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Numero do processo: 10280.721639/2010-67
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon May 08 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2007
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA.
Somente mantém-se no lançamento fiscal a omissão de rendimentos que, de forma inequívoca nos autos, restar comprovada tratar-se de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, não oferecidos à tributação.
Numero da decisão: 2001-005.704
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Honorio Albuquerque de Brito - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Rocha Paura - Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Rocha Paura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente).
Nome do relator: MARCELO ROCHA PAURA
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Somente mantém-se no lançamento fiscal a omissão de rendimentos que, de forma inequívoca nos autos, restar comprovada tratar-se de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, não oferecidos à tributação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honorio Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Rocha Paura - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Rocha Paura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente).
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Somente mantém-se no lançamento fiscal a omissão de rendimentos que, de forma inequívoca nos autos, restar comprovada tratar-se de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, não oferecidos à tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honorio Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Rocha Paura - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Rocha Paura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente). Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Trata-se de impugnação em resistência à Notificação de Lançamento, fls. 30/34, lavrada em face da Interessada, já qualificada nos autos, em procedimento de revisão de Declaração de Ajuste Anual, Exercício 2008, ano-calendário 2007, no qual foram constatadas as seguintes infrações: I. Dedução indevida de Previdência Oficial relativa a rendimentos recebidos do Tribunal de Justiça do Estado do Pará, no valor de R$ 2.687,06; AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 16 39 /2 01 0- 67 Fl. 72DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-005.704 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10280.721639/2010-67 II. Compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte, IRRF, referente à fonte pagadora Tribunal de Justiça do Estado do Pará, na importância de R$ 4.198,93. Resultou a ação fiscal na apuração de um crédito tributário no valor de R$ 7.414,47. Em sua impugnação, fls. 02/04, a interessada alega, em síntese, que: Enganou-se na utilização do programa de transmissão da Declaração do IRPF. Pretendia enviar a declaração correspondente ao ano-calendário de 2008, em razão do erro de programa terminou por retificar a declaração correspondente ao ano-calendário de 2007, com os dados da DIRPF do ano-calendário de 2008. Solicita que sejam mantidos os dados da Declaração original correspondente ao ano- calendário de 2007, de acordo com comprovantes em anexo. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém do Pará deferiu parcialmente a Solicitação de Retificação de Lançamento – SRL, fl. 29. O que resultou na substituição da Notificação de Lançamento 2008/629186595187350 pela 2008/907527889267659, objeto do presente litígio. É o relatório. A decisão de primeira instância manteve parcialmente o lançamento do crédito tributário exigido, encontrando-se assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2007 Cientificado da decisão de primeira instância em 18/03/2013, o sujeito passivo interpôs, em 15/04/2013, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que: a) o IRRF foi recolhido pela fonte pagadora, conforme documentos juntados aos autos b) o recorrente não recebeu os rendimentos considerados omitidos pela fiscalização É o relatório. Voto Conselheiro(a) Marcelo Rocha Paura - Relator(a) Da Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço e passo à sua análise. Da Matéria em Julgamento A matéria constante na presente autuação devolvida a este Conselho para reanálise por meio de Recurso Voluntário é a omissão de rendimentos recebidos de Procuradoria Geral do Estado do Pará, CNPJ nº 34.921.759/0001-29, no valor de R$ 13.579,02. Do Mérito Da Omissão de Rendimentos Fl. 73DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-005.704 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10280.721639/2010-67 Como visto, a decisão anterior acabou mantendo a omissão de rendimentos acima em virtude da consistência das provas constantes neste processo administrativo a saber: comprovante de rendimentos (e-fls. 16); e DIRF enviada pela fonte pagadora (e-fls. 49). Contudo, em sua defesa, a interessada relata que os valores tidos como omitidos não foram recebidos em 2007, mas sim em 2010, in verbis: A contribuinte, para fins de esclarecimento, afirma que não recebeu o valor de R$ 13.579,02 (treze mil, quinhentos e setenta e nove reais e dois centavos) no ano- calendário 2007 da fonte pagadora Procuradoria Geral do Estado do Pará (anexo 1), conforme certidão da 5ª Vara do Trabalho de Belém (anexo 2), responsável pelo processo trabalhista n° 2189/1991 que deu origem ao crédito acima. O Tribunal Regional do Trabalho da 8' Região também informou que foram recolhidas antecipadamente, em junho/2007, as contribuições da Previdência Social (anexo 3) e do Imposto de Renda Retido na Fonte (anexo 4) concernentes ao referido processo trabalhista. Somente em 2010 foi executado o valor dos referidos créditos judiciais, o que coube a exequente Verônica Maria Barros Pinto Marques o valor de R$5.833,70 (cinco mil, oitocentos e trinta e três reais e setenta centavos) e a outra exequente, Neuza Maria Dias de Souza, o valor de R$ 5.627,70 (cinco mil, seiscentos e vinte e sete reais e setenta centavos) (anexos 5, 6 e 7). Para comprovar este fato, a recorrente juntou aos autos certidão (e-fls. 64), emitida, em 09/11/2009, pela 5ª Vara do Trabalho de Belém, relativo ao processo nº 02189- 1991-005-08-00-0, de onde colacionamos o seguinte trecho para melhor compreensão: A requerimento de VERONICA MARIA BARROS PINTO MARQUES, protocolizado sob o n° 883006/2009, CPF: 158.117.512-49, reclamante nos autos do processo em epígrafe, CERTIFICO que: A requerente ainda não recebeu o valor de seus créditos, estando os autos distribuídos ao setor de cálculos deste Juízo, a fim de reformular os cálculos de folhas 423/437 para que sejam. abatidos os valores de R$696,48 e R$2.879,66 depositados no dia 25/06/2007, respectivamente, à título de contribuição previdenciária e de imposto de renda, já recolhidos e comprovados antecipadamente pela reclamada às fls. 458/461 Junta, ainda, GPS (e-fls. 65), no valor de R$ 696,48, recolhida em 27/06/2007; DAE (e-fls. 66), no valor de R$ 2.879,66, recolhido em 25/06/2007; guia de retirada nº 1717/2010 (e-fls. 67), emitida pela 5ª Vara do Trabalho de Belém; e recibo de saque de depósito judicial (e-fls. 68), emitido em 06/07/2010, pelo Banco do Brasil S.A., tendo como beneficiária a recorrente. Assim, voto pela exclusão da infração de omissão de rendimentos, no valor de R$ 13.579,02. Conclusão Da análise de toda a documentação acostada, entendo que a interessada logra êxito em comprovar que os valores tidos como omitidos não foram recebidos em 2007, mas sim no ano-calendário de 2010. Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito, DOU-LHE PROVIMENTO. (documento assinado digitalmente) Marcelo Rocha Paura Fl. 74DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-005.704 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10280.721639/2010-67 Fl. 75DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10730.720443/2011-91
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Mon May 08 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2009
DEDUÇÃO INDEVIDA - DESPESA MÉDICA - DOCUMENTAÇÃO HÁBIL
As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
Numero da decisão: 2002-007.001
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o Conselheiro Diogo Cristian Denny, que lhe negou provimento. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcelo de Sousa Sateles.
(documento assinado digitalmente)
Diogo Cristian Denny - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Thiago Duca Amoni, Diogo Cristian Denny (Presidente).
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2009 DEDUÇÃO INDEVIDA - DESPESA MÉDICA - DOCUMENTAÇÃO HÁBIL As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o Conselheiro Diogo Cristian Denny, que lhe negou provimento. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcelo de Sousa Sateles. (documento assinado digitalmente) Diogo Cristian Denny - Presidente (documento assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Thiago Duca Amoni, Diogo Cristian Denny (Presidente).
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o Conselheiro Diogo Cristian Denny, que lhe negou provimento. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcelo de Sousa Sateles. (documento assinado digitalmente) Diogo Cristian Denny - Presidente (documento assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Thiago Duca Amoni, Diogo Cristian Denny (Presidente). Relatório Para o(a) contribuinte acima identificado(a), foi lavrada a Notificação de Lançamento, relativa ao Exercício 2009, exigindo o crédito tributário de R$ 11.426,42, atualizado até 31/1/2011, tendo em vista a constatação de dedução indevida de despesas médicas (R$ 21.737,18), assim motivada: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 04 43 /2 01 1- 91 Fl. 96DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-007.001 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10730.720443/2011-91 1)FUNDO ASSISTÊNCIA SAÚDE SERVIDOR - R$ 497,18 - falta de comprovação (ausência de documentação); 2) INGRID COUTINHO MONTEIRO - R$ 5.808,00 - recibos não indicam o endereço do profissional prestador do serviço e R$ 8.712,00 - recibos não identificam o paciente e não indicam o endereço do profissional prestador do serviço; 3) SANDRO BARROSO WERNECK - R$ 6.720,00 - recibos não identificam paciente beneficiário dos serviços e não indicam o endereço do profissional prestador do serviço. Cientificado(a) do lançamento, o(a) interessado(a) – vide fl. 03 – apresentou a impugnação, na qual argumenta que o valor glosado de R$ 21.737,18, refere-se a despesas médicas do próprio contribuinte e de seu filho(a) ou enteado(a), com idade até 21 anos de idade, comprovados mediante recibos e comprovante de rendimentos em conformidade com a legislação vigente. A decisão de primeira instância foi proferida com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2009 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Restabelecem-se apenas as despesas médicas, lastreadas em comprovantes que atendem aos requisitos formais exigidos pela legislação. Ciente do acórdão da DRJ em 18/03/2014, o(a) contribuinte, em 31/03/2014, apresentou recurso voluntário, no qual alega, em apertado resumo, que: a) despesas médicas estão comprovadas nos autos É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni - Relator O recurso apresentado é tempestivo e, por reunir os demais requisitos formais de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, dele toma-se conhecimento. A decisão de piso julgou a impugnação apresentada pelo contribuinte parcialmente procedente, nos seguintes termos: Por outro lado, deve ser restabelecida, como dedução, a importância de R$497,18, devidamente registrada no Comprovante de Rendimentos, ora anexado, sob a rubrica "Desconto Fundo Assistência Saúde Servidor CNPJ 006.235.448/000170". Também deve ser admitida como dedutível a quantia de R$ 5.808,00, vinculada à Ingrid Coutinho Monteiro, já que os recibos, de valor unitário de R$ 484,00, relativos a tratamento do filho e dependente do defendente, colacionados à defesa, trazem a indicação do endereço da profissional, suprindo a falha apontada na notificação. Sendo assim, salientando-se que não há notícia nos presentes autos de que o autuante tenha envidado maiores esforços no sentido de que fosse comprovada pelo(a) declarante a efetividade da realização das despesas médicas por ele(a) pleiteadas como dedução e, em especial, a efetividade dos pagamentos realizados, em razão do montante restabelecido como dedução, o(a) interessado(a) deverá ser eximido(a) do pagamento do imposto suplementar, equivalente a R$ 1.733,93 (= 0,275 x 6.305,18) , bem como de seus respectivos acréscimos legais. Fl. 97DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-007.001 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10730.720443/2011-91 Logo, a lide limita-se as glosas com Ingrid Coutinho Monteiro, R$8.712,00 e Sandro Barroso Werneck R$ 6.720,00. Da dedução de despesas médicas As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99): Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: I - de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II - das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): I- aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II- restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III- limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifos nossos) O trecho em destaque é claro quanto a idoneidade de recibos e notas fiscais, desde que preenchidos os requisitos legais, como meios de comprovação da prestação de serviço de saúde tomado pelo contribuinte e capaz de ensejar a dedução da despesa do montante de IRPF devido, quando da apresentação de sua DAA. O dispositivo em comento vai além, permitindo ainda que, caso o contribuinte tomador do serviço, por qualquer motivo, não possua o recibo emitido pelo profissional, a comprovação do pagamento seja feita por cheque nominativo ou extratos de conta vinculados a alguma instituição financeira. Fl. 98DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-007.001 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10730.720443/2011-91 Assim, como fonte primária da comprovação da despesa temos o recibo e a nota fiscal emitidos pelo prestador de serviço, desde que atendidos os requisitos legais. Na falta destes, pode, o contribuinte, valer-se de outros meios de prova. Ademais, o Fisco tem a sua disposição outros instrumentos para realizar o cruzamento de dados das partes contratantes, devendo prevalecer a boa-fé do contribuinte. Nesta linha, no acórdão 2001-000.388, de relatoria do Conselheiro deste CARF José Alfredo Duarte Filho, temos: (...) No que se refere às despesas médicas a divergência é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação da nota fiscal ou do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. (...) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocando-o na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (dedução tributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecê-lo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Some-se a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagador recebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de Fl. 99DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2002-007.001 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10730.720443/2011-91 serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazê-lo daquela forma." Ainda, há jurisprudência deste Conselho que corroboram com os fundamentos até então apresentados: Processo nº 16370.000399/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.387 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente FLÁVIO JUN KAZUMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Processo nº 13830.000508/2009-23 Recurso nº 908.440 Voluntário Acórdão nº 2202-01.901 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria Despesas Médicas Recorrente MARLY CANTO DE GODOY PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ Fl. 100DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2002-007.001 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10730.720443/2011-91 de quem prestou os serviços são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresenta declaração complementando as informações neles ausentes. Dito isto, às e-fls. 69 e seguintes há recibos hábeis e idôneos para a comprovação do pagamento das despesas médicas contraídas pelo contribuinte. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário para dar-lhe provimento. É como voto. Thiago Duca Amoni - Relator Fl. 101DF CARF MF Original
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Numero do processo: 10280.901703/2010-91
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon May 08 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2006
PERDCOMP. ERRO MATERIAL. RETIFICAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ERRO DE PREENCHIMENTO DO ANO-CALENDÁRIO. POSSIBILIDADE.
Erro de preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei.
Numero da decisão: 1002-002.775
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Fellipe Honório Rodrigues da Costa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ailton Neves da Silva, Rafael Zedral, Fellipe Honório Rodrigues da Costa e Miriam Costa Faccin
Nome do relator: FELLIPE HONORIO RODRIGUES DA COSTA
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2006 PERDCOMP. ERRO MATERIAL. RETIFICAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ERRO DE PREENCHIMENTO DO ANO-CALENDÁRIO. POSSIBILIDADE. Erro de preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei.
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ERRO MATERIAL. RETIFICAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ERRO DE PREENCHIMENTO DO ANO-CALENDÁRIO. POSSIBILIDADE. Erro de preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Fellipe Honório Rodrigues da Costa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ailton Neves da Silva, Rafael Zedral, Fellipe Honório Rodrigues da Costa e Miriam Costa Faccin Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 17 03 /2 01 0- 91 Fl. 137DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1002-002.775 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10280.901703/2010-91 Trata-se de recurso voluntário contra Acórdão 02-87.999 - 4ª Turma da DRJ/BHE, sessão de 29 de outubro de 2018, que julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade da contribuinte. Por bem descrever os fatos e por economia processual, adoto o relatório da decisão da DRJ, nos termos abaixo, que será complementado com os fatos que se sucederam: A interessada apresentou, em 23 de fevereiro de 2006, a Declaração de Compensação (DCOMP) nº 17857.16598.230206.1.2.03-0500, alegando dispor de direito creditório contra a Fazenda da União, alicerçado em saldo negativo de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL) apurado no exercício de 2006. Examinando tal Declaração, a DRF de origem prolatou o Despacho Decisório nº 880525386, datado de 6 de setembro de 2010, nos seguintes termos (fl. 22): Consta ainda das Informações Complementares da Análise de Crédito (fl. 14): Ciente em 21 de setembro de 2010 (fls. 16), a interessada apresentou, em 20 de outubro de 2010 (fl. 19), a manifestação de inconformidade de fls. 19 a 21, como segue. 6. [...] ao analisar o crédito informado na Declaração de Compensação, a fiscalização detectou a inconsistência entre o crédito declarado no PER/DCOMP n° 17857.16598.230206.1.2.03-0500 e o crédito declarado na DIPJ/2006, relativo ao saldo negativo de CSLL ano-base 2005, não homologando a compensação declarada no PER/DCOMP mencionado. 7. O fato é que a referida inconsistência decorre de erro material no preenchimento da aludida Declaração de Compensação, eis que a requerente lançou como crédito a compensar, o valor exato do débito fiscal de CSLL devido, ou seja, apenas o pagamento de 01 darf, quando deveria ter lançado o valor total do crédito apurado na DIPJ/2006, qual seja, os R$.24.097,48, devidamente constituídos e apurados, que corrigidos, são suficientes para a pretendida compensação. Fl. 138DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1002-002.775 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10280.901703/2010-91 8. A propósito do referido equivoco na descrição do crédito informado na Declaração de Compensação em questão, tentou a requerente retificar o PER/DCOMP, sem, contudo, obter êxito, eis que o sistema não permitiu a pretendida retificação, apresentando a seguinte informação: "ERRO. A DECLARAÇÃO NÃO FOI TRANSMITIDA. NAO É PERMITIDO RETIFICAR OU CANCELAR ESTE PER/COMP, POIS JÁ FOI OBJETO DE DECISÃO ADMINISTRATIVA" (impressão da tela em anexo). 9. Com efeito, o r. Despacho Decisório deve ser reformado, eis que embora tenha ocorrido o dito erro material na descrição do crédito a compensar na Declaração de Compensação (PER/DCOMP nº 17857.16598.230206.1.2.03-0500), o referido crédito foi efetivamente apurado através da DIPJ/2006, em decorrência de Saldo Negativo de CSLL ano-base 2005. 2. Conclusão e pedido. 10. Por todo o exposto, resta inequivocamente comprovada a existência do direito creditório em questão, sendo que, corrigido o erro material apontado, o r. Despacho Decisório deve ser reformado, no sentido de homologar a Declaração de Compensação representada pelo PER/DCOMP n°17857.16598.230206.1.2.03- 0500, nos termos acima expostos. 11. Para provar o alegado, requer a produção de todas as provas em direito admitidas, em especial a juntada de documentos e a realização de diligências, a fim de que seja apurada a verdade material dos fatos. 12. Em atenção ao disposto no art. 16, inciso V, do Decreto n. 70235, de 6.3.1972, com redação dada pela Lei n. 11.196, de 21.11.2005, informa que não está questionando judicialmente a matéria discutida nestes autos. À fl. 10, encontra-se o Termo de Intimação nº 675994602, de seguinte teor: A soma das parcelas de crédito demonstradas no PER/DCOMP é inferior ao somatório do demonstrativo de crédito informado nas linhas correspondentes da DIPJ. O total do crédito demonstrado no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação da contribuição ou posto devido, se houver, e a apuração do saldo negativo. Apuração: EXERCÍCIO 2006 Demonstrativo parcelas crédito PER/DCOMP: R$ 19.518,82(Somatório das informações das fichas Imposto de Renda pago no exterior, CSLL Retida na Fonte, Pagamentos, Estimativas compensadas com saldo de períodos anteriores, Estimativas parceladas e Demais estimativas compensadas) Demonstrativo parcelas crédito DIPJ: R$ 24.097,48(Somatório dos valores da FICHA 17, LINHAS 47 A 53) Solicita-se retificar a DIPJ correspondente ou apresentar PER/DCOMP retificador detalhando corretamente o crédito utilizado para compor o saldo negativo do período. Outras divergências entre as informações do PER/DCOMP, da DIPJ e da DCTF do período deverão ser sanadas pela apresentação de declarações retificadoras no prazo estabelecido nesta intimação. A 4ª Turma da DRJ/BHE julgou improcedente a Manifestação de Inconfrmidade, nos moldes abaixo: A peça de defesa foi apresentada a tempo e nos moldes prescritos pelo Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, com suas alterações, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, podendo ser apreciada. Reza o artigo 165 do CTN – Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, denominada Código Tributário Nacional pelo Ato Complementar nº 36, de 13 de março de 1967: (...) Por seu turno, assim determina o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: (...) Fl. 139DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1002-002.775 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10280.901703/2010-91 Atendendo ao comando do § 14, acima, o então Secretário da Receita Federal editou a Instrução Normativa (IN) SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, vigente até 30 de dezembro de 2008, que estabelecia(...) Disposição no mesmo sentido encontra-se no artigo 77 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, vigente até 20 de novembro de 2012. PRELIMINAR DE DILIGÊNCIA O pedido de conversão de julgamento em diligência deve ser indeferido por não haver sido formulado nos termos do artigo 16, inciso IV e § 1º, do Decreto nº 70.235, de 1972, como segue: (...) Ademais, é dispensável a adoção de tal providência, uma vez que não há pontos obscuros no processo, devendo ser indeferida em razão do teor do artigo 18, do mesmo Decreto: (...) DO MÉRITO Ultrapassada a preliminar, examine-se o mérito. Os dispositivos acima transcritos são inequívocos em condicionar a retificação da declaração à ocorrência de erros materiais e em vedar tal retificação quando a administração fazendária houver notificado o contribuinte a respeito da declaração. No caso presente, a interessada alega haver incorrido em lapso ao preencher a DCOMP nº 17857.16598.230206.1.2.03-0500, por deixar de registrar o total de pagamentos por ela efetuados durante o ano-calendário de 2005, e pede o cômputo desta parcela – não consignada em DCOMP – na apuração de seu saldo negativo de CSLL. Ora, isto equivaleria à retificação desta DCOMP depois de prolatado o Despacho Decisório nº 880525386, algo que é expressa e inequivocamente proibido pelos artigos 147, § 1º, do CTN; 57, da IN SRF nº 600, de 2005; e 77, da IN SRF nº 900, de 2008, estas últimas respaldadas pelo artigo 74, § 14, da Lei nº 9.430, de 1996. Recorde-se que a interessada recebeu e ignorou intimação que a advertia da discrepância entre Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e DCOMP; portanto, ela teve – e desprezou – a oportunidade de efetuar as retificações necessárias para que fossem homologadas as compensações pretendidas. Logo, este pleito deve ser denegado. Por fim, nunca é excessivo recordar que a autoridade fazendária carece de discricionariedade no desempenho de suas funções, algo explicitado no parágrafo único do artigo 142 do CTN: (..) CONCLUSÃO Em assim sucedendo, voto por considerar IMPROCEDENTE a presente manifestação de inconformidade. (...) Ciente do acórdão recorrido, e com ele inconformado, a recorrente apresentou Recurso Voluntário, pugnando pelo provimento do recurso, no seguintes termos: 1. DA NECESSIDADE DE REFORMA DO V. ACÓRDÃO – APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL Como já salientado no decorrer dos autos em epígrafe, a Recorrente apurou saldo negativo de CSLL referente ao ano-base de 2005 no valor de R$ 24.093,43 (vinte e quatro mil, noventa e três reais e quarenta e três centavos), haja vista que, conforme DIPJ/2006, os valores recolhidos a titulo de antecipação mensal daquele imposto, no Fl. 140DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1002-002.775 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10280.901703/2010-91 decorrer daquele ano, superaram o montante devido no encerramento do referido período, nos mencionados R$ 24.093,43 (vinte e quatro mil noventa e três reais e quarenta e três centavos). Desta forma, o saldo negativo em questão foi devidamente apurado na DIPJ/2006, a qual foi entregue à Secretaria da Receita Federal em 26.06.2006, conforme cópia do respectivo recibo de entrega já anexado na Manifestação de Inconformidade. Assim, salienta-se que o saldo negativo (crédito) supramencionado, foi informado na DIPJ do período e na PER/DCOMP que utilizou o crédito, conforme se verifica da cópia dos respectivos documentos anexos a presente (DIPJ e PER/DCOMP). No caso em tela, o que ocorreu de fato foi um mero erro de preenchimento, conforme já mencionado, pois a Recorrente lançou como crédito a compensar o valor exato do débito fiscal de CSLL devido, quando deveria ter lançado o valor total do crédito apurado na DIPJ/2006. Todavia, é importante destacar que a PER/DCOMP não foi retificada, uma vez que o citado erro de preenchimento só foi identificado após o recebimento do Despacho Decisório, o que por sua vez, impede a realização da retificação por meio do sistema da RFB. Saliente-se que a Recorrente, ao tentar retificar a PER/DCOMP após o recebimento do Despacho Decisório, se deparou com o seguinte comunicado no sistema: “ERRO. A DECLARAÇÃO NÃO FOI TRANSMITIDA. NÃO É PERMITIDO RETIFICAR OU CANCELAR ESTE PER/DCOMP, POIS JÁ FOI OBJETO DE DECISÃO ADMINISTRATIVA”. Nada obstante, como é cediço, por se tratar apenas de erro material, conforme determina o art. 108 da Instrução Normativa nº 1717/2017, a PER/DCOMP poderia ser retificada: Ora, Nobres Julgadores, resta patente que a Recorrente cometeu um mero erro material, inclusive, é fácil depreender que não há qualquer prejuízo ao erário, tampouco haveria qualquer intenção por parte da Recorrente em alterar o resultado dos efeitos e consequências dos pedidos de compensação formulados, uma vez que resta comprovada a existência do crédito em debate. Feitas estas considerações, há que se ter em mente que o desenvolvimento do processo administrativo, do qual se espera justiça nas decisões, deve ocorrer sempre em consonância com os princípios jurídicos a ele inerentes. Neste diapasão, como é de conhecimento desta Eg. Turma, um dos princípios basilares do processo administrativo é a BUSCA PELA VERDADE MATERIAL, que, conforme dispõe o Mestre Celso Antônio Bandeira De Mello, tal princípio consiste no fato de que a Administração Pública, ao invés de ficar adstrita aos procedimentos, deve buscar aquilo que é realmente verdade, in verbis: (...) Assim, diante do princípio da verdade material, deve ser levado em consideração o fato de que o crédito obejeto da PER/DCOMP está devidamente comprovado, sendo notória sua existência e validade, logo, é mister que tal crédito seja reconhecido por esta Exímia Turma. Além disso, não se pode deixar que o formalismo exacerbado, presente na impossibilidade de retificação da PER/DCOMP após a intimação do despacho Fl. 141DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1002-002.775 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10280.901703/2010-91 decisório, esteja acima do dever máximo da Administração Pública, consubstanciado na busca pela verdade material (real). Portanto, independente do erro material havido, nota-se que o crédito objeto da PER/DCOMP resta provado nos autos, razão pela qual o v. acórdão merece ser reformado, para o fim de que tal crédito seja reconhecido INTEGRALMENTE, pelas razões amplamente abordadas na presente. III – PEDIDOS E REQUERIMENTOS ANTE O EXPOSTO, requer se digne Vossa Senhoria em conhecer do presente Recurso Voluntário, vez que tempestivo e pertinente, sendo este o meio processual adequado, pelo qual se insurge a Recorrente contra o acórdão proferido pela DRJ, na forma dos seguintes pleitos: 1) Seja julgado TOTALMENTE PROCEDENTE o Recurso em epígrafe, reformando-se o acórdão de fls., para o fim de que seja reconhecido integralmente o crédito objeto da PER/DCOMP apresentada pela Recorrente, homologando desta feita a Declaração apresentada, como medida da mais lídima justiça; 2) Subsidiariamente, caso Vossa Senhoria entenda pelo não reconhecimento do crédito objeto do PER/DCOMP, o que se admite apenas a título de argumentação, requer seja convertido o julgamento em diligência, para o fim de que seja concedida a Recorrente a possibilidade de apresentação de Declaração Retificadora, por meio de Formulário ou via liberação pelo Sistema da RFB, para que esta corrija o erro material havido, informando todas as parcelas que compõem o crédito informado na PER/DCOMP, com fulcro nos princípios do formalismo moderado e da busca pela verdade material; 3) Por fim, requer seja aplicado ao presente crédito tributário a suspensão prevista no artigo 151, inciso III do Código Tributário Nacional; É o relatório. Voto Conselheiro Fellipe Honório Rodrigues da Costa, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O contribuinte informa que cometeu um erro no preenchimento da PER/DCOMP ao informar que lançou como crédito a compensar o valor exato do débito fiscal de CSLL devido, quando deveria ter lançado o valor total do crédito apurado na DIPJ/2006, e encaminhou retificadora da declaração, o que ocorreu após a emissão do Despacho Decisório que não homologou as compensações (e-fls. 65). O erro de preenchimento da DCOMP, por parte do contribuinte, na visão deste relator, quando lançou como crédito a compensar o valor exato do débito fiscal de CSLL devido, quando deveria ter lançado o valor total do crédito apurado na DIPJ/2006, consubstancia mero erro formal e escusável. Fl. 142DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1002-002.775 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10280.901703/2010-91 O contribuinte, ao ser cientificado do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação por reconhecer que o saldo negativo existente no ano-calendário 2001 era igual a zero, percebeu seu equívoco e solicitou retificação para apresentação de manifestação de inconformidade. É bem verdade, que o contribuinte se quedou inerte quando foi intimado para prestar esclarecimentos a respeito da inconsistência e poderia ter evitado a improcedência do seu pedido com os esclarecimentos requeridos pela fiscalização. No entanto, sopesando que o contribuinte, após o Despacho Decisório, buscou reparar a lacuna que ensejou o não reconhecimento do seu suposto direito creditório por meio da tentativa de transmissão do PER/DCOMP e não logrou êxito. Sendo assim, como há a possibilidade de retificação da DCOMP após o despacho decisório e, de modo diverso, a Turma da DRJ entendeu que após a ciência do despacho decisório, não poderia haver qualquer alteração da Dcomp: (...) No caso presente, a interessada alega haver incorrido em lapso ao preencher a DCOMP nº 17857.16598.230206.1.2.03-0500, por deixar de registrar o total de pagamentos por ela efetuados durante o ano-calendário de 2005, e pede o cômputo desta parcela – não consignada em DCOMP – na apuração de seu saldo negativo de CSLL. Ora, isto equivaleria à retificação desta DCOMP depois de prolatado o Despacho Decisório nº 880525386, algo que é expressa e inequivocamente proibido pelos artigos 147, § 1º, do CTN; 57, da IN SRF nº 600, de 2005; e 77, da IN SRF nº 900, de 2008, estas últimas respaldadas pelo artigo 74, § 14, da Lei nº 9.430, de 1996. (...) Dessa forma, não aceitar a retificação, seria criar o chamado impasse insuperável, em que o contribuinte não pode mais retificar a DCOMP, nem poderia mandar uma nova DCOMP sob o fundamento de que, passados mais de 05 anos, teria havido preclusão do direito. Logo, entendo que merece ser provido o direito da empresa porque o erro de preenchimento é claro, a empresa preencheu o valor total dos DARFs, induzindo o sistema ao erro. Mesmo assim, apurando a CSLL, chega-se ao saldo negativo pleiteado, sem necessidade de diligência: CSLL DEVIDA R$ 4.578,66 DARF R$ 13.465,24 DARF R$ 10.628,19 TOTAL DE DARFS pagos R$ 24.093,43 Saldo negativo de CSLL R$ 19.514,77 Veja que a transmissão de uma nova Dcomp após a decisão final do contencioso administrativo, solicitando a compensação de saldo negativo referente ao ano-calendário 2006, seria de plano indeferida. Acrescente-se que também não poderá ser objeto de Declaração de Fl. 143DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1002-002.775 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10280.901703/2010-91 Compensação o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, nos termos do art. 74, §3º, inciso V da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art.74. §3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pela sujeito passivo, da declaração referida no § 1o : (...) V - o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa;(grifo nosso) Dessa forma, tendo em vista o princípio da busca da verdade material e da formalidade moderada, e considerando que a empresa procurou corrigir seu erro assim que foi intimada do Despacho Decisório, tentando fazer a retificação da DCOPM, voto no sentido de afastar o óbice da retificação das DCOMPs apresentadas, bem como para aceitar a retificação considerar como crédito o saldo negativo o valor total do crédito apurado na DIPJ/2006. Nesse sentido, comprovada a existência de crédito de saldo negativo de CSLL 2006 e da respectiva compensação, nos termos do art. 170 do CTN, considerando a correção da DCOMP e com aplicação do racional inserto no parágrafo 3º do art. 59 do Decreto Lei 70235/72, que autoriza a análise benéfica do reconhecimento do credito na presente fase recursal, entendo por dar provimento ao pleito do contribuinte, in verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Art. 59. São nulos: § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. Conclusão Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DAR-LHE PROVIMENTO para reconhecer o direito creditório referente ao saldo negativo no valor de R$ 19.514,77 referente ao crédito apurado e homologar a compensação até o limite do crédito disponível. (documento assinado digitalmente) Fellipe Honório Rodrigues da Costa Fl. 144DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1002-002.775 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10280.901703/2010-91 Fl. 145DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10880.955145/2010-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2003
SALDO NEGATIVO. ANTECIPAÇÕES. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
Somente se torna possível deduzir do imposto de renda apurado ao final de determinado período as parcelas antecipadas, pagas ou compensadas, devidamente comprovadas, referentes ao mesmo período de apuração
Numero da decisão: 1302-006.428
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade, e, quanto ao mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório adicional relativo ao saldo negativo de IRPJ referente ao ano-calendário de 2003, no montante de R$ 853.296,64, e homologar as compensações objeto do presente processo até o limite do direito creditório reconhecido, nos termos do relatório e voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Sergio Magalhães Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Magalhaes Lima, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo Oliveira, Maria Angélica Echer Ferreira Feijó, Heldo Jorge dos Santos Pereira Junior, Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente). Ausente o conselheiro Sávio Salomão de Almeida Nobrega.
