceito de insumo a aquisição de matéria prima, materiais e embalagens, e, prestação de serviço quando esses se revela necessário e essencial atividade fabril, por ser específico e íntimo ao processo produtivo, sem o qual o processo de fabricação não acontece, no caso concreto, o frete pago pelo transporte de minérios, insumo básico a fabricação do produto, extraídos de minas de propriedade do mesmo proprietário do complexo industrial, por viabilizar a produção e guardar pertinência ao processo produtivo, insere no conceito de insumo, e, sendo assim, autoriza a tomada do crédito. Recurso Provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2069; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 6 1 5 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.721073/200966 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302002.973 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2016 Matéria COFINS Recorrente GALVANI INDÚSTRIA, COMÉRCIO E SERVIÇOS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PIS. INSUMO. FRETE. TRANSPORTE ENTRE MINA E COMPLEXO INDUSTRIAL. DESCONTO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Inserese no conceito de insumo a aquisição de matéria prima, materiais e embalagens, e, prestação de serviço quando esses se revela necessário e essencial atividade fabril, por ser específico e íntimo ao processo produtivo, sem o qual o processo de fabricação não acontece, no caso concreto, o frete pago pelo transporte de minérios, insumo básico a fabricação do produto, extraídos de minas de propriedade do mesmo proprietário do complexo industrial, por viabilizar a produção e guardar pertinência ao processo produtivo, insere no conceito de “insumo, e, sendo assim, autoriza a tomada do crédito. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. Sustentou pela Recorrente a advogada Priscila Cursi OAB 334956 SP. Ricardo Paulo Rosa Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 10 73 /2 00 9- 66 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 2 Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 131/170, visando modificar a decisão de piso que manteve a deliberação do Despacho Decisório que reconheceu parcialmente o direito do contribuinte em tomar crédito de COFINS do período de 01/10/2006 a 31/12/2006, proveniente de despesas de fretes decorrentes de transferência entre estabelecimentos, de insumos e de produtos em elaboração, bem como, da tomada de crédito proveniente das despesas de fretes de aquisição de insumos. Consta do Despacho Decisório de fls. 62/63 que o exame do crédito foi formalizado de ofício para tratamento manual de Pedido Eletrônico de Ressarcimento – PER – registrado sob nº 00431.59980.290607.1.1.113166 e homologando as compensações declaradas nas Dcomp nºs 08670.48992.290607.1.3.113307, 34302.93862.060707.1.3.11 2434, 21424.90097.310707.1.3.110537 e 12884.52858.310707.1.3.118550, do crédito de COFINS no montante de R$ 742.509,43, dos R$ 1.398.483,07, decorrente de operações no mercado interno, referentes ao 4º Trimestre/2006. Sendo que os débitos assim compensados foram cadastrados no SIEF. A divergência se refere apropriação de créditos relativos ás despesas de fretes tomados decorrentes de transferência entre estabelecimentos, de insumos e de produtos em elaboração, bem como, da tomada de crédito proveniente das despesas de fretes de aquisição de insumos, cujo entendimento é de que essas despesas não integram o conceito de insumo utilizado na produção e por não se tratar de custo de fretes na operação de venda, mesmo pagos ou creditados a pessoas jurídicas domiciliados no país. Extraíse, também, da “Informação Fiscal”, o raciocínio de que as despesas descritas no tópico acima não geram direito a créditos a serem descontados das contribuições do PIS e da COFINS. Irresignada com o conteúdo do Despacho Decisório, a Manifestante discorre sobre suas operações, alega que atua em toda a cadeia de produção de fertilizantes, sendo responsável não apenas pela fabricação do mesmo, mas também pela extração de minerais e o beneficiamento de uma parte dos insumos utilizados no processo produtivo (fertilizantes). Destaca que possui diversos estabelecimentos no território nacional, dentre as unidades mineradoras encontram aquelas localizadas em Minas Gerais e na Bahia, bem como os complexos industriais, assim como, possui uma unidade portuária no Estado do Ceará. Assevera que as despesas efetuadas com frete contratados quando da aquisição de insumos, bem como para a realização de transferências de matérias primas dos estabelecimentos mineradores para as unidades industriais são essenciais a confecção do produto, por essas razões o indeferimento parcial do pleito desrespeita disposição legal que assegura o direito a tomada do crédito dos insumos utilizados na produção de bens e serviços, violando, via de conseqüência, o princípio da não cumulatividade insculpido no § 12º do art. 195 da Constituição Federal, por essa razão entende que deve ser reformada a decisão. Quanto aos insumos extraídos pela Manifestante em suas unidades mineradoras, bem como, os adquiridos de terceiros, disse que são indispensáveis ao processo Fl. 179DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.721073/200966 Acórdão n.º 3302002.973 S3C3T2 Fl. 7 3 produtivo. Concluiu afirmando o direito assegurado pela norma do art. 3º da Lei nº 10.833/03, que elenca os custos e despesas sobre os quais o crédito poderá ser calculado, aplicandose o inciso I, para as empresas comerciais que compram e revendem as mercadorias e o inciso II para as empresas industriais e prestadores de serviços. Os argumentos restaram rechaçados ao fundamento de que os gastos efetuados com fretes na transferência de bens e insumos entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram direito a crédito do PIS e da COFINS na sistemática da não cumulatividade, por falta de previsão legal, decisão essa que encontra assim resumida: “Cumpre destacar, novamente, que o crédito das contribuições no sistema da não cumulatividade decorre de determinações legais explícitas. E no caso não há base legal para creditamento sobre aquisições isoladas de serviços de fretes nas operações de transferências entre estabelecimentos diferentes da pessoa jurídica, pois não se confundem com fretes na operação de venda, quando o ônus é suportado pelo vendedor (inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003), como já salientado no Relatório Fiscal. Ainda sobre as possibilidades aventadas para justificar o creditamento, temse o fato de que os gastos com fretes sobre a transferência de produtos e insumos entre estabelecimentos de uma mesma pessoa jurídica geraria direito ao crédito, por se tratarem de aquisição de serviços utilizados como insumo. Entretanto, tal argumentação não pode prosperar. Isso porque os serviços adquiridos para utilização como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, nos termos do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, com a redação da Lei nº 10.864, de 2004, implica necessariamente que tais serviços sejam consumidos ou aplicados no processo produtivo, conforme está estabelecido no art. 8º, § 4º, inciso I, letra ‘a’ da IN SRF nº 404, de 2004, já transcrita. Por certo, os serviços de fretes decorrentes dessas transferências não são serviços aplicados especificamente no processo produtivo. Poderseia aceitar que seriam serviços aplicados em fase anterior, preliminar ao processo produtivo, qual seja a aquisição de bens que, geralmente, vão a estoque antes da produção e, dessa forma, os dispêndios com fretes sobre a transferência de produtos entre os estabelecimentos da pessoa jurídica, não são passíveis de creditamento.” A conclusão do voto se refere ausência de comprovação da vinculação do frete com os insumos transportados: “No caso em análise, pela inexistência de comprovação de despesas com frete na aquisição de bens ou insumos que possam possibilitar o seu creditamento, nos termos analisados neste Voto, não há como atender a solicitação da interessada, devendo ser mantida a glosa procedida pela autoridade fiscal”. Ciente da decisão em 16 de novembro de 2014, interpôs o Voluntário em 28.11.2014. Sobreveio o Voluntário, em razões recursais mantém os mesmos fundamentos e Fl. 180DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 4 irresignação com as glosas, reprisa os termos da defesa e os pleitos formulados em Manifestação de Inconformidade. É relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Cuidase de Recurso tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A conteda trazida no bojo desse caderno se resume a tomada de crédito de COFINS sobre frete de insumos decorrentes de transferência entre estabelecimentos do mesmo contribuinte. A glosa encontra justificada por ausência previsão legal e de que só cabe tomada de crédito de frete nas vendas das mercadorias quando o ônus é suportado pelo vendedor. A discussão se restringe a frete. A Interessada argumenta que os insumos dispensam altercação por serem básicos na produção de fertilizante, declina o nome de alguns dos itens. Em relação ao frete sustenta que esses decorrem do transporte contratado com pessoa jurídicas cujo objeto é a transferência da matéria prima extraídas de minas de sua propriedade para os complexos industriais que encontram implantados longe do local de exploração. De outra banda a Informação Fiscal pouco ou quase nada menciona, afirma que investigou o processo industrial da contribuinte, e, por razões tais entendeu glosar parte dos créditos provenientes de alguns insumos adquiridos e produtos em elaboração, bem como, frete relacionado com a transferência da matéria prima explorada pela Contribuinte para o pátio do complexo industrial por ausência de previsão legal. O inconformismo trazido a exame se refere a frete. Lendo a conclusão do voto do Acórdão recorrido, a conclusão encontra fundamentada na inexistência de comprovação: “No caso em análise, pela inexistência de comprovação de despesas com frete na aquisição de bens ou insumos que possam possibilitar o seu creditamento, nos termos analisados neste Voto, não há como atender a solicitação da interessada, devendo ser mantida a glosa procedida pela autoridade fiscal.” Embora a fundamentação do Despacho Decisório é de que restaram comprovado os desembolsos das aquisições de insumos e da prestação de serviços de transportes. Em sede de ressarcimento e ou restituição, não há dúvida de que ônus probante é do Interessado, mas, a fiscalização não glosou por ausência de comprovação. A motivação para glosa não decorre de ausência de documento capaz de não justificar a tomada do crédito, segundo se extraí do relatório fiscal, houve notificação para que a Recorrente prestasse informação e planilhas, bem como, apresentasse os livros fiscais, e especificação dos serviços considerados como Despesas de Frete. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.721073/200966 Acórdão n.º 3302002.973 S3C3T2 Fl. 8 5 Portanto, quanto a essa questão não há de se enxergar, pois em momento algum houve registro da ausência de comprovação, sendo assim, tratase de decisão equivocada. Em síntese, o tema se refere a frete de transferência entre e estabelecimentos, é o que se vê do Despacho Decisório. Em sendo assim, o ponto nodal da discussão se refere ao frete pago a terceiros no transporte de insumos básicos, necessários e essenciais atividade produtiva da Recorrente, capaz de obstar a atividade da empresa. A meu sentir, os minerais extraídos pela Interessada em minas longe do complexo industrial é pelo que se deduz dos autos o principal insumo na fabricação de fertilizantes, portanto, necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final, fato constatado pela fiscalização. A questão é dirimir se o frete pago a terceiros pessoa jurídica na movimentação dessa matéria prima até o local de produção, fertilizante, integra o conceito de insumo por não se tratar de custo na operação de venda. Cada caso deve ser examinado com observância das particularidades próprias de cada contribuinte. No caso concreto a extração dos minerais dáse em minas de propriedade da empresa que produz o fertilizante, caso não possuísse, a aquisição darseia por meio de compra de fornecedores, cujo frete estaria diretamente interligado ao insumo, o que autoriza a tomada do crédito. De outra banda, a transferência desse material se revela fundamental ao processo de fabricação, o que é cogente reconhecer nesse caso específico tratarse, não de uma simples estocagem para venda, mas, sim, meio necessário e essencial a fabricação do produto final. A meu sentir, impedir a tomada de crédito quando se trata de processo produtivo verticalizado configura, no meu entendimento, uma punição ao contribuinte, por buscar, em decorrência da característica do produto produzido, cercarse de segurança da fonte dos insumos para que o processo produtivo não sofra interrupção. Algumas empresas como a Recorrente necessitam de produzir o próprio insumo, entre tantas, destacase as àquelas voltadas à produção de celulose, que precisam plantar eucalipto e posteriormente transportar até unidade fabril. O serviço de transporte nesse caso, quando tomado de pessoa jurídica interna, configura custo de fabricação do produto final, não há como dissociar esse fato, sem o qual obsta todo o processo produtivo. Assim, penso diversamente do signatário do despacho decisório, bem como, do julgador de piso, pois a meu ver tratase de custo necessário e essencial atividade fabril, e, se revela específico e íntimo ao processo produtivo, sem o qual o processo de fabricação não acontece. No caso concreto, o frete pago em decorrência do transporte dos minerais das minas até o complexo industrial local que é produzido o fertilizante se insere no conceito de “insumos” para efeitos de creditamento, nesse sentido pronunciou o Min. Campbell Marques, de onde se extrai o que há de nuclear da definição de “insumos” para efeito de creditamento: “... o bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos pertinência ao processo produtivo; Fl. 182DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 6 a produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição essencialidade ao processo produtivo; e não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto possibilidade de emprego indireto no processo produtivo.” Explica ainda que, não basta, que o bem ou serviço tenha alguma utilidade no processo produtivo ou na prestação de serviço: é preciso que ele seja essencial. É preciso que a sua subtração importe na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, obste a atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultante. Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Com essas considerações, conheço do recurso e dou provimento para autorizar a tomada de crédito decorrente de frete de insumos entre a extração dos minerais até o complexo fabril da Recorrente. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 183DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10580.000331/2003-71
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2001
COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO UTILIZADO EM QUITAÇÃO DE ESTIMATIVA.
Confessado nos autos, pela própria contribuinte, que compensou estimativa mensal com crédito de ação judicial inexistente para tal fim, não se admite o seu valor na composição do Saldo Negativo do tributo ao final do ano-calendário, ainda que venha após, em fase processual, explicar que a natureza do crédito seria outra.
COMPENSAÇÃO POR ENCONTRO DE CONTAS EM DCTF. REGIME DO ART. 66 DA LEI Nº 8.383/1991. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO PARA A GLOSA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
A glosa de compensações efetuada por meio de encontro de contas em DCTF deve ser realizada mediante lançamento de ofício, nos termos do art. 142, e no prazo do art. 150, §4º, ambos do CTN. Se não houve lançamento de ofício a compensação deve ser tida por tacitamente homologada e considerada na composição do saldo negativo.
