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Numero do processo: 10680.902168/2006-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 15 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Sep 30 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DECADÊNCIA.
Não se submete à decadência o direito do Fisco examinar a liquidez e certeza dos valores que compõem o saldo negativo, inclusive compensações realizadas com estimativas.
COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. ART. 170-A, CTN.
A partir do advento do Art. 170-A, CTN, passou-se a ser vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.
Numero da decisão: 1401-005.871
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do despacho decisório e a arguição de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Goncalves - Presidente
(documento assinado digitalmente)
André Severo Chaves - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, André Severo Chaves, Itamar Artur Magalhães Alves Ruga, André Luis Ulrich Pinto, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada) e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: ANDRE SEVERO CHAVES
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DECADÊNCIA. Não se submete à decadência o direito do Fisco examinar a liquidez e certeza dos valores que compõem o saldo negativo, inclusive compensações realizadas com estimativas. COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. ART. 170-A, CTN. A partir do advento do Art. 170-A, CTN, passou-se a ser vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DECADÊNCIA. Não se submete à decadência o direito do Fisco examinar a liquidez e certeza dos valores que compõem o saldo negativo, inclusive compensações realizadas com estimativas. COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. ART. 170-A, CTN. A partir do advento do Art. 170-A, CTN, passou-se a ser vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do despacho decisório e a arguição de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Goncalves - Presidente (documento assinado digitalmente) André Severo Chaves - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, André Severo Chaves, Itamar Artur Magalhães Alves Ruga, André Luis Ulrich Pinto, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada) e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 21 68 /2 00 6- 05 Fl. 439DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-005.871 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.902168/2006-05 Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão da DRJ, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente. Transcreve-se o relatório da DRJ que resume o presente litígio: A empresa acima qualificada apresentou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP) eletrônico numerado 22241.93434.300903.1.3.02-3679, o qual foi posteriormente substituído pelo PER/DCOMP retificador de número 33763.01187.250906.1.7.02-6469 (fls. 09 a 20), em que solicitava a extinção de diversos débitos por compensação com direito creditório, no valor de R$ 558.038,22, oriundo de saldo negativo de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), apurado no ano-calendário de 2002 (exercício de 2003). Dentro das parcelas subtrativas que entraram no cálculo deste saldo negativo, destaca-se o valor de R$ 105.572,02, correspondente ao IRPJ calculado por estimativa no mês de julho de 2002, e que foi objeto de compensação com direito creditório cedido, ao amparo da então vigente Instrução Normativa do Secretário da Receita Federal de n° 21, de 10 de março de 1997 por COPERTRADING COMÉRCIO EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO S.A., CNPJ nº 08.426.389/0001-43. Assinale-se que este direito resulta de crédito prêmio de Imposto Sobre Produtos Industrializados, cuja titularidade a cedente teve reconhecida em processo judicial que tramitou perante a Justiça Federal da 5ª Região. Analisando tal pedido, a DRF de origem lavrou o Despacho Decisório de fls. 100 a 105, que conclui pelo reconhecimento parcial do Saldo negativo de IRPJ para o ano- calendário de 2002, no valor de R$ 452.466,20, glosando, entretanto, a parcela acima descrita, com base na fundamentação a seguir copiada: [...] Trata-se de Crédito Prêmio de IP1, cedido de terceiros e que se encontra pendente de Decisão Judicial - (Processo 2000.05.00.034063-9) vide fls. 97 — processo administrativo 10410.000.029/2000-23. Nesse sentido, o Código Tributário Nacional, conceitua o instituto da compensação (art. 170 da Lei n° 5.172, de 25/10/66) como o confronto dos débitos com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional. Não havendo certeza em relação a compensação desta estimativa, pois a mesma pode ser reformada a qualquer momento, caso haja nova decisão judicial nesse sentido, as estimativas não podem ser consideradas extintas, mas simplesmente suspensas de cobrança (art. 151 do CTN). Em parte, com base nessa necessidade de liquidez e certeza do crédito, foram editados outros dois dispositivos legais, ambos coibindo a utilização de crédito advindo de ação judicial não transitada em julgado: o artigo 170-A do Código Tributário Nacional (incluído pela Lei Complementar no 104, de 10/01/2001) e o artigo 74 da Lei n° 9.430/96 (e suas alterações). [...] Diante do exposto, efetuamos a glosa de R$ 105.572,02 — estimativa IRPJ - 07/2002 por se tratar de crédito pendente de Decisão Judicial para seu reconhecimento, não se tratando de crédito liquido e certo, elementos essenciais para que tais valores possam compor o saldo negativo pleiteado. Ciente em 14 de fevereiro de 2008 (fls. 113), a interessada apresentou, em 13 de março de 2008, a manifestação de inconformidade de fls. 127 a 137, como segue. Ressalta que a Delegacia da Receita Federal em Maceió, obedecendo a determinação judicial, expediu, em 20 de setembro de 2002, o Documento Comprobatório de Compensação (DCC) de número 00044244 (cópia As fls. 151), acrescentando: Fl. 440DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-005.871 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.902168/2006-05 [...] 5. Infere-se, pois, da manifestação da DRF/AL que a compensação atinente ao IRPJ (competência 07/2002), encontra-se acobertada por decisão judicial, ratificada por diligente atuação da DRF/AL que fez expedir em favor da recorrente o competente DCC nº 44244 e o DARF SIAF alusivo a homologação da compensação em referência. 6. É dizer: a compensação levada a cabo pela empresa mantém-se intacta, inalterada e, devidamente homologada pela própria Receita Federal (vide tela de extrato processo compensação n°10410 005251/2002-82 — fls. 31) Esclarece que ao ,final do ano calendário 2002 -(Exercício 2003), a empresa apurou saldo negativo de IRPJ, a mesma .formalizou pedido de ressarcimento (processo administrativo 10680.902168/2008-05) onde a estimativa mensal em referência compôs o valor do credito decorrente de saldo negativo de IRPJ (fls. 03 dos presentes autos). Reitera seu entendimento de que "a compensação atinente ao IRPJ estimativa mensal, competência 07/2002", por se achar "acobertada, por decisão judicial" estaria fundada em direito creditório liquido e certo, ficando afastada "a aplicação da regra contida nos arts. 170 e 170-A do CTN". Assegura que [...] não pode, concessa vênia, a Administração Tributária situada em Maceió/AL reputar válida a compensação e ao mesmo tempo, torná-la ineficaz por ato (glosa) realizado em Belo Horizonte/MG. Juntaram-se cópias do DCC de número 44.244 ( -fls. 151), do Despacho lavrado pela Seção de Orientação e Análise Tributaria — Saort — da DRF em Maceió (fls. 154) e de decisões judiciais que guardam correlação com o presente feito (fls. 155 a 189). A seguir, a ementa da decisão de 1ª instância: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 COMPENSAÇÃO É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ao julgar o caso, a DRJ destacou que a decisão de 1ª instância que havia reconhecido o crédito fora reformada, apresentando trechos do acórdão de embargos infringentes do Tribunal Federal, e do acórdão de Recurso Especial do STJ. Argumenta também que, como a compensação da estimativa de julho de 2002 decorria de decisão judicial não transitada em julgado, o indeferimento do crédito estaria correto, com fulcro no Art. 170-A, CTN. Complementa, por fim, que “não pode subsistir a tese de que a emissão do DCC de fls. 151 teria homologado esta compensação, uma vez que tal instituto – ou seja, o da Fl. 441DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-005.871 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.902168/2006-05 homologação da compensação tributária – foi trazido ao universo jurídico pátrio apenas com a edição da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, que acrescentou o §2º ao artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, o DCC emitido em 20 de setembro de 2002 (q.v) não poderia achar-se homologado sob o pálio de lei editada depois desta data”. Cientificada da decisão de primeira instância em 30/09/2010 (Aviso de Recebimento à e-Fl. 385), inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, em 25/10/2010. Em sede de recurso, a contribuinte apresenta os seguintes argumentos: i. DA DECADÊNCIA. Neste tópico alega a decadência do direito de glosar a compensação feita pela empresa, na medida em que o PCDCT nº 10410.005251/2002-82 foi protocolado em 06/09/2002, e homologado via DCC em 20/09/2002. E que o despacho decisório nº 1.590 foi proferido em 31/10/2007, mais de cinco anos após o DCC. ii. DA INCOMPETÊNCIA DA DRF/MG. Neste tópico a recorrente alega que a competência para analisar o crédito utilizado por empresas de diferente jurisdições é da DRF do contribuinte titular do crédito, que no caso seria a DRF/AL. Requer, por fim, a nulidade do despacho decisório. iii. DA VIGÊNCIA DAS ORDENS JUDICIAIS. Defende a contribuinte que as decisões que autorizaram as compensações com terceiros, efetuadas pela COPERTRADING e cedidas à ora recorrente, continuam vigentes. Alega que o acórdão recorrido cita o provimento monocrático do REsp nº 886.296/AL, mas não menciona que a empresa cedente interpôs agravo regimental, em que fora concedida liminar atribuindo efeito suspensivo. Apresenta trechos da decisão, conforme recorte a seguir: Fl. 442DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-005.871 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.902168/2006-05 iv. NULIDADE E NÃO ANULABILIDADE. Nesse tópico a contribuinte assevera que mesmo que ocorra eventual decisão definitiva superveniente favorável ao fisco, o despacho decisório deve ser nulo, haja vista que o despacho decisório foi proferido contra ordem judicial válida à época. É o relatório. Voto Conselheiro André Severo Chaves, Relator. Ao compulsar os autos, verifico que o presente Recurso Voluntário é tempestivo, e atende aos requisitos de admissibilidade do Processo Administrativo Fiscal, previstos no Decreto nº 70.235/72. Razão, pela qual, dele conheço. Preliminar de Nulidade do Despacho Decisório – Arguição de Incompetência da DRF Como relatado, inicialmente a recorrente argui a nulidade do Despacho Decisório, em razão da suposta incompetência da DRF/MG de “glosar crédito de terceiro (Copertrading) domiciliado em Alagoas”. Quanto a este argumento, impende salientar que o presente processo trata de direito creditório de saldo negativo de IRPJ do ano-calendário 2002 da própria contribuinte. Em nenhum momento a DRF/MG realizou a glosa de créditos de terceiros, apenas analisou a liquidez e certeza do crédito vindicado e, para tanto, necessitou conferir as parcelas que compuseram o saldo negativo, sendo uma delas a estimativa de IRPJ de julho/2002 que fora compensada com crédito de terceiros. Desse modo, não há que se falar em incompetência da DRF/MG, vez que esta é plenamente competente para examinar os pedidos de restituição/compensação das contribuintes sob a sua jurisdição. Prejudicial de Mérito – Arguição de Decadência Fl. 443DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-005.871 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.902168/2006-05 A contribuinte também alega a decadência do direito de glosar a compensação feita pela empresa, na medida em que o PCDCT nº 10410.005251/2002-82 foi protocolado em 06/09/2002, e homologado via DCC em 20/09/2002. E que o despacho decisório nº 1.590 foi proferido em 31/10/2007, mais de cinco anos após o DCC. No mesmo sentido do tópico anterior, importante destacar que o que está em exame é o crédito do saldo negativo de IRPJ do ano-calendário 2002, solicitado mediante PER/DCOMP originalmente transmitida em 30/09/2003, cujo Despacho Decisório ocorreu dentro do prazo de 05 anos. Assim, como o crédito pleiteado é de saldo negativo, cabe dentro de sua análise a confirmação de todas as parcelas que participaram da sua composição, como é o caso da estimativa de julho/2002 que fora submetida à compensação com créditos de terceiros. Nessa linha, é firme a jurisprudência do CARF no sentido de que não se submete à decadência o direito do Fisco examinar a liquidez e certeza dos valores que compõem o saldo negativo. Ante o exposto, rejeito a arguição de decadência. Do Mérito Tem-se que resta em litígio parcela do saldo negativo de IRPJ do ano-calendário do 2002, referente a parcela de estimativa de julho/2002 que fora compensada com crédito de terceiros, sob a vigência da IN nº 21/1997. Analisando-se o caso, verifica-se que a contribuinte protocolizou o Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros na data de 14/08/2002, quando já estava vigente o Art. 170-A do CTN, incluído pela Lcp nº 104, de 2001, que veda expressamente a compensação de tributos antes do trânsito em julgado da decisão judicial. Desse modo, em que pese a contribuinte estar amparada à época por decisão judicial de 1ª instância que autorizava a compensação, deveria ter observado o requisito da legislação específica no que se refere à necessidade do trânsito em julgado. Assim sendo, independentemente do resultado final do processo judicial do crédito da empresa COPERTRADING, tem-se que a compensação realizada pela recorrente fora indevida, por infringir diretamente à legislação vigente. Fl. 444DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1401-005.871 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.902168/2006-05 Também não merece guarida o argumento da contribuinte de que o Documento Comprobatório de Compensação (DCC) homologou a compensação realizada. Isto porque, o DCC era um mero documento expedido pelo fisco que certificava e registrava a compensação realizada, à vista do que dispunha o Art. 5º, do Decreto nº 2.138/1997. Art. 5° A unidade da SRF que efetuar a compensação observará o seguinte: I - certificará: a) no processo de restituição ou ressarcimento, qual o valor utilizado na quitação de débitos e, se for o caso, o valor do saldo a ser restituído ou ressarcido; b) no processo de cobrança, qual o montante do crédito tributário extinto pela compensação e, sendo o caso, o valor do saldo remanescente do débito; II - emitirá documento comprobatório de compensação, que indicará todos os dados relativos ao sujeito passivo e aos tributos e contribuições objeto da compensação necessários para o registro do crédito e do débito de que trata o parágrafo único do artigo 3°; Não se verifica qualquer disposição legal que indique que o DCC era instrumento hábil a homologar a compensação realizada pela contribuinte. Como argumentado pela DRJ, o instituto da homologação da compensação tributária somente surgiu com a edição da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, que acrescentou o §2º ao artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Desse modo, entendo que o crédito remanescente vindicado não deve ser reconhecido, por não atender os requisitos de liquidez e certeza previstos no Art. 170, do CTN. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar de nulidade do Despacho Decisório e a arguição de decadência e, no mérito, negar-lhe provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) André Severo Chaves Fl. 445DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1401-005.871 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.902168/2006-05 Fl. 446DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10735.908272/2011-80
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 12 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Sep 08 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2005
NULIDADE NÃO EVIDENCIADA.
As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo que não restou evidenciado o cerceamento do direito de defesa para caracterizar a nulidade dos atos administrativos.
DIREITO SUPERVENIENTE. IRRF. SÚMULAS CARF NºS 80 E 143.
Na apuração do IRPJ ou CSLL, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto.
A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos.
Numero da decisão: 1003-002.583
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para aplicação do direito superveniente previsto nas determinações das Súmulas CARF nºs 80 e 143 para fins de reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF de Origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp devendo o rito processual ser retomado desde o início. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Benatti Marcon que lhe negou provimento.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Benatti Marcon, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2005 NULIDADE NÃO EVIDENCIADA. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo que não restou evidenciado o cerceamento do direito de defesa para caracterizar a nulidade dos atos administrativos. DIREITO SUPERVENIENTE. IRRF. SÚMULAS CARF NºS 80 E 143. Na apuração do IRPJ ou CSLL, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos.
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IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2005 NULIDADE NÃO EVIDENCIADA. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo que não restou evidenciado o cerceamento do direito de defesa para caracterizar a nulidade dos atos administrativos. DIREITO SUPERVENIENTE. IRRF. SÚMULAS CARF NºS 80 E 143. Na apuração do IRPJ ou CSLL, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para aplicação do direito superveniente previsto nas determinações das Súmulas CARF nºs 80 e 143 para fins de reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF de Origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp devendo o rito processual ser retomado desde o início. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Benatti Marcon que lhe negou provimento. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva– Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Benatti Marcon, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 82 72 /2 01 1- 80 Fl. 369DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-002.583 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10735.908272/2011-80 Relatório Per/DComp e Despacho Decisório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 18396.96651.180507.1.3.02-6600, em 18.05.2007, e-fls. 02- 10, utilizando-se do crédito relativo ao saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$196.596,80 do ano-calendário de 2005, apurado pelo regime de lucro real para compensação dos débitos ali confessados. Consta no Despacho Decisório, e-fls. 11-17: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo, verificou-se: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP PARC. CREDITO [...] RETENÇÕES FONTE PAGAMENTOS [...] SOMA PARC. CRED. PER/DCOMP [...] 539.695,34 400.355,76 [...] 940.051,10 CONFIRMADAS [...] 362.212,17 400.355,76 [...] 762.567,93 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 196.596,80 Valor na DIPJ: R$ 196.596,80 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 940.051,10 IRPJ devido: R$ 743.454,30 Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) - (IRPJ devido) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$ 19.113,63 Informações complementares da análise do crédito estão disponíveis na página internet da Receita Federal, e integram este despacho. O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual: HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP: 18396.96651.180507.1.3.02-6600 NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no(s) seguinte(s) PER/DCOMP: 07067.77695.060607.1.3.02-9138 05779.79742.090807.1.3.02-1746 26894.40123.141107.1.3.02-6605 [...] Fl. 370DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-002.583 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10735.908272/2011-80 Enquadramento Legal: Art. 168 da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). Inciso II do Parágrafo 1º do art. 6º da Lei 9.430, de 1996. Art. 4º da IN RFB 900, de 2008. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 36 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008. Manifestação de Inconformidade e Decisão de Primeira Instância Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado no Acórdão da 6ª Turma DRJ/RPO/SP nº 14-91.339, de 11.04.2019, e-fls. 327-346: Acordam os membros da 6ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em julgar PROCEDENTE EM PARTE a MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, para reconhecer parcialmente crédito de saldo negativo de IRPJ no ano-calendário 2005, no valor adicional de R$ 145.477,94, a ser utilizado nas DCOMP(s) em litígio, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Recurso Voluntário Notificada em 14.11.2019, e-fl. 351, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 16.12.2019, e-fls. 354-365, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fundamentos de fato e de direito aduz que: 3. DAS RAZÕES DE RECURSO DA RECORRENTE 3.1 Merece reforma a decisão de fls. 327/345, na parte que não acolheu em sua totalidade as razões da MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE apresentada anteriormente, e, assim, manteve a cobrança em desfavor da Recorrente dos débitos de IRPJ, declarados e compensados nos PER/DCOMP no. 18396.96651.180507.1.3.02- 6600; 07067.77695.060607.1.3.02-9138s; 05779.79742.090807.1.3.02-1746; e 26894.40123.141107.1.3.02-6605, visto que, como se verá a seguir, julgou a questão de forma diametralmente oposta aos preceitos da legislação em vigor, contrariando-a, bem assim, desprezando a prova documental produzida nos autos e farta jurisprudência administrativa sobre o thema em discussão. 3.2 Com efeito, a r. decisão recorrida, para justificar sua postura em não homologar a compensação levada a efeito pela Recorrente, enfatizou, em passagem, a inexistência de crédito no valor de R$ 9.245,74, decorrente de retenção levada a efeito por uma unidade do Comando da Aeronáutica, [...]. 3.4 Ora, o fato gerador da obrigação tributária é o pagamento efetivo e esse se deu no exercício de 2005, conforme demonstram a notas fiscais, as páginas do Livro Diário e Extratos Bancários, aqui não aceitos pela r. decisão recorrida. 3.5 O fato da parte retentora – órgão governamental - ter declarado esse pagamento no exercício seguinte ou até mesmo não ter declarado essas retenções, é algo que foge ao controle da Recorrente, que, por sua vez, não pode sofrer os efeitos dessa anomalia. 3.6 A prova documental carreada para os autos demonstra seguramente os valores retidos de IRPJ pelos clientes da Recorrente. 3.7 Outrossim, restou demonstrado que alguns clientes declararam em exercícios diferentes das retenções por eles efetuadas em códigos fiscais diferentes daqueles que foram lançados pela Recorrente em seu PER/DCOMP e DIPJ 2006. Fl. 371DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-002.583 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10735.908272/2011-80 3.8 Tal situação evidentemente pode ter prejudicado a análise da compensação da IRPJ pelo fisco. Entretanto, tal situação não invalida os créditos declarados, os quais são líquidos, certos e exigíveis a qualquer tempo, sendo certo, ainda, que nada obsta sua utilização na forma permitida no art. 2' § 4', inciso III, da Lei n' 9.430/96, tal como fez a Recorrente através do PER/DCOMP referido. 