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Numero do processo: 10920.002791/2009-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 20 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Jan 06 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 21/08/2008, 15/10/2008, 13/11/2008, 17/12/2008, 15/01/2009, 05/03/2009, 20/03/2009, 03/04/2009, 24/04/2009
COMPENSAÇÃO. OBRIGAÇÕES DA ELETROBRÁS. MULTA ISOLADA. APLICABILIDADE. PERCENTUAL. BASE DE CÁLCULO.
Considerada não-declarada a compensação em face de pretensão de utilização de créditos de terceiros, advindos de obrigações da Eletrobrás, incabível a aplicação da multa isolada no percentual de 150%, que seria cabível somente na hipótese de ser caracterizado o evidente intuito de fraude, que não pode ser presumida no caso dos autos.
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA SEM EVIDÊNCIA DE FRAUDE.
A multa isolada por compensação indevida com créditos de natureza não tributária sem evidência de fraude está prevista desde a redação original do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, e apenas foi majorada temporariamente ao percentual de 150% na vigência da Lei nº 11.051, de 2004, sendo restabelecida ao percentual de 75%, após as alterações promovidas pelas Leis nº 11.196, de 2005, 11.488, de 2007, 12.249, de 2010 e 13.097, de 2015.
Numero da decisão: 1402-005.907
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa aplicada ao percentual de 75%, vencidos os Conselheiros Marco Rogério Borges, Iágaro Jung Martins e Paulo Mateus Ciccone que votavam por negar provimento, mantendo a penalização em 150%.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Evandro Correa Dias, Luciano Bernart, Iagaro Jung Martins, Jandir Jose Dalle Lucca, Mauritania Elvira de Sousa Mendonca (suplente convocado(a)) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: Evandro Correa Dias
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OBRIGAÇÕES DA ELETROBRÁS. MULTA ISOLADA. APLICABILIDADE. PERCENTUAL. BASE DE CÁLCULO. Considerada não-declarada a compensação em face de pretensão de utilização de créditos de terceiros, advindos de obrigações da Eletrobrás, incabível a aplicação da multa isolada no percentual de 150%, que seria cabível somente na hipótese de ser caracterizado o evidente intuito de fraude, que não pode ser presumida no caso dos autos. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA SEM EVIDÊNCIA DE FRAUDE. A multa isolada por compensação indevida com créditos de natureza não tributária sem evidência de fraude está prevista desde a redação original do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, e apenas foi majorada temporariamente ao percentual de 150% na vigência da Lei nº 11.051, de 2004, sendo restabelecida ao percentual de 75%, após as alterações promovidas pelas Leis nº 11.196, de 2005, 11.488, de 2007, 12.249, de 2010 e 13.097, de 2015. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa aplicada ao percentual de 75%, vencidos os Conselheiros Marco Rogério Borges, Iágaro Jung Martins e Paulo Mateus Ciccone que votavam por negar provimento, mantendo a penalização em 150%. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente (documento assinado digitalmente) Evandro Correa Dias – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 27 91 /2 00 9- 21 Fl. 358DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1402-005.907 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10920.002791/2009-21 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Evandro Correa Dias, Luciano Bernart, Iagaro Jung Martins, Jandir Jose Dalle Lucca, Mauritania Elvira de Sousa Mendonca (suplente convocado(a)) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR). Adota-se, em sua integralidade, o relatório do Acórdão nº 06-23.731 – 3ª Turma tia DRJ/CTA, complementando-o, ao final, com as pertinentes atualizações processuais. Por meio do auto de infração de fls. 133/150 foi constituída Multa Exigida Isoladamente no montante de R$ 3.419.235,16, relativa à aplicação do percentual de 150% sobre os débitos que foram objeto de compensação apresentada pela interessada através de declarações de compensação (fls. 51/62), consideradas não-declaradas, conforme despacho decisório emitido no âmbito do Processo Administrativo Fiscal n.º 10920.004466/2008-11 (fls. 122/130). No Relatório de Atividade Fiscal de fls. 135/148, parte integrante do auto de infração, a autoridade lançadora tece comentários e adota esclarecimentos contidos no mencionado despacho decisório. Dessa forma, são dadas notícias de que: - as declarações de compensações, cujas cópias encontram-se às fls. 51/62, tinham por origem de crédito um pedido de restituição formalizado no precitado PAF n.º 10920.004466/2008-11, visando a quitação de diversos débitos fiscais; - o referido pedido de restituição dizia respeito à cautela n.º 000147572-2 de obrigações emitidas pelas Centrais Elétricas Brasileiras S/A, e foi indeferido pela Saort/DRF/Joinville, tendo sido, na mesma ocasião, consideradas não declaradas declarações de compensação com o mesmo apresentadas (cópia do despacho decisório às fls. 122/130); - por sua vez, o pedido de restituição formalizado no PAF n.º 10920.005950/2007-87 (que dizia respeito à cautela n.º 000111415-6 de obrigações emitidas pelas Centrais Elétricas Brasileiras S/A) foi indeferido pela Saort/DRF/Joinville, tendo sido, na mesma ocasião, consideradas não declaradas declarações de compensação com o mesmo apresentadas (cópia do despacho decisório às fls. 96/106); contestada tal decisão, foi emitido acórdão desta 3ª Turma/DRJ/Curitiba - cópia às fls. 107/111 -, no PAF n.º 10920.004192/2008-61 (desmembramento do PAF n.º 10920.005950/2007-87), no qual não foi acolhida manifestação de inconformidade, confirmando-se o indeferimento do precitado pedido de restituição; Fl. 359DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1402-005.907 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10920.002791/2009-21 - já, conforme despacho decisório de fls. 45/52, emitido no âmbito do PAF n.º 10920.005982/2007-82, a Saort/DRF/Joinville, em 02 de dezembro de 2008, decidiu considerar não declaradas as compensações intentadas no referido processo; - falando sobre a ocorrência de fraude, o autuante diz: “mesmo consciente das vedações impostas às compensações pretendidas e após ter sido cientificado dos despachos decisórios que indeferiram os seus pedidos de restituição, dos despachos decisórios que consideraram não declaradas as compensações e dos recursos indeferidos confirmando a decisão denegatória, o contribuinte continuou a utilizar-se de créditos decorrentes de obrigações da Eletrobrás para promover a extinção de seus débitos. Portanto, embora sabedora de que não poderia utilizar-se de crédito relativo a obrigações emitidas pelas Centrais Elétricas Brasileiras – Eletrobrás para compensar débitos, realizou assim mesmo esta modalidade de extinção do crédito tributário, caracterizando, desta forma, o dolo. Face o exposto, a conduta, adotada pelo contribuinte, amolda-se à hipótese de fraude dada pelo art. 72 da Lei n.º 4.502/1964, abaixo transcrito (...) A conduta também enquadra-se, em tese, na prática de crime contra a ordem tributária, conforme disposto no art. 2º, I, da Lei n.º 8.137/90: (...) O despacho decisório do processo n.º 10920.004466/2008-11, fls. 122 a 130, oferece todos os detalhes da conduta fraudulenta.”; - o autuante informa, ainda, sobre a protocolização no processo n.º 10920.002792/2009-75 de representação fiscal para fins penais. Cientificada em 30/06/2009 (AR à fl. 151), a interessada apresenta, por meio de procurador (mandato à fl. 03), em 30/07/2009, a impugnação de fls. 152/175, a seguir sintetizada. Após descrever brevemente os fatos que levaram à autuação, alega, no item “1 – Da Suposta Compensação Indevida”, que não pode ser apenada com multa isolada de 150%, posto que inexistiria fraude no seu procedimento de apresentar declaração de compensação para quitar débitos fiscais, já que o direito de petição é faculdade garantida constitucionalmente (art. 5º, XXXIV, “a”, da CF/1988); acrescenta que todo o conteúdo de suas declarações é verídico, tanto na forma como na materialidade, não se podendo, pois, falar em dolo em sua conduta, concluindo por inexistir razão para a aplicação da multa impugnada. Sob o título “2 – Empréstimo Compulsório sobre Energia Elétrica, Receita da União, Competência para a Administração de Tributos Federais (SRF)”, contesta a orientação dos agentes públicos da Secretaria da Receita Federal do Brasil, de não terem competência para administrar, e portanto restituir ou compensar, o ‘empréstimo compulsório sobre energia elétrica’, com base no art. 1º da IN SRF n.º 600, de 2005; na seqüência, faz um resumo histórico da evolução dos órgãos ligados à Fazenda Pública até o advento, em 1968, da então Secretaria da Receita Federal – SRF -, bem como da legislação relativa ao empréstimo compulsório instituído pela Lei n.º 4.156, de 1962, bem como do Fundo Federal de Eletrificação, também previsto na referida lei, após o que emite a seguinte conclusão: “portanto, não podemos negar que o empréstimo compulsório era destinado ao Fundo Federal de Eletrificação e administrado pelo então Departamento de Rendas Internas, o qual foi substituído pela Secretaria da Receita Fl. 360DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1402-005.907 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10920.002791/2009-21 Federal do Brasil, logo, inconteste que a SRF também administrou o empréstimo compulsório, ao contrário do afirmado pelo nobre agente fiscal.” (fl. 164). Prosseguindo, no item “3 – Do Empréstimo Compulsório e sua Devolução”, após tecer breves considerações teóricas sobre empréstimo compulsório, faz a seguinte assertiva (fl. 166): “como a União instituiu o empréstimo, conclui-se que existe a obrigação desta em devolver o que tomou/emprestou, com juros e correção monetária. Logo, não há impedimento para efetuar compensação dos débitos com os créditos provenientes do empréstimo compulsório, vez que estamos diante de credores e devedores recíprocos.”; Por seu turno, no tópico “4 – Da Solidariedade Passiva da União”, sustenta que, em face do art. 4º, § 3º da Lei n.º 4.156, de 1962, haveria, no caso, responsabilidade solidária da União, sendo que a SRF teria a atribuição de restituir o tributo; assim, em razão da responsabilidade solidária da União ante o adimplemento de obrigação emitida por entidade de economia mista, por força do citado dispositivo legal, não se poderia limitar a restituição à co-responsável Eletrobrás. Na sequência, no item “5 – Da aplicabilidade da multa isolada [Lei 10.833/03, art. 18, § 4º]. Intuito de Fraude [Lei 4.502/64, arts. 71, 72 e 73]”, comenta o art. 72 da Lei n.º 4.502, de 1964, e reafirma que não está caracterizada a prática de ‘fraude’ prevista nesse dispositivo, dizendo que (fls. 168/169): “(...) quando se inicia a compensação entre tributos, o fato gerador já ocorreu, o que se pretende é a extinção do crédito tributário, a obrigação já está constituída, não havendo razão para dizer sobre ação ou omissão tendente a impedir, retardar, excluir ou modificar os elementos essenciais do fato gerador”; fala, também, que não há razão para se afirmar que a decisão administrativa contrária ao seu interesse é fato suficiente a outorgar à compensação a prática de ato doloso, uma vez que tal decisão não tem natureza de prestação jurisdicional; mencionando o art. 3º do Decreto n.º 63.659, de 1968, e o art. 20 do Decreto 68.419, de 1971, diz que à SRF competia administrar o empréstimo compulsório, em conjunto com a Eletrobrás, não se podendo, assim, considerar não declarada as compensações indicadas nas Dcomp, nos termos do art. 74, § 12, II, da Lei n.º 9.430, de 1996, afastando-se, por conseguinte, a aplicação do art. 18, § 4º, da Lei n.º 10.833, de 2003. No tópico “6 – Da Vedação ao Confisco”, após tecer breves considerações sobre o princípio do não-confisco, faz a seguinte assertiva (fl. 171): “Assim a cobrança de multa no valor de 150%, demonstra a ilegalidade e a abusividade na cobrança de eventual crédito tributário, impondo ao contribuinte excessiva carga econômica que pode ser traduzido como a implicância do indesejado efeito confiscatório”; entende, ainda, que a multa aplicada buscaria uma lucratividade excessiva do erário, às expensas da propriedade do contribuinte, o que implicaria em locupletamento ilícito, sem justa causa; já, no tópico “7 – Do Expurgo da Multa”, diz que enquanto não incidir a ‘coisa julgada administrativa’ sobre seu pedido de restituição, há a extinção do ‘crédito tributário’ pela declaração de compensação, o que estaria previsto no art. 26 da IN SRF n.º 600, de 2005, na medida da conexão administrativa entre o pedido de restituição e a declaração de compensação; afirma que todos os seus procedimentos são consentâneos com a Fl. 361DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1402-005.907 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10920.002791/2009-21 legislação tributária vigente, o que, com espeque no art. 100, parágrafo único do CTN, excluiria a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo, pedindo, ao final deste item que (fl. 173): “(...) deve ser expurgada do montante apurado no indigitado auto de infração a multa isolada, indevidamente aplicada.”. Por sua vez, no item “8 - Representação criminal (Lei 8.137/90, art. 2, I)”, insurge-se contra a representação fiscal para fins penais, posto que não haveria materialidade suficiente à indicação criminal. Ao final, requer: (a) que seja considerado improcedente o lançamento da multa isolada de ofício, na medida que o crédito utilizado na compensação declarada foi administrado pela SRF em conjunto com a Eletrobrás (art. 3º do Decreto n.º 63.659/1968, c/c art. 20 do Decreto n.º 68.419/1971); (b) alternativamente, a minoração da multa aplicada em razão da inexistência de ato tendente a impedir o fato gerador do tributo, uma vez que a compensação é causa extintiva da obrigação tributária, e não causa impeditiva do fato gerador dos tributos sob compensação, razão da inaplicabilidade do art. 72 da Lei n.º 4.502, de 1964; (c) subsidiariamente, que seja afastada a possibilidade de representação criminal, uma vez que a fraude inerente à sanção administrativa não guarda relação com a fraude criminal; (d) caso seja diverso o entendimento do fisco, que se considere improcedente o lançamento, com espeque no art. 100, parágrafo único do CTN, uma vez que seu procedimento é consentâneo com as normas complementares da SRF; e (e) que a decisão seja prolatada nos moldes do art. 31 do Decreto n.º 70.235, de 1972, devendo, dentre outros requisitos, referir-se expressamente às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências, sob pena de se incorrer em cerceamento do direito de defesa. Do Acórdão de Impugnação A 3ª Turma da DRJ/CTA, por meio do Acórdão nº 06-23.731, julgou a Impugnação Improcedente, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 21/08/2008, 15/10/2008, 13/11/2008, 17/12/2008, 15/01/2009, 05/03/2009, 20/03/2009, 03/04/2009, 24/04/2009 COMPENSAÇÃO NÃO-DECLARADA. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO. Nos casos de compensação não-declarada, verificada a ocorrência das hipóteses previstas na legislação, aplica-se a multa isolada no percentual de 150% sobre o valor total do débito indevidamente compensado. Fl. 362DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1402-005.907 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10920.002791/2009-21 MULTA DE OFÍCIO. NORMAS LEGAIS. EXAME DE VALIDADE. COMPETÊNCIA. A exigência de multa de ofício está prevista em normas regularmente editadas, não tendo o julgador administrativo competência para apreciar arguições de invalidade e/ou inconstitucionalidade contra a sua cobrança. . Voto Conselheiro Evandro Correa Dias, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, motivo pelo qual dele conheço. Do Recurso Voluntário Do Mérito A Recorrente alega a regularidade do procedimento administrativo de compensação, argumenta que este procedimento deve ser analisado por que se traduz no pano de fundo para a aplicação da multa isolada, in verbis: A ora Recorrente argumentou, em suma, em sua impugnação, tempestivamente protocolizada, que os títulos representam um direito creditório perante a União, direito este fruto de pagamento de tributos da espécie empréstimo compulsório, vindo a transcorrer, para tanto, sobre sua origem e destino, acerca da solidariedade passiva da União para restituir, bem como ser a RFB órgão competente para administrar tal tributo. Ante as argumentações, restou demonstrado que o objetivo da então impugnante era demonstrar a regularidade e a legalidade do procedimento de compensação engendrado, o que desnatura e mais, torna indevida, a própria aplicação da multa isolada em debate, ao contrário do apontado pelo relator. Feitas as considerações iniciais, passemos a demonstrar a regularidade do procedimento administrativo de compensação, procedimento este que deve ser analisado por que se traduz no pano de fundo para a aplicação da multa isolada. Fl. 363DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1402-005.907 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10920.002791/2009-21 Trata-se de matéria estranha ao presente processo pois não é cabível nem a apresentação de manifestação de inconformidade nem recurso voluntário quanto às compensações consideradas não declaradas, portanto serão apreciados nesse voto somente os argumentos apresentados no recurso que tenham relação direta com a multa isolada de ofício, nesse sentido a decisão recorrida: Definição dos limites do litígio Cabe esclarecer que serão apreciados neste voto apenas os argumentos contrários à multa exigida isoladamente, pois o despacho decisório, cuja cópia consta às fls. 122/130, foi proferido nos autos do processo n.