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Numero do processo: 16366.000031/2009-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP EM VALOR INFERIOR AO SALDO NEGATIVO. RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA SEM QUE TAL VALOR INFLUENCIASSE NO MONTANTE DE CRÉDITOS NECESSÁRIOS À HOMOLOGAÇÃO DAS COMPENSAÇÕES. PROCEDIMENTO QUE TEM POR EFICÁCIA REGULARIZAR O MONTANTE DO SALDO NEGATIVO
Nos casos em que o valor do saldo negativo é superior às compensações realizadas e mesmo glosando parte dos valores que formaram o saldo negativo homologou-se as compensações por serem de valor inferior ao saldo negativo apurado, o recolhimento de diferença de estimativa, em atraso, com multa moratória e juros, produz eficácia para regularizar o saldo negativo, em relação ao montante do pagamento realizado.
RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. REVISÃO DO SALDO NEGATIVO DE RECOLHIMENTOS DO IRPJ/CSLL. Apresentada a declaração de compensação a Fazenda Pública pode verificar a existência do saldo negativo indicado para fins de compensação. O que não é possível, após o prazo de 5 (cinco) anos, contados do lançamento original ou da retificação, é a glosa de despesas ou identificação de omissões como fundamento para diminuir o valor do saldo devedor. Tal hipótese, se admitida, importaria em violação do disposto no artigo 9º, § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972 e, em levar a efeito procedimento fiscal para fazer exigência em relação a período já atingido pela decadência.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido
Numero da decisão: 1402-001.776
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à utilização do valor de R$ 15.236,19 na composição do saldo negativo no ano-calendário de 2003.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP EM VALOR INFERIOR AO SALDO NEGATIVO. RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA SEM QUE TAL VALOR INFLUENCIASSE NO MONTANTE DE CRÉDITOS NECESSÁRIOS À HOMOLOGAÇÃO DAS COMPENSAÇÕES. PROCEDIMENTO QUE TEM POR EFICÁCIA REGULARIZAR O MONTANTE DO SALDO NEGATIVO Nos casos em que o valor do saldo negativo é superior às compensações realizadas e mesmo glosando parte dos valores que formaram o saldo negativo homologou-se as compensações por serem de valor inferior ao saldo negativo apurado, o recolhimento de diferença de estimativa, em atraso, com multa moratória e juros, produz eficácia para regularizar o saldo negativo, em relação ao montante do pagamento realizado. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. REVISÃO DO SALDO NEGATIVO DE RECOLHIMENTOS DO IRPJ/CSLL. Apresentada a declaração de compensação a Fazenda Pública pode verificar a existência do saldo negativo indicado para fins de compensação. O que não é possível, após o prazo de 5 (cinco) anos, contados do lançamento original ou da retificação, é a glosa de despesas ou identificação de omissões como fundamento para diminuir o valor do saldo devedor. Tal hipótese, se admitida, importaria em violação do disposto no artigo 9º, § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972 e, em levar a efeito procedimento fiscal para fazer exigência em relação a período já atingido pela decadência. Recurso Voluntário Parcialmente Provido
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PER/DCOMP EM VALOR INFERIOR AO SALDO NEGATIVO. RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA SEM QUE TAL VALOR INFLUENCIASSE NO MONTANTE DE CRÉDITOS NECESSÁRIOS À HOMOLOGAÇÃO DAS COMPENSAÇÕES. PROCEDIMENTO QUE TEM POR EFICÁCIA REGULARIZAR O MONTANTE DO SALDO NEGATIVO Nos casos em que o valor do saldo negativo é superior às compensações realizadas e mesmo glosando parte dos valores que formaram o saldo negativo homologouse as compensações por serem de valor inferior ao saldo negativo apurado, o recolhimento de diferença de estimativa, em atraso, com multa moratória e juros, produz eficácia para regularizar o saldo negativo, em relação ao montante do pagamento realizado. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. REVISÃO DO SALDO NEGATIVO DE RECOLHIMENTOS DO IRPJ/CSLL. Apresentada a declaração de compensação a Fazenda Pública pode verificar a existência do saldo negativo indicado para fins de compensação. O que não é possível, após o prazo de 5 (cinco) anos, contados do lançamento original ou da retificação, é a glosa de despesas ou identificação de omissões como fundamento para diminuir o valor do saldo devedor. Tal hipótese, se admitida, importaria em violação do disposto no artigo 9º, § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972 e, em levar a efeito procedimento fiscal para fazer exigência em relação a período já atingido pela decadência. Recurso Voluntário Parcialmente Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 00 00 31 /2 00 9- 06 Fl. 421DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16366.000031/200906 Acórdão n.º 1402001.776 S1C4T2 Fl. 10 2 Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à utilização do valor de R$ 15.236,19 na composição do saldo negativo no anocalendário de 2003. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16366.000031/200906 Acórdão n.º 1402001.776 S1C4T2 Fl. 11 3 Relatório A recorrente apresentou os pedidos de compensação de fls. 02 e seguintes objetivando compensar os valores neles indicados com saldo negativo de IRPJ referente ao anocalendário de 2003. A DIPJ que consta à fl. 51 dos autos indica saldo negativo no valor de R$ 6.751.945,73. O despacho de fls. 148/153, reconheceu a existência de saldo negativo no valor de R$ 4.698.511,33, homologando as compensações de nº 25131.75152.180806.1.7.02 5012, 34749.16381.300404.1.3.021401 e 29005.03057.210806.1.7.024401 e, de forma parcial, a compensação de nº 40827.46790.210806.1.7.023906, restando um saldo devedor em relação a esta de R$ 1.278.490,84 (fl. 154). Pelo que se extrai do despacho decisório, em relação aos valores que formaram o saldo negativo, não foram reconhecidos os seguintes montantes: a) R$ 15.236,19 referente à estimativa devida em 10/2003; b) R$ 5.932,82 comprovado em DIRF referente a IRRF por órgãos públicos, frente a R$ 9.764,75 considerado pela recorrente; c) R$ 1.923.677,69 correspondente a IRRF da empresa SPLICE; d) R$ 108.999,90 correspondente a IRRF pelo Santander. Intimada da decisão de fls. 148/153, a parte interessada apresentou manifestação de inconformidade, sendo que a DRJ deu parcial provimento ao recurso para acolher o IRRF nos valores de R$ 5.932,82 e R$ 1.923.677,69 apontando, em relação a este último, que houve mero erro do contribuinte na designação da fonte retentora. No que se refere à glosa da estimativa devida em 10/2003, no valor de R$ 15.236,19, o acórdão referido está assim fundamentado: "O despacho decisório guerreado foi perfeito, no que se refere ao ponto agora sob análise, à luz dos fatos acontecidos até então, e não pode ser alterado pela DRJ em razão da superveniência do pagamento, em 15 de maio de 2009, após a ciência do despacho decisório, que aconteceu em 20 de abril de 2009, do IRPJ devido por estimativa no mês de outubro de 2003. Por fim, em no que tange à retenção feita pelo BANCO SANTANDER, o acórdão recorrido destacou: " No que tange à retenção feita pelo BANCO SANTANDER o contribuinte apresenta como documento comprobatório da sua ocorrência um Informe de Rendimentos Financeiros em que consta como tendo havido retenção do valor de R$ 607.600,57, no código 3426, exatamente o valor que foi aceito e considerado pela autoridade recorrida. Em sua impugnação, o contribuinte assevera que a diferença “na ordem de R$ 103.067,08 será oportunamente anexada aos autos, por tratarse de operações financeiras existentes em outra Fl. 423DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16366.000031/200906 Acórdão n.º 1402001.776 S1C4T2 Fl. 12 4 instituição financeira”. Como não houve a juntada de qualquer elemento comprobatório da existência dessa retenção, referente à outra instituição financeira, e não tendo a autoridade recorrida encontrado elementos confirmatórios nos sistemas da RFB, não é possível acatarse a alegação do contribuinte, no ponto. Intimada em 31/01/2012 (fl. 248), de forma tempestiva a parte interessada apresentou o recurso de fls. 249 e seguintes, alegando, em síntese: a) que em 15/04/2009, quando proferido o despacho decisório, cuja intimação se deu em 20/04/2009, a análise do saldo negativo de IRPJ relativa ao anocalendário de 2003 não podia ser feita, uma vez que passados mais de 5 (cinco) anos da ocorrência dos fatos geradores que formaram o saldo negativo. b) que no caso dos autos não se está a deduzir que ocorreu a decadência do Fisco de analisar a compensação pleiteada e sim a decadência do direito do Fisco de proceder com a recomposição do crédito tributário utilizado. b) que é nítido que o pagamento do DARF no valor de R$ 15.236,19 compõe o saldo negativo do IRPJ referente ao anocalendário de 2003. É o relatório. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16366.000031/200906 Acórdão n.º 1402001.776 S1C4T2 Fl. 13 5 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator O recurso manuseado pela parte encontrase previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, é tempestivo, está devidamente fundamentado e foi interposto por parte legítima que pretende ver a decisão da DRJ reformada. Assim. conheçoo e passo ao exame do mérito. I Da questão relacionada ao pagamento, em 20 de abril de 2009, de R$ 15.236,19 referente à estimativa devida em 10/2003. Ciente de que a estimativa de outubro de 2003, devidamente declarada, no valor de R$ 15.236,19, não tinha sido quitada, em 31/10/2009, após intimação do despacho decisório, a fiscalizada realizou o pagamento desta, com multa moratória e encargos legais, recolhendo o montante de R$ 29.861,40 (fl. 230). Aqui, a situação dividese em dois pontos: a) O primeiro diz respeito a consequência do recolhimento de estimativa em atraso, quando o valor desta é necessário para formar o saldo negativo e este, por sua vez, é integralmente absorvido pelas compensações realizadas; b) O segundo, é a consequência do recolhimento de estimativa em atraso nas hipóteses em que tal valor não impede a homologação das compensações em face destas abrangerem montante inferior ao saldo negativo. Na primeira hipótese, isto é, quando o saldo negativo, sem a estimativa recolhida em atraso não é suficiente para homologar as compensações, em relação ao valor não homologado, há incidência de multa moratória de 20% e juros legais1. Nestas situações, do valor devido, com multa de 20% e juros, subtraise o valor recolhido em atraso. Considerando que a correção e a multa são idênticas em ambos os casos, resultado era zero. Nos casos em que o valor do saldo negativo é superior às compensações realizadas, como ocorreu na situação dos autos, e mesmo glosando os valores apontados homologouse as compensações apresentadas por serem de valor inferior ao saldo negativo apurado, não há o que se cobrar. O valor da estimativa recolhida em atraso, com multa moratória e juros, tem por eficácia a regularização do saldo negativo, na proporção paga. Assim, no caso concreto, do recolhimento da estimativa referente ao mês de outubro de 2003, recolhida em 20/04/2009, resultou a regularização da pendência referente a outubro de 2003. Não fosse este raciocínio, chegarseia ao equívoco de se afirmar que o recolhimento em 20/04/2009 caracterizaria pagamento indevido, o que não é. Com tais considerações, reconheço que o valor de R$ 15.236,19, deve integrar o saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2003. II Da alegação de que passados cinco anos, da data dos fatos geradores, a Fiscalização não pode glosar saldo negativo apurado em DIPJ. 1 Atualmente, quando a estimativa não é homologada, aplicase multa de 50%, sendo que tal exigência encontrase em análise no STF, com repercussão geral. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16366.000031/200906 Acórdão n.º 1402001.776 S1C4T2 Fl. 14 6 Em decisões anteriores já me manifestei em questões semelhantes, sendo que os acórdãos de minha relatoria podem ser sintetizados por meio das duas ementas que seguem a título exemplificativo: Ementa: DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO DO LANÇAMENTO. Havendo antecipação do tributo, a homologação do lançamento ocorrerá no prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, na forma do art. 150, § 4°, do CTN. Esse prazo decadencial também é aplicável nas revisões do Lucro Real apurado e declarado pelo contribuinte, para fins de apuração do direito creditório concernente ao Saldo Negativo de Recolhimentos do IRPJ/CSLL. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. REVISÃO DO SALDO NEGATIVO DE RECOLHIMENTOS DO IRPJ/CSLL. A Fazenda Pública pode fiscalizar a formação dos saldos negativos de recolhimentos de IRPJ e CSLL no prazo de 5 anos contados do aproveitamento pelo contribuinte. Essa revisão deve partir do lucro real declarado/apurado pelo contribuinte e pode contemplar a verificação da efetividade dos recolhimentos, das retenções do IRFonte, transposição de saldos de um período para outro, compensações, enfim a própria formação do saldo. Todavia, após o prazo decadencial de 5 anos, contados do lançamento original, ou retificado pelo contribuinte, não é possível alterar o lucro real regularmente apurado e declarado, sob pena de, por vias transversas, levar a efeito procedimento fiscal em relação a período já atingido pela decadência. (Processo 10768.905686/200611. Acordão 140200.768. Jul. 20/10/2011). Ementa: RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. REVISÃO DO SALDO NEGATIVO DE RECOLHIMENTOS DO IRPJ/CSLL. A Fazenda Pública pode fiscalizar a formação dos saldos negativos de recolhimentos de IRPJ e CSLL no prazo de 5 anos contados do aproveitamento pelo contribuinte. Essa revisão deve partir do lucro real declarado/apurado pelo contribuinte e pode contemplar a verificação da efetividade dos recolhimentos, das retenções do IRFonte, transposição de saldos de um período para outro, compensações, enfim a própria formação do saldo. Todavia, após o prazo decadencial de 5 anos, contados do lançamento original, ou retificado pelo contribuinte, não é possível alterar o lucro real regularmente apurado e declarado. (Processo nº 10923.000117/200809. Acórdão 140200.736. Jul. 29/09/2011). Recentemente, em declaração de voto que apresentei no processo nº 10640.720967/200976, julgado na sessão de 06/05/2014, resultando no acórdão nº 1402 001.662, em acórdão de relatoria do ilustre Conselheiro Fernando Brasil, tendoo acompanhado pelas conclusões, enfrentei a questão da regramatriz de incidência tributária, e a regramatriz de direito ao crédito por parte do contribuinte. Igualmente, quando da análise do processo nº 10880.950151/200861, também pautado nesta sessão, enfrentei a questão nos seguintes termos: "I Da Natureza jurídica, o momento da constituição do saldo negativo do imposto de renda das pessoas jurídicas e a questão relacionada à prescrição Fl. 426DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16366.000031/200906 Acórdão n.º 1402001.776 S1C4T2 Fl. 15 7 Nos termos da Súmula 436 do STJ e do Resp 962.279/RS, submetido ao rito do artigo 543C, do CPC, “a entrega de declaração pelo contribuinte, reconhecendo o débito fiscal, constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco." Neste cenário, no momento da entrega da DCTF, à semelhança do que ocorre com o lançamento de ofício, temse uma norma individual e concreta constituindo o crédito tributário. Todavia, além da regramatriz de incidência tributária, da qual resulta o débito tributário, há a regramatriz de direito ao crédito. Da primeira surge a obrigação do particular em face da Administração e da segunda advém a obrigação da Administração frente ao particular. É da segunda que nasce a constituição do crédito em favor do contribuinte2. Assim, em se tratando de IRPJ, o saldo negativo do imposto de renda das pessoas jurídicas, decorrente de retenção de imposto de renda na fonte e ou recolhimento de estimativas, resulta constituído no momento em que o contribuinte, mediante procedimento adequado3, (i) informa as receitas e os rendimentos sujeitos à tributação; (ii) apura o montante dos tributos devidos e (iii) dele subtrai o que foi pago de forma antecipada, declarando tal procedimento à Administração. Neste momento temse a constituição do saldo negativo em favor do contribuinte, com prazo de cinco anos para ser utilizado em processo de compensação ou pedido de restituição. Em igual prazo, identificando irregularidades na constituição do saldo negativo, o Fisco pode efetuar as glosas que entender necessário, reduzindo o valor do saldo negativo, ou exigindo imposto a pagar, sempre por meio de auto de infração, conforme previsto no art. 9º, § 4º, do Decreto 70.235, de 1972, acrescentado pela Lei nº 11.941, de 2009. "Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em auto de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributos ou penalidades (...). § 4º. O disposto no caput deste artigo aplicase também nas hipóteses em que, constatada a infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário. Partindo do entendimento de que o direito ao crédito tributário do contribuinte frente à Fazenda advém de regra de incidência pertencente ao regime jurídico, tem razão o Conselheiro Carlos Pelá quando menciona que decorridos cinco anos da constituição/apuração do saldo negativo em favor do contribuinte e tendo este aproveitado tais valores mediante compensação, sem que a Fazenda 2 A questão da existência da regramatriz de incidência tributária, da qual decorre o débito do particular frente à Administração e a regramatriz de direito ao crédito tributário, da qual decorre a obrigação da Administro frente ao particular, foi apontada pelo Ministro Fux quando do julgamento dos Resp 773.675 e 1.065.234/RS. O fato dos referidos julgamentos versarem sobre ICMS em nada altera os pressupostos e a natureza jurídica do direito ao crédito. A propósito, do REsp 77.675, (DJ de 2.4.2007, p. 239), colho a seguinte passagem: "(...) O direito de crédito do contribuinte não decorre da regramatriz de incidência tributária do ICMS, mas da eficácia legal da norma constitucional que prevê o próprio direito ao abatimento (regramatriz de direito ao crédito) (...) porquanto a compensação se dá entre operações de débito (obrigação tributária) e crédito (direito ao crédito)." 3 A expressão "procedimento adequado" deve ser entendida como situação onde inexistam omissões a serem tributadas. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16366.000031/200906 Acórdão n.º 1402001.776 S1C4T2 Fl. 16 8 Nacional tivesse glosado nos 5 (cinco) anos subsequentes à constituição, não é possível fazêlo após tal prazo. Assim como o sujeito passivo tem 5 (cinco) anos para requerer a restituição ou compensação do saldo negativo, uma vez constituído tal saldo a Fazenda também dispõe de 5 (cinco) anos para conferir as apurações feitas pelo sujeito passivo, informadas em DIPJ. Passados 5 (cinco) anos, e diante do que dispõe o § 4º do art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, acrescentado pela Lei nº 11.941, de 2009, não há como alterar o valor do saldo negativo. Em outras palavras, o sujeito passivo tanto pode entregar DCTF reconhecendo imposto a pagar, situação em que resta constituído o débito tributário em favor do Fisco, como pode realizar procedimento, previsto em lei, apontando crédito em seu favor. Neste sentido, conforme reiteradamente destacado pelo Conselheiro Carlos Pelá, temse que a relação entre Contribuinte e Fisco é de crédito e débito, que ora pode ser a favor de um e ora a favor de outro. Nesta mesma linha encontramse ensinamentos em artigos de doutrina de Jefferson Medina nas Revistas Dialética de Direito Tributário de nºs 225 e 226, editadas, respectivamente, nos meses de junho e julho de 20144. Pois bem, partindo do entendimento de que direito ao crédito tributário do contribuinte frente à Fazenda advém de regra de incidência pertencente ao regime jurídico, concordo com o Conselheiro Carlos Pelá quando menciona que decorridos cinco anos da constituição/apuração do saldo negativo em favor do contribuinte e tendo este aproveitado tais valores mediante compensação, sem que a Fazenda Nacional tivesse glosado nos 5 (cinco) anos subsequentes, não é possível fazêlo após tal prazo. Assim como o sujeito passivo tem 5 (cinco) anos para requerer a restituição ou compensação do saldo negativo, uma vez constituído tal saldo a Fazenda também dispõe de 5 (cinco) anos para conferir as apurações feitas pelo sujeito passivo e informadas em DIPJ. Isto tornase mais evidente nas situações em que o sujeito passivo, por equívoco, apura imposto a pagar ou saldo negativo diferente do efetivamente devido. Passados 5 (cinco) anos não poderá retificar a DIPJ para alterar os valores nela informados. Em que pese os fundamentos acima mencionados e a minha mudança de entendimento acerca da matéria, estou ressalvando meu ponto de vista e seguindo o entendimento da douta maioria de que a Fazenda, a qualquer tempo, pode verificar se houve o recolhimento dos valores que formaram o saldo negativo, não podendo, todavia, após o prazo de 5 (cinco) anos pretender glosar despesas ou apontar omissões, sob pena de, por vias 4 Jefferson Marcos Biagini Medina Natureza Jurídica do Crédito e Débito no ICMS e suas Implicações no Ordenamento Jurídico. In. Revista Dialética de Direito Tributário, 225, p. 113124. Junho 2014. Jefferson Marcos Biagini Medina Inconstitucional ide do Protocolo ICMS 21/2011 do Confaz. Efeitos Jurídicos para os Signatários e Consumidor Final não Contribuintes do ICMS. In . In. Revista Dialética de Direito Tributário, 226, p. 91105, julho 2014. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16366.000031/200906 Acórdão n.º 1402001.776 S1C4T2 Fl. 17 9 transversas, exigir tributo em relação a período já atingido pela decadência, isto sem falar em violação do disposto no § 4º, do art. 9º, do Decreto nº 70.235, de 1972, acrescentado pela Lei nº 11.941, de 2009. ISSO POSTO, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à utilização do valor de R$ 15.236,19 na composição do saldo negativo no anocalendário de 2003. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 429DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 16327.900588/2006-54
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/04/2003
NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, que possibilitem ao contribuinte compreender o motivo da sua não homologação, não há que se falar em nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-004.367
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/04/2003 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, que possibilitem ao contribuinte compreender o motivo da sua não homologação, não há que se falar em nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/04/2003 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, que possibilitem ao contribuinte compreender o motivo da sua não homologação, não há que se falar em nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 05 88 /2 00 6- 54 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.900588/200654 Acórdão n.º 3801004.367 S3TE01 Fl. 92 2 (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.900588/200654 Acórdão n.º 3801004.367 S3TE01 Fl. 93 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: Tratase de manifestação de inconformidade (fis. 10/17) de INDUSVAL FINANCEIRA, CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO S.A., supra qualificada, apresentada em face do Despacho Decisório de fis. 01. Em 13.06.2003, o contribuinte entregou a Declaração de Compensação de fls. 05/09 (PER/DCOMP n° 30130.97051.130603.1.3.049134), na qual declara a compensação de pretenso crédito de PIS, oriundo de pagamento indevido ou a maior contido no recolhimento efetuado em 15.05.2003 (PA 04/2003), com débitos do próprio PIS com vencimento em 13.06.2003 (PA 05/2003). Pelo Despacho Decisório de fls. 01 o contribuinte foi cientificado, em 27.02.2008 (fls. 04), que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada, tendo sido o interessado intimado a recolher o valor indevidamente compensado (principal: R$ 4.341,29). Irresignado, o contribuinte apresentou em 28.03.2008 a Manifestação de Inconformidade de fls. 10/17, alegando, em apertada síntese, a nulidade do despacho decisório, por falta de motivação e de fundamentação do ato, e, no mérito, que existiria um outro DARF, no valor de R$ 26.481,99, referente ao mesmo período de apuração do DARF discriminado no PER/DCOMP, mas que, por um lapso, não foi informado pelo contribuinte mediante retificação do PER/DCOMP. Pleiteia, assim, a homologação integral da compensação e cancelamento da cobrança, bem como, ante a existência de fato novo informado, seja o processo encaminhado à DEINF/SPO para nova análise do PER/DCOMP. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/04/2003 COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.900588/200654 Acórdão n.º 3801004.367 S3TE01 Fl. 94 4 Descabe reparo ao despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte, por revelarse inexistente o crédito pleiteado. In casu, os alegados créditos seriam oriundos de recolhimentos que, não obstante, estavam integralmente alocados para a quitação de débitos confessados pelo contribuinte. Solicitação Indeferida Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual alega a preliminar de nulidade do despacho decisório, por falta de motivação e de fundamentação do ato, e, no mérito, que a origem ao crédito objeto da • PER/DCOMP em questão (R$ 4.341,29), resulta da diferença entre o valor do DARF (R$ 49.830,59) e o valor efetivamente devido (R$ 45.489,30). É o Relatório. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.900588/200654 Acórdão n.º 3801004.367 S3TE01 Fl. 95 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre de recolhimento a maior de PIS, Código de Receita 4574, PA 30/04/2003. Preliminarmente, quanto à alegação de nulidade no despacho decisório por ausência de fundamentação e o conseqüente cerceamento ao direito de defesa entendo que não assiste razão à recorrente. O instituto da compensação está previsto no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. In casu, o contribuinte apresentou declaração de compensação de débitos de PIS, e apontou o documento de arrecadação (DARF) referente a PIS Código de Receita 4574, PA 30/04/2003, como origem do crédito, alegando “pagamento indevido ou a maior”, conforme disposto nas normas regulamentadoras. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. A fundamentação da não homologação da compensação pleiteada reside no cotejo entre as próprias declarações apresentadas pelo contribuinte e os documentos apontados como origem do direito creditório. Apesar do contribuinte informar ter retificado a DCTF posteriormente, a analise eletrônica do PERDCOMP se deu com base nas declarações ativas quando da apresentação do mesmo. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.900588/200654 Acórdão n.º 3801004.367 S3TE01 Fl. 96 6 Embora os critérios dessa análise possam ser insuficientes para criar um juízo de certeza da inexistência ou insuficiência do crédito do contribuinte, esse fato por si só não ensejaria a decretação da nulidade do despacho por cerceamento de defesa, qual seja, a impossibilidade de o impugnante defenderse da não homologação, por falta de compreensão do motivo da não homologação. Não resta caracterizada a nulidade se o impugnante, a partir do despacho decisório, assimila as conseqüências do fato que deu origem à rejeição da compensação, que lhe possibilitem saber quais pontos devem ser esclarecidos em sua defesa, para comprovação de seu direito creditório. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No caso vertente a recorrente indicou no PER/DCOMP um DARF, no valor total de R$ 49.830,59, referente a PIS Código de Receita 4574, PA 30/04/2003, pleiteando a compensação de um pagamento indevido ou a maior no montante de R$ 4.341,29. Na manifestação de inconformidade alegou que havia um outro DARF relativo ao mesmo período de apuração, o qual, se fosse considerado pela autoridade fiscal, evidenciaria a existência do crédito compensado. No entanto, conforme consta na decisão recorrida, o contribuinte, em sua DCTF retificadora entregue em 23.08.2004, declarou um débito de PIS referente ao período em questão no valor de R$ 73.608,98, vinculando os dois DARF mencionados, evidenciando a inexistência do crédito alegado pelo interessado. No recurso voluntário apresentado, por sua vez, a recorrente alega que o valor apurado a título de PIS, referente ao mês de abril/2003, na verdade seria de R$ 45.489,30, o que daria origem ao crédito objeto da PER/DCOMP em questão (R$ 4.341,29), resultado da diferença entre o valor do DARF (R$ 49.830,59) e o valor efetivamente devido (R$ 45.489,30). Alega ainda que o valor efetivamente apurado estaria consignado na DIPJ do anocalendário 2003 (DOC. 06), exercício 2004 e que procedeu à retificação da DCTF, referente ao 2° trimestre de 2003 (DOC. 07). Conforme já ressalvado, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito. Dos elementos de prova presentes nos autos verificase que consta copia de uma DIPJ 2004, ano calendário 2003, entregue em 26/06/2004, na qual foi calculado um valor de R$ 45.489,30, referente a contribuição para PIS/PASEP para o período de apuração de abril/2003. Já a DCTF retificadora, entregue em 23/08/2004, aponta um débito de PIS referente ao período em questão no valor de R$ 73.608,98. Apesar da recorrente ter providenciado a retificação extemporânea da respectiva DCTF, recebida em 02/12/2008, os documentos apresentados são insuficientes para Fl. 96DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.900588/200654 Acórdão n.º 3801004.367 S3TE01 Fl. 97 7 se apurar o valor correto do PIS referente ao período de apuração em discussão e o conseqüente direito creditório advindo do pagamento a maior O Recorrente não trouxe aos autos qualquer elemento além das declarações sob sua responsabilidade que pudesse comprovar a origem do seu crédito, tais como a escrituração contábil e fiscal. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no pagamento do DARF e preenchimento da DCTF e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados, o que não se verifica no caso em tela. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR as compensações em litígio. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 97DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 19515.000704/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/12/2006, 31/12/2007
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. REGULAR INTIMAÇÃO.
