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Numero do processo: 13971.000328/95-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Data do Fato Gerador: 30/11/1991, 21/12/1991, 31/01/1992, 31/03/1992
PAGAMENTOS ANTERIORMENTE EFETUADOS MAIORES QUE O DEVIDO. SALDO SUFICIENTE PARA AMORTIZAÇÃO TOTAL DOS DÉBITOS COBRADOS.
Comprovado que o saldo dos pagamentos a maior, feitos pela recorrente entre setembro de 1989 e março de 1991, foi suficiente para amortizar os débitos do período de novembro de 1991 a março de 1992, restou sem objeto o presente auto de infração.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 3201-000.191
Decisão: ACORDAM os membros da 2ªâmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: CELSO LOPES PEREIRA NETO
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Recorrida DM-FLORIANÓPOLIS/SC ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Data do Fato Gerador: 30/11/1991, 21/12/1991, 31/01/1992, 31/03/1992 PAGAMENTOS ANTERIORMENTE EFETUADOS MAIORES QUE O DEVIDO. SALDO SUFICIENTE PARA AMORTIZAÇÃO TOTAL DOS DÉBITOS COBRADOS. Comprovado que o saldo dos pagamentos a maior, feitos pela recorrente entre setembro de 1989 e março de 1991, foi suficiente para amortizar os débitos do período de novembro de 1991 a março de 1992, restou sem objeto o presente auto de infração. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2' Câmara / 1" Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO - Presidente .Ank. CELSO LOPES PEREIRA NETO - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Anelise Daudt Prieto, Irene Souza da Trindade Torres, Nilton Luiz Bartoli, Nanci Gania, Vanessa Albuquerque Valente e Heroldes Bahr Neto. Proces5o n" 13971.000328/95-71 S3-C2T1 Acéntlilo 11. 0 3201-00.191 Fl. 178 Relatório Através do Auto de Infração de fls. 33/35, ciência do contribuinte em 08/06/1995, exigiu-se o recolhimento da importância equivalente a 19.667,64 UF1R, acrescida de juros de mora e multa proporcional de 100%, totalizando 47.734,91 UFIR, a título de contribuição para o Finsocial, referente a fatos geradores ocorridos entre 30/11/1991 e 31/03/1992. No campo "Descrição dos fatos" do Auto de Infração é informado que o valor foi apurado conforme demonstrativo apresentado pelo contribuinte em resposta à intimação de 15/05/1995. O contribuinte havia efetuado depósitos judiciais nos períodos de abril/1991 a outubro/1991, de acordo com o Mandado de Segurança n°02-605/91, à alíquota de 2,00%. No citado processo, foi determinada a cobrança do Finsocial à alíquota de 0,50%, sendo, portanto, feita a conversão em renda da União, 25% dos valores depositados. Conforme demonstrativo de imputação (fls. 27/28), os valores convertidos foram superiores aos valores apurados em alguns meses, sendo o excedente usado para amortizar em parte o débito relativo ao fato gerador de novembro/91. A empresa apresentou impugnação (fls. 36/42), em 03/07/1995, alegando, em síntese, que: - entendendo ser inconstitucional a exigência do Finsocial, impetrou Mandado de Segurança e efetivou depósitos a partir de 04/91 até 10/91, não os realizando nos períodos subseqüentes, em vista de sérias dificuldades financeiras; - obteve decisão judicial já transitada em julgado que reconheceu a inconstitucionalidade das aliquotas maiores que 0,50%, até o advento da Lei Complementar n" 70/91; - procedeu ao levantamento dos valores que excederam a aliquota de 0,50%, recolhidos indevidamente entre 09/89 e 03/91 e efetuou a compensação desses valores com os valores que estavam em aberto no período de 11/91 a 03/92; - baseado nesse entendimento, formulou consulta, protocolada em 24/06/1994, para verificar se o seu procedimento estava correto; - tal consulta ainda estava pendente de solução à ocasião da lavratura do auto de infração que viola, portanto, o art. 48 do Decreto n" 70.235/72, que impede a instauração de qualquer procedimento fiscal contra o contribuinte, em relação à matéria consultada, até o trigésimo ãs subseqüente à data da ciência da decisão; - os valores do ICMS/tbnte varejista deveriam ser excluídos da base de cálculo do Finsocial, uma vez que é recolhido na forma de substituição tributária; - o art. 66 da Lei n° 8.383/91 não fez qualquer limitação temporal para os tributos e contribuições sociais sujeitos à compensação, corno também não sujeitou a compensação dos tributos a solicitação prévia a qualquer órgão público nem limitou a compensação apenas entre tributos que tenham idêntica hipótese de incidência, corno pretendeu regular a Instrução Normativa ri° 67/92; Processo n° 13971.000328/95-71 83-C2T Acórdão n." 3201-00.191 Fl. 179 A autoridade julgadora de primeira instância determinou a realização de diligências, para que fossem anexadas cópias das decisões administrativas já proferidas em relação à consulta acerca da compensação e para que se verificasse se a empresa era contribuinte substituta do ICMS e a procedência dos valores indicados como sendo referentes ao ICMS pagos como substituto tributário. Em atendimento à diligência, foi informado que a autuada é contribuinte substituta em relação a determinadas bebidas e que os valores indicados pela empresa referem- se de fato, à parcela do ICMS do regime de substituição tributária que seria devida pelo comerciante varejista. Relativamente à consulta feita sobre a compensação, foi informado que a Seção de Tributação da Receita Federal em Blumenau cientificou a empresa, em 02/08/1994, da necessidade de apresentar consulta com base na NE/CST/043-97, não havendo registro de qualquer consulta protocolizada posteriormente à referida data. A autoridade de primeira instância considerou o lançamento procedente em parte, para excluir os valores de ICMS, referentes à substituição tributária e para reduzir a multa de oficio para 75%, mediante a Decisão n° 0074/97 (tis. 82/90), cuja ementa transcrevemos: "FINSOC IA L AUTO DE INFRA çÃo Fatos geradores: novembro de 1991 a março de 1992. INSTAURAÇÃO DE AÇÃO FISCAL SOBRE MATÉRIA NÃO OBJETO DE CONSULTA Se a alegada formulação de consulta resultou incomprovada nos autos, inexiste o impedimento previsto no art. 48 do Decreto n" 70.235/72 (instauração de ação fiscal). COMPENSAÇÃO [INSOCIAL COM FINSOCIA L. IMPOSSIBILIDADE. MANDADO DE SEGURANÇA — EFEITOS. As decisões judiciais que declaram a inconstitucionalidade das majorações estabelecidas à aliquota do FINSOCIAL, pelas Leis n" 7.787/89, 7.894/89, e 8.147/90, têm efeitos restritos às partes integrantes das respectivas ações judiciais. Apesar da autuada possuir decisão transitada em julgado, nos autos de ação de Mandado de Segurança impetrada em 13/05/91, desobrigando-a do pagamento do F1NSOCIAL nas alíquotas previstas em legislação julgada inconstitucional, tal fato não implica no reconhecimento do direito de compensação das parcelas pagas a maior no período de 09/89 a 03/91, uma vez que a segurança obtida não produz efeitos patrimoniais em relação a período pretérito (Súmula STF n°271). BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO 1CMS. EMPRESA • ATACADISTA. A fração do ICMS correspondente à substituição tributária do comerciante varejista, não integra a base de cálculo do fry31 62-3 Processo n" 13971.000328/95-71 S3-C2T Acórdão n.° 3201-00.191 H. 180 FINSOCIAL devido pela comercial atacadista, que apenas antecipa o imposto devido pelo comerciante varejista. MULTA DE OFÍCIO — REVISÃO A multa de oficio de 100%, aplicada na vigência do artigo 4", inciso I, da Lei n" 8.218/91 deve ser revista de oficio e alterada para o percentual de 75 %, em vista da edição do inciso I do artigo 44, da Lei n°9.430/96 confirme determinação contida no Ato Declaratório (Normativo) n" I, de 07.01.97. LANÇAMENTO PARCIALMENTE PROCEDENTE A recorrente interpôs o Recurso de fls. 94/102, em que reedita, em relação aos pontos mantidos pela decisão de primeira instância, os argumentos apresentados em sua impugnação. Às tls. 104, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas contra- razões manifestando-se pela manutenção integral da decisão recorrida. Os autos subiram ao Segundo Conselho de Contribuintes que converteu o julgamento do recurso em diligência (n° 202-02.029 — fls. 108/114), em decisão de 06 de abril de 1999, em que solicita à Unidade de Origem que confirme os recolhimentos efetuados com aliquotas superiores a 0,50% para o FINSOCIAL e, caso positivo, manifeste-se sobre a suficiência dos saldos acumulados desses pagamentos a maior, atualizados monetariamente, com base nos índices formadores dos coeficientes da tabela anexa à Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n" 08, de 27/06/97, para a liquidação dos débitos para com o FINSOCIAL, referentes aos períodos de apuração de que trata este processo, bem como proceda ao imediato bloqueio dos créditos, confirmados até o montante necessário para quitar os débitos total ou parcialmente. Em 05 de setembro de 2006, a DRF- Blumenau intimou a recorrente a apresentar cópias dos DARFs de recolhimento do Finsocial, relativos ao período de 09/1989 a 03/1991. Apresentada a documentação solicitada, foi emitida Informação Fiscal (fls. 146/147) da Seção de Acompanhamento e Controle Tributário da DRF- Blumenau, da qual transcrevemos os trechos a seguir: "... o sujeito passivo foi intimado a trazer ao processo cópias dos DARFs de recolhimentos daquele tributo (sob código de arrecadação n" 6120), relativos aos períodos de apuração de 09/89 a 03/91 (fl. 119). As cópias apresentadas foram anexadas às fls. 122/128. De posse destas cópias realizei pesquisa nos microfilmes arquivados nesta DRF, através da qual pude confirmar o processamento daqueles pagamentos (fl. 129/130), com exceção do pagamento relativo à competência 06/90 (11. 125. Quanto ao segundo quesito ... realizei trabalho de auditoria utilizando-se do sistema CTSJ, a partir das inibi-mações dos pagamentos que puderam ser confirmados no arquivo de microfilmes assim como dos faturamentos informados nas cópias dos DARFs e/ou em planilha Ibrnecida pela autuada quando de seu requerimento administrativo para o reconhecimento das compensações efetuadas (fis. 06/08). Processo n° 13971.000328/95-71 S3-C2T1 Acórdão n." 3201-09.191 FI. 181 Às fls. 132/145 encontram-se os relatórios do trabalho realizado no CTSJ, cujos resultados demonstram que os saldos dos pagamentos maiores que os devidos (não sendo considerado o pagamento da competência 06/90) foram efetivamente suficientes para amortizarem os débitos objetos do lançamento recorrido (conforme se denota do Demonstrativo Resumo das Vincula ções Auditadas, fL 140), mesmo quando informadas as bases de cálculo utilizadas pelos autuantes, que não consideraram as exclusões do ICVIS da substituição tributária, pleiteadas pela autuada e concedidas pela decisão de 1" instáncia administrativa (fls. 82/90). " (grifos originais) Os membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, acordaram em não conhecer do recurso, declinando da competência de julgamento ao Terceiro Conselho de Contribuintes, através do Acórdão 202-17.989, de 26 de abril de 2007. Encaminhado ao Terceiro Conselho de Contribuintes, foi distribuído, por sorteio, ao Conselheiro Celso Lopes Pereira Neto. É o Relatório. 5 Processo n° [3971.000328/95-71 S3-C2T1 Acórdão n." 3201-00.191 Fl. 182 Voto Conselheiro CELSO LOPES PEREIRA NETO, Relator A recorrente tomou ciência da decisão, ora recorrida, em 19102/1997 (AR de fls. 93), e protocolou seu recurso voluntário, em 11/0311997 (fls. 94), sendo, portanto, tempestivo. A recorrente alegou que os pagamentos do Finsocial, no período de 09/89 a 03/91, foram efetuados considerando-se alíquotas superiores a 0,50% e que o saldo dos pagamentos maiores que os devidos seria suficiente para compensar os débitos do mesmo Finsocial do período de novembro de 1991 a março de 1992, objeto do presente auto de i n fração. Como resultado da diligência solicitada, restou comprovado, segundo Informação Fiscal de fls. 146/147 que os saldos dos pagamentos maiores que os devidos foram efetivamente suficientes para amortizarem os débitos objetos do lançamento recorrido. Às fls. 132/145 encontram-se os relatórios do trabalho realizado com os Demonstrativos de Pagamento (fls. 135/136), segundo os DARFs apresentados, Demonstrativo de Apuração de Débitos 6120 — Finsocial Faturamento do período de setembro de 1989 a março de 1992 ((is. 137), Demonstrativo Resumo das Vinculações Auclitadas 6120— Finsocial Faturamento (fls. 138/140) e Demonstrativo de Vinculações Auditadas de Pagamentos ((ls. 141/145). Observar que, mesmo não sendo considerado o pagamento da competência 06/90, por não ter sido possível confirmar o processamento daquele pagamento (fl. 129/130) e ainda quando informadas as bases de cálculo utilizadas pelos autuantes, que não consideraram as exclusões do 1CMS da substituição tributária, pleiteadas pela autuada e concedidas pela decisão de 1" instância administrativa (fls. 82/90), o saldo dos pagamentos a maior, feitos pela recorrente entre setembro de 1989 e março de 1991, foi suficiente para amortizar os débitos do período de novembro de 1991 a março de 1992, restando sem objeto o presente auto de infração. Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. Sala das Sessões, em 18 de junho de 2009. Lka-- CELSO LOPES PEREIRA NETO - Relator 6 4,14* MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO Processo n°: 13971.000328/95-71 Recurso n.°: 139021 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3° do art. 81 anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n°. 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, a tornar ciência do Acórdão n.° 3201-00.191. Brasília, 18 d , a...to de 009. • LUIZ HUMBE UZ- ANDES Chefepa 2°• fiam • ia Tem, ra Seção Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ 1 Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1
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Numero do processo: 10467.720269/2013-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 03 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Fri Oct 23 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2009
ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE PROTEÇÃO AMBIENTAL. DEDUTIBILIDADE.
Para consideração de uma área como de preservação permanente deve ser comprovada a existência de pelo menos uma das características apontadas nos diversos incisos, alíneas e itens do art. 11 do Decreto nº 4.382, de 2002, que regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do ITR, também deve ser comprovada a presença de área de proteção ambiental.
ÁREA DE PRODUTOS VEGETAIS.
Comprovado nos autos a cultura de cana-de-açúcar no imóvel, deve ser mantida a área de cultivo de produtos vegetais apontada no laudo.
ÁREA EM DESCANSO.
Para que a área em descanso possa ser declarada como área utilizada é necessário que exista Laudo Técnico, elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotada no CREA, onde conste expressamente recomendação para que a área utilizada específica seja mantida em descanso, ou submetida a processo de recuperação, com data de emissão anterior ao início do período de descanso.
MULTA. CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2)
Numero da decisão: 2202-007.052
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para reconhecer 306,5266 ha a título de área de cultivo de produtos vegetais.
