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Numero do processo: 13603.001342/2006-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2004
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, , julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria.
Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
PIS. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à contribuição para o Programa de Integração Social - PIS é de 05 anos, contado a partir da ocorrência do fato gerador, na hipótese de haver antecipação de pagamento do tributo devido.
Recurso Especial da Fazenda Nacional Negado
Recurso Especial do Contribuinte Não conhecido
Numero da decisão: 9303-004.117
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional e não conhecer do Recurso Especial do sujeito passivo, por falta de divergência jurisprudencial.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto, Henrique Pinheiro Torres,Tatiana Midori Miyiana, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas, Érika Costa Camargos, Júlio César Alves Ramos, Vanessa Cecconello e Maria Teresa Martínez.
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2004 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, , julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. PIS. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à contribuição para o Programa de Integração Social - PIS é de 05 anos, contado a partir da ocorrência do fato gerador, na hipótese de haver antecipação de pagamento do tributo devido. Recurso Especial da Fazenda Nacional Negado Recurso Especial do Contribuinte Não conhecido
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ADMISSIBILIDADE A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, , julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. PIS. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à contribuição para o Programa de Integração Social PIS é de 05 anos, contado a partir da ocorrência do fato gerador, na hipótese de haver antecipação de pagamento do tributo devido. Recurso Especial da Fazenda Nacional Negado Recurso Especial do Contribuinte Não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 13 42 /2 00 6- 01 Fl. 1959DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 13603.001342/200601 Acórdão n.º 9303004.117 CSRFT3 Fl. 1.960 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional e não conhecer do Recurso Especial do sujeito passivo, por falta de divergência jurisprudencial. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto, Henrique Pinheiro Torres,Tatiana Midori Miyiana, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas, Érika Costa Camargos, Júlio César Alves Ramos, Vanessa Cecconello e Maria Teresa Martínez. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte contra ao acórdão nº 20402.192, proferido pela 4ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, que deu parcial provimento ao Recurso reconhecendo em parte a decadência referente ao Programa de Integração Social (PIS), mantendo a exigência fiscal sobre a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), por entender que o prazo para constituição do crédito tributário é de 10 anos, não decaídos. E pelo vício no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Por outro lado, A Fazenda Nacional também interpõe Recurso Especial, sustentando que o lançamento deve ser mantido pela divergência jurisprudencial apontada e com supedâneo no prazo de 10 (dez) anos para a constituição definitiva do crédito do PIS, consubstanciado no art. 45, I, da Lei n.° 8.212/91. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: MPF. É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário. COFINS. DECADENCIA. O prazo para a Fazenda Nacional lançar o crédito pertinente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins é de dez anos, contado a partir do 1` dia do exercicio seguinte àquele em que o crédito da contribuição já poderia ter sido constituído. PIS. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à contribuição para o Programa de Integração Social PIS é de 05 anos, contado a partir da ocorrência do fato gerador, na hipótese de haver antecipação de pagamento do tributo devido. Recurso provido em parte. Contra a interessada foram lavrados os autos de infração de fls. 3125 com exigência de crédito tributário a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e de contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), respectivamente, tendo sido acrescido de juro de mora e de multa proporcional de 75%por insuficiência de recolhimento para os períodos relacionados nas fls. 6, 7, 8, 18 e 19. Fl. 1960DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 13603.001342/200601 Acórdão n.º 9303004.117 CSRFT3 Fl. 1.961 3 Podese verificar que, conforme os próprios registros contábeis e fiscais da fiscalizada, a receita da venda de mercadorias dos anoscalendário de 2001 e 2002, excluídas as devoluções de venda de mercadoria, além dos valores auferidos relativos às mercadorias sujeitas às figuras da substituição tributária ou com incidência monofásica destas contribuições (vide item seguinte deste TVF), dão origem a um crédito tributário que sobrepuja em muito os valores recolhidos/declarados pela fiscalizada, daí decorrendo a insuficiência do recolhimento de tributo que ora é lançado em procedimento de fiscalização. Tece extensa consideração sobre o MPF, transcrevendo, inclusive, legislação sobre o tema. Entende a defendente que a Fiscalização teria extrapolado o período de exame dos livros e documentos. Alega que os agentes fazendários deveriam ter apresentado, para tanto, MPF Complementar. Assim cabe a sua pronta anulação, pois que houve violação de norma procedimental. Não conformada com tal decisão, a contribuinte interpõe o presente Recurso sustentando que o Auto de Infração esta nulo por vício formal, para comprovar as divergências, em obediência ao art. 15 do Regimento á época , traz à colação, quanto à nulidade, as seguintes decisões: acórdãos 30333.871, 30334.038 e 303 33.285, todas da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. Insurgese ainda, quanto ao prazo decadencial de constituição do crédito tributário da COFINS, para tanto, utiliza como fundamento a inconstitucionalidade declarada pelo STF do art. 45 da lei nº8.212/1991. Não obstante, a Contribuinte utilizandose da prerrogativa concedida pelo art. 1º da Lei n° 11.941/2009, e em atendimento às condições estabelecidas pelo art. 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 06/2009, manifestouse pela desistência parcial do recurso especial interposto constante deste processo administrativo, conforme requerimento de fl. 1921 e planilhas anexas (fls. 1.922 e 1.924). Declara, ainda, que renuncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentam o referido Recurso. Conforme se comprova fls.1947, os períodos referente a desistência parcial acima mencionada referese aos seguintes débitos: PIS set 2001 a dezembro de 2001, janeiro de 2002 a dezembro de 2002. COFINS janeiro de 2001 a dezembro de 2001, janeiro de 2002 a dezembro de 2002, janeiro de 2003 a dezembro de 2003 e janeiro de 2004. Revisitando o Auto de Infração fls.04 a 19, verifico que a exigência fiscal quanto ao PIS referese aos seguintes períodos: 01/01/2001 a 01/12/2001, 01/01/2002 a 01/11/2002 Contudo, os meses de janeiro, fevereiro, março, abril, maio, junho, julho e agosto de 2001 estavam decaídos, conforme entendimento exarado pela turma baixa, sob o fundamento de que o termo inicial deve ser contado a partir da ocorrência do fato gerador, quando o sujeito passivo tenha antecipado o pagamento, e do 1° dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, quando não tiver havido antecipação de pagamento .ou ainda se for verificada a existência de dolo, fraude ou simulação. Por parte do sujeito passivo, neste caso, independe de ter havido ou não pagamento. O caso em análise enquadrase na hipótese do § 4° do artigo 150 do CTN, já que houve pagamento parcial, daí, o termo inicial ser a data de ocorrência do fato gerador. Posto isso, e considerando que a ciência do auto de infração fora dada em 12/09/2006, é de reconhecerse a decadência do crédito tributário pertinente a fatos geradores ocorridos até agosto de 2001. Fl. 1961DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 13603.001342/200601 Acórdão n.º 9303004.117 CSRFT3 Fl. 1.962 4 Regularmente intimada, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões. É o relatório. Voto Demes Brito Conselheiro Relator Admissibilidade e Mérito do Recurso Antes de passar à análise das matérias recursais, fazse necessário revisitar o exame de admissibilidade. Inicialmente, cabe ressaltar que a admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame de admissibilidade do Recurso Especial apresentado pelo sujeito passivo. Com efeito, para comprovar as divergência, quanto a nulidade do Auto de Infração por vicio formal, o sujeito passivo apresentou como paradigmas respectivamente, os Acórdãos nº s 30333871, 30334038 e 300333285. Quanto às divergências suscitadas, vejamos as ementas dos Acórdãos nºs 30333871 e 30334038 paradigmas, além de fragmentos dos votos em ambos os arestos, para identificar os fatos submetidos a julgamento e os entendimentos adotados pelos colegiados: "PROCESSUAL. AUSÊNCIA DE IDENTIFICAÇÃO NA NOTIFICAÇÃO. NULIDADE. Verificado a ausência de identificação do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, bem como a indicação de seu cargo e número de matrícula. Vício formal que suscita a nulidade da Notificação de Lançamento, conforme art. 11, inciso IV do Decreto n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Trata o presente processo de exigência de pagamento de ITR relativo ao exercício de 1995 do imóvel rural Fazenda Ellus Cáceres, no valor de R$ 3.046,00. A base legal que fundamenta a exigência é o artigo 14 da Lei n° 8.847/94, com redação do artigo 90 da Lei 8.981/95 e artigo 13 da Lei 9.065/95. O contribuinte impugnou o lançamento alegando que a fiscalização supervalorizou o VTN de seu imóvel, arbitrando valor causando muito acima do mercado". Acórdão Paradigma nº30334038 Fl. 1962DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 13603.001342/200601 Acórdão n.º 9303004.117 CSRFT3 Fl. 1.963 5 Processo administrativo fiscal. Nulidade. Vicio formal. É nula por vício formal a notificação de lançamento carente de identificação da autoridade que a expediu, requisito essencial, prescrito em lei. Processo que se declara nulo ab initia. Como se observa, todas as decisões paradigmas são oriundas do Terceiro Conselho. É que todas elas cuidam da figura da notificação de lançamento. As nulidades nelas reconhecidas decorrem de á peça lavrada para a exigência tributária não conter identificação da autoridade que a emitiu. Tratandose de notificação de lançamento, documento emitido internamente e não decorrente de ação fiscal externa realizada por auditor fiscal, é pacífica a jurisprudência no sentido de que deve ela ser assinada pelo Delegado da Receita Federal que a expede. As exigências de que se pretende aqui recorrer foram formalizadas por meio de autos de infração: Neste ponto, entendo que a Contribuinte não conseguiu demonstrar a necessária jurisprudência divergente. Para tanto, deveria ela exibir decisões que exigissem a assinatura do Delegado da Receita entendendose ser ele o "diretor do órgão" a que faz alusão o recurso para a validade de autos de infração lavrados em procedimento externo de fiscalização. Como se sabe, não há tal exigência legal, cabendo a assinatura tãosomente da autoridade fiscal incumbida da ação fiscal externa. Portanto não conheço do Recurso no que toca a matéria de nulidade por vício formal. Além disso, há um óbice, o qual afastei. O Recurso especial foi subscrito por advogado, ao qual foi conferido substabelecimento (fls. 1752) pelo detentor da procuração de fls. 1751. Contudo, esta procuração foi assinada por somente um dos diretores executivos da empresa autuada, em contrariedade ao expressamente disposto no respectivo contrato social, que, às fls. 1591, contém a exigência da assinatura de dois diretores para a outorga de procurações, nos seguintes termos: "Artigo XXIV; Parágrafo Primeiro: Todas as procurações deverão ser outorgadas sempre por dois Diretores, para finalidades específicas e por tempo determinado, com exceção de procuração "ad judicia", que poderia ser outorgada por tempo indeterminado." Como se observa, tratase de situações diversas, regidas por legislações distintas, de modo que não se pode atribuir a divergência de conclusões ao alegado dissídio jurisprudencial. Quanto à segunda matéria, a decadência do direito da Fazenda, o recurso demonstra a existência das decisões consubstanciadas nos acórdãos CSRF/0105610 da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, 10806908, 10812.604 ambos da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes e 20177.453, da Primeira Câmara do Segundo dentre outras. Em todas elas, reconheceuse a impossibilidade de aplicação do art. 45 da Lei 8.212/91 mesmo à COFINS, como defendi no acórdão recorrido. Entretanto, conforme demonstrado, a Contribuinte utilizandose da prerrogativa concedida pelo art. 1º da Lei n° 11.941/2009, e em atendimento às condições estabelecidas pelo art. 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 06/2009, manifestouse pela Fl. 1963DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 13603.001342/200601 Acórdão n.º 9303004.117 CSRFT3 Fl. 1.964 6 desistência parcial do recurso especial interposto, sendo parcelado os débitos oriundos a ação fiscal todos com a exigibilidade suspensa. No que tange o Recurso Especial da Fazenda Nacional dele conheço. A Fazenda Nacional sustenta que o prazo para constituição definitiva do crédito tributário do PIS é de 10 (dez), consubstanciado no art. 45, I, da Lei n.° 8.212/91. No caso concreto, enquadrase na hipótese do § 4° do artigo 150 do CTN, já que houve pagamento parcial, daí, o termo inicial ser a data de ocorrência do fato gerador. Posto isso, e considerando que a ciência do auto de infração fora dada em 12/09/2006, é de reconhecerse a decadência do crédito tributário pertinente a fatos geradores ocorridos até agosto de 2001. Além disso, os meses de janeiro, fevereiro, março, abril, maio, junho, julho e agosto de 2001 estavam decaídos, considerando que o termo inicial deve ser contado a partir da ocorrência do fato gerador, quando o sujeito passivo tenha antecipado o pagamento, e do 1° dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, quando não tiver havido antecipação de pagamento .ou ainda se for verificada a existência de dolo, fraude ou simulação. Por parte do sujeito passivo, neste caso, independe de ter havido ou não pagamento. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional e não tomar conhecimento do Recurso Especial da Contribuinte. Demes Brito É como voto é como penso. Fl. 1964DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por DEMES BRITO
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Numero do processo: 13805.013463/96-89
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA
SEGURIDADE SOCIAL — COFINS
Período de apuração: 31/10/1993 a 31/03/1996
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO DE
OFICIO. SUCUMBÊNCIA INFERIOR À ALÇADA
REGIMENTAL. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA.
Embora tenha havido sucumbência parcial da Fazenda Pública,
relativamente ao cancelamento das exigências de PIS e respectiva
multa e acréscimos, sendo o valor da sucumbência inferior ao
limite de alçada (R$ 500.000,000 - cf. Portaria MF n 375, de
07/12/2001), é incabível o recurso de oficio, operando-se a coisa
• julgada administrativa em relação às referidas matérias.
CONCOMITÂNCIA.
A discussão concomitante de matérias nas esferas judicial e
administrativa enseja a renúncia nesta, pelo princípio da
inafastabilidade e unicidade da jurisdição, salvo nos casos em que
a matéria suscitada na impugnação ou recurso administrativo se
prenda a competências privativamente atribuídas pela lei à
autoridade administrativa, como é o caso da exigibilidade do
crédito tributário constituído através do lançamento em face de
sentença denegatória de segurança e dos consectários lógicos do
seu inadimplemento, como é o caso da multa e dos acréscimos
moratórios consubstanciados no referido lançamento (arts. 142,
145, 147, 149 e 150, do CTN), que não foram objeto da
segurança.
JUROS DE MORA. SELIC. INCIDÊNCIA.
A taxa Selic é aplicável na atualização dos débitos fiscais nãorecolhidos
integralmente no vencimento da obrigação, incidindo
desde esta data, mesmo que a suspensão da exigibilidade do
crédito tributário tenha se dado em momento anterior ao
vencimento.
Recurso negado
Numero da decisão: 201-80.902
Decisão: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO
CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Fernando Luiz da Gama Lobo D´Eça
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CCO2/C0 I Brasilts, 4 if 1 Oy Zoo?? Fls. 377 &mo ÍgyEssa Mat a 91745 MINISTÉRIO DA FAZENDA • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES tv;fr PRIMEIRA CÂMARA Processo n° 13805.013463/96-89 kes Recurso n° 137.708 Voluntário cose:olet__ao 0000 Matéria Cofins t :are 00°. Acórdão n° 201-80.902 Sessão de 13 de fevereiro de 2008 Recorrente BRASILWAGEN COMÉRCIO DE VEÍCULOS S/A Recorrida DRJ em Salvador - BA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS Período de apuração: 31/10/1993 a 31/03/1996 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO DE OFICIO. SUCUMBÊNCIA INFERIOR À ALÇADA REGIMENTAL. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. Embora tenha havido sucumbência parcial da Fazenda Pública, relativamente ao cancelamento das exigências de PIS e respectiva multa e acréscimos, sendo o valor da sucumbência inferior ao limite de alçada (R$ 500.000,000 - cf. Portaria MF n 375, de 07/12/2001), é incabível o recurso de oficio, operando-se a coisa • julgada administrativa em relação às referidas matérias. CONCOMITÂNCIA. A discussão concomitante de matérias nas esferas judicial e administrativa enseja a renúncia nesta, pelo princípio da inafastabilidade e unicidade da jurisdição, salvo nos casos em que a matéria suscitada na impugnação ou recurso administrativo se prenda a competências privativamente atribuídas pela lei à autoridade administrativa, como é o caso da exigibilidade do crédito tributário constituído através do lançamento em face de sentença denegatória de segurança e dos consectários lógicos do seu inadimplemento, como é o caso da multa e dos acréscimos moratórios consubstanciados no referido lançamento (arts. 142, 145, 147, 149 e 150, do CTN), que não foram objeto da segurança. JUROS DE MORA. SELIC. INCIDÊNCIA. A taxa Selic é aplicável na atualização dos débitos fiscais não- recolhidos integralmente no vencimento da obrigação, incidindo desde esta data, mesmo que a suspensão da exigibilidade do 6P1/4.k vta MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRCUINIES • CCNEkRE COM O ORIGINAL Processo n.° 13805.013463/96-89 CCO2/031 Acórdão n.° 201-80.902 Brasítia,__,I#J Fls. 378 Sirvio ,argcsa Mal: 50e. 91745 crédito tributário tenha se dado em momento anterior ao vencimento. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. SkaJt.C. a03-EL kt MARIA HO MARQUE - Presidente \i-lAA °IN], Cipt(SdaW1H FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Mauricio Taveira e Silva e José Antonio Francisco. Ausentes os Conselheiros Antônio Ricardo Accioly Campos e Gileno Gurjão Barreto. MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.° 13805.013463/96-89 CONFERE COM O CRIGiNM. CCOVC0i Acórdão n.° 201-80.902 BraslEs. le.._/701. Fls. 379 SM) Barbosa Ma: 5:39, 91745 Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 186/196, vol. II) contra o v. Acórdão DRJ/SDR n2 03.762, de 19/09/96, constante de fls. 167/172 (vol. I), exarado pela Colenda Turma da DRJ de Salvador - BA, que, por unanimidade de votos, houve por bem considerar procedente em parte o lançamento original de Cofins (fls. 01/13), notificado em 10/04/96 (fl. 14 v2), no valor total de R$ 15.251,17 (Cofms: R$ 7.192,54; juros de mora: R$ 866,09; multa proporcional de 100%: R$ 7.192,54), que acusou a ora recorrente de falta de recolhimento da Cofins no período de 31/10/93 a 31/03/96. Em razã desses fatos a d. Fiscalização considerou infringidos os arts. 1 2 a 52 da LC n2 70/91 e ainda exigíveis a multa de 100%, capitulada no art. 42, inciso I, da MP ri9 298, convertida na Lei n2 8.218/91, e juros de mora. Em sua defesa oportunamente apresentada a recorrente esclarece que: "Não foram efetuados recolhimentos relativos aos fatos geradores dos meses de outubro, novembro e dezembro de 1993, simplesmente porque nada era devido á Fazenda Nacional, tendo em vista a compensação, que foi procedida pela autuada, com créditos que possuía junto á União Federal, relativos a pagamentos a maior da contribuição para o FINSOCIAL, anteriores a março de 1.991. A autuada efetuou tal compensação, no valor de Cr$ 56.043.811 26 (400.697,27 UFIR's), autorizada e amparada pela Lei 8.383/91 e especialmente pela medida liminar concedida pelo MM Juiz de Direito, nos autos da Medida Cautelar n°93.0025096-5 que tramita pela 5° Vara Federal da Seção Judiciária de São Paulo, a qual, embora julgada improcedente em primeira instância, juntamente com a ação principal, encontra-se ainda pendente de julgamento, em grau de recurso (Apelação), estando ambos os autos no Egrégio Tribunal Regional Federal da 3 0 Região, sob n c's 95.03.075870-0 e 95.03.075869-6, tudo conforme demonstram as inclusas xerocópias (docs. 2/5). 3. DOS FATOS GERADORES OCORRIDOS NOS MESES DE JANEIRO A DEZEMBRO DE 1994. Quanto a esses fatos geradores, os recolhimentos do imposto já foram efetuados, nada mais sendo devido à Fazenda NacionaL É que a base de cálculo adotada pelo Sr. AF7'N para a apuração do imposto devido, não se prestava ao fim colimado pelo mesmo, posto que engloba faturamentos tanto da matriz, ora autuada, como da filial que possui CGC diferente e negocia apenas veículos usados. Com efeito, na Declaração de Imposto de Renda/Pessoa Jurídica, em que se baseou o Sr. fiscal, estão compreendidos ambos os faturamentos, da matriz e da filiaL Assim, inadvertidamente o Sr. fiscal usou desses dados, constantes do IRPJ, para apurar a diferença que entende , devida, sem se ater que o imposto já havia sido recolhido e sem 19solicitar os respectivos comprovantes do que seria devido pela ( mencionada filial. 4,(01 MF • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • CONFERE COM O ORIGINAL Processo n.° 13805.013463/96-89 )/ CCO2/C01Acórdão n.°201-80.902 BrastEa, 0 uma. r.rb Fls. 380 Mat: S;ape 91745 A falta dessa necessária exigência fez com que julgasse ele não ter sido recolhido o imposto, o que não condiz com a realidade, já que as diferenças apuradas foram devidamente recolhidas pela filial (sede à Rua Climaco Barbosa, n°494/500). conforme fazem prova os inclusos DAR F's (docs. 6/26). Portanto, repita-se, não é devido qualquer imposto decorrente dos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro a dezembro de 1.994, face aos recolhimentos devidamente efetivados. 4. DOS FATOS GERADORES OCORRIDOS NOS MESES DE DEZEMBRO/95 E MARÇO/96. No tocante ao mês de dezembro/95, o recolhimento deu-se a menor, tendo em vista que a autuada efetuou compensação com recolhimento que fizera a maior no mês anterior (novembro/95), com base na Lei n° 8.383/91, no valor de R$ 426,00, conforme fazem prova os inclusos DAR F's e DCTF (docs. 27/29). Com relação ao mês de março/96, igualmente o recolhimento foi a menor, tendo em vista a compensação com o que havia recolhido a maior no mês anterior (fevereiro/96), no valor de R$ 6.769,50, conforme comprovam os inclusos DARFs e DCTF (documentos 30/34)." Em diligência levada a efeito no estabelecimento da recorrente, no Termo de Diligência de fls. 156/158 a d. Fiscalização reconhece a procedência das alegações da recorrente nos seguintes termos: "TERMO DE DILIGÊNCIA Em cumprimento ao despacho exarado às fls. 117, compareci ao estabelecimento do contribuinte acima indicado, com a finalidade de coletar as informações e os esclarecimentos necessários para dirimir as dúvidas suscitadas às fls. 116 e 117, pela digna Relatora da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador. Os trabalhos foram iniciados com a lavratura do Termo de Solicitação de Documentos, fls. 121, em resposta ao qual o contribuinte apresentou o DEMONSTRATIVO DA BASE DE CÁLCULO DO COFINS, fls. 122/123 e cópia dos Documentos de Arrecadação de Receitas Federais - DARF, fls. 126 a 135 e 138 a 146, informando verbalmente não ter requerido à Receita Federal o recolhimento centralizado da COFINS. Analisando os documentos apresentados, constata-se que: a) Pelo Quadro Demonstrativo n°03, fls. 150, o contribuinte recolheu integralmente os valores relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS, correspondente aos meses de janeiro a dezembro de 1994, cujos recolhimentos foram confirmados mediante consulta ao programa SINAL 08, conforme as telas do sistema, fls. 124, 125, 136 e 137. b) Relativamente aos meses de outubro, novembro e dezembro de 1993, tAigos valores devidos pela filial foram efetivamente recolhidos, restando ainda valores a recolher devidos pela matriz, correspondentes aos MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COMO ORIGINAL Processo n.° 13805.013463/96-89 GCO2/CD1 Acórdão n.° 201-80.902 Brasilia, dr/ O C.a? Fls. 381 siva ' .. Una Mat.. Stspit 91745 meses de outubro de 1993 no valor equivalente a 114.364,07 UFIR, novembro de 1993 no valor equivalente a 177.650,65 UF1R e dezembro de 1993 no valor equivalente a 110.031,63 UFIR, perfazendo o total de 402.046,35 UFIR. Pelo TERMO DE SOLICITAÇÃO DE ESCLARECIMENTOS, fls. 147,0 contribuinte foi intimado a comprovar se os valores devidos foram objeto de compensação, ou se existe alguma razão, de fato ou de direito, que justifique a redução do recolhimento da COF1NS. Em resposta a essa intimação, o representante do contribuinte informou verbalmente que os valores devidos não foram compensados, encontrando-se 'sub _ledice 'e, portanto, pendentes de decisão judicial e que a expedição da certidão de objeto e pé e de cópia das decisões proferidas no processo judicial demoraria cerca de 30 dias. Todavia, às fis. 64, tem-se uma cópia da liminar concedida nos autos do processo judicial n°93.0025096-5, onde se verifica que a Justiça Federal reconheceu o direito do contribuinte para compensar as parcelas recolhidas a maior do Finsocial com débitos de contribuições da mesma espécie (PIS e COFINS); e às P. 107, tem-se a cópia da certidão de objeto e pé, fls. 107, onde se verifica que na Ação Cautelar n° 92.0049345-9, também lhe foi concedida medida liminar suspendendo a exigibilidade do recolhimento da Contribuição Social instituída pela Lei Complementar n°70/91, COFINS, mediante depósito judicial. Pelas medidas judiciais acima referidas conclui-se que a COF1NS devida pelo contribuinte, não se encontra 'sub júdice s, nem tiveram a sua exigibilidade suspensa pelas mencionadas decisões judiciais. Respondendo de forma conclusiva os quesitos formulados às fis. 116/117, podemos afirmar que não existe a centralização de recolhimentos para este contribuinte, e que os valores devidos, após computados os pagamentos das filiais, referem-se apenas ao estabelecimento matriz. Face ao exposto, proponho, salvo melhor juízo, que o crédito tributário constituído pelo Auto de Infração de fis. 01 e 02, seja: I) modificado nos valores relativos aos meses de outubro, novembro e dezembro de 1993, tendo em vista os recolhimentos parciais demonstrados às fls. 150. Mês Lançado Exonerado Mantido Outubro/93 (27.730,67 13.366,60 114.364,07 Novembro/93 194.961,46 17.310,8 I 177.650,65 Dezembro/93 127.358,68 17.327,05 110.031,63 Total 450.050,81 48.004,46 402.046,35 2) exonerado nos valores correspondentes aos meses de janeiro a dezembro de 1994, dezembro de 1995 e março de 1996, conforme demonstrado no Quadro Demonstrativo n°3, fls. 150. jDou por concluída a diligência solicitada pela Relatora às fls. 117, ressaltando que, por se tratar de proposta para reduzir o crédito C tributário constituído mediante auto de infração, deixo de reabrir o SA'.5N1/4- ME- SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Processo n.