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Numero do processo: 10240.000580/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2005
MULTA DE 150%.
A não declaração das receitas ou a declaração de pequena parcela desta receita caracteriza a intenção de sonegar tributos, sendo aplicável a multa de 150%. A não declaração em DIPJ e DCTF dos tributos devidos caracteriza a intenção de sonegar tributos. A mudança freqüente de domicilio fiscal no curso da fiscalização, inclusive com cadastro de endereço errado, acompanhada da não declaração das receitas auferidas, caracteriza sonegação de tributos e, por isso, implica na multa de 150%.
MAJORAÇÃO DE 50% DA MULTA.
Caso o contribuinte não forneça seus fatos tributáveis e estes venham a ser apurados pelo Fisco com base em informações de terceiros, cabe majorar a multa aplicada em 50%.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2005, 2006
LUCRO ARBITRADO.
Caso o contribuinte não apresente os livros a que está obrigado, cabe a adoção de oficio do sistema do lucro arbitrado para a apuração dos tributos devidos.
LUCRO ARBITRADO. APURAÇÃO. RECEITA CONHECIDA.
A apuração do lucro arbitrado deve ser feita com base na receita conhecida, só sendo aplicável outra forma de quantificação caso não seja possível a identificação das receitas do contribuinte.
Numero da decisão: 1101-000.674
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
PROVIMENTO ao recurso voluntário.
Nome do relator: Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005 MULTA DE 150%. A não declaração das receitas ou a declaração de pequena parcela desta receita caracteriza a intenção de sonegar tributos, sendo aplicável a multa de 150%. A não declaração em DIPJ e DCTF dos tributos devidos caracteriza a intenção de sonegar tributos. A mudança freqüente de domicilio fiscal no curso da fiscalização, inclusive com cadastro de endereço errado, acompanhada da não declaração das receitas auferidas, caracteriza sonegação de tributos e, por isso, implica na multa de 150%. MAJORAÇÃO DE 50% DA MULTA. Caso o contribuinte não forneça seus fatos tributáveis e estes venham a ser apurados pelo Fisco com base em informações de terceiros, cabe majorar a multa aplicada em 50%. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2005, 2006 LUCRO ARBITRADO. Caso o contribuinte não apresente os livros a que está obrigado, cabe a adoção de oficio do sistema do lucro arbitrado para a apuração dos tributos devidos. LUCRO ARBITRADO. APURAÇÃO. RECEITA CONHECIDA. A apuração do lucro arbitrado deve ser feita com base na receita conhecida, só sendo aplicável outra forma de quantificação caso não seja possível a identificação das receitas do contribuinte.
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SI-CITI Fl. 602 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10240.000580/2009-11 Recurso n° Voluntário Acórdão n° 1101-00.674 — la Camara / la Turma Ordinária Sessão de 14 de março de 2012 Matéria Auto Infração IRPJ Recorrente Loccar Locadora de Veículos Ltda. Recorrida ia Turma da DRJ em Belém E ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005 MULTA DE 150%. A não declaração das receitas ou a declaração de pequena parcela desta receita caracteriza a intenção de sonegar tributos, sendo aplicável a multa de 150%. A não declaração em DIPJ e DCTF dos tributos devidos caracteriza a intenção de sonegar tributos. A mudança freqüente de domicilio fiscal no curso da fiscalização, inclusive com cadastro de endereço errado, acompanhada da não declaração das receitas auferidas, caracteriza sonegação de tributos e, por isso, implica na multa de 150%. MAJORAÇÃO DE 50% DA MULTA. Caso o contribuinte não forneça seus fatos tributáveis e estes venham a ser apurados pelo Fisco com base em informações de terceiros, cabe majorar a multa aplicada em 50%. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2005, 2006 LUCRO ARBITRADO. Caso o contribuinte não apresente os livros a que está obrigado, cabe a adoção de oficio do sistema do lucro arbitrado para a apuração dos tributos devidos. LUCRO ARBITRADO. APURAÇÃO. RECEITA CONHECIDA. A apuração do lucro arbitrado deve ser feita com base na receita conhecida, só sendo aplicável outra forma de quantificação caso não seja possível a identificação das receitas do contribuinte. 1 Processo n° 10240.000580/2009-11 SI-C ITI Acórdão n.° 1101-00.674 Fl. 603 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. • VALMAR F 11.11;;C DE ENEZES - Presidente. r:a-TS EDUARDOi E ALMEIDA GUERREIRO - Relator. EDITADO EM: 11/04/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Benedicto Celso Benicio Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva (vice-presidente), Nara Cristina Takeda Taga, e Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma). Relatório Trata-se de recurso voluntário contra decisão que considerou improcedente impugnação. Em 05/03/2009, é lavrado auto de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins (proc. fls. 86 a 130). Conforme termo de verificação (proc. 131 a 135), constatou-se diferença entre os rendimentos informados nas DIRFs das fontes pagadoras e aqueles informados nas declarações da autuada, nos seguintes termos: Ano- Calendário Rendimento DIRE - Fontes Pagadoras Rendimento DIPJ — Empresa Fiscalizada Débitos DCTF — Empresa Fiscalizada Pagamentos DARF — Empresa Fiscalizada 2005 R$ 23.854.850,95 R$ 280.297,96 R$ 00,00 R$ 00,00 2006 R$ 35.078.308,30 RS 00,00 R$ 00,00 R$ 00,00 0 Fisco explica que, por exata razão, intimou o contribuinte apresentar seus livros e documentos. Diz que foi solicitada dilação do prazo e que esta foi concedida, mas que o contribuinte não atendeu ao solicitado. Informa que foi pedido para as empresas que informaram pagamento de rendimento nas DIRFs os documentos comprobatório das informações. Os valores das DIRFs foram confirmados e tabulados (proc. fls. 136 a 187), conforme os documentos fornecidos. Considerando que a autuada não apresentou nenhum dos livros e documentos solicitados e nem explicou a diferença entre sua declarações e as de seus clientes, foi feito o arbitramento do lucro com base na receita apurada de oficio. A fiscalização explica que na apuração do PIS e COFINS, foram excluídas as receitas correspondentes ao código 6147, em razão da tributação integral na fonte (IN SRF n° 480, de 2004). A fiscalização destaca ainda as alterações de endereço da matriz. Diz que, até 09/08/2004, o contribuinte era domiciliado em Aparecida de Goiania, quando se mudou para São Paulo. Conta que em 19/02/2008, o autuado mudou-se para Porto Velho, cadastrando 2 Processo n° 10240.000580/2009-11 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.674 Fl. 604 endereço não localizado. Destaca que no curso da fiscalização, precisamente em 28/01/2009, o contribuinte alterou seu endereço novamente para São Paulo. 0 Fisco esclarece que aplicou a multa qualificada em razão do contribuinte não atender às intimações e de declarar na sua DIPJ e DCTF valores que não correspondiam a verdade, bem como informar endereços inexistentes. 0 contribuinte apresentou impugnação (proc. fls. 507 a 520). Explica que foi intimada para apresentar documentos e que pedi prorrogação por mais 40 dias, mas que o Fisco só admitiu prorrogação de 20 dias. 0 que não foi suficiente. Diz que, em razão das suas alterações de endereço, foi cientificada por edital, sem que a fiscalização tivesse feito qualquer esforço para cientificar pessoalmente, de auto de infração lavrado com base em apenas as informações de terceiros. Alega que o arbitramento é medida extrema e que possui todos os livros. Sustenta que s6 caberia o arbitramento se ficasse comprovada a inexistência dos livros. Informa que a base de cálculo determinada pelo Fisco não é correta. Também, argumenta que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo dos tributos lançados. Explica que: De fato, no lucro presumido e no lucro arbitrado, a base de cálculo do IRPJ e da CSLL é a receita bruta. Logo, se prevalece o entendimento, conforme jurisprudência do STF, de que o ICMS, enquanto ônus fiscal, não compreende o conceito de faturamento e, conseqüentemente, de receita bruta, por não constituir receita própria, mas sim receita alheia, é mais que óbvio que o mesmo não pode compor a base de cálculo, além do PIS e da COFINS, também do IRRI e da CSLL para fins de arbitramento do lucro. Diz que não deveria ter sido lançada a multa de 150%, mas sim a de 75%, pois a simples falta de pagamento declaração inexata não justifica a multa qualificada. Adiciona que não restou demonstrado que o contribuinte tenha agido com dolo. Alega que não caberia a majoração da multa, pois jamais se negou a atender ao solicitado. Explica que o que ocorreu foi falta d3e prazo suficiente. Reclama que as intimações posteriores ao pedido de livros inicial foram por edital, de sorte que não teve conhecimento delas. Em 12/05/2009, é lavrada informação fiscal (proc. fl. 521), onde se explica que o contribuinte mudou de domicilio no correr da fiscalização, sem dar qualquer informação aos auditores. Na informação, se explica a prorrogação de competência e se informa que o contribuinte foi intimado da autuação por via postal e que apresentou impugnação em 30/04/2009. Em 28/08/2009, a la Turma da DRJ em Belém, por unanimidade de votos, considera procedente o lançamento (proc. fls. 540 a 554). No voto, é destacado que as decisões administrativas e judiciais citadas pela defesa não vinculam o julgador administrativo, quando não se trata da mesma parte. Diz que apenas as súmulas vinculantes dos STF poderiam vincular o julgamento administrativo, mas que não é o caso. Recapitula que a impugnante foi intimada em 17/11/2008 a apresentar seus livros, mas que até a lavratura do auto, em 05/03/2009, não apresentou qualquer elemento solicitado. Destaca as alterações de domicilio e o cadastramento de endereço incorreto. Conclui que a fiscalização agiu corretamente ao estabelecer a 3 Processo n° 10240.000580/2009-11 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.674 Fl. 605 sistemática do lucro arbitrado para o contribuinte e ao identificar a receita do contribuinte por meio de diligências em terceiros. Sustenta que o ICMS integra o preço recebido e, por conseqüência compõe a receita bruta, não devendo ser excluído da base de cálculo. Argumenta que o contribuinte, além de se ocultar cadastrando endereço errado, tentou sonegar, ao apresentar declarações que não informam os fatos tributáveis, sendo cabível a multa qualificada de 150%. Conclui que ficou demonstrada a intenção de sonegar tributos e que o agravamento da multa é correto porque o contribuinte não atendeu ao solicitado. Em 10/02/2010, o contribuinte é cientificado via postal (proc. fl. 556 v). Em 04/03/2010, o contribuinte apresenta recurso voluntário (proc. fls. 565 a 580), pelo qual contesta a decisão, repetindo seus argumentos. A PGFN apresentou contrarrazões (proc. fls. 581 a 601), onde sustenta o lançamento em todos os seus aspectos e refuta os argumentos de defesa. Voto Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro 0 recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. Inicialmente, cabe notar que um dos argumentos da defesa consiste em alegar que o ICMS deve ser retirado da base de cálculo dos tributos lançados (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS). Conforme o contribuinte, o valor do ICMS não pode compor a base de apuração do lucro arbitrado ou presumido. Não obstante, cabe registrar que tal argumentação é totalmente impertinente no caso em concreto, pois o autuado não é contribuinte do ICMS. Ou seja, como se constata nas notas fiscais obtidas pela fiscalização (proc. fls. 195 a 504) a empresa é contribuinte do ISSQN e não do ICMS. Afastado este argumento, cabe analisar as outras questões. Cabe o arbitramento, pois o contribuinte foi intimado e não apresentou os livros e documentos. Também é correto, e de acordo com a legislação, a apuração da base de cálculo do lucro arbitrado por meio das receitas apuradas com a informação de terceiros. Frise- se ainda que o Fisco não se contentou com a mera DIRF, mas buscou informações junto às fontes pagadoras, para confirmar as DIRFs. Além disso, o contribuinte não nega que tenha auferido tais valores, e apenas alega que a legislação não permitiria o arbitramento com base na receita apurada, alegando que o conceito de receita conhecida limita a possibilidade de lançamento de oficio à receita informada pelo próprio contribuinte, e não àquela apurada pelo Fisco. Cabe frisar que neste aspecto o contribuinte está enganado, pois a apuração por arbitramento do lucro foca principalmente a consideração da efetiva receita do contribuinte, quer informada por este, quer apurada pelo Fisco. Apenas em caso de impossibilidade de se conhecer a receita é que podem ser aplicados outros critérios de apuração. Quanto a aplicação da multa de 150%, a fiscalização agiu corretamente, pois restou caracterizada a intenção do contribuinte de onegar tributos. 4 Processo n° 10240.000580/2009-11 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.674 Fl. 606 De fato, o contribuinte declarou, na DIPJ referente a 2005, menos de 1% de suas receitas, e na do ano seguinte 0% de suas receitas. Além disso, informou nas DCTFs correspondentes que não ter qualquer débito. Com isso, fica evidente que procurou ocultar do Fisco a ocorrência dos fatos tributáveis. É importante destacar a relevância do cumprimento das obrigações acessórias, quer as que determinam informar os fatos tributáveis ocorridos (DIPJ), quer as que determinam a formalização dos débitos e a informação de seu status (DCTF). E por meio destas declarações que o Fisco verifica os cumprimento das obrigações pelos contribuintes. No presente caso, é absolutamente improvável que as informações prestadas nas DIPJs e DCTFs tivessem decorrido de erro. Ao contrário, a relevância da divergência e a tentativa de parecer inoperante aos olhos do Fisco demonstram cabalmente a intenção do contribuinte em esconder do Fisco os fatos tributáveis. Ao lado das informações falsas em diversas declarações, vale notar a conduta do contribuinte. De fato, o não atendimento das intimações comprova que o contribuinte de fato buscou sonegar os fatos tributáveis ocorridos em 2005 e 2006. Além disso, as reiteradas mudança de domicilio demonstram claramente que o contribuinte visava fugir de suas responsabilidades fiscais, tentando impedir que a fiscalização descobrisse a matéria tributável que o contribuinte se negou a informar nas suas DIPJs e DCTFs. Não fosse pouco, até endereço falso o contribuinte cadastrou como domicilio fiscal. Portanto, resta evidente a intenção em sonegar os valores que acabaram sendo lançados de oficio e foi correta a aplicação da multa de 150%. Também, foi correta a majoração da multa em 50%, elevado o montante da multa para 225%. A legislação é bastante clara e prevê o agravamento das multas (aplicadas por de falta de declaração e recolhimento de tributos, quer ela seja de 75%, quer ela seja de 150%) em 50%, quando o contribuinte não presta esclarecimentos. Porém, como se percebe, a previsão legal deste agravamento (de 50% do valor da multa) está conectada, desde sua origem, as multas lançadas em razão da não declaração e não recolhimento de tributos. Ou seja, a idéia de agravar a multa está conectada umbilicalmente às situações onde o Fisco descobre fatos tributáveis (cuja declaração e recolhimento estavam a cargo do contribuinte, mas que este nem declarou e nem recolheu) e faz o lançamento de oficio. No caso concreto, pelas diversas omissões do contribuinte (quer em declarar, quer em atender à intimação para apresentar livros e documentos), o Fisco foi a campo de apurou sozinho os fatos tributáveis. Por isso, é correta o agravamento da multa. Por tais razões voto por negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, 14 de mare() de 2012. , Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro 5
score : 1.0
Numero do processo: 11070.000329/2009-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. Para os fatos
geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada.
EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF nº 11).