º 10920.004466/2008-11, definindo as compensações como não-declaradas, decisão em relação a qual não é cabível a apresentação de manifestação de inconformidade, seja naqueles autos ou nestes, conforme determina o § 13 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, incluído pela Lei nº 11.051, de 2004. Dessa forma, apenas os argumentos apresentados na impugnação que tenham relação direta com a multa isolada de ofício serão apreciados, posto que os demais não podem interferir na exação contestada, nos presentes autos. Da mesma forma, por não haver previsão legal, não compete a esta Delegacia de Julgamento apreciar questionamento relativo à Representação Fiscal para Fins Penais confeccionada pela autoridade lançadora. Questões de Mérito: Conforme antes comentado, a interessada apresentou diversas argumentações que não podem ser apreciadas neste voto, pois compreendem aspectos que caracterizam manifestação de inconformidade contra o despacho decisório que considerou não-declarada a compensação por ela apresentada. Portanto, embora a autoridade lançadora tenha demonstrado a impossibilidade da compensação, trata-se de matéria estranha à exigência em estudo. No caso, parte-se do fato de que compensação foi considerada não-declarada, cabendo discutir apenas a aplicação da multa isolada sobre os débitos compensados. Como conseqüência, resta enfrentar apenas os argumentos a seguir apresentados. A Recorrente alega que o procedimento compensatório não se enquadra no conceito de fraude trazido por lei, formalmente constituída, sendo totalmente descabida a multa aplicada. A Recorrente requer o reconhecimento da ilegalidade/inconstitucionalidade da multa imposta porque, a toda evidência, o percentual de 150% caracteriza um verdadeiro excesso, um verdadeiro desvio de finalidade, violando a nossa Constituição Federal e os princípios jurídicos e legais que devem reger tais procedimentos. Fl. 364DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1402-005.907 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10920.002791/2009-21 O cerne da discursão é aplicação de multa na hipótese de compensação “não- declarada” com a identificação de créditos da Eletrobrás. Sobre essa questão, a 1ª Turma da Câmara de Recurso Fiscais pronunciou-se no acórdão 9101-003.109, do qual se destaca a ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 COMPENSAÇÃO. OBRIGAÇÕES DA ELETROBRÁS. MULTA ISOLADA. APLICABILIDADE. PERCENTUAL. BASE DE CÁLCULO. Considerada não- declarada a compensação em face de pretensão de utilização de créditos advindos de obrigações da Eletrobrás, cabível a aplicação da multa isolada, no percentual de 75%, sendo impingida a multa qualificada de 150% somente na hipótese de ser caracterizado o evidente intuito de fraude, que não pode ser presumida em função apenas da natureza da matéria. O voto da Conselheira Relatora, Adriana Gomes Rêgo, é reproduzido a seguir: Como se vê, a multa isolada aplicada encontra previsão na atual redação do art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, mais precisamente em seu § 4º, e, assim, aplica-se o percentual previsto no inciso I do art. 44 da Lei n." 9.430, de 1996, de 75%, podendo ser duplicado na forma do § 1º desse mesmo dispositivo, para 150%, desde que haja caracterização dos fatos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. Portanto, o que diferencia as hipóteses sujeitas as multas de 75% e 150% é a ocorrência de "evidente intuito de fraude" definido nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964: Dessa forma, para que seja aplicada a multa de 150% é necessário que a fiscalização comprove, de forma inequívoca, que o contribuinte agiu com dolo na execução de alguma das condutas previstas nos citados artigos, não sendo suficiente a mera presunção de sua conduta ser ilícita. Ou seja, a qualificação da multa por evidente demanda uma análise dos fatos e do procedimento da contribuinte, para deles se extrair o evidente intuito de fraude. Por conseguinte, há a necessidade que a fiscalização aponte efetivamente alguma fraude ou falsidade envolvendo a compensação. O fato de a contribuinte estar discutindo a interpretação de matéria vedada em Lei, por mais claro que a legislação pareça ser, não permite deduzir que ele está agindo de má fé ou com dolo. O princípio do amplo direito de defesa é um princípio universal e consagrado na nossa Constituição e não se pode punir Fl. 365DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1402-005.907 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10920.002791/2009-21 alguém por erro de interpretação ou por defender uma interpretação por mais desarrazoada que seja. Aliás, essa interpretação da Fiscalização pela aplicação direta da qualificação da multa em 150% pelo simples fato de se tratar da hipótese de compensação considerada não declarada por utilização de créditos de natureza não tributária distorce completamente a inteligência do art. 18, § 4o da Lei nº 10.833/2003. Isso porque desnecessária seria a previsão de multa de 75%, eis que todas as compensações consideradas não declaradas nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 1996, padeceriam do mesmo vicio, sempre se lhes aplicando o percentual qualificado. Nesse sentido, a redação atual do caput do art. 18 da Lei nº 10.833/2003 dada pela Medida Provisória 351/2007, convertida na Lei n° 11.488/2007, deixou isso agora mais transparente ainda em sua nova redação: "(...) quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo". No caso, essa hipótese bem mais objetiva, substituiu a hipótese anterior que fazia referência à prática das infrações previstas "nos arts. 71 a 73 da Lei n" 4.502, de 30 de novembro de 1964", no caso das compensações não homologadas. (...) Nesse contexto, o fato de o contribuinte pleitear compensação não devida por utilizar crédito de natureza não tributária, definitivamente não se enquadra na hipótese de incidência da norma em comento, uma vez que tudo foi feito às claras e dentro das regras do sistema, sem empregar nenhum forma de simulação, de ter cometido alguma fraude específica ou mesmo ter cometido alguma falsidade na sua declaração apresentada. Portanto, no presente caso, cabível a aplicação da multa isolada, no percentual de 75%, sendo impingida a multa qualificada de 150% somente na hipótese de ser caracterizado o evidente intuito de fraude, que não pode ser presumida em função apenas da natureza da matéria Ressalte-se que a dúvida a respeito da competência da Secretaria da Receita Federal para a restituição destes créditos foi objeto de discussão em processos administrativos, resultando na edição da Súmula CARF 24: Não compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil promover a restituição de obrigações da Eletrobrás nem sua compensação com débitos tributários. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Assim, o contribuinte pleitear compensação de créditos da Eletrobrás (natureza não tributária) – em princípio – não impõe a aplicação da multa qualificada, sendo necessária a demonstração do intuito de fraude, como já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais no precedente citado. Acrescenta-se que a Autoridade Fiscal justificou a imposição de multa qualificada por entender que o contribuinte utilizou-se de créditos decorrentes de obrigações da Eletrobrás Fl. 366DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 1402-005.907 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10920.002791/2009-21 para extinção de seus débitos, mesmo consciente das vedações impostas às compensações pretendidas, in verbis: De toda forma, a análise da legislação revela que se trata de compensação considerada “não-declarada”, por força de identificação de crédito de terceiro, o que é insuficiente para a qualificação da multa por tal compensação, conforme razões acima. Por fim, pondero que o pedido de compensação foi apresentado em papel e declaração de compensação também em papel, o que confirma que não há qualquer artifício pelo contribuinte que possa justificar a imposição de multa qualificada. Entende-se que no presente caso, a multa isolada por compensação indevida com créditos de natureza não tributária sem evidência de fraude deve ser aplicada no percentual de 75%. Nesse sentido o Acórdão 9101-005.228 – CSRF / 1ª Turma, Relatora Edeli Pereira Bessa, lavrado em 11de novembro de 2020, cuja ementa é reproduzida a seguir: Fl. 367DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 1402-005.907 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10920.002791/2009-21 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA SEM EVIDÊNCIA DE FRAUDE. ALEGAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL NA VIGÊNCIA DA LEI Nº 11.051/2004. A multa isolada por compensação indevida com créditos de natureza não tributária sem evidência de fraude está prevista desde a redação original do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, e apenas foi majorada temporariamente ao percentual de 150% na vigência da Lei nº 11.051, de 2004, sendo restabelecida ao percentual de 75%, após as alterações promovidas pelas Leis nº 11.196, de 2005, 11.488, de 2007, 12.249, de 2010 e 13.097, de 2015. Conclusão Ante todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa aplicada ao percentual de 75%. (documento assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 368DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10640.907793/2009-54
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3403-000.308
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora. Antonio Carlos Atulim – Presidente Liduína Maria Alves Macambira – Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Liduína Maria Alves Macambira, Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora– DRJ/JFA que manteve o despacho decisório da DRF/JFA o qual não reconheceu o direito de crédito de Cofins de R$ 39.793,86 oriundo de pagamento indevido ou a maior pleiteado, e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada O Despacho Decisório, fl.5, indeferiu o pedido formulado no PER/DCOMP nº 41623.63240.210109.1.3.042257, em razão dos créditos informados estarem integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/COMP. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 10640.907793/200954 Resolução n.º 3403000.308 S3C4T3 Fl. 174 2 Inconformada, apresentou manifestação de inconformidade alegando em síntese que: o crédito originouse de correções efetuadas na apuração da Cofins e do envio do Dacon retificado em 12/02/2009; ao analisar o Despacho Decisório, bem como verificando os DARF's e a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF relativa ao Mês de setembro de 2008, transmitida à Receita Federal do Brasil em 05/11/2008, a impugnante não procedeu à retificação desta última, incorrendo na indisponibilidade do montante do crédito objeto do pedido de compensação. A impugnante a fim de sanar tal inconsistência procedeu à retificação da DCTF transmitindo a em 12/11/2009, fazendo constar na página 16, no campo "débito apurado" o valor correto daquela contribuição. A 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, mediante Acórdão nº 0935.160, de 25 de maio de 2011, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob os fundamentos conforme ementa a seguir transcrita: Assunto: Normas de Administração Tributária COMPENSAÇÃO. Após a instituição da Declaração de Compensação (Dcomp), a compensação dáse na data de sua transmissão, com o encontro de contas dos débitos e dos créditos. Inexistente o pagamento indevido/a maior de crédito, assim vinculado a débito em Dcomp, não há que se homologar a respectiva compensação. Cientificado da decisão em 04/08/2011, fl. 134, a recorrente interpôs recurso voluntário em 05/08/2011, fls. 134/146, alegando, em síntese, que: todos os documentos foram apresentados quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, elementos esses idôneos para todos os fins de direito utilizados pela empresa quando da apresentação de sua contabilidade e pela própria receita federal quando da constituição de seus lançamentos; há que se registrar que a recorrente ao apresentar o PER/DCOMP em análise não agiu com máfé, tendo feito uso de créditos corretos e existentes. diante dessa premissa, não pode ser penalizada com cobrança de supostos valores, acrescidos de multas e juros, uma vez que o equívoco cometido na informação de um campo na Declaração de Compensação não acarretou prejuízo à Fazenda Pública, uma vez que o montante de crédito existente era suficiente para quitação do débito tributário; o que ocorreu foi um equívoco no preenchimento da DCTF a época e fora retificado posteriormente, conforme documentação anexa, não ensejando quaisquer prejuízos ao fisco; após transcrever o §3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 ( com redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003), vem rebatendo que nenhuma das hipóteses acima se enquadra ao Fl. 174DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 10640.907793/200954 Resolução n.º 3403000.308 S3C4T3 Fl. 175 3 caso concreto. O fato de cometer um equívoco no preenchimento da DCTF e sua posterior retificação não é causa de não homologação do pedido de compensação. Ademais, não houve majoração de créditos; o equívoco cometido foi sanado quando da retificação da DCTF não ensejando em majoração de crédito ou erro de valores na PERDCOMP, a questão envolve apenas o descumprimento de uma obrigação acessória, cuja penalidade não pode ser a imposição da cobrança de um imposto inexistente, acrescido de multa e juros. É o relatório. Voto Conselheira Liduína Maria Alves Macambira, Relatora. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. O direito de compensação do contribuinte foi recusado neste caso por meio de decisão eletrônica. De acordo com o Despacho Decisório o valor do DARF teria sido integralmente absorvido pelo valor confessado como débito na DCTF, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/COMP. A recorrente, por usa vez, alega que houve equívoco no preenchimento da DCTF, tendo procedido à retificação posteriormente. Entendo que os documentos apresentados pelo contribuinte sinalizam de maneira consistente a possível existência do indébito. Em homenagem ao princípio da verdade material, vislumbro ser imprescindível para julgamento da lide, sobre a materialidade do direito creditório guerreado, a baixa dos autos em diligência para que a Unidade de Origem proceda à verificação da existência do alegado pagamento a maior diante das retificações realizadas pela recorrente nas DCTF e/ou nos DACON, correspondentes ao período do crédito utilizado na PER/DCOMP. Ante o exposto, Voto pela conversão do julgamento em diligência, devolvendo se os autos para a unidade de origem para adoção das providências necessárias a comprovação do indébito pleiteado. Depois de elaborado relatório final conclusivo pela Delegacia de origem, deve ser cientificado o contribuinte sobre o inteiro teor da diligência realizada, facultandolhe o prazo de trinta dias para, se quiser, manifestarse quanto ao relatório, devolvendose os autos para este Conselho, para julgamento. É como voto. Liduína Maria Alves Macambira Fl. 175DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10950.000026/2010-52
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3403-000.362