3.9 Os valores retidos a título de contribuições podem ser deduzidos do devido relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção (§2' do Art. 7' da IN SRF no. 549, de 18/10/2004, e o Art. 7' da IN SRF 480 de 15/12/2004). No caso do IRPJ, considera-se ocorrida a retenção no momento do pagamento da receita, seja por órgão público federal, seja por pessoa jurídica de direito privado (Art. da Lei no. 10.833 de 29/12/2003, e Art. 64 da Lei no. 9.430, de 27/12/1996). 3.10 Vale destacar, ainda, que a Recorrente retificou tempestivamente todos os códigos equivocados na DIPJ de 2006, conforme se verifica da documentação pertinente inserta nos autos. 3.11 Por fim, cumpre enfatizar, por oportuno, que a planilha anexa à defesa (fls. 25/26), corroborada pelas notas fiscais de venda de produtos e serviços aeronáuticos aos clientes públicos, bem ainda os lançamentos contábeis efetuados nos livros diários e ainda os extratos bancários (vide fls. 265/278), comprovam efetivamente os recebimentos dos valores faturados subtraídos dos valores dos tributos e contribuições sociais retidos pelas fontes pagadoras e não deixam margem à dúvida quanto à legitimidade dos créditos de IRPJ da Recorrente, os quais foram levados à compensação com os débitos de impostos apurados na DIPJ do ano base de 2005. 3.12 Nestas condições, a Recorrente está confiante no conhecimento e provimento de seu apelo. 3.13 A decisão recorrida, na parte em que negou parte dos saldos negativos de IRPJ, e, por conseguinte, não homologou, ou melhor, não autorizou a homologação da compensação fiscal levada a efeito pela Recorrente, e, como consequência, lhe impõe ainda a cobrança de tributos acrescidas de juros e multa, certamente, pelos fundamentos de fato e de direito até aqui expostos, está merecer reforma, ainda que parcial, sob pena de restar consagrado aqui o bis in idem. 3.14 Destarte, restou demonstrado no caso em apreço que a Recorrente é de fato e de direito possuidora de créditos de IRPJ, créditos esses em decorrência das retenções sofridas ao longo do exercício de 2005, pelas suas atividades de venda de produtos e serviços aeronáuticos efetuados aos clientes públicos, inclusive. 4. PROVAS 4.1 Para efeito de provar suas alegações, a Recorrente se reporta a farta documentação já acostada aos autos (fls. 25/26 e fls. 53/322), as quais corroboram seguramente as razões do apelo, valendo aqui salientar que se tratam de importantes documentos, todos extraídos de seus sistemas contábil e fiscal e atinentes ao processo de compensação de débito e crédito tributário levado a efeito, e que não podem ser desprezados, fulcrado principalmente no princípio constitucional da ampla defesa, posto que, seguramente demonstram a lisura dos procedimentos adotados, bem assim a legitimidade, a certeza e a liquidez dos valores correspondentes aos seus créditos fiscais e tributários lançados nos questionados PER/DCOMP e levados devidamente à compensação. 4.2 Por sua vez, Recorrente, desde já, se reporta aos demais elementos contidos nos autos do Processo Administrativo Fiscal em referência, onde constam importantes documentos que reforçam também a demonstração de segurança quanto à origem dos créditos fiscais, todos correspondentes ao processo compensação de débitos e créditos Fl. 372DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-002.583 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10735.908272/2011-80 tributários levados a efeito, e que, por certo, não podem também ser desprezados, já que orientadores da lisura dos procedimentos adotados. No que concerne ao pedido conclui que: 5. CONCLUSÃO E REQUERIMENTO 5.1 Nestas condições, não havendo motivos legais e jurídicos para que subsista o indeferimento da pequena parcela compensação de tributos, tal como consta da r. decisão recorrida fls. 327/345, prolatada pela Egr. 6ª. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento – Ribeirão Preto – SP, já que seguramente correto o processo de compensação levado a efeito, através dos PER/DCOMP no. 18396.96651.180507.1.3.02-6600; 07067.77695.060607.1.3.02-9138s; 05779.79742.090807.1.3.02-1746; e 26894.40123.141107.1.3.02-6605, conforme aqui demonstrado, a Recorrente espera e requer o conhecimento e total provimento de suas razões de recurso, exclusivamente para o efeito de que seja reconhecido por essa Colenda Corte Administrativa seu inquestionável crédito tributário decorrente de saldo negativo de IRPJ, por ser o mesmo líquido e certo, bem assim, para homologá-los integralmente, nos termos declarados nos referidos PER/DCOM, e, por conseguinte, tornar sem efeito e/ou mandar cancelar a cobrança dos apontados débitos tributários no valor de R$ 32.005,23(trinta e dois mil cinco reais e vinte e três centavos), conforme aqui reclamados pelo fisco, bem como, determinar o arquivamento do presente processo administrativo, bem assim, os processos de débitos vinculados acima referidos, por absoluta falta de amparo legal, devendo, repita-se, ser declarada legítima e/ou reconhecida à compensação integral dos débitos e créditos tributários aqui ventilados, por se constituir em medida de direito e da mais salutar justiça. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora. Tempestividade O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, inclusive para os fins do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Assim, dele tomo conhecimento. Delimitação da Lide Conforme princípio de adstrição do julgador aos limites da lide, a atividade judicante está constrita ao exame do mérito da existência do crédito relativo ao saldo negativo de IRPJ no valor de R$32.005,23 (R$196.596,80 – R$19.113,63 – R$145.477,94) referente ao ano- calendário de 2005 (art. 141 e art. 492 do Código de Processo Civil, que se aplica subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal - Decreto nº 70.235, de 02 de março de 1972). Nulidade do Despacho Decisório e da Decisão de Primeira Instância A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos com fundamento em princípios constitucionais. Fl. 373DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-002.583 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10735.908272/2011-80 O Despacho Decisório foi lavrado por servidor competente que verificando a ocorrência da causa legal emitiu o ato revestido das formalidades legais com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-lo ou impugná-lo no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente, inclusive com base no princípio da persuasão racional previsto no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. A Recorrente foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo que não restou evidenciado o cerceamento do direito de defesa para caracterizar a nulidade dos atos administrativos. Ademais os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância (inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 6º da Lei nº 10.593, de 06 de dezembro de 2001, art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 59, art. 60 e art. 61 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). As autoridade fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência (art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal). Ainda sobre a matéria, o Supremo Tribunal Federal (STF) proferiu decisão em Repercussão Geral na Questão de Ordem no Agravo de Instrumento nº 791292/PE, que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, de acordo com o art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015: O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. Neste sentido, devem ser enfrentados “todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador” (art. 489 do Código de Processo Civil). Por conseguinte, o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. Assim, a decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma matéria, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da Recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. A proposição afirmada pela Recorrente, desse modo, não pode ser ratificada. Diligência Fl. 374DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1003-002.583 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10735.908272/2011-80 A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelecem que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito com inserção de todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar. Opera-se a preclusão do direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, nos termos do art. 15, art. 16, art. 17 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, que determinam critérios de aplicação do princípio da verdade material. Assim, tendo em vista o princípio da concentração da defesa, a manifestação de inconformidade deve conter todas as matérias litigiosas e instruída com os elementos de prova em que se justificar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. A lei prevê meios instrutórios amplos para que o julgador venha formar sua livre convicção motivada na apreciação do conjunto probatório mediante determinação de diligências quando entender necessárias com a finalidade de corrigir erros de fato e suprir lacunas probatórias. As autoridades administrativa e julgadora de primeira instância analisaram detidamente todos os elementos constantes nos registros internos da RFB e aqueles colacionados em sede de manifestação de inconformidade. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. A realização desse meio probante é prescindível, uma vez que os elementos produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio e formação do livre convencimento motivado do julgador. A justificativa arguida pela Recorrente, por essa razão, não se comprova. Necessidade de Comprovação da Liquidez e Certeza do Indébito A Recorrente discorda do procedimento fiscal ao argumento de que deve ser considerado o conjunto probatório produzido nos autos que evidenciam o direito creditório. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizá-lo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. O Per/DComp delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pela Recorrente quanto ao preenchimento dos requisitos, de modo que em regra a retificação somente é possível se encontrar pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e o seu cancelamento é procedimento cabível ao sujeito passivo na forma, no tempo e lugar previstos na legislação tributária (art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170-A do Código Tributário Nacional, art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 com redação dada pelo art. 49 da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, que entrou em vigor em 01.10.2002 e foi convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002). Posteriormente, ou seja, em 31.10.2003, ficou estabelecido que o Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação Fl. 375DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1003-002.583 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10735.908272/2011-80 declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega até a intimação válida do despacho decisório. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§1º do art. 5º do Decreto-Lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, art. 17 da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003). O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de registro obrigatório pela legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal (art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995). Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe a Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado detalhando os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental imprescindível à comprovação das matérias suscitadas dada a concentração dos atos em momento oportuno (art. 170 do Código Tributário Nacional e art. 15, art. 16, art. 18 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Observe-se que no caso de “o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias”, conforme art. 37 e art. 69 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que se aplica subsidiariamente ao Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ ou CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ ou CSLL negativo ou a pagar no encerramento do período de apuração, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza (art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º e art. 28 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Retenção na Fonte. Súmulas CARF nºs 80 e 143 O Parecer Normativo Cosit nº 01, de 24 de setembro de 2002, orienta: 7. No caso do imposto de renda, há que ser feita distinção entre os dois regimes de retenção na fonte: o de retenção exclusiva e o de retenção por antecipação do imposto que será tributado posteriormente pelo contribuinte. Retenção exclusiva na fonte Fl. 376DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1003-002.583 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10735.908272/2011-80 8. Na retenção exclusiva na fonte, o imposto devido é retido pela fonte pagadora que entrega o valor já líquido ao beneficiário. 9. Nesse regime, a fonte pagadora substitui o contribuinte desde logo, no momento em que surge a obrigação tributária. A sujeição passiva é exclusiva da fonte pagadora, embora quem arque economicamente com o ônus do imposto seja o contribuinte. 10. Ressalvada a hipótese prevista nos parágrafos 18 a 22, a responsabilidade exclusiva da fonte pagadora subsiste, ainda que ela não tenha retido o imposto. Imposto retido como antecipação 11. Diferentemente do regime anterior, no qual a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é exclusiva da fonte pagadora, no regime de retenção do imposto por antecipação, além da responsabilidade atribuída à fonte pagadora para a retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte, a legislação determina que a apuração definitiva do imposto de renda seja efetuada pelo contribuinte, pessoa física, na declaração de ajuste anual, e, pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual. Para a análise das provas, cabe a aplicação dos enunciados estabelecidos nos termos do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Súmula CARF nº 80 Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Súmula CARF nº 143 A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. A retenção conjunta, código 6147, refere-se aos pagamentos efetuados pela administração pública federal, que registra sua execução orçamentária e financeira na modalidade total no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (SIAFI), a pessoas jurídicas pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços estão sujeitos à incidência na fonte de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, cujos valores, considerações como antecipações, somente podem ser deduzidos com o que for devido em relação à mesma espécie tributária no encerramento do período de apuração (art. 64 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 34 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, Instrução Normativa SRF nº 306, de 12 de março de 2003, Instrução Normativa SRF nº 480, de 15 de dezembro de 2004 e Instrução Normativa RFB nº 1.234, de 11 de janeiro de 2012). Sujeita-se ao regime de tributação em que o tributo retido será deduzido do apurado no encerramento do período de apuração trimestral ou anual à alíquota incidente de 5,85% aplicado sobre a receita pelo fornecimento de bens ou fornecido ou de serviços prestados tais como de alimentação e de energia elétrica entre outros correspondente ao somatório das alíquotas de 1,2% de IRPJ, de 1,0% de CSLL, de 0,65% de PIS e 3,0% de Cofins. O beneficiário é a pessoa jurídica que obtém os rendimentos e o imposto é recolhido pela fonte pagadora até o terceiro dia útil da semana subsequente à de ocorrência do fato gerador. O IRRF, código 1708, refere-se às importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas civis ou mercantis pela prestação de serviços caracterizadamente de natureza profissional (art. 52 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985 e art. 6º da Lei nº 9.064, de 20 de junho de 1995). Sujeita-se ao regime de tributação em que o Fl. 377DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 1003-002.583 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10735.908272/2011-80 tributo retido será deduzido do apurado no encerramento do período de apuração trimestral ou anual à alíquota incidente de 1,5% (um e meio por cento). O beneficiário é a pessoa jurídica prestadora do serviço e o imposto é recolhido pela fonte pagadora até último dia útil do primeiro decêndio do mês subsequente ao mês de ocorrência dos fatos geradores. Está registrado no Acórdão da 6ª Turma DRJ/RPO/SP nº 14-91.339, de 11.04.2019, e-fls. 327-346: Diga-se ainda que é entendimento desta Turma de julgamento, que mesmo na ausência dos comprovantes de rendimentos e de retenções na fonte emitido pela fonte pagadora, caso as retenções constem em DIRF (Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte), estas devem ser consideradas. Ambos seriam, em princípio, instrumentos hábeis a atestar o pagamento do rendimento e a sua natureza, assim como as retenções de fonte efetivadas pelas fontes pagadoras responsáveis pelo recolhimento do tributo devido. Em sua manifestação de inconformidade a contribuinte, quanto às retenções não confirmadas, no valor de R$ 177.483,17, alega que alguns de seus clientes declararam as retenções por eles efetuadas em códigos fiscais diferentes dos que lançados por ela em seu PER/DCOMP (códigos de receita 6147 e 1708). A fim de comprovar o seu direito creditório, a contribuinte apresentou cópia das DIRF, cópia das notas fiscais, cópia do formulário denominado "Diário Geral", cópia dos extratos bancários e cópia da Ficha 50 da DIPJ/2006 (fls. 53/320). [...] No que diz respeito à fonte pagadora titular do CNPJ nº 00.924.429/0008- 41, a contribuinte confirma que o IRRF, código de receita: 1708, no valor de R$ 3.223,14, não foi informado em DIRF, apresentando para comprovar a retenção apenas a NF nº 12588 (fl. 310). Como já visto acima, no que se refere à comprovação do imposto de renda na fonte, o meio probatório adequado, por expressa disposição legal, é o comprovante de retenção emitido em nome do contribuinte pela fonte pagadora. A nota fiscal da própria emissão do interessado não é documento suficiente para o reconhecimento do imposto supostamente retido. Por fim, quando somadas as antecipações confirmadas, quais sejam, o IR retido na fonte e o IR mensal pago por estimativa, apura-se o saldo negativo de IRPJ, do ano- calendário de 2005, em um total de R$ 184.339,31, conforme demonstrativo [...]. Como a autoridade recorrida já teria validado o crédito no valor de R$ 19.113,63, cumpre a este órgão de julgamento reconhecer o crédito remanescente no valor de R$ 145.477,94. (grifos acrescentados) Nesse sentido, o valor de R$32.005,23 de litígio devolvido para reexame nesta segunda instância de julgamento resta demonstrado abaixo: CNPJ da Fonte Pagadora Código de Receita Valor Per/DComp R$ Valor Confirmado DRF/DRJ – R$ Diferença – R$ 00.394.429 6147 31.307,48 31.307,48 0,00 00.394.452 6147 158.085,08 129.306,82 28.778,26 00.394.494 6147 3,00 2,99 0,01 00.394.502 6147 12.921,07 12.921,07 0,00 00.394.718 6147 4.608,79 4.608,79 0,00 00.924.429 1708 3.223,14 0,00 3.223,14 01.599.628 6800 24.199,23 24.199,23 0,00 04.146.040 1708 2.040,09 2.040,09 0,00 04.838.010 1708 2.268,87 2.268,87 0,00 Fl. 378DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 1003-002.583 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10735.908272/2011-80 33.000.167 6147 262.459,14 262.455,32 3,82 61.533.584 3426 38.579,45 38.579,45 0,00 Total 539.695,34 507.690,11 32.005,23 Tendo em vista as divergências identificadas no recurso voluntário é possível analisar a possibilidade de deferimento do indébito, conforme as Súmulas CARF nºs 80 e 143, em cuja apuração do saldo negativo foram deduzidas as retenções de tributos. O acervo fático- probatório composto das notas fiscais de fornecimento de bens à administração pública federal e os correspondentes extratos bancários do ano-calendário de 2005 de e-fls. 53-315 deve ser cotejado com as informações constantes no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (SIAFI). Direito Superveniente: Súmulas CARF nºs 80 e 143 Os efeitos da aplicação do direito superveniente fixa a relação de causalidade com a possibilidade de deferimento da Per/DComp com base em retenções na fonte. Esta legislação impõe, pois, o retorno dos autos a DRF de origem que inaugurou o litígio sob esse fundamento para que seja analisado o conjunto probatório produzido junto com o recurso voluntário referente ao mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que evidenciada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais em cotejo com os registros internos da RFB. O procedimento previsto no rito do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, pode ser revisto no caso em que foi instaurada a fase litigiosa no procedimento ou ainda que pela autoridade administrativa quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião ao ato original decorrente de fato ou a direito superveniente, e ainda se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, caso em que é elaborado ato administrativo complementar com efeito retroativo ao tempo de sua execução. Assim, no rito do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, sendo afastado o óbice do despacho decisório original em que a compensação não foi homologada na sua integralidade, cabe a autoridade preparadora retomar a verificação do indébito. Registre-se que não se tratar de nova lide, mas sim a continuação de análise do direito creditório pleiteado considerando o saneamento no seu exame. Por conseguinte, não há que se falar em preclusão do direito de a Fazenda Pública analisar o Per/DComp nesse segundo momento, já que da ciência deste ato complementar não ocorre a homologação tácita, pois os débitos estão com exigibilidade suspensa desde a instauração do litígio. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, deve ser possibilitada a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento, conforme o rito processual do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Princípio da Legalidade Tem-se que nos estritos termos legais este procedimento está de acordo com o princípio da legalidade ao qual o agente público está vinculado em razão da obrigatoriedade da aplicação da lei de ofício (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de Fl. 379DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 1003-002.583 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10735.908272/2011-80 dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Dispositivo Em assim sucedendo voto em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para aplicação do direito superveniente previsto nas determinações das Súmulas CARF nºs 80 e 143 para fins de reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF de Origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp devendo o rito processual ser retomado desde o início. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 380DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10980.921528/2012-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Sep 23 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 30/06/2005
PROVAS. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO
De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo e a consequente homologação das compensações declaradas.
