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Numero do processo: 19515.721081/2012-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 05 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Nov 05 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Súmula Carf nº 103.
Numero da decisão: 2401-009.952
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 2401-009.925, de 05 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10983.720269/2013-76, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente Redatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rodrigo Lopes Araujo, Andrea Viana Arrais Egypto, Gustavo Faber de Azevedo, Rayd Santana Ferreira, Wilderson Botto (suplente convocado(a)), Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: Gustavo Faber de Azevedo
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Súmula Carf nº 103.
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LIMITE DE ALÇADA. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Súmula Carf nº 103. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 2401-009.925, de 05 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10983.720269/2013-76, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rodrigo Lopes Araujo, Andrea Viana Arrais Egypto, Gustavo Faber de Azevedo, Rayd Santana Ferreira, Wilderson Botto (suplente convocado(a)), Miriam Denise Xavier (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 10 81 /2 01 2- 55 Fl. 280DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-009.952 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.721081/2012-55 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de crédito tributário lançado de ofício em procedimento fiscal. Cientificado do lançamento, o sujeito passivo apresentou impugnação. Na sequência, sobreveio o julgamento de 1ª instância, tendo sido proferido acórdão da DRJ que exonerou o crédito tributário. Tendo em vista que o valor exonerado ultrapassou o limite de alçada à época do julgamento, o presidente da turma recorreu de ofício da decisão. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: De início, em 9/2/2017 foi publicada a Portaria MF nº 63, que aumentou o limite de alçada para fins de conhecimento de recurso de ofício, que antes era de um milhão de reais (Portaria MF n° 03/2008), para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Destaca-se que a Súmula CARF nº 103 esclarece que o limite de alçada para este fim é aquele na data de sua apreciação em segunda instância. Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Por fim, tendo em vista que a soma do valor do tributo e encargos de multa não ultrapassa o novo limite estabelecido na Portaria MF nº 63/2017, NÃO CONHEÇO do recurso de ofício. Fl. 281DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-009.952 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.721081/2012-55 CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de não conhecer do recurso de ofício. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente Redatora Fl. 282DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10783.903255/2008-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3402-000.330
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
Nome do relator: JOÁO CASSULI JUNIOR
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RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (assinado digitalmente) Nayra Bastos Manatta Presidente (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Nayra Bastos Manatta, Gilson Macedo Rosenburg Filho, João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz Da Gama Lobo d Eça, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Fl. 139DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.0121.16428.YHU1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10783.903255/200885 Resolução n.º 3402000.330 S3C4T2 Fl. 1.335 2 Relatório Versam os presentes autos de apreciação de Compensação, apresentada pelo sujeito passivo, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior, a título de Cofins, no valor de R$ 1.264,52 (um mil, duzentos e sessenta e quatro reais e cinqüenta e dois centavos). A DRFB de Vitória, por meio de Despacho Decisório, não homologou a compensação declarada, alegando inexistência de crédito em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do despacho decisório supracitado, o interessado apresentou, tempestivamente, Manifestação de Inconformidade. Alega ser contribuinte de uma grande variedade de tributos, dentre os quais se destacam PIS e Cofins, tendo em conta a incidência das mesmas por ocasião do faturamento mensal que, de acordo com o art. 1° da Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, é entendido como receita auferida pela pessoa jurídica. Ressalta que a redação das supracitadas Leis é similar a norma que as precederam, qual seja o art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718/98 e que esta, embora não revogada, foi declarada inconstitucional pelo STF. Ocorre que a inconformada cedeu espaço para agências de publicidade e, consequentemente, os valores percebidos são repassados às mencionadas agências. Sendo assim, entende que não podem incidir as contribuições sobre receitas não auferidas pela pessoa jurídica, tendo em vista que os valores não permanecem em seu faturamento. Entende, a Inconformada, ter pago valor a maior referente a PIS e Cofins e, levando em conta a existência de débitos a título destes mesmos tributos, aproveitou e compensouos com os créditos supostamente existentes. Cita acórdãos do Conselho de Contribuintes e dá destaque a Solução de Consulta n° 17, de 30 de abril de 2007, da 4° Região Fiscal da RFB, no sentido de que o desconto devido à agência de propaganda não integra a base de cálculo do PIS e Cofins, por se tratar de receita pertencente às referidas agências. Informa estar levantando documentação que venha a comprovar os fatos alegados e que, tendo em vista sua falha ao recolher a Cofins, já providenciou a retificação dos valores declarados. Pede a realização de diligência destinada a prova pericial e junta, ainda, requerimento para que todos os seus processos administrativos, devidamente enumerados, sejam julgados em conjunto, por discutirem créditos da mesma natureza, evitando apresentação repetida de grande quantidade de documentos. Fl. 140DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.0121.16428.YHU1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10783.903255/200885 Resolução n.º 3402000.330 S3C4T2 Fl. 1.336 3 Ao fim pede suspensão do crédito tributário em discussão até que a Delegacia da Receita Federal se manifeste e pede, ainda, a extinção do crédito em virtude da compensação realizada. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise e atenção aos pontos suscitados pela interessada na defesa apresentada, a Quarta Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro II, proferiu o Acórdão de nº. 1328.984, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/12/2000 VEÍCULO DE DIVULGAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. DESCONTO PADRÃO DE AGÊNCIA. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os veículos de divulgação não podem excluir da base de cálculo da Cofins, por falta de previsão legal, o valor devido às agências de publicidade, a título de desconto padrão de agência. PEDIDO DE PERÍCIA. A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado por meio de documentos carreados aos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A DRJ/RJ2 inicia ressaltando que a inconformada ampara sua pretensão na Solução de Consulta SRF 04/Disit n° 17 que, por sua vez, fundamentouse no Parecer Cosit n° 8, de 18 de junho de 2001, que em síntese diz que o conhecido “desconto de agência” não integra a base de cálculo do PIS e da Cofins. Ocorre que este Parecer teve sua parte conclusiva alterada pela Solução de Consulta Interna Cosit n° 21, de 15 de maio de 2008, determinando a retificação do item 14.1, por concluir que: “os veículos de divulgação não podem excluir da base de cálculo da contribuição para PIS/PASEP e da Cofins o valor devido às agências de publicidade, a título de desconto padrão de agência, por falta de previsão legal”. Em virtude desse novo entendimento, a Divisão de Tributação da 4a. Região Fiscal publicou, em 02 de janeiro de 2008, a Solução de Consulta n° 24, com a mesma conclusão acima transcrita, determinando, ainda, a reforma integral da Solução de Consulta SRF 04/Disit n° 17. Após citar leis, decretos e normas que tratam da profissão de publicitário e de agenciador de propaganda, concluiu que a relação que se estabelece entre o veículo de Fl. 141DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.0121.16428.YHU1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10783.903255/200885 Resolução n.º 3402000.330 S3C4T2 Fl. 1.337 4 divulgação e a agência de publicidade e propaganda não é alterada pela forma escolhida para quitação do “desconto padrão”, sendo essa relação jurídica distinta da que se estabelece entre o anunciante e o veículo de divulgação. Destaca que, tendo em vista que o anunciante/cliente deve efetuar o pagamento ao veículo de divulgação pelo valor bruto do serviço e considerando, ainda, que o “desconto padrão de agência” não importa em nenhum tipo de desconto incondicional, concluise que os veículos de divulgação não podem excluir da base de cálculo do PIS e da COFINS, por falta de previsão legal, o valor devido à título de “desconto padrão de agência”. Acerca do pedido de prova pericial, entende ser dispensável para o deslinde do julgamento em questão. Esclarece que a realização de perícia pressupõe a necessidade de conhecimento técnico especializado fora do campo de atuação do julgador, o que, claramente, não é o caso. Após todo o exposto, indefere o pedido de perícia e vota pelo indeferimento, também, da Manifestação de Inconformidade interposta. DO RECURSO Em sede de recurso a recorrente reitera todo o alegado na Manifestação de Inconformidade, destacando, novamente, o entendimento da Solução de Consulta n° 17, que fundamentouse no Parecer Cosit n° 8, de 18 de junho de 2001. O faz juntamente ao § 12, do art. 48 da Lei 9.430/96, que ensina que se após resposta à Consulta, a Administração alterar entendimento nela expresso, a nova orientação atingirá somente fatos geradores que ocorram após dado ciência ao consulente ou após sua publicação pela Imprensa Oficial. Isto posto, a recorrente alega que, independente da Solução Consulta n° 17 ter sido extinta pela de n° 24 de 2008, este novo posicionamento não poderia retroagir para atingir relações jurídicas consumadas sob vigência da antiga orientação. Entende que tendo sido, o pedido de compensação, transmitido em 2004, estava vinculado ao Parecer Cosit n° 8, de 2001, que serviu de fundamento para a Solução de Consulta n° 17, de 2007. Ressalta que a Administração Pública não pode cobrar o que ela própria entende como indevido, lembrando que no ano de 2004, o entendimento fazendário era o exposto no Parecer Cosit n° 8, não merecendo prosperar a decisão de 1a. Instância, razão pela qual pede, novamente, suspensão do crédito tributário em discussão até que a DRF se manifeste e, ainda, a extinção do crédito em virtude da compensação realizada. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 01 (um) Volume, numerado até a folha 138 (cento e trinta e oito), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF. É o relatório. Fl. 142DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.0121.16428.YHU1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10783.903255/200885 Resolução n.º 3402000.330 S3C4T2 Fl. 1.338 5 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. Entendo que os direitos submetidos à análise por parte deste Colegiado, não encontramse em condições de serem avaliados, de forma a receberem um julgamento justo, consoante a seguir fundamentado. Isto porque, há notícia nos autos de que esse processo administrativo faz parte de um “bloco” composto por diversos processos (números 10783902.198/200817, 10783 902.199/200861, 10783902.200/200858, 10783902.201/200801, 10783902.202/200847, 10783902.203/200891, 10783902.204/200836, 10783902.205/200881, 10783 902.206/200825, 10783902.207/200870, 10783902.208/200814, 10783902.209/200869, 10783902.210/200893, 10783902.211/200838, 10783902.212/20088210783 902.213/200827, 10783902.214/200871, 10783902.215/200816, 10783902.216/200861, 10783902.250/200852, 10783902.251/200805, 10783902.252/200841, 10783 902.253/200896, 10783902.254/200831, 10783902.255/200885, 10783902.256/200820, 10783902.257/200874, 10783902.258/200819, 10783902.259/200863, 10783 902.260/200898, 10783902.261/200832, 10783902.262/200887, 10783902.263/200821, 10783902.694/200871, 10783902.695/200815, 10783902.696/200860, 10783 902.697/200812, 10783902.698/200859, 10783902.699/200801, 10783902.700/200890, 10783902.701/200834, 10783902.702/200889, 10783902.703/200823, 10783 902.704/200878, 10783902.705/200812, 10783902.706/200867, 10783902.707/200810, 10783902.708/200856, 10783902.709/200809, 10783902.710/200825, 10783 902.711/200870, 10783902.712/200814, 10783.904.587/200887, 10783.905.283/200837, 10783.905.280/200801, 10783.906.280/200811, 10783.906.282/200818, 10783.906.287/200832, 10783.906.278/200841, 10783.906.281/200865, 10783.906.279/200896), todos versando sobre a mesma matéria, e todos deflagrados pela mesma motivação, tanto para o indeferimento da compensação pleiteada pela recorrente, quanto pelos fundamentos por ela articulados para sustentar serem indevidos os pagamentos por ela levadas a efeito, nos diversos períodos que alega, e, que, portanto, sustentaria seu procedimento de compensação. Do mesmo modo há nos autos informação de que foram juntados documentos, em número de 12.306 páginas, apenas nos autos do Processo Administrativo n° 10783 902.198/200817, cuja comunicação vem acompanhada de requerimento por parte da recorrente, para que todos os processos acima mencionados fossem julgados em conjunto, pois que seria inviável a juntada de tantos documentos, em cada um dos diversos processos. Ademais disso, pelo que se extrai da decisão recorrida, efetivamente ocorrera a juntada dos referidos documentos, como abaixo transcrito: “No presente caso, da análise dos documentos anexados pela interessada ao Processo Administrativo n° 10783.902198/200817 (anexo I, volumes 1 a 52) constatase que os pagamentos foram efetuados pelos anunciantes diretamente à interessada (veiculo de divulgação) pelo valor bruto da fatura.”. Portanto, é inconteste que referidos documentos foram acostados a um dos processos, e, pelo que se pode constatar, o julgamento de primeira instância ocorrera com acesso ao Processo Administrativo n° 10783902.198/200817, o qual trazia em seu Anexo I, os documentos supostamente comprobatórios não só da prática empresarial da recorrente, mas Fl. 143DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.0121.16428.YHU1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10783.903255/200885 Resolução n.º 3402000.330 S3C4T2 Fl. 1.339 6 os lançamentos contábeis e reflexos fiscais respectivos, a sustentar o direito por ela demandado, e que pende de análise desse Colegiado. No entanto, ao ser esse processo distribuído para relatoria, não veio acompanhado do Processo Administrativo n° 10783902.198/200817, e, consequentemente, não é possível analisar os documentos que supostamente embasariam os direitos pleiteados pela recorrente. Há, nesses autos sob exame, copia da PER/DCOMP, do DARF de recolhimento (que veicularia pagamento a maior que o devido), e, posteriormente, fora juntada a DCTF Retificadora. No entanto, não consta dos autos elementos probatórios que embasariam o aludido pagamento supostamente a maior, que seriam as Notas Fiscais emitidas pela recorrente, aquelas eventualmente recebidas da agência de publicidade e propaganda, os reflexos desses documentos nos registros contábeis correspondentes, e, por fim, as apurações de tributos decorrentes dessas operações, a embasarem as informações alimentadas na DCTF Retificadora. Com efeito, para que se conheça tanto a praxe empresarial, como os documentos societários, contábeis e fiscais correspondentes, tornase imprescindível que se tenha acesso a parte dos documentos acostados no Anexo I, nos volumes pertinentes, do Processo Administrativo n° 10783902.198/200817. Assim, no intuito de melhor instruir os autos para formação de convicção final sobre o assunto, entendo que o processo ainda não se encontra em condições de receber um julgamento justo, razão pela qual voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a Autoridade Preparadora tome as seguintes providências: 1 Acoste a esses autos, cópia dos documentos referentes às operações empresariais de emissão de Notas Fiscais pela recorrente para os anunciantes, das Agências para a recorrente ou anunciantes (conforme o caso), documentos contábeis pertinentes (livros Diário ou Razão e balancete mensal), ficha da DIPJ e, se houver, planilha de apuração da COFINS, tudo em relação ao mês em que afirmado o pagamento a maior; 2 Certifique se os valores extraídos na análise dos documentos citados acima, correspondem a diferença supostamente recolhida a maior, informada na DCTF Retificadora e no PER/DCOMP, confeccionados e/ou enviados pela Recorrente, em comparação com a DCTF Original e o DARF de recolhimento respectivo, igualmente em relação ao mês em que afirmado o pagamento a maior; 3 – Manifestese, em relatório circunstanciado e conclusivo, sobre os documentos e esclarecimentos a serem prestados, concedendo vista a Recorrente, com prazo de 30 (trinta) dias para se pronunciar, querendo, sobre os documentos e esclarecimentos prestados, sendo que, após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento. (assinado digitalmente) Joao Carlos Cassuli Junior Relator Fl. 144DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.0121.16428.YHU1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR em 28/11/2011 12:51:07. Documento autenticado digitalmente por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR em 28/11/2011. Documento assinado digitalmente por: NAYRA BASTOS MANATTA em 23/01/2012 e JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR em 28/11/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 17/01/2021. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP17.0121.16428.YHU1 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: F79F87FF83D13B416F94098A21001C782438731A Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10783.903255/2008-85. 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Numero do processo: 15936.000093/2007-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/04/2002 a 31/12/2006
CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 33, §§ 2° E .3° DA LEI Nº
8.212/91 C/C ARTIGO 283, II, "j" DO RPS, APROVADO PELO
DECRETO N.° 3.048/99
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
Inobservância do artigo 33, §§ 2.° e 3º da Lei n.° 8.212/91
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 2402-001.287
