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Numero do processo: 15889.000081/2008-32
Data da sessão: Fri Dec 02 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 2401-000.190
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.Ausente momentaneamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa..
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1278; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 300 1 299 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15889.000081/200832 Recurso nº 111111 Resolução nº 2401000.190 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 02 de Dezembro de 2011 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente KEPLER WEBER INOX LTDA. E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.Ausente momentaneamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa.. Elias Sampaio Freire – Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 300DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 15889.000081/200832 Resolução n.º 2401000.190 S2C4T1 Fl. 301 2 Relatório KEPLER WEBER INOX LTDA. E OUTROS, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 10a Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ I, Acórdão nº 12 21.153/2008, às fls. 270/276, que julgou procedente em parte a autuação fiscal lavrada contra a contribuinte, nos termos do artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, por ter apresentado GFIP’s com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, em relação ao período de 04/1999 a 07/2007, conforme Relatório Fiscal da Infração, às fls. 04/05, e demais documentos constantes dos autos. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 21/12/2007, nos termos do artigo 293 do RPS, contra a contribuinte acima identificada, constituindose multa no valor de R$ 23.900,19 (Vinte e três mil e novecentos reais e dezenove centavos), com base nos artigos 284, inciso II, e 373, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, c/c artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91. De conformidade com o Relatório Fiscal da Infração, a contribuinte deixou informar em GFIP´s os fatos geradores das contribuições previdenciárias elencados no anexo de fls. 15/17. A autoridade recorrida achou por bem julgar procedente em parte a autuação fiscal, acolhendo a decadência parcial do crédito, relativamente às competências 04/1999, 01/2000, 02/2000, 02/2001, 05/2001 a 11/2001, com base no artigo 173, inciso I, do Códex Tributário. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 281/290, procurando demonstrar a improcedência do lançamento, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, requer seja aplicado o prazo decadencial inscrito no artigo 150, § 4°, do CTN, em detrimento ao artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal, na forma decidida pelo julgador recorrido, sobretudo em face de recolhimentos de contribuições previdenciárias correspondentes, ou seja, antecipação de pagamento. Em defesa de sua pretensão, infere que as obrigações acessórias, quando descumpridas, convertemse em obrigação principal relativamente à penalidade, vinculada, portanto, ao fato gerador do tributo, impondo seja acolhida a decadência inscrita no artigo 150, § 4°, do CTN, de maneira a excluir o crédito tributário até a competência 11/2002. Insurgese contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, por entender que a contribuinte, além da presente autuação decorrente da ausência de informação de fatos geradores em GFIP’s, igualmente, fora notificada em razão do não recolhimento das respectivas contribuições previdenciárias, caracterizando verdadeiro bin in idem, impondo seja decretada a improcedência deste lançamento. Assevera não poder prevalecer o entendimento das autoridades lançadora e julgadora de primeira instância no sentido de que o descumprimento das obrigações acessórias Fl. 301DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 15889.000081/200832 Resolução n.º 2401000.190 S2C4T1 Fl. 302 3 são distintas para fins de aplicação de penalidade, sendo cediço na esfera administrativa tributária que no lançamento de ofício somente pode ser aplicada multa de ofício, demonstrando, portanto, a indevida cobrança cumulativa de penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Contrapõese ao lançamento, defendendo ser nula a atribuição de responsabilidade por informações do interesse da administração fazendária unicamente ao contribuinte, devendo ser suprida também pela autoridade previdenciária. Sustenta que o fato de a contribuinte ter deixado de informar parte dos fatos geradores em GFIP’s não prejudicou e/ou dificultou a ação fiscal em nenhum momento, inexistindo qualquer prejuízo ao INSS, única hipótese que permitiria a aplicação da penalidade imposta. Infere que a aplicação de multa por simples falha no preenchimento de GFIP fere o princípio da proporcionalidade, devendo ser cancelado o Auto de Infração ora impugnado, mormente quando a conduta da contribuinte não impediu o exercício da atividade fiscalizatória, tendo os fatos apurados, inclusive, ensejado o lançamento de ofício como apurado na NFLD principal nº 37.126.0167. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a autuação, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 15889.000081/200832 Resolução n.º 2401000.190 S2C4T1 Fl. 303 4 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Não obstante as razões de fato e de direito ofertadas pela contribuinte durante todo processo administrativo fiscal, especialmente no seu recurso voluntário, há nos autos questão preliminar, prejudicando, dessa forma, a análise do mérito da questão nesta oportunidade, senão vejamos. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, a presente autuação foi lavrada em virtude de a recorrente ter apresentado GFIP’s com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, mais precisamente aqueles elencados no anexo de fls. 15/17, relativamente ao período de 04/1999 a 07/2007. Nesse contexto, a contribuinte fora autuada, com fundamento no artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei 8.212/91, ensejando a aplicação da multa calculada com arrimo no artigo 284, inciso II, do RPS, que assim prescrevem: “Lei 8.212/91 Art. 32. A empresa também é obrigada: [...] IV – informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. [...] § 5° A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior.” “Regulamento da Previdência Social Art. 284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: [...] II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou Fl. 303DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 15889.000081/200832 Resolução n.º 2401000.190 S2C4T1 Fl. 304 5 substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras;” Ocorre que, a ação fiscal desenvolvida na contribuinte em questão culminou com a lavratura de NFLD nº 37.126.0167, como se observa do TEAF, às fls. 14, de onde se conclui que possivelmente os fatos geradores não informados em GFIP’s se encontram lançados na notificação mencionada naquele anexo. Observese, que somente após o julgamento da respectiva NFLD, onde provavelmente foram lançadas as contribuições previdenciárias incidentes sobre as rubricas em epígrafe, é que se poderá inferir com a segurança que o caso exige, ter deixado a contribuinte de informar ao INSS aqueles fatos geradores. Dessa forma, existindo tal notificação, essa, por guardar íntima relação de causa e efeito com a presente autuação, deverá ser julgada primeiramente, para que, somente assim, reste corroborado o entendimento da fiscalização constante deste lançamento. Nesse diapasão, VOTO NO SENTIDO DE CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, sobrestando o exame meritório do presente Auto de Infração, para que a fiscalização informe se os fatos geradores que deixaram de ser informados em GFIP encontramse lançados na NFLD nº 37.126.0167, bem como o correspondente andamento, face o nexo de causa e efeito que os vincula. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000446/2002-32
Data da sessão: Tue Aug 17 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1998, 1999
VERBA DE GABINETE - IMPOSTO DE RENDA - VALORES UTILIZADOS NO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE PARLAMENTAR.
Esta 2ª Turma da CSRF, tem proclamado, ressalvado meu entendimento pessoal, que as ajudas de custo e as verbas de gabinete recebidas pelos membros do Poder Legislativo, destinadas ao custeio do exercício das atividades parlamentares, não se constituem em acréscimos patrimoniais, razão pela qual estão fora do conceito de renda especificado no artigo 43 do CTN.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-000.958
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso do Contribuinte. Vencido o conselheiro Francisco Assis de Oliveira Junior, que negava provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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materia_s : IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1998, 1999 VERBA DE GABINETE - IMPOSTO DE RENDA - VALORES UTILIZADOS NO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE PARLAMENTAR. Esta 2ª Turma da CSRF, tem proclamado, ressalvado meu entendimento pessoal, que as ajudas de custo e as verbas de gabinete recebidas pelos membros do Poder Legislativo, destinadas ao custeio do exercício das atividades parlamentares, não se constituem em acréscimos patrimoniais, razão pela qual estão fora do conceito de renda especificado no artigo 43 do CTN. Recurso especial provido.
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Esta 2' Turma da CSRF, tem proclamado, ressalvado meu entendimento pessoal, que as ajudas de custo e as verbas de gabinete recebidas pelos membros do Poder Legislativo, destinadas ao custeio do exercício das atividades parlamentares, não se constituem em acréscimos patrimoniais, razão pela qual estão fora do conceito de renda especificado no artigo 43 do CIN. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. s Acordam os membros do coleado, por maioria de votos, em dar provimentoil. ao recurso do Contribuinte. Vencir o consel eiro Francisco Assis de Oliveira Junior, quedi negava provimento ao recurso. Elias Sampaio Frenie — Relator SE1 ?010EDITADO EM: Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffinann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Trata-se de recurso especial interposto pelo contribuinte por divergir de decisão que considerou tributável verba de gabinete de parlamentar, assim ementada: IRPF - RENDIMENTO DO TRABALH ASSALARIADO - VERBA DE GABINETE PARLAMENTAR - TRIBUTAÇÃO A importância recebida a este título é tributável, nos termos da legislação vigente (Lei n° 7.713/88), se não .for comprovada que tal importância refere-se a despesas corre/aias à atividade de gabinete PROVA - Compete ao contribuinte comprovar, de forma inequívoca, a natureza dos rendimentos percebidos. JUROS DE MORA - TAXA SELIC - A cobrança de .juros de mora em percentual equivalente à taxa SELIC tem previsão em lei, não estando, portanto, em desacordo com a legislação posta MULTA DE OFICIO - ERRO ESCUSÁVEL - Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de oficio. Recurso parciahnente provido O contribuinte alega em síntese que a) em que pesem as razões de decidir, não julgou com verdadeiro acerto os integrantes da c. Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes que votaram pelo improvimento do recurso manejado, apenas excluída a multa de oficio; b) induzido em erro pela Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, que não competia ao recorrente, a identificação especifica da natureza dos valores percebidos a título fr "Auxílios"; e c) mesmo para o INSS não houve pagamento de salário ou verba integrante de remuneração, e sim apenas e tão somente indenização. A Fazenda Nacional, cientificada do recurso especial do contribuinte e do despacho que lhe deu seguimento, apresentou contra-razões. Argumentando em síntese que: a) não é o nome da rubrica no contra-cheque do agente político que distingue uma verba tributável de uma verba que não sofre incidência do imposto de renda, e sim a realidade fatica que irá ditar se o valor entregue ao parlamentar constitui ou não um acréscimo patrimonial; e 3 PTOCeSSO n° 19515 000446/2002-32 Acórdão n " 9202-00,958 CSRF-T2 Fl 2 b) a premissa empregada nos acórdãos paradigmas está equivocada, pois a falta de comprovação de uma verba indenizatória não a transforma em renda tributável. A questão não é de ordem material, mas de ordem processual, já que a falta de prova no processo não muda a realidade fática, apenas não permite que ela seja considerada como tal., É o relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O Recurso é tempestivo, estando também demonstrado o dissídio jurisprudencial, pressupostos regimentais indispensáveis à admissibilidade do Recurso Especial. Assim, conheço do Recurso Especial interposto pelo contribuinte. Esta 2 Turma da CSRF, tem proclamado, ressalvado meu entendimento pessoal, que as ajudas de custo e as verbas de gabinete recebidas pelos membros do Poder Legislativo, destinadas ao custeio do exercício das atividades parlamentares, não se constituem em acréscimos patrimoniais, razão pela qual estão fora do conceito de renda especificado no artigo 43 do CTN. A propósito: "VERBA DE GABINETE - IMPOSTO DE RENDA - VALORES UTILIZADOS NO EAERCICIO DA ATIVIDADE PARLAMENTAR - N,4-0 INCIDÊNCIA Os valores recebidos pelas parlamentares, a título de verba de gabinete, necessários ao exercício da atividade parlamentar, não se incluem no conceito de renda por se constittdrem em recursos paia o trabalho e não pelo trabalho. A premissa exposta na item anterior não se aplica nos casos em que a .fiscalização apurar que o parlamentar' utilizou ditos recursos em beneficio próprio não relacionado à atividade parlamentar. Recurso Especial do Contribuinte provido e da Fazenda Nacional prejudicado" (Acórdão 9202-00690. da 2' Turma da CSRF, relator: conselheiro Moises Giacornelli Nunes da Silva, em 13/04/2010) Ressalvo, contudo, ponto de vista em sentido contrário, entendendo que não logrando o contribuinte comprovar que verbas recebidas foram utilizadas para custear despesas incorridas no exercício da do Poder Legislativo Estadual, constituem eles acréscimo patrimonial incluído no âmbito de incidência do imposto de renda. Pelo exposto, atento ao entendimento dominante nesta 2 Turma da CSRF, consoante explicitado, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso do contribuinte. É convoto, Elias Sgn aio Freire 4
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Numero do processo: 10183.005830/2005-07
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001
Ementa: CONSTITUCIONALIDADE DE LEI As autoridades e órgãos administrativos não possuem competência para decidir sobre a constitucionalidade dos atos baixados pelos Poderes Legislativo e Executivo. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. É necessário que o contribuinte protocolize o ADA no Ibama ou em órgãos ambientais estaduais delegados por meio de convênio, no prazo de até 06 (seis) meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da declaração, para que as áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada possam ser excluídas da incidência de ITR. Fl. 519 DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓPIA Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/03/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 4 MULTA DE OFÍCIO – JUROS – TAXA SELIC A obrigatoriedade da aplicação da multa de ofício, nos casos de informação inexata na declaração, e os acréscimos do imposto com juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC decorrem de lei. VALOR DA TERRA NUA O valor da terra nua, apurado pela fiscalização, em procedimento de ofício nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, não é passível de alteração, quando o contribuinte não apresentar elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor.