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1840; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 1 1 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10950.000026/201052 Recurso nº Resolução nº 3403000.362 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Data 21 de agosto de 2012 Assunto Solicitação de diligência Recorrente SPAIPA S/A INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BEBIDAS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Raquel Motta Brandão Minatel e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de auto de infração com ciência pessoal do contribuinte em 07/01/2010, lavrado para exigir o crédito tributário relativo ao IPI, multa de ofício e juros de mora, em razão da falta de recolhimento do imposto detectada após a glosa de créditos indevidos nos períodos de apuração compreendidos entre janeiro de 2005 e outubro de 2009. Segundo o termo de verificação fiscal de fls. 14/16, o contribuinte adquiriu matériaprima com isenção do IPI da empresa Recofarma Indústria do Amazonas Ltda, localizada na Zona Franca de Manaus, tendo se apropriado do crédito com a alíquota de 27%. Além disso, a empresa teria se apropriado indevidamente de crédito de IPI no mês de setembro de 2008, pois o saldo credor apurado no mês de agosto de 2008 teria sido de R$ 106.405,49 (fl. Fl. 1868DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/08/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10950.000026/201052 Resolução n.º 3403000.362 S3C4T3 Fl. 2 2 42) e não de R$ 142.629,92 (fl. 41). Foi glosada a diferença de R$ 36.224,43. Informou a fiscalização que a empresa ajuizou ação declaratória nº 2002.70.00.0713805, sendo que o Acórdão do TRF da 4ª Região autorizou o crédito em relação aos insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, após a ocorrência do trânsito em julgado da decisão (fls. 43/58). Ao tempo da autuação a ação continuava pendente de julgamento de recurso no STJ. Em sede impugnação o contribuinte alegou, em síntese, o seguinte: 1) o valor lançado no auto de infração está extinto por força da coisa julgada formada no mandado de segurança coletivo nº 91.00477834, impetrado pela Associação dos Fabricantes Brasileiros de CocaCola, onde fora reconhecido o direito dos fabricantes não estornarem o crédito de IPI decorrente das aquisições de matéria prima isenta adquirida da Zona Franca de Manaus. Os valores ora exigidos não têm nenhuma relação com a ação declaratória nº 2002.70.00.071380 5, pois esta se refere apenas ao crédito pelas aquisições de insumos sujeitos à alíquota zero, não tributados e imunes, em relação ao período de outubro de 1992 a novembro de 2002; 2) os dispositivos que fundamentam o lançamento não determinam a glosa dos créditos relativos a insumos isentos e a recorrente tem direito a esses créditos em razão do princípio da não cumulatividade; 3) o art. 6º do DecretoLei nº 1.435/75 concedeu o direito ao crédito decorrente da aquisição de concentrado isento; e 4) o valor de R$ 36.224,43, creditado no mês de setembro de 2008, está correto, pois decorre de pagamento a maior realizado pelo contribuinte em 13/08/2008. O erro consistiu em ter recolhido o imposto considerando a apuração decenal, quando deveria ter sido mensal. A 2 Turma da DRJ Ribeirão Preto, por meio do Acórdão nº 29.376, de 2 de junho de 2010, manteve o lançamento. Ficou decidido o seguinte: 1) não existe concomitância entre o processo administrativo e a ação declaratória nº 2002.70.00.0713805, pois esta se refere ao direito de crédito de IPI pelas aquisições de insumos imunes, nãotributados e sujeitos à alíquota zero, ao passo que o auto de infração glosou o crédito de IPI pelas aquisições de matériaprima isenta; 2) a coisa julgada no mandado de segurança coletivo não beneficia a recorrente porque o pedido foi específico para que o direito ao crédito fosse reconhecido em relação à matériaprima isenta adquirida de fornecedor na ZFM para a industrialização de refrigerantes do código 2202.90 da TIPI/88. O exame das DIPJ apresentadas pela recorrente revelam que só foram realizadas operações com produtos dos códigos 2202.10 e 7010.90 das TIPI 2002 e 2006. A matériaprima adquirida da ZFM não foi utilizada na fabricação de produtos classificados na posição especificada no mandado de segurança; 3) de acordo com o Decreto nº 2.346/97, somente declarações de inconstitucionalidade proferidas no controle concentrado são passíveis de aplicação no julgamento administrativo de primeira instância; 4) o princípio da nãocumulatividade não autoriza o crédito do imposto, pois um princípio constitucional de índole programática não é apto a criar relações jurídicas materiais de ordem subjetiva; 5) o art. 153, § 3º, II, da Constituição estabelece que se somente existe direito ao crédito se houver cobrança do imposto nas operações anteriores; 6) em relação ao RE nº 214.484, o STF mudou seu entendimento nos RE nº 353.657, 370.682, 444.267 e 372.005; 7) a recorrente não faz jus ao benefício do art. 1º, § 1º do DecretoLei nº 1.435/75 porque a Resolução SUFRAMA nº 387/93, que aprovou o projeto industrial de atualização da Recofarma Indústria do Amazonas Ltda para a produção de concentrados, reconheceu apenas os benefícios fiscais previstos no art. 9º do DecretoLei nº 288/67; 8) dos documentos trazidos com a impugnação é possível afirmar que há aprovação de projeto pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, nos termos do art. 82, III do RIPI/2002, somente a partir da Resolução nº 298/2007, baixada com base no Parecer Técnico de Projeto nº 224/2007; 9) mesmo que a conclusão do item anterior seja passível de reparos, a análise do Parecer Técnico de Projeto nº 224/2007 comprova que a Recofarma Indústria do Amazonas Ltda não utiliza no Fl. 1869DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/08/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10950.000026/201052 Resolução n.º 3403000.362 S3C4T3 Fl. 3 3 concentrado de sabor cola matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exceto a semente de guaraná que só compõe o concentrado de guaraná; 10) não há previsão legal ou regimental para escriturar pagamentos indevidos a crédito no livro de IPI. Pagamentos indevidos devem ser objeto de pedido de restituição concomitante com declaração de compensação. Regularmente notificado do Acórdão de primeiro grau em 06/08/2010 (fl. 781), o contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 782/806, alegando, em síntese, o seguinte: 1) os dispositivos legais e regulamentares indicados na autuação não estabelecem que o crédito pela aquisição de produtos isentos deva ser glosado; 2) tem direito ao crédito do IPI como se devido fosse, nos termos do art. 1º, § 1º do DecretoLei nº 1.435/75, pois a Resolução do CAS nº 387/93 reconheceu esse benefício à Recofarma. Da mesma forma, a Declaração do Superintendente da SUFRAMA reconheceu que a fornecedora do concentrado faz jus ao benefício previsto no art. 6º do DecretoLei nº 1.435/75 e que esse benefício fora concedido pela Resolução nº 387/93; 3) a competência para aprovação de projetos é da SUFRAMA, a teor do art. 6º, §1º do DecretoLei nº 1.435/75. Se a autoridade administrativa discorda do ato do órgão competente sobre o direito da Recofarma ao benefício, ela deveria obter a sua revogação perante a própria SUFRAMA e não apenas desrespeitálo; 4) está amparada pela coisa julgada material formada no mandado de segurança coletivo nº 91.00477834, que assegurou aos integrantes da Associação dos Fabricantes Brasileiros de CocaCola o direito de se creditarem do IPI relativo à aquisição de insumo isento, adquirido de fornecedor situado na Zona Franca de Manaus; 5) ao contrário do afirmado na decisão recorrida, os insumos adquiridos com isenção foram empregados na fabricação dos mesmos refrigerantes mencionados no mandado de segurança. O que houve foi que o mandado de segurança foi ajuizado quando estava vigente a TIPI/88, na qual os refrigerantes eram classificados sob o código 2202.90, e os fatos geradores objeto deste processo ocorreram quando da vigência das tabelas de 2002 e de 2006, nas quais os refrigerantes passaram a ser classificados sob o código 2202.10.00; 6) em caso idêntico ao deste processo o Ministro Cezar Peluso, nos autos da Reclamação nº 7.778, reconheceu expressamente a existência e a aplicabilidade da coisa julgada formada no MSC nº 91.00477834 à associada da AFBCC situada em Ribeirão Preto e deferiu a liminar pleiteada para suspender a execução fiscal e o respectivo processo administrativo ajuizados para exigir o IPI decorrente da glosa do referido crédito; 7) o STF já reconheceu o direito ao crédito pelas aquisições isentas da Zona Franca no RE nº 212.484. Os RE nº 353.657 e 370.682 não trataram de insumos isentos. No RE nº 504.423 o Ministro Cezar Peluso fez distinção entre isenção subjetiva regional e as demais hipóteses de desoneração do IPI, ressalvando que permanece hígido o entendimento adotado no RE nº 214.484, quanto às aquisições provenientes da Zona Franca de Manaus; 8) ao contrário do afirmado na decisão recorrida, as decisões plenárias do STF vinculam o órgão administrativo de julgamento, a teor do art. 26A, § 6º, I do Decreto nº 70.235/72, introduzido pela Lei nº 11.941, de 27/05/2009. Mesmo antes dessa inovação promovida pela Lei nº 11.941/2009, a jurisprudência administrativa já adotava as decisões plenárias do STF, conforme acórdãos da CSRF, cujas ementas foram transcritas; 9) diante da existência de orientação do órgão máximo de julgamento administrativo, não cabe a imposição de multa sobre o crédito tributário, a teor do art. 76, II, “a” da Lei nº 4.502/64; e 10) no tocante ao crédito de R$ 36.224,43, a decisão recorrida desconsiderou o fato desse valor ser oriundo de uma operação escritural resultante da alteração da forma de apuração do IPI. A recorrente observou a regra de apuração decenal no confronto de débitos e créditos e apurou imposto a pagar. Houve alteração legislativa superveniente ao recolhimento com força retroativa (arts. 7º e 22 da Lei nº 11.774/2008). Tendo sido obrigada a refazer sua escrita para observar o critério mensal, resultou que não havia imposto a pagar, mas sim saldo credor. Assim é legítimo o direito de lançar esse valor a crédito na escrita fiscal. Fl. 1870DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/08/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10950.000026/201052 Resolução n.º 3403000.362 S3C4T3 Fl. 4 4 A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou as contrarrazões de fls. 810 a 840, assim resumidas: 1) não tem fundamento a alegação de falta de motivação para a glosa, pois os dispositivos legais indicados no auto de infração para fundamentar a exigência se reportam à forma de apuração do crédito básico. Obviamente se o contribuinte não os observou, acabou por afrontálos, sujeitandose ao lançamento de ofício; 2) o princípio da não cumulatividade não autoriza o crédito do IPI como se devido fosse, quando a operação anterior é desonerada do imposto, pois da leitura do art. 153, IV, § 3º da CF/88 e do art. 49 do CTN resulta que a técnica adotada para o IPI consiste no confronto do imposto creditado pelas aquisições com o imposto debitado pelas saídas. Inexistindo imposto na entrada, em face da desoneração da operação, não há que se falar em crédito para ser abatido com o imposto debitado; 3) no RE nº 566.819, Relator Ministro Marco Aurélio, o Plenário do STF adotou o mesmo entendimento para o caso dos insumos não tributados e sujeitos à alíquota zero, firmando posição no sentido do não cabimento do crédito de IPI na aquisição de insumos isentos; 4) no RE nº 592.891 o STF reconheceu a repercussão geral da matéria referente ao creditamento de insumos provenientes da ZFM. O motivo para o desmembramento da questão (insumos isentos versus insumos provenientes da ZFM) não pode ser outro senão a circunstância de que, para essas espécies de insumos, a própria legislação de regência prevê o creditamento do IPI, conforme art. 175, do RIPI/2002 (matriz legal art. 6º, § 1º do DecretoLei nº 1.435/75); 5) a recorrente não faz juz ao benefício do art. 6º, § 1º do DecretoLei nº 1.435/75 porque: (i) o concentrado para o fabrico de CocaCola não é elaborado com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional e de estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA; e (ii) a fornecedora Recofarma só passou a ter projeto aprovado pelo CAS, nos termos do art. 82, III, do RIPI/2002, a partir da Resolução nº 298, de 11/12/2007, baixada com base no Parecer Técnico de Projeto nº 224/2007. Assim, antes de 11/12/2007 está afastada qualquer discussão sobre creditamento decorrente de aquisições da ZFM em período anterior a 2007; 6) não se tratando os autos da excepcional hipótese prevista no art. 175 do RIPI/2002, os fundamentos exarados no julgamento do RE 566.819, amoldamse com perfeição ao caso concreto, impondose o desprovimento do recurso voluntário; 7) a coisa julgada material formada no mandado de segurança coletivo nº 91.00477834 não alcança a recorrente, em razão do disposto no art. 2ºA da Lei nº 9.494/90, com a redação que lhe foi dada pela Medida Provisória nº 2.18035/2001. O contribuinte deixou de comprovar que ao tempo do ajuizamento da ação estava filiado à Associação dos Fabricantes e, além disso, não é domiciliado na área de jurisdição do órgão judiciário prolator da decisão; 8) para afastar qualquer dúvida quanto à aplicabilidade do art. 2º A da Lei nº 9.494/90, cabe registrar que a medida cautelar na reclamação nº 7.7781/SP, afastando a aplicação do referido dispositivo, precedente invocado pela recorrente, foi cassada em 08/06/2011, e negado seguimento à reclamação, tendo como fundamento as limitações impostas pela Lei nº 9.494/90 (DJE nº 124, divulgado em 29/06/2011); 9) não existe amparo legal ou regimental para o contribuinte escriturar a crédito no livro de IPI valores que deveriam ser objeto de pedido de restituição ou de declaração de compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. Fl. 1871DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/08/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10950.000026/201052 Resolução n.º 3403000.362 S3C4T3 Fl. 5 5 É sabido que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral no RE nº 592.891, cujo tema é o direito ao crédito pela aquisição de insumos isentos provenientes da Zona Franca de Manaus. Este Colegiado vem decidindo pelo sobrestamento de processos que versam sobre essa questão, diante do recente despacho do Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de sobrestar um processo semelhante naquele Colegiado. Entretanto, no caso concreto existe uma diferença. O contribuinte se diz amparado por decisão judicial transitada em julgado no mandado de segurança coletivo impetrado pela Associação Brasileira dos Fabricantes de CocaCola. Ora, existindo ação específica com trânsito em julgado beneficiando a recorrente, não há que se cogitar do sobrestamento do julgamento para posteriormente ser aplicada a decisão do STF. Em primeiro lugar porque já existiria norma individual e concreta regulando a relação jurídica entre o contribuinte e a União. E, em segundo lugar, porque a decisão que vier a julgar o processo que está no STF com repercussão geral reconhecida não promoverá qualquer alteração na coisa julgada que se formou no mandado de segurança coletivo. O problema é que, como bem disse a ilustre Procuradora da Fazenda Nacional em suas contrarrazões, não existe nos autos nenhuma prova de que o contribuinte é beneficiário da referida decisão coletiva. Sendo assim, antes de proferir qualquer juízo sobre a eficácia e as limitações das sentenças proferidas em ações civis coletivas, assim como acerca do sobrestamento deste processo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição de origem, a fim de que o contribuinte seja intimado a comprovar que integrou a relação de substituídos apresentada pela Associação quando do ajuizamento do mandado de segurança coletivo nº 91.00477834. Para tanto, o contribuinte deverá apresentar documentação hábil e idônea à comprovação dos seguintes fatos: 1) a data em que se filiou à Associação dos Fabricantes Brasileiros de CocaCola ou se é membro fundador da referida entidade; 2) a data em que a Associação dos Fabricantes Brasileiros de CocaCola ajuizou o mandado de segurança coletivo nº 9100477834; 3) a ata da assembléia que deliberou pela propositura do mandado de segurança coletivo; e 4) a relação apresentada em juízo contendo os associados que integraram a referida ação. Atendida essa solicitação, os autos deverão retornar a este Colegiado para prosseguimento. Antonio Carlos Atulim Fl. 1872DF CARF MF Impresso em 31/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/08/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 11444.000387/2008-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/05/2006
MULTA MORATÓRIA. CONFISCO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária.
