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Numero do processo: 10730.003518/2008-70
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
Ementa::
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
É de se restabeler, as despesas médicas pleiteadas, quando comprovado por meio de documento hábil e idôneo.
Recurso Provido.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2802-002.106
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, : por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$ 16.420,00 (dezesseis mil, quatrocentos e vinte reais), nos termos do voto do relator
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente
(Assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora.
EDITADO EM: 26/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 Ementa:: DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. É de se restabeler, as despesas médicas pleiteadas, quando comprovado por meio de documento hábil e idôneo. Recurso Provido. Recurso Voluntário Provido
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1704; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 7 1 6 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10730.003518/200870 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802002.106 – 2ª Turma Especial Sessão de 19 de fevereiro de 2013 Matéria IRPF Recorrente ANTÔNIO FABIANO DA VEIGA CABRAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 Ementa:: DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. É de se restabeler, as despesas médicas pleiteadas, quando comprovado por meio de documento hábil e idôneo. Recurso Provido. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$ 16.420,00 (dezesseis mil, quatrocentos e vinte reais), nos termos do voto do relator (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente (Assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora. EDITADO EM: 26/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 35 18 /2 00 8- 70 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório O recorrente foi notificada de lançamento de IRPF (Notificação fls. 04/06) do exercício 2006, ano calendário 2005, elaborado em virtude de glosa de despesas médicas no valor de R$ *16.820,00, por falta de comprovação. Glosado R$ 16.820,00,00 ,indevidamente deduzido a titulo de despesas médicas.Os pagamentos efetuados aos CPFs 070.942.84721,043.975.00754,485.194.30759,794.629.28720 e 887.244.50863, nos valores: R$ 4.200,00 R$ 5.150,00, R$ 4.320,00, R$2.750,00 e R$400,00, respectivamente foram glosados tendo em vista que nos recibos apresentados não constavam os endereços dos profissionais emitentes. As glosas acima mencionadas, diminuiram o saldo do imposto a restituir declarado, pelo contribuinte em sua DIRPF Exercício 2006 de R$6.456,95, para R$ 1.831,45. As glosas foram impugnadas, consoante o relatório da decisão de primeira instância, com os seguintes argumentos: · alega que o fiscal tem razão ao afirmar não constar os endereços dos profissionais, mas que leigos — se incluindo entre eles — não deveriam ser punidos quando apresentam recibos devidamente assinados, constando o número do CPF e o nome legível do profissional, acreditando que o endereço por si não interfere em nenhum cruzamento de informações; · alude ao Manual de Orientação, com transcrição de trecho do mesmo, e argumenta que, substituindo o recibo por cheques nominais ao prestador do serviço e ao declarar no item da declaração de ajuste anual o nome e o CPF do mesmo, a Receita Federal, através de um cruzamento de informações, atestaria a veracidade das informações, motivo pelo qual, defende que, embora solicitado, o endereço é o que menos importa, até porque qualquer gráfica pode imprimilo, sendo ou não autêntico; · informa o CPF, número de registro, endereço e telefone dos profissionais André Mattos, Paulo Felicio de Maracajá, Juliana Abreu do Nascimento, Carla Maria Mendes de Magalhães e Fernanda Coutinho França, sendo que esta última atenderia no domicilio como fisioterapeuta acompanhante; · Afirma que a falta de endereço não invalida a veracidade de um recibo, até porque se o endereço fosse tão importante, deveria anexar aos recibos apresentados o Alvará de Funcionamento do consultório do profissional atendente, endereço que, em alguns casos não existem, e teria que fazer constar na declaração de ajuste anual, em pagamentos e doações efetuados, a descrição do endereço; Fl. 88DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10730.003518/200870 Acórdão n.º 2802002.106 S2TE02 Fl. 8 3 · por fim, solicita que se julgue procedente a impugnação, restabelecendo a devolução a que entende ter direito, de R$ 6.456,95, devidamente corrigidos. A 1ª Turma da DRJ Rio de Janeiro (RJ), ao examinar o pleito, proferiu o acórdão n° 1330.593, de 30 de julho de 2010, que se encontra às fls. 59 a 61, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Deve ser mantida a glosa das deduções efetuadas na Declaração de Ajuste Anual a titulo de despesas médicas, quando os documentos de prova constantes dos autos não preenchem todos os requisitos estabelecidos em lei, não restando devidamente suprida a irregularidade detectada pela fiscalização. Impugnação Improcedente A Ciência desse acórdão em 20/08/2010 (fls. 65) e interposição de recurso voluntário em 08/09/2010 (fls. 58/60). Em sede de recurso, o litigante, alega em síntese que: · Apesar de não concordar com os argumentos contidos na decisão de primeira instância, no que se refere as profissionais, Fernanda Coutinho Franga, Juliana Abreu do Nascimento, André Mattos e Carla Maria Mendes de Magalhães, para que não paire qualquer dúvida sobre o endereço comercial da aludida profissional à época, junta ao presente Recurso declaração firmada pelos profissionais, atestando a veracidade do seu endereço comercial, preenchendo, assim, os requisitos do artigo 8°, § 2°, inc. 11, da Lei 9250. · Aceita a glosa relativa a . Paulo Felício de Maracajá; · Diante do exposto, espera o Recorrente que esse E. Conselho dê provimento ao Recurso, a fim de que seja a excluída a glosa no valor de R$16.420,00 (dezesseis mil, quatrocentos e vinte reais), respeitante à dedução a titulo de despesas médicas objeto dos recibos emitidos pelos profissionais, acima referidos, e lançados em sua Declaração de Ajuste Fiscal Ano Base 2005 , Exercício 2006 , por ser de direito e justiça. Relatado o essencial, passo ao voto. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora Fl. 89DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 O recurso apresentado é tempestivo.Estando dotado, ainda, dos demais requisitos formais de admissibilidade, dele conheço. O litígio gira em torno: R$16.420,00 (dezesseis mil, quatrocentos e vinte reais), relativo à dedução a titulo de despesas médicas objeto dos recibos emitidos pelos profissionais Fernanda Coutinho Franga, Juliana Abreu do Nascimento, André Mattos e Carla Maria Mendes de Magalhães. Assim, passase a análise do recurso apresentado. Verificase que no acordão de primeira instância, consta a seguinte fundamentação, para a não aceitação das despesas médicas relativas a Fernanda Coutinho Franga, Juliana Abreu do Nascimento, André Mattos e Carla Maria Mendes de Magalhães Ocorre que a documentação apresentada não se mostra hábil para a finalidade pretendida. Isto porque não se pode precisar que a informação dos endereços tenha sido aposta pelos correspondentes profissionais, tendo em vista a similaridade das letras e forma de preenchimento relativamente aos recibos emitidos pelos prestadores acima identificados. Ainda, a ausência de endereços também não pode ser suprida pela simples menção dos mesmos na peça de defesa. No caso, caberia ao contribuinte, para fins de ter sua pretensão atendida, providenciar, junto aos profissionais envolvidos, a retificação dos recibos emitidos ou declarações, firmadas pelos mesmos, no sentido de atender a exigência da fiscalização quanto ao endereço. Notese que até se poderia admitir o aproveitamento dos recibos originais para suprir a irregularidade, mas caberia a demonstração de que o acréscimo foi realizado pelo profissional, que poderia fazêlo no verso do recibo ou outro lugar disponível, com aposição de novo carimbo e assinatura/rubrica, o que não foi o caso. Analisandose os autos, especificamente às fls 68, 69,70,71 constatase que o recorrente apresentou declarações dos profissionais: 1. ANDRË MATTOS– CPF 79462928720, R$ 2.750,00, indicando como seu endereço profissional: — RUA OTAVIO CARNEIRO 143 SALA 1008— ICARAI NITERÓI – RJ; 2. . JULIANA ABREU DO NASCIMENTO– CPF 04397500754, R$ 5.150,00 , indicando como seu endereço profissional: — Rua Moreira Cesar 26 sala 1209 — Edifício Trade Center Icaraí— Niterói, RJ; 3. .CARLA MARIA MENDES DE MAGALHÃES– CPF 485194307 59, R$ 4.320,00, indicando como seu endereço profissional: — RUA PRESIDENTE BACKER 260— ICARAI NITERÓI – RJ; 4. FERNANDA COUTINHO FRANCA– CPF 07094284721, R$ 4.200,00, indicando como seu endereço profissional: — Rua três, quadra 13, lote 83— Itaipu — RJ; Na linha acima, vêse que o contribuinte trouxe aos autos os comprovantes normalmente suficientes para a comprovação das despesas médicas declaradas, os recibos Fl. 90DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10730.003518/200870 Acórdão n.º 2802002.106 S2TE02 Fl. 9 5 respectivos, lastreados com a declaração dos profissionais atestando o recebimento dos valores declarados pelo recorrente. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso, para restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$ 16.420,00. (Assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora Fl. 91DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10120.720092/2005-58
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPENSAÇÃO DE IRRF. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO.
É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a declaração original.
Direito creditório reconhecido até o limite dos créditos demonstrados pela Recorrente.
Numero da decisão: 1801-001.254
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPENSAÇÃO DE IRRF. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a declaração original. Direito creditório reconhecido até o limite dos créditos demonstrados pela Recorrente.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto e Ana de Barros Fernandes.
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SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPENSAÇÃO DE IRRF. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a declaração original. Direito creditório reconhecido até o limite dos créditos demonstrados pela Recorrente. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 00 92 /2 00 5- 58 Fl. 620DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto e Ana de Barros Fernandes. Relatório A ora Recorrente transmitiu eletronicamente diversas “DCOMPs” no ano calendário de 2005, relativas a saldonegativo de IRPJ apurado no DIPJ 2005/anocalendário 2004, no montante de R$ 7.585.951,39 (sete milhões, quinhentos e oitenta e cinco mil, novecentos e cinquenta e um reais e trinta e nove centavos), para compensar créditos de IRRF e contribuições. Selecionadas as DCOMPs para processamento manual, a Recorrente foi intimada para apresentar provas do IRRF, bem como dos pagamentos de IRPJestimativa mensal, que foram acostados aos autos. Em relação às retenções na fonte, afirmou a ora Recorrente ter sofrido retenção no valor e R$17.543.970,57 (dezessete milhões, quinhentos e quarenta e três mil, novecentos e setenta reais e cinquenta e sete centavos) em 2004, da qual, R$ 9.958.019,18 (nove milhões, novecentos e cinquenta e oito mil, dezenove reais e dezoito centavos), foi empregada no anocalendário de 2004 para quitação de IRPJ – estimativa mensal (antecipação), ao passo que a diferença foi utilizada para deduzir o imposto a pagar, o que gerou o saldo negativo de IRPJ de R$ 7.585.951,39 (sete milhões, quinhentos e oitenta e cinco mil, novecentos e cinquenta e um reais e trinta e nove centavos), na DIPJ 2005. Ao analisar os pedidos da Recorrente, a Delegacia de Goiânia apurou montante de IRRF a menor, no valor de R$17.394.263,99 (dezessete milhões, trezentos e noventa e quatro mil, duzentos e sessenta e três reais e noventa e nove centavos), proferindo o Despacho Decisório n. 54, de 13 de fevereiro de 2006, que deferiu parcialmente as compensações efetuadas, reconhecendo o direito creditório até o montante de R$7.436.244,81.(sete milhões, quatrocentos e trinta e seis mil, duzentos e quarenta e quatro reais e oitenta e um centavos), deixando, portanto, de ser homologado o direito creditório no valor originário de R$ 149.706,58 (cento e quarenta e nove mil, setecentos e seis reais e cinquenta e oito centavos). Observese que o Despacho Decisório n° 054, de 13 de fevereiro de 2006, foi retificado pelo 303, de 30 de agosto de 2006, para excluir do demonstrativo dos débitos homologados, de fls. 368/370, aqueles relativos ao PER/DCOMP n° 130705.1.3.024280 (fls. 334), que foram ali indevidamente incluídos. Contra referido despacho decisório, tempestivamente a recorrente apresentou manifestação de inconformidade em que alegou: i. necessidade de reconhecimento do IRFonte retido pela Secretaria de Fazenda do Estado de Goiás; por força dos arts. 150, 157 e 158 da CF e do art. 868 do RIR/99; que a Secretaria de Fazenda do Estado de Goiás reteve na fonte imposto de renda sobre serviços a ela prestados pela interessada, e o recolheu ao Tesouro Estadual através de DARE; ii. deveria ser reconhecido o direito creditório referente às retenções de imposto de renda na fonte efetuadas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Fl. 621DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10120.720092/200558 Acórdão n.º 1801001.254 S1TE01 Fl. 4 3 Tecnológico (CNPq), visto que se trata de. dupla comprovação, sem, contudo, ter sido duplamente lançada no PEDIDO DE RESSARCIMENTO OU RESTITUIÇÃO – PER (Fls. 04/11) e, consequentemente, não lançada em dobro na DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.(Fls. 12/27); iii. informou que mantinha a sua contabilidade com observância das normas brasileiras de contabilidade, em que os lançamentos são feitos diariamente, com toda a documentação assentada no livro Diário. Assim, os documentos suportes para contabilizar as retenções de imposto de renda pelos tomadores dos serviços são as próprias faturas das quais, no ato do pagamento, são subtraídos os valores devido a esse título. A 2a Turma da Delegacia de Julgamento em Brasília reconheceu parcialmente o direito creditório, em decisão assim ementada: Ementa: RETENÇÃO DE IMPOSTO NA FONTE POR ÓRGÃOS OU ENTIDADES PÚBLICAS ESTADUAIS. CRÉDITO RECONHECIDO. Pertencem aos Estados e ao Distrito Federal o produto da arrecadação do imposto da União sobre a renda e proventos de qualquer natureza, incidente na fonte, sobre rendimentos pagos, a qualquer título, por eles, suas autarquias e pelas fundações que instituírem e mantiverem. SALDO NEGATIVO DE IRPJ APURADO NA DIPJ 2005. RETENÇÃO DE IMPOSTO NA FONTE. CRÉDITO COMPUTADO EM DUPLICIDADE NA APURAÇÃO. EXPURGO. Restando comprovado nos autos que o valor reclamado fora computado em duplicidade, não procede a irresignação da interessada. RETENÇÃO GLOBAL DE TRIBUTOS NA FONTE (IRPJ, CSLL, PIS E COFINS). APROPRIAÇÃO PROPORCIONAL DO CRÉDITO DO IMPOSTO. ERRO DA INTERESSADA NA APURAÇÃO DO CRÉDITO DO IMPOSTO Restando comprovado nos autos que interessada aplicara incorretamente critério de apropriação proporcional do crédito de imposto no caso de retenção global na fonte de tributos, não procede a reclamação. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Na decisão recorrida, com lastro no art. 157, I, CF, reconheceuse o crédito dos valores originários de retenções da Secretaria de Fazenda do Estado de Goiás. Por outro lado, ratificouse o entendimento de que o sujeito passivo teria computado em duplicidade os créditos a recuperar de retenções de IRFonte efetuados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico CNPq, no montante de R$31.882,93 (50,79%), conforme documento nas fls. 169 e 183, e não de R$ 62.774,05, conforme demonstrativo de retenções na fonte elaborado pela DRF/Goiânia, nas fls. 363/364. Fl. 622DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 4 Ainda, teria havido diferença no método ou critério de apuração dos créditos pela Recorrente, pois não teria observado a forma correta de apuração ou apropriação dos créditos do imposto retido na fonte, nas situações de retenção global de tributos pelos órgãos e entidades públicas, conforme fundamentação do Despacho Decisório de fls. 359/367. A autoridade de fiscalização teria demonstrado que todas as retenções comprovadas nos autos foram analisadas e computadas (Quadro 3 do Despacho Decisório, às fls. 363/364) computando todas as retenções do IRFonte pela interessada, discriminando o respectivo valor por operaçãoRendimento Bruto e IRFonte, e ainda por fonte pagadora, ao passo que a Recorrente apenas teria se restringido a alegar que apurara corretamente os créditos informados na DIPJ 2005, anocalendário 2004, na Ficha 12A, na qual apurara saldo negativo de IRPJ, com base na sua escrituração. Não teria sido demonstrado pela Recorrente nos autos onde estaria a divergência em relação aos valores apurados pela repartição fiscal, não sendo comprovado o erro da repartição fiscal. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente afirmou que: i. a decisão ora recorrida dificulta a defesa do contribuinte porque não estão claros exatamente quais foram os valores glosados na compensação realizada; ii a diferença glosada pelo Fisco de R$ 149.706,58 , deveria ser decomposto, a fim de esclarecer o valor que foi glosado, até atingir o montante referido; iii. quanto ao valor de retenção que teria sido aproveitado em duplicidade, haveria erro de julgamento, porque examinando a PER/DCOMP que instrui o processo, o valor que ali consta e que foi aproveitado pelo contribuinte foi tão somente os R$ 31.885,23 e não os R$ 62.774,95 que o auditor fiscal afirmou ter sido aproveitado, conforme fls. 8 e 10 do PAF; iv. quanto à acusação de que não aplicara corretamente critério de apropriação proporcional do crédito de imposto no caso de retenção global na fonte de tributos, afirmou não estar demonstrado na decisão recorrida, valores cujas proporcionalidades não estariam corretas; v. apontou que a decisão da DRF não considerou o crédito pleiteado na PER/DCOMP à fl. 04"item 6 CNPJ 00.046.0601000145 – CODEPLAN R$69.321,01.", devidamente comprovado na DIRF às fls. 229; vi. a fiscalização se equivocou em relação à retenção indicada na PER/DCOMP, à fls. 07 como “item 27 CNPJ 03. 1 12.386/000111 ANVISA R$424.019,86.", que foi considerada pelo valor de R$399.458,52, no quadro 3. Essa diferença originouse de erro de informação no SIAF, pois o valor do "rendimento" foi replicado com o mesmo valor do "imposto na fonte",conforme ser verificaria do documento de fl. 152: Mês Cód Rendimento Imposto Retido 05 690 53.401, 58 53.401, 58. Assim, o auditor fiscal, em vez de considerar o valor do imposto retido para a dedução, considerou o valor do tributo como se fosse o valor do "rendimento", e utilizou este como a base de cálculo de sorte que encontrou um valor de R$ 2.563,27 . Fl. 623DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10120.720092/200558 Acórdão n.