Numero da decisão: 2202-001.628
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso nos termos do voto e relatório do relator.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: Pedro Anan Junior
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Deve ser excluído da base de cálculo do ITR as áreas relativas a utilização limitada (reserva legal) devidamente averbada no registro de imóveis, e de preservação permanente, quando o ADA é apresentado tempestivamente. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. EM DETRIMENTO DA UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO POR APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso nos termos do voto e relatório do relator. (assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (assinado digitalmente) Fl. 517DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/03/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 2 Pedro Anan Junior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/03/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10183.005830/200507 Acórdão n.º 220201.628 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente processo do Auto de Infração/Anexos, fls. 01/12, através do qual se exige, da Recorrente, o Imposto Territorial Rural – ITR, relativo ao exercício de 2001, no valor original de R$ 3.895.535,79, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, incidente sobre o imóvel rural denominado “ Parque Fazenda Rívoli”, com NIRF – Número do Imóvel na Receita Federal – 5.732.9800, localizado no município de Poconé/MT. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 06/10, foram glosadas as áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada informadas na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial – DITR (DIAC/DIAT), em virtude do não cumprimento dos requisitos estabelecidos para permitir sua exclusão da incidência do imposto. As alterações no cálculo do imposto estão demonstradas à fl. 02. As glosas efetuadas culminaram com a redução do grau de utilização de 68,3% para 2,3%, com a conseqüente alteração da alíquota aplicável do imposto, de 3,00% para 20,00%, conforme a tabela mencionada no art. 11 da Lei n° 9.393/96. Ainda foi alterada a área do imóvel de 40.999,8 ha para 72.701,3 ha. Conseqüentemente, a área tributável sofreu aumento de 820,2 ha para 72.701,3 ha, com aplicação do Valor da Terra Nua por hectare constante no SIPT. Devidamente cientificado do lançamento o contribuinte protocola tempestivamente impugnação de fls. 133/157, onde em síntese não contesta o lançamento efetuado pela autoridade fiscal. A primeira turma de julgamento da Delegacia de Julgamento de Campo Grande – DRJ/CGE, negou provimento a impugnação do contribuinte através da decisão 0410.213, de 25 de agosto de 2006, consubstanciado na ementa abaixo: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2001 Ementa: CONSTITUCIONALIDADE DE LEI As autoridades e órgãos administrativos não possuem competência para decidir sobre a constitucionalidade dos atos baixados pelos Poderes Legislativo e Executivo. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. É necessário que o contribuinte protocolize o ADA no Ibama ou em órgãos ambientais estaduais delegados por meio de convênio, no prazo de até 06 (seis) meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da declaração, para que as áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada possam ser excluídas da incidência de ITR. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/03/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 4 MULTA DE OFÍCIO – JUROS – TAXA SELIC A obrigatoriedade da aplicação da multa de ofício, nos casos de informação inexata na declaração, e os acréscimos do imposto com juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC decorrem de lei. VALOR DA TERRA NUA O valor da terra nua, apurado pela fiscalização, em procedimento de ofício nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, não é passível de alteração, quando o contribuinte não apresentar elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor. Devidamente cientificado dessa decisão, ingressa o contribuinte tempestivamente com recurso de fls. 36 onde reitera os argumentos da impugnação. Na sessão de julgamento ocorrida em 19 de junho de 2009, a turma de julgamento decidiu em converter os autos em diligência, através da Resolução, 310200.056. Tendo em vista o retorno dos autos da DRF de origem, o processo está sendo colocado em pauta novamente. É o relatório. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/03/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10183.005830/200507 Acórdão n.º 220201.628 S2C2T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Pedro Anan Junior Relator O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade portanto deve ser conhecido. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E UTILIZAÇÃO LIMITADA – RESERVA LEGAL Tratase de lançamento fiscal de ITR, exercício 2001, derivado de glosa de áreas de preservação permanente e utilização limitada reserva legal pelo fato do recorrente não ter apresentado o ADA, bem como no arbitramento do VTN declarado pelo Recorrente. A decisão recorrida, que confirmou o lançamento, apóiase na premissa de não foi apresentado ADA de imóveis a área objeto de glosa. O Recorrente apresenta o ADA protocolado tempestivamente em sede recurso. A questão exige que se separe a análise da disciplina normativa que as áreas de preservação permanente e reserva legal recebem no âmbito do Direito Tributário daquela que recebem no contexto do Direito Ambiental. A Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, expressamente exclui da base de cálculo tributável do ITR as áreas de reserva legal e de preservação permanente (art. 10, § 1º, inciso II, letra “a”), ou seja, estas áreas constituem elementos redutores da base de cálculo tributável do ITR. A base de cálculo tributária é a própria exteriorização econômica do fato tributável. Por essa razão, a base de cálculo está submetida à reserva legal e aos rigores da legalidade tributária, contemplada constitucionalmente como uma das principais limitações constitucionais ao poder de tributar (art. 150, I, CF). O Código Tributário Nacional (art. 97, IV), de forma mais explícita, ratifica a necessidade de lei formal para a disciplina da base de cálculo tributável. Importante destacar que o Código Tributário Nacional (art. 97, § 1º) vincula os conceitos de majoração tributária (submetida à reserva legal) ao efeito “onerosidade”, produzido em decorrência de modificação da base de cálculo tributária. Vale dizer, qualquer alteração de base de cálculo que torne o tributo mais oneroso para o sujeito passivo submetese ao regime jurídico aplicável à majoração tributária, notadamente ‘a exigência de que seja Fl. 521DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/03/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 6 veiculada por lei formal e atenda aos interstícios temporais previstos constitucionalmente (anterioridade geral, anterioridade nonagesimal) para cada espécie tributária. O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano (art. 1º, lei 9.393/96). A base de cálculo tributável é resultado de uma operação complexa que tem como ponto de partida o Valor da Terra Nua – VTN, o qual sofre o efeito de vários elementos redutores. Do valor do imóvel declarado pelo contribuinte (Valor da Terra Nua) devem ser excluídos (art. 10, § 1º, Lei 9.393/96) os valores relativos a construções, instalações e benfeitorias; culturas permanentes e temporárias; pastagens cultivadas e melhoradas; florestas plantadas. Outro conceito importante na definição da base de cálculo tributável do ITR é o de “área tributável”, entendida como a área total do imóvel, excluídas, ou seja, devem ser considerados como elementos redutores: as áreas de preservação permanente e de reserva legal; as áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas nas áreas de preservação permanente e de reserva legal; as áreas comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; as áreas sob regime de servidão florestal ou ambiental; as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; e as áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. Da multiplicação do Valor da Terra Nua (VTN) pelo quociente entre a área tributável e a área total, chegase ao Valor da Terra Nua tributável (VTNt), que á efetiva base de cálculo sobre a qual deve incidir a alíquota (variável) do ITR. Importante aferir, no entanto, o Grau de Utilização da terra, tarefa que exige a análise e determinação da “área aproveitável” e da “área efetivamente utilizada”. Considerase como “área aproveitável”, a que for passível de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, excluídas as áreas ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias e os elementos redutores da área tributável, entre os quais destacamse as áreas de preservação permanente e as de reserva legal. Por outro lado, entendese por “área efetivamente utilizada” a porção do imóvel que no ano anterior tenha sido plantada com produtos vegetais; servido de pastagem, nativa ou plantada, observados índices de lotação por zona de pecuária; tenha sido objeto de exploração extrativa, observados os índices de rendimento por produto e a legislação ambiental; tenha servido para exploração de atividades granjeira e aqüícola, ou tenha sido o objeto de implantação de projeto técnico, nos termos do art. 7º da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993. O Grau de Utilização – GU do imóvel rural é a relação percentual entre a área efetivamente utilizada e a área aproveitável. Fl. 522DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/03/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10183.005830/200507 Acórdão n.º 220201.628 S2C2T2 Fl. 4 7 A base de cálculo tributável do ITR é o Valor da Terra Nua tributável (VTNt), sobre a qual incidirão alíquotas variáveis dependendo da área total do imóvel e do Grau de Utilização da terra (art. 11, caput, Lei 9.393/96). Qualquer alteração nos elementos redutores da base de cálculo tributável poderá ensejar modificação no nível de onerosidade tributária, índice que pode refletir majoração tributária, a submeterse aos rigores da reserva legal, na forma do disposto na Constituição Federal e no Código Tributário Nacional. As áreas de preservação permanente e de reserva legal constituem, como visto, elementos redutores da “área tributável”, e por isso influenciam diretamente a base de cálculo tributável (Valor da Terra Nua tributável – VTNt), na medida em que esta é o resultado da multiplicação do Valor da Terra Nua (VTN) pelo quociente entre a área tributável e a área total. A desconsideração de elementos redutores do valor da “área tributável”, tais como as áreas de preservação permanente e reserva legal, leva inexoravelmente ao aumento do número resultante da divisão entre área tributável e área total do imóvel, resultado que repercute aumentando o valor da Terra Nua Tributável (VTNt), base de cálculo do ITR. A rigor, a base de cálculo do ITR (VTNt) é o resultado da multiplicação do Valor da Terra Nua (VTN) pelo índice resultante da divisão da área tributável pela área total do imóvel. O aumento de área tributável, decorrente, por exemplo, da desconsideração de elementos que o reduzem, como as áreas de preservação permanente e de reserva legal, conduz a um aumento na base de cálculo do ITR na medida em que aumenta o resultado da divisão da área tributável pela área total do imóvel. Ao disciplinar a base de cálculo do ITR, a Lei 9.393/96 não impôs qualquer condição para que as áreas de preservação permanente e de reserva legal fossem consideradas como elementos redutores da área tributável por este imposto. Ocorre que a IN/SRF 67/97, conferindo nova redação ao art. 10, § 4º da IN/SRF 43/97, estabeleceu que: Art. 10. § 4º As áreas de preservação permanente e as de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato declaratório do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio, para fins de apuração do ITR. Observado o seguinte: I as áreas de reserva legal, para fins de obtenção do ato declaratório do IBAMA, deverão estar averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, conforme preceitua a Lei nº 4.771, de 1965, II o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado da data da entrega da declaração do ITR, para protocolar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA. Fl. 523DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/03/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 8 Como visto, o referido ato regulamentar criou três condições relativas aos elementos redutores da base de cálculo do ITR (áreas de preservação permanente e de reserva legal), a saber: Primeiro, as áreas de preservação permanente só poderão ser utilizadas para fins de apuração da base de cálculo do ITR após o protocolo, pelo interessado, de requerimento junto ao IBAMA solicitando a expedição de ato declaratório reconhecendo as características ambientais do imóvel. Segundo, as áreas de reserva legal deverão estar averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel antes do pleito de expedição do ato declaratório junto ao IBAMA. Terceiro, o requerimento para expedição do ato declaratório deve ser protocolado junto ao IBAMA no prazo de até seis meses, contado da data da entrega da declaração do ITR. Segundo a dicção da citada Instrução Normativa, se não cumpridas as três condições por ela criadas, as áreas de preservação permanente e de reserva legal não poderão ser utilizadas pelo sujeito passivo como elementos redutores da base de cálculo do ITR. As referidas condições foram reproduzidas posteriormente pelo art. 17 da IN/SRF 73/2000 e da IN 60/2001 e constam do Decreto 4.382/2002 (art. 10, § 1º e 12, § 1º). Como resta claro, a lei tributária, ao definir o fato gerador do ITR, estabeleceu a sua base de cálculo sem condições. Atos regulamentares editados posteriormente, a pretexto de regular o tributo, na prática, tornaramno mais oneroso, na medida em que majoraram a sua base de cálculo, criando condições (antes inexistentes) para que esta pudesse ser apurada. O Código Tributário Nacional (art. 97, § 1º) é expresso ao equiparar à majoração do tributo, submetida à reserva de lei, qualquer modificação de sua base de cálculo, que resulte em tornálo mais oneroso”. No caso em concreto o Recorrente no que diz respeito a área de reserva legal averbou devidamente a área destinada a utilização limitada e apresentou tempestivamente o ADA, em relação a área de preservação permanente o recorrente apresenta o ADA tempestivo, que demonstra que as áreas objeto de glosa existem, que no meu entender são suficientes para comprovar a possibilidade de exclusão do valor da base de cálculo do ITR. Além do mais apresenta laudo da avaliação onde comprovam a existência de tais áreas. VALOR DA TERRA NUA VTN Em relação ao VTN, a autoridade lançadora arbitrou o valor em R$ 102,43 uma vez o laudo técnico de avaliação apresentado pelo Recorrente não preencheu os requisitos da ABNT, nos termos da norma de execução COSIT, 003, de 29 de maio de 2006. No que diz respeito ao Valor da Terra Nua para fins de apuração do ITR, o artigo 8º, da Lei nº 9.393, de 1996, determina que ele refletirá o preço de mercado de terras apurado no dia 1º de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerado auto avaliação da terra nua a preço de mercado. Fl. 524DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/03/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10183.005830/200507 Acórdão n.