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Numero do processo: 10880.027787/89-39
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 1997
Data da publicação: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 1997
Ementa: PIS/DEDUÇÃO IR. Caracteruzada no processo principal (IPI) a omissão de receita, legítima a exigência do PIS/DEDUÇÃO do IR como posta no presente processo.
Recurso negado.
Numero da decisão: 107-03898
Decisão: Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: Maurílio Leopoldo Schmitt
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score : 1.0
Numero do processo: 10875.001094/2001-98
Turma: Primeira Turma Superior
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 05 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Mon Dec 05 00:00:00 UTC 2005
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS – ARROLAMENTO DE BENS – MEDIDA PROVISÓRIA 1.973-63/00 – Provado pelo sujeito passivo que os seus bens são inferiores ao valor do ativo permanente, ainda que a exigência do crédito tributário seja de montante superior, o arrolamento nessas condições encontra amparo no § 3° do art. 33 do Decreto 70.235/72, com a redação da Medida Provisória n° 1.973-63.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: CSRF/01-05.323
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de
Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso e determinar o retorno dos autos à Câmara recorrida para o exame do mérito do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Victor Luís de Salles Freire
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ADMINISTRADORA E CORRETORA DE SEGUROS LTDA. Interessada : FAZENDA NACIONAL Recorrida : 5a Câmara do Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes Sessão de : 05 de dezembro de 2005. Acórdão n° : CSRF/01-05.323 NORMAS PROCESSUAIS - ARROLAMENTO DE BENS - MEDIDA PROVISÓRIA 1.973-63/00- Provado pelo sujeito passivo que os seus bens são inferiores ao valor do ativo permanente, ainda que a exigência do crédito tributário seja de montante superior, o arrolamento nessas condições encontra amparo no 3° do art. 33 do Decreto 70.235/72, com a redação da Medida Provisória n° 1.973-63. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela A.C.F.C. ADMINISTRADORA E CORRETORA DE SEGUROS LTDA, ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso e determinar o retorno dos autos à Câmara recorrida para o exame do mérito do recurso voluntário, nos termos do relat 'o e voto que p sam a integrar o presente julgado. A OEL NTONIO GA,, ELHA DIAS PR SIrjiErTE TOR LIjJS DE SALLES FREIRE RELATO FORMALIZADO EM: 02 MAI 2006 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER, JOSÉ CLÓVIS ALVES, JOSÉ CARLOS PASSUELLO, MARCOS VINICIUS NEDER DE LIMA, CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, DORIVAL PADOVAN, JOSÉ HENRIQUE LONGO e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR res • Processo n°. :10875.001094/2001-98 Acórdão n° : CSRF/01-05.323 Recurso n° :105-128.752 Recorrente : A.C.F.C. ADMINISTRADORA E CORRETORA DE SEGUROS LTDA. Interessada : FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO Em face do V.Acórdão prolatado no seio da Colenda 5 0 Câmara do E. 1°. Conselho de Contribuintes que, pelo voto de qualidade, entendeu de não conhecer do Recurso Voluntário, vencidos os Conselheiros Luis Gonzaga Medeiros Nobrega (Relator), Daniel Sahagoff, Nilton Pess e José Carlos Passuello que o conheciam, na esteira do voto condutor do Conselheiro Relator designado Álvaro Barros Barbosa Lima, não conhecimento este aflorado durante o julgamento em face de o apelo não estar, supostamente, "instruido com o arrolamento de bens em valor igual ou superior à exigência fiscal definida na decisão" interpõe o sujeito passivo seu Recurso Especial sustentado em diversidade de julgamento ao exame da mesma matéria, com supedâneo nas disposições do art. 32, II do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes. No particular Acórdãos vergastado e paradigma (tomado em sessão de 21 de março de 2002, no âmbito da Colenda 8a Câmara, sob n° 108-06.913, sendo Relatora a falecida Conselheira Tânia Koetz Moreira) assim se ementaram no âmbito da divergência admitida: "NORMAS PROCESSUAIS — MEDIDA PROVISÓRIA N° 1973/00 — ARROLAMENTO DE BENS EM VALOR INFERIOR AO DA EXIGÊNCIA FISCAL — ADMISSIBILIDADE DO RECURSO — O arrolamento de bens como alternativa ao depósito recursal, admitido pela MP n° 1.973-63/00 é limitado ao valor do ativo permanente da pessoa jurídica (Dec. N° 3.717/01, art. 6°, IN/SRF n° 26/01, art. 2°, 1°, inc. II). O arrolamento feito nessas condições supre a exigência legal ainda que o valor dos bens arrolados seja inferior ao do crédito tributário exigido." No seu apelo, indicando o supra citado paradigma, e feito o contraste, insistindo que seu "ativo permanente é constituído unicamente pelo bem arrolado", entende que "o Termo de Arrolamento apresentado supre perfeitamente a exigência 2 Ofi f . . Processo n°. :10875.001094/2001-98 Acórdão n° : CSRF/01-05.323 legal a teor especialmente da ressalva contida no art. 32 da Medida Provisória n° 1.973-63/00" para concluir que a 'prevalecer a equivocada decisão consubstanciada no aresto recorrido, estará a Recorrente sendo, quiçá, a única contribuinte penalizada por entendimento absolutamente superado. Como já se enfatizou o despacho que apreciou a divergência, deu-a como comprovada e assim deu seguimento ao recurso. A Procuradoria tomou ciência do recurso e do despacho de admissibilidade. É o relatório. gt() 3 19 ' Processo n°. :10875.001094/2001-98 Acórdão n° : CSRF/01-05.323 VOTO Conselheiro VICTOR LUIS DE SALLES FREIRE, Relator; O Recurso foi oferecido no prazo legal e a admissibilidade está perfeitamente comprovada em face da manifesta divergência dos acórdãos. Um entendendo que não prevalece o arrolamento quando se arrola bem em valor inferior ao crédito tributário mas se comprova inexistirem outros e outro admitindo o arrolamento sob tais circunstâncias. Não posso concordar com o voto condutor e com a decisão tomada pelo voto de qualidade, que não conheceu do apelo a troco de irregularidade no arrolamento. Tem razão o sujeito passivo quando diz que "quiçá" é o único contribuinte penalizado neste Conselho pelo entendimento vencedor na Câmara Recorrida. Eu pessoalmente não conheço nenhum acórdão que não tivesse tomado conhecimento de recurso quando o sujeito passivo comprova que não tem bens, sem se falar no limite de 30%, em valor igual ou superior ao crédito tributário exigido, a hipótese dos autos. O Conselheiro vencido, Luis Gonzaga Medeiros Nóbrega, ao abrir de seu voto, transcreve o 3° do art. 33 do Decreto n° 70.235/72, introduzido pelo art. 32 da Medida Provisória n° 1.973-63, o qual é de meridiana clareza ao limitar o arrolamento ao "ativo permanente": "Alternativamente ao depósito referido no parágrafo anterior, o recorrente poderá prestar garantias, ou arrolar, por sua iniciativa, bens e direitos de valor igual ou superior à exigência fiscal definida na decisão, limitados ao ativo permanente se pessoa jurídica ou ao patrimônio se pessoa física." 4 . • • Processo n°. :10875.001094/2001-98 Acórdão n° CSRF/01-05.323 E enfatiza, ademais, que esta orientação foi seguida no Decreto 3.717/2001, que manteve "inalterada a idéia central de que a limitação a que se refere o legislador diz respeito à classificação dos bens no ativo da pessoa jurídica, e não ao valor de seu ativo permanente", assim afastando-se a Instrução Normativa n° 26 desta idéia central. Já o voto condutor dá mais ênfase à Instrução Normativa do que aos diplomas legais. "Legam habemus", e clara, acima citada, limitando o arrolamento ao ativo permanente, ainda que o crédito tributário seja superior. Nesse sentido, foi claro o acórdão paradigma, que aliás, nem viu contradição entre a Instrução Normativa e a Medida Provisória n° 1.973-63/00 ou o Decreto 3.717/01. Sob tais condições dou provimento ao recurso para, em julgando perfeito o arrolamento e admissivel o recurso, determinar o retomo dos autos à Colenda 5' Câmara para o enfrentannento do mérito da lide. É como voto. Sala as Sessões - D , em 05 de dezembro de 2005. - Victor Luis d Salles Freire 5 Page 1 _0010200.PDF Page 1 _0010300.PDF Page 1 _0010400.PDF Page 1 _0010500.PDF Page 1
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Numero do processo: 10880.002854/2001-13
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2006
Ementa: RESTITUIÇÃO – O prazo extintivo do direito de pleitear a repetição de tributo indevido ou pago a maior, sujeito a lançamento por homologação, esgota-se com o decurso de cinco anos contados da data do pagamento antecipado, nos precisos termos dos arts. 156, I, 165, I, 168 e 150, §§ 1º e 4º, do Código Tributário Nacional (CTN). As estimativas recolhidas durante o ano-calendário pelas empresas que declaram o Imposto de Renda e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido com base no lucro anual somente se convertem em imposto ou contribuição quando da ocorrência do respectivo fato gerador, ou seja, em 31 de dezembro do ano-calendário, no caso em 31/12/93. Como o pedido de restituição/compensação foi protocolizado em 30/03/2001, ocorreu a decadência do seu direito à repetição do eventualmente pago a maior.
Recurso provido.
Numero da decisão: 107-08.527
Decisão: ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Carlos Alberto Gonçalves Nunes
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Mfaa-7 Processo n2 :10880.002854/2001-13 Recurso n2 :145809 Matéria : IRPJ — Ex: 1993 Recorrente : FADEMAC S.A. Recorrida :5' TURMA/DRJ-SÃO PAULO/SP I Sessão de : 26 DE ABRIL DE 2006 Acórdão n2 :107-08.527 RESTITUIÇÃO — O prazo extintivo do direito de pleitear a repetição de tributo indevido ou pago a maior, sujeito a lançamento por homologação, esgota-se com o decurso de cinco anos contados da data do pagamento antecipado, nos precisos termos dos arts. 156, I, 165, I, 168 e 150, §§ 1 2 e 42, do Código Tributário Nacional (CTN). As estimativas recolhidas durante o ano-calendário pelas empresas que declaram o Imposto de Renda e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido com base no lucro anual somente se convertem em imposto ou contribuição quando da ocorrência do respectivo fato gerador, ou seja, em 31 de dezembro do ano-calendário, no caso em 31/12/93. Como o pedido de restituição/compensação foi protocolizado em 30/03/2001, ocorreu a decadência do seu direito à repetição do eventualmente pago a maior Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por FADEMAC S.A. ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a In -grar o presente julgado. 40, MAR r OS INICIUS NEDER DE LIMA PR DENTE CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES RELATOR FORMALIZADO EM: 05 JON 2006 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA 40;;") Processo n2 :10880.002854/2001-13 Acórdão n2 :107-08.527 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: LUIZ MARTINS VALERO, NATANAEL MARTINS, ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, RENATA SUCUPIRA DUARTE, SELMA FONTES CIMINELLI (Suplente Convocada) e NILTON PÊSS. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Hugo Correia Sotero. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA ::.•43 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ''stv.tr;:sg SÉTIMA CÂMARA 9X-nizi> Processo ri° :10880.002854/2001-13 Acórdão n° :107-08.527 Recurso n° :145.809 Recorrente : FADEMAC S.A. RELATÓRIO FADEMAC S.A. pediu, em 30/03/2001 (fls. 1) restituição/compensação de Imposto de Renda, pago no período de 29/01/93, 25/02/93 e 31/03/93 para compensação com PIS em 12/12/2001 (fls. 60/61), acostando aos autos (fls. 10/12) os DARFs comprobatórios dos recolhimentos de Imposto de Renda por estimativa, da ordem de R$ 14.323,68. A Delegacia da Receita Federal em São Paulo examinou a pretensão da empresa, e considerou extinto o prazo para pleitear a repetição e a compensação (fls.57/59), uma vez que decorridos mais de cinco anos da data do fato gerador. A empresa apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 63/78), sustentando o prazo decenal para pedir a restituição do tributo indevido ou maior que o devido, não logrando êxito em sua pretensão, uma vez que a 9 Turma da DRJ em SÃO PAULO - SN. confirmou a decisão guerreada resumida da seguinte forma na ementa do julgado: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1992 Ementa: IRPJ. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente, ou em valor maior que o devido, extingue-se após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário. Lançamento Procedente No exercício de 1994, ano-calendário de 1993, a pessoa jurídica apresentou a sua declaração de rendimentos com base no lucro real anual (fls. 39). 3 tn MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA*p . ,-- 4. ';it,:etr:,› Processo O :10880.002854/2001-13 Acórdão ng :107-08.527 A sucumbente, ciente do julgamento de primeira instância em 10/09/2004 (fls. 118/119), recorre a este Colegiado, renovando os argumentos oferecidos em primeira instância (f Is. 120/130), em petição protocolizada em 30/09/2004. Nela discorre sobre o lançamento por homologação e a decadência do direito de o fisco lançar o tributo, consoante o disposto no art. 150, § 4, do Código Tributário Nacional, citando precedentes administrativos e jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça tribunais segundo o seu entendimento sobre a contagem do prazo para requerer a restituição de impostos e contribuições pagos indevidamente ou a maior que o devido. Cinco anos para a homologação do lançamento, expresso ou tácito, mais cinco anos, contados desse evento, para o contribuinte pleitear a repetição. Dessa forma, o seu pedido foi tempestivo, obrando em erro a Turma recorrida. O recurso apresentado foi instruído com arrolamento de bens, logrando o seu encaminhamento ao Conselho de Contribuintes. Seu recurso é lido na íntegra para melhor conhecimento do Plenário. d/) É o Relatório. 