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Numero do processo: 15374.951804/2009-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3302-000.620
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Os Conselheiros Socorro, Walker, José Fernandes, Charles e Paulo Guilherme votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
Relatório
Trata o presente processo de Declaração de Compensação de créditos de PIS/COFINS, decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior que o devido.
A Derat Rio de Janeiro não homologou a compensação por meio do despacho decisório, já que pagamento indicado na Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar débito do contribuinte.
Cientificado do despacho o recorrente apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade alegando que teria contratos com distribuidores de energia, com vigência superior a um ano, celebrados antes da Lei nº 10.833/2003, e, conforme o art. 10, inc. XI, da mesma lei, as receitas decorrentes de tais contratos estariam sujeitas à incidência cumulativa.
Tendo, inicialmente, apurado tais receitas pelo regime não cumulativo, após o recálculo, teria resultado em valor devido inferior das contribuições, de modo a surgir saldo de pagamento passível de compensação.
Com base em tal saldo, o interessado teria transmitido os pedidos de compensação, mas não teria atualizado a DCTF.
Alegou que o valor do débito estaria correto no Dacon e esclareceu que após ter recebido o despacho decisório, teria providenciado a retificação da DCTF.
Concluiu, para requerer o acolhimento de sua manifestação de inconformidade.
Sobreveio, então, decisão da DRJ não reconhecendo o direito creditório pleiteado, nos termos do Acórdão 14-051.185.
A contribuinte irresignada apresentou Recurso Voluntário onde explicou com maiores detalhes de onde existiria seu crédito e acostou alguns documentos ao recurso.
É o relatório.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Os Conselheiros Socorro, Walker, José Fernandes, Charles e Paulo Guilherme votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação de créditos de PIS/COFINS, decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior que o devido. A Derat Rio de Janeiro não homologou a compensação por meio do despacho decisório, já que pagamento indicado na Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar débito do contribuinte. Cientificado do despacho o recorrente apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade alegando que teria contratos com distribuidores de energia, com vigência superior a um ano, celebrados antes da Lei nº 10.833/2003, e, conforme o art. 10, inc. XI, da mesma lei, as receitas decorrentes de tais contratos estariam sujeitas à incidência cumulativa. Tendo, inicialmente, apurado tais receitas pelo regime não cumulativo, após o recálculo, teria resultado em valor devido inferior das contribuições, de modo a surgir saldo de pagamento passível de compensação. Com base em tal saldo, o interessado teria transmitido os pedidos de compensação, mas não teria atualizado a DCTF. Alegou que o valor do débito estaria correto no Dacon e esclareceu que após ter recebido o despacho decisório, teria providenciado a retificação da DCTF. Concluiu, para requerer o acolhimento de sua manifestação de inconformidade. Sobreveio, então, decisão da DRJ não reconhecendo o direito creditório pleiteado, nos termos do Acórdão 14-051.185. A contribuinte irresignada apresentou Recurso Voluntário onde explicou com maiores detalhes de onde existiria seu crédito e acostou alguns documentos ao recurso. É o relatório.
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REGIME DE INCIDÊNCIA. CONTRATOS COM PREÇO PRÉDETERMINADO. Recorrente QUEIROZ GALVÃO ENERGÉTICA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Os Conselheiros Socorro, Walker, José Fernandes, Charles e Paulo Guilherme votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação de créditos de PIS/COFINS, decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior que o devido. A Derat Rio de Janeiro não homologou a compensação por meio do despacho decisório, já que pagamento indicado na Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar débito do contribuinte. Cientificado do despacho o recorrente apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade alegando que teria contratos com distribuidores de energia, com vigência superior a um ano, celebrados antes da Lei nº 10.833/2003, e, conforme o art. 10, inc. XI, da mesma lei, as receitas decorrentes de tais contratos estariam sujeitas à incidência cumulativa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 51 80 4/ 20 09 -4 4 Fl. 432DF CARF MF Processo nº 15374.951804/200944 Resolução nº 3302000.620 S3C3T2 Fl. 3 2 Tendo, inicialmente, apurado tais receitas pelo regime não cumulativo, após o recálculo, teria resultado em valor devido inferior das contribuições, de modo a surgir saldo de pagamento passível de compensação. 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Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3302000.610, de 26 de julho de 2017, proferida no julgamento do processo 15374.951794/200947, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3302000.610): "Da análise dos autos, percebese que a contribuinte anexou ao Recurso Voluntário vários contratos do setor elétrico. No caso em análise, a questão é saber se os contratos possuíam receitas que se sujeitavam ao regime cumulativo em razão do preço prédeterminado. Os contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003 tiveram suas receitas excluídas da incidência nãocumulativa das contribuições, vide legislação abaixo: Lei nº 10.833, de 2003 Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) Fl. 433DF CARF MF Processo nº 15374.951804/200944 Resolução nº 3302000.620 S3C3T2 Fl. 4 3 b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; (...) Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (...) V no art. 10, incisos VI, IX e XI a XXI desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Assim já decidiu o Superior Tribunal de Justiça quanto ao conceito de preço predeterminado: EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. INTIMAÇÃO PESSOAL DA FAZENDA. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA. NATUREZA PREVENTIVA. SÚMULA 7/STJ. ART. 10, XI, "B' DA LEI 10.833/03. CONCEITO DE PREÇO PREDETERMINADO. IN SRF 468/04. ILEGALIDADE. PRECEDENTE. ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. MULTA. AFASTAMENTO. SÚMULA 98/STJ. 1. O provimento do recurso especial por contrariedade ao art. 535, II, do CPC pressupõe seja demonstrado, fundamentadamente, entre outros, os seguintes motivos: (a) a questão supostamente omitida foi tratada na apelação, no agravo ou nas contrarrazões a estes recursos, ou, ainda, que se cuida de matéria de ordem pública a ser examinada de ofício, a qualquer tempo, pelas instâncias ordinárias; (b) houve interposição de aclaratórios para indicar à Corte local a necessidade de sanear a omissão; (c) a tese omitida é fundamental à conclusão do julgado e, se examinada, poderia levar à sua anulação ou reforma; e (d) não há outro fundamento autônomo, suficiente para manter o acórdão. Esses requisitos são cumulativos e devem ser abordados de maneira fundamentada na petição recursal, sob pena de não se conhecer da alegativa por deficiência de fundamentação, dada a generalidade dos argumentos apresentados. Incidência da Súmula 284/STF. 2. Não cabe recurso especial quanto à controvérsia em torno da intimação pessoal da Fazenda, sob pena de usurparse competência reservada ao Supremo, nos termos do art. 102 da CF/88, já que o aresto recorrido decidiu com base em fundamentos essencialmente constitucionais. 3. Inadmissível recurso especial que demanda dilação probatória incompatível, nos termos da Súmula 7/STJ. No caso, a Corte de origem afirmou, expressamente, tratarse de impetração preventiva, o que afasta o prazo decadencial de 120 dias para a impetração, premissa que não pode ser revista neste âmbito recursal. 4. O preço predeterminado em contrato, previsto no art. 10, XI, "b", da Lei 10.833/03, não perde sua natureza simplesmente por conter Fl. 434DF CARF MF Processo nº 15374.951804/200944 Resolução nº 3302000.620 S3C3T2 Fl. 5 4 cláusula de reajuste decorrente da correção monetária. Ilegalidade da IN n.º 468/04. Precedente. 5. A multa fixada com base no art. 538, parágrafo único, do CPC, deve ser afastada quando notório o propósito de prequestionamento dos embargos de declaração. Incidência da Súmula 98/STJ. 6. Recurso especial conhecido em parte e provido também em parte. (REsp Nº 1.169.088/MT; Relator: Ministro Castro Meira) (grifos não constam no original) Diante da complexidade que envolve o tema, é necessária a conversão do feito em diligência para: 1. Identificar as receitas auferidas do contrato do qual decorrem, inclusive identificando as decorrentes de cada aditivo contratual; 2. Identificar o reajustamento e se estão dentro do conceito predeterminado; 3. Identificar o primeiro reajustamento ocorrido após 31/10/2003, relativamente às receitas auferidas; 4. Esclarecer se houve alguma revisão do contrato visando a manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro; 5. Esclarecer se existe algum índice setorial que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; 6. Elaborar comparativo entre a evolução dos custos da prestação do serviço e da variação do índice mencionado no item anterior e o reajuste adotado, relativo ao período correspondente ao reajuste ocorrido imediatamente anterior a 31/10/2003 e os ocorridos até a competência do crédito objeto da DCOMP; 7. Elaborar relatório, separando as receitas sujeitas à incidência nãocumulativa e à incidência cumulativa, considerando as disposições do §3º do artigo 3º da IN SRF 658/2006; 8. Intimar a Recorrente a apresentar os esclarecimentos, que entender necessários e, após a conclusão dos trabalhos, intimála para manifestar no prazo de 30 (trinta) dias em conformidade com o artigo 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 2011. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência à unidade de jurisdição local para: 1. Identificar as receitas auferidas do contrato do qual decorrem, inclusive identificando as decorrentes de cada aditivo contratual; 2. Identificar o reajustamento e se estão dentro do conceito predeterminado; 3. Identificar o primeiro reajustamento ocorrido após 31/10/2003, relativamente às receitas auferidas; 4. Esclarecer se houve alguma revisão do contrato visando a manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro; Fl. 435DF CARF MF Processo nº 15374.951804/200944 Resolução nº 3302000.620 S3C3T2 Fl. 6 5 5. Esclarecer se existe algum índice setorial que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; 6. Elaborar comparativo entre a evolução dos custos da prestação do serviço e da variação do índice mencionado no item anterior e o reajuste adotado, relativo ao período correspondente ao reajuste ocorrido imediatamente anterior a 31/10/2003 e os ocorridos até a competência do crédito objeto da DCOMP; 7. Elaborar relatório, separando as receitas sujeitas à incidência nãocumulativa e à incidência cumulativa, considerando as disposições do §3º do artigo 3º da IN SRF 658/2006; 8. Intimar a Recorrente a apresentar os esclarecimentos, que entender necessários e, após a conclusão dos trabalhos, intimála para manifestar no prazo de 30 (trinta) dias em conformidade com o artigo 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 2011. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 436DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.927108/2009-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jan 03 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.274
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, vencido o Conselheiro Tiago Guerra Machado, em converter o julgamento em diligência para que unidade local da RFB, superada a questão referente a ser apenas inter partes a declaração de inconstitucionalidade do dispositivo em análise, e a eficácia deste, no tempo, verifique se remanesce o direito de crédito, detalhando-o.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1763; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.927108/200955 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3401001.274 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 24 de outubro de 2017 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA DCOMP PIS/PASEP COFINS CUMULATIVAS Recorrente PROVILLE CONSTRUÇÕES CIVIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, vencido o Conselheiro Tiago Guerra Machado, em converter o julgamento em diligência para que unidade local da RFB, superada a questão referente a ser apenas inter partes a declaração de inconstitucionalidade do dispositivo em análise, e a eficácia deste, no tempo, verifique se remanesce o direito de crédito, detalhandoo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação por meio da qual o contribuinte pretende compensar débitos com suposto direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior que o devido. Foi emitido despacho decisório de não homologação em razão de o DARF indicado como origem do direito creditório encontravase integralmente utilizado para a quitação de débitos, não restando saldo disponível. Ciente deste despacho a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade por meio da qual alega que o crédito decorre da declaração de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 27 10 8/ 20 09 -5 5 Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10980.927108/200955 Resolução nº 3401001.274 S3C4T1 Fl. 3 2 inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF relativamente ao § 1º, art. 3º, da Lei nº 9.718, de 1998 (em sede de Recurso Especial). Relata que recolheu e declarou (na DCTF) PIS do período, mas que devido à citada inconstitucionalidade surgiu para a empresa um indébito tributário dessa contribuição relativamente às receitas financeiras. Diz que utilizou o citado crédito na presente Dcomp e que os sistemas da Receita Federal do Brasil – RFB não o localizaram porque na DCTF o débito foi declarado integralmente, inclusive com a parcela inconstitucional incidente sobre as receitas financeiras. A interessada, ainda, demonstra numericamente o crédito que diz possuir e argumenta que está amparada no art. 170 do CTN e que procedeu o aproveitamento do crédito nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Por fim, cita e transcreve jurisprudência administrativa e judicial, que entende pertinente ao caso, e, ressaltando o contido no art. 165 do CTN, insiste no direito à restituição/compensação. A decisão de primeira instância, foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, confirmando a nãohomologação da compensação declarada, quanto aos fatos, pelo simples fato de não existir a comprovação do direito creditório informado na Domp; e quanto ao direito, por entender aplicável a disposição do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, até a sua revogação pela Lei n° 11.941/09, vez que a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo declarada pelo STF teria efeito apenas inter partes. Regularmente notificada desta decisão, a contribuinte apresentou, tempestivamente, recurso voluntário no qual, essencialmente, reitera a argumentação expressa na impugnação, adicionando planilhas e cópias de razões analíticos. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.249, de 24 de outubro de 2017, proferida no julgamento do processo 10980.910917/201061, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.249: O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.927108/200955 Resolução nº 3401001.274 S3C4T1 Fl. 4 3 Como visto do relatório, tratase de DCOMP, transmitida para a compensação de créditos tributários relativos às Contribuições para o PIS e a COFINS cumulativas, de que trata a Lei nº 9.718/98. A ora recorrente, manifestou inconformidade ao não reconhecimento do direito creditório, defendendo que efetuou recolhimentos a maior em DARF, por haver considerado nas bases de cálculo das contribuições sociais cumulativas, parcelas indevidas, em razão da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo, do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, declarada pelo STF. Diante desses argumentos, entendeu a decisão recorrida, improcedente a manifestação de inconformidade, quanto aos fatos, pelo simples fato de não existir a comprovação do direito creditório informado na Dcomp; e quanto ao direito, por entender aplicável a disposição do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, até a sua revogação pela Lei n° 11.941/09, vez que a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo declarada pelo STF teria efeito apenas inter partes. Pois bem, entendo verossimilhantes as alegações e plausível o direito vindicado, quanto à possíveis efeitos da inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, tendo em vista o julgamento do RE 585.235/MG, submetido a repercussão geral, do art. 543B, do CPC/1973, determinandose que a base de cálculo das contribuições sociais cumulativas seja o faturamento da empresa, assim considerado como a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, de reprodução obrigatória pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do §2º, do art. 62, do RICARF/2015 (Portaria MF nº 343, de 09/06/15). Já quanto aos fatos, insurgese a recorrente contra o fundamento da decisão recorrida de não existir a comprovação do direito creditório informado na Domp; apresentando inícios de provas materiais, por meio de planilhas e cópias de razões analíticos. No Processo Administrativo Fiscal PAF, regido pelo Decreto n° 70.235/1972, art. 16, §4º “A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: [...] c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Notar que, inicialmente, o despacho decisório eletrônico de não homologação das compensações declaradas, deuse pelo fato de que o DARF discriminado na DCOMP estava integralmente utilizado. Na manifestação de inconformidade, passa o interessado a justificar que o crédito decorre da declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF relativamente ao §1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98. Em resposta, concluiu o acórdão DRJ, não provado e inexistente o direito à repetição de indébito. Diante destas razões, posteriormente trazidas aos autos, via decisão recorrida, contrapõe a recorrente, por meio do recurso voluntário, provas documentais, em planilhas e cópias de razões analíticos. Do exposto, entendo presente a hipótese prevista na alínea "c", §4º, art. 16, do PAF, no caso em discussão, não havendo de se falar em Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10980.927108/200955 Resolução nº 3401001.274 S3C4T1 Fl. 5 4 preclusão de apresentação de prova documental nesse momento processual de recurso voluntário. Por outro lado, ainda que inícios de provas materiais, as planilhas e as cópias de razões analíticos, por si sós, não são suficientes à quantificação e comprovação do direito creditório pleiteado. Ressaltese, deve o contribuinte conservar seus livros comerciais e fiscais obrigatórios e respectivos comprovantes dos lançamentos enquanto durar as controvérsias sobre questões por esses documentos comprováveis, tendo em vista a obrigação de guarda até que ocorra a prescrição dos créditos tributários, nos termos do artigo 195, do CTN. Com essas considerações, entendo deva ser convertido o julgamento em diligência, para que a unidade jurisdicionante da Receita Federal, competente para decidir sobre o direito de créditos/compensação de débitos, promova a devida quantificação e reconhecimento do direito creditório, apontado nas planilhas e cópias de razões analíticos, manifestandose sobre a homologação da compensação declarada. Concluído os trabalhos da diligência, deverá ser elaborado Relatório conclusivo, do qual o sujeito passivo deverá ser cientificado, sendo concedido prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do parágrafo único, do art. 35, do Decreto nº 7.574/11. Após os autos deverão retornar ao CARF para julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade jurisdicionante da Receita Federa, competente para decidir sobre o direito de créditos/compensação de débitos, promova a devida quantificação e reconhecimento do direito creditório, apontando nas planilhas e cópias de razões analíticos, manifestandose sobre a homologação da compensação declarada. Concluídos os trabalhos da diligência, deverá ser elaborado Relatório conclusivo, do qual o sujeito passivo deverá ser cientificado, sendo concedido prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do parágrafo único do art. 35 do Decreto nº 7.574/11. Após os autos deverão retornar ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 52DF CARF MF
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Numero do processo: 10950.904264/2016-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 27 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Aug 13 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 3401-002.340
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora certifique a compatibilidade entre as informações descritas na planilha apresentada pela Recorrente e os documentos contábeis e fiscais disponibilizados no curso do procedimento fiscal, emitindo relatório circunstanciado, bem como traga aos autos o documento Consolidação dos Créditos Glosados.
(documento assinado digitalmente)
Ronaldo Souza Dias - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Oswaldo Gonçalves de Castro Neto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente).