Incabível o lançamento fundado na presunção de omissão de receitas por depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, se ausente a regular intimação para justificativa dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, conforme determina o artigo 42 da Lei n° 9.430/96.
INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. VALIDADE.
Considera-se válida a intimação por via postal desde que haja prova de recebimento, pelo contribuinte ou seu preposto, no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo.
INTIMAÇÃO POR EDITAL.
Restando improfícua a intimação pela via postal ou quando a inscrição do sujeito passivo for declarada inapta, e não havendo indicação de se endereçar a intimação a local diverso, a ciência dos atos administrativos deve ser realizada por edital (§ 1°, I, II, III do art. 23 do Dec. 70.235/72).
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS.
Os lançamentos reflexos devem observar o mesmo procedimento adotado
no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula.
Recurso de ofício negado
Numero da decisão: 1401-001.331
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso ofício, nos termos do voto do relator.
Assinado digitalmente
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
Assinado digitalmente
Maurício Pereira Faro Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias, e Mauricio Pereira Faro.
Nome do relator: Relator Maurício Pereira Faro
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OMISSÃO DE RECEITAS. REGULAR INTIMAÇÃO. Incabível o lançamento fundado na presunção de omissão de receitas por depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, se ausente a regular intimação para justificativa dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, conforme determina o artigo 42 da Lei n° 9.430/96. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. VALIDADE. Considerase válida a intimação por via postal desde que haja prova de recebimento, pelo contribuinte ou seu preposto, no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo. INTIMAÇÃO POR EDITAL. Restando improfícua a intimação pela via postal ou quando a inscrição do sujeito passivo for declarada inapta, e não havendo indicação de se endereçar a intimação a local diverso, a ciência dos atos administrativos deve ser realizada por edital (§ 1°, I, II, III do art. 23 do Dec. 70.235/72). TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Os lançamentos reflexos devem observar o mesmo procedimento adotado no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula. Recurso de ofício negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 07 04 /2 01 0- 91 Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 19515.000704/201091 Acórdão n.º 1401001.331 S1C4T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso ofício, nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva – Presidente Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro – Relator Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias, e Mauricio Pereira Faro. Relatório Tratase de recurso de oficio contra acórdão que julgou, por unanimidade de votos, a impugnação procedente, cancelando o crédito tributário. Por bem resumir a questão ora examinada, adoto e transcrevo o relatório anterior elaborado pela 5º Turma da DRJ/SP1 São Paulo SP: Em ação fiscal levada a efeito sobre o contribuinte acima identificado, instaurada por força do MPF nº 0819000 2009 039049, foram lavrados Autos de Infração relativos aos anos calendário de 2006 e 2007, de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (fls. 922/926); de Contribuição para o Programa de Integração Social (fls. 933/937); de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (fls. 944/948) e de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (fls. 952/956). Conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 914/916: • não foi dada ciência pela via pessoal ou postal em virtude de a contribuinte não ter sido localizada em seu endereço cadastral, tendo a mesma sido declarada INAPTA a partir de 01.01.2006, conforme ADE n° 234 de 09.09.2009, publicado no DOU de 11.09.2009; • com base em extratos bancários referentes aos anoscalendário de 2006 e 2007 fornecidos pelo Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal mediante autorização para quebra de sigilo bancário, a contribuinte foi intimada a esclarecer e comprovar a origem dos depósitos e créditos efetuados nas contas bancárias; Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 19515.000704/201091 Acórdão n.º 1401001.331 S1C4T1 Fl. 4 3 • como a contribuinte não se manifestou, à falta de comprovação da origem dos valores mencionados nas planilhas, nos termos do artigo 926 do RIR199, e após desconsideradas as transferências entre bancos, restou configurada presunção de omissão de receita no anocalendário de 2006 no valor de R$ 54.518.060,52 (cinquenta e quatro milhões, quinhentos e dezoito mil e sessenta reais e cinquenta e dois centavos) e no anocalendário de 2007 no valor de R$ 68.979.667,08 (sessenta e oito milhões, novecentos e setenta e nove mil e seiscentos e sessenta e sete reais e oito centavos), de conformidade com os artigos 287 e 849 do RIR199. 3 Fundamentação fática e legal e valores totais dos créditos tributários constituídos, incluída a multa proporcional e juros calculados até 31/03/2010, discriminados a seguir: 4. Irresignada com a autuação, da qual tomou ciência em 22/04/2010 (AR a fl. 958), a interessada apresentou, em 20/05/2010, a impugnação de fls. 962/968, acompanhada dos documentos de fls. 969/986, na qual apresentou as alegações abaixo sintetizadas: Preliminarmente, Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 19515.000704/201091 Acórdão n.º 1401001.331 S1C4T1 Fl. 5 4 4.1. a garantia ao contraditório e à ampla defesa foi completamente descurada, porquanto a tentativa de localização da pessoa jurídica foi promovida "Avenida Santa Maria 948 Jardim Colonial São Paulo", ao passo que o domicilio fiscal declarado e que forçosamente deveria constar dos registros e assentamentos da RFB era "Avenida Francisco Santa Maria n° 948 Jardim Colonial São Paulo"; 4.2. sem tentativa efetiva de localização da contribuinte no real endereço constante dos registros e assentamentos do órgão fiscalizador, não se considera cientificada a contribuinte, que é pressuposto essencial para o regular exercício do procedimento fiscal promovido, restando contaminados todos os atos praticados posteriormente; 4.3. em 11/12/2009, a contribuinte ingressou com de reativação do CNPJ, processo n° 13807.010088/200981, mediante o qual ao conhecimento da RFB a designação da ora subscritora como administradora a a impugnante e o novo endereço de sua sede, qual seja, Rua Dom José Mauricio, n° 133, Santana, São Paulo, CEP no 02028000; 4.4. se porventura a contribuinte tivesse sido oportuna e efetivamente notificada no endereço correto, o que poderia ocorrer, já que o feito fiscal foi concluído somente em 15/04/2010, a contribuinte poderia ter ingressado no curso da ação fiscal aparelhada e ter produzido documentos que certamente influiriam no resultado final encontrado pela auditora; 4.5. é inegável o prejuízo ou gravame experimentado pela impugnante, que constitui causa hábil e suficiente para a anulação da ação fiscal desde o inicio, tornando imperiosa a renovação dos atos, que desde logo se requer; No mérito, 4.6. A autuação desconsiderou que a contribuinte atua no ramo de "factoring", em que é comum e rotineiro o remanejamento de recursos próprios que constituem seu capital de giro, sem que isso signifique as propaladas receitas omitidas. As atividades realizadas constituem prestação de serviços de gestão empresarial e comercial executados em caráter cumulativo e continuo e, ainda, cobranças de títulos extrajudiciais por conta própria e de terceiros, que resultam na movimentação de valores a principio até expressivos, mas que não se constituem, integralmente, em receitas que tivessem sido omitidas para evitar o recolhimento de tributos legais; 4.7. Não houve análise individualizada para determinação da receita omitida, tal como previsto pelo artigo 4° da Lei n ° 9.481/97, e de onde se pudesse extrair a conclusão de que as movimentações constituíram receitas omitidas; Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 19515.000704/201091 Acórdão n.º 1401001.331 S1C4T1 Fl. 6 5 4.8. Durante o interregno de tempo que mediou a declaração de inaptidão da empresa, publicada no D.O. em 11/09/2009, e as autuações ora contestadas, verificadas em 15/04/2010, a contribuinte estava simplesmente impossibilitada de prestar as informações que lhe competiam visando demonstrar a real e verídica situação para efeitos fiscais e tributários. Embora aparentemente a tentativa de reativação do CNPJ não tenha chegado ao conhecimento da divisão de fiscalização, a conduta fiscal configura ofensa ao artigo 112 do Código Tributário Nacional, "segundo o qual a interpretação da lei tributária que define infrações ou comina penalidades sempre será feita de maneira mais favorável ao acusado, em existindo dúvidas quanto a natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou 11 natureza ou extensão dos seus efeitos" (fl. 967); 4.9. é inquestionável a boa fé da contribuinte, que protocolou em 11/12/2009 o pedido de reativação do CNPJ para buscar a regularização de sua situação fiscal, mormente com a apresentação das declarações apontadas como omitidas entre os exercícios de 2005 até 2008; 4.10. A autuação deve ser anulada, ainda, por cerceamento ao direito de ampla defesa da contribuinte, eis que os Autos Infracionais apresentamse em desacordo com o previsto no artigo 10, III, do Decreto n° 70.235/72, pois não foram elaborados com a descrição pormenorizada do fato tido por irregular e penalidade imposta; 4.11. Requer, por fim, a anulação da ação fiscal ou, no mérito, o integral refazimento da apuração dos tributos lançados e também das sanções sobre eles incidentes. Em face destes argumentos, a 5º Turma da DRJ/SP1, proferiu acórdão julgando improcedente o lançamento. Tendo em vista que dentre as questões em discussão no presente feito, encontrase a utilização da Requisição de Movimentação Financeiras – RMF, por parte da Autoridade Fiscal, como forma de conhecer os extratos bancários da Recorrente, e, sendo certo que a matéria encontrase no Supremo Tribunal Federal, sob o regime de repercussão geral, este i. Relator, em 03.07.2012, proferiu voto sobrestando o feito, até o pronunciamento final do Egrégio Supremo Tribunal Federal, nos termos da Portaria nº 138/2009 do STF. Ocorre que com o advento da Portaria MF nº 545, de 28 de novembro de 2013, revogou os § 1º e § 2º do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, foi determinado a reinclusão em pauta para julgamento os processos referentes às matérias que estão em repercussão geral no Supremo Tribunal Federal (STF) sem trânsito em julgado, de acordo com o rito do art. 543B do Código de Processo Civil (CPC). Assim, tendo em conta o cancelamento do crédito tributário, a legislação vigente determina a reanálise da demanda por este Egrégio Conselho. É o relatório. Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 19515.000704/201091 Acórdão n.º 1401001.331 S1C4T1 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Relator Maurício Pereira Faro Como exposto no relatório, tratase, na origem, de Auto de Infração instaurado por força do MPF nº 0819000 2009 039049, onde se lavrou Autos de Infração relativos aos anoscalendário de 2006 e 2007, de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (fls. 922/926); de Contribuição para o Programa de Integração Social (fls. 933/937); de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (fls. 944/948) e de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (fls. 952/956), com base em extratos bancários referentes aos anoscalendário de 2006 e 2007 fornecidos pelo Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal mediante autorização para quebra de sigilo bancário, não sendo a contribuinte regulamente intimada a esclarecer e comprovar a origem dos depósitos e créditos efetuados nas contas bancárias conforme descrito do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal (fls. 914/946) que é parte integrante do presente Auto de Infração. Imperioso destacar, que o cerne da presente discussão se foca ao fato da não realização da intimação da contribuinte, uma vez que pela leitura dos autos, se constata que o contribuinte não foi oportunamente notificado no endereço correto, impossibilitando assim, seu ingresso no curso da ação fiscal e a produção de documentos que certamente influiriam no resultado final encontrado pela fiscalização. Como bem examinado pela DRJ, constatase que as correspondências enviadas à empresa e aos sócios desde o inicio do feito fiscal retomaram à RFB sem a ciência dos destinatários a despeito de essas correspondências terem sido enviadas ao correto endereço cadastral. Salientase que o erro material derivouse exclusivamente da RFB, que no momento da fiscalização, enviou as correspondências a endereço com nome de logradouro (Avenida Santa Maria) diferente do informado pela contribuinte e à época constante dos registros e assentamentos da RFB, qual seja "Avenida Francisco de Santa Maria”. Cabe observar que os termos de inicio de fiscalização foram enviados à empresa e a três sócios em seus distintos endereços cadastrais e, mesmo assim, todos eles também retornaram à fiscalização sem ateste de recebimento pelos destinatários, com informação dos correios de que os mesmos seriam desconhecidos naqueles endereços (fls. 9/17). A fim de elucidar a questão temporal do assunto, mister se faz transcreve a cronologia dos fatos expostas pela DRJ: 1. em 31/03/2008, os Termos de Inicio de Fiscalização enviados com AR à empresa e seus sócios nos endereços constantes no cadastro da RFB retornaram com a informação dos correios de que os destinatários eram desconhecidos nos referidos locais, ou seja, os destinatários (empresa e sócios) não foram encontrados nos endereços cadastrados (fls. 07, 12, 13 e 14). Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 19515.000704/201091 Acórdão n.º 1401001.331 S1C4T1 Fl. 8 7 2. em 11.09.2009 foi publicado o ADE n° 234/2009, que declarou a inaptidão da contribuinte com efeitos retroativos a 01.01.2006 (fl. 21); 3. em 11.12.2009, a contribuinte ingressou na RFB com Pedido de Reativação de CNPJ (fl. 984), no qual informou novo endereço, a Rua Dom José Mauricio, n° 133, Santana, São Paulo. O processo foi autuado sob n° 13807.010088/200981; 4. em 02.02.2010, foi enviada à empresa por via postal, no mesmo endereço constante no cadastro da RFB, intimação para comprovação da origem dos valores debitados e creditados constantes de extratos bancários fornecidos por instituições financeiras (fl. 30 ou 572), tendo essa correspondência sido devolvida pelos correios (AR a fl. 573) porque, novamente, a empresa não foi encontrada naquele endereço. 5. em 22.04.2010, a contribuinte foi cientificada dos Auto de Infração por correspondência enviada pela fiscalização ao endereço informado no pedido de Reativação de CNPJ, Rua Dom José Mauricio, n° 133, Santana, São Paulo. Desta forma, fundamental se faz a exposição do art. 23 do Decreto 70.325/72, que elucida algumas questões: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada con: a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem O intimar; (Redação dada pela Lei n°9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei n°11.196, de 2005) a) envio ao domicilio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei n° 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei n°11.196, de 2005) § 1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei n°11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei n° 11.196, de 2005) Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 19515.000704/201091 Acórdão n.º 1401001.331 S1C4T1 Fl. 9 8 II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei n°11.196, de 2005.) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei n° 11.196, de 2005.) (...) § 3 Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei n°11.196, de 2005.) § 4º Para fins de intimação, considerase domicilio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei n°11.196, de 2005.) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei n°11.196, de 2005.) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei n°11.196, de 2005.) (grifouse). (...) Assim, importante destacar que segundo o ordenamento jurídico pátrio, observase que a intimação do sujeito passivo se fará, em regra, pela via pessoal ou pela via postal, em seu domicilio tributário, nos termos do §4º do art. 23 do Decreto 70.235/72, não estando tais meios sujeitos à ordem de preferência. Deste modo, constatase que não havendo prova do recebimento da correspondência no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo, conforme estabelecido no inciso II do artigo 23 do Decreto n° 70.235/72, a intimação de fl. 30, encaminhada à contribuinte por via postal não pode ser considerada válida, ainda que tenha sido enviada a endereço informado pela própria contribuinte aos cadastros da RFB. Nesse caso, mostrandose efetivamente improfícua a intimação por via postal, conforme atesta o AR de fl. 573, que foi devolvido pela agência dos correios com a informação de destinatário "desconhecido", a fiscalização teria que proceder à publicação de edital, nos termos do §1° do artigo 23 do Decreto 70.235/72, para concretizar a regular intimação da contribuinte. Frisese que, a atual redação do §1º do artigo 23 foi dada pela Lei n°11.941, publicada no DOU de 28.05.2009, sendo sua observância obrigatória, portanto, à época em que providenciada a cientificação da intimação para comprovar a origem dos recursos ao final admitidos como receitas omitidas, com base no artigo 42 da Lei 9.430/96. Diante do acima exposto e do que consta dos autos, concluise que, efetivamente não houve intimação válida, para o documento de fl. 30, não se observando assim,os art.23, inciso II e §1º, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 19515.000704/201091 Acórdão n.º 1401001.331 S1C4T1 Fl. 10 9 Por fim, fundamental se configura a exposição do que se encontra previsto no art. 42 da Lei nº 9430/96, reproduzido no art. 849 do RIR 99: Art. 849. Caracterizamse também como omissão de receita ou de rendimento, sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil ou idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (Lei n º 9.430, de 1996, art. 42). Como de observar pela simples leitura a cima, a hipótese tributária prevista no dispositivo configurase com a não comprovação da origem dos recursos utilizados em operações bancárias, após ser a contribuinte "regularmente intimada", repitase, “regularmente intimada” a essa comprovação. Nesse sentido, este i. Conselho já se manifestou sobre a matéria: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. RPJ/CSLUPIS/COFINS — MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA — NECESSIDADE DE INDIVIDUALIZAÇAO E INTIMAÇÃO ESPECIFICA A utilização da presunção legal do art. 42 da Lei n° 9.430/92 tem como um dos pressupostos indispensáveis a intimação especifica ao contribuinte para que justifique os créditos bancários individualizados pela fiscalização. Não pode prevalecer exigência tributária calçada somente nos valores da movimentação global apontada nos sistemas eletrônicos de preparo da ação fiscal, ponto de partida para os trabalhos fiscais. (Acórdão nº 10709.098 –Primeiro Conselho de Contribuintes 7ª Câmara Rel. Luiz Martins Valero Sessão de 04.07.2007 DOU 31.01.2008 Grifouse). Com efeito, a contribuinte necessariamente precisa ser regularmente intimada, na forma do Decreto n° 70.235/72, para que assim, possa prestar esclarecimentos a RFB, comprovando a origem dos créditos, garantindo a oportunidade de se manifestar sobre as movimentações bancárias, não se configura o fato indiciário (não comprovação da origem dos recursos) com que a lei permite presumirse omitidas as receitas. Pelo exposto, entendo que a falta de intimação válida da contribuinte para, querendo, se manifestar quanto à origem das movimentações bancárias afronta diretamente o disposto no art. 849 do RIR 99. Assim, configurase forçoso concluir que não houve a regular intimação exigida no dispositivo legal em que se fundou a autuação, de modo que a não comprovação da origem dos recursos utilizados nas movimentações financeiras não é suficiente para caracterizar a omissão de receitas presumida. Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 19515.000704/201091 Acórdão n.º 1401001.331 S1C4T1 Fl. 11 10 Deste modo, não se constatando a regular intimação da contribuinte a prestar informações sobre as movimentações bancárias que foram utilizadas para a presente autuação voto pela improcedência do Recurso de Ofício, motivo pelo qual, mantenho a decisão da DRJ SP1 São Paulo, exonerando o Crédito Tributário. É como voto. Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro Relator Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO
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Numero do processo: 11516.722635/2011-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
GFIP. DADOS INCORRETOS. CONDUTA QUE SEGUE A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. AUSÊNCIA DE COISA JULGADA. INFRAÇÃO CONFIGURADA.