° 13805.013463/96-89 CCO2/C01 Acórdão n.° 201-80.902 Brasão g y• Fls. 382 amo ,02?..rSosa Mat.: S...pa 91745 prazo para impugnação, por não se verificarem os pressupostos do § 3° do art. 18 do Decreto n°70.235/72." Reconhecendo expressamente que a impugnação atendia aos requisitos de admissibilidade e acolhendo a proposta da d. Fiscalização, a r. Decisão de fls. 167/172 (vol. D, exarada pela DRJ em Salvador - BA, houve por bem considerar procedente em parte o lançamento original de Cofins, aos fundamentos sintetizados em sua ementa nos seguintes termos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/10/1993, 30/11/1993, 31/12/1993, 31/12/1993, 31/01/1994, 28/02/1994, 31/03/1994, 30/04/1994, 31/05/1994, 30/06/1994, 31/07/1994, 31/08/1994, 30/09/1994, 31/10/1994, 30/11/1994, 31/12/1994, 31/12/1995, 31/03/1996 Ementa: FALTA DE RECOLHIMENTO. Apurada a falta de recolhimento da Cofins, é devida sua cobrança, com os encargos legais correspondentes. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COMPENSAÇÃO. EXISTÊNCIA E EXERCÍCIO DE DIREITO NÃO-COMPROVADOS. É de se manter o Lançamento de oficio quando não restar comprovado que a alegada compensação foi de fato adotada tempestiva e espontaneamente. MULTA DE OFÍCIO. REDUÇÃO. A multa de oficio aplicada deve ser reduzida de 100% para 7554 por força da alteração na legislação de regência. Lançamento Procedente em Parte". Em suas razões de recurso voluntário (fls. 186/196, vol. II) instruido pela Relação de Bens e Direitos para Arrolamento (fls. 357 e 372) a ora recorrente sustenta a insubsistência da autuação e da decisão de l a instância na parte em que a manteve, repisando os argumentos expendidos na impugnação, tendo em vista que o crédito tributário teria sido extinto por meio da compensação com os valores recolhidos a maior, vez que os valores teri aw sido declarados em DCTF, pelo que não seria devida a multa punitiva. \ É o Relatório. Á t, 7 • 1W - SC-WIDO CONSELHO DE CONTRIDLINTW Processo n.° 13805.013463/96-89 CONFEE CUJO OntSINAL CCO2/C01 Acórdão n.° 201-80.902 Fls. 383Brasil& y y 511.04 akarbosa Mat. Siam 91745 Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator O recurso voluntário (fls. 186/196, vol. II) reúne as condições de admissibilidade e, no mérito, não merece provimento. Inicialmente, anoto que, embora tenha havido sucumbência parcial da Fazenda Pública, relativamente ao cancelamento da exigência da multa de oficio, sendo o valor da sucumbência inferior ao limite de alçada (R$ 500.000,000 - cf. Portaria MF ni? 375, de 07/12/2001), o d. Presidente da Colenda 4 1 Turma da DRJ em Salvador - BA deixou de interpor o recurso de oficio, operando-se a coisa julgada administrativa em relação às referidas matérias, remanescendo apenas a discussão do mérito das exigências de Cofins e juros à taxa Selic, mantidos pela r. decisão recorrida. Da mesma forma, desde logo, verifica-se que a mera existência de sentença em Medida Cautelar e Declaratória assegurando a compensação antes da autuação já impede o reexame da mesma matéria de mérito objeto do presente recurso, que sequer poderia ser reapreciada na instância administrativa, seja porque, de acordo com a lei processual, "nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas, relativas à mesma lide" (art. 471 do CPC), sendo "defeso à parte discutir, no curso do processo, as questões já decididas" (art. 473 do CPC), seja ainda porque, havendo concomitância de discussão, esta Colenda Câmara tem reiteradamente proclamado que "a discussão concomitante de matérias nas esferas judicial e administrativa enseja a renúncia nesta pelo princípio da inafastabilidade e unicidade da jurisdição" (cf. Acórdão n1 201-77.493, Recurso ri ça 122.188, da 11 Câmara do 21 CC, em sessão de 17/02/2004, rel. Antonio Mario de Abreu Pinto; cf. também Acórdão ri 2 201-77.519, Recurso rt2 122.642, em sessão de 16/03/2004, rel. Gustavo Vieira de Melo Monteiro). Nesse sentido a jurisprudência dominante do 1 2 CC cristalizada na Súmula n2 1, recentemente aprovada, que expressamente dispõe: "importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." (cf. DOU-1 de 26/6/2006, p. 26, e RDDT vol. 132/239). Note-se que nem mesmo a hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário poderia obstar o lançamento tributário, pois, como já assentou a jurisprudência uniforme do Egrégio STJ, "a suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial impede o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito de lançar" (cf. Acórdão da 12 Seção do STJ nos Emb. de Divergência no REsp n2 572.603-PR, Reg. n2 2004/0121793-3, em sessão de 08/06/2005, rel. Min. Castro Meira, publ. in DJU de 05/09/2005, p. 199, e in RDDT vol. 123, p. 239), eis que "o prazo para lançar não se sujeita a suspensão ou interrupção, sequer por ordem judicial." (cf. Acórdão da 2! Turma do STJ no REsp n2 119.986-SP, Reg. n2 1997/0011016-8, em sessão de 15/02/2001, rel. Min. Eliana Calmon, publ. in NU de 09/04/2001, p. 337, e in RSTJ, vol. 147, p. 154), sendo certo que a procedência ou improcedência do débito principal objeto do lançamento já se encontra adredemente vinculada hobt à sorte da decisão final dos processos judiciais. I\OLL ME SEGUNDO CONSEU-I0 DE CONTRIBUINTES • CONFERE COM O ORIGINAL Processo n.0 13805.013463/96-89 dli CCO2/031 Acórdão n.° 201-80.902 BrasIka 12 l/ faaS- Fia. 384 sirva atiEfattOMI Mat.: Slepe 91745 Entretanto, o mesmo não se pode dizer das matérias objeto da impugnação ou recurso administrativo que, sendo meras conseqüências do processo judicial e prendendo-se a competências privativamente atribuídas pela lei à autoridade administrativa (ex-vi dos arts. 142, 145, 147, 149 e 150, do CTN) - como é o caso dos efeitos da sentença denegatória de segurança quanto à exigibilidade do crédito tributário constituído através do lançamento excogitado e dos consectários lógicos do seu inadimplemento, como é o caso da multa e dos acréscimos moratórios consubstanciados no referido lançamento -, não foram objeto da segurança, em razão do que passo a examinar. Nessa ordem de idéias, inicialmente, releva notar que não se tem como compensadas as importâncias do auto de infração inseridas posteriormente em DCTF, eis que, não tendo cumprido o procedimento legalmente previsto para que se efetivasse a compensação e a conseqüente homologação do lançamento exigidas pela lei, ao contrário do que açodadamente aduz a ora recorrente, não há como afirmar que aquelas importâncias exigidas no auto de infração tenham sido quitadas por compensação com supostos créditos oriundos de outros tributos administrados pela SRF, o que, de plano, afasta a alegada extinção do crédito tributário e reforça a procedência tanto do auto de infração como da r. decisão recorrida que o manteve, tal como reiteradamente proclamado na jurisprudência deste Egrégio Conselho citada na decisão recorrida, cujas ementas se reproduz: "COFINS. AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE RECOLHIMENTO. COMPENSAÇÃO. Não é cabível a alegação de compensação sem comprovação do procedimento e como defesa em auto de infração. Recurso negado." (Acórdão n2 201-76.411 - 18/09/2002) "COFINS. (...). COMPENSAÇÃO. A compensação é um direito discricionário da contribuinte, podendo ela exercê-lo ou não. Mas, se o fizer, deve seguir as normas regulamentares que regem a matéria. (..). COMPENSAÇÃO NÃO COMPROVADA. Não havendo comprovação de compensação alegada pela contribuinte, antes da lavratura da Peça Infracional, é cabível o lançamento de oficio dos valores não recolhidos. Recurso provido em parte." (Acórdão n2 202-14.945 - 02107/2002) "COFINS. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Cabe ao Contribuinte o ônus de provar o que alega. Não tendo este instruído o processo com a documentação necessária à comprovação dos seus argumentos, tomam-se insubsistentes e vazias as razões formuladas. MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. A exacerbação do lançamento pela aplicação da multa de oficio no percentual 75% tem o devido suporte legal na legislação de regência (inciso I, art. 44, da Lei n°9.430/96). Recurso negado." (Acórdão n2 203-09.342 - 02/12/2003) "(..) COFINS - COMPENSAÇÃO - AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO - A mera afirmação, sem provas, da realização da compensação não autoriza a mesma ser considerada para os efeitos de fixação do crédito tributário exigido em auto de infração. Recurso negado." (Acórdão n2 203-07.160 - 20/03/2001) "COFINS. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A compensação é opção do contribuinte. O fato de este ser detentor de créditos junto à Fazenda Nacional não invalida o lançamento de oficio relativo a débitos posteriores, quando não restar comprovado, por meio de Lbt)1/4-' MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES• Processo n.° 13805.013463/96-89 CONFERE COM O ORIGINAL CCOVC01 Acórdão n.°201-80.902 Brasília, A y 7002 Fls. 385 S Mo S ,dtxos. a Mat.: Sta 91745 documentos hábeis, ter exercido a compensação antes do inicio do procedimento de oficio. (..). Recurso parcialmente provido." (Acórdão n9 202-15.007 - 13/08/2003) No que toca à multa de 100%, é inquestionável o acerto da r. decisão recorrida na aplicação do princípio da retroatividade benigna, consagrado no art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN, que expressamente determina deva ser aplicada a lei nova a fato pretérito para reduzi-Ia, aplicando-se a multa de 75%, prevista no inciso I do art. 44 da Lei n 2 9.430/96. No que toca à incidência dos acréscimos moratórios calculados à taxa Selic, também são devidos, como expressamente admite a jurisprudência do Egrégio STJ, que já se pacificou no sentido da constitucionalidade e legalidade da aplicação da taxa Selic na atualização dos débitos fiscais não-recolhidos integralmente no vencimento (cf. Acórdão da 12 Seção do STJ nos Emb. de Div. no REsp n2 426.967-MG, Reg. n2 2005/0080285-4, em sessão de 09/08/2006, rel. Min. Denise Arruda, publ. in DJU de 04/09/2006, p. 218), sendo "devido, dessarte, o pagamento de juros de mora desde o vencimento da obrigação e correção monetária, mesmo que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário tenha se dado em momento anterior ao vencimento" (cf. Acórdão da 22 Turma do STJ no REsp n2 208.803-SC, Reg. n2 1999/0025864- 9, em sessão de 11/02/2003, rel. Min. Franciulli Netto, publ. in DJU de 02/06/2003, p. 232). Isto posto voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário (fls. 186/196, vol. II) para manter a r. Decisão de fls. 167/172 (vol. I) da Colenda 4 2 Turma da DRJ em Salvador - BA. É como voto. Sala das Sessões, em 13 de fevereiro de 2008. POVV10(/14C1Ceadr FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA ji • Page 1 _0001500.PDF Page 1 _0001700.PDF Page 1 _0001900.PDF Page 1 _0002100.PDF Page 1 _0002300.PDF Page 1 _0002500.PDF Page 1 _0002700.PDF Page 1 _0002900.PDF Page 1
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Numero do processo: 10680.015517/2008-19
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2003, 2004
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE COMUM. CABIMENTO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I, do CTN, quando demonstrado, mediante conjunto de elementos fáticos convergentes, que os responsabilizados não apenas ostentavam a condição de sócios de fato da autuada, como estabeleceram entre ela e outras empresas de sua titularidade atuação negocial conjunta.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, DO CTN. ADMINISTRADOR DE FATO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE PESSOAS. CABIMENTO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão da prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos do art. 135, III, do CTN, quando demonstrado, mediante conjunto de elementos fáticos convergentes, que os responsabilizados ostentavam a condição de administradores de fato da autuada, bem como que houve interposição fraudulenta de pessoa em seu quadro societário.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO CONCORRENTE DOS ARTS. 124, I, E 135, III, DO CTN. POSSIBILIDADE. Não se vislumbra qualquer óbice à imputação de responsabilidade tributária aplicando-se, de forma concorrente os arts. 124, I, e 135, III, do CTN.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9101-002.349
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luis Flávio Neto, Nathália Correia Pompeu e Maria Teresa Martinez Lopez. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte, e no mérito, por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento, nos termos do voto da relatora. Votaram pelas conclusões em relação ao Recurso Especial do Contribuinte, os conselheiros Luiz Flávio Neto, Ronaldo Apelbaum (suplente convocado), Nathália Correia Pompeu, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez.
(Assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
(Assinado digitalmente)
ADRIANA GOMES RÊGO - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES RÊGO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA (Suplente Convocado), ANDRÉ MENDES DE MOURA, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, NATHALIA CORREIA POMPEU, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ e CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE COMUM. CABIMENTO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I, do CTN, quando demonstrado, mediante conjunto de elementos fáticos convergentes, que os responsabilizados não apenas ostentavam a condição de sócios de fato da autuada, como estabeleceram entre ela e outras empresas de sua titularidade atuação negocial conjunta. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, DO CTN. ADMINISTRADOR DE FATO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE PESSOAS. CABIMENTO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão da prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos do art. 135, III, do CTN, quando demonstrado, mediante conjunto de elementos fáticos convergentes, que os responsabilizados ostentavam a condição de administradores de fato da autuada, bem como que houve interposição fraudulenta de pessoa em seu quadro societário. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO CONCORRENTE DOS ARTS. 124, I, E 135, III, DO CTN. POSSIBILIDADE. Não se vislumbra qualquer óbice à imputação de responsabilidade tributária aplicandose, de forma concorrente os arts. 124, I, e 135, III, do CTN. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Recurso Especial do Procurador Provido. Recurso Especial do Contribuinte Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 55 17 /2 00 8- 19 Fl. 11254DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 9101002.349 CSRFT1 Fl. 11.255 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Luis Flávio Neto, Nathália Correia Pompeu e Maria Teresa Martinez Lopez. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte, e no mérito, por unanimidade de votos, em negarlhe provimento, nos termos do voto da relatora. Votaram pelas conclusões em relação ao Recurso Especial do Contribuinte, os conselheiros Luiz Flávio Neto, Ronaldo Apelbaum (suplente convocado), Nathália Correia Pompeu, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez. (Assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente (Assinado digitalmente) ADRIANA GOMES RÊGO Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES RÊGO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA (Suplente Convocado), ANDRÉ MENDES DE MOURA, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, NATHALIA CORREIA POMPEU, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ e CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO. Relatório FAZENDA NACIONAL e CLÁUDIO FERNANDO STEIN PENA e CARLOS OTÁVIO STEIN PENA (responsáveis tributários em autuação fiscal contra a empresa NUTRILÍNEA PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA) recorrem a este Colegiado, por meio dos Recursos Especiais de efls. 683/718 e 11.066 e seguintes, respectivamente, contra o acórdão de nº 130200.655 (efls. 627/678), que, pelo voto de qualidade, deu provimento parcial ao recurso voluntário e reconheceu a caducidade do direito de se efetuar o lançamento em relação aos fatos geradores ocorridos até novembro de 2002, reduziu a multa de ofício aplicada para 150%, retificou de ofício o percentual de determinação do lucro arbitrado referente às receitas decorrentes de depósitos de origem não comprovada de 12% para 9,6% e determinou que na execução da decisão sejam cobrados juros de mora de 1% sobre a multa de ofício aplicada. Transcrevese a ementa do acórdão recorrido: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2003, 2004 Ementa:ARBITRAMENTO.INTIMAÇÃO. PROCEDÊNCIA. Fl. 11255DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 9101002.349 CSRFT1 Fl. 11.256 3 Restado demonstrado nos autos que a autoridade fiscal, em perfeita consonância com a legislação de regência, cuidou de intimar o contribuinte a apresentar os livros de escrituração obrigatória e respectiva documentação de suporte, há de se rejeitar o argumento de que a apuração da base de cálculo se deu de forma irregular. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. Tratandose de aplicação das disposições contidas no inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional, o termo inicial da contagem do prazo de cinco anos é o 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, inexistindo suporte legal para que tal contagem se dê a partir da data da entrega da declaração. MULTA AGRAVADA. A aplicação da norma que impõe o agravamento da penalidade, na hipótese do não atendimento, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos, não pode ser feita desprezandose as circunstâncias e os efeitos do não atendimento. No caso vertente, em que as circunstâncias conduziram . a autoridade autuante A direcionar a sujeição passiva para terceiros, e os efeitos representam o próprio motivo que levou ao arbitramento do lucro, o agravamento não deve subsistir. MULTA QUALIFICADA. FUNDAMENTOS. Ainda que se possa identificar algumas impropriedades na caracterização da conduta, do contribuinte por parte do responsave pela ação fiscalizadora, se foram reunidos aos autos elementos comprobatórios de prática dolosa da infração para a qual se cominou penalidade mais gravosa, há que se rpanter a exasperação da multa lançada que teve por base tal fundamento. PRECLUSÃO. A luz do que dispõe o artigo 17 do Decreto n° 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei n° 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerarseá não impugnada. Decorre dai que, lido tendo sido objeto de impugnação, carece competência A. autoridade de segunda instância para dela tornar conhecimento em sede de recurso voluntário. Não obstante, tratandose de erro material na determinação da base de cálculo do tributo, há que se retificar, de oficio, o lançamento tributário efetivado. MULTA DE OFÍCIO. JUROS MORATÓRIOS. Na execução das decisões administrativas, os juros de mora à taxa selic só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. Sobre a referida multa podem incidir juros de mora à taxa de 1% ao mês, contados a partir do vencimento do prazo para impugnação. RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA. FUNDAMENTOS LEGAIS. CONSTATAÇÃO FATICA. PROCEDÊNCIA. Se a autoridade responsável pelo procedimento de fiscalização logra êxito na demonstração da relação direta de determinadas pessoas com as situações que constituem fatos geradores das Fl. 11256DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 9101002.349 CSRFT1 Fl. 11.257 4 obrigações tributárias, resta configurada a solidariedade estampada no art. 124, I, do Código Tributário Nacional, sendo autorizada, assim, a inclusão de referidas pessoas no polo passivo das obrigações constituídas por meio de Termo de Sujeição Passiva Solidária Não macula o feito o fato de a imputação fazer referência, também, às disposições do artigo 135 do mesmo diploma legal. Irresignados com o acórdão supra, tanto os responsáveis tributários quanto o contribuinte apresentaram Embargos de Declaração (efls. 730/743 e 769/786, respectivamente), os quais não foram acolhidos, conforme consta nos acórdãos abaixo: 1302000.990 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2003, 2004 EMBARGOS. ADMISSÃO. Rejeitamse os embargos se não demonstrada a obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou omissão de ponto sobre o qual devia terse pronunciado a turma. 1302001.429 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003, 2004 EMBARGOS. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Não se conhecem de embargos quando visível a inexistência de omissão, contradição ou obscuridade. Em seu recurso especial, a Fazenda Nacional aponta divergência quanto à matéria dos Juros de Mora Taxa Selic, trazendo à baila os acórdãos 910100.539 e CSRF/04 00.651, cujas ementas são as seguintes: 910100.539 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. CSRF/0400.651 JUROS DE MORA — MULTA DE OFICIO — OBRIGAÇÃO PRINCIPAL — A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Aduz a Fazenda que no acórdão recorrido, o colegiado entendeu que nas expressões "débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições" e "débitos a que se refere este artigo", constantes, respectivamente, do caput e do § 3º do art. 61 da Lei nº Fl. 11257DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 9101002.349 CSRFT1 Fl. 11.258 5 9.430/96, estão incluídos os créditos tributários devidos à União, então haveria cobrança de multa de mora sobre a multa de ofício, já que o caput do mesmo art. 61 manda acrescer a tais débitos "multa de mora, calculada a taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso", o que contrariaria o disposto no art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999). Indo além, sustenta que, diferentemete dos juros de mora e da multa de mora, as multas de ofício têm prazo para pagamento, sendo de trinta dias após a ciência do lançamento pelo sujeito passivo, inferindose que incidem sobre as referidas multas os juros moratórios defendidos. Refere também que incidem juros de mora sobre a Dívida Ativa da União, razão pela qual seria incoerente afastar tal incidência quando ainda segue a discussão administrativa. E acrescenta que os arts. 29 e 30 da Lei 10.522/2002 (conversão da MP 1.621 3198) determinam a incidência da taxa SELIC sobre débitos de qualquer natureza devidos à União. Pede, ao final, que seja reformado o acórdão hostilizado, reconhecendose "a incidência de juros de mora, pela taxa Selic, sobre a multa de ofício lançada". O recurso foi admitido por meio do Despacho de efls. 719/722. Houve a apresentação de Contrarrazões por parte dos responsáveis solidários (efls. 744/755), em que aduzem que a divergência suscitada pela Fazenda Nacional está superada devido ao acórdão nº 910100.722, que conclui que "os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando a multa de ofício aplicada", deixando assentado que a expressão "débitos decorrentes de tributos e contribuições" (art. 61, § 3°, da Lei n° 9.430/96) não dá azo à aplicação da taxa SELIC sobre a multa de oficio cobrada. Quanto ao Recurso Especial dos responsáveis solidários, o dissenso jurisprudencial é suscitado quanto ao tema da Responsabilidade Tributária Solidariedade, sendo apresentado como paradigma o acórdão nº 10421.662, cuja ementa segue abaixo reproduzida, juntamente com o voto condutor na parte e interesse: 10421.662 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA APONTADA NA AUTUAÇÃO POSSIBILIDADES DIREITO AO CONTRADITÓRIO Tratandose de imputação de responsabilidade solidária com fundamento no art. 124, I do CTN, a circunstância deve ser explicitada no auto de infração e a pessoa indigitada como responsável solidária deve ser expressamente notificada desse fato, abrindoselhe a oportunidade do exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. HIPÓTESES DE IMPUTAÇÃO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. — A imputação de responsabilidade solidária por crédito tributário só pode ocorrer nas hipóteses e nos limites fixados na legislação, que a restringe às pessoas expressamente designadas em lei e àquelas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. A exigência de tributação exclusivamente na fonte, com base no art. 61 da Lei n° 8.981, de 1995, é incompatível com a imputação de responsabilidade solidária a terceiros por suas meras participações, como prepostos ou administradores, nos acontecimentos que Fl. 11258DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 9101002.349 CSRFT1 Fl. 11.259 6 caracterizaram o pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. Voto Condutor Notese que não se trata, no caso concreto em exame, de solidariedade atribuída a pessoas expressamente designadas em lei, mas, como dito nos fundamentos da autuação, a pessoas que, de acordo com o entendimento da autoridade lançadora, teriam interesse comum no fato gerador do imposto, um por ser diretor presidente, com poderes de decisão sobre a gestão da empresa; outro, por ter assinado, como procurador, cheques com os quais foram feitos pagamentos objeto da autuação. Ora, o entendimento da autoridade administrativa quanto a esse aspecto da matéria tributária é passível de contestação, da mesma forma que os demais aspectos do lançamento, sendo legítimos para se opor às conclusões da autoridade lançadora os indigitados responsáveis solidários. (...) Em suas razões recursais, os responsáveis explanam que, diferentemente do que conclui o acórdão recorrido, não se pode aplicar simultaneamente os art. 124, I, e 135, III, do CTN e que nenhum desses dispositivos autorizaria a responsabilização de terceiros. Há um cotejo entre os trechos dos acórdãos dissidentes, em que um entende que se deva aplicar os artigos supra, enquanto que o outro afasta. Ao final, os Recorrentes pedem "que o presente recurso especial seja admitido e provido para que prevaleça o que foi decidido no acórdão nº 10421662, determinandose a exclusão dos dois irmãos do pólo passivo da autuação fiscal". O recurso dos responsáveis tributários foi admitido através do Despacho de e fls. 11.209/11.220, não havendo apresentação de contrarrazões por parte da Fazenda Nacional. Neste mesmo despacho, foi apreciado o Recurso Especial interposto pela Contribuinte, o qual teve seu seguimento negado. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Relatora Recurso Especial da Fazenda Nacional O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. Embora não reste claro se nas Contrarrazões, ao alegarem que "a divergência jurisprudencial suscitada no recurso especial está ultrapassada" em razão de haver decisão da CSRF em sentido divergente dos paradigmas, os responsáveis tributários estão questionando a admissibilidade do recurso fazendário, cumpre observar que tal fato não implica inadmissibilidade do recurso. Isso posto, temse que recentemente esta 1ª Turma da CSRF se pronunciou sobre o tema da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, em acórdão de minha Fl. 11259DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 9101002.349 CSRFT1 Fl. 11.260 7 relatoria (nº 9101002.209, de 03/02/2016), decidindo, por maioria de votos, pela incidência, à taxa SELIC, conforme razões a seguir. A Lei nº 9.430, de 1996, estabelece, em seu art. 61, § 3º, que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal incidirão juros de mora à taxa SELIC. Vejase (sublinhei): Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. De outra banda, está estampado na Súmula CARF nº 5 que são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento. Confirase (sublinhei): Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Ora, dos arts. 113, § 1º, e 139 do CTN deflui que o crédito tributário, que decorre da obrigação principal, compreende tanto o tributo em si quanto a penalidade pecuniária, o que inclui, à toda evidência, a multa de oficio proporcional de caráter punitivo. Vale transcrever os dispositivos (sublinhei): Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Sendo assim, outra não pode ser a interpretação da expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições” expressa no retrotranscrito art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, senão a de que abarca a integralidade do crédito tributário, incluindo a multa de oficio proporcional punitiva, constituída por ocasião do lançamento. Este é, aliás, o entendimento do Superior Tribunal de Justiça STJ, como se vê no julgamento do Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.335.688/PR, em 4/12/2012, Relator Min. Benedito Gonçalves (sublinhei): AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE Fl. 11260DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 9101002.349 CSRFT1 Fl. 11.261 8 MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido Vale destacar o seguinte trecho da decisão: Quanto ao mérito, registrou o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região à fl. 163: "... os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, é possível a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento." Conforme o antes transcrito § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, a taxa aplicável ao débitos de que aqui se trata, aí incluídos, como se viu, os decorrentes da aplicação de multa de ofício, é aquela "a que se refere o § 3º do art. 5º", qual seja a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Vejase: Art. 5º (...) §3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. É de se dar provimento, portanto, ao recurso da Fazenda Nacional. Recurso dos Responsáveis Tributários O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. O recurso especial que aqui se julga foi interposto por CLÁUDIO FERNANDO STEIN PENA e CARLOS OTÁVIO STEIN PENA, a quem foi imputada responsabilidade tributária em autuação fiscal contra a empresa NUTRILÍNEA PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA (como antes relatado, o recurso especial da empresa não foi admitido), não alcançando as infrações cometidas pela empresa, mas, tão somente, a responsabilização tributária dos Recorrentes. Contudo, antes de adentrar o tema do recurso em si, cumpre fazer breve registro da autuação fiscal. Contra a empresa NUTRILÍNEA PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA foram lavrados autos de infração de Simples Nacional (AC 2002, crédito tributário de R$ Fl. 11261DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 9101002.349 CSRFT1 Fl. 11.262 9 15.804.366,54) e IRPJ, CSLL, Contribuição para o PIS/PASEP e Cofins (AC 2003, crédito tributário de R$ 18.782.437,13), em procedimento fiscal levado a cabo pela DRF Belo Horizonte, minunciosamente descrito no Termo de Verificação Fiscal de efls. 80/126. A empresa, optante pelo Simples, se declarou INATIVA nos AC de 2002 e 2003, mas apresentou movimentação financeira respectivamente de R$ 41.124.364,48 e R$ 72.675.074,27, bem como declarou receitas de R$ 12.288.200,10 e R$ 44.444.494,77 ao Fisco Estadual de Minas Gerais. As infrações autuadas foram (1) omissão de receitas de revenda de mercadorias (determinada com base em notas fiscais, demonstrativos e comprovantes entregues por treze clientes da fiscalizada) e (2) omissão de receitas determinada com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Para o AC 2002 o lançamento se deu conforme as regras do Simples Nacional, enquanto que para o AC 2003 o lançamento (de IRPJ e tributos conexos) se deu por arbitramento. A multa de ofício foi qualificada, entre outras razões, por ter a empresa entregue declarações como INATIVA perante a Receita Federal do Brasil, apesar de ter emitido grande quantidade de Notas Fiscais e ter efetuado vultuosas movimentações financeiras, bem como por ter prestado declaração dissonante ao Fisco estadual. Outra razão foi a interposição fraudulenta de pessoas, a qual se associa a evidência de falsidade documental, como se vê do excerto do TVF: Aliás, digase de passagem, é claro que nunca viram, pois, o Sr. Joaquim dos Santos é analfabeto, jamais saiu da Bahia, e naturalmente alguém assinou em lugar dele, de forma fraudulenta, não só as alterações do contrato social, como contratos bancários, comerciais, e cheques (todos os cheques, entregues pelos bancos, foram assinados apenas por Joaquim dos Santos). A imputação de responsabilidade tributária (item V do TVF, efls. 108/115) decorreu da constatação de que os sócios que constavam no Contrato Social e suas alterações eram interpostas pessoas ("laranjas") dos verdadeiros titulares, os ora Recorrentes. Concluiu a Fiscalização que a relação dos Recorrentes com a Nutrilínea ia muito além da alegada intermediação comercial e armazenagem de mercadorias que empresas de sua propriedade faziam para a Nutrilínea, sendo os Recorrentes sócios e administradores de fato da Nutrilínea. Dentre os elementos fáticos que levaram a Fiscalização a tal conclusão é de se destacar os seguintes: Estes senhores assinaram, em 01/07/2002, pela LAÇO Assessoria e Representação Comercial Ltda, CNPJ 02.595.332/000191, da qual são sócios, contrato de representação comercial com a .fiscalizada a qual teve como representantes legais o Sr. Joaquim dos Santos (que eles afirmam não terem sequer conhecido e do qual nada souberam informar) e o Sr Alexandre Henrique Cardoso Naves (que dizem ser único sócio da empresa com quem negociavam); o Sr. Alexandre negou ter sido sócio da empresa após sua retirada na JUCEMG, e declarou que este contrato comercial foi assinado após sua retirada da sociedade, com data retroativa '; de fato, a cópia deste contrato entregue pelo Sr. Alexandre é datado de 01/07/2002, mas o reconhecimento de firma é de 31/10/2002; Fl. 11262DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 9101002.349 CSRFT1 Fl. 11.263 10 Carta de funcionária (Lessandra) da LAÇO Assessoria Representação Comercial Ltda comunicando à imobiliária a entrega das salas (do edifício a Avenida Barão Homem de Melo 4386, Bairro Estoril, Belo Horizonte/MG) tanto da Laço (3º andar) como da Nutrilínea (401 e 402) evidencia a responsabilidade administrativa de sua empresa, a LAÇO, na administração da Nutrilínea Produtos Alimentícios Ltda; Tanto estes senhores, como vários empregados de suas empresas, declararam que nunca viram o Sr. Joaquim dos Santos, nem mesmo conheceram outro sócio da empresa que não o Sr. Alexandre Henrique Cardoso Naves; No entanto, os referidos senhores assinaram inúmeros contratos bancários totalizando mais de R$ 12 milhões em 2002 e 2003 com Bancos Rural, Sofisa, e Seculus Crédito Financiamento, como avalistas, devedores solidários e fiéis depositários; em todos estes contratos, assina isoladamente pela empresa apenas o Sr. Joaquim dos Santos; Alugaram 17 (dezessete) veículos da Spasso Empreendimentos e Serviços Ltda (de sua sociedade) para a Nutrilínea Produtos Alimentícios Ltda conforme Contrato de Locação de Bens Móveis, de 01/09/2002; este contrato foi assinado por Cláudio Fernando Stein Pena pela Spasso, e isoladamente por Joaquim dos Santos pela Nutrilínea Produtos Alimentícios Ltda; O Sr. Alexandre afirmou que também não conheceu o Sr. Joaquim dos Santos, e negou taxativamente que tenha desempenhado qualquer atividade administrativa ou comercial na Nutrilínea, após sua retirada da empresa; Após a retirada do Sr. Alexandre como sócio da empresa em 29/08/2002, as únicas provas de participação sua na empresa, são um pequeno limite de crédito rotativo (R$ 200 mil) no Bradesco, como avalista (desprezível com relação ao total movimentado), enquanto que as provas de envolvimento comercial, bancário e administrativo dos irmãos Stein Pena são inúmeras, conforme comprovado no curso desta ação fiscal, demonstrando o seu interesse comum nas atividades econômicas da empresa, como sócios efetivos não constantes do contrato social (sócios de fato); Não há como os referidos senhores tenham assinado vultuosos empréstimos bancários da Nutrilínea, como avalistas, devedores solidários e fiéis depositários, e contratos comerciais, sem sequer conhecer a pessoa o 'sócio administrador' Joaquim dos Santos que consta como único responsável pela empresa nestas transações. Não incorreriam em tais riscos, sem serem eles próprios, os arquitetos, beneficiários e responsáveis pelas atividades comerciais desenvolvidas pela empresa. (Negritei) A subsunção dos fatos aos arts. 124, inciso I, e 135, incisos II e III, do CTN foi assim fundamentada pela Fiscalização: No caso em tela, está evidenciado que os sócios Joaquim dos Santos e Carlos Luiz Machado são interpostas pessoas dos titulares de fato Cláudio Fernando Stein Pena e Carlos Otavio Stein Pena, que constituiram a empresa com sócios fictícios para fugir às Fl. 11263DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 9101002.349 CSRFT1 Fl. 11.264 11 responsabilidades advindas da atividade empresarial conforme definidas em lei. A alteração do contrato social na qual estas pessoas passam a ser sócias da empresa não altera a responsabilidade de fato pelos tributos gerados pela atividade comercial daqueles que tenham interesse comum econômico na situação que constitua o fato gerador e sejam propulsores e beneficiários destas atividades. O Código Tributário Nacional, no capítulo sobre Responsabilidade solidária, artigo 124, determina que: São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei'. As 'pessoas que tenham interesse comum' (inciso I) decorrem da simples ocorrência fáticojurídica e não dependem de definição legal mas da verificação dos fatos que definam este interesse comum, conforme extensamente demonstrado. Como se isto não bastasse, o inciso II do artigo 124 tem a definição destas pessoas no próprio CTN, para casos como o de que trata este termo, de fraude e sonegação: "Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I.... ; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado'. Assim, provada a utilização de interpostas pessoas para fraudar o recolhimento de tributos federais, deve a responsabilidade tributária por tal ilícito recair sobre as pessoas físicas dos administradores e sócios de fato da pessoa jurídica Cláudio Fernando Stein Pena e Carlos Otavio Stein Pena." Em sua impugnação (efls. 330 e ss.), os ora Recorrentes combateram a imputação a eles de responsabilidade tributária com os argumentos a seguir sintetizados: a) Inexistência de base legal para a pretendida responsabilidade solidária: o instrumento processual utilizado para impor a responsabilidade tributária é inadequado, por absoluta falta de previsão legal, bem como a conclusão fiscal padece de provas concretas, baseandose em meros indícios. Além disso, aduzem os responsabilizados que a imputação de responsabilidade tributária não pode se basear em indícios, mas em fatos perfeitamente delineados, o que não é o caso. Afirmam, nesse sentido, que o simples fato de a Nutrilínea ter mantido relações comerciais com sociedade de sua titularidade não implica em qualquer irregularidade, ressaltando que as ligações entre as suas empresas e a Nutrilínea refletiram meras transações comerciais, que justificariam os contratos de armazenagem, representação comercial e de aluguel de veículos, não caracterizando simulação (anexou notas fiscais). Colocam em dúvida o depoimento do antigo sócio da Nutrilínea, Sr. Alexandre, alegando que ele mesmo poderia ser sócio de fato da empresa. E argumentam não ser inadequado o aval concedido pelos sócios de empresas (Laço e Spasso) à Nutrilínea, já que mantém ampla relação comercial com ela; b) Impossibilidade de atribuição de solidariedade passiva com fulcro no art. 124 do CTN: a expressão interesse comum deve ser interpretada como interesse essencialmente jurídico, e não meramente econômico, sendo que a fiscalização deveria demonstrar que os contratos firmados pela Nutrilínea eram usados para transferir recursos aos verdadeiros titulares, o que pressupõe superfaturamento, ou que estes sócios de fato Fl. 11264DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 9101002.349 CSRFT1 Fl. 11.265 12 efetivamente dirigiam a empresa, inclusive, financeiramente, isto é, detinham instrumentos de mandato que lhes concediam amplos poderes para gerir contas bancárias e representar a referida sociedade, mas nenhuma destas hipóteses foram demonstradas ou provadas; c) Inaplicabilidade do artigo 135, III, do CTN, uma vez que não ficou demonstrada na prova ou indício de que os responsáveis tributários tivessem agido de forma dolosa, ou com fraude à lei ou ao estatuto social, mesmo porque não participam da sociedade autuada; d) Ilegítima desconsideração da personalidade jurídica por suposta Simulação: conforme o Código Civil, a decretação de nulidade de atos ou negócios jurídicos depende da autuação do Poder Judiciário, não podendo ser imposta de uma parte a outra, bem como que a desconsideração de atos ou negócios jurídicos pelo Fisco, prevista no art. 116, do CTN dependem de edição de lei ordinária que não foi editada até o momento. No que se refere aos elementos fáticos relatados pela Fiscalização e a tentativa dos ora Recorrentes de descaracterizálos como prova suficiente a imposição da responsabilidade tributária aqui discutida, tenho que (1) não lograram os responsabilizados refutálos e (2) não se tratam de meros indícios isolados, como sugeriram os responsabilizados. Com efeito, o minuncioso trabalho fiscal demonstrou a ocorrência de variados fatos que convergem em um mesmo sentido, qual seja, o de que os Srs. Cláudio Fernando e Carlos Otávio não só eram sócios de fato da autuada, como operacionalizavam e comandavam os seus negócios. Logrou a Fiscalização contextualizar os elementos de prova juntados, articulandoos de forma a formar conjunto indiciário robusto a demonstrar a condição de sócios/administradores de fato ostentada pelos recorrentes, o que é suficiente para a imputação da responsabilidade tributária. Ao julgar a impugnação dos ora Recorrentes, o colegiado da DRJ Belo Horizonte logrou, com precisão e clareza, desconstituir as alegações de defesa, razão pela qual peço vênia para reproduzir o trecho a seguir do acórdão correspondente, que se encontra às e fls. 409 e ss. (sublinhouse e grifouse): Expostos de forma resumida os resultados decorrentes de um trabalho amplo de investigação levado a efeito pela fiscalização nos estritos limites de suas atribuições regulamentares, confrontados com as impugnações apresentadas, fica patente a improcedência dos argumentos dos defendentes. Assim, no que respeita aos depoimentos e testemunhos colhidos pela fiscalização, o seu uso como prova no processo é legítimo. Em verdade, de conformidade com o que se viu nas anotações feitas no TVF, evidenciam a comunhão de interesses e de bens dessas empresas (LAÇO Assessoria e Representação Comercial Ltda, SPASSO Empreendimentos e Serviços Ltda SPASSO e Nova Ponte Serviços Gerais Ltda) e, principalmente das pessoas físicas (Cláudio Fernando Stein Pena, Carlos Otávio Stein Pena) para a consecução das atividades comerciais da autuada, conforme concluiu a autoridade fiscal. Neste contexto, as notas fiscais anexadas pela defesa a fim de atestar as propaladas relações comerciais não explicam uma série de fatos evidenciados pelo trabalho fiscal, que indicam que estas relações transcendem em muito o que se pode considerar como normal no âmbito de meras relações de Fl. 11265DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 9101002.349 CSRFT1 Fl. 11.266 13 comércio, a saber: sócios e exsócios não tinham capacidade financeira e patrimonial para participarem da empresa Nutrilínea; o sócio principal, podemos assim dizer, Joaquim dos Santos, foi inserido no contexto dos negócios de forma fraudulenta, com documentação montada; os contatos dos clientes nos negócios com a Nutrilínea apontam sempre na direção da Laço Assessoria e Representação Comercial Ltda, e seus donos, os irmão Stein Pena; os contratos financeiros enviados pelas Instituições Banco Rural, SOFISA e SECULUS, firmados pela Nutrilínea, representada por Joaquim dos Santos, tem sempre como avalista, devedor solidário ou interveniente garantidor os Srs. Cláudio Fernando Stein Pena e Carlos Otávio Stein Pena; a Spasso Empreendimentos e Serviços Ltda, representada pelo Sr. Cláudio Fernando Stein Pena, alugou 17 caminhões para a Nutrilínea, representada por Joaquim dos Santos somente, apesar de ter textualmente afirmado jamais ter tido contato com esta pessoa; o fato da Nutrilínea não ter espaço fisico ou equipamento para realizar seus negócios, enquanto que toda a mercadoria (milho) era enviada dos armazéns das empresas dos irmãos Stein Pena para os clientes. A conjugação dos fatos acima relatados, extraídos dos autos, afasta a hipótese de que houve tãosomente uma "mera relação comercial" entre as pessoas físicas que figuram no rol dos responsáveis pelo crédito tributário e a empresa Nutrilínia Produtos Alimentícios Ltda. Sendo assim, não há como escapar da conclusão fiscal, segundo a qual, restou comprovado que quem efetivamente exercia a direção da empresa Nutrilínia Produtos Alimentícios Ltda eram os Srs. Cláudio Fernando Stein Pena e Carlos Otávio Stein Pena. A defesa argumenta que "se de fato estivéssemos diante da utilização de interpostas pessoas e empresas, a conseqüência lógica seria que os recursos emprestados fossem direcionados aos impugnantes ou às suas empresas, o que não ocorreu e, ademais, não foi nem ao menos aventado pelo Fisco, quanto mais comprovado." Ora, o que a fiscalização quis mostrar, como explicado acima, era a implausibilidade de se ter uma relação meramente comercial entre a Nutrilínea e os responsabilizados, e sim que estes eram seus verdadeiros donos. O que ficou claro foi a intenção de se eximir das obrigações fiscais, como ficou veementemente caracterizado pelo simples fato da empresa ter se declarado inativa e jamais ter apresentado uma DCTF. Dito isso, observo que no recurso especial que ora se aprecia, os Recorrentes se ocuparam de traçar um paralelo entre as conclusões a que chegaram o acórdão recorrido e o paradigma indicado (acórdão nº 10421.662), tendo, inclusive, ao final, peticionado que "prevaleça o que foi decidido no acórdão nº 10421662, determinandose a exclusão dos dois irmãos do pólo passivo da autuação fiscal". E fizeram tal paralelo tendo como pano de fundo (a) a aplicação do art. 124, I, do CTN, (b) a aplicação simultânea dos arts. 124, I, e 135, III, do CTN; e (c) incidência específica do art. 135, III, do CTN. Cumpre, pois, analisar a subsunção do presente caso a cada um desses dispositivos. Fl. 11266DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 9101002.349 CSRFT1 Fl. 11.267 14 Em relação ao art. 124, I, do CTN, que estabelece a imposição de responsabilidade tributária solidária àqueles que "tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal", estou convencida de que os elementos fáticos colhidos pela Fiscalização são suficientes para demonstrar a ocorrência da situação descrita na norma. Embora entenda que a expressão "interesse comum" estampada nesse dispositivo não pode denotar o mero interesse econômico que todo o sócio tem nos resultados da empresa, sendo necessária uma relação de interesse mais direta com os fatos que deram ensejo à autuação fiscal, considero que a evidência de que os Recorrentes não apenas eram sócios de fato da Nutrilínea, mas estabeleceram entre ela e outras empresas de sua titularidade atuação negocial conjunta (LAÇO e SPASSO faziam a comercialização e armazenagem dos produtos da Nutrilínea), bem caracteriza a situação prevista na norma. O Sr Cláudio, representando a Spasso assinou um contrato de locação de 17 caminhões para a Nutrilínea; os próprios empréstimos bancários à Nutrilínea, que totalizavam mais de R$ 12 milhões, e que assinaram como devedores solidários também corrobora, enfim há um conjunto probatório robusto a reforçar o interesse comum. Discordo do entendimento trazido pelos sujeitos passivos ora recorrentes de que o art. 124, inciso I, só se aplica a contribuintes, pois o CTN não faz tal distinção. O que jurisprudência do STJ assinala é quanto à necessidade de ambos os solidários estarem no mesmo pólo de uma situação jurídica que tenha impacto na exação tributária (neste sentido, por exemplo, o REsp 884.845/SC, de 5/2/2009). No caso em comento, os recorrentes solidários, ao assinarem contratos, ao participarem como devedores solidários e fiéis depositários dos negócios da Nutrilínea, somandose isso a todo o conjunto probatório, demonstram, sim, estarem no mesmo pólo jurídico da contribuinte, daí porque vislumbro a solidariedade por interesse comum. Já quanto ao art. 135, III, do CTN, que imputa responsabilidade pessoal aos administradores de pessoas jurídicas de direito privado "pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos", tenho que a simples demonstração da condição de administradores de fato dos Recorrentes já é suficiente para a imputação de responsabilidade com fulcro nesse dispositivo. É que o exercício da administração por pessoa sem poderes para tal já configura infração ao contrato social ou estatutos, cabendo a responsabilização do administrador (de fato). É também suficiente a comprovação de ter havido interposição fraudulenta de pessoa ("laranja"), através da constituição de empresa sob falsa titularidade, fato que constitui infração à lei societária. E quanto a este aspecto destaco que a Fiscalização trouxe aos autos informação da Fazenda Estadual de MG a respeito de que a empresa se encontrava cancelada em seus cadastros por ter obtido a inscrição estadual com documentos falsos, o que é corroborado com a Escritura Pública de Declaração lavrada em 2008, que consta que o Sr Joaquim Santos Brito compareceu ao Cartório de Iraquara/BA, acompanhado de duas testemunhas que declararam que ele era surdomudo, analfabeto, que nunca saiu da BA, e que as firmas abertas em seu nome são fraudulentas. Por fim, não vejo qualquer impedimento no que tange à aplicação simultânea dos arts. 124, I, e 135, III, do CTN, para fins de imputação de responsabilidade tributária. Determinada pessoa pode, e é até relativamente comum, a um só tempo ter interesse comum na situação que constitui o fato gerador e, atuando como administrador da Fl. 11267DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 9101002.349 CSRFT1 Fl. 11.268 15 empresa (de direito ou de fato), praticar atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Vejase, por outro lado, que na responsabilização do administrador pela via do art. 135, III, do CTN, o administrador se torna responsável não por ser sócio, mas por ter cometido ato ilícito enquanto administrador, sendo a condição de sócio, na verdade, irrelevante. É dizer, a imputação da responsabilidade tributária pelos dois dispositivos em comento é independente, podendo as duas hipóteses coexistir se, no caso concreto, a um só tempo esteja evidenciado o interesse comum do responsabilizado na situação que constitui o fato gerador e tenha ele exercido a administração (de fato ou de direito) da empresa no período autuado. De outra banda, o fato de o art. 124 se referir à responsabilidade solidária enquanto o art. 135 falar de responsabilidade pessoal, não estabelece impossibilidade lógica de aplicação conjunta dos dispositivos. Vejase que quando o art. 135 enuncia a responsabilidade "pessoal" dos agentes que figuram em seus incisos não está, a toda evidência, excluindo a responsabilidade do próprio sujeito passivo direto (no caso, a empresa autuada), nem está afirmando que o responsabilizado só irá responder pelo crédito tributário quando esgotado o patrimônio do sujeito passivo direto. Sobre a alegação de ilegítima desconsideração da personalidade jurídica, que não foi renovada no recurso especial, cumpre assinalar que restou afastada, com propriedade, pelo acórdão recorrido, quando afirmou não ter havido desconsideração jurídica de estrutura societária da empresa, mas, sim, identificação dos verdadeiros titulares dos negócios realizados pela autuada. Conclusão Em face ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e negar provimento ao recurso dos responsáveis tributários. É como voto. (Assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 11268DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10875.003973/2004-05
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/1998 a 30/06/2002
VALOR DECLARADO EM DCTF. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
À exceção dos casos em que tenha ocorrido sonegação, fraude ou conluio, afasta-se a multa de ofício em relação aos valores declarados em DCTF nos lançamentos determinados pelo art. 90 da MP nº 2.158-35/2001, com base na aplicação retroativa do art. 18 da Lei nº 10.833/2003.
