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Numero do processo: 11128.729667/2014-81
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Apr 03 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 09/06/2010, 22/06/2010
PREJUÍZO À INDIVIDUALIZAÇÃO DAS CONDUTAS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA.
A norma contida no art. 9º do Decreto nº 70.235/1972 visa impedir que por meio de um mesmo auto de infração ou notificação de lançamento sejam sancionadas infrações com tipificações distintas ou exigidos tributos com regras matrizes de incidência diferentes, dificultando a compreensão da exigência fiscal e o exercício do contraditório. Logo, não há prejuízo à individualização das condutas quando em um só auto de infração são identificadas, individualizadas e sancionadas infrações do mesmo tipo cometidas mais de uma vez por um mesmo sujeito passivo.
MOTIVAÇÃO. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA.
O auto de infração que contém os elementos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, sobretudo a descrição do fato, a indicação da disposição legal infringida e a penalidade aplicável, a partir dos quais se extraia motivação explícita, clara e congruente para a exigência fiscal nele consubstanciada não ofende o princípio da Motivação.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA POR ATRASO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 126.
O instituto da denúncia espontânea pressupõe a possibilidade de reparação do dano causado. A obrigação de prestar informações dentro do prazo estipulado envolve dois requisitos indissociáveis: a informação e o prazo para prestá-la. Descumprido o prazo, o dano já terá sido causado de maneira irremediável, ainda que o sujeito passivo venha a prestar espontaneamente a informação em momento posterior.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 09/06/2010, 22/06/2010
MULTA. INFORMAÇÕES NÃO PRESTADAS OU PRESTADAS EM DESACORDO COM A FORMA OU PRAZO ESTABELECIDOS PELA RFB. INCIDÊNCIA A CADA INFORMAÇÃO PRESTADA FORA DO PRAZO.
A multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-Lei nº 37/1966 é aplicável a cada informação prestada fora do prazo previsto no parágrafo único do art. 50 da Instrução Normativa RFB nº 800/2007 ou do prazo estabelecido no art. 22 da mesma IN, a depender da data em que a informação deveria ter sido prestada.
CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. IMPEDIMENTO. NÃO OCORRÊNCIA.
As hipóteses de suspensão da exigibilidade acarretam restrições ao direito de a Fazenda promover a execução judicial do crédito tributário, mas não são um impedimento à sua constituição.
LANÇAMENTO. ATIVIDADE VINCULADA. DEVER. RESPONSABILIDADE FUNCIONAL.
A atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142, parágrafo único, CTN). Diante da ocorrência de um fato jurídico tributário, a autoridade administrativa tem o dever de constituir o crédito correspondente para evitar a decadência do direito, ainda que haja controvérsia judicial a respeito da sua exigibilidade.
MULTA ADUANEIRA. ART. 107, IV, E, DECRETO-LEI Nº 37/1966. TIPIFICAÇÃO E TIPICIDADE. DEIXAR DE PRESTAR INFORMAÇÃO NA FORMA E NO PRAZO.
A infração prevista no art. 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-lei nº 37/1966 ocorre não só quando o responsável pela prestação de informações deixa de prestá-las mas também quando as presta em desacordo com a forma e/ou fora do prazo estabelecidos em norma editada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. A configuração da tipicidade da referida infração prescinde da intenção do agente ou da efetividade, natureza e extensão dos efeitos da sua conduta.
MULTA REGULAMENTAR. RESPONSABILIDADE. DANO AO ERÁRIO. INAPLICABILIDADE.
Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração à legislação aduaneira independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
Numero da decisão: 3001-002.309
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e de insubsistência do auto de infração e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
João José Schini Norbiato Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: João José Schini Norbiato, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues e Marcos Roberto da Silva (Presidente).
Nome do relator: JOAO JOSE SCHINI NORBIATO
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 09/06/2010, 22/06/2010 PREJUÍZO À INDIVIDUALIZAÇÃO DAS CONDUTAS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. A norma contida no art. 9º do Decreto nº 70.235/1972 visa impedir que por meio de um mesmo auto de infração ou notificação de lançamento sejam sancionadas infrações com tipificações distintas ou exigidos tributos com regras matrizes de incidência diferentes, dificultando a compreensão da exigência fiscal e o exercício do contraditório. Logo, não há prejuízo à individualização das condutas quando em um só auto de infração são identificadas, individualizadas e sancionadas infrações do mesmo tipo cometidas mais de uma vez por um mesmo sujeito passivo. MOTIVAÇÃO. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. O auto de infração que contém os elementos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, sobretudo a descrição do fato, a indicação da disposição legal infringida e a penalidade aplicável, a partir dos quais se extraia motivação explícita, clara e congruente para a exigência fiscal nele consubstanciada não ofende o princípio da Motivação. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA POR ATRASO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 126. O instituto da denúncia espontânea pressupõe a possibilidade de reparação do dano causado. A obrigação de prestar informações dentro do prazo estipulado envolve dois requisitos indissociáveis: a informação e o prazo para prestá-la. Descumprido o prazo, o dano já terá sido causado de maneira irremediável, ainda que o sujeito passivo venha a prestar espontaneamente a informação em momento posterior. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 09/06/2010, 22/06/2010 MULTA. INFORMAÇÕES NÃO PRESTADAS OU PRESTADAS EM DESACORDO COM A FORMA OU PRAZO ESTABELECIDOS PELA RFB. INCIDÊNCIA A CADA INFORMAÇÃO PRESTADA FORA DO PRAZO. A multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-Lei nº 37/1966 é aplicável a cada informação prestada fora do prazo previsto no parágrafo único do art. 50 da Instrução Normativa RFB nº 800/2007 ou do prazo estabelecido no art. 22 da mesma IN, a depender da data em que a informação deveria ter sido prestada. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. IMPEDIMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. As hipóteses de suspensão da exigibilidade acarretam restrições ao direito de a Fazenda promover a execução judicial do crédito tributário, mas não são um impedimento à sua constituição. LANÇAMENTO. ATIVIDADE VINCULADA. DEVER. RESPONSABILIDADE FUNCIONAL. A atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142, parágrafo único, CTN). Diante da ocorrência de um fato jurídico tributário, a autoridade administrativa tem o dever de constituir o crédito correspondente para evitar a decadência do direito, ainda que haja controvérsia judicial a respeito da sua exigibilidade. MULTA ADUANEIRA. ART. 107, IV, E, DECRETO-LEI Nº 37/1966. TIPIFICAÇÃO E TIPICIDADE. DEIXAR DE PRESTAR INFORMAÇÃO NA FORMA E NO PRAZO. A infração prevista no art. 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-lei nº 37/1966 ocorre não só quando o responsável pela prestação de informações deixa de prestá-las mas também quando as presta em desacordo com a forma e/ou fora do prazo estabelecidos em norma editada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. A configuração da tipicidade da referida infração prescinde da intenção do agente ou da efetividade, natureza e extensão dos efeitos da sua conduta. MULTA REGULAMENTAR. RESPONSABILIDADE. DANO AO ERÁRIO. INAPLICABILIDADE. Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração à legislação aduaneira independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. A norma contida no art. 9º do Decreto nº 70.235/1972 visa impedir que por meio de um mesmo auto de infração ou notificação de lançamento sejam sancionadas infrações com tipificações distintas ou exigidos tributos com regras matrizes de incidência diferentes, dificultando a compreensão da exigência fiscal e o exercício do contraditório. Logo, não há prejuízo à individualização das condutas quando em um só auto de infração são identificadas, individualizadas e sancionadas infrações do mesmo tipo cometidas mais de uma vez por um mesmo sujeito passivo. MOTIVAÇÃO. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. O auto de infração que contém os elementos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, sobretudo a descrição do fato, a indicação da disposição legal infringida e a penalidade aplicável, a partir dos quais se extraia motivação explícita, clara e congruente para a exigência fiscal nele consubstanciada não ofende o princípio da Motivação. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA POR ATRASO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 126. O instituto da denúncia espontânea pressupõe a possibilidade de reparação do dano causado. A obrigação de prestar informações dentro do prazo estipulado envolve dois requisitos indissociáveis: a informação e o prazo para prestá-la. Descumprido o prazo, o dano já terá sido causado de maneira irremediável, ainda que o sujeito passivo venha a prestar espontaneamente a informação em momento posterior. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 09/06/2010, 22/06/2010 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 96 67 /2 01 4- 81 Fl. 194DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3001-002.309 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.729667/2014-81 MULTA. INFORMAÇÕES NÃO PRESTADAS OU PRESTADAS EM DESACORDO COM A FORMA OU PRAZO ESTABELECIDOS PELA RFB. INCIDÊNCIA A CADA INFORMAÇÃO PRESTADA FORA DO PRAZO. A multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alínea ‘e’, do Decreto-Lei nº 37/1966 é aplicável a cada informação prestada fora do prazo previsto no parágrafo único do art. 50 da Instrução Normativa RFB nº 800/2007 ou do prazo estabelecido no art. 22 da mesma IN, a depender da data em que a informação deveria ter sido prestada. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. IMPEDIMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. As hipóteses de suspensão da exigibilidade acarretam restrições ao direito de a Fazenda promover a execução judicial do crédito tributário, mas não são um impedimento à sua constituição. LANÇAMENTO. ATIVIDADE VINCULADA. DEVER. RESPONSABILIDADE FUNCIONAL. A atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142, parágrafo único, CTN). Diante da ocorrência de um fato jurídico tributário, a autoridade administrativa tem o dever de constituir o crédito correspondente para evitar a decadência do direito, ainda que haja controvérsia judicial a respeito da sua exigibilidade. MULTA ADUANEIRA. ART. 107, IV, ‘E’, DECRETO-LEI Nº 37/1966. TIPIFICAÇÃO E TIPICIDADE. DEIXAR DE PRESTAR INFORMAÇÃO NA FORMA E NO PRAZO. A infração prevista no art. 107, inciso IV, alínea ‘e’, do Decreto-lei nº 37/1966 ocorre não só quando o responsável pela prestação de informações deixa de prestá-las mas também quando as presta em desacordo com a forma e/ou fora do prazo estabelecidos em norma editada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. A configuração da tipicidade da referida infração prescinde da intenção do agente ou da efetividade, natureza e extensão dos efeitos da sua conduta. MULTA REGULAMENTAR. RESPONSABILIDADE. DANO AO ERÁRIO. INAPLICABILIDADE. Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração à legislação aduaneira independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e de insubsistência do auto de infração e, no mérito, em negar provimento ao recurso. Fl. 195DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3001-002.309 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.729667/2014-81 (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) João José Schini Norbiato – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: João José Schini Norbiato, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues e Marcos Roberto da Silva (Presidente). Relatório Por meio do processo em epígrafe, discute-se a controvérsia instaurada em razão da lavratura de auto de infração nº 0817800/06302/14 (fls. 20/44) para a aplicação de multa prevista no artigo 107, inciso IV, alínea ‘e’, do Decreto-lei nº 37/1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003. De acordo com o referido auto, a ora Recorrente deixou de prestar informações acerca de veículo e carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela IN RFB nº 800/2007, incorrendo em infração punível com a citada penalidade. Foram extraídas dos autos (fls. 22/24 e 39) as seguintes informações que embasaram a presente autuação: 1. FATO OCORRÊNCIA Nº 001 - DATA DE REFERÊNCIA 09/06/2010 O Agente de Carga SCHENKER DO BRASIL TRANSPORTES INTERNACIONAIS LTDA, CNPJ Nº 43823079000163, concluiu a desconsolidação relativa ao Conhecimento Eletrônico Sub-Máster MHBL CE 151005089909440 a destempo em 9/6/2010 09:27, segundo o prazo previamente estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB, com o registro extemporâneo do Conhecimento Eletrônico Agregado HBL CE 151005090081329. A carga objeto da desconsolidação em comento foi trazida ao Porto de Santos acondicionada no(s) container(es) SUDU5505870, pelo Navio M/V " RIO BLANCO ", em sua viagem 21S, com atracação registrada em 11/06/2010 02:50. Os documentos eletrônicos de transporte que ampararam a chegada da embarcação para a carga são: Escala 10000183218, Manifesto Eletrônico 1510501071665, Conhecimento Eletrônico Máster MBL CE 151005087910387, Conhecimento Eletrônico Sub-Máster MHBL CE 151005089909440 e Conhecimento Eletrônico Agregado HBL CE 151005090081329. Para o caso concreto em análise, a perda de prazo se deu pela inclusão do conhecimento eletrônico house em referência em tempo inferior a quarenta e oito horas anteriores ao registro da atracação no porto de destino do conhecimento genérico. Destaque-se ainda que o Conhecimento Eletrônico Sub-Máster MHBL CE 151005089909440 foi incluído em 8/6/2010 17:58, momento a partir do qual se tornou possível o registro do conhecimento eletrônico agregado. RESPONSÁVEL PELA INFRAÇÃO NO CASO Examinada a documentação juntada aos autos, especialmente os extratos com o registro da conclusão da desconsolidação, verifica-se que figura como agente de carga transportador/representante do NVOCC embarcador, para o Conhecimento Eletrônico Fl. 196DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3001-002.309 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.729667/2014-81 Agregado HBL CE 151005090081329, a empresa SCHENKER DO BRASIL TRANSPORTES INTERNACIONAIS LTDA, CNPJ Nº 43823079000163. Nos termos das normas de procedimentos em vigor, a empresa supra é considerada responsável para efeitos legais e fiscais pela apresentação dos dados e informações eletrônicas na forma e no prazo estabelecidos pela Receita Federal do Brasil - RFB. [...] OCORRÊNCIA Nº 002 - DATA DE REFERÊNCIA 22/06/2010 O Agente de Carga SCHENKER DO BRASIL TRANSPORTES INTERNACIONAIS LTDA, CNPJ Nº 43823079000163, concluiu a desconsolidação relativa ao Conhecimento Eletrônico Máster MBL CE 151005093284980 a destempo em 22/6/2010 20:32, segundo o prazo previamente estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB, com o registro extemporâneo do Conhecimento Eletrônico Agregado HBL CE 151005098888760. A carga objeto da desconsolidação em comento foi trazida ao Porto de Santos acondicionada no(s) container(es) SUDU6031477, pelo Navio M/V " BAHIA NEGRA ", em sua viagem 16S, com atracação registrada em 24/06/2010 00:49. Os documentos eletrônicos de transporte que ampararam a chegada da embarcação para a carga são Escala 10000195810, Manifesto Eletrônico 1510501136996, Conhecimento Eletrônico Máster MBL CE 151005093284980 e Conhecimento Eletrônico Agregado HBL CE 151005098888760. Para o caso concreto em análise, a perda de prazo se deu pela inclusão do conhecimento eletrônico house em referência em tempo inferior a quarenta e oito horas anteriores ao registro da atracação no porto de destino do conhecimento genérico. Destaque-se ainda que o Conhecimento Eletrônico Máster MBL CE 151005093284980 foi incluído em 14/6/2010 13:24, momento a partir do qual se tornou possível o registro do conhecimento eletrônico agregado. RESPONSÁVEL PELA INFRAÇÃO NO CASO Examinada a documentação juntada aos autos, especialmente os extratos com o registro da conclusão da desconsolidação, verifica-se que figura como agente de carga transportador/representante do NVOCC embarcador, para o Conhecimento Eletrônico Agregado HBL CE 151005098888760, a empresa SCHENKER DO BRASIL TRANSPORTES INTERNACIONAIS LTDA, CNPJ Nº 43823079000163. Nos termos das normas de procedimentos em vigor, a empresa supra é considerada responsável para efeitos legais e fiscais pela apresentação dos dados e informações eletrônicas na forma e no prazo estabelecidos pela Receita Federal do Brasil - RFB. [...] III. CONCLUSÃO Feita toda a análise jurídica, constitui a autoridade o presente crédito fiscal, em cumprimento ao disposto no "caput" do artigo 142 da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional) e no uso das atribuições do cargo de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 197DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3001-002.309 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.729667/2014-81 Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fato Gerador Valor 09/06/2010 R$ 5.000,00 22/06/2010 R$ 5.000,00 Cientificada da autuação, a ora Recorrente apresentou impugnação (às fls. 51/78), na qual alegou, em suma: (1) que as informações foram efetivamente prestadas; (2) que a autuação caracteriza ofensa aos princípios da Proporcionalidade, da Isonomia, do Não Confisco e da Razoabilidade; (3) a inexistência da tipificação da penalidade aplicada; (4) que a autuação caracteriza ofensa ao princípio da Motivação; (5) que no caso concreto estaria caracterizada a denúncia espontânea; e (6) que o atraso na prestação da informação ocorreu em virtude de caso fortuito (antecipação da atracação). Ao apreciar a impugnação (acórdão n o 08-39.255, às fls. 114/124), a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE), por unanimidade de votos, acordou em julgá-la IMPROCEDENTE, mantendo integralmente a exigência fiscal. Em síntese, foram estas as razões de decidir do colegiado a quo: 1) Acerca da alegação de ofensa a princípios constitucionais, decidiu-se o seguinte: “uma vez constatada a ocorrência do fato típico previsto na hipótese de incidência legalmente estabelecida, a norma deve ser aplicada, pois a atuação dos servidores públicos é pautada pelo princípio da legalidade estrita. Sendo assim, por incompetência desta turma, não se aprecia as alegações de ofensa aos princípios constitucionais ou de ilegalidade das normas relativas ao Siscomex Carga, devendo ser aqui examinada somente sua correta aplicação pela autoridade fiscal”; 2) Sobre a ocorrência da denúncia espontânea, o entendimento da decisão de piso foi de que: “apesar de as infrações de natureza administrativa em geral também se beneficiarem do instituto da denúncia espontânea, tal benefício ocorre somente quando não se tratar de obrigações acessórias sujeitas a prazo certo, cujo prejuízo devido à intempestividade no seu cumprimento torna-se irreparável”; 3) Quanto à alegação de que autuação não apresentaria motivação adequada, a decisão consigna que: “na descrição dos fatos constam o CE objeto da autuação, a data em que ele foi informado e a data da atracação do navio. Estas informações são suficientes para comprovar o descumprimento do prazo de 48h previsto no art. 22, inc. III da Instrução Normativa RFB nº 800, de 2007, também citado no auto de infração”; 4) Acerca da inexistência da tipificação da penalidade aplicada, decidiu-se o seguinte: "no caso em análise, resta configurada a materialidade da infração e incidência da norma, pois somente depois de esgotado o prazo mínimo de 48 h que antecede à atracação do navio, conforme descrito no auto de infração e relatado neste acórdão, o agente de carga informou Fl. 198DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3001-002.309 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.729667/2014-81 o(s) CE agregado(s) relativo(s) à carga desconsolidada, sem fato que justificasse tal(is) atraso(s)”; 5) No que tange ao argumento de que as informações foram prestadas, destacam-se os seguintes excertos da decisão: “observa-se que a autuação não foi motivada pela falta de informação, e sim pela sua prestação fora do prazo determinado pela RFB no art. 22, inc. III e IV da Instrução Normativa RFB nº 800/2007, conforme autorização legal. Em outras palavras, a infração ocorreu devido a mero atraso das informações (MHBL ou HBL) sobre a desconsolidação da carga, independente de dolo ou culpa do próprio desconsolidador ou de terceiro (existe excludente de penalidade por culpa do armador que não se aplica ao caso em análise)”. Inconformada com a decisão de piso, a ora Recorrente apresenta Recurso Voluntário (fls. 134/156), no qual sustenta, em caráter preliminar, (1) a nulidade do auto de infração em virtude da aplicação de mais de uma multa em relação a um único veículo transportador e de mais de uma multa na mesma autuação; e (2) a insubsistência do auto de infração em razão de tutela antecipada concedida no âmbito de ação judicial ajuizada pela Associação Nacional das Empresas Transitárias, Agentes de Cargas Aérea, Comissária de Despachos e Operadores Intermodais (ACTC) – processo judicial nº 0005238- 86.2015.4.03.6100. No mérito, (3) argumenta que as informações foram efetivamente prestadas; (4) defende a inexistência da tipificação da penalidade aplicada; (5) expõe a tese de que a autuação incorreu em ofensa ao princípio da Motivação; (6) argumenta que estaria caracterizada a denúncia espontânea; e, por fim, (7) defende que não houve dano ao erário. Dando-se prosseguimento ao feito, o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro João José Schini Norbiato, Relator. 1. Da competência para julgamento do feito Em virtude da norma contida no artigo 23-B do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, a qual aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, este colegiado é competente para apreciar este feito. Fl. 199DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3001-002.309 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.729667/2014-81 2. Do conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Posto isso, passo à análise das razões de recurso na sequência e sob os títulos dados pela Recorrente. 3. Das preliminares 3.1. Nulidade do Auto de Infração A Recorrente inicia suas razões de recurso suscitando, como questão preliminar, a nulidade do auto de infração objeto deste processo. Argumenta que, em uma recente decisão, a DRJ São Paulo aplicou a Solução de Consulta Cosit nº 8/08 a caso análogo ao tratado nestes autos, determinando a impossibilidade da aplicação de mais de uma multa em relação a um único veículo transportador. Assevera que equivocou-se a câmara baixa ao decidir com base na Solução de Consulta Interna Cosit nº 2, de 4/2/2016, pois esta se aplicaria apenas a pedidos de retificação. Acrescenta que a lei é clara ao dispor que a administração deve autuar apenas uma multa de R$ 5.000,00 por navio, conforme art. 729 do Regulamento Aduaneiro. No mais, a Recorrente defende que “autuação fiscal jamais poderia ter agrupado 11 MULTAS NO MESMO AUTO DE INFRAÇÃO, OCORRIDAS EM DATAS E NAVIOS DIFERENTES, INCLUSIVE COM INTERVENIENTES DIFERENTES NO PROCESSO DE IMPORTAÇÃO, JÁ QUE SE TRATAM DE ARMADORES TRANSPORTADORES DIFERENTES”; que isso contraria o disposto no art. 9º do Decreto nº 70.235/1972, ferindo a determinação de individualização das condutas e o seu direito ao contraditório e à ampla defesa. Pois bem. A começar por este último argumento, cumpre registrar que, compulsando o auto de infração, não se observa qualquer prejuízo à “individualização das condutas”. A descrição dos fatos é clara ao atribuir uma multa distinta para cada uma das ocorrências que a autoridade fiscal reputa ser um descumprimento de prazos passível de penalidade. No mais, no auto de infração há a indicação de 02 (duas) ocorrências envolvendo o mesmo tipo de infração; não onze, como ressalta a Recorrente. O que o art. 9º do Decreto nº 70.235/72 busca, ao determinar que “a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade”, é impedir que em um mesmo auto sejam exigidos diferentes tributos ou aplicadas diferentes penalidades, devido ao risco de que a junção de penalidades com naturezas distintas ou de tributos com regras matrizes de incidência diferentes possa comprometer a compreensão da exigência imposta. No caso concreto, não se observa nenhum prejuízo, já que a exigência fiscal refere-se a penalidade circunscrita a um único enquadramento legal e a descrição dos fatos contida no auto de infração (às fls. 22/24 dos autos, cujo teor já fora reproduzido no relatório deste acórdão) é suficientemente completa e descreve de maneira detalhada os eventos que ensejaram a sua aplicação. Fl. 200DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3001-002.309 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.729667/2014-81 In casu, a unidade do auto de infração é apenas formal. Em termos materiais, o auto descreve as infrações de modo autônomo (ocorrência por ocorrência), com a descrição dos fatos, do sujeito ativo da infração (passivo da penalidade) e da multa correspondente. Tanto é assim, que permitiu à Recorrente suscitar uma ampla discussão acerca do mérito em sua impugnação e no presente Recurso, algo incompatível com a tese de cerceamento do direito de defesa. Acerca do argumento de que, com base na Solução de Consulta Interna Cosit nº 8, de 14/02/2008, haveria vedação à aplicação de mais de uma multa em relação a um mesmo veículo transportador, entendo que também não assiste razão à Recorrente. Vejamos o que diz a ementa da mencionada SCI, in verbis: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS DESPACHO DE EXPORTAÇÃO. MULTA POR EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. REGISTRO NO SISCOMEX DOS DADOS APÓS O PRAZO. Aplica-se a retroatividade benigna prevista na alínea “b” do inciso II do art. 106 do CTN, pelo não registro no Siscomex dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria no prazo previsto no art. 37 da IN SRF nº 28, de 1994, em face da nova redação dada a este dispositivo pela IN SRF nº 510, de 2005. Para as infrações cometidas a partir de 31 de dezembro de 2003, a multa a ser aplicada na hipótese de o transportador não informar, no Siscomex, os dados relativos aos embarques de exportação na forma e nos prazos estabelecidos no art. 37 da IN SRF nº 28, de 1994, é a que se refere à alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decreto-lei nº 37, de 1966, com a redação dada pela Lei no 10.833, de 2003. Deve ser aplicada ao transportador uma única multa de R$ 5.000,00, por se tratar de uma única infração. (grifos nossos) De plano, é possível constatar que esta SCI aborda especificamente o registro de dados relativos ao embarque de exportação, na forma e nos prazos estabelecidos no art. 37 da IN SRF nº 28, de 1994, situação que não guarda relação com os fatos discutidos no presente processo. O fato dessa SCI tratar da multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea ‘e’, do Decreto- lei nº 37/1966 não implica a sua aplicabilidade a todas as hipóteses em que é possível a incidência da referida penalidade. É preciso destacar que as soluções de consulta se prestam a abordar assuntos específicos e sua força vinculante no âmbito da RFB está adstrita às hipóteses por elas abrangidas (art. 33 da IN RFB nº 2058, de 09 de dezembro de 2021). Ademais, se não é permitido aos órgãos julgadores afastarem a aplicação de normas tributárias sob o argumento de inconstitucionalidade (Súmula CARF nº. 2), muito menos lhes é facultado fazê-lo com base em analogia. Nessa esteira, perfilho o mesmo entendimento da decisão recorrida de que, no caso concreto, o lançamento é respaldado pela Solução de Consulta Interna Cosit nº 2, de 4/2/2016, já que a multa foi aplicada devido à prestação de informações sobre a desconsolidação de cargas provenientes do exterior (importação) em desacordo com o prazo estabelecido na IN RFB nº 800/2007. Eis a ementa desta SCI: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. CONTROLE ADUANEIRO DAS IMPORTAÇÕES. INFRAÇÃO. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVO-TRIBUTÁRIA. Fl. 201DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3001-002.309 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.729667/2014-81 A multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas “e” e “f” do Decreto-Lei nº37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº10.833, de 29 de dezembro de 2003, é aplicável para cada informação não prestada ou prestada em desacordo com a forma ou prazo estabelecidos na Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. Dispositivos Legais: Decreto-Lei nº37, de 18 de novembro de 1966; Instrução Normativa RFB nº800, de 27 de dezembro de 2007. Há que se dizer que esta SCI não trata apenas da aplicabilidade ou não da multa em questão aos pedidos de retificação de informações. Conforme pode ser observado em sua ementa, o objeto dessa solução de consulta são as hipóteses de aplicação da multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas “e” e “f”, do Decreto-Lei nº 37 pela não prestação ou pela prestação em desacordo com a forma ou prazo estabelecidos na IN RFB nº 800/2007 de informações destinadas ao controle aduaneiro das importações de forma geral. Tanto é que em sua fundamentação está consignado que: Assim, depreende-se dos dispositivos transcritos que a multa deve ser exigida para cada informação que se tenha deixado de apresentar na forma e no prazo estabelecidos na IN RFB 800, de 2007. Deve-se ponderar que cada informação que se deixa de prestar na forma e no prazo estabelecido torna mais vulnerável o controle aduaneiro Como, in casu, tem-se a autuação pela prestação intempestiva de informações referentes à desconsolidação de cargas na importação, destaquemos a seguir quais são essas informações e quem são os responsáveis por prestá-las segundo os arts. 17 e 18 da IN RFB nº 800/2007: Art. 17. A informação da desconsolidação da carga manifestada compreende: I - a identificação do CE como genérico, pela informação da quantidade de seus conhecimentos agregados; e II - a inclusão de todos os seus conhecimentos eletrônicos agregados. Art. 18. A desconsolidação será informada pelo agente de carga que constar como consignatário do CE genérico ou por seu representante. § 1o O agente de carga poderá preparar antecipadamente a informação da desconsolidação, antes da identificação do CE como genérico, mediante a prestação da informação dos respectivos conhecimentos agregados em um manifesto eletrônico provisório. Vê-se que a desconsolidação envolve não só a prestação de informações quanto ao conhecimento genérico (Master Bill of Lading - MBL) como também a inclusão de todos os conhecimentos agregados/filhotes (House Bill of Lading – HBL). Logo, conclui-se que a inclusão de cada conhecimento agregado constitui uma informação distinta. Assim, a cada informação destas que é prestada de forma intempestiva, é cabível a aplicação de uma penalidade distinta. No caso concreto, mais de uma informação não foi prestada dentro do prazo, e sobre cada uma destas foi cobrada a multa correspondente. Se prevalecesse o entendimento de que a penalidade só poderia ser aplicada uma única vez por navio/viagem, bastaria a incidência da multa em relação a um dos intervenientes que atuaram nesse transporte (e que descumpriu o prazo para a prestação de informações) para Fl. 202DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 3001-002.309 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.729667/2014-81 que todos os demais, na mesma situação, se sentissem desobrigados a prestar as informações a seu encargo dentro do prazo estabelecido. Ou ainda, se um agente de cargas responsável pela prestação de informações sobre várias cargas distintas relacionadas a uma desconsolidação (diversos CEs agregados, por exemplo), só pudesse ser apenado uma única vez, ao perder o prazo para prestar a informação sobre uma dessas cargas, não veria urgência para informar as demais, já que a penalidade seria a mesma. Se assim fosse, criar-se-ia uma situação esdrúxula, em que se penalizaria na mesma medida sujeitos em situações distintas, ou, pior ainda, penalizar-se-ia uns em detrimento de outros. Além disso, a eficácia da norma que criou a mencionada obrigação praticamente se perderia, o que seria um prejuízo não só para a Aduana, mas também aos contribuintes, pelo provável aumento do tempo de despacho e dos gastos com armazenagem. Vale lembrar que a desconsolidação tem como objetivo prático principal identificar o real adquirente das mercadorias importadas, fornecendo informações importantes para a identificação de eventuais declarações falsas de carga. Trata-se de informação que antecede o início do procedimento de despacho aduaneiro, servindo de valioso insumo para a análise das cargas. Nesse ponto, apresenta uma diferença fundamental em relação à informação dos dados de embarque na exportação, que, em geral, são prestados após a conclusão do despacho. No que tange a um possível desrespeito ao art. 729 do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.759/2009), cabe registrar que tal dispositivo trata de infração que envolve contexto fático diverso do abordado neste processo e, portanto, não se aplica a ele. Por fim, quanto ao citado acórdão da colenda 23ª Turma da DRJ São Paulo, não obstante o devido respeito que tal decisão merece, é fato que, por não se tratar de jurisprudência de caráter vinculante, seus efeitos não se estendem genericamente para além das partes envolvidas no processo administrativo a que diz respeito e, por conseguinte, não vinculam as decisões das turmas deste Conselho. Portanto, julgo improcedentes os argumentos de que, no caso concreto, a multa deveria ter sido aplicada uma única vez por veículo transportador ou de que em um único auto de infração (unidade formal) só poderia ter sido aplicada uma única penalidade, razão pela qual voto por rejeitar a preliminar suscitada pela Recorrente. 