SELIC. APLICAÇÃO. LEGALIDADE. Nos termos da Súmula n°. 04 do
CARF, é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal.
MULTA DE MORA. LIMITAÇÃO AO MÁXIMO DE 20%. CABIMENTO.
ART. 35 DA LEI 8.212/91 ALTERADO PELA LEI 11.941/09. A multa de
mora a ser aplicada nos casos do lançamento de contribuições previdenciárias não recolhidas pelo contribuinte deve limitar-se
ao máximo de 20% do valor total apurado no Auto de Infração, de acordo com o disposto no art. 35 da Lei 8.212/91, c/c art. 61, § 2º da Lei 9.430/96, caso seja mais benéfico ao contribuinte diante do disposto no art. 106, II, “c” do Código Tributário
Nacional.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-002.198
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial para redução da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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CONFISCO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária. SELIC. APLICAÇÃO. LEGALIDADE. Nos termos da Súmula n°. 04 do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. MULTA DE MORA. LIMITAÇÃO AO MÁXIMO DE 20%. CABIMENTO. ART. 35 DA LEI 8.212/91 ALTERADO PELA LEI 11.941/09. A multa de mora a ser aplicada nos casos do lançamento de contribuições previdenciárias não recolhidas pelo contribuinte deve limitarse ao máximo de 20% do valor total apurado no Auto de Infração, de acordo com o disposto no art. 35 da Lei 8.212/91, c/c art. 61, § 2º da Lei 9.430/96, caso seja mais benéfico ao contribuinte diante do disposto no art. 106, II, “c” do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para redução da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores. Júlio César Vieira Gomes Presidente. Lourenço Ferreira do Prado Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira Prado, Walter Murilo Mello Andrade e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11444.000387/200867 Acórdão n.º 2402002.198 S2C4T2 Fl. 106 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por J E G M ZIMMER REFEIÇÕES LTDA, em face de acórdão que manteve a integralidade do lançamento efetuado por meio do Auto de Infração (assuntos previdenciários) 37.106.1024, no qual foram apuradas contribuições previdenciárias parte da empresa, destinadas a terceiros (SALÁRIO EDUCAÇÃO, SESC, SENAC, SEBRAE E INCRA) incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados e constantes das folhas de salário analisadas. O lançamento compreende os pagamentos efetuados no período de 01/2005 a 04/2006, tendo sido o contribuinte cientificado do AI em 19/06/2008. Devidamente intimado do julgamento em primeira instância (fls. 73/79), por meio do qual a DRJ manteve a integralidade do lançamento efetuado, o contribuinte interpôs o competente recurso voluntário de fls.82/97, através do qual sustenta: 1. que apesar de restar consignado no acórdão de primeira instância que o recorrente deixou de impugnar o lançamento das contribuições objeto do presente auto de infração, apenas insurgindose contra a multa aplicada, sua impugnação foi nominada como DEFESA TOTAL, de modo que devese, portanto, considerarse nulo o AI aplicado; 2. a ilegalidade da cobrança de juros como base na taxa SELIC; 3. inconstitucionalidade da multa moratória diante de seu caráter confiscatório. 4. que a multa moratória dever ser aplicada no limite máximo de 20% em face da revogação do art. 35 da Lei 8.212/91 pela Lei 11.941/09, que trouxe ao caso norma mais benéfica; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. Sem preliminares, passo ao mérito do recurso. MÉRITO Inicialmente, cumpre asseverar que não merece quaisquer reparos a assertiva contida o v. acórdão recorrido no sentido de que o contribuinte deixou de impugnar expressamente o lançamento efetuado em sua totalidade. O que se percebe é que este apenas atacou critérios periféricos ao lançamento e, portanto, deixou de impugnar o acerto do lançamento das contribuições lançadas no Auto de Infração, motivo pelo qual entendo que mereça ser mantido o entendimento acerca da preclusão, que fora reconhecida pelo julgamento em primeira instância. Ademais, tenho que a irresignação para o afastamento da multa moratória sob a argumentação de caracterizarse como confiscatória não pode ser analisada por este Eg. Conselho, em respeito a competência privativa do Poder Judiciário, já que, o afastamento da aplicação da Legislação referente, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal, o que é vedado a este Eg. Conselho. Sobre o tema, o CARF consolidou referido entendimento por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”. Ademais, a insurgência acerca da aplicação da taxa SELIC também não merece amparo. A sua aplicação, enquanto juros moratórios e multa aplicadas sobre as contribuições objeto do lançamento, foi efetivada com supedâneo em previsão legal consubstanciada no art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo reestabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 110DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11444.000387/200867 Acórdão n.º 2402002.198 S2C4T2 Fl. 107 5 Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Tal discussão, inclusive, já tendo sido objeto de várias deliberações neste Conselho, resultou no enunciado da Súmula n°. 04 do CARF, confirase: ”Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ” Por fim, quanto a necessidade de revisão da multa de mora aplicada, tem razão o contribuinte quando sustenta que deve ser observada a superveniência de norma legal mais benéfica, devendo ser aplicada no presente caso em respeito ao disposto no art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional. A multa de mora era regida pelo art. 35 da Lei 8.212/91, a seguir: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Com a edição da Lei 11.941/09, fora dada nova redação ao art. 35 da Lei 8.212/91, a seguir: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 111DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 E, por sua vez, assim determina o art. 61 da Lei 9.430/96: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) No presente caso, ao contribuinte fora aplicada apenas a multa de mora calculada com base no montante total das contribuições lançadas no Auto de Infração, patamar este que foi revisto pela Lei 11.941/09, que o limitou a 20% sobre a mesma base de cálculo. Logo, em se tratando de penalidade, no caso em tela foi promulgada norma posterior mais benéfica ao contribuinte que cominou ao presente caso penalidade menos severa, devendo, portanto, retroagir e ser aplicada ao caso concreto, de acordo com o que dispõe o art. 106, II, “c”, do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I – [...]II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) [...] b) [...] b) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Outro não é o entendimento dos Tribunais pátrios, conforme se depreende do julgamento da apelação cível 2006.03.99.0371402 pelo Eg. TRF da 3a Região, assim ementado: “PROCESSO CIVIL: AGRAVO LEGAL. ARTIGO 557 DO CPC. DECISÃO TERMINATIVA. PEDIDO DE REDUÇÃO DO PERCENTUAL DA MULTA MORATÓRIA. RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENÉFICA. POSSIBILIDADE. LIMITAÇÃO AO PERCENTUAL DE 20%. ARTIGO 61, § 2º DA LEI Nº 9.430/96. TAXA SELIC. CORREÇÃO MONETÁRIA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. POSSIBILIDADE. I O agravo em exame não reúne condições de acolhimento, visto desafiar decisão que, após exauriente análise dos elementos constantes dos autos, alcançou conclusão no sentido do não acolhimento da insurgência aviada através do recurso interposto contra a r. decisão de primeiro grau. II A recorrente não trouxe nenhum elemento capaz de ensejar a reforma da decisão guerreada, limitandose a mera Fl. 112DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11444.000387/200867 Acórdão n.º 2402002.198 S2C4T2 Fl. 108 7 reiteração do quanto afirmado na petição inicial. Na verdade, a agravante busca reabrir discussão sobre a questão de mérito, não atacando os fundamentos da decisão, lastreada em jurisprudência dominante desta Corte. III A despeito de não merecer amparo o pedido de redução do percentual da multa moratória aplicada, simplesmente por ser excessivo e confiscatório, cumpre, de fato, reduzir a multa que incide sobre o débito exequendo. IV A Medida Provisória nº 449, de 03 de dezembro de 2008 (convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009), deu nova redação ao artigo 35 da Lei 8.212/91 que assim dispõe: "Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996". V Tratandose de ato não definitivamente julgado aplicase a retroatividade dos efeitos da lei mais benéfica, nos termos do artigo 106, II, "c" do Código Tributário Nacional. VI Impõese, portanto, a limitação da multa moratória ao percentual de 20% (vinte por cento), na forma do § 2º do artigo 61 da Lei nº 9.430/96, supracitado. VII A redução da multa moratória não enseja a nulidade da CDA, pois a apuração do débito executado dependerá de simples cálculos aritméticos. VIII Não há, outrossim, qualquer ilegalidade na cumulação de juros de mora, multa e correção monetária, pois são institutos com natureza jurídica e finalidades diversas, sendo que multa e juros incidem sobre o débito atualizado e os três acréscimos são devidos a partir do vencimento. IX No que se refere à taxa SELIC, a jurisprudência é pacífica em reconhecer a legalidade de sua utilização como fator de atualização monetária dos créditos tributários. X Os honorários advocatícios ficam mantidos, tendo em vista a sucumbência mínima do embargado. XI Agravo improvido. Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário determinar que a multa de mora aplicada seja revista para o patamar de 20%, nos termos do novo art. 35 da Lei 8.212/91 c/c art. 61 da Lei 9.430/96, caso seja mais benéfico ao contribuinte. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado Fl. 113DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 14479.000871/2007-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
AUTO DE INFRAÇÃO. INFORMAÇÕES CADASTRAIS. FINANCEIRAS. CONTÁBEIS. NÃO APRESENTAÇÃO. Deixar de prestar as informações cadastrais, financeiras e contábeis qualquer documento ou livro relacionados constitui infração ao artigo 32, inciso III, da Lei n°.
8.212/91, combinado com o art. 225, III, do Regulamento da Previdência Social.
MULTA. IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA POR DECRETO.
INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para analisar ou
reconhecer a inconstitucionalidade de Lei Tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-002.134
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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INFORMAÇÕES CADASTRAIS. FINANCEIRAS. CONTÁBEIS. NÃO APRESENTAÇÃO. Deixar de prestar as informações cadastrais, financeiras e contábeis qualquer documento ou livro relacionados constitui infração ao artigo 32, inciso III, da Lei n°. 8.212/91, combinado com o art. 225, III, do Regulamento da Previdência Social. MULTA. IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA POR DECRETO. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para analisar ou reconhecer a inconstitucionalidade de Lei Tributária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes Presidente. Igor Araújo Soares Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Igor Araújo Soares, Ronaldo de Lima Macedo, Tiago Gomes de Carvalho Pinto e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/10/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 21/10/2011 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Fl. 2DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/10/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 21/10/2011 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14479.000871/200704 Acórdão n.º 2402002.134 S2C4T2 Fl. 128 3 Relatório Tratase de recurso de voluntário interposto por ASSESSORIA EM RECURSOS HUMANOS MANAGER, em face do acórdão de fls. 103/107, por meio do qual foi mantida a integralidade da multa lançada no Auto de Infração n. 37.013.5539, por ter a recorrente deixado de prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do INSS, no caso, contratos de empréstimo dos lançamentos constantes da conta 1.1.2.05.0005 (empréstimos a funcionários) no período de 05/07/2006 a 20/12/2006. O contribuinte foi cientificado do lançamento em 14/11/2007 (fls. 01). Em seu recurso sustenta que a suposta conduta infratora, no caso, a ausência de apresentação dos contratos de empréstimo que motivou a consideração de tais pagamentos como salário, foi objeto de penalização já em outras situações bastante determinadas: NFLD n° 37.013.5512 e do Auto de Infração AI n° 37.013.5547, cujas cópias foram anexadas à defesa administrativa (DOC. 03) da impugnação, de modo que o v. acórdão recorrido reconheceu tais faltas como únicas e, portanto, deveria ter determinado a anulação do lançamento. Ademais defende que inexiste previsão legal na Lei 8.212/91 para a imposição da multa descrita no Auto de Infração, mas apenas no Decreto 3.048/99, o que fere o princípio da legalidade cerrada, pois o Decreto não pode determinar a aplicação de penalidades, fundamento este que aduz não ter sido analisado pelo v. acórdão recorrido. Finaliza discorrendo que no caso de ser mantida a multa, não houve qualquer prejuízo ao erário, mais uma razão pela qual deve ser anulado o lançamento efetuado. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/10/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 21/10/2011 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, merece conhecimento. Sem preliminares. MÉRITO Conforme relatado, pretende a recorrente ver desconstituído o presente Auto de Infração já que se trata de bis in idem, em relação a outros que em seu desfavor foram lavrados. Indicou que as infrações anteriores e que já trataram do mesmo caso dos autos foram objeto da NFLD n° 37.013.5512 e do Auto de Infração AI n° 37.013.5547. Quanto a NFLD, na qual foram lançadas as contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores de empréstimos considerados pela fiscalização como remuneração de segurados empregados, de fato não há como se reconhecer qualquer bis in idem, na medida em que aquele lançamento configurase em obrigação principal, no caso o pagamento das contribuições, e o presente Auto de Infração configurase em obrigação acessória, que em nada se confunde, por terem natureza diversas. Melhor sorte não aufere o contribuinte quanto a alegação de duplicidade da multa lançada no Auto de Infração. Ali foi imputada multa por não ter a recorrente, em época própria, informado em GFIP como fatos geradores de contribuições previdenciárias os valores dos empréstimos que vieram a ser configurados como remuneração pela fiscalização. Tratase, pois, de mais uma obrigação acessória, que também em nada se confunde com a obrigação da recorrente em prestar todas as informações de interesse do FISCO, lançada no presente Auto de Infração. As obrigações acessórias existem como ferramenta que permite a fiscalização validar ou não o cumprimento das obrigações previdenciárias em comento, se caracterizando é qualquer situação que torne obrigatória a prática ou a abstenção de atos, desde que não se transfigurem em obrigação principal. As multas lançadas pelo descumprimento de obrigações acessórias em desfavor da recorrente, em momento algum se confundem, pois cada uma delas retratam o descumprimento de diferentes obrigações de fazer a que estava submetida a recorrente, logicamente, todas elas decorrentes de ter sido verificada a ocorrência da obrigação principal. Logo, sobre este aspecto, não há direito a ser reconhecido a recorrente. Melhor sorte não aufere a recorrente com a alegação de que o Decreto 3.048/99 não pode criar infrações e determinar a aplicação de multas em decorrência do descumprimento das obrigações acessórias previdenciárias. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/10/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 21/10/2011 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14479.000871/200704 Acórdão n.º 2402002.134 S2C4T2 Fl. 129 5 Inicialmente, cumpre apontar que cabe ao julgado administrativo velar pela correta aplicação da legislação tributária em vigor, de modo que, enquanto esta não vier a ser declarada de alguma forma inconstitucional, merece ser aplicada aos casos em concreto. Por tal motivo, o reconhecimento da inconstitucionalidade da cobrança da multa, não pode ser analisada por este Eg. Conselho, em respeito competência privativa do Poder Judiciário, já que, o afastamento da aplicação da Legislação referente, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal, o que é vedado a este Eg. Conselho. Sobre o tema, o CARF consolidou referido entendimento por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”. Mesmo que assim não o fosse, ao que se depreende do relatório fiscal da infração cometida, a fiscalização concluiu que a recorrente infringiu os arts. 32, III, da Lei 8.212/91 c/c art. 225, III, do RPS, ambos transcritos a seguir: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; III prestar ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e ao Departamento da Receita FederalDRF todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. Art.225. A empresa é também obrigada a: I [..] II[..] III prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social e à Secretaria da Receita Federal todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização; Logo, não há que se falar que o Decreto 3.048/99 criou infrações não previstas em Lei. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/10/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 21/10/2011 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Ante todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Igor Araújo Soares Fl. 6DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/10/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 21/10/2011 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10954.000046/00-31
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/1988 a 30/09/1995
Ementa: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE PIS. PAGAMENTOS EFETUADOS A MAIOR. DECRETOS-LEIS Nº 2.445 E 2.449, DE 1988. PRAZO DECADENCIAL.
