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Numero do processo: 11543.001599/2008-43
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
É passível de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda a despesa médica declarada e devidamente comprovada por documentação hábil e idônea.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.772
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer dedução com despesas médicas no valor de R$7.000,00, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. É passível de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda a despesa médica declarada e devidamente comprovada por documentação hábil e idônea. Recurso Voluntário Provido.
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DESPESAS MÉDICAS. É passível de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda a despesa médica declarada e devidamente comprovada por documentação hábil e idônea. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer dedução com despesas médicas no valor de R$7.000,00, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 15 99 /2 00 8- 43 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 10/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11543.001599/200843 Acórdão n.º 2801003.772 S2TE01 Fl. 66 2 Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 6a Turma da DRJ/BSB (Fls. 201), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra a contribuinte acima identificada foi emitida por auditor fiscal da Delegacia da Receita Federal em Vitoria, notificação de lançamento referente ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2007, anocalendário 2006, resultando em redução do imposto a restituir para R$ 161,27, conforme Demonstrativo do Valor a Restituir (fl. 11). A contribuinte foi cientificada do lançamento em 1/4/2008, conforme Aviso de Recebimento (fl. 39). Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela contribuinte supracitada, foi efetuado lançamento de oficio, tendo em vista que foi apurada a seguinte infração: DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS Dedução indevida de despesas médicas, sendo glosadas as seguintes despesas: Jonas Leandro Giacomin Junior e Marcos Vanetti Prado de Albuquerque, pois não constam dos recibos o nome do beneficiário e o endereço do prestador do serviço R$ 1.272,00; E K Clínica e Cirugias Ltda, pois não está comprovado que o recibo apresentado está relacionado a cirurgia reparadora, não há identificação do profissional que realizou o procedimento e nem o endereço R$ 7.000,00. Valor glosado: R$ 8.272,00. O Enquadramento Legal encontrase nos autos. Em 2/5/2008, no pedido de impugnação (fl. 1/5), acompanhado dos documentos de fls. 6/33, a contribuinte alega que: possui documentação comprobatória das despesas médicas glosadas; a Receita Federal desprezou os recibos sem provar que são inservíveis como fator probatório; apresenta, novamente, os recibos médicos com declaração assinada pelos profissionais; junta pesquisa obtida no site da Receita Federal, no qual consta que o Dr. Marcos Albuquerque encontrase regular perante este órgão; do Dr. Jonas Leandro Giacomin Junior, junta declaração atestando o serviço prestado; a E. K. Clínica se recusou a emitir a nota fiscal do serviços prestados; efetuou todos os pagamentos com cheques; Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 10/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11543.001599/200843 Acórdão n.º 2801003.772 S2TE01 Fl. 67 3 errado está o prestador do serviço ao não emitir o documento legalmente exigido; Requer prazo adicional para apresentar as cópias dos cheques dos pagamentos efetuados a E. K. Clínica e que sejam aceitas as deduções pleiteadas. Passo adiante, a 6ª Turma da DRJ/BSB entendeu por bem julgar a impugnação procedente em parte, em decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO PARCIAL. DESPESAS MÉDICAS. Comprovada, parcialmente, de forma hábil e idônea, a realização da despesa, restabelecese o valor correspondente na Declaração de Ajuste Anual. Em 26/12/2011 a DRF de VITÓRIA/ES enviou o processo para a ES VILA VELHA ARF; que devolveu o processo com o seguinte despacho: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Favor digitalizar a intimação e o AR e devolver para que possamos dar prosseguimento ao recurso apresentado Em 26/01/2012 a DRF de VITÓRIA/ES enviou resposta na forma do seguinte despacho: Não encontrado registro de intimação e "ar" nesta seção referente ao processo, à ARF Vila Velha para prosseguimento. Verificase no entanto, que a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 27/10/2011 (fls. 55 a 58), elegando ter sido Cientificada, através de sua procuradora, em 28/09/2011 (Fls. 56); onde reforça os argumentos apresentados quando da impugnação. Anexo em conjunto: 1 – Procuração; 2 – Documentos da Procuradora; 3 – Declaração da Empresa Prestadora de Serviços Médicos; 4 – “Comprovante de Inscrição e Situação Cadastral” emitido no Site da Receita Federal. É o Relatório. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 10/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11543.001599/200843 Acórdão n.º 2801003.772 S2TE01 Fl. 68 4 Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. De início cumpre verificar que permanece em litígio apenas a glosa referente à despesas médicas no valor de R$7.000,00 de serviços prestados pela pessoa jurídica E. K. Clínica e Cirurgias LTDA Tal despesa médica foi inicialmente glosada pela fiscalização por entender não constar do documento apresentado que se tratava de cirurgia reparadora, o nome do prestador do serviço e o respectivo endereço. Porém, dos requisitos elencados acima, apenas o endereço é verdadeiramente exigível e ensejador da glosa, como bem asseverou a DRJ em seu acórdão às fls.48: O caput do art. 80, do RIR/99, acima transcrito, não restringe a despesa com cirurgia plástica a cirurgia reparadora, não podendo, este, ser motivo da glosa. Quanto ao nome do prestador do serviço, no caso de pessoa jurídica, é a própria pessoa jurídica a prestadora do serviço, não sendo necessária a indicação do profissional, pessoa física, que realizou o procedimento médico. Entretanto, o endereço é um dos requisitos que deve constar nos documentos emitidos pelo prestador do serviço, seja ele pessoa física ou pessoa jurídica, podendo ser causa para não se aceitar a despesa médica. Para suprir a falta de endereço, a impugnante poderia trazer uma declaração emitida pela prestadora do serviço. Ocorre que, por ocasião do Recurso Voluntário a recorrente fez juntar aos autos declaração emitida por E. K. Clínica e Cirurgias LTDA que afirma ter prestado o referido serviço de cirurgia plástica para a contribuinte, indicando inclusive seu endereço, e na qual informa que a já citada empresa teve sua razão social alterada para Millenium Centro de Medicina e Cirurgias LTDA sem, no entanto, ter havido modificação em seu CNPJ (fls. 61dos autos). Assim, entendo que, questionada acerca da validade do recibo emitido por E. K. Clínica e Cirurgias LTDA por faltar requisito essencial, qual seja, o endereço do prestador do serviço, a contribuinte trouxe aos autos documento que supria tal defeituação. Ante o acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento ao recurso, para restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$7.000,00. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 10/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11543.001599/200843 Acórdão n.º 2801003.772 S2TE01 Fl. 69 5 Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 69DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 10/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN
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Numero do processo: 10935.902454/2012-71
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/03/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.609
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/03/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/03/2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de PIS/PASEP que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/03/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 24 54 /2 01 2- 71 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.759, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 01/08/2012, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 09634.80167.161107.1.2.043106, rastreamento nº 029225067, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 4.156,71, uma vez que o pagamento de PIS/PASEP (Código 6912), do período de 28/02/2006, efetuado em 15/03/2006, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 13/08/2012, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 61DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902454/201271 Acórdão n.º 3802002.609 S3TE02 Fl. 122 3 Data do fato gerador: 15/03/2006 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902454/201271 Acórdão n.º 3802002.609 S3TE02 Fl. 123 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902454/201271 Acórdão n.º 3802002.609 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902454/201271 Acórdão n.º 3802002.609 S3TE02 Fl. 125 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 68DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 18471.001812/2008-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1998 a 30/08/1998
LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. RELATÓRIO FISCAL QUE NÃO CUMPRIU DETERMINAÇÃO EXPRESSA DO JULGADO QUE ANULOU O LANÇAMENTO ORIGINAL. IMPROCEDÊNCIA. Tendo em vista que o lançamento substitutivo fora realizado em desconformidade ao que dispôs o julgado que anulou o lançamento original, outra conclusão não há, senão pelo reconhecimento de sua imprestabilidade a justificar o novo lançamento efetuado, em clara ofensa à coisa julgada administrativa.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Os conselheiros acompanharam o relator pelas conclusões.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Spindola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.Ausente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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RELATÓRIO FISCAL QUE NÃO CUMPRIU DETERMINAÇÃO EXPRESSA DO JULGADO QUE ANULOU O LANÇAMENTO ORIGINAL. IMPROCEDÊNCIA. Tendo em vista que o lançamento substitutivo fora realizado em desconformidade ao que dispôs o julgado que anulou o lançamento original, outra conclusão não há, senão pelo reconhecimento de sua imprestabilidade a justificar o novo lançamento efetuado, em clara ofensa à coisa julgada administrativa. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 18 12 /2 00 8- 57 Fl. 737DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Os conselheiros acompanharam o relator pelas conclusões. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Spindola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.Ausente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 738DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18471.001812/200857 Acórdão n.º 2401004.260 S2C4T1 Fl. 1.175 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRAS, em face do acórdão que manteve integralmente a NFLD n. 35.699.7090, lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias parte dos segurados, da empresa e as destinadas ao financiamento do SAT, até 06/1997, e ao GILRAT a partir de então, na qualidade de responsável tributária solidária em decorrência da contratação de serviços da empresa ENGINEERING SERVIÇOS DE ENGENHARIA LTDA. Consta do relatório fiscal que a recorrente contratou com a empresa ENGINEERING, “a construção civil e montagem eletromecânica para o REVAMP, DA FAFEN/SE.” Também fora informado pelo auditor que a empresa não comprovou o cumprimento das obrigações da construtora para com a Seguridade Social, ou seja, não houve a devida comprovação, através de guias de recolhimento especificas para a obra contratada, nem a apresentação de folhas de pagamentos especificas dos segurados empregados alocados na obra contratada, comprovando recolhimentos não inferiores aos calculados de acordo com as normas de aferição indireta da remuneração em obra ou serviço de construção civil, previstas nos atos normativos pertinentes, conforme explicado nos itens 16 e 17 do relatório fiscal. Em continuidade o fiscal esclarece que quando da análise da defesa formulada pela empresa contratada, a 2ª. Câmara de Julgamento, do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS considerou que a razão apresentada no Relatório Fiscal, que acompanhara a notificação, qual seja, a ausência de "Declaração de Contabilidade Regular", não era suficiente para justificar o lançamento. Por este motivo, aquele órgão determinou, a anulação da citada NFLD e que a fiscalização verificasse a oportunidade de efetuar novo lançamento, desde que conseguisse demonstrar a inidoneidade da documentação apresentada. Assim sendo, a presente NFLD tem por finalidade substituir o lançamento antes efetuado (NFLD 35.371.8939), haja vista ter a empresa contratante deixado de apresentar, ao contrário do afirmado anteriormente, os seguintes documentos: Guias de Recolhimento da Previdência Social — GETS e folhas de pagamento especificas para a obra realizada sem a comprovação de que a contratada possui contabilidade regular referente ao período da obra, caso os valores de saláriodecontribuição sejam inferiores aos aferidos conforme explicado nos itens 16 e 17 do relatório fiscal, que indicam a forma de apuração dos valores lançados. O lançamento fora efetuado por aferição indireta considerando o percentual de 40 % (quarenta por cento) sobre a parte considerada como mãodeobra constante nas notas fiscais de prestação de serviço. Por fim, consta que quando do lançamento foram consideradas como responsáveis solidárias as empresas PETROBRAS GÀS S/A – GASPETRO, PETROBRAS TRANSPORTE S/A – TRANSPETRO e PETROBRAS QUÍMICA S.A. – PETROQUISA, com fundamento no art. 30, IX da Lei 8.212/91. Fl. 739DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 O lançamento compreende, as competências de 01/1998 a 08/1998, tendo sido o contribuinte cientificado em 29/07/2005 (fls. 01) Apresentadas as impugnações, fora proferido o julgamento em primeira instância, sendo que dele, a recorrente e as demais responsáveis solidárias interpuseram os competentes recursos voluntários, através do qual sustentam, em síntese PETROBRÁS DISTRIBUIDORA S/A 1. o cerceamento de seu direito de defesa, na medida em que a Recorrente não recebeu cópia da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) e dos documentos que a instruem, mas tão somente oficio informando diversos lançamentos. 2. na contratação de serviços, empresas que eventualmente componham grupo econômico com a contratante não têm qualquer ligação com o fato gerador da contribuição previdenciária — folha de salários de contratada — bem como não têm absolutamente nenhuma possibilidade de efetuar a retenção e assim elidir sua responsabilidade; 3. que as empresas do grupo econômico, com exceção da contratante, por não terem relação com a contratada não podem efetuar retenção nem exigir daquela a apresentação de documentos comprobatórios da quitação do tributo, motivo pelo qual não lhe pode ser atribuída a responsabilidade solidária. PETROBRÁS GÁS S/A – GASPETRO 4. Além das alegações supra, acrescenta que todas as empresas apontadas como componentes do grupo econômico são pessoas jurídicas distintas uma das outras; possuem quadro próprio de empregados, admitidos por processo seletivo público, bem como suas Gerências, Diretorias Executivas, Conselhos Fiscal e de Administração e, principalmente, não estão sujeitas a qualquer tipo de orientação, emanada diretamente da Petrobrás S/A; PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRÁS 5. que o Acórdão que determinou a anulação da NFLD, também determinou que a fiscalização verificasse a oportunidade de efetuar um novo lançamento, desde que demonstrasse "a inidoneidade da documentação apresentada", o que não ocorreu na presente notificação, lavrada apenas com base nos dados obtidos pela análise do Relatório de Fatos Geradores da NFLD 35.371.8939, não atendendo, dessa forma, a determinação daquele julgado; Fl. 740DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18471.001812/200857 Acórdão n.º 2401004.260 S2C4T1 Fl. 1.176 5 6. a decadência do lançamento com arrimo no art. 150, §4o do CTN; 7. que a fiscalização não obedeceu o disposto no Parecer CJ/MPAS no 2.376, que determinava o prévio cruzamento de dados entre as empresas tidas como solidárias para que então se formalizasse o lançamento; 8. a inexistência da cessão de mãodeobra, que justifique a lavratura do lançamento, pois não houve um serviço contínuo, com a colocação de empregados / segurados à disposição da Recorrente, de modo a configurar uma cessão de mãodeobra, e, por via de conseqüência, ensejar a responsabilidade tributária, já que o contrato versou sobre uma prestação de serviços específica, com direção e coordenação exclusivas da contratada e dentro dos limites de seu objeto, com a execução do serviço como um todo, não existindo qualquer previsão contratual que deixe à disposição do contratante o pessoal que participou da prestação dos serviços; 9. que a imputação da solidariedade enseja a necessidade de prévia constituição da dívida ou da obrigação, afim de que o credor possa imputálas aos demais responsáveis. Assim é mister que a fiscalização faça a verificação prévia junto a empresa prestadora dos serviços. 10. que o agente fiscal, equivocadamente, considerou o valor bruto das notas fiscais como a base de cálculo da contribuição, quando deveria fazêlo somente sobre o montante relativo ao pessoal empregado, isso porque outras verbas também integram a NF (materiais, insumos etc PETROBRÁS QUÍMICA S/A PETROQUISA 11. que que todas as empresas apontadas como componentes do grupo econômico são pessoas jurídicas distintas uma das outras; possuem quadro próprio de empregados, admitidos por processo seletivo público, bem como suas Gerências, Diretorias Executivas, Conselhos Fiscal e de Administração e, principalmente, não estão sujeitas a qualquer tipo de orientação, emanada diretamente da Petrobrás S/A; 12. que deve ser reconhecida como parte ilegítima ao lançamento; Após a interposição dos recursos, às fls. 412, o Serviço de Contencioso Administrativo da DRP RJ/ determinou o retorno dos autos à Junta Notificante para que esta Fl. 741DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 se manifestasse sobre os termos do recurso da empresa recorrente (PETROBRÁS S/A), especialmente no que se refere a indicação de que não fora caracterizado no lançamento substitutivo a inidoneidade dos documentos apresentados. Sobreveio resposta às fls. 424, através de novo relatório fiscal do lançamento, cuja conclusão fora a seguinte: “Ao chefe da equipe fiscal 07, para conhecimento e o devido encaminhamento desta A DERAT/ RJO/ EQCDP — Equipe de Controle de Débitos Previdenciários para que esta dê ciência do teor deste despacho A empresa tomadora, bem como as demais integrantes do Grupo Econômico, reabrindo o prazo recursal, reiniciando, dessa forma, o contencioso administrativo.” Após, todos os envolvidos foram intimados, tendo alguns apresentado petição em forma de recurso voluntário e outro em forma de impugnação administrativa diante de referido novo relatório fiscal. Após, sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 742DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18471.001812/200857 Acórdão n.