Numero da decisão: 9303-003.424
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1998 a 30/06/2002 VALOR DECLARADO EM DCTF. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. À exceção dos casos em que tenha ocorrido sonegação, fraude ou conluio, afastase a multa de ofício em relação aos valores declarados em DCTF nos lançamentos determinados pelo art. 90 da MP nº 2.15835/2001, com base na aplicação retroativa do art. 18 da Lei nº 10.833/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 39 73 /2 00 4- 05 Fl. 3623DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 10875.003973/200405 Acórdão n.º 9303003.424 CSRFT3 Fl. 3.624 2 Tratase de recurso especial interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF que negou provimento ao recurso de ofício, mantendose a decisão da DRJ Campinas/SP, que, além de cancelar parcela do auto de infração por duplicidade de lançamento, cancelou também a multa de ofício, com base na retroatividade benigna. A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), no recurso especial ao qual o Presidente da Câmara deu seguimento, alega que, no caso sob comento, não seria aplicável a retroatividade benigna, pelo fato de que, existindo declaração inexata (DCTF), aplicase a multa de 75%, insculpida no art. 44, I, da Lei n°. 9.430/96, independentemente da alteração promovida pela Medida Provisória nº 135, de 2003, no art. 90 da Medida Provisória nº 2.158, de 2001. Cientificado do recurso especial da PGFN, o contribuinte não se manifestou. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Conforme acima relatado, controvertese, nesta instância, sobre o cancelamento da multa de ofício, lançada juntamente com o principal, este relativo a parcelas da contribuição para o PIS declaradas em DCTF, com base na retroatividade benigna. Referida matéria já foi objeto de decisão nesta CSRF, em razão do quê transcrevo e adoto o voto condutor do acórdão nº 9303003.280 – 3ª Turma, de 5 de fevereiro de 2015, processo nº 10510.002000/200307, redator designado Júlio César Alves Ramos, verbis: Vime obrigado a divergir do Presidente Henrique por entender que a matéria em discussão já se encontra pacificada nos colegiados do CARF ainda que a douta PFN não se conforme, o que, aliás, é seu dever institucional. Deveras, como relatado pelo dr. Henrique, foi lavrado auto de infração por conta de compensações informadas em DCTF que não tinham lastro algum na medida em que os supostos pagamentos a maior que lhes constituiriam os créditos simplesmente não existiam. Ainda assim, a multa foi exigida no percentual de 75% não se apontado qualquer intuito doloso na atitude da empresa. A meu sentir, em tais casos, a exigência por meio de auto de infração da diferença não compensada está, sim, lastreada no art. 90 da Medida Provisória 2.15835, ainda quando a maioria dos lançamentos efetuados pela SRF não o mencionem, o que, segundo o n. relator, também ocorre aqui. Fl. 3624DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 10875.003973/200405 Acórdão n.º 9303003.424 CSRFT3 Fl. 3.625 3 Diz o art. 90: Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Não consigo, por mais que me esforce, chegar à conclusão da douta Procuradoria da Fazenda Nacional de que tal dispositivo apenas regularia as declarações de compensação. Pareceme, ao contrário, bastante claro que ele se refere a qualquer declaração prestada que contenha informações acerca de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, ou seja, a todas as luzes, às informações que passaram a ser prestadas em DCTF a partir de 1997. Por isso mesmo, também não posso concordar com a afirmação de que o art. 18 da MP 135, posteriormente convertido no art. 18 da Lei 10.833, às Dcomp se restrinja. É certo que nele nada há de claro, mas vejamos o que diz: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 1o Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6o a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 1996. § 2o A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme o caso. § 3o Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente Ora, como pode um dispositivo que modifica o art. 90 da MP 2.158 se restringir a apenas uma das hipóteses de lançamento nele previstas se é absolutamente genérico ao dizer que tal lançamento se restringirá à imposição de multa sobre as diferenças decorrentes de compensação indevida? Pareceme que a PFN pretende ler o dispositivo como se estivesse a dizer: nos casos de compensação indevida, o lançamento de ofício de que trata o art. 90 da MP 2.158 se Fl. 3625DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 10875.003973/200405 Acórdão n.º 9303003.424 CSRFT3 Fl. 3.626 4 restringirá à exigência de multa de ofício e apenas quando se comprovar a ocorrência... Podese até querer que ele dissesse isso, mas daí a entender o que está efetivamente escrito dessa forma vai, a meu sentir, e com todo o respeito aos que pensam diferente, uma grande distância. A PFN prossegue no seu raciocínio dizendo que a base para exigência da multa é o próprio art. 44 da Lei 9.430 porque aí já se prevê a declaração inexata. Ocorre que tal dispositivo não tem vida própria: primeiro é preciso que caiba um dado lançamento de ofício para que a multa encontre nele validade. Vejamos o dispositivo com a ênfase na parte que interessa aqui: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; V isoladamente, no caso de tributo ou contribuição social lançado, que não houver sido pago ou recolhido. § 2º Se o contribuinte não atender, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos, as multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze Fl. 3626DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 10875.003973/200405 Acórdão n.º 9303003.424 CSRFT3 Fl. 3.627 5 inteiros e cinco décimos por cento e de duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente. § 3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Óbvio: só se aplica multa se há lançamento de ofício a ser feito. Ocorre que uma vez entendido que o art. 18 da MP 135 está afastando o lançamento em qualquer hipótese outra antes prevista no art. 90 da MP 2158, desaparece, por consequência, o fundamento para o próprio lançamento de ofício da diferença, não havendo como aplicarse a multa prevista no art. 44 por força do art. 106, I, a do CTN, corretamente aplicado pelo colegiado de piso. Este Conselho longamente debateu acerca das consequências do malsinado e pessimamente redigido art. 18 acima reproduzido, firmandose ao longo do tempo a jurisprudência que mantinha a exigência do principal mas repelia a exigência da multa. Não vislumbro no presente caso nada diferente das muitas dezenas já antes examinadas. Em especial, não posso concordar com a afirmação do Presidente Henrique de que a não comprovação dos pagamentos supostamente feitos a maior e geradores dos direitos creditórios que estariam sendo compensados equivale à mera falta de recolhimento que sempre foi exigida por meio de auto de infração e com a competente multa. Desde a criação da DCTF (ou, mais precisamente, desde que o Poder Judiciário aceitou as execuções fiscais nela diretamente embasadas, isto é, sem a lavratura de auto de infração) que não se lançam mais valores confessados em DCTF; os lançamentos por "mera" falta de recolhimento são, em verdade, decorrentes de falta de recolhimento e de confissão em dívida. Não foi por outro motivo, a meu entender, que se editou o art. 90 da MP 2158: veio ele para dirimir os questionamentos surgidos após a DCTF passar a incluir as hipóteses de extinção ou suspensão de exigibilidade do débito ali confessado. Sem ele não se sabia se tais débitos deveriam, ainda assim, ser considerados confessados e passíveis, portanto, de imediata inscrição em dívida, ou se, como acabou prevalecendo, haveria a necessidade de prévio lançamento de ofício. Digase, a respeito, que nem mesmo a SRF conseguiu firmar, desde logo, um entendimento, tendo revisto mais de uma vez sua posição, inclusive com base em pareceres da própria Procuradoria da Fazenda Nacional. Por todos esses motivos é que entendemos, na esteira da consolidada jurisprudência da Casa, manter o afastamento da Fl. 3627DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 10875.003973/200405 Acórdão n.º 9303003.424 CSRFT3 Fl. 3.628 6 multa por aplicação do art. 106 do CTN, negando, assim, provimento ao recurso especial da PFN. Este o acórdão que me coube redigir. Para complementar o teor do excerto acima reproduzido, valhome de parte do acórdão nº 3803006.960, de 19 de março de 2015, processo nº 10940.000576/200281, relator Hélcio Lafetá Reis, em que a 3ª Turma Especial da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF também decidiu pelo cancelamento da multa de ofício, decorrente de lançamento baseado em débitos declarados em DCTF, cuja extinção não se confirmou, com base na retroatividade benigna, verbis: No momento da autuação, vigia a Medida Provisória nº 2.158 352001, que, em seu art. 90, determinava a realização de lançamento de ofício das diferenças apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo decorrentes – dentre outras formas de extinção e suspensão da exigibilidade do crédito tributário – de pagamento e de compensação não comprovados pelo sujeito passivo. Essa determinação vigorou até o advento da Lei nº 10.833, publicada no Diário Oficial da União em 30 de dezembro de 2003, que, em seu art. 18, restringiu a amplitude do lançamento de ofício previsto no art. 90 da referida medida provisória à imposição de multa isolada e, em seu art. 17, §§ 5º a 8º, dotou a declaração de compensação do caráter de confissão de dívida, passível de inscrição em dívida ativa independentemente de prévio lançamento do respectivo crédito tributário. Dessa forma, a autoridade autuante encontravase autorizada a proceder ao lançamento de ofício, dada a ausência de comprovação da extinção do débito declarado, não lhe sendo exigida, no caso, a intimação prévia do interessado, pois que os dados necessários à autuação já haviam sido fornecidos em DCTF pelo próprio sujeito passivo. A redação original do artigo 90 da Medida Provisória n° 2.158 35, publicada no Diário Oficial da União em 27/08/2001, assim dispunha: Art.90. Serão objeto de lançamento de oficio as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. A Medida Provisória n° 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei n° 10.833/2003, em sua redação original, restringiu o lançamento de ofício previsto na Medida Provisória n° 2.15835/2001 à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida, e apenas nas hipóteses ali especificadas, in verbis: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à Fl. 3628DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 10875.003973/200405 Acórdão n.º 9303003.424 CSRFT3 Fl. 3.629 7 imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. Posteriormente, tal dispositivo veio a sofrer sucessivas alterações, conforme se depreende das transcrições a seguir: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando não confirmada a legitimidade ou suficiência do crédito informado ou quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Medida Provisória nº 472, de 2009) Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Conforme acima demonstrado, com as alterações do dispositivo supra, o lançamento de ofício deixou de abranger o tributo, restringindose à multa isolada, não mais se prevendo o lançamento da multa proporcional. Portanto, em face da alteração legislativa superveniente que alterou a aplicação da multa de ofício, não abrangendo aquela objeto do auto de infração, e tendo em vista o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa de ofício lançada deve ser exonerada pela aplicação retroativa do art. 18, caput, da Lei n° 10.833/2003, com redação dada pela Lei nº 11.051/2004. (...) Fl. 3629DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 10875.003973/200405 Acórdão n.º 9303003.424 CSRFT3 Fl. 3.630 8 Diante do exposto, voto por PROVER PARCIALMENTE o recurso voluntário, no sentido de cancelar a multa de ofício, tendo em vista a retroação de norma penal benigna, que deixou de prever a penalidade aplicada, conforme preceitua o art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional (CTN). Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da PGFN, mantendose a decisão recorrida, no sentido de cancelar a multa de ofício, com base na retroatividade benigna. É como voto. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 3630DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS
score : 1.0
Numero do processo: 10980.724663/2011-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jul 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
EXISTÊNCIA DE ERRO MATERIAL NA DECISÃO. CORREÇÃO MEDIANTE A PROLAÇÃO DE NOVO ACÓRDÃO
Demonstrada a existência de erro material na decisão, deve-se acolher os embargos inominados de modo a suprir a mácula apontada.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2402-005.314
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para rerratificar o Acórdão nº 2402-004.897 nos termos do voto do relator.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Marcelo Malagoli da Silva, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 EXISTÊNCIA DE ERRO MATERIAL NA DECISÃO. CORREÇÃO MEDIANTE A PROLAÇÃO DE NOVO ACÓRDÃO Demonstrada a existência de erro material na decisão, deve-se acolher os embargos inominados de modo a suprir a mácula apontada. Embargos Acolhidos.
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Numero do processo: 10380.006266/2007-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2001 a 30/04/2003
MOMENTO DA APRESENTAÇÃO DA PROVA.
As circunstâncias fáticas do caso concreto permitem conhecer as provas apresentadas pelo contribuinte na fase recursal quando elas puderem influenciar no resultado do processo e desde que não configurado abuso do direito probatório.
OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. REGISTRO DOS FATOS GERADORES NA CONTABILIDADE. ARBITRAMENTO INDEVIDO.
Havendo prova regular e formalizada da remuneração empregada em obra de construção civil, incabível a apuração do salário de contribuição com base na área construída e no padrão de execução da obra.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-004.493
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
João Bellini Júnior- Presidente.
Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Andrea Brose Adolfo, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2001 a 30/04/2003 MOMENTO DA APRESENTAÇÃO DA PROVA. As circunstâncias fáticas do caso concreto permitem conhecer as provas apresentadas pelo contribuinte na fase recursal quando elas puderem influenciar no resultado do processo e desde que não configurado abuso do direito probatório. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. REGISTRO DOS FATOS GERADORES NA CONTABILIDADE. ARBITRAMENTO INDEVIDO. Havendo prova regular e formalizada da remuneração empregada em obra de construção civil, incabível a apuração do salário de contribuição com base na área construída e no padrão de execução da obra. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. João Bellini Júnior- Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Andrea Brose Adolfo, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva.
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ARBITRAMENTO Recorrente CONDOMÍNIO EDIFÍCIO RUY CASTELO BRANCO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 30/04/2003 MOMENTO DA APRESENTAÇÃO DA PROVA. As circunstâncias fáticas do caso concreto permitem conhecer as provas apresentadas pelo contribuinte na fase recursal quando elas puderem influenciar no resultado do processo e desde que não configurado abuso do direito probatório. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. REGISTRO DOS FATOS GERADORES NA CONTABILIDADE. ARBITRAMENTO INDEVIDO. Havendo prova regular e formalizada da remuneração empregada em obra de construção civil, incabível a apuração do salário de contribuição com base na área construída e no padrão de execução da obra. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 62 66 /2 00 7- 77 Fl. 650DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. João Bellini Júnior Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Andrea Brose Adolfo, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva. Fl. 651DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10380.006266/200777 Acórdão n.º 2301004.493 S2C3T1 Fl. 651 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão n.º 1119.926 da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ Recife (PE), fl. 385411, que julgou improcedente a impugnação apresentada contra o Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado sob o Debcad no 37.042.4786. De acordo com o relatório fiscal de f. 3768, o AIOP trata de exigência das contribuições patronais devidas para a Seguridade Social, inclusive a destinada ao custeio dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, bem como a outras entidades e fundos – terceiros (FNDE, INCRA, SENAI, SESI, SEBRAE), incidentes sobre remunerações pagas, devidas ou creditadas pela empresa aos segurados empregados, e das contribuições dos segurados empregados destinadas à Seguridade Social, de responsabilidade da empresa por substituição tributária. Ficou consignado no relatório fiscal que os fatos geradores ocorreram na edificação da obra de construção civil denominada EDIFÍCIO RUY CASTELO BRANCO (matrícula CEI n.° 38.680.05949/77), cuja execução deuse no período de 01/2001 a 04/2003. E também que o lançamento foi feito pela adoção da técnica do arbitramento, calculandose o saláriodecontribuição com base no padrão da obra e na área construída. A aferição indireta deuse em razão da deficiência da contabilidade do contribuinte, pois, segundo relata o agente fiscal, no livro Diário do exercício de 2002 não foram lançadas as folhas de pagamento dos segurados que laboraram na obra, e no Livro Diário do exercício 2003, não constaram os registros contábeis de rescisões de contratos de trabalho de empregados da obra. O sujeito passivo impugnou o lançamento. A DRJ julgou a impugnação improcedente e manteve integralmente o crédito tributário lançado. O julgado restou assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2001 a 30/04/2003 ERRO NA QUALIFICAÇÃO DO REPRESENTANTE LEGAL. MERA IRREGULARIDADE. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não se configurando em prejuízo para o sujeito passivo ou lesão ao interesse público, não há que se determinar o saneamento de mera irregularidade, tampouco declarar a nulidade do lançamento. PEDIDO DE PERÍCIA Deve ser indeferido o pedido de perícia quando esta providência revelase prescindível para instrução e julgamento do processo. Assunto:CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 652DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 4 Período de apuração: 01/01/2001 a 30/04/2003 Ementa: EMISSÃO DO AVISO PARA REGULARIZAÇÃO DE OBRA ARO. DISPENSA DE FORMALIDADES. POSSIBILIDADE DE EMISSÃO POR AUDITOR FISCAL EM PROCEDIMENTO FISCALIZATÓRIO. No lançamento por arbitramento com base na área construída e padrão da obra, o ARO tem a finalidade apenas de demonstrar ao sujeito passivo a metodologia de cálculo utilizada pelo auditor fiscal na aferição da matéria tributável, não devendo ser levadas em conta meras irregularidades, desde que o documento esteja correto em sua substância. A emissão do ARO pelo auditor, além de permitida, é condição essencial para apuração do crédito com base no método CUB. AFERIÇÃO INDIRETA. COMPETÊNCIA DO FATO GERADOR. DATA DE EMISSÃO DO ARO. Nos lançamentos por aferição indireta da base de cálculo pelo método CUB, a competência base para apuração das contribuições devidas é àquela referente à emissão do ARO. AUSÊNCIA DE REGISTRO CONTÁBIL DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÃO. ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE. A constatação de que a contabilidade da empresa não registra na integralidade dos fatos geradores de contribuições sociais é motivo a ensejar o lançamento tributário por arbitramento. DESCONSIDERAÇÃO DE GUIAS DE PAGAMENTO. INOCORRÊNCIA. A mera alegação de falta de aproveitamento de guias de recolhimento na apuração do crédito não deve ser considerada se o impugnante não apresenta as guias que supostamente deixaram de ser incluídas. VERIFICAÇÃO DA REGULARIZAÇÃO DE SETENTA POR CENTO DA OBRA. INAPLICABILIDADE. A verificação prévia de regularização de setenta por cento da área total de obra de construção civil somente tem lugar no procedimento de emissão de certidão negativa de débito, não se aplicando à apuração de débito em sede de ação fiscal. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento em 14/03/2007 e teve ciência do acórdão da DRJ em 11/07/2008, sextafeira, de modo que o prazo para apresentação do recurso teve início na segundafeira, 14/07/2008, encerrandose em 12/08/2008. Em 12/08/2008 o condomínio, por meio do síndico qualificado nos autos, interpôs recurso apresentando suas alegações, f. 433485, cujos pontos relevantes para a solução do litígio são, em síntese: Em preliminar alega prejuízo causado por erro na qualificação do representante legal do condomínio, primeiro pela ausência da qualificação de todos os Fl. 653DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10380.006266/200777 Acórdão n.º 2301004.493 S2C3T1 Fl. 652 5 condôminos, coresponsáveis solidários pelo crédito tributário, nos termos do art. 124, I, do CTN e art. 11 da Lei 4.591/64, segundo pelo fato de os relatórios anexos à NFLD (relatório REPLEG e VÍNCULOS) erroneamente qualificarem o representante legal do condomínio como sócio gerente, e não como administrador/síndico (Lei n.4.591/64, art. 22, § 1o, alínea “a”; art. 12, IX, do CPC), em afronta ao art. 142 do CTN, art. 33 da Portaria MPS nº 520/2004, art. 660 da IN MPS/SRP nº 3/2005 e art. 11 do Decreto 70.235/72. Afirma que o prejuízo atinge o contribuinte, que tem o direito subjetivo de ser processado na conformidade do devido processo legal, e também a Fazenda Pública, que, em sede de execução fiscal, não poderá redirecionar a cobrança para os demais condôminos co responsáveis pelo pagamento da dívida porque não constarão da Certidão de Dívida Ativa (CDA). Conclui, com base nesses argumentos, que o erro apontado não se trata de mera irregularidade, conforme defendido pelo órgão julgador de primeira instância, em decisão ilegal porque contraria o princípio da finalidade, mas sim, de vício sanável que deveria ter sido corrigido antes de proferida a decisão de primeira instância (art. 149, IX, do CTN; art. 13, I, do CPC), o que não é mais possível nessa fase processual, conforme disposto nos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. Suscita, ainda em preliminar, a invalidade do lançamento porque seriam nulos os atos administrativos que o antecederam, quais sejam, o Aviso para Regularização de Obra (ARO) e a Declaração e Informação sobre Obra (DISO), pois o auditor fiscal não tem competência para emitir DISO, que, nos termos do art. 430, 431 e 475 da IN MPS/SRP 03/2005, é uma declaração que deve ser apresentada pelo contribuinte, proprietário, dono da obra, incorporador, pessoa jurídica ou pessoa física, empresa construtora. O lançamento também é nulo porque a fundamentação fática e jurídica é contraditória, uma vez que em seu relatório, a autoridade lançadora, apesar de afirmar que os livros diários foram apresentados pelo contribuinte com as formalidades legais exigidas, efetuou o lançamento pela técnica do arbitramento, §4o do art. 33 da Lei 8.212/91. No mérito, alega que o arbitramento é ilegal porque a obra de construção civil possui contabilidade regular e formalizada, contendo o lançamento de todos os fatos geradores, as contribuições descontadas, recolhidas e devidas, conforme se extrai da análise das folhas dos Livros Diário e Razão, apresentadas em anexo, concluindo que não ocorreu a situação do §4o do art. 33 da Lei 8.212/91. Citando que o § 6o do art. 33, da Lei n. 8.212/91 também autoriza a aferição indireta, explica que a situação abstrata ali prevista igualmente não se verificou no caso concreto, pois a autoridade fiscal deixou de apontar os vícios materiais da contabilidade do contribuinte e também deixou de analisar os Livros Razão. Complementa sua tese afirmando que no relatório fiscal não constam os nomes dos operários cujas rescisões deixaram de ser registradas na contabilidade, nem há menção do nome da conta examinada na ação fiscal, em flagrante cerceamento do direito de ampla defesa e do contraditório. Alega, com base nos documentos em anexo, que no exercício de 2003 foram lançadas as contribuições devidas ao INSS na conta 21301.00117 (INSS a recolher), que na competência abril de 2003, quando foi encerrada a obra e demitidos todos os operários, foram Fl. 654DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 6 contabilizadas todas as rescisões contratuais, que no exercício de 2002 todos os salários de contribuição estão contabilizados na conta 33102 (mão de obra direta), 33102.00010 (salários). Explica que eventual omissão no registro contábil de apenas uma folha de pagamento ou de um documento rescisório não implica na falta de registro do valor das contribuições relativas a esse documento na conta “INSS A RECOLHER”. Sustenta que o relatório fiscal e o Termo de Encerramento da Ação Fiscal (TEAF) possuem informações contraditórias, sendo que no primeiro ficou consignada a análise, pelo auditor fiscal, dos Livros Diário e Razão dos exercícios 2001 a 2003, o que deixou de constar do TEAF, contrariando o disposto na IN MPS/SRP 03/2005 e art. 142 do CTN. Insurgese contrariamente ao método de aferição indireta que apura o custo da obra na competência 02/2007, defendendo que caberia considerar o custo do período que vai do início ao término da obra, de modo que é ilegal o procedimento adotado pela fiscalização, pois inexistente na legislação previdenciária previsão de ocorrência do fato gerador na data da emissão do ARO pelo auditor fiscal. Requer que seja cancelado o lançamento, ou, subsidiariamente, que seja reduzido o valor do débito para a quantia lançada em sua contabilidade como devida no valor de R$ 54.530,63. O julgamento do recurso foi convertido em diligência, conforme Resolução nº 2402000.473, da 4ª Câmara da 2ª Turma Ordinária, voto de minha relatoria, fls. 632637, solicitando à autoridade lançadora esclarecimentos acerca das omissões e incorreções da contabilidade, apontadas no relatório fiscal, à vista dos Livros Diário e Razão juntados ao recurso, bem como identificação do valor omitido, dos segurados omitidos, dos lançamentos contábeis e das contas contábeis em que foram verificadas as omissões e incorreções, dentre outras informações pertinentes. Em atendimento, foi emitida informação fiscal às fls. 641642. O Condomínio foi intimado do resultado da diligência, mas não se manifestou a respeito. É o relatório. Fl. 655DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10380.006266/200777 Acórdão n.