º 1801001.254 S1TE01 Fl. 5 5 Todavia, o cálculo correto, por aplicação de regra de três, deveria considerar como base de cálculo de R$ 565.096,08 sobre a qual deveria ser aplicada a parte do IR de 4,8%, resultando em R$ 27.124,61, justificada, por conseguinte, a diferença de crédito não reconhecido, no valor de R$24.561,34 (27.124,61 — 2.563,27). vii. na PER/DCOMP, às fl. 11, consta o “item 56 CNPJ 82.951.35110001 42 SEA Secretaria do Estado da Administração R$18.389,45", que no Quadro 3 (fl. 363) não foi considerado, embora o Fisco tenha como obter no SIAF ou na DIRF, ou deveria considerar o valor porque a responsabilidade pela retenção é da fonte pagadora e não do beneficiário, na forma do art. 128 do CTN e do art. 722 do RIR/99 — "ainda que não tenha retido"'. Pugna, assim, pelo reconhecimento dos erros do julgamento apontados e pela anulação de todas as “glosas”, em razão do cerceio de defesa do contribuinte, na forma preconizada no art. 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72. É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade e é tempestivo, pelo que dele tomo conhecimento. Sobre a falta de esclarecimentos da decisão recorrida em relação à composição do saldo remanescente do direito creditório não reconhecido, dos autos depreende se que ele teria sido composto por dois itens, quais sejam, pelo cômputo em duplicidade das retenções efetuadas pelo CNPq, no anocalendário de 2004, bem como em relação ao erro quanto ao critério de apropriação proporcional do crédito de imposto no caso de retenção global na fonte de tributos, nos termos do Anexo I da Instrução Normativa SRF nº 306, de 12 de março de 2003, que dispõe sobre a retenção de tributos e contribuições nos pagamentos efetuados a pessoas jurídicas por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal. Com relação à duplicidade no cômputo das retenções efetuadas pelo CNPq, de fato, conforme afirma a própria Recorrente, às fls. 09, de acordo com a PER/DCOMP, o valor que foi aproveitado a título de retenção na fonte, do pagamento efetuado pelo CNPq, CNPJ 33.654.831/000136, foi de R$ 31.885,23. Contudo, os documentos de fls. 169 e 183, bem como de fls.224 (DIRF), demonstram que no anocalendário de 2004, o total de pagamentos efetuados pelo órgão foi de R$664.275,79, totalizando o recolhimento a título de retenção na fonte, de R$ 62.774,95. Portanto, a Recorrente teria efetivamente direito creditório no valor de R$62.774,95, contudo, optando, na declaração, por aproveitar apenas metade desse valor, estando o restante fora de seu pedido de compensação/restituição, e, por conseguinte, Fl. 624DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 6 desconsiderados pela autoridade de fiscalização, no momento da homologação do montante do direito creditório pleiteado. Em outras palavras, não se está propriamente diante de um aproveitamento em duplicidade do crédito, porém, ao contrário, de aproveitamento pela metade do direito creditório, sendo importante se observar que os limites do pedido dos processos de compensação, i.e., o montante de seu crédito, são delimitados pelo próprio contribuinte. Com efeito, os processos de compensação originamse a partir de declaração do próprio contribuinte, que afirma o montante de seu direito creditório, delimitando o seu valor e natureza, para a quitação de débitos tributários, nos termos do art.156, II do CTN. Nesse sentido, a competência acometida à fiscalização, é de homologação ulterior dessas declarações de compensação, verificando se há ou não o afirmado direito na declaração, porém, não tendo a autoridade administrativa competência para redefinir os próprios limites do objeto da declaração, de sorte que se o contribuinte opta por não utilizar todo o crédito do qual dispõe, esta é faculdade que lhe assiste. Contudo, com relação à metodologia de apuração de apropriação proporcional do crédito de imposto no caso de retenção global na fonte de tributos, nos termos do Anexo I da Instrução Normativa SRF n. 306, de 12 de março de 2003, a DRF afirmou que (fls.364): Em alguns destes demonstrativos citados, referentes a pagamentos efetuados por órgãos públicos, percebese que há discordância entre o código utilizado na DIRF e o percentual de retenção. Por este motivo, privilegiouse a análise dos próprios documentos apresentados pela interessada nos autos, identificandose, através do percentual utilizado, se o montante retido era exclusivamente referente ao imposto de renda ou se nele estavam contidas parcelas de contribuições, também de retenção obrigatória. Assim, nos documentos onde se confirmou referirse à retenção global (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS), tomouse o rendimento bruto como base de cálculo, aplicandose a alíquota de 4,8% correspondente ao IRPJ, por ser este um cálculo mais preciso do que aplicar, sobre o valor retido, o percentual correspondente à participação dos 4,8% no percentual global considerado, estipulado em 9,45% pela INSRF n.306, de 12/03/03 (anexo I). Não obstante, compulsando os autos não se verifica a existência de demonstrativo que aponte os valores de retenção infirmados, pela aplicação dos percentuais constantes do Anexo I da referida instrução normativa, para o código 6190, bem como quanto esses valores representaram no cômputo geral, do direito creditório não reconhecido. Nesse passo, importante observar que a despeito de ser ônus do contribuinte comprovar a certeza e liquidez do seu direito creditório, no caso concreto, a Recorrente juntou toda a documentação necessária para a referida confirmação, tanto é que a análise da autoridade fiscal lastreouse neles para apontar o suposto erro no critério de apuração, sendo por essa razão, que deveria a fiscalização demonstrálos, de maneira discriminada, possibilitando o exercício de defesa do contribuinte. Confirmase a alegação de que no “quadro 3” do despacho decisório não consta o crédito pleiteado na PER/DCOMP à fl. 04"item 6 CNPJ 00.046.0601000145 – Fl. 625DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10120.720092/200558 Acórdão n.º 1801001.254 S1TE01 Fl. 6 7 CODEPLAN R$69.321,01.", que, por sua vez, consta na DIRF às fls. 229.Considerandose a existência da DIRF, nesse caso, entendese estar devidamente comprovado o direito creditório. Ademais, o documento de fls. 153, o comprovante de rendimentos pagos pela Agência nacional de Vigilância Sanitária consigna que o valor das retenções na fonte foram de R$424.136,99, contudo, o mesmo “quadro 3’, de fls. 363, que serviu de base para o não reconhecimento do direito creditório, considerou o valor de R$399.458,52. Nesse caso, a Recorrente pede que se considere R$ 24.561,34, alegando que houve erro no SIAF no mês 05 – código 6190. O fisco considerou 2.563,27 (critério do cálculo retenção global), pois considerou a receita 53.401,58. No quadro SIAF há realmente um erro – foi informado o mesmo valor do tributo retido e do valor da receita, e, por aplicação de “regra de 03”, a Recorrente diz que a receita é na verdade R$ 565.096,08 e que aplicado os 4,8% de IRRF resultaria em R$27.124,61. Este valor menos os R$ 2.563,27 que a Recorrente que o Fisco já teria considerado, resulta em R$ 24.561,34, devendo, portanto, ser reconhecido esse montante do direito creditório. No que tange ao crédito relativo às retenções do SEA – Secretaria do estado de Goiás , em que se pleiteia o crédito de R$ 18.389,45, a Recorrente diz que não constou no quadro 03, porém não juntou a respectiva DIRF, e nada consta no SIAF. Nesse caso, não restou comprovada a existência da totalidade do crédito, observandose, todavia, que já havia sido homologado pela DRJ o total de R$17.555,15. Em síntese, temse que não se reconhece o direito creditório de R$31.885,23 relativo às retenções do CNPq, a diferença do crédito pleiteado de R$18.389,45, do valor de R$17.555,15 já homologados pela DRJ, além do montante de R$ 5.549,55, em relação ao qual, não se manifestou a Recorrente. Assim, do montante de R$149.706,58, reconhecese o direito creditório de R$111.437,50. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 626DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 8 Fl. 627DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Numero do processo: 10830.918766/2009-70
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Data do fato gerador: 30/06/2008 CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. RECOLHIMENTO DE IPI A MAIOR. RESTITUIÇÃO. POSSIBILIDADE. Se o contribuinte efetua, no Livro Registro de Apuração do IPI, um creditamento extemporâneo em determinado período de apuração, mas recolhe, para esse período, o valor de IPI liquidado sem computar o crédito extemporâneo escriturado, a consequência é a formação de indébito restituível neste período. DCOMP. CRÉDITO PREVIAMENTE ALOCADO EM DCTF NÃO- RETIFICADA. PRODUÇÃO DE PROVA APÓS O INDEFERIMENTO PELA DRF. POSSIBILIDADE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. ART. 16 DO DECRETO Nº 70.235/72. Se o contribuinte não retifica DCTF na qual equivocadamente vinculara crédito posteriormente lançado em DCOMP, nem por isso a compensação deverá ser não-homologada. Caberá ao contribuinte, entretanto, aproveitar o processo administrativo para produzir prova contábil que demonstre o desacerto das informações prestadas na DCTF, sob pena de não- homologação da DCOMP. Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3403-001.772
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 30/06/2008 CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. RECOLHIMENTO DE IPI A MAIOR. RESTITUIÇÃO. POSSIBILIDADE. Se o contribuinte efetua, no Livro Registro de Apuração do IPI, um creditamento extemporâneo em determinado período de apuração, mas recolhe, para esse período, o valor de IPI liquidado sem computar o crédito extemporâneo escriturado, a consequência é a formação de indébito restituível neste período. DCOMP. CRÉDITO PREVIAMENTE ALOCADO EM DCTF NÃO RETIFICADA. PRODUÇÃO DE PROVA APÓS O INDEFERIMENTO PELA DRF. POSSIBILIDADE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. ART. 16 DO DECRETO Nº 70.235/72. Se o contribuinte não retifica DCTF na qual equivocadamente vinculara crédito posteriormente lançado em DCOMP, nem por isso a compensação deverá ser nãohomologada. Caberá ao contribuinte, entretanto, aproveitar o processo administrativo para produzir prova contábil que demonstre o desacerto das informações prestadas na DCTF, sob pena de não homologação da DCOMP. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 06/10/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Relatório Tratase de PER/DCOMP (fls. 21/25) com a qual a recorrente pretende extinguir débitos de IRPJ e CSLL do 3º trimestre de 2008, com créditos de pagamento indevido de IPI em junho de 2008. Os autos dão conta de que, na apuração do IPI devido em junho de 2008, a recorrente escriturou, extemporaneamente, créditos de MP, ME e PI entrados no estabelecimento em maio de 2008. O aproveitamento desse crédito fez com que o saldo do período (junho/08), de devedor em R$26.181,52, resultasse credor em R$8.221,89. Embora fazendo esse aproveitamento no Livro Registro de Apuração – LRAIPI, a recorrente procedeu, ato contínuo, como se não o houvesse feito: simplesmente recolheu o IPI do período no valor de R$26.181,52 (fls. 20) e informou, em DCTF, um débito de IPI nesse mesmo valor (fls. 26/29). A partir da informação prestada em DCTF pela recorrente, concluiu a DRF inexistir indébito de IPI para junho de 2008, constatação bastante para, via despacho eletrônico e sem qualquer providencia investigativa, não homologar a compensação pretendida (fls. 19). Falando pela primeira vez nos autos (fls. 1/7), a recorrente reconheceu o equívoco da informação lançada na DCTF e, para infirmála, trouxe aos autos o LRAIPI do mês de junho de 2008 (fls. 38/40), demonstrando a escrituração do crédito extemporâneo (na rubrica “Outros Créditos” da seção “Entradas”) e a consequente formação de saldo credor no período. A DRJRibeirão Preto/SP manteve a nãohomologação do PER/DCOMP (fls. 63/64) sob dois fundamentos: (a) a recorrente não poderia lançar retroativamente o crédito extemporâneo no próprio período de entrada dos respectivos insumos, gerando com isso um indébito restituível naquele período; o procedimento correto, ao invés disso, seria lançar o crédito no período de apuração em que constatado, o que poderia gerar não mais um indébito restituível no período de origem do crédito, mas apenas um saldo credor ressarcível no período de escrituração do crédito; e Fl. 400DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 06/10/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10830.918766/200970 Acórdão n.º 3403001.772 S3C4T3 Fl. 2 3 (b) mesmo que superado esse equívoco preliminar, a recorrente não fez prova de que os créditos extemporâneos aproveitados decorriam de MP, PI e ME aptos à apropriação para fins de IPI. Sobreveio tempestivo voluntário (fls. 67/90), no qual a recorrente sustenta que não escriturou retroativamente os créditos extemporâneos. E, para prova da idoneidade dos créditos aproveitados, trouxe aos autos as respectivas notas fiscais de aquisição. Este Colegiado, na sessão de 7 de julho de 2011, converteu o julgamento em diligência (fls. 355/359) para que a DRF de origem esclarecesse se (i) as NFs juntadas às fls. 184/351 corresponderiam aos créditos extemporâneos escriturados no LRAIPI de 06/2008 (fls. 38/40) e (ii) os bens adquiridos por estas NFs atenderiam aos requisitos do art. 164, do RIPI/02 para legitimar o creditamento do IPI. Resultou da solicitação de diligência o relatório de fls. 372/374, pelo qual a autoridade preparadora responde positivamente às duas questões formuladas, ou seja, confirmando a escrituração do LRAIPI referente a 06/2008, bem como o atendimento aos requisitos do art. 164, do RIPI/02. Aberto prazo para manifestação, a recorrente peticiona (fls. 390/394) ratificando, em síntese, o posicionamento e o relatório elaborado pela DRF. Voto Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz O recurso é tempestivo e obedece às demais formalidades da interposição, razão pela qual dele conheço. 1 Cabimento do Pedido de Restituição. Não vislumbro, no proceder da recorrente, o equívoco procedimental apontado pela DRJ. A recorrente não está pedindo restituição do IPI do período de apuração de entrada dos créditos extemporâneos (maio/2008), mas do período de apuração em que, tardiamente, foram estes escriturados (junho/2008). É o que se constata no LRAIPI juntado a fls. 38/40. Ao contrário do que afirma a DRJ, o indébito não se formou porque a recorrente lançou o credito retroativamente no período de apuração já encerrado, mas sim porque, lançandoo no período subsequente, ainda em aberto, por alguma razão pagou o IPI desse período sem considerar o creditamento extemporâneo que acabara de fazer. É dizer, o pagamento do IPI de junho/2008 foi feito em momento em que o LRAIPI respectivo já indicava saldo devedor menor, porque já escriturado com o crédito extemporâneo lançado. Insistase, com o lançamento dos créditos extemporâneos, o saldo devedor de IPI referente a 06/2008 foi reduzido. Por descuido ou por outro motivo que aqui é irrelevante, pagou a recorrente quantia em desacordo com o que indicava o seu livro de apuração. Fl. 401DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 06/10/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 A consequência disso é, sem dúvida, a formação de indébito restituível. 2 Desnecessidade de Prévia Retificação da DCTF. A próxima questão preliminar a ser enfrentada referese à necessidade ou não de que o contribuinte retifique a DCTF previamente à transmissão do PER/DCOMP. Em diversos julgados já manifestei meu entendimento a respeito: o contribuinte pode – e deve – aproveitar o processo administrativo para infirmar a declaração prestada na DCTF, isto é, para demonstrar que o débito lá confessado na verdade não existia, com isso “liberando” o pagamento respectivo para vinculálo ao PER/DCOMP posteriormente transmitido. Por outro giro, o contribuinte tem a oportunidade de demonstrar seu direito no processo administrativo; se, contudo, limitarse, na manifestação de inconformidade, a alegar violação à ampla defesa, a prerrogativa precluirá. Nesse sentido, acórdão de minha relatoria: “O objeto central dos processos administrativofiscais formados de pedidos de restituição e de declarações de compensação está, justamente, na investigação da existência e dimensão do crédito tributário pretendido pelo sujeito passivo. E como bem expôs a DRJ recorrida, o crédito restituendo constitui, nesta espécie de procedimento, fato constitutivo do direito do contribuinte e, portanto, ocorrência cuja prova em princípio cabe a ele, contribuinte, realizar (CPC, artigo 333, I). Por isso mesmo, é com certa reserva que observo a prolação do despacho decisório, em compensações declaradas em via eletrônica, sem que a negativa seja precedida de oportunidade para produção da prova, via intimação do contribuinte. Por ocasião da prolação do despacho decisório lavrado nestes autos, vigorava a IN/SRF nº 600/05, cujos artigos 3o e 4o estabeleciam: “Art. 3º (...) §1o A restituição de que trata o inciso I será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante o formulário Pedido de Restituição constante do Anexo I, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. Art. 4o A autoridade da SRF competente para decidir sobre a restituição poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas.” De ordinário, portanto, a declaração de compensação já era transmitida eletronicamente. Somente nas hipóteses em que o programa PER/DCOMP não era aplicável, seja por limitação normativa, seja por limitação técnica, é que o contribuinte tinha permissão para formalizar o ato via formulário físico. E apenas nesse último caso, isto é, na declaração de compensação em formulário físico, o contribuinte tinha o ônus de, desde logo, Fl. 402DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 06/10/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10830.918766/200970 Acórdão n.