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Numero do processo: 10950.001770/2007-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2007
GFIP.OMISSÕES. AUSÊNCIA DE CORREÇÃO DA FALTA A ATRAIR A RELEVAÇÃO.
Demonstradas as omissões na GFIP sem que o sujeito passivo tenha corrigido a falta é de se manter a multa pelo descumprimento da obrigação.
MULTA GFIP. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. VERIFICAÇÃO DA RETROATIVIDADE BENIGNA.
Incide na espécie a alínea c, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 32-A, inciso I, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, na redação dada pela Lei 11.941/09.
Numero da decisão: 2301-004.117
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso nas demais alegações da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Wilson Antonio de Souza Correa, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva, Daniel Melo Mendes Bezerra e Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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AUSÊNCIA DE CORREÇÃO DA FALTA A ATRAIR A RELEVAÇÃO. Demonstradas as omissões na GFIP sem que o sujeito passivo tenha corrigido a falta é de se manter a multa pelo descumprimento da obrigação. MULTA GFIP. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. VERIFICAÇÃO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. Incide na espécie a alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 32A, inciso I, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, na redação dada pela Lei 11.941/09. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 17 70 /2 00 7- 79 Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 20/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Wilson Antonio de Souza Correa, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva, Daniel Melo Mendes Bezerra e Adriano Gonzales Silvério. Relatório Tratase de Auto de Infração 37.095.7997, o qual exige multa pelo fato de o sujeito passivo ter apresentado a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias no período de janeiro de 2004 a março de 2007. O sujeito passivo apresentou sua impugnação alegando que procedeu à correção da infração por meio do envio de GFIPs complementares. A empresa juntou uma série de documentos para comprovar o atendimento à fiscalização e solicitou o cancelamento da multa. (fls. 114) A DRJ de Curitiba baixou o processo em diligência para que a autoridade fiscal autuante informasse, por competência, quais foram os segurados que receberam comissões, assim como quais suas respectivas remunerações já declaradas em GFIP e quais os valores que foram objeto da autuação, assim como qual o número real de segurados a serviço da empresa cm cada competência, especialmente naquelas competências em que o número de segurados cujas remunerações não foram integralmente declaradas e difere do número total de segurados da empresa. Em resposta à diligência, a autoridade fiscal elaborou planilhas indicativas, sendo concedido prazo para que o sujeito passivo se manifestasse. Transcorrido o prazo sem manifestação do contribuinte, os autos retornaram para a DRJ, que julgou a impugnação improcedente, mas manteve o crédito tributário somente em parte, tendo em vista a aplicação da multa mais benéfica prevista pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Em face da decisão da DRJ de Curitiba, foi interposto recurso voluntário, reiterando que as GFIPs foram entregues e solicitando o cancelamento da multa. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso reúne as condições de admissibilidade e dele conheço. O recurso reúne as condições de admissibilidade e dele conheço. Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 20/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10950.001770/200779 Acórdão n.º 2301004.117 S2C3T1 Fl. 1.046 3 Embora o recorrente reitere os argumentos anteriormente aduzidos de que as GFIPs foram entregues corretamente, o recurso voluntário não questiona o minucioso e detalhado relatório elaborado em diligência fiscal quanto às omissões nas GFIPs, bem como não demonstra elementos que possam afastar os argumentos da decisão recorrida. A questão relativa à correção da falta foi analisada com a seguinte conclusão: Examinando esses documentos, colho deles que a empresa informou os valores pagos a titulo de publicidade a clube de futebol profissional nas competências 01/2005 a 03/2005, 01/2006, 02/2006 c 04/2006, entretanto, cm todos os meses arrolados na autuação a empresa não informou o total das remunerações recebidas pelos empregados, ou seja, declarou apenas a diferença entre a remuneração já declarada em CiFIP c o apurado pela Fiscalização (vide coluna "Diftrengct a declarar em GF1P"da planilha de f1.66 I a 675). Desse modo, não tendo sido providenciada de forma integral a correção da falta, vêse esta autoridade julgadora impedida de acatar o pedido da relevação da pena previstos nos dispositivos legais acima mencionados. Desse modo, tendo em vista que as retificações empreendidas não foram suficientes para corrigir as omissões nas GFIPs a multa não pode ser relevada. A r. decisão recorrida, por sua vez, ao considerar a retroatividade prevista no artigo 106 do CTN a fim de aplicar a multa mais benigna ao sujeito passivo aplicou o artigo 32A, inciso II, da Lei 8.212/91, incluído pela Lei 11.941/09. Ocorre que a multa capitulada no dispositivo acima citado deve ser aplicada nos casos de ausência de declaração ou declaração entregue após o prazo legal, situação que não ocorreu nesses autos. Pelo contrário o lançamento se deu em virtude de entrega de GFIP, porém com omissões relativas a fatos geradores. Considerando que o artigo 106, inciso II, do Código Tributário Nacional prevê que a legislação mais benéfica pode ser aplicada enquanto o ato não estiver definitivamente julgado, entendo que a multa mais benéfica a ser aplicada ao caso concreto é aquela prevista no artigo 32A, inciso I, da Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas Registro que incabível a multa prevista no artigo 35A da Lei 8.212/91, uma vez que este dispositivo, ao fazer referência ao artigo 44 da Lei 9.430/61, restringe sua aplicação ao lançamento de créditos relativos às contribuições previdenciárias e não o descumprimento de obrigação acessória. Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 20/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 Tanto isso é verdade que o novel artigo 35A acima mencionado faz referência “às contribuições referidas no art. 35 desta Lei”. Seguindo essa linha vemos que o artigo 35, ao tratar das contribuições faz nova remissão, agora às alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do artigo 11 da Lei 8.212/91, o qual dispõe que constituem contribuições sociais as das empresas, as dos empregadores domésticos e as dos trabalhadores. Não há, portanto, permissão para que a multa do artigo 35A seja lançada em decorrência do descumprimento de dever instrumental. Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para aplicar a multa prevista no artigo 32A, inciso I, da Lei nº 8.212/91, na redação conferida pela Lei 11.941/09, se mais benéfica ao recorrente. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 20/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 14751.000240/2008-91
Data da sessão: Mon Apr 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/04/2001 a 31/01/2005
RECURSO INTEMPESTIVO
É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo.
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Numero da decisão: 2402-000.749
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, devido a sua intempestividade, nos termos do voto da relatora.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2001 a 31/01/2005 RECURSO INTEMPESTIVO É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
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Numero do processo: 16306.000206/2008-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2004
APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE PROVAS. POSSIBILIDADES E CONDIÇÕES.
A apresentação de prova documental deve ser feita durante a fase de impugnação. Contudo, tratando-se de Pedido de Restituição /Compensação, tal prazo pode ser flexibilizado desde que as provas apresentadas a destempo demonstrem, que não prevalecem os motivos que ensejaram o indeferimento do Pedido.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-003.164
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para acolher as provas juntada aos autos a destempo e determinar que a autoridade de jurisdição da contribuinte promova nova apreciação da PER/DCOMP nº 00561.29256.220104.1.3.06-7064. Vencido o Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, que convertia o julgamento em diligência. Realizou sustentação oral a Dra. Thaymara Cristiane de Medeiros, OAB/SP 301.978.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 10/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Bernardo Schmidt, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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POSSIBILIDADES E CONDIÇÕES. A apresentação de prova documental deve ser feita durante a fase de impugnação. Contudo, tratandose de Pedido de Restituição /Compensação, tal prazo pode ser flexibilizado desde que as provas apresentadas a destempo demonstrem, que não prevalecem os motivos que ensejaram o indeferimento do Pedido. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para acolher as provas juntada aos autos a destempo e determinar que a autoridade de jurisdição da contribuinte promova nova apreciação da PER/DCOMP nº 00561.29256.220104.1.3.067064. Vencido o Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, que convertia o julgamento em diligência. Realizou sustentação oral a Dra. Thaymara Cristiane de Medeiros, OAB/SP 301.978. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 10/11/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 30 6. 00 02 06 /2 00 8- 09 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 16306.000206/200809 Acórdão n.º 2102003.164 S2C1T2 Fl. 102 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Bernardo Schmidt, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório MAVIBEL BRASIL LTDA (incorporada por UNILEVER BRASIL LTDA) apresentou Pedido de Ressarcimento ou Restituição – Declaração de Compensação, fls. 02/05, transmitido em 22/01/2004, através de PER/DCOMP nº 00561.29256.220104.1.3.067064. O crédito que consta no PER/DCOMP referese ao IRRF incidente nos juros sobre o capital próprio, no valor de R$ 5.422.375,93. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo (Derat/SP) indeferiu o pleito da contribuinte, conforme Despacho Decisório, de 30/10/2008, fls. 16/19, sob a alegação de que em consulta aos sistemas internos da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), fls.13, em relação ao anocalendário 2003, não há informação de IRRF em nome da beneficiária Mavibel Brasil Ltda. Inconformada com a decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, fls. 28/37, onde alega, em apertada síntese, que não conseguiu, em tempo hábil, levantar em seus arquivos antigos, os documentos que prontamente já poderiam comprovar, sem maiores delongas, a retenção por ela sofrida, razão porque protesta pela posterior juntada dos documentos, sem que haja qualquer prejuízo a sua ampla defesa, acrescentando que a autoridade administrativa atevese exclusivamente ao resultado negativo da consulta aos sistemas internos da RFB. A autoridade julgadora de primeira instância, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme Acórdão DRJ/SP1 nº 16 23.842, de 16/12/2009, fls. 56/62. Cientificada da decisão de primeira instância em 21/01/2010, fls. 63, a contribuinte apresentou, em 22/02/2010, recurso voluntário, fls. 64/78, trazendo as seguintes alegações: Esclarecimento preliminar: Da incorporação da Mavibel Brasil Ltda pela Unilever Brasil Ltda – A Mavibel Brasil Ltda, pessoa jurídica apontada no processo em questão, foi incorporada pela Unilever Brasil Ltda em 15/12/2006 (conforme já é de conhecimento das autoridades fiscais). Contudo, como o crédito de IRRF objeto de questionamento no presente processo referese aquele apurado pela Mavibel no ano base de 2003, temse que, de fato, é a Mavibel o sujeito passivo das obrigações tributárias relativas a esse caso e não a Unilever, que somente algum tempo após incorporou a Mavibel. Tal esclarecimento é importante na medida em que, por uma coincidência, o crédito de IRRF utilizado pela Mavibel quando da compensação em questão diz respeito exatamente a rendimentos pagos a ela pela Unilever, pessoa jurídica que, à época, Fl. 102DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 16306.000206/200809 Acórdão n.