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Numero do processo: 10073.902062/2009-02
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: null
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Numero da decisão: 3802-003.120
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência. Bem como o contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. Recurso Voluntário o qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 20 62 /2 00 9- 02 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ. Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica, cujo suposto crédito pleiteado é oriundo de pagamento a maior, a título de PIS/COFINS, referente ao período de apuração indicado. Por meio do Despacho Decisório emitido eletronicamente, a DRF Volta Redonda, não homologou a compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a Interessada alega em sede de manifestação de inconformidade que: A Empresa apurou créditos de tributos e contribuições pagos indevidamente ou a maior a qual se utilizou dos benefícios legais e que no momento do procedimento das compensações — PER/DCOMP informou corretamente todos os dados constantes no DARF como também o crédito, já identificado no despacho decisório. Tratase então, de apenas proceder as retificações das respectivas DCTFs — Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, o que não invalida o direito de proceder a compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, ou seja, o julgamento foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, no sentido de manter a não homologação da compensação, por falta de direito creditório, nos seguintes termos: INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogitase o reconhecimento de indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA.PRECLUSÃO. A prova do crédito, que suporta Declaração de Compensação, cabe à contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.902062/200902 Acórdão n.º 3802003.120 S3TE02 Fl. 112 3 Portanto, o julgamento foi no sentido de não acolher a pretensão pela falta de liquidez e certeza do aludido crédito de compensação. Consta a informação que tendo em vista a greve dos correiosETC, não foi possível precisar data do AR, pois o mesmo foi extraviado, dessa forma fica o recurso voluntário aceito. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, a recorrente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira para prosseguimento. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente da não conformidade pela não homologação da compensação do débito declarado, por falta de direito creditório contra a Fazenda Nacional, já que o alegado recolhimento indevido não fora suficiente. O cerne da questão é a comprovação ou não do direito creditório para fins da compensação/restituição. No caso da compensação, o marco inicial do contencioso é declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação, ou seja, submetese ao poderdever da Administração de verificação de sua regularidade. A não homologação, não obstante, localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de outros débitos. De fato, tal constatação decorre diretamente do exame de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF apresentada pelo próprio contribuinte e na qual o pagamento apontado na DCOMP é utilizado totalmente para a quitação do débito indicado. Portanto, a análise das declarações prestadas à Receita Federal mostra que o crédito utilizado na compensação declarada não é suficiente. Não havendo saldo disponível para suporte de uma nova extinção, por meio de compensação. Não há a disponibilidade, tampouco suficiência de tal direito creditório, muito menos a efetividade e regularidade da compensação alegada, por meio da apresentação da escrituração contábil e fiscal. Observase, portanto, que a Receita Federal em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por Fl. 112DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Assim sendo, o Despacho Decisório foi lançado perfeitamente, com base nas informações disponíveis à Receita Federal. Como sabido, a Lei nº 9.430/96 prevê que somente os créditos passíveis de restituição e compensação poderão ser utilizados na compensação tributária. Quanto à retificação da DCTF, como argumenta a recorrente, mesmo que tivesse sido efetuada, não dispensa o dever de comprovar a origem do crédito alegado na PerdComp. Este dever está vinculado a quem solicita, inclusive com prova contábilfiscal robusta para suportar sua alegação, o que não ocorreu ao caso. Esta turma tem admitido a DCTF retificadora mesmo quando posterior à ciência do despacho decisório, desde que acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. São exemplos deste entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, dentre outros. Assim sendo, é ônus do recorrente de comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a não – homologação dos créditos. A recorrente não comprova a alegação. Não junta aos autos qualquer documento contábilfiscal que pudesse corroborar o direito alegado. Para que o alegado direito a crédito fosse comprovado, a contribuinte deveria ter trazido aos autos o demonstrativo de apuração das contribuições acompanhado da escrituração contábil e fiscal que pudesse lastrear as informações nele contidas. Em face do exposto, observase que a inércia da recorrente, que detém o ônus da prova para comprovar a liquidez e certeza do direito creditório é determinante pelo não reconhecimento do direito creditório reivindicado. No que tange à prova, é de se observar o esclarecimento de Paulo Celso B. Bonilha (Da Prova no Processo Administrativo Tributário, 2ª Edição, Dialética, São Paulo, 1997): “Embora de maior amplitude, o poder de prova das autoridades administrativas deve ser, por uma questão de princípio, distinto do direito de prova a ser exercido pela Fazenda na relação processual. Essa conclusão elementar decorre da própria estrutura da relação processual administrativa, visto que ela pressupõe modos de atuação distintos da Administração: não se confundem as atribuições de defesa da pretensão fiscal e a de julgamento, por isso mesmo desempenhadas por órgãos autônomos. Essas premissas, a nosso ver, justificam as seguintes assertivas: o poder instrutório das autoridades de julgamento (aqui englobamos a de preparo) deve se nortear pelo esclarecimento dos pontos controvertidos , mas sua atuação não pode implicar invasão dos campos de exercício de prova do contribuinte ou da Fazenda. Em outras palavras, o caráter Fl. 113DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.902062/200902 Acórdão n.º 3802003.120 S3TE02 Fl. 113 5 oficial da atuação dessas autoridades e o equilíbrio e imparcialidade com que devem exercer suas atribuições, inclusive a probatória, não lhes permite substituir as partes ou suprir a prova que lhes incumbe carrear para o processo.” (Grifado) Por essa razão, não se pode aceitar a compensação em discussão, com base nas alegações da recorrente sem documentação necessária à comprovação da consistência dos créditos, que pretende compensar. Por todo o acima exposto, nego provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 114DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10920.911199/2012-17
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2006
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.396
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2006 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 11 99 /2 01 2- 17 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911199/201217 Acórdão n.º 3801003.396 S3TE01 Fl. 3 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911199/201217 Acórdão n.º 3801003.396 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 3ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte (DRJ/BHE), referente ao processo administrativo, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/BHE, que assim relatou os autos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento emitido eletronicamente, referente ao PER/DCOMP. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de pedir a restituição de crédito de PIS/PASEP, Código de Receita 8109, no valor original de, decorrente de recolhimento com Darf efetuado. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, a restituição foi INDEFERIDA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o PerDcomp referese a crédito decorrente de pagamento a maior de PIS/Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos dessas contribuições; que em relação à base de cálculo da Cofins, a Lei Complementar 70/91, que instituiu a cobrança da contribuição, dispõe em seu art. 2º "que a contribuição incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza"; que em relação à base de cálculo do PIS, a Lei Complementar 07/70, que instituiu a cobrança da contribuição dispõe em seu art. 3º que o Fundo de Participação será constituído por duas parcelas, sendo a segunda com recursos calculados com base no faturamento da empresa; que posteriormente as contribuições ao Fl. 56DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911199/201217 Acórdão n.º 3801003.396 S3TE01 Fl. 5 4 PIS e a Cofins passaram a ser disciplinadas pela Lei 9718/98 que dispõe em seu art. 2º, parágrafo 1º que "entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas"; que a Constituição Federal em seu art. 195, I, b, dispõe que "A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, Estados, DF e dos Municípios e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidente sobre: (...) b) a receita ou o faturamento”; que segundo o dispositivo constitucional citado, apenas poder seia reconhecer, como base de cálculo para o PIS e a Cofins, a receita ou o faturamento, não possuindo autorização para incluir em sua base o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. Assim, entendeu a DRJ/BHE por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/BHE por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS se mostra legítimo. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852/MG, onde ele conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911199/201217 Acórdão n.º 3801003.396 S3TE01 Fl. 6 5 Por fim, refere a Recorrente que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE 574.706, requerendo que o presente recurso fique sobrestado até pronunciamento definitivo pela Suprema Corte, com fundamento no artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF. É o relatório. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911199/201217 Acórdão n.º 3801003.396 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Outrossim, cabe ainda destacar que o § 1º do Art. 62A do Regimento Interno do CARF que faz referência a contribuinte no presente Recurso Voluntário (interposto em 19/12/2013), estava inclusive já revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro José Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: Fl. 59DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911199/201217 Acórdão n.º 3801003.396 S3TE01 Fl. 8 7 “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o presente processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de Fl. 60DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911199/201217 Acórdão n.º 3801003.396 S3TE01 Fl. 9 8 novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). É necessário igualmente analisar o mérito do recurso, em que pese as considerações acima trazidas. Apesar de entendimento diverso desse relator, o pedido do contribuinte vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 68 15/12/1992 DJ 04.02.1993 ICM Base de Cálculo do PIS A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não Fl. 61DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911199/201217 Acórdão n.º 3801003.396 S3TE01 Fl. 10 9 podendo deixar de ser incluídos no cálculo do PIS e da COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 62DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 13971.004589/2009-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004, 2005
COFINS. PERCENTUAL. FACTORING.
Na atividade de factoring, a alíquota aplicável é aquela das empresas em geral, e não a prevista para as instituições financeiras.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 1102-001.128
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004, 2005 COFINS. PERCENTUAL. FACTORING. Na atividade de factoring, a alíquota aplicável é aquela das empresas em geral, e não a prevista para as instituições financeiras. Recurso de ofício negado.
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OMISSÃO DE RECEITAS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado RALF KRUGER ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 ARBITRAMENTO. PERCENTUAL. FACTORING. Na atividade de factoring, o percentual de arbitramento aplicável é de 38,4%, e não o de 45%, previsto para as instituições financeiras. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004, 2005 ARBITRAMENTO. PERCENTUAL. FACTORING. No lucro arbitrado da atividade de factoring, para fins de CSLL, a base de cálculo corresponde à aplicação do percentual de 32% sobre o montante das receitas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005 COFINS. PERCENTUAL. FACTORING. Na atividade de factoring, a alíquota aplicável é aquela das empresas em geral, e não a prevista para as instituições financeiras. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 45 89 /2 00 9- 26 Fl. 1273DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/ 06/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13971.004589/200926 Acórdão n.º 1102001.128 S1C1T2 Fl. 3 2 João Otávio Oppermann Thomé – Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório De início, esclareçase que todas as indicações de folhas a seguir dizem respeito à numeração digital do eprocesso. Tratase de recurso de ofício contra acórdão proferido pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ/FlorianópolisSC, que possui a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Caracterizada a conduta dolosa do sujeito passivo, impõese ao infrator a multa qualificada prevista na legislação de regência. ARBITRAMENTO DE LUCROS. INEXISTÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL. CABIMENTO. A inexistência de livros e documentos da escrituração comercial e fiscal impõe o arbitramento do lucro da pessoa jurídica. ARBITRAMENTO DE LUCROS. PERCENTUAIS. Às empresas que se dedicam às atividades de prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão e crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring), aplicase o percentual de arbitramento de lucros equivalente a 32% acrescidos de 20%, perfazendo 38,4%, como determina o art. 223, inciso III, alínea ‘d’, combinado com os artigos 532 e 519 do RIR/99. Portanto, retificase o lançamento onde foi aplicado o percentual de 45%. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Fl. 1274DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/ 06/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13971.004589/200926 Acórdão n.º 1102001.128 S1C1T2 Fl. 4 3 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004, 2005 ARROLAMENTO DE BENS. O julgado limitase à esfera de competência da autoridade julgadora administrativa, relativamente ao crédito tributário constituído de ofício, tempestivamente impugnado, não comportando análise de questões que tratam do arrolamento de bens e direitos. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA. Uma vez que restar comprovado que os valores creditados na conta de depósito pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação das receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito.” O caso foi assim relatado pela instância a quo: Temse que a ação fiscalizatória teve início na contribuinte ERNA KROENKE, CPF 946.982.87987, motivada pelo descompasso verificado entre a movimentação financeira bancária e sua declaração de rendimentos. No decorrer dos trabalhos a Fiscalização constatou que as contas bancárias de titularidade da sra. ERNA, mantidas no Banco do Brasil e Besc, eram movimentadas por RALF KRUGER , tendo este inclusive procuração para tal finalidade. A sra. ERNA, como esclarece a Fiscalização é [...] uma senhora octogenária de poucas posses [...]. Os extratos bancários – fornecidos pela fiscalizada – possibilitaram a identificação dos depósitos havidos naquelas contas bancárias e, o aprofundamento da ação fiscal, por meio de diligências diversas, intimações e depoimentos, permitiu que a autoridade fiscal concluísse que: [...] o conjunto probatório composto pelos depoimentos de empresários da região e dos autos da Ação Monitória no 073.08.0022157 evidenciam de forma inequívoca o exercício regular, por parte de RALF KRUGER, de atividade exclusiva das instituições financeiras, desenvolvida em seu próprio nome portanto em caráter pessoal e exclusivo, sem relação com a atividade de empresas nas quais possuía cotas de participação societária e com uso de contas bancárias tituladas por sua sogra, ERNA KROENKE. Em seguida a Fiscalização intima o sr. RALF KRUGER a proceder a inscrição no CNPJ e elaboração de escrituração comercial e fiscal. Em razão do não atendimento à intimação, houve a inscrição – de ofício – no CNPJ. A partir daí é instaurado procedimento fiscal – de fiscalização – sobre RALF KRUGER, sendo intimado a comprovar a origem dos depósitos efetuados em contas bancárias de ERNA KROENKE. Ausentes a escrituração contábil e a comprovação da origem dos depósitos nas referidas contas, houve por bem a autoridade fiscal arbitrar o lucro com base nos depósitos bancários. Fl. 1275DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/ 06/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13971.004589/200926 Acórdão n.º 1102001.128 S1C1T2 Fl. 5 4 A multa aplicada foi a de 150% em razão da intenção de se ocultar do Fisco a ocorrência dos fatos geradores dos tributos. Inconformada veio a Contribuinte apresentar, tempestivamente, sua impugnação, onde, inicialmente, propugna pela inconstitucionalidade do ARROLAMENTO DE BENS – PAF 13971.004603/200991. Contesta, a seguir, a sujeição passiva e a inexistência de interposição fraudulenta, afirmando ser ele mero procurador da sra. ERNA KROENKE e que ela sim teria realizado operações de factoring com a utilização de suas contas bancárias mantidas no Besc e Banco do Brasil. Combate o cometimento da infração omissão de receita, alegando que não restou comprovada “a utilização dos valores depositados como renda consumida, bem como seja comprovada a utilização dos valores em aplicações no mercado financeiro, ou mesmo seja feita a comprovação em sinais exteriores de riqueza, visto que por si só, depósitos bancários, cheques emitidos, aplicações financeiras, etc., não constituem fato gerador do imposto de renda, [...]” Opõese à aplicação da multa qualificada de 150% alegando não se enquadrar no tipo do art. 71 incisos I e II da Lei nº 4.502, de 1964, uma vez que em nenhum momento deixou de oferecer à tributação o resultado de suas operações. Assevera que todos os créditos bancários havidos nas contas do Banco do Brasil e Besc são fruto do exercício habitual de operações de factoring. E que esta atividade não é privativa de instituição financeira. Aduz que a receita bruta – quando se trata de empresas de factoring – é o resultado da diferença apurada entre o valor de face dos títulos adquiridos e valor pago pela aquisição. Traz a citação à Solução de Divergência nº 4, de 30 de abril de 2007. Pugna contra a aplicação do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, com argumentos tendentes a afirmar que a origem dos depósitos restou devidamente comprovada por meio de documentação hábil e idônea apresentados e que levam à convicção de tratarse de receita oriundas de operações de factoring. Alega em outro tópico que o arbitramento da receita bruta deve ser afastado – pois quando de sua apuração – não foi observado o disposto no art. 148 do Código Tributário Nacional. Entende que, em decorrência do equivocado arbitramento do lucro, estendeu se o engano também à apuração da base de cálculo da CSLL. Argumenta que a autoridade fiscal equivocouse ao aplicar o percentual de presunção do lucro em 45% em vez de 38,40%. Prega que a presunção de receita bruta fere o princípio constitucional da capacidade contributiva. Ao final desenvolve raciocínio em que diz que o art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996 contrapõese ao art. 3º do CTN. E, por derradeiro requer: Fl. 1276DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/ 06/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13971.004589/200926 Acórdão n.º 1102001.128 S1C1T2 Fl. 6 5 a) Que seja acolhida a preliminar de ilegitimidade passiva do Impugnante, visto que não tem relação direta com as operações em tela, decretandose assim o cancelamento do ora atacado lançamento fiscal; b) Contudo, caso não seja este o entendimento, que sejam acolhidos os erros de direito amplamente apontados, decretandose assim igualmente o cancelamento do ora atacado lançamento fiscal; c) Ou ainda, subsidiariamente, seja arbitrada a receita bruta tributável de acordo os percentuais apurados nos depoimentos, ou, alternativamente, de acordo com os indices de lucratividade da atividade de "factoring" divulgados pela ANFAC para o período em questão, adequandose, a partir dai, a incidência dos tributos em questão; d) E, por fim, caso não acolhidas as hipóteses de cancelamento do lançamento fiscal em questão, que seja reduzida a multa punitiva de oficio ao percentual de 75% (setenta e cinco por cento). A turma julgadora a quo rejeitou a preliminar suscitada de ilegitimidade de sujeição passiva, e, no mérito, deu parcial provimento à impugnação para reduzir o percentual de arbitramento aplicado aos depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, de 45 % (percentual de arbitramento específico para instituições financeiras) para 38,4% (percentual de arbitramento de lucro para as empresas de factoring), bem como para corrigir o lançamento de CSLL, reduzindo de 100% para 32% o percentual aplicado aos depósitos bancários tomados como receita omitida para fins de apuração de sua base de cálculo, e para reduzir o percentual da alíquota da COFINS de 4% (específica para instituições financeiras) para 3% (demais pessoas jurídicas em geral). Notificada da decisão administrativa por edital (fls. 1247), após ter resultado improfícua a tentativa de ciência por via postal (fls. 12451246), a autoridade administrativa lavrou termo de perempção (fls. 1261), tendo o saldo devedor da exigência fiscal sido transferido para o processo nº 13971.721338/201396, para fins de cobrança, e remanescendo para julgamento na segunda instância tão somente a parcela exonerada pela DRJ. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso de ofício preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme visto, restou para ser apreciado por esta instância tão somente as seguintes parcelas, exoneradas pela decisão de piso: 1) redução do percentual de arbitramento, para fins de IRPJ, de 45 % para 38,4%; Fl. 1277DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/ 06/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13971.004589/200926 Acórdão n.º 1102001.128 S1C1T2 Fl. 7 6 2) correção da apuração da base de cálculo da CSLL, reduzindoa para o percentual de 32% sobre a receita omitida; 3) redução da alíquota da COFINS de 4% para 3%. As reduções referidas nos itens 1 e 3 tem por pressuposto a adequação da exigência aos percentuais efetivamente aplicáveis à atividade desenvolvida pela contribuinte, que é de factoring, consoante o que restou evidenciado ao longo dos autos. Para evitar que se adentre em impertinente discussão quanto à caracterização da atividade desenvolvida pelo contribuinte, cumpre destacar ser inconteste a referida caracterização como sendo de factoring. Neste sentido, vejase as seguintes transcrições: No relatório fiscal: “A autuação amparase na responsabilidade de fato do contribuinte sobre a omissão de receitas auferidas em operações de desconto de títulos creditórios (factoring) nos AC 2004 e 2005 (...)” Na impugnação: “Todos os créditos bancários (depósitos e eventos de cobrança) são fruto do exercício habitual de operações de "factoring". (...) A caracterização de operações de "factoring" (fomento mercantil) restou muito bem comprovada nos autos do procedimento fiscal em questão.” Correta, portanto, a DRJ, ao analisar o pleito do contribuinte de redução do percentual de arbitramento aplicado, verbis: “Tem razão a Impugnante. Empresas de factoring não são instituições financeiras, estas estão identificadas no art. 36, inciso III, da Lei nº 8.981, de 1995 e aquelas pelo art. 15, inciso III da Lei nº 9.249, de 1995. O percentual de arbitramento de lucro para as empresas de factoring é de 38,4%, conforme determinam o art. 223, inciso III, alínea ‘d’ combinado com os art. 532 e 519 do RIR/99.” De fato, os referidos dispositivos remetem as receitas da atividade de factoring diretamente para a aplicação dos percentuais de 32%, no caso de lucro presumido, e de 38,4%, no caso de arbitramento, e não aqueles previstos para as instituições financeiras. Também o CARF assim entende, consoante o precedente a seguir, cuja ementa encontrase transcrita apenas no que toca ao específico ponto em litígio: “ATIVIDADE DE TROCA DE CHEQUES “PRÉDATADOS”. ATIVIDADE INFORMAL REALIZADA POR PESSOA FÍSICA. BASE DE CÁLCULO DE 32%. (...) Admitida como prática normal a troca de cheques “prédatados” por pessoas que exercem tais atividades de maneira informal, a base de cálculo nestas atividades, Fl. 1278DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/ 06/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13971.004589/200926 Acórdão n.º 1102001.128 S1C1T2 Fl. 8 7 por se assemelharem às atividades de factoring, é de 32%, não havendo razões para aplicação de base de cálculo de 45%, cabível somente às instituições financeiras.” (Acórdão 1402000.442, relator Moisés Giacomelli Nunes da Silva, sessão de 24 de fevereiro de 2011) Da mesma forma, e por semelhante motivo, correta a redução da alíquota da COFINS, de 4% para 3%, promovida pela DRJ. Isto porque as empresas de factoring não estão listadas entre aquelas a que se refere o art. 18 da Lei no 10.684/03, dispositivo o qual elevou a alíquota da COFINS para as instituições ali elencadas, dentre as quais se encontram as instituições financeiras, de 3% para 4%. Assim, devese aplicar às empresas de factoring a alíquota prevista para as empresas em geral. Por fim, a redução referida no item 2 tem por pressuposto a correção de evidente equívoco na apuração da base de cálculo da CSLL. A fiscalização tomara por base de cálculo desta contribuição o valor total dos depósitos bancários cuja origem não fora comprovada. Contudo, tal valor representa tão somente o montante da receita considerada omitida, e a lei determina que a receita omitida, no caso de arbitramento, deva ser submetida, para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, ao percentual de 32%. Foi o que, acertadamente, fez a decisão recorrida. Pelo exposto, nego provimento ao recurso de ofício. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 1279DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/ 06/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Numero do processo: 19515.003731/2008-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO ZERO.
