Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,203)
- Segunda Câmara (27,795)
- Primeira Câmara (25,082)
- Segunda Turma Ordinária d (17,279)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (15,968)
- Primeira Turma Ordinária (15,809)
- Primeira Turma Ordinária (15,804)
- Primeira Turma Ordinária (15,698)
- Segunda Turma Ordinária d (15,668)
- Segunda Turma Ordinária d (14,211)
- Primeira Turma Ordinária (12,927)
- Primeira Turma Ordinária (12,240)
- Segunda Turma Ordinária d (12,220)
- Quarta Câmara (11,512)
- Primeira Turma Ordinária (11,267)
- Quarta Câmara (83,745)
- Terceira Câmara (65,768)
- Segunda Câmara (54,342)
- Primeira Câmara (18,838)
- 3ª SEÇÃO (15,968)
- 2ª SEÇÃO (11,240)
- 1ª SEÇÃO (6,768)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (121,598)
- Segunda Seção de Julgamen (112,498)
- Primeira Seção de Julgame (74,880)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,897)
- Câmara Superior de Recurs (37,572)
- Terceiro Conselho de Cont (25,950)
- IPI- processos NT - ressa (5,000)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,057)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,960)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,859)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,239)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,665)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,196)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,600)
- HELCIO LAFETA REIS (3,506)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,200)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,888)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- WILDERSON BOTTO (2,588)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,553)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,820)
- 2019 (30,956)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,914)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,464)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,003)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,076)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,747)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 19311.720445/2012-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2010, 2011
INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO.
No tocante à CSLL, anoto que repousando o lançamento nos mesmos fatos e mesmo fundamento jurídico do lançamento do IRPJ, as decisões quanto a ambos devem ser a mesma.
Numero da decisão: 1301-001.516
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2010, 2011 INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. No tocante à CSLL, anoto que repousando o lançamento nos mesmos fatos e mesmo fundamento jurídico do lançamento do IRPJ, as decisões quanto a ambos devem ser a mesma.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19311.720445/2012-76
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5395649
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1301-001.516
nome_arquivo_s : Decisao_19311720445201276.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 19311720445201276_5395649.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
dt_sessao_tdt : Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
id : 5699375
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:31:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047251232751616
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 26; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2210; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19311.720445/201276 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.516 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de maio de 2014 Matéria IRPJ e CSLL Recorrente CPQ BRASIL S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. ARTIGOS 7º E 8º DA LEI Nº 9.532/97. PLANEJAMENTO FISCAL INOPONÍVEL AO FISCO. INOCORRÊNCIA. Analisando todas as etapas do negócio jurídico levado a efeito, até os resultados concretos que redundaram no aproveitamento do ágio não há como enquadrar esta operação como sendo um planejamento tributário abusivo, conforme entendeu a r. decisão recorrida, mesmo porque, para restar compreendida como abusiva, uma conduta deve refletir um conflito entre forma e substância, e a prova de tal conflito deve ser feita com base em elementos objetivos, sem uma justificativa razoável para tal operação, a qual não seja mera vantagem fiscal, o que, digase de passagem, em nenhum momento ficou comprovado nos autos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2010, 2011 INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. No tocante à CSLL, anoto que repousando o lançamento nos mesmos fatos e mesmo fundamento jurídico do lançamento do IRPJ, as decisões quanto a ambos devem ser a mesma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 04 45 /2 01 2- 76 Fl. 2263DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ em CampinasSP. Depreendese do presente processo administrativo que em desfavor da ora recorrente foram lavrados autos de infração, relativos ao IRPJ e à CSLL, acrescidos de juros de mora, multa de ofício de 150%, bem como de multa isolada por falta de recolhimento de IRPJ e CSLL sobre as bases de cálculo estimadas, em razão de irregularidades constatadas nos anos calendário 2010 e 2011. As circunstâncias que ensejaram a autuação foram contextualizadas no Relatório de Ação Fiscal, constante das folhas 1.251 a 1.267, no qual se reportou ao MPF que deu margem à fiscalização e identificouse o objeto social da empresa autuada, como sendo, entre outros, a indústria e o comércio de pães e outros produtos alimentícios, expondo ser nacionalmente conhecida pela fabricação e comercialização de pães de queijo em vários estabelecimentos com a marca “Casa do Pão de Queijo”, esclarecendo a Fiscalização que nos dois anoscalendário sob ação fiscal, a CPQ não declarou em DCTF e nem teve recolhimento de qualquer importância a título de IRPJ e CSLL, sendo que em ambos os anoscalendário, optou pelo Regime Tributário de Transição (RTT), instituído pela Lei nº. 11.941, de 2009, o que acarreta, para fins tributários, a utilização dos métodos e critérios vigentes em 31/12/2007. Relata a Fiscalização que por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal foram solicitados documentos comprobatórios de operações de incorporação realizadas no ano de 2009, esclarecimentos a respeito da apuração de Cofins, e de operação em 2010 de emissão de debêntures, anotandose que a Escrituração Contábil Digital (ECD – Sped Contábil) relativa aos anoscalendário de 2010 e 2011 foi importada no curso desta fiscalização diretamente da base nacional Sped (Sistema Público de Escrituração Digital). Passa, então, a Fiscalização a analisar as Operações de Incorporação em 2009, registrandose que em dezembro de 2009, a CPQ incorporou duas sociedades na mesma data. Em decorrência das incorporações, o ágio de R$ 52.989.186,29 foi transferido para o ativo da CPQ, e a sua amortização passou a ser deduzida do lucro tributável pelo IRPJ e CSLL, Fl. 2264DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19311.720445/201276 Acórdão n.º 1301001.516 S1C3T1 Fl. 3 3 sendo que a partir do ano de 2010 a CPQ vem excluindo da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, mensalmente, em 60 parcelas, o valor de R$ 883.153,10 (R$ 10.597.837,20 anuais) a título de amortização de ágio. Estas exclusões encontramse escrituradas em seus livros fiscais digitais no ambiente Sped (Sistema Público de Escrituração Digital), sob a rubrica 330401002 Amortização Ágio/Deságio, conforme Demonstração de Apuração – SPED – FCONT. Apontou a Fiscalização que as operações de incorporação das duas companhias seguiram todo um roteiro de procedimentos orquestrados “com o fim de se criar um ágio artificial a ser aproveitado pela CPQ” e que as sociedades envolvidas no processo de reorganização societária foram a CPQ, a GUARUDA S/A (CNPJ 02.134.838/000101), sociedade de ações de capital aberto, e a ARTHEMIA PARTICIPAÇÕES S/A (CNPJ 11.178.056/000157), sociedade de ações de capital fechado. Mencionou a Fiscalização que no momento imediatamente anterior ao início da reorganização societária, o capital da CPQ, no valor de R$ 17.095.065,32, encontravase nas mãos de GUARUDA S/A (70% das ações), e da MCN PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS S/A (CNPJ 04.795.012/000100, 30% das ações) e que a totalidade do capital da GARUDA, no valor de R$ 16.992.844,00, era de titularidade da ARTHEMIA, sendo que a GARUDA detinha a maioria do capital da CPQ (70%), sendo então considerada controladora da CPQ e quanto à ARTHEMIA, a totalidade de seu capital de R$ 6.707.886,00 pertencia a MCN PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS S/A. De acordo com a Fiscalização, do protocolo e Justificação de Incorporação da GARUDA S/A e da ARTHEMIA PARTICIPAÇÕES S/A pela CPQ BRASIL S/A, datado de 31/12/2009, em seu item 4, extraise que “a incorporação da GARUDA pela CPQ, como proposta neste instrumento, é da maior conveniência para os interesses sociais da GARUDA, da ARTHEMIA e da CPQ, uma vez que a unificação das atividades de administração destas três sociedades irá simplificar a estrutura organizacional do grupo e reduzir custos administrativos, comerciais e financeiros, bem como colaborar para a racionalização e otimização dos trabalhos, operações e das estruturas das sociedades, frisandose que neste instrumento, constou que a ARTHEMIA foi constituída com o propósito de permitir que o Banco Standard de Investimentos S/A e a MCN Participações e Empreendimentos S/A unissem esforços para adquirir a totalidade das ações da GARUDA em leilão aberto realizado no mercado de balcão organizado da BMF & Bovespa S/A – Bolsa de Mercadorias e Futuros. Apontou a Fiscalização, que em 2 de dezembro de 2009, a ARTHEMIA arrematou a totalidade das ações representativas do capital social da GARUDA no leilão mencionado acima. Parte dos recursos utilizados na aquisição das ações da GARUDA foram obtidos por meio de financiamento, sendo que uma das condições feitas pela instituição financeira para liberação do financiamento era a incorporação da GARUDA e da ARTHEMIA pela CPQ em curto prazo. Para as operações de incorporação, foram elaborados dois Laudos de Avaliação pela APSIS Consultoria Empresarial Ltda., em 14/12/2009, para avaliação do patrimônio líquido da GARUDA e da ARTHEMIA e de acordo com o que consignou a Fiscalização, no Laudo de Avaliação da ARTHEMIA, está consignado o ágio no valor de R$ 52.989.186,29 referente a investimentos em GARUDA, fundamentado por laudo elaborado pela empresa TERCO GRANT THRONTON. Fl. 2265DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 Apontouse que intimada a esclarecer o tratamento que foi dado a este ágio, a contribuinte aduziu que “... o ágio em questão foi originalmente registrado pela Arthemia Participações S/A quando da aquisição por esta da empresa GARUDA S/A em leilão aberto realizado no mercado de balcão organizado da BMF&Bovespa. Esse ágio foi justificado na expectativa de rentabilidade futura da GARUDA nos termos do artigo 385, parágrafo 2., inciso II, do regulamento de Imposto de Renda RIR/99, tal como atesta o anexo laudo de avaliação elaborado pela empresa Terco Grant Thronton. Em 31 de dezembro de 2009, primeiramente a GARUDA, e ato contínuo, a ARTHEMIA, foram incorporadas pela CPQ Brasil S/A, conforme se verifica da Ata de Assembleia Geral Extraordinária da CPQ registrada na Junta Comercial do Estado de São Paulo em 15 de janeiro de 2010 sob o nr. 0.017.993/106, acompanhada do Protocolo e Justificação da Incorporação e Laudos de Avaliação das empresas incorporadas, GARUDA E CPQ. Desde janeiro de 2010, o ágio em questão vem sendo amortizado para fins tributários a uma taxa linear de 1/60 por mês, conforme autoriza o inciso II do artigo 386 do RIR”. Seguiu a Fiscalização pontuando que consideradas as incorporações, a CPQ passou a amortizar o ágio que estava registrado na ARTHEMIA, relativo ao investimento que esta detinha indiretamente na própria CPQ, por meio do investimento da GARUDA na CPQ. Sintetizando, a controladora que detinha indiretamente investimento com ágio na controlada é incorporada pela própria controlada, e o ágio absorvido passa a influenciar a apuração do IRPJ e da CSLL, da maneira a reduzir os montantes devidos destes tributos. Discorreuse acerca do fato de que a ARTHEMIA foi constituída sob a forma de sociedade anônima de capital fechado em 03/09/2009 com o nome de S.R.X.S.P.E. EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A, com capital de R$ 500,00, estando as ações em nome de SUELI DE FÁTIMA FERRERI (analista) e CLEBER FARIA FERNANDES (técnico em contabilidade), ambos com endereço na Rua Pamplona, 818, 9 andar, cj 92, sendo que em 12/11/2009, as 500 ações de SUELI DE FÁTIMA FERRERI e CLEBER FARIA FERNANDES são transferidas para a MCN PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS S/A, pelo que se concluiu que a sociedade foi constituída anteriormente como uma empresa de prateleira, com capital irrisório, nome simbólico, e sem qualquer fato contábil condizente com seu objeto social. Dois meses depois, passa para as mãos dos reais interessados, a fim de se tornar “empresa veículo” no processo de reorganização societária. Empresa veículo é aquela cuja característica é sua breve existência, e constituída com o intuito único de transportar o ágio para tornalo dedutível para fins fiscais. Mencionouse ainda, que em 13/11/2009, conforme Ata de Assembleia Geral Extraordinária, é alterada sua denominação para ARTHEMIA PARTICIPAÇÕES S/A, sendo aceita a renúncia dos administradores, e eleitos ALBERTO CARNEIRO NETO como Diretor Presidente, e FERNANDO BORELLI EDITORE como Diretor sem designação específica. Nesta data é aprovado o aumento do capital social para R$ 6.707.886,00, com subscrição das ações por MCN PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS S/A. Todas as ações são ordinárias, nominativas, e sem valor nominal. Foram integralizadas com 1.727.402 ações ordinárias de emissão da CPQ BRASIL S/A e em 02/12/2009, MCN PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS S/A transfere 2 ações para MARCELO DI LORENZO, 1 ação para EDWARD HANMER, 1 ação para ALBERTO CARNEIRO NETO e 1 ação para GIOVANA ADRIANO DE BRITO CARNEIRO, sendo que a MCN PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS S/A é representada por ALBERTO CARNEIRO NETO. Em continuidade, noticiou a Fiscalização que em 02/12/2009 foi criado Conselho de administração, com os membros MARCELO DI LORENZO, EDWARD HANMER, ALBERTO CARNEIRO NETO e GIOVANA ADRIANO DE BRITO CARNEIRO e que em 02/12/2009 foi feito adiantamento para futuro aumento de capital por Fl. 2266DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19311.720445/201276 Acórdão n.º 1301001.516 S1C3T1 Fl. 4 5 STANDAD BANK no valor de R$ 30.000.000,00 e em 03/12/2009, ARTHEMIA obtém empréstimo de R$ 40.000.000,00 junto a CETIP S/A, ou seja, em dois dias levantou setenta milhões de reais para aquisição das ações da GARUDA, sendo que em 07/12/2009, adquire ações da GARUDA S/A, em leilão da Bolsa de Valores pelo valor de R$ 69.017.032,08. De acordo com a Fiscalização, as receitas da ARTHEMIA eram exclusivamente do resultado de Equivalência Patrimonial sobre investimentos em CPQ e GARUDA, no valor de R$ 1.470.324,34 e em 31/12/2009, foi aprovada a sua incorporação pela CPQ, sendo a partir de então extinta, pontuandose, nessa toada, que com exceção dos lançamentos relativos à incorporação e às receitas da equivalência patrimonial, sua contabilidade não revela nenhum outro fato contábil, registrando que os recursos que ampararam toda a reorganização societária jamais implicaram em desembolso ou investimento por parte da empresa, limitandose a uma reavaliação de seu patrimônio, calcada em laudos baseados numa expectativa de resultados futuros, com o fim de se criarem despesas com a amortização do ágio artificial. Passou a Fiscalização, então, a discorrer acerca do denominado ágio interno e o papel das ditas “empresas veículo” e citando, no tocante ao reconhecimento do ágio artificial em operações de reorganização societária, o Ofício Circular CVM/SNC/SEP n. 01/2007, que imporia sua inadmissibilidade. Na sequência, em função da glosa da Amortização do ágio da Arthemia, a Fiscalização reapurou as estimativas mensais de IRPJ e CSLL, constatando que houve recolhimento a menor destes tributos na maioria dos meses de 2010 e 2011, o que enseja a cobrança da multa exigida isoladamente, nos termos do art. 44, inciso II, alínea b, da Lei nº. 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº. 11.488, de 2007, e apresenta os demonstrativos de apuração das estimativas mensais e do cálculo da multa isolada. Justificou a Fiscalização o agravamento da multa diante da conduta dos administradores, ao engendrar planejamento tributário com a reorganização societária calcada em uma empresa veículo, conforme demonstrado no presente termo, com o propósito de aferir vantagem sob o aspecto fiscal, o que em tese, caracteriza o intuito de sonegação, definida no art. 71 da lei n. 5.502, de 1964, e de simulação, nos termos do art. 167 do Código Civil (Lei nr. 10.406, de 2002), ensejando a aplicação da multa de 150%, prevista no art. 44, § 1, da lei nr. 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nr. 11.488 de 2007. Devidamente cientificada, a contribuinte apresentou Impugnação (fls. 1272/1364), acompanhada dos documentos de folhas 1365 a 1687, alegando em preliminar a nulidade dos Autos de Infração por erro no enquadramento legal (itens 3 a 11), porquanto foram citados diversos artigos que estabelecem regras gerais do IRPJ e CSLL, sem que fossem mencionados os arts. 385 ou 386 do RIR/99 e arts. 7º e 8º da Lei 9.532, de 1997. Defendeu que a incorreta capitulação legal da autuação leva ao necessário cancelamento do lançamento, posto que afronta os artigos 10 do Decreto 70.235/72 e 50,§ 1 da Lei 9.784/99 e também como motivo de nulidade arguiu a ocorrência de erro na descrição dos fatos (itens 12 a 21), alegando equívoco da Fiscalização que teria descrito os fatos de maneira errônea e confusa (itens 22 a 31). Ao abordar os fatos, teceu histórico da empresa autuada (itens 32 a 45), expondo que a empresa tem origem familiar, idealizada pelo Sr. Mario Carneiro em função da receita de pão de queijo de sua mãe, D. Arthemia, sendo que o sucesso do empreendimento Fl. 2267DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 6 levou a transformação de sua principal atividade para o licenciamento de franquia com a marca “Casa do Pão de Queijo” e a comercialização de alimentos aos seus franqueados, aduzindo que houve interesse de terceiros investidores, de modo que, em 1999, a gestora de Fundos de Private Equity denominada Pátria Investimentos S A adquiriu o controle societário da Requerente, passando o núcleo familiar a deter a minoria do capital da requerente e que até novembro de 2009, o capital social da requerente era detido por duas pessoas jurídicas distintas, pertencentes a dois grupos completamente distintos, já que 70% das suas ações eram detidas pela Garuda e 30% eram detidos pela MCN. Aduziu que a Garuda, até então controladora da recorrente, foi constituída em 15/09/1997 (doc nº 4) e sempre foi utilizada como sociedade holding centralizadora de investimento de diversos investidores, inclusive estrangeiros, e que a MCN era sociedade holding detida diretamente por dois acionistas pessoas físicas, o Sr. Alberto Carneiro Neto (Sr. Alberto) e o Sr. Marco Aurélio Aliberti Mammana (Sr. Marco) (doc nº 5). Seguiu arrazoando que os acionistas da Garuda não possuíam qualquer relação com o Sr. Alberto e o Sr. Marco, de modo que seria impossível considerar a MCN e a Garuda como partes relacionadas, integrantes de um mesmo grupo econômico e que a Garuda representava o núcleo dos Fundos de Private Equity que investiram nela recorrente após a consolidação da marca “Casa do Pão de Queijo”, enquanto que a MCN representava o núcleo familiar relacionado ao Sr. Mario Carneiro. Também ao descrever os fatos reportase à parceria entre o acionista e o Banco Standard (itens 46 a 68), argumentando que em novembro de 2009 conciliaramse interesses de (i) terceiro investidor (Banco Standard) em adquirir investimento relevante na Requerente, (ii) investidores controladores em liquidar o investimento e (iii) acionista minoritário (MCN, representante do núcleo familiar) em voltar a deter o controle acionário da Requerente, ensejando parceria do Banco Standard com a MCN, de modo que, ao final, cada parte passasse a deter metade do capital da Requerente e no âmbito da parceria, o acionista minoritário entraria com os 30% que detinha no capital da Requerente, enquanto que o Banco Standad desembolsaria parte dos recursos financeiros necessários à aquisição das ações da Garuda. Outra parte do investimento, e seria feito com base em empréstimo tomado pela parceria, sendo neste contexto, que surgiu a Arthemia, constituída em 03/9/2009, com a denominação de S.R.X.S.P.E...., tendo como sócios a Sra. Sueli de Fátima Ferreti e o Sr. Cleber Faria Fernandes, e como objeto social a participação em outras sociedades, como sócia ou acionista, no País ou no exterior (doc 6). Mencionou a recorrente que em 13/09/2009 ocorrem: (i) transferência das ações da S.R.X.S.P.E para a MCN, (ii) mudança da denominação social da S.R.X.S.P.E para Arthemia, e (iii) aumento de capital da Arthemia pela MCN com a totalidade de sua participação societária detida na Requerente (CPQ), que consistia em 1.727.402 ações ordinárias, nominativas, sem valor nominal, representativas de 30% do capital social total e votante da Requerente (doc nº 7). Seguiu aduzindo que conforme “Contrato de Investimento” (doc nº 8), pelo qual o Banco Standard se comprometeu a efetuar investimento na Arthemia (sociedade holding utilizada para a parceria entre as partes), investimento este feito por Contrato de Adiantamento para Futuro Aumento de Capital (“Contrato de AFAC”), também celebrado em 25/11/2009 e pelo qual o Banco Standard se comprometeu, de forma irrevogável e irretratável, a converter o investimento na Arthemia (via o Contrato de AFAC) em capital da própria Arthemia, no prazo de: (i) até 6 (seis) meses contados da data em que o Banco Standard obtivesse aprovação do Banco Central da África do Sul ou (ii) até 4 (quatro) anos contados da data de fechamento do Contrato de Investimento, o que ocorresse primeiro e no momento em que a conversão do Fl. 2268DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19311.720445/201276 Acórdão n.º 1301001.516 S1C3T1 Fl. 5 7 investimento em capital ocorresse, a cláusula 3.2 estabelecia que a Arthemia deveria emitir, em favor do Banco Standard, ações ordinárias, nominativas, sem valor nominal, em montante que, somadas às 2 (duas) ações que passariam a ser detidas pelo Sr. Marcelo Di Lorenzo (“Sr. Lorenzo”) representassem 50% do seu capital social, sendo que o Contrato de Investimento deixa claro que o investimento efetuado na Arthemia, sempre teve como propósito claro e declarado a futura aquisição, pela Arthemia, das ações da Garuda e que parte dos recursos necessários à aquisição das ações da Garuda dependiam de um empréstimo financeiro que seria tomado pela Arthemia, frisando que em 25/11/2009 foi celebrado Contrato de AFAC (doc 09) entre o Banco Standard e a Arthemia, pelo qual o investimento do Banco Standard na sociedade de parceria com a MCN (a Arthemia) atingiu o valor de R$ 30.000.000,00 e, também em 25/1/2009, foi firmado o “Acordo de Acionistas da Arthemia Participações S A” (“Acordo de Acionistas”) (doc. nº10), cuja eficácia estava sujeita à vigência e eficácia do Contrato de Investimento, mediante o fechamento da operação, desde que a oferta da Arthemia no Leilão de venda das ações da Garuda fosse declarada a oferta vencedora, quando em 31/12/2009, com o objetivo de adquirir as ações da Garuda, a Arthemia tomou empréstimo no valor de R$ 40.000.000,00, dívida tomada a partir da emissão, pela Arthemia, de Nota Promissória Comercial (doc nº 11), a qual foi objeto de distribuição pública, com esforços restritos de colocação, nos termos da Instrução da CVM nº 476, de 2009, dispensada de registro na CVM, ficou depositada no Banco Itaú com destinação exclusiva para o financiamento da aquisição da totalidade das ações da Garuda pela Arthemia, e teve como garantia a alienação fiduciária de 100% das ações representativas do capital da própria Arthemia, ações essas detidas, à época, exclusivamente pela MCN, sendo que ao final do investimento feito pelo Banco Standard e da dívida tomada, a Arthemia levantou o montante de R$ 70.000.000,00 para efetuar a aquisição das ações da Garuda em leilão e, dessa forma, a Arthemia foi extremamente importante no contexto da aquisição das ações da Garuda, não só pelo fato de que foi a sociedade necessária para estabelecer a parceria entre a MCN e o Banco Standard, mas também porque foi a sociedade que tomou a dívida (no valor de R$ 40.000.000,00) necessária para a propria aquisição das ações da Garuda no Leilão. Assinalou a recorrente que os valores do empréstimo de R$ 40.000.000,00 só foram tomados porque a Arthemia possuía um ativo relevante (i. e. 30% da Casa do Pão de Queijo) que garantia o empréstimo tomado. Havia ainda a obrigação de a sociedade tomadora da dívida ser incorporada pela Requerente, com o objetivo de concentrar a dívida e a receita operacional (fluxo de caixa) em uma única sociedade, de modo a reduzir o risco financeiro da instituição financeira que era a titular das notas promissórias, abordando (itens 69 a 82) a aquisição das ações da Garuda pela Arthemia decorrente da parceria estabelecida entre a MCN e o Standard Bank, buscando comprovar a ocorrência de efetivo desembolso fazendo menção a edital de leilão de venda das ações da Garuda (doc 12); valor da aquisição mediante pagamento à vista de R$ 68.931.554,44, sendo R$ 2,38 por cada ação ordinária e preferencial da Garuda – sociedade que passou a ser detida integralmente pela Arthemia, ocorrendo a retirada dos acionistas patrimônio FIA, PP Participações, BFF LLP, OPCO Brazil e JP Morgan, conforme relatório da instituição financeira que era depositária das ações da Garuda (doc. nº 13); Extrato de Conta Corrente e Investimento da Arthemia, objetivando comprovar o efetivo desembolso incorrido por essa sociedade para adquirir as ações da Garuda no referido Leilão em 7.12.2009 (doc nº 14) no valor de R$ 69.017.032,08 , valor que representou o efetivo custo de aquisição e o efetivo desembolso da Arthemia para adquirir participação societária que, até aquele momento, era detida por terceiros não relacionados a ela ou seus acionistas publicações divulgando a alienação ocorrida (doc 15 e 16); cessão, em 2/12/2009, pela MCN ao Sr. Lourenzo de duas ações ordinárias representantes do capital da Arthemia (doc. nº 17). Fl. 2269DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 8 Frisouse ainda, a obrigatoriedade legal da Arthemia de, em função da aquisição das ações da Garuda e nos termos do art. 385 do RIR/99, avaliar seu investimento da Garuda segundo o método da equivalência patrimonial, isto é desdobrando seu valor total em (i) valor do patrimônio líquido da Requerente; e (ii) ágio ou deságio, seguindo a legislação fiscal e societária em vigor, a Arthemia apurou ágio de R$ 52.989.186,29, resultante de operação de compra e venda entre empresas Brasileiras (Arthemia como adquirente e Garuda como adquirida), praticada entre partes independentes, e apurado em razão de o valor de mercado estimado para a Garuda, com base em suas projeções de fluxo de caixa descontado, resultarem em valores significativamente superiores ao seu patrimônio líquido à época, nada havendo de artificial ou simulado. Aludiuse que Laudo de Avaliação apresentado como doc 18 confirma expressamente o fundamento econômico do ágio pago pela Arthemia em relação a Garuda, com base em estimativas de rentabilidade futura segundo o método do fluxo de caixa descontado aspectos não questionados pela Fiscalização, abordando (itens 83 a 115) que a efetivação da parceria com a transferência da dívida assumida pelos investidores por meio da incorporação da Garuda e da Arthemia na Requerente (docs. 19 e 20), reportandose ao Protocolo de Justificação de Incorporação da Garuda e da Arthemia pela CPQ, o qual alega deixar claro os propósitos da referida reorganização societária e a importância da Arthema na operação. Menciona, também, como consequência da incorporação a transferência do ágio de R$ 52.989.186,29 e da dívida tomada pela Arthemia para aquisição de ações da Garuda, de R$ 40.000.000,00 a extinção das ações representativas do capital da Garuda e da Arthemia e sua substituição por ações da Requerente (CPQ), das quais 5.758.004 foram recebidas pela MCN e 2 ações foram recebidas pelo Sr. Lorenzo, apontando graficamente a nova estrutura, ressaltando que a existência da Arthemia, além de possibilitar a parceria entre os investidores, permitiu que a parceria de endividamento tomado pela nova parceria pudesse ser transferida para a Requerente, sociedade operacional, bem como viabilizou a melhor prática contábil e financeira. Concluiu assim, que no momento da incorporação das sociedades ao patrimônio da Requerente, para fins fiscais, o ágio registrado pela Arthemia foi convertido em ativo diferido na requerente, amortizável para fins fiscais nos exatos termos do art. 386, inciso III, do RIR/99, tendo em vista que esse ágio tinha como justificativa econômica a expectativa de rentabilidade futura da sociedade adquirida e que em 15/1/2010, os acionistas da Requerente aprovaram a emissão de 40 debêntures simples (doc. 21 e 22), no valor total de R$ 40.000.000,00, objetivando captação de recursos para pagamento da Nota Promissória Comercial emitida pela Arthemia para aquisição da Garuda, conforme recibo de subscrição (doc. 23) e movimentação de conta corrente (doc. 24), sendo atingida uma das razões da existência da Arthemia: amortização da dívida pelas atividades operacionais da Requerente e, como último passo da parceria entre a MCN e o Banco Standard, o AFAC efetuado por este último foi capitalizado na Requerente, de forma que o investidor passou a ter 50% do capital da Requerente (doc.25). No mais, teceu outras tantas considerações e concluiu não ter havido qualquer ato doloso, fraudulento ou simulado, estando cada etapa da operação fartamente suportada em documentação hábil e idônea, devidamente registrada nos órgãos oficiais conforme a regulamentação em vigor, e incorrendo a Fiscalização em excesso na autuação. Na sequência passou a discorrer acerca dos seus fundamentos jurídicos (itens 116 a 228) relacionando três premissas da autuação que entende equivocadas: (i) de que a Arthemia foi criada apenas para criar despesas de amortização de ágio; (ii) de que o ágio teria Fl. 2270DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19311.720445/201276 Acórdão n.º 1301001.516 S1C3T1 Fl. 6 9 resultado de reorganização societária dentro do mesmo grupo e (iii) para adquirir o investimento na Garuda a Arthemia não teria desembolsado qualquer valor. Reportouse ao tratamento fiscal dos valores apurados a título de ágio (itens 124 a 134), em que menciona os arts. 248 da Lei 6.404/1976; 385 do RIR/99 e 386 , III, também do RIR/99, que aponta como fundamento que para que, com a incorporação da Garuda na Requerente, e com a incorporação da Arthemia na Requerente, o ágio antes registrado pela Arthemia foi convertido para fins fiscais em ativo diferido na Requerente, de forma que esses valores se tornaram amortizáveis à razão máxima de 1/60 avos por mês. Sob o título o racional legislativo da amortização fiscal de ágio reconhecido entre partes privadas (itens 135 a 144) tece considerações sobre os motivos da edição dos artigos 7 e 8 da Lei 9.532/97, base legal dos artigos 385 e 386 do RIR/99, que identifica como incentivo a operações de fusões e aquisições de empresa, também entre partes privadas, na busca pelo fortalecimento da economia nacional por meio de investimentos em outras empresas e reorganizações societárias, e reportase a votos proferidos no julgamento pelo CARF dos casos Telemar (Acórdão 1301000.711) e Santander (Acórdão 140200802), para concluir que a aquisição da Garuda pela Arthemia atende à finalidade prevista na Lei 9.532, de 1997, para fins de amortização fiscal do ágio. Sustentou ainda, o Propósito Negocial da utilização da Arthemia (itens 145 a 166), discorrendo acerca das razões empresarias de sua criação, identificadas como sendo, além da economia tributária da amortização fiscal do ágio, ter sido a Arthemia (i) a sociedade que convergiu os esforços do Banco Standard e da MCN e (ii) a sociedade que tornou possível o pagamento do preço pelas ações da Garuda, já que tornou possível a obtenção da dívida necessária para a aquisição e a amortização da dívida através dos negócios da Requerente. Salienta também neste tópico, que: a economia tributária foi mera consequência da transação e não decorre da utilização da Arthemia, mas sim da própria legislação fiscal em vigor; a Fiscalização não poderia desconstituir uma operação realizada em conformidade com a legislação em vigor, unicamente por conta das suas motivações econômicas. Invoca o § único do art. 116 do CTN incluído pela LC 104, de 2001, para alegar que a possibilidade de as autoridades fiscais desconsiderarem determinadas condutas dos contribuintes dentro de determinadas circunstâncias, depende de regulamentação por lei ordinária, inexistente até o momento. Passa, então, a defender ser Infundada a alegação de “empresa veículo” (itens 167 a 204), expondo que mesmo que não houvesse qualquer razão empresarial para a utilização da Arthemia, a amortização do ágio seria legítima, porque uma sociedade holding não é constituída para ter empregados ou qualquer outros ativos além de unicamente participações societárias. Cita entendimento doutrinário e reportase ao art. 2º § 3º da Lei das S/A, ao art. 31 da Lei 11.7272, de 2008, e ao art. 981, § único, do Código Civil, para justificar as funções e prazo da sociedade holding. Defendeu ainda, a legitimidade da amortização fiscal do ágio reconhecido pela Arthemia pelo simples fato de a operação de aquisição das ações da Garuda: (i) representou operação de compra e venda de ações que teve como adquirente e vendedor empresas Brasileiras, independentes e não relacionadas entre si; (ii) foi feita a valores justos de mercado, com o efetivo desembolso do preço pela adquirente (a Arthemia); (iii)envolveu o pagamento de um ágio no valor de R$ 52.989.186,29 (...), que teve como justificativa a expectativa de rentabilidade futura da Garuda, justificativa essa baseada em Laudo de Avaliação que nem sequer foi questionado pela D. Fiscalização, e (iv) teve como passo final a incorporação da Garuda e da Arthemia na Requerente, preenchendo os requisitos estabelecidos Fl. 2271DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 10 pelos artigos 7º e 8º da Lei 9.532/97 (ou artigos 385 e 386 do RIR/99) para possibilitar a amortização fiscal do ágio. Discorreu acerca do entendimento administrativo relativamente à de “empresa veículo” expondo ter o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ao julgar casos com fatos e circunstâncias em que havia empresa veículo e na sequência buscou demonstrar a inaplicabilidade ao caso concreto da doutrina e jurisprudência citada pela D. Fiscalização (itens 205 a 216), bem com a do Ofício Circular CVM/SNC/SEP nº 1/2007 (itens 217 a 223), considerando infundada a alegação de reavaliação patrimonial da Requerente, calcada em laudos baseados numa expectativa de resultados futuros, com o fim de se criarem despesas com a amortização do ágio artificial. Reprisa argumentos de que ocorreu a avaliação e efetivo pagamento do ágio e que não houve qualquer reavaliação espontânea de sociedade, a fim de gerar o ágio aqui questionado. O que houve foi uma efetiva aquisição direta das ações da Garuda, com o desembolso de recursos financeiros pela Arthemia, com base em valores justos de mercado. Discordou das multas aplicadas, considerando descabida a multa agravada, (itens 229 a 275) por não ter ocorrido nenhum tipo de simulação, abuso de direito ou fraude neste caso. Reportase à legislação e jurisprudência que entende aplicáveis à matéria, à teoria da imputação subjetiva e o artigo 112 do CTN”, à possibilidade de ocorrência de erro de proibição e de dúvida relevante , e ao princípio da proporcionalidade art. 142 do CTN. Sustentou ainda, ser inaplicável a multa isolada por suposta falta de antecipação das estimativas mensais (itens 276 a 298), por considerar abusiva a exigência de multa isolada e multa de ofício proporcional e impossível o lançamento da multa isolada por estimativa após o término do anocalendário e opôsse à incidência de juros Selic sobre a multa (itens 299 a 306), bem como à incidência de juros Selic sobre valores lançados de ofício (itens 307 e 308). Abordou a exigência de CSLL, alegando ser improcedente nos moldes já defendidos em relação ao IRPJ (item 309 a 311). Expõe que, diante da improcedência da autuação, há necessidade de recomposição do prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL compensados na apuração dos valores lançados (item 312), finalizando (item 313 a 315) resumindo seus argumentos em 19 itens, requerendo o cancelamento integral do Auto de Infração e protestando pela juntada posterior de documentos que se fizerem necessários. A peça de impugnação é instruída com os seguintes documentos, além de documentos de representação processual e identificação de seus subscritores: Doc 4 Ata de Assembleia Geral de Constituição da Garuda S A de 15/09/1997 e Estatuto (fls. 1431/1454) Doc 5 Contrato Social da MCN Part e Empr. Ltda, Ata da Assembleia de 30/10/2009 (fls. 1455/1467) Doc 6 Ata da Assembleia de Constituição da SRXSPE e Estatuto (fls. 1468/1485) Doc 7 Ata da AGE da SRXSPE de 13/11/2009 (fls. 1486/1489) Doc 8 Contrato de Investimento e outras avenças de 25/11/2009 (fls. 1490/1528) Fl. 2272DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19311.720445/201276 Acórdão n.