º 2301004.493 S2C3T1 Fl. 653 7 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. Momento da Apresentação da Prova A Recorrente apresentou Livros Diário e Razão na fase recursal. A questão de fundo consiste em saber qual a norma jurídica que deve regular o aspecto temporal do direito probatório na espécie. A preclusão do direito de o contribuinte apresentar documentos, que é o cerne da questão a ser aqui solucionada, é regulamentada, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal (PAF), pelo § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72, o qual estipula que o direito de apresentar provas documentais, em regra, extinguese no momento da apresentação da impugnação, permitindo, excepcionalmente, a flexibilização da preclusão diante da demonstração da ocorrência de força maior ou quando ocorrer inovação dos fundamentos de fato ou de direito: Decreto 70.235/72 art. 16 ... ... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto Fl. 656DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 8 recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Esse dispositivo visa a satisfazer os princípios da nãosurpresa, da celeridade processual, bem como desestimular as condutas intencionalmente protelatórias. Entretanto, a análise do caso concreto pode revelar outras circunstâncias de fato que não as elencadas dentre as hipóteses previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do § 4º do art. 16, mas que igualmente atendem à finalidade da regra do art. 16 § 4º do Decreto 70.235/72, ou seja, no caso concreto, pode ficar demonstrado que as provas apresentadas a destempo não foram intencionalmente guardadas para serem apresentadas quando não houvesse mais oportunidade para discussões, nem que a conduta do contribuinte resulta de uma estratégia meramente protelatória. Em adição, a análise do caso concreto também pode revelar que o conhecimento da prova apresentada a destempo levaria a um resultado mais justo. A verdade sobre o fato precisa aparecer para que um direito possa realizarse ou tornarse efetivo. Tanto assim que o direito à prova é hoje considerado um direito fundamental, corolário da garantia constitucional do devido processo legal ou um aspecto fundamental das garantias processuais da ação, da defesa e do contraditório1, e, nessa qualidade, deve ser assegurado e garantido pelo Poder Público. Portanto, em se tratando do direito fundamental à prova, e, existindo, no caso concreto, circunstância fática ou jurídica não prevista na lei, mas que é compatível com a finalidade da lei, a melhor solução consiste na otimização do mandamento pela aplicação dos princípios jurídicos pertinentes. Assim, diante das especificidades do caso concreto, ao julgador administrativo cabe flexibilizar a preclusão probatória quando esta se revelar a melhor forma possível de dar efetividade ao processo, em reverência ao principio da verdade material, que impõe, à autoridade julgadora administrativa, o dever de utilizar dos meios disponíveis da melhor forma possível, a fim de se aproximar da verdade objetiva ou material. Como visto, as possibilidades fáticas e jurídicas que permitem a flexibilização da preclusão probatória, como resultado da otimização do mandamento, decorrem sobretudo da relevância material da prova, além da demonstração de que o direito probatório foi exercido com ética. Vale dizer, no PAF, é possível conhecer da prova extemporânea quando, no caso concreto, da análise do documento apresentado a destempo, ainda que não exauriente, se constata a real possibilidade dele influenciar o resultado do julgamento. Em adição, deve ficar demonstrado, no caso concreto, que o direito probatório foi exercido em conformidade com os limites estabelecidos pelos fundamentos axiológiconormativos inerentes ao direito exercitado, afastando o abuso do direito. Neste sentido já decidiu o Superior Tribunal de Justiça, conforme ementa do acórdão proferido pela Quarta Turma no Recurso Especial n° 431.716, em 22/10/2002, abaixo transcrita: 1 CAMBI, Eduardo. Direito constitucional à prova no processo civil. São Paulo, RT, 2001, p. 166, ob. cit. DIDIER JR, Fredie, Curso de direito processual civil, volume 2. São Paulo: Ed. Juspodium, 2008, p. 25. Fl. 657DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10380.006266/200777 Acórdão n.º 2301004.493 S2C3T1 Fl. 654 9 II Somente os documentos tidos como indispensáveis, porque "substanciais" ou "fundamentais", devem acompanhar a inicial e a defesa. A juntada dos demais pode ocorrer em outras fases e até mesmo na via recursal, desde que ouvida a parte contrária e inexistentes o espírito de ocultação premeditada e de surpresa do juízo. (g.n.) No caso concreto, as circunstâncias fáticas indicam que os documentos apresentados na fase recursal podem influenciar no resultado do processo, bem assim, que não ficou configurado abuso do direito probatório. Portanto, conheço das provas juntadas no recurso. Arbitramento A fiscalização, ao analisar a contabilidade da obra de construção civil, em cotejo com os documentos representativos dos fatos econômicos, constatou que no livro Diário do exercício de 2002 não foram lançadas as folhas de pagamento dos segurados que laboraram na obra de construção civil, e que no Livro Diário do exercício 2003 não constaram os registros contábeis de rescisões de contratos de trabalho de empregados da obra. A fiscalização então considerou imprestável a contabilidade da obra de construção civil, como meio de apuração da grandeza representativa dos fatos geradores, e apurou a base de cálculo do tributo com base na técnica do arbitramento, considerando o padrão da obra e a área construída, lastreada no art. 33, § 4º da Lei 8.212/91, na redação original, e arts. 233 a 235 do Regulamento da Previdência Social (RPS) aprovado pelo Decreto 3.048/99. Lei 8.212/91: Art. 33. ... ... § 4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. RPS/99: Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades Fl. 658DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 10 legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. Art. 234. Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, de acordo com critérios estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social, cabendo ao proprietário, dono da obra, incorporador, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. Art. 235. Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, da receita ou do faturamento e do lucro, esta será desconsiderada, sendo apuradas e lançadas de ofício as contribuições devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Entretanto, os vícios da contabilidade apontados pela fiscalização não foram confirmados nos Livros Diário e Razão apresentados pelo contribuinte. Em sede de diligência, a autoridade fiscal analisou os documentos contábeis apresentados pela Recorrente, e concluiu que não ficaram demonstradas as omissões nos registros contábeis, apontadas inicialmente pelo auditor autuante, e, ainda, que o valor da obra registrado na contabilidade é compatível com o valor calculado por aferição indireta. O processo analítico que levou a essa conclusão está exposto na informação fiscal, às fls. 641642, a qual passo a transcrever, dada a sua relevância para a solução do caso: ... Segundo o Relatório Fiscal do crédito, fls. 37 a 67 do Volume 1, o motivo pelo qual a fiscalização aferiu a remuneração dos empregados que prestaram serviços na obra foi a não escrituração nos livros contábeis da remuneração de parte destes segurados durante todo o ano de 2002 e a omissão da remuneração de parte das rescisões de contrato de trabalho no ano de 2003. O Auditor autuante anexou apenas as folhas de pagamento das competências 11/2002, fls. 103 do Volume 1, e 04/2003 (Rescisões), folha 135 do Volume 1, além de duas rescisões de contrato de trabalho: do Sr. Antônio Rodrigues da Silva, fls. 137 do Volume 1 e do Sr. José Teixeira de Menezes, fls. 139 do Volume 1. Assim, antes de tudo, convém esclarecer que, embora o Relatório Fiscal afirme que não foram escrituradas as remunerações de todos os segurados durante o ano de 2002, nos autos consta apenas a folha de pagamento da competência 11/2002, motivo pelo qual a análise ficará adstrita a esta folha de pagamento. Verificamos que o salário bruto no mês de 11/2002 foi de R$ 17.255,73, tendo sido pagos R$ 11.424,80, enquanto a base de cálculo da Previdência Social foi R$ 16.410,39. Comparando este valor com a contabilidade anexada pelo contribuinte, fls. Fl. 659DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10380.006266/200777 Acórdão n.º 2301004.493 S2C3T1 Fl. 655 11 101 do Volume 2, percebese que a remuneração escriturada para a competência 11/2002 foi de R$ 16.546,35, tendo sido lançado também o valor de R$ 135,96 a título de desconto por motivo de falta. A diferença entre estes valores dá o resultado de R$ 16.410,39, demonstrando que a base de cálculo da remuneração deste mês foi escriturada de forma integral segundo a contabilidade anexada pela empresa. Desta forma, entendemos que o Auditor não foi capaz de demonstrar durante o ano de 2002 a omissão na contabilidade de remunerações dos segurados que executaram a obra. Quanto às rescisões, entendemos que as bases de cálculo de todos os segurados estão escrituradas no documento de fls. 139 a 141 do volume 2 e são idênticas às bases de cálculo da folha de pagamento e dos termos de rescisão anexos, em ambos os documentos sob o título "saldo de salário". Quanto às verbas rescisórias de natureza indenizatória, sobre as quais não incidem contribuições previdenciárias, não podemos afirmar se foram ou não escrituradas visto que, pela sua natureza, são utilizadas contas contábeis diferentes e o o contribuinte não anexou toda sua escrita contábil. Ainda assim, entendemos que a eventual não escrituração das verbas indenizatórias não é motivo para a descaracterização da contabilidade da empresa, tendo em vista que sobre estas verbas não há incidência de contribuições previdenciárias. Quanto ao ano de 2003, como nos autos não constam provas da existência de rescisões de contrato de trabalho não escrituradas, entendemos também não existir motivo para sustentar tal aferição para o ano de 2003. Convém esclarecer que o procedimento de aferição indireta é usado quando não se pode, por outro meio, determinar a remuneração dos segurados que prestaram serviço na obra. Assim, seu valor é apenas uma estimativa baseado em dados estatísticos, séries históricas e estudos específicos. O documento que calculou a base de cálculo das contribuições previdenciárias foi o Aviso para Regularização da Obra ARO, fls. 69 do Volume 1. De sua análise, percebemos que a remuneração dos segurados que laboraram na obra foi aferida em R$ 1.534.255,72. Na execução de uma obra, podese utilizar seus próprios trabalhadores ou por trabalhadores contratados de terceiros. Os documentos contábeis anexados pelo contribuinte, em especial os balancetes contábeis, demonstram que este escriturou gastos com mãodeobra direta (conta 33102) para o ano de 2001 no valor de R$ 56.152,57 e o valor de serviços prestados por terceiros (conta 33103) no valor de R$ 399.102,92 (Balancete fls. 87 do Volume 2). Já para o ano de 2002, as mesmas contas registraram, respectivamente, movimentos de R$ 233.687,55 e R$ 482.701,38 (Balancete fls. 119 do Volume 2). Por fim, no ano de 2003, estas contas registraram movimento de R$ 96.953,78 e R$ 31.266,72 (Balancete fls. 159 do Volume 2). Assim, somando Fl. 660DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 12 os gastos nestes três anos, a mãodeobra própria totalizou R$ 386.793,90 e a contratada de terceiros, R$ 913.071,02, totalizando R$ 1.299.864,92. Considerando que o valor de mãodeobra aferido pela fiscalização foi de R$ 1.534.255,72, ou seja, apenas 18,03% maior do que o escriturado, acreditamos que as remunerações de todos os segurados que laboraram na obra foram escrituradas, não subsistindo elementos que autorizem a aferição indireta destas remunerações. Assim, por tudo exposto, entendemos que o Auditor autuante não demonstrou a existência de remunerações de segurados não escrituradas, motivo pelo qual opinamos pelo cancelamento deste crédito constituído. ... Assim, não estão presentes os pressupostos legais autorizadores para a adoção da técnica do arbitramento, uma vez que ficou comprovado que a contabilidade da Recorrente, a qual foi devidamente apresentada à fiscalização, contém as informações necessárias à perfeita identificação da base de cálculo. Vale dizer, o lançamento foi feito sem respaldo nos parâmetros legalmente previstos para a aferição do valor da prestação pecuniária, o que o torna insubsistente. Por incompatibilidade, deixo de apreciar as demais alegações do recurso. Conclusão Com base no exposto, voto por CONHECER DO RECURSO e DARLHE PROVIMENTO. Luciana de Souza Espíndola Reis Fl. 661DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR
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Numero do processo: 10945.721900/2013-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2011
CONTRATAÇÃO DE PESSOA JURÍDICA PARA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO MÉDICOS. RELAÇÃO DE EMPREGO. SÓCIO MÉDICO. PRESENÇA DOS REQUISITOS. SUBORDINAÇÃO. NECESSIDADE DE PROVA NOS AUTOS. IMPOSSIBILIDADE DE PRESUNÇÃO.
Dada a formalização de contratos de prestação de serviços médicos diretamente com pessoas jurídicas, compete ao Fisco o ônus probatório da existência do vínculo de emprego entre instituição hospitalar e sócios das contratadas, na medida em que a prova cabe a quem tem interesse em fazer prevalecer o fato afirmado, sob pena de insubsistência do crédito tributário.
A circunstância de o médico prestar serviços diretamente ligados à atividade-fim do hospital, por si só, não leva ao reconhecimento do vínculo de emprego, dependendo da prova da subordinação. Via de regra, não se presume a subordinação do médico, tendo em vista as peculiaridades da atividade médica.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-004.413
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, por maioria, dar-lhe provimento. Vencidos os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Arlindo da Costa e Silva e Miriam Denise Xavier Lazarini.
Maria Cleci Coti Martins - Presidente Substituta
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Arlindo da Costa e Silva, Wilson Antônio de Souza Correa, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Miriam Denise Xavier Lazarini.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. SÓCIO DE PESSOA JURÍDICA Recorrente FUNDACAO DE SAUDE ITAIGUAPY Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2011 CONTRATAÇÃO DE PESSOA JURÍDICA PARA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO MÉDICOS. RELAÇÃO DE EMPREGO. SÓCIO MÉDICO. PRESENÇA DOS REQUISITOS. SUBORDINAÇÃO. NECESSIDADE DE PROVA NOS AUTOS. IMPOSSIBILIDADE DE PRESUNÇÃO. Dada a formalização de contratos de prestação de serviços médicos diretamente com pessoas jurídicas, compete ao Fisco o ônus probatório da existência do vínculo de emprego entre instituição hospitalar e sócios das contratadas, na medida em que a prova cabe a quem tem interesse em fazer prevalecer o fato afirmado, sob pena de insubsistência do crédito tributário. A circunstância de o médico prestar serviços diretamente ligados à atividade fim do hospital, por si só, não leva ao reconhecimento do vínculo de emprego, dependendo da prova da subordinação. Via de regra, não se presume a subordinação do médico, tendo em vista as peculiaridades da atividade médica. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 72 19 00 /2 01 3- 19 Fl. 9500DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10945.721900/201319 Acórdão n.º 2401004.413 S2C4T1 Fl. 9.501 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, por maioria, darlhe provimento. Vencidos os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Arlindo da Costa e Silva e Miriam Denise Xavier Lazarini. Maria Cleci Coti Martins Presidente Substituta Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Arlindo da Costa e Silva, Wilson Antônio de Souza Correa, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Miriam Denise Xavier Lazarini. Fl. 9501DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10945.721900/201319 Acórdão n.º 2401004.413 S2C4T1 Fl. 9.502 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 16ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Rio Preto (DRJ/RPO), cujo dispositivo julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Eis a ementa do Acórdão nº 1450.980 (fls. 8.914/8.953): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2011 PREVIDENCIÁRIO. TERCEIRIZAÇÃO ILÍCITA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. VIOLAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. A terceirização ilícita constitui modalidade irregular de contratação quando utilizada sob a forma de interposição de pessoas com vistas à violação da legislação tributária. É considerada ilícita a terceirização integral da atividadefim da empresa, mediante contratação de empresa prestadora de serviços sem autonomia operacional e financeira à execução independente dos serviços. A liberdade do exercício da atividade econômica pressupõe a licitude e o respeito aos princípios e normas trabalhistas e tributários, como forma de harmonização dos preceitos constitucionais. PREVIDENCIÁRIO. SEGURADOS. RECONHECIMENTO DA CONDIÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTA PESSOA. É cabível a verificação da condição de segurado empregado em relação a mãodeobra vinculada a prestador de serviço diverso do contribuinte, em relação à qual haja evidência da sua utilização como interposta pessoa, resultante da verificação de fatos capazes de ensejar a relação de emprego disfarçada. LANÇAMENTO. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. RELAÇÃO DE TRABALHO. SUBORDINAÇÃO ESTRUTURAL. No âmbito da contratação de pessoal mediante interposição de pessoas, a doutrina e a jurisprudência evoluíram para adotar a tese da subordinação estrutural, capaz de ensejar o reconhecimento da relação de emprego entre o prestador de serviços pessoa física, vinculado formalmente a uma pessoa jurídica, e o tomador de se serviços. A subordinação estrutural ocorre quando há identidade e correspondência entre os serviços prestados e o objeto social do tomador, de forma que se permita reconhecer a integração do Fl. 9502DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10945.721900/201319 Acórdão n.º 2401004.413 S2C4T1 Fl. 9.503 4 primeiro à finalidade principal do segundo, integrando seu processo produtivo de bens ou serviços, sendo tido como essencial à sua organização empresarial. No âmbito da subordinação estrutural não se perquire sobre a prova do poder de direção ordinário, devendo tal elemento ser considerado à luz de um aspecto material maior em face dos objetivos da empresa. PREVIDENCIÁRIO. MÉDICO PLANTONISTA. EMPREGADO. LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIO. O profissional da saúde, médico ou não, que atue em regime de escalas de plantão é considerado pela legislação previdenciária como segurado obrigatório, na modalidade de empregado. LANÇAMENTO. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. AFASTAMENTO DOS EFEITOS DO NEGÓCIO JURÍDICO. DISTINÇÃO. No âmbito do procedimento administrativo fiscal e do processo administrativo tributário não cabe o instituto da desconsideração da personalidade jurídica, enquanto expediente inerente à execução civil patrimonial. À autoridade administrativa fiscal cabe a prerrogativa do afastamento dos efeitos de negócio jurídico praticado com simulação ou fraude, reconhecendose a verdadeira intenção das partes. Inteligência do artigo 116, parágrafo único do Código Tributário Nacional CTN. CONTRATAÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS POR INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS JURÍDICAS. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADA. Configura hipótese de qualificação da multa de ofício, por força da fraude, a situação onde o sujeito passivo simula relação contratual de prestação de serviços, utilizandose de mãode obra vinculada a prestadores de serviço, em manifesta interposição irregular de pessoa jurídica, com vistas à violação da legislação tributária. PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. Constitui infração, passível de aplicação de penalidade pecuniária, a apresentação da Guia de Recolhimento ao FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com omissão de fatos geradores, estes consubstanciados em segurados empregados na condição de médicos prestadores de serviços por interposição irregular de pessoa jurídica. Impugnação Improcedente 2. Extraise do Termo de Verificação Fiscal, acostado às fls. 8.424/8.451, que o processo administrativo é composto por 3 (três) autos de infração (AI) de obrigação principal, compreendendo o período de 01/2009 a 07/20111, assim formalizados: Fl. 9503DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10945.721900/201319 Acórdão n.º 2401004.413 S2C4T1 Fl. 9.504 5 i) AI nº 51.013.8411, referente às contribuições previdenciárias da empresa, incluindo a parcela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados (fls. 61/66); ii) AI nº 51.013.8420, referente às contribuições dos segurados empregados incidentes sobre o saláriode contribuição, não descontadas e arrecadadas pela empresa (fls. 73/77); e iii) AI nº 51.013.8438 (renumerado p/ 37.409.9251), referente às contribuições devidas a terceiros, assim compreendidos entidades e fundos: FPAS 515 Código 0115 (fls. 84/89). 3. Lavrado ainda o AI nº 51.013.8403 (renumerado p/ 51.013.8446) 1, referente ao descumprimento de obrigação acessória concernente à apresentação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com omissão e/ou incorreções (Código de Fundamentação Legal CFL 78), relativo a fatos geradores constatados nas competências de 09/2007 a 11/2008 (fls. 2/57 e 8.423). 4. De acordo com a fiscalização, a autuada é constituída sob a forma jurídica de fundação, prestando serviços de assistência médica e de proteção e preservação da saúde humana, com administração e gerência do Hospital Ministro Costa Cavalcanti. 4.1 Nada obstante, não possui em seu quadro de funcionários, nenhum ocupante do cargo de médico, sendo todos os atendimentos médicos realizados por pessoas jurídicas contratadas pela fundação. 4.2 Depois de examinar livros contábeis, contratos e notas fiscais de prestação de serviços, estatuto da fundação, regimento interno do corpo clínico, escalas de plantão médico, entre outros documentos, concluiu pela existência de simulação e fraude na contratação das sociedades de profissionais para a prestação de serviços médicos, tendo por finalidade a dissimulação da verdadeira relação de emprego mantida entre a empresa autuada e os sócios das sociedades civis contratadas (pessoas físicas). 4.3 De maneira que os sócios das pessoas jurídicas prestadoras de serviços na área médica foram considerados segurados empregados da autuada, devido à comprovação da presença dos requisitos básicos da relação empregatícia: serviço prestado por pessoa física, pessoalidade, não eventualidade, onerosidade e subordinação. 5. A título de comprovação dos fatos imputados ao sujeito passivo, os seguintes elementos de prova, entre outros, foram anexados pela autoridade lançadora: i) discriminação das notas fiscais consideradas na base de cálculo da autuação (fls. 2.988/3.316); 1 Termo de Renumeração de Autos de Infração, às fls. 8.455/8.456. Fl. 9504DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10945.721900/201319 Acórdão n.º 2401004.413 S2C4T1 Fl. 9.505 6 ii) amostragem das notas fiscais emitidas (fls. 3.317/4.134); iii) contratos de prestação de serviços (fls. 4.135/8.070); iv) dados de entrada e saída dos profissionais do corpo clínico da fundação (fls. 8.071/8.093); v) demonstrativo nominal das remunerações pagas aos segurados (fls. 8.094/8.302); e vi) relação dos valores apropriados para os profissionais de saúde, por competência e pessoa jurídica contratada (fls. 8.303/8.422). 