º 220201.628 S2C2T2 Fl. 5 9 No caso em concreto a autoridade lançadora utilizou os dados constantes no Sistema de Preços de Terra – SIPT, evidenciado nos extratos, uma vez que o contribuinte não apresentou laudo técnico de avaliação válido para suportar o valor adotado pelo Recorrente. Na parte atinente ao cálculo do Valor da Terra Nua VTN, entendeu a autoridade lançadora que houve subavaliação, tendo em vista o valor constante do Sistema de Preço de Terras (SIPT), instituído pela então SRF em consonância ao art. 14, caput, da Lei n° 9.393, de 1996. Como visto no relatório, a modificação do Valor da Terra Nua foi realizado com base nos dados cadastrais informados na correspondente DITR/2001, já que não existia um VTN apurado por aptidão agrícola declarado para efeito de comparação, consequentemente, o VTN declarado pelo recorrente, naquela declaração, foi desprezado. Em síntese, podemos dizer que o VTNm/ha representa a média ponderada dos preços mínimos dos diversos tipos de terras de cada microrregião, observandose nessa oportunidade o conceito legal de terra nua previsto na legislação de regência sobre o assunto, utilizandose como data de referência o último dia do ano anterior ao do lançamento, no caso 31 de dezembro de 1999. A utilização da tabela SIPT, para verificação do valor de imóveis rurais, a princípio, teria amparo no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Como da mesma forma, o valor do SIPT só é utilizado quando, depois de intimado, o contribuinte não apresenta elementos suficientes para comprovar o valor por ele declarado, da mesma forma que tal valor fica sujeito à revisão quando o contribuinte comprova que seu imóvel possui características que o distingam dos demais imóveis do mesmo município. Não tenho dúvidas de que as tabelas de valores indicados no SIPT, quando elaboradas de acordo com a legislação de regência, servem como referencial para amparar o trabalho de malha das declarações de ITR e somente deverão ser utilizados pela autoridade fiscal se o contribuinte não lograr comprovar que o valor declarado de seu imóvel corresponde ao valor efetivo na data do fato gerador. Para tanto, a fiscalização deve enviar uma intimação ao contribuinte solicitando a comprovação dos dados declarados antes de proceder à formalização do lançamento. Vivemos em um Estado de Direito, onde deve imperar a lei, de tal sorte que o indivíduo só se sentirá forçado a fazer ou não fazer alguma coisa compelido pela lei. Daí porque o lançamento ser previsto no art. 142 do Código Tributário Nacional como atividade plenamente vinculada, isto é, sem possibilidade de a cobrança se firmar em ato discricionário, e, por outro lado, obrigatória, isto é o órgão da administração não pode deixar de cobrar o tributo previsto em lei. Assim, sendo se faz necessário uma análise preliminar sobre a possibilidade da utilização dos valores constantes da tabela SIPT, quando elaborada tendo por base as DITR do município onde se localiza o imóvel. Ou seja, se faz necessário enfrentar a questão da legalidade da forma de cálculo que é utilizado, nestes caso, para se encontrar os valores determinados na referida tabela. Razão pela qual, na opinião deste Relator, se faz necessário verificar qual foi metodologia utilizada para se chegar aos valores constantes da tabela SIPT, principalmente, nos casos em que restar comprovado, nos autos do processo, que a mesma foi elaborada tendo Fl. 525DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/03/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 10 por base a média dos VTN das DITR entregues no município da localização do imóvel. Esta forma de valoração do VTN atenderia as normas legais para se proceder ao arbitramento do VTN a ser utilizado, pela autoridade fiscal, na revisão da DITR? Sem dúvidas, que tal ponto não deixa de ser importante, posto que, em se entendendo que as normas de cálculo utilizadas para a confecção da Tabela SIPT, tomada como base para o arbitramento do VTN pela autoridade fiscal, não se demonstram adequadas à lei, tal situação faria prevalecer o VTN indicado pelo contribuinte em laudo técnico ou de sua Declaração. Este é o caso questão, onde o VTN extraído do SIPT referese à média dos VTNs das DITRs apresentadas para o mesmo município no ano de 2000 e não do VTN médio por aptidão agrícola, onde se avalia os preços médios por hectare de terras do município onde esta localizado o imóvel, apurado através da avaliação pela Secretaria Estadual de Agricultura os preços de terras levando em conta de existência de lavouras, campos, pastagens, matas. Analisando o conteúdo das normas reguladoras para a fixação dos preços médios de terras por hectare só posso concluir, que o levantamento do VTN, levando conta a média dos VTN constantes da DITRs, não condiz com o proposto pelo art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, verbis: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios Assim se manifesta o art. 12 da Lei nº 8.629, de 1993: Artigo 12 Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. § 1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel. Fl. 526DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/03/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10183.005830/200507 Acórdão n.º 220201.628 S2C2T2 Fl. 6 11 § 2º Os dados referentes ao preço das benfeitorias e do hectare da terra nua a serem indenizados serão levantados junto às Prefeituras Municipais, órgãos estaduais encarregados de avaliação imobiliária, quando houver, Tabelionatos e Cartórios de Registro de Imóveis, e através de pesquisa de mercado. (o grifo não é do original) Resta claro, que com a publicação da Lei nº 9.393, de 1996, em seu art. 14 dispõe que as informações sobre preços de terras observarão os critérios estabelecidos no artigo 12, § 1°, inciso II, da Lei n 8.629, de 25 de fevereiro de 1.993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos municípios. Tenho para mim, que as atividades do Estado, mesmo quando no exercício de seu poder discricionário, estão vinculados a ordem Jurídica. Dai o significado do principio da legalidade para o Estado. Este só pode fazer aquilo que a lei o autoriza. Ora, se a fixação do VTNm não teve por base esse levantamento (por aptidão agrícola), o que está comprovado nos autos, já que a autoridade fiscal lançadora se utilizou do VTN médio das DITRs entregues no município, então não se cumpriu o comando legal e o VTNm adotado para proceder ao arbitramento pela autoridade lançadora não é legítimo, sendo inservível para o fim da recusa do valor declarado ou pretendido pelo contribuinte. Por outro lado, é de se levar em conta que é facultado ao contribuinte solicitar a revisão do respectivo VTNm com base em Laudo Técnico de Avaliação emitido por profissional habilitado ou empresa de reconhecida capacitação técnica, que deverá estar acompanhado de ART, devidamente registrada no CREA, além de atender aos requisitos das normas da ABNT, principalmente no que diz respeito às fontes consultadas e a metodologia então utilizada. Estou ciente que a presente matéria sempre gerou polêmica neste Conselho de Contribuintes e ainda vai permanecer ao longo do tempo, pois existem colegas que defendem a tese de que o contribuinte poderia questionar o Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela autoridade fiscal lançadora, mas para tanto seria necessário a apresentação de "Laudo Técnico de Avaliação" emitido por profissional habilitado, acompanhado de ART, devidamente anotada no CREA, que atendesse, ainda, aos requisitos das Normas da ABNT (atual NBR 14.6533), principalmente no que diz respeito à metodologia utilizada e às fontes eventualmente consultadas, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preços da data do fator gerador do imposto, além da existência de características particulares desfavoráveis, que justificassem um VTN/ha abaixo do arbitrado pela fiscalização com base no SIPT. Ou seja, entendem, que de acordo com a legislação de regência, estes critérios seriam rígidos. Entretanto, particularmente, rejeito esta tese e compartilho com a opinião dos colegas, externada em diversos julgados, que a legislação do ITR não estabeleceu, em lugar algum, a exigência de confecção de laudos técnicos de avaliação de conformidade com a norma da ABNT mencionada, ou em qualquer outra, para fins de pedido de revisão do VTN mínimo sobre determinado imóveis. A lei determinou, isto sim, que o laudo técnico deve ser emitido por entidade de reconhecida capacitação técnica ou por profissional devidamente habilitado. Fl. 527DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/03/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 12 Basta, portanto, na opinião dos colegas que compartilham esta tese, que o laudo emitido de conformidade com tal determinação demonstre, de forma inequívoca, as características que diferenciam o imóvel questionado, das demais terras do município envolvido, indicando um valor de terra nua inferior ao mínimo estabelecido para tal município. Entretanto, diante do entendimento que o VTN médio utilizado pela autoridade fiscal lançadora não cumpre as exigências legais determinadas pela legislação de regência, penso ser irrelevante continuar a discussão da questão do Laudo de Avaliação do VTN, já que compartilho com o entendimento, que nesses casos, deve ser restabelecido o VTN declarado pelo recorrente em sua DITR glosado pela autoridade fiscal. Desta forma, entendo que devemos acolher para o VTN declarado pelo Recorrente. Neste sentido, conheço do recurso e no mérito dou provimento. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 528DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/03/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR
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Numero do processo: 10845.720007/2008-29
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2004
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL, TERMO DE RESPONSABILIDADE AVERBADO.
Cabe excluir da tributação do ITR as parcelas de áreas de utilização limitada/reserva legal reconhecida em Termo de Responsabilidade de Manutenção de Floresta firmados entre o proprietário do imóvel e a autoridade florestal competente, devidamente averbado antes da ocorrência do fato gerador.
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL APA.
As áreas de propriedades privadas inseridas dentro dos limites de urna APA podem ser exploradas economicamente, desde que observadas as normas e restrições imposta pelo órgão ambiental, Assim, para efeito de exclusão do ITR, somente serão aceitas como áreas de utilização limitada/área de interesse ecológico aquelas assim declaradas, em caráter específico, mediante ato específico da autoridade competente, estadual ou federal, conforme o caso.
IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR.
VTN. MODIFICAÇÃO. LAUDO TÉCNICO. OBSERVÂNCIA NORMAS ABNT.
IMPRESCINDIBILIDADE. Com fulcro nos dispositivos legais que
regulamentam a matéria, notadamente artigo 3º, § 4º, da Lei nº 8.847/1995, vigente à época da ocorrência do fato gerador, o Laudo Técnico de avaliação de imóvel rural somente tem o condão de alterar o Valor da Terra Nua VTN mínimo na hipótese de encontrar-se revestido de todas as formalidades exigidas pela legislação de regência, impondo seja elaborado por profissional
habilitado, com ART devidamente anotado no CREA, além da observância das normas formais mínimas contempladas da Associação Brasileiras de Normas Técnicas ABNT.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-001.311
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Guilherme Barranco de Souza, Odmir Fernandes e Pedro Anan Júnior, que proviam o recurso para restabelecer o Valor da Terra Nua (VTN) constante do laudo apresentado pela Recorrente.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Cabe excluir da tributação do ITR as parcelas de áreas de utilização limitada/reserva legal reconhecida em Termo de Responsabilidade de Manutenção de Floresta firmados entre o proprietário do imóvel e a autoridade florestal competente, ' devidamente averbado antes da ocorrência do fato gerador. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL APA. As áreas de propriedades privadas inseridas dentro dos limites de urna APA podem ser exploradas economicamente, desde que observadas as normas e restrições imposta pelo órgão ambiental, Assim, para efeito de exclusão do ITR, somente serão aceitas como áreas de utilização limitada/área de interesse ecológico aquelas assim declaradas, em caráter específico, mediante ato específico da autoridade competente, estadual ou federal, conforme o caso. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. VTN. MODIFICAÇÃO. LAUDO TÉCNICO. OBSERVÂNCIA NORMAS ABNT. IMPRESCINDIBILIDADE. Com fulcro nos dispositivos legais que regulamentam a matéria, notadamente artigo 3º, § 4º, da Lei nº 8.847/1995, vigente à época da ocorrência do fato gerador, o Laudo Técnico de avaliação de imóvel rural somente tem o condão de alterar o Valor da Terra Nua VTN mínimo na hipótese de encontrarse revestido de todas as formalidades exigidas pela legislação de regência, impondo seja elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotado no CREA, além da observância das normas formais mínimas contempladas da Associação Brasileiras de Normas Técnicas ABNT. Fl. 277DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/10/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Guilherme Barranco de Souza, Odmir Fernandes e Pedro Anan Júnior, que proviam o recurso para restabelecer o Valor da Terra Nua (VTN) constante do laudo apresentado pela Recorrente. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo. Fl. 278DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/10/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10845.720007/200829 Acórdão n.º 220201.311 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, S A AGRO INDUSTRIAL ELDORADO, foi lavrada a Notificação de Lançamento e respectivos demonstrativos de fls. 01 a 07, por meio do qual se exigiu o pagamento do ITR do Exercício 2004, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, totalizando o crédito tributário de R$ 8.168.941,22, relativo ao imóvel rural denominado "Fazenda Colônia Nova Trieste", com área de 30.000,0 ha, NIRF 3.206.1943, localizado no município de Eldorado/SP. Constou da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal a citação da fundamentação legal que amparou o lançamento e as seguintes informações, em suma: que, a declaração de ITR da interessada incidiu em malha fiscal nos parâmetros áreas não tributáveis e cálculo do valor da terra nua; após regularmente intimada, a contribuinte não comprovou a área de preservação permanente declarada, visto que, o laudo apresentado não a identifica como prevê o Código Florestal, não foi apresentada a Certidão do órgão público competente evidenciando a sua existência e, a argumentação de que o imóvel se localiza dentro de Área de Proteção Ambiental APA da Serra do Mar não o exime de tributação, uma vez que o imóvel ainda pertence a um particular e, salvo os casos de imunidade e isenção, cabe a apuração e o pagamento de tributo, conforme se depreende da legislação ambiental e tributária; com relação ao valor da terra nua, o laudo de avaliação do imóvel apresentado não atingiu a pontuação mínima estabelecida pela NBR 14.653 Avaliação de Bens, Parte 3: Imóveis Rurais, da ABNT, para que fosse considerado com fundamentação e grau de precisão II, diante disso, o VTN declarado foi contestado à vista do art. 14 da Lei n° 9.393/96, utilizandose o valor constante no SIPT Sistema de Preços de Terra da Receita Federal, que indicou como VTN/ha o valor de R$ 599,17, para o município de localização do imóvel. Cientificada do lançamento, por via postal, em 23/06/2008, conforme fl. 181, a interessada apresentou a impugnação de fls. 102 a 109, em 22/07/2008, alegando, em síntese, que: • O Fisco desconsiderou a legislação vigente e os documentos apresentados, quais sejam, a Certidão do Ibama, os laudos técnicos, com ART, o ADA e a Declaração do DEPRN, afinal utiliza disposições legais que não se enquadram com a situação do imóvel que, por possuir vegetação de Mata Atlântica, se mostra inaproveitável, conforme se depreende da documentação mencionada; • Não procede a afirmação da autoridade fiscal de que não foi comprovado o valor da terra nua por laudo de avaliação do imóvel, pois esse trabalho técnico foi apresentado e assinado por engenheiro e comprova juntamente com o outro laudo e as outras documentações a isenção do ITR; • Várias decisões do Conselho Contribuintes confirmam que a área ocupada por floresta ou mata de efetiva preservação permanente, conforme dispõe o art. 50, § 4o, alínea b, da Lei n° 4.504/64, na redação dada pela Lei n° 6.746/79, não deve ser considerada área aproveitável para fins tributáveis; Fl. 279DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/10/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 • Não cabe o lançamento de ofício do imposto, como dispõe o art. 14 da Lei n° 9.393/96, pois o imóvel carece de área aproveitável devido à existência de Mata Atlântica; • O imóvel possui 29.930,00 ha de área de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, reconhecida pelo Ibama em caráter específico, e 70,0 ha de benfeitorias; • Tendo em vista que o artigo 48, da Lei n° 11.428/2006 definiu a situação de isenção para as áreas cobertas com florestas nativas, alterando o artigo 10 da Lei n° 9.393/96, o imóvel em questão se mostra isento do ITR, por suas características ambientais; • Por último, requer insubsistência do Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, afastamento da multa de ofício e juros de mora, com o cancelamento e arquivamento do presente processo. A DRJ Campo Grande ao apreciar as razões do contribuinte, julgou o lançamento procedente em parte, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 Área de Preservação Permanente APP em Área de Proteção Ambiental APA São consideradas áreas de preservação permanente, além das previstas no art. 2o da lei n° 4.771/1965, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas a, entre outros, proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico e asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção, conforme disposto nas alíneas "e" e "f' da Lei n° 9.393/1996, quando assim declaradas pelo Poder Público em caráter específico para determinada área da propriedade e desde que cumpridas as demais exigências legais. Para exclusão dessas áreas da incidência do ITR, além do ADA tempestivo, é necessária sua comprovação, mediante Laudo Técnico, emitido por Engenheiro Agrônomo ou Florestal, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica ART, que as discrimine, quantifique e identifique seu enquadramento legal, acompanhado de Memorial Descritivo e Carta Planialtimétrica do imóvel contendo a representação gráfica da hidrografia, da vegetação e das curvas de nível. Área de Reserva Legal. Averbação. ADA. Cabe afastar da incidência de tributação do ITR a área de Reserva Legal comprovada mediante averbação à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente na data de ocorrência do fato gerador, além do Ato Declaratório Ambiental ADA. Área Ocupada com Benfeitorias Úteis e Necessárias Destinadas à Atividade Rural. Fl. 280DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/10/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10845.720007/200829 Acórdão n.