Nome do relator: SERGIO MAGALHAES LIMA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2003 SALDO NEGATIVO. ANTECIPAÇÕES. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Somente se torna possível deduzir do imposto de renda apurado ao final de determinado período as parcelas antecipadas, pagas ou compensadas, devidamente comprovadas, referentes ao mesmo período de apuração Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade, e, quanto ao mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório adicional relativo ao saldo negativo de IRPJ referente ao ano-calendário de 2003, no montante de R$ 853.296,64, e homologar as compensações objeto do presente processo até o limite do direito creditório reconhecido, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Sergio Magalhães Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Magalhaes Lima, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo Oliveira, Maria Angélica Echer Ferreira Feijó, Heldo Jorge dos Santos Pereira Junior, Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente). Ausente o conselheiro Sávio Salomão de Almeida Nobrega. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 51 45 /2 01 0- 15 Fl. 742DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-006.428 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.955145/2010-15 Trata-se de recurso voluntário interposto pela empresa AFRICA DDB BRASIL PUBLICIDADE LTDA contra acórdão de primeira instância que manteve a decisão administrativa de reconhecimento parcial de direito creditório correspondente ao saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/2003, pleiteado por meio do PER/DCOMP 08221.88484.050906.1.7.02- 9526, com a consequente homologação parcial das compensações efetuadas no PER/DCOMP nº 10627.38682.050906.1.7.02-3145 e a não homologação das demais compensações declaradas em razão da insuficiência de crédito. Em sessão de 28/03/2019, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJO), por meio do Acórdão nº 12-106.583, julgou improcedente a manifestação de inconformidade em razão da ausência de documentos hábeis a comprovar a existência de parcelas de crédito decorrentes de retenções de imposto de renda (IRRF). Após ciência da decisão, em 29/08/2019 (e-fl. 258), a Recorrente interpôs seu recurso em 23/09/2019 (e-fl. 260), peça de defesa na qual: (i) alega a nulidade do despacho decisório por ausência de procedimento fiscalizatório; (ii) requer a conversão do julgamento em diligência para intimação à fonte pagadora de determinada retenção de imposto, bem como para nova análise da documentação juntada aos autos; e, por fim, (i) apresenta razões de fato e de direito com vistas ao reconhecimento integral do direito creditório alegado. É o relatório. Voto Conselheiro Sergio Magalhães Lima, Relator. O recurso é tempestivo, e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Preliminarmente, alega a Recorrente nulidade do despacho decisório por ausência, segundo afirma, “de procedimento fiscalizatório”. Reclama, em verdade, da falta de intimação prévia para apresentação de documentos e de esclarecimentos. Por fim, informa, que a D. Autoridade Administrativa, de forma arbitrária, impediu o contribuinte de exercer o seu amplo direito de defesa, impondo-lhe, assim, lançamento de supostos débitos decorrentes de compensações não homologadas, sem o arcabouço probatório que lhes sustente. Todavia, contra essa alegação convém, inicialmente, lembrar dois pontos basilares de importante relevo em matéria de restituição e compensação de tributos: (1) a decisão da autoridade administrativa pode se limitar às informações apresentadas por meio de declarações previamente apresentadas no cumprimento de obrigações acessórias; e (2) no caso de indeferimento de pedido de restituição ou não homologação de compensação emerge o direito de o contribuinte contraditar a decisão denegatória, juntamente com o ônus de comprovar a ocorrência de eventuais nulidades ou erros da autoridade administrativa. Fl. 743DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-006.428 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.955145/2010-15 Nesse sentido, embora fosse desejável prévia solicitação de esclarecimentos no exame primário do direito creditório, procedimento que normalmente ocorre com frequência por força de intimações eletrônicas, não assiste razão à Recorrente quanto à nulidade suscitada, uma vez que o Despacho Decisório se reveste de todos os atributos exigidos para a torná-lo válido e eficaz, sendo certo que é através do presente processo administrativo fiscal, instrumento que assegura o contraditório e a ampla defesa, que o contribuinte pode buscar seu direito pleiteado, como o faz por meio do recurso ora em análise. Isto posto, há que se rejeitar a nulidade suscitada. Quanto ao mérito, no documento de análise e detalhamento do crédito (e-fl. 06), anexo ao Despacho Decisório, constam as parcelas de crédito que foram confirmadas (códigos de receita 6190 e 6800), que somam R$ 194.517,33, e as que não foram confirmadas (códigos de receita 8045 e 6800), que totalizam R$ 901.426,80. Vejam-se os quadros seguintes: A Turma julgadora a quo ao efetuar a análise dos documentos acostados aos autos constatou que não houve apresentação de documentos relativos à fonte pagadora Banco de Crédito Nacional S/A - CNPJ 60.898.723/0001-81, capazes de comprovar a retenção de imposto referente ao código de receita 6800. A interessada, em sua manifestação de inconformidade, nada apresenta relativamente à fonte pagadora Banco de Crédito Nacional S/A - CNPJ 60.898.723/0001-81 que corrobore o IRRF - código de receita 6800 - Aplicações financeiras em fundos de investimentos - renda fixa no valor de R$ 12.202,00 tal como declarado na Ficha 53 - Demonstrativo do Imposto de Renda Retido na Fonte - item 0009 da DIPJ 2004 (fl. 199) e no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito 08221.88484.050906.1.7.02- 9526 (fl. 15). Sobre esse ponto, a Recorrente solicita diligência para que, mediante intimação, a fonte pagadora apresente o informe de rendimentos comprobatório da retenção. Veja-se o parágrafo 25 do recurso: 25. Com efeito, caso não se reconheça a nulidade do despacho decisório, é de rigor que seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que a Recorrente possa exercer seu direito de defesa, mediante a intimação da fonte tomadora de CNPJ Fl. 744DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-006.428 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.955145/2010-15 60.898.723/0001-81 para que apresente o informe de rendimentos que comprova as retenções realizadas no código 6800, bem como para que seja feita nova verificação dos valores declarados pelos tomadores de serviços em DIRF. Contudo, outras formas de comprovação poderiam ser apresentadas, a exemplo do denominado “extrato de fundo de investimento” que revela a movimentação das aplicações e resgates de cotas, bem como os respectivos rendimentos e impostos retidos. Observe-se que sem esse extrato, ou outro documento fornecido pelo banco, sequer o contribuinte poderia realizar o registro em sua contabilidade da receita e do imposto retido como alega ter efetuado. Nesse sentido, não basta trazer ao recurso tão somente o balancete contábil, sendo necessária a folha do livro diário correspondente ao lançamento, e, especialmente, o documento que serviu de base para esse registro contábil, conforme comando do art. 9º do Decreto-Lei nº 1.598/77, verbis: Art 9º - A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita a verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos da sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova. § 1º - A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. § 2º - Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no § 1º. § 3º - O disposto no § 2º não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao contribuinte o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração. Assim, indefiro o pedido de diligência por entender que este pedido visa à produção de provas cujo ônus compete à Recorrente, e não acolho o pleito de reconhecimento da parcela de crédito ora analisada, uma vez que não foram trazidos ao recurso o livro diário com os lançamentos referentes ao registro contábil da aplicação financeira em questão e os documentos hábeis que deram lastro a esses lançamentos. No que tange às retenções sob o código 8045, o entendimento fixado pelo voto condutor da decisão recorrida caminhou no sentido da irrestrita observação dos comandos normativos que tratam da retenção do imposto de renda como requisito de dedutibilidade do IRRF durante o ano-calendário. Nessa linha de pensamento, a falta do comprovante de rendimentos emitido em nome da Recorrente, bem como da comprovação de envio da informação do valor das importâncias e do respectivo imposto de renda recolhido aos seus clientes, foram determinantes para o julgamento da improcedência da manifestação de inconformidade. Vejam-se os seguintes excertos daquela decisão: Por sua vez, quanto ao IRRF relativo a código de receita 8045 - serviços de propaganda (DIPJ 2004 – Ficha 53 – item 0007), nos termos da disposições normativas anteriormente transcritas, tem-se que: as importâncias pagas pela prestação de serviços de propaganda e publicidade constituem fato gerador da retenção do imposto de renda na fonte; Fl. 745DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-006.428 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.955145/2010-15 o imposto retido é considerado antecipação do devido no encerramento do período; o recolhimento do imposto cabe à pessoa jurídica que receber os rendimentos (agência de propaganda); é responsabilidade da pessoa jurídica que recebeu os rendimentos (agência de propaganda) fornecer às pessoas jurídicas que as tenham pago (anunciantes) documento comprobatório com indicação do valor das importâncias e do respectivo imposto de renda recolhido, relativos ao ano-calendário anterior; é obrigação da pessoa jurídica que pagou os rendimentos (anunciante) enviar para pessoa jurídica beneficiária (agência de propaganda) Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte; o imposto retido na fonte somente poderá ser compensado na declaração de pessoa jurídica (agência de propaganda) se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora (anunciantes). Quanto ao conjunto probatório relativo à parcela de IRRF – código 8045, a interessada anexa ao processo tão somente cópias dos recolhimentos efetuados (fl. 98/123): não comprova ter enviado, para as fontes pagadoras, o documento estabelecido pelo art. 16 da IN SRF nº 380/2003, nem tampouco apresenta comprovantes de rendimentos emitidos em seu nome, como determinado pelo art. 942 do RIR/1999, documento hábil para comprovar a correta dedução do imposto retido durante o ano-calendário. Todavia, com a devida vênia ao Colegiado aquo, entendo que os documentos juntados aos autos, especialmente os comprovantes de arrecadação e a cópia da DIPJ 2004 são suficientes para comprovação do indébito, uma vez que as informações contidas nos comprovantes de e-fls 97/123, particularmente o código de receita, o período de apuração, e a data de arrecadação, confirmam que as receitas foram auferidas durante o ano-calendário de 2003 e o imposto dela decorrente devidamente recolhido. Eis os dados dos comprovantes de arrecadação trazidos pelo sujeito passivo, que conferem com a tabela de e-fls. 38 de sua manifestação de inconformidade: Data de arrecadação Período de Apuração Vencimento Código da Receita Valor 08/01/2003 04/01/2003 8/1/2003 8045 11.940,37 15/01/2003 11/01/2003 15/1/2003 8045 3.248,68 22/01/2003 18/01/2003 22/1/2003 8045 15.929,07 29/01/2003 25/01/2003 29/1/2003 8045 6.017,65 05/02/2003 01/02/2003 5/2/2003 8045 26.318,96 12/02/2003 08/02/2003 12/2/2003 8045 8.555,98 19/02/2003 15/02/2003 19/2/2003 8045 12.726,58 26/02/2003 22/02/2003 26/2/2003 8045 8.191,84 07/03/2003 01/03/2003 7/3/2003 8045 16.331,50 12/03/2003 08/03/2003 12/3/2003 8045 9.094,20 19/03/2003 15/03/2003 19/3/2003 8045 16.457,34 26/03/2003 22/03/2003 26/3/2003 8045 23.939,82 02/04/2003 29/03/2003 2/4/2003 8045 21.134,06 09/04/2003 05/04/2003 9/4/2003 8045 16.730,03 16/04/2003 12/04/2003 16/4/2003 8045 19.113,77 24/04/2003 19/04/2003 24/4/2003 8045 24.505,59 30/04/2003 26/04/2003 30/4/2003 - 8045 17.795,65 Fl. 746DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-006.428 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.955145/2010-15 07/05/2003 03/05/2003 7/5/2003 8045 6.090,09 14/05/2003 10/05/2003 14/5/2003 8045 6.245,22 21/05/2003 17/05/2003 21/5/2003 8045 21.978,46 28/05/2003 24/05/2003 28/5/2003 8045 6.174,08 04/06/2003 31/05/2003 4/6/2003 8045 22.476,93 11/06/2003 07/06/2003 11/6/2003 8045 2.929,78 18/06/2003 14/05/2003 18/6/2003 8045 32.863,71 25/06/2003 21/06/2003 25/6/2003 8045 7.719,13 02/07/2003 28/06/2003 2/7/2003 8045 23.330,15 10/07/2003 05/07/2003 10/7/2003 8045 6.660,21 16/07/2003 12/07/2003 16/7/2003 8045 7.996,55 23/07/2003 19/07/2003 23/7/2003 8045 43.943,55 30/07/2003 26/07/2003 30/7/2003 8045 16.665,12 06/08/2003 02/08/2003 6/8/2003 8045 4.474,68 13/08/2003 09/08/2003 13/8/2003 8045 3.247,69 20/08/2003 16/08/2003 20/8/2003 8045 25.603,73 27/08/2003 23/08/2003 27/8/2003 8045 13.573,13 03/09/2003 30/08/2003 3/9/2003 8045 14.633,02 10/09/2003 06/09/2003 10/9/2003 8045 3.142,50 17/09/2003 13/09/2003 17/9/2003 8045 8.859,03 24/09/2003 20/09/2003 24/9/2003 8045 15.736,02 01/10/2003 27/09/2003 1/10/2003 8045 15.308,05 08/10/2003 04/10/2003 8/10/2003 8045 5.101,15 15/10/2003 11/10/2003 15/10/2003 8045 2.496,84 22/10/2003 18/10/2003 22/10/2003 8045 34.367,70 29/10/2003 25/10/2003 29/10/2003 8045 3.166,86 05/11/2003 01/11/2003 5/11/2003 8045 53.072,96 12/11/2003 08/11/2003 12/11/2003 8045 2.425,23 19/11/2003 15/11/2003 19/11/2003 8045 58.650,95 26/11/2003 22/11/2003 26/11/2003 8045 14.132,77 03/12/2003 29/11/2003 3/12/2003 8045 24.718,06 10/12/2003 06/12/2003 10/12/2003 8045 17.064,25 17/12/2003 13/12/2003 17/12/2003 8045 9.660,71 24/12/2003 20/12/2003 24/12/2003 8045 31.047,38 02/01/2004 27/12/2003 2/1/2004 8045 29.709,86 Valor Total 853.296,64 Por sua vez, o valor registrado na DIPJ 2004 a título de “Receita de Prestação de Serviços”, na linha 8 da ficha 06A (e-fls. 143), no total de R$ 61.424.504,97, é superior ao montante das receitas, no valor de R$ 56.886.442,66, sobre as quais foram apurados e pagos os impostos de código 8045, no total de R$ 853.296,64, o que indica que essas receitas foram oferecidas à tributação. Esse fato é facilmente demonstrado pela divisão desse valor total de retenção pela alíquota correspondente a 1,5% ( R$ 853.296, 64 / 1,5% = R$ 56.886.442,66), de acordo com o disposto no art. 651 do RIR/99. Confira-se a informação prestada em DIPJ: Fl. 747DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1302-006.428 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.955145/2010-15 Diante desses fatos, entendo que restam confirmadas as retenções de imposto de renda, bem como comprovado o oferecimento à tributação das receitas correspondentes, em justo alinhamento com o disposto nas súmulas CARF de nºs 80 e 143 abaixo reproduzidas: Súmula CARF nº 80 Aprovada pela 1ª Turma da CSRF em 10/12/2012 Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Súmula CARF nº 143 Aprovada pela 1ª Turma da CSRF em 03/09/2019 A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Assim sendo, há que se reconhecer a parcela de crédito adicional de R$ 853.296,64 ao saldo negativo de imposto de renda já confirmado pelo despacho decisório. CONCLUSÃO Ante o exposto, conheço do recurso, rejeito a preliminar de nulidade, e, no mérito, DOU-LHE PARCIAL PROVIMENTO, para reconhecer o direito creditório adicional relativo ao saldo negativo de IRPJ referente ao ano-calendário de 2023, no valor de R$ 853.296,64, e homologar as compensações objeto do presente processo até o limite do direito creditório reconhecido. É como voto. (documento assinado digitalmente) Sergio Magalhães Lima Fl. 748DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1302-006.428 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.955145/2010-15 Fl. 749DF CARF MF Original
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Numero do processo: 13884.000385/2011-10
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon May 08 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2008
DEDUÇÃO - PENSÃO ALIMENTÍCIA
São dedutíveis na Declaração de Imposto de Renda os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e desde que devidamente comprovados, nos termos do art. 8º, II, f, da Lei nº. 9.250/95. A importância paga por mera liberalidade não é dedutível.
Numero da decisão: 2002-007.608
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do Recurso Voluntário apenas quanto a glosa de dedução de pensão alimentícia para, no mérito, negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Diogo Cristian Denny - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Thiago Duca Amoni, Diogo Cristian Denny (Presidente).
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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conteudo_txt : Metadados => date: 2023-04-17T16:44:47Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-04-17T16:44:47Z; Last-Modified: 2023-04-17T16:44:47Z; dcterms:modified: 2023-04-17T16:44:47Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-04-17T16:44:47Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-04-17T16:44:47Z; meta:save-date: 2023-04-17T16:44:47Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-04-17T16:44:47Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-04-17T16:44:47Z; created: 2023-04-17T16:44:47Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2023-04-17T16:44:47Z; pdf:charsPerPage: 1782; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-04-17T16:44:47Z | Conteúdo => S2-TE02 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13884.000385/2011-10 Recurso Voluntário Acórdão nº 2002-007.608 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Turma Extraordinária Sessão de 23 de março de 2023 Recorrente AYRES PEDROZA TEIXEIRA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2008 DEDUÇÃO - PENSÃO ALIMENTÍCIA São dedutíveis na Declaração de Imposto de Renda os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e desde que devidamente comprovados, nos termos do art. 8º, II, f, da Lei nº. 9.250/95. A importância paga por mera liberalidade não é dedutível. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do Recurso Voluntário apenas quanto a glosa de dedução de pensão alimentícia para, no mérito, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Diogo Cristian Denny - Presidente (documento assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Thiago Duca Amoni, Diogo Cristian Denny (Presidente). Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Para o sujeito passivo em epígrafe foi emitida Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF (fls. 23-27), referente ao(s) exercício(s) 2008, ano(s)- calendário 2007, por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil. Após a revisão da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 00 03 85 /2 01 1- 10 Fl. 76DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-007.608 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13884.000385/2011-10 Declaração, foi apurado saldo de imposto a pagar de R$7.787,08, mais multa de ofício e juros de mora. O lançamento acima foi decorrente das seguintes infrações: Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial. Glosa R$53.640,00, por falta de comprovação. Regularmente intimado, o contribuinte não atendeu a intimação. Enquadramento legal consta da Notificação de Lançamento supracitada. Dedução Indevida de Despesas com Instrução. Glosa R$2.480,66, por falta de comprovação. Regularmente intimado, o contribuinte não atendeu a intimação. Enquadramento legal consta da Notificação de Lançamento supracitada. O contribuinte apresenta impugnação, na qual, em síntese, expõe os motivos de fato e de direito que se seguem: Dedução Indevida de Despesas com Instrução - O valor refere-se a despesas com instrução própria. Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial – O valor refere-se a pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, em decorrência de decisão judicial. O presente processo foi devolvido a unidade lançadora para análise prevista no artigo 6°A da Instrução Normativa RFB n° 958, de 15 de julho de 2009, com redação dada pela IN RFB n° 1.061, de 04 de agosto de 2010. Da análise dos documentos apresentados e demais questões de fato alegadas, foi elaborado Termo Circunstanciado. Com base neste, foi emitido Despacho Decisório (fls. 40-43), que restabeleceu integralmente a Dedução de Despesas com Instrução, no valor de R$2.480,66, e manteve a glosa da pensão alimentícia, sob o fundamento de falta de comprovação da obrigação e do pagamento. Cientificado do Despacho Decisório e do Termo Circunstanciado, o interessado contestou a Revisão (fl. 49), afirmando que o conteúdo da sentença permaneceu indelével no transcurso do tempo. Acrescenta que o processo judicial atualmente se acha no arquivo central da cidade de Jundiaí, necessário se faz desencravar. Foi solicitada a Certidão de Objeto e Pé no Cartório da 2ª Vara Cível da Cidade de Jacareí, acrescida dos demais elementos comprobatórios elucidativos. É o relatório. A decisão de primeira instância manteve parcialmente o lançamento do crédito tributário exigido, encontrando-se assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2008 DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. São dedutíveis na Declaração do Imposto de Renda os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. REQUISITOS LEGAIS. São dedutíveis na Declaração do Imposto de Renda os pagamentos efetuados a estabelecimentos de educação pré-escolar, incluindo creches, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, observado o limite permitido para o respectivo exercício. Cientificado da decisão de primeira instância em 11/08/2016, o sujeito passivo interpôs, em 08/09/2016, Recurso Voluntário, alegando a improcedência parcial da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que: Fl. 77DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-007.608 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13884.000385/2011-10 a) o recurso voluntário preenche todos os requisitos para sua admissibilidade, devendo ser conhecido; b) os documentos apresentados comprovam a obrigação de pagamento de pensão alimentícia em cumprimento de decisão judicial; c) as despesas com instrução também estão comprovadas nos autos. É o relatório. Voto Conselheiro(a) Thiago Duca Amoni - Relator(a) O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Contudo, o conhecimento é parcial, como será demonstrado. O lançamento decorreu da dedução indevida de pensão alimentícia judicial, no valor de R$53.640,00, e da dedução indevida de despesas com instrução, no valor de R$2.480,66, por falta de comprovação. Conforme Despacho Decisório (fls. 40-43), foram restabelecidas integralmente a Dedução de Despesas com Instrução, no valor de R$2.480,66, sendo mantidas a glosa da pensão alimentícia, sob o fundamento de falta de comprovação da obrigação e do pagamento. Em que pese o dispositivo do acórdão da DRJ tenha consignado a “PROCEDÊNCIA EM PARTE” da impugnação apresentada pelo contribuinte, resta glosado todo o valor da pensão alimentícia. Da pensão alimentícia A dedução da pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda está prevista no artigo 78 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR – Decreto 3.000/99) e no artigo 4º da Lei nº 9.250/1995: Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). §1º A partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. §2º O valor da pensão alimentícia não utilizado, como dedução, no próprio mês de seu pagamento, poderá ser deduzido nos meses subseqüentes. §3º Caberá ao prestador da pensão fornecer o comprovante do pagamento à fonte pagadora, quando esta não for responsável pelo respectivo desconto. §4º Não são dedutíveis da base de cálculo mensal as importâncias pagas a título de despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §3º). §5º As despesas referidas no parágrafo anterior poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração anual, a título de Fl. 78DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-007.608 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13884.000385/2011-10 despesa médica (art. 80)ou despesa com educação (art. 81)(Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §3º). Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) II – as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil; Dito isto, em sede recursal o contribuinte anexa os mesmos documentos apresentados na impugnação, que a meu sentir, deve tratar-se de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública, mas que, pela ilegibilidade, torna-se impossível analisá-lo com o fito de auferir o dever de prestar alimentos. Diante do exposto, conheço parcialmente do recurso voluntário apenas quanto a glosa de dedução de pensão alimentícia para, no mérito, negar-lhe provimento. É como voto. Thiago Duca Amoni - Relator Fl. 79DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 13656.000042/89-92
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 1991
Data da publicação: Tue Dec 22 00:00:00 UTC 2009
Ementa: PIS - DEDUÇÃO - DECORRÊNCIA.
Negado provimento ao mérito do recurso principal, em principio, o decorrente deve seguir a mesma sorte.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 103-11.115
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: DICLER DE ASSUNÇÃO
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score : 1.0
Numero do processo: 18050.720083/2019-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 13 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Período de apuração: 01/10/2014 a 31/12/2014
ÔNUS DA PROVA.
Somente se torna possível afastar os robustos argumentos, baseados em fatos comprovados trazidos pela autoridade fiscal, mediante a apresentação de argumentos contrários acompanhados das devidas provas dos fatos alegados.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA
Aplicam-se aos lançamentos decorrentes, de CSLL, PIS e COFINS, as mesmas razões de decidir referentes às exigências à título de IRPJ.
Numero da decisão: 1302-006.448
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Processo julgado em 12/04/2023 período da tarde.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Sergio Magalhães Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Magalhaes Lima, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo Oliveira, Maria Angélica Echer Ferreira Feijó, Heldo Jorge dos Santos Pereira Junior, Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente). Ausente o conselheiro Sávio Salomão de Almeida Nobrega.
Nome do relator: SERGIO MAGALHAES LIMA
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Período de apuração: 01/10/2014 a 31/12/2014 ÔNUS DA PROVA. Somente se torna possível afastar os robustos argumentos, baseados em fatos comprovados trazidos pela autoridade fiscal, mediante a apresentação de argumentos contrários acompanhados das devidas provas dos fatos alegados. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Aplicam-se aos lançamentos decorrentes, de CSLL, PIS e COFINS, as mesmas razões de decidir referentes às exigências à título de IRPJ.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Processo julgado em 12/04/2023 período da tarde. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Sergio Magalhães Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Magalhaes Lima, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo Oliveira, Maria Angélica Echer Ferreira Feijó, Heldo Jorge dos Santos Pereira Junior, Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente). Ausente o conselheiro Sávio Salomão de Almeida Nobrega.