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2101-001.324
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF nº 11). Recurso Voluntário Negado
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DEPÓSITO BANCÁRIO. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF nº 11). Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Fl. 464DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/1 1/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS 2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 1812.810 proferido pela 4ª Turma da DRJ Santa Maria (fl. 307), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação ao lançamento, realizado com suporte no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. As infrações indicadas no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração do Imposto de Renda de Pessoa Física (fls. 275/279), exigindo o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 157.808,29 (cento e cinquenta e sete mil e oitocentos e oito reais e vinte e nove centavos), incluindo multa de oficio de 75% e juros de mora. Da ação fiscal restou a constatação da seguinte irregularidade: 1) DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA: • Anocalendário: 2005 • Multa de oficio: 75% Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta (s) de depósito ou de investimento, mantida (s) em instituição (ões) financeira (s), em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Verificação Fiscal anexo ao Auto de Infração. Enquadramento Legal: Art. 849 do RIR/99 e art. 1° da Lei n° 11.119/05. Art. 44, inciso I, e art. 61, § 3º da Lei n° 9.430/96. O Termo de Verificação Fiscal (lis. 282/292) relata minuciosamente as oportunidades dadas ao contribuinte, ao longo de mais de oito meses desde o inicio da ação fiscal, para que comprovasse com documentos hábeis e idôneos a origem dos recursos relativos aos depósitos bancários, considerando as comprovações realizadas, restando os valores consignados nas planilhas (fls. 289/291), que resultaram no Demonstrativo Consolidado dos depósitos não comprovados (fl. 292), os quais, por sua vez, deduzidos os valores declarados como recebidos de pessoas físicas, resultaram no valor liquido a tributar lançado de R$ 274.529,20 (fl. 279). O contribuinte, dentro do prazo, por seu procurador, apresentou impugnação alegando, em extenso arrazoado, o que se resume a seguir. Que a movimentação bancária realizada teve por origem em operações de mútuo realizada com diversos amigos e clientes, em decorrência das limitações de crédito impostas pelas instituições financeiras. Com dificuldades de realizar operações bancárias em seu nome, bem como auxiliar amigos com as mesmas dificuldades, foi obrigado a movimentar suas contas bancárias mediante a troca de cheques, circunstância que motivou a elevada circulação de valores em contas vinculadas ao seu CPF, mas a origem dos recursos sempre tiveram duas fontes: receita de seu labor como advogado (cujos valores foram submetidos tributação) e/ou pelas trocas de cheques que realizou em seu favor ou em favor de terceiros. Entende que, ainda que considerável, o fluxo de valores (entradas e saídas), não significa rendimentos ou acréscimos patrimoniais, sendo pois, inviável a utilização da conta bancária como parâmetro de cobrança do imposto de renda. Afirma que a movimentação bancária, de per si, não pode ser considerada renda, pois necessariamente não corresponde ao resultado econômico do trabalho ou do capital, ainda que associados. No caso dos autos, a movimentação bancária no período auditado correspondeu Fl. 465DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/1 1/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS Processo nº 11070.000329/200918 Acórdão n.º 210101.324 S2C1T1 Fl. 441 3 ao trabalho (e esta parcela foi tributada) ou a troca de cheques, afastando por completo a possibilidade desta parcela ser considerada renda tributável. Outro fato necessário c suficiente que se constitui na hipótese de incidência (proventos de qualquer natureza), se caracteriza pelo acréscimo patrimonial do contribuinte, que não ocorreu no período auditado. Conclui que se não é renda e se não houve acréscimo patrimonial, é certo que não se pode imputar a ocorrência do fato gerador do IRPF, razão pela qual entende ser insustentável a manutenção da exigência. Informa que a autoridade tributária entendeu que diante do não sucesso em esclarecer todos os depósitos, estava autorizada a arbitrar a base de calculo do IRPF, utilizando como paradigma a movimentação bancária. Colaciona, na peça impugnatória, diversas decisões, com o que pretende demonstrar que os valores que circularam em suas contas bancárias não se constituem em fato gerador do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. Requer a juntada dos documentos em anexo, que, todavia, não apresenta e a produção de prova oral mediante a oitiva de pessoas com as quais realizou operações de troca de cheques, a fim de comprovar a similitude das operações tributadas e aquelas não tributadas. Ao final, em face do exposto, requer o julgamento de insubsistência do presente Auto de In fração. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau manteve integralmente o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizamse como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, e as judiciais, excetuandose as proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão Aquela objeto da decisão. TROCA DE CHEQUES. COMPROVAÇÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de Fl. 466DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/1 1/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS 4 sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seu apelo ao CARF, às fls. 318/323, o recorrente alega que foi investigado como se fosse alguém que detenha imensurável patrimônio, quando na verdade, se trata de um modesto advogado e professor, sem qualquer espécie de patrimônio físico, salvo o patrimônio moral que sempre preservou, através de uma conduta retilínea. Argumenta que quase tudo que ganhou desde o ano do em de 1994 foi investido em conhecimento, realizando curso de especialização, doutorado e mestrado. Durante todo esse período se serviu de amigos que ora lhe emprestavam dinheiro, ora faziam troca de cheques, para que as contas fossem movimentadas e tivesse condições de satisfazer paulatinamente os débitos, que em cadeia se acumularam no exercício de 2004/2005. Não se trata, portanto, de renda capaz de incidir impostos, mas sim de valores tomados por empréstimos de amigos e em estabelecimentos bancários, para adimplir compromisso dos empréstimos. Observa que grande parte dos valores depositados eram dinheiros de clientes, que via de regra são repassados aos advogados e este repassa aos mesmos, não tendo sido comprovado individualmente, em razão de já ter decorrido quase cinco anos da movimentação. Colaciona jurisprudência dos tribunais com o entendimento de que a simples movimentação bancária não implica em renda capaz de incidir o imposto. Ao contrário, os depósitos bancários não caracterizam, por si só, rendimentos tributáveis, não se sustentando o procedimento fiscal que se baseia em mera presunção resultante da comparação entre a soma dos depósitos e o montante dos rendimentos declarados, uma vez que os depósitos bancários, embora possam refletir sinais exteriores de riqueza, não caracterizam por si só rendimentos tributáveis. Comenta a Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos, preceituando que é ilegítimo o lançamento do Imposto de Renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários. Por fim, requer a aplicação analógica do entendimento dos tribunais pátrios de que se aplica a prescrição intercorrente na execução de divida ativa, sendo possível também a ocorrência prescricional na autuação em fase administrativa. Requer seja oportunizada a defesa oral quando do julgamento, para que se possa apresentar as razões de inocência e até mesmo para que esta Corte conheça o contribuinte. Consta, ainda, dos autos pedido do recorrente para juntada de Informativo de Jurisprudência, a fim de corroborar na tese delineada no recurso. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Do exame das pelas processuais, verificase que o lançamento e a decisão de primeiro grau não merecem qualquer reparo. Fl. 467DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/1 1/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS Processo nº 11070.000329/200918 Acórdão n.º 210101.324 S2C1T1 Fl. 442 5 Inicialmente, cumpre esclarecer que não houve quebra administrativa do sigilo bancário do contribuinte, consoante Termo de Início de Fiscalização (fl. 02), expedido no seguinte contexto: No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal e na forma dos artigos 835, 844, 904, 907, 927 e 928 do Decreto 3000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99), fica o contribuinte acima identificado INTIMADO a apresentar os elementos abaixo especificados: Prazo: 20 (vinte) dias Período de apuração: 01/01/2005 A 31/12/2005 1 Extratos bancários de conta corrente e de aplicações financeiras, cadernetas de poupança, de todas as contas mantidas pelo contribuinte junto a instituições financeiras no Brasil e no exterior, referentes ao período acima especificado. Os elementos solicitados na presente intimação deverão ser encaminhados ao(s) Auditor Fiscal signatário na DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM SANTO ANGELO, situada A Av. Brasil, n° 1400 Santo Angelo/RS CEP: 98.801590. Com efeito, não houve fornecimento de informações sobre movimentação bancária do contribuinte, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco, por meio de procedimento administrativo, com suporte na Lei Complementar nº 105, de 2001. Os extratos foram solicitados do contribuinte, que os entregou espontaneamente, conforme se verifica nas correspondências às fls. 11 e 14. No que tange à prescrição intercorrente, conforme determina o artigo 151, III, do CTN, as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário. Neste intere, não há que se falar em decadência, pois o lançamento foi efetuado no prazo legal, nem em prescrição, pois a definitividade do crédito tributário, apta a aparelhar uma execução fiscal, somente ocorrerá após decisão final no processo administrativo. É evidente que presente uma causa de suspensão da exigibilidade do crédito tributário o sujeito ativo fica impedido de realizar atos de cobrança e a inscrição do débito em dívida ativa ou no CADIN. Como corolário, a ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva, conforme dispõe o artigo 174 do CTN. Neste sentido, a jurisprudência mansa e pacífica deste Órgão, deu origem à Sumular CARF nº 11, que dispõe: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. A tributação com base em depósitos bancários, a partir de 01/01/97, é regida pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, publicada no DOU de 30/12/1996, que instituiu a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprovasse mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Confirase: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação Fl. 468DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/1 1/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS 6 aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais).(Alterado pela Lei nº 9.481, de 13.8.97). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002). § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002). O fato gerador do imposto de renda é sempre a renda auferida. Os depósitos bancários (entrada de recursos), por si só, não se constituem em rendimentos. Daí por que não se confunde com a tributação da CPMF, que incide sobre a mera movimentação financeira, pela saída de recursos da conta bancária do titular. Por força do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, o depósito bancário foi apontado como fato presuntivo da omissão de rendimentos, desde que a pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados na operação. Fl. 469DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/1 1/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS Processo nº 11070.000329/200918 Acórdão n.º 210101.324 S2C1T1 Fl. 443 7 Alfredo Augusto Becker1, alicerçado na doutrina francesa e espanhola, ao distinguir presunção legal e ficção legal, assim escreveu: Existe uma diferença radical entre a presunção legal e a ficção legal. ‘A presunção tem por ponto de partida a verdade de um fato: de um fato conhecido se infere outro desconhecido. A ficção, todavia, nasce de uma falsidade. Na ficção, a lei estabelece como verdadeiro um fato que é provavelmente (ou com toda a certeza) falso. Na presunção a lei estabelece como verdadeiro um fato que é provavelmente verdadeiro. A verdade jurídica imposta pela lei, quando se baseia numa provável (ou certa) falsidade é ficção, quando se fundamenta numa provável veracidade é presunção legal`. A regra jurídica cria uma presunção legal quando, baseandose no fato conhecido cuja existência é certa, impõese a certeza jurídica da existência do fato desconhecido cuja existência é provável em virtude da correlação natural de existência entre estes dois fatos. A regra jurídica cria uma ficção legal quando, baseandose no fato conhecido cuja existência é improvável (ou falsa) porque falta correlação natural de existência entre os dois fatos. Para Pontes de Miranda2, presunções são fatos que podem ser verdadeiros ou falsos, mas o legislador os têm como verdadeiros e divide as presunções em iuris et de iure (absolutas) e iuris tantum (relativas). As presunções absolutas, na lição deste autor, são irrefragáveis, nenhuma prova contrária se admite; quando, em vez disso, a presunção for iuris tantum, cabe a prova em contrário. Conforme destacado anteriormente, na presunção o legislador apanha um fato conhecido, no caso o depósito bancário e, deste dado, mediante raciocínio lógico, chega a um fato desconhecido que é a obtenção de rendimentos. A obtenção de renda presumida a partir de depósito bancário é um fato que pode ser verdadeiro ou falso, mas o legislador o tem como verdadeiro, cabendo à parte que tem contra si presunção legal fazer prova em contrário. Neste sentido, não se pode ignorar que a lei, estabelecendo uma presunção legal de omissão de rendimentos, autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. Em síntese, a lei considera que os depósitos bancários, de origem não comprovada, analisados individualizadamente, caracterizam omissão de rendimentos. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. A caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera constatação de um depósito bancário, considerado isoladamente. Pelo contrário, a presunção de omissão de rendimentos está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos recursos depositados em contas bancárias, com a análise individualizada dos créditos, conforme expressamente previsto na lei. Portanto, claro está que o fato gerador do imposto de 1 BECKER, Alfredo Augusto, Teoria Geral do Direito Tributário, 3ª. ed. – São Paulo: Lejus, 1998, pág. 509. Ed. Lejus 2 MIRANDA, Pontes, Comentários ao Código de Processo Civil, vol. IV, pág. 234, Ed. Forense, 1974. Fl. 470DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/1 1/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS 8 renda, no caso, não está vinculado ao crédito efetuado na conta bancária, pois, se o crédito tiver por origem transferência de outra conta do mesmo titular, ou a alienação de bens do patrimônio do contribuinte, ou a assunção de exigibilidade, como dito anteriormente, não cabe falar em rendimentos ou ganhos, justamente porque o patrimônio da pessoa não terá sofrido qualquer alteração quantitativa. O fato gerador é a circunstância de tratarse de dinheiro novo no seu patrimônio, assim presumido pela lei em face da ausência de esclarecimentos da origem respectiva. Quanto à tese de ausência de evolução patrimonial ou consumo capaz de justificar o fato gerador do imposto de renda, é verdade que este imposto, conforme prevê o artigo 43 do CTN, tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica, isto é, de riqueza nova. Entretanto, o legislador ordinário presumiu que há aquisição de riqueza nova nos casos de movimentação financeira em que o contribuinte não demonstre a origem dos recursos. A atuação da administração tributária é vinculada à lei (artigo 142 do CTN), sendo vedado ao fisco declarar a inconstitucionalidade de lei devidamente aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente da República. Neste diapasão, o Primeiro Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula n° 02 consolidando sua jurisprudência no sentido de que o Órgão “não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” A partir da vigência do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, os depósitos bancários deixaram de ser “modalidade de arbitramento” — que exigia da fiscalização a demonstração de gastos incompatíveis com a renda declarada (aquisição de patrimônio a descoberto e sinais exteriores de riqueza), conforme interpretação consagrada pelo poder judiciário (súmula TFR 182), pelo Primeiro Conselho de Contribuintes, e artigo 9º, inciso VII, do DecretoLei nº 2.471/88 (que determinava o cancelamento dos lançamentos do imposto de renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários) — para se constituir na própria omissão de rendimento (art. 43 do CTN), decorrente de presunção legal, que inverte o ônus da prova em favor da Fazenda Nacional. A fim de consolidar o entendimento deste CARF sobre a matéria foi editada a Súmula de nº 26, com a seguinte redação: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancário sem origem comprovada. Durante o procedimento de fiscalização o contribuinte foi devidamente intimado a comprovar a origem dos créditos bancários, mediante apresentação de documento hábil e idôneo, cumprindo requisito fundamental estabelecido pelo artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, para que a presunção legal utilizada no lançamento em exame possa ser validamente aplicada. Os argumentos e documentos apresentados pelo contribuinte foram minuciosamente analisados, conforme Termo de Verificação Fiscal às fls. 282/292, sendo excluídos todos os depósitos que correspondem a valores não tributáveis e também os identificados como declarados na DIPF, restando lançados, com descrição pormenorizada (após as inúmeras vezes em que o contribuinte teve a oportunidade de provar a origem dos recursos) os valores dos depósitos em relação aos quais não foram apresentados documentos ou os documentos apresentados não foram suficientes para comprovar a origem dos créditos. Caberia ao recorrente refutar os fundamentos indicados pela fiscalização para tributação dos créditos bancários listados às fls. 289/291 – onde não consta a tributação de depósitos com origem em empréstimos bancários – mediante a apresentação de elementos de prova hábeis e idôneos. Por outro lado, não foram apresentados elementos de prova sobre as trocas de cheques que o recorrente alega ter efetuado, sendo certo que a declaração particular não prova o fato Fl. 471DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/1 1/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS Processo nº 11070.000329/200918 Acórdão n.º 210101.324 S2C1T1 Fl. 444 9 declarado, nos termos do artigo 368, § único, do CPC. Os baixos valores e a periodicidade dos descontos evidenciam tratarse de cheques relacionados às atividades desenvolvidas pelo recorrente. Por oportuno, cabe ressaltar que comprovar a origem dos depósitos não é apenas apresentar o recibo de depósito, que na maioria das vezes nem indica que o efetuou, mas comprovar, mediante apresentação de documento hábil e idôneo, a natureza da operação. Tanto isso é verdade que o § 2° do artigo 42 da Lei 9.430/96 estabelece que os valores com origem comprovada e que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos a que estiverem sujeitos, submetendose às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Daí porque a fiscalização elaborou quadros demonstrativos em que cada depósito foi analisado individualizadamente e indicado o motivo pelo qual foi considerado sem origem comprovada. A decisão recorrida, foi muito incisiva no mesmo sentido. Confirase o excerto: Em sua peça impugnatória, apesar de toda a legislação retrotranscrita lhe impor o ônus de demonstrar a origem de seus créditos bancários constantes do Auto de Infração, o impugnante não apresenta quaisquer documentos hábeis ou mesmo outros meios de prova que demonstrasse de forma inequívoca a origem dos referidos depósitos. Alega que os mesmos se referem a troca de cheques, todavia, fica no mero terreno abstrato das alegações sem prova. Destarte. a legislação é bastante clara, quando determina que a pessoa física está obrigada a conservar em ordem e manter em boa guardar os documentos das operações ocorridas ao longo do anocalendário, até que se expire o direito de a Fazenda Nacional realizar ações fiscais relativas ao período, o que não ocorre na espécie. Assim, teve o autuado, seja na fase de preparação do lançamento ou fase impugnatória, oportunidade de exibir documentos que comprovassem as alegações apresentadas. Por fim, resta esclarecer que a apresentação de defesa oral prescinde de qualquer petição neste sentido, sendo suficiente o comparecimento do interessado à sessão de julgamento, que é pública, nos termos do artigo 58 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009. Em face ao exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 472DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/1 1/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS 10 Fl. 473DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/1 1/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS
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Numero do processo: 37338.000294/2005-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1994 a 31/07/2004
ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DIREITO ADQUIRIDO. IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAR AS CONTRIBUIÇÕES PATRONAIS SEM O PRÉVIO CANCELAMENTO DA ISENÇÃO.