º 220201.311 S2C2T2 Fl. 3 5 A área ocupada com benfeitorias declarada no DIAT poderá ser revista mediante apresentação de laudo técnico descritivo elaborado por profissional habilitado. Valor da Terra Nua VTN. O lançamento que tenha alterado o VTN declarado, utilizando valores de terras constantes do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT, nos termos da legislação, é passível de modificação, somente, se na contestação forem oferecidos elementos de convicção, como solicitados na intimação para tal, embasados em Laudo Técnico, elaborado em consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT. Aplicabilidade da Multa de Ofício e Taxa Selic. São cabíveis as cobranças da multa de ofício, por falta de recolhimento do tributo, apurada em procedimento de fiscalização, e de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, por expressa previsão legal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A autoridade recorrida entendeu que a interessada não comprovou a totalidade da área do imóvel como sendo APP conforme enquadramento do Código Florestal. Contudo, verificase na matrícula do imóvel a existência de averbação da área de reserva legal no valor de 549,15 hectares com data de 11 de outubro de 1984. Assim, pelo conjunto de provas constantes dos autos, é forçoso reconhecer a existência de área ambiental, ainda que em dimensão inferior à pretendida pela interessada. Sendo assim, entendeu por afastar da tributação do ITR os 549,1 ha averbados como reserva legal, nos termos dos artigos 16 e 44 da Lei n° 4.771/1965. Relativamente à área ocupada com benfeitorias úteis e necessárias destinadas à atividade rural, aceitou os 70,0 hectares descritos no Laudo Técnico emitido por profissional habilitado, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica ART e fotos do imóvel. Em se considerando os documentos constantes dos autos, que comprovam em parte os argumentos da interessada, cabe proceder às seguintes alterações nos valores apurados no demonstrativo de fl. 01, relativo ao exercício 2004: linha 03, área de reserva legal para 549,1 ha; linha 07, área tributável para 29.450,9 ha; linha 08, área ocupada com benfeitorias para 70,0 ha; linha 09, área aproveitável para 29.380,9 ha; linha 23, valor da terra nua tributável, para R$ 17.646.095,75; linha 25, imposto devido para R$ 3.529.219,15; e diferença do imposto (apurado declarado) para R$ 3.529.209,15. Insatisfeita, o contribuinte interpõe recurso voluntário ao Conselho onde reitera as mesmas razões apresentadas na impugnação, enfatizando os seguintes pontos: Da cobrança indevida e da inobservância da norma legal, no que toca às áreas de interesse ecológico; Fl. 281DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/10/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Da desconsideração das provas contidas nos autos, inclusive as técnicas, elaboradas por engenheiro agrônomo. Recorrente no recurso apresenta trabalho técnico de interpretação documental (documento anexo), realizado por engenheiro agrônomo, demonstrando que a mata atlântica encontrase na área em questão desde os primórdios, pois como já anteriormente informado em sua impugnação o imóvel rural é recoberto com floresta nativa, que não se criou de um dia para o outro, tal situação perdura desde a origem até os dias de hoje É o relatório. Fl. 282DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/10/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10845.720007/200829 Acórdão n.º 220201.311 S2C2T2 Fl. 4 7 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. DA ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL APA. As áreas de propriedades privadas inseridas dentro dos limites de urna APA podem ser exploradas economicamente, desde que observadas as normas e restrições imposta pelo órgão ambiental, Assim, para efeito de exclusão do ITR, somente serão aceitas como áreas de utilização limitada/área de interesse ecológico aquelas assim declaradas, em caráter específico, mediante ato específico da autoridade competente, estadual ou federal, conforme o caso. Urge registrar que para a comprovação da área de relevante interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, fazse necessário que ela seja declarada em caráter específico, para determinadas áreas da propriedade particular, não podendo ser aceitas como de interesse ecológico as áreas declaradas em caráter geral, conforme art. 10, § 6º, da Instrução Normativa SRF nº 43/1997, com a redação dada pelo art. 1º, II, da Instrução Normativa SRF nº 67/1997: “Art. 10. (...) § 6º Para efeito de exclusão do ITR, não serão aceitas como de interesse ecológico as áreas declaradas,em caráter geral, por região local ou nacional, mas, sim, apenas as declaradas, em caráter específico, para determinadas áreas da propriedade particular.” Em realidade, a Instrução Normativa esclarece o óbvio, eis que a própria Lei nº 9.393/1996, em seu art. 10, § 1º, II, estabelece que todas as áreas de preservação permanente e de reserva legal, conforme definidas em lei, são áreas nãotributáveis, mas, com relação às áreas de interesse ecológico, estabelece que, entre elas, apenas aquelas “declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual” serão áreas nãotributáveis. Fica entendido que as áreas contidas dentro dos limites da citada APA, não podem ser, de maneira geral e automaticamente consideradas de interesse ecológico, para efeito de exclusão do ITR, carece, para tal fim, do cumprimento das exigências legais previstas para cada tipo de área ambiental. A contribuinte no intuito de embasar seu argumento, anexou à fl. 53, Certidão do Ibama, com emissão em 27/11/2007, porém essa documentação não determina a situação do imóvel com relação ao exercício do ITR de 2004. É necessário salientar que as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, não averbadas como reserva legal ou não enquadradas nas outras definições de áreas afastadas Fl. 283DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/10/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 da tributação, somente foram afastadas da tributação pelo ITR com o advento da Lei n.° 11.428, de 2006, que acrescentou a alínea "e" ao art. 10, parágrafo Io, inciso II, da Lei n.° 9.393, de 1996. Portanto, nesse exercício que está sendo analisado, não há justificativa para se reconhecer que as áreas ocupadas com vegetação primária da Mata Atlântica se enquadravam como área isenta de ITR, somente por essa condição, antes da alteração no artigo citado. DA ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL, TERMO DE RESPONSABILIDADE AVERBADO. Somente é possível excluir da tributação do ITR as parcelas de áreas de utilização limitada/reserva legal reconhecida em Termo de Responsabilidade de Manutenção de Floresta firmados entre o proprietário do imóvel e a autoridade florestal competente, ' devidamente averbado antes da ocorrência do fato gerador. DO VALOR DA TERRA NUA (VTN). O laudo técnico de avaliação hábil a comprovar o VTN pleiteado é aquele emitido por profissional habilitado, que faça ex pressa referência ao preço de mercado em 1° de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador. Cabe registra que não entendo que apenas pela fato de um laudo estar subscrito por profissional devidamente habilitado, atende ao disposto no artigo 3º , parágrafo quarto, da Lei nº 8.847/94, que assim estabelece: “Art. 3º A base de cálculo do imposto é o Valor da Terra Nua (VTN), apurado no dia 31 de dezembro do exercício anterior. § 1º O VTN é o valor do imóvel, excluído o valor dos seguintes bens incorporados ao imóvel: I Construções, instalações e benfeitorias; II Culturas permanentes e temporárias; III Pastagens cultivadas e melhoradas; IV Florestas plantadas. § 2º O Valor da Terra Nua mínimo (VTNm) por hectare, fixado pela Secretaria da Receita Federal ouvido o Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária, em conjunto com a Secretaria de Agricultura dos Estados respectivos, terá como base levantamento de preços do hectare da terra nua, para os diversos tipos de terras existentes no Município. § 3º O VTN aceito será convertido em quantidade de Unidade Fiscal de Referência (Ufir) pelo valor desta no mês de janeiro do exercício da ocorrência do fato gerador. § 4º A autoridade administrativa competente poderá rever, com base em laudo técnico emitido por entidades de reconhecida capacitação técnica ou profissional devidamente habilitado, o Valor da Terra Nua mínimo (VTNm), que vier a ser questionado pelo contribuinte.” (grifamos) Fl. 284DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/10/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10845.720007/200829 Acórdão n.º 220201.311 S2C2T2 Fl. 5 9 Com efeito, ainda que devidamente assinado por profissional habilitado, o Laudo Técnico somente terá o condão de modificar o VTN mínimo presumido da Região, na hipótese de alinhavarse com as normas procedimentais ditadas pela ABNT, mais especificadamente aquelas relativas à avaliação de imóveis rurais. Outro não é o entendimento levado a efeito por este Conselho Administrativo, ao tratar da matéria, como se extrai dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: “ITR/94. VALOR DA TERRA NUA VTNm. LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO. REVISÃO. O laudo técnico de avaliação para que tenha validade e produza efeitos pretendidos através da revisão do VTNm, além de ser elaborado por profissional habilitado e acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica ART, deve revestirse de formalidades e exigências técnicas mínimas, que corroborem para a sua eficácia, não devendo limitarse a ser um mero documento informativo. A base de cálculo do imposto é o valor da terra nua – VTN, apurado no dia 31 de dezembro do exercício anterior. A data registrada no laudo técnico o torna inservível, por encontrarse em desacordo com a lei de regência sobre a matéria. Recurso especial provido.” (3a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Recurso nº 325.167 – Acórdão nº CSRF/0304.255 – Sessão de 21/02/2005) (grifamos) “TR – EXERCÍCIO 1994. VALOR DA TERRA NUA. A revisão do VTN mínimo é condicionada à apresentação de laudo técnico de acordo com as exigências legais, especialmente as referentes ao valor e às fontes de sua pesquisa. JUROS DE MORA Os juros de mora têm caráter compensatório e são exigidos pela não disponibilização do valor devido à Fazenda Pública. Sua fluência só se interrompe se a impugnação for acompanhada do depósito integral do crédito tributário considerado devido. MULTA DE MORA Nos lançamentos de ITR em que não exista a obrigação de antecipação do imposto, havendo impugnação, a multa de mora só é cabível após o vencimento do prazo de intimação de decisão final administrativa. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO POR UNANIMIDADE” (1a Câmara do 3o Conselho – Recurso nº 326.064, Acórdão nº 30130761, Sessão de 11/09/2003) “ITR/95. VTN. REVISÃO. LAUDO. PROVA INSUFICIENTE. Laudo Técnico de Avaliação que não atenda às exigências legais, especialmente as relativas à pesquisa e comprovação das fontes, é prova insuficiente para a revisão do lançamento em que se adotou o VTNm. CNA. LEGALIDADE. As contribuições lançadas com o ITR têm natureza tributária e fundamento nos art. 149 e 8º, inc. V, parte final, da CF/88, e art. 10, § 2 º do Ato das Disposições Constitucionais transitórias. MULTA DE MORA. A multa de mora só é exigível, na vigência da Lei 8.847/94, após a constituição definitiva do crédito tributário. JUROS DE MORA. A fluência dos juros de mora só é interrompida se a impugnação for acompanhada do depósito integral do crédito tributário contestado. Recurso parcialmente Fl. 285DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/10/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 provido por unanimidade.” (1a Câmara do 3o Conselho – Recurso nº 322.872, Acórdão nº 30130534, Sessão de 25/02/2003) Destarte, o laudo apesar de descrever as dimensões do imóvel, os seus aspectos físicos e nível de manejo pela análise da vegetação, hidrografia, solos, relevo, tipo de exploração, clima, conservação do solo e recursos hídricos, quais as áreas são destinadas a pastagens, culturas, a preservação ambiental, inclusive as inaproveitáveis, pecou no sentido de trazer elementos imprescindíveis quanto a avaliação do VTN. Para tanto, deveria ter observado as normas constantes da ABNT/NBR 14.6533, especialmente o disposto nos itens 2 e 3, de modo que restasse devidamente comprovada a justificativa da fixação do VTN de forma individualizada e específica para a propriedade do contribuinte, confirase: “ 2 – Pesquisa de valores, com identificação das fontes pesquisadas, abrangendo: 2.1 – avaliação e/ou estimativas anteriores; 2.2 – valores fiscais; 2.3 – transações e ofertas; 2.4 – valor dos frutos; 2.5 – produtividade das explorações; 2.6 – formas de arrendamento, locação e parcerias; 2.7 – informações (bancos, cooperativas, órgãos oficiais e de assistência técnica); 3 – Escolha e justificativa dos métodos e critérios de avaliação; 4 – Homogeneização dos elementos pesquisados, de acordo com o nível de precisão da avaliação; 5 – Determinação do valor final com indicação da data de referência; 6 – Conclusões com os fundamentos resultantes da análise final; e 7 – Data da vistoria;” Ademais, referido laudo, igualmente, não fez menção detalhada a metodologia utilizada, seja para a coleta ou mesmo para a homogeneização dos dados levantados, com o fito de justificar a conclusão levada a efeito pelo perito, sobretudo em relação ao procedimento adotado para a demonstração do valor da terra nua que, de fato, deveria ser aplicável a propriedade rural do contribuinte. Ressaltese, que a metodologia dos trabalhos do perito engenheiro agrônomo, além de ser requisito expressamente exigido pela NBR da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, é o ponto de partida para que terceiros, no caso a Secretaria da Receita Federal e este próprio CARF, faça uma correta valoração do laudo apresentado pelo contribuinte, porquanto é deste ponto que se extrai a forma de análise do conjunto fático das Fl. 286DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/10/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10845.720007/200829 Acórdão n.º 220201.311 S2C2T2 Fl. 6 11 características da propriedade de maneira a se compreender como acertada ou não a conclusão do perito. Diante dos fatos expostos, não há como acolher o laudo para o propósito de avaliar o VTN, por carecer de grau de precisão. Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 287DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/10/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10650.001062/2005-51
Data da sessão: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3101-000.186