º 2102003.164 S2C1T2 Fl. 103 3 era detida pela Mavibel (ou seja, na época da ocorrência dos fatos geradores em discussão, a Mavibel era sócia da Unilever). Da comprovação da retenção de IRRF sofrida pela recorrente e da conseqüente regularidade de seu direito creditório – O crédito objeto da PER/DCOMP se refere ao IRRF recolhido pela Unilever sobre rendimentos de juros sobre capital próprio pago à recorrente. Já o débito, por sua vez, referese ao IRRF devido pela recorrente, incidente sobre o pagamento de juros sobre capital próprio à sua sócia Brasinvest B.V., referente ao anobase de 2003. E, por coincidência, os valores são exatamente os mesmos, ou seja: R$ 5.422.375,93. O Despacho Decisório recorrido deixou de homologar a compensação da recorrente em razão de não ter sido localizado, nos sistemas da RFB, qualquer recolhimento de IRRF em favor da recorrente no anocalendário de 2003. Assim, apesar de reconhecer não haver qualquer outra (suposta) irregularidade na compensação, deixouse de homologar a PER/DCOMP unicamente sob alegação de não ter sido comprovada a existência do crédito lá utilizado. Recentemente, após mobilizar parte de seus funcionários na busca por provas a esse respeito, a recorrente finalmente conseguiu levantar informações/documentos que comprovam o seu crédito de IRRF. O crédito de IRRF não foi verificado nos sistemas RFB porque a Unilever, fonte pagadora dos rendimentos de juros sobre capital próprio, por um lapso, cometeu um erro no preenchimento de sua Dirf. Verificouse agora nos controles da Unilever que foi transmitida Dirf retificadora em 2008, para incluir a informação referente ao rendimento de juros sobre o capital próprio pago a Mavibel (no valor de R$ 36.149.172,84) e o seu respectivo IRRF recolhido (R$ 5.422.375,93), doc 04. A recorrente também localizou em seus controles o Darf recolhido à época pela Unilever, no valor total de R$ 5.476.599,69 (R$ 5.422.375,93 + R$ 54.223,76 de juros moratórios), por ter havido um pequeno atraso no recolhimento, doc 05. Da inocorrência de preclusão temporal para apresentação de novos documentos Não merecerá prosperar eventual entendimento no sentido de que teria precluído seu direito à apresentação de novos documentos neste processo, posto que a recorrente não pretende realizar qualquer aditamento ou complementação aos argumentos suscitados em sua manifestação de inconformidade, mas tãosomente unificar os documentos que deveriam ter sido analisados já pela DRF durante a análise da compensação em questão. O que faz agora a Recorrente é apenas suprir um trabalho feito inadequadamente pela DRF, visando permitir a análise sistemática e conjunta de todos os documentos relevantes para que a autoridade julgadora forme sua livre convicção sobre os atos praticados pela contribuinte. Registrese que qualquer limitação à atividade probatória do contribuinte implica em grave violação a um dos princípios mais importantes do processo administrativo fiscal, o princípio da verdade material. Do pedido Restando totalmente comprovada a insubsistência dos argumentos que norteiam a decisão recorrida, requerse seja acolhido e julgado inteiramente procedente o presente recurso voluntário para fim de que seja finalmente reconhecida a homologação integral da PER/DCOMP. É o Relatório. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 16306.000206/200809 Acórdão n.º 2102003.164 S2C1T2 Fl. 104 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Do exposto no relatório acima, verificase que cuidase de Pedido de Ressarcimento ou Restituição – Declaração de Compensação, PER/DCOMP nº 00561.29256.220104.1.3.067064, no qual a recorrente requer a compensação de crédito de IRRF de juros sobre o capital próprio, no valor de R$ 5.422.375,93, relativo ao anocalendário 2003. Importante destacar que referido pedido foi formulado por meio eletrônico e transmitido em 22/01/2004. A Derat/SP indeferiu o pleito da contribuinte, conforme Despacho Decisório, proferido em 30/10/2008, sob a alegação de que em consulta aos sistemas internos da RFB, em relação ao anocalendário 2003, não havia informação de IRRF em nome da beneficiária Mavibel Brasil Ltda, sendo certo que o despacho foi proferido sem que nenhuma diligência fosse realizada, ou seja, a contribuinte não foi intimada a fazer a comprovação do direito pleiteado. Por outro lado, cientificada do referido Despacho Decisório, em 18/11/2008, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, contudo, deixou de juntar aos autos os documentos comprobatórios de seu direito, alegando dificuldades em obtêlos no prazo legal de 30 dias, mas dizendo que os documentos seriam apresentados posteriormente. Seguiuse a decisão da DRJ São Paulo I, proferida em 16/12/2009, um ano depois, julgandose improcedente a manifestação de inconformidade, por ausência de apresentação dos documentos comprobatórios do direito creditório perseguido pela recorrente, ocasião em que negouse à contribuinte o pedido genérico de produção de provas e juntada posterior de documentos. Adveio o recurso voluntário e a contribuinte juntou aos autos os seguintes documentos: (i) cópia de um Darf, fls. 92, onde observase recolhimento de IRRF, no código 5706 (juros sobre o capital próprio), no valor de R$ 5.422.375,93, com pagamento feito por Unilever Brasil Ltda, em 16/02/2004, e (ii) cópia parcial de Dirf retificadora, fls. 90/91, apresentada pela Unilever do Brasil Ltda (folha de rosto e folha contendo informação corresponde a a Mavibel Brasil Ltda). Devese, portanto, preliminarmente, examinar se é possível a apreciação de tais provas, que somente vieram aos autos, no momento da apresentação do recurso. De imediato, devese concordar com a decisão recorrida quando afirma que o momento processual para a juntada de provas aos autos é quando da apresentação da Fl. 104DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 16306.000206/200809 Acórdão n.º 2102003.164 S2C1T2 Fl. 105 5 impugnação ou manifestação de inconformidade, salvo nos casos excepcionados no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Contudo, no presente caso, houve a intercorrência de fatos, que conduzem à flexibilidade do disposto no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. A favor da recorrente labora a conduta da autoridade fiscal que indeferiu o pleito da recorrente, mediante rito sumário. Ou seja, consultouse os sistemas internos da RFB, obtevese resultado negativo e indeferiuse o pedido. Não houve nenhuma outra providência, seja no sentido de intimar a contribuinte ou a Unilever do Brasil Ltda. Também a favor da recorrente temse o fato de a PER/DCOMP ter sido transmitida em 22/01/2004 e o Despacho Decisório proferido em 30/10/2008, sendo certo que no período transcorrido entre tais eventos houve a incorporação da Mavibel pela Unilever. Diante deste contexto e levandose em consideração que tais provas demonstram, salvo prova em contrário, que não prevalecem os motivos que ensejaram o indeferimento do pedido de restituição/compensação, os documentos apresentados pela contribuinte somente na fase recursal devem ser acolhidos, em razão da obediência aos princípios do contraditório, da ampla defesa e da verdade material. Todavia, em respeito ao duplo grau de jurisdição, o exame das provas e mais análises que o caso requer devem ser promovidos pela autoridade de jurisdição da contribuinte, de forma que os autos devem retornar à repartição de origem para, a vista dos documentos juntados aos autos e dos esclarecimentos prestados, quando da apresentação do recurso, procederse nova apreciação do pedido de restituição/compensação, com as devidas verificações que o caso requer. Ante o exposto, voto por DAR PARCIAL provimento ao recurso, para acolher as provas juntada aos autos a destempo e determinar que a autoridade de jurisdição da contribuinte promova nova apreciação da PER/DCOMP nº 00561.29256.220104.1.3.067064. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 105DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13910.000856/2008-20
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2102-000.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento deste recurso até que transite em julgado o acórdão do Recurso Extraordinário nº 614.406, nos termos do artigo 62A, do Anexo II, do RICARF.
Assinado digitalmente.
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho Relator.
EDITADO EM: 20/11/2013
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Eivanice Canário da Silva, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento deste recurso até que transite em julgado o acórdão do Recurso Extraordinário nº 614.406, nos termos do artigo 62A, do Anexo II, do RICARF. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho – Relator. EDITADO EM: 20/11/2013 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Eivanice Canário da Silva, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 24 a 26: Trata o processo de impugnação à Notificação de Lançamento de fls. 08 a 10, frente e verso, resultante de revisão da Declaração de Ajuste Anual DAA RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 10 .0 00 85 6/ 20 08 -2 0 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 20/11/ 2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13910.000856/200820 Resolução nº 2102000.161 S2C1T2 Fl. 3 2 correspondente ao exercício de 2005, anocalendário de 2004, que exige R$ 13.375,17 de Imposto de Renda suplementar, R$ 10.031,37 de multa de ofício e R$ 4.786,97 de juros de mora, em virtude de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. 2. Segundo o relatório Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fl. 09, confrontando o valor dos rendimentos tributáveis declarados pelo contribuinte com os valores informados pela fonte pagadora (Instituto Nacional do Seguro Social INSS), mediante Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte Dirf, constatouse omissão de R$ 63.257.87 de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, bem como R$ 636,41 de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF.O contribuinte apresentou impugnação tempestiva (fls. 01 a 10), acompanhada de documentos (fls. 11 a 99), cujo julgamento na DRJ resultou no acórdão citado onde o crédito tributário foi mantido em parte. Inconformado o contribuinte apresentou Recurso Voluntário. Registro que o crédito tributário decorrente de omissão de rendimentos tem na sua base de cálculo rendimentos recebidos acumuladamente, conforme Extratos de fls. 19 a 20. Em razão das determinações no voto a seguir, este relato é o suficiente. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Na forma do art. 62A, caput e § 1º do Anexo II, do RICARF, sempre que a controvérsia tributária seja admitida no rito da repercussão geral (art. 543B do CPC), deverão as Turmas de Julgamento do CARF sobrestar o julgamento de matéria idêntica nos recursos administrativos, aguardando a decisão definitiva da Suprema Corte. Daí, no âmbito das Turmas de Julgamento da Primeira e Segunda Câmaras da Segunda Seção do CARF, a controvérsia sobre a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente deve ter o julgamento administrativo sobrestado, pois o STF reconheceu a repercussão geral na matéria, como se vê abaixo (informação extraída do site www.stf.jus.br): Tema 368 Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente. – RE 614.406 – Relatora a Min. Ellen Grace. No presente caso, temse que a infração de omissão de rendimentos recebidos da HSBC Bank Brasil S/A, trata de rendimentos recebidos acumuladamente, sendo certo que o recurso voluntário versa sobre a matéria do Tema 228 e deve ter seu julgamento sobrestado, na forma do art. 62, caput e § 1º, do Anexo II, do RICARF. Ante o exposto, voto no sentido de SOBRESTAR o julgamento do recurso. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 20/11/ 2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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Numero do processo: 10935.906416/2012-98
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 25/08/2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.714
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 25/08/2010 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de PIS/PASEP que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 25/08/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 64 16 /2 01 2- 98 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.864, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 03/01/2013, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 02632.65195.181010.1.2.042787, rastreamento nº 041907554, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 5.686,53, uma vez que o pagamento de PIS/PASEP (Código 6912), do período de 31/07/2010, efetuado em 25/08/2010, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 18/01/2013, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906416/201298 Acórdão n.º 3802002.714 S3TE02 Fl. 122 3 Data do fato gerador: 25/08/2010 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906416/201298 Acórdão n.º 3802002.714 S3TE02 Fl. 123 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 67DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906416/201298 Acórdão n.º 3802002.714 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua Fl. 68DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906416/201298 Acórdão n.º 3802002.714 S3TE02 Fl. 125 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 70DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 15504.002157/2010-56