(documento assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mário Hermes Soares Campos - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos (relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Leonam Rocha de Medeiros, Juliano Fernandes Ayres e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: MARIO HERMES SOARES CAMPOS
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DEDUTIBILIDADE. Para consideração de uma área como de preservação permanente deve ser comprovada a existência de pelo menos uma das características apontadas nos diversos incisos, alíneas e itens do art. 11 do Decreto nº 4.382, de 2002, que regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do ITR, também deve ser comprovada a presença de área de proteção ambiental. ÁREA DE PRODUTOS VEGETAIS. Comprovado nos autos a cultura de cana-de-açúcar no imóvel, deve ser mantida a área de cultivo de produtos vegetais apontada no laudo. ÁREA EM DESCANSO. Para que a área em descanso possa ser declarada como área utilizada é necessário que exista Laudo Técnico, elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotada no CREA, onde conste expressamente recomendação para que a área utilizada específica seja mantida em descanso, ou submetida a processo de recuperação, com data de emissão anterior ao início do período de descanso. MULTA. CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para reconhecer 306,5266 ha a título de área de cultivo de produtos vegetais. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 7. 72 02 69 /2 01 3- 13 Fl. 135DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-007.052 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10467.720269/2013-13 Mário Hermes Soares Campos - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos (relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Leonam Rocha de Medeiros, Juliano Fernandes Ayres e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão prolatada no Acórdão nº 03-066.580 da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DRJ/BSB), datada de 27 de fevereiro de 2015, que julgou improcedente a impugnação de Notificação de Lançamento relativa a lançamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), no valor original de R$ 394.840,23. Na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” esclarece a autoridade fiscal lançadora que, após regularmente intimado o contribuinte não comprovou as áreas efetivamente utilizadas para plantação com produtos vegetais e para pastagens declaradas. Também não foi comprovado, por meio de laudo de avaliação do imóvel, nos termos estabelecidos na NBR 14.653-3, o Valor da Terra Nua (VTN) declarado. Em decorrência da não comprovação das áreas acima descritas e do VTN, foi procedida à alteração do Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), conforme os valores descritos no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido. O VTN por hectare foi arbitrado considerando as informações sobre preços de terras, constantes do Sistema de Preços de Terra (SIPT) e o valor total da terra nua foi calculado multiplicando-se esse VTN/ha arbitrado pela área total do imóvel, conforme os critérios estabelecidos no art. 12, § 1°, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993. O VTN médio por aptidão foi arbitrado, tendo como fonte os levantamentos relativos ao município de localização do imóvel (Rio Tinto), para o exercício de 2009, conforme tela “VTN MÉDIO POR APTIDÃO AGRÍCOLA” juntada aos autos (fl. 89) Foi interposta impugnação, onde o autuado contesta a alíquota de 8,6% aplicada para efeito de cálculo do imposto e para tanto solicita concessão de 30 dias de prazo para apresentação do Laudo Técnico de Uso e Planta Georeferencial, elaborado por profissional especializado, haja vista a complexidade do trabalho a ser elaborado, onde alega será demonstrado que o imóvel objeto da autuação é totalmente explorado com a cultura de cana de açúcar e pecuária, com classificação fundiária de grande propriedade produtiva, conforme o Certificado de Cadastro de Imóvel Rural (CCIR) juntado aos autos. Assim, entende que deve ser utilizada a alíquota de 0,3%, vez que a exploração do imóvel supera os 80% de sua área. Também é alegada na impugnação o caráter confiscatório da multa de 75% aplicada sobre o valor da diferença de imposto apurada e solicita a aplicação do percentual de 20%, relativo a multa de mora. Posteriormente, foram juntados aos autos o “Laudo Técnico de Uso e Ocupação dos Solos para Fins de Comprovação junto à Receita Federal”, exercício de 2009, documento de fls. 38/49. Nos termos do art. 6ºA da Instrução Normativa - IN - RFB nº 958, de 15 de julho de 2009, que estabelece procedimentos para revisão de DITR, os documentos apresentados foram submetidos à apreciação da autoridade fiscal lançadora. Procedendo à análise das informações apresentadas, a fiscalização emitiu novo Termo de Intimação (fls. 50/51), reiterado pelo Termo de fls. 57/58, onde foi solicitado que o contribuinte apresentasse informações Fl. 136DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-007.052 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10467.720269/2013-13 complementares relacionadas às áreas de produtos vegetais e de pastagem, entretanto, o intimado permaneceu inerte, não sendo apresentada qualquer manifestação com relação às solicitações. Em conformidade com o inciso I do art. 6º-A, da referida IN RFB, a autoridade fiscal lavrou, em 04/12/2013, o Termo Circunstanciado de fls. 57/58, apresentando a análise dos documentos e alegações fornecidos pelo contribuinte na impugnação e anexos, concluindo pela integral manutenção do lançamento, conforme Despacho Decisório de fls. 59. Cientificado de tal decisão, o autuado protocolizou, em 18/12/2013, Pedido de Reconsideração de fls. 71 e anexos de fls. 72/79, onde afirma que entende comprovada a produtividade da propriedade rural e informa sobre a impossibilidade de juntar toda a documentação requerida, vez que o imóvel encontra-se arrendado em sua integralidade, conforme comprovado na documentação acostada, sendo a cana-de-açúcar produzida na referida área em nome de seus arrendatários, conforme declaração expedida pela Associação de Plantadores de Cana da Paraíba – ASPLAN, a qual anexa aos autos. A impugnação foi considerada pela autoridade julgadora de piso tempestiva e de acordo com os demais requisitos de admissibilidade, não obstante, foi julgada improcedente por aquela autoridade (fls. 102/109). A decisão exarada apresenta a seguinte ementa: DA REVISÃO DE OFÍCIO - ERRO DE FATO. A revisão de ofício de dados informados pelo contribuinte na sua DITR somente cabe ser acatada quando comprovada nos autos, com documentos hábeis, a hipótese de erro de fato, observada a legislação aplicada a cada matéria. DA ÁREA COBERTAS POR FLORESTAS NATIVAS. As áreas cobertas por florestas nativas (Bioma Mata Atlântica), para fins de exclusão do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente ADA. DA ÁREA DE PRODUTOS VEGETAIS. Deverá ser mantida a glosa, efetuada pela autoridade autuante, da área de produtos vegetais informada na DITR/2009, por falta de documentos de prova hábeis para comprová-la. DA ÁREA EM DESCANSO. As áreas em descanso são áreas que foram utilizadas com produtos vegetais que precisam recuperar o solo. Para que a área em descanso possa ser declarada como área utilizada é necessário que exista Laudo Técnico, elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotada no CREA, onde conste expressamente recomendação para que a área utilizada específica seja mantida em descanso, ou submetida a processo de recuperação, com data de emissão anterior ao início do período de descanso. DA ÁREA DE PASTAGENS. Não comprovada, por meio de documentos hábeis, a existência de rebanho no imóvel em 2008, deverá ser mantida a glosa da área de pastagem declarada para o exercício de 2009, observada a legislação de regência. DO VALOR DA TERRA NUA (VTN) - SUBAVALIAÇÃO. Para fins de revisão do VTN/ha arbitrado pela fiscalização, correspondente ao VTN/ha médio constante do SIPT, exige-se que o Laudo de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT (NBR 14.653-3), principalmente no que tange aos dados de mercado coletados, de modo a atingir fundamentação e Grau de precisão II, demonstrando, de forma clara e convincente, o valor fundiário do imóvel, a preços da época do fato gerador do imposto (01/01/2009), Fl. 137DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-007.052 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10467.720269/2013-13 bem como, a existência de características particulares desfavoráveis que pudessem justificar a revisão pretendida. DA MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição da República é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicá-la, nos moldes da legislação que a instituiu. Apurado imposto suplementar em procedimento de fiscalização, no caso de informação incorreta na declaração do ITR ou subavaliação do VTN, cabe exigi-lo juntamente com a multa e os juros aplicados aos demais tributos. O autuado interpôs recurso voluntário, onde contesta a decisão de piso quanto à não consideração das áreas de preservação permanente e proteção ambiental, cobertas por florestas nativas (Bioma Mata Atlântica) e quanto à exigência do Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolizado junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), para efeito de reconhecimento exclusão da base de tributação, por entender desnecessária e ilegal, vez que comprovada sua existência mediante laudo técnico, citando jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Entende também comprovada no laudo técnico a área de produtos vegetais destinada à cultura de cana-de-açúcar (306,5ha) e para descanso de 436,9ha, corroborada com os contratos de arrendamento rural carreados aos autos após a impugnação. Na sequência, mais uma vez questiona o VTN utilizado no lançamento, sob o argumento de que tal valor estaria incondizente com o patamar de mercado da região da Paraíba, padecendo de “artificialismo na medida em que amplia a base de cálculo do ITR sem base legal.”. E, ao final, volta a se irresignar com o lançamento da multa de oficio no percentual de 75%, sob o mesmo fundamento de “grave ofensa ao princípio da proporcionalidade e ao primado que veda a tributação com efeito de confisco”, acrescentando a capacidade contributiva, postulando pela desconstituição do lançamento. Os principais argumentos articulados pelo contribuinte no recurso serão devidamente explicitados por ocasião do voto. É o relatório. Voto Conselheiro Mário Hermes Soares Campos, Relator. A recorrente foi intimado da decisão de primeira instância, por via postal, em 27/03/2015 (sexta-feira), conforme Aviso de Recebimento e extrato emitido pelos Correios (fls. 109/110). Tendo sido o recurso ora objeto de análise protocolizado em 27/04/2015, conforme carimbo aposto pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em João Pessoa/PB na própria peça recursal (fl. 115), considera-se tempestivo. CONSIDERAÇÕES INICIAIS Para melhor delineamento dos diversos tópicos objeto do recurso apresentado pelo autuado, pertinente a reprodução de parte do item intitulado “Das Áreas Distribuídas do Imóvel (Erro de Fato – Possibilidade de Revisão de Oficio)”, constante do voto prolatado no julgamento de piso, posto que apresenta uma visão geral do lançamento e das principais matérias atacadas na impugnação e da distribuição das áreas do imóvel constantes na DITR original e confrontadas com o laudo técnico apresentado: Fl. 138DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-007.052 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10467.720269/2013-13 Inicialmente, é preciso deixar registrado que o lançamento, somente, diz respeito à glosa integral das áreas de produtos vegetais (118,0 ha) e de pastagem (710,0 ha), bem à rejeição do VTN declarado de R$ 599.822,00 (R$ 598,43/ha), e arbitramento, com base no VTN/ha apontado no SIPT, de novo VTN de R$ 2.510.000,00 (R$ 2.500,00 ha). O impugnante requer novo lançamento do imposto suplementar, que deveria tomar por base as informações constantes do Laudo Técnico de Uso do Solo e Planta Georreferenciada, de fls. 38/45 e 48/49, respectivamente, com ART de fls. 46/47. O referido Laudo traz, às fls. 43, tabela indicando a distribuição de uso do solo do imóvel rural. Essa tabela indica que o imóvel teria uma área total de 1.023,0 há (declarada como 1.004,0 ha), distribuída da seguinte forma: Área inapta à agricultura 8,8406 ha Cana-de-açúcar 306,5266 ha Mangue (Bioma Mata Atlântica) 204,9461 ha Área em descanso 436,9797 ha Vegetação de porte médio (Bioma Mata Atlântica) 46,6757 ha Sede (casas e galpões) 0,5354 ha Espelho d’água (açudes e rios) 1,6520 ha Estradas e caminhos 16,8600 ha TOTAL DA ÁREA 1.023,0161 ha Ocorre que dessas áreas, chama a atenção a de cana-de-açúcar, de 306,5 ha, que o impugnante trata como área de produtos vegetais (declarada na DITR/2009 como sendo de 118,0 ha); as áreas ambientais de preservação permanente (mangue), de 204,9461 ha, anteriormente declarada com 120,0 ha, e coberta por florestas nativas (vegetação de porte médio - Bioma Mata Atlântica), de 46,6757 ha, totalizando em área ambiental 251,6218 ha; e, ainda, a área em descanso, de 436,9797 ha. Ressalte-se que as áreas em descanso e cobertas por florestas nativas (vegetação de porte médio -Bioma Mata Atlântica) não foram declaradas anteriormente. Quanto às benfeitorias, não obstante ter sido apresentada no Laudo a área que de fato corresponderia a esse item, de 19,0474 ha, cabe esclarecer que tal atualização não será aqui considerada, visto que esta área é menor do que aquela declarada na DITR/2009, aceita pela fiscalização, de 36, 0 ha, consequentemente, seu acatamento agravaria a exigência. Quanto à área de produtos vegetais, esta será analisada em item específico deste Voto. Apesar de a hipótese de erro de fato somente ter sido arguida pelo contribuinte na fase de impugnação, portanto, após a materialização do procedimento de ofício, cabe a mesma ser analisada, observando-se aspectos de ordem legal. Caso fosse negada essa oportunidade ao contribuinte, estaria sendo ignorado um dos princípios fundamentais do Sistema Tributário Nacional, qual seja, o da estrita legalidade e, como decorrência, o da verdade material. Comungo com a conclusão acima, quanto à possibilidade de análise de eventual erro de fato mediante impugnação, conforme previsão do art. 145, I, do Código Tributário Nacional – CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), haja vista o norteamento pela verdade material, especialmente quando houver justificativa para tanto e, na espécie, pelo fato de que, no julgamento de piso foram tratadas as matérias. Destaque-se que a verdade material está ligada ao princípio da legalidade, pelo qual deve o julgador basear-se no que determina a lei, assim como, guarda sintonia com o princípio do formalismo moderado, que dispensa formas rígidas para o contencioso administrativo fiscal, bastando as formalidades necessárias à obtenção da certeza jurídica e à segurança procedimental. Por conseguinte, entendo justificar-se a devolução da matéria para este Colegiado e passo à análise dos diversos itens objeto do recurso. Fl. 139DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-007.052 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10467.720269/2013-13 ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E PROTEÇÃO AMBIENTAL, COBERTAS POR FLORESTAS NATIVAS (BIOMA MATA ATLÂNTICA), Consta da DITR original a informação de 120,0ha a título de área de preservação permanente. Entretanto, é requerido pelo contribuinte a consideração de toda a área indicada no laudo pericial como áreas ambientais de preservação permanente (mangue), de 204,9461ha e área coberta por florestas nativas (vegetação de porte médio - Bioma Mata Atlântica), de 46,6757ha, totalizando em área ambiental de 251,6218ha. Decidiu-se no julgamento de piso pela improcedência de tal requisição, pelo fato de que o contribuinte não comprovou a protocolização do competente Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA, para o exercício objeto do lançamento, tratando-se de exigência legal cuja inobservância implica em desconsideração de tais áreas. Também foi apontada disparidade de informações, uma vez que foram carreados aos autos dois contratos de arrendamento (fls. 72/77) que, somados, totalizam toda a área do imóvel. Contratos esses firmados em 05/05/2006, com vigência de 10 anos, cujo objeto é a cessão do imóvel para cultura de cana-de-açúcar, conforme atestam as cláusulas quinta, oitava e nona. Dessa forma, concluiu- se que: “o contribuinte não poderia ter arrendado toda a área do imóvel para cultivo de cana- de-açúcar, conforme consta dos objetos dos contratos de arrendamento de fls. 72/74 e 75/77, devido à absoluta impossibilidade de haver no imóvel, também, áreas ambientais e de pastagem nas dimensões declaradas/requeridas, considerando qualquer um dos casos.” No que se refere à exigência de averbação do ADA junto ao IBAMA, o tema vem sendo objeto de discussões no âmbito deste Conselho, sendo atualmente posição majoritária desta 2ª Turma de Julgamento no sentido de que o ADA não é elemento obrigatório e essencial para comprovação da área isenta ao ITR, podendo ser comprovado por meio de outros elementos. Nesse sentido, o Acórdão 2202-006.961 (2ª Turma, da 2ª Câmara da 2ªSeção de Julgamento), sessão de 08/07/2020. Tal posicionamento vem sendo justificado em decorrência de interpretação consolidada no Superior Tribunal de Justiça (STJ), quanto à impossibilidade de tal exigência para fatos geradores anteriores a vigência da Lei n.º 12.651, de 25 de maio de 2012 (novo Código Florestal). Também contribui, a alteração promovida nos arts. 19 e 19A da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, pela Lei nº 13.874, de 20 de setembro de 2019. Segundo o § 1º do art. 19A da referida lei, os Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil devem, em sua decisões, adotar o entendimento a que estiverem vinculados, quando houver manifestação da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), entre outras, na hipótese de: - tema decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em matéria constitucional, ou pelo Superior Tribunal de Justiça, pelo Tribunal Superior do Trabalho, pelo Tribunal Superior Eleitoral ou pela Turma Nacional de Uniformização de Jurisprudência, no âmbito de suas competências, quando a) for definido em sede de repercussão geral ou recurso repetitivo; ou b) não houver viabilidade de reversão da tese firmada em sentido desfavorável à Fazenda Nacional, conforme critérios definidos em ato do Procurador-Geral da Fazenda Nacional. Ocorre que ainda não há uma especificação de que forma deve ocorrer a manifestação da PGFN quanto às referidas matérias. Entretanto, no Parecer PGFN/CRJ/Nº 1329/2016 foi aprovada a seguinte redação para o item o item 1.25, “a”, da Lista de dispensa de contestar e recorrer para os representantes daquele Órgão: Fl. 140DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-007.052 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10467.720269/2013-13 1.25 - ITR a) Área de reserva legal e área de preservação permanente Precedentes: AgRg no Ag 1.360.788/MG, REsp 1.027.051/SC, REsp 1.060.886/PR, REsp 1.125.632/PR, REsp 969.091/SC, REsp 665.123/PR e AgRg no REsp 753.469/SP. Resumo: O STJ entendeu que, por se tratar de imposto sujeito a lançamento que se dá por homologação, dispensa-se a averbação da área de preservação permanente no registro de imóveis e a apresentação do Ato Declaratório Ambiental pelo Ibama para o reconhecimento das áreas de preservação permanente e de reserva legal, com vistas à concessão de isenção do ITR. Dispensa-se também, para a área de reserva legal, a prova da sua averbação (mas não a averbação em si) no registro de imóveis, no momento da declaração tributária. Em qualquer desses casos, se comprovada a irregularidade da declaração do contribuinte, ficará este responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa. OBSERVAÇÃO 1: Caso a matéria discutida nos autos envolva a prescindibilidade de averbação da reserva legal no registro do imóvel para fins de gozo da isenção fiscal, de maneira que este registro seria ou não constitutivo do direito à isenção do ITR, deve-se continuar a contestar e recorrer. Com feito, o STJ, no EREsp 1.027.051/SC, reconheceu que, para fins tributários, a averbação deve ser condicionante da isenção, tendo eficácia constitutiva. Tal hipótese não se confunde com a necessidade ou não de comprovação do registro, visto que a prova da averbação é dispensada, mas não a existência da averbação em si. OBSERVAÇÃO 2: A dispensa contida neste item não se aplica para as demandas relativas a fatos geradores posteriores à vigência da Lei n.º 12.651, Noutro giro, tratando da novel legislação, foi elaborada pela PGFN a Nota SEI nº 51/2019/CRJ/PGACET/PGFN-ME, onde destaco o itens 7 e 8: 7. Com a edição da Lei nº 13.874, de 2019 (fruto da conversão da Medida Provisória nº 881, de 2019), houve a modificação do regime legal de dispensas de contestação e recursos encartado no art. 19 da Lei nº 10.522, de 2002, que culminou com a extinção da figura jurídica do ato declaratório do PGFN, resguardada a eficácia dos atos já editados antes da vigência da nova lei. Segundo a novel sistemática do art. 19-A, III, da Lei nº 10.522, de 2002, a vinculação da RFB às teses firmadas pelos Tribunais Superiores competentes (e não mais passíveis de impugnação em juízo) dá-se com a manifestação da PGFN, sendo desnecessária a edição de ato administrativo específico ou aprovação ministerial para tanto. 