As entidades que gozavam da isenção da cota patronal previdenciária na vigência da Lei n. 3.577/1959, estavam desobrigadas de requererem esse benefício ao INSS, nos termos do § 1.º do art. 55 da Lei n. 8.212/1991, assim, somente após o cancelamento da isenção seria possível exigir da empresa o
recolhimento das contribuições de responsabilidade do empregador.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/1994 a 31/07/2004
IMPOSSIBILIDADE DE SUSTENTAÇÃO ORAL NO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não é causa de nulidade da decisão de primeira instância, por não se caracterizar prejuízo ao direito de defesa do sujeito passivo, o fato de não haver previsão legal para realização de sustentação oral durante o julgamento.
ÔNUS DA PROVA DE FATO EM QUE SE SUSTENTA O LANÇAMENTO. ENCARGO DO FISCO.
O ônus de provar o fato constitutivo do direito da Fazenda de exigir as contribuições do sujeito passivo é do fisco, somente cabendo a inversão desse encargo nos casos legalmente previstos.
Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 2401-002.397
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) quanto ao recurso voluntário: a) rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância; e b) mérito, dar provimento ao recurso; II) negar provimento ao recurso de ofício.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1994 a 31/07/2004 ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DIREITO ADQUIRIDO. IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAR AS CONTRIBUIÇÕES PATRONAIS SEM O PRÉVIO CANCELAMENTO DA ISENÇÃO. As entidades que gozavam da isenção da cota patronal previdenciária na vigência da Lei n. 3.577/1959, estavam desobrigadas de requererem esse benefício ao INSS, nos termos do § 1.º do art. 55 da Lei n. 8.212/1991, assim, somente após o cancelamento da isenção seria possível exigir da empresa o recolhimento das contribuições de responsabilidade do empregador. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1994 a 31/07/2004 IMPOSSIBILIDADE DE SUSTENTAÇÃO ORAL NO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não é causa de nulidade da decisão de primeira instância, por não se caracterizar prejuízo ao direito de defesa do sujeito passivo, o fato de não haver previsão legal para realização de sustentação oral durante o julgamento. ÔNUS DA PROVA DE FATO EM QUE SE SUSTENTA O LANÇAMENTO. ENCARGO DO FISCO. O ônus de provar o fato constitutivo do direito da Fazenda de exigir as contribuições do sujeito passivo é do fisco, somente cabendo a inversão desse encargo nos casos legalmente previstos. Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado.
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DIREITO ADQUIRIDO. IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAR AS CONTRIBUIÇÕES PATRONAIS SEM O PRÉVIO CANCELAMENTO DA ISENÇÃO. As entidades que gozavam da isenção da cota patronal previdenciária na vigência da Lei n. 3.577/1959, estavam desobrigadas de requererem esse benefício ao INSS, nos termos do § 1.º do art. 55 da Lei n. 8.212/1991, assim, somente após o cancelamento da isenção seria possível exigir da empresa o recolhimento das contribuições de responsabilidade do empregador. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1994 a 31/07/2004 IMPOSSIBILIDADE DE SUSTENTAÇÃO ORAL NO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não é causa de nulidade da decisão de primeira instância, por não se caracterizar prejuízo ao direito de defesa do sujeito passivo, o fato de não haver previsão legal para realização de sustentação oral durante o julgamento. ÔNUS DA PROVA DE FATO EM QUE SE SUSTENTA O LANÇAMENTO. ENCARGO DO FISCO. O ônus de provar o fato constitutivo do direito da Fazenda de exigir as contribuições do sujeito passivo é do fisco, somente cabendo a inversão desse encargo nos casos legalmente previstos. Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) quanto ao recurso voluntário: a) rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância; e b) mérito, dar provimento ao recurso; II) negar provimento ao recurso de ofício. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37338.000294/200591 Acórdão n.º 240102.397 S2C4T1 Fl. 322 3 Relatório Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n.º 35.850.8269, consolidada em 05/02/2004 no valor de R$ 26.041.854,36 (vinte e seis milhões, quarenta e um mil, oitocentos e cinquenta e quatro reais e trinta e seis centavos), na qual são exigidas as contribuições patronais para a Seguridade Social, incluindo a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT e adicional para custeio da aposentadoria especial, além das contribuições para outras entidades e fundos. Nos termos do Relatório Fiscal, fls.101 e segs., a entidade, mesmo regularmente intimada, não apresentou a documentação que poderia comprovar a sua condição de beneficente de assistência social e a existência de direito adquirido à isenção da cota patronal previdenciária. Afirmase ainda que o sujeito passivo deixou de recolher o adicional de contribuição para custeio da aposentadoria especial dos empregados constantes do Laudo Técnico de Condições Ambientais de Trabalho – LTCAT do ano de 2004 como sujeitos a exposição a agentes nocivos à saúde, dados esses que serviram de base para apuração nos anos anteriores. A notificada apresentou impugnação, fls. 105 e segs., na qual alega que é necessária a realização de diligência fiscal para verificação documental, uma vez que a Auditoria limitouse a comparecer ao Setor Jurídico da entidade, deixando de verificar os elementos constantes do Departamento de Recursos Humanos. Acerca da existência de direito adquirido à isenção, acostou Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, fls. 110, conforme decisão de 20/03/1973. O órgão de julgamento da SRP determinou, fls. 113/114, a emissão de relatório fiscal complementar visando esclarecer quais documentos necessários à comprovação da condição de entidade beneficente de assistência social não foram apresentados pela empresa, bem como para que o Auditor Fiscal se pronunciasse sobre o certificado acostado na defesa. A Auditoria se pronunciou à fl. 116, asseverando que emitiu novo relatório fiscal, todavia, o documento apresentado pelo sujeito passivo não comprovaria o direito adquirido, posto que datado de 1979, não atendendo assim ao disposto no art. 321 da Instrução Normativa IN INSS/DAF n.º 100/2003. O sujeito passivo voltou a se pronunciar à fl. 119 para solicitar a desconstituição do crédito, uma vez que estaria juntando toda a documentação necessária a comprovar a sua condição de entidade filantrópica. Foram juntados: Lei de Reconhecimento de Utilidade Pública Federal (n.º 888, de 24/08/1949); Lei de Reconhecimento de Utilidade Pública Municipal (n.º 7.579, de 12/06/1992); Declaração de Inscrição no Conselho Municipal de Assistência Social de Belém Fl. 323DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 (PA); Certidão do Conselho Nacional de Assistência Social apresentando o histórico de Certificados de Entidade Beneficente de Assistência Social; Estatuto da Entidade; Registro de Ata de Reunião Ordinária da Entidade; Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos (concedido em 20/03/1973); Relatório de Gestão do Exercício de 2004. Mais uma vez o processo foi baixado em diligência, fls. 183/185, para que a Auditoria, após verificação da documentação acostada, lançasse pronunciamento acerca da existência de direito adquirido à isenção. Às fls. 187/188 consta Informação Fiscal, na qual a Auditoria expõe que a empresa, de acordo com o art. 321 da IN n.º 100/2003, possui direito adquirido e que em sede de diligência fiscal, demonstrou atender ao que dispõe o art. 55 da Lei n.º 8.212/1991. Todavia, solicita que seja feita consulta para verificar se a entidade vinha apresentando ao INSS relatório circunstanciado de suas atividades. O Serviço de Orientação da Arrecadação da Delegacia da Receita Previdenciária em Belém foi instado a se pronunciar acerca da validade dos Certificados de Entidade de Fins Filantrópicos e sobre a regularidade na entrega pela notificada dos relatórios anuais de atividade. Após idas e vindas do processo sem que efetivamente os órgãos da Delegacia da Receita Previdenciária chegassem a conclusão segura sobre a condição de isenta da entidade notificada, ver despachos e documentos de fls. 191/248, o processo foi encaminha a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Belém, que declarou o crédito procedente em parte, reconhecendo a decadência para o período de 01/1994 a 11/1999, recorrendo de ofício de sua decisão (ver fls. 265/275). Quanto ao período não decadente (12/1999 a 07/2004), concluiu a DRJ que a entidade não demonstrou que atendia ao inciso III do art. 321 da IN n.º 100/2003 (ausência de remuneração a diretores), assim, não poderia reivindicar o direito adquirido. Em adição, asseverou o órgão de primeira instância que não foi protocolizado no INSS requerimento de isenção, portanto, a notificada não fazia jus à isenção. Irresignado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, fls. 311 e segs., no qual, em apertada síntese, alegou que: a) o processo é nulo posto que a empresa não foi intimada da data do julgamento de primeira instância, sendo assim impedida de fazer sustentação oral, o que prejudicou sua defesa; b) o Instituto Ofir Loiola detinha o direito adquirido a isenção por cumprir os requisitos do caput do art. 321 da Instrução Normativa n°100/2003; c) o direito adquirido por derivar da Constituição Federal não pode ser atropelado; d) a utilização do inciso III da IN n.º 100/2003 na fundamentação da DRJ é impreciso, posto que não existem incisos no referido artigo, mas apenas parágrafos, os quais não podem contrariar o disposto na cabeça do artigo; e) o art. 55 da Lei n.º 8.212/1991 encontrase revogado, por esse motivo não poderia fundamentar a decisão recorrida; Fl. 324DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37338.000294/200591 Acórdão n.º 240102.397 S2C4T1 Fl. 323 5 f) mesmo que esse dispositivo estivesse vigente, não restou comprovado que a entidade teria desatendido aos seus ditames; g) está demonstrado nos autos a apresentação dos relatórios circunstanciados anuais de suas atividades dos anos de 1999/200012001/2002/2003/2004 e 2005 junto ao Órgão Previdenciário através de petição datada de 16 de junho de 2006. Ao final pede a declaração de improcedência do crédito. É o relatório. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso voluntário merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. O recurso de ofício atende aos pressupostos de admissibilidade, posto que o valor exonerado foi de R$ 7.993.511,57 (sete milhões, novecentos e noventa e três mil, quinhentos e onze reais e cinqüenta e sete centavos), portanto, acima do valor mínimo fixado pela Portaria MF n.º 03, de 03/01/20081. Recurso Voluntário I Nulidade em razão da impossibilidade do exercício do direito de fazer sustentação oral no julgamento a quo Não devo acatar a suscitada nulidade em razão da falta de intimação do contribuinte acerca do julgamento de primeira instância, fato que lhe teria ferido o direito de defesa por impossibilitar a realização de sustentação oral. É que o devido processo legal, principio informador da Ordem Constitucional estabelecida pela Carta de 1988, garante às partes litigantes que os processos, judiciais ou administrativos sejam conduzidos de acordo com os procedimentos estabelecidos pela legislação de regência, garantindose que nenhuma parte seja submetida a um regime de exceção. Por outro lado, a ampla defesa e o contraditório devem ser exercidos nos momentos e formas processualmente previstas, assegurando isonomia das partes litigantes na defesa de seus interesses. É de se observar que o decreto n° 70.235/1972 não prevê a possibilidade da parte realizar sustentação oral, sendo a referida previsão, isso para os julgamentos de segunda instância, uma decorrência do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n.º 256/2009. Ainda, o fato dos atos da Receita Federal do Brasil não disporem acerca da possibilidade de se realizar sustentação oral no julgamento realizado nas DRJ, em nada se mostra restritiva no exercício do direito de defesa da parte litigante. Notese que a parte litigante pode, de acordo com as previsões das regras processuais, exercer seu direito de defesa por escrito ou oralmente. O fato de, em determinado momento, as regras fixarem que tal exercício se faça exclusivamente por um, ou outro modo, não configura ofensa ao devido processo legal. Afasto, assim, a preliminar argüida pela Recorrente. 1 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37338.000294/200591 Acórdão n.º 240102.397 S2C4T1 Fl. 324 7 II A existência do direito adquirido à isenção O fundamento de validade da imunidade/isenção das entidades beneficentes de assistência social quanto ao recolhimento das obrigações previdenciárias tem sede no § 7.º do art. 195 da Constituição Federal, nesses termos: § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Para dar eficácia ao comando constitucional chegou ao ordenamento pátrio a Lei n. 8.212/1991 que, em seu art. 55, prescrevia: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3o Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. § 4o O Instituto Nacional do Seguro SocialINSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 § 5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. §6oA inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § 3o do art. 195 da Constituição. O texto legal transcrito nos indica que as entidades, ressalvados os casos de direito adquirido, deveriam requerer ao INSS a isenção das contribuições patronais previdenciárias. Assim, é necessário que se investigue a princípio se a recorrente poderia ser enquadrada nos casos de direito adquirido, de modo que ficasse desobrigada de encaminhar ao INSS o pleito isentivo. O caso pede que se faça uma retrospectiva da legislação anterior a edição da Lei n.º 8.212/1991, de modo que possamos concluir pela existência de direito adquirido para a recorrente. Em 1959, com o advento da Lei n.º 3.577, surgiu no direito pátrio a isenção das contribuições previdenciárias para as entidades reconhecidas como de utilidade pública, cujos diretores não recebessem remuneração. Esse diploma normativo foi revogado pelo DecretoLei n. 1.572/1977, que dispôs em seu art. 1. : "Art. 1. Fica revogada a Lei n. 3.577, de 4 de julho de 1959, que isenta da contribuição de previdência devida aos Institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões unificados no. Instituto nacional de Previdência Social IAPAS, as entidades de fins filantrópicos reconhecidas de utilidade pública, cujos diretores não percebam remuneração. (grifamos) Todavia, as entidades que já gozavam do benefício e aquelas que estavam em vias sua aquisição foram ressalvadas nos parágrafos do art. 1.º do mesmo diploma legal: § 1° A revogação a que se refere este artigo não prejudicará a instituição que tenha sido reconhecida como de utilidade pública pelo Governo Federal até a data da publicação deste DecretoLei, seja portadora de certificado de entidade de fins filantrópicos com validade por prazo indeterminado e esteja isenta daquela contribuição.(grifamos) § 2. A instituição portadora de certificado provisório de entidade de fins filantrópicos que esteja no gozo de isenção referida no "caput" deste artigo e tenha requerido ou venha a requerer, dentro de 90 (noventa) dias a contar do inicio da vigência deste DecretoLei, o seu reconhecimento como de utilidade pública federal continuará gozando de aludida isenção até que o Poder Executivo delibere sobre aquele requerimento. A exegese dos dispositivos acima permite concluir que, a partir da edição do Decreto Lei n.º 1.572/1977 foram fechadas as portas para concessão de novas isenções, ficando, todavia, garantido o direito das entidades ali ressalvados, desde, como já frisamos, mantivessem os requisitos legais necessários a fruição do benefício nos termos da legislação revogada. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37338.000294/200591 Acórdão n.º 240102.397 S2C4T1 Fl. 325 9 Verificase, então, no caso sob análise, que se a recorrente tiver comprovado a posse do Título de Reconhecimento de Entidade de Utilidade Pública emitido pelo Governo Federal e do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos por prazo indeterminado e a constatação de que os diretores da entidade não recebiam remuneração. De acordo com o documento de fl. 139, a recorrente detinha o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos desde 1973, conforme decisão proferida em sessão do Conselho Nacional de Serviço Social realizada no dia 20/03/1973, julgando o processo n.º 260.630/72. Quanto ao título de Utilidade Pública Federal, comprova o documento de fl. 120, que a entidade o obteve pela Lei n.º 888, de 24/10/1949. Verificase, nesse sentido, que a entidade notificada, a época da edição do Decreto n.º 1.572/1977 era portadora do Certificado de Entidades de Fins Filantrópicos e também do Título de Utilidade Pública Federal. A DRJ motivou sua decisão pela procedência parcial do crédito no fato da entidade não haver comprovado que seus diretores não recebiam remuneração. A meu ver, o ônus de fazer prova quanto a esse requisito seria do fisco e não do sujeito passivo. Essa inversão do encargo probatório a luz do direito processual pátrio não é admissível, salvo nos casos previstos legalmente. Nos termos do art. 333 do Código de Processo Civil (Lei n.º 5.869/1973), utilizado subsidiariamente no processo administrativo fiscal, é do acusador o encargo de provar a existência de fato necessário a embasar o seu direito. Eis o dispositivo: Art.333.O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) No caso em tela, não tendo a Auditoria demonstrado que o sujeito passivo remunerava seus diretores quando da vigência da Lei n.º 3.577/1959, não se pode querer transferir à empresa o encargo de fazer prova em contrário. Esse é o entendimento que tem prevalecido nos tribunais pátrios, conforme de depreende desse julgado da Segunda Turma do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO. IPTU. ENTIDADE AUTÁRQUICA. IMUNIDADE. PREVISÃO CONSTITUCIONAL. DESVIRTUAMENTO DO USO. ÔNUS DA PROVA AO MUNICÍPIO.PRECEDENTES. 1. A jurisprudência já firmada nesta Corte Superior impõe ao município o ônus de apresentar prova impeditiva, modificativa e extintiva ao gozo da imunidade constitucional assegurada às autarquias, cabendo àquele demonstrar que os imóveis pertencentes à entidade estão desvinculados da destinação institucional. 