O prazo para requerer a restituição dos pagamentos efetuados a maior, com base nos Decretos-Leis nºs 2.445/88 e 2.449/88, é de cinco anos, iniciando-se a sua contagem no momento em que eles foram considerados indevidos com efeitos erga omnes, o que só ocorreu com a publicação da Resolução nº 49, do Senado Federal, em 10/10/1995.
Recurso negado.
Numero da decisão: 202-18.303
Decisão: ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso (Relator), Ivan Allegretti ( Suplente) e Maria Teresa Martinez Lopez, que votaram a decadência pela tese dos 10 anos. Designado o Conselheiro Antonio Zomer para redigir O voto vencedor.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
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CONFERE COM O ORIGINAL PAGAMENTOS EFETUADOS A MAIOR. Brasília, 0 '4 / / DECRETOS-LEIS N2 2.445 E 2.449, DE 1988. PRAZO DECADENCIAL. Celma Mariquerque Mat. Siape 94442 O prazo para requerer a restituição dos pagamentos efetuados a maior, com base nos Decretos-Leis n2s . 2.445/88 e 2.449/88, é de cinco anos, iniciando-se a sua contagem no momento em que eles foram considerados indevidos com efeitos erga omnes, o que só ocorreu com a publicação da Resolução n2 49, do Senado Federal, em 10/10/1995. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso (Relator), Ivan Allegretti ( uplente) e Processo n.° 10954.000046/00-31 CCO2/CO2 Acórdão n.° 202-18.303 Fls. 2 Maria Teresa Martinez L ez, que votaram a decadência pela tese dos 10 anos. Designado o Conselheiro Antonio Zo er para redigir O voto vencedor. OYfi s ANTONIO CARLOS A UM President:À A E`'1111 • N- ONI G ZOMER Relator-Designado SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES MF CONFERE COM O ORIGINAL Brasília, Celma Milteri;tiquerque Mat. Siape 94442 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Gustavo Kelly Alencar e Nadja Rodrigues Romero. Processo n.° 10954.000046/00-31 CCO2/CO2 Acórdão n.° 202-18.303 Fls. 3 Relatório Trata o caso em tela de pedido de restituição/compensação dos valores recolhidos a título de contribuição ao PIS com base nos Decretos-Leis n2s 2.445/88 e 2.449/88, referente ao período de apuração de 01/09/1988 a 30/09/1995, requerido em 13/10/2000 (fl. 01). A DRJ em Belém - PA, por meio do acórdão n2 5.332, de 05 de dezembro de 2005, manteve o indeferimento á solicitação, por entender que o prazo para pleitear a restituição de valores pagos a maior ou indevidamente, a título de tributos e contribuições, inclusive os sujeitos ao lançamento por homologação, como é o caso da contribuição ao PIS, é de cinco anos, contados da data do efetivo pagamento. No recurso de fls. 312/333, a recorrente alega, em síntese, que o assunto encontra-se pacificado nos âmbitos judicial e administrativo, inclusive pela colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais, sustentando que a Lei Complementar n 2 7/70, em seu art. 62, tratou da semestralidade da base de cálculo e não do prazo para recolhimento. Aduz, ainda, que o prazo para o pedido de restituição dos valores indevidamente recolhidos, com base nos Decretos-Leis n 2s 2.445/88 e 2.449/88, expirou somente em 09/10/2000, tendo em vista que a Resolução n2 49/95, do Senado Federal, foi publicada em 10/10/1995. Requer, assim, a restituição/compensação da importância indevidamente recolhida, a título de contribuição ao PIS, com base nos Decretos-Leis n2s 2.445/88 e 2.449/88, no período compreendido entre os meses de competência de 07/88 a 09/95, atualizado monetariamente, acrescido de juros da taxa Selic, nos termos do art. 39, parágrafo único, da Lei n2 9.250/95, e na Norma de Execução Conjunta SRF/Cosit/Cosar n 2 8/97. Relação de bens e direitos para arrolamento acostada às fls. 350/353; É o Relatório. MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Brasília, O C( I _ „.57\ Celma Maria Albuquerque Mat.-Siape 94442 • Processo n.° 10954.000046/00-31 MF SEGUNDO 1 Acórdão n.° 202-18.303 • CONFERE HO DE CONTRIBUINTESFECROENSCEOLMOORCIGONINTARL Fls. 4 Brasília, Celma uerquersiaria Albug Voto Vencido Mat. Sia ' e 94442 Conselheiro ANTÔNIO LISBOA CARDOSO, Relator O recurso merece ser conhecido, porquanto tempestivo e revestidos dos demais requisitos legais pertinentes. O caso aqui discutido, a semestralidade da base de cálculo do PIS, recolhido com base nos Decretos-Leis d's 2.445/88 e 2.449/88, é por demais conhecido deste colendo Conselho de Contribuintes, inclusive nos Tribunais Superiores, que também já se posicionaram acerca da matéria inúmeras vezes, em decisões similares ao trecho da ementa abaixo transcrita: "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. PIS. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDÁDE. LC N° 07/70. CORREÇÃO MONETÁRIA. LEI 7.691/88. ÔNUS SUCUMBENCIAIS. RECIPROCIDADE E PROPORCIONALIDADE. INTELIGÊNCIA DO ART. 21, CAPUT, DO CPC. 1 - A 1" Turma, desta Corte, por meio do Recurso Especial n° 240.938/RS, cujo acórdão foi publicado no DJU de 10/05/2000, reconheceu que, sob o regime da LC 07/70, o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador do PIS constitui a base de cálculo da incidência. 2 - A base de cálculo do PIS não pode sofrer atualização monetária sem que haja previsão legal para tanto. A incidência de correção monetária da base de cálculo do PIS, no regime semestral, não tem amparo legal. A determinação de sua exigência é sempre dependente de lei expressa, de forma que não é dado ao Poder Judiciário aplicá-la, uma vez que não é legislador positivo, sob pena de determinar obrigação para o contribuinte ao arrepio do ordenamento jurídico- tributário. Ao apreciar o SS n° 1853/DF, o Exmo. Sr. Ministro Carlos Velloso, Presidente do STF, ressaltou que 'A jurisprudência do STF tem-se posicionado no sentido de que a correção monetária, em matéria fiscal, é sempre dependente de lei que a preveja, não sendo facultado ao Poder Judiciário aplicá-la onde a lei não determina, sob pena de substituir-se ao legislador (V: RE n° 234003/R5', Rel. Min. Maurício Corrêa; DJ 19.05.2000)'. 3 - A opção do legislador de fixar a base de cálculo do PIS como sendo o valor do faturamento ocorrido no sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador é uma opção política que visa, com absoluta clareza, beneficiar o contribuinte, especialmente, em regime inflacionário. 4 — A 1" Seção, deste Superior Tribunal de Justiça, em data de 29/05/01, concluiu o julgamento do REsp n° 144.708/RS, da relatoria da em. Ministra Eliana Calmon (seguido dos Resps n's 248.893/SC e 258.651/SC), firmando posicionamento pelo reconhecimento da característica da semestralidade da base de cálculo da contribui, ão para o PIS, sem a incidência de correção monetária. 61\ Processo n.° 10954.000046/00-31 CCO2/CO2 Acórdão n.° 202-18.303 Fls. 5 5 — Tendo cada um dos litigantes sido em parte vencedor e vencido, devem ser recíproca e proporcionalmente distribuídos e compensados entre eles os honorários e despesas processuais, na medida da sucumbência experimentada. Inteligência do art. 21, caput, do CPC. 6- Recurso especial parcialmente provido." Resp 336.162/SC — STJ P Turma — Julgado em 25/02/2002. Entendimento acompanhado pela própria jurisprudência deste Egrégio Conselho: "PIS — SEMESTRALIDADE — A base de cálculo do PIS corresponde ao sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador(precedentes do STJ — Recursos Especiais n''s 240.938/RS e 255.520/RS — e CSRF — Acórdãos CSRF/02-0.871, de 05/06/2000). Recurso voluntário a que se dá provimento. RECURSO 114349, Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, julgado em 24.01.2001 — DPU". Quanto ao prazo para a restituição do indébito, entendo ainda não decaído, pois, até a sessão passada estava resistente a seguir a tese do 5+5, referente ao prazo de restituição do indébito tributário dos tributos por homologação, como é o caso do PIS, todavia, por tratar- se de assunto de matéria pacífica no âmbito do STJ, a tese vem ganhando força a cada dia no âmbito dos Conselhos de Contribuintes, razão pela qual também resolvi seguir o entendimento. Assim sendo sigo a orientação do STJ para a hipótese, isto é, de 10 (dez) anos, contados de cada qual dos recolhimentos indevidos: • "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. COMPENSAÇÃO. PIS. PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA. INICIO DO PRAZO. PRECEDENTES. 1. Está uniforme na I" Seção do STJ que, no caso de lançamento tributário por homologação e havendo silêncio do Fisco, o prazo decadencial só se inicia após decorridos 5 (cinco) anos da ocorrência _ CO ". do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da ta homologação tácita do lançamento. Estando o tributo em tela sujeito a 5 lançamento por homologação, aplicam-se a decadência e a prescrição nos moldes acima delineados. È zo a 2. Não há que se falar em prazo prescricional a contar da declaração U PI O :41 de inconstitucionalidade pelo STF ou da Resolução do Senado. A o O pretensão foi formulada no prazo concebido pela jurisprudência desta E < 1,1 CO te Casa Julgadora como admissivel, visto que a ação não está alcançadoO u. *g pela prescrição, nem o direito pela decadência. Aplica-se, assim, o 2 Ir, . 2 prazo prescricional nos moldes em que pacificado pelo STJ, id est, a O ffi. corrente dos cinco mais cinco.Cà Z Z 0 CD 3. A ação foi ajuizada em 23/03/2001. Valores recolhidos, a título de ui ai co e PIS, no período de 12/89 a 04/96. Não transcorreu, entre o prazo do g2 recolhimento (contado a partir de 03/1991) e o do ingresso da ação em juízo, o prazo de 10 (dez) anos. Inexiste prescrição sem que tenh, havido homologação expressa da Fazenda, atinente ao prazo de 11 OS' \\\, Processo n.° 10954.000046/00-31 CCO2/CO2 Acórdão n.° 202-18.303 Fls. 6 (dez) anos (5 + 5), a partir de cada fato gerador da exação tributária, contados para trás, a partir do ajuizamento da ação. 4. Precedentes desta Corte Superior. 5. Embargos de divergência parcialmente acolhidos para, com base na jurisprudência predominante da Corte, declarar a prescrição, apenas, das parcelas anteriores a 03/91, concedendo as demais, nos termos do voto."(EResp. n° 500.231/RS. 1" Seção. Rel. Min. José Delgado. Julgado em 10/11/2004. DJU 17/12/2004 — grifo da transcrição). Impede ainda transcrever parcialmente a ementa do acórdão do REsp n2 955.831/SP, onde consta que a partir da vigência da Lei Complementar n 2 118/2005 (09/06/05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco anos, contados da data do pagamento. Entretanto, para os pagamentos efetuados anteriormente à LC, deve ser observado o critério anterior, ou seja, 5 (cinco) anos para a homologação e mais 5 (cinco) anos para a restituição, é o que depreende-se do trecho abaixo: "4. Nessa assentada, firmou-se o entendimento de que, 'com o advento da LC 118/05, a prescrição, do ponto de vista prático, deve ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a ação de repetição de indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova'." Desta forma, sou de acordo que o indébito decorrente do recolhimentos das contribuições ao PIS realizados nos períodos de apuração de 01/09/1988 a 30/09/1995, recolhidas por força dos Decretos-Leis n2s 2.445/88 e 2.449/88, ambos declarados inconstitucionais pelo STF, à época do pedido (fl. 1), 13/10/2000, ainda não havia sido totalmente fulminado pela decadência, remanescendo os períodos de apuração de 14/10/90 em diante, tendo decaído os períodos anteriores. Em face do exposto, meu voto é no sentido de conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe provimento parcial, a fim de reconhecer a semestralidade da base de cálculo do PIS, nos termos da Lei Complementar n2 7/70, cujo regramento permaneceu até fevereiro de 1996, sem qualquer correção da base de cálculo, devendo ser restituídos/compensados os valores recolhidos a maior, os quais devem ser corrigidos monetariamente, até 31/12/1995, com base na tabela anexa à Norma de Execução Conjunta SRF/Cosit/Cosar n2 08, de 27/06/97, e, a partir de 1 2/01/96, sobre os indébitos passam a incidir exclusivamente juros equivalentes à taxa Selic, acumulada mensalmente, até o mês anterior em que houver a restituição/compensação, acrescida de 1% relativamente ao mês de ocorrência da restituição ou compensação, por força do disposto no art. 39, § 4 2, da Lei n2 9.250/95. \Sala das Sessies, em 19 de setembro de 2007. k"lb I âb ( À 1AC MF • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIB*1)'':,- CONFERE COM O ORIGINAL A TI 10 LS:DA 5050 Brasília,. / ,,2-0,0 Celme Miniquerque Mat. Si p o e 94442 . Processo n.o 10954.000046/00-31 CCO2/CO2 Acórdão n.° 202-18.303 MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES l 7 CONFERE COM O ORIGINAL F s. BrasIlia, Oq 1____La I--.2°04- .Gbax Celma Maria Albuquerque Mat. Siape 94442 Voto Vencedor Conselheiro ANTONIO ZOMER, Relator-Designado A tese defendida pela recorrente é a de que, em se tratando de tributo lançado por homologação, o prazo para pedir restituição é de dez anos, conforme tem decidido o Superior Tribunal de Justiça — STJ. 1 De fato, o STJ tem acolhido a tese do Prof. Hugo de Brito Machado, no sentido de que, no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a extinção do crédito tributário, referida no art. 168, I, do CTN, ocorre com a combinação do pagamento antecipado e a homologação do lançamento, referidas no art. 156, VII, do CTN. Segundo esta corrente, caso o contribuinte tenha efetuado algum pagamento, o prazo de cinco anos previsto no art. 150, § 42, do CTN começa a fluir a partir da data da homologação do lançamento. Se a homologação for expressa, os cinco anos do prazo de decadência contam-se a partir desta data. Se for tácita, contam-se os cinco anos a partir do exaurimento do qüinqüênio previsto no art. 150, § 42, do CTN. O art. 156, VII, do CTN estabelece que: "Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (.) VII - o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no art. 150 e seus §§ 12 e 42•" O dispositivo realmente exige a conjugação de dois fatos que são a ocorrência de um pagamento antecipado e a homologação do lançamento, que pode ser tácita ou expressa. Entretanto, a interpretação a ser dada deve levar em conta que o art. 150, § 12, consigna que "(.) O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento." Por sua vez, o art. 127 do Novo Código Civil deixa claro que, quando a condição é resolutiva, o ato jurídico tem eficácia desde o momento de sua constituição, ao estabelecer que "(..) Se for resolutiva a condição, enquanto esta se não realizar, vigorará o negócio jurídico, podendo exercer-se desde a conclusão deste o direito por ele estabelecido.