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Somente se torna possível afastar os robustos argumentos, baseados em fatos comprovados trazidos pela autoridade fiscal, mediante a apresentação de argumentos contrários acompanhados das devidas provas dos fatos alegados. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Aplicam-se aos lançamentos decorrentes, de CSLL, PIS e COFINS, as mesmas razões de decidir referentes às exigências à título de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Processo julgado em 12/04/2023 período da tarde. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Sergio Magalhães Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Magalhaes Lima, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo Oliveira, Maria Angélica Echer Ferreira Feijó, Heldo Jorge dos Santos Pereira Junior, Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente). Ausente o conselheiro Sávio Salomão de Almeida Nobrega. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 72 00 83 /2 01 9- 45 Fl. 591DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-006.448 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18050.720083/2019-45 Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o auto de infração do Simples Nacional, referente aos períodos de apuração de outubro a dezembro de 2014, lavrado em desfavor da empresa individual ELTON PITON BARRETO SEIXAS (CNPJ 13.974.599/0001-06), cujo objeto social é coleta de resíduos não perigosos. Pela clareza do relatório do acórdão recorrido, reproduzo-o a seguir: 2. Consta do Relatório Fiscal, que o contribuinte, pessoa física, em nome individual, explorou, habitual e profissionalmente, atividade econômica de natureza comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda de sucata de metal a terceiros, tendo auferido receita bruta superior ao permitido na norma de regência. 2.1. Extrapolado o limite de receita bruta para permanência no Regime Especial de Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), o contribuinte foi excluído, de ofício, por meio do Ato Declaratório Executivo DRF-Salvador/SEFIS n° 02, de 20 de fevereiro de 2019, com efeitos a partir de outubro de 2014. 2.2. Afastados os benefícios do Regime Especial de Tributação Simplificada, restaram inadimplidos tributos devidos e não recolhidos no período da ação fiscal. Portanto, do procedimento de verificação fiscal se originaram três processos administrativos, a saber: • PA n° 18050.7201152019-11, que tem por objeto o ADE de exclusão do Simples Nacional, cuja análise foi proferida, pela 3a Turma de julgamento, na mesma sessão, que decidiu, por unanimidade, favoravelmente pelo entendimento da Administração Tributária, considerando improcedente a manifestação apresentada; • PA n° 18050.7200832019-45, que tem por objeto o Auto de Infração, que constituiu os créditos tributários exigidos do contribuinte em consequência da exclusão do regime (litígio que aqui se aprecia); e • PA n° 10580.7212792019-57, que tem por objeto o Auto de Infração, que constituiu os créditos tributários exigidos no período de janeiro a setembro/2014, sob a sistemática do Simples Nacional. 2.3. No presente processo está sendo exigido os créditos tributários, relativamente aos fatos geradores ocorridos de outubro a dezembro/2014, conforme abaixo discriminados: TRIBUTO PRINCIPAL MULTA TOTAL IRPJ 4.662,33 6.993,49 11.655,82 CSLL 3.496,75 5.245,12 8.741,87 PIS/PASEP 2.104,51 3.156,76 5.261,27 COFINS 9.713,19 14.569,77 24.282,96 TOTAL 19.976,78 29.965,14 49.941,92 2.3.1. A base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) foi apurada pelo arbitramento do lucro, nos termos do inciso III, art. 47 da Lei n° 8.891, de 1995. 3. Cientificado dos autos, o contribuinte apresenta suas razões recursais argumentado, em síntese, que: a) firmou contrato de parceria de prestação de serviços com algumas empresas, que consistia na captação de fornecedores de resíduos não perigosos em Salvador, também Fl. 592DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-006.448 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18050.720083/2019-45 chamados de catadores de metais recicláveis, a fim de que fosse possível a realização da venda para as empresas parceiras. b) após a identificação do produto a ser adquirido, a empresa parceira realizava o depósito na conta bancária do Recorrente do valor relativo à aquisição, o qual efetivava a compra em nome da empresa parceira e a mesma procedia com a coleta do material diretamente dos coletadores. Concluída a negociação, a empresa parceira comissionava o recorrente no percentual de 1% (um por cento) sobre o valor dos produtos coletados. c) a receita bruta no caso concreto, para fins de aplicação do Simples Nacional, deve ser apenas as comissões recebidas pela captação de vendedores, consoante art. 3°, § 1° da Lei Complementar n° 123, de 2006, e não os valores pertencentes aos seus parceiros, que ela recebe em sua conta bancária e se limita a sacar e pagar as compras efetuadas. Cita a Solução de Consulta Cosit n° 239, de 16 de maio de 2017. d) o comissionamento é provado de forma clara, na medida em que os valores que transitaram na conta do Recorrente resultavam na lavratura de Notas Fiscais de Entrada dos valores totais das mercadorias em nome do Recorrente sem o conhecimento do mesmo. e) as Empresas parceiras de maneira ardilosa ao coletar as mercadorias, ao invés de lavrar diversas Notas Fiscais de Entrada em nome dos sucateiros, visando facilitar seus procedimentos administrativos, simplesmente lavra em nome do Recorrente. Requer: f) a decretação da improcedência do Auto de Infração em apreço, por absoluta impossibilidade de subsunção do fato à norma legal e a juntada posterior de documentos que se façam necessários, a fim de provar o alegado. Em sessão de 11/09/2019, por meio do Acórdão nº 07-44.778, a 3 a Turma da DRJ/FNS realizou o julgamento consoante os fundamentos resumidos na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 01/10/2014 a 31/12/2014 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. LANÇAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO DECORRENTE. Uma vez promovida a exclusão da pessoa jurídica do Simples e do Simples Nacional, sujeitar-se-á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas e proceder-se-á, se for o caso, a lavratura de auto de infração para a exigência do crédito tributário devido, independentemente do julgamento de eventual manifestação de inconformidade contra o ato declaratório de exclusão. ADOÇÃO DO LUCRO ARBITRADO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. AFASTAMENTO DAS REGRAS DO LUCRO REAL. VALORAÇÃO DE COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL. A adoção do Lucro Arbitrado na apuração dos tributos em lançamento de ofício está condicionada à verificação, por parte da Autoridade Fiscal, da prestabilidade, idoneidade e suficiência dos registros contábeis necessários à apuração com base no Lucro Real. Nas situações em que o agente autuante entender que deduções indevidas, omissões de receitas e outras atipicidades não possam ser topicamente superadas (glosa de despesas, Fl. 593DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-006.448 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18050.720083/2019-45 acréscimos de receitas omitidas, etc.), correto o arbitramento da base de cálculo (art. 530, do RIR/1999). Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2014 a 31/12/2014 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplica-se à tributação da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) a solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Portanto, o decidido para o Auto de Infração de IRPJ estende-se às consequências que com ele compartilham o mesmo fundamento factual e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2014 a 31/12/2014 PEDIDO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL A prova documental deve ser apresentada na impugnação, com preclusão do direito de fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Após ciência por edital (e-fls. 579), em 17/12/2019, a empresa interpôs recurso, em 26/12/2019 (e-fls. 580), peça de defesa na qual reproduz, em essência, os mesmo argumentos apresentados em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Sergio Magalhães Lima, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Em síntese, a autoridade autuante identificou que a empresa individual ELTON PITON BARRETO SEIXAS, em que pese estar cadastrada com o objeto social de coleta de resíduos e inclusa no Sistema de Recolhimento em Valores Fixos Mensais dos Tributos Abrangidos pelo Simples Nacional (SIMEI), praticou atividade de compra e venda de sucatas de metal, com receita bruta que excedeu o limite possível para o microempreendedor individual (MEI), de R$ 60.000,00 (sessenta mil reais) para o ano de ocorrência dos fatos geradores. A receita bruta do ano de 2014 identificada por aquela autoridade totalizou R$ 5.050.874,99 (cinco milhões, cinquenta mil, oitocentos e setenta e quatro reais, e noventa e nove Fl. 594DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-006.448 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18050.720083/2019-45 centavos), o que motivou o Ato Declaratório Executivo de desenquadramento do SIMEI e de exclusão do Simples Nacional, bem como os seguintes lançamentos: (i) o primeiro, objeto do processo 10580.7212792019-57, referente ao período de janeiro a setembro de 2014, em função da ultrapassagem em mais de 20% do limite de R$ 3.600.000,00 (três milhões e seiscentos mil reais) para permanência no Simples Nacional, conforme art. 73 c/c § 1º do art. 2º da Resolução CGSN 94/2011, sendo o lançamento efetuado com base na sistemática do Simples Nacional; (ii) o segundo, referente ao período de outubro a dezembro de 2014, objeto do presente processo, em consequência da exclusão do Simples Nacional. Basicamente, as provas levantadas contra a empresa Recorrente consistem nas notas fiscais eletrônicas de entrada de três empresas que registram a razão social ELTON PITON BARRETO SEIXAS como fornecedor em operação de compra de sucatas de alumínio, dos depósitos bancários efetuados na conta da Recorrente, e por declarações, de duas das empresas que compraram as sucatas, de que as operações não foram realizadas através de contrato de comissão, tratando-se de compras de sucatas. A Recorrente, por sua vez, contesta essas provas e alega que agia como intermediária nas operações, auferindo receita a título de comissão, no valor de 1% do total das mercadorias, em razão dessa atividade. Contudo, conforme ressaltou a autoridade fiscal, a atividade de intermediação era vedada no ano de 2014, período em que ocorreram os fatos ora retratados. Confira-se: “Ressalta-se, inclusive, que a intermediação de negócios constituía atividade vedada para ingresso no Simples Nacional e, por consequência, para ingresso no SIMEI. Apenas com a Lei Complementar 147/2014 foi que, a partir do ano-calendário de 2015, a atividade passou a ser permitida no Simples Nacional. Inclusive, por sua escolha, não é a atividade de intermediação de negócios que figura como a atividade exercida pelo contribuinte no CNPJ.” Acrescenta que a mecânica da operação consistia no repasse aos catadores, em espécie, via saque em conta-corrente, dos valores depositados pelas empresas adquirentes das sucatas, uma vez que os catadores são pessoas físicas que, em sua maioria, não possuem conta bancária. Veja-se: É sabido que o grupo de catadores é formado por pessoas físicas de baixa renda que, em sua maioria, não dispõem de registro, conta bancária ou uma organização que lhes proporcione negociar diretamente com os possíveis compradores, nascendo a partir daí a necessidade de transitar os valores nas contas do Recorrente. Sendo assim, após a identificação do produto a ser adquirido, a empresa parceira realizava o depósito na conta bancária do Recorrente do valor relativo à aquisição, o qual efetivava a compra em nome da empresa parceira e a mesma procedia com a coleta do material diretamente dos coletadores. Concluída a negociação, a empresa parceira comissionava o recorrente no percentual de 1% (um por cento) sobre o valor dos produtos coletados. Ou seja, os valores depositados pelas empresas parceiras eram exclusivamente para realizar o pagamento dos diversos coletadores, não havendo o que falar em rendimentos ou lucros auferidos pelo recorrente. Como é possível ser verificado através dos extratos Fl. 595DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-006.448 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18050.720083/2019-45 das operações bancárias do Recorrente, que demonstram que ele sempre procedia com o saque dos valores depositados pelas empresas parceiras para realizar o pagamento dos diversos coletadores. Vê-se que o cerne da questão se restringe ao exame da real natureza da atividade econômica exercida pela Recorrente, se de intermediação, como alega, ou de revenda de mercadorias. Isso porque a base de cálculo das exações corresponde ao faturamento, e, na hipótese de confirmação da atividade defendida pela Recorrente, embora formalmente vedada no período em que ocorreram os fatos geradores, haverá certamente significativa redução dos valores lançados. De início, chama à atenção que apesar de a decisão de piso registrar pontos que não foram questionados em impugnação, tais como: o fato de a intermediação de negócios sequer figurar como atividade exercida no CNPJ da Recorrente; a vedação dessa atividade para o ingresso no Simples Nacional em 2014; e a falta de apresentação de provas para contrapor o lançamento; a Recorrente não aproveitou a oportunidade para apresentar provas e fatos novos em seu recurso, vez que simplesmente insistiu em transcrever as mesmas razões de defesa. Vejam-se os seguintes excertos da decisão recorrida: 6. Na apreciação das questões articuladas pelo contribuinte em relação ao quadro fático probatório constante dos autos, não se pode concordar com a tese de que sua atividade é a intermediação de negócios. 6.1. Primeiro porque, conforme apontado pelo Auditor, a intermediação de negócios sequer figura como atividade exercida no seu CNPJ. Fato, inclusive, não refutado pela mesmo. 6.1.1. Mais do que isto, a intermediação de negócios é atividade econômica que constituía vedação ao ingresso no Simples Nacional e, por consequência, no Sistema de Recolhimento em Valores Fixos Mensais dos Tributos abrangidos pelo Simples Nacional -SIMEI. Somente a partir de 2015, com o advento da Lei Complementar n° 147, de 07 de agosto de 2014, que o ingresso no Simples da referida atividade econômica passou a ser permitida. 6.2 Depois porque os extratos de contas-correntes bancárias apresentados, às fls. 500- 510, os quais ratificaram o volume de recursos oriundos das pessoas jurídicas emissoras das notas fiscais de compra de sucatas e resíduos metálicos, cujo vendedor era o contribuinte enquanto pessoa física, contraria a alegação de que os recursos não representavam pagamentos relativos a operações de venda realizadas por ele, mas sim frutos da parceria de prestação de serviços com as empresas. Isto porque, as pessoas jurídicas emissoras das notas fiscais, em sede de diligência, confirmaram as operações de compra de sucata de metal perante o contribuinte, nos exatos termos das notas fiscais eletrônicas. 6.3 Com isto, tudo o mais apresentado pelo contribuinte perde sua finalidade, porquanto suas assertivas seguem a mesma linha argumentativa, as quais restaram insuficientes para contrapor o lançamento. 6.4 Seja como for, certo é que o contribuinte não apresentou nenhuma prova para contrapor o lançamento, sequer o contrato de comissão pela captação de resíduos não perigosos. A questão é que nem os extratos de contas-correntes bancárias nem o Livro Caixa apresentados fazem prova de que sua receita se limitava a comissão de 1%, como quer crer. Ao contrário, as provas constantes do processo são suficientes para formar o convencimento acerca dos fatos apontados pelo Auditor Fl. 596DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1302-006.448 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18050.720083/2019-45 Apesar de as provas apresentadas pela autoridade autuante serem suficientemente claras para sustentar o lançamento realizado, realçadas especialmente em razão da carência probatória da defesa no suporte de suas alegações, este relator debruçou-se sobre os registros efetuados nos extratos bancários, pois chamou-me à atenção o fato de que a Recorrente “sempre procedia com o saque dos valores depositados pelas empresas parceiras para realizar o pagamento dos diversos coletadores.” O exame dos extratos, contudo, revela-se contrário à alegação apresentada, pois não somente há saques de valores, mas também muitos pagamentos efetuados via cheque, situação para a qual não procurou a Recorrente alertar ou esclarecer. Confira-se o seguinte excerto a título de exemplo: Desta forma, diante das circunstâncias fáticas que denunciam a falta de provas da Recorrente para controverter de forma efetiva o lançamento, bem como da lacunosa narrativa acerca dos pagamentos via conta corrente, há que se concordar com a autuação nos exatos termos em que realizada, e com a decisão de piso no que tange ao esclarecimento quanto ao procedimento de arbitramento efetuado, conforme os termos dos seguintes excertos: 7.1. Devida a ausência da documentação necessária para a apuração direta do total devido de tributos (escrituração contábil e fiscal) por parte do contribuinte, o Auditor lançou mão do método de aferição indireta para apuração da base tributável do IRPJ e Fl. 597DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1302-006.448 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18050.720083/2019-45 CSLL. Para tanto, adotou como receita bruta, do período de outubro a dezembro/2014, os valores recebidos das pessoas jurídicas Vilfer Comércio de Metais, Latasa Reciclagem S.A. e Alumbras Alumínio do Brasil Indústria e Comércio - EIRELI, relativos às operações comerciais de venda. 7.1.1. Veja-se que esta situação se subsume às hipóteses que autorizam a adoção do critério de aferição/arbitramento, disciplinadas no inciso III, art. 47 da Lei n° 8.891, de 1995, bem como à definição de receita bruta prevista no art. 31 da mesma norma. Portanto, em que pese as alegações do contribuinte de que "não se pode considerar como renda bruta aqueles valores depositados pelas empresas parceiras", percebe-se que todo o procedimento fiscal foi amparado por norma em pleno vigor, não havendo qualquer descumprimento legal nesse sentido. Por fim, não verifico nas demais alegações apresentadas qualquer relevante argumento capaz de infirmar os lançamentos efetuados a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. CONCLUSÃO Ante o exposto, conheço do recurso, e, no mérito, NEGO-LHE PROVIMENTO. É como voto. (documento assinado digitalmente) Sergio Magalhães Lima Fl. 598DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10925.901494/2018-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/10/2015 a 31/12/2015
BENS (MERCADORIAS). AQUISIÇÃO. COOPERADOS. CRÉDITOS. DESCONTOS IMPOSSIBILIDADE.
As operações com cooperados, pessoas físicas e/ ou jurídicas, não constituem operações de mercado, não implicam contrato de compra e venda, não estão sujeitas ao pagamento das contribuições sobre o faturamento mensal e, portanto, não dão direito ao desconto de crédito das contribuições.
FRETES. TRANSPORTE. PRODUTO ACABADO, PRODUÇÃO PRÓPRIA/REVENDA. CRÉDITOS. DESCONTOS. IMPOSSIBILIDADE.
Inexiste amparo legal para o desconto de créditos sobre custos/despesas com fretes para o transporte de produtos acabados entre os estabelecimentos do contribuinte, seja de produção própria, seja de aquisição para revenda.
FRETES. BENS PARA REVENDA. CONTRIBUIÇÕES. DESONERAÇÃO. DESCONTO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE.
Os custos/despesas com fretes na aquisição de bens para revenda, não tributados pelo PIS e Cofins, integram o custo da mercadoria vendida; assim, ainda que desonerados das contribuições, dão direito ao desconto de créditos.
REALOCAÇÃO DE CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE BENS PARA REVENDA. MERCADO INTERNO.
A alocação de créditos descontados sobre aquisição de bens para revenda exclusivamente no mercado interno atende à legislação das contribuições sujeitas ao regime não cumulativo.
MATERIAL DE EMBALAGEM E ETIQUETAS. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE.
Os custos/despesas incorridas com material de embalagem e etiquetas enquadram-se como insumos da produção dos bens destinados à venda, nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, bem no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR e, portanto, dão direito ao desconto de créditos.
MATERIAL DE USO E CONSUMO. CRÉDITOS. DESCONTOS. IMPOSSIBILIDADE.
As despesas com materiais gerais de uso e consumo, tais como outras embalagens, material de manutenção predial, vasilhames, lacres e brincos para animais e materiais para aviários, não dão direito ao desconto de créditos.
INSUMOS. AQUISIÇÃO. COOPERADOS. CRÉDITOS. ALÍQUOTAS CHEIAS (1,65%/7,60%). DESCONTOS. IMPOSSIBILIDADE.
As operações com cooperados, pessoas jurídicas (cooperativas singulares), constituem atos cooperativos típicos sobre as quais não incidem as contribuições para o PIS e Cofins; assim, não dão direito ao desconto de créditos destas contribuições, às alíquotas cheias.
AQUISIÇÃO. INSUMOS. PRODUÇÃO. RAÇÃO. VENDA. SUSPENSÃO BASE DE CÁLCULO. R$1.069.627,77. GLOSA. REVERSÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Mantém-se a glosa dos créditos descontados sobre os custos/despesas no valor de R$1.069.627,77, vinculados à produção de ração vendida para terceiros por falta de comprovação de que tais custos constituem insumos de sua produção.
FRETES. INSUMOS. TRANSFERÊNCIA. ENTRE ESTABELECIMENTOS. CRÉDITOS. DESCONTO. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de matéria julgada favorável ao contribuinte decidida na primeira instância.
FRETES. LOTE PARA EXPORTAÇÃO. CRÉDITOS. DESCONTOS. IMPOSSIBILIDADE.
Em consonância com a literalidade do inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833, de 2003, e nos termos decididos pelo STJ e do Parecer Cosit nº 5, de 2018, em regra, somente podem ser considerados insumos para fins de apuração de créditos das contribuições para o PIS e Cofins, bens e serviços utilizados pela pessoa jurídica no processo de produção de bens e de prestação de serviços, excluindo-se do conceito os dispêndios realizados após a finalização do aludido processo, salvo exceções justificadas.
SISTEMA DE INTEGRAÇÃO - AVES, SUÍNOS, RAÇOES - FRETES. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE.
O custo dos fretes incorridos com o sistema integração para o transporte de aves e suínos fornecidos aos cooperados integrados (pessoas físicas/jurídicas) compõe o custo da matéria-prima dos bens destinados à venda e, portanto, dão direito ao desconto de créditos.
FRETES. INSUMOS. AQUISIÇÃO. DESONERAÇÃO. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE.
Os custos/despesas com fretes tributados pelo PIS e Cofins, vinculados à operação de compra de bens (insumos) tributados à alíquota 0 (zero), isentos ou com suspensão, utilizados na produção dos bens destinados à venda, ainda que desonerados da contribuição, dão direito ao desconto de créditos.
FRETES. ENVIO/RECEBIMENTO. BENS. COOPERADOS. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE.
Os custos/despesas incorridos com fretes para o envio/recebimento de bens (mercadorias) de cooperados integram seus custos; assim, dão direito ao desconto de créditos, nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003.
FRETES. REMESSA/RETORNO DE INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE.
Os custos/despesas incorridos com fretes para remessa de insumos para industrialização por encomenda e com o retorno dos produtos industrializados constituem insumos, nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e também no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR; assim, dão direito ao desconto de créditos.
FRETES. BENS. REMESSA. ARMAZENAGEM. CRÉDITOS. DESCONTOS. IMPOSSIBILIDADE.
As despesas incorridas com fretes para remessa de bens para armazenagem em depósitos de terceiros não dão direito ao desconto de créditos das contribuições.
SERVIÇOS. FÁBRICA DE RAÇÃO. CRÉDITOS. MATÉRIA. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de matéria já decidida em primeira instância a favor do contribuinte.
ROYALTIES. GENÉTICA ANIMAL. PAGAMENTO. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE.
Os custos/despesas incorridos com pagamento de royalties para utilização na produção de animais (aves e suínos) de alto padrão genético, efetuado às pessoas jurídicas detentoras das tecnologias, enquadram-se na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo; assim, dão direito ao desconto de créditos.
SERVIÇOS/DESPESAS (SAÚDE) DIVERSAS QUE NÃO SE AGREGAM AOS BENS PRODUZIDOS. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE.
As despesas que não se agregam aos bens produzidos, ou seja, dispensáveis à suas produções, tais como serviços de saúde, exames médicos, consultas médicas incorridas com colaboradores (empregados/funcionários) não dão direito ao desconto de créditos.
DEPRECIAÇÃO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. AQUISIÇÃO COMPROVADA. CRÉDITOS. GLOSA. REVERSÃO.
Comprovada a informação equivocada sobre a aquisição dos bens representados pelas Notas Fiscais nº 459 e nº 462, ambas emitidas pela empresa SAIBA Cozinhas Profissionais Ltda., CNPJ nº 01.419.904/0001-44, reverte-se a glosa dos créditos descontados.
CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. FABRICAÇÃO DE RAÇÃO. INSUMOS. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE.
Os custos incorridos com a aquisição de milho extrusado e de lenha utilizados na fabricação de ração destinada à alimentação animal (aves e suínos), vendida para terceiros no mercado interno, ainda que com a suspensão das contribuições, dão direito ao desconto de créditos.
PEDIDO ALTERNATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO 60,0%. FABRICAÇÃO DE RAÇÃO. PREPARAÇÕES (NCM 23.09.90). CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE.
Os custos incorridos com aquisição de preparações dos tipos utilizados na alimentação de animais, classificadas no código 2309.90 da NCM, utilizadas na produção de ração, destinada aos animais (aves e suínos) cujos produtos são decorrentes dos seus abates, processamento e industrialização que não foram exportados, dão direito ao desconto de créditos.
CRÉDITO PRESUMIDO DE 30%. FÁBRICA DE RAÇOES. INSUMOS. CRÉDITOS. DESCONTOS POSSIBILIDADE.
As aquisições de milho, farinha e farelo utilizados na fabricação de razão destinada ao sistema integração na criação de aves e suínos empregados na produção dos bens exportados dão direito ao crédito presumido no percentual de 30,0% sobre o custo de aquisição.
IMPORTAÇÃO. PEÇAS. REPOSIÇÃO/MANUTENÇÃO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. PROCESSO PRODUTIVO. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE.
Os custos/despesas com a aquisição de peças e equipamentos utilizados na reposição e manutenção das máquinas e equipamentos utilizados na produção dos bens destinados à venda enquadram-se na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo; assim, por força do disposto no § 2º do art. 62, do Anexo II, do RICARF, adota-se essa decisão para reconhecer o direito de o contribuinte descontar créditos sobre tais custos/despesas.
CRÉDITOS. BENS PARA REVENDA. ALOCAÇÃO. MERCADO INTERNO TRIBUTADO.
Os créditos descontados sobre o custos de aquisição de bens para revenda devem ser alocados para o mercado interno.
O método de rateio proporcional da receita aplica-se somente aos custos, despesas e encargos utilizados na produção dos bens destinados a venda, vinculados à receita tributada pelo regime cumulativo e à receita tributada pelo regime não cumulativo e também à receita de exportação e receita desonerada no mercado interno (suspensão, alíquota zero ou não incidência).
CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO. ALOCAÇÃO.
A alocação dos créditos presumidos da agroindústria decorrentes de encargos comuns (custos/despesas) deve ser feita de acordo com a vinculação das receitas: mercado interno tributadas; mercado interno não tributadas (alíquota zero, suspensão, isenção e não incidência); e, mercado externo.
EXCLUSÃO. SALDO CREDOR. CRÉDITO PRESUMIDO. MÊS ANTERIOR. MATÉRIA NÃO SUSCITADA. PRECLUSÃO.
Considera-se não impugnada a matéria exclusão do saldo do crédito presumido do mês anterior sob o rótulo de crédito diferido por não ter sido expressamente oposta pelo sujeito passivo à autoridade julgadora de primeira instância, precluindo-se o direito de suscitá-la nesta fase recursal.
RECEITA. RATEIO PROPORCIONAL. RECÁLCULO. ESCRITURAÇÃO (EFD CONTRIBUIÇÕES). RETIFICAÇÃO.
Não compete a essa Turma Julgadora manifestar sobre pedido de retificação da escrituração das contribuições (EFD Contribuições), efetuada pelo contribuinte.
RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. SELIC. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. CONHECIMENTO. VEDAÇÃO.
Súmula CARF nº 1:
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).
Numero da decisão: 3301-012.532
Decisão: Acordam os membros do colegiado: I) por unanimidade votos, não conhecer do recurso voluntário do contribuinte, quanto: 1) à glosa de créditos sobre fretes na transferência de insumos; 2) glosa de créditos sobre serviços na fábrica de ração; 3) glosa de créditos sobre os encargos de depreciação/amortização de bens do ativo imobilizado (contas: 11681 - Edificações; 11797 - Benfeitorias em Imóveis Próprios; conta 11827 - Benfeitorias em Imóveis de Terceiros; e, 11771 Instalações); 4) exclusão do saldo do crédito presumido do mês anterior sob o rótulo de crédito diferido valor excluído mês; 5) recálculo do índice de rateio entre receitas tributadas e não tributadas do mercado interno desconsideração das exclusões da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, no cálculo do percentual correspondente às receitas não tributadas; e, 6) à atualização monetária do ressarcimento do crédito deferido pela taxa Selic; II) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte para manter as glosas dos créditos sobre: 1) aquisições de mercadorias para revenda de cooperados; 2) vinculação da realocação indevida dos créditos sobre aquisições de bens para revenda, exclusivamente, para o mercado interno tributado; 3) material de uso e consumo; 4) aquisições de insumos de cooperados pessoas jurídicas (cooperativas singulares); 5) aquisições de produtos vendidos com a suspensão prevista na Lei nº 12.350/2010; 6) fretes sobre aquisição de embalagens, bens não enquadrados como insumo e bens de uso e comum; 7) despesas com serviços de saúde; e, 8) realocação indevida dos créditos relativos a importação de bens para revenda, exclusivamente para o mercado interno tributado (item 2.3.6, do Relatório Fiscal); III) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte para reverter as glosas dos créditos sobre: 1) fretes nas aquisições de produtos (mercadorias) não sujeitos ao pagamento da contribuição; 2) material de embalagem e etiquetas; 3) frete sobre o sistema de integração aves, suínos, rações (insumos); 4) fretes sobre bens (insumos) sujeitos à alíquota zero, isenção e suspensão; 5) fretes sobre envio/recebimento de bens (mercadorias) de cooperados; 6) fretes de remessa e retorno de industrialização por encomenda; 7) despesas com royalties-material genético; 8) encargos de depreciação sobre os bens das Notas Fiscais nº 459 e 462 (fls. 18863 e 18864); 9) alocação dos valores dos créditos presumidos integralmente para o mercado interno tributado; 10) milho e lenha (vinculados ao estorno de crédito em relação às receitas de vendas de rações efetuadas com suspensão); 11) aquisições das preparações utilizadas na alimentação de animais vivos classificados nas posições 01.03 e 01.05, classificadas no código 2309.90 da NCM, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física, calculados às alíquotas correspondentes a 30,0% das alíquotas previstas no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, comercializados exclusivamente no mercado interno (Pedido alternativo da Fiscalização estorno do valor apropriado como crédito presumido de 60%, em relação a NCM 2309.90); 12) insumos utilizados na produção de rações vendidas para terceiros no mercado interno (crédito presumido de 30,0%); e, 13) Insumos importados (peças/equipamentos importados não imobilizados, utilizados no processo produtivo); e, pelo voto de qualidade, negar provimento ao voluntário do contribuinte para manter as glosas dos créditos sobre: 1) fretes relativos à transferência de produtos acabados entre estabelecimentos; 2) fretes para formação de lotes de exportação; e, 3) fretes sobre remessa de mercadoria para armazenagem; vencidos os Conselheiros Laércio Cruz Uliana Junior, Juciléia de Souza Lima, Sabrina Coutinho Barbosa e Semíramis de Oliveira Duro, que davam provimento ao recurso voluntário neste tópico. Votou pelas conclusões a Conselheira Lara Moura Franco Eduardo. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-012.526, de 27 de abril de 2023, prolatado no julgamento do processo 10925.901487/2018-17, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Adão Vitorino de Morais, Laércio Cruz Uliana Júnior, Lara Moura Franco Eduardo (suplente convocada), Juciléia de Souza Lima, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa, Semíramis de Oliveira Duro e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente). Ausente o conselheiro Ari Vendramini, substituído pelo conselheiro Marcos Antônio Borges.
Nome do relator: RODRIGO LORENZON YUNAN GASSIBE
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado: I) por unanimidade votos, não conhecer do recurso voluntário do contribuinte, quanto: 1) à glosa de créditos sobre fretes na transferência de insumos; 2) glosa de créditos sobre serviços na fábrica de ração; 3) glosa de créditos sobre os encargos de depreciação/amortização de bens do ativo imobilizado (contas: 11681 - Edificações; 11797 - Benfeitorias em Imóveis Próprios; conta 11827 - Benfeitorias em Imóveis de Terceiros; e, 11771 Instalações); 4) exclusão do saldo do crédito presumido do mês anterior sob o rótulo de crédito diferido valor excluído mês; 5) recálculo do índice de rateio entre receitas tributadas e não tributadas do mercado interno desconsideração das exclusões da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, no cálculo do percentual correspondente às receitas não tributadas; e, 6) à atualização monetária do ressarcimento do crédito deferido pela taxa Selic; II) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte para manter as glosas dos créditos sobre: 1) aquisições de mercadorias para revenda de cooperados; 2) vinculação da realocação indevida dos créditos sobre aquisições de bens para revenda, exclusivamente, para o mercado interno tributado; 3) material de uso e consumo; 4) aquisições de insumos de cooperados pessoas jurídicas (cooperativas singulares); 5) aquisições de produtos vendidos com a suspensão prevista na Lei nº 12.350/2010; 6) fretes sobre aquisição de embalagens, bens não enquadrados como insumo e bens de uso e comum; 7) despesas com serviços de saúde; e, 8) realocação indevida dos créditos relativos a importação de bens para revenda, exclusivamente para o mercado interno tributado (item 2.3.6, do Relatório Fiscal); III) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte para reverter as glosas dos créditos sobre: 1) fretes nas aquisições de produtos (mercadorias) não sujeitos ao pagamento da contribuição; 2) material de embalagem e etiquetas; 3) frete sobre o sistema de integração aves, suínos, rações (insumos); 4) fretes sobre bens (insumos) sujeitos à alíquota zero, isenção e suspensão; 5) fretes sobre envio/recebimento de bens (mercadorias) de cooperados; 6) fretes de remessa e retorno de industrialização por encomenda; 7) despesas com royalties-material genético; 8) encargos de depreciação sobre os bens das Notas Fiscais nº 459 e 462 (fls. 18863 e 18864); 9) alocação dos valores dos créditos presumidos integralmente para o mercado interno tributado; 10) milho e lenha (vinculados ao estorno de crédito em relação às receitas de vendas de rações efetuadas com suspensão); 11) aquisições das preparações utilizadas na alimentação de animais vivos classificados nas posições 01.03 e 01.05, classificadas no código 2309.90 da NCM, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física, calculados às alíquotas correspondentes a 30,0% das alíquotas previstas no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, comercializados exclusivamente no mercado interno (Pedido alternativo da Fiscalização estorno do valor apropriado como crédito presumido de 60%, em relação a NCM 2309.90); 12) insumos utilizados na produção de rações vendidas para terceiros no mercado interno (crédito presumido de 30,0%); e, 13) Insumos importados (peças/equipamentos importados não imobilizados, utilizados no processo produtivo); e, pelo voto de qualidade, negar provimento ao voluntário do contribuinte para manter as glosas dos créditos sobre: 1) fretes relativos à transferência de produtos acabados entre estabelecimentos; 2) fretes para formação de lotes de exportação; e, 3) fretes sobre remessa de mercadoria para armazenagem; vencidos os Conselheiros Laércio Cruz Uliana Junior, Juciléia de Souza Lima, Sabrina Coutinho Barbosa e Semíramis de Oliveira Duro, que davam provimento ao recurso voluntário neste tópico. Votou pelas conclusões a Conselheira Lara Moura Franco Eduardo. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-012.526, de 27 de abril de 2023, prolatado no julgamento do processo 10925.901487/2018-17, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Adão Vitorino de Morais, Laércio Cruz Uliana Júnior, Lara Moura Franco Eduardo (suplente convocada), Juciléia de Souza Lima, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa, Semíramis de Oliveira Duro e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente). Ausente o conselheiro Ari Vendramini, substituído pelo conselheiro Marcos Antônio Borges.