Nome do relator: OSWALDO GONCALVES DE CASTRO NETO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora certifique a compatibilidade entre as informações descritas na planilha apresentada pela Recorrente e os documentos contábeis e fiscais disponibilizados no curso do procedimento fiscal, emitindo relatório circunstanciado, bem como traga aos autos o documento Consolidação dos Créditos Glosados. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias - Presidente (documento assinado digitalmente) Oswaldo Gonçalves de Castro Neto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente). Relatório 1.1. Trata-se de pedido de compensação de PIS não cumulativo apurado no 2º Trimestre de 2012. 1.2. O pedido foi parcialmente deferido por meio de despacho eletrônico da DRF de Maringá, acompanhado de relatório fiscal que destaca: 1.2.1. “Em relação aos créditos oriundos da aquisição de combustível, lubrificante, partes e peças de reposição utilizados em veículos leves e pesados, e inclusive em tratores, que não foram aplicados diretamente nos processos produtivos para industrialização de produtos, e não tiveram relação direta e imediata na produção de bens destinados à venda, não se enquadram na definição de insumos”; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 50 .9 04 26 4/ 20 16 -2 4 Fl. 149DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 3401-002.340 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.904264/2016-24 1.2.2. “Na Diligência realizada nas instalações fabris da contribuinte, observou-se que cada unidade fabril (soja, café etc.) está agrupada em um único galpão coberto e interligado, ou seja, não há como veículo leve e muito menos o pesado circular dentro de uma mesma unidade fabril, exceto as pás carregadeiras e as empilhadeiras utilizadas internamente para movimentar matérias primas e produtos acabados”; 1.2.3. “O consumo de óleo diesel pelo Setor de Transporte [e também o consumo de combustível descrito nas contas contábeis Fazendas - Reflorest.Implant/Manejo” e “Gerencia Distribuição] não está vinculado diretamente ao processo de industrialização do produto, portanto, crédito dele proveniente foi glosado”; 1.2.4. Serviço de frete pagos a pessoas jurídicas com CNAE Serviços combinados de escritório e apoio administrativo e Transporte Coletivo de Passageiros não gera direito ao crédito das contribuições; 1.2.5. “Ficou constatado que nos créditos provenientes dos Encargos de Depreciação, foram incluídos diversos bens do ativo imobilizado que não participavam diretamente do processo produtivo” ou da prestação de serviços portuários; 1.2.6. “Foram aproveitados como créditos apenas aquelas informadas como benfeitorias realizadas nas instalações utilizadas para industrialização de produtos”; 1.3. Intimada, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade em que alega: 1.3.1. O combustível é utilizado em frota própria que faz o transporte do produto rural até a indústria; 1.3.2. A Recorrente possui unidade Cafeeira que exerce as atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos logo, as máquinas e equipamentos vinculados a este centro de custo gera créditos de depreciação. 1.4. A DRJ Ribeirão Preto declarou preclusas as matérias não impugnadas e manteve a não homologação parcial da compensação da Recorrente porquanto: 1.4.1. “A glosa ocorre por falta de comprovação da efetiva destinação dada aos combustíveis/lubrificantes adquiridos”; 1.4.2. “Para que a Interessada fizesse jus ao crédito em relação a bens glosados, passíveis de aplicação genérica, seria necessária a segregação daqueles que se consomem/desgastam, sofrendo depreciação, como máquinas, equipamentos, e suas partes, utilizados no emprego na produção de bens destinados à venda ou prestação de serviços. O que, conforme exaustivamente dito, não fora feito”. Fl. 150DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 3401-002.340 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.904264/2016-24 1.5. Irresignada, a Recorrente busca guarida neste Conselho, reiterando o quanto descrito em Manifestação de Inconformidade e esclarecendo o seguinte: 1.5.1. “Existe prova produzida no presente processo, representada por levantamento realizado pelo próprio Auditor Fiscal, que analisou a utilização de veículos em atividade ligada à unidade fabril da Recorrente, apenas negando à época o creditamento calcado em entendimento depois alterado no que concerne ao que deva ser considerado insumo para a atividade fabril para fins de creditamento tributário, superado posteriormente pelo acima transcrito julgamento do STJ por sua 1ª. Seção”; 1.5.2. “Apresentou ao fiscal responsável pela diligência in loco todas as provas do uso dos combustíveis e lubrificantes em frota própria destinada às “operações de distribuições de produtos acabados entre as unidades fabris e as unidades de comercialização, bem como como (SIC) distribuição entre as unidades fabris e os clientes adquirentes dos produtos acabados” ; 1.5.2.1. De todo modo, traz aos autos neste momento planilha indicando as notas fiscais; CNPJ de origem e de destino e o tipo de frete prestado. Voto Conselheiro Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Relator. 2.1. No curso do procedimento fiscal, o culto Auditor diligenciou à sede da Recorrente; lá constatou que toda a atividade industrial era realizada em um único galpão. Desta feita, tendo em vista o conceito restrito de insumos, concedeu créditos das contribuições para os COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES utilizados diretamente na produção dos bens (em maquinário) e, ainda em veículos que se movimentam dentro das unidades industriais: 2.1.1. Para chegar à conclusão acima, além da visita a unidade fabril da Recorrente a fiscalização teve acesso a ECF-Contribuições, ECD, além de planilhas que descreviam as Notas Fiscais atreladas as linhas do DACON. Em assim sendo, erra o Órgão Fl. 151DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 3401-002.340 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.904264/2016-24 Julgador de Piso ao afirmar que houve insuficiência probatória. Na verdade a divergência pesa sobre questão de direito, nomeadamente, enquadramento das demais operações de transporte custeadas pela Recorrente (frete de aquisição de insumos, de transferência de produto acabado, de exportação e de venda) – e, consequentemente o combustível utilizado para tanto - no conceito de insumos das contribuições. 2.1.2. Não fosse suficiente para a baixa dos autos para esclarecimento, a Recorrente traz aos autos com o Voluntário lista com CNPJ do Emitente, placa do veículo, tipo de operação, produto transportado, entre outras operações. Contudo, a este Conselho é impossível verificar com exatidão a vinculação das notas fiscais indicadas em planilha com os demais documentos contábeis e fiscais apresentados pela Recorrente no curso do procedimento fiscal – uma vez que não foi coligido inteiro teor dos documentos aos autos deste processo administrativo, tornando, também por este motivo, imperiosa a diligência. A questão de fato restou superada quer pela diligência in loco, quer por planilha apresentada pela Recorrente que, além da chave da Nota Fiscal eletrônica, descreve CNPJ do Emitente, placa do veículo, tipo de operação, produto transportado, entre outras operações. 2.1.2. Fixado o antedito, a questão não é nova nesta Turma, embora comporte alguns ajustes: com frequência quase mensal este Conselheiro defere créditos de frete na aquisição de insumos (uma vez que relevante ao processo produtivo), no curso do processo (essencial, imanente a este processo), de venda (por imposição legal) e de transporte até o porto, quando vinculado à exportação (por entender que se trata de frete de venda) e nega ao frete de transferência de produtos acabados entre estabelecimentos (não se trata de frete de venda e é posterior ao processo produtivo, logo não imanente ao ou relevante ao). 2.1.3. Se para o frete contratado de terceiros se defere o crédito na aquisição de insumos, no curso do processo produtivo, na venda e no transporte até o porto, por identidade de razões deve ser deferido, proporcionalmente (de acordo com a tabela apresentada pela Recorrente) o dispêndio com combustíveis utilizados na aquisição de insumos, no curso do processo produtivo, na venda e no transporte até o porto. 2.2. Em sentido semelhante, a fiscalização, após diligência in logo, glosou parte dos créditos atrelados aos ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO uma vez que não vinculados diretamente ao processo produtivo. Destarte, novamente, além da inspeção a fiscalização teve acesso a todas as informações contábeis e fiscais da Recorrente, tanto que elaborou planilha em Excel com o inteiro teor das glosas: 2.2.1. Logo, erra a DRJ ao afirmar que a glosa deu-se por questões probatórias. A lide neste ponto é pertinente a vinculação das máquinas e equipamentos da conta contábil Cafeeira e Torrefação de Café com o processo produtivo da Recorrente, únicas impugnadas em Manifestação de Inconformidade (não obstante em Voluntário o tenha abordado o tema com maior amplitude): Fl. 152DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 da Resolução n.º 3401-002.340 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.904264/2016-24 2.2.2. É claro que o valor descrito na planilha global das glosas dentro desta conta contábil pode indicar que não se trata de maquinário utilizado no processo produtivo, nem no cafeeiro. Entretanto, a ausência de juntada do inteiro teor da planilha elaborada pela fiscalização impede, de momento, qualquer afirmação categórica sobre o tema. 2.2.2. Todavia, diversamente do descrito no item anterior, neste tópico, aparentemente (uma vez que não coligida aos autos a planilha item a item), a fiscalização separou dentro do Centro de Custo Cafeeira aquelas máquinas e equipamento passíveis de concessão de crédito por depreciação de outros, não envolvido no processo produtivo. Assim, cabia a Recorrente trazer aos autos prova da vinculação das máquinas e equipamentos com o processo produtivo; como não fez, de rigor a glosa. 3. Pelo exposto voto para converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora certifique a compatibilidade entre as informações descritas na planilha apresentada pela Recorrente e os documentos contábeis e fiscais disponibilizados no curso do procedimento fiscal, emitindo relatório circunstanciado bem como traga aos autos o documento Consolidação dos Créditos Glosados. (documento assinado digitalmente) Oswaldo Gonçalves de Castro Neto Fl. 153DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 15165.722386/2012-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 27 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Sep 27 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012
PIS/COFINS-IMPORTAÇÃO. RESTITUIÇÃO. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM. LEGITIMIDADE PARA PLEITEAR RESTITUIÇÃO. ADQUIRENTE CONTRATANTE.
Na importação por conta e ordem, é do real adquirente a legitimidade para pleitear restituição de valor pago a maior ou indevidamente, a título de COFINS-Importação ou PIS/PASEP-Importação recolhidos por ocasião do registro da Declaração de Importação (DI).
Numero da decisão: 3401-009.341
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-009.325, de 27 de julho de 2021, prolatado no julgamento do processo 15165.721377/2013-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Ronaldo Souza Dias Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ronaldo Souza Dias (Presidente), Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Fernanda Vieira Kotzias, Gustavo Garcia Dias dos Santos e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco.
Nome do relator: RAFAELLA DUTRA MARTINS
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 PIS/COFINS-IMPORTAÇÃO. RESTITUIÇÃO. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM. LEGITIMIDADE PARA PLEITEAR RESTITUIÇÃO. ADQUIRENTE CONTRATANTE. Na importação por conta e ordem, é do real adquirente a legitimidade para pleitear restituição de valor pago a maior ou indevidamente, a título de COFINS-Importação ou PIS/PASEP-Importação recolhidos por ocasião do registro da Declaração de Importação (DI).
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-009.325, de 27 de julho de 2021, prolatado no julgamento do processo 15165.721377/2013-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ronaldo Souza Dias (Presidente), Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Fernanda Vieira Kotzias, Gustavo Garcia Dias dos Santos e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 PIS/COFINS-IMPORTAÇÃO. RESTITUIÇÃO. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM. LEGITIMIDADE PARA PLEITEAR RESTITUIÇÃO. ADQUIRENTE CONTRATANTE. Na importação por conta e ordem, é do real adquirente a legitimidade para pleitear restituição de valor pago a maior ou indevidamente, a título de COFINS-Importação ou PIS/PASEP-Importação recolhidos por ocasião do registro da Declaração de Importação (DI). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-009.325, de 27 de julho de 2021, prolatado no julgamento do processo 15165.721377/2013-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ronaldo Souza Dias (Presidente), Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Fernanda Vieira Kotzias, Gustavo Garcia Dias dos Santos e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco. Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição de créditos de PIS/COFINS incidentes na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços, supostamente recolhidos indevidamente ou a maior. Conforme o relatório da decisão de primeira instância trata-se de pedido de retificação de declaração de importação cumulado com pedido de restituição de crédito tributário referente à PIS/COFINS - importação, onde a empresa recorrente alega a inconstitucionalidade AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 72 23 86 /2 01 2- 41 Fl. 116DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-009.341 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15165.722386/2012-41 do art. 7.°, I, da Lei n.° 10.865/2004 e registra que há declaração de inconstitucionalidade desta norma legal pelo TRF da 4.a Região. Houve análise do pleito de retificação de DI e de restituição pela Delegacia da Receita Federal indeferindo a retificação e a restituição, bem como manifestação de inconformidade contra estas decisões. Cientificada a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual alega que o STF declarou a inconstitucionalidade na parte final do inciso primeiro do artigo 7° da Lei 10.865/2004, excluindo do aspecto quantitativo das contribuições securitárias o valor correspondente ao ICMS e das próprias contribuições devidas no mercado interno. Portanto, a decisão do STF caracteriza-se como questão prejudicial ao regular seguimento deste procedimento administrativo, devendo ser reconhecido e deferido o direito creditório ou, no mínimo, suspenso o trâmite até o trânsito em julgado do RE 559.937/RS. Alega também que o sujeito passivo das contribuições devidas na importação é o importador nos termos do art. 195, IV, da Constituição Federal, e artigo 5°, I, da Lei n° 10.865/04. Dessa forma, a Bluetrade ocupa o lugar de contribuinte de direito na operação de importação, posto que a importação é feita em seu nome. Junta julgado do Superior Tribunal de Justiça sobre a matéria e, por coerência, o mesmo entendimento deve ser aplicado ao presente caso. Requer seja reformado o despacho decisório, deferindo-se o pedido de restituição e retificação”. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, por meio do seu Acórdão, considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade formalizada e manteve a decisão administrativa. A recorrente foi devidamente cientificada pelo recebimento da Intimação da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, cientificando a emissão da decisão recorrida. Não resignada com o deslinde desfavorável após o julgamento de primeira instância, a contribuinte interpôs seu Recurso Voluntário, por meio do qual alega, em síntese, que: i. ingressou com pedido de restituição dos valores pagos à maior, em razão de que, quando da realização das importações, foi considerado para fins de base de cálculo da PIS/COFINS - importação, além do valor aduaneiro, o valor das próprias contribuições e o valor do ICMS nos termos do artigo 7, da Lei 10.865/2004, considerado inconstitucional; ii. teria direito ao deferimento integral de seu pedido de restituição, independentemente da modalidade de importação, porque existiria ilegalidade na cobrança em razão da mencionada inconstitucionalidade da base de cálculo da PIS/COFINS - importação prevista no referido art. 7°, sedimentada pelo STF no julgamento do Recurso Extraordinário n° 559.937, em março de 2013; iii. a Receita Federal teria emitido o Parecer Normativo Cosit/ RFB n° 1/2017 para regular a restituição dos valores recolhidos indevidamente, mas Fl. 117DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-009.341 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15165.722386/2012-41 haveria neste Parecer uma “nítida tentativa de restringir as restituições, ao impor óbice, que não encontra guarida na normativa constitucional, para a restituição dos valores pagos quando da importação por conta e ordem de terceiros”; iv. resta claro no do art. 5°, inciso I, da Lei n° 10.865/04 que o importador é o contribuinte do PIS-Importação e da COFINS-Importação, sujeito passivo da obrigação, quando da entrada dos bens em território nacional, de forma que, “por ser a importadora das mercadorias a Requerente faz jus ao pedido de restituição dos valores recolhidos a maior”; e v. o Superior Tribunal de Justiça já teria reconhecido que o importador tem direito à restituição dos valores pagos em decorrência da importação por conta e ordem, nos autos do Recurso Especial n° 1.528.035, e, em caminho inverso, o mesmo Superior Tribunal não reconheceria pleito do contribuinte de fato para solicitar ao poder público repetição de indébito, porque o contribuinte de fato não faria parte da relação jurídica-tributária e, “sendo assim, por coerência, se o contribuinte de fato não tem legitimidade para pleitear o indébito por não compor a relação jurídica, por obvio que o contribuinte de direito que compõe deve ter legitimidade para pleitear”. Nesses termos, “pugna, com o devido acatamento, pelo TOTAL PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO”. É o Relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade do recurso O Recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, de sorte que dele se pode tomar conhecimento. Não há arguição de preliminares. Análise do mérito Como relatado, trata-se de questionamento da recorrente contra o indeferimento de Pedido de Restituição de PIS/PASEP-Importação que se alega ter sido recolhida a maior por ocasião do registro de três Declarações de Importação, por meio das quais a empresa teria formalmente figurado como importadora por conta e ordem de mercadorias a serem destinadas a terceiro adquirente, a saber: Fl. 118DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-009.341 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15165.722386/2012-41 Segundo a recorrente, o recolhimento a maior decorreria da inclusão indevida do Imposto Sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) na base de cálculo da Contribuição, considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Inicialmente cabe destacar que a questão da inconstitucionalidade de ICMS na base de cálculo da COFINS-Importação e do PIS/PASEP- Importação exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), RE n o 559.937/RS, já foi reconhecida pela Receita Federal (Parecer Normativo COSIT/RFB n o 1/2017), conforme ressalta a própria decisão recorrida, e não motivou o indeferimento do pedido formulado, como destaca o Despacho Decisório n o 25 /EAC-2/SEORT/DRFFNS/SC, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis - SC (doc. fls. 209 a 212). O fundamento para a denegação da restituição vindicada pela recorrente foi o entendimento de que a Bluetrade Importação e Exportação Ltda. não seria parte legítima para requerer a compensação/restituição de diferenças do PIS e da Cofins pagas a maior em relação às Declarações de Importação objeto do pedido, visto que, na importação por conta e ordem de terceiros, somente o adquirente das mercadorias importadas revestiria a legitimidade necessária para pleitear o reconhecimento do direito creditório dos tributos pagos indevidamente ou a maior no registro da DI. Bem, há diversos julgados deste e. Conselho nos quais se manifesta o entendimento de que PIS/Pasep-Importação e Cofins-Importação não se constituem tributos que, por sua natureza, comportariam transferência do respectivo encargo financeiro e que o sujeito passivo das referidas contribuições não necessitaria comprovar à RFB que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do tributo pago indevidamente. Este tem sido o entendimento acolhido por esta c.Turma em julgados recentes. Nesses termos, penso que a importadora estaria legitimada a requerer a restituição do PIS/COFINS-Importação indevidamente recolhidos no registro da DI nas operações promovidas por conta própria. Não obstante, tal entendimento, a meu ver, não se aplica às operações promovidas por conta e ordem de terceiros. Como bem assentou a decisão administrativa que denegou a restituição, não se aplica à importação por conta e ordem o disposto no art. 166 do Código Tributário Nacional (CTN), visto que, nesta modalidade de importação, não há repercussão de ônus financeiro pela natureza do tributo, mas em decorrência da relação contratual entre adquirente e importador, com gravame financeiro gerado pela operação suportado pelo primeiro (fls. 210 e ss.– destaques nossos): “Por sua vez, os procedimentos da Secretaria de Receita Federal do Brasil (RFB), inclusive os de reconhecimento do indébito tributário, se vinculam à decisão do STF em recurso extraordinário na sistemática do Fl. 119DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-009.341 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15165.722386/2012-41 art. 1.035 da Lei n° 13.105, de 16 de março de 2015, (Código de processo Civil) – rito anteriormente disciplinado no art. 543-B da Lei n° 5.869/73, revogada –, a partir da manifestação da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), através de Nota Explicativa, em consonância com o disposto no art. 3° da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 1, de 12 de fevereiro de 2014. O entendimento consta do Parecer Normativo Cosit/RFB n° 1, de 31 de março de 2017, que disciplina os procedimentos de reconhecimento de crédito passível de restituição, em razão da decisão proferida pelo STF no RE n° 559.937/RS. Segundo consta no referido Parecer, nos casos de importação por conta e ordem, o entendimento adotado pela RFB é o de que a legitimidade para o pedido de restituição é do adquirente, pois o importador atua apenas como um representante (prestador de serviços) perante o Fisco, por conta e ordem daquele, com recursos do adquirente. Logo, a conclusão é que o adquirente é quem de fato importa a mercadoria ou produto. O reconhecimento de que é o adquirente quem pode aproveitar os créditos provenientes do efetivo pagamento do PIS/Pasep-Importação e da Cofins-Importação no regime de apuração não cumulativa decorre do exposto nos art. 15 e 18 da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004: (...) Por sua vez, não se aplica à importação por conta e ordem o disposto no art. 166 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN), que é voltado à restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro a terceiro. Na importação por conta e ordem não há repercussão de ônus financeiro, pela própria natureza do tributo, ao importador. Há uma relação contratual entre adquirente (encomendante) e importador (prestador de serviço), com gravame financeiro, gerado pela operação, suportado pelo primeiro. Nesse sentido, o Parecer Cosit n° 47, de 17 de novembro de 2003, dispõe que o art. 166 do CTN não buscou regular a restituição dos tributos objeto dessas transferências “voluntárias” de encargo financeiro, mas sim a restituição daqueles tributos que, em razão de sua natureza jurídica (base de cálculo e/ou fato gerador fixado na lei tributária que instituiu o tributo), comportam uma natural transferência de seu encargo financeiro do sujeito passivo da obrigação tributária (contribuinte de direito) a terceira pessoa (contribuinte de fato)”. O mesmo entendimento também foi adotado pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta Seção no Acórdão n o 3301-008.485, de interesse da mesma recorrente (grifei): “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 23/08/2012COFINS- IMPORTAÇÃO. RESTITUIÇÃO. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM. LEGITIMIDADE PARA PLEITEAR RESTITUIÇÃO. ADQUIRENTE CONTRATANTE. A legitimidade para pleitear restituição de valor pago a maior ou indevidamente, a título de COFINS Fl. 120DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-009.341 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15165.722386/2012-41 IMPORTAÇÃO, em caso de importação por conta e ordem, é do real adquirente que, por força de contrato, é o mandante da importação, aquele que efetivamente assume os custos da importação, embora o faça através de uma interposta pessoa.” (Acórdão n o 3301-008.485, de 26 de agosto de 2020 – Conselheiro Ari Vendramini) Ademais, ainda que se entenda que o importador possa deter legitimidade para pleitear restituição de PIS/COFINS – Importação em operações de importação por conta e ordem de terceiros, como sustenta a recorrente, penso que a possibilidade de tomada de créditos da não-cumulatividade pelo adquirente/encomendante inviabilizaria o pedido de restituição feito pelo importador, sob pena de duplicidade de utilização do valor a ser repetido. Cabe lembrar o teor do art. 18 da Lei n o 10.865/2004, que expressamente estabelece que, na importação por conta e ordem de terceiros, os créditos de PIS/COFINS-Importação são aproveitados pelo adquirente. Esse é o entendimento assentado no acórdão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no AgRg no REsp 1.573.681/SC, nos termos da ementa abaixo transcrita (grifei): “AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.573.681 SC (2015/03130146) EMENTA. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 211 DO STJ. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO PELO IMPORTADOR. PIS/COFINS- IMPORTAÇÃO. OPERAÇÕES POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. ART. 18 DA LEI Nº 10.865/04. LIMITES SUBJETIVOS DO PROVIMENTO MANDAMENTAL. REVOLVIMENTO DO TÍTULO EXECUTIVO. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 7 DO STJ. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. CABIMENTO. EMBARGOS À EXECUÇÃO. AÇÃO AUTÔNOMA. REVISÃO DO QUANTUM . INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 7 DO STJ. 1. Os arts. 244, 741, III, 474, 566 e 568 do CPC; 5º e 6º Lei nº 10.865/04; 119, 121, 123, 124, 127, 166 e 165 do CTN; e 6º da Lei nº 12.016/09, e as teses a eles relativas, não foram objeto de juízo de valor pelo tribunal de origem, o que impossibilita o conhecimento do recurso especial em relação a eles por ausência de prequestionamento. Incide, no ponto, o teor da Súmula nº 211 do STJ. 2. O art. 18 da Lei nº 10.865/04 dispõe que os créditos de que tratam os arts. 15 e 17 da referida lei serão aproveitados pelo encomendante. Nesse sentido, não é possível ao importador que realizou a operação por conta e ordem do terceiro repetir o indébito do tributo pago a maior, até porque os créditos já podem ter sido Fl. 121DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3401-009.341 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15165.722386/2012-41 utilizados pelo terceiro encomendante e, assim, não poderiam ser restituído ao importador sob pena de dupla repetição. O título judicial exeqüendo não poderia se referir às importações realizados por conta e ordem de terceiros, mas tão somente às operações realizadas pela própria empresa importadora. [...] 6. Agravo regimental não provido”. Nesse sentido, não vejo fundamentos para reformar da decisão administrativa ou do Acórdão recorrido. À vista de todo o exposto, VOTO por negar provimento ao Recurso Voluntário. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Fl. 122DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10580.723949/2010-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 13 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Sep 24 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. NÃO CONHECIMENTO.