(.)". Por conta destas disposições legais, o pagamento antecipado, uma vez efetuado, faz com que o contribuinte não precise aguardar a homologação tácita ou expressa para requerer certidão negativa de débitos, nos termos do art. 205 do CTN, pois este direito surge no momento do pagamento, que extingue o crédito sob condição resolutória da ulterior homologação. A tese do Prof. Hugo de Brito Machado só seria válida se o art. 150, § 1 2, do CTN extinguisse o crédito sob condição suspensiva da ulterior homologação do lançamento. , d>' , Processo n.° 10954.000046/00-31 CCO2/CO2 Acórdão n.° 202-18.303 Fls. 8 Como o legislador estabeleceu que a condição é resolutória, a extinção definitiva do crédito tributário ocorre no momento da antecipação do pagamento e somente em relação ao montante antecipado. Os efeitos da homologação ou da não-homologação retroagem à data do pagamento. Desse modo, como o inciso I do art. 168 do CTN fixa como dies a quo do prazo de decadência a data da extinção do crédito tributário, o prazo para pleitear a restituição ou compensação, em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data do pagamento indevido e não da homologação. Este entendimento foi chancelado pelo legislador, por meio de interpretação autêntica, com a publicação da Lei Complementar n 2 118, em 09/02/2005, a qual, em seu art. 32 estabeleceu que, para os efeitos do disposto no art. 168, I, do CTN, a extinção do crédito tributário, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, ocorre no momento do pagamento antecipado de que trata o art. 150, § 1 2, do referido Código. Tratando-se de norma expressamente intapretativa, as disposições do art. 3Q da LC n2 118/2005 devem ser obrigatoriamente aplicadas aos casos ainda não definitivamente julgados, por força do disposto no art. 106, I, do CTN, que tem caráter imperativo. Embora caminhe no sentido de que o prazo para pedir restituição/compensação de indébitos tributários é sempre de 5 (cinco) anos, a jurisprudência dos Conselhos de 1 Contribuintes faz importante distinção quando o pedido decorre de situação jurídica I conflituosa, que tenha culminado em declaração de inconstitucionalidade de lei. Nesses casos, tem-se entendido que o dies a quo da contagem do prazo decadencial é a data da declaração de inconstitucionalidade, pois é somente a partir dela que o pagamento, antes legalmente válido, toma-se indevido. Se a inconstitucionalidade é declarada em caráter difuso, a contagem do prazo decadencial para terceiros será iniciada quando a decisão do STF ganha efeito erga omnes, o que acontece com a publicação de Resolução pelo Senado Federal. A Câmara Superior de Recursos Fiscais sintetizou bem essa questão no Acórdão CSRF/01-03.239, de 19 de março de 2001, cuja ementa tem o seguinte teor: "Decadência. Pedido de Restituição. Termo Inicial. E e?, Ê .i. -.41 5 ceq.3 Ri . Em caso de conflito quanto à inconstitucionalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do . direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente inicia- 1 Z .._ O CD C..) Fe- L.(44 ' a) da publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal 2 c) ç% " 4 em ADIn;o O __ 42 csn ..1 2 < E- u, b) da Resolução do senado que confere efeito 'erga omnes' à decisão o t..) g LU 2 22-' proferida 'inter partes' em processo que reconhece O IS c° .. inconstitucionalidade de tributo; o LL. p E o z z o ( . 5= , . . , c) da publicação de ato administrativo que reconhece caráter indevido o1 Lu mi' de exação tributária."o L-...- , {4 tà. g J5( , Processo n.° 10954.000046/00-31 CCO2/CO2 Acórdão n.° 202-18.303 Fls. 9 Nesta Segunda Câmara, as decisões têm seguido a mesma linha da CSRF, como demonstra a ementa do Acórdão n2 202-15.492, de 17/03/2004, da lavra da Conselheira Ana Neyle Olímpio Holanda, assim redigida: "PIS - PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO SOBRE RECOLHIMENTOS EFETUADOS COM BASE EM NORMAS DETERMINADAS INCONSTITUCIONAIS - PRAZO DECADENCIAL — Se o indébito se exterioriza a partir da declaração de inconstitucionalidade das normas instituidoras do tributo, surge para o contribuinte o direito à sua repetição, independentemente do exercício financeiro em que se deu o pagamento indevido (Entendimento baseado no RE n2 141.331-0, Rel. Min. Francisco Rezek). A contagem do prazo decadencial para pleitear a repetição da indevida incidência apenas se inicia a partir da data em que a norma foi declarada inconstitucional, vez que o sujeito passivo não poderia perder direito que não podia exercitar. (.)" Considerando que a incidência da contribuição para o PIS, com base nos Decretos-Leis nsis 2.445/88 e 2.449/88, só veio a ser afastada para a recorrente em 10/10/1995, com a publicação da Resolução n2 49, do Senado Federal, deve ser este o dia do início da contagem do prazo decadencial dos pedidos de restituição dos valores pagos a maior, com base nesses dispositivos legais declarados inconstitucionais. Perfazendo o lapso temporal de 5 (cinco) anos, contados de 11/10/1995, tem-se que o seu término ocorreu em 10/10/2000. In casu, como o pleito foi apresentado em 13/10/2000 (fl. 01), quando já se havia esgotado o prazo legal para a sua apresentação, a recorrente não tem mais direito de reaver os indébitos relativos a eventuais pagamentos efetuados a maior, com base nos DL n2s 2.445 e 2.449, de 1988. Ante o exposto, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 19 de setembro de 2007. I A 4121, *NIO 11 ER MF -SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES,a' CONFERE COM O ORIGINAL Brasília, 494 I 1.2) -2490 "? al" Celma Ma a Al ,uq-uerque Mat. Slape 94442 Page 1 _0001600.PDF Page 1 _0001700.PDF Page 1 _0001800.PDF Page 1 _0001900.PDF Page 1 _0002000.PDF Page 1 _0002100.PDF Page 1 _0002200.PDF Page 1 _0002300.PDF Page 1
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Numero do processo: 13982.001234/2007-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/1999, 01/12/1999 a 31/12/1999, 01/03/2000 a 31/03/2000, 01/07/2000 a 31/07/2000, 01/04/2001 a 30/04/2001, 01/09/2001 a 30/09/2001, 01/12/2001 a 31/12/2001, 01/02/2002 a 28/02/2002, 01/03/2002 a 31/03/2002, 01/06/2002 a 30/06/2002, 01/12/2002 a 31/12/2002, 01/01/2003 a 30/04/2003, 01/11/2003 a 30/11/2003, 01/01/2004 a 31/12/2004, 01/02/2005 a 30/04/2007
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DECADÊNCIA.
Tratando-se de multa por descumprimento de obrigação acessória, o prazo para o fisco constituir o crédito tributário é de 5 anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, inc. I, do CTN.
RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE.
O art. 79 da Lei nº 11.941/2009 revogou o art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 e trouxe penalidade mais benéfica para a presente infração, motivo pelo qual deve haver o recálculo da multa imposta.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2402-002.195
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial para adequação da multa ao artigo 32A
da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/1999, 01/12/1999 a 31/12/1999, 01/03/2000 a 31/03/2000, 01/07/2000 a 31/07/2000, 01/04/2001 a 30/04/2001, 01/09/2001 a 30/09/2001, 01/12/2001 a 31/12/2001, 01/02/2002 a 28/02/2002, 01/03/2002 a 31/03/2002, 01/06/2002 a 30/06/2002, 01/12/2002 a 31/12/2002, 01/01/2003 a 30/04/2003, 01/11/2003 a 30/11/2003, 01/01/2004 a 31/12/2004, 01/02/2005 a 30/04/2007 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DECADÊNCIA. Tratandose de multa por descumprimento de obrigação acessória, o prazo para o fisco constituir o crédito tributário é de 5 anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, inc. I, do CTN. RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE. O art. 79 da Lei nº 11.941/2009 revogou o art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 e trouxe penalidade mais benéfica para a presente infração, motivo pelo qual deve haver o recálculo da multa imposta. Recurso voluntário provido em parte. Fl. 146DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para adequação da multa ao artigo 32A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica. Julio César Vieira Gomes Presidente. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Walter Murilo Melo Andrade e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente o Conselheiro Tiago Gomes de Carvalho Pinto. Fl. 147DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 13982.001234/200794 Acórdão n.º 240202.195 S2C4T2 Fl. 147 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado para se exigir multa no valor de R$ 582.793,27, por deixar a Recorrente de declarar na GFIP pagamentos realizados a contribuintes individuais nos períodos de 03/1999, 12/1999, 03/2000, 07/2000, 04/2001, 09/2001, 12/2001, 02/2002, 03/2002, 06/2002, 12/2002, 01/2003 a 04/2003, 11/2003, 01/2004 a 12/2004 e 02/2005 a 04/2007. Conforme consta no Relatório Fiscal, a empresa deixou de informar também remunerações pagas a segurados empregados a título de “prêmio de produtividade”, concedido através de ticket da empresa Incentive House S.A., no período de 06/2004 a 04/2007. A Recorrente apresentou impugnação (fls. 17/38) requerendo o cancelamento de todos os débitos ora exigidos, ou, quando menos, a realização de diligência. Em 1ª instância, a DRJ em Florianópolis converteu o julgamento em diligência para que o auditor fiscal se manifestasse quanto: (i) aos limites das contribuições dos segurados à Previdência Social; (ii) ao número de funcionários da empresa, por competência; e (iii) à inclusão dos valores devidos às terceiras entidades no cálculo da multa (fl. 42). A auditor fiscal apresentou informação fiscal (fl. 44/48) retificando os valores que ultrapassaram o teto de contribuição do segurado, excluindo do cálculo da multa o valor devido às terceiras entidades, bem como informando por competência o número de funcionários da empresa, passando a ser exigido o valor de R$ 524.538,90. A Recorrente se manifestou quanto à informação fiscal, alegando que parte do débito está decaído e que a contribuição previdenciária não deve incidir sobre os prêmios de produtividade (fls. 53/67). A d. DRJ em Florianópolis, ao analisar o processo, julgou o lançamento parcialmente procedente (fls. 70/73) para reconhecer a decadência de parte do débito (R$ 408,25) e homologar a exclusão do valor de R$ 58.245,37, conforme informações do auditor fiscal, reduzindo o montante exigido para R$ 524.130,65. A Recorrente apresentou recurso voluntário alegando que: (i) os valores pagos aos segurados a título de incentivo de produtividade não compõem a base de cálculo das contribuições previdenciárias; (ii) é indevida a contribuição ao INCRA; (iii) a multa deve ser relevada; e (iv) a multa é confiscatória. Após, a Recorrente protocolou petição requerendo a aplicação do art. 106, inc. II, alínea “b”, do CTN, para que seja aplicada a multa com base no art. 32A, da Lei nº 8.212/1991, inserido por meio da Lei nº 11.941/2009. A Recorrente protocolou ainda petição requerendo a desistência parcial do seu recurso, mantendo apenas a discussão no tocante aos valores decaídos e à redução do valor da multa em face da Lei nº 11.941/2009 (fl. 141/145). Fl. 148DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Após a desistência parcial do recurso proposto pela Recorrente, a discussão remanescente neste processo remete tão somente à decadência e à aplicação das penalidades trazidas pela Lei nº 11.941/2009. No que tange à decadência, considerando que o presente lançamento foi constituído em 11/2007, cabe esclarecer que a r. decisão recorrida já afastou a aplicação do art. 45 da Lei nº 8.212/1991 para reconhecer a decadência dos débitos lançados até o período de 11/2001, nos termos do art. 173, inc. I, do CTN. Como a presente autuação versa sobre descumprimento de obrigação acessória, não há que se falar na aplicação do art. 150, § 4º, do CTN, razão pela qual a r. decisão de 1ª instância não merece qualquer reparo. Com relação à penalidade imposta no presente caso, assiste razão à Recorrente, haja vista que o art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 foi revogado pelo art. 79 da Lei nº 11.941/2009. Com o advento da referida lei, a infração de que trata o presente processo passou a ser regulamentada pelo art. 32A, inc. I, da Lei nº 8.212/19911. Tal norma leva em consideração somente a quantidade de erros formais que o contribuinte comete ao preencher suas declarações acessórias (R$ 20,00 para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas) e não o montante que deixou de ser informado, como ocorria durante a vigência da legislação anterior. Assim, considerando que, com base neste novo dispositivo, o valor das contribuições previdenciárias que deixou de ser informado não é mais relevante para se definir o montante da penalidade, bem como que o cálculo atualmente vigente implica em valores evidentemente inferiores aos exigidos pela legislação anterior, entendo que deve ser dado prosseguimento ao julgamento deste recurso, para que a multa aplicada seja recalculada com base na legislação atualmente vigente. Ante todo o exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO, para determinar que a penalidade aplicada neste processo seja recalculada com base no atual art. 32A, inc. I, da Lei nº 8.212/1991 (com redação dada 1 “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (...)” Fl. 149DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 13982.001234/200794 Acórdão n.º 240202.195 S2C4T2 Fl. 148 5 pela Lei nº 11.941/2009), em vista do instituto da retroatividade benigna previsto no art. 106, inc. II, “c”, do CTN. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 150DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
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Numero do processo: 14041.000701/2008-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004
SALÁRIO INDIRETO. ABONO PAGO POR MERA LIBERALIDADE.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA.