3.2. Insubsistência do Auto por Decisão Judicial Como segunda questão preliminar, a Recorrente defende a tese de que o auto de infração de que trata esse processo seria nulo em razão da antecipação de tutela concedida no processo judicial nº 0005238-86.2015.4.03.6100, no qual figura como requerente a Associação Nacional das Empresas Transitárias, Agentes de Carga Aérea, Comissárias de Despachos e Operadores Intermodais (ACTC). Fl. 203DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 3001-002.309 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.729667/2014-81 Alega que, em razão dessa decisão, a Fazenda Nacional estaria impedida de exigir a penalidade (multa prevista no artigo 107, inciso IV, alínea ‘e’, do Decreto-lei nº 37/1966) sempre que os associados da ACTC tenham prestado ou retificado informações durante o exercício de seu direito de denúncia espontânea. Por fim, conclui que “a lavratura do auto de infração em comento é indevida, já que vai de encontro com a decisão judicial referida [...], razão pela qual deve ser anulada”. Posto o argumento, é preciso dizer, em primeiro lugar, que consultando os autos constata-se que o auto de infração foi lavrado em 22/12/2014 (fls. 21), já a decisão que concedeu a antecipação de tutela no processo judicial nº 0005238-86.2015.4.03.6100 foi proferida em 07/08/2015 (fls. 160). Portanto, é inadequado dizer que a lavratura do auto de infração é indevida por contrariar a decisão judicial, já que o auto foi lavrado praticamente 08 (oito) meses antes que fosse proferida a referida decisão. Mas ainda que o auto de infração tivesse sido lavrado após a concessão da antecipação de tutela em questão, tal fato não implicaria sua nulidade, uma vez que a referida decisão (fls. 157/160) não vedou a possibilidade de autuação. Isso pode ser confirmado pela simples leitura de seu dispositivo: Ante o exposto, defiro parcialmente a antecipação da tutela para determinar que a Ré se abstenha de exigir das associadas da Autora as penalidades em discussão nestes autos, independentemente do depósito judicial, sempre que as empresas tenham prestado ou retificado as informações no exercício de seu legítimo direito de denúncia espontânea, nos termos do artigo 102 do Decreto-lei 37/66. (grifo nosso) Verifica-se que essa antecipação de tutela impossibilita que a Fazenda Nacional exija o crédito tributário decorrente da multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea ‘e’, do Decreto-lei nº 37/1966 nas condições que ela especifica, mas não impede que o auto de infração seja lavrado. Explico: Por se tratar de uma tutela provisória, essa decisão enquadra-se na hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário prevista no art. 151, V, do Código Tributário Nacional. Todavia, em absoluto, trata-se de uma vedação ao lançamento. Como sabemos, o lançamento não acarreta a necessária e imediata exigência do crédito tributário. Vale lembrar que as hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário são, antes de tudo, restrições ao direito de a Fazenda promover a cobrança e a execução judicial do crédito. Em sentido oposto, podem ser encaradas como uma garantia para o contribuinte de que, em sua vigência, a Administração não poderá propor a execução judicial ou nela prosseguir, se já proposta. Ao se constatar que não se está diante de uma delas, abre-se espaço para a exigência da obrigação tributária imediatamente. Outro aspecto a considerar é que, dada à sucessão lógica de eventos tributários, o habitual é que primeiro ocorra a constituição do crédito (por meio do lançamento tributário e da notificação ao sujeito passivo) para que então venha-se a vislumbrar uma das hipóteses de suspensão de sua exigibilidade. A doutrina, no entanto, aponta situações em que a “suspensão” da exigibilidade pode ocorrer antes mesmo que o lançamento seja efetuado. Nesse sentido, Ricardo Alexandre 1 ensina que: 1 ALEXANDRE, Ricardo. Direito tributário. 15. ed. Salvador: Ed. JusPodivm, 2021. p. 503 Fl. 204DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 3001-002.309 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.729667/2014-81 Outro ponto digno de nota é que as causas de suspensão do crédito tributário não operam apenas nos casos em que o lançamento já foi efetuado. É possível, por exemplo, que seja concedida uma liminar em mandado de segurança mesmo antes da constituição do crédito. Nesse caso, a jurisprudência tem afirmado que a autoridade fiscal não fica impedida de realizar o lançamento, pois o que a liminar suspende é a exigibilidade do crédito e não a possibilidade de constituí-lo. Assim, o crédito pode (e deve) ser constituído, mas sem estipulação de prazo para pagamento e sem imposição de penalidade, devendo-se apor, ao final do documento que instrumentaliza, o lançamento, a expressão "suspenso por medida judicial". (grifo nosso) Esse entendimento, inclusive, encontra-se positivado no art. 63 da lei nº 9.430/1996: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplica-se, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. (Vide Medida Provisória nº 75, de 2002) § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. (Vide Medida Provisória nº 75, de 2002) (grifo nosso) Portanto, ainda que presente uma causa de suspensão da exigibilidade, quando da ocorrência de um fato jurídico tributário, a autoridade tem o dever de constituir o crédito correspondente, sob pena de responsabilidade civil, criminal e administrativa (art. 142, parágrafo único, CTN). Trata-se de uma atividade obrigatória e vinculada, tendo em vista a indisponibilidade do crédito tributário e a obrigatoriedade legal de se efetuar o lançamento tributário com vistas à prevenção da decadência. Nessa fase (pré-constituição do crédito), o prazo que passa a fluir é o decadencial. Esvaindo-se este prazo, caduca o direito ao crédito tributário e, mais que isso, ocorre a sua extinção, nos termos do inciso V do art. 156 do CTN. Assim, ainda que haja uma controvérsia judicial acerca da exigência tributária, não há um impeditivo à constituição do crédito, principalmente quando o prazo decadencial está correndo e não se tem ainda uma decisão definitiva sobre a lide (no caso concreto, tem-se uma tutela provisória). Impedir que, na pendência de uma decisão definitiva, o lançamento fosse realizado, poderia tornar inviável o direito de a Fazenda futuramente exigir o crédito, caso, ao final da lide, a decisão lhe fosse favorável, pois, repita-se, o prazo decadencial está correndo até que o lançamento seja efetuado. Aliás, até por isso, o habitual é que as decisões judiciais, enquanto não haja o trânsito em julgado, não obstem a realização do lançamento. No mais, é lógico que, em ocorrendo o trânsito em julgado a favor da Recorrente, deverá a Fazenda Nacional não só se abster de exigir o crédito tributário, nos termos em que Fl. 205DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 3001-002.309 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.729667/2014-81 dispuser a decisão, como também deverá extinguir os créditos já lançados e que estejam em desacordo com ela. Logo, não bastasse o fato de o auto de infração ter sido lavrado antes da concessão da tutela provisória, o que por si só já seria motivo para não se cogitar de sua nulidade, a decisão judicial, no caso concreto, não impede a realização do lançamento, não havendo assim que se falar da nulidade do auto também por esse motivo. Nesses termos, voto por rejeitar a preliminar suscitada pela Recorrente. 4. Do mérito 4.1. Das informações efetivamente prestadas Neste tópico de sua peça recursal, a ora Recorrente argumenta que “a [...] autuação teria fundamento em suposta ‘NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES’, mas [que] referida alegação não se sustenta”. Destaca que “se as informações não tivessem sido prestadas na forma e no prazo estabelecidos pela própria Receita Federal, conforme alegado, não poderiam ser efetuadas quaisquer operações de carga e descarga, conforme Art. 37, § 2º, do Decreto-Lei 37/66”. Posto isso, tenho que dizer que discordo dessas alegações. Primeiro, porque a multa objeto desses autos é aplicável não só quando as informações não são prestadas, mas também quando elas são prestadas em desacordo com a forma e/ou fora dos prazos estabelecidos em norma editada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Segundo, que, verificando a descrição dos fatos contida no auto de infração, constata-se facilmente que a infração ocorreu devido à prestação extemporânea das informações (isso pode ser confirmado a partir dos excertos contidos no relatório deste acórdão). Logicamente, após a informação ter sido prestada (ainda que de forma intempestiva), a vedação prevista no § 2º do art. 37 do Decreto-Lei nº 37/1966 deixou de existir. A fim de analisar mais detidamente o que levou à autuação no caso concreto, vejamos a disposição legal que tipifica a infração e que comina a sanção aplicada à Recorrente, in verbis: Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) [...] IV - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) [...] e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta, ou ao agente de carga; e (grifo nosso) Fl. 206DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 3001-002.309 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.729667/2014-81 A partir da leitura desse dispositivo, conclui-se que a referida multa serve para sancionar aquele que, obrigado a prestar informações sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, deixa de prestá-las na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Assim, se o responsável pela prestação da informação o faz de modo intempestivo, estará sujeito à referida multa. Sobre a responsabilidade pela prestação das informações referentes ao transporte internacional de carga, assim dispõe o art. 37, caput e § 1º, do Decreto-Lei nº 37/1966: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (grifo nosso) Com o fito de estabelecer a forma e os prazos para a prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que os transportadores e agentes de cargas executem, a Secretaria da Receita Federal do Brasil editou a Instrução Normativa RFB nº 800/2007, cujas disposições que interessam para a análise desta lide reproduzo a seguir: INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB Nº 800, DE 27 DE DEZEMBRO DE 2007 Dispõe sobre o controle aduaneiro informatizado da movimentação de embarcações, cargas e unidades de carga nos portos alfandegados. Art. 1º O controle de entrada e saída de embarcações e de movimentação de cargas e unidades de carga em portos alfandegados obedecerá ao disposto nesta Instrução Normativa e será processado mediante o módulo de controle de carga aquaviária do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), denominado Siscomex Carga. Parágrafo único. As informações necessárias aos controles referidos no caput serão prestadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) pelos intervenientes, conforme estabelecido nesta Instrução Normativa, mediante o uso de certificação digital: [...] Art. 2º Para os efeitos desta Instrução Normativa define-se como: [...] § 1º Para os fins de que trata esta Instrução Normativa: [...] IV - o transportador classifica-se em: [...] d) desconsolidador, no caso de transportador não enquadrado nas alíenas "a" e "b" , responsável pela desconsolidação da carga no destino; e Fl. 207DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 3001-002.309 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.729667/2014-81 e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional; [...] Art. 3º O consolidador estrangeiro é representado no País por agente de carga. Parágrafo único. O consolidador estrangeiro é também chamado de Non-Vessel Operating Common Carrier (NVOCC). Art. 4º A empresa de navegação é representada no País por agência de navegação, também denominada agência marítima. § 1 º Entende-se por agência de navegação a pessoa jurídica nacional que represente a empresa de navegação em um ou mais portos no País. § 2 º A representação é obrigatória para o transportador estrangeiro. § 3 º Um transportador poderá ser representado por mais de uma agência de navegação, a qual poderá representar mais de um transportador. Art. 5º As referências nesta Instrução Normativa a transportador abrangem a sua representação por agência de navegação ou por agente de carga. [...] Art. 6º O transportador deverá prestar à RFB informações sobre o veículo e as cargas nacional, estrangeira e de passagem nele transportadas, para cada escala da embarcação em porto alfandegado. [...] Art. 10. A informação da carga transportada no veículo compreende: I - a informação do manifesto eletrônico; II - a vinculação do manifesto eletrônico a escala; III - a informação dos conhecimentos eletrônicos; IV - a informação da desconsolidação; e [...] Art. 13. A informação do CE compreende os dados básicos e os correspondentes itens de carga, conforme relação constante dos Anexos III e IV, e deverá ser prestada pela empresa de navegação que emitiu o manifesto ou por agência de navegação que a represente. § 1o O CE somente será considerado informado quando seus dados básicos e pelo menos um de seus itens de carga tiverem sido registrados no sistema. [...] Art. 17. A informação da desconsolidação da carga manifestada compreende: I - a identificação do CE como genérico, pela informação da quantidade de seus conhecimentos agregados; e II - a inclusão de todos os seus conhecimentos eletrônicos agregados. Fl. 208DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 3001-002.309 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.729667/2014-81 Art. 18. A desconsolidação será informada pelo agente de carga que constar como consignatário do CE genérico ou por seu representante. § 1o O agente de carga poderá preparar antecipadamente a informação da desconsolidação, antes da identificação do CE como genérico, mediante a prestação da informação dos respectivos conhecimentos agregados em um manifesto eletrônico provisório. [...] Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: [...] II - as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: [...] d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a descarregar em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e III - as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. § 1º Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. (grifo nosso) Estabelecidas as informações a serem prestadas, os responsáveis pela sua prestação e o prazo para prestá-las, percebe-se que os fatos apontados pela autoridade fiscal como ensejadores da aplicação da penalidade discutida nestes autos subsomem-se perfeitamente às previsões normativas supra mencionadas. Vejamos: 1) OCORRÊNCIA Nº 001 - DATA DE REFERÊNCIA 09/06/2010 De acordo com o auto de infração, a Recorrente “concluiu a desconsolidação relativa ao Conhecimento Eletrônico Sub-Máster MHBL CE 151005089909440 a destempo em 9/6/2010 09:27, segundo o prazo previamente estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB, com o registro extemporâneo do Conhecimento Eletrônico Agregado HBL CE 151005090081329”. Da análise da documentação acostada aos autos, confirma-se que a desconsolidação do Conhecimento Eletrônico (CE) MHBL 151005089909440 (fls. 08/09), a partir do registro do conhecimento HBL nº 151005090081329 (fls. 10/11). foi realizada de forma extemporânea, ou seja, fora do prazo estabelecido na IN nº 800/2007, já que o registro do CE HBL ocorreu em 09/06/2010, às 09:27:03h, e a atracação da embarcação, segundo as informações da escala nº 10000183218 (fls. 04/07), aconteceu em 11/06/2010, às 02:50:00h, portanto, extrapolando o prazo mínimo de até 48 horas antes da chegada da embarcação. Fl. 209DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 3001-002.309 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.729667/2014-81 2) OCORRÊNCIA Nº 002 - DATA DE REFERÊNCIA 22/06/2010 Segundo o auto de infração, a Recorrente “concluiu a desconsolidação relativa ao Conhecimento Eletrônico Máster MBL CE 151005093284980 a destempo em 22/6/2010 20:32, segundo o prazo previamente estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB, com o registro extemporâneo do Conhecimento Eletrônico Agregado HBL CE 151005098888760”. Da análise da documentação acostada aos autos, confirma-se que a desconsolidação do Conhecimento Eletrônico (CE) MBL 151005093284980 (fls. 16/17), a partir do registro do conhecimento HBL nº 151005098888760 (fls. 18/19), foi realizada de forma extemporânea, ou seja, fora do prazo estabelecido na IN nº 800/2007, já que o registro do CE HBL ocorreu em 22/06/2010, às 20:32:12h, e a atracação da embarcação, segundo as informações da escala nº 10000195810 (fls. 13/15), aconteceu em 24/06/2010, às 00:49:00h, portanto, extrapolando o prazo mínimo de até 48 horas antes da chegada da embarcação. Logo, não procede o argumento da Recorrente. Pela documentação juntada aos autos, está claro que ela, na qualidade de agente de cargas, prestou informação sobre desconsolidação fora do prazo legal, dando ensejo à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso IV, alínea ‘e’, do Decreto-lei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/2003. Diante do exposto, voto por negar provimento neste particular. 4.2. Da Inexistência de Tipificação da Penalidade A Recorrente assevera que “a conduta descrita na norma como subsumível à hipótese de autuação é a NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO”. Afirma que “resta comprovado que a autuação modificou ilegalmente os efeitos da não prestação de informações, o que é absolutamente equivocado” e argumenta que “a penalidade imposta pelo poder público não admite o recurso à analogia, nem a interpretação extensiva, pois as suas disposições aplicam-se no sentido rigoroso, estrito”. A partir do que fora tratado em itens anteriores deste voto, conclui-se que tal argumento não procede, pois a tipificação da infração pelo art. 107, inciso IV, alínea ‘e’, do Decreto-lei nº 37/1966, prevê sua ocorrência não apenas por deixar de prestar informações, mas também por prestá-las fora dos prazos estabelecidos em norma editada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Além da tipificação, também a tipicidade ficou demonstrada no caso concreto, já que a Recorrente, na qualidade de agente de cargas, deixou de prestar informações sobre a desconsolidação de cargas no prazo fixado em norma. Logo, verifica-se que a autuação não recorreu à analogia ou mesmo à interpretação extensiva da norma para enquadrar a situação fática ao tipo penal, visto que na Fl. 210DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 3001-002.309 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.729667/2014-81 descrição dos fatos contida no auto de infração e na documentação acostada aos autos está demonstrada a ocorrência de fato que se coaduna com a infração descrita no art. 107, inciso IV, alínea ‘e’, do Decreto-lei nº 37/1966. Ademais, a referência que a Recorrente faz ao disposto no art. 107, IV, ‘c’, do Decreto-lei nº 37/66, para defender que a norma busca punir quem embaraça a fiscalização com dolo especifico, é improcedente, já que a infração prevista na alínea ‘c’ (embaraço à fiscalização) não se confunde com a estabelecida na alínea ‘e’ (não prestar informações no prazo). Embora deixar de prestar informações de interesse fiscal dentro do prazo fixado em norma, invariavelmente, constitua um embaraço à fiscalização, tal conduta, por específica que é, se enquadra na previsão contida na alínea ‘e’ (que fora imputada à Recorrente no auto de infração) e não na previsão genérica da alínea ‘c’ do inciso IV do art. 107 do Decreto-lei nº 37/66. O fato é que tanto o embaraço à fiscalização quanto a não prestação de informações no prazo são infrações que prescindem de culpa em sentido amplo. Basta que da ação ou omissão do sujeito decorra o fato típico para que a infração esteja configurada. Isso pode ser facilmente constatado a partir da leitura do art. 94 do Decreto-Lei nº 37/1966, cujo teor reproduzo abaixo: Art.94 - Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decreto-Lei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completá-los. § 1º - O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que estejam autorizadas ou previstas em lei. § 2º - Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Portanto, no sentido dessas normas, os termos ação e omissão (destacados pela Recorrente quando pugna pela imprescindibilidade de dolo para a ocorrência da infração), estão ligados à conduta (omissiva ou comissiva) que gera (pelo nexo causal) a infração, e não à vontade (dolo) ou à culpa, em sentido estrito, do agente. Como o art. 94 deixa claro, a infração estará configurada quando a conduta, seja ela voluntária ou involuntária, importe inobservância da norma. A Recorrente ainda alega que “a norma pretende punir a quem embarace, dificulte ou impeça ação de fiscalização”. Sobre isso é preciso dizer que a norma contida no artigo 107, inciso IV, alínea ‘e’, do Decreto-lei nº 37/66 não exige nenhum resultado naturalístico para a ocorrência da infração. É inegável, todavia, a necessidade que as informações sobre o veículos e cargas sejam prestadas no prazo estabelecido em norma, pois é a partir delas que a Aduana define o tratamento a ser adotado a cada caso, de forma a racionalizar procedimentos e agilizar o despacho aduaneiro. O objetivo principal dessa obrigação é o controle aduaneiro. Logo, a informação tempestiva interessa à administração tributária, pois possibilita que se constatem infrações como Fl. 211DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 3001-002.309 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.729667/2014-81 o subfaturamento de preços, o erro no enquadramento tarifário e a ausência de recolhimento de direitos antidumping ou compensatório. Assim, embora não seja um requisito para a configuração da infração, o embaraço à fiscalização, devido ao atraso na prestação das informações, acaba sendo uma consequência. Diante do exposto, voto por negar provimento neste particular. 4.3. Da Ofensa ao Princípio da Motivação Neste ponto de sua peça recursal, a Recorrente defende que “é possível concluir que da simples análise do Auto de Infração combatido, o mesmo é carecedor de fundamento que ampare sua existência, portanto, não há qualquer razão que auxilia a existência do mesmo” e que “autoridade aduaneira não conseguiu demonstrar em momento algum que a Recorrente teria deixado de prestar as informações necessárias ao devido controle da Receita Federal do Brasil, conforme preceitua a Instrução Normativa RFB 800/07, posto que não fundamentou adequadamente sua autuação”. Por tudo que já foi tratado neste voto, entendo que tal argumento não se sustenta quando colocado sob o crivo das normas que estabelecem a forma e os prazos para a prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que os transportadores e agentes de cargas executem. Analisando-se o auto de infração (fls. 20/44), vê-se que se trata de uma peça deveras analítica, que contempla não só os pontos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (regra específica quantos aos requisitos para este tipo de ato), como também oferece motivação explícita, clara e congruente para a exigência fiscal nele consubstanciada (de acordo com a determinação insculpida no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/1999). Basta verificar os excertos reproduzidos no relatório deste acórdão e neste voto. Neste sentido, não se observa a alegada ausência de motivação, já que o auto não só demonstra estar de acordo com as regras específicas que regem o processo administrativo fiscal como também se mostra motivado pelos fatos e normas que ele aponta como fundamento para a autuação, estando, assim, também em consonância com a expressão do princípio da motivação contida no art. 2º, parágrafo único, inciso VII, da Lei nº 9.784/1999. Logo, voto por negar provimento neste particular. 4.4. Da Denúncia Espontânea A Recorrente invoca o instituto da denúncia espontânea para afastar a multa pelo cometimento da infração. Argumenta que a “informação supostamente prestada fora de prazo, imputados à Recorrente, a desconsolidação das cargas no Siscomex foi efetuada anos antes da lavratura do auto de infração, corroborando com a determinante aplicação do instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 102 do Decreto-lei 37/66”. Fl. 212DF CARF MF Original Fl. 20 do Acórdão n.º 3001-002.309 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.729667/2014-81 Trata-se de um argumento que, a julgar pelas peculiaridades da infração em análise, não merece guarida. Explico: O objetivo da denúncia espontânea é estimular que o contribuinte informe à Administração Aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa, antes que qualquer medida administrativa seja iniciada, recebendo em troca a exclusão da responsabilidade pela infração confessada. Ocorre que em algumas situações, devido a uma impossibilidade jurídica ou até mesmo fática, a denúncia espontânea mostra-se inaplicável. É justamente esse o caso da infração de que trata o auto de infração, pois prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, é uma obrigação que envolve dois requisitos indissociáveis: a informação e o prazo para prestá-la. Logo, não só a informação deve ser prestada na forma estabelecida, como também é necessário que sua prestação ocorra no prazo estipulado em norma. Assim, ainda que, em momento posterior, o sujeito passivo venha a prestar de forma espontânea a informação, inexoravelmente, a infração já estará consumada, pois, por óbvio, não será mais possível cumprir o prazo e, inevitavelmente, o bem jurídico tutelado, qual seja, o controle aduaneiro, já terá sido colocado em risco, na medida em que a prestação de informações de maneira intempestiva atrapalha o fluxo de trabalho da aduana e prejudica o necessário exame prévio das cargas. Traçando um paralelo com o direito penal, poderíamos, a grosso modo, comparar a denúncia espontânea do direito tributário com os institutos da desistência voluntária e do arrependimento eficaz, próprios daquele ramo do direito. No primeiro, o agente desiste voluntariamente de prosseguir nos atos executórios já iniciados (detém o iter criminis). No segundo, o agente, após encerar os atos executórios de um delito, busca (e consegue) evitar o seu resultado. Em ambos os casos, o agente responde somente pelos atos que já praticou. No entanto, nem todos os tipos de delito comportam a aplicação da desistência voluntária e do arrependimento eficaz. Nos chamados delitos unissubsistentes, não é possível a desistência voluntária, já que a execução destes ocorre em ato único, não havendo possibilidade de fracionamento. Por sua vez, os delitos classificados como formais e de mera conduta (também conhecidos como delitos de atividade), cuja consumação exige apenas a conduta do agente, dispensando-se a ocorrência de um resultado naturalístico, não comportam o arrependimento eficaz, pois não há resultado a ser evitado. Assim é também no caso do descumprimento de prazo para prestação de informações de interesse do controle aduaneiro. Tendo em vista que a consumação da infração independe da ocorrência de um resultado naturalístico (art. 94 c/c art. 107, IV, ‘e’, do Decreto- Lei nº 37/1966) e que uma vez extrapolado o prazo para a prestação das informações a infração já estará consumada, a denúncia espontânea torna-se inviável. Inclusive, na esteira desse entendimento, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou a Súmula CARF nº 126: Súmula CARF nº 126: A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Fl. 213DF CARF MF Original Fl. 21 do Acórdão n.º 3001-002.309 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.729667/2014-81 No mais, os precedentes judiciais e administrativos citados pela Recorrente em sua peça recursal, embora sirvam de fundamento de argumentação, não possuem caráter vinculante por força de Lei. Portanto, seus efeitos não se estendem genericamente a outros casos e não vinculam as decisões das turmas deste Conselho. Tanto é assim que é possível encontrar até mesmo na Câmara Superior de Recursos Fiscais posicionamento pela inaplicabilidade da denúncia espontânea nos casos envolvendo penalidade pelo descumprimento de prazos. A título de exemplo cito o Acórdão nº 9303-003.552, de 26/04/2016, rel. Rodrigo da Costa Pôssas, cuja ementa segue reproduzida: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 07/06/2006 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto- lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado Posto isso, tendo em vista que o caso concreto versa sobre o descumprimento de dever instrumental atinente à prestação tempestiva de informação acerca de veículo e cargas transportados, é plenamente aplicável a Súmula CARF nº 126, cuja observância é obrigatória pelos Conselheiros do CARF, ex vi do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), restando afastado, portanto, o argumento de denúncia espontânea. Nesse sentido, voto por negar provimento neste particular. 4.5. Da Ausência de Dano ao Erário Encerrando suas razões de recurso, a ora Recorrente suscita que da situação descrita no auto de infração (prestação intempestiva de informações acerca de desconsolidações de carga) não decorreu nenhum dano ao erário. Diante disso, conclui que “uma vez que as cargas foram devidamente informadas no sistema e já que a descarga das mercadorias ocorreu sem nenhuma ressalva por parte da fiscalização aduaneira, podemos afirmar que não houve qualquer dano comprovado à fiscalização”. Como já tratado no item 4.2 deste voto, a ocorrência da infração prevista no art. 107, inciso IV, alínea ‘e’, do Decreto-lei nº 37/1966 e a imputação da penalidade por ele cominada depende apenas da subsunção do fato à norma. Assim, se o agente de cargas deixa de prestar, dentro do prazo estabelecido na IN nº 800/2007, as informações acerca das desconsolidações que lhe incumbe realizar, já estará caracterizada a infração; ou seja, a norma não exige nenhum resultado naturalístico para a ocorrência da infração. Fl. 214DF CARF MF Original Fl. 22 do Acórdão n.º 3001-002.309 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.729667/2014-81 De acordo com § 2º do art. 94 do Decreto-lei nº 37/1966, salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Na medida em que a norma que estabelece a infração de que trata esses autos não faz nenhuma ressalva nesse sentido, é de se concluir que a demonstração de dano ao erário não é requisito indispensável para a configuração da responsabilidade por seu cometimento. Portanto, voto por negar provimento neste particular. Conclusão Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares suscitadas pela Recorrente, e, no mérito, por negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) João José Schini Norbiato Fl. 215DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 44021.000157/2007-47
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed May 07 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO - ISENÇÃO DE ENTIDADE - DISCUSSÃO JUDICIAL. - CONTRIBUINTE INDIVIDUAL - PATROCÍNIO - SEGURADO OBRIGATÓRIO - JUROS E MULTA MORATÓRIA SÃO DEVIDOS NO CASO DE INADIMPLÊNCIA DO CONTRIBUINTE.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo.