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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LOURENÇO FERREIRA DO PRADO — Relator S2-C4T2 Fl 364 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 15936.000093/2007-73 Recurso n 0 159.431 Voluntário Acórdão n° 2402-01.287 — 4' Câmara / 2' Turma Ordiniria Sessão de 21 de outubro de 2010 Matéria OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente ESCRITÓRIO SANT'ANNA TEODORO S/C LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2002 a 31/12/2006 CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 33, §§ 2.° E .3° DA LEI N.' 8.212/91 C/C ARTIGO 283, II, "j" DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.° 3.048/99 A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de- infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do artigo 33, §§ 2.° e 3" da Lei n.° 8.212/91 RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Participaram da sess:o de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Mace 5 ogério de LeHis Pinto, Lourenço Ferreira do Prado, Nereu Miguel Ribeiro Domingu 2 Processo n° 15936000093/2007-73 S2-C4T2 Acórdilo n.° 2402-01.287 Fl 365 Relatório Trata-se deAuto de Infração, lavrado em desfavor da recorrente, em virtude do descumprirnento do art. 33, §§ 2' e 3 0 da Lei n 8.212/1991_ Segundo a fiscalização previdencidria, a recorrente deixou de apresentar os Livros Diários, referentes ao período 01/1996 a 31/03/2006. Os documentos solicitados referem-se ao período de 04/2002 a 12/2006 e a ciência do sujeito passivo se deu em 26/06/2006 (f1.47). Inconformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 50/51 afirmando que sempre colaborou com a fiscalização, que os livros contêm todas os registros de sua empresa em ordem cronológica e confessa que falta o visto corn rubrica do Registro de formalização da autoridade competente, Cartório ou •UCESP. Solicita a relevação da multa aplicada, nos moldes do artigo 291 do RPS e pede o arquivamento do auto de infração. Acosta documentos. Ante as alegações contidas na impugnação os autos baixaram em diligência (fl. 68) E a fiscalização esclareceu que efetivamente não foram apresentados os livros solicitados (l. 69). A Decisão de Notificação de fls. 71/73, julgou procedente o lançamento e manteve a autuação. Inconformada a empresa oferta à fls. 78, simples pedido de reconsideração aonde argumenta que faz jus a um tratamento diferenciado; que a sua categoria empresarial é facultada a apresentação apenas do livro caixa; que os livros estão à disposição na sede da empresa. Os autos vieram e este Conselho. ' E o relatório Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: 0 recurso foi interposto tempestivamente, e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deles conheço. DO MÉRITO No mérito a empresa alega que ao se enquadrar como microempresa, a sua obrigação de exibir documentação contábil fica adstrita ao livro caixa, e coloca à disposição os livros diários solicitados, na sede da empesa. Entretanto, pelo art: 33, § 2" da Lei n ° 8.212/1991, o contribuinte é obrigado a exibir os livros e documentos relacionados corn as contribuições previdencidrias, nestas palavras: Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social — INSS compete arrecadai; fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento- das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do palágralo único do art 11, bem como as contribuições incidentes a titulo de substituição; e ti Secretaria da Receita Federal SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar recolhimento das contribuições sociais previstas- nas alíneas d e e do parágrafa único do art 11, cabendo a ambos os &gat's, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas- legalmente. (Redação dada pela Lei 11" 10 256, de 9/07/2001) 2"A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segur.ado da Previdência Social, o seiventuário da Justiça, o sindico ou seu representante, o comissário e o liqiiidante de empresa em liquidação judicial ou extr•ajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. Com isto tenho que a exigência da fiscalização não foi desmedida, pois a solicitação foi realizada no prazo estabelecido na legislação. A fiscalização agiu de acordo com a norma aplicável, e não poderia deixar de fazê-lo, uma vez que sua atividade é vinculada. Desse modo, a recorrente praticou a infração, pois a não apresentação da documentação durante o procedimento fiscal acarreta a responsabilidade do inflator pela penalidade prevista na legislação previdenciaria.. Destaca-se que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos corno forma de auxiliar e facilita' a a2 Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a e s ngaçd'o principal foi cumprida.. Processo n" 15936 000093/2007-73 S2-C4T2 Acórddo o " 2402-01,287 Fl 366 Corno é de conhecimento, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2° do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória § 1" A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador; tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. ssç 2" A obrigação acessória decorre da legislação tributár ia e tern por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. ,sç 3" A obrigação acessória, pelo simples .fato da sua inobserváncia, converte-se em obrigação principal relativamente ci penalidade pecuniária Conforme descrito no art, 96 do CTN, a legislação engloba não apenas as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos, mas também as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações juridicas a eles pertinentes . Vale destacar, ainda, que a responsabilidade pela infração tributária é em regra objetiva, isto é independe de culpa ou dolo, ou das circunstâncias que geraram o descumprimento da legislação. No caso concreto entendo que se a empresa tern os livros e não os entregou fiscalização quando solicitados, incorreu em infração acessória tributária.. Assim, foi correta a aplicação do auto de infração ao presente caso pelo órgão previdenciário. Desse modo, a autuação deve persistir. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito NEGAR-LHE PROVIMENTO, mantendo o lançamento efetuado. E corno voto. Sala das Sessões, em 21 de outubro de 2010 LOUR N--ÇC--rltErR,-dO PRADO - Relator 5 Quarta Camara da Segunda Seção Mat MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA — SEGUNDA SEÇÃO SCS — Q. 01— BLOCO "J" — ED. ALVORADA —11° ANDAR EP: 70396-900 — BRASÍLIA (DF) Tel: (0xx61) 3412-7568 PROCESSO: 15936.000093/2007-73 INTERESSADO: ESCRITÓRIO SANT'ANNA TEODORO S/C LTDA - ME TERMO DE JUNTADA E ENCAMINHAMENTO Fiz juntada nesta data do Acórdão/Resolução 2402-01.287 de folhas / Encaminhem-se os autos â Repartição de Origem, para as providencias de sua alçada.
score : 1.0
Numero do processo: 10880.959293/2012-71
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 06 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Nov 04 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Ano-calendário: 2018
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. VEROSSIMILHANÇA NAS ALEGAÇÕES DO CONTRIBUINTE. REANÁLISE PELA DRF EM RAZÃO DE NOVOS DOCUMENTOS.
Os documentos fiscais apresentados fazem prova em favor do contribuinte, visto que demonstram a verossimilhança das alegações desse e, portanto, demandam a necessidade de nova verificação por parte da DRF para fins de analisar a liquidez e certeza do crédito tributário
Numero da decisão: 1003-002.667
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário, tendo em vista a verossimilhança nas alegações da Recorrente, para reconhecimento da necessidade de continuação em relação à análise do crédito tributário pela unidade de origem, devido aos documentos apresentados tanto na manifestação de inconformidade quanto no recurso voluntário, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF que jurisdiciona a contribuinte para continuação da verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Bárbara Santos Guedes, Carlos Alberto Benatti Marcon e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: Bárbara Santos Guedes
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 2018 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. VEROSSIMILHANÇA NAS ALEGAÇÕES DO CONTRIBUINTE. REANÁLISE PELA DRF EM RAZÃO DE NOVOS DOCUMENTOS. Os documentos fiscais apresentados fazem prova em favor do contribuinte, visto que demonstram a verossimilhança das alegações desse e, portanto, demandam a necessidade de nova verificação por parte da DRF para fins de analisar a liquidez e certeza do crédito tributário
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VEROSSIMILHANÇA NAS ALEGAÇÕES DO CONTRIBUINTE. REANÁLISE PELA DRF EM RAZÃO DE NOVOS DOCUMENTOS. Os documentos fiscais apresentados fazem prova em favor do contribuinte, visto que demonstram a verossimilhança das alegações desse e, portanto, demandam a necessidade de nova verificação por parte da DRF para fins de analisar a liquidez e certeza do crédito tributário Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário, tendo em vista a verossimilhança nas alegações da Recorrente, para reconhecimento da necessidade de continuação em relação à análise do crédito tributário pela unidade de origem, devido aos documentos apresentados tanto na manifestação de inconformidade quanto no recurso voluntário, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF que jurisdiciona a contribuinte para continuação da verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Bárbara Santos Guedes, Carlos Alberto Benatti Marcon e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 92 93 /2 01 2- 71 Fl. 101DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-002.667 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.959293/2012-71 Relatório Trata-se de recurso voluntário contra acórdão de nº 16-89.354, de 29 de agosto de 2019, da 1ª Turma da DRJ/SPO, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Em breve resumo dos fatos, a Recorrente apresentou pedido de compensação, PER/DCOMP nº 16039.22329.310310.1.3.04-0040, em razão de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior oriundo de IRRF, código 5706, período de apuração 31/12/2008, no valor original de R$ 20.394,85 o qual é decorrente de pagamento de DARF, arrecadado em 06/01/2009, no valor total de R$ 1.833.894,35. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico nº 031093166, de 04/09/2012, às e-fl. 42, a Autoridade Competente decidiu não homologar a compensação sob o fundamentando de que o DARF indicado no Per/Dcomp foi utilizado para quitar débitos da empresa, não possuindo créditos disponíveis para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp. A contribuinte apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade, a qual foi sintetizada no relatório do voto recorrido nos seguintes termos: O contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, ter havido pagamento a maior, com a devida retificação da DCTF: A 1ª Turma da DRJ/SPO julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, sob o fundamento de não ter a Recorrente comprovado de que o valor retido a maior foi devolvido aos respectivos beneficiários. A contribuinte foi cientificada do acórdão da DRJ no dia 02/03/2020 (e-fl. 60) e apresentou recurso voluntário no dia 15/09/2020 (e-fls. 63 a 70), com os argumentos abaixo sintetizados: (...) A divergência de informações, portanto, está no montante pago aos beneficiários (R$ 13.802.599,20 ao invés de R$ 13.957.828,86), e não na retenção efetivamente realizada. Isto é, a Recorrente apurou que os pagamentos e, por conseguinte, as retenções realizadas foram inferiores àquelas inicialmente declaradas. Daí que, respeitosamente, não é o caso de se aplicar o art. 8° da IN RFB 900/082, pois os beneficiários não sofreram retenções a maior - as retenções corresponderam fielmente aos pagamentos efetivamente realizados pela Recorrente —, razão por que não há IR retido a ser restituído aos beneficiários. Dito de outro modo, segundo a IN RFB 900/08, a restituição do IRRF está condicionada à prova de que os montantes retidos a maior foram devolvidos aos beneficiários dos pagamentos que geraram as retenções indevidas. No entanto, no caso concreto, não Fl. 102DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-002.667 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.959293/2012-71 houve retenção a maior — apenas recolhimento a maior —, pois a Recorrente reteve apenas o montante indicado na DCTF retificadora e na DIRF (R$ 2.070.389,88), conforme atestou o próprio acórdão recorrido: Assim, considerando que a documentação acostada demonstra a retenção de apenas R$ 2.070.389,88, de modo que não é o caso de se aplicar o art. 8° da IN 900/08, devese dar provimento ao presente Recurso Voluntário, homologando-se as compensações declaradas. (...) Diante do exposto, pede e espera a Recorrente seja conhecido e provido o presente Recurso Voluntário, para o fim de ser reconhecido o direito à restituição e à compensação objeto da PER/DCOMP em referência, cancelando-se a cobrança vinculada, determinando-se, caso se entenda necessária, a realização de diligência com o fim de que sejam apresentados os documentos tidos por necessários à comprovação do direito da Recorrente. Por fim, a Recorrente requer que o presente processo seja apensado ou, quando menos, julgado em conjunto com o PA 10880-959.292/2012-26, pois as compensações discutidas em ambos têm fundamento nos mesmos créditos. É o relatório. Voto Conselheiro Bárbara Santos Guedes, Relator. O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. A Recorrente apresentou Per/Dcomp nº 16039.22329.310310.1.3.04-0040, em razão de crédito originado de pagamento indevido ou a maior de IRRF referente ao período de apuração 31/12/2008, no valor de R$ 20.394,85, recolhido através de DARF, código de receita 5706, no valor de R$ 1.833.894,35 (e-fls. 37 a 41). Fl. 103DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-002.667 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.959293/2012-71 A DRF emitiu Despacho Decisório (e-fl. 42) não homologando a compensação declarada porque, a partir das características do DARF, foram encontrados um ou mais pagamentos para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para ser utilizado na compensação. Na manifestação de inconformidade, a Recorrente sustenta a existência do crédito em função do recolhimento a maior de IRRF e que ocorreu um erro na DCTF, a qual foi retificada. Em julgamento de primeira instância, a DRJ, ao julgar a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, reconhece a correção das informações da DCTF retificada e das informações constantes nos sistemas internos, porém não homologou a Per/Dcomp porque a contribuinte não demonstrou a regularidade da retenção para os beneficiários. Em recurso voluntário, a Recorrente informa que apenas efetuou o recolhimento errado, mas as retenções aos beneficiários foram feitas de forma regular e juntou documentos para demonstrar a regularidade das retenções. Havendo dúvidas, é imprescindível a apresentação de documentação contábil e fiscal por parte da empresa para dirimir quaisquer dúvidas em relação à liquidez e certeza do crédito tributário pleiteado. A comprovação, portanto, é condição para admissão da retificação da Declaração realizada regularmente. A determinação de apresentar os documentos comprobatórios da identificação de crédito é uma determinação legal, conforme determina o art. 147 da Lei nº 5.172/1966. Conforme determinam os §§ 1º e 3º do art. 9º do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, exceto nos casos em que a lei, por disposição especial, atribua a ele o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração. Contudo, a Recorrente, através do recurso voluntário, juntou aos autos diversos documentos (e-fls. 80 a 97), a fim de demonstrar a regularidade da retenção em relação aos beneficiários. A Declaração de Compensação é um processo que visa restituir quantias pagas a título de tributos ou contribuições que são administrados pela Receita Federal do Brasil, que foram recolhidos indevidamente ou ainda, quando o valor pago é maior do que aquele realmente devido. Ela é uma das formas de extinção do crédito tributário, previsto na legislação fiscal federal. A DCOMP, portanto, não é comprovante de crédito. Cabe à Receita Federal, munida de outras informações prestadas pelo contribuinte (IRPJ, DCTF, DIRF, etc), verificar a liquidez e certeza do crédito pleiteado para homologar a compensação. É importante observar que os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento Fl. 104DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-002.667 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.959293/2012-71 da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrar-se-ia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. A decisão da DRJ, porém, estava fundamentada, primordialmente, na ausência de comprovação de que o valor retido a maior foi devolvido aos respectivos beneficiários. A Recorrente, por sua vez, acostou aos autos novos documentos que entente ser suficientes para demonstrar que as retenções aos beneficiários foram regulares, o que ocorreu foi apenas o erro no recolhimento. Primeiramente, importante destacar que, no caso de erro de fato no preenchimento de declaração, uma vez juntado aos autos elementos probatórios hábeis, acompanhados de documentos contábeis, para comprovar o direito alegado, o equívoco no preenchimento da DCTF, que foi retificada mesmo depois do despacho decisório ou sequer foi retificada, não pode figurar como óbice a impedir nova análise do direito creditório vindicado, conforme conclusão extraída do Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015. Nesse sentido é a Súmula CARF nº 164, abaixo: Súmula CARF nº 164 Aprovada pelo Pleno em sessão de 06/08/2021 – vigência em 16/08/2021 A retificação de DCTF após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição ou que não homologou a declaração de compensação é insuficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se fundamenta a retificação. No tocante à apresentação de novos documentos no recurso voluntário, entendo que não há óbice para a sua apresentação. Isso porque a apresentação da prova documental em momento processual posterior é possível desde que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. O julgador orientando- se pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos ainda que apresentados em sede recursal com o escopo de confrontar a motivação constante nos atos administrativos em que foi afastada a possibilidade de homologação da compensação dos débitos, porque não foi comprovado o erro material (art. 170 do Código Tributário Nacional e art. 15, art. 16, art. 18 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Diante disso, considerando a verossimilhança nas alegações da Recorrente, entendo que o processo deve retornar à DRF de origem para que essa aceite e analise os documentos apresentados pela Recorrente no recurso voluntário, e, havendo necessidade de quaisquer outros esclarecimentos, que seja a contribuinte intimada para apresentar documentos outros que a autoridade administrativa achar necessários para análise da liquidez e certeza do crédito. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. Fl. 105DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-002.667 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.959293/2012-71 Destaca-se, por fim, que não se trata de emissão de novo despacho decisório, pois o primeiro não possuía vícios e estava de acordo com as provas e informações sistêmicas até aquele momento existentes. Os autos irão retornar apenas para a continuação da análise da liquidez e certeza do crédito, considerando o saneamento do processo com a juntada de documentos contábeis/fiscais para comprovar a existência do crédito. Por todo o exposto, voto em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário, tendo em vista a verossimilhança nas alegações da Recorrente, para reconhecimento da necessidade de continuação em relação à análise do crédito tributário pela unidade de origem, devido aos documentos apresentados tanto na manifestação de inconformidade quanto no recurso voluntário, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF que jurisdiciona a contribuinte para continuação da verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp. (documento assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 106DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 13888.720051/2013-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 19 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Nov 03 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Ano-calendário: 2008
DCOMP. CRÉDITO IRRF DE COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS.