Integra o salário de contribuição os valores pagos a título de abono por mera liberalidade da empresa.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2402-002.163
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ABONO PAGO POR MERA LIBERALIDADE. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. Integra o salário de contribuição os valores pagos a título de abono por mera liberalidade da empresa. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes Presidente. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Igor Araújo Soares, Ronaldo de Lima Macedo, Walter Murilo Melo Andrade e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente o Conselheiro Tiago Gomes de Carvalho Pinto. Fl. 103DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de NFLD constituída em 11/08/2008 para exigir o valor de R$ 68.709,00, em virtude da falta de recolhimento das contribuições destinadas a outras entidades e fundos (INCRA, FNDE, SESC, SENAC, e SEBRAE), no período de 12/2004. Conforme consta no Relatório Fiscal (fls. 41/46), o crédito tributário apurado referese a contribuições previdenciárias incidentes sobre valores pagos por liberalidade a segurados empregados a título de abono salarial em 12/2004. A Recorrente apresentou impugnação (fls. 50/75) requerendo a total insubsistência da autuação. A d. DRJ em Brasília, ao analisar o processo (fls. 77/82), julgou o lançamento totalmente procedente, por entender que os valores pagos por liberalidade da empresa compõem o salário de contribuição. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 88/99) alegando que o pagamento do abono pago por liberalidade em 12/2004 não constitui fato gerador da contribuição previdenciária. É o voto. Fl. 104DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 14041.000701/200832 Acórdão n.º 240202.163 S2C4T2 Fl. 104 3 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Recorrente defende que os valores pagos em 12/2004, a título de abono por liberalidade, não compõem a base de cálculo das contribuições exigidas, por não serem destinados a retribuir o trabalho, tendo em vista que paga sem qualquer obrigação legal ou contratual. Defende ainda que, os valores pagos constituem mero ganho eventual do trabalhador, haja vista que foram pagos somente uma vez (na competência de 12/2004), bem como que são desvinculados da remuneração, haja vista que foi concedido objetivando premiar o desempenho dos seus funcionários na época da negociação do acordo coletivo de trabalho. Entretanto, para que a verba seja considerada como “ganho eventual” desvinculado do salário, ela não pode ter natureza remuneratória. Caso contrário, ela se amoldará na regra matriz de incidência da contribuição previdenciária, que é justamente remunerar pessoa física pelo serviço prestado. Por outro lado, somente quando a verba não for remuneratória e não for paga habitualmente, ela poderá se valer da exclusão art. 28, § 9º, aliena “e”, item 7, da Lei nº 8.212/1991. Vale dizer que: (i) se a verba não é remuneratória e é eventual, não incidirá contribuição previdenciária, nos termos do art. 28, § 9º, aliena “e”, item 7, da Lei nº 8.212/1991; (ii) se a verba é remuneratória, ela comporá o salário de contribuição, independentemente da habitualidade do seu pagamento; e (iii) se a verba não é remuneratória e nem eventual (ou seja, é habitual), também haverá incidência da contribuição previdenciária, nos termos do art. 201, § 11, da CF/1988. Analisando o item 8 do Relatório Fiscal (fl. 42), verificase que os valores pagos em 12/2004 se referem ao pagamento adicional de 20% do valor do salário do empregado de 10/2004, a título de abono. De acordo com a Recorrente, os referidos valores foram destinados a premiar os trabalhadores pelo desempenho alcançado. Posto isso, temse que esses valores, em que pesem terem sido pagos apenas uma única vez, constituem complemento da remuneração do trabalhador, em evidente caráter de contraprestação pelo trabalho prestado, haja vista que foram calculados com base nos salários dos trabalhadores para premiar o desempenho destes de forma liberal, motivo pelo qual devem compor o salário de contribuição. Nesse mesmo sentido, esta Colenda Corte Administrativa já se manifestou: Fl. 105DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 4 “SALÁRIO INDIRETO. PRÊMIO. INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO. PREVIDENCIÁRIA. Nos termos do artigo 28, inciso I, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 457, § 1º, da CLT, integra o salário de contribuição, a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título aos segurados empregados, objetivando retribuir o trabalho, inclusive aqueles recebidos a título de prêmio, na forma de gratificação ajustada, independente da denominação dada pelo contribuinte.” (CARF, PAF nº 36378.002803/200661, Sessão de 07/05/2008) “CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO – CONTRIBUIÇÃO A CARGO DOS ESTADOS CARGOS COMISSIONADOS NECESSIDADE DE LEI ESPECÍFICA PARA QUE REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL ALCANCE SERVIDORES NÃO EFETIVOS ALIMENTAÇÃO FORNECIDA EM DESACORDO COM O PAT AUXÍLIO TRANSPORTE FORNECIDO EM DINHEIRO EDUCAÇÃO BÁSICA E PARA CAPACITAÇÃO. (...) Independente, do disposto na legislação previdenciária o termo abono consiste, por sua natureza em uma verba nitidamente salarial, concedida por liberalidade do empregador representando ganho ao trabalhador. (...)” (CARF, PAF nº 36378.000321/200758, Sessão de 08/04/2008) Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para NEGAR LHE PROVIMENTO. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 106DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10980.905213/2008-52
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3403-000.339
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Antonio Carlos Atulim – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Raquel Motta Brandão Minatel e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Cuidase, na espécie, de despacho decisório eletrônico de não homologação de compensação, relativo ao PER/DCOMP 17281.32864.130704.1.3.049496, em virtude de direito de crédito integralmente alocado a outro débito de titularidade do contribuinte. Em manifestação de inconformidade o contribuinte esclareceu que o indébito decorreu de indevida tributação de comissões sobre vendas diretas do fabricante/montadora à base de cálculo da Cofins, eis que a alíquota respectiva fora reduzida a zero (art. 2º, § 2º da Lei nº 10.485/02). Foram juntadas cópias do DARF, DCTF, DIPJ e livro razão contábil. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/07/2012 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10980.905213/200852 Resolução n.º 340300.339 S3C4T3 Fl. 2 2 A DRJ Curitiba/PR julgou o recurso improcedente ao argumento que a DCTF e DIPJ respectivas foram retificadas somente após a ciência do despacho decisório, para ajustaremse às alegações deduzidas, além de inexistir prova nos autos que corroborasse os argumentos apresentados. Em recurso voluntário o contribuinte asseverou a questão fática; sustentou a inobservância dos princípios da legalidade, informalismo moderado, proporcionalidade, razoabilidade e verdade material; requereu a realização de diligência fiscal; justificou as retificações realizadas e, para reafirmar o seu direito, acostou planilhas de apuração do tributo, cópias do razão contábil e balancete analítico. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso protocolado é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Examinando a situação em debate, observei que o fundamento inicial da não homologação da compensação realizada se lastreou em uma suposta utilização do direito creditório para “quitação” de outros tributos, de forma tal que não haveria saldo disponível para a compensação realizada. Notei, também, que a Administração Tributária em momento algum contestou diretamente a existência do crédito vindicado. A meu sentir os princípios da oficialidade, do informalismo moderado e, principalmente, da verdade material impõem bem mais do processo administrativo fiscal que simples exames fundados em verificações automáticas de sistema, a partir de declarações prestadas pelo contribuinte, sem qualquer participação das autoridades administrativas, que sequer assinam o despacho decisório, porquanto validado por meio de chancela eletrônica. Não se deseja, aqui, ser refratário à modernidade ou às inovações tecnológicas, porém, no caso vertente não houve um único procedimento fiscal tendente a investigar a ocorrência, fundandose o indeferimento combatido eminentemente em questões de natureza formal, sem qualquer averiguação de ordem material. Esta turma julgadora tem reiteradamente decidido que nestas situações, desde que a peça recursal se faça acompanhar de início razoável de prova, como no caso vertente, que o julgamento deve ser convertido em diligência para análise da procedência do direito invocado. Assim, considerando que o processo não se encontra em condições de julgamento, proponho sua conversão em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: a) Aferição da procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; Fl. 98DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/07/2012 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10980.905213/200852 Resolução n.º 340300.339 S3C4T3 Fl. 3 3 b) Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; c) Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, d) Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. Robson José Bayerl Fl. 99DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/07/2012 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10980.721371/2010-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/2007 a 30/11/2009
SEGURO DE ACIDENTE DE TRABALHO (SAT/GILRAT). INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVISTAS EM LEI.
O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e legítimas as contribuições destinadas ao SAT/GILRAT.
O grau de risco da empresa é estabelecido de acordo com o enquadramento da sua atividade econômica preponderante, sendo que, a partir de 06/2007, para os bancos múltiplos com carteira comercial a alíquota foi alterada para 3%, consoante disposto no Decreto no 6.042/2007, que modificou o Anexo V do Regulamento da Previdência Social (RPS).
INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO.
Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno.
É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais.
MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR.
O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449, aplica-se a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei
nº 8.212/1991).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-002.086
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial para redução da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, vencido o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2007 a 30/11/2009 SEGURO DE ACIDENTE DE TRABALHO (SAT/GILRAT). INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVISTAS EM LEI. O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e legítimas as contribuições destinadas ao SAT/GILRAT. O grau de risco da empresa é estabelecido de acordo com o enquadramento da sua atividade econômica preponderante, sendo que, a partir de 06/2007, para os bancos múltiplos com carteira comercial a alíquota foi alterada para 3%, consoante disposto no Decreto no 6.042/2007, que modificou o Anexo V do Regulamento da Previdência Social (RPS). INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449, aplica-se a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei nº 8.212/1991). Recurso Voluntário Provido em Parte.
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CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS AO SAT/GILRAT Recorrente PARANÁ BANCO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2007 a 30/11/2009 SEGURO DE ACIDENTE DE TRABALHO (SAT/GILRAT). INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVISTAS EM LEI. O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e legítimas as contribuições destinadas ao SAT/GILRAT. O grau de risco da empresa é estabelecido de acordo com o enquadramento da sua atividade econômica preponderante, sendo que, a partir de 06/2007, para os bancos múltiplos com carteira comercial a alíquota foi alterada para 3%, consoante disposto no Decreto no 6.042/2007, que modificou o Anexo V do Regulamento da Previdência Social (RPS). INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei nº 8.212/1991). Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 315DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial para redução da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, vencido o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Tiago Gomes de Carvalho Pinto. Fl. 316DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10980.721371/201076 Acórdão n.º 240202.086 S2C4T2 Fl. 2 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, lavrado em face da sociedade empresária Paraná Banco S/A, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, relativas a parte patronal, especificamente à alíquota aplicada em decorrência do Grau de Incidência da Incapacidade Laborativa decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho (GILRAT/SAT), nos termos do disposto no art. 22, inciso II, da Lei no 8.212/1991. O Relatório Fiscal da Infração informa que o fato gerador decorre da remunerações pagas, creditadas ou devidas aos segurados empregados, constantes das folhas de pagamentos, dos recibos e rescisões contratuais da matriz e filiais, dos livros contábeis, Guia de Recolhimento à Previdência Social (GPS) e das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP). Constatouse o pagamento a menor do Seguro de Acidente de Trabalho (SAT/GILRAT). Esse Relatório Fiscal informa ainda que os valores lançados referemse à diferença de 2% no período de 06/2007 a 11/2009, inclusive 13o salário, durante o qual a empresa recolheu o RAT à alíquota de 1% sobre as remunerações pagas para segurados empregados declarados em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), sem observar as alterações introduzidas no Decreto no 3.048/1999 (Regulamento da Previdência Social) pelo Decreto no 6.042, de 12/02/07, consoante as quais ocorreu a mudança na alíquota para 3%, a partir de junho de 2007, em função da atividade econômica preponderante da autuada e consequente enquadramento no CNAE Fiscal 6422 1/00 Bancos múltiplos com carteira comercial. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 13/05/2010 (fl. 01). A Autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 229/230), alegando, em síntese, que: 1. se encontra cadastrada no CNAE 6422/00 – Bancos Múltiplos com Carteira Comercial, transcreveu os artigos 195 e 201 da Constituição Federal e o artigo 22, II, § 3o, da Lei no 8.212/1991; 2. a ilegalidade do aumento das alíquotas pelo Decreto no 6.042/2007, sem demonstração estatística da acidentalidade da empresa e sem a inspeção de que trata o parágrafo 3o do artigo 22 da Lei no 8.212/1991; 3. a multa de ofício aplicada (75%) é intolerável, desproporcional, não razoável e confiscatória, atentando contra a Constituição Federal; 4. o único dispositivo legal que autoriza o reenquadramento das alíquotas de contribuição das empresas para o RAT é o parágrafo 3o do artigo 22 da Lei no 8.212/1991, que prevê como requisitos para tal Fl. 317DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 que a alteração ocorra com base em estatísticas de acidentes de trabalho, apuradas em inspeção, devendo o reenquadramento ser individualizado por empresa e não por atividade econômica e ter por finalidade estimular o investimento em prevenção de acidentes e não o enriquecimento da máquina administrativa. Afirma que não há na legislação qualquer dispositivo que autorize o reenquadramento de alíquota de forma aleatória e discricionária, sem qualquer inspeção ou estudo estatístico e que o reenquadramento somente se justifica caso reste demonstrado, por inspeção, que a acidentalidade da empresa supera o valor por ela pago a título do correspondente seguro. Assegura que não tendo o Decreto no 6.042/2007 observado os requisitos necessários para o reenquadramento, extrapolou sua função regulamentar, aumentando ilicitamente o tributo (200% de aumento), sendo que o Auto de Infração encontrase eivado de ilegalidade, por se fundar em instrumento inferior à Lei no 8.212/1991 e que contraria textualmente as disposições de tal lei; 5. com relação à multa de 75%, alega que em momento algum agiu de máfé, apenas considerou ilegal o reenquadramento efetuado pelo Decreto no 6.042/2007, sem o devido respeito à Lei no 8.212/1991, assim realizou pagamento parcial de boafé, sendo que nenhum fato restou omitido, nem qualquer dolo foi intentado, razão pela qual assevera que a aludida multa tem cunho confiscatório, é intolerável, desproporcional, não razoável e atenta contra o artigo 150, V, da Constituição Federal. Diz que, consoante a peculiaridade do caso concreto (ilegalidade do ato de reenquadramento), é razoável a redução da multa de 75% para 20% do tributo não recolhido, por aplicação analógica do parágrafo 2o do artigo 61 da Lei 9.430/96, sob pena de enriquecimento ilícito do fisco; 6. Requer que seja declarada a nulidade do Auto de Infração, ante a insubsistência e a improcedência da ação fiscal, cancelandose qualquer procedimento tendente a exigir da impugnante o suposto débito fiscal imputado e, caso reste ultrapassado tal argumento, requer a nulidade da autuação por ter sido imputada multa superior a 20%, sob pena de atribuir caráter confiscatório a tal multa. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Curitiba/PR – por meio do Acórdão no 0629.078 da 5a Turma da DRJ/CTA (fls. 232/241) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele se coaduna com os preceitos legais que disciplinam a sua lavratura, posto que traz em seu conteúdo todos os requisitos necessários a sua validade. A Autuada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Curitiba/PR informa que o recurso é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF para processo e julgamento. É o relatório. Fl. 318DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10980.721371/201076 Acórdão n.