Conforme Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, não devendo ser conhecido o recurso quanto a tais alegações.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. CIÊNCIA E INTIMAÇÃO. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. AUSÊNCIA DE NULIDADE.
Tendo o Mandado de Procedimento Fiscal - MPF sido emitido e o sujeito passivo cientificado de acordo com as normas legais que o regem, o mesmo é plenamente válido, não cabendo a nulidade da autuação.
DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVA.
Devem ser indeferidos os pedidos de diligência, produção de provas e perícia, quando for prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus.
Numero da decisão: 2202-008.568
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, à exceção das alegações quanto à inconstitucionalidade das contribuições devidas a outras entidade e fundos (Salário-educação, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE) e quanto à inconstitucionalidade da multa e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento Conselheiros Mario Hermes Soares Campos, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Sonia de Queiroz Accioly, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Martin da Silva Gesto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. NÃO CONHECIMENTO. Conforme Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, não devendo ser conhecido o recurso quanto a tais alegações. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. CIÊNCIA E INTIMAÇÃO. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Tendo o Mandado de Procedimento Fiscal - MPF sido emitido e o sujeito passivo cientificado de acordo com as normas legais que o regem, o mesmo é plenamente válido, não cabendo a nulidade da autuação. DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVA. Devem ser indeferidos os pedidos de diligência, produção de provas e perícia, quando for prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, à exceção das alegações quanto à inconstitucionalidade das contribuições devidas a outras entidade e fundos (Salário-educação, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE) e quanto à inconstitucionalidade da multa e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram do presente julgamento Conselheiros Mario Hermes Soares Campos, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Sonia de Queiroz Accioly, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Martin da Silva Gesto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2021-09-22T17:16:33Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-09-22T17:16:33Z; Last-Modified: 2021-09-22T17:16:33Z; dcterms:modified: 2021-09-22T17:16:33Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-09-22T17:16:33Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-09-22T17:16:33Z; meta:save-date: 2021-09-22T17:16:33Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-09-22T17:16:33Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-09-22T17:16:33Z; created: 2021-09-22T17:16:33Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2021-09-22T17:16:33Z; pdf:charsPerPage: 1970; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-09-22T17:16:33Z | Conteúdo => S2-C 2T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10580.723949/2010-31 Recurso Voluntário Acórdão nº 2202-008.568 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de agosto de 2021 Recorrente ADISERV ASSESSORIA E SERVICOS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. NÃO CONHECIMENTO. Conforme Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, não devendo ser conhecido o recurso quanto a tais alegações. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. CIÊNCIA E INTIMAÇÃO. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Tendo o Mandado de Procedimento Fiscal - MPF sido emitido e o sujeito passivo cientificado de acordo com as normas legais que o regem, o mesmo é plenamente válido, não cabendo a nulidade da autuação. DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVA. Devem ser indeferidos os pedidos de diligência, produção de provas e perícia, quando for prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, à exceção das alegações quanto à inconstitucionalidade das contribuições devidas a outras entidade e fundos (Salário-educação, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE) e quanto à inconstitucionalidade da multa e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 39 49 /2 01 0- 31 Fl. 894DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-008.568 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.723949/2010-31 Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram do presente julgamento Conselheiros Mario Hermes Soares Campos, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Sonia de Queiroz Accioly, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Martin da Silva Gesto e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto nos autos do processo nº 10580.723949/2010-31, em face do acórdão nº 1533.878, julgado pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (DRJ/SDR), em sessão realizada em 30 de outubro de 2013, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente em parte o lançamento. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “Trata-se de crédito lançado através do Auto de Infração (AI) DEBCAD nº 37.243.1771, por descumprimento de obrigação principal, em nome do contribuinte em epígrafe, referente às competências 01/06 a 13/06, recebido em 30/04/2010, no valor do principal atualizado de R$ 174.219,69 (cento e setenta e quatro mil, duzentos e dezenove reais e sessenta e nove centavos), além de juros e multa. 2. De acordo com os Relatórios do AI, fls. 01/67, os valores que integram o presente Auto referem-se às contribuições devidas a outras entidades e fundos (Terceiros). As contribuições lançadas foram incluídas nos seguintes levantamentos: 2.1. AL1 – ALIMENTAÇAO SEM INSCR NO PAT. Levantamento referente aos valores relativos às despesas com alimentação dos funcionários, no período 01 a 09/06, visto que consta adesão da empresa ao PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador) somente a partir de 09/10/06, de acordo com informação que consta no site do Ministério do Trabalho e Emprego. Os valores apurados como remuneração foram levantados com base nas notas fiscais de fornecimento de tíquetes, alimentação ou refeição, emitidas pelas empresas Ticket Serviços S/A e Nutricash. Foram considerados apenas os valores dos benefícios e excluídos os referentes a taxas de administração; 2.2. FN1 FOLHA NAO DECLARADA EMPREGADOS. Levantamento referente às remunerações dos empregados, devidamente incluídas em folha de pagamento e não declaradas em GFIP até a data de início da ação fiscal; 2.3. RN1 REMUNER FORA DE FP COM DESCONT. Levantamento referente às remunerações dos empregados, que não constam em folha de pagamento com desconto da contribuição previdenciária do segurado, e que não foram declaradas em GFIP até a data de início da ação fiscal. Os valores lançados foram identificados em recibos de pagamento e termos de rescisão; 2.4. RS1 REMUNER FORA DE FP SEM DESCONT. Levantamento referente às remunerações dos empregados, que não constam em folha de pagamento sem desconto da contribuição previdenciária do segurado, e que não foram declaradas em GFIP até a Fl. 895DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-008.568 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.723949/2010-31 data de início da ação fiscal. Os valores lançados foram identificados em recibos de pagamento e termos de rescisão. 3. Os respectivos valores foram discriminados, por competência, às fls. 05/09, no Discriminativo do Débito (DD). 4. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação em 01/06/2010, de fls. 768/826, alegando, em síntese, o que se segue: 4.1. Inicialmente, ressalta um vício procedimental observado na autuação em epígrafe, pois inexiste fundamento de validade para a lavratura do Auto de Infração em voga, por ter expirado o direito de fazê-lo, como se pode depreender no art. 7º do Dec nº 70.235/72, que trata dos procedimentos de fiscalização de tributos a serem realizados pelos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil. 4.2. De acordo com esta norma, os procedimentos fiscais terão início com o primeiro ato de ofício, escrito, praticado pelo agente fiscal, devendo ser concluído no prazo de 60 (sessenta) dias, prorrogáveis por igual período, sempre que houver qualquer ato escrito que indique a continuidade dos trabalhos, conforme disposição do seu art. 7º, § 2º. 4.3. In casu, o procedimento fiscalizatório que deu ensejo a esta autuação foi iniciado através do Mandado de Procedimento Fiscal MPF fiscalização n. 05.1.01.002009016320, com Termo de Início de Procedimento Fiscal (TIPF) emitido e o impugnante devidamente notificado em 21/12/2009. 4.4. Inobstante, observa-se neste MPF um vício que maculou de nulidade todo o procedimento administrativo, pois que desrespeitou os ditames legais estabelecidos no art. 7º, § 2º, do Decreto nº 70.235/72. Isto porque, o Delegado da Receita Federal do Brasil em Salvador não se ateve ao quanto prescrito peremptoriamente no aludido Decreto, de que o prazo para conclusão do procedimento fiscal é de 60 (sessenta) dias do primeiro ato de ofício, tendo concedido 120 (cento e vinte) dias contínuos para a execução do MPF, entendendo não ser necessário, neste interregno, qualquer prorrogação de prazo, atitude esta contrária ao prescrito no sistema positivo, que já evidencia um grave vício formal, que eivou de vício o restante do procedimento administrativo. 4.5. Se a lei determina e vincula o ato administrativo, deve prevalecer o disposto no Decreto nº 70.235/72, de modo que Chefe desta Delegacia não pode, ao próprio talante, ampliar o prazo de 60 para 120 dias. Necessita este de Termo de Prorrogação de Procedimento Fiscal próprio, o qual inexistiu. Isto posto, estando cristalino o desrespeito aos ditames legais concernentes à conclusão/prorrogação do procedimento administrativo fiscal, a Autuada pugna pela nulidade deste Auto de Infração e a extinção do processo administrativo. 4.6. O Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização n, 05.1.01.002009016320, expedido em 14 de dezembro de 2009, expirou após 60 (sessenta) dias do primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, que cientificou o sujeito passivo da obrigação previdenciária. Inobstante, este MPF, equivocadamente, determina a sua execução até 13 de abril de 2010, ou seja, quase quatro meses contados da intimação do Termo de Início do Procedimento Fiscal. Desta maneira, verifica-se que o referido vício formal maculou o procedimento fiscal desde sua raiz, pois o documento que deu origem ao procedimento administrativo trazia em seu bojo dispositivos que ferem a legislação pátria, não podendo prevalecer, portanto, sobre o próprio sistema positivo federal. 4.7. Iniciando-se o procedimento fiscal em 21/12/2009, data de intimação do sujeito passivo, o dies ad quem para conclusão do procedimento fiscal foi em 19 de fevereiro de 2010, quando a autoridade autuante deveria tomar as providências cabíveis para finalizar a fiscalização ou ter prorrogado o seu prazo para continuar a executar as diligências fiscais, nenhum dos quais foi realizado. Isto pode ser depreendido no próprio Fl. 896DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-008.568 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.723949/2010-31 bojo do procedimento administrativo, que não apresenta nenhum Termo de Prorrogação de Procedimento Fiscal. 4.8. Verifica-se, entretanto, no "Demonstrativo de Prorrogações" do Mandado de Procedimento Fiscal, a dilatação do procedimento fiscal até 12 de junho de 2010. Inobstante, esta prorrogação nunca foi determinada pela Delegacia da Receita Federal de Salvador, pois não há nos autos qualquer Termo de Prorrogação de Procedimento Fiscal, ou documentos com este conteúdo anexados junto ao CD apresentado pela fiscalização. Repise-se que o ato escrito que determine a continuidade dos trabalhos é imprescindível e há de ser formalizado antes de expirado o prazo regulamentar, o que não aconteceu. Assim, caducou o prazo para conclusão do procedimento fiscal, mesmo antes que sobreviesse a suposta prorrogação constante no "Demonstrativo de Prorrogações". 4.9. Assim, uma vez expirado o prazo estipulado no Mandado de Procedimento Fiscal, este documento perde a sua validade, conforme preceitua o Decreto nº 70.235/72. Por uma questão lógica, invalidado o documento que dá substrato para todos os demais atos administrativos de fiscalização, serão igualmente inválidos todos os atos decorrentes deste procedimento fiscal que expirou, de modo a não mais irradiar qualquer efeito jurídico. Esta, inclusive, é a orientação da própria Receita Federal do Brasil e da Portaria nº 357, de 17.04.2002, do INSS. 4.10. Desta maneira, requer o reconhecimento de ter a autoridade autuante extrapolado o prazo para execução do Mandado de Procedimento Fiscal, o que cominou na nulidade da presente autuação, por vício formal, já que esta foi lavrada somente após já ter terminado o lapso temporal para concluir o procedimento fiscal. 4.11. O Auto de Infração apresenta outros vícios incontestáveis, que o tornam nulo de pleno direito. 4.12. O Auto de Infração não preenche os requisitos exigidos pela legislação em vigor. Nele não consta a discriminação clara e precisa dos fatos geradores nem das respectivas bases de cálculo, além da dificuldade de acesso aos dados em meio magnético. Nestes moldes, observa-se que a autoridade autuante não identifica em quais documentos foram encontrados os lançamentos relativos a RN1 remuneração fora da folha com desconto e RS1 remuneração fora da folha sem desconto, o que inviabiliza, também, a defesa do sujeito passivo. Tão só aduz que foram lançadas remunerações de empregados que não constavam na folha de pagamento, com ou sem desconto da contribuição previdenciária do segurado, respectivamente, não sendo esses valores declarados em GFIP, sem descriminar o substrato fático a que se refere. 4.13. Desta forma, evidente está a inobservância aos princípios do contraditório e da ampla defesa, já que a clareza do fundamento legal em que se baseia o débito deve constar obrigatoriamente do lançamento, de forma a permitir o pleno exercício da ampla defesa, fato inobservado pela Autuante. 4.14. Informações generalizadas e imprecisas, ausência da descrição pormenorizada da forma de calcular a atualização monetária, os juros de mora, e, ainda, a ausência de definição da natureza da dívida, por si só, já implicam em NULIDADE do lançamento fiscal realizado. 4.15. Desta maneira, requer seja julgado nulo o presente Auto de Infração, por ser extremamente confusa a sua fundamentação, o que impossibilita o profícuo exercício da ampla defesa e do contraditório constitucionalmente garantidos à Impugnante. 4.16. O Auto de Infração deve ser claro, a fim de permitir ao contribuinte o exercício da ampla defesa. O que se vê no presente Auto, contudo, é um emaranhado de citações soltas, inteiramente desnecessárias, que só confundem e atrapalham a Impugnante. Fl. 897DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-008.568 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.723949/2010-31 4.17. Argúi a ilegalidade e a inconstitucionalidade das contribuições devidas a outras entidade e fundos (Salário-Educação, INCRA, SESC/SENAC e SEBRAE). 4.18. Argúi a impossibilidade de considerar o fornecimento de tíquete alimentação como salário. A Impugnante fornecia habitualmente aos seus trabalhadores o auxílio alimentação, não podendo ser sancionada simplesmente por não dispor de uma autorização administrativa, que não descaracteriza o auxílio prestado pela empresa. O auxílio alimentação fornecido pela empresa não pode, assim, ser considerado base de cálculo de contribuições sociais, eis que foi fornecido na forma de tíquete, conforme previsão legal. 4.19. A presente autuação não merece prosperar, uma vez que a multa aplicada não obedece à nova sistemática instituída pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, que, por se tratar de norma mais benéfica, aplica-se ao fato pretérito, conforme art. 106 do CTN e a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 4 de dezembro de 2009. O novo art. 32ª fixou uma nova multa em substituição à multa anteriormente prevista no §5º (revogado) do art. 32, em face do descumprimento da obrigação acessória prevista no inciso IV do mesmo artigo. 4.20. Numa breve análise do Auto de Infração em epígrafe e do seu Relatório Fiscal, fica patente que a Impugnante somente incorreu na infração por apresentar com incorreções ou omissões a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 da Lei nº 8.212/91, cuja pena está prevista no inciso I, ou seja, de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. Isto está dito expressamente na Descrição Sumária dos Fatos e no tópico 1 do Relatório Fiscal de Infração. Desta forma, com a mudança da sistemática de aplicação de multa por descumprimento de obrigações acessórias, deverá ser revista, imediatamente, a multa aplicada no presente Auto de Infração. 4.21. Refuta o argumento pelo qual seria aplicável a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), ao presente caso, em face do que dispõe a Lei nº 11.941/09, a qual foi estendida aos lançamentos e autuações previdenciárias e, portanto, também não incide no presente caso, pois trata de hipótese de incidência distinta, à qual se reporta o art 35, da Lei 8212/91. Ou seja, não há previsão legai para a aplicação da aludida multa de 75% para os casos de descumprimento dos deveres instrumentais previstos. 4.22. Aduzir que a sistemática antiga de multa por descumprimento de obrigação acessória, prevista no revogado §5° do art. 32 da Lei nº 8.212/91, foi substituída pela sistemática prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/06 (multa de ofício de 75%) seria uma aberração, em face da clara substituição da sistemática de revogação do §5° do art. 32 da Lei n. 8.212/91 pela nova multa do novo art. 32ª da Lei n. 8.212/91. Esta substituição é expressa, não podendo ser simplesmente desprezada pelos nobres julgadores. 4.23. As multas aplicáveis para questões previdenciárias eram a do art. 32, §5º, da Lei nº 8.212/91, a qual foi revogada e substituída pela multa do art. 32ª da mesma lei. Além disso, a multa do art. 35 desta mesma lei previdenciária, a qual foi revogada também pela Lei nº 11.941/09, foi substituída pela nova redação do art. 35 e pelo novo art. 35A. 4.24. Argúi sobre o caráter confiscatório da multa e sobre a impossibilidade da utilização da SELIC como taxa de juros moratórios. 