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2802-000.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado por unanimidade determinar realização de diligência, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 09/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Guilherme Barranco de Souza (suplente), Ronnie Soares Anderson, Nathalia Correia Pompeu (suplente) e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado por unanimidade determinar realização de diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 09/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Guilherme Barranco de Souza (suplente), Ronnie Soares Anderson, Nathalia Correia Pompeu (suplente) e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2080; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 349 1 348 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.002157/201056 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2802000.222 – 2ª Turma Especial Data 07 de outubro de 2014 Assunto Realização de diligência Recorrente MERCEZ AMARAL BATISTA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado por unanimidade determinar realização de diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 09/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Guilherme Barranco de Souza (suplente), Ronnie Soares Anderson, Nathalia Correia Pompeu (suplente) e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física dos exercícios 2006 e 2007, anocalendário 2005 e 2006, decorrente de apuração de Acréscimo Patrimonial a Descoberto, conforme demonstrado às fls. 11 a 22. A fiscalização teve inicio após seleção da contribuinte pela Equipe Especial de Fiscalização de que trata a Portaria Copes n° 01, de 12/03/2009. Foi realizada análise dos autos do processo judicial n° 2008.38.00.038500 e dos documentos apreendidos durante a denominada "Operação Castelhana" deflagrada pela Policia Federal, tendo como alvo empresas do grupo que integram o escritório de advocacia "Juvenil Alves Advogados Associados" e respectivos advogados, além de terceiros a eles relacionados, conforme denúncia formalizada pelo Ministério Público Federal, do que decorreu a constatação RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 04 .0 02 15 7/ 20 10 -5 6 Fl. 349DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 09 /10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 15504.002157/201056 Resolução nº 2802000.222 S2TE02 Fl. 350 2 que a contribuinte declarou ter auferido rendimentos em 2005 no montante de R$3.600,00, encontrandose, porém, omissa na entrega de DIRPF no anocalendário de 2006 e tendo sido verificada a informação na Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias D1MOB de que a contribuinte adquiriu no ano de 2005 um imóvel pelo valor de R$529.095,17. Na impugnação a contribuinte alega que agiu de boa fé, uma vez que como pensionista do INSS não poderia ter comprado o dito imóvel e que foi o Sr. Abelardo de Lima Ferreira, exmarido de sua filha, que teria pedido para usar seu nome na compra de um imóvel que seria revendido com lucro. Atribui ao Sr. Aberlado a responsabilidade pelos ilícitos praticados e alega que foi na residência deste que foram apreendidos os documentos alusivos à Operação castelhana. A impugnação foi indeferida sob fundamento, em síntese, de que se trata de presunção legal cuja desconstituição é ônus da contribuinte, há provas dos pagamentos efetuados pela contribuinte (fls. 128/173 e 187/198), que ela foi a adquirente do imóvel (fls. 84/85 e 97/119) e que ela constou como vendedora do mesmo (fls. 120/127), sendo inócua a alegação de que não foi a verdadeira proprietária do imóvel, todavia a impugnante não comprovou o que alegou. A ciência do acórdão ocorreu em 19/04/2011 e recurso voluntário foi interposto no dia 12/05/2011. O recurso voluntário, em resumo, constituise das alegações abaixo: a) nulidade do auto de infração decorrente do emprego de provas obtidas por meios ilícitos, pois foram colhidas de processo judicial em que a recorrente não é parte, portanto a decisão judicial de compartilhamento de dados com a Receita Federal não alcança a recorrente; b) a ordem de busca e apreensão visava colher elementos de prova relativos à prática de crimes relacionados a um esquema de blindagem patrimonial, não poderiam essas provas serem empregadas para fins de lançamento tributário, logo foi ilegal a apreensão sem autorização judicial para a Receita Federal; c) falta de comprovação da suposta omissão de receita, pois não basta indício, o Fisco tem o dever de provar o acréscimo patrimonial; além do que o suposto acréscimo patrimonial adveio de doação; e a autoridade fiscal não apontou motivação para a qualificar a multa de ofício; não comprovou ter existido dolo da contribuinte. Juntou resultado de pesquisa processual alusiva ao processo judicial 2008.38.00.0038500 (fls. 331) com a relação dos réus e Certificação de “Nada Consta” da Justiça Federal Seção Judiciária de Minas Gerais (fls. 333). O processo foi distribuído a este Relator, por sorteio, durante a sessão de julho de 2014. É o Relatório. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 09 /10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 15504.002157/201056 Resolução nº 2802000.222 S2TE02 Fl. 351 3 Parte substancial do recurso voluntário referese à alegação de que a autuação baseouse em provas obtidas por meio ilícito, o que acarretaria a nulidade do lançamento. Essa alegação não procede. Não há ilegalidade no emprego de documentos obtidos por meio de mandado de busca e apreensão, ainda que a recorrente não seja ré no processo criminal, o que independe da finalidade da referida apreensão. Ademais, essencialmente, as provas da autuação foram a Declaração de Operação imobiliária emitida pelo Cartório, a escritura de compra e venda de imóvel, a informação prestada pela Construtora do apartamento atestando os pagamentos e os boletos bancários, somente estes últimos foram obtidos por meio de busca e apreensão. Rejeitadas as preliminares. No mérito, o Acréscimo Patrimonial a Descoberto foi demonstrado pela autoridade lançadora, adotando como premissa que a contribuinte teve como dispêndios os valores empregados na aquisição do apartamento nº 153, situado na Avenida Jurema, 200, apto. 153, Bloco "C", Clássic Condominium Club, pagos à Construtora Brascan Imobiliária Incorporações, cuja denominação foi alterada para Brookfield Rio de Janeiro Empreendimentos. A documentação comprova adequadamente a aquisição em nome da contribuinte. Em situações normais, estaria suficientemente comprovado o Acréscimo Patrimonial a Descoberto. Essa modalidade de autuação é uma espécie de presunção legal, que inverte o ônus da prova, atribuindo ao contribuinte o ônus de comprovar as suas alegações. A recorrente desde a fase de fiscalização alega que não efetuou os dispêndios e sim seu exgenro, réu em processo penal, decorrente da denominada Operação Castelhana. Não obstante a presunção legal – relativa, digase , excepcionalmente neste caso, não se pode negar que há uma série de indícios de verossimilhança nas alegações da recorrente que, em homenagem ao princípio da busca da verdade material, justificam maiores esclarecimentos para deixar inequívoca a ocorrência do fato gerador, sob o risco de pactuar com o esquema criminoso de blindagem patrimonial apurado na Operação Castelhana e no qual o Sr. Abelardo foi um dos investigados e que usava, dentre outros estratagemas, a interposição de pessoas. Eis os indícios: a) os boletos bancários alusivos à aquisição do imóvel foram obtidos na busca e apreensão no escritório do advogado investigado na Operação Castelhana, do qual o exgenro da recorrente é irmão e não na casa ou dependências da recorrente; Fl. 351DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 09 /10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 15504.002157/201056 Resolução nº 2802000.222 S2TE02 Fl. 352 4 b) o sinal (R$18.613,33) para aquisição do apartamento foi pago com cheque nº SG0008, Banco 341, agência 0262 (fls. 44); o ITBI (R$12.600,00) foi pago com transação 507611217 junto ao Banco 341, agência 0262 (fls. 96); c) o Sr. Aberlado foi o procurador da recorrente na promessa de venda e compra para cessão dos direitos sobre o referido imóvel (fls. 120); cujo sinal foi dado em 12/11/2007, por meio dos cheques nº 131 e 134 do Banco Bradesco S/A, ag. 1837, no valor total de R$22.000,00; d) nas contas correntes da recorrente não há registro de débitos ou créditos relacionados aos cheques apontados nos dois itens acima; e) em sendo verídica a alegação da recorrente, a aquisição do imóvel em seu nome caracterizaria interposição de pessoa, uma das práticas investigadas na Operação Castelhana, que foi divulgada pela Receita Federal na mídia, conforme disponível em http://www.receita.fazenda.gov.br/automaticoSRFSinot/2006/11/23/2006_11_23_09_02_49_6 37850936.html, que dificultam a produção de provas imposta à contribuinte. f) também não há registro nas contas correntes da recorrente relativo ao pagamentos dos 12 boletos apreendidos na Operação Castelhana (fls. 187/198), dos quais somente dois tem na autenticação bancária signos indicativos de pagamento em dinheiro; e g) não há qualquer outra evidência de gastos da contribuinte ou saldos bancários compatíveis com o perfil de adquirente do referido imóvel. Notesse que, além de investigado nos esquemas de blindagem patrimonial e uso de interpostas pessoas, o Sr. Abelardo foi fiscalizado e autuado pela Receita Federal, porém no presente processo não consta que a Receita Federal tenha adotado providências para verificar se a recorrente foi uma interposta pessoa. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência a fim de que a Unidade da Receita Federal de origem providencie: 1. intimação à recorrente para informar a forma de pagamento dos boletos e, em tendo sido pagos por meio de cheques, a identificação dos mesmos, ou ao menos o emitente; 2. intimação à Construtora para identificar o emitente do cheque relativo ao Sinal na aquisição do apartamento nº 153, situado na Avenida Jurema, 200, apto. 153, Bloco "C", Clássic Condominium Club; 3. intimação aos Cartórios para obtenção da procuração lavrada no 16° Tabelião de Notas de São Paulo SP, Livro 2.957, fls. 311, outorgada ao Sr. Abelardo, que foi usada na promessa de venda e compra do imóvel; bem como cópia dos cheques, que segundo o instrumento integrariam o contrato; 4. intimação à adquirente do imóvel, Srª Susana Aparecida Tomazela Herndl, CPF n° 159.506.53858, para informar a quem foi pago o sinal pela compra do apartamento e apresentar cópia microfilmada dos cheques, a fim de indicar a conta em que foram depositados; 5. intimação ao corretor de imóveis, Sr. Adriano Silva, CRECI 59.373 F,para informar se as tratativas para venda do apartamento nº 153, situado na Avenida Jurema, 200, Fl. 352DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 09 /10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 15504.002157/201056 Resolução nº 2802000.222 S2TE02 Fl. 353 5 apto. 153, Bloco "C", Clássic Condominium Club eram feitas pelo Sr. Abelardo ou pela Srª Mercês Amaral Batista; e como e por quem foi paga a comissão de R$37.800,00 pactuada na referida alienação (fls. 125/126); 6. identificar outros elementos, se houver, que contribuam na obtenção da verdade material acerca das alegações da recorrente; e 7. intimar a recorrente da faculdade de manifestarse no prazo de trinta dias sobre o resultado da diligência. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 353DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 09 /10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10865.002916/2008-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
NULIDADE - CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL - INEXISTÊNCIA
As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - NULIDADE DO PROCESSO FISCAL
Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
PEDIDO DE PERÍCIA - INDEFERIMENTO
É de ser indeferido o pedido de perícia contábil quando a prova que se pretende formular com a perícia era de exclusiva responsabilidade do sujeito passivo.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF no.26).