6. Resultado da ação fiscal deflagrada na autuada, foi formalizado o Processo nº 10945.721899/201314, referente à mesma natureza de fatos geradores, abrangendo o período de fev/2007 a dez/2008. 6.1 Nas competências 12/1998 a 07/2011, a multa de ofício foi aplicada em seu percentual qualificado, ou seja, 150% (cento e cinquenta por cento). 7. O contribuinte foi cientificado das autuações em 25/11/2013, conforme fls. 8.452, e impugnou a exigência fiscal (fls. 8.462/8.483). 8. Intimada da decisão de piso via postal em 27/6/2014, segundo fls. 8.954/8.955, a recorrente apresentou recurso voluntário em 28/7/2014, cujos argumentos de defesa estão a seguir resumidos (fls. 8.957/8.982): i) legalidade da prestação de serviços médicos por intermédio de pessoa jurídica; e ii) inexistência de relação de emprego entre a autuada e os médicos que prestaram serviços por meio de pessoas jurídicas, pela ausência dos requisitos empregatícios previstos na legislação, em especial a habitualidade (ou não eventualidade) e subordinação. 9. Consta o aditamento do recurso voluntário às fls. 8.996/9.015. Alega a recorrente que a maior parte dos valores considerados remuneração pela fiscalização correspondem a meros repasses de terceiros, como planos de saúde, inclusive Sistema Único de Saúde (SUS), e atendimentos particulares, consistindo a parcela relativa aos plantões inexpressiva no conjunto da autuação. 9.1 Além disso, pondera que a imputação do vínculo empregatício dependeria de individualização do profissional de saúde e de sua remuneração, o que deixou de ser feito adequadamente pela autoridade fiscal, porquanto arbitrada a remuneração a todos os integrantes da pessoa jurídica. 10. Por derradeiro, anoto que vieram os autos sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional. É o relatório. Fl. 9505DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10945.721900/201319 Acórdão n.º 2401004.413 S2C4T1 Fl. 9.506 7 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator Juízo de admissibilidade 11. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito 12. A controvérsia central e estimulante que envolve este processo administrativo cingese à definição da natureza jurídica da prestação de serviços realizada pelos profissionais de saúde integrantes dos quadros societários das pessoas jurídicas contratadas formalmente pela recorrente. 12.1 Mais especificamente, saber se, a despeito da relação pactuada entre pessoas jurídicas, os serviços médicos são prestados pela pessoas físicas de forma subordinada, pessoal, não eventual e onerosa, caracterizandoos, na verdade, como segurados empregados da entidade contratante, representando tal situação fática uma irregular redução de custos trabalhistas, assim como uma indevida economia de tributos no âmbito das exações previdenciárias. 13. Tendo em conta o princípio da primazia da realidade sobre a forma, não tenho dúvida sobre a possibilidade de desconsideração dos atos privados para fins tributários, tal como aqueles relativos à contratação de pessoa jurídica, quando demonstrada a prestação de serviços pelas pessoas físicas à parte contratante, presentes os pressupostos da vinculação empregatícia com o tomador dos serviços. 14. Dada a formalização de contratos de prestação de serviços diretamente com pessoas jurídicas, compete ao Fisco o ônus probatório da existência do vínculo de emprego, visto que a prova dos fatos jurídicos cabe a quem tem interesse em fazer prevalecer o que afirma. 14.1 Em outras palavras, a fiscalização deve adicionar aos autos os elementos que demonstrem indubitavelmente a ocorrência dos fatos que invoca como fundamento à sua pretensão, assim como as circunstâncias em que foram verificados durante o procedimento investigatório. 15. Na hipótese de médicos, enquadrados na categoria dos profissionais liberais, a comprovação da prestação de serviços na condição de empregados representa ainda mais desafio à fiscalização, tendo em vista as peculiaridades do exercício da profissão, em caráter personalíssimo, com independência de opinião e autonomia de execução da medicina, via de regra. Fl. 9506DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10945.721900/201319 Acórdão n.º 2401004.413 S2C4T1 Fl. 9.507 8 16. Uma vez sintetizado o litígio instaurado, inicialmente possui relevância, para fins tributários, a análise dos limites da terceirização na atividadefim da pessoa jurídica contratante. 17. A autoridade lançadora descreve no Termo de Verificação Fiscal que o objeto social da autuada é a prestação de serviços de assistência médica e de proteção e preservação da saúde humana, não possuindo em seu quadro de funcionários nenhum ocupante do cargo de médico, de maneira tal que todos os atendimentos médicos são realizados pelas "pessoas jurídicas" contatadas pela fundação. 18. Como bem expõe a decisão de piso, a partir de informações colhidas do sítio da fiscalizada mantido na Internet, a entidade hospitalar assume como sua visto que todos os médicos que atuam no hospital compõe o corpo clínico uma mão de obra que formalmente não lhe pertence, constituída por um leque de profissionais atualizados e qualificados vinculados às sociedades prestadoras de serviço. 19. De verse, portanto, que não há como afastar do caso concreto uma efetiva terceirização da atividadefim do hospital, transferindose a responsabilidade técnica e operacional dos procedimentos médicos oferecidos pela entidade hospitalar, nas mais diversas especialidades, o que pode significar a precarização dos direitos sociais dos profissionais de saúde. 20. A pergunta é: existe ilicitude na terceirização dos serviços prestados na atividadefim da empresa? A resposta seria positiva, de acordo com o inciso III da Súmula nº 331 do Tribunal Superior do Trabalho (TST), interpretado a "contrario sensu". Reproduzo o verbete: Súmula nº 331 do TST CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LEGALIDADE (nova redação do item IV e inseridos os itens V e VI à redação) Res. 174/2011, DEJT divulgado em 27, 30 e 31.05.2011 I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). II A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da Administração Pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II, da CF/1988). III Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 20.06.1983) e de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. (grifouse) IV O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços quanto àquelas obrigações, desde que haja participado da relação processual e conste também do título executivo judicial. Fl. 9507DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10945.721900/201319 Acórdão n.º 2401004.413 S2C4T1 Fl. 9.508 9 V Os entes integrantes da Administração Pública direta e indireta respondem subsidiariamente, nas mesmas condições do item IV, caso evidenciada a sua conduta culposa no cumprimento das obrigações da Lei n.º 8.666, de 21.06.1993, especialmente na fiscalização do cumprimento das obrigações contratuais e legais da prestadora de serviço como empregadora. A aludida responsabilidade não decorre de mero inadimplemento das obrigações trabalhistas assumidas pela empresa regularmente contratada. VI – A responsabilidade subsidiária do tomador de serviços abrange todas as verbas decorrentes da condenação referentes ao período da prestação laboral. 21. Todavia, no que tange ao enunciado da Súmula nº 331, a própria jurisprudência trabalhista não mantém um consenso no tocante ao alcance e aos limites da sua aplicação às questões que envolvam a terceirização dos serviços componentes da atividadefim da empresa tomadora. 21.1 Afinal, o enunciado sumulado não equivale a um dispositivo de lei, a ponto de legitimar a restrição à liberdade da iniciativa empresarial e autonomia da vontade das partes contratantes, porque cria, na prática, um novo requisito, não previsto em lei, para a configuração da relação empregatícia (art. 5º, inciso II, da Carta da República de 1988). 22. Por isso, ainda que os serviços terceirizados sejam prestados na atividadefim da tomadora, a relação de emprego estaria demonstrada, efetivamente, quando presentes os pressupostos constantes dos arts. 2º e 3º da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo DecretoLei nº 5.452, de 1º de maio de 1943. 23. Na seara tributáriaprevidenciária, não vislumbro algo distinto desse ponto de vista da esfera trabalhista. Constatada a ocorrência dos requisitos ou pressupostos do vínculo de emprego, independentemente da forma ou denominação da contratação, o ajuste formal pactuado será desconsiderado e realizado o devido enquadramento previdenciário do trabalhador como segurado empregado. 23.1 Com esse comando normativo, transcrevo dispositivos do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999: Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; (....) Art. 229 (...) § 2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as Fl. 9508DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10945.721900/201319 Acórdão n.º 2401004.413 S2C4T1 Fl. 9.509 10 condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. (grifouse) (...) 24. Pensando nos serviços médicos prestados em hospitais, a relação jurídica pode ocorrer mediante uma relação usual de emprego, em que são partes, de um lado, o empregador (hospital) e, de outro, o empregado (médico). 24.1 Contudo, há a possibilidade também de ocorrer por intermédio de contrato de prestação de serviços, com execução das atividades por médico autônomo (contribuinte individual), médico cooperado ou médico sócio de pessoa jurídica (sociedade simples ou empresária). 24.2 Nessa última hipótese, é bom dizer que não há impedimento em nosso ordenamento jurídico para a constituição de pessoa jurídica para a prestação de serviços médicos, sendo lícita a utilização da forma societária. 25. Sem prejuízo da avaliação criteriosa dos fatos, o abuso de direito que poderia ser cogitado no caso concreto sob apreciação, como apto a desconsiderar o negócio jurídico, diz respeito a uma possível existência de inadequação de forma jurídica na situação identificada pela autoridade fiscal, consistente na criação de dezenas de sociedades de profissionais com o propósito de obter uma tributação mais favorável para a empresa contratante, atraindo a estrutura e fenomenologia da norma antielisiva inserida pelo legislador no parágrafo único da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN). 25.1 No entanto, a acusação fiscal não foi redigida nesses termos, pois ataca a simulação dos fatos concretos ocorridos, defendendo que a prestação de serviços pelas pessoas físicas sucedeu em condições que caracterizam a relação de emprego com a entidade hospitalar. 26. Com essa delimitação acusatória, a recorrente sustenta que a contratação das pessoas jurídicas foi perfeitamente válida e legal, não tendo sido usada para encobrir relação empregatícia. 26.1 É opção dos profissionais de saúde a escolha do regime jurídico que lhes seja economicamente mais interessante, ausente a subordinação e garantida a autonomia na exercício da medicina. De modo que, no caso concreto, não estão presentes os requisitos caracterizadores da relação de emprego. 26.2 Em apoio aos seus argumentos jurídicos, a recorrente ainda cita o conteúdo do art. 129 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, que estabelece que a prestação de serviços intelectuais, tais como o exercício da profissão de médico, quando realizado por sociedade prestadora de serviços, sujeitase à legislação aplicável às pessoas jurídicas. 27. Pelo lado da fiscalização, a autoridade fiscal informa que o lançamento do crédito tributário foi efetuado considerando a verificação detalhada de todos os contratos de prestação de serviços médicos ajustados com as pessoas jurídicas contratadas, avaliando as relações existentes com as pessoas físicas e desprezando, para fins de incidência tributária, os contratos cuja análise havia demonstrado uma relação entre duas pessoas jurídicas. Fl. 9509DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10945.721900/201319 Acórdão n.º 2401004.413 S2C4T1 Fl. 9.510 11 28. Do exame dos contratos de prestação de serviços, o agente do Fisco identificou os requisitos que caracterizam uma relação de emprego, quais sejam: trabalho por pessoa física, pessoalidade, não eventualidade, subordinação e onerosidade. 28.1 No detalhamento desses pressupostos da prestação de serviço com vinculação empregatícia, o Fisco Federal não os individualizou por contrato ou profissional de saúde, como muitas vezes procede o Termo de Verificação Fiscal, mas sim optou em reproduzir termos inseridos em praticamente todos os contratos de prestação de serviços médicos, conforme expôs, a título de elementos de prova do vínculo de emprego, cujas cópias digitalizadas desses documentos foram anexadas pela fiscalização às fls. 4.135/8.070: 31. Inicialmente, destacamse os seguintes termos, presentes em praticamente todos os contratos de prestação de serviços médicos: a) Obrigação de prestar a fundação, sem caráter de exclusividade, serviços de atendimento médico.............(descreve a especialidade, tipos de atendimento – plantões, etc.), obrigandose a mesma a cumprir as normas administrativas emanadas da Fundação, devendo ser prestados por profissional com especialidade (do atendimento descrito no contrato), devidamente reconhecido e habilitado pelo CRM e pertencente ao Corpo Clínico do Hospital Ministro Costa Cavalcanti (HMCC); (pessoalidade) b) A prestação de serviço será efetuada “in loco”, ininterruptamente, inclusive aos sábados, domingos e feriados, obrigandose a contratada a manter, permanentemente, de acordo com as escalas elaboradas, serviço de (especialidade do contrato) mediante a disponibilização do pessoal necessário no local da prestação, para atendimento aos pacientes. A referida escala de plantão deverá ser encaminhada para apreciação da direção da Fundação; (não eventualidade) c) A responsabilidade técnica pelos atos médicos e pela prestação de serviços, bem como a civil e a criminal, será exclusiva da Contratada que, em contrapartida, gozará de ampla liberdade profissional, ressalvandose a abordagem, junto ao Diretor Clínico, de aspectos médicos e éticos que se relacionem com a prestação de serviços e observância das normas administrativas emanadas da Direção da Fundação, e o Regimento Interno do Corpo Clinico do HMCC; (subordinação) d) Pela prestação de serviços a Fundação remunerará a contratada, da seguinte forma.......; (onerosidade) e) Este contrato é intransferível, não podendo a Contratada, a não ser com anuência expressa e por escrito da Fundação, em hipótese alguma, ceder a terceiros os respectivos direitos e obrigações; (pessoalidade) f) A Contratada obrigase a cumprir as normas administrativas emanadas pela Fundação, sendo que cumpre aos profissionais da Contratada respeitar os horários das consultas e exames Fl. 9510DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10945.721900/201319 Acórdão n.º 2401004.413 S2C4T1 Fl. 9.511 12 agendados e de conhecimento destes; (subordinação e não eventualidade) g) A estrutura disponibilizada pela Fundação compreende o espaço físico para a realização dos atendimentos, os serviços de marcação de consultas e procedimentos, recepção, auxiliares de enfermagem e os custos de operacionalização do Centro Clínico; h) Os contratos de Locação de Estrutura para prestação de serviços entre as partes, só foram formalizados em Agosto/2011. Em poucos contratos, existe a cláusula de utilização do espaço físico e da estrutura administrativa do hospital. (destaques não constam do original) 29. A pessoalidade, não eventualidade e onerosidade são requisitos que podem estar presentes em outras relações de trabalho, como na atividade autônoma. É, contudo, o requisito da subordinação que tem papel relevante e fundamental para delimitar se o trabalhador detém a condição de empregado ou não. 30. Via de regra, não se presume a subordinação do médico. É nesse ponto, em especial, que reside as dificuldades da área de fiscalização previdenciária, porque o reconhecimento do vínculo empregatício entre hospital e o profissional de saúde exige prova cabal dessa subordinação, ou pelo menos indícios sérios, convergentes e contundentes da submissão da atividade que desempenha ao poder de direção do tomador, implicando clara limitação da autonomia do médico. 31. Ao analisar esse ponto, o votocondutor do acórdão recorrido foi enfático em afirmar que os fatos apontados pela autoridade lançadora, em negrito na citação acima (letras "c" e "f"), não sinalizavam para a comprovação da dimensão clássica ou tradicional da subordinação jurídica, a qual se manifesta essencialmente mediante o exercício do poder diretivo sobre o trabalhador, normalmente com ordens diretas pelo tomador dos serviços ou seus prepostos (fls. 8.942): "(...) A princípio, entendo que os dois motivos acima identificados pela fiscalização, por si só, não configuram a subordinação propriamente dita, nos moldes como até pouco tempo se tinha no direito do trabalho. (...)" 32. Para manter a autuação, o julgador de primeira instância recorreu à subordinação estrutural, que analisa a posição do trabalhador no contexto da atividade econômica desenvolvida pela empresa e, de certa forma, é uma visão que amplia o conceito de subordinação. 32.1 Expõe seu ponto de vista por intermédio de um raciocínio organizado, técnico e coerente, apoiado em doutrina de reconhecida qualidade, segundo a qual a subordinação estava caracterizada pela inserção do trabalhador na rotina do tomador de seus serviços, independentemente de receber ou não suas ordens diretas, mas acolhendo, estruturalmente, sua dinâmica de organização, cultura e funcionamento. Fl. 9511DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10945.721900/201319 Acórdão n.º 2401004.413 S2C4T1 Fl. 9.512 13 32.2 Conclui, então, o acórdão recorrido que (fls. 8.946): "(...) A subordinação, no caso dos autos, se apresenta pela correspondência dos serviços prestados à atividade fim do tomador e pela inserção da atividade laboral na dinâmica empresarial, ou seja, revelase a subordinação do ponto de vista estrutural. (...)" 33. Conquanto reconheça a importância da tese concernente às dimensões objetiva e estrutural da subordinação como ferramenta teórica utilizada para enquadrar relações modernas de trabalho no modelo de contrato de emprego previsto na legislação trabalhista, não se constitui em critério autônomo para definição e conceituação da figura do trabalhador subordinado, denominado empregado. 33.1 A par da participação integrativa do trabalhador na atividade da empresa, é necessária a demonstração adicional da existência de poder diretivo e disciplinar do empregador, afastando de vez a autonomia da atividade do trabalhador, ainda que tais requisitos não se configurem sob a forma clássica de ordens diretas voltadas à prestação de serviço. 34. Com o devido respeito aos que pensam diferente, o fato de o médico prestar serviços diretamente ligados à atividadefim do hospital, por si só, não leva ao reconhecimento do vínculo de emprego, até porque, nessa área médica, não é incomum a relação ocorrer de uma forma autônoma. 35. Passandose mais especificamente à análise dos fatos e motivos que amparam a acusação fiscal, verifico que o Regimento Interno do Corpo Clínico do Hospital Ministro Costa Cavalcanti não estabelece uma relação vertical e hierárquica entre diretor clínico e profissional médico, mas sim, como destaca a recorrente, uma aproximação horizontal, de caráter técnico, assegurada a autonomia e a ética no exercício da medicina (fls. 8.858/8.877). 36. É frágil a proposta de descaracterizar a autonomia que usufruem os profissionais médicos pelo fato de fazerem parte do corpo clínico do hospital, submetendose às normas administrativas estabelecidas no regimento. 36.1 O respeito dos horários de consultas e exames agendados, assim como o cumprimento das normas administrativas emanadas pela entidade hospitalar, não são de molde a caracterizar a subordinação. Longe disto, porquanto o respeito às normas de organização interna básica é algo imprescindível ao funcionamento de qualquer instituição que presta serviços de saúde. 37. Por sua vez, não localizei nos autos elementos contundentes que revelem a falta de definição da agenda pelo próprio médico, de modo a lhe faltar independência para estabelecer a sua jornada diária e eventuais ausências, tendo que comparecer necessariamente ao hospital, mesmo que concedido ao profissional alguma flexibilidade nos seus horários. 38. No caso da escala de plantões, embora obrigação identificada em diversos contratos, por haver necessidade da presença de médicos "in loco" no período de 24 (vinte e quatro) horas, não há provas que deixava de levar em conta a disponibilidade de horários de cada médico, com interferência da instituição além de uma finalidade de acompanhamento e coordenação da atividade. Fl. 9512DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10945.721900/201319 Acórdão n.º 2401004.413 S2C4T1 Fl. 9.513 14 38.1 Aparentemente, eventuais substituições dos plantonistas eram permitidas, mediante troca de horários de plantões entre os colegas da respectiva sociedade contratada, inexistindo uma obrigação de um determinado médico comparecer ao hospital, sob pena de punição, proibindolhe assim de mandar outro profissional no seu lugar, sem autorização prévia do contratante. 39. Em uma visão geral, os contratos de prestação de serviços e os respectivos valores das notas fiscais emitidas indicam o faturamento pelas pessoas jurídicas de valores constantemente alterados ao longo dos meses, conforme fls. 8.303/8.422, evidenciando o repasse a título de honorários médicos ao contratado, oriundos da produtividade variável aferida no atendimento a pacientes particulares e conveniados, e não o pagamento de salários. 40. Segundo a fiscalização, a disponibilização do espaço físico, da estrutura de recepção e marcação de consultas, entre outros aspectos, às pessoas jurídicas contratadas, sem custos adicionais, acabaria afastando os riscos econômicos decorrentes da criação das sociedades médicas contratadas, demonstrando que constituía o objeto pactuado, indubitavelmente, a própria atividade do profissional de saúde. 40.1 Tal raciocínio, porém, deve ser avaliado no contexto da natureza dos serviços prestados, em que a dispensabilidade da interposição da pessoa jurídica na relação contratual é evidente, dadas as características dos serviços médicos contratados, os quais serão desempenhados necessariamente por uma pessoa física que fornece a sua força de trabalho, ainda que vinculada a uma pessoa jurídica. 40.2 De todo modo, mesmo constatada que a participação da pessoa jurídica tem caráter meramente formal, apenas restará configurado o vínculo empregatício se comprovada a subordinação jurídica na relação mantida entre tomador do serviço e sócio da sociedade médica. 41. Ante as especificidades próprias da profissão de médico, em que não há impedimento legal, segundo entendo, para a contratação de pessoa jurídica ou mesmo de autônomos (contribuintes individuais) na atividadefim de hospitais, caberia a fiscalização, por exemplo, aprofundar a investigação junto aos prestadores de serviço, preferencialmente avaliando de maneira individual a situação do profissional. 41.1 Tal procedimento poderia auxiliar na demonstração pormenorizada do vínculo empregatício existente, inclusive quanto à eventual imposição pelo hospital aos médicos da forma jurídica para a sua contratação. 42. Embora possível, a generalização da existência de subordinação nas dezenas de contratações de pessoas jurídicas exige bastante cautela e, principalmente, um conjunto probatório robusto e convincente da realidade fática comum. 42.1 É imprescindível a fiscalização convencer o julgador que os serviços não eram prestados de forma autônoma para a entidade hospital, havendo significativa limitação de comando e controle sobre as atividades profissionais exercidas, caracterizando, desse modo, trabalho subordinado. Fl. 9513DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10945.721900/201319 Acórdão n.º 2401004.413 S2C4T1 Fl. 9.514 15 43. Em vista de exposto, em que pese o esforço despendido pela autoridade fiscal para demonstrar os pressupostos da relação de emprego, não logrou êxito em comprovar o requisito subordinação, em linguagem de prova convincente, o que dispensa a análise da presença dos demais requisitos cumulativos ensejadores do vínculo empregatício noticiados pela acusação fiscal e refutados pela fiscalizada no recurso voluntário. 44. Quanto ao AI nº 51.013.8403, relativo às omissões de fatos geradores em GFIP, nas competências de 09/2007 a 11/2008, deve também ser declarado improcedente, tendo em vista o afastamento da obrigação principal associada ao descumprimento da obrigação acessória (Processo nº 10945.721899/201314). Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO para tornar insubsistente o lançamento fiscal. É como voto. Cleberson Alex Friess Fl. 9514DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS
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Numero do processo: 10845.006653/93-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/09/1990 a 31/10/1990, 01/12/1990 a 31/12/1990, 01/01/1992 a 31/03/1992
AUTO DE INFRAÇÃO. DEPÓSITO INTEGRAL. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. AFASTAMENTO. SÚMULA CARF N. 5.