A jurisprudência do STJ que não tem efeito de coisa julgada não exime o SENAI de observar a legislação que o obriga a informar, na GFIP, o código de recolhimento relativo à contribuição do salário-educação e a devida ao INCRA.
A conduta contrária à legislação que determina a forma de preenchimento da GFIP configura infração.
PROCESSO ADMINISTRATIVO DE REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Aplicação da Súmula CARF nº 28.
MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO.
As multas foram aplicadas com base na legislação de regência, multa de ofício do art. 35-A da Lei 8.212/91, com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, e multa isolada do art. 32-A da mesma lei, sendo que a vigência desses dispositivos legais não pode ser negada pelo CARF com base em alegação de inconstitucionalidade, por força do enunciado da Súmula CARF nº 02, de observância obrigatória.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.311
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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AUTO DE INFRAÇÃO: GFIP. OUTROS DADOS Recorrente SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 EMBARGOS À EXECUÇÃO. COISA JULGADA CONTINUATIVA. INOCORRÊNCIA. Os efeitos da sentença que julga os embargos são restritos à execução. A decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores. Súmula STF nº 239. SERVIÇO SOCIAL AUTÔNOMO. SALÁRIO EDUCAÇÃO. INCRA. IMUNIDADE E ISENÇÃO NÃO RECONHECIDAS. O SENAI, apesar de ter natureza de entidade de assistência social, não atende os requisitos para gozo da imunidade de contribuições sociais previstos na legislação a que se refere o § 7o do artigo 195 da Constituição Federal. A isenção outorgada pelos artigos 11 e 12 da Lei nº 2.613/55 restringese aos bens e serviços do SENAI e deve ser interpretada literalmente, conforme determina o art. 111, II, do CTN. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. EMPRESA URBANA. REFERIBILIDADE DIRETA. INEXISTÊNCIA. O objeto da Contribuição destinada ao INCRA é custear a política de reforma agrária, beneficiando toda a sociedade e não somente o meio rural, de modo que é devida também pelas empresas urbanas. Precedentes do STJ. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 GFIP. DADOS INCORRETOS. CONDUTA QUE SEGUE A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. AUSÊNCIA DE COISA JULGADA. INFRAÇÃO CONFIGURADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 26 35 /2 01 1- 39 Fl. 483DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 A jurisprudência do STJ que não tem efeito de coisa julgada não exime o SENAI de observar a legislação que o obriga a informar, na GFIP, o código de recolhimento relativo à contribuição do salárioeducação e a devida ao INCRA. A conduta contrária à legislação que determina a forma de preenchimento da GFIP configura infração. PROCESSO ADMINISTRATIVO DE REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Aplicação da Súmula CARF nº 28. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. As multas foram aplicadas com base na legislação de regência, multa de ofício do art. 35A da Lei 8.212/91, com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, e multa isolada do art. 32A da mesma lei, sendo que a vigência desses dispositivos legais não pode ser negada pelo CARF com base em alegação de inconstitucionalidade, por força do enunciado da Súmula CARF nº 02, de observância obrigatória. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.722635/201139 Acórdão n.º 2402004.311 S2C4T2 Fl. 484 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão n.º 0433.584 da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) Campo Grande (MS), fl. 433444, com ciência ao sujeito passivo em 01/10/2013, fl.450, que julgou improcedente impugnação apresentada pela autuada e manteve integralmente o lançamento tributário aperfeiçoado com a ciência do sujeito passivo em 21/12/2011, fl. 03. De acordo com o relatório fiscal de f. 118128, o lançamento tem por objeto os seguintes autos de infração: a) Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP), lavrado sob o debcad n° 51.011.5861, referente à exigência de contribuições devidas pela empresa e destinadas ao FNDE (salárioeducação) e ao INCRA, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, no período de 01/2009 a 13/2010. b) Auto de Infração de Obrigação Acessória (AIOA), lavrado sob o debcad n° 51.011.5853, referente à exigência de multa por infração ao art. 32A da Lei 8.212/91, “caput”, inciso I e parágrafos 2º e 3º, incluídos pela MP nº 449/2008 convertida na Lei nº 11.941/2009, com base no fato de a empresa ter apresentado Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), no período de 01/2009 a 12/2010, com informações incorretas nos campos “Fundo de Previdência e Assistência Social (FPAS)” e “Códigos de outras entidades e fundos”, deixando de informar nesses campos os códigos “523” e “0003”, respectivamente. Segundo a autoridade lançadora, a autuada auto enquadrouse no código FPAS 507 e código de outras entidades e fundos 0000, ao passo que, em razão da forma de constituição e da atividade econômica da autuada, conforme seu regimento interno, o correto é o código FPAS 523 (atividades de organizações associativas patronais e empresariais não vinculadas ao ex IAPC) e código de terceiros 0003 [contribuições ao Salário Educação (0001) e ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA(0002)], conforme disposto no inciso VII do art. 109A e Anexo I da Instrução Normativa n° 971, de 13/11/2009 e alterações posteriores. Inconformada, a autuada impugnou o lançamento contestando as matérias do auto de infração. A DRJ julgou a impugnação improcedente e manteve integralmente o crédito tributário lançado. O julgado restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2009 a 29/02/2012 DECISÃO JUDICIAL A sentença tem força de lei nos limites da lide e das questões decididas. IMUNIDADE OU ISENÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA Fl. 485DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 A imunidade estampada no § 7º do artigo 195 da CF está condicionada ao cumprimento das exigências estabelecidas em lei. O certificado de entidade beneficente de assistência social, expedido nos moldes do artigo 3º, da Lei nº 12.101/2009, é prova indispensável do direito à isenção prevista em seu bojo. EMPRESA. EQUIPARADA o Senai equiparase a empresa para os efeitos da Lei 8.212/91. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Representação Fiscal para Fins Penais correspondente a prática de possível crime vinculado a crédito tributário apurado é tramitada somente após sua constituição definitiva. Não compete à Delegacia da Receita Federal de Julgamento apreciar a regularidade e o cabimento de representação para fins penais formalizada ao final do procedimento de fiscalização. FATO GERADOR. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA O fato gerador da obrigação acessória: “Apresentar de GFIP com informações incorretas”, decorre da Lei n. 8.212, de 24.07.1991, art. 32A, "caput", inciso I e parágrafos 2º e 3º, incluídos pela MP n. 449, de 03.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009. A Instrução Normativa estabelece formas de preenchimento da Gfip. Em 10/10/2013, a autuada, por meio do advogado qualificado nos autos, interpôs recurso apresentando suas alegações, fl. 451468, cujos pontos relevantes para a solução do litígio são: Em preliminar, alega precedente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) reconhecendo a isenção/imunidade do SESI com relação ao pagamento das contribuições para o salário educação e INCRA, conforme decidido no acórdão 2401002.594 – 4a Câmara/1a Turma Ordinária – 2a Seção. Alega também a existência de sentença judicial transitada em julgado, proferida em execução fiscal manejada em face da recorrente (processo no 2004.72.00.010149 7), na qual se reconheceu a isenção/imunidade da entidade em relação aos tributos aqui lançados. Deste modo, assevera que o lançamento tributário atenta contra a segurança jurídica e fere o princípio da eficiência, além de se tratar de conduta passível de se configurar crime de excesso de exação, tipificado no art. 316 §§ 1o e 2o do Código Penal. No mérito, a recorrente sustenta que goza da imunidade tributária de impostos, prevista no art. 150, VI, “c” da CF, e de contribuições sociais, nos termos do art. 195 § 7o da CF, por enquadrarse no conceito de entidade de assistência social, atuando na formação e orientação profissional, sem finalidade de lucro e cumprindo os requisitos do § 1o do art. 14 do CTN, citando, neste sentido, jurisprudência do TRF da 5a Região, acórdão nº 471398/CE, DJE 28/07/2011. Ademais, ressalta que é isenta do recolhimento das contribuições ao INCRA/FUNRURAL por expressa disposição dos arts. 12 e 13 da Lei 2.613/55, situação Fl. 486DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.722635/201139 Acórdão n.º 2402004.311 S2C4T2 Fl. 485 5 jurídica reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em decisões reiteradas, cujas ementas foram transcritas em sua peça recursal. É ampla a isenção concedida à recorrente pela lei 2.613/55, e , segundo ela, atinge também a contribuição do salárioeducação. Além disso, afirma que, conforme doutrina e jurisprudência, sua natureza jurídica peculiar não se enquadra no conceito de empresa, sendo que somente essa é sujeito passivo do salárioeducação, conforme art. 212 § 5o da CF. Argumenta também que a contribuição ao Serviço Social Rural somente é devida pela empresa rural, conforme já se manifestou o Supremo Tribunal Federal. Com relação ao preenchimento das GFIPs, explica que agiu de boa fé, tendo realizado o autoenquadramento do código de terceiros seguindo a jurisprudência do STJ, no sentido da imunidade/isenção em relação às contribuições aqui questionadas. Discorda do valor das multas por considerálas irrazoáveis, com caráter confiscatório. Com relação ao processo de representação fiscal para fins penais, sustenta que não existe o dolo necessário para configuração do crime e ressalta que o esgotamento da via administrativa é condição de procedibilidade para que se inicie a persecução penal. Requer o acolhimento das preliminares ou que seja dado provimento ao recurso, reconhecendose a imunidade e a isenção da recorrente. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. Preliminar de Coisa Julgada Noticia, a recorrente, que a relação tributária objeto do lançamento está disciplinada por decisão judicial protegida pela coisa julgada material, proferida em processo judicial que teve as mesmas partes e o mesmo tributo aqui tratado, e que culminou por interpretar a mesma legislação. Os documentos juntados demonstram que a recorrente é beneficiária de decisão judicial, proferida em sede de embargos da execução fiscal nº 2004.72.00.0101497, que tramitou perante a Justiça Federal da 4a Região, na qual foi reconhecido o seu direito ao não pagamento do salárioeducação e do INCRA, no período de 01/1993 a 05/2003 (NFLD 35.516.0242 e 35.516.0250). A sentença judicial, ao julgar o mérito dos embargos à execução fiscal, reconheceu a isenção da recorrente ao pagamento do salárioeducação e ao INCRA com base no fundamento de que a recorrente não se enquadra no conceito de empresa, por se tratar de entidade de assistência social sem fins lucrativos, citando precedentes do STJ neste sentido. A sentença de primeiro grau foi confirmada, nessa parte, pelo Tribunal Regional Federal da 4a Região em sede de reexame necessário. Entretanto, a coisa julgada material proferida em embargos à execução não tem efeito para o período deste lançamento, nos termos do enunciado da Súmula STF nº 239, segundo a qual, decisão que declara indevida a cobrança do Imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores. Os embargos à execução fiscal têm natureza de ação formal e a decisão proferida não faz coisa julgada continuativa, conforme já decidiu o STJ1: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL DO ENTE PÚBLICO. OFENSA AO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. EXECUÇÃO FISCAL. EXTINÇÃO POR APROVEITAMENTO DE DECISÃO PROFERIDA EM EMBARGOS DO DEVEDOR, COM DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. "COISA JULGADA" CONTINUATIVA. INEXISTÊNCIA. ANULAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. RECURSO ESPECIAL DA EMPRESA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. VALORES ÍNFIMOS. REVISÃO. PREJUDICIALIDADE. 1. A solução integral da controvérsia, com fundamento suficiente, não caracteriza ofensa ao art. 535 do CPC. 1 Resp nº 1.378.778MG, Rel Min. Herman Benjamin, DJe 20/06/2014. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.722635/201139 Acórdão n.º 2402004.311 S2C4T2 Fl. 486 7 2. Hipótese em que o Tribunal de origem, ao julgar Agravo de Instrumento contra a decisão que determinou a intimação de instituição financeira, para fins de efetivação de garantia representada por fiança bancária, acolheuo para extinguir a Execução Fiscal, ao argumento de que a matéria nela veiculada é idêntica à constante de outro processo executivo, cujos Embargos do Devedor foram providos por meio de decisão transitada em julgado. 3. Inexiste a figura da "coisa julgada continuativa", ao menos na concepção adotada pelo acórdão hostilizado. 4. A coisa julgada pressupõe a existência de decisão que tenha apreciado a relação jurídica processual constante da demanda proposta no Poder Judiciário. 5. A existência de duas Execuções Fiscais que abrangem as mesmas partes e versam sobre o mesmo tributo (naturalmente com fatos geradores relativos a períodos diversos) requer provimento jurisdicional que componha as respectivas lides. ... 12. Recurso Especial do Estado de Minas Gerais provido para anular o acórdão hostilizado. Prejudicado o Recurso Especial da empresa. Preliminar rejeitada. Mérito Sujeição Passiva. Imunidade. Isenção Impõese analisar se a recorrente faz jus à imunidade ou à isenção do pagamento das contribuições do salárioeducação e do INCRA. O STJ já se manifestou diversas vezes sobre o assunto em processos fiscais contra a recorrente e o SESI, concluindo ora pela imunidade, ora pela isenção2. Os fundamentos são, em síntese, os mesmos apresentados neste recurso e que sustentou o acórdão proferido por este Conselho Administrativo. Assim, a recorrente seria imune ao pagamento das referidas contribuições por se tratar de entidade de educação e assistência social sem fins lucrativos, que, em razão de sua peculiar natureza jurídica, não se enquadra no conceito de empresa para fins fiscais, de modo que estaria dispensada do atendimento dos requisitos infraconstitucionais ao gozo da isenção de que trata o art. 195 § 7o da Constituição Federal. Art. 195... 2 Resp nº 766.796, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 06/03/2006, REsp n.º 220.625/SC, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJ de 20/06/2005; REsp n.º 363.175/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 21/06/2004; REsp n.º 361.472/SC, Rel. Min. Franciulli Netto, DJ de 26/05/2003; AgRg no AG n.º 355.012/PR, Rel. Min. Humberto Gomes de Barros, DJ de 12/08/2002; e AgRg no AG n.º 342.735/PR, Rel. Min. José Delgado, DJ de 11/06/2001. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Outro fundamento é que os Serviços Sociais Autônomos, gênero do qual a recorrente é espécie, foram equiparados à União e gozam de ampla isenção por expressa previsão legal contida nos arts. 11 e 12 da Lei nº 2.613, de 23 de setembro de 1955, que criou o Serviço Social Rural (SSR). Devem ser respeitadas as decisões do STJ, bem como as deste CARF que as adotaram, todavia, delas ouso dissentir por entender que lhes faltam amparo legal. Primeiramente, por expressa previsão constitucional, é condição para o gozo da imunidade das contribuições sociais de que trata o art. 195 § 7o da CF o atendimento dos requisitos previstos em lei, art. 55 da Lei nº 8.212/9, e, agora, arts. 1º, 2º, 18, 19, 29 da Lei n. 12.101/2009. A peculiar natureza jurídica das entidades que compõem a categoria dos Serviços Sociais Autônomos, por si só, não lhe retira essa condição. A princípio, essas entidades, por disposição legal, não visam lucro e revertem toda a receita para seus fins sociais, submetendose à fiscalização do Tribunal de Contas da União (TCU). Entretanto, a legislação não veda a remuneração dos seus diretores, um dos requisitos para o gozo da imunidade aqui tratada. No Regimento Interno do SENAI, acostado aos autos, há previsão expressa neste sentido nos arts. 19 e 24: Art. 19 compete ao conselho nacional: l) fixar a remuneração do diretor do Departamento Nacional; Art. 24. Compete ao Presidente do Conselho Nacional: ... b) fixar os níveis máximos de vencimentos dos Diretores e Delegados Regionais; Conforme constou do relatório fiscal, a recorrente deixou de apresentar no decorrer do procedimento de fiscalização, os documentos comprobatórios do atendimento dos requisitos para gozo da imunidade de que trata o art. 195 § 7o da CF. Quanto à isenção, essa só pode ser concedida por lei específica (art. 150, § 6o da CF3), a qual deve ser interpretada literalmente (art. 111, II, do CTN4). Ocorre que os artigos 11 e 12 da Lei nº 2.613, de 23 de setembro de 1955, que criou o extinto Serviço Social Rural (SSR), trata de outorgar isenção somente aos serviços e bens das entidades que especifica, incluindo o SENAI: 3 Art. 150 ... § 6.º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) 4 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: II outorga de isenção; Fl. 490DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.722635/201139 Acórdão n.º 2402004.311 S2C4T2 Fl. 487 9 Art 11. O S. S. R. é obrigado a elaborar anualmente um orçamento geral, cuja aprovação cabe ao Presidente da República, que englobe as previsões de receitas e as aplicações dos seus recursos e de remeter ao Tribunal de Contas no máximo até 31 de março do ano seguinte, as contas da gestão anual, acompanhadas de sucinto relatório do presidente, indicando os benefícios realizados. Art 12. Os serviços e bens do S. S. R. gozam de ampla isenção fiscal como se fôssem da própria União. Art 13. O disposto nos arts. 11 e 12 desta lei se aplica ao Serviço Social da Indústria (SESI), ao Serviço Social do Comércio (SESC), ao Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e ao Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC). (Vide Lei nº 8.706, de 1993) A isenção não contempla as contribuições exigidas no lançamento tributário, relativas ao salárioeducação e ao INCRA, incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício5. Outro aspecto a ser abordado é se os SSA podem ser considerados empresa, para fins fiscais. A resposta é positiva, pois, para os efeitos da legislação que rege a matéria, equiparase à empresa a entidade de qualquer natureza ou finalidade. É o que consta da norma prevista no art. 15 da Lei 8.212/91, abaixo transcrito, que, por determinação do art. 94 da Lei 8.212/91 e art. 3o da Lei 11.457/20076 estendese às exigências das contribuições aqui tratadas, que são equiparadas às devidas aos terceiros pelo § 3o do art. 3o da Lei 11.457/2007. 5 A contribuição do salário educação está prevista no art. 15 da Lei 9.424, de 24/12/1996, art. 1° da Lei n° 9.766, de 18/12/1998 e a contribuição destinada ao INCRA surgiu na Lei 2.613/55, art. 6º, parágrafo 4º, e com o advento da Lei nº 4.863, de 29/11/1965, transferiu o recolhimento do SSR para o extinto Instituto Nacional do Desenvolvimento AgrárioINDA que, com a edição do Decretolei nº 582, de 15/05/1969, art. 6º, dividiu o percentual para o IBRAFunrural e INDA. Com o surgimento do INCRA, através do DecretoLei nº 1.110/70, a quota do IBRA e INDA passou para o INCRA. 6 Lei 8.212/91 Art. 94. O Instituto Nacional do Seguro SocialINSS poderá arrecadar e fiscalizar, mediante remuneração de 3,5% do montante arrecadado, contribuição por lei devida a terceiros, desde que provenha de empresa, segurado, aposentado ou pensionista a ele vinculado, aplicandose a essa contribuição, no que couber, o disposto nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (Revogado pela Lei nº 11.501, de 2007). Lei 11.457/2007 Art. 3 As atribuições de que trata o art. 2o desta Lei se estendem às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor, aplicandose em relação a essas contribuições, no que couber, as disposições desta Lei. (Vide Decreto nº 6.103, de 2007). ... § 2º O disposto no caput deste artigo abrangerá exclusivamente contribuições cuja base de cálculo seja a mesma das que incidem sobre a remuneração paga, devida ou creditada a segurados do Regime Geral de Previdência Social ou instituídas sobre outras bases a título de substituição. § 3º As contribuições de que trata o caput deste artigo sujeitamse aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios daquelas referidas no art. 2o desta Lei, inclusive no que diz respeito à cobrança judicial. ... Fl. 491DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; ... Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). No mesmo sentido é o § 3o do art. 1o da Lei 9.766/98, que trata do salário educação: § 3o Entendese por empresa, para fins de incidência da contribuição social do SalárioEducação, qualquer firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica, urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como as empresas e demais entidades públicas ou privadas, vinculadas à Seguridade Social. Outro ponto do recurso que deve ser analisado diz respeito à referibilidade direta da contribuição ao INCRA, considerando a natureza urbana das atividades desenvolvidas pela recorrente. A contribuição devida ao INCRA tem natureza de Contribuição de Intervenção Estatal no Domínio Econômico (CIDE) e visa a beneficiar toda a sociedade, e não apenas o meio rural, ao custear a atuação do Estado na estrutura fundiária, notadamente o programa nacional de reforma agrária, sendo prescindível a referibilidade direta em relação ao sujeito passivo da exação, nos termos da jurisprudência do STJ: CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL E PARA O INCRA. EMPRESA URBANA. EXIGIBILIDADE. ORIENTAÇÃO FIRMADA PELO STF. PRECEDENTES DA 1ª SEÇÃO DO STJ. 1. A 1ª Seção do STJ, na esteira de precedentes do STF, firmou entendimento no sentido de que não existe óbice a que seja cobrada, de empresa urbana, a contribuição destinada ao FUNRURAL e ao INCRA.” (STJ, 1ª T., REsp 673.059/RS, Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, set/06). Em suma, não vislumbro na legislação de regência a possibilidade de reconhecer a imunidade ou a isenção da recorrente em relação ao pagamento da exigência aqui tratada, e, por conseguinte, da multa imposta pelo descumprimento da obrigação acessória inerente à obrigação principal. § 6º Equiparamse a contribuições de terceiros, para fins desta Lei, as destinadas ao Fundo Aeroviário FA, à Diretoria de Portos e Costas do Comando da Marinha DPC e ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA e a do salárioeducação. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.722635/201139 Acórdão n.º 2402004.311 S2C4T2 Fl. 488 11 Multa As multas foram aplicadas com base na legislação de regência, multa de ofício do art. 35A da Lei 8.212/91, com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, e multa isolada do art. 32A da mesma lei, sendo que a vigência desses dispositivos legais não pode ser negada pelo CARF com base em alegação de afronta a princípio constitucional da vedação ao confisco, por força do enunciado da Súmula CARF nº 02, de observância obrigatória: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Conclusão Com base no exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Luciana de Souza Espíndola Reis. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 13864.000282/2009-73
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1998
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA APENAS PARA FATOS POSTERIORES À LEI Nº 10.165, DE 2000. SÚMULA CARF Nº 41.