8. Sucede que a matéria, até o momento, pende de regulamentação pelos órgãos envolvidos, o que se pretende seja levado a efeito em breve. Embora o referido regulamento não seja indispensável para a concretização do art. 19-A, III, da Lei nº 10.522, de 2002, entende-se deveras recomendável proceder-se à definição interna do procedimento, no intuito de garantir certeza, uniformidade e segurança jurídica na atuação entre RFB e a PGFN. Nesses termos, em que pese a ausência de clara regulamentação da matéria entre os Órgãos envolvidos, considerando a manifesta posição da PGFN no sentido de impossibilidade de reversão do decidido e dispensa de contestação ou recurso, abstendo-me de minha posição pessoal que se apega aos estritos termos da Lei, deixo de considerar como necessários o registro na matrícula do imóvel e averbação do ADA junto ao IBAMA, para efeito de exclusão da área de preservação permanente no cálculo do imposto, devendo ser avaliados os demais requisitos necessários ao reconhecimento de tais áreas. Para consideração de uma área como de preservação permanente deve se fazer presente pelo menos uma das características apontadas nos diversos incisos, alíneas e itens do Fl. 141DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2202-007.052 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10467.720269/2013-13 art. 11 do Decreto nº 4.382, de 19 de setembro de 2002, que regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do ITR, abaixo reproduzido: Das Áreas de Preservação Permanente Art. 11. Consideram-se de preservação permanente (Lei nº 4.771, de 1965, arts. 2º e 3º, com a redação dada pelas Leis nº 7.511, de 7 de setembro de 1986, art. 1º e 7.803 de 18 de setembro de 1989, art. 1º): I - as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1. de trinta metros para os cursos d'água de menos de dez metros de largura; 2. de cinquenta metros para os cursos d'água que tenham de dez a cinquenta metros de largura; 3. de cem metros para os cursos d'água que tenham de cinquenta a duzentos metros de largura; 4. de duzentos metros para os cursos d'água que tenham de duzentos a seiscentos metros de largura; 5. de quinhentos metros para os cursos d'água que tenham largura superior a seiscentos metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de cinquenta metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a quarenta e cinco graus, equivalente a cem por cento na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a cem metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a mil e oitocentos metros, qualquer que seja a vegetação; II - as florestas e demais formas de vegetação natural, declaradas de preservação permanente por ato do Poder Público, quando destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bem-estar público. Consta apontado no Laudo Técnico apresentado pelo contribuinte, especificamente às fl. 43/44, a informação de 204,9561ha de “Mangue (Bioma Mata Atlântica)” e outros 46,6757ha declarados como “Vegetação de porte médio (Bioma Mata Atlântica)” e a seguinte afirmação: “A cobertura vegetal nativa formada por vegetação de mangue e por vegetação de porte médio pode ser considerada como do bioma Mata Atlântica, que somadas correspondiam a 24,595 da área da Fazenda Princesa”. Fl. 142DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2202-007.052 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10467.720269/2013-13 Entretanto, o laudo é por demais resumido, não trazendo qualquer documentação de suporte que demonstre suas conclusões e tampouco foi apontado qualquer outro elemento que especifique as características de tais áreas, que justifiquem seu enquadramento como área de preservação permanente, ou mesmo de proteção ambiental; limitando-se a uma lacônica conclusão de que “pode ser considerada como do bioma Mata Atlântica.” Noutro giro, conforme destacado no julgamento de piso, os dois contratos de arrendamento, vigentes à época de ocorrência do fato gerador, somados totalizam toda a área do imóvel. Em complemento, há necessidade de indicação mais específica de que tipo de área se compõe ou dos dispositivos legais em que se enquadram, tendo em vista que, para as indicadas no inc,. II acima reproduzido (art. 3º da então vigente Lei nº 4.771, de 15 de setembrode 1965), também é exigida declaração por ato do Poder Público, que não se confunde com o ADA, consoante previsão nele contida. Quanto às áreas relativas a florestas nativas, para seu reconhecimento, necessário se faz ser demonstrado por meio de elementos hábeis, com destaque para o laudo técnico que ateste não só a sua presença, mas também a qualidade de floresta nativa primária ou secundária, em estágio médio ou avançado de regeneração, sendo imprestável para qualquer exploração rural. Não sendo caracterizada a floresta nativa como primária ou secundária em estágio médio ou avançado de regeneração, não é possível o seu reconhecimento, ocorre que não houve qualquer demonstração quanto à existência de tais características. Pelos motivos acima apontados, concluo que não foram apresentados pelo recorrente elementos de convencimento que justifiquem o acatamento da APP declarada no laudo, devendo ser mantida a glosa relativa a tal área por ausência de comprovação de sua existência. ÁREA DE PRODUTOS VEGETAIS DESTINADA À CULTURA DE CANA- DE-AÇÚCAR Quanto à pleiteada área de 306ha de produtos vegetais, destinadas à cultura de cana-de-açúcar, entendeu a autoridade julgadora de piso pelo seu indeferimento por considerar que. além de laudo técnico, elaborado por profissional habilitado e acompanhado de ART, seria necessária a apresentação de documentos referentes à área plantada no período de 01/01/2008 a 31/12/2008, que dessem subsídio às informações constantes daquele documento, tais como: notas fiscais do produtor; notas fiscais de insumos; certificado de depósito (em caso de armazenagem de produto); contratos ou cédulas de crédito rural; outros documentos que fundamentassem a existência dessa área. Assim se manifesta a autoridade julgadora de piso relativamente a tal item: Em consulta aos autos, verifica-se o Laudo Técnico de Uso do Solo e a Planta Georreferenciada, de fls. 38/45 e 48/49, respectivamente, com ART de fls. 46/47. Nos citados documentos há uma indicação de que haveria no imóvel uma área destinada à cana-de-açúcar, de 306,5266 ha, área esta superior àquela declarada na DITR/2009, de 118,0 ha. A fiscalização, ao analisar os documentos anexados à impugnação de fls. 13/23, entendeu que o laudo técnico, por si só, não seria documento suficiente para a comprovação da situação existente no imóvel no ano de 2008, conforme descrito às fls. 58. Para contrapor o Termo Circunstanciado (fls. 57/58) e o respectivo Despacho Decisório (fls. 59), o contribuinte apresentou o documento de fls. 71, onde informa sobre a impossibilidade de apresentar documentos referentes à área de produtos vegetais (cana-de-açúcar), uma vez que essa área encontrar-se-ia arrendada a terceiros. Para essa comprovação, anexa os contratos de parceria de fls. 72/74 e 75/77, bem como as declarações de fls. 78/79. Fl. 143DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 2202-007.052 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10467.720269/2013-13 (...) Da análise dos documentos supracitados, constata-se que o impugnante, de acordo com os contratos de arrendamento apresentados, arrendou 100% da área do imóvel para plantação de cana-de-açúcar, visto que cada um dos dois contratos tem por objeto o arrendamento de uma área de 502,03 ha, dentro do mesmo período, no que diz respeito ao ano-base 2008, levando-se em consideração a área total do imóvel de 1.004,0 ha. Portanto, no ano-base de 2008 (exercício 2009), o imóvel estaria completamente arrendado aos Srs. Guilherme José Montarroyos de Moraes (contrato de fls. 72/74) e Carmem Lúcia Montarroyos de Moraes (contrato de fls. 75/77). Cotejando as informações apresentadas na DITR/2009 (área de produtos vegetais de 118,0 ha) com as informações constantes do laudo Técnico (área de cana-de-açúcar de 306,5266 ha) e, ainda, com os dados constantes dos contratos de arrendamento apresentados (arrendamento de duas áreas de 502,03 ha para plantação de cana-de- açúcar), pode-se concluir, inicialmente, que tais informações não encontram coerência entre si, sendo, inclusive, completamente díspares. Além dessa disparidade, existe o fato de o impugnante estar requerendo, para efeito de exclusão do ITR na DITR/2009, uma área ambiental de 251,6 ha como sendo de preservação permanente (mangue) e cobertas por florestas nativas (Bioma Mata Atlântica). Além disso, ainda consta declarada, na DITR/2009, uma área de 710,0 ha de pastagem. Concluindo, o contribuinte não poderia ter arrendado toda a área do imóvel para cultivo de cana-de-açúcar, conforme consta dos objetos dos contratos de arrendamento de fls. 72/74 e 75/77, devido à absoluta impossibilidade de haver no imóvel, também, áreas ambientais e de pastagem nas dimensões declaradas/requeridas, considerando qualquer um dos casos. Enfim, cabe esclarecer que não obstante tenha sido apresentado o Laudo Técnico de Uso do Solo e a Planta Georreferenciada, de fls. 38/45 e 48/49, respectivamente, elaborados por engenheiro ambiental, com ART de fls. 46/47, que indicariam a existência de uma área de produtos vegetais de 306,5266 ha, bem como os contratos de arrendamento de fls. 72/74 e 75/77, o fato é que esses documentos, por si sós, não são hábeis para a comprovação da existência de área de produtos vegetais no imóvel, seja em que dimensão for, pois deveriam ter sido apresentados, para subsidiar as informações constantes dos documentos supracitados, aqueles documentos solicitados nos Termos de Intimação Fiscal de fls. 50/51 e 53/54. Dessa forma, em que pese as evidências de que haveria área plantada na Fazenda Princesa, os documentos inseridos no processo não são considerados hábeis, por si sós, para que a área de produtos vegetais declarada na DITR/2009, de 118,0 ha, pudesse ser restabelecida, tampouco que pudesse ser acatada a área requerida de 306,5 ha. Assim, entendo que deva ser mantida a glosa integral na área de produtos vegetais, de 118,0 ha, efetuada pela Autoridade Fiscal, nos termos da legislação pertinente. Verifica-se dos contratos de arrendamento e declarações apresentados pelo recorrente que: - o contrato de fls. 72/74, celebrado entre o contribuinte e o Sr. Guilherme José Montarroyos de Moraes, tem por objeto o arrendamento de uma área de 502,03ha a ser utilizada no período de 01/02/2002 a 31/01/2012, para plantação de cana-de-açúcar. Foi apresentado o documento de fls. 79, onde a Associação de Plantadores de Cana da Paraíba (ASPLAN) declara que o Sr. Guilherme José é produtor de cana-de-açúcar no fundo agrícola Princesa, localizado no município de Rio Tinto-PB, e que fornece sua produção para as unidades Agroval e Japungu da declarante, de onde é associado. Afirma que sua produção para a safra de 2009/2010 foi de 8.376,37 toneladas, e para a safra de 2010/2011 foi de 7.649,195 toneladas; Fl. 144DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 2202-007.052 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10467.720269/2013-13 - o outro Contrato, de 75/77, foi celebrado entre o contribuinte e a Sra. Carmen Lúcia Montarroyos de Moraes, também tendo por objeto o arrendamento de uma área de 502,03ha a ser utilizada no período de dez anos a contar da data de assinatura, para plantação de cana-de-açúcar. Também foi apresentada declaração da ASPLAN (documento defl. 78), onde a Associação de Plantadores de Cana da Paraíba (ASPLAN) atesta que a Srª Carmen é produtora de cana-de-açúcar no fundo agrícola Princesa I, localizado no município de Rio Tinto-PB, e que fornece sua produção para as unidades Agroval e Japungu da declarante, de onde é associada. Afirma que sua produção para a safra de 2009/2010 foi de 2.669,315 toneladas, e para a safra de 2010/2011 foi de 5.061,93 toneladas. Baseado nos referidos contratos e declarações, entendo que com razão o recorrente ao afirmar, ainda na fase de impugnação, a impossibilidade de apresentar documentos solicitados nos Termos de Intimações de fls. 50/51 e 53/54, referentes à área de produtos vegetais (cana-de-açúcar), uma vez que essa área se encontrava arrendada a terceiros. À vista de tais documentos, a despeito das abalizadas conclusões da autoridade julgadora de piso, considero devidamente comprovada a efetiva utilização da área de cultivo da cana-de-açúcar, conforme os contratos e, especialmente, pelas declarações firmadas pela Associação de Plantadores de Cana da Paraíba, quanto à produção no ano do fato gerador do imposto objeto do presente lançamento. Nesses termos, concluo pela consideração da área de cultivo de produtos vegetais de 306,5266ha, conforme apontada no laudo, destinada à cultura de cana-de-açúcar ÁREA PARA DESCANSO Também é pleiteada pelo recorrente a consideração de área 436,9797ha qualificada no laudo como “Área para descanso (Pousio).” Entendo que, com relação a tal solicitação o tema foi suficientemente abordado no julgamento de piso, nos seguintes termos: Pois bem, cabe salientar que as áreas em descanso são áreas que em anos anteriores foram utilizadas com produtos vegetais, que precisam recuperar o solo. Para que esta área em descanso possa ser declarada como área utilizada é necessário que exista Laudo Técnico onde conste expressamente recomendação para que aquela área específica seja mantida em descanso, ou submetida a processo de recuperação, com data de emissão anterior ao início do período de descanso. Assim, não tendo sido comprovada a recomendação técnica escrita, firmada por profissional legalmente habilitado, a área é considerada área não utilizada. O § 2° do art. 18 da IN SRF n° 256, de 2002, determina: Art. 18. Observado o disposto nos arts. 23 a 29, considera-se utilizada pela atividade rural a porção da área aproveitável do imóvel rural que, no ano anterior ao de ocorrência do fato gerador do ITR: [...] § 2º A área destinada a descanso para a recuperação do solo deverá ser passível de comprovação em procedimento fiscal. (grifo nosso) Apesar de o contribuinte ter apresentado o citado Laudo Técnico de Uso do Solo, de fls. 38/45, o mesmo não é considerado documento hábil para a comprovação dessa área, já que foi elaborado, apenas, em Agosto/2013, após a ciência da Notificação de Lançamento pelo impugnante, conforme se verifica na ART de fls. 46, em que é apresentada a data de realização do referido Laudo, no período de 16/08/2013 a 21/08/2013. Além disso, não consta desse documento nenhuma referência a eventual recomendação técnica feita em época anterior ao fato gerador do ITR, apenas constando Fl. 145DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 2202-007.052 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10467.720269/2013-13 no quadro de distribuição de área do imóvel, às fls. 43, a menção de uma área em descanso de 436,9797 ha, o que não é suficiente para a comprovação dessa área. Quando se fala em área em descanso, fica subentendido tratar-se de áreas utilizadas com produtos vegetais e exige-se que o laudo técnico conste recomendação expressa para que aquela área específica seja mantida em descanso, ou submetida a processo de recuperação, como muito bem orienta a pergunta de nº 133 do Manual de Pergunta e Resposta referente ao Exercício de 2009: 133 - Como deve ser declarada a área do imóvel rural em descanso? A área do imóvel rural em descanso para a recuperação dos solos deve ser declarada como área utilizada. É, entretanto, imprescindível a existência de laudo técnico de que conste expressamente recomendação para que aquela área específica seja mantida em descanso, ou submetida a processo de recuperação. Não existindo recomendação técnica escrita, firmada por profissional legalmente habilitado, qualquer área aproveitável do imóvel mantida em descanso, ou submetida a processo de recuperação, será considerada área não-utilizada. (IN SRF nº 256, de 2002, art. 18, III) Cabe, ainda, esclarecer que, quando não comprovadas as áreas pretendidas como utilizadas na atividade rural, conforme é o caso das áreas em descanso, elas deixam de integrarem a área utilizada do imóvel, passando a ser considerada área aproveitável não utilizada pela atividade rural, para efeito de apuração do seu Grau de Utilização (GU) e aplicação da respectiva alíquota de cálculo. Desta forma, não cabe acatar a área em descanso pretendida, de 436,9797 ha, por não ter ficado caracterizada, por meio de documentos hábeis, a ocorrência de erro de fato. Tendo em vista que não foram apresentados elementos de convencimento e documentação hábil à comprovação da aventada área de descanso, sendo o laudo, conforme já apontado, por demais resumido, não trazendo qualquer documentação de suporte que demonstre suas conclusões e tampouco outros elementos que especifiquem as características das áreas, concluo pelo não acatamento da pleiteada área de descanso. VALOR DA TERRA NUA O arbitramento do VTN, com base no SIPT - Tabela SIPT por aptidão agrícola, está previsto no art. 14, da Lei n° 9.393, de 1996 e representa a média ponderada dos preços mínimos dos diversos tipos de terras de cada microrregião. Observando-se o conceito legal de terra nua previsto na legislação de regência do assunto e utilizando-se como data de referência o último dia do ano anterior ao do lançamento. A utilização da tabela SIPT para verificação do valor de imóveis rurais ocorre quando o fiscalizado, depois de intimado, não apresenta elementos suficientes para comprovar o valor por ele declarado, da mesma forma que tal valor fica sujeito a revisão quando o contribuinte comprova que seu imóvel possui características que o distingam dos demais imóveis do mesmo município. Ainda na fase procedimento fiscal o contribuinte foi intimado a apresentar Laudo Técnico de Avaliação, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, com Fundamentação e Grau de Precisão II e ART, contendo todos os elementos de pesquisa identificados, para efeito de comprovação do valor da terra nua constante de sua DITR. Entretanto, somente foi apresentado o “Laudo Técnico de Uso e Ocupação dos Solos para Fins de Comprovação junto à Receita Federal”, exercício de 2009, documento de fls. 38/49, sendo que tal laudo não faz qualquer menção ao VTN do imóvel, limitando-se à distribuição de uso e ocupação do imóvel, por conseguinte, não se prestando à comprovação de seu valor. Fl. 146DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 2202-007.052 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10467.720269/2013-13 Portanto, o arbitramento com base no SIPT tem previsão legal e pode ser aplicado, nas situações tipificadas, quando os respectivos valores forem apurados conforme as determinações normativas. Por outro lado, cabe ao contribuinte trazer aos autos elementos que justifiquem sua irresignação quanto a tal arbitramento, sendo exigida a apresentação de laudo de avaliação do imóvel nos termos da NBR 14.6533 da ABNT, preferencialmente com fundamentação e grau de precisão II, com vistas a contrapor o valor obtido no SIPT. Desta forma, a irresignação contra o valor arbitrado se apresenta prejudicada, vez não devidamente contraditado com a apresentação do referido laudo técnico. Justifica-se, assim, o arbitramento com base no SIPT por aptidão agrícola, de acordo com as normas legais e regulamentares de regência do ITR, conforme informações prestadas pela Secretaria de Agricultura para o município de localização do imóvel. MULTA DE OFÍCIO NO PERCENTUAL DE 75% Alega o recorrente que a multa aplicada, calculada com base nos valores devidos, possui nítido caráter confiscatório e fere o princípio da capacidade contributiva, procedimento esse expressamente vedado pelo artigo 150, inciso IV, da Constituição da República. Conforme apontado no julgamento de piso, a multa se encontra calculada nos exatos termos da legislação vigente à época de ocorrência dos fatos geradores, bem como da emissão a notificação – art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Tratando-se de ato vinculado da administração tributária, que independe da intenção do agente ou responsável, uma vez constatada a infração à legislação tributária, o crédito deve ser apurado com os encargos do lançamento de ofício. Noutro giro, conforme a Súmula CARF nº 02, de observância obrigatória, o CARF não possui competência para analisar e decidir sobre matéria constitucional, de forma que não há como acolher as alegações de que a multa possui efeito confiscatório violando o princípio constitucional da vedação de confisco. Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe parcial provimento para reconhecer a área de cultivo de produtos vegetais de 306,5266 hectares, destinada à cultura de cana-de-açúcar . (documento assinado digitalmente) Mário Hermes Soares Campos Fl. 147DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10120.004771/99-77
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2002
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2002
Numero da decisão: 303-00.834
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em
diligencia à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: CARLOS FERNANDO FIGUEIREDO BARROS
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conteudo_txt : Metadados => date: 2013-08-15T17:40:10Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 6; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2013-08-15T17:40:10Z; Last-Modified: 2013-08-15T17:40:10Z; dcterms:modified: 2013-08-15T17:40:10Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:85703e7a-fdee-431d-b5fe-91ee1a414dd2; Last-Save-Date: 2013-08-15T17:40:10Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2013-08-15T17:40:10Z; meta:save-date: 2013-08-15T17:40:10Z; pdf:encrypted: false; modified: 2013-08-15T17:40:10Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2013-08-15T17:40:10Z; created: 2013-08-15T17:40:10Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2013-08-15T17:40:10Z; pdf:charsPerPage: 870; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2013-08-15T17:40:10Z | Conteúdo => MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA PROCESSO N° : 10120.004771/99-77 SESSÃO DE : 21 de agosto de 2002 RECURSO N° : 123.354 RECORRENTE : EMIVAL RAMOS CAIADO RECORRIDA : DIUTBRASÍLIA/DF RESOLUCAO N° 303 -00.834 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligencia à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasilia-DF, em 21 de agosto de 2002 JOÃO4H LiAN A COSTA Prtente 8 OUT W. CARLOS FERNAN 0 FIGUEIREDO BARROS Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ANELISE DAUDT PRIETO, ZENALDO LOIBMAN, IRINEU BIANCHI, PAULO DE ASSIS e NILTON LUIZ BARTOLI. Ausente o Conselheiro HÉLIO GIL GRAC1NDO. tmc MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° RECORRENTE RECORRIDA RELATOR(A) 123.354 303-00.834 EMIVAL RAMOS CAIADO DREBRASÍLIA/DF CARLOS FERNANDO FIGUEIREDO BARROS RELATÓRIO E VOTO Versa o presente processo sobre a exigência de crédito tributário formalizado mediante Notificação de Lançamento do ITR/96, fls. 07, emitida no dia 27/08/99, referente ao seguinte crédito tributário: R$ 1.842,26 (hum mil, oitocentos e quarenta e dois reais e vinte e seis centavos) de ITR, R$ 9,48 (nove reais e quarenta e oito centavos) de Contribuição Sindical do Trabalhador, R$ 649,60 (seiscentos e quarenta e nove reais e sessenta centavos) de Contribuição Sindical do Empregador e R$ 99,83 (noventa e nove reais e oitenta e três centavos) de Contribuição SENAR, perfazendo um total de R$ 2.601,17 (dois mil, seiscentos e um reais e dezessete centavos), incidente sobre o imóvel rural cadastrado na SRF sob o n° 1071282-8, com área de 4.646,4 ha, denominado Fazenda Timbo I ou Mutum, localizado no município de Araguapaz/GO. A exigência do ITR fundamenta-se na Lei n° 8.847/94, na Lei n° 8.981/95 e na Lei n° 9.065/95, e das Contribuições no Decreto-lei n° 1.146/70, art. 5°, c/c o Decreto-lei n° 1.989/82, art. 1° e parágrafos, na Lei n° 8.315/91 e no Decreto-lei n° 1.166/71, art. 4° e parágrafos. Na impugnação de fls. 01/02, interposta tempestivamente, o recorrente discorda do valor do imposto lançado para o exercício de 1996, argumentando que: - 0 Valor da Terra Nua tributado está muito acima do valor real de mercado do imóvel, o que, consequentemente, elevou sobremaneira o Imposto Territorial Rural cobrado; - A Lei 8.847/94, em seu art. 3' diz: "Parágrafo 4°. A autoridade administrativa competente poderá rever, com base em laudo técnico emitido por entidades de reconhecida capacitação técnica ou profissional devidamente habilitado, o Valor da Terra Nua mínimo (VTNm), que vier a ser questionado pelo contribuinte." - Portanto, inconformado com o VTN tributado, por ser este valor muito acima do preço real e justo, vem impugná-lo, apresentando um "Laudo Técnico 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 123.354 RESOLUÇÃO N° : 303-00.834 de Avaliação e Utilização do Imóvel Rural", elaborado nos termos da NBR 8799/85 da ABNT. No final, requer que: - Seja declarado improcedente a exigência tributária referente ao ITR de 1996, face ao absurdo VTN tributado do imóvel acima descrito; - Seja feito novo lançamento do ITR relativo ao exercício de 1996, tomando-se por base o Valor da Terra Nua constante no Laudo anexo já que este sim é o valor real. • 0 contribuinte instrui a peça impugmatória com os documentos de fls. 03/10 (verso e anverso). Os autos foram, então, encaminhados A DRJ-Brasilia/DF e por atender aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72, a autoridade julgadora de Primeira Instância proferiu a Decisão DRJ/BSA n° 1.828/00, fls. 24/28, julgando o lançamento procedente, com a seguinte ementa: 1- EMENTA ASSUNTO: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - I.T.R. Exercício: 1996 Revisão do VTN mínimo. Não será aceito para fins de revisão do VTN mínimo, laudo de avaliação emitido em desacordo com a Lei n° 8.847/94 e Normas da ABNT (NBR n° 8.799/85). Retificação da DITR. Admite-se a revisão dos dados cadastrais declarados pelo contribuinte somente quando os novos valores são comprovados por meio de documentos hábeis e idôneos e o Laudo de Avaliação do Imóvel Rural estiver de acordo com as normas da ABNT (NBR 8.799/85) e Norma de Execução SRF/COSAR/COSIT n° 07/96). LANÇAMENTO PROCEDENTE. Em 14/11/00, o contribuinte tomou ciência da decisão da DRJ- Brasilia/DF, e, em conseqüência, foi apresentado o recurso voluntário tempestivo, de fls. 33/36, mas que está assinado e em nome do Sr. Breno Boss Cachapuz, pessoa que não figura na presente lide como sujeito passivo, nem tampouco como representante do recorrente, haja vista não constar dos autos instrumento de procuração. MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 123.354 RESOLUÇÃO N° : 303-00.834 Além disso, o laudo técnico de fls. 38/42 e outros documentos juntados ao recurso, estão em nome do Sr. Breno Cachapuz Boss Caiado, tudo levando a crer que se trata de pecas processuais de outro processo, cujo interessado é o Sr. Breno Cachapuz, mas juntadas inadvertidamente a estes autos. Em face do exposto, voto no sentido de baixar o presente processo em diligencia para que a unidade de origem adote providencias para saneá-lo, fazendo juntar o recurso em nome do Sr. Emival Ramos Caiado, bem como outros documentos, retornando-o, em sucessivo, a este Conselho. o meu voto. • Sala das Sessões, em 21 de agosto de 2002 CARLOS FERNANDO I EIREDO BARROS - Relator • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n.°: 10120.004771/99-77 Recurso n.° 123.354 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 2° do artigo 44 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, fica o Sr. Procurador, Representante da Fazenda Nacional junto a Terceira Camara, intimado a tomar ciência do Resolução n° 303.00.834 Brasilia-DF, 14, de outubro de 2002 Joao do osta Pr idente da Terceira Camara e Ciente em: _Avjop002. çjíQ 9;.) c,to p •.)