Há de se reconhecer a parcela de crédito de IRRF de cooperativa, mesmo que o contribuinte não apresente o Comprovante Anual de Retenção na Fonte, quando o mesmo demonstra a retenção através de documentação hábil e idônea.
Por outro lado, não se reconhece o crédito de IRRF de cooperativa, quando a retenção se originou de pagamento de planos de saúde e não há comprovação de que a receita correspondente foi oferecida à tributação.
Numero da decisão: 1301-005.597
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário e, no mérito, por maioria de votos, dar-lhe provimento parcial para reconhecer direito creditório adicional, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Bianca Felicia Rothschild e Lucas Esteves Borges, que davam provimento parcial ao Recurso para retorno do feito à origem, a fim de que se analisasse o direito creditório como pagamento indevido. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza. Entretanto, findo o prazo regimental, o Conselheiro não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do §7º do art. 63 do Anexo II da Portaria MF 343/2015 (RICARF).
(documento assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Giovana Pereira de Paiva Leite - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Giovana Pereira de Paiva Leite, José Eduardo Dornelas Souza, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Esteves Borges, Rafael Taranto Malheiros, Bianca Felicia Rothschild, Marcelo José Luz de Macedo e Heitor de Souza Lima Junior (Presidente).
Nome do relator: Giovana Pereira de Paiva Leite
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário e, no mérito, por maioria de votos, dar-lhe provimento parcial para reconhecer direito creditório adicional, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Bianca Felicia Rothschild e Lucas Esteves Borges, que davam provimento parcial ao Recurso para retorno do feito à origem, a fim de que se analisasse o direito creditório como pagamento indevido. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza. Entretanto, findo o prazo regimental, o Conselheiro não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do §7º do art. 63 do Anexo II da Portaria MF 343/2015 (RICARF). (documento assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior - Presidente (documento assinado digitalmente) Giovana Pereira de Paiva Leite - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Giovana Pereira de Paiva Leite, José Eduardo Dornelas Souza, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Esteves Borges, Rafael Taranto Malheiros, Bianca Felicia Rothschild, Marcelo José Luz de Macedo e Heitor de Souza Lima Junior (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2021-09-28T11:48:28Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-09-28T11:48:28Z; Last-Modified: 2021-09-28T11:48:28Z; dcterms:modified: 2021-09-28T11:48:28Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-09-28T11:48:28Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-09-28T11:48:28Z; meta:save-date: 2021-09-28T11:48:28Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-09-28T11:48:28Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-09-28T11:48:28Z; created: 2021-09-28T11:48:28Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; Creation-Date: 2021-09-28T11:48:28Z; pdf:charsPerPage: 2016; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-09-28T11:48:28Z | Conteúdo => S1-C 3T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13888.720051/2013-98 Recurso Voluntário Acórdão nº 1301-005.597 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de agosto de 2021 Recorrente UNIMED DE PIRACICABA SOCIEDADE COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 2008 DCOMP. CRÉDITO IRRF DE COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. Há de se reconhecer a parcela de crédito de IRRF de cooperativa, mesmo que o contribuinte não apresente o Comprovante Anual de Retenção na Fonte, quando o mesmo demonstra a retenção através de documentação hábil e idônea. Por outro lado, não se reconhece o crédito de IRRF de cooperativa, quando a retenção se originou de pagamento de planos de saúde e não há comprovação de que a receita correspondente foi oferecida à tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário e, no mérito, por maioria de votos, dar-lhe provimento parcial para reconhecer direito creditório adicional, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Bianca Felicia Rothschild e Lucas Esteves Borges, que davam provimento parcial ao Recurso para retorno do feito à origem, a fim de que se analisasse o direito creditório como pagamento indevido. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza. Entretanto, findo o prazo regimental, o Conselheiro não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do §7º do art. 63 do Anexo II da Portaria MF 343/2015 (RICARF). (documento assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior - Presidente (documento assinado digitalmente) Giovana Pereira de Paiva Leite - Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 00 51 /2 01 3- 98 Fl. 1230DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1301-005.597 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.720051/2013-98 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Giovana Pereira de Paiva Leite, José Eduardo Dornelas Souza, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Esteves Borges, Rafael Taranto Malheiros, Bianca Felicia Rothschild, Marcelo José Luz de Macedo e Heitor de Souza Lima Junior (Presidente). Relatório Trata o presente de recurso voluntário interposto em face do acórdão da DRJ n.16- 90.547, o qual julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte. Por bem descrever os fatos ocorridos até então, valho-me em parte do relatório da decisão de piso, com os devidos acréscimos: DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata de manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório DRF/PCA nº 0014/2013, de 21/01/2013, que homologou parcialmente as compensações declaradas na DCOMP nº 02092.27240.080208.1.3.05-0336, no limite do direito creditório reconhecido. Em tal DCOMP, a Interessada intenta compensar débitos de IRRF incidente sobre rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício (código de recolhimento 0588-04) com crédito decorrente de retenções de imposto de renda incidente sobre pagamentos efetuados por pessoas jurídicas (código de receita 3280), nos termos do §1º do artigo 652 do RIR/1999. A Autoridade Administrativa, ao iniciar a apreciação de tal compensação, apontou que “o crédito em análise deve necessariamente decorrer de IRRF incidente sobre pagamentos efetuados por pessoas jurídicas a “cooperativas de trabalho, associações de profissionais ou assemelhadas, relativas a serviços pessoais que lhes forem prestados por associados destas ou colocados à disposição” (art. 652, caput, do Decreto 3.000 de 1999)”. Em decorrência de tal particularidade, a Interessada foi intimada a apresentar as faturas relativas aos pagamentos que deram origem às retenções de imposto de renda informadas na DCOMP em exame. Em resposta a tal intimação, a Interessada apresentou as faturas solicitadas em mídia, tendo sido ainda anexados aos presentes autos, por amostragem, 6 (seis) contratos celebrados com suas fontes pagadoras. Em conclusão a tal análise, a Autoridade Administrativa reconhece o direito creditório de R$ 6.617,70, apontando que: a) a maior parte das retenções de imposto de renda se referem |ao pagamento de mensalidades de planos de saúde, na modalidade de preço pré-estabelecido (faturas de fls. 351 / 644). Tal modalidade de contratação tem regulamentação própria, sendo certo que os pagamentos (em valor pré-determinado) efetuados à cooperativa não implicam em pagamento direto pelos serviços pessoais prestados pelos cooperados. Aponta literalmente a Autoridade Administrativa que “paga-se a prestação mensal pré- estabelecida mesmo que nenhum beneficiário do contrato receba atendimento médico no período ou, ainda, que o custo efetivo dos serviços de medicina executados em determinado mês seja maior do que a mensalidade devida. Nesse caso, não se pode falar que houve um pagamento pelos serviços prestados pelos médicos cooperados, conforme previsto no art. 652 do RIR, pois não há vinculação entre o desembolso financeiro e as atividades executadas, ou seja, o valor da contraprestação pecuniária é efetuado antes da utilização das coberturas contratadas”. Logo, tais retenções de Fl. 1231DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1301-005.597 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.720051/2013-98 imposto de renda, que remontam a R$ 15.130,76, não podem ser aproveitadas para fins de compensação do imposto de renda devido sobre pagamento efetuados a cooperados, vez que não podem ser qualificadas como decorrentes da prestação de serviços profissionais de medicina ou correlatos, não se enquadrando na hipótese prevista no caput do art. 652 do RIR; b) há algumas retenções que se referem parcialmente a serviços pessoais prestados pelos cooperados associados à Interessada (fls. 700). Logo, tais retenções podem ser parcialmente aproveitas na compensação em foco, excluindo-se os valores relativos ao pagamento de mensalidade de planos de saúde, que remontam a R$ 22.236,78; c) as retenções relacionadas na planilha 3 (fls. 701 / 702), além de decorrerem do pagamento de mensalidade de plano de saúde na modalidade de preço pré-estabelecido, não foram informadas em DIRF pelas fontes pagadoras da interessada. Consequentemente, tais retenções, que remontam a R$ 3.265,01, também não podem ser admitidas na composição do crédito em exame; d) a retenção de IR na fonte no valor de R$ 157,03, efetuada pela fonte pagadora WMS Supermercados do Brasil Ltda., CNPJ 93.209.765/0001-17, em janeiro de 2008, decorre de serviços pessoais efetuados por médicos associados à interessada (fls. 664 e 686). Contudo, essa retenção não foi corroborada na DIRF apresentada pela referida fonte pagadora e, portanto, não está confirmada. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade, requerendo a reforma do despacho decisório em comento, fundando seu pleito nas seguintes razões abaixo colacionadas, em breve síntese. Aponta-se que o Fisco teria desconsiderado que os contratos em pré-pagamento seriam apenas uma das formas de repartir o risco da sinistralidade entre um grupo de usuários, não afastando a figura de mera intermediadora da cooperativa em relação aos usuários de planos e os cooperados, que seriam os efetivos prestadores de serviço. Frisa-se que o prestador do serviço de medicina seria o próprio médico cooperado, e não a cooperativa (a cooperativa não presta serviços médicos aos usuários). A função da cooperativa de trabalho médico, neste esteio, residiria em otimizar a inclusão de tais profissionais no mercado econômico, angariando pacientes para seus cooperados (lembra-se que, em decorrência da prática de atos cooperados, as cooperativas de trabalho sequer seriam contribuintes do imposto de renda). Assim, a cooperativa figuraria como mera intermediária em tal relação, destacando-se que tal posição assumida pela cooperativa é que fundaria a possibilidade de compensação veiculada no art. 652 do RIR/99. A fiscalização, ao prestigiar o entendimento de que a compensação prevista no art. 652 do RIR/99 não se aplicaria à retenção de imposto de renda efetuada em decorrência de contratantes em pré-pagamento / preço pré-estabelecido, teria demonstrado “evidente falta de assimilação do que representam, no contexto de operação de planos de saúde, os referidos conceitos, bem como as decorrências na relação entre a cooperativa e o cooperado no que tange ao repasse da produção ao cooperado a partir de recursos pagos pelo usuário, realidade esta que persiste tanto em uma quanto em outra modalidade contratual”. A Manifestante, além de cooperativa de trabalho médico, possuiria características de operadora de planos de assistência à saúde, atuando por conta e ordem do consumidor, recebendo e gerenciando os recursos recebidos dos usuários e devolvendo-lhes tais recursos por meio de serviços de assistência à saúde, prestados por terceiros. Logo, em ambos aspectos, a Manifestante figuraria “como mera intermediária entre dois polos: os usuários dos planos de saúde e terceiros (inclusive cooperados) efetivos prestadores Fl. 1232DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1301-005.597 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.720051/2013-98 de serviços de medicina, hospitalar, laboratorial etc. Neste contexto, os serviços prestados pela Unimed Piracicaba de representação do cooperado e administração de plano não se confundem com os serviços profissionais prestados por terceiros, dentre os quais estão inseridos os serviços de medicina. E isso independentemente da fatura emitida pela Manifestante referir-se a preço fixo ou não”. No tocante aos dois gêneros de planos de saúde (custo operacional e pré-pagamento), a Manifestante aponta que a normatização de ambos apenas estabeleceria “dois critérios distintos de fixação de preço e repartição de risco, persistindo, em qualquer hipótese, a representação do cooperado pela cooperativa, materializada através do objetivo maior a que se propõe a entidade, qual seja, a captação de pacientes àqueles associados. Está aí, exatamente em tal escopo representativo de seus cooperados, a classificação do ato cooperativo, nos termos do artigo 79 da Lei n°. 5.764/71. E que fique claro não ser distinto tal objetivo societário quando se está a tratar de contratação em pré- pagamento/preço pré-estabelecido. Tanto nas hipóteses de preço fixo quanto variável, persiste o repasse de produção a partir do pagamento de recursos do usuário. A distinção está apenas na forma individualização da produção médica no momento do pagamento da contraprestação pelo usuário”. Indica a Manifestante, ainda, que “a individualização da produção cabível a cada cooperado, naturalmente, só se pode vislumbrar após a materialização do parâmetro essencial no qual se assenta a distribuição de recursos pela cooperativa aos seus associados, qual seja, o trabalho efetivamente realizado e não a expectativa deste. Não se olvide, no entanto, que a Manifestante, mesmo diante da impossibilidade de antever com exatidão os valores de produção a serem repassadas futuramente aos cooperados, sempre buscou proporcionalizar os valores das faturas para a expectativa média de produção, não recaindo a retenção sobre a integralidade das faturas emitidas”. Aponta-se que tal procedimento calcar-se-ia no entendimento prestigiado no ADN COSIT nº. 01/93. Aponta a Manifestante que os repasses realizados a cooperados seriam atos cooperativos, independentemente de se tratar da venda de planos de saúde, conforme reiteradamente restaria reconhecido pelo STJ. Assim, “nas cooperativas de venda em comum (trabalho, por exemplo), a definição do que é ato cooperativo não se norteia pela origem do ingresso do recurso, nem mesmo se fixo ou variável, mas sim pela destinação que a eles for conferida. Conforme visto, o direcionamento do artigo 652 do RIR é genérico para as cooperativas de trabalho, sem qualquer ressalva com relação ao tipo de contrato sobre o qual recairia”. Em decorrência da dificuldade de se quantificar, de antemão, o valor dos serviços pessoais de cooperados nos contratos de valor pré-determinado, os quais somente se confirmarão ao final do mês ao qual se refere a mensalidade paga, e considerando-se a ausência de norma expressa para disciplinar tal situação, diversas cooperativas operadoras de planos de saúde formularam consultas à Receita Federal (inclusive a Manifestante adotou tal procedimento). Em resposta a tais questionamento, a Receita Federal deixou claro inexistir dever de retenção do imposto de renda na fonte nos contratos efetuados na modalidade de pré-pagamento. Contudo, “se a fonte pagadora procedeu à retenção do tributo foi em respeito à determinação da disposição do artigo 652 do RIR, cuja natureza é antecipatória do IRRF posteriormente retido pela cooperativa sobre a produção repassada ao cooperado, este rendimento tributável na pessoa física, especialmente se tal retenção ocorreu ANTES da data do recebimento da referida solução de consulta, quando ainda pairava a incerteza sobre a aplicabilidade da comentada retenção nos contratos em pré-pagamento”. Não seria possível entender-se que as retenções na fonte objeto do presente litígio se tratariam de antecipação do IRPJ devido pela própria cooperativa, pois “a Manifestante não está sujeita à retenção do Imposto de Renda próprio (incidente sobre os atos não cooperativos, ressalve-se), lembrando que o artigo 647 do RIR/99 (IRPJ) não faz Fl. 1233DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1301-005.597 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.720051/2013-98 qualquer referência aos serviços de intermediação prestados por cooperativas de trabalho operadora de planos de saúde”. A ausência de informação de algumas retenções de imposto de renda em DIRF não descaracterizaria a existência de crédito em relação a tais retenções, pois não se poderia imputar à Manifestante a responsabilidade de obrigação atribuída à terceiro (no caso, à fonte pagadora). Nesse contexto, aponta o Manifestante que “a documentação já juntada em diligência (faturas e contratos - petição de atendimento à primeira intimação, Doc. 05, fls. 351 a 697 dos autos e fls.32 a 268, respectivamente) demonstra o imposto retido, cuja efetiva retenção pela fonte pagadora, por sua vez, demonstra-se através da planilha expositiva anexa, especialmente em relação ao tomador de CNPJ 93.209.765/0001-17, além dos relacionados na planilha 03, fls. 701,702”. Ainda em relação ao ponto destacado no parágrafo anterior, a Manifestante aduz que “fosse a estreita correspondência entre o pedido de compensação do prestador e a DIRF preenchida pelo tomador condição para o reconhecimento e a utilização do crédito, as sociedades cooperativas nunca poderiam proceder à compensação dos tributos retidos ao logo do ano-calendário, já que a entrega de tais declaração dá-se somente ao final daquele”. A Autoridade Administrativa teria desconsiderado os créditos de IRRF afetos a coparticipação (parcela variável nos planos a preço pré-determinado), em evidente equívoco, vez que, em relação a tais pagamentos, existiria serviço médico prestado fundante do pagamento. Assim, requer-se o reconhecimento do equívoco da Autoridade Administrativa e o consequente reconhecimento da regularidade da compensação, buscando-se comprovar o alegado com documentação anexa (doc. 6) e protestando-se por eventual realização de diligência ou perícia, caso se entenda cabível. A Turma da DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. A Interessada foi cientifica da decisão da DRJ e, ainda irresignada, interpôs Recurso Voluntário através do qual: - Alega impossibilidade de se restringir a compensação com relação aos planos a preço pré-estabelecido/pré-pagamento; - Argumenta que a Fiscalização e a DRJ negaram a possibilidade de creditamento sob o argumento de que não haveria prática de atos cooperativos e, tal entendimento não é compatível com a adequada interpretação do artigo 45 da Lei n.