4.25. Ante o exposto, requer: seja julgado nulo e extinto o presente Auto de Infração, em virtude da inobservância do prazo legal para conclusão/prorrogação do procedimento administrativo fiscal; seja julgado nulo o presente Auto de Infração, por ser extremamente confusa a sua fundamentação, o que impossibilita o profícuo exercício da ampla defesa e do contraditório constitucionalmente garantidos à Impugnante. Fl. 898DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-008.568 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.723949/2010-31 4.26. Requer, por fim, seja julgado improcedente o Auto de Infração, em face da inexistência de qualquer fato gerador que ensejasse a incidência da norma previdenciária, em função do auxílio alimentação prestado pela Impugnante não poder ser considerado como salário-de-contribuição e, via de conseqüência, não pode ser base de cálculo de contribuições sociais. 4.27. Em prevalecendo as conclusões da i. autoridade autuante, requer, de igual maneira, o imediato recalculo das multas, segundo a nova sistemática (após Lei nº 11.941/09), para aplicar unicamente a multa prevista no art. 32A, I, da Lei nº 8.212/91, qual seja, R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas, conforme dispõe o art. 106 do CTN. Pede, além disso, seja reconhecido o caráter confiscatório e abusivo da aplicação da multa, assim como pugna pela sua correção. 4.28. Requer o reconhecimento da não aplicação da Taxa SELIC no caso em voga. 4.29. Protesta pela juntada posterior de documentos e a produção de todos os meios de prova em direito admitidos.” Transcreve-se abaixo a ementa do referido acórdão, o qual consta às fls. 841/857 dos autos: “CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. INCRA. Todos os empregadores são obrigados a contribuir para o INCRA sobre a folha de salários. SESC. SENAC. SEBRAE. São devidas as contribuições para o SESC, o SENAC e o SEBRAE das empresas prestadoras de serviço. SALÁRIOEDUCAÇÃO. Estão obrigadas ao recolhimento do salário-educação as pessoas jurídicas vinculadas ao Regime Geral da Previdência Social, com as exceções legais. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade ou legalidade de ato normativo em vigor. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. CONTRIBUIÇÕES. NÃO INCIDÊNCIA. ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 03/2011. O Ato Declaratório PGFN nº 03/2011 autoriza a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional a não apresentar contestação, a não interpor recursos e a desistir dos recursos Fl. 899DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-008.568 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.723949/2010-31 já interpostos nas ações judiciais que visem obter a declaração da não incidência das contribuições sobre o auxílio-alimentação pago in natura. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.” A parte dispositiva do voto do relator do acórdão recorrido possui o seguinte teor: “Dessa forma, VOTO para considerar PROCEDENTE EM PARTE o presente lançamento, excluindo a Contribuição no valor de R$ 24.162,66 (vinte e quatro mil, cento e sessenta e dois reais e sessenta e seis centavos), relativa ao Levantamento AL1, mantendo, da Contribuição lançada, o valor atualizado de R$ 150.057,03 (cento e cinquenta mil, cinquenta e sete reais e três centavos), juntamente com os acréscimos legais correspondentes, nos termos do Discriminativo Analítico do Débito Retificado (DADR), ora juntado aos autos às fls. 836/840.” Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, às fls. 861/890, reiterando em parte as alegações expostas em impugnação quanto ao que foi vencida. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto, Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Em recurso voluntário a recorrente faz as seguintes alegações: a. Preliminar de nulidade em razão de irregularidade da prorrogação do MPF; b. Inconstitucionalidade das contribuições devidas a outras entidade e fundos (Salário-educação, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE); c. Inconstitucionalidade da multa. Por fim, protesta a recorrente por todos os meios de prova em direito admitidos, em especial, a juntada posterior de documentos. Passa-se a análise das alegações do recurso. Conhecimento parcial. Quanto aos questionamentos relativos à inconstitucionalidade das contribuições devidas a outras entidade e fundos (Salário-educação, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE), ressalte-se que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142, parágrafo único do CTN, devendo a autoridade administrativa observar o que determinam as normas legais. Deste modo, o Decreto 70.235/72 dispõe em seu artigo 26-A: Fl. 900DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2202-008.568 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.723949/2010-31 Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Ademais, esta questão também se encontra sumulada no neste Conselho, conforme dispõe Súmula CARF nº 2, que assim dispõe: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Portanto, descabe a análise por este Conselho das alegações de inconstitucionalidade das contribuições devidas a outras entidade e fundos (Salário-educação, INCRA, SESC/SENAC e SEBRA, não sendo conhecidas tais alegações. Ainda, também nos termos Súmula CARF nº 2, o CARF descabe a apreciação por este Conselho da alegação quanto à inconstitucionalidade da multa. Portanto, não devem ser conhecidas tais alegações. Pelas razões expostas, conheço parcialmente do recurso, à exceção das alegações quanto à inconstitucionalidade das contribuições devidas a outras entidade e fundos (Salário- educação, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE) e quanto à inconstitucionalidade da multa. Irregularidade da prorrogação do MPF. Alega a contribuinte haver um vício procedimental na autuação, pois inexistiria fundamento de validade para a lavratura do AI, por ter expirado o direito de fazê-lo. Dispõe o art. 7º do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I - o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II - a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III - o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. Verifica-se pela leitura do §2º do artigo transcrito é que após o prazo de sessenta dias do início do procedimento fiscal, se não houver qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, retorna a espontaneidade do sujeito passivo. Portanto, incorreto o entendimento de o prazo de sessenta dias previsto no referido §2º seria para a conclusão do procedimento fiscal, de modo que não há como acolher arguição de nulidade neste particular. Importa referir que este Conselho possui diversos precedentes (acórdãos nº 9101- 004.676, 9202-008.028, 9303-009.609, 1201-003.397,1301- 004.043, 1302-004.407,1401- 003.974, 1402-003.702, 2201-006.455, 2202-005.050, 2401-007.673, 2402- 008.269, 3201- Fl. 901DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2202-008.568 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.723949/2010-31 006.663, 3301-005.617, 3302- 006.583, 3401-006.575 e 3402-007.198) a irregularidade na emissão, alteração ou prorrogação do MPF não acarreta a nulidade do lançamento. Inclusive, saliente-se que em reunião do Pleno deste Conselho, em 06 de agosto de 2021, foi aprovada a 18ª. proposta de enunciado de súmula com a seguinte redação: “Irregularidade na emissão, alteração ou prorrogação do MPF não acarreta a nulidade do lançamento”. Portanto, o MPF passou a ser prorrogado mediante registro eletrônico, sem a necessidade de se dar ciência ao sujeito passivo sobre o fato. O conhecimento da prorrogação do MPF pelo contribuinte ocorre por iniciativa deste, mediante acesso ao sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil na Internet, com a utilização do “código de acesso” do procedimento fiscal inicial ou quando da prática de algum ato de ofício pela autoridade fiscal, oportunidade na qual lhe será fornecido o “Demonstrativo de Emissão e Prorrogação do MPF”, simplesmente, reproduzindo as informações constantes na Internet. Assim, entendo que a prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF não ocasiona a nulidade arguida pela recorrente. Rejeita-se a preliminar arguida. Pedido de produção de provas. Impossibilidade de inversão do ônus da prova. Requer a contribuinte a produção de todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente a juntada de documentos e, as que mais se fizerem necessárias. Contudo, produção de provas, diligências, perícia e afins são indeferidas, com fundamento no art. 18 do Decreto n° 70.235/1972, com as alterações da Lei n° 8.748/1993, por se tratar de medidas absolutamente prescindíveis já que constam dos autos todos os elementos necessários ao julgamento. A solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir, de modo que o onus probandi seja suportado por aquele que alega. Descabe, portanto, a inversão do ônus da prova pretendida pelo recorrente, sendo tal requerimento inferido. Cabia a contribuinte apresentar a prova de suas alegações, carecendo de razão a recorrente. Assim, não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pela contribuinte, com fundamento no artigo 373 do CPC e artigo 36 da Lei nº 9.784/99, não deve ser dado provimento recurso ora em análise. Ocorre quem no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, do contribuinte ora recorrente. Conclusão. Ante o exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso, à exceção das alegações quanto à inconstitucionalidade das contribuições devidas a outras entidade e fundos (Salário-educação, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE) e quanto à inconstitucionalidade da multa e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. Fl. 902DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 2202-008.568 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.723949/2010-31 (documento assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Fl. 903DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10166.727381/2012-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Apr 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-003.457
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, por unanimidade de votos, converteu-se o presente julgamento em diligência, para fins de determinar o sobrestamento do julgamento da presente demanda, aguardando-se em Secretaria, até que o Processo 14033.003573/2008-88 retorne a este Conselho, momento em que os processos deverão ser novamente vinculados, para que sejam julgados em conjunto.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente).
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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(assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .7 27 38 1/ 20 12 -8 1 Fl. 749DF CARF MF Processo nº 10166.727381/201281 Resolução nº 3301003.457 S3C3T1 Fl. 750 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório constante da decisão de fls. 180/184 dos autos: Tratasede Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em Brasília que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, não reconhecendo o direito creditório e não homologando a compensação declarada, por entender que o crédito do contribuinte já havia sido consumido para a compensação de outros débitos. Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto o relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Cuidam os autos da Compensação de crédito, decorrente de ação judicial transitada em julgado, relativamente ao PIS/Pasep apurado com base nos Decretos Leis 2.445 e 2.449/88, declarados inconstitucionais pelo STF, referente ao período de setembro/1986 a abril/1994, com débito(s) próprio(s). O Despacho Decisório não homologou a compensação declarada, por considerar inexistente o crédito, tendo em vista que foi integralmente absorvido pelas Dcomp dos processos 14033.000196/200825 e 14033.003573/200888 (neste processo uma Dcomp foi homologada parcialmente e a outra não foi homologada por insuficiência do crédito). Irresignada com aquela decisão, a interessada argumenta que (fls. 89 a 101): É detentor de decisão judicial, transitada em julgado, que reconhece seu direito à compensação de indébito tributário – relativo a valores de PIS/Pasep indevidamente recolhidos no período de 10 anos anteriores ao ajuizamento da ação judicial, ou seja, a partir de setembro/1986 – com tributos administrados pela Receita Federal. A Delegacia ignorou a obviedade dos fatos demonstrados pelo BRB, cometendo equívocos na apuração do crédito ao qual o contribuinte faz jus, bem assim desrespeitando a decisão judicial transitada em julgado. Assim, superadas as questões quanto aos limites temporais do crédito abrangidos pela ação judicial – qual seja setembro/1986 a abril/1994 – bem como a exclusão indevida do período de agosto/1986 a junho/1988, a metodologia de cálculo adotada para definição do quantum ao qual a contribuinte faz jus também está errada: a) os recolhimentos de Cz$ 27.108.275,29 e Cz$ 19.116.537,67, procedidos em 31/08/1988 e 30/09/1988, devem ser considerados na determinação do valor do crédito de recolhimentos indevidos, pois as guias foram entregues em 10/03/2007, devidamente autenticadas pelo Banco do Brasil e recolhidas em seus vencimentos. b) No cálculo efetuado pelo Fisco, o valor do IRPJ calculado à alíquota adicional constou indevidamente na base de cálculo da contribuição nos exercícios de 1993 e 1994, o que, imerecidamente, reduziu o valor do crédito compensável pelo contribuinte. Fl. 750DF CARF MF Processo nº 10166.727381/201281 Resolução nº 3301003.457 S3C3T1 Fl. 751 3 c) Nos anos de 1988 a 1990, a Receita fez incidir, em cada mês de todos os exercícios, a alíquota de 5% do PIS Repique sobre o IRPJ devido durante todo o ano fiscal, como se o contribuinte devesse, por mês, 5% do IRPJ apurado durante todo o exercício. d) O Fisco adotou procedimento de converter o PIS Repique para a data do fato gerador, todavia, ao efetuar a conversão, não levou em conta que o IRPJ já estava em valor de índice e, de forma equivocada, efetuou novamente a conversão. Aludido erro deuse em todos os exercícios, portanto, todo o cálculo deverá ser corrigido. Após as correções acima expostas, temse que o crédito do contribuinte, reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, que abarca o período de agosto/1986 a abril/1994, perfaz um total de R$ 16.702.765,70. Ademais, mesmo que essa Autarquia continue desrespeitando as decisões judiciais exaradas, o crédito a que o contribuinte faz jus, decorrente dos recolhimentos indevidos efetuados no período de julho/1988 a abril/1994, totaliza R$ 15.327.060,18. O fato é que, incontestavelmente, o crédito do contribuinte é suficiente para as compensações efetuadas, considerando qualquer um dos entendimentos acima, embora, por óbvio, deva prevalecer o determinado judicialmente, restando ainda saldo remanescente de R$ 2.614.192,28, ou R$ 1.238.486,76, se de forma intransigente essa Receita Federal insistir em ir contra os termos da decisão judicial. A DRJ em Brasília julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade nos seguintes termos: COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO DO SUJEITO PASSIVO. A lei somente autoriza a compensação de crédito tributário com crédito líquido e certo do sujeito passivo. DEVER DO JULGADOR. OBSERVÂNCIA DO ENTENDIMENTO DA RFB. É dever do julgador observar o entendimento da RFB expresso em atos normativos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Irresignado, o contribuinte recorreu a este Conselho basicamente repetindo as razões da manifestação de inconformidade. Num primeiro momento, este processo foi distribuído neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para o Relator Walber José da Silva, o qual declinar da competência em favor da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 3ª Seção de Julgamento, nos seguintes termos: Considerando as disposições regimentais acima e, ainda, que a solução a ser dada ao presente processo é a mesma a ser dada ao Processo nº 14033.003573/200888, entendo que a competência para julgar o Recurso Voluntário é da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 3ª Seção de Julgamento, com relatoria da Conselheira Andréa Medrado Darzé. Fl. 751DF CARF MF Processo nº 10166.727381/201281 Resolução nº 3301003.457 S3C3T1 Fl. 752 4 Ato contínuo, nesta mesma decisão de fls. 180/184 dos autos, a então Relatora, Conselheira Andréa Medrado Darzé, entendeu por converter o julgamento do processo em diligência, com base nos seguintes fundamentos: Conforme é possível perceber do relato acima, a Recorrente alega que teria um crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, proferida nos autos do processo judicial n° 1996.34.00.185786, o qual não teria sido integralmente reconhecido pela autoridade administrativa, o que representaria ofensa à coisa julgada. Por outro lado, a autoridade recorrida julgou improcedente a manifestação de inconformidade, com base nos seguintes argumentos: A determinação do quantum creditório foi efetuada no processo 14033.000196/200825, onde validouse o montante de R$ 11.499.393,77. As Dcomp transmitidas entre 20/07/2007 e 20/08/2008, analisadas no processo 14033.000196/200825 foram homologadas por estar comprovado que o crédito era mais que suficiente para compensar integralmente os débitos informados. Foi utilizado o valor de R$ 10.208.578,76 do crédito reconhecido no processo acima referenciado, restando o montante de R$ 1.290.815,01, valores na data de 31/12/1995. O saldo do crédito foi analisado no processo nº 140333.003573/200888 (cópia do despacho às fls. 23/29). Das 4 Dcomp que utilizaram este saldo, duas foram homologadas, uma homologada parcialmente e outra não homologada por insuficiência de crédito, ou seja, o crédito habilitado não foi suficiente para compensar todos os débitos declarados, conforme demonstrativo de compensação presente naquele processo. Assim, dada a inexistência de crédito não há como homologar a compensação declarada, pois a condição sine qua non (indispensável) para a homologação da compensação de tributos administrados pela RFB é que o crédito da contribuinte seja líquido e certo, o que não se configura na espécie. O ora Recorrente, por outro lado, insiste que seria indevida a não homologação das DCOMPs 10017.69110.1010008.1.3.546287 e 39111.57400.201008.1.3.5466, exarada no Processo nº 14033.003573/200888 e da DCOMP 01713.97361.201108.1.3.545316 exarada no Processo nº 10166.727381/201281, cuja não homologação é objeto deste recurso. Ademais, importa ressaltar que a Recorrente, no processo 14033.003573/200888, também sob a minha relatoria sustenta o seguinte Ademais, quando da cientificação ao contribuinte do Despacho emitido para o processo n° 14033.000196/200825 (Doc. 5) — ao contrário do que ocorreu no 14033.000196/200825 sequer houve menção a possibilidade e prazo para refutar o 16583.59275.100908.1.3.545774 e 09762.52438. 180908.1.3.547408, bem como o valor integral de uma DCOMP homologada parcialmente 10017.69110.1010. 08.1.3. 