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000657/2009-45
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL, DO INFORMALISMO
MODERADO E DA AMPLA DEFESA. OFENSA. INOCORRÊNCIA.
Inocorre ofensa aos princípios da verdade material, do informalismo moderado e da ampla defesa quando a Administração tributária atua em conformidade com a legislação tributária, material e processual, bem como com as informações e os elementos probatórios presentes nos autos.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. INSUMOS.
Na não cumulatividade das contribuições sociais, o elemento de valoração é o total das receitas auferidas, o que engloba todo o resultado das atividades que constituem o objeto social da pessoa jurídica, e o direito ao creditamento alcança todos os bens e serviços, úteis ou necessários, utilizados como insumos diretamente na produção, e desde que efetivamente absorvidos no
processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária.
MATERIAL DE EMBALAGEM. DIREITO AO CRÉDITO.
No regime da não cumulatividade da contribuição para o PIS e da Cofins, há direito à apuração de créditos sobre as aquisições de bens utilizados na embalagem para transporte, cujo objetivo é a preservação das características do produto vendido.
MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO.
SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. DIREITO A CRÉDITO.
Os valores referentes a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, para manutenção das máquinas e equipamentos empregados na produção de bens destinados à venda, abarcando as pequenas peças de reposição, podem compor a base de cálculo dos créditos a serem descontados da contribuição não cumulativa, desde que respeitados todos os demais requisitos legais atinentes à espécie.
BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS
UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. DEPRECIAÇÃO. DIREITO A
CRÉDITO.
Em relação aos bens do ativo imobilizado, com expectativa de utilização no processo produtivo por mais de um ano, os créditos serão calculados com base no valor do encargo de depreciação incorrido no período, observados os demais requisitos exigidos pela lei.
CREDITAMENTO. BENS CONSUMIDOS DURANTE O PROCESSO
PRODUTIVO. INSUMOS.
Dão direito a crédito as aquisições de insumos consumidos durante o processo produtivo na marcação das matérias-primas e dos produtos finais fabricados, bem como na proteção das máquinas utilizadas no setor produtivo.
FRETES. TRANSPORTE DE INSUMOS. TRANSFERÊNCIA ENTRE
ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA.
CREDITAMENTO.
Dá direito a crédito o valor dispendido a título de frete prestado por pessoa jurídica domiciliada no País, tributado pela contribuição, mas não adicionado ao valor de aquisição dos bens utilizados como insumos, ainda que se refiram à transferência de mercadorias entre estabelecimentos do mesmo contribuinte.
Numero da decisão: 3803-003.229
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL, DO INFORMALISMO MODERADO E DA AMPLA DEFESA. OFENSA. INOCORRÊNCIA. Inocorre ofensa aos princípios da verdade material, do informalismo moderado e da ampla defesa quando a Administração tributária atua em conformidade com a legislação tributária, material e processual, bem como com as informações e os elementos probatórios presentes nos autos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. INSUMOS. Na não cumulatividade das contribuições sociais, o elemento de valoração é o total das receitas auferidas, o que engloba todo o resultado das atividades que constituem o objeto social da pessoa jurídica, e o direito ao creditamento alcança todos os bens e serviços, úteis ou necessários, utilizados como insumos diretamente na produção, e desde que efetivamente absorvidos no processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária. MATERIAL DE EMBALAGEM. DIREITO AO CRÉDITO. No regime da não cumulatividade da contribuição para o PIS e da Cofins, há direito à apuração de créditos sobre as aquisições de bens utilizados na embalagem para transporte, cujo objetivo é a preservação das características do produto vendido. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. Os valores referentes a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, para manutenção das máquinas e equipamentos empregados na produção de bens destinados à venda, abarcando as pequenas peças de reposição, podem compor a base de cálculo dos créditos a serem descontados da contribuição não cumulativa, desde que respeitados todos os demais requisitos legais atinentes à espécie. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. DEPRECIAÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. Em relação aos bens do ativo imobilizado, com expectativa de utilização no processo produtivo por mais de um ano, os créditos serão calculados com base no valor do encargo de depreciação incorrido no período, observados os demais requisitos exigidos pela lei. CREDITAMENTO. BENS CONSUMIDOS DURANTE O PROCESSO PRODUTIVO. INSUMOS. Dão direito a crédito as aquisições de insumos consumidos durante o processo produtivo na marcação das matérias-primas e dos produtos finais fabricados, bem como na proteção das máquinas utilizadas no setor produtivo. FRETES. TRANSPORTE DE INSUMOS. TRANSFERÊNCIA ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA. CREDITAMENTO. Dá direito a crédito o valor dispendido a título de frete prestado por pessoa jurídica domiciliada no País, tributado pela contribuição, mas não adicionado ao valor de aquisição dos bens utilizados como insumos, ainda que se refiram à transferência de mercadorias entre estabelecimentos do mesmo contribuinte.
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OFENSA. INOCORRÊNCIA. Inocorre ofensa aos princípios da verdade material, do informalismo moderado e da ampla defesa quando a Administração tributária atua em conformidade com a legislação tributária, material e processual, bem como com as informações e os elementos probatórios presentes nos autos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. INSUMOS. Na não cumulatividade das contribuições sociais, o elemento de valoração é o total das receitas auferidas, o que engloba todo o resultado das atividades que constituem o objeto social da pessoa jurídica, e o direito ao creditamento alcança todos os bens e serviços, úteis ou necessários, utilizados como insumos diretamente na produção, e desde que efetivamente absorvidos no processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária. MATERIAL DE EMBALAGEM. DIREITO AO CRÉDITO. No regime da não cumulatividade da contribuição para o PIS e da Cofins, há direito à apuração de créditos sobre as aquisições de bens utilizados na embalagem para transporte, cujo objetivo é a preservação das características do produto vendido. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. Os valores referentes a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, para manutenção das máquinas e equipamentos empregados na produção de bens destinados à venda, abarcando as pequenas peças de Fl. 618DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS 2 reposição, podem compor a base de cálculo dos créditos a serem descontados da contribuição não cumulativa, desde que respeitados todos os demais requisitos legais atinentes à espécie. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. DEPRECIAÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. Em relação aos bens do ativo imobilizado, com expectativa de utilização no processo produtivo por mais de um ano, os créditos serão calculados com base no valor do encargo de depreciação incorrido no período, observados os demais requisitos exigidos pela lei. CREDITAMENTO. BENS CONSUMIDOS DURANTE O PROCESSO PRODUTIVO. INSUMOS. Dão direito a crédito as aquisições de insumos consumidos durante o processo produtivo na marcação das matériasprimas e dos produtos finais fabricados, bem como na proteção das máquinas utilizadas no setor produtivo. FRETES. TRANSPORTE DE INSUMOS. TRANSFERÊNCIA ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA. CREDITAMENTO. Dá direito a crédito o valor dispendido a título de frete prestado por pessoa jurídica domiciliada no País, tributado pela contribuição, mas não adicionado ao valor de aquisição dos bens utilizados como insumos, ainda que se refiram à transferência de mercadorias entre estabelecimentos do mesmo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Florianópolis/SC, que julgou apenas parcialmente procedente a Manifestação de Fl. 619DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10925.000657/200945 Acórdão n.º 380303.229 S3TE03 Fl. 2 3 Inconformidade do contribuinte, esta apresentada em oposição ao despacho decisório da repartição de origem que homologara em parte a compensação pleiteada por meio de PER/DCOMPs, cujo direito creditório reclamado monta o valor de R$ 14.572,66. Submetidos os pedidos à apreciação da repartição de origem, esta, amparada em esclarecimentos prestados pela pessoa jurídica e em documentos fiscais apresentados, homologou parcialmente a compensação pleiteada, tendo sido constatados pela Fiscalização os seguintes fatos: a) a atividade da sociedade empresária é a produção de portas de madeira; b) somente foram considerados insumos para fins de creditamento as matériasprimas, os produtos intermediários, o material de embalagem – este somente em relação às embalagens de apresentação – e os serviços e outros bens que, efetivamente aplicados ou consumidos na produção, tenham sofrido alterações durante o processo produtivo e tenham sido adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; c) as glosas efetuadas referiramse a insumos que não se agregaram aos produtos produzidos ou aos serviços prestados, não se configurando como aplicados ou consumidos diretamente na produção; d) os insumos identificados como motorredutor, separadores de alumínio, grampeador probe!, sensor, tubo industrial, controle remoto para esteira, soft starter, sensores, régua pequena, serviço de engenharia mecânica etc, foram considerados como “imobilizáveis”, passíveis de depreciação, tendo em vista que contribuem para mais de um exercício; e) as embalagens utilizadas exclusivamente para o transporte de mercadorias não compõem o processo de industrialização, em razão do que não foram acolhidos os créditos decorrentes das aquisições de embalagem de papelão, fita adesiva, filme película, película de polietileno, fita Uniflec, papel, chapa de papelão ondulada, tiras de papelão, folha plástica, embalagem para parquet, sacos plásticos, fita gomada perfurada, embalagem plástica, embalagem de papelão etc.; f) glosaramse, também, os créditos relativos às aquisições de outros materiais que não se agregaram aos produtos finais, a saber: lápis estaca preto, lápis estaca vermelho, solução de limpeza acetona, tapete plástico, adesivo personalizado, selos p/porte, label, leibol, identificação de pacotes SQS 131, marcador esferográfico, tinta para carimbo, jogo de luzes etc.; g) os fretes decorrentes da transferência de mercadorias entre estabelecimentos da mesma empresa foram glosados por não se constituírem em matérias primas ou insumos destinados ao processo produtivo; h) desconsideraramse, ainda, bens declarados erroneamente como insumos importados, os insumos não sujeitos à incidência das contribuições e as aquisições submetidas ao drawback ou referentes a serviços internacionais de courier; i) foram glosados os encargos de depreciação decorrentes de bens não utilizados na produção: carro hidráulico, central de controle e peças para máquinas, empilhadeiras, motor para empilhadeiras, equipamento filtrante, rotor e vassoura mecânica. Fl. 620DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS 4 A autoridade administrativa de origem acolheu as constatações da Fiscalização, tendo, por meio de despacho decisório, homologado parcialmente as compensações pleiteadas. Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento total dos créditos pleiteados, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: 1) ofensa ao princípio da não cumulatividade, tendo em vista que a lei ordinária não poderia dispor sobre a não cumulatividade das contribuições em razão do status constitucional impingido pela Emenda Constitucional nº 42/2003, inexistindo no texto constitucional qualquer limite a sua operacionalização; 2) considerando que as contribuições incidem sobre a totalidade das receitas, os créditos decorrentes também devem ser calculados sobre os custos e despesas gerais e necessários à obtenção da receita; 3) de acordo com a legislação, os créditos são calculados sobre os bens e serviços utilizados na linha de produção, necessários à obtenção dos produtos finais; 4) nas regras aplicáveis à Cofins e ao PIS não cumulativos, inexiste distinção entre “embalagens de apresentação” e “embalagens de transporte”; 5) diferentemente do alegado pela Fiscalização, houve, sim, glosas em relação a embalagens de apresentação; 6) as embalagens para transporte, em face da impossibilidade de sua reutilização, são insumos consumidos na fase final da industrialização (acondicionamento), inexistindo restrição legal à apuração de créditos em suas aquisições; 7) acatase a glosa de máquinas e equipamentos (tranformador e empilhadeira), mas se contrapõe à glosa de outros itens diversos destinados à manutenção de máquinas e equipamentos utilizados na fabricação de portas, itens esses que sofrem grande desgaste no processo de industrialização, necessitando de reposições regulares, assim como ocorre em relação aos serviços de manutenção, casos em que não ocorre aumento da vida útil dos equipamentos empregados na produção; 8) os outros insumos – lápis estaca, marcador esferográfico, tinta para carimbo, solução de limpeza acetona, tapete plástico, selos para porta – são próprios da indústria madereira, sendo utilizados na fabricação de portas; 9) os serviços utilizados como insumos são necessários ao processo produtivo. São eles: identificação de pacotes, selo personalizado, cantoneiras, conserto de máquinas refiladeira e caixa, conserto de mesa de lixadeira, labels, leibols, serviços de manutenção, serviços de engenharia mecância e etiquetas adesivas; 10) os fretes pagos na aquisição de insumos encontramse intrinsicamente ligados ao processo produtivo; 11) todas as máquinas e equipamentos, bens do ativo imobilizado, são utilizados na produção. A DRJ Florianópolis/SC julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: Fl. 621DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10925.000657/200945 Acórdão n.º 380303.229 S3TE03 Fl. 3 5 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Anocalendário: 2005 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. Para efeito da nãocumulatividade das contribuições, há de se entender o conceito de insumo não de forma genérica, atrelando o à necessidade na fabricação do produto e na consecução de sua atividadefim (conceito econômico), mas adstrito ao que determina a legislação tributária (conceito jurídico), vinculando a caracterização do insumo à sua aplicação direta ao produto em fabricação. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens de apresentação geram direito aos créditos relativos as suas aquisições, sendo consideradas como tais aquelas que se integram ao produto durante o processo de industrialização e tenham como finalidade a apresentação do produto ao consumidor final, contendo rótulos destinados ao propósito de promover ou valorizar o produto. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades fisicas ou químicas, utilizadas em máquinas e equipamentos que efetivamente respondam diretamente por todo o processo de fabricação dos bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no Pais, geram direito à apuração de créditos a serem descontados do PIS/Pasep, desde que não estejam obrigadas a serem incluidas no ativo imobilizado, nos termos da legislação vigente. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. ATIVO IMOBILIZADO. DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Apenas os bens do ativo permanente que estejam diretamente associados ao processo produtivo é que geram direito a crédito, a título de depreciação, no âmbito do regime da não cumulatividade. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITORIO. ONUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE Fl. 622DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS 6 No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 ILEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTANCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte O relator a quo, após discorrer sobre o ônus da prova e o conceito de insumos, conclui quanto à manifestação de inconformidade da seguinte forma: a) em razão do caráter vinculado da atuação da Administração Pública, esta não pode se esquivar de cumprir as leis e os atos normativos sob o argumento de inconstitucionalidade ou de ilegalidade; b) existe respaldo legal para a distinção entre “embalagens de apresentação” e “embalagens para transporte”, havendo o direito de creditamento somente em relação ao material de embalagem que se integra ao produto final durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), o que exclui aquelas incorporadas somente após a conclusão do processo produtivo, como ocorre com as embalagens para trasnporte; c) em relação às embalagens consideradas pela Fiscalização como sendo para transporte, constatou o relator que parte delas se refere a embalagens finais de portas e de alguns artefatos de madeira, contendo indicações promocionais com o objetivo de realçar os produtos, o que confirmaria a assertiva do contribuinte de que os referidos materiais de embalagens não só acondicionam os produtos, como também garantem o seu fim promocional, em razão do que as caixas de papelão utilizadas para embalar individualmente cada porta e as etiquetas (rótulos) fixadas nas portas demonstrariam as características do produto, integrando se ao produto para apresentação ao consumidor final, gerando, por conseguinte, direito ao cálculo dos créditos respectivos; d) “no âmbito das contribuições para o PIS/Pasep/Cofins nãocumulativo, as despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição e com serviços de manutenção em veículos, máquinas e equipamentos empregados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no pais, geram direito a créditos a serem descontados das contribuições; porém, desde que estas partes e peças de reposição não estejam incluídas no ativo imobilizado. Se estiverem no ativo imobilizado, essas partes e peças deixarão de ser consideradas insumos e poderão gerar créditos decorrentes de depreciação futura, conforme previsto na Lei n° 10.637/2002, art. 3°, inciso VI”. Segundo o relator, o contribuinte não demonstrou a relação existente entre as peças de reposição (moto redutor, rolamento, mancal FL 205 — Oval FYTB 25 SD, buchas, jogo de luvas, dentre outros) e as máquinas utilizadas no processo produtivo, o que, por falta de provas, impediria a sua aceitação como itens geradores de crédito; Fl. 623DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10925.000657/200945 Acórdão n.º 380303.229 S3TE03 Fl. 4 7 e) constatou o relator que a solução limpeza acetona (diluente misturado na tinta), o tapete plástico Monguzzi (utilizado na máquina para que a lâmina da faca não encoste no metal), o marcador esferográfico (utilizado para fazer destaque nas etiquetas do produto), a tinta para carimbo (para marcar nas bordas do produto com as especificações), e os lápis estaca preto e vermelho (para marcação direta nos produtos), em princípio, poderiam ser considerados como insumos para fins de créditos no regime da não cumulatividade, visto serem bens que sofrem alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Contudo, não acatou a tinta para carimbo, pelo fato de poder ser também utilizada em atividades não diretamente relacionadas ao processo produtivo. Por outro lado, acataramse os "lápis estaca preto", "lápis estaca vermelho", a solução industrial e a "solução limpeza acetona", estes considerados como consumidos no processo produtivo, inexistindo pronúncia quanto ao tapete plástico; f) em relação aos demais bens e serviços (confecção de etiquetas, selos e labels informativos, de identificação e/ou certificação para uso nas embalagens de apresentação, e os serviços de manutenção de máquinas), constatou o relator que, no contexto do processo produtivo, eles foram adquiridos de pessoas jurídicas, encontrandose nos autos todas as notas fiscais apontadas pelo contribuinte, em razão do que foram acatados para fins de geração de créditos, exceto o serviço de engenharia mecânica prestado pelo sócio da empresa e os serviços de manutenção, considerando que os serviços de engenharia mecânica são serviços especializados na área de projetos, execução e/ou fiscalização e não se inserem no contexto de insumos diretamente aplicados ao processo produtivo e os serviços de manutenção em máquinas considerados como insumos são aqueles que, embora possam ser orientados por profissionais habilitados, são de natureza meramente técnica, ou seja, são aqueles prestados por técnicos em manutenção que se envolvem diretamente no conserto e manutenção do maquinário, além do fato de que não consta de nenhuma das notas fiscais quais as máquinas que receberam os serviços de manutenção, informação essa importante a ser considerada, uma vez que só podem ser considerados como insumos passíveis de créditos os serviços de manutenção em máquinas que estejam sendo utilizadas no processo de fabricação; g) quanto ao frete na aquisição de insumos, destacou o relator que o interessado não trouxe aos autos os conhecimentos de transporte ou outros documentos que pudessem comprovar se tratar de fretes efetuados na compra do produto, despesa esta que poderia se agregar ao custo do produto adquirido, desde que arcado pelo comprador, em razão do que mantiveramse as glosas, visto que inexistiria previsão legal para o deslocamento de insumos entre estabelecimentos da mesma empresa; h) no que tange aos encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, concluiu o julgador de primeira instância que, pela descrição apresentada pelo contribuinte, os bens (motor p/empilhadeira 174, utilizado para o transporte de madeira em diversos setores para o processo de fabricação (sem foto); rotor para Vec 575, utilizado no sistema de sucção de pó e resíduos de madeira (serragem) para armazenamento nos silos; carro hidráulico 2000 kg paletrans, utilizado na expedição, como aparelho auxiliar para carga e descarga dos produtos acabados; vassoura mecânica Lion, utilizada na limpeza da fábrica; equipamento filtrante, utilizado como sistema de sucção de pó e resíduos de madeira (serragem) para armazenamento nos silos; empilhadeira Yale Mod. GTP060TL (Dual), utilizado para o transporte da madeira em diversos setores para o processo de fabricação; Central de controle e peças ara máquinas Viet, utilizado para o lixamento de portas), em regra, não se caracterizariam como máquinas ou equipamentos utilizados na produção de mercadorias destinadas à venda, no contexto do processo produtivo da empresa, não gerando, por conseguinte, direito ao creditamento, com Fl. 624DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS 8 exceção do bem descrito como "central de controle e peças para máquinas", utilizado para o lixamento de portas, o qual, caso houvesse nos autos a prova de sua aquisição, poderia ser acatado como bem utilizado na produção. Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho, repisa os argumentos de defesa e requer o total acolhimento do seu pleito, arguindo, em preliminar, ofensa aos princípios da verdade real e da ampla defesa, pelo fato de que a autoridade julgadora de piso procedera à tarifação das provas, exigindo comprovações desnecessárias ou impossíveis de serem cumpridas, contrariando o princípio do informalismo mitigado que vigora do processo administrativo. Alternativamente, requer o Recorrente que se realize diligência junto à repartição de origem, em razão do fato de que os documentos presentes nos autos foram desconsiderados pela autoridade julgadora. Para se contrapor à decisão de piso, na parte relativa às glosas mantidas, o Recorrente traz aos autos cópias das notas fiscais de aquisição de peças de reposição e de serviços de manutenção, de bens do ativo imobilizado e dos conhecimentos de transporte, bem como de fotografias que os identificam. Por fim, requer que as intimações sejam enviadas ao endereço do seu mandatário. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, tratase de pedido de ressarcimento cumulado com declarações de compensação, em que o interessado pretende se valer de créditos apurados na sistemática da não cumulatividade da contribuição para quitar débitos de sua titularidade. A autoridade julgadora de primeira instância manteve em parte a decisão da repartição de origem, restando controvertidos neste grau de recurso os créditos glosados pela Fiscalização relativos a: a) produtos utilizados em embalagens para transporte (fita adesiva, filme película, película de polietileno, fita Uniflec, papel, chapa de papelão ondulada, tiras de papelão, folha plástica, embalagem para parquet, sacos plásticos, fita gomada perfurada, embalagem plástica etc.); b) peças de reposição (motorredutor, rolamento, mancal, buchas, jogo de luvas, sensores, tubo industrial, controle remoto para esteira, régua pequena, caixas de pino, soft starter, dentre outros) e manutenção de máquinas utilizadas no processo produtivo; c) tinta para carimbo, tapete plástico e selos para portas; d) serviços utilizados como insumos: serviço de engenharia mecânica prestado pelo sócio da empresa e os serviços de manutenção; Fl. 625DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10925.000657/200945 Acórdão n.º 380303.229 S3TE03 Fl. 5 9 e) frete na aquisição de insumos e no transporte de produtos entre filiais; f) encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado (motor p/empilhadeira 174, rotor para Vec 575, carro hidráulico 2000 kg paletrans, vassoura mecânica Lion, equipamento filtrante, empilhadeira Yale Mod. GTP060TL (Dual), central de controle e peças para máquinas Viet). De início, devese registrar que a presente análise, no que tange aos elementos fáticos controvertidos, terá como base as planilhas elaboradas pelo agente fiscal no Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal, contendo todos os dados das notas fiscais de aquisição de produtos e serviços apresentadas pelo contribuinte na repartição de origem (nº do documento, data da operação, valor de aquisição, emissor, identificação do bem/serviço etc.), independentemente dos documentos trazidos posteriormente aos autos, por amostragem, para subsidiar os argumentos de defesa do ora Recorrente. No que tange ao pedido do Recorrente no sentido de se enviarem as intimações ao endereço do seu mandatário, há que se registrar que o Decreto nº 70.235/1972, em seu art. 23, inciso II, estipula que a intimação por via postal deve ser enviada ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, que corresponde àquele presente no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ), cuja atualização compete ao contribuinte. Quanto ao pedido alternativo de realização de diligência, temse por desnecessária a sua efetivação, uma vez que, conforme se verá ao longo do presente voto, todas as informações e os documentos presentes nos autos são suficientes para o convencimento deste julgador. I. Preliminar. Ofensa aos princípios da verdade real, do informalismo mitigado e da ampla defesa. De início, destaquese que não se vislumbra nos autos que a autoridade administrativa tenha afrontado quaisquer dos princípios apontados pelo Recorrente. Toda a análise efetuada pelo relator a quo se baseou nos documentos e nas informações presentes nos autos, não tendo havido qualquer cerceamento ao direito de defesa do contribuinte. O alegado princípio do informalismo mitigado se refere à possibilidade de a Administração Pública e os administrados atuarem no processo administrativo sem os rigores formais do processo judicial, adotandose formas simples, suficientes para garantir o adequado grau de certeza e segurança, respeitadas as formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados (art. 2º, incisos VIII e IX, da Lei nº 9.784/1999), o que não significa que seja dispensada a comprovação dos fatos alegados pela parte interessada. Para que se aplique o princípio da verdade material, ou verdade real, conforme aponta o Recorrente, para além da possibilidade de a Administração tributária agir de ofício na elucidação dos fatos, há a necessidade de se ter presente nos autos o conjunto probatório que ateste os fatos alegados pelo interessado, sob pena de se conceber tal princípio como um direito genérico de contraposição às constatações da Administração tributária, mesmo quando estas se realizam com base nos fatos efetivamente apurados. Fl. 626DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS 10 Como a verdade material se funda no princípio da legalidade, para a ela se chegar, devese partir tanto dos fatos apurados de ofício pela Administração tributária, quanto pelas provas produzidas pela parte, no que tange aos direitos por ela invocados, de forma a se garantir a aplicação da lei nos exatos termos de sua normatividade. Tanto a repartição de origem quanto a delegacia de julgamento externaramse com base nos documentos e informações presentes nos autos, reportandose às normas da legislação aplicável. Não se vislumbra, portanto, qualquer ofensa aos princípios apontados, inclusive o da ampla defesa, pois, em nenhum momento deste processo, foi obstaculizado o direito do Recorrente de se pronunciar e de produzir as provas dos fatos por ele alegados, tendo sido observadas todas as normas regidas pelo Decreto nº 70.235/1972, que regula o processo administrativo fiscal. Nesse sentido, afastase a preliminar de afronta aos princípios da verdade material, do informalismo moderado e da ampla defesa. II. Creditamento. Insumos. Bens e serviços. Conforme acima relatado, a Fiscalização glosou créditos calculados sobre determinados bens e serviços não abrangidos pelo conceito de insumos estabelecido pela IN SRF n° 404/2004, ou seja, aqueles não consumidos ou aplicados diretamente na fabricação dos bens e produtos destinados à venda. De início, devese registrar que a não cumulatividade aplicada às contribuições sociais para o PIS e Cofins não se confunde com a não cumulatividade dos impostos IPI e ICMS. Nesta, além da origem constitucional, diferentemente da não cumulatividade das contribuições de origem legal, a sistemática do encontro de contas entre débitos e créditos referese ao ciclo de produção ou de comercialização de um produto ou mercadoria. Na não cumulatividade do IPI, por exemplo, o direito ao creditamento refere se às aquisições de insumos que serão aplicados nos produtos industrializados que serão comercializados pelo contribuinteindustrial, encontrandose circunscrita a não cumulatividade à produção do bem. O imposto pago na aquisição de insumos encontrase destacado na nota fiscal e será ele, e tão somente ele, que dará direito ao creditamento. No processo produtivo de um bem, há eventos de natureza física; enquanto que no auferimento de receitas, temse um complexo de atividades envolvidas que extrapola os elementos físicos para alcançar, também, os elementos funcionais relevantes. Na não cumulatividade das contribuições, o elemento de valoração não é mais o produto ou mercadoria em si considerado, mas o total das receitas auferidas pelos contribuintes, o que engloba todo o resultado da atividade operacional da pessoa jurídica. O fato gerador sob interesse não é apenas a saída ou entrada de uma mercadoria ou produto – o que pode se constituir em parte ínfima da atividade global do sujeito passivo –, mas todo o resultado comercial e financeiro da principal e, muitas vezes, exclusiva, atividade do contribuinte. O regime não cumulativo das contribuições sociais não se refere à recuperação, stricto sensu, dos tributos pagos na etapa anterior da cadeia de produção, mas a Fl. 627DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10925.000657/200945 Acórdão n.º 380303.229 S3TE03 Fl. 6 11 um conjunto de bens e serviços definido pelo legislador, “tratandose, em realidade, mais como um crédito presumido do que de uma não cumulatividade” 1. Como nos ensina Marco Aurélio Greco2, ao analisar a previsão legal da não cumulatividade das contribuições, a apuração dos créditos de PIS e Cofins envolve um conjunto de dispêndios “ligados a bens e serviços que se apresentem como necessários para o funcionamento do fator de produção, cuja aquisição ou consumo configura conditio sine qua non da própria existência e/ou funcionamento” da pessoa jurídica. Greco considera, ainda, que o termo “insumo” utilizado pelas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 abrange “os bens e serviços ligados à ideia de continuidade ou manutenção do fator de produção, bem como os ligados à sua melhoria. Ficam de fora da previsão legal os dispêndios que se apresentem num grau de inerência que configure mera conveniência da pessoa jurídica contribuinte (sem alcançar perante o fator de produção o nível de uma utilidade ou necessidade) ou, ainda, que ligados a um fator de produção, não interfiram com o seu funcionamento, continuidade, manutenção e melhoria”. Somente os bens e serviços utilizados de forma direta na produção da pessoa jurídica dão direito ao crédito das contribuições, devendo ser, efetivamente, absorvidos no processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária. Para a análise da questão posta, necessário se torna reproduzir os dispositivos legais que cuidam da matéria. A Lei nº 10.637/2002, aplicável à contribuição para o PIS na sistemática não cumulativa, assim dispõe: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o; e (Redação dada pela Medida Provisória nº 413, de 2008) Produção de efeitos a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos 1 ANAN JR., Pedro. A questão do crédito de PIS e Cofins no regime da não cumulatividade. Revista de Estudos Tributário. Porto Alegre: v. 13, n. 76, nov/dez 2010, p. 38. 2 GRECO, Marco Aurélio. Nãocumulatividade no PIS e na COFINS. In: PAULSEN, Leandro (coord.). Não cumulatividade das contribuições PIS/PASEP e COFINS. IET e IOB/THOMSON, 2004. Fl. 628DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS 12 destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Vigência) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos IV, V e IX do caput, incorridos no mês; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; Fl. 629DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10925.000657/200945 Acórdão n.º 380303.229 S3TE03 Fl. 7 13 IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. § 5o (VETADO) § 6o (VETADO) § 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. (Vide Lei nº 10.865, de 2004) § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I – apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II – rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Fl. 630DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS 14 § 9o O método eleito pela pessoa jurídica será aplicado consistentemente por todo o anocalendário, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. (...) § 13. Não integram o valor das máquinas, equipamentos e outros bens fabricados para incorporação ao ativo imobilizado na forma do inciso VI do caput deste artigo os custos de que tratam os incisos do § 2o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) A Lei nº 10.833/2003, aplicável à Cofins e à contribuição para o PIS na sistemática não cumulativa, disciplina a matéria nos seguintes termos: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)(Vide Medida Provisória nº 413, de 2008) (Vide Lei nº 11.727, de 2008). b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à Fl. 631DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10925.000657/200945 Acórdão n.º 380303.229 S3TE03 Fl. 8 15 venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo e no § 1o do art. 52 desta Lei, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) (Vide Lei nº 10.925, de 2004) § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: Fl. 632DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS 16 I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. (...) § 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9o O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8o, será aplicado consistentemente por todo o anocalendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. § 10. O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido da contribuição. (...) § 13. Deverá ser estornado o crédito da COFINS relativo a bens adquiridos para revenda ou utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, que tenham sido furtados ou roubados, inutilizados ou deteriorados, destruídos em sinistro ou, ainda, empregados em outros produtos que tenham tido a mesma destinação. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 14. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1o deste artigo, relativo à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das Fl. 633DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10925.000657/200945 Acórdão n.º 380303.229 S3TE03 Fl. 9 17 alíquotas referidas no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 15. O crédito, na hipótese de aquisição, para revenda, de papel imune a impostos de que trata o art. 150, inciso VI, alínea d da Constituição Federal, quando destinado à impressão de periódicos, será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no § 2o do art. 2o desta Lei (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 16. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1o deste artigo, relativo à aquisição de vasilhames referidos no inciso IV do art. 51 desta Lei, destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 12 meses, à razão de 1/12 (um doze avos), ou, na hipótese de opção pelo regime de tributação previsto no art. 52 desta Lei, poderá creditarse de 1/12 (um doze avos) do valor da contribuição incidente, mediante alíquota específica, na aquisição dos vasilhames, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.925, de 2004) § 16. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1o deste artigo, relativo à aquisição de embalagens de vidro retornáveis, classificadas no código 7010.90.21 da Tipi, destinadas ao ativo imobilizado, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal do Brasil: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito) I – no prazo de 12 (doze) meses, à razão de 1/12 (um doze avos); ou (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito) II – na hipótese de opção pelo regime especial instituído pelo art. 58J desta Lei, no prazo de 6 (seis) meses, à razão de 1/6 (um sexto) do valor da contribuição incidente, mediante alíquota específica, na aquisição dos vasilhames, ficando o Poder Executivo autorizado a alterar o prazo e a razão estabelecidos para o cálculo dos referidos créditos. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito) (...) § 18. O crédito, na hipótese de devolução dos produtos de que tratam os §§ 1o e 2o do art. 2o desta Lei, será determinado mediante a aplicação das alíquotas incidentes na venda sobre o valor ou unidade de medida, conforme o caso, dos produtos recebidos em devolução no mês. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Medida Provisória nº 413, de 2008) (Vide Lei nº 11.727, de 2008). 19. A empresa de serviço de transporte rodoviário de carga que subcontratar serviço de transporte de carga prestado por: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 634DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS 18 I – pessoa física, transportador autônomo, poderá descontar, da Cofins devida em cada período de apuração, crédito presumido calculado sobre o valor dos pagamentos efetuados por esses serviços; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II pessoa jurídica transportadora, optante pelo SIMPLES, poderá descontar, da Cofins devida em cada período de apuração, crédito calculado sobre o valor dos pagamentos efetuados por esses serviços. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) § 20. Relativamente aos créditos referidos no § 19 deste artigo, seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor dos mencionados pagamentos, de alíquota correspondente a 75% (setenta e cinco por cento) daquela constante do art. 2o desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) § 21. Não integram o valor das máquinas, equipamentos e outros bens fabricados para incorporação ao ativo imobilizado na forma do inciso VI do caput deste artigo os custos de que tratam os incisos do § 2o deste artigo. (Incluído dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I nos incisos I e II do § 3o do art. 1o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1o e 10 a 20 do art. 3o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) Na sequência, passase à análise das glosas e alterações efetuadas pela Fiscalização e mantidas pela Delegacia de Julgamento. II.a – Produtos utilizados em embalagens para transporte. A Delegacia de Julgamento manteve as glosas de créditos efetuadas pela Fiscalização relativamente às embalagens para transporte, englobando os seguintes produtos: fita adesiva, filme película, película de polietileno, fita Uniflec, papel, chapa de papelão ondulada, tiras de papelão, folha plástica, embalagem para parquet, sacos plásticos, fita gomada perfurada, embalagem plástica etc. A DRJ baseouse na legislação do IPI que faz a distinção entre “embalagens de apresentação” e “embalagens de transporte”, considerando que somente as primeiras, por serem consumidas durante o processo produtivo, dão direito ao creditamento. Não comungo desse entendimento Tendo por fundamentos os dispositivos legais que regem a matéria, precipuamente o inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, bem como o requisito de utilidade ou necessidade para a produção, concluise, diferentemente da repartição de origem e da delegacia de julgamento, que dão direito ao creditamento, desde que adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País, que tenham sido tributados pela contribuição na aquisição e que Fl. 635DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10925.000657/200945 Acórdão n.º 380303.229 S3TE03 Fl. 10 19 estejam comprovados com documentação hábil e idônea, os produtos identificados no parágrafo anterior, utilizados na embalagem e no transporte dos bens produzidos pela pessoa jurídica, configurandose itens necessários à distribuição e à comercialização da produção. Além disso, justificase a apuração de créditos nas aquisições de material de embalagem para transporte pelo fato de que tais bens destinamse à preservação das características dos produtos durante o transporte até os pontos de venda. Por se tratar de portas de madeira, a realização do seu transporte sem o cuidado devido pode comprometer a integridade dos produtos finais, já vendidos, o que torna o material de embalagem elemento imprescindível à efetivação do negócio nas condições pactuadas. A Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) já decidiu nesse sentido, quando do julgamento do Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.125.253, ocorrido em 15 de abril de 2010, cujo acórdão restou ementado da seguinte forma: “PROCESSUAL CIVIL TRIBUTÁRIO PIS/ COFINS NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos. Também o CARF já decidiu nesse sentido, conforme se depreende da ementa a seguir reproduzida: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 (...) Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 NÃO CUMULATIVIDADE. MATERIAIS DE EMBALAGEM. DIREITO AO CRÉDITO. No regime da nãocumulatividade do PIS e Cofins as indústrias de móveis têm direito a créditos sobre aquisições de materiais de Fl. 636DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS 20 embalagem, como etiquetas adesivas, chapas de papelão ondulado, cantoneiras, filme stretch e fita de aço, por constituírem insumos vinculados aos produtos fabricados. (...) (Acórdão nº 3401001.585 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 1º de setembro de 2011). Portanto, uma vez comprovado que os produtos identificados como fita adesiva, filme película, película de polietileno, fita Uniflec, papel, chapa de papelão ondulada, tiras de papelão, folha plástica, embalagem para parquet, sacos plásticos, fita gomada perfurada, embalagem plástica etc. tenham sido adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País, tributados pela contribuição e utilizados na embalagem para transporte dos bens produzidos pelo Recorrente, sua aquisição deve ser considerada na apuração dos créditos devidos. II.b Peças de reposição e serviços de manutenção em máquinas utilizadas no processo produtivo. Foram glosados pela Fiscalização os créditos decorrentes da aquisição de peças de reposição, identificadas como motorredutor, rolamento, mancal, buchas, jogo de luvas, sensores, tubo industrial, controle remoto para esteira, régua pequena, caixas de pino, soft starter, dentre outros, por terem sido considerados como bens “imobilizáveis”, passíveis de depreciação, tendo em vista que contribuem para mais de um exercício. A Delegacia de Julgamento manteve a glosa, sob o fundamento de que o contribuinte não comprovara a relação existente entre as peças de reposição e as máquinas utilizadas no processo produtivo, o que, por falta de provas, impediria a sua aceitação como itens geradores de crédito. Segundo o Recorrente, os bens dispendidos e os serviços com reformas, reparos ou retíficas destinamse à manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo, não sendo passíveis de imobilização, por sofrerem grande desgaste na fabricação de portas, batentes e guarnições, necessitando de reposições regulares, de forma a manter as máquinas em condições normais de funcionamento. O Recorrente reproduz algumas soluções de consulta da Receita Federal, em que se consigna que “[as] ferramentas adquiridas para utilização em máquinas da linha de produção, a contratação de mãodeobra de pessoas juridicas para operação e manutenção de equipamentos da linha de produção (...) são considerados insumos, para fins de creditamento da Cofins” (Solução de Consulta Disit08 nº 30/2010). Tal entendimento consta de algumas outras soluções de consulta, como a de nº 420, de 5 de dezembro de 2010, publicada na Seção 1 do Diário Oficial da União de 2 de fevereiro de 2011, em que se registrou que “[os] valores referentes a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, para manutenção das máquinas e equipamentos empregados na produção de bens destinados à venda, podem compor a bse de cálculo dos créditos a serem descontados da Cofins nãocumulativa, desde que respeitados todos os demais requisitos normativos e legais atinentes à espécie”. Constatase, portanto, que a própria Administração tributária concebe que as ferramentas e os serviços de manutenção de máquinas utilizadas no processo produtivo dão direito à apuração de créditos das contribuições na sistemática da não cumulatividade. Fl. 637DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10925.000657/200945 Acórdão n.