Indeferir a perícia
Rejeitar as preliminares
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.776
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Por maioria de votos, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO e PEDRO ANAN JUNIOR, que acolhem a preliminar. QUANTO AO PEDIDO DE DILIGÊNCIA: Por unanimidade de votos, indeferir o pedido de pericia. QUANTO AS DEMAIS PRELIMINARES: Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes (Suplente Convocado), Pedro Anan Junior.
Nome do relator: Antonio Lopo Martinez
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PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. NULIDADE CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NULIDADE DO PROCESSO FISCAL Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. PEDIDO DE PERÍCIA INDEFERIMENTO É de ser indeferido o pedido de perícia contábil quando a prova que se pretende formular com a perícia era de exclusiva responsabilidade do sujeito passivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 29 16 /2 00 8- 43 Fl. 352DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF no.26). Indeferir a perícia Rejeitar as preliminares Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Por maioria de votos, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO e PEDRO ANAN JUNIOR, que acolhem a preliminar. QUANTO AO PEDIDO DE DILIGÊNCIA: Por unanimidade de votos, indeferir o pedido de pericia. QUANTO AS DEMAIS PRELIMINARES: Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes (Suplente Convocado), Pedro Anan Junior. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10865.002916/200843 Acórdão n.º 2202002.776 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Contra o contribuinte, LUÍS OLÍMPIO FRANCISCO DE ALMEIDA, foi lavrado, em 26/08/2008, o Auto de Infração de fls. 05 a 26, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2006 (anocalendário 2005), por intermédio do qual lhe é exigido crédito tributário no montante de R$ 1.229.002,37, dos quais R$ 609.382,38 correspondem a imposto, R$ 457.036,78, a multa proporcional e R$ 162.583,21, ajuros de mora, calculados até 31/07/2.008. Conforme Termo de Verificação de Infração (fls. 11a 26) e Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 07 e 08), o procedimento teve origem na apuração da seguinte infração: DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme demonstrado no Termo de Verificação de Infração, parte integrante do auto de infração. Cientificado do Auto de Infração em 01/09/2.008 (fl. 148), o contribuinte apresentou, em 30/09/2.008, a impugnação de fls. 153 a 167, alegando, em síntese, que: o contribuinte foi intimado e reintimado; após estas duas intimações foi surpreendido pelo auto de infração; em decorrência não teve tempo hábil para apresentar sua movimentação financeira à RFB; assim, para que o contribuinte tenha seu direito à ampla defesa e ao contraditório respeitados, ele apresenta as justificativas e comprovações de sua movimentação A impugnação foi apresentada com observância do prazo estipulado no art. 15 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72. esclarece que atuava, à época dos fatos, no ramo de compra e venda de veículos usados (o que representaria quase a totalidade de sua movimentação financeira) e que o produto de cada venda de veículo era depositado em contacorrente de sua titularidade (nos bancos ABN e Bradesco), sendo que apenas após os pagamentos completarem o valor integral da venda era efetuado o repasse em favor do vendedor do veículo (que encontravase em consignação); quando havia financiamento, o valor era depositado em conta bancária de titularidade do interessado e posteriormente repassado ao consignatário ou ao vendedor do veículo por meio de cheque. Para cada financiamento, recebia comissão da Fl. 354DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 instituição financeira, creditada em contacorrente de titularidade do contribuinte; a fiscalização teria optado pela tributação com base em depósitos bancários em lugar de buscar a origem dos depósitos; não teria sido cumprido o disposto no parágrafo 3 o do art. 42 da Lei n° 9.430/96, que determina a análise individualizada dos créditos; a fiscalização não teria considerado que diversos créditos são originários de instituições financeiras (a seu ver, a instituição ou o contribuinte deveriam ser questionados pela fiscalização); anexa à impugnação está parte da documentação que comprovaria a origem da movimentação financeira, bem como a atividade de compra e venda de veículos (essa documentação é composta de fichas de controle, com dados de cada vendedor, veículo, despesa e comprador) — com ela estaria garantido o direito ao contraditório e à ampla defesas do contribuinte interessado; junto ao Banco Finasa e a terceiros teriam sido solicitadas documentações complementares, não recebidas pelo interessado até a entrega da impugnação; contesta o lançamento com base na soma dos créditos financeiros, caracterizandoo como um equívoco lamentável; pede pela tributação pelo regime da pessoa jurídica, uma vez que estaria comprovado que o interessado exerceria de maneira habitual atividade comercial (art. 150 do RIR/99 cita jurisprudência administrativa); depósitos não configurariam rendimento (cita jurisprudência, inclusive administrativa e a Súmula 182 do extinto TFR, e doutrina); Requer seja declarado o auto de infração insubsistente. Protesta provar por todos os meios de prova em Direito admitidos, especialmente pela sustentação oral e requer a juntada de novos documentos e de quaisquer outras provas que se façam necessárias, desde que admitidas em processos administrativos. A DRJ julgou o impugnação improcedente, nos termo da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA I R PF Anocalendário: 2005 PRELIMINAR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Pelos elementos constantes dos autos, fica sem fundamento a alegação de cerceamento do direito de defesa, na medida em que o interessado, tanto na fase de autuação, quanto na fase impugnatória, teve oportunidade de carrear aos autos documentos/informações/esclarecimentos, no sentido de ilidir a tributação contestada. Preliminar rejeitada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular e/ou o cotitular das contas bancárias ou o real beneficiário dos Fl. 355DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10865.002916/200843 Acórdão n.º 2202002.776 S2C2T2 Fl. 4 5 depósitos, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado, o contribuinte, se mostrando irresignado, apresentou o Recurso Voluntário, reiterando os argumentos da impugnação: Cerceamento do direito de defesa, um vez que não teria conhecimento de qual o montante fiscalizado; Da natureza das operações exercidas pelo recorrente, que faz com que os depósitos bancários, não representem variação patrimonial; Da necessidade da busca da verdade material; Da necessidade de conversão em diligência; Da ilegalidade da tributação baseada em depósitos bancários; Da documentação comprobatória apresentada; Da necessidade da tributação como pessoa jurídica. É o relatório. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Os recursos estão dotados dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da Preliminar de Nulidade por Quebra do Sigilo Bancário O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Pessoalmente, não me restam dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preservase a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocála para absterse de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. No comando da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, notase o seguinte: “Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; Fl. 357DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10865.002916/200843 Acórdão n.º 2202002.776 S2C2T2 Fl. 5 7 VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Art. Revogase o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.”. Se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que o contribuinte foi intimada a fornecer seus extratos bancários, no entanto não os apresentou, Fl. 358DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto. E é este o caso nos autos. Ademais, a tese de ilicitude da prova obtida não está sendo acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme a jurisprudência já consolidada. Rejeito, portanto, o questionamento preliminar argüido quanto ilicitude da prova por quebra do sigilo bancário. Da Preliminar de Nulidade Nos presentes autos, não ocorreu nenhum vício para que o procedimento seja anulado, como bem discorreu a autoridade recorrida, os vícios capazes de anular o processo são os descritos no artigo 59 do Decreto 70.235/1972 e só serão declarados se importarem em prejuízo para o sujeito passivo, de acordo com o artigo 60 do mesmo diploma legal. A autoridade fiscal ao constatar infração tributária tem o dever de ofício de constituir o lançamento. Constatado que as infrações apuradas foram adequadamente descritas nas peças acusatórias e no correspondente Relatório de Procedimento Fiscal, e que o contribuinte, demonstrando ter perfeita compreensão delas, exerceu o seu direito de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento. As razões para não se aceitar os argumentos do recorrente estão claramente demonstrados tanto no Termo de Verificação do Auto de Infração como na Decisão recorrida. Entendo que não procede a alegação de que a defesa teria sido prejudicada. Uma vez que isso não impediu que o contribuinte apresentase ampla defesa suscitando vários pontos. Urge registrar que as intimações foram recebidas pelo contribuinte (fls. 27 e 28, 32 e 33) e a impugnação foi apresentada tempestivamente (148 e 153). Além disso, antes de impugnado o processo administrativofiscal não se instala o contraditório, o processo administrativofiscal está em fase inquisitória, na qual não há de se falar em cerceamento do direito de defesa. Na realidade no caso concreto não se percebe qualquer nulidade que comprometa a validade do procedimento adotado. Diante disso, é evidente que tal preliminar carece de sustentação fática, merecendo, portanto, a rejeição por parte deste Egrégio Colegiado. Do Pedido de Diligência Descabe o pedido de diligência quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora conforme sua convicção. Por outro lado, as perícias devem limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. Assim, a perícia técnica destinase a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitandose ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. É de ser indeferido o pedido de perícia contábil quando a prova que se pretende formular com a perícia era de exclusiva responsabilidade do sujeito passivo. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10865.002916/200843 Acórdão n.º 2202002.776 S2C2T2 Fl. 6 9 Particularmente no caso de lançamento por depósitos bancários onde o ônus da prova é do recorrente. Por último, respeitando opiniões divergentes, indeferese o pedido de perícia ou diligência quando a sua realização revelese prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. Da presunção de omissão baseada em depósitos bancários O lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza nãotributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante Fl. 360DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.º 9.430/1996). É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Apreciando as razões de votar da autoridade recorrida às fls. 311 (do e processo), não encontro qualquer reparo a ser realizado, de modo que o acompanho na integra: Por tudo isso, examinemos a documentação apresentada pelo interessado. As fls. 172 e 173 são uma relação da documentação a seguir acostada (fls. 175 a 237). Nessa relação estão elencados alguns dados copiados daquela documentação (fls. 175 a 237), entre eles valores, datas, banco em que teria sido feito o depósito, modelo e placa de veículo e nome de pessoa física. Portanto, para aceitarmos ou não essa relação, mister se faz analisar a documentação de fls. 175 a 237. Lembremos que o contribuinte afirma que a apresentação dessa documentação garante a obediência aos preceitos constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Analisemos a documentação. Essa documentação é composta unicamente de cópias de páginas de um caderno formado por folhas impressas formando verdadeiras fichas com títulos tais como "veículo n°", "n° renavan", "vendedor", "comprador", "endereço". Essas páginas/fichas foram preenchidas à mão e não são assinadas. Não foram autenticadas nem em cartório, tampouco na RFB. Também não há qualquer documento que confirme se os dados que constam delas são reais. Algumas estão rasuradas (e.g. fls. 180, 182, 184, 196, 209). Portando, não constituem elementos de prova do que é alegado pelo contribuinte, ou seja, não comprovam que os valores creditados foram originados da compra e venda de veículos usados. Não comprovam que a atividade exercida pelo contribuinte à época dos fatos era a compra e venda de veículos usados. Como os documentos não comprovam as alegações do contribuinte interessado em relação à atividade por ele exercida e não comprovam a origem dos recursos creditados nas contascorrentes de titularidade do contribuinte, passemos a examinar com detalhe a tributação de depósitos bancários com origem não comprovada. Desta forma ficará claro que não foi uma escolha arbitrária da fiscalização, nem um lamentável equívoco ou uma opção por ela exercida a tributação por omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. E continua nas fls. 317 do eprocesso: E função do Fisco, entre outras, comprovar os créditos dos valores em contas de depósito ou de investimento, analisar as respectivas declarações de rendimentos e intimar o beneficiário desses créditos (titulares e/ou cotitulares das correspondentes contas correntes) a apresentar os documentos/informações/esclarecimentos com vistas à Fl. 361DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10865.002916/200843 Acórdão n.