546287. Até mesmo neste ponto há equívocos. Postas estas razões por ambas as partes, verifico que a documentação trazida aos autos não é suficiente para formar a convicção de que foi efetivamente oportunizado ao contribuinte o direito de se insurgir contra a decisão que reconheceu apenas Fl. 752DF CARF MF Processo nº 10166.727381/201281 Resolução nº 3301003.457 S3C3T1 Fl. 753 5 parcialmente o crédito pleiteado. Com efeito, independentemente de terem sido integralmente homologadas as compensações declaradas no processo administrativo n° 14033.000196/200825, entendo que, como parte do crédito pleiteado não foi reconhecida, teria o contribuinte que ser intimado, abrindolhe oportunidade para a apresentação de recurso voluntário, sob pena de nulidade do processo ou, no mínimo, de se ter que reconhecer que não houve decisão final sobre o crédito e que, por conta disso, eventualmente poderá ser discutido em outra sede, como a presente. Da mesma forma, não se tem notícia nesses autos do desfecho do processo judicial no qual se discute justamente o suposto desrespeito à coisa julgada pela autoridade administrativa do período de setembro de 1986 a junho de 1988, o que nos impede de decidir com segurança se a decisão recorrida andou bem ao não reconhecer o direito creditório ou se deveria reconhecer a concomitância, em face do estágio do processo em referência. Neste contexto, verificando as deficiências de instrução do processo acima identificadas e considerando o que dispõe o art. 18, I, Anexo II, da Portaria MF n° 256/08, o qual prevê a realização de diligências para suprir deficiências do processo, proponho que se converta o julgamento deste Recurso Voluntário em diligência à repartição de origem, para que traga aos autos (i) cópia da intimação do acórdão proferido pela DRF nos autos do processo administrativo n° 14033.000196/200825, do comprovante do seu recebimento pelo contribuinte e, ainda, em havendo intimação, se foi certificado nos autos o transcurso do prazo para apresentar manifestação de inconformidade, sem qualquer atuação por parte do contribuinte e, igualmente, (ii) intime o contribuinte a trazer aos autos cópia das principais peças do processo judicial no qual discute o suposto desrespeito à coisa julgada pela autoridade administrativa do período de setembro de 1986 a junho de 1988, referido no Recurso Voluntário, que permita identificar o pedido, o teor das decisões e o estágio atual do processo. Em atendimento à diligência indicada no item (i) acima, foram juntados as autos: (a) despacho decisório constante do processo nº 14033.000196/200825 (fls. 192/209 dos autos); (b) comunicado encaminhado ao BRB dando ciência do teor do deferido despacho (fl. 210 dos autos); (c) AR atestando o recebimento por parte do contribuinte (fl. 211 dos autos). De outro norte, em atendimento à diligência constante do item (ii) supra, o contribuinte anexou aos autos cópia do processo nº 1996.00185786. Percebeuse, contudo, que nenhuma das duas diligências anteriormente solicitadas foram adequadamente atendidas. Isso porque, no que tange à parte final do item (i), no sentido de identificar "se foi certificado nos autos o transcurso do prazo para apresentar manifestação de inconformidade, sem qualquer atuação por parte do contribuinte", verificase que havia sido juntado aos presentes autos apenas do AR de ciência do teor do despacho decisório, sem a informação sobre o desfecho do caso (certificação sobre o transcurso do prazo para se manifestar, ou mesmo a apresentação de eventual manifestação e os atos decisórios subsequentes), não atendendo, pois, ao fim da diligência requerida. De outro norte, quanto à diligência constante do item (ii), constatouse que a então Relatora requereu a intimação do contribuinte para "trazer aos autos cópia das principais peças do processo judicial no qual discute o suposto desrespeito à coisa julgada pela autoridade administrativa do período de setembro de 1986 a junho de 1988, referido no Recurso Voluntário, que permita identificar o pedido, o teor das decisões e o estágio atual do processo". Fl. 753DF CARF MF Processo nº 10166.727381/201281 Resolução nº 3301003.457 S3C3T1 Fl. 754 6 O contribuinte, então, juntou aos autos cópia do Processo nº 1996.00185786. Acontece que, apesar de a Relatora não ter indicado de forma específica a qual processo se referia, constatou se que, ao indicar que se tratava de processo judicial relativo ao período de setembro de 1986 a junho de 1988, estava se referindo a Relatora, em verdade, ao Processo nº 2007.34.00.030802 2, a qual não havia sido anexada aos presentes autos. Ocorre que, ao verificar que nos autos do Processo Administrativo nº 14033.003573/200888, também distribuído para a minha relatoria, foi determinada diligência nesse mesmo sentido com a diferença de ter constado da intimação indicação expressa de juntada aos autos de peças relacionadas ao processo nº 2007.34.00.0308022 . e que o contribuinte juntou ao referido processo administrativo cópia das peças relacionadas a este processo judicial, em atenção ao princípio da eficiência, entendeuse que a resposta ali apresentada deveria ser anexada também ao presente processo. Sendo assim, já sob a minha relatoria, foi determinada nova conversão do julgamento em diligência (Resolução nº 3301000.244), para fins de que fosse juntado aos presentes autos: (i) cópia integral do Processo Administrativo n° 14033.000196/200825; e (ii) resposta do contribuinte à intimação determinada nos autos do Processo Administrativo n° 14033.003573/200888, datada de 27/03/2015, por meio da qual fora apresentada pelo mesmo cópia das principais peças do Processo Judicial nº 2007.34.00.0308022. Em resposta, foi juntada aos autos cópia integral do Processo Administrativo n° 14033.000196/200825 (vide cópia anexada às fls. 287/747), e certificado à fl. 748 que a resposta constante do Processo Administrativo n° 14033.003573/200888 não fora juntada visto que este processo, por ser digital, poderia ser consultado pelo eprocesso. Os autos, então, retornaram para a esta Julgadora, para fins de julgamento. É o relatório. Fl. 754DF CARF MF Processo nº 10166.727381/201281 Resolução nº 3301003.457 S3C3T1 Fl. 755 7 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Para que melhor se compreenda o cerne da presente demanda, farseá inicialmente um breve resumo do caso. Entre 10/09/2008 e 20/10/2008, o contribuinte em epígrafe transmitiu quatro declarações de compensação eletrônicas (DCOMPs nº 16583.59275.100908.1.3.545774, 09762.52438.180908.13.547408, 10017.69110.101008.1.3.546287 e 39111.57400.201008.1.3.540066), através das quais solicitou a homologação da compensação de crédito decorrente de pagamento a maior de PIS oriundo de decisão judicial transitada em julgado (Proc. nº 1996.34.00.185786) com débitos próprios de IRRF, Cofins e PIS, no montante total de R$ 10.950.467,53. Parcelas do crédito citado neste processo foram utilizados no Proc. nº 14033.000196/200825, o qual já teve o seu trâmite concluído, encontrandose atualmente na situação de arquivado (vide cópia integral deste processo anexado às fls. 486/946 dos autos). No despacho decisório, a autoridade fiscal competente reconheceu o direito creditório oriundo do Processo Judicial nº 1996.34.00.185786. Contudo, considerando que o quantum já havia sido fixado nos autos do Proc. nº 14033.000196/200825 (R$ 11.499.393,77 em 31/12/1995), que a maior parte do crédito (R$ 10.208.578,76) já havia sido utilizada naquele Proc. nº 14033.000196/200825, e que a parte restante já havia sido utilizada no Proc. nº 14033.003573/200888, entendeu que não havia mais crédito restante para fins de homologação das DCOMPs objeto da presente demanda. Ou seja, deixou de reconhecer o direito creditório em decorrência das conclusões extraídas dos autos dos processos n. 14033.000196/200825 e 14033.003573/2008 88. Em sua defesa, o contribuinte alega que, amparado em decisão judicial transitada em julgado, teria requerido em 28/12/2006 a habilitação do total do crédito, no importe de R$ 52.168.664,04. Ocorre que a Receita Federal teria, equivocadamente, deferido a habilitação de apenas parte deste valor, no importe de R$ 44.842.111,52, por entender que estariam alcançados pela decisão judicial os pagamentos indevidos efetuados a partir de julho de 1988. Aponta, então, uma série de falhas quanto ao levantamento realizado pela Receita Federal no que concerne ao montante do crédito a que faria jus. Ressalta, também, que face ao equívoco da administração pública, teria ajuizado Mandado de Segurança nº 2007.34.00.0308022 no intuito de obter a habilitação do crédito tributário também quanto ao período de setembro de 1986 a junho de 1988. No âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, através de diligências solicitadas através das Resoluções nº 3102000.327 e 3301000.244, foram anexadas aos autos cópias do Processo Administrativo nº 14033000196/200825, bem como do Fl. 755DF CARF MF Processo nº 10166.727381/201281 Resolução nº 3301003.457 S3C3T1 Fl. 756 8 Mandado de Segurança nº 2007.34.00.0308022, para que se pudesse avaliar a influência dos referidos julgados na presente demanda, e, em consequência, a correção da decisão recorrida. Das cópias do Processo Administrativo nº 14033000196/200825, constatase que se trata de DCOMPs apresentadas pelo contribuinte em 31/01/2008, por meio das quais pretendia o contribuinte a homologação de compensações realizadas com créditos oriundos da mesma decisão judicial transitada em julgado (Proc. nº 1996.34.00.185786). O despacho decisório, proferido em 02/09/2008, após identificar o montante do crédito a que faria jus o contribuinte, concluiu pela homologação integral das DCOMPs ali apresentadas. O contribuinte, por seu turno, fora intimado do despacho decisório proferido naqueles autos em 12/12/2008, não tendo interposto qualquer recurso quanto ao seu conteúdo. De outro norte, foi juntada aos autos cópia do referido Mandado de Segurança. Da análise destas cópias, extraise que o pedido expresso naquele mandamus foi no sentido de que "seja dada efetividade à decisão judicial transitada em julgado proferida na Ação Ordinária nº 96.00185786, determinandose que a Delegacia da Receita Federal em Brasília efetue a habilitação dos créditos do Impetrante, decorrente da decisão proferida na Ação Ordinária nº 96.00185786, especificamente no que se refere aos recolhimentos efetuados no período de setembro de 1986 a junho de 1988, para que possa dar início ao procedimento administrativo de compensação do tributo recolhido a maior em virtude de decisão judicial" (vide fls. 461/462 dos autos). Feitos estes esclarecimentos preliminares, passo, então, à análise da decisão recorrida. Dispôs a DRJ que não poderia reconhecer o direito creditório do contribuinte neste caso concreto em decorrência das conclusões extraídas dos autos dos processos n. 14033.000196/200825 e 14033.003573/200888, visto que este quantum já havia sido definido nos autos do Processo Administrativo nº 14033.000196/200825 e o crédito ali identificado já teria sido utilizada tanto neste processo quanto no Proc. nº 14033.003573/200888. Imprescindível destacar também que a vinculação da presente demanda com o Processo nº 14033.003573/200888 já foi determinada por este Conselho através da Resolução nº 3302000.433 (fls. 176 e seguintes dos autos), através da qual o Conselheiro Relator assim consignou em seu voto: Como relatado, trata o presente processo de compensação de débitos da Recorrente com créditos reconhecidos em decisão judicial transitada em julgado, habilitados no Processo nº 10166.012255/200680 e apurados a liquidez e a certeza no Processo nº 14033.000196/200825. Parte do crédito reconhecido foi utilizado para homologar DCOMP constante do próprio Processo nº 14033.000196/200825 e parte para homologar, parcialmente, DCOMPs constantes do Processo nº 14033.003573/200888. No presente processo, a empresa Recorrente também pretende utilizar o crédito pleiteado no Processo nº 14033.000196/200825 para compensar débitos seus, como o fez no Processo nº 14033.003573/200888. Portanto, a matéria tratada no presente processo é a mesma do referido Processo nº 14033.003573/200888. Fl. 756DF CARF MF Processo nº 10166.727381/201281 Resolução nº 3301003.457 S3C3T1 Fl. 757 9 Ocorre que o Processo nº 14033.003573/200888 está em julgamento na 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 3ª Seção de Julgamento, onde se encontra aguardando a realização de diligência, nos termos da Resolução nº 3102000.312, de 28/05/2014, da relatoria da Ilustre Conselheira Andréa Medrado Darzé. Conforme dispõe os art. 47 e 49, § 7ª, do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256/09), o presente processo deveria ter sido distribuído para a 1ª Câmara e incluído no mesmo lote do Processo nº 14033.003573/200888, que restou sorteado para a Conselheira Andréa Medrado Darzé. Art. 47. Os processos serão distribuídos aleatoriamente às Câmaras para sorteio, juntamente com os processos conexos e, preferencialmente, organizados em lotes por matéria ou concentração temática, observandose a competência e a tramitação prevista no art. 46. [...]Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. [...]§ 7° Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. Considerando as disposições regimentais acima e, ainda, que a solução a ser dada ao presente processo é a mesma a ser dada ao Processo nº 14033.003573/200888, entendo que a competência para julgar o Recurso Voluntário é da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 3ª Seção de Julgamento, com relatoria da Conselheira Andréa Medrado Darzé. Isto posto, voto no sentido de declinar da competência em favor da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 3ª Seção de Julgamento Ou seja, entendeu este Conselho naquela oportunidade que havia conexão entre os referidos processos. Nesse contexto, em razão da intrínseca relação entre os mesmos, estes deverão ser necessariamente julgados em conjunto. Considerando, então, que a decisão proferida na presente demanda teve por fundamento a conclusão obtida nos autos do Proc. nº 14033.003573/200888, e que a decisão ali proferida está sendo anulada por este Conselho em julgamento realizado nesta mesma data (vide decisão proferida naqueles autos), cai por terra o próprio fundamento da decisão recorrida. Ou seja, não há como ser mantida a fundamentação de utilização integral do crédito tributário em outros processos administrativos, quando o julgamento de um desses processos ainda não restou encerrado. De outro norte, considerando a vinculação da presente demanda ao Proc. n. 14033.003573/200888, os processos em questão deverão ser necessariamente sejam julgados em conjunto, inclusive face à conexão reconhecida por este Conselho através da Resolução nº 3302000.433 (fls. 176 e seguintes dos autos). Com base no fato novo e superveniente acima indicado (anulação da decisão da DRJ proferida nos autos do Proc. 14033.003573/200888), e na particularidade do caso concreto aqui analisado, entendo que não resta alternativa a este Conselho senão determinar o Fl. 757DF CARF MF Processo nº 10166.727381/201281 Resolução nº 3301003.457 S3C3T1 Fl. 758 10 sobrestamento do julgamento da presente demanda, para que aguarde o retorno do Processo 14033.003573/200888, após novo julgamento a ser realizado pela DRJ. Destaco, por oportuno, que, em situações específicas e particulares, este Conselho e esta Turma Julgadora já se pronunciaram no sentido de determinar o sobrestamento do processo administrativo até que haja o trânsito em julgado de demanda judicial, a exemplo das Resoluções nº 1401000.349 e 3301000.281, que embora tratem de temas diverso, trazem conclusão no sentido de determinar a suspensão do julgamento face à peculiaridade do caso analisado. Voto, portanto, no sentido de determinar o sobrestamento da presente demanda em Secretaria, até que o Processo 14033.003573/200888 retorne a este Conselho, momento em que os processos deverão ser novamente vinculados, para que sejam julgados em conjunto. É como voto. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 758DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16366.720150/2012-76
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 16 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
RATEIO PROPORCIONAL DE CRÉDITOS. CÔMPUTO DAS RECEITAS FINANCEIRAS NA RECEITA BRUTA TOTAL
As receitas financeiras, submetidas à alíquota zero, integram o montante da receita bruta total, para fins do cálculo do percentual de rateio dos créditos entre os que podem ser ressarcidos/compensados e os que apenas se prestam a deduzir o valor a pagar, porque o art. 3º, § 8º, II, da Lei nº 10.637/2002 não fala em receita bruta sujeita ao pagamento da contribuição, não cabendo ao intérprete criar distinção onde a lei não o faz, além do que sujeitam-se ao regime de apuração não cumulativa da contribuição as receitas financeiras auferidas por pessoa jurídica que não foi expressamente excluída desse regime, ainda que suas demais receitas submetam-se, parcial ou mesmo integralmente, ao regime de apuração cumulativa.
MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL PARA DETERMINAÇÃO DOS CRÉDITOS VINCULADOS À EXPORTAÇÃO. TOTALIDADE DAS RECEITAS BRUTAS SUBMETIDAS AO REGIME NÃO CUMULATIVO.
O método de rateio proporcional utilizado na apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep vinculados à exportação: a) somente deve ser aplicado naqueles casos em que existam custos, despesas e encargos que sejam vinculados concomitantemente a receitas brutas do mercado interno e da exportação; b) consiste na aplicação sobre o montante de custos, despesas e encargos vinculados comumente a receitas brutas não cumulativas do mercado interno e da exportação, da proporcionalidade existente entre a receita bruta da exportação não cumulativa e a receita bruta total no regime não cumulativo; e c) não permite a exclusão de qualquer valor da receita bruta da exportação não cumulativa ou da receita bruta total no regime não cumulativo da proporção acima, devendo esses valores serem totais para efeitos de cálculo daqueles créditos (Solução de Consulta Cosit nº 193/2017).
PIS/COFINS. SUSPENSÃO AGROPECUÁRIA. ART. 9º DA LEI Nº 10.925/2004. EFEITOS A PARTIR DE 01/08/2004, NA SUA REDAÇÃO ORIGINAL, E A PARTIR DE 30/12/2004, EM RELAÇÃO ÀS ALTERAÇÕES DA LEI Nº 11.051/2004.
Nos termos do art. 17, III, da Lei nº 10.925/2004 e do art. 5º da IN/SRF nº 636/2006, o art. 9º da mesma lei, que criou hipóteses de suspensão da incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep na atividade agropecuária, produziu efeitos a partir de 01/08/2004, relativamente às atividades previstas na sua redação original, e a partir de 30/12/2004, em relação àquelas incluídas pela Lei nº 11.051/2004, tendo exorbitado o poder regulamentar a IN/SRF nº 660/2006 ao estabelecer que a eficácia só se daria a partir da data da publicação (04/04/2006) da IN/SRF nº 636/2006, por ela revogada, e que já havia regulamentado o referido art. 9º (atendendo ao determinado no seu § 2º), com efeitos retroativos à primeira data legalmente prevista.