º 1301001.516 S1C3T1 Fl. 7 11 Doc 9 Contrato AFAC Banco Standard e Arthemia de 25/11/2009 (fls. 1529/1535) Doc 10 Acordo de acionistas da Arthemia de 25/11/2009 (fls. 1536/1567) Primeiro aditivo, datado de 17/02/2011, ao acordo de acionistas da CPQ Brasil (na condição de sucessora por incorporação da Arthemia) (fls. 1568/1573) Doc 11 Nota Promissória de R$ 40.000.000,00 emitida pela Arthemia em 03/12/2009 (fls. 1575/1576) Doc 12 Leilão de Venda de Ações Ord e Pref da Garuda de 02/12/2009 (fls. 1577) Doc 13 Relatório de Investidor (fls. 1578/ 1579) Doc 14 Extrato de conta corrente e investimento (fls. 1580) Doc 15 Publicação relativa a Garuda de fato relevante – alienação de controle (fls. 1581/1582) Doc 16 Fato relevante ocorrido na Arthemia (aquisição das ações da Garuda) fls. 1583/1584 Doc 17 Registro de Transferência de ações nominativas da Arthemia para a MCN (fls. 1585/1590) Doc 18 Relatório de avaliação econômicofinanceira de 30/12/2009 da Garuda (fls. 1591/1624) Doc 19 Ata da AGE da Garuda de 31/12/2009 (fls. 1625/1664) incorporação da Garuda pela CPQ Doc 20 Ata da AGE da Arthemia de 31/12/2009 incorporação da Arthemia pela CPQ (fls. 1665/1687 e1690/1765) Doc 21 Ata da AGE da CPQ de 15/01/2010 emissão de debêntures (fls. 1765/1769) Doc 22 Escritura particular de emissão pública de debêntures da CPQ e outro documentos relativos às debêntures (fls. 1770/1968) Doc 23 Recibo de subscrição de debêntures de 01/02/2010 (fls. 1698/ 1960) Doc 24 Extrato Itaú fls. 1969 Doc 25 Ata da AGE de 30/04/2010 da CPQ relativa ao aumento de capital mediante capitalização do AFAC do Banco Standard (fls. 1970/1972) Doc 26 Publicação em portal de notícias sobre a venda da Casa do Pão de Queijo por R$ 70 milhões (fls. 1973/1974) Fl. 2273DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 12 Doc 27 DIPJ 2009 – anocalendário 2008 da Arthemia (fls. 1975/1999) Doc 28 Recibo emitido pelo do Banco Itaú em favor da Arthemia datado de 10/12/2009(fls. 2000). A 1ª Turma da DRJ em Campinas/SP, nos termos do acórdão e voto de folhas 2.027 em diante, julgou o lançamento procedente, reconhecendo, em resumo, que na espécie se cuidaria do denominado “ágio interno”, cuja dedutibilidade das despesas não seria autorizada. Com efeito, o acórdão recorrido ficou assim ementado: [...] ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010, 2011 Nulidade. Inocorrência. São considerados nulos somente atos e termos lavrados por pessoa incompetente e despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, incisos I e II, do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), não havendo que se falar em nulidade quando observados, nos lançamentos formalizados, os requisitos contidos no art. 142 do CTN bem como o disciplinamento do Processo Administrativo Fiscal (PAF). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 IRPJ. Amortização de Ágio. A amortização do ágio, como regra geral, é indedutível para a apuração do lucro real, bem como da base de cálculo da CSLL. A possibilidade de deduzila prevista no art. 386, III, do RIR/99 art. 7º, III, da Lei 9.532/97 e art. 10 da Lei 9.718/98 não pode prevalecer quando, para sua configuração, é utilizada uma empresa veículo (incorporada em curto espaço de tempo), para, em nome dela, serem adquiridas ações com ágio, pago com recursos obtidos em função do patrimônio da própria incorporadora. A condição legal de ocorrência de uma operação de incorporação, mediante extinção da investida ou da investidora, não pode ser admitida apenas como uma exigência formal, mas deve ser considerada como um requisito de efetivo conteúdo econômico e societário, que reflita um verdadeiro propósito negocial e não apenas uma opção empresarial dos interessados, sob pena de se Fl. 2274DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19311.720445/201276 Acórdão n.º 1301001.516 S1C3T1 Fl. 8 13 interpretar extensivamente uma norma concessiva de um benefício, hipótese vedada pelo art. 111 do CTN. Multa Qualificada. Não há como afastar a imputação fiscal de sonegação e simulação e a consequente aplicação da multa qualificada se descritas pela Fiscalização circunstâncias que demonstram a ocorrência de reestruturação societária para criar, formalmente, por meio da constituição e posterior incorporação de “empresa veículo”, uma situação que se enquadrasse na exceção legal que possibilita deduzir despesas de amortização de ágio, advinda com a Lei 9.532/97, o que justifica, além da glosa das correspondentes deduções, a multa no percentual de 150%. Multa Isolada. Falta/Insuficiência do Recolhimento de Estimativas Mensais. Constatada a falta/insuficiência do recolhimento das estimativas devidas, fica a pessoa jurídica sujeita à multa de ofício isolada sobre os valores inadimplidos. Tributação Reflexa. CSLL. Em se tratando de exigência reflexa que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente. Juros de Mora Sobre Multa de Ofício. Sobre a multa de ofício não paga no vencimento incidem juros de mora. Juros de Mora. Incidência. O crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Taxa SELIC. Nos termos da legislação em vigor, os juros serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Inconstitucionalidade. A apreciação de alegações relacionadas a inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, mas sim exclusiva do Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Fl. 2275DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 14 Crédito Tributário Mantido [...] Devidamente cientificada da decisão a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando as preliminares de nulidade do auto de infração e reproduzindo seus argumentos de inconformismo. É o relatório. Fl. 2276DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19311.720445/201276 Acórdão n.º 1301001.516 S1C3T1 Fl. 9 15 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Assento de plano que deixo de apreciar as preliminares de nulidade do auto de infração na forma do § 3º, do artigo 59, do Decreto nº 70.235/72, porquanto entendo que a questão, no mérito, se resolve favoravelmente ao contribuinte. Como bem descrito no relatório acima circunstanciado, cuidase de autos de infração versando glosa à dedutibilidade de despesas com amortização de ágio, resultante (ele ágio) de operações societárias pelas quais o dito ágio passou para o patrimônio da recorrente por ocasião da incorporação das empresas Garuda e a Arthemia. Em resumo, a Fiscalização sustenta que o denominado ágio fora transferido à recorrente por meio de “empresa veículo”, expediente que tornaria a despesa indedutível, já que a “Arthemia”, não teve outro propósito negocial senão a transferência. Seguramente o assunto tratado nestes autos é controvertido e pendente, em âmbito genérico, de uma pacificação dos precedentes administrativos. Eu mesmo tenho oscilado, em cada caso, minha posição no tocante ao aproveitamento de despesas com ágio transferido por meio de empresa veículo, ou gerado no mesmo grupo econômico, procurando observar cada operação e partir daí definir concretamente. Acompanhando os diversos julgamentos de casos semelhantes, bem como ponderando as questões puramente jurídicas que implicam nas conclusões de inadmissão das tais despesas, unicamente porque transferidas por empresa veículo ou geradas internamento, penso que a matéria precisa ser pacificada, em âmbito genérico – torno a dizer – favoravelmente à dedutibilidade das despesas com ágio. Como tenho assentado nos casos em que me manifestei favoravelmente à dedutibilidade, é fato que o ágio corresponde à diferença entre o custo de aquisição de determinado investimento e o seu valor patrimonial, de sorte que ele, falo do ágio, se apresenta sempre que uma das partes, munida de desígnios variados, a exemplo da expectativa de rentabilidade futura, propõese a pagar pelo investimento um valor maior do que aquele que corresponde ao seu patrimônio líquido. A fiscalização insurgese, no entanto, não contra a apuração material do ágio, verificado no Relatório de avaliação econômicofinanceira da “Garuda” (fls. 1591/1624), então controladora da recorrente, mas com o fato de ter sido “engendrado planejamento tributário com a reorganização societária calcada em uma empresa veículo”, a “Arthemia”, com o propósito de aferir vantagem fiscal, dedutibilidade do ágio. Ou seja, a hipótese de glosa foi gerada ante a constatação de planejamento tributário, que seria inoponível ao Fisco. Fl. 2277DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 16 Considero necessário, para deslindar a questão, iniciarse pela reprodução do que dispõem os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, verbis: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea “b ” do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados em até dez anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mês do período de apuração; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu Fl. 2278DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19311.720445/201276 Acórdão n.º 1301001.516 S1C3T1 Fl. 10 17 causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Ora, pela leitura dos dispositivos acima reproduzidos, resta verificado que de fato não há na legislação de regência os óbices apontados pela Fiscalização e pela decisão recorrida, a questão do planejamento tributário, que subsiste como fundamento da Fiscalização e da decisão recorrida, foi abordado em recente julgamento ocorrido no âmbito 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta Seção de Julgamento, no qual o eminente Conselheiro Alberto Pinto de Souza Junior, trouxe ponderações acerca da matéria que me fizeram repensar o assunto e ao meu sentir encerram a celeuma, fixando balizas sólidas para o enfrentamento de autuações semelhantes, de sorte que considero oportuna a transcrição de trechos do voto proferido no Processo Administrativo nº 16682.720880/201111: [...] Os julgadores do CARF prestarão um grande serviço ao Estado e a sociedade brasileiras se imprimirem segurança jurídica e isonomia ao sistema, evitando que suas decisões fiquem ao sabor lotérico do entendimento de cada conselheiro sobre conceitos vagos não positivados como, por exemplo, “falta de propósito negocial”, que não passa de uma construção jurisprudencial alienígena sem respaldo no ordenamento jurídico pátrio. Da mesma forma, não me impressiona os efeitos tributários que se tenta dar a um mero pronunciamento técnico da CVM sobre ágio gerado em operações internas, senão vejamos o teor do item 20.1.7 do OfícioCircular CVM/SNC/SEP nº 01/2007, in verbis: [A CVM tem observado que determinadas operações de reestruturação societária de grupos econômicos (incorporação de empresas ou incorporação de ações) resultam na geração artificial de “ágio. Fl. 2279DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 18 Uma das formas que essas operações vêm sendo realizadas, iniciase com a avaliação econômica dos investimentos em controladas ou coligadas e, ato contínuo, utilizarse do resultado constante do laudo oriundo desse processo como referência para subscrever o capital numa nova empresa. Essas operações podem, ainda, serem seguidas de uma incorporação. Outra forma observada de realizar tal operação é a incorporação de ações a valor de mercado de empresa pertencente ao mesmo grupo econômico. Em nosso entendimento, ainda que essas operações atendam integralmente os requisitos societários, do ponto de vista econômico contábil é preciso esclarecer que o ágio surge, única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial, supera o valor patrimonial desse investimento. E mais, preço ou custo de aquisição somente surge quando há o dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim, não há, do ponto de vista econômico, geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo. Qualquer argumento que não se fundamente nessas assertivas econômicas configura sofisma formal e, portanto, inadmissível. Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável (não se questiona aqui esse aspecto), do ponto de vista econômico, o registro de ágio, em transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses que não a essência da transação, condições essas denominadas na literatura internacional como “arm’s length”. Portanto, é nosso entendimento que essas transações não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes, para que seja passível de registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade.] Notase, hoje, que alguns tentam elevar tal pronunciamento da CVM a um status de norma tributária proibitiva do reconhecimento do chamado ágio interno ao grupo econômico, o que, por si só, já seria absurdo. A análise feita pela CVM é de cunho estritamente econômico, pois sequer embasa seu entendimento em qualquer norma jurídica, muito pelo contrário, afirma que, ainda que respeitada a Lei, economicamente é inconcebível o reconhecimento do ágio interno. Como já dito anteriormente, “falta de substância econômica” assim como “falta de propósito negocial” não são institutos jurídicos nacionais, logo não maculam o ato jurídico seja lá qual for o conceito que os seus aplicadores lhes deem, logicamente, desde que não se configurem como um vício do negócio jurídico, segundo o nosso ordenamento legal. (...) Tratase aqui de aplicação direta do disposto nos arts. 7º e 8º da Lei 9.532/97 sem utilização de empresa veículo, pois a autoridade fiscal se insurge contra Fl. 2280DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19311.720445/201276 Acórdão n.º 1301001.516 S1C3T1 Fl. 11 19 o fato de o investidor no exterior ter preferido aportar capital em uma subsidiária, para que essa depois adquirisse as ações da recorrente com ágio. Por certo, entendeu a autoridade fiscal que estaria obrigado o investidor a optar por adquirir diretamente as ações da recorrente com ágio, pois aí não teria como se valer das referidas normas – caminho mais oneroso. No que tange ao enquadramento da conduta da recorrente como simulação, inicialmente, ressalto que a simulação em matéria fiscal foi bem enfrentada no Parecer CST 46/87, do qual retiro duas conclusões, quais sejam, que as operações simuladas são: a) ilícitas na medida em que pretendem encobrir ato de natureza jurídica com efeitos tributários mais onerosos para o contribuinte; b) devem prevalecer os efeitos do negócio dissimulado. O referido parecer analisou uma situação em que o contribuinte remetia dividendos travestidos de devoluções de capital, para escapar da tributação que havia à época sobre a remessa de dividendos. Notese, assim, que estávamos diante de um caso de simulação relativa, pois havia o ato simulado – devolução de capital – e o ato dissimulado –remessa de dividendos (simulação sobre a causa do negócio jurídico). Como bem sustenta Beleza dos Santos (A Simulação em Direito Civil, ed. Lejus, p. 211): “Para que exista a simulação relativa é portanto necessário que, em virtude de um conluio das partes, se simule um ato aparente para enganar terceiro e que sob essa aparência se dissimule outro correspondente à vontade real e séria das partes”. Qual o conluio demonstrado nos autos? Será que fazer jus aos benefícios dos arts. 7º e 8 º da Lei 9.532/97 podem ser tomados como enganar o Fisco? Qual o ato dissimulado? Todas as respostas são negativas, pois a contribuinte quis transferir o ágio para a operacional, o que encontrou amparo no art. 8º da Lei 9.532/97. Veja que, sob qualquer prisma, a existência do ágio era indiscutível, pois sequer se enquadrava na débil definição de ágio interno adotada por alguns. Ademais, não resta demonstrado no TVF qual o ato dissimulado nem a autoridade fiscal demonstra o pacto simulatório, o que, por si só, já seria suficiente para afastarmos a acusação de simulação. Notese que os efeitos buscados pela recorrente eram os efeitos próprios do atos praticados (...) O conceito de propósito negocial é vago e não se enquadra em qualquer dos incisos, nem mesmo no inciso II, pois ainda que os sócios não tivessem a intenção de perpetuar a empresa, isso não torna a sua cláusula de constituição menos verdadeira. O propósito negocial pode ser, exatamente, o de realizar uma reorganização societária para se valer das normas permissivas criadas pelo Estado. O entendimento de que o contribuinte pode se reorganizar desde que não seja exclusivamente para reduzir carga tributária (causa extra Fl. 2281DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 20 tributária) é apenas uma teoria sem amparo no Direito posto. A finalidade da sociedade empresária é maximizar seus lucros, pelo aumento do faturamento e redução de custo, o que é legítimo desde que suas condutas sejam lícitas. (...) Teria então a recorrente fraudado o espírito da norma (art. 8º da Lei 9.532/97), ou seja, a conduta da recorrente se enquadra na fraude à lei? De plano afasto essa hipótese, pois, diante de dois caminhos legais, não estaria obrigado o investidor estrangeiro a optar pelo mais oneroso tributariamente, ou seja, aquele em que ele adquirisse diretamente as ações de MTE com ágio e depois não pudesse realizar o evento (incorporação, fusão ou cisão) que lhe permitisse recuperar o custo sem alienar o investimento. Ressalto que o art. 8º da Lei 9.532/97 teve como finalidade o processo de privatização, pois, por tal norma, permitiuse que a despesa com amortização do ágio continuasse a ser dedutível das bases tributáveis, mesmo que a empresa veículo (controladora da empresa operacional estatal privatizada) fosse incorporada por sua controlada. Isso era fundamental para preservação dos intangíveis da empresa adquirida com ágio. Em suma: o controle da empresa privatizada era adquirida com ágio; o controle e o ágio eram transferidos, em integralização de capital, para uma empresa veículo; por último, a empresa veículo (controladora) era incorporada por sua controlada (empresa privatizada), a qual passava a amortizar o ágio, por força dos arts. 7º e 8º da Lei 9.532/97. Conforme retro tratado, no presente caso sequer estamos diante de empresa veículo, mas a recorrente se valeu do art. 8º para incorporar a sua coligadainvestidora e passar a amortizar o ágio. Notese então que não há falar que a conduta da recorrente tenha sido em fraude à lei, pois foi justamente para possibilitar tal operação que a norma foi editada. Em face do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte, para cancelar os autos de infração do IRPJ e da CSLL em tela. (...) (meus os grifos e as supressões) Como referi acima, me parece que o citado voto, o qual estampa o rigor científico típico do Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior, eliminam qualquer dúvida que o intérprete possa ter diante de semelhantes imputações, porquanto traça premissas singelas, mas inarredáveis: não há base para tergiversarse acerca de propósito negocial, ausente esta figura no regramento da espécie; não estão os contribuintes sujeitados a promoverem reorganizações societárias do ponto de vista mais oneroso; não há vedação na legislação de regência para o aproveitamento do ágio gerado internamente. Com tais premissas estabelecidas, também eu não vejo como subsistir a autuação relacionada ao aproveitamento do ágio unicamente porque transferido à recorrente por operação envolvendo empresa dita “veículo”. Nada foi feito em contrariedade à legislação de regência, tampouco simuladas ou dissimuladas as operações. Fl. 2282DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19311.720445/201276 Acórdão n.º 1301001.516 S1C3T1 Fl. 12 21 Imperioso citar que Celso Ribeiro Bastos, in Comentários ao Código Tributário Nacional, Ed. Saraiva, pág. 193, ao descortinar o parágrafo único, do artigo 116, do Código Tributário Nacional, assim arremata: “(...) o parágrafo único do dispositivo posto à análise ainda é, não obstante seu tempo de vigência no ordenamento, bastante debatido na doutrina. E isso porque instituiu no país o que muitos denominam equivocadamente norma geral antielisiva. Para explicar melhor, é importante mencionar que, antes do referido dispositivo, prevalecia a ideia de plena liberdade de planejamento tributário, sendo a [única barreira posta a este os casos de simulação. O contribuinte tinha plena liberdade de reestruturar seus negócios e de economizar o tributo] (...) A norma em tela, no entanto, não inibe o planejamento tributário, que é aquilo que não ofende as leis vigentes, o ordenamento. O planejamento, ou melhor, elisão tributária, continua válida no país. O que a nova norma dispõe é acerca das hipóteses de dissimulação, um ato que omite a ocorrência do fato gerador ou oculta a natureza de um negócio, de uma transação tributável. A norma, portanto, é antievasão. Apenas deixou mais claro aquilo que já constituía o ilícito tributário. (...)” Não parece legítimo, destarte, concluir que a simples intenção da Recorrente em proceder de forma a gerar economia de tributo possa desnaturar e invalidar os efeitos da transação, mesmo que tais efeitos tenham implicado na geração de um ágio interno, por absoluta falta de previsão legal para esta conclusão. Vêse assim, que a decisão recorrida estipula que as justificativas dadas pela Recorrente para o implemento da transação, não hospedariam a legitimidade para deduzirse a despesas, eis que a Arthemia teria sido mera “empresa veículo”, surgida com o intuito preponderante, senão único, de criarse o ágio. Mas, se como vimos acima, a lei tributária não traz vedação semelhante, de fato se precisa aferir se a Recorrente agiu com abuso de direito, de sorte que a questão, para além da formação ágio, cujo laudo – repito – não foi contestado, passa pelo enfrentamento da questão da elisão fiscal. Com tais premissas estabelecidas, convém registrar que minha análise dos autos afasto por completo qualquer abuso de direito praticado pela Recorrente, bem como, na legislação de regência, não encontro fundamento válido para imporse a glosa unicamente porque o contribuinte realizou estruturação societária de forma menos onerosa do ponto de vista tributário, contrário disso, observo legítimos os procedimentos regulares de elisão fiscal. Em hipótese alguma, a simples intenção de efetivarse um planejamento tributário (fundamento da decisão recorrida), pode indicar abuso de direito, necessitandose, para esta configuração, demonstrar que a Recorrente tenha agido de forma dissimulada, abstraindo se houve ou não o propósito negocial que autorize o ágio, situação que será enfrentada a seguir, cuidandose do abuso de direito, ressalvada as hipóteses de simulação, não verifico que a intenção de elisão fiscal possa acarretar os efeitos dados pela decisão recorrida. Fl. 2283DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 22 Aliás, para que se configure a simulação, imprescindível seja demonstrado um descompasso entre a intentio facti e o intentio júris, sem os quais, não se pode falar em simulação, já que esta pressupõe operação que não existe, falseiase a realidade do que efetivamente ocorreu, ou seja, ocorre a desconformidade consciente e querida da declaração com a vontade, mas é preordenada com a parte à qual a declaração se dirige e acordado com ela, a fim de enganar terceiros. In casu, os fatos ocorridos não foram fingidos nem simulados e tampouco dissimularam outro fato. Todas as circunstâncias fáticas levantadas no auto de infração realmente aconteceram na realidade negocial e não tiveram o objetivo de encobrir outros fatos, não sendo legítimo deixar de reconhecer que é dever das autoridades fiscais coibir práticas de utilização do ordenamento jurídico por meio de estratagemas, formadas como negócios simulados, com fraude à lei ou com dolo que causem prejuízo ao Erário. Bem assim, não pode se negar que os contribuintes utilizam formas simuladas para esconder dolosamente fatos geradores. Contudo, não se pode admitir que considerações ou interpretações subjetivas da autoridade fiscal, possam descaracterizar operações legítimas e revestidas de licitude praticadas pelos contribuintes com total amparo no ordenamento jurídico vigente e qualificá las como simuladas. Com efeito, acerca do tema esta Turma decidiu, por ocasião do julgamento do PA nº 18471.000999/200529, de relatoria do eminente Colega Valmir Sandri: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: SIMULAÇÃO Configurase como simulação, o comportamento do contribuinte em que se detecta uma inadequação ou inequivalência entre a forma jurídica sob a qual o negócio se apresenta e a substância ou natureza do fato gerador efetivamente realizado, ou seja, dáse pela discrepância entre a vontade querida pelo agente e o ato por ele praticado para exteriorização dessa vontade. (...) ABUSO DE DIREITO A figura de “abuso de direito” pressupõe que o exercício do direito tenha se dado em prejuízo do direito de terceiros, não podendo ser invocada se a utilização da empresa veículo, exposta e aprovada pelo órgão regulador, teve por objetivo proteger direitos (os acionistas minoritários), e não violálos. Não se materializando excesso frente ao direito tributário, pois o resultado tributário alcançado seria o mesmo se não houvesse sido utilizada a empresa veículo, nem frente ao direito societário, pois a utilização da empresa veículo deuse, exatamente, para a proteção dos acionistas minoritários, descabe considerar os atos praticados e glosar as amortizações do ágio. (...) Ora, se a própria decisão recorrida assenta que a intenção da Recorrente sempre foi realizar a operação da forma menos onerosa, nada há de simulado ou abusivo nisso, de sorte que não vejo no caso em exame a dissimulação de qualquer aspecto da legislação de regência, já que inexistiu abuso do direito, da forma jurídica ou da interpretação da mens legis, eis que os negócios jurídicos praticados pela Recorrente tiveram evidente motivação no plano societário. Fl. 2284DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19311.720445/201276 Acórdão n.º 1301001.516 S1C3T1 Fl. 13 23 Aliás, verificando os eventos societários descritos pela contribuinte, ao contrário do que propagado pela decisão recorrida, apresentase conclusão de que a Arthemia serviu muito mais do que para transferir o ágio à recorrente, tendo papel preponderante na negociação. Como descreveu a contribuinte, houve interesse de terceiros investidores no seu negócio, e em 1999, a gestora de Fundos de Private Equity denominada Pátria Investimentos S A adquiriu o controle societário dela recorrente, passando o núcleo familiar a deter a minoria do capital, sendo que até novembro de 2009, o capital social da requerente era detido da seguinte forma: 70% das suas ações pela Garuda e 30% pela MCN. Segundo pontuou a recorrente, a Garuda, até então, sua controladora, fora criada em 1997 (fls. 1431/1454), sendo holding centralizadora de investimentos diversos sem correlação com os outros sócios da recorrente, enquanto que a MCN, era sociedade holding detida diretamente por dois acionistas pessoas físicas, Alberto Carneiro Neto e Marco Aurélio Aliberti Mammana (fls. 1455/1467), ou seja, neste cenário, a Garuda representava o núcleo dos Fundos de Private Equity que investiram nela recorrente, enquanto que a MCN representava o núcleo familiar relacionado ao Sr. Mario Carneiro. Não se pode desconhecer também, que ao narrar os fatos sucedidos, a contribuinte demonstrou que o real interesse por trás dos eventos societários que se seguiram, tiveram três fatores preponderantes: i) terceiro investidor (Banco Standard) em adquirir investimento, ii) investidores controladores em liquidar o investimento e iii) acionista minoritário (MCN) em voltar a deter o controle acionário da recorrente CPQ, iniciandose a parceria do Banco Standard com a MCN, de modo que, ao final, cada parte passasse a deter metade do capital da CPQ, de sorte que no âmbito da parceria, o acionista minoritário (MCN) entraria com os 30% que detinha no capital da CPQ, enquanto que o Banco Standard desembolsaria parte dos recursos financeiros necessários à aquisição das ações da Garuda, enquanto que a outra parte do investimento, seria feito com base em empréstimo tomado pela parceria. Neste cenário dos fatos, é que defende a contribuinte ter surgido a “Arthemia”, constituída em 2009, com a denominação de S.R.X.S.P.E (fls. 1468/1485), sendo que a Ata de AGE de folhas 1486/1489, indica que houve a transferência das ações da S.R.X.S.P.E para a MCN, bem como a mudança da denominação social da S.R.X.S.P.E para Arthemia, e o aumento de capital da Arthemia pela MCN com a totalidade de sua participação societária detida na CPQ, que consistia em 1.727.402 ações ordinárias, nominativas, sem valor nominal, representativas de 30% do capital social total e votante da CPQ. O contexto que a contribuinte defende ter havido efetivo propósito negocial para a criação da Arthemia, dáse ao abordar que o Contrato de Investimento de folhas 1490/1528, pelo qual o Banco Standard se comprometeu a efetuar investimento na Arthemia, para futuro aumento de capital, também se comprometendo, o Banco Standard, a converter o investimento na Arthemia em capital da própria Arthemia, no prazo de até seis meses contados da data em que o Banco Standard obtivesse aprovação do Banco Central da África do Sul ou até quatro anos contados da data de fechamento do contrato de investimento, o que ocorresse primeiro e no momento em que a conversão do investimento em capital ocorresse, a cláusula 3.2 estabelecia que a Arthemia deveria emitir, em favor do Banco Standard, ações ordinárias, nominativas, sem valor nominal, em montante que, somadas às duas ações que passariam a ser detidas por Marcelo Di Lorenzo representassem 50% do seu capital social, sendo que o Fl. 2285DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 24 Contrato de Investimento deixa claro que o investimento efetuado na Arthemia, sempre teve como propósito claro e declarado a futura aquisição, pela Arthemia, as ações da Garuda e que parte dos recursos necessários à aquisição das ações da Garuda dependiam de um empréstimo financeiro que seria tomado pela Arthemia. Na sequência da narrativa dos fatos, temse que em 25/11/2009 foi celebrado Contrato de AFAC (fls. 1529/1535) entre o Banco Standard e a Arthemia, pelo qual o investimento do Banco Standard na sociedade de parceria com a MCN, justamente a Arthemia atingiu o valor de R$ 30.000.000,00 e, também em 25/1/2009, foi firmado o “Acordo de Acionistas da Arthemia Participações S A” (fls. 1536/1567), cuja eficácia estava sujeita à vigência e eficácia do Contrato de Investimento, mediante o fechamento da operação, desde que a oferta da Arthemia no Leilão de venda das ações da Garuda fosse declarada a oferta vencedora, quando em 31/12/2009, com o objetivo de adquirir as ações da Garuda, a Arthemia tomou empréstimo no valor de R$ 40.000.000,00, dívida tomada a partir da emissão, pela Arthemia, de Nota Promissória Comercial de folhas 1575/1576, a qual foi objeto de distribuição pública, com esforços restritos de colocação, nos termos da Instrução da CVM nº 476, de 2009, dispensada de registro na CVM, ficou depositada no Banco Itaú com destinação exclusiva para o financiamento da aquisição da totalidade das ações da Garuda pela Arthemia, e teve como garantia a alienação fiduciária de 100% das ações representativas do capital da própria Arthemia, ações essas detidas, à época, exclusivamente pela MCN, sendo que ao final do investimento feito pelo Banco Standard e da dívida tomada, a Arthemia levantou o montante de R$ 70.000.000,00 para efetuar a aquisição das ações da Garuda em leilão e, dessa forma, a Arthemia foi extremamente importante no contexto da aquisição das ações da Garuda, não só pelo fato de que foi a sociedade necessária para estabelecer a parceria entre a MCN e o Banco Standard, mas também porque foi a sociedade que tomou a dívida (no valor de R$ 40.000.000,00) necessária para a própria aquisição das ações da Garuda no Leilão. Tem demonstrado a contribuinte, ainda, que os valores do empréstimo de R$ 40.000.000,00 só foram tomados porque a Arthemia possuía um ativo relevante (30% da Casa do Pão de Queijo) que garantia o empréstimo tomado e havia ainda a obrigação de a sociedade tomadora da dívida ser incorporada pela CPQ e o plausível objetivo de concentrar a dívida e a receita operacional em uma única sociedade. No mais, ficou demonstrado que a aquisição das ações da Garuda pela Arthemia, decorrente da parceria estabelecida entre a MCN e o Standard Bank, se deu mediante leilão de venda das ações da Garuda (fl. 1577) mediante pagamento à vista de R$ 68.931.554,44, sendo R$ 2,38 por cada ação ordinária e preferencial da Garuda, a qual passou a ser detida integralmente pela Arthemia, ocorrendo a retirada dos acionistas patrimônio FIA, PP Participações, BFF LLP, OPCO Brazil e JP Morgan, conforme relatório da instituição financeira que era depositária das ações da Garuda (fls. 1578/1579). Tem razão a contribuinte, também por esse viés, ao frisar que a Arthemia, em função da aquisição das ações da Garuda e nos termos do art. 385 do RIR/99, tinha obrigação de avaliar seu investimento na Garuda segundo o método da equivalência patrimonial, isto é desdobrando seu valor total em (i) valor do patrimônio líquido da Requerente; e (ii) ágio ou deságio, seguindo a legislação fiscal e societária em vigor, de sorte que a Arthemia apurou ágio de R$ 52.989.186,29, resultante de operação de compra e venda entre empresas Brasileiras (Arthemia como adquirente e Garuda como adquirida), praticada entre partes independentes, e apurado em razão de o valor de mercado estimado para a Garuda, com base em suas projeções de fluxo de caixa descontado, resultarem em valores significativamente superiores ao seu patrimônio líquido à época, nada havendo de artificial ou simulado. Fl. 2286DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19311.720445/201276 Acórdão n.º 1301001.516 S1C3T1 Fl. 14 25 Por outro turno, o Laudo de Avaliação apresentado às folhas 1591 a 1624, que não foi contestado pela Fiscalização, confirma expressamente o fundamento do ágio pago pela Arthemia em relação a Garuda, com base em estimativas de rentabilidade futura segundo o método do fluxo de caixa descontado. Sendo assim, devese verificar que mesmo que se apresentassem necessárias as justificativas de um propósito negocial na dita “empresaveículo”, a autuação não poderia prosperar, verificada a condição viabilizadora do negócio que assumiu a Arthemia. Vejamos o gráfico da mudança societária. Fl. 2287DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 26 Portanto, analisando todas as etapas do negócio jurídico levado a efeito, até os resultados concretos que redundaram no aproveitamento do ágio não vejo como enquadrar esta operação como sendo um planejamento tributário abusivo, conforme entendeu a r. decisão recorrida, mesmo porque, para restar compreendida como abusiva, uma conduta deve refletir um conflito entre forma e substância, e a prova de tal conflito deve ser feita com base em elementos objetivos, sem uma justificativa razoável para tal operação, a qual não seja mera vantagem fiscal, o que, digase de passagem, em nenhum momento ficou comprovado nos autos. No tocante à CSLL, anoto que repousando o lançamento nos mesmos fatos e mesmo fundamento jurídico do lançamento do IRPJ, as decisões quanto a ambos devem ser a mesma. Sendo assim, encaminho meu voto no sentido de DAR provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 08 de abril de 2014. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 2288DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 10183.003506/2010-11
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.219
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62-A, §§1º e 2º do Regimento do CARF.