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Relator EDITADO EM: 20/11/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Leonardo Mussi da Silva e Corintho Oliveira Machado. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 09/12 /2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10650.001062/200551 Resolução n.º 3101000.186 S3C1T1 Fl. 435 2 Relatório Adoto como parte de meu relato, o quanto reportado pelo decisum a quo: Tratase o presente das Declarações de Compensação de débitos, no valor total de R$7.579.461,70, com crédito da Cofins – regime não cumulativo, relativo ao 3º trimestre de 2005, constantes dos processos relacionados às fls. 180 a 181. Os processos acima mencionados foram apensados ao presente processo para análise em conjunto, uma vez que se referem ao mesmo crédito solicitado. Da verificação da legitimidade do crédito solicitado resultou o Relatório Fiscal Final (fls. 149 a 156), do qual se extrai as seguintes glosas: bens utilizados como insumos (gás liquefeito do petróleo GLP e álcool etílico, produtos adquiridos sujeitos à alíquota zero) serviços utilizados como insumos (pintura de equipamentos); encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado: (i) sobre máquinas e equipamentos nos centros de custos AGU – Abastecimento e Tratamento de Água e ENE – Subestação de Energia Elétrica por não afetarem a produção diretamente; (ii) móveis e equipamentos não utilizados na fabricação dos produtos vendidos; (iii) equipamentos formados por aquisições de peças e serviços antes de 30/04/2004 ajuste negativo do crédito (aumento da base de cálculo da contribuição, adicionando valores relativos à cessão de créditos de ICMS). A DRFUberaba/MG emitiu Despacho Decisório, no qual homologa parcialmente a compensação pleiteada, até onde as contas se encontrarem, fls. 180 a 189, nos seguintes termos: Conforme os fundamentos acima e com base na Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que instituiu o regime de apuração nãocumulativa da Contribuição para a Cofins e considerando que foi apurado em diligência fiscal base de cálculo a maior para a referida contribuição e créditos da não cumulatividade, e ainda, que foi apurado saldo remanescente de créditos passível de compensação; DECIDO: 1) RECONHECER O DIREITO CREDITÓRIO no valor de R$2.350.568,37 referente ao período de apuração julho/2005; de R$2.355.948,95 referente ao período de apuração agosto/2005 e de R$2.563.991 ,74, referente ao período de apuração setembro/2005, perfazendo o valor de R$ 7.270.509,06 (Sete milhões, duzentos e setenta mil, quinhentos e nove reais e seis centavos), dos créditos relativos a Cofins, 3º Trimestre/2005; Fl. 2DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 09/12 /2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10650.001062/200551 Resolução n.º 3101000.186 S3C1T1 Fl. 436 3 2) HOMOLOGAR PARCIALMENTE as compensações realizadas, respeitada as vinculações dos respectivos períodos de apuração até onde as contas se encontrarem; 3) EXIGIR os débitos indevidamente nelas compensados, com base no § 6° do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996 e § 4° do art. 34 da IN RFB n° 900, de 2008. Fica a empresa ciente que deverá executar em seus livros fiscais e contábeis a adequação de seus registros e de suas informações prestadas a RFB, através dos sistemas informatizados disponíveis, em decorrência dos valores apurados em diligência fiscal e da parte do crédito pleiteado que foi objeto de glosa e/ou reconhecimento de ofício. Nos termos do Decreto n° 70.235, de 1972 com as alterações posteriores; do § 9° do art. 74 da Lei 9.430, de 1996 e do art. 66 da IN RFB n° 900, de 2008, cabe manifestação de inconformidade contra o despacho decisório, dirigida à DRJ de Juiz de Fora/MG, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência deste despacho decisório. À Sarac, para cientificar a interessada, intimar o sujeito passivo a efetuar pagamento dos débitos indevidamente compensados no prazo de 30 (trinta) dias,contados da ciência deste despacho decisório, na forma do § 70 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996 e art. 37 da IN RFB n° 900, de 2008 e adotar as demais providências a seu cargo. A empresa apresenta manifestação de inconformidade (fls. 249 a 279), na qual após as alegações deduzidas, requer: Por todo o exposto, seja com base nas preliminares, seja com fundamento nas razões de mérito, concluise que deve o r. despacho decisório ser modificado “in totum”, para o fim de (i) cancelar as glosas realizadas na apuração dos créditos da COFINS; (ii) determinar a exclusão dos montantes recebidos em contrapartida à cessão dos créditos do ICMS, da base de cálculo daquela exação; (iii) refazer o cálculo do percentual de rateio de créditos entre o mercado interno e externo (iv) homologar integralmente as compensações realizadas pela requerente, nos autos dos processos n. 10650.001062/200551; 13646.000194/200512; 13646.000221/2005 57; 13646.000234/200526; 13646.000239/200559; 13646.000240/200583; 13646.000241/200528; 13646.000242/2005 72; 13646.000243/200517; 13646.000249/200594; 13646.000253/200552; 13646.000254/200505; 13646.000256/2005 96; 13646.000257/200531 e 13646.000258/200585; e (v) cancelar as respectivas Cartas Cobrança. Protesta a requerente provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícia e a juntada de documentos. Em atendimento ao disposto no inciso V do art. 16 do Decreto n. 70235, de 6.3.1972, a requerente informa que a matéria objeto desta manifestação de inconformidade não foi submetida à apreciação judicial. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 09/12 /2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10650.001062/200551 Resolução n.º 3101000.186 S3C1T1 Fl. 437 4 A DRJ em JUIZ DE FORA/MG indeferiu a solicitação, e manteve o ressarcimento já deferido no despacho decisório da DRF, bem como a homologação parcial das compensações declaradas, ementando assim o acórdão: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação, somente em relação às máquinas e aos equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda. CESSÃO DE ICMS. INCIDÊNCIA DA COFINS. A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para a contribuição. PRODUÇÃO DE NOVAS PROVAS. PEDIDO DE PERÍCIA. Não atendidos os requisitos legais de admissibilidade, indeferese pedido de juntada de novas provas e considerase não formulado o pedido de realização de perícia. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório não Reconhecido. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 372 e seguintes, onde aponta, em preliminar, a impossibilidade de aumentarse a base de cálculo da contribuição discutida em pedidos de restituição/compensação (foram acrescidas as receitas decorrentes da cessão de créditos de ICMS); e no mérito, diz que todos os gastos incorridos geramlhe o direito ao creditamento, assim como não se pode incluir na base de cálculo da contribuição em apreço ingressos que não possuem a natureza jurídica de receita. Ao final, requer o cancelamento das glosas realizadas, a exclusão dos montantes recebidos em contrapartida à cessão dos créditos do ICMS da base de cálculo da exação, bem como a homologação das compensações realizadas nos autos dos processos que enumera. Após alguma tramitação, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação deste órgão julgador de segunda instância. Relatados, passo a votar. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 09/12 /2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10650.001062/200551 Resolução n.º 3101000.186 S3C1T1 Fl. 438 5 Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Os tópicos 5.1 e 5.2 do Relatório Fiscal tratam das glosas de créditos sobre encargos de depreciação dos centros de custos AGU Abastecimento e Tratamento de Água, ENE Subestação Energia Elétrica (pois suprem de água e de energia elétrica todos os setores da empresa), e de móveis e equipamentos que apesar de alocados em centros de custos produtivos não são utilizados na fabricação dos produtos vendidos. O decisum recorrido tratou o tópico referente à matéria referida da seguinte maneira: (...) Concernente aos créditos relativos à depreciação de máquinas e equipamentos, os incisos III do §1º e IV do caput art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 (PIS nãocumulativo) e os mesmos dispositivos da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003 (incidência nãocumulativa da Cofins), assim dispõem: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no art. 2º sobre o valor: (...); III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; (...) Da norma legal transcrita depreendese que as máquinas, os equipamentos e outros bens, cujos encargos de depreciação e amortização permitem o creditamento, são somente aqueles utilizados na produção de bens destinados à venda. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 09/12 /2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10650.001062/200551 Resolução n.º 3101000.186 S3C1T1 Fl. 439 6 Afirma a fiscalização que as máquinas, equipamentos e instalações destes centros de custos não afetam diretamente a produção, suprem de água e de energia elétrica todos os setores da empresa: regam jardins, abastecem o restaurante, iluminam ruas, parques, portaria. São utilizados indiscriminadamente para atender as necessidades de água e de energia elétrica de toda a empresa. A requerente aduz em sua defesa que: i) não poderia processar os minérios, recebidos em estado bruto, para transformálo nos produtos finais por ela vendidos, sem utilização da água nas diversas etapas do seu processo produtivo, ii) seus equipamentos industriais não operam com o nível de tensão em que a energia é entregue pela concessionária, iii) todos os itens do ativo imobilizado alocados em centro de custos produtivos são imprescindíveis à fabricação dos produtos destinados à venda. No caso em tela, em que pese a importância das máquinas e equipamentos alocados no sistema de tratamento e abastecimento de água, dos centros produtivos, e na subestação de energia elétrica, tais equipamentos não são utilizados na fabricação do produto destinado à venda. E quanto aos bens listados no item 5.2 do Relatório Fiscal (fls. 21 a 27), tais como poltronas, rádios, aparelhos de ar condicionado, caixa d’água e etc., verificase que não se tratam de máquinas e equipamentos utilizados na fabricação do produto destinado à venda. Em face das previsões legais, não sendo os bens, em comento, adquiridos ou fabricados pela interessada para utilização na produção de bens destinados à venda, descabe cogitar do aproveitamento de créditos decorrentes de sua depreciação. No recurso voluntário, a recorrente assevera que todos as máquinas e equipamentos relacionados nos aludidos itens 5.1 e 5.2 são imprescindíveis ao processo produtivo e traz detalhes da importância de certos equipamentos, ao tempo em que discorre sobre a correta exegese do art. 3º, VI, da Lei nº 10.637/2002, que trata dos créditos referentes a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços. Em que pese não concordar com o elastecimento da interpretação dada pela recorrente à expressão da lei em epígrafe supra (em itálico), não posso deixar de compreender que se o processo produtivo da empresa utiliza água e energia elétrica, e os centros de custos AGU Abastecimento e Tratamento de Água, ENE Subestação Energia Elétrica fornecem tais recursos para a empresa como um todo, alguma quantidade é destinada à linha de produção ou ao processo produtivo. Por outro giro, a glosa do item 5.2 não está devidamente explicitada em termos de motivos, como se apenas a menção dos equipamentos apontasse, per se, a ilegitimidade de tais alocações, entretanto, como bem expõe a recorrente, isso depende de exame minucioso do processo produtivo da empresa. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 09/12 /2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10650.001062/200551 Resolução n.º 3101000.186 S3C1T1 Fl. 440 7 Diante desse quadro, concluo ser necessário aprofundar o exame da matéria atinente à glosa explicitada nos tópicos 5.1 e 5.2 do Relatório Fiscal, e voto pela conversão deste julgamento em diligência para que a unidade preparadora jurisdicionante do domicílio tributário da recorrente providencie o seguinte: 1) intime a recorrente, para trazer aos autos, em prazo razoável, não inferior a 60 dias, laudo de perito competente, que descreva o processo produtivo da empresa, e que aponte a existência, ou não, e em que medida, da utilização dos centros de custos AGU Abastecimento e Tratamento de Água, ENE Subestação Energia Elétrica, e dos móveis e equipamentos relacionados no item 5.2 do Relatório Fiscal, na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; 2) ato contínuo à juntada do laudo, promova diligência fiscal in loco, para verificar as conclusões do laudo pericial, elaborando Relatório conclusivo e sucinto acerca da utilização dos centros de custos AGU Abastecimento e Tratamento de Água, ENE Subestação Energia Elétrica, e dos móveis e equipamentos relacionados no item 5.2 do Relatório Fiscal, em quadro pormenorizado. Após a anexação do Relatório Fiscal aos autos, dêse ciência desse à recorrente, em prestígio da ampla defesa e do contraditório, para manifestarse, querendo, no prazo de trinta dias. Após fluido o prazo acima, com ou sem manifestação, devolvamse os autos a esta Turma para julgamento. Sala das Sessões, em 11 de novembro de 2011. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 7DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 09/12 /2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 10640.000455/2005-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Sep 15 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002, 01/04/2004 a 30/06/2004
MULTA. DIF-PAPEL IMUNE. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO.
A apresentação da DIF-Papel Imune após o prazo estabelecido para sua entrega sujeita o contribuinte à imposição da multa prevista em lei, independentemente de ter havido ou não aquisição de papel imune no período.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002, 01/04/2004 a 30/06/2004
PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
A lei se aplica a ato pretérito não definitivamente julgado quando lhe comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente à época do fato.
Numero da decisão: 3201-008.919
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reduzir a multa ao valor único de R$ 5.000,00 por declaração não apresentada no prazo trimestral, de acordo com o § 4º do art. 1º da Lei nº 11.945/2009.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis (Relator), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Mara Cristina Sifuentes, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Lara Moura Franco Eduardo (Suplente convocada), Laércio Cruz Uliana Junior, Márcio Robson Costa e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente). Ausente o Conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles.
Nome do relator: Hélcio Lafetá Reis
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DIF-PAPEL IMUNE. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A apresentação da DIF-Papel Imune após o prazo estabelecido para sua entrega sujeita o contribuinte à imposição da multa prevista em lei, independentemente de ter havido ou não aquisição de papel imune no período. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002, 01/04/2004 a 30/06/2004 PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. A lei se aplica a ato pretérito não definitivamente julgado quando lhe comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente à época do fato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reduzir a multa ao valor único de R$ 5.000,00 por declaração não apresentada no prazo trimestral, de acordo com o § 4º do art. 1º da Lei nº 11.945/2009. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis (Relator), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Mara Cristina Sifuentes, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Lara Moura Franco Eduardo (Suplente convocada), Laércio Cruz Uliana Junior, Márcio Robson Costa e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente). Ausente o Conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 04 55 /2 00 5- 66 Fl. 125DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-008.919 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10640.000455/2005-66 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em contraposição ao acórdão da Delegacia de Julgamento (DRJ) que julgou improcedente a Impugnação ao auto de infração decorrente da exigência da multa regulamentar por atraso na entrega da Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DIF-Papel Imune). Em sua Impugnação, o contribuinte requereu o cancelamento da autuação, alegando (i) a sua boa-fé, pois antes de 30/09/2002 não tinha conhecimento da autorização para adquirir papel imune, (ii) violação dos arts. 96 e 114 do CTN, dada a incompletude da definição do fato gerador em tela, (iii) ausência de movimentação de aquisição de papel com o benefício da licença nº 51 antes do 3º trimestre de 2002 e (iv) inobservância dos princípios da legalidade, da interpretação econômica e da equidade. Junto à Impugnação, o contribuinte carreou aos autos cópias (i) de documentos societários, inclusive os relativos à sucessão da Fundação Tiradentes pela Fundação de Apoio à Pesquisa, Educação e Cultura (Fapec), (ii) de correspondência interna relativa aos fatos ensejadores do auto de infração, em que se atesta que a licença nº 51 havia sido publicada no DOU de 05/09/2002, que a primeira compra de papel imune se dera em outubro de 2002, que se imaginava que o dever de entregar a declaração somente se aplicava após a primeira compra e que, após a extinção da Fundação Tiradentes, a Fapec não tinha mais interesse em adquirir papel imune, (iii) de notas fiscais e (iv) das DIFs – Papel Imune. O acórdão da DRJ em que se manteve a autuação restou ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002, 01/04/2004 a 30/06/2004 DIF-PAPEL IMUNE. FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A não-apresentação, ou a apresentação da DIF-Papel Imune após os prazos estabelecidos para a entrega dessa declaração, sujeita o contribuinte à imposição da multa prevista no artigo 57 da MP 2.158-35. Lançamento Procedente Merecem registro os seguintes trechos do voto condutor do acórdão recorrido: as pessoas jurídicas que operam com papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos (papel imune), ainda que não tenham efetuado operações com esse papel em um dado período, ficaram obrigadas a apresentar a declaração em comento para esse período (parágrafo único do art. 2° da IN SRF 159/2002). Registre-se que essa IN foi publicada em 20/05/2002, aplicando-se, portanto, a partir da DIF -Papel Imune relativa ao 2° trimestre de 2002. A data inicial para fins de aplicação das orientações