Numero da decisão: 9303-011.536
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para incluir as receitas financeiras no cálculo de rateio proporcional e considerar como 01/08/2004 o termo inicial da suspensão prevista no artigo 9º da Lei 10.925/2004, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento integral Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 9303-011.533, de 16 de junho de 2021, prolatado no julgamento do processo 16366.720148/2012-05, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Tatiana Midori Migiyama, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valcir Gassen, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CÔMPUTO DAS RECEITAS FINANCEIRAS NA RECEITA BRUTA TOTAL As receitas financeiras, submetidas à alíquota zero, integram o montante da receita bruta total, para fins do cálculo do percentual de rateio dos créditos entre os que podem ser ressarcidos/compensados e os que apenas se prestam a deduzir o valor a pagar, porque o art. 3º, § 8º, II, da Lei nº 10.637/2002 não fala em receita bruta sujeita ao pagamento da contribuição, não cabendo ao intérprete criar distinção onde a lei não o faz, além do que sujeitam-se ao regime de apuração não cumulativa da contribuição as receitas financeiras auferidas por pessoa jurídica que não foi expressamente excluída desse regime, ainda que suas demais receitas submetam-se, parcial ou mesmo integralmente, ao regime de apuração cumulativa. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL PARA DETERMINAÇÃO DOS CRÉDITOS VINCULADOS À EXPORTAÇÃO. TOTALIDADE DAS RECEITAS BRUTAS SUBMETIDAS AO REGIME NÃO CUMULATIVO. O método de rateio proporcional utilizado na apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep vinculados à exportação: a) somente deve ser aplicado naqueles casos em que existam custos, despesas e encargos que sejam vinculados concomitantemente a receitas brutas do mercado interno e da exportação; b) consiste na aplicação sobre o montante de custos, despesas e encargos vinculados comumente a receitas brutas não cumulativas do mercado interno e da exportação, da proporcionalidade existente entre a receita bruta da exportação não cumulativa e a receita bruta total no regime não cumulativo; e c) não permite a exclusão de qualquer valor da receita bruta da exportação não cumulativa ou da receita bruta total no regime não cumulativo da proporção acima, devendo esses valores serem totais para efeitos de cálculo daqueles créditos (Solução de Consulta Cosit nº 193/2017). PIS/COFINS. SUSPENSÃO AGROPECUÁRIA. ART. 9º DA LEI Nº 10.925/2004. EFEITOS A PARTIR DE 01/08/2004, NA SUA REDAÇÃO ORIGINAL, E A PARTIR DE 30/12/2004, EM RELAÇÃO ÀS ALTERAÇÕES DA LEI Nº 11.051/2004. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 72 01 50 /2 01 2- 76 Fl. 848DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-011.536 - CSRF/3ª Turma Processo nº 16366.720150/2012-76 Nos termos do art. 17, III, da Lei nº 10.925/2004 e do art. 5º da IN/SRF nº 636/2006, o art. 9º da mesma lei, que criou hipóteses de suspensão da incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep na atividade agropecuária, produziu efeitos a partir de 01/08/2004, relativamente às atividades previstas na sua redação original, e a partir de 30/12/2004, em relação àquelas incluídas pela Lei nº 11.051/2004, tendo exorbitado o poder regulamentar a IN/SRF nº 660/2006 ao estabelecer que a eficácia só se daria a partir da data da publicação (04/04/2006) da IN/SRF nº 636/2006, por ela revogada, e que já havia regulamentado o referido art. 9º (atendendo ao determinado no seu § 2º), com efeitos retroativos à primeira data legalmente prevista. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para incluir as receitas financeiras no cálculo de rateio proporcional e considerar como 01/08/2004 o termo inicial da suspensão prevista no artigo 9º da Lei 10.925/2004, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento integral Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 9303-011.533, de 16 de junho de 2021, prolatado no julgamento do processo 16366.720148/2012-05, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Tatiana Midori Migiyama, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valcir Gassen, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Especial de Divergência interposto pelo contribuinte, contra o Acórdão nº 3401-007.118, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF. Ao seu Recurso Especial, foi dado seguimento para discussão das seguintes matérias: - Cômputo das receitas financeiras no cálculo de créditos do art. 3º, §§7º a 9º da Lei 10.833/2003 e do rateio de créditos do art. 6º, §§ 1º a 3º da Lei 10.833/2003; Fl. 849DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-011.536 - CSRF/3ª Turma Processo nº 16366.720150/2012-76 - Apropriação de créditos apurados pelo método do rateio proporcional às receitas de exportação, receitas no mercado interno tributadas e receitas no mercado interno não tributadas e receitas sob o regime cumulativo – art. 3º, §§ 7º a 9º da Lei 10.833/2003 e art. 6º, §§ 1º a 3º da Lei 10.833/2003; - Termo inicial da suspensão prevista nos artigos 8º e 9º da Lei 10.925/2004. A PGFN apresentou Contrarrazões. É o Relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Preenchidos todos os requisitos e respeitadas as formalidades regimentais, conheço do Recurso Especial. No mérito: 1) Inclusão das receitas financeiras no cálculo do rateio proporcional. A jurisprudência desta Turma está espelhada neste recente Acórdão nº 9303-011.297, de 17/03/2021, de relatoria do ilustre Conselheiro Valcir Gassen, que adoto como razões de decidir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 CRÉDITOS DE COFINS. RATEIO PROPORCIONAL. RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. INCLUSÃO NO CONCEITO DE RECEITA BRUTA TOTAL. O art. 3º, § 8º, II, da Lei nº 10.833/2003 não fala em receita bruta total, sujeita ao pagamento de COFINS, não cabendo ao intérprete criar distinção onde a lei não o faz. Impõe-se o cômputo das receitas financeiras no cálculo da receita brutal total para fins de rateio proporcional dos créditos de COFINS não-cumulativo. Voto Quanto ao mérito, a matéria objeto de conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional refere-se à possibilidade ou não do cômputo das receitas financeiras na receita bruta total para o efeito de rateio proporcional dos créditos no regime da não-cumulatividade das contribuições de PIS e COFINS. Alega a Fazenda Nacional que não faz sentido incluir as receitas financeiras do Contribuinte por elas não estarem associadas a nenhum tipo de custos, despesas ou encargos que sejam comuns às demais receitas, ou seja, o posicionamento defendido pela Fazenda Nacional é no seguinte sentido: As receitas financeiras não se originam de insumos passíveis de creditamento, de modo que sua inclusão no cálculo do percentual utilizável na segregação de créditos contribuiria apenas para causar distorção no resultado obtido, afastando‑o da real proporção entre os custos, despesas e encargos e sua efetiva contribuição para cada tipo de receita auferida pela pessoa jurídica. Cabe apontar que o Contribuinte apresentou Contrarrazões ao Recurso Especial da Fazenda Nacional alegando que a receita financeira deve integrar os cálculos da receita bruta, uma vez que há previsão legal para tanto e que o próprio CARF já se manifestou nesse sentido. Fl. 850DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-011.536 - CSRF/3ª Turma Processo nº 16366.720150/2012-76 De fato, em que pese o entendimento trazido pela Fazenda Nacional, é de se verificar que uma vez que estas receitas são utilizadas para os cálculos das contribuições, elas devem ser consideradas no cômputo do rateio proporcional. Esse foi o entendimento no acórdão recorrido e que de forma precisa estabelece a correta aplicação da legislação. Assim, cita-se trecho do Acórdão nº 3202- 000.597 para reforçar o entendimento acerca desta matéria: “Merece, também, ser acolhido o recurso voluntário, quando pede que as receitas financeiras, sujeitas à incidência à alíquota zero da contribuição, a partir de 02/08/2004, por força do Decreto nº 5.164/2004, sejam computadas no somatório da receita bruta total para fins de rateio proporcional. Isso porque o art. 3º, § 8º, II, da Lei nº 10.833/2003 não fala em receita bruta sujeita ao pagamento de COFINS, não cabendo ao intérprete criar distinção onde a lei não o faz. In verbis: § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I – apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II – rateio proporcional, aplicando-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não- cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês.” Nesse sentido, apesar do entendimento trazido pelo Recurso Especial da Fazenda Nacional, me filio a posição acima, uma vez que as receitas utilizadas para os cálculos do PIS e da COFINS devem entrar no rateio proporcional, ou seja, se as receitas financeiras integram a base de cálculo das contribuições não cumulativas, da mesma forma, não podem ser excluídas para fins de rateio proporcional, conforme o previsto no art. 3º, §8º, II, da Lei nº 10.833/2003. Corroborando com esse entendimento cita-se trecho da ementa do Acórdão nº 3302-006.063, de relatoria do il. Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 (...) PIS/COFINS. RATEIO PROPORCIONAL. CRÉDITOS. RECEITAS FINANCEIRAS. As receitas financeiras devem ser consideradas no cálculo do rateio proporcional entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, aplicável aos custos, despesas e encargos comuns. As receitas financeiras não estão listadas entre as receitas excluídas do regime de apuração não cumulativa das contribuições de PIS/Pasep e Cofins e, portanto, submetem-se ao regime de apuração a que a pessoa jurídica beneficiária estiver submetida. Assim, sujeitam-se ao regime de apuração não cumulativa dessas contribuições as receitas financeiras auferidas por pessoa jurídica que não foi expressamente excluída desse regime, ainda que suas demais receitas submetam- se, parcial ou mesmo integralmente, ao regime de apuração cumulativa (Solução de Consulta Cosit nº 387/2017)”. 2) Apropriação de créditos apurados pelo método do rateio proporcional às receitas de exportação, receitas no mercado interno tributadas e receitas no mercado interno não tributadas e receitas sob o regime cumulativo. Fl. 851DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-011.536 - CSRF/3ª Turma Processo nº 16366.720150/2012-76 Requer o contribuinte “reforma da decisão combatida assegurando manutenção do rateio da totalidade seus custos, despesas e encargos com direito a crédito, proporcionalmente, ao total receita de exportação, total receita no mercado interno tributado e mercado interno com suspensão, isenção, alíquota zero (considerando as receitas financeiras) e não incidência das contribuições em relação ao total da receita bruta total em conformidade com o disposto no art. 1° das Leis 10.637 e 10.833, e § 3° do art. 6° da lei 10.833/2003 combinado com o § 8° do art. 3° da lei 10.833/2003”. No que se refere ao rateio das receitas de exportação, a Solução de Consulta nº 193/2017 é clara a respeito: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL PARA DETERMINAÇÃO DOS CRÉDITOS VINCULADOS À EXPORTAÇÃO. TOTALIDADE DAS RECEITAS BRUTAS SUBMETIDAS AO REGIME NÃO CUMULATIVO. O método de rateio proporcional utilizado na apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep vinculados à exportação: a) somente deve ser aplicado naqueles casos em que existam custos, despesas e encargos que sejam vinculados concomitantemente a receitas brutas do mercado interno e da exportação; b) consiste na aplicação sobre o montante de custos, despesas e encargos vinculados comumente a receitas brutas não cumulativas do mercado interno e da exportação, da proporcionalidade existente entre a Receita Bruta da Exportação Não Cumulativa e a Receita Bruta Total no Regime Não Cumulativo; e c) não permite a exclusão de qualquer valor da Receita Bruta da Exportação Não Cumulativa ou da Receita Bruta Total no Regime Não Cumulativo da proporção acima, devendo esses valores serem TOTAIS para efeitos de cálculo daqueles créditos. Dispositivos Legais: arts. 3º e 6º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Daí podemos concluir que não é a totalidade dos custos, despesas e encargos com direito a crédito que deve ser considerada, mas que o rateio somente deve ser aplicado naqueles casos em que existam custos, despesas e encargos que sejam vinculados concomitantemente à receita bruta não cumulativa do mercado interno e da exportação. 3) Quanto ao termo inicial da suspensão prevista no artigo 9º da Lei 10.925/2004, vejamos a evolução legislativa, no que interessa à discussão: Lei nº 10.925/2004: Art. 9º A incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS fica suspensa na hipótese de venda: (...) § 2º A suspensão de que trata este artigo aplicar-se-á nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) Art. 17. Produz efeitos: (...) III - a partir de 1º de agosto de 2004, o disposto nos arts. 8º e 9º desta Lei; IN/SRF nº 636/2006 (publicada em 04/04/2006): Art. 1º Esta Instrução Normativa disciplina a comercialização de produtos agropecuários na forma dos arts. 8º, 9º e 15 da Lei nº 10.925, de 2004. (...) Art. 5º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1º de agosto de 2004. Fl. 852DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-011.536 - CSRF/3ª Turma Processo nº 16366.720150/2012-76 IN/SRF nº 660/2006 (publicada em 17/07/2006): Art. 1º Esta Instrução Normativa disciplina a comercialização de produtos agropecuários na forma dos arts. 8º, 9º e 15 da Lei nº 10.925, de 2004. (...) Art. 11. Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I - em relação à suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que trata o art. 2º, a partir de 4 de abril de 2006, data da publicação da Instrução Normativa nº 636, de 24 de março de 2006, que regulamentou o art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004; e II - em relação aos arts. 5º a 8º, a partir de 1º de agosto de 2004. Art. 12. Fica revogada a Instrução Normativa SRF nº 636, de 2006. É unânime a jurisprudência desta Turma no sentido de ser a partir de 01/08/2004 (art. 17, II, da mesma lei), conforme Acórdão nº 9303-010.444, de 17/06/2020, de relatoria do ilustre Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano-calendário: 2006 PIS/COFINS. SUSPENSÃO AGROPECUÁRIA. ART. 9º DA LEI Nº 10.925/2004. EFEITOS A PARTIR DE 01/08/2004, NA SUA REDAÇÃO ORIGINAL, E A PARTIR DE 30/12/2004, EM RELAÇÃO ÀS ALTERAÇÕES DA LEI Nº 11.051/2004. Nos termos do art. 17, III, da Lei nº 10.925/2004 e do art. 5º da IN/SRF nº 636/2006, o art. 9º da mesma lei, que criou hipóteses de suspensão da incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep na atividade agropecuária, produziu efeitos a partir de 01/08/2004, relativamente às atividades previstas na sua redação original, e a partir de 30/12/2004, em relação àquelas incluídas pela Lei nº 11.051/2004, tendo exorbitado o poder regulamentar a IN/SRF nº 660/2006 ao estabelecer que a eficácia só se daria a partir da data da publicação (04/04/2006) da IN/SRF nº 636/2006, por ela revogada, e que já havia regulamentado o referido art. 9º (atendendo ao determinado no seu § 2º), com efeitos retroativos à primeira data legalmente prevista. Naquele Acórdão é citado um de minha relatoria (nº 9303-007.582), no qual digo que “É maciça (eu diria, praticamente toda no mesmo sentido) a jurisprudência do CARF no sentido de inadmitir que norma administrativa (no caso a IN/SRF nº 660/2006), pudesse limitar a eficácia a partir de uma data bem posterior à prevista na própria lei instituidora do regime suspensivo – ainda mais quando outra norma do mesmo Órgão, revogada pouco depois, atribuía seus efeitos retroativamente à data estabelecida no diploma legal ...” À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso interposto pelo contribuinte, para incluir as receitas financeiras no cálculo de rateio proporcional e considerar como 01/08/2004 o termo inicial da suspensão prevista no artigo 9º da Lei 10.925/2004. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Fl. 853DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 9303-011.536 - CSRF/3ª Turma Processo nº 16366.720150/2012-76 Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para incluir as receitas financeiras no cálculo de rateio proporcional e considerar como 01/08/2004 o termo inicial da suspensão prevista no artigo 9º da Lei 10.925/2004. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente Redator Fl. 854DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720165/2012-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.693
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência para verificar a liquidez e certeza dos créditos extemporâneos, vencidos os Conselheiros Maria do Socorro e José Fernandes que negavam a preliminar de diligência. Designado o Conselheiro José Renato P. de Deus para redigir o voto vencedor.
[assinado digitalmente]
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora
[assinado digitalmente]
José Renato Pereira de Deus - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Raphael Madeira Abad, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência para verificar a liquidez e certeza dos créditos extemporâneos, vencidos os Conselheiros Maria do Socorro e José Fernandes que negavam a preliminar de diligência. Designado o Conselheiro José Renato P. de Deus para redigir o voto vencedor. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora [assinado digitalmente] José Renato Pereira de Deus Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Raphael Madeira Abad, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto parcialmente o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 20 16 5/ 20 12 -5 1 Fl. 18933DF CARF MF Processo nº 16682.720165/201251 Resolução nº 3302000.693 S3C3T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento, no montante de R$ 133.552.098,58 referente a créditos de COFINS não cumulativo Exportação, vinculados à Receita de Exportação no Mercado Interno, que não foi utilizado na dedução de valores devidos desta contribuição no 2º trimestre de 2011. O PER que trata do assunto é o de nº 31290.55499.141111.1.1.099862 (Anexo 01). Apensado ao presente processo encontrase o processo de nº 16682.721184/201114 que deferiu o adiantamento de 50% do ressarcimento em 03/01/2012 (fl. 140), conforme previsto na Portaria MF de nº 348 de 16/06/2010. A DEMAC por meio do Parecer 095/2013 e despacho decisório (fls.18.071/18.094) deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento, reconhecendo o crédito no valor de R$ 58.843.172,10. A ciência ocorreu em 18/04/2013. De acordo com o despacho de fls. 18.349 o valor pago que superou o valor reconhecido foi compensado de ofício. O contribuinte apresentou 29 PER/DCOMP´s, que foram julgadas não homologadas, em virtude da ausência de direito creditório, conforme despacho decisório nº 132/2013 em fls. 18.255 a 18.258. A ciência ocorreu em 20/06/2013 (fls. 18.335/18.336). O despacho informou que: considerando que o contribuinte já apresentou Manifestação de Inconformidade, referente ao Despacho Decisório do Parecer n 95/2013, de fls. 18.071/18.093, a ciência desta decisão deverá possibilitar o contribuinte a aditar manifestações e documentos à Manifestação de Inconformidade já apresentada. De acordo com o despacho de fls. 18.349, os débitos declarados nas PER/DCOMP´s estão cadastrados no processo 16682.720785/201371, apenso ao presente. (...) Foram efetuadas glosas nos itens a seguir: 1. Serviços utilizados como insumos Foram glosados as seguintes Notas: Notas fiscais de serviços de frete e transporte; análise técnica; transferência de máquinas; serviços de despachante; serviços genéricos de manutenção; serviços de consultoria; serviço de almoxarifado; serviço “diário e semanal”; abastecimento; comboio; serviços portuários; terraplanagem de porto; drenagem;dragagem; uso de sistema de transmissão entre outros, por não possuírem inerência com a produção de placas de aço (anexo 12). 2. Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos de PJ Foram glosados: aluguéis de containeres; equipamentos de rádio e telecomunicações; caminhões pipa; tendas; logística; galpões; embarcações; terraplanagem e transportes; sistemas de segurança, entre outros. As glosas podem ser observadas no Anexo 14. 3. Bens do Ativo Imobilizado Com base no Anexo 17, que é a composição de todo o Ativo Imobilizado que reflete as bases de cálculo das DACON, verificamos que alguns itens não podem ter seu Fl. 18934DF CARF MF Processo nº 16682.720165/201251 Resolução nº 3302000.693 S3C3T2 Fl. 4 3 creditamento aceito posto que não possuem inerência direta com a produção de chapas que é o assunto aqui tratado. Os itens glosados de plano são, entre outros, referentes à construção de prédio alheio à produção (RH); píer; pontes; ruas; esgotos; avenidas; iluminação; ar condicionado; equipamento náutico e drenagem, entre outros (Anexo 18). 4. Outras Operações com direito a crédito As glosas referemse a serviços de oceanografia; urbanização e paisagismo; telefonia; terraplanagem; apoio técnico; alambrados e portas; serviços de medição;fornecimentos de guindastes; pavimentação; instalação de ar condicionado; movimentação interna de cargas, balizamento; sinalização náutica e manutenção de áreas verdes, entre outros. As glosas estão no Anexo 23. 