A partir do exercício de 2001, é indispensável apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) como condição para o gozo da isenção relativa às áreas de preservação permanente e de utilização limitada, considerando a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação. Introdução do artigo 17-O na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000.
Entretanto, conforme Súmula CARF nº 41, a não apresentação do ADA emitido pelo Ibama ou órgão conveniado, não pode motivar lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2801-003.741
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio Henrique Sales Parada, Flavio Araujo Rodrigues Torres e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio Henrique Sales Parada, Flavio Araujo Rodrigues Torres e Ewan Teles Aguiar.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1929; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 246 1 245 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13864.000282/200973 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801003.741 – 1ª Turma Especial Sessão de 07 de outubro de 2014 Matéria ITR Recorrente AGROPASTORIL E MINERAÇÃO PIRAMBEIRAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1998 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA APENAS PARA FATOS POSTERIORES À LEI Nº 10.165, DE 2000. SÚMULA CARF Nº 41. A partir do exercício de 2001, é indispensável apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) como condição para o gozo da isenção relativa às áreas de preservação permanente e de utilização limitada, considerando a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação. Introdução do artigo 17O na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000. Entretanto, conforme Súmula CARF nº 41, a não apresentação do ADA emitido pelo Ibama ou órgão conveniado, não pode motivar lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 02 82 /2 00 9- 73 Fl. 246DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio Henrique Sales Parada, Flavio Araujo Rodrigues Torres e Ewan Teles Aguiar. Relatório Contra o contribuinte identificado foi lavrado Auto de Infração, em 07/07/2009, conforme folhas 71 e seguintes, onde foi exigido Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, relativo ao exercício de 1998, no valor de R$ 139.774,40, acrescido de multa proporcional de 75%, no valor de R$ 104.830,80 e mais juros de mora calculados com base na taxa Selic, tendo por objeto o imóvel rural denominado “Fazenda Pirambeiras”, cadastrado na RFB sob o nº 3.840.5148, com área declarada de 1.625,4 há e localizado no Município de BiritibaMirim/SP. Na “descrição dos fatos”, constante de fls. 73/74, narra a Autoridade Fiscal que efetuou o lançamento que, após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou, com documentação hábil e idônea, tratarse toda a área declarada como sendo de preservação permanente e portanto isenta do imposto. Diz que "analisando a documentação", verificou que consta declaração da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, datada de 01/09/1988, informando que 80% do imóvel encontrase no Parque Estadual da Serra do Mar e os 20% restantes estão "sob o regime de preservação permanente", por força de lei. Assim, como a área total do imóvel era de 8.127,30, calculou que 20% seriam 1.625,4 ha, correspondente à área de preservação permanente informada na DITR. Motivou a glosa da área com a não apresentação do ADA (Ato Declaratório Ambiental), protocolizado tempestivamente no Ibama, baseando tal exigência nas Instruções Normativas da RFB nº 43, de 1997 e 67, de 1997 (fls. 74/5). Observo que, anteriormente a essa autuação, a Receita Federal formalizara outra, conforme Auto de Infração que consta da folha 25, que foi anulado pela DRJ CAMPO GRANDE, sob a motivação de que "impõese a declaração de nulidade, por vício formal, de lançamento constituído mediante auto de infração que não apresenta a descrição dos fatos e os conseqüentes enquadramentos legais relativos à matéria tributada", como consta da ementa de sua decisão (fl. 61). O Formulário de Alteração da DITR objeto da revisão fiscal está copiado na folha 20. O contribuinte apresentara, juntamente com a Impugnação ao primeiro Auto de Infração, que foi anulado, declaração do Diretor de Parques Estaduais do Instituto Florestal da Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo, dizendo que 80% do imóvel está dentro de Parque Estadual e 20% são áreas de preservação permanente. (fl. 30) Inconformado com o lançamento do crédito tributário, o contribuinte apresentou impugnação (folha 83 seguintes). Tal manifestação foi conhecida e tratada pela DRJ/CAMPO GRANDE, nos seguintes termos, em resumo (fl. 164 e seguintes). Disse o Julgador de 1ª instância que: Não há que se falar em decadência ou prescrição do crédito tributário. O lançamento objeto do presente processo foi efetuado em consonância com o art. 173, II, do Código Tributário Nacional, que dispõe que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito Fl. 247DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN 3 tributário extinguese após 5 anos contados "da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado': Não se verificou, portanto, qualquer espécie extintiva do crédito tributário. Examinandose o Auto de Infração questionado, verificase que ele contém todos os requisitos exigidos no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, inclusive quanto a ter sido lavrado por servidor competente (AuditorFiscal da Receita Federal), com atribuições legais para tal fim, e que a descrição dos fatos nele contida permitiu ao sujeito passivo impugnar o lançamento efetuado. Na realidade, nenhuma incorreção ou omissão foi apontada. Observase que é improcedente a alegação de nulidade do lançamento de oficio. Para comprovação das referidas áreas, não se pode prescindir do Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado junto ao IBAMA, no prazo estipulado. A contribuinte estava ciente da necessidade da entrega do ADA, haja vista que se trata de orientação constante dos manuais de instruções de preenchimento das DITR. Importante frisar que a necessidade de ADA e de averbação decorre de Lei (eis 4.771/65 e 10.165/2000), não se podendo levantar quais questionamentos acerca das legalidades de referidas exigências. Assim, decidiu o Acórdão recorrido “por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar argüida e, no mérito, julgar improcedente a impugnação, ,....". Regularmente cientificado dessa decisão, pessoalmente, conforme informação na folha 176, em 07/05/2010 (dia de sexta feira), o contribuinte apresentou recurso voluntário, em 08/06/2010 (fl. 182). O recurso é extenso, mas creio poder resumir a inconformidade do contribuinte com a decisão recorrida em dois tópicos: 1 – O primeiro Auto de Infração, onde se verificou não constar a fundamentação legal e motivação do ato, não padeceria de vício formal, como consta do Acórdão recorrido, mas sim de vício material. Inaplicável, portanto, o artigo 173, II, do CTN. Dessa feita, o direito do Fisco de efetuar o lançamento já estaria atingido pela decadência, quando da lavratura do segundo Auto de Infração; 2 Asseverou o próprio Auditor que a área glosada se trata de APP e a fiscalização desconsiderou essa situação tão somente porque não foi apresentado o Ato Declaratório Ambiental (ADA) ao Ibama, no prazo estipulado. Citando atos do Governo Estadual e a realidade material do imóvel, defende que a área esteja enquadrada como APP e portanto isenta do imposto. Considerando tratarse do exercício de 1998, a exigência do ADA como requisito para a isenção, com base em normas infra legais, ofende o princípio da estrita legalidade. Desta feita, REQUER que seja totalmente reformada a decisão recorrida cancelandose assim o lançamento efetuado. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator Conheço do recurso, já que tempestivo, conforme relatado, e com condições de admissibilidade. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN 4 A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em arquivo eletrônico (formato .pdf). PRELIMINAR DE MÉRITO. DECADÊNCIA O contribuinte argúi que o segundo lançamento, efetuado em 2009, não poderia ter sido efetuado porque já fulminado o direito do Fisco, pela decadência. Questiona a decisão da DRJ que atribuiu à falta de fundamentação e motivação do primeiro lançamento, que de fato não estavam expressas no Auto de Infração, a qualidade de vício formal, o que permitiria à Administração, com fulcro no artigo 173, II, do CTN, efetuar novo lançamento no prazo então contado da data em que tal decisão se tornasse definitiva. Entendo que tem razão. A falta da correta motivação do ato administrativo e sua fundamentação legal não se reveste do caráter de mera instrumentalidade, mas é imprescindível para se verificar tanto a correção e legalidade do ato quanto para possibilitar a defesa do contribuinte. Fere a correta identificação do aspecto material da hipótese de incidência e por isso em desacordo com o artigo 142 do CTN. Não obstante, desnecessário alongarse nessa preliminar, considerando que se pode decidir o mérito a favor do sujeito passivo. MÉRITO. EXIGÊNCIA DO ADA PARA EXERCÍCIO ANTERIOR A 2000. Já é ponto pacificado na jurisprudência deste CARF, expresso na Súmula nº 41, que a falta de apresentação do ADA não pode motivar lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000, como é aqui o caso (1998). Não é possível criar uma obrigação que não encontre previsão em lei e os atos expedidos pela RFB, no caso instruções normativas, não são hábeis para tal. Súmula CARF nº 41: A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. A apresentação do ADA – Ato Declaratório Ambiental, para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e reserva legal, que outrora era exigida pela RFB com base em norma infra legal, surgiu no ordenamento jurídico com o art. 1º, da Lei nº 10.165/2000, que incluiu o art. 17O, § 1º na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, para os exercícios a partir de 2001: Art. 17O Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (...) §1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN 5 Dessa feita, o lançamento que reconhece a existência da área de preservação permanente declarada, mas motiva sua exclusão da DITR por falta de apresentação do ADA tempestivo no Ibama, para o exercício de 1998, conforme relatado, não pode prosperar. CONCLUSÃO Assim, face ao exposto, VOTO por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 250DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN
score : 1.0
Numero do processo: 15504.020592/2010-62
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007
AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INOCORRÊNCIA DE DECADÊNCIA. DECISÃO STJ RESP 973.733 . RITO DO ART. 543-C DO CPC.
Consoante decisão do STJ no REsp nº 973.733, proferida em sede de recurso repetitivo, no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, e ausente a antecipação do pagamento, a decadência do direito do Fisco de realizar o lançamento de ofício rege-se pelo art. 173, I do CTN.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CRITÉRIO DE RATEIO PARA CONTA CONJUNTA. ART. 42, § 6º DA LEI 9.430/96.
O § 6º do art. 42 da Lei nº 9.430/96 prescreve que, na ausência de comprovação da origem dos créditos bancários vinculados a conta conjunta, os rendimentos omitidos devem ser imputados a cada titular mediante sua divisão pelo número de titulares da conta.
QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. NECESSIDADE DE FUNDAMENTAÇÃO CLARA E CONDIZENTE COM O CASO ANALISADO. SÚMULA CARF Nº 14.
A imposição da multa de ofício qualificada requer que a fiscalização esclareça as razões de fato e de direito que levaram à conclusão de que a conduta do contribuinte, no caso sob análise, teve motivação dolosa. Ausentes, a simples omissão de receita não respalda a qualificação, consoante entendimento consolidado na Súmula CARF nº 14.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2802-003.112
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos rejeitar a preliminar de decadência suscitada, e de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir a qualificação da multa, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INOCORRÊNCIA DE DECADÊNCIA. DECISÃO STJ RESP 973.733 . RITO DO ART. 543C DO CPC. Consoante decisão do STJ no REsp nº 973.733, proferida em sede de recurso repetitivo, no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, e ausente a antecipação do pagamento, a decadência do direito do Fisco de realizar o lançamento de ofício regese pelo art. 173, I do CTN. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CRITÉRIO DE RATEIO PARA CONTA CONJUNTA. ART. 42, § 6º DA LEI 9.430/96. O § 6º do art. 42 da Lei nº 9.430/96 prescreve que, na ausência de comprovação da origem dos créditos bancários vinculados a conta conjunta, os rendimentos omitidos devem ser imputados a cada titular mediante sua divisão pelo número de titulares da conta. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. NECESSIDADE DE FUNDAMENTAÇÃO CLARA E CONDIZENTE COM O CASO ANALISADO. SÚMULA CARF Nº 14. A imposição da multa de ofício qualificada requer que a fiscalização esclareça as razões de fato e de direito que levaram à conclusão de que a conduta do contribuinte, no caso sob análise, teve motivação dolosa. Ausentes, a simples omissão de receita não respalda a qualificação, consoante entendimento consolidado na Súmula CARF nº 14. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 02 05 92 /2 01 0- 62 Fl. 324DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos rejeitar a preliminar de decadência suscitada, e de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir a qualificação da multa, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (MG) DRJ/BHE, que julgou procedente Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), exigindo crédito tributário no valor total de R$ 225.414,03 relativo ao anoscalendário 2005 e 2006. Passo a reproduzir, com a devida vênia, o Relatório constante na decisão recorrida, o qual bem descreve o conteúdo do litígio posto nos presentes autos: O lançamento decorre da tributação de rendimentos apontados como omitidos provenientes de valores creditados em conta de depósito mantida no Banco Real, cuja origem de recursos utilizados não foi comprovada mediante documentação hábil e idônea, conforme detalhado no Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 10 a 18. Os dispositivos legais infringidos constam na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, conforme folhas de continuação anexas do referido feito fiscal. Irresignada, tendo sido cientificada em 14/01/2011 (11. 3), a contribuinte impugnou o feito fiscal em 14/02/2011, apresentando o arrazoado de fls. 253/264, acompanhado dos documentos de fls. 265/266. Na oportunidade, a autuada fezse representada por instrumento de procuração firmado para advogados do escritório Oliveira Fróis & Barreto Advogados e Consultores. Ressaltese que a competência para o lançamento de tributos, privativa da autoridade administrativa, é parte das atribuições do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB). Assim, o presente auto de infração foi lavrado pela AFRFB Lúcia Raquel P. T. S. Vilela, servidora pública devidamente legitimada para tal ato. O teor da peça impugnatória está sintetizado adiante. Informa a impugnante que os valores depositados são decorrentes de rendimentos pagos por pessoas físicas, "devidamente informados nas suas declarações de imposto de renda" e que, "apesar da conta corrente fiscalizada ser conjunta com o cônjuge da impugnante, com relação aos demais depósitos, referidos valores pertencem exclusivamente ao cônjuge". Assim, pertencem à impugnante os valores de R$15.750,00 (ano de 2005) e de R$18.700,00 (ano de 2006). Fl. 325DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 15504.020592/201062 Acórdão n.º 2802003.112 S2TE02 Fl. 324 3 "De fato, em se tratando de conta conjunta, devese ratear os valores, para fins de tributação, entre os cotitulares. Todavia, referido "rateio" não significa metade para cada um, pois, apesar da conta ser conjunta, nada impede que um cotitular movimente quantia diferente do outro. "A contribuinte sustenta que não restou evidenciado pela Fiscalização que a impugnante teria procedido dolosamente no sentido de querer se furtar, fraudulentamente, de sua obrigação para com o Fisco, não sendo no caso autorizada a imposição de multa de 150%. Atesta que seria entendimento pacífico do Carf que a omissão de rendimentos em decorrência de depósitos bancários de origem não comprovada enseja aplicação da multa normal de 75%. A contribuinte sustenta que não restou evidenciado pela Fiscalização que a impugnante teria procedido dolosamente no sentido de querer se furtar, fraudulentamente, de sua obrigação para com o Fisco, não sendo no caso autorizada a imposição de multa de 150%. Atesta que seria entendimento pacífico do Carf que a omissão de rendimentos em decorrência de depósitos bancários de origem não comprovada enseja aplicação da multa normal de 75%. "Uma vez demonstrado que a impugnante não agiu com dolo, fraude ou simulação, não sendo passível, portanto, de ser apertada com a aplicação da multa qualificada (150%), a contagem do prazo decadencial deve ocorrer de acordo com o § 4"do artigo 150 do CTN (...) Tal entendimento se aplica aos tributos lançados por homologação, como o IRPF. Nestes casos, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário é de cinco anos contados a partir do dia 3J de dezembro de cada exercido financeiro." Tendo a ciência do feito ocorrido somente em 14/01/2011, a autuada alega que o lançamento referente ao ano de 2005 encontrase extinto pela decadência. Para corroborar todo o entendimento anteriormente esposado, a defendente cita e transcreve por toda peça impugnatória legislação, doutrina e jurisprudência administrativa a respeito. A decisão de primeira instância manteve o lançamento, consubstanciando seu entendimento no acórdão assim ementado: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. A multa de ofício de 150% é aplicável sempre que presentes os elementos que caracterizam, em tese, os crimes tipificados nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. DECADÊNCIA. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Nos casos de lançamento por homologação, a contagem do prazo decadencial é de cinco anos da ocorrência do fato gerador, salvo ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ATIVIDADE VINCULADA. A atividade administrativa, sendo plenamente vinculada, não comporta apreciação discricionária no tocante aos atos que integram a legislação tributária. A contribuinte interpôs recurso voluntário em 25/10/2011, demandando seja reconhecida a improcedência do lançamento fiscal, e aduzindo, em apertada síntese, que a maior parte dos valores creditados na conta conjunta pertencem ao cotitular, que não há razão para imposição de multa qualificada, estando decaído, assim, o lançamento referente ao exercício 2006. Em 29/1/2014 a recorrente apresenta pedido de desistência parcial (fls. 309/310), no tocante à inconformidade referente ao anocalendário 2006 (ao qual se refere como "exercício 2006"). Explica que resolveu parcelar, com os benefícios da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, essa parte da autuação, continuando a discutir tão somente o crédito tributário atinente ao anocalendário 2005 (ao qual se refere como "exercício 2005"), nos termos do § 8º do art. 14 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 7, de 15 de outubro de 2013. Em cumprimento ao disposto no art. 18, inciso XIX, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, foram restituídos os autos à repartição de origem, para confirmação da regularidade do parcelamento, bem como da efetivação do pagamento, nos termos da Lei nº 11.941/09. Após a transferência dos débitos parcelados para o processo nº 10680.720639/201461, retornaram os presentes autos ao CARF para julgamento, sendo que em 4/8/2014 a contribuinte reiterou o pedido de desistência dantes formulado. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Registrese que a contribuinte exerceu seu direito de desistir parcialmente do recurso, persistindo como objeto litigioso apenas o lançamento relativo ao anocalendário 2005, acerca do qual versam as razões de decidir adiante tecidas. Da decadência. A decadência do direito do Fisco constituir o crédito tributário é matéria que foi objeto de apreciação por parte da 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no REsp nº 973.733/SC. Julgado em 12/8/2009, em sede de recurso repetitivo (art. 543C do Código de Processo Civil), o respectivo acórdão traz a seguinte ementa, parcialmente transcrita: Fl. 327DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 15504.020592/201062 Acórdão n.º 2802003.112 S2TE02 Fl. 325 5 “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. .INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel.Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). (...) Segundo as palavras extraídas do voto do relator, Ministro Luiz Fux: Assim é que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.(grifos meus e do original) O STJ, desse modo, se posicionou no sentido de que a atividade objeto de homologação pela autoridade administrativa, nos termos do art. 150 e §§ do Código Tributário Nacional, tem por objeto o pagamento antecipado do tributo, ainda que em montante menor que o devido, e não outro eventual proceder do contribuinte correlacionado com a apuração do fato gerador. A tese jurídica firmada no precedente em questão é de observância obrigatória para este Colegiado, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF (RICARF Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010). Notese que a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais também vem reiteradamente se pronunciando nesse sentido, conforme evidenciam, ilustrativamente, os acórdãos do Pleno de nº 9900000.227 (p. 9/5/2014) e nº 9900000.278 (p. 1/4/2014). No caso concreto, temse que a contribuinte não efetuou qualquer pagamento do tributo, conforme respectiva Declaração de Ajuste Anual (DAA) do exercício 2006 atesta Fl. 328DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 (fls. 245/247), não havendo tampouco notícia de recolhimento de imposto de renda na fonte a título de antecipação do devido. Desta sorte, a constituição do crédito tributário passou a observar não mais o artigo 150, § 4º, mas a regra geral do art. 173, I do CTN, o qual, aplicado na espécie, aponta como termo final do prazo decadencial a data de 31/12/2011, posterior à ciência da contribuinte da autuação, dia 14/1/2011 (fl. 248). Inexiste, portanto, decadência a ser reconhecido na lide remanescente. Das contas conjuntas e da responsabilidade do cotitular. Desde o início da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a existência de depósitos bancários sem comprovação da origem, após a regular intimação do sujeito passivo, passou a constituir hipótese legal de omissão de rendimentos e ou/receita. Com efeito, cabe ao Fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, até prova em contrário, a cargo do contribuinte, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de presunção legal relativa, bastando assim que a autoridade lançadora comprove o fato definido em lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a referida omissão. Nesse contexto, intimado o contribuinte a comprovar a origem dos recursos depositados/creditados, devidamente discriminados pela fiscalização, e não se desincumbindo desse ônus probatório que lhe foi legalmente transferido, fica caracterizada a omissão de rendimentos. A análise da movimentação financeira deve ser individualizada por operação, oportunizandose ao contribuinte a identificação, caso a caso, da natureza e origem dos respectivos valores, por meio de documentação hábil e idônea, procedimento que foi escorreitamente realizado pela fiscalização no caso em tela. A autuada defende já ter esclarecido que os valores depositados em sua contacorrente, mantida conjuntamente com seu cônjuge José Raimundo Martins no Banco Real S/A., foram decorrentes de rendimentos pagos por pessoas físicas, no valor total de R$ 15.750,00, conforme informado na DAA do exercício 2006. Ora, o ônus da contribuinte era apresentar documentação apta a justificar de maneira individualizada os depósitos, não simplesmente alegar que todos os valores que entende lhe serem pertinentes correspondem aos declarados em sua DAA. Por sua vez, a mera informação da percepção de rendimentos na DAA não comprova que tal feito tenha efetivamente ocorrido, nem que tenha sua origem em pagamentos provenientes de pessoa física, consoante já ressalvado pela autoridade lançadora (fl. 14): "Em momento algum foram apresentados documentos que comprovassem o recebimento destas quantias pela contribuinte, e, também, nas respostas fornecidas pelo cônjuge em sua fiscalização, hora nenhuma foi informado a que se referiam estes depósitos. " Cabe observar não ser possível, na situação examinada, excluir do montante dos depósitos bancários sujeitos à comprovação os valores declarados na DAA, pois não há Fl. 329DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 15504.020592/201062 Acórdão n.º 2802003.112 S2TE02 Fl. 326 7 evidência alguma de que tais rendimentos fossem de caráter tal a justificar seu trânsito por contascorrente bancárias, e mais, como referido, sequer há sinal de sua efetiva existência. No tocante aos demais valores depositados, a contribuinte assevera pertencerem exclusivamente ao seu cônjuge, aduzindo que, "em se tratando de conta conjunta, devese ratear os valores, para fins de tributação entre os cotitulares. Todavia, tal 'rateio' não significa metade para cada um, pois, apesar da conta ser conjunta, nada impede que um co titular movimente quantia diferente do outro". O § 6º do art. 42 da Lei nº 9.430/96 é expresso ao preceituar que, não sendo comprovada a origem dos recursos, o valor dos rendimentos será imputado a cada titular mediante divisão do total desses rendimentos pela quantidade de titulares, procedimento realizado pela autuante. Vejase o dispositivo legal: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º a 5º Omissis § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Portanto, sem razão a contribuinte, no particular. Da qualificação da multa de ofício. O art. 44 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, estabelece que a ulta de ofício a ser aplicada nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502,de 30 de novembro de 1964, é de 150%. As condutas previstas nos artigos em questão têm como pressuposto uma atuação ou omissão dolosa por parte do agente. Assim, para a qualificação da multa de ofício, é necessário a constatação, com elevado grau de probabilidade, de que determinado contribuinte tenha pautado sua conduta imbuído de dolo, ou seja, com a consciência da conduta, a consciência do resultado, a consciência do nexo causal entre a conduta e o resultado, e a vontade de atuar no sentido de provocar o resultado infringente das normas juridicotributárias. Também é preciso que não haja verossimilhança minimamente suficiente em eventuais justificativas que, alternativamente, poderiam dar amparo ao proceder do contribuinte sem implicar, necessariamente, em um agir doloso. Compulsando nos autos o item III do Termo de Verificação Fiscal, "MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA", pode ser lida a razão ventilada para a imposição do gravame examinado (fls. 16/17): Fl. 330DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 Em razão da constatação da ocorrência de sonegação e fraude fiscal, o evidente intuito de sonegação e fraude está presente, assim a conduta da fiscalizada enquadrase na definição contida nos artigos 71 e 72 da Lei n° 4.502/64, conseqüentemente, ao lançamento de ofício foi imputada a multa qualificada, em conformidade com o art. 44 da Lei nº 9.430/96....(omissis) Após tal assertiva, a autoridade fiscal singelamente restringese a transcrever os dispositivos legais que regram a matéria, sem qualquer fundamentação adicional, que permita elucidar como e em que medida os fatos constatados correspondem às hipóteses normativas aludidas. A leitura dos itens precedentes do Termo de Verificação também não traz ao lume os elementos de convicção em que se baseou a conclusão da fiscalização. Tampouco a DRJ/BHE, ao manter a multa majorada, mostrase minimamente clara nesse sentido (fls. 272/273). Ora, referências genéricas a uma possível conduta em desconformidade com a legislação de regência, sem a devida especificação das evidências que acarretaram a qualificação, são insuficientes para amparála. A simples colocação, no Termo de Verificação Fiscal, de um item apartado para o tratamento da matéria, não supre a necessidade de a fiscalização demonstrar, por meio das devidas razões de fato e de direito, a motivação do seu convencimento. Inegável é o fato de que a contribuinte movimentou na contacorrente analisada valores não comprovados e em descompasso com os rendimentos informados na sua DAA por isso, foi lavrado o lançamento de ofício contestado. Porém, tais elementos não são suficientes, por si sós, para respaldar a qualificação imposta pela autoridade lançadora, a qual, por conseguinte, não deve prosperar. Oportuna, nesse sentido, a referência aos termos da Súmula CARF nº 14: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Ante o exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de decadência suscitada, e de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para fins de excluir a qualificação da multa. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 331DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 15504.726141/2011-13
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2007, 2008
IMPUGNAÇÃO. RECURSO. PRECLUSÃO.