º 2401004.260 S2C4T1 Fl. 1.177 7 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. PRELIMINARES Analiso, primeiramente, a preliminar de nulidade do lançamento, tendo em vista que o lançamento ora sob combate, substitutivo do lançamento original, não fora levrado em conformidade com o que veio a decidir o CRPS no acórdão 002210/2002. Vejamos, então, o que decidiu o CRPS (fls. 161) ao analisar a NFLD 35.371.8939 (Anulada): “Considerando que pelo que consta do Relatório Fiscal temos que deixou de ser apresentado apenas a "Declaração de Contabilidade Regular" da empresa prestadora, não me parecendo que somente tala alegação seja suficiente para alicerçar o lançamento; Considerando que a exigência acima registrada não está contemplada no Art. 31, da Lei 8.212/91, não sendo razoável a exigência de documentos além daqueles estabelecidos em lei, sendo oportuna uma analogia com o Parecer CJ/MPAS 1.830/99; Considerando que o INSS deixou de apresentar qualquer elemento de convencimento que aponte a improcedência da documentação verificada; e, Considerando tudo o mais que dos autos consta. CONCLUSÃO Face ao exposto, voto no sentido de ANULAR A NFLD em pauta, cabendo ao INSS a verificação da oportunidade de efetuar novo lançamento, caso consiga "comprovar" que a documentação apresentada é inidõnea ou não reflete a realidade do serviço contratado.” Ou seja, depreendo do julgado proferido pelo CRPS que quando do lançamento original a recorrente fora intimada a apresentar documentação relativa ao contrato com a empresa ENGINEERING, o tendo feito, mas não de forma plena, tendo deixado de apresentar apenas a “declaração de contabilidade regular” da empresa prestadora. Assim, diante de tal motivo, entendeu aquele órgão, que tal motivação seria insuficiente, por si só, para justificar o lançamento, pois, da análise do relatório fiscal não restou demonstrado que o restante da documentação apresentada era inidônea ou mesmo não refletia a realidade do serviço contratado. Fl. 743DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Vejamos em contrapartida o que dispôs o relatório fiscal da NFLD 35.371.8939 (Anulada) sobre a documentação apresentada naquela oportunidade: “[...] 11 A empresa contratante deixou de apresentar os seguintes documentos: Declaração de Contabilidade Regular e Contrato. 12 Os dados para o presente levantamento foram obtidos pela análise dos seguintes elementos: Guias de Recolhimento não específicas FP.s; Boletins de Medição.” Há de se concluir, pois, que na oportunidade do lançamento original, fora apresentada documentação, que não a Declaração de Contabilidade Regular e Contrato, no sentido de demonstrar o cumprimento das obrigações previdenciárias relativas ao contrato, conforme restou reconhecido, a meu ver, pelo próprio CRPS. E tal documentação apresentada foram as guias de recolhimento não específicas para a obra, Folhas de Pagamento juntadas e Boletins de Medição da Obra, que serviram, inclusive, de base ao lançamento original. Pois bem, à vista de tais colocações, entendo que a ordem emanada pelo CRPS em seu acórdão que anulou a NFLD original foi a de permitir um novo lançamento desde que a fiscalização comprovasse que a documentação anteriormente apresentada era “inidônea ou não refletia a realidade do serviço contratado.” Portanto, ao efetuar o novo lançamento, no caso aquele que ora se analisa, deveria a fiscalização, em meu sentir, ter analisado a documentação apresentada e constante nos autos da NFLD original, apontando quais seriam os motivos pelo que as entendeu como inidôneas ou incapazes de demonstrar a realidade do serviço contratado e o cumprimento das obrigações previdenciárias correspondentes. Na mesma conclusão chegou o ilustre fiscal que respondeu à diligência solicitada após a impetração dos recursos voluntários, que em sua resposta ao seguinte questionamento respondeu (fls. 428): “QUESTIONAMENTO: 0 entendimento do insigne CRPS acerca do motivo apresentado no relatório fiscal da NFLD n° 35.371.8939/2001 restringirseia à inexistência da comprovação de contabilidade regular, que, segundo ele, não justificaria o Lançamento, segundo consta o relatório fiscal da lavratura da presente NFLD; ou se, além disso, conforme alega a Notificada, impunha a condição de no novo lançamento ser demonstrada a "inidoneidade da documentação apresentada"? RESPOSTAS: 0 entendimento do CRPS no Acórdão de n° 02210, de 18/10/2002, em que seus membros decidiram por ANULAR A NFLD, estabeleceu a necessidade de se "comprovar" que a documentação apresentada é inidônea ou não reflete a realidade do serviço prestado.” Da análise dos motivos adotados para o novo e presente lançamento (substitutivo) vislumbro que de fato não houve a análise de referida documentação antes apresentada, nem que fosse para desconsiderála por parte do auditor notificante. Vejamos o que pontuou sobre a documentação o auditor: Fl. 744DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18471.001812/200857 Acórdão n.º 2401004.260 S2C4T1 Fl. 1.178 9 “8 Assim sendo, o presente lançamento tem por finalidade substituir o lançamento efetuado anteriormente, haja vista ter a empresa contratante deixado de apresentar, ao contrário do afirmado anteriormente, os seguintes documentos: Guias de Recolhimento da Previdência Social — GETS e folhas de pagamento especificas para a obra realizada comprovação de que a contratada possui contabilidade regular referente ao período da obra, caso os valores de salário de contribuição sejam inferiores aos aferidos conforme explicado nos itens 16 e 17 do presente relatório.” Ou seja, verificase que quando do presente lançamento, sequer chegouse a avaliar os documentos acostados aos autos do processo administrativo referente à NFLD n. 35.371.8939 (Anulada), tendo simplesmente o fiscal reintimado a empresa a apresentar documentação, alegando que esta deixou de apresentar guias de pagamento e folhas de pagamento específicas para a obra, e, mais uma vez, comprovação de contabilidade regular. Não vislumbro, pois, que da forma como fora efetuado o lançamento, restou devidamente cumprido o que determinado pelo CRPS, motivo pelo qual entendo deva ser anulada a NFLD, pois não restou expressamente demonstrada a inidoneidade da documentação apresentada nos autos do processo administrativo relativo à NFLD n. 35.371.8939 (anulada). Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 745DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 11516.002448/2005-97
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.158
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§ 1º e 2º do Regimento do CARF.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin
Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (23/10/2014), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (23/10/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§ 1º e 2º do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (23/10/2014), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (23/10/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 5ª Turma da DRJ/FNS (Fls. 52/57), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .0 02 44 8/ 20 05 -9 7 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11516.002448/200597 Resolução nº 2801000.158 S2TE01 Fl. 84 2 Tratase de auto de infração resultante da revisão da declaração de ajuste anual do Interessado relativa ao anocalendário 2001, onde se exige Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar no valor de R$ 34.701,16, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. Da leitura do "Demonstrativo das Infrações" (fl. 10), observase que a presente autuação decorre da apuração de omissão de rendimentos tributáveis recebidos em decorrência do "processo trabalhista 971/89 da 2a Vara do Trabalho de Florianópolis ". Por ser de direito, o valor do imposto de renda retido na fonte foi alterado em razão da inclusão de valores devidamente comprovados, correspondentes aos rendimentos tributáveis omitidos. Inconformado, o Interessado apresentou a impugnação de fls. 01 a 03, na qual expõe suas razões de contestação. Aduz que por força de decisão judicial (Acórdão 7649/98 da 2a Turma do TRT da 12a Região) o cálculo do imposto de renda foi efetuado com observância do regime de competência. Afirma que a presente autuação desrespeitou ordem judicial, pois observou o regime de caixa. Alega que a Receita Federal, ao lavrar a presente autuação, "estabeleceu para o requerido um regime distinto da contribuição para o fisco, em relação aos demais autores do processo trabalhista n" 971/89, que tramitou perante a 2a Vara do Trabalho de Florianópolis/SC, contribuintes que dispõem da mesma capacidade contributiva e, sujeitos ao regime de competência, consoante o comando judicial, que ora está sendo desrespeitado, e atuando em desacordo com os preceitos constitucionais vigentes ". Ressalta que "teve gastos com advogado, a título de honorários advocatícios, no importe de R$ 57.415,33". Tendo em vista as alegações apresentadas, o Interessado requereu a "sustação do auto de infração" e, sucessivamente, requereu "a desconsideração da multa de oficio e dos juros de mora, eis que não houve máfé". E o relatório.” Passo adiante, a 5ª Turma da DRJ/FNS entendeu por bem julgar o Lançamento procedente, em decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2001 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Os rendimentos recebidos acumuladamente, em decorrência de sentença judicial, relativos a trabalho assalariado, estão sujeitos à incidência do Imposto de Renda na Fonte e na Declaração de Ajuste Anual. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11516.002448/200597 Resolução nº 2801000.158 S2TE01 Fl. 85 3 MULTA DE OFÍCIO DE 75%. ARTIGO 44, INCISO I, DA LEI N° 9.430/1996. A exigência no lançamento de ofício da multa de 75% prevista no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/1996, não está condicionada a caracterização de máfé. JUROS. ARTIGO 61, § 3 o , DA LEI N° 9.430/1996. A cobrança de juros na forma prevista no artigo 61, § 3o , da Lei n° 9.430/1996, não está condicionada a caracterização de máfé. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado em 14/02/2011 (Fl. 57), o recorrente interpôs Recurso Voluntário em 15/03/2011 (Fls. 60 à 67), reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. No presente caso, temse que o auto de infração objeto deste processo versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte. Ocorre que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, em decisão assim ementada, in verbis: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida Fl. 85DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11516.002448/200597 Resolução nº 2801000.158 S2TE01 Fl. 86 4 para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03/03/2011). Ante o reconhecimento da repercussão geral do tema, pelo Supremo Tribunal Federal, e a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, verifica se que as questões concernentes ao artigo 12 da Lei nº 7.713, de 1988, não podem ser apreciadas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais até que ocorra o julgamento final do Recurso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal. É que foi alterado (Portaria MF n.º 586, de 2010) o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), editado pela Portaria MF n.º 256, de 2009, determinando o sobrestamento ex officio dos recursos nas hipóteses em que reconhecida a repercussão geral do tema e determinado o sobrestamento dos julgamentos sobre a matéria pelo Supremo Tribunal Federal, a teor do art. 62A, §§1º e 2º, do Regimento Interno do CARF, que, a seguir transcrevese, ipsis litteris: “Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” Esses os motivos pelos quais entendo por bem sobrestar a apreciação do presente recurso voluntário, até que ocorra decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE nº 614.406, nos termos do disposto nos artigos 62A, §§1º e 2º, do RICARF. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Redatora ad hoc, em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 10830.006194/2004-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/01/1998, 28/02/1998, 31/03/1998, 30/04/1998, 31/05/1998, 30/06/1998, 31/07/1998, 31/08/1998, 31/10/1998, 30/11/1998, 31/12/1998, 31/01/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/10/1999, 30/11/1999, 31/12/2000
Cofins. Falta de Recolhimento/Compensação.
Tratando-se de causas de extinção da obrigação tributária, compete ao sujeito passivo comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, o efetivo pagamento ou sua compensação com créditos oriundos de outros tributos.
Ausentes tais elementos, impõe-se a manutenção do lançamento lavrado no intuito de formalizar a exigência
Multa de Oficio e Juros à Taxa Selic. Inconstitucionalidade. Instâncias Administrativas. Incompetência.
Pela Súmula nº. 2 do CARF, este Conselho é incompetente para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade da lei tributária, o que se reserva para o Poder Judiciário, não podendo conhecer, portanto, conhecer as argumentações do recorrente.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.434
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro.
Nome do relator: LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES
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INOCORRÊNCIA Restando observadas as normas procedimentais e expostos os fatos que ensejaram a lavratura do auto de infração, a matéria jurídica pertinente e a forma pela qual foi apurado o quantum, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, que pôde ser exercido em sua plenitude. FORMALIZAÇÃO DA EXIGÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO. AUTO DE INFRAÇÃO. HIGIDEZ A imposição de multa de 75% quando da lavratura do auto de infração está em perfeita consonância com os diplomas que regem o processo administrativo fiscal e a aplicação de penalidades. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/1998, 28/02/1998, 31/03/1998, 30/04/1998, 31/05/1998, 30/06/1998, 31/07/1998, 31/08/1998, 31/10/1998, 30/11/1998, 31/12/1998, 31/01/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/10/1999, 30/11/1999, 31/12/2000 COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO/COMPENSAÇÃO. Tratandose de causas de extinção da obrigação tributária, compete ao sujeito passivo comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, o efetivo pagamento ou sua compensação com créditos oriundos de outros tributos. Ausentes tais elementos, impõese a manutenção do lançamento lavrado no intuito de formalizar a exigência AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 61 94 /2 00 4- 70 Fl. 470DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.006194/200470 Acórdão n.º 3102001.434 S3C1T2 Fl. 940 2 MULTA DE OFICIO E JUROS À TAXA SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. INCOMPETÊNCIA. Pela Súmula nº. 2 do CARF, este Conselho é incompetente para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade da lei tributária, o que se reserva para o Poder Judiciário, não podendo conhecer, portanto, conhecer as argumentações do recorrente. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relatório Tratase de Recurso Voluntário que chega para exame deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF em razão da insurgência do contribuinte epigrafado ao Acórdão nº. 0518.493 (fls. 411416), da 4ª. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas/SP. Em instante prévio à apreciação da manifestação recursal, convém que sejam revisitados os atos e fases processuais já vencidas. Pois bem. Conforme bem descrito no relato empreendido pela autoridade julgadora de origem: “Tratase do Auto de Infração relativo à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins , lavrado em 26/10/2004, que formalizou o crédito tributário contra a contribuinte em epígrafe no valor total de R$ 375.916,56, incluindo multa de ofício e juros de mora calculados até 30/09/2004, devido às irregularidades assim discriminadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 07/08: 001 —COFINS DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO — COFINS ANO 1998 VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS Fl. 471DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.006194/200470 Acórdão n.º 3102001.434 S3C1T2 Fl. 941 3 Conforme Termo de Verificação e Planilhas anexos. [demonstrativo com Val. Tributável ou Contribuição e Multa (75%), para os fatos geradores: 31/01/1998 a 31/08/1998 e 31/10/1998 a 31/12/1998]. Enquadramento legal: Arts. 1° e 2° da Lei Complementar n° 70/91. Lei n°8.212/91. 002 — COFINS FATURAMENTO DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO — COFINS ANOS 1999 E 2000 — (VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS) Conforme Termo de Verificação e Planilhas anexos. [demonstrativo com Val. Tributável ou Contribuição e Multa (75%), para os fatos geradores: 31/01/1999, 31/08/1999 a 30/11/1999 e 31/12/2000]. Enquadramento legal: Art. 2° da Lei Complementar n° 70/91, Art. 77, inciso III do DecretoLei n° 5.844143; art. 149 da Lei n°. 5.172/66; art. 1° da Lei Complementar n°. 70/91; arts. 2°, 3° e 8°, da Lei n°. 9.718/98, com as alterações da Medida Provisória n° 1.807/99 e suas reedições, com as alterações da Medida Provisória n° L858199 e suas reedições." O citado Termo de Verificação Fiscal, constante de fls. 13/21, assim detalha a infração: "DO CONTEXTO Esta ação fiscal foi iniciada em decorrência da diligência autorizada pelo MPF 08104002003.009530, e teve inicio em 30/12/2003, com a Lavratura de Auto de Infração referente à omissão de rendimentos. O presente trabalho restringiuse aos procedimentos de Verificações Obrigatórias, com a finalidade de apurar se as bases de cálculos e os recolhimentos efetuados pelo contribuinte, com relação aos tributos declarados não alcançados pela decadência, estão corretos. Em 30/12/20030 contribuinte foi intimado a: (…) 3) Fornecer relação contendo o número dos processos judiciais e a matéria discutida, em relação às ações judiciais, porventura existentes, impetradas contra a Fazenda Pública Federal (tributos administrados pela Receita Federal); 4) Digitar os dados constantes do programa fornecido em meio magnético juntamente com a intimação, imprimir e assinar o Questionário de Informações Gerais Prestadas pelo Contribuinte e a Planilha do Contribuinte (devolvendo a fiscalização os disquetes, após salvar as informações). Atentandose que os valores correspondentes ao PIS/COFINS diziam respeito Fl. 472DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.006194/200470 Acórdão n.º 3102001.434 S3C1T2 Fl. 942 4 inclusive aos das filiais, caso não houvesse centralização do recolhimento. Em 05/03/2004, novamente foi reintimado nos mesmos termos da intimação anterior. Em 05/03/2004 apresentou posição processual das ações judiciais Impetradas contra a Fazenda Pública Federal, referente ao PIS, ao COFINS e ao FINSOCIAL, bem como apresentou o Questionário de Informações Gerais Prestadas pelo Contribuinte, a Planilha do Contribuinte e os dados digitados no programa fornecido por esta fiscalização. Em 21/05/20040 contribuinte foi intimado a apresentar: 1. Livro Diário e Razão referente ao período compreendido entre janeiro de 1999 a novembro de 2003; 2. Livro Registro de Apuração ICMS referente ao período compreendido entre janeiro de 1999 a novembro de 2003; 3. Livro Registro de Apurado IPI referente ao período compreendido entre janeiro de 1999 e novembro de 2003; (…) 6. Demonstrativo das Compensações referente aos processos judiciais de FINSOCIAL; Em 14/06/2004, através de correio eletrônico, o contribuinte solicitou prorrogação de prazo, pois alguns livros encontravam se com a Fazenda Estadual. Em 04/08/2004 foi efetuada a retenção dos livros solicitados, bem como de Relatórios de Planejamento Tributário do IPI. Em 09/08/2004 o contribuinte foi intimado a apresentar: 2. Demonstrativo das Compensações referente aos processos judiciais contendo as bases de cálculo; 3. Teor da decisão judicial proferida em junho/2004, referente ao processo n°. 95.6088195 de FINSOCIAL Em 12/08/2004 foi efetuada a retenção dos livros solicitados, bem como foi recebido o teor da decisão judicial proferida em junho/2004, referente ao processo n°. 95.6088195 de FINSOCIAL. Em 26/08/2004 foram devolvidos os Livros de Registro de Apuração de ICMS referentes a filial 50.612.738/000420. Em 20/09/2004 o contribuinte foi novamente intimado a apresentar, por tributo, os itens a seguir: TRIBUTO: PIS (…) Fl. 473DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.006194/200470 Acórdão n.