5. Divergência DACON X PER Outra questão a ser anotada é o fato de que o montante correto a ser alvo de ressarcimento, que deveria constar no PER aqui analisado, seria o de R$ 64.943.166,66 e não o de R$ 133.552.098,58. Essa discrepância devese ao fato de que a fiscalizada juntou todos os créditos dos períodos de setembro de 2010 a março de 2011 aos créditos do trimestre do presente PER. Esse procedimento por parte da fiscalizada, em total descompasso com a legislação vigente, foi rechaçado, conforme Despacho à fls. 10 a 26 do presente processo. Para dedução dos débitos de Cofins do 2º trimestre de 2011 foi utilizados saldo de crédito de períodos anteriores. Os saldos de débitos remanescentes foram extintos com parte do crédito de exportação apurado de ofício. O despacho decisório reconheceu crédito de Cofins não cumulativa – Exportação, do 2º trimestre de 2011, no valor de R$ 58.843.172,10. O quadro a seguir demonstra a quantificação do crédito pleiteado após o despacho decisório. Cientificada em 18/04/2013 (fls. 18.095) a interessada apresentou a Fl. 18935DF CARF MF Processo nº 16682.720165/201251 Resolução nº 3302000.693 S3C3T2 Fl. 5 4 manifestação de inconformidade de fls. 18.101/18.253 em 20/05/2013 alegando em síntese: Os pedidos de Ressarcimento do 2º trimestre de 2011 incluíram créditos do período de setembro/2010 a março/2011. Alega que registrou suas operações de PIS e COFINS detalhando os respectivos créditos do período de setembro/2010 a março/2011 na EFD de abril/2011 e, como consequência lógica no PER/DCOMP referente ao 2º trimestre de 2011. Alega que seguiu a orientação da própria receita nas perguntas 54 e 55 nas perguntas e respostas da EFD e que se trata de mero aspecto formal. (...) Com base na argumentação acima, o Delegado poderia autorizar a retificação dos Pedidos de Ressarcimento de modo a desmembrálos em outros Pedidos do 3º trimestre de 2010, do 4º trimestre de 2010, e do 1º trimestre de 2011, sem qualquer alteração do valor total solicitado pela impugnante. O indeferimento do PER não observou o próprio exercício regular do direito e a boafé do contribuinte e a segurança das normas jurídicas. Cabe ao fisco analisar os processos observando os princípios da finalidade, da razoabilidade, da proporcionalidade, como também, a adequação entre os meios e fins adotados e a interpretação da norma da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, sob pena de violação aos artigos art. 2º, caput e parágrafo único, incisos I, VI, IX e XIII e art. 69 da Lei nº 9.784/99. Cita o art. 112 do CTN e o acórdão do CARF no processo 11516.000636/200823 que entendeu pela possibilidade de reconhecimento do crédito extemporâneo. A legislação não define insumo para fins de creditamento das contribuições. Na definição de insumos se enquadraria tudo aquilo que está relacionado com a produção do bem e serviço. O objetivo da não cumulatividade é evitar a incidência em cascata de tributos e este somente será alcançado se os créditos abrangerem as despesas necessárias à consecução das atividades do contribuinte. Cita os acórdãos nº 930301.035 e 320200266 do CARF com entendimento de que em relação ao creditamento da não cumulatividade o legislador considera insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. A fiscalização equivocouse ao partir da premissa de que a contribuinte somente teria atividade de produção de chapas de aço. Especificamente quanto às glosas efetuadas a interessada afirma que: a) Glosa relativa a serviços utilizados como insumos (anexo 12) A contribuinte reconhece que os seguintes serviços não atendem aos requisitos para gerar crédito: fornecimento de mãodeobra; operação de almoxarifado; diário e semanal, pintura, reforma controle de acesso, transferência/movimentação de máquinas, terraplanagem, Fl. 18936DF CARF MF Processo nº 16682.720165/201251 Resolução nº 3302000.693 S3C3T2 Fl. 6 5 pavimentação concreto, frete interestadual, abastecimento, comboio, consultoria e assessoria, drenagem execução e finalização. Em relação aos itens a seguir discorda das glosas efetuadas, conforme esclarecido abaixo:(grifei). Glosa da análise técnica esta se relaciona com a produção de semiacabados de aço. A interessada descreve a necessidade dos itens glosados por fornecedor. Glosa de soldador tratase de manutenção da coqueria. Glosa de dragagem o serviço tem o objetivo de proporcionar o desassoreamento do leito marinho para a manutenção da profundidade do porto por onde é recebida grande parte da matériaprima da contribuinte. Glosa de serviços portuários este insumo está ligado à questão ambiental, no que tange à logística de transporte de resíduos e esgoto do porto, bem como análise da água. Glosa de serviços pagos à Stahlog Soluções tratase de serviço que contempla o planejamento e as operações de descarga de graneis sólidos importados por via marítima, principalmente carvão, e o carregamento para navio das placas de aço destinadas à exportação. Glosa de manutenção são imprescindíveis à atividade da contribuinte. Glosa de frete decorrem do fornecimento de matériasprimas para a produção de aço. Glosa de serviço especializado de corte/montagem de chapas, este é parte da produção. Glosa de escória sintética, tratase de serviço de transporte de escória para o distribuidor. Glosa de gerenciamento e transporte de escória, tratase de operação dos equipamentos que granulam e tratam a escória do altoforno para envio à Votorantim. Glosa de Contrato de Uso do Sistema de transmissão tratase de tarifa para custeio do sistema de transmissão da rede elétrica, necessário na aquisição e venda de energia elétrica e não repassado ao consumidor.(grifei). A administração, operação e exploração de uma usina termoelétrica, bem como a geração, transmissão, distribuição, comercialização de energia elétrica são atividades da contribuinte, presente em seu objeto social. b) Glosa relativa a despesas de alugueis de máquinas e de equipamentos de pessoa jurídica (anexo 14) Fl. 18937DF CARF MF Processo nº 16682.720165/201251 Resolução nº 3302000.693 S3C3T2 Fl. 7 6 A contribuinte reconhece que o aluguel de container, não atende aos requisitos para configuração como insumo por pertencer ao setor administrativo. Em relação aos itens a seguir discorda das glosas efetuadas, conforme esclarecido abaixo: Glosa de locação de máquina/equipamento – máquinas e equipamentos são alugados diariamente, para a realização de diversos serviços. A fiscalização não esclarece a razão da glosa. Glosa de locação de tenda – objetiva evitar a exposição da matéria prima a intempéries. Glosa de locação de caminhão – podem ser utilizados para umidificar pilhas de insumos ou resíduos para evitar particulado dos mesmos, bem como molhar as vias de veículos e a via do KIROW (carro das panelas do gusa) e na limpeza de dutos de gás quente que alimenta a termoelétrica. Glosa de leasing de computador – destinamse a realização de tarefas produtivas. Glosa de locação de meio de transporte – os caminhões podem ser utilizados para umidificar pilhas de insumos ou resíduos para evitar particulado dos mesmos, bem como molhar as vias de veículos e a via do KIROW (carro das panelas do gusa) e na limpeza de dutos de gás quente que alimenta a termoelétrica. Glosa de locação de caminhão pipa os caminhões podem ser utilizados para umidificar pilhas de insumos ou resíduos para evitar particulado dos mesmos, bem como molhar as vias de veículos e a via do KIROW (carro das panelas do gusa) Glosa de locação de caminhão vácuo os caminhões são utilizados na limpeza de dutos de gás quente que alimenta a termoelétrica. São essenciais para a remoção de fluidos que se acumulam na tubulação e diretamente ligados à atividade da contribuinte. Glosa de locação de caminhão Hidrojet – tratase de aluguel de caminhões utilizados na limpeza de dutos de gás quente que alimenta a termoelétrica. (grifei). c) Glosa relativa a Bens do Ativo Imobilizado (anexo 18) A Planta do RH é o local em que ocorre o processo físico da lenta liberação de gases quando presos, de materiais congelados, absorventes ou adsorventes.(grifei) Em relação aos demais itens glosados, o conceito de insumo abrange o bem ou serviço ter sido utilizado ainda que de forma indireta na atividade de fabricação do produto. d) Glosa relativa a Outras Operações com Direito a Crédito (anexo 23) A interessada reconhece que os serviços de instalação e montagem, serviços de construção civil, serviços de consultoria/inspeção, Fl. 18938DF CARF MF Processo nº 16682.720165/201251 Resolução nº 3302000.693 S3C3T2 Fl. 8 7 manutenção, instalações/reformas e supervisão, montagem e mecânica, não atendem aos requisitos para gerar crédito. Em relação aos itens a seguir discorda das glosas efetuadas, conforme esclarecido abaixo: Glosa de manutenção de máquinas e equipamentos visam evitar a interrupção da produção. Glosa de manutenção preventiva das bolas de sinalização do porto que indicam a zona de manobra – grande parte da matériaprima chegam pelo porto, e também, a produção é escoada pelo porto. Glosa de massa rubinit vk 3 e de argamassa refratária – tratase de insumo refratário, material capaz de suportar altas temperaturas sem deformar. Encerra a manifestação tratando do princípio da verdade material e requerendo o apensamento dos 4 processos administrativos que originaram os despachos decisórios, e a suspensão do crédito tributário. Verificando não se acharem ainda reunidos todos os elementos necessários para formação da convicção acerca da matéria descrita nos autos, a fim de dirimir a controvérsia e preservar o contraditório e a ampla defesa, com fundamento no artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972, o julgamento foi convertido em diligência por meio da Resolução nº 12.000.275 (fls. 18.353/18.360) para que, com base na escrituração contábil/fiscal e documentação comprobatória, a unidade de origem prestasse as informações e documentação lá citadas. Em resposta a fiscalização elaborou termo de diligência (fls.18.632/18.647) nos seguintes termos: (...) A interessada foi cientificada do resultado de diligência para, se quiser, aditar a defesa e apresentou o aditamento (fls. 18.651/18.684), alegando em síntese: .(grifei). A DRJ deve analisar o indeferimento parcial dos créditos sob dois aspectos: Aspecto Formal e Aspecto Material. Quanto ao aspecto formal, a manifestante incluiu no PER do 2 º trimestre de 2011, dos créditos apurados no período de setembro/2010 a março/2011, foi legal vez que a transmissão da EFD ocorreu somente em abril/2011. .(grifei). Antes do indeferimento parcial, a manifestante ingressou com pedido de desmembramento do PER do 2º trimestre de 2011. Não foi analisado o pedido de desmembramento protocolado na DEMAC em 10/08/2012 esclarecendo a legalidade do procedimento e pleiteando retificação por meio do desmembramento do PER do 2º trimestre de 2011 que incluiu créditos do período de setembro/2010 a março/2011. Fl. 18939DF CARF MF Processo nº 16682.720165/201251 Resolução nº 3302000.693 S3C3T2 Fl. 9 8 (...) O indeferimento do PER não observou o próprio exercício regular do direito e a boafé do contribuinte e a segurança das normas jurídicas. Cita o art. 112 do CTN e o acórdão do CARF no processo 11516.000636/200823 que entendeu pela possibilidade de reconhecimento do crédito extemporâneo. Em relação ao aspecto material, notase que após a diligência, o fiscal concorda com diversas premissas equivocadas em seu relatório inicial. (...) É o relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DIVERSOS PERÍODOS. IMPOSSIBILIDADE O pedido de ressarcimento deverá referirse a um único trimestrecalendário; e ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestrecalendário, líquido das utilizações por desconto ou compensação PEDIDO DE RETIFICAÇÃO. PER. DECISÃO DEFINITIVA. É definitiva a decisão da autoridade administrativa que indeferir pedido de retificação ou cancelamento. INSUMOS. CREDITO. CONCEITO. NÃO CUMULATIVIDADE. Na definição de insumos utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda somente serão incluídos quaisquer serviços e bens que sofram alterações, tais como: consumo; desgaste; dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o serviço que está sendo prestado e no bem ou produto que está sendo fabricado. INSUMOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Os serviços caracterizados como insumos são aqueles diretamente aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Despesas e custos indiretos, embora necessários à realização das atividades da empresa, não podem ser considerados insumos para fins de apuração dos créditos no regime da não cumulatividade. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. PROCESSO PRODUTIVO. CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Somente são considerados como insumo, gerando direito a crédito, observados os demais requisitos normativos e legais, os serviços de manutenção realizados em máquinas e equipamentos utilizados diretamente no processo produtivo, assim entendida, a atividade de Fl. 18940DF CARF MF Processo nº 16682.720165/201251 Resolução nº 3302000.693 S3C3T2 Fl. 10 9 prestação de serviço e de produção ou fabricação de bens destinados à venda. FRETE. AQUISIÇÃO INSUMO. DIREITO A CRÉDITO. O frete na aquisição de insumos para produção gera credito uma vez que integra o custo de aquisição do bem. TRANSPORTE INTERNO. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Não gera crédito de não cumulatividade o transporte interno de insumos ou equipamentos da produção, por não se configurar como insumo na produção. ENERGIA ELETRICA. TUST. CREDITO. IMPOSSIBILIDADE A tarifa paga pela utilização do sistema de transmissão para as produtoras independentes de energia não geram crédito de energia elétrica porque não insumos aplicados na produção de energia. ENERGIA ELETRICA. TUST. CRÉDITO. POSSIBILIDADE A tarifa paga pela utilização do sistema de transmissão para as autoprodutoras de energia geram crédito de energia elétrica em relação à energia consumida porque compõe o seu custo. ALUGUEL DE MÁQUINA E EQUIPAMENTO E VEÍCULOS. Os aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos utilizados na atividade da empresa geram crédito de nãocumulatividade, não havendo restrição a que o aluguel se refira a bens utilizados no processo produtivo. Não há previsão legal para cálculo do crédito em relação ao aluguel de veículos por não se incluírem no conceito de máquinas e equipamentos. LEASING. DIREITO A CRÉDITO Gera direito a crédito de não cumulatividade o valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica. EDIFICAÇÕES E BENFEITORIAS. Geram direito a crédito a despesa de depreciação ou amortização de edificações e benfeitorias em imóveis próprios e de terceiros, utilizados nas atividades da empresa, inclusive abrangendo os bens da área administrativa e comercial. APROPRIAÇÃO ACELERADA DE CRÉDITOS. As pessoas jurídicas poderão optar pelo desconto, no prazo de 24 (vinte e quatro) meses, dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que tratam na hipótese de edificações incorporadas ao ativo imobilizado, adquiridas ou construídas para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. MAQUINAS EQUIPAMENTOS IMOBILIZADO Pode ser apurado crédito em relação à amortização e depreciação de maquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após ciência em 22/04/2015 (art. 23, Fl. 18941DF CARF MF Processo nº 16682.720165/201251 Resolução nº 3302000.693 S3C3T2 Fl. 11 10 §2º, II do Decreto 70.235, de 1972) conforme AR de fls.18.796/18.797, apresenta em 06/05/2015, fl. 18.798, através do Termo de Solicitação de Juntada, Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, fls. 18.803/18.838 e documentos anexados de fls. 18.839/18.898. Repisa os argumentos como relação aos créditos extemporâneos e quanto às glosas, em síntese, pugna pelo cancelamentos das glosas mantidas pela decisão de piso em face da comprovação de: (i) relação entre os insumos e o objeto social da Recorrente; (ii) essencialidade; (iii) prejudicialidade ou mesmo impossibilidade do exercício das atividades da Recorrente, na hipótese de subtração do insumo; (iv) perda de qualidade do produto resultante, na hipótese de subtração do insumo. Ao final requer: (i)a confirmação da suspensão da exigibilidade dos supostos créditos tributários, por força do art. 151, III, do CTN, até o julgamento definitivo do lançamento; e (ii)preliminarmente, seja cancelado o indeferimento parcial do PER, no valor de R$ 69.348.931,71, para nesta parte, converter o julgamento em diligência para que a DEMAC analise o Aspecto Material dos Créditos Extemporâneos do período de set/2010 a mar/2011, incluídos no PER do2o Trimestre de 2011; (íii) no mérito, seja reformado v. acórdão recorrido para julgar procedente o presente Recurso Voluntário, na parte relativa aos créditos temporâneos do PER (abr a jun/11) indevidamente glosados, deferindoos, anulando o lançamento tributário em epígrafe. (iv) Por fim, requerse, por eventualidade, que seja deferida a realização diligência fiscal mesmo na sede deste Egrégio CARF, para que seja possibilitada a comprovação em questão diretamente em segundo grau, por apreço à economia processual e celeridade. É o relatório. Voto vencido Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. PRELIMINARES Da suspensão da exigibilidade do crédito tributário Pugna o Recorrente pela suspensão da exigibilidade do crédito tributário, no entanto o 1inciso III do art. 151 do CTN assegura 1 Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...); Fl. 18942DF CARF MF Processo nº 16682.720165/201251 Resolução nº 3302000.693 S3C3T2 Fl. 12 11 referido instituto tributário quando da impetração de reclamações e recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, independente de petição. Dos Créditos Extemporâneos Com relação aos créditos extemporâneos, destaca o recorrente: Em outras palavras, do montante de R$ 133.552.098,58, incluído no PER, o valor de R$ 64.203.166,87 se referiu ao 2o trimestre de 2011, enquanto que o valor de R$ 69.348.931,71 se referiu a créditos extemporâneos do período de set/2010 a mar/2011. No que se refere ao montante de R$ 69.348.931,71, relativo aos créditos extemporâneos, a DRJ manteve a glosa feita pela fiscalização da DEMAC, por entender que o Pedido Eletrônico de Ressarcimento deveria se referir a um único trimestrecalendário, por força do art 28, §2°, I da IN RFB n.° 900/2008, não adentrando na validade ou não dos créditos do período de set/2010 a mar/2011, ou seja, o indeferimento desta parte no PER se deu apenas em relação ao seu Aspecto Formal.(grifei). Quanto ao fato de que nos 4 (quatro) PER/DCOMP's transmitidos, o período de apuração não se restringiu aos créditos de abril a setembro de 2011, já que foram incluídos no período mencionado, os créditos de setembro/2010 a março de 2011, relativos a créditos registrados em DACON, correspondentes a aquisições no mercado interno vinculados à receitas de exportação, destacamse as ponderações da Informação Fiscal de fls.32/35: Os pedidos referentes aos processos acima citados abrangem, respectivamente, os créditos de PIS e COFINS do segundo trimestre de 2011. No decorrer dos trabalhos de auditoria, ao cotejarmos as PERDCOMP referentes ao segundo e terceiro trimestres de 2011 com as DACON da fiscalizada do mesmo período, percebemos que as DACON de PIS e COFINS do mês de abril apresentavam montantes de créditos muito inferiores aos dos PERDCOMP. A fiscalizada, em suas PERDCOMP de PIS e COFINS do segundo trimestre de 2011, agregou todos os créditos de setembro de 2010 até março de 2011 aos créditos de abril de 2011 e, com o total obtido, efetuou seus pedidos de ressarcimento. Com relação às DACON, ela constituiu declarações mensais conforme reza a boa norma.(grifei). O fato é que, no mês de abril de 2011, os créditos em DACON são muito menores do que os créditos em PERDCOMP para o mesmo período. Face essa irregularidade e à impossibilidade legal desse procedimento, nos restringimos em auditar os créditos referentes, apenas, aos trimestres pertinentes a cada uma das PERDCOMP apresentadas. Esses créditos se referem apenas aos períodos de abril a setembro de 2011 e nada mais. III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; Fl. 18943DF CARF MF Processo nº 16682.720165/201251 Resolução nº 3302000.693 S3C3T2 Fl. 13 12 (...) Referida Informação Fiscal, ao fazer uma análise sistemática da legislação (artigo 28 da IN RFB 900 de 30/12/2008, artigo 7º da IN RFB 1.060 de 03/08/2010 c/c artigo 32 da da IN RFB 1.300 de 20/11/2012), assim conclui: Notese que a legislação, sempre se atualizando, de forma alguma permite o acúmulo de créditos estranhos a cada período trimestral quando da elaboração dos pedidos de ressarcimento por parte dos contribuintes. Nada mudou este entendimento A legislação específica acerca do assunto (IN 1060/2010) é categórica quanto à total vedação às retificações de pedidos de ressarcimento em que se vise à redução dos montantes solicitados, mormente aqueles em que já ocorreu a efetiva antecipação de valores, como no presente caso.(grifei). Registrese ainda que não existe na Norma tributária a figura criada pelo contribuinte que vislumbre a possibilidade de desmembramento de pedidos de ressarcimento, como almeja o contribuinte.(grifei). Nesse sentido, esclarece o Parecer DEMAC 095/2013, fls.18.071/18.092: 9 APURAÇÃO DE OFÍCIO DO RESSARCIMENTO OU TRIBUTO DEVIDO: As DACON da fiscalizada (Ficha 25B) apresentam um fluxo de dedução de créditos conforme quadro conjunto abaixo: (...) A planilha acima é a fiel transcrição das deduções efetuadas pela fiscalizada em suas DACON e notamos que somente uma pequena parcela dos créditos de cada mês são utilizados à extinção do COFINS do próprio mês. As Fichas 23A das DACON denotam que são utilizados créditos de janeiro a março de 2011 que, como veremos adiante, são insuficientes à extinção do tributo devido. Outra questão a ser anotada é o fato de que, conforme planilha acima, o montante correto a ser alvo de ressarcimento, que deveria constar no PER aqui analisado, seria o de R$ 64.943.166,66 e não o de R$ 133.552.098,58. Essa discrepância devese ao fato de que a fiscalizada juntou todos os créditos dos períodos de setembro de 2010 a março de 2011 aos créditos do trimestre do presente PER. Esse procedimento por parte da fiscalizada, em total descompasso com a legislação vigente, foi rechaçado, conforme Despacho à fls. 10 a 26 do presente processo. Conforme já exposto, a interessada incluiu no pedido de Ressarcimento do 2º trimestre de 2011 créditos do período de setembro/2010 a março/2011. Em momento posterior à apresentação da manifestação de inconformidade efetuou requerimento esclarecendo o procedimento adotado, bem como pleiteando a retificação, por meio do desmembramento dos dois PER do 2º trimestre de 2011. Em sede recursal repisando os argumentos já apresentados em primeira instância, argui quanto aos créditos extemporâneos que a decisão de primeira instância apesar de ter aplicado a norma geral disposta na IN RFB n.° 900, de 2008, não observou norma mais Fl. 18944DF CARF MF Processo nº 16682.720165/201251 Resolução nº 3302000.693 S3C3T2 Fl. 14 13 específica, na qual o processamento do PER deveria observar a ordem cronológica da Escrituração Fiscal Digital EFD PIS/COFINS, instituída peia Instrução Normativa RFB n.