º 2202002.776 S2C2T2 Fl. 7 11 verificação da ocorrência de omissão de rendimentos de que trata o art. 42 da Lei n° 9.430/1.996. Todavia, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. Vale ressaltar que a Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos, citada pelo contribuinte e que diz que "E ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários ", restou inteiramente superada pela entrada em vigor da Lei n° 9.430/1.996, que tornou lícita a utilização de depósitos bancários de origem não comprovada como meio de presunção legal de omissão de receitas ou de rendimentos. Concluindo, no presente caso, em que pese a apresentação de documentação pelo contribuinte interessado, não há como estabelecer a origem dos depósitos, pois não se sabe a que título os créditos foram feitos. Não há como, com a documentação acostadas aos autos, estabelecer correlação entre os valores creditados em contas de titularidade do contribuinte e compra e venda de veículos usados, atividade comercial, representante ou consignatário ou intermediários de financiamentos bancários de outras pessoas às quais teria repassado o valor, que em verdade seria de titularidade daqueles e não do contribuinte interessado. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Incabível a alegação de ilegitimidade passiva, uma vez que está comprovado nos autos o uso de conta bancária em nome próprio, para efetuar a movimentação de valores tributáveis, situação que torna lícito o lançamento sobre o próprio titular da conta. Sobre esse ponto o CARF já consolidou entendimento: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF No.32) É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Das Provas nos Autos É oportuno para o caso concreto, recordar a lição de MOACYR AMARAL DOS SANTOS: “Provar é convencer o espírito da verdade respeitante a alguma coisa.” Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente, prova ‘é aquela que se forma no espírito do juiz, seu principal Fl. 362DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 destinatário, quanto à verdade deste fato”. Já no campo objetivo, as provas “são meios destinados a fornecer ao juiz o conhecimento da verdade dos fatos deduzidos em juízo.” Assim, consoante MOACYR AMARAL DOS SANTOS, a prova teria: a) um objeto são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento da ação; b) uma finalidade a formação da convicção de alguém quanto à existência dos fatos da causa; c) um destinatário o juiz. As afirmações de fatos, feitas pelos litigantes, dirigemse ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que se produz a prova, na qual o juiz irá formar a sua convicção. Podese então dizer que a prova jurídica é aquela produzida para fins de apresentar subsídios para uma tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas demonstrar os elementos que indicam a ocorrência de um fato nos moldes descritos pelo emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu. O recorrente questiona o entendimento exarado pela autoridade fiscal. Entretanto, embora tenha se transcorrido um longo período desde que tomou conhecimento do relatório não demonstrou os seus argumentos. Ademais, cabe a recorrente por força da presunção legal, compete a ela provar a natureza especifica de cada depósitos, na medida em que, ninguém melhor do que ela própria trazer o comprovante de cada depósito. Dessa forma, cabe a máxima de que “allegatio et non probatio, quase non allegatio” (alegar e não provar é quase não alegar). Ante ao exposto, voto por indeferir o pedido de diligência, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 363DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10945.720214/2011-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1402-000.168
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, determinar que o julgamento do processo seja sobrestado até pronunciamento definitivo do STF sobre a matéria sujeita a repercussão geral. Ausentes os Conselheiros Carlos Pelá e Frederico Augusto Gomes de Alencar.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, determinar que o julgamento do processo seja sobrestado até pronunciamento definitivo do STF sobre a matéria sujeita a repercussão geral. Ausentes os Conselheiros Carlos Pelá e Frederico Augusto Gomes de Alencar. Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 45 .7 20 21 4/ 20 11 -5 1 Fl. 2636DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/01 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10945.720214/201151 Resolução nº 1402000.168 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o Relatório da decisão recorrida que abixo transcrevo: Trata o processo de autos de infração exigindo impostos e contribuições, devido a fiscalização motivada por diferenças identificadas entre as receitas declaradas e escrituradas; o contribuinte apresentou a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica –DIPJ do anocalendário 2006 pelo lucro presumido porém, como o resultado de fiscalização anterior, relativa ao anocalendário 2005, evidenciou excesso de receitas em relação ao limite admitido para a sistemática, além de o livro Caixa não conter toda a movimentação financeira da empresa, entre outros defeitos, foi a empresa excluída do lucro presumido e, na impossibilidade de apurar o lucro segundo a contabilidade para fins de apuração pelo lucro real, tendo em vista que, intimada, não apresentou a necessária escrituração contábil/fiscal de acordo com a legislação, foi efetuado o lançamento pelo lucro arbitrado, com base no arts. 224, 518, 519, 530, I, III e IV, 532 do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999): a. Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, págs. 1.283/1.290, no valor de R$ 1.541.350,38, devido a: i. omissão de receitas operacionais de transporte/venda de gado, fatos geradores em 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006; base legal nos art. 532, do RIR de 1999; ii. outras receitas omitidas: ágio decorrente de precatórios, descontos obtidos e outras receitas; fatos geradores em 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006; base legal no art. 536, do RIR de 1999; b. contribuição ao Programa de Integração Social – PIS, págs. 1.291/1.298, no valor de R$ 380.215,53 sobre as receitas omitidas; fatos geradores mensais de 31/01/2006 a 31/12/2006, com base legal nos arts. 1º e 3º da Lei Complementar nº 7, de 07 de setembro de 1970; arts. 2º, I, “a” e parágrafo único, 3º, 10, 22 e 51 do Decreto nº 4.524, de 2002; c. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, págs. 1.299/1.306, no valor de R$ 1.754.849,25 sobre as receitas omitidas; fatos geradores mensais de 31/01/2006 a 31/12/2006; base legal nos arts. 2º, II e parágrafo único, 3º, 10, 22 e 51 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002; d. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, págs. 1.307/1.313, no valor de R$ 667.348,37, relativo a: i. Lucro arbitrado, fatos geradores em 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006; exigida com base no art. 2º e §§ da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988; art. 20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; art. 29 da Lei nº 9.430, de 1996; art. 37 da Lei nº 10.637 de 30 de dezembro de 2002; ii. ii. Sobre receita não operacional omitida, fatos geradores em 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006; base legal no art. 2º e Fl. 2637DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/01 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10945.720214/201151 Resolução nº 1402000.168 S1C4T2 Fl. 4 3 §§ da Lei nº 7.689, de 1988; art. 29 da Lei nº 9.430, de 1996; art. 37 da Lei nº 10.637 de 2002. 2. Sobre os impostos e contribuições devidos apurados exigese multa de ofício de 150% do art. 44, I da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e do art. 44, I, § 1º da mesma lei, com a redação dada pelo art. 18 da Medida Provisória nº 303, de 29 de junho de 2006; e juros de mora segundo o art. 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996. 3. Às págs. 1.264/1.282, no Termo de Verificação Fiscal TVF, estão descritos os procedimentos de fiscalização e a autuação. 4. Às págs. 1.318/1.325, constam Termos de Sujeição Passiva Solidária nº 001, dirigido a Vilson Pilati; nº 002 – a José Alcioni de Souza; nº 003 a Valdomiro Pilatti, todos com base nos arts. 124, I e 135, III do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966; e o Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 004 dirigido à Exellence Participações e Logística Ltda, com base no art. 132, do CTN. 5. Cientificado em 29/03/2011, em 29/03/2001 pág. 1.326, Vilson Pilati apresentou a tempestiva impugnação de págs. 1.337/1.346, em 25/04/2011, por meio de seu representante legal de págs. 1.347/1.351. 6. Informa que o mérito da autuação está sendo impugnado pela V Pilati Empresa de Transportes Rodoviários Ltda. 7. Se declara sócioadministrador da empresa e reclama que sua inclusão como sujeito passivo solidário é medida dissociada da realidade fática e jurídica, por isso a impugna, protestando pela ausência dessa solidariedade e requerendo sua exclusão do pólo passivo da medida fiscal. 8. Afirma inexistir solidariedade passiva do art. 124, I do CTN, porque o instituto não admite presunção e noticia a solidariedade natural em que duas ou mais pessoas são naturalmente codevedores solidários do imposto, ou seja, citando autor, o interesse comum na realização do fato jurídico tributário é o que define o aparecimento da solidariedade entre os devedores, ou bilateralidade no seio do fato tributário como incidência de IPTU em que duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo imóvel; e outro autor, no sentido de que a solidariedade não é forma de inclusão de um terceiro no pólo passivo da obrigação tributária, mas forma de graduar a responsabilidade daqueles sujeitos que já compõem o pólo passivo; que segundo a jurisprudência o elemento balizador para caracterizar a solidariedade é a prática de atos ou omissões por parte de terceiros, que concorram para o não recolhimento do tributo pelo contribuinte. 9. Resume que a solidariedade do art. 124, I do CTN é objetiva e abrange todos os que já integravam o pólo passivo da relação jurídicotributária, situação que não atinge o impugnante, que não integra o pólo passivo dos tributos ora lançados. 10. Quanto ao art. 135 do CTN, tratase de responsabilidade subjetiva, devendo ser comprovada a conduta do agente; afirma que a presente exigência tributária, suspensa devido à impugnação por V. Pilati Empresa de Transportes Rodoviários Ltda, não configura a “infração de lei” descrita no caput do art. 135 do CTN, porque, segundo jurisprudência, o simples inadimplemento da obrigação tributária não caracteriza infração à lei; que gestão com excesso de poderes ou infração à lei ou contrato é a gestão fraudulenta com intuito de lesar o credor tributário deliberadamente, ou a dissolução irregular da sociedade, sem a devida quitação dos tributos pelos representantes legais da empresa; que os próprios autuantes reconheceram que a V Pilatti apresentou regularmente as devidas declarações, portanto não houve evidente intuito de fraude; cita jurisprudência administrativa no sentido de que a multa Fl. 2638DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/01 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10945.720214/201151 Resolução nº 1402000.168 S1C4T2 Fl. 5 4 qualificada só se aplica em casos de existência real e comprovada a de fraude ou de comprovado intuito de fraude, não comportando presunção de nenhuma espécie; que a simples omissão de receitas não representa por si só, caracterização de fraude. 11. No que tange à cisão parcial da V Pilati Empresa de Transportes Rodoviários Ltda, que resultou na constituição da Exellence Participações e Logísticas, respeitou o ordenamento jurídico, tendo sido informado a todos os órgãos com interessa na movimentação patrimonial/fiscal, e não há prova de qualquer conduta irregular a autorizar a inclusão do impugnante por essa operação. 12. Cientificado em 23/03/2011, pág. 1.326, José Alcioni de Souza apresentou a tempestiva impugnação de págs. 1.352/1.362, em 25/04/2011, por meio de seu representante legal de págs. 1.363/1.366. 13. Informa que o mérito da autuação está sendo impugnado pela V Pilati Empresa de Transportes Rodoviários Ltda. 14. Se declara sócioadministrador da empresa e reclama que sua inclusão como sujeito passivo solidário é medida dissociada da realidade fática e jurídica, por isso a impugna, protestando pela ausência dessa solidariedade e requerendo sua exclusão do pólo passivo da medida fiscal, nos mesmos temos da impugnação já resumida apresentada por Vilson Pilati. 15. Cientificado conforme págs. 1.321, 1.329/1.332, Valdomiro Pilatti apresentou a tempestiva impugnação de págs. 1.367/1.377, em 25/04/2011, em 25/04/2011, por meio de seu representante legal de págs. 1.378/1.381, acompanhada dos documentos de págs. 1.382/1.392. 