Numero da decisão: 1801-002.190
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Fernando Daniel de Moura Fonseca (Relator) e Rogério Aparecido Gil deram provimento ao recurso, mas foram vencidos no que respeita à parte do crédito do saldo negativo de IRPJ, ano-calendário 2001, composto pela estimativa de janeiro de 2001. Os Conselheiros Neudson Cavalcante Albuquerque e Fernanda Carvalho Álvares negaram provimento ao recurso. A Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich foi designada para redigir o Voto Vencedor. O Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque apresentará Declaração de Voto, por negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente e Redatora designada
(assinado digitalmente)
Fernando Daniel de Moura Fonseca Relator
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Fernanda Carvalho Álvares, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2001 COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO UTILIZADO EM QUITAÇÃO DE ESTIMATIVA. Confessado nos autos, pela própria contribuinte, que compensou estimativa mensal com crédito de ação judicial inexistente para tal fim, não se admite o seu valor na composição do Saldo Negativo do tributo ao final do ano-calendário, ainda que venha após, em fase processual, explicar que a natureza do crédito seria outra. COMPENSAÇÃO POR ENCONTRO DE CONTAS EM DCTF. REGIME DO ART. 66 DA LEI Nº 8.383/1991. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO PARA A GLOSA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. A glosa de compensações efetuada por meio de encontro de contas em DCTF deve ser realizada mediante lançamento de ofício, nos termos do art. 142, e no prazo do art. 150, §4º, ambos do CTN. Se não houve lançamento de ofício a compensação deve ser tida por tacitamente homologada e considerada na composição do saldo negativo.
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INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO UTILIZADO EM QUITAÇÃO DE ESTIMATIVA. Confessado nos autos, pela própria contribuinte, que compensou estimativa mensal com crédito de ação judicial inexistente para tal fim, não se admite o seu valor na composição do Saldo Negativo do tributo ao final do ano calendário, ainda que venha após, em fase processual, explicar que a natureza do crédito seria outra. COMPENSAÇÃO POR ENCONTRO DE CONTAS EM DCTF. REGIME DO ART. 66 DA LEI Nº 8.383/1991. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO PARA A GLOSA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. A glosa de compensações efetuada por meio de encontro de contas em DCTF deve ser realizada mediante lançamento de ofício, nos termos do art. 142, e no prazo do art. 150, §4º, ambos do CTN. Se não houve lançamento de ofício a compensação deve ser tida por tacitamente homologada e considerada na composição do saldo negativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Fernando Daniel de Moura Fonseca (Relator) e Rogério Aparecido Gil deram provimento ao recurso, mas foram vencidos no que respeita à parte do crédito do saldo negativo de IRPJ, anocalendário 2001, composto pela estimativa de janeiro de 2001. Os Conselheiros Neudson Cavalcante Albuquerque e Fernanda Carvalho Álvares negaram provimento ao recurso. A Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich foi designada para redigir o Voto Vencedor. O Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque apresentará Declaração de Voto, por negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 03 31 /2 00 3- 71 Fl. 322DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por NEUDSON C AVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich – Presidente e Redatora designada (assinado digitalmente) Fernando Daniel de Moura Fonseca – Relator Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Fernanda Carvalho Álvares, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório Tratase de declaração de compensação, protocolada em papel no dia 15/01/2003, por meio da qual a interessada SANTANA S/A Drogarias Farmácias pretendeu compensar débitos de IRRF no valor de R$ 29.567,87, valendose de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001, no valor de R$ 567.354,44. O despacho decisório, proferido em 2008, glosou parte das estimativas mensais de IRPJ utilizadas na composição do referido saldo, o que levou ao reconhecimento de um crédito no montante de R$ 135.230,17, nos seguintes termos: “Pretende o interessado utilizar o valor declarado como pago a título de Estimativa mensal de IRPJ, na forma exposta na Ficha 12A, quantificado em R$ 567.354,44(quinhentos e sessenta e sete mil, trezentos e cinqüenta e quatro reais e quarenta e quatro centavos), para quitar os débitos relacionados à fl.01. Logo é fundamental verificar a real quitação das estimativas acima citadas, de forma a compor o saldo negativo do ano calendário de 2001 e autorizar a sua utilização para fins de restituição/compensação. Analisando a DIPJ/2002, observase que no período de janeiro a maio de 2001, foi apurado imposto de renda a pagar, sendo declarados/confessados em DCTF e extintos por compensação com saldo negativo apurado em períodos anteriores. Excetuase, entretanto, a estimativa de IRPJ, referente ao período de janeiro de 2001, que foi quitada por meio de crédito pleiteado no processo judicial no 1997.330001329908 0 Vara/BA, fls.175/179. Diante de tal fato, foi solicitado ao requerente a Certidão de Objeto e Pé do processo judicial no 1997.3300013299081 Vara/BA, não sendo fornecido tal documento (videfls.85 e 100). Posteriormente, realizamos pesquisas no sítio do 1º TRF, onde consta a informação de que o processo acima citado se encontra em trâmite, fls.187/198. Ressaltese que tal procedimento se encontra vedado segundo o disposto no artigo 170A da Lei no 5.172/66 — CTN, senão vejamos: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação Judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Quanto às estimativas apuradas nos meses de fevereiro a maio/2001, extintas mediante autocompensações com o saldo negativo de IRPJ apurado nos anos Fl. 323DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por NEUDSON C AVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10580.000331/200371 Acórdão n.º 1801002.190 S1TE01 Fl. 323 3 calendário de 1999 e 2000 , fazse necessário verificar a consistência dos referidos valores. 1 IMPOSTO DE RENDA — ANOCALENDÁRIO 1999 Inicialmente, verificamos com base nos dados constantes da DIPJ/2000, recepcionada em 27/07/2000, com o no 1024824DV12, ficha 13 A, linha 18, que o resultado final apurado foi imposto de renda a pagar, no montante de R$ 10.806.879,75(vide fls.152/153). Contrariando, portanto, a informação apresentada pelo contribuinte no demonstrativo de compensação, anexado às fls.132, que apresenta como resultado final um saldo negativo de IRPJ "fictício' no montante de R$ 807.295,59. Registrese que a estimativa de IRPJ apurado em fevereiro/2001 foi indevidamente extinta por meio de autocompensação com saldo negativo de IRPJ, inexistente, apurado em 3111211999. 2 IMPOSTO DE RENDA — ANOCALENDÁRIO 2000 Sequênciando a análise dos fatos, constatase que as estimativas de março a maio/2001, foram extintas mediante autocompensações com crédito oriundo do saldo negativo apurado em 31/12/2000. Dessa forma buscando verificar a consistência do referido crédito, foi efetuada a análise dos dados lançados na ficha 12 A, da DIPJ/2001, recepcionada em 27/06/2001, com o nº 0672461DV18. De pronto, observase por meio dos dados obtidos do sistema DCTF/GER, fls.199/200, que as estimativas apuradas nos meses de Janeiro e fevereiro de 2000, foram extintas mediante pagamento : sendo os valores recolhidos confirmados no sistema Sinal 05, fls.174. Por sua vez, constatase que as estimativas apuradas nos meses de março a novembro/2000 foram quitadas por meio de autocompensações com o saldo negativo apurado nos anoscalendário de 1998 e 1999, conforme demonstrativo de compensação apresentado pelo contribuinte às fls.135/137; sendo os valores confrontados e confirmados com as informações confessadas nas DCTF dos 1º, 2º, 3º e 4º trimestre de 2000, fls.201/209. Por sua vez, constatase que as estimativas apuradas nos meses de março a novembro/2000 foram quitadas por meio de autocompensações com o saldo negativo apurado nos anoscalendário de 1998 e 1999, conforme demonstrativo de compensação apresentado pelo contribuinte às fls.135/137; sendo os valores confrontados e confirmados com as informações confessadas nas DCTF dos 1º, 2º, 3º e 4º trimestre de 2000, fls. 201/209. No tocante a estimativa apurada em março de 2000, verificase que parte da mesma foi quitada com saldo credor remanescente referente ao ano calendário de 1998, no montante de R$ 44.538,25 , devidamente confirmado às f1s . 130/134. Entretanto, o saldo remanescente do citado débito, foi indevidamente extinto mediante autocompensação com crédito fictício apurado no anocalendário de 1999, visto que, o mesmo se mostrou inexistente, conforme informação contida na ficha 13 A, linha 18, da DIPJ/2000, fls.152/153. Por fim, relativamente às estimativas apuradas nos meses de abril a novembro/2000, constatouse que foram indevidamente extintas por autocompensações com saldo negativo de IRPJ, inexistente, referente ao anocalendário de 1999(vide docs. De fls.135/137; 152/153; 202/209). Nesses termos, recompomos a ficha 12A da DIPJ/2001, a partir das informações prestadas pelo contribuinte nos documentos anexados às f1s.126/141; assim como com base nas Fl. 324DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por NEUDSON C AVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 informações declaradas nas DIPJ e DCTF e, observados, ainda, os valores acima apurados, que foram objeto de confirmação: DIPJ/2001 – ANOCALENDÁRIO 2000 Por todo exposto , segue abaixo, composição detalhada do saldo negativo de IRPJ, efetivamente, apurado em 31/12/2001. DIPJ/2001 – ANOCALENDÁRIO 2000 Dessa forma , o valor de Saldo Negativo de IRPJ , disponível para ser utilizado nas compensações informadas nesse processo , perfaz o montante de R$ 135.230, 17 (cento e trinta e cinco mil, duzentos e trinta reais e dezessete centavos), conforme demonstrado acima , em valor original. Fazse, ainda, necessário verificarse se os valores referentes ao saldo negativo em apreço não foram objeto de outras compensações efetuadas pelo interessado. Da consulta aos sistemas COMPROT e SIEF PERDCOMP, não foram localizados outros processos administrativos ou Declarações de Compensação referentes a pedidos de compensação que tratassem da parcela creditória em análise, salvo os processos de no 10580.000725/200329 e 10580.10580.720044/200623, apensados aos autos. Por último, cumpri informar quanto a não homologação das compensações das estimativas integrantes dos saldos negativos de IRPJ, referentes aos anos calendário de 1999, 2000 e 2001; que tal procedimento não implica na sua cobrança e, sim, na imposição de multa isolada na forma prevista no IV do § 1 2 do art. 44 da Lei 9.430/1996 (atualmente alínea "b" do inciso II do caput, em virtude da nova redação dada a este artigo pelo art. 18 da Medida Provisória n 2 303, de 29 de junho de 2006). A despeito da determinação legal, o SEORT deixou de adotar providências no tocante à aplicação da aludida multa face à decadência prevista no artigo 173 da Lei 5.172166 (CTN). DECISÃO: Pelo exposto, no uso da competência estabelecida pela Portaria DRFSDR nº 26, de 20 de maio de 2007, D.O.U. 25/05/2007, diante do relatório e da fundamentação apresentada, de tudo mais que consta do presente processo, DECIDO: A)DEFERIR EM PARTE a utilização do crédito requerido na forma de saldo negativo de IRPJ, referente ao anocalendário de 2001; Fl. 325DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por NEUDSON C AVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10580.000331/200371 Acórdão n.º 1801002.190 S1TE01 Fl. 324 5 B) RECONHECER EM PARTE o direito creditório em favor da Empresa SANTANA S/A, CNPJ no 15.103.047/000158, no valor original de R$ 135.230,17 (cento e trinta e cinco mil, duzentos e trinta reais e dezessete centavos), correspondente ao saldo negativo do IRPJ apurado na DIPJ/2002, no 0943064DV 36; C)HOMOLOGAR as compensações dos débitos discriminados a seguir, observado o limite do crédito; (...) D) DETERMINAR o prosseguimento na cobrança dos débitos porventura não compensados em razão da insuficiência de créditos, observandose o disposto nos parágrafos 6° a 11 do art. 74 da Lei n ° 9.430, de 1996, incluídos pelo art. 17 da MP n. 135, de 2003, convertida na Lei n ° 10.833, de 2003.” Em síntese, o saldo negativo foi parcialmente indeferido sob os seguintes argumentos: (i) em relação à estimativa de IRPJ de janeiro/2001, o crédito decorreria da ação judicial nº 1997.33.00.0132990, o que seria vedado pelo art. 170A do CTN; (ii) em relação às estimativas de IRPJ de fevereiro a maio/2001, o crédito teria sido compensado com saldo negativo também de IRPJ dos anoscalendário 1999 e 2000, de modo que seria necessária a análise da existência de tais saldos negativos; (iii) em razão da conclusão pela inexistência do saldo negativo de IRPJ nos anoscalendário 1999 e 2000, as estimativas de fevereiro a maio/2001 também foram glosadas, o que resultou na inexistência do crédito. Inconformada, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 234/272, sustentando o seguinte: (i) “O não reconhecimento da totalidade do direito creditório pleiteado decorreu de erros materiais incorridos pela Requerente quando do preenchimento da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF relativa ao 1° Trimestre de 2001, no que tange à forma de extinção das estimativas de IR apuradas em janeiro e fevereiro; e quando do preenchimento da DIPJ/2000 Retificadora recepcionada sob o n.° 1024824DV 12 no que diz respeito ao cálculo do saldo negativo apurado no ano calendário de 1999, que, por sua vez, impactou na apuração do saldo negativo do ano calendário de 2001 que ora se pretende ver reconhecido; (ii) O Saldo Negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 2001, originouse das estimativas apuradas nos meses de janeiro a maio, entendeu o i. preposto fazendário ser “fundamental verificar a real quitação das estimativas acima citadas, de forma a compor o saldo negativo do ano calendário de 2001 e autorizar a sua utilização para fins de restituição/compensação; (iii) No que tange à estimativa de janeiro/2001, o i. auditor desconsiderando o demonstrativo de fls. 138, e atendose à equivocada informação consignada na DCTF correlata, concluiu pela sua quitação por meio da utilização de crédito de FINSOCIAL pleiteado no processo judicial n° 1997.33.00 0132990; Fl. 326DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por NEUDSON C AVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 (iv) Relativamente à estimativa de fevereiro/2001, também se apegando exclusivamente à equivocada informação consignada na DCTF correlata, entendeu por bem a autoridade fiscal desconsiderar referida parcela do credito pugnado, sob a perspectiva de que a antecipação em foco teria sio compensada com o saldo negativo de IR apurado no anocalendário de 1999, que, por sua vez, não foi confirmado a partir dos dados consignados na Declaração Retificadora da DIPJ/2000 (anocalendário de 1999) transmitida em 27/07/2000. (v) Ocorre, entretanto, que as estimativas de IRPJ em comento; tais como aquelas apuradas nas competências de março a maio de 2001, no valor total de R$ 567.354,44, foram, em verdade, compensadas com o saldo negativo de IRPJ , apurado no ano calendário de 2000, conforme se depreende do Razão Analítico ora colacionado aos autos; (vi) Diferentemente do quanto inferido pela autoridade fazendária a partir das informações inadvertidamente consignadas na DCTF do 1° Trimestre de 2001, as estimativas de IR referentes às competências de janeiro e fevereiro, devidamente acrescidas de multa e juros, nos valores totais de R$ 140.060,52 e R$ 113.821,39, respectivamente, também foram objeto, de compensação com o crédito correspondente ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário imediatamente anterior;” Em apertada síntese, alega o contribuinte: (i) que teria ocorrido erro no preenchimento das DCTFs, e que todas as estimativas mensais de janeiro a maio/2001 teriam sido compensadas com saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2000; (ii) alega, ainda, erro de preenchimento das DIPJs e junta documentos para demonstrar a existência dos respectivos saldos negativos utilizados para quitar a estimativa de IRPJ do anocalendário 2001; (iii) pede, ao final, o provimento do recurso com o reconhecimento integral do direito creditório. A DRJ negou provimento à manifestação de inconformidade às fls. 279/281 verso, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 ERRO DE FATO. INOCORRÊNCIA. Inexistindo erro de fato no preenchimento da declaração, mantémse o despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição/compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Permitese a transcrição do voto condutor: A Manifestação de Inconformidade é tempestiva e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos nos artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972 (Processo Administrativo Fiscal — PAF), por isso, dela tomo conhecimento. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por NEUDSON C AVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10580.000331/200371 Acórdão n.º 1801002.190 S1TE01 Fl. 325 7 Conforme visto a Impugnante declarouse possuidora de um saldo negativo de R$ 567.354,44 enquanto que a autoridade administrativa deferiu tão somente a quantia de R$ 135.230,17, homologando conseqüentemente os débitos requeridos no presente processo como compensação no montante de R$ 29.567,87. Desta maneira, cabenos debruçarmos sobre a diferença que não foi aceita pela autoridade administrativa a título de saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2001, no valor de R$ 432.124,27. Primeiramente há que se deixar evidenciado que a maneira de corrigir uma DCTF é procedendo a retificação da mesma e, assim sendo, reputo como correta a DCTF de onde constam como valores de créditos a compensar aqueles decorrentes de ação judicial que não havia transitado em julgado conforme esclareceu o Despacho Decisório. Certo é que a Impugnante possuía ação judicial e que tal crédito foi informado como utilizado para compensação da estimativa de janeiro de 2001, sendo que ao contrário do que afirmava a Impugnante indébito pleiteado judicialmente não havia transitado em julgado. O fato de no Balanço da Impugnante não constar tal registro, representa apenas um grave problema contábil da mesma, pois, fato é que a autoridade fiscal localizou no sitio do TRF tal ação e, conforme dito, ainda não transitada em julgado. Assim, fica mantida a glosa da estimativa de janeiro de 2001 na composição do saldo negativo do IRPJ daquele ano calendário. Quanto às demais estimativas do anocalendário de 2001, foram elas quitadas ou diretamente com o saldo negativo do anocalendário de 1999 ou com o saldo negativo apurado em 2000 que decorreu de compensações de estimativa deste ano calendário com o saldo negativo do anocalendário de 1999 reputado inexistente pela autoridade administrativa. Com efeito, ao apreciarmos o processo administrativo de número 10580.006770/200125 em sessão de 10 de novembro de 2008, assim conduzimos o voto acatado por unanimidade por esta lª Turma de Julgamento. Acórdão anexo às fls. 274/277. (...) Conforme se pode verificar as razões evocadas pelo contribuinte no presente processo são iguais àquelas já examinadas quando analisamos o saldo negativo da CSLL, erro de fato na DIPJ 2000. Confirmase assim, mais uma vez, o acerto da autoridade administrativa quanto à inexistência de saldo negativo do IRPJ no anocalendário de 1999 o que, conforme concorda a própria Impugnante vem impactar o resultado do ano calendário de 2000 e conseqüentemente de 2001, pois valores de estimativa do ano calendário de 2000 foram compensados com o saldo inexistente de 1999. Por todo exposto VOTO no sentido de JULGAR IMPROCEDENTE a Manifestação de Inconformidade.” Em síntese, a DRJ: (i) manteve a glosa da estimativa de janeiro/2001, por entender que o crédito decorreria de ação judicial em curso, o que encontraria vedação no art. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por NEUDSON C AVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 170A do CTN; e (ii) manteve a glosa das estimativas compensadas com saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2000, ao argumento de inexistência de crédito. Recurso voluntário às fls. 283/298 reiterando as razões expostas na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Vencido Fernando Daniel de Moura Fonseca, Relator Conheço o recurso voluntário, pois tempestivo. Em síntese, as seguintes estimativas mensais utilizadas para formar o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001 foram glosadas pelo despacho decisório: (i) estimativa de janeiro/2001, por violação ao art. 170A do CTN; e (ii) estimativas de fevereiro a abril/2001, compensadas com saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2000, ao argumento de inexistência do referido crédito. I) Matéria Vencida no Voto: QUANTO À GLOSA DE ESTIMATIVA MENSAL DE JANEIRO/2001. A DCTF de fl. 175 dos autos indica a compensação da estimativa mensal de IRPJ de janeiro/2001 com crédito decorrente da ação judicial nº 97.123990, em trâmite perante a 8ª VF da Bahia. Em razão disso, o despacho decisório glosou tal estimativa ao argumento de violação ao art. 170 A do CTN: “Analisando a DIPJ/2002, observase que no período de janeiro a maio de 2001, foi apurado imposto de renda a pagar, sendo declarados/confessados em DCTF e extintos por compensação com saldo negativo apurado em períodos anteriores. Excetuase, entretanto, a estimativa de IRPJ, referente ao período de janeiro de 2001, que foi quitada por meio de crédito pleiteado no processo judicial no 1997.330001329908 0 Vara/BA, fls.175/179. Diante de tal fato, foi solicitado ao requerente a Certidão de Objeto e Pé do processo judicial no 1997.3300013299081 Vara/BA, não sendo fornecido tal documento (vide fls.85 e 100). Posteriormente, realizamos pesquisas no sítio do 1º TRF, onde consta a informação de que o processo acima citado se encontra em trâmite, fls.187/198. Ressaltese que tal procedimento se encontra vedado segundo o disposto no artigo 170 A da Lei no 5.172/66 — CTN, senão vejamos: "Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação Judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial". O contribuinte, por sua vez, alega que houve erro de preenchimento na DCTF, e que sua contabilidade demonstraria que o crédito decorre de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2000. Neste ponto, razão não assiste ao Recorrente. Na vigência do art. 66 da Lei nº 8.383/91 a DCTF era o instrumento próprio para a instrumentalização das compensações, que deve ser admitida de acordo com as informações lá registradas. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por NEUDSON C AVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10580.000331/200371 Acórdão n.º 1801002.190 S1TE01 Fl. 326 9 Ainda que o contribuinte tenha pretendido compensar crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2000 com a estimativa de IRPJ do anocalendário 2001, não foi esse o ato efetivamente praticado. Tal compensação pode ter sido a intenção do sujeito passivo, mas a sua existência não pode ser alegada quando não registrada nos termos definidos em lei. Entendo, nesse ponto, corretas as conclusões do acórdão da DRJ. Vejase: “Certo é que a Impugnante possuía ação judicial e que tal crédito foi informado como utilizado para compensação da estimativa de janeiro de 2001, sendo que ao contrário do que afirmava a Impugnante indébito pleiteado judicialmente não havia transitado em julgado. O fato de no Balanço da Impugnante não constar tal registro, representa apenas um grave problema contábil da mesma, pois, fato é que a autoridade fiscal localizou no sitio do TRF tal ação e, conforme dito, ainda não transitada em julgado.” Portanto, considero que a compensação utilizou crédito decorrente da ação judicial 97.123990 da 8ª VF da Bahia, tal como registrado na DCTF do período. De todo modo, a glosa realizada pelo despacho decisório não merece prosperar. É que o art. 170A do CTN somente se aplica às ações ajuizadas após a sua vigência, o que ocorreu em 11/01/2001. Nesse sentido, é pacífica a jurisprudência do STJ, inclusive em sede de Recurso Repetitivo: “(...) 5. Por fim, é entendimento pacífico da Primeira Seção desta Corte que o disposto no art. 170A do CTN, a exigir o trânsito em julgado para fins de compensação de crédito tributário, somente se aplica às demandas ajuizadas após a vigência da LC 104/01, ou seja, a partir de 11.01.2001, o que se verifica na espécie. Nesse sentido: AgRg no REsp. 1.240.038/PR, Rel. Min. OG FERNANDES, DJe 02.05.2014 e AgRg no REsp. 1.429.680/SC, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJe 28.03.2014, dentre outros. 6. Agravo Regimental da Fazenda Nacional provido para restabelecer o acórdão recorrido quanto ao prazo prescricional. Agravo Regimental do contribuinte desprovido.” (AgRg nos EDcl no REsp 1202553/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/08/2014, DJe 03/09/2014) “(...) 3. Consoante entendimento pacificado na jurisprudência, o disposto no art. 170A do CTN, que exige o trânsito em julgado para fins de compensação de crédito tributário, somente se aplica às demandas ajuizadas após a vigência da Lei Complementar n. 104/01, ou seja, a partir de 11/1/2001, o que se verifica na espécie. 4. Agravo regimental a que se nega provimento.” (AgRg no REsp 1240038/PR, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, julgado em 08/04/2014, DJe 02/05/2014) Desse modo, e ao contrário do despacho decisório, considero inaplicável o art. 170 A à ação judicial ajuizada pelo contribuinte em 03/11/1997 (fls. 191), do que resulta a improcedência da glosa realizada pelo despacho decisório. Por outro lado, seria possível a glosa da compensação que utiliza crédito reconhecido em ação judicial não transitada em julgado. Para tanto, bastaria ao Fisco realizar o lançamento de ofício, glosando a compensação, dentro do prazo previsto no art. 150, §4º, do CTN. A jurisprudência do STJ também já se manifestou neste sentido: Fl. 330DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por NEUDSON C AVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES DE TRIBUTOS FEDERAIS DCTF. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CRÉDITO NÃO CONSTITUÍDO DEVIDAMENTE. 1. "Antes de 31.10.2003 havia a necessidade de lançamento de ofício para se cobrar a diferença do "débito apurado" em DCTF decorrente de compensação indevida. Interpretação do art. 5º do DecretoLei nº 2.124/84, art. 2º, da Instrução Normativa SRF n. 45, de 1998, art. 7º, da Instrução Normativa SRF n. 126, de 1998, art. 90, da Medida Provisória n. 2.15835, de 2001, art. 3º da Medida Provisória n. 75, de 2002, e art. 8º, da Instrução Normativa SRF n. 255, de 2002" (REsp. n. 1.240.110PR, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 2.2.2012). 2. Indiferente tenha o contribuinte pleiteado a compensação com indébito proveniente de decisão judicial não transitada em julgado (art. 170A, do CTN), deveria, de todo modo, haver lançamento. Não consta dos autos que tenha sido oportunizada defesa administrativa ao contribuinte. 3. Recurso especial não provido. (REsp 1320915/PE, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/11/2012, DJe 26/11/2012) No caso, é irrelevante saber se havia ou não liminar autorizando a compensação e suspendendo a exigibilidade do crédito, uma vez que o art. 63 da Lei n º 9.430/96 autoriza o lançamento de ofício para prevenir a decadência. Como nos autos não há notícia de que a autoridade fiscal tenha realizado o lançamento de ofício para questionar a compensação por encontro de contas, entendo que a compensação não pode ser glosada para fins de composição do saldo negativo. É o que será analisado no ponto abaixo, em conjunto com as demais estimativas. II) Matéria Vencedora no Voto QUANTO À GLOSA DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DE FEVEREIRO A MAIO/2001. A interessada compensou estimativas mensais de IRPJ das competências fevereiro (fl. 176), março (fl. 177) e abril (fl. 178) do anocalendário 2001 com crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ dos anoscalendário 1999 e 2000. Tal como no tópico acima, a interessada informa que houve erro de preenchimento da DCTF relativamente à compensação de estimativa do mês de fevereiro, que apesar de indicar crédito de saldo negativo do anocalendário 1999, deveria ter indicado o anocalendário 2000. Novamente, rejeito tal pretensão da Recorrente de alterar, por meio do recurso voluntário, o crédito utilizado na compensação declarada em DCTF. Se a DCTF é o meio próprio para declarar a compensação, a manifestação de vontade do interessado fica vinculada às informações ali prestadas, salvo evidente erro material, o que não se verifica. De todo modo, entendo que a glosa dessas compensações também merece ser revista. É que para analisar o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001, o despacho decisório proferido em 2008 pretendeu analisar a existência dos créditos (saldos negativos de IRPJ de 1999 e 2000) utilizados para quitar as estimativas mensais de IRPJ do anocalendário 2001. Tal conduta não me parece possível. Explico. Ao tempo da compensação efetuada pela empresa (ano 2000), havia dois regimes para a compensação em nível federal: (a) O regime de compensação entre créditos e débitos da mesma natureza, realizado por simples encontro de contas, sem a necessidade de prévio requerimento à Receita Federal – regime do art. 66 da Lei n° 8.383/91; Fl. 331DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por NEUDSON C AVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10580.000331/200371 Acórdão n.º 1801002.190 S1TE01 Fl. 327 11 (b) O regime de compensação entre créditos e débitos de espécies tributárias diversas, submetido a prévio requerimento à Receita Federal – regime do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Apenas com a MP nº 66/02, posteriormente convertida na Lei nº 10.637/02, é que a sistemática para compensação no âmbito da Receita Federal foi unificada, passando a exigir um regime único para as compensações tanto de créditos e débitos de mesma espécie, quanto para os de espécies diferentes. Neste novo regime, o contribuinte passou a ser obrigado a entregar uma declaração de compensação, através da qual extinguia o débito compensado, sob condição de ulterior homologação pelo Fisco. Contudo, as compensações glosadas pelo despacho decisório foram declaradas em fevereiro (fl. 176), março (fl. 177) e abril (fl. 178) do anocalendário 2001, isto é, anteriormente à vigência da Lei nº 10.637/2002. Tratase de compensações realizadas por encontro de contas (também conhecida por “autocompensação” ou “compensação no âmbito do lançamento por homologação”), declaradas pelo próprio contribuinte diretamente em DCTF, nos termos do art. 66 da Lei nº 8.383/91: “Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie.” Neste regime, a compensação era realizada de modo direto pelo contribuinte, através de simples encontro de contas, devidamente registrado em suas declarações fiscais. Em outras palavras, dispondo o contribuinte de créditos decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior, poderia aproveitálos imediatamente, informando em suas declarações que o pagamento de um determinado débito foi realizado por meio da utilização dos créditos que julgava possuir. Não havia, destarte, exigência de requerimento ou autorização fiscal prévia pelo Fisco, para que os créditos pudessem ser aproveitados. Porém, da mesma forma que as compensações no regime do art. 74 da Lei nº 9.430/96, as compensações realizadas por encontro de contas (regime do art. 66 da Lei nº 8.383/91) também têm o condão de extinguir imediatamente o crédito tributário (art. 156, II, do CTN), sob condição resolutória de ulterior homologação pelo Fisco (art. 150, §1º, do CTN). Declaradas tais compensações em DCTF, duas situações poderiam ocorrer: (a) a homologação tácita ou expressa da compensação no prazo de cinco anos contado do art. 150, §4º, do CTN, com a consequente extinção definitiva do débito compensado; (b) o lançamento de ofício (auto de infração), dentro do prazo decadencial do art. 150, §4, do CTN, para exigir o débito fiscal objeto de compensação, na hipótese de discordância do Fisco com a compensação realizada. Em outras palavras, para a glosa de compensações realizadas por encontro de contas em DCTF é indispensável que a autoridade fiscal realize o lançamento de ofício, nos Fl. 332DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por NEUDSON C AVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES 12 termos do art. 142 do CTN, dando ao contribuinte a chance de apresentar impugnação administrativa. Neste sentido, a lição de Maria Tereza Martinez Lopes, exConselheira deste Tribunal: “Na compensação escorada tãosomente no citado art. 66, não havia necessidade de formalização de processo próprio. Por isto a DCTF consistia no único meio pelo qual era dado conhecimento à Receita Federal do encontro de contas efetuado pelo sujeito passivo. Nesta modalidade de compensação, o encontro de contas equivale a um pagamento à vista que, à semelhança do recolhimento antecipado exigido nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, extingue o crédito tributário compensado sob condição resolutório da ulterior homologação por parte do fisco (art. 150, § 4º do CTN). (“Compensação de Tributos Administrados pela Receita Federal do Brasil.”, artigo publicado no livro “Compensação Tributária”, coordenado por Karem Jureidini Dias Marcelo Magalhães Peixoto, MP Editora, p. 94.) Em artigo publicado recentemente na Revista Dialética de Direito Tributário, Donovan Mazza Lessa e Daniel Serra Lima assim se manifestaram sobre a questão: “Como adiantado, as compensações de indébitos federais também podem ser realizadas diretamente pelo contribuinte mediante encontro de contas em DCTF (o que era permitido até 2002) ou GFIP (em vigor até os dias atuais), conforme art. 66 da Lei 8.383/199114. Tratase da chamada compensação no âmbito do lançamento por homologação, segundo a qual o contribuinte, após apurar a existência de um débito fiscal, efetua a quitação deste débito através de uma compensação informada diretamente em sua DCTF. Não há, neste regime, a necessidade de prévio requerimento ou autorização da Fazenda para que a compensação seja realizada. A conclusão disto é que a compensação feita no regime do art. 66 da Lei nº 8.383/91 se assemelha ao pagamento antecipado feito pelo contribuinte no lançamento por homologação. E assim como o pagamento antecipado que fica submetido ao posterior exame e homologação do Fisco, o mesmo ocorre com a compensação efetuada direta na DCTF ou GFIP. Logo, se o Fisco, por qualquer razão, entende ser irregular a compensação efetuada nos termos do art. 66 da Lei nº 8.383/91, cabe a ele o dever de apurar de ofício o tributo que entender devido, para que possa exigilo.” (“A Correta Interpretação da Súmula 436 do STJ e os Regimes de Lançamento previstos no CTN” in Revista Dialética de Direito Tributário nº 209. São Paulo: Dialética, fevereiro/2013, p. 38) No caso vertente, a Recorrente realizou compensações de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2000 com débitos de estimativa mensal de IRPJ do anocalendário 2001, e informou tais valores diretamente em DCTF. Caberia ao Fisco, portanto, verificar a validade e o cumprimento das informações prestadas, e, caso entendesse que existiam débitos em aberto (seja porque o débito apurado é superior ao valor declarado, seja porque o pagamento informado não se realizou), efetuar o lançamento de ofício, para exigência do débito e a constituição da multa, como determinava a IN/SRF nº 126 de 1998: Art. 7º. Todos os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. (...) § 4º Os débitos apurados nos procedimentos de auditoria interna serão exigidos de ofício, com o acréscimo de juros moratórios e de multa, moratória ou de ofício, Fl. 333DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por NEUDSON C AVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10580.000331/200371 Acórdão n.