O que não se questionou na fase impugnatória constitui matéria passada em julgado, não suscetível de apreciação na fase recursal.
CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA.
Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida em que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas.
Numero da decisão: 1803-002.365
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Antônio Marcos Serravalle Santos e Henrique Heiji Erbano.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2007, 2008 IMPUGNAÇÃO. RECURSO. PRECLUSÃO. O que não se questionou na fase impugnatória constitui matéria passada em julgado, não suscetível de apreciação na fase recursal. CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida em que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas.
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007, 2008 LUCRO ARBITRADO. LIVRO RAZÃO. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando, entre outros fundamentos, o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2007, 2008 IMPUGNAÇÃO. RECURSO. PRECLUSÃO. O que não se questionou na fase impugnatória constitui matéria passada em julgado, não suscetível de apreciação na fase recursal. CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida em que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 61 41 /2 01 1- 13 Fl. 1585DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15504.726141/201113 Acórdão n.º 1803002.365 S1TE03 Fl. 1.586 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Antônio Marcos Serravalle Santos e Henrique Heiji Erbano. Fl. 1586DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15504.726141/201113 Acórdão n.º 1803002.365 S1TE03 Fl. 1.587 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 1.545 a 1.553): Os autos de infração, a folhas 8 a 50, exigem da autuada o recolhimento de crédito tributário no montante de R$ 560.784,77, assim discriminado: TRIBUTO JUROS DE MORA MULTA TOTAL Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) 45.052,15 21.622,10 67.578,21 134.252,46 Contribuição p/ o Programa de Integração Social (PIS) 19.604,05 9.644,33 29.406,01 58.654,39 Contribuição p/ Financiamento da Seg. Social (Cofins) 90.480,49 44.512,92 135.720,67 270.714,08 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) 32.572,97 15.731,43 48.859,44 97.163,84 Descrição das infrações imputadas Auto de infração de IRPJ O autuante, fazendo remissão ao termo de verificação fiscal, a folhas 56 a 93, atribui à autuada a infração de cuja descrição adiante se faz uma síntese. RECEITAS OPERACIONAIS – VENDA DE PRODUTOS DE FABRICAÇÃO PRÓPRIA – Arbitramento do lucro dos anoscalendários de 2006 e 2007, com base nas receitas omitidas constantes das notas fiscais emitidas no período. Enquadramento legal: artigo 24 da Lei nº 9.249, de 1995; artigo 27, inciso I, e artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996; artigo 532 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda 1999 – RIR 1999. A justificativa dada para o arbitramento é verificação de que a escrituração mantida pelo contribuinte é imprestável para a determinação do lucro real, em virtude de erros e diversas irregularidades. Enquadramento legal do arbitramento: artigo 530, inciso II, do RIR 1999. Auto de infração de CSLL O autuante, afirmando que se trata lançamento decorrente de fiscalização do IRPJ, atribui à autuada a infração de cuja descrição adiante se faz uma síntese. CSLL SOBRE LUCRO ARBITRADO – Arbitramento do lucro dos anos calendários de 2006 e 2007, com base nas receitas omitidas constantes das notas fiscais emitidas no período. Enquadramento legal: artigo 2º, e seus parágrafos, da Lei nº 7.689, de 1988; artigo 20 da Lei nº 9.249, de 1995; artigo 29 da Lei nº 9.430, de 1996; artigo 37 da Lei nº 10.637, de 2002. Auto de infração de contribuição para o PIS O autuante, afirmando que se trata lançamento decorrente de fiscalização do IRPJ, atribui à autuada a infração de cuja descrição adiante se faz uma síntese. PIS SOBRE OMISSÃO DE RECEITA – FALTA OU INSUFICIÊNCIA DO PIS – Arbitramento do lucro dos anoscalendários de 2006 e 2007, com base nas receitas omitidas constantes das notas fiscais emitidas no período. Enquadramento legal: artigos 1º e 3º da Lei Complementar nº 70, de 1991; artigo 24, § 2º, da Lei nº Fl. 1587DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15504.726141/201113 Acórdão n.º 1803002.365 S1TE03 Fl. 1.588 4 9.249, de 1995; artigo 2º, inciso I, alínea “a”, parágrafo único, e artigos 3º, 10, 22, 51 e 91, todos do Decreto nº 4.524, de 2002. Auto de infração de Cofins O autuante, afirmando que se trata de lançamento decorrente de fiscalização do IRPJ, atribui à autuada a infração de cuja descrição adiante se faz uma síntese. COFINS OMISSÃO DE RECEITA – Arbitramento do lucro dos anos calendários de 2006 e 2007, com base nas receitas omitidas constantes das notas fiscais emitidas no período. Enquadramento legal: artigo 2º, inciso II, parágrafo único, e artigos 3º, 10, 22, 51 e 91, todos do Decreto nº 4.524, de 2002. Termo de verificação fiscal No relatório de auditoria fiscal, a folhas 56 a 93, o autuante apresenta a motivação dos lançamentos. Dele extraemse as observações e argumentos resumidos adiante. ∙ Foram avaliadas pela fiscalização as declarações encaminhadas pelo sujeito passivo relativas aos anoscalendário de 2006 e 2007. As versões originais das DIPJ são apresentadas com todos os seus campos com valores zerados. Nessas versões originais, para anocalendário de 2006, é informada a forma de tributação pelo lucro presumido e, em 2007, pelo lucro real e apuração trimestral. As versões retificadoras informam, como forma de tributação, o lucro real com apuração anual, sem informar os valores mensais relativos ao cálculo do IRPJ e CSLL devidos por estimativa. Registrese que não foram apurados pagamentos no período relativos aos códigos de receita da estimativa do IRPJ e da CSLL, e as DCTF foram também encaminhadas sem declarações de débitos. ∙ Houve reincidência na entrega de DIPJ com todos os campos com valores zerados. A opção pelo lucro presumido no anocalendário de 2006 não se manifestou pelo pagamento do IRPJ no código correspondente. Constatouse igualmente, que a forma de tributação pelo lucro real com apuração anual do IRPJ e CSLL, nas versões das DIPJ retificadoras, também não se confirmou, tendo em vista a existência de valores zerados em relação ao cálculo do imposto e contribuição mensais estimados. ∙ Foram inicialmente apresentadas pelo sujeito passivo diversas folhas soltas do livro razão, relativas aos anoscalendários de 2006 e 2007. Logo em seguida, foi apresentado um único livro do razão para cada ano, em capa preta, com registros de lançamentos contábeis no período de janeiro a dezembro. Finalmente, o sujeito passivo apresentou 5 volumes de capas verdes para o anocalendário de 2006 e 4 volumes de capas verdes para o anocalendário de 2007, conforme cópias anexas dos seus respectivos termos de abertura e encerramento. Esse procedimento adotado pelo sujeito passivo, retratando a existência de uma pluralidade de registros contábeis, impossibilitou uma efetiva análise das movimentações de interesse da fiscalização. ∙ Foram encaminhadas, em resposta à intimação, notas fiscais de entrada e saída, recibos de pagamentos e cópias de cheques referentes aos meses de abril e julho de 2006 e de fevereiro, agosto e setembro de 2007. Constatouse que os documentos apresentados não espelhavam os registros contábeis, a saber: não se respeitava o regime de competência, havia documentos sem valor como comprovação de despesas, falta de comprovação dos pagamentos, etc. Constatouse, ainda, que os valores das despesas divergiam daqueles informados na DIPJ. Fl. 1588DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15504.726141/201113 Acórdão n.º 1803002.365 S1TE03 Fl. 1.589 5 ∙ Em virtude desses fatos, foi devolvida ao sujeito passivo a documentação contábil e fiscal apresentada. Concluiuse sobre a impossibilidade de se comprovar a veracidade dos lançamentos contábeis, tendo como parâmetro os documentos apresentados, o que motivou nova intimação, solicitando informar as contas contábeis analíticas componentes dos demonstrativos de resultado relativos aos anoscalendário de 2006 e 2007 em relação aos itens: custo de produção, custo de beneficiamento e produção, despesas administrativas, despesas de beneficiamento. Requereuse ainda a apresentação de planilha detalhando, mês a mês, os saldos destas contas e a documentação base dos lançamentos, bem como de planilha detalhando, mês a mês, as despesas financeiras. ∙ Foi confrontada a documentação encaminhada com os lançamentos contábeis integrantes do livro razão volumes 1 a 5 (AC 2006) e 1 a 4 (AC 2007). Destacamos os meses de janeiro a julho de 2006 e fevereiro, agosto e setembro de 2007, buscando a inclusão das amostras já analisadas anteriormente pela fiscalização, entendendo que a partir da ciência pelo sujeito passivo das irregularidades constatadas na aludida amostra, por meio de termo de constatação fiscal, particularmente em relação à falta de comprovação documental, lhe fosse concedida a oportunidade de sanear as ocorrências. Não foram efetuados, porém, ajustes por parte do sujeito passivo. Houve, ainda, novas constatações, que comprometem a escrituração, discriminadas em seguida. ∙ Não há critério na classificação das contas contábeis. Os discriminativos correspondentes aos documentos solicitados pela fiscalização, encaminhados pelo sujeito passivo, informam, para CUSTO DE BENEFICIAMENTO / PRODUÇÃO, a conta contábil 3.1.1.02, DESPESAS ADMINISTRATIVAS, a conta 3.2.1.02, DESPESAS FINANCEIRAS, a conta 3.2.1.03, DESPESAS DE BENEFICIAMENTO, a conta 3.2.1.06. As contas contábeis informadas no volume 1/5 do livro razão (AC 2006) e 1/4 (AC 2007) foram as seguintes: conta 3004 como sendo CUSTOS DE BENEFICIAMENTO / PRODUÇÃO, conta 3021 para DESPESAS ADMINISTRATIVAS, 3022 para DESPESAS FINANCEIRAS, 3032 para DESPESAS DE BENEFICIAMENTO. Nos volumes ‘únicos’ dos livros razão encaminhados pelo sujeito passivo, não se emprega a aludida nomenclatura, que é a mesma das Demonstrações de Resultado. Por exemplo, ele nomeia Salários e Ordenados, Prólabore, ao invés de DESPESAS ADMINISTRATIVAS. Nas folhas soltas, informa a conta n° 0208 para Salários e Ordenados, 0212 para Energia Elétrica, 0363 para Telecomunicações, 0368 para Assistência Contábil, 0381 para Outras Despesas Operacionais. ∙ Foram apresentados documentos sem valor como comprovação de despesas, conforme cópias anexas, autenticadas pela fiscalização, dos recibos sem assinatura de retiradas prólabore de Cristiano Ferreira de Souza e Jaci Ferreira de Souza, e de prestação de serviços contábeis por Antônio Alves Faria. Há ainda comprovante de um fax destinado à UNIMED, na data 28/03/2007, cujo objeto seria um depósito feito na data 28/02/2007, no valor de R$ 871,32, conforme anexo; contudo as informações no documento bancário foram apagadas, impossibilitando validar a despesa realizada em 02/2007. ∙ Diversas despesas foram incluídas na apuração do resultado nas datas de pagamento, conforme demonstrado no “Discriminativo dos Lançamentos Contábeis Efetuados em Inobservância ao Regime de Competência” ANEXO II. Quanto às notas fiscais n° 007, 1075 e 1076, além de seus lançamentos contábeis não observarem o regime de competência, referemse a despesas estranhas ao objeto social da empresa, pois se trata de pagamentos feitos à Organização Irmãos Costa Ltda. ME / Funerária Bom Jesus na aquisição de coroa, como também pagamentos Fl. 1589DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15504.726141/201113 Acórdão n.º 1803002.365 S1TE03 Fl. 1.590 6 feitos à Farmácia Padre Pedro Pinto Ltda., na aquisição de acessórios, remédios c produtos de beleza. ∙ Os documentos comprobatórios dos custos de beneficiamento, produção, despesas administrativas, despesas de beneficiamento e financeiras, realizadas em 02/2006, não integraram os lançamentos contábeis do Livro Razão n° 01, volume 1/5. ∙ A inexistência de lançamentos contábeis Em 02/2006 não se restringiu apenas às contas contábeis de custos e despesas. No Livro Razão (volume 1/5), conforme cópias anexas das páginas 148 e 149, inexistem, em 02/2006, lançamentos de receitas. Por outro lado, no livro razão (volume único), conforme cópia anexa da página 457, existem receitas lançadas relativas às notas fiscais n° 225, 227 e 229, em 02/2006, totalizando R$ 6.306,00. ∙ Em relação ao mês de 01/2007, no Livro Razão (volume único), a contabilização da receita corresponde ao montante de R$ 128.220,96 e no Livro Razão (volume 1/4), o total lançado importa em R$ 96.165,72. No Livro Razão (volume 3/4), encontrase lançado, como Vendas a Prazo, em 08/2007, o valor de R$ 77.525,77, enquanto no Livro Razão (volume único), o valor lançado importa em R$ 112.281,57. No Livro Razão (volume 4/4), o valor lançado para Vendas à Vista e a Prazo em 10/07 corresponde a R$ 104.582,17, enquanto no Livro Razão (volume único), está lançado, a título de Vendas a Prazo, em 10/07/2007, o valor correspondente a R$ 119.439,80. ∙ Foram confrontados os discriminativos dos Custos de Beneficiamento e Produção, das Despesas Administrativas, Despesas de Beneficiamento e Financeiras encaminhados pelo sujeito passivo, relativos aos meses de janeiro a julho de 2006, fevereiro de 2007, agosto de 2007 e setembro de 2007, com os documentos a eles anexados e com os registros contábeis escriturados no livro razão. Foi constatada a não comprovação de diversas despesas, ou seja, não foi encaminhada, pelo sujeito passivo, grande parte da documentação. Usaramse cópias autenticadas pela fiscalização dos aludidos discriminativos e seus respectivos lançamentos no livro razão, para comprovar a relação dos documentos não apresentados pelo sujeito passivo. Os valores das despesas pagas, lançadas contabilmente e não comprovadas, encontramse destacadas em seus respectivos discriminativos. ∙ Foram confrontados o LALUR e as DRE encaminhadas pelo sujeito passivo. Foram apuradas divergências nos valores relativos ao resultado contábil. O quadro abaixo apresenta o confronto do resultado contábil apurado nos trimestres dos anoscalendário de 2006 e 2007. ANO CÀLENDÁRIO DE 2006 Período Apuração DRE LALUR 1º trimestre (222 635,84) (923.066,52) 2º trimestre (64.602,36) (389.202,23) 3º trimestre 91.352,24 (588.268,35) 4º trimestre 87.893,30 (762.994,08) ANO CALENDÁRIO DE 2007 1º trimestre (49.065,90) (991.954,97) 2º trimestre (10.236,61) (965.246,73) 3° trimestre (425.709,11) (1.199.464,98) 4º trimestre 111.678,25 (713.319,93) ∙ O fato apurado foi motivo da lavratura de termo de constatação fiscal, encaminhado ao sujeito passivo, visando o esclarecimento das aludidas divergências. Em 11/10/2011, foram apresentadas novas versões do LALUR, corrigindo as irregularidades apontadas pela fiscalização. Fl. 1590DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15504.726141/201113 Acórdão n.º 1803002.365 S1TE03 Fl. 1.591 7 ∙ O art. 259 do RIR 1999 dispõe sobre o dever de escriturar e sobre os requisitos da escrituração. As irregularidades constatadas pela fiscalização em relação à escrita contábil praticada pelo sujeito passivo, que não mantém em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, o livro razão, utilizado para resumir e totalizar, por conta e subconta, os lançamentos efetuados no Livro Diário, revelando vícios, erros ou deficiências, tornaram a escrita imprestável para determinar o lucro real, o que motivou o arbitramento do lucro nos anoscalendários de 2006 e 2007. ∙ O termo de intimação fiscal, lavrado em 14/07/2011, havia solicitado a apresentação do Livro Diário nos anoscalendário de 2006 e 2007. O sujeito passivo requereu a dilação do prazo. Com o decurso do prazo concedido, foi feita uma reintimação fiscal. Podese apreender, a partir daí, a inexistência do LIVRO DIÁRIO. ∙ Em decorrência da reintimação, foram apresentados os diários sem seus respectivos registros na Jucemg, o que motivou a lavratura, em 19/08/2011, de termo de devolução de documentos visando à regularização da ocorrência e posterior reencaminhamento à fiscalização. Ainda nessa data, foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal n° 0002, solicitando as Notas Fiscais/Faturas relativas às receitas auferidas nos anoscalendário de 2006 e 2007, bem como os demonstrativos contábeis (Balanço Patrimonial e Demonstração de Resultado trimestral). ∙ Desde a devolução do diário para regularização do registro em 19/08/2011 até meados de novembro/2011, encontravamse pendentes o seu reencaminhamento à fiscalização. O contribuinte encaminhou informações da Jucemg, onde são apontados erros na formalização dos livros e a necessidade do processamento de ajustes para a efetivação dos seus registros. Esse fato motivou a lavratura, em 19/09/2011, de reintimação fiscal, requisitando sua apresentação no prazo de 5 dias. ∙ Somente em 08/11/2011, transcorridos mais de 2 meses da devolução do diário para regularização, o sujeito passivo informou estarem os livros disponíveis para reapresentação. Considerando o encerramento do procedimento e a constatação de vícios na escrita contábil do sujeito passivo, obrigando à utilização do arbitramento do lucro nos anoscalendário de 2006 e 2007, tornouse desnecessária a análise do livro diário e consequentemente os seus reencaminhamentos. ∙ A 3ª alteração contratual informa, como objeto social, a industrialização e comércio de produtos extrativos de origem mineral e prestação de serviços de beneficiamento de minerais. No sistema CNPJ, seu CNAE fiscal é de nº 07103/02, correspondente a “pelotizaçâo, sinterização e outros beneficiamentos de minério de ferro”. ∙ Grande parte das Notas Fiscais foi apresentada em sua 5ª via (contabilidade). Desse modo, nem sempre as informações são apresentadas de forma legível, dificultando a leitura dos códigos fiscais de operação (CFOP). ∙ Intimado a apresentar notas fiscais de serviços, o sujeito passivo informou que “a Bellox Ltda., apesar de constar em seu objeto social prestação de serviços, nunca exerceu atividades de prestação de serviços, portanto, não há, em seus registros fiscais/contábeis, quaisquer Notas Fiscais de Serviço.” ∙ Consta no livro razão (volume único), página n° 315, lançamento de RECEITA DE VENDA DE SERVIÇOS, auferida em 16/10/2007, pela prestação de Fl. 1591DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15504.726141/201113 Acórdão n.º 1803002.365 S1TE03 Fl. 1.592 8 serviços a Fermag Ferritas Magnética Ltda., no montante de R$ 40.441,13. Por outro lado, o mesmo valor encontrase lançado na data 16/10/2007 no Livro Razão (volume 4/4), página 2038, a título de OUTRAS RECEITAS FINANCEIRAS, como recebimentos diversos na prestação de serviços a Fermag Ferritas Magnética Ltda. ∙ A receita auferida pela empresa em 10/2007 e lançada na contabilidade importa em R$ 104.582,17, conforme o Discriminativo das Receitas Apuradas Anos Calendário 2006/2007 ANEXOIII e as cópias anexas das páginas 2035 e 2036, que informam a emissão de Nota Fiscal n° 564, em 05/10/2007, a título de mão de obra (margem ferrita calcinada), de valor R$ 27.056.00, CFOP 5124 (industrialização efetuada para outra empresa), e a NF n° 566, emitida na data 12/10/2007, a título de industrialização por encomenda, de valor R$ 77.525,77, CFOP 5949 (outra saída de mercadoria ou prestação de serviço não especificado), ou seja, não foi emitida a Nota Fiscal relativa à aludida receita de venda de serviços faturada com a FERMAG, a despeito da existência do lançamento contábil. ∙ Ainda em 10/2007, foram emitidas, em nome da Fermag, as NF nº 74 a 577, 579, 582 a 584, utilizandose de 2 (dois) códigos CFOP: 5124 (industrialização efetuada para outra empresa) e 5902 (retorno de mercadoria utilizada na industrialização por encomenda). Essas notas fiscais não foram contabilizadas (vide ANEXOIII). ∙ O sujeito passivo emitiu, desde o 3º trimestre de 2007, notas fiscais com a utilização de dois códigos na mesma operação, conforme o ANEXOIII, ou seja, 5124/5924 (industrialização efetuada para outra empresa e remessa para industrialização por conta e ordem do adquirente da mercadoria, quando esta não transitar pelo estabelecimento do adquirente, respectivamente) e 5124/5902 (industrialização efetuada para outra empresa e retorno de mercadoria utilizada na industrialização por encomenda, respectivamente). As receitas auferidas nessas operações não foram oferecidas à tributação, pois inexiste lançamento nos diversos razões apresentados. Confrontadas as notas fiscais apresentadas com os lançamentos contábeis escriturados no razão, foi constatado que, além das notas fiscais componentes das citadas operações, outras tantas notas fiscais também não foram contabilizadas. O percentual da receita contabilizada, no anocalendário de 2007, em relação ao anocalendário de 2006, representou um decréscimo da ordem de 56,27%. ∙ Grande parte das Notas Fiscais emitidas pelo sujeito passivo, no ano calendário de 2007, teve como destinatário a empresa FERMAG FERRITAS MAGNÉTICAS LTDA. Intimada, essa empresa informou que as operações realizadas com a Bellox consistiram na contratação, durante o período 05/06/2007 a 28/12/2007, de serviços de industrialização (calcinação) de matérias primas, para a obtenção do clínquer de ferrita. A Fermag enviava para o sujeito passivo as matérias primas, o produto intermediário e os materiais de embalagem. O clínquer de ferrita era então devolvido pela Bellox por meio da emissão de Nota Fiscal de retorno da remessa para industrialização por encomenda (CFOP 5902, combinada com a industrialização efetuada para outra empresa (CFOP 5124). Este último código utilizado para cobrança do preço contratado pela prestação dos serviços de industrialização. ∙ Foi encaminhado ao sujeito passivo termo de intimação fiscal, requisitando o envio de informações sobre o processo produtivo, incluindo todas as fases requeridas, desde o início até o produto final, nos anoscalendário de 2006 e 2007, e que informasse todos os fornecedores dos insumos utilizados, bem como que esclarecesse as operações realizadas que fundamentem as Notas Fiscais emitidas com os códigos CFOP 5124/5924 ou 5124/5902. Fl. 1592DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15504.726141/201113 Acórdão n.