Comprovado que o valor informado na Escritura Pública de Compra e Venda como custo da operação não foi pago, correto considerar o custo de aquisição como zero na apuração do ganho de capital decorrente da alienação do imóvel.
PROVA. APRECIAÇÃO PELO JULGADOR.
Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção.
IRPF. MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DOLO.
Nos termos do enunciado nº 14 da Súmula do CARF, não há que se falar em qualificação da multa de ofício nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, sem a devida comprovação do evidente intuito de fraude.
Numero da decisão: 2201-002.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Relator) e Nathalia Mesquita Ceia, que deram provimento parcial em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima.
Assinado digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado digitalmente
Walter Reinaldo Falcão Lima Redator designado.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Guilherme Barranco de Souza (Suplente Convocado), Walter Reinaldo Falcão Lima (Suplente Convocado), Nathalia Mesquita Ceia. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO ZERO. Comprovado que o valor informado na Escritura Pública de Compra e Venda como custo da operação não foi pago, correto considerar o custo de aquisição como zero na apuração do ganho de capital decorrente da alienação do imóvel. PROVA. APRECIAÇÃO PELO JULGADOR. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção. IRPF. MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DOLO. Nos termos do enunciado nº 14 da Súmula do CARF, não há que se falar em qualificação da multa de ofício nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, sem a devida comprovação do evidente intuito de fraude.
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CUSTO DE AQUISIÇÃO ZERO. Comprovado que o valor informado na Escritura Pública de Compra e Venda como custo da operação não foi pago, correto considerar o custo de aquisição como zero na apuração do ganho de capital decorrente da alienação do imóvel. PROVA. APRECIAÇÃO PELO JULGADOR. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção. IRPF. MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DOLO. Nos termos do enunciado nº 14 da Súmula do CARF, não há que se falar em qualificação da multa de ofício nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, sem a devida comprovação do evidente intuito de fraude. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Relator) e Nathalia Mesquita Ceia, que deram provimento parcial em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 37 31 /2 00 8- 09 Fl. 720DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinad o digitalmente em 25/03/2014 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA 2 Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima – Redator designado. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Guilherme Barranco de Souza (Suplente Convocado), Walter Reinaldo Falcão Lima (Suplente Convocado), Nathalia Mesquita Ceia. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 376/379, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 437.016,31, calculados até 30/06/2008. A fiscalização apurou omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de bens e direitos, conforme Termo de Verificação Fiscal às fls. 373/375. A autoridade fiscal aplicou a multa de ofício de 150%. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: Cientificado da exigência tributária, em 26/07/2008, conforme Aviso de Recebimento – AR de fl. 380, o autuado apresenta sua impugnação de fls. 382/385, onde, em resumo, apenas alega que dação em pagamento é inalienável, não sendo fato gerador previsto em norma tributária de ganho de capital sobre alienação de bens. A 3ª Turma da DRJ em São Paulo/SPOII julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado na ementa abaixo transcrita: DAÇÃO EM PAGAMENTO APURAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL. Caracteriza alienação sujeita à apuração de ganho de capital a dação de bem em pagamento de dívida, devendo o ganho ser apurado pela diferença entre o valor da dívida exonerada e o custo de aquisição do bem objeto da dação. Lançamento Procedente Intimado da decisão de primeira instância em 03/09/2009 (fl. 408), Mauro Antonio Salermo apresenta Recurso Voluntário em 05/10/2009 (fl. 416), sustentando, em síntese, verbis: 11.1 DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR AUSÊNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS INERENTES AO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. Fl. 721DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinad o digitalmente em 25/03/2014 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA Processo nº 19515.003731/200809 Acórdão n.º 2201002.295 S2C2T1 Fl. 721 3 8. Isso porque a autuação está baseada em presunções absolutamente infundadas e inverídicas. 9. A Fiscalização em momento algum demonstrou que o custo de aquisição dos imóveis utilizados para integralizar o capital da AMAU Empreendimentos Ltda. seria zero, tal como sustenta. 11.2 DA PATENTE NULIDADE QUANTO AO SUPOSTO GANHO DE CAPITAL APURADO PELO ORA RECORRENTE. 24. Todavia, diferentemente do sustentado pela Fiscalização, o suposto ganho de capital apurado no caso vertente se encontra duplamente equivocado, seja porque não é possível tomar por base o custo zero de aquisição em total discrepância com a documentação apresentada, fato esse que será melhor explicitado no tópico a seguir, seja porque considerouse que o Recorrente seria o único proprietário do imóvel matriculado sob o n° 4.595, o que não é verdade!!! 25. Ora, conforme se infere do Anexo I ao Instrumento de 1ª Alteração e ReRatificação do Contrato Social da sociedade AMAU Empreendimentos Ltda., documento esse que foi levado a registro no 9° Cartório de Registro de Imóveis de São Paulo, o Recorrente é proprietário de apenas 50% deste imóvel, razão pela qual teve como custo de aquisição somente o valor de R$ 16.718.28 (dezesseis mil. setecentos e dezoito reais e vinte e oito centavos), que equivale à metade de R$ 33.436,56 (trinta e três mil, quatrocentos e trinta e seis reais e cinqüenta e seis centavos). 26. Com efeito, mesmo que se considerasse que o Recorrente teve custo zero na aquisição do imóvel em questão, o que se admite apenas hipoteticamente, posto não ser este o caso , ainda assim não se poderia concordar com o valor do suposto ganho de capital com base no qual foi efetuado o lançamento. 11.3 DO CUSTO DE AQUISIÇÃO DOS IMÓVEIS DE PROPRIEDADE DO RECORRENTE NA PROPORÇÃO DE 50% UTILIZADOS PARA INTEGRALIZAR O CAPITAL DA AMAU EMPREENDIMENTOS LTDA. 41. De acordo com a documentação já apresentada é possível verificar que o imóvel registrado na matricula n° 325.142 tem como custo de aquisição R$ 900.000 00 (novecentos mil reais), que corresponde ao valor pago pelo Recorrente quando da aquisição de referido imóvel, nos termos da Escritura de Venda e Compra. (...) 43. Resta claro, portanto, que não há que se falar em custo zero em relação a referidos imóveis. O custo de aquisição de ambos pelo Recorrente monta R$ 916.718,28 (novecentos e dezesseis mil, setecentos e dezoito reais e vinte e oito centavos). Logo, não há que se falar, também, em ganho de capital, na medida em que Fl. 722DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinad o digitalmente em 25/03/2014 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA 4 a integralização de capital por meio de referidos imóveis foi feita pelo mesmo valor. (...) 53. Pelo que se depreende dos julgados acima colacionados, o único valor possível a ser considerado como custo de aquisição de um imóvel é aquele constante de escritura pública ou de qualquer outro documento público, porque estes são dotados de fépública. Assim, não há que se falar, no caso em questão, em custo de aquisição zero, ainda que referido custo não tenha sido informado na declaração de imposto de renda do Recorrente, e muito menos em ganho de capital tributável. (...) 55. Percebam nobres Julgadores que mesmo existindo elementos suficientes para que o Fisco perceba que o custo de aquisição dos imóveis em tela nunca poderia ser zero, mesmo assim procedeu a atuação por suposto ganho de capital e aplicou multa exorbitante de 150%, a qual além de desrespeitar a previsão legal, vez que o Recorrente nunca agiu de máfé, está em descompasso do entendimento do Superior Tribunal Federal. (...) DA ILEGALIDADE DA INCIDÊNCIA DOS JUROS SELIC SOBRE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso reúne os requisitos de admissibilidade. Cuida o lançamento de omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de bens e direitos. Em sua peça recursal alega o recorrente, preliminarmente, nulidade do auto de infração em razão da fiscalização ter considerado custo zero para fins de apuração do ganho de capital. Assevera ainda que por existir erro material na base de cálculo do lançamento, o auto de infração deve ser sumariamente cancelado. De pronto, cumpre registrar que a preliminar se confunde com o mérito e com este será apreciado. Segundo se colhe dos autos, a autoridade fiscal constatou a integralização de capital da empresa Amau Empreendimentos Ltda., CNPJ 06.062.250/000132, por dação de dois terrenos: um situado à Rua Souza Breves, Lote nº 5, Vila Santiago, Tatuapé, São Paulo (SP) e o outro à Av. João Dias e Rua Gutenberg Dávila, Santo Amaro, São Paulo (SP), sem o pagamento do imposto sobre ganho de capital. Ato contínuo, atribuiu a ambos o custo de Fl. 723DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinad o digitalmente em 25/03/2014 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA Processo nº 19515.003731/200809 Acórdão n.º 2201002.295 S2C2T1 Fl. 722 5 aquisição zero, em face do sujeito passivo não ter informado esses imóveis na sua Declaração de Ajuste/2002, além de não ter comprovado o pagamento quando de sua aquisição. Feitas as considerações iniciais, passase a análise da operação de dação de imóveis para integralização do capital da Amau Empreendimentos Ltda. Terreno Av. João Dias e Rua Gutenberg Dávila Santo Amaro Em que pese tenha a autoridade fiscal atribuído custo zero para o referido imóvel, penso que o entendimento da autoridade lançadora deve ser revisto, conforme se observa das provas constantes dos autos. Analisando detidamente o processo, verificase que o terreno localizado a Av. João Dias e Rua Gutenberg Dávila foi adquirido pelo recorrente em 18 de dezembro de 2002, pelo valor de R$ 900.000,00, conforme se infere da análise da escritura pública de fls. 518/522. Embora não tenha o contribuinte declarado o referido imóvel em sua DIRPF/2003, não pode a autoridade lançadora simplesmente ignorar a escritura pública lavrada na presença do oficial do 12° Tabelionato de Notas da Comarca da Capital do Estado de São Paulo/SP. A escritura pública representa o instrumento formal previsto para a transmissão da propriedade de bem imóvel, conforme jurisprudência deste Órgão Administrativo. Vejamse as ementas: PROVA DE ALIENAÇÃO DE BENS IMÓVEIS ESCRITURA PÚBLICA A escritura pública de compra e venda é o instrumento formal previsto para a transmissão da propriedade de bem imóvel. O valor nela transcrito sobrepõese a qualquer outro, inclusive ao fixado como base de cálculo para fins de cobrança do Imposto de Transmissão de bens imóveis, salvo se restar comprovado, de maneira inequívoca, que o valor constante da escritura definitiva não corresponde ao valor da operação, circunstância em que a fé pública do citado ato cede à prova que se contraponha àquele valor. (Processo: 10940.000035/9625 Acórdão 10416480) ... AQUISIÇÃO DE IMÓVEL ESCRITURA DE COMPRA E VENDA DOCUMENTO PÚBLICO Somente deixa de prevalecer a data, forma e valor da alienação constante da Escritura Pública de Compra e Venda, para os efeitos fiscais, quando restar provado de maneira inequívoca que o teor contratual da escritura não foi cumprido, circunstância em que a fé pública do citado ato cede à prova de que a alienação deuse da forma diversa. Assim, a Escritura Pública de Compra e Venda faz prova bastante de que a aquisição do imóvel deuse na forma prevista na escritura. A alegação, desacompanhada de prova material, de que a forma de aquisição foi por valor diferente não tem o condão de sobrepujar o que foi contratado diante de tabelião juramentado. (Processo: 13859.000292/00 41 Acórdão 10418853) ... Fl. 724DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinad o digitalmente em 25/03/2014 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA 6 IRPF GANHO DE CAPITAL ESCRITURA PÚBLICA O instrumento público faz prova não só da formação do ato, mas, também, dos fatos que o tabelião declarar que ocorreram em sua presença... (Processo: 10660.000691/9430 Acórdão 102 43003) Portanto, sem a prova material de que de o custo de aquisição foi por valor diferente do constante da escritura pública, não se justifica a consideração de custo zero ao imóvel, consoante a ementa transcrita: GANHO DE CAPITAL — Havendo documento hábil e idôneo para que se possa identificar o preço de aquisição, não se justifica a consideração de custo zero de imóvel para o cálculo do ganho de capital. (Processo n°. 10735.001455/9537 Acórdão n°. 10613.639) O fato de o contribuinte omitir o registro do imóvel em sua DIRPF/2003 não poderia dar azo à aplicação 132 do RIR/1999, pois, a meu ver, o referido artigo deve ser sempre utilizado quando não há comprovação efetiva do custo de aquisição. Nessa conformidade, como a integralização de capital foi pelo valor constante da escritura pública, não há ganho de capital a ser tributado. Terreno Rua Souza Breves, lote n° 5 V. Santiago Tatuapé Quanto ao imóvel supra, compulsadose os autos, verifico, pois, que não foi juntada a escritura pública contendo o valor da aquisição. Nesse caso, correto o procedimento efetuado pela autoridade fiscal, quando considerou como zero, o custo de aquisição do imóvel supra, ante a ausência de seu registro em sua DIRPF/2003. Ressaltese que a transcrição do registro do imóvel, por si só, não se presta a comprovar o efetivo custo de aquisição. Em relação à qualificação da multa, cumpre reproduzir o Termo de Verificação Fiscal, fl. 392: Conclusão: Para efeito de apuração do ganho de capital representado pelas participações societárias adquiridas em Decorrência da Integralização de Capital da empresa AMAU EMPREENDIMENTOS LTDA CNPJ 06.062.250/000132 com a dação em pagamento dos dois terrenos acima mencionados, consideramos os custos desses imóveis iguais a zero, nos termos do Art 132 do RIR 99 Decreto 3000 de 26/03/99, decorrendo um ganho de Capital de R$ 933.436,56 nessa operação. Os tributos decorrentes desse ganho de Capital estão sendo constituídos através de Auto de Infração IRPF. Diante dos fatos, relativamente aos ganhos de capital acima mencionados, foi oferecida a Representação Fiscal para Fins Penais com base no arts. 71 1 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964 e Art 2º da Lei 8.137/90, sujeitando o contribuinte ao agravamento da multa nos termos do Art. 44 da Lei 9.430/96. Fl. 725DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinad o digitalmente em 25/03/2014 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA Processo nº 19515.003731/200809 Acórdão n.º 2201002.295 S2C2T1 Fl. 723 7 Do exposto, o que se vê dos argumentos despendidos pela autoridade lançadora nada mais é que o próprio pressuposto da autuação, ou seja, simples omissão de rendimentos ou declaração inexata, sem qualquer prova de conduta dolosa. Com efeito, a infração a dispositivo de lei, mesmo que resulte diminuição de pagamento de tributo, não autoriza presumir intuito de fraude. Para a qualificação da penalidade deveria o Fisco trazer provas que materializassem o dolo do sujeito passivo. Não bastam apenas divergências e/ou omissão entre os valores declarados e os apurados para alicerçarem o evidente intuito de fraude. É nesse sentido a Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Incomprovada a fraude ensejadora da multa isolada, esta não pode subsistir. Dessa forma, deve o percentual da multa de ofício ser reduzido para 75%. Por fim, a exigência dos juros apurados a partir da Taxa SELIC está prevista no art. 13 da Lei nº 9.065/1995 e no § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430/1996, não havendo como afastála. Esse entendimento é pacifico no CARF, conforme Súmula n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Ante a todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso para considerar como custo de aquisição do imóvel localizado a Av. João Dias e Rua Gutenberg Dávila o valor de R$ 900.000,00, constante da escritura pública, bem como desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 726DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinad o digitalmente em 25/03/2014 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA 8 Voto Vencedor Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima, Redator designado. Com a devida vênia, divirjo do nobre Relator somente em relação ao ganho de capital relativo ao imóvel denominado “Terreno Av. João Dias e Rua Gutenberg Dávila Santo Amaro”, especificamente no que diz respeito ao seu custo de aquisição. Conforme Escritura Pública de Compra e Venda referente à aquisição do referido imóvel (fls. 518 a 522), o valor transacionado foi de R$ 1.800.000,00, sendo a parcela correspondente ao Recorrente de R$ 900.000,00, a ser paga em vinte e quatro notas promissórias, vencendose a primeira delas em 30 de janeiro de 2003. Cumpre assinalar que a alienante é a pessoa jurídica Nova Três Distribuidora de Veículos Ltda, da qual o Recorrente era sócio quotista, com o percentual de 90% (doc. de fls. 30) e Diretor Superintendente, conforme consta na própria Escritura. Por intermédio do Termo de Constatação e Intimação Fiscal de fls. 24 e 25, o Contribuinte foi intimado a apresentar documentação relativa à aludida empresa e comprovantes de pagamento de aquisição do imóvel em questão. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 373 a 375, o Procurador da procurador da empresa, Sr. Vanderlei Lopes de Oliveira, declarou não possuir os comprovantes de pagamentos do Contribuinte relativos à compra do citado imóvel. Ademais, autoridade lançadora constatou os seguintes fatos, descritos naquele Termo: “Quanto ao terreno da Av. João Dias e Rua Gutenberg Dávila Sto. Amaro, cabe ressaltar que: foi adquirido da empresa Nova Tres Distribuidora de Veículos Ltda — CNPJ 01.411.997/000135, pelo fiscalizado, em 18/12/02, para pagamento em 24 parcelas, conforme cópia autenticada da Escritura de Venda e Compra do Cartório do 12° Tabelião de Notas apresentada pelo contribuinte; Este imóvel não constava da contabilidade da empresa como podese verificar através do balancete de verificação da Nova Tres Distribuidora de Veículos Ltda relativo ao mês de Dezembro/2002 e a transação de Venda e Compra não foi registrada na contabilidade da empresa Nova Tres Distribuidora de Veículos Ltda, haja vista que não havia valores a receber dos sócios, correspondentes a essa transação, nem nos balancetes de Dez/2002 e Março/2003 e nem nos Balanços das DIPJs 2003 e 2004, anos calendário 2002 e 2003 apresentadas pela empresa; A transação de Venda e Compra desse imóvel também não foi declarada na DIRPF do fiscalizado visto que ele não consta da declaração de bens do contribuinte relativa ao ano calendário de 2002 e também das informações sobre as dívidas relativas às 24 parcelas que deveriam ser pagas à Nova Três Distribuidora de Veículos Ltda a partir de 2003; Diante do exposto, embora na Escritura Pública de Compra e Venda de fls. 518 a 522 conste que o Contribuinte deveria pagar o valor correspondente à sua parcela em vinte e quatro notas promissórias, vencendose a primeira delas em 30 de janeiro de 2003, Fl. 727DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinad o digitalmente em 25/03/2014 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA Processo nº 19515.003731/200809 Acórdão n.º 2201002.295 S2C2T1 Fl. 724 9 entendo que restou comprovado pela fiscalização que não foi efetuado qualquer pagamento referente à operação, razão pela qual correto o procedimento realizado pela autoridade lançadora em atribuir custo de aquisição zero na apuração do ganho de capital relativo à alienação do imóvel pelo Contribuinte, em obediência ao princípio da verdade material. Vale lembrar que, conforme disposto no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção. Por fim, cumpre esclarecer que, ao contrário do que alega o Recorrente, o ganho de capital relativo ao imóvel denominado “Terreno Av. João Dias e Rua Gutenberg Dávila Santo Amaro” foi apurado considerandose que o Contribuinte era detentor de 50% da propriedade daquele bem, como pode ser constatado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 373 a 375. Por tais razões, voto por dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Fl. 728DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinad o digitalmente em 25/03/2014 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA 10 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 19515.003731/200809 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201002.295. Brasília/DF, 21 de janeiro de 2014 Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 729DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinad o digitalmente em 25/03/2014 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA
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Numero do processo: 14041.000453/2008-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/12/2005
AUTO DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL.
Não houve violação cometida pelo presente lançamento já que devidamente embasado nas disposições da Lei nº 8.212/91, devidamente transcritas no relatório fiscal.
Não compete ao CARF (Súmula 02) apreciar questões relativas à inconstitucionalidade de normas.
Numero da decisão: 2301-003.948
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2003 a 31/12/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. Não houve violação cometida pelo presente lançamento já que devidamente embasado nas disposições da Lei nº 8.212/91, devidamente transcritas no relatório fiscal. Não compete ao CARF (Súmula 02) apreciar questões relativas à inconstitucionalidade de normas.
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FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. Não houve violação cometida pelo presente lançamento já que devidamente embasado nas disposições da Lei nº 8.212/91, devidamente transcritas no relatório fiscal. Não compete ao CARF (Súmula 02) apreciar questões relativas à inconstitucionalidade de normas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 04 53 /2 00 8- 20 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 03/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Relatório Tratase de AI nº 37.114.4639 objetivando a cobrança de crédito previdenciário no montante de R$ 53.169,08 (cinquenta e três mil cento e sessenta e nove reais e oito centavos), referente às competências: 08/2003 a 12/2005. De acordo com o relatório fiscal, fls. n.°s 13/24, o objeto do presente Auto de Infração são as contribuições sociais devidas pelos segurados empregados, não descontadas e não repassadas pela empresa, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados, empresários, trabalhadores avulsos e autônomos (contribuintes individuais), que prestaram serviços à empresa. O presente lançamento referese a diferenças encontradas em relação aos valores apurados em Auditoria Fiscal realizada em 2006, cujo lançamento fiscal ocorreu pela NFLD n.º 37.017.6642, processo 10167001278/200730, no estabelecimento matriz, tendo em vista os questionamentos apresentados pela defesa constantes das fls. 395 a 489. O sujeito passivo apresentou impugnação alegando que havia duplicidade de lançamento, além do que aplicou legislação posterior à ocorrência dos fatos geradores. A DRJ em Brasília julgou improcedente a impugnação, o que motivou o sujeito passivo a interpor recurso voluntário, por meio do qual argüi que o AI aplica legislação posterior ao lançamento, bem como se utiliza de normas infralegais para definir o fato gerador. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso voluntário reúne as condições de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Mérito As questões suscitadas em sede recursal podem ser apreciadas em conjunto, tendo em vista a relação evidente na fundamentação trazida pelo recurso quanto a utilização da IN SRP 03/2005 pela fiscalização. Analisando o relatório fiscal verificase que em determinados trechos a fiscalização fez menção à IN SRP nº 03/2005, a qual não estava vigente durante a ocorrência de alguns dos fatos geradores apurados no presente AI. Contudo, não verifico o prejuízo alegado pela recorrente, pois as transcrições no relatório fiscal, ao qual faz alusão a citada IN, reproduz nada mais do que já estava em vigor na Lei nº 8.212/91, a qual foi devidamente transcrita pela autoridade autuante, seja para fundamentar a incidência das contribuições devidas pelo segurado empregado (art. 12, inciso Fl. 60DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 03/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 14041.000453/200820 Acórdão n.º 2301003.948 S2C3T1 Fl. 52 3 I), como também do segurado contribuinte individual (art. 12, inciso V) e a obrigação da empresa de arrecadálas (artigo 30 da Lei 8.212/91 e 10.666/03) Logo, há embasamento na Lei n º 8.212/91 para exigir as contribuições ora apuradas, não cabendo também a esse órgão fazer juízo de inconstitucionalidade, conforme Sumula CARF 02. Em relação à multa deixo de aplicar a retroatividade prevista no artigo 106, do CTN, em relação às modificações introduzidas pela Lei 11.941/09 ao artigo 35 caput da Lei nº 8.212/91, uma vez que o percentual da multa apurado no presente lançamento é inferior àquele previsto na novel legislação. Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 61DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 03/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Numero do processo: 13003.000450/2002-94
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/09/2002
RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA O PEDIDO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. As diligências não se prestam à produção de prova que toca à parte produzir.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3403-002.949
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho. Designado o Conselheiro Alexandre Kern. Esteve presente ao julgamento a Dra. Camila Gonçalves Oliveira, OAB/DF nº 15.791
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Domingos de Sá Filho - Relator.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA O PEDIDO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. As diligências não se prestam à produção de prova que toca à parte produzir. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho. Designado o Conselheiro Alexandre Kern. Esteve presente ao julgamento a Dra. Camila Gonçalves Oliveira, OAB/DF nº 15.791 (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Domingos de Sá Filho Relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 3. 00 04 50 /2 00 2- 94 Fl. 336DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 28/04/2014 por ALEXANDRE KERN 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário com o objetivo de modificar a decisão de piso que manteve o deferimento parcial de crédito presumido de IPI referente ao período de apuração de 01.04.2002 a 30.09.2002. A decisão manteve o deferimento parcial ao fundamento de que na base de cálculo do crédito presumido do IPI não são admitidos, por falta de embasamento legal, os valores correspondentes a custos de mãodeobra do próprio estabelecimento, gastos gerais, material de consumo e serviços. Adoto o relatório da decisão recorrida por espelhar a real situação dos autos: “Relatório. O estabelecimento industrial acima identificado requereu o ressarcimento do crédito presumido do IPI, autorizado pela Lei n 4 9.363, de 13 de dezembro de 1996, para ressarcir o valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para a Seguridade Social (Cofins), incidentes nas aquisições, no mercado interno, de matérias primas (MP), produtos intermediários (PI) e material de embalagem (ME), empregados na industrialização de produtos exportados, crédito esse referente ao segundo trimestre de 2002, no valor de R$ 193.918,99, conforme pedido da fl. 1, apresentado em 14 de dezembro de 2002, e referente ao terceiro trimestre de 2002, no valor de R$ 180.804,73, conforme pedido da fl. 2, apresentado na mesma data, somando R$ 374.723,72 de crédito presumido solicitado. Também foram apresentados formulários de Declaração de Compensação, nas fls. 240, 247 e 249 (vol. 2). A Informação Fiscal das fls. 273 e 274 (vol. 2) concluiu que o requerente adicionou, indevidamente, na base de cálculo do crédito presumido do IPI, custos referentes a peças de fabricação própria, produzidas com matériaprima que já constava do almoxarifado, além de ter somado, na base de cálculo do referido benefício, mãodeobra do próprio estabelecimento e gastos gerais que não sofreram incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e/ou da Cofins. Também foi verificado, pela fiscalização, que o contribuinte deixou de excluir, do custo utilizado para o cálculo do crédito presumido do IPI, os valores referentes ao material de consumo e aos serviços. O autor da referida informação fiscal exemplificou a ocorrência das citadas irregularidades, com dados relativos ao mês de janeiro de 2002. Na fl. 272 (vol. 2), a fiscalização refez o cálculo do benefício, concluindo que, dos R$ 374.723,72 solicitados, R$ 42.993,88 (R$ 17.803,33 no segundo trimestre, e R$ 25.185,55, no terceiro trimestre), não estão amparados pela legislação tributária aplicável à matéria e o valor de R$ 331.729,84 não demonstrou irregularidades. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 28/04/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13003.000450/200294 Acórdão n.º 3403002.949 S3C4T3 Fl. 321 3 Na seqüência, na fl. 277 (vol. 2), foi proferido o Despacho Decisório nº 712/2007, de 25 de abril de 2007, do Delegado da Receita Federal em Porto Alegre, que decidiu o pleito, nos termos propostos na Informação Fiscal citada no item precedente, reconhecendo o direito creditório no valor de apenas R$ 331.729,84, e homologando as compensações efetuadas nestes autos até o limite do crédito reconhecido. A ciência do interessado, a respeito do mencionado despacho, ocorreu em 9 de maio de 2007, conforme Aviso de Recebimento (AR), da fl. 285 (vol. 2). Discordando do indeferimento parcial do seu pedido de ressarcimento, o requerente apresentou, tempestivamente, em 8 de junho de 2007, a manifestação de inconformidade, das fls. 286 a 290 (vol. 2), subscrita por sua advogada, com mandato na fl.291, e instruída com os documentos das fls. 292 a 296 (vol. 2). As alegações vêm resumidas na seqüência. Diz o requerente, que excluiu do valor do custo, para efeito de apuração do crédito presumido do IPI, os valores relativos às peças de fabricação própria e aos gastos gerais, bem como do material de consumo e serviços de custos, conforme planilhas anexadas à manifestação de inconformidade. Além disso, o requerente afirma que a fiscalização concluiu que, no mês de janeiro de 2002, encontrou o valor de R$ 2.680.835,43, referente ao custo mensal para base de cálculo do crédito presumido do IPI. Entretanto, segundo o interessado, o valor do consumo mensal utilizado pelo estabelecimento, como base de cálculo do crédito presumido do IPI, no mês de janeiro de 2002, foi de R$ 1.969.665,56, consoante planilha de cálculo que o requerente anexou à impugnação. Por último, o interessado requer a reforma do despacho decisório combatido, para reversão da glosa do seu crédito. É o relatório”. Inconformada com a decisão de primeiro piso que aponta como justificava de manter o teor do despacho decisório cuja fundamentação utilizada pelo Fiscal para a glosa parcial do direito creditório da Recorrente cingiuse em dois pontos, quais sejam: 1) a suposta inclusão pela empresa na composição do custo, para efeito do crédito presumido de IPI, valores de peças de fabricação própria e gastos gerais que não sofrem a incidência de PIS/COFINS na sua aquisição, e 2) a não exclusão do material de consumo e serviços do custo utilizado para cálculo do crédito presumido de IPI. Diz a Recorrente que é equivocada decisão, pois, prova por meio de planilha anexada à Manifestação de Inconformidade que excluiu do valor do custo, para efeito do Fl. 338DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 28/04/2014 por ALEXANDRE KERN 4 crédito presumido de IPI, os valores relativos a fabricação de peças de fabricação própria e gastos gerais, bem como do material de consumo e serviços de custos. Como forma de comprovar tal alegação fez juntar planilha demonstrando os valores. No mais reprisa os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Domingos de Sá Filho, relator. Tratase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A matéria trazida no bojo desse processado se refere ao pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, relativo aos 2º e 3º trimestres de 2002, deferido parcialmente. O Auditor encarregado da diligência fiscal abre uma discussão em torno da base de cálculo referente ao mês de janeiro de 2002, sintetizado em: 1 ) a suposta inclusão pela empresa na composição do custo, para efeito do crédito presumido de IPI, valores de peças de fabricação própria e gastos gerais que não sofrem a incidência de PIS/COFINS na sua aquisição, e 2) a não exclusão do material de consumo e serviços do custo utilizado para cálculo do crédito presumido de IPI. Resume em afirmar que o valor de R$ 2.680.835,43 (fl.252) referente a fevereiro de 2002, informado pela Recorrente não está compatível com os demonstrativos e concluiu que o valor é de R$ 2.415.739,97, contrapondo a colocação da auditoria diz que está correto, e, realmente os demonstrativos trazidos demonstram esse valor e após a exclusão de R$ 711.169,87 aponta saldo de R$ 1.969.665,56 (fl.296). Em razão dessa discussão a decisão recorrida toma como certo a causa demonstrado no despacho decisório e refuta os argumentos da Interessada. O credito presumido pleiteado se refere ao 2º e 3º trimestre de 2002, como é de conhecimento geral o crédito é por trimestre, não havendo revisão na escrita fiscal capaz de demonstrar deslizes na escrituração e aproveitamento de aquisições não compatíveis com o produto exportado e tampouco a inclusão à base de cálculo de vendas no mercado interno, a discussão em torno do mês de janeiro que pertence ao primeiro trimestre se revela impertinente. A discussão deve centrar nos trimestres que se deseja o ressarcimento para os quais foram apresentados os “DCP”, no caso em exame o segundo e terceiro trimestre do exercício de 2002. O fato de o Despacho Decisório encontrar consubstanciado em base aleivosa demonstra o desacerto da decisão que deve ser corrigida nessa oportunidade. O que importa para deferir ou negar o direito ao total do crédito presumido pleiteado se refere exclusivamente aos dados contábeis e fiscais do segundo e terceiro trimestre de 2002. Deixando a fiscalização de apontar divergência relativa aos trimestres pleiteados impõe em reconhecer o direito ao total do crédito pretendido. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 28/04/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13003.000450/200294 Acórdão n.º 3403002.949 S3C4T3 Fl. 322 5 Diante do exposto, conheço do recurso e voto no sentido de dar provimento para que seja reconhecido o total do crédito pleiteado em razão da ausência da motivação que levou ao indeferimento parcial, e, assegurar a compensação até o limite do crédito reconhecido. É como voto. Domingos de Sá Filho Voto Vencedor Conselheiro Alexandre Kern . Conforme relatado, cuidase de pedido de ressarcimento de Crédito Presumido de IPI – CPIPI, instituído pela Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, referente ao 2º e 3º trimestres de 2002, no valor de R$ 74.723,72, conforme pedidos de fls. 1 e 2. A DRF/POARS, por meio do Despacho Decisório 712/2007, fls. 277, que aprovou a Informação Fiscal DRF/POA/SEFIS (fls. 273 a 274), reconheceu direito creditório em favor da requerente no valor de R$ 331.729,84 e homologou compensações até onde esse valor suportou. A referida Informação deu conta de que: a) na composição do custo, para efeito de crédito presumido, o contribuinte inclui peças de fabricação própria cuja matéria prima já constava no almoxarifado, além de mão de obra da própria empresa e gastos gerais que não sofrem incidência de PIS e/ou Cofins na sua aquisição, conforme as planilhas fornecidas pela empresa, folhas 252 a 263; b) o contribuinte não exclui o material de consumo e serviços do custo utilizado para o cálculo do crédito presumido do IPI. Ainda de acordo com a Informação, a Fiscalização elaborou a "Planilha de Cálculo do Crédito Presumido", folha 272, na qual é refeita a apuração do crédito presumido. Pelo cálculo demonstrado, chegouse à conclusão que dos R$ 374.723,72 solicitados, R$ 42.993,88 (R$ 17.808,33 no segundo trimestre e R$ 25.185,55 no terceiro trimestre) não estão amparado pela legislação tributária aplicável à matéria e o valor de R$ 331.729,84 não demonstrou irregularidades. Sobreveio Manifestação de Inconformidade, por meio da qual o requerente alegou que excluiu do valor do custo, para efeito de apuração do crédito presumido do IPI, os valores relativos às peças de fabricação própria e aos gastos gerais, bem como do material de consumo e serviços de custos, conforme planilhas anexadas à manifestação de inconformidade. Além disso, o requerente afirma que a fiscalização concluiu que, no mês de janeiro de 2002, encontrou o valor de R$ 2.680.835,43, referente ao custo mensal para base de cálculo do crédito presumido do IPI. Entretanto, segundo o interessado, o valor do consumo mensal utilizado pelo estabelecimento, como base de cálculo do crédito presumido do IPI, no mês de janeiro de 2002, foi de R$ 1.969.665,56, consoante planilha de cálculo que o requerente anexou à MI. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 28/04/2014 por ALEXANDRE KERN 6 A MI foi julgada improcedente pela 3ª Turma da DRJ/POA, Acórdão nº 10 14.257, de 9 de novembro de 2007, fls. 302 a 302, com ementa transcrita na continuação: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/09/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. BASE DE CÁLCULO. Na base de cálculo do crédito presumido do IPI não são admitidos, por falta de embasamento legal, os valores correspondentes a custos de mãodeobra do próprio estabelecimento, gastos gerais, material de consumo e serviços. Solicitação Indeferida Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 3ª Turma da DRJ/POA. O arrazoado de fls. 309 a 316, após síntese dos fatos relacionados com a lide, insiste na alegação de que o contribuinte excluiu do valor do custo, para efeito do crédito presumido de IPI, os valores relativos à fabricação de peças de fabricação própria e gastos gerais, bem como do material de consumo e serviços de custos. Aduz que, na planilha anexada à Manifestação de Inconformidade, depreendese que a afirmação trazida na Informação Fiscal, na sentido de que a Recorrente, no mês de janeiro de 2002, encontrou o valor de R$ 2.680.835,43 a título de custo mensal para base de cálculo do crédito presumido de IPI, não merece prosperar, tendo em vista que os valores apontados não se referem ao montante efetivamente utilizado pela empresa. Entende que tal erro acabou por infirmar todas as conclusões da Fiscalização. Pugna pela realização de diligência para que, na busca da verdade material, os verdadeiros fatos sejam apurados. A propósito do equívoco denunciado pelo recorrente, a decisão recorrida já o esclareceu. Conforme se verifica na Informação Fiscal das fls. 273 e 274 (vol. 2), o valor de R$ 2.680.835,43 se acha explicitado no demonstrativo "Situação do Almoxarifado", da fl. 252 (vol. 2), de autoria do requerente, e corresponde ao total das saídas do almoxarifado, dos três estabelecimentos considerados naquele demonstrativo (Gravataí, Anápolis e Hortolândia), não se referindo à base de cálculo do crédito presumido, ao contrário do que é dito na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário. Em segundo lugar, a base de cálculo do crédito presumido do IPI, no mês de janeiro de 2002, conforme consta na ficha de apuração do benefício, na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), apresentada pelo interessado e reproduzida na fl. 267 (vol. 2), é de R$ 1.285.702,37, e não de. R$ 1.969.665,56, que seria o valor correto, na versão do interessado, articulada na manifestação de inconformidade, valor esse também informado na planilha que acompanha a manifestação de inconformidade. No demonstrativo da fl. 272 (vol. 2), elaborado pela Fiscalização, para cálculo do crédito presumido do IPI, em favor do requerente, em 2002, encontrase, na coluna referente ao mês de janeiro do referido ano, na linha 53, a base de cálculo efetivamente considerada, que é de R$ 1.249.646,50. Na apuração desse valor, foram glosados, como explicado na Informação Fiscal das fls. 273 e 274 (vol. 2), valores referentes a peças de fabricação própria produzidas com matériaprima que já constava do almoxarifado, valores de mãodeobra do próprio estabelecimento e gastos que, na sua aquisição, não sofreram incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e/ou da Cofins, além de terem sido glosados valores referentes a material de consumo e a serviços, todos incompatíveis com a legislação que rege o crédito presumido do IPI. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 28/04/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13003.000450/200294 Acórdão n.º 3403002.949 S3C4T3 Fl. 323 7 Refutado expressamente o equívoco na decisão recorrida, o recorrente simplesmente repetiu a alegação, sem trazer aos autos novos argumentos. A repetição da alegação de erro no cálculo ilustrativo referente ao mês de janeiro de 2002, constante da Informação Fiscal, não merece ser conhecida, posto ser impertinente aos períodos de apuração controvertidos no presente processo. Por outro lado, o recurso voluntário não contestou expressamente as glosas referidas, motivo pelo qual as mesmas remanescem ilesas. Por fim, quanto ao pedido de realização de diligência, entendo que o mesmo não deve prosperar. A providência não se presta para a produção de provas que toca à parte interessada produzir. Assim, com essas considerações, peço vênia ao nobre relator, Conselheiro Domingos de Sá Filho, para dele discordar, votando pelo improvimento do recurso. Sala de sessões, em 25 de abril de 2014 Alexandre Kern Redator designado. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digital mente em 28/04/2014 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10730.006139/2010-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
REPETRO. CONCESSÃO E APLICAÇÃO DO REGIME. AUTORIDADE COMPETENTE. INVALIDAÇÃO. PROCEDIMENTO PRÓPRIO. EXIGÊNCIA TRIBUTOS. DESCABIMENTO.
No âmbito do regime aduaneiro especial de admissão temporária, a exigência de tributos e penalidades somente é cabível na hipótese de se verificar descumprimento das condições e/ou do prazo de concessão do regime.
Verificado que a concessão e a aplicação do regime foram deferidas a bem que não se enquadrava entre aqueles contemplados com o benefício do Repetro, ainda assim é incabível a exigência de tributos e penalidades, uma vez que procedimento dessa natureza acaba por, de forma imprópria, invalidar o ato administrativo de concessão e de aplicação do regime, emanados regularmente, por autoridade competente para o mister.
Numero da decisão: 3201-001.614
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Conselheiros Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Joel Miyazaki votaram pelas conclusões.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator.
EDITADO EM: 11/06/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko Araújo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Daniel Mariz Gudiño.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Anocalendário: 2005, 2006, 2007 REPETRO. CONCESSÃO E APLICAÇÃO DO REGIME. AUTORIDADE COMPETENTE. INVALIDAÇÃO. PROCEDIMENTO PRÓPRIO. EXIGÊNCIA TRIBUTOS. DESCABIMENTO. No âmbito do regime aduaneiro especial de admissão temporária, a exigência de tributos e penalidades somente é cabível na hipótese de se verificar descumprimento das condições e/ou do prazo de concessão do regime. Verificado que a concessão e a aplicação do regime foram deferidas a bem que não se enquadrava entre aqueles contemplados com o benefício do Repetro, ainda assim é incabível a exigência de tributos e penalidades, uma vez que procedimento dessa natureza acaba por, de forma imprópria, invalidar o ato administrativo de concessão e de aplicação do regime, emanados regularmente, por autoridade competente para o mister. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Conselheiros Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Joel Miyazaki votaram pelas conclusões. (ASSINADO DIGITALMENTE) JOEL MIYAZAKI Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 61 39 /2 01 0- 56 Fl. 1956DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 2 DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 11/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko Araújo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Daniel Mariz Gudiño. Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos até o julgamento de 1ª instância, transcrevese abaixo o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo dos autos de infração de fls. 781 a 788; 789 a 792; 793 a 796; e 797 a 802, por meio dos quais foram formalizadas exigências de crédito tributário em face do imposto de importação, do imposto sobre produtos industrializados, da Cofinsimportação e da Contribuição para o PISimportação e, ainda, das multas por classificação incorreta de mercadoria e por falta de licença de importação, isto conforme indicado, em síntese, às fls. 783, 784, 786, 791, 795 e 799 dos mencionados autos de infração, cujos valores são: a) imposto de importação no valor de R$ 18.346.443,50, acrescido de juros de mora no valor de R$ 6.615.478,26 e da multa de ofício no valor de R$ 13.759.832,63 (fl.781); b) imposto sobre produtos industrializados, no valor de R$ 12.026.920,20 acrescido de juros de mora no valor de R$ 4.573.363 (fl. 789) e da multa de ofício no valor de R$ 9.020.190,15; c) Cofins – importação no valor de R$ 13.403.279,54, acrescido de juros de mora no valor de R$ 4.833.040,45 e da multa de ofício no valor de R$ 10.052.459,66 (fl. 793); d) PIS – importação no valor de R$ 2.909.922,51, acrescido de juros de mora no valor de R$ 1.049.278,46 e da multa de ofício no valor de R$ 2.182.441,88 (fl. 797); e) multa por classificação incorreta de mercadoria, no valor de R$ 1.774.300,16 (fl. 781) ; e f) multa por falta de licença de importação, no valor de R$ 53.229.005,34 (fl. 781). A completa descrição dos fatos está consubstanciada no Relatório de Fiscalização que se encontra às fls. 850 a 876, o qual traz as razões motivadoras da exigência relativa ao imposto de importação e, por conseqüência, dos demais tributos e multas ao início mencionados. Do Relatório de Fiscalização, trazse, em síntese, o seguinte: Fl. 1957DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10730.006139/201056 Acórdão n.º 3201001.614 S3C2T1 Fl. 1.957 3 A ação foi empreendida em face de informação dada pela Inspetoria de Macaé, dando conta de que estariam sendo admitidas no chamado regime Repetro, embarcações destinadas ao transporte de mercadorias e passageiros, as quais não se encontravam amparadas pelo tratamento aduaneiro dispensado pelo Repetro, com a utilização do código NCM 8904.00.00, no qual se enquadram rebocadores, os quais são contemplados pelo tratamento aduaneiro previsto no Repetro (Instrução Normativa SRF nº 04, de 2001 e a que a revogou, a Instrução Normativa SRF nº 844, de 2008). Em face disso, após pesquisa que indicou possibilidade de erro de classificação fiscal em relação aos bens submetidos a despacho aduaneiro, pela interessada, e admitidos no regime do Repetro, é que a mesma (interessada) acabou sendo selecionada para fins de verificação da classificação fiscal desses bens. Para tanto, foi lavrado Termo de Início de Fiscalização com Intimação para a interessada apresentar documentos e informações, conforme se vê às fls.851 e 852. Após analise dos documentos e informações apresentados, em face da antes referida Intimação, a autuação entendeu necessária a lavratura de um outro Termo de Intimação, por meio do qual a interessada foi intimada a apresentar cópia da documentação técnica dos produtos importados , tais como fichas técnicas, catálogos, manuais, caixas e etc., e a informar o destino dado aos bens, identificando o local onde se encontravam (v. fl. 853). Como consta ao final da fl. 853, a interessada apresentou justificativa pela não apresentação da documentação solicitada na segunda Intimação, tendo nessa oportunidade sido a ela ressaltado a importância da informação sobre a destinação dos bens. Segue a autuação relatando que a partir dos documentos apresentados foram realizadas diversas pesquisas na internet e no site da empresa Brasbuncker (grupo a que pertence a interessada), e extraídas informações dos laudos de vistoria das embarcações, o que resultou nas seguintes constatações: a) no site da Brasbuncker observase que a própria pessoa jurídica classifica as embarcações objeto do presente procedimento: Dundee, Jesse O, Doce River, Fernanda M, Grand River e Guardsman, como PSV e LH – Suplly; (fl. 854); b) na internet, por fotos e características dos barcos, observase , por exemplo, na ficha da embarcação Dundee que o mencionado navio afigurase como PSV – Platform suplly vessel, que poderia ser traduzido como navio para suprimento de plataformas; (fl. 854); c) no site da Brasbuncker é destacada as embarcações de suprimento (PSV) e manuseio de espias (LH), das embarcações rebocadoras e de manuseio de âncoras, como pode ser atestado pela impressão de tela de fls..., ressaltando, outrossim, a alta potência das embarcações AHTS (provavelmente para a função Fl. 1958DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 4 rebocadora) e a grande capacidade das embarcações PSV, certamente para transporte de carga; (fl. 854); e d) é possível extrair dos laudos de vistoria das embarcações, documentos de fls....., as características do bem, como por exemplo, dimensão do convés de carga, capacidade para cargas líquidas, acomodações para passageiros (não tripulantes), etc. Da simples observação das referidas características concluise que as embarcações em tela destinamse ao transporte de mercadorias, em compartimentos próprios, e de pessoas para as plataformas de petróleo; (fls. 854 e 855); Em acréscimo ao acima relatado, afirma a autuação que não é diferente a conclusão que se chega ao analisar os dados da frota da interessada, na internet, documento de fls......, quando se encontra destacada a capacidade de carga de cada embarcação e a área do seu convés, restando evidente a função principal das embarcações objeto da fiscalização em questão, ou seja: o transporte de mercadorias. Ainda, buscando sustentar suas conclusões, a autuação traz a definição dos modelos de embarcações PSV, LH e AHST, extraída do site da Organização Nacional das Industrias de Petróleo – Onip, documentos de fls...., sendo: a) PSV (Platform Suplly Vessel): nova geração de navios de suprimento, com maior capacidade de carga, maior potência de motor e velocidade para enfrentar maiores distâncias, dotadas de sistemas de posicionamento dinâmico e impulsionadores laterais (thrusters) que ampliam sua capacidade de manobra. Potência a partir de 3.000 HP, capacidade de carga a partir de 2.000 TPB (fl. 855); b) LH (Line Handlers): navio especializado no manuseio de espias, usado nas operações de transporte ou ancoragem das plataformas, transportando os cabos entre a plataforma e o rebocador ou até a bóia para conexão com cabos da âncora . Embarcações de 1.200 a 1.500 HP e 500 TPB (fls. 855 e 856); e c) AHTS (Anchor Handling Tug Suplly): navio rebocador de apoio e manuseio de âncoras. Embarcação destinada à operação de reboque e manuseio de âncoras através de guincho especial instalado em seu convés e capacidade de manobra bastante desenvolvida, bem como um alto valor de força de tração estática (fl. 856). Com base nessas definições a autuação faz concluir que as embarcações do tipo PSV e LH são concebidas para o transporte de carga, não se destinando ao reboque de outras embarcações ou peças. Em continuidade, a autuação passa a tratar cada uma das embarcações no sentido de fazer ver que as mesmas não se tratam de rebocadores, conforme se vê às fls. 856 a 859, cuja síntese, abaixo encontrase: a) as embarcações Red Fox e Fernanda M, por exemplo, o documento da Capitania dos Portos de fls...., ratifica que o modelo/tipo das referidas embarcações é o Suplly; Fl. 1959DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10730.006139/201056 Acórdão n.º 3201001.614 S3C2T1 Fl. 1.958 5 b) a embarcação Dundee, o Certificado de Autorização de Afretamento, evidencia como sendo a mesma do tipo PSV; e c) as embarcações Grand River, Jesse O, Doce River e Guardsman (Mar Limpo I), segundo documento da Capitania dos Portos de fls...., são classificadas como do tipo Apoio Marítimo. d) as embarcações Guardsman (Mar Limpo I), Dundee, Red Fox, Jesse O, Fernanda M e Grand River, têm como função principal as das embarcações PSV e LH, como faz ver os respectivos Laudos de Vistoria, documentos de fls... apresentados pela interessada; e) as embarcações Dundee e Guardsman (Mar Limpo I), e as Red Fox, Jesse O, Doce River, Fernanda M e Grand River, tomandose o Certificado de Seguro apresentado pela interessada, documentos de fls..., confirmase que as mesmas são do tipo PSV e LH, respectivamente; f) no site da Antaq, na internet, documentos de fls. , afirma a autuação que pode constatar, de forma peremptória, que as embarcações objeto da ação fiscal de fato não são rebocadores, porquanto na lista registrada na referida Agência a interessada apresenta como rebocadores apenas as embarcações Aquidaba, Funchal, Perseverante e SM Novo Rio, aparecendo as embarcações objeto de investigação como supridoras de plataformas marítimas (Suplly), manuseio de espias e outras embarcações; e g) as constatações feitas com base nos laudos, fotografias, e informações de outros órgãos, sobre a concepção das embarcações do tipo PSV (transportes de mercadorias e passageiros para as plataformas de petróleo), pode ser ratificada em pesquisa a vários sites da internet, dentre os quais: Macaé Offshore, Shipspotting, Onip, etc – documentos de fls...... Ressalvando que a realização de verificação física das embarcações afigurarseia desnecessária, em face dos laudos apresentados, e porque atrapalharia sobremaneira as operações das embarcações, porquanto demandaria os seus deslocamentos para os portos de apoio, a autuação entende definitivamente caracterizada a significativa diferença entre embarcações rebocadoras e embarcações supridoras, e mais, fica sepultada qualquer dúvida que ainda poderia remanescer sobre a função para a qual são concebidas as embarcações do tipo PSV e LH, que é o transporte de suprimentos em compartimento próprio para as plataformas de petróleo. Com referência as embarcações Nobleman, Norseman, Atrek e Roamn (Ocean Viking), que são do tipo AHTS, entende a autuação que apesar de terem a função de reboque e manuseio de âncoras, elas também exercem a função de transporte de suprimentos para as plataformas, pois possuem compartimentos próprios para o transporte de cargas para suprimento das plataformas, área para carga no convés, equipamento de carga, Fl. 1960DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 6 bem como acomodações para transporte de passageiros, inclusive com capacidade superior ao número de tripulantes, como se observa dos Laudos de Vistoria apresentados pela interessada, documentos de fls.... Em relação às embarcações Statesman, Bajo Nuevo e Anchorman, não foram apresentados Laudos Técnicos, tendo a interessada informado que referidas embarcações não mais se encontravam no País, tendo a documentação sido apresentada quando do despacho aduaneiro para admissão no regime do Repetro. Pesquisando, na internet, documento de fls..., a autuação informa ter observado que essas embarcações possuem compartimento de carga e acomodações para passageiros. Ainda, o Passe de Embarcação nº 042/07, referente a embarcação Anchorman, especifica que a mesma possui carga de lastro e, a embarcação Statesman, conforme documento de fls..., da Capitania dos Portos, é do tipo Suplly. Por fim, em relação a embarcação Roman (Ocean Viking) observou a autuação no Laudo de Vistoria, documento de fls..., a informação de que se trata de embarcação de suprimento de óleo diesel, água potável, água industrial, lama líquida e salmoura em tanques estruturais e suprimento de cimento em granéis, possuindo ainda tanques para recolhimento de óleo derramado. Possui ainda área no convés com capacidade de carga de 767 toneladas e uma embarcação de combate a incêndio em plataformas. O Relatório de Fiscalização segue trazendo os fundamentos da ação fiscal (fls. 859 a 866), para então tratar do lançamento (fls. 866 a 875), passando a discriminar cada um dos tributos e multas exigidos, em relação às embarcações que foram submetidas e admitidas no regime de admissão temporária com aplicação do tratamento aduaneiro e do benefício fiscal do Repetro, com utilização incorreta de classificação fiscal. Para tanto, efetua a vinculação das embarcações, num total de quatorze, com as correspondentes declarações de importação, num total de vinte e três, que foram base para os respectivos despachos aduaneiros, o que se mostra no quadro abaixo: Fl. 1961DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10730.006139/201056 Acórdão n.