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/10/2015 a 31/12/2015 BENS (MERCADORIAS). AQUISIÇÃO. COOPERADOS. CRÉDITOS. DESCONTOS IMPOSSIBILIDADE. As operações com cooperados, pessoas físicas e/ ou jurídicas, não constituem operações de mercado, não implicam contrato de compra e venda, não estão sujeitas ao pagamento das contribuições sobre o faturamento mensal e, portanto, não dão direito ao desconto de crédito das contribuições. FRETES. TRANSPORTE. PRODUTO ACABADO, PRODUÇÃO PRÓPRIA/REVENDA. CRÉDITOS. DESCONTOS. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste amparo legal para o desconto de créditos sobre custos/despesas com fretes para o transporte de produtos acabados entre os estabelecimentos do contribuinte, seja de produção própria, seja de aquisição para revenda. FRETES. BENS PARA REVENDA. CONTRIBUIÇÕES. DESONERAÇÃO. DESCONTO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas com fretes na aquisição de bens para revenda, não tributados pelo PIS e Cofins, integram o custo da mercadoria vendida; assim, ainda que desonerados das contribuições, dão direito ao desconto de créditos. REALOCAÇÃO DE CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE BENS PARA REVENDA. MERCADO INTERNO. A alocação de créditos descontados sobre aquisição de bens para revenda exclusivamente no mercado interno atende à legislação das contribuições sujeitas ao regime não cumulativo. MATERIAL DE EMBALAGEM E ETIQUETAS. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridas com material de embalagem e etiquetas enquadram-se como insumos da produção dos bens destinados à venda, nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, bem no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR e, portanto, dão direito ao desconto de créditos. MATERIAL DE USO E CONSUMO. CRÉDITOS. DESCONTOS. IMPOSSIBILIDADE. As despesas com materiais gerais de uso e consumo, tais como outras embalagens, material de manutenção predial, vasilhames, lacres e brincos para animais e materiais para aviários, não dão direito ao desconto de créditos. INSUMOS. AQUISIÇÃO. COOPERADOS. CRÉDITOS. ALÍQUOTAS CHEIAS (1,65%/7,60%). DESCONTOS. IMPOSSIBILIDADE. As operações com cooperados, pessoas jurídicas (cooperativas singulares), constituem atos cooperativos típicos sobre as quais não incidem as contribuições para o PIS e Cofins; assim, não dão direito ao desconto de créditos destas contribuições, às alíquotas cheias. AQUISIÇÃO. INSUMOS. PRODUÇÃO. RAÇÃO. VENDA. SUSPENSÃO BASE DE CÁLCULO. R$1.069.627,77. GLOSA. REVERSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Mantém-se a glosa dos créditos descontados sobre os custos/despesas no valor de R$1.069.627,77, vinculados à produção de ração vendida para terceiros por falta de comprovação de que tais custos constituem insumos de sua produção. FRETES. INSUMOS. TRANSFERÊNCIA. ENTRE ESTABELECIMENTOS. CRÉDITOS. DESCONTO. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de matéria julgada favorável ao contribuinte decidida na primeira instância. FRETES. LOTE PARA EXPORTAÇÃO. CRÉDITOS. DESCONTOS. IMPOSSIBILIDADE. Em consonância com a literalidade do inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833, de 2003, e nos termos decididos pelo STJ e do Parecer Cosit nº 5, de 2018, em regra, somente podem ser considerados insumos para fins de apuração de créditos das contribuições para o PIS e Cofins, bens e serviços utilizados pela pessoa jurídica no processo de produção de bens e de prestação de serviços, excluindo-se do conceito os dispêndios realizados após a finalização do aludido processo, salvo exceções justificadas. SISTEMA DE INTEGRAÇÃO - AVES, SUÍNOS, RAÇOES - FRETES. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. O custo dos fretes incorridos com o sistema integração para o transporte de aves e suínos fornecidos aos cooperados integrados (pessoas físicas/jurídicas) compõe o custo da matéria-prima dos bens destinados à venda e, portanto, dão direito ao desconto de créditos. FRETES. INSUMOS. AQUISIÇÃO. DESONERAÇÃO. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas com fretes tributados pelo PIS e Cofins, vinculados à operação de compra de bens (insumos) tributados à alíquota 0 (zero), isentos ou com suspensão, utilizados na produção dos bens destinados à venda, ainda que desonerados da contribuição, dão direito ao desconto de créditos. FRETES. ENVIO/RECEBIMENTO. BENS. COOPERADOS. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com fretes para o envio/recebimento de bens (mercadorias) de cooperados integram seus custos; assim, dão direito ao desconto de créditos, nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. FRETES. REMESSA/RETORNO DE INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com fretes para remessa de insumos para industrialização por encomenda e com o retorno dos produtos industrializados constituem insumos, nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e também no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR; assim, dão direito ao desconto de créditos. FRETES. BENS. REMESSA. ARMAZENAGEM. CRÉDITOS. DESCONTOS. IMPOSSIBILIDADE. As despesas incorridas com fretes para remessa de bens para armazenagem em depósitos de terceiros não dão direito ao desconto de créditos das contribuições. SERVIÇOS. FÁBRICA DE RAÇÃO. CRÉDITOS. MATÉRIA. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de matéria já decidida em primeira instância a favor do contribuinte. ROYALTIES. GENÉTICA ANIMAL. PAGAMENTO. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com pagamento de royalties para utilização na produção de animais (aves e suínos) de alto padrão genético, efetuado às pessoas jurídicas detentoras das tecnologias, enquadram-se na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo; assim, dão direito ao desconto de créditos. SERVIÇOS/DESPESAS (SAÚDE) DIVERSAS QUE NÃO SE AGREGAM AOS BENS PRODUZIDOS. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. As despesas que não se agregam aos bens produzidos, ou seja, dispensáveis à suas produções, tais como serviços de saúde, exames médicos, consultas médicas incorridas com colaboradores (empregados/funcionários) não dão direito ao desconto de créditos. DEPRECIAÇÃO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. AQUISIÇÃO COMPROVADA. CRÉDITOS. GLOSA. REVERSÃO. Comprovada a informação equivocada sobre a aquisição dos bens representados pelas Notas Fiscais nº 459 e nº 462, ambas emitidas pela empresa SAIBA Cozinhas Profissionais Ltda., CNPJ nº 01.419.904/0001-44, reverte-se a glosa dos créditos descontados. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. FABRICAÇÃO DE RAÇÃO. INSUMOS. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. Os custos incorridos com a aquisição de milho extrusado e de lenha utilizados na fabricação de ração destinada à alimentação animal (aves e suínos), vendida para terceiros no mercado interno, ainda que com a suspensão das contribuições, dão direito ao desconto de créditos. PEDIDO ALTERNATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO 60,0%. FABRICAÇÃO DE RAÇÃO. PREPARAÇÕES (NCM 23.09.90). CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. Os custos incorridos com aquisição de preparações dos tipos utilizados na alimentação de animais, classificadas no código 2309.90 da NCM, utilizadas na produção de ração, destinada aos animais (aves e suínos) cujos produtos são decorrentes dos seus abates, processamento e industrialização que não foram exportados, dão direito ao desconto de créditos. CRÉDITO PRESUMIDO DE 30%. FÁBRICA DE RAÇOES. INSUMOS. CRÉDITOS. DESCONTOS POSSIBILIDADE. As aquisições de milho, farinha e farelo utilizados na fabricação de razão destinada ao sistema integração na criação de aves e suínos empregados na produção dos bens exportados dão direito ao crédito presumido no percentual de 30,0% sobre o custo de aquisição. IMPORTAÇÃO. PEÇAS. REPOSIÇÃO/MANUTENÇÃO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. PROCESSO PRODUTIVO. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas com a aquisição de peças e equipamentos utilizados na reposição e manutenção das máquinas e equipamentos utilizados na produção dos bens destinados à venda enquadram-se na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo; assim, por força do disposto no § 2º do art. 62, do Anexo II, do RICARF, adota-se essa decisão para reconhecer o direito de o contribuinte descontar créditos sobre tais custos/despesas. CRÉDITOS. BENS PARA REVENDA. ALOCAÇÃO. MERCADO INTERNO TRIBUTADO. Os créditos descontados sobre o custos de aquisição de bens para revenda devem ser alocados para o mercado interno. O método de rateio proporcional da receita aplica-se somente aos custos, despesas e encargos utilizados na produção dos bens destinados a venda, vinculados à receita tributada pelo regime cumulativo e à receita tributada pelo regime não cumulativo e também à receita de exportação e receita desonerada no mercado interno (suspensão, alíquota zero ou não incidência). CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO. ALOCAÇÃO. A alocação dos créditos presumidos da agroindústria decorrentes de encargos comuns (custos/despesas) deve ser feita de acordo com a vinculação das receitas: mercado interno tributadas; mercado interno não tributadas (alíquota zero, suspensão, isenção e não incidência); e, mercado externo. EXCLUSÃO. SALDO CREDOR. CRÉDITO PRESUMIDO. MÊS ANTERIOR. MATÉRIA NÃO SUSCITADA. PRECLUSÃO. Considera-se não impugnada a matéria exclusão do saldo do crédito presumido do mês anterior sob o rótulo de crédito diferido por não ter sido expressamente oposta pelo sujeito passivo à autoridade julgadora de primeira instância, precluindo-se o direito de suscitá-la nesta fase recursal. RECEITA. RATEIO PROPORCIONAL. RECÁLCULO. ESCRITURAÇÃO (EFD CONTRIBUIÇÕES). RETIFICAÇÃO. Não compete a essa Turma Julgadora manifestar sobre pedido de retificação da escrituração das contribuições (EFD Contribuições), efetuada pelo contribuinte. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. SELIC. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. CONHECIMENTO. VEDAÇÃO. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2023-05-15T19:02:13Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-05-15T19:02:13Z; Last-Modified: 2023-05-15T19:02:13Z; dcterms:modified: 2023-05-15T19:02:13Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-05-15T19:02:13Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-05-15T19:02:13Z; meta:save-date: 2023-05-15T19:02:13Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-05-15T19:02:13Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-05-15T19:02:13Z; created: 2023-05-15T19:02:13Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 40; Creation-Date: 2023-05-15T19:02:13Z; pdf:charsPerPage: 2348; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-05-15T19:02:13Z | Conteúdo => SS33--CC 33TT11 MMiinniissttéérriioo ddaa EEccoonnoommiiaa CCoonnsseellhhoo AAddmmiinniissttrraattiivvoo ddee RReeccuurrssooss FFiissccaaiiss PPrroocceessssoo nnºº 10925.901494/2018-19 RReeccuurrssoo Voluntário AAccóórrddããoo nnºº 3301-012.532 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária SSeessssããoo ddee 27 de abril de 2023 RReeccoorrrreennttee COOPERATIVA CENTRAL AURORA ALIMENTOS IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/10/2015 a 31/12/2015 BENS (MERCADORIAS). AQUISIÇÃO. COOPERADOS. CRÉDITOS. DESCONTOS IMPOSSIBILIDADE. As operações com cooperados, pessoas físicas e/ ou jurídicas, não constituem operações de mercado, não implicam contrato de compra e venda, não estão sujeitas ao pagamento das contribuições sobre o faturamento mensal e, portanto, não dão direito ao desconto de crédito das contribuições. FRETES. TRANSPORTE. PRODUTO ACABADO, PRODUÇÃO PRÓPRIA/REVENDA. CRÉDITOS. DESCONTOS. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste amparo legal para o desconto de créditos sobre custos/despesas com fretes para o transporte de produtos acabados entre os estabelecimentos do contribuinte, seja de produção própria, seja de aquisição para revenda. FRETES. BENS PARA REVENDA. CONTRIBUIÇÕES. DESONERAÇÃO. DESCONTO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas com fretes na aquisição de bens para revenda, não tributados pelo PIS e Cofins, integram o custo da mercadoria vendida; assim, ainda que desonerados das contribuições, dão direito ao desconto de créditos. REALOCAÇÃO DE CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE BENS PARA REVENDA. MERCADO INTERNO. A alocação de créditos descontados sobre aquisição de bens para revenda exclusivamente no mercado interno atende à legislação das contribuições sujeitas ao regime não cumulativo. MATERIAL DE EMBALAGEM E ETIQUETAS. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridas com material de embalagem e etiquetas enquadram-se como insumos da produção dos bens destinados à venda, nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, bem no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR e, portanto, dão direito ao desconto de créditos. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 14 94 /2 01 8- 19 Fl. 19653DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-012.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.901494/2018-19 MATERIAL DE USO E CONSUMO. CRÉDITOS. DESCONTOS. IMPOSSIBILIDADE. As despesas com materiais gerais de uso e consumo, tais como outras embalagens, material de manutenção predial, vasilhames, lacres e brincos para animais e materiais para aviários, não dão direito ao desconto de créditos. INSUMOS. AQUISIÇÃO. COOPERADOS. CRÉDITOS. ALÍQUOTAS CHEIAS (1,65%/7,60%). DESCONTOS. IMPOSSIBILIDADE. As operações com cooperados, pessoas jurídicas (cooperativas singulares), constituem atos cooperativos típicos sobre as quais não incidem as contribuições para o PIS e Cofins; assim, não dão direito ao desconto de créditos destas contribuições, às alíquotas cheias. AQUISIÇÃO. INSUMOS. PRODUÇÃO. RAÇÃO. VENDA. SUSPENSÃO BASE DE CÁLCULO. R$1.069.627,77. GLOSA. REVERSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Mantém-se a glosa dos créditos descontados sobre os custos/despesas no valor de R$1.069.627,77, vinculados à produção de ração vendida para terceiros por falta de comprovação de que tais custos constituem insumos de sua produção. FRETES. INSUMOS. TRANSFERÊNCIA. ENTRE ESTABELECIMENTOS. CRÉDITOS. DESCONTO. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de matéria julgada favorável ao contribuinte decidida na primeira instância. FRETES. LOTE PARA EXPORTAÇÃO. CRÉDITOS. DESCONTOS. IMPOSSIBILIDADE. Em consonância com a literalidade do inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833, de 2003, e nos termos decididos pelo STJ e do Parecer Cosit nº 5, de 2018, em regra, somente podem ser considerados insumos para fins de apuração de créditos das contribuições para o PIS e Cofins, bens e serviços utilizados pela pessoa jurídica no processo de produção de bens e de prestação de serviços, excluindo-se do conceito os dispêndios realizados após a finalização do aludido processo, salvo exceções justificadas. SISTEMA DE INTEGRAÇÃO - AVES, SUÍNOS, RAÇOES - FRETES. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. O custo dos fretes incorridos com o sistema integração para o transporte de aves e suínos fornecidos aos cooperados integrados (pessoas físicas/jurídicas) compõe o custo da matéria-prima dos bens destinados à venda e, portanto, dão direito ao desconto de créditos. FRETES. INSUMOS. AQUISIÇÃO. DESONERAÇÃO. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas com fretes tributados pelo PIS e Cofins, vinculados à operação de compra de bens (insumos) tributados à alíquota 0 (zero), isentos Fl. 19654DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-012.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.901494/2018-19 ou com suspensão, utilizados na produção dos bens destinados à venda, ainda que desonerados da contribuição, dão direito ao desconto de créditos. FRETES. ENVIO/RECEBIMENTO. BENS. COOPERADOS. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com fretes para o envio/recebimento de bens (mercadorias) de cooperados integram seus custos; assim, dão direito ao desconto de créditos, nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. FRETES. REMESSA/RETORNO DE INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com fretes para remessa de insumos para industrialização por encomenda e com o retorno dos produtos industrializados constituem insumos, nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e também no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR; assim, dão direito ao desconto de créditos. FRETES. BENS. REMESSA. ARMAZENAGEM. CRÉDITOS. DESCONTOS. IMPOSSIBILIDADE. As despesas incorridas com fretes para remessa de bens para armazenagem em depósitos de terceiros não dão direito ao desconto de créditos das contribuições. SERVIÇOS. FÁBRICA DE RAÇÃO. CRÉDITOS. MATÉRIA. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de matéria já decidida em primeira instância a favor do contribuinte. ROYALTIES. GENÉTICA ANIMAL. PAGAMENTO. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com pagamento de royalties para utilização na produção de animais (aves e suínos) de alto padrão genético, efetuado às pessoas jurídicas detentoras das tecnologias, enquadram-se na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo; assim, dão direito ao desconto de créditos. SERVIÇOS/DESPESAS (SAÚDE) DIVERSAS QUE NÃO SE AGREGAM AOS BENS PRODUZIDOS. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. As despesas que não se agregam aos bens produzidos, ou seja, dispensáveis à suas produções, tais como serviços de saúde, exames médicos, consultas médicas incorridas com colaboradores (empregados/funcionários) não dão direito ao desconto de créditos. DEPRECIAÇÃO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. AQUISIÇÃO COMPROVADA. CRÉDITOS. GLOSA. REVERSÃO. Fl. 19655DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-012.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.901494/2018-19 Comprovada a informação equivocada sobre a aquisição dos bens representados pelas Notas Fiscais nº 459 e nº 462, ambas emitidas pela empresa SAIBA Cozinhas Profissionais Ltda., CNPJ nº 01.419.904/0001-44, reverte-se a glosa dos créditos descontados. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. FABRICAÇÃO DE RAÇÃO. INSUMOS. CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. Os custos incorridos com a aquisição de milho extrusado e de lenha utilizados na fabricação de ração destinada à alimentação animal (aves e suínos), vendida para terceiros no mercado interno, ainda que com a suspensão das contribuições, dão direito ao desconto de créditos. PEDIDO ALTERNATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO 60,0%. FABRICAÇÃO DE RAÇÃO. PREPARAÇÕES (NCM 23.09.90). CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. Os custos incorridos com aquisição de preparações dos tipos utilizados na alimentação de animais, classificadas no código 2309.90 da NCM, utilizadas na produção de ração, destinada aos animais (aves e suínos) cujos produtos são decorrentes dos seus abates, processamento e industrialização que não foram exportados, dão direito ao desconto de créditos. CRÉDITO PRESUMIDO DE 30%. FÁBRICA DE RAÇOES. INSUMOS. CRÉDITOS. DESCONTOS POSSIBILIDADE. As aquisições de milho, farinha e farelo utilizados na fabricação de razão destinada ao sistema integração na criação de aves e suínos empregados na produção dos bens exportados dão direito ao crédito presumido no percentual de 30,0% sobre o custo de aquisição. IMPORTAÇÃO. PEÇAS. REPOSIÇÃO/MANUTENÇÃO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. PROCESSO PRODUTIVO. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas com a aquisição de peças e equipamentos utilizados na reposição e manutenção das máquinas e equipamentos utilizados na produção dos bens destinados à venda enquadram-se na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo; assim, por força do disposto no § 2º do art. 62, do Anexo II, do RICARF, adota-se essa decisão para reconhecer o direito de o contribuinte descontar créditos sobre tais custos/despesas. CRÉDITOS. BENS PARA REVENDA. ALOCAÇÃO. MERCADO INTERNO TRIBUTADO. Os créditos descontados sobre o custos de aquisição de bens para revenda devem ser alocados para o mercado interno. O método de rateio proporcional da receita aplica-se somente aos custos, despesas e encargos utilizados na produção dos bens destinados a venda, vinculados à receita tributada pelo regime cumulativo e à receita tributada pelo regime não cumulativo e também à receita de exportação e receita desonerada no mercado interno (suspensão, alíquota zero ou não incidência). Fl. 19656DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-012.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.901494/2018-19 CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO. ALOCAÇÃO. A alocação dos créditos presumidos da agroindústria decorrentes de encargos comuns (custos/despesas) deve ser feita de acordo com a vinculação das receitas: mercado interno tributadas; mercado interno não tributadas (alíquota zero, suspensão, isenção e não incidência); e, mercado externo. EXCLUSÃO. SALDO CREDOR. CRÉDITO PRESUMIDO. MÊS ANTERIOR. MATÉRIA NÃO SUSCITADA. PRECLUSÃO. Considera-se não impugnada a matéria “exclusão do saldo do crédito presumido do mês anterior sob o rótulo de ‘crédito diferido’” por não ter sido expressamente oposta pelo sujeito passivo à autoridade julgadora de primeira instância, precluindo-se o direito de suscitá-la nesta fase recursal. RECEITA. RATEIO PROPORCIONAL. RECÁLCULO. ESCRITURAÇÃO (EFD CONTRIBUIÇÕES). RETIFICAÇÃO. Não compete a essa Turma Julgadora manifestar sobre pedido de retificação da escrituração das contribuições (EFD Contribuições), efetuada pelo contribuinte. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. SELIC. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. CONHECIMENTO. VEDAÇÃO. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Acordam os membros do colegiado: I) por unanimidade votos, não conhecer do recurso voluntário do contribuinte, quanto: 1) à glosa de créditos sobre fretes na transferência de insumos; 2) glosa de créditos sobre serviços na fábrica de ração; 3) glosa de créditos sobre os encargos de depreciação/amortização de bens do ativo imobilizado (contas: 11681 - Edificações; 11797 - Benfeitorias em Imóveis Próprios; conta 11827 - Benfeitorias em Imóveis de Terceiros; e, 11771 – Instalações); 4) exclusão do saldo do crédito presumido do mês anterior sob o rótulo de “crédito diferido – valor excluído mês”; 5) recálculo do índice de rateio entre receitas tributadas e não tributadas do mercado interno – desconsideração das exclusões da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, no cálculo do percentual correspondente às receitas não tributadas; e, 6) à atualização monetária do ressarcimento do crédito deferido pela taxa Selic; II) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte para manter as glosas dos créditos sobre: 1) aquisições de mercadorias para revenda de cooperados; 2) vinculação da realocação indevida dos créditos sobre aquisições de bens para revenda, exclusivamente, para o mercado interno tributado; 3) material de uso e consumo; 4) aquisições de insumos de cooperados pessoas jurídicas (cooperativas singulares); 5) aquisições de produtos vendidos com a suspensão prevista na Lei nº 12.350/2010; 6) fretes sobre aquisição de embalagens, bens não enquadrados como insumo e bens de uso e comum; 7) despesas com Fl. 19657DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-012.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.901494/2018-19 serviços de saúde; e, 8) realocação indevida dos créditos relativos a importação de bens para revenda, exclusivamente para o mercado interno tributado (item 2.3.6, do Relatório Fiscal); III) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte para reverter as glosas dos créditos sobre: 1) fretes nas aquisições de produtos (mercadorias) não sujeitos ao pagamento da contribuição; 2) material de embalagem e etiquetas; 3) frete sobre o sistema de integração – aves, suínos, rações (insumos); 4) fretes sobre bens (insumos) sujeitos à alíquota zero, isenção e suspensão; 5) fretes sobre envio/recebimento de bens (mercadorias) de cooperados; 6) fretes de remessa e retorno de industrialização por encomenda; 7) despesas com royalties-material genético; 8) encargos de depreciação sobre os bens das Notas Fiscais nº 459 e 462 (fls. 18863 e 18864); 9) alocação dos valores dos créditos presumidos integralmente para o mercado interno tributado; 10) milho e lenha (vinculados ao estorno de crédito em relação às receitas de vendas de rações efetuadas com suspensão); 11) aquisições das preparações utilizadas na alimentação de animais vivos classificados nas posições 01.03 e 01.05, classificadas no código 2309.90 da NCM, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física, calculados às alíquotas correspondentes a 30,0% das alíquotas previstas no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, comercializados exclusivamente no mercado interno (Pedido alternativo da Fiscalização – estorno do valor apropriado como crédito presumido de 60%, em relação a NCM 2309.90); 12) insumos utilizados na produção de rações vendidas para terceiros no mercado interno (crédito presumido de 30,0%); e, 13) Insumos importados (peças/equipamentos importados não imobilizados, utilizados no processo produtivo); e, pelo voto de qualidade, negar provimento ao voluntário do contribuinte para manter as glosas dos créditos sobre: 1) fretes relativos à transferência de produtos acabados entre estabelecimentos; 2) fretes para formação de lotes de exportação; e, 3) fretes sobre remessa de mercadoria para armazenagem; vencidos os Conselheiros Laércio Cruz Uliana Junior, Juciléia de Souza Lima, Sabrina Coutinho Barbosa e Semíramis de Oliveira Duro, que davam provimento ao recurso voluntário neste tópico. Votou pelas conclusões a Conselheira Lara Moura Franco Eduardo. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-012.526, de 27 de abril de 2023, prolatado no julgamento do processo 10925.901487/2018-17, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Adão Vitorino de Morais, Laércio Cruz Uliana Júnior, Lara Moura Franco Eduardo (suplente convocada), Juciléia de Souza Lima, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa, Semíramis de Oliveira Duro e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente). Ausente o conselheiro Ari Vendramini, substituído pelo conselheiro Marcos Antônio Borges. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Fl. 19658DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-012.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.901494/2018-19 Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra decisão da DRJ que julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que deferiu parcialmente o Pedido de Ressarcimento (PER) transmitido pelo contribuinte. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, com base na auditoria fiscal realizada na recorrente, deferiu em parte o pedido do contribuinte, conforme Despacho Decisório constante no processo. Intimada do despacho decisório, inconformada com o deferimento parcial de seu pedido, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade, requerendo a sua reforma para que seja revertida a glosa dos créditos efetuada pela Fiscalização e deferido, na íntegra, o ressarcimento pleiteado, atualizado pela taxa Selic, desde a data do protocolo do pedido, alegando razões, assim resumidas por aquela DRJ: Primeiramente, faz um resumo dos fatos. Após, contesta, em detalhado recurso, as glosas realizadas pela autoridade a quo, com base em fundamentos que serão analisados ao longo deste voto. Anexa aos autos diversos relatórios para demonstrar os créditos da não cumulatividade que entende possuir. Requer, ao fim, o recálculo dos índices utilizados no rateio proporcional e pede a atualização dos créditos deferidos pela taxa Selic. Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgou-a procedente em parte, nos termos do Acórdão, assim ementado: NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. Conforme estabelecido no Parecer Normativo Cosit RFB n° 5, de 2018, o conceito de insumos, para fins de apuração de créditos da não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins, deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços realizados pela pessoa jurídica. ESSENCIALIDADE. RELEVÂNCIA. O critério da essencialidade requer que o bem ou serviço creditado constitua elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço realizado pela contribuinte; o critério da relevância é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção do sujeito passivo. RECEITAS. MERCADO INTERNO E EXTERNO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS COMUNS. RATEIO PROPORCIONAL. O método do rateio proporcional dos créditos entre receitas de exportação, receitas de vendas não tributadas no mercado interno e receitas de vendas tributadas no mercado interno aplica-se aos custos, despesas e encargos que sejam comprovadamente comuns. COOPERATIVAS. CRÉDITO. BENS PARA REVENDA. As cooperativas somente podem descontar créditos calculados em relação a bens para revenda adquiridos de não associados. CRÉDITOS. ALÍQUOTA ZERO. SUSPENSÃO. NÃO INCIDÊNCIA. Não gera direito ao crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. DEPRECIAÇÃO. CREDITAMENTO No âmbito do regime da não cumulatividade, a pessoa jurídica poderá descontar créditos a título de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens, se esses forem adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no país, se forem incorporadas ao ativo Fl. 19659DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-012.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.901494/2018-19 imobilizado e se estiverem associadas ao processo produtivo de bens destinados à venda. CRÉDITOS. EDIFICAÇÕES E BENFEITORIAS EM IMÓVEIS. Os créditos decorrentes de custos de edificações e benfeitorias em imóveis nas atividades da empresa devem ser calculados sobre os encargos de depreciação e amortização incorridos no mês. FRETES SOBRE COMPRAS. PRODUTOS SEM INCIDÊNCIA. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. As despesas de fretes nas aquisições de produtos sem incidência do PIS/Pasep e da Cofins não geram direito ao crédito no regime não cumulativo, uma vez que não havendo a possibilidade de aproveitamento do crédito com a aquisição dos produtos transportados, também não o haverá para o gasto com o transporte. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PRODUTOS ACABADOS. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. As despesas de fretes relativos às transferências de produtos acabados entre os estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram direito ao crédito no regime não cumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PRODUTOS EM ELABORAÇÃO. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As despesas de fretes relativos às transferências de produtos em elaboração da mesma pessoa jurídica, por serem enquadrados como insumos, geram direito ao crédito no regime não cumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins. FRETE NA AQUISIÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. Cabe direito ao crédito sobre os valores dos fretes nas aquisições sujeitas ao crédito presumido, no mesmo percentual previsto para o crédito na respectiva aquisição. MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS. VENDAS COM SUSPENSÃO, ISENÇÃO OU ALÍQUOTA ZERO. POSSIBILIDADE. A regra geral esculpida no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 autoriza que os créditos devidamente apurados sejam mantidos, mesmo após a venda com suspensão, isenção ou alíquota 0 (zero). CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 8º DA LEI Nº 10.925, DE 2004. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O crédito presumido apurado na forma do art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, somente pode ser utilizado para dedução do valor do PIS/Pasep e da Cofins apurados no regime de apuração não cumulativa. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. ALÍQUOTA. A alíquota aplicável sobre os créditos de PIS/Pasep e de Cofins das agroindústrias, prevista no § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, é determinado em função dos insumos adquiridos e não dos produtos fabricados. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS. FÁBRICA DE RAÇÃO. LEI N° 12.350/2010. A apropriação dos créditos presumidos de que trata o art. 55 da Lei n° 12.350/2010 é vedada às pessoas jurídicas que efetuem a operação de venda de rações com suspensão das contribuições. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. SOCIEDADES COOPERATIVAS. CÁLCULO DO PERCENTUAL DE RATEIO. A exclusão da base de cálculo de receitas expressamente indicadas em lei a que as sociedades cooperativas têm direito não se confunde com o instituto da isenção, não gerando créditos ressarcíveis como receitas não tributadas no mercado interno. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL. Fl. 19660DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-012.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.901494/2018-19 Por expressa disposição legal, não incide atualização monetária sobre créditos de Cofins e de PIS/Pasep objeto de ressarcimento. Intimada dessa decisão, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, requerendo a sua reforma, na parte que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, e, consequentemente, o deferimento integral do ressarcimento pleiteado, acrescido da taxa Selic, desde a data do protocolo do pedido, alegando, em síntese, que, nos termos das Leis nºs 10.637/2002; 10.833/2003 e 10.925/2004, bem como no conceito de insumos, dado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), na decisão do REsp nº 1.221.170/PR, faz jus aos créditos não deferidos. Em síntese, é o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte atende aos requisitos do art. 67 do Anexo II do RICARF. Nesta fase recursal, recorrente impugnou várias matérias, desde a glosa de créditos básicos e presumidos ao rateio e alocação de créditos. As Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 que instituíram o regime não cumulativo para o PIS e Cofins, respectivamente, vigentes à época dos fatos geradores dos PER em discussão, assim dispunham, quanto ao desconto de créditos dessas contribuições e seus aproveitamentos: -Lei nº 10.637/2002: Art. 3 o Do valor apurado na forma do art. 2 o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do § 3 o do art. 1 o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). b) nos §§ 1 o e 1 o -A do art. 2 o desta Lei; II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (...) VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. VII - edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mão-de-obra, tenha sido suportado pela locatária; Fl. 19661DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-012.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.901494/2018-19 (...) § 1 o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2 o desta Lei sobre o valor: I - dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; (...) III - dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; (...). § 2 o Não dará direito a crédito o valor: (...) II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...). § 7 o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitar-se à incidência não-cumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8 o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7 o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I – apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II – rateio proporcional, aplicando-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não- cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9 o O método eleito pela pessoa jurídica será aplicado consistentemente por todo o ano-calendário, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. (...) - Lei nº 10.833/2003: Art. 3 o Do valor apurado na forma do art. 2 o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do § 3 o do art. 1 o desta Lei; e b) nos §§ 1 o e 1 o -A do art. 2 o desta Lei; II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi. (...) Fl. 19662DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 3301-012.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.901494/2018-19 VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; VII - edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; (...) IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor; (...) §1 o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2 o desta Lei sobre o valor: I - dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II - dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; III - dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; (...) § 2 o Não dará direito a crédito o valor: (...) II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (...) § 7 o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitar-se à incidência não-cumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8 o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7 o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I – apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II – rateio proporcional, aplicando-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não- cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9 o O método eleito pela pessoa jurídica será aplicado consistentemente por todo o ano-calendário, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. (...) Art. 15. Aplica-se à contribuição para o PIS/PASEP não-cumulativa de que trata a Lei n o 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (...) II - nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1 o e 10 a 20 do art. 3 o desta Lei; III - nos §§ 3 o e 4 o do art. 6 o desta Lei; (...). Fl. 19663DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 3301-012.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.901494/2018-19 Posteriormente, foram editadas diversas leis disciplinando o desconto de crédito presumido do PIS e da Cofins para a agroindústria, assim dispondo: -Lei nº 10.925/2004: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplica-se também às aquisições efetuadas de: II - cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); I - pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III - pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I - 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2, 3, 4, exceto leite in natura, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; III - 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. IV - 50% (cinquenta por cento) daquela prevista no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para o leite in natura, adquirido por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, regularmente habilitada, provisória ou definitivamente, perante o Poder Executivo na forma do art. 9º -A; V - 20% (vinte por cento) daquela prevista no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para o leite in natura, adquirido por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, não habilitada perante o Poder Executivo na forma do art. 9º-A. (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência :1/10/2015) Fl. 19664DF CARF MF Original http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10637.htm#art3ii. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10637.htm#art3ii. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.833.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10637.htm#art3%C2%A74 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.833.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.833.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10637.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10637.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.833.