º 380303.229 S3TE03 Fl. 11 21 Junto ao recurso, o contribuinte traz aos autos (doc. 3) cópias de notas fiscais de aquisição para se juntar às demais trazidas na Manifestação de Inconformidade, bem como de fotos contendo detalhes de sua utilização na indústria (doc. 4). Com base apenas nas fotos reproduzidas no anexo, não é possível afirmar, peremptoriamente, conforme assegura o Recorrente, que tais bens têm vida útil inferir a um ano – condição para a sua não imobilização –, pois quase todos eles se mostram como bens duráveis, passíveis de utilização por mais de doze meses, cujos valores de aquisição são significativos, denotando tratarse de bens que não se consomem no processo produtivo em período inferior a um ano. Por exemplo, as fotos do motorredutor, dos sensores e do soft starter indicam que tais bens têm um porte considerável, assemelhandose mais a máquinas e equipamentos do ativo imobilizado do que a bens consumidos durante o processo de industrialização. Até mesmo a chamada “régua pequena”, que pelo nome denotaria tratarse de bem de consumo, considerando o valor unitário constante da nota fiscal e a foto reproduzida no recurso, deve ser considerada com bem do ativo imobilizado, durável e passível de utilização por mais de um ano. Dessa forma, mostrase mais consentâneo com a realidade dos autos a “imobilização” de tais bens (motorredutor, rolamento, mancal, buchas, sensores, tubo industrial, controle remoto para esteira, régua pequena, caixas de pino, soft starter, dentre outros), cujo creditamento se dará a partir de sua depreciação, nos termos fixados na lei. Quanto aos serviços de manutenção de máquinas utilizadas no processo produtivo, eles devem ser considerados como insumos para fins de apuração de créditos da contribuição não cumulativa, conforme já vem decidindo a Receita Federal por meio de soluções de consulta, respeitados os requisitos impostos pela lei, ressaltandose a exceção relativa aos serviços de engenharia mecânica prestados por sócio da pessoa jurídica em seu domicílio, pelo fato de não atenderem as condições impostas pela lei, dentre elas a prestação do serviço por pessoa jurídica (art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 10.833/2003). II.c – Outros bens: tinta para carimbo, selos para portas e tapete plástico. A Fiscalização glosou os créditos relativos às aquisições de outros materiais que, segundo ela, não se agregam aos produtos finais. Alguns desses créditos foram acatados pela Delegacia de Julgamento, tendo sido mantida a glosa relativa à tinta para carimbo, aos selos para portas e ao tapete plástico. Segundo o Recorrente, tais bens são insumos utilizados na fabricação de portas, eis que se agregam ao produto final, inexistindo razão para as glosas efetuadas. Para o relator a quo, a tinta para carimbo pode ser também utilizada em atividades não diretamente relacionadas ao processo produtivo, em decorrência do que ela não pode ser considerada como consumida no processo produtivo. Inexiste pronúncia da DRJ quanto ao tapete plástico, cujo crédito foi glosado pela Fiscalização. Segundo o Recorrente, tratase produto utilizado em máquina para que a lâmina da faca não encoste no metal. Fl. 638DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS 22 No anexo identificado como doc. 6, o Recorrente reproduz fotos relativas a esses produtos. Em relação à tinta para carimbo, é possível constatar nas imagens (recipiente de 1.000 ml e registros na madeira) que ela é utilizada em carimbos destinados a marcar os produtos fabricados com informações relativas ao país de fabricação (Made in Brazil) e à identificação do produto. Quanto ao tapete plástico, da marca italiana Monguzzi, as fotos não estão muito nítidas, mas, considerando a informação do Recorrente de que se trata de produto destinado a proteger as máquinas da lâmina da faca, assim como a constatação da Fiscalização de que se refere a gasto normal e necessário à atividade empresarial, é possível concebêla como um bem utilizado como insumo no processo produtivo, sujeito a desgaste pelo uso constante junto a elementos cortantes. Em razão do material perecível de que é feito (plástico) e do seu baixo custo (ver Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal), é possível concluir que o tapete plástico não é um bem “imobilizável”, mas um bem consumido durante o processo produtivo. No que tange aos selos para portas, é possível constatar nas fotos que se trata de elementos de identificação de portas corta fogo, consubstanciandose, por conseguinte, em produto utilizado como insumo no processo produtivo do Recorrente. Diante dessas constatações, acolhese o creditamento relativamente à tinta para carimbo, ao tapete plástico e aos selos para portas, observados os requisitos impostos pela lei. II.d Frete na aquisição de insumos e no transporte de produtos entre filiais. A Fiscalização glosou os créditos decorrentes de fretes pagos na transferência de mercadorias entre estabelecimentos da mesma empresa, por não se constituírem em matériasprimas ou insumos destinados ao processo produtivo. O Recorrente, na Manifestação de Inconformidade, argumentou que se tratava, em verdade, de fretes pagos na aquisição de insumos intrinsecamente ligados ao processo produtivo A Delegacia de Julgamento, por seu turno, constatou que o interessado não trouxera aos autos os conhecimentos de transporte ou outros documentos que pudessem comprovar se tratar de fretes pagos na aquisição de insumos, despesa esta que poderia se agregar ao custo do produto adquirido, mas desde que arcado pelo comprador, em razão do que mantiveramse as glosas, visto que inexistiria previsão legal para o deslocamento de insumos entre estabelecimentos da mesma empresa. Junto ao recurso, o contribuinte traz aos autos cópias dos conhecimentos de transportes (doc. 07), que já haviam sido apresentados à repartição de origem, dois deles ilegíveis mas com o número do documento nítido, em que se verifica que se trata de aquisições de caixas de papelão, ferragens, plásticos, colas etc., transportados por diferentes empresas, tendo como remetentes as empresas Primo Tedesco S/A, Riverpack e HST e, em um caso, o estabelecimento do Recorrente domiciliado em São Paulo/SP. Tais documentos coincidem com aqueles identificados no Termo de Verificação e de Encerramento da Análise Fiscal, todos eles relativos ao transporte de bens utilizados como insumos no processo produtivo do Recorrente, sendo que a quase totalidade Fl. 639DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10925.000657/200945 Acórdão n.º 380303.229 S3TE03 Fl. 12 23 tem como remetente pessoa jurídica distinta e como destinatário a Sincol, constatação essa que difere da afirmativa do agente fiscal de que todos os fretes se referem à transferência de mercadorias entre estabelecimentos da mesma empresa. O serviço de transporte de matériasprimas, produtos intermediários e de material de embalagem se subsume na previsão normativa do art. 3º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, tratandose de serviço utilizado como insumo na produção de bens destinados à venda, mesmo no caso de transferência de bens entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, pois, nessa hipótese, temse um serviço de transporte que destina a outra unidade produtora da mesma empresa bens utilizados como insumos na produção, configurandose uma extensão do transporte do insumo originariamente adquirido de terceiros. Temse, no caso, um conjunto de dispêndios necessários ao funcionamento do fator de produção, uma vez que o transporte do insumo, de sua origem ao destinatário produtor, é um elemento imprescindível à industrialização, sem o qual esta não se efetivará. Além disso, a prestação dos serviços de fretes é condição sine qua non do funcionamento da empresa, sem os quais, terseá a descontinuidade de sua produção. A Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.147.902, ocorrido em 18 de março de 2010, decidiu que “[as] despesas de frete somente geram crédito quando relacionadas à operação de venda e, ainda assim, desde que sejam suportados pelo contribuinte vendedor”, o que exclui a transferência de mercadorias entre estabelecimentos da mesma empresa, assim como os gastos com transporte na aquisição de insumos. Contudo, não comungo do mesmo entendimento da Segunda Turma do STJ. A Turma do STJ restringe sua análise ao teor do inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, que prevê a possibilidade de creditamento somente em relação ao frete na operação de venda, ignorando por completo o teor do inciso II do mesmo artigo, em que se assegura o direito de se descontar crédito decorrente da aquisição de mercadorias e serviços utilizados como insumos na produção dos bens destinados à venda. Conforme já apontado, o transporte dos bens utilizados como insumos é imprescindível ao funcionamento do fator de produção, pois sem esse serviço não se terá a entrada dos insumos no complexo industrial, situação em que se terá por frustrada a produção. No referido inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, há a previsão de creditamento nas aquisições de combustíveis e lubrificantes, denotando que a lei abrange os gastos do contribuinte no transporte de bens utilizados como insumos e dos produtos finais em veículos próprios, não se vislumbrando razão para se excluírem os fretes pagos a empresas transportadoras, considerando que a exegese que se extrai do mesmo dispositivo abrange o conjunto de bens e serviços utilizados como insumos. A aquisição de insumos ocorre em etapa anterior ao processo produtivo e não na operação de venda, devendose ressaltar que a previsão do citado inciso IX (frete na operação de venda) não exclui a regra contida no inciso II da mesma lei. Nos casos em que o frete é exigido juntamente com o valor da mercadoria adquirida, na mesma nota fiscal, a lei não exige que seu valor seja excluído para fins de cálculo do crédito devido, não se vislumbrando razão à exclusão dos fretes prestados por Fl. 640DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS 24 transportadoras. Frete e valor da mercadoria são dispêndios do produtor, frisese mais uma vez, imprescindíveis à produção. Neste ponto, há algumas questões que devem ser salientadas, a saber: 1ª) logicamente, nos casos em que o crédito já tiver sido apurado com base no valor total de aquisição de mercadorias para revenda e de insumos, incluída aí a parcela relativa ao custo do frete, inexistirá a possibilidade de creditamento em duplicidade, devendo o crédito se restringir à primeira apuração; 2ª) se, contudo, o frete tiver sido pago separadamente em relação aos bens comercializados, seja por ter se realizado em momento distinto, seja por ter sido prestado por uma terceira pessoa jurídica, estarseá diante de um serviço utilizado como insumo, subsumindose, desde que tributado e prestado por pessoa jurídica domiciliada no País, à previsão do inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3ª) se se tratar de frete cobrado nas vendas de mercadorias destinadas à revenda e de insumos não tributados, haverá direito ao creditamento se e somente se tiver havido a incidência da contribuição na prestação desse serviço, isoladamente considerado. Diante do exposto, concedese o direito ao creditamento em relação aos valores de fretes tributados pela contribuição, cobrados separadamente dos insumos adquiridos, mesmo na hipótese de transferência entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica. IIe Encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado. A Fiscalização glosou os encargos de depreciação decorrentes de bens considerados não utilizados na produção, a saber: motor p/empilhadeira 174, rotor para Vec 575, carro hidráulico 2000 kg paletrans, vassoura mecânica Lion, equipamento filtrante, empilhadeira Yale Mod. GTP060TL (Dual), central de controle e peças para máquinas Viet. O Recorrente afirmou, em sua manifestação de inconformidade, que todas as máquinas e equipamentos de sua propriedade, bens do ativo imobilizado, são utilizados na produção. Naquele momento, o contribuinte trouxe aos autos a descrição dos referidos bens, que segundo ele, destinamse ao transporte de madeira entre os setores da empresa, à sucção de pó e resíduos, à limpeza da fábrica, ao lixamento da madeira, à carga e descarga de mercadorias etc. (doc. 12). Juntaramse, também, aos autos, cópias de fotos de parte dos referidos equipamentos (doc. 13), em que se constata tratarse de máquinas e equipamentos, duráveis e de porte considerável, utilizados no processo produtivo da pessoa jurídica. A Delegacia de Julgamento argumentou que, pela descrição apresentada pelo contribuinte, os bens, em regra, não se caracterizariam como máquinas ou equipamentos utilizados na produção de mercadorias destinadas à venda, no contexto do processo produtivo da empresa, não gerando, por conseguinte, direito ao creditamento, com exceção do bem descrito como "central de controle e peças para máquinas", utilizado para o lixamento de portas, o qual, caso houvesse nos autos a prova de sua aquisição, poderia ser acatado como bem utilizado na produção. Não se pode perder de vista que, pelo teor do termo de encerramento da verificação fiscal elaborado na repartição de origem, o agente fiscal teve acesso a todas as notas fiscais requeridas da pessoa jurídica, tendoas relacionado de forma individualizada em planilhas discriminadas por tipo de insumo e por período de aquisição. Fl. 641DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10925.000657/200945 Acórdão n.º 380303.229 S3TE03 Fl. 13 25 O Recorrente, em sua defesa, reproduz o Parecer Normativo da Coordenação Geral de Tributação da Receita Federal nº 7/1992, em que se consigna que “como industriais devem ser entendidos (...) as máquinas, aparelhos e equipamentos empregados na produção industrial, em contraposição aos de utilização comercial ou de uso doméstico”. É possível constatar que os equipamentos sob comento destinamse ao transporte de madeira em diversos setores do parque fabril, à utilização no sistema de sucção de pó e resíduos de madeira (serragem), à expedição como aparelho auxiliar para carga e descarga dos produtos acabados e à limpeza da fábrica etc., sem o que, terseá por prejudicados o andamento e a finalização do processo produtivo. Pelas informações constantes dos autos (termo de verificação fiscal, descrição dos equipamentos, fotografias, notas fiscais etc.), concluo que se trata de equipamentos do ativo imobilizado da pessoa jurídica, utilizados no parque fabril, que, observados os requisitos legais, encontramse aptos a gerar crédito da contribuição não cumulativa determinado sobre o valor dos encargos de depreciação, nos termos previstos no art. 3º, inciso VI, e § 1º, inciso III, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. III. Conclusão Diante do exposto, voto por PROVER PARCIALMENTE o recurso, para RECONHECER o direito do contribuinte de se creditar, observados os elementos probatórios constantes dos autos, precipuamente aqueles averiguados e atestados pela repartição de origem, identificados no Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal, quanto a: (i) produtos identificados como fita adesiva, filme película, película de polietileno, fita Uniflec, papel, chapa de papelão ondulada, tiras de papelão, folha plástica, embalagem para parquet, sacos plásticos, fita gomada perfurada, embalagem plástica etc., utilizados na embalagem para transporte dos bens produzidos pelo Recorrente; (ii) encargos de depreciação calculados sobre máquinas e equipamentos (motorredutor, rolamento, mancal, buchas, jogo de luvas, sensores, tubo industrial, controle remoto para esteira, régua pequena, caixas de pino, soft starter, assim como motor p/empilhadeira 174, rotor para Vec 575, carro hidráulico 2000 kg paletrans, vassoura mecânica Lion, equipamento filtrante, empilhadeira Yale Mod. GTP060TL (Dual), central de controle e peças para máquinas Viet) utilizados no processo fabril da pessoa jurídica; (iii) aquisição de serviços de manutenção em máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo; (iv) tinta para carimbo, tapete plástico e selos para portas; e (v) fretes cobrados separadamente dos insumos adquiridos, mesmo na hipótese de transferência entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica. Esclareçase que o provimento parcial se deve ao creditamento com base nos encargos de depreciação de parte das máquinas e dos equipamentos, em relação a qual o Recorrente pretendia se creditar a título de insumos (partes e peças de reposição) com base nos valores de aquisição. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator. Fl. 642DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS 26 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara Processo nº: 10925.000657/200945 Interessada: SINCOL S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 4º do art. 63 e no § 3º do art. 81 do Anexo II, c/c inciso VII do art. 11 do Anexo I, todos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, fica um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, intimado a tomar ciência do Acórdão no 380303.229, de 17 de julho de 2012, da 3a Turma Especial da 3a Seção. Brasília DF, em 17 de julho de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com ciência ( ) Com embargos de declaração ( ) Com recurso especial Em ____/____/______ Fl. 643DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 10830.005600/97-97
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2004
Ementa: PROCESSUAL. LANÇAMENTO DE IPI. COMPETÊNCIA.
A competência para julgar processos decorrentes de litígio
instaurado por lançamento de oficio relativo ao IPI, decorrentes
de classificação de mercadorias, pertence ao Terceiro Conselho
de Contribuintes, por força do art. 1º do Decreto nº 2.562, de 27
de abril de 1998.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 201-77.425
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator, declinando a competência para o Terceiro Conselho de Contribuintes.
Nome do relator: ROGERIO GUSTAVO DREYER
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Segundo Conselho de ConUlbuintes Publicado no Diário Oliclnl TI I.::-112.10 De 1,5 1 Ob Ia r CC-MF --•'..ãs-Su;;;•:. Ministério da Fazenda41,,....,..:. it. Fl. Ir1. Segundo Conselho de Contribuintes o 0 ,,,t.4.51r,..' VI e •"---, - Processo n2 : 10830.005600/97-97 Recurso & : 111.585 Acórdão n2 : 201-77.425 Recorrente : LEVEFORT INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Recorrida : DRJ em Campinas - SP PROCESSUAL. LANÇAMENTO DE IPI. COMPETÊNCIA. A competência para julgar processos decorrentes de litígio instaurado por lançamento de oficio relativo ao IPI, decorrentes de classificação de mercadorias, pertence ao Terceiro Conselho de Contribuintes, por força do art. 1 2 do Decreto n 2.562, de 27 de abril de 1998. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por LEVEFORT INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator, declinando a competência para o Terceiro Conselho de Contribuintes. Sala das Sessões, em 28 de janeiro de 2004. 1 .-41-n." tlAdaith:ot, iNtkkiro se Maria Coelho Marques GikPresidente Rogério usta o Dr- er Relator 10 Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Antonio Mario de Abreu Pinto, Serafim Fernandes Corrêa, Adriene Maria de Miranda (Suplente), Adriana Gomes Rêgo Gaivão e Gustavo Vieira de Melo Monteiro. 1 2° CC-MF Ministério da Fazenda Fl. 'Í Ít Segundo Conselho de Contribuintes 4»,:cirmek, Processo n2 : 10830.005600/97-97 Recurso n2 : 111.585 Acórdão n2 : 201-77.425 Recorrente : LEVEFORT INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. RELATÓRIO Retornam os presentes autos após o cumprimento de diligência, proposta na sessão de 18 de setembro de 2001, nos termos do relatório e voto que leio em sessão. A diligência veio cumprida através do termo de declarações de fl. 101, que igualmente leio em sessão. É o relatório. liat- 2 .. ,411ii:.çs,, 2° CC-MF -4:T. -d37r Ministério da Fazenda Fl. Segundo Conselho de Contribuintes .4.03;* Processo n2 : 10830.005600/97-97 Recurso 11 2 : 111.585 Acórdão n2 : 201-77.425 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR ROGÉRIO GUSTAVO DREYER Como se depreende do relatório, o Processo n2 10830.003322/98-04 foi destinado a este Egrégio Conselho e, por sua manifesta conexão com o presente, foi a mim distribuído, ainda que recentemente e em função dos termos em que instruída a diligência cumprida. No entanto, no julgamento concomitante do processo referido com o presente, resultou o voto naquele proferido declinando da competência para o Terceiro Conselho de Contribuintes, forte nos termos do art. 1 2 do Decreto n2 2.562, de 27 de abril de 1998, que transcrevo. "Art. 1°. Fica transferido do Segundo Conselho para o Terceiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda a competência para julgar os recursos interpostos em processos fiscais de que trata o artigo 25 do Decreto n° 70.235, de 06 de maço de 1972, alterado pela Lei n° 8.748, de 09 de dezembro de 1993, cuja matéria, objeto do litígio, decorra de lançamento de oficio de classificação de mercadorias relativo ao Imposto sobre Produtos Industrializados — IPL A despeito da decisão adotada no referido Processo, entendo que a competência para julgar o presente persiste a esta Câmara, visto tratar-se de pedido de ressarcimento referente aos insumos empregados na fabricação de embarcações presumidamente agraciadas com a isenção proporcionada pela Lei n2 8.402, com a manutenção do direito ao crédito cujo ressarcimento é aqui pretendido. No processo conexo, o mote é a exigência tributária, através de lançamento de oficio, por conta do entendimento do Fisco de que o beneficio não alcança os produtos elencados pelo contribuinte. Notória a conexão, como notória a dependência do deslinde do presente processo com o resultado a ser exarado no conexo, a ser perpetrado através de julgamento por uma das Câmaras do Egrégio Terceiro Conselho de Contribuintes. Tendo em vista a relação de causa e efeito entre a decisão daquele Colegiado e o deslinde do presente feito a ser decidido por esta Câmara, determina a prudência que o Terceiro Conselho de Contribuintes decida nos presentes autos quanto à adequada classificação fiscal do produto sob comento, na esteira da decisão que exarar no processo indicado como conexo. Isto posto, voto no sentido de declinar a competência para o Terceiro Conselho de Contribuintes para decidir sobre a classificação fiscal adequada ao produto guerreado, determinando, após o trânsito em julgado da decisão, sejam devolvidos os autos para esta Egrégia Câmara, para o fim de decidir sobre a questão do ressarcimento requerido. Sala das Sessões em 28 de janeiro de 2004. »3/41V\ROGÉRIO GUS CO .D REYER ___ 494.1L,3
score : 1.0
Numero do processo: 10508.000307/2001-42
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed May 12 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Wed May 12 00:00:00 UTC 2004
Ementa: PAF.