º 1801002.190 S1TE01 Fl. 328 13 conforme o caso, efetuado com observância do disposto nas Instruções Normativas SRF nº 094, de 24 de dezembro de 1997, e n º 077, de 24 de julho de 1998. Tanto é assim que este Tribunal vem julgando lançamentos de ofício que glosaram compensações por encontro de contas realizado em DCTF: “AUDITORIA INTERNA NA DCTF. IRPJ. COMPENSAÇÃO. CONFIRMAÇÃO DO PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. Existindo nos autos a prova do crédito a título de saldo negativo de imposto de renda de períodos anteriores, tendente a legitimar a pretendida compensação, insubsiste a exigência.” (1ª Seção, 4ª Câm., 2ª TO, AC 1402 001.386, Rel. FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, julgado em 11.06.2013) O entendimento do STJ é pacífico acerca da necessidade de lançamento de ofício para glosar compensações realizadas por encontro de contas em DCTF, sob pena de homologação tácita. Vale conferir: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. COMPENSAÇÃO INFORMADA EM DCTF. REJEIÇÃO PELO FISCO. NECESSIDADE DE NOVO LANÇAMENTO. DCTF APRESENTADA ANTES DE 31.10.2003. DECADÊNCIA CONFIGURADA NA ESPÉCIE. 1. O acórdão recorrido analisou todas as questões necessárias ao desate da controvérsia, só que de forma contrária aos interesses da parte. Logo, não padece de vícios de omissão, contradição ou obscuridade, a justificar sua anulação por esta Corte. Tese de violação do art. 535 do CPC repelida. 2. A Segunda Turma desta Corte já se pronunciou no sentido de que antes de 31.10.2003 havia a necessidade de lançamento de ofício para se cobrar a diferença dos débitos apurados em DCTF decorrentes de compensação indevida; de 31.10.2003 em diante (eficácia da MP n. 135/2003, convertida na Lei n. 10.833/2003) o lançamento de ofício deixou de ser necessário para a hipótese, no entanto, o encaminhamento de débitos apurados em DCTF decorrentes de compensação indevida para inscrição em dívida ativa passou a ser precedido de notificação ao sujeito passivo para pagar ou apresentar manifestação de inconformidade, recurso este que suspende a exigibilidade do crédito tributário na forma do art. 151, III, do CTN (art. 74, §11, da Lei n. 9.430/96). Precedente: REsp 1.240.110/PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 26.6.2012. 3. Na hipótese, tratandose de compensações informadas em DCTFs apresentadas entre os anos de 2000 a 2002, havia necessidade de lançamento de ofício, o que não ocorreu na espécie. Evidente, pois, a decadência do crédito tributário. 4. Recurso especial parcialmente provido. (REsp 1228429/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 14/08/2012, DJe 21/08/2012) “TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. IPI. VIOLAÇÃO AO ARTIGO 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. ENTREGA DE DCTFS. INFORMAÇÃO DE COMPENSAÇÃO POSTERIORMENTE CONSTATADA ILEGÍTIMA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NECESSIDADE. ARTIGO 149, INCISO V, DO CTN. 1. Esta Corte já decidiu que, sendo rejeitada pelo Fisco a quitação do tributo por meio de compensação informada em DCTF, é necessária a realização de novo lançamento, para que o contribuinte exerça seu direito de defesa, vedada a automática inscrição em dívida ativa do débito informado. Precedentes (...). Fl. 334DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por NEUDSON C AVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES 14 2. Agravo regimental desprovido.” (AgRg no REsp 1233831/RS, Rel. Min. BENEDITO GONÇALVES, Primeira Turma, julgado em 01.12.2011) "TRIBUTÁRIO. DCTF INFORMANDO PEDIDO DE EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO POR COMPENSAÇÃO. REJEIÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NECESSIDADE. 1. O STJ pacificou o entendimento de que é vedada a imediata inscrição em dívida ativa dos valores confessados em DCTF, quando o referido documento informar a quitação do crédito tributário por compensação. Se esta for rejeitada, impõese o lançamento de ofício, com abertura de prazo para impugnação. 2. Agravo Regimental não provido". (AgRg no Ag 1.285.897/PR, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, Segunda Turma, julgado em 19.10.2010) TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO INFORMADA EM DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF. IMPRESCINDIBILIDADE DE LANÇAMENTO DOS DÉBITOS OBJETO DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA DECLARADA EM DCTF ENTREGUE ANTES DE 31.10.2003. 1. Antes de 31.10.2003 havia a necessidade de lançamento de ofício para se cobrar a diferença do "débito apurado" em DCTF decorrente de compensação indevida. Interpretação do art. 5º do DecretoLei nº 2.124/84, art. 2º, da Instrução Normativa SRF n. 45, de 1998, art. 7º, da Instrução Normativa SRF n. 126, de 1998, art. 90, da Medida Provisória n. 2.15835, de 2001, art. 3º da Medida Provisória n. 75, de 2002, e art. 8º, da Instrução Normativa SRF n. 255, de 2002. 2. De 31.10.2003 em diante (eficácia do art. 18, da MP n. 135/2003, convertida na Lei n. 10.833/2003) o lançamento de ofício deixou de ser necessário para a hipótese, no entanto, o encaminhamento do "débito apurado" em DCTF decorrente de compensação indevida para inscrição em dívida ativa passou a ser precedido de notificação ao sujeito passivo para pagar ou apresentar manifestação de inconformidade, recurso este que suspende a exigibilidade do crédito tributário na forma do art. 151, III, do CTN (art. 74, §11, da Lei n. 9.430/96). 3. Desse modo, no que diz respeito à DCTF apresentada antes de 31.10.2003, onde houve compensação indevida, compreendo que havia a necessidade de lançamento de ofício para ser cobrada a diferença do "débito apurado", a teor da jurisprudência deste STJ, o que não ocorreu. Precedentes: REsp. n. 1.240.110PR, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 2.2.2012; REsp. n. 1.205.004SC, Segunda Turma, Rel. Min. César Asfor Rocha, julgado em 22.03.2011; REsp. n.º 1.212.863 PR, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 03.05.2012. 4. Recurso especial não provido. (REsp 1332376/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/12/2012, DJe 12/12/2012) E, para realizar este lançamento o Fisco deve observar a regra contida no art. 150, §4º do CTN, que prevê que o prazo decadencial dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de cinco anos a contar do fato gerador. Ou seja, passados esses cinco sem que a Fazenda tenha se pronunciado a respeito do pagamento efetuado voluntariamente pelo contribuinte, ela não poderá mais efetuar o lançamento de ofício de eventuais diferenças, pois o crédito tributário estará definitivamente extinto. É a chamada homologação tácita. Entretanto, as compensações em DCTF de fevereiro a maio/2001 não foram desconstituídas mediante lançamento de ofício, de modo que já se encontravam tacitamente homologadas ao tempo em que foram analisadas pelo despacho decisório (2008). O mesmo ocorreu com a compensação de janeiro/2001, que deveria ter sido objeto de lançamento de ofício. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por NEUDSON C AVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10580.000331/200371 Acórdão n.º 1801002.190 S1TE01 Fl. 329 15 Concluo, portanto, pela ilegitimidade da glosa das estimativas mensais compensadas no anocalendário 2001, e, via de consequência, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a existência do saldo negativo registrado em DIPJ no valor de R$ 567.354,44. Referido valor deve ser restituído ao interessado até o limite do montante efetivamente pleiteado e descontandose os valores cuja compensação já foi validada pela jurisdição de origem. (assinado digitalmente) Fernando Daniel de Moura Fonseca Voto Vencedor Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Redatora designada Apesar de respeitar a tese adotada pelo Conselheiro Relator sobre a inteligência, vigência e aplicação do artigo 170A do Código Tributário Nacional, a maioria deste Colegiado não admite o reconhecimento do crédito tributário pleiteado, e a consequente compensação declarada, no que concerne ao valor relativo à estimativa de janeiro de 2001 compor o Saldo Negativo de IRPJ do mesmo anocalendário. A questão é simples, porque foge ao escopo da aplicação ou não do referido preceito legal, mas subsumese ao fato inarredável e esclarecido pela própria recorrente, às fls. 239 e 240, em sede de manifestação de inconformidade, que incidiu em erro ao preencher a DCTF pertinente e que tal crédito supostamente oriundo de ação judicial (transitada ou não em julgado, pouco importa) não foi efetivamente utilizado para a quitação, por compensação, da estimativa de janeiro de 2001. Sendo assim, tal crédito informado em DCTF nunca existiu para os fins de quitação de estimativa e consequente composição do Saldo Negativo de IRPJ, relativo ao anocalendário de 2001, não podendo ser reconhecido de forma absoluta, sob qualquer pretexto ou consertada a DCTF, de ofício. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Declaração de Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque. Peço vênia ao muito digno Relator e aos demais membros dessa egrégia Turma de Julgamento para discordar de seu entendimento. Conforme já foi muito bem relatado, o contribuinte apresentou declaração de compensação em que extinguiu débitos de IRRF utilizando alegado crédito de saldo negativo de IRPJ do ano 2001. A unidade de origem homologou em parte tal compensação, deixando de reconhecer a parte do saldo negativo originada nas antecipações (estimativas) de janeiro a maio daquele ano. Este é o Fl. 336DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por NEUDSON C AVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES 16 objeto da presente lide, que pode ser dividido em duas partes: (i) o valor relativo à estimativa de janeiro e (ii) o valor relativo às estimativas de fevereiro a maio. Quanto à glosa da antecipação de janeiro/2001. O valor relativo à antecipação de janeiro foi glosado em razão de ter sido quitada por meio de compensação cujo crédito teria origem em ação judicial ainda em fase recursal, o que é defeso pelo artigo 170A do Código Tributário Nacional. O Relator observou muito bem que o referido dispositivo legal foi introduzido no ordenamento jurídico em 11/01/2001, o que o levou à conclusão de que não se aplicaria à presente compensação, em razão de a referida ação judicial ter sido iniciada em data anterior. Devo discordar de tal entendimento, em razão do fato de a compensação em tela ter sido apresentada em 15/01/2003, quando o referido artigo 170A já estava em pleno vigor. Todavia, essa questão foi superada por uma questão processual, oriunda no fato de o contribuinte, em sede de manifestação de inconformidade, ter negado a afirmação inicial, prestada no momento em que apresentou o pedido de compensação, de que a compensação teria sido efetuada com o crédito da supracitada ação judicial. Acompanho o entendimento da maioria desta egrégia Turma de Julgamento no sentido de que não é possível reconhecer um direito negado pelo próprio autor da ação. Quanto à glosa das antecipações de fevereiro a maio/2001. As antecipações de fevereiro a maio de 2001 foram glosadas em razão de terem sido quitadas por compensação cujo crédito não foi reconhecido pela unidade de origem. Acompanhando o voto inaugural, esta egrégia Turma de Julgamento entendeu que, “para a glosa de compensações realizadas por encontro de contas em DCTF é indispensável que a autoridade fiscal realize o lançamento de ofício, nos termos do art. 142 do CTN, dando ao contribuinte a chance de apresentar impugnação administrativa.” Peço permissão para discordar desse entendimento. Nos termos do artigo 1421 do CTN, o lançamento tem por finalidade constituir o crédito tributário. Na presente situação, o crédito tributário foi constituído pelo próprio contribuinte, na confissão realizada em sede de DCTF, o que torna desnecessário o lançamento. Por outro lado, a desconstituição de compensação realizada pelo contribuinte em declaração de compensação é medida formalizada por meio de despacho decisório, conforme o regulamento contido no artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Data venia, não há fundamento legal para exigir regime diferente para as compensações declaradas em DCTF. Muito pelo contrário, a regulamentação das auditorias internas de DCTF determinavam o envio imediato da compensação glosada para a cobrança executiva, nos termos do artigo 7º da Instrução Normativa SRF nº 126, de 1998: Art. 7º. Todos os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. (Redação dada pela IN SRF n º 16/00, de 14 de fevereiro de 2000 ) § 1º Omissis § 2 º Na hipótese de indeferimento de pedido de compensação, efetuado segundo o disposto nos arts. 12 e 15 da Instrução Normativa SRF nºs 21, de 10 de março de 1997, alterada pela 1 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por NEUDSON C AVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10580.000331/200371 Acórdão n.º 1801002.190 S1TE01 Fl. 330 17 Instrução Normativa SRF nº 73, de 15 de setembro de 1997, os débitos decorrentes da compensação indevida na DCTF serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União, trinta dias após a ciência da decisão definitiva na esfera administrativa que manteve o indeferimento. (Redação dada pela IN SRF n º 16/00, de 14 de fevereiro de 2000 ) Ressalto o fato de que o legislador atribuiu à Administração Fazendária a competência de determinar o rito a ser seguido no procedimento de compensação, conforme o parágrafo 4º do artigo 66 da Lei nº 8.383, de 1991. Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) (Vide Lei nº 9.250, de 1995) ... § 4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) Por tais razões, entendo ser incabível o lançamento tributário com o fim de desconstituir a autocompensação em tela e considero o despacho decisório guerreado como meio hábil para possibilitar o devido processo legal. Com isso, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 338DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por NEUDSON C AVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10909.001635/2005-77
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
CRÉDITOS. DESPESAS DE FRETES. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. OPERAÇÃO DE VENDA
As despesas de fretes incorridas com outras operações que não sejam integrantes do custo de aquisições de insumos e de vendas das mercadorias produzidas e/ ou revendidas não geram créditos de PIS não-cumulativo.