Assinado digitalmente
Tania Mara Paschoalin Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada- Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tania Mara Paschoalin, Jose Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos Cesar Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201305
turma_s : Primeira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10183.003506/2010-11
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5397937
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 17 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2801-000.219
nome_arquivo_s : Decisao_10183003506201011.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : Não se aplica
nome_arquivo_pdf_s : 10183003506201011_5397937.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62-A, §§1º e 2º do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Tania Mara Paschoalin Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada- Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tania Mara Paschoalin, Jose Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos Cesar Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
dt_sessao_tdt : Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
id : 5703941
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:31:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047251245334528
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1829; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 201 1 200 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.003506/201011 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2801000.219 – 1ª Turma Especial Data 16 de maio de 2013 Assunto IRPF Recorrente LEVI SALIÈS FILHO Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§1º e 2º do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Tania Mara Paschoalin – Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tania Mara Paschoalin, Jose Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos Cesar Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade do contribuinte recorrente com a Notificação de Lançamento constante da fl. 144 e ss., originada a partir de procedimento de revisão em sua declaração de ajuste anual, do exercício de 2009, onde se verifica a seguinte descrição dos fatos: “Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, decorrentes de Ação Trabalhista. Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse omissão RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 83 .0 03 50 6/ 20 10 -1 1 Fl. 201DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /05/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/06/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10183.003506/201011 Resolução nº 2801000.219 S2TE01 Fl. 202 2 de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista, no valor de R$ 144.473,16, auferidos pelo titular e/ou dependentes. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 4.066,32.” Foi apresentada impugnação ao lançamento, conforme fls. 1, onde contribuinte alega, em síntese, que: Na análise do pedido de antecipação de processamento de declaração que incidiu em malha e apresentada espontaneamente à Receita Federal do Brasil, teve seu pedido negado e inda foi autuado por omissão, mas acredita que houve uma interpretação equivocada dos valores apresentados que passará a demonstrar; Partindo da sentença proferida conforme cópia dos autos do Processo n° 00891.2002.001.23.005, bem como nos termos do Laudo Pericial juntado, temse as seguintes verbas: “indenizatórias, tributação exclusiva e tributáveis”; Em consulta ao plantão fiscal da Receita Federal do Brasil, no intuito de dirimir eventuais dúvidas, fora aconselhado a fazer uma planilha demonstrando todos os valores recebidos, que culminou na entrega da quarta declaração retificadora, planilha que está anexa a seu requerimento. Portanto, vem requerer a impugnação e o devido cancelamento da Notificação de Lançamento, haja vista que procedeu conforme orientação, não omitindo rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica, decorrentes de Ação Trabalhista, e requerer a ratificação em todos os termos de sua Declaração Retificadora n° 4. O contribuinte anexou decisões judiciais, da Justiça Trabalhista, onde se discutiu o pagamento de verbas de naturezas diversas, em decorrência de contrato de trabalho que manteve com pessoa jurídica, recebendo, por fim, o “total bruto” de R$ 306.891,64, como informa o documento de fl. 52. A 4º Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, em Campo Grande/MS, após analisar pormenorizadamente a natureza das verbas trabalhistas recebidas, os cálculos apresentados pelo contribuinte e os valores lançados pela autoridade fiscal, concluiu que: “Conforme verificado acima, considerandose os valores informados pelo perito judicial, a apuração do imposto implica um valor de imposto suplementar ainda maior do que o apurado pela autoridade lançadora. Isso decorre, em grande parte, do fato de a autoridade lançadora ter considerado a totalidade do IRRF (sem excluir a parcela relativa ao décimo terceiro salário). Uma vez que, após a edição da Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, que revogaram o parágrafo único do art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1972, não existe mais previsão para agravamento da exigência no julgamento de primeira instância, a exigência deverá permanecer na forma como foi lançado o crédito tributário”. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /05/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/06/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10183.003506/201011 Resolução nº 2801000.219 S2TE01 Fl. 203 3 Inconformado com a decisão de 1ª instância, o contribuinte apresentou recurso voluntário onde repisa cálculos de valores recebidos, brutos e líquidos, manifestase sobre verbas isentas ou não tributáveis, acrescenta que a Receita Federal, de “forma totalmente equivocada, ilegal e abusiva” desconsiderou tais valores que o recorrente “legalmente excluiu da tributação” e os caracterizou como omissão de rendimentos. Por fim, requer que “seja provido o presente recurso reconhecendose a nulidade da autuação”, bem como que seja reconhecida a não incidência do imposto sobre algumas das verbas recebidas em decorrência de rescisão de contrato de trabalho, mediante decisões da justiça trabalhista. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator O recurso é tempestivo e atende as demais condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. O lançamento versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente pelo Contribuinte, decorrentes de reclamação trabalhista, como pode ser constatado pela cópia do Laudo Pericial de fl. 52. Tais rendimentos foram tributados integralmente no mês em que foram recebidos, parte em janeiro de 2008, parte em junho de 2008, como se depreende da “complementação da descrição dos fatos”, constante da Notificação de Lançamento, fl. 06. A constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente no mês do recebimento do crédito, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do Código de Processo Civil (CPC), em decisão assim ementada: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da Fl. 203DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /05/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/06/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10183.003506/201011 Resolução nº 2801000.219 S2TE01 Fl. 204 4 isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03/03/2011). Ante o reconhecimento da repercussão geral do tema, pelo Supremo Tribunal Federal, e a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, verifica se que as questões concernentes ao artigo 12 da Lei nº 7.713, de 1988, não podem ser apreciadas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) até que ocorra o julgamento final do Recurso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, que assim dispõe: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Por sua vez, o art. 2º da Portaria CARF n° 1, de 03 de janeiro de 2012, estabelece que: Art. 2º Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsumase, em tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1º. Diante do exposto acima, voto por SOBRESTAR o julgamento do presente recurso. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /05/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/06/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10183.003506/201011 Resolução nº 2801000.219 S2TE01 Fl. 205 5 Fl. 205DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /05/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/06/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN
score : 1.0
Numero do processo: 11613.720052/2012-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Período de apuração: 10/08/2011 a 03/03/2012
IMPORTAÇÃO. NAFTA PARA FINS PETROQUÍMICOS. ALÍQUOTA ZERO.
A importação de nafta para fins petroquímicos está sujeita à alíquota zero da CIDE.
Numero da decisão: 3201-001.723
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201409
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Período de apuração: 10/08/2011 a 03/03/2012 IMPORTAÇÃO. NAFTA PARA FINS PETROQUÍMICOS. ALÍQUOTA ZERO. A importação de nafta para fins petroquímicos está sujeita à alíquota zero da CIDE.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11613.720052/2012-56
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5387650
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3201-001.723
nome_arquivo_s : Decisao_11613720052201256.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
nome_arquivo_pdf_s : 11613720052201256_5387650.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI - Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
id : 5657401
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:29:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047251247431680
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1740; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 770 1 769 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11613.720052/201256 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 3201001.723 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de setembro de 2014 Matéria CIDE COMBUSTÍVEIS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRÁS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 10/08/2011 a 03/03/2012 IMPORTAÇÃO. NAFTA PARA FINS PETROQUÍMICOS. ALÍQUOTA ZERO. A importação de nafta para fins petroquímicos está sujeita à alíquota zero da CIDE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 3. 72 00 52 /2 01 2- 56 Fl. 814DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO 2 Trata o presente processo de exigência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide Combustíveis) incidente sobre a importação de nafta petroquímica, abrangendo o tributo, multa de ofício de 75% e juros de mora, perfazendo, na data da autuação, o crédito tributário no valor de R$ 180.806.645,30, conforme auto de infração anexado (fls.2/23) Fazendo valer o princípio da economia processual, relembrase que ora se considera aqui toda a íntegra do relatório apresentado naquela sessão de 25/03/2013, o qual consta às fls.685/707, de forma que em seguida se fará exposição mais objetiva contrapondo os argumentos essenciais apresentados pela fiscalização da Receita Federal e pelo contribuinte autuado, para maior esclarecimento do plenário com nova composição, posto que há julgadores que ora o compõem e não participaram da sessão na qual se decidiu pela conversão do julgamento em diligência. Encontrase assim o estado do presente processo, que agora retornam os autos da diligência, instruído pela repartição de origem com as informações requeridas à ANP. A diligência fiscal solicitada à repartição fiscal de origem foi no sentido de obter da Agência Nacional de Petróleo (ANP) as informações e esclarecimentos requeridos nos termos da Resolução nº 111.860, de 25/03/2013, desta 6ª Turma da DRJ/REC. Adicionalmente foi solicitado à repartição fiscal de origem que acrescentasse outras informações e/ou documentos que entendesse serem relevantes para a solução da lide (ver inteiro teor do voto condutor da diligência às fls.712 /715), razão pela qual foi especialmente recomendado que a contribuinte interessada fosse cientificada da diligência, reabrindolhe o prazo legal para manifestação acerca das respostas colhidas junto à ANP e, querendo, que juntasse outros elementos documentais. O rol das questões endereçadas à ANP, postas na Resolução de diligência, converge para que se obtivesse dessa Agência reguladora os esclarecimentos e informações especificados sobre a aplicação da norma disposta no §4º do art.5º da Lei 10.336/2001 c/a redação dada pela Lei 10.833/2003, a qual determina a identificação dos hidrocarbonetos líquidos de que trata o §3º do mesmo artigo dessa Lei, “mediante marcação nos termos e condições estabelecidos pela ANP”. As respostas apresentadas pela ANP, que leio em sessão, foram encaminhadas à IRF/AratuCandeias/ BA (repartição fiscal de origem) por meio do Ofício nº 165/2003/GABANP, de 01/11/2013, para a instrução deste processo nº 11613.720052/201256, e também do processo conexo nº 11613.720207/201254, ambos constantes da pauta desta sessão de julgamento. Considerase neste ponto, por economia processual, como se aqui estivesse transcrito o texto integral das respostas apresentadas pela ANP, conforme consta anexado às fls. 724/726. Relembramse então, neste ponto, as razões essenciais que, segundo a descrição dos fatos, compõem o auto de infração, e serviram de base ao lançamento efetuado: Fl. 815DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 11613.720052/201256 Acórdão n.º 3201001.723 S3C2T1 Fl. 771 3 1. A Petrobrás importou nafta petroquímica, por meio das 14 DI especificadas às fls.21, sem efetuar o recolhimento da Cide Combustíveis incidente, sob a alegação de que o produto importado era destinado à CPQ Braskem para a produção petroquímica básica. 2. Embora seja a Braskem uma CPQ, segundo a fiscalização é sabido que essa empresa produz gasolina a partir da nafta, razão que considerou suficiente para afastar do caso concreto a aplicação da isenção da Cide Combustíveis prevista na Lei 10.336/2001, antes e depois da alteração trazida pela Lei 10.833/03. Por meio da IN SRF nº 422/2004, o poder executivo dispôs sobre a dispensa de pagamento da CideCombustíveis incidente sobre as correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinados à formulação de gasolina ou diesel. 3. É ponto crucial para a concessão da isenção a comprovação da utilização da nafta petroquímica por central petroquímica, importada ou comercializada para a produção de produtos petroquímicos que não sejam os constantes do art. 3º da Lei nº 10.336/2001 e art. 2º da IN SRF nº 422/2004. 4. De acordo com o §6º do art.5º da Lei nº 10.336/2001, mesmo quando o importador seja uma central petroquímica, mas não tenha como comprovar previamente a destinação da nafta importada na produção de produtos diferentes daqueles citados, operase a presunção legal prevista. Concluindose que somente central petroquímica é apta a comprovar a destinação da nafta para se valer da isenção, nos termos do art. 6º, I, da IN SRF nº 422/2004, e art. 5º, § 4º, da Lei nº 10.336/2001; 5. Importador ou comerciante que não seja uma CPQ, como a Petrobrás, não tem como comprovar previamente a destinação da nafta exigida para o fim da isenção. Para esses casos estabeleceuse no §5º do art.5º da Lei 10336/2001 a presunção legal de que a nafta foi utilizada na produção de gasolina, implicando na obrigação de pagamento da Cide. Tal presunção somente pode ser elidida se o contribuinte produzir prova em contrário. Ainda quando haja acordo/contrato entre a Petrobrás e a Braskem para utilização da nafta adquirida, por esta àquela empresa, para a produção petroquímica básica, tal ato não tem o condão de alterar o sujeito passivo da obrigação tributária, nos termos do CTN, art.123. 6. Para os casos em que não tendo sido possível comprovar previamente a destinação da nafta houve o recolhimento da Cide, mas posteriormente constatouse sua real utilização na produção petroquímica básica, a lei criou um mecanismo de compensação, previsto no art. 8ºA, §§ 1º e 2º, da Lei nº 10.336/2001, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003 e pela Lei nº 11.196/2005. Esse sistema compensatório visa à neutralidade do tributo, em face da proibição de tratamento desigual entre contribuintes, observandose o princípio da isonomia. Fl. 816DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO 4 7. Agindo apenas com base numa suposição da destinação da nafta importada para elaboração de produtos petroquímicos básicos, a autuada infringiu a norma em dois momentos, deixando de recolher a Cide na importação e na comercialização no mercado interno. Cientificado do lançamento em 05/06/2012 (fls.234), a interessada protocolou tempestivamente sua impugnação em 04/07/2012 (fls.576), cujo inteiro teor está às fls.261/292, acompanhada dos documentos de fls. 293/574, onde são expostas as razões de defesa resumidamente apresentadas em seguida: 1. O auto de infração quer negar à autuada o direito à dispensa do pagamento da Cide Combustíveis incidente sobre a nafta petroquímica, importada ou comercializada, pela aplicação da alíquota zero, conforme disposto no §3º do art.5º da Lei nº 10.336/2001, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, c/c o art. 1º do Decreto nº 4.940/2003; 2. Em sua redação original a Lei nº 10.336/2001 instituiu norma isentiva na importação e comercialização de nafta petroquímica, apontando como contribuintes do novo tributo (Cide Combustíveis), o produtor, o formulador e o importador dos combustíveis líquidos elencados no art. 3º, sendo que, nos parágrafos 5º e 6º, estabeleceu a responsabilidade da central petroquímica pelo recolhimento do tributo. 3. Essa isenção foi instituída de forma objetiva, visando o produto nafta, destinada ao setor petroquímico. Mas, é equivocada a alegação de somente uma a central petroquímica poderia comprovar a destinação da nafta para se valer da isenção, pois isso tornaria a central petroquímica única destinatária da norma contida no §4º do art.5º da Lei nº10.336/2001, descaracterizando a isenção concebida historicamente com caráter objetivo em subjetiva (ou pessoal) 4. Contudo, com a entrada em vigor da Lei nº 10.833/2003, foi alterada a redação original da Lei 10.336/2001, sendo expressamente revogados os §§ 4º e 5º do art. 5º que tratava da isenção, sendo instituída nova disciplina regida pela nova redação atribuída ao §3º do art.5º, de modo que a presunção legal antes prevista foi abolida. Mais uma vez o legislador se posicionou de forma objetiva, prevendo a possibilidade de dispensa do pagamento da Cide incidente sobre correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinados à formulação de gasolina ou diesel (o que é o caso da nafta petroquímica importada ou comercializada). Com a publicação da Lei nº 10.833/2003, foi expedido o Decreto nº 4.940/03, que reduziu a zero a alíquota da Cide relativa às correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinadas à formulação de gasolina ou diesel, dentre eles a nafta petroquímica e, assim, sobre a importação e comercialização dos produtos importados e revendidos pela impugnante continua não sendo exigida a Cide Combustíveis. A Receita Federal expediu a Instrução Normativa SRF nº 422/2004, revogando a IN SRF nº107/2001, cujo art. 6º ignorou as modificações introduzidas pela Lei nº 10.833/2003, tratando Fl. 817DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 11613.720052/201256 Acórdão n.º 3201001.723 S3C2T1 Fl. 772 5 como isenção a previsão de dispensa do pagamento da Cide, consubstanciada na instituição de alíquota zero, o que é inadmissível, dado que a isenção somente pode derivar de lei stricto sensu. O citado ato normativo estabeleceu a presunção de que, diante da falta de comprovação da destinação da nafta, esta teria sido empregada na produção de gasolina ou diesel, regra inaplicável, pois revogada pela Lei nº 10.833/2003, sob pena de afronta ao princípio da legalidade. 5. No caso, só poderia ser desqualificada a dispensa de pagamento (pela aplicação da alíquota zero) caso, em momento subsequente, fosse comprovado que a nafta não foi utilizada na produção petroquímica, e somente nesse momento se tornaria exigível o crédito tributário, do contribuinte ou do responsável definido em lei, dependendo da aferição daquele que houvesse praticado o eventual desvio da destinação da nafta petroquímica. 6. Após a importação, o produto foi devidamente destinado a uma central petroquímica (Braskem), emitindose as competentes notas fiscais de venda com a ressalva da destinação a ser dada ao produto, aperfeiçoandose a condição resolutiva. 7. É um equívoco pressupor que o benefício fiscal somente possa ser fruído por central petroquímica que importe diretamente a nafta destinada à produção petroquímica básica. Equivocado supor que a isenção, antes prevista, ou a redução a zero da alíquota, vigente a partir da Lei 10.833/03, somente se aplique às operações em que o próprio importador ou adquirente empregue a mercadoria para concretizar a destinação prevista em lei, porquanto a legislação não impõe tal exigência. Por outro lado, seria condenar as centrais petroquímicas a se tornarem necessariamente importadoras para poder usufruir do benefício. Este, contudo, foi concebido de forma objetiva, direcionado, no caso, ao produto nafta petroquímica a ser utilizado na produção petroquímica básica. 8. Tanto para a Petrobrás, na condição de importadora, quanto para a Braskem, na qualidade de adquirente destinatária da nafta importada, seria impossível fazer a comprovação prévia de acontecimento futuro, não se podendo antecipadamente provar se a nafta importada será efetivamente utilizada em momento futuro na elaboração de produtos petroquímicos. A tese da acusação fiscal, de que a lei exigiria comprovação prévia do destino efetivo da nafta torna improfícua tanto a antiga norma isentiva quanto a nova previsão legal de redução da alíquota a zero. 9. A prova cabível de destinação da nafta importada por uma empresa que não seja CPQ, conforme requerido pela legislação regente, se encontra nos termos da Resolução ANP 32/2001, art.11 (transcrita na impugnação). No Doc 05 anexo está o contrato de compra e venda firmado entre a Petrobrás e a Braskem previamente às importações consideradas. No esforço de complementar a comprovação requerida, a autuada, ora Fl. 818DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO 6 impugnante anexou como Doc 06 declaração expressa, obtida da destinatária da nafta importada (Braskem), no sentido de que utilizou na produção petroquímica a nafta adquirida da Petrobrás, estando a ora impugnante acobertada pela regra de que trata o art.5º, §3º, da Lei 10.336/2001 c/c o art. 1º do decreto 4.940/2003. 10. Depois da revogação expressa da norma que, antes do advento da Lei 10.833/03, estabelecia presunção legal de que na falta de comprovação prévia de seu destino a nafta fora utilizada na produção de gasolina ou diesel, exigese da autoridade fiscalizadora que demonstre a ocorrência de desvio da destinação da nafta importada ou comercializada. No caso nenhuma demonstração foi produzida e a presunção legal evocada já fora revogada. Portanto, inexiste base legal para o lançamento efetuado, devendo ser cancelado por improcedente. 11. Por fim, também é equivocada a interpretação dada pela fiscalização ao art. 8 A inserido na Lei nº 10.336/2001, pela Lei nº 10.833/03. Explicase esse dispositivo pela possibilidade de hidrocarbonetos líquidos importados ou comercializados poderem ser alternativamente utilizados, seja na formulação de combustíveis, hipótese em que deverão ser tributados com alíquota positiva da Cide, seja para serem destinados à produção petroquímica, situação em que são tributados com a alíquota zero, conforme ocorre no caso concreto, onde ficou demonstrado documentalmente de que a nafta importada foi toda destinada à produção petroquímica básica na CPQ Braskem. A hipótese de compensação ocorre, por exemplo, quando, na hipótese de produto importado ou comercializado para formulação de combustíveis, tendo naturalmente incidido alíquota positiva da Cide e havendo recolhimento do tributo, por alguma razão os hidrocarbonetos líquidos acabem não sendo destinados à formulação de combustíveis, possibilitandose, então, tratamento isonômico com os que foram adquiridos com destinação diversa da formulação de gasolina ou diesel. 12. Por hipótese, se a Braskem eventualmente houvesse utilizado a nafta adquirida da Petrobrás para fins diversos daqueles previstos no contrato que especifica a destinação, decorreria para ela (Braskem) a responsabilidade pelo recolhimento da Cide Combustíveis, e não é assim por causa da mera convenção entre as partes, mas por força do disposto no art.128 do CTN. A responsabilidade do tributo, por interpretação analógica, e conforme norma inserida no art.10 da Lei nº 10.336/2001, deve recair sobre aquele que alterar a destinação do produto adquirido, no caso a Central Petroquímica. 13. Consoante o disposto no art. 5º, LV, da Constituição Federal, não se pode negar à impugnante a produção de prova pericial contábil, se o órgão julgador entender necessária para demonstrar, em definitivo, que a nafta importada foi vendida à Braskem e, ainda, confirmar a relação das importações realizadas e as notas fiscais de venda à Braskem, onde consta a indicação do destino da nafta, indicandose, para esse fim, o perito, seu endereço sua qualificação profissional e os quesitos. Fl. 819DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 11613.720052/201256 Acórdão n.º 3201001.723 S3C2T1 Fl. 773 7 14. Requer, ainda, a expedição de ofício à Agência Nacional do Petróleo (ANP) para que preste os esclarecimentos necessários, no sentido de comprovar que a Braskem consiste numa central petroquímica e não produz gasolina ou diesel, não se enquadrando no conceito de formulador nem estando autorizada pela ANP a realizar tal atividade. 15. Se não acatadas sua razões, o que admite para argumentar, deve ser considerado o ADI nº 13/2002 da Receita Federal, que conforme CTN, art.100, I, e art. 108, impõese a exclusão da multa de ofício, que se encontra a autuada em situação idêntica a do contribuinte que, agindo de boafé, invoque equivocadamente benefício fiscal por ocasião do despacho aduaneiro, deixando naquele momento de recolher imposto de importação. Assim, acaso se entenda devido o tributo e os juros, o que se admite apenas por hipótese eventual, que seja excluída a multa de ofício. Nesses termos a interessada, ora impugnante, apresentou sua contestação. O relator deste processo nessa DRJ/REC fez a juntada dos documentos de fls. 604/684, consistindo em três documentos referidos ao processo administrativo nº 11613.000185/200826, onde figura como parte interessada a mesma ora Impugnante, e trata de matéria idêntica, consistindo respectivamente em: (a) acórdão proferido pela DRJ/FOR nº 0816.069, de 31/08/2009 (fls.604/637), (b) acórdãos proferidos pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em 26/06/2012 (fls.638/662), (c) uma relação representativa do andamento do Processo nº 11613.000185/200826 , obtida via internet, no sítio eletrônico do CARF, que atesta não apenas o seu trâmite no CARF, como também sua situação naquela data (fls.663/664), (d) acórdão proferido pela DRJ/FOR nº 0821.832, de 22/09/2011 (fls.665/684), e (e) Resolução ANP nº 3/2011 (fls.729/735). Relembrase que em face da transferência de competência determinada pela Portaria nº 2.432/2012 este processo foi encaminhado da DRJ/FOR para esta DRJ/REC, para julgamento. Sobreveio decisão da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, que julgou, por unanimidade de votos, procedente a impugnação, exonerando o crédito tributário exigido. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 10/08/2011 a 03/02/2012 CIDE COMBUSTÍVEIS. IMPORTAÇÃO. NAFTA PETROQUÍMICA. REDUÇÃO A ZERO DA ALÍQUOTA. Fl. 820DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO 8 O Chefe do Poder Executivo federal, mediante autorização legal, estabeleceu em Decreto a redução a zero da alíquota da Cide Combustíveis incidente sobre a nafta petroquímica importada ou comercializada, estabelecendo benefício fiscal aplicado àquele insumo destinado à produção petroquímica básica. PRESUNÇÃO SEM BASE LEGAL. NÃO CARACTERIZADO DESVIO DE FINALIDADE. Desde a revogação do §5º do art.5º da Lei 10.336/2001, pela Lei 10.833 de 2003, carece de amparo legal a mera presunção de desvio de finalidade da nafta petroquímica. Não há nenhuma evidência do desvio de finalidade apenas suposto. O processo foi encaminhado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para reexame necessário desta decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto O recurso de ofício atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Trata o auto de infração da exigência de CIDECombustíveis incidente sobre a importação de nafta petroquímica, produto este declarado pela recorrente como destinado a revenda à central petroquímica Braskem para a produção petroquímica básica. A fiscalização entendeu que esta importação não estaria abarcada pela isenção da citada contribuição devido a não ter sido comprovado que o produto não teria sido destinado à formulação de gasolina ou diesel. A autoridade fiscal utiliza como fundamento legal para este procedimento os parágrafos 4º, 5º e 6º do art.5º da Lei nº 10.336/2001, conforme explicitado no auto de infração nestes termos: [...] 4. De acordo com o §6º do art.5º da Lei nº 10.336/2001, mesmo quando o importador seja uma central petroquímica, mas não tenha como comprovar previamente a destinação da nafta importada na produção de produtos diferentes daqueles citados, operase a presunção legal prevista. Concluindose que somente central petroquímica é apta a comprovar a destinação da nafta para se valer da isenção, nos termos do art. 6º, I, da IN SRF nº 422/2004, e art. 5º, § 4º, da Lei nº 10.336/2001; 5. Importador ou comerciante que não seja uma CPQ, como a Petrobrás, não tem como comprovar previamente a destinação da nafta exigida para o fim da isenção. Para esses casos estabeleceuse no §5º do art.5º da Lei 10336/2001 a presunção legal de que a nafta foi utilizada na produção de gasolina, implicando na obrigação de pagamento da Cide. Tal presunção somente pode ser elidida se o contribuinte produzir prova em Fl. 821DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 11613.720052/201256 Acórdão n.º 3201001.723 S3C2T1 Fl. 774 9 contrário. Ainda quando haja acordo/contrato entre a Petrobrás e a Braskem para utilização da nafta adquirida, por esta àquela empresa, para a produção petroquímica básica, tal ato não tem o condão de alterar o sujeito passivo da obrigação tributária, nos termos do CTN, art.123. [...] (grifo nosso) Constatase que o auto de infração tem por objeto importações efetuadas entre 10/08/2011 e 03/02/2012. Verificase, de pronto, que à época da ocorrência dos fatos geradores objeto deste processo a citada Lei nº 10.336/2001 vigia com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003, que revogou os parágrafos 5º e 6º do art.5º desta Lei, bem como modificou o seu parágrafo 4º. Interessante, neste ponto, reproduzirse os dispositivos da Lei nº 10.336/2001 que dizem respeito a este lançamento, realçando as alterações promovidas pelo legislador: Art.1º. Fica instituída a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico incidente sobre a importação e a comercialização de petróleo e seus derivados... (CIDE) a que se refere os arts. 149 e 177 da Constituição ... [...] Art.2º. São contribuintes da CIDE o produtor, o formulador e o importador, pessoa física ou jurídica, dos combustíveis líquidos relacionados no art.3º. [...] Art.3º. A CIDE tem como fatos geradores as operações, ... , de importação e comercialização no mercado interno de: I – gasolinas e suas correntes; II – diesel e suas correntes; III – querosene de aviação e outros querosenes; IV – óleos combustíveis (fuel oil) ; V – gás liquefeito de petróleo, inclusive o derivado de gás natural e de nafta; e VI – álcool etílico combustível. [...] Art.5º. A CIDE terá, na importação e na comercialização no mercado interno, as seguintes alíquotas específicas: (Redação dada pela Lei nº 10.636, de 2002) [...] §1º. Para efeito dos incisos I e II deste artigo, consideramse correntes os hidrocarbonetos líquidos derivados de petróleo e os Fl. 822DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO 10 hidrocarbonetos líquidos derivados de gás natural utilizados em mistura mecânica para a produção de gasolina ou diesel, de conformidade com as normas estabelecidas pela ANP. (Grifos nossos). [...] § 3º. As correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinadas à produção ou formulação de gasolinas ou diesel serão identificadas mediante marcação, nos termos e condições estabelecidos pela ANP. §3º. O Poder Executivo poderá dispensar o pagamento da CIDE incidente sobre as correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinados à formulação de gasolina ou diesel, nos termos e condições que estabelecer, inclusive de registro especial do produtor, formulador, importador e adquirente. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003). §4º. Fica isenta da Cide a nafta petroquímica, importada ou adquirida no mercado interno, destinada à elaboração, por central petroquímica, de produtos petroquímicos não incluídos no caput deste artigo, nos termos e condições estabelecidos pela ANP. § 4º. Os hidrocarbonetos líquidos de que trata o § 3o serão identificados mediante marcação, nos termos e condições estabelecidos pela ANP. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) §5º. Presumese como destinada à produção de gasolina a nafta adquirida ou importada, na forma do §4º, cuja utilização na elaboração do produto ali referida não seja comprovada. (Revogado pela Lei 10.833, de 2003) §6º. Na hipótese do §5º a Cide incidente sobre a nafta será devida na data de sua aquisição ou importação, pela central petroquímica. (Revogado pela Lei 10.833, de 2003). (grifo nosso) Constatase, desta forma, que a isenção a que se refere o auto de infração foi revogada, passando a dispensa do pagamento da CIDE incidente sobre as correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinados à formulação de gasolina ou diesel a ser definida pelo Poder Executivo. Foi revogada, ainda, a presunção prevista nos §§ 5º e 6º do artigo 5º desta lei, adotada pela fiscalização para consubstanciar o lançamento. O Poder Executivo, em atenção aos dispositivos acima citados, efetivamente dispensou o pagamento da CIDE, utilizando para tanto o Decreto nº 4.940, de 29/12/2003, que em seu artigo 1º assim dispõe: Art. 1º. Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDECombustíveis) incidente na importação e na comercialização sobre as correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinadas à formulação de gasolina ou diesel, constantes da seguinte relação: Fl. 823DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 11613.720052/201256 Acórdão n.º 3201001.723 S3C2T1 Fl. 775 11 Código NCM PRODUTO 2710.11.41 [...] Nafta petroquímica [...] Em sendo estes os dispositivos legais atinentes a matéria, resta claro que a fiscalização utilizou como base legal para o lançamento tributário legislação já revogada, seja em relação à presunção adotada, seja em relação ao benefício fiscal desconsiderado, posto não se tratar mais de isenção, mais sim de aplicação de alíquota zero. Mostrase necessário, portanto, verificar a lide à luz da legislação vigente à época da ocorrência dos fatos que ensejaram o auto de infração, que determinava a adoção da alíquota zero para a CIDECombustíveis em relação à importação de nafta petroquímica não destinada à formulação de gasolina ou diesel. Para tanto, alguns fatos trazidos aos autos merecem ser realçados. Em procedimento de diligência fiscal, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) afirma que “[...] Não há registro na ANP de procedimento irregular da Braskem (Bahia) relacionado a desvio de nafta, originalmente importada para a formulação de petroquímicos básicos, para utilização na formulação de combustíveis. [...]”. Verificase ainda que a importação deste produto encontrase sujeita licenciamento prévio (LI não automática), exigindose anuência da ANP. O procedimento encontrase regulamentado pela Portaria ANP nº 32/2000, da qual extraise os principais dispositivos relacionados ao presente processo: Art.1º. Fica sujeito à prévia e expressa autorização da ANP a importação de nafta petroquímica. Parágrafo único. Somente será autorizada a importação de nafta petroquímica que seja destinada ao uso exclusivo como matériaprima para o processo produtivo de Central de matériaPrima petroquímica. [...] Art.11. Quando a importação não for realizada diretamente por uma CPQ, o importador deverá instruir a solicitação de anuência prévia para cada carga ou a solicitação de autorização para uma programação semestral, com o pedido de aquisição da nafta petroquímica firmado entre o mesmo e uma CPQ (grifo nosso). Verificase que o pedido foi instruído com Contrato de Compra e Venda de Nafta Petroquímica entre a Petrobrás S/A e a Braskem S/A, bem como que a LI foi concedida. A autoridade fiscal, como já salientado, para comprovar que o produto importado foi utilizado na produção de combustíveis, utilizase de uma presunção legal já revogada à época dos fatos geradores, não trazendo aos autos nenhuma outra informação capaz de demonstrar sua alegação. Fl. 824DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO 12 Ao contrário, constam dos autos diversos elementos que conduzem à conclusão de que o produto importado, de fato, não foi destinado à formulação de gasolina ou diesel, adequandose ao benefício legal da alíquota zero para a CIDECombustíveis. Desta forma, com base nas provas presentes neste processo, mostrase correta a decisão recorrida, devendo ser cancelado o presente lançamento fiscal. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 825DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO
score : 1.0
Numero do processo: 15586.001510/2010-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
OMISSÃO DE RECEITA. RECEITAS OPERACIONAIS. DIFERENÇA APURADA PELO CONFRONTO ENTRE A RECEITA ESCRITURADA NOS REGISTROS CONTÁBEIS E A RECEITA DECLARADA NAS OBRIGAÇÕES FISCAIS.