No que diz respeito aos contratos de patrocínio, apurados pela fiscalização como pagamentos realizados a pessoas físicas e dessa forma, devidas são as contribuições por tratar-se de segurado obrigatório da previdência social.
Da análise dos contratos, anexos ao relatório fiscal, resta demonstrado o vínculo entre o atleta e a empresa. As alegações do recorrente de que os valores de patrocínio eram simplesmente repassados, sem qualquer contraprestação, e ainda, visando o acompanhamento de menores e famílias não é suficiente para afastar a incidência de contribuições sobre os pagamentos realizados.
Nos contratos de patrocínio fica clara a prestação de serviços, enquanto atleta participando de corridas, aparecendo em público representando a instituição, tanto que existiam diversas restrições a possibilidade de participação em eventos sem aparecer com os uniformes determinado pela notificada.
Não tendo o contribuinte recolhido a contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu
inadimplemento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 206-00.783
Decisão: ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo. No que diz respeito aos contratos de patrocínio, apurados pela fiscalização como pagamentos realizados a pessoas fisicas e dessa forma, devidas são as contribuições por tratar-se de segurado obrigatório da previdência social. Da análise dos contratos, anexos ao relatório fiscal, resta demonstrado o vínculo entre o atleta e a empresa. As alegações do recorrente de que os valores de patrocínio eram simplesmente repassados, sem qualquer contraprestação, e ainda, visando o acompanhamento de menores e famílias não é suficiente para afastar a incidência de contribuições sobre os pagamentos realizados. Nos contratos de patrocínio fica clara a prestação de serviços, enquanto atleta participando de corridas, aparecendo em público representando a instituição, tanto que existiam diversas restrições a possibilidade de participação em eventos sem aparecer com os uniformes determinado pela notificada. Não tendo o contribuinte recolhido a contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Recurso Voluntário Negado. q(d2-1 2. C C • VIi-- - Sexta :arriara : e_ • Processo n° 44021.000157/2007-47 CON _ COMO CRIGINAL CCO2/C06 Acórdão n.° 206-00.783 Brat of5 / 4 a? Fls. 383 Mana o- -tema Ferr. O iviatr Slane e51683 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Rogério de Lellis Pinto, Bemadete de Oliveira Barros, Daniel Ayres Kalume Reis, Ana Maria Bandeira, Cleusa Vieira de Souza e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 Processo n° 44021.000157/2007-47 rév: 1":ôIMø - c- ta e amara CCO2/C06 Acórdão n.° 206-00.783 CO4, r€RE Ct" ORIGINAL Fls. 384 Brasona e' Marfa da Fatima Peru. • 1 o Matr. Smpe 75 Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, bem como da parcela relativa aos segurados não descontadas em época própria sobre a remuneração paga aos contribuintes individuais, correspondentes aos pagamentos feitos a pessoas fisicas que lhe prestaram serviço enquanto trabalhadores autônomos diversos e atletas autônomos. O lançamento compreende competências entre o período de janeiro de 2001 a dezembro de 2005, fls.04 a 15; Não conformado com a notificação, a recorrente apresentou impugnação, fls. 163 a 184. Foi exarada a Decisão-Notificação - DN que confirmou a procedência do lançamento, fls. 319 a 326. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 332 a 361, onde, em síntese a recorrente alegou o seguinte: Preliminarmente ser inexigível a comprovação do depósito de 30% do valor da presente autuação fiscal, já que foi concedida liminar nos autos do Mandado de segurança n° 2007.61.00.003372-4; Não ocorreu renúncia ao contencioso administrativo, posto que para sua caracterização é necessária propositura de ação judicial com objeto idêntico ao do processo administrativo; Além da ação judicial que versa sobre a ilegalidade/inconstitucionalidade da contribuição para o SEBRAE ter sido ajuizada antes da lavratura da presente NFLD, o objeto da ação judicial é muito mais abrangente do que desta autuação, haja vista que por meio da ação judicial n° 2003.61.00.014513-2, o recorrente busca o reconhecimento da imunidade tributária à qual faz jus; O primeiro e segundo conselho de Contribuintes, já se manifestaram no sentido de que a propositura de ação antes da lavratura do auto não impede o seu julgamento; O disposto no art. 38 da Lei 6830/80 não estabelece os casos em que a lavratura do lançamento fiscal ocorre após o contribuinte ter ajuizado medida judicial para discutir a exigência de um determinado tributo que considera inconstitucional. Qualquer interpretação diversa da anteriormente apresentada, estará ferindo os princípios constitucionais da ampla defesa e do direito de livre petição aos órgãos públicos; A denúncia a esfera administrativa deve ser expressa, não podendo ser presumida; A recorrente é entidade beneficente, constituída sem quaisquer finalidade lucrativa, prestando serviços de capacitação profissional de forma totalmente gratuita; 3 CAvIri - 3c • • - • ' FERZ OM OaCWInCIVC AL Processo n°44021.000157/2007-47 Bri•-“-.111a. Arg CCO2/C06y Acórdão n.°20640.783 Maria de Fát ima Ferrepi. Fls. 385 Matr Supe 7515E% arv- Caso assim não se entenda, o que se alega só a título de argumentação, ressalta- se que a cobrança do presente lançamento, não poderá ser levado a efeito até o trânsito em julgado da decisão a ser proferida na ação judicial conexa ao feito; A recorrente é entidade beneficente, constituída sem qualquer finalidade lucrativa, prestando serviços de capacitação profissional de forma gratuita; A autoridade fiscal fundamentou o seu ato de lançamento no fato da recorrente não apresentar o certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, conforme o inciso II do art. 55 da Lei 8212/91. No entanto, a NFLD em questão não poderia ter-se baseado na referida lei„ conjuntamente com a legislação que lhe é correlata (decreto n° 2536/98), na medida em que estes veículos normativos eivam-se de inconstitucionalidade formal e material, o que, por via de conseqüência , macula o presente lançamento fiscal; Não bastasse a inconstitucionalidade formal que macula o art. 55 da Lei 8212/91 e o art. 30 do Decreto 2536/98, ao mesmos eivam-se de inconstitucionalidade material; Ressalta-se que todos os argumentos mencionados acima foram levados ao crivo do poder judiciário, por meio da propositura da ação ordinária n° 2003.61.00.014513-2, nos autos da qual, desde 30.05.2003, vigora decisão que suspendeu a exigibilidade dos supostos créditos tributários consubstanciado na NFLD impugnada, com base no art. 155, V do CTN; Em 05.08.2005, foi proferida sentença que julgou improcedente o pedido da ação judicial, cassando a liminar que suspendia a exigibilidade das parcelas vencidas e vincendas; Foi interposto Recurso de Apelação, o qual foi recebido com efeitos suspensivo em 13.10.2005; Mesmo considerando a possibilidade da SRP lançar as contribuições para prevenir a decadência dos tributos cuja exigibilidade está suspensa, não seria cabível a aplicação multa de oficio. Da análise da legislação supramencionada, observa-se que qualquer verba somente integrará a base de cálculo das contribuições previdenciárias se for decorrente da retribuição de um serviço prestado por alguém; Portanto, constata-se que qualquer verba legitimada a integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias deverá necessariamente corresponder a remuneração, estritamente vinculada a um serviço prestado; O recorrente, na consecução de sua atividade social, promove o patrocínio de atletas, oferecendo condições que possibilitam o desenvolvimento, o treinamento, o acompanhamento e o aperfeiçoamento destes para a prática do atletismo e a sua participação em competições nacionais e internacionais em consonância com as disposições constitucionais; O recorrente não contrata qualquer serviço do atleta. Coloca à disposição do atleta contrato de patrocínio, por meio do qual são expostas algumas condições a serem cumpridas para que o incentivo seja concedido; da-- 4 2°C nF - Sexta e arnma CON. COM O RI AI.. • Processo n° 44021.000157/2007-47 fn Bras ("P / 1../ CCO2/C06 Acórdão n.° 206-00.783 It..”,; 1eMana - rima Ferr L,a•ra o Fls. 386 hnz,tr Stape IS16133 A remuneração que é base de cálculo das contribuições previdenciárias é a contraprestação que o contratante paga à pessoa que presta serviços, destinada a retribuir trabalho. No caso em tela, não existe qualquer serviço prestado, portanto não há que se falar em remuneração; Ademais não bastassem todo os óbices já mencionados, os fatos geradores do presente lançamento encontram-se alcançados pela decadência; Inaplicável os entendimentos expostos pela consultoria jurídica do MPAS, tendo em vista que não são suficientes para legitimar as pretensões creditórias levadas a efeito; Ilegal a inclusão dos diretores no pólo passivo da NFLD, visto não estarem presentes as hipóteses descritas no art. 134 e 135 do CTN; Requer: seja julgada iMprocedente a NFLD, com a conseqüente extinção do crédito tributário, e independentemente do acolhimento dos pedidos seja o presidente da empresa imediatamente excluído do pólo passivo da autuação fiscal. A unidade descentralizada da SRP deixou de apresentar suas contra-razões destacando que todas as alegações já foram devidamente analisadas por ocasião do julgamento, e dessa forma, considerando que os argumentos apresentados não merecem acolhimento, adota na integra as razões da DN., fls. 319 a 326. É o Relatório. Voto Conselheira ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: Recurso interposto tempestivamente, não tendo o contribuinte efetuado o depósito para garantia de instância, conforme informação à fl. 165. Passo para o exame do mérito. DO MÉRITO Destaca-se de pronto, que não será conhecido o recurso acerca da imunidade da instituição, tendo em vista o recorrente encontrar-se em processo judicial a respeito da mesma matéria. Nesse sentido dispõe a súmula deste 2° Conselho de Contribuintes: SÚMULA N° 1 "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo." CÉ--- 5 CO2.NCF:tEPR-LticataCCJIC31 Processo n• 44021.000157/2007-47 Brasil 9-5 ( 1 41110 CCO2/036 Acórdão n.° 206-00.783 Mana de r-ama Ferrerrt if Fls. 387 Matr Sua° 75163il'a ° No entanto, será objeto de julgamento os argumentos recursais de assunto diverso do disposto na referida ação judicial, seja ele a contribuição previdenciária sobre pagamento feito a pessoas físicas e atletas profissionais. Com relação aos levantamentos referentes a contribuintes individuais, sejam enquanto autônomos destaca-se que a prestação remunerada de serviços por pessoa fisica à empresa atinge simultaneamente dois contribuintes: a pessoa fisica (prestadora) e a empresa (tomadora). Até a competência abril de 2003, o encargo do recolhimento das contribuições devidas pelos trabalhadores autônomos (enquadrados no RGPS como contribuintes individuais) era do próprio segurado, possuindo a empresa a obrigação apenas em relação a parcela patronal. As contribuições da empresa sobre os serviços prestados por contribuintes individuais, para o período compreendendo as competências maio de 1996 a fevereiro de 2000, é regulada pela Lei Complementar n° 84/1996, nestas palavras: "Art. 1° Para a manutenção da Seguridade Social, ficam instituídas as seguintes contribuições sociais: 1- a cargo das empresas e pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, no valor de quinze por cento do total das remunerações ou retribuições por elas pagas ou creditadas no decorrer do mês, pelos serviços que lhes prestem, sem vínculo empregatício, os segurados empresários, trabalhadores autônomos, avulsos e demais pessoas fisicas; " Já para o período posterior à competência março de 2000, inclusive, às contribuições da empresa sobre a remuneração dos contribuintes individuais é regulada pelo art. 22, III da Lei n° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n° 9.876/1999, nestas palavras: "Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: III (.). - vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Inciso acrescentado pelo art. 1°, da Lei n° 9.876/99 - vigência a partir de 02/03/2000 conforme art. 80 da Lei n°9.876/99)." De acordo com o previsto no § 4° do art. 201 do Regulamento da Previdência Social na redação conferida pelo Decreto n° 4.032/2001: "Art 201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: II - vinte por cento sobre o total das remunerações ou retribuições pagas ou creditadas no decorrer do mês ao segurado contribuinte individual; (Redação alterada pelo Decreto n°3.265/99) ,§* 4°A remuneração paga ou creditada a condutor autônomo de veículo rodoviário, ou ao auxiliar de condutor autônomo de veículo rodoviário, em automóvel cedido em regime de colaboração, nos termos da Lei n° r CC Se :ta CAn•araCONFIE, Dr..; cs • - c;iNAL • Processo n°44021.000157/2007-47 Grassais .92a/ Jafl4 g CCO2/036 Acórdão n.°206-00.783 Mana de F. Ferreer‘k in Fls. 388 Matr Sun° 751683 caa ha 6.094, de 30 de agosto de 1974, pelo frete, carreto ou transporte de passageiros, realizado por conta própria, corresponde a vinte por cento do rendimento bruto. (Redação alterada pelo Decreto n° 4.032/01). ORIGINAL - § 42 A remuneração paga ou creditada a transportador autónomo pelo frete, carreto ou transporte de passageiros realizado por conta própria correspondera ao valor resultante da aplicação de um dos percentuais estabelecidos pelo Ministério da Previdência e Assistência Social sobre o valor bruto do frete, carreto ou transporte de passageiros, para determinação do valor mínimo da remuneração. Alteração - § 42 A remuneração paga ou creditada a transportador autónomo, a que se referem os incisos I e 11 do § 15 do art. 9-°, pelo frete, carreto ou transporte de passageiros realizado por conta própria correspondera ao valor resultante da aplicação de um dos percentuais estabelecidos pelo Ministério da Previdência e Assistência Social sobre o valor bruto do frete, carreto ou transporte de passageiros, para determinação do valor mínimo da remuneração. (Redação alterada pelo Decreto n°3.265/99. Ver art. 267 e Portaria/MPAS n°1.135/01)." Já para o período compreendido até a competência 06/2001, o percentual utilizado para apuração do valor da mão de obra contida no frete, carreto ou transporte de passageiros é de 11,71%, conforme descrito no art. 267 do Decreto 3.048/99: "Art. 267. Até que o Ministério da Previdência e Assistência Social estabeleça os percentuais de que trata o § 4'-do art. 201, será utilizada a aliquota de onze vírgula setenta e um por cento sobre o valor bruto do frete, carreto ou transporte de passageiros." A base de cálculo das contribuições previdenciárias é a remuneração auferida pelo segurado, conforme previsto no art. 22 da Lei n° 8.212/1991. Acontece, que na atividade de transporte nem tudo o que o segurado recebe corresponde à remuneração da mão-de-obra; há outras despesas envolvidas como peças e combustível. Assim sendo, foi estabelecido pela Previdência Social, para o período compreendido até a competência 06/2001, o percentual de 11,71%, e após a edição do Decreto n° 4.032/2001 o valor do frete passou a 20% corresponde à mão-de-obra. Caso não houvesse tal previsão, o ônus que o segurado e a empresa teriam que suportar seria muito maior, pois a base de cálculo corresponderia a 100% do frete. Destaca-se, ainda, as alterações trazidas pela Lei n° 10.666/2003, na qual a partir da competência 04/2003, o valor da contribuição a cargo dos segurados contribuintes individuais, passa a ser arrecadada pelo própria empresa contratante, correspondendo ao desconto de 11% sobre a base de cálculo acima identificada. Neste sentido, dispõe a lei: "Art. 4° Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontando-a da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia dois do mês seguinte ao da competência." Uma vez que a recorrente remunerou segurados, deveria a notificada efetuar o desconto e recolhimento à Previdência Social. Não efetuando o recolhimento, a notificada passa a ter a responsabilidade sobre o mesmo. ak"". 7 2°C "F - Sexta C repara CONG COMO ale • L • Processo n° 44021.000157/2007-47 Bras 9 / dg' ;# CCO2/036 Acórdão n.° 206-00.783 Mana tirna Fer, Fls. 389 ce siaria ?51G$3 l" a • "Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social — INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "a", 'b" e "c" do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição,. e à Secretaria da Receita Federal — SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. § 5° O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei." No que diz respeito aos contratos de patrocínio, apurados pela fiscalização como pagamentos realizados a pessoas físicas e dessa forma, devidas são as contribuições por tratar- se de segurado obrigatório da previdência social, razão não confiro ao recorrente. Pela análise dos contratos, anexos ao relatório fiscal, resta demonstrado o vínculo entre o atleta e a empresa. As alegações do recorrente de que os valores de patrocínio eram simplesmente repassados, sem qualquer contraprestação, e ainda, visando o acompanhamento de menores e famílias não é suficiente para afastar a incidência de contribuições sobre os pagamentos realizados. Nos contratos de patrocínio fica clara a prestação de serviços, enquanto atleta participando de corridas, aparecendo em público representando a instituição, tanto que existiam diversas restrições a possibilidade de participação em eventos sem aparecer com os uniformes determinado pela notificada. Não tendo o contribuinte recolhido a contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poder-se-ia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Conforme descrito acima, a multa moratória é bem aplicável pelo não recolhimento em época própria das contribuições previdenciárias. Ademais, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato. O art. 35 da Lei no 8.212/1991 dispõe, nestas palavras: "Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. I°, da Lei n°9.876/99). I - para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1°, da Lei n°9.876/99). e8 2° re/MF - Sexti rs t.. —tara CO : :Ft7r1 sultaL Processo n° 44021.000157/2007-47 Eran lia Ia • 0 CCO2/C06• Acórdão n.° 206-00.783 III yr` Fls. 390Mana de Fátima Fe a Ce alho Mau Sues 751683 b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo art. 1°, da Lei n°9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1°, da Lei n o 9.876/99). II - para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1°, da Lei n° 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1°, da Lei n°9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social - CRPS; (Redação dada pelo art. 1°, da Lei n°9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social - CRPS, enquanto não inscrito em Divida Ativa; (Redação dada pela Lei n°9.876/99). III - para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1°, da Lei n°9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo art. 1°, da Lei n° 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1°, da Lei n°9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1°, da Lei n° 9.876/99). § 1° Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado pela MP n° 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei n°9.528/97). § 2° Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP n° 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei n° 9.528/97). § 3° O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1° deste artigo. (Parágrafo (1?-", 2° CC .01F ta Calmara CONFEJ2R 0 • CRI MAL Processo n°44021.000157/2007-47 Brasflia. W $CCO2/C06 Acórdão n.° 206-00.783 nIZO: .;410 Fls. 391Maria de Fcorn: .- erre - n • Mégtr Slape 7516d3 acrescentado pela MP n° 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei n° 9.528/97). § 4° Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei n°9.876/99)." Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da Decisão-Notificação, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar a presente notificação. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito NEGAR- LHE PROVIMENTO, julgando procedente o lançamento efetuado. Sala das Sessões, em 07 de maio de 2008 ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 10 Page 1 _0071000.PDF Page 1 _0071100.PDF Page 1 _0071200.PDF Page 1 _0071300.PDF Page 1 _0071400.PDF Page 1 _0071500.PDF Page 1 _0071600.PDF Page 1 _0071700.PDF Page 1 _0071800.PDF Page 1
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Numero do processo: 11020.001321/2010-90
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/04/2010
LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP.
APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMISSAS.
Apresentar a empresa GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, constitui infração à legislação previdenciária.
MULTA APLICÁVEL. LEI SUPERVENIENTE MAIS BENÉFICA. APLICABILIDADE
O artigo 32 da lei 8.212/91 foi alterado pela lei 11.941/09, traduzindo penalidade, em tese, mais benéfica ao contribuinte, a qual deve ser aplicada, consoante art. 106, II “c”, do CTN, se mais favorável. Deve ser efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32-A, I, da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente
auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-001.333
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para que seja efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32-A, I, da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente.