Numero da decisão: 3302-011.561
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto condutor. Vencidos os conselheiros Jorge Lima Abud, Walker Araújo e Paulo Regis Venter, que convertiam o julgamento em diligencia. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-011.519, de 24 de agosto de 2021, prolatado no julgamento do processo 10980.921481-2012-06, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Lima Abud, Walker Araujo, Larissa Nunes Girard, Jose Renato Pereira de Deus, Paulo Regis Venter (suplente convocado), Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Ausente o conselheiro Vinicius Guimaraes, substituído pelo conselheiro Paulo Regis Venter.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo e a consequente homologação das compensações declaradas. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto condutor. Vencidos os conselheiros Jorge Lima Abud, Walker Araújo e Paulo Regis Venter, que convertiam o julgamento em diligencia. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-011.519, de 24 de agosto de 2021, prolatado no julgamento do processo 10980.921481- 2012-06, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Lima Abud, Walker Araujo, Larissa Nunes Girard, Jose Renato Pereira de Deus, Paulo Regis Venter (suplente convocado), Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Ausente o conselheiro Vinicius Guimaraes, substituído pelo conselheiro Paulo Regis Venter. Relatório AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 15 28 /2 01 2- 23 Fl. 59DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-011.561 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.921528/2012-23 O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a restituir o crédito nele informado em razão de pagamento indevido ou a maior de PIS/Cofins cumulativos. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico no qual indefere a restituição pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito da empresa, não restando saldo creditório disponível. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade a seguir resumida. Informa que o pedido de restituição advém de créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Cofins em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo dessas contribuições. O art. 195 da CF/1988 reconhece como base de cálculo para o PIS/Cofins a receita ou o faturamento, sem autorização para incluir o valor pago a título de ICMS, pois tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. O ICMS está embutido no preço das mercadorias por força da legislação, constituindo o respectivo destaque mera indicação pra fins de controle. O faturamento é decorrente de um negócio jurídico e a base de cálculo não pode extravasar o valor desse negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar. Além disso, deve-se atentar para o princípio da razoabilidade, pressupondo-se que o texto constitucional se mostre fiel, no emprego dos institutos, de expressões e vocábulos, ao sentido próprio que eles possuem, não merecendo outras interpretações (art. 110 do CTN). Descabe assentar que os contribuintes do PIS/Cofins faturam ICMS, uma vez que esse tributo não é receita da empresa, mas sim um desembolso a beneficiar o Estado, que tem a competência para cobrá-lo. Assim, não se pode aceitar a incidência das contribuições sobre outro imposto, tornando-se alheio ao que deve ser o faturamento. Em face das razões expendidas, requer que seja homologado o pedido de restituição efetuado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob o fundamento que não havia na legislação pátria previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições sociais. Inconformado com a decisão da DRJ, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual requer a suspensão do julgamento deste processo administrativo até a decisão final do STF sobre o tema. Alternativamente, que seja dado provimento para afastar das bases de cálculo do PIS e da Cofins o valor do ICMS. Apresentou na interposição do recurso voluntário documentos contábeis e fiscais que, em tese, comprovariam que o ICMS foi incluído na base de cálculo do tributo. É o breve relatório. Voto Fl. 60DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-011.561 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.921528/2012-23 Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise. ICMS na Base de Cálculo das Contribuições. Conforme relatado, a matéria posta em debate cinge-se ao cabimento da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins. A discussão encontra-se superada no âmbito do CARF, tendo em vista que o Supremo Tribunal Federal já proferiu decisão acerca desta matéria, em sede de recurso com repercussão geral reconhecida, na sistemática prevista no art. 1.036 da Lei nº 13.105/2015. No RE nº 574706 - Tema 069 - ficou consignado que o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições para o PIS e para a Cofins. RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomando-se cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adota-se o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerando-se o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindo-se o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. (RE 574706, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-223 DIVULG 29-09-2017 PUBLIC 02-10-2017). A Fazenda Nacional opôs embargos de declaração, os quais foram julgados nos termos da certidão de julgamento abaixo transcrita: Decisão: O Tribunal, por maioria, acolheu, em parte, os embargos de declaração, para modular os efeitos do julgado cuja produção haverá de se dar após 15.3.2017 - data em que julgado o RE nº 574.706 e fixada a tese com repercussão geral "O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da COFINS" -, ressalvadas as ações judiciais e administrativas protocoladas até a data da sessão em que proferido o julgamento, vencidos os Fl. 61DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-011.561 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.921528/2012-23 Ministros Edson Fachin, Rosa Weber e Marco Aurélio. Por maioria, rejeitou os embargos quanto à alegação de omissão, obscuridade ou contradição e, no ponto relativo ao ICMS excluído da base de cálculo das contribuições PIS-COFINS, prevaleceu o entendimento de que se trata do ICMS destacado, vencidos os Ministros Nunes Marques, Roberto Barroso e Gilmar Mendes. Tudo nos termos do voto da Relatora. Presidência do Ministro Luiz Fux. Plenário, 13.05.2021 (Sessão realizada por videoconferência - Resolução 672/2020/STF). A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, após o julgamento dos embargos de declaração por ela opostos, se pronunciou sobre o tema no Parecer SEI nº 7698/2021/ME: (...) 9. Como se percebe, adotou-se a posição da Ministra Relatora de que inexistia qualquer omissão, obscuridade ou contradição a ser sanada, inclusive no que diz respeito ao montante do ICMS a ser excluído da base de cálculo do PIS/COFINS, que deve ser aquele destacado nas notas fiscais. 10. De outra parte, em importante vitória da União, os efeitos da decisão foram modulados, fixando-se a produção de seus efeitos após 15/03/2017, data do julgamento de mérito do RE nº 574.706. 11. Em suma, portanto, dois foram os principais comandos do julgamento realizado e que, com vistas a evitar um cenário de agravamento da litigância deste que é o tema de maior repercussão no contencioso tributário pátrio, recomendam a adoção de providências imediatas por parte da Administração Tributária, já que não mais serão objeto de insurgência por parte da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, porquanto objeto de induvidosa e cristalina posição da Suprema Corte: a) os efeitos da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS devem se dar após 15.03.2017, ressalvadas as ações judiciais e requerimentos administrativos protocoladas até (inclusive) 15.03.2017 e b) o ICMS a ser excluído da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS é o destacado nas notas fiscais. (...) Diante da obrigação de observar decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática prevista no art. 1.036 da Lei nº 13.105/2015, me curvo ao entendimento de que o ICMS destacado deve ser excluído da base de cálculo das contribuições para o PIS e para a Cofins. Contudo, não posso atestar que houve a inclusão do ICMS na base de cálculo da exação do período de apuração requisitado. Isto porque, em nenhum momento processual foi analisada essa questão. No despacho decisório ficou consignado que não havia indébito tributário, uma vez que o recolhimento apresentado como prova do recolhimento indevido teria sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. A decisão da DRJ negou provimento ao recurso em virtude da falta de previsão legal para excluir da base de cálculo da exação o valor do ICMS. No recurso voluntário, o sujeito passivo refutou a questão de direito e, utilizando o princípio da eventualidade, apresentou documentos – cópia Fl. 62DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-011.561 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.921528/2012-23 de páginas do livro de apuração de ICMS e do livro razão, com a contabilização dos valores do ICMS - que poderiam comprovar que houve recolhimento da exação tendo o ICMS em sua base de cálculo. Esses documentos, caso autênticos, podem sugerir que houve a inclusão na base de cálculo da exação o valor do ICMS, gerando um indébito tributário. Pela luz da legislação processual brasileira, quer judicial ou administrativa, é defeso às partes apresentar prova documental em momento diverso do estabelecido na norma processual - no do Processo Administrativo Fiscal na data da apresentação da impugnação/manifestação de inconformidade – a menos que (§ 4º do art. 16 do Decreto 70.235/1972): a) Fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Analisando os autos, verifica-se que a situação fática não se enquadra em nenhuma das hipóteses enumeradas acima. De outro lado, não se pode olvidar que a produção de provas é facultada às partes, mas constitui-se em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não o sendo praticado no tempo certo, surge para a parte consequências gravosas, dentre elas a perda do direito de o fazê-lo posteriormente, pois nesta hipótese, opera-se o fenômeno denominado de preclusão, isto porque, o processo é um caminhar para frente, não se admitindo, em regra, realização de instrução probatória tardia, pertinente a fases já ultrapassadas. Daí, não tendo sido produzida a tempo, em primeira instância, não se admite que se faça em fases posteriores, sem que haja justificativa plausível para o retardo. Noutro giro, que o princípio da verdade material não é remédio para todos os males processuais; não pode nem deve servir de salvo conduto para que se desvirtue o caminhar para frente, o ordenamento e a concatenação dos procedimentos processuais - essência de qualquer processo administrativo ou judicial. Na realidade, a verdade material contrapõe-se ao formalismo exacerbado, presente no Processo civil, mas, de maneira alguma, priva o procedimento administrativo das necessárias formalidades. Daí se dizer que no Processo Administrativo Fiscal convivem harmonicamente os princípios da verdade material e da formalidade moderada. De sorte que se busque a verdade real, mas preservando as normas processuais que asseguram a segurança, a celeridade, a eficiência e o bom andamento do processo. Diante do exposto, entendo que os documentos apresentados na interposição do recurso voluntário não podem servir de prova em face da preclusão consumativa. Fl. 63DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-011.561 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.921528/2012-23 Partindo dessa premissa, retornando a análise dos autos, o momento apropriado para apresentação das provas que comprovem suas alegações é na propositura da impugnação/manifestação de inconformidade. Temos conhecimento, outrossim, que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo Legislador Nacional, quanto ao ônus da prova, encontra-se cravada no art. 373 do Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. § 2º A decisão prevista no § 1o deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil. § 3º A distribuição diversa do ônus da prova também pode ocorrer por convenção das partes, salvo quando: I - recair sobre direito indisponível da parte; II - tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. § 4º A convenção de que trata o § 3º pode ser celebrada antes ou durante o processo. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para a autoridade Fiscal quando realiza o lançamento tributário, para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito/ressarcimento. No caso em epígrafe, a lide versa sobre pedido de ressarcimento, de tal forma que o ônus probatório recai para o sujeito passivo. Definida a regra que direciona o onus probandi no âmbito do processo administrativo fiscal, resta estabelecer o conceito de prova, sua finalidade e seu objeto. O conceito de prova retirado dos ensinamentos de Moacir Amaral Santos: No sentido objetivo, como os meios destinados a fornecer ao julgador o conhecimento da verdade dos fatos. Mas a prova no sentido subjetivo é aquela que se forma no espírito do julgador, seu principal destinatário, quanto à verdade desse fatos. A prova, então, consiste na convicção que as provas produzidas no processo geram no espírito do julgador quanto à existência ou inexistência dos fatos. Compreendida como um todo, reunindo seus dois caracteres, objetivo e subjetivo, que se completam e não podem ser tomados separadamente, apreciada como fato e como indução lógica, ou como meio com que se estabelece a Fl. 64DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3302-011.561 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.921528/2012-23 existência positiva ou negativa do fato probando e com a própria certeza dessa existência. Para Carnelutti: As provas são fatos presentes sobre os quais se constrói a probabilidade da existência ou inexistência de um fato passado. A certeza resolve-se, a rigor, em uma máxima probabilidade. A certeza vai se formando através dos elementos da ocorrência do fato que são colocados pelas partes interessadas na solução da lide. Mas não basta ter certeza, o julgador tem que estar convencido para que sua visão do fato esteja a mais próxima possível da verdade. Dinamarco define o objeto da prova: ....conjunto das alegações controvertidas das partes em relação a fatos relevantes para todos os julgamentos a serem feitos no processo. Fazem parte dela as alegações relativas a esses fatos e não os fatos em si mesmos. Sabido que o vocábulo prova vem do adjetivo latino probus, que significa bom, correto, verdadeiro, segue-se que provar é demonstrar que uma alegação é boa, correta e portanto condizente com a verdade. O fato existe ou inexiste, aconteceu ou não aconteceu, sendo portanto insuscetível dessas adjetivações ou qualificações. Não há fatos bons, corretos e verdadeiros nem maus, incorretos mendazes. As legações, sim, é que podes ser verazes ou mentirosas - e daí a pertinência de prová-las, ou seja, demonstrar que são boas e verazes. Já a finalidade da prova é a formação da convicção do julgador quanto à existência dos fatos. Em outras linhas, um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência. Em virtude dessas considerações, é importante relembrar alguns preceitos que norteiam a busca da verdade real por meio de provas materiais. Dinamarco afirma: Todo o direito opera em torno de certezas, probabilidades e riscos, sendo que as próprias certezas não passam de probabilidades muito qualificadas e jamais são absolutas porque o espírito humano não é capaz de captar com fidelidade e segurança todos os aspectos das realidades que o circulam. Para entender melhor o instituto “probabilidade” mencionado professor Dinamarco, aduzo importante distinção feita por Calamandrei entre verossimilhança e probabilidade: É verossimil algo que se assemelha a uma realidade já conhecida, que tem a aparência de ser verdadeiro. A verossimilhança indica o grau de capacidade representativa de uma descrição acerca da realidade. A verossimilhança não tem nenhuma relação com a veracidade da asserção, não surge como resultante do esforço probatório, mas sim com referência à ordem normal das coisas. A probabilidade está relacionada à existência de elementos que justifiquem a crença na veracidade da asserção. A definição do provável vincula-se ao seu grau de fundamentação, de credibilidade e aceitabilidade, com base nos elementos de prova disponíveis em um contexto dado., resulta da consideração dos elementos postos à disposição do julgador para a formação de um juízo sobre a veracidade da asserção. Desse modo, a certeza vai se formando através dos elementos da ocorrência do fato que são colocados pelas partes interessadas na solução Fl. 65DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3302-011.561 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.921528/2012-23 da lide. Mas não basta ter certeza, o julgador tem que estar convencido para que sua visão do fato esteja a mais próxima possível da verdade. Como o julgador sempre tem que decidir, ele deve ter bom senso na busca pela verdade, evitando a obsessão que pode prejudicar a justiça célere. Mas a impossibilidade de conhecer a verdade absoluta não significa que ela deixe de ser perseguida como um relevante objetivo da atividade probatória. Quanto ao exame da prova, defende Dinamarco: (...) o exame da prova é atividade intelectual consistente em buscar, nos elementos probatórios resultantes da instrução processual, pontos que permitam tirar conclusões sobre os fatos de interesse para o julgamento. Já Francesco Carnelutti compara a atividade de julgar com a atividade de um historiador: (...) o historiador indaga no passado para saber como as coisas ocorreram. O juízo que pronuncia é reflexo da realidade ou mais exatamente juízo de existência. Já o julgador encontra-se ante uma hipótese e quando decide converte a hipótese em tese, adquirindo a certeza de que tenha ocorrido ou não o fato. Estar certo de um fato quer dizer conhecê-lo como se houvesse visto. No mesmo sentido, o professor Moacir Amaral Santos afirma que: a prova dos fatos faz-se por meios adequados a fixá-los em juízo. Por esses meios, ou instrumentos, os fatos deverão ser transportados para o processo, seja pela sua reconstrução histórica, ou sua representação. Assim sendo, a verdade encontra-se ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar ideias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificar-se de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. Posto isto, concluímos que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é formar a convicção do julgador. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebra-cabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar probabilidade às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador. Diante do exposto, e como não foram acostados, no momento processual previsto na legislação, elementos probatórios que identificassem e provassem o recolhimento indevido, nego provimento ao recurso. É como voto. CONCLUSÃO Fl. 66DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3302-011.561 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.921528/2012-23 Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados nesse voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Fl. 67DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10935.903922/2013-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.672
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para conhecer do Recurso Voluntário. Em julgamento do Recurso Voluntário, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência para apresentação de provas quanto à validade do crédito.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1301; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.903922/201314 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402001.672 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 13 de dezembro de 2018 Assunto EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DILIGÊNCIA. Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida UNIMED PATO BRANCO COOPERATIVA DE TRABALHO MEDICO Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para conhecer do Recurso Voluntário. Em julgamento do Recurso Voluntário, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência para apresentação de provas quanto à validade do crédito. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 35 .9 03 92 2/ 20 13 -1 4 Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10935.903922/201314 Resolução nº 3402001.672 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3ª Turma da DRJ em Belém PR, a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente contra o indeferimento do Pedido de Restituição de credito decorrente de pagamento a maior relativo ao Programa de Integração Social PIS sobre Folha de pagamento. No Despacho Decisório, a Delegacia da Receita Federal em Cascavel (PR), aponta que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP apresentado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados par a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para o Pedido de Restituição solicitado. Inconformada com esta decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pelo colegiado a quo. Cientificada da referida decisão, a Recorrente apresentou o Recurso Voluntário ora em apreço, descrevendo, em síntese, as seguintes razões: a) que a retificação da DCTF, mesmo que após a primeira notificação de indeferimento, bem como o Pedido de Restituição, foram efetivados com base nos termos da IN nº 635/2006, mormente quanto ao artigo 28, que constitui aos contribuintes do PIS Folha a que se refere o inciso III do artigo 1º, e não incluiu as Sociedades Cooperativa de Médicos e, portanto, não foram declaradas contribuintes do PIS folha, fato este, ratificado no artigo 29 da referida IN em que, não relacionadas no artigo 29, sequer a Cooperativa de Médico constitui fato gerador do PIS folha; b) diante das razões expostas, requer a revisão do Despacho Decisório, seu respectivo cancelamento com a consequente ratificação e homologação, dos Pedidos de Restituição dos valores recolhidos pela Recorrente a título de PIS sobre Folha de Pagamento, referente ao período de Agosto de 2008 a Dezembro de 2012. Ao final, clama pela acolhida do recurso para o fim de assim ser decidido pela procedência da retificação da DCTF e da homologação do Pedido de Restituição. Na sequência, o processo foi distribuído para seu julgamento, que seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicouse o decidido no Acórdão nº 3402005.626, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do PAF nº 10935.903869/201343, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. No entanto, na condição de Conselheiro Relator deste processo, conforme previsão dos artigo 66 c/c artigo 65, § 1º, I, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, este Conselheiro apresentou Embargos Inominados por ter constatado, quando da Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10935.903922/201314 Resolução nº 3402001.672 S3C4T2 Fl. 4 3 formalização do Acórdão, inexatidão material do Acórdão que integra os autos, que desta forma conclui em sua parte dispositiva: "(...) 9. Diante do exposto, em razão da intempestividade do recurso voluntário interposto, deixo de conhecêlo". (Grifei) No entanto, verificase que os documentos constantes dos presentes autos atestam a tempestividade da interposição do Recurso Voluntário. Posto isto, os Embargos opostos foram admitidos pelo Presidente da Turma, por estar comprovado a inexatidão material da decisão embargada, para que seja analisado o Recurso Voluntário e haja a prolação de um novo Acórdão pelo Colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido n Resolução 3402001.631 13 de dezembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10935.903880/201311, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.631) 1: "Com os mesmos fundamentos do despacho de admissibilidade (fls. 158/159), conheço e acolho os Embargos de Declaração para conhecer do Recurso Voluntário para analisar as razões recursais. Com efeito, como indicado no relatório, os presentes Embargos foram interpostos por este Conselheiro por ter constatado, quando da formalização do Acórdão, inexatidão material do Acórdão nº 3402 005.627, de 27/09/2018 (fls. 153/155), que concluiu pela intempestividade do recurso interposto em sua parte dispositiva. No entanto, verificase que atestam os documentos constantes dos presentes autos que a ciência do acórdão da DRJ ocorreu em 30/03/2017, conforme Termo de Ciência Eletrônica (Portal eCAC), enquanto o recurso voluntário foi apresentado em 12/04/2017, conforme Termo de Solicitação de Juntada de fl. 144. Portanto, encontrase tempestivo a apresentação do Recurso Voluntário, devendo ser conhecido. Assim, cabe ser acolhidos os Embargos de Declaração para reconhecer a tempestividade do recurso voluntário, para adentrar em seu mérito. 1 Foram transcritos apenas os entendimentos que prevaleceram no julgamento do paradigma. Íntegra da Resolução paradigma pode ser consultada no processo 10935.903880/201311. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10935.903922/201314 Resolução nº 3402001.672 S3C4T2 Fl. 5 4 (...) Como se depreende dos presentes autos, a Recorrente entende que seria suficiente a retificação do DACON e, posteriormente, da DCTF, para confirmar a validade do seu crédito. Contudo, necessário ainda que, além deste indício da existência do crédito, sejam analisados os documentos contábeis e fiscais necessários à confirmar a validade das informações constantes do DACON. Uma vez que o contribuinte trouxe documentos que sugerem a existência do crédito (DACON retificador e DCTF retificadora), entendo pela necessidade da conversão do processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem oportunize à Recorrente a apresentação de documentos e informações adicionais que podem confirmar sua validade. Diante dessas considerações, à luz do art. 29 do Decreto n.º 70.235/722, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC): (i) intime a Recorrente para apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar o crédito presumido tomado pelo contribuinte informado em seu DACON retificador (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes). Importante que sejam anexados aos autos o DACON e a DCTF originais, com os esclarecimentos pela empresa de quais informações foram modificadas na apuração da COFINS devida no mês (comparação entre o DACON original e o DACON retificador). (ii) elaborar relatório fiscal conclusivo considerando os documentos e esclarecimentos apresentados, informando se os dados trazidos pelo contribuinte no DACON retificador estão de acordo com sua contabilidade, veiculando análise quanto à validade do crédito informado pelo contribuinte (pagamento indevido de PISFolha por se tratar de sociedade cooperativa de trabalho médico, não abrangida pela previsão do art. 28, da Instrução Normativa nº 635/2006) e a possibilidade de seu reconhecimento no presente processo. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem: 2 "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10935.903922/201314 Resolução nº 3402001.672 S3C4T2 Fl. 6 5 (i) intime a Recorrente para apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar o crédito presumido tomado pelo contribuinte informado em seu DACON retificador (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes). Importante que sejam anexados aos autos o DACON e a DCTF originais, com os esclarecimentos pela empresa de quais informações foram modificadas na apuração da COFINS devida no mês (comparação entre o DACON original e o DACON retificador). (ii) elaborar relatório fiscal conclusivo considerando os documentos e esclarecimentos apresentados, informando se os dados trazidos pelo contribuinte no DACON retificador estão de acordo com sua contabilidade, veiculando análise quanto à validade do crédito informado pelo contribuinte (pagamento indevido de PISFolha por se tratar de sociedade cooperativa de trabalho médico, não abrangida pela previsão do art. 28, da Instrução Normativa nº 635/2006) e a possibilidade de seu reconhecimento no presente processo. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 165DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.965991/2009-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3301-000.442