acima, como também de aplicação da legislação tributária em geral, é a data da publicação do ato. No caso, a entrega da declaração relativa ao 3° trimestre de 2002, objeto do lançamento em apreço, deveria, inequivocamente, atender às disposições da citada instrução. (fl. 90) (...) Fl. 126DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-008.919 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10640.000455/2005-66 No que diz respeito à exigência da penalidade para a DIF-Papel Imune relativa ao 3° trimestre de 2002 a autuada argumenta que só teve ciência pessoal da concessão do registro especial após 30/09/2002, o que, no seu entender, a desobrigaria da apresentação da dita declaração. - Não ha como lhe dar razão. Em primeiro lugar porque a autuada não comprova sua alegação de que a ciência pessoal ocorreu após 30/09/2002. O documento de fl. 44 foi assinado pela autoridade da DRF/Juiz de Fora em 16/09/2002, não havendo nos autos prova de que seu recebimento, pela então FUNTIR, tenha ocorrido após 30/09/2002. Em segundo lugar porque, ainda que a ciência pessoal tivesse ocorrido após a data alegada, isso não teria o condão de postergar os efeitos da publicação do Ato Declaratório concessivo do registro especial no DOU, publicação essa que ocorreu em 05/09/2002 (fl. 15). Portanto, a partir da data da publicação do citado AD a Fundação estava obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias relativas ao controle do uso do papel imune. Já no tocante à DIF-Papel Imune relativa ao 2° trimestre de 2004 a impugnante alega a extinção da sociedade em 18/05/2004, fato que, no seu entender, a desobrigaria de apresentar a declaração relativa ao trimestre em foco. Oportuno registrar que a alegação da empresa pode ser comprovada mediante consulta ao sistema IRPJ da Receita Federal (vide cópia do extrato da DIRPJ/2004 à fl. 83), que atesta a entrega da declaração de extinção da Fundação Tiradentes (data do evento: 18/05/2004). Todavia, tal extinção ocorreu em maio, ou seja, na metade do 2° trimestre de 2004, o que toma obrigatória a apresentação da declaração para os meses de abril e parte do mês de maio. Como a declaração é trimestral, não há como eximir a Fundação da obrigatoriedade de apresentação da DIF relativa ao 2° trimestre de 2004. (fl. 91) Cientificado da decisão de primeira instância em 19/12/2008 (fl. 95), o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 09/01/2009 (fl. 96) e requereu o cancelamento do auto de infração, repisando os argumentos de defesa, sendo aduzido, ainda, a violação ao princípio constitucional do não confisco. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis, Relator. O recurso é tempestivo, atende os demais requisitos de admissibilidade e dele se toma conhecimento. Conforme acima relatado, trata-se de auto de infração decorrente da exigência da multa regulamentar por atraso na entrega da Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DIF-Papel Imune). De início, registre-se que a Fundação de Apoio à Pesquisa, Educação e Cultura (Fapec), na condição de sucessora da Fundação Tiradentes, é quem vem atuando neste processo enquanto impugnante e recorrente, sucessão essa extraída do teor de seu estatuto, precipuamente do seu art. 6º, inciso I, 9º, inciso I, e art. 25 (fls. 24 a 29), bem como das resoluções conjuntas presentes às fls. 31 a 33 e o ofício datado de 06/01/2003 (fl. 34). Compulsando os autos, constata-se que, em 05/09/2002, foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) o ato declaratório executivo nº 51, do Delegado da Receita Federal em Fl. 127DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-008.919 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10640.000455/2005-66 Juiz de Fora, em que se inscreveu o Recorrente no Registro Especial nº GP – 06104/035, a partir de quando tal registro passou a ter validade (fl. 47). Independentemente da data em que o Delegado da Receita Federal tenha enviado ao interessado, pelos Correios, cópia de tal ato declaratório, sua vigência se iniciou a partir de sua publicação no DOU, razão pela qual, desde 05/09/2002, a entidade já se encontrava obrigada às prestações positivas ou negativas decorrentes da opção a que aderira. Destaque-se, ainda, que a extinção da Fundação Tiradentes se dera em maio de 2004 (fl. 86), situação em que se mantém a obrigação acessória em relação ao 2º trimestre daquele ano, abarcando o mês de abril e parte de maio. Conforme apontado pelo julgador de piso, a obrigação acessória sob comento encontrava-se disciplinada pela IN SRF nº 71/2001, alterada pelas IN SRF nº 101/2001 e 134/2002, verbis: Art. 10. Fica instituída a Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DlF- Papel Imune), cuja apresentação é obrigatória para as pessoas jurídicas de que trata o art. 1°. Art. 11. A DIF - Papel imune deverá ser apresentada até o último dia útil dos meses de janeiro, abril, julho e outubro, em relação aos trimestres civis imediatamente anteriores, em meio magnético, mediante a utilização de aplicativo a ser disponibilizado pela SRF. (Redação dada pela IN SRF 134, de 08/02/2002) (...) Art. 12. A não apresentação da DIF - Papel Imune, nos prazos estabelecidos no artigo anterior enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 5 7 da Medida Provisória nº 2.158-34, de 27 de julho de 2001. Por sua vez, a multa aplicada está prevista no artigo 57 da MP 2.158-35 (matriz legal do art. 505 do RIPI/2002): Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.7 79, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades; I - RS 5.000,00 (cinco mil reais) por mês-calendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer nos prazos estabelecidos as informações ou esclarecimentos solicitados; (...) Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES. os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. De acordo com os dispositivos supra, conclui-se que, independentemente de ter havido ou não aquisição de papel imune no trimestre, era obrigatória a apresentação da declaração. A instituição de obrigações acessórias pela Secretaria da Receita Federal do Brasil encontrava-se autorizada pelo art. 16 da Lei nº 9.779/1999, verbis: Art.16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Fl. 128DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-008.919 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10640.000455/2005-66 Dessa forma, não há que se falar em ofensa aos princípios da legalidade, da interpretação econômica, da equidade, da vedação ao confisco ou da desproporcionalidade da autuação, pois foi a própria lei que estipulou a competência da Receita Federal para dispor sobre obrigações acessórias relativas aos tributos por ela administrados, encontrando-se a previsão sancionatória delimitada de forma clara e precisa, não se vislumbrando qualquer inobservância dos arts. 96 e 104 do CTN, conforme alegado pelo Recorrente. Não se pode perder de vista que a Administração tributária encontra-se vinculada à lei válida e vigente, não podendo se esquivar de seu cumprimento, sob pena de responsabilização, em conformidade com o art. 37 da Constituição Federal 1 e art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional (CTN) 2 . Quanto à multa lançada, trata-se de matéria sumulada neste CARF, verbis: Súmula CARF nº 151 Aplica-se retroativamente o inciso II do § 4º do art. 1º da Lei 11.945/2009, referente a multa pela falta ou atraso na apresentação da “DIF Papel Imune” devendo ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.158-35/ 2001, consagrando-se a retroatividade benéfica nos termos do art. 106, do Código Tributário Nacional. Dessa forma, aplicando-se o princípio da retroatividade benigna do art. 106 do CTN 3 , a multa decorrente do atraso na entrega da DIF-Papel Imune deve ser reduzida ao valor único de R$ 5.000,00 por declaração não apresentada no prazo trimestral, de acordo com o § 4º do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, verbis: § 4º O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3 o deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: (...) II - de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. 1 Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (...) 2 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. 3 Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: (...) II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 129DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-008.919 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10640.000455/2005-66 Esclareça-se que aqui não se aplicará a redução prevista no § 5º do art. 1º da Lei nº 11.945/2009 4 , uma vez que a apresentação da declaração se deu após o início do procedimento fiscal. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reduzir a multa ao valor único de R$ 5.000,00 por declaração não apresentada no prazo trimestral, de acordo com o § 4º do art. 1º da Lei nº 11.945/2009 (súmula CARF nº 151). É o voto. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis 4 § 5º Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4o deste artigo será reduzida à metade. Fl. 130DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 44000.000894/2006-15
Data da sessão: Tue Mar 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/08/1999
COOPERATIVAS
Durante a vigência da Lei Complementar 84/96, a cooperativa está obrigada a recolher a contribuição a seu cargo, incidente sobre as importâncias pagas a seus cooperados, a título de remuneração pelos serviços por eles prestados a outras empresas.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 2301-001.282
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos acatar a preliminar de decadência para dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a)
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDW, os /membros da 3' Câmara / P Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por !Unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e no mérito negar provimento a ,5,‘ reáurs nos termos do voto do Relator. JULIO CÈS̀AkA VtEIRA GOMES — Presidente BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Edgar Silva Vidal (Suplente) Damião Cordeiro de Moraes e Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente). Relatório Trata-se de crédito previdenciário lançado contra a cooperativa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa, incidente sobre os valores pagos aos cooperados. Consta do Relatório da NFLD (fls. 14/17) que o fato gerador da contribuição lançada é a remuneração paga aos cooperados da notificada, pelos serviços que prestaram a pessoas jurídicas, conforme determina a Lei Complementar 84/96, artigo 1 0, inciso I. A recorrente impugnou o débito via peça de fls. 49 a 102 e, de sua análise, o processo foi convertido em diligência, resultando na emissão do Aditamento ao Relatório da NFLD (fls. 108), por meio do qual a autoridade lançadora corrige o erro de digitação ocorrido no relatório original, alterando a fundamentação do débito para Lei Complementar 84/96, artigo 1 0, inciso II, e não inciso I, como constou inicialmente. Cientificada do Aditamento ao Relatório da NFLD, a recorrente se manifestou reiterando os argumentos da defesa original e o INSS, por meio da Decisão- Notificação n° 21.401.4/0318/2002 (fls. 123 a 130), julgou o lançamento procedente. Não se conformando com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 136/141), repetindo basicamente as alegações já apresentadas na impugnação. • Preliminarmente, requer que seu recurso seja processado sem a imposição de efetuar depósito prévio. Reitera que foi criada em função da Prefeitura do Município de São Paulo e que a única fonte de custeio advinha do convênio firmado com aquela Prefeitura, não possuindo atualmente qualquer fonte de renda ou qualquer patrimônio, haja vista que apenas administrava os bens pertencentes à Municipalidade de São Paulo. Entende que a recorrente não deve ser tratada como uma pessoa jurídica comum, mas sim de forma atípica, uma vez que não aufere lucros como as demais pessoas jurídicas e fora criada com a única finalidade de realizar os objetivos do Plano de Atendimento à Saúde-PAS, no Município de São Paulo. Reafirma que sobrevivia dos repasses feitos pela Municipalidade, não podendo seus cooperados estar sujeitos ao recolhimento da exação em tela, mesmo porque a verba que era repassada pela Prefeitura não incluía qualquer valor a mais a título de pagamento de impostos/contribuição, e qualquer verba destinada para essa finalidade prejudicaria a população que era atendida nos hospitais municipais. Infouna que em nenhum momento a Cooperativa recorrente pagou alguma importância a seus cooperados por serviços prestados a outras pessoas jurídicas e sustenta que não deve nada que está sendo cobrado por intermédio da NFLD em discussão, já que a Lei Complementar que institui a exação está eivada de inconstitucionalidade. Lembra que a Lei que rege as cooperativas preceitua que não existe vínculo empregatício entre elas e seus associados. Em contra-razões, a SRP manteve a decisão recorrida. 2 Processo n° 44000.000894/2006-15 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-01.282 Fl. 2 É o relatório. Voto Conselheira BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Relatora O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Preliminarmente, a recorrente requer que seu recurso seja processado sem a imposição de efetuar depósito prévio. É oportuno registrar que o plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários ns. 390.513 e 389383, declarou a inconstitucionalidade dos §§ 1° e 2° do artigo 126 da Lei n. 8213/91, cujos acórdãos possuem a seguinte ementa: "RECURSO ADMINISTRATIVO—DEPÓSITO - §§ 1° E 2° DO ARTIGO 126 DA LEI N° 8.213/1991 — INCONSTITUCIONALIDADE. A garantia constitucional da ampla defesa afasta a exigência do depósito como pressuposto de admissibilidade de recurso administrativo." A situação acima aplica-se ao caso concreto e o efeito erga omnes somente se daria após a publicação de Resolução do Senado Federal conforme dispõe o inciso X do artigo 52 da Constituição Federal. Portanto, com amparo no dispositivo artigo 64, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria 256, de 22/06/2009, já transcrito acima, acato a preliminar de inexigibilidade do depósito prévio. No mérito, a recorrente não nega que deixou de recolher as contribuições incidente sobre os valores pagos aos cooperados pelos serviços que prestaram a outras pessoas jurídicas, conforme determina a Lei Complementar 84/96, artigo 1 0, inciso II. Ela apenas tenta demonstrar que a LC 84/96 é inconstitucional e que não deve ser tratada como uma pessoa jurídica comum, mas sim de forma atípica, uma vez que não aufere lucros como as demais pessoas jurídicas e fora criada com a única finalidade de realizar os objetivos do Plano de Atendimento à Saúde-PAS, no Município de São Paulo. Contudo, tal entendimento não encontra amparo legal. O art. 15, da Lei 8.212/91 estabelece que: Art. 15. Considera-se: 1- empresa - afirma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; 3 Parágrafo único. Equipara-se a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. (Redação alterada pela Lei n° 9.876, de 26/11/99. Ver parágrafo único do art. 12 do Regulamento, Dec. 3.048/99 e Leis n°s 9.796, de 05/05/99 e 9.867, de 10/11/99) (grifei). Portanto, mesmo que a recorrente não possua atualmente qualquer fonte de renda ou qualquer patrimônio, ou que não vise lucro, ela se equipara à empresa por expressa deteiminação legal. A contribuição lançada pela NFLD em discussão encontra amparo no inciso II, do art. 1 0, da Lei Complementar 84/96, vigente à época da ocorrência do fato gerador. Em relação às argüições de inconstit-ucionalidade da Lei Complementar 84/96, cumpre esclarecer que o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, veda aos Conselhos de Contribuintes afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme disposto em seu art. 62. Ademais, o Conselho Pleno, no exercício de sua competência, uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria, por meio do Enunciado 02/2007, transcrito a seguir: Enunciado n° 02: O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. E como não é facultado ao servidor público eximir-se de aplicar uma lei, a fiscalização, ao constatar a prestação de serviços, a outras pessoas jurídicas, pelos cooperados associados à recorrente, e o não recolhimento da contribuição devida, prevista no inciso II, do art. 1 0, da Lei Complementar 84/96, agiu corretamente lavrando a presente NFLD, em estrita observância aos ditames legais. Nesse sentido CONSIDERANDO tudo o mais que dos autos consta; VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO para, no mérito, NEGAR- LHE PROVIMENTO. É como voto. Sala das Sessões, em 23 de março de 2010. 3 BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS — Relatora 4
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Numero do processo: 11522.001211/2001-86
Data da sessão: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1997
EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE RESERVA LEGAL.
OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO À MARGEM DE REGISTRO
PÚBLICO DO IMÓVEL RURAL.