O ato administrativo que determina a exclusão da opção pelo
SIMPLES deve observar o prescrito na lei quanto à forma, devendo
ser motivado com a demonstração dos fundamentos e dos fatos
jurídicos que o embasaram. Caso contrário, é ato nulo.
Numero da decisão: 303-31.430
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, declarar a nulidade do Ato Declaratório, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: ANELISE DAUDT PRIETO
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RECORRIDA : DRJ/SALVADOR/BA PAF. O ato administrativo que determina a exclusão da opção pelo SIMPLES deve observar o prescrito na lei quanto à forma, devendo ser motivado com a demonstração dos fundamentos e dos fatos • jurídicos que o embasaram. Caso contrário, é ato nulo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, declarar a nulidade do Ato Declaratório, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 12 de maio de 2004 • JOÃO fl AND • COSTA Preside e I I d_12 ANELISE DAUDT PRIETO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ZENALDO LOIBMAN, SÉRGIO DE CASTRO NEVES, NILTON LUIZ BARTOLI, NANCI GAMA e SÍLVIO MARCOS BARCELOS FIÚZA (Suplente). Esteve Presente a Procuradora da Fazenda Nacional ANDREA KARLA FERRAZ. MA/3 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 125.782 ACÓRDÃO N° : 303-31.430 RECORRENTE : FERRARI VIDRAÇARIA LTDA. RECORRIDA : DRJ/SALVADOR/BA RELATOR(A) : ANELISE DAUDT PRIETO RELATÓRIO Em 03/07/2003 este Colegiado, com a Resolução n° 303-00.903 resolveu converter o julgamento em diligência à repartição de origem, de acordo com relatório e voto a seguir transcritos: 0110 "A empresa acima qualificada recorre a este Conselho, tempestivamente, de julgado proferido pela autoridade a quo, que indeferiu a impugnação da decisão da Delegacia da Receita Federal • em Ilhéus na Solicitação de Revisão Exclusão da Opção pelo SIMPLES. A Solicitação de Revisão da Exclusão à Opção pelo SIMPLES - SRS foi indeferida porque a empresa não conseguiu infirmar a justificativa da exclusão promovida pelo AD n° 192.869. (fl. 09-v). Na impugnação, a empresa alega, em síntese, que houve falha no • atendimento ao oficio da SRF que solicitava documentos à empresa, entre eles a certidão negativa da PFN. A decisão de primeira instância encontra-se assim ementada: 111 "Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2000 Ementa: EXCLUSÃO. PENDÊNCIA DA EMPRESA E/OU Sócios JUNTO A PGF1V. O pagamento de débito inscrito na Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), depois do prazo para a Solicitação de Revisão da Vedação/Exclusão à Opção pelo Simples — SRS, não invalida os efeitos do Ato Declaratório que excluiu a empresa do Simples. Solicitação Indeferida" Transcrevo excerto da mesma: 2 • - 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 125.782 ACÓRDÃO N° : 303-31.430 "7. Neste sentido, apesar das certidões negativas anexadas aos autos (fls. 06 e 31) comprovarem que agora a requerente se encontra em situação fiscal regular junto a PGFN, é importante destacar que o DARF de fls. 05 indica que o débito inscrito foi quitado em 26/03/2001, depois do prazo limite para interposição de SRS, que expirou em 31/01/2001. A quitação tardia da dívida não restitui o direito de a interessada permanecer no Simples, conforme esclarecimento dado pela Coordenação Geral do Sistema de Tributação da SRF (COS17), divulgado no Boletim Central (BC) n°233, de I4/12/2000,abaixo transcrito: 1 — Pessoa jurídica dentro do prazo da apresentação da Solicitação • de Revisão/Exclusão do SIMPLES — SRS, regularizando a situação, ou seja, pagando ou parcelando na PFN, terá seu direito de permanecer no SIMPLES garantido? • Sim, dentro do prazo de apresentação das SRS, o contribuinte pode regularizar a sua situação, pagando ou parcelando o débito na PFN. Por conseguinte, seu direito de permanecer no SIMPLES estará restabelecido, ressalvando-se que no caso do parcelamento o contribuinte terá este direito enquanto seguir as regras do mesmo. (...). • 8. Por estar demonstrado nos autos que a interessada não cumpriu as exigências da COSIT, publicadas no documento acima citado, depreende-se que é procedente o Ato Declaratório em apreço, ratificando-se a exclusão por ele determinada." A contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivamente, alegando que foi concedido parcelamento de seus débitos, mas a Receita, indevidamente, não incluiu um valor que se encontrava na PGFN e que, por ser inferior a R$ 2.500,00, não foi executado. Mesmo assim pagou-o, com os acréscimos legais. É o relatório. VOTO Conheço o recurso, que trata de matéria de competência deste Colegiado e é tempestivo 3 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 125.782 ACÓRDÃO N° : 303-31.430 Entretanto, entendo que não é possível a esta Corte proceder ao julgamento do feito, já que não consta dos autos exatamente a peça que contém o objeto da lide: o ato declaratório de exclusão do SIMPLES. Por isso, voto pela realização de diligência, por intermédio da repartição de origem, para que o processo seja devidamente instruído." Em resposta, foi anexado o Ato Declaratório de fl. 61, onde se lê que a exclusão teve por motivo pendências da empresa e/ou sócios junto à PGFN. • É o relatório/19 • • • 4 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 125.782 ACÓRDÃO N° : 303-31.430 VOTO Como bem coloca a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro, em relação à forma, os atos administrativos em geral são vinculados porque a lei previamente a define.' O ato declaratório que levou à exclusão da opção pelo SIMPLES é um ato administrativo que negou um direito ao contribuinte e, de acordo com o artigo 50 da Lei 9.784/99, reguladora do processo administrativo no âmbito da 010 administração pública2, deveria estar motivado, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos.3 • Os fundamentos jurídicos do ato declaratório em questão, ao que tudo indica, estariam previstos no artigo 90 da Lei n° 9.317/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 9.779/99, ao estabelecer que não poderá optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica: ,,(...) XV - que tenha débito inscrito em Dívida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, cuja exigibilidade não • esteja suspensa; XVI - cujo titular, ou sócio que participe de seu capital com mais de 10% (dez por cento), esteja inscrito em Dívida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, cuja • exigibilidade não esteja suspensa. (--)" Porém, no caso de que se cuida, o motivo da exclusão do SIMPLES foi "pendências da empresa e/ou sócios na PGFN". _ "Pendências da empresa e/ou sócios na PGFN" é uma expressão que não retrata nem a norma e nem o fato que a ela se subsumiria. Com efeito, como A/e19 Direito Administrativo, 8 8ed., São Paulo: Atlas, 1997. p. 179. 2 A Lei 9.784, de 29/01/99, aplica-se ao processo administrativo fiscal de forma subsidiária, conforme preceitua o seu artigo 69: "Os processos administrativos específicos continuarão a reger-ser por lei própria, aplicando-se-lhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei". •' Lei 9.784, de 29/01/99, artigo 50: "Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I - neguem, limitem ou afetem direitos e interesses; (...)" • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 125.782 ACÓRDÃO N° : 303-31.430 já relatado, é possível apenas inferir que a norma que teria sido ferida é a anteriormente listada. Porém, tal fundamento legal não está delimitado no ato. No que concerne ao fato que teria sido iluminado pela lei, então, são inúmeras as questões que surgem. Eis as mais importantes: a-) as pendências referem-se realmente a débitos? b-) de quem são os débitos: da empresa, do titular ou dos sócios? De quais sócios? c-) quais são os débitos: são relativos a que tributos ou penalidades? referem-se a qual fato gerador, a que período de apuração? d-) os débitos estão com a exigibilidade suspensa? Ora, já se viu que somente em casos de existência de débito da empresa, do titular ou de sócios, com participação superior a 10%, inscrito em dívida ativa da União e que não esteja com a exigibilidade suspensa é que é vedada a • opção pelo SIMPLES. Portanto, "pendências da empresa e/ou sócios na PGFN" sequer é um fato que se subsume à norma. A falta de delimitação do fato com a resposta às questões acima gerou um evidente cerceamento do direito de defesa da contribuinte. In casu, verifica- * se, ainda, que não há prova nos autos de que o ato de exclusão tenha se dado em decorrência do débito que teria sido extinto por meio do DARF de fl. 05, motivo alegado pela autoridade recorrida para mantê-la. Então, a referida exclusão, é um ato nulo, pois fere ao disposto no artigo 59 do Decreto 70.235/72. /40 Como bem colocado pela Ilustre Relatora Maria Teresa Martinez Lopez no Acórdão 202.12064, de 12/04/00, "não é possível que a administração, na presença de indícios de uma possível ocorrência de fato impeditivo à opção pelo SIMPLES, de pronto determine a exclusão do Contribuinte, transferindo-lhe o ônus de provar a inexistência do que se suspeita." Pelo exposto, voto pela nulidade do processo ab initio. Sala das Sessões, em 12 de maio de 2004 Azji ANELISE DAUDT P - -elatora 6 . • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - -.- Processo n°: 10508.000307/2001-42 Recurso n°: 125782 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 2° do art. 44 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, fica o Sr. Procurador Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Terceira Câmara do Terceiro Conselho, intimado a tomar ciência do Acórdão n° 303-31430. Brasília, 10/08/2004 1 JOAOS A COSTA Presi • nte da Terceira Câmara Ciente em • 1 Page 1 _0033400.PDF Page 1 _0033500.PDF Page 1 _0033600.PDF Page 1 _0033700.PDF Page 1 _0033800.PDF Page 1 _0033900.PDF Page 1
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Numero do processo: 10140.000854/2001-34
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2003
Numero da decisão: 303-00.906
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do
recurso em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ZENALDO LOIBMAN
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DRJ/CAMPO GRANDE/MS RESOLUÇÃO N° 303-00.906 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos . • RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, ,R 13 de agosto de 2003 JOÃO Homv1 COSTA presidenty -- ! 16 DUT 2003 • • Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ANELISE DAUDT PRIETO, IRINEU BIANCHI, CARLOS FERNANDO FIGUEIREDO BARROS, NILTON LUIZ BARTOLI e FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE. Ausente o Conselheiro PAULO DE ASSIS. Ma/3 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA • RECURSO N° RESOLUÇÃO N° RECORRENTE RECORRlDA RELATOR(A) 124.633 303-00.906 ESTÁBIL SERVIÇOS E COMÉRCIO LTDA. - ME. DRJ/ CAMPO GRANDE/MS ZENALDO LOIBMAN RELATÓRIO E VOTO • • • A empresa identificada em epígrafe solicitou sua inclusão no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES, retroativamente a partir da data de início de suas atividades em 23/10/1997, alegando que desde o início optou pelo SIMPLES e procedeu a todos os recolhimentos e declarações de imposto de renda segundo esse regime. Informa que ficou surpreendida com a informação constante do sistema CONSULTA da SRF indicando como data de início da opção apenas 01/01/1999 . Em resposta à solicitação acima referida foi emitido o Parecer DRF/CGE/ nO679/2001 (fls. 27/29) que indeferiu o pedido. Em resumo, foram as seguintes as razões de fundamentação da decisão: Apesar de reconhecer que houve erro de fato sanável no preenchimento da FCPJ, o que em tese permitiria a retificação e posterior atendimento ao pleito de inclusão retroativa, não pôde atender por se ter verificado que a interessada exerce atividade impeditiva da opção, a partir de 01/01/1998, face ao disposto no S 4° do art. 9° da Lei nO9.317/1996, acrescentado pela Lei nO 9.528/1997. Cientificada da decisão em 16/05/2001, a interessada impugnou-a tempestivamente em 29/05/2001, conforme se vê às fls. 34/37. Em síntese, queixa-se que somente a partir de seu requerimento para inclusão retroativa é que houve a alegação pela DRF de ser parte da atividade prevista no seu objeto social impeditiva da opção, e que antes, em nenhum momento, a partir de seu cadastramento fora advertida disso. Que apesar de constar a atividade "escavação" no rol previsto no Contrato Social, jamais exerceu tal atividade nem pretende exercer, aceitando pois que seja retirada do seu Contrato Social, que nunca houve de sua parte dolo de lesar o erário público. Alegou que o Ato Declaratório n° 0248398, único que tem conhecimento, emitido ao final de 2000, referia-se a débitos em pendência junto à PGFN, que conforme certidões negativas anexadas não há restrições quanto à empresa nem quanto aos sócios. Por fim, solicitou que fosse deferida a sua manutenção no SIMPLES, com inclusão desde o início de suas atividades. Juntou os documentos de fls. 38/54. A DRJ/CGE pela Decisão nO 969/2001 indeferiu a solicitação. Considerou que ficou claro na decisão da DRF que o conceito de construção de imóveis foi ampliado abrangendo a construção civil, vedando a opção • 2 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° 124.633 303-00.906 3 • • • • pelo SIMPLES às empresas que explorem atividades como escavação e remoção de terras, que é o caso da interessada. Acrescenta que no ano - calendário de 1997 (outubro a dezembro) a requerente não efetuou nenhuma operação. Ademais, com base nas notas fiscais juntadas aos autos (fls. 53/54) constata-se que a empresa promoveu a remoção de entulhos e aterros. Não há como acolher seu pedido; ressalta- se que em nenhum momento se questionou a boa-fé da interessada, porém a responsabilidade tributária é objetiva, conforme art. 136 do CTN. Irresignada, a interessada compareceu aos autos em 09/10/2001 (conforme chancela do protocolo à fl. 65), tempestivamente, para apresentar recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes. Alega em síntese que: 1. É microempresa e lllIClOU suas atividades comerCiaiS em 23/10/1997, sendo desde então optante do SIMPLES. A sua FCPJ foi aceita pela SRF quando de sua inscrição, tendo a partir de então procedido a todos os recolhimentos de impostos na forma preconizada em lei, sem que houvesse qualquer restrição pelos órgãos de fiscalização; 2. Em 03/04/2001 ao consultar extrato emitido pela SRF foi surpreendida pela informação de que estaria cadastrada no SIMPLES somente a partir de 01/01/1999. Buscou, então, regularizar essa informação por meio de requerimento à DRF, sendo seu pedido indeferido com base em fundamentos contraditórios, que merecem ser reformados. 3. O parecer reconhece que a empresa desde o início de suas atividades procedeu a todos os recolhimentos devidos nos vencimentos e na forma do SIMPLES, e apresentou tempestivamente as declarações simplificadas. No entanto, conclui que não pode atender ao pedido de inclusão retroativa porque posteriormente (a partir de 01/01/1998) a atividade econômica informada no Contrato Social e também descrita na FCPJ encontra-se vedade à opção pelo SIMPLES. 4. Afirma-se, ainda, no referido parecer da DRF, que "a empresa.fõi considerada optante do S./MPLES a partir de 0//0///999 (/l. 2/) e veio a ser excluída desse regime em 20/04/200~ com os t7e1IOS da exclusão a partir de 0/// //2000 (/l. 26) por pendências/unto d PGFA" . 5. Como se vê, a incoerência é total, pois o que se afirma leva à seguinte conclusão: De 23/10/1997 a 31/12/1997 a recorrente seria considerada optante do SIMPLES; de 01/01/1998 a 31/12/1998 a recorrente foi excluída do SIMPLES, de oficio, sem qualquer intimação à empresa; de 01/01/1999 a 20/04/2001, ~ • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° 124.633 303-00.906 • • a recorrente foi considerada optante e a partir de 21/04/2001 a recorrente foi novamente excluída. Observam-se outras irregularidades: a) da suposta exclusão a partir de 01/01/1998, tendo por base atividade impeditiva, a interessada não recebeu qualquer notificação; b)a lei que fundamenta a exclusão de 01/01/1998 a 31/12/1998 em razão de sua atividade, não menciona de forma expressa a atividade de escavação. Tal enquadramento só ocorreu por meio do Ato Declaratório Normativo SRF nO 30/1999 ratificado pelo Parecer COSIT n° 46/2000. Há, portanto, violação aos princípios constitucionais da reserva legal e da irretroatividade, ao primeiro porque ADN e Parecer não têm força de lei, e quanto ao segundo porque o ato legal não pode retroagir em prejuízo do direito adquirido; c) finalmente diante da justificativa da SRF pergunta-se: Como pôde a empresa ser novamente de ofício - reenquadrada no SIMPLES a partir de 01/10/1999, sem que a recorrente alterasse sua atividade comercial? Pelo exposto ao longo das fls. 67/69, deve a decisão recorrida ser reformada, posto que baseada num ato administrativo nulo de pleno direito, pois o ADN não possui natureza constitutiva, bem como os pareceres, como atos interpretativos que são, não têm o poder de instituir normas, limitando-se a explicitar o sentido e o alcance das normas integrantes dos atos constitutivos que interpretam. Por fim, reitera seu pedido de que sejam feitas as alterações necessárias no sistema interno administrativo, para que conste no cadastro da empresa a opção do SIMPLES a partir de sua constituição. Feito o relatório, resulta que faltam elementos nos autos para que se promova o devido julgamento da matéria. Observo que o processo se iniciou com um pedido de inclusão retroativa a 23/10/1997 no SIMPLES. A DRF admitiu erro de fato, conclusão que permitiria retificação e inclusão retroativa da interessada, mas indeferiu o pedido, por uma razão aparentemente sem conexão com o pedido, ou seja, por identificar que a partir de 01/01/1998 a atividade da empresa relacionada na FCPJ e no Contrato Social estaria impedida de fazer a opção pretendida. Não há registro de expedição de Ato Declaratório de exclusão do SIMPLES motivada por atividade impeditiva. O histórico de fl. 26 (in fine) permite supor que o Ato Declaratório nO248.398, que não está nos autos, se referiria à exclusão da empresa do SIMPLES, por motivo de haver pendências junto à PGFN. Este dado é confirmado no Parecer • 4 • • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° 124.633 303-00.906 • '. • DRF/CGE nO679/2001, que à fi. 29 afirma que a exclusão da empresa do SIMPLES se deu por motivo de haver pendências junto à PGFN. Diante do exposto, proponho a esta colenda Câmara que se transforme o presente julgamento em diligência à repartição de origem (DRF/Campo Grande/MS) para que proceda à juntada dos seguintes documentos: a) Cópia do Ato Declaratório de exclusão do SIMPLES nO 248.398; b) Cópia da Comunicação gerada em 03/11/2000 (especificar/ comprovar a data de ciência pelo contribuinte), juntamente com extrato dos débitos inscritos na PGFN que teria sido enviado ao interessado, conforme consta do extrato SIVEX-Consulta de fi. 26; c) Cópia da SRS nO 01401248398 referente à comunicação nO 248398, que teria suspendido os efeitos do ato declaratório, bem como a decisão referente a essa SRS; d) Informar se houve expedição de Ato Declaratório específico para exclusão por motivo de atividade econômica vedada à opção pelo SIMPLES. Sala das Sessões, em 13 de agosto de 2003 5 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005
score : 1.0
Numero do processo: 10930.001535/2008-16
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. COMPENSAÇÃO DE IRRF. EXISTÊNCIA DO RECOLHIMENTO. CONFIRMAÇÃO.
Cancela-se a Notificação de Lançamento, quando o conjunto dos elementos constantes dos autos confirmar a existência do recolhimento do valor glosado a título de compensação indevida.