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, para que a unidade de origem intime o contribuinte a executar as seguintes tarefas:
a) Conciliar a totalidade dos comprovantes de pagamento de direitos autorais com os correspondentes lançamentos realizados no razão contábil;
b) Conciliar os valores pagos e lançados no razão contábil com os indicados no DACON Retificador, onde figuram as apurações da base de cálculo, dos créditos e do valor devido da contribuição do período de apuração deste processo;
c) Demonstrar a apuração do crédito pleiteado, por meio de confronto entre DACON e DCTF originais e retificadores e DARF pagos.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente Substituto e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Larissa Nunes Girard (Suplente convocada), Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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DIREITOS AUTORAIS. DIREITO DE CRÉDITO. Recorrente UNIVERSAL MUSIC PUBLISHING LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, para que a unidade de origem intime o contribuinte a executar as seguintes tarefas: a) Conciliar a totalidade dos comprovantes de pagamento de direitos autorais com os correspondentes lançamentos realizados no razão contábil; b) Conciliar os valores pagos e lançados no razão contábil com os indicados no DACON Retificador, onde figuram as apurações da base de cálculo, dos créditos e do valor devido da contribuição do período de apuração deste processo; c) Demonstrar a apuração do crédito pleiteado, por meio de confronto entre DACON e DCTF originais e retificadores e DARF pagos. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente Substituto e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Larissa Nunes Girard (Suplente convocada), Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório de tributo por suposto pagamento indevido ou a maior e aproveitar esse crédito para compensar débito de outro tributo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 65 99 1/ 20 09 -4 3 Fl. 539DF CARF MF Processo nº 15374.965991/200943 Resolução nº 3301000.442 S3C3T1 Fl. 3 2 A matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório eletrônico, no qual a Delegacia de origem, após constatar a improcedência do crédito original informado no PER/DCOMP, não reconheceu o valor do crédito pretendido e decidiu NÃO HOMOLOGAR a compensação declarada. Regularmente cientificada da não homologação, a contribuinte protocolou suas razões de defesa alegando que: '(...) se dedica, dentre outros, à edição de obras líteromusicais, literárias ou técnicas, a subedição e a representação de produção musicais, literárias ou técnicas estrangeiras, a produção, a comercialização, a importação e a exportação de fonogramas, produção e direção, montagem e promoção de espetáculos de arte o "management de artistas, serviços e fabricação de discos, fitas, jinglês, trilhas, filmes publicitários, a prestação de serviços de na área musical, com locação de equipamentos, estúdio de gravação e outros serviços inerentes previstos nos objetivos da sociedade, além de poder participar de outras empresas, podendo também dedicar se a atividades congêneres necessárias ou úteis ao desenvolvimento de seu objetivo. (...) Consoante autorizado pela Lei n° 9.430/96 e pela Instrução Normativa RFB n° 900/2008, a Impugnante se utiliza do procedimento de compensação para quitar alguns dos seus débitos fiscais, tal como feito através da presente PER/DCOMP anexada (doe. 02). A despeito da correção com a qual esse procedimento é implementado, a Impugnante foi surpreendida com o recebimento de Despacho Decisório que não homologou a declaração de compensação em referência (...) (...) quando da entrega das suas declarações referentes ao período de apuração vinculado ao mencionado DARF, a Impugnante, efetivamente, acreditava que o seu respectivo débito tributário equivalia àquele montante pago (Doc. 4 DCTF Original). No entanto, em momento posterior, a Impugnante observou que, quando da apuração do seu débito fiscal, não havia se aproveitado, nos termos do artigo 3º , inciso II, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03, dos créditos decorrentes das despesas: (/) com o pagamento de royalties decorrentes da cessão de direitos autorais e (//) com o custo de gravação; despesas estas enquadradas no rol de "insumos", no que tange a indústria fonográfica (Doc. 5 Planilha com Resumo dos Créditos) (...) procedeu à revisão da sua escrita fiscal e, tendo apurado um valor devido menor que o então recolhido, se utilizou do crédito daí resultante para fins de proceder com a presente compensação (Doc. 6 — DCTF do período de apuração do crédito exigido). Para melhor ilustrar as alegações de direito a crédito de PIS e COFINS, vejamos a tabela abaixo com o resumo dos créditos utilizados pela Impugnante. Note se que no valor devido já foram considerados os créditos decorrentes do pagamento de direitos autorais e custo de gravação (Doc. 05). (...) Suas declarações, inclusive, já foram retificadas, para melhor demonstrar com exatidão a situação acima (Doc. 7 DCTF Retificadora). Com efeito, conforme se pode observar da DACON original e retificadora, nota se que a primeira indicava um saldo a pagar maior que na segunda. A diferença entre ambas corresponde ao valor que foi utilizado como crédito declarado na presente PER/DCOMP (Docs. 8 e 9 DACON original e retifícadora). Aliás, é importante ressaltar que o crédito apurado pela Impugnante em sua DACON é ainda maior que aquele que foi utilizado nesta compensação. Fl. 540DF CARF MF Processo nº 15374.965991/200943 Resolução nº 3301000.442 S3C3T1 Fl. 4 3 O mesmo se pode observar a partir das anexas DCTFs originais e retificadoras já mencionadas. Frisese somente que o sistema da Receita Federal do Brasil não aceitou a transmissão de algumas declarações retificadoras feitas pela Impugnante (a maioria do ano de 2004/2005). Desta forma, a Impugnante salvouas em arquivo digital e desde já requer que sejam aceitas e consideradas transmitidas as declarações retificadoras da Impugnante anexadas à presente Manifestação de Inconformidade através de arquivo digital (Doc. 10) Não obstante as declarações da Impugnante já serem suficientes para evidenciar a existência de crédito tributário suficiente para extinguir o débito em debate, a seguir, passase a demonstrar a legitimidade dos créditos escriturais aproveitados, bem como as razões de direito que justificam a total improcedência deste lançamento. III DOS CRÉDITOS ESCRITURAIS APROVEITADOS (...) Desta forma, tornase claro o entendimento de que todo e qualquer pagamento a título de direitos autorais pagos pela indústria fonográfica, tanto no âmbito nacional como àqueles efetuados para o exterior, desde que sujeito à incidência do PIS/COFINS, gerará direito ao crédito das referidas contribuições. IV DA NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE PROVA PERICIAL (...) Em se tratando de matéria de fato, é mister que a mesma seja dirimida através de prova pericial, a qual possui sua previsão legal no artigo 16, IV, do Decreto n° 70.235/72,(...) Independentemente da análise dos quesitos formulados acima, a Impugnante, novamente, esclarece que na presente data está apresentando 25 Manifestações de Inconformidades, as quais se referem a compensações efetuadas entre o ano de 2006 e 2009. Destarte, para fins de se conseguir levantar e organizar toda a documentação que, possivelmente, esse i. Órgão possa entender como necessária à análise do seu direito creditório, a Impugnante teria que fazêlo em menos de 30 dias contados da sua intimação, na medida em que, como se sabe, é preciso tempo hábil também para se elaborar o cabível recurso. Acresçase a essa observação o fato de que os Despachos Decisórios em comento foram gerados eletronicamente, de modo que, ao contrário do que ocorre em uma fiscalização pessoal, a Impugnante sequer poderia esperar ser pega tão de surpresa. Evidentemente, estamos diante da hipótese excepcional constante no artigo 16,§ 4o , "a", do Decreto n° 70.235/72,(...) Apesar de acreditar que os documentos ora anexados sejam suficientes para demonstrar a procedência do seu direito, a Impugnante não quer correr o risco de ter prejudicado a análise dos seus argumentos de defesa com base em uma possível alegação de deficiência probatória. Assim, também com base nos princípios da verdade material, moralidade, eficiência, devido processo legal e ampla defesa administrativa, desde já, requer a Impugnante o deferimento da posterior juntada de cópia do seu Livro Diário, bem como dos documentos que deram origem aos seus respectivos lançamentos. Uma vez juntados aos autos essa documentação, em complementação aos quesitos acima, fazse necessário os seguintes esclarecimentos (...) Fl. 541DF CARF MF Processo nº 15374.965991/200943 Resolução nº 3301000.442 S3C3T1 Fl. 5 4 (...) Em conformidade com o exposto, respeitosamente, requer a Impugnante o conhecimento e provimento da presente Manifestação de Inconformidade, para o fim de reformar o r. despacho decisório em debate, reconhecendose a existência de crédito suficiente para quitar o débito declarado na PER/DCOMP em comento, extinguindoo completamente, como de direito. A Impugnante requer, ainda, respeitosamente, o deferimento da prova pericial pleiteada, a fim de restarem respondidos todos os quesitos regularmente formulados, bem como o deferimento da posterior juntada de seu Livro Diário e demais documentos que legitimam a sua correta escrituração. Também requer que sejam aceitas e consideradas transmitidas as declarações retificadoras da Impugnante anexadas à presente Manifestação de Inconformidade através de arquivo digital (Doc. 10). Não obstante, a Impugnante também protesta pela produção de todos os meios de prova admitidos em Direito, bem como pela posterior formulação de quesitos suplementares. Por derradeiro, requer que todas as intimações relacionadas ao presente feito sejam realizadas em nome dos seus patronos Márcio Calvet Neves (OAB/RJ n° 96.601) e Fernanda Berendt (OAB/RJ n° 118.709), ambos com escritório na Avenida Presidente Wilson, n° 231, 23°, andar, Centro, Rio de Janeiro RJ.' " A DRJ em Juiz de Fora julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão 0952.505. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em que trouxe, além dos argumentos constantes da manifestação de inconformidade, o de que, nos termos do art. 3° da Lei n° 9.610/98 "os direitos autorais reputamse, para fins legais, bens móveis". E, uma vez equiparado à locação de bem móvel, haveria direito ao creditamento de que trata as legislações do PIS e da COFINS inciso IV do art. 3° das Lei n° 10.637/02 e 10.833/03, que admite o cálculo dos créditos sobre "aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa". E adicionou documentos, até então não apresentados, tais como: razão contábil, comprovantes de pagamento, demonstrativos de cálculo e declarações originais e retificadoras. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.440, de 25 de julho de 2017, proferida no julgamento do processo 15374.965994/200987, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3301000.440): "O recurso preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que deve ser conhecido. Fl. 542DF CARF MF Processo nº 15374.965991/200943 Resolução nº 3301000.442 S3C3T1 Fl. 6 5 DOS FATOS Tratase da DCOMP eletrônica nº 03155.41847.200208.1.3.047893, transmitida com objetivo de liquidar débitos tributários federais com crédito de COFINS do período de apuração de agosto de 2004, no montante de R$ 47.881,77, proveniente de pagamento indevido ou a maior. A DCOMP não foi homologada. No Despacho Decisório Eletrônico (fl. 49), consta que o DARF apontado na DCOMP já teria sido utilizado para quitar outro débito tributário. Na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, o contribuinte assim se apresenta: Prossegue, informando ter se equivocado na apuração do valor da COFINS a pagar, pois se esquecera de calcular créditos sobre i) royalties pagos pela cessão de direitos autorais e ii) custos com gravação, sendo ambos insumos necessário à obtenção dos produtos que comercializa. Ao tratar da matéria de direito, o contribuinte sustentou que a RFB já havia admitido que geram créditos os pagamentos direitos autorais a pessoas jurídicas estrangeiras ou nacionais, desde que tenham sido submetidos às incidências das contribuições (Solução de Consulta n° 33/05). O fundamento deste posicionamento estaria no inciso II do art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10;833/03 (dispositivo que admite os créditos sobre insumos aplicados na produção de bens ou serviços). E na Lei n° 10.865/04, que trata do PIS/COFINS Importação e que, especificamente no § 6° do art. 15, permite o registro de créditos relativos a direitos autorais pagos a pessoas jurídicas não residentes no País. No recurso voluntário, além do exposto nos parágrafos anteriores, aduziu que o art. 3° da Lei n° 9.610/98 dispõe que "os direitos autorais reputamse, para fins legais, bens móveis". Isto posto, a cessão onerosa dos direitos autorais equipararseia à locação de bens móveis. Neste sentido, cita decisão proferida pela 8° Turma do TRF 1° Região (AC 200138000064868), em 14/05/2010. E, uma vez equiparado à locação de bem móvel, haveria direito ao creditamento de que trata as legislações do PIS e da COFINS inciso IV do art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, que admitem o cálculo dos créditos sobre "aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa". Neste sentido, cita a sentença proferida nos autos do processo n° 002167950.2012.4.03.6100, de 26/03/2013. Com a manifestação de inconformidade, além de outros documentos, a recorrente trouxe aos autos DCTF e PER/DCOMP Retificadores, não aceitas pelo sistema da RFB, DACON Retificador e lista de pagamentos de direitos autorais e custos com gravação. Fl. 543DF CARF MF Processo nº 15374.965991/200943 Resolução nº 3301000.442 S3C3T1 Fl. 7 6 No recurso voluntário, carreou cópias de comprovantes de pagamentos de direitos autorais e de lançamentos no razão contábil e apresentou exemplo da correspondência entre estes elementos. Por outro lado, não foram apresentados comprovantes e registros contábeis concernentes aos gastos com gravação. Importante mencionar que, nas duas peças de defesa, a recorrente pleiteou a realização de perícia ou diligência, para exame dos documentos que comprovariam a legitimidade de seus créditos. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, em razão da falta de comprovação da liquidez e certeza dos créditos (art. 170 do CTN). Citou a impossibilidade de reconhecer a legitimidade de declarações retificadoras não formalmente recepcionadas. E fulminou a peça de defesa com a seguinte conclusão: "Não constam do processo provas de que os supostos créditos: 1) decorrem de importações sujeitas aos pagamentos de PIS/Cofins – importação; 2) nem de que se reportam a bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; 3) e nem de que são provenientes de direitos autorais pagos pela indústria fonográfica sujeitos ao pagamento do PIS/Cofins – importação. Reforcese que não foi apresentado pela manifestante uma única nota fiscal ou qualquer livro ou documento que suportasse suas alegações." Ademais, negou o pedido de perícia, pois, em primeiro lugar, julgou finda a fase de produção de provas (art. 16 do Decreto n° 70.235/72) e, em segundo, porque não havia "demanda técnica" para tanto, uma vez que não haviam sido apresentados comprovantes de pagamento e os correspondentes registros contábeis. A derradeira e importante informação é a de que, sobre os mesmos temas, outra turma do CARF proferiu cinquenta decisões desfavoráveis à recorrente, publicadas em fevereiro de 2015 (Acórdãos n° 3801003.611 e 3801003.592 a 640). Referiamse a diversos períodos de apuração dos anos de 2003 a 2006. Reproduzo a ementa e o dispositivo do Acórdão n° 3801003.611: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 NÃO CUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. DIREITOS AUTORAIS. Os direitos autorais pagos pela indústria fonográfica só dão direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas se tiverem se sujeitado ao pagamento da Cofins importação e da Contribuição para o PIS/Pasep importação. NÃO CUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. CUSTOS DE GRAVAÇÃO. INSUMO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Custos de gravação da indústria fonográfica que não se caracterizem gastos com bens e serviços efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação de obras fonográficas destinadas à venda, na prestação de Fl. 544DF CARF MF Processo nº 15374.965991/200943 Resolução nº 3301000.442 S3C3T1 Fl. 8 7 serviços fonográficos ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para a Cofins ou PIS/Pasep não cumulativas. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃO COMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito informado em declaração de compensação, o que não se limita a, simplesmente, juntar documentos aos autos, no caso em que há inúmeros registros associados a inúmeros documentos. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA CONTÁBIL. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Devem ser indeferidos os pedidos de perícia e de diligência, quando formulados como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pela parte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório referente apenas aos gastos com serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes, afinação de instrumentos; efetuados junto a pessoas jurídicas domiciliadas no país, cujas aquisições tenham se submetido ao pagamento da contribuição, com base nos documentos acostados aos autos, resguardandose à RFB a apuração da idoneidade destes documentos. Vencidos os Conselheiros, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência para a apuração do direito creditório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani. Após vista de mesa, o julgamento foi realizado no dia 24 de julho no período matutino. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB/DF nº 26.345." (g.n.) Das citadas decisões, cumpre destacar que: a) Pelo voto de qualidade, negaram direito a créditos sobre direitos autorais, com base na Solução de Divergência COSIT n° 14/11, que alterou o entendimento manifestado na SC n° 33/05, utilizada como argumento pelo contribuinte, e pacificou o entendimento no âmbito da RFB. Os conselheiros vencidos queriam a conversão em diligência, para apuração dos créditos. b) Admitiram gastos com a produção de obras fonográficas, cujos comprovantes haviam sido acostados ao processo. DO MÉRITO Trago proposta de conversão do julgamento em diligência, pelos motivos a seguir expostos. Não obstante, julgo imperioso aprofundarme na discussão do mérito, com o objetivo de demonstrar que há robustas razões de direito militando em favor da Fl. 545DF CARF MF Processo nº 15374.965991/200943 Resolução nº 3301000.442 S3C3T1 Fl. 9 8 recorrente, além do fato de ter trazido novos documentos aos autos, nesta etapa processual. Com efeito, cumpre mencionar que admito os documentos apresentados, em princípio, a destempo, em prestígio ao "Princípio da Verdade Material", que deriva "Princípio Constitucional da Legalidade". Além disto, há o fato, muito relevante, de outra turma ter negado a realização de diligência para validação dos créditos, justamente por não terem encontrado razões de mérito para tanto. De pronto consigno que não abordarei a questão relacionada à possibilidade de o contribuinte calcular créditos sobre gastos com gravação, pois, conforme acima informado, nenhuma comprovação ou explicação detalhada sobre sua natureza foi trazida aos autos. Assim, passo à análise dos pagamentos de royalties pela cessão de direitos autorais, iniciando por colacionar legislação, doutrina e decisões administrativas e judiciais os em que se fundamentam os argumentos favoráveis e desfavoráveis à tese sustentada pela recorrente. Legislação, doutrina e decisões administrativas e judiciais A Lei n° 9.610/98 rege os direitos autorais e dela devemos atentar para os seguintes dispositivos: Lei n° 9.610/98 "Art. 3º Os direitos autorais reputamse, para os efeitos legais, bens móveis. (. . .) Dos Direitos do Autor Capítulo I Disposições Preliminares Art. 22. Pertencem ao autor os direitos morais e patrimoniais sobre a obra que criou. (. . .) Dos Direitos Patrimoniais do Autor e de sua Duração Art. 28. Cabe ao autor o direito exclusivo de utilizar, fruir e dispor da obra literária, artística ou científica. Art. 29. Depende de autorização prévia e expressa do autor a utilização da obra, por quaisquer modalidades, tais como: I a reprodução parcial ou integral; II a edição; III a adaptação, o arranjo musical e quaisquer outras transformações; IV a tradução para qualquer idioma; Fl. 546DF CARF MF Processo nº 15374.965991/200943 Resolução nº 3301000.442 S3C3T1 Fl. 10 9 V a inclusão em fonograma ou produção audiovisual; VI a distribuição, quando não intrínseca ao contrato firmado pelo autor com terceiros para uso ou exploração da obra; VII a distribuição para oferta de obras ou produções mediante cabo, fibra ótica, satélite, ondas ou qualquer outro sistema que permita ao usuário realizar a seleção da obra ou produção para percebêla em um tempo e lugar previamente determinados por quem formula a demanda, e nos casos em que o acesso às obras ou produções se faça por qualquer sistema que importe em pagamento pelo usuário; VIII a utilização, direta ou indireta, da obra literária, artística ou científica, mediante: a) representação, recitação ou declamação; b) execução musical; c) emprego de altofalante ou de sistemas análogos; d) radiodifusão sonora ou televisiva; e) captação de transmissão de radiodifusão em locais de freqüência coletiva; f) sonorização ambiental; g) a exibição audiovisual, cinematográfica ou por processo assemelhado; h) emprego de satélites artificiais; i) emprego de sistemas óticos, fios telefônicos ou não, cabos de qualquer tipo e meios de comunicação similares que venham a ser adotados; j) exposição de obras de artes plásticas e figurativas; IX a inclusão em base de dados, o armazenamento em computador, a microfilmagem e as demais formas de arquivamento do gênero; X quaisquer outras modalidades de utilização existentes ou que venham a ser inventadas. (. . .) Da Transferência dos Direitos de Autor Art. 49. Os direitos de autor poderão ser total ou parcialmente transferidos a terceiros, por ele ou por seus sucessores, a título universal ou singular, pessoalmente ou por meio de representantes com poderes especiais, por meio de licenciamento, concessão, cessão ou por outros meios admitidos em Direito, obedecidas as seguintes limitações: (. . .) Fl. 547DF CARF MF Processo nº 15374.965991/200943 Resolução nº 3301000.442 S3C3T1 Fl. 11 10 Art. 50. A cessão total ou parcial dos direitos de autor, que se fará sempre por escrito, presumese onerosa." (g.n.) Maria Helena Diniz, em sua obra "Dicionário Jurídico" (2° Ed. São Paulo: Saraiva, 2005), traz o seguinte conceito: "DIREITO AUTORAL. Direito Civil. Conjunto de prerrogativas de ordem não patrimonial (moral) e pecuniária que a lei reconhece a todo o criador de obras literárias, artísticas e científicas de alguma originalidade, no que diz respeito à sua paternidade e ulterior aproveitamento, por qualquer meio, durante toda a sua vida, ou aos seus sucessores, ou pelo prazo que ela fixar (Antônio Chaves)." No tocante ao cálculo de créditos de PIS e COFINS: a) os incisos II (insumos para produção industrial) e IV (locação de bens móveis) do art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03; Leis n° 10.637/02 e 10.833/03 "Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (. . .) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (. . .) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; (. . .)" b) inciso II e § 6° do art. 15 da Lei n° 10.865/04, que autoriza o registro de créditos de PIS/COFINS Importação incidentes sobre direitos autorais pagos a pessoas jurídicas não residentes no País; Lei n° 10.685/04 (PIS/COFINS Importação) "Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: (. . .) II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; Fl. 548DF CARF MF Processo nº 15374.965991/200943 Resolução nº 3301000.442 S3C3T1 Fl. 12 11 (. . .) § 6o O disposto no inciso II do caput deste artigo alcança os direitos autorais pagos pela indústria fonográfica desde que esses direitos tenham se sujeitado ao pagamento das contribuições de que trata esta Lei. (. . .)" (g.n.) c) a Solução de Divergência COSIT n° 14/11, na qual baseouse a turma do CARF que proferiu as citadas decisões desfavoráveis à recorrente no mesmo sentido, foi editada a Solução de Consulta n° 8 de 12 de abril de 2013; "SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 14 de 28 de Abril de 2011 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: CRÉDITO. INSUMOS APLICADOS NA FABRICAÇÃO DE BENS DESTINADOS À VENDA. DIREITOS AUTORAIS. IMPOSSIBILIDADE. Consideramse insumos, para fins de apuração de créditos da Cofins não cumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. No caso de bens, para que estes possam ser considerados insumos, é necessário que sejam consumidos ou sofram desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas em função da ação diretamente exercida sobre o serviço que está sendo prestado ou sobre o bem ou produto que está sendo fabricado, o que não ocorre no caso dos direitos autorais. Por absoluta falta de amparo legal, os valores pagos em decorrência de contratos de cessão de direitos autorais, ainda que necessários para a edição e produção de livros, não geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Cofins porque não se enquadram na definição de insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda" (g.n.) d) trecho da decisão judicial que equiparou a cessão onerosa de direitos autorais à locação de bens móveis (AC 200138000064868, proferido pela 8° Turma do TRF 1° Região, em 14/05/2010); e) trecho da sentença proferida nos autos do processo n° 0021679 50.2012.4.03.6100 (25° Vara Federal de São Paulo), em 26/03/13, que reconheceu o direito a créditos de PIS e COFINS sobre direitos autorais (foi reformada em segunda instância e objeto de interposição de recurso, o qual foi sobrestado até o trânsito em julgado de decisão no REsp 1.221.170/PR); "(. . .) A sistemática de tributação nãocumulativa do PIS e da COFINS, prevista nas Leis nº 10.637/2002 (art. 3º) e 10.833/2003 (art. 10), confere ao sujeito passivo do tributo o aproveitamento de determinados créditos previstos na legislação, excluídos os contribuintes sujeitos à tributação pelo lucro presumido.O rol de Fl. 549DF CARF MF Processo nº 15374.965991/200943 Resolução nº 3301000.442 S3C3T1 Fl. 13 12 referidas leis estabelece, in verbis:"Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (. . .)I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do 3o do art. 1o desta Lei (. . .); e b) nos 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (. . .); II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes (. . .); IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa;..." Assim, tendo em vista que, nos termos do art. 3º da Lei nº 9.610/98, "os direitos autorais reputamse, para os efeitos legais, bens móveis", os contratos de permissão de uso de direitos autorais firmado entre a autora e os autores das obras literárias que publica devem ser considerados locação de bem móvel e, portanto, poderão ser descontados por ocasião do cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, na forma do inciso IV acima transcrito." (g.n.) f) trecho do voto condutor do Acórdão CARF n° 3302003.342, de 24/08/16, que admitiu o registro de créditos de COFINS sobre direitos autorais, por considerálos como insumos e, por conseguinte, amparados pelo inciso II do art. 3° das Lei n° 10.637/02 e 10.833/03, reproduzido a letra "a", acima. "(. . .) No caso concreto, a produção dos bens pela Recorrente depende de autorização dos detentores dos direitos autorais, jamais poderia ela fabricar “CD” e “DVDs musicais, utilizar os encartes correlatos, sob licenciamento das detentoras dos direito autorais de tais obras. Tanto é assim, para exploração econômica em processo de reprodução (industrialização) e submetida a regime de controle de numero de exemplares, por essa razão a outorga do direito de uso configura matéria prima e essencial a atividade da Recorrente, sem a qual estaria fadada sucumbir, porque, a final se não adquirir, mesmo temporário, o bem, aqui o direito de uso, é certo que teria e terá a sua continuidade prejudicada por não ter como levar adiante o seu processo de produção. Também inexiste espaço para dizer que o direito autoral não é bem passível de alienação, e, de cessão onerosa e gratuita. Constatada cessão contratual de direitos autorais a título oneroso, fazem jus à contribuinte tomada de crédito gerado sobre os pagamentos ocorridos, descontado os créditos da Contribuição devida para o PIS/PASEP e a COFINS. (. . .)" Legitimidade dos créditos calculados sobre direitos autorais Conforme consta no relatório da decisão de primeira instância, a recorrente dedicase "à edição de obras líteromusicais, literárias ou técnicas, a subedição e a representação de produção musicais, literárias ou técnicas estrangeiras, a produção, a comercialização, a importação e a exportação de fonogramas, produção e direção, montagem e promoção de espetáculos de arte, o 'management de artistas, serviços e fabricação de discos, fitas, jinglês, trilhas, filmes Fl. 550DF CARF MF Processo nº 15374.965991/200943 Resolução nº 3301000.442 S3C3T1 Fl. 14 13 publicitários, a prestação de serviços de na área musical, com locação de equipamentos, estúdio de gravação e outros serviços inerentes'". De acordo com os acima reproduzidos dispositivos da Lei n° 9.610/98, o direito autoral é bem móvel, pertence ao autor e somente pode ser explorado por terceiros, por meio de autorização prévia e expressa do detentor. Desde já, resta claro que o pagamento efetuado pela recorrente a pessoas jurídicas detentoras de direitos de autor, para que tenha autorização legal para produzir e comercializar obras artísticas, é imprescindível ao desenvolvimento de sua atividade empresarial. Dada à natureza jurídica do direito autoral, verificase que tão somente poderia ser incluído nas bases de cálculo de créditos de PIS e COFINS do cessionário, caso possa ser considerado como abrangido pelos incisos II ou IV do art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, que novamente transcrevo: "Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (. . .) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (. . .) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; (. . .)" Inicio pelo exame do inciso IV, consignando que discordo do teor da sentença proferida nos autos do processo n° 002167950.2012.4.03.6100 (25° Vara Federal de São Paulo). Concluiu que a cessão de direito autoral equiparase à locação de bem móvel e que, como tal, a tomada do crédito encontraria abrigo no inciso IV do art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. A meu ver, as hipóteses de creditamento foram indicadas no art. 3° de forma taxativa, não cabendo ao intérprete ampliálas, circunstancialmente. Assim, entendo que o inciso IV do art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03 compreende tão somente locação de edificações, máquinas e equipamentos e, portanto, não dá suporte à tomada de créditos de PIS/COFINS sobre pagamentos pela cessão de direitos autorais. Contudo, tal conclusão não afasta por completo a possibilidade do registro de créditos de PIS/COFINS calculados sobre direitos autorais. Irrefutável que, sob o ponto de vista jurídico, a cessão onerosa de direito autoral, qualificado pela Lei n° 9.610/98 como bem móvel, equiparase à locação de bem móvel. Contudo, sua participação no processo produtivo não se assemelha às de "edificações, máquinas e equipamentos". Fl. 551DF CARF MF Processo nº 15374.965991/200943 Resolução nº 3301000.442 S3C3T1 Fl. 15 14 Com o inciso IV do art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, a meu ver, quis o legislador, sob uma visão global dos bens tangíveis formadores de um estabelecimento industrial, listar aqueles cuja locação poderia ser computada nas bases de cálculo dos créditos, por imprescindível que são. Entretanto, não obstante a identidade jurídica existente, os direitos autorais cumprem um outro papel no processo produtivo. Os pagamento pelos direitos de autor viabilizam a inserção daquilo que é o cerne da obra artística, a matériaprima principal para o desenvolvimento do processo produtivo. Não deve, portanto, ser classificado em outro gênero qualquer que não no dos "insumos". E sobre o conceito de insumos, não há que se estender demais a discussão, pois esta turma, ou melhor dizendo, o CARF, já o tem de forma quase consolidada. Não é o da legislação do IPI (IN n° 404/04) e tampouco o de dedutibilidade de despesas da legislação do IRPJ (art. 299 do Decreto n° 3.000/99 RIR). Foi moldado a partir de opiniões de ilustres doutrinadores e importante decisão Superior Tribunal de Justiça (REsp 1.246.317/MG, publicado em 29/06/2015). Em voto recente que proferi sobre o tema (Acórdão n° 3301002.999), assim sintetizei o conceito de insumos que passei desde então a adotar: "Em suma, repisando as palavras do Conselheiro Rodrigo C. Miranda (Acórdão n° 9303003.079) e trecho da citada decisão do STJ, observados os limites impostos pelas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, considero como insumo '(. . .) todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo (. . .)' e '(. . .) cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes.'" Conforme destaquei em negrito, a classificação de um bem como insumo depende "das especificidades de cada processo produtivo" e "cuja subtração importa na impossibilidade" da realização do processo industrial. O direito autoral não é um bem tangível, como as usuais MP, PI e ME. Porém, viabiliza, sob os pontos de vista material e legal, a inserção do conteúdo artístico em determinado meio físico (ex: CD, DVD etc.), para a conclusão do produto final a ser comercializado. Enfim, tratase de insumo e deve ser admitido nas bases de cálculo dos créditos de PIS e COFINS. Por fim, reputo como imprescindível, e talvez definitivo, mencionar que o § 6° c/c com o inciso II do art. 15 da Lei n° 10.865/04, de forma expressa e incontestável, consignou que os direitos autorais incluemse no conceito de insumos na produção de bens destinados à venda. E, como consequência, admitiu o desconto de créditos referentes ao PIS e COFINS Importação pagos, por ocasião das correspondentes remessas internacionais: Lei n° 10.685/04 (PIS/COFINS Importação) "Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas Fl. 552DF CARF MF Processo nº 15374.965991/200943 Resolução nº 3301000.442 S3C3T1 Fl. 16 15 contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: (. . .) II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; (. . .) § 6o O disposto no inciso II do caput deste artigo alcança os direitos autorais pagos pela indústria fonográfica desde que esses direitos tenham se sujeitado ao pagamento das contribuições de que trata esta Lei. (. . .)" (g.n.) Assim, com base no acima exposto, com a devida vênia, discordo das outras decisões proferidas pelo CARF em desfavor da recorrente e, por conseguinte, da Solução de Consulta COSIT n° 14/11, na qual se basearam, e também da Solução de Consulta n° 8 de 12 de abril de 2013. Por outro lado, alinhome ao Acórdão n° 3302003.342, do qual extraí trecho e acima reproduzi, que igualmente concluiu, por unanimidade, que direito autoral é insumo de processo de produção de obras artísticas e deve servir de base para cálculo de créditos de PIS e COFINS. CONCLUSÃO Tive de ingressar no mérito da contenda, para justificar minha proposta de conversão do julgamento em diligência. Pretendi demonstrar que estamos diante de um assunto controverso, cuja análise por este colegiado, todavia, somente se justifica, caso a totalidade do crédito pleiteado encontre suporte documental nos elementos carreados aos autos pela recorrente. Foi trazido aos autos extenso volume de documentos junto com o recurso voluntário razão contábil, comprovantes de pagamento, demonstrativos de cálculo e declarações originais e retificadoras. Por amostragem, conciliou valores do razão contábil com comprovantes de pagamentos e cálculos dos créditos. Isto é, além de contestar a glosa de créditos de COFINS, no plano conceitual, apresentou evidências documentais de que de fato incorreu nos gastos que alega ter tido. Diante disto, entendo ser imprescindível que convertamos o presente julgamento em diligência, para que a unidade de origem intime o contribuinte a executar as seguintes tarefas: a) Conciliar a totalidade dos comprovantes de pagamento de direitos autorais com os correspondentes lançamentos realizados no razão contábil. b) Conciliar os valores pagos e lançados no razão contábil com os indicados no DACON Retificador, onde figuram as apurações da base de cálculo, dos créditos e do valor devido de COFINS do mês de agosto de 2004. c) Demonstrar a apuração do crédito pleiteado, por meio de confronto entre DACON e DCTF originais e retificadores e DARF pagos. Fl. 553DF CARF MF Processo nº 15374.965991/200943 Resolução nº 3301000.442 S3C3T1 Fl. 17 16 A unidade de origem deverá revisar o trabalho efetuado pelo contribuinte e emitir relatório conclusivo. Então, abrir prazo para manifestação, findo o qual encaminhar os autos para o CARF para prosseguimento do julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de origem intime o contribuinte a executar as seguintes tarefas: a) Conciliar a totalidade dos comprovantes de pagamento de direitos autorais com os correspondentes lançamentos realizados no razão contábil. b) Conciliar os valores pagos e lançados no razão contábil com os indicados no DACON Retificador, onde figuram as apurações da base de cálculo, dos créditos e do valor devido da contribuição do período de apuração deste processo. c) Demonstrar a apuração do crédito pleiteado, por meio de confronto entre DACON e DCTF originais e retificadores e DARF pagos. A unidade de origem deverá revisar o trabalho efetuado pelo contribuinte e emitir relatório conclusivo. Então, abrir prazo para manifestação, findo o qual encaminhar os autos para o CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 554DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.900489/2014-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 25 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Sep 13 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Data do fato gerador: 30/04/2009
Ementa:
PROVAS. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO
De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo e a consequente homologação das compensações declaradas.
A produção de provas é facultada das partes, mas constitui-se em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não o sendo praticado no tempo certo, surgem consequências gravosas, dentre elas a perda do direito de o fazê-lo posteriormente, pois nesta hipótese, opera-se o fenômeno denominado de preclusão temporal.
Numero da decisão: 3302-011.617
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Lima Abud, Walker Araujo, Larissa Nunes Girard, Jose Renato Pereira de Deus, Paulo Regis Venter (suplente convocado), Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Ausente o conselheiro Vinicius Guimaraes, substituído pelo conselheiro Paulo Regis Venter.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 30/04/2009 Ementa: PROVAS. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo e a consequente homologação das compensações declaradas. A produção de provas é facultada das partes, mas constitui-se em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não o sendo praticado no tempo certo, surgem consequências gravosas, dentre elas a perda do direito de o fazê-lo posteriormente, pois nesta hipótese, opera-se o fenômeno denominado de preclusão temporal.
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IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 30/04/2009 Ementa: PROVAS. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo e a consequente homologação das compensações declaradas. A produção de provas é facultada das partes, mas constitui-se em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não o sendo praticado no tempo certo, surgem consequências gravosas, dentre elas a perda do direito de o fazê-lo posteriormente, pois nesta hipótese, opera-se o fenômeno denominado de preclusão temporal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Lima Abud, Walker Araujo, Larissa Nunes Girard, Jose Renato Pereira de Deus, Paulo Regis Venter (suplente convocado), Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Ausente o conselheiro Vinicius Guimaraes, substituído pelo conselheiro Paulo Regis Venter. Relatório AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 90 04 89 /2 01 4- 91 Fl. 669DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-011.617 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10530.900489/2014-91 Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório emitido eletronicamente, referente ao PER/DCOMP nº 07908.83858.310114.1.3.04-7476. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP com crédito de COFINS, Código de Receita 5856, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 25/05/2009, no valor de R$2.283.743,30. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificado do Despacho Decisório em 20/05/2014, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 20/06/2014, tratando, inicialmente, sobre a tempestividade e a suspensão da exigibilidade. Afirma que, na entrega do Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (Dacon) e da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do período especificado apurou um débito de COFINS no montante de R$ 2.283.743,30, tendo efetuado pagamento em Darf. Tendo percebido que os valores declarados como devidos não correspondiam à realidade, apresentou a retificação do Dacon, apurando um débito de COFINS de R$ 2.051.800,02. Com isso, identificou a existência de indébito tributário, que deveria ser objeto de pedido de restituição/compensação. Ato contínuo, apresentou o PER/DCOMP nº 07908.83858.310114.1.3.04-7476, objetivando utilizar o crédito apurado para quitação de débitos. Na parte que trata da comprovação das parcelas não homologadas, o manifestante alega que incorreu em erro formal ao manter a identificação na sua DCTF do valor originalmente devido, realizando as compensações por meio de PER/DCOMP com base no Dacon retificador, bem como nos pagamentos efetivamente realizados por meio de Darf. Assevera que os Darf que constituem o direito ao crédito do requerente foram efetivamente pagos e já se encontravam registrados nos sistemas da própria Receita Federal, sendo, portanto, plenamente possível a correção da omissão apresentada. Ao que parece, apegou-se a fiscalização ao erro formal do requerente, que não retificou a DCTF. Contudo, a falta de retificação da DCTF não é motivo hábil a justificar a não homologação da compensação, posto que o Dacon retificador e também os Darf pagos confirmam a existência do crédito. Acrescenta que, antes de decidir acerca da inexistência do crédito, o julgador poderia ter decidido pela conversão do julgamento em diligência. O manifestante faz ainda referência à legislação pertinente e jurisprudência a respeito do assunto em pauta, para destacar que, havendo a comprovada apuração do crédito (diferença entre o valor apurado no Dacon original e no retificador) decorrente de pagamento a maior que o devido (Darf), não há que se falar em negativa na compensação por erro formal, facilmente identificado documentalmente. Fl. 670DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-011.617 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10530.900489/2014-91 Ademais, há previsão legal específica que garante o direito à utilização de créditos de PIS/Cofins, motivo pelo qual não podem ser criadas barreiras formais por instrumentos infra-legais, o que só afirma a prevalência da verdade material sobre a forma. É por isso que não se pode exigir a retificação das declarações fiscais do contribuinte para que se possa fazer jus ao seu direito creditório. Ressalta que, no caso em análise, houve inclusive a retificação do Dacon do período, não havendo, todavia, por erro formal, a retificação da correlata DCTF. Observa ainda que as atuais instruções normativas da Receita Federal, quanto ao recolhimento de PIS e Cofins na EFD-Contribuições (que substituiu o Dacon), deixam assente que apenas "preferencialmente" os créditos precisam ser reconhecidos na escrituração fiscal do contribuinte. Faz também referência à jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). Ao final, requer o manifestante a suspensão da exigibilidade do crédito cuja compensação não foi homologada até o julgamento definitivo do processo em tela, nos termos do art. 74, § 11, da Lei nº 9.430, de 1996, c/c art. 151, III, do Código Tributário Nacional (CTN). No mérito, requer seja determinada a homologação da compensação pretendida, tendo em vista a comprovação do crédito tributário utilizado, ensejando a extinção do suposto débito, em atenção ao disposto no art. 156, II, do CTN. Protesta ainda pela realização de perícia ou diligência fiscal, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, caso entendido como necessária à apuração do quanto alegado e confirmação do crédito tributário utilizado pelo requerente devidamente declarado em sua DIPJ. A 2ª Turma da DRJ em Belém (PA) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 02-66.437, de 18 de agosto de 2015, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 30/04/2009 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Manifestação de Inconformidade Improcedente Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário ao CARF, no qual repisa boa parte da manifestação de inconformidade, inovando apenas nos seguintes pontos: a) Que o Despacho Decisório pautou-se na suposta utilização dos créditos indicados pela ora Recorrente na PER/DCOMP para quitação de outros débitos ("motivo"). Restando demonstrado que há créditos em valores superiores aos débitos, não há motivos para manutenção do Despacho Decisório, devendo este ser reformado, por perda da sua validade. Sendo inviável a modificação do "motivo" para sua manutenção. Entretanto, conforme se observa do Acórdão guerreado, decidiu-se por manter a não homologação da compensação pretendida sob o fundamento de que o indébito alegado pela ora Recorrente apenas poderia ser comprovado mediante análise dos documentos pertinentes ao erro ocorrido no levantamento do tributo apurado originalmente e que deu origem à retificação da DACON. Em outras Fl. 671DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-011.617 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10530.900489/2014-91 palavras, a DRJ/BHE inovou nos presentes autos, sustentando, quando do julgamento da Manifestação de Inconformidade, que seria imprescindível à homologação da compensação que a Recorrente apresentasse provas dos créditos posteriormente considerados que deram ensejo à retificação da DACON; b) Possibilidade de utilização de créditos de PIS/Cofins, com base nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Que os créditos tomados pela Recorrente decorrem, em sua grande maioria, de serviços essenciais à manutenção de sua produção, tais como Serviços de transporte de ácido sulfúrico e demais componentes químicos, britagem, calderaria e solda, bem como de produtos como tirante, resina, rolamento, dentre outros. Termina petição requerendo o acolhimento do recurso para fins de reconhecer a existência de créditos em favor da recorrente e a consequente homologação da declarações apresentadas. Alternativamente, requer a realização de perícia para a confirmação do direito alegado. É o breve relatório. Voto O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. Diligência O pedido de diligência deve ser indeferido, pois como já se pronunciou a decisão de piso, o ônus da prova, nas situações em que temos o requerimento de restituição e compensação de créditos supostamente indevidos, recai sobre o sujeito passivo, sendo certo que, não há que se falar em obrigatoriedade de diligência por parte da autoridade fiscal, uma vez que toadas as provas documentais deveriam ter sido apresentadas junto com a manifestação de inconformidade da recorrente. Devemos ter em mente que não é cabível a realização de diligência para suprir prova que deveria ter sido apresentada em manifestação de inconformidade, vale dizer, o procedimento de diligência não se afigura como remédio processual destinado a suprir a injustificada omissão probatória daquele sobre o qual recai o ônus do prova. Certo é que não podemos deixar de observar que existem regras processuais claras, que regem o contencioso administrativo, regulando a instrução probatória, não cabendo ao julgador afastar tais regras em face de aplicação indevida de eventuais princípios. Assim, a aplicação de princípios como aquele do formalismo moderado ou da verdade material não deve abrir caminho para o afastamento de regras que servem para a concretização de outros princípios jurídicos, sobretudo, os processuais. Pelo exposto nego a diligência pleiteada. Mérito A instância a quo, utilizou como razão de decidir a falta de provas do direito creditório, de acordo com trecho do voto condutor do acórdão recorrido, verbis: Fl. 672DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-011.617 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10530.900489/2014-91 No caso, o recorrente não comprova erro que possa alterar o fundamento do despacho decisório. Na falta de comprovação do erro, a divergência entre os valores informados em Dacon e DCTF afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento do pedido de restituição ou da compensação. A retificação de Dacon, sem que se aponte objetivamente o erro ocorrido no levantamento do tributo apurado originalmente, fazendo-se acompanhar dos documentos comprobatórios pertinentes, não é capaz de evidenciar a existência de pagamento indevido ou a maior no período considerado. Também o Darf, por si só, não constitui prova de pagamento indevido ou a maior; antes atesta tão somente o pagamento de débito originalmente declarado. Ainda que tivesse sido transmitida a DCTF retificadora, a mera retificação, operada após a ciência do despacho decisório e sem suporte em nenhum outro elemento de prova, não se prestaria para comprovação do pagamento indevido ou a maior. É bom lembrar que a retificação da DCTF não produzirá efeitos quando tiver como objetivo reduzir débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (art. 9º, § 2o, I, c, da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24/12/2010). A retificação da DCTF atesta apenas a alteração do valor do débito anteriormente confessado, mas não comprova o erro que levou ao suposto pagamento indevido ou a maior do tributo apurado originalmente, de forma a conferir a necessária certeza e liquidez ao crédito postulado. Registre-se ainda que a legislação citada pelo manifestante no tocante ao PIS e à Cofins está inserida no contexto da regulação de aproveitamento de créditos para fins de observância das regras do regime de não-cumulatividade, não operando qualquer efeito no tratamento de indébito tributário, sem que seja demonstrado inequivocamente erro na apuração original do tributo. Convém mencionar que a recorrente em sua manifestação de inconformidade não identificou o motivo do erro no preenchimento do DACON, e acostou apenas cópias do DARF, do DACON retificador e da Per/Dcomp. Em sede de recurso voluntário, a recorrente alegou que o erro no valor a recolher da contribuição se deu pela desconsideração dos créditos referentes a não-cumulatividade das contribuições. Buscou demonstrar os créditos que teria direito por intermédio de planilhas e cópias de notas fiscais. Contudo, não há um demonstrativo da apuração da base de cálculo da contribuição e dos créditos a serem descontados, somente planilhas que consolidam as notas fiscais e os possíveis créditos. Pela luz da legislação processual brasileira, quer judicial ou administrativa, é defeso às partes apresentar prova documental em momento diverso do estabelecido na norma processual - no do Processo Administrativo Fiscal na data da apresentação da impugnação/manifestação de inconformidade – a menos que (§ 4º do art. 16 do Decreto 70.235/1972): a) Fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Analisando os autos, verifica-se que a situação fática não se enquadra em nenhuma das hipóteses enumeradas acima. De outro lado, não se pode olvidar que a produção de provas é facultada às partes, mas constitui-se em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu Fl. 673DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-011.617 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10530.900489/2014-91 favor, não o sendo praticado no tempo certo, surge para a parte consequências gravosas, dentre elas a perda do direito de o fazê-lo posteriormente, pois nesta hipótese, opera-se o fenômeno denominado de preclusão, isto porque, o processo é um caminhar para frente, não se admitindo, em regra, realização de instrução probatória tardia, pertinente a fases já ultrapassadas. Daí, não tendo sido produzida a tempo, em primeira instância, não se admite que se faça em fases posteriores, sem que haja justificativa plausível para o retardo. Noutro giro, que o princípio da verdade material não é remédio para todos os males processuais; não pode nem deve servir de salvo conduto para que se desvirtue o caminhar para frente, o ordenamento e a concatenação dos procedimentos processuais - essência de qualquer processo administrativo ou judicial. Na realidade, a verdade material contrapõe-se ao formalismo exacerbado, presente no Processo civil, mas, de maneira alguma, priva o procedimento administrativo das necessárias formalidades. Daí se dizer que no Processo Administrativo Fiscal convivem harmonicamente os princípios da verdade material e da formalidade moderada. De sorte que se busque a verdade real, mas preservando as normas processuais que asseguram a segurança, a celeridade, a eficiência e o bom andamento do processo. Diante do exposto, e como não foram acostados, no momento processual previsto na legislação, elementos probatórios que identificassem e provassem o recolhimento indevido, nego provimento ao recurso. Conclusão Ex positis, afasto o pedido de diligência e nego provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 674DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 15374.951796/2009-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3302-000.612
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Os Conselheiros Socorro, Walker, José Fernandes, Charles e Paulo Guilherme votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
Relatório
Trata o presente processo de Declaração de Compensação de créditos de PIS/COFINS, decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior que o devido.
A Derat Rio de Janeiro não homologou a compensação por meio do despacho decisório, já que pagamento indicado na Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar débito do contribuinte.
Cientificado do despacho o recorrente apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade alegando que teria contratos com distribuidores de energia, com vigência superior a um ano, celebrados antes da Lei nº 10.833/2003, e, conforme o art. 10, inc. XI, da mesma lei, as receitas decorrentes de tais contratos estariam sujeitas à incidência cumulativa.
Tendo, inicialmente, apurado tais receitas pelo regime não cumulativo, após o recálculo, teria resultado em valor devido inferior das contribuições, de modo a surgir saldo de pagamento passível de compensação.
Com base em tal saldo, o interessado teria transmitido os pedidos de compensação, mas não teria atualizado a DCTF.
Alegou que o valor do débito estaria correto no Dacon e esclareceu que após ter recebido o despacho decisório, teria providenciado a retificação da DCTF.
Concluiu, para requerer o acolhimento de sua manifestação de inconformidade.
Sobreveio, então, decisão da DRJ não reconhecendo o direito creditório pleiteado, nos termos do Acórdão 14-051.177.
A contribuinte irresignada apresentou Recurso Voluntário onde explicou com maiores detalhes de onde existiria seu crédito e acostou alguns documentos ao recurso.