2. "O STJ firmou o entendimento de que recai sobre o Município o ônus de provar que o patrimônio da Autarquia está Fl. 329DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 desvinculado dos seus objetivos institucionais e, conseqüentemente, não é abrangido pela imunidade tributária prevista no art. 150, § 2º, da Constituição." (REsp 1.184.100/RJ, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 13.4.2010, DJe 19.5.2010.)Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1215119 / RJ, Relator Ministro Humberto Martins, DJe 04/04/2011) Até se admite a inversão do dever de provar, todavia, essa situação fica restrita a ocorrência de hipótese legalmente prevista, o que não é o caso que se apresenta nesse julgamento, uma vez que a empresa disponibilizou ao fisco, durante a diligência fiscal, todos os documentos necessários à verificação de sua situação perante à Seguridade Social. Diante desses fatos, forçoso reconhecer que a recorrente era possuidora do direito adquirido a que se refere o § 1.º do art. 55 da Lei n. 8.212/1991. Nesse sentido, para que a entidade pudesse ser notificada pelo inadimplemento das contribuições de responsabilidade da empresa, obrigatoriamente o Fisco teria que emitir ato cancelatório, do qual a empresa teria direito a se contrapor. Assim, a presente lavratura, por não estar amparada no prévio cancelamento da isenção, não deve subsistir. É o que se pode ver do disposto na Instrução Normativa – IN n.º 100/2003: Art. 313. O INSS verificará se a entidade beneficente de assistência social continua atendendo aos requisitos necessários à manutenção da isenção, previstos no art. 307. § 1º Constatado o nãocumprimento dos requisitos contidos no art. 307, a fiscalização emitirá Informação Fiscal (IF), na qual relatará os fatos, a fundamentação legal e as circunstâncias que os envolveram, juntará as provas ou indicará onde essas possam ser obtidas e encaminhará a IF à autoridade hierarquicamente superior, que deverá providenciar a ciência à entidade do inteiro teor da IF. § 2° A entidade terá o prazo de quinze dias, a contar da data da ciência da IF, para apresentação de defesa, com a produção de provas ou não, que deverá ser protocolizada em qualquer APS da GerênciaExecutiva circunscricionante do seu estabelecimento centralizador. § 3° Decorrido o prazo previsto no § 2° deste artigo, sem manifestação da parte interessada, caberá à chefia do Serviço ou Seção de ORAR decidir acerca da emissão do Ato Cancelatório de Isenção (AC).§ 4° Havendo apresentação de defesa, o Serviço ou Seção de Análise de Defesas e Recursos (ANDEREC) decidirá acerca da emissão ou não do Ato Cancelatório de Isenção (AC). § 5º Sendo a decisão do ANDEREC favorável à emissão do Ato Cancelatório de Isenção, a chefia da ORAR emitirá o referido documento, o qual será remetido, juntamente com a decisão que lhe deu origem, à entidade interessada. § 6º A entidade perderá o direito de gozar da isenção das contribuições sociais a partir da data em que deixar de cumprir Fl. 330DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37338.000294/200591 Acórdão n.º 240102.397 S2C4T1 Fl. 326 11 os requisitos contidos no art. 307, devendo essa data constar do Ato Cancelatório de Isenção. § 7° Cancelada a isenção, a entidade terá o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão e do Ato Cancelatório da Isenção, para interpor recurso com efeito suspensivo ao Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS). Do § 6.º acima não resta dúvida de que a perda do direito de gozar da isenção somente se dá mediante a emissão do ato cancelatório, que deverá indicar inclusive em que data a empresa deixou de cumprir os requisitos legais para manutenção da condição de entidade isenta. Assim, reconhecendose que a entidade era detentora do direito adquirido à isenção, nos termos do § 1.º do art. 55 da Lei n.º 8.212/1991, não pode prosperar o presente lançamento, posto que carente do prévio ato de cancelamento do benefício tributário. O Recurso de Ofício (decadência) Na situação sob enfoque, verifico que o recurso de ofício deve ser desprovido, uma vez que as contribuições foram integralmente exoneradas pelo reconhecimento do direito adquirido da entidade à isenção. Nesse sentido, não seria aplicável a contagem do prazo decadencial. Devo votar, então, por negar provimento ao recurso de ofício. Conclusão Diante do exposto voto por negar provimento ao recurso de ofício, por afastar a preliminar suscitada e, no mérito, pelo provimento ao recurso voluntário. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 331DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 13984.000647/2004-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2000
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. APP. MATÉRIA NÃO CONTROVERTIDA NA AUTUAÇÃO. INVIABILIDADE DE RECONHECIMENTO EM GRAU DE RECURSO. DEBATE SOBRE A ÁREA DE PASTAGENS. DEFINIÇÃO A PARTIR DA COMPROVAÇÃO DO REBANHO APASCENTADO NO IMÓVEL AUDITADO. Não
havendo controvérsia na autuação sobre determinada área do imóvel auditado (APP), inviável prosperar o debate na via do processo administrativo fiscal.
De outro lado, no tocante à matéria controvertida, deve-se
deferir uma área de pastagens em linha com a quantidade de reses que constou nos laudos juntados aos autos.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2102-001.829
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
parcial provimento para reconhecer uma área de pastagens de 280 hectares.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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APP. MATÉRIA NÃO CONTROVERTIDA NA AUTUAÇÃO. INVIABILIDADE DE RECONHECIMENTO EM GRAU DE RECURSO. DEBATE SOBRE A ÁREA DE PASTAGENS. DEFINIÇÃO A PARTIR DA COMPROVAÇÃO DO REBANHO APASCENTADO NO IMÓVEL AUDITADO. Não havendo controvérsia na autuação sobre determinada área do imóvel auditado (APP), inviável prosperar o debate na via do processo administrativo fiscal. De outro lado, no tocante à matéria controvertida, devese deferir uma área de pastagens em linha com a quantidade de reses que constou nos laudos juntados aos autos. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR parcial provimento para reconhecer uma área de pastagens de 280 hectares. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 23/02/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Relatório Em face da contribuinte Isolde Margarida Manfe, CPF/MF nº 141.866.759 53, já qualificada neste processo, foi lavrado, em 28/06/2004, auto de infração (fls. 20 e seguintes), com ciência postal em 1º/07/2004, decorrente da revisão da DITRexercício 2000, do imóvel NIRF nº 4928962, denominado Fazenda São João da Boa Vista. Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 7.992,76 MULTA DE OFÍCIO R$ 5.994,57 A autoridade fiscal glosou a área de pastagem de 497,9 hectares, o que reduziu o grau de utilização do imóvel de 100% para 0,4%, elevando a alíquota do ITR de 0,15% para 4,70%. A contribuinte havia declarado uma média anual de 195 cabeças de animais de grande porte e 17 de pequeno porte no ano 2000 na DITR, o que resultou em um rebanho ajustado de 200 cabeças, que, em função do índice de rendimento para a pecuária do município do imóvel (0,5 cabeça de animal por hectare), implicaria em uma área de pastagem aceita de 400 hectares, pois esta seria inferior à pastagem declarada (499,9 hectares), na óptica da autoridade fiscal. Entretanto, intimada a comprovar a existência dos rebanhos apascentados no imóvel rural, somente logrou trazer cópia de dois contratos de arrendamentos e fichas de vacinação em nome dos arrendatários (e de um terceiro empregado de um dos arrendatários), porém estas não indicavam o imóvel de localização dos gados, bem como os arrendatários tinham outros imóveis rurais, o que levou a fiscalização a considerar não comprovada a área de pastagem, glosando integralmente tal título da DITRexercício 2000. Por relevante, vêse que o imóvel tem uma área total de 501,9 hectares, não tendo sido declarada nenhuma área a título de preservação permanente ou utilização limitada (fl. 20). Inconformada com a autuação, a contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, asseverando a existência de uma área de preservação permanente de 220,17 hectares (127,08 hectares de mata; 86,3 hectares de área acidentada e com afloramento de rochas; e 6,79 hectares de banhados), comprovada a partir de laudo técnico assinado por engenheiro agrônomo, e a existência de 130 animais apascentados no imóvel e uma área de pastagens de 281,78 hectares. A 1ª Turma da DRJ/CGE, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0410.358, de 22 de setembro de 2006 (fls. 52 e seguintes), que restou assim ementado: Ementa: ÁREA DE PASTAGEM. Não tendo sido apresentada documentação comprobatória de erro no preenchimento da declaração e nem da existência de animais em número maior do que o declarado, que justifique Fl. 156DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13984.000647/200499 Acórdão n.º 210201.829 S2C1T2 Fl. 2 3 inclusão da área de pastagem considerada para ,fins de apuração do ITR, não há justificativa para alteração do lançamento de oficio. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. É necessário que o contribuinte protocolize o ADA no Ibama ou em órgãos ambientais estaduais delegados por meio de convênio, no prazo de até 06 (seis) meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da declaração, para que a área de Preservação Permanente possa ser excluída da incidência de ITR. A contribuinte foi intimada da decisão a quo em 16/10/2006 (fl. 60). Irresignada, interpôs recurso voluntário em 16/11/2006 (fl. 61), tendo feito o depósito recursal de 30%. No voluntário, a recorrente alega, em síntese, que: I. apresentou ADA no ano de 1997 ao Ibama, com uma APP de 133,7 hectares, dado que a Receita Federal deveria saber, pois há convênio entre a Receita e o Ibama, sendo certo que tal área é agora comprovada por laudo técnico, inclusive corrigindo equívoco de laudo anterior juntado a estes autos, pois as áreas com afloramento de rochas não fazem parte da APP; II. agora junta fichas de vacinação dos gados, no imóvel auditado, da época do exercício fiscalizado; III. o imóvel tem uma área de pastagem nativa de 336,2 hectares, uma área de benfeitoria de 2,0 hectares e que apascentava 163 cabeças de animais de grande porte e 80 cabeças de animais de médio porte. Juntou novo laudo técnico, com as informações ligeiramente diferentes da que constou acima, secundado pela competente ART, asseverando a existência da APP de 133,7 hectares, 366,2 hectares de pastagens nativas, 130 animais de grande porte e 40 de pequeno porte (fls. 69 a 71). Ainda, acostados aos autos o ADA apresentado ao Ibama em 1997 (fl. 87) e as fichas de vacinação de rebanho, em nome dos dois arrendatários, com registro de 173 doses em julho de 1999 (fl. 89). Colocado em pauta de Julgamento na antiga Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, resolveu o colegiado converter o julgamento em diligência, com a seguinte fundamentação: A recorrente teve a área de pastagem glosada por não atender ao índice mínimo de rendimento para pecuária estabelecido para o município de Campo Belo do Sul/SC, a teor da norma contida no §1.°, artigo 15, da IN SRF n.° 43/97, que instituiu o índice de 0,5 cabeça por hectare em razão do comando insculpido no artigo 10, §3.°, da Lei n.° 9.393/96. A recorrente pretende comprovar a área de pastagem com Contratos de Cessão aos Srs. Ari Vieira Varela, Luís Carlos Fl. 157DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 Moreira e Clóvis Tadeu Pereira Mota, num total de aproximadamente 130 cabeças de animais de grande porte. Trouxe aos autos fichas de vacinação apresentadas por esses supostos arrendatários de áreas de seu imóvel rural, que não foram aceitas por não se referirem expressamente ao imóvel de sua propriedade. Ocorre que é possível, da análise dos dados cadastrais dos referidos arrendatários, verificar se: I. possuem imóveis rurais no mesmo município ou próximo ao imóvel rural da recorrente, informando área de pastagem à época; 2. possuem efetivamente cabeças de animais de grande porte na quantidade mencionada; 3. são arrendatários do imóvel da recorrente ou de outros imóveis rurais; 4. utilizaram a área de pastagem do imóvel da recorrente. Por todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem, verificando as declarações de ITR (se houver), IRPF e dados cadastrais dos arrendatários mencionados pela recorrente, inclusive procedendo à intimação, responda aos quesitos supramencionados. Os arrendatários foram intimados a comprovar o apascentamento de gados no imóvel auditado, tendo o Sr. Ari Vieira Varela declarado em testemunho que as terras sempre foram ocupadas com uma lotação um pouco acima da capacidade (fl. 128), tendo apenas trazido uma única nota fiscal de produtor com venda de 61 reses, de setembro de 2000 (fl. 129); Já o outro arrendatário, Sr. Luiz Carlos Moreira, filho da autuada, apresentou notas fiscais (831931, 831934, 649501 e 807411), controles de Vacinação nºs 051864, 422712, 632122, 642420 e 639842 e cópia do Cadastro de Criador arquivada na CIDASC com o acompanhamento das vacinas. Assim concluiu a autoridade que presidiu a diligência (fl. 143), verbis: Os arrendatários, não obstante confirmarem os contratos de arrendamento já juntados ao presente processo, conforme Termo de Depoimento e Termo de Entrega de Documentos, não possuem documentação além de algumas Notas Fiscais de Produtor e Fichas de Vacinação, nos quais consta o nome conhecido da localização da propriedade — Capela Nossa Senhora dos Prazeres, os quais foram juntados ao processo. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 16/10/2006, segundafeira, e interpôs o recurso voluntário em 16/11/2006 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13984.000647/200499 Acórdão n.º 210201.829 S2C1T2 Fl. 3 5 (fl. 61), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 16/11/2006, quintafeira, pois o dia 15/11/2006 foi feriado nacional, conforme Portaria MPOG nº 971, de 08 de novembro de 2005. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Antes de tudo, aqui não se debatera qualquer reconhecimento de área de preservação permanente APP, pois tal área não foi objeto glosa ou controvérsia no âmbito da autuação, sendo certo que nada foi declarado a título de APP na DITR auditada. Não havendo glosa da APP no procedimento fiscal, inviável instaurarse discussão administrativa sob ponto não controvertido na autuação. Dessa forma, a materialidade tributária aqui em discussão restringese à área de pastagens (R$ 497,9 hectares), glosada pela autoridade autuante, ao argumento de que o contribuinte não comprovou a existência de tal área. Parece não haver dúvidas quando a utilização pecuária da Fazenda São João da Boa Vista, ora auditada, como se pode ver pelos contratos de arrendamento juntados aos autos, pelos depoimentos harmônicos dos arrendatários de que desenvolviam atividade pecuária no imóvel, prestados e informados à autoridade que presidiu a diligência determinada pela Primeira Câmara do Terceiro Conselho, pelas notas fiscais de produtor rural e pelos certificados de vacinação. A dificuldade é definir a área de pastagens, pelas provas contraditórias acostadas aos autos. Vejase. A contribuinte declarou na DITRexercício 2000 um rebanho ajustado de 200 cabeças (195 animais de grande porte e 17 de pequeno porte) que, considerando o índice de rendimento para pecuária, determinado pelo art. 15, § 1º, da IN SRF nº 43/97, para o município de Campo Belo do Sul –SC (0,5 cabeça de animal por hectare – fl. 22), implicaria em uma área de pastagem de 400 hectares, menor que a área declarada de 497,90 hectares. Na impugnação, a autuada asseverou que havia no imóvel 130 animais apascentados e uma área de pastagens de 281,78 hectares. Considerando que os animais citados eram de grande porte e o índice de rendimento pecuário do imóvel, chegarseia a área de pastagens de 260 hectares. No recurso voluntário, e aqui somente se toma o laudo técnico juntado, pois subscrito por profissional competente (há inconsistências nas informações no corpo do recurso voluntário, como se vê pela área de pastagens informada, de 336,2 hectares, que somada à pretensa APP, de 133,7 hectares, e a área de benfeitoria, não perfazem a área total do imóvel, o que é suficiente para não se considerar os dados do rebanho informado no corpo do recurso, pois majorados em relação ao próprio laudo que o secunda), no qual se informa uma área de 366,2 hectares de pastagens nativas, 130 animais de grande porte e 40 de pequeno porte. As notas fiscais e controles de vacinação juntados não são conclusivos para esclarecer as contradições acima. Entretanto, tanto na impugnação como no laudo acostado no recurso voluntário, apreendese a existência de 130 animais de grande porte na propriedade, em uma média anual. Ainda, não se pode negar a existência de animais de pequeno porte, como inclusive se vê pelo controle de vacinação de fl. 89, e aí também se toma como correto o quantitativo de 40 animais de pequeno porte apascentado no imóvel auditado, que constou no laudo trazido no recurso voluntário (fl. 70). Fl. 159DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 6 Com o rebanho acima, utilizando os fatores de ajuste de fl. 03 (o animal de pequeno porte, ovinos e caprinos, representa a quarta parte de um animal de grande porte, bovinos, bufalinos, eqüinos, asininos e muares – art. 16, II, “a”, da IN SRF nº 43/97), temse um rebanho ajustado de 140 animais, que, considerando o índice de rendimento para pecuária, determinado pelo art. 15, § 1º, da IN SRF nº 43/97, para o município de Campo Belo do Sul – SC (0,5 cabeça de animal por hectare – fl. 22), implicaria em uma área de pastagem de 280 hectares, em linha, ressaltese, com a área de pastagens informada na impugnação (281,78 hectares). Pesado e medido, aqui se defere uma área de pastagens de 280 hectares. Ante o exposto, voto no sentido de DAR parcial provimento ao recurso para reconhecer uma área de pastagens de 280 hectares. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 160DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 10510.002900/2005-16
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2001
ITR ÁREA DE RESERVA LEGAL NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 10 DA LEI N° 9.393/96.
Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal).
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.121
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal). Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann. Fl. 0DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator FORMALIZADO EM: 18/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Maricultura Sergipe S/A foi lavrado o auto de infração de fls. 02/03, objetivando a exigência de imposto territorial rural do exercício de 2001, em decorrência da glosa dos valores declarados a título de Área de Utilização Limitada em decorrência da falta de apresentação tempestiva do ADA. A Segunda Turma da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, ao apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, exarou o acórdão n° 220200.530, que se encontra às fls. 196/199 e cuja ementa é a seguinte: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 AREA DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO À MARGEM DE REGISTRO PÚBLICO DO IMÓVEL RURAL. Por se tratar de condição essencial estabelecida em lei para a constituição de reserva legal, é imprescindível a averbação de tal área à margem da inscrição de matricula do imóvel, no Registro de Imóveis competente. Assim sendo, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a citada averbação ser anterior ao fato gerador da obrigação tributária. JUROS TAXA SELIC A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no "período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF n° 4). Fl. 1DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10510.002900/200516 Acórdão n.º 920202.121 CSRFT2 Fl. 2 3 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n° 2). Recurso negado.” A anotação do resultado do julgamento indica que a Turma, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso. Intimada do acórdão em 19/10/2010 (fls. 203) a Contribuinte interpôs recurso especial às fls. 208/223, pleiteando a reforma do v. acórdão recorrido sustentando divergência jurisprudencial entre o v. acórdão recorrido e outras decisões deste Colegiado no tocante à necessidade de prévia averbação da área de reserva legal para sua exclusão da base de cálculo do ITR (acórdãos nºs 30133.352 e 30333.631). Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2202 00.15/2011, de 28/03/2011 (fls. 243/244). Regularmente intimada do recurso especial interposto pela Contribuinte, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas contrarazões de fls. 247/251. É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Analiso, inicialmente se o recurso especial interposto pela Recorrente deve ser admitido. Para demonstrar a divergência necessária ao conhecimento do recurso especial a Recorrente trouxe aos autos como paradigma acórdãos nºs 30133.352 e 30333.631, in verbis: Acórdão nº 30133.352 Ementa: ITR EXERCÍCIO 1998 INCONSTITUCIONALIDADE. À instância administrativa não compete rejeitar a aplicação de lei sob a alegação de inconstitucionalidade da mesma, por se tratar de matéria de competência do Poder judiciário, com atribuição determinada pelo artigo 102, I "a", e III, "b", da Constituição Federal. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL — AREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃ0 LIMITADA — COMPROVAÇÃO. A obrigatoriedade de apresentação do ADA como condição para o gozo da redução do ITR nos casos de áreas de preservação permanente e de utilização limitada, teve vigência apenas a Fl. 2DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 partir do exercício de 2001, em vista de ter sido instituída pelo art. 170 da Lei n° 6.938/81, na redação do art. 1" da Lei n". 10.165/2000. AEA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA (RESERVA LEGAL) A comprovação da área de reserva legal para efeito de sua exclusão da base de cálculo do ITR, não depende exclusivamente de seu reconhecimento por meio de ADA e de prévia averbação à margem da matrícula de registro do imóvel no cartório competente, uma vez que sua efetiva existência pode ser comprovada por meio de Laudo Técnico e outras provas documentais idôneas. A autoridade administrativa competente poderá rever, com base em laudo de avaliação emitido por entidade de reconhecida capacidade técnica ou profissional devidamente habilitado, elaborado nos moldes da NBR ABNT 8.799, o restante de área de reserva legal e de área de preservação permanente, bem como do Valor da Terra Nua mínimo VTNm, que vierem a ser questionados. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE Acórdão nº 30333.631 ITR/1997. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA Incabível a incidência do ITR quando houver a comprovação da referida área mesmo que .fora do prazo de seis meses pretendido pelo fisco com base na INSRF n° 43 de 07/05/1997 com a redação dada pelo art. 10 da 1NSRF n° 67 de 01/09/1997. A declaração do recorrente, para fins de isenção do ITR, relativa ã área de preservação permanente, não está sujeita a prévia comprovação por parte do declarante, conforme dispõe o art. 10, parágrafo 1°, da Lei n. 9.393/96, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. AREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. RESERVA LEGAL. A falta de averbação da área de reserva legal na matricula do imóvel, ou a averbação feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR. Recurso voluntário parcialmente provido. Com efeito, pelo exame da ementa dos paradigmas colacionados resta claro o entendimento diverso daquele consignado no acórdão recorrido no tocante à necessidade de averbação da área de reserva legal antes da ocorrência do fato gerador para sua exclusão da base de cálculo do ITR. Entendo, assim, que estão presentes os requisitos para o conhecimento do recurso especial. O ITR é regido pela Lei nº 9.393/1996, que prevê a exclusão das áreas de utilização limitada no artigo 10, parágrafo 1º, II, alínea `a`: Fl. 3DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10510.002900/200516 Acórdão n.º 920202.121 CSRFT2 Fl. 3 5 “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) as áreas sob regime de servidão florestal De acordo com tal regra, as áreas de reserva legal, previstas no Código Florestal (Lei n° 4.771/65), estão excluídas da apuração do ITR. A chamada área de reserva legal ou de utilização limitada tem seus contornos estabelecidos pelo artigo 16 do Código Florestal (Lei nº 4.771/1965), com a redação que lhe foi dada pela Medida Provisória n° 2.16667/2001: “Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na Fl. 4DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. § 1o O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. § 2o A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. § 3o Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. § 4o A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: I o plano de bacia hidrográfica; II o plano diretor municipal; III o zoneamento ecológicoeconômico; IV outras categorias de zoneamento ambiental; e V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. § 5o O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e Fl. 5DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10510.002900/200516 Acórdão n.º 920202.121 CSRFT2 Fl. 4 7 II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. § 6o Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. § 7o O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. § 8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. § 9o A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. “ (original sem grifo) Diante do disposto nos artigos 10 da Lei n. 9.393, de 1996, e 16, parágrafo 8º da Lei n. 4.771, de 1965 (Código Florestal), debatemse a doutrina e a jurisprudência acerca da imprescindibilidade ou não da exigência da averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel para fins de exclusão da tributação pelo ITR. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 8 O debate historicamente tem se pautado pela dicotomia de posições quanto ao efeito constitutivo ou declaratório, quanto à existência da reserva legal, da averbação à margem da matrícula do imóvel, com consequencias diametralmente opostas na apuração do ITR, a saber: (i) para os que entendem ser constitutivo o efeito da averbação, só existe direito à isenção da área de reserva legal se ela estiver averbada à margem da matrícula anteriormente à data do fato gerador; e, (ii) para os que advogam o efeito declaratório da averbação, ela seria dispensável para amparar a isenção do ITR aplicável à area de reserva legal, cabendo neste caso ao contribuinte provar a existência da referida área por outros meios de prova (laudo, etc.). A meu ver, ambas as soluções propugnadas não se sustentam a partir da consideração do viés indutivo de comportamento de que se reveste o conjunto normativo acima referido aplicável à espécie. Por óbvio que a isenção do ITR aplicável à área de reserva legal condicionada à averbação à margem da matrícula do imóvel atende ao desiderato de preservação ambiental, eis que, como se sabe, o ônus de utilização limitada, uma vez efetuada a averbação, perenizase e se transmite a quaisquer adquirentes futuras. Assim, aceitar a isenção do ITR da área de reserva legal independemente da prova da averbação (e ainda que haja prova da existência da área preservada) frusta o propósito extrafiscal de criação do ônus de preservação ambiental para as gerações futuras, em confronto com a exigência do artigo 16, parágrafo 8º do Código Florestal. Por outro lado, existindo a averbação, ainda que posterior ao fato gerador, não é razoável recusar a desoneração tributária, notoriamente quando se sabe que áreas ambientais preservadas levam longo tempo para sua recomposição, sendo que uma área averbada e comprovada em exercício posterior provavelmente existia nos exercícios precedentes, como redutora da área total do imóvel passível de tributação, não podendo ter sido utilizada diretamente nas atividades agrícolas, pecuárias ou extrativistas. Ademais, nem a lei tributária nem o Código Florestal definem a data de averbação como condicionante à isenção do ITR, perfazendose com a averbação a qualquer data o viés indutivo de comportamento que informa a dispensa do tributo. No tocante à necessidade de averbação ou não da área de reserva legal na matrícula do imóvel transcrevo, a seguir, trecho do voto do I. Conselheiro Gonçalo Bonet Allage no processo 13984.000688/200485, cujas razões adoto como fundamento do presente voto, in verbis: “A necessidade ou não de averbação da referida área no cartório de registro de imóveis, para fins de apuração da base de cálculo do ITR, é matéria bastante controvertida, tanto nos Tribunais Judiciais quanto no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Este julgador, inclusive, chegou a votar no sentido de que, comprovada a existência da área de reserva legal de alguma forma, inexistia o dever de averbála à margem da matrícula do imóvel. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10510.002900/200516 Acórdão n.º 920202.121 CSRFT2 Fl. 5 9 Contudo, após profundos debates, principalmente no âmbito da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção, da qual faço parte, alterei meu posicionamento para, no caso, dar razão à Fazenda Nacional, entendendo que a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel é, como regra geral, condição para sua exclusão da base de cálculo do ITR. Acabei convencido de que a necessidade de averbação da área de reserva legal, embora com função declaratória e não constitutiva, decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal), conforme acima destacado. Atualmente, a infringência a tal mandamento, inclusive, dá ensejo à aplicação de multas pecuniárias, conforme determina o artigo 55 do Decreto n° 6.514/2008 O ITR é tributo de natureza eminentemente extrafiscal, sendo que a obrigatoriedade da averbação da reserva legal está relacionada, muito além do direito tributário, à garantia de preservação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado. Salvo melhor juízo, o benefício tributário consistente na exclusão da base de cálculo do ITR da área de reserva legal só pode ser reconhecido se estiverem cumpridas as exigências da legislação ambiental, o que não ocorre no caso em apreço, pois inexiste averbação da área de reserva legal informada na DITR, nem tampouco há compromisso firmado pelo sujeito passivo com órgão do poder público no sentido de preservar respectiva área, adequadamente delimitada (esclareço que, sob minha ótica, esta providência pode suprir, em determinadas situações, não verificadas neste feito, a necessidade de averbação).” No presente caso, verifico que não restou comprovada nos autos a averbação na matrícula do imóvel (fls. 24/26) da área de reserva legal declarada pela contribuinte, não havendo como ela se beneficiar de sua exclusão da base de cálculo do ITR. Destarte, encaminho meu voto no sentido de conhecer do recurso especial interposto pela contribuinte para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 8DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 10 Fl. 9DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD
score : 1.0
Numero do processo: 11020.006059/2008-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2004 a 30/09/2006
DIFICULDADE FINANCEIRA. RECOLHIMENTO DE TRIBUTOS. ART.
136 DO CTN.
Eventual dificuldade financeira suportada pela empresa, que acarretou na inadimplência do tributo, não elide a obrigação tributária.
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é órgão competente para afastar a incidência da lei em razão de inconstitucionalidade e ilegalidade, salvo nos casos previstos no art. 103-A da CF/88 e no art. 62 do RICARF.
BIS IN IDEM. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO.
Inocorre o bis in idem quando cada auto de infração corresponde a
descumprimento de uma determinada e específica obrigação tributária.
PROVA DOCUMENTAL. NÃO APRESENTAÇÃO OPORTUNA POR
OCASIÃO DA IMPUGNAÇÃO.