º 3201001.614 S3C2T1 Fl. 1.959 7 Por concluir que a interessada utilizou indevidamente o regime Repetro, em razão de a correta classificação fiscal das embarcações: Guardsman; Statesman; Red Fox; Doce River; Jesse O; Grand River; Fernanda M; Dundee; Nobleman; Anchorman; Norseman; e Roman (Ocean Viking), cujo total é de doze embarcações, submetidas a despacho aduaneiro com base nas declarações de importação nºs 05/07935831; 05/8165436; 06/03719494; 06/03720930; 06/03784776; 06/04421820; 06/07805433; 06/11624480; 06/15691670; 07/03114012; 07/07746595; 07/07748610; 07/07750800; 07/09315168; e 07/13517527, num total de quinze declarações, não se encontrar, a época dos fatos, contemplada pelo tratamento aduaneiro do Repetro (Anexo único da Instrução Normativa SRF nº 04, de 2001), exigiu o imposto de importação incidente na importação de mencionadas embarcações e, ainda, o imposto sobre produtos industrializados, a Cofinsimportação e PIS importação. Em razão de a autuação entender que as descrições postas, pela interessada, nas declarações de importação relativas às embarcações constantes de fls..... , não oferecem todos os elementos necessários para a identificação das embarcações e, portanto, não são suficientes para o enquadramento dessas na NCM, exigiu a multa por declaração inexata. Em face do controle administrativo das importações foi exigida a multa por falta de licença de importação, porquanto, a classificação fiscal em que enquadradas as embarcações, com a devida correção, às submetiam a tratamento administrativo, e, portanto, sujeitas a licenciamento de importação. Por último, é exigida a multa por classificação incorreta das embarcações. Incumbe registrar que autuação, embora faça referência a documentos juntados como prova de sustentação das suas acusações, não indicou em nenhuma dessas referência o número da folha dos autos onde se encontravam ditas provas. Em face disso, compulsando os autos, desde a sua primeira folha até a imediatamente anterior àquela de início da impugnação, encontramse documentos que provavelmente correspondem àqueles que a autuação referiuse, conforme a seguir indicados: a) Laudos de Vistoria de Condição e Avaliação das Embarcações (generalidades, casco, máquinas, equipamentos, pessoal e restrição à navegação): Red Fox – TS LCA 248/09 (fls. 258 a 270); Fernanda M – TS LCA 250/09 (fls. 271 a 302); Grand River – TS LCA 251/09 (fls. 303 a 327); Dundee – TS LCA 30/09 (fls. 328 a 363); Dundee – TS LCA 025/07 (fls. 364 a 387); Nobleman – TS LCA 014/07 (fls. 388 a 3990); Guardsman – TS 252/09 (fls. 402 a 425); Jesse O TS LCA 242/09 (fls. 426 a 435); Jesse O – TS SM 00301/06 (fls. 436 a 447); Roman – TS LCA 04039 ( fls. 450 a 462); Norseman – TS SM 1101/06 (fls. 463 a 473); Fl. 1962DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 8 b) Atestados de Inscrição Temporária de Embarcação Estrangeira (Expedidos pela Marinha do Brasil): Red Fox (fls. 692 e 693); Fernanda M (fls. 694 e 696); Grand River (fl. 698); Statesman (fl. 699); Jesse O (fls. 700 e 712); Dundee (fls. 702 e 704 a 706); Nobleman (fls. 708 e 709); Norseman (fl. 716); Doce River (fl.719); e c) Documentos das Pesquisas na Internet: Os documentos relativos às pesquisas realizadas na internet, os quais trazem definições sobre os tipos de embarcação PSV, LH, AHTS, manuseio de espias (LH), supridor (supply vessel), reboque e manuseio de âncoras, fls. 720 a 747. Não obstante a autuação não ter feito qualquer referência, de se indicar as folhas nas quais se encontram extratos das declarações de importação que serviram de documento base para o despacho aduaneiro para admissão temporária de duas das embarcações em caso. Nesse sentido, temse, o seguinte: a) embarcação Norseman – DI nº 08/04607740, registrada em 27/03/2008, (fls. 179 a 182), cuja admissão se deu com pagamento proporcional dos tributos (fl. 180), estando na descrição detalhada da mercadoria (fl. 182) como finalidade da embarcação: apoio, reboque e manuseio de âncoras. À fl. 183 encontrase Pedido de Reexportação para fins de extinção da aplicação do regime. Às fls. 188 a 195, encontramse documentos vinculados ao despacho de reexportação e respectivo desembaraço para fins da saída da embarcação do País; b) embarcação Norseman – DI nº 06/11624480, registrada em 27/09/2006, (fls. 196 a 198), cuja admissão se deu com a utilização do chamado regime Repetro (fl. 197), estando na descrição detalhada da mercadoria (fl.198) como finalidade da embarcação apoio, reboque e manuseio de âncoras; c) embarcação Doce River – DI nº 07/07746595, registrada em 14/06/2007, (fls. 226 a 228), cuja admissão se deu com a utilização do chamado regime Repetro (fl.227), estando na descrição detalhada da mercadoria (fl.228) como sendo rebocador para operar em mar aberto em apoio as plataformas e campos de exploração, desenvolvimento e produção de petróleo e gás natural; d) embarcação Doce River – DI nº 06/03720930, registrada em 31/03/2006, (fls. 229 a 232), cuja admissão se deu com a utilização do chamado regime Repetro (fl. 229), estando na descrição detalhada da mercadoria (fl.232) como sendo rebocador para operar em mar aberto em apoio as plataformas e campos de exploração, desenvolvimento e produção de petróleo e gás natural; Cientificada das exigências que lhe são impostas, a interessada apresenta a impugnação de fls. 881 a 940, acostando os documentos de fls. 1.024 a 1.804 (vol VI a X), trazendo alegações e argumentações, conforme síntese a seguir: Fl. 1963DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10730.006139/201056 Acórdão n.º 3201001.614 S3C2T1 Fl. 1.960 9 De início a interessada reclama de equívoco na quantidade das embarcações autuadas, haja vista que se trata de 12 e não de 15 embarcações, como considerado pela autuação. Afirma que existem 15 declarações de importações tratando do despacho de 12 embarcações, e que isso se deu em razão da celebração de novos contratos com a Petrobrás que acabou por exigir o registro de outras três declarações de importação, uma para cada uma das embarcações Doce River, Red Fox e Jesse O. Com isso, cada uma dessas embarcações ficou com duas declarações de importação de admissão no regime do Repetro. O procedimento fiscal, calçado na alegação de que as embarcações em caso não são rebocadores, mas sim transportadoras de mercadorias e passageiros, promoveu verdadeira nacionalização (sic) de embarcações pertencentes a pessoas estrangeiras, exigindo a carga integral dos tributos como se despachadas para consumo fossem. Defende a interessada que esse procedimento realizou verdadeiro cancelamento de benefícios do Repetro regularmente concedidos, sem respeitar o procedimento previsto na Instrução Normativa SRF nº 04, de 2001, e sem constituir um único elemento de prova que pudesse autorizar a reclassificação fiscal ou afastar a regularidade dos procedimentos de importação das embarcações. Por essas razões, o auto de infração é absolutamente nulo. Alega que a autuação quer fazer crer que a interessada submeteuse a procedimentos simples para fins do desembaraço das embarcações, com a omissão de informações sobre as mesmas com vistas a obter o tratamento do Repetro, quando para obter o regime do Repetro ela se submeteu a longo, complexo e rigoroso processo junto às autoridades aduaneiras e marítimas. Por sua vez, a autuação, para verificar a real natureza das embarcações defende que isso só foi possível por meio de investigação que compreendeu, exclusivamente, pesquisas realizadas em sites da internet sobre as características das embarcações PSV, LH e AHTS, e a análise de laudos de vistoria das embarcações, entregues pela própria interessada quando dos respectivos despachos aduaneiros para fins da admissão temporária das embarcações. A autuação não buscou a realização de vistoria física das embarcações nem as submeteu a uma nova avaliação por peritos navais, para com isso amparar suas conclusões, e assim desconsiderar todos os procedimentos realizados para a admissão das embarcações no regime aduaneiro especial de admissão temporária com o benefício do Repetro. Isso se constata por palavras da própria autuação, quando afirma: “Após as constatações realizadas, cabendo destacar que a realização de verificação física das embarcações afigurarseia desnecessária, em face dos laudos apresentados, e atrapalharia sobremaneira as operações da fiscalizada, porquanto Fl. 1964DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 10 demandaria deslocamento dos bens aos portos de apoio” (fl. 858). Descreve a interessada, com significativo detalhe, os procedimentos adotados para sua habilitação ao Repetro, para então submeter a despacho referidas embarcações pleiteando às suas admissões no regime aduaneiro de admissão temporária com o benefício do Repetro, de forma a demonstrar que o procedimento fiscal em questão jamais poderia ter descaracterizado a concessão do regime, como pretendido pela autuação ( v. fls. 885 a 888). Não se despreza a internet como fonte de pesquisa. No entanto, no caso presente, onde para a concessão do regime do Repetro, houve a submissão das embarcações a todos os procedimentos requeridos pela fiscalização aduaneira com a formalização dos competentes despachos aduaneiros cuja correspondente declaração (documento base do despacho) foi aceita em todos os seu termos com o consequente desembaraço aduaneiro das embarcações apresentadas com aplicação do Repetro, dita pesquisa na internet não serve de prova para afastar a concessão e a aplicação do regime nos termos em que efetuadas e, assim, não tem força para sustentar a acusação em apreço. Os laudos de vistoria também não constituem elemento de prova para a tese do auto de infração, haja vista que esses laudos são os mesmos apresentados pela interessada à fiscalização aduaneira quando do despacho aduaneiro para admissão das embarcações no regime de admissão temporária, os quais, após analisados, possibilitaram a concessão do regime com o benefício do Repetro. De se concluir, pois, que por absoluta falta de elementos de prova capazes de autorizar a reclassificação pretendida pela autuação, bem como para afastar a regularidade dos procedimentos para utilização do regime de admissão temporária com o benefício do Repetro, o auto de infração é nulo. De outra banda, o auto de infração é de ser declarado nulo em face do vício de procedimento, haja vista a inobservância do procedimento previsto na legislação que disciplina as exigências de natureza fiscal/aduaneira no âmbito do Repetro. Com efeito, o procedimento para admissão de bens com o benefício do Repetro é bastante rigoroso e é antecedido de habilitação do interessado junto à Superintendência Regional da Receita Federal, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 4, de 2001, esta revogada pela Instrução Normativa SRF nº 844, de 2008, que passou a disciplinar referido regime. Essa habilitação, no entanto, pode ser suspensa ou cancelada nos casos previstos na Instrução Normativa SRF nº 4, de 2001, cuja apuração dos fatos motivadores deve se fazer mediante processo administrativo próprio (IN SRF nº 04/2001, art. 34, § 1º), cuja formalização se fará por Ato Declaratório Executivo de Superintendente Regional da Receita Federal, e não por meio de auto de infração. Fl. 1965DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10730.006139/201056 Acórdão n.º 3201001.614 S3C2T1 Fl. 1.961 11 Defende a interessada que se o auto de infração não for declarado nulo pelos motivos acima falados, falta de provas e vício de procedimento, deverá ser julgado improcedente, haja vista ser incontroverso o seu direito ao benefício do Repetro. Alega a interessada que a autuação desenvolve teoria para sustentar que as embarcações em caso são embarcações destinadas ao transporte de mercadorias e passageiros classificadas no código da NCM 8901.90 – outras embarcações para o transporte de mercadorias ou para o transporte de passageiros e mercadorias. Para tanto, a autuação faz, inicialmente, uma distinção entre as embarcações das categorias PSV, LH e AHTS, para com isso afirmar que as duas primeiras são destinadas ao transporte de mercadorias e passageiros e a terceira aos serviços de reboque e manuseio de âncoras, porém a função principal não é a de reboque. Em decorrência, a autuação, entende que as embarcações Guardsman, Doce River, Red Fox, Jesse O, Grand River, Fernanda M e Dundee, são PSV e LH e, portanto, são destinadas ao transporte de mercadorias e passageiros, o que ficou evidenciado pelos laudos técnicos das embarcações quando ressaltam a dimensão do convés de carga, capacidade para cargas líquidas, acomodações para passageiros, etc. Alega, também, a autuação, que as embarcações Nobleman, Anchorman, Statesman, Norseman e Roman, mesmo sendo do tipo AHTS, exercem a função de transporte de suprimentos para as plataformas, como pode ser observado pelos laudos de vistoria entregues pela interessada. Dessa forma, a autuação conclui que todas as 12 embarcações são destinadas ao transporte de cargas e passageiros com classificação na NCM 8901.90 e, por essa razão, não são contempladas pelo Repetro, sendo, em consequência, devidos todos os tributos que ficaram suspenso pela aplicação do regime. No entanto, essa conclusão é equivocada, pois as embarcações não são destinadas ao transporte de cargas e passageiros, mas destinadas a serviços de apoio marítimo às plataformas de exploração de petróleo e gás natural e, assim, beneficiadas pelo Repetro, independentemente da discussão se as referidas embarcações são rebocadores ou não. Aliás, a autuação em momento algum afirma que as embarcações não se destinam aos serviços de apoio marítimo, utilizando a alegação de erro de classificação fiscal para excluí las do Repetro. Todos os laudos técnicos das referidas embarcações, afirma a interessada, são uníssonos no sentido de que as embarcações são destinadas à realização de serviços de apoio marítimo em mar aberto, serviços esses que podem compreender: o reboque de embarcações, o reboque e manuseio de âncoras, o manuseio de Fl. 1966DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 12 espias, o combate a incêndio, o recolhimento de óleo derramado, o suprimento de óleo e água, dentre outros. A destinação dessas embarcações, prestação de serviços de apoio marítimo, é decorrente dos contratos celebrados entre a interessada e empresas exploradoras de petróleo, nos quais, encontrase muito claro que as embarcações são afretadas com a finalidade da prestação dos serviços antes referido. Dita destinação encontrase, ainda, evidenciada nas autorizações concedidas pela Marinha. Com referência as embarcações do tipo AHTS (Nobleman, Anchorman, Statesman, Norseman e Roman), a própria autuação reconhece que as mesmas “apresentam a função de rebocar e manusear âncoras”, no entanto, busca descaracterizar essas embarcações como rebocadores, sob alegação de possuírem compartimentos próprios para o transporte de suprimentos e acomodações para o transporte de passageiros. Essa pretensão não é de prosperar, pois essas embarcações não foram concebidas para o transporte de passageiros ou carga, mas sim para o reboque e o manuseio de âncoras. Os laudos de vistoria, apresentados nos respectivos despachos de admissão dessas embarcações no regime, são muito claros nesse sentido. Às fls. 897 e 898 encontrase indicada a conclusão de cada um dos mencionados laudos. No que respeita às embarcações do tipo LH (Doce River, Red Fox, Jesse O, Grand River e Fernanda M, afirma a autuação que a função para a qual são elas concebidas é o transporte de cargas e passageiros. Essa conclusão é incompreensível, uma vez que a própria autuação reconhece, a partir das suas diversas pesquisas na internet, que referidas embarcações consistem em “navio especializado no manuseio de espias, usados nas operações de transporte ou ancoragem das plataformas, transportando os cabos entre a plataforma e o rebocador ou até a bóia para conexão com cabos de âncoras”. Os laudos de vistoria, apresentados nos respectivos despachos de admissão dessas embarcações no regime, são muito claros em afirmar que as mesmas não se destinam ao transporte de passageiro. Às fls. 899 e 900 encontrase indicada a conclusão de cada um dos mencionados laudos. Os termos em que celebrados os contratos com a Petrobrás para o afretamento dessas embarcações deixa inequívoca a destinação dos mesmos, ou seja, realização de serviços de reboque e manuseio de espias. No que respeita às embarcações do tipo PSV (Dundee e Guardsman), alega, também, a autuação que as mesmas se destinam precipuamente à realização do transporte de cargas e passageiros. No entanto, como consta dos laudos técnicos das referidas embarcações e dos Atestados de Inscrição Temporária de Embarcação Estrangeira, essas embarcações são destinadas a realizar diversos tipos de serviços de apoio marítimo às plataformas de exploração de petróleo, incluindo o serviço de reboque, de coleta de óleo derramado no mar, bem como de suprimento de óleo e água. Fl. 1967DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10730.006139/201056 Acórdão n.