É o relatório.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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REGIME DE INCIDÊNCIA. CONTRATOS COM PREÇO PRÉDETERMINADO. Recorrente QUEIROZ GALVÃO ENERGÉTICA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Os Conselheiros Socorro, Walker, José Fernandes, Charles e Paulo Guilherme votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação de créditos de PIS/COFINS, decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior que o devido. A Derat Rio de Janeiro não homologou a compensação por meio do despacho decisório, já que pagamento indicado na Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar débito do contribuinte. Cientificado do despacho o recorrente apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade alegando que teria contratos com distribuidores de energia, com vigência superior a um ano, celebrados antes da Lei nº 10.833/2003, e, conforme o art. 10, inc. XI, da mesma lei, as receitas decorrentes de tais contratos estariam sujeitas à incidência cumulativa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 51 79 6/ 20 09 -3 6 Fl. 293DF CARF MF Processo nº 15374.951796/200936 Resolução nº 3302000.612 S3C3T2 Fl. 3 2 Tendo, inicialmente, apurado tais receitas pelo regime não cumulativo, após o recálculo, teria resultado em valor devido inferior das contribuições, de modo a surgir saldo de pagamento passível de compensação. Com base em tal saldo, o interessado teria transmitido os pedidos de compensação, mas não teria atualizado a DCTF. Alegou que o valor do débito estaria correto no Dacon e esclareceu que após ter recebido o despacho decisório, teria providenciado a retificação da DCTF. Concluiu, para requerer o acolhimento de sua manifestação de inconformidade. Sobreveio, então, decisão da DRJ não reconhecendo o direito creditório pleiteado, nos termos do Acórdão 14051.177. A contribuinte irresignada apresentou Recurso Voluntário onde explicou com maiores detalhes de onde existiria seu crédito e acostou alguns documentos ao recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3302000.610, de 26 de julho de 2017, proferida no julgamento do processo 15374.951794/200947, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3302000.610): "Da análise dos autos, percebese que a contribuinte anexou ao Recurso Voluntário vários contratos do setor elétrico. No caso em análise, a questão é saber se os contratos possuíam receitas que se sujeitavam ao regime cumulativo em razão do preço prédeterminado. Os contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003 tiveram suas receitas excluídas da incidência nãocumulativa das contribuições, vide legislação abaixo: Lei nº 10.833, de 2003 Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) Fl. 294DF CARF MF Processo nº 15374.951796/200936 Resolução nº 3302000.612 S3C3T2 Fl. 4 3 b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; (...) Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (...) V no art. 10, incisos VI, IX e XI a XXI desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Assim já decidiu o Superior Tribunal de Justiça quanto ao conceito de preço predeterminado: EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. INTIMAÇÃO PESSOAL DA FAZENDA. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA. NATUREZA PREVENTIVA. SÚMULA 7/STJ. ART. 10, XI, "B' DA LEI 10.833/03. CONCEITO DE PREÇO PREDETERMINADO. IN SRF 468/04. ILEGALIDADE. PRECEDENTE. ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. MULTA. AFASTAMENTO. SÚMULA 98/STJ. 1. O provimento do recurso especial por contrariedade ao art. 535, II, do CPC pressupõe seja demonstrado, fundamentadamente, entre outros, os seguintes motivos: (a) a questão supostamente omitida foi tratada na apelação, no agravo ou nas contrarrazões a estes recursos, ou, ainda, que se cuida de matéria de ordem pública a ser examinada de ofício, a qualquer tempo, pelas instâncias ordinárias; (b) houve interposição de aclaratórios para indicar à Corte local a necessidade de sanear a omissão; (c) a tese omitida é fundamental à conclusão do julgado e, se examinada, poderia levar à sua anulação ou reforma; e (d) não há outro fundamento autônomo, suficiente para manter o acórdão. Esses requisitos são cumulativos e devem ser abordados de maneira fundamentada na petição recursal, sob pena de não se conhecer da alegativa por deficiência de fundamentação, dada a generalidade dos argumentos apresentados. Incidência da Súmula 284/STF. 2. Não cabe recurso especial quanto à controvérsia em torno da intimação pessoal da Fazenda, sob pena de usurparse competência reservada ao Supremo, nos termos do art. 102 da CF/88, já que o aresto recorrido decidiu com base em fundamentos essencialmente constitucionais. 3. Inadmissível recurso especial que demanda dilação probatória incompatível, nos termos da Súmula 7/STJ. No caso, a Corte de origem afirmou, expressamente, tratarse de impetração preventiva, o que afasta o prazo decadencial de 120 dias para a impetração, premissa que não pode ser revista neste âmbito recursal. 4. O preço predeterminado em contrato, previsto no art. 10, XI, "b", da Lei 10.833/03, não perde sua natureza simplesmente por conter cláusula de reajuste decorrente da correção monetária. Ilegalidade da IN n.º 468/04. Precedente. Fl. 295DF CARF MF Processo nº 15374.951796/200936 Resolução nº 3302000.612 S3C3T2 Fl. 5 4 5. A multa fixada com base no art. 538, parágrafo único, do CPC, deve ser afastada quando notório o propósito de prequestionamento dos embargos de declaração. Incidência da Súmula 98/STJ. 6. Recurso especial conhecido em parte e provido também em parte. (REsp Nº 1.169.088/MT; Relator: Ministro Castro Meira) (grifos não constam no original) Diante da complexidade que envolve o tema, é necessária a conversão do feito em diligência para: 1. Identificar as receitas auferidas do contrato do qual decorrem, inclusive identificando as decorrentes de cada aditivo contratual; 2. Identificar o reajustamento e se estão dentro do conceito predeterminado; 3. Identificar o primeiro reajustamento ocorrido após 31/10/2003, relativamente às receitas auferidas; 4. Esclarecer se houve alguma revisão do contrato visando a manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro; 5. Esclarecer se existe algum índice setorial que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; 6. Elaborar comparativo entre a evolução dos custos da prestação do serviço e da variação do índice mencionado no item anterior e o reajuste adotado, relativo ao período correspondente ao reajuste ocorrido imediatamente anterior a 31/10/2003 e os ocorridos até a competência do crédito objeto da DCOMP; 7. Elaborar relatório, separando as receitas sujeitas à incidência nãocumulativa e à incidência cumulativa, considerando as disposições do §3º do artigo 3º da IN SRF 658/2006; 8. Intimar a Recorrente a apresentar os esclarecimentos, que entender necessários e, após a conclusão dos trabalhos, intimála para manifestar no prazo de 30 (trinta) dias em conformidade com o artigo 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 2011. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência à unidade de jurisdição local para: 1. Identificar as receitas auferidas do contrato do qual decorrem, inclusive identificando as decorrentes de cada aditivo contratual; 2. Identificar o reajustamento e se estão dentro do conceito predeterminado; 3. Identificar o primeiro reajustamento ocorrido após 31/10/2003, relativamente às receitas auferidas; 4. Esclarecer se houve alguma revisão do contrato visando a manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro; 5. Esclarecer se existe algum índice setorial que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; Fl. 296DF CARF MF Processo nº 15374.951796/200936 Resolução nº 3302000.612 S3C3T2 Fl. 6 5 6. Elaborar comparativo entre a evolução dos custos da prestação do serviço e da variação do índice mencionado no item anterior e o reajuste adotado, relativo ao período correspondente ao reajuste ocorrido imediatamente anterior a 31/10/2003 e os ocorridos até a competência do crédito objeto da DCOMP; 7. Elaborar relatório, separando as receitas sujeitas à incidência nãocumulativa e à incidência cumulativa, considerando as disposições do §3º do artigo 3º da IN SRF 658/2006; 8. Intimar a Recorrente a apresentar os esclarecimentos, que entender necessários e, após a conclusão dos trabalhos, intimála para manifestar no prazo de 30 (trinta) dias em conformidade com o artigo 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 2011. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 297DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.918608/2009-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 21 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Sep 03 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL)
Período de apuração: 01/01/1993 a 31/03/1993
PEDIDO DE RESSARCIMENTO (PER) INDEFERIDO ANTE O POSSÍVEL APROVEITAMENTO DO CRÉDITO PELA REALIZAÇÃO DE AUTOCOMPENSAÇÃO OU COMPENSAÇÃO ESPONTÂNEA. AUSÊNCIA DE PROPORCIONALIDADE EM IMPEDIR A REPETIÇÃO DO INDÉBITO POR DÚVIDA NÃO CONTROVERTIDA PELA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Deve-se assegurar o direito creditório reconhecidamente pago a maior pelo sujeito passivo, mesmo em época em que estava autorizado a realizar autocompensação ou compensação espontânea, por força da aplicação do art. 66 da Lei n° 8.383/1991 e da IN SRF n° 21, de 10/03/1997.
Inexistindo dúvida suscitada pela administração tributária quanto ao possível aproveitamento anterior do crédito pelo contribuinte, não há impedimento ao reconhecimento do direito creditório reivindicado regularmente através de procedimento administrativo.
Numero da decisão: 1201-005.016
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Wilson Kazumi Nakayama (relator), Efigênio de Freitas Júnior e Thiago Dayan da Luz Barros, que votaram por converter o julgamento em diligência. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-005.015, de 21 de julho de 2021, prolatado no julgamento do processo 16327.915263/2009-19, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Efigenio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy Jose Gomes de Albuquerque, Sergio Magalhaes Lima, Thiago Dayan da Luz Barros (suplente convocado), Lucas Issa Halah (suplente convocado), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Wilson Kazumi Nakayama (relator), Efigênio de Freitas Júnior e Thiago Dayan da Luz Barros, que votaram por converter o julgamento em diligência. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-005.015, de 21 de julho de 2021, prolatado no julgamento do processo 16327.915263/2009-19, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Efigenio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy Jose Gomes de Albuquerque, Sergio Magalhaes Lima, Thiago Dayan da Luz Barros (suplente convocado), Lucas Issa Halah (suplente convocado), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Período de apuração: 01/01/1993 a 31/03/1993 PEDIDO DE RESSARCIMENTO (PER) INDEFERIDO ANTE O POSSÍVEL APROVEITAMENTO DO CRÉDITO PELA REALIZAÇÃO DE AUTOCOMPENSAÇÃO OU COMPENSAÇÃO ESPONTÂNEA. AUSÊNCIA DE PROPORCIONALIDADE EM IMPEDIR A REPETIÇÃO DO INDÉBITO POR DÚVIDA NÃO CONTROVERTIDA PELA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. Deve-se assegurar o direito creditório reconhecidamente pago a maior pelo sujeito passivo, mesmo em época em que estava autorizado a realizar autocompensação ou compensação espontânea, por força da aplicação do art. 66 da Lei n° 8.383/1991 e da IN SRF n° 21, de 10/03/1997. Inexistindo dúvida suscitada pela administração tributária quanto ao possível aproveitamento anterior do crédito pelo contribuinte, não há impedimento ao reconhecimento do direito creditório reivindicado regularmente através de procedimento administrativo. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Wilson Kazumi Nakayama (relator), Efigênio de Freitas Júnior e Thiago Dayan da Luz Barros, que votaram por converter o julgamento em diligência. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-005.015, de 21 de julho de 2021, prolatado no julgamento do processo 16327.915263/2009-19, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Efigenio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy Jose Gomes de Albuquerque, Sergio Magalhaes Lima, Thiago Dayan da Luz Barros (suplente convocado), Lucas Issa Halah (suplente convocado), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 86 08 /2 00 9- 96 Fl. 290DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-005.016 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.918608/2009-96 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de recurso voluntário contra acórdão de primeira instância que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra Despacho Decisório que não homologou a compensação pleiteada, cujo crédito é relativo a pagamento indevido ou maior de CSLL. A compensação não foi homologada, conforme o Despacho Decisório eletrônico juntado aos autos, porque “na data de transmissão do PER/DCOMP original já estava extinto o direito de utilização do crédito, por terem se passado mais de cinco anos entre a data de arrecadação do DARF informado no documento retificador em análise e a data de transmissão do PER/DCOMP original”. O relatório do acórdão recorrido resumiu os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. A Tuma julgadora a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo a não homologação da compensação, por entender que a requerente não conseguiu comprovar a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado. Cientificado do acórdão recorrido, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário argumentando que a DRJ teria inovado nos fundamentos para a não homologação da compensação ao alegar que não haveria certeza de que a recorrente já não teria utilizado o crédito pleiteado em sua escrita fiscal. Ao final, pugna pelo provimento integral do recurso para reformar a decisão de primeira instância. É o Relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto condutor consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: 1 O presente feito decorre de procedimento administrativo por meio do qual o contribuinte pretende repetir o indébito de tributo comprovadamente pago de forma indevida, tendo a administração tributária motivado sua decisão denegatória em razão da ocorrência de pretensa decadência do direito de reclamar tal providência. Observe-se que a decisão de piso objetivamente demonstrou que a decadência não ocorreu, tendo-a afastado, face ao reconhecimento de que 1 Deixa-se de transcrever o voto do relator, que pode ser consultado no acórdão paradigma desta decisão, transcrevendo o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado. Fl. 291DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-005.016 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.918608/2009-96 a contagem do prazo fora feito de forma inadvertida quando prolatado o Despacho Decisório, conforme se vê do acórdão recorrido, a saber: 9. O Despacho Decisório não reconheceu o direito creditório pleiteado, visto ter entendido que, na data de transmissão do PER/DCOMP original, já estava extinto a direito de utilização do crédito (mais de cinco anos entre a data de arrecadação do DARF e a data de transmissão). 9.1. No entanto, tem razão a Recorrente quando alega ter sido entregue, em 14/02/2004, PER referente ao mesmo crédito (recolhido em 31/05/1999), razão pela qual o motivo do indeferimento está incorreto. (grifou-se) Face a tal constatação, que afastou corretamente a decadência, a DRJ inovou nos argumentos aduzidos pela administração tributária para indeferir o pedido do contribuinte, trazendo aos autos elementos estranhos ao que fora objeto do despacho decisório. Com efeito, a instância de piso entendeu que, à época do pedido de compensação, a legislação vigente autorizava o sujeito passivo a realizar a autocompensação (ou compensação espontânea), conforme lhe autorizava o art. 66 da Lei n° 8.383/1991, com alterações da Lei n° 9.069/1995, e a IN SRF n° 21, de 10/03/1997, que possibilitava a intitulada “compensação espontânea”. Assim, entendeu que caberia ao contribuinte realizar, ele mesmo, a compensação de valores, sem participação do Fisco. Tal inovação foi combatida no Recurso Voluntário, uma vez que a administração tributária, em tempo algum, suscitou tal argumento para indeferir, tendo a DRJ se valido de critério jurídico novo para indeferir o direito do contribuinte. Durante a sessão de julgamento, o ilustre Conselheiro Relator manifestou intenção de baixar o processo em diligência, a fim de intimar o Recorrente a apresentar os documentos contábeis e fiscais do período 31/05/1999 a 01/10/2002, além de balanços/balancetes e o LACS (Livro de Apuração da Contribuição Social – Parte A e B) do período, a fim de que fosse realizado auditoria sobre os mesmos para verificar se o interessado já compensou os valores. Entendo o cuidado do insigne Conselheiro Relator, mas divirjo da providência requestada, por não existir nos autos qualquer elemento que sugira, direta ou indiretamente, ter o contribuinte se beneficiado dos créditos durante todo esse longo tempo. Ademais, a própria administração tributária, ao realizar o despacho decisório, limitou-se a controverter que a única matéria que justificava a denegação do direito creditório residia na pretensa decadência do mesmo, inexistindo elementos que justifiquem admitir o retorno dos autos à DRF, pois a compensação espontânea (realizada na contabilidade) nunca fora Fl. 292DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-005.016 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.918608/2009-96 óbice ao reconhecimento do crédito sob o olhar da administração tributária. A inovação trazida pela decisão de piso, data vênia, traz prejuízos à defesa do contribuinte, pois é trazido argumento jurídico jamais controvertido pelo Fisco, mas por instância de julgamento que não tem encargo de despachar em nome de quaisquer das partes. Além disso, o fato do sujeito passivo não ter realizado a compensação espontânea não lhe impede de requestar o reembolso do indébito. Admitir o contrário representaria autorizar o enriquecimento indevido do Fisco, fato desautorizado pelo ordenamento jurídico. Outrossim, exigir do contribuinte, após longos anos, a guarda de documentos contábeis e fiscais jamais solicitados a qualquer tempo, para desconstituir a hipótese de autocompensação já realizada e nunca questionada pela administração tributária, ressoa como medida que não atende ao princípio da proporcionalidade, sendo, ao meu ver, desnecessária, inadequada e injusta. Ante o exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Fl. 293DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10865.000792/2006-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 09 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2201-000.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a autoridade competente informe se houve intimação dos outros co-titulares das contas mantidas em instituições financeiras. Vencidos o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira (Relator), que negava provimento ao recurso e o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado) que anulava o lançamento por vício formal.
Assinado digitalmente.
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator.
Assinado digitalmente.
Carlos César Quadros Pierre - Redator Designado.
EDITADO EM: 29/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente Convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz..