Havendo, na data da lavratura do auto de infração, depósito integral, suspendendo a exigibilidade do crédito, devem ser afastados do lançamento a multa de ofício e os juros de mora. Pela Súmula no 5 do CARF, são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
Numero da decisão: 3401-003.145
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar a multa de ofício e os juros de mora/correções, mantendo a exigência somente em relação aos valores principais constantes do resultado da diligência. Vencido o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida, quanto à exclusão dos juros. Ausente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente Substituto.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros e Fenelon Moscoso de Almeida (suplente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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DEPÓSITO INTEGRAL. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. AFASTAMENTO. SÚMULA CARF N. 5. Havendo, na data da lavratura do auto de infração, depósito integral, suspendendo a exigibilidade do crédito, devem ser afastados do lançamento a multa de ofício e os juros de mora. Pela Súmula no 5 do CARF, são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar a multa de ofício e os juros de mora/correções, mantendo a exigência somente em relação aos valores principais constantes do resultado da diligência. Vencido o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida, quanto à exclusão dos juros. Ausente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. ROBSON JOSÉ BAYERL Presidente Substituto. ROSALDO TREVISAN Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 66 53 /9 3- 13 Fl. 295DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros e Fenelon Moscoso de Almeida (suplente). Relatório Versa o presente sobre Auto de Infração lavrado em 10/09/1993 (fls. 47 a 52)1, com ciência na mesma data (fl. 52), para exigência de FINSOCIAL, no valor principal original de R$ 1.300.650,71, acrescido de multa de ofício e juros de mora, referente aos meses de apuração de setembro, outubro e dezembro de 1990 e janeiro a março de 1992. Foi informado que o crédito tributário se encontra com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151, II do Código Tributário Nacional, em função de ação declaratória (no 90.02051050) com depósito judicial. A empresa apresenta Impugnação em 08/10/1993 (fls. 53 e 54), alegando que: (a) em função de decisão, pelo Tribunal Pleno do STF, no RE no 1507641/PE, declarando a inconstitucionalidade do artigo 9o da Lei no 7.689/1988, do artigo 7o da Lei no 7.787/1989, do artigo 1o da Lei no 7.894/1989, e do artigo 1o da Lei no 8.147/1990, a contribuição para o FINSOCIAL, retornou ao status quo ante, isto é, ao que preceitua o DecretoLei no 1.940/1982, calculado com alíquota de 0,5% sobre a receita bruta da venda de mercadorias, não havendo fundamento legal para exigência da contribuição com alíquota em patamares superiores; (b) conforme informado ao fisco, a empresa depositou na Caixa Econômica Federal os valores questionados, em quantia muito superior ao que efetivamente lhe poderia ser exigido; e (c) não existindo dívida, mas crédito, devem ser afastados também a multa proporcional e os juros de mora. Informa ainda a empresa que está amparada com Medida Cautelar na Ação de Depósito no 90.02044828, para impedir a exigência de multas ou medidas coercitivas. Às fls. 102/103 a empresa demanda revisão dos débitos, havendo manifestação sobre o acompanhamento do processo judicial (trânsito em julgado em 22/11/1994, e verificação de insuficiência de recolhimento) à fl. 150, e, após retificações, à fl. 160. A decisão de primeira instância, proferida em 29/11/2006 (fls. 164 a 171) é pela procedência parcial da impugnação, reconhecendo a obrigatoriedade de lavratura da autuação para prevenir decadência, e a definitividade da sentença com trânsito em julgado, assegurando a alíquota de 0,5%, devendo ser cancelado, na autuação, o montante que exceda tal patamar. Em relação à multa, deve ser mantida por não estarem de todo cobertos os débitos lançados pelos respectivos depósitos, aplicandose a retroatividade benigna no período de janeiro a março de 1992, tendo em vista o Ato Declaratório Normativo COSIT no 01/1997. No que se refere aos juros, a DRJ dispôs que são exigíveis em função do art. 161 do Código Tributário Nacional. Após ciência ao acórdão de primeira instância (AR à fl. 176) em 28/06/2007 e comunicação sobre a não conversão dos depósitos em renda, com alteração dos valores de débitos, e nova ciência em 21/07/2009 (fl. 213), a empresa apresenta recurso voluntário em 18/08/2009 (fls. 214 a 220), sustentando que: (a) a autuação foi lavrada mesmo com a contribuição para o FINSOCIAL depositada em juízo, com exigibilidade suspensa; (b) com o 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 296DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10845.006653/9313 Acórdão n.º 3401003.145 S3C4T1 Fl. 296 3 trânsito em julgado da ação judicial, a União foi condenada a devolver o valor depositado que excedesse a alíquota de 0,5%; (c) a autuação faz tabula rasa da decisão judicial, e desconsidera os depósitos integrais sob o frágil argumento de que foram constatados saldos devedores no sistema SICALC; e (d) os depósitos estavam acobertados pela decisão judicial prolatada na Medida Cautelar de depósito, que transitou em julgado, sem qualquer recurso da União, e foram muito superiores aos 0,5% efetivamente devidos à Fazenda Nacional. Com relação à parcela dos depósitos não levantada, ainda não houve conversão em renda da União porque se aguarda o desfecho da compensação demandada no processo judicial no 96.03.0672939. O julgamento foi convertido em diligência pela Resolução no 3202000.212 (fls. 268 a 273), em 27/05/2014, para que a unidade de origem verificasse a suficiência de depósito de 0,5% e a data em que foram efetivados os depósitos judiciais, e cientificasse o contribuinte sobre o resultado da diligência, para que este, se assim desejasse, apresentasse, no prazo legal de 30 (trinta) dias, manifestação, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto no 7.574/2011. O relatório da unidade local (fls. 281/282, com planilhas de cálculo/imputação às fls. 276 a 280), apresenta as seguintes conclusões: "Revisitados os dados constantes do processo, comparamos pelo SICALC (fl. 276) os créditos tributários apurados pela alíquota de 0,5% com o saldo remanescente dos depósitos judiciais após o alvará de levantamento judicial em 04/10/1996, conforme planilha da PFN (fl. 249), e apuramos sua insuficiência, confirmando despacho anterior. Embora o Contribuinte tenha feito os depósitos nas datas de vencimento, observamos que: (a) os valores depositados apresentaramse próximos aos devidos no período de 09/1990, 10/1990 e 12/1990, quando vigia a correção pela BTN, mas ainda inexatos e com saldos devedores: 09/1990 = 3,57 BTN, 10/1990 = 22,28 BTN e 12/1990 = 77,47 BTN; (b) no período entre 01/1992 e 03/1992 houve acentuada diferença entre os valores devidos na data de apuração e os depositados 20 dias depois, pois estes deveriam ter sido atualizados pela UFIR, como ocorria à época, restando os saldos devedores: 01/1992 = 13.521,75 UFIR, 02/1992 = 10.337,29 UFIR e 03/1992 = 8.783,60 UFIR." (grifo nosso) Intimada a se manifestar sobre o resultado da diligência em 02/09/2014 (AR à fl. 286), a empresa apresenta o documento de fls. 288 a 290, reiterando o já exposto no recurso voluntário. O processo foi a mim sorteado em 09/12/2015. É o relatório. Voto Fl. 297DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 4 Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso voluntário apresentado atende os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. A autuação, recordese, foi lavrada para prevenir a decadência, informando se na descrição dos fatos / enquadramento legal (fl. 51): Depreendese do texto da autuação que havia ação judicial interposta, suspendendo a exigibilidade do crédito, na forma do art. 151, II do Código Tributário Nacional (depósito do montante integral). Mas à fl. 42 há quadro demonstrativo de FINSOCIAL devido e depositado, sendo perceptível que o valor depositado é inferior ao devido somente no mês de janeiro de 1992: Percebase que o depósito foi efetuado considerando aplicáveis as alíquotas de 1,20%, nos meses de setembro, outubro e dezembro de 1990, e de 2%, nos meses de janeiro a março de 1992. E as bases de cálculo são idênticas às utilizadas pela fiscalização na autuação (fl. 47), : Fl. 298DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10845.006653/9313 Acórdão n.º 3401003.145 S3C4T1 Fl. 297 5 Verificando os dois quadros, percebese que não há controvérsia em relação ao valor devido, nem em relação ao valor depositado. O trânsito em julgado da ação judicial ocorreu em 22/11/1994 (antes do julgamento administrativo efetuado pela DRJ), e, como noticiado às fls. 128 a 136, decidiuse definitivamente pela "vigência da contribuição do FINSOCIAL nos termos do Decretolei no 1.940/1982, com a alíquota prevista no art. 56 do ADCT, até sua revogação pela Lei Complementar no 70/1991", e pela "restituição do indébito corrigido monetariamente desde o recolhimento indevido até o efetivo pagamento, acrescido de juros moratórios à taxa de 1% ao mês, contados do trânsito em julgado". Narrase à fl. 150 que foi constatado, em 18/04/2006 (cerca de treze anos após a autuação), que os depósitos judiciais eram insuficientes para a garantia do crédito, após o levantamento parcial dos depósitos judiciais, efetuado pela empresa em 1996, não havendo ainda o saldo sido convertido em renda da União, conforme se detalha à fl. 148: Fl. 299DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 6 Analisando os demonstrativos de crédito utilizados pelo fisco na imputação (fl. 143) e os valores depositados (fl. 144), percebo que estão ambos corretos, sendo os valores devidos e os valores depositados consensuais, como aqui já se disse. Mas, após o levantamento, os valores depositados se tornaram insuficientes para saldar o débito. Na consolidação de fl. 147, feita em 18/04/2006, ainda restavam débitos, a título de principal, de R$ 1,65 (PA09/1990), R$ 10,33 (PA10/1990), R$ 35,97 (PA12/1990), R$ 50.126,65 (PA01/1992), R$ 37.660,79 (PA02/1992) e R$ 32.000,39 (PA03/1992), totalizando, já com multa/acréscimos e TRD, o valor de R$ 427.765,87. Na consolidação efetuada em 13/06/2006 (fl. 158), contudo, já não apareciam diferenças nos PA (períodos de apuração) de 1990, sendo os débitos restantes, a título de principal, de R$ 11.949,00 (PA01/1992), R$ 9.415,20 (PA02/1992) e R$ 8.000,10 (PA 03/1992), totalizando, já com multa/acréscimos e TRD, o valor de R$ 105.486,67. As retificações de cálculo foram atestadas à fl. 160. É nesse contexto que a impugnação é analisada pela DRJ, que aplica ao caso o que já havia sido decidido judicialmente (cálculo à alíquota de 0,5%, ao invés de 1,2% ou 2%. A DRJ, ainda que reconheça que a multa de ofício não se aplica se houver depósito integral do montante, mantém, no caso, a referida multa, sob o seguinte argumento (fl. 170): Fl. 300DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10845.006653/9313 Acórdão n.º 3401003.145 S3C4T1 Fl. 298 7 Merece aparas, aí, o julgamento de piso. A uma, porque toma as imputações de fls. 119 a 123 (que, na numeração eletrônica, que estamos utilizando neste voto, correspondem às fls. 143 a 147), que foram posteriormente retificadas às fls. 153 a 158, excluindo os períodos de apuração de 1990, e reduzindo os valores nos períodos restantes. Mas há ainda outro equívoco cometido pelo julgador de piso: tomar a informação da DERAT como prova de que não houve depósito integral dos montantes em discussão ao momento da autuação (em 10/09/1993), quando, na verdade, tal informação apenas atesta que os depósitos se tornaram insuficientes na data em que foram por ela verificados (em 18/04/2006), depois do levantamento efetuado em juízo. Na imputação retificadora de fl. 154, não tomada em conta pela DRJ, a observação manuscrita endossa o que aqui expomos: Ao tempo da autuação, o próprio autuante, como aqui já reproduzido, expressamente afirma (fl. 51) que: E o art. 151, inciso II do CTN, mencionado pelo autuante na descrição dos fatos / enquadramento legal da autuação, dispõe: "Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) II o depósito do seu montante integral;" Pelo que se percebe no presente processo, no qual não há divergência na base de cálculo da contribuição, e a divergência de alíquota foi resolvida judicialmente, resumese o contencioso à imputação dos depósitos, principalmente depois de autorizado levantamento parcial em juízo. Não há, então, fundamento para aplicação da multa de ofício, visto que à época em que foi lavrada a autuação o crédito tributário, como informa o próprio autuante, foi objeto de depósito integral. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 8 Ademais, havendo depósito no montante integral, também os juros de mora devem ser afastados, conforme entendimento assentado neste CARF, e plasmado na Súmula no 5 do tribunal administrativo: "Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." O levantamento do depósito foi feito com autorização judicial, como afirma a recorrente, que alerta ainda para a discussão judicial travada em relação à parcela a ser convertida em renda da União (fls. 216 a 218). O Alvará de levantamento parcial do depósito, ainda em 1996, consta à fl. 240 do processo, e a Fazenda, ao se manifestar sobre o pedido de levantamento, em 05/03/1996, assim dispôs (fls. 250/251): "Foi diligenciado junto à Agência da Receita Federal em Cubatão.) no sentido de elaborarse os cálculos dos valores devidos pelo Autor a titulo de Finsocial, com a aplicação de alíquota em percentual de 0,5. (...) Após este exame minucioso, constatouse que alguns depósitos foram a maior e outros foram efetuados fora do prazo, resultando, neste caso o acréscimo de multa e juros de mora, sendo, portanto, depósito a menor. Com a documentação existente, elaborouse o quadro demonstrativo anexo, onde se demonstrou o percentual de cada depósito a ser convertido em renda da União e o percentual que poderia ser levantado. No entanto os depósitos referentes aos, meses de agosto, setembro e novembro de 1991 foram efetuados fora do prazo, incidindo sobre eles multa e juros de mora. Assim, há um (sic) diferença a ser paga, eis que os depósitos, nestes meses, foram insuficientes, face sua extemporaneidade. A diferença, conforme Doc. n° 03, SAI, 'B' e 'C', alcançou o montante de Ncr$ 5.419.106,00 para o mês de agosto e Ncr$ 5.834.620,24 para o mês de setembro e Cr$ 49.939.119,74 para o mês de dezembro, todos do ano de 1991. Desta forma, verificase que, nos meses de agosto, setembro e dezembro de 1991 os depósitos foram insuficientes, não tendo sido suspensa a exigibilidade do crédito tributário, razão porque incidiu multa de mora e juros. Com isto, deve ser cobrada a diferença apontada acima do percentual a ser levantado pelo Autor. ANTE O EXPOSTO, requer a União Federal que seja expedido oficio à Caixa Econômica Federal para que proceda a conversão dos percentuais apontados no demonstrativo em anexo, Documento n° 01, especificado mês a mês, bem como seja convertido em renda da União Federal o valor de Ncr$ Fl. 302DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10845.006653/9313 Acórdão n.º 3401003.145 S3C4T1 Fl. 299 9 5.419.106,00, devidamente atualizado a partir de 16/09/91, O valor de Ncr$ 5:334.620,24, devidamente atualizado a partir de 15/10/91 e o valor de Cr$ 49.939.119,24, devidamente atualizado a partir de 08/01/92, todos com o código n° 2836." (grifo nosso) Assim, "após exame minucioso", parafraseando o documento, não houve oposição da Fazenda ao levantamento, afora a aqui destacada, que sequer se refere aos períodos de apuração que são objeto da autuação. E o destino dos depósitos judiciais remanescentes segue sendo discutido em juízo, no bojo do processo no 96.03.0672939, visto que a empresa deseja compensar valores indevidamente recolhidos "com aqueles que deveriam ser objeto de conversão em renda da União, sendo o saldo remanescente compensável com valores devidos em períodos subsequentes relativos à COFINS" (fl. 253), e o TRF da 3a Região determinou a suspensão da conversão dos depósitos em renda até que se decida sobre o pleito de compensação (fl. 258). Assim, o processo, na forma em que veio inicialmente a julgamento pelo CARF, já permitia saber que eram indevidos multas e juros, em função do depósito integral, atestado pelo autuante e pela própria Fazenda, "após exame minucioso", nos períodos aqui tratados. Vejase que no voto pela baixa em diligência restava expressa a preocupação com a data da lavratura da autuação, a data dos depósitos e a data do levantamento (fl. 272): "Não obstante, quanto à multa de ofício e juros de mora, importante trazer que o auto de infração foi lavrado em 10 de setembro de 1993 e, portanto, posteriormente ao depósito efetuado nos termos constante da liminar deferida à época. E especificamente aos depósitos judiciais efetuados pela recorrente, vêse que por ter a recorrente observado o constante da liminar deferida à época, havia sido efetuado o depósito na Caixa Econômica Federal, agencia 2206, à ordem do juízo, relativamente: (...) Quanto à informação trazida pela recorrente que fora pedido levantamento do valor excedente aos 0,5% e, por conseguinte, autorizado através do Alvará de Levantamento nº 149/96, importante trazer que o auto de infração ocorreu anteriormente a essa autorização." (grifo nosso) Mesmo diante da situação que flagrantemente afastava a incidência de multa e juros, decidiu o colegiado administrativo pedir à unidade preparadora que verificasse "a suficiência de depósito de 0,5% e a data em que foram efetivados os depósitos judiciais", em que pese já residirem tais informações nos autos. Ao que nos parece, houve erro de redação no pedido, que deveria demandar à unidade preparadora que verificasse "a suficiência de depósito de 0,5% à data em que foram efetivados os depósitos judiciais", para que fosse mais consentâneo com o que esclareceu o voto condutor da conversão em diligência nos excertos aqui transcritos. De qualquer forma, se Fl. 303DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 10 o resultado da diligência acabou sendo secundário à discussão de multa e dos juros, passou a ser relevante para a discussão do montante devido a título de contribuição para o FINSOCIAL. Acolho, assim, o resultado da diligência (fls. 281/282), unicamente para esse propósito, de tratar o montante principal devido: "Revisitados os dados constantes do processo, comparamos pelo SICALC (fl. 276) os créditos tributários apurados pela alíquota de 0,5% com o saldo remanescente dos depósitos judiciais após o alvará de levantamento judicial em 04/10/1996, conforme planilha da PFN (fl. 249), e apuramos sua insuficiência, confirmando despacho anterior. Embora o Contribuinte tenha feito os depósitos nas datas de vencimento, observamos que: (a) os valores depositados apresentaramse próximos aos devidos no período de 09/1990, 10/1990 e 12/1990, quando vigia a correção pela BTN, mas ainda inexatos e com saldos devedores: 09/1990 = 3,57 BTN, 10/1990 = 22,28 BTN e 12/1990 = 77,47 BTN; (b) no período entre 01/1992 e 03/1992 houve acentuada diferença entre os valores devidos na data de apuração e os depositados 20 dias depois, pois estes deveriam ter sido atualizados pela UFIR, como ocorria à época, restando os saldos devedores: 01/1992 = 13.521,75 UFIR, 02/1992 = 10.337,29 UFIR e 03/1992 = 8.783,60 UFIR." (grifo nosso) Ao se manifestar sobre o resultado da diligência, a empresa não questiona especificamente nenhum cálculo, limitandose a externar (fl. 289) que não resta dúvida de que "os depósitos realizados estavam acobertados pela decisão prolatada na Medida Cautelar de depósito, que transitou em julgado sem qualquer recurso da União e foram muito superiores aos 0,5% efetivamente devidos à Fazenda Nacional". Realmente, os depósitos efetuados estavam acobertados pela decisão judicial, e a diferença detectada pelo fisco não pode ser acrescida nem de multa de ofício, nem de juros de mora, visto que houve depósito integral, ao tempo da autuação, como aqui exposto. Mas isso não impede a exigência exclusivamente da contribuição devida, nos montantes apurados na diligência (fl. 280 total de R$ 28.898,31), sem juros de mora, nem multa, de ofício ou de mora, ou TRD, visto que havia depósito integral ao tempo da autuação, e que foi parcialmente levantado, posteriormente, com anuência da Fazenda. Poderseia, no máximo, cogitar de juros de mora a partir do levantamento do depósito judicial, quando não mais passou a existir efetivamente um depósito integral. Mas tal exigência seria incompatível com o objeto da autuação, revelando autonomia e inovação mais próximas da atividade de lançamento do que da função de julgamento. Deve, então, ser dado provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar da autuação as multas e os juros de mora/correções, mantendo a exigência somente em relação aos valores principais constantes do resultado da diligência. No que se refere ao recurso de ofício interposto, cabe acolher a decisão da DRJ, que apenas cumpriu o que já havia sido definido judicialmente, em relação à alíquota, e Fl. 304DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10845.006653/9313 Acórdão n.º 3401003.145 S3C4T1 Fl. 300 11 aplicou comando legal vigente para promover a retroatividade benigna em relação às multas, multas essas que acabaram restando, neste julgamento, plenamente afastadas. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar a multa de ofício e os juros de mora/correções, mantendo a exigência somente em relação aos valores principais constantes do resultado da diligência. Rosaldo Trevisan Fl. 305DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL
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Numero do processo: 18470.727575/2011-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
A propositura de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual verse o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo. Súmula nº 01 do CARF.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2401-004.283
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do Recurso Voluntário, em virtude da renúncia tácita ao Contencioso Administrativo, nos termos da Súmula nº 1 do CARF.
André Luís Mársico Lombardi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A propositura de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual verse o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo. Súmula nº 01 do CARF. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do Recurso Voluntário, em virtude da renúncia tácita ao Contencioso Administrativo, nos termos da Súmula nº 1 do CARF. André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 75 75 /2 01 1- 63 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 2 Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 18470.727575/201163 Acórdão n.º 2401004.283 S2‐C4T1 Fl. 60 3 Relatório Exercício: 2010, anocalendário: 2009; Data da Notificação de Lançamento: 01/08/2011. Data da Ciência da Notificação de Lançamento: 18/08/2011. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ, que julgou improcedente a impugnação interposta pelo Sujeito Passivo do Crédito Tributário formalizado mediante a Notificação de Lançamento nº 2010/209980589057973, a fls. 05/09, consistente em Imposto de Renda de Pessoa Física – Suplementar, em razão de Omissão de Rendimentos Tributáveis Recebidos Acumuladamente em virtude de ação judicial federal. De acordo com a citada Notificação de Lançamento, do exame das informações e documentos apresentados pelo Contribuinte e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse Omissão de Rendimentos Tributáveis Recebidos Acumuladamente em virtude de ação judicial federal, no valor de R$ 35.957,12 , auferidos pelo titular e/ou dependentes. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 1.078,71. Constatouse, ainda, compensação indevida a título de Imposto Complementar, pelo titular e/ou dependentes, no valor de R$ l.078,71, referente à diferença entre o valor declarado de R$ l.078,7l, e o efetivamente comprovado R$ 0,00. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fl. 02. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão nº 1244.936 18ª Turma da DRJ/RJ1, a fls. 27/29, julgando procedente o lançamento, e mantendo o Crédito Tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 13/05/2014, conforme Aviso de Recebimento a fl. 38. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 41/42, respaldando seu inconformismo em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: · Que ajuizou perante a Justiça Federal TJF 2° Região ação de rito ordinário nº 2005.51.01.0097163, objetivando a declaração de não incidência do imposto de renda sobre valores recebidos a titulo de Fl. 61DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 4 “Licença Prêmio”, bem como a devolução de todo o imposto indevidamente retido. · Aduz que, no entendimento do TJF 2° Região, a licença prêmio não gozada não tem relação jurídica tributária de imposto de renda, conforme Acórdão do Tribunal da 2ª Região: Conheço e dou e provimento a r. sentença, declarar a inexistência de relação jurídica tributaria à incidência de imposto de Renda em relação a verba recebida a titulo de licença prêmio, bem como condenar a restituir o imposto cobrado indevidamente, atualizado monetariamente e com juros da taxa SELIC, tudo na forma da fundamentação. O Recorrente fez juntar a fls. 47/52 Acórdão proferido pelo E. Tribunal Regional Federal da 2ª Região, proferido nos autos do processo 2002.51.0097163, vazdo na seguinte conclusão: “Conheço e dou provimento ao apelo do autor, com fulcro no art. 557 do CPC para, reformando a r. sentença, declarar a inexistência de relação jurídica tributária à incidência de imposto de renda em relação à verba recebida a título de licença prêmio, bem como condenar a restituir o imposto cobrado indevidamente, atualizado monetariamente e com juros da taxa SELIC, tudo na forma da fundamentação. Condeno, outrossim, a ré ao reembolso das custas e ao pagamento de honorários advocatícios na ordem de 5% sobre o valor da condenação.” É o que importa relatar. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 18470.727575/201163 Acórdão n.º 2401004.283 S2‐C4T1 Fl. 61 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 06/03/2014. Havendo sido o Recurso protocolizado em 01/04/2014, há que se reconhecer a sua tempestividade. 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO O Recorrente alega ter ajuizado perante a Justiça Federal TJF 2° Região ação de rito ordinário nº 2005.51.01.0097163, objetivando a declaração de nãoincidência do imposto de renda sobre valores recebidos a titulo de “Licença Prêmio”, bem como a devolução de todo o imposto indevidamente retido. Aduz que, no entendimento do TJF 2° Região, a licença prêmio não gozada não tem relação jurídica tributária de imposto de renda, conforme Acórdão do Tribunal da 2ª Região: Conheço e dou e provimento a r. sentença, declarar a inexistência de relação jurídica tributaria à incidência de imposto de Renda em relação a verba recebida a titulo de licença prêmio, bem como condenar a restituir o imposto cobrado indevidamente, atualizado monetariamente e com juros da taxa SELIC, tudo na forma da fundamentação. Assentado que a citada medida judicial versa, no tudo e no todo, a respeito da existência ou não de relação jurídica tributária referente à incidência de imposto de renda em relação à verba recebida a título de licença prêmio, e que a decisão proferida na Instância Judicial subjuga qualquer outra exarada na esfera administrativa, adquirindo inclusive o atributo da coisa julgada formal e material, resulta que, qualquer que seja o veredictum proferido por esta Corte Administrativa, acerca da matéria objeto do litígio, será tido como letra morta diante da decisão judicial transitada em julgado. O próprio Órgão Julgador de 1ª Instância já houvera deixado de apreciar o mérito da matéria em pauta, em virtude da propositura da ação judicial ora em apreço, ad litteris et verbis: Acórdão nº 1244.936 18ª Turma da DRJ/RJ1 Desta forma, a conclusão que se impõe é que, com a propositura de ação judicial, o contribuinte manifestou recusa à instância Fl. 63DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 6 administrativa, já que a matéria discutida nesta jurisdição é objeto também de discussão junto ao Poder Judiciário. Assim, este Órgão Julgador Administrativo está impedido de apreciar o mérito da matéria versada no presente processo. Com efeito, no tocante a esse aspecto, não há que se falar em julgamento administrativo neste sentido, posto que a solução do litígio está a cargo da Justiça Federal. Essa instância, superior e autônoma, tem prevalência sobre a administrativa que, julgando o mérito, além de violentar a função jurisdicional, em nada contribuiria para a solução definitiva da lide afeta à alçada judicante. Então, deixase de apreciar o mérito da omissão de rendimentos, devendo ser mantida a infração tributária apontada na notificação de lançamento. A situação em apreço já foi reiteradamente enfrentada, em situações pretéritas idênticas, por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, dando ensejo à edição da Súmula nº 1, cujo Verbete transcrevemos adiante: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Nesse contexto, a propositura de Ação Judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, implica renuncia tácita às Instâncias Administrativas. Tal conclusão não colide com as diretivas positivadas no art. 35 da Portaria RFB n°10.875/2007, in verbis: Portaria RFB n°10.875, de 16 de agosto de 2007. Art. 35. A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente ao lançamento, com o mesmo objeto, importa em renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto. Parágrafo único. Quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada. Reiterese que a renúncia ora em voga independe de ato volitivo da parte, ou mesmo da vontade psicológica do Recorrente. Ela decorre ex lege, e de forma objetiva, independentemente do motivo ou do tempo em que a demanda tenha sido ajuizada perante o Poder Judiciário. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 18470.727575/201163 Acórdão n.º 2401004.283 S2‐C4T1 Fl. 62 7 Por tais razões, pugnamos pelo não conhecimento do Recurso Voluntário interposto, em razão da renúncia tácita às Instâncias Administrativas, em atenção à Súmula CARF nº 01. 2. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto pelo NÃO CONHECIMENTO do recurso, em virtude da renúncia tácita ao Contencioso Administrativo, nos termos da Súmula nº 1 do CARF. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI
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Numero do processo: 13154.720506/2013-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
DEDUÇÃO COM DEPENDENTES. FILHOS E NETO. NÃO COMPROVAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE GUARDA JUDICIAL.
Não havendo comprovação ou indício contemporâneo ao fato gerador que os filhos e neto são dependentes do Recorrente, não se admite a dedução do imposto de renda relativa a esses supostos dependentes em razão da inexistência da guarda judicial. Inteligência do art. 77 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR).
DEDUÇÃO COM DEPENDENTE. COMPANHEIRA/CONVIVENTE E ENTEADA. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
Havendo comprovação, por meio de Escritura Pública de união estável e dos documentos de recadastramento do servidor junto ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso, de vida em comum entre o Recorrente e a companheira, admite-se a dedução do imposto de renda relativa a essa dependente. Inteligência do art. 77 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR).
Pelo mesmo fundamento, é forçoso restabelecer a dedução da dependente enteada do Recorrente, menor de 21 anos, e filha da companheira.
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS E DENTISTAS. CONTRIBUINTE E DEPENDENTE. NÃO COMPROVAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, dentistas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR).
A dedução de despesas médicas e dentistas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
DEDUÇÃO DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DEPENDENTE. NÃO COMPROVAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE.
As despesas com instrução são dedutíveis na declaração de ajuste anual para pagamentos devidamente comprovados, efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação pré-escolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual individual estabelecido em lei. Inteligência do art. 81 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR).
A dedução de despesas com instrução na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea tanto da dependência de seu neto (Pedro Pereira Campos Neto), no mesmo ano-calendário da obrigação tributária, como também da mantença da guarda judicial, fato este não evidenciado nos autos.
DESPESA COM PENSÃO ALIMENTÍCIA. SEM DECISÃO JUDICIAL OU ACORDO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE. PAGAMENTO POR LIBERALIDADE. INDEDUTIBILIDADE.
A dedução de despesa com pensão alimentícia requer a prova de que o ônus tenha sido imposto ao contribuinte por força de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente.
O pagamento de pensão alimentícia, por mera liberalidade, a ex-cônjuge e ao filho maior de 24 anos, em hipótese não prevista nas normas do direito de família, não está sujeito à dedução fiscal.
Súmula CARF nº 98: A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para restabelecer a dedução da base de cálculo relativa aos dependentes Ana Maria de Oliveira (convivente ou companheira do Recorrente) e Ana Flávia de Oliveira (enteada do Recorrente).