Nome do relator: OSÉAS COIMBRA
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Obrigação Acessória Recorrente CAMARA DE DIRIGENTES LOJISTAS DE FLORES DA CUNHA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 30/04/2010 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMISSAS. Apresentar a empresa GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, constitui infração à legislação previdenciária. MULTA APLICÁVEL. LEI SUPERVENIENTE MAIS BENÉFICA. APLICABILIDADE O artigo 32 da lei 8.212/91 foi alterado pela lei 11.941/09, traduzindo penalidade, em tese, mais benéfica ao contribuinte, a qual deve ser aplicada, consoante art. 106, II “c”, do CTN, se mais favorável. Deve ser efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32A,I, da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11020.001321/201090 Acórdão n.º 280301.333 S2TE03 Fl. 2 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para que seja efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32A,I, da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11020.001321/201090 Acórdão n.º 280301.333 S2TE03 Fl. 3 3 Relatório A empresa foi autuada por descumprimento da legislação previdenciária por ter deixado de declarar em GFIPGuia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, nas competências 01/2005 a 11/2008, os fatos geradores de contribuições previdenciárias, a cargo da empresa, originados pelos pagamentos efetuados a cooperativa de trabalho médico, relativamente aos serviços prestados pelos cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho (UNIMED). A DecisãoNotificação – fls 89 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o Auto lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, na parte que interessa, o seguinte: • A preliminar de cerceamento de defesa não foi apreciada, configurando nulidade da decisão. • Deve ser aplicado o art. 150 §4º em relação à decadência • O valor da nota fiscal ou fatura emitida representa o pagamento de serviços prestados, não a remuneração dos cooperados, que será uma conseqüência do adimplemento do contrato. O pagamento, portanto, estará sendo feito à pessoa jurídica, o que, por si só, já.se afasta do art, 195,1, "a", da Constituição da República. • Temse de ressaltar uma vez mais a inaptidão da base de cálculo fixada no art. 22, IV, da Lei n° 8.212/91 valor bruto da nota fiscal ou da fatura em se harmonizar com a sua "recíproca" disposta no art. 195, I, "a", da Constituição da República. O termo "folha de salário e demais rendimentos o trabalho pagos ou creditados", fixado na norma constitucional, não guarda estreita relação com a base de cálculo escolhida pela Lei n° 8.212/91, a qual se pauta "no valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços". • Não foi provado, pela fiscalização, que os valores pagos pela recorrente se prestariam a retribuir os serviços prestados pelos cooperados da Unimed Nordeste para a própria recorrente. • Há uma vício material no lançamento, haja vista inexistir a vinculação dos pagamentos feitos pela impugnante aos médicos cooperados da Unimed Nordeste. • Pretendeu a fiscalização cobrar a contribuição incidente sobre pagamentos feitos à cooperativa de trabalho Unimed, sem declaração em GFIP, considerando base de cálculo superior a informada na fatura pela cooperativa. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11020.001321/201090 Acórdão n.º 280301.333 S2TE03 Fl. 4 4 • Aduz a fiscalização que a base de cálculo informada pela Unimed não condiz com a remuneração do serviço pessoal do cooperado. Esta prova, por parte da fiscalização, não veio aos autos, ônus do qual não se desincumbiu o Fisco, ensejando a nulidade por vício material apontada. • A recorrente entende, em suma: o a) não ser devida a contribuição; o b) se devida for, deverá considerar a base informada pela UNIMED, nos termos das normas previdenciárias (30% contrato de grande risco) e o c) jamais se pode alargar a base de cálculo só por considerar a classificação adotada pela Unimed, na medida em que é muito mais ampla a gama do que seja ato cooperativo, podendo, consoante dito, abranger mais que o repasse de honorários médicos decorrentes de atendimento feitos aos beneficiários dos planos de saúde (vinculação direta entre pagamento de pessoa jurídica a cooperado, por intermédio da cooperativa, em razão da prestação de serviço dele— pessoa física à pessoa jurídica contratante, o que sequer ocorre na espécie, pois a CDL não toma serviços diretamente deles pessoas físicas). • A decisão recorrida merece reforma, pois convalidou contribuição incidente sobre valores que podem não ter sido repassados aos médicos, consoante se verifica das normas acima, na medida em que, repete, os atos cooperativos podem ser mais amplos que o simples honorários médico. • Impossível a cumulação de multas • Reitera, nesta sede, a postulação de realização de diligência na Unimed Nordeste, a fim de que seja apurado qual o real valor que se destina a retribuir o serviço prestado pelos cooperados, em relação ao específico contrato que vincula as partes. • Requer seja conhecido o presente recurso, bem como provido, para fins de que: a) seja reconhecida a nulidade do auto de infração, em face do cerceamento do direito de defesa, na forma alegada; b) seja anulado o lançamento por vicio material, ou seja, peta não comprovação da ocorrência do fato gerador da contribuição pretendida; c) em qualquer hipótese, reconhecida a decadência, como arguida na presente; d) no mérito, seja acolhido integralmente a presente defesa e cancelado totalmente o lançamento; f) seja aplicada a penalidade mais branda, se mantida a exigência fiscal aqui combatida, e cancelada a que for cobrada em duplicidade e g) permitida a realização da diligência postulada. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11020.001321/201090 Acórdão n.º 280301.333 S2TE03 Fl. 5 5 É o relatório. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11020.001321/201090 Acórdão n.º 280301.333 S2TE03 Fl. 6 6 Voto Conselheiro Oséas Coimbra DA DECADÊNCIA O auto de infração foi entregue ao contribuinte em 30/04/2010 em razão da apresentação de GFIP´s com ausência de fatos geradores, competências 01/2005 a 11/2008. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há de se observar as regras previstas no CTN. Tratandose de auto de infração, sem pagamentos a homologar, deve ser aplicada, em relação à decadência, a regra trazida pelo artigo 173, I do CTN, que transcrevemos. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Por fim, tal matéria foi submetida ao crivo da 1ª. Seção do Superior Tribunal de Justiça, através de Recurso Especial representativo de controvérsia – RESP 973.733, conforme art. 543C do normativo processual e, segundo a nova redação do art. 62A do Regimento interno do CARF, de reprodução obrigatória pelos Conselheiros. Reproduzimos excerto da ementa: 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de. desarrazoado prazo decadencial decenal(...) grifamos _________________ Também os EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782), DJe 26/02/2010: Fl. 140DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11020.001321/201090 Acórdão n.º 280301.333 S2TE03 Fl. 7 7 PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Consoante as regras retrocitadas, forçoso se faz reconhecer a inexistência de competência decadente no auto em questão 01/2005 a 11/2008. DA DILIGÊNCIA O princípio da livre convicção do julgador é aplicável em relação às provas carreadas aos autos. O pedido de diligência foi indeferido uma vez que foi considerado prescindível pela autoridade julgadora para que a mesma formasse sua convicção – fls 95, além de não atender aos requisitos previstos em legislação. Vejamos a legislação pertinente arts. 18 do Decreto 70.235/72: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/93) Não obstante, o decreto 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, em seu art. 16 menciona os requisitos da impugnação. O inciso III determina que a peça já deve trazer os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. O inciso IV regula os pedidos de diligência ou perícia e, por fim os §§1º e 4º consideram não formulados os pedidos que não atendam aos requisitos elencados e determinam que toda prova seja apresentada quando da impugnação. Transcrevemos. Art. 16. A impugnação mencionará: Fl. 141DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11020.001321/201090 Acórdão n.º 280301.333 S2TE03 Fl. 8 8 ... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) ... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) O impugnante – fls 38 formulou pedido de diligência em total desacordo com a norma citada, senão vejamos. 55. Postula a realização de diligência na Unimed Nordeste, a fim de que seja apurado qual o real valor que se destina a retribuir o serviço prestado pelos cooperados, em relação ao específico contrato que vincula as partes." Uma vez que o requerente não seguiu o previsto no prefalado art. 16, aplica se a regra do § 1º, considerandose não formulado o pedido de perícia. Ante o exposto, correto o indeferimento exarado. DOS PAGAMENTOS A COOPERATIVAS DE TRABALHO Também tenho como inexistente o alegado cerceamento de defesa, pois foram apresentados aos contribuintes todos os elementos configuradores da infração, possibilitando ao mesmo se manifestar da forma que melhor entendesse, o que efetivamente o fez, considerando a qualidade das peças impugnatórias apresentadas. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11020.001321/201090 Acórdão n.º 280301.333 S2TE03 Fl. 9 9 Também é nesse sentido a manifestação da autoridade julgadora de primeiro grau. Às fls 91 temos o seguinte: Esta alegou preliminarmente vícios de nulidade, em face do cerceamento do direito de defesa, apontando, como irregularidades, a falta de clareza na descrição dos fatos que ensejaram o lançamento, e a falta de vinculação real entre os pagamentos e a destinação destes às pessoas físicas dos cooperativados, ensejando no seu entender vício material pela ausência de descrição e comprovação do fato gerador da contribuição pretendida. No entanto, compulsando os autos, vêse que a auditoria fiscal executou os procedimentos fiscais de maneira a assegurar ao sujeito passivo o exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa, não havendo cerceamento do direito de defesa como alegado. _____________ Continuando, vejamos excerto da lei 8212/91: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). O diploma normativo não deixa margem a dúvida em relação à responsabilidade do contratante de cooperativas de trabalho. Existindo a contratação com as cooperativas em questão, emerge a responsabilidade da contratante em recolher quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura referente a prestação dos serviços por parte dos cooperados. A base de cálculo foi apurada segundo valores que constam das faturas emitidas por UNIMED em nome da recorrente. O relatório fiscal de fls 12 e ss detalha a metodologia aplicada, buscando apurar apenas os valores pagos a cooperados através da cooperativa UNIMED, senão vejamos. Informa às fls 16 que as faturas declinam os serviços cooperados principais, que, por contrato, se referem aos serviços médicos prestados pelos cooperados, configurando a base de cálculo considerada, razão pela qual não adotou, nesses casos, o percentual de 30% do valor bruto da fatura, consoante art. 291 da IN SRP 003/05, o que só foi feito na falta de discriminação dos serviços cooperados principais. Art. 291. Nas atividades da área de saúde, para o cálculo da contribuição de quinze por cento devida pela empresa Fl. 143DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11020.001321/201090 Acórdão n.º 280301.333 S2TE03 Fl. 10 10 contratante de serviços de cooperados intermediados por cooperativa de trabalho, as peculiaridades da cobertura do contrato definirão a base de cálculo, observados os seguintes critérios: I nos contratos coletivos para pagamento por valor predeterminado, quando os serviços prestados pelos cooperados ou por demais pessoas físicas ou jurídicas ou quando os materiais fornecidos não estiverem discriminados na nota fiscal ou fatura, a base de cálculo não poderá ser: a) inferior a trinta por cento do valor bruto da nota fiscal ou da fatura, quando se referir a contrato de grande risco ou de risco global, sendo este o que assegura atendimento completo, em consultório ou em hospital, inclusive exames complementares ou transporte especial; Esclarece ainda o relatório: Importa notar que, em consonância com o disposto no Decreto acima, a base de cálculo destacada pela UNIMED NORDESTE RS nas faturas, para fins de Imposto de Renda Retido na Fonte IRF, equivale ao valor do Ato Cooperativo Principal ACP, e se a contribuição objeto do presente lançamento incide justamente sobre os serviços prestados pelos cooperados por intermédio da cooperativa de trabalho, por força do já citado inciso IV do art. 22 da Lei n° 8.212/1991, sua base de cálculo não deve ser senão que o valor dos Atos Cooperativos Principais quando discriminados. Assim sendo, não procede o argumento de que os valores trazem base de cálculo diversa daquela prevista no art. 22, IV da lei 8.212/91. Apesar de alegar que a base de cálculo é superior a informada na fatura pela cooperativa, não apresentou de forma objetiva o erro apontado, as faturas envolvidas, os valores ou sequer a competência a que se refere, quando então poderíamos analisar a discrepâncias de bases entre o que apontado pelo Auditor autuante e o que deveria ter sido apontado pela recorrente. Também sobre a alegação de que “a expressão "ato cooperativo principal" não implica, necessariamente, que estes valores são repassados na proporção informada aos médicos, pois é mera informação da fatura, sem comprovação de que a destinação realmente atende a proporcionalidade informada”, temos que igualmente tal entendimento está em desacordo com o declinado no contrato firmado, conforme acertadamente declina trecho da DN impugnada. Esclarece o item " b " da cláusula vigésima sexta dos contratos de assistência médica dos "PLANOS DE SAÚDE POR ADESÃO UN1V1DA BÁSICO PLUS EMPRESARIAL" (fls. 109). "UNIVIDA ESPECIAL PLUS EMPRESARIAL" (fls. 91v), firmados com a ora autuada, em anexo, que: "Mensalidade a ser pactuada no ato da assinatura do Termo de Contratação, Opção e Adesão a ser paga no respectivo mês. Os valores de pagamento de mensalidades, aqui previstos, são Fl. 144DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11020.001321/201090 Acórdão n.º 280301.333 S2TE03 Fl. 11 11 cálculos atuariais próprios da CONTRATADA, proporcionalmente destinados à remuneração dos atos cooperativos principais (serviços médicos) e ao ressarcimento dos atos cooperativos auxiliares (serviços indispensáveis ao atendimento médico, tais como despesas hospitalares, laboratoriais, de raiox e de urgência) e dos custos administrativos". Grifamos Considerando que a contribuição objeto do presente lançamento incide justamente sobre os serviços prestados pelos cooperados por intermédio da cooperativa de trabalho, por força do já citado inciso IV do art. 22 da Lei n° 8.212, de 1991, nas faturas onde há discriminação do valor do ACP sua base de cálculo deve ser o valor dos Atos Cooperativos Principais, uma vez que se relaciona com a remuneração dos serviços prestados pelos cooperados. Demonstrada a contratação com cooperativa de trabalho, para a prestação de serviços prestados por cooperados, devida a contribuição prevista no art. 22,IV da lei 8.212/91 DA INCONSTITUCIONALIDADE ALEGADA Sobre a matéria, o regimento do CARF, aprovado pela portaria GMF nº 256, de 22 de junho de 2009 veda aos membros a possibilidade de apreciação de constitucionalidade de decreto ou lei, senão vejamos. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Do que exposto, a matéria sob exame não se encontra nas exceções elencadas, afastando assim sua análise sob o prisma da constitucionalidade. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11020.001321/201090 Acórdão n.º 280301.333 S2TE03 Fl. 12 12 DA MULTA APLICADA APLICAÇÃO DA NORMA MAIS FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE O art. 106, inciso II,”c” do CTN determina a aplicação de legislação superveniente, caso esta seja mais benéfica ao contribuinte. As multas em GFIP foram alteradas pela lei n º 11.941/09, o que pode beneficiar o recorrente. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, senão vejamos: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 146DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11020.001321/201090 Acórdão n.º 280301.333 S2TE03 Fl. 13 13 Dessarte, o valor do Auto de Infração deve ser calculado segundo a nova norma legal art. 32A,I, da lei 8.212/91, somente, e comparado aos valores que constam do presente auto, cujo valor foi corretamente aplicado segundo a legislação à época, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte. CONCLUSÃO Ante o exposto, conheço do presente recurso e DOULHE PARCIAL PROVIMENTO para que seja efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32A,I, da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
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Numero do processo: 37173.005640/2003-95
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2008
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 12/12/2003
Ementa: PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP COM INFORMAÇÕES INEXATAS EM RELAÇÃO AOS DADOS NÃO RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores.
Todos representantes legais do sujeito passivo devem constar do CORESP, consoante determinações contidas nos normativos legais que tratam da constituição do crédito previdenciário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 206-00.680
Decisão: ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 12/12/2003 Ementa: PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP COM INFORMAÇÕES INEXATAS EM RELAÇÃO AOS DADOS NÃO RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Todos representantes legais do sujeito passivo devem constar do CORESP, consoante determinações contidas nos normativos legais que tratam da constituição do crédito previdenciário. Recurso Voluntário Negado.
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Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Todos representantes legais do sujeito passivo devem constar do CORESP, consoante determinações contidas nos normativos legais que tratam da constituição do crédito previdenciário. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ME - SEGUNDO CO....t.4i0 DE CONTNEUINTES Processo n° 37173.005640/2003-95 CONFERE C.Caf, O CMIG1NAI. CCO2/C06 Acórdão n.° 206-00.680 Brasília i o' 08 Eis. 189 I4, Mal: Same877882 ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso. ELIAS SAM AIO FREIRE Presidente . A BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira„ Rogério de Lellis Pinto, Daniel Ayres Kalume Reis, Ana Maria Bandeira, Cleusa Vieira de Souza e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Relatório Trata-se de Auto de Infração, lavrado em 12/12/2003, por ter a empresa acima identificada apresentado GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, em relação aos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, infringindo, dessa forma, o inciso IV e § 6°, do art. 32, da Lei 8.212/91. Segundo Relatório Fiscal da Infração (fis 02/03), a empresa entregou GFIP com informações inexatas nas competências de 01/99 a 10/03. A recorrente impugnou o débito via peça de fls. 48 a 68 e os autos foram baixados em diligência para que fosse corrigido o fundamento legal da multa aplicada, tendo em vista equívoco cometido pela fiscalização, ao indicar o art. 274„ III, do RPS, quando o correto seria o art. 284, inciso III, do mesmo normativo legal. Cientificada da Informação fiscal, a autuada não se manifestou e o INSS, por meio da Decisão-Notificação n° 11.022/0156/2004 (fls. 134 a 139), julgou o Auto de Infração procedente, entendendo que a autuada não trouxe nenhum fato novo que possa determinar a elisão ou alteração da autuação em comento. Inconformada com a decisão proferida pela Autarquia Previdenciária, a autuada apresentou recurso tempestivo ao CRPS (fls. 145 a 149), repetindo basicamente as alegações trazidas na peça impugnatória. 2 - CONFrt%tICTS: Processo n° 37173.005640/2003-95 89„.0,,,, a 9- , 0(5 cc021c06Acórdão n.° 206-00.680 ré?: C2( Fls. 190 ûme Sala 877862 Inicialmente, alega que o lançamento ora hostilizado deve ser cancelado, pois violou o Princípio da Finalidade, urna vez que o ato administrativo foi praticado sem interesse público ou em conveniência para a administração, e o Princípio da Razoabilidade, porquanto que a autoridade fiscal, ao valorar situações concretas, não se orientou pelos valores do homem médio. Cita a doutrina para reforçar seu entendimento e sustenta que em nenhum momento a recorrente causou qualquer tipo de prejuízo ao erário por não ter apresentado GFIP/GRFP com informações inexatas, incompletas ou omissas, nos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. Infere que a penalidade aplicada encontra-se em dissonância com os princípios acima invocados, não visando ao interesse público, pelo que inexigível e inválida a multa, que excedeu o razoável, por ser excessiva. Traz o conceito jurídico de multa para demonstrar que a multa aplicada se consubstancia na negação ao princípio da gradação da penalidade, levando-se em conta a natureza e as circunstâncias da falta cometida. Assevera que, no caso, não houve gradação, porquanto a multa é totalmente exacerbada em relação às supostas faltas cometidas, eis que muito superior à que poderia ser impingida, possuindo natureza confiscatória, violando o Princípio do Não-Confisco e conclui que a aplicação da multa, no patamar em que foi exigida, é ilegítima e inválida, não produzindo seus regulares efeitos, pelo que deve ser anulada em face das violações aos princípios da Proporcionalidade, da Razoabilidade, do Não-Confisco e da Moralidade. Em Contra-Razões, fls 16/161, a SRP manteve a procedência da autuação. É o Relatório. Voto Conselheira BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Relatora O recurso é tempestivo e está desacompanhado do depósito recursal por força de decisão judicial determinando o processamento do recurso independente do depósito recursal (fls. 149/158). Da análise das razões recursais apresentadas, verifica-se que a recorrente não nega que tenha apresentado GFIP com informações inexatas nas competências de 01/99 a 10/03, nos campos discriminados pelo agente autuante no Relatório Fiscal da Infração. Ela apenas tenta demonstrar que o auto de infração violou vários princípios, como o da Finalidade e o da Razoabilidade, uma vez que foi praticado sem interesse público ou em conveniência para a administração e a autoridade fiscal, ao valorar situações concretas, não se orientou pelos valores do homem médio. Todavia, registre-se que é objeto do presente auto o descumprimento da obrigação acessória de informar corretamente os dados não relacionados aos fatos geradores de 3 _ MF - SEGUNDO CC- HU :YE GCNTR1BUINTES Processo n°37173.005640/2003-95 CONFTRC OYJ;';c!rlA1 CCO2JC06 Acórdão n.° 205-00.680• lge Brasília. Fls. 191 ft irai1,.4 • S4lmeAlvesdeoliveira Mai: Sopa 877882 contribuição previdenciária consoante à determinaçao • o o incise • - • si . 32, da Lei 8.212/91: "Art. 32 (..). IV - informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Acrescentado pela MP n" 1.596-14, de 10/11/97, de 10/11/97, convertida na Lei n" 9.528, de 10/12/97). § 6° A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos no § 4". (Acrescentado pela MP n" 1.596-14, de 10/11/97, convertida na Lei n" 9.528, de 10/12/97)." A recorrente sustenta que em nenhum momento causou qualquer tipo de prejuízo ao erário. No entanto, mister lembrar que o descumprimento de obrigações legais, sejam elas acessórias ou principais, sempre prejudica o erário. E é com o objetivo do melhor funcionamento da administração tributária, para que não se faça letra morta à lei e se evite a sonegação fiscal em massa é que o legislador impôs a penalidade pecuniária ao sujeito passivo que vilipendia obrigação legal a todos imposta. Portanto, a autoridade Fiscal, ao constatar o descumprimento de obrigação acessória, lavrou corretamente o presente auto, em observância ao art.33 da Lei 8212/99 e art. 293 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: "Art.293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, auto-de-infração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes." Em relação ao argumento de que a multa possui caráter confiscatório e ofende princípios constitucionais, cumpre salientar que a multa aplicada encontra fimdamento nos dispositivos legais discriminados nos relatórios que compõem o Auto de Infração, e o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, veda aos Conselhos de Contribuintes afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme disposto em seu art. 49. Também, está desprovido de amparo legal o requerimento feito pela recorrente de que seja cancelada a exigência, ou, então, que seja reduzida a penalidade. A hipótese de exclusão da responsabilidade por infrações é a prevista no art. 138, do CTN, ou seja: 4 ME - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • Processo n°37173.005640/2003-95 CONFERE COMO ORIGINAL CCO21C06 Acórdão n.° 206-00.680Brasília. I O? Fls. 19229-- ‘,11 /Mr.. Sape 877862 "A d. 138 - A responsabilidade-e: peta. demnrcin espontanea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo Único - Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o inicio de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração." Assim, como no caso em tela não houve a denúncia espontânea, não há que se falar em cancelamento da penalidade, como quer a recorrente. E, para a redução da penalidade, é necessária a correção da falta até a decisão da autoridade julgadora competente, o que não foi o caso presente. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta, VOTO por CONHECER DO RECURSO para, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. Sala das Sessões, em 09 de abril de 2008 - • . • , —)- BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Page 1 _0061800.PDF Page 1 _0061900.PDF Page 1 _0062000.PDF Page 1 _0062100.PDF Page 1
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Numero do processo: 10920.905027/2012-12
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
CUMPRIMENTO DE CONDIÇÕES FORMAIS PARA GARANTIR O DIREITO AO CRÉDITO DE PIS/COFINS
O artigo 16 da Lei nº 11.116/ 2005, ao prever a possibilidade de compensação e de pedido de ressarcimento do saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, acumulado ao final de cada trimestre do ano-calendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033/2004, limitou esta possibilidade aos créditos apurados na forma do artigo 3º das Leis 10.637/ 2002, e 10.833/ 2003, e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004.
RESSARCIMENTO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Em sede de pedido de ressarcimento cumulado com compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 373, inciso I, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
O pedido de diligência ou perícia não se prestam para suprir a deficiência das provas carreadas pelo sujeito passivo aos autos, sendo cabível somente quando for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo ser afastados os pedidos que não apresentam este desígnio
Numero da decisão: 3003-002.274
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário .
(documento assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ricardo Piza Di Giovanni - Relator
(documento assinado digitalmente)
Nome do Redator - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antonio Borges; Ricardo Piza Di Giovanni; Lara Franco Moura Eduardo
Nome do relator: RICARDO PIZA DI GIOVANNI
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 CUMPRIMENTO DE CONDIÇÕES FORMAIS PARA GARANTIR O DIREITO AO CRÉDITO DE PIS/COFINS O artigo 16 da Lei nº 11.116/ 2005, ao prever a possibilidade de compensação e de pedido de ressarcimento do saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, acumulado ao final de cada trimestre do ano-calendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033/2004, limitou esta possibilidade aos créditos apurados na forma do artigo 3º das Leis 10.637/ 2002, e 10.833/ 2003, e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004. RESSARCIMENTO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Em sede de pedido de ressarcimento cumulado com compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 373, inciso I, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. O pedido de diligência ou perícia não se prestam para suprir a deficiência das provas carreadas pelo sujeito passivo aos autos, sendo cabível somente quando for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo ser afastados os pedidos que não apresentam este desígnio
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RESSARCIMENTO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Em sede de pedido de ressarcimento cumulado com compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 373, inciso I, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. O pedido de diligência ou perícia não se prestam para suprir a deficiência das provas carreadas pelo sujeito passivo aos autos, sendo cabível somente quando for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo ser afastados os pedidos que não apresentam este desígnio Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário . AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 50 27 /2 01 2- 12 Fl. 57DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-002.274 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10920.905027/2012-12 (documento assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente (documento assinado digitalmente) Ricardo Piza Di Giovanni - Relator (documento assinado digitalmente) Nome do Redator - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antonio Borges; Ricardo Piza Di Giovanni; Lara Franco Moura Eduardo Relatório Trata o presente processo de recurso em face de Despacho Decisório nº º 040991913 que reconheceu a maior parte do direito ao ressarcimento de PIS/PASEP – Não Cumulativo, 2º trimestre de 2008 - 01/04/2008 a 30/06/2008, pleiteado no PER/DComp nº 16048.66449.130111.1.5.11-8567. O presente litígio cinge-se, portanto, apenas ao valor de R$ 4.643,06, mês de junho/2008, não confirmado. Isto porque o Despacho Decisório confirmou o crédito básico de R$ 48.269,29 e não reconheceu o direito ao ressarcimento do crédito presumido de R$ 4.643,06. A fiscalização alega que após consultado os Demonstrativos de Apuração das Contribuições Social – DACON verificou-se que a divergência refere-se ao crédito presumido nas atividades agroindustriais, calculados sobre Insumos de Origem Animal. O Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, defendendo seu direito com base no art. 16 da Lei nº 11.116/2005. Afirma que atua no ramo do comércio de produtos alimentícios, mais especificamente de bebidas lácteas, submetidas a alíquota zero com base no art. 1º da Lei nº 10.925/2004, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, enquadrando-se nos termos do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, segundo o qual as vendas com alíquota 0 (zero) não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Argumentou que deve ser aplicado o princípio da razoabilidade, e ser afastado o excesso de formalismo por entender que a negativa decorre apenas pela forma de utilização do crédito, através de pedido de ressarcimento e não na conta gráfica do contribuinte. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, e ratificou as conclusões do Despacho Decisório, indeferindo o direito creditório. Preliminarmente o Recurso alegou cerceamento do direito de defesa por ausência de manifestação fundamentada, no Acórdão Recorrido, relativa ao indeferimento do pedido de prova pericial realizado pela Recorrente em sua Manifestação de Inconformidade e que o pedido de prova pericial contábil teria cabimento, qualquer momento da fase litigiosa da discussão, uma Fl. 58DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-002.274 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10920.905027/2012-12 vez que que se persegue com instauração de tal procedimento busca incessante incansável da verdade material. O Recurso Voluntário argumenta que a legislação autoriza creditamento efetuado pela Recorrente, conforme artigo 17 da Lei 11.033/2004 c/c artigo 16 da Lei 11.116/2005e que o crédito deve ser reconhecido, ainda que seja para que se baixe referido processo em diligência, constatando-se por sua vez suficiência do crédito. Aduz que as diferenças não reconhecidas de crédito, para cada mês do trimestre- calendário objeto do pedido, referem-se ao crédito presumido oriundo das aquisições de pessoas físicas ou agroindústrias as quais coincidem especificamente com linha da DACON do contribuinte onde consta apuração de tal crédito e que, por outro lado, seria possível ressarcimento/restituição deles, nos termos preconizados no artigo 16 da Lei11.116/2005. Alega que a empresa ora Recorrente atua no ramo do comércio de produtos alimentícios, mais especificamente de bebidas lácteas, tendo as alíquotas de PIS e COFINS relativas às suas operações de venda época, sido reduzidas zero, nos termos do artigo l9 da Lei 10.925/2004. com redação dada pelo artigo 32 da Lei 11.488/2007 enquadrando-a nos termos do artigo 17 da Lei 11.033/2004. Argumenta que nos termos do artigo 17 supramencionado, as operações de venda que não possuam incidência da contribuição ao PIS ou COFINS, ou cuja incidência se dê alíquota zero, têm direito manutenção do citado crédito, acumulado nas suas entradas, e. ainda, por meio da aplicação cumulativa com artigo 16 da Lei 11.116/2005, direito a ser restituído ou ressarcido crédito do referido saldo acumulado. Acrescenta a Recorrente que todos seus produtos comercializados no Mercado Interno, sendo bebidas lácteas, são tributados alíquota zero, e, portanto, seria equivocada segregação efetuada pela Autoridade Fiscal quanto aos créditos presumidos das agroindústrias pessoas físicas como não se enquadrando na possibilidade de ressarcimento/restituição atribuída justamente aos mesmos (e permitida legalmente), pena de ser desmotivada permanência das empresas deste segmento no cenário econômico, uma vez que apenas acumulariam os créditos, sem poderem ressarcir-se, onerando os custos de sua cadeia produtiva. Argumenta a Recorrente que acatar a conduta do Fisco como verdadeira, negando direito ao ressarcimento/restituição do crédito, seria relegar a segundo plano, princípio da razoabilidade. O Recurso solicitou prova pericial contábil, para comprovação da certeza, liquidez exigibilidade dos créditos pretendidos. É o relatório Voto Fl. 59DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3003-002.274 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10920.905027/2012-12 Conselheiro Ricardo Piza Di Giovanni , Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias, portanto, dele toma-se conhecimento. Afasto a preliminar alegada de cerceamento do direito de defesa vez que houve manifestação fundamentada, no Acórdão Recorrido, relativa ao indeferimento do pedido de prova pericial realizado pela Recorrente em sua Manifestação de Inconformidade. Por outro lado, o pedido de prova pericial contábil não teria cabimento no presente debate, não sendo o caso de invocar o princípio da verdade material para obter crédito não existente. Ora, com relação à reclamação pela ausência de diligências, os artigos 18 e 29 do Decreto 70.235 de 1972 revelam que a sua realização deve ser determinada pela autoridade julgadora apenas quando esta entender necessárias e imprescindíveis à formação da sua convicção. Portanto, a diligência não pode ser utilizada como um meio para suprir a deficiência das provas carreadas pelo sujeito passivo aos autos. De igual forma é o entendimento da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303-005.226, nos seguintes termos: "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repita-se, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações."(grifos meus) Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Ademais, no presente caso, não há qualquer dúvida sobre a não existência do crédito. Por derradeiro, conforme é cediço, no Direito Tributário, existem técnicas de específicas de aplicação do direito dispostas no Código Tributário Nacional, não se aplicando o princípio da razoabilidade sem critérios, no caso, não se aplicando tal princípio para dispensar o pagamento de tributo nos termos, conforme determina o § 2º do artigo 108 do Código Tributário Nacional. Quanto ao mérito do direito (questão do crédito) o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005, ao prever a possibilidade de compensação e de pedido de ressarcimento do saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, acumulado ao final de cada trimestre do ano-calendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033/2004, limitou esta possibilidade aos créditos apurados “na forma do artigo 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004”. Fl. 60DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3003-002.274 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10920.905027/2012-12 Conforme bem observado pela Decisão da DRJ, “consta à fl. 13 dos autos, no documento correspondente à 4ª alteração contratual da Interessada, que o objeto social da empresa é exploração industrial de laticínios e derivados de leite, fabricação de produtos derivados do beneficiamento do cacau, comércio atacadista de leite e laticínios e produtos alimentícios em geral e que por sua vez a Recorrente não especificou a classificação fiscal do produto que fabrica, ou quem lhe fornece a matéria prima adquirida sem incidência das contribuições. Esse apontamento é extremamente necessário para configurar o direito ao crédito ora pleiteado, vez que o crédito presumido é apurado na forma do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, o qual demanda justamente a certeza das classificações de produtos para aferir o crédito, conforme abaixo disposto: “Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004.” Ou seja, a legislação tributária expressamente nomina os casos em que os créditos presumidos da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep são passíveis de ressarcimento e compensação, o que significa dizer que sim o formalismos nesse caso é condição sine quo non para o reconhecimento do crédito. A Recorrente afirma que o excesso de formalismo não pode vedar seu direito ao crédito, mas a lei exige esse formalismo e o julgador deve seguir a lei e os princípios do ordenamento jurídico tributário. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Ricardo Piza Di Giovanni Fl. 61DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3003-002.274 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10920.905027/2012-12 Fl. 62DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 36216.009662/2006-61
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Apr 10 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Apr 10 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇOES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 24/03/2006
Ementa: PREVIDENCIÁRIO. RESTITUIÇÃO. RECOLHIMENTO DEVIDO. IMPOSSIBILIDADE.