° 8.541/91. Percebe-se que a norma determinou, primeiramente, que, ao efetuar pagamentos a uma cooperativa de trabalho, seja' qual for a espécie desta cooperativa de trabalho e sem qualquer ressalva com relação à natureza contratual, a pessoa jurídica deve reter 1,5% dos valores pagos; -Aduz que uma cooperativa de trabalho, como é o caso da Recorrente, ainda que se segmente economicamente como operadora de planos de saúde, visando captar mais pacientes aos cooperados (e os efeitos de aumento desta captação são inegáveis), não desnatura o fato de que os associados continuam a prestar serviços ou a colocá-los à disposição dos usuários (conforme a própria redação do artigo), mesmo havendo prestação de serviços de não cooperados. Fl. 1234DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1301-005.597 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.720051/2013-98 - Defende a regularidade da compensação, sendo créditos passíveis de compensação os valores retidos da Recorrente, pela simples ocorrência de retenção, procedida com base no artigo 45 da Lei n.° 8.541/1992, independente da modalidade contratual; - Argumenta que a operação de planos de saúde pela Recorrente em pré- pagamento ou qualquer outra modalidade, não desnatura a prestação de serviços pelos cooperados, sendo apenas distinto o momento da sua definição, pelo que se aplica a autorização para a compensação do IRRF retido pelos contratantes nos moldes do artigo 45 da Lei n.° 8.541/1992, ao menos até o recebimento da Solução de Consulta n.° 267/2012; - Caso ultrapassado o argumento acima aduzido, ainda assim aplica-se aos pagamentos feitos a preço preestabelecido a autorização para a compensação, diante da possibilidade de configuração da segunda hipótese de retenção do imposto, constante do artigo 45 da Lei n.° 8.541/1992 ("serviços pessoais que lhes forem prestados por associados destas ou colocados à disposição"), sendo a inaplicabilidade da retenção decorrente da dificuldade temporal de se mensurar o valor dos serviços pessoais no momento da emissão da fatura; Mesmo na hipótese de contratos a preço fixo (pré-pagamento), confirma-se a prática do ato cooperativo quando do repasse de produção aos cooperados, sendo apenas distinto o momento da sua definição, pelo que se aplica a autorização para a compensação do IRRF retido pelos contratantes nos moldes do artigo 45 da Lei n.° 8.541/1992; - Com relação à glosa por suposta ausência de confirmação do crédito pelas fontes pagadoras, que se reconheça a existência e comprovação dos créditos indevidamente glosados, que devem ser reconhecidos levando-se em conta os valores não informados e não corroborados em DIRF pelas fontes pagadoras, pela simples existência de crédito em face da retenção, que é elemento suficiente para validação da compensação pleiteada, não podendo ser imputado à Recorrente o ônus decorrente de eventual descumprimento de obrigações principais e/ou acessórias pela fonte pagadora (erro de código, de competência, ausência de declaração, ausência de recolhimento etc); Ao final, a Interessada pugna para que seja reconhecida a procedência do recurso, reformando-se a decisão recorrida, e por consequência o despacho decisório. É o relatório. Voto Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, Relatora. Fl. 1235DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1301-005.597 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.720051/2013-98 O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Trata o presente processo de pedido de compensação de Crédito de IRRF de Cooperativas, nos termos do art. 652, §1º do RIR/99, abaixo transcrito: Pagamentos a Cooperativas de Trabalho e Associações Profissionais ou Assemelhadas Art.652. Estão sujeitas à incidência do imposto na fonte à alíquota de um e meio por cento as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a cooperativas de trabalho, associações de profissionais ou assemelhadas, relativas a serviços pessoais que lhes forem prestados por associados destas ou colocados à disposição (Lei nº 8.541, de 1992, art. 45, eLei nº 8.981, de 1995, art. 64). §1º O imposto retido será compensado pelas cooperativas de trabalho, associações ou assemelhadas com o imposto retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos associados (Lei nº 8.981, de 1995, art. 64, §1º). (grifei) É importante destacar que o crédito aqui pleiteado não é de pagamento indevido ou a maior de IRRF e sim de crédito de IRRF das cooperativas, em razão de sua atividade enquanto tal. O Despacho Decisório, elaborado manualmente, reconheceu parcialmente a existência de direito creditório. O restante do crédito foi indeferido pelas seguintes razões: 1) Uma Parcela não foi reconhecida, pois as retenções de IR na fonte tiveram origem em pagamentos de mensalidade de planos de saúde. 2) Outra Parcela foi indeferida apenas por falta de comprovação de retenção na fonte. As retenções não foram confirmadas nas DIRFs da fonte pagadora. O Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, a qual foi julgada improcedente pela Turma da DRJ, pois quanto à parcela da WMS Supermercados, entendeu aquele Colegiado a despeito da apresentação do Comprovantes Anual de Retenção na Fonte, a retenção poderia ser poderia ter sido provada através da apresentação cumulativa dos seguintes documentos: nota fiscal, lançamento contábil da nota fiscal, contrato de prestação de serviço ou semelhante e comprovação do efetivo recebimento por extrato bancário ou lançamento contábil da movimentação financeira. Não obstante, o Contribuinte apresentou apenas a nota fiscal e uma planilha. No que tange às demais parcelas de IRRF, a decisão de piso consignou que se referiam a retenções relativas à planos de saúde (contratos em pré-pagamento) e não a ato- cooperativo, ou ainda, quando a Recorrente alegou se tratar de contraprestação paga pelo contratante de caráter variável (coparticipação), a DRJ destacou que nas faturas colacionadas ao processo não constavam discriminados os valores relativos a coparticipação dos usuários. A decisão de piso ainda traz outro fundamento para indeferir o reconhecimento do crédito, qual seja, a falta de comprovação de que a receita decorrente dos atos não-cooperativos objeto das retenções indevidas tenha sido oferecida à tributação. Ainda irresignada, a Interessada interpôs recurso, o qual passo à análise. Fl. 1236DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1301-005.597 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.720051/2013-98 Da Comprovação da Retenção na Fonte Contrariamente ao que restou consignado no Despacho Decisório, a Turma da DRJ considerou ser possível a comprovação da retenção na fonte através de outros documentos que não exclusivamente o Comprovante Anual de Retenção na Fonte, entendimento este pacificado no CARF através da Súmula CARF n. 143, verbis: Súmula CARF nº 143 A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Todavia, a DRJ concluiu, em síntese, que os documentos apresentados não eram suficientes para comprovar a retenção, considerou despicienda a conversão do julgamento em diligência, pois o ônus da prova da existência de crédito incumbe ao contribuinte, e a documentação necessária já poderia ter sido juntada na manifestação. A Recorrente reitera os argumentos despendidos em sua manifestação, e para contrapor a decisão da DRJ, junta aos autos os Livros Razão, no qual se verificam os valores líquidos recebidos pela Cooperativa, decorrentes da subtração das importância retidas a título de imposto de renda dos valores totais de cada fatura (estas já apresentadas na manifestação). A DRJ citou os documentos que entendeu serem necessários para comprovar a retenção na fonte e para contrapor essas razões do acórdão recorrido, a Interessada apresentou Livro Razão, o qual dever ser recebido com fundamento no art. 16, §4º do Decreto nº 70.235/72. Uma parcela do crédito foi indeferida unicamente pela ausência de comprovação de retenção. Para esta parcela especificamente, a Recorrente fez a devida demonstração da retenção, inclusive quanto à escrituração do recebimento líquido no Livro Razão, no corpo do seu recurso. A Recorrente informa ainda que requereu extratos bancários junto à Instituição Financeira, os quais não foram entregues em tempo hábil para a interposição do recurso, motivo pela qual a Recorrente declara que juntará aos autos assim que disponibilizada. Nesse sentido, considerando que a Unidade de Origem não questionou a idoneidade das faturas apresentadas, considerando que as faturas foram devidamente escrituradas no Razão, e considerando que a única razão para a Autoridade Fiscal indeferir esta parcela do crédito foi a não confirmação da retenção nas DIRFs das fontes pagadoras, voto por reconhecer esta parcela de crédito. Das Demais Parcelas Não Reconhecidas – Retenções com Origem em Pagamento de Planos de Saúde Conforme o Despacho Decisório, as demais parcelas de crédito não foram reconhecidas tenho em vista que 1) referiam-se a pagamentos de plano de saúde na modalidade pré-pagamento; 2) as retenções de IR na fonte tiveram origem em pagamentos de mensalidade de planos de saúde; 3) retenções referentes a pagamentos plano de saúde na modalidade pré- pagamento e sem comprovação de retenção na fonte. Fl. 1237DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1301-005.597 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.720051/2013-98 Importante frisar que em sua Manifestação, a Recorrente havia argumentado que uma parte dos contratos de plano de saúde na modalidade pré-pagamento, haveria também pagamento de coparticipação, hipótese na qual haveria um contraprestação paga pelo contratante de caráter variável. Todavia as faturas apresentadas não apresentavam discriminação entre uma modalidade e outra, razão pela qual o crédito não foi reconhecido. Em seu recurso, já não há mais alegação no sentido de existência de coparticipação. O cerne do litígio da parcela restante reside, portanto, na possibilidade de a Interessada se utilizar da compensação disciplinada no art. 652, §1º do RIR/99 para as retenções de imposto decorrentes do pagamento de planos de saúde na modalidade de pré-pagamento. A própria Recorrente admite que desenvolve atividade econômica de operadora de planos de saúde: Além de cooperativa de trabalho médico, a Recorrente possui característica jurídico- econômica de operadora de planos de assistência à saúde que atua por conta e ordem do consumidor (usuário), recebe e gerencia os recursos recebidos dos usuários, devolvendo-lhes tais recursos através de serviços de assistência à saúde, prestados por terceiros. (grifei) Não obstante, a Interessa entende que essas operações de vendas de plano de saúde não desnaturam a prática de ato cooperativo, pois confirma-se a prática do ato cooperativo quando do repasse de produção aos cooperados, sendo apenas distinto o momento da sua definição, pelo que se aplica a autorização para a compensação do IRRF retido pelos contratantes nos moldes do artigo 45 da Lei n.° 8.541/1992. Argumenta a Recorrente que não há qualquer condicionante no artigo 45 da Lei n. 8541/92, quanto à compensação do imposto de renda na fonte decorrente de operações de plano de saúde. Defende ainda o direito à compensação, pela simples ocorrência da retenção, independente da modalidade contratual. Em relação a esta parcela, cuja origem da retenção são os pagamentos de planos de saúde, não há que se reconhecer direito creditório, tendo em vista que não se trata de retenção por pagamento de atos cooperativos, passível de restituição nos termos do art. 652, §1º do RIR/99, uma vez que essa compensação é exclusiva de sociedades cooperativas em razão da prática de atos cooperados. As retenções por pagamentos de plano de saúde não configuram crédito de IRRF de cooperativa, que é a origem do crédito pleiteado na DCOMP sob análise. Vê-se que a compensação pleiteada diz respeito à crédito de IRRF de cooperativa a ser compensado com IRRF devido por ocasião do pagamento efetuado pela Cooperativa a seus associados. A natureza jurídica do crédito tem que ter a mesma natureza do débito a ser compensado. Entretanto, o IRRF pleiteado não teve origem em atos cooperativos, pois essa retenção incidiu sobre pagamentos de planos de saúde, e sobre o resultado desta atividade econômica incide o IRPJ. A Recorrente alega, em síntese, mesmo que os valores de retenção sejam originários de pagamentos de planos de saúde na modalidade pré-fixado, isto seria irrelevante Fl. 1238DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 1301-005.597 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.720051/2013-98 para fins da compensação procedida, devendo ser aplicado o artigo 652, §1º do RIR/99 ao menos até o recebimento da Solução de Consulta n. 267 – SRRF08/Disit. A Recorrente anexou a citada Solução de Consulta n. 267 cujo conteúdo é semelhante ao da Solução de Consulta Cosit n. 59/2013, que dispensa a realização de retenção pela fonte pagadora quando se tratar de pagamentos efetuados a cooperativas operadoras de plano assistência à saúde, decorrentes de contratos pactuados na modalidade de preço pré- estabelecido. A Recorrente alega que a compensação deveria ser reconhecida ao menos até o recebimento da Solução de Consulta n. 267/2012, uma vez não tinha outra opção senão a de sujeitar-se à retenção nos moldes do artigo 652 do RIR. A Interessada alega, portanto, que como não era devida retenção alguma, e houve um retenção à alíquota de 1,5%, essa retenção deve ser reconhecida como crédito passível de compensação como se retenção de cooperativa o fosse. Ainda que se considerasse a retenção como um retenção incidente sobre atos não cooperados, esta retenção deveria compor o saldo negativo do período, e sua utilização como crédito tem por requisito o oferecimento à tributação da receita que lhe deu origem. Jurisprudência pacífica no STJ, em sede de recurso especial representativo de controvérsia (RESP 58625, com trânsito em julgado em 12/09/2011) fixou a tese de que “O imposto de renda incide sobre o resultado positivo das aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas, por não caracterizarem 'ato cooperativos típicos'”. Nesse sentido, não apenas o resultado positivo das aplicações financeiras, mas toda e qualquer atividade econômica que não exija sua realização enquanto Sociedade Cooperativa, submete-se à incidência do Imposto de Renda. Cita-se também julgado do CARF (acórdão n. 1102-000.936 de 08/10/2013): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA-IRPJ Exercício: 2007, 2008 IRPJ. CSLL. SOCIEDADE COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. RECEITA PROVENIENTE DA VENDA DE PLANOS DE SAÚDE A TERCEIROS (PACIENTES). ATO NÃO COOPERATIVO. Os resultados de atos não- cooperativos, caracterizados pelo fornecimento de serviços a terceiros não cooperados, não estão abrigados pela não-incidência do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro. Precedentes do E. Superior Tribunal de Justiça, inclusive sob a sistemática do art. 543C do CPC. (grifei) Neste caso, a retenção incidente sobre os pagamentos de plano de saúde teria que ser utilizada para apuração do lucro ao final do exercício, e para tal, haveria de ser comprovada que a receita foi oferecida à tributação nos termos do inciso III do §4º, do art. 2º da Lei nº 9.430/96: Lei 9.430/96 Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pela pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (Regulamento) Fl. 1239DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 1301-005.597 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.720051/2013-98 (...) §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: III -do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; Se fosse superada a impossibilidade de a Recorrente proceder à compensação nos termos do art. 652, §1º do RIR, modalidade de compensação específica para imposto de renda retido na fonte das cooperativas em razão de realização de ato cooperativo, ainda assim, a receita correspondente haveria de ser oferecida à tributação. E não consta nos autos qualquer documentos demonstrando que tal fato tenha acontecido. A Recorrente fala da impossibilidade de inovação ou alteração de critério jurídico e procura se resguardar de qualquer fundamentação que por eventualidade venha a ser levantada pelos órgãos julgadores, diferente daquela apresentada pela Autoridade Lançadora, sem contudo expor a que inovação estar-se-ia referindo. Em verdade, a exigência de oferecimento à tributação não se trata de fundamento novo, mas tão somente de uma condição necessária, caso fosse relativizada a natureza do direito creditório pleiteado, ou seja, caso esse óbice fosse superado. A Unidade de Origem sequer adentrou nesta matéria, pois não sendo possível a compensação com fundamento no art. 652, §1º do RIR/99, não havia necessidade de avançar a análise neste ponto. Isto posto, não há que se falar em inovação ou alteração de critério jurídico. Quanto aos demais fundamentos quanto à impossibilidade de efetuar a compensação do crédito pleiteado nos termos do art. 652, §1º do RIR/99 e, por conseguinte, indeferir o reconhecimento de crédito de IRRF oriundo de pagamento de plano de saúde, adoto e ratifico a irretocável decisão da DRJ n. 16-87936, proferida em 13/06/2019, nos autos do processo n. 13888.724265/2012-52, cujo interessado também é a Unimed Piracicaba: A Solução de Consulta Cosit nº 59, de 30 de dezembro de 2013, que trata da matéria em litígio (vinculante para todos os servidores da RFB, conforme artigo 9º da Instrução Normativa RFB nº 1396, de 16 de setembro de 2013), traz a seguinte ementa: PLANOS DE SAÚDE. MODALIDADE DE PRÉ-PAGAMENTO. DISPENSA DE RETENÇÃO. Os pagamentos efetuados a cooperativas operadoras de planos de assistência à saúde, decorrentes de contratos de plano privado de assistência à saúde a preços pré-estabelecidos (contratos de valores fixos, independentes da utilização dos serviços pelo contratante), não estão sujeitos à retenção do Imposto de Renda na fonte. As importâncias pagas ou creditadas a cooperativas de trabalho médico, relativas a serviços pessoais prestados pelos associados da cooperativa, estão sujeitas à incidência do Imposto de Renda na Fonte, à alíquota de um e meio por cento, nos termos do art. 652 do Regulamento do Imposto de Renda. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 9.656/1998, art. 1º, I; RIR, arts. 647, caput e § 1º, e 652; PN CST nº 08/1986, itens 15, 16 e 22 a 26. Fl. 1240DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 1301-005.597 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.720051/2013-98 A edição da referida solução de consulta é posterior à apresentação do PER/DCOMP em análise, mas é perfeitamente aplicável ao presente caso por estar fundamentada em dispositivos legais que já estavam em vigor quando da declaração de compensação. As receitas obtidas pelas cooperativas de trabalho médico, na condição de operadoras de planos de assistência à saúde, decorrentes de contratos pactuados com pessoas jurídicas na modalidade pré-pagamento, que estipulem o pagamento mensal de valores fixos pelo contratante, independentemente da efetiva utilização dos serviços pelo segurado, da natureza dos serviços prestados, do número de procedimentos realizados, etc (artigo 1º, inciso I, da Lei nº 9.656, de 1998), não estão sujeitas à retenção na fonte do Imposto de Renda prevista no artigo 647 do RIR/1999, por não se confundirem com as receitas decorrentes da prestação de serviços profissionais de medicina ou correlatos (itens 15, 16 e 22 a 26 do Parecer Normativo CST nº 8, de 1986). Ainda segundo a referida solução de consulta, as importâncias pagas ou creditadas à cooperativa por pessoas jurídicas, relativas a serviços pessoais prestados pelos associados da cooperativa a tais pessoas jurídicas, ou colocados à disposição delas, estão sujeitas à incidência do imposto na fonte, à alíquota de 1,5% (um e meio por cento), nos termos do artigo 652 do RIR. Diante do exposto, conclui-se que foi indevida a retenção do imposto renda sobre os rendimentos recebidos pela Interessada, em decorrência dos contratos de planos de saúde, na modalidade de preço pré-estabelecido, primeiro, por não se confundirem com as receitas decorrentes da prestação de serviços profissionais e, segundo, por não haver vinculação entre o desembolso financeiro e os serviços prestados pelos cooperados, nem mesmo pelos serviços colocados à sua disposição, pois os valores pagos cobrem não só os serviços prestados pelos cooperados, como também serviços hospitalares e exames laboratoriais. Em consequência da retenção indevida, existe de fato direito creditório correspondente ao indébito tributário. Contudo, não se pode homologar a compensação pretendida nos moldes do §1º do artigo 652 do RIR/1999, pois esta compensação somente é autorizada com créditos correspondentes a imposto retido sobre pagamentos à cooperativa relativos aos serviços pessoais que forem prestados pelos cooperados ou colocados à disposição. Assim, inexiste fundamentação legal que autorize o pleito da Interessada de homologar a referida compensação. Ressalte-se que a parcela do direito creditório correspondente à retenção incidente sobre as receitas decorrentes dos contratos de plano de saúde na modalidade custo operacional, nos quais há uma vinculação entre o serviço prestado pelo cooperado e a receita recebida pela cooperativa, confirmada em DIRF, já foi utilizada para homologação parcial da compensação declarada. (...) Neste sentido, o valor do imposto de renda retido indevidamente sobre as receitas recebidas em decorrência dos contratos de plano de saúde, na modalidade a preço pré- estabelecido, somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ devido pela Interessada ao final do período de apuração em que tivesse ocorrido a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período, conforme disciplinado no artigo 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, vigente à época da compensação pretendida. Veja-se que no caso de comercialização de planos de saúde, inexiste a figura do ato cooperativo, sendo, portanto, tais receitas tributáveis pelo IRPJ, conforme a seguir será detalhado: Fl. 1241DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 1301-005.597 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.720051/2013-98 A cooperativa de serviços médicos tem como objetivo, por um lado, incrementar a atividade profissional de seus associados e, por outro, a própria prestação de serviços feita por estes – médicos cooperados – à clientela. Os resultados oriundos desses atos serão os caracterizados como atos cooperativos. De forma diversa, a venda de planos de saúde é feita diretamente pela sociedade cooperativa ao cliente. Não constitui ato de apoio à atividade profissional do cooperado e nem corresponde ao resultado do serviço por ele diretamente prestado. Diversamente das consultas, cujos valores pertencentes ao profissional médico são a ele repassados, as mensalidades devidas em função dos planos são auferidas independentemente da efetiva prestação dos serviços médicos que podem, afinal, não ocorrer. Por outro lado, as coberturas prometidas pelos planos de saúde extrapolam em muito as consultas fornecidas pelos profissionais médicos: envolvem terceiros, tais como hospitais, laboratório, clínicas especializadas, etc. Ora, a cooperativa, quando garante os serviços desses terceiros, atua em verdadeira intermediação comercial entre eles, não associados, e seus clientes, não cooperados. Essa intermediação escapa dos limites da definição de ato cooperado que, conforme já exposto, afasta as chamadas operações de mercado, pois exige relação direta com o objeto social da cooperativa, que está restrita, no caso das cooperativas de serviços, às atividades de apoio aos profissionais ou a própria prestação dos serviços por eles ofertada. Note-se que a atividade de venda de planos de saúde poderia ser exercida ainda que não fosse, a Unimed, uma cooperativa de serviços e, por outro lado, poderia a cooperativa subsistir sem a venda de planos de saúde. São, portanto, atividades independentes que, por opção, no caso, estão sendo exercidas em paralelo, uma vez que a venda de planos de saúde se constitui, reconhecidamente, em forte alavancagem para a prestação individual do trabalho médico pelos cooperados. (...) Assim, a cooperativa visa a prestação de serviços médicos, que são aqueles exercidos pelo médico no seu trabalho pessoal; as demais atividades, nas quais se inclui a venda de plano de saúde, na medida que são conseqüência de negócio mantido entre a cooperativa de médico e o cliente (paciente), que compra e paga por serviços de saúde, mas de nenhum modo é cooperado, devem ser tratadas como receitas tributáveis, porque não constituem atos cooperativos. Ademais, apenas a título de argumentação, deve-se ressaltar que não há no presente processo qualquer comprovação de que a receita decorrente de atos não- cooperativos (venda de planos de saúde etc.), objeto das retenções indevidas, tenha sido oferecida à tributação, condição exigida pela legislação para o aproveitamento das retenções correspondentes das quais a interessada foi beneficiária durante o ano- calendário 2007, nos termos do inciso III do §4º do artigo 2º da Lei nº 9.430/1996. Quanto às alegações da Interessada de que a fiscalização teria desconsiderado que, mesmo na hipótese dos contratos em pré-pagamento, haveria contraprestação paga pelo contratante de caráter variável (co-participação), situação esta que permitiria a compensação do IRRF com base no artigo 652 do RIR, é importante destacar que nas faturas colacionadas ao processo (fls. 329/685 - nas quais foram calculados os valores de IRRF objeto da presente compensação) não constam discriminados valores relativos a co-participação dos usuários, bem como não foram apresentados quaisquer outros documentos que fizessem tal discriminação vinculada ao IRRF, situação esta que inviabiliza totalmente a análise do argumento da Interessada. Nesse sentido, é importante destacar que, verificada a não existência de parte ou mesmo da totalidade do crédito, pela Autoridade Administrativa, cumpre ao autor a comprovação do direito alegado, cuja negativa restou demonstrada no Despacho Decisório, conforme dispõe o art. 333 do antigo Código Processual Civil: Fl. 1242DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 1301-005.597 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.720051/2013-98 (...) Assim, não existindo nos autos a comprovação dos valores relativos a retenções de imposto de renda sobre valores pagos a título de co-participação, deve-se manter a conclusão proferida no Despacho-Decisório ora guerreado. (grifei) A decisão supracitada demonstra que não existe respaldo legal para que a Recorrente proceda à compensação de retenções efetuadas sobre o pagamento de planos de saúde com se IRRF de cooperativa o fosse, além do que, como fundamento adicional, não foi comprovada que a receita correspondente tenha sido oferecida à tributação. Destaca também a decisão que a pagamento de contrato pré-fixado (referente a planos de saúde) não se caracteriza como ato cooperado, devendo ter tratamento distinto. Dessarte, no que concerne às retenções relativas aos contratos de plano de saúde na modalidade de pré-pagamento, voto no sentido de não reconhecer crédito de IRRF, além do que ausente a comprovação de que a receita oriunda desses pagamentos foi oferecida à tributação. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, por DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer um crédito adicional referente à parcela de IRRF comprovado a partir das faturas e Livro Razão. (documento assinado digitalmente) Giovana Pereira de Paiva Leite Fl. 1243DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10380.906716/2009-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 03 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3402-000.169
Decisão: RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. NAYRA BASTOS MANATTA Presidente JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Leonardo Siade Manzan e Fernando Luiz Lobo d’Eça e as Conselheiras Sílvia de Brito Oliveira e Ângela Sartori. RELATÓRIO A sociedade acima qualificada, que se dedica à prestação de serviços médicos relativos a diagnóstico por imagem, interpôs, em 18 de agosto de 2009, o presente recurso contra decisão proferida em 19 de julho do mesmo ano. Nela, a autoridade julgadora de primeiro grau administrativo manteve a não homologação de compensação comunicada Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Assinado digitalmente em 08/04/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, 13/04/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 10380.906716/200995 Resolução n.º 3402000.169 S3C4T2 Fl. 2 2 eletronicamente pela interessada denegada em despacho decisório emitido em 09 de abril de 2009 pela DRF Fortaleza. A fundamentação do despacho fora a inexistência do indébito, visto que o recolhimento que se alega ter sido realizado a maior fora integralmente utilizado na quitação de débito de mesmo valor declarado em DCTF espontaneamente apresentada pela sociedade e não retificada até o exame empreendido pela unidade administrativa. Na manifestação de inconformidade, a ora recorrente procurou justificálo ao afirmar que efetuara recolhimentos da COFINS e do PIS sobre a base de cálculo alargada pela Lei 9.718, alargamento esse posteriormente declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como prova de sua alegação, elaborou planilha discriminativa das receitas indevidamente incluídas (indicando o que parece ser a respectiva codificação contábil), juntou peça intitulada “balanço” (fl. 57) que corrobora tais informações, inclusive a codificação mencionada, e a DIPJ original que também discrimina tais receitas. Não anexou peça contábil registrada (Diário ou Razão) nem documentos fiscais. Na mesma peça de defesa, a sociedade reconhece que não procedera à retificação das declarações entregues (DIPJ e DCTF) antes de apresentar sua declaração de compensação e atribui a este fato a provável causa para a não homologação de seu direito. Demonstra, então, que o fez após a ciência do despacho e junta cópia das declarações retificadoras. A decisão recorrida reconhece a possibilidade de as unidades administrativas de julgamento afastarem dispositivo legal declarado inconstitucional pelo STF, afirma, assim, que eventuais recolhimentos efetuados sobre a parcela excedente ao faturamento são mesmo indevidas e passíveis de restituição, mas mantém a nãohomologação aduzindo que o contribuinte não provara sua alegação. Afirma que, para tanto, além de retificar a DCTF previamente ao despacho decisório, teria de juntar documentos contábeis e fiscais que provassem a liquidez e certeza do indébito e que a sociedade apenas juntara cópia das declarações retificadoras. A fundamentação da decisão recorrida é, pois, a falta de provas, que teriam de ser juntadas no momento da formalização da manifestação de inconformidade. Esse é o Relatório. VOTO Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS, Relator O recurso é tempestivo e deve ser examinado. Não partilho, como já tive oportunidade de afirmar em outros julgados, a tese da Administração segundo a qual a homologação de compensações declaradas pelo sujeito passivo dependa de prévia retificação de sua DCTF quando nesta conste valor condizente com o pagamento realizado . O que é necessário, a meu ver, é que o alegado indébito esteja provado. E é por isso que não se pode ainda decidir o recurso. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Assinado digitalmente em 08/04/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, 13/04/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 10380.906716/200995 Resolução n.º 3402000.169 S3C4T2 Fl. 3 3 De fato, há nos autos diversos documentos, coerentes entre si, que demonstram o indébito. Mas nenhum deles é, ao menos comprovadamente, documento contábil cuja validação seja exigida legalmente. Entendo, por isso, que o acatamento do recurso requer a verificação, que já deveria ter sido feita em primeiro grau, da veracidade das informações apostas, primeiro, na planilha integrante da própria manifestação de inconformidade, depois, na peça intitulada “balanço” e referida no recurso como “balancete” e, por fim, na DIPJ entregue. Repisese que há perfeita consonância entre as diversas “demonstrações”. Sou, por isso, pela baixa do processo em diligência para que a d. fiscalização aponte qual é o valor devido da contribuição, argüida neste processo, levando em conta apenas o conceito de faturamento reconhecido pelo STF como apto a constituir a base de cálculo da contribuição. Mais especificamente: considerando apenas receitas de prestação de serviços e/ou de vendas de mercadorias, indique se há indébito no mês em discussão e qual o seu montante, com base nos livros contábeis exigidos pela legislação (Diário e Razão) a serem exibidos pelo contribuinte. Dos resultados da diligência, seja cientificada a ora recorrente, abrindoselhe prazo de trinta dias para eventual contestação. É como voto. Sala das Sessões, em 03 de fevereiro de 2011 JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Assinado digitalmente em 08/04/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, 13/04/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001868/2009-00
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3402-000.368
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1174; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19515.001868/200900 Recurso nº Resolução nº 3402000.368 – 2ª Turma da 4ª Câmara Data 15 de fevereiro de 2012 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente YALE LA FONTE SISTEMAS DE SEGURANÇA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Nayra Bastos Manatta Presidente (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Fl. 1DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.0121.09270.2WPW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.001868/200900 Resolução n.º 3402000.368 CSRFT3 Fl. 2 2 RESOLUÇÃO Nº. 3402000.368 Versa este processo administrativo tributário, de Auto de Infração pelo qual se constituiu crédito tributário, por falta de recolhimento de COFINS, no período de 10/2003 a 12/2007, sendo que a decisão de primeira instância cancelou parcialmente a exigência, pela aplicação da decadência do direito da Fazenda Púbica constituir o crédito tributário, quanto aos períodos de apuração anteriores a 04/2004 (ou seja, de 10/2003 a 03/2004, inclusive), vindo esses autos, com Recurso Voluntário manejado pelo contribuinte, para julgamento. Embora a recorrente não tenha feito o vínculo e trazido todas as justificativas sobre a extensa documentação que compõe este processo (que forma a maciça maioria de suas folhas dos autos), por ela juntadas, bem como, ainda, inobstante tais documentos já poderem ter sido verificados pela Fiscalização antes da lavratura do Auto de Infração analisado, a verdade é que a Recorrente alega estarem totalmente pagos os débitos lançados pelo que entendo que o feito não está completamente instruído a ponto de receber um julgamento justo. Isto porque, no documento elaborado pela Fiscalização, ainda na fase inquisitorial, denominado de “Cotejo de Informações” (fls. 41 e seguintes), constatase que foi apontado como valor contabilmente devido a título da contribuição a COFINS, os valores que constaram da “Listagem do Razão”, mas colhendose o valor da coluna “CRÉDITO”, sem considerar ou abater, no entanto, os valores da coluna “DÉBITO”, e o respectivo “SALDO D/C”. A título exemplificativo, vejamos a folha 45 dos autos, referente ao mês de abril de 2004, na qual encontramos as seguintes informações: COFINS (IMPORTAÇÃO), COFINS (MERC. INTERNO) Resultado do cotejamento periódico Inicio Fim Contab. Retif.Contab. DCTF Diferença Sinal Lançamento 01/04/2004 30/04/2004 226.017,01 31.279,74 49.407,57 145.329,70 49.407,57 145.329,70 Procedendo ao cotejo das informações acima, com a “Listagem do Razão”, acostada às folhas 219 (ref. ao mês de abril/2004), verificase que o valor considerado como se devido fosse (R$ 226.017,01), corresponde ao Total da Conta, referente ao somatório dos lançamentos registrados na coluna “CRÉDITO” da respectiva conta, que são provenientes de “Faturamento” do contribuinte, e, portanto, aptos a consumar o fato gerador da contribuição em tela. Observese que por se tratar de conta do passivo da entidade, recebe lançamento a crédito, com o que “aumenta” o passivo, e quando há lançamento a débito da referida conta, esse registro provoca a “diminuição” do passivo. Assim sendo, é possível que na hipótese vertente, ao proceder a coleta de dados e o respectivo cotejo das informações constantes da Contabilidade (retificada ou não), com as DCTF’s, DACON, DIPJ e DARF’s, tenhase desconsiderado os lançamentos constantes da coluna “DÉBITO”, que no caso ora exemplificativamente citado (abril/2004), constava o valor de R$ 257.389,33. No mesmo mês de abril/2004, havia um saldo anterior, a crédito da respectiva conta, no valor de R$ 68.577,94, a qual, somados os créditos do mês, e diminuídos os débitos igualmente registrados, levaram ao registro de saldo devedor de COFINS a pagar no valor de R$ 37.205,62. Fl. 2DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.0121.09270.2WPW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.001868/200900 Resolução n.