16. Informa que o mérito da autuação está sendo impugnado pela V Pilati Empresa de Transportes Rodoviários Ltda. 17. Declara que foi sóciocotista da empresa e reclama que sua inclusão como sujeito passivo solidário é medida dissociada da realidade fática e jurídica, por isso a impugna, protestando pela ausência dessa solidariedade e requerendo sua exclusão do pólo passivo da medida fiscal, 18. Esclarece que, conforme Instrumento Particular de Cessão Onerosa de Quotas Sociais, Confissão de Dívida e Outras Avenças, Ata de Reunião de Sócios e 20ª Alteração do Contrato Social, que anexa, retirouse da sociedade em 27/03/2006; que as distribuições de lucros que recebeu se referem a exercícios anteriores, não recebidos até a sua retirada da sociedade, não implicam na sua inclusão no pólo passivo deste processo administrativo; cita que a jurisprudência tem afastado a responsabilidade do sócio nessas situações, pois é necessário que o sócio esteja na gerência da empresa, quando da ocorrência do fato gerador; que a retirada do sócio antes que se constate a infração fiscal não permite que o mesmo seja posto como responsável solidário pela dívida. 19. E discorre sobre a solidariedade dos arts. 124, I e 135 do CTN, nos mesmos termos da impugnação já resumida apresentada por Vilson Pilati, e sobre a cisão parcial da V. Pilati que originou a Exellence, a fim de concluir que não se lhe aplicam. 20. Cientificado em 24/03/2011, pág. 1.326, Exellence Participações e Logística Ltda apresentou a tempestiva impugnação de págs. 1.393/1.398, em 25/04/2011, por meio de seu representante legal de págs. 1.399/1.402, com os documentos de págs. 1.403/1.510. Fl. 2639DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/01 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10945.720214/201151 Resolução nº 1402000.168 S1C4T2 Fl. 6 5 21. Informa que o mérito da autuação está sendo impugnado pela V Pilati Empresa de Transportes Rodoviários Ltda. 22. Declara que é pessoa jurídica de direito privado, tendo como objeto social a participação societária em empresas controladas, coligadas e ligadas, como cotista ou acionista, realização de investimentos em bens e direitos próprios, logísticas, transporte rodoviário de cargas líquidas e a granel e atividade agrícola e pastoril em terras próprias ou de terceiros e reclama que sua inclusão como sujeito passivo solidário é medida dissociada da realidade fática e jurídica, por isso a impugna, protestando pela ausência dessa solidariedade e requerendo sua exclusão do pólo passivo da medida fiscal, e sucessivamente, a limitação da responsabilidade aos tributos lançados. 23. Entende que a imposição de solidariedade, com base no art. 132 do CTN, que estabelece a responsabilidade da pessoa jurídica resultante de fusão, transformação ou incorporação, foi devido à impugnante ter sido constituída em razão de cisão parcial da V.Pilati, mas, afirma vigorar a regra da tipicidade cerrada no Direito Tributário, não havendo que se falar na extensão da regra que trata esse artigo a fim de alcançar a responsabilidade da empresa resultante da cisão. 24. Com relação ao art. 207, do RIR de 1999, eventual imposição esbarraria no art.146, III, “b” da Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 CF de 1988, ou seja, porque somente lei complementar tem o condão de impor a responsabilidade, o que é acolhido pela jurisprudência. 25. Destaca que eventual responsabilidade do impugnante se limita aos tributos, não alcançando a multa, pois o art. 132 do CTN não menciona essa exigência; cita jurisprudência. 26. Cientificado em 24/03/2011, pág. 1.317, V.Pilati Empresa de Transportes Rodoviários Ltda apresentou a tempestiva impugnação de págs. 1.511/1.539, em 25/04/2011, por meio de seu representante legal de págs. 1.540/1.543, mais os documentos de págs.1.544/1.918. 27. Argui, em preliminar, com base no art. 150 e § 4º do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, a decadência do lançamento referente a fatos geradores anteriores a 24/03/2006, haja vista a ciência da autuação ter sido em 24/03/2011, e cita jurisprudência administrativa sobre decadência de tributos sujeitos ao lançamento por homologação. 28. No mérito, afirma não terem ocorrido as supostas infrações fiscais pois não foram consideradas as peculiaridades da atividade de serviços de transporte rodoviário de cargas; que não pode ser arbitrado o lucro com lastro na contabilidade do autuado; pleiteia deduções da receita tributável em relação às contribuições PIS e Cofins, das receitas de exportações e do ICMS; contesta a aplicação de multa qualificada de 150% por violar o princípio da proporcionalidade. 29. Sobre as peculiaridades da atividade de serviços de transporte rodoviário de cargas, explica que é freqüente receber solicitações de clientes em volume que extrapola sua capacidade operacional e nestes casos, atua meramente como intermediário, agenciado terceiros, pessoas físicas ou jurídicas, que, obviamente, recebem a maior parcela da receita; dessa forma, embora os valores transitem pelas contas correntes do impugnante, na prática, são receitas desses terceiros e como tal contabilizadas. 30. Por isso afirma que não ocorreu a insuficiência de recolhimentos de tributos autuada. Fl. 2640DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/01 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10945.720214/201151 Resolução nº 1402000.168 S1C4T2 Fl. 7 6 31. Cita acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF sobre base de cálculo na atividade de agenciamento de cargas ser o valor deste serviço. 32. Reclama que não pode haver arbitramento do lucro, medida extrema admitida somente depois de esgotados todos os demais meios de apuração do lucro efetivamente auferido e somente se a contabilidade for desclassificada por apresentar vícios que impossibilitem a apuração, se apresentou a contabilidade em arquivo digital aos fiscais e estes se utilizaram dos dados nela contidos (transcreve trechos do TVF para provalo), lém de que apresentou a DIPJ pelo lucro presumido e a exclusão dessa sistemática efetuada pelos autuantes em 12/2008, retroativa a 2006, baseoue em presunção de que o contribuinte teria, no anolendário 2005, extrapolado o limite de receita bruta permitido, pois tal receita bruta foi definida na autuação, processo administrativo nº 10945.002647/200825, lavrado em 12/2008, cujo recurso se encontra pendente no CARF, portanto, não é definitivo. 33. Pelo exposto, afirma que a autuação poderia ter sido pelo lucro presumido ou pelo lucro real , por conseguinte, a autuação pelo lucro arbitrado, deve ser julgada improcedente. 34. Admitindo, apenas para argumentar, que restem dúvidas quanto aos valores declarados e recolhidos, informa que significativa parcela do faturamento está isenta da Cofins e do PIS, conforme art. 149, § 2º, I da Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 CF de 1988, e art. 14, II, III e V e § 1º da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, porque são transporte de mercadorias destinadas à exportação ou exportação direta. 35. Por isso, os recolhimentos que efetuou de PIS e Cofins estão alinhados com as receitas auferidas em 2006 e, para corroborar, junta demonstrativos dos valores das prestações alcançadas pela isenção, segregadas por filial (doc. 03) e planilhas detalhadas, gravadas em mídia eletrônica (doc. 04), bem como cópias do Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas – CTRC (doc. 05), por amostragem, comprovando as receitas isentas de PIS e Cofins. 36. Quanto à receita tributável pela Cofins e PIS, ainda que fossem exigíveis, afirma que deve ser deduzido o valor do ICMS; historia que o art. 195, I da CF de 1988, estabeleceu a hipótese de base de cálculo de contribuição social sobre o faturamento, que entende ser a receita auferida na venda de mercadorias e serviços, constituindose em norma padrão de incidência; que o legislador infraconstitucional deixou de excluir, da base de cálculo da Cofins e PIS, o ICMS sobre operação ou prestação do próprio contribuinte, apesar de essa parcela também não constituir receita própria do contribuinte, quando determinou no art. 3º, § 2º, I da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, a exclusão do ICMS quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; que a Emenda Constitucional EC nº 20, de 1998, alterou o art. 195 da CF de 1988, no sentido de que as contribuições sociais incidirão sobre receita ou faturamento, mas mesmo essa mudança tendo confirmado o entendimento de que as contribuições só incidem sobre a receita própria do contribuinte e não sobre verbas incluídas na nota fiscal que não ingressam no patrimônio deste, a fiscalização continua exigindo Cofins e PIS também sobre a parcela do ICMS próprio; afirma que a Lei nº 10.637 de 30 de dezembro de 2002, e a Lei nº 10.833, de 28 de dezembro de 2003, foram editadas com base na citada EC, sendo que a “definição do tipo tributário depende da análise de integração de dois fatores: base de cálculo e hipótese de incidência, consoante o princípio constitucional da tipologia tributária previsto implicitamente nos arts. 145, § 2º e 154, I da CF de 1988; e transcreve voto de ministro do Supremo Tribunal Federal – STF, no sentido de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo. Fl. 2641DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/01 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10945.720214/201151 Resolução nº 1402000.168 S1C4T2 Fl. 8 7 37. Aduz que, no seu caso, o recolhimento da Cofins e PIS pode ser feito no regime cumulativo da Lei nº 9.718, de 1989, ou não cumulativo, conforme as Leis nº 10.637, de 2002 (PIS) e nº 10.833, de 2003 (Cofins). 38. Finalmente, em razão da distribuição da ADC 18/DF no STF, devem ser sobrestadas as exigências da Cofins e PIS, até decisão final, a fim de confirmar os valores efetivamente devidos pelo impugnante. 39. Contesta a aplicação de multa qualificada de 150% por violar o princípio da proporcionalidade; afirma que as razões alinhadas pelo autuante no TVF para caracterizar a fraude, conforme previsto nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, não são suficientes para provar que houve ação ou omissão dolosa do contribuinte; que não foi demonstrado claramente fraude; que a mera alegação de insuficiência de recolhimento de tributo é insuficiente para caracterizála, especialmente se o autuante afirma que o contribuinte apresenta regularmente as diversas declarações e estas são compatíveis, ou seja, atesta que o autuado cumpre regularmente suas obrigações o que é comportamento diverso de quem age com evidente intuito de fraude; por isso, a majoração da multa de ofício é incabível. 40. Aduz que o fato de existir outra autuação referente ao ano de 2005 não corrobora a tese de fraude e dolo, porque a referida autuação ainda pende de julgamento e aquela medida fiscal foi lavrada em 2008 , isto é, depois de apurados e recolhidos os tributos referentes a 2006 e, naquela autuação, a fiscalização não entendeu como dolosa, aplicando a multa de 75%; e que as fichas cadastrais a que se refere o autuante revelam apenas o que se discutiu nos autos, ou seja, o faturamento bruto do impugnante é superior ao de suas receitas próprias, na medida em que contempla também receita de terceiros, que transitaram temporariamente por suas contas. 41. Afirma que a qualificação da multa violou ao princípios da razoabilidade e proporcionalidade, instrumento fundamental para controle de constitucionalidade dos atos normativos, e a penalidade pecuniária excessiva de 150% configura uma forma indireta de burlar o comando constitucional que veda o confisco. 42. Invoca também o art. 112 do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, visando aplicação de penalidade menos gravosa ao contribuinte, afirmando que insuficiência (que foi o caso) e falta de recolhimento de tributos são situações distintas, o que pressupõe imposição de penalidades também distintas. 43. Por isso, afigurase desproporcional a penalidade aplicada, dado que há alternativa menos gravosa para o caso. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba – PR prolatou o Acórdão 0635.253 (sessão de 19/01/2012) mantendo o lançamento na integralidade, bem como a sujeição passiva dos responsáveis solidários. A pessoa jurídica e os coobrigados apresentaram recurso voluntário a este Colegiado, ratificando em essência as razões expedidas na peça impugnatória. É o Relatório. Fl. 2642DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/01 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10945.720214/201151 Resolução nº 1402000.168 S1C4T2 Fl. 9 8 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Pelo exame dos autos constatase que, dentre as razões de defesa, foi suscitada a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIs e da Cofins. Essa matéria está sendo discutida no STF submetida ao crivo da repercussão geral nos termos do art. 543B do CPC, conforme decisão prolatada no RE 574705). Sendo assim, conforme § 1º, do art. 62A, do Anexo II, da Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF, o julgamento do processo deverá ser sobrestrado até pronunciamento definitivo do STF sobre o tema. LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Relator Fl. 2643DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/01 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10540.001705/2008-56
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2006
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA
Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal.