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES tU SÉTIMA CÂMARA 44411> Processo n2 :10880.002854/2001-13 Acórdão n :107-08.527 VOTO Conselheiro - CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES - Relator. Recurso tempestivo e assente em lei, dele tomo conhecimento. Como consta do relatório os pagamentos foram feitos por estimativa mensal, relativamente aos meses de janeiro, fevereiro e março de 1993, enquanto o pedido de restituição/compensação foi feito em 30/03/2001. Deste modo, a importância recolhida era, naquela data, simples estimativa que veio a se converter em imposto e contribuição, na data de encerramento do balanço em 31/12/93. Antes dessa data, não há o pagamento antecipado a que se refere o art. 150 do CTN sem prévio exame da autoridade administrativa, sujeito a homologação expressa ou tácita, e apenas recolhimento de estimativa. Assim, somente com a ocorrência do fato gerador, a empresa poderia pleitear restituição do imposto e da contribuição, uma vez que a sua apuração era anual e só então se poderia verificar se as estimativas recolhidas no período base, então convertidas em imposto e contribuição, teriam sido superiores ao devido Ora, em face do disposto no § 4° do art. 150 do CTN, ocorrido o fato gerador do imposto tem o fisco o prazo de 5 (cinco) anos para homologar o procedimento do sujeito passivo, findo o qual se tem por automaticamente homologado o lançamento. E como a homologação é sob condição resolutória e não suspensiva, o crédito se extingue na data do pagamento, consoante dispõe o art. 168, I, c/c o art.156, I, do mencionado Código que estabelece que o crédito tributário se extingue, dentre outras formas, pelo pagamento. E dele se conta o prazo extintivo para pedir a repetição, ou a compensação do tributo indevido ou maior que o devido, por força do inciso I do art. 168, dispositivos assim redigidos: Á, 5 1 É= 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA *-4;" PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 41:107'4., - SÉTIMA CÂMARA Processo n2 :10880.002854/2001-13 Acórdão n2 :107-08.527 Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I - nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; E o art. 165 e seu inciso I dizem: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4 2 do artigo 162, nos seguintes casos: I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Se assim é, o termo inicial da decadência seria, no caso, o dia 31/12/93 e o termo final o dia 31/12/98. Como a empresa protocolizou o seu pedido de restituição em 30/03/2001, ocorreu a decadência do seu direito à repetição do eventualmente pago a maior. Entendo que a questão não deve ser posta apenas em face dos arts. 165 168 e 150 do Código Tributário Nacional (CTN), mas também do art. 156, I, dessa lei nacional que estabelece que o crédito tributário se extingue, dentre outras formas, pelo pagamento. Como o § 1 2 do art. 150 do CTN é expresso no sentido de que "O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento.", tem-se que o crédito tributário apurado pelo sujeito passivo foi extinto na data do pagamento antecipado (que, como se disse, no caso, tem-se como ocorrido na data do fato gerador), com o transcurso do prazo de 5 (cinco anos) contados do fato gerador. Muito precisa nesse sentido a lição de Alberto Xavier e que por sua importância no deslinde da questão, também reproduzo nesta assentada:ck I 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA .1.44filt PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA Processo riQ :10880.002854/2001-13 Acórdão n :107-08.527 "()a condição resolutiva permite a eficácia imediata do ato jurídico, ao contrário da condição suspensiva, que opera o diferimento dessa eficácia. Dispõe o artigo 119 do Código Civil que "se for resolutiva a condição, enquanto esta se não realizar, vigorará o ato jurídico, podendo exercer-se desde o momento deste o direito por ele estabelecido; mas, manifestada a condição, para todos os efeitos, se extingue o direito a que ela se opõe". Ora, sendo a eficácia do pagamento efetuado pelo contribuinte imediata, imediato é o seu efeito liberatório, imediato é o efeito extintivo, imediata é a extinção definitiva do crédito. O que na figura da condição resolutiva sucede é que a eficácia entretanto produzida pode ser destruída com efeitos retroativos se a condição se implementar." (Do Lançamento, Teoria Geral do Ato e do Processo Tributário, Editora Forense, 1998, págs. 98/99). E diz também o renomado tributarista, às fls.99 e 100, da mesma obra, em trecho reproduzido pela decisão recorrida: Posto em contacto com a norma jurídica que o regula, o pagamento efetuado espontaneamente pelo contribuinte pode enquadrar-se em quatro alternativas (e só nelas): ou é um pagamento indevido, por não corresponder ao modelo legal, ou é um pagamento correto, ou é um pagamento excessivo, ou é um pagamento insuficiente. Só nesta última hipótese é que o Fisco pode, no exercício do seu poder de controle, constatar a insuficiência e praticar de oficio um lançamento com vista a exigir a quantia em falta. Esta exigência (não homologação) não é, porém, uma condição resolutiva em sentido técnico, pois não destrói retroativamente o efeito liberatório que o pagamento insuficiente produziu no tocante à parte da dívida paga. O que, em rigor jurídico, o decurso do prazo de cinco anos, sem que o controle administrativo tenha sido exercido, extingue pela decadência, é o poder-dever de efetuar esse controle, não o crédito tributário, cuja extinção, se operou, plena e definitivamente quitado por força de uma quitação operada pela ficção legal da 'homologação tácita ". Mas a quitação é uma figura que respeita à prova do fato e não à sua existência. í\,.\ vl 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA - PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 11,41;1 n*: SÉTIMA CÂMARA 44(34::,;(> Processo n9 :10880.002854/2001-13 Acórdão n2 : 107-08.527 Consideramos, por isso, que a forma correta de contagem do prazo de prescrição do art. 168 do Código Tributário Nacional é a que foi acolhida pela Segunda Turma do Tribunal Regional da 4' Região, segundo a qual esse prazo se conta a partir da data do pagamento indevido." Ora, ocorrido o fato gerador do imposto e/ou da contribuição, tem o fisco o prazo de 5 (cinco) anos para homologar o procedimento do sujeito passivo, findo o qual se tem por automaticamente homologado o lançamento. E como a homologação é sob condição resolutória e não suspensiva, como demonstrou o renomado tributarista, o crédito extinguiu-se na data do pagamento. E dele se conta o prazo extintivo para pedir a repetição, ou a compensação do tributo indevido ou maior que o devido, por força do inciso I do art. 168, dispositivos assim redigidos: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I - nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; E o art. 165 e seu inciso I dizem: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 49 do artigo 162, nos seguintes casos: I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Entendo proceder a afirmativa de que o pagamento antecipado extingue o crédito tributário e é a partir da sua data que se conta o prazo para pleitear a (\a restituição. 8 mim 1 luíS Se 1 L MINISTÉRIO DA FAZENDA a* PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES wvaf- SÉTIMA CÂMARA •Xele; Processo n° :10880.002854/2001-13 Acórdão n° :107-08.527 Entende-se como pagamento antecipado aquele feito independentemente de qualquer intervenção fisco, não se entendendo como pagamento as simples estimativas que, como dito alhures, somente se transformam em pagamento antecipado no encerramento do exercício. Em resumo: O prazo extintivo do direito de pleitear a repetição de tributo indevido ou pago a maior, sujeito a lançamento por homologação, extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos contados da data do pagamento antecipado, nos precisos termos dos arts. 156, I, 165, I, 168 e 150, §§ 1° e 4°, do Código Tributário Nacional (CTN). As estimativas recolhidas durante o ano-calendário pelas empresas que declaram o Imposto de Renda e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido com base no lucro anual somente se convertem em imposto ou contribuição quando da ocorrência do respectivo fato gerador, ou seja, em 31 de dezembro do ano-calendário. Nesta ordem de juízos, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, 26 de abril de 2006. hVornkiel" CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES 9 Page 1 _0024500.PDF Page 1 _0024600.PDF Page 1 _0024700.PDF Page 1 _0024800.PDF Page 1 _0024900.PDF Page 1 _0025000.PDF Page 1 _0025100.PDF Page 1 _0025200.PDF Page 1
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Numero do processo: 10865.001677/96-37
Turma: Oitava Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri May 25 00:00:00 UTC 2001
Data da publicação: Fri May 25 00:00:00 UTC 2001
Ementa: IRPF – PROCESSO DECORRENTE – Pela estrita relação de causa e efeito entre o processo matriz referente ao IRPJ e o decorrente de IRPF, aplicável a este, no que couber e como prejulgado, a decisão de mérito dada no primeiro. Exonerada a Pessoa Jurídica da imputação de ocorrência de distribuição disfarçada de lucros, desonera-se a pessoa física do lançamento reflexo.
Recurso provido.
Numero da decisão: 108-06550
Decisão: Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso.
Nome do relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro
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MINISTÉRIO DA FAZENDA .'1, 1 ;•." , PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES d• OITAVA CÂMARA Processo n° :10885.001677/96-37 Recurso n° : 123.000 Matéria : IRPF - Ex.: 1992 Recorrente : JOÃO CARLOS DE ABREU Recorrida : DRJ - CAMPINAS-SP Sessão de : 25 de maio de 2001 Acórdão n° :108-06.550 IRPF — PROCESSO DECORRENTE — Pela estrita relação de causa e efeito entre o processo matriz referente ao IRPJ e o decorrente de IRPF, aplicável a este, no que couber e como prejulgado, a decisão de mérito dada no primeiro. Exonerada a Pessoa Jurídica da imputação de ocorrência de distribuição disfarçada de lucros, desonera-se a pessoa física do lançamento reflexo Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por JOÃO CARLOS DE ABREU, ACORDAM os membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos que integram o presente julgado. MANOEL ANTÓNIO GADELHA DIAS P aIDENTE iff I ETE VáLAQUIAS PESSOA MONTEIRO " ELATORA FORMALIZADO EM: Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: NELSON LÓSSO FILHO, MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JUNIOR, TÂNIA KOETZ MOREIRA, JOSÉ HENRIQUE LONGO, MARCIA MARIA LORIA MEIRA e LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA. Processo n° : 10885.001870/98-98 Acórdão n° : 108-08.550 Recurso n° : 123.000 Recorrente : JOÃO CARLOS DE ABREU RELATÓRIO Trata-se de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, no ano calendário de 1992 de JOÃO CARLOS DE ABREU, sócio da Pessoa jurídica RODOPOSTO TOPÁZIO LTDA, lançamento consubstanciado no auto de infração de fis:04108 no valor de 29.809,19 UFIR. Fiscalização realizada na pessoa jurídica (processo n° 10885.001669/96-17, recurso n° 123.811 Acórdão 102-44.683) gerou esta decorrência. Termo de Verificação fiscal de fis.02103 informa que no ano base de 1992, foi celebrado contrato de empréstimo aos sócios, em condição de favorecimento, tipificando distribuição disfarçada de lucro. Impugnação apresentada às folhas 16/19, pede análise destas razões, frente àquelas do processo matriz, pela relação de causa e efeito existente. A operação de empréstimo em dinheiro, fora pactuado em contrato, segundo regras do Código Civil, estando legalmente irrepreensível. Sua figura seria distinta da tipificação legal da distribuição disfarçada de lucro. O FAP, mera atualização monetária, inserido pelo Decreto 33211991 de 05/11/1991 (regulamento da Lei 8200/1991) seria a utilização do último BTNFiscal , extinto em 1 6102/1991, mediante aplicação do INPC, conforme previsto no parágrafo único do artigo 26 deste decreto. Para alegar a distribuição disfarçada de lucros, o autuante dele se utilizara ( por ato de vontade, sem qualquer base legal). As regras anteriores de atualização monetária previstas na Lei 7799/1989 teriam sido revogadas através da Lei 8177/1991. Esta, em seu artigo 10, 641. 2 ..* Processo n° : 10865.001670/98-98 Acórdão n° : 108-06.550 vedava a estipulação em contratos de qualquer indexador calculado com base em índice de preços. Seria juridicamente impossível alienar "dinheiro". Não haveria submissão do fato à norma invocada. À época do empréstimo, não havia qualquer lucro a distribuir. O lançamento do ILL duplicara a exigência. Fato suficiente para decretar-se a nulidade do processo. Conclui pela impossibilidade de prosperar o lançamento. Às fls. 23/32 consta a decisão do processo matriz, (onde é mantido parcialmente o feito, cancelando-se valores, inclusive do ILL). A autoridade singular pronuncia-se quanto ao litígio da pessoa física, às fls.33/34, emitindo os seguintes considerandos: • nos termos do parágrafo único do artigo 142 do CTN, os processos reflexos devem ser lavrados, seguindo a mesma orientação decisória daquele do qual decorrem; • a exigência do IRPJ quanto a matéria fática deste lançamento, fora mantida; • lucro distribuído disfarçadamente é tributado como rendimento nas pessoas físicas dos sócios; • aplica o artigo 44 da Lei 9430/1996 reduzindo a multa para 75%, por se tratar de ato não definitivamente julgado (art. 106, inciso II, alínea c do CTN). No recurso interposto às fls.40/55 aduz em preliminar, nulidade por cerceamento do seu direito de defesa . A decisão como foi proferida, acabaria por invalidar os lançamentos, quando afirmara: "no tocante a caracterização da alienação, a questão estaria superada pelo artigo 20, inciso II do Decreto Lei 2065/1983. Ao Gji 3 Processo n° : 10865.001670/96-98 Acórdão n° : 108-06.550 acrescentar o inciso Vil ao artigo 60 do decreto-lei 1598/1977, expressamente a incluíra no campo de incidência da presunção legal ". Com este procedimento, o julgador singular inovara o lançamento, sem reabrir prazo para pronunciamento da interessada. Isto maculara o procedimento, violando os princípios do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal, garantidos na Constituição Federal (artigo 5, inciso LV). Expende longo estudo sobre esses princípios, buscando respaldo em conceitos doutrinários, citando seus autores. Transcreve o Ac. 103.19642 exarado no processo n. 10940.000950/94-68 reiterando os argumentos da impugnação: IRPF - DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS - Com o advento do Dec. 332/91, as contas representativas de mútuo entre pessoas jurídicas, bem como os créditos da empresa com seus sócios ou acionistas oriundos de contrato de mútuo, passaram a integrar o grupo de contas sujeitas à correção monetária das demonstrações financeiras. A partir de então, os mútuos não mais caracterizam hipótese de distribuição disfarçada de ILICIDS na forma do artigo 60,V do DL 1598/1977, com redação do 2085/1983. Recurso Provido. Insurge quanto ao mérito, apenas para argumentar (por entender que a preliminar liquidará o feito) dizendo não refletir a decisão da autoridade singular o melhor entendimento da matéria. Repete ser impossível alienar dinheiro. O autuante não verificara os seguintes pontos: • o FAP é fator de atualização monetária, criado em 05/11/1991 (Decreto 332) estabelecendo regras de correção monetária, regulamentando a Lei 8200/1991. Isto porque, não havia previsão legal para o instituto(antes regulado pela Lei 7799/1989) revogado pelo artigo 42 da Lei 8177/91; • esta lei em seu artigo 10, proibira a indexação de contratos por índice de preços; • representava o FAP, atualização do BTN fiscal extinto em 01/02/1991, nos termos do artigo 2 0 do Decreto 332/1991; • a IN 125/91 determinava que a atualização monetária dos créditos das pessoas jurídicas com os sócios, só seriam corrigidos a partir G42 4 014» Processo no :10865.001670/96-98 Acórdão no :108-06.550 de novembro de 1991, pela conversão em quantidade de FAP, no valor deste naquele mês. A presunção de distribuição disfarçada de lucros, estaria capitulada no inciso V do artigo 367 do RIR/80, e como não havia qualquer lucro a distribuir na ocasião, não se aplicaria ao caso. Por qualquer ângulo de análise, o processo estaria eivado de erros, o que bastaria para sua anulação. Ressalta o absurdo do lançamento duplo dos imposto de renda sobre a fonte e sobre as pessoas físicas, além da contribuição social que também constituiu excesso do autuante. Não teria sido observado o comando do artigo 142 do CTN. A falta de verificação integral e completa por parte do agente fiscal das normas e leis aplicáveis ao caso em concreto, prejudicou o feito. Refere-se a impossibilidade jurídica da manutenção da multa por confiscatória, segundo inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal. Transcreve pronúncia do STF RE 81.550 de 20(05(1975. Min. Xavier de Albuquerque (DOU 11/06/1975). E impossibilidade de aceitar a taxa SELIC, por configurar remuneração de capital, podendo ser apenas usada para mercado financeiro (destaca), sendo remuneratória e não moratória, ferindo o artigo 192, parágrafo 3 . da Constituição Federal. É o Relatório dirth , • Processo n° :10865.001670/96-98 Acórdão n° :108-06.550 VOTO Conselheira: IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO - Relatora O Recurso sobe a este Conselho amparado por medida judicial, a qual me curvo. É litigiosa a cobrança do Imposto de Renda Pessoa Física, lançamento de fls. 06/08, decorrência do processo n.° 10885.001669/96-17, recurso 125.811- no qual, em julgamento desta Câmara (Acórdão 108-06.513) foi dado provimento parcial ao recurso voluntário , para cancelar do auto de infração, a parcela referente a distribuição disfarçada de lucros. É entendimento pacificado neste Colegiado, que a falta de razões de direito diferenciadas é de se estender a decisão proferida no processo principal, ao decorrente. Reproduzo ementa do Acórdão 108.05.819 de 16/07/1999: "IRPF - DECORRÊNCIA - tratando-se de lançamento reflexivo, a decisão proferida no processo matriz é aplicável, no que couber, ao processo decorrente, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula. Por todo exposto, dou provimento ao recurso. Sal- • as Sessões - DF, em 24 de maio de 2001 „stikr. lv: te Malaquias Pessoa Monteiro gâ" 6 Page 1 _0037700.PDF Page 1 _0037800.PDF Page 1 _0037900.PDF Page 1 _0038000.PDF Page 1 _0038100.PDF Page 1