I - A teor do disposto no art. 89 da Lei n° 8.212/91, somente
haverá a restituição de contribuições previdenciárias recolhidas
indevidamente.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 206-00.745
Decisão: ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ROGERIO DE LELLIS PINTO
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ementa_s : CONTRIBUIÇOES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 24/03/2006 Ementa: PREVIDENCIÁRIO. RESTITUIÇÃO. RECOLHIMENTO DEVIDO. IMPOSSIBILIDADE. I - A teor do disposto no art. 89 da Lei n° 8.212/91, somente haverá a restituição de contribuições previdenciárias recolhidas indevidamente. Recurso Voluntário Negado
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RESTITUIÇÃO. RECOLHIMENTO DEVIDO. IMPOSSIBILIDADE. I - A teor do disposto no art. 89 da Lei n° 8.212/91, somente haverá a restituição de contribuições previdenciárias recolhidas indevidamente. Recurso Voluntário Negado/. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. CO NFERE COM O CERieGiNAL MF coNs D Processo n°36216.009662/2006-61 - SEGUNDO aHo IBUINTES cCOVC06 Acórdão n.° 208-00.745 Brasília, IL.__ O „ Fls. 65 Una Meg 11.141 Mat.: &toe 87/882 ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEG 1 ' 10 • CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente R e 1•rá • ELLIS PINTO R 1. or Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bemadete de Oliveira Barros, Daniel Ayres Kalume Reis, Ana Maria Bandeira, Cleusa Vieira de Souza e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 _ Processo? 36216.009662/2006-61 CCO2C06 Acórdão n.° 206-00.745 Rs. 66- SEGUNDO CONSELHO DE Bras CO CONcERE COM O OR/GINJ4. SUINTES ilia. _E • Urna alhiM Relatório Mat. ~0877862 Trata-se de Recurso Voluntário interposto pela empresa COMPORTE PARTICIPACÔES S/A, contra a Decisão de fls. 43, exarada pela Secretaria da Receita Previdenciária, a qual negou o presente pedido de restituição das contribuições previdenciárias pagas e que supostamente seriam indevidas. Alega em seu recurso que no mês de março de 2006, recolheu as contribuições previdenciárias de sua responsabilidade apenas no dia 24, sendo que sobre o débito incidiu correção monetária, juros de mora e ainda multa moratória. Aduz que ao reconhecer e declarar seu débito junto ao Fisco e efetuar o respectivo recolhimento, deveria ser beneficiado pela denuncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, não devendo o valor pago, ser acrescido da multa moratória, motivo pelo qual requer a sua restituição. Afirma que as contribuições sociais têm natureza tributária, devendo, portanto, sua regulamentação estar de acordo com o CTN, norma complementar, a qual a legislação ordinária previdenciária não poderia afrontar. Desta forma o art. 35 da Lei n° 8.212/91, estaria contrariando o disposto no art. 138 do Códex, motivo pelo qual não poderia ser aplicado, sob pena de uma lei ordinária revogar norma de caráter complementar. Discorre sobre a denúncia espontânea, trazendo julgados para embasar sua tese, para encerrar requerendo o provimento do seu recurso. A extinta SRP apresentou contra-razões ao seu recurso, pugnando pela sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro ROGERIO DE LELLIS PINTO, Relator Recurso tempestivo, dispensado do depósito prévio por se tratar de pessoa fisica, e presentes todos os requisitos de sua admissibilidade passo a sua análise. Em que pese todos o esforço argumentativo demonstrado pelo ilustre subscritor da peça inconformista, não vejo que a decisão de 1° grau tenha sido proferida cai desacordo com a legislação que o rege. Sem embargos, para se falar em restituição de qualquer tributo vertido ao Erário, deve restar inequívoco se tratar de recolhimentos indevidos, em qualquer de suas modalidades, é dizer, somente haverá obrigação do Fisco em restituir tributos pagos, se restar demonstrado que estes não seriam devidos por quem os suportou. tf' 3 _ MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES C01 ',ME:- COMO ort 3,r4A1 • Processo n°36216.009662/2006-61 Brasília, en CCO2/06 Acórdão n.° 206-00.745 Fls. 67 Mat: Se $716$2 Nesse sentido é a previsão do art. 89 da Lei n°8.212/91, que assim dispõe: "Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Sodal arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social-INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (Redação dada pela Lei n• 9.129, de 20/11/95).° No caso dos autos, o recorrente alega que por ter se utilizado na denuncia espontânea, não poderia lhe ser exigido os valores pagos a titulo de multa moratória, já que não prevista no art. 138 do CTN, o qual entende deveria prevalecer sobre qualquer outra normatização. Contudo, e em que pese à coerência do seu discurso, creio que este Conselho não pode atender a sua insurreição. Com efeito, a multa moratória tem sua previsão no art. 35 da Lei n°8.212/91, na seguinte redação: "Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação alterada pela Lei n"9.876, de 26/11/99). I - para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: (..)." A Lei do Custeio Previdenciário, portanto, não faz qualquer ressalva quanto a não incidência de multa de mora sobre aqueles débitos reconhecidos e pagos posteriormente pelos contribuintes, e impede, inclusive, que ela venha a ser relevada, de forma que não há aqui como se falar em recolhimento indevido para autorizar a restituição pleiteada. Sem embargos, vejo coerência em muitos dos argumentos apresentados empresa Recorrente. No entanto, atender a seu pleito, seria o mesmo que afastar a aplicação da determinação contida em lei, em flagrante desrespeito à vedação prevista no artigo 49, do Regimento Interno deste Conselho, bem como a própria Súmula 02 deste Conselho acima citada. Ante o exposto, voto de sentido de conhecer do Recurso, para NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos da fundamentação supra. Sala das Sessões, em 10 de abril de 2008 çit .4 RSGE EIELLIS PINTO 4 Page 1 _0042000.PDF Page 1 _0042100.PDF Page 1 _0042200.PDF Page 1
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Numero do processo: 10325.900021/2011-89
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Apr 03 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
PROVA. FATO CONSTITUTIVO DE UM DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. ART. 373, I, DO CPC E ART. 28 DO DECRETO Nº 7.574/2011.
A prova do fato constitutivo de um direito creditório incumbe ao contribuinte, conforme disposto nas normas contidas no art. 373, I, do Código de Processo Civil e no art. 28 do Decreto nº 7.574/2011.
DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. BOLETIM DE OCORRÊNCIA. INSUFICIÊNCIA.
O Boletim de Ocorrência registrado perante a autoridade policial não tem o condão de substituir a apresentação da documentação pertinente à comprovação do direito creditório pleiteado. Trata-se de um ato unilateral, um instrumento de coleta de informações, que serve à comunicação de um fato potencialmente criminoso, mas que, isoladamente, não faz prova a favor do contribuinte.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL X ÔNUS DE APRESENTAR PROVAS.
A busca pela verdade material no processo administrativo fiscal parte das evidências trazidas aos autos pelas partes. Assim, se a parte dá provas do direito alegado por meio de documentação hábil (escrituração contábil e fiscal, amparada pelos respectivos documentos que lhe dão suporte), incumbe ao julgador avançar a partir desses elementos na busca de uma solução analítica e correta. Todavia, não cabe ao julgador, a pretexto de estar perseguindo a verdade material, substituir a necessária ação probatória do contribuinte. Se as provas (ou a ausência delas) não apontam para a existência de um direito, a verdade material também apontará nesse sentido.
Numero da decisão: 3001-002.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
João José Schini Norbiato Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: João José Schini Norbiato, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues e Marcos Roberto da Silva (Presidente).
Nome do relator: JOAO JOSE SCHINI NORBIATO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 PROVA. FATO CONSTITUTIVO DE UM DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. ART. 373, I, DO CPC E ART. 28 DO DECRETO Nº 7.574/2011. A prova do fato constitutivo de um direito creditório incumbe ao contribuinte, conforme disposto nas normas contidas no art. 373, I, do Código de Processo Civil e no art. 28 do Decreto nº 7.574/2011. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. BOLETIM DE OCORRÊNCIA. INSUFICIÊNCIA. O Boletim de Ocorrência registrado perante a autoridade policial não tem o condão de substituir a apresentação da documentação pertinente à comprovação do direito creditório pleiteado. Trata-se de um ato unilateral, um instrumento de coleta de informações, que serve à comunicação de um fato potencialmente criminoso, mas que, isoladamente, não faz prova a favor do contribuinte. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL X ÔNUS DE APRESENTAR PROVAS. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 5. 90 00 21 /2 01 1- 89 Fl. 815DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3001-002.346 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10325.900021/2011-89 (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) João José Schini Norbiato – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: João José Schini Norbiato, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues e Marcos Roberto da Silva (Presidente). Relatório Por economia processual e, sobretudo, por descrever em detalhes os eventos processuais até a apresentação da manifestação de inconformidade, reproduzo a seguir partes do relatório contido na decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife/PE (fls. 783/800): Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento, objeto do PER/DCOMP nº 28423.71922.130606.1.5.08-0834 (fls. 2/5), de créditos de PIS/PASEP Não-Cumulativo – Exportação, supostamente acumulados no 3º trimestre de 2003, no valor de R$ 103.571,74, transmitido em 13/06/2006, ao qual foram vinculadas diversas Declarações de Compensação (DCOMP). A verificação da legitimidade do pleito creditório foi realizada por meio de procedimento fiscal que redundou, conforme Despacho Decisório de fl. 131, no deferimento de parte do direito creditório pleiteado, no valor de R$ 23.730,85, e, consequentemente, na homologação apenas parcial das compensações a ele vinculadas. De acordo com a análise efetuada pela fiscalização, explicitada na Informação Fiscal de fls. 124/130, o contribuinte produz ferro-gusa, classificação fiscal 7201.10.00, e utiliza basicamente quatro tipos de matérias-primas: minério de ferro, carvão vegetal, quartzo (seixo) e calcário. Conforme consta do mencionado termo fiscal, foi verificada a necessidade de se efetuar glosas de créditos referentes a aquisições de insumos utilizados na produção (assim considerados pelo contribuinte) e de combustíveis, e também de diversas despesas (nelas incluídas as relativas a empréstimos e financiamentos obtidos junto a pessoas jurídicas), além de créditos presumidos referentes ao estoque de abertura. Para melhor esclarecimento a respeito dos motivos que deram base às conclusões do Fisco, seguem abaixo algumas informações extraídas da mencionada Informação Fiscal, a partir de imagens digitais [Refere-se às informações contidas às fls. 126/129. Para fins deste acórdão de Recurso Voluntário, serão reproduzidos apenas os trechos que tratam das glosas mantidas na decisão de piso e que foram objeto do Recurso]: (...) 10. DOS INSUMOS a) Referente ao Mês de Julho/2003 a1) Calcário - no demonstrativo apresentado pelo contribuinte, consta como aquisição do produto o valor total de R$ 46.103,40, referente a diversas NF’s que teriam sido emitidas pela empresa Induscal Ind. de Calcário Ltda, CNPJ n° 05.746.748/0001-51, cuja amostras das NF’s n°s 006967, 007939, 008108, Fl. 816DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3001-002.346 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10325.900021/2011-89 008156, 008191, 008262 e 008313, fornecidas pelo contribuinte mediante Termo de Intimação, confirmam essa emissão, tendo sido encontrado registro no Livro Razão a importância total de R$ 41.493,18, que deverá ser considerada no cálculo do crédito do PIS/Pasep, nos termos art. 3° da Lei n° 10.637/2002; [...] c) Referente ao Mês de Setembro/2003 c1) Calcário - no demonstrativo apresentado pelo contribuinte, encontra-se informado como aquisição de Calcário da PJ Induscal Ind. de Calcário Ltda., CNPJ n° 05.746.748/0001-51, e da PJ Gesso Integral Exp. e Com. Gipsita Ltda., CNPJ n° 00.913.051/0001-04, o valor total de R$ 44.807,00, conforme diversas Notas Fiscais; intimado o contribuinte a fornecer as amostras das NF n°s 009673, 009936, 010168, 010181, 010248, 002571 e 002673, o mesmo apresentou as amostras das NF’s n°s 009673, 009936, 010168, 010181 e 010248, emitidas pela Induscal Ind. de Calcário Ltda, que estão de acordo com as NF correspondentes do demonstrativo apresentado, encontrando-se registrado no Livro Razão o valor total de R$ 41.736,06, incluindo as NF emitidas pela PJ Gesso Integral Exp. e Com. Gipsita Ltda , que deverá ser considerado no cálculo do crédito, nos termos art. 3° da Lei n° 10.637/2002; [...] 11. DAS DESPESAS a) Referente aos Meses de Julho/2003 a Setembro/2003 [...] a3) Despesas Financeiras de Empréstimos e Financiamentos Obtidos Junto a Pessoas Jurídicas (linha 07 da Ficha 04 do DACON) - no demonstrativo apresentado pelo contribuinte não se encontra demonstrado as supostas despesas, constando, porém, informado na memória de cálculo apresentada pela PJ como Despesas com Empréstimos e Financiamentos referente ao mês de julho/2003, o valor total de R$ 130.354,68, referente ao mês de agosto/2003, o valor total de R$ 131.049,57, e referente ao mês de setembro/2003, o valor total de R$ 127.462,95, que não deverão ser considerados no cálculo do crédito do PIS/Pasep Não Cumulativo, nos termos do art. 3° da Lei n° 10.637/2002, visto não estarem devidamente demonstrados na memória de cálculo, tais como a identificação da PJ prestadora do empréstimo, especificação do empréstimo, etc, que dê suporte à verificação da autenticidade das supostas despesas, se limitando a memória de cálculo a informar os mesmos valores declarados na linha 07 da Ficha 04 do DACON; [...] Devidamente cientificado, o interessado apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 137/162, na qual formula, em síntese, as seguintes razões de defesa: a) Após fazer breve relato a respeito do seu requerimento e dos fundamentos que embasaram a decisão administrativa contestada, enfatiza o princípio da verdade material e a sua aplicação no processo administrativo fiscal em comparação com o processo civil, além de citar doutrina e jurisprudência administrativa acerca do tema. b) Passa a contestar as glosas implementadas com relação aos bens utilizados como insumos. Neste contexto, destaca as aquisições de Calcário do mês de maio de 2003 e argumenta que “as supostas divergências identificadas pela autoridade fiscal se devem Fl. 817DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3001-002.346 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10325.900021/2011-89 ao fato de não observar que os valores apresentados no Livro Razão quanto às aquisições dos insumos são registrados sem a inclusão do ICMS”. c) Aduz que “a exatidão dos créditos do PIS/PASEP é mensurada mediante a verificação das Notas Fiscais de Compra dos Insumos, que representam o custo de aquisição do insumo, com a inclusão do ICMS” e que a Receita Federal, por meio da IN SRF n° 594, de 26/12/2005, “é clara ao prever que apenas o ICMS-ST (Substituto Tributário) não compõe a base de cálculo para efeito de apuração dos créditos do PIS/PASEP”. A respeito do assunto, transcreve ementa de Solução de Consulta da Receita Federal e afirma que o crédito originário do Calcário deverá ser cabalmente demonstrado, mediante a realização de perícia. d) Argumenta que a glosa dos combustíveis (GLP e Óleo Diesel) foi equivocada, haja vista que no desenvolvimento “do processo produtivo da produção do ferro-gusa é necessário o transporte das matérias-primas ou mesmo dos produtos semi acabados, o que se faz mediante caminhões e demais equipamentos, que para funcionar demandam a utilização de combustíveis”. e) Com base em fluxogramas que apresenta e que, segundo informa, representariam o processo produtivo do ferro-gusa, alega que “os combustíveis consumidos nos caminhões e maquinários utilizados no processo produtivo são conceituados como insumos, gerando créditos de PIS/PASEP nos termos do art. 3º da Lei n. 10.637/2002”. Sobre a matéria, apresenta ementa de Solução de Consulta da Receita Federal e reafirma não ser admissível a negativa dos créditos sobre os combustíveis consumidos no maquinário empregado no seu processo de industrialização. f) Destaca, com relação à glosa dos encargos de depreciação do ativo imobilizado, que atendeu as demandas da fiscalização, tendo apresentado a respeito da questão diversos documentos, dentre os quais a Memória de Cálculo dos créditos pleiteados. Sobre o tema, apresenta planilha e acresce que, “caso persista dúvida acerca do cálculo de depreciação, os valores apresentados no PER serão corroborados em perícia administrativa, mediante a qual será demonstrado que o contribuinte seguiu os limites normativos dispostos na Lei n° 10.637/2002, Instruções SRF n°162/98 e n°130/99, bem como o Regulamento do Imposto de Renda (art.310)”. g) Sustenta que, em relação à glosa imposta sobre o crédito presumido relativo ao seu estoque de abertura, seria “útil e necessário a realização de perícia contábil, cuja tecnicidade estornará qualquer dúvida”. h) Apoiado no art. 16, IV, do PAF, solicita a realização de perícia contábil no intuito de demonstrar que "as despesas apresentadas como fatos geradores dos créditos do PIS/PASEP foram devidamente incorridas e estão devidamente lastreadas em documentação, obtendo com exatidão o crédito a ser deferido em favor do contribuinte". Novamente, invoca a aplicação do princípio da verdade material, e formula quesitos indicando perito. Ao final, em outros termos, requer a reforma do despacho decisório e o reconhecimento da integralidade do direito creditório requerido. Diante das alegações formuladas e do conjunto documental trazido aos autos, o processo foi encaminhado à DRF de origem [Vide documento de fls. 687/689], por proposta do relator à época designado, com vistas a que a fiscalização verificasse a necessidade de proceder a correções nas glosas efetuadas e, caso pertinente, recalculasse o valor passível de ressarcimento, demonstrando, detalhadamente, a metodologia de cálculo utilizada. Outrossim, foi solicitado também que se desse ciência das conclusões fiscais ao sujeito passivo para que, querendo, se pronunciasse a respeito. As providências requeridas foram efetivadas, tendo a fiscalização, após intimar a empresa a apresentar os documentos necessários à análise e realizar os exames que Fl. 818DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3001-002.346 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10325.900021/2011-89 entendeu cabíveis, expedido a Informação Fiscal acostada às fls. 761/769 dos autos, a qual aborda em minúcias todas as questões pertinentes à matéria tratada. A seguir destacamos as principais informações contidas no supra referido termo fiscal, a partir de imagens digitais dele extraídas [Refere-se às informações contidas na INFORMAÇÃO FISCAL nº 82/2019/SRRF03/EDCOM. Para fins deste acórdão de Recurso Voluntário, serão reproduzidos apenas os trechos que tratam das glosas mantidas na decisão de piso e que foram objeto do Recurso]: Quesito a) – Despesas financeiras de empréstimos e financiamentos obtidos junto a pessoas jurídicas. Resposta: Na Informação Fiscal contida nas fls. 124 a 130, a Fiscalização Informa: Despesas Financeiras de Empréstimos e Financiamentos Obtidos Junto a Pessoas Jurídicas (linha 07 da Ficha 04 do DACON) - no demonstrativo apresentado pelo contribuinte não se encontra demonstrado as supostas despesas, constando, porém, informado na memória de cálculo apresentada pela PJ como Despesas com Empréstimos e Financiamentos referente ao mês de julho/2003, o valor total de R$ 130.354,68, referente ao mês de agosto/2003, o valor total de R$ 131.049,57, e referente ao mês de setembro/2003, o valor total de R$ 127.462,95, que não deverão ser considerados no cálculo do crédito do PIS/Pasep Não Cumulativo, nos termos do art. 3° da Lei n° 10.637/2002, visto não estarem devidamente demonstrados na memória de cálculo, tais como a identificação da PJ prestadora do empréstimo, especificação do empréstimo, etc, que dê suporte à verificação da autenticidade das supostas despesas, se limitando a memória de cálculo a informar os mesmos valores declarados na linha 07 da Ficha 04 do DACON;; Em sua Manifestação de inconformidade, a empresa apresentou documentos contidos entre as fls. 136 a 684 e informou: (xii) As DESPESAS FINANCEIRAS DE EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS OBTIDOS JUNTO A PESSOA JURÍDICA foram incorridas conforme conta contábil 417.01.01.0002, Demonstrativo com Identificação da PJ concessora do crédito e sua especificação, bem os respectivos contratos — a ser confirmada em perícia; Através do Termo de Intimação nº 24/2019/EDCOM/SRRF03, a empresa foi intimada a apresentar: Tendo em vista Razão Analítico apresentado para a conta 4.1.7.01.01.0002 (juros pagos ou incorridos) informar a origem de cada débito lançado para os meses de 07 a 09/2003, relacionando, a cada débito, documento comprobatório do lançamento (Contrato, Extrato, origem da apuração) e, se houver, causa da divergência de valores entre os documentos comprobatórios e os lançamentos; Em sua resposta, a empresa se limita a informar: GUARANY SIDERURGICA E MINERAÇÃO S.A. , estabelecida na Rodovia BR- 222, km 14, Distrito Industrial de Piquiá, município de Açailândia, Estado do Maranhão, regularmente inscrita no CNPJ sob nº 10.426.518/0001-45 vem, respeitosamente, em cumprimento às exigências do Termo de Início do Procedimento Fiscal recebido em 29/03/2019 com pedido de dilação de prazo por 30 dias encerrando em 29/04/2019, apresentar a seguinte documentação: Fl. 819DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3001-002.346 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10325.900021/2011-89 Item 1 – Razão Analítico da conta 417.01.01.0002 (juros pagos ou incorridos) dos meses de 10 a 12/2003; Item 2 – Balancete Anual Venho por meio deste informar que perdemos a base de dados da empresa, por isso só estamos enviando o Balancete Anual do ano de 2003 para devida conferência, conforme o B.O. já protocolado. O Boletim de Ocorrência mencionado na resposta acima não foi apresentado. Diante do exposto, devido à não apresentação das informações solicitadas através do Termo de Intimação nº 24/2019/EDCOM/SRRF03, não há reparos a fazer nas glosas efetuadas pela fiscalização, no que se refere a Despesas financeiras de empréstimos e financiamentos obtidos junto a pessoas jurídicas. Quesito b)— A contabilização do lCMS nas aquisições. Resposta: A empresa se insurge quanto a glosa efetuada em crédito referente a calcário realizado no mês de setembro/2003, no valor de R$ 3.070,94, realizado pela fiscalização. Em sua defesa, apresenta a seguinte argumentação (parcialmente transcrita abaixo): 4.1-GLOSA DOS CRÉDITOS SOBRE CALCÁRIO. O Ilmo. Auditor Fiscal ao apreciar o Pedido de Ressarcimento quanto aos créditos vinculados à aquisição de Calcário determinou a glosa de parte do crédito pleiteado, não obstante o contribuinte tenha apresentado planilha com os números das Notas Fiscais, fornecedor e descrição do produto. A glosa fora justificada sob o argumento de que a escrituração contábil no livro razão apresenta registro a débito em determinado valor enquanto que no demonstrativo apresentado pelo contribuinte a aquisição dos referidos insumos apresenta outro valor. Diante desta suposta divergência, a autoridade fiscal entende que devem ser considerados os valores lançados no livro razão para efeito de cálculo do crédito do PIS/PASEP, em detrimento dos valores demonstrados pelo contribuinte em planilha com a indicação dos números das Notas Fiscais. A diferença dos valores entre o considerado pelo despacho decisório e o apresentado pela contribuinte para cálculo do crédito são: Maio de 2003 Demonstrativo de Aquisição do Contribuinte Livro-Razão(Critério do Despacho decisório) Calcário R$28.695,59 R$26.180,44 O despacho decisório, em resumo, considera que os valores apresentados pelo contribuinte no demonstrativo estão em valores maiores e incompatíveis com o Livro razão do ano-calendário 2003. Ao adquirir o insumo Calcário o lançamento contábil é efetuado da seguinte forma: Fl. 820DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3001-002.346 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10325.900021/2011-89 D: Estoque Insumo (Calcário, ou qualquer outro); R$ 8.300 D: Impostos; R$ 1.700 C: Fornecedor R$ 10.000 Acarretando que o lançamento no livro razão e balancete apresentam a apuração do cálculo dos créditos do PIS/PASEP sobre Calcário líquido do ICMS, pois, foram informados os valores de entrada no estoque. Em contraponto, no Levantamento e Planilhas apresentadas foi digitado o valor do crédito do PIS/PASEP com a correspondente inclusão do ICMS, conforme informações das Notas Fiscais. Dessa forma, as supostas divergências identificadas pela autoridade fiscal se devem ao fato de não observar que os valores apresentados no Livro Razão quanto às aquisições dos insumos são registrados sem a inclusão do ICMS. ... Diante do exposto, o despacho decisório impugnado deve ser reformado para reconhecer como base de cálculo para mensuração do crédito sobre Calcário, de acordo com a Planilha de aquisição apresentada pelo contribuinte — com a inclusão do ICMS - tendo em vista que autorizado pela legislação tributária e orientações da receita, tudo em consonância com a IN SRF n° 291/2003, aplicável à época do pedido. Ocorre que, em sua Informação Fiscal, a fiscalização traz argumento diverso para o motivo da mencionada glosa: Referente ao Mês de Setembro/2003 Calcário - no demonstrativo apresentado pelo contribuinte, encontra-se informado como aquisição de Calcário da PJ Induscal Ind. de Calcário Ltda., CNPJ n° 05.746.748/0001-51, e da PJ Gesso Integral Exp. e Com. Gipsita Ltda., CNPJ n° 00.913.051/0001-04, o valor total de R$ 44.807,00, conforme diversas Notas Fiscais; intimado o contribuinte a fornecer as amostras das NF n°s 009673, 009936, 010168, 010181, 010248, 002571 e 002673, o mesmo apresentou as amostras das NF’s n°s 009673, 009936, 010168, 010181 e 010248, emitidas pela Induscal Ind. de Calcário Ltda, que estão de acordo com as NF correspondentes do demonstrativo apresentado, encontrando-se registrado no Livro Razão o valor total de R$ 41.736,06, incluindo as NF emitidas pela PJ Gesso Integral Exp. e Com. Gipsita Ltda , que deverá ser considerado no cálculo do crédito, nos termos art. 3° da Lei n° 10.637/2002; Na Informação Fiscal, o motivo da glosa foi o não fornecimento das amostras das Notas Fiscais n's 002571 e 002673. Diante de tal fato, a fiscalização se valeu dos valores contidos no livro Razão (parcialmente copiado abaixo e fls. 760): (...) Através do Termo de Intimação nº 24/2019/EDCOM/SRRF03, a empresa foi intimada a apresentar cópias das mencionadas notas: Do exposto, deve a empresa apresentar no Livro Razão, aonde estão lançadas as NF n°s 002571 e 002673, bem como cópia das mencionadas notas fiscal, observando ainda que, em sua argumentação na Manifestação de Inconformidade apresentada, a empresa faz referência ao mês de maio de 2013. Em sua resposta, contudo, não há menção a tal solicitação, a referência a outro trimestre, nem apresentação das notas requisitadas. Fl. 821DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3001-002.346 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10325.900021/2011-89 Não há, portanto, reparos a fazer nas glosas efetuadas pela fiscalização, no que se refere à denominada contabilização do ICMS nas aquisições. [...] A respeito do resultado das conclusões fiscais, o interessado foi cientificado mas não se pronunciou, tendo apenas encaminhado, a destempo, cópia de Boletim de Ocorrência, anexada às fls. 781/782. Ao decidir sobre a manifestação de inconformidade (acórdão no 11-068.834, às fls. 783/800), a 2ª Turma da DRJ/REC, por unanimidade de votos, julgou-a procedente em parte. Esse r. decisum foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS. IMPROCEDÊNCIA DAS ALEGAÇÕES. Tratando-se de ressarcimento ou restituição, o ônus de provar a existência do direito creditório é do interessado, pelo que se mantém o indeferimento contra o qual o contribuinte se insurge alegando, sem comprovar, possuir créditos da não cumulatividade do PIS. CRÉDITO PRESUMIDO. DEFERIMENTO. Verificada a existência em favor do interessado de crédito presumido relativo a estoque de abertura, apurado em consonância com o art. 11 da Lei nº 10.637, de 2002, este deve ser deferido. NÃO CUMULATIVIDADE. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMBUSTÍVEIS. INSUMOS. DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE. Os combustíveis adquiridos e sujeitos à tributação monofásica do PIS/Pasep dão direito a crédito da contribuição quando utilizados como insumos no processo produtivo do adquirente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 PERÍCIA. REQUISITOS A perícia presta-se a dirimir dúvidas ou aprofundar a instrução processual acerca de matéria inserida na competência do perito, não se prestando, consequentemente, a discutir conclusões acerca da interpretação da legislação ou a suprir a insuficiência de provas decorrente do descumprimento do ônus probante, a cargo do Contribuinte. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Da decisão recorrida, merece ênfase o fato de que, apesar de ter indeferido o pedido de perícia contábil da requerente, por entender que os pontos controvertidos não necessitavam do parecer de um especialista e sim da apresentação de provas do direito pleiteado, o colegiado a quo decidiu converter o julgamento em diligência (fls. 687/689), para que a Unidade de Origem analisasse a documentação trazida pelo contribuinte junto da manifestação Fl. 822DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3001-002.346 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10325.900021/2011-89 de inconformidade e, caso necessário, o intimasse para apresentar outros elementos que eventualmente fossem necessários à comprovação do direito pleiteado. Procedida à diligência, inclusive com a intimação do contribuinte para apresentar novos documentos (vide Termo de Intimação às fls. 694/695), a unidade de origem propôs o reconhecimento do Crédito Presumido Relativo a Estoque de Abertura, que, no período (3º trimestre/2003), representou um crédito adicional no valor de R$ 13.511,48. Em relação às glosas envolvendo a aquisição de calcário no mês de setembro/2003 e as Despesas Financeiras de Empréstimos e Financiamentos Obtidos Junto a Pessoas Jurídicas no trimestre, a unidade de origem entendeu não haver motivo para revertê-las, dada a não apresentação de provas que respaldassem a informação prestada em DACON (maiores detalhes podem ser vistos nos trechos da INFORMAÇÃO FISCAL nº 82/2019/SRRF03/EDCOM transcritos acima). Retornados os autos para o colegiado a quo, este acatou a proposta da unidade de origem, reconhecendo crédito adicional no valor de R$ 13.511,48. Também decidiu-se pela reversão das glosas de créditos com os gastos com combustíveis (Óleo Diesel e Gasolina sujeitos à tributação monofásica) no trimestre, o que o resultou em crédito adicional de R$ 394,43. Somados, tais créditos totalizam um acréscimo de R$ 13.905,91 em relação ao crédito originalmente deferido pela fiscalização (fls. 124/130). Em relação aos créditos calculados com base em despesas financeiras, aquisição de calcário e encargos de depreciação, a decisão de piso manteve as glosas efetuadas pela fiscalização, fundamentando-se na informação de que, intimado a detalhar o origem de tais créditos, o contribuinte não apresentou a documentação solicitada. Externando sua oposição à decisão da câmara baixa, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 805/812) no qual, após um breve relato dos fatos processuais ocorridos até então: 1) Asseverou que os “elementos constantes dos autos, somados à diligência realizada pela autoridade fiscal, são mais que suficientes à comprovação das referidas despesas, não podendo o direito ao crédito ser condicionado à apresentação de documentos específicos” (fls. 808); 2) Destacou que “processo administrativo fiscal é regido pelo princípio da busca pela verdade material, que impõe ao julgador o dever de buscar os fatos tais quais se apresentam efetivamente na realidade, de modo a sobrepor a essência sobre a forma” (fls. 808); 3) Defendeu a possibilidade de apresentação de provas em qualquer fase do processo administrativo, inclusive após a interposição de Recurso Voluntário. Em seguida, transcreveu ementas de acórdãos desse Conselho que respaldariam tal entendimento; 4) Por fim, destacou que a DRJ teria cometido erro material ao indeferir os créditos em relação às despesas financeiras, “sob o único argumento de que o boletim de ocorrência anexado aos autos, que comprova a invasão “hacker” do dispositivo informático onde armazenados os respectivos Fl. 823DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 3001-002.346 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10325.900021/2011-89 comprovantes, teria sido efetuado por outro contribuinte, e que não faria qualquer menção à empresa ora Recorrente” (fls. 811); Dando-se prosseguimento ao feito, o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro João José Schini Norbiato, Relator. 1. Da competência para julgamento do feito Em virtude da norma contida no artigo 23-B do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, a qual aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, este colegiado é competente para apreciar este feito. 2. Do conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Posto isso, passo à análise das razões recursais trazidas sob um único título (Da fundamentação jurídica), o qual desdobraremos em subtítulos para conferir maior clareza à decisão. 3. Da fundamentação jurídica 3.1. Da suficiência das provas apresentadas A Recorrente afirma que os documentos constantes nos autos já seriam suficientes à comprovação dos créditos glosados e, portanto, diz discordar da decisão da DRJ, que, sob o fundamento de que o contribuinte não se desincumbiu do ônus de comprovar o seu direito, manteve as glosas de créditos calculados sobre despesas financeiras e aquisições de calcário. Posto isso, com vistas a determinar a pertinência de tal argumento, entendo ser necessário, antes de mais nada, identificar os motivos apontados pela unidade de origem para proceder à glosa em relação este dois itens. Vejamos: 3.1.1. Calcário De acordo com a INFORMAÇÃO FISCAL às fls. 124/130, na qual a unidade de origem registrou o resultado da auditoria de créditos do PIS/Pasep Não Cumulativo –Exportação do 3° trimestre/2003, o motivo para a glosa de créditos com a aquisição de calcário nos meses de Fl. 824DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 3001-002.346 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10325.900021/2011-89 julho e setembro de 2003 foi a discrepância entre o valor informado pelo contribuinte em demonstrativo das aquisições deste insumo nestes dois meses e o valor que foi escriturado na conta contábil destinada ao registro do estoque deste insumo. Embora já transcrito no relatório deste acórdão, para maior clareza reproduzo abaixo os trechos da INFORMAÇÃO FISCAL que abordam o esse item: 10. DOS INSUMOS a) Referente ao Mês de Julho/2003 a1) Calcário - no demonstrativo apresentado pelo contribuinte, consta como aquisição do produto o valor total de R$ 46.103,40, referente a diversas NF’s que teriam sido emitidas pela empresa Induscal Ind. de Calcário Ltda, CNPJ n° 05.746.748/0001-51, cuja amostras das NF’s n°s 006967, 007939, 008108, 008156, 008191, 008262 e 008313, fornecidas pelo contribuinte mediante Termo de Intimação, confirmam essa emissão, tendo sido encontrado registro no Livro Razão a importância total de R$ 41.493,18, que deverá ser considerada no cálculo do crédito do PIS/Pasep, nos termos art. 3° da Lei n° 10.637/2002; [...] c) Referente ao Mês de Setembro/2003 c1) Calcário - no demonstrativo apresentado pelo contribuinte, encontra-se informado como aquisição de Calcário da PJ Induscal Ind. de Calcário Ltda., CNPJ n° 05.746.748/0001-51, e da PJ Gesso Integral Exp. e Com. Gipsita Ltda., CNPJ n° 00.913.051/0001-04, o valor total de R$ 44.807,00, conforme diversas Notas Fiscais; intimado o contribuinte a fornecer as amostras das NF n°s 009673, 009936, 010168, 010181, 010248, 002571 e 002673, o mesmo apresentou as amostras das NF’s n°s 009673, 009936, 010168, 010181 e 010248, emitidas pela Induscal Ind. de Calcário Ltda, que estão de acordo com as NF correspondentes do demonstrativo apresentado, encontrando-se registrado no Livro Razão o valor total de R$ 41.736,06, incluindo as NF emitidas pela PJ Gesso Integral Exp. e Com. Gipsita Ltda , que deverá ser considerado no cálculo do crédito, nos termos art. 3° da Lei n° 10.637/2002; Ao se consultar o demonstrativo juntado às fls. 38 dos autos, contata-se um valor total de R$ 46.103,40 para o mês de julho/03. No entanto, somando-se os valores das aquisições lançadas na conta contábil de estoque 1.1.7.07.01.0005 –CALCÁRIO (fls. 112) no mesmo período (4.463,10, 3.111,24, 12.152,52 e 21.766,32 - valores “brutos”; lançados a crédito de fornecedores) chega-se ao valor total de R$ 41.493,18. No mês de setembro/03 ocorre o mesmo. Da consulta ao demonstrativo juntado às fls. 50 dos autos, contata-se um valor total de R$ 44.807,00. No entanto, somando-se os valores das aquisições lançadas na conta contábil 1.1.7.07.01.0005 –CALCÁRIO (fls. 119) no mesmo período (5.910,12, 2.674,08, 6.988,86, 8.238,24, 10.364,76 e 7.560,00 - valores “brutos”; lançados a crédito de fornecedores) chega-se ao valor total de R$ 41.736,06. Há que se destacar que em setembro há ainda mais uma aquisição registrada na conta contábil 1.1.7.07.01.0005 – CALCÁRIO no valor de R$ 666,72, que de acordo com a informação da fiscalização não foi considerada para fins de apuração do crédito do PIS, pois o contribuinte foi intimado a apresentar a comprovação deste dispêndio e não o fez. Ressalta-se ainda que a diferença entre o demonstrativo e a conta contábil não tem a ver com o fato de o ICMS a recuperar ser descontado do valor dos estoques (como alegado pelo contribuinte em manifestação de inconformidade), já que, como ressaltado acima, a partir Fl. 825DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 3001-002.346 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10325.900021/2011-89 das informações contidas nos excertos do livro razão (fls. 112 e 119), chega-se à conclusão que a fiscalização considerou o valor bruto das aquisições de calcário para determinar a base de cálculo do crédito de PIS. 3.1.2. Despesas Financeiras de Empréstimos e Financiamentos Obtidos Junto a Pessoas Jurídicas Em relação às glosas dos créditos calculados sobre Despesas Financeiras, de acordo com as conclusões registradas pela unidade origem na INFORMAÇÃO FISCAL às fls. 124/130, o contribuinte não apresentou informação que especificasse as operações de crédito e as Pessoas Jurídicas que as concederam. Ainda de acordo com essa informação, a memória de cálculo apresentada apenas reproduziu os valores constantes em DACON, não havendo um demonstrativo contendo detalhamento das operações de crédito. Em um segundo momento, já quando da realização da diligência solicitada pela DRJ e tendo por base o argumento (trazido pelo contribuinte em sua manifestação de inconformidade) de que as despesas financeiras foram incorridas conforme conta contábil 4.1.7.01.01.0002 (juros pagos ou incorridos), a unidade de origem solicitou que o contribuinte informasse a origem de cada débito lançado nessa conta contábil nos meses 07 a 09/2003, relacionando, a cada débito, documento comprobatório do lançamento (Contrato, Extrato, origem da apuração). No entanto, conforme relata a unidade de origem, essas informações não foram apresentadas. Com o fito de entender melhor as conclusões da unidade de origem nesses dois momentos distintos (primeiro ao registrar o resultado da fiscalização dos créditos e depois na conclusão da diligência solicitada pela DRJ), reproduzo trechos das informações fiscais que tratam do assunto: INFORMAÇÃO FISCAL (fls. 128) a3) Despesas Financeiras de Empréstimos e Financiamentos Obtidos Junto a Pessoas Jurídicas (linha 07 da Ficha 04 do DACON) - no demonstrativo apresentado pelo contribuinte não se encontra demonstrado as supostas despesas, constando, porém, informado na memória de cálculo apresentada pela PJ como Despesas com Empréstimos e Financiamentos referente ao mês de julho/2003, o valor total de R$ 130.354,68, referente ao mês de agosto/2003, o valor total de R$ 131.049,57, e referente ao mês de setembro/2003, o valor total de R$ 127.462,95, que não deverão ser considerados no cálculo do crédito do PIS/Pasep Não Cumulativo, nos termos do art. 3° da Lei n° 10.637/2002, visto não estarem devidamente demonstrados na memória de cálculo, tais como a identificação da PJ prestadora do empréstimo, especificação do empréstimo, etc, que dê suporte à verificação da autenticidade das supostas despesas, se limitando a memória de cálculo a informar os mesmos valores declarados na linha 07 da Ficha 04 do DACON; .... INFORMAÇÃO FISCAL nº 82/2019/SRRF03/EDCOM (fls.761/769) Em sua Manifestação de inconformidade, a empresa apresentou documentos contidos entre as fls. 136 a 684 e informou: Fl. 826DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 3001-002.346 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10325.900021/2011-89 (xii) As DESPESAS FINANCEIRAS DE EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS OBTIDOS JUNTO A PESSOA JURÍDICA foram incorridas conforme conta contábil 417.01.01.0002, Demonstrativo com Identificação da PJ concessora do crédito e sua especificação, bem os respectivos contratos — a ser confirmada em perícia; Através do Termo de Intimação nº 24/2019/EDCOM/SRRF03, a empresa foi intimada a apresentar: Tendo em vista Razão Analítico apresentado para a conta 4.1.7.01.01.0002 (juros pagos ou incorridos) informar a origem de cada débito lançado para os meses de 07 a 09/2003, relacionando, a cada débito, documento comprobatório do lançamento (Contrato, Extrato, origem da apuração) e, se houver, causa da divergência de valores entre os documentos comprobatórios e os lançamentos; Em sua resposta, a empresa se limita a informar: GUARANY SIDERURGICA E MINERAÇÃO S.A. , estabelecida na Rodovia BR- 222, km 14, Distrito Industrial de Piquiá, município de Açailândia, Estado do Maranhão, regularmente inscrita no CNPJ sob nº 10.426.518/0001-45 vem, respeitosamente, em cumprimento às exigências do Termo de Início do Procedimento Fiscal recebido em 29/03/2019 com pedido de dilação de prazo por 30 dias encerrando em 29/04/2019, apresentar a seguinte documentação: Item 1 – Razão Analítico da conta 417.01.01.0002 (juros pagos ou incorridos) dos meses de 10 a 12/2003; Item 2 – Balancete Anual Venho por meio deste informar que perdemos a base de dados da empresa, por isso só estamos enviando o Balancete Anual do ano de 2003 para devida conferência, conforme o B.O. já protocolado. O Boletim de Ocorrência mencionado na resposta acima não foi apresentado. Diante do exposto, devido à não apresentação das informações solicitadas através do Termo de Intimação nº 24/2019/EDCOM/SRRF03, não há reparos a fazer nas glosas efetuadas pela fiscalização, no que se refere a Despesas financeiras de empréstimos e financiamentos obtidos junto a pessoas jurídicas. 3.1.3. Conclusão Portanto, analisando as informações requisitadas (e não apresentadas pelo contribuinte), não me parece que o direito ao crédito tenha sido condicionado à apresentação de documentos dispensáveis ou que poderiam ser substituídos por outros apresentados. Vê-se que 1) as notas fiscais são documentos básicos no que se refere à comprovação de aquisição de calcário e 2) as informações sobre os concedentes dos créditos e a finalidade destes recursos são indispensáveis para se verificar a pertinência da apuração de crédito em relação as despesas com essas operações. Fl. 827DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 3001-002.346 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10325.900021/2011-89 Logo discordo do argumento de que “os elementos constantes dos autos, somados à diligência realizada pela autoridade fiscal, são mais que suficientes à comprovação das referidas despesas”. Fossem os elementos carreados aos autos suficientes para comprovação do direito, este teria sido reconhecido, sobretudo após a realização de diligência. Em verdade, se analisarmos o processo, veremos que várias foram as oportunidades tidas pela ora Recorrente de se desincumbir do ônus probatório, mas não o fez. Dentre essas ocasiões, podemos citar as intimações realizadas pela unidade origem quando da fiscalização dos créditos, a apresentação de manifestação de inconformidade e a intimação feita quando da diligência fiscal. O que se vê é que a unidade de origem indicou claramente os critérios de análise e o motivo das glosas realizadas (fls. 124/130). A DRJ, por sua vez, em face dos argumentos e documentos apresentados em manifestação de conformidade, solicitou a realização de diligência (fls. 687/689). A unidade de origem, então, solicitou novos documentos ao contribuinte (fls. 694/695) e realizou nova análise (fls. 761/769). Por fim, o colegiado a quo proferiu decisão respaldado em todos os levantamentos realizados. Toda essa dinâmica processual demonstra que os documentos e alegações da ora Recorrente foram analisados minuciosamente, mas que restou não comprovado o direito em relação aos créditos glosados. Agora, também em sede de recurso voluntário, a Recorrente reafirma haver prova do seu direito, mas não as especifica. Tampouco esclarece quais provas que, eventualmente, constariam no processo, mas foram desconsideradas pela fiscalização e pela câmara baixa em suas análises. Lembremos que, em se tratando de um fato constitutivo de um direito, caberia à Recorrente dele fazer prova, nos termos do art. 373, I, do CPC, e do art. 28 do Decreto nº 7.574/2011. 3.2. Da possibilidade de apresentação de provas a qualquer tempo Inclusive a Recorrente pugna pela apresentação de provas até mesmo após a interposição de Recurso Voluntário e diz se reservar o direito de anexar cópias das Notas Fiscais tidas como imprescindíveis. Acerca dessa possibilidade, o que tem sido admitido, excepcionalmente, por este Conselho, é a apresentação de provas após a manifestação de inconformidade, seja por se vislumbrar alguma situação que se enquadre no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, seja porque se trata de um direito creditório indeferido em despacho decisório eletrônico, o que não é o caso dos autos. Portanto, in casu, não se justificativa nem mesmo a apresentação de documentos em âmbito de recurso, que dirá após sua interposição. 3.3. Do erro material da decisão do colegiado a quo Outra alegação é a de que a decisão de piso teria incorrido em erro material ao indeferir a defesa (quanto os créditos decorrentes de despesas financeiras) sob o único argumento Fl. 828DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 3001-002.346 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10325.900021/2011-89 de que o boletim de ocorrência (B.O.) juntado aos autos 1 foi efetuado por outro contribuinte, sem indicação da Recorrente. Quanto isso, como já consignado neste voto, o fundamento para a glosa dos créditos decorrentes das despesas financeiras foi a não apresentação de informações que detalhassem tais dispêndios. Nesse sentido, os apontamentos realizados pelo colegiado a quo quanto ao teor do referido BO não podem ser interpretados como o fundamento único para a manutenção da glosa. A proposito, as observações da DRJ acerca do boletim de ocorrência devem ser interpretadas com tal, ou seja, são considerações sobre esse documento em específico e sobre sua inidoneidade como prova do direito creditório. O fato é que, apesar de ser lamentável o dano sofrido pela Recorrente devido ao “ataque hacker” aos seus sistemas, tal ocorrência pode ser enquadrada naquilo que a doutrina e a jurisprudência (sobretudo no direito civil) convencionaram chamar de fortuito interno, ou seja, um evento alheio à vontade e até mesmo inesperado, mas, ainda assim, um risco inerente à atividade das organizações, que, neste caso concreto, não implica a dispensa do dever de apresentação de provas do direito alegado. Aliás, é de se esperar que, com o crescimento do uso de meios eletrônicos para o registro e o compartilhamento de dados, ataques cibernéticos tornem-se mais comuns. Logo, incumbe às organizações e aos governos manterem procedimentos de segurança para resguardar a segurança de seus dados. Nesse cenário, a manutenção de cópias de segurança (backups) e outras ações voltadas à integridade de dados devem ser implementadas, na tentativa de mitigar os efeitos de tais ataques. Por fim, há que se acrescentar que o Boletim de Ocorrência não tem o condão de substituir a apresentação da documentação pertinente à comprovação do direito pleiteado. Trata- se de um ato unilateral, um instrumento de coleta de informações, que serve à comunicação de um fato potencialmente criminoso, mas que, isoladamente, não faz prova a favor do contribuinte. 3.4. Do princípio de verdade material Quanto à regência do processo administrativo pelo princípio da verdade material, não há que se discordar. Realmente, trata-se de um postulado fundamental do direito adjetivo na esfera administrativa. Não se pode olvidar, contudo, que ele não é o único princípio a reger o processo administrativo e, muito menos, que sua aplicação não acarreta o dever de as autoridades julgadoras suprirem a necessária atividade probatória das partes. As partes têm o ônus de fazer prova do alegado; seja a Fazenda, que exige o crédito, seja o contribuinte, que alega um direito creditório ou diz existir um fato impeditivo, modificativo ou extintivo de uma exigência tributária. Diante disso, é preciso que se tenha claro que a busca da verdade material é um dever do julgador, que, tomado pela dúvida em relação aos fato alegados pelas partes, procura ir além deles para chegar à “verdade real”. Não se trata, como dito, de substituir atividade 1 O B.O, em questão encontra-se às fls. 781/782 e relata a invasão de dispositivo informático, que segundo a corrente acacrretou na perda das informações referentes às despesas financeiras no perído em análise. Fl. 829DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 3001-002.346 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10325.900021/2011-89 probatória que cabe às partes, mas sim de transcender as provas apresentadas, quando ainda restarem dúvidas. No caso, concreto, em que o reconhecimento do direito dependia de provas a serem apresentadas pela Recorrente, não cabe ao julgador suprir tal deficiência sob o pretexto de estar perseguindo a verdade material. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) João José Schini Norbiato Fl. 830DF CARF MF Original
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Numero do processo: 14751.720036/2019-43
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2014
MULTA QUALIFICADA - COMPROVAÇÃO DO DOLO
Comprovado cometimento intencional da infração, justifica-se e impõe-se a qualificação da multa de ofício.
LANÇAMENTO DECORRENTE - CSLL
O decidido para o lançamento de IRPJ estende-se aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual, salvo se houver razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2014, 2015
SUJEIÇÃO PASSIVA - ILEGITIMIDADE PARA IMPUGNAR VÍNCULO DE RESPONSABILIDADE DE OUTREM
Havendo pluralidade de sujeitos passivos, nenhum deles é parte legítima para, em nome próprio, impugnar a sujeição passiva de quaisquer um dos demais.
Numero da decisão: 1002-002.663
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer parcialmente do recurso voluntário, não conhecendo a alegação da impugnação acerca da suposta não incidência do art. 135, III, do CTN para redirecionamento da responsabilidade tributária para sócio. para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Fellipe Honório Rodrigues da Costa- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral, Fellipe Honório Rodrigues da Costa e Miriam Costa Faccin.