GLOSAS. FRETES. RESTABELECIMENTO.PROVAS
O restabelecimento de glosas de créditos do PIS não-cumulativo
apurados sobre despesas de fretes está condicionado à apresentação de provas de que tais despesas foram incorridas na aquisição de insumos e/ ou na operação de venda de mercadorias produzidas.
CRÉDITO-PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. ALÍQUOTAS
O cálculo do crédito-presumido do PIS não-cumulativo para a agroindústria deve ser calculado à alíquota de 4,56 % ou 2,66 %, dependendo da mercadoria produzida e comercializada.
SERVIÇOS SUBCONTRATADOS. FRETES. CRÉDITOS. BENEFICIÁRIOS
Somente as pessoas jurídicas que exerçam a atividade de transportes rodoviários de carga fazem jus aos créditos de Cofins não-cumulativa incidente sobre serviços sub contratados com empresas do mesmo ramo.
RESSARCIMENTO COMPLEMENTAR. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO
Reconhecido o direito da recorrente à parte do ressarcimento pleiteado e declarado na declaração de compensação (Dcomp), homologa-se a compensação dos débitos fiscais declarados até o limite do crédito complementar reconhecido.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE
Numero da decisão: 3301-000.980
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação pela parte o Dr. Alessandro Barreto Borges, OAB/SP 196401/SP, e pela Fazenda Nacional a Dra Indiara Arruda da Almeida Serra.
Nome do relator: José Adão Vitorino de Morais
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 CRÉDITOS. DESPESAS DE FRETES. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. OPERAÇÃO DE VENDA As despesas de fretes incorridas com outras operações que não sejam integrantes do custo de aquisições de insumos e de vendas das mercadorias produzidas e/ ou revendidas não geram créditos de PIS não-cumulativo. GLOSAS. FRETES. RESTABELECIMENTO.PROVAS O restabelecimento de glosas de créditos do PIS não-cumulativo apurados sobre despesas de fretes está condicionado à apresentação de provas de que tais despesas foram incorridas na aquisição de insumos e/ ou na operação de venda de mercadorias produzidas. CRÉDITO-PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. ALÍQUOTAS O cálculo do crédito-presumido do PIS não-cumulativo para a agroindústria deve ser calculado à alíquota de 4,56 % ou 2,66 %, dependendo da mercadoria produzida e comercializada. SERVIÇOS SUBCONTRATADOS. FRETES. CRÉDITOS. BENEFICIÁRIOS Somente as pessoas jurídicas que exerçam a atividade de transportes rodoviários de carga fazem jus aos créditos de Cofins não-cumulativa incidente sobre serviços sub contratados com empresas do mesmo ramo. RESSARCIMENTO COMPLEMENTAR. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO Reconhecido o direito da recorrente à parte do ressarcimento pleiteado e declarado na declaração de compensação (Dcomp), homologa-se a compensação dos débitos fiscais declarados até o limite do crédito complementar reconhecido. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 CRÉDITOS. DESPESAS DE FRETES. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. OPERAÇÃO DE VENDA As despesas de fretes incorridas com outras operações que não sejam integrantes do custo de aquisições de insumos e de vendas das mercadorias produzidas e/ ou revendidas não geram créditos de PIS nãocumulativo. GLOSAS. FRETES. RESTABELECIMENTO.PROVAS O restabelecimento de glosas de créditos do PIS nãocumulativo apurados sobre despesas de fretes está condicionado à apresentação de provas de que tais despesas foram incorridas na aquisição de insumos e/ ou na operação de venda de mercadorias produzidas. CRÉDITOPRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. ALÍQUOTAS O cálculo do créditopresumido do PIS nãocumulativo para a agroindústria deve ser calculado à alíquota de 4,56 % ou 2,66 %, dependendo da mercadoria produzida e comercializada. SERVIÇOS SUBCONTRATADOS. FRETES. CRÉDITOS. BENEFICIÁRIOS Somente as pessoas jurídicas que exerçam a atividade de transportes rodoviários de carga fazem jus aos créditos de Cofins nãocumulativa incidente sobre serviços sub contratados com empresas do mesmo ramo. RESSARCIMENTO COMPLEMENTAR. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO Reconhecido o direito da recorrente à parte do ressarcimento pleiteado e declarado na declaração de compensação (Dcomp), homologase a compensação dos débitos fiscais declarados até o limite do crédito complementar reconhecido. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 14/07/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 14/07/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 2 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação pela parte o Dr. Alessandro Barreto Borges, OAB/SP 196401/SP, e pela Fazenda Nacional a Dra Indiara Arruda da Almeida Serra. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente José Adão Vitorino de Morais Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Fábio Luiz Nogueira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Rio de Janeiro II que julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que reconheceu parcialmente o direito da recorrente ao ressarcimento do saldo credor do PIS nãocumulativo, apurado e reclamado para o 1º trimestre de 2005, e homologou as compensações dos débitos fiscais declarados até o limite do ressarcimento reconhecido. Cientificada do despacho decisório, inconformada com o deferimento/ compensação parcial do ressarcimento pleiteado, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade (fls. 414/429), requerendo a sua reforma a fim de que fosse reconhecido, na íntegra, o seu direito ao ressarcimento pleiteado e homologadas as compensações dos débitos fiscais declarados, alegando razões que foram assim resumidas por aquela DRJ: “a) Inicialmente discorre sobre as suas atividades e relaciona os principais produtos industrializados e comercializados no mercado externo; b) Com relação à glosa de fretes supostamente não vinculados a aquisições que geraram crédito, a fiscalização deixou de elaborar uma planilha demonstrando quais CTRC não foram aceitos, o que configura cerceamento de defesa da recorrente. Assim, há que se admitir a nulidade deste item do Parecer; c) O direito ao creditamento de PIS sobre valores pagos a título de frete decorre da própria lei (art. 15, inciso II c/c art. 3º, inciso IX da Lei 10.833/04). Cita diversas Soluções de Consulta tratando do direito ao crédito sobre valores de frete em diferentes hipóteses; d) A fiscalização glosou os valores de aquisições de pessoas jurídicas incluídas pela recorrente na base de cálculo do crédito presumido do PIS nos meses de janeiro a março. De acordo com o entendimento da fiscalização, tais valores Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 14/07/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 14/07/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 10909.001635/200577 Acórdão n.º 330100.980 S3C3T1 Fl. 497 3 deveriam ter sido incluídos na rubrica ‘bens utilizados como insumos’ concedendo crédito calculado à alíquota de 1,65%; e) A recorrente calculou o crédito presumido à alíquota de 60%, tendo em vista que os produtos produzidos pela mesma encontramse classificados nos códigos constantes do inciso I do § 3°, art. 8° da Lei 10.925/04; f) O critério para determinar o cálculo do beneficio do crédito presumido não é o insumo, mas sim o produto produzido pela empresa, os quais, no caso em tela são aqueles classificados no capítulo 2 e 16 da TIPI, bem como código NCM 15.01. g) De acordo com o disposto nos §§ 19 e 20 do art. 3° da Lei 10.833/03, as empresas prestadoras de serviço de transporte rodoviário de carga farão jus ao crédito presumido do PIS sobre os pagamentos de serviço de carga prestados por pessoa física. Considerando que uma das atividades descritas em seu objeto social é a prestação de serviços de transporte de cargas a Recorrente tem direito ao crédito. Os créditos glosados referemse a operações de transporte prestada a si mesma, o que não furta seu direito ao crédito.” Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua procedente em parte, reconhecendo o direito de a recorrente apurar créditos do PIS não cumulativo sobre: a) aquisições de pessoas jurídicas nos meses de janeiro a março de 2005; e, b) sobre estoques de abertura; mantendo as glosas sobre: a) as despesas de fretes com transportes de produtos que não se inseriram no conceito de insumos utilizados na produção; b) sobre fretes que não se referiram à operação de venda; c) sobre as aquisições de pessoas físicas em relação à redução de alíquota de cálculo do créditopresumido; e, d) sobre outras despesas de fretes com pessoas físicas por sub contratações de serviços prestados a ela própria, conforme acórdão nº 1328.087, datado de 11/02/2010, às fls. 443/448, sob as seguintes ementas: “NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não ocorre cerceamento do direito de defesa quando os dados utilizados pela autoridade administrativa foram extraídos dos documentos e demonstrativos fornecidos pelo próprio contribuinte. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. É cabível a apropriação de crédito da contribuição ao PIS calculado mediante aplicação da alíquota de 1,65% sobre o valor das aquisições de insumos de pessoas jurídicas domiciliadas no País realizadas antes da aplicação da suspensão do PIS de que trata o artigo 9° da Lei 10.925/2004. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. ALÍQUOTAS. O crédito presumido da agroindústria a que se refere o artigo 8° e § 1° da Lei 10.925/2004 é determinado mediante aplicação, sobre o valor das aquisições de insumos, de alíquotas diferenciadas previstas no § 3° do mesmo artigo, determinadas em função dos produtos adquiridos. SERVIÇO DE TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGA. SUBCONTRATAÇÃO. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 14/07/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 14/07/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 4 O crédito de que trata os §§ 19 e 20 da Lei 10.833, de 2003, na redação da Lei 11.051, de 2004 somente se aplica na hipótese de empresa de serviço de transporte rodoviário de carga em relação aos pagamentos por ela efetuados pela subcontratação de serviço de transporte anteriormente contratado. DECISÃO ADMINISTRATIVA. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Consideramse definitivos os ajustes efetuados na base de cálculo dos créditos a descontar relativamente aos itens que não foram expressamente contestados.” Inconformada com essa decisão, a recorrente interpôs o recurso voluntário às fls. 453/469, requerendo a sua reforma a fim de que se reconheça seu direito ao ressarcimento integral do valor pleiteado e à homologação das compensações de todos os débitos fiscais declarados, alegando, em síntese, que não procedem as glosas mantidas pela autoridade julgadora de primeira instância sobre: a) as despesas com fretes nas aquisições de insumos (aves vivas), bem como na operação de venda e com transporte de produtos acabados entre seus estabelecimentos, por se tratar de operação essencial a sua atividade econômica; b) decorrentes da utilização da alíquota de 0,99% sobre aquisições de insumos de pessoas físicas, tendo em vista que a legislação prevê esta alíquota e não a de 0,578% utilizada pela fiscalização; e, c) outros créditos decorrentes de subcontratação de fretes com pessoas físicas porque dentre suas atividades se encontra a de serviços de transporte de cargas. Para fundamentar seu recurso, expendeu extenso arrazoado sobre: I) breve descrição das atividades exercidas pela recorrente; II) fretes de bens utilizados como insumos e fretes na operação de venda – transferências entre estabelecimentos; III) crédito presumido – atividades agroindustriais – utilização da alíquota de 0,99% (60% de 1,65%); e, IV) outros créditos a descontar. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. As questões opostas nesta fase recursal se restringem às glosas dos créditos do PIS nãocumulativo, apurados sobre: i) despesas de fretes com bens utilizados como insumos (aves vivas) e fretes na operação de venda – transferências entre estabelecimentos; ii) crédito presumido – atividades agroindustriais – utilização da alíquota de 4,56% (60% de 7,6%); e, iii) outros créditos a descontar. i) fretes A Lei nº 10.637, de 30/12/2002, que instituiu a contribuição para o PIS com incidência nãocumulativa, vigente na data da competência do ressarcimento em discussão, assim dispunha, quanto aos créditos dessa contribuição: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 14/07/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 14/07/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 10909.001635/200577 Acórdão n.º 330100.980 S3C3T1 Fl. 498 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3º do art. 1º; II – bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (...). § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. (...).” Posteriormente, a Lei nº 10.833, de 29/12/2003, ampliou o direito de se apurar créditos do PIS nãocumulativo, estendendoo sobre as despesas com fretes na operação de venda, assim dispondo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...). IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...). Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...); II nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1º, incisos II e III, 6º, inciso I, e 10 a 15 do art. 3º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...). Art. 93. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeito, em relação: Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 14/07/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 14/07/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 6 I aos arts. 1º a 15 e 25, a partir de 1º de fevereiro de 2004; (...).” Ora, segundo esse dispositivo legal, o direito ao crédito sobre despesas com frete na operação de venda de mercadorias produzidas e/ ou revendidas, suportadas pelo vendedor, está expressamente previsto no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, c/c o art. 15, inciso IV desta mesma lei, citados e transcritos anteriormente. Já o frete sobre aquisições de insumos, embora não esteja expressamente previsto em nenhum dispositivo legal, da interpretação do conteúdo do inciso II do art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002, também citados e transcritos anteriormente, concluise que tais despesas, por integrarem o custo dos insumos adquiridos, também geram créditos do PIS nãocumulativo. Do exame da decisão recorrida, verificase que a autoridade julgadora de primeira instância reconheceu e deferiu o ressarcimento/compensação dos créditos apurados sobre despesas de fretes incorridas nas operações de aquisições de insumos e de vendas de mercadorias produzidas, comprovadas, mediante os Conhecimentos de Transportes Rodoviários de Cargas (CTRC) e respectivas notas fiscais vinculadas a estes, mantendo a glosa sobre as despesas de fretes apuradas com base: a) nos CTRCs: a.1) nãovinculados a notas fiscais: a.2) a notas fiscais nãoescrituradas no livro Registro de Saídas; e, a.3) a notas fiscais vinculados, mas não escrituradas no livro Registro de Saídas e que não correspondem a despesas com vendas. Em seu pedido original, a recorrente apurou e reclamou créditos sobre despesas com fretes, exclusivamente, incorridas na operação de venda, conforme demonstrado na planilha às fls. 131, elaborada por ela própria. Já nesta fase recursal, contestou as glosas sobre as despesas de fretes incorridas nas aquisições de insumos, requerendo a nulidade da glosa referente a estas despesas sob o argumento de que no despacho decisório a descrição dos fatos não lhe permitiu conhecer a acusação que lhe foi imputada, ou seja, não foi possível a identificação dos CTRCs que não foram aceitos pela fiscalização. Alegou, ainda, que os CTRCs considerados pela administração como não vinculados a notas fiscais se referem a aquisições de aves vivas consideradas insumos em seu processo produtivo. Preliminarmente, ao contrário da alegação da recorrente, os CTRCs não aceitos pela autoridade administrativa estão identificados e relacionados um a um e mês a mês nas planilhas às fls. 358/370, denominadas glosas, contendo os números dos conhecimentos, os CNPJs dos transportadores, os números das respectivas notas fiscais vinculadas, os CNPJs dos fornecedores, as datas de emissões e de entradas e os valores dos fretes. Tais informações lhe permitiram ampla defesa. Conforme consta da decisão recorrida e demonstrado nos parágrafos anteriores, as glosas sobre despesas com fretes foram mantidas porque a recorrente não conseguiu demonstrar a vinculação das respectivas notas fiscais de aquisições de aves vivas com os CTRCs e/ ou com aquisições de outros insumos, bem como com a operação de venda de mercadorias. Para as notas fiscais que tiveram suas vinculações aos respectivos CTRCs comprovadas, o crédito apurado foi reconhecido. A alegação de que, em vista de sua atividade econômica é impossível, relacionar as notas fiscais aos respectivos CTRCs não constitui fundamento legal para restabelecer as glosas efetuadas. Além disto, no entendimento, deste Relator, tal alegação não procede, uma vez que bastaria informar no corpo das notas fiscais os respectivos CTRCs. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 14/07/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 14/07/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 10909.001635/200577 Acórdão n.º 330100.980 S3C3T1 Fl. 499 7 Dessa forma, para as notas fiscais cujas vinculações com os CTRCs não foram comprovadas, não há como restabelecer as glosas efetuadas pela autoridade administrativa competente. Já em relação às despesas de fretes incorridas nas transferências de produtos entre seus estabelecimentos, também, em momento algum, a recorrente demonstrou quais produtos acabados e/ ou semiacabados foram transportados de um estabelecimento para outro. Em seu recurso voluntário, se limitou a alegar “... especificamente em relação à questão dos fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa o crédito de PIS não deve ser glosado, eis que essa operação se trata de etapa essencial à atividade econômica da pessoa jurídica e, portanto, os gastos correlatos devem ser computados no cálculo dos créditos”. Conforme demonstrado na decisão recorrida, todas todos os créditos apurados sobre despesas de fretes incorridas nas aquisições de insumos e na operação de venda dos produtos cujas notas fiscais tiveram suas vinculações aos respectivos CTRCs comprovadas foram reconhecidos pela autoridade julgadora de primeira instância. Assim, as glosas efetuadas pela autoridade administrativa competente e mantidas pela autoridade julgadora de primeira instância sobre despesas de fretes cujos CTRCs não estavam vinculados a notas fiscais de aquisições de insumos e/ ou de vendas das mercadorias devem ser mantidas. ii) glosas de crédito presumido – atividades agroindustriais – utilização da alíquota de 0,99% (60% de 1,65%) A recorrente discordou das alíquotas, 0,99 % e 0,578 %, utilizadas pela autoridade fiscal para o cálculo do créditopresumido do PIS nãocumulativo, agroindústria, defendendo a alíquota única de 0,99 % (60% de 1,65%) sob o argumento de que a Lei nº 10.925, de 23/07/2004, art. 8º, incisos I e II, lhe garante esse percentual. Conforme se verifica dos autos, a autoridade fiscal, assim como a julgadora de primeira instância entenderam que as alíquotas são determinadas, em relação aos bens adquiridos. No entanto, tal entendimento é equivocado, conforme se verifica do disposto na Lei nº 10.925, de 23/07/2004, que criou esse benefício fiscal, in verbis: “Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro Fl. 7DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 14/07/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 14/07/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 8 de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Lei nº 12.058, de 2009) (Vide Lei nº 12.350, de 2010) (...). § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (...).” Ora, segundo este dispositivo legal, as alíquotas são determinadas em função das mercadorias produzidas e vendidas e não dos insumos adquiridos. Dessa forma, o créditopresumido do PIS nãocumulativo a que a recorrente faz jus deve ser recalculado, aplicandose as alíquotas em função das mercadorias produzidas e vendidas pela recorrente e não dos insumos adquiridos, nos termos dos incisos I e II do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, citados e transcritos acima. iii) glosas sobre outros créditos a descontar A recorrente reclama créditos apurados na forma do § 19 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, ou seja, sobre os pagamentos efetuados sobre serviços de transporte de carga subcontratados e utilizados como insumos na prestação de serviços. No entanto, ao contrário do seu entendimento, os créditos apurados nos termos daquele dispositivo legal somente se aplicam a empresas prestadoras de serviços de transporte rodoviários de carga que os utilizam como insumos na prestação dos serviços prestados por elas e subcontratados com outras empresas, pessoas físicas transportadoras autônomas e/ ou pessoas jurídicas também prestadoras dos mesmos serviços, de mesma natureza, conforme disposto, in verbis: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...). II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços ... § 19. A empresa de serviço de transporte rodoviário de carga que subcontratar serviço de transporte de carga prestado por: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 8DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 14/07/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 14/07/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 10909.001635/200577 Acórdão n.º 330100.980 S3C3T1 Fl. 500 9 I pessoa física, transportador autônomo, poderá descontar, da Cofins devida em cada período de apuração, crédito presumido calculado sobre o valor dos pagamentos efetuados por esses serviços; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II pessoa jurídica transportadora, optante pelo SIMPLES, poderá descontar, da Cofins devida em cada período de apuração, crédito calculado sobre o valor dos pagamentos efetuados por esses serviços. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004)” Conforme se verifica destes dispositivos legais, a recorrente não enquadra em nenhum dos dispositivos citados e transcritos acima por não ser empresa de serviço de transporte rodoviário de carga e, principalmente, porque os alegados serviços subcontratados não terem sido utilizados como insumos na prestação de serviços de mesma natureza. iv) homologação de compensação Já a homologação da compensação de créditos financeiros contra a Fazenda Nacional, mediante a apresentação de Dcomp, bem como a extinção do débito fiscal declarado, a Lei nº 9.430, de 27/12/1996, art. 74, a condiciona à certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado, No presente caso, conforme demonstrado, a recorrente faz jus à parte dos créditos glosados e ora reclamados. Assim, deve ser homologada a compensação dos débitos fiscais declarados remanescentes das compensações não homologadas pela autoridade julgadora de primeira instância até o limite do ressarcimento complementar, ora reconhecido. Em face de todo o exposto e de tudo o mais que conta dos autos, voto pelo provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer à recorrente o direito de apurar créditopresumido do PIS nãocumulativo para a agroindústria, à alíquota de 0,99 %, sobre os insumos adquiridos de pessoas físicas e utilizados na produção de mercadorias de origem animal, classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e das misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18, cabendo à autoridade administrativa competente apurar o ressarcimento complementar e homologar a compensação dos débitos declarados até o limite apurado, exigindose o saldo e/ ou os débitos remanescentes não extintos pela homologação ora determinada. José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 9DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 14/07/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 14/07/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 10 Fl. 10DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 14/07/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 14/07/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS
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Numero do processo: 10530.000349/88-02
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 1989
Ementa: IRPJ - OMISSÃO DE DESPESAS PRÁTICA QUE INDICA OMISSÃO DE RECEITA - JURISPRUDÊNCIA DC PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES.
Vistos,relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 102-23.962
Decisão: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: João Batista Gruginski
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Numero do processo: 10855.002028/90-03
Data da sessão: Thu Sep 21 00:00:00 UTC 1995
Ementa: PIS-FATURAMENTO - Tratando-se de
lançamento reflexivo, a decisão proferida no processo
matriz è aplicável ao julgamento do processo
decorrente, dada a relação de causa e efeito que
vincula um ao outro.
Numero da decisão: 102-30.202
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de contribuintes, por unanimidade de votos,NEGAR provimento ao recurso, para adequar esta decisão ao decidido no processo matriz, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Maria Clelia de Andrade Figueiredo
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T..)E 13•13 -.7: E :3 E Tt A T O E. . . , _ . . • . : • • : . • , •••.' , . . • .• . .-;" • . , • . , r • . • . : . ,;. • .• • . - , , - . • . •. . • • .• . • • • .. . . : . •. ,, E • ' • . , •••/- 3. T T : , 4. V C). T.... 1_,.1 C,JJ.rl.j.... -'.'-....: -..... Maria Clélia de Andrade Figueiredo, Reitora: í„.-,i».:,-.......k.,:,-.=,..:;:... ......_Li.......: ..-,..,,,,.... J....i..,,,-..-...)-_-_:,-..„J.H..,:,..„.':. • •. •... •., .., l'::........;.....,..i.. ....•••••......•....:. .......i.,.. ..•.... . ....., ,...J...,....._, iz,:••-•,'••:.c.•',.H.:•:1•••.-;. ,: • • • .. .. H.-.--..:'•:1••,':.J...,•;...-••• ••-:'•.;•••••:',..5 ,:- .3 r;•••••,,.. '...-H••••:. - • :. ....: '••••• • • ••••• ..,„-:-:,•:,.....-;,»..'••••,--:1••-•:•,,:..3:-. .•• : • . '.•••,-.•,...; .-:••.•••f-•,•.•,..•,,•,•,-...,:, ,••:•.....,,•••...!,, • . .......-•d•.-.. ,••••:-..., ,..J.,..•••••..•: ....:,..•,,,,•,.., ___ -... 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'...:.,.-:..,('-é ',.. , . -„.. -••• . -.• ..--,,,-, „ • -,-• ••. -:......-:- • . .-.-- ...- -...• • •• , r ._ ........, . . . . ......... __ . ... ....... . ._ • . . . _ _ : ,•...-3,-:,...,.. •••,:•-,...•.•••,._••,,,:•.,...: :,..,...,:•:;•...:•-.., r.,,r......--,::-..::, -.f.,-,-.•,.,:•...,.„..,_.....,..:....-... .........,....:••:,•:•••::•.: .,-..,;•,..•,.:Á..:LT.T.::•.•..:-...-•:,-. ............. .•,.....:,..-....- .. •• - . ...• is • • . : .• . - •:-• •••_.'„•::.•,..,,.- •...-..•:, .• . ... .. . . - • . .. •• .: • • ..... • •:-.."-.:•,.•,..••••••: . • . -,...?:.-..•....,,,,.:.,•:1. ••••.•-:,.......• ,,.:-.•:•:......:•,',..:,•,...... ••- ••• ..... .:. . •.• • : ••:. .,....:- ,•••...),:....-:..t.:- •...:,..•.••••:::...-_, .. -- • - ... .:.'1,T-::: .......X.:.:.,..-..-Rt.'.......,. -.'.. • • • • • .. -flo .:,,,,..y-., ....--... • .... A00!!'l Maria Clélia de 'Andrade Figueiredo - Relatora Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
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Numero do processo: 11516.001869/2005-09
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004
CSLL. SOCIEDADE COOPERATIVA. ATOS COOPERATIVOS.
A contribuição social sobre o lucro das cooperativas tem como base de cálculo o resultado com atos não cooperativos, visto que em relação aos atos cooperativos, a entidade não percebe lucros como definido na legislação. Se o Fisco não afirma nem comprova a existência de atos não cooperativos, essa prática não pode ser presumida, e os atos praticados pela sociedade devem ser tidos como cooperativos. Assim, não pode prosperar o lançamento.
CSLL. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTAS EXIGIDAS ISOLADAMENTE.
Se não ocorre a incidência tributária sobre os atos cooperativos, não se pode falar na obrigatoriedade de antecipação, muito menos em multas pela falta desse recolhimento. Descabe, pois, a exigência das multas isoladas.
Numero da decisão: 1301-000.658
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao
Recurso Voluntário.