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Numero do processo: 10108.000585/2001-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 1997
ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL-ADA. EXERCÍCIO ANTERIOR A 2001. DESNECESSIDADE. SÚMULA. De conformidade com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, vigentes à época da ocorrência do fato gerador, notadamente a Lei nº 9.393/1996, c/c Súmula no 41 do CARF,
inexiste previsão legal exigindo a apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA para fruição da isenção do ITR relativamente às áreas de preservação permanente até o exercício 2000, inclusive.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. INSTRUÇÕES NORMATIVAS. LIMITAÇÃO LEGAL. Às Instruções Normativas é defeso inovar, suplantar e/ou coarctar os ditames da lei regulamentada, sob pena de malferir o disposto no artigo 100, inciso I, do CTN, mormente tratando-se as IN’s de atos secundários e estritamente vinculados à lei decorrente.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.751
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTALADA. EXERCÍCIO ANTERIOR A 2001. DESNECESSIDADE. SÚMULA. De conformidade com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, vigentes à época da ocorrência do fato gerador, notadamente a Lei nº 9.393/1996, c/c Súmula no 41 do CARF, inexiste previsão legal exigindo a apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA para fruição da isenção do ITR relativamente às áreas de preservação permanente até o exercício 2000, inclusive. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. INSTRUÇÕES NORMATIVAS. LIMITAÇÃO LEGAL. Às Instruções Normativas é defeso inovar, suplantar e/ou coarctar os ditames da lei regulamentada, sob pena de malferir o disposto no artigo 100, inciso I, do CTN, mormente tratandose as IN’s de atos secundários e estritamente vinculados à lei decorrente. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/10/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres PresidenteSubstituto (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 14/10/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (PresidenteSubstituto), Susy Gomes Hofmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonett Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório MAGNO MARTINS COELHO, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 26/09/2001, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, em relação ao exercício de 1997, incidente sobre o imóvel rural denominado “Fazenda Redenção” localizado no município de Corumbá/MS, cadastrado na RFB sob o nº 10810200, conforme peça inaugural do feito, às fls. 96/102, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao então Terceiro Conselho de Contribuintes contra Decisão da 1a Turma da DRJ em Campo Grande/MS, Acórdão nº 04.418/2004, às fls. 220/228, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 3ª Câmara, em 24/04/2008, por unanimidade de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 30335.242, sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR Exercício: 1997 ITR.DECLARAÇÃO DO CONTRIBUINTE. Basta a declaração do contribuinte para obter isenção do ITR, respondendo o mesmo pelos vícios que a mesma contenha. LAUDO TÉCNICO. São de maior valor provas idôneas obtidas pelo laudo técnico do que simples registro junto a órgão ambiental que carece de meios suficientes para fiscalização. LOCALIZAÇÃO INTEGRALMENTE EM PARQUE ESTADUAL. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/10/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 10108.000585/200111 Acórdão n.º 920201.751 CSRFT2 Fl. 2 3 Com base na legislação que cria o parque e com o intuito de preservar o interesse ecológico, o ITR não incidirá sobre a propriedade RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 315/322, com arrimo no artigo 7º, inciso II, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras dos Conselhos a respeito da mesma matéria, conforme se extrai do Acórdão nº 30236.783, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, porquanto comprovada a divergência arguida. Sustenta que o Acórdão encimado, ora adotado como paradigma, diverge do decisum guerreado, uma vez impor que a comprovação da existência das áreas de preservação permanente, para fins de não incidência do ITR, depende de protocolo do requerimento de ato declaratório junto ao IBAMA no prazo legal, ao contrário do que restou decidido pela Câmara recorrida. Em defesa de sua pretensão, tece comentários a propósito do conceito e finalidade da “Preservação Permanente”, traçando histórico da legislação que regulamenta a matéria, defendendo que para comprovação das referidas áreas, não se pode prescindir do Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado junto ao IBAMA, no prazo estipulado na legislação. Infere que a Receita Federal do Brasil já se manifestou por diversas oportunidades a propósito do assunto, firmando o entendimento de que a não incidência de ITR sobre as áreas de preservação permanente está condicionada ao reconhecimento como tal por parte do Poder Público, por intermédio do ADA, devendo existir em cada imóvel informação específica da parte preservada, como estabelecem as normatizações internas da SRF, notadamente o artigo 10, § 4º, inciso I, da IN SRF nº 43/1997, que disciplinou a Lei nº 9.393/1996, com redação do artigo 1º, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 67/1997. Assim, inexistindo na hipótese dos autos provas de que o contribuinte procedeu tempestivamente à protocolização do requerimento do ADA, impõese à manutenção da glosa realizada pela fiscalização. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, a ilustre Presidente da então 3ª Câmara do Terceiro Conselho, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras decisões exaradas pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes a propósito da mesma matéria, qual seja, necessidade do requerimento atempado do ADA relativamente às áreas de preservação permanente, para fins de não incidência do tributo (ITR), conforme Despacho nº 318/2008, às fls. 341/343. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/10/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 4 Instado se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou suas contrarrazões, às fls. 348/351, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pela ilustre Presidente da 3ª Câmara do então Terceiro Conselho de Contribuintes a divergência suscitada pela Fazenda Nacional, conheço do Recurso Especial e passo ao exame das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram outras decisões das demais Câmaras do Terceiro Conselho a respeito da mesma matéria. A fazer prevalecer sua pretensão, infere que o entendimento consubstanciado no Acórdão nº 30236.783, ora adotado como paradigma, impõe que a comprovação da existência das áreas de preservação permanente, para fins de não incidência do ITR, depende de prévio protocolo do requerimento do Ato Declaratório Ambiental – ADA, dentro dos seis meses subsequentes à entrega da DITR, ao contrário do que restou decidido pela Câmara recorrida. Sustenta, ainda, a PFN que ao desconsiderar a exigência do requerimento tempestivo do ADA para efeito da benesse isentiva o Acórdão guerreado contrariou as normas insertas no Código Florestal Nacional (Lei nº 4.771/65 e atualizações), bem como as normatizações internas da SRF, notadamente o artigo 10, § 4º, inciso I, da IN SRF nº 43/1997, que disciplinou a Lei nº 9.393/1996, com redação do artigo 1º, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 67/1997. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a discussão a respeito da exigência do requerimento atempado do Ato Declaratório Ambiental – ADA relativamente às áreas de preservação permanente, dentro do prazo legal, para fruição da não incidência do Imposto Territorial Rural ITR. Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão da Fazenda Nacional não merece acolhimento, por não espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, contrariando a farta e mansa jurisprudência administrativa. Do exame dos elementos que instruem o processo, constatase que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Antes mesmo de se adentrar ao mérito, cumpre trazer à baila a legislação tributária específica que regulamenta a matéria, mais precisamente artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, nos seguintes termos: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições Fl. 4DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/10/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 10108.000585/200111 Acórdão n.º 920201.751 CSRFT2 Fl. 3 5 estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; [...] § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001)” (grifamos) Conforme se extrai dos dispositivos legais encimados, a questão remonta a um só ponto, qual seja: a exigência de requerimento tempestivo do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA, não é, em si, condição eleita pela Lei para que o proprietário rural goze do direito de isenção do ITR relativo às glebas de terra destinadas à preservação permanente. Somente a título elucidativo, não sendo a requisição atempada do ADA, anteriormente ao exercício 2000, condição legal para obtenção do beneficio isentivo que ora cuidamos, e na linha do que fora exposto no julgado recorrido, nos parece coerente reconhecer que a ausência de tais elementos apenas confere a auditoria fiscal à possibilidade de presumir a inexistência da parcela de proteção ambiental e assim considerála como sendo área passível de aproveitamento, e, portanto, tributável. Contudo, ainda que a legislação estabeleça, para os exercícios posteriores a 2000, em face da intempestividade e/ou ausência do ADA, o reconhecimento da inexistência das áreas de preservação permanente decorrente de um raciocínio presuntivo, não torna essa condição absoluta, sendo perfeitamente possível que outros elementos probatórios demonstrem a efetiva destinação de gleba de terra para fins de proteção ambiental. Em outras palavras, o Fl. 5DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/10/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 6 mero requerimento do ADA, não se perfaz no único meio de se comprovar a existência ou não daquelas áreas. Assim, realizado o lançamento de ITR com base em glosa de áreas de preservação permanente, a partir de um enfoque meramente formal, ou seja, pela não requisição tempestiva do ADA, e demonstrada, por outros meios de prova, a existência da destinação de área para fins de proteção ambiental, deverá ser restabelecida a declaração do contribuinte, e lhe ser assegurado o direito de excluir do cálculo do ITR à parte da sua propriedade rural correspondente à aludidas áreas, como aqui se vislumbra. Mais a mais, com arrimo no princípio da verdade material, o formalismo não deve sobrepor à verdade real, notadamente quando a lei disciplinadora da isenção assim não estabelece. Entrementes, afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, impende esclarecer que este Egrégio Colegiado já sedimentou o entendimento de que inexiste previsão legal, anteriormente à vigência da Lei no 10.165, de 28/12/2000, contemplando a exigência do ADA para efeito de não incidência de ITR sobre as áreas de preservação permanente e reserva legal, o que se vislumbra na hipótese dos autos (exercício 1997). Aliás, o Pleno da CSRF, em 08/12/2009, aprovou a Súmula n° 41, contemplando o tema e rechaçando de uma vez por todas a pretensão da Fazenda nos presentes autos, senão vejamos: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.” Na esteira desse raciocínio, em face da inexistência de disposição legal para a exigência do ADA anteriormente ao exercício de 2001, para fins da fruição da isenção sub examine, e sendo esta exclusivamente a justificativa da presente autuação, impõese reconhecer a improcedência do feito, tendo em vista contemplar o exercício de 1997, período, portanto, que não se poderia exigir aludida formalidade para a comprovação das áreas de preservação permanente. Por derradeiro, no que tange às determinações inseridas nas Instruções Normativas nºs 43 e 67, de 1997, esteios do entendimento da Fazenda Nacional, uma vez demonstrado que a legislação tributária específica, vigente à época, não condiciona a isenção em comento à protocolização tempestiva do ADA, não podem aludidas normas complementares/secundárias, por sua própria natureza, inovar, suplantar e/ou cingir os ditames contidos nas leis regulamentadas. Perfunctória leitura do artigo 100, inciso I, do Códex Tributário, fulmina de uma vez por todas a pretensão fiscal, senão vejamos: “Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I – os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas;[...] Na esteira desse entendimento, cabe invocar os ensinamentos do renomado doutrinador Antônio Carlos Rodrigues do Amaral, na obra “Comentários ao Código Tributário Nacional”, volume 2, coord. Ives Gandra da Silva Martins, Editora Saraiva, 1998, págs. 40/41, que ao tratar do artigo 100 do Código Tributário Nacional, assim preleciona: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/10/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 10108.000585/200111 Acórdão n.º 920201.751 CSRFT2 Fl. 4 7 “ Atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas. São as instruções ministeriais, as portarias ministeriais e atos expedidos pelos chefes de órgãos ou repartições; as instruções normativas expedidas pelo Secretário da Receita Federal; as circulares e demais atos normativos internos da Administração Pública, que são vinculantes para os agentes públicos, mas não podem criar obrigações para os contribuintes que já não estejam previstas na lei ou no decreto dela decorrente. Também não vinculam o Poder Judiciário, que não está obrigado a acatar a interpretação dada pelas autoridades públicas através de tais atos normativos.” Outro não é o entendimento do eminente jurista Leandro Paulsen, ao comentar o Código Tributário Nacional, adotando posicionamento do Supremo Tribunal Federal, nos seguintes termos: “Vinculação absoluta dos atos normativos à lei. “... As instruções normativas editadas por órgão competente da administração tributária, constituem espécies jurídicas de caráter secundário, cuja validade e eficácia resultam, imediatamente, de sua estrita observância dos limites impostos pelas leis, tratados, convenções internacionais, ou decretos presidenciais, de que devem constituir normas complementares. Essas instruções nada mais são, em sua configuração jurídico formal, do que provimentos executivos cuja normatividade está diretamente subordinada aos atos de natureza primária, como as leis e as medidas provisórias a que se vinculam por um claro nexo de acessoriedade e de dependência. Se a instrução normativa, editada com fundamento no art. 100, I, do Código Tributário Nacional, vem a positivar em seu texto, em decorrência de má interpretação de lei ou medida provisória, uma exegese que possa romper a hierarquia normativa que deve manter com estes atos primários, viciarseá de ilegalidade...” (STF, Plenário, AGRADI 365/DF, rel. Min. Celso de Mello, nov/1990)” (DIREITO TRIBUTÁRIO – Constituição e Código Tributário Nacional à luz da Doutrina e da Jurisprudência” – 5ª edição, Porto Alegre: Livraria do Advogado:ESMAFE, 2003, pág. 740) Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento ao recurso voluntário do contribuinte, na forma decidida pela então 3ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 7DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/10/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 8 Fl. 8DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 17/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/10/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10675.002420/2002-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Nov 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Nov 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. CONCEITO DE RECEITA OPERACIONAL BRUTA.