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10637.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10637.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.833.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10637.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10637.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.833.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.833.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10637.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10637.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.833.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.833.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13137.htm#art4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13137.htm#art4 Fl. 13 do Acórdão n.º 3301-012.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.901494/2018-19 § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I - do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II - de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. § 5º Relativamente ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo, o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem, pela Secretaria da Receita Federal. § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3º, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos. Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (...) III - de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1º do mencionado artigo. (...). -Lei nº 12.058/2009: Art. 33. As pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias classificadas nos códigos 02.01, 02.02, 02.04, 0206.10.00, 0206.20, 0206.21, 0206.29, 0206.80.00, 0210.20.00, 0506.90.00, 0510.00.10 e 1502.00.1 da NCM, destinadas a exportação, poderão descontar da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidas em cada período de apuração crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens classificados nas posições 01.02 e 01.04 da NCM, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (...) § 2 o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1 o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4 o do art. 3 o da Lei n o 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no § 4 o do art. 3 o da Lei n o 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3 o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1 o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de percentual correspondente a 50% (cinquenta por cento) das alíquotas previstas no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (...) § 5 o O crédito apurado na forma do caput deste artigo deverá ser utilizado para desconto do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno. § 6 o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre-calendário, não conseguir utilizar o crédito na forma prevista no § 5 o deste artigo poderá: I - efetuar sua compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; II - solicitar seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Fl. 19665DF CARF MF Original http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10637.htm#art3%C2%A74 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.833.htm#art3%C2%A74 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.833.htm#art3%C2%A74 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10637.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.833.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.833.htm#art2 Fl. 14 do Acórdão n.º 3301-012.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.901494/2018-19 (...) § 7 o O disposto no § 6 o aplica-se somente à parcela dos créditos presumidos determinada com base no resultado da aplicação sobre o valor da aquisição de bens classificados nas posições 01.02 (bovinos) e 01.04 (ovinos/caprinos) da NCM da relação percentual existente entre a receita de exportação e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 8 o O disposto neste artigo aplica-se também no caso de vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Art. 36. O saldo de créditos presumidos apurados na forma do § 3 o do art. 8 o da Lei n o 10.925, de 23 de julho de 2004, relativo aos bens classificados nos códigos 01.02, 02.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29 da NCM, existentes na data de publicação desta Lei, poderá: I - ser compensado com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; II - ser ressarcido em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 1 o O pedido de ressarcimento ou de compensação dos créditos presumidos de que trata o caput deste artigo somente poderá ser efetuado: I - relativamente aos créditos apurados nos anos-calendário de 2004 a 2007, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao de publicação desta Lei; II - relativamente aos créditos apurados no ano-calendário de 2008 e no período compreendido entre janeiro de 2009 e o mês de publicação desta Lei, a partir de 1 o de janeiro de 2010. § 2 o O disposto neste artigo aplica-se aos créditos presumidos que tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Art. 37. A partir do primeiro dia do mês subsequente ao de publicação desta Lei, não mais se aplica o disposto nos arts. 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, às mercadorias ou produtos classificados nas posições 02.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29 e 15.02.00.1 da NCM. - Lei nº 12.350/2010: Art. 55. As pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias classificadas nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM, destinadas a exportação, poderão descontar da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidas em cada período de apuração crédito presumido, calculado sobre: I – o valor dos bens classificados nas posições 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e nas posições 12.01, 23.04 e 23.06 da NCM, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física; II – o valor das preparações dos tipos utilizados na alimentação de animais vivos classificados nas posições 01.03 e 01.05, classificadas no código 2309.90 da NCM, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física; III – o valor dos bens classificados nas posições 01.03 e 01.05 da NCM, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1 o O disposto nos incisos I a III do caput deste artigo aplica-se também às aquisições de pessoa jurídica. Fl. 19666DF CARF MF Original http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.925.htm#art8%C2%A73 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.925.htm#art8%C2%A73 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10637.htm#art3%C2%A78 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10637.htm#art3%C2%A79 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10637.htm#art3%C2%A79 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.833.htm#art3%C2%A78 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.833.htm#art3%C2%A79 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.833.htm#art3%C2%A79 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.925.htm#art8 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.925.htm#art9 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.925.htm#art9 Fl. 15 do Acórdão n.º 3301-012.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.901494/2018-19 § 2 o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1 o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4 o do art. 3 o da Lei n o 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no § 4 o do art. 3 o da Lei n o 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3 o O montante do crédito a que se referem os incisos I e II do caput e o § 1 o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de percentual correspondente a 30% (trinta por cento) das alíquotas previstas no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 4 o O montante do crédito a que se referem o inciso III do caput e o § 1 o deste artigo será determinado mediante aplicação sobre o valor das mencionadas aquisições de percentual correspondente a 30% (trinta por cento) das alíquotas previstas no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (...) § 6 o O crédito apurado na forma do caput deste artigo deverá ser utilizado para desconto do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno. § 7 o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre-calendário, não conseguir utilizar o crédito na forma prevista no § 6 o deste artigo poderá: I – efetuar sua compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; II – solicitar seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (...). Os dispositivos legais citados e transcritos elencam os custos/despesas que dão direito a descontar créditos das contribuições, estabelecem o sistema de cálculo, sua utilização e o aproveitamento do saldo credor trimestral. No julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em 22 de fevereiro de 2018, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, sob o rito de recurso repetitivo, quais os custos/despesas que devem ser considerados insumos, nos termos do inc. II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, citado e transcrito anteriormente. Consoante à decisão do STJ "o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a impossibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte". No presente caso, o contribuinte é uma sociedade cooperativa central que tem como atividades econômicas, dentre outras: a industrialização de produtos: a) A industrialização de produtos alimentares derivados do abate de suínos e aves, inclusive os subprodutos; b) A industrialização de produtos alimentares derivados de frutas, hortaliças e leguminosas, inclusive os subprodutos; c) A industrialização de produtos derivados de leite, inclusive os subprodutos; d) A industrialização de produtos derivados de bovinos e/ou Fl. 19667DF CARF MF Original http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10637.htm#art3%C2%A74 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.833.htm#art3%C2%A74 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.833.htm#art3%C2%A74 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10637.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.833.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10637.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.833.htm#art2 Fl. 16 do Acórdão n.º 3301-012.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.901494/2018-19 peixes, inclusive os subprodutos; e) A industrialização de produtos derivados de soja, inclusive os subprodutos; f) A fabricação de massas alimentícias, produtos de panificação, doces e gelatinas. g) A fabricação de rações, concentrados e demais insumos para alimentação animal; h) A exploração agropecuária de suínos e pintos de um dia; e, a comercialização no atacado e no varejo dos produtos fabricados por ela. Assim, com fundamento nos dispositivos legais citados e transcritos, no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR e nas atividades econômicas desenvolvidas pela recorrente, passemos à análise das matérias impugnadas nesta fase recursal. II.1 – Aquisições de bens para revenda: II.1.1) Mercadorias adquiridas de cooperados Os atos cooperativos, ou seja, aqueles praticados entre as cooperativas e seus associados/cooperados, pessoas físicas e/ ou jurídicas, não constituem operação de mercado e, consequentemente, não implicam contrato de compra e venda de produtos, conforme art. 79 da Lei nº 5.764/71. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) definiu que não incide PIS e Cofins sobre os denominados “atos cooperativos típicos” nos termos do art. 79 da Lei 5.764/71, nos termos do REsp nº 1.141.667, julgado sob a sistemática dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105/2015. Especificamente, em relação às sociedades cooperativas de produção agropecuária e industrial, a IN RFB nº 635/2006, art. 23, incisos I e II, reconheceu o direito de estas sociedades excluírem da base de cálculo do PIS e da Cofins, inclusive sob o regime não cumulativo, os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização dos produtos entregues à cooperativa. Essa exclusão foi mantida nas demais IN, conforme consta do art. 292 da IN RFB Nº 1.911/2019, literalmente: Art. 292. Sem prejuízo das exclusões aplicáveis a qualquer pessoa jurídica, de que tratam os arts. 27 e 28, bem como da especificada para as sociedades cooperativas no art. 291, as sociedades cooperativas de produção agropecuária poderão excluir da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (Lei nº 5.764, de 1971, art. 79, parágrafo único; Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, art. 15; Lei nº 10.676, de 2003, art. 1º, caput e § 1º; e Lei nº 10.684, de 2003, art. 17): I - os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II - as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; (...) III - as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV - as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; Fl. 19668DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 3301-012.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.901494/2018-19 V - as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos; (...) VII - os custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando da comercialização pelas sociedades cooperativas de produção agropecuária. § 9º Considera-se custo agregado ao produto agropecuário de que trata o inciso VII do caput os dispêndios pagos ou incorridos com matéria-prima, mão-de-obra, encargos sociais, locação, manutenção, depreciação e demais bens aplicados na produção, beneficiamento ou acondicionamento e os decorrentes de operações de parcerias e integração entre a cooperativa e o associado, bem assim os de comercialização ou armazenamento do produto entregue pelo cooperado. Por sua vez, o § 2º, inciso II, do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, citados e transcritos anteriormente, veda expressamente o desconto de créditos sobre aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Quanto à alegação de inconstitucionalidade do art. 23 da IN RFB nº 635/2006, atual art. 292 da IN RFB nº 1.911/2019, as Turmas de Julgamento do CARF não têm competência para se manifestar sobre tal alegação. Aliás, trata-se de matéria sumulada nos termos da Súmula CARF nº 2, que assim dispõe: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessa forma, a glosa de créditos, efetuada pela Fiscalização, sobre aquisições de mercadorias de cooperados (cooperativas filiadas) para revenda, deve ser mantida. II.1.2) Fretes relativos à transferência de produtos acabados entre estabelecimentos e fretes nas aquisições de produtos (mercadorias) não sujeitos ao pagamento da contribuição Quanto aos fretes na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos, a Lei nº 10.833/2003, em seu artigo 3º, inciso IX, admite o desconto de créditos da Cofins não cumulativa, calculados sobre despesas com armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Este direito foi estendido para PIS, conforme disposto no art. 15, inciso IX, dessa mesma lei. Segundo o inciso IX do art. 3º daquela lei, as despesas com frete e armazenagem de mercadorias restringem-se às operações de venda de bens adquiridos para revenda e/ou produzidos pelo sujeito passivo, quando o ônus for suportado pelo produtor/vendedor. Trata-se de hipótese restrita. Por isso, entendo que o valor do frete de produtos acabados entre estabelecimentos não dá direito a descontar créditos, pelos seguintes motivos: por não se enquadrar no disposto no inciso II do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003; por não se subsumir ao conceito de insumo, visto que se Fl. 19669DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 3301-012.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.901494/2018-19 trata de produtos acabados; e, ainda por não se enquadrar no disposto no inciso IX do mesmo artigo, por ter ocorrido antes da operação de venda. Adicionalmente, com relação à possibilidade de aproveitamento de créditos sobre gastos com frete mercadorias entre estabelecimentos, de acordo com o Parecer Cosit nº 05 de 2018, esses gastos não podem ser considerados insumos. Nesse sentido, cabe referir os parágrafos 55 e 56, a seguir reproduzidos: 55. Conforme salientado acima, em consonância com a literalidade do inciso II do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, e nos termos decididos pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, em regra somente podem ser considerados insumos para fins de apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins bens e serviços utilizados pela pessoa jurídica no processo de produção de bens e de prestação de serviços, excluindo-se do conceito os dispêndios realizados após a finalização do aludido processo, salvo exceções justificadas. 56. Destarte, exemplificativamente não podem ser considerados insumos gastos com transporte (frete) de produtos acabados (mercadorias) de produção própria entre estabelecimentos da pessoa jurídica, para centros de distribuição ou para entrega direta ao adquirente, como: a) combustíveis utilizados em frota própria de veículos; b) embalagens para o para transporte de mercadorias acabadas; c) contratação de transportadoras (Grifei). Esse também é o entendimento do STJ no julgamento do AgRg nº REsp 1.386.141/AL e no AgInt no AgInt bi REsp nº 1.763.878/RS, Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 1º/03/2019. Dessa forma, a glosa dos créditos, efetuada pela Fiscalização, sobre as despesas com fretes na transferência de produtos acabados entre os estabelecimentos da recorrente e/ ou de terceiros, deve ser mantida. Já em relação aos fretes nas aquisições de produtos (mercadorias) para revenda não sujeitos ao pagamento das contribuições, assiste razão à recorrente. A Fiscalização glosou os créditos descontados sobre os custos com fretes nas aquisições de mercadorias para revenda sob o fundamento de que tais custos não dão direito ao desconto de créditos pelo fato de as mercadorias adquiridas não terem sido oneradas pelas contribuições. O desconto de créditos das contribuições sobre os custos de mercadorias adquiridas para revenda está previsto no inciso I do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. O frete na compra de mercadorias para revenda, suportado pelo comprador, integra o custo da mercadoria vendida (CMV). O fato de a mercadoria adquirida não ter sofrida a tributação das contribuições para o PIS e Cofins, não impede o creditamento, uma vez que o custo incorrido com o frete foi tributado. No presente caso, os fretes foram contratados com pessoas jurídicas e tributados pela contribuição para o PIS e para a Cofins; assim, a recorrente faz jus ao desconto dos créditos calculados sobre tais custos. Fl. 19670DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 3301-012.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.901494/2018-19 Portanto, a glosa dos créditos efetuada pela Fiscalização, sobre os fretes pagos a pessoas jurídicas, nas aquisições de produtos (mercadorias) para revenda, não sujeitos ao pagamento das contribuições, deve ser revertida. II.1.3) Realocação indevida dos créditos sobre aquisições de bens para revenda, exclusivamente, para o mercado interno tributado A recorrente discordou da alocação dos créditos descontados sobre os custos de aquisições de bens para revenda exclusivamente para o mercado interno, defendendo o rateio nos termos dos §§ 7º a 8º do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. O disposto nos referidos dispositivos legais se aplica à apuração dos créditos descontados de custos, despesas e encargos comuns, vinculados à receita sujeita à tributação pelo regime cumulativo e à receita sujeita à tributação pele regime não cumulativo e também se aplica à receita de exportação e à receita sujeita à suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência das contribuições, conforme se verifica de suas redações. A IN RFB nº 1.911/2019, que regulamentou o método de rateio operacional das receitas para a apuração dos créditos das contribuições, descontados de custos, despesas e encargos comuns, vinculados a receitas tributadas e desoneradas, assim dispõe: CAPÍTULO IV DAS PESSOAS JURÍDICAS PARCIALMENTE SUBMETIDAS À NÃO CUMULATIVIDADE Art. 226. Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitar-se ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, em relação a apenas parte de suas receitas, o crédito deve ser calculado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas (Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, § 7º; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, § 7º; e Lei nº 10.865, de 2004, art. 15, § 5º). § 1º Para efeito do disposto neste artigo, a pessoa jurídica deve registrar, a cada mês, destacadamente para a modalidade de incidência referida no caput e para aquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, as parcelas: I - dos custos, das despesas e dos encargos de que tratam os arts. 171, 173 e 181, observado o disposto no art. 164; e II - do custo de aquisição dos bens e serviços de que trata o art. 171 adquiridos de pessoas físicas, observado o disposto nos arts. 504 a 530. § 2º Para efeito do disposto neste artigo, o valor a ser registrado deve ser determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de (Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, § 8º, incisos I e II; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, § 8º, incisos I e II): I - apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II - rateio proporcional, aplicando-se aos custos, despesas e encargos comuns à relação percentual existente entre a receita bruta sujeita ao regime de apuração não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 3º Para apuração do crédito decorrente de encargos comuns, na hipótese do inciso I do § 2º, devem ser aplicados sobre o valor de aquisição de insumos, dos custos e das despesas, referentes ao mês de apuração, critérios de apropriação por Fl. 19671DF CARF MF Original Fl. 20 do Acórdão n.º 3301-012.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.901494/2018-19 rateio que confiram adequada distribuição entre os encargos vinculados às receitas submetidas ao regime de apuração não cumulativa e os encargos vinculados às receitas submetidas ao regime de apuração cumulativa. § 4º Para apuração do crédito decorrente de encargos comuns, na hipótese do inciso II do § 1º, a receita bruta total objeto do rateio proporcional corresponderá à soma das receitas de venda de bens e serviços auferidas pela pessoa jurídica nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil (Lei nº 10.637, de 2002, art. 1º, § 1º; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 1º, § 1º). § 5º O método eleito pela pessoa jurídica, referido no § 2º, deve ser aplicado consistentemente por todo o ano-calendário, tendo de ser o mesmo para a Contribuição para o PIS/Pasep e para a Cofins (Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, § 9º; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, § 9º). § 6º As disposições deste artigo aplicam-se independentemente de os créditos serem decorrentes de operações relativas ao mercado interno ou do pagamento das contribuições incidentes na importação (Lei nº 10.865, de 2004, art. 15, § 5º). § 7º O disposto neste artigo aplica-se também para apuração dos créditos vinculados às receitas de exportação e às receitas sujeitas a suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, § 8º; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, § 8º, e art. 6º, § 3º; e Lei nº 11.033, de 2004, art. 17). Os arts. 171, 173 e 181 tratam de custos, despesas e encargos utilizados na produção de bens destinados à venda. Ora, segundo o disposto no art. 226, citado e transcrito, e também nos §§ 7 a 8º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, o método de rateio proporcional da receita aplica-se somente aos custos, despesas e encargos de insumos comuns vinculados a produção de bens destinados à venda. Os custos com aquisição de bens para revenda não são comuns aos custos de produção dos bens processados/industrializados e vendidos pela recorrente. Ressaltamos ainda que, em nosso entendimento, a alocação efetuada pela Fiscalização e mantida pela DRJ não implicou prejuízo para a recorrente. Dessa forma, mantém-se a alocação dos créditos descontados das aquisições de bens para revenda exclusivamente para o mercado interno. II. Aquisição de bens e serviços utilizados como insumos II.2.1.a) Material de embalagem e etiquetas Segundo o Despacho nº 313/2019 – Saort/DRF/JOA, os custos/despesas com material de embalagem e etiquetas cujos créditos foram glosados referem-se aos seguinte produtos/mercadorias: aditivo roxo, aditivo solvente, filme stretch, fita cs 512 preta, tinta ink, tinta para carimbo, ad. jet-melt 3738Q, adesivo hot melt granulado para caixa de papelão ondulado, cola adesiva p/caixa de leite, fluido diluente p/tinta ink jet, fita adesiva transp. 50 x 100, fita ades.bca.st-101, fita adesiva transparente s/impressão, fita de arquear, adesivo pvc para paletização, filme contrátil, filme stretch, fita mpm colagem, bobina pol filme stretch, big bag, saco papel kraft leite em pó 25 kg, saco polietileno liso p/cobrir pallets, sacola Fl. 19672DF CARF MF Original Fl. 21 do Acórdão n.º 3301-012.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.901494/2018-19 plástica, saco rafia liso, saco polietileno azul sanfonado, big bag de rafia, pallet one-way amarelo, papel toalha, chapa de papelão rígido para palete leite uht, fita polipropil, caixa de papelão, cantoneira, caixa de papelão tampa, caixa pap ondu fundo, caixa pap automática, fundo papelão, tampa papelão, cantoneira papelão, grampo, entre outros. Levando-se em conta a documentação carreada aos autos, notas fiscais e laudo técnico, concluímos que os custos/despesas incorridos com esses materiais de embalagens são essenciais ao desenvolvimento da atividade econômica da recorrente. Assim, enquadram-se no conceito de insumos, nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como no conceito dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR. Dessa forma, a glosa dos créditos descontados sobre material de embalagem e etiquetas, efetuada pela Fiscalização, deve ser revertida. II.2.1.b) Material de uso e consumo Trata-se de gastos com bens de pequenos valores, outras “embalagens”, material de manutenção predial, vasilhames, lacres e brincos para animais e materiais para aviários e granjas que são utilizados na empresa e que não integram o custo de produção dos bens destinados à venda. São custos/despesas incorridos em etapas anteriores ao processamento/industrialização dos bens destinados à venda. O inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 definiu como insumos os bens e serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Também a decisão do STJ no REsp nº 1.221.170/PR tratou de bens e serviços utilizados na produção/fabricação. Assim, a glosa dos créditos, efetuada pela Fiscalização, sobre material de uso e consumo do Relatório Fiscal, deve ser mantida. II.2.2) Outras incorreções em relação aos créditos informados nas naturezas de base de crédito 02 – bens utilizados como insumos e 03 – serviços utilizados como insumos): a) Aquisições de cooperados pessoas jurídicas (cooperativas singulares) A recorrente alega que a glosa dos créditos sobre aquisições de cooperativas filiadas é ilegal, conforme demonstrado no tópico II.1.1, do Recurso Voluntário e por se tratar da mesma matéria, para evitar repetição, apresenta os mesmos argumentos em defesa do direito de descontar créditos sobre tais operações. Naquele tópico, defendeu o direito de descontar créditos sobre as aquisições das cooperativas filiadas nos termos do inciso II do art. 3º da Lei nºs 10.637/2003 e 10.833/2003. Ao contrário do seu entendimento, embora as aquisições sejam das mesmas pessoas jurídicas, aquisição (recepção) de cooperativas filiadas, trata-se de operações de naturezas diferentes, cujo direito ao desconto de Fl. 19673DF CARF MF Original Fl. 22 do Acórdão n.º 3301-012.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.901494/2018-19 créditos das contribuições, embora previsto no mesmo art. 3º, estão em incisos diferentes; O inciso I aplica-se a operações comerciais, ou seja, aquisições de bens para revenda; já o inciso II aplica-se a operações industriais e de prestação de serviços. O tópico II.1.1, tratou exclusivamente de aquisição para revenda, sendo que a glosa foi mantida porque, ao contrário do entendimento da recorrente, nas operações de revenda, apenas as aquisições tributadas dão direito ao desconto de créditos. Nas aquisições de bens e serviços utilizados como insumos na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, se tributadas, o direito ao crédito está previsto no inciso II do art. 3º, casso contrário, não há direito ao desconto. Contudo, posteriormente, a Lei nº 10.925/2005, art. 8, instituiu o crédito presumido da agroindústria, a título de PIS e Cofins, “para as pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física”. A recorrente defende o desconto dos créditos determinados às alíquotas cheias (1,65% e 7,60%), sobre as aquisições (recebimentos) das cooperativas filiadas, nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Segundo o inciso II do art. 3º, dessas leis, a recorrente não tem direito ao desconto de créditos sobre as aquisições das cooperativas filiadas por se tratar de operações desoneradas das contribuições. Mas, segundo o art. 8º, §§ e incisos, da Lei nº 10.925/2004, citados e transcritos anteriormente, se atendidos os requisitos estabelecidos neste artigo, faz jus ao desconto de créditos presumidos da agroindústria sobre tais operações. No presente caso, além de a recorrente ter pleiteado o desconto de créditos às alíquotas cheias, não apresentou demonstrativo do valor dos créditos presumidos passíveis de desconto sobre as aquisições de cooperativas filiadas, acompanhado das respectivas memórias de cálculo, notas fiscais, livros fiscais, Razão e outros que achava necessário para provar o valor do ressarcimento de tais créditos. Assim, mantém-se a glosa dos créditos, efetuada pela Fiscalização, sobre aquisições de cooperados pessoas jurídicas, deve ser mantida. b) Aquisições de produtos vendidos com a suspensão prevista na Lei nº 12.350/2010. Fl. 19674DF CARF MF Original Fl. 23 do Acórdão n.º 3301-012.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.901494/2018-19 No Recurso Voluntário, a recorrente alegou expressamente que a DRJ concordou integralmente com os argumentos expendidos na manifestação de inconformidade, reconhecendo o direito de ela descontar créditos sobre os insumos utilizados na fabricação de ração, adquiridos com a suspensão das contribuições. Contudo, por equívoco deixou de reverter a glosa sobre o custo no valor de R$1.069.627,77. Ao contrário do seu entendimento, a DRJ não concordou com a tese esposada por ela. A negativa de reverter a glosa dos créditos descontados sobre as aquisições de insumos, no valor de R$1.069.627,77, vinculados à produção de ração, teve como o fundamento a suspensão das contribuições na aquisição dos insumos. Segundo o § 2º, inciso II, do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, citados e transcritos anteriormente, a aquisição de insumos desonerados das contribuições (desonerada do pagamento das contribuições) não dá direito ao desconto de créditos. Conforme consta da decisão recorrida, se atendidos os requisitos para o benefício do crédito presumido da agroindústria, a recorrente poderia ter apurado tal crédito e o descontado do valor das contribuições devidas, nos termos da legislação vigente. A recorrente alega que a amostragem de notas fiscais constante do Anexo I, comprovaria que os insumos teriam sido tributados pelas contribuições às alíquotas cheias. No entanto, do exame daquele anexo, verificamos que nenhuma nota fiscal de aquisição foi anexada a ele. De fato, contém apenas informações sobre notas fiscais. Além disto, do exame das informações constantes dele, verificamos que, em parte delas, o produto adquirido não foi identificado; na parte em que foram identificados, os produtos não são insumos da produção de ração, dentre eles, constam a aquisição de elementos de filtros de ar, papelão ondulado, adesivo e junta de motor a diesel, etiquetas adesivas, etc., e, em outra parte, os bens identificados (farinha de carne e osso, farelo de trigo), são comercializados com suspensão das contribuições, conforme art. 54, inciso I, da Lei nº 12.350/2010, o que geraria crédito presumido e não créditos básicos. Também, no Recurso Voluntário, a recorrente não apresentou demonstrativo de apuração do valor dos créditos reclamados e respectivas memórias de cálculo. A apresentação das notas fiscais e o demonstrativo de apuração dos créditos reclamados são imprescindíveis para a análise do direito da recorrente e da comprovação da certeza e liquidez do valor reclamado sobre aquele valor. Dessa forma, a glosa dos créditos, efetuada pela Fiscalização, sobre aquisições de produtos vendidos com a suspensão prevista na Lei nº 12.350/2010 (Item 6, do Relatório Fiscal), no valor de R$1.069.627,77, deve ser mantida. Fl. 19675DF CARF MF Original Fl. 24 do Acórdão n.º 3301-012.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.901494/2018-19 c) Fretes entre estabelecimentos da empresa para a transferência de produtos acabados, insumos e para a formação de lote para exportação, entre outros c.1) Fretes sobre transferência de produtos acabados Quanto ao direito de descontar créditos sobre fretes na transferência de produtos acabados, esta matéria já foi decidida no Item II.1.2, deste voto. Assim, com o mesmo fundamento adotado naquele item, entendo que as despesas com fretes na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da própria recorrente e/ ou de terceiros não dão direito ao desconto de créditos da contribuição. Portanto, a glosa dos créditos, efetuada pela Fiscalização, sobre as despesas com fretes na transferência de produtos acabados, deve ser mantida. c.2) Fretes sobre transferência de insumos No recurso voluntário, a recorrente alegou que seu direito ao desconto de créditos sobre fretes na transferência de insumos foi reconhecido pela DRJ, afirmando literalmente; “De tudo isso, verifica-se que no trimestre, foi glosada da base de créditos a importância de R$ 3.149.315,13. Quanto a esses fretes a DRJ/CTA reconheceu que há o direito de crédito de PIS/Pasep de Cofins sobre os mesmos.”. Contudo, aquela autoridade julgadora se equivocou no cálculo do valor revertido, apurando um valor inferior ao do crédito glosado pela Fiscalização. Ora, se a decisão a quo já reconheceu o direito de a recorrente descontar créditos das contribuições sobre fretes na transferência de insumos entre seus estabelecimentos, não há litígio, quanto a essa matéria, a ser decidido nesta fase recursal. Não cabe Recurso Voluntário contra decisão de Primeira Instância sobre matéria impugnada na manifestação de inconformidade e decidida favoravelmente ao contribuinte. O recurso voluntário somente é cabível sobre matérias cuja decisão a quo foi desfavorável. Se a decisão de primeira instância lhe foi favorável, não há litígio a ser decidido em segunda instância. O Decreto nº 70.235/72, assim dispõe quanto à equívocos nas decisões: Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. (destaque não original) Por sua vez a Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011, que disciplinava a constituição das Turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), vigente na data em que o contribuinte foi intimado do acórdão recorrido, assim dispunha: Art. 27. O requerimento da autoridade incumbida da execução do acórdão ou do sujeito passivo, para correção de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e a erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, será rejeitado por Fl. 19676DF CARF MF Original Fl. 25 do Acórdão n.º 3301-012.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.901494/2018-19 despacho irrecorrível do Presidente da Turma, quando não demonstrar, com precisão, a inexatidão ou o erro. Já a Portaria ME nº 340, de 08/10/2020, vigente e que revogou aquela, assim dispõe: Art. 39. Será proferido novo acórdão para a correção de inexatidões materiais devido a lapso manifesto e a erros de escrita ou de cálculo existentes no acórdão, mediante requerimento da autoridade incumbida da execução do acórdão ou do sujeito passivo. § 1º O requerimento de que trata o caput será rejeitado, por despacho irrecorrível do Presidente da Turma, caso não seja demonstrado, com precisão, a inexatidão ou o erro. § 2º Caso o Presidente da Turma entenda necessário, preliminarmente, será ouvido o julgador relator ou, na impossibilidade deste, outro julgador designado. Assim, caberia ao contribuinte ter apresentado requerimento ao Presidente da 3ª Turma de Julgamento da DRJ/CTA, solicitando a correção do valor da glosa revertida por ela. Assim, não conheceu dessa matéria, ou seja, do direito de a recorrente descontar créditos sobre fretes na transferência de insumos entre seus estabelecimentos. c.3) Fretes para formação de lotes de exportação: O inciso IX do art. 3º das Leis nºs 10.833/2003, que também se aplica ao PIS, admite o desconto de créditos sobre as despesas incorridas com frete nas operações de venda de produção própria e de revenda de mercadorias. O dispositivo legal diz expressamente que o desconto incide sobre o frete na venda dos produtos fabricados/beneficiados e de revenda. Assim, o frete incorrido com despesas para formação de lotes destinados à exportação não se enquadram naquele inciso. Também, tais despesas, por não se enquadrarem no disposto no inciso II do art. 3° das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 e por não se subsumirem ao conceito de insumo dado pelo STJ na decisão do REsp nº 1.221.170/PR, tendo em vista que se estão vinculadas a produtos acabados. Adicionalmente, com relação à possibilidade de aproveitamento de créditos sobre as referidas despesas, de acordo com o Parecer Cosit nº 05 de 2018, não podem ser considerados insumos. Nesse sentido, cabe referir os parágrafos 55 e 56, a seguir reproduzidos: 55. Conforme salientado acima, em consonância com a literalidade do inciso II do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, e nos termos decididos pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, em regra somente podem ser considerados insumos para fins de apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins bens e serviços utilizados pela pessoa jurídica no processo de produção de bens e de prestação de serviços, excluindo-se do conceito os dispêndios realizados após a finalização do aludido processo, salvo exceções justificadas. Fl. 19677DF CARF MF Original Fl. 26 do Acórdão n.º 3301-012.