Por se tratar de condição essencial estabelecida em lei para a constituição de reserva legal, é imprescindível a averbação de tal área à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no Registro de Imóveis competente. Cumprida tal condição, a área averbada deve ser excluída da base de cálculo do ITR.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-000.095
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: Caio Marcos Candido
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ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1997 EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO À MARGEM DE REGISTRO PÚBLICO DO IMÓVEL RURAL. Por se tratar de condição essencial estabelecida em lei para a constituição de reserva legal, é imprescindível a averbação de tal área à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no Registro de Imóveis competente. Cumprida tal condição, a área averbada deve ser excluída da base de cálculo do ITR. Recurso especial provido.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-09-30T11:21:44Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-09-30T11:21:43Z; Last-Modified: 2009-09-30T11:21:44Z; dcterms:modified: 2009-09-30T11:21:44Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-09-30T11:21:44Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-09-30T11:21:44Z; meta:save-date: 2009-09-30T11:21:44Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-09-30T11:21:44Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-09-30T11:21:43Z; created: 2009-09-30T11:21:43Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2009-09-30T11:21:43Z; pdf:charsPerPage: 1075; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-09-30T11:21:43Z | Conteúdo => CSRF-T2 Fl. 1 o . MINISTÉRIO DA FAZENDA 1 •WY, CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS r4,7: CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 11522.001211/2001-86 Recurso n° 303-134.292 Especial do Procurador Acórdão n° 9202-00.095 — 2* Turma Sessão de 18 de agosto de 2009 Matéria ITR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado EDUARDO RACHID RAYES Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1997 EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO À MARGEM DE REGISTRO PÚBLICO DO IMÓVEL RURAL. Por se tratar de condição essencial estabelecida em lei para a constituição de reserva legal, é imprescindível a averbação de tal área à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no Registro de Imóveis competente. Cumprida tal condição, a área averbada deve ser excluída da base de cálculo do ITR. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, ! or unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. CARLOS ALBERTO F ITAS BARR 1 - P esidente 49. • RCOS CANDIDO — Re .tor EDITADO EM: 2G09 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (substituto do Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Roberta de Azeredo Peneira Pagetti (convocada), Julio Cesar Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Júnior, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão n° 303-34.064, exarado na sessão de julgamento de 27 de fevereiro de 2007. A interposição do recurso de deu com fulcro no inciso II do art. 7° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) aprovado pela Portaria MF n° 147, 25 de junho de 2007, verbis: Art. 7° Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: II (.) - decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Hodiernamente tal recurso tem supedâneo no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), verbis: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Despacho em que se admite o recurso às fls. 165/168. A divergência jurisprudencial, que se quer seja solucionada nos presentes autos, resume-se a definir se, para fins de não incidência do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), a averbação da área declarada como reserva legal à margem da inscrição da matricula do imóvel no Registro de Imóveis competente, efetuada posteriormente à data de ocorrência do fato gerador, satisfaz a condição estabelecida na lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965 (Código Florestal Brasileiro), com a redação dada pelo § 2° do art. 16 da lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989, como entendeu o acórdão recorrido ou, se ao contrário, 7 constitua-se condição essencial para a não incidência que a citada averbação tenha se dado em momento anterior à ocorrência do fato gerador do ITR, bem como, se tal exclusão do campo de incidência do ITR faz-se necessário o protocolo de pedido do Ato . Declaratório Ambiental (ADA), expedido pelo IBAMA ou órgão delegado por meio de convênio. Contrarrazões ao recurso especial às fls. 177/178. É o relatório. Passo ao voto. 2 Processo e 11522.001211/2001-86 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.095 Fl. 2 Voto Conselheiro CAIO MARCOS CANDIDO, Relator Recurso Especial de Divergência tempestivo. Passo a verificar o outro requisito de admissibilidade: a comprovação da divergência na interpretação de lei tributária entre duas câmaras dos Conselhos de Contribuintes ou de turma da CSRF. A 3' Câmara do 3° Conselho de Contribuintes no acórdão recorrido decidiu: ITR. GLOSA DE ÁREAS ISENTAS SEM SUPORTE LEGAL. A exigência de averbaçâ'o e de protocolo de pedido de ADA como requisitos ao reconhecimento de isenção do ITR paia a área declarada a título de utilização limitada não têm previsão legai A existência material da área de interesse ambiental a ser preservada por definição legal a exclui da tributação do ITR. A Fazenda Nacional recorre à instância especial sob a alegação de que deve ser mantida a glosa efetivada pela fiscalização das áreas de reserva legal, pois o contribuinte não comprovou a averbação da área declarada como reserva legal à margem da inscrição da matrícula do imóvel no Registro de Imóveis deveria ter sido efetuado antes de ocorrido o fato gerador, reportando-se, como paradigma de divergência, ao acórdão n° 302-36.585, de lavra da r Câmara do 3° Conselho de Contribuintes. Consta da ementa do paradigma, in verbis: ÁREA DE RESERVA LEGAL. A área de reserva legal somente será considerada para efeito de exclusão tributada e aproveitável do imóvel rural quando devidamente averbada à margem da inscrição de matricula do referido imóvel, junto ao Registro de Imóveis competente, em data anterior á da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos da legislação pertinente. Nos casos de 'Posse", o Termo de Compromisso de Averbação e Preservação de Florestas, celebrado com órgão ambiental estadual, substitui a averbação daquela área, nos termos supra-indicados, sujeitando-se, contudo, ao mesmo limite temporal da referida averbação. A Fazenda Nacional apresentou também como paradigma o acórdão n° 302- 36.278, exarada em 09 de julho de 2004, em relação à não apresentação tempestiva do ADA: ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA A existência de área de preservação permanente deve ser reconhecida mediante ato declaratório do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio. As áreas de reserva legal devem ser averbadas à margem da inscrição da matricula do imóvel no registro de imóveis competente. 3 Conforme visto, restou estabelecida a divergência de interpretação de lei tributária entre a r e 3" Câmaras dos Conselhos de Contribuintes, pelo quê o recurso especial deve ser admitido. No mérito. A discussão que se trava nestes autos cinge-se em saber se a comprovação da existência das áreas de reserva legal, para fins de exclusão das mesmas da base de incidência do ITR, depende, ou não, da averbação da referida área no Registro de Imóveis competente, antes da ocorrência do fato gerador, e da protocolização tempestiva do ADA, a ser emitido pelo IBAMA ou órgão conveniado. Quanto à averbação da área de reserva legal no Registro de Imóveis competente. Conforme visto, a 2' e 3' Câmaras do 3° Conselho de Contribuintes divergem quanto à obrigatoriedade, para fins de não incidência do ITR, da averbação no registro de imóveis competente, de área declarada pelo contribuinte como sendo de reserva legal, realizada previamente à data de ocorrência do fato gerador (condição prevista no Código Florestal Brasileiro (Lei n°4.771, de 1965), incluída pelo § 2° do art. 16 da lei n° 7.803, de 1989. A 3a Turma da CSRF vinha decidindo no sentido de que a comprovação da área declarada como de reserva legal, para fins de exclusão da tributação do ITR, poderia dar- se por outros meios de prova, independendo da averbação de tal área à margem da matricula do imóvel rural no registro de imóveis competente ou mesmo de sua averbação posterior. Neste sentido reproduzo a ementa do acórdão CSRF/03-05.505, de 12 de novembro de 2007: Ementa: ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. - A comprovação da área de reserva legal para efeito de sua exclusão da base de cálculo do ITR não depende exclusivamente de sua prévia averbação no cartório competente, e seu reconhecimento pode ser feito por meio de Laudo Técnico e outras provas documentais idôneas, inclusive a sua averbação procedida posteriormente à data do fato gerador. Peço vênia para discordar do posicionamento, então adotado, pelas razões a seguir apresentadas. A legislação aplicável à matéria estabelece que não serão consideradas para a formação da base de cálculo do ITR as áreas de reserva legal, ex vi da alínea "a" do inciso II do § 1° do art. 10 da lei n° 9.393, de 1996: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: (.) II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; 4 Processo n° 11522.001211/2001-86 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.095 Fl. 3 Conforme visto, a definição do que seja "área de reserva legal" encontra-se estabelecida no § 2° do art. 16 da lei n° 4.771, de 1965, com redação incluída pelo art. 1° da lei n°7.803, de 1989: § 2°Á reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. A reserva legal é uma restrição ao direito de exploração das áreas de vegetações nativas e sua discutida averbação tem a função de dar publicidade a terceiros daquela restrição. Tal posicionamento é corroborado pelo Supremo Tribunal Federal a partir do julgamento do Mandado de Segurança n° 22.688/PB (Tribunal Pleno, sessão de 28 de abril de 2000) em que se discutia tal tema relativamente à produtividade de imóvel em processo de desapropriação para fins de reforma agrária. Veja-se o tratamento dado à matéria em voto vista do Ministro Sepúlveda Pertence: A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ser excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade (.) A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja determinada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel o que dos novos proprietários só estaria obrigado a preservar vinte por cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria - uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo §2° do art. 16 da lei n°4.771/1965 não existe reserva legal. Esta posição continua sendo adotado pelo STF, conforme se pode verificar nos autos do MS 28.156/DF, cujo acórdão foi publicado no Diário de Justiça de 02 de março de 2007. Assim sendo, a afirmativa de que a existência da área declarada como de reserva legal ou de que sua comprovação por outros meios, ou ainda de que sua averbação posteriormente à ocorrência do fato gerador, supriria a condição estabelecida na lei não condiz com a norma que emana da análise conjunta da alínea "a" do inciso II do § 1° do art. 10 da lei n° 9.393, de 1996 e do § 2° do art. 16 da lei n° 4.771, de 1965, com redação incluída pelo art. 1° da lei n° 7.803, de 1989. Tal norma estabelece a obrigação de dar publicidade a terceiros da criação de área correspondente a, no mínimo, 20% da propriedade rural protegida do uso indiscriminado, impondo ao proprietário um controle social em relação à conservação da cobertura vegetal daquela área. Quando a Lei n° 9.393, de 1996 reproduziu a obrigatoriedade de averbação estabelecida no Código Florestal, não estava criando obrigação acessória, com vista no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, mas, sim, repercutindo condição essencial à instituição de área de reserva legal, que deve ser cumprida pelo interessado para fruição da exclusão de tais áreas da base de cálculo do ITR. O conceito de obrigação acessória, à luz do §2° do artigo 113 do CTN, confirma a conclusão trazida no parágrafo anterior, posto que a obrigatoriedade da averbação não foi criada por legislação tributária, sendo assim não há que se falar em obrigação tributária acessória: 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. (.) 2 0 A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Neste sentido, entendo ser condição essencial para a constituição de reserva legal a averbação de tal área à margem da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente. Apenas cumprida tal condição será possível a exclusão de tal área da base de cálculo do tributo. Sendo assim, apenas posteriormente à averbação considera-se constituída a área de reserva legal, não produzindo efeitos para períodos de apuração anteriores. Na forma do art. 144 do CTN, o lançamento tributário reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Deixo de analisar as razões acerca da necessidade de protocolização do ADA, por não ter havido a necessária averbação imposta em lei para constituição da reserva legal. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial deAor divergência. ( • aio arcos Candido - Relator ff(- 6
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Numero do processo: 19515.001451/2010-72
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2302-000.151
Decisão: Resolvem os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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Resolvem os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Marco Andre Ramos VieiraPresidente Presidente Liege Lacroix Thomasi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato Ausência Momentânea: Eduardo Augusto Marcondes de Freitas Fl. 273DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.1220.11136.C8TW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515001451/201072 Resolução n.º 2302000.151 S2C3T2 Fl. 2 2 Relatório Trata o presente de Auto de Infração de Obrigação Acessória, lavrado em 04/06/2010 e cientificado ao sujeito passivo em 15/06/210, em virtude do descumprimento do artigo 32, inciso IV, §5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, com multa punitiva aplicada conforme dispõe o artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, por ter informado nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s do período de 01/2006 a 12/2007, o FPAS 639, relativo à entidade isenta da cota patronal da contribuição previdenciária, quando não tal fato não restou comprovado, até pela falta de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. A recorrente impugnou a autuação e Acórdão de fls. 243/252, conheceu parcialmente do recurso porque atesta que a autuada possui ação judicial em sede de Agravo de Instrumento no Superior Tribunal de Justiça, visando impedir o fisco de proceder ao lançamento das contribuições devidas. Na parte conhecida o Acórdão julgou o lançamento procedente. Ainda inconformada, a recorrente apresentou recurso, arguindo em síntese: a) que foi aplicada legislação revogada, mais precisamente o artigo 55 da Lei n. 8.212/91; b) que os documentos apresentados comprovam que se subsume à imunidade; c) que não lhe foi permitido acesso ao contraditório e ampla defesa; d) que a exigência do certificado já foi revogada; e) que possui registro no CNAS e cumpre todos os requisitos do artigo 55 da Lei n, 8.212/91 e do artigo 14 do CTN; f) que foi orientada pela previdência a utilizar o FPAS 639; g) que está aguardando a emissão do CEBAS pelo Ministério da Educação; h) que a multa é inaplicável frente a sua boafé. Requer o provimento do recurso para cancelar o débito e excluir a multa, pois não agiu de máfé. O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade frente a sua tempestividade e deve ser conhecido. Fl. 274DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.1220.11136.C8TW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515001451/201072 Resolução n.º 2302000.151 S2C3T2 Fl. 3 3 Entretanto, é de se notar que a obrigação principal, consubstanciada no Auto de Infração de Obrigações Principais n.º 19515001537/201003, relativa à condição da isenção sob a qual a recorrente se diz abrigada é objeto de ação judicial com a interposição de Agravo de Instrumento no Superior Tribunal de Justiça e somente após o julgamento do mesmo é que se poderá julgar este auto de infração que trata do descumprimento de obrigação acessória decorrente daquela obrigação principal. Assim, entendo que este processo deve ser convertido em diligência para que seja julgado conjuntamente com o processo que trata da obrigação principal conexa a este auto de infração, após o resultado da ação judicial. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 275DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.1220.11136.C8TW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por LIEGE LACROIX THOMASI em 20/03/2012 15:28:07. Documento autenticado digitalmente por LIEGE LACROIX THOMASI em 17/04/2012. Documento assinado digitalmente por: MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA em 17/04/2012 e LIEGE LACROIX THOMASI em 17/04/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 01/12/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP01.1220.11136.C8TW Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: EDB51A556F364600662A6256A1281ED5CD0D9B1D Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 19515.001451/2010-72. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10680.010793/91-91