Consoante o parágrafo único do art. 3º da Lei 9.363/96, o conceito de receita operacional bruta para efeitos do incentivo fiscal por ela instituído deve ser buscado subsidiariamente na legislação do imposto sobre a renda. Por esse exato motivo, o inciso II do parágrafo 15 do art. 3º da Portaria MF nº 38/97 a
definiu como o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Não há, pois, autorização legal ou ministerial para dela excluir a parcela decorrente da venda no mercado externo de produtos que não tenham sido fabricados pela postulante ao benefício.
NORMAS PROCESSUAIS. PRINCÍPIO DO NON REFORMATIO IN PEJUS. Deferida, ainda que indevidamente, a exclusão da parcela discutida da receita operacional bruta, a reforma de tal entendimento para que ela integre-a, bem como a receita de exportação, o que seria o correto, implicaria condenável reforma em prejuízo do recorrente, dado que leva a um valor ainda maior do incentivo discutido.
RESSARCIMENTO DE IPI. ACRÉSCIMO DE JUROS CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICAÇÃO DAS DECISÕES DO STJ PROFERIDAS NO RITO DO ART. 543-C.
Na forma de reiterada jurisprudência oriunda do STJ, é cabível a aplicação da taxa selic acumulada a partir da data de protocolização do pedido administrativo, a título de
“atualização monetária” do valor requerido quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração tributária (RESP 993.164, RESP 1.150.188)
Numero da decisão: 9303-001.725
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: Julio Cesar Alves Ramos
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BASE DE CÁLCULO. CONCEITO DE RECEITA OPERACIONAL BRUTA. Consoante o parágrafo único do art. 3º da Lei 9.363/96, o conceito de receita operacional bruta para efeitos do incentivo fiscal por ela instituído deve ser buscado subsidiariamente na legislação do imposto sobre a renda. Por esse exato motivo, o inciso II do parágrafo 15 do art. 3º da Portaria MF nº 38/97 a definiu como o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Não há, pois, autorização legal ou ministerial para dela excluir a parcela decorrente da venda no mercado externo de produtos que não tenham sido fabricados pela postulante ao benefício. NORMAS PROCESSUAIS. PRINCÍPIO DO NON REFORMATIO IN PEJUS. Deferida, ainda que indevidamente, a exclusão da parcela discutida da receita operacional bruta, a reforma de tal entendimento para que ela integrea, bem como a receita de exportação, o que seria o correto, implicaria condenável reforma em prejuízo do recorrente, dado que leva a um valor ainda maior do incentivo discutido. RESSARCIMENTO DE IPI. ACRÉSCIMO DE JUROS CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICAÇÃO DAS DECISÕES DO STJ PROFERIDAS NO RITO DO ART. 543C. Na forma de reiterada jurisprudência oriunda do STJ, é cabível a aplicação da taxa selic acumulada a partir da data de protocolização do pedido administrativo, a título de “atualização monetária” do valor requerido quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração tributária (RESP 993.164, RESP 1.150.188) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 2080DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/01/2 012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. EDITADO EM: 16/01/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martinez López e Susy Gomes Hoffmann Relatório A douta procuradoria da Fazenda Nacional impugna decisão proferida pela Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes que deu parcial provimento a recurso voluntário relativo a pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI de que trata a Lei 9.363, aqui calculado na forma alternativa instituída pela Lei 10.276/2001. O recurso especial pretendia a reforma do julgado quanto a três matérias, mas o Presidente da Quarta Câmara do CARF só entendeu comprovada a divergência quanto a duas delas, entendimento ratificado pelo Presidente do CARF à época. A primeira diz respeito ao conceito de receita operacional bruta para efeito de apuração do percentual a incidir sobre as aquisições para composição da base de cálculo do incentivo. Mais precisamente, quanto à inclusão ou não da parcela relativa às vendas no mercado externo de mercadorias adquiridas e não submetidas a qualquer processo de industrialização. Nos trabalhos de verificação fiscal a autoridade responsável, dando aplicação a ato declaratório normativo da SRF, entendeu que dita parcela não integraria a receita de exportação, mas seria incluída na receita operacional bruta. O recurso voluntário postulava a revisão desse entendimento para que dita parcela fosse computada em ambas as receitas, isto é, também fosse computada na receita de exportação. Não houve pleito para que ela fosse excluída da receita operacional bruta. No entanto, a decisão recorrida reviu esse entendimento e determinou sua exclusão, também, da receita operacional bruta, como NÃO fora postulado no recurso voluntário. Quanto à Receita Operacional Bruta, o que o recurso voluntário postulara fora que fosse excluída a parcela relativa à venda NO MERCADO INTERNO de mercadorias não submetidas a processo de industrialização. Essa pretensão lhe foi indeferida. A representação fazendária pugna pela manutenção do entendimento esposado pela SRF, ou seja, que ela seja excluída apenas da receita de exportação. O segundo apelo admitido disse respeito à possibilidade do cômputo da Selic no valor a ser ressarcido, deferido na decisão recorrida, incidindo a partir da data de protocolização do pedido. Defende a PFN, quanto ao ponto, necessidade de lei expressa Fl. 2081DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/01/2 012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10675.002420/200211 Acórdão n.º 9303001.725 CSRFT3 Fl. 2 3 concedendoa, dado que não se trata de mera correção ou atualização monetária, determinação legal essa inexistente. A empresa, cientificada do recurso especial, apresentou extensas contra razões em que, a par de postular a manutenção das parcelas objeto do recurso fazendário, tenta rediscutir a questão da inclusão ou não, na receita operacional bruta, da parcela relativa à revenda no mercado interno. Não manejou, entretanto, recurso especial quanto a isso. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Como dito, o objetivo da Fazenda Nacional é restaurar a metodologia de cálculo do incentivo praticada pela fiscalização em atendimento ao disposto no ato declaratório normativo 18/98 expedido pelo Coordenador de Tributação da Secretaria da Receita Federal. Segundo ele, para apurar o percentual entre a receita de exportação e a operacional bruta, percentual esse que será aplicado sobre o valor das aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem para chegarse à base de cálculo do incentivo, devese excluir da primeira – e apenas dela – a parcela que corresponde às vendas no mercado externo de mercadorias adquiridas e não submetidas a qualquer operação de industrialização. Assim fazendo, obviamente, reduzse aquele percentual e, em conseqüência, o incentivo. A Câmara recorrida, reconhecendo a impropriedade de se tratar distintamente a mesma parcela, determinou que o cálculo se fizesse excluindoa também da receita operacional bruta. Na forma decidida, o critério deve ser único, e entenderam os membros do colegiado que o melhor é a exclusão tanto no numerador quanto no denominador da fração. Defende a representação fazendária a inexistência de permissivo legal para dita exclusão, na medida em que a própria lei instituidora do incentivo determinou o recurso subsidiário à legislação do imposto sobre a renda para o estabelecimento do conceito de receita operacional bruta. E como se sabe, lá não se faz qualquer distinção entre as vendas, sejam elas de produtos fabricados ou meramente revendidos. Tenho entendimento firmado, há muito tempo, no sentido de que a parcela discutida integra ambas, tanto a receita de exportação quanto a receita operacional bruta. Isso porque, se é verdadeiro o argumento fazendário quanto à Receita Operacional Bruta, ele se aplica do mesmo modo à receita de exportação. De fato, não há na legislação do imposto de renda, nem na legislação comercial, qualquer exclusão a ser feita, seja entre produtos fabricados e não fabricados ou qualquer outro. Receita de exportação é simplesmente aquela que resulta da venda de produtos ou serviços no mercado externo, em nada interferindo a natureza do produto ou do serviço. Fl. 2082DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/01/2 012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Esse é, aliás, o conceito proposto no primeiro ato administrativo editado para regular o incentivo, a Portaria 38/97 do Sr. Ministro da Fazenda. Vale dizer que somente o Ministro de Estado recebeu autorização legal para tal regulamentação (art. 6º da Lei 9.363) carecendo, pois, de competência o autor do ato expedido e seguido pela fiscalização. De sorte que não me parece duvidoso que a decisão proferida não aplicou da melhor forma a legislação ao manter a exclusão daquela parcela da receita de exportação e determinar que ela fosse excluída também da Receita Operacional Bruta. Deveria, ao contrário, mantêla na Receita Operacional Bruta – como já feito no trabalho fiscal – e determinar que ela fosse igualmente computada na receita de exportação. Até porque essa fora a postulação do recurso. É importante destacar que essa determinação levaria a que o direito do contribuinte fosse ainda maior do que o que lhe acabou deferido pela decisão extra petita. Aplicála agora, no entanto, pareceme impossível dado que levaria à reformatio in pejus contra a recorrente. Repitase que a primeira exclusão não é objeto do recurso fazendário. O que ele postula é que se determine apenas a inclusão na Receita Operacional Bruta, mantendose, ao mesmo tempo, sua exclusão da receita de exportação, o que é a forma de cálculo que leva ao menor dos valores. A isso, a meu ver, não se pode dar provimento. Nego, portanto, provimento ao recurso da Fazenda em relação a esse ponto. Quanto ao segundo aspecto do recurso, também não se pode dar provimento à Fazenda. Isso porque, o art. 62A, recentemente incluído no Regimento Interno do CARF, tornou obrigatória a adoção do entendimento expresso em decisão do STJ que tenha sido proferida na sistemática prevista no art. 543C. E naquele e. Tribunal Superior consolidouse o entendimento de que a Selic é devida exatamente na forma que foi concedida no julgamento contestado (REsp 993.164 e 1150188, ambos da relatoria do Ministro Luiz Fux). Destarte, com a ressalva de minha posição pessoal, que acolho todos os argumentos expendidos pela representação fazendária, nego provimento ao seu recurso neste particular. Destarte, é o meu voto pelo não provimento integral do recurso fazendário. E é assim que voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 2083DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/01/2 012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10675.002420/200211 Acórdão n.º 9303001.725 CSRFT3 Fl. 3 5 Fl. 2084DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/01/2 012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 10120.007641/2004-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
MULTA DE OFÍCIO. EXACERBAÇÃO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. INFORMAÇÃO EM DCTF DE VALORES MENORES DO QUE OS APURADOS PELA PRÓPRIA EMPRESA. CARACTERIZAÇÃO.
Caracteriza o “evidente intuito de fraude” previsto no art. 44 da Lei 9.430/96 como causa de elevação da multa de ofício ao percentual de 150% do valor do débito a reiterada conduta do contribuinte de informar em suas DIPJ valores de receita menores do que os por ele mesmo apurados em sua escrita fiscal e regularmente informados ao fisco estadual, mormente quando
obstinadamente recusa-se a apresentar sua contabilidade e, intimado, não justifica plausivelmente as diferenças.