MULTA. RECÁLCULO. GFIP. OMISSÃO. FATOS GERADORES
Constitui infração apresentar, a empresa, a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
Com o advento da Lei 11.941.09, para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, do CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, § 6º da Lei nº 8.212/91 c/c o art. 284, II e art. 373 do Decreto nº 3.048/99 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32-A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, nos moldes transcritos acima.
GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. PESSOA JURÍDICA. PRESSUPOSTOS. COMPROVAÇÃO DA PRÁTICA COMUM DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA.
Apenas existe responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico, apenas quando ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, não bastando o mero interesse econômico na consecução de referida situação.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.682
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, (i) Em preliminares: por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência das competências de 01/1999 a 09/2001, com base na regra do artigo 150, parágrafo 4º do CTN. (ii) No mérito: por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para determinar o recálculo da multa, de acordo com o determinado na art. 32-A, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. (iii) Por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso para excluir do pólo passivo da autuação a empresa BERTIN LTDA. Votaram pelas conclusões os conselheiros Ivacir Julio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Daniele Souto Rodrigues e Carlos Alberto Mees Stringari
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. MULTA. RECÁLCULO. GFIP. OMISSÃO. FATOS GERADORES Constitui infração apresentar, a empresa, a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Com o advento da Lei 11.941.09, para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, “c”, do CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, § 6º da Lei nº 8.212/91 c/c o art. 284, II e art. 373 do Decreto nº 3.048/99 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, nos moldes transcritos acima. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. PESSOA JURÍDICA. PRESSUPOSTOS. COMPROVAÇÃO DA PRÁTICA COMUM DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA. Apenas existe responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico, apenas quando ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, não bastando o mero interesse econômico na consecução de referida situação. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 00 17 05 /2 00 8- 56 Fl. 393DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO 2 ACORDAM os membros do Colegiado, (i) Em preliminares: por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência das competências de 01/1999 a 09/2001, com base na regra do artigo 150, parágrafo 4º do CTN. (ii) No mérito: por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para determinar o recálculo da multa, de acordo com o determinado na art. 32A, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. (iii) Por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso para excluir do pólo passivo da autuação a empresa BERTIN LTDA. Votaram pelas conclusões os conselheiros Ivacir Julio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Daniele Souto Rodrigues e Carlos Alberto Mees Stringari Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 394DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO Processo nº 10540.001705/200856 Acórdão n.º 2403002.682 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela Secretaria da Receita Previdenciária que julgou procedente o lançamento consubstanciado no AI DEBCAD 37.018.2634, oriundo do descumprimento de obrigação acessória previsto no art. 32, IV e § 5º, da Lei nº 8.212/91, por ter a empresa apresentado GFIP’s com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. O Relatório Fiscal, fls. 10/11, relata que a empresa omitiu fatos geradores das contribuições previdenciárias em GFIP’s, estando inseridos em levantamentos constantes nos Autos de Infração de obrigação principal nº 10540.001170/200732 e nº 10540.001709/2008 34, o qual o presente processo está apensado e estão sendo conjuntamente submetidos a julgamento. Os levantamentos que a autuação faz menção são os seguintes: 1. Levantamento do Auto de Infração nº 10540.001170/200732: 1.2. Levantamento PRA – PRODUÇÃO RURAL LENHA: compreendendo os valores não declarados em GFIP nas competências 01/1999 a 06/2006, referese a fatos geradores decorrentes da comercialização de lenha, adquirida pela empresa de produtores rurais pessoas físicas, conforme verificados em lançamentos contábeis; 2. Levantamentos do Auto de Infração nº 10540.001709/200834: 2.2. FND – Folha não declarada em GFIP: neste levantamento consta fatos geradores, apurados por meio da folha de pagamento, não declarados em GFIP que faz parte dos lançamentos diferença folha x GFIP. Esta diferença, na parte relacionada ao período de abril de 2005 a junho de 2006, foi encontrada por intermédio do arquivo magnético, nos padrões do MANAD, fornecido pela empresa 2.3. ND1 – Não declarado em GFIP: levantamento referente às contribuições incidentes sobre remuneração paga a contribuintes individuais, inclusive prólabore, no período de janeiro de 1999 a fevereiro de 2006. As contribuições não foram declaradas em GFIP, nem em folha de pagamento, tendo sido feitas com base na contabilidade (livro razão em meio papel até o ano de 1999 e em meio digital a partir do ano de 2000). 2.4. ND2 – Não declarado em GFIP Frete: levantamento apurado com base nos fatos geradores de contribuições previdenciárias incidentes sobre remuneração paga a contribuintes individuais (transportadores autônomos), por meio da contabilidade cujo pagamento fora lançado na conta 3.2.1.03.015 – Fretes e carretos. O período é de janeiro de 1999 a março de 2006. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO 4 A autoridade fiscal ainda relata que a empresa MAFRIP, conforme fora verificado nas atas do Conselho de Administração, era controlada até outubro de 2004 pela COOPARDO – Cooperativa Mista do Médio Rio Pardo Ltda., data em que transferiu a quantia de 7.073.089 ações para o grupo Bertin Ltda., assumindo este grupo o controle acionário da MAFRIP, pelo que se observa no artigo 4º de seu Estatuo. Dessa forma, restou caracterizado, pela fiscalização, grupo econômico, fundamentandose no art. 748 da Instrução Normativa SRP – IN nº 03/2005. A autuação foi lavrada no montante de R$ 254.024,66 (duzentos e cinquenta e quatro mil vinte e quatro reais e sessenta e seis centavos). DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa Mafrip Matadouro Frigorífico Rio Pardo S/A contestou a autuação por meio de instrumento de fls. 247/249, assim como a responsável tributário Bertin Ltda nas fls. 289/299. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da então Impugnante, a Secretaria da Receita Previdenciária de Vitória da Conquista/BA prolatou a DecisãoNotificação nº 04.423.4.0040/2007, fls. 342/349, a qual julgou procedente a autuação, conforme ementa a seguir transcrita: AUTO DE INFRAÇÃO. Constitui infração apresentar ao INSS Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto no inciso IV c/c § 5º, do art. 32, da Lei n.º 8.212/91. AUTUAÇÃO PROCEDENTE DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a MAFRIP interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, fls. 362/364, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, alegando que as GFIP’s foram apresentadas, a multa aplicada é em valor muito superior, uma vez que deve ser aplicado o limite de até 10 vezes o mínimo, segundo o art. 283, caput, do Decreto nº 3.048/99, fixando a monta limite R$ 11.156,95. A responsável tributária BERTIN LTDA. também interpôs tempestivamente Recurso Voluntário, fls. 367/380, alegando, em síntese: Inexistência de responsabilidade; Erro de direito; Falta de provas das condições de aplicação da legislação; Cerceamento do direito de defesa; Não inclusão da COOPARDO como acionista controlador. É o relatório. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO Processo nº 10540.001705/200856 Acórdão n.º 2403002.682 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme documentos de fl. 385, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõem o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional: CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 397DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO 6 De acordo com o art. 103A, da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 vincula toda a Administração Pública, inclusive este Colegiado: CF/88 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal, poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. In casu, como se trata de contribuições sociais previdenciárias que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, contase o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial) ou, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte. Nesse diapasão, mister destacar que para que seja aplicado o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, basta que haja a antecipação no pagamento de qualquer Contribuição Previdenciária, ou seja, não é necessária a antecipação em todas as competências. Havendo a antecipação parcial em uma única competência, já se aplica as regras do art. 150, § 4º do CTN. Também é entendimento deste Relator, que a antecipação a título de Contribuição Previdenciária abrange o pagamento para todas as rubricas relacionadas, tais como: destinadas a outras entidades e fundos — Terceiros (Salárioeducação e INCRA), dentre outras. Nessa esteira, é possível verificar através do Termo de Encerramento da Ação Fiscal, fls. 25/26, que dentre os documentos verificados pela autoridade fiscal, constata se a existência de comprovantes de recolhimentos, o que demonstra a existência de antecipação do pagamento, com a conseqüente aplicação do art. 150, § 4º do CTN. Ademais, tendo em vista que a obrigação acessória em epígrafe está estritamente vinculado aos fatos geradores omissos, ou seja, à obrigação principal, cujos processos foram reconhecida a decadência, não há razões que impeçam a aplicação do instituto da decadência ao caso em tela. Portanto, considerando que o período de apuração compreende as competências de 01/1999 a 06/2006 e a notificação ocorreu apenas em 17/10/2006, temse que o prazo decadencial alcançou as omissões verificadas nas competências de 01/1999 a 09/2001. DA MULTA No que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da MP nº 449/08, convertida na Lei n° 11.941/09. Ela inseriu o art. 32A na Lei n° 8.212/91 e alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas ao inciso IV do art. 32 da Lei n° 8.212/91, in verbis: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 398DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO Processo nº 10540.001705/200856 Acórdão n.º 2403002.682 S2C4T3 Fl. 5 7 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Logo, quando houver descumprimento da Obrigação Acessória prevista no art. 32, IV da Lei nº 8.212/91, aplicase a multa prevista acima. Ocorre que ela deverá ser aplicada da seguinte forma: 1. Somase o total das informações incorretas ou omitidas; 2. Dividese o total em grupos de 10. Para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas será aplicada a multa de R$ 20,00 (art. 32A, I); 3. Além dessa multa, aplicase a multa de 2% ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (art. 32A, II); Fl. 399DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO 8 4. A multa mínima a ser aplicada será de R$ 500,00, para o caso da multa prevista no inciso I e R$ 500,00 para a multa prevista no inciso II, ambos do art. 32A da Lei nº 8.212/91 (art. 32A, § 3º, II). Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, “c”, do CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, da Lei nº 8.212/91 do Decreto nº 3.048/99 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, nos moldes transcritos acima. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. DESCARACTERIZAÇÃO DO GRUPO ECONÔMICO A fiscalização imputou responsabilidade solidária à empresa BERTIN LTDA., alegando que anteriormente à 2004 a empresa autuada até então era controlada pela COOPARDO, momento em que se operou a transferência de uma quantidade significativa de ações, passando, desta feita, o controle para a empresa imputada como responsável solidária, razão pela qual restaria configurado grupo econômico. Contudo, em se tratando de caracterização de grupo econômico na seara fiscal, independentemente dos fundamentos expostos, temse que o mero fato de as empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico não é suficiente a ensejar a solidariedade no pólo passivo de uma demanda fiscal, fazendose imprescindível a demonstração da prática conjunta do fato gerador pelos demais responsáveis tributários. O Superior Tribunal de Justiça já possui entendimento pacífico neste sentido, tendo se manifestado em vários precedentes, assim como dispõe em recente julgado: TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE PASSIVA. REEXAME DE PROVAS EM RECURSO ESPECIAL. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. Não caracteriza a solidariedade passiva em execução fiscal o simples fato de duas empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico. Precedentes do STJ 2. Para verificar as alegações da parte agravante de existência de solidariedade entre o banco e a empresa de arrendamento, em contraposição ao que foi decidido pelo Tribunal de origem, é necessário o revolvimento de matéria de provas, o que é inadmissível em recurso especial, conforme a Súmula 7/STJ. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no Ag 1240335/RS, Rel Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/05/2011, Dje 25/05/2011) Fl. 400DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO Processo nº 10540.001705/200856 Acórdão n.º 2403002.682 S2C4T3 Fl. 6 9 ____________________________________________________ AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. ISS. LEGITIMIDADE PASSIVA. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. PRECEDENTES: AGRG NO ARESP 21.073/RS, REL MIN HUMBERTO MARTINS, DJE 26.10.2011 E AGRG NO AG 1.240.335/RS, REL MIN. ARNALDO ESTEVES LIMA, DJE 25.05.2011. REEXAME DE PROVAS. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. A jurisprudência dessa Corte firmou o entendimento de que o simples fato de duas empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico, por si só, não enseja a solidariedade passiva em execução fiscal. 2. Tendo o Tribunal de origem reconhecido a inexistência de solidariedade entre o banco e a empresa arrendadora, seria necessário o reexame de matéria fáticoprobatória para se chegar a conclusão diversa, o que encontra óbice na Súmula 7 desta Corte, segundo a qual a pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial. 3.Agravo Regimental do MUNICÍPIO DE GUAÍBA desprovido. (AgRg no Ag 1415293/RS, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/06/2012) O grupo econômico restou caracterizado, segundo a fiscalização, através da transferência de ações por parte da COOPARDO à empresa BERTIN LTDA. Conforme relata, até então a empresa era controlada pela referida cooperativa, passando agora, através das transferências de ações, o controle para a responsável tributária imputada. Neste aspecto, a autoridade fiscal não esmiuçou detalhes cruciais para identificação e caracterização de grupo econômico. A mera transferência de ações não atesta que a prática comum do fato gerador, de que efetivamente a responsável solidária tenha realizado atos em comum para a ocorrência do fato gerador. A inexistência de elementos probatórios suficientes a ensejar a dita caracterização, impede que se estabeleça uma relação jurídica de solidariedade por não estar devidamente comprovada a prática comum do fato gerador. Este é o entendimento que prevalece neste Conselho: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Atribuise a responsabilidade solidária a terceira pessoa quando comprovado o nexo existente entre os fatos geradores e a pessoa a quem se imputa a solidariedade passiva, nos termos do art. 124, inciso I do CTN. Fl. 401DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO 10 (CARF. 1ª SEJUL, 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária. Processo nº. 10240.001582/200919. Conselheiro Relator Antônio Bezerra Neto. Sessão de 23/02/2011) ____________________________________________________ ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2001 a 31/12/2003 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. APLICAÇÃO DO ARTIGO 124, I, DO CTN, ALÍQUOTA. TAXA SELIC. São solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, segundo prevê o art. 124, 1, do CTN. Entendese por pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal as que participem e colaborem, entre si, da mesma situação que leve à constituição do fato gerador da obrigação tributária, como os cogestores. O beneficio da aposentadoria especial será financiado com os recursos provenientes da contribuição de que trata o inciso 11 do art. 22 da Lei 8,212, de 24 de julho de 1991, cujas alíquotas serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, conforme a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa. Embargos Acolhidos. Crédito Tributário Mantido. (CARF. 2ª SEJUL, 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária. Processo nº. 36582.0020.36/200411. Conselheiro Relator Damião Cordeiro de Moraes. Sessão de 19/08/2010) Nessa esteira, o entendimento presentemente exarado também encontra guarida na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, conforme julgados a seguir destacados: TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. ISS. LEGITIMIDADE PASSIVA. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. SÚMULA 7/STJ. 1. A jurisprudência do STJ entende que existe responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico, apenas quando ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, não bastando o mero interesse econômico na consecução de referida situação. 2. A pretensão da recorrente em ver reconhecido o interesse comum entre o Banco Bradesco S/A e a empresa de leasing na ocorrência do fato gerador do crédito tributário encontra óbice na Súmula 7 desta Corte. Agravo regimental improvido. (AgRg no AREsp 21.073/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/10/2011, DJe 26/10/2011) Fl. 402DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO Processo nº 10540.001705/200856 Acórdão n.º 2403002.682 S2C4T3 Fl. 7 11 ____________________________________________________ PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ISS. EXECUÇÃO FISCAL. LEGITIMIDADE PASSIVA. EMPRESAS PERTENCENTES AO MESMO CONGLOMERADO FINANCEIRO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 124, I, DO CTN. NÃOOCORRÊNCIA. DESPROVIMENTO. 1. "Na responsabilidade solidária de que cuida o art. 124, I, do CTN, não basta o fato de as empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico, o que por si só, não tem o condão de provocar a solidariedade no pagamento de tributo devido por uma das empresas" (HARADA, Kiyoshi. "Responsabilidade tributária solidária por interesse comum na situação que constitua o fato gerador"). 2. Para se caracterizar responsabilidade solidária em matéria tributária entre duas empresas pertencentes ao mesmo conglomerado financeiro, é imprescindível que ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, sendo irrelevante a mera participação no resultado dos eventuais lucros auferidos pela outra empresa coligada ou do mesmo grupo econômico. 3. Recurso especial desprovido. (REsp nº. 834.044/RS 2006/00654491 – Ministra Denise Arruda – Data do Julgamento em 11/11/2008) Portanto, uma vez não comprovada a efetiva participação da empresa solidária BERTIN LTDA. na consecução da prática comum dos fatos geradores em epígrafe, não se vislumbram as hipóteses que permitam a imputação de responsabilidade a terceiros. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto pelo provimento do Recurso Voluntário, para: preliminarmente (i) reconhecer a decadência das competências de 01/1999 a 09/2001; e, no mérito, (ii) excluir do pólo passivo da autuação BERTIN LTDA; (iii) assim como determinar o recálculo da multa, de acordo com o determinado no art. 32A, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte, na forma descrita no corpo do voto. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO
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Numero do processo: 19311.000351/2009-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 21 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2402-000.385
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para tramitação conjunta com os processos relativos à obrigação principal.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente Julgamento os Conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Jhonatas Ribeiro da Silva, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para tramitação conjunta com os processos relativos à obrigação principal. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente Julgamento os Conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Jhonatas Ribeiro da Silva, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Lourenço Ferreira do Prado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 93 11 .0 00 35 1/ 20 09 -8 1 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 12/11/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19311.000351/200981 Resolução nº 2402000.385 S2C4T2 Fl. 82 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário interposto por ASSOCIAÇÃO CULTURAL E EDUCACIONAL ATIBAIENSE em face de acórdão que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 37.170.4260, lavrado para a cobrança de multa por ter deixado a recorrente de registrar em sua contabilidade os valores de gratuidades concedidas a seus empregados, no caso bolsas de estudo, consideradas pela fiscalização como remuneração indireta, omitindo, portanto fatos geradores de contribuições previdenciárias. O lançamento compreende o período de 01/2004 a 12/2004, tendo sido o contribuinte cientificado em 22/07/2008 (fls. 01). Devidamente intimado do julgamento em primeira instância (fls.64), a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: a. a necessidade do julgamento em conjunto do presente Auto de Infração com os demais processos nos quais se discute a obrigação principal, qual seja a incidência ou não das contribuições sobre a concessão de bolsas de estudo; b. que não houve qualquer equívoco na escrituração contábil, uma vez que, em não sendo as bolsas de estudo base de cálculo de contribuições previdenciárias, todos os lançamentos efetuados estavam corretos; c. requereu, portanto, a anulação da multa; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 12/11/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19311.000351/200981 Resolução nº 2402000.385 S2C4T2 Fl. 83 3 VOTO Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado Relator Conforme já relatado, tratase da imposição de multa por ter deixado a recorrente de registrar em sua contabilidade os valores de gratuidades concedidas a seus empregados. Em que pese em alguns casos, referida infração independer do lançamento principal, não é o que verifico nos autos do presente processo, eis que a autuação se deu pela apresentação de contabilidade com informações divergentes da realidade pelo simples fato da não consideração do contribuinte que as bolsas de estudo não fariam parte da escrituração relativa às contribuições previdenciárias. Da análise do TEAF e da própria defesa apresentada, percebese que a recorrente teve contra si lavrados outros Autos de de Infração, conforme resta indicado no TEAF de fls. 40 De todos os Autos de Infração e NFLD´s indicadas no TEAF, sejam relativos a obrigações principais ou acessórias, não foi possível descobrirse o paradeiro de todos eles, especialmente nos quais foram lançadas as contribuições previdenciárias incidentes sobre a rubrica bolsa de estudos. Por tais motivos, tenho que o julgamento do presente Auto de Infração deve se dar somente em conjunto com as NFLD´s correlatas, ou, quando este já esteja definitivamente julgado. Assim sendo, voto no sentido de que o presente julgamento seja CONVERTIDO EM DILIGÊNCIA, para que os autos do presente processo passem a tramitar em conjunto com os relativos ao lançamento da obrigação principal. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 12/11/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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