Data da sessão: Thu Dec 03 00:00:00 UTC 1992
Numero da decisão: 302-00.643
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em converter o julgamento
em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e
voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CUCO ANTUNES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: 30200643_106800107939191_199212; xmp:CreatorTool: Smart Touch 1.7; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dcterms:created: 2017-06-07T11:23:40Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: 30200643_106800107939191_199212; pdf:docinfo:creator_tool: Smart Touch 1.7; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:encrypted: false; dc:title: 30200643_106800107939191_199212; Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: ; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:subject: ; meta:creation-date: 2017-06-07T11:23:40Z; created: 2017-06-07T11:23:40Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2017-06-07T11:23:40Z; pdf:charsPerPage: 826; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; pdf:docinfo:custom:Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; meta:keyword: ; producer: Eastman Kodak Company; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:created: 2017-06-07T11:23:40Z | Conteúdo => ." •MINISTERIO DA ECONOMIA. FAZENDA E PLANEJAMENTO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBU INTE S SEGUND.l\ CM~ARA Ig I PROCESSO N9 I 068 O. O1 0793/91 - 91 • Sessão de 03 dezembro de 1.99L ACORDA0 N! _ Recurso n2, : Re corrente: Recor-rid 115.006 CLÁUDIO HERMANNY DRF - BELO HORIZONTE - MG _I I R E S O L U C Ã O Nº 302 ...643 c. da Faz. Nacional UCO ANTUNES - Relator VISTO EM SESSÃO DE: '18 FEV 1993 Particip~ram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselheiros: UBALDO CAMPELLO NETO, JOSÉ SOTERO TELLES DE MENEZES, LUIS CARLOS VIA- NA DE VASCONCELOS, ELIZABETH EMíLIO MORAES CHIEREGATTO, WLADEMIR CLO-. VIS MOREIRA, RICARDO LUZ DE BARROS BARRETO . • VISTOS, relatados e discutidos os presentes autos, ~ RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Cons~ lho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em converter o julga- mento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. BraSíli~m 03 ~e dezembro de 1992. ~' SÉRGIO DE CASTRO • MF."""", - TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • SERVICO PÚBLICO FEDERAL RECURSO Nº • RECORRENTE: RECORRIDA RELATOR SEGUNDA cÂMARA - 02. 115.006 - RESOLUÇÃO Nº 302-643 CLÁUDIO liliRMANNY. DRF-BELO HORIZONTE/MG. CONS. PAULO ROBERTO CUCO ANTUNES. R E L A T Ó R I O. "DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL. Atraves da(s) Declaração(s) de Importação - DI(s)' abaixo indicada(s), a Federação de Motociclismo do Estado de Minas Gerais importou motocicleta(s) de marca(s), modelo(s) e ano(s) de fabrigação, meneio nado(s) a seguir: DI nr. 02176/88, Ad. 01, Del - ~ Quant. 03, marca Montesa Cota, modo 335, ano fabr. 1988, com isenção de tributos, dest~nada(s) a prá- tica de desportos e, posteriormente, cedeu a cláu- dio Hermanny CPF 490.679.156/53, como comprova(m), cópia;(:s)anexa(s) de documento(s) fornecido(s) por aQuela Federação, a(s) motocicleta(s) Chassis no. 61M0002786 referente a Declaração de Importação nº 2176/88 adição 01, sem Que houvessem Que houyessem sido previamente pagos os tributos, como determi- nam os artigos 137 e 220 do Regulamento Aduaneiro' aprovado pelo Decreto nr. 91.030/85, em razão do Que, na Qualidade de beneficiário does) bem(ns) im portado(s) com isenção, oCa) referido cessionário' (a), ::-Jr.ClaudioHermanny se tornou responsável so- lidário pelos impostos e multas devidos, de acordo com os artigos 81, 82-1 e 500-1, do mencionado Re- gulamento e cujos valores, após rateados proporcio nalmente a Quantidade importada, totalizam Cr$ .•~ Cr$ 866.740,00, como descrito no Auto"de Infração. • • • A Delegacia da Receita Federal tuou o Recorrente - Sr. cláudio Hermanny fatos e enQuadramento legal descritos às transcrevo: em Belo Horizonte-MG, au - com base nos seguintes fls. 02 dos autos, Que • "......... O mencionado Auto de Infração, às fls. 01 dos autos, de talha o crédito tributário constituido de Imposto de Importação e ~/- SERViÇO PÚBLICO FEDERAL RECURSO:RESOLUÇÃO: 03 . .115.006. 302-643 I.P.I.; Juros de Mora e Cor.Monetária sobre tais tributos; MuI - tas do art. 521, 11, "a" do Regulamento Aduaneiro e do art. 364, 11, do RIFI; Encargos TRD eal:culados.àté30.10.91. Às fls. 05 encontra-se cópia do Anexo 11 da Declaração de Importação nQ. 002176/88, indicando que a importação foi efe~ tuada sob regime de ISENÇÃO. •. Às fls. 07 é encontrada uma DECLARAÇÃO do próprio Re - corrente dizendo ter recebido a Motocicleta MONTESA, Modelo 335, Ano 1.988, nQ do Chassis 61M0002786 de propriedade da FEDERAÇÃO' • DE MOTOCICLISMO DO ESTADO DE MINAS GERAIS, para uso exclusivo em treinos e competições de TRIAL, estando ciente' de não poder uti - . lizá~la em vias públicas ou para outras finalidades e que está ' '. ciente de ter que informar anualmente à FEDERAÇÃO DE MOTOCICLIS- MO DO ESTADO DE MINAS GERAIS a utilização da mesma, assim como , em caso de repasse à outro piloto, só fazê-lo com anuência da. . FMEMG. Em 17/01/92 foi expedida a NOTIFICAÇÃO NQ 077/92 ao Recorrente, estampando crédito tributário no valor total de Cr$. Cr$1.448.598,39. Após obter prorrogação de prazo pela DRF local. o Recor rent e apresentou Impugnação tempesti -J.a,argumentando: llque a Federação de Motociclismo do Estado de Mi- nas Gerais cedeu a motocicleta de CASSIS NQ 6lMO 002786 para o signatário, para que, este repre - sentasse o Brasil no Exterior, (Documento anexo' nQ 2), e participasse das competições no Brasil' (Documento anexo nQ 3 e 4); -que a partir de Dezembro de 1989 o signat~rio passou a fazer parte da Diretoria da Federação ' de Motociclismo do Estado de Minas Gerais, res ponsável pelo departamento de "TR:IAL", fazendo u so da motocicleta em questão, de propriedade dã Federação, para organizar competições, demonstra SERViÇO PUBLICO FEDERAL RECURSO: RESOLUÇÃO: 0.4. 115.006. 302-643 • ções e atividades que divulguem esta modalidade de esporte, (Documento anexo nQ 5); -que a documentação anexa comprova portanto que o equipamento importado não é de propriedade do signatário, isentando-o de qualquer responsabi- lidade quanto ao recolhimento de impostos pre - tendidos, na Notificação NQ 077/92 . Os documentos anexados pelo Impugnante encontram-se I às fls. 17 a 21 dos autos e constituem-se de: • a) Fls. 17 - OF MED/CND/CAT nº 18/88, de 06.01.88, do Presidente do CONSElliO NACIONAL DE DESPORTOS ao Di retor da Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil SA - CACEX, solicitando autorização para e- missão da competente Guia de Importação a fim de que a Federação de Motociclismo do Estado de Minas Gerais possa importar da Espanha, com os benefíci- os do artigo 46, da Lei nº. 6.251, de 09.10.75, re ferendada pelo artigo 2º, item IV, letra "t" do De ereto-lei nº. 1.726, de 07.12.79, três (3) motoci- cletas marca Montesa, modelo 327,8 cc, no valor de 750.000 pesetas, esclarecendo que o referido mate- rial destina-se exclusivamente à prática desporti- va. b) Fls. 18 - Ofício nº 666/CBM/88, de 22.08.88, da Confederação Brasileira de Motociclismo dirigido à Inspetoria da Receita Federal no Aeroporto Intern~ cional de são Paulo - Guarulhos, informando que o Piloto cláudio Hermanny foi convocado por aquela I Confederação com o aval do Conselho Nacional de SERViÇO PÚBLICO FEDERAL RECURSO: RESOlUÇÃO: 05. 115.006. 302-643 .' • • • • Desportos, a participar do "Campeonato Continental de Trial - Copa UllII",competição motocicl:Lstica que será realizada em Honduras no per:Lodo de 13 a 19 de setem- bro de 1.988, o qual utilizará o equipamento indicado -Motocicleta marca Montesa Cota 335 ano 1.988 riº Chas si 6 lM0002786, solicitando providências para a regu larizaçãoda exportação do equipamento necessário p~ ra o evento, em caráter temporário. c) Fls. 19 - DECLARAÇÃO da Federação de Motociclismo do Estado de Minas Gerais, de que a motocicleta MONTESA, modelo 335, Ano 1.988, nº do Chassis 6lM0002786, de propriedade da referrida Federação, foi cedida ao pi- loto CLÁUDIO HERMANNY, Carteira de Identidade número' _-1.237.307, a partir de 11.07.88, e pelo per:Lodo de um (01) ano, para uso exclusivo em treinos e compe - tições da modalidade TRIAL, não podendo trafegar em vias públicas, a não ser transportada por carreta ou veiculo apropriado • d) Fls. 20 - DECLARAÇÃO, da mesma Federação de Motoci clismo, sobre a cessão para o mesmo Piloto, da referi da motocicleta, por mais um per:Lodo de um (01) ano a partir de 11.07.89, com a mesma finalidade -indicada na letra anterior • e) FLS. 21 - DECLARAÇÃO, ainda da citada Federação de Mo tociclismo, dizendo que a citada motocicleta está sob a responsabilidade do mesmo Piloto, fazendo uso desta em competições, demonstrações e atividades que divul- guem esta Modalidade de Esporte, isto em 12.03.1992. Às fls. 23 dos autos encontra-se uma RELAÇÃO DE NOM.t;SDE PILOTOS FILIADOS À F.M.M. E RESPECTIVOS VALO.tillSADIAL'1TADO:::;PELOS SERVICO PÚBLICO FEDERAL RECURSO: RESOLUÇÃO: 06. 115.006. 302-643 .' • • • • MESMOS PARA FIN:::>DE AQUISIÇÃO DE MOTOCICLETAS PARA COMPETIÇÃO PE LA ENTIDADE, constando da mesma Relação os nomes de trinta e oi- to (38) Pilotos, dentre os quais o do Recorrente. Apreciando as razões de Impugnação do Autuado, o Fis - cal Contestante emitiu Parecer propondo a manutenção do Auto de Infração, do qual destaco o seguinte (fls. 24/25)1 "A realidade dos fatos A Federação de Motociclismo está constituida para administrar, desenvolver e atender aos interesses de seus filiados. As motocicletas importadas, , conforme informações coletadas, são de qualidade' superior às de fabricação nacional, dai o importa dor, investido da condição de beneficiário de i~ senção prevista em lei, intermediar a compra de ' motocicletas, em parceria com os pilotos filiado~ onde premeditamos tenha sido pretendido possibili tar aos pilotos a aquisição de equipamentos de ' boa qualidade, com redução de custos, seja pela I quantidade adquirida, seja pela fruição de favo - res fiscais na importação. A Auditoria levada a efeito na Federação de Moto- ciclismo/MG, identifiou (fls. 23) que os Srs. Pi- lotos forneceram recursos para a aquisição do ma-' terial importado. Isto foi necessário, pois a im portadora não demonstrou possuir tais recursos pa ra tal investimento, que somaram o equivalente a 200.000 dolares americanos aproximadamente, para pagamento a vista, via carta de crédito~ Observou se também precário controle sobre o material iill= portado, haja visto que ao ser intimada a prestar esclarecimentos sobre sua localização, a auditada o fez com dificuldades, chegando mesmo a não loca lizar algumas das motocicletas importadas. Perce= be-se também que a Federação de Motociclismo com prometeu-se, no contrato, entregar o bem importa- do, após cinco anos, livre de quaisquer ônus, o .que nos parece óbvio, uma vez que o piloto já pa- gou pelo bem à época da importação. SERViÇO PUBLICO FEOERAL RECURSO RESOLUÇÃO: 07. 115.006. 302-643 • A Disciplina Legal A lei 6251/76, artigo 46, concedia, tanto à Enti- dade Desportiva quanto ao praticante qualificado' pela instituição especializada, a condição de pleitear isenção nas importações autorizadas. Com o advento da Lei 1726/79, artigo 2Q. -IV -t, tal condição ficou limitada apenas à Entidade Despor- tiva e não mais extensiva a pessoa física, um ca- so de limitação imposta por norma legal superve - niente. A lei 8032/90, que revogou isenções e re duções, manteve o benefício fiscal para casos em que o importador tivesse obtido licença para im - portação anterior à edição da LEI • O Caso Presente O Sr. cláudio Hermanny, cessionário do equipamen- to importado, mediante contrato firmado entre si e o importador, foi responsabilizado, solidaria - mente, pelos tributos dispensados por época daim portação processada pela Federação de Motociclis= mo/MG. A legislação que disciplina a matéria; De ereto-Lei 37/66 artigo 11 e-artigo 137 do Regula- mento Aduaneiro aprovado pelo Decreto 91030/85, , estabelecem somente ser possível a transferência' e ou cessão a qualquer título, de material impor- tado com isenção, antes do decurso do prazo, quan do pagos os tributos e desde que autorizadas pela autoridade aduaneira competente. Não tendo o importador satisfeito as eXigências' previstas na legislação, somos pela manutenção do Auto de Infração." A Autoridade "a quo" proferiu Decisão julgando PROCE - DENTE a ação fiscal com fundamentos que se coadunam com o Pare - cer Fiscal antes transcrito. Regularmente notificado da Decisão o Recorrente apelai a este Colegiado, tempestivamente, com as razões estampadas .•as fls. 35 a 40 dos autos, que leio nesta oportunidade, apresentan- do ainda os documentos acostados às fls.41 a 64 sobre os quais ' também me reporta a seguir para esta Câmara. - leitura - É o Relatório . - . • SERVICO PUBLICO FEDERAL v O T O RECURSO:RESOLUÇÃO: 08. 115.006. 302-643 • A D.R.F.-Belo Horizonte/MG, em ato de fiscalização e auditoria, concluiu que a Federação de Motociclismo do Estado' de Minas Gerais infringiu as normas de controle das importaçõe~ tendo importado mercadorias (motocicletas para p.l-áticade des - porto) com ISENÇÃO TRIBUTÁRIA, utilizando recursos de terceiros (Pilotos de motocicletas), onferindo-Lhes, posteriormente, ces- são de uso dos bens importados, agindo a citada Federação, nes- te caso, apenas como intermediária na Importação, enquadrando a situação nos arts. 81, 82-1 e 500-1 do Regulamento Aduaneiro dentre outros. Em consequência, autuou o Recorrente - Sr. cláudio Hermanny - como sendo um dos beneficiados com a cessão do uso de uma das mencionadas motocicletas, exigindo ao Mesmo os tribu tos incidentes sobre uma importação normal (sem isenção) e apli cando-Lhe, ainda, as penalidades previstas nos arts. 521, 11 "a" do Regulamento Aduaneiro e 364-11 do Regulamento do I.PI. Como se pode observar o Recorrente foi autuado na con dição de responsável solidário pela infração, sendo certo, en - tretanto, que a qualificação da infratora, se é que infração e- xistiu, recai sobre a Federação de Motociclismo do Estado de Mi nas Gerais, uma vez que somente Ela usufruia do beneficio isen- cional e foi quem utilizou tal beneficio na importação do bem indicado. Ocorre que não encontro nos autos indicios de aplica- çao de qualquer sanção à mencionada Federação~ que sequer foi chamada a se pronunciar sobre o assunto. Nestas condições, antes de decidir sobre o litigio e em busca de maiores subsidios para minha melhor convicção, pro SERViÇO PUBLICO FEOERAL RECURSO: RESOLUÇÃO: 09. 115.006. 302-643 • •• ponho a conversão do julgamento em diligência à Repartição Adua~ neira de origem, para as seguintes providências: lº) Esclarecer a qual Contrato se refere o AFTN informan te em seu Parecer às fls. 24, quando diz: I' ••• Percebe-se também que a Federação de Motocicli~ mo comprometeu-se, no contrato, entregar o bem im portado, após cinco anos, livre de quaisquer ônus, li Juntar cópia desse Contrato, que não se encontra nos autos; 2º) Convidar a Federação de Motociclismo de Minas Gerais a dar vistas nos autos abrindo-se-Lhe, a partir de então, prazo de dez (10) dias para pronunciar-se a respeito trazendo suas considerações, informações e outros documentos que' julgar oportunos e explicar , inclusive, a diferença da Motocicleta objeto do pre- sente litígio de uma outra considerada como de pas - seio, juntando, se possível, literatura, fotografi - as, etc., demonstrando o porquê da caracterização do mesmo veículo como sendo para uso exclusivo na práti ca do esporte e competições e.esportivas mencionadas. • .' Sala das Sessões, ",..;;-PAULO RO CUCO Re~ator . 1992 . 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009
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