º 3102001.434 S3C1T2 Fl. 943 5 TRIBUTO: COFINS 1. Apresentar justificativas, bem como a documentação comprobatória, para a falta de recolhimento/compensação da COFINS no período de 01/98 a 08/98 e 10/98 a 12/98 tanto para a matriz como para as filiais; 2. Apresentar justificativas, bem como a documentação comprobatória, para as diferenças apuradas na base de cálculo da COFINS, conforme planilha "Demonstrativo da Situação Fiscal Apurada COF1NS" constante no Anexo 2 daquele Termo; 3.Apresentar justificativas, bem como a documentação comprobatória, por não constarem das DCTF entregues a partir de fevereiro de 1999, os valores do COFINS que tenham por base de cálculo os valores referentes às receitas financeiras, conforme planilha "Demonstrativo da Situação Fiscal Apurada – COFINS" constante no Anexo 2 daquele Termo. "(negrejouse) TRIBUTO: IPI 1 – Apresentar justificativas, bem como a documentação comprobatória, para a utilização de créditos de IPI, relacionados abaixo, decorrentes da aquisição de matérias primas, produtos intermediários e/ou materiais de embalagem, isentos, nãotributados e/ou tributados à alíquota zero; Período Valor 30/11/1999 – R$ 49.927,98 20/04/2000 R$ 18.742,16 20/10/2001 R$ 81.129,49 02/02/2002 R$ 23.763,42 2 – Apresentar justificativas, bem como a documentação comprobatória, caso discordasse da escrituração do IPI que foi refeita por esta fiscalização de acordo com a planilha "Demonstrativo de Reconstituição da Escrita” constante no Anexo 3 daquele Termo: Período Valor 30/11/1999 R$ 49.927,98 20/04/2000 R$ 18.742,16 20/10/2001 R$ 81.129,49 02/02/2002 R$ 23.763,42 3 – Apresentar justificativas, bem como a documentação comprobatória, para o fato do estabelecimento corrigir monetariamente, ou acrescer de juros, créditos extemporâneos, ainda que esses créditos fossem legítimos. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.006194/200470 Acórdão n.º 3102001.434 S3C1T2 Fl. 944 6 Em 22/09/2004 foi solicitada prorrogação de prazo através de correio eletrônico. Em 04/10/2004 esta fiscalização solicitou a inclusão das Operações FiscaisInsuficiência de Recolhimento e COFINS Insuficiência de Recolhimento para o anocalendário 1998. Em 06/10/2004 o contribuinte apresentou informações sobre os diversos itens da intimação, bem como apresentou os balancetes de verificação do anocalendário 1998, que foram retidos por esta fiscalização. DAS VERIFICAÇÕES No decorrer dos trabalhos fiscais FORAM VERIFICADOS os fatos abaixo discriminados quanto ao tributo COFINS: 1. Para o período de 01/98 a 08/98 e 10/98 a 12/98, não foram localizados nos Sistemas da Secretaria da Receita Federal, pagamentos referentes à COFINS. Na planilha de compensação apresentada, também não constam valores compensados para este período. Este fato se verifica tanto para a matriz como para as filiais. 2. O contribuinte apresentou os faturamentos, do anocalendário 1998, da matriz e das filiais, mas como a empresa encontrase em fase de encerramento das atividades, inclusive com algumas filiais já canceladas na base de dados cadastrais da Secretaria da Receita Federal, esta fiscalização somou todos as bases de cálculo e está efetuando a constituição do crédito tributário na matriz. 3. Foram apuradas diferenças na base de cálculo da COFINS, conforme planilha "Demonstrativo da Situação Fiscal Apurada — COFINS", constante no Anexo I do presente Termo, e planilha "Apuração da Base de Cálculo Pis/Cofins", constante no Anexo 2 do presente Termo. (…)" A contribuinte foi cientificada dos autos em 26/10/2004 (fls. 06). Inconformada, a interessada apresentou, por intermédio de seu representante legal, em 25/11/2004, impugnação de fls. 311/355, acompanhada de documentos de fls. 356/406. Após breve resumo abrangendo todos os fatos verificados na ação fiscal, protesta, preliminarmente, pelo cerceamento do direito de defesa, ante a relação genérica do enquadramento legal da infração. Diz que a fiscalização não indica de forma clara e objetiva qual seria o dispositivo legal que supostamente veda a compensação efetuada de forma legítima pela autuada. Fundamentase nas disposições do art. 5°, inciso LV, da Constituição Federal de 1988 (CF/88). Também, julga nulo o lançamento, face inobservância dos seguintes princípios: da reserva legal, da legalidade, da motivação e da segurança jurídica. Fl. 475DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.006194/200470 Acórdão n.º 3102001.434 S3C1T2 Fl. 945 7 Antes de adentrar no mérito da questão, passa a examinar os conceitos básicos da ação fiscalizadora. Afirma que possui a Administração poder discricionário para decidir e atuar em conformidade com as disposições legais, sempre da melhor forma, a fim de beneficiar os indivíduos por ela administrados, aos quais deve a obrigação de bem estar e cidadania. Ainda nesse diapasão, aponta que a "notificação de lançamento" questionada possui erro latente, vez que não é o competente meio para efetivação da cobrança. Fundamentase nas disposições constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional — CTN para concluir que "notificação de lançamento" é um lançamento de oficio e acusa que a autoridade fiscal pretende transformála em uma espécie de auto de infração e imposição de multa. Julga que a fiscalização pode propor, mas não impor a multa, "vez que a notificação de lançamento é meramente declaratória e não ato constitutivo, angariando a personalidade de um lançamento de oficio que deverá descrever a subsunção do conceito do fato ao conceito da norma, deixando a valoração ou cognição do conteúdo para o órgão judicante que realmente tem competência para apreciar e rever, não só os aspectos de direito COMO os de fato e deduzir se ocorreram ou não os efeitos". E que caso não se entenda pela nulidade do auto de infração, o que admite apenas por argumentação, protesta pela sua retificação e regularização com a disposição legal pertinente ao caso vertente. No mérito, inicia falando da compensação. Diz possuir credito de Pis passível de compensação com parcelas vincendas da própria contribuição, nos termos do art. 66 da Lei n° 8.383, de 1991. E que está convencida do acerto do procedimento e da possibilidade dos abatimentos no âmbito de seu lançamento por homologação. E continua: "Ocorre que, se assim o fizer, respaldadas apenas e tão somente na sua convicção a respeito da matéria, as DCTFs futuras revelarão seu encontro de contas unilateral. Desta forma, a impugnante ajuizou uma ação judicial autuada sob o n°. 97.6010700, visando a declaração, como base de cálculo do PIS, o faturamento auferido no sexto mês anterior ao do recolhimento, em seu valor nominal, não incidindo qualquer índice de correção monetária, desde a edição dos Decretosleis n°. 2.445 e 2.449 ambos de 1988, até março de 1996 (…), bem como declarado como compensável todo o montante de créditos de PIS, resultante da diferença entre o pagamento da contribuição sobre o faturamento auferido no mês anterior (Decretosleis n° 2.445/88 e 2.449/88) e o que deveria ter sido recolhido com base no faturamento cru do sexto mês anterior (art.,6°, § único, da Lei Complementar n° 7/70) com o próprio PIS vincendo conforme entendimento pacifico dos tribunais". Fl. 476DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.006194/200470 Acórdão n.º 3102001.434 S3C1T2 Fl. 946 8 Informa que também compensou a Cofins no período de 01/98 a 08/99 a 11/99 e 12/00, com crédito de Finsocial que fora recolhido à alíquota superior a 0,5%, tudo mediante permissivo do art. 66 da Lei n°8 383 de 1991. Acrescenta que o direito de pleitear a restituição dáse após expirado,o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos a partir da homologação tácita, conforme tese do STJ. E que, a despeito de já ter implementado a compensação, pleiteou em juízo autorização para tal procedimento, obtendo sentenças de 1ª e 2ª instâncias favoráveis. Diante de tais pressupostos, conclui que o procedimento fiscal revestiuse de patente ilegalidade. Passa a abordar a compensação com quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. Discorre da possibilidade da compensação do crédito de PIS com outros tributos, independentemente de requerimento, com fulcro no art. 74 da Lei n°. 9.430, de 1996, com as alterações da Lei n° 10.637, de 2002. Cita jurisprudência e diz que se aplica ao caso o art. 106, inciso II, "a", do CTN, onde é admitida a retroatividade da lei mais benigna a favor do contribuinte, nos casos não definitivamente julgados. Assim, conclui, mais uma vez, que a compensação efetuada pela impugnante obedeceu aos requisitos legais, devendo, portanto, ser anulado o auto de infração. Prossegue tratando da utilização dos créditos de IPI na aquisição de bens isentos, não tributados ou com alíquota zero, destinados ao ativo imobilizado e ao uso e consumo do estabelecimento. Alega que a legislação infraconstitucional contraria o princípio da nãocumulatividade quando não admite que as empresas aproveitem o crédito de IPI na aquisição de insumos, produtos intermediários e matériasprimas, utilizados no processo industrial, sob os regimes de isenção e alíquota zero. Contrapõese ao entendimento de que, por não ter sido cobrado o IPI na operação anterior, inexistiria direito ao crédito, porque levaria à supressão dos incentivos fiscais, que restariam convertidos em mero diferimento de incidência. Argumenta que tal procedimento desvirtua o disposto na Constituição e gera concorrência desleal, pois quem vende produto isento ou com alíquota zero, para concorrer em pé de igualdade, deverá conceder descontos nunca inferiores ao valor do IPI. Cita jurisprudência. Conclui o tópico dizendo que tendo o STF decidido pelo direito de crédito de IPI na aquisição de insumos isentos, não resta mais dúvida de que as empresas têm o direito de proceder ao creditamento do IPI incidente sobre aqueles produtos, diretamente na sua escrita fiscal, crédito esse que deverá ser Fl. 477DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.006194/200470 Acórdão n.º 3102001.434 S3C1T2 Fl. 947 9 corrigido e compensado com os demais tributos arrecadados e administrados pela SRF. A seguir, aborda a questão da extinção do crédito tributário. Alega que, face o crédito oponível contra a Fazenda, efetuou compensação dos valores recolhidos indevidamente, com amparo na declaração de inconstitucionalidade dos valores pagos a maior a título de Pis e Cofins e que, portanto, extinto está o respectivo crédito tributário, nos termos do art. 156, II, do CTN. Cita doutrina e protesta seja anulado o auto de infração. Na sequência, argúi a impossibilidade de aplicação de taxa Selic como juros moratórios, por afronta ao art. 9°, inciso I, e art. 161, § 1°, ambos do CTN, devendo o auto de infração ser tomado nulo, posto que se tomou ilíquido ao trazer valores incorretos acerca do cálculo do suposto débito. Faz extenso arrazoado para concluir que a Selic tem características • remuneratórias, sendo ilegal e inconstitucional sua utilização para fins tributários. Cita doutrina e jurisprudência. Passando à multa, julga que o percentual aplicado é absurdo e inaceitável, denotando abuso do poder fiscal. Além do mais, diz que a penalidade não respeita o princípio da proporcionalidade e do nãoconfisco, presentes na Constituição. Faz remissão ao art. 113 do CTN para concluir que também as penalidades podem ser consideradas confiscatórias, pois a obrigação tributária é composta de tributo e penalidade. Cita mais doutrina e jurisprudência. Contrapõese, também, à cobrança concomitante de multa moratória e juros de mora, por caracterizar bis in idem, já que ambos possuem a mesma natureza jurídica de sanções ressarcitórias, entendendo que apenas uma deverá ser aplicada e, certamente, aquela que menos onere o devedor. Encerra com o seguinte pedido: "a) sejam acolhidas as preliminares argüidas, declarandose a nulidade do auto de infração MPF n o 08104002003.009530, ou, no mérito, seja julgada totalmente procedente a presente impugnação para desconstituir a autuação em razão de serem inexigíveis os valores lançados como débito da autuada, bem como a respectiva multa e os juros, tendo em vista os argumentos acima expendidos; ou b) caso não seja este o entendimento de V.Sª o que se admite apenas para argumentar, seja julgada indevida ou reduzida a multa aplicada, seja em razão do confisco afrontando o artigo 150, inciso IV da Constituição Federal de 1988, ou, que seja aplicada a pena de MULTA ou de JUROS moratórias sob pena de incorrermos num bis in idem’.” Após delimitar a matéria impugnada, a 4a. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Campinas/SP, através do acórdão já referenciado, manteve a exigência fiscal, o que se colhe da ementa clara e precisa do julgado guerreado: Fl. 478DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.006194/200470 Acórdão n.º 3102001.434 S3C1T2 Fl. 948 10 “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/1998, 28/02/1998, 31/03/1998, 30/04/1998, 31/05/1998, 30/06/1998, 31/07/1998, 31/08/1998, 31/10/1998, 30/11/1998, 31/12/1998, 31/01/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/10/1999; 30/11/1999, 31/12/2000 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Tendo sido perfeitamente descrito o fato e juridicamente qualificado pelas normas no enquadramento legal pertinente à contribuição, com a elaboração de um conjunto de demonstrativos e planilhas, o qual, combinado com os termos e a descrição dos fatos no auto de infração, demonstra cabalmente a forma como foi apurada e calculada a Cofins devida, caracterizando plenamente todos os elementos do fato jurídico tributário, não se vislumbra qualquer prejuízo à contribuinte para a perfeita inteligência acerca da matéria autuada. LANÇAMENTO. FORMALIZAÇÃO DA EXIGÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. A formalização da exigência por meio de Auto de Infração com imposição de multa atende ao principio da vinculação do ato administrativo, não contrariando a dispositivo legal ou a ordem judicial. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n°70.235, de 1972. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/1998, 28/02/1998, 31/03/1998, 30/04/1998, 31/05/1998, 30/06/1998, 31/07/1998, 31/08/1998, 31/10/1998, 30/11/1998, 31/12/1998, 31/01/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/10/1999, 30/11/1999,31/12/2000 COFINS. DIFERENÇA APURADA NA BASE DE CÁLCULO. Constatadas irregularidades na apuração da base de cálculo da COFINS, não infirmadas pela contribuinte, correta é a exigência da diferença da contribuição correspondente. COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO/COMPENSAÇÃO. Mantémse a exigência para a qual não se logrou comprovar, mediante documentação hábil e idônea, o efetivo pagamento ou compensação. MULTA DE OFICIO E JUROS À TAXA SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.006194/200470 Acórdão n.º 3102001.434 S3C1T2 Fl. 949 11 As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco. Lançamento Procedente.” Regularmente intimado, o contribuinte manejou o Recurso Voluntário em análise, pelo qual basicamente reitera os argumentos já deduzidos em sua manifestação de inconformidade, continuando sua defesa quanto: (i) ao cerceamento do seu direito de defesa pelo Auto de Infração não elencar claramente a fundamentação legal da dívida tributária; (ii) à impossibilidade da Notificação de Lançamento em Auto de Infração constituirse em lançamento de ofício, bem como que a este somente caberia propor a sanção e não a aplicar, defendendo, pois, a consequente nulidade deste Auto; (iii) à existência de compensação de créditos oriundos de inconstitucionalidade do aumento de alíquota do FINSOCIAL; (iv) à existência de direito de crédito de IPI incidente na aquisição de insumos isentos; (v) à impossibilidade de aplicação da taxa SELIC como taxa de juros moratórios; (vi) ao caráter confiscatório da multa de 75% aplicada no Auto de Infração; e, por fim, (vii) à violação do princípio do ne bis in idem pela cobrança cumulativa de multa de mora e juros de mora. Em face do encerramento do mandato do conselheiro relator e de que não foi formalizado o acórdão, me autodesignei para tal tarefa. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Redator Reproduzo o voto lido em sessão, que representa os fundamentos do Acórdão e foi referendado pela unanimidade dos presentes. Verificado o preenchimento dos pressupostos de admissibilidade recursal, dele tomo conhecimento. No que diz respeito às preliminares arguidas pelo recorrente, quais sejam a de nulidade do Auto de Infração em face do cerceamento do seu direito de defesa; tal como a nulidade deste pela inobservância dos procedimentos corretos para a realização de lançamento de ofício pela autoridade fiscalizadora; e sua nulidade pela imposição de multa, a qual, todavia, só poderia ser proposta, há de se discorrer o que se segue. Em primeiro lugar cabe esclarecer o que se entende por lançamento tributário. Nesse sentido, o Código Tributário Nacional, em seu artigo 142, fornece a este uma definição legal, qual seja o procedimento administrativo vinculado “o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, Fl. 480DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.006194/200470 Acórdão n.º 3102001.434 S3C1T2 Fl. 950 12 identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Nesse contexto, os lançamentos podem ser classificados em três categorias: os lançamentos por declaração, os por homologação e os lançamentos de ofício. O lançamento de ofício, a seu turno, pode ser conceituado como aquele que “é feito por iniciativa da autoridade administrativa, independentemente de qualquer colaboração do sujeito passivo. Qualquer tributo pode ser lançado de ofício, desde que não tenha sido lançado regularmente na outra modalidade”. (MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. 19. ed. São Paulo: Malheiros, 2001. p. 146.) O lançamento de ofício, logo, dentre outras, tem lugar naquelas hipóteses em que o contribuinte o sujeito passivo não faça a apuração ou o pagamento dos tributos aos quais esteja obrigado a realizar, bem como naquelas em que os faz incorretamente. Ou seja, na falta da realização do lançamento por outra modalidade, tem, a Administração Tributária, o dever de proceder ao lançamento de ofício para que possa exigir o pagamento do tributo ou a diferença do tributo devido. O Auto de Infração, desta forma, constituise no meio pelo qual se procede à formalização de lançamento efetuado de ofício pela Administração Tributária, cuja característica principal é sua lavratura pelo agente competente no local da infração. Outrossim, no que se refere ao caso em tela, cabe destacar que o Auto de Infração foi lavrado em conformidade com toda a legislação tributária, constitucional e administrativa pertinente, observando sua natureza de ato administrativo vinculado, de forma a estar patente sua legalidade, que, inclusive, não foi comprovadamente afastada pelo recorrente. Imperioso, portanto, reiterar o que escreveu o Eminente Relator da 4a. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Campinas/SP ao afirmar que: “Ainda quanto ao procedimento fiscal, da análise dos autos, depreendese que os fatos foram perfeitamente descritos e juridicamente qualificados pelas normas no enquadramento legal pertinente à contribuição em estudo (COFINS). Consubstanciamse no entendimento da Autoridade Fiscal acerca da infração apontada, resumida no início do relatório. Além disso, a fiscalização elaborou um conjunto de demonstrativos e planilhas, o qual, combinado com os termos e a descrição dos fatos no auto de infração, demonstra cabalmente a forma como foi apurada e calculada a contribuição devida, caracterizando plenamente todos os elementos do fato jurídico tributário, pelo que não se vislumbra qualquer prejuízo à contribuinte para a perfeita inteligência acerca da matéria autuada.” Fl. 481DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.006194/200470 Acórdão n.º 3102001.434 S3C1T2 Fl. 951 13 Ainda no que toca às preliminares alegadas, fazse mister apontar que constatada irregularidade ou o não pagamento de determinado tributo, procederseá ao seu lançamento de ofício, que, “para que gere efeitos, deve ser objeto de notificação ao sujeito passivo. O efeito principal dessa notificação é formalizar o dever do sujeito passivo de proceder ao recolhimento do tributo, que antes, era inexigível por falta de condição de exigibilidade”. (AMARO, Luciano da Silva. Direito Tributário Brasileiro. 