Caracterizam-se como receitas omitidas aquelas auferidas com o transporte de carga e a locação de equipamentos registradas na escrituração contábil da Contribuinte, mas não oferecidas à tributação, quando da apresentação da DIPJ/2007, constando declaração de base de cálculo do IRPJ e da CSLL em valores menores do que aqueles constantes de sua escrituração comercial.
MULTA DE OFÍCIO.
Aplica-se a multa de ofício, nos termos do inciso I do artigo 44 da Lei n°. 9.430/96, quando houve falta de falta de pagamento ou recolhimento de tributo.
MULTA DE OFÍCIO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA 2.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão integrante da estrutura administrativa da União, não é competente para enfrentar argüições acerca de inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS DE MORA TAXA SELIC SÚMULA Nº 4 DO CARF.
Conforme súmula nº 4 do CARF, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
DECORRÊNCIA. PIS, COFINS E CSLL.
Tratando-se de tributações reflexas de irregularidades descritas e analisadas no lançamento de IRPJ, constantes do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplica-se o mesmo entendimento ao PIS, à COFINS e à CSLL.
Recurso voluntário desprovido.
Numero da decisão: 1402-001.745
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Pelá - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez. e Carlos Pelá.
Nome do relator: CARLOS PELA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 OMISSÃO DE RECEITA. RECEITAS OPERACIONAIS. DIFERENÇA APURADA PELO CONFRONTO ENTRE A RECEITA ESCRITURADA NOS REGISTROS CONTÁBEIS E A RECEITA DECLARADA NAS OBRIGAÇÕES FISCAIS. Caracterizam-se como receitas omitidas aquelas auferidas com o transporte de carga e a locação de equipamentos registradas na escrituração contábil da Contribuinte, mas não oferecidas à tributação, quando da apresentação da DIPJ/2007, constando declaração de base de cálculo do IRPJ e da CSLL em valores menores do que aqueles constantes de sua escrituração comercial. MULTA DE OFÍCIO. Aplica-se a multa de ofício, nos termos do inciso I do artigo 44 da Lei n°. 9.430/96, quando houve falta de falta de pagamento ou recolhimento de tributo. MULTA DE OFÍCIO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA 2. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão integrante da estrutura administrativa da União, não é competente para enfrentar argüições acerca de inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA TAXA SELIC SÚMULA Nº 4 DO CARF. Conforme súmula nº 4 do CARF, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. DECORRÊNCIA. PIS, COFINS E CSLL. Tratando-se de tributações reflexas de irregularidades descritas e analisadas no lançamento de IRPJ, constantes do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplica-se o mesmo entendimento ao PIS, à COFINS e à CSLL. Recurso voluntário desprovido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 15586.001510/2010-18
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5384649
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1402-001.745
nome_arquivo_s : Decisao_15586001510201018.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : CARLOS PELA
nome_arquivo_pdf_s : 15586001510201018_5384649.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez. e Carlos Pelá.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
id : 5644552
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:29:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047251278888960
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2222; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.001510/201018 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402001.745 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30 de julho de 2014 Matéria IRPJ Recorrente TRANSUIÇA LOCAÇÃO E PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS LTDA Recorrida 5ª Turma da DRJ/RJ1 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 OMISSÃO DE RECEITA. RECEITAS OPERACIONAIS. DIFERENÇA APURADA PELO CONFRONTO ENTRE A RECEITA ESCRITURADA NOS REGISTROS CONTÁBEIS E A RECEITA DECLARADA NAS OBRIGAÇÕES FISCAIS. Caracterizamse como receitas omitidas aquelas auferidas com o transporte de carga e a locação de equipamentos registradas na escrituração contábil da Contribuinte, mas não oferecidas à tributação, quando da apresentação da DIPJ/2007, constando declaração de base de cálculo do IRPJ e da CSLL em valores menores do que aqueles constantes de sua escrituração comercial. MULTA DE OFÍCIO. Aplicase a multa de ofício, nos termos do inciso I do artigo 44 da Lei n°. 9.430/96, quando houve falta de falta de pagamento ou recolhimento de tributo. MULTA DE OFÍCIO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA 2. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão integrante da estrutura administrativa da União, não é competente para enfrentar argüições acerca de inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA TAXA SELIC SÚMULA Nº 4 DO CARF. Conforme súmula nº 4 do CARF, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. DECORRÊNCIA. PIS, COFINS E CSLL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 15 10 /2 01 0- 18 Fl. 687DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15586.001510/201018 Acórdão n.º 1402001.745 S1C4T2 Fl. 3 2 Tratandose de tributações reflexas de irregularidades descritas e analisadas no lançamento de IRPJ, constantes do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento ao PIS, à COFINS e à CSLL. Recurso voluntário desprovido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez. e Carlos Pelá. Relatório Tratase de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (fls. 350/379), cumulados com juros e multa de ofício, calculados com base no Lucro Presumido, referentes ao anocalendário de 2007, lavrados em razão da suposta omissão de receita da atividade de (i) transporte de carga e (ii) locação de bens móveis, apurada a partir de valores escriturados, mas não declarados (fl. 352/353). As circunstâncias que culminaram no lançamento encontramse detalhadas no Termo de Verificação Fiscal (fls. 333/348) e podem ser resumidas da seguinte forma: A Contribuinte foi notificada do início do procedimento fiscal e intimada para a apresentar livros fiscais, notas fiscais de entrada e saída e extratos bancários; Em análise da documentação (notas fiscais) e livros apresentados (Livro Registro de Saída e Livro Registro de Notas Fiscais de Serviços Prestados) ficou evidenciado que a Contribuinte não declarou a maior parte da receita operacional por ela escriturada (receita decorrente de transporte de carga e locação de equipamentos); Em 05/10/2010, a Contribuinte foi notificada da apuração de receitas que não haviam sido declaradas e intimada a esclarecer o fato. Também foi cientificada da apuração de inconsistências entre sua escrituração contábil e o registro em livros fiscais; Fl. 688DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15586.001510/201018 Acórdão n.º 1402001.745 S1C4T2 Fl. 4 3 Em paralelo, a Contribuinte foi intimada a segregar a sua receita por atividade (por percentual de presunção do lucro), demonstrativo de fls. 341; Nada obstante a aceitação de parte dos esclarecimentos prestados pela Contribuinte quanto às notas fiscais que não teriam sido contabilizadas, remanesceram injustificadas as receitas escrituradas mas não declaradas referentes ao serviço de locação de equipamentos (sujeitas ao percentual de presunção de 32%) e transporte de cargas (sujeitas ao percentual de presunção de 8%), conforme planilha mensal de fl. 340; A Contribuinte, tributada pela sistemática do Lucro Presumido, aproveitou créditos de PIS e COFINS decorrentes da aplicação do art.15 da Lei nº. 10.865/04; No demonstrativo de fl. 345, a autoridade autuante apresenta as receitas escrituradas e as declaradas em DIPJ, bem como as diferenças apuradas referentes aos serviços de locação e de transportes, para fins de IRPJ e CSLL. Em relação ao PIS e COFINS, a autoridade autuante apurou as diferenças mensais entre os valores escriturados e os declarados em DACON. Por fim, a autoridade fiscal salienta que, no procedimento fiscal, foram considerados todos os valores de tributos declarados ou recolhidos pela empresa fiscalizada, em cada período de apuração considerado. Dessa forma, montantes de IRPJ ou de CSLL recolhidos a maior em relação ao declarado em DCTF, por exemplo, foram considerados em favor da contribuinte fiscalizada. Ciente dos lançamentos, a Contribuinte apresentou as impugnações de fls. 388/423, 435/478, 489/523, 538/573, argüindo, em síntese, que: Em preliminar: a) Houve a violação do princípio da isonomia, constante do art. 152 da CF/1988, pois não pode tributar contribuintes de forma diferente pelo fato de importar ou optar pelo lucro presumido. Assim, o auto de infração é inidôneo e nulo; b) Efeito suspensivo ao lançamento, nos termos do art. 151, inciso III do CTN, até o julgamento definitivo como um todo; No mérito: c) “Para a surpresa da ora impugnante, a autoridade fiscalizadora formalizou lançamento fiscal relativo à Imposto de Renda Pessoa Jurídica, cujo número é retro epigrafado, dando conta de montante relevante devido pela mesma, por conta de glosa na compensação do Pis/Pasep decorrente de operações tributadas com base no lucro presumido, que, no entender do agente fiscalizados, estão fora da compensação tributária pelo regime de não cumulatividade,”; d) As operações praticadas pela Contribuinte são de importação de mercadoria e tais receitas entram na apuração pela não cumulatividade nos termos do art. 15 da Lei nº 10.865/04, enquanto o artigo 8º da Lei nº 10.637/02 não permite tal crédito; e) A análise do autuante está equivocada pois o direito tributário, art. 112 do CTN, regese pela lei tributária mais benéfica ao contribuinte, o que é confirmado pela lei civil; Fl. 689DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15586.001510/201018 Acórdão n.º 1402001.745 S1C4T2 Fl. 5 4 f) A compensação está prevista no art. 66 da Lei nº 8.383/91; g) entende que a norma da lei 10.637/2002 foi revogada tacitamente pela norma da Lei 10.865/2004, em face do art. 2º, inciso I da Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro; h) Caso a interpretação fosse diversa seria uma ação retroativa de norma vigente inadmissível no ordenamento jurídico nacional; i) Frisa que deve ser observado o princípio da extraterritorialidade, segundo art. 8º da Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro; j) Todos os tributos são não cumulativos, do contrário haveria bitributação; k) É ilegal e inconstitucional o uso confiscatório da correção monetária da Selic, que não pode ser usada duas vezes na correção monetária e nos juros, sob pena de bis in idem e nas multas exorbitantes que norteiam a aplicação de percentuais de 75%; l) São indevidos os juros capitalizados com base na Selic, clara violação à Súmula nº 121 do STF, bem como as multas cobradas em face da Lei nº 9.298/96 (código do Consumidor); m) Ao aplicar multas e correção monetária indexadas duplamente, o Fisco infringe a regra enclausurada no inciso IV do art. 150 da CF/88. Ademais, a imposição de multa elevada confisca o próprio patrimônio do contribuinte; n) A obrigação acessória se converte na principal pela sua simples ocorrência do seu descumprimento; o) Cita acórdãos que reconhecem ao Poder Judiciário a faculdade de excluir ou diminuir a multa imposta, como também a autoridade administrativa baseada no princípio da autonomia e da executoriedade de sua decisão, como reconhecer inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma; Em 13/06/2013, os membros da 5ª Turma da DRJ/RJ1, por unanimidade de votos, negaram provimento às impugnações, nos termos da ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 OMISSÃO DE RECEITA. VALORES ESCRITURADOS MAS NÃO DECLARADOS. CABIMENTO. Todas as receitas devem ser declaradas, levadas a resultado, bem como deve ser feito o efetivo recolhimento dos tributos nos seus valores devidos. Assim, verificado a omissão de receita é cabível o lançamento. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2007 Fl. 690DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15586.001510/201018 Acórdão n.º 1402001.745 S1C4T2 Fl. 6 5 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA DA OMISSÃO DE RECEITA APURADA NO IRPJ A omissão de receita apurada é base de cálculo das contribuições para o PIS, Cofins e CSLL. Assim, sendo procedente a omissão de receita apurada, devidos serão os lançamentos decorrentes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a Contribuinte apresenta recurso voluntário (fls. 612/654), repisando os argumentos de sua peça impugnatória. Adicionalmente, afirma que a decisão recorrida equivocase ao sustentar que o lançamento é decorrente de omissão de receitas, já que não há que se falar em omissão de receitas se os valores apurados pela fiscalização estavam registrados na contabilidade da Contribuinte. Dessa forma, conclui que a hipótese dos autos trata “de dedução de parcela supostamente indevida nos valores das apurações mensais e anual dos tributos supostamente devidos pela Recorrente”. Posteriormente, a Contribuinte apresenta razões aditivas, pleiteando: (i) que o fato gerador da omissão de receitas seja entendido como erro contábil; (ii) a aplicação do princípio in dúbio pro reo; (iii) não seja a Contribuinte considerada revel; (iv) seja reduzido o percentual da multa de ofício; (iv) seja aplicada a lei mais benéfica; e (v) seja atribuído efeito suspensivo ao presente auto de infração. É o Relatório. Fl. 691DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15586.001510/201018 Acórdão n.º 1402001.745 S1C4T2 Fl. 7 6 Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade. Deve, pois, ser conhecido. A leitura dos recursos apresentados pela Recorrente demonstra claramente que ela não compreendeu corretamente os fatos. Os autos de infração foram lavrados para cobrança de IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e COFINS) em razão da constatação, por parte das autoridades fiscais, da omissão de receitas operacionais, que muito embora estivessem escrituradas na contabilidade da Recorrente não foram declaradas ao Fisco. Por isso, “omitidas”, por terem sido omitidas do Fisco e não submetidas à tributação. Ademais, esclareçase que, a Recorrente, tendo optado pela tributação com base no Lucro Presumido, apura IRPJ, em cada trimestre, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida no trimestre, dos percentuais de presunção fixados no art. 15 da Lei nº. 9249/95, correspondentes às atividades que pratica. Nesse passo, conforme apurado pela fiscalização, as receitas operacionais omitidas provem (i) da atividade de transporte de cargas, cujo percentual de presunção é de 8 % (oito por cento) e da (ii) atividade de locação de equipamentos, sujeitas ao coeficiente de 32 % (trinta e dois por cento), conforme coeficientes fixados pelo art. 15 da Lei nº. 9.249/95. Portanto, correto o enquadramento legal dos autos de infração (Arts. 224, 518 e 519, § 1º, inciso II, e §§ 4º a 7º do RIR/99) e do Termo de Verificação Fiscal (Arts. 15 e 20 da Lei nº. 9.249/95). Nessa linha de raciocínio, convém esclarecer ainda que, constatada a diferença entre a receita operacional escriturada e a declarada resta configurada a omissão de receita a ser tributada. É descabida a acusação de que a autuação se baseou em presunções, se restou caracterizada a declaração inexata pela diferença entre a receita constante dos registros contábeis e a que foi declarada, sendo esta última menor que aquela. Vale notar que, ao elaborar sua defesa, a Recorrente não a instruiu com provas ou argumentos que justificassem a não inclusão de tais receitas operacionais na base de cálculo dos tributos. A respeito do pleito da Recorrente no sentido de que a omissão de receitas seja considerada mero erro contábil, ressalto que, as receitas declaradas representam, em alguns trimestres, apenas 5% (aproximadamente) das receitas totais escrituradas. Portanto, é risível aduzir que se trata de mero erro contábil. Fl. 692DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15586.001510/201018 Acórdão n.º 1402001.745 S1C4T2 Fl. 8 7 Sendo assim, diante do arcabouço legal apresentado pela autoridade lançadora, confirmado pela DRJ, e ante a inexistência de qualquer prova ou alegação da Recorrente demonstrando a ilegalidade ou o equívoco do lançamento, mantenho o crédito tributário exigido. Os valores escriturados e os valores declarados pela Recorrente, bem como a diferença apurada pela fiscalização, que foi submetida à tributação pelo IRPJ e pela CSLL, pode ser verificada no quadro de fl. 345. Ademais, na mesma fl. 345 do Termo de Verificação Fiscal lêse que: “Em relação aos valores devidos de PIS e de COFINS, o procedimento resumiuse a apurar a diferença, mês a mês de 2007, entre as receitas totais escrituradas [Coluna "Totais Mensais" da Tabela III, à página 8 deste relatório] e os valores de receitas apresentados no DACON que serviram de base de cálculo para o PIS e a COFINS recolhidos, como já mencionamos.” Portanto, às fl. 346 encontramse os valores escriturados, os valores declarados pela Recorrente em DACON e a diferença apurada pela fiscalização, que foi submetida à tributação pelo PIS e pela COFINS. Com efeito, convém frisar, não trata os autos da hipótese de compensação ou dedução de créditos de PIS e COFINS, mas de omissão de receitas operacionais. Desse modo, é descabida toda argumentação tecida pela Recorrente sobre (i) violação ao princípio da isonomia; (ii) infração ao princípio da territorialidade; (iii) não cumulatividade e bitributação; (iv) aplicação de lei mais benéfica e do princípio in dúbio pro reo, visando possibilitar a dedução de créditos de PIS e COFINS. Também vale registrar que não se discute revelia nos autos. Avançando, pleiteia a Recorrente, em apertada síntese, que, a multa de 75% tem caráter confiscatório e deve ser reduzida. Contudo, seu apelo outra vez não merece amparo, já que a falta de pagamento ou recolhimento de tributo é hipótese prevista no artigo 44 da Lei n°. 9.430/96 para a aplicação da multa proporcional de ofício de 75%. No que tocam às alegações de infração aos princípios constitucionais, tais como ao princípio do nãoconfisco, descabe tal análise pelo julgador administrativo, conforme preconiza o enunciado da Súmula nº. 2 deste Conselho: Súmula CARF Nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. Finalmente, a Recorrente alega que é ilegal a utilização da taxa SELIC como juros de mora. Sobre esse tema, aplicase a Súmula nº. 4 do CARF: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 693DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15586.001510/201018 Acórdão n.º 1402001.745 S1C4T2 Fl. 9 8 Tratandose de tributações reflexas de irregularidades descritas e analisadas no lançamento de IRPJ, constantes do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento ao PIS, à COFINS e à CSLL. Posto isso, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Fl. 694DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 13808.002872/2001-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1996, 1997, 1999
INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolizado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto n° 70.235/72.
Numero da decisão: 2102-001.012
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por perempto, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
José Raimundo Tosta Santos Presidente à época da formalização
Assinado digitalmente
Carlos André Rodrigues Pereira Lima Relator
(Acórdão reapresentado em meio magnético.)
EDITADO EM 02/12/2010
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Acácia Sayuri Wakasugi e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201012
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1996, 1997, 1999 INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolizado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto n° 70.235/72.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13808.002872/2001-58
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5391681
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2102-001.012
nome_arquivo_s : Decisao_13808002872200158.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
nome_arquivo_pdf_s : 13808002872200158_5391681.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por perempto, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente José Raimundo Tosta Santos Presidente à época da formalização Assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima Relator (Acórdão reapresentado em meio magnético.) EDITADO EM 02/12/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Acácia Sayuri Wakasugi e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
id : 5673422
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:30:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047251283083264
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1558; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2‐C1T2 Fl. 244 1 243 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13808.002872/200158 Recurso nº 513.322 Voluntário Acórdão nº 2102001.012 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 02 de dezembro de 2010 Matéria IRPF APD E DEDUÇÃO INDEVIDA Recorrente ESPÓLIO VALTER POIANO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1996, 1997, 1999 INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolizado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto n° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por perempto, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente José Raimundo Tosta Santos – Presidente à época da formalização Assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 28 72 /2 00 1- 58 Fl. 259DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13808.002872/200158 Acórdão n.º 2102001.012 S2‐C1T2 Fl. 245 2 (Acórdão reapresentado em meio magnético.) EDITADO EM 02/12/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Acácia Sayuri Wakasugi e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Cuidase de recurso voluntário de fls. 215 a 231, interposto contra decisão da DRJ em São Paulo/SP, de fls. 192 a 201, que julgou procedente o lançamento de IRPF de fls. 73 a 77 dos autos, lavrado em 29/06/2001, relativo aos anoscalendário 1996, 1997 e 1999, com ciência do RECORRENTE em 02/07/2001 (fl. 81). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 1.488.932,78, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa. Conforme descrição dos fatos de fls. 75 e 76, o lançamento teve origem nas seguintes infrações: (i) omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, onde verificouse excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados; e (ii) na dedução indevida de dependente. Conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 62 a 68, ao analisar a declaração de bens dos anoscalendário 1995, 1996, 1997 e 1999 do RECORRENTE, e demais documentos obtidos durante a ação fiscal, a fiscalização elaborou as planilhas de fls. 54 a 61, onde apurou a evolução patrimonial a descoberto do RECORRENTE nos anos 1996, 1997 e 1999. Observou também dedução indevida a título de dependente referente à sua esposa, que nos anos 1996 e 1997 apresentou declaração em separado. DA IMPUGNAÇÃO Em 27/07/2001, o RECORRENTE apresentou, através de seus procuradores (fl. 85), a impugnação de fls. 82 a 84, alegando, em suma, que: A inventariante do espólio Rita de Cassia Lugnesi Poiano, ainda não havia efetuado o levantamento de toda a situação. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13808.002872/200158 Acórdão n.º 2102001.012 S2‐C1T2 Fl. 246 3 Requereu prorrogação do prazo para melhor apurar os fatos constantes do auto de infração. Acerca da dedução de despesas com dependente, o RECORRENTE reconhece que houve erro no preenchimento de sua declaração. Alegou que, após conclusão do levantamento de inventário, será apresentada declaração retificadora a fim de indicar o pagamento da dívida de R$ 40.093,00 no anocalendário 1996, justificando o acréscimo patrimonial a descoberto apurado pela fiscalização. Relativamente ao ano calendário 1997, alegou que, conforme levantamento efetuado até o momento, não foram encontrados elementos e justificativas para o lançamento do valor de R$ 1.178.099,21. Alega ter apresendado declaração retificadora do referido ano calendário. A inventariante do ESPÓLIO RECORRENTE alegou que, até a apresentação do auto de infração, desconhecia a existência do imóvel constituído pelo apartamento n. 1101, localizado no 16º piso do Edifício Panorâmico, situado na Rua Tiradentes, 298, Foz do Iguaçu, Estado do Paraná, razão por que pretendi incluílo no inventário dos bens deixados pelo de cujus. Desta forma, discordou do acréscimo patrimonial no valor de R$ 3.266.960,01, nos termos da declaração retificadora apresentada. Por fim, requereu novamente a concessão de prazo de 90 dias para apresentação de defesa complementar. DA DECISÃO DA DRJ A DRJ, às fls. 192 a 201 dos autos, julgou procedente o lançamento, através de acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1996, 1997, 1999 PRORROGAÇÃO DO PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DE IMPUGNAÇÃO. Inexiste previsão legal para prorrogar o prazo para apresentação de impugnação. IMPUGNAÇÃO PRECLUSÃO CONSUMATIVA A impugnação deve ser apresentada no prazo de trinta dias a contar da data em que o contribuinte for intimado da exigência. Novas impugnações ou aditivos à primeira não devem ser conhecidos por ocorrida a preclusão consumativa. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13808.002872/200158 Acórdão n.º 2102001.012 S2‐C1T2 Fl. 247 4 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. O acréscimo patrimonial, não justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis ou isentos e tributados exclusivamente na fonte só é elidido mediante a apresentação de documentação hábil que não deixe margem a dúvida. Lançamento Procedente” Nas razões do voto, a autoridade julgadora esclareceu que inexiste previsão legal para concessão da prorrogação solicitada pelo RECORRENTE. Afirmou que o Decreto 70.235, de 1972, que disciplina o processo administrativo fiscal, dispõe em seu artigo 14 que a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento e, em seu artigo 15, que a impugnação deve ser apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias a contar da data em que for feita a intimação da exigência. Desta forma, limitou a lide aos termos das contestações apresentadas por meio da impugnação de fls.82 a 84, não tomando conhecimento das petições de fls. 101 a 106 e 135 a 143 e documentos posteriormente juntados. Portanto, uma vez que o RECORRENTE não apresentou prova alguma que pudesse invalidar a omissão de rendimentos apurada pela fiscalização, tendo em vista a variação patrimonial a descoberto nos anoscalendário de 1996, 1997 e 1999, o lançamento foi julgado procedente. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 26/01/2009, conforme faz prova o “Aviso de Recebimento” de fl. 206v, apresentou, através de procurador constituído à fl. 232, o recurso voluntário de fls. 215 a 231, em 10/03/2009. Este recurso voluntário compôs lote, sorteado para este relator, em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Relator De acordo com os arts. 5º e 33 do Decreto n° 70.325/72, que regula o processo administrativo no âmbito federal, o prazo de 30 (trinta) dias para a interposição de Recurso Voluntário é contínuo, excluindose, na sua contagem, o dia de início e incluindose o Fl. 262DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13808.002872/200158 Acórdão n.º 2102001.012 S2‐C1T2 Fl. 248 5 do vencimento. Os prazos se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que tramite o processo ou deva ser praticado o ato. No caso concreto, o RECORRENTE teve ciência do acórdão recorrido no dia 26/01/2009 (segundafeira), conforme “Aviso de Recebimento”, acostado à fl. 206v dos autos. Ocorre que, de acordo com o registro de protocolo, de fl. 215 dos autos, o presente recurso somente foi interposto em 10/03/2009 (terçafeira), depois de já transcorridos mais de 30 dias contados da intimação do contribuinte, sendo, portanto, manifestamente intempestivo o recurso. Seguindo o procedimento do Decreto n° 70.325/72, bem como a jurisprudência deste Conselho, o recurso intempestivo não deverá ser objeto de conhecimento. A decisão transcrita a seguir serve como exemplo desse entendimento: “ASSUNTO: SIMPLES Anocalendário: 2002 Ementa: INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolizado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto n° 70.235/72. (Recurso nº 158.682; processo 10510.000945/200629; 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, julgado em 17/10/2008.” Isto posto, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário em razão da sua manifesta intempestividade. Assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima Fl. 263DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10510.721648/2011-88
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2010
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. A apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais em atraso pelo contribuinte enseja a exigência pelo Fisco da multa prevista na legislação tributária.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, mas sim exclusiva do Judiciário. SÚMULA CARF 02.
Numero da decisão: 1803-001.764
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Carmem Ferreira Saraiva - Presidente
(assinado digitalmente)
Victor Humberto da Silva Maizman - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à época do julgamento), Maria Elisa Bruzzi Boechat (Suplente Convocada), Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Roberto Armond Ferreira da Silva (Suplente Convocado).
Nome do relator: VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201307
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. A apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais em atraso pelo contribuinte enseja a exigência pelo Fisco da multa prevista na legislação tributária. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, mas sim exclusiva do Judiciário. SÚMULA CARF 02.
turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10510.721648/2011-88
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5398091
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 17 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1803-001.764
nome_arquivo_s : Decisao_10510721648201188.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN
nome_arquivo_pdf_s : 10510721648201188_5398091.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmem Ferreira Saraiva - Presidente (assinado digitalmente) Victor Humberto da Silva Maizman - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à época do julgamento), Maria Elisa Bruzzi Boechat (Suplente Convocada), Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Roberto Armond Ferreira da Silva (Suplente Convocado).
dt_sessao_tdt : Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
id : 5709266
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:31:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047251293569024
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1891; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 2 1 1 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10510.721648/201188 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803001.764 – 3ª Turma Especial Sessão de 10 de julho de 2013 Matéria OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente ALFREDO MIGUEL GRISTELLI ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. A apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais em atraso pelo contribuinte enseja a exigência pelo Fisco da multa prevista na legislação tributária. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, mas sim exclusiva do Judiciário. SÚMULA CARF 02. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmem Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Victor Humberto da Silva Maizman Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à época do julgamento), Maria Elisa Bruzzi Boechat (Suplente Convocada), Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Roberto Armond Ferreira da Silva (Suplente Convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 16 48 /2 01 1- 88 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CARMEN FE RREIRA SARAIVA Processo nº 10510.721648/201188 Acórdão n.º 1803001.764 S1TE03 Fl. 3 2 Relatório Trata se de Notificação de Lançamento exigindo a multa pelo atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, com base no art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 1.051, de 29 de dezembro de 2004. Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação requerendo o cancelamento da multa exigida, em face da ilegalidade e inconstitucionalidade da exigência de apresentação da DCTF, haja vista ter sido instituída através de Instrução Normativa, quando tal obrigação somente pode ser exigida através de lei, em sentido formal e material. Ademais, de acordo com o ordenamento jurídico vigente, é ilegal a previsão de multa pela não apresentação ou apresentação da declaração com informações inexatas, incompletas ou omissas. Neste sentido, transcreve doutrina e jurisprudência judicial que corroborariam seus argumentos. Em sede de cognição ampla, a DRJ refutou os argumentos sustentados pela Recorrente sob o fundamento de que a exigência em questão tem respaldo no art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002. Inconformada com a decisão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário sustentando os mesmos argumentos lançados na peça impugnatória É o simples relatório. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CARMEN FE RREIRA SARAIVA Processo nº 10510.721648/201188 Acórdão n.º 1803001.764 S1TE03 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman Relator Preliminarmente admito o inconformismo da contribuinte mormente em virtude de seu cabimento e tempestividade. Pois bem, ao contrário do que consta das razões do inconformismo, a conduta que motivou o lançamento impugnado e a respectiva penalidade tem respaldo no art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, tudo conforme bem consignado nos fundamentos da r. decisão recorrida. Demais a mais, a alegação de inconstitucionalidade dos enunciados normativos que respaldam tal exigência não podem ser objeto de análise por esse E. Conselho face o impeditivo previsto no enunciado da súmula CARF 02. Em virtude do exposto, conheço do inconformismo e negolhe provimento mantendose a exigência fiscal hostilizada. É como voto. (assinatura digital) Victor Humberto da Silva Maizman Fl. 50DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CARMEN FE RREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001696/2010-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006
RECEBIMENTO DE ESCROW.: Não ocorreu um acréscimo patrimonial tributável, como havia entendido a fiscalização, representado por ingresso de recursos decorrentes de atividade não operacional, pois, de fato, as despesas com tributos eram de anos anteriores (1995 a 1998), e, por tal motivo, não haviam sido contabilizadas naqueles anos.
PROVISÕES PARA CONTIGÊNCIAS TRABALHISTAS: Não foram atendidos os requisitos legais na dedução efetuada pela contribuinte.
DESPESAS DE OUTRAS PROVISÕES: Não demonstração dos requisitos legais na dedução.
DESPESAS COM REMUNERAÇÃO DE INTERVENIÊNCIA DE TERCEIROS.
Ausente um conjunto de informações com valor probatório, por si só o esclarecimentos sobre o funcionamento da conta e contabilização geral, sem a segregação, não justificam o registro da despesa.
DAS DESPESAS AUTORIZADAS PARA RESULTADO DAS AGÊNCIAS.
Cumpria ao recorrente demonstrar de forma clara e induvidosa os fatos que deram origem à sua escrituração e conseqüente dedutibilidade, não o fazendo, subsiste o entendimento da decisão recorrida.
DAS DESPESAS DE JUROS SOBRE O PASSIVO ATUARIAL E DA PERDA ATUARIAL NÃO RECONHECIDA.
Provisões em comento, relativas a JUROS SOBRE O PASSIVO ATUARIAL e a PERDA ATUARIAL NÃO RECONHECIDA, não são dedutíveis por se tratar de provisões que cuja dedução não estão autorizadas pela legislação tributária de regência.