º 240202.086 S2C4T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DA PRELIMINAR: Com relação às alegações de inconstitucionalidade constantes na peça recursal, cumpre esclarecer que a administração pública deve observar o princípio da estrita legalidade, sendo que as leis e atos normativos nascem com a presunção de constitucionalidade, que só pode ser elidida pelo Poder Judiciário, conforme a competência determinada pela Carta Magna. Nesse sentido, o Regimento Interno (RI) do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) veda aos membros de Turmas de julgamento afastar a aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, e o próprio Conselho uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 2 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), transcrito a seguir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante disso, não examinarei as questões referente à inconstitucionalidade de leis e atos normativos, especificamente as seguintes alegações: (i) inconstitucionalidade do Decreto no 6.042/2007, que alterou, para os bancos múltiplos com carteira comercial, as alíquotas do SAT/GILRAT (3% a partir de 06/2007) inseridas no Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto no 3.048/1999; (ii) inconstitucionalidade do art. 35A da Lei no 8.212/1991, que estabelece a multa de 75% sobre as contribuições apuradas mediante lançamento de ofício; e (iii) caráter desproporcional, não razoável, da multa aplicada no presente lançamento, afrontando o artigo 150, V, da Constituição Federal; dentre outras expostas na peça recursal da Recorrente. Após isso, passo ao exame de mérito. DO MÉRITO: O cerne do recurso repousa em alegação de que a empresa deveria recolher os valores para o Seguro de Acidente de Trabalho (SAT/GILRAT) com base no grau de risco leve (alíquota de 1%), e não no grau de risco grave (alíquota de 3%) estabelecido após vigência do Decreto no 6.042/2007. Constatase que o Decreto nº 6.042, de 12/02/2007, publicado no Diário Oficial da União de 13/02/2007, com base na experiência estatística de acidentes do trabalho das diversas atividades econômicas exercidas pelas empresas no país, reviu e alterou a relação de atividades econômicas e os seus correspondentes graus de risco, modificando o mencionado Anexo V do Decreto no 3.048/1999, alterando para mais ou para menos o grau de risco de inúmeras atividades e determinou que os novos graus de risco e alíquotas entrariam em vigor no 4º mês seguinte ao da sua publicação, ou seja, em junho de 2007. Fl. 319DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Em consonância com o Decreto nº 6.042/2007, para os bancos múltiplos com carteira comercial, CNAE 64221/00, a correspondente alíquota do SAT/GILRAT foi alterada de 1% (risco leve) para 3% (risco grave), a partir da competência 06/2007. Decreto nº 3.048/1999 (Regulamento da Previdência Social RPS) ANEXO V – Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco (Conforme a Classificação Nacional de Atividades Econômicas – Redação dada pelo Decreto nº 6.042/2007) CNAE DESCRIÇÃO % NOVO 64221/00 Bancos Múltiplos com Carteira Comercial 3% Com isso, a partir de junho/2007, inclusive, a Recorrente era obrigada a observar a alíquota de 3% para a contribuição destinada ao SAT/GILRAT, conforme o novo grau de risco definido para sua atividade, contudo, continuou realizando os recolhimentos com base na alíquota anterior (1%). Nesse sentido, se antes a atividade da autuada integrava o grau de risco leve (1%), é porque assim as estatísticas indicavam. E se após 06/2007 o grau de risco deve ser grave (3%), evidentemente assim o é pois as estatísticas indicaram a majoração na quantidade de acidentes de trabalho neste ramo de atividade, justificandose a alteração. Dessa forma, a elevação da alíquota de 1% para 3% não é desprovida de legalidade, nem foi fixada de forma aleatória, discricionária ou com objetivo de enriquecimento ilícito, como quer a Recorrente, eis que a nova alíquota de 3% encontra seu fundamento no art. 22, inciso II e § 3o, da Lei no 8.212/1991, in verbis: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei n° 9 732, dei1.12.98) a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. (...) § 3º O Ministério do Trabalho e da Previdência Social poderá alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, apuradas em inspeção, o enquadramento de empresas para efeito da contribuição a que se refere o inciso II deste artigo, a fim de estimular investimentos em prevenção de acidentes. Fl. 320DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10980.721371/201076 Acórdão n.º 240202.086 S2C4T2 Fl. 4 7 §4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. Com efeito, o dispositivo legal susomencionado estabelece que a alíquota do SAT/GILRAT a ser aplicada no cálculo contributivo é definida em relação à atividade preponderante exercida pelos segurados da empresa e o grau de risco (leve, médio e grave) presente no ambiente de trabalho. Ressaltarse que considera atividade preponderante a que ocupa, levandose em conta todos os estabelecimentos da empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, nos termos do art. 202, § 3°, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, transcrito abaixo: Art. 202 (...) § 3o Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. (g.n.) Acrescentase que, à luz do anexo V do Regulamento da Previdência Social (RPS), é possível identificar qual o grau de risco atribuído à empresa, de acordo com o tipo de atividade laboral. Assim, considerando que a atividade desenvolvida pela Recorrente é de bancos múltiplos com carteira comercial, foi correta a aplicação da alíquota de 3% (grau de risco grave) para a contribuição destinada ao SAT/GILRAT. Cumpre esclarecer que essa alíquota de 3%, aplicável para os bancos múltiplos com carteira comercial, foi mantida na redação do Anexo V do Decreto no 3.048/1999 (Regulamento de Previdência Social RPS), dada pelo Decreto no 6.957, de 09/09/2009. Dessa forma, a alegação da Recorrente de que deveria usar alíquota de 1% (grau de risco leve) para o recolhimento do SAT/GILRAT não será acatada, eis que o arcabouço jurídicoprevidenciário não permite tal procedimento. Quanto à argumentação da ilegalidade da cobrança da contribuição para o Seguro de Acidente de Trabalho (SAT/GILRAT), tal tese não será acatada, pois o Supremo Tribunal Federal (STF) já pacificou a matéria no julgamento do RE 343.446SC, Relator Ministro Carlos Velloso. Assim, entendeu o STF que a exigência da contribuição para o custeio do SAT, por meio das Leis nos 7.787/1989 e 8.212/1991, é constitucional e também declarou que a delegação ao Poder Executivo – para regulamentação dos conceitos de “atividades preponderante” e “grau de risco leve, médio e grave” – tem amparo constitucional. Transcrevemos a ementa do RE 343.446SC: EMENTA: CONSTITUCIONAL TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. Lei 7.787/89, arts. 3º e 4º; Lei 8.212/91, art. 22, II, redação da Lei 9.732/98. Decretos 612/92, 2.173/97 e 3.048/99. C.F., artigo 195, § 4º; art. 154, II; art. 5º, II; art. 150, I. I. Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, Fl. 321DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II. O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III. As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. (g.n.) IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido. (RE 343446, Rel. Min. Carlos Velloso, DJ de 04/04/2004) Ainda o Relator desse RE 343.446SC registrou que: “(...) o regulamento não pode inovar na ordem jurídica, pelo que não tem legitimidade constitucional o regulamento “praeter legem”. Todavia, o regulamento delegado ou autorizado ou “intra legem” é condizente com a ordem jurídicoconstitucional brasileira”. Esse entendimento de que a cobrança da contribuição destinada ao SAT/GILRAT é legítima vem sendo mantido pelo STF, senão vejamos: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. SAT. TRABALHADORES AVULSOS. CONSTITUCIONALIDADE. 1. Contribuição social. Seguro de Acidente do Trabalho SAT. Lei n. 7.787/89, artigo 3o, II. Lei n. 8.212/91, artigo 22, II. Constitucionalidade. Precedente. 2. A cobrança da contribuição ao SAT incidente sobre o total das remunerações pagas tanto aos empregados quanto aos trabalhadores avulsos é legítima. Precedente. (g.n.) Agravo regimental a que se nega provimento. [...] Voto [...] 4. O Supremo afastou a argumentação de contrariedade do princípio da legalidade tributária [CB, artigo 150, I], uma vez que a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para os decretos regulamentares ns. 612/92, 2.173/97 e 3.048/99 a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio ou grave". (g.n.) (AIAgR 742458/DF,Rel. Min. Eros Grau, Dje 14/05/2009) Fl. 322DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10980.721371/201076 Acórdão n.º 240202.086 S2C4T2 Fl. 5 9 Depreendese dessas decisões do STF que a complementação dos conceitos de atividade preponderante e do grau de risco para aplicação das alíquotas do SAT/GILRAT pode ser estabelecida por meio de Decreto (regulamento do Poder Executivo), desde que a lei assim o discipline. Logo, em consonância com a legislação previdenciária de regência ao lançamento fiscal, entendo que são devidas à diferença de contribuição destinada para o Seguro de Acidente de Trabalho (SAT/GILRAT), e afasto as alegações da Recorrente de ilegalidade dessa exação previdenciária. A Recorrente alega que a multa aplicada de 75% sobre as contribuições devidas seria ilegal, já que deveria ser observado o limite de 20%, nos termos do art. 61, 2o, da Lei no 9.430/1996. A questão a ser enfrentada é a retroatividade benéfica para redução ou mesmo exclusão das multas aplicadas através de lançamentos fiscais de contribuições previdenciárias na vigência da Medida Provisória (MP) 449, convertida na Lei 11.941/2009, mas nos casos em que os fatos geradores ocorreram antes de sua edição. É que a medida provisória revogou o artigo 35 da Lei 8.212/1991 que trazia as regras de aplicação das multas de mora, inclusive no caso de lançamento fiscal, e em substituição adotou a regra que já existia para os demais tributos federais, que é a multa de ofício de, no mínimo, 75% do valor devido. Para tanto, devese examinar cada um dos dispositivos legais que tenham relação com a matéria. Prefiro começar com a regra vigente à época dos fatos geradores. Lei no 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; Fl. 323DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo portanto necessária a constituição do crédito tributário por meio de lançamento, ainda assim a multa era de mora. A redação do dispositivo legal, em especial os trechos por mim destacados, é muito claro nesse sentido. Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora. Contemporâneo à essa regra especial aplicável apenas às contribuições previdenciárias já vigia, desde 27/12/1996, o artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, aplicável a todos os demais tributos federais: Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições Multas de Lançamento de Ofício Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. É certo que esse possível conflito de normas é apenas aparente, pois como se sabe a norma especial prevalece sobre a geral; é um dos critérios para a solução dos conflitos aparentes. Para os fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorridos até a MP 449 aplicavase sem vacilo o artigo 35 da Lei 8.212/1991. Portanto, a sistemática dos artigos 44 e 61 da Lei nº 9.430/1996 para a qual multas de ofício e de mora são excludentes entre si não se aplica às contribuições previdenciárias. Quando a destempo mas espontâneo o pagamento aplicase a multa de mora e, caso contrário, seja necessário um procedimento de ofício para apuração do valor devido e cobrança através de lançamento então a multa é de ofício. Enquanto na primeira se pune o atraso no pagamento, na segunda multa, a falta de espontaneidade. E não fica só nisso, dependendo de alguns agravantes esta última que se inicia em 75% pode chegar a 225%; enquanto a multa de mora é limitada a 20% do valor principal. De fato, a fixação da multa de ofício independe do tempo de atraso no pagamento do tributo. Para fatos geradores ocorridos a 5 anos ou no anobase anterior, por exemplo, não significa que no lançamento relativo ao mais antigo a multa de ofício seja maior. Levarseão em consideração outros fatores, como: fraude, omissão de informações ou se apenas faltou a espontaneidade para o pagamento. Fatores esses que não influenciam a fixação da multa de mora no âmbito das contribuições previdenciárias. Na Previdência Social, essas Fl. 324DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10980.721371/201076 Acórdão n.º 240202.086 S2C4T2 Fl. 6 11 condutas do sujeito passivo são consideradas infrações por descumprimento de obrigações acessórias e, portanto, ensejam lavratura de auto de infração, cuja multa não tem nenhuma relação com a multa de mora que, pelo artigo 35 da Lei nº 8.212/1991, é fixada em percentuais progressivos, considerando o tempo em atraso para o pagamento e a fase do contencioso administrativo fiscal em que realizado: prazo de defesa, após o prazo para a defesa e antes do recurso, após recurso e antes de 15 dias da ciência da decisão e após esse prazo. Quando realizado o lançamento a multa de mora é maior em razão da gradação e não porque foi aplicada com um procedimento de ofício. E esse acréscimo de valor da multa de mora também ocorre igualmente em outras fases do processo sem que, em qualquer momento, a Lei nº 8.212/1991 alterasse a natureza jurídica da multa de mora. E, ainda, a diferença de percentual para a multa de mora quando a contribuição é paga espontaneamente ou não é de apenas 4%. Ressaltando que, mesmo tendo iniciado o procedimento fiscal, o sujeito passivo tem direito a recolher ou mesmo parcelar suas contribuições em atraso, como se espontaneamente. Portanto, repetese: no caso das contribuições previdenciárias somente o atraso era punido e nenhuma dessas regras se aplicava; portanto, não vejo como se aplicar a multa de ofício aos lançamentos de fatos geradores ocorridos antes da vigência da Medida Provisória (MP) 449. Alguns sustentam a aplicação quando, embora tenham os fatos geradores ocorrido antes, o lançamento foi realizado na vigência da MP 449. E aí consulto as Normas Gerais de Direito Tributário. Preceitua o CTN que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. É a afirmação legislativa da natureza declaratória do lançamento, já predominante na doutrina desde a edição das obras de Direito Tributário do saudoso mestre Amílcar de Araújo Falcão (FALCÃO, Amilcar de Araújo. Fato Gerador da Obrigação Tributária. 4. ed. Anotada e atualizada por Geraldo Ataliba. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1977): “[...] De logo convém recordar que não é manso e tranqüilo o entendimento que exprimimos quanto à função do fato gerador como pressuposto e ponto de partida da obrigação tributária. Alguns autores dissentem dessa conclusão, afirmando que tal função criadora deve ser atribuída ao lançamento. Contestam estes que o lançamento tenha, como à maioria da doutrina e a nós parece ter, natureza declaratória [...]”. Ainda dentro desse contexto, pela legislação da época da ocorrência do fato gerador, seriam duas multas distintas a serem aplicadas pela AuditoriaFiscal: 1. uma relativa ao descumprimento da obrigação acessória – capitulada no Código de Fundamento Legal (CFL) 68 –, com base o art. 32, IV e § 5o, da Lei no 8.212/1991, no total de 100% do valor devido, relativo às contribuições não declaradas, limitada em função do número de segurados; 2. outra pelo descumprimento da obrigação principal, correspondente, inicialmente, à multa de mora de 24% prevista no art. 35, II, alínea “a”, da Lei no 8.212/1991, com a redação dada pela Lei no Fl. 325DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 9.876/1999. Tal artigo traz expresso os percentuais da multa moratória a serem aplicados aos débitos previdenciários. Essa sistemática de aplicação da multa decorrente de obrigação principal sofreu alteração por meio do disposto nos arts. 35 e 35A, ambos da Lei nº 8.212/1991, acrescentados pela Lei nº 11.941/2009. Lei nº 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (g,n,) ......................................................................................................... Lei nº 9.430/1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Em decorrência da disposição acima, percebese que a multa prevista no art. 61 da Lei 9.430/96, se aplica aos casos de contribuições que, embora tenham sido espontaneamente declaradas pelo sujeito passivo, deixaram de ser recolhidas no prazo previsto na legislação. Esta multa, portanto, se aplica aos casos de recolhimento em atraso, que não é o caso do presente processo. Por outro lado, a regra do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 (acrescentado pela Lei nº 11.941/2009) aplicase aos lançamentos de ofício, que é o caso do presente processo, em que o sujeito passivo deixou de declarar fatos geradores das contribuições previdenciárias e consequentemente de recolhêlos, com o percentual 75%, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Lei nº 8.212/1991: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Entretanto, não há espaço jurídico para aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991, eis que o critério jurídico a ser adotado é do art. 144 do CTN (tempus regit actum: o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada). Dessa forma, entendo que para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, Fl. 326DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10980.721371/201076 Acórdão n.º 240202.086 S2C4T2 Fl. 7 13 inciso II da Lei nº 8.212/1991) e não a multa de ofício fixada no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para redução da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/1991 vigente à época dos fatos geradores. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 327DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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