15. ed. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 347.) Desse modo, uma vez realizada a notificação, o contribuinte, ciente do lançamento, possuirá prazo de trinta dias para vistas do inteiro teor do processo no Órgão Preparador, bem como para apresentar impugnação escrita, exercitando seu direito ao contraditório e à ampla defesa, tal como ocorreu pela observância dos documentos presentes nesses autos. Por fim, quanto à suposta impossibilidade de aplicação de multas junto ao lançamento de ofício, observase que verificadas as condições para a imposição de penalidade, a multa, que também é visualizada como uma obrigação tributária principal, deve ser indicada no corpo do Auto de Infração conforme determina o artigo 10 do Decreto n° 70.235 de 1972, o que não viola qualquer princípio tributário, tal como se lê abaixo: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula”. Assim, é imperativo negar reconhecimento às pretensões do recorrente no que toca às preliminares alegadas, haja vista a observância dos preceitos legais pelo procedimento de lançamento de oficio realizado. Quanto ao mérito, o recorrente produz sua argumentação no tocante à existência de direito de crédito de IPI na aquisição de bens isentos, não tributados ou com alíquota zero, quando destinados ao ativo imobilizado e ao uso e consumo do estabelecimento, e que, portanto, estaria legislação infraconstitucional marcada por vício de inconstitucionalidade pois contrariaria o principio da nãocumulatividade previsto na Constituição de 1988. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.006194/200470 Acórdão n.º 3102001.434 S3C1T2 Fl. 952 14 Busca deduzir, ainda, que os créditos tributários em cobrança estariam extintos por compensação com créditos oriundos da declaração de inconstitucionalidade de aumento da alíquota do FINSOCIAL, que teria sido obtida em ações judiciais cuja cópia apresenta. Além disso, contrapõese à multa e aos juros de mora aplicados, por entender que seriam inconstitucionais, bem como amparado na concepção de que a cobrança cumulativa destes caracterizaria uma violação ao ne bis in idem. Seu primeiro argumento reside na alegação de que a legislação infraconstitucional que regulamenta o IPI padeceria de vício de inconstitucionalidade, dada a não observação do princípio da nãocumulatividade por não admitir que as empresas aproveitem o crédito de IPI na aquisição de insumos, produtos intermediários e matériasprimas, utilizados no processo industrial, sob os regimes de isenção e alíquota zero. Com relação a este, há de se destacar que este Conselho não é competente para conhecer ou afastar normas jurídicas tributárias em face da alegação de inconstitucionalidade. Nesse sentido, manifestase a súmula CARF número 2: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Nesse sentido, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em seu artigo 72 prescreve que: “Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. § 1° Compete ao Pleno da CSRF a edição (apreciar proposta) de enunciado de súmula quando se tratar de matéria que, por sua natureza, for submetida a duas ou mais turmas da CSRF. § 2° As turmas da CSRF poderão aprovar enunciado de súmula que trate de matéria concernente à sua atribuição. § 3° As súmulas serão aprovadas por 2/3 (dois terços) da totalidade dos conselheiros do respectivo colegiado. § 4° As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF.” (grifos nossos) Impossibilitase, portanto, por violação direta de súmula deste Conselho, o conhecimento do presente argumento da inconstitucionalidade da legislação infraconstitucional do IPI. Corroborando o exposto, tornase importante reprisar a narrativa oferecida pelo Eminente Relator da 4a. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Campinas/SP, “Quanto aos questionamentos que se voltam à validade da lei, na qual se baseia o procedimento levado a efeito pela fiscalização, esclareçase que, por estar devidamente Fl. 483DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.006194/200470 Acórdão n.º 3102001.434 S3C1T2 Fl. 953 15 fundamentada a exigência em norma inserida no ordenamento jurídico, não cabe a este órgão administrativo perquirir de sua constitucionalidade, dado este controle não ser da alçada dos órgãos administrativos, mas sim, exclusivamente, do Poder Judiciário, nos termos do art. 102, incisos I, "a" e III, "h" e § V' da Constituição Federal. Enquanto a norma não é declarada inconstitucional pelos órgãos competentes do Poder Judiciário e não é eliminada do sistema normativo, tem presunção de validade vinculante para a Administração Pública.” Já em relação à alegação da ocorrência de compensação pelo contribuinte de créditos oriundos de declarações de inconstitucionalidade de aumentos de alíquotas do FINSOCIAL para com os créditos em cobrança e da consequente nulidade do Auto de Infração em face dessa, há de se analisar que não obstante o contribuinte faça prova do ajuizamento dessas ações e dos direitos delas decorrentes, não veio a comprovar satisfatoriamente a realização dessas compensações. Tais provas poderiam ter sido produzidas através da apresentação de cópia dos registros contábeis e fiscais que denotasse a efetivação do referido procedimento no encontro das contas de crédito com os débitos aqui correspondentes, ou mesmo, através da exibição destes quando solicitado pela Administração Tributária nas diversas fiscalizações que efetuou. Assim, no que diz respeito a esta argumentação, em face da inexistência de provas concretas, e sim, de uma mera arguição retórica, tornase impossível reconhecer a pretensão do recorrente. Quanto à aplicação da taxa SELIC como taxa de juros moratórios, o recorrente defende sua inconstitucionalidade, o que, como já exposto anteriormente, não pode ser analisado por este Conselho, já que aduz a controle de alçada exclusiva do Poder Judiciário. Contudo, somente a título explicativo, fazse mister apontar que esta utilização já é patente neste Tribunal, estando consubstanciada na Súmula CARF nº. 4, a qual é de adoção obrigatória este Conselho: “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” No pertinente, ao caráter confiscatório da multa de 75% lançada de ofício, observase que seu lançamento se deu em conformidade com o previsto no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em face da constatação de infração à legislação tributária. Dessa forma, a aplicação desta encontrase revestida de legalidade, e sua análise, à luz da vedação constitucional ao confisco, apenas para reprisar o que Fl. 484DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.006194/200470 Acórdão n.º 3102001.434 S3C1T2 Fl. 954 16 cansativamente já foi exposto, não pode ser realizada sob pena de afronta à Súmula nº. 2 do CARF. Por fim, o recorrente deduz argumentação no sentido de que a multa de mora e os juros de mora teriam a mesma finalidade remuneratória, e que, por logo, seriam vedados pelo princípio do ne bis in idem. Nesses termos, frisase que a multa tributária é uma obrigação tributária principal ex lege, por força do artigo 113, §1º do Código Tributário Nacional, e cujo fato gerador é a infração à legislação tributária. No presente caso, foi aplicada multa, amparada no artigo 44, inciso I da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em face do não pagamento ou recolhimento de tributos, ou seja, pela infração à obrigações impostas por lei, como se obserca abaixo: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Os juros de mora, por sua vez, são devidos, ainda que não haja prejuízo, sempre que ocorrer atraso no cumprimento de qualquer obrigação. Desta forma, quando do atraso no pagamento de obrigações tributárias, passase a dever juros de mora. Consolidando esse entendimento postase a Súmula nº. 5 do CARF: “Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.” Improcedente é, mais uma vez, a pretensão do recorrente. Ante ao exposto, voto no sentido de conhecer do presente recurso voluntário para lhe negar provimento. Sala das Sessões, em 24 de abril de 2012 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 485DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.006194/200470 Acórdão n.º 3102001.434 S3C1T2 Fl. 955 17 Fl. 486DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 13056.000548/2004-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA ONEROSA DE CRÉDITOS DE ICMS.
Não há incidência de PIS sobre a cessão de créditos de ICMS, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial..
RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE PIS/PASEP. DESPESAS NÃO CLASSIFICÁVEIS COMO INSUMOS. IMPOSSIBILIDADE
Não são passíveis de ressarcimento créditos decorrentes de despesas com serviços adquiridos de pessoas físicas, de despesas administrativas e comerciais no caso concreto. O conceito de insumo depende da inserção da despesa ou custo no processo produtivo da empresa de acordo com a sua atividade econômica.
Numero da decisão: 3302-001.654
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Walber José da Silva e Maria da Conceição Arnaldo Jacó que negavam provimento. O conselheiro José Antonio Francisco acompanhou o relator pelas conclusões e fará declaração de voto.
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO - Relator.
(Assinado Digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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TRANSFERÊNCIA ONEROSA DE CRÉDITOS DE ICMS. Não há incidência de PIS sobre a cessão de créditos de ICMS, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial.. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE PIS/PASEP. DESPESAS NÃO CLASSIFICÁVEIS COMO INSUMOS. IMPOSSIBILIDADE Não são passíveis de ressarcimento créditos decorrentes de despesas com serviços adquiridos de pessoas físicas, de despesas administrativas e comerciais no caso concreto. O conceito de insumo depende da inserção da despesa ou custo no processo produtivo da empresa de acordo com a sua atividade econômica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Walber José da Silva e Maria da Conceição Arnaldo Jacó que negavam provimento. O conselheiro José Antonio Francisco acompanhou o relator pelas conclusões e fará declaração de voto. WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado Digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 6. 00 05 48 /2 00 4- 98 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 22/08/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 2 GILENO GURJÃO BARRETO Relator. (Assinado Digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Adotase o relatório por bem refletir a decisão recorrida. “Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos de PIS nãocumulativo. A Delegacia de origem do processo reconheceu parcialmente o direito creditório. 2. Inconformada, a interessada apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade, onde discorda da glosa efetuada, insurgindose contra a inclusão na base de cálculo do PIS nãocumulativo das receitas provenientes de transferências de ICMS. Defende a legitimidade do direito creditório oriundo de aquisições efetuadas de pessoas físicas, de despesas financeiras, administrativas, comerciais e industriais. A partir de tais argumentos requereu o reconhecimento da inexigibilidade do PIS sobre as quantias decorrentes da transferência de saldo credor de ICMS a fornecedores/terceiros. Todavia, entendendo que a interessada não estava legitimada para reivindicar eventual direito creditório, foi indeferida a solicitação da interessada, ratificando a decisão da DRF, não reconhecendo o direito creditório pleiteado.” Irresignada a Recorrente interpôs Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator Fl. 164DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 22/08/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13056.000548/200498 Acórdão n.º 3302001.654 S3C3T2 Fl. 160 3 O presente recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Tratase de Pedido de Ressarcimento de créditos de PIS nãocumulativo de receitas provenientes de transferência onerosa de créditos de ICMS, bem como da legitimidade do direito creditório oriundo de aquisições efetuadas de pessoas físicas, de despesas financeiras, administrativas, comerciais e industriais. A recorrente questiona, em sua peça, a inclusão por parte da Receita Federal, dos valores relativos à transferência de créditos de ICMS na base de cálculo da PIS, alegando que tal operação não implica em receita para a mesma, e mesmo que implicasse, seria qualificada como receita de exportação, caracterizada como isenta e imune à incidência de PIS e COFINS. Passamos agora a discutir tais pontos abordados no recurso voluntário em questão: I – DA INCLUSÃO DOS VALORES DA TRANSFERÊNCIA DE ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS: Prosseguindo, vejo então que a análise de mérito no presente processo restringese primordialmente sobre a exigibilidade ou não de PIS sobre os valores referentes à cessão de créditos de ICMS a terceiros. A recorrente alega em sua peça que tais transferências não se caracterizam como receita, e mesmo se receita fosse, seria proveniente de exportações, isenta de tributação por parte de PIS e COFINS. Contudo, no que tange a esse tema controverso, tenho que razão assiste ao contribuinte, posto que a cessão de créditos do ICMS tratase de operação meramente patrimonial, não repercutindo em lançamento à conta de resultado. É sabido que nas operações de venda de mercadorias, quando da emissão da nota fiscal, destacase o ICMS devido e lançase em conta de passivo exigível. Por sua vez, em obediência ao princípio da nãocumulatividade, a contribuinte creditase dos valores utilizados em etapas anteriores da cadeia produtiva. Quando o saldo de créditos supera os de débitos, a contribuinte apura saldo de ICMS a Recuperar, para ser compensado dos débitos do imposto em períodos posteriores. No entanto, previu o legislador hipótese de transferência de créditos acumulados de ICMS para outra pessoa jurídica – em especial quando o própria contribuinte não encontra meios para realizar seu saldo de créditos –, desde que atendidas as condições constantes no Regulamento do ICMS do EstadoMembro em questão. Assim, até por ser o ICMS um tributo estadual, inexistindo previsão legal para compensação deste com tributos federais, a contribuinte ora recorrente transferiu créditos de ICMS para seus fornecedores, em operação denominada cessão de créditos. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 22/08/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 4 Assim, em verdade, tal operação não transitou em contas de resultado, e nem representa ingresso de receita para a contribuinte, senão mera operação patrimonial, utilizando se de créditos de ICMS registrados em seu Ativo como meio de pagamento para com seus fornecedores, em virtude do princípio da livre convenção entre as partes, basilar do Direito Comercial, para satisfazer sua obrigação para com seu(s) fornecedor(es), mediante dação em pagamento, na figura de cessão de créditos. Ora, apenas em se houvesse algum incremento nesta operação (ágio) é que se poderia cogitar em receita, ou existência de ganhos para a contribuinte, e se discutir a eventual incidência de PIS ou COFINS sobre este hipotético ganho. No entanto, não é esta a hipótese dos autos, razão pela qual entendo não subsistir hipótese de incidência para a tributação dos referidos valores pela PIS ou COFINS. Nesse sentido decidiu a antiga Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade, como adiante, no Acórdão no. 20180.505, de 15 de Agosto de 2007: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2004 Ementa: COFINS. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA DE COFINS. Não há incidência de Cofins sobre a cessão de créditos de ICMS, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial. Recurso provido.” II – DOS INSUMOS TIPIFICADOS NA LEGISLAÇÃO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E DESPESAS ADMINISTRATIVAS, COMERCIAIS, INDUSTRIAIS E FINANCEIRAS A sistemática da nãocumulatividade visa evitar o efeito "cascata" da tributação das contribuições ao PIS e COFINS. No caso das contribuições em exame, estas incidem sobre o faturamento ou receita, diferindo dos moldes do IPI e do ICMS, que incidem sobre uma cadeia econômica. Sendo assim, a não cumulatividade do PIS e da COFINS é operada mediante redução da base de cálculo, com a respectiva dedução de créditos relativos às contribuições que foram recolhidas sobre o faturamento em etapas anteriores (Método Subtrativo Indireto). A questão deve ser vista como uma forma de atenuar a incidência dos efeitos destes tributos sobre a receita ou o faturamento, que são altamente nefastos à economia nacional e aos contribuintes de todas as áreas de negócios. As Leis nº 10.637/2002, 10.833/2003, posteriormente modificadas pela Lei nº 10.865/2004, estabeleceram regras com a finalidade de regulamentar a cobrança não cumulativa relativamente às contribuições ao PIS e a COFINS, atendendo a demanda do setor produtivo da economia, com o objetivo de aumentar sua eficiência. Por essa sistemática os contribuintes a ela sujeitos podem apurar créditos correspondentes à aplicação das respectivas alíquotas sobre determinados custos, para serem descontados do que for apurado a título de PIS e COFINS. Para a apuração desses créditos foi adotado o critério de listar os bens e serviços capazes de gerar crédito e os atrelou à respectiva Fl. 166DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 22/08/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13056.000548/200498 Acórdão n.º 3302001.654 S3C3T2 Fl. 161 5 função de INSUMO utilizado na produção de bens e serviços, para a sua dedutibilidade. Obviamente, ser insumo de uma determinada atividade não impõe a que esse mesmo bem ou serviços seja insumo de uma outra determinada atividade econômica. Entendo que o termo insumo, deve ser interpretado de forma extensiva, como sendo aqueles bens e serviços, que adquiridos de pessoas jurídicas no caso concreto, sejam direta e efetivamente aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, seja na pré, na produção, ou na pósprodução. Por fim, no que tange ao princípio da nãocumulatividade em relação às contribuições ao PIS e à COFINS, divergem da previsão constitucional originária em relação ao IPI e ao ICMS, dependendo, no caso do PIS e da COFINS de regulamentação por lei infraconstitucional, o que ocorreu com a edição das Leis nº 10.637/2002, 10.833/2003, posteriormente modificadas pela Lei nº 10.865/2004, não havendo que se falar em violação ao referido princípio no caso em tela. Assim temos que a aplicação do princípio da nãocumulatividade do PIS e da COFINS em relação aos insumos utilizados na fabricação de bens e serviços não implica estender sua interpretação, de modo a permitir que sejam deduzidos, sem restrição todos e quaisquer custos da empresa despendidos no processo de industrialização e comercialização do produto a ser fabricado. A própria recorrente afirma, que para fins apuração dos créditos, foram computados créditos sobre aquisições de insumos de serviços de pessoas físicas, bem como, sobre valores de despesas financeiras, despesas administrativas e comerciais.”, sobre esses valores foram procedidas as glosas, e não foram demonstrados nos autos do processo a inserção desses serviços no respectivo processo produtivo. III CONCLUSÃO Neste sentido, conheço do presente recurso, e doulhe provimento parcial. É como voto. GILENO GURJÃO BARRETO – Relator (Assinado Digitalmente) Declaração de Voto Fl. 167DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 22/08/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 6 O Conselheiro José Antonio Francisco não apresentou a declaração de voto no prazo regimental Fl. 168DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 22/08/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 13839.000235/2002-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA LANÇADA EM DECORRÊNCIA DE PAGAMENTO DE TRIBUTO EM ATRASO, POR FALTA DE ACRÉSCIMO DE MULTA DE MORA. REVOGAÇÃO PROMOVIDA PELO ARTIGO 14 DA LEI Nº 11.488, DE 2007. APLICAÇÃO RETROATIVA. SÚMULA CARF Nº 74.