Numero da decisão: 9303-001.654
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial do Procurador. Vencidos os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), Nanci Gama, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Maria Teresa
Martínez López. Designado o Conselheiro Júlio César Alves Ramos para redigir o acórdão.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Rodrigo da Costa Possas
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EXACERBAÇÃO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. INFORMAÇÃO EM DCTF DE VALORES MENORES DO QUE OS APURADOS PELA PRÓPRIA EMPRESA. CARACTERIZAÇÃO. Caracteriza o “evidente intuito de fraude” previsto no art. 44 da Lei 9.430/96 como causa de elevação da multa de ofício ao percentual de 150% do valor do débito a reiterada conduta do contribuinte de informar em suas DIPJ valores de receita menores do que os por ele mesmo apurados em sua escrita fiscal e regularmente informados ao fisco estadual, mormente quando obstinadamente recusase a apresentar sua contabilidade e, intimado, não justifica plausivelmente as diferenças. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial do Procurador. Vencidos os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), Nanci Gama, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Maria Teresa Martínez López. Designado o Conselheiro Júlio César Alves Ramos para redigir o acórdão. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. (assinado digitalmente) JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS – Redator Designado Fl. 715DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/02/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, As sinado digitalmente em 08/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 EDITADO EM: 20/10/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Maurício Rabelo de Albuquerque Silva , Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra Acórdão proferido pelo Segundo Conselho de Contribuintes que deu provimento parcial ao Recurso Voluntário do contribuinte. O Recurso Especial interposto pelo contribuinte teve o seguimento negado por despacho do presidente da 4ª Câmara desta 3ª Sejul. Já o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional foi inteiramente admitido. A análise do presente recurso versará somente sobre a qualificação da multa, prevista no art. 44, inc. II, da Lei nº 9.430;96. Segundo a fiscalização a multa foi majorada em virtude da caracterização de artifício usado pelo contribuinte para reduzir pela metade os valores das contribuições a pagar, evidenciando o intuito de fraude contra a ordem tributária. Ainda segundo a autoridade fiscal, os procedimentos demonstram a consciência da conduta do contribuinte, visando eximirse do pagamento de grande parte das contribuições e tributos, pela omissão de declaração sobre a metade do faturamento da empresa durante quatro anos consecutivos (1999 a 2002) e conseqüente declaração a menor da contribuição. Além disso, o Auditor verificou a falsidade da alegação do contribuinte no sentido de que discordava das inovações da Lei nº 9.718/98, motivo pelo qual teria apurado a base de cálculo do PIS com base no lucro bruto, uma vez que o montante desse lucro informado nas declarações entregues varia entre 10 e 20 % da receita, sendo que o valor declarado como base de cálculo representa mais ou menos 50% da receita Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas Análise da Admissibilidade Fl. 716DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/02/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, As sinado digitalmente em 08/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10120.007641/200414 Acórdão n.º 930301.654 CSRFT3 Fl. 708 3 Do exame dos Acórdãos confrontados, verificase que restou efetivamente comprovada e demonstrada a divergência de entendimentos quanto à questão da desqualificação da multa de oficio, prevista no art. 44, II da Lei n° 9.430/96. Enquanto que no Acórdão recorrido o Colegiado considerou que a reiteração da conduta do contribuinte em declarar ao Fisco valores inferiores aos devidos não caracteriza o evidente intuito de fraude, decidindo pela desqualificação da multa, o Acórdão paradigma, situação fática análoga, decidiu de forma diametralmente oposta, ou seja, que aquela conduta caracteriza o evidente intuito de fraude, devendo ser penalizada com a multa de oficio qualificada. Assim, estando presente todos os pressupostos de admissibilidade, passo a análise do mérito. O fato está devidamente relatado. Porém não basta simplesmente que este colegiado decida se a reiteração de conduta de prestar informação falsa enseja a majoração da multa ora capitulada. Como já dito o fato é conhecido, temos de adentrar na intenção, ou melhor, na prova que houve a intenção de fraude O cerne da discussão passa a ser a presença, ou não, do intuito, do animus, de fraudar, de sonegar. É sabido que as imputações e punições administrativas e penais são independentes, exceto nos casos em que o processo penal conclua pela ausência do fato ilícito ou pela negativa de autoria. Assim descabe a alegação do sujeito passivo em suas contra razões, que a própria fiscalização não tem certeza se houve ou não a intenção, ou mesmo a própria prática ilícita, quando relata na representação fiscal para fins penais que houve a prática, em tese, de crime. O Auditor não poderia afirmar que houve o ilícito penal, pois cabe ao poder judiciário fazêlo. Mas pode sim dizer afirmar que houve a prática do ilícito administrativo. O problema aqui passa a ser a questão da distribuição do ônus da prova. No presente caso é de suma importância a correta a correta análise das provas e de quem tem o ônus de provar. Não é fácil provar a intenção de se praticar algum ato. Assim quem pretende a prova desse tipo de conduta deve se cercar de provas cabais, pois prevalece o princípio da presunção da inocência, ou seja, quem alegar a intenção de outrem em praticar algum ato deve ter o ônus de provar que aquela conduta foi intencional e direcionada com o intuito de lesar, de fraudar. A fiscalização fez uma análise e comprovação precisa dos fatos. Mas quanto a intenção, não se passou do campo das presunções. De fato o contribuinte não se furtou, mesmo que com atrasos, a atender praticamente todas as determinações contidas nos termos a ele apresentados. Realmente houve fatos que ensejassem à presunção de fraude. Mas é necessário mais do meras presunções. Aqui prova irrefutáveis são necessárias e é o fisco que tem de produzilas. Até porque, se houvesse a inversão do ônus da prova, muita das vezes admitida no direito tributário, caberia ao contribuinte a necessidade de provas que não agiu com dolo ou máfé. Todos sabemos que a prova negativa é quase impossível de fazer e que, normalmente, o ônus da prova deve ser do Fl. 717DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/02/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, As sinado digitalmente em 08/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 fato positivo e não negativo. Neste caso o ônus probatório é de quem alega. O fisco é quem alegou que houve e clara intenção e fraude e assim deve provar. Assim voto pelo não provimento do recurso especial. Rodrigo da Costa Pôssas Relator Voto Vencedor Incumbiume o Sr. Presidente da redação do acórdão pelo qual a maioria do colegiado deu provimento ao recurso fazendário para restabelecer a exasperação da multa ao percentual de 150% do valor da contribuição não recolhida, que havia sido reduzida para 75% na instância recorrida, única matéria objeto do recurso. E a principal razão para tanto não foi a mera reiteração da conduta. De fato, partilho as considerações do dr. Rodrigo Possas quanto à insuficiência desse fato per si . Efetivamente, tenho votado não ser suficiente a mera contumácia no procedimento de apurar a menor a base de cálculo das contribuições para demonstrar a intenção do agente de esconder o fato gerador ou suas circunstâncias materiais. É que, em muitos casos, podese aceitar que o contribuinte tenha apenas uma interpretação errada da legislação, que adotará enquanto não for informado de seu erro. Para isso, no entanto, é mister que informe corretamente o seu movimento comercial, isto é, a totalidade da receita auferida, além da base de cálculo que adotou para o pagamento dos tributos (coincidente com a sua contabilidade) e que a divergência apenas se apresente no que tange à apuração desse montante de tributo devido. Em outras palavras, sua declaração, embora não ateste o tributo corretamente devido, cumpre o seu propósito, bastando que a autoridade fazendária a coteje com a legislação para lançar a diferença. No presente caso, o relatório elaborado pelo dr. Rodrigo apenas insinua, mas essa passagem da descrição dos fatos elaborada, em 22/11/2004, pela autoridade autuante deixa clara a intenção sonegadora: Em 28/01/2004, o Contribuinte foi intimado a apresentar, no prazo de 05 (cinco) dias, vários documentos, dentre eles os Livros Diário, Razão e Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, referentes A escrituração contábil dos anoscalendário de 1999 a 2003 de acordo com o disposto nos artigos 904, 905, 910 e 927 do Decreto n°3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda 99), conforme Termo de Inicio de Ação Fiscal (doc. fls.1 a 13) ... Em 02/08/2004, o contribuinte solicita mais 90(noventa) dias de prazo para atender a intimação acima, e informa que grande quantidade de documentos foram entregues informalmente ao fisco estadual e, ao que tudo indica há a possibilidade de terem sido extraviados juntamente com os livros, vez que a empresa está tendo dificuldads para localizálos em seus arquivos, sendo lhe concedido, em 06/08/2004, mais 30 (trinta) dias para Fl. 718DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/02/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, As sinado digitalmente em 08/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10120.007641/200414 Acórdão n.º 930301.654 CSRFT3 Fl. 709 5 cumprir a intimação, referente a sua escrituração contábil de 1999 a 2002 o que não foi atendido até a presente data (doc. fls. 34). Assim, os livros e documentos que deveriam ser mantidos em bom estado e guarda pelo contribuinte, nos termos do artigo 527 do RIR/99 (art. 45 da Lei 8.981/95), não foram apresentados. A fiscalização apurou a base de cálculo da contribuição ao PIS/PASEP devida a partir dos valores de vendas informados na coluna de SAÍDAS, linha VENDAS diminuídos das DEVOLUÇÕES informadas na coluna de ENTRADAS das Declarações Periódicas de Informações DPI, (fls. 86/169), constante do cadastro da Secretaria da Fazenda do Estado de Goiás. Estas foram obtidas através do sistema informatizado On line, decorrente do Convênio de Cooperação Técnica, firmado em 04/11/1998, entre a Secretaria da Receita Federal e a Secretaria da Fazenda do Estado de Goiás, em conformidade com o disposto nos artigos 7° e 199 do Código Tributário Nacional e na Instrução Normativa SRF no 20, de 17/02/1998 (doc.fls. 79/85). A DPI decorre de obrigação acessória relativa à legislação do ICMS e contém os valores registrados nos Livros de Apuração de ICMS, sendo fornecidas pelo contribuinte periodicamente à SEFAZ/GO. Comprovase a veracidade das informações pela identidade entre os valores de ICMS apurados na DPI e os valores recolhidos demonstrados no extrato do sistema online de recolhimentos de ICMS da SEFAZ/G0 (doc.fls. 171/184). Ao se comparar os valores declarados pelo contribuinte a cada ente público, verificase que os valores declarados à SRF são em média 50% (cinquenta por cento) dos valores declarados à SEFAZ/GO ( planilha doc. fls. 43/44). Em 30/08/2004, intimado a esclarecer as diferenças apuradas por esta fiscalização nas planilhas (fls. 43/44 ) entre as receitas declaradas à SEFAZ/GO, nas Declarações Periódicas de Informações DPI e as receitas declaradas à SRF através das Declarações de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ e Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF para composição da base de cálculo do PIS e COFINS nos anos de 1.999, 2.000, 2.001 e 2.002 (fls. 186/388), em sua resposta às fls.45/46, o contribuinte alega que discorda das inovações da Lei n° 9.718/98 e observando aos princípios de Isonomia e Eqüidade, considerou apenas o lucro bruto na apuração da base de cálculo do PIS e COFINS. Verificando as suas Declarações de Imposto de Renda (fls. 189/388) nas fichas de Apuração de Resultados constatase que o seu lucro bruto varia de 10 a 20% da sua receita e o valor declarado como base de calculo do PIS e COFINS representam mais ou menos 50% de sua receita, (conforme planilha de fls. 43/44 ), sendo falso, portanto, o argumento de que tomou como base de cálculo o lucro bruto. ... Fl. 719DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/02/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, As sinado digitalmente em 08/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 Em suma, a empresa: 1. deliberada e obstinadamente obstou o acesso da fiscalização à sua contabilidade, que, mesmo ao final de mais de dez meses de reiteradas solicitações, não foi exibida; 2. declarou à SRF em sua DIPJ de quatro anos consecutivos metade da receita bruta informada à administração tributária do estado e sobre a qual apurou o ICMS. Pareceme, e pareceu à maioria, que isso basta para configurar a intenção de esconder da autoridade administrativa circunstâncias essenciais relativas ao fato gerador da contribuição, a ponto de viabilizar o enquadramento no art. 44, II da Lei 9.430 como efetuado pela fiscalização. O dispositivo, como se sabe, tem a seguinte redação: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. ... Embora esse artigo tenha tido sua redação profundamente alterada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007, no particular, a disposição permanece.Confirase: Art. 14. O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; Fl. 720DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/02/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, As sinado digitalmente em 08/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10120.007641/200414 Acórdão n.º 930301.654 CSRFT3 Fl. 710 7 b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Acresçase que a fiscalização, embora tenha se embasado na escrituração do ICMS, teve o cuidado de não considerar todas as saídas, mas tãosomente aquelas decorrentes de vendas e devidamente descontadas das devoluções. Ademais, não se tratou de mera divergência com a DCTF, que, como sabido, não registra a totalidade da receita, mas a base de cálculo assumida pelo sujeito passivo. Mesmo na DIPJ, em que obrigatoriamente se informa aquele total, a receita está contumazmente informada a menor (fls. 186/388). E com essas considerações, decidiu a maioria prover o recurso fazendário restabelecendo a plenitude da penalidade constante da autuação. Esse o acórdão que me coube redigir. CONSELHEIRO JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS REDATOR DESIGNADO Fl. 721DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/02/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, As sinado digitalmente em 08/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 11176.000204/2007-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2003 a 30/11/2004
Ementa: SALÁRIO INDIRETO – PRÊMIO – INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO
O prêmio fornecido pela empresa a seus empregados a título de incentivo pelas vendas, integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial.
REMUNERAÇÃO CONCEITO
Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de trabalho.
HABITUALIDADE
O conhecimento prévio de que tal pagamento será realizado quando
implementada a condição para seu recebimento retira-lhe o caráter da eventualidade, tornando-o habitual.