º 3403001.772 S3C4T3 Fl. 3 5 produzir a prova documental do direito creditório (art. 3º, §1º). Nas hipóteses em que estivesse compelido a usar o formulário eletrônico, competia ao sujeito passivo simplesmente formalizar a declaração e aguardar que a unidade processadora lhe oportunizasse o momento para a produção da prova (art. 4o). Daí porque o indeferimento da restituição eletrônica sem prévia intimação do contribuinte lhe subtrai valiosa oportunidade para documentação do direito alegado, o que, a meu ver, é especialmente relevante se a recusa vem fundada na suposta inexistência ou insuficiência do crédito. Esta imperfeição procedimental, contudo, não é, a meu ver, drástica o bastante para nulificar a decisão, como apregoa a recorrente. Penso assim porque o processo administrativo serve justamente para que o contribuinte possa provar o seu direito com vistas a alcançarse a tão almejada verdade material. A teor dos arts. 74, §11 da Lei nº 9.430/96 e 14 do Decreto nº 70.235/72, é a manifestação de inconformidade que deflagra a fase litigiosa do processo administrativo de compensação, a partir da qual os princípios do contraditório e ampla defesa fazemse mandatórios. Antes da manifestação de inconformidade, vivese a fase inquisitiva do procedimento administrativo, que atende às conveniências da própria Administração apenas. Nesse sentido, a lição precisa de James Marins: “Na etapa fiscalizatória, não há, porém, processo, exceto quando já se chegou à etapa litigiosa, após o ato de lançamento (...). Nesse caso, por já estar configurada a litigiosidade diante da pretensão estatal poderá haver fiscalização com o objetivo de carrear provas ao processo administrativo. A fiscalização levada a efeito como etapa preparatória do ato de lançamento tem caráter meramente procedimental. Disso decorre que as discussões que trazem à etapa anterior ao lançamento questões concernentes a elementos tipicamente processuais, em especial as garantias do due process of law, confundem momentos logicamente distintos” (in Direito processual tributário brasileiro. São Paulo: Dialética, 2001. p.222). Chamando a etapa inquisitória de “procedimento administrativo”, conclui este mesmo doutrinador: “O procedimento administrativo fiscalizador interessa apenas ao Fisco e tem finalidade instrutória, estando fora da possibilidade, ao menos enquanto mera fiscalização, dos questionamentos processuais do contribuinte”. É dizer, por mais que a colheita de provas, por iniciativa do Fisco, antes do indeferimento da DCOMP seja recomendável e até sugerida pelo art. 4o da IN/SRF nº 600/05, tratase de providência sob juízo de conveniência da Administração. Noutro giro, se a DRF erra ao indeferir o pleito compensatório sem investigar o fato gerador, a recorrente peca mais Fl. 403DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 06/10/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 6 gravemente ao desperdiçar a oportunidade de, com amparo no artigo 16 do Decreto no. 70.235/72, produzir, a partir da sua manifestação de inconformidade, prova idônea a seu favor (Proc. adm. 10875.901395/200628; Ac. 340300.971, sessão de 2 de junho de 2011)”. 3 Comprovação do Indébito. Em outros processos restitutórios da recorrente muito similares a este, julgados por esta Turma na sessão de julho de 2011, o creditamento extemporâneo transformara em credor o saldo até então devedor do respectivo período, razão pela qual a recorrente, ademais de pedir a restituição do indébito, pedira também o ressarcimento do saldo. Nos referidos processos restitutórios, a recorrente comprovou o deferimento do respectivo PER/DCOMP ressarcitório pela DRF, o que foi sopesado pela Turma como prova conclusiva da necessária idoneidade e legitimidade dos créditos extemporâneos objeto do litígio. Para o 2º trimestre de 2008, contudo, o creditamento extemporâneo não produziu saldo credor de IPI, apenas reduziu o saldo devedor, não rendendo ensejo a qualquer pedido ressarcitório cujo deslinde valesse como prova da idoneidade dos créditos tardios. Assim, os autos foram baixados em diligência para que a DRF de origem elucidasse se as notas fiscais de fls. 184/351 corresponderiam aos créditos extemporâneos, no valor total de R$18.491,66, escriturados no LRAIPI de junho de 2008 e, em caso positivo, se os bens adquiridos por meio destas notas atenderiam aos requisitos dos arts. 164 e seguintes do RIPI/2002 para legitimar o respectivo creditamento do IPI. Em atenção às determinações deste Conselho, a DRF de origem, por meio do relatório de fls. 372/374, responde positivamente às duas questões formuladas, ou seja, confirma a escrituração do RAIPI referente a 06/2008, resultando saldo devedor de IPI no montante de R$8.221,89, e ratifica que as aquisições de MP, PI e ME espelhadas nas NFs de fls. 184/351 atenderam aos requisitos do art. 164, do RIPI/02. Não há dúvidas, portanto, de que os créditos e a respectiva escrituração extemporânea foram regulares, de modo que está comprovada a formação do indébito de IPI, objeto do presente PER/DComp. Por todo o exposto, dou provimento ao recurso voluntário para homologar o PER/DComp objeto deste processo. (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 404DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 06/10/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10830.918766/200970 Acórdão n.º 3403001.772 S3C4T3 Fl. 4 7 Fl. 405DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 06/10/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Numero do processo: 10680.723010/2010-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
REMUNERAÇÃO - CONCEITO Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de trabalho
AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO EM PECÚNIA - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO As verbas intituladas auxílio-alimentação, pagas em pecúnia, integram o salário de contribuição por possuírem natureza salarial.
PAGAMENTOS A EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Não trazendo a autuada elementos que infirmem o trabalho fiscal, há de ser mantida a atuação, eis que a legislação determina a incidência de contribuição previdenciária sobre salários pagos a segurados empregados e remuneração a contribuintes individuais.
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA Em princípio, houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual deve incidir na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada no presente AI calculada nos termos do artigo 32-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao sujeito passivo.
Numero da decisão: 2301-002.691
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso na questão do auxílio alimentação pago em pecúnia, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou em excluir a multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos; a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 REMUNERAÇÃO - CONCEITO Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de trabalho AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO EM PECÚNIA - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO As verbas intituladas auxílio-alimentação, pagas em pecúnia, integram o salário de contribuição por possuírem natureza salarial. PAGAMENTOS A EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Não trazendo a autuada elementos que infirmem o trabalho fiscal, há de ser mantida a atuação, eis que a legislação determina a incidência de contribuição previdenciária sobre salários pagos a segurados empregados e remuneração a contribuintes individuais. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA Em princípio, houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual deve incidir na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada no presente AI calculada nos termos do artigo 32-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao sujeito passivo.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso na questão do auxílio alimentação pago em pecúnia, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou em excluir a multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos; a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2214; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.723010/201049 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 2301002.691 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de abril de 2012 Matéria Multa GFIP Não inclusão dos valores pagos a título de auxílioalimentação sem PAT. Recorrente VALE DO OURO TRANSPORTE COLETIVO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 REMUNERAÇÃO CONCEITO Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de trabalho AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO EM PECÚNIA INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO As verbas intituladas auxílioalimentação, pagas em pecúnia, integram o salário de contribuição por possuírem natureza salarial. PAGAMENTOS A EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Não trazendo a autuada elementos que infirmem o trabalho fiscal, há de ser mantida a atuação, eis que a legislação determina a incidência de contribuição previdenciária sobre salários pagos a segurados empregados e remuneração a contribuintes individuais. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA Em princípio, houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual deve incidir na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada no presente AI calculada nos termos do artigo 32A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao sujeito passivo. Fl. 685DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13 /07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso na questão do auxílio alimentação pago em pecúnia, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou em excluir a multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos; a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redatora: Bernadete de Oliveira Barros. Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Bernadete de Oliveira Barros – Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente), Damião Cordeiro de Moraes, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. Fl. 686DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13 /07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10680.723010/201049 Acórdão n.º 2301002.691 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração nº 37.282.3874, o qual exige multa do sujeito passivo por ter sido constatada a entrega da GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, infringindo, dessa forma, a regra contida no artigo 32, inciso IV, 5º§, da Lei nº 8.212/1991. Segundo o relatório fiscal, a multa aplicada se justifica em razão do sujeito passivo ter deixado de declarar em GFIP a diferença de contribuição dos segurados empregados, apurada em decorrência da inclusão dos valores pagos a título de auxílio alimentação como base de cálculo de contribuições previdenciárias, bem como remuneração paga a segurados empregados e contribuintes individuais. Regularmente intimado, o sujeito passivo apresentou sua impugnação alegando a inexigibilidade da apresentação de GFIP, em relação à ajuda de custo de alimentação, já que esses valores pagados não poderiam ser incluídos na base de cálculo das contribuições previdenciárias. Além disso, sustentou ainda a ilegalidade da multa, por entender que a sua disciplina apenas se encontra prevista em decreto, sem o devido amparo de lei, o que afrontaria o princípio da estrita legalidade tributária. A instância a quo julgou improcedente a impugnação e consequentemente manteve a integralidade da autuação. Objetivando a reforma da decisão a quo o sujeito passivo interpôs recurso voluntário a esse Conselho, o qual reitera os argumentos já despendidos anteriormente. É o relatório. Fl. 687DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13 /07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Vencido Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso reúne as condições de admissibilidade e dele conheço. Conforme se depreende da narrativa dos fatos, verificase que foi submetido a julgamento deste E. Conselho a questão que envolve aplicação de multa pela entrega da GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Segundo o Relatório Fiscal, o sujeito passivo deixou declarar em GFIP a diferença de contribuição dos segurados empregados, apurada em decorrência da inclusão dos valores pagos a título de auxílioalimentação como base de cálculo de contribuições previdenciárias. Diante desse cenário, colocase, então, a questão de saber se os valores pagos a título de auxílioalimentação integram ou não base de cálculo das contribuições previdenciárias, para que, assim, possa ser examinada a prática infracional de não ter sido declarado o respectivo fato gerador das contribuições, de modo a ensejar a incidência da multa prevista no artigo 32, inciso IV, 5º§, da Lei nº 8.212/1991. Nesse sentido, registro inicialmente que, no caso da alimentação fornecida pelo empregador, tenho o entendimento de que esta é fornecida não “pelo” trabalho, mas “para” o trabalho, isto é, o empregado tem o direito à alimentação não em decorrência direta da prestação de serviços, mas para sua própria condição de saúde, subsistência e dignidade humanas, valores esses protegidos pela Constituição Federal. A questão relativa à inscrição ou não da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT já foi superada pela jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, que por meio de suas duas Turmas de Direito Público e também pela 1ª Seção de Direito Público, fixou entendimento de que a alimentação fornecida pelo empregador não está sujeita à contribuição previdenciária, seja esse inscrito ou não no PAT. Vejamos: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BASE DE CÁLCULO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. ATENDIMENTO AOS REQUISITOS LEGAIS. REEXAME. SÚMULA N. 7 DO STJ. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO.HABITUALIDADE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. INCIDÊNCIA. 1. Conforme assentado na jurisprudência desta Corte, não incide contribuição previdenciária sobre a verba paga a título de participação nos lucros e resultados das empresas, desde que realizadas na forma da lei (art. 28, § 9º, alínea "j", da Lei n.8.212/91, à luz do art. 7º, XI, da CR/88). Precedentes. 2. Descabe, nesta instância, revolver o conjunto fático probatório dos autos para confrontar a premissa fática estabelecida pela Corte de origem. É caso, pois, de invocar as razões da Súmula n. 7 desta Corte. Fl. 688DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13 /07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10680.723010/201049 Acórdão n.º 2301002.691 S2C3T1 Fl. 4 5 3. O STJ também pacificou seu entendimento em relação ao auxílioalimentação, que, pago in natura, não integra a base de cálculo da contribuição previdenciária, esteja ou não a empresa inscrita no PAT. Ao revés, pago habitualmente e em pecúnia, há a incidência da referida exação. Precedentes. 4. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido”. (REsp 1196748/RJ, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/08/2010, DJe 28/09/2010) “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. FGTS. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTES. 1. O pagamento do auxílioalimentação in natura, ou seja, quando a alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, razão pela qual não integra as contribuições para o FGTS. Precedentes: REsp 827.832/RS, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/11/2007, DJ 10/12/2007 p. 298; AgRg no REsp 685.409/PR, PRIMEIRA TURMA, julgado em 20/06/2006, DJ 24/08/2006 p. 102; REsp 719.714/PR, PRIMEIRA TURMA, julgado em 06/04/2006, DJ 24/04/2006 p. 367; REsp 659.859/MG, PRIMEIRA TURMA, julgado em 14/03/2006, DJ 27/03/2006 p.171. 2. Ad argumentandum tantum, esta Corte adota o posicionamento no sentido de que a referida contribuição, in casu, não incide, esteja, ou não, o empregador, inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. 3. Agravo Regimental desprovido.” (AgRg no REsp 1119787/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/06/2010, DJe 29/06/2010) “TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. 1. O pagamento in natura do auxílioalimentação, vale dizer, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho. Fl. 689DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13 /07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA 6 2. Ao revés, quando o auxílio alimentação é pago em dinheiro ou seu valor creditado em contacorrente, em caráter habitual e remuneratório, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. 3. Precedentes da Seção. 4. Embargos de divergência providos.” (EREsp 476.194/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 11/05/2005, DJ 01/08/2005, p. 307) No caso concreto há, porém, uma diferença em relação aos precedentes acima citados, eis que a recorrente não fornecia alimentação in natura e sim concede uma ajuda de custo em pecúnia, a fim de suprila. Não obstante essa situação, recordome que o Supremo Tribunal Federal, em caso análogo (valetransporte) entendeu que mesmo o seu pagamento em pecúnia não retiraria o caráter indenizatório da verba. Ademais, a não aceitação do fornecimento do vale transporte em dinheiro caracterizaria a negação do curso legal da moeda. O mesmo raciocínio, a meu ver, aplicase ao caso concreto. Cito o precedente do Pretório Excelso: “EMENTA: RECURSO EXTRORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de vales transporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento.” (RE 478410, Relator(a): Min. EROS GRAU, Tribunal Pleno, julgado em 10/03/2010, DJe086 DIVULG 13052010 PUBLIC Fl. 690DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13 /07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10680.723010/201049 Acórdão n.º 2301002.691 S2C3T1 Fl. 5 7 14052010 EMENT VOL0240104 PP00822 RDECTRAB v. 17, n. 192, 2010, p. 145166) É importante ressaltar que a Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, a qual instituiu o Regimento Interno desse Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, foi alterado pela Portaria nº 586, de 21 de dezembro de 2010, a qual incluiu o artigo 62A, segundo o qual devem ser observados nos julgamentos desse Conselho as decisões definitivas de mérito do Pretório Excelso, proferidas na sistemática da repercussão geral, bem como as do C. Superior Tribunal de Justiça, na forma de recurso repetitivo. O que se extrai dessas alterações é que esse Conselho valhase, em suas decisões, daquelas já tomadas pelo Poder Judiciário e que consolidaram seu entendimento final sobre a matéria, pois no sistema jurídico brasileiro esse é o único órgão competente para “dizer o direito” com foros de definitividade. É certo que, até o presente momento, o E. Superior Tribunal de Justiça ou o Supremo Tribunal Federal não julgaram a questão ora posta em julgamento na forma de recurso repetitivo ou repercussão geral. Não obstante, o que se extrai da jurisprudência pacificada é que, em relação à alimentação a ausência de inscrição no PAT e mesmo o pagamento em pecúnia não lhe retiram o caráter indenizatório. É medida, pois, que se impõe reconhecer que essa temática já está superada no âmbito do Poder Judiciário, cabendonos, pelos princípios que regem a administração pública, tais como legalidade, moralidade e eficiência (artigo 37 caput da Constituição Federal) aplicála. Portanto, tendo presente que as quantias pagas pelo empregador a título de auxílioalimentação não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, logo, não há que se falar, in casu, em descumprimento de obrigação tributária acessória regulada pelo artigo 32, inciso IV, 5º§, da Lei nº 8.212/1991, uma vez que esses valores não constituem fato gerador da respectiva contribuição previdenciária. Pagamentos a segurados empregados e contribuintes individuais No tocante à remuneração paga a segurados empregados, bem como os pagamentos de prólabore ao segurados contribuintes individuais a recorrente não trouxe elementos aos autos que pudessem desconstituir o trabalho fiscal, ou melhor, não trouxe provas no sentido de tais pagamentos não se subsumiriam ao conceito jurídico de salário ou remuneração, razão pela qual devem ser mantidos no lançamento. Multa É certo que o artigo acima citado foi, no curso desse processo, alterado pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, cabendo, portanto, analisar a viabilidade ou não da aplicação do que dispõe a alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. Segundo as novas disposições legais, a multa prevista no artigo 32, § 5º da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, qual seja, aquela aplicada em razão de omissão de dados relacionados aos fatos geradores, a qual culminava multa de 100% das contribuições não declaradas, passou a ser prevista no artigo 32A, cujo inciso I, limita o valor a R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas, sendo que o valor calculado deve atender o disposto no § 3º desse novel artigo. Fl. 691DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13 /07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA 8 Entendo que não se aplica o artigo 35A da Lei nº 8.212/91, uma vez que esse se limita à apuração das contribuições previdenciárias previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, quais sejam: a) as das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço; b) as dos empregadores domésticos; c) as dos trabalhadores, incidentes sobre o seu saláriodecontribuição A meu ver, o fato do artigo 35A fazer remissão ao artigo 44 da Lei nº 9.430/96, no qual está previsto multa de 75% por “declaração inexata” não se aplica para os casos de GFIP, já que nesses a multa capitulada encontrase no artigo 32A da Lei nº 8.212/91, além do que, como dito linhas acima, o artigo 35A traz previsão de penalidade apenas para os casos em que se apura o montante das contribuições. Logo, a meu ver, em princípio, houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual deve incidir na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada no presente AI calculada nos termos do artigo 32A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte. Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para excluir do lançamento os valores relativos ao auxilio alimentação, bem como para que seja aplicada, sem mais benéfica ao sujeito passivo, a multa prevista no artigo 32A da Lei nº 8.212/91. Adriano Gonzales Silvério Relator Voto Vencedor Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, Redatora Designada Permitome divergir do entendimento do Relator de que as quantias pagas pelo empregador a título de auxílioalimentação não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. O conceito de salário de contribuição expresso no art. 28 inciso I da Lei 8.212/91 é “...a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma,...” (grifei). A própria Constituição Federal, preceitua, no § 4º do art. 201, renumerado para o § 11, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98, o seguinte: § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüentemente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (grifei) Portanto, a condição de se tratar ou não de salário não está vinculada ao interesse da fonte pagadora ou do empregador em, com aquele pagamento, assalariar ou não Fl. 692DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13 /07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10680.723010/201049 Acórdão n.º 2301002.691 S2C3T1 Fl. 6 9 seu empregado. Ou seja, não é o nome do pagamento ou a vontade da empresa em si que vai determinar sua natureza jurídica. O que irá afastar a verba paga da incidência tributária é a estreita observância à legislação específica que trata da matéria. No presente caso, não resta dúvida que a verba intitulada “auxílio alimentação”, paga em pecúnia, não está incluída nas hipóteses legais de isenção previdenciária, previstas no § 9º, art. 28, da Lei 8.212/91. De fato, a alínea “c”, do citado § 9º, com redação dada pela Lei nº 9.528/97, exclui do salário de contribuição apenas a parcela “in natura” recebida de acordo com a Lei 6.321/76, o que não é o caso em tela, já que a fiscalização constatou que a empresa concedeu o auxílioalimentação em pecúnia, o que contraria o referido diploma legal. Assim, está correto o procedimento fiscal em incluir na base de cálculo da contribuição previdenciária os valores pagos pela recorrente a título de auxílioalimentação, como está correta a decisão recorrida em manter tal rubrica no Auto de Infração. Portanto, o valor efetivamente pago pela autuada, em pecúnia, relativo a auxílioalimentação, integra o salário de contribuição e a pretensão da recorrente de se excluir os referidos valores da base de cálculo da contribuição previdenciária carece de amparo legal. Nesse sentido, o parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, cuja aprovação pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda ensejou a emissão do ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011, que autoriza a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio alimentação não há incidência de contribuição previdenciária”, traz, em seu bojo, excertos do julgado proferido pelo Min. Luiz Fux, nos autos do Recurso Especial nº1.119.787SP, publicado no DJ em 13/05/2010, bem como outras decisões que expressam a pacífica e consolidada jurisprudência do STJ sobre a matéria, e conclui que “quando o auxílioalimentação for pago em espécie ou creditado em contacorrente, em caráter habitual, assume feição salarial e, desse modo, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária.” Dessa forma, não há amparo legal para a nãoincidência de contribuição previdenciária sobre o AuxílioAlimentação pago em pecúnia. Nesse sentido, voto por manter os valores pagos a título de Auxílio Alimentação na base de cálculo da contribuição previdenciária e, consequentemente, no Auto de Infração em tela. É como voto. Fl. 693DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13 /07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA 10 Fl. 694DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13 /07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 35220.000254/2006-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1999 a 30/04/2005 DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Aplica-se o art. 150, §4º do CTN se verificado que o lançamento refere-se a descumprimento de obrigação tributária principal, houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e inexiste fraude, dolo ou simulação. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35-A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO CARF E ART. 34 DA LEI 212/91.
Em conformidade com a Súmula do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais. Acrescente-se que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-002.836
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 01/2001, anteriores a 02/2001, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em aplicar a regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN; b) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Redator designado. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator designado(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votam em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator designado: Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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PREV SOLIDARIEDADE Recorrente PREFEITURA MUNICIPAL DE FLORESTA PE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1999 a 30/04/2005 DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Aplicase o art. 150, §4º do CTN se verificado que o lançamento referese a descumprimento de obrigação tributária principal, houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e inexiste fraude, dolo ou simulação. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO CARF E ART. 34 DA LEI 8.212/91. Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 1/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MAURO JOSE SILVA 2 Em conformidade com a Súmula do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais. Acrescentese que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 01/2001, anteriores a 02/2001, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em aplicar a regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN; b) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Redator designado. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator designado(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votam em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator designado: Leonardo Henrique Pires Lopes. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Pires Lopes – Redator Designado Participaram do presente julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio Souza Correa, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 1/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35220.000254/200611 Acórdão n.º 230102.836 S2C3T1 Fl. 1.022 3 Relatório Tratase de lançamento, lavrado em 21/02/2006, por ter a empresa acima identificada, segundo Relatório Fiscal da Infração, fls. 311/358, deixado de recolher a totalidade das contribuições incidentes sobre as remunerações de seus empregados conforme apuração baseada em folhas de pagamento, notas de empenho, ordens de pagamento e relatório do Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), nas competências 03/1999 a 04/2005, tendo resultado na constituição de crédito tributário de R$ 4.959.547,69, fls. 01. Após tomar ciência pessoal da autuação em 23/02/2006, fls. 01, a recorrente apresentou impugnação, fls. 119/133, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 6ª Turma da DRJ/Recife, no Acórdão de fls. 988/995, julgou o lançamento procedente parte, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 15/02/2008, fls. 998. O recurso voluntário, apresentado em 12/03/2008, fls. 1001/1017, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Pleiteia a exclusão do lançamento de fatos geradores atingidos pela decadência, tendo esta prazo de cinco anos e dies a quo aquele do art. 150, §4º do CTN. Aponta que possui regime próprio de previdência instituído pela Lei Municipal 326/2005. Entende que a Taxa Selic não pode ser aplicada, pois utiliza componentes e cálculos não especificamente previstos em lei, mas em norma do BACEN. É o relatório. Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 1/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MAURO JOSE SILVA 4 Voto Vencido Conselheiro Mauro José Silva Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Decadência. Prazo de cinco anos e dies a quo tomando a regra do art. 173, inciso I ou art. 150, §4º, conforme detalhes do caso. Aplicação do Resp 973.733SC. A aplicação da decadência suscita o esclarecimento de duas questões essenciais: o prazo e o dies a quo ou termo de início. O prazo decadencial para as contribuições sociais especiais para a seguridade social, que era objeto de disputa com relação à aplicação do que dispunha a Lei 8.212/1991 – dez anos ou o CTN – cinco anos, suscitou o surgimento de súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF). Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 1/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35220.000254/200611 Acórdão n.º 230102.836 S2C3T1 Fl. 1.023 5 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos devem acatar o conteúdo da Súmula Vinculante n°. 08. Temos, então, que a partir da edição da Súmula Vinculante nº 08 o prazo decadencial das contribuições sociais especiais destinadas para a seguridade social é de cinco anos. Definido o prazo decadencial, resta o esclarecimento sobre o seu dies a quo. Como podemos extrair dos trechos citados acima, a referida súmula trata, no que se refere â decadência, da definição de seu prazo – 05 anos – em harmonia com o previsto no CTN , deixando o dies a quo do prazo decadencial para ser definido segundo as regras constantes do art. 150,§4º ou do art. 173, inciso I do CTN. Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 1/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MAURO JOSE SILVA 6 A regra geral para aplicação dos termos iniciais da decadência encontrase disciplinada no art. 173 CTN: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quis o legislador dispensar tratamento diferenciado para os contribuintes que antecipassem seus pagamentos, cumprindo suas obrigações tributárias corretamente junto a Fazenda Pública, fixando o termo inicial do prazo decadencial anterior ao do aplicado na regra geral, no dispositivo legal do §4o do art. 150 do CTN, in verbis : "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Observese, pois que, da definição do termo inicial do prazo de decadência, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de interpretar a legislação aplicável para apurar o montante devido e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou contribuição correspondente a determinados fatos jurídicos tributários. Nesta mesma linha transcrevemos algumas posições doutrinárias: Misabel Abreu Machado Derzi, Comentários ao Código Tributário Nacional, coordenado por Carlos Valder do Nascimento, Ed. Forense, 1997, pág. 160 e 404: “A inexistência do pagamento devido ou a eventual discordância da Administração com as operações realizadas pelo sujeito passivo, nos tributos lançados por homologação, darão ensejo ao lançamento de ofício, na forma disciplinada Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 1/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35220.000254/200611 Acórdão n.º 230102.836 S2C3T1 Fl. 1.024 7 pelo art. 149 do CTN, e eventual imposição de sanção.” (auto de infração). “O prazo para homologação do pagamento, em regra, é de cinco anos, contados a partir da data da ocorrência do fato gerador da obrigação. Portanto a forma de contagem é diferente daquela estabelecida no art. 173, própria para os demais procedimentos, inerentes ao lançamento com base em declaração ou de ofício. Tratase de prazo mais curto, menos favorável a Administração, em razão de ter o contribuinte cumprido com seu dever tributário e realizado o pagamento do tributo.”. Luciano Amaro , Direito Tributário Brasileiro, Ed. Saraiva, 4a Ed., 1999, pág. 352: “Se porém o devedor se omite no cumprimento do dever de recolher o tributo, ou efetua recolhimento incorreto, cabe a autoridade administrativa proceder ao lançamento de ofício (em substituição ao lançamento por homologação, que se frustrou em razão da omissão do devedor), para que possa exigir o pagamento do tributo ou da diferença do tributo devido.”. Sob o mesmo enfoque, no Acórdão CSRF/0101.994, manifestouse o Relator: “O lançamento por homologação pressupõe o pagamento do crédito tributário apurado pelo contribuinte, prévio de qualquer exame da autoridade lançadora. Segundo preceitua o art. 150 do Código Tributário Nacional, o direito de homologar o pagamento decai em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, exceto nos casos de fraude, dolo ou simulação, situações previstas no § 4º do referido artigo 150. O que se homologa é o pagamento efetuado pelo contribuinte, consoante dessumese do referido dispositivo legal. O que não foi pago não se homologa, porque nada há a ser homologado. Se o contribuinte nada recolheu, se houve insuficiência de recolhimento e estas situações são identificadas pelo Fisco, estamos diante de uma hipótese de lançamento de ofício. Tratase de lançamento ex officio cujo termo inicial da contagem do prazo de decadência é aquele definido pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.” (negrito da transcrição). O Superior Tribunal de Justiça (STJ), que durante anos foi bastante criticado pela doutrina por adotar a tese jurídica da aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, julgou em maio de 2009 o Recurso Especial 973.733 – SC (transitado em julgado em outubro de 2009) como recurso repetitivo e definiu sua posição mais recente sobre o assunto, conforme podemos conferir na ementa a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 1/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MAURO JOSE SILVA 8 CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadência regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Extraise do julgado acima transcrito que o STJ, além de afastar a aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, definiu que o dies a quo para a decadência nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente será aquele da data do fato gerador quando o contribuinte tiver realizado o pagamento antecipado. Nos demais casos, deve ser aplicado o dispositivo do art. 173, inciso I. Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 1/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35220.000254/200611 Acórdão n.º 230102.836 S2C3T1 Fl. 1.025 9 Apesar de contribuir para clarificar a aplicação da decadência, tal julgado não eliminou por completo as possíveis dúvidas do aplicador da lei. Entre elas, a que nos interessa no momento é a seguinte: qualquer pagamento feito pelo contribuinte relativo ao tributo e ao período analisado desloca a regra do dies a quo da decadência do art. 173, inciso I para o art. 150, § 4º? Nossa resposta é: não. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente. Fatos não considerados no cálculo, seja por omissão dolosa ou culposa, se identificados pelo fisco durante procedimento fiscal que antecede o lançamento, permanecem com o dies a quo do prazo decadencial regido pelo art. 173, inciso I. Vale dizer que a aplicação da regra decadencial do art. 150, §4º referese aos aspectos materiais dos fatos geradores já admitidos pelo contribuinte. Afinal, não se homologa, não se confirma o que não existiu. Assim, mesmo estando obrigados a reproduzir as decisões definitivas de mérito do STJ, por conta da alteração do Regimento do CARF pela Portaria 586 de 26/12/2010, manteremos nossa posição quanto a esse aspecto, uma vez que a decisão daquele Tribunal Superior não esclarece a dúvida quanto à abrangência do pagamento antecipado. Definida a aplicação da regra decadencial do art. 173, inciso I, precisamos tomar seu conteúdo para prosseguirmos: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Da leitura do dispositivo, extraímos que este define o dies a quo do prazo decadencial como o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Mas ainda precisamos definir a partir de quando o lançamento pode ser efetuado. O texto do item 3 do Resp 973.733 fala que tal data “corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível”. ,Se considerássemos isoladamente tal trecho da ementa do Resp 973.733 poderíamos concluir que o dies a quo da decadência para aplicação do art. 173, inciso I do CTN seria o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. Um fato gerador ocorrido em 31/12/20XX teria como dies a quo do prazo decadencial 01/01/20(X+1), o que levaria o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+5). Tal conclusão, entretanto, estaria em desalinho com a lógica, uma vez que um fato gerador que se constata ocorrido em 31/12/20XX só poderá ser lançado a partir de 01/01/20(X+1), dada a cristalina premissa de que só existe obrigação tributária após a ocorrência do fato gerador. Se só poderia ser lançado em 01/01/20(X+1) , o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado é 01/01/20(X+2), o que leva o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+6). Ainda sobre o assunto, estamos cientes que após o trânsito em julgado do Resp 973.733, em 22/10/2009, a Segunda Turma do STJ já se manifestou no sentido de admitir que os fatos geradores ocorridos em dezembro de 200X só tem seu dies a quo em relação à decadência em 01 de janeiro de 20(X+2), conforme podemos conferir na ementa a seguir: Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 1/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MAURO JOSE SILVA 10 EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782) Julgado em 09/02/2010. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Dessa maneira, já podemos afirmar que o próprio STJ já expressou, por uma de suas Turmas, que a afirmação categórica do item 3 do Resp 973.733 serviu apenas para afastar a tese da decadência decendial que houvera sido adotada por aquele Tribunal. Ademais, ao adotarmos a interpretação mais formalista do item 3 do Resp 973.733, estaríamos em contradição com a própria finalidade da norma regimental que criou a obrigatoriedade de os conselheiros seguirem as decisões do STJ tomadas em Recursos Repetitivos. O art. 62A do RICARF tem nítida finalidade de evitar que o CARF continue emitindo decisões que serão revistas pelo Poder Judiciário, o que estaria em desacordo com o princípio da eficiência, da moralidade administrativa e acarretaria despesas para o Erário Público na forma de ônus de sucumbência. Como o próprio STJ já vem adotando uma interpretação alinhada com lógica do texto do art. 173, inciso I do CTN, a continuidade de uma interpretação formalista resultaria em não atingimento da finalidade da norma regimental. Resulta, então, em síntese, que para fatos geradores ocorridos em 31/12/20XX (competência 12/20XX das contribuições previdenciárias, por exemplo) teremos o fim do prazo decadencial em 31/12/20(X+6) no caso de aplicação da regra do art. 173, inciso I do CTN. Assim, para o lançamento do crédito tributário de contribuições sociais especiais destinadas à seguridade social, seja este oriundo de tributo ou de penalidade pelo não pagamento da obrigação principal, o prazo decadencial é de cinco anos contados a partir do primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso dos fatos geradores para os quais não houve qualquer pagamento por parte do contribuinte, em atendimento ao disposto no art. 173, inciso I do CTN. Para o lançamento de ofício em relação aos aspectos materiais dos fatos geradores relacionados a pagamentos efetuados pelo contribuinte nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 1/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35220.000254/200611 Acórdão n.º 230102.836 S2C3T1 Fl. 1.026 11 a quo da decadência é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4º do CTN. Para a aplicação do art. 150, § 4º, entretanto, temos que atentar para o texto do referido dispositivo: § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Notamos que o texto legal referese a uma homologação tácita por parte da Fazenda Pública – “considerase homologado” é a expressão utilizada no caso de expirado o prazo de cinco anos do fato gerador sem que o fisco “se tenha pronunciado”. A interpretação mais comum desse trecho conclui que o pronunciamento a que se refere o dispositivo deve ser entendido como a homologação expressa ou a conclusão do lançamento de ofício com a ciência do sujeito passivo. Discordamos de tal entendimento. A expressão “pronunciado” não conduz a uma interpretação inequívoca de que equivale a homologação expressa ou lançamento de ofício. O verbo pronunciar, no dicionário Michaelis, é associado a diversos sentidos possíveis, entre eles, “emitir a sua opinião, manifestar o que pensa ou sente “. Quando a Fazenda Pública inicia fiscalização sobre um tributo em um período, está se manifestando, se pronunciando no sentido de que irá realizar a atividade prevista no art. 142 do CTN. Caso o §4º do art. 150 quisesse exigir a homologação expressa e não um simples pronunciamento, teria feito referência ao conteúdo do caput do mesmo artigo que define os contornos de tal atividade, mas preferiu a expressão ”pronunciado”. Com esse entendimento concluímos que, iniciada a fiscalização, a decadência em relação a todos os fatos geradores ainda não atingidos pela homologação tácita, passa a ser submetida à regra geral de tal instituto, ou seja, passa a ser regida pelo art. 173, inciso I. Ressaltamos que não se trata de interrupção ou suspensão do prazo decadencial, mas de um deslocamento da regra aplicável. Vejamos um exemplo. Considerando que uma fiscalização tenha sido iniciada em 06/20XX em relação a um tributo para o qual o sujeito passivo exerceu a atividade dele exigida pela lei, ou seja, o sujeito passivo realizou sua escrituração, prestou as informações ao fisco e antecipou, se foi o caso, algum pagamento. Nesse caso teria ocorrido a homologação tácita em relação aos fatos geradores ocorridos até 05/20(XX5). Os fatos geradores ocorridos depois de 05/20(XX5) poderão ser objeto de lançamento de ofício válido, desde que este seja cientificado ao sujeito passivo antes de transcorrido o prazo previsto no art. 173, inciso I. Feitas tais considerações jurídicas gerais sobre a decadência, passamos a analisar o caso concreto. Observamos a inexistência de pagamentos relativos aos fatos geradores que interessam para a discussão sobre a decadência, logo, conforme acima explanado, é de ser aplicada a regra do art. 173, inciso I do CTN. Tendo sido o lançamento cientificado em 23/02/2006, o fisco poderia efetuar o lançamento para fatos geradores posteriores a 11/2000. Todos ao fatos geradores anteriores a tal competência, inclusive esta, estão atingidos pelo prazo de caducidade. Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 1/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MAURO JOSE SILVA 12 Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: • Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta; • Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 1/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35220.000254/200611 Acórdão n.º 230102.836 S2C3T1 Fl. 1.027 13 de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 1/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MAURO JOSE SILVA 14 caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008: • A multa de mora, se aplicada, deve ser afastada; • A multa de ofício de 75% é aplicada pela falta de recolhimento da contribuição, podendo ser majorada para 150% em conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos casos em que existam provas de atuação dolosa de sonegação, fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de não atendimento de intimação no prazo marcado, conforme §2º do art. 44 da Lei 9.430/96; • A multa pela falta de apresentação da GFIP ou apresentação deficiente desta é aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 1/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35220.000254/200611 Acórdão n.º 230102.836 S2C3T1 Fl. 1.028 15 Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 1/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MAURO JOSE SILVA 16 dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Passamos a resumir nossa posição sobre o regime jurídico de aplicação das multas para fatos geradores até 11/2008: • A multa de mora, se aplicada, deve ser afastada; • As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte. Tal posição é aplicável inclusive para situações nas quais a fiscalização tenha feito sua análise de retroatividade benéfica, com a qual não Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 1/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35220.000254/200611 Acórdão n.º 230102.836 S2C3T1 Fl. 1.029 17 concordamos, e aplicado a multa de 75% do art. 44 da Lei 9.430/96. Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 1/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MAURO JOSE SILVA 18 Legalidade da Taxa SELIC como juros de mora A insurgência da recorrente contra a aplicação da Taxa Selic como juros moratórios não pode prosperar, uma vez que se trata de matéria sumulada neste Tribunal Administrativo no sentido de sua legalidade, conforme podemos conferir a seguir: Súmula CARF No 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.. Acrescentese que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic. Por fim, a alegação de possuía regime próprio não tem pertinência aos autos, uma vez que este regime passou a existir somente a partir de 27 de maio de2005, fls. 965, ao passo que os fatos geradores referemse ao período de 03/1999 a 04/2005. Assim, no período que interessa aos não havia regime próprio, conforme admitido pela recorrente. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO, de modo a : (i) excluir os fatos geradores até 11/2000 por conta da decadência; (ii) excluir a multa de mora. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 1/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35220.000254/200611 Acórdão n.º 230102.836 S2C3T1 Fl. 1.030 19 Voto Vencedor Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes – Redator Designado: Da Decadência No caso em apreço, o lançamento foi realizado enquanto vigorava os art. 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, segundo os quais os prazos decadencial e prescricional das contribuições previdenciárias seriam de 10 anos. Ocorre que, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12.06.2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal–STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais aqueles dispositivos legais e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos quinquenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A da Constituição Federal O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 1/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MAURO JOSE SILVA 20 Lei n° 11.417, de 19/12/2006 Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. (...). ...Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. Temos que a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficaram obrigados a acatar a Súmula Vinculante. Assim, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplica ao caso concreto, uma vez que existem duas regras, aparentemente conflitantes, dispondo sobre a decadência de créditos tributários, tomando a primeira como termo inicial o pagamento indevido (art. 150, §4º), e a segunda o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado (art. 173, I). Cumpre transcrever os referidos dispositivos legais: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Harmonizando os referidos dispositivos legais, o Superior Tribunal de Justiça esclareceu a aplicação do art. 173 para os casos em que o tributo sujeitarse a lançamento por homologação: 1) Quando não tiver havido pagamento antecipado; 2) Quando tiver ocorrido dolo, fraude ou simulação; Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 1/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35220.000254/200611 Acórdão n.º 230102.836 S2C3T1 Fl. 1.031 21 3) Quando não tiver havido declaração prévia do débito. Cumpre transcrever o acórdão prolatado em sede de Recurso Especial representativo da controvérsia: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 1/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MAURO JOSE SILVA 22 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). No voto lavrado no referido REsp 973.733/SC, foi transcrito entendimento firmado em outros julgamento (REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, DJ 25.02.2008), que limitam a aplicação do art. 150, §4º do CTN às hipóteses que tratam de tributo sujeito a lançamento por homologação, “quando ocorrer pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias” . A comprovação da presença de tais circunstâncias seria imprescindível para o afastamento do art. 150, §4º do CTN e aplicação do seu art. 173, I, o que não se vislumbra em qualquer momento da autuação, que não indicou o inadimplemento total das contribuições devidas. Deste modo, ficam afastados, de início, os pressupostos para aplicação do art. 173 do CTN. Outrossim, não tendo sido comprovando que sua conduta tenha sido eivada de dolo, fraude ou simulação, restando configurado, portanto, o pressuposto fático ensejador da aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º do Código Tributário Nacional, fica definitivamente afastada a incidência do disposto no artigo 173, I do mesmo dispositivo legal. Desta feita, considerando que a consolidação do crédito previdenciário se deu em 21/02/2006, e que a autuação abrange fatos geradores ocorridos entre 03/1999 e 04/2005, tenho como certo foram atingidas pela decadência as competências até janeiro/2001, isto é, anteriores a fevereiro/2001. Da multa aplicada A autuação em comento referese ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 1/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35220.000254/200611 Acórdão n.º 230102.836 S2C3T1 Fl. 1.032 23 dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 1/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MAURO JOSE SILVA 24 em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 1/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35220.000254/200611 Acórdão n.º 230102.836 S2C3T1 Fl. 1.033 25 pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 1/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MAURO JOSE SILVA 26 Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991, aplicandose a que for mais benéfica ao contribuinte. Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 1/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 10768.720424/2007-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/12/2003 GASOLINA DE AVIAÇÃO. RECEITAS. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. As receitas de vendas de gasolina de gasolina de aviação não estão sujeitas à tributação concentrada à alíquota de 2,70 % e sim à tributação pelo regime geral à alíquota de 1,65 %. GLP. PROPENO. RECEITAS. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. As receitas de vendas de gás propeno não estão sujeitas à tributação concentrada à alíquota de 2,56% e sim à tributação pelo regime geral à alíquota de 1,65 %. VARIAÇÕES CAMBIAIS. RECEITAS FINANCEIRAS. As receitas financeiras decorrentes de variações cambiais estão sujeitas à incidência da contribuição para o PIS no regime não-cumulativo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/09/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio contribuinte, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO
Numero da decisão: 3301-001.565
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencida a conselheira Andréa Medrado Darzé. Fez sustentação oral pela recorrente, o advogado Danillo José Souto Vita, OAB/PB 14.548.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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RECEITAS. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. As receitas de vendas de gasolina de gasolina de aviação não estão sujeitas à tributação concentrada à alíquota de 2,70 % e sim à tributação pelo regime geral à alíquota de 1,65 %. GLP. PROPENO. RECEITAS. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. As receitas de vendas de gás propeno não estão sujeitas à tributação concentrada à alíquota de 2,56% e sim à tributação pelo regime geral à alíquota de 1,65 %. VARIAÇÕES CAMBIAIS. RECEITAS FINANCEIRAS. As receitas financeiras decorrentes de variações cambiais estão sujeitas à incidência da contribuição para o PIS no regime nãocumulativo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/09/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio contribuinte, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 638DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencida a conselheira Andréa Medrado Darzé. Fez sustentação oral pela recorrente, o advogado Danillo José Souto Vita, OAB/PB 14.548. (Assinado Digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado Digitalmente) Jose Adão Vitorino de Morais – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Rio de Janeiro II que julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou a compensação do débito de Cofins, vencido em 15/09/2005, declarado na Declaração de Compensação (Dcomp) às fls. 05/09, com crédito financeiro decorrente de pagamento a maior da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) referente à competência de dezembro de 2003, recolhida em 15/01/2004. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (Derat) no Rio de Janeiro não homologou a compensação do débito tributário declarado sob o argumento de inexistência do alegado pagamento a maior que gerou o indébito declarado, como crédito financeiro, na Dcomp em discussão, conforme Relatório de Diligência Fiscal às fls. 70/77 e Parecer/Despacho Decisório às fls. 80/87. Inconformada com aquele despacho, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade (fls. 109/117), insistindo na homologação da compensação do débito tributário declarado, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: “a) No que tange à gasolina, não foram consideradas as deduções do produto 623 (gasolina de aviação), tributada à alíquota de 1,65%; b) No que tange ao GLP, não foi deduzido o valor relativo ao propano/butano; c) No que tange ao querosene de aviação, não foi deduzido o valor relativo a vendas canceladas, devoluções e descontos incondicionais, conforme balancete. Além disso, foi inflado o valor das exportações, pois se incluiu querosenes normais que não as de aviação; d) Não houve desconformidade com relação aos demais produtos; e) O saldo credor das variações cambiais representa expectativa de receita e não receita propriamente dita; f) A doutrina é uníssona no que tange à impossibilidade de se tributar a variação cambial; Fl. 639DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10768.720424/200751 Acórdão n.º 330101.565 S3C3T1 Fl. 639 3 g) O STJ já se manifestou sobre esse tema ao considerar a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 que ampliou o conceito de receita bruta para toda e qualquer receita. O referido precedente, nos termos do que dispõe o art. 26A, § 6º, I do Decreto nº 70.235/72, deve ser observado de modo a que se afaste da base de cálculo do PIS a receita oriunda de variação cambial; a) Apresenta planilha demonstrando do PIS a pagar e o crédito com o qual busca a compensação e afirma que não houve dedução em duplicidade e que o valor apontado como relativo a produtos monofásicos foi extraído da planilha no item 2 e o de outras receitas é apresentado na planilha do item 3, apurando, ao final, crédito no montante de R$ 2.666.070,96; b) Por fim requer a procedência da manifestação de inconformidade para declarar legítima a compensação efetuada, procedendose a devia homologação e protesta pela juntada posterior de documentos complementares necessários a presente defesa.” Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua procedente em parte, fazendo apenas um ajuste na base de cálculo da contribuição para excluir da tributação concentrada as receitas de vendas de gasolina de aviação, tributandoas pela alíquota de 2,7 %. Contudo, manteve a nãohomologação da compensação do débito declarado, conforme Acórdão nº 1333.795, datado de 17/03/2011, às fls. 449/461, sob as seguintes ementas: “IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. A manifestação de inconformidade apresentada contra decisão que reconheceu em parte o direito creditório pleiteado deverá conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e deverá vir acompanhada dos dados e documentos comprovadores dos fatos alegados. GASOLINA DE AVIAÇÃO. TRIBUTAÇÃO O regime de tributação concentrada relativo ao PIS/Pasep e à Cofins nas operações com combustíveis, instituído pela a Lei 9.990/2000 não alcança a receita bruta decorrente de da venda de gasolina de aviação. REGIME ESPECIAL DE TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. ALÍQUOTA. O regime especial de tributação concentrada incidente na comercialização de gás liquefeito de petróleo (GLP), previsto no art. 4º, III, da Lei nº 9.718/1998, com redação dada pelo art. 3º da Lei nº 9.990/2000, alcança também a receita de venda de propano e butano. RECEITA DE VENDA DE QUEROSENE DE AVIAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS sobre as vendas de querosene de aviação consideramse os valores escriturados na contabilidade da empresa quando as alterações promovidas pela autoridade fiscal em procedimento de diligência realizado não foram justificadas. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DE VARIAÇÃO CAMBIAL. As variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações em função da taxa de câmbio deverão ser computadas na determinação da base de cálculo do PIS apurado no regime de incidência nãocumulativo, na condição de receitas Fl. 640DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 financeiras, de acordo com a opção do contribuinte pelo regime de caixa ou de competência. APRESENTAÇÃO DE PROVAS APÓS A IMPUGNAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, se refira fato ou a direito superveniente ou destine a contrapor fato ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (472/498), requerendo a sua reforma a fim de se homologue a compensação do débito fiscal declarado, alegando, em síntese, que os documentos, ora anexados, comprovam seu direito ao crédito financeiro declarado na Dcomp em discussão. Em relação às receitas de gasolina de aviação, embora a autoridade julgadora de primeira instância tenha reconhecido sua exclusão da tributação concentrada, excluiu o valor de R$12.813.408,65, contudo, o valor correto é de R$13.407.813,50, conforme provam as cópias das notas fiscais em anexo; em relação às receitas de vendas de GLP, produto 614, na verdade, ao contraio do considerado por aquela autoridade, na realidade, tratase de receitas de vendas de propeno e não de gases propano e butano, conforme provam as notas fiscais, no valor de R$30.683.607,69, devendo, portanto, ser excluído da tributação concentrada; e quanto às receitas de variações cambiais, defendeu a sua exclusão da base de cálculo da contribuição sob o argumento que, de fato, não constituem receitas e sim expectativa de receita. Alegou, ainda, que a Fiscalização apurou um valor de R$3.185.067.741,73, contudo o valor correto, levandose em conta as variações credoras seria de R$2.222.715.648,18. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. A autoridade julgadora de primeira instância, reconheceu que a gasolina de aviação foi excetuada da tributação concentrada, permanecendo sujeita à alíquota geral aplicável ao PIS; manteve a tributação concentrada para as vendas de butano e propano que, segundo a recorrente, na verdade, tratase de propeno; e, também, manteve a tributação das receitas financeiras decorrentes de variações cambiais. I – receitas de gasolina de aviação Embora, a autoridade julgadora de primeira instância tenha reconhecido a exclusão das receitas de gasolina de aviação da tributação concentrada, a recorrente discordou do valor considerado por aquela autoridade. Segundo, seu entendimento, o valor correto é R$13.407.813,50 e não os R$12.813.408,65 excluídos, conforme provam as cópias das notas fiscais às fls. 567/632, sendo trinta notas fiscais de vendas, no valor de R$13.407.813,50; vinte e oito notas fiscais de remessas, no valor de R$3.831.682,32; e oito notas fiscais de exportação, no valor de R$2.889.369,89, totalizando R$20.128.865,81. Fl. 641DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10768.720424/200751 Acórdão n.º 330101.565 S3C3T1 Fl. 640 5 Do exame daquelas notas fiscais, verificase que assiste razão à recorrente Assim, o cálculo da contribuição devida, para o mês de dezembro de 2003, deve ser refeito, considerando receitas de vendas de gasolina de aviação, no valor total de R$13.407.813,50, excluindo estas receitas do cálculo da gasolina automotiva que foi tributada à alíquota concentrada de 2,70 %, tributando aquelas à alíquota do regime geral, no percentual de l,65 %, nos termos da Lei nº 10.637, de 30/12/2002, art. 2º. II – receitas de GLP A recorrente apura e paga a contribuição para o PIS no regime não cumulativo, nos termos da Lei nº 10.637, de 30/12/2002, que assim dispõe: “Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: (...); IV de venda dos produtos de que tratam as Leis no 9.990, de 21 de julho de 2000, no 10.147, de 21 de dezembro de 2000, e no 10.485, de 3 de julho de 2002, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; (...). Art. 2º Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). § 1º Excetuase do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: I nos incisos I a III do art. 4º da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e gás liquefeito de petróleo (GLP) derivado de petróleo e gás natural; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...).” Fl. 642DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Já a Lei nº 9.718, de 27/11/1998, estabeleceu tributação diferenciada para receitas decorrentes de algumas operações econômicas, dentre elas, as de gasolina automotiva e gás liquefeito de petróleo, assim dispondo: “Art. 4º As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, devidas pelas refinarias de petróleo serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (...); III – dois inteiros e cinqüenta e seis centésimos por cento e onze inteiros e oitenta e quatro centésimos por cento incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás liquefeito de petróleo – GLP. Art. 6º O disposto no art. 4º desta Lei aplicase, também, aos demais produtores e importadores dos produtos ali referidos.” Já IN SRF nº 247, de 22/11/2002, assim dispôs: “Art. 53. As alíquotas do PIS/Pasep e da Cofins fixadas para refinarias de petróleo, demais produtores e importadores de combustíveis são, respectivamente, de: (...); III – 2,56% (dois inteiros e cinqüenta e seis centésimos por cento) e 11,84% (onze inteiros e oitenta e quatro centésimos por cento), quando se tratar de receita bruta decorrente da venda de gás liquefeito de petróleo; (...); V – 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento) e 3% (três por cento), quando se tratar de receita bruta decorrente das demais atividades. (...). Parágrafo único. O gás liquefeito de petróleo de que trata o inciso III abrange os códigos 2711.12.10, 2711.12.90, 2711.13.00, 2711.14.00, 2711.19.10 e 2711.19.90 da Tipi.” Segundo estes dispositivos legais, as receitas decorrentes de vendas de gases liquefeitos de petróleo (GLP), classificados nos códigos 2711.12.10, 2711.12.90, 2711.13.00, 2711.14.00, 2711.19.10 e 2711.19.90 da Tipi, estão sujeitos à tributação diferenciada. No entanto, no presente caso, conforme provam as cópias das notas fiscais carreadas aos autos (fls. 165/225, 228/297 e 409/412), o gás produzido e comercializado pela recorrente foi o propeno, código 2901.22.00, principal matéria prima de produção de plásticos e não gás combustível como os demais. Portanto, as receitas de vendas de propeno, no valor de R$30.683.607,69, deverão ser excluídas das receitas de GLP, que foram tributadas à alíquota concentrada de 2,56 %, aplicandolhe a alíquota normal do PIS nãocumulativo, no percentual de 1,65 %, nos termos da Lei nº 10.637, de 30/12/2002, art. 2º, citado e transcrito anteriormente. Fl. 643DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10768.720424/200751 Acórdão n.º 330101.565 S3C3T1 Fl. 641 7 III – receitas financeiras Ao contrário do entendimento da recorrente, as receitas financeiras decorrentes de variações cambiais estão sujeitas à contribuição para o PIS com incidência cumulativa. A Lei nº 10.637, de 30/12/2002, que instituiu o regime não cumulativo para essa contribuição assim dispõe: “Art. 1º. A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. §1º. Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. §2º. A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. (...).” Ressaltese que a partir de 02 de agosto de 2004, a alíquota da contribuição para o PIS com incidência nãocumulativa incidente sobre receitas financeiras foi reduzida para 0,0 % (zero por cento), conforme estabelece o Decreto nº 5.164, de 30/07/2004. Contudo, essa redução não se aplica ao presente caso, tendo em vista que o crédito (indébito) referese ao mês de competência de dezembro de 2003. Quanto à suscitada divergência entre o valor das receitas financeiras, considerado pela Fiscalização, R$3.185.067.741,73, e o valor defendido pela recorrente, R$2.222.715.648,18, não lhe assiste razão. Conforme demonstrado nos autos e reconhecido por ela própria, o valor considerado pela Fiscalização corresponde exatamente ao valor escriturado na DIPJ e no livro Razão sob a rubrica “Outras Receitas”. Ao contrário de seu entendimento, segundo a Lei nº 10.637, de 30/12/2002, art. 1º, citado e transcrito anteriormente, o valor tributado é a receita bruta, inexistindo amparo legal para se deduzir daquelas as variações cambiais credoras. Quanto à homologação da compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp) e sua extinção, nos termos da Lei nº 9.730, de 27/12/1996, aquela está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. No presente caso, reconhecido o direito de a recorrente de excluir receitas complementares de vendas de gasolina de aviação, no valor de R$594.404,85 (R$13.407.813,50 –R$12.813.408,65), do total das receitas de gasolina automotiva, tributada à alíquota concentrada de 2,70 %, e de vendas de propeno, no valor de R$30.683.607,69, do total das receitas de GLP, tributadas à alíquota concentrada de 2,56 %, tributando ambas, à alíquota normal de 1,65 %, resulta um indébito (crédito financeiro) de R$285.462,08. Este valor corresponde às diferenças entre as alíquotas concentradas de 2,70 % e 2,56 % e a alíquota de 1,65 % do regime geral: [R$594.404,85 x (2,70% – 1,65% = 1,05 %) = R$6.241,25] + [R$30.683.607,69 x (2,56% – 1,65% = 0,91%) = R$279.220,83)] = R$285.462,08. Fl. 644DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 Contudo, levandose em conta a tributação das receitas financeiras decorrentes de variação cambial ativa, no valor defendido pela própria recorrente, ao invés de indébito, resultará saldo devedor de contribuição a pagar de R$36.389.346,11 [(R$2.222.715.648,18 x 1,65%) = R$36.674.808,19] – R$285.462,08 = R$36.389.346,11. Dessa forma, demonstrada a inexistência de pagamento indevido e/ ou a maior, não há que se falar em homologação do débito declarado na Dcomp em discussão. Em face do exposto e de tudo o mais que consta dos autos, embora reconheça o direito de a recorrente excluir do total das receitas: a) da gasolina automotiva, tributada à alíquota de 2,70%, as receitas complementares de gasolina de aviação, no valor R$594.404,85, tributando este valor pela alíquota de 1,65 %; e, b) das do GLP tributado, à alíquota de 2,56 %, as receitas de propeno, no valor de R$30.683.607,69, tributando este valor à alíquota de 1,65 %, nego provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 645DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 11040.001043/2004-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2004
RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. PRESCRIÇÃO. INCORRÊNCIA
De acordo com com o entendimento definido pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 566.621/RS (sob o rito do Art. 543-B do CPC), as disposições da Lei Complementar nº 118/2005 - especificamente no que tange à redução do prazo prescricional em relação à restituição/compensação de indébitos decorrentes de pagamentos realizados de tributos sujeitos ao regime do chamado lançamento por homologação -, somente seriam aplicáveis às ações/pedidos de restituição formulados pelos contribuintes a partir do dia 09 de Junho de 2005.
Considerando que, nos presentes autos, o pedido formulado pela contribuinte foi administrativamente apresentado no dia 10/09/2004, afasta-se, nesse particular, a eventual consideração da prescrição na hipótese.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA
O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo (Súmula STJ nº 360).
Numero da decisão: 1301-001.127
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar suscitada e, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
PLINIO RODRIGUES LIMA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plinio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2004 RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. PRESCRIÇÃO. INCORRÊNCIA De acordo com com o entendimento definido pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 566.621/RS (sob o rito do Art. 543-B do CPC), as disposições da Lei Complementar nº 118/2005 - especificamente no que tange à redução do prazo prescricional em relação à restituição/compensação de indébitos decorrentes de pagamentos realizados de tributos sujeitos ao regime do chamado lançamento por homologação -, somente seriam aplicáveis às ações/pedidos de restituição formulados pelos contribuintes a partir do dia 09 de Junho de 2005. Considerando que, nos presentes autos, o pedido formulado pela contribuinte foi administrativamente apresentado no dia 10/09/2004, afasta-se, nesse particular, a eventual consideração da prescrição na hipótese. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo (Súmula STJ nº 360).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2004 RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. PRESCRIÇÃO. INCORRÊNCIA De acordo com com o entendimento definido pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 566.621/RS (sob o rito do Art. 543B do CPC), as disposições da Lei Complementar nº 118/2005 especificamente no que tange à redução do prazo prescricional em relação à restituição/compensação de indébitos decorrentes de pagamentos realizados de tributos sujeitos ao regime do chamado “lançamento por homologação” , somente seriam aplicáveis às ações/pedidos de restituição formulados pelos contribuintes a partir do dia 09 de Junho de 2005. Considerando que, nos presentes autos, o pedido formulado pela contribuinte foi administrativamente apresentado no dia 10/09/2004, afastase, nesse particular, a eventual consideração da prescrição na hipótese. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo (Súmula STJ nº 360). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar suscitada e, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 00 10 43 /2 00 4- 94 Fl. 337DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA 2 PLINIO RODRIGUES LIMA Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plinio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Adotando o relatório apresentado pela r. decisão recorrida, destaco: Tratase a manifestação de inconformidade (fls. 271/287) contra o Despacho Decisório (fls. 258/262), por meio do qual a DRF Pelotas negou provimento ao pedido de restituição protocolizado em 10/09/2004 (fl. 01) e declarou não homologadas as declarações de compensação correspondentes (ver fls. 104/199). O pedido indeferido teve por objeto a restituição do valor total de R$31.454,54, os pagamentos de multa de mora realizados de 26/01/1995 a recolhimento, em atraso, de débitos de Imposto sobre a Renda de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social e, principalmente, Imposto sobre a Renda Retido na Fonte — IRRF, a 06/01/2000 (ver planilhas de fls. 10/11). Segundo a requerente, o pagamento da multa moratório fora indevido, vez que que os adimplementos ocorreram ao abrigo da denúncia espontânea, de que trata o art. 138 do CTN. O Delegado da Receita Federal em Pelotas indeferiu a solicitação, por dois motivos: a) os recolhimentos efetuados até 10/09/1999 teriam sido atingidos pela prescrição, qüinqüenal prevista no 168, inciso I, c/c art. 165, inc. I, do Código Tributário Nacional; b) o direito reclamado inexiste, visto que a exclusão da responsabilidade por infrações, de que trata o art. 138 do CTN é inaplicável à hipótese da multa de mora, conforme entendimento assentado no Parecer Normativo CST n° 61/1979. Cientifica da decisão em 06/12/2006 (fl. 268), a interessada apresentou, em 20/12/2006, a manifestação de inconformidade de fls. 271/287. Alega, em síntese, que o prazo o de repetição do indébito é de dez anos, conforme jurisprudência citada, e que a multa moratória é sim afastada pela denúncia espontânea, em face de seu caráter sancionatório, conforme vem sendo reconhecido pelo Poder Judiciário. Requer, pois que seja reformada a decisão de fls. 258/262. A partir dos argumentos apresentados, entendeu a douta 1a Turma da DRJ de Porto AlegreRS pelo INDEFERIMENTO DA SOLICITAÇÃO, em julgado que restou assim ementado: Fl. 338DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 11040.001043/200494 Acórdão n.º 1301001.127 S1C3T1 Fl. 3 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2004 Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RESTITUIÇÃO. O direito de pleitear restituição extinguese após transcurso do prazo de cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário. pagamento antecipado do tributo ou contribuição, no contexto de lançamento por homologação, extingue o crédito tributário de imediato. Essa extinção do crédito surte todos os efeitos jurídicos que lhe são próprios, inclusive o de iniciar a contagem do prazo qüinqüenal para repetição do indébito. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.O instituto da denúncia espontânea exige que nenhum lançamento tenha sido feito, isto 6, que a infração não tenha sido identificada pelo fisco nem se encontre registrada nos livros fiscais e/ou contábeis do contribuinte. (STJ — RESP n° 636.064) Solicitação Indeferida Regularmente intimada a contribuinte no dia 18/03/2008, foi por ela então interposto o seu competente Recurso Voluntário (07/04/2008), destacando, sumariamente: A impossibilidade da exigência de multa sobre débitos tributários pagos espontaneamente O caráter sancionatorio da multa aplicada O direito a recuperação dos valores recolhidos nos últimos dez anos O direito aos juros SELIC A correção monetária atualização pelo INPC Esse é o relatório. Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Sendo tempestivo o recurso, dele conheço. Trata a matéria discutida nos autos de pretensão de restituição de tributo, decorrente de suposto direito creditório, relativo ao recolhimento dito indevido a título de multa de mora em relação ao recolhimento em atraso de IRPJ, PIS, COFINS e IRRF, promovidos pela contribuinte, sem qualquer providência da administração fazendária, no período compreendido entre 26/01/1995 e 06/01/2000, no valor correspondente à R$ Fl. 339DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA 4 31.454,54, nos termos, inclusive, especificamente indicados pelos documentos acostados aos autos. O pedido de restituição da contribuinte, é importante destacar, foi apresentado às autoridades fazendárias no dia 10/09/2004. Da prescrição sobre o pedido de restituição do indébito tributário A primeira questão colocada em debate, sobretudo em razão de sua possível prejudicialidade em relação à pretensão deduzida (ao menos em grande parte), referese à discussão a respeito dos critérios para a verificação e aplicação da prescrição do direito à restituição do (possível) indébito. A matéria, é bem verdade, foi já objeto de inúmeros debates doutrinários e jurisprudenciais, sobretudo em face da aplicação das disposições contidas no Art. 168 do CTN, em face das peculiares circunstâncias dos chamados tributos sujeitos ao lançamento por homologação, sobretudo porque, como regra, a extinção definitiva do crédito tributário – utilizado como marco inicial para a contagem do período prescricional para a corespectiva apresentação de pedido de repetição de indébito , nas hipóteses específicas do art. 150 do CTN, somente aconteceria quando da chamada homologação tácita, acarretando, assim, a construção da famosa tese dos “cinco mais cinco”, cujo acolhimento, inclusive, fora antes promovido pelo Colendo STJ. Ocorre que, em face da manutenção dos debates a respeito da pretendida inadmissibilidade desse entendimento, sobretudo a partir daquele sustentado pelos representantes da Fazenda Pública, verificouse, no ordenamento jurídico pátrio, a publicação das disposições da LC 118/2005, que, alterando substancialmente as regras relativas à matéria, assim especificamente dispôs: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Com a inserção dessa regra em nosso sistema normativo, e, sobretudo, a partir das disposições ali então especificamente consignadas, vestindoa de expressa natureza interpretativa – na imediata pretensão de ver admitido o seu efeito retroativo, a partir da aplicação das disposições contidas no art. 106, I do CTN , inaugurandose, a partir daí, nova discussão específica, agora, voltada à necessária definição da possibilidade (ou não) dos apontados efeitos retroativos das novas disposições. A par de todas as críticas destinadas ao referido dispositivo, verificase que, a respeito desse tema específico, recentemente, foi reconhecida pelo SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL a repercussão geral da matéria nos autos do RE 566.621/RS, determinandose a apreciação do feito nos termos do Art. 543B do CPC, importando, por conseqüência, na suspensão de todos os processos no CARF que tratavam do assunto, tendo em vista a expressa determinação das disposições do Art. 62A do Regimento Interno. Ocorre que, no dia 04/08/2011 o feito foi então especificamente apreciado por aquela Corte, concluindo pela NEGATIVA DE PROVIMENTO ao recurso interposto pela UNIÃO FEDERAL, sendo publicado o acórdão que tratou da matéria no Dje195, no dia 11/10/2011, do qual, inclusive, extraise a seguinte e esclarecedora ementa: Fl. 340DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 11040.001043/200494 Acórdão n.º 1301001.127 S1C3T1 Fl. 4 5 RE 566621 / RS RIO GRANDE DO SUL RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 04/08/2011 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Publicação; DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO EMENT VOL0260502 PP00273 Parte(s) RECTE.(S) : UNIÃO PROC.(A/S)(ES) : PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECDO.(A/S) : RUY CESAR ABELLA FERREIRA ADV.(A/S) : JORGE NILTON XAVIER DE SOUZA E OUTRO(A/S) INTDO.(A/S) : ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL PROC.(A/S)(ES) : PROCURADORGERAL DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL Ementa DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Decisão Fl. 341DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA 6 Após os votos da Senhora Ministra Ellen Gracie (Relatora) e dos Senhores Ministros Ricardo Lewandowski, Ayres Britto, Celso de Mello e Cezar Peluso (Presidente), conhecendo e negando provimento ao recurso, e os votos dos Senhores Ministros Marco Aurélio, Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes, dandolhe provimento, foi o julgamento suspenso para colher o voto do Senhor Ministro Eros Grau. Ausente, licenciado, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Falaram, pela recorrente, o Dr. Fabrício Sarmanho de Albuquerque e, pelo recorrido, Ruy Cesar Abella Ferreira, o Dr. Marco André Dunley Gomes. Plenário, 05.05.2010. Decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, negou provimento ao recurso extraordinário, contra os votos dos Senhores Ministros Marco Aurélio, Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes. Ausente, licenciado, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidiu o julgamento o Senhor Ministro Cezar Peluso. Plenário, 04.08.2011. (Grifos e destaques nossos) Da análise dos termos dessa decisão, verificase que, a rigor, em face das determinações relacionadas à interpretação/aplicação das novas disposições contidas no ordenamento jurídico pátrio (Lei Complementar no 118/2005) , restou finalmente pacificada a discussão da aplicação do prazo qüinqüenal/decenal para a restituição/compensação dos indébitos relativos a tributos sujeitos ao regime de homologação, tendo em vista a aplicação das disposições do Art. 168 c/c Art. 156, VII e Art. 150, par. 4o do CTN, definindose a aplicação do prazo de 10 anos para as “ações propostas” (ajuizadas) até 08/06/2005, aplicandose, em relação a todas aquelas subseqüentes àquela data, agora, a contagem do prazo de 05 (cinco) anos contados a partir da data do “pagamento antecipado”, não mais se admitindo a contagem cumulativa de prazos, da forma como antes, então, especificamente se pretendia. A partir desse julgamento, restou pois pacificada e solucionada a questão relativa à admissibilidade da tese dos cincomaiscinco, admitida a pacífica jurisprudência do STJ e, agora, por força das disposições da Lei Complementar no 118, foi então assim compreendida pelo STF, restando então certo e definido que, até a plena entrada em vigor das disposições contidas naquele novel dispositivo legal, em relação aos tributos sujeitos ao regime de homologação, válida era a contagem do prazo decenal sempre propalado. A questão que agora pode (e deve) ser então trazida ao debate diz respeito, especificamente, à definição própria do ato do contribuinte tido como necessário e suficiente ara o gozo do prazo elastecido de 10 (dez anos) para a repetição do indébito, então ‘alterado’, como aqui destacado, pelas disposições da referida Lei Complementar no 118. Da leitura da ementa, verificase que a referência que se faz, especificamente, é em relação às “ações propostas” (‘ajuizadas’), consignandose ali que o exercício do direito de repetição de indébitos em nosso sistema jurídiconormativotributário pátrio, ao menos em primeira análise, demandaria a obrigatoriedade da intervenção do poder judiciário. Em que pese a interpretação apressada que se possa fazer daquele julgado, verificase que, da acurada análise dos votos apresentados, em momento algum se pretendeu a alteração da sistemática normativa própria dos pedidos de restituição/compensação, mas sim, fezse referência àquilo que, na abalizada doutrina do mestre Pontes de Miranda, poderseia chamada de “ação em direito material”, ou seja, o esboço da pretensão especificamente apresentada. Nesses termos, o que se deve entender a respeito da leitura do julgado não pode ser a limitação à conferência do prazo apenas aos pedidos judiciais regularmente formulados, devendose considerar, também, os pedidos administrativos efetivamente apresentados, nos termos e limites, inclusive, expressamente constantes nas disposições do Art. 74 da Lei 9.430/96, sendo essa, sim, a conclusão a ser atingida a partir daquele julgado. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 11040.001043/200494 Acórdão n.º 1301001.127 S1C3T1 Fl. 5 7 O que se privilegia para fins de aplicação do prazo anteriormente pacificado pela jurisprudência do STJ é a apresentação do pedido de restituição/compensação pelo contribuinte, valendo, em relação a esse, tanto a ação de repetição de indébito – indubitávelmente , quanto ainda, e também, a formulação do pedido de restituição/compensação especificamente regulado pelas disposições normativas próprias. Nessa linha, inclusive, não é outro o entendimento atualmente exarado pelas Turmas deste Egrégio CARF, donde se verifica, a título dee exemplo, os seguintes arestos: Número do Processo 10380.903428/200989 Órgão Julgador Contribuinte HAPVIDA ASSISTENCIA MEDICA LTDA Tipo do Recurso Data da Sessão Relator(a) ANTONIO LISBOA CARDOSO Nº Acórdão 3301001.037 Tributo / Matéria Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a decadência e determinar o retorno dos autos à DRJ para apreciação das demais matérias, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] RODRIGO DA COSA PÔSSAS Presidente. [assinado digitalmente] ANTÔNIO LISBOA CARDOSO Relator. EDITADO EM: 25/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Maurício Taveira e Silva, Fábio Luiz Nogueira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (presidente) Ementa Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 1999 INDÉBITO FISCAL. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. Em se tratando de pagamento indevido ou maior que o devido, nos termos do art. 165, I, c/c art. 168, I, do CTN, cujos pedidos de restituição ou compensação tenham sido efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar nº LC 118/05 (09.06.2005), relativamente aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, aplicase o prazo previsto na legislação anterior, no caso, a tese dos 5+5 consagrada pelo E. STJ. Recurso Parcialmente Provido. Número do Processo 10580.005869/200452 Órgão Julgador Contribuinte LAZARO DOS REIS DE JESUS Tipo do Recurso Data da Sessão Relator(a) MARCELO OLIVEIRA Nº Acórdão 9202002.364 Tributo / Matéria IRPF restituição rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV) Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes Fl. 343DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA 8 (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Pedro Anan Junior, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire. Ementa Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1994, 1995, 1996 TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), bem como àquelas proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Recurso Especial repetitivo. Assim conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932 para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005 o prazo para o sujeito passivo pleitear restituição/compensação, será de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), somado a 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo Código. No presente caso, os fatos geradores ocorreram no período entre 31/12/1994 a 1996 e o pedido de restituição foi protocolado em 28/06/2004, havendo razão no pleito, portanto. Recurso Especial do Procurador Negado. Número do Processo 10280.002270/200361 Órgão Julgador Contribuinte RUBEM SOARES DA SILVA Tipo do Recurso Data da Sessão Relator(a) MARCELO OLIVEIRA Nº Acórdão 9202002.317 Tributo / Matéria IRPF auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF) Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Pedro Anan Junior, Marcelo Oliveira, Manoel CoelhoArruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire. Ementa Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1995 TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), bem como àquelas proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Recurso Especial repetitivo. Assim conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932 para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação Fl. 344DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 11040.001043/200494 Acórdão n.º 1301001.127 S1C3T1 Fl. 6 9 formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005 o prazo para o sujeito passivo pleitear restituição/compensação, será de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), somado a 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo Código. No presente caso, o fato gerador ocorreu em 31/12/1995 e o pedido de restituição foi protocolado em 07/07/2003, havendo razão no pleito, portanto. Recurso Especial do Procurador Negado. Conforme se verifica a partir dos arestos aqui mencionados, aplicandose as disposições do julgamento proferido nos autos do RE nº 566621 – a teor do que expressamente determinam as disposições do art. 62A do Regimento Interno do CARF , insta verificar, então, a data de apresentação do pedido de restituição/compensação referenciado, tendo em vista que, sendo apresentado antes de 09/06/2005, contase o prazo de 10 (anos) anos da data do fato gerador, aplicandose o prazo de 05 (cinco) anos – contados a partir da efetivação do pagamento antecipado para todos os pedidos formulados a partir daquela data, inclusive, nos termos em que dispõem as disposições da Lei Complementar no 118/2005. Estabelecidas as premissas necessárias para a análise da matéria, ao menos no que se refere a este tema específico, insta agora verificar, a partir das informações contidas nos autos, qual seria, especificamente, a data da apresentação do respectivo pedido de restituição, verificandose este, às fls. 01 dos autos, como tendo sido então regularmente formalizado no dia 10/09/2004, antes, portanto da data apontada. Diante dessas razões, e, com base nos fundamentos até aqui apresentados, verificase que, neste ponto, assiste razão à recorrente, verificandose que, em caso de eventuais direitos creditórios decorrentes destes autos, aplicável seria, então, a contagem do prazo de 10 (dez) anos, contados da data do fato gerador, na linha antes pacificada pela jurisprudência do STJ antes da entrada em vigor da Lei Complementar no 118/2005. Acolho, portanto, as considerações preliminares de mérito apontadas, afastando, assim, a prescrição reconhecida pela r. Decisão de origem, caso se verifique, ao final, qualquer direito creditório devido à contribuinte. Da Multa de Mora e a Denuncia Espontânea Em que pese o acolhimento das razões recursais em relação à questão preliminar de mérito aqui antes ressaltada, insta verificar que, no mérito propriamente dito da pretensão deduzida nos presentes autos, está a contribuinte a pretender, conforme antes já destacado, a restituição dos valores pagos a título de multa de mora, em decorrência do pagamento extemporâneo dos produtos indicados (IRPJ, PIS, COFINS e IRRF), o que, segundo ela, por se ter providenciado sem que, para tanto, houvesse qualquer providência administrativa específica, apresentarseia como efetiva e verdadeira “Denúncia Espontânea”, atraindo, assim, a aplicação das disposições contidas no Art. 138 do CTN e, nessas circunstâncias, tornando completamente indevido o pagamento de multa de mora sobre todos os montantes considerados. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA 10 Apenas para fins de registro, destaquemse as disposições contidas no art. 138 do CTN que, no Capítulo específico a respeito da Responsabilidade Tributária, na Seção IV do Capítulo V daquele Código (“Responsabilidade por Infrações”), assim especificamente se apresenta: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A respeito da tese pretendida pela contribuinte, é importante destacar que, a nosso pessoal sentir, a interpretação feita da leitura do dispositivo apontado não importa, como conseqüência, na exoneração do pagamento de multas de mora, mas sim, especificamente, da responsabilidade tributária tratada nos termos constantes dos dispositivos inseridos naquela parte do Código, não se admitindo a pretendida secção do dispositivo, interpretandoo isoladamente sem qualquer relação com os demais existentes no mesmo Capítulo. Em que pese toda a controvérsia apresentada em relação ao tratamento desta questão, verificase que, no que tange especificamente ao entendimento hoje consolidado do SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, é que o instituto da denúncia espontânea não se presta a beneficiar o contribuinte que se teria simplesmente mantido inadimplente com o cumprimento de seus obrigações fiscais, exclusivamente promovendo o recolhimento a destempo dos tributos devidos, não podendo, assim, beneficiarse da exoneração das penalidades moratórias respectivas. Confirase, a esse respeito, a expressa dicção das disposições da Súmula 360 daquele tribunal que, sobre o assunto, assim há tempos já se tem pronunciado: SÚMULA N. 360 STJ O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Rel. Min. Eliana Calmon, em 27/8/2008. Ora, pelo que se verifica daquilo que consta do pedido inaugural e, ainda, de todos os demais elementos contidos nos autos, tratase, exclusivamente, de recolhimento a destempo de tributos devidos pela contribuinte, não se prestando, apenas por isso, para a aplicação das benesses próprias do instituto da Denúncia Espontânea, especificamente no que diz respeito ao pagamento das competentes multas moratórias. Diante dessas razões, verificase que, ao contrário do pretendido pela requerenterecorrente, não se mostra indevido o recolhimento efetivado a título de multa moratória, em decorrência do recolhimento intempestivo de tributos devidos, apurados e recolhidos a partir da aplicação da sistemática própria dos chamados tributos por homologação, sob pena esvaziarse, assim, completamente o instituto das penalidades apontadas, nos termos aqui, então, especificamente referenciado. Por rejeitar a pretensão central de restituição formulada pela contribuinte, entendo prejudicados, assim, os demais pedidos formulados, sobretudo em face de sua natural conexão com essa pretensão que, aqui, restou pois completamente rejeitada. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 11040.001043/200494 Acórdão n.º 1301001.127 S1C3T1 Fl. 7 11 Por essas razões, mesmo tendo superado a preliminar de mérito relativa á prescrição aplicável à espécie, conduzo o meu voto no sentido de rejeitar a pretensão formulada pela contribuinte , NEGANDO PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO interposto, por entender, no caso, completamente indevida a restituição dos valores recolhidos a título de multas moratórias, nos termos e fundamentos aqui, então, especificamente destacados. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 347DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.004482/2006-51
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO QUANTO ANÁLISE DE
QUESTÃO ESSENCIAL.A questão indicada (erro na identificação do sujeito passivo) foi objeto daimpugnação, sendo debatida e expressamente enfrentada pelo acórdão erigido pela Delegacia de Julgamento. Tratando- se de questão preliminar, passível de
ensejar a decretação da nulidade do lançamento, deveria ter sido apreciada quando do julgamento do recurso voluntário.