º 3201001.614 S3C2T1 Fl. 1.962 13 Com referência as exigências dos tributos, defende a interessada não serem cabíveis, em razão de o procedimento adotado haver realizado verdadeira nacionalização das 12 embarcações, de propriedade de empresas estrangeiras, com a carga integral do II, do IPI, da Cofinsimportação e PISimportação, sendo que, no caso, o regime aduaneiro a ser aplicado às mesmas será sempre o de admissão temporária, seja com suspensão total do pagamento dos tributos, no caso do Repetro, seja com o pagamento proporcional dos tributos, no caso da admissão temporária para utilização econômica, isto em observância ao disposto no art. 79 da Lei nº 9.430, de 1996 e nos arts. 324 e seguintes do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.543, de 2002). Contesta a exigência de multa por erro de classificação, por falta de licença de importação e da multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, isso como se vê nos argumentos que se encontram às fls. 905 a 910. Para fazer prova de suas alegações, a interessada acosta à impugnação: os Requerimentos de Concessão do Regime de Admissão Temporária –Repetro; as Propostas de Concessão do Regime; a Concessão do Regime, Atestado de Inscrição Temporária de Embarcação Estrangeira; os Atos Declaratórios Executivo de habilitação para uso do Regime Repetro; Despachos de Concessão do Regime; Relatórios de Inspeção das Embarcações; Requerimentos para reexportação das embarcações admitidas no regime, para fins de extinção da aplicação do mesmo; Proposta de Autorização para a Reexportação das Embarcações; Declaração de Extinção da Aplicação do Regime; Laudos de Vistoria de Condição e Avaliação; e Contrato de Afretamento, conforme indicado a seguir, por embarcação: a) Anchorman (fls. 1.024 a 1.086 – vol.VI); b) Norseman (fls. 1.087 a 1.128 – vol. VI); c) Statesman (fls. 1.129 a 1.179 – vol. VI); d) Nobleman (fls. 1.180 a 1.228 – vol. VI e VII); e) Roman 1 (fls. 1.229 a 1.268 – vol VII); f) Doce River (fls. 1.269 a 1.362 – vol. VII); g) RedFox (fls. 1.363 a 1.449 – vol VII e VIII); h) Jesse O (fls. 1.450 a 1.531 – vol. VIII); i) GrandRiver (1.532 a 1.604 – vol. VIII e IX); j) Fernanda M (fls. 1.605 a 1.654 – vol. IX); k) Dundee (fls. 1.655 a 1.727 – vol. IX); e l) Guardsman (fls. 1.728 a 1.766 – vol. IX). Às fls. 1.767 a 1.804 vol. IX e X) encontramse, por cópia, telas do Siscomex sobre o licenciamento das embarcações seguintes: Guardsman, Grand River, Jesse O, Red Fox, Doce River, Roman, Statesman e Norseman. Com essas alegações, argumentos e provas, a interessada propugna à exoneração total do crédito tributário dela exigido, por meio dos autos de infração objetos do presente processo. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC julgou a impugnação procedente, nos termos do Acórdão nº 0723.604, de 25/03/2011, assim ementado: Fl. 1968DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 14 ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Anocalendário: 2005, 2006, 2007 Admissão Temporária. Tratamento Aduaneiro e Benefício Fiscal do Repetro. Concessão e Aplicação do Regime. Autoridade Competente. Invalidação. Procedimento Próprio. Exigência Tributos. Incabível No âmbito do regime aduaneiro especial de admissão temporária, a exigência de tributos e penalidades somente é cabível na hipótese de se verificar descumprimento das condições e/ou do prazo de concessão do regime, ainda que, com o tratamento aduaneiro e benefício fiscal do Repetro. Assim, na hipótese de entendimento de que a concessão e a aplicação do regime foram deferidas a bem que não se enquadrava entre aqueles contemplados com o benefício do Repetro, é incabível a exigência de tributos e penalidades, uma vez que procedimento dessa natureza acaba por, de forma imprópria, invalidar o ato administrativo de concessão e de aplicação do regime, emanados, regularmente, por autoridade competente para o mister. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Em razão do disposto no art. 34 do Decreto nº 70.235, de 1972, e da Portaria MF nº 3, de 2008, o presidente da turma julgadora interpôs o recurso de ofício. O processo foi digitalizado e posteriormente distribuído a este Conselheiro na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño O recurso de ofício atende aos pressupostos de admissibilidades previstos na legislação pertinente, razão pela qual deve ser conhecido. Conforme já relatado, embora a autuação tenha como pano de fundo o regime aduaneiro especial do Repetro, o cerne da divergência ora analisada NÃO é o adimplemento, por parte da Navegação São Miguel Ltda., das condições legais para a sua fruição. Tratase, sim, da validade do auto de infração face à ausência de conjunto probatório robusto para demonstrar que as mercadorias beneficiadas eram embarcações para transportar passageiros e mercadorias (código NCM 8901.90.00), e não rebocadores (código NCM 8904.00.00). Para a instância a quo, ao acusar que as embarcações submetidas a despacho aduaneiro com a finalidade de seus desembaraços com à aplicação do tratamento aduaneiro e fiscal do Repetro não se encontravam contempladas por referido tratamento, o que efetivamente incumbiria à fiscalização era a coleta de provas no sentido de sustentar, de forma Fl. 1969DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10730.006139/201056 Acórdão n.º 3201001.614 S3C2T1 Fl. 1.963 15 inequívoca, que ditas embarcações eram destinadas ao transporte de cargas e passageiros, ou de que não tinham a função de rebocadores ou esta função não seria a principal. Não foi o que ocorreu. E ainda que isso fosse possível no caso presente, o meio adequado para anular o ato concessório jamais seria o auto de infração, sendo exigível, para tanto, uma representação às autoridades competentes, relatando o vício que se vislumbrou. Com efeito, na visão da instância a quo, o auto de infração, nos termos em que foi lavrado, equivale à invalidação, por via oblíqua, das concessões e aplicações do regime do Repetro, devidamente deferidas por autoridades competentes, às embarcações em questão. Por oportuno, convém transcrever, a seguir, trechos subseqüentes do voto relatorial: O auto de infração tem a finalidade de, diante da verificação de ilícito tributário ou aduaneiro, formalizar a correspondente exigência, conforme se percebe do prescrito no art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972. No presente caso, não há cometimento de ato ilícito por parte da interessada, que procedeu em observância às normas que tratam a matéria, e assim obteve a concessão postulada nos termos em que pleiteado. [...] Aqui, não se trata também de revisão aduaneira, pois, como disposto no art. 638 do Decreto nº 6.759, de 2009, a revisão aduaneira: “é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação”. Aqui, como visto, tratase de questionamento da concessão de regime aduaneiro especial, no caso, com a utilização do benefício do Repetro e, não de descumprimento das condições em que ocorreu a concessão e a aplicação do regime nos casos apontados. [...] O procedimento adotado pela autuação acabou por exigir tributos e multas que têm lugar no âmbito do despacho para consumo e, para além disso, com absoluta impropriedade, desconsiderou e tornou sem efeito as concessões e aplicações do regime de admissão temporária, no caso, com o benefício do Repetro, deferidas de forma regular e em observância às normas que regem a matéria, por autoridade competente para o mister. O voto do relator da decisão recorrida – e presidente do colegiado a quo – foi exaustivamente fundamentado, razão pela qual, fazendo uso da prerrogativa do julgador quanto ao seu livre convencimento, nada mais há a lhe acrescentar. Fl. 1970DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 16 À vista do exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso de ofício, mantendo a decisão recorrida in totum. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 1971DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO
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Numero do processo: 10730.720092/2007-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
Ementa:
ITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. PARQUE ESTADUAL.
Comprovado o fato de que a propriedade está inserida em Parque Estadual criado por meio de Decreto do Governador do Estado, é lícita a sua exclusão da base de cálculo do ITR, na forma do art. 10, § 1º, inciso II, alínea "b", da Lei nº. 9.393/96.
Numero da decisão: 2102-002.516
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Acompanhou o julgamento o patrono do contribuinte, Fernando Raposo Franco, inscrito na OAB-RJ 173.010.
Assinado Digitalmente
Rubens Maurício Carvalho Presidente em Exercício
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 05/06/2013
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros RUBENS MAURICIO CARVALHO, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, NUBIA MATOS MOURA, EWAN TELES AGUIAR, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. PARQUE ESTADUAL. Comprovado o fato de que a propriedade está inserida em Parque Estadual criado por meio de Decreto do Governador do Estado, é lícita a sua exclusão da base de cálculo do ITR, na forma do art. 10, § 1º, inciso II, alínea "b", da Lei nº. 9.393/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Acompanhou o julgamento o patrono do contribuinte, Fernando Raposo Franco, inscrito na OABRJ 173.010. Assinado Digitalmente Rubens Maurício Carvalho – Presidente em Exercício Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 05/06/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros RUBENS MAURICIO CARVALHO, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, NUBIA MATOS MOURA, EWAN TELES AGUIAR, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 00 92 /2 00 7- 31 Fl. 208DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por RUB ENS MAURICIO CARVALHO 2 Relatório Em face do contribuinte acima identificado, foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 01/06 para exigência do Imposto Territorial Rural (ITR) em razão da revisão da DITR entregue para o exercício de 2004, relativamente ao imóvel denominado “FAZENDA MACAE DE CIMA”, localizado no Município de Nova Friburgo RJ. De acordo com os esclarecimentos constantes da Notificação, o lançamento decorreu da glosa da área declarada como sendo de preservação permanente, bem como da alteração do VTN declarado. Através deste lançamento, foram alteradas as áreas declaradas pelo contribuinte da seguinte forma (cf. quadro de fls. 05): 2004 Declarado Considerado no lançamento Área de Preservação Permanente 771,4 0,0 VTN 33.924,00 2.972.682,47 Cientificado do lançamento, o Interessado apresentou a Impugnação de fls. 38/51, por meio da qual apresentou os argumentos assim sintetizados pela decisão recorrida: I a Notificação não consegue explicar com clareza, em face dos documentos anteriormente apresentados, os motivos que levaram ei autuação do Impugnante; tendo em vista não ter a fiscalização analisado a documentação fornecida pelo impugnante por oportunidade do Termo de Intimação Fiscal, requer a anulação da Notificação de Lançamento, por vicio formal; II conforme poderá ser verificado através da Certidão exarada pela prefeitura Municipal de Nova Friburgo, a área objeto da presente autuação está localizada em Area de Preservação Ambiental AIM; Iii a Área de Proteção Ambiental de Macaé de Cima foi criada pelo Decreto n° 156 de 03 de janeiro de 1990; a legislação ambiental restringiu severamente o uso; IV o imóvel também é uma APÁ Estadual encontrandose dentro de Parque Estadual conforme dispões o Decreto Estadual n° 29.213/2001 e o Decreto Estadual n°31.343/2002, gozando de proteção integral; V alega está incluída no art. 10, inciso V do Decreto n° 4.382, de 19 de setembro de 2002; VI caso a documentação ora juntada não seja suficiente para elidir a cobrança ora realizada, requer a suspensão do feito até Fl. 209DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por RUB ENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 10730.720092/200731 Acórdão n.º 2102002.516 S2C1T2 Fl. 209 3 o IEF/RJ Instituto Estadual de Florestas responda a solicitação fella para vistoriar o imóvel; V que no Ato Declaratório Ambiental ADA está declarada apenas a área de Preservação Permanente de acordo cam o Laudo Técnico, não fazendo qualquer menção á Area de Interesse Ecológico, como deveria estar previsto; VI na DITR/2005 informa que toda a area do imóvel é de Preservação Permanente quando deveria constar que 570 hectares seriam de Preservação Permanente e que todo o imóvel, em razão do Decreto Municipal 156/1990 e do Decreto Estadual n°29.213/2001 e também do Decreto Estadual n o 31.343/2002, seriam também de Proteção Ambiental/Interesse Ecológico; VI a fiscalização desconsiderou, sem motivo, os valores informados pelo impugnante na DITR/2005 no valor de R$ 33.924,00 e, de maneira voluntariosa, utilizou outro método, mais favorável a Fazenda; VII caso os elementos trazidos aos autos não sejam suficientes para a improcedência da Notificação de Lançamento, requer seja realizada perícia técnica no imóvel tendo determinado o perito e os quesitos. Na análise de tais alegações, os integrantes da DRJ em Recife decidiram pela parcial manutenção do lançamento, acolhendo, como comprovada uma área de preservação permanente de 570,0 hectares, verbis: 33. O Impugnante apresentou o Ato Declaratório Ambiental — ADA protocolado no lbama em 2000 com 570,0ha de Area de preservação permanente, fl. 23, tendo assim direito a deduzir esta Area da Area tributável. Inconformado com a manutenção da parcela remanescente, o contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fls. 121/133, por meio do qual requereu: IV— DO PEDIDO: Ante todo o exposto, a ora Recorrente vem, respeitosamente, presença deste E. Conselho, requerer que seja reformada parcialmente a decisão recorrida, para: (I) declarar que a área de 201,4 ha (duzentos e um e quatro décimos de hectares) não é passível de tributação pelo ITR, em razão de se tratar de área imprestável à atividade rural, estar ocupada com benfeitorias e estradas, além de localizarse dentro da APA Municipal e Estadual; e (II) caso assim não entenda, o que se admite por amor ao debate, acolher o pedido de posterior juntada dos documentos que comprovam as alegações do ora Recorrente, os quais ainda não foram Fl. 210DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por RUB ENS MAURICIO CARVALHO 4 fornecidos pelo IEF/RJ e o INEA/RJ, além de acolher o pedido de produção de prova pericial, a qual demonstrará que o VTN utilizado para fins do cálculo do ITR não guarda nenhuma relação com o valor de mercado da terra praticado na localidade. Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 29.06.2010, como atesta o AR de fls. 120. O Recurso Voluntário foi interposto em 29.07.2010 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de lançamento de ITR relativo ao Exercício 2004. O lançamento originalmente contemplava a glosa de área de preservação permanente de 771,4 hectares, assim como o arbitramento do VTN. A decisão recorrida, porém, acolhendo ADA apresentado tempestivamente pelo contribuinte, alterou a glosa da área de preservação permanente, reduzindo tal glosa para 201,4 hectares (771,4 – 570,0). O Recorrente não se conformou com a manutenção parcial do lançamento, e pugna pela exclusão total da área da tributação. Passase então a analisar suas alegações de mérito. Da alegação de que a propriedade está inserida em APA e em Parque Estadual O Recorrente afirma que sua propriedade está integralmente inserida em uma Área de Preservação Ambiental (APA) e também está inserida dentro de um parque estadual. Até a interposição do Recurso Voluntário, porém, não trouxera qualquer prova de suas alegações, limitandose a afirmar que requerera ao IEF e ao INEA que realizassem perícias no local a fim de atestar estes fatos. Requereu então que: Assim, requer, igualmente, seja permitida a posterior juntada da referida declaração para que reste finalmente demonstrada que toda a área da "FAZENDA MACAE DE CIMA”" está inserida na APA Estadual de Macaé de Cima e no Parque Estadual dos Três Picos. Após a distribuição do recurso, e anteriormente à inclusão do mesmo em pauta para julgamento, o Recorrente fez juntar aos autos do processo nº 10730.720097/200764 – no qual se discute matéria idêntica àquela aqui discutida – documento emitido pelo INEA/RJ do qual consta que: Fl. 211DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por RUB ENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 10730.720092/200731 Acórdão n.