Numero da decisão: 1301-001.361
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, 1)CONTA ESCROW: Dar provimento por unanimidade de votos. O Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, votou pelas conclusões. 2)PROVISÕES PARA CONTINGÊNCIAS TRABALHISTAS E DESPESAS DE OUTRAS PROVISÕES: Negar provimento por unanimidade de votos. 3)DESPESAS DE OUTRAS PROVISÕES: Negar provimento por unanimidade de votos. 4)DESPESAS COM REMUNERAÇÃO DE INTERVENIÊNCIA DE TERCEIROS: Negar provimento por unanimidade de votos. 5)DAS DESPESAS AUTORIZADAS PARA RESULTADO DAS AGÊNCIAS: Negar provimento por unanimidade de votos. 6)DAS DESPESAS DE JUROS SOBRE O PASSIVO ATUARIAL E DA PERDA ATUARIAL NÃO RECONHECIDA: Negar provimento por unanimidade de votos. 7)DAS DESPESAS DE COMISSÃO CP CONVÊNIOS: Negar provimento por unanimidade de votos. 8)DAS DESPESAS DE PIS E COFINS Negar provimento por unanimidade de votos. 9)DA ALEGADA AUSÊNCIA DE COMPENSAÇÃO COM CRÉDITO DE CSLL - ILIQUIDEZ DO AUTO DE INFRAÇÃO: Dar provimento por unanimidade de votos. 10)DA ALEGADA DECADÊNCIA EM RELAÇÃO À MULTA ISOLADA: Dar provimento por maioria de votos. Vencidos os Conselheiros, Wilson Fernandes Guimarães e Paulo Jakson da Silva Lucas. 11)DOS JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO: Negar Provimento por maioria de votos. Vencido o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201312
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006 RECEBIMENTO DE ESCROW.: Não ocorreu um acréscimo patrimonial tributável, como havia entendido a fiscalização, representado por ingresso de recursos decorrentes de atividade não operacional, pois, de fato, as despesas com tributos eram de anos anteriores (1995 a 1998), e, por tal motivo, não haviam sido contabilizadas naqueles anos. PROVISÕES PARA CONTIGÊNCIAS TRABALHISTAS: Não foram atendidos os requisitos legais na dedução efetuada pela contribuinte. DESPESAS DE OUTRAS PROVISÕES: Não demonstração dos requisitos legais na dedução. DESPESAS COM REMUNERAÇÃO DE INTERVENIÊNCIA DE TERCEIROS. Ausente um conjunto de informações com valor probatório, por si só o esclarecimentos sobre o funcionamento da conta e contabilização geral, sem a segregação, não justificam o registro da despesa. DAS DESPESAS AUTORIZADAS PARA RESULTADO DAS AGÊNCIAS. Cumpria ao recorrente demonstrar de forma clara e induvidosa os fatos que deram origem à sua escrituração e conseqüente dedutibilidade, não o fazendo, subsiste o entendimento da decisão recorrida. DAS DESPESAS DE JUROS SOBRE O PASSIVO ATUARIAL E DA PERDA ATUARIAL NÃO RECONHECIDA. Provisões em comento, relativas a JUROS SOBRE O PASSIVO ATUARIAL e a PERDA ATUARIAL NÃO RECONHECIDA, não são dedutíveis por se tratar de provisões que cuja dedução não estão autorizadas pela legislação tributária de regência.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 16327.001696/2010-29
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5395449
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1301-001.361
nome_arquivo_s : Decisao_16327001696201029.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 16327001696201029_5395449.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, 1)CONTA ESCROW: Dar provimento por unanimidade de votos. O Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, votou pelas conclusões. 2)PROVISÕES PARA CONTINGÊNCIAS TRABALHISTAS E DESPESAS DE OUTRAS PROVISÕES: Negar provimento por unanimidade de votos. 3)DESPESAS DE OUTRAS PROVISÕES: Negar provimento por unanimidade de votos. 4)DESPESAS COM REMUNERAÇÃO DE INTERVENIÊNCIA DE TERCEIROS: Negar provimento por unanimidade de votos. 5)DAS DESPESAS AUTORIZADAS PARA RESULTADO DAS AGÊNCIAS: Negar provimento por unanimidade de votos. 6)DAS DESPESAS DE JUROS SOBRE O PASSIVO ATUARIAL E DA PERDA ATUARIAL NÃO RECONHECIDA: Negar provimento por unanimidade de votos. 7)DAS DESPESAS DE COMISSÃO CP CONVÊNIOS: Negar provimento por unanimidade de votos. 8)DAS DESPESAS DE PIS E COFINS Negar provimento por unanimidade de votos. 9)DA ALEGADA AUSÊNCIA DE COMPENSAÇÃO COM CRÉDITO DE CSLL - ILIQUIDEZ DO AUTO DE INFRAÇÃO: Dar provimento por unanimidade de votos. 10)DA ALEGADA DECADÊNCIA EM RELAÇÃO À MULTA ISOLADA: Dar provimento por maioria de votos. Vencidos os Conselheiros, Wilson Fernandes Guimarães e Paulo Jakson da Silva Lucas. 11)DOS JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO: Negar Provimento por maioria de votos. Vencido o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
id : 5697437
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:31:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047251323977728
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 73; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2243; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.001696/201029 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.361 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de dezembro de 2014 Matéria IRPJ. Recorrente BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 RECEBIMENTO DE ESCROW.: Não ocorreu um acréscimo patrimonial tributável, como havia entendido a fiscalização, representado por ingresso de recursos decorrentes de atividade não operacional, pois, de fato, as despesas com tributos eram de anos anteriores (1995 a 1998), e, por tal motivo, não haviam sido contabilizadas naqueles anos. PROVISÕES PARA CONTIGÊNCIAS TRABALHISTAS: Não foram atendidos os requisitos legais na dedução efetuada pela contribuinte. DESPESAS DE OUTRAS PROVISÕES: Não demonstração dos requisitos legais na dedução. DESPESAS COM REMUNERAÇÃO DE INTERVENIÊNCIA DE TERCEIROS. Ausente um conjunto de informações com valor probatório, por si só o esclarecimentos sobre o funcionamento da conta e contabilização geral, sem a segregação, não justificam o registro da despesa. DAS DESPESAS AUTORIZADAS PARA RESULTADO DAS AGÊNCIAS. Cumpria ao recorrente demonstrar de forma clara e induvidosa os fatos que deram origem à sua escrituração e conseqüente dedutibilidade, não o fazendo, subsiste o entendimento da decisão recorrida. DAS DESPESAS DE JUROS SOBRE O PASSIVO ATUARIAL E DA PERDA ATUARIAL NÃO RECONHECIDA. Provisões em comento, relativas a JUROS SOBRE O PASSIVO ATUARIAL e a PERDA ATUARIAL NÃO RECONHECIDA, não são dedutíveis por se tratar de provisões que cuja dedução não estão autorizadas pela legislação tributária de regência. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 16 96 /2 01 0- 29 Fl. 15189DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, 1)CONTA ESCROW: Dar provimento por unanimidade de votos. O Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, votou pelas conclusões. 2)PROVISÕES PARA CONTINGÊNCIAS TRABALHISTAS E DESPESAS DE OUTRAS PROVISÕES: Negar provimento por unanimidade de votos. 3)DESPESAS DE OUTRAS PROVISÕES: Negar provimento por unanimidade de votos. 4)DESPESAS COM REMUNERAÇÃO DE INTERVENIÊNCIA DE TERCEIROS: Negar provimento por unanimidade de votos. 5)DAS DESPESAS AUTORIZADAS PARA RESULTADO DAS AGÊNCIAS: Negar provimento por unanimidade de votos. 6)DAS DESPESAS DE JUROS SOBRE O PASSIVO ATUARIAL E DA PERDA ATUARIAL NÃO RECONHECIDA: Negar provimento por unanimidade de votos. 7)DAS DESPESAS DE COMISSÃO CP CONVÊNIOS: Negar provimento por unanimidade de votos. 8)DAS DESPESAS DE PIS E COFINS Negar provimento por unanimidade de votos. 9)DA ALEGADA AUSÊNCIA DE COMPENSAÇÃO COM CRÉDITO DE CSLL ILIQUIDEZ DO AUTO DE INFRAÇÃO: Dar provimento por unanimidade de votos. 10)DA ALEGADA DECADÊNCIA EM RELAÇÃO À MULTA ISOLADA: Dar provimento por maioria de votos. Vencidos os Conselheiros, Wilson Fernandes Guimarães e Paulo Jakson da Silva Lucas. 11)DOS JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO: Negar Provimento por maioria de votos. Vencido o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Fl. 15190DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001696/201029 Acórdão n.º 1301001.361 S1C3T1 Fl. 3 3 Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 10ª Turma da DRJ em São Paulo/SP. Tendo em conta o bem articulado relatório produzido pela ilustrada Turma Julgadora reproduzo o resumo dos fatos contidos na decisão recorrida: “Da Autuação Conforme os Termos de Verificação nº 02/2008.001018 de fls.1649/1695 e nº 03/2008.001018 de 1696/1715, em fiscalização empreendida junto à empresa acima identificada, relativa ao IRPJ e à CSLL dos anoscalendário de 2005 e 2006, o AuditorFiscal verificou em síntese que: I. Das Intimações Fiscais 1. Inicialmente, destaquese que a empresa foi intimada e reintimada por diversas vezes durante o procedimento fiscalizatório, conforme a planilha a seguir, o que evidencia os esforços da fiscalização em obter as informações e a documentação pertinentes, sendo facultadas várias oportunidades para a contribuinte fornecêlas. Em especial, merecem destaque os itens das intimações e reintimações nº 33/2008.001018 a 38/2008001018, atendidos apenas parcialmente pela empresa. Intimações e Reintimações Fiscais Resposta da Empresa Número Data da Ciência Fls. Data Fls. 20/2008001018 12/02/10 17 0 0 23/2008001018 17/03/10 18 0 0 24/2008001018 09/04/10 19 0 0 27/2008001018 21/05/10 20 0 0 29/2008001018 31/05/10 21 22/06/10 22/61 30/2008001018 28/06/10 62/63 15/07/10 64/90 27/07/10 93/128 31/2008001018 20/07/10 91/92 04/08/10 129/219 33/2008001018 16/08/10 220/221 14/09/10 222/520 34/2008001018 05/10/10 521/522 13/10/10 523/665 35/2008001018 21/10/10 666/667 0 0 36/2008001018 05/11/10 668/669 0 0 37/2008001018 16/11/10 670/672 26/11/10 673/695 02/12/10 699/740 38/2008001018 30/11/10 696/698 08/12/10 741/1538 II. Dos Recebimentos Escrow Fl. 15191DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 2. Nos Termos de Intimação nº 20, 23, 24, 27 e 29/2008001018, a empresa foi intimada e reintimada a apresentar: a) razão da conta COSIF 1.8.8.85.004 – conta interna 305031 – valores a receber sociedades ligadas – Grand Cayman – BSB, em planilha; b) extratos da conta Grand Cayman BSB; c) esclarecimento sobre a que título se deram os lançamentos efetuados na conta COSIF 1.8.8.85.004 – conta interna 305031, respectivos valores e tratamento contábil e fiscal dados aos mesmos; demonstrar que houve trânsito dos valores por contas de resultado e que foram oferecidos à tributação ou justificar porque isso não ocorreu; d) apresentar o contrato de comprar e venda do Grupo Meridional, que fundamentaria a existência da conta Grand Cayman BSB acima citada. 2.1. Nos Termos de Intimação nº 30 e 31/2008001018, a empresa foi intimada e reintimada a apresentar: a) demonstração das despesas que ensejaram o recebimento Escrow, detalhadas com beneficiário, data, valor e breve histórico (no caso de se tratar de despesa decorrente de medida judicial, indicar, indicar o número do processo) e da contabilização das mesmas; b) demonstração de que tais despesas se encontram previstas contratualmente dentre aquelas passíveis de ensejar recebimento Escrow, com indicação da respectiva cláusula contratual; c) indicação das contas de provisão correspondentes às despesas referidas no item anterior e demonstração do cálculo do valor do recebimento Escrow, com base nas correspondestes despesas e provisões. Esclarecer se as refeias provisões se encontram contabilizadas em contas específicas para o controle de Escrow; d) lançamentos contábeis relativos a todo o processo que enseja o recebimento Escrow, abrangendo a apropriação das citadas despesas, os lançamentos a débito e crédito das provisões, a liquidação das despesas e recebimento Escrow propriamente dito (explicar as contrapartidas); e)razão das contas envolvidas no processo do recebimento Escrow referido acima (conta caixa: apenas a data do lançamento) 2.2. Nos Termos de Intimação nº 33, 34 e 35/2008001018, a empresa foi intimada e reintimada a apresentar a indicação expressa das cláusulas do contrato com o antigo controlador que fundamentem os recebimentos Escrow desse anocalendário. 2.3. No Termo de Intimação nº 37/2008001018, empresa foi intimada a esclarecer a lançamento a crédito da conta 305031, no valor de R$62.729.730,64, em 01/2005 bem como as “Outras Variações”, lançadas nas contas de Rendas de Atualização Escrow (conta interna 875988) e Despesas de Atualização Escrow (conta 945884) 2.4. Em atendimento às referidas intimações e reintimações, a empresa apresentou progressivamente as informações que são utilizadas no presente tópico. 2.5. Juntamente com a resposta datada de 22/06/2010 (fls.22/61), a contribuinte apresentou os razões e os extratos da conta COSIF 1.8.8.85.004, conta interna 305031, e os extratos da correspondente conta na Agência Grand Cayman BSB, bem como a cópia do contrato de compra e venda do Grupo Meridional que fundamenta a existência da conta na Agência Grand Cayman BSB e os recebimentos Escrow sob análise. 2.6. Esclarece a contribuinte, no referido documento (fls.22/23): Conta 305031 – Valores a Receber Sociedades Ligadas Grand Cayman BSB: Os direitos a receber estão registrados em conta de ativo de classificação Cosif 1.8.8.85.004, conta 305031, Valores a Receber Sociedades Ligadas Agência Grand Cayman – BSB, e representam os valores efetivamente reembolados ao Banco por pagamentos efetuados por conta e ordem do antigo controlador do Grupo Meridional. (sublinhouse). Fl. 15192DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001696/201029 Acórdão n.º 1301001.361 S1C3T1 Fl. 4 5 Os valores oriundos da variação cambial incidentes sobre os direitos a receber mantidos em moeda estrangeira são contabilizados pelo regime de competência em resultado nas contas Cosif 7.1.9.99.009, conta 875988, tributável quando a variação cambial for positiva e Cosif 8.1.9.99.006, conta 945884 dedutível quando variação cambial for negativa. (sublinhouse). [...] ressaltese que os valores depositados na conta Agência Grand Cayman BSB, foram recebidos a título de indenização/reembolso visando à recomposição patrimonial do Banco conforme previsto no [...] contrato de compra e venda [...] De fato, com base nas cláusulas do referido contrato de compra e venda, o Vendedor deve indenizar o Comprador por qualquer prejuízo e/ou contingência por meio de débito em Conta de Caução (Escrow Account) mantida no exterior, na agência do Banco Santander Brasil S/A sediada em Grand Cayman, e posterior crédito em conta do Requerente mantida também no exterior. Portanto, por se tratar de mera recomposição do patrimônio do Requerente, o valor recebido a título de indenização/reembolso não impactou as contas de resultado, tendo sido registrado tão somente em contas de ativo. 2.7. Anexo ao referido documento, a contribuinte apresentou ainda um “Demonstrativo de Movimentação Escrow” (fls.24/25), que apresenta para cada mês: a) valores dos recebimentos, líquidos da atualização monetárias e juros; b) juros; c) variação cambial; d) contasreceita (Cosif 7.1.9.99.009 conta interna 875988 – rendas atualização Escrow); e) contasdespesa (Cosif 8.1.9.99.006 conta interna 945884 – despesas atualização Escrow). Os saldos em dezembro/2004, dezembro/2005 e dezembro/2006 da conta 1.8.8.85.00 4 – Valores a Receber de Sociedades Ligadas – conta interna 305031 – Grand Cayman – BSB, bem como os recebimentos Escrow e os valores de atualização cambial e de juros constantes desse demonstrativo coincidem com os constantes dos extratos. 2.8. Observese que no razão da conta 8.1.9.99.006 – outras despesas operacionais, conta interna 945884 – despesas atualização Escrow, consta como “Função: Registrar a variação quanto as garantias constituídas fora dos Brasil com o intuito de garantir a compra dos bancos adquiridos pelo Santander em nosso país”. 2.9. Na resposta datada de 15/07/10 (fls.64/90), a contribuinte apresentou: [...] demonstrativos dos valores que ensejaram o ressarcimentos do Escrow do período de 2005 e 2006 conforme planilhas que enviamos em meio magnético conforme descrição abaixo: 1 ResumoMovContabilEscrow e planilhas de repasses.zip – demonstra os ressarcimentos – valores a receber de soc. ligadas – Cayman e os respectivos desdobramentos nas contas relacionadas ao Escrow. 2 Retiradasano 2005e2006 – demonstra as retiradas ocorridas referentes aos ressarcimentos Escrow. 3 FluxoContábilMovEscrow – lançamentos contábeis. Fl. 15193DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 6 4 PadrõesContábeisEscrowDescrição – função das contas constantes do resumo contábil constante acima. 5 Razão das contas relacionadas às contas envolvidas ao Escrow. 2.10. Na resposta de 04/08/10 (fls.129/219), foi apresentada uma planilha analítica relacionando os dispêndios que ensejaram os recebimentos Escrow (com data, valor, beneficiário e histórico) e consolidandoos no período de 2005 a 2006, com o intuito de caracterizar que os valores lançados a título de recebimentos Escrow efetivamente têm essa natureza. 2.11. Por intermédio da resposta de fls.222/223, a contribuinte informou que as cláusulas 5.1 e 5.2 do contrato de compra e venda de fls.224/346 (com o 1º Aditamento às fls.347/428 fundamentam os recebimentos Escrow. O referido contrato tem como partes (fls.224): Bozano, Simonsen Financial Holdings Ltda. (vendedor); Banco Santander Central Hispano S.A (comprador) e Julio Raphael de Aragão Bozano (garante). 2.12. As cláusulas em questão, que embasam a conta contábil COSIF 1.8.8.85.004, conta interna 305031, dispõem (fls.258/260): 5.1. Responsabilidade do Vendedor, indenização e garantia 1 O vendedor assume total responsabilidade por quaisquer prejuízos que possam surgir para o Grupo e/ou para o Comprador como consequência de qualquer violação pelo Vendedor de seus compromissos, de suas Declarações e Garantias ou de ambos. Além disso, o Vendedor obrigase incondicionalmente a indenizar totalmente o Grupo ou o Comprador, de acordo com a escolha do Comprador, por (i) qualquer diferença a menor entre a contraprestação líquida efetivamente obtida na alienação dos Ativo Não Operacionais e o seu respectivo Valor Intermediário, como mais precisamente disposto na Cláusula 6.1., (ii) quaisquer prejuízos (incluindo honorários e despesas) que possam surgir para o Grupo dos Processos Judiciais Remanescentes, no valor que ultrapassar as provisões contidas nas Demonstrações Financeiras Pro Forma Auditadas para cada Processo Judicial Remanescente e (iii) quaisquer passivos contingentes [...] 5.2. Contas de Caução Para assegurar o pronto pagamentos e a liquidez das obrigações e responsabilidades do Vendedor, e sem prejuízo das obrigações e responsabilidades absolutas e ilimitadas assumidas pelo Vendedor de acordo com os termos previstos na Cláusula 5.1, o Vendedor abrirá, proverá de recursos manterá duas Contas de Caução, nos termos estabelecidos na Cláusula 5.2. As Contas de Caução serão abertas na Agência do Banco Bozano, Simonsen nas Ilhas Cayman. Cada Conta de Caução será regulada por um Contrato de Conta de Caução [...] 2.13. Comparandose o valor da conta COSIF 1.8.8.85.004, conta interna 305031 – valores a receber sociedades ligadas – Grand Cayman BSB, em 31/12/2004, 31/12/2005 e 31/12/2006, constantes dos respectivos balancetes, verificase haver um acréscimo nesse ativo nos anoscalendários de 2005 e 2006, cabendo considerar a variação a título de atualização cambial e juros para chegar ao valor efetivo de recebimentos Escrow, evidenciado nos demonstrativos apresentados pela contribuinte às fls.24/25. 2.14. Pretende a fiscalizada que sobre tais rendimentos, denominados de recebimentos Escrow, não incida tributação. Observese que já houve autuações fiscais sobre Fl. 15194DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001696/201029 Acórdão n.º 1301001.361 S1C3T1 Fl. 5 7 tais receitas, formalizadas nos processos nos 16327.002123/200717 e 16327.001397/200951. Em sua defesa, a empresa alega que tais rendimentos são reembolsos de caráter indenizatório, por se tratar de dívida de outrem, o que cai por terra pela aplicação do Princípio da Entidade. Com base nesse princípio, que afirma a autonomia patrimonial da entidade, não há que se falar em dívida de outrem, pois não se confundem os compromissos do vendedor com a fiscalizada, com os compromissos desta com terceiros. No âmbito do Direito Tributário, destacase que nesses recebimentos existe acréscimo patrimonial, pelo que tais quantias que ingressaram no patrimônio da fiscalizada a título de “Recebimentos Escrow” são passíveis de tributação, em virtude do disposto no inciso II do art. 43 do CTN, independentemente dos princípios de direito privado que a contribuinte invoque em sua defesa, dado o disposto no art. 109 do CTN. Salientase ainda que inexiste qualquer hipótese legal de isenção de tais rendimentos (art. 176 do CTN). 2.15. Citase um exemplo a fim de demonstrar o aumento de riqueza gerado pelos Recebimentos Escrow. Suponhase que a empresa possua uma provisão para contingências trabalhistas no valor de R$100,00. Em decisão judicial, com trânsito em julgado definese que a defesa trabalhista será de R$150,00. 2.15.1. Numa situação usual, não há qualquer recebimento. A perda de riqueza efetiva em decorrência da despesa trabalhista é de R$150,00 e a dedução para fins tributários é de R$ 150,00. 2.15.2. No caso em pauta, considerada a despesa trabalhista de R$ 150,00, como existe um Recebimento Escrow de R$50,00 (valor que ultrapassa a provisão), a perde de riqueza efetiva da empresa será de R$100,00. 2.15.3. Para fins tributários, a contribuinte em pauta reconhece a despesa de R$150,00, mas pretende que a receita de Recebimentos Escrow não seja tributável. Ou seja, em sua interpretação, a contribuinte pretende que tributariamente a perda de riqueza seja de R$150,00, quando jurídica e economicamente é de R$100,00. Isso resulta em não ter sido oferecido à tributação o Recebimento Escrow de R$50,00, que caracteriza um evidente aumento de riqueza nesse montante. 2.16. Como existe fatores cuja avaliação precisa é inviável a priori, embora normais e típicos de uma atividade de risco, convencionaram as partes incluir em contrato cláusulas de garantia e ajuste em função de ocorrência futuras, englobando diferenças e despesas legais, usuais e inerentes è atividade da empresa. São normais em negócios do gênero o condicionamento do preço ou os recebimentos decorrentes do disposto na cláusula 5.1 do contrato. O que é juridicamente insustentável, como demonstrado, é a tentativa de caracterizar tais recebimentos posteriores à aquisição como não passíveis de tributação. 2.17. Os ingressos de recursos a título de Recebimentos Escrow geraram acréscimo patrimonial na fiscalizada, consistindo em receitas passiveis de tributação, que necessariamente deveriam constar da base de cálculo no IRPJ e da CSLL, uma vez que não existe qualquer hipótese legal de isenção para as mesmas. Como isso não ocorreu, está perfeitamente caracterizada omissão de Receita não Operacional, passível de lançamento tributário. 2.18.Não houve trânsito por resultado dos ingressos a título de “Recebimentos Escrow” nos valores de R$41.860.374,45 e R$123.903.182,70, referentes aos Fl. 15195DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 8 anoscalendário, respectivamente, de 2005 e 2006, o que acarretou acréscimo de patrimônio, materializado na conta 1.8.8.85.004 – VALORES A RECEBER DE SOCIEDADES LIGADAS, conta interna 305031 – GRAND CAYMAN – BSB, tampouco adição nas Fichas 09 e 17 da DIPJ. Embora a fiscalizada alegue que tais receitas não operacionais não seriam passíveis de tributação, tal afirmativa não dispõe de fundamentação legal, motivos pelo qual devem ser formalizados os correspondentes lançamentos do IRPJ e da CSLL. III. Da Provisão para Contingências Trabalhistas 3. A contribuinte declarou na Ficha 05 “Despesas Operacionais”/Linha 30 “Outras Despesas Operacionais” da DIPJ – Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica referente ao anocalendário de 2005 o valor de R$199.020.297,61. Intimada a detalhar as “Outras Despesas Operacionais”, apresentou a planilha de fls.89/90, detalhando a composição da conta COSIF 8.1.9.99.006 OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS. Nessa planilha consta na conta interna 946121 o valor de R$24.094.392,73 a título de “DESP PROV CONTINGÊNCIAS TRABALHISTAS”. 3.1. Intimidada a detalhar as “Outras Adições” (Ficha 09/Linha 20 da DIPJ), a empresa apresentou a planilha de fls.432, na qual consta que, em relação à provisão em pauta, a empresa adicionou apenas a variação entre dezembro de 2004 e dezembro de 2005 da conta 49935105, no valor de R$4.788.433,73. 3.2. Para esclarecer a diferença do valor efetivamente adicionado e o que deveria ter sido adicionado, correspondente ao valor deduzido a título de provisão para contingências trabalhistas, uma vez, que tal, provisão não é dedutível, a empresa informou na resposta de fls.64/65 que tal diferença consistiria em pagamentos de indenização em processos trabalhistas, nos seguintes termos: Informamos que os valores ora demonstrados no balancete referentes a despesas com provisão trabalhistas – cosif 8.1.9.99.006 padrão interno 946121 e despesas com provisão cíveis cosif 8.1.9.99.006 padrão interno 946123 lançadas na linha 30 da ficha 05 DIPJ não tem efeito fiscal para cálculos dos impostos uma vez que as provisões são adicionadas e as despesas são dedutíveis. Também cabe destacar que as despesas relacionadas a pagamento de processos cíveis – cosif 8.1.9.99.006, padrão interno 945862 e pagamento de processos trabalhistas – cosif 8.1.7.33.004 padrão interno 952400 mantêm o seguinte fluxo contábil: Débito: Despesas Pagamento processos – trabalhistas/cível Crédito: Caixa Histórico: Pagamentos de processo trabalhista/cível Débito: Provisão trabalhista/cível Crédito: Despesas de pagamentos processos – trabalhistas/cível (conta zerada todo final do mês) Histórico: baixa do valor de despesas com pagamento trabalhistas/cível Fl. 15196DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001696/201029 Acórdão n.º 1301001.361 S1C3T1 Fl. 6 9 Notase que os valores lançados como contrapartida de provisão são dedutíveis em decorrência dos pagamentos de indenização. 3.3. Juntamente com a resposta do fls.93, a empresa apresentou razões contábeis para demonstrar os lançamentos efetuados no fluxo contábil das provisões trabalhistas (fls.94/128) 3.4. Nos Termos de Intimação nos 33, 34, 35, 36, 37 e 38, a contribuinte foi intimada e reintimada a justificar a diferença em pauta e a apresentar documentação comprobatória das referidas despesas, incluindo o detalhamento das despesas deduzidas com data, valor, histórico e CPF ou CNPJ do beneficiário. 3.5. Em resposta aos referidos termos, foram apresentados os documentos de fls.524/665, que consistem em relações mensais de pagamentos efetuados (fls.524, 571, 606, 615, 627, 633, 640, 642, 661), com data, reclamante, processo, vara/comarca, evento e saldo, juntamente com parte das respectivas peças dos processos judiciais (alvarás, guias de depósito e de retirada, recebidos, cheques, DARF). 3.6. Acerca do conceito de provisões, segundo o “Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações” da FIPECAFI, as despesas incorridas já se concretizam e são definidas com relação ao seus valor, enquanto as provisões correspondem a uma expectativa de gasto e são incertas quanto ao seu valor. Somente à medida que tais perdas tornamse totalmente definidas, deixam de ser consideradas provisões. O tratamento tributário dispensado às provisões está previsto nos artigos 249, 335, 336, 337 e 338 do RIR/1999 (Decreto nº 3.000/1999). 3.7. A título de documentação probatório, a empresa apresentou documentos no valor de R$4.917.888,36, inferior ao valor que a empresa alega se tratar de pagamento de ações trabalhistas. O termo amostragem, utilizado pela contribuinte para os documentos fornecidos, não é adequado, pois se trata dos únicos documentos por ela apresentados frente ao universo solicitado, muito mais abrangente, e não de documentos que correspondam integralmente à solicitação de uma amostra específica pela fiscalizada, o que caracterizaria “amostragem”. 3.8. Não há como prescindir da totalidade da documentação probatória, dado que seu número permite o exame e o valor envolvido o justifica. Dessa forma, ainda que os documentos apresentados justificassem os correspondentes dispêndios, não teriam o condão de validar o valor total deduzido pela empresa. 3.9. Em exame individualizado, validouse parcialmente a documentação apresentada pela empresa para justificar a dedução efetuada. O critério utilizado foi o de que o documento demonstrasse tratarse de despesas efetivas, com o valor perfeitamente definido, e não de simples expectativa de perda. Caso contrário, ainda que exista depósito judicial, tratase de garantia processual ou recursal, atendendo ao conceito de provisão, que é indedutível conforme fundamentação jurídica supracitada. 3.10. Foram validados os documentos relativos aos reclamantes relacionados na tabela de fls.1671/1672, cuja soma dos valores perfaz R$4.014.851,01. 3.11. Resta demonstrado que não foram atendidos os requisitos legais na dedução de R$24.094.392,73, efetuada pela contribuinte na Linha 30 da Ficha 05 da DIPJ, a Fl. 15197DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 10 título de “DESP PROV CONTINGÊNCIAS TRABALHISTAS”, com a correspondente adição nas Fichas 09 e 17 da DIPJ de apenas R$4.788.433,73. Restando R$19.305.959,00 de adição não efetuada a justificar e comprovar, a contribuinte apresentou justificativa e documentação comprobatória para o valor de R$4.014.851,81, do que se conclui que houve redução indevida de R$15.291.107,00 nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL do anocalendário de 2005. Pelo exposto, cabe a formalização dos correspondentes lançamentos tributários. IV. Despesas de Outras Provisões 4. A contribuinte declarou na Ficha 05 “Despesas Operacionais”/Linha 30 “Outras Despesas Operacionais” da DIPJ referente ao anocalendário de 2005 o valor de R$199.020.297,61. Intimada e detalhar as “Outras Despesas Operacionais”, apresentou a planilha de fls.89/90, detalhando a composição da conta COSIF 8.1.9.99.006 OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS. Nessa última planilha, podese observa na conta interna 946124 o valor de R$4.898.598,93 a título de “DESP DE OUTRAS PROVISÕES”. 4.1. Intimada a detalhar as “Outras Adições” (Ficha 09/linha 20 da DIPJ), a empresa apresentou a planilha de fls.429/434. Nessa planilha, observase para o item em pauta a empresa nada adicionou. 4.2. Quanto ao direito, são válidos os mesmos fundamentos jurídicos apresentados para a Provisão para Contingências Trabalhistas. 4.3. Relativamente às constatações que motivam o lançamento, o razão da conta 8.1.9.99.006 – OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS, conta interna 946124 – DESP DE OUTRAS PROVISÕES foi apresentado pela contribuinte (fls.500/501), constando no histórico (coluna “Observação”), dentre outros: provisões para ativos, ajustes e acertos de provisões, ajustes referentes a provisões para ativos e ajustes a outras provisões para contingências administrativas. O total do Razão confere com o valor deduzido, todavia o exame do histórico evidencia ratarse de provisões não dedutíveis, conforme fundamentação jurídica supracitada. 4.4. Resta demonstrando que não foram atendidos os requisitos legais na dedução de R$4.898.589,93, efetuada pela contribuinte na Linha 30 da Ficha 05 da DIPJ, a título de “DESP DE OUTRAS PROVISÕES”, sem que tenha havido a correspondente adição nas Fichas 09 e 17 da DIPJ. Concluise que houve redução indevida de R$4.898.589,93 nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL do anocalendário de 2005, pelo que cabe a formalização dos correspondentes lançamentos tributários. V. DESP FININTERV TERCEIROSSISTEMA “EN” 5. A contribuinte declarou na Ficha 05 “Despesas Operacionais”/Linha30 “Outras Despesas Operacionais” da DIPJ referente ao anocalendário de 2005 o valor de R$199.020.297,61. Intimada a detalhar as “Outras Despesas Operacionais”, apresentou a planilha de fls.89/90, detalhando a composição da conta COSIF 8.1.9.99.006 OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS, em que se pode observar, na conta, interna 946434, o valor de R$8.479.470,36 a título de DESP FININTERV TERCEIROSSISTEMA “EN”. 5.1. Intimada a detalhar as “Outras Adições” (Ficha 09/linha 20 da DIPJ), a empresa apresentou a planilha de fls.429/434. Nessa planilha, observase que para o item em pauta a empresa nada adicionou. Fl. 15198DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001696/201029 Acórdão n.º 1301001.361 S1C3T1 Fl. 7 11 5.2. O razão da conta interna 946434 foi apresentado pela contribuinte (fls.505/506). No histórico (coluna “Observação”) constam basicamente informações em código que nada acrescentam, além de referências a acertos de notas fiscais. 5.3. Nos Termos de Intimação de nos 33, 34, 35, 36, 37 e 38, a contribuinte foi intimada a: Esclarecer a natureza e apresentar documentação comprobatória dos valores deduzidos na Ficha 05 da DIJP, no tocante às seguintes subcontas da conta 81999006, apresentando igualmente o fundamento legal de dedutibilidade [...] 946434 DESP FININTERV TERCEIROSSISTEMA EM R$8.479.470,36 5.4. Em resposta apresentada em 02/12/2010 (fls.699/701), após inúmeras intimações e reintimações, a contribuinte informou: Conta utilizada para registrar as despesas referentes aos encargos assumidos perante terceiros (varejo) pela intermediação na concessão de operação de crédito direito ao consumidor (CDCI) Conforme acordado entre as partes, nas operações CDCI é estabelecida uma linha de crédito rotativa que permite ao cliente (lojista) receber “à vista” o valor de suas vendas, independente das condições de pagamento concedidas aos seus clientes (consumidor final). Quanto aos encargos financeiros, caso a taxa de juros praticada pelo Banco na linha de crédito concedida, na data da contratação de cada operação de CDCI, seja inferior è taxa ajustada entre cliente (lojista) e seus compradores (consumidor final), o Banco comprometesse a reembolsar ao cliente (lojista) a diferença resultante da aplicação das diferentes taxas de juros. Portanto referidas despesas decorrem das condições acertadas entre as partes de forma livre e independente de acordo com parâmetros vigentes no mercado. São consideradas usuais e necessárias para o desenvolvimento dos negócios e intrinsecamente vinculadas às atividades normais do Banco. 