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.901494/2018-19 56. Destarte, exemplificativamente não podem ser considerados insumos gastos com transporte (frete) de produtos acabados (mercadorias) de produção própria entre estabelecimentos da pessoa jurídica, para centros de distribuição ou para entrega direta ao adquirente, como: a) combustíveis utilizados em frota própria de veículos; b) embalagens para o para transporte de mercadorias acabadas; c) contratação de transportadoras (Grifei). Esse também é o entendimento do STJ no julgamento do AgRg nº REsp 1.386.141/AL e no AgInt no AgInt bi REsp nº 1.763.878/RS, Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 1º/03/2019. Dessa forma, a glosa dos créditos, efetuada pela Fiscalização, sobre os fretes para formação de lote para exportação, deve ser mantida. d) Fretes d.1) Frete sobre o sistema de integração – aves, suínos, rações (insumos): No sistema integrado de produção de animais para abate e processamento/ industrialização, a indústria frigorifica fornece os animais para os produtores rurais fazerem a criação/terminação. Todos os custos de produção dos animais, tais como dos animais para terminação, da ração e dos medicamentos veterinários, do transporte de entrega dos animais e das coletas para o abate são bancados pela indústria frigorífica, Os produtores rurais são responsáveis apenas pelos serviços de criação pelos quais são remunerados. No presente caso, a recorrente, é uma cooperativa central agroindustrial que fornece pintinhos e leitões para a criação e engorda dos frangos e suínos pelos seus cooperados (pessoas jurídicas), arcando com os custos de transporte da entrega dos animais aos produtores, da ração para os animais e de suas coletas para o abate e processamento/industrialização. As aves e suínos terminados constituem a matéria-prima básica da produção dos bens destinados à venda, processados/industrializados pela recorrente. Os custos com fretes incorridos com o sistema integrado compõem o custo da matéria-prima. Assim, a glosa dos créditos, efetuada pela Fiscalização, sobre os fretes do sistema de integração – aves/suínos/rações, deve ser revertida. d.2) Fretes sobre bens (insumos) sujeitos à alíquota zero, isenção e suspensão A Fiscalização glosou os créditos descontados sobre os serviços de fretes nas aquisições de insumos sob o fundamento de que os custos de tais bens não dão direito ao desconto de créditos pelo fato de os insumos não terem sido onerados pelas contribuições. O desconto de créditos das contribuições sobre os custos de insumos utilizados na produção dos bens destinados à venda está previsto no inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Os fretes incorridos na operação de compra de insumos, suportados pelo adquirente, integram o custo da matéria-prima. Assim, a parte da matéria- prima onerada pelas contribuições dão direito ao desconto de créditos. Fl. 19678DF CARF MF Original Fl. 27 do Acórdão n.º 3301-012.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.901494/2018-19 No presente caso, os fretes foram contratados com pessoas jurídicas e tributados pela contribuição para o PIS e para a Cofins. Assim, a glosa dos créditos, efetuada pela Fiscalização, sobre os fretes incorridos com a aquisição de insumos desonerados das contribuições, deve ser revertida. d.3) Fretes sobre envio/recebimento de bens (mercadorias) de cooperados Neste item defendeu o direito de descontar créditos sobre fretes incorridos com o envio/recebimento de bens de cooperados, sob o mesmo fundamento do item anterior, ou seja, embora os bens remetidos/recebidos (vendidos/adquiridos) dos cooperados (pessoas jurídicas) não tenham sido tributados pela contribuições, o frete para o transporte de tais bens o foi. Assim, com o mesmo fundamento do item imediatamente anterior (d.2), a glosa dos créditos, efetuada pela Fiscalização, sobre os fretes no envio/recebimento de bens dos cooperados, deve ser revertida. d.4) Fretes sobre aquisição de embalagens, bens não enquadrados como insumo e bens de uso e comum Segundo o inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, citados e transcritos anteriormente, os bens e serviços utilizados como insumos na produção dos bens destinados a venda e na prestação de serviços dão direito ao desconto de créditos das contribuições. Levando-se em conta que embalagens constitui insumo do processo de produção da recorrente, o frete nas suas aquisições suportado por ela, integra o custo desse insumo e, portanto, daria direito ao desconto de crédito. No entanto, no presente caso, a própria recorrente informou no Recurso Voluntário que tais fretes, de fato, estão vinculados a operações de transferência de insumos, cujo rol de Conhecimentos de frete consta no Anexo XVII, da manifestação de inconformidade. Assim, a glosa dos créditos, efetuada pela Fiscalização, sobre os fretes na aquisição de embalagens, de fato, frete na transferência de insumos, deve ser mantida. d.5) Fretes de remessa e retorno de industrialização por encomenda A recorrente terceiriza a produção de alguns produtos, dentre eles o fatiamento do queijo prato e queijo muçarela, de farinha de carne e de ossos suínos, este dois últimos, matérias-primas utilizadas na fabricação de ração animal. Neste caso, os custos/despesas com fretes de remessa das matérias- primas e demais insumos para industrialização por terceiros e com o retorno dos produtos industrializados enquadram-se como insumos nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e também no conceito dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR. Fl. 19679DF CARF MF Original Fl. 28 do Acórdão n.º 3301-012.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.901494/2018-19 Assim, a glosa dos créditos, efetuada pela Fiscalização, sobre os fretes de remessa e retorno de industrialização por encomenda, deve ser revertida. d.6) Fretes sobre remessa de mercadoria para armazenagem A Lei nº 10.833/2003, em seu artigo 3º, inciso IX, admite o desconto de créditos das contribuições sobre despesas com armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Este direito foi estendido para PIS, conforme disposto no art. 15, inciso IX, dessa mesma lei. Segundo aquele dispositivo legal, o desconto de crédito é sobre as despesas com fretes na operação de venda e não sobre fretes para remessa de mercadorias para armazenagem em depósitos próprios e/ ou de terceiros. Também, tais despesas não se enquadram no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR. Dessa forma, a glosa dos créditos, efetuada pela Fiscalização, sobre fretes para remessa de mercadoria para armazenagem, deve ser mantida. e) Serviços na fábrica de ração A recorrente alegou no Recurso Voluntário que: “A DRJ/CTA deu integral provimento à Manifestação de Inconformidade, ou seja, reverteu as glosas perpetradas pela fiscalização. No entanto, ao efetuar o cálculo do valor do crédito revertido, incorreu em grave equívoco”. Ora, se a decisão a quo já reconheceu o direito de a recorrente descontar créditos das contribuições sobre os serviços na fábrica de ração, não há litígio, quanto a essa matéria, a ser decidido nesta fase recursal. Não cabe recurso voluntário contra decisão de Primeira Instância sobre matéria impugnada na manifestação de inconformidade, decidida favoravelmente ao contribuinte. O recurso voluntário somente é cabível sobre matérias cuja decisão a quo foi desfavorável. Se a decisão de primeira instância lhe foi favorável, não há litígio a ser decidido em segunda instância. O Decreto nº 70.235/72, assim dispõe quanto à equívocos nas decisões: Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. (destaque não original) Por sua vez a Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011, que disciplinava a constituição das Turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), vigente na data em que o contribuinte foi intimado do acórdão recorrido, assim dispunha: Art. 27. O requerimento da autoridade incumbida da execução do acórdão ou do sujeito passivo, para correção de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e a erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, será rejeitado por despacho irrecorrível do Presidente da Turma, quando não demonstrar, com precisão, a inexatidão ou o erro. Fl. 19680DF CARF MF Original Fl. 29 do Acórdão n.º 3301-012.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.901494/2018-19 Já a Portaria ME nº 340, de 08/10/2020, vigente e que revogou aquela, assim dispõe: Art. 39. Será proferido novo acórdão para a correção de inexatidões materiais devido a lapso manifesto e a erros de escrita ou de cálculo existentes no acórdão, mediante requerimento da autoridade incumbida da execução do acórdão ou do sujeito passivo. § 1º O requerimento de que trata o caput será rejeitado, por despacho irrecorrível do Presidente da Turma, caso não seja demonstrado, com precisão, a inexatidão ou o erro. § 2º Caso o Presidente da Turma entenda necessário, preliminarmente, será ouvido o julgador relator ou, na impossibilidade deste, outro julgador designado. Caberia ao contribuinte ter apresentado requerimento ao Presidente da 3ª Turma de Julgamento da DRJ/CRA, solicitando a correção do valor da glosa revertida por ela. Assim, não conheço dessa matéria, ou seja, do direito de descontar créditos sobre serviços na fábrica de ração. f) Serviços que não se agregaram ao produto A recorrente defende o direito de descontar créditos sobre os seguintes gastos: 1) royalties - utilização genética na suinocultura e avicultura: e, 2) serviços de saúde As glosas, segundo consta do Recurso Voluntário, foram sobre os gastos incorridos com: “royalties-material genético”; e, serviços de saúde. A recorrente tem como atividades econômicas, dentre aa suinocultura e a avicultura, produzindo e fornecendo para seus cooperados, pessoas físicas e jurídicas (cooperativas singulares) pintinhos de um dia e leitões para terminação no sistema integrado. Para estas atividade utilização matrizes de alto padrão genético. Pela utilização da genética avançada, paga royalties aos detentores das tecnologias de produção dos referidos animais para as empresas Agroceres PIC, Geneticporc, Embrapa e outras. As despesas incorridas com o pagamento de royalties para a produção das aves suínos, destinados ao abate e processamento/industrialização dos bens vendidos, são imprescindíveis ao desenvolvimento da atividade econômica da recorrente; assim, enquadram-se no conceito de insumos, dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR. Dessa forma, por força do disposto no § 2º do art. 62 do Anexo II, do RICARF, adota-se, para os custos/despesas com serviços “Royalties - Material Genético Suíno”, o mesmo entendimento do STJ, naquele REsp, para reverter a glosa dos créditos, efetuada pela Fiscalização, sobre estes custos/despesas. Já as despesas incorridas com saúde dos colaboradores (empregados) referentes a consultas médicas, gastos hospitalares, com clínicas e laboratórios não constituem insumos dos bens produzidos nem se enquadram no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.211.170/PR. Fl. 19681DF CARF MF Original Fl. 30 do Acórdão n.º 3301-012.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.901494/2018-19 Assim, a glosa dos créditos, efetuada pela Fiscalização, sobre despesas incorridas com a saúde dos colaboradores (empregados/funcionários), deve ser mantida. Em resumo, neste item, deve ser revertida apenas glosa sobre os custos/despesas incorridos com royalties referente à genética aplicada na suinocultura e avicultura. II.3) Despesas de armazenagem de mercadorias e fretes na operação de venda: Segundo a recorrente, as glosas de créditos relativas a este item, abrangem: os custos/despesas incorridos com: a) frete para a transferência de produtos acabados entre unidades; b) frete do sistema integração; c) frete sobre operações com cooperados (fornecimento/ recebimento de bens (aves, suínos e outras mercadorias). Todas estas três matérias estão sendo impugnadas em duplicidade e já foram analisadas e julgadas neste voto. Assim, para o item a) frete para a transferência de produtos acabados entre unidades, a glosa dos créditos deve ser mantida, conforme fundamentos expendidos nos Item II.1.2; para Item b) frete do sistema integração, a glosa dos créditos deve ser revertida, conforme fundamentos expendidos no Item d.1; e, para o Item c) frete sobre operações com cooperados (fornecimento/recebimento de bens (aves, suínos e outras mercadorias), a glosa dos créditos deve ser revertida, conforme fundamentos expedidos no Item d.3. II.4 Encargos de depreciação/amortização de bens do ativo imobilizado Nesta fase recursal, a recorrente defende a reversão das glosas dos créditos descontados sobre os bens escriturados nas seguintes contas: 11681 - Edificações; 11797 - Benfeitorias em Imóveis Próprios; conta 11827 - Benfeitorias em Imóveis de Terceiros; e, 11771 – Instalações; e, ainda, sobre as notas fiscais nº 462 e 459. O inciso VII do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, c/c o inciso III do § 1º, deste mesmo artigo, prevê o desconto de créditos sobre edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa. Ao contrário do entendimento da recorrente, em relação às edificações, benfeitorias e instalações em imóveis próprios e de terceiros utilizados nas suas atividades, a DRJ reconheceu o seu direito ao desconto de créditos sobre os encargos de depreciação e amortização incorridos no mês, conforme consta da ementa da decisão recorrida e do seu voto às fls. 18261, último parágrafo e fls. 18262. Assim, o julgamento dessa matéria ficou prejudicado e não conheço dele. Já em relação às Notas Fiscais nº 459 e 462, constantes do Anexo V, às fls. 18863 e 18864, respectivamente, apresentadas juntamente com o Recurso Voluntário, ambas emitidas pela SAIBA Cozinhas Profissionais Fl. 19682DF CARF MF Original Fl. 31 do Acórdão n.º 3301-012.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.901494/2018-19 Ltda., CNPJ nº 01.419.904/0001-44, ambas comprovam o erro na informação prestada à Fiscalização e que, de fato, os bens foram fornecidos/vendidos essa empresa. Dessa forma, a glosa dos créditos, efetuada pela Fiscalização, sobre os bens representados por essa duas notas fiscais, deve ser revertida. II.5) Créditos presumidos – atividades agroindustriais: a) Alocação dos valores dos créditos presumidos integralmente para o mercado interno tributado A recorrente defende o direito de alocar os créditos presumidos na proporção das receitas tributadas, não tributadas no mercado interno e de exportação. Os §§ 7º a 9º do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, citados e transcritos anteriormente, dispõe sobre o rateio das receitas, no caso de o sujeito passivo, ter parte de suas receitas submetidas à tributação das contribuições pelo regime cumulativo e parte pelo regime não cumulativo, visando à a apuração dos créditos descontados. O disposto nesses dispositivos legais aplica-se também ao rateio proporcional das receitas nos casos em que parte das receitas são tributadas e parte desoneradas. A IN RFB nº 1.911/2019 que trata das contribuições para o PIS e Cofins, assim dispõe quanto à apuração de créditos, nos casos em que o sujeito tem parte das suas receitas tributadas e parte desoneradas: Art. 226. Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitar-se ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, em relação a apenas parte de suas receitas, o crédito deve ser calculado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas (Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, § 7º; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, § 7º; e Lei nº 10.865, de 2004, art. 15, § 5º). § 1º Para efeito do disposto neste artigo, a pessoa jurídica deve registrar, a cada mês, destacadamente para a modalidade de incidência referida no caput e para aquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, as parcelas: I - dos custos, das despesas e dos encargos de que tratam os arts. 171, 173 e 181, observado o disposto no art. 164; e II - do custo de aquisição dos bens e serviços de que trata o art. 171 adquiridos de pessoas físicas, observado o disposto nos arts. 504 a 530. § 2º Para efeito do disposto neste artigo, o valor a ser registrado deve ser determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de (Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, § 8º, incisos I e II; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, § 8º, incisos I e II): I - apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II - rateio proporcional, aplicando-se aos custos, despesas e encargos comuns à relação percentual existente entre a receita bruta sujeita ao regime de apuração não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Fl. 19683DF CARF MF Original Fl. 32 do Acórdão n.º 3301-012.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.901494/2018-19 § 3º Para apuração do crédito decorrente de encargos comuns, na hipótese do inciso I do § 2º, devem ser aplicados sobre o valor de aquisição de insumos, dos custos e das despesas, referentes ao mês de apuração, critérios de apropriação por rateio que confiram adequada distribuição entre os encargos vinculados às receitas submetidas ao regime de apuração não cumulativa e os encargos vinculados às receitas submetidas ao regime de apuração cumulativa. § 4º Para apuração do crédito decorrente de encargos comuns, na hipótese do inciso II do § 1º, a receita bruta total objeto do rateio proporcional corresponderá à soma das receitas de venda de bens e serviços auferidas pela pessoa jurídica nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil (Lei nº 10.637, de 2002, art. 1º, § 1º; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 1º, § 1º). § 5º O método eleito pela pessoa jurídica, referido no § 2º, deve ser aplicado consistentemente por todo o ano-calendário, tendo de ser o mesmo para a Contribuição para o PIS/Pasep e para a Cofins (Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, § 9º; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, § 9º). § 6º As disposições deste artigo aplicam-se independentemente de os créditos serem decorrentes de operações relativas ao mercado interno ou do pagamento das contribuições incidentes na importação (Lei nº 10.865, de 2004, art. 15, § 5º). § 7º O disposto neste artigo aplica-se também para apuração dos créditos vinculados às receitas de exportação e às receitas sujeitas a suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, § 8º; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, § 8º, e art. 6º, § 3º; e Lei nº 11.033, de 2004, art. 17). (destaques não originais) Ora, segundo o disposto nos §§ 4º e 7º, tendo o contribuinte optado pelo rateio proporcional das receitas para o cálculo dos créditos presumidos, como no presente caso, os créditos descontados sobre os custos vinculados às receitas devem ser alocados para os respectivos mercados aos quais estão vinculadas. Dessa forma acolho o pedido de realocação dos créditos presumidos solicitado pela recorrente, de acordo com a vinculação das receitas: mercado interno; mercado interno não tributadas (alíquota zero, suspensão, isenção e não incidência); mercado externo. b) Crédito presumido de 60,0% b.1) Estorno de crédito em relação às receitas de vendas de rações efetuadas com suspensão: A recorrente discordou da glosa do crédito presumido descontado sobre aquisições de milho extrusado/farinha e lenha, utilizados na fabricação de ração destinada à alimentação animal (aves e suínos), vendida para terceiros. A DRJ manteve a glosa sob o fundamento de que a ração é vendida com suspensão das contribuições, nos termos do inciso II do § 4º, do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Ao contrário do entendimento da daquela Autoridade Julgadora, o disposto naquele dispositivo legal, não se aplica à recorrente, mas apenas as empresas nele elencadas: I) cerealistas que exerça cumulativamente as Fl. 19684DF CARF MF Original Fl. 33 do Acórdão n.º 3301-012.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.901494/2018-19 atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); II) pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e, III - pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. O direito ao ressarcimento/compensação de crédito presumido da agroindústria está previsto no art. 56-A da Lei nº 12.350/2010, que assim dispõe: Art. 56-A. O saldo de créditos presumidos apurados a partir do ano-calendário de 2006 na forma do § 3 o do art. 8 o da Lei n o 10.925, de 23 de julho de 2004, existentes na data de publicação desta Lei, poderá: (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). I - ser compensado com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). II - ser ressarcido em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). § 1 o O pedido de ressarcimento ou de compensação dos créditos presumidos de que trata o caput somente poderá ser efetuado: (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). (...) II - relativamente aos créditos apurados no ano-calendário de 2009 e no período compreendido entre janeiro de 2010 e o mês de publicação desta Lei, a partir de 1 o de janeiro de 2012. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). § 2 o O disposto neste artigo aplica-se aos créditos presumidos que tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8 o e 9 o do art. 3 o da Lei n o 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nos §§ 8 o e 9 o do art. 3 o da Lei n o 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). Dessa forma, a glosa dos créditos presumidos, efetuada pela Fiscalização, sobre aquisições de milho extrusado e lenha, utilizados na fabricação de ração, efetivamente vendida no mercado interno, deve ser revertida. b.2) Pedido alternativo da Fiscalização – estorno do valor apropriado como crédito presumido de 60%, em relação a NCM 2309.90 (preparações dos tipos utilizados na alimentação de animais, outras), em virtude do disposto no art. 57 da Lei nº 12.350/2010. O art. 57 da Lei nº 12.350/2010, assim dispõe: Art. 57. A partir do primeiro dia do mês subsequente ao de publicação desta Lei, não mais se aplica o disposto nos arts. 8 o e 9 o da Lei n o 10.925, de 23 de julho de 2004, às mercadorias ou aos produtos classificados nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07, 0210.1 e 23.09.90 da NCM. (Redação dada pela Lei nº 12.431, de 2011). Os referidos códigos correspondem aos seguintes produtos: 02.03 - carnes de animais da espécie suína, frescas, refrigeradas ou congeladas; 0206.30.00 – miudezas comestíveis de animais (suínos) frescas, Fl. 19685DF CARF MF Original http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.925.htm#art8%C2%A73 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12431.htm#art10 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12431.htm#art10 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12431.htm#art10 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12431.htm#art10 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12431.htm#art10 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12431.htm#art10 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12431.htm#art10 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10637.htm#art3%C2%A78 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10637.htm#art3%C2%A79 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10637.htm#art3%C2%A79 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.833.htm#art3%C2%A78 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.833.htm#art3%C2%A79 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.833.htm#art3%C2%A79 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12431.htm#art10 Fl. 34 do Acórdão n.º 3301-012.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.901494/2018-19 refrigeradas ou congeladas; 0206.4 - miudezas comestíveis de animais (suínos) congeladas; 02.07 - carnes e miudezas, comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas, das aves da posição 01.05 (frangos); 0210.1 – carnes suínas, salgadas ou em salmoura, secas ou defumadas; 23.09.90 - preparações dos tipos utilizados na alimentação de animais - outras. Por sua vez, o art. 55 desta mesma lei assim dispõe: Art. 55. As pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias classificadas nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM, destinadas a exportação, poderão descontar da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidas em cada período de apuração crédito presumido, calculado sobre: I – o valor dos bens classificados nas posições 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e nas posições 12.01, 23.04 e 23.06 da NCM, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física; (Vide Lei nº 12.865, de 2013)(Vigência) II – o valor das preparações dos tipos utilizados na alimentação de animais vivos classificados nas posições 01.03 e 01.05, classificadas no código 2309.90 da NCM, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física; III – o valor dos bens classificados nas posições 01.03 e 01.05 da NCM, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1 o O disposto nos incisos I a III do caput deste artigo aplica-se também às aquisições de pessoa jurídica. (...) § 3 o O montante do crédito a que se referem os incisos I e II do caput e o § 1 o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de percentual correspondente a 30% (trinta por cento) das alíquotas previstas no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (...) § 6 o O crédito apurado na forma do caput deste artigo deverá ser utilizado para desconto do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno. § 7 o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre-calendário, não conseguir utilizar o crédito na forma prevista no § 6 o deste artigo poderá: I – efetuar sua compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; II – solicitar seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 8 o O disposto no § 7 o deste artigo aplica-se somente à parcela dos créditos presumidos determinada com base no resultado da aplicação, sobre o valor da aquisição de bens relacionados nos incisos do caput deste artigo, da relação percentual existente entre a receita de exportação e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9 o O disposto neste artigo aplica-se também no caso de vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. (...). Fl. 19686DF CARF MF Original Fl. 35 do Acórdão n.º 3301-012.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.901494/2018-19 Ora, segundo este dispositivo legal, a recorrente tem direito de descontar créditos presumidos da agroindústria sobre a aquisição de preparações (NCM 23.09.90) utilizadas na alimentação de suínos e aves, utilizadas na produção cortes de suínos e aves exportados para o mercado externo, no valor correspondente a 30% (trinta por cento) das alíquotas previstas no caput do art. 2º das Lei nºs 10.637/2002 nº 10.833/2003 e não de 60% conforme defendido por ela. Da análise do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 e dos arts. 55 e 57 da Lei nº 12.350/2010, depreendemos que, a partir da vigência desta lei, as pessoas jurídicas que exploram as atividades frigoríficas de abates de animais, processamento e industrialização, passaram a ter direito ao crédito presumido da agroindústria, calculado sobre os insumos, à alíquota de 30,0 % das alíquotas previstas no art. 2º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/200, vinculados às receias de exportações dos produtos processados/industrializados, classificados nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM, destinados a exportação, e à alíquota de 60,0 %, das previstas naquele mesmo art. 2º, para esses mesmos produtos, destinados ao mercado interno. Assim, a glosa dos créditos presumidos, no valor de 60,0 % das alíquotas previstas no art. 2º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, descontados da aquisição de preparações dos tipos utilizados na alimentação de animais, classificada no código 2309.90 da NCM, utilizada, exclusivamente, na alimentação dos animais (aves e suínos) cujos produtos decorrentes do abate, processamento e industrialização que comprovadamente não foram exportados, deve ser reduzida para 30,0 %. Em resumo, a recorrente tem direito ao desconto de créditos sobre o custo de aquisições das preparações utilizadas na alimentação de animais vivos classificados nas posições 01.03 e 01.05, classificadas no código 2309.90 da NCM, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física, calculados às alíquotas correspondentes a 30,0% das alíquotas previstas no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, comercializados exclusivamente no mercado interno. c) Crédito presumido de 30% - estorno de crédito em relação à produção de ração vendida com suspensão: Além das preparações (NCM 23.09.90) utilizadas na alimentação de suínos e aves, cujo direito ao desconto/ressarcimento de créditos presumidos da agroindústria foi reconhecido à recorrente no item anterior (b.2), a recorrente pleiteia a reversão da glosa dos créditos descontados da aquisição dos demais insumos utilizados na fabricação de rações vendidas para terceiros, calculados no valor de 30,0% das alíquotas previstas no art. 2º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. O art. 55 da Lei nº 12.350/2010, citado e transcrito anteriormente, prevê o desconto de créditos presumidos da agroindústria, calculado no valor de 30,0% das alíquotas no art. 2º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Fl. 19687DF CARF MF Original Fl. 36 do Acórdão n.º 3301-012.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.901494/2018-19 Assim, a glosa dos créditos, efetuada pela Fiscalização, sobre a aquisição de insumos utilizados na produção de rações vendidas para terceiros, deve ser revertida. d) Exclusão do saldo do crédito presumido do mês anterior sob o rótulo de “crédito diferido – valor excluído mês” A recorrente alega que a Fiscalização, ao aplicar a limitação na utilização do crédito presumido prevista no art. 9º da Lei nº 11.051/2004, não transportou os saldos remanescentes de créditos presumidos dos períodos anteriores no primeiro mês do trimestre de referência. No entanto, do exame da manifestação de inconformidade, oposta à autoridade julgadora de primeira instância, esta matéria não foi questionada. A fase litigiosa do procedimento se instaurou com a interposição da impugnação, quando aquelas matérias deveriam ter sido questionadas, conforme estabelece o Decreto nº 70.235/72, literalmente: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” Na lição de Chiovenda, repetida por Luiz Guilherme Marioni e Sérgio Cruz Arenhart, tem-se que: ... a preclusão consiste na perda, ou na extinção ou na consumação de uma faculdade processual. Isso pode ocorrer pelo fato: i) de não ter a parte observado a ordem assinalada pela lei ao exercício da faculdade, como os termos peremptórios ou a sucessão legal das atividades e das exceções; ii) de ter a parte realizado atividade incompatível com o exercício da faculdade, como a proposição de uma exceção incompatível com outra, ou a prática de ato incompatível com a intenção de impugnar uma decisão; iii) de ter a parte já exercitado validamente a faculdade. A cada uma das situações acima corresponde, respectivamente, os três tipos de preclusão: temporal, lógica e consumativa. No presente caso, ocorreu a preclusão temporal consistente na perda da oportunidade que a recorrente teve para tratar daquela matéria, quando da interposição da impugnação à autoridade julgadora de primeira instância. Ultrapassada aquela etapa, extingue-se o direito de suscitá-las somente nesta fase recursal. Assim, no mérito, não conheço dessa matéria por ter ocorrido a preclusão do direito de a recorrente impugná-la nesta fase recursal. Ressaltamos ainda que, o saldo credor trimestral dos créditos dos créditos do PIS e da Cofins, passível de ressarcimento/compensação, segundo a legislação tributaria que trata dessas contribuições, é o apurado no trimestre, sem levar em conta o saldo de mês e/ ou trimestre anteriores. Fl. 19688DF CARF MF Original Fl. 37 do Acórdão n.º 3301-012.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.901494/2018-19 II.6) Insumos importados A Fiscalização glosou os créditos sobre insumos importados sob o argumento de que não se enquadram no inciso II do art. 3º Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. A recorrente alega que se trata de aquisição de peças importadas necessárias aos seu processo produtivo e, portanto, devem ser considerados insumos. Como prova, citou e apresentou o Anexo XXXI onde os bens estão discriminados. Do exame daquele anexo e das notas fiscais de importações, verificamos que se trata da aquisição de peças e equipamentos para reposição e manutenção de máquinas e equipamentos utilizados em suas plantas industriais, abrangendo as unidades de lácteos e frigoríficas. Os custos/despesas com peças e equipamentos para reposição e manutenção de máquinas e equipamentos utilizados na produção dos bens destinados à venda são imprescindíveis ao desenvolvimento das atividades econômicas desenvolvidas pela recorrente. Além disto, estes custos enquadram-se no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR Assim, a glosa dos créditos, efetuada pela Fiscalização, sobre os custos/despesas com insumos importados, deve ser revertida. II.6.1) Realocação indevida dos créditos relativos a importação de bens para revenda, exclusivamente para o mercado interno tributado (item 2.3.6, do Relatório Fiscal) A recorrente alegou as mesmas razões expendidas no item 3, “realocação indevida dos créditos relativos a aquisições de bens para revenda, exclusivamente, para o mercado interno tributado”. Dessa forma, com base nos fundamentos do item II.1.3, deste voto, mantém-se a alocação dos créditos decorrentes de importação de bens para revenda no mercado interno tributado e, consequentemente, a glosa de créditos decorrentes dessa realocação. II.7) Recálculo do índice de rateio entre receitas tributadas e não tributadas do mercado interno – desconsideração das exclusões da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, no cálculo do percentual correspondente às receitas não tributadas. Neste item, de fato, a recorrente solicitou o reconhecimento do seu direito de retificar a EFD Contribuições, ou seja, a escrituração das contribuições para o PIS e Cofins, efetuada por ela, com o objetivo de alterar os índices do rateio proporcional da receita total. Segundo o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, o método do rateio proporcional, inclusive a forma de cálculo, para apuração dos créditos vinculados à receita de vendas no mercado interno tributado, à receita de venda no mercado interno não tributado, e receita de venda no mercado externo, será eleito pelo Fl. 19689DF CARF MF Original Fl. 38 do Acórdão n.º 3301-012.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.901494/2018-19 contribuinte e o método eleito será aplicado consistentemente por todo o ano-calendário. Além disto, não é competência desta Tuma Julgadora analisar pedido de retificação da escrituração fiscal das contribuições para o PIS e Cofins – EFD Contribuições, efetuada pelo contribuinte. Assim, rejeito esse pedido, assim, não conheço desse. III) Atualização monetária do crédito pela taxa Selic A recorrente carreou aos autos cópia do Mandado de Segurança Nº 5000781-34.2019.4.04.04.720/SC, apresentado contra o Delegado da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC no qual requereu, dentre outros pedidos, que a autoridade coatora compelida efetue o ressarcimento dos créditos do PIS e da Cofins atualizado pela taxa Selic depois de transcorrido o prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do respectivo protocolo administrativo. Ora, a opção do contribuinte pela via judiciária para a discussão do seu direito ao ressarcimento do saldo credor das contribuições, atualizado monetariamente pela Selic, em discussão neste processo administrativo, implicou renúncia ao poder de recorrer administrativamente, nos termos da Lei nº 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único, e do Decreto-lei nº 1.737, de 1979, art. 1º, § 2º. Trata-se de matéria sumulada pelo CARF nos termos da Súmula Vinculante nº 01, literalmente: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Assim, por força no disposto no art. 72, do RICARF, obrigatoriamente, aplica-se esta súmula ao presente caso, para não conhecer do Recurso Voluntário, quanto à atualização monetária do ressarcimento deferido. Em face do exposto, conheço em parte do recurso voluntário do contribuinte e, na parte conhecida, dou-lhe provimento parcial, nos termos deste voto. Fl. 19690DF CARF MF Original Fl. 39 do Acórdão n.º 3301-012.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.901494/2018-19 Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do Anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de I) não conhecer do recurso voluntário do contribuinte, quanto: 1) à glosa de créditos sobre fretes na transferência de insumos; 2) glosa de créditos sobre serviços na fábrica de ração; 3) glosa de créditos sobre os encargos de depreciação/amortização de bens do ativo imobilizado (contas: 11681 - Edificações; 11797 - Benfeitorias em Imóveis Próprios; conta 11827 - Benfeitorias em Imóveis de Terceiros; e, 11771 – Instalações); 4) exclusão do saldo do crédito presumido do mês anterior sob o rótulo de “crédito diferido – valor excluído mês”; 5) recálculo do índice de rateio entre receitas tributadas e não tributadas do mercado interno – desconsideração das exclusões da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, no cálculo do percentual correspondente às receitas não tributadas; e, 6) à atualização monetária do ressarcimento do crédito deferido pela taxa Selic; II) negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte para manter as glosas dos créditos sobre: 1) aquisições de mercadorias para revenda de cooperados; 2) vinculação da realocação indevida dos créditos sobre aquisições de bens para revenda, exclusivamente, para o mercado interno tributado; 3) material de uso e consumo; 4) aquisições de insumos de cooperados pessoas jurídicas (cooperativas singulares); 5) aquisições de produtos vendidos com a suspensão prevista na Lei nº 12.350/2010; 6) fretes sobre aquisição de embalagens, bens não enquadrados como insumo e bens de uso e comum; 7) despesas com serviços de saúde; e, 8) realocação indevida dos créditos relativos a importação de bens para revenda, exclusivamente para o mercado interno tributado (item 2.3.6, do Relatório Fiscal); III) dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte para reverter as glosas dos créditos sobre: 1) fretes nas aquisições de produtos (mercadorias) não sujeitos ao pagamento da contribuição; 2) material de embalagem e etiquetas; 3) frete sobre o sistema de integração – aves, suínos, rações (insumos); 4) fretes sobre bens (insumos) sujeitos à alíquota zero, isenção e suspensão; 5) fretes sobre envio/recebimento de bens (mercadorias) de cooperados; 6) fretes de remessa e retorno de industrialização por encomenda; 7) despesas com royalties-material genético; 8) encargos de depreciação sobre os bens das Notas Fiscais nº 459 e 462 (fls. 18863 e 18864); 9) alocação dos valores dos créditos presumidos integralmente para o mercado interno tributado; 10) milho e lenha (vinculados ao estorno de crédito em relação às receitas de vendas de rações efetuadas com suspensão); 11) aquisições das preparações utilizadas na alimentação de animais vivos classificados nas posições 01.03 e 01.05, classificadas no código 2309.90 da NCM, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física, calculados às alíquotas correspondentes a 30,0% das alíquotas previstas no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, comercializados exclusivamente no mercado interno (Pedido alternativo da Fiscalização – estorno do valor apropriado como crédito presumido de 60%, em relação a NCM 2309.90); 12) insumos utilizados na produção de rações vendidas para terceiros no mercado interno (crédito presumido de 30,0%); e, 13) Insumos importados (peças/equipamentos importados não imobilizados, utilizados no processo produtivo); e negar provimento ao voluntário do contribuinte para manter as glosas dos créditos sobre: 1) fretes relativos à transferência de produtos acabados entre estabelecimentos; 2) fretes para formação de lotes de exportação; e, 3) fretes sobre remessa de mercadoria para armazenagem. Fl. 19691DF CARF MF Original Fl. 40 do Acórdão n.º 3301-012.532 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.901494/2018-19 (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator Fl. 19692DF CARF MF Original
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Numero do processo: 10980.727423/2020-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 13 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Thu May 18 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2015, 2016
CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA.