º 2102002.516 S2C1T2 Fl. 210 5 Em atenção ao requerimento de V.Sa., serve o presente para informar que os imóveis denominados Fazenda macaé de Cima e Fazenda Taquaraoca e Verdum encontramse inseridos nos limites do Parque Estadual dos Três Picos e na área de Proteção Ambiental de Macaé de Cima, conforme mapa anexo. Tal documento foi assinado pela Diretora de Biodiversidade e Áreas Protegidas do Instituto Estadual do Ambiente – INEA e, de fato, comprova a alegação de que sua propriedade está integralmente inserida no referido parque estadual, assim como na APA denominada Macaé de Cima. De fato, se a totalidade da referida área está inserida em área de interesse ecológico para proteção de ecossistemas, ela não poderá estar sujeita ao ITR, pois tais áreas devem ser excluídas da tributação pelo imposto, nos exatos termos do que determina a Lei nº 9.393/96, em seu art. 10, § 1º, II, b, verbis: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: (...) a) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; (...). Como se viu, os documentos trazidos pelo Recorrente demonstram que a FAZENDA TAQUARAOCA E VERDUM estaria realmente inserida no Parque Estadual dos Três Picos. Este parque, por seu turno, foi criado em 05.06.2002, por meio do Decreto Estadual nº n° 31.343, e tinha, entre outros, o objetivo de proteger os ecossistemas da região. Releva nota ainda que o mencionado parque estadual foi criado nos termos da Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, que assim dispõe: Art. 2o Para os fins previstos nesta Lei, entendese por: I unidade de conservação: espaço territorial e seus recursos ambientais, incluindo as águas jurisdicionais, com características naturais relevantes, legalmente instituído pelo Poder Público, com objetivos de conservação e limites definidos, sob regime especial de administração, ao qual se aplicam garantias adequadas de proteção; (...) Fl. 212DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por RUB ENS MAURICIO CARVALHO 6 Art. 7o As unidades de conservação integrantes do SNUC dividemse em dois grupos, com características específicas: I Unidades de Proteção Integral; (...) Art. 8o O grupo das Unidades de Proteção Integral é composto pelas seguintes categorias de unidade de conservação: I Estação Ecológica; II Reserva Biológica; III Parque Nacional; IV Monumento Natural; V Refúgio de Vida Silvestre. (...) Art. 11. O Parque Nacional tem como objetivo básico a preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambiental, de recreação em contato com a natureza e de turismo ecológico. § 1o O Parque Nacional é de posse e domínio públicos, sendo que as áreas particulares incluídas em seus limites serão desapropriadas, de acordo com o que dispõe a lei. § 2o A visitação pública está sujeita às normas e restrições estabelecidas no Plano de Manejo da unidade, às normas estabelecidas pelo órgão responsável por sua administração, e àquelas previstas em regulamento. § 3o A pesquisa científica depende de autorização prévia do órgão responsável pela administração da unidade e está sujeita às condições e restrições por este estabelecidas, bem como àquelas previstas em regulamento. § 4o As unidades dessa categoria, quando criadas pelo Estado ou Município, serão denominadas, respectivamente, Parque Estadual e Parque Natural Municipal (sem destaques no original) Com base na legislação acima transcrita, a outra conclusão não se pode chegar senão a de que a área em que está situada a propriedade do Recorrente é de posse e domínio públicos, por se tratar de parque estadual – que tem, nos termos da referida lei – os mesmos efeitos de um parque nacional, tratandose de unidade de proteção integral, nos termos das normas acima transcritas. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por RUB ENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 10730.720092/200731 Acórdão n.º 2102002.516 S2C1T2 Fl. 211 7 Sendo assim, é lícito concluir que: i) a propriedade do Recorrente está situada em parque estadual, criado em 2002; e ii) quando da criação do parque, nos termos da Lei nº 9.985/00, passou a ser área de posse e domínio público. Por isso, é de reconhecer que, de fato, a propriedade da Recorrente encontra se integralmente em área de uso limitado, razão pela qual tem ele direito à exclusão da mesma da tributação pelo ITR, nos termos do que determina o art. 10 da Lei nº 9.393/96, já transcrita anteriormente. Neste sentido: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 1999 ITR ÁREAS DE RESERVA LEGAL E DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL EXIGÊNCIA. Não há obrigação de prévia apresentação protocolo do pedido de expedição do Ato Declaratório Ambiental para exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da base de cálculo do ITR1999. A obrigação de comprovação da área declarada em DITR por meio do ADA, foi facultada pela Lei nº. 10.165/2000, que alterou o art. 17O da Lei nº 6.938/1981. É apropriada a comprovação das áreas de utilização limitada e de preservação permanente por meio de laudo técnico, subsidiado de elementos que demonstrem sua existência, ainda mais quando instrui pedido de autorização junto ao IBAMA. ITR ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA INTERESSE ECOLÓGICO. A criação de Parque Estadual por meio de Decreto do Governador do Estado, com o fim de conciliar a proteção integral da flora, da fauna e das belezas naturais, afeta a área da propriedade atingida para efeitos de sua exclusão da base de cálculo do ITR, na forma do art. 10, § 1º, inciso II, alínea "b", da Lei nº. 9.393/96. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (Acórdão nº 30134410, Processo 10820002278200372, julgado em 25.04.2008) Outrossim, é importante destacar que a propriedade do Recorrente também está inserida – conforme atestado pela certidão anteriormente referida na Área de Proteção Ambiental (APA) denominada Reserva Eco1ógica de Macaé de Cima, conforme Decreto nº 156, de 03 de Janeiro do 1990. Tal decreto estabeleceu que: Art. 3º Ressalvadas as atividades cientificas que deverão ter tratamento especifico, através das autoridades competentes a nível federal e municipal, são proibidas, dentro do perímetro que compõe a Reserva Ecológica de Macaé de Cima, quaisquer atividades de utilização, perseguição, caça, apreensão ou introdução de espécies da flora e da fauna silvestres, bem como aquelas que, a qualquer titulo pretendido, implicarem em modificações do ambiente. Assim é que também por este motivo, a propriedade do Recorrente não poderia estar sujeita ao pagamento do ITR, conforme jurisprudência deste Conselho: Fl. 214DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por RUB ENS MAURICIO CARVALHO 8 Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 1998 Imóvel cravado em área de Proteção Ambiental de Interesse Ecológico. Decreto juntado aos autos. Exclusão da obrigação tributária. Comprovado, inclusive por informação do IBAMA, que o imóvel está encravado em área de proteção ambiental, não há incidência do ITR, visto que é hipótese legal de exclusão da obrigação tributária. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (Acórdão nº 30133992, Processo 13362000802200222, julgado em 04.07.2007) Diante de todo o exposto, deve ser reconhecida a isenção do ITR sobre a totalidade da propriedade da Recorrente, nos termos do art. 10, § 1º, II, b, da Lei nº 9.393/96. Por este mesmo motivo, deixo de analisar o pedido do Recorrente no que diz respeito às demais razões de mérito. Assim, VOTO no sentido de DAR provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 215DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por RUB ENS MAURICIO CARVALHO
score : 1.0
Numero do processo: 10768.905296/2006-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003
COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. INFORMAÇÕES CONSTANTES DO LALUR. DOCUMENTAÇÃO SUPORTE. LIQUIDEZ E CERTEZA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL.
O direito creditório pleiteado não pode ser vinculado a requisitos meramente formais, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional. Assim, ainda que a DCTF seja instrumento de confissão de dívida, a comprovação por meio de outros elementos contábeis e fiscais que denotem erro na informação constante da obrigação acessória, acoberta a declaração de compensação, em apreço ao princípio da verdade material.
Numero da decisão: 3302-002.580
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(Assinado Digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO - Relator.
EDITADO EM: 09/06/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. INFORMAÇÕES CONSTANTES DO LALUR. DOCUMENTAÇÃO SUPORTE. LIQUIDEZ E CERTEZA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O direito creditório pleiteado não pode ser vinculado a requisitos meramente formais, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional. Assim, ainda que a DCTF seja instrumento de confissão de dívida, a comprovação por meio de outros elementos contábeis e fiscais que denotem erro na informação constante da obrigação acessória, acoberta a declaração de compensação, em apreço ao princípio da verdade material.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado Digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO - Relator. EDITADO EM: 09/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
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INFORMAÇÕES CONSTANTES DO LALUR. DOCUMENTAÇÃO SUPORTE. LIQUIDEZ E CERTEZA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O direito creditório pleiteado não pode ser vinculado a requisitos meramente formais, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional. Assim, ainda que a DCTF seja instrumento de confissão de dívida, a comprovação por meio de outros elementos contábeis e fiscais que denotem erro na informação constante da obrigação acessória, acoberta a declaração de compensação, em apreço ao princípio da verdade material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado Digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 90 52 96 /2 00 6- 32 Fl. 248DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 4/07/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 2 EDITADO EM: 09/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Adotase o relatório da decisão recorrida, por bem refletir a contenda. Tratase de litígio administrativo, instaurado com a manifestação de inconformidade apresentada por SIGLA SISTEMA GLOBO DE GRAVAÇÕES AUDIOVISUAIS LTDA (fl. 11) ao despacho decisório proferido pelo titular da unidade competente do sujeito passivo, não homologando o pedido de compensação (fl.09). O PERDCOMP n° 419152368305040717049886 foi criado em 0504 2007 com caráter retificador, para substituir o PERDCOMP n° 192509711614100313048995 (fl. 02). Com o PERDCOMP retificador, o sujeito passivo tenciona compensar suposto crédito havido em função de pagamento a maior, correspondente a R$ 7.451,53 de crédito (fls. 0203). A decisão de não homologar o PERDCOMP n° 419152368305040717049886 tem por fundamento que "foram localizados um ou mais pagamentos relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PERDCOMP" (fl.09). Inconformado com a decisão citada, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese (fl. 10): O PERDCOMP em questão é resultante do recolhimento a maior da Cofins no período de apuração de julho de 2003. O pagamento se deu sobre uma base provisória, visto que na data de pagamento da contribuição não havia sido concluído o fechamento contábil do mês. Após o fechamento, foi constatado que não foram considerados todos os crédito da não cumulatividade, que reduziria o pagamento da contribuição. Ou seja, o erro decorreu de um processo de estimativa. Naquela ocasião deveria ter sido feita a retificação da DCTF do 3º trimestre de 2003, regularizando a informação dada e liberando parte do DARF pago a maior. Foi providenciada a DCTF retificadora. O contribuinte se coloca à disposição de esclarecimentos complementares. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 4/07/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10768.905296/200632 Acórdão n.º 3302002.580 S3C3T2 Fl. 3 3 Vistos, relatados e discutidos os autos, acordaram os membros da 4ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em julgar improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo o crédito tributário exigido. Intimada do acórdão supra em 28.09.2011, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 25.10.2011. É o relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. A recorrente alega que, equivocadamente recolheu no período de 07/2003, COFINS a maior. Ao ser julgada sua manifestação, a autoridade julgadora de primeira instância entendeu que a Recorrente não havia trazido aos autos documentação hábil e idônea suficiente para a comprovação de seu crédito, e manteve a não homologação da compensação do débito fiscal, inexistindo, portanto, o direito creditório da Recorrente. Todavia, não há que se prevalecer esse entendimento. Vejamos. Buscase no processo administrativo a verdade material. Interessa à Administração que seja apurada a verdade real dos fatos ocorridos. Isto devido ao princípio da verdade material, onde se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador. No princípio da verdade material é que, diante da existência de fatos imponíveis não declarados voluntariamente pelo contribuinte, cabe à Fazenda Pública diligenciar para descobrilos e provar a sua existência real. O princípio da livre convicção do julgador informa o sistema jurídico brasileiro. Por este princípio a valoração dos fatos e circunstâncias constantes dos autos é feita livremente, pelo julgador. Importa saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento. De fato, na condução do processo há que se ter em conta o processo de fixação formal da prova, no qual o julgador se atém à análise dos meios de prova definidos em lei, à valoração e admissibilidade das provas apresentadas, para formar o seu livre convencimento para decidir. Veja que, direito creditório não pode ser vinculado a requisitos meramente formais. Ainda que a Recorrente tenha se equivocado ao preencher alguns de seus documentos fiscais, em face do recolhimento indevido, a comprovação através de outros elementos contábeis e fiscais que denotem o erro na informação constante da obrigação acessória, acoberta sua declaração de compensação. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 4/07/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 4 A declaração de compensação em face de um recolhimento indevido deve ser validada quanto à sua disponibilidade nos termos do artigo 165 do Código Tributário Nacional, que não condiciona o direito à compensação/restituição, a requisitos meramente formais: “Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória.” Neste sentido, o que interessa é verificar se houve ou não o pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo e em um determinado período de apuração. Constato que, o pagamento indevido, neste caso, está comprovado através de toda documentação acostada aos autos, DCTF´s e DARF´s de recolhimentos, sendo perfeitamente possível constatar que o montante recolhido pela Recorrente, referente ao mês de julho/2003 não é devido à União Federal, razão pela qual sua PER/DCOMP deve ser homologada. Neste sentido, segue o acórdão proferido por este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, onde restou decidido que comprovado o direito creditório, deve ser superado um erro formal cometido, a fim de reconhecer o direito ao crédito, pago indevidamente, nos termos do artigo 165 do Código Tributário Nacional: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 28/02/2002 COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. INFORMAÇÕES CONSTANTES DO LALUR. DOCUMENTAÇÃO SUPORTE. LIQUIDEZ E CERTEZA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O direito creditório pleiteado não pode ser vinculado a requisitos meramente formais, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional. Assim, ainda que a DCTF seja instrumento de confissão de dívida, a comprovação através de outros elementos contábeis e fiscais que denotem erro na informação constante da obrigação acessória, acoberta uma declaração de compensação, em apreço ao princípio da verdade material.1 Grifos nossos” 1 Acórdão nº 1802001.958. Sessão de 04.12.2013 Fl. 251DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 4/07/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10768.905296/200632 Acórdão n.º 3302002.580 S3C3T2 Fl. 4 5 Dessa forma, existindo nos autos documentação hábil e idônea suficiente para a comprovação do direito pleiteado, há de ser homologada a compensação do Recorrente. Por todo exposto, conheço do recurso e doulhe provimento parcial para considerar possível a compensação, no limite do indébito existente que deverá ser apurado pela fiscalização de posse da documentação acostada aos autos. É como voto. GILENO GURJÃO BARRETO Relator (Assinado Digitalmente) Fl. 252DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 4/07/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721435/2012-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1202-000.231
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente em Exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Gilberto Baptista, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente em Exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Gilberto Baptista, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Trata o processo de lançamentos fiscais formalizados em Autos de Infração do IRPJ e reflexos na CSLL, no PIS e na Cofins, relativamente ao anocalendário de 2008, em razão da ocorrência omissão de receitas de vendas identificada pelas informações prestadas pelas administradoras de cartão de crédito/débito, conforme descrito no Termo de Verificação FiscalTVF, de fls. 02 a 07. Aos tributos exigidos, foi aplicada multa de ofício, no percentual de 225%, qualificada em razão da ocorrência da hipótese do art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, e agravada, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 21 43 5/ 20 12 -6 1 Fl. 1461DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/11/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.721435/201261 Resolução nº 1202000.231 S1C2T2 Fl. 1.462 2 diante do não atendimento às intimações emitidas no curso do procedimento fiscal, além da incidência dos juros de mora, com base na taxa Selic. Regularmente intimada, a interessada deixou de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a contabilização das receitas originadas das vendas com cartões de crédito/débito, o que caracterizaria omissão de receitas apurada de forma direta, nos termos dos dispositivos legais citados no auto de infração, fls. 1233. O contribuinte não provou que as receitas apontadas estavam registradas na contabilidade e compunham o valor de receita apresentada na DIPJ/2009. A empresa autuada apurou o seu lucro, no anocalendário de 2008, com base na sistemática do lucro real, de modo que a fiscalização adotou a mesma sistemática para efetuar os lançamentos fiscais. Em seguida, por bem retratar os fatos ocorridos, passo a adotar parte do Relatório do Acórdão nº 1643.382 da DRJ/São Paulo I, de fls. 1397 a 1408, assim transcrito: “5. A fiscalização apresenta, por meio do “Termo de Verificação Fiscal” (TVF), resumidamente, o seguinte. 5.1. O contribuinte intimado e reintimado não apresentou os livros e documentos solicitados. Devido a este fato a fiscalização entendeu que ficou caracterizado o embaraço à fiscalização, nos termos do Inciso I, artigo 33, da Lei nº 9.430/96. A fiscalização enviou o devido comunicado à empresa em 12/09/2011, via postal com AR nº RM806166380BR. 5.2. Como não foram apresentados pela empresa os extratos dos cartões de crédito, foram obtidos os dados referentes às vendas com cartões junto às operadoras, mediante a emissão das Solicitações de Emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira – RMF com enquadramento no inciso VII, do art. 3º, do Decreto nº 3.724/2001. 5.3. Após o recebimento dos extratos enviados pelas Instituições Financeiras, o contribuinte foi intimado a demonstrar e comprovar, no prazo de vinte dias, com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a contabilização e o oferecimento à tributação, se fosse o caso, das receitas de vendas auferidas mediante utilização de cartões de crédito/débito conforme relação anexa ao Termo de Intimação. A intimação foi feita pessoalmente, em 25/05/2012. 