5.5. Acerca da matéria, dispõem os artigos 299, 300 e 251 do RIR/99 (Decreto 3.000/1999). Cabe lembrar que a manutenção da escrituração com observância das leis comerciais e fiscais é condição necessária, mas não suficiente, para a dedutibilidade de despesas, sendo que os registros contábeis devem devidamente comprovados, respaldados em documentação hábil e idônea, sob pena de serem desconsideradas pela fiscalização, não sendo suficiente alegar que simples registro os faz gozar de presunção de legitimidade. 5.6. Após inúmeras oportunidades dadas è contribuinte para comprovação das despesas em pauta, foram fornecidos apenas o razão e a descrição da função da conta. Conforme o exposto, no razão da conta interna 946434, coluna “Observação”, há informações em código que nada acrescentam. 5.7. Nas respostas da empresa, não foi apresentada a identificação dos beneficiários das despesas em pauta, tampouco os respectivos contratos ou o demonstrativo das Fl. 15199DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 12 diferenças de taxas. Sem a apresentação de um detalhamento que identifique os lojistas beneficiários, acompanhado dos respectivos contratos, bem como de documentação que valide os valores lançados, tratase de um conjunto de informações desprovido de capacidade probatória. Assim, a Fiscalização glosou o valor referente a DESP FININTERV TERCEIROSSISTEMA “EN”. 5.8. Resta demonstrado que não foram atendidos os requisitos legais na dedução de R$8.479.470,36, efetuada pela contribuinte na Linha 30 da Ficha 05 da DIPJ, na conta COSIF 8.1.9.99.006 – OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS, conta interna 946434, a título de DESP FININTERV TERCEIROSSISTEMA “EN”, observandose inexistir qualquer adição correspondente nas Fichas 09 e 17 da DIPJ. Concluise que houve redução indevida de R$8.479.470,36 nas bases de cálculos de IRPJ e da CSLL do anocalendário de 2005, pelo que cadê a formalização dos correspondentes lançamentos tributários. VI. DESP AUTORIZ P/RESULTADOAGÊNCIAS 6. A contribuinte declarou na ficha 05“Despesas Operacionais”/Linha 30 “Outras Despesas Operacionais” da DIPJ referente ao anocalendário de 2005 o valor de R$ 199.020.297,61 intimada a detalhar as “Outras Despesas Operacionais”, apresentou a planilha de fls.89/90, detalhando a composição da conta COSIF 8.1.9.99.006 OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS, em que se pode observar, na conta interna 946488, o valor de R$2.657.265,19 a título de DESP AUTORIZ P/RESULTADOAGENÊNCIAS. 6.1. Intimada a detalhar as “Outras Adições” (Ficha 09/linha 20 da DIPJ), a empresa apresentou a planilha de fls.429/434. Nesta planilha, observase que para o item em pauta a empresa nada adicionou. 6.2. Nos Termos de Intimação de nos 33, 34, 35, 36, 37 e 38, a contribuinte foi intimada a: Esclarecer a natureza e apresentar documentação comprobatória dos valores deduzidos na Ficha 05 da DIPJ, no tocante às seguintes subcontas da conta 81999006, apresentando igualmente o fundamento legal de dedutibilidade: [...] 946488 DESP AUTORIZ P/RESULTADOAGÊNCIAS – R$ 2.657.265,19 6.3. Em resposta apresentada em 02/12/2010 (fls.699/701), após inúmeras intimações e reintimações, a contribuinte informou: Registrar as despesas decorrentes de baixa de valores a receber (comissões, tarifas, etc.) objeto de questionamentos por parte de clientes. As despesas são reconhecidas em contrapartida dos compromissos comerciais assumidos nos relacionamentos em clientes a título de estorno ou desconto. São consideradas usuais e necessárias para o desenvolvimento dos negócios e intrinsecamente vinculadas às atividades do Banco. 6.4. Quanto ao direito, são válidos os mesmos fundamentos jurídicos apresentados para as DESP FININTERV TERCEIROSSISTEMA “EN”. Fl. 15200DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001696/201029 Acórdão n.º 1301001.361 S1C3T1 Fl. 8 13 6.5. Relativamente às constatações que motivam o lançamento, apesar das inúmeras dadas à contribuinte, a mesma limitouse a apresentar informações desprovidas de capacidade comprobatória e não fundamentou juridicamente a dedutibilidade das despesas em questão. Como, além de não estarem comprovadas, inexistir fundamento legal para sua dedução, a Fiscalização glosou tais despesas. 6.6. Resta demonstrado que não foram atendidos os requisitos legais na dedução de R$ 2.657.265,19, efetuada pela contribuinte na Linha 30 da Ficha 05 da DIPJ, na conta COSIF 8.1.9.99.006 – OUTRAS DESPESAS OEPRACIONAIS, conta interna 946488, a título de DESP AUTORIZ P/RESULTADOAGÊNCIA, observandose inexistir qualquer adição correspondente nas Fichas 09 e 17 da DIPJ. Concluise que houve redução indevida de R$ 2.657.265,19 nas bases de cálculo do IRPJ e a CSLL do anocalendário de 2005, pelo que cabe a formalização dos correspondentes lançamentos tributários. vii. Outras Despesas Operacionais II 7. A contribuinte declarou na Ficha 05 “Despesas Operacionais”/Linha 30 “Outras Despesas Operacionais” da DIPJ referente ao anocalendário de 2005 o valor de R$ 199.020.297,61. Intimada a detalhar as “Outras Despesas Operacionais”, apresentou a planilha de fls.89/90, detalhando a composição da conta COSIF 8.1.9.99.006 – OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS, em que se pode observar, na conta interna 947482, o valor de R$ 2.192.761,95 a título de “OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS II”. 7.1. Intimada a detalhar as “Outras Adições” (Ficha 09/Linha 20 da DIPJ), a empresa apresentou a planilha de fls.429/434. Nesta planilha, observase que para o item em pauta a empresa nada adicionou. 7.2. Nos Termos de Intimação de nos 33, 34, 35, 36, 37 e 38, a contribuinte foi intimada a: Esclarecer a natureza e apresentar documentação comprobatória dos valores deduzidos na Ficha 05 da DIPJ, no tocante às seguintes subcontas da conta 81999006, apresentando igualmente o fundamento legal de dedutibilidade: [...] 947482 OUTRAS DESP OPERACIONAIS II – R$ 2.193.761,95 7.3. Em resposta apresentada em 02/12/2010, após inúmeras intimações e reintimações, a contribuinte informou: Registrar o valor de outras despesas operacionais e necessárias no Banco e que não haja COSIF específico para a contabilização. São despesas usuais e normais referentes às atividades do Banco. 7.4. O razão da conta foi apresentado pela contribuinte às fls.509/513, constando ajustes, atualizações, acertos, complementações, com referências documentais em código que nada acrescentam, e inexistindo qualquer elemento que possa comprovar se tratarem de “despesas usuais e normais”, como alegado pela empresa. Fl. 15201DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 14 7.5. Quanto ao direito, são válidos os mesmo fundamentos jurídicos apresentados para as DESP FININTERV TERCEIROSSISTEMA “EN”. 7.6. Relativamente às constatações que motivam o lançamento, apesar das inúmeras oportunidades dadas à contribuinte, a mesma limitouse a apresentar informações desprovidas de capacidade comprobatória e não fundamentou juridicamente a dedutibilidade das despesas em questão. Assim, a fiscalização glosou o valor referente a “OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS II”. 7.7. Resta demonstrado que não foram atendidos os requisitos legais na dedução de R$ 2.193.761,95, efetuada pela contribuinte na Linha 30 da Ficha 05 da DIPJ, na conta COSIF 8.1.9.99.006 – OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS, conta interna 947482, a título de OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS II, observandose inexistir qualquer adição correspondente nas Fichas 09 e 17 da DIPJ. Concluise que houve redução indevida de R$ 2.193.761,95 nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL do anocalendário de 2005, pelo que cabe a formalização dos correspondentes lançamentos tributários. VIII. DESP JUROS SOBRE PASSIVO ATUARIAL 8. A contribuinte declarou da Ficha 05“Despesas Operacionais/Linha 30 “Outras Despesas Operacionais” da DIPJ referente ao anocalendário de 2005 o valor de R$ 199.020.297,61. Intimada a detalhar as “Outras Despesas Operacionais”, apresentou a planilha de fls.89/90, detalhando a composição da conta COSIF 8.1.9.99.006 OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS, em que de pode observar, na conta interna 945879 o valor de R$ 26.439.000,00 a título de DESP JUROS SOBRE PASSIVO ATUARIAL. 8.1. Intimada a detalhar as “Outras Adições” (Ficha 09/linha 20 da DIPJ) , a empresa apresentou a planilha de fls.429/434. Nesta planilha, observase que para o item em pauta a empresa nada adicionou. 8.2. O razão da conta interna 945879 foi apresentada pela contribuinte às fls.499, constando como histórico a observação “atualizada passivo atuarial”, informação que nada acrescenta. 8.3. Nos Termos de Intimação de nos 33, 34, 35, 36, 37 e 38, a contribuinte foi intimada a: Esclarecer a natureza e apresentar documentação comprobatória dos valores deduzidos na Ficha 05 da DIPJ, no tocante às seguintes subcontas da conta 81999006, apresentando igualmente o fundamento legal de dedutibilidade: [...] 945879 DESP JUROS S/PASSIVO ATUARIAL R$ 26.439.000,00 8.4. Em resposta apresentada em 02/12/2010 (fls.699/701), após inúmeras intimações e reintimações, a contribuinte informou: Referemse aos encargos incidentes sobre a obrigação registrada pelo Banco Santander perante as caixas assistenciais dos exempregados das instituições que deram origem ao antigo Banco Meridional (Banco da Província do Rio Grande do Sul, Banco Industrial e Comercial do Sul S/A e Banco Nacional do Comércio). Referida obrigação foi originalmente assumida pelo Banco Meridional nos termos do respectivo Edital de Privatização. Referidos encargos correspondem a despesas intrinsecamente vinculadas às operações normais e usuais Fl. 15202DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001696/201029 Acórdão n.º 1301001.361 S1C3T1 Fl. 9 15 relacionadas aos compromissos assumidos com complementação de aposentadoria, de direito adquirido, dos exempregados do Banco. Os valores registrados foram reconhecidos com base em laudo de avaliação atuarial preparado por empresa independente (ver documento anexo, item 6.3 – fls.734/740). 8.5. Segundo o referido laudo (não assinado), tratase de Planos Informais de Aposentadoria mantidos pelo Banco Santander Meridional. O valor presente das obrigações atuariais dos planos DAB, CACIBAN e DCA é de R$ 173.524.000,00 em 31/12/2005, estando projetada para 31/12/2005 uma Folha Anual de Benefício de R$ 26.176.798,00. Na planilha anexa ao laudo, consta o valor presente das obrigações atuariais a descoberto – planos sem ativos financeiros (item 2.2: R$ 173.524.000,00) o valor de ganhos ou perdas não reconhecidos (item 2.6.a R$ 35.221.000,00) e o consequente “Passivo atuarial líquido total a ser provisionado” (item 2.7 R$138.303.000,00). 8.6. No laudo constatase que o valor em pauta (R$ 26.439.000,00) faz parte do total provisionado, sendo sua natureza jurídica a de provisão para planos de aposentadoria, motivo pelo qual são aplicáveis os mesmos fundamentos jurídicos apresentados para a Provisão para Contingências Trabalhistas. 8.7. Não se aplica ao caso a analogia com as provisões técnicas previstas no art.336 do RIR/99, por não se tratar de companhia de seguro e de capitalização ou de entidade de previdência privada. Ainda que se tratasse de despesa de contribuição pra a previdência (e não de provisão) não seria passível de dedução integral em face do percentual de 20% estabelecido no § 1º do artigo 361 do RIR/99. 8.8. O lançamento se impõe porquanto o valor deduzido a título de DESP JUROS SOBRE PASSIVO ATUARIAL tem natureza jurídica de provisão cuja dedução não está autorizada nos termos da legislação tributária. IX. Perda Atuarial não Reconhecida 9. A contribuinte declarou na Ficha 05“Despesas Operacionais”/Linha 30 “Outras Despesas Operacionais” da DIPJ referente ao anocalendário de 2005 o valor de R$ 199.020.297,61. Intimada a detalhar as “Outras Despesas Operacionais”, apresentou a planilha de fls.89/90, detalhando a composição da conta COSIF 8.1.9.99.006 OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS, em que se pode observar, na conta interna 946393, o valor de R$24.105.000,00 a título de “PERDA ATUARIAL NÃO RECONHECIDA”. 9.1. Intimada a detalhar as “Outras Adições” (Ficha 09/linha 20 da DIPJ), a empresa apresentou a planilha de fls.429/434. Nesta planilha, observase que para o item em pauta a empresa nada adicionou. 9.2. O razão da conta interna 946393 foi apresentado pela contribuinte às fls.504, constando como histórico as observações “perda atuariais não reconhecidas” e “ajuste passivo atuarial”, informações que nada acrescentam. 9.3. Nos Termos de Intimação de nos 33, 34, 35, 36, 37 e 38, a contribuinte foi intimada a: Fl. 15203DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 16 Esclarecer a natureza e apresentar documentação comprobatória dos valores deduzidos na Ficha 05 da DIPJ, no tocante às seguintes subcontas da conta 81999006, apresentando igualmente o fundamento legal da dedutibilidade: [...] 946393 PERDA ATUARIAL NÃO RECONHEDICO – R$ 24.105.000,00 9.4. Em resposta apresentada 02/12/2010, após inúmeras intimações e reintimações. A contribuinte informou: Referese a encargos apurados sobre a obrigação registrada pelo Banco Santander perante as caixas assistenciais dos exempregados das instituições que deram origem ao antigo Banco Meridional (Banco da Província do Rio Grande do Sul, Banco Industrial e Comercial do Sul S/A e Banco Nacional do Comércio). [...] referida despesa corresponde ao custo adicional apurados com base em parâmetros atuariais, segundo laudo de avaliação atuarial preparado por empresa especializada independente (ver documento anexo, item 6.3 – fls.734/740). 9.5. Para as despesas em pauta são válidos os mesmos fundamentos jurídicos apresentados para as DESP JUROS SOBRE PASSIVO ATUARIAL. Complementarmente, observase na planilha anexa aos laudos (fls.738/740), que o item “2.6.a – (Ganhos) ou perdas atuariais não reconhecidos” é parte integrante do total provisionado, logo sua natureza jurídica é a de provisão para planos de aposentadoria. 9.6. Tendo em vista que tal provisão não consta dentre aquelas cuja dedução tributária está prevista no RIR/99, resta demonstrando que não foram atendidos os requisitos legais na dedução de R$ 24.105.000,00, efetuada pela contribuinte na Linha 30 da Ficha 05 da DIPJ, conta COSIF 8.1.9.99.006 – OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS, conta interna 946393, a título de PERDA ATUARIAL NÃO RECONHECIDA, observandose inexistir qualquer adição correspondente nas Fichas 09 e 17 da DIPJ. Concluise que houve redução indevida de R$ 24.105.000,00 nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL do anocalendário de 2005, pelo que cabe a formalização dos correspondentes lançamentos tributários. X. Despesas de Comissão CP Convênio 10. A contribuinte declarou na Ficha 05“Despesas Operacionais”/Linha 30 “Outras Despesas Operacionais” da DIPJ referente ano anocalendário de 2005 o valor de R$ 199.020.297,61. Intimada a detalhar as “Outras Despesas Operacionais”, apresentou a planilha de fls.89/90, detalhando a composição da conta COSIF 8.1.9.99.006 OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS, em que se pode observar, na conta interna 946303, o valor de R$9.074.126,55 a título de “DESP C/ COMISSÕES CP CONVÊNIO”. 10.1. Intimada a detalhar as “Outras Adições” (Ficha 09/linha 20 da DIPJ) a empresa apresentou a planilha de fls.429/434. Nessa planilha, observase que para o item em pauta a empresa nada adicionou. 10.2. O razão da conta interna 946303 foi apresentado pela contribuinte às fls.502/503, constando referências no histórico (coluna “Observação”) a comissão e tributos sobre elas incidentes. Fl. 15204DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001696/201029 Acórdão n.º 1301001.361 S1C3T1 Fl. 10 17 10.3. Nos Termos de Intimação de n os 33, 34, 35, 36, 37 e 38, a contribuinte foi intimada a: Esclarecer a natureza e apresentar documentação comprobatória dos valores deduzidos na Ficha 05 da DIPJ, no tocante às seguintes subcontas da conta 81999006, apresentando igualmente o fundamento legal de dedutibilidade: [...] 946303 DESP C/ COMISSÕES CP CONVÊNIO – R$ 9.074.126,55 10.4. Em resposta apresentada em 02/12/2010 (fls.699/701), após inúmeras intimações e reintimações, a contribuinte informou: Registrar as despesas efetivamente incorridas pelo Banco no ano relativamente a comissões de intermediação na concessão de operações de crédito pessoal. Referidas despesas decorrem das condições acertadas entre as partes de forma livre e independente de acordo com parâmetros vigentes no mercado. São consideradas usuais e necessárias para o desenvolvimento dos negócios e intrinsecamente vinculadas às atividades normais do Banco. 10.5. Complementarmente, a contribuinte apresentou a documentação de fls.742/1538 com vista à comprovação das referidas despesas, cuja totalização mensal consta da tabela abaixo (cabe observar que a relação de valores de fls.742/747 apresenta inconsistências, seja no tocante à não inclusão de comissões para as quais existe documentação, seja quanto à inclusão em duplicidade, pelo que a tabela foi elaborada a partir dos documento fornecidos): Mês Valor (R$) Janeiro 600.315,85 Fevereiro 583.955,16 Março 460.430,22 Abril 0,00 Maio 373.277,91 Junho 0,00 Julho 0,00 Agosto 429.491,59 Setembro 0,00 Outubro 0,00 Novembro 0,00 Dezembro 710,22 Total 2.448.180,95 10.6. Apesar das inúmeras oportunidades dadas à contribuinte, foi apresentada documentação comprobatória para apenas R$ 2.448.180,95 a título de DESP C/ COMISSÕES CP CONVÊNIO. Para o valor restante, a empresa limitouse a apresentar informações desprovidas de capacidade probatória. Fl. 15205DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 18 10.7. Resta demonstrado que não foram atendidos os requisitos legais na dedução de R$9.074.126,55, efetuada pela contribuinte na Linha 30 da Ficha 05 da DIPJ, na conta COSIF 8.1.9.99.006 – OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS, conta interna 946303, a título de DESP C/ COMISSÕES CP CONVÊNIO, observandose inexistir qualquer adição correspondente nas Fichas 09 e 17 da DIPJ. Concluise que houve redução indevida de R$ 6.625.945,60 nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL do anocalendário de 2005, pelo que cabe a formalização dos correspondentes lançamentos tributários. XI. Dedução de COFINS e PIS 11. A contribuinte deduziu na Ficha 05/Linha 13 – PIS/Pascp da DIPJ o valor de R$ 4.037.882,12 e na Ficha 05/Linha 14 – Cofins o valor de R$ 24.848.505,35, totalizando a dedução de R$ 28.886.387,47. Em DCTF, a empresa declarou débitos apurados de R$ 3.714.275,56 para o PIS e R$ 23.161.788,36, valores inferiores aos deduzidos para fins de cálculo do IRPJ e da CSLL, com uma diferença de R$323.606,56 para o PIS e R$ 1.686.718,99 para a COFINS. 11.1. Nos “Demonstrativos de Adição” de fls.436 e 442, consta uma adição de R$909.035,98 a título de “Outras Adições – PIS/COFINS”. 11.2. Intimada a esclarecer a diferença, a contribuinte informou na resposta de fls.673/674 que: Apresentamos planilha, em meio magnético CD, com a demonstração da divergência dos declarados em DCTF com os valores contabilizados e declarados na ficha da DIPJ. Os valores das divergências do PIS e da COFINS são respectivamente: R$ 128.173,99 e R$788.763,03. Anexamos as planilhas de apuração original e recalculada, do PIS e da COFINS em meio magnético (CD). Essas divergências nas bases de apuração do PIS e COFINS do ano de 2005 são em decorrência de recálculos de derivativos (competência e caixa) e outros ajustes, conforme demonstrado em planilha anexa. 11.3. Conforme o exposto, as divergências entre os valores ao superiores àquelas informadas pela contribuinte em sua resposta. A somatória das divergências informadas nessa resposta é de R$ 916.937,02, valor próximo ao adicionado nas Fichas 09 e 17 pela empresa. 11.4. Nos Termos do art.344, do RIR/99, a contribuinte faz jus à dedução para cálculo do Lucro Real e da CSLL, dos valores dos tributos e contribuições efetivamente apurados e declarados, segundo o regime de competência, excetuandose eventuais valores suspensos. Os valores de PIS e COFINS devem ser apurados nos termos da legislação pertinentes e apropriados a cada apuração, para fim de dedutibilidade, obedecendose o regime de competência, independentemente da data do recolhimento. Não se deve confundir a apropriação dos valores apurados das referidas contribuições, que deve obedecer ao regime de competência, com o fato de a legislação que rege a apuração do PIS e da COFINS envolver ajustes de acordo com o regime de caixa. 11.5. Portanto, o valor de PIS e COFINS que poderia ser deduzidos é de apenas R$ 26.876.061,92, apurado e declarado em DCTF, tendo sido deduzida a quantia de R$ 28.886.387,47, do que resulta uma dedução a maior de R$ 2.010.325,55. Fl. 15206DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001696/201029 Acórdão n.º 1301001.361 S1C3T1 Fl. 11 19 11.6. Como ocorreu a adição a título de “PIS e COFINS ExtraContábil” nas Fichas 09 e 17, de apenas R$ 909.035,98, houve a redução indevida de R$ 1.101.289,57 nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL do anocalendário de 2005, pelo que cabe a formalização dos correspondentes lançamentos tributários. XII. Da CSLL 12. Em virtude do disposto no artigo 28 da Lei nº 9.430/96, também estão caracterizados, quanto à CSLL, os ilícitos fiscais descritos relativamente ao IRPJ (os enquadramentos legais referentes ao IRPJ e constantes dos autos de Infração anexos aplicamse igualmente à CSLL). 12.1. Observese, que antes da presente fiscalização, a base de cálculo da CSLL antes da compensação de base de cálculo negativa de períodos anteriores, no ano calendário de 2006, havia sido alterada para o valor positivo (R$ 341.741.672,62), em decorrência dos lançamentos formalizados nos processos nos 16643.000055/201074 e 16643.000144/201011. 12.2. Em decorrência das infrações relativas ao anocalendário de 2005, o saldo de base de cálculo negativa de períodos anteriores da CSLL foi alterado, conforme descrito a seguir: na DIPJ relativa ao anocalendário de 2005 consta, na Ficha 17/Linha 39 – Base de Cálculo da CSLL, o valor negativo de R$ 17.793.535,88, que, em decorrência das infrações relativas ao anocalendário de 2005, ficou positivo. Tal valor positivo foi então compensado com a base de cálculo negativa de CSLL de períodos anteriores, conforme o demonstrativo de apuração de fls.1726. 12.3. Nos autos de infração formalizadas nos processos nos 16643.000055/201074 e 16643.000144/201011, já havia compensações relativas a 2006 utilizando a base de cálculo negativa de períodos anteriores da CSLL, nos valores de R$ 17.604.384,63 e R$ 70.618.780,92, respectivamente. Com a compensação relativa a 2005, o saldo disponível em 2006 resulta inferior ao utilizado nos citados processos. A fim de que não haja duplicidade de compensação, é preciso considerar e redução de saldo de base de cálculo negativa de períodos anteriores da CSLL, com o lançamento a título de compensação indevida de base de cálculo negativa de CSLL, relativo a 2006. XIII. Das Estimativas de IRPJ e CSLL 13. As Infrações descritas influenciaram as bases de cálculos das estimativas do IRPJ e da CSLL nos anoscalendários de 2005 e 2006, pelo que existe a necessidade de sua recomposição, a partir dos valores declarados em DIPJ pela contribuinte. 13.1. Ao longo dos anoscalendários de 2005 e 2006, a contribuinte efetuou o cálculos do IRPJ mensal por estimativa conforme a Ficha 11 das DIPJ, bem como o cálculo da CSLL mensal por estimativa conforme a Ficha 16 das DIPJ, estando os valores pagos de IRPJ e de CSLL nas correspondentes colunas das planilhas de fls.1695 e 1715. Foram também considerados nessas colunas os valores de CSLL retidos na fonte constantes de Ficha 16. 13.2. Pelo exposto, houve o lançamentos da multa isolada de 50% prevista no art.44, II, “b”, da Lei nº 9.430/96 (redação dada pela Lei 11.488/2007), sobre o valor do pagamento mensal são efetuado, cujo cálculo é apresentado nas planilhas de fls.1695 e 1715. Fl. 15207DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 20 Em decorrência das constatações feitas pela fiscalização, em 14/12/2010 foram lavrados Autos de Infração de IRPJ (fls.1716/1725 e CSLL (fls.1726/1732 e 1739/1746), com os valores a seguir discriminados: Demonstrativo do IRPJ Demonstrativo da CSLL Demonstrativo da CSLL Compensação Indevida de Base de Cálculo e Multas Isoladas Demonstrativo da CSLL Compensação Indevida de Base de Cálculo e Multas Isoladas Crédito Tributário Enquadramento Legal Valor em R$ Imposto Arts.247, 248, 249, I, 251 e parágrafo único, 288, 299, 300 e 418, do RIR/99; art.24, da Lei nº 9.249/95; art.3º, §2º, IV, da Lei nº 9.718/98. 42.615.433,99 Juros de Mora (até 30/11/2010) Art.6º, §2º, da Lei nº 9.430/96 19.900.824,34 Multa de Ofício Art.44, I, da Lei nº 9.430/96 31.961.575,49 Multa exigida isoladamente Arts.222 e 843, do RIR/99, c/c art.44, §1º. IV, da Lei nº 9.430/96, alterado pelo art.14, da Lei nº 11.488/07, c/c art.106, II, “c”, da Lei nº 5.172/66. 22.453.457,86 TOTAL 116.931.291,68 Crédito Tributário Enquadramento Legal Valor em R$ Contribuição Art.2º e §§, da Lei nº 7.689/88; art.1º, da Lei nº 9.316/96 e art.28, da Lei nº 9.430/96; art.37, a Lei nº 10.637/02. 18.450.357,39 Juros de Mora (até 30/11/2010) Art.28 c/c art.6º, §2º, da Lei nº 9.430/96. 8.373.039,67 Multa de Ofício Art.44, I, da Lei nº 9.430/96. 13.837.768,04 TOTAL 40.661.165,10 Fl. 15208DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001696/201029 Acórdão n.º 1301001.361 S1C3T1 Fl. 12 21 Crédito Tributário Enquadramento Legal Valor em R$ Contribuição Art.2º e §§, da Lei nº 7.689/88; art.58, da Lei nº 8.981/95 e art.16, da Lei nº 9.065/95; aet.1º, da Lei nº 9.316/96; art.37, da Lei nº 10.637/02. 4.531.418,32 Juros de Mora (até 30/11/2010) Art.28 c/c art.6º, §2º, da Lei nº 9.430/96. 1.809.395,33 Multa de Ofício Art.44, I, da Lei nº 9.430/96. 3.398.563,74 Multa exigida isoladamente Arts.222 e 843, do RIR/99, c/c art.44, §1º. IV, da Lei nº 9.430/96, alterado pelo art.14, da Lei nº 11.488/07, c/c art.106, II, “c”, da Lei nº 5.172/66. 8.850.895,62 TOTAL 18.590.273,01 Da Impugnação A autuada apresentou a impugnação de fls.1754/1895, protocolizada em 17/01/2011 e acompanhada dos documentos de fls.1896/12827, expondo, em síntese, que: 1. Da Conta “ESCROW” 1.1. Os valores recebidos a título de “Recebimento Escrow”, na conta COSIF 1.8.8.85.004 e conta interna 305031, não representam qualquer acréscimo patrimonial, mas reembolso de valores pagos pela impugnante por conta e ordem do artigo controlador do Banco Meridional S/A (Bozano, Simonsen Financial Holdings Ltd), em razão do contrato de compra e venda celebrado com o Banco Santander Central Hispano S/A, que não se confunde com renda ou lucro. 1.2. Em 18/01/00 um contrato de compra e venda foi celebrado entre a Bozano, Simonsen Financial Holdings Ltd, sediada em Grand Cayman (Vendedor) e o Banco Santander Central Hispano S/A, sediado na Espanha (Comprador). O preâmbulo do referido contrato informava que o Vendedor detinha 9.965.459.479 ações ordinárias e 5.197.185.590 ações preferenciais, que representavam 96,91% do capital acionário do Banco Meridional S/A, sediado em Porto Alegre (“Holding”). A referida Holding era controladora do Banco Meridional S/A, o qual controlava o Banco Bozano Simonsen S/A. 1.3. Por força do referido contrato, as ações do Banco Meridional S/A, de titularidade do Vendedor, foram transferidas ao Comprador (item 1.1 do mencionado instrumento) pelo valor de R$ 1.520.000.000,00 (item 1.3 do contrato, alterado pela cláusula 2 do Termo Aditivo firmado em 05/05/00). 1.4. Para a realização do negócio, foi aberta, nos termos do item 1.4 do Termo Aditivo ao Contrato, uma conta intitulada “Conta de Caução de Preço e Ações”, regida por um contrato específico, por meio do qual o Comprador obrigouse a depositar o “Preço” (R$1.520.000.000,00) convertido em dólares americanos à taxa de câmbio especificada no contrato, e o Vendedor, por sua vez, as “Ações” (9.965.459.479 ações ordinárias e Fl. 15209DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 22 5.197.185.590 ações preferenciais do Banco Meridional S/A), isentas de qualquer tipo de limitação ou restrições, gravames, cauções, usufrutos, opções ou quaisquer outros encargos. 1.5. Nos termos da cláusula 5.1 do contrato em comento, posteriormente alterada pela cláusula 7 do Termo Aditivo, o Vendedor obrigouse a indenizar incondicionalmente o Comprador por qualquer Obrigação Contingente (item iii da cláusula 5.1). Por meio desta cláusula, o Vendedor obrigouse a indenizar o Comprador por toda e qualquer obrigação real ou em potencial do Grupo não prevista ou integralmente prevista nas Demonstrações Financeiras Pro Forma Auditadas. 1.6. Para garantir o cumprimento das obrigações assumidas pelo Devedor foi aberta, no Banco Santander Brasil International Ltd, sediada em Bahamas, uma conta denominada “Conta de Caução”, prevista na cláusula 5.2 do Termo ;aditivo ao Contrato de Compra e Venda celebrado entre as partes. (“Escrow Account”). Segundo o item I da cláusula 5.2, e referida conta “garantirá os Processos”, ou seja, “garantirá todos os prejuízos e contingências”. O vendedor tinha o dever de efetuar, nessa conta, os depósitos necessários para cumprimento das obrigações assumidas no item 5.1 do contrato. 1.7. O “Agente de Caução” (Banco Santander Brasil International Limited) era, nos termos da cláusula 8.01 do Contrato de caução (anexo 3 do Aditivo), responsável pela retiradas de recursos da Conta de Caução e posterior transferência para a Conta do Comprador quando ocorressem as situações previstas neste contrato. 1.8. Nos termos do contrato celebrado em 18/01/00, bem como do aditivo celebrado em 05/05/00 e do Contrato de Caução, o Vendedor (Bozano Simonsen Financial Holdings Ltd.) está obrigado a indenizar incondicionalmente o Comprador (Banco Santander Central Hispano S/A, ou qualquer pessoa do grupo que pagasse as despesas em questão) por qualquer obrigação contingente, por meio da transferência dos valores depositados na Conta de Caução (Escrow Account) ao Comprador. 1.9. No caso dos autos, o Comprador (Banco Santander Central Hispano S/A), por meio da ora impugnante, efetuou o pagamento de despesas relativas aos processos fiscais, trabalhistas e cíveis instaurados em face do Grupo Meridional, e foi posteriormente ressarcido pela transferência do dinheiro que estava depositado na Conta de Caução. 1.10. Acerca do conceito de reembolso, este visa à recomposição do patrimônio em razão da devolução da quantia despedida a favor ou por conta e ordem de terceiros. Os efeitos do pagamento são, para o devedor, a exoneração da dívida contraída com o credor; para este, a satisfação do crédito; e, para o terceiro, o direito a ser reembolsado pelo devedor da dívida originária (o terceiro se subtoga nos direitos do credor). No caso em exame, o terceiro, ou seja, a impugnante, possuía interesse em pagar as dívidas cíveis, trabalhistas e fiscais lançadas em face do Grupo Meridional (devedor originário), em razão do contrato de compra e venda celebrado entre o Bozano, Simonsen Financial Holdings Ltd e o Banco Santander Central Hispano S/A. 1.11. Reembolso também pose assumir o sentido de indenização. Há, no presente caso, dois fundamentos para a indenização: o fático (redução do patrimônio da impugnante em razão dos pagamentos das dívidas relacionadas aos processos cíveis, trabalhistas e fiscais instaurados em face do Banco Meridional S/A) e o normativo (controla de compra e venda celebrado em 18/11/00, por meio do qual o Bozano Simonsen Financial Holdings Ltd. se obrigou a indenizar incondicionalmente o Banco Santander Central Hispano S/A. por qualquer obrigação contingente – quaisquer obrigações tributárias e fiscais). o reembolso recebido pela impugnante decorre do cumprimento das termos contratuais e da Fl. 15210DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001696/201029 Acórdão n.º 1301001.361 S1C3T1 Fl. 13 23 responsabilidade assumida pelo Vendedor de indenizar incondicionalmente o Comprador (e demais empresas do grupo Santander) pelas contingências; tendo a impugnante despedido a quantia financeira para o pagamento de dívidas decorrentes de processos cíveis, trabalhistas e fiscais instauradas em face do Grupo Meridional, necessariamente precisa ser ressarcido desse valor, a fim de que o seu patrimônio seja recomposto. 1.12. Os valores recebidos a título de reembolso ou mesmo indenização também não se amoldam ao conceito de renda, como definido no artigo 153, III, da CF, e 43 do CNT, porquanto tais valores não representam uma riqueza nova, mas tão comente mera recomposição do patrimônio. 1.13. Por se tratar de mera composição de patrimônio da impugnante, não houve nenhum acréscimo patrimonial no período, não havendo, portanto, possibilidade de incidência do IRPJ sobre a quantia reembolso/indenizada. Salientese, ainda, que para a CSLL aplicamse os mesmos argumentos expostos anteriormente, uma vez que a impugnante não auferiu “lucro” com o reembolso do valor, mas apenas uma recomposição no seu ativo. Como o valor recebido pela impugnante decorre de reembolso ao pagamento anteriormente efetuado, não havia necessidade de a quantia recebida transitar por contas de resultado, como entendeu, de forma equivocada, a Fiscalização no presente caso, mas tão comente por contas de ativo, como fez corretamente a impugnante, devendo ser, também por esse motivo, cancelados os autos de infração. 