Numero da decisão: 2301-002.414
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em
negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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REMUNERAÇÃO CONCEITO Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de trabalho. HABITUALIDADE O conhecimento prévio de que tal pagamento será realizado quando implementada a condição para seu recebimento retiralhe o caráter da eventualidade, tornandoo habitual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a) Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11176.000204/200730 Acórdão n.º 230102.414 S2C3T1 Fl. 215 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos empregados, à da empresa, à destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e aos terceiros. Consta do Relatório da NFLD (fls. 15) que o objeto do lançamento são as contribuições sociais incidentes sobre a remuneração paga aos segurados por meio de um sistema de premiação, que consiste no fornecimento de cartões de premiação, denominados FLEXCARD, fornecidos pela empresa administradora do programa INCENTIVE HOUSE S/A. A autoridade lançadora esclarece que os salários de contribuição foram apurados a partir das notas fiscais emitidas pela empresa administradora do programa, registradas nos livros contábeis da notificada, e que, apesar de solicitado por meio de TIAD, a empresa não apresentou a relação de todos os beneficiários do programa, motivo pelo qual, para alguns segurados, a base de cálculo da contribuição foi apurada por aferição. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0614.566, da 7a Turma da DRJ/CTA (fls. 148), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a notificada apresentou recurso tempestivo (fls. 161), repetindo basicamente as alegações já apresentadas na impugnação. Preliminarmente, insiste na nulidade do lançamento, argumentando que, durante a fase de fiscalização, não basta ser "concedida oportunidade ao autuado de apresentar documentos e esclarecimentos", sendo imprescindível que as autoridades fiscais se utilizem de todos os meios possíveis para se alcançar a verdade material dos fatos, o que não ocorreu no caso vertente, em razão da flagrante superficialidade das diligências realizadas. Infere que, no exercício da atividade de fiscalização e arrecadação, deve a autoridade administrativa buscar a real essência dos acontecimentos retratados pela contabilidade da pessoa jurídica, e que só assim poderá ser corretamente aferida a base de cálculo do tributo, que só pode ser exigido ante a efetiva ocorrência do fato gerador. Sustenta que, se ao contribuinte não forem deferidos todos os recursos inerentes ao exercício de seu direito à ampla defesa, a Administração Tributária poderá, no exercício da atividade de fiscalização, concluir de forma equivocada acerca da ocorrência e reais características do fato gerador, tal como ocorrido no caso vertente, afastandose da verdade material, o que ofenderia os princípios constitucionais do contraditório, do devido processo legal e o da estrita legalidade tributária. Defende o esgotamento, pelos agentes de fiscalização, da tarefa de esclarecer a natureza e reais características das atividades e negócios jurídicos entabulados entre os particulares, investigando a verdade material, em face do caráter estritamente vinculado que Fl. 488DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA 4 reveste o ato administrativo de lançamento, relativamente ao qual a discricionariedade encontrase totalmente proscrita. Entende que a fiscalização deve investigar detalhada e exaustivamente todos os documentos e livros do contribuinte, permitindo inclusive sua participação para auxiliar na verificação do cumprimento de suas obrigações tributárias, aprofundando as investigações necessárias e solicitandolhe esclarecimentos, enfim, realizando toda a sorte de diligências necessárias para a confirmação da ocorrência do fato gerador e correta determinação da base de cálculo do tributo. Procura demonstrar a necessidade de se assegurar ao contribuinte, na esfera administrativa, o regular contraditório, provendolhe o acesso a todos os meios e instrumentos necessários ao exercício do seu direito à ampla defesa, no curso do devido processo legal. Assevera que, no caso presente, o auditor não investigou adequadamente a verdade material, em razão da superficialidade das diligências realizadas na fase de fiscalização, não intimou a Recorrente para prestar esclarecimentos acerca dos documentos e livros examinados e, finalmente, valeuse de presunção ao efetuar o lançamento do crédito tributário, em flagrante violação aos princípios da legalidade, do contraditório, da ampla defesa e da própria busca da verdade material. Alega que, tivesse o nobre auditor aprofundado suas investigações, solicitando esclarecimentos à Recorrente a respeito da efetiva causa dos pagamentos de premiação decorrentes de programa de estímulo ao aumento da produtividade, assim como sobre sua frequência, facilmente teria verificado que eles não deveriam efetivamente ter integrado o saláriodecontribuição, em razão de expressa previsão legal. Aduz que se tivesse tido a oportunidade de interagir com o auditor fiscal, de confirmar ou infirmar suas alegações, inclusive apresentando esclarecimentos e documentos adicionais, certamente teria se evidenciado que o crédito tributário apurado não é efetivamente devido, pois os valores creditados aos funcionários da Recorrente, por meio de cartão magnético, efetivamente não deveriam ter integrado a base de cálculo das contribuições previdenciárias reclamadas. No mérito, tenta demonstrar a ausência de habitualidade na concessão dos bônus e gratificações a alguns de seus empregados como incentivo de vendas, por meio de cartões magnéticos, enquadrandoos no item 7, da alínea “e”, do § 9o, do art. 28, da Lei 8.212/91. Reitera que tais verbas não se tratam de remuneração pela prestação de serviços, pois dependiam da produtividade dos funcionários e do próprio resultado da atividade operacional da Recorrente, e não foram contratualmente estabelecidos. Defende a necessidade da conversão do julgamento em diligência a fim de que as investigações fossem aprofundadas, confirmandose a freqüência de pagamentos em relação a cada beneficiário, assim como todas as demais evidências documentais que lastreiam o procedimento adotado pela Recorrente. Entende que o indeferimento da diligência pela primeira instância não pode subsistir, uma vez que a Recorrente apontou expressamente os motivos para sua realização e que a formulação de quesitos só se aplica nos casos de pedido de perícia, que teria que ser realizada por profissional técnico especializado na matéria, o que não se confunde com a diligência, que é realizada pelo próprio auditor fiscal. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11176.000204/200730 Acórdão n.º 230102.414 S2C3T1 Fl. 216 5 É o relatório. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA 6 Voto Conselheiro Bernadete De Oliveira Barros O recurso é tempestivo e não há óbice para seu conhecimento. Do recurso apresentado, registro o que se segue. Preliminarmente, a notificada traz vários argumentos tentando demonstrar a nulidade da NFLD. Entende que houve cerceamento de defesa, em razão da superficialidade das diligências realizadas na fase de fiscalização. Contudo, não se verifica a nulidade alegada pela recorrente. A fiscalização, em ação fiscal na empresa, constatou o pagamento de prêmios e solicitou a documentação pertinente. A empresa apresentou a documentação solicitada de forma deficiente, sem contemplar todos os beneficiários do prêmio por ela concedido. Portanto, entendo que não cabe a alegação de que a fiscalização não se aprofundou em sua análise. E, diante da constatação, por meio da análise dos registros contábeis da recorrente e das notas fiscais emitidas pela empresa administradora do programa de premiação, Incentive House, que a notificada concedia prêmios a alguns de seus empregados, e diante de um entendimento jurisprudencial de que prêmio é remuneração, a fiscalização, cuja atividade é vinculada, não teve outra alternativa a não ser lançar a contribuição devida, incidente sobre os valores relativos aos prêmios. Assim, ao contrário do que afirma a recorrente, o auditor aprofundou, sim, em suas investigações, pois analisou os registros feitos nos livros contábeis da empresa notificada, e solicitou, por meio de TIAD, os documentos que trariam esclarecimentos a respeito dos pagamentos de premiação decorrentes de programa de estímulo ao aumento da produtividade. Dessa forma, verificase que a NFLD foi lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Notificação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura da NFLD e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11176.000204/200730 Acórdão n.º 230102.414 S2C3T1 Fl. 217 7 Em relação ao argumento de que a ausência de interação entre contribuinte e fiscalização, durante a fase fiscalizatória, cerceou o direito de defesa da recorrente e ofendeu o princípio do contraditório e devido processo legal, vale esclarecer que os procedimentos da autoridade fiscalizadora têm natureza inquisitória, não se sujeitando ao contraditório os atos lavrados nesta fase. Somente depois de lavrado a NFLD e instalado o litígio administrativo é que se pode falar em obediência aos ditames do princípio do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal. Nesse sentido, já decidiu o antigo Conselho de Contribuintes atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): NORMAS PROCESSUAIS NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃOA fase de investigação e formalização da exigência, que antecede à fase litigiosa do procedimento, é de natureza inquisitorial, não prosperando a argüição de nulidade do auto de infração por não observância do princípio do contraditório. Assim também a mesma argüição, quando fundada na alegação de falta de motivação do ato administrativo, que, de fato, não ocorreu.(Acórdão 10193425) Sem que fique demonstrado que após o início do litígio houve ofensa ao contraditório ou à ampla defesa, não há como acatar a pretensão da recorrente de nulidade. Ressaltase que a fase fiscalizatória, dada sua natureza inquisitorial, não se constitui em requisito essencial que deva preceder o lançamento. Caso a autoridade fiscal disponha de elementos suficientes para realizar o lançamento, nos moldes do art. 142 do CTN, poderá fazêlo sem que qualquer intimação ao contribuinte seja feita. No caso presente, verificase que foi concedido, à notificada, o prazo legal para apresentação da defesa e recurso, ficandolhe facultado fornecer os documentos que entendesse necessários para comprovar sua regularidade fiscal. Dessa forma, considerando a natureza inquisitorial da fase fiscalizatória, não se vislumbra motivos para nulidade do lançamento. Cumpre observar que a contribuinte foi cientificada do início da ação fiscal por meio do MPF, que é o documento que instaura o procedimento fiscal. E o MPF traz a descrição sumária da ação fiscal, deixando claro que a fiscalização é para verificar a ocorrência dos fatos geradores previdenciários, o que foi feito pelos Auditores designados. Assim, o lançamento, como ato administrativo, é válido, pois precedido de MPF válido, e o fiscal, a quem compete o lançamento, ao constatar o descumprimento da obrigação acessória, lavrou o AI, em observância aos ditames legais. Ademais, conforme o art. 14, do Decreto 70.235/72, é a impugnação da exigência que instaura a fase litigiosa do procedimento. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA 8 Nesse sentido, não há que se falar em nulidade da NFLD por cerceamento de defesa, já que foram observados, no presente processo administrativo, os mandamentos estabelecidos pelo Decreto 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal. Nesse sentido, considerando que todos os elementos necessários para a elaboração de defesa pelo contribuinte encontramse nos autos, rejeito a preliminar de nulidade por cerceamento de defesa. No mérito, a recorrente não nega que pagou premiações a alguns de seus empregados, mas apenas tenta demonstrar que os valores relativos à premiação concedida por meio de empresa contratada, administradora do programa, não integram o salário de contribuição. Contudo, a Constituição Federal, preceitua, no § 4º do art. 201, renumerado para o § 11, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98, o seguinte: § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüentemente repercussão em benefícios, nos casos e na \forma da lei. (grifei) A Lei 8.212/91 consubstanciou o disposto na Constituição Federal, ao estabelecer, no inciso I, do art. 28 da Lei 8.212/91, que salário de contribuição é“...a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma,...” (grifei). Restou claro, nos autos, que a concessão de prêmio aos empregados em função de desempenho, como incentivo para as vendas não é eventual e esporádica, e sim habitual. Tais verbas, como a própria recorrente insiste em afirmar em seu recurso, possuem a natureza de prêmio. E, segundo Amauri Mascaro Nascimento: "A natureza jurídica do prêmio não sofre, praticamente, contestações. É uma forma de salário vinculado a um fator de ordem pessoal do empregado ou geral de muitos empregados, via de regra a sua produção. Daí falarse, também, em salário por rendimento ou salário por produção. Caracterizase, também, pelo seu aspecto condicional. Uma vez verificada a condição de que resultam, devem ser pagos". (In “Teoria Jurídica do Salário”, Editora LTR, 1994, pg. 256). Assim, prêmio é remuneração. Esse também é o entendimento do TST: “Prêmio é gratificação, e gratificação é salário, se ajustada expressa ou tacitamente, porque a CLT não exige o ajuste expresso" TST pleno ERR 1943/82 DJU 06/12/85 pág. 22644” . E a CLT discrimina as parcelas que compõem a remuneração do empregado, conforme seu art. 457: Art. 457. Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11176.000204/200730 Acórdão n.º 230102.414 S2C3T1 Fl. 218 9 § 1º Integram o salário, não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagem e abonos pagos pelo empregador. Assim as gratificações, que podem ser eventuais, integram a remuneração do empregado por expressa previsão legal. A fiscalização constatou, o que foi confirmado pela recorrente em sua peça recursal, que tais valores são pagos por meio de empresa interposta para premiar alguns de seus empregados. Conforme art. 176 do CTN, “a isenção, ainda que prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão...”. No presente caso, não resta dúvida que os prêmios concedidos por meio da empresa prestadora citada no Relatório Fiscal, não estão incluídos nas hipóteses legais de isenção previdenciária, previstas no § 9º, art. 28, da Lei 8.212/91. Resta claro que o pagamento feito pela recorrente a título de programa de incentivo em favor dos segurados que lhe prestam serviços não se trata de fornecimento de meio para que esses trabalhadores possam exercer suas funções, e sim uma vantagem que representa um acréscimo indireto à sua remuneração, devendo, portanto, sofrer incidência de contribuição previdenciária. É inegável, no caso presente, o acréscimo patrimonial do empregado ao receber as quantias correspondentes aos prêmios de incentivo. Em que pese o esforço argumentativo da recorrente, verificase que os pagamentos em tela realmente se a amoldam ao figurino legal que delimita a basedecálculo da contribuição previdenciária, como bem entendeu a fiscalização e os julgadores de primeira instância. Cumpre esclarecer que a condição de se tratar ou não de salário não está vinculada ao interesse da fonte pagadora ou do empregador em, com aquele pagamento, assalariar ou não seu empregado. Ou seja, não é o nome do pagamento ou a vontade da empresa em si que vai determinar sua natureza jurídica. O que irá afastar a verba paga da incidência tributária é a estreita observância à legislação a que trata da matéria. Dessa forma, os valores recebidos pelos empregados da recorrente a título de prêmio integram o salário de contribuição, conforme inciso I, art 28, da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Medida Provisória nº 1.59614/1997, convertida na Lei 9.528/97. Em relação aos argumentos de que a verba em comento não teria natureza salarial já que dependia da produtividade dos empregados e não foi contratualmente estabelecida, é oportuno observar que tais prêmios, oferecidos por mera liberalidade, ainda que de forma condicionada, pela empregadora a seus empregados não nega sua característica remuneratória, já que é decorrência única e exclusiva do contrato existente entre ambos, e mais, representa ganho obtido da empresa, o que nos mostra uma vinculação entre seu fornecimento e o labor do seu beneficiário, indicadora da sua natureza contraprestativa, numa forma indireta. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA 10 Da mesma forma, constatase que não estamos diante de um pagamento eventual, como veementemente sustenta a recorrente, já que o ganho habitual passível de exação não é necessariamente aquele valor auferido mês a mês, trimestralmente ou mesmo bimestralmente etc. Há verbas pagas no decorrer do contrato de trabalho, ainda que não sejam auferidas nessas condições, e que não podem ser vistas como meramente eventuais. Ademais, o conhecimento prévio de que tal pagamento será realizado quando implementada a condição para seu recebimento retiralhe o caráter da eventualidade, tornando o habitual. Há, portanto, uma expectativa criada que se sobrepõe ao fato de não ser seqüencial a continuidade a liberalidade; a continuidade existe por todo o tempo que perdurar o contrato, o recebimento é que depende acontecer a condição estabelecida pelo empregador, que concede o prêmio. A expectativa criada, o costume e a certeza do benefício em se caracterizando a situação prédefinida pela empresa empregadora gera a habitualidade, afasta por completo a eventualidade que poderia enquadrar o pagamento no item 7 da letra “e” do § 9º da Lei 8.213/91. Relativamente ao pedido que seja realizada diligência, vale lembrar que o inciso IV e § 1o, do art. 16, do Decreto 70.235/72, assim determina: Art. 16: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; *(Redação dada pela Lei 8.748/93). § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. *(Acrescido pela Lei 8.748/93) A recorrente insurgese contra esse entendimento, argumentando que apontou expressamente os motivos para realização da diligência e que a formulação de quesitos só se aplica nos casos de pedido de perícia. Contudo, não é o que se depreende da leitura do dispositivo legal transcrito acima, que deixa claro que, no caso de pedido de realização de diligência, a requerente deve, sim, formular os quesitos e, apenas para os casos de perícia, devese indicar o perito. Assim, entendo que assiste razão aos julgadores de primeira instância, que indeferiram, com muita propriedade, o pedido de diligência formulado pela recorrente, uma vez que não foram cumpridos os requisitos legais. Ademais, da análise dos autos, verificase que não existem dúvidas a serem sanadas, já que o Relatório Fiscal está claro e a NFLD muito bem fundamentada. Assim, indeferese o pedido de seja realizada diligência, por considerála prescindível e meramente protelatória. Nesse sentido e, Fl. 495DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11176.000204/200730 Acórdão n.º 230102.414 S2C3T1 Fl. 219 11 Considerando tudo o mais que dos autos consta, Voto no sentido de CONHECER do recurso e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete De Oliveira Barros Relatora Fl. 496DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720743/2007-17
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário:
2002
NULIDADE DO LANÇAMENTO Não
são causa de nulidade do auto de infração, eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal. Atendidos todos os requisitos formais, somente ensejam nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, os despachos e decisões
proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de ampla defesa, hipóteses essas que se encontram ausentes nos presentes autos.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MPF. INTIMAÇÃO POR VIA
POSTAL. VALIDADE.