Nome do relator: Waldir Veiga Rocha
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SOCIEDADE COOPERATIVA. ATOS COOPERATIVOS. A contribuição social sobre o lucro das cooperativas tem como base de cálculo o resultado com atos não cooperativos, visto que em relação aos atos cooperativos, a entidade não percebe lucros como definido na legislação. Se o Fisco não afirma nem comprova a existência de atos não cooperativos, essa prática não pode ser presumida, e os atos praticados pela sociedade devem ser tidos como cooperativos. Assim, não pode prosperar o lançamento. CSLL. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTAS EXIGIDAS ISOLADAMENTE. Se não ocorre a incidência tributária sobre os atos cooperativos, não se pode falar na obrigatoriedade de antecipação, muito menos em multas pela falta desse recolhimento. Descabe, pois, a exigência das multas isoladas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Fl. 333DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11516.001869/200509 Acórdão n.º 130100.658 S1C3T1 Fl. 318 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Valmir Sandri e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório COOPERATIVA DE EXTRAÇÃO DE CARVÃO MINERAL DOS TRABALHADORES DE CRICIÚMA COOPERMINAS, já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 0712.463, de 09/05/2008, da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito. Em cumprimento do Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPF F) foi a pessoa jurídica em epígrafe submetida às verificações fiscais obrigatórias, de que resultou a constatação das seguintes infrações: (1) falta de declaração e de pagamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL devida em relação aos anoscalendário de 2000 a 2003, e (2) “Falta de pagamento da Contribuição Social incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos.” (f. 130), com vencimentos mensais de 31/3/2000 a 31/1/2005. Em conseqüência das infrações constatadas foi emitido o Auto de Infração de f. 127 a 133, para constituição do respectivo crédito tributário, conforme a seguir se discrimina: RUBRICA VALOR CSLL 403.424,09 Juros de Mora (até 30/6/2005) 248.343,48 Multa Proporcional (75 %) 302.568,04 Multa Isolada (75 %) 1.102.389,78 VALOR TOTAL 2.056.725,39 Inconformada, a cooperativa interpôs a impugnação de f. 142 a 181, e anexos (arrolados à f. 181), por intermédio de advogado (instrumento de mandato à f. 182), em que alega ser isenta da CSLL, tendo em vista que apenas pratica atos cooperativos (sobre que discorre) e não gera lucros. Logo de início, à f. 145, assenta: Para melhor desenvolver a presente impugnação, tornase relevante conhecer o cooperativismo desde a sua origem, até o seu regime jurídico atual, para depois concluir sobre a incidência da legislação tributária invocada neste processo administrativo. Transcrevese a seguir parte de estudo desenvolvido pelo subscritor desta impugnação em trabalho de conclusão de curso de Pósgraduação em direito empresarial na Fl. 334DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11516.001869/200509 Acórdão n.º 130100.658 S1C3T1 Fl. 319 3 UNESC – Universidade do Extremo Sul de Santa Catarina, publicado em forma de livro pela OAB/SC Editora, sob o título Sociedades Cooperativas e Imposto Sobre a Renda, no mês de agosto de 2005. Nas f. 145 a 180 desenvolve a impugnante o referido relato histórico da formação do cooperativismo e das resultantes sociedades cooperativas (inicialmente no Reino Unido e na Alemanha), suas características, forma de instituição e de administração; entre as f. 166 e 170, analisa especificamente o Ato Cooperativo e, da f. 170 até 180, discorre sobre as sociedades cooperativas e o ato cooperativo em face do Imposto de Renda. Às f. 180/181, ataca objetivamente o lançamento fiscal nos seguintes termos: As DIPJ’s de folhas 87 e seguintes dão conta de que a apuração do IRPJ e CSLL da IMPUGNANTE é anual, sendo anualmente informada a isenção. Portanto, a autuação por falta de recolhimento da CSLL sobre a base de cálculo estimada (folha 138), com aplicação de multa de 75 % e multa isolada mensal é confiscatória. A IMPUGNANTE, não tendo finalidade lucrativa, o que a isenta do imposto sobre a renda, é isenta do pagamento de contribuição social sobre o lucro líquido. Sempre foi assim, e para não deixar dúvidas a Lei 10.865/2004 explicitou esta isenção a partir de 01/01/2005. Digase que o Auditor notificou impropriamente também com relação ao mês de janeiro de 2005. (sem destaque no original) O Auditor Fiscal não apurou irregularidades que impeçam a cooperativa de gozar desta isenção. Ainda que tivesse apurado, o mais racional seria deferir prazo para a correção de eventual erro administrativo. A autuação ao pagamento de mais de dois milhões de reais, se não for cancelada, provavelmente inviabilizará o empreendimento. Serão mais de 600 famílias de desempregados. A IMPUGNANTE informa que não submeteu ainda a matéria objeto da presente impugnação à apreciação judicial. ANTE O EXPOSTO, requer seja acolhida a presente IMPUGNAÇÃO, para fins de desconstituir e anular o auto de infração e isentar a IMPUGNANTE de qualquer pagamento a título de CSLL. A 3ª Turma da DRJ em Florianópolis/SC analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 0712.463, de 09/05/2008 (fls. 253/258v), considerou parcialmente procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 COOPERATIVA. ATOS COOPERATIVOS E NÃO COOPERATIVOS. TRIBUTAÇÃO. Fl. 335DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11516.001869/200509 Acórdão n.º 130100.658 S1C3T1 Fl. 320 4 Até 31 de dezembro de 2004, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL é devida por todas as sociedades cooperativas e incide sobre todos os seus resultados, sejam eles relativos às operações com associados ou não (Lei no 8.212, de 1991, art. 10, Lei no 7.689, de 1988, art. 4o, e IN SRF no 198, de 1988). O fato de a lei do cooperativismo denominar a mais valia de "sobra" não tem o intuito de excluíla do conceito de lucro, mas permitir um disciplinamento específico da destinação desses resultados (“sobras”), cujo parâmetro é o volume de operações de cada associado, enquanto o lucro deve guardar relação com a contribuição do capital (Lei no 6.404, de 1976, art. 187). LUCRO REAL. ESTIMATIVAS MENSAIS NÃOPAGAS. MULTA DE OFÍCIO APLICADA ISOLADAMENTE. Anoscalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 À falta de pagamento dos valores devidos a título de estimativas mensais ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no respectivo anocalendário , corresponde a exigência de multa de ofício, aplicada isoladamente, de cinqüenta por cento dos valores devidos e nãopagos. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 LUCRO REAL. ESTIMATIVAS MENSAIS NÃOPAGAS. MULTA APLICADA ISOLADAMENTE. ABRANDAMENTO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI. REDUÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO DE 75 % PARA CINQÜENTA POR CENTO. A lei aplicase a ato ou fato pretérito tratandose de ato não definitivamente julgado , quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Ressalto que o provimento parcial se deveu exclusivamente à redução do percentual aplicável às multas isoladas, de 75% para 50%, mantidos os demais aspectos do lançamento. Ciente da decisão de primeira instância em 30/06/2008, conforme Aviso de Recebimento à fl. 262, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 21/07/2008 conforme carimbo de recepção à folha 265. No recurso interposto (fls. 265/314), a recorrente reitera, mais ou menos com as mesmas palavras, os argumentos trazidos na peça impugnatória. É o Relatório. Voto Fl. 336DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11516.001869/200509 Acórdão n.º 130100.658 S1C3T1 Fl. 321 5 Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. A matéria dos autos – a tributação, ou não, das sociedades cooperativas pela CSLL – tem sido objeto de discussões anteriores no extinto Primeiro Conselho de Contribuintes e, mais recentemente, no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. No presente caso, o procedimento fiscal se iniciou para as chamadas “verificações obrigatórias”, ou seja, a verificação da correspondência entre os valores declarados e os apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal, como se constata mediante o exame do Mandado de Procedimento Fiscal (fl. 01) e do Termo de Início de Fiscalização, de 02/03/2005 (fls. 04/05). A fiscalizada foi intimada a apresentar seu Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR, que foi acostado aos autos por cópia, às fls. 32/34. Foi a partir do exame desse livro que o Fisco verificou a exclusão do lucro líquido intitulada “Resultado não tributável de sociedades cooperativas”, a qual, feita também para fins de determinação da base de cálculo da CSLL, veio afinal a gerar a autuação da CSLL ora discutida. Observo, por relevante, que não encontro nos autos qualquer afirmação do Fisco de que a autuada houvesse praticado atos não cooperativos, mas tão somente a afirmação (fl. 137) de que “... a Contribuição social sobre o Lucro Líquido é devida por todas as sociedades cooperativas e incide sobre todos os seus resultados, sejam eles relativos às operações com associados ou não”. Inexiste, também, qualquer intimação no sentido de esclarecer sobre a existência ou não de tais atos, ou de solicitar a apresentação de sua segregação contábil. No mesmo sentido militam as cópias do Livro Razão (fls. 35/65): de seu exame, é possível constatar que os ingressos correspondem à exploração da atividade econômica de extração de carvão, objetivo em torno do qual se formou a cooperativa e fruto do labor dos cooperados. Diante desse quadro, entendo que não se pode presumir, de uma sociedade cooperativa, a prática de atos não cooperativos. Caberia ao Fisco verificar e comprovar essa prática, de forma a permitir a tributação dos resultados daí decorrentes, o que não foi feito no presente caso. Na ausência de afirmação nesse sentido, muito menos de prova, tenho que os atos praticados pela recorrente são cooperativos, e deles se originam seus resultados. A discussão se restringe, assim, à incidência ou não da CSLL sobre os resultados originados de atos cooperativos, praticados por sociedade cooperativa de extração de carvão mineral. A decisão recorrida manteve o lançamento, ao argumento de que inexistia, à época dos fatos geradores, regra normativa expressa que isentasse as sociedades cooperativas da incidência da CSLL. Essa norma somente surgiu no mundo jurídico com o advento da Lei nº 10.865/2004, arts. 39 e 48, a qual isentou expressamente da CSLL os resultados decorrentes de atos cooperativos. Mas apenas a partir de 01/01/2005, posteriormente, portanto, aos períodos aqui objeto de lançamento. Não é como penso. A propósito, peço vênia para transcrever excelente análise feita pelo ilustre Conselheiro Alexandre Antônio Alkmin Teixeira, em seu voto no acórdão nº 10517.193, de 17/09/2008, cujos fundamentos desde já adoto também como razões da decisão que se há de tomar no presente processo. Fl. 337DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11516.001869/200509 Acórdão n.º 130100.658 S1C3T1 Fl. 322 6 As cooperativas, na exegese dos arts. 3º e 4º da Lei nº. 5.764/71, são sociedades de pessoas constituídas, sem intuito de lucro, com o objetivo principal de prestar serviços aos seus associados. Dispõe os referidos artigos, in litteris: “Art. 3° Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro. Art. 4º As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características: (...) X prestação de assistência aos associados, e, quando previsto nos estatutos, aos empregados da cooperativa;” Nesse contexto, o art. 79 da citada lei dispõe que os atos cooperativos, ou seja, os atos praticados pela cooperativa com seus associados, ou pelas cooperativas entre si, “não implicam em operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria.” Ademais, ainda no que concerne à definição dos atos praticados pelas cooperativas, o art. 87 da referida lei estabelece que “os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos”. Dessa forma, da combinação dos arts. 79 e 87 da Lei das Cooperativas, temse que os atos cooperativos, entendidos como as operações realizadas entre a cooperativa, na condição de intermediária, e seus cooperados, não serão tributáveis por não estarem incluídos na hipótese de incidência da norma tributária. Todavia, os atos não cooperativos, ou seja, os praticados pela cooperativa com não associados estarão sujeitos à tributação federal, vez que resultam em lucro. Nesse diapasão, o Min. Castro Meira, ao analisar os resultados provenientes da prática de atos cooperativos e não cooperativos por sociedades cooperativas, concluiu que “os atos cooperativos não geram receita nem faturamento para a sociedade cooperativa. O resultado financeiro deles decorrente não está sujeito à incidência do tributo. Cuidase de uma nãoincidência pura e simples, e não de uma norma de isenção. Já os atos não cooperativos, praticados com não associados, geram receita à sociedade, devendo o resultado do exercício ser levado à conta específica para que possa servir de base à tributação.” (REsp nº. 807.690/SP, 2ª Turma do STJ, DJ de 01/02/2007). Nessa linha de raciocínio, entendo que a decisão recorrida merece ser reformada. Com efeito, em relação aos atos cooperativos, a sociedade cooperativa não percebe lucros, como definido na legislação, o que impede a incidência da CSLL. Mesma sorte deve ter o lançamento das multas exigidas isoladamente, por falta de recolhimento das estimativas mensais da contribuição. Se nenhum valor é devido a Fl. 338DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11516.001869/200509 Acórdão n.º 130100.658 S1C3T1 Fl. 323 7 título de CSLL, por não incidência sobre atos cooperativos, não se há de falar em antecipações, muito menos em multas por seu não recolhimento. Por todo o exposto, voto pelo provimento do recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 339DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10882.002983/2010-74
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 26 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2401-000.380