11.14. A contabilização realizada pela impugnante neutraliza os efeitos tributários, porquanto os lançamentos contábeis realizados (1 pelo pagamentos das contingências a serem ressarcidas pelo excontrolador e 2 pela baixa dos valores a ressarcir – fls.1773/1776, deramse em contas de ativo, tendo havido comenta a recomposição do patrimônio da impugnante, não houve necessidade do valor recebido transitar por conta de resultado e, por conseguinte, não existiu base de cálculo (critério quantitativo) necessária para a incidência do IRPJ e da CSLL no presente caso, posto que não ocorreu acréscimo patrimonial ou lucro (critério material do IRPJ e da CSLL). 1.15. Quanto ao exemplo utilizado pela Fiscalização, a impugnante não reconheceria, para fins tributários, a despesa de 150, mas apenas e tão somente a despesa de 100, que foi considerada como dedutível. A diferença de 50, que foi reembolsada à impugnante, não foi deduzida como despesa e tampouco reconhecida como “receita”, não havendo, portanto, qualquer incremento patrimonial no exemplo dado. Se o valor recebido pela impugnante (50) fosse considerado como uma receita, o pagamento das dívidas decorrentes dos processos cíveis, trabalhistas e fiscais instaurados em face do Grupo Meridional também deveria ser considerado como uma despesa, assim, a receita auferida seria neutralizada por essa despesa para a determinação do resultado. 2. Da Provisão para Contingências Trabalhistas e das Despesas de Outras Provisões (Termos de Verificação – fls.1663/1674) 2.1. As despesas relativas a contingências trabalhistas e outras provisões representam montantes efetivamente despendidos pela impugnante, motivo pelo qual, tratando se de despesas operacionais, foram deduzidas para fins de apuração dos tributos em questão, nos termos do art.299, do RIR/99. Fl. 15211DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 24 2.2. Devem ser registrados na contabilidade, sob a rubrica “provisão”, os valores relativos a obrigação que, embora sejam condicionais e inexigíveis, têm ocorrência provável. 2.3. Diante da provável necessidade de dispêndio com contingências decorrentes de discussões judiciais, bem como com contingências administrativas, a impugnante registrou em sua contabilidade provisões para contingências trabalhistas e para outras pessoas. 2.4.Não houve qualquer exclusão indevida, já que: (i) os valores deduzidos como contingências trabalhistas correspondem às sucumbências definitivas nos referidos processos judiciais, que foram pagas aos reclamantes/autores; (ii) do montante total de R$4.898.589,93, deduzido a título de outras provisões, R$3.407.522,78 foi adicionado à base de cálculo do IRPJ e da CSLL (Ficha 09B, linha 20 da DIPJ/2006) e o restante adotado pela contribuinte encontrase correto porque, a partir do momento em que ocorro o efetivo dispêndio, o valor provisionado deve ser reconhecido como despesa. 2.5. Diante da prolação de decisões definitivas nas lides judiciais em questão, com o respectivo pagamento das indenizações trabalhistas, conforme cópias dos processos e guias de reconhecimentos de fls.3099/3744, a impugnante deduziu tais despesas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Às fls.1781/1791 é apresentada planilha que discrimina todos os beneficiários dos referidos pagamentos nos meses de janeiro e dezembro de 2005, bem como os respectivos valores pagos. 2.6. A soma dos valores constantes da planilha (R$1.862.731,11 – fls.1791) corresponde ao total de despesas incorridas e deduzidas no ano, conforme os comprovantes anexos. Nos casos em que foi necessária a realização de depósitos judiciais dos montantes discutidos, a impugnante deduziu tais despesas, já que os valores depositados, assim como os pagamentos realizados, representam dispêndio efetivo, sendo, portanto, dedutíveis. 2.7. Uma vez que os valores foram retirados do “Caixa” e disponibilizados em contas correntes do Tesouro Nacional, vinculadas às discussões trabalhistas, tais depósitos representam despesas efetivas. 2.8. Caso sejam proferidas decisões finais favoráveis à impugnante, os valores depositados serão levantados e reconhecidos como receitas tributáveis. 2.9. Da mesma forma, com relação às despesas com outras provisões, o montante de R$1.491.067,15 se refere a valores efetivamente despendidos pela impugnante no exercício do seu objeto social, portanto dedutíveis nos termos do art.299, do RIR/99, conforme valores lançados na conta interna nº 946124 – despesas de outras provisões. 2.10. A diferença de R$3.407.522,78, que teria sido deduzida a título de “outras provisões”, foi adicionada à base de cálculo do IRPJ e da CSLL, ao contrário do que afirmou o Fisco. 2.10.1. Como se pode observar pelas planilhas e registros contábeis de fls.2244/2247, a impugnante adicionou, na linha 20 da ficha 09B da DIPJ/2006, o montante de R$92.638.394,22, no qual está incluindo o valor de R$3.125.881,61, relativo à conta 946124 – “Despesas de Outras Provisões”. 2.10.2. Pela composição das linhas 20 e 22 da ficha 09B (fls.2246), verifica se que na primeira há uma adição de R$3.125.881,61 e na segunda uma exclusão de R$80.931,72, resultando num valor adicionado de R$3.044.949,89. Fl. 15212DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001696/201029 Acórdão n.º 1301001.361 S1C3T1 Fl. 14 25 2.11. Também foi adicionado, por meio do controle no LALUR (fls.2245), o montante de R$362.572,89, conforme a planilha de fls.1792/1793. 2.12. Diante disso, a impugnante (i) requer seja determinada a realização de diligência, o que resultará na confirmação de que a totalidade dos montantes deduzidos representam efetivas despesas decorrentes de ações trabalhistas e outras contingências administrativas, usuais, normais e necessárias à prática da atividade bancária; e (ii) protesta pela posterior juntada de novas documentos que eventualmente consiga obter, relativamente aos processos judiciais em questão. 3. Despesas com Remuneração de Interveniência de Terceiros –sistema “EN” 3.1. Tais despesas referemse à equalização de taxas paga ao cliente em contrato de CDCI – Contrato de Abertura de Crédito para Financiamento a Consumidor Final – nos casos em que a taxa ajustada entre a impugnante e o cliente é menor que a taxa ajustada entre o cliente e seus compradores (consumidor final). 3.2. Pela leitura das cláusulas do modelo do contrato denominado “CDCI Contrato de Abertura de Crédito para Financiamento a Consumidor Final, com Interveniência”, o Banco abre ao interveniente (cliente) uma linha de crédito rotativa, destinada a financias suas vendas a prazo a terceiros. Além disso, segundo a cláusula 4, os créditos concedidos estariam sujeitos a uma equalização das taxas de juros praticadas pelo Banco e pelo Interveniente (cliente) na posição de vendedor. 3.3. Em resumo, o lojista que desejasse vender à prazo, adquirido este produto, tinha a possibilidade de receber à vista a venda realizada à prazo. E, ainda, contava com uma equalização da taxa de juros, de forma que “(..) caso a taxa de juros que estiver sendo praticada pelo Banco na data da contratação de cada operação seja inferior à taxa ajustada entre a Vendedora e a(s) Financiada(s), o Banco comprometese a reembolsar à Vendedora a diferença resultante entre as taxas”. 3.4. Para comprovar o alegado, a impugnante anexa às fls.2391/3097 cópia dos contratos CDCI que geraram as despesas com equalização de taxas incorridas pela impugnante no anocalendário de 2005, as quais estão refletidas nas cópias do livro Razão apresentadas à Fiscalização (fls.505/506). Na planilha de fls.1794/1796 são relacionados os contratos anexos. 3.5. Tratase de uma operação estritamente ao objeto social da impugnante na qualidade de instituição financeira: um produto destinado a atrais e estimular sua carteira de clientes. 3.6. Tais despesas foram de fato incorridas e o CDCI é um produto divulgado e comercializado pela impugnante, conforme comprovam os registros contábeis e os contratos anexos, o que as enquadra como dedutíveis, nos termos do art.299, do RIR/99. 4. Despesas Autorizada para Resultado de Agência 4.1. A Fiscalização desconsiderou a documentação contábil apresentada e as explicações prestadas pela impugnante em resposta às intimações fiscais, comprobatórias da natureza e efetividade das despesas em análise. Fl. 15213DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 26 4.2. Conforme a resposta à Fiscalização de fls.699/701, foram anexadas cópias do Livro Razão demonstrando os lançamentos contábeis referentes à conta interna 946488 (fls.507/508), em que estão registradas as despesas em análise. 4.3. A impugnante esclareceu ainda à Fiscalização que a referida conta destinase a registrar as despesas decorrentes de baixa de valores a receber, tais como comissões e tarifas, objeto de questionamento por parte dos clientes. 4.4. Frisese que tais são todos realizados pelo sistema eletrônico da impugnante, nas contas correntes de cada beneficiário, de modo que não existe outra prova possível de tais dispêndios além dos próprios registros contábeis da impugnante, já que seria totalmente inviável a obtenção dos extratos bancários de todos os clientes que receberam tais descontos. 4.5. Conforme o Manual de Rotinas Administrativas da impugnante, fls.2249/2252, tratase de tarifas ou juros que representam receitas já tributadas num momento anterior, motivo pelo qual, com a devolução desses valores aos clientes, não há como se negar que sejam despesas dedutíveis. 4.6. Em que pese o argumentado pela Fiscalização, é certo que não houve qualquer demonstração acerca da indedutibilidade de tais valores, em vista dos requisitos trazidos pelo artigo 299 do RIR, mas apenas e tão somente a presunção desses fatos, desprezando o que está comprovado nas demonstrações contábeis apresentadas, o que não pode legitimar os lançamentos de ofício ora combatidos. 5. Das Outras Despesas Operacionais II 5.1. Os gastos que compõem a conta “Outras Despesas Operacionais” representam despesas de natureza operacional para a impugnante, que são dedutíveis para fins de apuração do lucro e da base de cálculo da CSLL. 5.2. As despesas serão operacionais (dedutíveis) quando forem justificáveis do ponto de vista gerencial. Esse é o caso dos montantes despedidos com pagamento das despesas administrativas detalhadas na conta “outras despesas operacionais”, que são essenciais aos negócios da impugnante. 5.3. A Fiscalização não verificou se tais despesas estavam relacionadas com a manutenção da fonte da impugnante e nem questionou a natureza específica de cada despesa sob o ponto de vista de sua gerência negocial, o que revelaria a necessidade, normalidade e usualidade de cada uma, sendo esse fato suficiente para o cancelamento das autuações. 5.4. Tendo sido comprovado pela impugnante que, no anocalendário de 2005, teve com o pagamento de despesas administrativas, bem como que essas despesas são usuais, normais e necessárias à sua atividade, a glosa não poderá prevalecer. 6. Das Despesas de Juros sobre o Passivo Atuarial e da Perda Atuarial não Reconhecida 6.1. Tais despesas são operacionais, necessárias e obrigatórias, pois constituem complementação da aposentadoria dos exempregados do Banco da Província do Rio Grande do Sul, Banco Industrial e Comercial do Sul S/A e Banco Nacional do Comércio, e foram assumidas pela impugnante em virtude da aquisição do Banco Meridional do Brasil S/A. Fl. 15214DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001696/201029 Acórdão n.º 1301001.361 S1C3T1 Fl. 15 27 6.2. Não obstante tais esclarecimentos, a Fiscalização supôs que o valor deduzido pela impugnante, a título de despesas de juros sobre passivo atuarial e perda atuarial não reconhecida, teria a natureza jurídica e provisão, que faria parte do passivo atuarial líquido total a ser provisionado. 6.3. Não merece prosperar a presunção firmada pela Fiscalização no sentido de que tais despesas seriam, na verdade, provisão, eis que a impugnante estava obrigada a reconhecêlas por determinação do próprio Edital de Licitação do Banco Meridional Brasil S/A, que impôs ao licitante vencedor, no caso, a impugnante, o dever de pagar a complementação da aposentadoria dos exempregados das instituições financeiras sucedidas. 6.4. No âmbito do Programa Nacional de Desestatização – PND, a impugnante participou, no anocalendário de 1997, do procedimento licitatório para a aquisição do Banco Meridional do Brasil S/S (“Meridional”), sagrandose vendedora. 6.5. O Meridional surgiu a partir da fusão, datada de 1985, das instituições financeiras: (i) Banco Sul Brasileiro S/A; (ii) Banco de Investimento Sul Brasileiro S/A; (iii) Sul Brasileiro Crédito, Financiamento e Investimento S/A; (iv) Sul Brasileiro S/A Corretora de Valores Mobiliários e de Câmbio e (v) Sul Brasileiro S/A Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, de acordo com a Lei nº 7.315/85. 6.6. O Banco Sul Brasileiro S/A, por sua vez, foi constituído a partir da fusão de três instituições financeiras, quais sejam: (i) Bancos da Província do Rio Grande do Sul S/A (“Província”); (ii) Banco Industrial e Comercial do Sul S/A (“Sulbanco”) e (iii) Banco Nacional do Comércio (“Banmércio”). 6.7. Os mencionados bancos fusionados (Província, Sulbanco e Banmércio) mantinham Caixas Assistenciais, que garantiam, aos seus funcionários, complementos em suas aposentadorias, para assegurar, dessa forma, o mesmo, salário a que tinham direito enquanto exerciam as suas atividades profissionais. 6.8. Em virtude da fusão das três instituições financeiras acima mencionadas em 1972, o Banco Sul Brasileiro sucedeu todos os direitos e obrigações das sociedades sucedidas, nos termos do que dispõe no artigo 228 da Lei nº 6.404/76 como, por exemplo, o direito de manter as referidas Caixas de Assistência. 6.9. A obrigação de a impugnante assegurar o pagamento dos benefícios concedidos aos exempregados dos bancos sucedidos estava, inclusive, prevista no próprio edital de venda do Banco Meridional do Brasil S.A, elaborado pelo Banco Central do Brasil. 6.10. A obrigatoriedade do pagamento da complementação da aposentadoria aos exfuncionários dos bancos sucedidos pela impugnante (Província, Sulbanco e Banmércio), que se sagrou vencedor do certame realizado, decorre não apenas da disposição contida no artigo 228 da lei nº 6.404/76, como também das disposições contidas no edital de licitação, o qual faz lei entre as partes (vencedor do certame e Poder Público). 6.11. O complemento da aposentadoria dos exempregados dos bancos sucedidos pela Impugnante, assim como os juros dele decorrentes (objeto da glosa realizada pela Fiscalização), constituem uma obrigação legal, que deve ser reconhecida, pelo regime de competência, no seu passivo (crédito), tendo como contrapartida uma despesa (débito). Fl. 15215DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 28 6.12. Por se tratar de uma obrigação legal, não prospera o entendimento da Fiscalização no sentido de que as despesas de juros sobre o passivo atuarial teriam a natureza de “provisão” não dedutíveis das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL.. 6.13. A limitação para a dedutibilidade prevista no §1º do artigo 361 do RIR/99 somente é aplicável quando as contribuições, destinadas a custear planos de benefícios complementares aos da previdência social, não são compulsórias, o que não é o caso das contribuições em questão. 6.14. Por se tratar de um dever imposto à impugnante, que assumiu, perante o ente licitante, o dever de complementar a aposentadoria dos exfuncionários dos bancos sucedidos, se trata de despesa necessária, além de usual e normal às atividades bancárias desenvolvidas, nos termos do artigo 299 do RIR/99. 6.15. Ademais, tais despesas têm natureza de provisões técnicas das entidades assistenciais Associação dos Funcionários do Banco da Província do Rio Grande do Sul S/A, Caixa de Auxilio dos Funcionários do Banco Nacional do Comércio S/A e Instituto Assistencial Sulbanco, em nome das quais a impugnante realiza pagamentos de complemento de aposentadoria, sendo que as provisões técnicas de tais entidades são dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por previsão do artigo 336 do RIR/99. 7. Das Despesas de Comissão CP Convênio 7.1. Conforme documentos comprobatórios e esclarecimentos prestados durante o procedimento de fiscalização, tais despesas são relativas a comissões pagas pela intermediação de terceiros nas operações de concessão de crédito pessoal. 7.2. Como prática usual no mercado, os bancos pegam comissões a terceiros que divulgam e vendem o produto “crédito pessoal”, sendo que as condições de pagamento das referidas comissões foram acertadas entre as partes de forma livre e independente, de acordo com os parâmetros vigentes no mercado. 7.3. Portanto tratase de despesa normal, usual e necessária à consecução do objeto social da impugnante, dedutível para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, nos termos do artigo 299 do RIR/99. 7.4. Os contratos e documentos de fls.3746/12827, listados na planilha de fls.1812/1860, fazem prova da natureza e da efetividade das despesas em questão. 8. Das Despesas de PIS e COFINS 8.1. A diferença entre o valor declarado em DCTF e o deduzido da DIPJ decorre de fato de que na DCTF foram indicados apenas ao valores a pagar de PIS e COFINS enquanto o valor total deduzido como despesa, constante da DIPJ e da DACON (fls.2328/2355), representa o montante efetivamente devido no anocalendário de 2005. 8.2. As despesas efetivas, que são dedutíveis, são as contribuições devidas no período, sendo que parte foi paga pela impugnante (valor declarado em DCTF) e o restante foi retido na fonte (comprovantes de fls.2286/2327). 8.3. Assim, não apenas o montante a pagar declarado em DCTF, de R$ 26.876.061,92, mas sim o total das contribuições devidas em 2005, declarado em DACON, representa o valor das despesas incorridas pela impugnantes com PIS e COFINS. Fl. 15216DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001696/201029 Acórdão n.º 1301001.361 S1C3T1 Fl. 16 29 8.4. Diante dos exposto, a diferença apontada pela Fiscalização corresponde às contribuições retidas na fonte que, somadas aos valores pagos (DCTF), resulta no total dedutível da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. 9. Da Multa Isolada 9.1. Em relação à multa isolada calculada sobre as estimativas mensais de IRPJ e de CSLL devidas em junho, julho, agosto, setembro e novembro do anocalendário de 2005, houve a decadência do direito de o Fisco proceder ao lançamento, conforme o §4º do artigo 150 do CTN. 9.2. Além disso, a cobrança da multa isolada não pode prevalecer após o enceramento do período base objeto de lançamento de oficio, porque, após a edição da Lei nº 8.383/91, o IRPJ e a CSLL passaram a ser apurados em sistema de base correntes, ou seja, na medida em que os fatos econômicos integrantes do fato gerador ocorrem, com pagamento mensal do IRJP e da CSLL. 9.2.1. É indevida a imposição de multas isoladas pelo não pagamento das estimativas, pois, como já estavam encerrados os anoscalendário de 2005 e 2006 quando da lavratura dos autos de infração, não poderia a Fiscalização apurar o IRPJ e a CSLL devidos por estimativa e, consequentemente, aplicar a multa isolada pelo não recolhimento desses valores. 9.3. Ademais, não pode ocorrer a cobrança cumulativa da multa isolada com a multa de ofício, uma vez que o antigo Conselho de Contribuintes já se posicionou reiteradas vezes nesse sentido. 10. Da Ausência de Compensação com Crédito de CSLL 10.1. Como se pode observar pela análise dos cálculos de CSLL a pagar elaborados nos autos de infração, a Fiscalização não considerou os créditos detidos pela impugnante, apurados conforme o art.8º, da Medida Provisória nº 2.158/2001, e deixou de compensálos com 30% dos débitos apurados. Os documentos de fls.2357/2388 comprovam que a impugnante apurou e escriturou créditos de CSLL. 10.2. Diante do erro de cálculo da Fiscalização na apuração da CSLL a pagar, os lançamentos carecem de liquidez e certeza, já que não mensuram corretamente as diferenças de CSLL a recolher. 11. Da Exigência da CSLL relativa ao anocalendário de 2006 11.1. Considerando que a existência de base negativa da CSLL a ser compensada depende do julgamento dos autos de infração objeto dos processos administrativos nos 16643.000055/201074 e 16643.000144/201011, o julgamento do presente caso deve ser sobrestado, no que diz respeito a este ponto, até que seja proferida decisão definitiva nos autos dos mencionados processos, conforme o art.265, IV, do CPC. 12. A Contabilidade faz prova em favor da impugnante 12.1. Nos termos do artigo 276 do RIR/99, a escrituração mantida com observância das disposições legais, como é o caso dos autos, faz prova em favor do Fl. 15217DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 30 contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. 12.2. No mesmo sentido, nos termos do artigo 122 do então vigente Código Comercial, bem como dos artigos 379 a 382 do CPC, os livros comerciais devidamente escritos provam em favor de seus autores. 12.3. Tendo em vista que (i) a contabilidade faz prova em favor da contribuinte e (ii) não houve a comprovação da inveracidade dos registros contábeis da impugnante pela Fiscalização, não poderão ser aceitas as presunções da Fiscalização, devendo ser canceladas integralmente as autuações fiscais. 13. Do Ônus da Prova no Direito Tributário 13.1. No processo administrativo tributário, o ônus da prova cabe ao Fisco, assim, eventual ato administrativo tendente a desconsiderar as informações contabilizadas e declaradas pela contribuinte, caso não esteja calçado por uma prova, mas apenas baseado em mera suposição, carecerá de motivo e será nulo de pleno direito. 13.2. O Fisco é obrigado a comprovar as razões da prática de seu ato administrativo de lançamento tributário (o motivo) e não apenas fazer conclusões acerca de supostos eventos ocorridos (como ocorreu no presente caso). O dever de provar é sempre do Fisco, em qualquer que seja a hipótese, pelo que não se pode admitir o procedimento da Fiscalização, no presente caso, ao realizar os lançamentos fiscais sem que tivesse sido provado que as despesas não são dedutíveis e que as exclusões são indevidas. 14. Da Indevida Presunção Firmada pela Fiscalização 14.1. Em função dos princípios constitucionais da estrita legalidade e da segurança jurídica, não poderia a Fiscalização utilizar recursos presuntivos e meros indícios para concluir que teria ocorrido dedução de despesas e exclusões indevidas por parte da impugnante. 14.2. Enquanto o Fisco não comprovar que os indícios por ele apresentados implicam necessariamente em ocorrência do “fato gerador”, estarseá diante da simples presunção, não de prova, como no presente caso. 14.3. Devemse considerar situações distintas: uma concluída e autônoma, capaz de gerar tributação – ocorrência do fato jurídico tributário (fato gerador). Outra presuntiva e dependente, que somente autoriza a tributação depois de examinada e provada a ocorrência de fatos que se submetam à hipótese prevista na legislação vigente. 14.4. Na hipótese da presunção não corresponder à verdade – como ocorreu no presente caso – a contribuinte estará a mercê de ato arbitrário por parte do Poder Público, e que resultará em penalidade por falta que, de fato, não foi cometida. 14.5. Para que seja lavrado algum auto de infração em face da contribuinte, deve a fiscalização comprovar, por meios seguros e irrefutáveis, e não presuntivos, a ocorrência da infração apontada. 15. Da Ilegalidade da Cobrança de Juros a Multa Fl. 15218DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001696/201029 Acórdão n.º 1301001.361 S1C3T1 Fl. 17 31 15.1. É incabível a cobrança de juros sobre a multa de ofício, pois a legislação estabelece a cobrança de tais acréscimos apenas sobre tributos e não há base legal para se exigir juros de mora sobre a multa de ofício.” Após elaborar o detalhado relatório acima reproduzido a 10ª Turma da DRJ em São Paulo/SP, nos termos do acórdão e voto de folhas 12.956 a 13.074, julgou o lançamento totalmente procedente, sendo oportuna a transcrição da ementa do aresto impugnado: (...) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2005, 2006. PROVISÕES. ADIÇÕES. LUCRO REAL. Devem ser adicionadas ao lucro líquido, para fins de apuração do lucro real, as provisões que não possuem autorização na legislação tributária para serem deduzidas da base de cálculo do imposto de renda. PROVISÕES NÃO AUTORIZADAS. COMPLEMENTAÇÃO DE PROVENTOS DE APOSENTADORIA. Não são dedutíveis para fins de apuração do lucro real, por ausência de previsão expressa, os valores provisionados para fazer frente a desembolsos futuros com plano de complementações de aposentadoria e pensões, suportados pela pessoa jurídica, a favor de seus empregados. DESPESAS OPERACIONAIS. PRESSUPOSTOS DE DEDUTIBILIDADE NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A dedutibilidade das despesas operacionais, pressupõe, além do preenchimento dos requisitos de dedutibilidade previstos na legislação (necessidade, usualidade ou normalidade), a comprovação de que tais despesas foram efetivamente incorridas, mediante a apresentação de documentação que tenha dado suporte ao registro na contabilidade do contribuinte. OMISSÃO DE RECEITAS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. INGRESSO DE RECURSOS. O recebimento de recursos externos para fins de recomposição de valores utilizados para pagamento de despesas/obrigações relativas a lides em que a própria contribuinte figura como parte, representa acréscimo patrimonial sujeito à incidência do imposto de renda, nos termos do artigo 43, inciso II, do Código Tributário Nacional. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2005, 2006. CSLL. DECORRÊNCIA Fl. 15219DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 32 O resultado do julgamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica espraia seus efeitos sobre a CSLL lançada em decorrência das mesmas infrações. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COMPENSAÇÃO COM O CRÉDITO INSTÍTUIDO PELO ART.8º DA MP Nº 2.158/2001. DESCABIMENTO. A compensação de crédito de 18% calculado sobre a base de cálculo negativa de CSLL e sobre os valores adicionados temporariamente, correspondentes a períodos de apuração encerrados até 31/12/1998, conforme previsto no art.8º da MP nº 2.158/2001, constitui faculdade a ser tempestivamente exercida pelo contribuinte por ocasião da apuração, escrituração e recolhimento de débito da CSLL, não sendo admitida a compensação para liquidar o débito da contribuição lançada de ofício. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005, 2006. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. PROVA. COMPROVAÇÃO POR DOCUMENTOS HABÉIS. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. A falta de apresentação de documentos hábeis e idôneos a amparar o registro, autoriza o Fisco a desconsiderálo na parte em que não comprovado. JUNTADA DE PROVAS. PRECLUSÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refirase a fato ou a direito superveniente; ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento do processo administrativo que se rege pelo princípio da oficialidade, impondo à Administração impulsionar o processo até o seu término. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005, 2006. Fl. 15220DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001696/201029 Acórdão n.º 1301001.361 S1C3T1 Fl. 18 33 MULTA ISOLADA. DECADÊNCIA. Quando não se verificar o recolhimento antecipado de tributo ou contribuição, a contagem do prazo decadencial para o lançamento de ofício se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. A decadência do direito de constituir a multa isolada apurada sobre estimativa mensal, cujo pagamento deixar de ser efetuado, segue o mesmo critério. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA E MULTA PROPORCIONAL. APLICAÇÃO. A materialidade da multa proporcional calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou declaração inexata, não se confunde com a multa isolada calculada sobre a base estimada ao longo do anocalendário e que deixou de se paga. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Para fundamentar as conclusões que redundaram na ementa reproduzida alhures, cuidou a decisão recorrida de inicialmente refutar o pedido de diligência, forte no que dispõe o artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, concluindo ainda que lhe competia apreciar o processo à luz das provas trazidas pelo Fisco e pela própria contribuinte. No tocante ao argumento da recorrente de que a contabilidade apresentada faria prova em seu favor, reputou a decisão recorrida que a escrituração deve sempre espelhar de forma fidedigna o patrimônio da entidade, de sorte que mesmo fazendo prova em favor da contribuinte, genericamente, se este deixou de apresentar a documentação hábil e idônea em que o registro contábil se assentou fica autorizado ao Fisco desconsiderar a dita escrituração. Superadas estas questões preliminares, passou a decisão recorrida a se manifestar acerca do mérito das imputações, sendo de bom alvitre a transcrição dos trechos abaixo: (...) Da Conta “Escrow” Conforme relatado, a fiscalização verificou que (i) não houve trânsito por resultado dos valores de R$ 41.860.374,45 e R$ 123.903.182,70, concernentes a “RECEBIMENTO ESCROW”, nos anoscalendários, respectivamente, de 2005 e 2006, o que acarretou acréscimo de patrimônio, materializado na conta 1.8.8.85.004 VALORES A RECEBER DE SOCIEDADES LIGADAS, conta interna 305301 – GRAND CAYMANBSB, (ii) além do que tampouco houve a respectiva adição nas Fichas 09 e 17 da DIPJ. Fl. 15221DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 34 A investigação fiscal deuse a partir do razão da conta 8.1.9.99.006 – outras despesas operacionais, conta interna 945884 – despesas atualizadas Escrow, cuja função é “Registrar a variação quanto a garantias constituídas fora do Brasil com o intuito de garantir a compra dos bancos adquiridos pelo Santander no Brasil”, coforme descrito nos Termos de Verificação às fls.1650/1663 e 1697/1710, tendo concluído a fiscalização que os Recebimentos Escrow nos anos de 2005 e 2006, nos valores de R$ 41.860.374,45 e R$ 123.903.182,70 (fls.1657 e 1704), por consubstanciarem acréscimo patrimonial, são tributáveis, nos termos do artigo 43, inciso II, do Código Tributário Nacional. A impugnante defende que os valores recebidos na conta COSIF 1.8.8.85.00 4, conta interna 305031, não representam qualquer acréscimo patrimonial, mas sim reembolso de valores que foram por ela pagos por conta e ordem do antigo controlador do Banco Meridional S/A, em razão do contrato de compra e venda das ações do Banco Meridional celebrado entre a empresa Bozano, Simonsen Financial Holdings Ltd. sediada em Grand Cayman (Vendedor) e o Banco Santander Hispano S/A, sediado na Espanha (Comprado). A impugnante assevera que efetuou o pagamento de despesas relativas a processos fiscais, trabalhistas e cíveis instaurados em face do Grupo Meridional e foi posteriormente ressarcida pela transferência do dinheiro que estava depositado na Conta de Caução. Expõe que o valor recebido tratase de simples recomposição do seu patrimônio líquido. Referindose a exemplo dado pela autuante, a contribuinte argumenta que, se o valor recebido fosse, de fato, considerado como uma nova receita, o pagamento das dívidas decorrentes dos processos cíveis trabalhistas e fiscais instaurados em face do Grupo Meridional também deveria, por consequência lógica, ser considerado como uma despesa (o que não ocorreu no presente caso). Segundo a própria impugnante, os valores de R$41.860.374,45 e R$123.903.182,70 correspondem a “indenização” ou “reembolso” da antiga controladora do Banco Meridional S/A pelo fato de a impugnante ter procedido ao pagamento de despesas relativas a processos fiscais, trabalhistas e cíveis em que o Grupo Meridional litigou. Conforme expõe na peça de defesa, a impugnante adquiriu ações do Banco Meridional S/A. Cumpre destacar que “Banco Meridional S.A” era a antiga denominação da contribuinte autuada (CNPJ nº 90.400.888), conforme exposto no extrato do Sistema CNPJ à fls.12953. Ora, se a dívida era da própria contribuinte, então, não há que se falar em indenização1. No caso em tela, os valores pagos em decorrência de lide judicial foram pagos em nome da própria contribuinte (que era parte litigante nos processos judiciais). Portanto, a dívida era da própria contribuinte e não de outra pessoa. E ainda que se trate de reembolso2 feito pela empresa Bozano, Simonsen Financial Holdings Ltd, sediada em Grand Cayman (Vendedor) ao Banco Santander Central Hispano S/A, sediada na Espanha (Comprador), decorrente de contrato firmado por ocasião da operação de venda das ações do Banco Meridional S/A (antiga denominação da interessada), anterior e atual controlador de instituição financeira brasileira, o ingresso de recursos no patrimônio da impugnante configura receita não operacional tributável nos termos do artigo 43, inciso II, do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica. I – de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; Fl. 15222DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001696/201029 Acórdão n.