É válida a ciência do Mandado de Procedimento Fiscal por via postal, não sendo obrigatória a intimação pessoal do contribuinte.
LUCRO ARBITRADO. CABIMENTO.
O imposto será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal.
Numero da decisão: 1803-001.105
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: SELENE FERREIRA DE MORAES
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2002 NULIDADE DO LANÇAMENTO Não são causa de nulidade do auto de infração, eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal. Atendidos todos os requisitos formais, somente ensejam nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de ampla defesa, hipóteses essas que se encontram ausentes nos presentes autos. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MPF. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. VALIDADE. É válida a ciência do Mandado de Procedimento Fiscal por via postal, não sendo obrigatória a intimação pessoal do contribuinte. LUCRO ARBITRADO. CABIMENTO. O imposto será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal.
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Atendidos todos os requisitos formais, somente ensejam nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de ampla defesa, hipóteses essas que se encontram ausentes nos presentes autos. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MPF. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. VALIDADE. É válida a ciência do Mandado de Procedimento Fiscal por via postal, não sendo obrigatória a intimação pessoal do contribuinte. LUCRO ARBITRADO. CABIMENTO. O imposto será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Fl. 213DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/12 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10283.720743/200717 Acórdão n.º 180301.105 S1TE03 Fl. 2 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “Versa o presente processo sobre o(s) Auto(s) de Infração de fls. 104106, 110112, 117119 e 124126, relativo(s) ao Imposto de Renda Pessoa JurídicaIRPJ, Contribuição para o Programa de Integração SocialPIS, Contribuição para Financiamento da Seguridade SocialCOFINS e Contribuição Social Sobre o Lucro LíquidoCSLL, ano(s)calendário 2002, com crédito total apurado no valor de R$ 1.022.581,3 1, incluindo o principal, a multa de ofício e os juros de mora, atualizados até 30/11/2007. De acordo com a Descrição dos Fatos do(s) Auto(s) de Infração, o(s) sujeito(s) passivo(s) incorreu(am) na(s) seguinte(s) infração(ões): Omissão de receitas de prestação de serviços. O Auto de Infração também é integrado pelo Termo de Verificação Fiscal (fls. 5657) e Demonstrativo de Notas Fiscais Emitidas (fl. 58). O lucro do contribuinte foi arbitrado em razão da falta de apresentação dos livros e documentos de sua escrituração (art. 530, III, RIR/99). Sobre a exigência principal foi aplicada a multa de ofício de 75%. O(s) sujeito(s) passivo(s) tomou(aram) ciência do(s) lançamento(s) em 27/12/2007 (fls. 132) e apresentou(am) sua(s) impugnação(ões) em 28/01/2008 (fls. 137143), na(s) qual(is) alegou em síntese que: 1. Não tomou ciência do MPF n° 0220100/00179/2007; 2. O AuditorFiscal da RFB não se identificou no ato de entrega dos MPF e MPFC; 3. A ação fiscal se iniciou sem a ciência do sujeito passivo; Fl. 214DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/12 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10283.720743/200717 Acórdão n.º 180301.105 S1TE03 Fl. 3 3 4. Houve alteração do responsável pela execução do MPF em desrespeito ao que estabelece o §2°, do art. 22, da Portaria RFB n° 4.066/07; 5. Também houve desrespeito aos artigos 13, §2°, 16, parágrafo único, e 22, caput, da mesma Portaria; 6. 0 pedido de informações à Prefeitura Municipal de Manaus foi feito ao arrepio do que estabelece o art. 199 do CTN, comprometendo os princípios da segurança jurídica, da publicidade dos atos públicos e do direito de defesa; 7. Seria impossível a recorrente fazer a entrega dos documentos solicitados em razão do seu volume expressivo; 8. Tais documentos deveriam ser retirados do escritório da empresa sob recibo do AFRFB por tratarse de documentos sujeitos ao sigilo fiscal; 9. Os extratos bancários somente ficaram prontos após o encerramento da fiscalização; 10. Assim, não deve ser responsabilizada pela falta de entrega dos documentos; 11. "a não entrega de documentos não constou a ação fiscal que, mesmo assim, lavrou o auto sem agravamento de multa, em demonstração inequívoca do Fisco de que não houve descumprimento de obrigação fiscal"; 12. Dessa forma não procede o arbitramento com base no art. 530, III, o do RIR/99; 13. Há erro na capitulação da infração (omissão de receita), pois o art. 288 do RIR/99 não se coaduna com o arbitramento do lucro. Dessa forma, o lucro deveria ter sido presumido conforme a opção do contribuinte; 14. 0 Fisco não considerou os lançamentos da DIPJ e os respectivos pagamentos de IRPJ; 15. O fisco errou ao adotar um lançamento complementar quando o art. 528 determina que a receita omitida deverá ser computada na mesma base da receita declarada, subtraindo o valores recolhidos do valor apurado. 16. Para tanto, anexa os DARF's às folhas 144145.” A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente em parte, em decisão assim ementada: “NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). NÃO OCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da Fiscalização, não implicando Fl. 215DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/12 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10283.720743/200717 Acórdão n.º 180301.105 S1TE03 Fl. 4 4 nulidade do procedimento as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. ARBITRAMENTO DO LUCRO. o arbitramento do lucro não é uma penalidade tributária, mas, sim, um modalidade de apuração do lucro necessária e obrigatória em casos de impossibilidade de apuração do lucro real e/ou lucro presumido. A não apresentação dos livros de escrituração obrigatória é motivo suficiente para a medida. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CAPITULAÇÃO LEGAL IMPERFEITA. O erro na capitulação legal, ou mesmo a sua ausência, não acarreta a nulidade do auto de infração quando a descrição dos fatos nele contida é exata, possibilitando ao sujeito passivo defenderse de forma ampla das imputações que lhe foram feitas. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos lançamento cuja exação se faz por homologação, havendo pagamento antecipado do imposto, e ausentes o dolo, fraude ou simulação, realizase a contagem do lustro decadencial a partir da data do fato gerador. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Aplicase à tributação reflexa, no que couber, idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito.” Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que tece as seguintes considerações: a) A Portaria RFB n° 4.066/07 não é uma norma infralegal, mas faz parte do conjunto denominado legislação tributária no art. 96 do CTN. b) Uma vez instituído o MPF, tornase obrigatória a presença do agente fiscal perante o contribuinte a fim de que o relacionamento possa se completar. c) Não há previsão legal para o contribuinte levar os documentos solicitados até a presença do fisco. Mesmo porque o interesse é do fisco e o contribuinte não é empregado do fisco. Sempre foi assim: o fisco retira os documentos exigidos junto ao contribuinte. Mas no caso, isso ficou impossível porque o fisco não compareceu como manda o MPF. Daí a impossibilidade de responsabilizar o contribuinte. d) Requer que seja mantida a decadência apresentada e aprovada pela DRJ Belém, e que seja afastado o crédito tributário em função da aplicação incorreta do MPF. e) Quanto ao mérito, o auto de infração deve ser cancelado em virtude de erro no lançamento. É o relatório. Fl. 216DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/12 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10283.720743/200717 Acórdão n.º 180301.105 S1TE03 Fl. 5 5 Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 08/03/2010 (AR de fls. 156 verso). O recurso foi protocolado em 04/04/2010, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. Primeiramente, cumpre observar que a decisão recorrida é definitiva quanto aos valores exonerados em virtude do reconhecimento da decadência. Isto porque, a decisão não foi objeto de recurso de ofício. Assim, apenas está sendo analisado no presente recurso o crédito tributário cujo fato gerador ocorreu em 31/12/2002, o qual foi mantido na decisão recorrida. A recorrente reitera a preliminar de nulidade do auto de infração pela aplicação incorreta do MPF. A Portaria SRF n° 6.087/2005 assim dispõe sobre o MPF: “Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela SRF serão executados, em nome desta, pelos AuditoresFiscais da Receita Federal (AFRF) e instaurados mediante Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Parágrafo único. Para o procedimento de fiscalização será emitido Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPF F), no caso de diligência, Mandado de Procedimento Fiscal Diligência (MPFD).” O procedimento de fiscalização foi instaurado mediante o Mandado de Procedimento Fiscal de fls. 1. A ciência do MPF, e do termo de início de fiscalização foi efetuada por via postal (AR de fls. 6), nos termos do inciso II, do art. 23 do Decreto n° 70.235/1972: “Art. 23. Farseá a intimação: II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo;” Ou seja, o contribuinte foi devidamente intimado, nos termos das normas que regulam o processo administrativo fiscal. Insurgese o contribuinte tão somente contra o fato do Auditor Fiscal não tê lo intimado pessoalmente, e não ter comparecido a seu estabelecimento. A questão da validade das intimações por via postal é matéria sumulada neste Conselho, ainda que o recebedor não seja o representante legal da empresa: Fl. 217DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/12 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10283.720743/200717 Acórdão n.º 180301.105 S1TE03 Fl. 6 6 “Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.” Por outro lado, no termo constam claramente todas as instruções a serem seguidas pelo contribuinte, in verbis: “A resposta à presente intimação deverá ser prestada por escrito, datada e assinada pelo contribuinte, ou seu representante legal, com indicação dos elementos que estão sendo apresentados. Os elementos solicitados na presente intimação deverão ser encaminhados ao Auditor Fiscal signatário na DRF/Manaus, Serviço de Fiscalização , situado na Rua Quintino Bocaiúva n° 122, 3° andar , Centro. E, para constar e surtir os efeitos legais , lavramos o presente Termo, em 03 (três ) vias de igual forma e teor, assinado pelo(s) Auditor (es)Fiscal(is) da Receita Federal do Brasil , cuja ciência e cópia do contribuinte se dará via postal , por Aviso de Recebimento (AR)” O único vício do MPF é aquele apontado pela decisão recorrida, qual seja, a necessidade de emissão de novo MPF, nos termos do § 2°, do art. 22 da Portaria RFB n° 4.066/07. No entanto, o MPFMandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. O art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, enumera quais os elementos indispensáveis que um auto de infração deve conter, cuja inobservância pode acarretar nulidade do ato por vício formal: “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.” Fl. 218DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/12 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10283.720743/200717 Acórdão n.º 180301.105 S1TE03 Fl. 7 7 No presente caso, constatamos que o auto de infração lavrado contém todos os elementos obrigatórios. Não há que se falar em nulidade do auto de infração, quando este foi lavrado por autoridade competente, com observância de todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972. Atendidos todos os requisitos formais, somente ensejam nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de ampla defesa, hipóteses essas que se encontram ausentes nos presentes autos. Por conseguinte, rejeito a preliminar de nulidade por irregularidade no MPF. Quanto ao mérito, insurgese a recorrente contra a base de cálculo adotada pela fiscalização para apurar o crédito tributário, qual seja, o lucro arbitrado. A autoridade administrativa arbitrou o lucro com fulcro nos seguintes dispositivos legais: “Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando: III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527;” Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, § 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I).” Ao ser intimada a apresentar os livros e documentos de sua escrituração comercial e fiscal, a contribuinte quedouse silente. A intimação da fiscalização foi válida, e, a contribuinte não relatou por escrito qualquer dificuldade na obtenção dos documentos, nem tampouco solicitou prorrogação de prazo para apresentação dos elementos solicitados. Além dos livros, também foram solicitados extratos bancários e de aplicações financeiras relativas a 4 contas bancárias. A contribuinte não apresentou nenhum dos elementos solicitados, nem qualquer justificativa para tal procedimento. Não vislumbro falhas no procedimento fiscal, sendo que a situação fática autoriza a aplicação dos arts. 530, III, e 532, do Decreto n° 3.000/1999. A fiscalização não só pode, como deve arbitrar o lucro quando se deparar com as hipóteses previstas no art. 530 do regulamento. A fiscalização tem o poderdever de examinar os livros e documentos necessários à apuração da veracidade das declarações e balanços apresentados. No presente caso, ela ficou impedida de realizar tal atividade, restandolhe tão somente a alternativa de calcular o tributo devido com base no lucro arbitrado. Fl. 219DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/12 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10283.720743/200717 Acórdão n.º 180301.105 S1TE03 Fl. 8 8 Passemos a analisar a questão do erro no cálculo A fiscalização apurou as seguintes informações em relação ao 4° trimestre de 2002 (fls. 58, 70/71, 99/101): Mês Valores das notas fiscais obtidas junto à Prefeitura de Manaus Valores confessados na DCTF Valores informados na DIPJ Outubro 377.412,20 0,00 128.320,15 Novembro 430.265,50 0,00 146.290,25 Dezembro 475.836,20 0,00 161.784,30 Total 1.283.513,90 0,00 436.394,70 Foi tributado como omissão de receitas o valor total das notas fiscais obtidas junto à Prefeitura de Manaus, com utilização do percentual de prestação de serviços gerais. Pelas provas constantes dos autos a empresa exerce a atividade de locação de equipamentos, tais como escavadeiras, caçambas, motoniveladoras, tratores etc. Não há como negar a omissão de receitas apurada e fartamente demonstrada pela juntada das notas fiscais, notas de empenho, cheques e ordens bancárias. O arbitramento tomou por base os valores faturados nas notas fiscais de prestação de serviços para a Prefeitura de Manaus. A recorrente alega que o fisco não incluiu na base de cálculo do lançamento a receita escriturada na DIPJ e, tampouco, deduziu do imposto devido os pagamentos já efetuados. A fiscalização considerou como receita omitida o valor total das notas fiscais: “Os valores totalizados mensalmente representam omissão de receita, e serão tributados mediante lançamento de oficio, com base nos arts. 532 e 537 do RIR/99.Ressaltamos o fato de que não há valores declarados a deduzir dos débitos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, apurados no Auto de Infração.” A decisão recorrida não deduziu os valores recolhidos por entender que a receita total deveria ser o somatório dos montantes declarados e das notas fiscais emitidas, in verbis: “De fato o IRPJ tem uma única base de cálculo. Logo, o arbitramento do lucro deveria abranger a receita declarada. e a omitida. E, por conseguinte, o imposto apurado sobre totalidade das receitas tributáveis deveria ser deduzido do imposto já recolhido. Ocorre o lapso no lançamento só veio a beneficiar o contribuinte. Isto porque a inclusão da receita declarada na base do arbitramento aumentaria o margem de lucro sobre esta receita, o que levaria a uma insuficiência ainda maior do recolhimento, conforme demonstra a tabela comparativa abaixo.” Fl. 220DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/12 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10283.720743/200717 Acórdão n.º 180301.105 S1TE03 Fl. 9 9 A fiscalização equivocouse ao não incluir na base de cálculo do tributo a receita declarada, mas como muito bem demonstrou a decisão recorrida, o lapso acabou por diminuir o valor da exigência. Por conseguinte, não merecer reparos a decisão de primeira instância. Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 221DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/12 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 10580.721921/2008-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 15/01/2004 a 31/12/2004
AQUISIÇÃO DE MATERIAIS DE EMBALAGEM. REGIME DE
SUSPENSÃO DO IPI. FABRICAÇÃO PREPONDERANTE. EMPRESAS
OPTANTES PELO SIMPLES. INAPLICABILIDADE.