A prova documental deve, regra geral, ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2402-002.865
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: Nereu Miguel Ribeiro Domingues
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2004 a 30/09/2006 DIFICULDADE FINANCEIRA. RECOLHIMENTO DE TRIBUTOS. ART. 136 DO CTN. Eventual dificuldade financeira suportada pela empresa, que acarretou na inadimplência do tributo, não elide a obrigação tributária. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CARÁTER CONFISCATÓRIO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é órgão competente para afastar a incidência da lei em razão de inconstitucionalidade e ilegalidade, salvo nos casos previstos no art. 103A da CF/88 e no art. 62 do RICARF. BIS IN IDEM. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO. Inocorre o bis in idem quando cada auto de infração corresponde a descumprimento de uma determinada e específica obrigação tributária. PROVA DOCUMENTAL. NÃO APRESENTAÇÃO OPORTUNA POR OCASIÃO DA IMPUGNAÇÃO. A prova documental deve, regra geral, ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Recurso voluntário negado. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes Presidente. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 11020.006059/200855 Acórdão n.º 2402002.865 S2C4T2 Fl. 100 3 Relatório Tratase de NFLD constituída em 16/09/2008 para exigir contribuições destinadas a outras entidades e fundos (INCRA, SALÁRIO EDUCAÇÃO, SENAI, SESI e SEBRAE), no período de 12/2004 a 09/2006. De acordo com o relatório fiscal (fls. 23/24), compõem o presente lançamento os seguintes levantamentos: (i) FP FOLHA PGTO EMPREGADOS SEM GFIP – diferença entre a remuneração constante nas folhas de pagamento e o que já havia sido confessado em GFIP, bem como o que foi confessado a menor no Lançamento de Débito Confessado – LDC nº 35.950.9908; e (ii) LTC — LANÇAMENTOS CONTÁBEIS – remunerações pagas aos colaboradores Antonio Bordin, Renita Turmin Bellan e Paulo Pellin, contabilizados na conta contábil nº 4.1.2.04.001.3926 (“Serviços de Terceiros”) juntamente com valores que não compõem a base de cálculo das contribuições previdenciárias. A Recorrente apresentou impugnação (fls. 31/70) pleiteando pela total improcedência da autuação. A d. DRJ julgou o lançamento totalmente procedente (fls. 72/76), sob o argumento de que: (i) a administração pública está vinculada à lei; (ii) é irrelevante a análise de dolo ou culpa; (iii) não há bis in idem; (iv) a prova documental deve ser apresentada no momento da impugnação; (v) o Decreto nº 70.235/72 não prevê a oitiva de testemunha. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 82/96) alegando que: (i) não teve a intenção de não declarar os valores lançados neste processo; (ii) os valores contabilizados na conta de “serviços de terceiros”, relativamente aos empregados Antônio Bordin, Renita Bellan e Paulo Pellin, são decorrentes de empréstimo e de adiantamento de salários; (iii) a multa aplicada é confiscatória; (iv) houve bis in idem; e (v) deve ser deferido o pedido de produção de provas. É o relatório. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Recorrente alega que não tinha condições financeiras de realizar o pagamento de todos os encargos incidentes sobre sua folha de pagamento, razão pela qual não é lícito concluir que houve intenção de não declarar todos os valores em GFIP. Contudo, cabe ressaltar que o presente lançamento versa sobre o não recolhimento das contribuições destinadas a outras entidades e fundos, e não sobre multa por não declaração de valores em GFIP. Assim, independentemente da intenção da Recorrente de declarar valores na GFIP, temse que os valores devidos a título de contribuição de terceiro não foram recolhidos, motivo pelo qual não há qualquer subsistência nos argumentos expostos. Além disso, temse ainda que a responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente, nos termos do art. 136 do CTN, razão pelo qual qualquer discussão quanto à culpabilidade da Recorrente revelase inócua. A Recorrente defende também que os pagamentos efetuados aos segurados empregados Antônio N. Bordin, Renita T. Ballan e Paulo F. Pellin, foram contabilizados de forma equivocada na conta “serviços de terceiros”, pois representam empréstimos e adiantamento de salários. Afirma que já regularizou a situação, que não teve a intenção de sonegar e que a multa aplicada deve ser baixada. Entretanto, não é possível baixar a penalidade imposta neste processo por ter a empresa, supostamente, regularizado a questão formal relativa a parte dos fatos geradores objetos da autuação, haja vista que, como já dito, este caso versa sobre falta de recolhimento das contribuições destinadas a outras entidades e fundos, e não sobre multa por descumprimento de obrigação acessória, conforme dispõe o art. 291, § 2º, do Regulamento da Previdência Social. A Recorrente requer também seja reconhecida a inconstitucionalidade e a ilegalidade da multa aplicada, face o seu caráter confiscatório, devendo ser aplicada a multa prevista no Código de Defesa do Consumidor. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 11020.006059/200855 Acórdão n.º 2402002.865 S2C4T2 Fl. 101 5 Ocorre que, não compete a este Conselho afastar a aplicação da lei com base em arguições de supostas ilegalidades/inconstitucionalidades, motivo pelo qual deixo de apreciar os requerimentos do contribuinte quanto a este ponto. Ademais, quanto à alegação da aplicação da multa prevista no Código de Defesa do Consumidor, este E. Conselho Administrativo já pacificou o entendimento de que esta legislação não se aplica às relações tributárias, in verbis: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias. Período de apuração: 01/05/2004 a 31/12/2005.Ementa: CORESP. RELAÇÃO DE SÓCIOS. LEGALIDADE. TAXA SELIC. APLICAÇÃO.. MULTA DE MORA. PREVISÃO EM LEI. CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. INAPLICÁVEL AOS TRIBUTOS. (...) Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso.O Código de Defesa do consumidor não tem aplicação sobre a cobrança de tributos, nem mesmo subsidiariamente. Recurso Voluntário Negado”. (Segundo Conselho de Contribuintes. 5ª Câmara. Turma Ordinária. Acórdão nº 20500444 do Processo 16062000149200789. Julgado em 14/03/2008) Quanto à alegação de que haveria bis in idem entre as diversas autuações efetuadas, a Recorrente não logrou demonstrar onde estaria esta situação. Ante a ausência de qualquer demonstração do bis in idem pela Recorrente, o I. Julgador da DRJ de Porto Alegre/RS, após especificar o objeto de todas as autuações lavradas contra a empresa por força da fiscalização, mostrou que inexiste o bis in idem alegado pelo contribuinte. Por fim, quanto à alegação de que haveria cerceamento de defesa, também não há razão no argumento da Recorrente. Isso porque, conforme já destacado acima, em vez de pleitear a produção de provas, a Recorrente deveria trazer, por ocasião da sua impugnação, todos os documentos probatórios que entendia necessários para o julgamento da questão. Este E. Conselho Administrativo entende que somente em situações excepcionais, onde fique claramente demonstrada a impossibilidade de apresentação oportuna, será cabível o pedido para apresentação posterior de documentos, in verbis: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 22/11/1991 IMPUGNAÇÃO. PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO DE PROVA. INADMISSIBILIDADE. As regras do Processo Administrativo Fiscal estabelecem que a impugnação deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar, mencionando, ainda, os argumentos pertinentes e as provas que o reclamante julgar relevantes. Assim, não se configurando nenhuma das hipóteses do § 4° do art. 16 do Decreto 70.235/72, não poderá ser acatado o pedido genérico Fl. 103DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 6 pela produção posterior de prova. (...)”. (Terceiro Conselho de Contribuintes. 2ª Câmara. Turma Ordinária. Acórdão nº 30239633 do Processo 102450005559323. Julgado em 08/07/2008) Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para NEGAR LHE PROVIMENTO. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 104DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 18471.003009/2002-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício. 1999
Ementa: SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO — suprimento de numerário, que
se caracteriza pelo registro da entrega de recursos financeiros por sócios e administradores sem comprovação de origem e efetividade não visa apenas a dimensionar a omissão de receita, mas também é fato indiciário para presumi-la. No entanto, no presente feito, não houve qualquer prova desse fato indiciário.
PASSIVO FICTÍCIO — se o valor não comprovado do passivo for
insignificante — no presente feito, foi inferior a 0,1% — em relação ao montante investigado e comprovado, deixa de se caracterizar como fato indiciário da presunção de omissão de receita.
GLOSA DE DESPESAS — uma vez comprovadas as despesas glosadas,
impõe-se afastar a autuação.
PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS — a existência de ativo fictício não autoriza presumir o pagamento a beneficiários
não identificados e, como isso, legitimar a autoridade fiscal a constituir o crédito relativo ao imposto de renda na fonte.
Numero da decisão: 1201-000.215
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso de oficio, vencido o conselheiro Marcelo Cuba Netto (Suplente Convocado), que dava provimento parcial ao recurso para restabelecer a exigência quanto ao passivo fictício, às
despesas não comprovadas e às despesas não necessárias, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício. 1999 Ementa: SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO — suprimento de numerário, que se caracteriza pelo registro da entrega de recursos financeiros por sócios e administradores sem comprovação de origem e efetividade não visa apenas a dimensionar a omissão de receita, mas também é fato indiciário para presumi-la. No entanto, no presente feito, não houve qualquer prova desse fato indiciário. PASSIVO FICTÍCIO — se o valor não comprovado do passivo for insignificante — no presente feito, foi inferior a 0,1% — em relação ao montante investigado e comprovado, deixa de se caracterizar como fato indiciário da presunção de omissão de receita. GLOSA DE DESPESAS — uma vez comprovadas as despesas glosadas, impõe-se afastar a autuação. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS — a existência de ativo fictício não autoriza presumir o pagamento a beneficiários não identificados e, como isso, legitimar a autoridade fiscal a constituir o crédito relativo ao imposto de renda na fonte.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-06-16T12:00:02Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-06-16T12:00:02Z; Last-Modified: 2010-06-16T12:00:02Z; dcterms:modified: 2010-06-16T12:00:02Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-06-16T12:00:02Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-06-16T12:00:02Z; meta:save-date: 2010-06-16T12:00:02Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-06-16T12:00:02Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-06-16T12:00:02Z; created: 2010-06-16T12:00:02Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2010-06-16T12:00:02Z; pdf:charsPerPage: 1800; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-06-16T12:00:02Z | Conteúdo => S1-C2T1 Fl R /kV r '5 MINISTÉRIO DA FAZENDA -` CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS s- PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 18471.003009/2002-61 Recurso n° 151.017 De Oficio Acórdão n° 1201-00-215 — 2' Câmara! P Turma Ordinária Sessão de 28 de janeiro de 2010 Matéria IRPJ e outros Recorrente 3' Turma/DRJ-Rio de Janeiro/RJ-I Interessado San Diego Veículos Ltda Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício. 1999 Ementa: SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO — suprimento de numerário, que se caracteriza pelo registro da entrega de recursos financeiros por sócios e administradores sem comprovação de origem e efetividade não visa apenas a dimensionar a omissão de receita, mas também é fato indiciário para presumi-la. No entanto, no presente feito, não houve qualquer prova desse fato indiciário. PASSIVO FICTÍCIO — se o valor não comprovado do passivo for insignificante — no presente feito, foi inferior a 0,1% — em relação ao montante investigado e comprovado, deixa de se caracterizar como fato mdiciáno da presunção de omissão de receita. GLOSA DE DESPESAS — uma vez comprovadas as despesas glosadas, impõe-se afastar a autuação. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS — a existência de ativo fictício não autoriza presumir o pagamento a beneficiários não identificados e, como isso, legitimar a autoridade fiscal a constituir o crédito relativo ao imposto de renda na fonte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso de oficio, vencido o conselheiro Marcelo Cuba Netto (Suplente Convocado), que dava provimento parcial ao recurso para restabelecer a exigência quanto ao passivo fictício, às despesas não comprovadas e às despesas não necessárias, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. ( CLAUD 41110DRIGUES MALAQUIAS - Presidente. kik)) GUILHE sfE ADOLFO D S SANTOS MENDES - Relator. EDITADO EM: 30 ABA 2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Alexandre Barbosa Jaguaribe, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcelo Cuba Netto (Suplente Convocado), Regis Magalhães Soares Queiroz, Antonio Carlos Guidoni Filho (Vice Presidente). 2 Processo n° 18471.003009/2002-61 S1-C211 Acórdão n.° 1201-00-215 Fl. 2 Relatório Trata-se de recurso dê oficio contra a decisão de fis. 749 a 759, que afastou integralmente a exigência tributária (IRPJ, CSLL PIS, Cofins e IRRF relativos ao ano- calendário de 1998). A autuação refere-se à 5 (cinco) infrações: (i) presunção de omissão de receita por suprimento de numerário, (ii) presunção de omissão de receita por passivo fictício, (iii) glosa de despesas não comprovadas (iv) glosa de custos e despesas desnecessárias e (v) pagamentos a beneficiários não identificados. Na decisão recorrida, a autoridade julgadora considerou não caracterizadas as infrações em razão dos fundamentos que se seguem: i) o suprimento de numerário não é fato indiciário que permite a presunção de omissão de receita; ele serve apenas para quantificar a omissão comprovada a partir de outros elementos; ademais só se caracteriza o suprimento quando os valores foram entregues por sócios ou administradores, o que não teria ocorrido segundo o termo de verificação. ii) Em relação ao passivo fictício, considerou que o valor Pão comprovado pelo sujeito passivo é irrisório cin relação ao montante comprovado, o que infirmaria a presunção de omissão de receita; ‘"(-; 7 iii) De um total de 40 (quarenta) registros de despesas/custos verificados pela autoridade fiscal, foram glosados 5 (cinco); destes, três (os de número 6; 28 e 29 da lista elaborada pelo próprio agente fiscal) em razão de não comprovação. No entender, contudo, da autoridade julgadora de primeiro jau, os documentos juntados às fls. 8 a 20 do anexo 4 com provam tais despesas; iv) Dos quarenta registros, dois (itens 18 e 22) foram glosados em razão de a autoridade de o sujeito passivo não ter comprovado sua necessidade para a obtenção da receita operacional. Nos termos literais à decisão recorrida: (...) o item 18, no valor de RS4.200,00, trata-se de gasto com evento promovido para o lançamento do veiculo Dakota, sendo necessário à sua atividade; o item 22, no valor de R$6.000,00, de despesa correspondente à perfuração e montagem de poço artesiano, objetivando suprir a oficina na área de lavagem de carros, utilizado até apresente data. Junta os documentos de fls. 3, 4 e 6 do anexo 4. Em face dos esclarecimentos prestados pelo interessado, entendo que os dispêndios glosados preenchem o requisito de necessidade. v) Nos termos literais da decisão: No Termo de Verificação e Constatação de fis. 645/647, a fiscalização aponta que o interessado, intimado a compor o saldo da conta Clientes em 31/12/1998, no valor de R$966.380,11, comprovou o montante de R63 7.851,15, permanecendo não comprovada a diferença no valor de R$328.528,96. Acrescenta que "a diference não comprovada por se presumir i C1 recebida e constituir ativo fictício, está sendo tributada neste ato como PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS". O tributo só pode ser exigido quando o fato apurado ajusta-se pmfeitamente à hipótese de incidência. Por esta razão, a Fazenda Pública não pode considerar ocorrido um fato descrito abstratamente na hipótese de incidência sem a sua efetiva verificação, valendo-se de mera presunção de seu agente, a menos que esta presunção esteja prevista em lei. Nb caso, não há previsão legal para lançamento a partir de ativo fictício. A hipótese legal de "pagamentos efetuados a beneficiários não identificados", prevista no artigo 247 do RIR '1 é encontrada quando a Pessoa Jurídica, devidamente intimada, não logra êxito em identificar para quem efetuou o pagamento, ou quando o Fisco faz prova de que o beneficiário que a Pessoa Jurídica registrou e aponta como recebedor do pagamento, de fato, nada tenha recebido. A efetivação de pagamento pela pessoa jurídica é pressuposto material para a ocorrência desta hipótese. A partir de 01/01/1995, sujeita-se à incidência de imposto exclusivamente na fonte todo pagamento efetuado por pessoas jurídicas a beneficiário não identificado (artigo 61 da Lei 8.98111995). Porém, cabe ao Fisco, antes de qualquer coisa, assegurar-se de que os pagamentos foram mesmo realizados, pois o fato gerador ocorre justamente pela percepção desses rendimentos pelos beneficiários. Á ocorrência do pagamento deve ser provada pela fiscalização. No presente caso, não se vislumbra a hipótese legal de "pagamentos efetuados a beneficiários não identificados", não tendo havido qualquer pagamento pelo interessado: a fiscalização presumiu já recebida diferença não comprovada, que identificou como ativo fictício. Deste modo, a exigência sob esta rubrica deve ser cancelada. É o relatório. (-\N‘H 4 Processo n° 18471.003009/2002-61 SI-C2TI Acórdão n.°1201-00-215 Fl. 3 Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Suprimento de numerário Discordo de que o suprimento serve apenas para dimensionar a omissão. Nada obstante, deve prevalecer o entendimento da autoridade de primeiro grau em razão do seu segundo fundamento, pois a presunção de omissão de suprimento de numerário só se caracteriza quando os recursos foram entregues por sócios ou administradores. O que podemos aferir do termo de verificação de fls. 645 a 646 é que não se caracterizou o registro contábil de suprimento por parte de sócios ou administradores. Na verdade, a autoridade fiscal adotou essa presunção em hipóteses não previstas em lei. Aliás, na sua maioria, deveria a autoridade ter empregado outras hipóteses legais de presunção. Nesse item, o agente fiscal lançou depósitos bancários em dinheiro de origem não comprovada, os quais considerou como suprimento de numerário e não simplesmente como depósitos não comprovados com base no art. 42 da Lei n° 9.430/96. É importante destacar que não houve um simples erro de enquadramento legai Além de a autoridade lançadora ter adotado como fundamento legal o art. 229 do RIR/94 relativo ao suprimento de numerário, expressamente assim qualificou o fato indiciário. Passivo fictício No termo de fls. 646, a autoridade fiscal afirma que o contribuinte só comprovou R$ 2.207.730,12 de RS 2.208.671,13 da conta fornecedores. Assim, ficaram incomprovados RS 941,12. Realmente tenho que concordar com a DRJ de que tal valor é irrisório e, como tal, não enseja a presunção de omissão de receita, conforme jurisprudência firmada. Abaixo transcrevo acórdão ilustrativo: PASSIVO FICTÍCIO — a comprovação, em primeira instância, da existência de 99% das obrigações afasta a presunção de omissão de receitas em relação as parcelas de valores ínfimos tidas como não comprovadas (Ac. 1° CC 101-80.774/90 — DO 28/02/91 e 103-18.893/97 — DO 01/04/98). Despesas não comprovadas Conforme o relatório fiscal de fl. 647, o item 6 no valor de RS 6.958,79 foi considerado não comprovado pelas seguintes razões: Foi apresentada planilha denominada 'análise do tempo da oficina', cujos valores não coincidem com aquele que pretende comprovar. Foram feitas anotações manuscritas indicando o valor de R$6. 958,79, porém sem qualquer comprovação ou memória de cálculo, razão por que este item foi considerado incomprovado. No que se refere aos itens 28 e 29 de valores, respectivamente, de RS 6.791,25 e RS 64.243,08, a autoridade fiscal teceu as seguintes considerações: Foi meramente apresentada folha manuscrita com os valores constantes destes itens, porém sem qualquer comprovação ou memória de cálculo, motivo pelo qual os mesmos foram considerados incomprovados. A autoridade julgadora de primeiro grau considerou comprovadas tais despesas/custos em razão dos documentos juntados às fls. 8 a 20 do anexo 4. Todavia, é importante destacar que o julgador não explicitou os motivos pelos quais foi levado a considerar que tais elementos seriam suficientes para a comprovação. Nestas páginas, estão contidas apenas cópias dos livros contábeis do sujeito passivo (razão e diário), as quais, a principio, não são suficientes para comprovar fatores negativos na determinação da base de cálculo de tributos. Esse caso particular, contudo, podemos tratar como uma exceção por vários motivos. Primeiro, as importâncias são de pequena monta; segundo, itens similares em meses distintos foram considerados comprovados pela autoridade; terceiro, os totais mensais por tipo de despesa ("mão de obra na oficina", "lubrificantes" e "acessórios") foram glosados, o que não é razoável em face da atividade da empresa; e quarto, o controle contábil é bastante minucioso, como o relativo ao custo com acessórios (na fl. 11, consta a página do razão analítico em que é possível aferir com precisão — peça por peça identificada por nota fiscal — a composição do custo). Desse modo, considero comprovadas as despesas/custos glosados. Despesas e custos desnecessários Em relação a esse item, o julgador de primeiro grau também não foi expresso em relação às suas razões de decidir. Os documentos juntados pela parte não são detalhados. De fato, há nota fiscal do cocktail, mas não há qualquer referência ao lançamento do "Dakota". De igual sorte, em relação ao outro item, o único documento carreado é uma nota fiscal de fl. 06, a qual apenas descreve "serviços prestados" sem qualquer referência à, "poço artesiano". Assim, verificados isoladamente, tais itens deveriam ser considerados como não comprovados. No entanto, considero mais razoável a posição adotada pela decisão recorrida, pois só são dois valores de montante não significativo em um ano inteiro de operações, o que me leva a crer ter havido apenas um mero descuido ao se documentar tais fatos econômicos. 6 Processo n° 18471.003009/2002-61 S1-C2T1 Acórdão ri.° 1201-00-215 Fl. 4 Pagamentos a beneficiários não identificados Não há qualquer reparo a fazer à decisão recorrida, que deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos. DISPOSITIVO Por todo o exposto, voto por negar provimento ao apelo oficial. S'Ité Guilhe e Adolft(JS S tos Mendes 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA t*, CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS V;t:itSlityk. Processo : 18471.003009/2002-61 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 30 do artigo 81 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Portaria ME n° 259/2009), intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Primeira Seção do CARI, a tomar ciência do inteiro ter do Acórdão n° 1201-00.215. Brasília - DF, em 30 de abril de 2010 ry-, / sé Roberto França Secretá da T Câmara da Primeira Seção 2 CARF Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional 1
score : 1.0
Numero do processo: 13016.000390/2003-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI
Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998
COMPENSAÇÃO ALEGADA.