Recuso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2802-001.803
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
1.0 = *:*
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COMPENSAÇÃO DE IRRF. EXISTÊNCIA DO RECOLHIMENTO. CONFIRMAÇÃO. Cancelase a Notificação de Lançamento, quando o conjunto dos elementos constantes dos autos confirmar a existência do recolhimento do valor glosado a título de compensação indevida. Recuso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martín Fernández e Eivanice Canário da Silva. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento, fls. 31 a 34, para exigência de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF em virtude de glosa do valor de R$ 2.081,44 que, segundo o lançamento, teria sido objeto de compensação indevida de CarneLeão e/ou Imposto Complementar (Mensalão). De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 32, tal constatação decorre da inexistência de informações acerca de recolhimentos realizados sob os códigos de receita 0190 e/ou 0246 nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, relativamente ao exercício de 2005, anocalendário de 2004. Não se conformando com o crédito tributário constituído, a contribuinte apresentou impugnação alegando a existência de uma sequência de equívocos perpetrados inicialmente pelo contador (que preencheu sua declaração originalmente apresentada) e, depois, pela advogada do processo 1997340000372810 tramitado na 4ª Vara da Justiça Federal (do qual alega advir os rendimentos que serviram de base de cálculo do Imposto de Renda combatido neste procedimento). Segundo a defesa, referida advogada elaborou o demonstrativo, cuja cópia anexa às fls. 04, com discriminação do Imposto de Renda como retido na fonte pela União, ao invés de recolhido, conforme se pode depreender da cópia do DARF de fl. 05. Aduz que, posteriormente, outro contador retificou sua declaração de rendimentos para registrar, também indevidamente, o valor questionado como se correspondesse a recolhimento por CarnêLeão. A DRJ de Curitiba(PR) determinou a instrução dos presentes autos com a cópia da folha de continuação da Notificação de Lançamento, na qual há a discriminação dos fatos e o respectivo enquadramento legal, bem como o resultado da análise da SRL de fls. 14. Em atendimento, a autoridade local juntou cópia integral da mencionada Notificação de Lançamento, fls. 31 a 34, e o exame que rejeitou a SRL, fls. 35 e 36. Às fls. 37, também juntou o relatório extraído do sistema GUIA, VIC (VISÃO INTEGRADA CONTRIBUINTE), da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, do qual consta a informação de um recolhimento no valor de R$ 2.081,44, vinculado ao CPF nº 596.836.83972 – Rejane Kimaid Gomes, sob o código de receita 4371 – IRRF RENDIMENTOS PAGOS PELA ADMINISTRAÇÃO DIRETA. Examinando o caso, referido órgão de julgamento de primeira instância julgou improcedente a impugnação, fls. 40 a 41, por entender que, “embora bem concatenados os argumentos do contribuinte, não há uma ligação probatória para a sua pretensão, a saber o determinado pela autoridade judicial no cerne do processo judicial 1997340000372810, ou seja, a prova fundamental para a solução desta lide. Não há uma cópia sequer de uma folha do referido processo judicial nestes autos”. Cientificada em 25/08/2011, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 26/09/2011, segundafeira, reiterando os argumentos apresentados em sua impugnação, para aduzir que, pelo fato de não conseguir entrar em contato com a advogada que patrocinou a causa para ter acesso às peças do processo judicial, requer que a Receita Federal formalize “ofício a 4ª Vara da Justiça Federal em Brasília para que forneça todas as informações referentes ao processo judicial 1997340000372810, vez que não consegue tais informações, residindo no Paraná”. É o relatório. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10930.001535/200816 Acórdão n.º 2802001.803 S2TE02 Fl. 68 3 Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator Sendo tempestivo o presente recurso e preenchidos os requisitos para o seu recebimento, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, tratase de Notificação de lançamento que exige diferença de IRPF em virtude da constatação de inexistência de informações acerca de recolhimentos realizados sob os códigos de receita 0190 e/ou 0246 nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, relativamente ao exercício de 2005, anocalendário de 2004.. Em sua defesa, a Recorrente juntou aos autos cópia do DARF de fls. 05, relativamente ao recolhimento do valor de R$ 2.081,44, realizado em 11/03/2004, sob o código de receita 4371. Por sua vez, o relatório extraído dos sistemas da RFB, documento juntado pela autoridade preparadora em atendimento à solicitação de instrução formalizada pela DRJ de Curitiba (PR), fls. 37, evidencia que os dados constantes do referido DARF integram os sistemas da RFB, bem como confirma o recolhimento do respectivo valor, sob a rubrica 4371 IRRF RENDIMENTOS PAGOS PELA ADMINISTRAÇÃO DIRETA. Observase, pois, que apesar de o lançamento fazer referência tão somente aos códigos de receita 0190 e 0246, a existência do recolhimento realizado sob código 4371 ficou confirmada nos presentes autos pela própria RFB mediante juntada do referido relatório. Adicionalmente, em pesquisa no sitio do Tribunal Regional Federal/1ª REG (http://processual.trf1.gov.br/consultaProcessual/processo.php?proc=452870620004013400&s ecao=DF&nome=&mostrarBaixados=S) também se pode constatar a veracidade da alegação da Recorrente quanto à tramitação do processo nº 1997.34.00.0372810, no qual a contribuinte figura, juntamente com outros, como autora da ação movida contra a União para requerer reajuste de remuneração dos proventos do servidor público ,em face do índice 28,86% Lei nº 8.622/1993 e 8.627/1993. Para o cumprimento da respectiva sentença, também se constata que houve a formalização do processo judicial nº 2000.34.00.0459685 do qual decorreu a expedição de alvará de depósito em 09/03/2004 e a retirada daqueles autos pela advogada Éden Lino de Castro, em 10/03/2004. Ou seja, um dia antes da carta endereçada à Recorrente na qual referida advogada detalha que o valor recebido atingiu o montante de R$ 9.304,18, tendo sido retida importância de R$ 2.081,44, a título de IRRF. Por meio desta carta, a mesma advogada solicitou à Recorrente informações sobre o número da sua conta corrente bancária para fins de efetivação do crédito então recebido. Ressaltese, por fim, que o exame da declaração de rendimentos retificadora, fls. 10 e 24, em confronto com a informação de fls. 04, revela que o referido valor de R$ 9.304,18 foi declarado a título de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica. Também do mesmo exame se pode observar que o fato de haver sido consignado o valor de R$ 2.081,44 como carnêLeão e imposto suplementar (mensalão), a meu ver, se caracteriza mero erro de preenchimento de declaração, passível de ser sanado em razão dos elementos colhidos Fl. 69DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 nos presentes autos após solicitação de instrução realizada pela DRJ em Curitiba(PR), ao final da fls. 29. Destarte, ao contrário do entendimento firmado pelo relator do voto da decisão recorrida, o presente processo demonstra a existência do valor de R$ 2.081,44, recolhido a título de IRRF, por meio do DARF de fls. 05, declarado pela Recorrente em sua DIRPF, relativa ao exercício de 2005, anocalendário de 2004. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para cancelar a Notificação de Lançamento de fls. 31 a 34. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 70DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10930.001535/200816 Acórdão n.º 2802001.803 S2TE02 Fl. 69 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão identificado em epígrafe. Brasília/DF, 12 de setembro de 2012 (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 71DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10680.900073/2009-91
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001
Ementa: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. INSUMOS APLICADOS
NA FABRICAÇÃO DE PRODUTOS SITUADOS FORA DO CAMPO
DE INCIDÊNCIA.
Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. (Súmula CARF nº 20)
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3803-002.765
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
1.0 = *:*
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 Ementa: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. INSUMOS APLICADOS NA FABRICAÇÃO DE PRODUTOS SITUADOS FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA. Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. (Súmula CARF nº 20) Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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INSUMOS APLICADOS NA FABRICAÇÃO DE PRODUTOS SITUADOS FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA. Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. (Súmula CARF nº 20) Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Relator Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Fl. 89DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por A LEXANDRE KERN 2 RIO VERDE MINERAÇÃO SA formulou pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, referente ao período de apuração de 01/07/2001 a 30/09/2001, no montante de R$82.887,51, cumulado com Declaração De CompensaçãoDcomp desse crédito. O pedido foi indeferido, nos termos do Despacho Decisório de fl. 14. Sobreveio a Manifestação de Inconformidade de fls. 1 a 13, em que se controverteram as seguintes questões: 1) o minério produzido, embora seja NT, é exportado, gozando de imunidade ao IPI; 2) o minério sofre beneficiamento, o que caracteriza industrialização; 3) o crédito presumido, introduzido pelo art. 1º da Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, se destina à empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais, sem qualquer restrição, bastando que se produza e exporte o produto para fazer jus ao benefício; 4) ao ressarcimento deverá ser acrescido da variação da Selic, seja ela verificada entre a data da aquisição dos insumos até o efetivo recebimento, seja aquela calculada entre a data da protocolização do pedido até a data da efetiva restituição/compensação, por imposição dos princípios constitucionais da isonomia e da moralidade e por aplicação analógica do art. 66, § 3º, da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, conforme autorizado pelo art. 108, I, do CTN, e em relação ao art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995; 5) os pneus dos caminhões fora de estrada e as partes e peças de reposição dos equipamentos utilizados na mina, sofrem desgaste contínuo, daí porque enquadrados no conceito de matériaprima ou de produto intermediário; 6) as notas fiscais de serviços e beneficiamento citados referemse à parte da industrialização realizada por terceiros dentro da linha de produção; 7) o combustível e a energia elétrica foram também consumidos em equipamentos constantes da linha de produção, perfeitamente admissíveis como; 8) as exportações indiretas por intermédio de empresas comerciais exportadoras (trading companies), como por intermédio das empresas exportadoras registradas na Cesex, fazendose necessária diligência para verificação. A 3ª Turma da DRJ/JFA julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão nº 09035.792, de 29 de junho de 2011, fls. 45 a 49, teve ementa vazada nos seguintes termos (sublinhado no original): Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Fl. 90DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10680.900073/200991 Acórdão n.º 380302.765 S3TE03 Fl. 90 3 Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS NT O direito ao crédito do IPI condicionase a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, o que não ocorre quando estes produtos são nãotributados (NT), na forma do parágrafo único, do artigo 2º do RIPI/98 (Decreto nº 2.637, de 1998) ou do RIPI/2002 (Decreto nº 4.544, de 2002). O mesmo ocorre com o crédito presumido que demanda que a operação de exportação se dê sobre produtos tributados. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. Somente podem ser considerados como matériaprima ou produto intermediário, além daqueles que se integram ao produto novo, os bens que sofrem desgaste ou perda de propriedade, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização e desde que não correspondam a bens do ativo permanente. Dessa maneira, pneus fora da estrada, eletrodos para soldagem, graxas para máquinas e equipamentos, a energia elétrica e combustíveis, etc., elementos que não atuam diretamente sobre o produto, e, ainda, os gastos com a prestação de serviços não se enquadram nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário (PN CST, nº 65, de 1979; Lei nº 9.363, de 1996). Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS. É incabível, por falta de previsão legal, a incidência de atualização monetária ou de juros sobre créditos escriturais legítimos do IPI. Para créditos que se revelem inexistentes ou ilegítimos, a pretensão de tal incidência é, deveras, absurda. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 PERÍCIA. DILIGÊNCIA. É o julgador de primeira instância competente para denegar a diligência ou perícia prescindível, assim também entendida aquela que não afetará a solução do litígio, em razão de já haver já nos autos motivo suficiente para a formação de sua convicção e denegação do pleito do contribuinte (art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 91DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por A LEXANDRE KERN 4 Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da DRJ/JFA3ª Turma. O arrazoado de fls. 73 a 87 reproduz integralmente os termos da Manifestação de Inconformidade, aduzindo apenas que o débito oposto em compensação do crédito pleiteado foi incluído no programa de parcelamento especial instituído pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Pede provimento e deferimento do ressarcimento. É o Relatório. Voto Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 73 a 87 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJJFA3ªTurma nº 09035.792, de 29 de junho de 2011. Direito de crédito de IPI na industrialização de produtos NT Tratase de matéria já pacificada na segunda instância administrativa, desde os tempos do extinto Conselho de Contribuintes, com entendimento plasmado, atualmente, na Súmula CARF nº 20: Súmula CARF Nº 20 Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Conclusão Com essas considerações, quedam prejudicadas todas as demais alegações recursais. Nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em Alexandre Kern Fl. 92DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10680.900073/200991 Acórdão n.º 380302.765 S3TE03 Fl. 91 5 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: Interessada: Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no , de , da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em . [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 93DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por A LEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10880.979193/2009-65
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Data do fato gerador: 15/07/2003
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO.
COMPROVAÇÃO.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração contábil e fiscal e documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado.
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO
CRÉDITO.
Para a homologação da compensação levada à cabo pelo sujeito passivo, cujo crédito decorre de pagamento efetuado a maior ou indevidamente por este, necessária se faz a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela SRFB.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 15/07/2003
CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. DESCABIMENTO.
Incabível converter o julgamento em diligência para suprir falta do contribuinte na apresentação dos elementos de prova do direito pleiteado.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3803-002.383
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração contábil e fiscal e documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da compensação levada à cabo pelo sujeito passivo, cujo crédito decorre de pagamento efetuado a maior ou indevidamente por este, necessária se faz a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela SRFB. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/07/2003 CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. DESCABIMENTO. Incabível converter o julgamento em diligência para suprir falta do contribuinte na apresentação dos elementos de prova do direito pleiteado. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. Fl. 41DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0420.17410.SZIM. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 [assinado digitalmente] ALEXANDRE KERN Presidente. [assinado digitalmente] JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. EDITADO EM: 29/04/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani Relatório Tratase de Declaração de Compensação, transmitido em 17/11/2005, na qual busca o contribuinte compensar créditos de Cofins, oriundos de pagamento indevido ou a maior, código de receita 2172, no valor original de R$ 96,85, com débitos do próprio Pis/Pasep (8109), no valor de R$ 134,96. A compensação não foi homologada pela DRF em São Paulo haja vista que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte , não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Cientificada em 31/08/2009 (fls. 06), apresentou Manifestação de Inconformidade em 23/09/2009 (fls. 07), alegando que: a) A Requerente tem como objeto social o transporte rodoviário de cargas e na execução desses serviços seus veículos estão sujeitos ao pagamento de pedágio nas diversas estradas brasileiras. b) Por força do artigo 2° da Lei n.° 10.209/2001, o valor do vale pedágio não é considerado receita operacional ou rendimento tributável da empresa não constituindo base de incidência de contribuições sociais ou previdenciárias. c) Portanto os valores recebidos a titulo de pedágio pela Requerente, obrigatoriamente destacados no campo especifico do conhecimento de transporte rodoviário, conforme prevê o § único do mesmo artigo 2° da Lei n.° 10.209/2001, não deveriam ter composto a base de cálculo de PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. d) Por desconhecimento até então pela Requerente desse fato, os valores relativos ao pedágio vinham sendo considerados como receita da empresa e, conseqüentemente, incluídos na base de cálculos dos tributos retro citados. e) Tendo tomado conhecimento de que estaria recolhendo tributos indevidamente, procedeu o levantamento espontâneo dos valores recolhidos a maior no período Fl. 42DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0420.17410.SZIM. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10880.979193/200965 Acórdão n.º 380302.383 S3TE03 Fl. 25 3 prescricional e efetuou pedido de restituição conforme PER/DCOMP n.º 18910.91659.141105.1.2.044715, relativo ao período de apuração junho/2003. Nesse período, foram destacados nos conhecimentos de transporte o valor correspondente a R$ 3.228,48 relativo ao pedágio, valor esse que não deveria ter integrado a base de cálculo do imposto. f) Sendo feita a verificação poderá ser constatado que o percentual do imposto aplicado sobre a diferença acima informada corresponde exatamente ao crédito pleiteado e compensado pela Requerente. Ao analisar o caso, decidiu a 5ª Turma da DRJ/SPOI pelo indeferimento da Manifestação de Inconformidade, não reconhecimento do direito creditório e não homologação da compensação efetuada pela contribuinte. Eis a ementa do acórdão retro: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/07/2003 DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte tomou ciência do acórdão retro em 16/12/2010 (fls. 16), tendo apresentado voluntariamente seu recurso na data de 14/01/2011 (fls.17), onde repisa os argumentos utilizados na Manifestação de Inconformidade requerendo a conversão do julgamento em diligência a fim de que sejam devidamente comprovadas todas as alegações da Recorrente, para ao final serem as compensações efetuadas julgadas procedentes. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade pelo que dele tomo conhecimento. Consta dos autos que a razão para a nãohomologação da compensação declarada e levada a efeito pela contribuinte foi a inexistência de crédito quando da transmissão da Dcomp visto que o DARF informado no Per/Dcomp havia sido integralmente utilizado para quitar débitos da Transportadora Gatão Ltda. Esta, por sua vez, defende a regularidade do procedimento adotado por ela, tendo em vista que, por força do artigo 2° da Lei n.° 10.209/2001, o valor do vale pedágio não Fl. 43DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0420.17410.SZIM. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 é considerado receita operacional ou rendimento tributável da empresa não constituindo base de incidência de contribuições sociais ou previdenciárias. Ao tomar conhecimento dos recolhimentos indevidos, procedeu o levantamento espontâneo dos valores recolhidos a maior no período prescricional e efetuou pedido de restituição conforme PER/DCOMP n.º 18910.91659.141105.1.2.044715, relativo ao período de apuração junho/2003. Nessa toada, observase que o DARF, no valor de R$ 6.773,11, informado no PER/DCOMP nº 21727.35391.171105.1.3.048706 como origem do crédito se encontra totalmente vinculado ao débito de Cofins do período de apuração de junho de 2003. Neste ponto, entendemos que a decisão recorrida não merece reparos. A despeito das alegações esposadas pelo sujeito passivo em sede recursal no tocante ao pagamento indevido e legislação de regência, asseverase que como regra, compete a quem alega o ônus da prova. Cabe à administração fazendária o ônus da prova no ilícito tributário, e ao sujeito passivo o dever de trazer à colação documentos que comprovem, verdadeiramente, o direito alegado. Isto porque, não conferiu a lei ao contribuinte o poder de se eximir de sua responsabilidade através da omissão da entrega dos elementos materiais à apreciação objetiva e subjetiva estabelecida na legislação tributária. Assim, cumpre transcrever a disciplina do art. 333 do Código de Processo Civil: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo, ou extintivo do direito do autor. Quando o contribuinte transmite uma Dcomp alegando a existência de crédito, sobre este recai a responsabilidade da apresentação de toda a escrituração contábil e fiscal do período em apuração, bem como demais documentos hábeis e idôneos, que demonstrem a cabal existência do crédito pretendido. Esclarecese que somente o conhecimento de transporte anexo aos autos não é suficiente para comprovar que os valores a título de pedágio efetivamente integraram a base de cálculo do tributo do período em apuração. Diante disto, competirá exclusivamente ao contribuinte, exibir as provas técnicas, contábeis e jurídicas de que suas operações não se realizaram ao arrepio da lei, sob pena de não homologação da compensação e não reconhecimento do direito creditório tal qual o caso. Ademais, restaram ausentes, em decorrência da ausência de documentos comprobatórios do pagamento a maior ou indevido, os requisitos da liquidez e certeza que circunda o crédito tributário indispensáveis ao seu reconhecimento, como dispõe o artigo 170 do CTN: "Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” (g.n) Neste diapasão, ao transmitir um Per/Dcomp, pressupõese a existência de um crédito tributário do contribuinte contra a Fazenda Nacional, para extinguir um débito constituído em seu nome, de forma que, o indébito tributário deve ser o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação ou pedido de restituição. Por essa razão, deve o sujeito passivo trazer aos autos justificativas lastreadas em documentos e lançamentos Fl. 44DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0420.17410.SZIM. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10880.979193/200965 Acórdão n.º 380302.383 S3TE03 Fl. 26 5 contábeis que identifiquem, inequivocamente, a ocorrência do fato gerador, a base de cálculo sujeita à tributação e o correspondente tributo devido. Outrossim, rejeito o pedido de conversão do julgamento em diligência para dar nova oportunidade ao contribuinte de comprovar a existência do indébito. Isto porque, conforme já se expôs, o ônus da prova, no contexto dos autos, é do interessado, que deveria ter cuidado de instruir a Manifestação de Inconformidade bem como o Recurso Voluntário com a documentação pertinente. Para realização da diligência, seria necessário que o ora Recorrente trouxesse algum elemento, a exemplo da escrituração contábil devidamente assinada pelo contabilista responsável juntamente com o conhecimento de transporte que lhe sirva de fundamento, para abalar a convicção do julgador. Ante o exposto, voto por negar provimento ao presente Recurso Voluntário mantendo, integralmente, a decisão proferida pela DRJ em São Paulo I. [assinado digitalmente] Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 45DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0420.17410.SZIM. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por JORGE VICTOR RODRIGUES em 29/04/2012 23:29:33. Documento autenticado digitalmente por JORGE VICTOR RODRIGUES em 29/04/2012. Documento assinado digitalmente por: ALEXANDRE KERN em 02/05/2012 e JORGE VICTOR RODRIGUES em 29/04/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 12/04/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP12.0420.17410.SZIM Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: D605FDA8E80624FB24520688001EE6FB3C1F7637 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10880.979193/2009-65. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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