O regime de suspensão do IPI de que trata o art. 29 da Lei nº 10.637, de
2002, não se aplica às empresas optantes pelo Simples, seja em relação às
aquisições que efetuar de seus fornecedores, seja em relação às saídas de
produtos que promover.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.347
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 15/01/2004 a 31/12/2004 AQUISIÇÃO DE MATERIAIS DE EMBALAGEM. REGIME DE SUSPENSÃO DO IPI. FABRICAÇÃO PREPONDERANTE. EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. INAPLICABILIDADE. O regime de suspensão do IPI de que trata o art. 29 da Lei nº 10.637, de 2002, não se aplica às empresas optantes pelo Simples, seja em relação às aquisições que efetuar de seus fornecedores, seja em relação às saídas de produtos que promover. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2111; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 8 1 7 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.721921/200845 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 330201.347 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de novembro de 2011 Matéria IPI REGIME DE SUSPENSÃO SIMPLES Recorrente PROPLAST LOCADORA DE BENS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 15/01/2004 a 31/12/2004 AAQQUUIISSIIÇÇÃÃOO DDEE MMAATTEERRIIAAIISS DDEE EEMMBBAALLAAGGEEMM.. RREEGGIIMMEE DDEE SSUUSSPPEENNSSÃÃOO DDOO IIPPII.. FFAABBRRIICCAAÇÇÃÃOO PPRREEPPOONNDDEERRAANNTTEE.. EEMMPPRREESSAASS OOPPTTAANNTTEESS PPEELLOO SSIIMMPPLLEESS.. IINNAAPPLLIICCAABBIILLIIDDAADDEE.. OO rreeggiimmee ddee ssuussppeennssããoo ddoo IIPPII ddee qquuee ttrraattaa oo aarrtt.. 2299 ddaa LLeeii nnºº 1100..663377,, ddee 22000022,, nnããoo ssee aapplliiccaa ààss eemmpprreessaass ooppttaanntteess ppeelloo SSiimmpplleess,, sseejjaa eemm rreellaaççããoo ààss aaqquuiissiiççõõeess qquuee eeffeettuuaarr ddee sseeuuss ffoorrnneecceeddoorreess,, sseejjaa eemm rreellaaççããoo ààss ssaaííddaass ddee pprroodduuttooss qquuee pprroommoovveerr.. RReeccuurrssoo VVoolluunnttáárriioo NNeeggaaddoo Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente. (Assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Fl. 191DF CARF MF Emitido em 21/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/12/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto e transcrevo o relatório que instruiu a decisão recorrida, proferida no Acórdão nº 1525.387, pela 4ª Turma da DRJ/SALVADOR BA, sessão de 18/11/2010 (fls. 167 a 173): Tratase de Auto de Infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, que pretende a cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI pertinente ao período compreendido entre janeiro e dezembro de 2004. Consta do Termo de Verificação Fiscal que a autuada utilizouse incorretamente da suspensão do IPI prevista na Medida Provisória nº 66, de 2002, e nos artigos 16 e 18 da Instrução Normativa SRF nº 207, mencionadas nas notas fiscais de saída analisadas pela fiscalização. A suspensão do IPI prevista no art. 29 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, conversão da Medida Provisória nº 66, de 2002, é assegurada às saídas de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem destinados a estabelecimentos industriais que se dediquem preponderantemente à elaboração dos produtos elencados no referido artigo. Assim, segundo o autuante, tendo em vista a saída de mercadorias destinadas a empresas optantes pelo Simples relacionadas à folha 51, às quais não se aplica a suspensão do IPI, nos termos do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 16, de 16 de junho de 2004, bem como a saída de mercadorias destinadas a estabelecimentos que não têm por objeto social a elaboração preponderante de produtos de origem animal ou vegetal elencados no art. 29 da Lei nº 10.637, de 2002, conforme relação à folha 50, restou caracterizada a não satisfação dos requisitos que condicionaram a suspensão em comento, tendo sido, então, lançado de ofício o IPI não destacado nas notas fiscais. Às folhas 39/49 foi anexado “Demonstrativo do IPI a lançar” informando o número, valor e data da nota fiscal, nome e CNPJ do cliente, CFOP e classificação fiscal do produto e o IPI a lançar. Em 05/11/2008 (Aviso de Recebimento – AR à folha 135), a contribuinte foi cientificada do Auto de Infração, apresentando em 01/12/2008 a impugnação de folhas 136/153, sendo essas as suas alegações, em síntese: 1. A vedação à fruição do benefício pelas empresas optantes do SIMPLES é flagrantemente ilegal, pois não consta no art. 29 da Lei nº 10.637, de 2002, nem no Decreto nº 4.544, de 2002, não podendo a Instrução Normativa SRF nº 296, de 2003, impor restrição inexistente na referida lei, extrapolando o seu dever meramente regulamentar, transcrevendo doutrina e jurisprudência que corroborariam seus argumentos; 2. Desta forma, deve ser declarada nula a restrição criada pela Instrução Normativa SRF n° 296, de 2003, e ratificada pelo Ato Fl. 192DF CARF MF Emitido em 21/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/12/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE Processo nº 10580.721921/200845 Acórdão n.º 330201.347 S3C3T2 Fl. 9 3 Declaratório Interpretativo SRF n° 16, de 2004, por ser inconstitucional e ilegal; 3. Ademais, se o próprio autuante reconhece que as adquirentes têm que declarar de forma expressa que atendem a todos os termos e requisitos para a fruição do benefício sob as penas da lei, e intimou a impugnante a apresentar as declarações prestadas pelos adquirentes, onde afirmam sua condição para usufruir do citado benefício, figurase, no mínimo, um total contrasenso que o Auto de Infração tenha sido lavrado contra a impugnante; 4. Não há qualquer obrigação cominada ao industrial/fornecedor para que verifique a veracidade, regularidade ou autenticidade da declaração apresentada, ainda mais porque o particular não pode ter acesso a tais informações, sendo imperioso ressaltar que no período fiscalizado (ano de 2004) não era possível obter no sítio da Receita Federal do Brasil na internet a condição das empresas mediante consulta ao CNPJ, razão pela qual, muito sabiamente, o legislador transferiu a responsabilidade ao adquirente, pois o mesmo é quem presta a declaração e, mais importante, é o destinatário final do benefício da suspensão do IPI; 5. O legislador, ao mesmo tempo em que concedeu o benefício fiscal, delegou ao adquirente a responsabilidade de provar que possuía direito a tal benesse, sob todas as penas da lei, devendo, pois, o Auto de Infração ser arquivado, uma vez que, se houve infração à legislação, esta foi cometida pelos adquirentes, e não pela impugnante; 6. A proibição à fruição do beneficio às empresas optantes pelo SIMPLES somente foi introduzida pela IN SRF nº 429, de 21 de junho de 2004, que alterou a redação do art. 23 da IN SRF nº 296, de 2003, não alcançando os fatos geradores anteriores a junho de 2004, sob pena de ofenderse o ato jurídico perfeito, causando a tão malquista insegurança jurídica; 7. O Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 16, de 2004, não tem o condão de retroagir a proibição em análise, visto que as normas interpretativas somente podem aclarar pontos obscuros, jamais criar ou restringir direitos O órgão de julgamento de primeiro grau manteve o lançamento fiscal, mediante decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 15/01/2004 a 31/12/2004 AQUISIÇÃO DE MATERIAIS DE EMBALAGEM. REGIME DE SUSPENSÃO DO IPI. FABRICAÇÃO PREPONDERANTE. EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. INAPLICABILIDADE. Fl. 193DF CARF MF Emitido em 21/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/12/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE 4 Podem sair do estabelecimento industrial com suspensão do IPI os materiais de embalagem destinados a estabelecimento que se dedique preponderantemente à elaboração dos produtos, contudo, a aplicação da suspensão do IPI nas saídas destinadas a pessoa jurídica optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples). Cientificada dessa decisão em 18/03/2011, apresentou o presente recurso voluntário a este Conselho em 15/04/2011, perseverando nos argumentos impugnativos. É o relatório. Fl. 194DF CARF MF Emitido em 21/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/12/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE Processo nº 10580.721921/200845 Acórdão n.º 330201.347 S3C3T2 Fl. 10 5 Voto Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A questão em causa referese ao que seria o indevido gozo do benefício da suspensão do IPI, nos casos estabelecidos pelo art. 29 da Lei nº 10.637/2002, verbis: Art. 29. As matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem, destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2, 3, 4, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 23 (exceto códigos 2309.10.00 e 2309.90.30 e Ex01 no código 2309.90.90), 28, 29, 30, 31 e 64, no código 2209.00.00 e 2501.00.00, e nas posições 21.01 a 21.05.00, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (não tributados), sairão do estabelecimento industrial com suspensão do referido imposto. (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003). (...) § 7º Para os fins do disposto neste artigo, as empresas adquirentes deverão: I atender aos termos e às condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal; (destaques acrescidos) (...) A autuada, ora recorrente, efetuara venda a pessoas jurídicas que não preencheriam os requisitos da sobredita Lei, assim como a pessoas jurídicas não contribuintes do IPI no regime geral, porquanto optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) caso em que também é vedado o benefício, pela legislação de regência. As pessoas jurídicas adquirentes desses produtos com suspensão do IPI foram relacionadas pela autoridade de fiscalização nos demonstrativos de fls. 50 e 51, nos seguintes quantitativos e de acordo com o motivo da vedação: 1. Quantidade de adquirentes que não têm por objeto social a elaboração preponderante de produtos de origem animal ou vegetal de que trata o art. 29 da Lei nº 10.637/2002: 02 (duas); 2. Quantidade de adquirentes que seriam optantes do Simples: 51 (cinqüenta e uma). Fl. 195DF CARF MF Emitido em 21/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/12/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE 6 Cumpre ressaltar, conforme muito bem notado no voto condutor da decisão recorrida, que dentre as duas pessoas jurídicas constantes do primeiro item supra, uma é fundação que tem por objeto social atividades hospitalares, enquanto a outra é uma indústria de confecções, portanto, em ambos os casos, sem guardar qualquer similaridade com as especificações tipificadas no comando legal para o gozo do benefício fiscal. Verificase, pois, que nenhum esforço adicional seria necessário para que se constatasse, de pronto, que referidas pessoas jurídicas adquirentes não se situavam entre aquelas com as quais as vendas de produtos industriais poderiam ser efetuadas com a suspensão do IPI em causa. Dessa forma, com relação a essas duas adquirentes a que se refere o item 1, supra, também de pronto, cai por terra o argumento recursal de que, na condição de vendedora, não lhe seria permitido o acesso a informações cadastrais ou de outra natureza que tornasse possível tal constatação (a de que uma é fundação que tem por objeto social atividades hospitalares, enquanto a outra é uma indústria de confecções). A mesma conclusão deve ser admitida com relação às outras 51 adquirentes relacionadas pela autoridade fiscal, optantes do Simples, opção essa que a própria legislação de regência obriga que seja divulgada, sendo essa informação, portanto, de domínio público. E não se alegue desconhecimento dessa vedação, pois no sítio da Receita Federal do Brasil, no sistema de perguntas e respostas, de acesso público, consta disponível tal informação, conforme segue: 792 Empresa optante pelo Simples pode adquirir produtos com a suspensão do IPI prevista no art. 29 da Lei nº 10.637, de 2002? Não. O regime de suspensão do IPI de que trata o art. 29 da Lei nº 10.637, de 2002, não se aplica às empresas optantes pelo Simples, seja em relação às aquisições que efetuar de seus fornecedores, seja em relação às saídas de produtos que promover (IN SRF nº 296, de 2003, art. 23, inciso I). Com relação à legalidade do lançamento de ofício, não procede argumentação de que a Instrução Normativa nº 296/2003 teria se excedido na sua atribuição regulamentadora de lei, porquanto a Receita Federal do Brasil estava devidamente autorizada a proceder à regulamentação necessária, consoante § 7º do art. 29 da Lei nº 10.637/2002, a seguir: Art. 29 (...) § 7º Para os fins do disposto neste artigo, as empresas adquirentes deverão: I atender aos termos e às condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal; (...) (destaques acrescidos) Fl. 196DF CARF MF Emitido em 21/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/12/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE Processo nº 10580.721921/200845 Acórdão n.º 330201.347 S3C3T2 Fl. 11 7 Nessa ordem de juízos, nego provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. É como voto. (Assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Fl. 197DF CARF MF Emitido em 21/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/12/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE
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