Aplica-se retroativamente o art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007, que revogou a multa de oficio isolada por falta de acréscimo da multa de mora ao pagamento de tributo em atraso, antes prevista no art. 44, § 1o, II, da Lei nº 9.430/96.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 3302-002.670
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Jonathan Barros Vita.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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REVOGAÇÃO PROMOVIDA PELO ARTIGO 14 DA LEI Nº 11.488, DE 2007. APLICAÇÃO RETROATIVA. SÚMULA CARF Nº 74. Aplicase retroativamente o art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007, que revogou a multa de oficio isolada por falta de acréscimo da multa de mora ao pagamento de tributo em atraso, antes prevista no art. 44, § 1o, II, da Lei nº 9.430/96. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 02 35 /2 00 2- 61 Fl. 224DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13839.000235/200261 Acórdão n.º 3302002.670 S3C3T2 Fl. 224 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Jonathan Barros Vita. Relatório Trata o presente de Auto de Infração decorrente de auditoria interna de DCTF, lavrado em 12/11/2001, para constituição de crédito tributário relativo a multa de ofício isolada, no percentual de 75% do IPI pago relativo aos primeiro, segundo e terceiro decêndios de janeiro de 1997, primeiro decêndio de fevereiro de 1997 e primeiro, segundo e terceiro decêndios de março de 1997, em decorrência da falta de pagamento de multa de mora nos recolhimentos efetuados após o vencimento original das exações, fls. 26 a 39. A recorrente impugnou o lançamento alegando em síntese: 1. A natureza constitucional do processo administrativo e a necessidade de garantia da ampla defesa, do contraditório e da busca da verdade material; 2. Que o ajuizamento de ação declaratória – processo nº 98.06115201, em 06/10/1998, objetivando o reconhecimento do instituto da denúncia espontânea relativa aos pagamentos em atraso, cujas competências são as mesmas deste lançamento, resultaria na desnecessidade de lavratura do auto de infração, bastando que se notificasse a recorrente da ocorrência do fato imponível e do nascimento da relação jurídica; 3. Que há ausência de motivação e causa do lançamento em razão da existência do processo judicial e da verificação da inocorrência da falta de recolhimento da multa de mora, pois que caracterizada a denúncia espontânea; 4. A inobservância do princípio da verdade material por ter lavrado o auto de infração, apesar da existência de processo judicial, e sem levar em consideração o instituto da denúncia espontânea; 5. Que a imposição da multa viola os princípios da vedação expressa de tributo confiscatório, princípio da estrita legalidade; 6. Que, caso não se entenda pelo cancelamento do lançamento, deve a autuação se recair sobre o valor da multa de mora não recolhida à época e não sobre o pagamento do tributo; 7. O protesto pela produção de provas, especialmente a juntada de documentos e perícia contábilfiscal. A Segunda Turma da DRJ em Ribeirão Preto proferiu o Acórdão nº 14 14.594, não conhecendo da impugnação, nos termos da ementa que, abaixo, transcrevese: CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário, com o mesmo objeto da impugnação, importa em renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa competente. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13839.000235/200261 Acórdão n.º 3302002.670 S3C3T2 Fl. 225 3 Impugnação não Conhecida. A PEPSICOLA ENGARRAFADORA LTDA, sucessora da PCE BEBIDAS LTDA, cientificada em 16/05/2007, interpôs recurso voluntário em 13/06/2007 (fls. 175 a 202), alegando, além das matérias já aduzidas na impugnação, a possibilidade jurídica de tramitação concomitante dos processos judicial e administrativo. Ao final, pede a declaração da insubsistência do auto de infração. O processo foi encaminhado, inicialmente, à Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, a qual declinou a competência para o Segundo Conselho de Contribuintes. Ainda na fls. 212 a 216, foi juntado o MEMORANDO nº 10830 SECAT/DRF/CPS/10.214, em 29/10/2012, informando que o processo judicial nº 98.0611520 1 transitou em julgado em 22/05/2012, sem qualquer decisão favorável à recorrente e que teria havido renúncia ao direito em que se funda a ação. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Inicialmente, esclareçase que o lançamento ora guerreado trata exclusivamente da constituição de crédito tributário relativo a multa de ofício isolada, não havendo qualquer constituição relativa a tributo com multa de ofício vinculada ou juros de mora. Cumpre salientar que a autuação foi fundamentada na falta de recolhimento integral da multa de mora, verificada nos pagamentos em atraso, correspondentes às competências tributárias objeto deste lançamento, com fulcro no artigo 44, incisos I e §1º, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, em sua redação original: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº Fl. 226DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13839.000235/200261 Acórdão n.º 3302002.670 S3C3T2 Fl. 226 4 351, de 2007) § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazê lo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; V isoladamente, no caso de tributo ou contribuição social lançado, que não houver sido pago ou recolhido. (Revogado pela Lei nº 9.716, de 1998) Verificase que a autuação obedeceu ao princípio da legalidade restrita, pois o fato ocorrido – pagamento de tributo após o vencimento do prazo previsto, sem acréscimo de multa moratória – subsumiase na norma do caput combinado com o inciso I e com o inciso II do §1º do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Decorre que a autoridade fiscal procedeu corretamente ao constituir o crédito tributário, pois é atividade vinculada e obrigatória, conforme a norma do art 1421 do CTN. No caso, a autoridade fiscal efetuou o lançamento de ofício, previsto no art. 1492 do CTN, em razão da constatação da existência de tributo pago após o prazo de vencimento, sem a inclusão de multa de mora. Ultrapassado este ponto, ressaltase que todas as alegações fundamentadas em inobservância de princípios constitucionais, como a vedação ao confisco, não são oponíveis no âmbito deste Conselho, sendo matéria objeto de súmula e dispositivo expresso regimental. 1 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. 2 Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; ... V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; Fl. 227DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13839.000235/200261 Acórdão n.º 3302002.670 S3C3T2 Fl. 227 5 Assim, dispõem os artigos 62 e 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009 e a Súmula CARF nº 2: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. ( Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010 ) Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto às demais alegações relativas às preliminares e ao mérito, recaem, em suma, na aplicação do instituto da denúncia espontânea, objeto da ação judicial de nº 98.06115201. Neste ponto, a decisão da DRJ não merece reparos, pois, de fato, constatase que a matéria de defesa da impugnação é idêntica à da ação judicial, conforme constatado no pedido judicial transcrito a seguir: “Isto posto, requer respeitosamente a Vossa Excelência, julgar PROCEDENTE a presente ação, para os fins de declarar a inexistência de relação juridícotributária que obrigue a Autora ao recolhimento das penalidades decorrentes dos pagamentos realizados em atraso , constantes nos autos , assegurandoselhe o direito à exclusão das multas que quer a Ré sejam impostas, reconhecendose, em contrapartida, ter operado, na espécie, o instituto da denúncia espontânea, conforme preceituado pelo art. 138 do Código Tributário Nacional.” Fl. 228DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13839.000235/200261 Acórdão n.º 3302002.670 S3C3T2 Fl. 228 6 No tocante à identidade de objeto, a própria recorrente a reconhece, pois que não houve contestação a este ponto. Verificada a concomitância, deixase de apreciar o recurso nesta parte. É o que dispõe o Decreto nº 7.574, de 2011, consolidando as normas do Processo Administrativo Fiscal, em seu art. 87: Art. 87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas (Lei no 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único). Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. No mesmo sentido, a Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Evidenciase a partir do enunciado que a renúncia à via administrativa independe da modalidade processual e do momento de propositura da medida, ou seja, ainda que a ação tenha sido proposta anteriormente ao lançamento, caracterizada está a renúncia. Portanto, dada a prevalência das decisões judiciais sobre as administrativas, uma vez verificada a concomitância, deve ser declarada a definitividade do lançamento, devendo a unidade administrativa prosseguir com o feito, se adequando ao decidido no processo judicial, exatamente como decidido no acórdão recorrido. Entretanto, a decisão proferida pela DRJ ocorreu em 12/01/2007, anteriormente à publicação da MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.488, de 115/06/2007, cujo artigo 14 modificou a redação do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, para os seguintes termos: Art. 14. O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido Fl. 229DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13839.000235/200261 Acórdão n.º 3302002.670 S3C3T2 Fl. 229 7 apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado); II (revogado); III (revogado); IV (revogado); V (revogado pela Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998). § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. Observase que a Lei nº 11.488, de 2007, revogou a multa de ofício isolada, aplicável nos casos de pagamento em atraso, sem multa de mora – inciso II do §1º caso concreto deste lançamento. Aplicase na hipótese, a retroatividade benigna prevista no artigo 1063, inciso II do CTN. Tal matéria, inclusive, foi objeto da Súmula CARF nº 74: Aplicase retroativamente o art. 14 da Lei no 11.488, de 2007, que revogou a multa de oficio isolada por falta de acréscimo da multa de mora ao pagamento de tributo em atraso, antes prevista no art. 44, § 1o, II, da Lei no 9.430/96. 3 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13839.000235/200261 Acórdão n.º 3302002.670 S3C3T2 Fl. 230 8 Salientase que a concomitância não se aplica em relação à revogação da regra matriz de incidência da multa lançada, pois que esta matéria não compôs a lide judicial, por ser decorrente de legislação superveniente. Assim, o lançamento deve ser declarado improcedente. Diante do exposto, voto para dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 231DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE
score : 1.0
Numero do processo: 10925.901299/2009-90
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2003
COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE ESTIMATIVAS APURADAS. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM SALDO NEGATIVO APURADO. ADMISSIBILIDADE.
Não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no ano-calendário correspondente àquelas estimativas.