A propositura de ação judicial pelo Recorrente para discutir parte do objeto tratado em impugnação e recurso voluntário importa em renúncia à instância administrativa com relação às matérias coincidentes. Aplicação da Súmula CARF n. 1.
O fato de a ação judicial ter sido extinta sem julgamento do mérito não afasta a concomitância, tendo em vista que seu pedido, caso deferido, impediria a adoção de qualquer medida tendente a exigência dos débitos em discussão na esfera administrativa.
NULIDADE. VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO E À AMPLA DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA.
De acordo com o Decreto nº 70.235/1972, são nulos (i) os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; e (ii) os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa (art. 59). A demais irregularidades, incorreções e omissões, entretanto, não importam em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo (art. 60).
Não há que se falar em nulidade por violação ao contraditório e à ampla defesa quando auto de infração preenche todos os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e o Termo de Verificação Fiscal que o acompanha é minucioso na descrição das supostas infrações e quantificação das grandezas correlatas, propiciando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2015, 2016
MULTA ISOLADA PELO NÃO RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS E MULTA VINCULADA.
O art. 44, I e II, da Lei nº 9.430, de 1996, com nova redação atribuída pela Lei nº 11.488, de 2007, prevê duas condutas jurídicas distintas e, para cada uma delas, o legislador ordinário previu sanções igualmente distintas. Incorrendo o sujeito passivo nas duas condutas previstas em lei, devem ser aplicadas as respectivas sanções.
MULTA DE OFÍCIO E ISOLADA. CARÁTER CONFISCATÓRIO E DESPROPORCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE O JULGADOR ADMINISTRATIVO AFASTAR A APLICAÇÃO DE LEI. SÚMULA CARF 02.
Não cabe ao julgador administrativo afastar a aplicação da lei ou graduar multa sob os fundamentos de confisco ou desproporcionalidade. Súmula CARF nº 02.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano-calendário: 2015
PIS. REDUÇÃO DO PASSIVO SEM CONTRAPARTIDA DO ATIVO. AUMENTO DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO. NATUREZA DE RECEITA.
A redução do Passivo sem uma contrapartida do Ativo, em razão de remissão de dívida financeira, aumenta o patrimônio da pessoa jurídica e, como tal, representa receita sujeita à incidência do PIS, independentemente da denominação da operação que proporcionou o ganho.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Ano-calendário: 2015
COFINS. REDUÇÃO DO PASSIVO SEM CONTRAPARTIDA DO ATIVO. AUMENTO DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO. NATUREZA DE RECEITA.
A redução do Passivo sem uma contrapartida do Ativo, em razão de remissão de dívida financeira, aumenta o patrimônio da pessoa jurídica e, como tal, representa receita sujeita à incidência da Cofins, independentemente da denominação da operação que proporcionou o ganho.
Numero da decisão: 1301-006.354
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de renúncia às instâncias administrativas e de nulidades e a arguição de decadência, tendo votado pelas conclusões, quanto a esta, o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa. No mérito, negar provimento, (i) por maioria de votos, mantendo a exigibilidade da Contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, vencidos a Relatora Maria Carolina Maldonado Mendonça Kraljevic e os conselheiros José Eduardo Dornelas Souza e Marcelo Jose Luz de Macedo, que não consideravam tributáveis as receitas da dívida remida; (ii) por voto de qualidade, mantendo a concomitância de multas isolada e de ofício, vencidos a Relatora e os conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcelo Jose Luz de Macedo e Eduardo Monteiro Cardoso, que consideravam aplicável ao caso o racional da Súmula CARF nº 105; e (iii) por unanimidade de votos, às alegações de inconstitucionalidade das multas aplicadas. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Iágaro Jung Martins.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Taranto Malheiros - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Maria Carolina Maldonado Mendonça Kraljevic - Relator
(documento assinado digitalmente)
Iágaro Jung Martins - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Iágaro Jung Martins, Jose Eduardo Dornelas Souza, Lizandro Rodrigues de Sousa, Marcelo Jose Luz de Macedo, Fernando Beltcher da Silva, Maria Carolina Maldonado Mendonca Kraljevic, Eduardo Monteiro Cardoso e Rafael Taranto Malheiros.
Nome do relator: MARIA CAROLINA MALDONADO MENDONCA KRALJEVIC
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2015, 2016 CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial pelo Recorrente para discutir parte do objeto tratado em impugnação e recurso voluntário importa em renúncia à instância administrativa com relação às matérias coincidentes. Aplicação da Súmula CARF n. 1. O fato de a ação judicial ter sido extinta sem julgamento do mérito não afasta a concomitância, tendo em vista que seu pedido, caso deferido, impediria a adoção de qualquer medida tendente a exigência dos débitos em discussão na esfera administrativa. NULIDADE. VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO E À AMPLA DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. De acordo com o Decreto nº 70.235/1972, são nulos (i) os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; e (ii) os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa (art. 59). A demais irregularidades, incorreções e omissões, entretanto, não importam em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo (art. 60). Não há que se falar em nulidade por violação ao contraditório e à ampla defesa quando auto de infração preenche todos os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e o Termo de Verificação Fiscal que o acompanha é minucioso na descrição das supostas infrações e quantificação das grandezas correlatas, propiciando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2015, 2016 MULTA ISOLADA PELO NÃO RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS E MULTA VINCULADA. O art. 44, I e II, da Lei nº 9.430, de 1996, com nova redação atribuída pela Lei nº 11.488, de 2007, prevê duas condutas jurídicas distintas e, para cada uma delas, o legislador ordinário previu sanções igualmente distintas. Incorrendo o sujeito passivo nas duas condutas previstas em lei, devem ser aplicadas as respectivas sanções. MULTA DE OFÍCIO E ISOLADA. CARÁTER CONFISCATÓRIO E DESPROPORCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE O JULGADOR ADMINISTRATIVO AFASTAR A APLICAÇÃO DE LEI. SÚMULA CARF 02. Não cabe ao julgador administrativo afastar a aplicação da lei ou graduar multa sob os fundamentos de confisco ou desproporcionalidade. Súmula CARF nº 02. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2015 PIS. REDUÇÃO DO PASSIVO SEM CONTRAPARTIDA DO ATIVO. AUMENTO DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO. NATUREZA DE RECEITA. A redução do Passivo sem uma contrapartida do Ativo, em razão de remissão de dívida financeira, aumenta o patrimônio da pessoa jurídica e, como tal, representa receita sujeita à incidência do PIS, independentemente da denominação da operação que proporcionou o ganho. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Ano-calendário: 2015 COFINS. REDUÇÃO DO PASSIVO SEM CONTRAPARTIDA DO ATIVO. AUMENTO DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO. NATUREZA DE RECEITA. A redução do Passivo sem uma contrapartida do Ativo, em razão de remissão de dívida financeira, aumenta o patrimônio da pessoa jurídica e, como tal, representa receita sujeita à incidência da Cofins, independentemente da denominação da operação que proporcionou o ganho.
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AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial pelo Recorrente para discutir parte do objeto tratado em impugnação e recurso voluntário importa em renúncia à instância administrativa com relação às matérias coincidentes. Aplicação da Súmula CARF n. 1. O fato de a ação judicial ter sido extinta sem julgamento do mérito não afasta a concomitância, tendo em vista que seu pedido, caso deferido, impediria a adoção de qualquer medida tendente a exigência dos débitos em discussão na esfera administrativa. NULIDADE. VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO E À AMPLA DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. De acordo com o Decreto nº 70.235/1972, são nulos (i) os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; e (ii) os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa (art. 59). A demais irregularidades, incorreções e omissões, entretanto, não importam em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo (art. 60). Não há que se falar em nulidade por violação ao contraditório e à ampla defesa quando auto de infração preenche todos os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e o Termo de Verificação Fiscal que o acompanha é minucioso na descrição das supostas infrações e quantificação das grandezas correlatas, propiciando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2015, 2016 MULTA ISOLADA PELO NÃO RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS E MULTA VINCULADA. O art. 44, I e II, da Lei nº 9.430, de 1996, com nova redação atribuída pela Lei nº 11.488, de 2007, prevê duas condutas jurídicas distintas e, para cada uma delas, o legislador ordinário previu sanções igualmente distintas. Incorrendo o sujeito passivo nas duas condutas previstas em lei, devem ser aplicadas as respectivas sanções. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 74 23 /2 02 0- 90 Fl. 3870DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1301-006.354 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.727423/2020-90 MULTA DE OFÍCIO E ISOLADA. CARÁTER CONFISCATÓRIO E DESPROPORCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE O JULGADOR ADMINISTRATIVO AFASTAR A APLICAÇÃO DE LEI. SÚMULA CARF 02. Não cabe ao julgador administrativo afastar a aplicação da lei ou graduar multa sob os fundamentos de confisco ou desproporcionalidade. Súmula CARF nº 02. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2015 PIS. REDUÇÃO DO PASSIVO SEM CONTRAPARTIDA DO ATIVO. AUMENTO DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO. NATUREZA DE RECEITA. A redução do Passivo sem uma contrapartida do Ativo, em razão de remissão de dívida financeira, aumenta o patrimônio da pessoa jurídica e, como tal, representa receita sujeita à incidência do PIS, independentemente da denominação da operação que proporcionou o ganho. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Ano-calendário: 2015 COFINS. REDUÇÃO DO PASSIVO SEM CONTRAPARTIDA DO ATIVO. AUMENTO DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO. NATUREZA DE RECEITA. A redução do Passivo sem uma contrapartida do Ativo, em razão de remissão de dívida financeira, aumenta o patrimônio da pessoa jurídica e, como tal, representa receita sujeita à incidência da Cofins, independentemente da denominação da operação que proporcionou o ganho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de renúncia às instâncias administrativas e de nulidades e a arguição de decadência, tendo votado pelas conclusões, quanto a esta, o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa. No mérito, negar provimento, (i) por maioria de votos, mantendo a exigibilidade da Contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, vencidos a Relatora Maria Carolina Maldonado Mendonça Kraljevic e os conselheiros José Eduardo Dornelas Souza e Marcelo Jose Luz de Macedo, que não consideravam tributáveis as receitas da dívida remida; (ii) por voto de qualidade, mantendo a concomitância de multas isolada e de ofício, vencidos a Relatora e os conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcelo Jose Luz de Macedo e Eduardo Monteiro Cardoso, que consideravam aplicável ao caso o racional da Súmula CARF nº 105; e (iii) por unanimidade de votos, às alegações de inconstitucionalidade das multas aplicadas. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Iágaro Jung Martins. (documento assinado digitalmente) Rafael Taranto Malheiros - Presidente (documento assinado digitalmente) Fl. 3871DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1301-006.354 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.727423/2020-90 Maria Carolina Maldonado Mendonça Kraljevic - Relator (documento assinado digitalmente) Iágaro Jung Martins - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Iágaro Jung Martins, Jose Eduardo Dornelas Souza, Lizandro Rodrigues de Sousa, Marcelo Jose Luz de Macedo, Fernando Beltcher da Silva, Maria Carolina Maldonado Mendonca Kraljevic, Eduardo Monteiro Cardoso e Rafael Taranto Malheiros. Relatório Trata-se de autos de infração para a exigência de IRPJ e CSLL, acrescidos de juros, multa de ofício de 75% e multa isolada por falta de recolhimento da estimativa referente ao mês de novembro de 2015, em razão da suposta prática das seguintes infrações (i) omissão de receita relativa à remissão de dívidas, referente ao ano-calendário de 2015; e (ii) glosa de despesas financeiras decorrentes de empréstimo, referentes ao ano-calendário de 2016. Exige-se, ainda, Contribuição ao PIS e Cofins, referentes ao mês de novembro de 2015, acrescidos de juros e multa de ofício de 75%, em razão de suposta omissão de receita. De acordo com a Autoridade Fiscal, a Recorrente, sociedade de economia mista, com o objetivo de viabilizar e implantar a Cidade Industrial de Curitiba, além de promover a regularização fundiária de áreas com ocupação irregular, contraiu empréstimos junto ao Banco de Estado do Paraná S/A (“Banestado”), ao Banco de Desenvolvimento do Paraná S/A (“Badep”) e ao Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (“BRDE”), cujos créditos correlatos foram, posteriormente, cedidos ao Fundo de Desenvolvimento Econômico (“FDE”). Tais débitos foram objeto de execução fiscal, na qual se discutiu, dentre outros, a aplicação da Lei Estadual nº 16.348/09, que concedeu remissão dos débitos das companhias de desenvolvimento municipais, dentre elas, a Recorrente, para com o FDE. Antes do trânsito em julgado da execução fiscal, entretanto, em junho de 2015, a dívida foi extinta em razão de acordo entre o devedor e a Recorrente, que foi homologado pelo Poder Judiciário em outubro de 2015, e transitou em julgado em novembro de 2015. No entanto, os débitos somente foram baixados da contabilidade da Recorrente em dezembro de 2016, sem o pagamento dos tributos incidentes sobre o perdão de dívidas. Ainda, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal (“TVF”), após a homologação da remissão da dívida em questão, a Recorrente propôs ação judicial objetivando a não incidência de IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS e Cofins sobre o montante objeto de remissão, alegando, basicamente, que tais valores se enquadrariam no conceito de subvenção para investimento, que foi extinta sem julgamento do mérito, tendo em vista a impossibilidade de propositura de ação declaratória como meio de consulta. No mesmo ano, foi publicada a Lei Estadual nº 19.069/17, estipulando que a remissão de dívida objeto da Lei Estadual nº 16.348/09 era concedida na forma de subvenção de investimento. Diante disso, exige-se, nos autos de infração subjacentes, IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS e Cofins sobre a receita relativa à dívida remida, que, de acordo com a Autoridade Fiscal, deveria ter sido tributada em novembro de 2015, quando do trânsito em julgado da decisão que homologou o acordo de remissão. Além disso, apesar da extinção da divida, a Recorrente deduziu, no ano-calendário de 2016, despesas financeiras relacionadas ao Fl. 3872DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1301-006.354 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.727423/2020-90 empréstimo – o que ensejou a glosa de tais despesas, com consequente exigência de IRPJ e CSLL. Intimada, a Recorrente apresentou impugnação, sustentando, em síntese, (i) decadência dos débitos em exigência, tendo em vista que eventual fato gerador relativo à remissão de dívidas ocorreu na data da publicação da Lei Estadual nº 16.348/09, em 22.12.2009, ou na data do acordo celebrado entre as partes, em junho de 2015; (ii) nulidade do auto de infração, por violação ao art. 50 da Lei n° 9.784/99 e do art. 10 do Decreto 70.235/72, tendo em vista o erro nas premissas adotadas pela Autoridade Fiscal e a impossibilidade de a Receita Federal desconstituir a forma como ocorreu a remissão pelo Estado do Paraná; (iii) violação ao contraditório e à ampla defesa, tendo em vista que o procedimento de verificação teve início para fiscalizar outra operação específica, relacionada ao ano-calendário de 2016, e culminou com a exigência de tributos sobre fatos diversos, relativos aos anos-calendário de 2015 e 2016; (iv) que a caracterização da remissão da dívida como subvenção para investimento não foi realizada de forma unilateral pela Recorrente, mas decorre da lei e do destino conferido aos recursos do FDE ao programa de industrialização do município; (v) se o Estado do Paraná considerou a dívida perdoada como subvenção para investimento, não cabe ao Fisco Federal contestar a sua natureza; (vi) a dívida perdoada decorre de financiamentos obtidos pela Recorrente para a implantação da Cidade Industrial de Curitiba, caracterizando-se, pois, como subvenção de investimento, enquadrada na subcategoria de subvenção econômica, nos termos do inciso II do §3° do art. 12 da Lei n° 4.320/64; (vii) que, até o advento da Lei nº 11.638/07, as subvenções podiam ser contabilizadas na conta de reserva de capital, não sendo tributadas desde que não houvesse distribuição aos sócios e a reserva fosse utilizada para absorção de prejuízos ou incorporação ao capital; (viii) que a Lei nº 11.638/07 revogou o dispositivo que permitia a contabilização desses recursos em conta de reserva de capital, o que, entretanto, não deve ter efeitos fiscais; (ix) que, no recebimento de subvenções para investimento, não ocorre o fato gerador do IRPJ e da CSLL, que pressupõe a percepção de rendimentos passíveis de apropriação privada, voltados a uma finalidade lucrativa; (x) que as subvenções para investimento não se caracterizam como receita tributável, tendo em vista a ausência de plena disponibilidade sobre os recursos proporcionados pela subvenção, que transitam pelo patrimônio do contribuinte com o único fim de ser reinvestidos no múnus público; (xi) que a receita decorrente do perdão de dívida não se enquadra no conceito de receita do art. 12 do Decreto-lei nº 1.598/1977, com a alteração promovida pela Lei nº 12.973/14, tendo em vista que não constitui um aumento no patrimônio do devedor decorrente do ingresso de um elemento novo e positivo; (xii) a inconstitucionalidade das multas aplicadas, em razão do seu caráter confiscatório e desproporcional; e (xiii) a impossibilidade de exigência concomitante da multa isolada por não recolhimento de estimativa e multa de ofício. Sobreveio a decisão da DRJ que julgou improcedente a impugnação, mantendo integralmente o crédito tributário, nos termos da ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2015 NULIDADE. CONTRIBUINTE SURPREENDIDO COM O ESCOPO DA AUTUAÇÃO. INOCORRÊNCIA. É desarrazoado asseverar, como fez o impugnante, que foi surpreendido com a inclusão de novos registros e operações e ampliação do período de apuração, quando a operação em debate nestes autos foi única, já debatida e respondida desde o Termo de Início da Fiscalização, tendo ocorrido a autuação no ano-calendário 2015 porque a fiscalização, motivadamente, discordou da baixa da operação no ano-calendário 2016, como feito pelo fiscalizado. Fl. 3873DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1301-006.354 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.727423/2020-90 NULIDADE. PROCEDIMENTO FISCAL LACUNOSO. INOCORRÊNCIA. Se as dívidas remidas, com seus incidentes judiciais, legais e contábeis (consideradas pela fiscalização como receitas) são de razoável complexidade, a matéria tributável é simples (descaracterização de que as dívidas perdoadas sejam subvenção para investimento, devendo as dívidas ser consideradas receitas pura e simplesmente) e foi descrita com devido rigor no Termo de Verificação Fiscal que concluiu o procedimento, não havendo lacuna ou ausência de motivação que justifique a nulidade vindicada. DECADÊNCIA. DATA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. TRÂNSITO EM JULGADO DA DISCUSSÃO JUDICIAL ENTRE CREDOR E DEVEDOR, QUANDO SE APERFEIÇOOU O ACORDO QUE CONCRETIZOU A REMISSÃO DA DÍVIDA. A operação de remissão das dívidas foi definitivamente aperfeiçoada quando do trânsito em julgado da ação de execução proposta pelo credor em desfavor do devedor impugnante, pois, como o próprio impugnante reconheceu em ação judicial que buscava a declaração de que as receitas oriundas das dívidas remidas eram subvenção pare investimento, não poderia efetuar a baixa das operações de crédito, pois poderia antecipar providência que eventualmente não seria recepcionada na ação judicial que ainda estava pendente de recurso. Efetivamente, com o trânsito em julgado, aperfeiçoou-se a remissão, com todos os efeitos civis e tributários dela decorrentes, pois o trânsito em julgado tem o condão de constituir definitivamente os direitos e deveres, consolidando a situação jurídica de forma definitiva do credor e do devedor, inclusive com seus efeitos tributários. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA DO FENÔMENO DECADENCIAL PARA O IRPJ, CSLL, COFINS, PIS/PASEP E MULTA PELO NÃO PAGAMENTO A DESTEMPO DE ESTIMATIVAS. A contagem do quinquênio decadencial para o IRPJ, CSLL, Cofins e Pis/Pasep, tributos sujeitos ao lançamento por homologação, conta-se na forma do art. 150, § 4º, do CTN, quando presentes os pagamentos antecipados de tais tributos. Já o prazo decadencial da multa isolada pelo não pagamento de estimativas conta-se na forma do art. 173, § 1º, do CTN. Em ambos os casos, quando da ciência do lançamento, não tinha fluído o quinquênio decadencial. OMISSÃO DE RECEITAS. REMISSÃO DE DÍVIDAS. PERDÃO DE DÍVIDAS. CARACTERIZAÇÃO COMO SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. MATÉRIA EM DISCUSSÃO NO PODER JUDICIÁRIO. AÇÃO JUDICIAL PREVENTIVA. TRANCAMENTO DA VIA ADMINISTRATIVA. CONTROVÉRSIA NÃO CONHECIDA. Na espécie, aplica-se a inteligência da Súmula Vinculante CARF nº 1 (Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial - Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018), para não conhecer da discussão sobre a caracterização das receitas oriundas do perdão de dívidas (remissão) como subvenção para investimento. REMISSÃO DE DÍVIDAS. PERDÃO DE DÍVIDAS. CARACTERIZAÇÃO COMO RECEITAS. OMISSÃO DE RECEITAS. HIGIDEZ. A baixa de obrigação do passivo, pelo perdão da divida pelo credor (remissão), representa acréscimo ao Patrimônio Líquido da entidade devedora, que deve ter como contrapartida o resultado do período-base da data do evento, onde o ganho deve ser submetido à tributação pelo IRPJ e CSLL, bem como considerada receita para efeitos da tributação da Cofins e Pis/Pasep. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. INVIABILIDADE DE RECONHECIMENTO NA VIA ADMINISTRATIVA. Fl. 3874DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1301-006.354 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.727423/2020-90 Reconhecer o caráter confiscatório da multa lançada implicaria em afastar a multa prevista em normas do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, o que somente poderia ser alcançado pela declaração, em concreto, da inconstitucionalidade de tais normas. Ora, é de conhecimento geral que a inconstitucionalidade a norma legal tributária não pode ser decretada no âmbito do contencioso administrativo fiscal, o que terminou sendo consubstanciado na Súmula CARF nº 02, verbis: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido”. Intimado, a Recorrente interpôs recurso voluntário, alegando, em resumo: (i) que não há renúncia à via administrativa, tendo que vista que a ação judicial, objetivando a não incidência de IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS e Cofins sobre o montante objeto de remissão, foi julgada extinta sem julgamento do mérito, com arrimo no art. 485, VI, do CPC, o que afasta qualquer risco de conflito entre a decisão administrativa e a judicial, bem como porque o Poder Judiciário afastou a pretensão declaratória da Recorrente por entender que o tema deveria ser tratado na via administrativa e após eventual constituição do crédito tributário; (ii) decadência dos débitos em exigência, tendo em vista que eventual fato gerador relativo à remissão de dívidas ocorreu na data da publicação da Lei Estadual nº 16.348/09, em 22.12.2009, ou na data do acordo celebrado entre as partes, em junho de 2015; (iii) nulidade do auto de infração por violação ao contraditório e à ampla defesa, tendo em vista que o procedimento de verificação teve início para fiscalizar outra operação específica, relacionada ao ano-calendário de 2016, e culminou com a exigência de tributos sobre fatos diversos, relativos aos anos-calendário de 2015 e 2016; (iv) nulidade do auto de infração, por não demonstrar de forma clara os fundamentos da tributação e a identificação da receita que busca tributar; (v) que o próprio Estado do Paraná, titular dos recursos, classificou a operação como subvenção de investimento, natureza que foi refletida na contabilidade da Recorrente; (vi) que os valores correspondentes aos financiamentos contraídos caracterizam-se como subvenção para investimento, donde decorre a ausência da tributação ora em exigência; (vii) que, até o advento da Lei nº 11.638/07, as subvenções podiam ser contabilizadas na conta de reserva de capital, não sendo tributadas desde que não houvesse distribuição aos sócios e a reserva fosse utilizada para absorção de prejuízos ou incorporação ao capital; (viii) que a Lei nº 11.638/07 revogou o dispositivo que permitia a contabilização desses recursos em conta de reserva de capital, o que, entretanto, não deve ter efeitos fiscais; (ix) que, no recebimento de subvenções para investimento, não ocorre o fato gerador do IRPJ e da CSLL, que pressupõe a percepção de rendimentos passíveis de apropriação privada, voltados a uma finalidade lucrativa; que as subvenções para investimento não se caracterizam como receita tributável, tendo em vista a ausência de plena disponibilidade sobre os recursos proporcionados pela subvenção, que transitam pelo patrimônio do contribuinte com o único fim de ser reinvestidos no múnus público; (x) que as subvenções de investimento não se caracterizam como receita para fins de incidência de Contribuição ao PIS e de Cofins; (xi) que a receita decorrente do perdão de dívida não se enquadra no conceito de receita do art. 12 do Decreto-lei nº 1.598/77, com a alteração promovida pela Lei nº 12.973/14, tendo em vista que não constitui um aumento no patrimônio do devedor decorrente do ingresso de um elemento novo e positivo, razão pela qual não incide Contribuição ao PIS e COfins; (xii) a inconstitucionalidade das multas aplicadas, em razão do seu caráter confiscatório e desproporcional; e (xiii) impossibilidade de exigência concomitante da multa isolada por não recolhimento de estimativa e multa de ofício. É relatório. Fl. 3875DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1301-006.354 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.727423/2020-90 Voto Vencido Conselheiro Maria Carolina Maldonado Mendonça Kraljevic, Relator. I – Admissibilidade A Recorrente recebeu mensagem em sua Caixa Postal com acesso à decisão da DRJ em 14.05.2021, consultou o referido documento em 17.05.2021 e interpôs o recurso voluntário ora analisado em 16.06.2021. A Caixa Postal é considerada o Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) do contribuinte perante a RFB, de forma que, nos termos do art. 23, §2º, inciso III, alínea 'b' do Decreto nº 70.235/72, se considera realizada a intimação na data em que o sujeito passivo consulta o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária – desde que antes do prazo de 15 dias contados da entrega dos documentos no referido endereço eletrônico. Portanto, tendo em vista o prazo de 30 dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/1972, é tempestivo o recuso voluntário ora analisado. Além disso, o recurso atendo aos demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido. II – Preliminares II.1 Renúncia às instâncias administrativas A DRJ deixou de conhecer da discussão sobre a caracterização das receitas oriundas do perdão de dívidas (remissão) como subvenção para investimento, em razão de suposta concomitância entre a discussão administrativa e aquela objeto da Ação Declaratória nº 5003137-09.2017.4.04.7000. De acordo com a DRJ, o fato de a referida ação ter sido extinta sem julgamento do mérito não afasta a concomitância, tendo em vista o disposto no Parecer Normativo Cosit 7/2014, bem como a ausência de trânsito em julgado da Ação Declaratória nº 5003137-09.2017.4.04.7000. A Recorrente, por sua vez, alega que não há renúncia à via administrativa, tendo que vista que a ação foi julgada extinta sem julgamento do mérito, com arrimo no art. 485, VI, do CPC, o que elimina o risco de conflito entre a decisão administrativa e a judicial, bem como porque o Poder Judiciário afastou a pretensão declaratória da Recorrente por entender que o tema deveria ser tratado na via administrativa e após eventual constituição do crédito tributário. O parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/1980 prevê a renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa na hipótese de o contribuinte propor mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida: “Art. 38 - A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único - A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto”. O art. 78 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, expressamente estabelece que a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Fl. 3876DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1301-006.354 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.727423/2020-90 Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso administrativo. Confira-se: “Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso”. A Súmula CARF nº 1, aplicando esse mesmo entendimento, esclarece que a ação judicial que importa em renúncia às instâncias administrativas pode ser proposta por qualquer modalidade processual, antes ou após o lançamento de ofício: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial”. No presente caso, a Ação Declaratória nº 5003137-09.2017.4.04.7000 foi proposta em 31.01.2017, tem por objeto a declaração de inexistência de relação jurídico-tributária que a obrigue ao recolhimento de IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS e Cofins em razão da remissão da dívida pelo Estado do Paraná por meio da Lei Estadual nº 16.348/2009. Compulsando a inicial da referida ação (fls. 39 – 88), verifica-se que o seu teor é muito similar à impugnação subjacente e ao recurso voluntário ora analisado no que se refere à caracterização dos valores em discussão como subvenção para investimento e à alegada não incidência de IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS e Cofins. O fato de a Ação Declaratória nº 5003137-09.2017.4.04.7000 ter sido extinta sem julgamento do mérito não afasta a concomitância, tendo em vista que seu pedido, caso deferido, impediria a adoção de qualquer medida tendente a exigência dos débitos ora em discussão. Não prevalece, igualmente, o argumento da Recorrente de que o Poder Judiciário afastou sua pretensão declaratória por entender que o tema deveria ser tratado na via administrativa e após eventual constituição do crédito tributário. A sentença extinguiu o processo sem julgamento do mérito por ausência de interesse de agir, já que a Recorrente se socorreu do Poder Judiciário “para garantir o acerto de sua exegese quanto à natureza tributária dos valores percebidos”, quando, na realidade, como consta da sentença, “a missão judicial, mesmo a pretexto da ação declaratória, é a aplicação da Lei ao caso concreto com o condão de torná-la juridicamente definitiva través da coisa julgada, tudo tendo por substrato inicial uma controvérsia estabelecida”. (fl. 90) Ademais, a referida ação, embora tenha sido julgada extinta sem julgamento do mérito, foi objeto de recursos e ainda não transitou em julgado 1 . Portanto, entendo que, de fato, a Recorrente renunciou à instância administrativa com relação aos argumentos relacionados à não incidência de IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS e Cofins sobre subvenção de investimento, restando em discussão os seguintes pontos que serão analisados a seguir: (i) nulidades; (ii) decadência; (iii) incidência de Contribuição ao PIS e de Cofins sobre perdão de dívida; (iv) 1 Última consulta em 13.04.2023. Fl. 3877DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1301-006.354 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.727423/2020-90 inconstitucionalidade das multas aplicadas; e (v) concomitância entre multa isolada por não recolhimento de estimativa e multa de ofício. II.2 Nulidades do auto de infração Sustenta a Recorrente (i) a nulidade do auto de infração por violação ao contraditório e à ampla defesa, tendo em vista que o procedimento de verificação teve início para fiscalizar outra operação específica, relacionada ao ano-calendário de 2016, e culminou com a exigência de tributos sobre fatos diversos, relativos aos anos-calendário de 2015 e 2016; e (ii) a nulidade do auto de infração, por não demonstrar de forma clara os fundamentos da tributação e a identificação da receita que busca tributar. De acordo com o Decreto nº 70.235/1972, são nulos (i) os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; e (ii) os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa (art. 59). A demais irregularidades, incorreções e omissões, entretanto, não importam em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo (art. 60). No presente caso, não vislumbro a ocorrência de preterição de direito de defesa ou de qualquer prejuízo para a Recorrente. O auto de infração subjacente preenche todos os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972. O Termo de Verificação Fiscal que o acompanha é minucioso na descrição das supostas infrações e quantificação das grandezas correlatas, o que propiciou à Recorrente o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. Ademais, o fato de a fiscalização ter se iniciado pelo ano-calendário de 2016 e culminado com autuação com relação ao ano-calendário de 2015, por si só, não macula o procedimento adotado. Isso porque, como asseverou a decisão recorrida “a operação em debate nestes autos foi única, já debatida e respondida desde o Termo de Início da Fiscalização, tendo ocorrido a autuação no ano-calendário 2015 porque a fiscalização, motivadamente, discordou da baixa da operação no ano-calendário 2016, como feito pelo fiscalizado” (fl. 3784). Rejeito, portanto, as preliminares de nulidade invocadas. II.3 Decadência Sustenta a Recorrente, ainda, a decadência dos débitos em exigência, tendo em vista que eventual fato gerador relativo à remissão de dívidas ocorreu na data da publicação da Lei Estadual nº 16.348/09, em 22.12.2009, ou na data do acordo celebrado entre as partes, em junho de 2015. A remissão em discussão não ocorreu na data da publicação da Lei Estadual nº 16.348/09, tendo em vista que o próprio credor, nos autos da Ação de Execução n. 0000871- 56.2007.8.16.0004, afirmou que o benefício concedido pela referida norma não se aplicaria à Recorrente – o que levou o Tribunal de Justiça do Paraná a manter a sentença que determinou o prosseguimento da execução fiscal contra a Recorrente. Por outro lado, não procede o entendimento da DRJ no sentido de que a remissão somente se aperfeiçoou com o trânsito em julgado da ação de execução, em novembro de 2015. Em 23.06.2015, a Recorrente e o Estado do Paraná firmaram acordo de remissão da referida dívida (fl. 3391) – o que foi noticiado nos autos da Ação de Execução n. 0000871- 56.2007.8.16.0004 em 25.06.2015 (fl. 3392-3394). Em 24.08.2015, a execução fiscal foi julgada Fl. 3878DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 1301-006.354 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.727423/2020-90 extinta razão da remissão do débito (fls. 3395/3396). Portanto, a remissão produziu seus regulares efeitos a partir do acordo firmado entre as partes – tanto que, após noticiada aos autos, ensejou a imediata extinção da ação de execução. Isto é, o trânsito em julgado da ação de execução não tem o condão de adiar a produção de efeitos de um acordo devidamente celebrado entre as partes, razão pela qual a dívida se considera remida – com seus regulares efeitos, inclusive tributários, a partir de 23.06.2015. A Recorrente foi intimada da lavratura dos autos de infração subjacentes em 15.10.2020, portanto, mais de 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador da Contribuição ao PIS e da Cofins, que é mensal. No entanto, a jurisprudência é firme no sentido de que a contagem do prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150 parágrafo 4º do CTN, somente se aplica aos casos em que há recolhimento antecipado do tributo, ainda que parcial, na competência do fato gerador. Ocorre que não há, nos autos, documentos que demonstrem o recolhimento de Contribuição ao PIS e de Cofins, no mês de junho de 2015 – informação indispensável para a verificação da decadência, razão pela qual rejeito a arguição de decadência. III – Mérito III.1 Tributação do perdão de dívida pela Contribuição ao PIS e pela Cofins Sustenta a Recorrente que a receita decorrente do perdão de dívida não se enquadra no conceito de receita do art. 12 do Decreto-lei nº 1.598/1977, com a alteração promovida pela Lei nº 12.973/14, tendo em vista que não constitui um aumento no patrimônio do devedor decorrente do ingresso de um elemento novo e positivo. O conceito de receita tributável não se confunde com o conceito de receita para a contabilidade. Embora, para a contabilidade, a redução de um passivo, que resulte em aumento no patrimônio líquido, seja conceituada receita 2 , para o direito tributário, somente se caracteriza como receita “o ingresso de recursos financeiros que se incorporam definitivamente, na forma de elemento novo e positivo, ao patrimônio da entidade, com o objetivo de remunerá-la pela realização de uma atividade” 3 . Acerca do afastamento entre os conceitos contábil e tributário de receita, manifestou-se expressamente a Ministra Rosa Weber no Recurso Extraordinário n. 606.107, julgado na sistemática da repercussão geral: Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Aplicando-se o referido conceito de receita tributável ao caso concreto, tem-se que, no perdão de dívidas, não há ingresso de recursos financeiros e tampouco a remuneração da entidade pela prática de qualquer atividade, razão pela qual tal materialidade não se caracteriza como receita para o direito tributário. 