° 1.052, de 2010. Observese que da leitura da norma de regência, Lei nº 10.833, de 2003, 2art. 3º , § 1º, incisos I, II, III e IV, inferese que o legislador elegeu o regime de competência para apropriação de créditos da nãocumulatividade das contribuições, haja vista que está expresso no caput do art. 3º que os créditos serão determinados pela aplicação das alíquotas sobre o valor das operações ocorridas no mês [bens adquiridos no mês, despesas e encargos incorridos no mês e bens devolvidos no mês). Inferese que a norma contida no § 4º do citado art. 3º não usa o termo não apropriados e, sim, não aproveitados, deduzindose que se tratam de créditos apurados e apropriados no mês da ocorrência das operações das quais tem origem e que não puderam ser aproveitados no mesmo mês. Assim, sem razão a recorrente, visto que o aproveitamento extemporâneo de créditos, ainda que admitido, se limita às hipóteses, prazos e aos procedimentos previstos pela legislação tributária, não podendo ser efetuada pelo sujeito passivo sem observância das formalidades existentes. Deve ser efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador (DACON E DCTF) no período em que foram gerados e não com a simples escrituração em demonstrativo posterior, como pretende o interessado. Por oportuno, reproduzemse a seguir excertos da decisão de piso, objeto de questionamento pela defesa, quanto à matéria em análise. Excertos da decisão de piso 1) Dos créditos extemporâneos A interessada incluiu no pedido de Ressarcimento do 2º trimestre de 2011 créditos do período de setembro/2010 a março/2011. A interessada efetuou requerimento esclarecendo o procedimento adotado e pleiteando retificação do Pedido de Ressarcimento. A DEMAC por meio do despacho fl. 32/35 indeferiu o pedido de retificação alegando o art. 7º §1º da IN 1.060/2010 que impede a retificação para redução do valor pleiteado após a antecipação do ressarcimento. Em relação a tal decisão, cabe esclarecer que, nos termos do art. 78 da IN 1.300/2012 e art. 67 da IN 900/2008, tratase de decisão definitiva, não podendo ser objeto de manifestação de inconformidade. (grifei). IN 1.300/2012 Art. 78 . É definitiva a decisão da autoridade administrativa que indeferir pedido de retificação ou cancelamento de que tratam os arts. 87 a 90 e 93. 2 Lei nº 10.833, de 2003 Art. 3º (...) § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: ( Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput , adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput , incorridos no mês; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput , incorridos no mês; IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput , devolvidos no mês. (...) § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. Fl. 18945DF CARF MF Processo nº 16682.720165/201251 Resolução nº 3302000.693 S3C3T2 Fl. 15 14 Cabe ressaltar que o parecer trata da questão, afirmando que o procedimento de inclusão de outros períodos foi rechaçado, conforme Despacho à fls. 10 a 26 do presente processo. Assim, não é possível em sede de manifestação de inconformidade a análise do pedido de retificação do Pedido de Ressarcimento apresentado.(grifo do original). Além de pleitear a retificação, a interessada alega a possibilidade de ressarcimento do crédito extemporâneo informado em sua PER/DCOMP. Cita acórdão do CARF proferido no processo 11516.000636/200823 que entendeu pela possibilidade de reconhecimento do crédito extemporâneo. Na verdade o que a interessada deseja é que o PER/DCOMP do 2º trimestre de 2011 englobe também o mês de setembro de 2010, o 4º trimestres de 2010 e o 1º trimestre de 2011. A IN RFB 900 de 30/12/2008 que dispõe acerca dos procedimentos de restituição e compensação especifica o que se segue: (...) Art. 28 . O pedido de ressarcimento a que se refere o art. 27 será efetuado pela pessoa jurídica vendedora mediante a utilização do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante petição/declaração em meio papel acompanhada de documentação comprobatória do direito creditório. § 1º O pedido de ressarcimento dos créditos acumulados na forma do inciso II do caput e do § 3º do art. 27, referente ao saldo credor acumulado no período de 9 de agosto de 2004 até o final do 1º (primeiro) trimestrecalendário de 2005, somente poderá ser efetuado a partir de 19 de maio de 2005. § 2º Cada pedido de ressarcimento deverá: I referirse a um único trimestrecalendário; e.(grifo do original). II ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestre calendário, líquido das utilizações por desconto ou compensação (...)(grifo nosso) Ou seja, a Instrução Normativa determina que cada PER se refira a um único trimestre.. Ressaltese que a interessada foi orientada da irregularidade do procedimento, tanto que em agosto de 2012 pleiteou que os Pedidos de Ressarcimento fossem retificados, sendo tal pedido negado, conforme acima tratado.(grifei). Cabe informar que consta no site da Receita Federal orientação quanto à informação de crédito extemporâneo na EFD, abaixo transcrita: 81 Como informar um crédito extemporâneo na EFD PIS/COFINS? O crédito extemporâneo deverá ser informado, preferencialmente, mediante a retificação da escrituração cujo período se refere o crédito. Fl. 18946DF CARF MF Processo nº 16682.720165/201251 Resolução nº 3302000.693 S3C3T2 Fl. 16 15 No entanto, se a retificação não for possível, devido às condições previstas na Instrução Normativa RFB nº 1.252, de 2012, a PJ deverá detalhar suas operações através dos registros 1100/1101 (PIS) e 1500/1501 (Cofins).(grifei).) Em relação aos procedimentos a serem adotados pela empresa, para o registro de créditos de períodos anteriores à obrigatoriedade da EFD Contribuições, ainda não apurados, devem ser adotados os seguintes procedimentos: 1. Retificar o Dacon do correspondente período de apuração, para constituir os créditos decorrentes de documentos não considerados na apuração inicial. .(grifo do original). Os saldos de créditos dos Dacon dos meses posteriores a constituição do crédito devem ser retificados para evidenciar o novo crédito. 2. Escriturar na EFDContribuições, a partir do mês em que for transmitido o Dacon retificador, a demonstração dessa disponibilidade de créditos, nos registros 1100 (PIS/Pasep) e 1500 (Cofins); 3. Retificar a DIPJ, para ajustar o custo/despesa considerado na apuração do lucro líquido, caso os documentos fiscais não considerados na apuração de crédito no Dacon original tenham sido computados pelo seu valor bruto; 4. Retificar a DCTF, caso seja apurado valor suplementar de PIS, Cofins, IRPJ e de CSLL a recolher, decorrente do ajuste referido nos itens acima. É necessário esclarecer que não há de se confundir a impossibilidade de retificação da escrituração digital, que permite a contabilização em registros de ajustes, com autorização para efetuar um PER para vários períodos. O que a orientação do EFD permite é o acerto na escrituração, de forma alguma altera o período de referência do PER. (...) A interessada pode retificar as declarações (DACON, DCTF, DIPJ) e enviar PER/DCOMP pleiteando o crédito alegadamente não utilizado, desde que respeitados o prazo legal e demais requisitos legais. Quanto à alegação de interpretação mais favorável ao contribuinte, prevista no art. 112 do CTN, cabe esclarecer que não há dúvida quanto ao fato ocorrido, ou quanto aos atos praticados pelo contribuinte, portanto não há que se aplicar o art. 112 CTN. Assim, não é possível reconhecer créditos de períodos diversos no Pedido de Ressarcimento relativo ao 2º trimestre de 2011.(grifei). Pelos fundamentos da decisão de piso constatase que não há no caso em análise o alegado conflito aparente de normas. Em verdade, em atendimento às normas que disciplinam a questão vergastada, há uma situação específica no processo, observada pela unidade de origem, competente para o exame do pleito, que se refere ao indeferimento do pedido de retificação em face da norma do art. 7º §1º da IN 1.060/2010 que impede a retificação para redução do valor pleiteado após a antecipação do ressarcimento. Fl. 18947DF CARF MF Processo nº 16682.720165/201251 Resolução nº 3302000.693 S3C3T2 Fl. 17 16 Assim verificase que a decisão de piso demonstrou fundamentadamente os procedimentos a serem adotados pela empresa, para o registro de créditos de períodos anteriores à obrigatoriedade da EFDContribuições, ainda não apurados, que de fato não foram observados pela Recorrente, logo a questão não se prende ao suposto conflito aparente de normas mas ao cumprimento de requisitos e prazo legal quanto à retificação de DACON, DCTF, DIPJ e o registro de créditos de períodos anteriores. Ante as considerações acima não há reparos na decisão de piso. Ante o exposto, VOTO POR NÃO CONHECER quanto ao pedido de retificação do Pedido de Ressarcimento, na parte conhecida, REJEITAR a preliminar quanto aos créditos extemporâneos. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora Voto Vencedor Conselheiro José Renato Pereira de Deus, redator designado. Com o devido respeito aos argumentos da I. Relatora, divirjo de seu entendimento quanto à solução dada no presente caso ao tópico relacionado aos créditos extemporâneos, pelos motivos a seguir. Segundo o entendimento da N. Colega, o aproveitamento de créditos extemporâneos, ainda que admitidos, se limitariam às hipóteses, prazos e procedimentos previstos pela legislação relacionada à matéria, sendo certo que não poderia ser efetuada pelo sujeito passivo sem a observância das formalidades existentes. Assim, o aproveitamento deveria ser efetuado mediante a apresentação de demonstrativo verificador, no período em que teriam sido gerados e não da forma como foi apresentada no presente processo. Entretanto, no meu sentir, algumas dúvidas quanto a real forma de apuração dos créditos extemporâneos, o que também levantaria dúvidas quanto a liquidez e certeza destes. Segundo as informações extraídas do processo, a contribuinte recorrente teria feito a opção para aproveitarse dos benefícios trazidos pela Portaria MF nº 348/2010, que instituiu o procedimento especial de ressarcimento de créditos de Contribuição para o PIS/PASEP, de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) nas situações que especifica. Para fazer jus aos benefícios trazidos pela portaria mencionada, o contribuinte deveria observar alguns requisitos, dentre eles, por ser pertinente ao caso em tela destaco o art. 2º, inciso II, vejamos: Art. 2º A Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) deverá, no prazo máximo de 30 (trinta) dias contados da data do Pedido de Ressarcimento dos créditos de que trata o art. 1º, efetuar o pagamento Fl. 18948DF CARF MF Processo nº 16682.720165/201251 Resolução nº 3302000.693 S3C3T2 Fl. 18 17 de 50% (cinquenta por cento) do valor pleiteado por pessoa jurídica que atenda, cumulativamente, às seguintes condições: (...) III esteja obrigado a manter Escrituração Fiscal Digital (EFD); Pois bem. Feita a opção pelo EFD, o sistema não permite mais a retificação das declarações anteriores para a utilização dos créditos, permitindo somente o aproveitamento dos créditos verificados depois da adesão a escrituração digital. A portaria MF nº 348/2010 permitiu que fossem informados os crédito que a empresa possuía anteriormente a adesão à EFD, o que não caracterizaria a extemporaneidade dos créditos declarados, observese: Art 5º O disposto nesta Portaria aplicase aos Pedidos de Ressarcimento relativos aos créditos apurados a partir de 1º de janeiro de 2009, ressalvados aqueles pedidos cujos períodos de apuração estejam incluídos em procedimento fiscal para identificação e apuração de créditos de ressarcimento. Como podemos observar das peças processuais, teria a recorrente apurado seus créditos com base na Portaria MF nº 348, de junho de 2010, a qual instituiu o procedimento especial de ressarcimento de créditos de contribuições para o PIS/PASEP, COFINS e IPI, nas situações ali elencadas. Tal fato, ao que parece, não fora tratado de forma especifica pela fiscalização, assim como não foi abordado pela DRJ quando da realização do julgamento e prolação de acórdão. Desta forma, considerando os apontamentos acima, e por entender que a situação presenciada pode trazer incongruência entre os fatos realmente vivenciados e a decisão que se tem a prolatar, voto por converter o presente julgamento em diligência para que a autoridade fiscal verifique a liquidez e certeza dos créditos lançados pela contribuinte recorrente, ditos como extemporâneos pela fiscalização, devendo ser observado se foram ou não utilizados para dedução do valor das referidas contribuições a recolher, ou não tenham sido compensados com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. É como voto. José Renato Pereira de Deus Redator designado. [assinado digitalmente] Fl. 18949DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.732778/2018-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Sep 17 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 3302-001.842
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o processo no CARF até a decisão final do processo de compensação/crédito vinculado, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3302-001.832, de 24 de agosto de 2021, prolatada no julgamento do processo 11080.732801/2018-49, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Lima Abud, Walker Araujo, Larissa Nunes Girard, Jose Renato Pereira de Deus, Paulo Regis Venter (suplente convocado), Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Ausente o conselheiro Vinicius Guimaraes, substituído pelo conselheiro Paulo Regis Venter.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Interessado FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o processo no CARF até a decisão final do processo de compensação/crédito vinculado, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo- lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3302-001.832, de 24 de agosto de 2021, prolatada no julgamento do processo 11080.732801/2018-49, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Lima Abud, Walker Araujo, Larissa Nunes Girard, Jose Renato Pereira de Deus, Paulo Regis Venter (suplente convocado), Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Ausente o conselheiro Vinicius Guimaraes, substituído pelo conselheiro Paulo Regis Venter. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório substancialmente o relatado na resolução paradigma. Trata o presente processo de lançamento da multa isolada prevista no art. 74, § 17, da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 13.097/2015, em função da não homologação de compensações tratadas no processo nº 10880.653320/2016-28. A 5ª Turma da DRJ em Fortaleza (CE) julgou a impugnação improcedente, nos termos do acórdão cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 32 77 8/ 20 18 -9 2 Fl. 262DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 3302-001.842 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.732778/2018-92 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MULTA. Aplica-se a multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada. VIOLAÇÃO AO DIREITO DE PETIÇÃO. INEXISTÊNCIA. O direito fundamental de petição foi exercido plenamente pelo contribuinte ao protocolizar seus pedidos de ressarcimento/compensação, que, tendo sido considerados indevidos, ensejou a aplicação da multa determinada no §15, do art. 74, da Lei n° 9.430/96. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INCONSTITUCIONALIDADE. O emprego dos princípios da PROPORCIONALIDADE e da RAZOABILIDADE não autoriza o julgador administrativo a dispensar ou reduzir multas expressas na lei, não havendo desrespeito a estes princípios quando a autuação se pauta pelo princípio da legalidade. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O princípio da oficialidade obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final. Impugnação Improcedente Inconformado com a decisão da DRJ, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual apresentou diversos argumentos acerca da inaplicabilidade da multa isolada de 50% sobre o valor dos créditos contidos nas declarações de compensações não homologadas e tratadas no processo nº 10880.653320/2016-28. É o breve relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado na resolução paradigma como razões de decidir: O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise. A recorrente apresentou declarações de compensação, tratada no processo nº 10880.653325/2016-51, que foram homologadas parcialmente, em virtude do deferimento parcial do pedido de ressarcimento efetuado pela recorrente. As compensações não homologadas por falta de crédito deu azo ao lançamento da multa isolada de 50% sobre seus valores, nos termos do § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Neste processo o que se discute é a regularidade do lançamento da mencionada multa isolada, a qual depende intimamente da solução dada às declarações de compensação. Acontece que as declarações de compensação estão sendo tratada em outro processo de nº 10880.653325/2016-51. Pelo quadro traçado é licito concluir que o mérito deste processo está ligado umbilicalmente ao desfecho dado ao processo nº 10880.653325/2016-51, em uma relação de prejudicialidade. Ou seja, o resultado daquele processo ditará a sorte deste processo. Fl. 263DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 3302-001.842 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.732778/2018-92 Diante dos fatos apresentados, proponho o sobrestamento do julgamento no CARF, até a definitividade do processo nº 10880.653325/2016-51. Após definido o rumo do processo nº 10880.653325/2016-51, que seja anexada neste processo a decisão definitiva daquele processo. Posteriormente, que sejam devolvidos os autos a esse relator para prosseguimento do rito processual. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido na resolução paradigma, no sentido de sobrestar o processo no CARF até a decisão final do processo de compensação/crédito vinculado, nos termos do voto condutor. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Fl. 264DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10830.910206/2009-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.849
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
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(assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado, em face do acórdão nº 08031.412 prolatado pela DRJ Fortaleza/CE que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, em que se pleiteou a reforma do despacho decisório da repartição de origem que indeferira a Declaração de Compensação de crédito da Cofins com débito da titularidade do mesmo sujeito passivo. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado na Declaração de Compensação já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí a não homologação da compensação declarada. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu a homologação da compensação, alegando que o débito de fato era menor que o informado na DCTF e que encontravase impossibilitado de transmitir a DCTF retificadora. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 10 20 6/ 20 09 -7 7 Fl. 705DF CARF MF Processo nº 10830.910206/200977 Resolução nº 3201000.849 S3C2T1 Fl. 706 2 A decisão da DRJ Fortaleza/CE, denegatória do direito pleiteado, fundamentou se na falta de apresentação de prova documental por parte do interessado que pudesse comprovar o alegado erro cometido no preenchimento da DCTF, dada a ausência de retificação tempestiva dessa declaração. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito tributário postulado. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201000.848, de 26/04/2017, proferido no julgamento do processo 10830.917695/201111, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201000.848): O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. (...) Como relatado, discutese no presente feito a legitimidade de crédito postulado pela Recorrente por meio de PER/DCOMP, correspondente à apuração de COFINS pelo regime não cumulativo (alargamento da base de cálculo declarada inconstitucional pelo STF). De acordo com o PER/DCOMP apresentado, o crédito postulado teve origem no pagamento a maior de COFINS realizado por meio do recolhimento de DARF. Consoante Despacho Decisório proferido, o crédito indicado seria inexistente, posto que o recolhimento do DARF em questão teria sido integralmente utilizado para a quitação de débito de COFINS declarado pelo próprio contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente aduz que o crédito utilizado é legítimo, justificando exatamente que o recolhimento a maior decorre da revisão da base de cálculo da COFINS diante da declaração de inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, e apresentando respectivo demonstrativo da base de cálculo apurada. Embora não afaste a possibilidade de revisão do lançamento a partir dos documentos apresentados pela Recorrente em sede de Manifestação de Inconformidade, entendeu a Turma Julgadora de Fl. 706DF CARF MF Processo nº 10830.910206/200977 Resolução nº 3201000.849 S3C2T1 Fl. 707 3 origem que os documentos apresentados não seriam suficientes para a análise do crédito postulado, entendendo ter precluído o direito de fazêlo posteriormente. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reafirma os argumentos de defesa e, diante dos fundamentos do acórdão recorrido, apresenta (i) nova cópia do demonstrativo de apuração da COFINS; e (ii) Balancete mensal da COFINS, extraído do seu Livro Diário devidamente registrado. Com base nisso, postula pela aplicação do Princípio da Verdade Material e requer a realização de diligência para que demais documentos julgados necessários pela Fiscalização possam ser apresentados pelo contribuinte. Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal. Desse modo, em prol do princípio da verdade material, e considerando que o contribuinte trouxe aos autos diversos documentos comprobatórios do seu direito, voto por CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para que a Autoridade Preparadora analise a existência do crédito postulado a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte, intimandolhe, se necessário, para a apresentação de documentos adicionais. Após a manifestação fiscal, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. Destaquese que, neste processo, não se aduziu a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Fl. 707DF CARF MF Processo nº 10830.910206/200977 Resolução nº 3201000.849 S3C2T1 Fl. 708 4 Todavia, da mesma forma que no processo do paradigma, nestes autos, o contribuinte apresentou, em sede de recurso voluntário, novos documentos comprobatórios com vistas a demonstrar o alegado direito creditório. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão em diligência do paradigma, também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora analise a existência do crédito postulado a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte, intimandoo, se necessário, para a apresentação de documentos adicionais. Após a manifestação fiscal, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 708DF CARF MF
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