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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DEDUÇÃO DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO, MÉDICAS E PENSÃO ALIMENTÍCIA Recorrente PEDRO PEREIRA CAMPOS FILHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 DEDUÇÃO COM DEPENDENTES. FILHOS E NETO. NÃO COMPROVAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE GUARDA JUDICIAL. Não havendo comprovação ou indício contemporâneo ao fato gerador que os filhos e neto são dependentes do Recorrente, não se admite a dedução do imposto de renda relativa a esses supostos dependentes em razão da inexistência da guarda judicial. Inteligência do art. 77 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). DEDUÇÃO COM DEPENDENTE. COMPANHEIRA/CONVIVENTE E ENTEADA. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. Havendo comprovação, por meio de Escritura Pública de união estável e dos documentos de recadastramento do servidor junto ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso, de vida em comum entre o Recorrente e a companheira, admitese a dedução do imposto de renda relativa a essa dependente. Inteligência do art. 77 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). Pelo mesmo fundamento, é forçoso restabelecer a dedução da dependente enteada do Recorrente, menor de 21 anos, e filha da companheira. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS E DENTISTAS. CONTRIBUINTE E DEPENDENTE. NÃO COMPROVAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, dentistas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 15 4. 72 05 06 /2 01 3- 50 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 A dedução de despesas médicas e dentistas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano calendário da obrigação tributária. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DEPENDENTE. NÃO COMPROVAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. As despesas com instrução são dedutíveis na declaração de ajuste anual para pagamentos devidamente comprovados, efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação préescolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual individual estabelecido em lei. Inteligência do art. 81 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas com instrução na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea tanto da dependência de seu neto (Pedro Pereira Campos Neto), no mesmo ano calendário da obrigação tributária, como também da mantença da guarda judicial, fato este não evidenciado nos autos. DESPESA COM PENSÃO ALIMENTÍCIA. SEM DECISÃO JUDICIAL OU ACORDO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE. PAGAMENTO POR LIBERALIDADE. INDEDUTIBILIDADE. A dedução de despesa com pensão alimentícia requer a prova de que o ônus tenha sido imposto ao contribuinte por força de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. O pagamento de pensão alimentícia, por mera liberalidade, a excônjuge e ao filho maior de 24 anos, em hipótese não prevista nas normas do direito de família, não está sujeito à dedução fiscal. Súmula CARF nº 98: A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 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Fl. 162DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento de fls. 8/12, resultante de alterações na Declaração de Ajuste Anual, exercício de 2012, anocalendário de 2011, que implicou apuração de imposto suplementar, no valor de R$ 5.748,46, sujeito à multa de ofício (75%) e juros legais, em face da constatação das seguintes infrações: 1. dedução indevida com dependentes, no valor tributável de R$ 9.448,20; 2. dedução indevida com despesa de instrução, no valor tributável de R$ 2.841,00; 3. dedução indevida de pensão alimentícia judicial, no valor tributável de R$ 36.400,00; 4. dedução indevida de despesa médicas, no valor tributável de R$ 23.093,79. A decisão de primeira instância julgou improcedente a impugnação, mantendose as glosas apontadas pelo Fisco. Cientificado da decisão de primeira instância em 23/06/2014 (fls. 146), o interessado interpôs, em 23/07/2014, o recurso de fls. 147/155. Nas razões recursais aduz que: 1. quanto à infração de dedução indevida com dependente, alega que Ana Maria de Oliveira é companheira do interessado, conforme Escritura Pública de União Estável; que Divaldo Faria Neto é seu filho beneficiário de pensão alimentícia, à época; que Ana Flávia Oliveira é filha de Ana Maria de Oliveira, companheira do contribuinte; que Adriano Braga Campos é incapacitado mentalmente; que Pedro Pereira Campos Neto encontravase sob dependência econômica do interessado; 2. quanto à infração de dedução indevida com despesa de instrução, alega tratarse de contrato mantido com o CIE – Centro Integrado de Ensino, em benefício do neto, Pedro Pereira Campos Neto, desprovido de assistência paterna; 3. quanto à infração de dedução indevida de pensão alimentícia judicial aduz que “em razão de decisão judicial e mesmo antes desta decisão, por pagamento voluntário como permite o Código Civil e cujos valores são confirmados na declaração de renda do cônjuge Maria do Carmo Braga Campos (...), certidão inclusa, de quem achase separado de fato, há mais de 18 anos”. 4. quanto à infração de dedução indevida de despesa médicas, alega que “o valor é o resultado da somatória de despesas médicas e odontológicas, com o próprio declarante e ora impugnante e com Fl. 163DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13154.720506/201350 Acórdão n.º 2402005.023 S2C4T2 Fl. 4 5 seus dependentes, segundo disposições da legislação civil, sendo ora juntados os comprovantes”. Ao fim, requer seja acolhido o presente recurso para cancelar o débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. I GLOSAS DOS DEPENDENTES A decisão de primeira instancia entendeu que o Recorrente não comprovou as despesas realizadas a título de dependentes, nos seguintes termos: “6. A autoridade lançadora apurou a infração de dedução indevida com dependentes, no valor tributável de R$ 9.448,20, conforme descrição dos fatos, às fls. 9, in verbis: (...) 7. Com efeito, não obstante os argumentos colacionados, a defesa não logrou afastar os fundamentos declinados pala autoridade lançadora par recusar a dedução dos dependentes glosados, conforme se segue: a) Quanto à glosa de Adriano Braga Campos, tratase de filho do impugnante com Maria do Carmo Braga Campos, da qual encontrase separado há mais de 18 anos, conforme confessado na impugnação. A defesa apresentou documento pertinente à ação de interdição 34/37, proposta pela genitora. Registrese, ainda, que a curadoria provisória foi deferia à genitora, vide Termo de fls. 43, cabendo a esta a responsabilidade pela guarda do interditando, e não ao interessado. b) Quanto à glosa de Ana Maria de Oliveira, o fundamento declinado pela autoridade lançadora foi a ausência da prova de coabitação. A defesa limitouse a apresentar a Escritura Pública de União estável, (fls. 86/97), lavrada em 31/05/2013, que não supre o requisito apontado pela autoridade lançadora. Com efeito, a prova de coabitação tratase de exigência expressa da legislação tributária, em se tratando de união que não tenha resultado nascimento de filhos, sem o que, não se admite a dedução da companheira como dependente. Pelo mesmo fundamento, impõese a manutenção da glosa da filha da companheira, Ana Maria de Oliveira, por não se afigurar a unidade familiar, para fins da legislação do imposto de renda. c) Quanto às glosas de Divaldo Faria Neto e Pedro Pereira Campos Neto, tratamse de filho do interessado com Silvana Roque de Faria (certidão às fls. 93), do qual encontrase separado, conforme se verifica pelo ofício de fls. 58, datado de 7/10/2008, que determinou o pagamento de pensão alimentícia em benefício do dependente e de sua genitora; e neto do interessado, respectivamente. Com efeito, em ambos os casos, o requisito para o deferimento da dedução da cota de dependente é a comprovação de que o contribuinte detenha a guarda judicial, o que não ficou comprovado nos autos. Em acréscimo, registre se que a legislação tributária veda, expressamente, a dedução a Fl. 165DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13154.720506/201350 Acórdão n.º 2402005.023 S2C4T2 Fl. 5 7 dedução de cota de dependente do filho beneficiário pensão alimentícia paga pelo declarante. 8. Do exposto, com arrimo nas disposições do art. 77 do decreto nº 3.000, de 1999, mantémse a infração de dedução indevida com dependentes.” Em sede de recurso, o Recorrente repetiu as mesmas alegações da peça de impugnação e fez alusões às questões doutrinárias e de direito. Com relação à glosa da dedução do suposto dependente Adriano Braga Campos, filho do Recorrente com Maria do Carmo Braga Campos, da qual encontrase separado desde de 1994, conforme confessado na peça recursal, entendo que a glosa deve ser mantida, pois o Recorrente não detém a guarda do filho e sim a sua genitora (Maria do Carmo Braga Campos). Inteligência do art. 77, inciso III e § 4º, do RIR/1999. O Recorrente apresentou documentos concernentes à ação de interdição (fls. 34/37), proposta pela genitora, e a curadoria provisória foi concedida à genitora (Maria do Carmo Braga Campos), conforme Termo de fls. 43, cabendo a esta a responsabilidade pela guarda do interditando, e não ao Recorrente. Logo, não consta dos autos qualquer documento contemporâneo ou anterior ao fato gerador que o Recorrente possuiria a guarda do seu filho Adriano Braga Campos. Quanto às glosas de Divaldo Faria Neto, filho do Recorrente com Silvana Roque de Faria (certidão às fls. 93), do qual encontrase separado (fls. 58), e de Pedro Pereira Campos Neto, neto do Recorrente, entendo que as glosas devem ser mantidas, pois não há a comprovação de que o contribuinte detenha a guarda judicial deles. Inteligência do art. 77, incisos III e V e § 4º, do RIR/1999. Em outros termos, a legislação tributária veda, expressamente, a dedução de cota de dependente do filho e do neto do beneficiário sem a comprovação da guarda judicial. Com relação às glosas de dedução da dependente Ana Maria de Oliveira, companheira do Recorrente, e Ana Flávia Oliveira, enteada do Recorrente e filha de Ana Maria de Oliveira, entendo que a dedução decorrente dessas glosas devem ser restabelecidas, pois o Recorrente demonstrou que matinha coabitação com a Sr. Ana Maria de Oliveira desde de 25/10/2002, conforme Escritura Pública de união estável (fls. 86/97) e documentos de recadastramento do servidor junto ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso (fls. 114/115) para os anos de 2008 e 2010. Isso aponta tanto para uma vida em comum como para a união estável para o anocalendário de 2011 da obrigação tributária ora lançada. Inteligência do art. 77, inciso II, do RIR/1999. Pelo mesmo fundamento estabelecido acima, é forçoso restabelecer a dedução da dependente Ana Flávia Oliveira, nascida em 20/12/1994 (fl. 95) e filha da companheira (Ana Maria de Oliveira), e, portanto, enteada do Recorrente. Inteligência do art. 77, inciso II e § 2º, do RIR/1999. Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de RendaRIR): Dependentes Fl. 166DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 Art. 77. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida do rendimento tributável a quantia equivalente a noventa reais por dependente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso III). § 1o Poderão ser considerados como dependentes, observado o disposto nos arts. 4º, § 3º, e 5º, parágrafo único (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35): I o cônjuge; II o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até vinte e um anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV o menor pobre, até vinte e um anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até vinte e um anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VII o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. § 2o Os dependentes a que referem os incisos III e V do parágrafo anterior poderão ser assim considerados quando maiores até vinte e quatro anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 1º). § 3º Os dependentes comuns poderão, opcionalmente, ser considerados por qualquer um dos cônjuges (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 2º). § 4º No caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 3º). (g.n.) § 5 É vedada a dedução concomitante do montante referente a um mesmo dependente, na determinação da base de cálculo do imposto, por mais de um contribuinte (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 4º). Portanto, considerando que o contribuinte não comprovou dentro do ano calendário de 2011, por meio de documentos idôneos e hábeis, que os seus filhos Adriano Braga Campos e Divaldo Faria Neto, bem como o seu neto Pedro Pereira Campos Neto, são seus dependentes para fins da legislação do imposto de renda, devem ser mantidas as glosas Fl. 167DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13154.720506/201350 Acórdão n.º 2402005.023 S2C4T2 Fl. 6 9 decorrentes desses supostos dependentes. E, para os dependentes Ana Maria de Oliveira (convivente ou companheira do Recorrente) e Ana Flávia de Oliveira (enteada do Recorrente), deve ser restabelecida a dedução da base de cálculo destes dependentes. II GLOSA DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO DE DEPENDENTE Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "b", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutiveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, a título de despesas com instrução, os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação préescolar, de 1°, 2° e 3° graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: II das deduções relativas: b) a pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação préescolar, de 1°, 2°, e 3° graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual individual de um mil e setecentos reais. (g.n.) O Recorrente alega que o seu neto, Pedro Pereira Campos Neto, não tivera o reconhecimento paterno e a mãe foi acometida de enfermidade, estando o infante sob total pendência do ora recorrente, nos seguintes termos: “Por fim e como demonstram os documentos juntados com a impugnação, a criança Pedro Pereira Campos Neto, não tivera o reconhecimento paterno e a mãe, acometida de enfermidade, ainda em tratamento psiquiátrico, estando o infante sob total pendência do ora recorrente, segundo a |Legislação Civil vigente, sendo oportuno observar que a obrigação alimentar e assistencial, por parte de pais e avós não está condicionada à decisão judicial, admitindo a legislação pátria a iniciativa do próprio alimentante, até mesmo para exonerarse de futura determinação judicial.” Tal alegação não será acatada, pois a dedução de despesas com instrução está limitada àquelas incorridas com o declarante (Recorrente) e com seus dependentes, sendo que o seu neto, Pedro Pereira Campos Neto, não foi caracterizado como dependente para fins de isenção do imposto de renda nos moldes do art. 77, incisos V e § 4º, do RIR/1999. Com isso, é forçoso concluir que não existe fundamento que autorize o restabelecimento das despesas com instrução, mantendose a glosa apurada pelo Fisco, já que o Recorrente não se desincumbiu satisfatoriamente do ônus de prova, com documentos hábeis e idôneos, que detinha a guarda judicial de seu neto (Pedro Pereira Campos Neto), e, portanto, não se enquadra na hipótese de isenção prevista no art. 81 do RIR/1999. Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de RendaRIR): Despesas com Educação Fl. 168DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 10 Art. 81. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação préescolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual individual de um mil e setecentos reais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "b"). III GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS E DENTISTAS Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutiveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, a título de despesas médicas, psicólogo, e com dentistas, os pagamentos especificados e comprovados, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou cópias dos pagamentos efetuados em favor de profissionais da área de saúde (médicos e dentistas), por meio de recibos, não contendo o nome do beneficiário do tratamento, e sem qualquer declaração do tomador dos serviços médicos e odontológicos. A decisão de primeira instancia entendeu que o Recorrente não comprovou as despesas médicas e odontológicas, nos seguintes termos: “[...]14. A defesa limitouse a alegar que “o valor é o resultado da somatória de despesas médicas e odontológicas, com o próprio declarante e ora impugnante e com seus dependentes, Fl. 169DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13154.720506/201350 Acórdão n.º 2402005.023 S2C4T2 Fl. 7 11 segundo disposições da legislação civil, sendo ora juntados os comprovantes”. Não obstante, aos documentos apresentados, às fls. 26/33 e 112, a título de comprovação, a par de não contemplarem todas as deduções glosadas, não supre as deficiências apontadas pela autoridade lançadora nos documentos originalmente apresentados. 15. Por oportuno, registrese que parte das despesas médicas glosadas, no montante de R$ 6.171,68, forma informadas na DIRPF revisada, vinculadas a dependentes, a saber: (...) 16. Com efeito, considerando que todos os dependentes informados na DIRPF revisada foram glosados, impõese a manutenção dessa glosas. 17. Quanto às demais glosas, que somam R$ 16.922,11, embora tenham sido informadas na DIPRF revisada vinculadas ao titular, os documentos apresentados, não autorizam o restabelecimento das deduções, conforme se segue: • quanto aos pagamentos informados para a prestadora Ana Lucia R Moreira, no montante de R$ 4.800,00, foi apresentado apenas um recibo, às fls. 28, no valor de R$ 2.400,00, sem a indicação do paciente beneficiário. Com efeito, não é possível presumir, no caso em espécie, que o beneficiário seja o próprio, e não um dos diversos dependentes glosados. Com efeito, em face dos motivos declinados pela autoridade lançadora para fundamentar essa glosa, caberia ao interessado comprovar, efetivamente, em qual paciente foram prestados os serviços odontológicos a que se refere o comprovante. Isso poderia ser feito mediante a apresentação de declaração subscrita pela prestadora. • Quanto ao pagamento informado para a pessoa jurídica SOMEDCooperativa de Assistência Médica, Odontológica Ltda, de R$ 11.035,99, não foi apresentado comprovante emitido pelo plano de saúde, e sim, mera planilha, desprovida de assinatura e do CNPJ, às fls. 26/27, que não se mostra hábil à comprovação da despesa, por lhe faltar o requisito da autenticidade. • Quanto ao pagamento informado para pessoa jurídica São Francisco Saúde Ltda, no valor de R$ 1.086,12, não foi apresentado documento algum a título de comprovação. 18. Do exposto, com arrimo nas disposições dos incisos II e III do art. 80 do Decreto nº 3.000, de 1999, mantémse a infração de dedução indevida de despesas médicas. [...]” No mesmo sentido, entendo que os recibos, desacompanhados da declaração do profissional que prestou os serviços ao Recorrente e/ou aos seus dependentes, não são suficientes para demonstrar a efetividade dos pagamentos com despesas médicas e com dentistas, pois não evidenciam o respectivo tomador do serviço ou da consulta. Nesse passo, com relação ao pagamento informado para a pessoa jurídica SOMEDCooperativa de Assistência Médica, Odontológica Ltda, no valor de R$11.035,99, não Fl. 170DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 12 há comprovação da efetividade dos pagamentos, pois somente foi acostada aos autos uma planilha desprovida de assinatura e do CNPJ (fls. 26/27), e, portanto, desprovida de autenticidade documental. Com isso, é forçoso concluir que não existe fundamento que autorize o restabelecimento das despesas médicas e odontológicas, devendose manter as glosas dessas despesas, pois os documentos acostados aos autos (recibos de pagamentos) não indicam o paciente/beneficiário do tratamento/consulta e são desprovidos autenticidade documental. IV GLOSA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA O Fisco aponta a dedução indevida de pensão alimentícia judicial no valor tributável de R$36.400,00. O Recorrente afirma que os valores foram pagos ao filho Adriano Braga Campos e à excônjuge Maria do Carmo Braga Campos, nos seguintes termos: “De igual modo, o filho Adriano Braga Campos, agora sujeito a processo de Interdição, cujo numero e juízo fora expressamente declinados na impugnação, juntandose ainda os Laudos que confirmam a esquizofrenia, sendo, pois e inquestionavelmente, dependente, econômica e assistencialmente, do ora recorrente. (...) Tocante a Maria do Carmo Braga Campos, o ora recorrente casouse com ela, em 30/12/1975 e convivera até 1994, estando desde então separados de fato, o que não o exonera da obrigação alimentar, que antes era repassada voluntariamente e a posteriori, restou fixada judicialmente, como provam os documentos juntados com a impugnação, extraídos dos Autos n. 682988.2012.811.0003Código 711802, que tramitaram pela Segunda Vara de Família, da Comarca de Rondonópolis.” Extraise do direito de família duas modalidades de obrigações alimentares a que estão sujeitos os pais em relação aos filhos. A primeira, decorrente do pátrio poder (atualmente poder familiar), sujeita os pais ao dever de sustento, guarda e educação dos filhos durante a menoridade. Seu fundamento encontrase no art. 1.566, IV, do atual Código Civil/20021. A segunda, com a maioridade pode surgir obrigação alimentar dos pais em relação aos filhos, porém de natureza diversa, fundada nos arts. 1.694, 1.695 e 1.701 do CC/2002. Essa obrigação, que deriva da relação de parentesco, diz respeito aos filhos maiores que não estão em condições de prover a sua própria subsistência. Embora ambas as modalidades terem título jurídico radicado expressamente no Livro IV do CC/2002, todo ele dedicado ao Direito de Família, não se pode emprestar somente uma interpretação literal do art. 4º, II, da Lei 9.250/1995, o qual autoriza a dedução da base de cálculo do imposto de renda das importâncias pagas a título de pensão alimentícia, em 1 Código Civil CC/2002: Art. 1.566. São deveres de ambos os cônjuges: (...) IV Sustento, guarda e educação dos filhos; Fl. 171DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13154.720506/201350 Acórdão n.º 2402005.023 S2C4T2 Fl. 8 13 face das normas do Direito de Família, para permitir que as deduções a esse título se perpetuem de forma eterna no lapso temporal. Impõese afirma que, de acordo com os princípios informadores do Direito Tributário, uma solução plausível pode ser extraída de uma interpretação sistemática das normas do Direito Civil e dos arts. 4o, II e 35, III, § 1º, ambos da Lei 9.250/1995, assim descritos: Art. 4º Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) II as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) (g.n.) (...) Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea "c", poderão ser considerados como dependentes: (...) III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; (...) § 1º Os dependentes a que se referem os incisos III e V deste artigo poderão ser assim considerados quando maiores até 24 anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau. Percebese, então, que os dispositivos transcritos, em conjunto com as normas do Direito de Família estabelecidas no CC/2002, admitem a interpretação de que as deduções de pensão alimentícia da base de cálculo do imposto de renda devem se restringir aos valores pagos a esse título durante o período do dever de sustento até complementar 21 anos, além de casos especialíssimos, como o dos filhos maiores inválidos e dos filhos maiores até 24 anos de idade que estiverem cursando o ensino superior ou escola técnica de segundo grau. A teor do raciocínio desenvolvido acima, tais alimentos devem observar os requisitos de dependência para que sejam utilizados como dedução para fins de Imposto de Renda, nos termos da interpretação sistemática das normas do Código Civil/2002 e dos arts. 4o, II e 35, III, § 1º, ambos da Lei 9.250/1995. É que a invalidez não propicia a exoneração do encargo alimentar pela aquisição da maioridade, pois a necessidade de recebimento dos alimentos não deriva, neste caso, da faixa etária, mas sim do estado precário de saúde do alimentando. Por outro lado, a Fl. 172DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 14 dedução de pensão alimentícia paga a filhos estudantes maiores, de até 24 anos de idade, justificase pelo dever de educação dos filhos, imanente ao poder familiar, sem o condão de transmudar o dever de sustento em obrigação alimentar perpétua. Nesse caminhar, somente são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda as pensões alimentícias pagas aos filhos menores de 21 anos ou aos filhos maiores de idade quando incapacitados para o trabalho e sem meios de proverem a própria subsistência, ou até 24 anos se estudantes do ensino superior ou de escola técnica de segundo grau. No caso dos autos, a obrigação familiar do Recorrente em pagar alimentos judicialmente, em benefício de Maria do Carmo Braga Campos (excônjuge) e Adriano Braga Campos (filho maior de 25 anos, nascido em 25/04/1977), somente ocorreu a partir de 31 de agosto de 2012, conforme Mandado de Citação e Intimação de fls. 54. Com isso, os pagamentos efetuados antes dessa data (31/08/2012) foram realizados por mera liberalidade do Recorrente e não são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda, por falta de previsão legal. Inteligência do art. 4o, II, da Lei 9.250/1995 e do art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto 3.000/1999. Em outras palavras, na época do fato gerador ora discutido (anocalendário de 2011), o Recorrente não estava obrigado por força de decisão judicial a realizar os pagamentos a título de pensão judicial Além disso, mesmo em relação à época da homologação do acordo judicial, cumpre mencionar que este tribunal administrativo tem diferenciado o dever de sustento decorrente do poder familiar, do dever de prestar alimentos, nos seguintes termos: “AÇÃO DE OFERTA DE ALIMENTOS. CONTRIBUINTE ALIMENTANTE COABITANDO COM A CÔNJUGE E FILHOS. NATUREZA DE DEVER FAMILIAR. Assim como a legislação civil não comporta a comunicação unilateral para a exoneração dos alimentos fixados, a legislação fiscal só permite a dedução dos alimentos pagos em cumprimento às normas do Direito de Família. O dever de prestar alimentos não se confunde com o dever de sustento decorrente do poder familiar. O dever de sustento dos cônjuges se transforma em dever de prestar alimentos quando há a ruptura da vida conjugal. Recurso Voluntário Provido em Parte. (CARF, 2ª Seção, 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara, Proc. 10840.001792/200786, Sessão de 18 de outubro de 2012)” Não se ignora o fato de que no Novo Código Civil (arts. 1.694 a 1.710)2 e mesmo no Codex anterior, a obrigação de alimentar perdura e se dá em razão do parentesco, ou seja, em razão do dever de assistência e de solidariedade existentes entre pessoas que têm a sua 2 Código Civil/2002: Art. 1.694. Podem os parentes, os cônjuges ou companheiros pedir uns aos outros os alimentos de que necessitem para viver de modo compatível com a sua condição social, inclusive para atender às necessidades de sua educação. § 1º Os alimentos devem ser fixados na proporção das necessidades do reclamante e dos recursos da pessoa obrigada. § 2º Os alimentos serão apenas os indispensáveis à subsistência, quando a situação de necessidade resultar de culpa de quem os pleiteia. Art. 1.695. São devidos os alimentos quando quem os pretende não tem bens suficientes, nem pode prover, pelo seu trabalho, à própria mantença, e aquele, de quem se reclamam, pode fornecêlos, sem desfalque do necessário ao seu sustento. (...) Art. 1.701. A pessoa obrigada a suprir alimentos poderá pensionar o alimentando, ou darlhe hospedagem e sustento, sem prejuízo do dever de prestar o necessário à sua educação, quando menor. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13154.720506/201350 Acórdão n.º 2402005.023 S2C4T2 Fl. 9 15 gênese em um mesmo tronco familiar, quer seja nas linhas ascendente e descendente, quer seja na colateral até o segundo grau. No caso dos autos, para que seja objeto de dedução do imposto de renda a prestação de alimentos, devese comprovar que os alimentandos não possuem bens nem tem condições de prover, pela sua labuta, a sua própria mantença, hipótese esta que não foi objeto de discussão ou deferimento no acordo homologado. Portanto, como à época do fato gerador ora discutido (anocalendário 2011), o pagamento de alimentos à excônjuge e ao filho maior de 24 anos era feito por mera liberalidade do Recorrente, e não em face do cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, não se aplica a regra de isenção do art. 78 do RIR/1999. Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n.º 3.000/99): Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). (g.n.) §1º A partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. §2º O valor da pensão alimentícia não utilizado, como dedução, no próprio mês de seu pagamento, poderá ser deduzido nos meses subseqüentes. §3º Caberá ao prestador da pensão fornecer o comprovante do pagamento à fonte pagadora, quando esta não for responsável pelo respectivo desconto. §4º Não são dedutíveis da base de cálculo mensal as importâncias pagas a título de despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). §5º As despesas referidas no parágrafo anterior poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração anual, a título de despesa médica (art. 80) ou despesa com educação (art. 81) (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). No mesmo sentido, o enunciado da Súmula CARF no 98 exige, para a dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, o efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. Súmula CARF nº 98: A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em Fl. 174DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 16 face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. Assim, deve ser mantida a glosa da dedução indevida de pensão alimentícia judicial no valor tributável de R$36.400,00, relativa Maria do Carmo Braga Campos (ex cônjuge) e Adriano Braga Campos (filho maior de 25 anos), já que não poderia ser deduzida a pensão alimentícia deles sem a decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e não há nos autos qualquer documento que comprove a incapacidade para o trabalho dos alimentandos e sem meios de proverem a própria subsistência. V CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para restabelecer a dedução da base de cálculo relativa aos dependentes Ana Maria de Oliveira (convivente ou companheira do Recorrente) e Ana Flávia de Oliveira (enteada do Recorrente), nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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