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a autoridade competente informe se houve intimação dos outros cotitulares das contas mantidas em instituições financeiras. Vencidos o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira (Relator), que negava provimento ao recurso e o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado) que anulava o lançamento por vício formal. Assinado digitalmente. Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Relator. Assinado digitalmente. Carlos César Quadros Pierre Redator Designado. EDITADO EM: 29/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente Convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .0 00 79 2/ 20 06 -0 8 Fl. 606DF CARF MF Impresso em 09/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 581 ___________ Tratase de recurso voluntário interposto contra a decisão de primeira instância que manteve o lançamento tributário referente ao imposto sobre a renda da pessoa física decorrente da omissão de rendimentos representada pelos depósitos bancário de origem não comprovada. O lançamento decorreu de procedimento fiscal instaurado por meio do MPF 08.1.12.002005003124 que tenha por objeto a verificação do cumprimento das obrigações principais e acessórias nos anoscalendário 2000 e 2001. Tal procedimento culminou no Auto de Infração constante de folhas 5 do processo digitalizado, que constituiu o crédito tributário de RS 1.263.449,02 que totalizou o valor de R$ 499.136,59 de imposto, R$ 389.960,00 de juros de mora e R$ 374.352,43 de multa de ofício, valores consolidados em 30 de março de 2006. O Relatório Fiscal circunstanciado que consta das folhas 11, explicita os motivos da autuação: "Enquadrada na operação 91232, a auditoria fiscal objetivou examinar os fatos evidenciados nos dados da CPMF, informados pelas instituições financeiras à SRF, indicativos de incompatibilidade entre a movimentação financeira realizada nas contas bancárias tituladas pelo contribuinte e os rendimentos por ela declarados nas Declarações Anuais de Ajuste dos exercícios 2001 e 2002, anexadas às fls. j 8 / , conforme se demonstra a seguir: BANCO CNPJ MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA A/C 2000 A/C 2001 Brasil S.A. 00.000.000/000191 2.217.271,89 712.749,97 Nossa Caixa S.A. 43.073.394/000110 304.092,31 755.776,99 Itaú S.A. 60.701.190/000104 59.670,86 2.568,79 Bradesco S.A. 60.746.948/000112 597.862,17 597.555,51 TOTAL MOV. FINANCEIRA 3.179.997,23 2.068.651,26 RENDIMENTOS DECLARADOS 26.620,00 21.600,00" A contribuinte foi cientificada do lançamento do IRPF relativo aos anos calendário 2000 e 2001 em 31 de março de 2006, por meio de ciência pessoal dada a sua advogada, consoante se observa às fls. 5. Tempestivamente, a contribuinte impugnou o lançamento (fls 420). Em 23 de junho de 2008, a DRJ Belém entendeu por manter o lançamento, restando assim ementada a decisão (fls 484): "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA • FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002 INCONSTITUCIONALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade de dispositivos legais. As leis Fl. 607DF CARF MF Impresso em 09/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10865.000792/200608 Resolução nº 2201000.225 S2C2T1 Fl. 582 3 regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei n° 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta • bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. DECISÕES. EFEITOS. As decisões administrativas ou judiciais proferidas por órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional (CTN). RETROATIVIDADE DA LEI. Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. SIGILO BANCÁRIO. UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES RELATIVAS À CPMF Com o advento da Lei n° 10.174/2001, resguardado o sigilo na forma da legislação aplicável, é legítima a utilização das informações sobre as movimentações financeiras relativas à CPMF para instaurar procedimento administrativo que resulte em lançamento de outros tributos, ainda que os fatos geradores tenham ocorrido antes da vigência da referida Lei. ADEQUAÇÃO DA PRESUNÇÃO LEGAL. VINCULAÇÃO DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. Não cabe ao julgador administrativo discutir se a presunção estabelecida em • lei é apropriada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (artigo 116, inciso III, da Lei n.° 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (artigo 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de rendimentos (artigo 42, caput, da Lei n.° 9.430/1996). Lançamento Procedente" A contribuinte foi cientificada por via postal (AR fls. 510), em 18 de agosto de 2008, da decisão que contrariou seus interesses. Em 22 de agosto, tempestivamente, portanto, interpôs recurso voluntário (fls 511), reiterando os argumentos constantes da impugnação, a saber: · Preliminarmente, entende ser nula a decisão de primeira instância em face do desatendimento da ampla defesa e do contraditório, uma vez que os julgamentos se encerram em recinto fechado e sem publicidade Fl. 608DF CARF MF Impresso em 09/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10865.000792/200608 Resolução nº 2201000.225 S2C2T1 Fl. 583 4 alguma, impedindo a sustentação oral e a apresentação de memoriais e outras formas de exercício de defesa. · No mérito, alega nulidade do auto de infração em razão da constituição do mesmo se basear exclusivamente em depósito bancário, em razão da ilegitimidade de constituição do IRPF por meio desse tipo de arbitramento. · Depois de discorrer sobre o conceito de renda, cita doutrina e farta jurisprudência de tribunais federais no sentido de seus argumentos. · Alega que o embasamento legal do lançamento, Lei Complementar 105/2001 foi usado para alcançar fatos pretéritos, o que macula de nulidade o ato administrativo em face da irretroatividade de lei. · Reitera ser nulo o auto de infração uma vez que houve quebra do sigilo bancário e fiscal sem autorização judicial. · Aponta nova nulidade do auto de infração em razão de sua lavratura ter se apoiado em presunções e em dispositivo de lei inconstitucional. · Reitera a flagrante ofensa ao princípio do contraditório e da ampla defesa em razão da quebra de sigilo efetuada pela autoridade fiscal referente a fato anterior a edição da lei que supostamente embasa tal procedimento. · Assevera que a multa punitiva imposta é inexigível em razão da ofensa aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. · Alega que o princípio da interpretação mais benigna, esculpido no artigo 112 do CTN deve ser aplicado ao caso concreto. · Por todo o exposto, pugna pela nulidade do lançamento tributário. Em abril de 2012, solicita que o julgamento administrativo do recurso voluntário, ainda pendente, considerasse as decisões do STJ e do STF sobre o tema, em face da repercussão geral reconhecida. Em 20 de setembro de 2012, a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara, em decisão unânime, Resolução 2102000.086 (fls 573), acordou: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o julgamento, pois se trata de debate sobre a transferência compulsória do sigilo bancário do contribuinte para o fisco, matéria em debate no Supremo Tribunal Federal no rito da repercussão geral (art. 62A, §§, do Anexo II, do RICARF)." Em razão da renúncia do Conselheiro Relator designado, o processo retornou à Secretaria da Câmara, sendo, por meio eletrônico, sorteado para minha relatoria. É o relatório do necessário. Fl. 609DF CARF MF Impresso em 09/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10865.000792/200608 Resolução nº 2201000.225 S2C2T1 Fl. 584 5 Voto Vencido Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Presentes os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário passo a examinálo. Como relatado, tratase de lançamento tributário decorrente da omissão de rendimentos ensejadores do imposto sobre a renda da pessoa física, verificada a partir de cruzamento de informação do recolhimento da CPMF com a renda declarada pela Contribuinte (relatório fiscal, fls 11). Tal omissão de rendimentos foi constatada nos anoscalendários de 2000 e 2001. A oposição recursal à decisão de piso, e por via de consequência ao lançamento tributário, em preliminar, aponta nulidade da decisão recorrida em face do cerceamento de defesa ocorrido pela impossibilidade do acompanhamento do julgamento, fechado ao público, e da vedação da sustentação oral e da apresentação de memoriais. Segundo o Recorrente, tal prática, sem amparo legal, ofende direitos constitucionalmente garantidos aos litigantes. Em que pese a opinião pessoal deste Conselheiro sobre a ausência das partes no julgamento de primeira instância, não entendo que tal prática ofenda qualquer princípio constitucional garantidor de direitos do administrado no curso do processo administrativo fiscal. Ao reverso do alegado, o princípio da ampla defesa e do contraditório é totalmente garantido, e devidamente controlado pela instância superior, no curso de todo o processo administrativo. Tal afirmação encontra ampara no só na lei do PAF, Decreto nº 70.235/72, como também no próprio regimento interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Mister recordar que a própria impugnação, representante de toda manifestação de inconformidade do contribuinte com o lançamento, instaura o contencioso e contém as provas necessárias a impedir, modificar ou extinguir o direito do Fisco ao crédito tributário constituído pelo lançamento controvertido. A partir da impugnação, expressão da insurgência do contribuinte, a todo novo pronunciamento do Fisco será dado ciência ao Contribuinte e oportunidade de nova manifestação, garantindo assim a dialética processual. Se por uma lado, seria desejável na opinião pessoal deste Conselheiro a presença do Contribuinte no julgamento de piso, também deveria ser possível a presença do Fisco, por meio de sua Procuradoria. A restrição, por óbvio, afeta ambos. Diante do exposto, não se observa a nulidade arguída, ainda mais ao se recordar que as nulidades no processo administrativo tributário se encontram elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, e não foram verificadas no caso concreto. Portanto, rejeito a preliminar de nulidade. Quanto ao mérito, a leitura atenta do recurso voluntário nos revela que a insurgência contra o lançamento tem como premissa básica, reverberada em todos os tópicos da argumentação apresentada, a quebra do sigilo bancário da recorrente, sem a devida autorização judicial. Fl. 610DF CARF MF Impresso em 09/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10865.000792/200608 Resolução nº 2201000.225 S2C2T1 Fl. 585 6 A relevância de tal argumento na insurgência da Recorrente já foi reconhecida por este Colegiado quando da análise do recurso voluntário pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 2ª Seção. Como relatado, houve uma resolução unânime pelo sobrestamento do julgamento. Recordemos o decidido (fls 576): "Antes de tudo, devese anotar que a recorrente pediu a exclusão da multa de ofício aplicada, com fundamento no art. 63 da Lei nº 9.430/96, uma vez que a exigibilidade do débito estaria suspensa por força de liminar concedida (juntou ao recurso o acompanhamento do processo 2001.61.05.003912 – AMS 243031SP– número CNJ 000391267.2001.4.03.6105). Analisando a documentação juntada (fls. 461 a 469), não se vê a recorrente como parte no mandado de segurança acima. Consultando o mandamus citado no site do TRF3 ª Região (disponível em: http://web.trf3.jus.br/consultas/Internet/ConsultaProcessual/Processo? NumeroProcesso=20016 1050039124. Acesso em 10 de agosto de 2012), vêse que a União Federal litiga com ARY PERANOVICH e LUCIANO PERANOVICH, não constando a recorrente como parte no mandado de segurança em foco. Dessa forma, não há qualquer prova nos autos a indicar que o objeto da autuação esteja sob discussão judicial, estando esta instância livre para apreciar todas as matérias deduzidas no recurso voluntário. As nulidades vindicadas, com exceção da transferência compulsória do sigilo bancário para o fisco e da aplicação pretérita dos poderes instituídos pela Lei complementar nº 105/2001, poderiam ser enfrentadas neste momento nesta instância, não havendo, em princípio, como acatálas, pois se trata de ataque à hipótese da tributação oriunda do art. 42 da Lei nº 9.430/96, forma de tributação mansamente aceita neste CARF (para tanto, apenas como exemplos, vide a Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada; Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário; Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física). Igual compreensão se aplica à nulidade levantada em relação ao procedimento de julgamento na Primeira Instância Administrativa, no qual também o CARF tem assentado sua regularidade. Entretanto, a discussão sobre a inviabilidade da transferência compulsória do sigilo bancário do contribuinte para o fisco, bem como a aplicação dos poderes da LC nº 105/2001 de forma retroativa pelos agentes fiscais, hoje está sendo sobrestada, como se demonstra a seguir. (...)" (destacamos) Fl. 611DF CARF MF Impresso em 09/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10865.000792/200608 Resolução nº 2201000.225 S2C2T1 Fl. 586 7 A reprodução da decisão representada pela Resolução 2102000.086, além de comprovar a afirmação sobre a relevância da questão da quebra do sigilo bancário pelo Fisco na argumentação constante do recurso, serve para analisar e fundamentar a opinião deste Relator nas demais questões constantes do recurso, tornando despiciendo o reexame desses pontos recursais, uma vez que como dito, os argumentos e fundamentos constantes da resolução são por mim compartilhados e adotados como razão de decidir. Assim, voto por afastar os argumentos apresentados no recurso, negandolhe provimento quanto à constituição do crédito com base somente em depósitos bancários, quanto à ofensa dos princípios do contraditório e ampla defesa, e quanto à inexigibilidade da multa de ofício, posta que, prevista expressamente em lei e cuja exigibilidade se encontra assente não só na jurisprudência deste colegiado (inteligência das Súmulas CARF nº 25 e 34), com também no STF, como se verifica no AgRRExt 547.559 SC, Min Rosa Weber, julgado em 26/11/2013: "DIREITO TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. PROPORCIONALIDADE DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE DE REAPRECIAÇÃO DE FATOS E PROVAS. SÚMULA 279/STF. ACÓRDÃO RECORRIDO PUBLICADO EM 19.12.2006. O Tribunal a quo, na hipótese em tela, lastreouse no contexto probatório para firmar seu convencimento acerca da legalidade da multa de 75% imposta à recorrente, assinalando tratarse de multa punitiva e não confiscatória que atendeu finalidade educativa e de repressão a condutas infratoras. Portanto, aferir a ocorrência de eventual violação ao preceito constitucional invocado no apelo extremo, decorrente de efeito confiscatório da multa, somente seria possível mediante exame do conjunto fáticoprobatório, o que é vedado em sede extraordinária e enseja a aplicação do enunciado da Súmula 279 da Corte. Agravo regimental conhecido e não provido." (destacamos) Antes da análise da questão crucial do recurso, mister afastar o requerimento de perícia constante dos pedidos do recurso, em face da absoluta desnecessidade de comprovação de acréscimo patrimonial da Recorrente para que se observe o auferimento de renda ensejadora da tributação em discussão, como será demonstrado ao longo do voto. Portanto, restanos a análise do ponto fulcral do recurso, motivo do sobrestamento observado: a quebra do sigilo bancário pelo Fisco tendo em vista a requisição dos extratos das contas correntes da Contribuinte, feita diretamente aos bancos, com fulcro na Lei Complementar nº 105/01. Vejamos. Em recentíssimo julgamento, ocorrido em 24 de fevereiro passado, examinando as Ações Declaratórias de Inconstitucionalidade, ADI's 2859, 2390, 2386 e 2397, além do Recurso Extraordinário (RE) 601314 SP, este sob o rito da repercussão geral, o Pleno do STF decidiu pela constitucionalidade das disposições da Lei Complementar nº 105/01. Consulta ao sitio do Supremo Tribunal Federal ( ), contém a decisão final proferida no curso da ADI 2390, representativa do entendimento da Corte Suprema: Decisão Final Fl. 612DF CARF MF Impresso em 09/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10865.000792/200608 Resolução nº 2201000.225 S2C2T1 Fl. 587 8 Após o relatório e as sustentações orais, pelo requerente Partido Social Liberal PSL, do Dr. Wladimir Reale, e, pela Advocacia Geral da União, da Dra. Grace Maria Fernandes Mendonça, SecretáriaGeral de Contencioso, o julgamento foi suspenso. Presidência do Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 17.02.2016. Após o voto do Ministro Dias Toffoli (Relator), que conhecia da ação e a julgava improcedente, no que foi acompanhado pelos Ministros Edson Fachin, Teori Zavascki, Rosa Weber e Cármen Lúcia; o voto do Ministro Roberto Barroso, que acompanhava em parte o Relator, conferindo interpretação conforme ao art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, para estabelecer que a obtenção de informações nele prevista depende de processo administrativo devidamente regulamentado por cada ente da federação, em que se assegure, tal como se dá com a União, por força da Lei nº 9.784/99 e do Decreto nº 3.724/2001, no mínimo as seguintes garantias: a) notificação do contribuinte quanto à instauração do processo e a todos os demais atos; b) sujeição do pedido de acesso a um superior hierárquico do requerente; c) existência de sistemas eletrônicos de segurança que sejam certificados e com registro de acesso, d) estabelecimento de mecanismos efetivos de apuração e correção de desvios; e o voto do Ministro Marco Aurélio, que dava interpretação conforme aos dispositivos impugnados de modo a afastar a possibilidade de acesso direto aos dados bancários pelos órgãos públicos, o julgamento foi suspenso. Impedido o Ministro Gilmar Mendes. Ausente, justificadamente, o Ministro Luiz Fux. Presidência do Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 18.02.2016. O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, julgou improcedente o pedido formulado na ação direta, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Reajustou o voto o Ministro Roberto Barroso para acompanhar integralmente o Relator. Impedido o Ministro Gilmar Mendes. Ausente, justificadamente, a Ministra Cármen Lúcia. Presidiu o julgamento o Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 24.02.2016." (destaques não são originais) Mister realçar que o RE 601.314/SP, expressamente, versa sobre a possibilidade de aplicação dos dispositivos constantes da Lei Complementar para fato pretéritos a sua edição, além da da quebra de sigilo bancário pelo Fisco, mesmo tema da ADI 2390. São os termos da decisão proferida no mencionado recurso extraordinário submetido a sistemática da repercussão geral: "O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, apreciando o tema 225 da repercussão geral, conheceu do recurso e a este negou provimento, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Por maioria, o Tribunal fixou, quanto ao item “a” do tema em questão, a seguinte tese: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade Fl. 613DF CARF MF Impresso em 09/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10865.000792/200608 Resolução nº 2201000.225 S2C2T1 Fl. 588 9 contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”; e, quanto ao item “b”, a tese: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Ausente, justificadamente, a Ministra Cármen Lúcia. Presidiu o julgamento o Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 24.02.2016." (negritamos e sublinhamos) Ora, a clareza da decisão tomada pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal, no curso de ação declaratório de inconstitucionalidade, e no âmbito de um recurso extraordinário com repercussão geral, extingue de maneira definitiva qualquer dúvida sobre a lisura e legalidade do procedimento fiscal relativo a requisição às instituições financeiras dos dados referente a movimentação financeira dos contribuintes, quando tomados nos termos da Lei 10.174/01 e do Decreto nº 3724/01, com suas alterações posteriores. Nesse sentido, mister verificar no caso em apreço, o cumprimento das disposições constantes do Decreto nº 3724/01, especialmente quanto à exigência da existência de procedimento fiscalizatório prévio a requisição dos dados bancários e da indispensabilidade de tal solicitação. Cediço a instauração do procedimento fiscalizatório prévio. Tal procedimento foi precedido do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 08.1.12.002005003124, constante das folhas 2 do presente processo administrativo. Instaurado tal procedimento, a Autoridade Fiscal passou a intimar o contribuinte, concedendo prazo necessário, para que este apresentasse os documentos necessário para a verificação da regularidade no cumprimento das obrigações tributárias no período constante do MPF. Assim, a Fiscalização relatou o desenvolvimento do procedimento (fls 11 e seguintes): "Pelo Termo de Início de Fiscalização datado de 13/09/04, de fls./6 / , recebido em 20/09/2005, conforme AR de fls. 11 , intimamos a contribuinte a apresentar os extratos de, suas contascorrentes movimentadas no período sob fiscalização e a comprovar a origem dos recursos depositados Por solicitação e pela justificativa apresentada no documento datado de 04/10/2005, às fls. .27, foilhe concedida a prorrogação de 20 dias do prazo inicialmente estipulado para o atendimento do Termo de Início. 5. Posteriormente, lavramos a Intimação Fiscal datada de 12/12/2005, de fls. 27 , recebida pela contribuinte em 16/12/2005, conforme A.R., verso de fls. 2.7 .com o objetivo de reratificar o Termo de Início de Ação Fiscal então lavrado, intimando a fiscalizada a apresentar os mesmos documentos ali solicitados, porém relativos aos anos calendário 2000 e 2001, em conformidade com as determinações do Mandado de Procedimento Fiscal em 4110 referência. Fl. 614DF CARF MF Impresso em 09/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10865.000792/200608 Resolução nº 2201000.225 S2C2T1 Fl. 589 10 6. Ante a omissão da fiscalizada no atendimento das solicitações constantes nos termos fiscais, os extratos das contascorrentes bancárias por ela movimentadas nos anoscalendário 2000 e 2001 foram requisitados junto às instituições financeiras Banco do Brasil S/A, Nossa CaixaNosso Banco S/A, Banco Itaú S/A e Banco Bradesco S/A, mediante Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), de no 2005142 a 2005145, às fls. 28/31 . 7. Com base nos documentos bancários, esta fiscalização elaborou as planilhas DEMONSTRATIVO DE MOVIMENTAÇÃO DE CONTA CORRENTE BANCÁRIA anexas ao Termo de Verificação e de Intimação Fiscal datado de 17/02/2006, e intimou a contribuinte a comprovar com documentos hábeis e idôneos, coincidentes em data e valor, a origem dos • recursos utilizados nos depósitos relacionados. Ver fls. 274/308". Patente o atendimento, pelo Fisco, das exigências constantes do Decreto nº 3724/01, e a reiterada tentativa de busca de documentos junto ao sujeito passivo, além da oportunização constante do direito de comprovação das verificações fiscais obtidas por meio de documentos oriundos das instituições financeiras. Mister ressaltar uma vez mais, que todo procedimento de lançamento é precedido pela intimação fiscal para que o contribuinte comprove a origem dos depósitos bancários, como se observa pelo excerto abaixo transcrito do relatório fiscal: "Em decorrência da entrega dos extratos das contascorrentes de titularidade da contribuinte pelo Banco Bradesco S/A, cuja movimentação não constou das planilhas citadas, conforme menção no item 6 do Termo anterior, em 13/03/2006 lavramos novo Termo Fiscal, às fls. 309 , através do qual submetemos à comprovação a movimentação demonstrada nas planilhas acostadas às fls. 310/316." Diante do exposto, entendo terem sido cumpridos os requisitos constantes da legislação de regência exigida como condição para validade do conteúdo da norma cuja constitucionalidade foi reconhecida pelo Pretório Excelso. Houve prévio procedimento fiscalizatório devidamente instaurado e foi demonstrado, em face da inércia do contribuinte, a necessidade do Fisco em requer as informações bancárias pertinentes. Tais procedimentos, agora reconhecidos como constitucionais, ensejam o lançamento tributário com fulcro no artigo 42 da Lei nº 9.430/96. Assim, reforçase a decisão que não admite os argumentos, já acima rejeitados, sobre a nulidade no procedimento de tributação da renda oriunda dos depósitos bancários de origem não comprovada. Tratase de expressa presunção legal, presunção relativa é verdade, mas que não foi devidamente afastada pelo Recorrente. Necessário ressaltar, que o Fisco verificando a titularidade conjunta de contas da contribuinte, expressamente a intima para esclarecimentos, cumprindo a disposição do parágrafo 6º do artigo 42. Vejamos (fls. 13): "Por constar nos extratos analisados a indicação de cotitularidade na movimentação das algumas contas bancárias, foi solicitado à fiscalizada informar a sua participação na movimentação das contas e a confirmar os demais participantes. Fl. 615DF CARF MF Impresso em 09/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10865.000792/200608 Resolução nº 2201000.225 S2C2T1 Fl. 590 11 Em atendimento, a sua represente legal, Dra. Suzana Comelato, advogada, qualificada na procuração de fls. 319 , apresentou os documentos de fls. 318 e 320/326, que informam a participação, além da fiscalizada, dos titulares Walter Artemio Dian, CPF 192.535.597 72 e Antonio Carlos Dian, CPF 134.954.02853, à razão de 1/3 cada um, no movimento das seguintes contas: no . 550008, Agência Sumaré, Banco ltaú S/A; no . 27.952, Agência Sumaré, Banco do Brasil S/A; no . 69.7915, Agência 322, Banco Bradesco S/A; n°. 01.002.530 5, 01.001.5334 e nº 01.051.8007, Agência Sumaré, Nossa Caixa Nosso Banco S/A. Relativamente às demais contas examinadas, a contribuinte as movimentou como única titular. Em razão dos fatos relatados acima, procedemos ao rateio da movimentação financeira realizada nas contas mantidas pela fiscalizada em conjunto com os demais titulares, na proporção de sua participação, 1/3, ou 33,33% do total movimentado nas citadas contas, demonstrado a seguir: (...)" (destacamos) Diante da expressa intimação da Recorrente, de seu pronunciamento, e do lançamento em conformidade com os ditames da do artigo 42 Lei nº 9.430/96, não aplico ao caso concreto as disposições da Súmula CARF nº 29. A expressa intimação do Contribuinte, seu pronunciamento e principalmente, o lançamento em respeito a todas as prescrições legais atinentes tornam totalmente despiciendo a intimação dos demais cotitulares, uma vez que mesmo que esses comprovassem a origem dos recursos sob sua titularidade, o lançamento em análise continuaria íntegro, uma vez que só foi realizado com base no quinhão da Recorrente, que como visto, restou omissa. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário também nessa parte. Conclusão Com base nos fatos e fundamentos apresentados, voto por conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negarlhe provimento. Carlos Henrique de Oliveira Relator Voto Vencedor Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Redator Designado. Apesar do brilhante voto do Conselheiro Relator, peço permissão para discordar do seu entendimento quanto à questão da intimação dos cotitulares das contas conjuntas, para que justificassem as origens dos depósitos. Segundo o Ilustre Relator as seguintes contas bancárias possuem outros titulares, que não a Recorrente: no . 550008, Agência Sumaré, Banco ltaú S/A; no . 27.952, Agência Sumaré, Banco do Brasil S/A; no . 69.7915, Agência 322, Banco Bradesco S/A; n°. Fl. 616DF CARF MF Impresso em 09/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10865.000792/200608 Resolução nº 2201000.225 S2C2T1 Fl. 591 12 01.002.5305, 01.001.5334 e nº 01.051.8007, Agência Sumaré, Nossa CaixaNosso Banco S/A. Também verifico que, em relação a tais contas bancárias, a fiscalização imputou apenas 1/3 dos valores depositados à Recorrente, tendo em vista tratarse de contas conjuntas. Ocorre que, ainda assim, imprescindível se faz a intimação dos cotitulares para que igualmente comprovem a origem de seus depósitos. O CARF já manifestou entendimento, o qual encontrase pacificado por meio de súmula, de que em se tratando de conta conjunta deve ser também intimado o cotitular para a comprovação da origem dos depósitos realizados. Neste sentido a Súmula CARF nº 29 assim dispõe: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Contudo, não consta nos autos intimação, ou indícios de sua existência, dos co titulares das contas bancárias para justificar, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos depósitos. Ante o acima exposto, proponho o retorno dos autos à DRFB de origem para que a autoridade preparadora informe se houve a intimação de cada um dos cotitulares das contas bancárias conjuntas, para comprovarem, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos depósitos, e faça juntada de documentos hábeis a comprovar tais intimações. Ao final, com vistas a garantir o contraditório e o amplo direito de defesa, cientificar ao contribuinte acerca desta diligência e dos resultados dela decorrentes, assegurandolhe prazo para sua manifestação. Tomadas as providências acima, os autos devem retornar a este Colegiado para apreciação. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por converter o julgamento em diligência. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 617DF CARF MF Impresso em 09/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 10730.911196/2009-15
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2020
Numero da decisão: 9101-000.086
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para apreciação da admissibilidade do recurso especial em face do segundo paradigma, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luis Fabiano Alves Penteado e Adriana Gomes Rêgo. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Livia De Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
(assinado digitalmente)
Lívia De Carli Germano - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva (suplente convocado) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Demetrius Nichele Macei, substituído pelo conselheiro Daniel Ribeiro Silva.