Numero da decisão: 1803-002.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2003 COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE ESTIMATIVAS APURADAS. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM SALDO NEGATIVO APURADO. ADMISSIBILIDADE. Não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no ano-calendário correspondente àquelas estimativas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE ESTIMATIVAS APURADAS. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM SALDO NEGATIVO APURADO. ADMISSIBILIDADE. Não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no anocalendário correspondente àquelas estimativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 12 99 /2 00 9- 90 Fl. 410DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.901299/200990 Acórdão n.º 1803002.384 S1TE03 Fl. 411 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.901299/200990 Acórdão n.º 1803002.384 S1TE03 Fl. 412 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido: Por meio do Despacho Decisório eletrônico que consta do presente processo, a autoridade competente não homologou a compensação pretendida pela Contribuinte acima identificada, formalizada por meio de Declaração de Compensação (DComp), na qual foi indicado, como crédito do tipo “Pagamento Indevido ou a Maior”, um documento de arrecadação (DARF) com código de receita referente a estimativa mensal. De acordo com o referido Despacho, inexiste direito creditório em razão de o pagamento indicado na DComp encontrarse integralmente utilizado na quitação de débito declarado pela Contribuinte, com idênticas características. Irresignada, a Contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade, na qual informa que apresentou a respectiva DComp indicando, como crédito, o tipo “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR, quando o correto seria informar o tipo de compensação de SALDO NEGATIVO”. Por outro lado, no restante de sua petição, a Contribuinte dá a entender que detém o direito creditório, em razão de não existir o débito ao qual se vincula o Darf indicado na DComp. Inclusive, em demonstrativo elaborado para fundamentar a existência de seu direito, referindose ao débito de estimativa vinculado ao Darf, a Contribuinte indica o seguinte: “Valor DEVIDO a ser Retificado na DCTF: R$ 0,00”. 2. A decisão da instância a quo foi assim fundamentada: A manifestação de inconformidade é tempestiva e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual podese dela conhecer. Conforme relatado, a declaração de compensação sob exame não foi homologada, em razão da inexistência do direito creditório pleiteado pela Contribuinte. De acordo com o que restou esclarecido, o pagamento indicado como crédito referese a estimativa mensal, e encontrase integralmente utilizado na extinção de débito com idênticas características. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Contribuinte primeiro informa que apresentou a respectiva DComp, indicando, como crédito, o tipo “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR, quando o correto seria informar o tipo de compensação de SALDO NEGATIVO”. Depois, defende que possui o direito creditório, em razão de não existir o débito de estimativa ao qual se vincula o Darf indicado na DComp. Inclusive, em demonstrativo elaborado para fundamentar a existência de seu direito, referindose ao débito de estimativa vinculado ao Darf, a Contribuinte indica o seguinte: “Valor DEVIDO a ser Retificado na DCTF: R$ 0,00”. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.901299/200990 Acórdão n.º 1803002.384 S1TE03 Fl. 413 4 Neste momento, há que se registrar que a autoridade competente da DRF de jurisdição sobre o domicílio fiscal da Contribuinte não se manifestou em relação ao saldo negativo que teria sido apurado no respectivo anocalendário. Em outras palavras, o saldo negativo apurado pela Contribuinte não constitui o objeto do presente litígio. Na verdade, o cerne do litígio é outro. Ao que tudo indica, a Contribuinte apurou saldo negativo no anocalendário em referência e, ao invés de utilizálo como crédito em compensação, conforme lhe é facultado, levou à DComp sob análise um pagamento a título de estimativa, devidamente declarada em DCTF, que teria contribuído para formar o referido saldo negativo. Muito embora possa ter contribuído com a formação do saldo negativo, a estimativa mensal apurada, conforme disposição legal, não constitui pagamento indevido ou maior que o devido, de modo que não pode ser utilizada como crédito em compensação pleiteada em face da Fazenda Nacional. Sabese que a obrigação de recolher estimativas mensais integra a sistemática legalmente prevista para a apuração do IRPJ e da CSLL, segundo as regras de Lucro Real na periodicidade anual. Segundo essa sistemática, ao longo do anocalendário, a pessoa jurídica se obriga a mensalmente antecipar o valor do tributo que somente será conhecido em definitivo no final do período, em 31 de dezembro, quando então se considera ocorrido o fato gerador. Encerrado o anocalendário, a pessoa jurídica deve apurar o tributo devido e, para encontrar o valor do saldo a pagar, ou do saldo negativo a restituir, do valor do tributo devido pode deduzir os valores recolhidos antecipadamente, a título de estimativa. Portanto, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, é este valor que pode ser utilizado como crédito em compensação, e não as antecipações regularmente apuradas que o compuseram, efetuadas ao longo do ano. Ademais, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, não há que se providenciar uma retificação da DCTF para zerar o débito a título de estimativa e, consequentemente, “liberar” o Darf ao qual estiver vinculado, como parece ser o entendimento da Contribuinte. Em verdade, tendo sido regularmente apuradas, as estimativas mensais são devidas, ainda que ao final do ano se descubra a formação de um saldo negativo. Nesse caso, a retificação da DCTF pretendida pela Contribuinte, se efetuada, não encontraria respaldo legal. De se reiterar que, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, este, sim, pode ser objeto de compensação, conforme estabelece a vigente Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 20121: Art. 4º Os saldos negativos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição, nas seguintes hipóteses: I – de apuração anual, a partir do mês de janeiro do anocalendário subsequente ao do encerramento do período de apuração; [...] 1 Disposições semelhantes já eram encontradas na Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002, na Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004, na Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, e na Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Fl. 413DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.901299/200990 Acórdão n.º 1803002.384 S1TE03 Fl. 414 5 Art. 41. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 56 a 60, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à RFB do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo VII, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. § 2º A compensação declarada à RFB extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. [...] Portanto, como na DComp sob exame a Contribuinte não utilizou direito creditório passível de compensação, mostrase correta a conclusão do Despacho Decisório atacado, razão pela qual não há como reformálo. Ante o exposto, é de se considerar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Interessada. 3. Devidamente cientificada da referida decisão, a tempo, apresenta a interessada Recurso Voluntário, nele argumentando, em síntese: a) que o débito de estimativa, objeto de compensação não homologada, deverá ser considerado na formação do saldo negativo; b) que o entendimento da Receita Federal – de glosar o saldo negativo quando este for composto por estimativas quitadas por compensação não homologada – implica dupla cobrança do mesmo crédito tributário; c) que o contribuinte terminaria pagando duas vezes o mesmo débito; mediante a redução do saldo negativo e pela via da execução fiscal (cobrança do débito de estimativa objeto da compensação não homologada); d) que, no mérito, existindo, sim, saldo negativo a ser compensado, o contribuinte não pode ser penalizado com a dupla cobrança, pelo fiscal, de um tributo já declarado e compensado por erro de fato do mesmo, declarado em PER/DComp incorreta, sem a possibilidade de retificar a mesma e demonstrar os créditos oriundos formados para a efetivação da compensação do débito compensado; e e) que a dupla cobrança ocorrerá, se o contribuinte tiver de pagar novamente o débito compensado não homologado na PER/DComp, aplicandose a decadência do crédito de saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL. Em mesa para julgamento. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.901299/200990 Acórdão n.º 1803002.384 S1TE03 Fl. 415 6 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Concordase inteiramente com a decisão recorrida, quando esta afirma que (destaque do original): Muito embora possa ter contribuído com a formação do saldo negativo, a estimativa mensal apurada, conforme disposição legal, não constitui pagamento indevido ou maior que o devido, de modo que não pode ser utilizada como crédito em compensação pleiteada em face da Fazenda Nacional. [...]. Portanto, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, é este valor que pode ser utilizado como crédito em compensação, e não as antecipações regularmente apuradas que o compuseram, efetuadas ao longo do ano. [...]. De se reiterar que, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, este, sim, pode ser objeto de compensação, conforme estabelece a vigente Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012: [...]. 5. É que não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no ano calendário correspondente àquelas estimativas. 6. Como decorrência, cabe à repartição de origem reexaminar a compensação requerida, devendo, para tanto, considerar, como direito creditório pleiteado, o saldo negativo apurado no respectivo anocalendário. 7. Já com relação à preocupação externada pela Recorrente, em seu Recurso Voluntário, as estimativas não pagas, mas compensadas, se não homologada a respectiva compensação, serão objeto de cobrança na correspondente DComp, não cabendo a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ, conforme entendimento já externado, tanto pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), quanto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN): Solução de Consulta Interna Cosit nº 18, de 2006: Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a Fl. 415DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.901299/200990 Acórdão n.º 1803002.384 S1TE03 Fl. 416 7 glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. Parecer PGFN/CAT/nº 88, de 2014: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Opção por tributação pelo lucro real anual. Apuração mensal dos tributos por estimativa. Lei no 9.430, de 27.12.1996. Não pagamento das antecipações mensais. Inclusão destas em Declaração de Compensação (DCOMP) não homologada pelo Fisco. Conversão das estimativas em tributo após ajuste anual. Possibilidade de cobrança. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que a repartição de origem reexamine a compensação requerida, devendo, para tanto, considerar, como direito creditório pleiteado, o saldo negativo apurado no respectivo anocalendário. Deve ser observada a eventual existência de outros processos nos quais o direito creditório a ser considerado como pleiteado corresponda ao mesmo saldo negativo. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 416DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.004695/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 20 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2202-000.592
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por LUIZ ALBERTO SPITZ.
RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes (Suplente Convocado), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado).
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por LUIZ ALBERTO SPITZ. RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes (Suplente Convocado), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por LUIZ ALBERTO SPITZ. RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes (Suplente Convocado), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .0 04 69 5/ 20 09 -1 1 Fl. 1173DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10980.004695/200911 Resolução nº 2202000.592 S2C2T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Em desfavor do contribuinte, LUIZ ALBERTO SPITZ, lavrouse contra o epigrafado Auto de Infração do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) relativo ao anocalendário de 2005, fls. 296 a 302, exigindo R$ 768.198,09 de imposto e R$ 576.148,56 de multa de ofício de 75%, além dos juros de mora, em razão da apuração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Os esclarecimentos da autuação encontramse no Termo de Verificação Fiscal de fls. 207 a 214, na planilha de depósitos justificados de fls. 215 e 216 e na de créditos não justificados de fls. 217 a 295, integrantes do auto de infração, conforme consignado à fl. 300. No Termo de Verificação consta que a presente autuação decorreu da fiscalização da movimentação bancária, referente ao anocalendário de 2005, do contribuinte José Arnaldo Spitz, que declarou possuir somente uma conta corrente, de n° 11.4002 da agência 10012 da Caixa Econômica Federal, da qual o autuado era cotitular, e que, em síntese, alegou serem os depósitos decorrentes de pagamentos de clientes da empresa Teleficha Comércio de Cartões ME, CNPJ 01.950.461/000198, excetuados os de salário e de dois empréstimos. O autuado foi pessoalmente intimado, em 22/08/2008 — fls.39 a 66, a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos créditos existentes em sua conta bancária, no anocalendário de 2005, mas não apresentou qualquer resposta. Ao ser intimado, em 14/10/2008 — fls. 67 a 69, a identificar e separar os depósitos com finalidade particular dos efetuados por conta da atividade da pessoa jurídica da qual ele e o irmão eram sócios, com a devida comprovação, respondeu, por intermédio de procurador, que não havia depósitos particulares na conta bancária fiscalizada e declarouse sem condições de informar as receitas e despesas da pessoa jurídica e também impossibilitado de separar os créditos bancários consignados nos extratos, alegando necessitar as fotocópias dos cheques que compuseram os depósitos. Ao ser intimada a apresentar contratos, notas fiscais e outros documentos que embasaram a elaboração de seu Livro Caixa, a empresa Teleficha declarou não possuir conta bancária própria e que somente foram escrituradas como receita o percentual recebido pela distribuição de cartões telefônicos físico e virtuais de operadoras de telefonia móvel, fls. 109 a 118, apresentando alguns contratos e notas fiscais dos meses de novembro a Fl. 1174DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10980.004695/200911 Resolução nº 2202000.592 S2C2T2 Fl. 4 3 dezembro de 2005, afirmando serem as únicas que mantinha arquivadas, fls. 489 a 566 do Anexo I. A autoridade autuante, no Termo de Verificação, salientou a não apresentação da escrituração contábil da empresa Teleficha e que, nos contratos de prestação de serviços apresentados, foi verificado que a TIM Sul e a Brasil Telecom transferiam a posse dos cartões para aquela empresa, que ficava obrigada a pagar o valor integral acertado na operação, independente do êxito na revenda aos interessados. Também, ressaltou que, como nas respostas às intimações efetuadas aos titulares da conta bancária investigada, eles afirmaram a impossibilidade de separar os créditos bancários consignados nos extratos em razão desses agruparem vários cheques de clientes, foi efetuada Requisição de Informações Financeiras à CEF para obtenção do desdobramento dos depósitos bancários de valor superior a R$ 30.000,00, os quais foram integralmente repassados ao fiscalizado, fls. 119 a 148, para que ele identificasse os depósitos particulares e os comerciais, com a devida comprovação. Porém, o contribuinte respondeu afirmando que "os dados obtidos não se demonstraram suficientemente esclarecedores", em razão de não possuir a microfilmagem dos cheques e de a escrita da empresa somente revelar o valor global da venda efetuada, fls. 149 a 151, apresentando somente a correlação de alguns depósitos e documentos, fls. 152 a 181. Os depósitos acatados como justificados por esses documentos estão relacionados na planilha às fls. 212 e 213. No Termo de Verificação consta que a "cobrança simples" pagas pela Fasamed Comércio Farmacêutico, identificada nos documentos fornecidos pela CEF, fls. 122 a 148, foi devidamente comprovada por meio de ordem de compra de fls. 152 a 154. Também foi destacado que mesmo de posse da cópia de alguns cheques, suscitados como imprescindíveis, o contribuinte não conseguiu correlacionálos com depósitos, fls. 182 a 194. Como não foi identificado qualquer depósito no valor das cópias de cheques apresentadas, a autoridade fiscal concluiu que, embora nominais à Teleficha, não foram vinculados aos depósitos na conta corrente de n° 11.4002 da agência 10012 da CEF. Assim, o lançamento somente admitiu como comprovada a origem dos depósitos relacionadas na planilha de fls. 215 e 216, além dos atribuídos à Fasemed, tendo sido os sem origem justificada, fls. 217 a 295, considerados como omissão de rendimentos, com base no art. 42 da Lei n° Fl. 1175DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10980.004695/200911 Resolução nº 2202000.592 S2C2T2 Fl. 5 4 9.430, de 1996, observado o rateio entre os dois titulares da conta corrente de n° 11.4002 da agência 10012 da CEF. Cientificado do lançamento em 20/05/2009, conforme "AR" de fl. 305, o contribuinte apresentou, em 19/06/2007, por intermédio de procurador — fl. 323, a impugnação de fls. 307 a 322, acompanhada dos documentos de fls. 324 a 488, acatada como tempestiva pelo órgão de origem, fl. 489. Alega ter apresentado os extratos bancários solicitados da conta corrente de n° 11.4002 da agência 10012 da CEF, referentes ao anocalendário de 2005, e declarado à fiscalização não possuir outras contas bancárias e que 99,99% da movimentação da conta corrente referiase a depósitos de cheques oriundos da atividade comercial da empresa Teleficha Comércio de Cartões Ltda. — ME, da qual é sócio juntamente com seu irmão, Luiz Alberto Spitz, co titular da conta corrente. Traça histórico da empresa Teleficha, asseverando ser uma empresa familiar, cujo capital de giro inicial teria sido o crédito obtido na empresa TIM por meio de hipoteca de seu imóvel residencial. Dessa forma iniciou a atividade de "retirar os cartões telefônicos na T1M, e providenciar a distribuição nos pontos de vendas, RECEBENDO os pagamentos, quitando o crédito, fazendo jus assim, a 10% do valor do cartão, conforme contrato em anexo". Afirma que a entrega nos pontos de vendas era efetuada por colaboradores, todos parentes do contribuinte, sendo o valor total das vendas contabilizado diariamente na empresa e depositado na conta bancária dos sócios, em dinheiro e cheques, estimados em mais de 200 diariamente, para quitar as Notas Fiscais da operadora e possibilitar nova obtenção de crédito para prosseguir em sua atividade. Ressalta receber muitas vezes cheques de terceiros, que somados aproximavamse do valor da entrega, ratificando ser impossível comprovar todos os depósitos efetuados. Assevera que os valores questionados pela fiscalização não podem ser caracterizados como renda omitida, em razão de serem originários de crédito obtido junto à operadora de telefonia e para ela terem retornado, resultando que somente o percentual contratado era disponibilidade da empresa Teleficha, a qual foi tributada e os respectivos impostos recolhidos pela pessoa jurídica. Insiste que todos os valores creditados na conta corrente são pertencentes às operadoras de telefonia, à exceção da margem contratual da empresa Teleficha, dos salários e dos empréstimos pessoais. Fl. 1176DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10980.004695/200911 Resolução nº 2202000.592 S2C2T2 Fl. 6 5 Alega que a comprovação de suas afirmações está "nos pagamentos feitos e nas saídas dos valores da conta corrente" e que "as notas fiscais de pagamento/reembolso de cartões feitos as operadoras de telefonia (anexas) demonstram com meridiana clareza tal situação". Enfatiza que a movimentação bancária "anormal" parou de ocorrer a partir de dezembro de 2005, quando