Nome do relator: FELLIPE HONORIO RODRIGUES DA COSTA
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LANÇAMENTO DECORRENTE - CSLL O decidido para o lançamento de IRPJ estende-se aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual, salvo se houver razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2014, 2015 SUJEIÇÃO PASSIVA - ILEGITIMIDADE PARA IMPUGNAR VÍNCULO DE RESPONSABILIDADE DE OUTREM Havendo pluralidade de sujeitos passivos, nenhum deles é parte legítima para, em nome próprio, impugnar a sujeição passiva de quaisquer um dos demais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer parcialmente do recurso voluntário, não conhecendo a alegação da impugnação acerca da suposta não incidência do art. 135, III, do CTN para redirecionamento da responsabilidade tributária para sócio. para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva- Presidente. (documento assinado digitalmente) Fellipe Honório Rodrigues da Costa- Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 72 00 36 /2 01 9- 43 Fl. 294DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1002-002.663 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 14751.720036/2019-43 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral, Fellipe Honório Rodrigues da Costa e Miriam Costa Faccin. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG que, ao apreciar a manifestação de inconformidade apresentada, entendeu, por unanimidade de votos, julgá-la parcialmente procedente. Por bem descrever o ocorrido, valho-me do relatório elaborado pelo julgador de primeiro grau: Os autos de infração a folhas 150 a 195 exigem o recolhimento de crédito tributário no montante de R$ 1.146.918,44, assim discriminado: Descrição das infrações imputadas Auto de infração de IRPJ O autuante atribui à autuada a infração de cuja descrição adiante se faz uma síntese. 1. ARBITRAMENTO DO LUCRO - Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o contribuinte notificado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização e termos de intimação anexos, deixou de apresentá-los. Enquadramento Legal: art. 530, inciso III, do Decreto nº 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR 1999). 2. RECEITA BRUTA NA REVENDA DE MERCADORIAS – Arbitramento do lucro realizado com base na receita bruta da venda de produtos de fabricação própria, revenda de mercadorias e rendimentos de aplicações financeiras, obtidas das Notas Fiscais Eletrônicas disponíveis no Sistema de Escrituração Pública, Sped NFe e Registros em Declaração de Imposto de Renda na Fonte, DIRF de Terceiros, tendo em vista contribuinte notificado (Termo de Intimação Fiscal nº 02 deste Procedimento Fiscal) não ter apresentado os livros e documentos da sua escrituração, Livro Caixa ou Registros Q100 Substitutivos da Escrituração Contábil Fiscal ECF, conforme relatório fiscal anexo, em conformidade com o Art. 530, inciso III, do RIR/99. Datas do fato gerador: 31/03/2014, 30/06/2014, 30/09/2014, 31/12/2014, 31/03/2015, 30/06/2015, 30/09/2015 e 31/12/2015. Enquadramento legal: art. 3º da Lei nº 9.249/95; art. 532 do RIR 1999. Auto de infração de CSLL O autuante atribui à autuada a infração de cuja descrição adiante se faz uma síntese. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA CSLL OU Fl. 295DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1002-002.663 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 14751.720036/2019-43 ADICIONAL – Arbitramento do lucro realizado com base na receita bruta da venda de produtos de fabricação própria, revenda de mercadorias e rendimentos de aplicações financeiras, obtidas das Notas Fiscais Eletrônicas disponíveis no Sistema de Escrituração Pública, Sped NFe e Registros em Declaração de Imposto de Renda na Fonte, DIRF de Terceiros, tendo em vista contribuinte notificado (Termo de Intimação Fiscal nº 02 deste Procedimento Fiscal) não ter apresentado os livros e documentos da sua escrituração, Livro Caixa ou Registros Q100 Substitutivos da Escrituração Contábil Fiscal ECF, conforme relatório fiscal anexo, em conformidade com o Art. 530, inciso III, do RIR/99. Datas do fato gerador: 31/03/2014, 30/06/2014, 30/09/2014, 31/12/2014, 31/03/2015, 30/06/2015, 30/09/2015 e 31/12/2015. Enquadramento legal: art. 2º da Lei nº 7.689/88 com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Lei nº 8.034/90; art. 2º da Lei nº 9.249/95; artigo 29 da Lei nº 9.430/1996; art. 22 da Lei nº 10.684/03; art. 3º da Lei nº 7.689/88, com redação dada pelo art. 17 da Lei nº 11.727/08; art. 28 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 49 da Lei nº 12.715/12. Imputação de responsabilidade solidária O auto de infração, além da pessoa jurídica em epígrafe, qualifica ainda como sujeito passivo, na condição de responsável solidário, o senhor Ezequiel Carvalho de Oliveira. Da motivação para a imputação de responsabilidade solidária extraem-se as observações e argumentos resumidos adiante. A empresa iniciou suas atividades em 18/09/2002. No período sob fiscalização a empresa era administrada pelo sócio, Sr. Ezequiel Carvalho de Oliveira. Fatos geradores foram registrados em Escriturações Contábeis Fiscais – ECFs e em Escriturações Fiscais Digitais – EFDs, em compatibilidade com as notas fiscais emitidas que compreendem receitas e o próprio faturamento. Apesar dos referidos registros, não houve a constituição espontânea dos débitos tributários para com a Fazenda, por meio do instrumento previsto na legislação, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, DCTF, exceto novembro e dezembro do ano de 2015. Registre-se que nos meses de janeiro a junho de 2014, os tributos foram inicialmente declarados por meio da DCTF, mas posteriormente retificados com a anulação completa dos valores, tornando sem efeito a declaração original que constituiria débitos para com a Fazenda Nacional, IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, compatíveis com as notas emitidas, de forma espontânea. O faturamento bruto, pelas notas fiscais emitidas, foi decrescente. Em 2017 houve a saída da sócia Sra. Érica Amorim Fernandes Pessoa, oportunidade que, conforme declaração trazida a termo, tomou posse do imóvel como contrapartida da sua saída, (processo 14751.720016/2019-72, folhas 50 a 52). De forma contraditória a essa dita assunção de posse do imóvel, houve declaração Sr. Ezequiel Carvalho de Oliveira de que não houve descontinuidade da utilização do imóvel por parte da Tectubo Indústria e Comércio Ltda naquele momento, bem como não houve pagamento de aluguel por parte do empreendimento, o que sinaliza a ausência de consistência da referida informação, ou simples desconhecimento da amplitude do termo e suas implicações. (processo 14751.720016/2019-72, folhas 46 a 49 e folhas 50 a 52) Fl. 296DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1002-002.663 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 14751.720036/2019-43 Em onze de abril de 2018 houve registro da 3ª Alteração Contratual junto à Junta Comercial, na intenção de transferir as cotas da sociedade, ativos e passivos, ao Sr. Márcio Alcylonne Tenório da Silva, oportunidade que o único responsável do negócio Sr. Ezequiel Carvalho de Oliveira deu integral e irrevogável quitação de quaisquer eventuais haveres junto ao novo sócio e a sociedade, conforme cláusula quarta. Observe-se que o capital social, ainda que nominal (empresa sem contabilidade obrigatória), era da ordem de um milhão de reais. (processo 14751.720016/2019-72, folhas 43 a 45). A referida alteração contratual registrada em Junta, transferência de cotas, é contemporânea ao término de emissão das notas pela empresa. Considerando esse contexto e demais registros que serão trazidos a seguir, a referida operação de transferência de cotas carece de propósito econômico empresarial, tendo em vista não ter lastro em planos, projetos e total inexiquibilidade de uma eventual retomada das atividades para uma consequente rentabilização do negócio, ou mesmo de uma simples geração de caixa pela venda de ativos, porventura existentes. Nas declarações trazidas a termo, fica evidenciado a total alienação dos negócios pretensamente assumidos pelo único detentor das cotas, Sr. Márcio Alcylonne Tenório da Silva. (processo 14751.720016/2019-72, folhas 11 a 13). Observe-se que somente de potenciais dívidas tributárias registradas nas escritas fiscais nos anos de 2014 e 2015 e tão somente da empresa Tectubo Indústria e Comércio Ltda são estimados a ordem de R$ 1,019 milhões de principal, considerando apenas IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, sem qualquer evidenciação que seus ativos eventualmente disponíveis possam suportar essas contas. Evidencia-se, desta forma, que não subsiste um único propósito para a transferência das cotas, que não seja o de tentar se eximir das obrigações empresariais, por parte do Sr. Ezequiel Carvalho de Oliveira, já que o Sr. Márcio Alcylonne Tenório da Silva não apresenta quaisquer indícios de condição econômica, patrimonial ou entendimento da situação do negócio que possa suscitar que há uma intenção de reativar o negócio e muito menos de recuperá-lo. (processo 14751.720016/2019-72, folhas 11 a 13 em combinação com folhas 57 a 62). Ademais, todas as declarações relacionadas a venda das cotas não foram seguidas de documentos que comprovem tal transação, ainda que as declarações sejam essencialmente compatíveis umas com as outras. Os elementos que denotam a ausência de propósito empresarial, obtido nos termos de declaração e durante o procedimento fiscal são os expostos nos itens seguintes. Afirmação do Sr. Márcio Alcylonne Tenório da Silva de que a alteração do endereço da indústria, sem a transferência do maquinário, é para redução de custo, ou seja, a tal economia inviabiliza a produção e a consequente obtenção de receitas futuras (processo 14751.720016/2019-72, folhas 11 a 13). Afirmação do Sr. Márcio Alcylonne Tenório da Silva de que houve aquisição de cotas, com pretenso pagamento de valores ao titular anterior, Sr. Ezequiel Carvalho de Oliveira, envolvendo um empreendimento cujas obrigações Fl. 297DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1002-002.663 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 14751.720036/2019-43 líquidas pendentes são consideravelmente superiores ao valor pretensamente pago por essas cotas (processo 14751.720016/2019-72, folhas 11 a 13). Aquisição de várias empresas em um único momento, sem saber qual o capital social envolvido, ainda que se trate de um valor nominal; (processo 14751.720016/2019-72, folhas 11 a 13). O pretenso único titular da empresa, Sr. Márcio Alcylonne Tenório da Silva, ter conhecimento precário dos passivos atuais e dos riscos legais futuros dos tais empreendimentos pretensamente assumidos, tais como as dívidas tributárias e trabalhistas (processo 14751.720016/2019-72, folhas 11 a 13). Aparente despreocupação por parte do Sr. Márcio Alcylonne Tenório da Silva com a inviabilização do negócio, pela existência de tais passivos (processo 14751.720016/2019-72, folhas 11 a 13). O pretenso único titular empresarial, Sr. Márcio Alcylonne Tenório da Silva informar não saber se outorgou poderes de administração ou de representação a terceiros (processo 14751.720016/2019-72, folhas 11 a 13). Total incapacidade de pagamento das cotas por parte do Sr. Marcio Alcylonne, nos termos declarados e trazidos a termo no curso deste procedimento fiscal, que já denotam e evidenciam a impossibilidade para efetuar qualquer investimento em capital de giro e outros para que se possa reativar as atividades da empresa (processo 14751.720016/2019-72, folhas 11 a 13). Locação de imóvel pelo Sr. Márcio Alcylonne Tenório da Silva, para abrigar a sede da empresa sem conhecer o locador do imóvel, conforme declarações trazidas a termo (processo 14751.720016/2019-72, folhas 11 a 13). Dito endividamento da ordem de trezentos mil reais, junto ao titular anterior e por acordo verbal, sem apresentar qualquer capacidade de pagamento, seja em termos da inexistência de patrimônio declarado para o Fisco, seja pela inexistência de renda declarada no ano exatamente anterior a transação (processo 14751.720016/2019-72, folhas 11 a 13 em combinação com folhas 46 a 49). Incoerência nas declarações em relação ao nível de relacionamento com demais titulares e sócios, anteriores e atuais, nas empresas que formam o tal grupo empresarial “adquirido”, sendo que o relacionamento, ainda que profissional, seria fundamental para reativação deste e dos demais negócios (processo 14751.720016/2019-72, folhas 11 a 13). Informação trazida a termo, do Sr. Ezequiel Carvalho de Oliveira, de desfazimento do imóvel sede da Tectubo Indústria e Comércio Ltda, com a pretensa venda ao Sr. Welington Veiga Pessoa, o que inviabilizaria uma das eventuais garantias para uma possível tomada de recursos de terceiros para uma reativação do negócio (processo 14751.720016/2019-72, folhas 46 a 49). As transações que carecem de documentos para a comprovação de sua ocorrência, relacionadas a dita transferência de cotas, são: 1) Empréstimo de cem mil reais, prévio a transferência de cotas, do Sr. Ezequiel Carvalho de Fl. 298DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1002-002.663 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 14751.720036/2019-43 Oliveira junto à Márcio Alcylonne Tenório da Silva, sendo o primeiro devedor e o segundo credor; (processo 14751.720016/2019-72, folhas 11 a 13 em combinação com folhas 46 a 49) 2) Venda de animais no montante de, ao menos, R$ 100 mil, pelo Sr. Márcio Alcylonne Tenório da Silva, com o intuito de pagar parte das cotas empresariais; (processo 14751.720016/2019-72, folhas 11 a 13 em combinação com folhas 46 a 49) 3) Endividamento por mútuo verbal, de trezentos mil reais, com garantia do maquinário, entre o Sr. Márcio Alcylonne Tenório da Silva junto e o Sr. Ezequiel Carvalho de Oliveira, sendo o primeiro devedor e o segundo credor, no momento de transferência das cotas, observando-se que essa declaração diverge da 3ª Alteração do Contrato Social em sua cláusula quarta, registrada na Junta Comercial, na qual o Sr. Ezequiel Carvalho de Oliveira daria total e irrevogável quitação de quaisquer haveres existentes junto à sociedade ou ao novo titular; (processo 14751.720016/2019- 72, folhas 11 a 13 em combinação com folhas 46 a 49 e folhas 43 a 45) 4) Venda, a valor de mercado e com ônus, do imóvel sede da Tectubo Indústria e Comércio Ltda ao Sr. Welington Veiga Pessoa. (processo 14751.720016/2019- 72, folhas 46 a 49 em combinação com folhas 53 a 56) Os elementos analisados isoladamente eventualmente não permitem a conclusão quanto a ausência de propósito empresarial, mas quando analisados em conjunto permitem uma clara visão de que trata-se de uma transação que nunca ocorreu de fato, mas tão somente seguiu o mínimo formalismo exigido pela Junta Comercial, não transformando a situação empresarial fática, qual seja o encerramento das atividades empresariais, sendo uma operação fictícia, em qualquer respaldo na realidade, com a única finalidade de tentar exonerar o titular anterior, Sr. Ezequiel Carvalho de Oliveira, do cumprimento dos passivos existentes, inclusive os tributários. Enquadramento Legal: Art. 124, inciso I, da Lei n° 5.172/66. Relatório fiscal No relatório fiscal a folhas 200 a 203, o autuante apresenta a motivação dos lançamentos. Dele extraem-se as observações e argumentos resumidos adiante. DO PROCEDIMENTO A Fiscalização fora constituída por meio do Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal, tendo havido emissão e envio de Termo de Início de Procedimento Fiscal, encaminhado pela via postal, em 1°/08/2018, ao endereço constante dos cadastros dessa instituição, qual seja, Avenida Doutor Durval de Goés Monteiro, 5015, Galpão 5 E, Bairro Santo Amaro, Maceió AL, e da referida postagem, AR490845208BI, retornou informação de inexistência do número informado, conforme consta do processo 14751.720036/2019-43, fls. de 2 a 5. Após retorno da referida postagem pelo Correio, foi emitido Edital Eletrônico publicado em 12/09/2018, cuja notificação passou a ter efeito a partir de 27/09/2018, dando início ao procedimento fiscal, conforme consta do processo 14751.720036/2019-43, fL 6. Fl. 299DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1002-002.663 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 14751.720036/2019-43 Em função da dificuldade de efetuar contato com o contribuinte, seus representantes legais ou titular atual (cadastral), foi emitido Termo de Diligência e Constatação por Auditores da Receita Federal do Brasil no âmbito da DRF Maceió, conforme consta do proce5s014751.720036/2019-43, fls. 7 a 10. Durante o procedimento foram obtidas declarações trazidas a termo das seguintes pessoas, que passaram pelo quadro societário, ou de titularidade (cadastral) da empresa: Márcio Alcylonne Tenório da Silva; Ezequiel Carvalho de Oliveira; e Erica Amorim Fernandes Pessoa, bem como também foi obtida declaração trazida a termo do Sr. Luís Eduardo Salles Correa, atual contador nos registros existentes junto à Secretaria Especial da Receita Federal, conforme consta do processo 14751.720036/2019-43, folhas 11 a 13, 46 a 49, 50 a 52 e 14. Complementarmente, foram obtidas informações junto Secretaria Municipal de Economia da Prefeitura de Maceió, 29/11/2019, as quais indicam a titularidade junto àquele ente federativo, de imóvel situado a Rua João José Pereira Filho, S/N, Quadra 05, módulo 11 e 12 — Tabuleiro dos Martins, CEP 57.081-000, para o contribuinte fiscalizado, Tectubo Indústria e Comércio Ltda., conforme consta do processo 14751.72006/20.19-43, folhas 53 a 56. Para fins de esclarecimento da transação de aquisição de cotas informada nas declarações trazidas a termo foi obtida Declaração de Imposto de Renda do Sr. Marcio Alcylonne Tenório da Silva, conforme consta do processo 4751.720036/2019-43, folhas 57 a 62. Para fins de obtenção de esclarecimentos adicionais às declarações trazidas a termo já citadas neste Relatório, foi emitido Termo de Constatação e Intimação em Procedimento Fiscal 01, TIF01, em 29/11/2018, todavia, o referido termo fora devolvido, conforme consta do processo 14751.720036/2019-43, fls. 63 a 68. Em função do insucesso quanto à ciência do referido termo, fora emitido novo Termo de Intimação em Procedimento Fiscal, TIF 02, o qual fora dada ciência por meio de Edital Eletrônico 005651457, de 04/02/2019 e ciência em 19/02/2019, o que pode ser confirmado no processo 14751.720036/2019-43, fls. 69 a 76. Em 26/02/2019 foi emitido Termo de Diligência/Constatação pela Fiscalização da DRF Maceió, Auditor Fiscal Sr. Marcos Antonio Rios Forte, referente as inconsistências quanto existência de atividade empresarial, confirmando e constatando a inexistência de processo industrial, comercial, ou mesmo administrativo no endereço constante do cadastro da Secretaria Especial de Receita Federal (dado informado peio contribuinte), Av. Durval de Goés Monteiro, 5015, Galpão 5 E, Bairro Santc Amaro, Maceió, AL„ o que pode ser verificado no processo 14751.72003612019-43, fl. 77 a 102. DOS FATOS GERADORES DE TRIBUTAÇÃO — IRPJ E CSLL O contribuinte escriturou a Escrituração Contábil Fiscal, ECF, transmitindo- a. Notificado a apresentar os arquivos Q100, equivalente ao Livro Caixa, ou o próprio Livro Caixa, por meio do Termo de Intimação Fiscal n° 02, não houve cumprimento da exigência. Fl. 300DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1002-002.663 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 14751.720036/2019-43 Não havendo apresentação de Livro Caixa, ou de registro equivalente, houve o lançamento do lucro arbitrado, sofrendo a majoração de 20%, perfazendo uma estimativa de lucro presumido de 9,6%, e os fatos geradores foram apurados a partir dos valores consolidados de Notas Fiscais Eletrônicas de Saída do contribuinte sob Fiscalização, com Código Fiscal de Operação e Prestação, CFOP, correspondentes à receita bruta, não canceladas, menos descontos concedidos, o que pode ser venficado nas fls. 103 a 148 do processo 14751.720036/2019-43. Também foram agregados os rendimentos de aplicação financeira apresentados em Declaração de Imposto Retido na Fonte, DIRF, de terceiros, conforme pode ser confirmado nos quadros da fl. 149 do processo 14751.720036/2019-43. Após, foram consolidados os valores trimestrais, base para os tributos IRPJ e CSLL reflexo. Tendo em vista o contribuinte ter apresentado Declaração de Débito e Crédito Tributário Federal, DCTF, para os meses de março de 2014 (primeiro trimestre), junho de 2014 (segundo trimestre) e junho de 2015 (segundo trimestre), IRPJ e CSLL, posteriormente ter efetuado sua retificação sem a respectiva confirmação dos valores apurados, DCTF zerada, e sem que tal alteração estivesse lastreada na realidade dos fatos comerciais e econômicos geradores de tributação verificados em Notas Fiscais Eletrônicas, NFe., disponíveis no Sistema Sped e na própria Escrituração Contábil Fiscal, ECF, foram aplicadas multas de 150% no período referenciado e nos demais períodos, 75%. DA CARACTERIZAÇÃO DE SOLIDARIEDADE No procedimento identificou-se solidariedade tributária fática do Sr. Ezequiel Carvalho de Oliveira, o que fora caracterizado em Relatório Específico, não havendo documentos que comprovem as transações que precederam a pretensa transferência de cotas, com ônus, bem como total ausência de propósito econômico empresarial para a referida transação de transferência de titularidade para o Sr. Marcio Alcylonne Tenório da Silva. CONCLUSÕES Apesar das receitas auferidas e verificadas durante o processo de fiscalização encontrarem-se compatíveis com Escrituração Contábil Fiscal ECF e Escrituração Fiscal Digital, EFD Contribuições, o contribuinte não efetuou a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, exceto último trimestre de 2015, no que se refere ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Desta forma, restou à Administração Tributária, por meio desta Ação Fiscal, o lançamento de Ofício a partir do instrumento de Auto Infração. Ciência do lançamento, sua impugnação Conforme termo a fls. 220, a pessoa jurídica autuada foi cientificada do lançamento em 29/03/2019, uma sexta-feira, por meio de edital que havia sido publicado quinze dias antes. Fl. 301DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1002-002.663 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 14751.720036/2019-43 Conforme aviso de recebimento a fls. 228, o sujeito passivo por responsabilidade solidária foi cientificado do lançamento, por via postal, em 16/04/2019. Em 29/04/2019, conforme termo a folhas 204, foi apresentada impugnação em nome de Tectubo Indústria e Comércio, a qual se acha juntada a folhas 206 a 219. Quanto ao outro sujeito passivo, não se encontra nos autos nenhuma impugnação apresentada em seu nome. Os enunciados seguintes resumem o conteúdo da única impugnação apresentada. DOS FATOS Foi apurada diferença tributária a recolher, bem como aplicado multa de ofício qualificada e, ainda, redirecionado a reponsabilidade tributária para o sócio administrador a época do fato gerador, mesmo sem haver qualquer dissolução irregular da empresa. Quanto a aplicação da multa de ofício qualificada, a presunção legal na omissão de receita e consequente aplicação da multa na sua forma simplificada é regra que se impõe, uma vez que a omissão dolosa, fraude e conluio, nos moldes do art. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, devem ser comprovados. DO DIREITO A – DA PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITA, IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DE MULTA QUALIFICADA DE OFÍCIO A presunção legal na omissão de receita e consequente aplicação da multa na sua forma simplificada é regra que se impõe, uma vez que a omissão dolosa, fraude e conluio, nos moldes do art. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, devem ser comprovados. Portanto, a aplicação da multa de ofício de forma qualificada, nos moldes do art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/96, é manifestamente ilegal, pois o contribuinte jamais teve a intenção de ludibriar o fisco, seja de qual forma for. A fiscalização perpetrada pela RFB simplesmente chegou aos valores com base nas notas fiscais emitidas e nas declarações emitidas nos anos de 2014 e 2015, não havendo qualquer intuito de ludibriar o fisco quanto a correta apuração de tributos. Deste modo, pontua o art. 44, I, §1º, da Lei nº 9.430/96 e ainda, disciplinam os arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. pertinente ao fato gerador exposto, que no caso dos autos denota-se tão somente ante o fato da omissão de receita e seu correlato não pagamento. Assim, tal ponto tão somente aduz a aplicação da multa de ofício, mas não da sua aplicação de forma qualificada, pois não houve a incidência da hipótese do art. 44, I, § 1º, da Lei nº 9.430/96. nada pontuam quanto à sonegação de tributo e sua correlata intenção de sonegar, fato este que serve de embasamento para a aplicação da multa de ofício qualificada (no patamar de 150%), mas tão somente que não houve a declaração e consequente recolhimento dos tributos alusivos aos anos de 2014 a 2018 – estes na espécie IRPJ e CSLL. Fl. 302DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 1002-002.663 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 14751.720036/2019-43 imputa tal responsabilidade para a impugnante, no sentido de que esta tem a obrigação de provar que não sonegou tributos, esquecendo-se do fato de que tal prova, no sentido positivo, deve advir da autoridade fazendária, provando que tal sonegação existiu. fiscal, de responsabilidade da autoridade Fazendária, não existe no caso dos autos, apenas presumindo que houve tal fato, sem, contudo, demonstrar qualquer ação neste sentido. O que ocorreu, no caso dos autos, foi tão somente a falta de controle da sua contabilidade quanto a todas as receitas auferidas, mas sendo tais devidamente escriturada por meio de escrituração digital (conforme própria narrativa no relatório fiscal), bem como emitida as regulares notas fiscais, incidindo, na pior das hipóteses, a multa de ofício de forma não qualificada. Ao passo que jamais houve dolo do requerente que ensejasse a quebra dos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. meio de Súmula vinculante da lavra do CARF, sendo firmado que o dolo e quebra dos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64 devem ser demonstrados, o que não ocorreu no caso dos autos. contribuinte no sentido de sonegar receita, havendo tão somente a omissão destas por culpa sua, ensejando apenas a aplicação da multa inserta no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 – multa isolada não qualificada. ofício qualificada aplicada, esta nos moldes do art. 44, I, §1º, da Lei nº 9.430/96, ante a inexistência de dolo ou qualquer infração a lei, existindo apenas a omissão de receita por culpa, bem como pugna que seja aplicada a correta multa de ofício, sem qualificadora, nos moldes do art. 44, I, da Lei nº 9.430/96. DA NÃO INCIDÊNCIA DO ART. 135, III, DO CTN PARA REDIRECIONAMENTO DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PARA SÓCIO cometeram qualquer espécie de infração a lei ou excesso de poderes que enseje o redirecionamento da responsabilidade tributária. Contudo, foi redirecionada a responsabilidade tributária para o sócio administrador a época do fato gerador dos tributos cobrados. Ao contrário, jamais houve o crime de sonegação fiscal que ensejasse a quebra da lei e redirecionamento da responsabilidade tributária para o sócio administrador à época do fato gerador, uma vez que tão somente houve a omissão de receita e não sua sonegação. tenha havido qualquer prova nesse sentido e, por tal razão, acabou por redirecionar a responsabilidade tributária de plano. Tais fatos são extremamente graves para que sejam imputados sem que haja suporte probatório para tanto, o que tem que ser bem delimitado é o que se acha e o que se prova, com o fito de não imputar responsabilidade jurídica Fl. 303DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 1002-002.663 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 14751.720036/2019-43 desastrosa a pessoas inocentes, como está ocorrendo no caso dos autos. Assim, no que atine a responsabilidade solidária atribuída sob o enfoque de dissolução irregular da empresa, denote-se que tal fato foi equivocadamente interpretado pela autoridade, pois a mesma está fisicamente estabelecida e não procedeu nenhuma espécie de procedimento, até o momento, falimentar ou com o fito de encerrar as suas atividades. Ao contrário, conforme se abstrai pelo depoimento prestado pelo atual sócio administrador, mesmo não informa em nenhum momento que houve a dissolução da pessoa jurídica, mas ao contrário, assevera que está empreendendo esforços para manter a mesma ativa no mercado. Diga-se de passagem, esforços estes que se tornam cada dia maior, pois além de ter que lidar com as adversidades do mercado financeiro, a crescente crise econômica do País, ainda tem que lidar com a aplicação de multas de forma irregular, que tão somente aumenta o passivo da empresa e torna quase impossível a retomada de suas atividades mediante a reorganização societária. Todas as provas existentes no caso dos autos demonstra a regular sucessão empresarial, não havendo absolutamente nada que desabone tal conduta, exceto a gana inquisitorial da autoridade fiscal, cujo a qual deu interpretação e valoração ao fatos em acordo com sua visão. Não apenas houve a manifesta declaração de aquisição da empresa, conforme depoimento colhido pelo atual sócio administrador no caso dos autos, como a mesma está agindo em estrita consonância com a legalidade, tentado adimplir toda sua carga tributária e reorganizar as atividades da empresa. Portanto, a inexistência de crime tributário de sonegação fiscal e consequente redirecionamento da responsabilidade tributária, é de fácil observância, pois basta analisar o procedimento fiscal que restará demonstrado tão somente ilações ponderadas pela autoridade inquisitorial, nada mais que isso. Por tal razão, o que houve no caso dos autos foi o mero não recolhimento de tributo, se obtendo, inclusive, o passivo tributário em razão da análise da escrituração realizada e emissão de notas, fato que tão somente induz, ainda mais diante da presunção legal, tão somente ao fato da omissão de tributos e não qualquer espécie de crime tributário que enseje o redirecionamento da responsabilidade tributária de plano. Segundo a norma que rege a matéria em tela, os casos evidentes, no sentido de fraude fiscal, estão previstos nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. Portanto, conforme se observa dos autos de infração, bem como do relatório de fiscalização, não há qualquer imputação alusiva à prática dos respectivos crimes tributários acima mencionados, diante da total e manifesta inexistência de provas. De mais a mais, denote-se que jamais houve a existência de dolo, fraude a lei ou excesso de poderes que ensejasse o redirecionamento, em decorrência da solidariedade, para o sócio administrador a época do fato gerador, pois foram realizados os atos de gestão com a extrema prudência, apenas declarando e, por dificuldade financeira, não recolhendo o tributo. Assim pontuam os arts. 134 e 135 do CTN. Fl. 304DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 1002-002.663 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 14751.720036/2019-43 Além do mais, a autoridade responsável pela fiscalização não trouxe qualquer prova de que impugnante agiu com dolo, feriu lei ou extrapolou seus poderes de administração, apenas sendo presumido que houve a incidência do art. 134 e 135 do CTN, sem que houvesse qualquer prova quanto a isso. O entendimento jurisprudencial, quanto a matéria, é uníssono nos Tribunais pátrios, no sentindo da estrita necessidade de que o simples inadimplemento do débito tributário não caracteriza infração a lei, ao passo que o sócio tem que demonstrar que não agiu com dolo, o que está sendo devidamente realizado no caso dos autos. O entendimento de que o mero inadimplemento da obrigação tributária não enseja responsabilidade solidária é sumulado, não havendo o que se discutir quanto a tal ponto, assim pontando a súmula nº 430: O mero inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade do sócio gerente. Do mais, quanto a entendimento esposado, pontua a jurisprudência do E. STJ. Do mais, vem a calhar brilhante ponto elucidativo posto pela doutrina de Hugo de Brito Machado, curso de direito tributário. Editora Malheiros, 35ª edição, revista, atualizada e ampliada,pag. 505. Percebe-se, da simples leitura do processo administrativo, que não há qualquer fato que, bem como prova hábil, demonstre a dissolução irregular da empresa, ante o fato de não ter sido praticado qualquer ato com excesso de poderes ou infração a lei, nos moldes do art. 135, III, do CTN, sendo necessário que o presente auto de infração seja cancelado em face do sócio administrador a época do fato gerador, respondendo o mesmo, de forma solidária, tão somente se não pago o tributo e deflagrada a execução e, ainda, haja dissolução irregular da impugnante. Conforme acima exposto, requer o impugnante que seja cancelado o redirecionamento de plano da responsabilidade tributária para o sócio administrador a época do fato gerador, uma vez que não há qualquer demonstração de dissolução irregular da empresa, não incidindo a regra do art. 135, III, do CTN, ante a não demonstração de dissolução irregular ou diante da total falta de conduta dolosa que enseje a responsabilidade tributária. DOS REQUERIMENTOS Demonstrados os requisitos necessários imbuídos no Decreto nº 70.235/72 para o manejo da presente impugnação, requer-se que: a) a nulidade da multa de ofício qualificada aplicada, esta nos moldes do art. 44, I, §1º, da Lei nº 9.430/96, ante a inexistência de dolo ou qualquer infração a lei, existindo apenas a omissão de receita por culpa, bem como pugna que seja aplicada a correta multa de ofício, sem qualificadora, nos moldes do art. 44, I, da Lei nº 9.430/96; b) seja cancelado o redirecionamento de plano da responsabilidade tributária para o sócio administrador a época do fato gerador, uma vez que não há qualquer demonstração de dissolução irregular da empresa, não incidindo a regra do art. 135, III, do CTN, ante a não demonstração de dissolução irregular ou diante da total falta de conduta dolosa que enseje a responsabilidade tributária. Fl. 305DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 1002-002.663 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 14751.720036/2019-43 Após, foi proferida decisão que não conheceu as questões e arguições suscitadas pela impugnação no que diz respeito à imputação de responsabilidade solidária a Ezequiel Carvalho de Oliveira. As demais questões suscitadas pelo contribuinte foram conhecidas e julgadas parcialmente procedentes para reduzir a multa de ofício, quanto ao segundo trimestre de 2015, de 150% para 75%, tanto no concernente ao lançamento de IRPJ, quanto no concernente ao lançamento de CSLL. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário arguindo, em suma (i) “a impossibilidade de aplicação de multa qualificada de ofício diante da inexistência de quebra de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64”; (ii) não incidência do art. 135, III, do CTN para redirecionamento da responsabilidade tributária para sócio. É o relatório Voto Conselheiro Fellipe Honório Rodrigues da Costa, Relator. ADMISSIBILIDADE Inicialmente, reconheço a competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23-B da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), com redação dada pela Portaria MF n.º 6.786, de 1º de agosto de 2022. Demais disso, observo que o recurso é tempestivo. Entretanto, no que diz respeito à impugnação acerca da não incidência do art. 135, III, do CTN para redirecionamento da responsabilidade tributária para sócio, ela não pode ser conhecida pelas razões já dispostas na decisão recorrida, razão pela qual passo a transcrevê-la: A única impugnação presente nos autos é tempestiva e dela se toma conhecimento. Todavia, cumpre ressalvar que essa impugnação, apresentada em nome da Tectubo Indústria e Comércio Ltda e subscrita digitalmente pelo seu representante legal (Marcio Alcylonne Tenório da Silva), contém matéria que extrapola sua legitimidade para contestar as exigências fiscais. Apesar disso, uma seção do texto da impugnação que se intitula “Da não incidência do art. 135, III, do CTN para redirecionamento da responsabilidade tributária para sócio” é devotada a contestar a responsabilização solidária do outro sujeito passivo. Visto que a impugnação é apresentada em nome apenas de um dos sujeitos passivos, a esta instância de julgamento não cabe tomar conhecimento das alegações e postulações associadas a tal matéria. Nem sequer cabe alegar que, ao contestar a responsabilidade solidária do outro sujeito passivo, o representante da Tectubo estivesse a defender o interesse de seu cliente, uma vez que não se consegue vislumbrar que vantagem ou benefício lhe pudesse advir da exclusão do litígio de outros devedores solidários. Muito pelo contrário, parece evidente que, quanto mais pessoas pudessem responder pela dívida, tanto melhor para qualquer um dos devedores Fl. 306DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 1002-002.663 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 14751.720036/2019-43 solidários. Assim, à falta de representação, acrescenta-se a falta de interesse para que se possa conferir legitimidade à impugnação em questão para questionar tal matéria. O Decreto nº 70.235, de 1972, ao estabelecer os elementos formais que deve conter o auto de infração, determinou, entre eles, a qualificação do autuado (art. 10), ensejando a reunião no lançamento de todos os sujeitos passivos identificados (contribuinte e/ou responsável). Também, entre os requisitos da impugnação contidos no Decreto nº 70.235, de 1972, consta, expressamente, a necessária menção à qualificação do impugnante (art. 16, inciso II), o que permite concluir que, inclusive em caso de pluralidade de sujeitos no pólo passivo do lançamento tributário, cada qual poderá defender-se em nome próprio da exigência fiscal que lhe foi particularmente imputada. A corroborar tal entendimento, nos termos do art. 3º, parágrafo único, da Portaria RFB nº 2.284, de 2010 (vigente na época dos fatos), o prazo para impugnação é contado, para cada sujeito passivo, a partir da data em que tiver sido cientificado do lançamento. Atualmente vigora a Portaria RFB nº 1.862, de 27 de dezembro de 2018, que contém regra idêntica no seu artigo 4º, § 2º. Ainda no que concerne aos requisitos da impugnação, vale citar, por sua aplicação subsidiária ao processo administrativo fiscal, o Código de Processo Civil, instituído pela Lei nº 13.105, de 2015, segundo o qual, para postular em juízo, é necessário ter interesse e legitimidade (art. 17). E mais: que ninguém poderá pleitear direito alheio em nome próprio, salvo quando autorizado pelo ordenamento jurídico (art. 18). Por fim, o juiz não resolverá o mérito quando verificar ausência de legitimidade ou de interesse processual (art. 485, VI). Semelhantemente, a Lei nº 9.784, de 1999, em seu art. 9º, II, dispõe que são legitimados como interessados no processo administrativo aqueles que, sem terem iniciado o processo, têm direitos ou interesses que possam ser afetados pela decisão a ser adotada. Ora, convém reiterar, não configura interesse da contribuinte pessoa jurídica a defesa dos sócios ou de terceiros em relação à responsabilidade a eles atribuída, haja vista que ela não viria a sofrer nenhum prejuízo com a efetiva responsabilização destes. Trata-se de matéria de interesse exclusivo das próprias pessoas responsabilizadas, e que, justamente por isso, não pode ser suscitada com legitimidade por outros autuados, a menos que comprovada a respectiva representação por regular instrumento de mandato, o que não se verifica no presente caso. Em suma, quanto à impugnação apresentada em nome da Tectubo Indústria e Comércio Ltda, não se toma conhecimento do conteúdo seu que se destina a contestar a responsabilização solidária dos demais sujeitos passivos. De qualquer forma, cumpre ressalvar que a impugnação apresentada pela Tectubo é tempestiva sua admissibilidade se reconhece. Nela contesta-se não só a responsabilização passiva como também parte do mérito das exigências fiscais, a saber, a parte correspondente à qualificação da multa de ofício, que resultou no aumento do seu percentual de 75% para 150%. Essa parte do crédito tributário constituído, em decorrência do disposto no artigo 151, inciso III, do CTN, encontra-se com sua exigibilidade suspensa. E essa suspensão da Fl. 307DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 1002-002.663 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 14751.720036/2019-43 decorrente da instauração do litígio aproveita a todos os sujeitos passivos, nos termos do artigo 7º da mesma Portaria RFB nº 2.284, de 2010, e do artigo 5º da Portaria RFB nº 1.862, de 2018. Não se tomando conhecimento da parte da impugnação apresentada em defesa dos interesses do outro sujeito passivo, a apreciação que se segue diz respeito apenas as demais questões suscitadas na impugnação apresentada em nome da Tectubo. Deve-se acrescentar que o entendimento adotado pela Decisão recorrida está em consonância com o entendimento do CARF: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2012 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PESSOA JURÍDICA. LEGITIMIDADE PARA RECORRER. Por falta de legitimidade para representar as pessoas físicas arroladas como responsáveis tributários, não se conhecem das alegações veiculadas pelo contribuinte principal quanto à a exclusão de terceiros do pólo passivo da obrigação tributária. (Processo nº 10120.721877/201609. Julgado em 21/11/2018) Isto posto, deixo de conhecer a parte do Recurso Voluntário referente a impugnação acerca da suposta não incidência do art. 135, III, do CTN para redirecionamento da responsabilidade tributária para sócio. MÉRITO No que diz respeito a impugnação referente a impossibilidade de aplicação de multa qualificada de ofício diante da suposta inexistência de quebra de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, entendo que ela não deve ser acolhida. Observe-se que em suas razões recursais a contribuinte apenas alega que não houve sonegação fiscal haja, oportunidade em que defende que o que teria ocorrido foi tão somente a falta de controle da sua contabilidade quanto a todas as receitas auferidas, mas sendo tais devidamente escriturada por meio de escrituração digital (conforme própria narrativa no relatório fiscal), bem como emitida as regulares notas fiscais, incidindo, na pior das hipóteses, a multa de ofício de forma não qualificada. Ao passo que jamais houve dolo do requerente que ensejasse a quebra dos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. Fl. 308DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 1002-002.663 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 14751.720036/2019-43 Entretanto, essa alegação da contribuinte restou bem afastada pelo Julgador de primeiro grau, não tendo o recurso voluntário trazido argumentos que infirmassem a conclusão da decisão recorrida. Ao contrário, limitou-se a reproduzir o quanto dito em sede de impugnação, razão pela qual valho-me do art. 57, § 3º, do RICARF: A impugnação contesta a aplicação da multa no percentual de 150%, argumentando que a sanção qualificada requer que o dolo no cometimento da infração seja comprovado. Segundo alega, o contribuinte jamais teve a intenção de burlar o fisco, tanto que a fiscalização apurou as bases de cálculo com base nas notas fiscais e declarações emitidas pela empresa. Queixa-se ainda de que o auto de infração e o relatório fiscal não teriam apontado nada quanto à sonegação de tributo e a correlação de sonegar. Conclui sustentando que não consta dos autos a prova de sonegação fiscal, de modo que a qualificação da multa se teria fundado em mera presunção. Todavia, a argumentação da impugnante é equivocada. Diferentemente do que alega, a autoridade lançadora não lançou mão de presunção para demonstrar o dolo no cometimento da infração (embora se o tivesse feito, em tese, não haveria aí nenhum vício insanável, visto que a presunção é meio de prova legítimo). Ainda que de maneira concisa, a motivação para a qualificação da multa encontra-se expressa de maneira clara e precisa no relatório fiscal a folhas 200 a 203, nos seguintes termos, textualmente: Verifica-se, pois, que o que comprovou o dolo e levou à qualificação da multa, no entender da fiscalização, quanto a três períodos de apuração determinados dos oito abrangidos pelo lançamento, foi o fato de o contribuinte ter inicialmente declarado débitos de IRPJ e CSLL por meio da entrega de DCTF, mas algum tempo depois retificou essas DCTF, para zerar o valor daqueles mesmos débitos. Houve tal retificação a despeito de que o contribuinte, na época optante pelo lucro presumido, comprovadamente obteve receita bruta nos períodos de apuração em questão, conforme atestam tanto sua escrituração contábil digital e as notas fiscais eletrônicas emitidas. Tal retificação era incompatível com a situação fiscal concreta do contribuinte, que realizou em todos os períodos de apuração operações que geraram a obrigação de apurar e recolher IRPJ e CSLL em valores superiores a zero. Logo, acertadamente conclui o fiscal que houve dolo no cometimento da infração. Fl. 309DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 1002-002.663 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 14751.720036/2019-43 Ao contrário do que argumenta a impugnação, não descaracteriza o dolo o fato de que a fiscalização se tenha valido de dados da escrituração fiscal e de notas fiscais eletrônicas para efetuar os cálculos das diferenças tributáveis. Esses elementos da escrituração e da documentação fiscal constituem apenas uma parcela das obrigações acessórias a que estão legalmente obrigados os contribuintes. Embora eles sejam importantes fontes de dados para o fisco, eles devem ser complementados pelo conteúdo das DCTF, a qual, nos termos do artigo 5º do Decreto-lei nº 2.124, de 1984, por ser o documento que formaliza o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Graças ao caráter de confissão de dívida, ausentes nos demais documentos e declarações mencionados pela impugnante, a DCTF avulta em importância para a administração tributária, pois ela permite que se inicie a cobrança administrativa e judicial do crédito tributário sem que seja necessário efetuar o lançamento de ofício. Daí que qualquer erro deliberado no seu preenchimento que leve à redução do montante do débito confessado cria embaraço para o fisco, o qual somente por meio de lançamento de ofício poderá exigir o cumprimento da obrigação tributária. Portanto, a falha deliberada no preenchimento da DCTF caracteriza, sim, sonegação e dolo no cumprimento de obrigação tributária, ainda que outras obrigações acessórias tenham sido satisfeitas pelo sujeito passivo. Acrescente-se que, apesar de alegar que não teria havido nenhuma intenção ou dolo do contribuinte com o propósito de sonegar receita, e que teria havido tão somente a omissão destas por culpa sua, a impugnação não apresenta nenhuma justificativa para a retificação efetuada nas DCTF que eram incompatíveis com os dados da escrituração contábil fiscal do sujeito passivo e com as notas fiscais eletrônicas por ele emitidas. Não obstante, cumpre reconhecer que se deve dar razão em parte à impugnação ao contestar a qualificação da impugnação. Ocorre que, conforme já salientado, a autoridade lançadora qualificou a multa em relação ao crédito tributário referente apenas a três trimestres do total de oito abrangidos pelo lançamento, sob a justificativa de que houve retificação indevida da DCTF relativa ao primeiro e ao segundo de 2014, e ao segundo de 2015, com o objetivo indevido de zerar os débitos de IRPJ e CSLL inicialmente informados nas DCTF originais. Contudo, conforme atesta a relação abaixo, extraída dos bancos de dados eletrônicos da Receita Federal, quanto ao segundo trimestre de 2015 não houve retificação alguma da DCTF. A original apresentada é a única que consta na relação e permanece ativa até o momento. Fl. 310DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 1002-002.663 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 14751.720036/2019-43 Em conseqüência, fica prejudicada fundamentação do fisco para a qualificação da multa relativa ao segundo trimestre de 2015. Daí se segue também que a impugnação do sujeito passivo deve ser julgada parcialmente procedente, para reduzir o percentual da multa relativa ao segundo trimestre de 2015 de 150% para 75%. Isto posto, na parte conhecida, nego provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 311DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 1002-002.663 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 14751.720036/2019-43 DISPOSITIVO Ante o exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário deixando de conhecer a impugnação acerca da suposta não incidência do art. 135, III, do CTN para redirecionamento da responsabilidade tributária para sócio, para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Fellipe Honório Rodrigues da Costa- Relator Fl. 312DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 11030.000113/2003-25
Data da sessão: Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 291-00.001
Decisão: RESOLVEM os Membros da PRIMEIRA TURMA ESPECIAL do SEGUNDO
CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: DANIEL MAURICIO FEDATO
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score : 1.0
Numero do processo: 10480.732247/2012-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 09 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Apr 03 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2012
AJUDA DE CUSTO PAGA A PARLAMENTAR.NÃO INCIDÊNCIA
O imposto de renda não incide sobre as verbas recebidas regularmente por parlamentares a título de auxílio de gabinete e hospedagem, exceto quando a fiscalização apurar a utilização dos recursos em benefício próprio não relacionado à atividade legislativa.( Súmula CARF nº 87)
Recurso Voluntário procedente
Crédito Tributário anulado
Numero da decisão: 2402-011.156
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário interposto, nos termos do Enunciado nº 87 deste Conselho.
(documento assinado digitalmente)
Francisco Ibiapino Luz - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Duarte Firmino - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Duarte Firmino, Gregorio Rechmann Junior, Jose Marcio Bittes, Ana Claudia Borges de Oliveira, Wilderson Botto (suplente convocado), Francisco Ibiapino Luz (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO DUARTE FIRMINO
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2012 AJUDA DE CUSTO PAGA A PARLAMENTAR.NÃO INCIDÊNCIA O imposto de renda não incide sobre as verbas recebidas regularmente por parlamentares a título de auxílio de gabinete e hospedagem, exceto quando a fiscalização apurar a utilização dos recursos em benefício próprio não relacionado à atividade legislativa.( Súmula CARF nº 87) Recurso Voluntário procedente Crédito Tributário anulado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário interposto, nos termos do Enunciado nº 87 deste Conselho. (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz - Presidente (documento assinado digitalmente) Rodrigo Duarte Firmino - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Duarte Firmino, Gregorio Rechmann Junior, Jose Marcio Bittes, Ana Claudia Borges de Oliveira, Wilderson Botto (suplente convocado), Francisco Ibiapino Luz (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2023-03-29T23:24:40Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-03-29T23:24:40Z; Last-Modified: 2023-03-29T23:24:40Z; dcterms:modified: 2023-03-29T23:24:40Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-03-29T23:24:40Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-03-29T23:24:40Z; meta:save-date: 2023-03-29T23:24:40Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-03-29T23:24:40Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-03-29T23:24:40Z; created: 2023-03-29T23:24:40Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2023-03-29T23:24:40Z; pdf:charsPerPage: 1723; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-03-29T23:24:40Z | Conteúdo => S2-C 4T2 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10480.732247/2012-39 Recurso Voluntário Acórdão nº 2402-011.156 – 2ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 09 de março de 2023 Recorrente HUMBERTO SERGIO COSTA LIMA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2012 AJUDA DE CUSTO PAGA A PARLAMENTAR.NÃO INCIDÊNCIA O imposto de renda não incide sobre as verbas recebidas regularmente por parlamentares a título de auxílio de gabinete e hospedagem, exceto quando a fiscalização apurar a utilização dos recursos em benefício próprio não relacionado à atividade legislativa.( Súmula CARF nº 87) Recurso Voluntário procedente Crédito Tributário anulado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário interposto, nos termos do Enunciado nº 87 deste Conselho. (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz - Presidente (documento assinado digitalmente) Rodrigo Duarte Firmino - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Duarte Firmino, Gregorio Rechmann Junior, Jose Marcio Bittes, Ana Claudia Borges de Oliveira, Wilderson Botto (suplente convocado), Francisco Ibiapino Luz (Presidente). Relatório AUTUAÇÃO Em 01/10/2012, precisamente as 15:45, foi lavrado o auto de infração de fls. 3 e ss, para a cobrança de Imposto de Renda Pessoa Física referente ao ano calendário de 2011 no valor de R$ 14.697,72, acrescido de R$ 630,53 de Juros de Mora e de R$ 11.023,29 de Multa de Ofício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 73 22 47 /2 01 2- 39 Fl. 184DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-011.156 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.732247/2012-39 Referida exação está relacionada com OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA, relativo a trabalho com vínculo empregatício, no valor de R$ 53.446,26, sendo precedida por fiscalização tributária, conforme Mandado de Procedimento Fiscal nº 04.1.01.00-2012-01012-0, de início em 29/06/2012, fls. 10 e ss. Faz parte da autuação o Termo de Verificação Fiscal de fls. 36 e ss, que apresentada fatos e fundamentos jurídicos que conduziram a autoridade tributária ao lançamento. DEFESA O contribuinte apresentou defesa a fls. 73 e ss, alegando tratar a verba lançada pela autoridade tributária de ajuda de custo direcionada ao pagamento de despesas com transporte e outras relativas ao comparecimento às sessões legislativas. Apresentou seu entendimento preliminar de que o crédito, se tributário, deveria ser exigido na fonte pagadora e, no mérito, pela compreensão de não tratar de renda, mas de recomposição destinada ao pagamento de despesas referentes à ida ao parlamento. Também expôs seus demais entendimentos de direito e pugnou, ao final, pela nulidade do lançamento. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (MG) DRJ-BHE julgou a impugnação parcialmente procedente, conforme Acórdão nº 02- 74.266, de 10/08/2017, fls. 109 e ss, excluindo a Multa de Ofício, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano- calendário: 2011 Inexistindo incompetência ou preterição do direito de defesa, não há como alegar a nulidade do lançamento. Tributam-se, independentemente de sua denominação, os rendimentos percebidos por parlamentar, exceto quando comprovada isenção prevista em lei. O sujeito passivo da relação jurídico-tributária é o contribuinte, obrigado a informar todos os rendimentos quando da apuração definitiva do imposto de renda na declaração de ajuste anual, independentemente de ter havido a retenção do imposto por antecipação, cuja responsabilidade é da fonte pagadora. Incabível a aplicação da multa de ofício quando comprovado que a causa da omissão de rendimentos na Declaração de Ajuste Anual foi a prestação de informações incorretas pela fonte pagadora, conforme expresso na Súmula Carf n° 73, aprovada em sessão de 10/12/12. A atividade administrativa, sendo plenamente vinculada, não comporta apreciação discricionária no tocante aos atos que integram a legislação tributária. O contribuinte foi notificado em 19/10/2017, fls. 131/132. RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 185DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-011.156 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.732247/2012-39 Em 14/11/2017 foi interposto recurso voluntário pela Advocacia do Senado, conforme fls. 136 e ss, com lastro na Súmula Carf nº 87, com a alegação de que o Senado Federal detém igual legitimidade e interesse em recorrer, o fazendo nos seguintes termos: Dessa forma, tem-se claro que o Senado Federal detém igual legitimidade e interesse tanto em impugnar o auto de infração, quanto em recorrer do acórdão resistido, porque eventual confirmação do lançamento infirma a legitimidade de ato administrativo de sua lavra, com implicações inclusive funcionais, razão pela qual o Ato da Comissão Diretora n° 14, de 2012, e a Resolução n° 58, de 2012, determinaram à Advocacia do Senado Federal a adoção das providências necessárias para o reconhecimento da inexigibilidade do tributo. Afirma que a ajuda de custo que originou a exação é de natureza indenizatória, sendo afastada a sua incidência tributária por este Conselho ao amparo da Súmula Carf nº 87. Cita a expressão do §1º, art. 3º do Decreto Legislativo nº 07, de 1995, que dispunha à época da natureza da verba, tratando-se de compensação de despesas com transporte e outras imprescindíveis ao comparecimento do parlamentar às sessões legislativas. Apresenta o Ato Conjunto das Mesas do Senado Federal e da Câmara dos Deputados de 30/01/2003, que dispõe da verba parlamentar nos seguintes termos: Art. 3o E devida ao parlamentar, a título de indenização, no início e no final previsto para a sessão legislativa ordinária e extraordinária, Ajuda de Custo equivalente ao valor da remuneração. § Io A Ajuda de Custo destina-se à compensação de despesas com transporte e outras imprescindíveis ao comparecimento à sessão legislativa ordinária ou à sessão legislativa extraordinária convocadas na forma da Constituição Federal. § 2o Perderá o direito à percepção da parcela final da Ajuda de Custo o parlamentar que não comparecer a pelo menos dois terços da sessão legislativa. § 3o O valor correspondente à Ajuda de Custo não será devido ao suplente reconvocado na mesma sessão Legislativa (grifos nossos). Argumenta que há norma isentiva, nos termos do art. 6º, XX da Lei nº 7.713, de 1988, para a ajuda de custo em discussão e que não foi aplicada na exação, apresenta julgados deste Conselho acolhendo os argumentos com base na Súmula Carf nº 87. Apresentou tese de imunidade tributária para a ajuda de custo, in casu, jurisprudências e teses doutrinárias quanto à natureza jurídica dessa verba. Aduz que a fiscalização tributária não apurou a utilização dos recursos em benefício próprio não relacionado à atividade legislativa. Afirmou que em 27/11/2012 o Senado Federal, na qualidade de responsável tributário, procedeu ao recolhimento do tributo cobrado em nome do recorrente, motivo pelo qual é interessado na interposição do recurso, bem como também pela declaração de sua inexigibilidade. Fl. 186DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-011.156 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.732247/2012-39 Ao final requereu o provimento do recurso, com o reconhecimento da natureza indenizatória da ajuda de custo para pelo Senado Federal a seus parlamentares: a) pelo conhecimento do presente recurso em todos os seus termos, para reformar o acórdão impugnado, reconhecendo-se a natureza jurídica indenizatória da parcela Ajuda de Custo recebida pela recorrente, com fundamento no Decreto Legislativo n° 7 de 1995, posteriormente alterado pelo Decreto Legislativo n° 1 de 2006, e no Ato Conjunto das Mesas do Senado e da Câmara de 30 de Janeiro de 2003; b) seja reconhecida a inexigibilidade do tributo e de todas as parcelas acessórias, com extinção definitiva do crédito tributário, em toda a sua extensão, na forma do art. 156, IX, do CTN e da determinação da restituição dos valores pagos ao Senado Federal; c) Caso não seja acolhida a pretensão anterior, pelo reconhecimento da quitação integral do tributo e consequente extinção do crédito tributário, haja vista que o recolhimento efetuado pelo Senado Federal em nome do Senador da República, no ano de 2012, abrange todas as parcelas da exação pretendida. d) pela intimação pessoal dos procuradores abaixo subscritos de todos os atos do processo. É o relatório! Voto Conselheiro Rodrigo Duarte Firmino, Relator. O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e obedece aos requisitos legais, portanto dele tomo conhecimento. Não foi arguida preliminar, ao que passo ao exame de mérito. Funda-se o cerne da lide em decidir, in casu, qual a natureza jurídica da verba paga ao parlamentar, a título de ajuda de custo, objeto da exação e prevista no art. 3º do Decreto Legislativo nº 07, de 1995, atualizado pelo Decreto Legislativo nº 1, de 2006, conforme abaixo transcrito: Decreto Legislativo n° 7/1995 Art 3º - É devida ao parlamentar, no início e no final previsto para a sessão legislativa, ajuda de casto equivalente ao valor da remuneração. § 1º - A ajuda de custo destina-se à compensação de despesa com transporte e outras imprescindíveis para o comparecimento à sessão legislativa ordinária ou à sessão legislativa extraordinária convocadas na forma da Constituição Federal (grifo do autor) § 2° - Perderá direito à percepção da parcela final da ajuda de custo o parlamentar que não comparecer a pelo menos dois terços da sessão legislativa. Fl. 187DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-011.156 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.732247/2012-39 Decreto Legislativo n° 1/2006 Art. 1º O caput do art. 3o do Decreto Legislativo n" 7, de 19 de janeiro de 1995, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 3º É devida ao parlamentar, no início e no final previstos para a sessão legislativa ordinária, ajuda de custo equivalente ao valor da remuneração, ficando vedado o seu pagamento na sessão legislativa extraordinária. § 1° (Revogado)." Considerando haver importante precedente deste Conselho, de caráter vinculante conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, adoto-o como ratio decidendi: Súmula CARF n° 87: O imposto de renda não incide sobre as verbas recebidas regularmente por parlamentares a título de auxílio de gabinete e hospedagem, exceto quando a fiscalização apurar a utilização dos recursos em benefício próprio não relacionado à atividade legislativa. (Sum. Carf nº 87) (grifo do autor) Voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto, nos termos do Enunciado nº 87 deste Conselho. É como voto! (documento assinado digitalmente) Rodrigo Duarte Firmino Fl. 188DF CARF MF Original
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