º 3402000.368 CSRFT3 Fl. 3 3 No referido mês constou da DCTF o valor de R$ 49.407,57 como devido, o qual, igualmente constou e foi aceito pela Fiscalização como “Sinal”, o mesmo valor de R$ 49.407,57. Nesse referido mês, dependendo do valor a se extrair, haverá saldo devedor (como concluído pela Fiscalização), ou pagamento a maior, se se considerar o saldo final da conta e o valor recolhido. E a situação acima se repete por diversos meses, tendo a Fiscalização aparentemente partido da premissa de que o valor contabilizado pela empresa é o somatório dos lançamentos contidos na coluna “CRÉDITO” da conta COFINS A PAGAR, e não o Total Conta referente ao “SALDO C/D”. Portanto, a alegação da impugnante, que é repetida no recurso, não se trata, a princípio, de se proceder à compensação de créditos de titularidade da contribuinte (proveniente de pagamento indevido ou a maior), ou mesmo de compensar eventuais pagamentos a maior que porventura tenha feito em períodos diversos ao longo do período fiscalizado, mas sim, de considerar os créditos a que teria direito em virtude da sistemática da não cumulatividade (registrados na coluna “DÉBITOS” da citada conta contábil), inaugurada pela Lei nº 10.833/03, e que já estava vigente a partir dos períodos de apuração de fevereiro de 2004, e já escriturados na respectiva conta COFINS A PAGAR. Outrossim, deverseia verificar o impacto do saldo inicial da conta no final e início de cada período de apuração. E igualmente não se vislumbrou, pela documentação por ela trazida com a impugnação, que houvera a “baixa contábil” dos saldos de COFINS a pagar, quando a empresa realizasse um pagamento, de modo que o saldo a pagar no final de um período, é exatamente o saldo inicial do mês subsequente, o que, por certo, pode interferir nos valores considerados como sendo uma parte importante na análise dos fatos geradores que vieram a ser posteriormente lançados. É extreme de dúvidas que a impugnação apresentada, com a farta documentação por ela trazida, poderia ter sido mais específica e direta com relação a articulação jurídico tributária dos seus conteúdos, de modo a estabelecer a premissa e o “mecânica contábil” da empresa, com relação aos débitos a pagar de COFINS. Nisso agiu com acertada conclusão a decisão recorrida. Faltara, sem dúvidas, aprofundamento de ordem contábil e fiscal para o sujeito passivo, para respaldar, explorar e demonstrar que sua alegação de pagamento, estaria efetivamente comprovada pela documentação apresentada. Porém, essa insuficiência de traquejo com as questões contábeis e fiscais, não podem por si só justificar a manutenção de um lançamento tributário, se dúvidas ainda persistirem quanto a efetiva ocorrência do fato gerador ou mesmo da dimensão da sua base de cálculo. Assim, pela análise da documentação fornecida pela impugnante, e que veio ainda somada a mais documentos por ocasião do recurso (os quais, aparentemente, não inovam as informações que se poderia extrair dos documentos já juntados), tenho que o feito não se encontra em condições de receber um julgamento justo. Consequentemente, no intuito de melhor instruir os autos para formação de convicção final sobre o assunto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a Autoridade Preparadora tome as seguintes providências: Fl. 3DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.0121.09270.2WPW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.001868/200900 Resolução n.º 3402000.368 CSRFT3 Fl. 4 4 1 – Intime o sujeito passivo a apresentar cópia autenticada do DARF relativo ao recolhimento da contribuição referente ao período de apuração de abril de 2004, pois que o documento que se encontra digitalizado nos autos, não está completamente legível; 2 – Verifique se, ao ser elaborado o “Cotejo de Informações” e também o próprio Lançamento, foram considerados os registros contábeis do contribuinte, especialmente se o valor contabilizado pela empresa com sendo COFINS A PAGAR, foram resultado do somatório dos lançamentos contidos na coluna “CRÉDITO”, considerando ou não os registros referentes a coluna “DÉBITOS”, ou ainda, se foram considerados os valores referentes ao “SALDO C/D”. Verifique, ainda, se nessa conta corrente há impacto do saldo inicial da conta no final e início de cada período de apuração, e os reflexos desta conclusão nos registros contábeis; 3 – Verifique se, analisando os Livros Razão e Diário (se o caso) do sujeito passivo, os valores registrados nas “Listagens do Razão”, dos meses de Abril de 2004 até o último período de apuração objeto do lançamento, em ambas as colunas (“Crédito” e “Débito”), tem existência contábil e fiscal, respaldados pelos documentos societários e fiscais do contribuinte, atestando, ainda, se os valores lançados nas Colunas de “Débito” (que diminuem o valor da conta COFINS A Pagar), concedem o direito a crédito da COFINS durante a vigência da não cumulatividade; 4 – Verifique se, ao ser efetuado um recolhimento (ou compensação devidamente comprovada), se o mesmo é refletido na referida conta contábil, afetando ou não os saldos inicial e final de cada período de apuração; 5 – Verifique se, analisando os Livros Razão e Diário (se o caso) do sujeito passivo, bem como a partir do resultado da análise das Listagens do Razão e das respostas as questões acima, os valores objeto das apurações de COFINS de todos os períodos lançados no Auto de Infração, foram corretamente refletidos na DACON e/ou na DCTF, e se foram ou não objeto de recolhimento nos respectivos DARF’s; 6 A partir das verificações acima e dos documentos acostados aos autos e outros obtidos junto ao contribuinte, se necessário, identificar se houve falta ou insuficiência de pagamento, ou ainda, se houve pagamento a maior de COFINS, reportando referida análise em todos os Períodos de Apuração objeto do Auto de Infração, que estejam respaldados em documentos societários e contábeis que demonstrem a ocorrência do fato gerador da contribuição; 7 – Ao final, manifestese, em relatório circunstanciado e conclusivo, sobre os documentos e esclarecimentos a serem apresentados e sobre as análises a serem procedidas, concedendo, em seguida, vista a Recorrente, com prazo de 30 (trinta) dias para se pronunciar, querendo, sobre o resultado da diligência, sendo que, após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento. É como voto. (Assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Fl. 4DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.0121.09270.2WPW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.001868/200900 Resolução n.º 3402000.368 CSRFT3 Fl. 5 5 Fl. 5DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.0121.09270.2WPW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR em 11/03/2012 21:14:51. Documento autenticado digitalmente por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR em 11/03/2012. Documento assinado digitalmente por: NAYRA BASTOS MANATTA em 20/05/2012 e JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR em 11/03/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 18/01/2021. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP18.0121.09270.2WPW Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 522D3849FBF1F116B10A1CD6B00A6D3882D70E5A Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 19515.001868/2009-00. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 13308.000194/2001-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3402-000.458
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado por unanimidade de votos em converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
Nome do relator: JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR
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RESOLVEM os membros do Colegiado por unanimidade de votos em converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), João Carlos Cassuli Junior (Relator), Mário César Fracalossi Bais (Suplente), Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Silvia de Brito Oliveira, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 33 08 .0 00 19 4/ 20 01 -2 0 Fl. 608DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.0121.10027.X3U3. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13308.000194/200120 Resolução nº 3402000.458 S3C4T2 Fl. 397 2 Relatório Versa este processo de Pedido de Ressarcimento de Crédito de IPI mantidos conforme previsão no art. 5º do DecretoLei nº 491/69 nos valores originários de: R$ 8.943,96 (oito mil, novecentos e quarenta e três reais e noventa e seis centavos) referente ao mês 01/1997; R$ 6.371,66 (seis mil, trezentos e setenta e um reais e sessenta e seis centavos) referente ao mês 02/1997; e R$ 5.797,65 (cinco mil, setecentos e noventa e sete reais e sessenta e cinco centavos) referente ao mês 03/1997. De acordo com a fiscalização realizada no estabelecimento da Recorrente, foi afastada a procedência do pedido de ressarcimento quanto à regularidade da escrituração, bem como em relação ao montante do creditamento postulado. Ainda, identificouse que o pedido deixara de satisfazer os requisitos formais da legalidade, conformado aos atos normativos da SRF e à legislação aplicável ao pleito da Recorrente e foi detectado ser o creditamento inaplicável, de acordo com os fundamentos comprobatórios do processo industrial e correspondentes notas fiscais constantes dos autos. Nestes termos, foi indeferido o Pedido de Ressarcimento e, por consequência, não homologadas as compensações a ele vinculadas. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do lançamento em 11/05/2006, conforme documento postal de fls. 196, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 199/219), aduzindo essencialmente o seguinte, conforme relato da DRJ/BEL, que adoto: a) Vários fatos ocorridos no curso do procedimento fiscal induziriam ofensa ao seu direito de defesa. Aponta que a fiscalização, com o mero propósito de prejudicála, relacionou no Termo de Verificação Fiscal processos que não constavam do respectivo Termo de Início; b) A matéria referente ao aproveitamento do saldo credor de IPI é de simples aplicação, sendo que foram disponibilizados à fiscalização, a partir de dados retirados dos controles de estoque e livros fiscais existentes, quadros demonstrativos de exportação e movimentação contábil dos insumos com base na legislação pertinente e nos quadros demonstrativos apresentados, o que a fiscalização deveria ter verificado era: se as MP, PI e ME foram tributados pelo IPI; se tais aquisições amparavamse em documentos fiscais hábeis, idôneos e se estavam devidamente registradas nos livros fiscais; se os insumos comprados pela empresa foram aplicados na fabricação de seu produto; e se no livro de apuração do IPI consta a apuração do crédito solicitado; c) O Termo de Verificação foi elaborado em uma suposta análise de documentos e livros referentes ao período de 1999 a 2001, sendo que o pedido objeto do presente processo é relativo ao ano de 1997; d) Tomando em conta sua premissa de que a legislação pertinente é de fácil aplicação, sustenta não haver qualquer razoabilidade nas solicitações emanadas da fiscalização, que envolveriam milhares de documentos fiscais, cujo atendimento se fazia quase impossível no Fl. 609DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.0121.10027.X3U3. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13308.000194/200120 Resolução nº 3402000.458 S3C4T2 Fl. 398 3 prazo concedido, pelo que sustenta que o agente fiscal tinha certeza que a empresa não teria condições de atender às solicitações, no formato pedido, sendo que “sua intenção era alegar improcedentes os pedidos da contribuinte, mesmo antes de iniciarse a verificação fiscal”; e) Acresce que disponibilizou todas as notas fiscais de compras e de vendas; os livros fiscais de entradas e saídas de mercadorias; os livros de inventários; os documentos de exportação; os livros razões e diários; bem como as fichas técnicas de produção que serviriam de base para a confecção das fichas de custos dos materiais utilizados, em cada modelo fabricado, documentos os quais seriam “mais que suficientes para confirmar as exportações realizadas, bem como a aquisição dos insumos utilizados na sua produção”. Observa, ainda, que mesmo que tivesse condições de atender às informações requeridas, a fiscalização “levaria décadas para analisála”, indicando que, em caso de dúvida quanto aos insumos e respectivas quantidades utilizadas na fabricação de calçados exportados, bastaria haverse multiplicado a quantidade de calçados exportados de cada modelo, pela quantidade de insumos definidos nas fichas de custos dos materiais por modelo; f) Invoca o art. 9º, IV, do Decreto nº 2.637, de 1998 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – RIPI/1998), para asseverar que a hipótese normativa diz respeito exatamente às operações que realiza, quais sejam: idealiza os produtos finais, define os processos de industrialização, define a quantidade e qualidade dos materiais a serem utilizados na produção, adquire todos os insumos e os remete a outras empresas para industrialização. Dessa forma, afirma que nas vendas para o mercado interno dos produtos finais, se tributáveis, a responsável pelo pagamento do IPI é a contribuinte, não as empresas que realizaram o beneficiamento do couro ou de qualquer outra industrialização. Assim, os créditos sobre os insumos, também, pertencem à contribuinte; g) Registra que o não reconhecimento do direito líquido e certo do saldo credor de IPI causará um total desequilíbrio em seu fluxo de caixa, uma vez que na formação do preço final de venda dos seus produtos foram deduzidos os valores relativos ao ressarcimento pleiteado. Ademais, requer seja a decisão recorrida reformada e sejam homologadas as compensações com suas devidas atualizações. Requer ainda perícia para constatar a veracidade dos documentos e cálculos relativos às aquisições de insumos, exportações e todo o mais para comprovar o direito ao saldo credor de IPI. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise aos argumentos sustentados pelo sujeito passivo em sua defesa, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belém/PA (DRJ/BEL), houve por bem em considerar improcedente a impugnação apresentada, proferido Acórdão nº. 019.750, ementado nos seguintes termos: Fl. 610DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.0121.10027.X3U3. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13308.000194/200120 Resolução nº 3402000.458 S3C4T2 Fl. 399 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 IPI. SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. LIQUIDEZ E CERTEZA. A ausência de provas nos autos que indiquem a certeza e a liquidez do crédito pleiteado, impõe o indeferimento do pleito. JUROS COMPENSATÓRIOS. RESSARCIMENTO. Descabe a incidência de juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 PEDIDO DE PERÍCIA. Deve ser indeferido o pedido de perícia, quando for prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. Solicitação Indeferida. Em apertada síntese a DRJ competente para o julgamento entende que o contribuinte não logrou êxito em comprovar as suas alegações, o que leva ao indeferimento do pedido. Expõe ainda que a realização de perícia somente é necessária quando o julgador não tiver sua convicção firmada, mas tratase de deliberação do próprio julgador. DO RECURSO Cientificado do Acórdão supracitado em data que não se pode afirmar, devido à ausência de Aviso de Recebimento, conforme informação de fls. 290, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 267/289) em 08/02/2008, ratificando os argumentos levantados na Manifestação de Inconformidade e ao final, requer a conversão do julgamento em diligência, a fim de que se apure a forma com que os insumos foram adquiridos e se estão devidamente escriturados, o processo produtivo e também para averiguar os procedimentos de exportação dos produtos produzidos pela Recorrente. DA DILIGÊNCIA Em data de 10/07/2009, durante sessão de julgamento da 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 2ª Seção de Julgamento, por meio da Resolução nº 340200.026, converteuse o julgamento em diligência para que a fiscalização se pronuncie acerca do cumprimento de cada um dos requisitos previstos na Lei nº 9.363/96, para a fruição do benefício discutido, respondendo, objetivamente, se, à vista dos documentos fiscais e escrita fiscal e contábil da Recorrente, é possível, para o período de apuração de que tratam os autos: a) calcular o valor total das aquisições de MP, PI e ME, e; b) apurar as receitas operacionais bruta e de exportação. DA DISTRIBUIÇÃO Cumprida a diligência determinada pela 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 2ª Seção de Julgamento do CARF, foi o processo distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 02 (dois) Volumes, numerados até a folha 395 (trezentos e noventa e cinco), estando apto para Fl. 611DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.0121.10027.X3U3. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13308.000194/200120 Resolução nº 3402000.458 S3C4T2 Fl. 400 5 análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. Antes de adentrar na abordagem das matérias ventiladas no processo, cumpre observar que os autos voltaram de diligência, a qual, após realizada, não foi cientificada para manifestação do sujeito passivo, após sua conclusão, o que, a meu ver, importa em cerceamento do direito de defesa do contribuinte. Adentrando, então, nas questões do processo, penso que, primeiramente, cumpre chamar o processo à ordem, salientando que estes autos tratam de Pedido de Ressarcimento de créditos de IPI, incidente sobre insumos utilizados na exportação, nos meses de janeiro a março de 1997, com fundamento no art. 5º do DecretoLei nº 491/69, conforme julgou a DRJ em sessão realizada em data de 14 de novembro de 2007, e não de ressarcimento de créditos presumidos de IPI, como ressarcimento das contribuições ao PIS e á COFINS, previsto no art. 1º, da Lei nº 9.363/96, conforme acabou por indicar a diligência solicitada pela 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 2ª Seção de Julgamento, em seção realizada no dia 10 de julho de 2009. Desta forma, a diligência proposta por aquela Turma do CARF, que agora retorna para julgamento, não se presta à comprovar as alegações contidas nos autos, já que a diligência proposta se encontra desajustada à matéria tratada nos autos. Analisando, porém, o processo a luz dos fatos e documentos que efetivamente fazem parte do litígio, vislumbro que o sujeito passivo pleiteia o ressarcimento de créditos mantidos conforme previsão contida no art. 5º, do Decretolei nº 469/69, vazado nos seguintes termos: “Art. 5º É assegurada a manutenção e utilização do crédito do IPI relativo às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem efetivamente utilizados na industrialização dos produtos exportados.” Tenho, consequentemente, que os requisitos para que haja o direito á utilização (via ressarcimento e/ou compensação), são os mesmos que se aplicam ao creditamento de créditos ditos “básicos” de IPI, destacados nos documentos fiscais de aquisição de MP, PI e ME empregados, efetivamente, no processo industrial do contribuinte do qual resulte produtos destinados à exportação. Compulsando os autos, verificase que o sujeito passivo instruiu o Pedido de Ressarcimento referente ao mês de janeiro de 1997 (fl. 01) com cópias das folhas dos Livros de Apuração de IPI, das páginas referentes às saídas (fl. 10) e às entradas (fl. 11), sendo que quanto ao mês de fevereiro de 1997 (fl. 13) acostou as mesmas referidas páginas de Registro de IPI de entradas e saídas (fls. 14 e 15), e, do mesmo modo, quanto ao mês de março de 1997 (fl. 17), com os Registros de Saídas (fl. 18) e de Entradas (fl. 19). Fl. 612DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.0121.10027.X3U3. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13308.000194/200120 Resolução nº 3402000.458 S3C4T2 Fl. 401 6 Na parte que diz respeito ao indeferimento ao ressarcimento dos créditos debatidos nestes autos, colhese da decisão da DRF: “Como já vimos, na Fiscalização iniciada em 22.02.2001 e encerrada em 22.10.2002 – MPF Nº: 200100.0345, que examinou Pedidos de Ressarcimento de Crédito Presumido (Lei 9.363/96 e Portaria MF 38/97) e Pedidos de Ressarcimento de IPI (art. 11, Lei 9.779/99 e IN/IN/SRF 033/99), verificamos procedimentos de emissão e registro de documentos e livros fiscais, pelo estabelecimento industrial, que impossibilitam a aplicação das legislações do Crédito Presumido – IPI (Lei 9.363/96 e Portaria MF 38/97) e do Ressarcimento – IPI previsto no art. 11 da Lei 9.779 e IN/SRF 033/99, o cálculo dos valores de créditos pleiteados; em 27 de novembro de 2003, nesta Ação Fiscal, como também já vimos, solicitamos que o Interessado “confirmasse, ou não, nos seus aspectos qualitativo e quantitativo, se, até setembro/2002, mantiveramse, total ou parcialmente, inalterados os procedimentos de emissão e registro de documentos e livros fiscais do estabelecimento industrial, verificados pela fiscalização, o que foi confirmado em resposta ao Termo de Início de Fiscalização, recebido em 27.11.2003. A impossibilidade de aplicação da legislação das legislações do Crédito Presumido – IPI e do Ressarcimento – IPI, como acabamos de constatar, tem origem no fato de que o interessado não vem sendo capaz de apresentar os documentos hábeis comprobatórios do processo industrial a que teriam sido submetidos os insumos, que teriam, segundo alega, dado origem a produtos saídos de seu estabelecimento industrial e, segundo ainda alega, exportados, ora, de acordo com a legislação acima citada, haja vista o fato exposto, concluímos que, pelos mesmos motivos, permanece também impossibilitada, no interessado, a aplicação do Decretolei nº 491/69, artigo 5º, de 5 de março de 1969, e da Lei nº 8.402/92, artigo 1º, inciso II.” Com se vê, o indeferimento do ressarcimento está calcado na suposta ausência de “documentos hábeis comprobatórios do processo industrial a que teriam sido submetidos os insumos, que teriam, segundo alega, dado origem a produtos finais saídos do seu estabelecimento industrial e, segundo ainda alega, exportados”. Como o procedimento fiscal teve por objeto diversos pedidos de ressarcimento, fundados tanto no art. 5º do DL 491/69 (aqui tratado), no art. 11, da Lei nº 9.779/98 e no art. 1º, da Lei nº 9.363/96, acabou aplicando, na essência, a mesma fundamentação para todos os pleitos. É dizer: para todos os pleitos, a ausência de provas do processo industrial e da exportação, foram determinantes para o indeferimento dos ressarcimentos, e, aqui, igualmente foi aplicado o mesmo critério. Tenho, todavia, que o contribuinte logrou comprovar, ao menos de forma parcial, que efetivamente adquiriu insumos (MP, PI e ME), com incidência de IPI, conforme demonstrariam as folhas dos Livros de Apuração do IPI, especificamente nas páginas das “Entradas” (acima citadas), assim como escriturou suas operações de venda do produto acabado, como comprovam, ao menos por indício, as páginas destacadas do Registro de Apuração do IPI, especificamente as páginas das “Saídas” (acima elencadas). Assim, tenho que o que era necessário aquilatar, antes de mais nada, se os documentos fiscais de aquisição de insumos preenchem todos os requisitos legais, sendo Fl. 613DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.0121.10027.X3U3. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13308.000194/200120 Resolução nº 3402000.458 S3C4T2 Fl. 402 7 corretamente refletidos nos livros de Apuração do IPI do qual se extraíram as páginas juntadas aos Pedidos de Ressarcimento, assim como, deveria ser constatado se os registros das vendas, igualmente constantes do Livro Registro de Apuração do IPI nas páginas das Saídas, correspondem a operações que destinam os produtos acabados ao exterior. Compete dizer, ainda, que não há dúvidas que houveram as exportações, assim como, ainda que sob a modalidade de “industrialização por encomenda”, ocorreu a atividade industrial capitaneada pela Recorrente, que, por tal razão, preenche os requisitos para qualificarse como estabelecimento industrial, próprio ou por equiparação, nos termos do art. 4º, inciso III, da Lei nº 4.502/64. Disto decorre que o fato da Recorrente ter afirmado, quando instada a descrever seu processo industrial, que desenvolvia grande parte de sua atividade industrial através de terceirizados, industrializadores sob sua responsabilidade e por sua encomenda, não a desvirtuaria, a priori, de se tratar efetivamente de uma indústria produtora de produtos nacionais, do que decorre que os insumos por ela adquiridos, lhes geram o direito ao crédito de IPI, assim como as saídas lhe colocam na condição de contribuinte do imposto. Assim sendo, entendo que a diligência a ser realizada não era, especificamente aquela determinada no pronunciamento anterior egresso do Conselho de Contribuintes, mas sim, aqueles procedimentos tendentes em aferir se os Livros Registros de Apuração do IPI estão respaldados em escrituração empresarial e fiscal coerente, ou seja, se coincidem com os registros que devem existir nos Livros Registro de Entradas de Mercadorias, Movimentação de Estoque e de Saída de Mercadorias. E mais, deveria constatar se tais cópias coincidem com as versões originais dos Livros, inclusive com termos de abertura e encerramento e, se o caso, com registro perante o Órgão de Registro competente. Além disso, deve verificar se as Notas Fiscais escrituradas nos citados Livros tem efetivamente o destaque do IPI, se efetivamente diziam respeito a aquisições de MP, PI e ME para utilização no processo produtivo da Recorrente, e, por fim, se o produto final fora por ela exportado, através da verificação da autenticidade de seus memorandos e demais documentos de exportação. Se houver efetivamente alguma irregularidade no processo industrial ou desvio de insumos ou de produtos acabados, deverá ser efetivamente demonstrado pela Fiscalização, como forma de eventualmente infirmar os documentos acima referenciados, através de provas que, nesse caso, por se tratar de fato impeditivo do direito do “autor” (contribuinte), incumbe á Administração. Assim sendo, entendo que o processo ainda não se encontra em condições de receber um julgamento justo, pelo que voto no sentido de novamente convertêlo em diligência, para que a Autoridade Preparadora adote as providências acima referenciada, emitindo Relatório circunstanciado da Diligência, oportunizando em seguida, vista a Recorrente para que se manifeste sobre as conclusões atingidas, querendo, remetendo os autos a esta Câmara para prosseguimento no julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 614DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.0121.10027.X3U3. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR em 23/11/2012 16:51:23. Documento autenticado digitalmente por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR em 23/11/2012. Documento assinado digitalmente por: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO em 25/01/2013 e JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR em 23/11/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 18/01/2021. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP18.0121.10027.X3U3 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 36387E088C84FB0BE796FBC6D0FD9114DC0187FB Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 13308.000194/2001-20. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10925.000358/2009-19
Data da sessão: Fri Oct 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
RECURSO VOLUNTÁRIO. JULGAMENTO. COMPETÊNCIA.
Cabe às Turmas Ordinárias processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância em processos que excedem o valor de alçada das turmas especiais.
Numero da decisão: 3803-002.052
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por se tratar de valor superior ao limite de alçada das turmas especiais do CARF.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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JULGAMENTO. COMPETÊNCIA. Cabe às Turmas Ordinárias processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância em processos que excedem o valor de alçada das turmas especiais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por se tratar de valor superior ao limite de alçada das turmas especiais do CARF. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Fl. 1DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0420.17507.7B5V. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 O presente processo versa sobre Pedido de Ressarcimento de Créditos da Cofins, cumulado com declaração de compensação, tendo como saldo disponível para ressarcimento o valor de R$ 2.767.996,45, referente a créditos da Cofins não cumulativa, decorrentes de operações no mercado externo do 1° trimestre de 2007. Submetido o pedido à apreciação da repartição de origem, reconheceuse parcialmente o direito creditório pleiteado, não tendo sido acatados os créditos relativos a (i) mercadorias para revenda adquiridas de pessoas físicas, (ii) aquisições de bens e serviços não enquadrados com insumos, (iii) gastos com transporte de produtos entre filiais, classificados pela cooperativa como despesas de armazenagem de mercadorias e frete na operação de venda (iv) crédito presumido decorrente de atividades agroindustriais, (v) crédito presumido relativo a estoque de abertura e (vi) créditos a descontar na importação. Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reforma da decisão prolatada, a produção de todas as provas em direito admitido, a recepção da peça recursal com efeitos suspensivo e devolutivo, bem como que fosse determinada a aplicação da taxa Selic entre a data do pedido de restituição até a data da completa satisfação do crédito, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte. a) em relação à glosa dos créditos referentes a mercadorias para revenda, adquiridas de pessoas físicas, houve equívoco na apropriação dos créditos; b) a necessidade de reconhecimento do crédito presumido relativo às aquisições de animais para reprodução; c) na decisão recorrida, considerouse o conceito de insumo de forma restrita, sendo que, de acordo com o art. 3° da Lei n° 10.833/2004, todas as aquisições de bens e serviços utilizados diretamente na fabricação de produtos destinados à venda gerariam direito ao crédito; d) em relação às peças de reposição de máquinas e equipamentos, existiria direito à compensação baseado na similaridade com os créditos decorrentes de depreciação de máquinas, combustíveis e lubrificantes e energia consumida, sendo anexado solução de consulta; e) em relação às aquisições de caixas de papelão e etiquetas, seria equivocada a afirmação de que esses materiais teriam sido utilizados no acondicionamento para transporte, pois o material utilizado nas embalagens teria por finalidade garantir a proteção adequada ao produto para minimizar a contaminação, prevenir danos e acomodar o rótulo; f) no que tange às aquisições de material de segurança, produtos de conservação e limpeza e bens destinados à manutenção predial, tratarseia de insumos, sendo que, no caso de equipamentos de proteção individual, eles seriam obrigatórios nos termos da NR 6 e 8; g) quanto à aquisição de ovos incubáveis, não se teria remuneração de serviço prestado por pessoa física; h) adota o modelo de produção de agroindústria integrado ou verticalizado, em que, por meio de contrato de parceria, fornece ao produtor rural lotes de matrizes poedeiras e ou reprodutores de suínos, lotes de pinto de um a dois dias de vida, assim como leitões, sendo que a parcela pertencente ao parceiro produtor, após apurada a sua participação no lote, normalmente é vendida para a empresa. A parcela recebida pelo parceiro produtor corresponde Fl. 2DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0420.17507.7B5V. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10925.000358/200919 Acórdão n.º 380302.052 S3TE03 Fl. 1.398 3 à sua quota no lote de ovos produzidos para incubação, que foi vendida a empresa, não se tratando de remuneração paga à pessoa física e sim de compra e venda de ovos para incubação. i) o frete incidente sobre as transferências de uma unidade produtora para outra unidade produtora deve ser considerado insumo de produção; j) na granja de aves são produzidos ovos, que é um produto semiacabado para o incubatório. No incubatório são produzidos pintos de um dia que é um produto semi acabado para o produtor. No estabelecimento do produtor são produzidas aves terminadas que é um produto semiacabado para o abatedor. E o processo se encerra apenas no estabelecimento industrializador, de onde sai o produto acabado para o estabelecimento comercial; k) em relação aos dispêndios com frete de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa, para fins de comercialização, é possível o creditamento; l) tanto os créditos ordinários com o os presumidos se vinculariam à forma dos créditos estabelecida pelo art. 3° das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, sendo passíveis de compensação com outros tributos, ou de ressarcimento em espécie; m) desrespeito da norma constitucional que veda a incidência das contribuições sobre as receitas de exportação; n) o crédito presumido do PIS e da Cofins constitui forma de subvenção, espécie de estímulo financeiro, para reduzi ro impacto tributário existente sobre a produção. o) no tocante às aquisições de milho inteiro e quebrado, deverseia, de igual modo, ser reconhecido o direito ao crédito presumido tendo por base o percentual de 60%, em razão de que tais insumos são destinados à alimentação de aves e suínos; p) nos termos expostos pelo Ministro José Delgado no RESP n° 1.005.598/RS, o crédito da Cofins não cumulativo deve ser calculado com base na alíquota utilizada para quantificar o débito da Cofins, isto é, 7,6%, enquanto àquelas aquisições feitas anteriormente ao período sob análise, deve ser apropriado o crédito de 3%, em consonância com o que dispunha a legislação da Cofins cumulativa. A DRJ Florianóplis/SC julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores, aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou Fl. 3DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0420.17507.7B5V. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS DE DESPESAS COM EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO. Despesas efetuadas com o fornecimento equipamentos de proteção aos empregados, adquiridos de outras pessoas jurídicas ou fornecido pela própria empresa, não geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por não se enquadrarem no conceito de insumos aplicados, consumidos ou daqueles que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida no processo de fabricação ou na produção de bens destinados à venda. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS DE DESPESAS COM PEÇAS DIVERSAS PARA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. As peças para manutenção de máquinas e equipamentos, para que possam ser consideradas como insumos, permitindo o desconto do crédito correspondente da contribuição, devem ser consumidas em decorrência de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação/beneficiamento REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS DE DESPESAS COM FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. Por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados para as transferências de mercadorias (produtos acabados ou em elaboração) entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram direito a créditos da Cofins e da Contribuição ao PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIAS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Os créditos presumidos da agroindústria somente podem ser aproveitados como dedução da própria contribuição devida em cada período de apuração, não existindo previsão legal para que se efetue o seu ressarcimento. Fl. 4DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0420.17507.7B5V. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10925.000358/200919 Acórdão n.º 380302.052 S3TE03 Fl. 1.399 5 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. COOPERATIVAS DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. ESTOQUE DE ABERTURA. As alíquotas para o cálculo do crédito presumido sobre o estoque existente em 31 de julho de 2004 são de 0,65% para a Contribuição para o PIS/PASEP e de 3% para a Cofins. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL. De acordo com o disposto nos arts. 13 e 15 da Lei n° 10.833, de 2003, não incide atualização monetária sobre créditos de COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP objeto de ressarcimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Não satisfeito, o contribuinte recorre a este Conselho e reitera seus pedidos, repisando os mesmos argumentos. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Considerando (i) que a competência das turmas especiais fica restrita ao julgamento de recursos em processos de valor inferior ao limite fixado para interposição de recurso de oficio pela autoridade julgadora de primeira instância, nos termos do § 2º do art. 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF; (ii) que esse valor está fixado atualmente em R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), e (iii) que o valor original do ressarcimento da Cofins nãocumulativa deste processo é de R$ 2.767.996,45 (dois milhões, setecentos e sessenta e sete mil, novecentos e noventa e seis reais e quarenta e cinco centavos), voto pelo não conhecimento do recurso de ofício, declinandose a competência para seu julgamento às turmas ordinárias da 3ª Câmara desta 3ª Seção. É como voto. Fl. 5DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0420.17507.7B5V. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator Fl. 6DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0420.17507.7B5V. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10925.000358/200919 Acórdão n.º 380302.052 S3TE03 Fl. 1.400 7 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 10925.000358/200919 Interessada: COOPERATIVA CENTRAL OESTE CATARINENSE Encaminhemse os presentes autos à SESEJ/3ª Seção, tendo em vista que o presente processo referese a pedido de ressarcimento de valor superior ao limite de alçada das turmas especiais, nos termos do Acórdão no 380302.052, de 07 de outubro de 2011, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção. Brasília DF, em 07 de outubro de 2011. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 7DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0420.17507.7B5V. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por HELCIO LAFETA REIS em 10/10/2011 09:21:51. Documento autenticado digitalmente por HELCIO LAFETA REIS em 10/10/2011. Documento assinado digitalmente por: HELCIO LAFETA REIS em 10/10/2011 e ALEXANDRE KERN em 10/10/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 11/04/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP11.0420.17507.7B5V Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 36D7B7C3564A3556FEA103AF877479B2D37BBEA4 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10925.000358/2009-19. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 16682.900049/2017-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 13 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Nov 05 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL)
Ano-calendário: 2010
IRRF. FONTES PAGADORAS. RETENÇÃO NÃO COMPROVADA.