º 1803002.365 S1TE03 Fl. 1.593 9 ∙ O sujeito passivo descreveu o processo produtivo não o reconhecendo como uma industrialização. Informou que o uso do código CFOP 5124 se deveu à não existência de códigos para beneficiamento. Em relação ao CFOP 5902, informou que era utilizado para registrar a saída dos insumos empregados no beneficiamento, pois havia entre as empresas uma parceria, pela qual os insumos eram comprados em nome da FERMAG para serem beneficiados; assim, eles eram devolvidos para baixa de estoque da contratante. Funcionários da FERMAG teriam se instalado na Bellox, para a realização de uma parceria, onde realizavam o beneficiamento. ∙ O representante da FERMAG compareceu à RFB em Belo Horizonte. Ficou registrado que não houve nenhuma parceria ente as duas empresas na realização das operações em que funcionários da FERMAG tivessem se instalado nas dependências da Bellox para o cumprimento do contrato. ∙ Constatouse, ainda, a emissão de diversas Notas Fiscais utilizandose indevidamente do código CFOP n° 5924, ao invés do CFOP n° 5902, uma vez que a operação teve como objeto o retorno do produto industrializado para a FERMAG e não a remessa para industrialização por conta e ordem do adquirente da mercadoria, quando esta não transitar pelo estabelecimento do adquirente. O sujeito passivo não contabilizou as operações realizadas com a FERMAG. ∙ Visando levantar qual valor seria tributável, foram analisadas as informações complementares, bem como a descrição dos produtos constantes nas notas fiscais emitidas pela Bellox que tiveram como destinatário a Fermag. Diversas notas fiscais apresentam informações complementares relativas ao carbonato de bário, que teria sido componente do processamento, contudo, grande parte dessas notas fiscais não integrou o discriminativo apresentado pela FERMAG contemplando as notas fiscais de saídas emitidas para a Bellox Ltda., a exemplo das de nº 512, 513, 516, 519, 521, 523, 528, 529, 533, 535, 538, 542, 545, 547, 550, 552, 554, 575, 576, 577, 579, 582, 583, 584, 585, 586, 589, 590, 592 a 598, 600 a 606, 608 a 609, 612 a 613, 616, 618, 622 a 623, 628 a 629. ∙ A descrição dos produtos nas notas fiscais informa, como composição dos dados, o consumo de energia elétrica e mão de obra, além dos insumos recebidos da FERMAG. Constatouse que o sujeito passivo ainda apresenta, em informações complementares, o número da nota fiscal relativa à mão de obra que já teria integrado os seus registros contábeis. A partir daí, foi confrontado o somatório da energia elétrica e mão de obra com o valor escriturado da aludida nota fiscal, conforme o discriminativo “Receitas Apuradas na Prestação de Serviços de Industrialização à Fermag Ferritas Magnéticas Ltda.” ANEXOIV, sendo constatadas disparidades entre os valores apresentados. Esses fatos impossibilitaram conhecer o valor tributável das operações. Assim, foram considerados os valores totais das notas fiscais emitidas para a FERMAG no período 06/2007 a 12/2007 (vide ANEXOIII). ∙ Em se tratando de omissão de receita, foram lançadas a Cofins bem como a contribuição para o PIS, tendo como base as receitas brutas mensais apuradas. ∙ Os fatos apurados ensejam a qualificação da multa. O sujeito passivo encaminhou à Receita Federal do Brasil a sua Declaração Econômico Fiscal (DIPJ) do anocalendário de 2006, com todos os seus campos com valores zerados. No ano calendário seguinte (2007), reincidiu nesta mesma prática, não apurando, como consequência, impostos e contribuições devidos à União. O sujeito passivo deixou Fl. 1593DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15504.726141/201113 Acórdão n.º 1803002.365 S1TE03 Fl. 1.594 10 de contabilizar diversas Notas Fiscais nos anoscalendários de 2006 e 2007, conforme ANEXOIII. ∙ Essas condutas denotam, em tese, o elemento subjetivo da prática dolosa e enseja a aplicação de multa qualificada, conforme o disposto no art. 957 do RIR/99, art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, e também na Lei n° 4.502/64, art. 71, I, combinado com o art. 72. Impugnação do lançamento O sujeito passivo foi cientificado dos lançamentos pessoalmente (conforme atesta a assinatura aposta por seu representante legal no corpo dos autos de infração) em 05.12.2011. Os enunciados seguintes resumem o seu conteúdo. ∙ A impugnação é tempestiva, pois protocolada dentro dos 30 dias contados do recebimento do auto de infração. Encontrase, ainda, em consonância com os artigos 5º, 15 a 17, todos do Decreto nº 70.235, de 1972. ∙ O feito fiscal não valorou os livros contábeis apresentados e entendeu por arbitrar o lucro da empresa, contrariando dispositivo legal, doutrina dominante e jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Absurda tal pretensão, uma vez que a realidade fática e contábil nem sequer foi valorada, desprezando o agente os livros apresentados pela empresa e fundamentando todo o Auto de Infração em suposições e arbitramento. ∙ Esse posicionamento afronta o artigo 148 do Código Tributário Nacional, bem como jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, que reiteradamente firmou o princípio da verdade real em matéria tributária. Logo, impossível a manutenção da autuação, requerendo a impugnante seu cancelamento, nos termos legais. ∙ A tese central a ser debatida é o arbitramento do lucro por desclassificação da escrita contábil, sob a alegação de que esta é imprestável para a determinação do lucro real. Porém, o agente da fiscalização decide sem valorar os livros entregues, julgando ser desnecessária sua análise. ∙ A decisão de desclassificar a escrita do contribuinte é pessoal e subjetiva. Para um auditor, a escrita pode ser passível de desclassificação e, para outro, a escrita pode ser considerada válida para apurar o lucro real. Contudo, impossível admitir que esta decisão seja tomada sem que seja feito estudo e análise dos livros apresentados, como é o caso em tela. ∙ Sem que se proceda ao levantamento (perícia contábil nos livros e documentos do contribuinte), quando este os tem e mantém em dia, e os exibe ao fisco, não se admite a desclassificação da escrita por a julgar absolutamente imprestável. ∙ O caso em tela viola o princípio constitucional do contraditório e da força probante dos livros comerciais e fiscais, tornando nulo e ineficaz o arbitramento fiscal. A doutrina brasileira não admite tributação por presunção, conforme se extrai dos ensinamentos transcritos na impugnação. ∙ Igualmente não se pode tributar por indício. Vejase a posição da doutrina sobre o tema, retratada nas passagens transcritas na impugnação. ∙ Não se consideraram os livros apresentados pela empresa, e os fatos narrados pelo agente fiscal foram fundamentados em informações antigas e Fl. 1594DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15504.726141/201113 Acórdão n.º 1803002.365 S1TE03 Fl. 1.595 11 ratificadas. Concluise, assim, que se decidiu pelo arbitramento com base em indícios, sem prova de dolo ou omissão de receita. Portanto, deve o auto de infração ser cancelado, o que desde já se requer. ∙ O Conselho de Contribuintes, por meio da Câmara Superior de Recursos Fiscais, tem decidido sobre o lucro arbitrado conforme as ementas transcritas na impugnação. O Superior Tribunal de Justiça corrobora este entendimento, conforme decisão transcrita na impugnação. ∙ O cancelamento do auto de infração é medida que se impõe, até com intuito de evitar futura condenação em sucumbência da Fazenda Pública, visto que eivado de vício de nulidade, pois não considera a escrita apresentada. ∙ As provas da impugnante são, essencialmente, os documentos que se acostam à inicial. Todavia, qualquer documento que a impugnante trouxer antes do julgamento final no Conselho de Contribuintes deve ser valorada e valorizada. Desse modo, requer o deferimento de todos os meios de prova admitidos em direito. ∙ Requerse o recebimento, processamento e julgamento da impugnação, pois tempestiva e cabível em espécie. ∙ Requerse o cancelamento do auto de infração, pois embora tenham sido apresentados os livros para a fiscalização, estes foram reencaminhados ao contribuinte sem sua análise, tornando infundado o arbitramento do lucro e suas consequências. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 1.544): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 ARBITRAMENTO DE LUCROS Será arbitrado o lucro do contribuinte cuja escrituração contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para determinar o lucro real. LANÇAMENTOS DECORRENTES CSLL PIS COFINS O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual, salvo se houver razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 3. Cientificada da referida decisão em 12/11/2012 (fls. 1.583), a tempo, em 06/12/2012, por via postal (fls. 1.579), apresenta a interessada Recurso de fls. 1.569 a 1.576, instruído com os documentos de fls. 1.577 a 1.582, nele argumentando, em síntese: a) que a fiscalização arbitrou o lucro da recorrente, principalmente em virtude de a mesma não ter apresentado o Diário devidamente registrado dentro do prazo fixado; b) que a própria fiscalização admitiu que o Livro Diário é o componente da escrituração a que a legislação atribui o papel proeminente; Fl. 1595DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15504.726141/201113 Acórdão n.º 1803002.365 S1TE03 Fl. 1.596 12 c) que, portanto, ao não examinar seu Livro Diário, a fiscalização privou a Recorrente de demonstrar o lucro efetivamente auferido por ela, lucro esse que deveria servir de base de cálculo para o tributo a ser pago; d) que a fiscalização considerou intempestiva sua apresentação pela Recorrente, e isso foi suficiente para deixar de lado elemento tão importante na apuração do lucro real da empresa; e) que a eventual intempestividade de sua apresentação, intempestividade essa devidamente justificada documentalmente, deveria ser menos preponderante do que a consistência das informações trazidas no Livro Diário; f) que a autoridade fazendária responsável tinha toda a possibilidade de aferir o lucro real da empresa e, portanto, aplicar o tributo de forma correta e mais justa; g) que a Recorrente enfatiza a idoneidade de sua escrituração contábil, que não pode ser desconsiderada apenas por apresentar erros materiais perfeitamente sanáveis, como o foram; h) que a verdade real, se examinado o Livro Diário da Recorrente, haveria de ter prevalecido sobre o arbitramento da fiscalização; e i) que se insurge contra a multa de 150% (cento e cinquenta por cento), aplicada sobre o montante do imposto a ser pago. Em mesa para julgamento. Fl. 1596DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15504.726141/201113 Acórdão n.º 1803002.365 S1TE03 Fl. 1.597 13 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. A decisão recorrida bem analisou a questão, motivo pelo qual transcrevo alguns trechos elucidativos (fls. 1.553 a 1.557): Quanto ao mérito, a contestação da impugnante, em essência, resumese no argumento de que o arbitramento do lucro é incabível em virtude de a fiscalização ter devolvido os livros da escrituração do sujeito passivo sem que os tivesse examinado. A argumentação da impugnante, contudo, é infundada, porque não leva em conta todos os fatos ocorridos no curso da ação fiscal, nem o conjunto das irregularidades e informações apuradas pela autoridade lançadora. Em verdade, conforme comprova o relato constante do termo de verificação fiscal (não contestado na impugnação) e a documentação juntada aos autos, a fiscalização examinou minuciosamente os elementos da escrituração que lhe foram tempestivamente apresentados, sobretudo as diferentes versões do livro razão e a documentação que o acompanhava. O único livro que, de fato, a fiscalização deixou de apreciar foi o diário. Embora esse seja o componente da escrituração a que a legislação atribui o papel proeminente, a medida tomada pela fiscalização encontrase bem justificada. A autuada primeiramente não apresentou o diário dentro do prazo que lhe foi fixado. Quando o finalmente fez, o diário não trazia a autenticação do Registro do Comércio, formalidade indispensável exigida pela legislação. A fiscalização retornou o livro à autuada, para que fosse sanada a irregularidade. Somente mais de dois meses depois é que o diário foi reapresentado com o registro. Todavia, nesse ponto, já não era possível evitar o arbitramento, seja em virtude da apresentação tardia do próprio diário, seja em virtude de falhas encontradas em outros elementos da escrituração, sobretudo no livro razão, suficientemente graves para tornar imperativo o arbitramento do lucro. Diversas normas legais estabelecem categórica e expressamente a obrigação de registrar ou autenticar o livro diário no órgão competente (para as empresas sediadas em Minas Gerais, esse órgão é a Junta Comercial do Estado de Minas Gerais – Jucemg). Sem tal formalidade, o livro perde a sua validade. A respeito do assunto o Decretolei nº 486, de 3 de março de 1969, textualmente dispõe: Art. 5º Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obrigatório o uso de livro Diário, encadernado com folhas numeradas seguidamente, em que serão lançados, dia a dia, diretamente ou por reprodução, os atos ou operações da atividade mercantil, ou que modifiquem ou possam vir a modificar a situação patrimonial do comerciante. (...) Fl. 1597DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15504.726141/201113 Acórdão n.º 1803002.365 S1TE03 Fl. 1.598 14 § 2º Os Livros ou fichas do Diário deverão conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetidos à autenticação do órgão competente do Registro do Comércio. (...) Art. 8º Os livros e fichas de escrituração mercantil somente provam a favor do comerciante quando mantidos com observância das formalidades legais. O atual Código Civil (Lei nº 10.406, de 2002), possui norma de teor equivalente em sua seção destinada à regulação das sociedades. Confirase: Art. 1.180. Além dos demais livros exigidos por lei, é indispensável o Diário, que pode ser substituído por fichas no caso de escrituração mecanizada ou eletrônica. (...) Art. 1.181. Salvo disposição especial de lei, os livros obrigatórios e, se for o caso, as fichas, antes de postos em uso, devem ser autenticados no Registro Público de Empresas Mercantis. O RIR 1999, como não podia deixar de ser, também contém norma que torna obrigatória a autenticação do diário, a saber: Art. 258. Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obrigatório o uso de Livro Diário, encadernado com folhas numeradas seguidamente, em que serão lançados, dia a dia, diretamente ou por reprodução, os atos ou operações da atividade, ou que modifiquem ou possam vir a modificar a situação patrimonial da pessoa jurídica (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º). (...) § 4º Os livros ou fichas do Diário, bem como os livros auxiliares referidos no § 1º, deverão conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetidos à autenticação no órgão competente do Registro do Comércio, e, quando se tratar de sociedade civil, no Registro Civil de Pessoas Jurídicas ou no Cartório de Registro de Títulos e Documentos (Lei nº 3.470, de 1958, art. 71, e DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 2º). Não restando dúvida sobre a obrigatoriedade da autenticação do diário, em virtude de expressa determinação legal, cabe agora indagar se e até quando pode ser sanada eventual omissão no cumprimento desse dever. A solução da questão requer que se considere o disposto no artigo 71 da Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958, abaixo reproduzido. Art. 71. Acrescentase ao artigo 38 do Regulamento aprovado pelo Decreto nº 40.702, de 31 de dezembro de 1956, os seguintes parágrafos: § As pessoas jurídicas ficam obrigadas a indicar, nos documentos que instruírem as suas declarações e rendimentos, o número e a data ou registro do livro “Diário” no Registro de Comércio competente, assim como o número da página do mesmo livro onde se acharem transcritos o balanço e a demonstração da conta de lucros e perdas. § O número e a data do registro do livro “Diário” serão fornecidos às sociedades civis pelo competente Cartório de Registro de Títulos e Documentos. Fl. 1598DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15504.726141/201113 Acórdão n.º 1803002.365 S1TE03 Fl. 1.599 15 A norma supra ainda vigora, pois se acha incorporada ao RIR 1999, nestes termos: Art. 814. As pessoas jurídicas indicarão, nos documentos que instruírem suas declarações de rendimentos, o número e a data do registro do livro ou fichas do Diário no Registro do Comércio competente, assim como o número da página do mesmo livro onde se acharem transcritos o balanço patrimonial e a demonstração do resultado do período de apuração (Lei nº 3.470, de 1958, art. 71, e DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 1º). Parágrafo único. As sociedades civis estão, igualmente, obrigadas a indicar, nos documentos que instruírem as suas declarações de rendimentos, o número e a data de registro do Livro Diário no Registro Civil das Pessoas Jurídicas, ou no Cartório de Registro de Títulos e Documentos, assim como o número da página do mesmo livro onde se acharem transcritos o balanço patrimonial e a demonstração do resultado do período de apuração (Lei nº 3.470, de 1958, art. 71). Observese que a norma transcrita determina que a pessoa jurídica indique em suas declarações de rendimento o número e a data da autenticação do livro diário no Registro do Comércio. Isso significa que, até a data fixada para a entrega da declaração de rendimentos, o contribuinte deve já ter providenciado a autenticação do diário. Tanto é assim que a Instrução Normativa SRF nº 16, de 01.03.1984, estabelece expressamente semelhante regra. Confirase: Para fins de apuração do lucro real, poderá ser aceita, pelos Órgãos da Secretaria da Receita Federal, a escrituração do livro “Diário” autenticado em data posterior ao movimento das operações nele lançadas, desde que o registro e a autenticação tenham sido promovidos até a data prevista para a entrega tempestiva da declaração de rendimentos do correspondente exercício financeiro. Portanto, a legislação tributária até admite que o diário seja autenticado tardiamente, mas, para fins de apuração do lucro real, a autenticação tem de estar providenciada até que se expire a data prevista para a entrega da declaração de rendimentos do correspondente exercício. Passado esse marco temporal, a fiscalização está autorizada a rejeitar o diário que não tenha sido autenticado. No caso da autuada, os períodos de apuração fiscalizados foram os anoscalendários de 2006 e 2007. As datas previstas para a entrega das declarações de rendimentos correspondentes a esses anos situamse, respectivamente, em meados de 2007 e 2008. No entanto, conforme relato constante do termo de verificação fiscal, não contestado pela impugnante, respectivamente cerca de quatro e três anos depois daquele marco temporal, os diários relativos aos anoscalendários de 2007 e 2008 ainda não estavam autenticados, tanto que a fiscalização, a quem eles foram apresentados sem autenticação, os devolveu à autuada para que fizessem o registro na Jucemg. Somente em 08.11.2011 é que os diários com a autenticação foram finalmente postos à disposição à fiscalização. Nessa ocasião, porém, em virtude do atraso na autenticação, a fiscalização já não podia aceitar os diários para fins de apuração do lucro real. Mais importante ainda é que, mesmo que o descumprimento da formalidade em causa, ou o seu cumprimento extemporâneo, fosse relevado e a fiscalização aceitasse como válido o diário cuja autenticação fora providenciada apenas depois de intimação fiscal e mais de quatro anos depois de expirado o prazo fixado para tal medida, nem assim a autuada se livraria de ver o seu lucro arbitrado. Ocorre que, a essa altura do procedimento fiscal, a autoridade administrativa já havia encontrado no outro pilar da escrituração contábil, o livro razão, falhas tão gritantes que, de acordo com a legislação, tornaram o arbitramento medida imperativa. Fl. 1599DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15504.726141/201113 Acórdão n.