a Teleficha Ltda. passou a ter conta corrente própria. Insiste na dificuldade de atender "as disposições da fiscalização", afirmando ser a identificação dos créditos bancários humanamente impossível e economicamente inviável, em razão de a entrada de valores ter sido efetuada de forma difusa e sem muito controle e, também, porque não possuía as cópias dos cheques, cuja obtenção de microfilmagem custaria R$ 28,00 por folha, onde no verso estaria identificado o cliente da Teleficha. Declara ter sido utilizada a conta pessoal dos sócios e irmãos somente na fase inicial do negócio e para evitar burocracia. Ratifica ser fácil a identificação da saída dos recursos para as operadoras de telefonia, por meio de notas fiscais pagas/reembolsadas pela Teleficha. Entende que os valores mensais da apuração de rendimentos comprovariam tratarse do mesmo capital de giro obtido com a hipoteca do imóvel residencial, suscitando que os valores mensais jamais teria ultrapassado o limite concedido pelas operadoras. Salienta ter sempre atendido as intimações da fiscalização, considerando tendenciosa e ilegal a forma de apuração adotada pelo lançamento e alegando que a CEF, apesar de ter afirmado que apresentaria a cópia de título de sua compensação, não o fez. Insiste que diariamente eram depositados mais de 200 cheques dos mais variados valores, que apareceram nos extratos bancários de forma consolidada, sem os valores individualizados. Aduz que a própria tabela de créditos bancários considerados como de origem não comprovada atestaria que os recebimentos da empresa Teleficha se davam de diferentes formas: por boletos de cobrança, dinheiro ou cheques. Esclarece não haver correlação entre as Notas Fiscais da Teleficha e os depósitos, em razão daquelas representarem o total das vendas e não os valores e títulos recebidos. Informa que a Teleficha, à época dos fatos, era optante do Simples, não estando sujeita à escrituração contábil e Fl. 1177DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10980.004695/200911 Resolução nº 2202000.592 S2C2T2 Fl. 7 6 com os lançamentos efetuados de forma simplificada no Livro Caixa. Alega que das quatro microfilmagens de cheques obtidos junto a CEF, duas estavam ilegíveis, impossibilitando a verificação da origem do recebimento. Sustenta ter acostado aos autos cópia de tela do sistema da CEF atestando que todos os boletos emitidos tinham como credor a empresa Teleficha, mas a conta creditada era a dos sócios, porque a pessoa jurídica não possuía conta bancária. Afirma que a fiscalização já considerou duas importâncias recebidas na forma de COB COMP, que foram objeto de intimação à CEF. Dessa forma, considera inconsistente e conflitante que os demais créditos com o histórico COB COMPE sejam mantidos no lançamento, os quais totalizariam R$ 657.752,24, conforme planilha que afirma estar anexando "(doc.6)". Insurgese contra a autuação baseada no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, alegando que a presunção legal não é absoluta e não deve ser aplicada isoladamente, sem que sejam avaliadas as circunstâncias de cada caso, sustentando que o § 5° possibilitaria a sua não utilização em razão de considerar evidenciado que a movimentação financeira decorre da atividade comercial da empresa Teleficha Ltda. Cita decisão do Conselho de Contribuintes que entende corroborar sua tese de que a evidência exclui a responsabilidade, afirmando estar juntando aos autos cópia integral do acórdão. Aduz que o seu patrimônio e de familiares não correspondem ao de pessoas que tenham usufruído e ocultado mais de cinco milhões de reais. Considera arbitrária a exigência baseada unicamente em créditos em conta corrente, em razão da pessoa física não estar obrigada à escrituração contábil, afirmando que o lançamento com base somente em presunção contradiz os princípios da reserva legal e da estrita legalidade, sendo imprescindível que a fiscalização demonstre efetivamente a renda auferida. Traz diversos questionamentos acerca da tributação com base em depósitos bancários, enfatizando que a movimentação financeira não caracterizaria renda. Insiste que a movimentação financeira autuada é da empresa Teleficha, enquadrada no sistema de tributação Simples e que só passou a ter conta bancária em dezembro de 2005, ressalvando que a margem de lucro da pessoa jurídica era no máximo de 10% do valor dos depósitos e que qualquer apuração de variação patrimonial deveria ter sido efetuada na Brasil Telecom ou na Tim Celular, a quem pertencia 90% dos recursos Fl. 1178DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10980.004695/200911 Resolução nº 2202000.592 S2C2T2 Fl. 8 7 transitados por sua conta corrente, conforme entende ser a determinação dos arts. 43 e 45 do Código Tributário Nacional. Considera inaceitável não terem sido acatados como origem de depósitos bancários a atividade da empresa Teleficha, destacando ter sido comprovado que a empresa e os sócios não possuíam outras contas bancárias e que a conta corrente fiscalizada refletia a movimentação bancária dos três envolvidos. Aduz que o limite de R$ 80.000,00, definido no art. 849, § 2°, do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto de Renda de 1999 — RIR, deveria ter sido aplicado para cada titular da conta, suscitando que a presunção de omissão de rendimentos desapareceria quando os depósitos não comprovados fossem inferiores a esse limite. Afirma que os depósitos bancários somente ensejariam lançamento quando fosse demonstrada a relação entre o valor omitido e o respectivo depósito, fato que considera não caracterizado no presente caso. Sustenta que os créditos bancários deveriam ter sido apurados mensalmente e não somados no final do ano calendário, considerando que em alguns meses não haveria incidência de IR em razão do limite de isenção. Enfatiza que a dificuldade de elucidação individualizada de cada depósito, por não estar a pessoa física obrigada a possuir escrituração bancária, teria levado o Conselho de Contribuintes a "admitir a redução de até 50%" antes da edição do DecretoLei n° 241 de 1988. Solicita a produção de prova pericial a cargo de pessoa habilitada, especificando os quesitos, e que a CEF seja intimada a apresentar cópia de todos os microfilmes de cheques depositados na conta corrente fiscalizada e dos boletos de cobrança emitidos e quitados mediante COB COMP. Finaliza solicitando o deferimento da prova pericial, a desconstituição do auto de infração e que, caso mantido o lançamento, sejam excluídos da base de cálculo os boletos recebidos, os cheques devolvidos, os empréstimos, o salário e o limite anual de R$ 160.000,00, além do cálculo do imposto devido "na fórmula do carnê leão". Pede ainda a produção das demais provas admitidas no direito admissíveis, em especial a documental que acompanha a presente impugnação e relaciona os documentos apresentados junto com a impugnação. A DRJ julgou o impugnação procedente em parte, nos termo da ementa a seguir: Fl. 1179DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10980.004695/200911 Resolução nº 2202000.592 S2C2T2 Fl. 9 8 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e as judiciais, não proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÃO LEGAL. O art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, determina o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo, por meio de documentação hábil e idônea, que, se tratando de presunção legal, transfere ao contribuinte o ônus de produzir provas hábeis e irrefutáveis da nãoocorrência da infração. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS EFETUADOS POR PESSOA JURÍDICA. FINALIDADE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. São tributáveis os créditos bancários na conta correntes de sócios, mesmo que provenientes de pessoa jurídica, para os quais não houve a respectiva escrituração e nem foram apresentados as correspondentes notas fiscais, de maneira a comprovar a que título se deu a transação. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. BASE DE CÁLCULO. CHEQUES DEVOLVIDOS. EXCLUSÃO. Os valores lançados a débito, nas contas bancárias, relativos à devolução de cheques depositados, que constituem anulação de créditos anteriores, devem ser excluídos da base de cálculo apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada. Fl. 1180DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10980.004695/200911 Resolução nº 2202000.592 S2C2T2 Fl. 10 9 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Nos termos do artigo 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, cumpre ao contribuinte instruir a peça impugnatória com todos os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa. PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Descabe a realização de diligência que tenha por objetivo produzir provas que competiria ao contribuinte trazer aos autos e também o de perícia, por prescindível, quando as questões levantadas encontramse dentro do ônus probatório do requerente e independe de conhecimento técnico especializado não dominado pelo julgador. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado, o contribuinte, se mostrando irresignado, apresentou o Recurso Voluntário, reiterando os argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 1181DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10980.004695/200911 Resolução nº 2202000.592 S2C2T2 Fl. 11 10 VOTO Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras. Nos casos de conta corrente bancária com mais de um titular, os depósitos bancários de origem não comprovada deverão, necessariamente, ser imputados em proporções iguais entre os titulares, salvo quando estes apresentarem declaração em conjunto. É indispensável, para tanto, a regular e prévia intimação de todos os titulares para comprovar a origem dos depósitos bancários. Na realidade a prévia intimação aos titulares de contas conjuntas, uma vez que apresentem declaração anual de ajuste em separado, constitui inafastável exigência de lei, por influenciar diretamente a base material da presunção legal. A intimação a apenas um titular, ainda que todos sob procedimento fiscal, fragiliza o lançamento por ancorálo em presunção de não justificativa, por todos, da origem dos créditos bancários, sendo que a própria renda já é presumida. No caso concreto inferese conforme documentos que a conta da Caixa é conta conjunta com o Sr. JOSE ARNALDO SPITZ. Está claro nos autos que o Sr. JOSE ARNALDO SPITZ, foi intimado a apresentar extratos bancários e ao mesmo tempo comprovar a origem dos depósitos no mesmo. Não está claro se o referido cotitular recebeu uma relação individualizada de depósitos para comprovar. Diante dos fatos, tendo em vista a documentação acostada, bem como para que não reste qualquer dúvida no julgamento, entendo que o processo ainda não se encontra em condições de ter um julgamento justo, razão pela qual voto no sentido de ser convertido em diligência para que a repartição de origem tome as seguintes providencias: 1) Para que a autoridade fiscal se manifeste se o Sr. José Arnaldo Spitz, recebeu por parte da fiscalização uma lista de depósitos para demonstrar a origem, ou tão somente, foi solicitado ao mesmo que apresentase os extratos e demonstrase a origem de todos os depósitos. Ainda nesse ponto argumentase se teria existido a partição em proporções iguais dos depósitos não comprovados entre os titulares. Fl. 1182DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10980.004695/200911 Resolução nº 2202000.592 S2C2T2 Fl. 12 11 2) Propiciese vista a essa manifestação da autoridade fiscal ao recorrente, para se pronunciar, com praza de 10 dias, querendo. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10980.004695/200911 Resolução nº 2202000.592 S2C2T2 Fl. 13 12 Fl. 1184DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10209.000807/2005-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 27/10/2000
ACE - 18. OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. TRIANGULAÇÃO COMERCIAL COM OPERADOR NÃO MEMBRO. DESCUMPRIMENTO DO REGIME DE ORIGEM DO MERCOSUL. UTILIZAÇÃO DA PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. IMPOSSIBILIDADE.
1. No âmbito Acordo de Complementação Econômica nº 18 (ACE - 18), para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, elas deverão ter sido expedidas diretamente do Estado Parte exportador para o Estado Parte importador. Pode ser aceita a intevenção de operadores de outro país não integrante do Acordo, desde que, atendidas as condições de expedição direta, exista fatura comercial emitida pelo interveniente e o Certificado de Origem emitido pelas autoridades do Estado Parte exportador.
2. A interveniência de um operador de outro país não participante do ACE - 18 somente é permitida se a operação de importação for realizada por conta e ordem do interveniente, condição que, obrigatoriamente, deve ser informada em compo próprio do Certificcado de Origem emitido por autoridade competente de Estado Parte exportador.
3. No âmbito do Regime Origem do MERCOSUL, por falta de previsão normativa, é vedada a aperação de trigulação comercial de mercadoria originária de Estado Parte do ACE - 18 com a interveniência de operador de terceiro país não membro do Acordo, caracterizada pela compra de operador do Estado Parte produtor seguida de revenda para operador do Estado Parte importador.
4. Ainda que atendidas as condições de expedição direta e esteja lastreada em Certificado de Origem emitido por autoridade competente de Estado Parte exportador, não faz jus a redução tarifária prevista no ACE - 18 a operação de importação de mercadoria originária de Estado Parte, se o exportador for de outro país não membro do Acordo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-002.276
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Demes Brito, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Antonio Mario de Abreu Pinto.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 27/10/2000 ACE - 18. OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. TRIANGULAÇÃO COMERCIAL COM OPERADOR NÃO MEMBRO. DESCUMPRIMENTO DO REGIME DE ORIGEM DO MERCOSUL. UTILIZAÇÃO DA PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. 1. No âmbito Acordo de Complementação Econômica nº 18 (ACE - 18), para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, elas deverão ter sido expedidas diretamente do Estado Parte exportador para o Estado Parte importador. Pode ser aceita a intevenção de operadores de outro país não integrante do Acordo, desde que, atendidas as condições de expedição direta, exista fatura comercial emitida pelo interveniente e o Certificado de Origem emitido pelas autoridades do Estado Parte exportador. 2. A interveniência de um operador de outro país não participante do ACE - 18 somente é permitida se a operação de importação for realizada por conta e ordem do interveniente, condição que, obrigatoriamente, deve ser informada em compo próprio do Certificcado de Origem emitido por autoridade competente de Estado Parte exportador. 3. No âmbito do Regime Origem do MERCOSUL, por falta de previsão normativa, é vedada a aperação de trigulação comercial de mercadoria originária de Estado Parte do ACE - 18 com a interveniência de operador de terceiro país não membro do Acordo, caracterizada pela compra de operador do Estado Parte produtor seguida de revenda para operador do Estado Parte importador. 4. Ainda que atendidas as condições de expedição direta e esteja lastreada em Certificado de Origem emitido por autoridade competente de Estado Parte exportador, não faz jus a redução tarifária prevista no ACE - 18 a operação de importação de mercadoria originária de Estado Parte, se o exportador for de outro país não membro do Acordo. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Demes Brito, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Antonio Mario de Abreu Pinto.
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PETROBRAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 27/10/2000 ACE 18. OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. TRIANGULAÇÃO COMERCIAL COM OPERADOR NÃO MEMBRO. DESCUMPRIMENTO DO REGIME DE ORIGEM DO MERCOSUL. UTILIZAÇÃO DA PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. 1. No âmbito Acordo de Complementação Econômica nº 18 (ACE 18), para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, elas deverão ter sido expedidas diretamente do Estado Parte exportador para o Estado Parte importador. Pode ser aceita a intevenção de operadores de outro país não integrante do Acordo, desde que, atendidas as condições de expedição direta, exista fatura comercial emitida pelo interveniente e o Certificado de Origem emitido pelas autoridades do Estado Parte exportador. 2. A interveniência de um operador de outro país não participante do ACE 18 somente é permitida se a operação de importação for realizada por conta e ordem do interveniente, condição que, obrigatoriamente, deve ser informada em compo próprio do Certificcado de Origem emitido por autoridade competente de Estado Parte exportador. 3. No âmbito do Regime Origem do MERCOSUL, por falta de previsão normativa, é vedada a aperação de trigulação comercial de mercadoria originária de Estado Parte do ACE 18 com a interveniência de operador de terceiro país não membro do Acordo, caracterizada pela compra de operador do Estado Parte produtor seguida de revenda para operador do Estado Parte importador. 4. Ainda que atendidas as condições de expedição direta e esteja lastreada em Certificado de Origem emitido por autoridade competente de Estado Parte exportador, não faz jus a redução tarifária prevista no ACE 18 a operação de importação de mercadoria originária de Estado Parte, se o exportador for de outro país não membro do Acordo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 20 9. 00 08 07 /2 00 5- 82 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 2 Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Demes Brito, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Antonio Mario de Abreu Pinto. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório contido na decisão de primeiro grau, que segue integralmente transcrito: Trata o presente processo de exigência do Imposto de Importação acrescido de juros de mora e da multa de ofício, no percentual de 75%, perfazendo, na data da autuação, um crédito tributário no valor total de R$ 41.598,26, objeto do Auto de Infração fls. 02/12. Segundo descrição dos fatos constante do Auto de Infração, a empresa em epígrafe através da Declaração de Importação no 00/10361027, em 27/10/2000, submeteu a despacho aduaneiro 380,572 tonelada métrica de GLP (BUTANO), classificável na NCM/SH código 2711.13.00 e NALADI SH 2711.13.00 utilizandose da redução de 100% da alíquota do Imposto de Importação conforme Acordo de Complementação Econômica nº 18 (ACE18) celebrado entre o Governo da República Federativa do Brasil e os Governos da República Federativa da Argentina, da República do Paraguai e da República do Uruguai. Esclarece a fiscalização de forma minudente no relatório de fls. 04/08, a seguir resumidamente demonstrado: a) No Certificado de Origem apresentado está declarado que as mercadorias indicadas correspondem a fatura comercial nº 00RY1258D emitida pela YPF situada na Argentina e não apresentada no despacho; b) a Fatura Comercial que instruiu o despacho de importação foi a de nº PIFSB nº 1060/2000, fl. 21, emitida em 21.11.2000 pela Petrobras International Finance Company (Pifco) empresa Fl. 112DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10209.000807/200582 Acórdão n.