2 CPC 00 (R2) - Estrutura Conceitual para Relatório Financeiro. 3 KRALJEVIC, Maria Carolina Maldonado Mendonça. Tributação da Receita – Parâmetros, Limites Constitucionais e Aspectos Controversos. Curitiba: Juruá, 2021. Fl. 3879DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 1301-006.354 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.727423/2020-90 Nesse sentido, Carlos Augusto Daniel Neto e Fábio Piovesan Bozza 4 afirmam que o conceito constitucional de receita, além de exigir um ingresso financeiro, é vinculado à “consecução de atividades pela pessoa jurídica, por quaisquer meios de produção”. Portanto, o perdão de dívida, assim como a doação, por vir de fora da entidade, a título de transferência patrimonial, não se enquadra no conceito de receita tributável. Ricardo Mariz de Oliveira 5 , por sua vez, embora não considere o ingresso de recursos como uma das características de receita, ensina que a redução ou extinção de obrigação, sem pagamento ou emprego de ativos, somente será considerada receita, se houver remuneração ou contraprestação ao titular do patrimônio, o que não ocorre na gratuidade do perdão de dívidas. Diante do exposto, concluo pela não incidência de Contribuição ao PIS e de Cofins sobre os valores referentes à dívida remida. III.2 Concomitância entre multa isolada e multa de ofício Exige-se, nos autos de infração em discussão, multa isolada por falta de recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL relativas ao mês de novembro de 2015, com base no art. 44, inciso II, alínea b, da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007, conforme abaixo: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) II - de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2 o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica”. Acerca da possibilidade de exigência concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas e multa de ofício é a Súmula CARF 105, aprovada em 08.12.2014: “A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício”. Os precedentes que ensejaram a aprovação da Súmula CARF 105 6 concluíram pela impossibilidade de concomitância entre multa isolada por falta de recolhimento de estimativa e multa de ofício por falta de recolhimento de tributo com base nos seguintes fundamentos: (i) aplicação do critério da consunção, segundo o qual a primeira conduta (falta de recolhimento da estimativa mensal) é meio de execução, é etapa preparatória da segunda (falta de recolhimento do tributo ao final do ano-calendário); (ii) a multa isolada por falta de 4 DANIEL NETO, Carlos Augusto; BOZZA, Fábio Piovesan. Um tributo ao perdão – a incidência de PIS/COFINS sobre a remissão de dívidas. Revista de Direito Tributário Atual, São Paulo, n. 41, p. 135-155, 2019. 5 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Cofins: conceitos de receita e faturamento. In: GOMES, Marcus Lívio; VELLOSO, Andrei Pitten (org.). Sistema constitucional tributário: dos fundamentos teóricos aos “hard cases”. Estudos em homenagem ao Ministro Luiz Fux. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2013. Disponível em: https://www.marizadvogados.com.br/wp content/uploads/2018/03/NArt.06-2013.pdf. 6 Acórdãos precedentes: 101-001.261, de 22/11/2011; 9101-001.203, de 17/10/2011; 9101-001.238, de 21/11/2011; 9101-001.307, de 24/04/2012; 1402-001.217, de 04/10/2012; 1102-00.748, de 09/05/2012; 1803-001.263, de 10/04/2012. Fl. 3880DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 1301-006.354 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.727423/2020-90 recolhimento de estimativa somente pode ser exigida no curso do ano-calendário, tendo em vista que, ao final do exercício, desaparece a base imponível da multa isolada, surgindo uma nova base, que corresponde ao tributo efetivamente apurado, única que pode ser objeto de penalização; e (iii) não é legítima a exigência de duas penalidades (multa isolada e multa de ofício) com base no mesmo fato apurado em procedimento fiscal. Cumpre ressaltar, entretanto, que a referida súmula versa sobre a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas com base na redação original do art. 44 §1º, IV da Lei nº 9.430/1996, enquanto a multa ora em discussão foi lançada com fundamento no art. 44, II, “b”, da Lei nº 9.430/1996, com a redação que lhe foi atribuída pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007. Confira-se, abaixo, a comparação entre a redação dos referidos dispositivos: Art. 44 §1º, IV da Lei nº 9.430/1996 (redação original) Art. 44, II, “b”, da Lei nº 9.430/1996 (redação do art. 14 da Lei nº 11.488/2007) Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II - cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: IV - isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente; Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) II - de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Da análise do quadro acima, pode-se concluir que não houve alteração substancial na penalidade aplicada por falta de recolhimento de estimativas mensais – exceto com relação à redução no seu percentual. Embora a redação atribuída ao dispositivo pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007 utilize a expressão “exigida isoladamente sobre o valor do pagamento mensal”, isso não a diferencia da multa isolada versada na redação original do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, tendo em vista que ambas as redações fazem referência expressa ao art. 2º da Lei nº 9.430/1996, que trata do pagamento mensal por estimativa. Portanto, a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas com fundamento no art. 44 da Lei nº 9.430/1996, com redação do art. 14 da Lei nº 11.488/2007, é a mesma daquela versada na redação original do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, exceto com relação ao seu percentual. Tanto é assim que, de acordo com a exposição de motivos da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, a alteração do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 teve por objetivo "reduzir o percentual da multa de ofício, lançada isoladamente, Fl. 3881DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 1301-006.354 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.727423/2020-90 nas hipóteses de falta de pagamento mensal devido pela pessoa física a título de carnê-leão ou pela pessoa jurídica a título de estimativa" 7 . Diante disso, apesar de a aplicação da Súmula CARF 105 ser restrita à multa isolada “lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996”, entendo que os argumentos que ensejaram a aprovação da referida súmula são totalmente aplicáveis à multa isolada lançada com base no art. 44, inciso II, alínea b, da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007. III.3 Inconstitucionalidade das multas aplicadas Sustenta a Recorrente, ainda, a inconstitucionalidade da multa de ofício de 75% e da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, em razão do seu caráter confiscatório e desproporcional. As referidas penalidades foram impostas com base, respectivamente, no inciso I e no inciso II, alínea b, ambos do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. O art. 26-A do Decreto nº 70.235/72, com redação dada pela Lei nº 11.941/09 estabelece que “[n]o âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”. No mesmo sentido é o art. 62, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e a Súmula CARF nº 02, aprovada em 2006. Diante disso, não cabe ao julgador administrativo afastar a aplicação da lei ou graduar multa sob os fundamentos de confisco ou desproporcionalidade, razão pela qual mantenho a aplicação da multa de 75%, com base no art. 44, I, da Lei n° 9.430/96. IV – Conclusões Diante do exposto, voto por conhecer do RECURSO VOLUNTÁRIO, rejeitar as preliminares e a arguição de decadência e, no mérito, julgar PARCIALMENTE PROCEDENTE, para afastar a incidência de Contribuição ao PIS e de Cofins sobre a dívida remida, bem como a exigência de multa isolada por falta de recolhimento de estimativa. (documento assinado digitalmente) Maria Carolina Maldonado Mendonça Kraljevic 7 Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/Exm/EMI-3-MF-MPS-Mpv-351- 07.htm, acesso em 09.08.2022. Fl. 3882DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 1301-006.354 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.727423/2020-90 Voto Vencedor Conselheiro Iágaro Jung Martins, redator designado. Em que pesem as aprofundadas razões de i. Relatora, a Turma por maioria de votos entendeu por manter a exigibilidade da Contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins e, por voto de qualidade, com a sistemática da Medida Provisória nº 1.160, de 12 de janeiro de 2023, manter a exigência de multa isolada concomitante com a de ofício. Passa-se a explicitar as razões que prevaleceram para a manutenção das duas matérias. a) Incidência do PIS e da Cofins sobre receita com perdão de dívida Entendeu a i. Relatora que o perdão de dívida não se enquadra no conceito de receita do art. 12 do Decreto-lei nº 1.598, de 1977, com a alteração promovida pela Lei nº 12.973, de 2014, tendo em vista que não constitui um aumento no patrimônio do devedor decorrente do ingresso de um elemento novo e positivo. O fato que ensejou a exigência tributária se refere a perdão de dívida em razão de acordo entre o devedor e a Recorrente, posteriormente homologado pelo Poder Judiciário. Tais dívidas decorrem de empréstimos financeiros, contraídos junto ao Banco de Estado do Paraná S/A (Banestado), ao Banco de Desenvolvimento do Paraná S/A (Badep) e ao Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). Com a devida vênia, o entendimento da Turma é diverso. O perdão de dívida tem repercussão positiva no patrimônio da entidade, pela insubsistência de um elemento do passivo, que tem como contrapartida uma receita. Em sentido contrário, um incremento do passivo tem como contrapartida uma despesa. As contribuições para o PIS e Cofins incidem sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil (art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003). Fl. 3883DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 1301-006.354 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.727423/2020-90 A RFB esclareceu que o perdão de dívida referente a empréstimo bancário deve ser classificado como receita financeira (SC Cosit nº 176, de 2018), ao passo a remissão de empréstimo não bancário não tem natureza de receita financeira, devendo ser registrada como outras receitas operacionais (SC Disit/9ªRF nº 306, de 2007). Nessa linha de entendimento são os seguintes julgados do CARF: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2011 a 31/01/2011 Cofins. Redução do Passivo sem Contrapartida do Ativo. Aumento do Patrimônio Líquido. Natureza de Receita. A redução do Passivo sem uma contrapartida do Ativo, em razão de remissão parcial de dívida, aumenta o patrimônio da pessoa jurídica e, como tal, representa receita operacional sujeita à incidência do PIS e da Cofins, independentemente da denominação da operação que proporcionou o ganho. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP (PIS) Período de apuração: 01/01/2011 a 31/01/2011 PIS. Redução do Passivo sem Contrapartida do Ativo. Aumento do Patrimônio Líquido. Natureza de Receita. A redução do Passivo sem uma contrapartida do Ativo, em razão de remissão parcial de dívida, aumenta o patrimônio da pessoa jurídica e, como tal, representa receita operacional sujeita à incidência do PIS e da Cofins, independentemente da denominação da operação que proporcionou o ganho. [...] (Acórdão nº 9303-008.341, sessão 20.03.2019, relator Tatiana Midori Migiyama) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2002 PERDÃO DE DÍVIDA. PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. O perdão de dívida importa para o devedor acréscimo patrimonial, caracterizando-se como receita operacional, cujo valor deve ser computado na base de cálculo do PIS apurado no regime não cumulativo. (Acórdão nº 3201-002.117, sessão 17.03.2016, relator Charles Mayer de Castro Souza) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 [...] PERDÃO DE DÍVIDA. SÓCIO CREDOR. RECEITA NÃO FINANCEIRA. A receita decorrente da remissão de dívida contraída junta ao sócio credor, não se confunde com uma receita financeira, devendo ser classificada como “outras receitas operacionais” e levada em conta na apuração da Contribuição para o PIS/Pasep. (Acórdão nº 3302-006.474, sessão 30.01.2019, relator Corintho Oliveira Machado) Fl. 3884DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 1301-006.354 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.727423/2020-90 Pelos argumentos aqui expostos, portanto, deve ser mantida a exigência que considerou receita para fins de incidência do PIS e da Cofins o perdão de dívida financeira. b) Multa isolada pelo não recolhimento das estimativas mensais Sobre esse ponto, entendeu a i. Relatora, com base no racional da Súmula CARF nº 105 e, a partir da análise comparativa das redações da redação original, art. 44 §1º, IV da Lei nº 9.430, de 1996, e do novo disciplinamento, art. 44, II, “b”, da Lei nº 9.430, de 1996, com redação atribuída pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007. Ainda que se compreenda o argumento de natureza econômica sobre a impossibilidade de incidência cumulativa das duas multas exigidas em decorrência de omissão de tributo, uma vinculada ao tributo lançado e outra isolada, incidente sobre as estimativas que deixaram de ser recolhidas em razão da omissão identificada pela Fiscalização (denominado princípio da concomitância), a solução do tema deve ser jurídica. Assim, dispõe o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II - de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (g.n.) Note-se que embora a antiga e a nova redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, pareçam similares, elas têm conteúdo distintos. A redação anterior previa multas calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo, fato que permitia concluir que as estimativas estariam contidas no tributo apurado ao final do período. A nova redação, contudo, tem redação mais clara e objetiva, distinguindo as duas condutas típicas, que têm consequências jurídicas distintas. O lançamento foi efetuado com a imputação da multa isolada de 50%, com base na Lei nº 11.488, de 2007, portanto a Súmula CARF nº 105 não se aplica ao presente caso, pois Fl. 3885DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 1301-006.354 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.727423/2020-90 editada em precedentes que analisaram lançamentos efetuados com base em legislação revogada à época do presente lançamento. Há, portanto, duas condutas jurídicas distintas e, para cada uma delas, o legislador ordinário previu sanções igualmente distintas. Incorrendo, portanto, o sujeito passivo nas duas condutas previstas em lei, deve ser aplicada a respectiva sanção prevista para cada uma delas. Portanto, inclusive nesse ponto deve ser mantido o lançamento. (assinado digitalmente) Iágaro Jung Martins Fl. 3886DF CARF MF Original
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Numero do processo: 19515.001332/2009-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 08 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue May 16 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 27/04/2009
DEIXAR DE PRESTAR INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS A FISCALIZAÇÃO CONDUTA OMISSIVA.
Constitui infração deixar a empresa de prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis do interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização.
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 148.
No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN.
Numero da decisão: 2201-010.389
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
O contribuinte pleiteou presencialmente a retirada de pauta do processo, alegando falta de paridade de representação na composição da Turma, o que foi indeferido de plano, por falta de amparo regimental.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fofano dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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Constitui infração deixar a empresa de prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis do interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 148. No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O contribuinte pleiteou presencialmente a retirada de pauta do processo, alegando falta de paridade de representação na composição da Turma, o que foi indeferido de plano, por falta de amparo regimental. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fofano dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 13 32 /2 00 9- 86 Fl. 245DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-010.389 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001332/2009-86 Trata-se de Recurso Voluntário interposto da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de fls. 168/178, a qual julgou procedente o lançamento pelo descumprimento de obrigação acessória relacionada à data do fato gerador: 27/04/2009. Peço vênia para transcrever o relatório produzido na decisão recorrida: Trata-se de autuação (AI n° 37.227.195-2) por infração ao art 32, III, da Lei 8.212/91, combinados com o art. 225, inciso III, e § 22, do RPS - Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, uma vez que, segundo o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 07, a empresa, apesar de devidamente intimada, por Termo de Início da Ação Fiscal — TIAF (30/06/2008) e reiterado por meio dos Termos de Intimação Fiscal — TIF n° 1 e n° 2, recebidos em 29/01/2009 e 06/04/2009, respectivamente, deixou de apresentar: - Acordo referente ao PLR pago em 2004; - Documento de constituição da comissão do PLR; - Atas de reuniões; - Comprovante de arquivamento do acordo no sindicado; - Memória de cálculo dos valores dos valores pagos a título de PLR. 1.2. O referido AI foi consolidado em 27/04/2009, fls. 02, e a ciência do Sujeito Passivo, via postal, deu-se em 28/04/2009, consoante cópia do Aviso de Recebimento — AR, fls. 29. 2. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, de fls. 08, informa como foi calculada a multa no montante de RS 13.291,71 (treze mil c duzentos e noventa e um reais e setenta e um centavos), de acordo com o disposto no art. 283, inciso II, alínea "h" e artigo 373, ambos do RPS - Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99 (valor atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF n°48 de 12/02/2009). 2.1. Consoante informado no referido relatório, de acordo com os sistemas corporativos disponibilizados pela RFB, a empresa não é reincidente e não houve circunstâncias agravantes da infração. Às fls. 27, consta, ratificando o já informado, Termo de Antecedentes. 3. Acompanham o AI em epígrafe, os seguintes documentos: IPC — Instruções para o Contribuinte; REPLEG — Relatório de Representantes Legais; Vínculos (fls. 03/06); Mandados de Procedimento Fiscal, fls. 01; TIAF — Termo de Início da Ação Fiscal, Termo de Intimação Fiscal n° 01, Termo de Continuidade de Fiscalização, Termo de Intimação Fiscal n° 02, Termo de Intimação Fiscal n° 03, respectivos Avisos de Recebimento — AR e TEPF - Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal, relativos ao procedimento realizado na empresa (fls. 14/25). Da Impugnação O contribuinte foi intimado e impugnou o auto de infração, e fazendo, em síntese, através das alegações a seguir descritas. 4. Dentro do prazo regulamentar (conforme fls. 149/150), a empresa impugnou o lançamento, por meio do instrumento de fls. 33/49, acompanhado dos documentos de fls. 50/ (comprovante de inscrição e situação cadastral, Ata da Assembléia de Sócios (09/01/2004), Ata da AGE de 1/12/2004, ata da AGE e AGO de 24/04/2008, ata da AGE e AGO de 22/04/2009, Ata de Reunião do Conselho de Administração (30/04/2009), procuração e substabelecimento, documentos do procurador, cópias do AI em epígrafe e, ainda, cópias dos AI DEBCAD n° 37.227.193-6, AI DEBCAD n° 37.227.194-4 e respectivos anexos e diversos documentos que suportam suas alegações), alegando, em síntese, os argumentos que se seguem: 4.1. Nenhum ilícito pode ser imputado à Impugnante, visto que sua conduta foi pautada estritamente nos termos da legislação em vigor. Fl. 246DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-010.389 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001332/2009-86 4.2. Estando decaídos os débitos constituídos por intermédio dos Autos de Infração n° 37.227.192-8, n° 37.227.194-4 e n° 37.227.193-6, não se pode exigir, validamente, a guarda dos documentos correlatos por parte do sujeito passivo. 4.3. Em nome da verdade material, a Impugnante traz, em anexo, os referidos documentos, comprovando a regularidade do programa de participação nos lucros e a ausência de qualquer prejuízo ao Erário. 4.4. Ademais, reitera as alegações erigidas contra os Autos de Infração n° 37.227.192-8, n°37.227.194-4 e n°37.227.193-6. 4.5. Alega a decadência total do crédito tributário vez que somente cm 04/2009 teriam sido lançados os créditos tributários referentes à competência de 03/2004, quando passados mais de 05 anos da ocorrência dos fatos geradores. 4.6. Para embasar seu entendimento, suscita a aplicação da Súmula Vinculante do STF n° 8. 4.7. Ademais, relembra que para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, aplica-se a regra prevista no art. 150, § 4°, do CTN, ainda mais que a Impugnante apresentou as competentes GFIP para o ano de 2004. 4.8. Ademais, salienta, em consequência, que não havendo obrigação principal, também não há que se cogitar da existência da obrigação acessória. 4.9. A Fiscalização exigiu da Impugnante a apresentação de documentos fiscais relacionados ao crédito tributário já extinto pela decadência e, por não terem sido disponibilizados no exíguo prazo estabelecido, aplicou multa pelo suposto descumprimento de obrigação acessória. 4.10. Ataca, a seguir, a afirmação da Autoridade Lançadora quanto ao não atendimento das premissas previstas em lei quanto ao pagamento da participação nos lucros e resultados. 4.11. Para tanto transcreve o art. 2°, II e § 1°, da Lei n° 10.101/00. 4.12. Adicionalmente, alega que o exíguo prazo conferido por oportunidade da fiscalização impediu que se levantasse, em tempo hábil, a referida documentação. Anexa "doc. 06". 4.13. Suscita o princípio da verdade material, colacionando doutrina. 4.14. Destarte, da documentação em anexo "doc. 06", intitulada "ACORDO REFERENTE AO PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS CORRESPONDENTES AO EXERCÍCIO DE 2004 PARA OS EMPREGADOS DAS EMPRESAS CIA. SUZANO DE PAPEL E CELULOSE, BAHIA SUL CELULOSE S/A E OUTRAS", observa-se pleno atendimento à Lei n° 10.101/00 e regulamentação correlata. 4.14.1. No item `1.c.' do dito Acordo, "outras empresas", observa-se que os empregados da IPFL Holding S/A, CNPJ 60.651.569/0001-49 (outrora denominada Papel Leon Feffer Ltda., CNPJ 60.651.569/0001-49) faz parte do referido acordo. 4.14.2. Às fls., 6, consta a presença de comissão representativa de empregados na celebração do acordo. 4.14.3. Nas demais folhas, constata-se o pleno atendimento aos requisitos exigidos pela legislação. 4.15. Ademais, alega que em virtude da conduta considerada infratora, que deu ensejo a cobrança de tributos, faz-se incidir, ainda, multa, resultando em cumulação de penalidades, vedada em nossa ordem jurídica. 4.16. Ao final, por tudo exposto, requer seja acolhida a preliminar de decadência com a consequente extinção do crédito tributário. Fl. 247DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-010.389 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001332/2009-86 4.17. Sucessivamente, requer seja afastada a cobrança de mula por descumprimento de obrigação acessória, na medida em que não há incidência de contribuição previdenciária sobre valores pagos a título de PLR, por respeito à legislação de regência. 4.18. Subsidiariamente, requer seja revista a penalidade aplicada diante da sobreposição punitiva sobre o mesmo fato. Da Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Quando da apreciação do caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente a autuação, conforme ementa abaixo (e-fl. 168): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 27/04/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRESTAR INFORMAÇÕES E ESCLARECIMENTOS ACERCA SISTEMAS E ARQUIVOS EM MEIO DIGITAL. OBRIGATORIEDADE. Constitui infração deixar a empresa de prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Obrigações acessórias previdenciárias decaem no prazo previsto no artigo 173, inciso I, do CTN, pois, não há que se falar em antecipação de pagamento para as mesmas. OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS PRINCIPAL E ACESSÓRIA. Nada obsta que em decorrência de um único contexto fático a legislação tributária preveja várias obrigações acessórias consequentes a serem observadas, individualmente, pelos contribuintes, aliadas ou não ao cumprimento de obrigação tributária principal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário O Recorrente, devidamente intimado da decisão da DRJ, apresentou o recurso voluntário de fls. 184/200 em que alegou: (a) não caracterização da conduta da recorrente como descumprimento de obrigação acessória; (b) decadência; e (c) inexistência do dever de guarda e apresentação de documentos fiscais após o decurso do prazo de prescrição/decadência da obrigação principal a que se referem e (d) quadruplicidade do lançamento da multa. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Douglas Kakazu Kushiyama, Relator. Do Recurso Voluntário O presente Recurso Voluntário foi apresentado no prazo a que se refere o artigo 33 do Decreto n. 70.235/72 e por isso, dele conheço e passo a apreciá-lo. Não caracterização da conduta da recorrente como descumprimento de obrigação acessória Não prospera a alegação do Recorrente. Está-se diante da infração decorrente do descumprimento de obrigação acessória, por ter deixado a empresa de prestar à Secretaria da Fl. 248DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-010.389 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001332/2009-86 Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis do interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, nos termos do disposto no art 32, III, da Lei 8.212/91, c/c art. 225, III. do RPS-Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, impõem à empresa a obrigação acessória de prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da administração tributária, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. Abaixo transcreve-se o art 32, III, da Lei 8.212/91, na sua redação original e na que foi dada pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) III prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização; (Redação dada pela Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941/2009) Nos termos da legislação a penalidade imposta para o descumprimento desse dever decorre da dicção do artigo 92, combinado com o artigo 102, da Lei nº 8212/91 e foi regulamentada pelo artigo 283, II, b, combinado com o artigo 373, do Decreto nº 3.048/99 que assim dispõe: Art. 283.Por infração a qualquer dispositivo das Leis n' 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicando-se-lhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto n°4.862, de 2003) (...) II- a partir de R$ 6.361, 73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: (...) b) deixar a empresa de apresentar ao Instituto Nacional do Seguro Social e à Secretaria da Receita Federal os documentos que contenham as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, ou os esclarecimentos necessários à fiscalização; (...) Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Portanto, não há o que prover. Decadência Inexistência do dever de guarda e apresentação de documentos fiscais após o decurso do prazo de prescrição/decadência da obrigação principal a que se referem Conforme se verifica da análise dos autos, não há que se falar em decadência, uma vez que a data do fato gerador da infração ocorreu no dia 27/04/2009. Fl. 249DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-010.389 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001332/2009-86 Por outro lado, diversamente da decadência quanto à falta de recolhimento de contribuições previdenciárias, aplica-se o disposto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional (CTN), conforme preceitua a Súmula CARF nº 148: Súmula CARF nº 148 Aprovada pela 2ª Turma da CSRF em 03/09/2019 No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN. Além disso, também não prospera a alegação quanto à inexistência do dever de guarda e apresentação de documentos fiscais após o decurso do prazo de prescrição/decadência da obrigação principal a que se referem, conforme previsão do mesmo CTN: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibi-los. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Portanto, não há o que prover. – dentro do prazo decadencial Quadruplicidade do lançamento da multa Com relação a este ponto, também não prospera o argumento, uma vez que foram aplicadas aos casos as legislações vigentes e eficazes quanto às infrações cometidas pelo Recorrente. Conforme se verifica da análise das multas aplicadas, nenhuma delas foi revogada ou teve sua constitucionalidade ou legalidade declarada, de modo que deve ser mantida a autuação tal como lavrada. Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso voluntário e nego-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 250DF CARF MF Original
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