Promover a compensaçã de créditos que a contribuinte possua é uma
faculdade, cujo exercício há que ser provado. É correta a autuação decorrente de compensação alegada e não comprovada e efetuada sem atendimento às normas regulamentadoras e, ainda, desbordando da autorização judicial.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-000.807
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: DCTF_IPI - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IPI)
Nome do relator: MAURICIO TAVEIRA E SILVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998 Ementa: COMPENSAÇÃO ALEGADA. Promover a compensação de créditos que a contribuinte possua é uma faculdade, cujo exercício há que ser provado. É correta a autuação decorrente de compensação alegada e não comprovada e efetuada sem atendimento às normas regulamentadoras e, ainda, desbordando da autorização judicial. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Presidente RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator MAURICIO TAVEIRA E SILVA Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Rodrigo Pereira de Mello e Maria Teresa Martínez López. Relatório Fl. 1DF CARF MF Emitido em 05/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13016.000390/200341 Acórdão n.º 330100.807 S3C3T1 Fl. 283 2 MÓVEIS SANDRIN LTDA., devidamente qualificada nos autos, recorre a este Colegiado, através do recurso de fls. 48/53 contra o Acórdão nº 188.461, de 07/12/2007, prolatado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Santa Maria RS, fls. 33/39, que julgou procedente em parte o auto de infração nº 0002550 (fls. 15/16) relativo ao IPI, referente a períodos compreendidos entre julho a dezembro de 1998, decorrente de auditoria interna na DCTF em razão de que os créditos vinculados ao Processo nº 96.04.048619, não foram confirmados, sob a ocorrência: “Proc jud de outro CNPJ”, conforme fls. 16/17. A contribuinte foi devidamente cientificada do lançamento em 02/07/2003 (fl. 26). Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação de fls. 01/14, com as alegações sintetizadas pela instância a quo, nos seguintes termos: Se trata de lançamento de IPI, inclusive com multa de 75%, tendo em vista que o fisco não concordou com a compensação procedida pelo contribuinte, ora impugnante, que se entende portador de créditos referentes a indébitos tributários, por ter pagado a Contribuição para o PIS, na forma dos decretosleis nºs 2.245 e 2.249, de 1998, reconhecidos judicialmente, nos autos dos Mandados de Segurança nº 1998.00.002832 e 1999.00.042713; O lançamento foi feito à revelia da decisão judicial de hierarquia superior e da qual a PFM foi cientificada; Demonstra ter direito aos créditos opostas em compensação dos débitos lançados no AI, ora sub judice, bem como não ter agido com máfé, ou praticado qualquer infração; A defesa do contribuinte baseiase no fato de que já recebeu provimento judicial favorável, e que não se trata de rediscutilo, em face da supremacia da tutela judicial, e que só não ocorreu o trânsito em julgado por que a Fazenda insiste em recursos protelatórios; O provimento judicial foi favorável no sentido de reconhecer a inconstitucionalidade das majorações do PIS por meio dos decretosleis acima referidos; Não entende a motivação da Receita Federal; Na continuação, disserta sobre a semestralidade da bse de cálculo do PIS e sobre a impossibilidade de correçãomonetária de sua base de cálculo. Repisa ainda os dispositivos legais que autorizam a compensação do crédito (Lei nº 8.383, de 1991 e Lei nº 9.430, de 1996). Requer a desconstituição do lançamento,para julgálo improcedente, reconhecendose que as contribuições,querendo dizer compensações, procedidaspelo impugnante são juridicamente eficazes e que estão corretos os valores por ele calculados, concluindose que nada deve ao Fisco atítulo do tributo lançado e da multa aplicada. Ad cautela, postula que,em caso de eventual entendimento no sentido da manutenção do lançamento, seja reduzida a multa aplciada para o percentual de 20% Fl. 2DF CARF MF Emitido em 05/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13016.000390/200341 Acórdão n.º 330100.807 S3C3T1 Fl. 284 3 A DRJ julgou procedente em parte o lançamento, tendo cancelado a multa de ofício. O acórdão restou assim ementado: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998 IPI FALTA DE PAGAMENTO DE IMPOSTO DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF A falta de confirmação da extinção dos débitos confessados em DCTF justifica o lançamento de ofício para a respectiva exigência, com os encargos legais cabíveis. MULTA APLICÁVEL NA COBRANÇA DE DÉBITOS DECLARADOS Os débitos declarados em DCTF devem ser cobrados com multa de mora. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998 ÔNUS DA PROVA. FATO MODIFICATIVO OU EXTINTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AUTUAÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Lançamento Procedente em Parte Irresignada, em 14/03/2008, a contribuinte protocolizou recurso voluntário de fls. 48/53, acrescido dos documentos de fls. 54/279, aduzindo os seguintes argumentos: a) a necessária obediência ao princípio da legalidade. Nessa toada, indevida a exigência do PIS com base nos DecretosLeis nos 2.445/88 e 2.449/88, devendo ser observada a semestralidade; b) desnecessidade de fazer prova de processo judicial, objeto do PAJ nº 11020.001756/9615, no qual fazem parte a União Federal (em grau de recurso) e o Delegado da Receita Federal em Caxias do Sul (em primeira instância); c) por meio do MS nº 96.15.024546 foi reconhecido o indevido recolhimento do PIS apurado com fulcro nos referidos decretosleis e o consequente direito de apurar o crédito fiscal e compensálo; d) efetuou compensações de créditos de PIS e débitos de IPI, informadas em DCTF, mencionando o processo nº 96.15024546, gerador dos créditos. Contudo, referidas compensações não foram acatadas ante ao único argumento de que a existência do processo judicial e do reconhecimento do direito à apuração do crédito por pagamentos indevidos não estariam comprovados nos autos, a despeito de o ente tributante figurar no polo passivo no processo judicial. Por outro lado, no processo relativo ao PIS (nº 13016.000403/200382) foi reconhecida a insubsistência do lançamento, na forma do que deveria ter ocorrido neste processo e também em relação ao da Cofins nº 13016.000402/2003 38. Por fim, requer seja decretada a improcedência do lançamento ou, antes de decidir sobre a manutenção ou não do lançamento, seja considerada a suficiência ou não do crédito judicial decorrente do processo nº 96.15024546. É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 05/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13016.000390/200341 Acórdão n.º 330100.807 S3C3T1 Fl. 285 4 Voto Conselheiro MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Relator O recurso é tempestivo, razão pela qual, dele se conhece. Conforme relatado, tratase de lançamento eletrônico decorrente de auditoria interna na DCTF, pelo fato de, em relação aos períodos precitados, os créditos vinculados ao Processo nº 96.04.048619, não foram confirmados, sob a ocorrência: “Proc jud de outro CNPJ”, conforme fls. 16/17. Em sua defesa a interessada aduz ter efetuado a compensação de créditos obtidos por meio do processo judicial nº 96.15.024546, decorrente da cobrança indevida do PIS com supedâneo nos DecretosLeis nos 2.445/88 e 2.449/88. Não assiste razão à recorrente, conforme se demonstrará. Primeiro, pois, tal como registra o lançamento, o nº do processo declarado na DCTF (96.04.048619) não coincide com aquele alegado pela interessada como sendo o que originou os créditos (96.15.024546). Em segundo, pois, ainda que a contribuinte tivesse o direito de compensar, ainda assim, não trouxe aos autos qualquer prova de que exerceu seu direito e, de fato, efetuou a compensação. O fato de possuir o direito, não é suficiente para infirmar a autuação, pois, a prosperar essa tese, um contribuinte mal intencionado poderia deixar de pagar seus tributos no aguardo de sua extinção pela decadência e, caso fosse submetido a uma fiscalização, bastaria demonstrar a existência de créditos como forma de evitar a autuação, o que, por si só, fere a lógica e o senso comum. Registrese que a compensação efetuada com supedâneo em medida judicial deve ser submetida ao rito previsto nos arts. 12, § 7º e art. 17 da IN SRF nº 21/97, pois assim determinou o legislador no § 4º do art. 66 da Lei nº 8.383/91, quando criou a possibilidade de compensação, ao mencionar que o então “Departamento da Receita Federal e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo.”. O trâmite previsto na precitada Instrução Normativa visa cientificar à administração da compensação efetuada dentro dos limites da decisão e em obediência às demais normas que regram o assunto. De se ressaltar que o art. 66, § 1º da Lei nº 8.383/91 autorizava a contribuinte efetuar a compensação tão somente entre tributos e contribuições da mesma espécie, o que não se verifica no presente caso. Por fim, no momento da alegada compensação, a decisão judicial havia autorizado a interessada a efetuar a compensação de seus créditos, seguindo a Lei nº 8.383/91, em sua escrita fiscal, “com parcelas desta contribuição” (fl. 199), ou seja, do próprio PIS, inexistindo autorização para efetuar compensação com o IPI (fls. 221, 224 e 226). Fl. 4DF CARF MF Emitido em 05/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13016.000390/200341 Acórdão n.º 330100.807 S3C3T1 Fl. 286 5 Sendo essas as considerações que reputo suficientes e necessárias à resolução da lide, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida. MAURICIO TAVEIRA E SILVA Fl. 5DF CARF MF Emitido em 05/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
score : 1.0
Numero do processo: 36216.001962/2007-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/2003 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO. AUDITORIA FISCAL. COMPETÊNCIA.
NECESSIDADE DE ANUÊNCIA DO SUJEITO PASSIVO PARA
LAVRATURA FISCAL.
Na época do lançamento, o Auditor Fiscal da Previdência Social detinha
competência para constituir o crédito previdenciário pelo lançamento,
independentemente de anuência do sujeito passivo.
CONTRIBUIÇÃO PARA 0 INCRA. SUJEIÇÃO DAS EMPRESAS
URBANAS.
Ê legitima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/06/2003 a 31/12/2005
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO.
IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA
ADMINISTRATIVA.
A autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da
constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 2401-000.997
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos: I) em rejeitar a preliminar suscitada; e II) no mérito, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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AUDITORIA FISCAL. COMPETÊNCIA. NECESSIDADE DE ANUÊNCIA DO SUJEITO PASSIVO PARA LAVRATURA FISCAL. Na época do lançamento, o Auditor Fiscal da Previdência Social detinha competência para constituir o crédito previdencidrio pelo lançamento, independentemente de anuência do sujeito passivo. CONTRIBUIÇÃO PARA 0 INCRA. SUJEIÇÃO DAS EMPRESAS URBANAS. Ê legitima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2003 a 31/12/2005 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA. A autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4' Câmara / l a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos: I) em rejeitar a preliminar suscitada; e II) no mérito, em negar provimento ao recurso. ELIAS S AIO FREIRE - Presidente KLEBW R FERREIRA DE A 1:1J0 — Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Fen -eira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira. 2 Processo n° 36216.001962/2007-82 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.997 Fl. 291 Relatório Trata o presente processo administrativo fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito —NFLD, DEBCAD n° 37.017.871-8, posteriormente cadastrada na RFB sob o número de processo constante no cabeçalho. A notificação, lavrada em nome da contribuinte já qualificada nos autos, traz em seu bojo a contribuição da empresa para a Seguridade Social, inclusive aquela destinada ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho — RAT, e a contribuição para outras entidades e fundos. O credito em questão reporta-se à competências de 06/2003 a 12/2005 e assume o montante, consolidado em 28/08/2006, de RS 3.179.906,11 (três milhões, cento e setenta e nove mil, novecentos e seis reais e onze centavos). De acordo como relatório fiscal, fls. 31/33, as contribuições lançadas incidiram sobre a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais, as quais foram obtidas mediante verificação de folhas de pagamento. A empresa apresentou impugnação, fls. 40/100, a qual não foi acatada pelo órgão de primeira instância, que declarou procedente o lançamento, fls. 158/180. Irresignado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, fls. 183/252, no qual, em apertada síntese, alega que: a) a fiscalização tem competência apenas para propor a aplicação da multa, mas não de impor a penalidade, assim, a autuação sem prévia anuência do acusado é nula; b) a contribuição ao SAT é inconstitucional, posto que não poderia ter seus parâmetros quantitativos definidos em ato do Poder Executivo. Tal exação afronta os princípios da legalidade e da tipicidade tributária; c) também padece de desconformidade com a Constituição a contribuição ao Salário-Educação, o que é caso ainda das exações para o SESI, SENAI e SEBRAE; d) mesmo que fosse uma empresa contribuinte do SENAI e do SESI, a recorrente não poderia estar sofrendo a cobrança do SEBRAE, por não ser beneficiária dos serviços prestados pela citada entidade; e) é ilegal a cobrança de contribuição ao INCRA das empresas urbanas; f) a aplicação da taxa SELIC para fins tributários é inconstitucional; g) a multa aplicada assume caráter confiscatório. Ao final, pede a declaração de nulidade da NFLD, ou, alternativamente, o reconhecimento de sua improcedência. o relatório. Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araujo, Relator 0 recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade, além de que a recorrente possuía decisão judicial garantindo o seguimento do recurso independentemente de depósito prévio. Equivoca-se o sujeito passivo quando afirma que a fiscalização faleceria de competência para impor penalidade, mas apenas de propor a sua aplicação. A Lei n.° 10.593/2002, que dispunha, dentre outras matérias, sobre a reestruturação da Carreira Auditoria Fiscal da Previdência Social, assim tratava da competência dos seus ocupantes: Art. 8° Sao atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor-Fiscal da Previdência Social, relativamente as contribuições administradas pelo Instituto Nacional do Seguro Social - INSS: I - em caráter privativo: a) executar auditoria e fiscalização, objetivando o cumprimento da legislação da Previdência Social relativa as contribuições administradas pelo INSS, lançar e constituir os correspondentes créditos apurados,. b) efetuar a lavratura de Auto de Infração quando constatar a ocorrência do descumprirnento de obriga cão legal e de Auto de Apreensão e . Guarda de documentos, materiais, livros e assemelhados, para verificação da existência de fraude e irregularidades; (.•) Assim, resta claro que o Auditor Fiscal da Previdência Social, hoje integrante da carreira de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, por força da Lei n.° 11.457/2007, detinha competência para constituir mediante o lançamento o crédito tributário relativo As contribuições previdencidrias. Ressalte-se também que o lançamento sob testilha não se refere a aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, mas exigência da obrigação tributária principal. No caso vertente , o agente do fisco, ao constatar a falta de recolhimento das contribuições sócias, lavrou NFLD para constituir o crédito tributário correspondente, em atenção ao que dispõe o art. 37, "caput", da Lei n.° 8.212/1991 1 . Por outro lado, para lavrar a notificação fiscal não necessita a auditoria de anuência do contribuinte, posto que o procedimento administrativo de lançamento tipicamente inquisitório, sendo conduzido unilateralmente pela fiscalização, sendo desnecessária a comunicação ao sujeito passivo de cada uma de suas fases. Ao efetuar o Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. (..-) 4 Processo n° 36216.001962/2007-82 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.997 Fl. 292 lançamento, ai sim, o fisco deve encaminhar ao sujeito passivo o resultado da ação fiscal, contra o qual o esse pode se insurgir, instaurando o processo administrativo fiscal, onde, de fato, reina soberano o principio do contraditório. Portanto, não pode ser acatada a tese de que a auditoria antes de efetuar a lavrat-ura fiscal deveria contar com a anuência do contribuinte. A suposta ilegalidade da exação para o INCRA não se sustenta. Ao contrário do que afirma a notificada, tem respaldo legal a sua cobrança, mesmo das empresas urbanas. Essa é matéria que já se encontra pacificada no Superior Tribunal de Justiça, sendo desnecessárias maiores discussões sobre a questão, conforme se extrai da ementa do recentissimo julgado abaixo transcrito: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. VIOLA(' A - 0 A DISPOSITIVO CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. CONTRIBUIÇÃO DEVIDA AO INCRA. NÃO EXTINÇÃO. NATUREZA DE CIDE. PRIMEIRA SEÇÃO DESTA CORTE. RESP N. 977.058/RS REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART 543-C DO CPC. LEI DOS RECURSO REPETITIVOS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 83/S Ti. APLICAÇÃO DE MULTA. I. Esta Corte não se presta ao exame de violação a dispositivo constitucional, sob pena de usurpar-se da competência do Supremo Tribunal Federal. 2. A Primeira Seção, em 22.10.2008, apreciando o REsp 977.058/RS em razão do art. 543-C do CPC, introduzido pela Lei n. 11.672/08 - Lei dos Recursos Repetitivos-, c't unanimidade, ratificou o entendimento já adotado por esta Corte no sentido de que a contribuição destinada ao Incra não foi extinta pela Lei n° 7.787/89, nem pela Lei n° 8.212/91. Isso porque a referida contribuição possui natureza de Cide - contribuição de intervenção no domínio econômico - destinando-se ao custeio dos projetos de reforma agrária e suas atividades complementares, razão pela qual a legislação referente its contribuições para a Seguridade Social não alteraram a parcela destinada ao Incra. 3. Não há óbice para que a referida exação seja cobrada de empresa urbana, questão que também se encontra sedimentada pela jurisprudência desta Corte. Precedentes. 4. Estando o acórdão recorrido em consonância com a orientação do Superior Tribunal de Justiça, incide, in casu, o Enunciado n. 83 da Súmula desta Corte. 5. Ante o fato de a decisão ter aplicado entendimento consolidado no julgamento do tema, segundo o regime estatuido pelo art. 543-C, do CPC (recurso repetitivo), o agravo regimental é manifestamente inadmissível, incidindo na espécie o ,sÇ 2°, do art. 557, do CPC. 5 Aplicação de multa de 10% sobre o valor atualizado da causa. 6. Agravo regimental não provido. (STJ — Segunda Turma - AgRg no Ag 1125877 / SP,Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe 06/08/2009). Para enfrentar as outras questões apresentadas é necessário uma análise da constitucionalidade de dispositivos legais aplicados pelo fisco, dai, é curial que, a priori, façamos uma abordagem acerca da possibilidade de afastamento por órgão de julgamento administrativo de ato norrnativo por inconstitucionalidade. Sobre esse tema, note-se que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento A vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente A. Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF no 256, de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando, regra geral, o afastamento de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, a pretexto de inconstitucionalidade, nos seguintes termos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. 0 disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou - que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n2 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da Advocacia-Geral da Unido, na forma do art. 43 da Lei Complementar n 2 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado-Geral da União aprovado pelo Presidente da Republica, na forma do art. 40 da Lei Complementar n2 73, de 1993. Observe-se que, somente nas hipóteses ressalvadas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n° 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARE N°2 O CARE não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 6 Processo n°36216.00196212007-82 S2 -C4T1 Acórdão n.° 2401-00.997 Fl. 293 Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do "caput" do art. 72 do Regimento Interno do CARF2 . Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre as alegações de inconstitucionalidade de lei e decreto trazidas pela recorrente, como é o caso da aplicação dos juros e da multa, além da contribuição ao seguro de acidente de trabalho — RAT e aquela destinada aos "terceiros" (SENAI, SESI e SEBRAE). Diante do exposto, voto por afastar a preliminar suscitada e, no mérito, pelo desprovimento do recurso. Sala das Sessões, em 23 de fevereiro de 2010 KLEBER FERREIRA DE A • JO - Relator 2 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARP serão consubstanciadas em sumula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) 7
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Numero do processo: 11516.000905/2010-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2008 a 30/06/2009
Ementa: ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. AUSÊNCIA DE LEI.
A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e como tal interpreta-se literalmente, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, inciso I.
MULTA DE OFÍCIO. REGIME JURÍDICO A SER APLICADO.
Para as competências anteriores a dezembro de 2008 (entrada em vigor da MP n 449) deve ser aplicada a multa prevista no art. 35 da Lei n 8.212. Para o período posterior à entrada em vigor da Medida Provisória n 449, cujos valores não foram declarados em Gfip há que se aplicar a multa de 75% (prevista no art. 44 da Lei 9.430).
Numero da decisão: 2302-001.720
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2008 a 30/06/2009 Ementa: ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. AUSÊNCIA DE LEI. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e como tal interpreta-se literalmente, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, inciso I. MULTA DE OFÍCIO. REGIME JURÍDICO A SER APLICADO. Para as competências anteriores a dezembro de 2008 (entrada em vigor da MP n 449) deve ser aplicada a multa prevista no art. 35 da Lei n 8.212. Para o período posterior à entrada em vigor da Medida Provisória n 449, cujos valores não foram declarados em Gfip há que se aplicar a multa de 75% (prevista no art. 44 da Lei 9.430).
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Recorrente INTEC INSTITUTO TECONOLOGICO E CIENTIFICO Recorrida DRJ FLORIANOPOLIS SC Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2008 a 30/06/2009 Ementa: ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. AUSÊNCIA DE LEI. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e como tal interpretase literalmente, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, inciso I. MULTA DE OFÍCIO. REGIME JURÍDICO A SER APLICADO. Para as competências anteriores a dezembro de 2008 (entrada em vigor da MP n 449) deve ser aplicada a multa prevista no art. 35 da Lei n 8.212. Para o período posterior à entrada em vigor da Medida Provisória n 449, cujos valores não foram declarados em Gfip há que se aplicar a multa de 75% (prevista no art. 44 da Lei 9.430). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Vera Kempers de Moraes Abreu e Manoel Coelho Arruda Júnior. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Relatório O auto de infração tem por objeto as Contribuições Previdenciárias a cargo da empresa sobre o pagamento aos segurados contribuintes individuais. Segundo a fiscalização, os segurados foram remunerados por meio do pagamento de bolsas no período de dezembro de 2008 a junho de 2009, conforme relatório fiscal às fls. 9 a 17. Não conformado com a autuação, o recorrente apresentou impugnação, fls. 71 a 73. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento confirmou a procedência, em parte, do lançamento, fls. 94 a 98. Foram excluídos os valores relativos ao agravamento da multa. Por discordar da decisão proferida pelo órgão fazendário, o autuado interpôs recurso, conforme fls. 104 a 106. Em síntese, alega o seguinte: a) que era apenas repassador dos valores, cujos encargos foram suportados pelas tomadoras; b) que as bolsas eram isentas de contribuições; c) devia ser anulada a multa; Não foram apresentadas contrarrazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11516.000905/201076 Acórdão n.º 230201.720 S2C3T2 Fl. 371 3 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 369. Pressuposto de admissibilidade, passo ao exame das questões de mérito. Não assiste razão à recorrente ao afirmar que seria apenas repassadora dos valores, cujos encargos teriam suportados pelas tomadoras. A remuneração paga aos segurados decorreu do vínculo que esses possuíam com a recorrente, e não com a tomadora. Quem contratou e selecionou as pessoas foi a própria recorrente, desse modo a relação jurídica, seguradoempresa, ocorreu com a autuada. Além do mais, os pagamentos foram apurados na contabilidade da autuada em conta de despesa Ao contrário do afirmado pela recorrente, os valores pagos não estão amparados por nenhuma lei isentiva. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e como tal interpretase literalmente, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I, nestas palavras: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Assim, se o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de serem violados os princípios da reserva legal e da isonomia. Os pagamentos efetuados possuem natureza remuneratória. Tais ganhos ingressaram na expectativa dos segurados em decorrência do contrato e da prestação de serviços à recorrente, sendo portanto uma verba paga pelo trabalho. Estando portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. Em relação ao valor da multa aplicada, não deve ser revista a decisão recorrida, pois abrangeu período posterior à entrada em vigor da MP n. 449 (o vencimento da obrigação ocorreu somente a partir de janeiro de 2009). É bem verdade que o art. 35 da Lei n º 8.212 foi alterado por meio da Medida Provisória n º 449, tendo sido acrescentado o art. 35A à Lei n º 8.212. Assim, a partir da MP n º 449, convertida na Lei n º 11.941, há que se diferenciar se os valores constaram ou não em lançamento de ofício. Se não houver lançamento de ofício e o contribuinte recolher espontaneamente os valores devidos aplicase a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212, caso os valores tenham sido apurados por meio de lançamento de ofício, aplicase o disposto no art. 35A da Lei 8.212. In casu, os valores constam em lançamento de ofício, e para os contribuintes que não declararam em GFIP, o regime jurídico novo ficou mais gravoso. Atualmente, para Fl. 372DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 esses casos, deve ser observada a multa prevista no art. 44 da Lei n º 9.430 de 1996, que prevê aplicação de multa de no mínimo 75% (setenta e cinco por cento). A conduta de apresentar a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitava o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do artigo 32 da Lei n º 8.212 de 1991. Agora, com a Medida Provisória n º 449 de 2009, convertida na Lei n º 11.941, a tipificação passou a ser apresentar a GFIP com incorreções ou omissões, com multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. O núcleo do tipo infracional seja na redação anterior à MP n º 449, seja com o novo ordenamento é o mesmo: apresentar a GFIP com erros. A multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Resta demonstrado, assim, que estamos diante de uma obrigação puramente formal, devendo ser aplicada a multa isolada. Não há razão para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal e da acessória antes da MP n º 449 e após, para verificar qual a mais vantajosa. A análise tem que ser multa por descumprimento de obrigação principal antes e multa por tal descumprimento após; e multa por descumprimento de obrigação acessória antes e após. A análise tem que ser realizada dessa maneira, pois como já afirmado tratase de obrigação acessória independente da obrigação principal. A conduta de não apresentar declaração, ou apresentar de forma inexata, somente se subsumiria à multa de 75%, prevista no art. 44 da Lei n º 9.430, nas hipóteses em que não há penalidade específica para ausência de declaração ou declaração inexata. Para a Gfip – assim como para a DCTF e a DIRPF – há multa com tipificação específica; desse modo inaplicável o art. 44. Em relação à Gfip aplicase o art. 32A da Lei n º 8.212 de 1991. Conforme previsto no art. 44 da Lei n º 9.430, a multa de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Desse modo, há três condutas no art. 44 que não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa. Há a conduta deixar de pagar ou recolher; outra conduta é ausência de declaração, e a terceira é a apresentação de declaração inexata. Essa conclusão é facilmente alcançável pela aplicação da regra de paralelismo sintático da língua portuguesa, haja vista – no art. 44 – a repetição da preposição “de” indicar o referencial “no caso”. Esquematicamente terseia: Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: 1) 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos: 1.1 de falta de pagamento ou recolhimento, 1.2 de falta de declaração e 1.3 nos de declaração inexata; Logicamente, se o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não se aplica a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; mas se a despeito do pagamento não declarou em Gfip, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212. Essa aplicação de multa isolada somente é possível pelo fato de serem condutas distintas. Agora, se o contribuinte tiver declarado em Gfip não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11516.000905/201076 Acórdão n.º 230201.720 S2C3T2 Fl. 372 5 Afinal, a multa do art. 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Desse modo, se o contribuinte tiver declarado em Gfip, mas não tiver pago, não se aplica o art. 44 da Lei 9.430. Esse artigo não se impõe pelo fato de o contribuinte não ter recolhido e ter declarado, deveras não se aplica o art. 44 em função de não haver lançamento de ofício, pois o crédito já está constituído pelo termo de confissão que é a Gfip. E nas hipóteses em que o contribuinte não recolhe e não declara em Gfip, há duas condutas distintas: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e por não ter declarado em Gfip a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Como já afirmado, a multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A, o que demonstra serem condutas independentes. Pelo exposto, é de fácil constatação que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. Assim, não há que se falar em bis in idem, tampouco em consunção. Pelo contrário, a lei ao tipificar essas infrações, inclusive em dispositivos distintos, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Logo, não há consistência nos entendimentos que pretendem dispensar a multa isolada, por ter sido aplicada a multa genérica. A Receita Federal do Brasil editou a Instrução Normativa RFB n º 1.027 de 22 de abril de 2010 que assim dispõe em seu artigo 4º: Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 § 2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista.? Entendo inaplicável a referida Portaria por ser ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em Gfip, independentemente de o contribuinte ter pago, conforme dispõe o art. 32A da Lei n º 8.212. Uma vez que a penalidade está prevista em lei, somente quem pode dispensála é o Poder Legislativo. A interpretação da Receita Federal gera a concessão de uma anistia sem previsão em lei, o que contraria o art. 150, parágrafo 6º da Constituição Federal. A Portaria também viola o art. 182 do CTN que exige a concessão de anistia por meio de lei, além de violar os artigos 32A da Lei n º 8.212 e 44 da Lei n º 9.430. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Entendo que o novo regime (aplicação da multa de 75%) é mais gravoso. Desse modo para as competências anteriores a dezembro de 2008 (entrada em vigor da MP n 449) deve ser aplicada a multa prevista no art. 35 da Lei n 8.212. Para o período posterior à entrada em vigor da Medida Provisória n 449, cujos valores não foram declarados em Gfip há que se aplicar a multa de 75% (previsão no art. 44 da Lei 9.430). No presente caso somente estão sendo cobrados valores posteriores à entrada em vigor da MP n. 449. CONCLUSÃO: Voto pelo conhecimento do recurso e pela negativa de provimento. Marco André Ramos Vieira Fl. 375DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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