5.4. Transcorrido o prazo para atendimento da intimação, não foi apresentado nenhum documento ou justificativa. Assim, foi lavrado o Termo de Reintimação Fiscal, concedendo um prazo de cinco dias para apresentação dos documentos solicitados. A ciência do contribuinte se deu no dia 18/06/2012, por via postal AR RQ341579401BR. 5.5. Em 21/06/2012 o contribuinte, representado por seu procurador Sr. Antonio Vicente Filho, CPF 531.437.79853, compareceu a Receita Federal e informou que não poderia atender a intimação, pois, os documentos haviam sido extraviados. Informou que os valores das operações com cartões de crédito no anocalendário de 2008 correspondiam a aproximadamente 95% do total das vendas. Tais informações foram prestadas também na forma escrita. Não houve, contudo, manifestação do contribuinte em relação às justificativas, comprovações, contabilização e o oferecimento à tributação das receitas de venda auferidas mediante utilização de cartões de crédito/débito, conforme extratos fornecidos pelas operadoras de cartão de crédito. Fl. 1462DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/11/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.721435/201261 Resolução nº 1202000.231 S1C2T2 Fl. 1.463 3 5.6. Assim, foram efetuados os lançamentos de ofício e constituídos os créditos tributários apurados referentes à omissão de receitas de venda mediante utilização de cartões de crédito/débito para as quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou o oferecimento à tributação destes recursos. Os valores mensais obtidos nos extratos fornecidos pelas operadoras dos cartões estão demonstrados no TFV. Abaixo estão demonstrados os valores anuais por operadora dos cartões. {quadro com os valores mensais informados pelas administradoras de cartão] 5.7. O contribuinte apresentou o DACON e a DCTF, para o período de 01 a 12/2008, porém, não comprovou a contabilização e o oferecimento à tributação das receitas de vendas auferidas mediante a utilização de cartões de crédito/débito. 5.8. Considerando que a receita total de 2008, declarada na DIPJ/2009, no valor de R$ 7.266.141,41, pode ter sido integralmente obtida em cheque ou dinheiro, a receita apurada pela fiscalização correspondente a venda com cartões foi integralmente considerada como omitida para efeito de tributação, sem qualquer abatimento da receita declarada. 5.9. O contribuinte apresentou o Livro Diário com os lançamentos de revenda de mercadorias consolidados mensalmente, sem qualquer segregação das receitas auferidas mediante utilização de cartões de crédito/débito. O Livro Razão não foi apresentado, embora o contribuinte tenha sido intimado e reintimado a apresentálo. Qualificação e Agravamento da Multa de Ofício 5.10. Tendo em vista que a empresa apresentou DIPJ/2009 com valor de faturamento inferior ao verificado nos extratos emitidos pelas operadoras de cartões de crédito/débito, ficou configurada a intenção do contribuinte de omitir declaração sobre rendas para eximirse do pagamento de tributos. Em decorrência disso, ficou configurado o ilícito tipificado no artigo 71 da lei nº 4.502/64 e sujeitandoo à duplicação da multa de lançamento de ofício, conforme previsto no § 1º do artigo 44 da lei nº 9.430/96. 5.11. Diante do não atendimento às intimações emitidas no curso do procedimento fiscal para apresentação dos extratos das operações realizadas com cartões de crédito/débito, do livro razão e da comprovação da contabilização e o oferecimento à tributação, se fosse o caso, das receitas de vendas auferidas mediante utilização de cartões de crédito/débito, a multa de lançamento de ofício de 75% foi, ainda, agravada em 50%, por infringência ao artigo 959, incisos I do RIR/99. Desta forma, a multa de lançamento de ofício aplicada foi de 225%. Da Sujeição Passiva Solidária 6. Considerando que o Sr. Raimundo Lima de Carvalho e a Sra. Rosangela Lima Costa eram os sócios administradores da época, entendemos que eles foram os responsáveis pelos atos ilícitos praticados com a finalidade de encobrir fatos geradores de obrigação tributária no ano de 2008. Diante do exposto, lavramos o Termo de Responsabilidade Tributária Solidária nos termos dos artigos 121, 124 e 135, III, do CTN e do artigo 1016 do Código Civil. 7. Foi, também, formalizada a Representação Fiscal para Fins Penais, por meio do processo nº 19515.721479/201291 apensado a este processo. IMPUGNAÇÃO Fl. 1463DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/11/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.721435/201261 Resolução nº 1202000.231 S1C2T2 Fl. 1.464 4 8. A Empresa tempestivamente apresentou impugnação, protocolada em 13/08/2012, contestando a lavratura dos Autos de Infração, nos seguintes termos, resumidamente (não foram apresentadas impugnações para os responsáveis solidários). 8.1. Devido à divergência encontrada a fiscalização desprezou totalmente os valores que foram devidamente declarados pela Impugnante e que tiveram os tributos devidamente recolhidos. 8.2. Presumiu que todo o montante informado pelas operadoras de cartão não se referiam aos valores já declarados pela Impugnante. Assim, a fiscalização supôs que a integralidade dos valores declarados pelas operadoras seriam decorrentes de omissão de receitas, arbitrando ilegalmente os mesmos como rendimentos tributáveis, sendo que a maior parte destes valores, mais de 90% já haviam sido devidamente declarados e tributados pela Impugnante. 8.3. Está firmada na jurisprudência que o arbitramento do lucro é medida extremada e deve ser utilizada apenas quando fique comprovada a impossibilidade de determinar o imposto pelo lucro real. Logo, tornase imprescindível que se produza prova inequívoca de que o fisco tenha empreendido todos os esforços a fim de fixar a base real do imposto, o que não ocorreu no presente caso. Houve apenas um lançamento prematuro, despido de legalidade. 8.4. O critério utilizado para arbitrar o lucro deve guardar estrita consonância com a base legal utilizada, sendo materialmente nulo o lançamento efetuado com base em arbitramento do lucro apurado em desacordo com a fundamentação legal. 8.5. Houve uma mera divergência entre os valores declarados na DIPJ e os valores que as operadoras de cartão apresentaram na RECRED (sic), todavia, tal divergência não é motivo para que a fiscalização desconsidere todos os valores declarados e ao invés de realizar a tributação da diferença dos valores declarados. 8.6. Ressaltase que a Impugnante nunca simulou ou fraudou sua contabilidade, sendo que todos os elementos contábeis referentes à presente discussão serão devidamente apresentados em momento oportuno. A fiscalização, até mesmo, desconsiderou os adiantamentos de empréstimos realizados pelas operadoras de cartão para considerar como se todos os valores ali informados fossem decorrentes de vendas de mercadorias. A fiscalização não realizou qualquer esforço na tentativa de identificação os valores já declarados pela Impugnante, muito pelo contrário, optou pelo caminho mais cômodo e ilegal, desconsiderando totalmente estes valores. 8.7 A Impugnante aborda aspectos do: (i) Princípio da Segurança Jurídica; (ii) Princípio da Estrita Tipicidade em Matéria Tributária e (iii) Princípio da Capacidade Contributiva. 8.8. Finalizando, a Impugnante pleiteia, caso seja mantido o lançamento, que seja excluído o ICMS das bases de cálculo tanto do PIS quanto da COFINS, nos exatos termos do artigo 195 da Constituição Federal, bem como decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal. Da Impossibilidade de Aplicação de Multa no Percentual de 225% 8.9. A penalidade de 225% é inaplicável ao caso, pois em nenhum momento foi comprovada a tentativa de fraudar ou omitir informações ao fisco, ao contrário, a Impugnante recolheu os tributos regularmente, bem como nunca houve embaraço à fiscalização, até porque nunca houve diligência física no estabelecimento da Fl. 1464DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/11/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.721435/201261 Resolução nº 1202000.231 S1C2T2 Fl. 1.465 5 Impugnante, apenas correspondências por Correios. Houve atendimento à fiscalização, inclusive com prestação de informações por escrito, conforme reconhecido pela própria fiscalização. 8.10. Resta claro que em hipótese alguma poderia se aplicar tamanha penalidade. Evidente intuito de fraude apenas consubstanciase na clareza e objetividade de se praticar determinado ato, o que foge ao presente, visto que todo o lançamento foi realizado por presunção. Na aplicação da multa qualificada, em hipótese alguma poderia se presumir algo que deveria ser evidente e provado. 8.11. Finalizando, a Impugnante pleiteia pela realização de diligência, bem como protesta pela apresentação de provas complementares por ocasião julgamento, nos termos do artigo 38 da Lei nº 9.784/98. Apresentação de Documentos Complementares 8.12. Em 29/08/2012 a Impugnante apresenta requerimento alegando que, como já informado na impugnação, as vendas com cartões de crédito representam mais de 85% do faturamento e que diante da divergência encontrada a fiscalização simplesmente desprezou totalmente os valores devidamente declarados e que tiveram os tributos devidamente recolhidos. 8.13. “Tal impropriedade deveria ter sido sanada ainda na fase de verificação fiscal, através de mera diligência no estabelecimento da Requerente de modo a constatar que no mínimo 85% das vendas são realizadas por meio de cartão de crédito, visando a compensar a exação cuja quitação já havia sido efetivada, permanecendo exigíveis apenas os valores remanescentes, caso efetivamente ainda houvesse saldo remanescente”. 8.14. “Ora! Se a fiscalização não foi diligente suficientemente a cumprir tal mister, a ora requerente, conforme exposto e requerido na impugnação, o faz promovendo a juntada das guias de recolhimentos e do relatório de apuração em relação ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS relativos ao exercício de janeiro a dezembro de 2008”. 8.15. “Tais guias são necessárias para demonstrar que, ao contrário do alegado pela fiscalização, houve sim o recolhimento de todos os tributos inerentes às operações de vendas declaradas pela Impugnante, recolhimentos estes que não foram deduzidos da absurda autuação realizada”. Na sequência, foi emitido o Acórdão nº 1643.382 da DRJ/São Paulo I, de fls. 1397 a 1408, mantendo a autuação com o seguinte ementário: OMISSÃO DE RECEITAS. VALORES REPASSADOS POR ADMINISTRADORAS DE CARTÃO DE CRÉDITO. PROVA DIRETA NÃO APRESENTADA PELA AUTUADA. É procedente o lançamento a título de omissão de receitas, fundado em valores repassados por administradoras de cartão de crédito, eis que constitui prova direta do recebimento de rendimentos, que só poderia ser rejeitada mediante comprovação pela autuada, de que os valores foram registrados na contabilidade e oferecidos à tributação. MULTA QUALIFICADA. MULTA AGRAVADA. Correta a aplicação da multa qualificada sobre o IRPJ e lançamentos reflexos decorrente das receitas omitidas, pois a conduta do Fl. 1465DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/11/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.721435/201261 Resolução nº 1202000.231 S1C2T2 Fl. 1.466 6 contribuinte se enquadrou no previsto no art. 71, inciso I, da Lei n.º 4.502/64, ao sonegar imposto e contribuições não informando valores de receitas tributáveis na DCTF e na DIPJ, tentando impedir o conhecimento, por parte das autoridades tributárias, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Correto o agravamento da multa em 50%, em razão do não atendimento às intimações. AUTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL. O decidido quanto ao IRPJ aplicase à tributação dele decorrente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado, o contribuinte apresentou seu recurso voluntário a este colegiado, mediante arrazoado, de fls. 1432 a 1453, repisando praticamente as mesmas alegações trazidas na peça impugnatória. A exclusão do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins deixou de ser contestada pela defesa em seu recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo Relator O recurso voluntário é tempestivo e nos termos da lei. Portanto, dele tomo conhecimento. Em que pese não ter sido alegado pela defesa, cumpre analisar se caberia o sobrestamento do julgamento do presente recurso, face ao exame, pelo Supremo Tribunal FederalSTF, do RE 591340 no rito da “repercussão geral”. Os extratos da movimentação de cartão de crédito foram obtidos mediante emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação FinanceiraRMF, nos termos do art. 1º, § 1º, inciso VI, c/c art. 5º, § 1º, inciso XIII, da Lei Complementar nº 105, de 2001, que atribuiu às administradoras de cartão de crédito os mesmo efeitos das instituições financeiras para a prestação de informações à autoridade tributária da União. Com efeito, discutese atualmente no STF o Recurso ExtraordinárioRE 591340, que contém matéria referente a constitucionalidade da quebra do sigilo bancário sem autorização judicial, previsto na mesma Lei Complementar nº 105 de 2001, matéria examinada em sede do Recurso ExtraordinárioRE nº 601.314, o qual teve sua “repercussão geral” reconhecida em 23/10/2009. Consulta efetuada no sítio do STF na internet, revela que o processo ainda aguarda julgamento definitivo do mérito. RE 601314 RG / SP SÃO PAULO REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI Julgamento: 22/10/2009 Fl. 1466DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/11/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.721435/201261 Resolução nº 1202000.231 S1C2T2 Fl. 1.467 7 Publicação DJe218 DIVULG 19112009 PUBLIC 20112009 EMENT VOL0238307 PP01422 Parte(s) ADV.(A/S) : PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECDO.(A/S) : UNIÃO ADV.(A/S) : RICARDO LACAZ MARTINS E OUTRO(A/S) RECTE.(S) : MARCIO HOLCMAN EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. Decisão Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Cármen Lúcia e Cezar Peluso. Ministro RICARDO LEWANDOWSKI Relator Como se trata de matéria com repercussão geral reconhecida, o Regimento Interno do STF RISTF, em seu art. 328, abaixo reproduzido, determina que todos os demais recursos extraordinários, com questão idêntica, sejam sobrestados, até que o Supremo Tribunal Federal decida os que tenham sido selecionados como representativos da causa: Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível de reproduzirse em múltiplos feitos, a Presidência do Tribunal ou o(a) Relator(a), de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de que observem o disposto no art. 543B do Código de Processo Civil, podendo pedirlhes informações, que deverão ser prestadas em cinco dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica. Parágrafo único. Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a Presidência do Tribunal ou o(a) Relator(a) selecionará um ou mais representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. Art. 328A. Nos casos previstos no art. 543B, caput, do Código de Processo Civil, o Tribunal de origem não emitirá juízo de admissibilidade sobre os recursos extraordinários já sobrestados, nem sobre os que venham a ser interpostos, até que o Supremo Tribunal Fl. 1467DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/11/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.721435/201261 Resolução nº 1202000.231 S1C2T2 Fl. 1.468 8 Federal decida os que tenham sido selecionados nos termos do § 1º daquele artigo. (destaque meus) Assim, parece razoável e prudente aguardar a decisão da E. Suprema Corte acerca da constitucionalidade dos meios de prova obtidos no presente processo (extratos bancários), evitandose, assim, que mais adiante, a defesa alegue a anulação do lançamento por vício na obtenção das provas. Com efeito, o artigo 62A, §1º do RICARF (Portaria MF nº 256, de 22 de Junho de 2009 e alterações), estabelece o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. {2} Já a Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012, no seu art. 2º, § 2o, inciso I, prevê a hipótese de que o sobrestamento seja apreciado durante a sessão de julgamento: Art. 2o. Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsumase, em tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1o. § 1o. No caso da identificação se verificar antes da sessão de julgamento do processo: I o conselheiro relator deverá elaborar requerimento fundamentado ao Presidente da respectiva Turma, sugerindo o sobrestamento do julgamento do recurso do processo; II o Presidente da Turma, com base na competência de que trata o art. 17, caput e inciso VII, do Anexo II do RICARF, determinará, por despacho: a) o sobrestamento do julgamento do recurso do processo; ou b) o julgamento do recurso na situação em que o processo se encontra. § 2o. Sendo suscitada a hipótese de sobrestamento durante a sessão de julgamento do processo, o incidente deverá ser julgado pela Turma, que poderá: I decidir pelo sobrestamento do processo do julgamento do recurso, mediante resolução; ou II recusar o sobrestamento e realizar o julgamento do recurso. Fl. 1468DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/11/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.721435/201261 Resolução nº 1202000.231 S1C2T2 Fl. 1.469 9 § 3o. Na ocorrência de sobrestamento, nos termos dos §§ 1o e 2o, as respectivas Secretarias de Câmara deverão receber os processos e mantêlos em caixa específica, movimentandoos para a atividade SOBRESTADO. (grifei) A autuada não se manifestou no recurso a respeito da matéria relativa à obtenção dos extratos de movimentação de vendas efetuadas por cartão de crédito/débito. Entretanto, por se tratar de fato que envolve a licitude da obtenção das provas, de índole constitucional (CF, art. 5º, LVI, “são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meio ilícito”), pode ser considerada como matéria de ordem pública, porque norteia a correta aplicação das relações processuais entre a administração pública e os seus administrados. Em vista do exposto, proponho que seja determinado o sobrestamento do julgamento do recurso voluntário até que seja proferida decisão transitada em julgado nos autos do Recurso ExtraordinárioRE nº 601.314, em trâmite perante o E. Supremo Tribunal Federal. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 1469DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/11/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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