º 3102002.276 S3C1T2 Fl. 112 3 situada em Trinidad e Tobago, país não membro do MERCOSUL; c) no conhecimento de embarque, fl.20, que assegura a propriedade da mercadoria, verificase que não está consignada a Petrobras International Finance Company, sa empresa situada em Trinidad e Tobago e emissora da fatura comercial apresentada para despacho aduaneiro; d) a “A PFICO é a empresa que consta na Declaração como exportador (fls.25), o que acarreta Trinidad e Tobago ser o país de aquisição. e) ratifica ainda a fiscalização: “Nesta operação está caracterizada a intervenção de um terceiro país não membro do Acordo na qualidade de exportador, visto que a empresa através da correspondência UMREMAN/CMB 019/02 de 19/08/02 , (fls.30 a 32), confirma que adquire a mercadoria da Argentina, revende para sua subsidiária, a empresa a Petrobras International Finance Company e posteriormente a recompra, fato que caracteriza a participação de um terceiro país na qualidade de exportador. E ainda, mesmo que a empresa exportadora, situada em Trinidad e Tobago se enquadrasse de fato como operadora, seria necessário nos termos do Decreto nº 1.914 de 22 de maio de 1996, que dispõe sobre a execução do Décimo Quarto Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica nº 18, que no campo 24 – Observações do Certificado de Origem faça constar que se trata de uma operação por conta e ordem do interveniente.” (sic). Cientificado do lançamento em 28/09/2005, conforme fls.03, o contribuinte insurgiuse contra a exigência, apresentando em 31/10/2005 a impugnação de fls. 36/45, nos termos a seguir resumidos: inicialmente se reporta aos fatos que ensejaram a ação fiscal esclarecendo a operação comercial em foco, ou seja, a Petrobrás, através de empresa integrante de seu grupo adquiriu através da (PIFCO), sediada nas Ilhas Cayman, GLP (BUTANO), produzido na Argentina, junto à empresa YPF S/A, reduzindo a alíquota de 100% com base no Acordo de Complementação Econômica nº 18 (ACE 18), firmado entre os aludidos países; o envolvimento de três empresas gerou a emissão de duas faturas comerciais, conforme descrito no Auto de Infração, uma expedida pela YPF, de nº 00RY1258D, e outra pela PIFSB, de nº PIFSB1060/00, expedida pela PFICO, sendo que esta última faz referência expressa à fatura originária emitida na Argentina; a operação comercial acima explicitada é conhecida por triangulação comercial que consiste numa prática internacional comum, adotada por razões comerciais de alongamento de prazo para pagamento e ampliação de fontes de captação de recursos; Fl. 113DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 4 destacando que razão alguma assiste ao órgão autuante pois não se pode afirmar que na importação não há intervenção de um operador de terceiro país, nos termos da Resolução nº 252, pois esta apenas reproduziu em seu artigo nono a íntegra do artigo 2º da Resolução 232, o qual não definiu a figura do operador; – ressalta que a impugnante procedeu em sua atividade realizando comércio com os países integrantes do acordo, mormente a Argentina, utilizandose de suas subsidiárias, no caso a PFICO, sediada nas Ilhas Cayman, “ou seja houve um equívoco no preenchimento da Declaração de Importação” na qualidade de operadoras comerciais e não de exportadoras, ao contrário do que afirmou a fiscalização; a PIFCO sequer teve a posse da mercadoria ou lucrou com a sua revenda. O próprio AuditorFiscal reconheceu que o contribuinte procedeu a importação de produtos derivados de petróleo da YPF S/A, situada na Argentina, com transporte diretamente para o Brasil, conforme Certificado de Origem; quanto à suposta falta de correspondência entre o Certificado e a fatura expedida pela PFICO, razão alguma assiste ao órgão autuante, vez que esta fatura traz informações condizentes com aquelas contidas no Certificado, inclusive faz referência a ele em seu próprio corpo; o Certificado de Origem foi expedido na Argentina, contendo a declaração da produtora e exportadora do produto, a YPF S/A, e a certificação, propriamente dita , do Ministério da Indústria e Comércio daquele país. O Certificado de Origem trouxe a indicação da fatura comercial expedida pela YPF de nº 00RY1260D. Tudo conforme previsto na norma; o órgão autuante ainda impôs multa regulamentar à impugnante alegando que mencionada fatura, emitida pela PFICO, apresentada no despacho aduaneiro, não cumpriu as exigências estabelecidas no art. 425, alíneas “a”, “h”, “i” e “m” do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85; o art. 425 impõe regras voltadas para o exportador e, no caso, a PIFCO atuou na qualidade de simples operadora; ressalta o caráter instrumental do Imposto de Importação, enfatizando que este é um instrumento regulador do comércio exterior, possuindo assim, função extrafiscal e não arrecadatória, como a maioria dos impostos; invoca o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 13 de 10/09/2002, destacando os artigos 100, I e 106, I, ambos do Código Tributário Nacional – CTN, a fim de que seja afastada a multa prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96; – tendo sido o CTN recepcionado pela Constituição Federal, argúi que a instituição de taxa de juros diferente daquela prevista no § 1º, do artigo 161 do CTN, somente pode ocorrer através de Lei Complementar, o que não aconteceu no caso da aplicação da SELIC, que decorre da Lei Ordinária nº 9.065/95; Fl. 114DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10209.000807/200582 Acórdão n.º 3102002.276 S3C1T2 Fl. 113 5 – ademais a ilegalidade não está apenas na forma da instituição da SELIC, como taxa de juros, mas também na sua essência, uma vez que não foi instituída para remunerar a mora, assim requer que seja excluída a aplicação da taxa SELIC em face da impossibilidade de se utilizar a referida taxa como taxa de juros moratórios; – tendo a taxa SELIC a característica de taxa de remuneração de capital investido, quando o Fisco aplica a taxa SELIC sobre créditos em atraso, ele está, em verdade agindo como agente financeiro, equiparando a relação tributária a uma operação de financiamento, o que carece de sustentação legal; ao final, com base nos fundamentos acima elencados, a impugnante requer que o lançamento seja considerado totalmente insubsistente protestando o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos; cita respeitável jurisprudência. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 69/84), em que, por unanimidade de votos, a impugnação foi julgada procedente em parte, para a) considerar devido o crédito tributário relativo ao Imposto de Importação, no valor de R$ 16.045,00, acrescido da multa de mora e dos juros de mora, nos termos da legislação aplicável; e b) exonerar o crédito tributário relativo à multa de ofício de 75%, prevista artigo 44, I, da Lei nº 9.430/96, no valor de R$ 12.033,75, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO – II Data do fato gerador: 27/10/2000 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM. É incabível a aplicação de preferência tarifária percentual quando o produto importado é comercializado por terceiro país, sem que tenham sido atendidos os requisitos previstos na legislação de regência. MULTA DE OFÍCIO. INEXIGIBILIDADE. Estando a mercadoria corretamente descrita na declaração de importação, com todos os elementos necessários à sua identificação e enquadramento tarifário, tornase incabível a exigência da multa de ofício capitulada no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, em consonância com o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 13/2002. Em 20/7/2010, a interessada foi cientificada da decisão de primeira instância (fl. 76). Inconformada, em 9/8/2010, protocolou o recurso voluntário de fls. 77/103, no qual, em relação ao parcela do auto de infração julgada procedente, reafirmou as razões de defesa suscitadas na fase impugnatória. Em aditamento, alegou que fosse observado os julgados do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes e da Camara Superior de Recursos Fiscais que decidiram favoravelmente à recorrente, por diversas vezes, a matéria sobre supostas Fl. 115DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 6 irregularidades em operação de triangulação comercial, especialmente, em relação a que aqui está sendo tratada. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia remanescente cingese ao tratamento tributário e aduaneiro dado à operação de importação de GLP (BUTANO), formalizada por meio da Declaração de Importação (DI) no 00/10361027, registrada em 27/10/2000. Para a fiscalizãção, a autuada descumpriu as regras do regime de origem, logo, não fazia jus à redução tarifária de 100% (cem por cento) da alíquota do Imposto de Importação (II), prevista no Acordo de Complementação Econômica nº 18 (ACE18) celebrado entre o Governo da República Federativa do Brasil e os Governos da República Federativa da Argentina, da República do Paraguai e da República do Uruguai, executado no Brasil pelo Decreto 550/1992. De modo contrário, sustenta a recorrente que foram atendidos todos requisitos do regime origem, logo, a referida operação de importação estaria contemplada com à preferencia tarifária fixada no citado Acordo. Os requisitos da operação de importação exigidos para que as mercadorias originárias dos Estados Partes beneficiemse do tratamento tarifário preferencial previsto no referido Acordo encontramse estabelecidos no artigo 10º do Regulamento de Origem das Mercadorias no MERCOSUL, que integra o Anexo I do Oitavo Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica nº 18, promulgado pelo Decreto 1.568/1995, que dispõe sobre a execução do referido Protocolo, e que tem o seguinte teor: Artigo 10º Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, elas deverão ter sido expedidas diretamente do Estado Parte exportador para o Estado Parte importador. A esses efeitos se considera expedição direta: a) as mercadorias transportadas sem passar pelo território de algum país não participante do MERCOSUL; b) as mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes, com ou sem transbordo ou armazenamento temporário, sob a vigilância de autoridade aduaneira competente nesses países, desde que: i) o trânsito estiver justificado por razões geográficas ou por considerações referentes a requerimentos de transporte; ii) não estiverem destinados ao comércio, uso ou emprego no país de trânsito; e iii) não sofram, durante o transporte ou depósito, nenhuma operação diferente das de carga ou descarga ou manipulação Fl. 116DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10209.000807/200582 Acórdão n.º 3102002.276 S3C1T2 Fl. 114 7 para mantêlas em boas condições ou assegurar sua conservação. c) poderá aceitarse a intervenção de operadores de outro país desde que, atendidas as disposições de a) e b), exista fatura comercial emitida pelo interveniente e o Certificado de Origem emitido pelas autoridades do Estado Parte exportador. (grifos não originais) No caso, inexiste controvérsia quanto ao atendimento dos requisitos atinentes à expedição direta do Estado Parte exportador para o Estado Parte importador, no caso, respectivamente, Argentina e Brasil, uma vez que o conhecimento de carga (fl. 21), que serviu de lastro à operação, informa que a mercadoria foi embarcada na Argentina e entregue no Brasil. Também não há qualquer dúvida sobre a origem da mercadoria, que é originária da argentina. O ponto fulcral da controvérsia cingese ao atendimento dos requisitos Regime de Origem do MERCONSUL, especificamente o atendimento das exigências relativas a operação de intervenção do operador de outro país não participante do ACE18, no caso, a empresa exportadora Petrobras International Finance Company Pifco, situada nas Ilhas Cayman. Da leitura da alínea “c” do referenciado artigo 10º, inferese que, em relação à operação comercial, a norma expressamente admite a interveniência de um operador econômico de outro país não integrante dos Estados Partes do ACE18. No entanto, para essa situação excepcional, a norma em comento exige que a operação atenda duas condições. A primeira, que o operador interveniente do terceiro país emita fatura comercial. A segunda, que o Certificado de Origem seja emitido pelas autoridades do Estado Parte exportador. Em consonância e complementando o disposto na alínea “c” do referenciado artigo 10º, exige o Décimo Quarto Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica nº 18, executado pelo Decreto 1.914/1996, que criou novo modelo do Certificado de Origem do MERCOSUL, instituído pelo Oitavo Protocolo Adicional ao ACE18, que, no caso de operações comerciais em que há interveniência de operador econômico de um terceiro país não participante do Acordo, que se faça constar do campo 14 (Observações) do Certificado a informação de que se trata de uma operação por conta e ordem do interveniente. Para melhor compreensão dessa exigência, reproduzse a seguir o texto da quarta nota que consta no dorso do novo formulário, in verbis: NOTAS O presente certificado: [...] poderá ser aceita a interveniência de um operador de outro país, sempre que sejam atendidas as disposições previstas neste certificado. Em tais situações o Certificado será emitido pelas Entidades Certificantes habilitadas para tal fim, que fará constar no campo 14 – Observações – que se trata de uma operação por conta e ordem do interveniente. (grifos não originais). Fl. 117DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 8 Aliás, as referidas notas encontramse reproduzidas no Certificado de Origem apresentado para amparar a operação de importação em apreço (fl. 25). O texto da nota em destaque, de forma clara, esclarece que, havendo a interveniência de um operador de outro país, a operação de importação deve ser realizada por conta e ordem do operador interveniente, no caso, a Pifco, situação que não se vislumbra na operação de importação em apreço. Com efeito, noticiam os autos que, na operação de importação em tela, a intervenção da operadora Pifco, situada em um terceiro país não membro do Acordo, deuse na qualidade de exportadora e não como real importadora, como exige a nota em comento. No caso, a função de importador de fato e direito foi exercida pela Petróleo Brasileiro S/A. – Petrobras, o que caracteriza a operação em comento como tendo sido realizada em nome e sob a responsabilidade integral da própria Petrobras (importadora de fato e direito). No caso, não houve operação de importação por conta e ordem de interveniente situado em outro país não participante do Acordo, mas sim importação realizada pela própria autuada de pessoa jurídica localizada em terceiro país não integrante do Acordo, no caso Trinidad e Tobago, que foi o país da aquisição informado na DI que amparou o despacho aduaneiro de importação da mercadoria (fls. 21/24). Aliás, sobre esse fato inexiste controvérsia nos autos, posto que, por meio da correspondência de fls. 33/35, a própria importadora e autuada (Petrobras) confirma que a mercadoria fora comprada na Argentina pela exportadora Pifco, que, posteriormente, revendeu lhe, para fim de importação para o Brasil, o operação que foi realizada pela própria autuada, conforme explicitado na referida DI. As informações contidas na citada DI e nos demais documentos que instruíram o correspondente despacho aduaneiro de importação, também corroboram a conclusão aqui esposada de que, no caso em questão, não teve operador interveniente e tampouco operação de importação por conta ordem de interveniente, mas operação de importação realizada diretamente pela autuada sem a interveniência de operador de outro país estranho ao Acordo, conforme explicitado nos fragmentos de textos que seguem transcritos: a) informação extraída do verso do Conhecimento de Carga (fl. 22), in verbis: ENDOSSED TO THE ORDER OF PETROBRAS INTERNATIONAL FINANCE COMPANY FOR AND BEHALF OF REPSOL – YPF TRADING Y TRANSPORTE S. A (RYTTSA). ENDOSSED TO PETROLEO BRASILEIRO S/A – PETROBRAS PETROBRAS INTERNATIONAL FINANCE COMPANY P. O. BOX 1092 GRAND CAYMAN – CAYMAN ISLAND b) informação extraída das fichas da DI (fls. 14, 26 e 27), ipsis litteris: Importador CGC: 33.000.167/074490 PETROLEO BRASILEIRO S A PETROBRAS [...] Exportador Fl. 118DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10209.000807/200582 Acórdão n.º 3102002.276 S3C1T2 Fl. 115 9 Nome: PETROBRAS INTERNATIONAL FINANCE COMPANY Logradouro: BANKAMERICA BUILDING, FORT STREET Numero:00000 Complemento: P. O. BOX 1092 Cidade: GEORGE TOWN Estado: GRAN CAYMAN País de Aquisição: TRINIDAD E TOBAGO [...] Fabricante/Produtor Nome: YPF S/A Logradouro: AV. ROQUE SAENES PENA Numero:000777 Complemento: Cidade: BUENOS AIRES Estado ARGENTINA País de Origem: ARGENTINA Com base nessas informações, fica evidenciado que aqui não se trata de descumprimento de mera formalidade, como alegou a recorrente, mas da falta de atendimento de requisito material necessário para que a operação fosse contemplada com a redução tarifária do ACE – 18, ou seja, que a mercadoria originária dos Estados Partes fosse importada dos correspondentes País, o que não ocorreu no caso em apreço. Além disso, ainda que fosse caracterizada a operação de importação por conta e ordem da Pifco, o que se admite apenas para argumentar, sob ponto vista formal, a ausência dessa informação no campo 14 (Observações) do Certificado de Origem de fls. 24/25, certamente, implicaria descumprimento da exigência determinada no Décimo Quarto Protocolo Adicional ao ACE – 18, executado pelo Decreto 1.914/1996. Aliás, no campo 14 referido Certificado, consta a seguinte informação: Por cuenta y orden de REPSOLYPF TRADING Y TRANSPORTE, S.A. Po de la Castellana, 278 —28046 Madrid, Espana Com essa informação, o referido Certificado ampararia uma operação de importação por conta e ordem da interveniente REPSOL YPF TRADING Y TRANSPORTE S.A, o que não se vislumbra na operação de importação em questão. Por todas essas razões, fica cabalmente demonstrado que a operação de importação em tela não atende os requisitos materiais fixados na alínea “c” do artigo 10º do Regulamento de Origem do MERCOSUL, que integra o Anexo I do Oitavo Protocolo Adicional ao ACE18, executado pelo Decreto 1.568/1995, e tampouco o requisito formal determinado no Décimo Quarto Protocolo Adicional ao ACE–18, executado pelo Decreto 1.914/1996. Desse modo, resta impossibilitada a aplicação do tratamento preferencial tarifário pleiteado pela autuada na referida DI e, noutro giro, o acerto da fiscalização ao Fl. 119DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 10 proceder o lançamento do crédito tributário devido na referida operação importação, sem qualquer redução tributária. A recorrente alegou que a documentação coligida aos autos atendia fielmente ao que determinava o art. 2º da Resolução nº 232, do Comitê de Representantes da Associação LatinoAmericana de Integração (ALADI), executada pelo Decreto 2.865/1998, a seguir transcrito: Artigo 2º Incorporar ao Acordo 91 do Comitê de Representantes, como Artigo Segundo, o seguinte: "Segundo Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não membro da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, na área relativa a "observações", que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que em definitivo será o que fature a operação a destino". "Na situação a que se refere o parágrafo anterior e, excepcionalmente, se no momento de expedir o certificado de origem não se conhecer o número da fatura comercial emitida por um operador de um terceiro país, a área correspondente do certificado não deverá ser preenchida. Nesse caso, o importador apresentará a administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justifique o fato, onde deverá indicar, pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a operação de importação". (grifos não originais) Sem adentrar no mérito se a operação de importação em tela atende ou não aos requisitos do citado preceito normativo, é certo que ele, expressamente, permite que a mercadoria originária dos Estados Partes da ALADI seja faturada de um terceiro país, membro ou não membro da Associação, “identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que em definitivo será o que fatura a operação a destino”. Entretanto, não se pode olvidar que o referido comando normativo aplicase apenas às operações de importação submetidas ao Regime Geral de Origem da ALADI, atualmente consolidado pela Resolução nº 252, do Comitê de Representantes, executada pelo Decreto 3.325/1999. É pertinente ressaltar que no texto consolidado da Resolução nº 252, o texto do artigo 2º Resolução nº 232 encontrase reproduzido na íntegra no ARTIGO NONO. Por força dessa circunstância, a operação de triagulação comercial permitida no citado comando normativo, inequivocamente, não se aplica ao caso em tela, regido peloas regras do Regulamento de Origem do MERCOSUL, aprovado pela Decisão nº 6, do Conselho do Mercado Comum do MERCOSUL, e que integra o Anexo I do Oitavo Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica nº 18, executado pelo Decreto 1.568/1995 Para justificar a sua pretensão, a recorrente colacionou ao recurso em apreço farta jurisprudência administrativa do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes e da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, relativa ao Regime Geral de Origem da ALADI, matéria estranha ao objeto da presente controvérsia. Por essa razão, deixase de fazer qualquer comentário a respeito. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10209.000807/200582 Acórdão n.º 3102002.276 S3C1T2 Fl. 116 11 Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra a decisão recorrida. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 121DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A
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