Embargos conhecidos e providos, rejeitada a preliminar
Numero da decisão: 1103-000.688
Decisão: Acordam os membros do colegiado, ACOLHER os embargos da contribuinte, por unanimidade, para suprir a omissão no Acórdão nº 107-09.191/2007, retificando a decisão nele contida para: “Rejeitar a preliminar de identificação do sujeito passivo e, no mérito, dar provimento ao recurso”, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: HUGO CORREIA SOTERO
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, ACOLHER os embargos da contribuinte, por unanimidade, para suprir a omissão no Acórdão nº 107-09.191/2007, retificando a decisão nele contida para: “Rejeitar a preliminar de identificação do sujeito passivo e, no mérito, dar provimento ao recurso”, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1701; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 1 1 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.004482/200651 Recurso nº 160.692 Embargos Acórdão nº 110300.688 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 09 de maio de 2012 Matéria IRPJ e Outro Embargante SUMATRA COMÉRCIO EXTERIOR LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO QUANTO ANÁLISE DE QUESTÃO ESSENCIAL. A questão indicada (erro na identificação do sujeito passivo) foi objeto da impugnação, sendo debatida e expressamente enfrentada pelo acórdão erigido pela Delegacia de Julgamento. Tratandose de questão preliminar, passível de ensejar a decretação da nulidade do lançamento, deveria ter sido apreciada quando do julgamento do recurso voluntário. Embargos conhecidos e providos, rejeitada a preliminar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, ACOLHER os embargos da contribuinte, por unanimidade, para suprir a omissão no Acórdão nº 10709.191/2007, retificando a decisão nele contida para: “Rejeitar a preliminar de identificação do sujeito passivo e, no mérito, dar provimento ao recurso”, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Presidente. HUGO CORREIA SOTERO Relator. EDITADO EM: 08/08/2012 Fl. 319DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/08/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.004482/200651 Acórdão n.º 110300.688 S1C1T3 Fl. 2 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percínio da Silva, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva e Hugo Correia Sotero. Relatório Este Conselho, através do Acórdão nº. 10709.191, de 17/10/2007 (fls. 241/246), deu provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, desconstituindo lançamento de ofício que lhe exigia o pagamento de Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), fundado o lançamento na inobservância da regra limitadora de aproveitamento de prejuízos fiscais e bases negativas (Leis Federais nºs. 8.981/95 e 9.065/95). O Acórdão tem a seguinte ementa: “IRPJ. CSLL. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS APURADAS EM PERÍODOS ANTERIORES. CISÃO. INAPLICABILIDADE DA LIMITAÇÃO. Constitui pressuposto da aplicação da limitação à compensação de prejuízos fiscais e bases negativas acumuladas a continuidade das atividades do contribuinte e a paulatina apropriação dos prejuízos. Nas hipóteses de cisão, fusão e incorporação, com a consequente extinção da personalidade jurídica da sucedida, não se faz possível a aplicação do limitador, dês que tal determinaria o fenecimento do direito do contribuinte. Precedentes deste Conselho.” Contra a decisão interpôs a Fazenda Nacional recurso especial (fls. 251/256), sendo este admitido pelo Despacho nº. 162 – 4ª. Câmara (fls. 257/258). Intimado em momento posterior do teor do referido Acórdão, opôs o contribuinte embargos de declaração (fls. 272/275), suscitando omissão deste Conselho quanto à análise de questão essencial, qual seja, a exceção veiculada na impugnação, e debatida pela Delegacia de Julgamento, tocante a configuração de erro na identificação do sujeito passivo. Aduz o contribuinte: “Como visto no tópico que relatou os fatos, desde sua primeira manifestação defensiva a ora Embargante vem insistindo que o lançamento de oficio não deveria ter sido centrado unicamente na sua pessoa, já que na operação de cisão em foco o acervo vertido não lhe foi integralmente destinado, ou seja, recebeu somente o acervo discriminado no correspondente "PROTOCOLO DE CISÃO", documento esse devidamente acostado aos autos, cuja análise foi franqueada a todos os Fl. 320DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/08/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.004482/200651 Acórdão n.º 110300.688 S1C1T3 Fl. 3 3 órgãos estatais, primeiro os de fiscalização e depois os de julgamento. Destarte, alicerçada na conclusão de que sua responsabilidade deveria ter ficado limitada à sua participação no rateio do acervo vertido, a então Recorrente pugnou pela nulidade do lançamento de oficio, haja vista o manifesto equívoco na identificação do sujeito passivo.” Com base nestes argumentos, defendendo a existência de omissão embargável, pugna “para que essa Câmara enfrente as questões em que o Acórdão restou omisso, analisando tais questões sob todos os aspectos possíveis, em especial para que essa matéria não deixe de ser apreciada pela instância superior sob a alegação de supressão de instância e para os devidos fins de préquestionamento”. É o relatório. Voto Hugo Correia Sotero Relator Embargos tempestivos. A admissibilidade dos embargos de declaração demanda a existência, na decisão objurgada, de omissão relevante, assim entendida a ausência de debate acerca de aspecto essencial ao deslinde da controvérsia objeto do processo administrativo. No caso, defende o contribuinte ter esse Conselho silenciado, quando do julgamento do recurso voluntário, acerca de aspecto relevante (arguição de erro na identificação do sujeito passivo) na medida em que, conhecido, ensejaria a nulidade do lançamento, aspecto este abordado em todas as suas manifestações e analisado expressamente pela Delegacia de Julgamento de Campinas (SP). Assiste razão ao Embargante. De fato, a questão indicada (erro na identificação do sujeito passivo) foi objeto da impugnação, sendo debatida e expressamente enfrentada pelo acórdão erigido pela Delegacia de Julgamento de Campinas, e, tratandose de questão preliminar, passível de ensejar a decretação da nulidade do lançamento, deveria ter sido apreciada quando do julgamento do recurso voluntário. Nesse contexto, merecem ser conhecidos os embargos de declaração, para integração do julgado. A questão foi deduzida pelo contribuinte no recurso voluntário nos seguintes termos: “Insiste a Recorrente que os lançamentos de ofício não deveriam ter sido centrados unicamente na sua pessoa, já que na Fl. 321DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/08/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.004482/200651 Acórdão n.º 110300.688 S1C1T3 Fl. 4 4 operação de cisão em foco o acervo vertido não lhe foi integralmente destinado, ou seja, recebeu somente o acervo discriminado no correspondente “PROTOCOLO DE CISÃO”, que foi juntado à impugnação. No rigor jurídico, a sua responsabilidade deve ficar limitada à sua participação no rateio do acervo vertido.” Em sequência, afirma que “tratandose de cisão total, como é o caso vertente, a sociedade cindida desaparece – é extinta”. O tema foi tratado pela Delegacia da Julgamento de Campinas da seguinte forma: “Confirmase, pois, pela Ata da Assembléia Extraordinária que aprovou a cisão da Sumatra Cafés e pelos seus anexos, que, além de ter recebido mais de 92% dos ativos da cindida e todo o seu passivo, a contribuinte autuada assumiu direitos e obrigações que viessem a ser apurados. Considerando que, ao deduzir integralmente os prejuízos fiscais acumulados na última apuração do IRPJ antes da cisão, não foi declarada a obrigação tributária que existiria caso respeitado o limite de 30% para compensação de prejuízos, tal divida, somente agora apurada, cabe à Itapuã (Sumatra Comércio Exterior), única sucessora do passivo da cindida, não só o contabilizado, como também o que viesse a ser apurado. ... Como se vê, ainda que a autuada não tivesse se responsabilizado pelas obrigações que viessem a ser apuradas, a própria Lei lhe impõe a responsabilidade solidária por tais dividas em caso de extinção da sociedade cindida. Não se cogita, pois, do alegado erro de identificação do sujeito passivo.” Não há dúvidas quanto à formalização de cisão total, com consequente extinção da pessoa jurídica cindida (fato afirmado pela própria Embargante), bem assim de ter a Embargante recebido a quase totalidade do acervo patrimonial da cindida, assumindo os respectivos passivo e obrigações, constituídas ou não. Nesse sentido, inquestionável ostentar a Embargante a condição de sucessora e de responsável tributário pelo crédito constituído através do lançamento de ofício em debate. Eventual “partilha” da responsabilidade, proporcional ao acervo patrimonial recebido, é questão inoponível à Administração Tributária (art. 123 do Código Tributário Nacional) que, diante da extinção da pessoa jurídica, deve imputar aos seus sucessores, ou qualquer deles, dada a natureza solidária da responsabilidade, os ônus do cumprimento da obrigação tributária (art. 132 do CTN). Com estas considerações, conheço dos embargos de declaração opostos, para darlhes provimento, reconhecendo a existência de omissão no Acórdão nº. 10709.191, Fl. 322DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/08/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.004482/200651 Acórdão n.º 110300.688 S1C1T3 Fl. 5 5 retificando a decisão nele contida para: “rejeitar a ´preliminar de erro na identificação do sujeito passivo e, no mérito, dar provimento ao Recurso Voluntário”. Hugo Correia Sotero Relator Fl. 323DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/08/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10835.000658/2002-22
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - CONTRADIÇÃO - OCORRÊNCIA -
Constatada a ocorrência de contradição na decisão embargada, deve ser dado provimento aos embargos de declaração com vistas a sanear tais incorreções.
Numero da decisão: 3801-001.708
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, retificando o teor da decisão original, nos termos constantes do voto.
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente
(assinado digitalmente)
Participaram do julgamento os Conselheiros Marcos Antônio Borges, Jose Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - CONTRADIÇÃO - OCORRÊNCIA - Constatada a ocorrência de contradição na decisão embargada, deve ser dado provimento aos embargos de declaração com vistas a sanear tais incorreções.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, retificando o teor da decisão original, nos termos constantes do voto. Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes- Presidente (assinado digitalmente) Participaram do julgamento os Conselheiros Marcos Antônio Borges, Jose Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, retificando o teor da decisão original, nos termos constantes do voto. Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Participaram do julgamento os Conselheiros Marcos Antônio Borges, Jose Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 00 06 58 /2 00 2- 22 Fl. 276DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 04/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 05 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10835.000658/200222 Acórdão n.º 3801001.708 S3TE01 Fl. 255 2 Relatório Trata o presente processo de auto eletrônico, lavrado contra o contribuinte acima identificado, para exigência da Cofins, relativa aos períodos de apuração abril de 1997 a junho de 1997, em razão de não ter sido comprovada a existência do processo judicial informado na respectiva DCTF (fls. 81 a 87). Analisando o litígio decorrente da impugnação ao lançamento, a DRJ Ribeirão Preto/SP considerou procedente em parte o lançamento, excluindo a exigência da multa de ofício (fls. 201 a 211), conforme ementas abaixo transcritas: FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da Cofins, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os acréscimos legais. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. LANÇAMENTO. O lançamento de tributos cuja exigibilidade esteja suspensa destinase a prevenir a decadência, constituindose em dever de ofício da fiscalização. LANÇAMENTO SUSPENSO. MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. É incabível o lançamento de multa de ofício na constituição, para prevenir a decadência, de crédito tributário com exigibilidade suspensa. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase a ato pretérito a legislação que deixe de cominálo como infração. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Legal a aplicação da taxa do Selic para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso, a partir de abril de 1995. SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de perícia que não apresente seus motivos e não contenha indicação de quesitos e do perito.Às fls. 36 a 39 consta recurso voluntário apresentado tempestivamente, no qual a empresa traz as mesmas alegações já apresentadas em sede de impugnação. A antiga 4ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do CARF apreciou o recurso voluntário interposto (fls. 247/248) , dandolhe provimento por meio da seguinte ementa: AUTO DE INFRAÇÃO – PROCESSO JUDICIAL COMPROVAÇÃO – Se o auto de infração tem como arrimo a inexistência de processo judicial garantidor de créditos passíveis de compensação pelo contribuinte, a comprovação idônea de sua existência é bastante para afastar o fundamento do auto de infração. A Fazenda Nacional opôs embargos de declaração (fls. 251/252), alegando a ocorrência de omissão no acórdão de 2ª instância, trazendo os seguintes fundamentos: Fl. 277DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 04/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 05 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10835.000658/200222 Acórdão n.º 3801001.708 S3TE01 Fl. 256 3 · Na conclusão do voto, o relator declara nulo o auto de infração; · O esclarecimento de tal questão é indispensável para que não haja prejuízo a eventual aplicação do art. 173 do CTN; · Acolhida a idéia de que existe vício no lançamento, a suposta mácula só pode ser considerada como de caráter formal; · Em face da omissão constatada, requer seja complementado o acórdão, de modo a que fique expresso o tipo de vício que supostamente maculou o lançamento (se material ou formal). É o relatório. Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Os embargos de declaração foram opostos no prazo legal, razão pela qual são admitidos. Efetivamente se comprova a alegada contradição, na medida em que o relator fundamenta sua decisão nos seguintes termos: “De fato o lançamento do auto de infração se deu pela não comprovação de processo judicial que autorizaria a compensação de créditos oriundos do FINSOCIAL, excedentes à alíquota de 0,5% (meio por cento). De fato, se há nos autos a comprovação do ajuizamento de demanda judicial que garantiu a compensação, respeitada a prescrição qüinqüenal (fls. 66/68), não subsiste o motivo que determinou a lavratura do auto de infração.” No entanto, conclui pela nulidade do auto de infração, quando o correto seria pela improcedência do lançamento, uma vez que, conforme a própria fundamentação da decisão, constata que a base fática constante da exigência não se comprovou. Em conseqüência, voto por dar provimento aos embargos de declaração interpostos pela PFN para retificar o último parágrafo do voto nos seguintes termos: “Destarte, porquanto comprovado nos autos a existência de decisão judicial que confere ao Recorrente o direito a compensar os créditos com o débito fiscal, voto no sentido de garantir procedência ao recurso, declarando a improcedência do auto de infração.” Fl. 278DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 04/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 05 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10835.000658/200222 Acórdão n.º 3801001.708 S3TE01 Fl. 257 4 (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 279DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 04/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 05 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10530.723933/2009-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/07/2006 a 30/09/2006
COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR ORIGINADO DE OPERAÇÕES VINCULADAS À VENDAS EFETUADAS COM INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O saldo credor da Cofins obtido com base em créditos relacionados às operações vinculadas às vendas tributadas, regra geral, só pode ser aproveitado diminuindo o valor devido da contribuição.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-002.172
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Júlio César Alves Ramos - Presidente
Odassi Guerzoni Filho - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça.
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/07/2006 a 30/09/2006 COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR ORIGINADO DE OPERAÇÕES VINCULADAS À VENDAS EFETUADAS COM INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O saldo credor da Cofins obtido com base em créditos relacionados às operações vinculadas às vendas tributadas, regra geral, só pode ser aproveitado diminuindo o valor devido da contribuição. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/07/2006 a 30/09/2006 COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR ORIGINADO DE OPERAÇÕES VINCULADAS À VENDAS EFETUADAS COM INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O saldo credor da Cofins obtido com base em créditos relacionados às operações vinculadas às vendas tributadas, regra geral, só pode ser aproveitado diminuindo o valor devido da contribuição. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Júlio César Alves Ramos Presidente Odassi Guerzoni Filho Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 39 33 /2 00 9- 81 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/201 3 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Por meio de Pedido Eletrônico de Ressarcimento transmitido eletronicamente em 27/10/2006, a interessada, que atua no ramo de venda, no varejo, de combustíveis e lubrificantes, postulou o ressarcimento de saldo credor da Cofins apurado ao final do 3º trimestre de 2006 após a dedução, da soma dos créditos, do valor devido da contribuição em cada um dos períodos de apuração que compõem o referido trimestre. A DRF em Feira de SantanaBA indeferiu o pedido de ressarcimento sob o argumento de que os créditos em questão não se encaixam na norma prevista pelo artigo 16 da Lei nº 11.116, de 18 de maio de 2005, podendo ensejar apenas sua utilização na diminuição do valor da contribuição devida. Na Manifestação de Inconformidade a interessada defendeu a utilização do crédito em compensação (sic) citando como base legal o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; os inciso I e II do artigo 16 da Lei nº 11.116, de 2005; o art. 34 da IN SRF nº 900, de 2008; e o art. 26 da IN SRF nº 460, de 2004. Reproduziu ementa de decisão do STJ sobre compensação de débitos, entendendo lhe socorrer, e, ao final, pediu o reconhecimento do crédito e a “extinção da dívida” (sic). A 4a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em SalvadorBA manteve o indeferimento, na linha do entendimento da DRF. No Recurso Voluntário a interessada repetiu as mesmas argumentações de sua manifestação de inconformidade. É o Relatório. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/201 3 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10530.723933/200981 Acórdão n.º 3401002.172 S3C4T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Odassi Guerzoni Filho Despacho da DRF em Feira de SantanaBA dá conta da tempestividade do Recurso Voluntário, que, preenchendo os demais requisitos de admissibilidade, deve ser conhecido. Inicialmente, de afastar da análise a aplicação dos dispositivos legais e infralegais, bem como decisão do STJ colacionada, equivocadamente invocados pela Recorrente em seu auxílio, porquanto não relacionados à matéria em julgamento. Refirome aqui ao artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; ao art. 34 da IN SRF nº 900, de 2008; e ao art. 26 da IN SRF nº 460, de 2004, visto que tratam eles de compensação de débitos, enquanto que o que está em julgamento é o ressarcimento de créditos da Cofins apurados sob o regime da nãocumulatividade. Créditos esses que, de acordo com as fichas do Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (Dacon) anexadas ao processo, tiveram como origem as aquisições no mercado interno e vinculadas à receita tributada no mercado interno, mais especificamente, sobre as rubricas Bens Adquiridos para Revenda, Despesas com Energia Elétrica, Despesas de Aluguéis de Prédios Locados de Pessoa Jurídica, Despesas de Contraprestação de Arrendamento Mercantil, e Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado. Ou seja, os créditos em discussão não têm origem em operações que possuam vinculação com vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Cofins. Mas, a Recorrente entende que seu direito está lastreado nos seguintes dispositivos: à No art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. à Combinandoo com o art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3 o das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou Fl. 93DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/201 3 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Ora, da leitura desses dois artigos, depreendese que o pedido de ressarcimento a que alude o inciso II do art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, é para aquele saldo credor que cumpre duas condições cumulativas, quais sejam, a primeira, que tenha sido apurado na forma do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, e, a segunda, que esse saldo credor tenha se acumulado em virtude da existência de créditos vinculados a operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Cofins. E, como dito acima, a segunda das condições não foi atendida neste caso, já que os créditos que ensejaram o saldo credor objeto do pedido de ressarcimento estão vinculados apenas às operações de vendas tributadas. Ou, dito de outra forma, a interessada, acertadamente, não postula créditos calculados sobre as aquisições vinculadas às operações de venda efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, pelo simples fato de que, referindose elas a gasolina, óleo diesel e álcool, há vedação expressa nesse sentido, a teor do contido no inciso I, alínea “a”, do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. Vejamos de que tratam tais dispositivos: [...] Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: [...] III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda dos produtos de que tratam as Leis nos 9.990, de 21 de julho de 2000, 10.147, de 21 de dezembro de 2000, 10.485, de 3 de julho de 2002, e 10.560, Fl. 94DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/201 3 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10530.723933/200981 Acórdão n.º 3401002.172 S3C4T1 Fl. 4 5 de 13 de novembro de 2002, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; [...] Vêse, pois, que o saldo credor em discussão submetese à regra geral de aproveitamento dos créditos do regime da nãocumulatividade, qual seja, o da diminuição da contribuição devida, consoante, aliás, preceitua o caput do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29/12/2003. Pelo exposto, nego provimento ao recurso. Odassi Guerzoni Filho Relator Fl. 95DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/201 3 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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