º 1803002.365 S1TE03 Fl. 1.600 16 A escrituração do livro razão com a observância das normas contábeis tornou se requisito indispensável para que a pessoa jurídica possa adotar o lucro real como a base de cálculo do IRPJ, desde a vigência do artigo 14 da Lei nº 8.218, de 1991, com a redação que lhe deu a Lei nº 8.383, de 1991. Confirase: Art. 14 A tributação com base no lucro real somente será admitida para as pessoas jurídicas que mantiverem, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, livro ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário (Livro Razão), mantidas as demais exigências e condições previstas na legislação. (Redação dada pela Lei nº 8.383, de 1991) Parágrafo único. A nãomanutenção do livro de que trata este artigo, nas condições determinadas, implicará o arbitramento do lucro da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 8.383, de 1991) A norma legal supra achase incorporada ao RIR 1999 com a seguinte redação: Art. 259. A pessoa jurídica tributada com base no lucro real deverá manter, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário, mantidas as demais exigências e condições previstas na legislação (Lei nº 8.218, de 1991, art. 14, e Lei nº 8.383, de 1991, art. 62). § 1º A escrituração deverá ser individualizada, obedecendo à ordem cronológica das operações. § 2º A não manutenção do livro de que trata este artigo, nas condições determinadas, implicará o arbitramento do lucro da pessoa jurídica (Lei nº 8.218, de 1991, art. 14, parágrafo único, e Lei nº 8.383, de 1991, art. 62). § 3º Estão dispensados de registro ou autenticação o Livro Razão ou fichas de que trata este artigo. Notese que tanto a norma legal quanto a regulamentar prescrevem taxativamente o arbitramento para a hipótese de o contribuinte não mantiver o livro razão em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas. No presente caso, o autuante enumera uma sucessão de falhas e omissões que demonstram cabalmente que o livro razão apresentado pela autuada não satisfazia os requisitos legais indispensáveis para que ela pudesse adotar o lucro real. Essa enumeração achase resumida no relatório deste voto, na parte que trata do termo de verificação fiscal. É suficiente recordar, nos parágrafos que se seguem, apenas as mais significativas. Havia diferentes versões ou exemplares do livro razão, visto que foram inicialmente apresentadas à fiscalização diversas folhas soltas do livro razão, relativas aos anoscalendário de 2006 e 2007. Logo em seguida foi apresentado um único livro do razão para cada ano, em capa preta, com registros de lançamentos contábeis no período de janeiro a dezembro. Finalmente, o sujeito passivo apresentou 5 volumes de capas verdes para o ano calendário de 2006 e 4 volumes de capas verdes para o ano calendário de 2007, conforme cópias anexas dos seus respectivos termos de abertura e encerramento. A fiscalização aponta diversos exemplos de que, para um mesmo fato contábil ou para um mesmo procedimento de encerramento de contas, foram encontrados diferentes valores em cada uma dessas Fl. 1600DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15504.726141/201113 Acórdão n.º 1803002.365 S1TE03 Fl. 1.601 17 versões do livro razão. Isso demonstra, no mínimo, desorganização na escrituração, o contrário da boa ordem exigida pela norma legal. Confrontado, por amostragem, as notas fiscais de entrada e saída, recibos de pagamentos e cópias de cheques referentes aos meses de abril e julho de 2006 e de fevereiro, agosto e setembro de 2007, a fiscalização verificou que os registros contábeis não respeitavam o regime de competência, segundo o qual, as receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento. O artigo 177 da Lei nº 6.404, de 1976, dispõe que na escrituração das sociedades anônimas as mutações patrimoniais devem observar o regime de competência. Embora essa lei se aplique compulsoriamente apenas às sociedades por ações, as normas contábeis estabelecidas pelo Conselho Federal de Contabilidade tornam obrigatória a observância do regime de competência para toda e qualquer escrituração comercial, independentemente do tipo societário adotado pela pessoa jurídica ou do porte e natureza da empresa individual. Por conseguinte, a violação do regime de competência constitui vício insuperável da escrituração. De acordo com o artigo 264 do RIR 1999, a pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. Essa norma regulamentar derivase do disposto no artigo 4º do Decreto Lei nº 486, de 1969, art. 4º. Daí decorre que não se consideram válidos os registros da contabilidade que não sejam amparados por documentação hábil e idônea. Contudo, a fiscalização relata que lhe foram apresentados papéis sem valor como comprovação de despesas, e também que faltou a comprovação de pagamentos registrados na contabilidade. A fiscalização verificou que não havia critério uniforme para a classificação das contas contábeis. Como exemplo assinala que os discriminativos correspondentes aos documentos solicitados pela fiscalização, encaminhados pelo sujeito passivo, informam para custo de beneficiamento e produção a conta contábil 3.1.1.02; para despesas administrativas, a conta 3.2.1.02: para despesas financeiras, a conta 3.2.1.03; para despesas de beneficiamento, a conta 3.2.1.06. Já as contas contábeis equivalentes informadas no volume 1/5 do livro razão (AC 2006) e 1/4 (AC 2007) foram as seguintes: conta 3004, para custos de beneficiamento e produção, a conta 3021 para despesas administrativas, 3022 para despesas financeiras, e 3032 para despesas de beneficiamento. Nos volumes “únicos” dos livros razão, porém, não se emprega a aludida nomenclatura. Por exemplo, discriminase Salários e Ordenados, prólabore, em vez de despesas administrativas. Por fim, nas folhas soltas informase a conta nº 0208 para salários e ordenados, 0212 para energia elétrica, 0363 para telecomunicações, 0368 para assistência contábil, 0381 para outras despesas operacionais. Portanto, achase sobejamente demonstrado que a escrituração da autuada continha vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para determinar o lucro real. Em consequência, a fiscalização, ao decidir arbitrarlhe o lucro, aplicou corretamente o artigo 530, inciso II, alínea “b”, do RIR 1999. 5. Em complemento ao bem lançado Voto acima transcrito, acrescento, apenas, que, tanto em sua impugnação, quanto em seu Recurso, não se insurgiu a Recorrente diretamente contra o disposto no art. 530, inciso VI, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999), de seguinte dicção: Fl. 1601DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15504.726141/201113 Acórdão n.º 1803002.365 S1TE03 Fl. 1.602 18 Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): [...]; VI o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. 6. Ou seja, de nada adianta estar o livro Diário adequadamente escriturado, se o livro Razão que o resume e totaliza, por conta ou subconta não estiver em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, como exaustivamente comprovado pela fiscalização no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 56 a 70, cuja síntese constou do Relatório deste Acórdão. 7. A legislação assim dispõe porque desde a alteração da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, pela Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, a escrituração do Livro Razão passou a ser condição para apuração do lucro real. Vejase: Art. 14. A tributação com base no lucro real somente será admitida para as pessoas jurídicas que mantiverem, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, livro ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário (Livro Razão), mantidas as demais exigências e condições previstas na legislação. (Redação dada pela Lei nº 8.383, de 1991) Parágrafo único. A nãomanutenção do livro de que trata este artigo, nas condições determinadas, implicará o arbitramento do lucro da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 8.383, de 1991) 8. Vejase, por oportuno, a descrição legal constante do auto de infração para o procedimento de arbitramento efetuado (fls. 10): Fl. 1602DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15504.726141/201113 Acórdão n.º 1803002.365 S1TE03 Fl. 1.603 19 9. Acerca da importância do livro Razão, mencionamse os seguintes precedentes administrativos: Acórdão nº 10808.404, de 7 de julho de 2005: ARBITRAMENTO DE LUCRO IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA LUCRO ARBITRADO – Constitui hipótese de arbitramento de lucro da pessoa jurídica, o fato desta não manter em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, o livro Razão, utilizado para resumir e totalizar, por conta e subconta, os lançamentos efetuados no Diário. Acórdão nº 10512.856, de 9 de junho de 1999: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA – LUCRO ARBITRADO – Constituem hipóteses de arbitramento de lucro da pessoa jurídica, o fato desta não manter em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, o livro Razão utilizado para resumir e totalizar, por conta e subconta, os lançamentos efetuados no Diário, e a manutenção de conta bancária não contabilizada, não restando comprovado que o movimento nela constante se acha abrangido pelos registros da conta Caixa. 10. Do Acórdão nº 1101000.949, da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara do CARF (sessão de 12 de setembro de 2013), extraise o seguinte trecho assaz elucidativo (destaques do original): Opõese à interpretação literal da lei que determina o arbitramento na ausência do Livro Razão, especialmente porque o Código Civil de 2002 apenas elege o Livro Diário como indispensável à escrituração da sociedade empresária, consoante doutrina que cita. Arremata que o Livro Razão nada mais é do que o detalhamento por conta do livro Diário, e como o Livro Diário foi apresentado, o Fisco teria meios de apurar o lucro real. Até porque as irregularidades de encadernação e registro apontadas pelo Fisco não tornam o livro imprestável, não lhes retira o valor probante, mormente se era possível confirmar suas informações a partir dos livros de registro de entrada, saída e apuração de IPI. [...]. Irrelevante o fato de o Código Civil eleger apenas o Livro Diário como indispensável à escrituração da sociedade empresária, frente à determinação específica no âmbito tributário acerca da indispensabilidade do Livro Razão. Por certo, o Livro Razão nada mais é do que o detalhamento por conta do livro Diário, mas é este detalhamento que permite conferir os itens da apuração do resultado, bem como visualizar quais os ajustes necessários ao lucro líquido para apuração do lucro real, como antes já mencionado. Irrelevantes, portanto, os efeitos da falta de encadernação do livro Diário, bem como os fatos Fl. 1603DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15504.726141/201113 Acórdão n.º 1803002.365 S1TE03 Fl. 1.604 20 escriturados nos Livros de registro de entrada, saída e apuração de IPI, mormente tendo em conta que estes não incorporam diversas outras mutações patrimoniais que não envolvem movimentação de mercadorias. Multa de ofício qualificada 11. O que não se questionou na fase impugnatória constitui matéria passada em julgado, não suscetível de apreciação na fase recursal. Demais exigências 12. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência daquele, na medida em que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 1604DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 19679.003894/2004-87
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
RESTITUIÇÃO INDEVIDA. DEVOLUÇÃO.
Comprovado que o contribuinte recebeu restituição indevida do imposto de renda, deve-se manter o lançamento que exige a devolução do valor restituído indevidamente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-003.799
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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DEVOLUÇÃO. Comprovado que o contribuinte recebeu restituição indevida do imposto de renda, devese manter o lançamento que exige a devolução do valor restituído indevidamente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Trata o presente processo de notificação de lançamento relativa ao imposto de renda de pessoa física do anocalendário 2002, pela qual se exige o crédito tributário no AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 38 94 /2 00 4- 87 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 19679.003894/200487 Acórdão n.º 2801003.799 S2TE01 Fl. 111 2 montante de R$ 6.797,68, sendo R$ 5.991,34 de imposto, R$ 688,83 de restituição indevida a devolvida e R$ 117,51 de juros de mora sobre a restituição recebida indevidamente (calculados até 03/2004). O contribuinte, em sua impugnação, alegou que já efetuou o pagamento do imposto exigido mediante DARF em anexo, defendendo que não deve mais nada ao Fisco, uma vez que não reconhece a quantia de R$ 688,83, exigida a título de restituição recebida indevidamente, pois tal valor nunca foi sacado, seja no Banco do Brasil ou qualquer outra agência bancária. A decisão de primeira instância manteve a exigência da "Restituição Indevida a Devolver” no valor de RS 688,83. Regularmente cientificado daquele acórdão em 23/07/2009 (fl. 39), o Interessado interpôs recurso voluntário de fls. 40/41 em 31/07/2009. Em sua defesa, alega: O valor de R$688,83 (Seiscentos e oitenta e oito reais e trinta e três centavos), fora devidamente recolhido como Imposto Retido na Fonte, conforme comprovante de rendimentos pagos e retenção de imposto de renda na fonte (Doc. 01) e Notificação de Lançamento (Doc. 02). Referido valor fora somente recolhido e nunca levantado pelo contribuinte. A agencia 9998 do Banco do Brasil informada por V. Sas. no Acórdão de n° 1722.270 da 5ª Turma da DRJ/SPOII não existe em todo o território Brasileiro, portanto, não podendo o contribuinte levantar nenhum valor de uma agencia inexistente, conforme documentos comprobatório em anexo. À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer o recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O Recorrente insiste em defender que a quantia de R$ 688,83 exigida a título de restituição recebida indevidamente nunca foi recebida/sacada. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 19679.003894/200487 Acórdão n.º 2801003.799 S2TE01 Fl. 112 3 Ocorre que, consoante extrato de fl. 19, a referida restituição foi resgatada em 14/07/2003. O extrato de fl. 31confirma o resgate da restituição referente ao exercício de 2003. Assim, não se sustenta o argumento do Recorrente, devese considerar procedente a exigência da devolução da restituição recebida indevidamente de R$ 688,83. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 112DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 11610.002508/00-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/1994 a 30/09/2005
DECADÊNCIA - Pacificado o entendimento no sentido de que, o prazo de 10 (dez) anos para repetição do indébito aplica-se somente aos pedidos formulados antes do término da vacatio legis da LC n.118/2005, ou seja, até 09 de junho de 2005. A Recorrente que pleiteou seu Pedido de Restituição em 29/09/2000, não transcorreu o prazo decadencial.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO PARCIALMENTE.
Numero da decisão: 3101-001.701
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar a decadência do seu pedido e em determinar o retorno dos autos à DRJ para apreciar as demais questões de mérito.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Amauri Amora Câmara Junior e Elias Fernandes Eufrásio.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/1994 a 30/09/2005 DECADÊNCIA - Pacificado o entendimento no sentido de que, o prazo de 10 (dez) anos para repetição do indébito aplica-se somente aos pedidos formulados antes do término da vacatio legis da LC n.118/2005, ou seja, até 09 de junho de 2005. A Recorrente que pleiteou seu Pedido de Restituição em 29/09/2000, não transcorreu o prazo decadencial. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO PARCIALMENTE.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar a decadência do seu pedido e em determinar o retorno dos autos à DRJ para apreciar as demais questões de mérito. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Amauri Amora Câmara Junior e Elias Fernandes Eufrásio.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1882; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T1 Fl. 51 1 50 S3C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11610.002508/0018 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3101001.701 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de setembro de 2014 Matéria PIS RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente INDUSTRIA E COMERCIO DE COSMÉTICO NATURA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1994 a 30/09/2005 DECADÊNCIA Pacificado o entendimento no sentido de que, o prazo de 10 (dez) anos para repetição do indébito aplicase somente aos pedidos formulados antes do término da vacatio legis da LC n.118/2005, ou seja, até 09 de junho de 2005. A Recorrente que pleiteou seu Pedido de Restituição em 29/09/2000, não transcorreu o prazo decadencial. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO PARCIALMENTE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar a decadência do seu pedido e em determinar o retorno dos autos à DRJ para apreciar as demais questões de mérito. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Amauri Amora Câmara Junior e Elias Fernandes Eufrásio. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 25 08 /0 0- 18 Fl. 343DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 06 /10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11610.002508/0018 Acórdão n.º 3101001.701 S3C1T1 Fl. 52 2 O processo está bem relatado no Relatório de fls. 256 a 257 dos autos emanados da decisão DRJ/CPS, por meio do voto do relator Pedro Luis de Godoy Machado, que poderá ser lido em sessão se necessário. A decisão recorrida emanada do Acórdão nº. 0526.512 de fls. 256 traz a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1994 a 30/09/1995 Restituição de Indébito. Extinção do Direito. O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo pago indevidamente extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data do pagamento. Base de cálculo. Semestralidade. A base de cálculo do PIS na vigência da Lei Complementar nº 7, de 1970, era o faturamento do sexto mês anterior ao do fato gerador. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Solicitação Indeferida. O contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho – CARF (fls. 262 a 299) em longo arrazoado e finalmente requer: a) Seja reformado o acórdão recorrido para, afastandose a ocorrência parcial da decadência, seja, reconhecido o direito da Recorrente à restituição integral dos valores recolhidos a maior a título de PIS, objeto deste processo, com a homologação de todas as compensações realizadas, até o limite dos créditos apurados, nos termos da legislação aplicável. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. Tratase o presente processo de Pedido de Restituição (fl.1) protocolado em 29/09/2000, no valor de R$ 445.182,74, correspondente a recolhimentos feitos a título de Programa de Integração Social PIS valores recolhidos à maior, no período de outubro de 1994 a setembro de 1995, em conformidade com os DecretosLeis 2445/88 e nº 2.449, de 21 de julho Fl. 344DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 06 /10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11610.002508/0018 Acórdão n.º 3101001.701 S3C1T1 Fl. 53 3 de 1988, declarado inconstitucionais pelo STF e com efeito suspensivo ratificado pela Resolução nº 49/95 do Senado Federal. O Pedido de Restituição foi protocolado em 29.09.2000 e, portanto, a questão principal desse processo é a contagem do prazo decadencial. Assim, é imprescindível analisarse o prazo para repetição do indébito tributário, previsto no artigo 168 do Código Tributário Nacional: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. O mencionado artigo 165 do CTN prescreve: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for à modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Da leitura dos dispositivos citados acima, verificase que no presente caso o Recorrente pleiteia sua restituição com base no inciso I do artigo 168 do CTN, cujo prazo para repetição é de 5 (cinco) anos contados da data da extinção do crédito tributário. Visando definir o termo a quo do prazo para repetição do indébito, já que a jurisprudência considerava que a extinção ocorria no momento do transcurso do prazo 5 (cinco) anos para homologação do Fisco – tese dos 10 (dez) anos contados do fato gerador , foi editado o artigo 3º da Lei complementar nº 118/2005: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 06 /10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11610.002508/0018 Acórdão n.º 3101001.701 S3C1T1 Fl. 54 4 Quanto à aplicabilidade do artigo 3º, o artigo 4º da mesma Lei Complementar definiu a norma como interpretativa, atribuindolhe sentido retroativo, nos termos do artigo 106, I do CTN: Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Diante do questionamento sobre o caráter interpretativo do artigo 3º da LC nº 118/2005, já que inovou no ordenamento jurídico ao prescrever um novo prazo para repetição do indébito, a questão foi levada ao judiciário que, recentemente, foi definida pelo Supremo Tribunal Federal em julgado realizado em sede de Repercussão Geral (art. 543B, §3º do CPC), nos seguintes termos: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a Fl. 346DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 06 /10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11610.002508/0018 Acórdão n.º 3101001.701 S3C1T1 Fl. 55 5 aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (RE 566621, Relatora: Ministra ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe195 DIVULGAÇÃO 10/10/2011 PUBLICAÇÃO 11/10/2011 EMENTA VOL02605 02 PP00273) Nestes termos, restou pacificado o entendimento no sentido de que, o prazo de 10 (dez) anos para repetição do indébito aplicase somente aos pedidos formulados antes do término da vacatio legis da LC nº 118/2005, ou seja, somente até 09 de junho de 2005. Quanto ao entendimento do Supremo Tribunal Federal, o regimento interno do CARF determina que decisões proferidas em sede de Repercussão Geral deverão ser seguidas pelo órgão administrativo recursal1. Assim, definido que o prazo para repetição do indébito é de 5 (cinco) anos do pagamento indevido para os pedidos formulados após 09/06/2005, e que a Recorrente pleiteou seu Pedido de Restituição em 29/09/2000, não transcorreu o prazo para restituição dos créditos de PIS da Recorrente. Diante do todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO, para afastar a Decadência do pedido da Recorrente, devendo o processo retornar a DRJ para análise das demais condições de mérito. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 06 /10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11610.002508/0018 Acórdão n.º 3101001.701 S3C1T1 Fl. 56 6 É como voto Relatora Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 348DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 06 /10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 11065.723856/2011-80
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2009
NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio.
Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL QUALIFICADA.