Restando não comprovadas as retenções de imposto, mantida a glosa promovida na instância de piso.
Numero da decisão: 1401-005.868
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1401-005.867, de 13 de setembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 16682.901574/2016-81, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, Daniel Ribeiro Silva, Barbara Santos Guedes (suplente convocada), Andre Luis Ulrich Pinto e Andre Severo Chaves.
Nome do relator: Cláudio de Andrade Camerano
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Ano-calendário: 2010 IRRF. FONTES PAGADORAS. RETENÇÃO NÃO COMPROVADA. Restando não comprovadas as retenções de imposto, mantida a glosa promovida na instância de piso. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1401-005.867, de 13 de setembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 16682.901574/2016-81, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, Daniel Ribeiro Silva, Barbara Santos Guedes (suplente convocada), Andre Luis Ulrich Pinto e Andre Severo Chaves. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Por bem descrever a situação originária do litígio, inicio transcrevendo o relatório da decisão de piso: Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 00 49 /2 01 7- 29 Fl. 167DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-005.868 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.900049/2017-29 Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório relativo à Dcomp nº 12599.57037.200612.1.3.04- 6463 e nº 07626.35014.200712.1.3.04-2851, transmitida para compensar débitos com crédito original declarado no valor total de R$ 1.177.204,27, em função de alegado pagamento a maior no valor relativo ao DARF de valor total R$ 16.688.978,59, código de receita 6758, referente ao PA 31/12/2010, recolhido em 31/01/2011. Em [...], por meio de Despacho Decisório, a autoridade tributária não homologa as supracitadas declarações sob a seguinte fundamentação: “O crédito associado ao DARF acima identificado foi objeto de análise em PER/DCOMP anteriores que referenciam o mesmo pagamento, cuja decisão concluiu pela inexistência de crédito remanescente para utilização em novas compensações ou atendimento de pedidos de restituição”. Em Informações Complementares da Análise do Crédito, consta que em face da existência de auto de infração de CSLL para o ano-calendário 2010, ainda não definitivamente julgado, conforme processo 16682.721151/2013-36, o crédito não foi reconhecido. [...], a contribuinte toma ciência do referido despacho decisório e protocola manifestação de inconformidade para pleitear a revisão do despacho decisório, sob as seguintes alegações: “O cerne da controvérsia é, portanto, a pendência de julgamento definitivo de processo fiscal administrativo deflagrado após a transmissão da declaração de compensação da empresa. [...], à época da transmissão da declaração de compensação do Banco, em [...], não havia qualquer indício de ação fiscal tendente a verificar a CSLL do ano-calendário 2010. Verifica-se, que precedentemente à emissão do despacho decisório ora contestado, o Banco de Investimento comprovou à Divisão de Fiscalização (DIFIS) daquela Delegacia de Maiores Contribuintes, a existência do direito creditório objeto da referida declaração de compensação por meio de esclarecimentos sobre o pagamento a maior de CSLL do ano base 2010, bem como documentos contábeis e fiscais que os fundamentam, via resposta à requisição fiscal - Ofício Contadoria/Getri/Refic n° [...] [...] Ressalte-se, ainda, que a origem do crédito utilizado pela Empresa decorre do pagamento a maior de CSLL, código 6758, em função do recolhimento efetuado via Darf e da dedução da Contribuição Social retida na fonte no valor de [...] conforme DCTF retificadora, não decorrente, portanto, da dedução de ágio, que é a matéria tratada no processo administrativo n° 16682.721151/2013-36. Fl. 168DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-005.868 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.900049/2017-29 Não obstante a RFB sustentar o fato de que há processo fiscal pendente de julgamento, o qual justificaria o não reconhecimento do crédito do Banco, a declaração de compensação da Empresa foi transmitida [...] em data anterior à ciência da Empresa no procedimento fiscal n° [...] que deu origem ao processo administrativo [...]. Porquanto, à época da transmissão da declaração de compensação do Banco, [...], não havia qualquer indício de ação fiscal tendente a verificar a CSLL do ano-calendário 2010. Destarte, é direito da empresa compensar eventuais créditos apurados com débitos próprios vencidos ou vincendos, em conformidade às disposições do art. 41° da IN 1.300/2012 e art. 170 do Código Tributário Nacional, sobretudo pelo recente posicionamento da Receita Federal, que de acordo com as alterações promovidas pela IN 1.618/2016, retirou do texto da IN 1.300/2012, o impedimento que antes havia quanto à impossibilidade de compensação de créditos que estivessem sob procedimento fiscal, conforme art. 41, § 3o, inciso XV da IN 1.300/12. Nesse passo, a própria Autoridade Fiscal tratou da edição de normativo acerca da formalização de processos administrativos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, consubstanciado na Portaria RFB n° 354, de 11/03/2016, enunciando-se a unificação de processos no âmbito da RFB que tenham por base o mesmo crédito ou nos mesmos elementos de prova, devendo-se, inclusive, os autos serem juntados por apensação nas hipóteses em que relaciona, nos termos dos artigos 2º e 3º da referida Portaria (anexo 5). A manifestante solicita que seja acolhida sua Manifestação de Inconformidade para declarar a homologação integral das DCOMPs referidas no presente processo”. A decisão recorrida reconheceu em parte o direito creditório, conforme destaque da ementa: Voto A manifestação de inconformidade é tempestiva e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, assim dela se conhece. Como afirma a interessada, o cerne da controvérsia reside na questão de a análise do direito creditório ser ou não prejudicada quando, em momento posterior à declaração de compensação ou pedido de restituição, a contribuinte sofre autuação referente a mesmo tributo e ano-calendário. É forçoso reconhecer que não há impedimento a qualquer contribuinte de pleitear a compensação de débitos com crédito decorrente de suposto pagamento a maior, ainda que posteriormente à sua declaração seja autuada em relação ao mesmo tributo e ano-calendário. Qualquer Fl. 169DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-005.868 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.900049/2017-29 contribuinte pode declarar a compensação de seus débitos com crédito que porventura entenda possuir [...]. No presente caso, a autoridade tributária autuante, quando da reapuração da CSLL para o ano-calendário 2010, conforme informação do Termo de Verificação Fiscal que faz parte do processo nº 16682.721151/2013-36, utilizou-se de informações constantes na DIPJ 2011 original [...] Com efeito, antes da lavratura do auto de infração de CSLL, a interessada já havia transmitido DCOMPs utilizando-se do DARF que lastreia o crédito objeto da compensação em análise. Deste modo, em princípio, independentemente do resultado do processo nº 16682.721151/2013-36 pelo qual tramita a impugnação da autuação, entendo que seria possível o reconhecimento do direito creditório com base na análise do crédito. Entretanto, a autoridade tributária que não homologou a compensação declarada o fez por afirmar que o pagamento a maior ainda poderia ser utilizado no processo da autuação. “Ainda que o crédito em questão não tenha sido usado pela fiscalização para reduzir o lançamento de ofício, certo é que, no presente caso, como o auto de infração ainda está em julgamento administrativo, ainda resta ao CARF a possibilidade de revisar o lançamento, com o aproveitamento do recolhimento do mesmo tributo e do mesmo período, efetuado pelo contribuinte em 31/01/2011. Desta forma, impõe-se o não-reconhecimento do crédito decorrente do pagamento a maior, para fins de compensação, o que poderia ocasionar o aproveitamento em duplicidade de tal valor pelo contribuinte, na hipótese de revisão do lançamento de ofício, em claro desrespeito ao princípio da indisponibilidade dos bens públicos.” Por oportuno, não podemos deixar de observar a situação do processo nº 16682.721151/2013-36. Recentemente, a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu o Acórdão nº 9101-003.005, em 8 de agosto de 2017, favorável à Fazenda Nacional. Assim, por já haver-se exaurida a tramitação do processo administrativo fiscal relativo à autuação sofrida, tem-se na esfera administrativa, o trânsito em julgado da decisão administrativa e a existência, agora exigível, de novo débito de CSLL para o ano-calendário 2010. Cumpre-nos observar que na decisão de última instância não houve qualquer determinação no sentido de que algum pagamento a maior seja aproveitado para a quitação do valor lançado. Fl. 170DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-005.868 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.900049/2017-29 Todavia, a Demac/RJO reconheceu apenas parcialmente o crédito pleiteado, conforme trecho trazido da Informação Fiscal que consta no processo relativo à autuação: “Também não foram considerados os comprovantes emitidos pelas fontes pagadoras “CR2 Empreendimentos Imobiliários S/A” e “Votorantim Cimentos Brasil S/A”, uma vez que os beneficiários constantes nos comprovantes são pessoas jurídicas distintas do contribuinte BB Banco de Investimento S/A. (grifos do julgador) Assim, caso não houvesse o lançamento de ofício pendente de julgamento, seria possível reconhecer o valor de R$ 1.433.623,67, que restou comprovado de retenção na fonte de CSLL no ano-calendário 2010.” Pelo exposto voto pela procedência parcial da manifestação de inconformidade para reconhecer o direito creditório pleiteado no valor original de R$ 1.433.623,67 e homologar a compensação declarada na(s) DCOMP nº (s) 12599.57037.200612.1.3.04-6463 e nº 07626.35014.200712.1.3.04-2851, até o limite do crédito ora reconhecido e ainda disponível. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificada da decisão recorrida, a Contribuinte interessada apresentou recurso voluntário, onde, após um breve relato do ocorrido até aqui, entendeu que a decisão recorrida deve ser reformada. Eis suas alegações neste sentido: III. DA NECESSIDADE DE RECONHECIMENTO DO VALOR INTEGRAL PLEITEADO 11. Verifica-se que o Acórdão recorrido reconheceu a existência de crédito a maior pago pela contribuinte na CSLL ano-calendário 2010, tendo em vista que a autoridade tributária atuante, quando da reapuração da CSLL, não aproveitou integralmente o montante pago de R$ 16.688.978,59, conforme se extrai do trecho abaixo reproduzido: [...] 12. De igual maneira, o Acórdão reconheceu que não houve qualquer determinação no sentido de que o pagamento a maior fosse aproveitado para a quitação do valor lançado no processo administrativo fiscal nº 16682.721151/2013-36, já transitado em julgado. 13. Contudo, o Acórdão somente julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, para compensação do valor de R$ Fl. 171DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-005.868 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.900049/2017-29 1.433.623,67 entendendo que a Demac/RJO somente constatou tal valor e que não foi o mesmo contestado na referida peça. 14. Contudo, tendo o próprio Acórdão reconhecido que houve pagamento a maior não computado e não compensado, decorrente da diferença do valor da CSLL incluída na reapuração de R$ 15.185.536,85 para a efetivamente recolhida de R$ 16.688.978,59, não há motivo para o não reconhecimento da possibilidade de compensação da diferença. 15. Alerta-se que se trata de verdadeiro dever da Administração Tributária apreciar a qualquer tempo documentos fiscais que importem na redução ou extinção de créditos tributários decorrentes de erro de fato cometidos por contribuintes, uma vez que a cobrança de débitos que podem ser corrigidos mediante análise administrativa afrontaria o interesse público. [...] IV. CONCLUSÃO 18. Em virtude do exposto, requer-se a reforma parcial da decisão de primeira instância, tão somente para reconhecer o direito creditório do BB BI no montante total do valor pago a maior (R$ 1.503.441,73), e não apenas parcialmente (R$ 1.433.623,67), na forma da fundamentação do presente recurso, procedendo-se, assim, à compensação pleiteada. É o relatório do essencial. Fl. 172DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1401-005.868 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.900049/2017-29 Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Preenchido os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, dele se conhece. Percebe-se que a autoridade fiscal autuante, na apuração do valor a ser lançado de ofício de CSLL, considerou a CSLL apurada na DIPJ e não aquela recolhida, restando por concluir que a Recorrente teria, sim, direito ao crédito pleiteado, de R$ 1.503.441,74. Consta na decisão recorrida que não foi feita e/ou determinada pelo CARF, nenhuma redução ou dedução da CSLL apurada de ofício no processo da autuação. Entretanto, no referido processo a unidade de origem reconheceu uma parte deste crédito, uma vez que apurou que a retenção na fonte de CSLL relativa ao ano calendário de 2010 foi comprovada no montante de R$ 1.433.623,67, conforme destacado na decisão recorrida: Cumpre-nos observar que na decisão de última instância não houve qualquer determinação no sentido de que algum pagamento a maior seja aproveitado para a quitação do valor lançado. Todavia, a Demac/RJO reconheceu apenas parcialmente o crédito pleiteado, conforme trecho trazido da Informação Fiscal que consta no processo relativo à autuação: “Também não foram considerados os comprovantes emitidos pelas fontes pagadoras “CR2 Empreendimentos Imobiliários S/A” e “Votorantim Cimentos Brasil S/A”, uma vez que os beneficiários constantes nos comprovantes são pessoas jurídicas distintas do contribuinte BB Banco de Investimento S/A. (grifos do julgador) Assim, caso não houvesse o lançamento de ofício pendente de julgamento, seria possível reconhecer o valor de R$ 1.433.623,67, que restou comprovado de retenção na fonte de CSLL no ano-calendário 2010.” A Recorrente requer, conforme constou em seu recurso voluntário, a integralidade do crédito pleiteado e, neste sentido, entende que bastaria o reconhecimento do recolhimento efetivado a maior. Em suas palavras finais: 14. Contudo, tendo o próprio Acórdão reconhecido que houve pagamento a maior não computado e não compensado, decorrente da diferença do valor da CSLL incluída na reapuração de R$ 15.185.536,85 para a efetivamente recolhida de R$ 16.688.978,59, não há motivo para o não reconhecimento da possibilidade de compensação da diferença. Fl. 173DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1401-005.868 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.900049/2017-29 Como vimos, a diferença apontada (crédito de CSLL) era proveniente de valor a título de CSLL retida na fonte, deduzido na apuração da CSLL a pagar, mas, indevidamente incluído no valor recolhido, o qual poderia ser integralmente retornado à Recorrente, se não fosse a existência de certas retenções que não restaram comprovadas. A unidade de origem apontou quais fontes pagadoras não tiveram a retenção acatada (supra reproduzido), pelo fato de que o beneficiário nominado não era a Recorrente, situação da qual a Recorrente tomou o devido conhecimento, pois constou na decisão recorrida. As razões apontadas pela decisão recorrida que a levaram concluir pelo reconhecimento parcial do crédito de CSLL, estavam claramente identificadas e, conforme relatoriado, não foram objeto de qualquer manifestação da Recorrente. É o voto, negar provimento ao recurso. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves – Presidente Redator Fl. 174DF CARF MF Documento nato-digital
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