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 82 .0 02 98 3/ 20 10 -7 4 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10882.002983/201074 Resolução nº 2401000.380 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO O presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado sob o n. 37.198.3282, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela destinada a terceiros., no período de 01/2005 a 02/2007, apurados sobre os valores pagos ou creditados aos segurados empregados apurados em GFIP. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 48 a , o contribuinte declarou em GFIP o código FPAS 639, e embora seja possuidora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social/CEBAS, teve a isenção cancelada pelo Ato Cancelatório de Isenção das Contribuições Sociais de n° 21.428/002/2005, de 07/11/2005, com efeitos retroativos a 16/01/1996, não fazendo jus, em tese, à isenção de contribuições previdenciárias. A empresa alega estar abarcada pela Imunidade prevista no art. 195, §7° da Constituição Federal, e para tanto, impetrou ação ordinária em âmbito judicial, com pedido de tutela antecipada, por meio do Processo 2006.61.00.0027574, que se encontra atualmente na fase de Apelação / Reexame Necessário, conforme consulta ao sítio do Tribunal Regional Federal da 3a Região na internet (WWW.TRF3.JUS.BR), para o qual ainda não há decisão definitiva pronunciada. Contudo, ainda conforme o relatório, ao constituir o crédito COM SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE, estáse prevenindo a decadência, sem constranger o contribuinte pela cobrança do crédito, e mantendo o seu direito na obtenção de Certidão Negativa de Débitos, caso seja esta a razão de sua restrição. Ou seja, caso o contribuinte necessite comprovar a sua regularidade fiscal, o presente Lançamento Fiscal não obsta a emissão por parte da Receita Federal da Certidão Positiva com Efeitos de Negativa, que já é emitida em função do questionamento da NFLD DEBCAD 35.698.5296. Ainda em respeito à decisão judicial em tela, liminar concedida em 31/05/2007, portanto anterior ao início dos procedimentos fiscais, os créditos tributários estão sendo constituídos sem a imposição de multa, bem como não está sendo constituído o Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Acessória e nem a Representação Fiscal para Fins Penais. Importante, destacar que a lavratura do AIOP deuse em 19/11/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 29/11/2010. Foi anexada sentença em ação judicial movida pela recorrente, Processo n. 2006.61.00.002.7574, fl. 117 e seguintes Posto isto, presente os pressupostos legais, extingo o processo com julgamento do mérito e J U L G O PARCIALMENTE PROCEDENTE O PEDIDO, para reconhecer a imunidade tributária e para declarar a inexistência de relação jurídicotributária da obrigação da parte autora de recolher as contribuições previdenciárias, SAT e as contribuições destinadas a terceiros a partir de outubro do 2005, convalidando a tutela anteriormente concedida. Tendo em vista a sucumbência recíproca, as partes deverão arcar com os honorários dos seus patronos, não havendo custas processuais a Fl. 64DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10882.002983/201074 Resolução nº 2401000.380 S2C4T1 Fl. 4 3 serem reembolsadas.O processo foi convertido em diligência pela DRJ, fl. 815 a 845, pra que fossem prestados esclarecimentos, com vistas a propiciar a adequada análise do processo de débito decorrente do AI e ensejar atributo de liquidez e certeza a uma futura execução fiscal. Não concordando com o lançamento, a entidade apresentou impugnação, fls. 132 a 138, onde pugna pelo cancelamento da NFLD em tela, sob pena de crime de desobediência, considerando a existência de ação judicial. A Decisão de Primeira Instância administrativa julgou procedente o lançamento, fls. 245 a 253, no corpo do processo principal n. 10882.002981/201085. Segue ementa do acordão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 AÇÃO JUDICIAL. CONCESSÃO EFEITO SUSPENSIVO AO ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO. A concessão de segurança para interposição de recurso à segunda instância administrativa contra Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção, não implica vedação ao lançamento de crédito previdenciário. A suspensão da exigibilidade do crédito não impede o Fisco de proceder ao lançamento eis que este decorre de atividade vinculada e obrigatória e visa impedir a ocorrência da decadência. AÇÃO JUDICIAL. RECONHECIMENTO DE IMUNIDADE.REEXAME NECESSÁRIO. A sentença que reconhece imunidade da entidade beneficente tem sua eficácia postergada quando pendente de reexame necessário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, fls. 277 a 292 a , onde em geral traz o recorrente os mesmos argumentos já apresentados na impugnação, quais sejam: 1. Afirma que obteve em tutela antecipada provimento judicial para suspender a exigibilidade da contribuição previdenciária, SAT e aquelas devidas a terceiros, a partir de outubro de 2005. 2. A tutela foi confirmada por sentença de 1ª instância que ainda reconheceu a imunidade tributária e declarou a “inexistência de relação jurídico tributária da obrigação da parte autora de recolher as contribuições previdenciárias, SAT e as contribuições destinadas a terceiros a partir de outubro de 2005”. 3. Sustenta que os efeitos da sentença mantêmse hígidos, ainda que interposta apelação no referido processo, além disto a impossibilidade de lavratura do presente auto provem da ação judicial nº 2006.61.00.0035662, interposta perante a 16ª Vara Federal em São Paulo, em que concedido o direito de ser recebido, com efeito suspensivo e devolutivo, o Recurso interposto contra o ato cancelatório nº 21.428/002/2005, que motivou a lavratura do presente auto. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10882.002983/201074 Resolução nº 2401000.380 S2C4T1 Fl. 5 4 4. Isto quer dizer que o benefício da imunidade/isenção ainda opera seus efeitos, diante da concessão de efeito suspensivo ao recurso interposto contra o ato cancelatório, afastando a disposição contida no artigo 206, § 9º, do Decreto nº 3.048/99, não se sustentando a lavratura do auto de infração. 5. A lavratura do presente auto sujeita a autoridade fiscal a crime de desobediência. 6. Ou seja, enquanto não definitivamente julgado o Recurso interposto pelo Conselho de Recursos da Previdência Social hoje Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não poderia a autoridade fiscal efetuar qualquer lançamento contra a recorrente através de Auto de Infração, isso porque a decisão judicial atribuiu efeito suspensivo ao Recurso, ou seja, o ato cancelatório não tem reconhecida sua eficácia até que se resolva por definitivo a questão perante o órgão colegiado. 7. Acrescenta que os argumentos quanto a prevenção dos efeitos da decadência devem ser suportados pelo próprio órgão tributante, já que o risco de perder o crédito só se dá pela inércia do poder tributante por ter lançado a destempo, não podendo o fisco se beneficiar da própria torpeza, pois a desídia do próprio órgão exator em julgar o recurso não pode beneficiálo. 8. Requereu ao final o cancelamento do auto de infração. A unidade descentralizada da DRFB encaminhou o processo a este CARF. É o relatório. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10882.002983/201074 Resolução nº 2401000.380 S2C4T1 Fl. 6 5 VOTO Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 304. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO Considerando que o lançamento em questão versa sobre contribuições previdenciárias não recolhidas na época própria, tendo em vista auto enquadrarse a autuada como isenta, porém tendo sido emitido anteriormente “ato Cancelatório”, entendo pertinente sejam prestadas informações acerca do andamento do citado processo. Conforme pude extrair da decisão de primeira instância o processo que descreve o ato cancelatório é o nº 37317.007788/200544, contudo ao procurar no sistema Eprocesso não identifiquei nenhum processo com esse número no CARF. Até mesmo realizando a pesquisa pelo CNPJ da entidade, os únicos processo da empresa no CARF são os ora em julgamento. O que há de concreto nos autos, é que por ora, a Decisão que determinou a emissão do Ato Cancelatório de Isenção, emitido com fulcro no artigo 55, inciso I, da Lei nº 8.212/91, encontrase pendente de julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais/CARF (protocolo nº 37317.007788/200544) e somente teve seu seguimento por ordem judicial nos autos do processo nº 2006.61.00.0035662, que afastou o disposto no artigo 206, §9° do RPS/99, verbis: Assim, embora tenham sido apresentados e rebatidos diversos argumentos em sede de recurso, entendo haver uma questão prejudicial a continuidade do presente julgamento. À decisão da procedência ou não do presente autodeinfração está ligado à sorte da decisão do Ato Cancelatório”, que possui correlação direta com o mesmo. Assim, para evitar decisões discordantes fazse imprescindível primeiro a análise do Resultado do ato cancelatório, para só então julgarse a procedência da presente autuação e de todas as suas correlatadas. – Processo 10.882.002981/201085. Dessa forma, entendo que o melhor encaminhamento é determinar o retorno do processo à DRFB jurisdicionante, para que sejam prestadas informações acerca do andamento do processo contendo o ato cancelatório, ou mesmo se o mesmo recebeu outro número de protocolo. Caso o referido processo já tenha sido julgado, favor colacionar aos autos o acórdão do julgamento, cientificando o recorrente dos termos da diligência para só então retornar o processo ao CARF. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10882.002983/201074 Resolução nº 2401000.380 S2C4T1 Fl. 7 6 CONCLUSÃO: Voto pela CONVERSÃO do julgamento EM DILIGÊNCIA, para que sejam prestadas informações acerca do andamento do julgamento do Ato Cancelatório que ensejou a lavratura do presente Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 10166.003987/91-69
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 1997
Ementa: ERRO MATERIAL - Reconhecida a ocorrência de obscuridade,
dúvida ou erro material, impõe-se a correção do acórdão referente ao recurso interposto, constituindo a sua correção imperativo para a boa aplicação da legislação tributária.
Numero da decisão: 102-41.257
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em Retificar o Acórdão N° 102-30.108 de 23/08/95 e DAR provimento ao recurso, para adequar a base tributável ao decidido através do Acórdão N° 102-41.255, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: Ursula Hansen
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-04T19:27:29Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-04T19:27:29Z; Last-Modified: 2009-07-04T19:27:29Z; dcterms:modified: 2009-07-04T19:27:29Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-04T19:27:29Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-04T19:27:29Z; meta:save-date: 2009-07-04T19:27:29Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-04T19:27:29Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-04T19:27:29Z; created: 2009-07-04T19:27:29Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2009-07-04T19:27:29Z; pdf:charsPerPage: 1304; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-04T19:27:29Z | Conteúdo => • ,. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES z PROCESSO N°. : 10166/003.987/91-69 RECURSO N°. : 72.716 MATÉRIA : PIS/DEDUÇÃO - EX.: 1987 RECORRENTE : NOVADATA SISTEMAS E COMPUTADORES S/A RECORRIDA : DRF - BRASÍLIA - DF SESSÃO DE :27 DE FEVEREIRO DE 1997 ACÓRDÃO N°. : 102-41.257 ERRO MATERIAL - Reconhecida a ocorrência de obscuridade, dúvida ou erro material, impõe-se a correção do acórdão referente ao recurso interposto, constituindo a sua correção imperativo para a boa aplicação da legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por NOVADATA SISTEMAS E COMPUTADORES S/A. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em Retificar o Acórdão N° 102-30.108 de 23/08/95 e DAR provimento ao recurso, para adequar a base tributável ao decidido através do Acórdão N° 102-41.255, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ANTONIO DE' FREITAS DUTRA PRESIDENTE URS HANSEN • TORA FORMALIZADO EM: 2 1 MAR 1997 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: MARIA CLÉLIA PEREIRA DE ANDRADE, JOSÉ CLÓ VIS ALVES, JÚLIO CÉSAR GOMES DA SILVA, RAMIRO HEISE e FRANCISCO DE PAULA CORRÊA CARNEIRO GIEFONI. Ausente Justificadamente a Conselheira SUELI EFIGÊNIA MENDES DE BRITTO. MNS • ' r.> : MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES I PROCES : 10166/003.987/91-04 ACÓRDÃO N°. : 102-41.257 RECURSO N°. : 72.716 RECORRENTE : NOVADATA SISTEMAS E COMPUTADORES S/A RELATÓRIO NOVADATA SISTEMAS E COMPUTADORES LTDA., já qualificada nos autos, interpôs recurso contra decisão do Delegado da Receita Federal em Brasília, DF, apreciado pelo Plenário desta 21' Câmara em Sessão realizada em 22 de agosto de 1995, conforme faz certo o Acórdão n° 102-30.075. Considerando que a contribuinte, conforme documento de fls. 613, alegando que: "2. .... em sua parte dispositiva (fls. 606 dos autos e página 08 do Acórdão supra referenciado), faz-se menção aos valores de Cz$ 1.277.02,11, Cz$ 7.507.566,38 e Cz$ 3.477.747,56, que indevidamente foram tomados enquanto omissão de receita, entendendo serem os documentos acostados suficientes para elidir a apontada omissão e determinando, por conseqüência, o recálculo do débito originalmente lançado. 3. No entanto, em sua conclusão (fls. 607 dos autos e página 09 do Acórdão), ao transcrever os valores passíveis de exclusão da tributação, deixaram de ser consignados enquanto receitas não contabilizadas os valores de Cz$ 7.507.566,38 e Cz$ 3.477.747,56, bem como grafou-se incorretamente o valor de Cz$ 1.277.002,11, que constou como Cz$ 1.227.002,11." com fundamento no disposto no artigo 26 do Regimento Interno do Primeiro Conselho de Contribuintes interpôs RECURSO ESPECIAL, requerendo a remessa dos autos do processo citado à Presidência da Segunda Câmara, para que a inexatidão apontada fosse sanada. Requer, ainda, a remessa dos autos dos Processos 10166/003.984/91-71 (FINSOCIAL s/Faturamento 1987); 10166/003.985/91-33 (PIS s/Faturament 2 "** MINISTÉRIO DA FAZENDA, • R.1 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES e • PROCES : 10166/003.987/91-04 ACÓRDÃO N°. : 102-41.257 10166/003.986/91-04 (IRF Decorrência) e 10166/003.987/91-69 (PIS Dedução - decorrência) decorrentes do principal, posto que todos demandarão recalculo, face à redução da base de cálculo. Considerando os Despachos de fls. 60, do Sr. Presidente desta Segunda Câmara, e de acordo com o Regimento Interno do Primeiro Conselho de Contribuintes, aprovado pela Portaria n° 537, de 17 de julho de 1992, submete-se a questão ao exame dos Conselheiros que atualmente compõem esta Câmara. As peças citadas são lidas integralmente em Sessão. É o relatório':' 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA zmi• PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCES : 10166/003.986/91-04 ACÓRDÃO N°. : 102-41.257 VOTO CONSELHEIRA URSULA HANSEN, RELATORA Tendo sido o Recurso da contribuinte admitido face à alegação de obscuridade, erro material e contradição entre o constante do corpo e fundamentos do Voto proferido e de sua conclusão, no processo n° 10166/003.988/91-21, a controvérsia apontada foi submetida à apreciação deste Plenário, retificado o Acórdão n° 102-30.075 de 22/08/95 e dado provimento ao recurso. Considerando que a decisão proferida no processo matriz se aplica ao julgamento do processo decorrente, dada a íntima relação de causa e efeito que vincula um ao outro, Voto no sentido de que seja retificado o Acórdão n° 102-30.108, e dado provimento ao recurso para adequar a base tributável ao decidido no processo principal. Sala das Sessões - DF, em 27 de Fevereiro de 1997. / /7 URS6Al(f114 NSEN 4 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
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Numero do processo: 10835.002739/96-21
Data da sessão: Tue Feb 13 00:00:00 UTC 2007
Ementa: ITR/94. MULTA MORA. - A multa de mora. nos lançamentos por
declaração, é cabível somente depois de decorrido o prazo de
pagamento assinalado na notificação de lançamento. ou após a
constituição definitiva do crédito tributário cm processo
administrativo fiscal. (Aeordão CSRF 03-04.443 de 8/8/2005).
Recurso Especial da Fazenda Nacional Negado.
Numero da decisão: CSRF/03-05.257
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de
Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial. nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Praga.
Nome do relator: Antonio Praga-redator ad hoc
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ementa_s : ITR/94. MULTA MORA. - A multa de mora. nos lançamentos por declaração, é cabível somente depois de decorrido o prazo de pagamento assinalado na notificação de lançamento. ou após a constituição definitiva do crédito tributário cm processo administrativo fiscal. (Aeordão CSRF 03-04.443 de 8/8/2005). Recurso Especial da Fazenda Nacional Negado.
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