A multa de ofício proporcional qualificada é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta dolosa.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Os lançamentos de PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1803-002.364
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Antônio Marcos Serravalle Santos, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2009 NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL QUALIFICADA. A multa de ofício proporcional qualificada é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta dolosa. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
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DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL QUALIFICADA. A multa de ofício proporcional qualificada é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta dolosa. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 38 56 /2 01 1- 80 Fl. 640DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11065.723856/201180 Acórdão n.º 1803002.364 S1TE03 Fl. 641 2 que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Antônio Marcos Serravalle Santos, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 530544, com a exigência do crédito tributário no valor de R$163.700,41 a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada apurado pelo regime de tributação com base no lucro presumido referente aos quatro trimestres do anocalendário de 2008. O lançamento se fundamenta na omissão de receitas da atividade, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores zerados constantes na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), fls. 185199, nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) sem qualquer valor de débito confessado, fls. 3236 e aqueles escriturados no Livro Razão, fls. 218222 e no Livro Diário, fls. 223301. Ainda foram examinadas as informações prestadas pelas fontes pagadoras instituições financeiras nas Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), e nas Notas Fiscais correspondentes, fls. 303511, em conformidade com o Relatório da Ação Fiscal, fls. 519529. O lucro presumido pertinente à prestação de serviços de monitoramento de sistemas de segurança, de zeladoria, de portaria e de limpeza, fls. 202210, foi calculado pelo coeficiente é de 32% (trinta e dois por cento) incidente sobre a receita bruta auferida. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e art. 518, art. 519 e 528, do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: Fl. 641DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11065.723856/201180 Acórdão n.º 1803002.364 S1TE03 Fl. 642 3 II – O Auto de Infração às fls. 545550 com a exigência do crédito tributário no valor de R$38.175,24 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, art. 2º, art. 3º, e art. 8º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, art. 24 da Lei 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 41 da Lei nº 11.196, de 21.11.2005 e art. 2º da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. III – O Auto de Infração às fls. 551562 a exigência do crédito tributário no valor de R$73.600,58 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 2º da Lei nº 8.034, de 12 de abril de 1990, art. 24 da Lei 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 22 da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, art. 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 29 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 17 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008. IV O Auto de Infração às fls. 563568 com a exigência do crédito tributário no valor de R$8.271,38 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 2º, art. 8º e art. 9º da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, art. 1º e art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 2º e art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. Cientificada, a Recorrente apresenta a impugnação, fls. 572576, com as alegações abaixo transcritas. Faz um relato sobre a ação fiscal e suscita que: Impende destacar que crime doloso é aquele em que o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo, conforme previsão da Lei penal (artigo 18, inciso I). Ocorre que a Impugnante jamais pretendeu o resultado em comento, uma vez que não possui o conhecimento técnico para processar e avaliar as informações a serem enviadas a este órgão. Ademais quando instada a prestar esclarecimentos, a Impugnante apresentou os livros: diário e razão. Momento em que, em tese, restou constatada a existência de registros contábeis no ano de 2008. Tal conduta exercida pela Impugnante demonstra a sua boafé objetivando sanar qualquer irregularidade, portanto, não pode ser punida por fato aleatório a sua vontade e/ ou conhecimento, motivo pelo qual, não pode a atitude desta, incorrer em alguma das hipóteses tipificadas que majoram o percentual de multa a ser aplicada. Assim, em que pese, o acervo documental juntado ao processo administrativo, associado às informações divergentes apuradas, convergem para a tese trazida no Auto de Infração acerca do dolo da Impugnante, tal entendimento não corresponde a Fl. 642DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11065.723856/201180 Acórdão n.º 1803002.364 S1TE03 Fl. 643 4 realidade fática do caso em tela, a um porque a empresa não tem capacidade técnica para realizar os cálculos contábeis necessários para a devida informação junto a este órgão, a dois porque quando solicitada a manifestarse sobre o fato, logo atendeu ao chamado demonstrando sua boafé para esclarecer quaisquer fatos, bem como solucionálos. Impende ainda destacar que a multa ora aplicada possui caráter confiscatório e, se aplicada no percentual almejado por este órgão pode inviabilizar o negócio comercial da Impugnante. [...] Portanto, firmase o convencimento que no caso em tela, tratase de multa confiscatória que ofende aos princípios basilares da razoabilidade e vedação ao confisco, em suma, ofensa direta aos princípios preconizados pela Constituição Federal da capacidade contributiva e da arguição do confisco, que pode inviabilizar o negócio comercial da empresa. [...] Seguindo esta orientação, asseverase que a multa aplicada ademais de inviabilizar os negócios da Impugnante, empresa idônea, tratase de caso isolado, resultando o incidente ora ocorrido, em multa que possui caráter confiscatório. Desta forma, insurgese a Impugnante contra a forma de aplicação da multa, entendendo não poder haver a majoração do percentual aplicado, vez que não incorreu em nenhuma das práticas referidas no relatório apresentado, que ensejasse na majoração. Portanto, na situação em exame, fosse o caso de aplicação de multa, deveria haver a incidência da multa de 75%, porque os fatos em tese cometidos pela Impugnante, foi não ter recolhido os tributos na data certa. No caso, restou demonstrado que a Impugnante, muito embora em tese tenha omitido rendimentos no período de 2008, não agiu com dolo na prática de tal fato, vez que não tinha capacidade técnica para o exercício do cômputo das informações a este órgão, ademais agiu com boafé quando instada para prestar esclarecimento apresentando os documentos necessários para apuração do fato. Por fim, ressaltase ainda que se aplicada a multa no percentual de 150% ocorre afronta aos princípios constitucionais da vedação ao confisco e da razoabilidade, motivo pelo qual, espera e requer o Impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de desconstituir a multa a ser aplicada no percentual razoável para fins de elidir toda e qualquer espécie de multa e/ou, alternativamente, a aplicação máxima da multa simples referida no relatório, no patamar de 75%, e, via de conseqüência, anulandose o débito fiscal excedente. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Ante o exposto requer a Impugnante seja acolhida a presente impugnação para desconstituir a multa aplicada e, se assim não for o entendimento deste respeitável órgão federal, pugna pela redução da multa aplicada para multa simples, no patamar de 75%, ou seja, o montante da penalidade aplicada seja reduzido em 50% e, via de conseqüência, anulandose o débito fiscal excedente, (de 150% para 75%). Fl. 643DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11065.723856/201180 Acórdão n.º 1803002.364 S1TE03 Fl. 644 5 Outrossim, informa a Impugnante que o debito principal indicado está sendo objeto de parcelamento, nos termos da legislação especifica. Está registrado como ementa do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/POA/RS nº 10 35.753, de 24.11.2011, fls. 620625: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. O julgador administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO É cabível o agravamento da multa de ofício quando o sujeito passivo apresenta a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica sem informar a receita obtida e não declara os débitos correspondentes em DCTF, pois impede ou retarda o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Notificada em 08.12.2011, fl. 630, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 02.01.2012, fls. 632636, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge reiterando os argumentos apresentados na impugnação. Faz um relato sobre a ação fiscal discordando do entendimento exarado pela autoridade de primeira instância de julgamento: Ora, Excelências, tais argumentos não merecem ser acolhidos, tendo em vista que, diversamente do apontado pelo julgador administrativo, em momento algum a Recorrente agiu com o dolo no que tange a omissão de receitas. Se tal fato ocorreu não o foi conforme aduzido pelo julgador, o caso em tela não retrata o modus operandi da hipótese prevista no artigo 71 da Lei nº 4.502, uma vez que, tendo em vista a necessidade de adequação contábil para o próximo exercício fiscal, fatos ocorreram que resultaram na conseqüência arguida no processo em epígrafe. Contudo, não significa que a Recorrente tenha tido o dolo na prática de tal fato e/ou omissão, pois, crime doloso é aquele em que o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo, conforme previsão da Lei penal (artigo 18, inciso I). Ressaltase que jamais a Recorrente pretendeu o resultado em comento, ademais de não possuir o conhecimento técnico para processar e avaliar as informações a serem enviadas a este órgão, ainda incorreu em tarefas administrativas para o processamento das informações a este órgão. Fl. 644DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11065.723856/201180 Acórdão n.º 1803002.364 S1TE03 Fl. 645 6 O órgão julgador da Impugnação oferecida [...]. aduz que a Recorrente quando instada a prestar esclarecimentos, apresentou documentos fiscais que possibilitaram a apuração dos valores principais devidos a título de IR. Esta conduta, adotada pela Recorrente, por si só demonstra a boafé objetivando sanar qualquer irregularidade, e o pronto pagamento de débitos apurados, contudo, o pronto pagamento dos valores corretamente devidos. Neste sentido, não pode, a Recorrente ser punida por fato aleatório a sua vontade e/ou conhecimento, de tal modo que não pode esta incorrer em alguma das hipóteses tipificadas que majoram o percentual de multa a ser aplicada. Portanto, depreendese do noticiado no caso dos autos, que em hipótese alguma a Recorrente pretendeu omitir receitas do fisco, se tal fato ocorreu, o foi sem a intenção da mesma, motivo pelo qual, não se pode atribuíla dolo no tocante as informações não prestadas. Importante destacar o caráter confiscatório da multa aplicada, uma vez que, caso, aplicada no percentual almejado por este órgão, pode inviabilizar o negócio comercial da Impugnante. O caso que resultou no processo em comento, tratase de fato isolado [...] em face desta empresa, diante disso, merece acolhida os argumentos expendidos por esta. Poderia se tecer inúmeras considerações sobre o tema: limitações ao poder de tributar, todavia, entendese que esta colenda turma já dispõe de farta jurisprudência, ademais de entendimento técnico sobre o assunto, motivo pelo qual, requer seja a atenção direcionada paia o fato de que não houve dolo por parte da Recorrente, e que esta, prontamente se dispôs ao fornecimento de informações para a apuração do ocorrido. Diante disso, firmase o convencimento que no caso em tela, não deve ser aplicada a multa de ofício majorada, uma vez que o sinistro ocorreu na sua forma simples, o que resulta na aplicação da multa de 75%. Caso, contudo, não seja este o entendimento desta turma, referese que aplicada multa confiscatória, ofendendo diretamente os princípios basilares da razoabilidade e vedação ao confisco, em suma, ofensa direta aos princípios preconizados pela Constituição Federal da capacidade contributiva e da vedação do confisco, que pode inviabilizar o negócio comercial da empresa. Fato este que acarretará na inviabilidade dos negócios da Recorrente, e via de regra, rescisão de contrato de trabalho de [...] empregados, ademais de não aferição de [...] receitas ao fisco. Desta forma, insurgese a Recorrente contra a forma de aplicação da multa, entendendo não poder haver a majoração do percentual aplicado, vez que não incorreu em nenhuma hipóteses tipificadas [...] Portanto, na situação em exame, em havendo a aplicação de multa, deverá incidir tão somente no percentual de 75%, porque os fatos em tese cometidos pela Recorrente, foi não ter recolhido os tributos na data certa. Conclui que: Fl. 645DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11065.723856/201180 Acórdão n.º 1803002.364 S1TE03 Fl. 646 7 ANTE O EXPOSTO requer a Recorrente seja acolhido o presente recurso para desconstituir o valor majorado pela multa administrativa aplicada, o que enseja no valor devido, a título de multa, simples, qual seja, no patamar de 75%, ou seja, o montante da penalidade aplicada seja reduzido em 50% e, via de conseqüência, anulandose. o débito fiscal excedente, (de 150% para 75%). Frizase ademais que o débito principal indicado já foi objeto de parcelamento nos termos da legislação especifica, restando apenas a discussão acerca da multa de ofício aplicada a Recorrente. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. Fl. 646DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11065.723856/201180 Acórdão n.º 1803002.364 S1TE03 Fl. 647 8 conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais2. Os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. A autoridade tributária tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos3. As Autoridade Fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. 4 Desse modo, não tem validade jurídica a alegação da Recorrente. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Ainda, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formou livremente sua convicção, em conformidade do princípio da persuasão racional5. Assim, os Autos de Infração, fls. 530568 e o Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/POA/RS nº 1035.753, de 24.11.2011, fls. 620625, contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos no processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. 2 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. 3 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. 4 Fundamentação legal: art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal. 5 Fundamentação legal: art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 647DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11065.723856/201180 Acórdão n.º 1803002.364 S1TE03 Fl. 648 9 A Recorrente discorda da multa de ofício proporcional qualificada. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade a prova da não veracidade dos fatos registrados. O regime de tributação com base no lucro presumido trimestral é uma opção da pessoa jurídica para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada com o pagamento do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário. É determinado pelo somatório do ganho de capital, da receita financeira e das demais receitas auferidas, bem como do valor resultante da aplicação do coeficiente legal correspondente a sua atividade econômica sobre a receita bruta total auferida no período de apuração. Quando se tratar de pessoa jurídica com atividades diversificadas serão adotados os percentuais específicos para cada uma das atividades econômicas, cujas receitas deverão ser apuradas separadamente. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia incluído o ICMS. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante, uma vez que se presume que uma parcela da receita bruta foi consumida na produção dos rendimentos decorrentes da atividade econômica. A pessoa jurídica deve manter o Livro Registro de Inventário, bem como a escrituração contábil nos termos da legislação comercial, ressalvada a hipótese, neste caso, de escriturar o Livro Caixa, incluindo toda a movimentação financeira, inclusive bancária. Caracterizase como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente6. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. 6 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 15 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º, art. 25 e art. 26 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 648DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11065.723856/201180 Acórdão n.º 1803002.364 S1TE03 Fl. 649 10 Não restam dúvidas de que o lançamento se fundamenta omissão de receitas da atividade, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores zerados constantes na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), fls. 185199, nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) sem qualquer valor de débito confessado, fls. 3236 e aqueles escriturados no Livro Razão, fls. 218222 e no Livro Diário, fls. 223301. Ainda foram examinadas as informações prestadas pelas fontes pagadoras instituições financeiras nas Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), e nas Notas Fiscais correspondentes, fls. 303511, em conformidade com o Relatório da Ação Fiscal, fls. 519529. O lucro presumido pertinente à prestação de serviços de monitoramento de sistemas de segurança, de zeladoria, de portaria e de limpeza, fls. 202210, foi calculado pelo coeficiente é de 32% (trinta e dois por cento) incidente sobre a receita bruta auferida, em conformidade com os valores discriminados na Tabela 1. Tabela 1 – Demonstrativo dos valores omitidos no anocalendário de 2008 Períodos (A) Valores Informados nas DIPJ R$ (B) Valores Informados no Livro Diário, no Livro Razão, nas DIRF e nas Notas Fiscais Receita Bruta de Prestação de Serviços Lucro Presumido – Coeficiente de 32% R$ (C) 1º Trimestre 0,00 187.082,59 2º Trimestre 0,00 223.111,27 3º Trimestre 0,00 266.330,20 4º Trimestre 0,00 481.614,43 Total 1.158.138,49 Está registrado no Relatório da Ação Fiscal, fls. 519529, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: Em análise preliminar das informações da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) do ano de 2008 verificouse que a pessoa jurídica indicara a adoção pela tributação com base no lucro presumido, fl. 3. Intimada (Termo de Solicitação de Informações e Documentos n° 1, fls. 30/31), confirmou a adesão a esta sistemática de tributação, fls. 21/22. Portanto, considera se ter a Fiscalizada optado, pela entrega da DIPJ do ano de 2008, à tributação do IRPJ e da CSLL com base no lucro presumido. Todavia, constatouse nas informações das fichas 14A e 18A daquela Declaração, transmitida em 24/08/2009, que a Fiscalizada consignara, para todo o ano de 2008, a ausência de receitas e rendimentos (valores zerados), e, também, de valores de IRPJ e CSLL a pagar [...]. Além disso, entregou, em 07/10/2008 e 07/04/2009, Declarações de Débitos e Créditos tributários Federais (DCTF) sem confessar quaisquer débitos, fls. 32/36. Também não foram localizados, nos sistemas de arrecadação da RFB, recolhimentos correspondentes a débitos de IRPJ, CSLL, Cofins e Pis/Pasep relativos ao anocalendário de 2008. Por outro lado, consulta às informações das Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf) transmitidas por fontes pagadoras apontou o auferimento de receitas em todos os meses do ano de 2008, indicandose, inclusive, a retenção de valores de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), CSLL, Cofins e Pis/Pasep, incidentes sobre receitas da Fiscalizada. Notificada a apresentar comprovantes de Fl. 649DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11065.723856/201180 Acórdão n.º 1803002.364 S1TE03 Fl. 650 11 rendimentos fornecidos pelas fontes pagadoras, a contribuinte juntou demonstrativo de informações prestadas em Dirf, fls. 121/122, coincidentes com as previamente obtidas pela Fiscalização. Ainda em atendimento ao Termo de Solicitação de Informações e Documentos n° 1, trouxe os livros diário e razão, fls. 21 e 37/120, e cópia do contrato social, em cuja cláusula 3° são enumerados como objetivos sociais da pessoa jurídica a prestação de: serviços de monitoramento de sistemas de segurança; serviços de zeladoria; e serviços combinados de portaria, limpeza e manutenção, fl. 25. Cabe referir que consoante o artigo 224 do Decreto n° 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda) a receita bruta, para fins de apuração do Imposto sobre a Retida das Pessoas Jurídicas, compreende, entre outras receitas, o preço dos serviços prestados pela contribuinte, inseridos em seu objeto social. [...] Portanto, considerando os objetivos descritos no contrato social e o previsto na norma legal, concluise que as receitas brutas da Fiscalizada decorrem essencialmente da prestação de serviços de monitoramento de sistemas de segurança, serviços de zeladoria e serviços combinados de portaria, limpeza e manutenção. Análise, por amostragem, procedida nos livros diário e razão, em especial da conta de Resultado "3.01.01.01 Prestação de Serviços", fls. 38/40, revelou que, durante o ano de 2008, ocorreram reiterados lançamentos a crédito descritos como "Prestação de Serviço" ou "Vir Rec Cfe Nf”, tendo como contrapartida registros a débito das contas do Ativo Circulante "1.01.01.01 Caixa" e "1.01.02.01 Clientes Diversos", verificados no livro diário, fls. 43/115. Portanto, restaram verificados, no ano de 2008, sucessivos registros contábeis dando conta do auferimento de receitas, decorrentes da prestação de serviços, e, por conta destes, do recebimento de valores, lançados à conta "1.01.01.01 Caixa" ou de importâncias a receber, [...]. Paralelamente, realizaramse diligências a fontes pagadoras, com vistas a confirmar, por amostragem, as informações presentes nas Dirf e a buscar subsídios esclarecedores da origem dos valores faturados pela Fiscalizada, fls. 123/330. Em resposta, as fontes pagadoras ratificaram as informações das Dirf, encaminhando cópias de notas fiscais emitidas pela Fiscalizada, indicativas, grosso modo, do auferimento de receitas de prestação de serviços de "monitoramento c/ guarda", correspondentes aos objetivos assinalados no contrato social, juntando, ainda, comprovantes de quitação dos valores faturados. Assim, a despeito da ausência de recolhimentos a débitos de IRPJ, CSLL, Cofins e Pis/Pasep do ano de 2008, das informações na DIPJ, assinalando a ausência de receitas, e na DCTF, ciando conta inexistência de débitos de tributos confessados, concluise que a Fiscalizada, no período em questão, de fato, auferiu receitas decorrentes da prestação de serviços. Tal constatação decorreu das informações prestadas por fontes pagadoras em Dirf; da confirmação, por essas, da efetividade da prestação dos serviços e da quitação dos valores faturados pela Fiscalizada contra estas; da quantidade significativa de notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela Fiscalizada no período; da existência de sucessivos lançamentos contábeis a crédito à conta "3.01.01.01 Prestação de Serviços" no ano de 2008, a título de receitas auferidas, que totalizaram R$ 1.158.138,49; de lançamentos contábeis a débito de contas do Ativo Circulante, indicando, como contrapartida às receitas, o recebimento de valores correspondentes. Fl. 650DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11065.723856/201180 Acórdão n.º 1803002.364 S1TE03 Fl. 651 12 As referidas constatações, juntamente com a cópia dos registros da conta "3.01.01.01 Prestação de Serviços", foram remetidos à Fiscalizada para apreciação (Termo de Constatação Fiscal n° 1, fls. 331/336). Em resposta, a Fiscalizada anotou estar ciente das divergências verificadas pela Fiscalização (fl. 337). Portanto, considerando a análise dos documentos e informações obtidas inicialmente de terceiros (DIRF de fontes pagadoras) e, após a instauração do procedimento fiscal, da própria Fiscalizada, resta caracterizado o não oferecimento à tributação, em relação a todos os meses do ano de 2008, das receitas registradas nos livros diário e razão referidas na Tabela 1, tornando cabível o lançamento fiscal do IRPJ pela omissão de receitas, nos termos dos artigos 519, parágrafo Io , inciso III, e 528, ambos do Decreto n° 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda) e também, de forma reflexa, da CSLL, da Cofins e do Pis/Pasep, com fulcro no disposto artigo 24, § 2º , da Lei n° 9.249/1995. Cumpre referir que os valores retidos a título de IRRF, CSLL, Cofins e Pis/Pasep, declarados em Dirf pelas fontes pagadoras, serão considerados pela Fiscalização como antecipação dos tributos devidos [...]. Em relação à aplicação da multa de ofício proporcional qualificada, via de regra, a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária, penalidade que tem como fonte a lei, é imposta em razão do inadimplemento de uma obrigação legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. A aplicação da multa de ofício proporcional qualificada pressupõe a constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, diante da constatação da falta de pagamento ou recolhimento, pela falta de declaração e pela declaração inexata de obrigações tributárias pelo sujeito passivo. Tem como requisito necessário a comprovação, de plano, da conduta dolosa, que é a vontade livre e consciente de o agente praticar um fato ilícito, ainda que por erro, mas desde de evidenciada a máfé, da qual decorre prejuízo a outrem. Caracterizase pela sonegação, que é a ação ou omissão dolosa do agente de encobrir fatos tributários da Administração Pública, pela fraude, que é a ação ou omissão dolosa de não revelar a ocorrência do fato gerador do tributo ou pelo conluio, que é o ajuste doloso entre pessoas, seja para encobrir fatos tributários da Administração Pública, seja para não revelar a ocorrência do fato gerador do tributo. Há que se perquirir se houve simulação, vício ou falsificação de documentos ou a escrituração de livros fiscais ou comerciais, ou utilização de documentos falsos para iludir a fiscalização ou fugir ao pagamento do imposto. A mesma conduta reprovável deve ser reiterada, ou continuada, assim entendida em relação à qual tenham sido lavrados diversos autos ou representações7. Está registrado no Relatório da Ação Fiscal, fls. 519529, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: A multa de ofício qualificada está prevista no artigo 44, § Io , da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo artigo 14 da Lei n° 11.488/2007. A aplicação da 7 Fundamentação legal: art. 142 e art. 149 do Código Tributário Nacional, art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 68, art. 70, art. 71, art. 72, art. 73, art. 74 e art. 85 da Lei n.º 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 13 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 20 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. Fl. 651DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11065.723856/201180 Acórdão n.º 1803002.364 S1TE03 Fl. 652 13 multa de 150% está relacionada às circunstâncias previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964, verbis: Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. Art. 68. Na fixação da pena de multa, a autoridade atenderá ao conjunto de circunstâncias atenuantes e agravantes constantes do processo. § 1o São circunstâncias agravantes, quando não constituam ou qualifiquem a infração: I a sonegação, a fraude e o conluio; (...) Arí. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendáría: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no artigo 71 e 72. Cabe destacar que o conceito de dolo, para fins de tipificação dos artigos transcritos, encontrase inscrito no artigo 18, inciso I, do Código Penal, ou seja, conforme a lei penal, crime doloso é aquele em que o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo. Com base nos documentos reunidos no curso da ação fiscal, temse que as informações das declarações DIPJ e DCTF são manifestamente distintas das constantes das DIRF transmitidas por fontes pagadoras, que indicam o auferimento sistemático de receitas pela Fiscalizada e a existência de débitos ao longo do ano de 2008. Posteriormente, como resultado de diligências às fontes pagadoras, houve a confirmação da prestação de serviços pela Fiscalizada, da emissão de notas fiscais, e, por conta destas, de recebimentos decorrentes. Não obstante, as informações das declarações DIPJ e DCTF da Fiscalizada também destoam dos fatos contábeis escriturados nos livros diários e razão, indicativos dos sucessivos lançamentos de receitas ao longo do ano de 2008 a crédito de conta de resultado (3.01.01.01 Prestação de Serviços) e que vieram a compor receita bruta anual omitida de R$1.158.138,49. Concluise, portanto, que a Fiscalizada, além de não ter recolhido valores aos tributos devidos ao ano de 2008, declarou, de forma contumaz, informações inverídicas ao Fisco por meio da entrega da DIPJ e das DCTF (transmitidas entre 07/10/2008 e 24/08/2009) nas quais houve a afirmação da ausência de receitas auferidas e a inexistência de débitos a declarar/recolher para todo o \o de 2008. A adoção de tal artifício lhe possibilitou não apenas evitar a notificação por parte do Fl. 652DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11065.723856/201180 Acórdão n.º 1803002.364 S1TE03 Fl. 653 14 Fisco pela eventual omissão da entrega das declarações DIPJ e DCTF, mas h legalmente impedir o conhecimento da autoridade fiscal acerca do auferimento de receitas por parte da Fiscalizada, e, por consequência, cia ocorrência dos fatos geradores do IRPJ e dos referentes aos tributos reflexos (CSLL, Pis/Pasep e Cofins). Neste sentido, temse que o Fisco só veio a tomar conhecimento da inveracidade das informações da DIPJ e das DCTF da Fiscalizada após o cotejo com declarações prestadas por terceiros (DIRF, nas quais se indica o auferimento de receitas pela Fiscalizada), a conseqüente realização de diligências fiscais a fontes pagadoras e a análise da escrituração contábil da Fiscalizada, levadas a efeito no desdobramento de procedimento fiscal. Portanto, não há como crer se tratar de conduta involuntária, acidental ou associável a mero erro material, tendo em vista que se estendeu ao longo do tempo e que trouxe, indubitavelmente, benefícios significativos a quem dela fez uso. Resta, assim, verificada a intenção deliberada da Fiscalizada em impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, conduta classificada como sonegação fiscal, prevista no artigo 71 da Lei n° 4.502/1964. Assim, aplicase multa de ofício de 150%, sobre os valores de IRPJ e, de forma reflexa, a outros tributos (CSLL, Pis/Pasep e Cofins). [...]: No presente caso, houve constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, de modo que está correta a aplicação da multa de ofício proporcional qualificada pela conduta reiterada de omissão de receitas e ainda por declaração inexata com intenção de omitir sistematicamente a totalidade dos rendimentos escriturados em seus assentos contábeis nos quatro trimestres do anocalendário de 2008. A conclusão oferecida pela defendente, porém, não pode subsistir. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso8. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade9. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. 8 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 9 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 653DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11065.723856/201180 Acórdão n.º 1803002.364 S1TE03 Fl. 654 15 O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo 10. Os lançamentos PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 10 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 654DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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