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1051; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 881 1 880 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10730.911196/200915 Recurso nº Especial do Contribuinte Resolução nº 9101000.086 – 1ª Turma Data 8 de maio de 2019 Assunto CSLL Recorrente AMPLA ENERGIA E SERVIÇOS S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para apreciação da admissibilidade do recurso especial em face do segundo paradigma, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luis Fabiano Alves Penteado e Adriana Gomes Rêgo. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Livia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora (assinado digitalmente) Lívia De Carli Germano Redatora designada RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 30 .9 11 19 6/ 20 09 -1 5 Fl. 881DF CARF MF Processo nº 10730.911196/200915 Resolução nº 9101000.086 CSRFT1 Fl. 882 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva (suplente convocado) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Demetrius Nichele Macei, substituído pelo conselheiro Daniel Ribeiro Silva. Relatório Tratase de processo originado por pedido de compensação (PERDCOMP nº 23509.32421.120107.1.3.049336, fls. 110) transmitido em 12/01/2007, no qual identificado crédito do contribuinte de estimativa de CSLL e débito de estimativa de CSLL do mês de outubro de 2005. A compensação não foi homologada pela Delegacia da Receita Federal em Niterói (fls. 105), por despacho proferido em 07/10/2009, pelas razões seguintes: O pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 2), decidindo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro pela manutenção da decisão da DRF (fls. 118): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ANO CALENDÁRIO: 2007 PRIMEIRA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO. OBSERVÂNCIA DOS ATOS NORMATIVOS DA RECEITA FEDERAL. O julgador administrativo de primeira instância está obrigado a observar o entendimento da Receita Federal expresso em seus atos normativos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ANO CALENDÁRIO: 2007 COMPENSAÇÃO. APROVEITAMENTO DOS VALORES RECOLHIDOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL. Na vigência da Instrução Normativa SRF n° 600, de 28/12/2005, a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que tivesse efetuado recolhimento indevido ou a maior a título de estimativa mensal somente poderia utilizar o valor do indébito na dedução do IRPJ ou CSLL devidos ao fim do anocalendário ou para compor o saldo negativo do período em questão. O fato de a Instrução Normativa RFB n° 900, de 30/12/2008, haver removido a restrição que existia anteriormente, quanto ao aproveitamento de créditos decorrentes de estimativas recolhidas Fl. 882DF CARF MF Processo nº 10730.911196/200915 Resolução nº 9101000.086 CSRFT1 Fl. 883 3 indevidamente ou a maior, não legitima a pretensão do contribuinte de fazer retroagir a nova norma, com o intuito de convalidar compensações que, em sua origem, eram indevidas. O processamento da compensação subordinase à legislação vigente no momento do encontro de contas, sendo incabível a apreciação da Declaracão de Compensação com fundamento em legislação superveniente. O contribuinte apresentou recurso voluntário, (fls. 125), ao qual a 1ª Turma Especial deu provimento, determinando a baixa dos autos à unidade de origem para análise do crédito (acórdão 1801001.292, fls. 147): ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, corrigido na forma da lei, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação fundamentouse na impossibilidade de restituição de estimativa de tributo. É necessário que a autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte analise o pedido de restituição/compensação (Per/Dcomp) à luz da existência, suficiência e disponibilidade do crédito. A Procuradoria foi intimada, sem que tenha apresentado recurso (fls. 162). O contribuinte, intimado em 10/07/2013 (fls 176/180) para apresentar documentos comprobatórios do crédito pleiteado no processo. Nesse sentido, em 9/9/2013 apresentou documentos (fls. 181). Nesse contexto, a Delegacia da Receita Federal em Niterói decidiu por não homologar a compensação, conforme despacho às fls. 698: (...) 2. O direito creditório informado na Dcomp nº 23509.32421.120107.1.3.049336, cujo valor originário corresponde a R$ 402.013,03, consiste em pagamento a maior efetuado em 31/08/2006 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), calculada por estimativa mensal, relativa ao período de apuração de julho/2006. (...) 13. No caso em exame, constatase, à vista do que consta nas cópias parciais dos Livros Diário de nos 449, 450, 451 e 452 (fls. 319/334), que o sujeito passivo deixou de transcrever o balancete mensal de suspensão/redução do período de apuração de julho/2006 no Livro Diário. Fl. 883DF CARF MF Processo nº 10730.911196/200915 Resolução nº 9101000.086 CSRFT1 Fl. 884 4 14. Por conta da inexistência de transcrição no Livro Diário, o balancete mensal de suspensão/redução de fls. 284/316 deve ser desconsiderado, em face do disposto no art. 15, § 3º, da IN SRF nº 93/1997, e a CSLL devida em julho/2006 deverá ser aferida nos termos previstos no art. 2º c/c art. 28, ambos da Lei nº 9.430/1996, ou seja, deverá ser determinada sobre a base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (...) 16. Considerando os lançamentos contábeis efetuados no Livro Razão, às fls. 335/693, que apresentam consistência com as informações sobre receitas auferidas em julho/2006 registradas na Ficha 17A do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), ás fls. 694/696, passamos a calcular a base de cálculo estimada da CSLL em julho/2006(...) 18. Considerando que o valor da CSLL devida, em julho/2006, é superior ao valor pago (R$ 1.340.043,43, fl. 697), constatase que inexiste direito creditório a ser reconhecido em favor do sujeito passivo, o que conduz à nãohomologação da compensação efetuada por meio da Dcomp nº 23509.32421.120107.1.3.049336. (grifo original) O contribuinte apresentou nova manifestação de inconformidade (fls. 715), decidindo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro por julgála improcedente (fls. 733): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 CSLL. ESTIMATIVA MENSAL CALCULADA COM BASE EM BALANCETE DE SUSPENSÃO/REDUÇÃO. COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO A MAIOR. A comprovação do pagamento a maior da estimativa de CSLL apurada com base em balancete de suspensão/redução exige que o contribuinte apresente o referido balancete, como também o demonstrativo de apuração da base de cálculo da contribuição, relativamente ao período compreendido entre 1º de janeiro, ou o dia de início de atividade, e o último dia do mês a que se referir a estimativa em questão. A mera falta de transcrição do balancete no Livro Diário não invalida este balancete, para efeito de suspensão ou redução da estimativa mensal de CSLL, quando suas informações guardam consonância com a escrituração contábil. Já o demonstrativo de apuração que abrange apenas o mês de competência, sem considerar o período acumulado, reputase imprestável para comprovar o pagamento a maior da estimativa. O contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 754), alegando, em síntese: (i) que o valor de crédito pleiteado não teria sido analisado pela unidade de origem; (ii) a DRJ deveria analisar, apenas, a necessidade de transcrição dos balancetes em Livro Diário e, assim, Fl. 884DF CARF MF Processo nº 10730.911196/200915 Resolução nº 9101000.086 CSRFT1 Fl. 885 5 “em atenção aos princípios da verdade material e da legalidade, a autoridade administrativa deve examinar todos e quaisquer elementos probatórios existentes, ao seu alcance, que auxiliem na verificação do caso concreto”; (iii) teria ocorrido inovação e supressão de instância, pela DRJ. Ademais, sinteticamente, sustentou que teria crédito para fins de compensação. A 1ª Turma Especial deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais negou provimento ao recurso, nos termos da ementa do acórdão 1801002.178 (fls. 771). Transcreve se ementa deste acórdão: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2006 DECISÃO. INOVAÇÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA Não se verifica inovação ou supressão de instância em decisão de Turma Julgadora de 1ª Instância que se limitou a emitir juízo de valor a respeito de provas apresentadas pela recorrente, em atendimento às solicitações da sua unidade de jurisdição, destinadas justamente a comprovar o indébito reclamado O contribuinte foi intimado deste acórdão em 02/12/2014, por decurso de prazo (fls. 781). Ademais, o contribuinte acessou sua caixa postal em 05/12/2014 (fls. 782). Nesse contexto, o contribuinte interpôs recuso especial em 17/12/2014 (fls. 786), no qual alega divergência na interpretação da lei tributária, sustentando a inovação, pelo julgador da DRJ, na análise do crédito tributário pleiteado, indicandose os acórdãos paradigmas n. 1301001.574 (PA 10580.720176/200655) e 1801001.894 (PA 10865.901552/201009). Consta, após a interposição e recurso, substituição do termo de ciência por decurso de prazo, com informação da disponibilização na caixa postal em 03/12/2014, com ciência por decurso de prazo em 18/12/2014 (fls. 842). A então Presidente da 3ª Câmara da Primeira Seção deu seguimento ao recurso especial do contribuinte (fls. 858). Destacase trecho da motivação decisão: Para comprovar o dissenso foram colacionados, como paradigmas, os Acórdãos nº 1301001.574, de 29/07/2014, e nº 1803001.894, de 08/10/2013 (inteiro teor às fls. 844/855). Passo a analisar o primeiro paradigma apresentado, sempre em comparação com o acórdão recorrido. (...) Em ambos os casos (acórdão recorrido e 1º paradigma), a situação fática se assemelha: os processos tratam de declaração de compensação negada pela Unidade de origem. No caso da interessada, a decisão de primeira instância (DRJ) superou a questão formal suscitada (falta de transcrição dos balancetes no livro Diário) e negou provimento à manifestação de inconformidade por falta de apresentação do balancete acumulado de janeiro a junho, não obstante a interessada houvesse sido intimada a tanto. No caso do 1º paradigma, a decisão de primeira instância não se manifestou acerca da conclusão da Unidade de origem (ausência de comprovação do pagamento indevido) e negou provimento à manifestação de inconformidade por não ser possível a compensação de estimativas (somente de eventual saldo negativo do imposto). Ainda, em ambos os Fl. 885DF CARF MF Processo nº 10730.911196/200915 Resolução nº 9101000.086 CSRFT1 Fl. 886 6 casos, os recursos voluntários questionaram a inovação nas razões de decidir. A divergência alegada estaria nas conclusões de um e outro caso. (...) Com essas considerações, concluise que a divergência jurisprudencial foi comprovada, sendo cumpridos os requisitos estabelecidos pelo art. 67 do Anexo II do RICARF. Acrescento que tendo sido demonstrada a divergência jurisprudencial pela análise do 1º paradigma apresentado, dispensável se torna a análise do 2º paradigma. (...) No exercício da competência estabelecida no inciso III do art. 18 do Anexo II do RICARF, e com base nas razões retroexpostas, que aprovo e adoto como fundamentos deste despacho, DOU SEGUIMENTO ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo. A Procuradoria apresentou contrarrazões ao recurso especial, pedindo não seja conhecido, por falta de similitude fática e de divergência na interpretação da lei tributária. No mérito, pede a manutenção do acórdão recorrido. (fls. 863). É o relatório. Voto vencido Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Conhecimento: A Procuradoria questiona o conhecimento do recurso especial, por falta de divergência na interpretação da lei tributária e similitude entre acórdão recorrido e paradigmas. Passo à análise do tema: O primeiro acórdão paradigma (1301001.574) tem a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2005 Ementa: DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Revela cerceamento do direito de defesa o ato decisório que, afastandose do motivo declinado na decisão objeto de contestação, inova na sua fundamentação. O relatório do primeiro acórdão paradigma (1301001.574) revela o contexto fático então analisado: Fl. 886DF CARF MF Processo nº 10730.911196/200915 Resolução nº 9101000.086 CSRFT1 Fl. 887 7 Trata o presente processo de Declaração de Compensação, por meio da qual a contribuinte indica direito creditório relativo a pagamento indevido de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) referente ao anocalendário de 2004, visando extinguir débito de sua titularidade. Por meio de Despacho Decisório (fls. 20/22), a Delegacia da Receita Federal em Salvador não reconheceu o direito creditório pleiteado, em virtude de ter constatado que o pagamento tido como indevido já havia sido utilizado para quitar débito de IRPJ relativo ao período de apuração de dezembro de 2004. Inconformada, a contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade (...) A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador, Bahia, apreciando as razões trazidas pela defesa, decidiu, por meio do acórdão nº 1521.599, de 11 de setembro de 2009, pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. O referido julgado restou assim ementado: ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO O recolhimento das estimativas não configura pagamento extintivo de crédito tributário, mas mera antecipação do tributo devido a ser apurado definitivamente ao término do período definido na legislação. Em conseqüência, passível de restituição e compensação é o saldo negativo de IRPJ apurado na Declaração de Ajuste Anual. Às fls. 60/71, foi juntado o recurso voluntário protocolizado em 22 de fevereiro de 2010, em que a contribuinte sustenta: que a decisão de primeira instância, esquivandose dos argumentos adotados no Despacho Decisório precedente e da matéria de defesa trazida por meio da Manifestação de Inconformidade, principalmente os contidos nos itens 4 e 5, adota nova argumentação, cujos pressupostos sequer foram objeto do Despacho Decisório anterior e, por evidente, da própria Manifestação de Inconformidade, operando evidente inovação, o que ofende o devido processo legal; que merece reforma o Acórdão recorrido, vez que, apesar de referir que mantém o Despacho Decisório n° 0639DRF/SDR, com ele conflita, ao dizer: “Portanto, não se nega que a impugnante possa ter crédito em relação ao anocalendário de 2004, decorrente do recolhimento por estimativa em valor superior ao imposto apurado como devido ao final do exercício, mas esse crédito deverá estar consolidado na apuração anual efetivada na declaração de rendimentos na forma de saldo negativo, o que não foi objeto do presente pedido”. que é sabido que o Despacho Decisório não chegou a tal conclusão, porque não admitiu existir crédito suficiente a compensar; que, embora contrariando o posicionamento do Despacho Decisório objeto da Manifestação de Inconformidade (inexistência de lastro), o Acórdão encontra outro argumento, um argumento surpresa, não presente no curso do processo, para negar homologação à compensação operada, violando todos os pressupostos da ampla defesa; (...) Fl. 887DF CARF MF Processo nº 10730.911196/200915 Resolução nº 9101000.086 CSRFT1 Fl. 888 8 Diante desse panorama fático, decidiu a Turma prolatora do primeiro acórdão paradigma (1301001.574), conforme voto do Relator, exConselheiro Wilson Fernandes Guimarães: Assim, em que pese a vinculação ventilada na decisão de primeiro grau, não poderia a turma julgadora a quo basear seu pronunciamento em ato normativo revogado, especialmente na circunstância em que o ato revogador exclui de forma clara a exigência que serviu de suporte para o citado pronunciamento. Não obstante, observo, em convergência com o sustentado pela Recorrente, que a decisão de primeira instância fundase em argumentação absolutamente distinta da que serviu de suporte para a emissão do Despacho Decisório emitido pela Delegacia da Receita Federal em Salvador, eis que, ali, o impedimento para a homologação da compensação pleiteada foi representado, em apertada síntese, pelo fato de a contribuinte ter declarado em DCTF o valor que alega ser indevido o pagamento. Sendo inaplicável, no caso, o disposto no parágrafo 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, eis que ausente qualquer pronunciamento acerca da liquidez e certeza do crédito alegado pela contribuinte, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário unicamente para decretar a nulidade da decisão de primeira instância, devendo outra ser prolatada com base na apreciação do fundamento esposado no Despacho Decisório contra o qual foi interposta Manifestação de Inconformidade. Analisando os termos do primeiro acórdão paradigma, entendo cumpridos os requisitos regimentais para conhecimento do recurso. Com efeito, no citado paradigma, o contribuinte alega inovação da DRJ, ao analisar processo originado por compensação tributária, sob fundamentos distintos dos analisados pela DRF. Diante desse panorama, naquele caso concreto, decidiu a Turma prolatora do acórdão paradigma pela nulidade da decisão da DRJ. O acórdão recorrido trata de fatos similares, em que o contribuinte sustenta a inovação pela DRJ, quanto aos fundamentos adotados pela DRF. Nesse contexto, decidiu a Turma a quo pela inexistência de nulidade na decisão da DRJ. Portanto, há similitude fática e divergência na interpretação da lei tributária suficientes ao conhecimento do recurso especial. Ressalto que não se exige identidade fática, mas apenas similitude, que vislumbro entre o acórdão recorrido e paradigma referido. Afinal, em ambos os casos, houve fundamento distinto na decisão da DRF e DRJ, concluindo de forma distinta. Nesse sentido, decidiu a então Presidente da 3ª Câmara, dando seguimento ao recurso especial: Em ambos os casos (acórdão recorrido e 1º paradigma), a situação fática se assemelha: os processos tratam de declaração de compensação negada pela Unidade de origem. No caso da interessada, a decisão de primeira instância (DRJ) superou a questão formal suscitada (falta de transcrição dos balancetes no livro Diário) e negou provimento à manifestação de inconformidade por falta de Fl. 888DF CARF MF Processo nº 10730.911196/200915 Resolução nº 9101000.086 CSRFT1 Fl. 889 9 apresentação do balancete acumulado de janeiro a junho, não obstante a interessada houvesse sido intimada a tanto. No caso do 1º paradigma, a decisão de primeira instância não se manifestou acerca da conclusão da Unidade de origem (ausência de comprovação do pagamento indevido) e negou provimento à manifestação de inconformidade por não ser possível a compensação de estimativas (somente de eventual saldo negativo do imposto). Ainda, em ambos os casos, os recursos voluntários questionaram a inovação nas razões de decidir. A divergência alegada estaria nas conclusões de um e outro caso. O acórdão recorrido entendeu que não teria ocorrido inovação e, por consequência, também não teria havido supressão de instância. (...) Diante dessa conclusão, o Colegiado negou provimento ao recurso voluntário da interessada. Por outro lado, no caso do 1º paradigma, o entendimento de que teria havido alteração na fundamentação foi decisivo para que o Colegiado desse provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte e determinasse a nulidade da decisão de primeira instância. (...) Com essas considerações, concluise que a divergência jurisprudencial foi comprovada, sendo cumpridos os requisitos estabelecidos pelo art. 67 do Anexo II do RICARF. Concluo, assim, pelo conhecimento do recurso especial do contribuinte pela análise do primeiro acórdão paradigma (1301001.574). Tendo conhecido o recurso pela análise do primeiro paradigma, como efetuado pelo Presidente de Câmara, revelase desnecessária a análise do segundo paradigma. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Voto vencedor Conselheira Livia De Carli Germano, Redatora Designada Sobre o conhecimento do presente recurso especial, em que pese os bons argumentos da ilustre Relatora para conhecer do recurso pela análise do primeiro acórdão paradigma (1301001.574), prevaleceu na Turma a posição em sentido contrário. Fl. 889DF CARF MF Processo nº 10730.911196/200915 Resolução nº 9101000.086 CSRFT1 Fl. 890 10 No caso, conforme relatado, o recurso especial do contribuinte indicou como paradigmas os acórdãos 1301001.574 e 1801001.894. O despacho de admissibilidade deu seguimento ao recurso pela análise do primeiro paradigma, deixando de analisar se haveria divergência quanto ao acórdão 1801001.894. Não obstante, colocada a matéria para julgamento desta 1a Turma da CSRF, a maioria do colegiado entendeu pela inexistência de divergência jurisprudencial entre o caso dos autos e o acórdão 1301001.574. Neste caso, considerando que o despacho de admissibilidade não se pronunciou sobre o segundo paradigma, e tendo em vista a competência atribuída pelo Regimento Interno deste CARF ao Presidente de Câmara para o exame inicial sobre a admissibilidade de recurso especial (artigos 18, III, e 68, §§ 1º e 3º, do Anexo II da Portaria 343/2015), fazse necessária a conversão do julgamento em diligência, para apreciação da admissibilidade do recurso especial em face do segundo precedente indicado como paradigma, acórdão 1801001.894. Sobre as razões pelas quais o acórdão 1301001.574 não foi considerado como caracterizador da divergência jurisprudencial quanto ao caso dos presentes autos, compreendo que, muito embora ambos os casos tratem de aspectos relacionados ao cerceamento ao direito de defesa, as questões jurídicas de fundo são diferentes. Dito de outra forma, é verdade que, em ambos os casos, a compensação declarada pelo contribuinte foi negada pela decisão de primeira instância (DRJ) por um fundamento diferente daquele constante do despacho decisório (emitido pela DRF). Não obstante, o acórdão recorrido tratou essencialmente de matéria relacionada à valoração da prova, enquanto o precedente indicado como primeiro paradigma discutiu questões específicas relativas à fundamentação da decisão. A tese jurídica firmada por uma e outra decisão é diferente. Especificamente, o voto vencedor do acórdão recorrido considerou não ter havido inovação por parte da DRJ quando esta, valorando de maneira inaugural as provas apresentadas pela contribuinte provas estas que estavam haviam sido recusadas de plano pela DRF, por alegação de vício formal , apura erros nos demonstrativos e os considera imprestáveis para comprovar o crédito pleiteado. A discussão que se coloca, então, é sobre se cabe ou não à DRJ analisar de maneira inaugural documentos não examinados pela DRF no contexto da homologação de declarações de compensação apresentadas pelos contribuintes. Já o voto condutor do primeiro precedente indicado como paradigma (acórdão 1301001.574) considerou que a decisão da DRJ deveria ser declarada nula por ter se baseado em ato normativo revogado. O conselheiro relator até menciona que, além de ter sido fundamentada unicamente em ato normativo revogado, a DRJ negou o pedido do contribuinte por argumentação distinta da que serviu de suporte para a emissão do despacho decisório emitido pela DRF, mas o faz, essencialmente, para justificar que, na nova decisão a ser prolatada pela DRJ, esta deverá apreciar o fundamento esposado no despacho decisório contra o qual foi interposta manifestação de inconformidade. Neste caso, portanto, para além de a DRJ ter inovado em sua fundamentação, foi fundamental para o resultado do julgamento a constatação de que houve a identificação de um vício legal nesta então inovadora fundamentação adotada pela DRJ, qual seja, o fato de ato normativo em que tal decisão se baseou já estar revogado. Fl. 890DF CARF MF Processo nº 10730.911196/200915 Resolução nº 9101000.086 CSRFT1 Fl. 891 11 Tal particularidade leva à constatação de que, com base no raciocínio exposto no acórdão 1301001.574, não é possível deduzir como aquele colegiado decidiria o caso dos autos. Daí a conclusão de que tal precedente não se presta a caracterizar a divergência jurisprudencial necessária para a admissibilidade do presente recurso especial, o que torna necessária a análise sobre se o presente recurso especial seria admitido com base no segundo paradigma indicado pelo Recorrente, o acórdão 1801001.894. (assinado digitalmente) Lívia De Carli Germano Fl. 891DF CARF MF
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