º 1301001.361 S1C3T1 Fl. 19 35 II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. É oportuno anda frisar, como já exposto pelo AuditorFiscal autuante, que não existe provisão legal de isenção para tais rendimentos. Também digno de nota é o comentário da impugnante sobre o exemplo dado pelo autuante para demonstrar a ocorrência do acréscimo patrimonial (vide fls.1660 e 1707). É totalmente descabida a conclusão da impugnante ao sentido de que a receita por ela recebida não poderia gerar créditos de IRPJ e CSLL porquanto, no seu entender, deveria ser neutralizada pela despesa incorrida. Em relação as despesas que foram objeto dos “Recebimentos Escrow” haveria de se analisar se foram preenchidas as condições de dedutibilidade, por exemplo, uma demanda judicial relativa à sanção de ato ilícito (multa) não seria passível de tributação e portanto não iria “neutralizar” o efeito da receita. Também não resta demonstrada a alegação de que a íntegra dos valores pagos (q que foi objeto de recebimento pela conta Escorw) não teria sido levada ao resultado como despesa. Mas ainda que as despesas correspondentes às quantias de “Recebimentos Escrow” não tivessem sido levadas ao Resultado do Exercício, não haveria óbice ao lançamento, isto porque, conforme se verifica na legislação tributária, a dedução de despesas é uma faculdade da contribuinte. Vide por exemplo os artigos 340 (As perdas no recebimento de créditos ... poderão ser deduzidas...), 377 (...poderão ser deduzidas as contrapartidas de variação monetárias de obrigações e perdas cambiais...), 363 (...poderá deduzir como despesa operacional o valor das quotas adquiridas em favor de seus empregados...), do RIR/99. Por outro lado, o oferecimento de Receitas à tributação é sempre uma obrigação da contribuinte, consoante o artigo 249, inciso II, do RIR/99: Art. 249. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração (DecretoLei nº1.598, de 1977, art.6º, §2º): I – os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real: II – os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, devam ser computados na determinação do lucro real. É, pois, inconteste a aplicação do artigo 249, inciso II, do RIR/99, aos recursos, nos valores de R$41.860.374,45 e R$123.903.182,70, recebidos do exterior pela contribuinte e que geraram acréscimos em seu patrimônio. Por todo o acima exposto, concluise que não merecem prosperar os argumentos apresentados pela impugnante com o fito de afastar o lançamento relativamente aos ingressos de R$41.860.374,45 e R$ 123.903.182,70 em seu patrimônio a título de “Recebimento Escrow”. Fl. 15223DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 36 Das Provisões para Contingências Trabalhistas e Das Outras Despesas Operacionais II O AuditorFiscal autuante informou, no Temo de Verificação nº 02/2008.001018, que a contribuinte declarou na Ficha 05/Linha 30“Outras Despesas Operacionais” da DIPJ Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica referente ao anocalendário de 2005 o valor de R$199.020.297,61 e que, intimida a detalhar as “Outras Despesas Operacionais”, apresentou a planilha de fls.89/99, detalhando a composição da conta COSIF 8.1.9.99.006 – OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS. Na referida planilha, encontramse: a conta interna 946121 no valor R$24.094.392,73 a título de “DESP. PROV CONTINGÊNCIAS TRABALHISTAS” e a conta interna 947482 no valor de R$2.193.761,95 a título de “OUTRAS DESP OPERACIONAIS II”. Consta ainda do referido Termo de Verificação que a contribuinte, intimada a detalhar as “Outras Adições” (Ficha 09/Linha 20 da DIPJ), apresentou a planilha de fls.432, na qual consta que, em relação à provisão para contingências trabalhistas, a empresa adicionou apenas a variação entre dezembro de 2004 e dezembro de 2005 da conta 49935105, no valor de R$4.788.433,73. A diferença entre o valor efetivamente adicionado e o que deveria ter sido adicionado (R$19.305.959,00), segundo a então fiscalizada, tratarseia de “pagamento de indenizações em processos trabalhistas”, tendo sido apresentado, no documento de fls.65, o fluxo contábil utilizado. Posteriormente, a empresa apresentou (fls.94/128) razões contábeis para demonstrar os lançamentos efetuados no fluxo contábil das provisões trabalhistas. Por meio dos Termos de intimação nos 33, 34, 35, 36, 37 e 38 (fls.220/221, 521/522, 666/667, 668/669, 670/672 e 696/698) a contribuinte foi intimada e reintimada a justificar a diferença em pauta e a apresentar documentação comprobatória das referidas despesas, incluindo o detalhamento das despesas deduzidas com data, valor, histórico e CPF ou CNPJ do beneficiário. Em suas considerações sobre o direito, a autoridade fiscal explica que apenas as provisões expressamente autorizadas pela legislação tributária podem ser deduzidas para fins de apuração do lucro real e que a contribuinte não teria comprovado estar autorizada a deduzir o valor de R$19.305.959,00 a título de “provisão” para contingências trabalhistas”. Também expôs que a planilha apresentada é apenas uma referência para a documentação comprobatória, mas com ela não se confunde. Apontou ter a contribuinte apresentado documentos comprobatórios que representam apenas parte (R$4.917.888,36) do universo de documentos solicitados (R$19.305.959,00) e que, ainda que os documentos apresentados justificassem os correspondentes dispêndios, não teriam o condão de validar a totalidade do valor deduzido pela empresa a esse título. Do total da documentação apresentada (fls.524/665) validou apenas parte (no valor de R$4.014.851,01 – vide relação às fls.1671/1672) tendo utilizado como critério o fato de o documento demonstrar tratarse de despesa efetiva, com o valor perfeitamente definido, e não de simples expectativa de perda. Consignou também que a existência de depósito judicial não autoriza a dedução, porquanto se trata de garantia processual ou recursal, atendendo ao conceito de provisão, que é indedutível. Assim, o autuante concluiu que R$15.291.107,00, que deveriam ter sido adicionados nas Fichas 09 e 17 da DIPJ, não o foram, reduzindo indevidamente, e nesse valor, as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL do anocalendário de 2005. Relativamente aos valores escriturados a título de “OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS II”, a contribuinte, conforme se observa da planilha às fls.429/434, nada adicionou. Fl. 15224DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001696/201029 Acórdão n.º 1301001.361 S1C3T1 Fl. 20 37 Da mesma forma que em relação à provisão para contingências trabalhistas, a empresa foi intimada e reintimada (pelos mesmos Termos de nºs 33 a 38) a: Esclarecer a natureza e apresentar documentação comprobatória dos valores deduzidos na Ficha 05 da DIPJ, no tocante às seguintes subcontas da conta 81999006, apresentando igualmente o fundamento legal da dedutibilidade: [...] 947482 –OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS II – R$2.193.761,95 No documento de fls.699/701, datado de 02/12/2010, a contribuinte assim respondeu acerca da função da conta: Registrar o valor de outras despesas operacionais e necessárias no Banco e que não haja COSIF especifico para a contabilização. São despesas usuais e normais referentes às atividades do Banco. Às fls.509/513 consta o razão da conta 947482 apresentado pela contribuinte, constando ajustes, atualizações, acertos, complementações, com referências documentais em código que nada acrescentam, sendo que não foi apresentada qualquer fundamentação legal para a dedutibilidade da referida provisão, tampouco documentação comprobatória que subsidiasse os registros contábeis. Com fundamento nas disposições contidas nos artigos 299, 300, 251 e 264, do RIR/99, e no art.9º, do DecretoLei nº 1.598/77, o autuante conclui que não foram atendidos os pressupostos legais para a dedução de R$2.193.761,95, efetuada a título de “OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS II”. A contribuinte, por sua vez, alega que as despesas relativas às contingências trabalhistas, bem como os valores escriturados a título de “OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS II”, representam montantes efetivamente despendidos e que os documentos apresentados durante o procedimento de fiscalização comprovariam a dedutibilidade dessas despesas nos termos do artigo 299 do RIR/99. Os valores deduzidos corresponderiam a sucumbência definitivas nos referidos processos judiciais que foram pagas aos autores, assim como despesas operacionais para impugnante. Nos casos em que foi necessária a realização de depósitos judiciais dos montantes discutidos, a contribuinte afirma ter deduzido tais despesas, já que os valores depositados, assim como os pagamentos realizados, representam dispêndio efetivo, sendo, portando, dedutíveis, e ainda, caso sejam proferidas decisões, finais, favoráveis à impugnante os valores depositados serão levantados e reconhecidos como receitas tributáveis. Especificamente quanto às ações trabalhistas, a contribuinte apresentou, em sede de impugnação, a planilha de fls.1781/1791, que alegadamente abrangeria todos os beneficiários e valores pagos referentes aos meses de janeiro a dezembro de 2005. A fim de sustentar as informações tabuladas na planilha em questão, a contribuinte trouxe ainda aos autos os documentos de fls.3099/3744. No tocante aos valores escriturados a título de “OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS II”, a impugnante não trouxe qualquer documento aos autos que subsidiasse os lançamentos contábeis de fls.509/513. Fl. 15225DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 38 O artigo 249 do RIR/99, que tem por supedâneo o art.6º, §2º, do Decretolei nº 1.598, de 1977, impõe que sejam adicionados ao lucro líquido do período de apuração, para fins de determinação do lucro real, os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação do Imposto de Renda, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real. Apenas as provisões técnicas de constituição obrigatória das companhias de seguros, de capitalização e das entidades de previdência privada (art.13, inciso I, da Lei nº 9.249, de 1995 e art.336 do RIR/99); a provisão para pagamento de remuneração de férias (art.4º do DecretoLei nº 1.730, de 1979), e art.13, inciso I, da Lei nº 9.249, de 1995 e art.337 do RIR/99) e a provisão para pagamento de remuneração correspondente ao 13º salário (art.13, inciso I, da Lei nº 9.249, de 1995 e art.338 do RIR/99) têm previsão na legislação tributária para serem deduzidos do lucro líquido para fins de apuração da base de cálculo de IRPJ e da CSLL. Portanto, a não ser por essas provisões autorizadas pela legislação, nenhuma outra poderia ser deduzida, a não ser, logicamente, quando se tornarem perdas efetivas (despesas) e, ainda, atenderem aos pressupostos do artigo 299 do RIR/99 (necessárias, usuais ou normais ao tipo de atividade da empresa ou à manutenção de sua fonte produtora). No caso concreto, o AuditorFiscal autuante foi diligente na coleta e apreciação dos argumentos e provas trazidas pela então fiscalizada. O intuito de obter toda a documentação pertinente ficou claro em face das várias intimações e reintimações efetivadas. A interessada por sua vez trouxe apenas parte da documentação solicitadas e as justificativas apresentadas não encontram respaldo na legislação de regência do IRPJ e da CSLL para que se procedesse à dedução pretendida. Cabe acrescentar que os depósitos judiciais realizados, embora correspondam a desembolsos (retirada de valores do Caixa), não se consubstanciam em despesas porquanto o valor da dívida não está ainda totalmente definido, aliás, em muitos casos, nem está definido que o resultado do julgamento judicial resultará em dívida para a contribuinte (ela poderá ser vencedora na lide judicial). Como o depósito judicial possui caráter de “provisão”, concluise pela sua indedutibilidade da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, porquanto inexiste na legislação tributária autorização para tal. E mesmo na hipótese de existência desse autorização, haverá que se averiguar de que tipo de despesa resultou a demanda judicial (ex. multas por infração de trânsito não seriam dedutíveis). No que diz respeito aos documentos apresentados em sede de impugnação relativos à provisão para contingências trabalhistas, consolidados nas duas tabelas de fls.1781/1791 e 3099/3104 e acostados às fls.3105/3744, elaborouse o “Anexo 1 – Provisão para Contingências Trabalhistas”, parte integrante do presente voto, por meio do qual foi efetuada a análise dos documentos em questão. Concluise a partir da análise realizada no “Anexo 1”, em síntese, que os esclarecimentos prestados pela contribuinte foram inconsistentes com os lançamentos contábeis, além de também serem insuficientes, dado que em reiterados itens sequer foram apresentados documentos que amparassem o pleito da impugnante, não permitindo, assim, estabelecer um nexo de causalidade entre as eventuais indenizações ocorridas e as despesas escrituradas, razão pela qual mantémse a glosa das provisões para contingências trabalhistas. Da mesma forma, quanto aos valores escriturados a título de “OUTRAS DESPESAS OPERACIOANAIS II”, a contribuinte não trouxe nem durante o procedimento fiscalizatório, nem em sede de impugnação, qualquer prova que conferisse sustentação à Fl. 15226DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001696/201029 Acórdão n.º 1301001.361 S1C3T1 Fl. 21 39 despesa escriturada, logo, também a respeito dessa matéria, o lançamento deve permanecer incólume. Das Despesas de Outras Provisões Consta do Termo de Verificação nº 02/2008.001018, que a contribuinte declarou na Ficha 05/Linha 30 “Outras Despesas Operacionais” da DIPJ Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica referente ao anocalendário de 2005 o valor de R$199.020.297,61 e que, intimida a detalhar as “Outras Despesas Operacionais”, apresentou a planilha de fls.89/90, detalhando a composição da conta COSIF 8.1.9.99.006 – OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS. Nessa última planilha, encontrase a conta interna 946124 no valor de R$4.898.589,93 a título de “DESP DE OUTRAS PROVISÕES”. No Razão da conta interna 946124 (fls.500/501), coluna “Observação”, consta basicamente o histórico de “Provisão para Ativos” e “Ajustes”, estes últimos incluindo referências a provisões para ativos, contingências administrativas e devedores diversos, totalizando R$4.898.589,93. Cabe observar que, em relação à conta ora em análise, a empresa nada adicionou na Ficha 09/Linha 20 da DIPJ, conforme Planilha de fls.429/434. O total do Razão confere com o valor deduzido, todavia o exame do histórico evidencia tratarse de provisões não dedutíveis. Com fundamento no conceito de provisão e nas disposições contidas nos artigos 249, 335, 336, 337, e 338 do RIR/99, o autuante conclui que não foram atendidos os pressupostos legais para a dedução de R$4.898.589,93 a título de “DESP. DE OUTRAS PROVISÕES”. A impugnante, por sua vez, afirma que, do valor de R$4.898.589,93, uma parcela de R$1.491.067,15 se referiria a valores despendidos pela empresa no exercício do seu objeto social. Todavia, a contribuinte não se reporta a nenhum outro documento dos autos, que pudesse conferir sustentação para o argumento de que tal parcela se trataria de despesas efetivamente incorridas. No tocante à parcela restante, no montante de R$3.407.522,78, a contribuinte afirma que teria sido adicionada à base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A fim de sustentar tal afirmação, a contribuinte apresentou a planilha de fls.1792/1793, juntamente com s tabelas de fls.2244/2247. Inicialmente, cumpre ressaltar que a contribuinte não trouxe aos autos os lançamentos contábeis do LALUR que amparariam o pleito em questão. De fato, a planilha de fls.1792/1793 trata apenas de um memorial de cálculos elaborado pela impugnante, sem fundamento nos elementos da contabilidade da empresa. Ademais, as tabelas de fls.2244/2247 contradizem as provas trazidas pela impugnante durante o procedimento de fiscalização, acostadas às fls.429/434. Tal constatação fica evidente pelo fato de não haver na planilha de fls.429/434 qualquer menção à conta 946124. Observase ainda a nítida inconsistência nas informações apresentadas na impugnação, conforme se observa pela leitura dos itens destacados pela contribuinte: a) Quanto à provisão para Desvalorização – Outros, constam na folha 2246 os valores de R$625.173,72, R$6.149.860,80, R$(5.135,25) e R$6.144.725,55, respectivamente, Fl. 15227DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 40 nas colunas “Variação; JUN/2005; Variação e; DEZ/2005”, enquanto que, na folha 430, constam os valores de R$3.826.899,20, R$9.351.586,28, R$574.426,17 e R$9.926.012,45; b) Quanto às Provisões Diversas, constam na folha 2246 os valores de R$13.276.962,88, R$3.419.968,01, R$16.696.930,89, R$(375.018,12), R$16.321.912,77 e R$3.044.949,89, respectivamente, nas colunas “DEZ/2004; Variação; JUN/2005; Variação; DEZ/2005 e; Variação Ano”, enquanto que, na folha 430, constam os valores de R$12.900.655,17, R$3.469.523,17, R$16.370.178,34, R$(343.641,56), R$16.026.536,78 e R$3.125.881,61. Ou seja, o pleito da contribuinte de que uma parcela de R$3.407.522,78, relativa à conta interna 946124, teria sido adicionado à base de cálculo do IRPJ da CSLL não encontra fundamento nas provas acostadas, tanto (i) porque a contribuinte não trouxe cópia dos lançamentos contábeis pertinentes à questão, como (ii) porque os dados apresentados na tabela de fls.2244/2247 são divergentes das demais informações prestadas pela própria contribuinte nos autos. Deste modo, os argumentos apresentados não afastam a conclusão constante do Termo de Verificação no sentido de que as provisões registradas na conta 81.999.006, conta interna 946124, não são passíveis de dedução, por falta de amparo legal. Das Despesas com Remuneração de Interveniência de Terceiros – (Sistema “EN”) Conforme relato, a fiscalização procedeu à tributação do valor de R$8.479.470,36, concernente a “Despesas com Remuneração de Interveniência de Terceiros – (Sistema “EN”) deduzida pela contribuinte para fins de apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL (conta COSIF 8.1.9.99.006, conta interna 946434 – DESP FIN INTERV TERCEIROSSISTEMA “EN”). Não houve adição na Ficha 09/Linha 20 quanto a este item. Registrou ainda que do razão da conta interna 946434 apresentado pela contribuinte (fls.505/506) constam (na coluna “Observação”) informações em código que nada acrescentam. A fiscalização consignou ainda que, nas respostas da empresa, não foi apresentada a identificação dos beneficiários das despesas em pauta, tampouco os respectivos contratos ou um demonstrativo de diferenças de taxas. Sem a apresentação de um detalhamento que identificasse os lojistas beneficiários, acompanhado dos respectivos contratos, bem como de documentação que valide os valores lançados, tratase de um conjunto de informações desprovido de capacidade probatória. Assim, a Fiscalização glosou o valor referente a DESP FININTERV TERCEIROS SISTEMA “EN”. Segundo a impugnante, tais despesas referemse à equalização de taxa paga ao cliente em contratos e CDCI – Contrato de Abertura de Crédito para Financiamento a Consumidor Final – nos casos m que a taxa ajustada entre a impugnante e o cliente é menor que a taxa ajustada entre o cliente e seus compradores (consumidor final). A fim de comprovar o alegado, a impugnante anexou às fls.2393/3097 cópia dos contratos CDCI que teriam gerado as despesas com equalização de taxas incorridas no ano calendário de 2005, as quais estariam refletidas nas cópias do livro Razão apresentadas à Fiscalização (fls.505/506). Nas planilhas de fls.2391/2392 e 1794/1796 foram relacionados os contratos anexos. Fl. 15228DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001696/201029 Acórdão n.º 1301001.361 S1C3T1 Fl. 22 41 Procedendose à análise dos documentos em questão, constatase que os contratos relacionados pela impugnante foram acostados às folhas dos autos indicadas na planilha a seguir: (...) Por intermédio da tabela acima se verifica, inicialmente, a presença de documentos duplicados, como fica claro a partir dos itens 28 e 29. Além disso, embora a impugnante afirme que os contratos em questão comprovariam a efetividade das despesas ora em análise, o fato é que a leitura de tais documentos não demonstra a ocorrência das despesas alegadas pela contribuinte. Em verdade, nenhum dos documentos acostados da folha 2391 até a folha 3097 faz menção a qualquer despesa relacionada à conta interna 946434. No caso concreto, a contribuinte apresentou o valor consolidado da despesa, a saber, R$8.479.470,36, mas não subdividiu tal montante em parcelas, de maneira que fosse possível estabelecer uma eventual correlação entre a despesa total e os contratos apresentados como prova na impugnação. Na hipótese, como alega a impugnante, de que os contratos teriam gerado a referida despesa consolidada, caberia à contribuinte indicar a parcela da despesa que teria sido gerada por cada contrato em particular. Todavia, tal informação não consta das provas acostadas, que se limitaram a trazer planilhas financeiras, sem demonstrar a existência de qualquer despesa ocorrida pela contribuinte. A impugnante afirma ainda que a despesa em questão seria comprovada pela escrituração contábil da empresa. Todavia, nem mesmo tal alegação prospera, conforme se constata por intermédio dos registros do Razão de fls.505/506. De fato, a leitura dos registros do Razão trazidos aos autos denota a existência de uma completa divergência entre (i) os lançamentos contábeis da empresa e (ii) o valor total da despesa escriturado, tendo em vista que os valores da coluna “VALOR MVTO” de fls.505/506 tratam de quantias ínfimas, variando quase totalmente na faixa de centavos de Reais, cuja ordem de grandeza é totalmente diversa da despesa escriturada, está na ordem de milhões de Reais. Logo, nem a contabilidade apresentada, nem os contratos trazidos em sede de impugnação corroboram o valor de R$8.479.470,36, referese a “Despesas com Remuneração de Interveniência de Terceiros – (Sistema “EN”), motivo pelo qual falecem os argumentos da impugnante. Das Despesas Autorizadas para Resultado das Agências A fiscalização verificou a dedução indevida do valor de R$2.657.265,19, concernente a “DESP AUTORIZ P/ RESULTADOAGÊNCIAS”, para fins de apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL (conta COSIF 8.1.9.99.006 conta interna 946488). Não houve adição na Ficha 09/Linha 20 quanto a este item. Registrou ainda que, na resposta de fls.699/701, a contribuinte informou como função da conta “registrar as despesas decorrentes Fl. 15229DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 42 de baixa de valores a receber (comissões, tarifas, etc.) objeto de questionamentos por parte de clientes”. Concluiu pela glosa da despesa, posto que a contribuinte apresentou informações desprovidas de capacidade probatória e não fundamentou juridicamente a dedutibilidade das despesas em questão. A impugnante argumenta que a fiscalização desconsiderou a documentação e explicações apresentadas. Entende que não houve por parte da fiscalização a devida comprovação de que as despesas em comento não atenderiam aos requisitos do artigo 299 do RIR/99. Também agora, na fase impugnatória, a contribuinte alega que a fiscalização não teria produzido a prova de que as despesas em análise não seriam dedutíveis e não traz nenhuma justificativa ou comprovação pertinente à despesa relativa à conta COSIF 8.1.9.99.006 conta interna 946488. Cumpre ressaltar que, nos termos do artigo 276 c/c os artigos 299 e 923 do RIR/99, é ônus da interessada a comprovação da regularidade da sua escrituração. No caso em tela ficou demonstrado que, apesar de intimada a apresentar a documentação comprobatória da realização da despesa (fundamentação legal e documentação comprobatória), consoante os Termos de Intimação de nos 33, 34, 35, 36, 37 e 38, a contribuinte apresentou, tão somente, as cópias de Livro Razão (fls.507/508) e a explicação genérica (fls.700), reproduzida acima. Apenas a escrituração acompanhada de documentação hábil sujeita a fiscalização à prova da inveracidade dos fatos registrados. No presente caso, não foram apresentados pela contribuinte, nem na fase impugnatória, os elementos que permitiriam à fiscalização a análise do atendimento dos requisitos legais de dedutibilidade das despesas. Quanto ao trecho do “Manual de Rotinas Administrativas” acostado pela impugnante às fls.2250/2252, tal documentação não trata especificamente das despesas em questão, referentes à conta interna 946488, e tampouco serve como uma prova hábil a comproválas. Como deixa claro o item 2 do referido documento, o objetivo do manual se circunscreve a “divulgar procedimentos sobre alçadas administrativas e comerciais, para contabilização de ressarcimento a clientes, decorrente de falhas operacionais, sistêmicas, funcional ou processos e perdas por interesse comercial”. Também agora, na fase impugnatória, a contribuinte alega que a fiscalização não teria produzido a prova de que as despesas em análise não seriam dedutíveis e não traz nenhuma justificativa ou comprovação pertinente à despesa relativa à conta COSIF 8.1.9.99.006 conta interna 946488. Cumpre ressaltar que, nos termos do artigo 276 c/c os artigos 299 e 923 do RIR/99, ó ônus da interessada a comprovação da regularidade da sua escrituração. No caso em tela ficou demonstrado que, apesar de intimada a apresentar a documentação comprobatória da realização da despesa (fundamentação legal e documentação comprobatória), consoante os Termos de Intimação de nos 33, 34, 35, 36, 37 e 38, a contribuinte apresentou, tão somente, as cópias do Livros Razão (fls.507/508) e a explicação genérica (fls.700), reproduzida acima. Apenas a escrituração acompanhada de documentação hábil sujeita a fiscalização à prova da inveracidade dos fatos registrados. No presente caso, não foram apresentados pela contribuinte, nem na fase impugnatória, os elementos que permitiriam à fiscalização a análise do atendimento dos requisitos legais de dedutibilidade das despesas. Fl. 15230DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001696/201029 Acórdão n.º 1301001.361 S1C3T1 Fl. 23 43 Quando ao trecho do “Manual de Rotinas Administrativas” acostado pela impugnante às fls.2250/2252, tal documento não trata especificamente das despesas em questão, referentes à conta interna 946488, e tampouco serve como uma prova hábil a comproválas. Como deixa claro o item 2 do referido documento, o objetivo do manual se circunscreve a “divulgar procedimentos sobre alçadas administrativas e comerciais, para contabilização de ressarcimento a clientes, decorrente de falhas operacionais, sistêmicas, funcional ou processos perdas por interesse comercial”. Também agora, na fase impugnatória, a contribuinte alega que a fiscalização não teria produzido a prova de que as despesas em análise não seriam dedutíveis e não traz nenhuma justificativa ou comprovação pertinente à despesa relativa à conta COSIF 8.1.99.00 6, conta interna 946488. Cumpre ressaltar, que nos termos do artigo 276 c/c os artigos 299 e 923 do RIR/99 é ônus da interessada a comprovação da regularidade da sua escrituração. No caso em tela ficou demonstrado que, apesar de intimada a apresentar a documentação comprobatória da realização da despesa (fundamentação legal e documentação comprobatória), consoante os Termos de Intimação de n° 33,34,35,36,37 e 38ª a contribuinte apresentou, tão somente, as cópias do Livro Razão (fls.507/508) e a explicação genérica (fls.700), reproduzida acima. Apenas a escrituração acompanhada de documentação hábil sujeita a fiscalização à prova da inveracidade dos fatos registrados. No presente caso, não foram apresentados pela contribuinte, nem na fase impugnatória, os elementos que permitiriam à fiscalização a análise do atendimento dos requisitos legais de dedutibilidade das despesas. Quanto ao trecho do “Manual de Rotinas Administrativas” acostado pela impugnante às fls.2250/2252, tal documento não trata especificamente das despesas em questão, referentes à conta interna 946488, e tampouco serve como uma prova hábil a comproválas. Como deixa claro o item 2 do referido documento, o objetivo do manual se circunscreve a “divulgar procedimentos sobre alçadas administrativas e comerciais, para contabilização de ressarcimento a clientes, decorrente de falhas operacionais, sistêmicas, funcional ou processos e perdas por interesse comercial”. Assim, também quanto à indedutibilidade da despesa da conta COSIF 8.1.9.99.006, conta interna 946488 – DESP AUTORIZ P/ RESULTADOAGÊNCIAS, no valor de R$2.657.265,19, não há como afastar o lançamento. Das Despesas de Juros sobre o Passivo Atuarial e da Perda Atuarial não Reconhecida A fiscalização verificou a dedução indevida, para fins de apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL, dos valores de R$26.439.000,00 e R$24.105.000,00, relativos, respectivamente, às contas internas 945879, “DESP JUROS SOBRE PASSIVO ATUARIAL”, e 946393, “PERDA ATUARIAL NÃO RECONHECIDA”. O autuante expôs ainda que o Razão de ambas as contas nada acrescentou, tendo em vista que nas observações da conta 945879, às fls.499, há histórico “atualização do passivo atuarial”, enquanto que, no Razão da conta 946393, às fls.504, há o histórico “perdas atuariais não reconhecidas” e “ajuste passivo atuarial”. Fl. 15231DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 44 Intimada e reintimada pelo Fisco a prestar esclarecimentos e apresentar documentação comprobatória referente às deduções em tela, consoante ao Termos de Intimação de nos 33, 34, 35, 36, 37 e 38, a contribuinte informou em 02/12/2010 (fls.699/701): 1) 945879 – Despesas de Juros s/ Passivo Atuarial: Referemse aos encargo incidentes sobre a obrigação registrada pelo Banco Santander perante as caixas assistenciais dos exempregados das instituições que deram origem ao antigo Banco Meridional (Banco da Província do Rio Grande do Sul, Banco Industrial e Comercial do Sul S/A e Banco Nacional do Comércio). Referida obrigação foi originalmente assumida pelo Banco Meridional nos termos do respectivo Edital de Privatização. Referidos encargos correspondem a despesas intrinsecamente vinculadas às operações normais e usuais relacionadas aos compromissos assumidos com complementação de aposentadoria, de direito adquirido, dos exempregados do Banco. Os valores registrados foram reconhecidos com base em laudo de avaliação atuarial preparado por empresa independente (ver documento anexo, item 6.3). (...) 7) 946393 – Perda Atuarial não Reconhecida Referese a encargos apurados sobre a obrigação registrada pelo Banco Santander perante às caixas assistenciais dos exempregados das instituições que deram origem ao antigo Banco Meridional (Banco da Província do Rio Grande do Sul, Banco Industrial e Comercial do Sul S/A e Banco Nacional do Comércio) (Ver comentário relativo à conta 945879). Referida despesa corresponde ao custo adicional apurado com base em parâmetros atuariais, segundo laudo de avaliação atuarial preparado por empresa especializada independente (ver documento anexo, item 6.3). As contas ora em análise se referem ao laudo não assinado de fls.734/737, objeto de análise do Fisco, que verificou tratarse de Planos Informais de Aposentadoria mantidos pelo Banco Santander Meridional. Na planilha anexa ao laudo, fls.738/740, consta o valor presente das obrigações atuariais a descoberto – planos sem ativos financeiros (item 2.3, R$173.524.000,00 em 31/12/2005), o valor de ganhos ou perdas não reconhecidas (item 2.6.a, R$35.221.000,00) e o consequente “Passivo atuarial líquido total a ser provisionado” (item 2.7, R$138.303.000,00). A fiscalização ainda constatou, por intermédio da planilha anexa ao laudo, que os valores em pauta (R$26.439.000,00 e R$24.105.000,00) fazem parte do total provisionado, sendo sua natureza jurídica a de provisões para planos de aposentadoria. Após afastar a aplicação do artigo 361, do RIR/99, o Fisco concluiu tratarse de provisões que não se encontram entre aquelas que possuem autorização da legislação tributária para serem deduzidas. A contribuinte defende que tais despesas são operacionais, necessárias e obrigatórias, pois constituem complementação da aposentadoria dos exempregados do Banco da Província do Rio Grande do Sul, Banco Industrial e Comercial do Sul S/A e Banco Nacional do Comércio, e foram assumidas pela impugnante em virtude da aquisição do Banco Meridional do Brasil S/A. Também contesta presunção firmada pela fiscalização no sentido de que tais despesas seriam provisão, pois estava obrigada a reconhecêlas por determinação do próprio Edital de Licitação do Banco Meridional Brasil S/A. (originado da fusão de cinco instituições financeiras, uma das quais – Banco Sul Brasileiro – constituída de bancos Fl. 15232DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001696/201029 Acórdão n.º 1301001.361 S1C3T1 Fl. 24 45 fusionados que mantinham Caixas Assistenciais, que garantiam, aos seus funcionários, complementos em suas aposentadoria). Argumenta a interessada que a obrigatoriedade do pagamento da complementação da aposentadoria aos exfuncionários dos bancos sucedidos pela impugnante (Província, Sulbanco e Banmércio), que se sagrou vencedora do processo licitatório, decorre não apenas da disposição contida no artigo 228, da Lei nº 6.404/76, como também das disposições contidas edital de venda do Banco Meridional do Brasil S.A, elaborado pelo Banco Central do Brasil, o que faz lei entre as partes (vencedor do certame e Poder Público). Assevera que o complemento da aposentadoria dos exempregados do bancos sucedidos pela impugnante, assim como juros dele decorrentes (objeto da glosa realizada pela fiscalização), constituem uma obrigação legal, que deve ser reconhecida, pelo regime de competência, no seu passivo (crédito), tendo como contrapartida uma defesa (débito). Entendendo tratarse de obrigação legal, refuta a entendimento do Fisco de que as despesas de juros em comento teriam a natureza de provisão não dedutível. Alega também que a limitação à dedutibilidade prevista no §1º, do artigo 361, do RIR/99, somente é aplicável quando as contribuições, destinadas a custear planos de benefícios complementares aos da previdência social, não são compulsórias. Assim, a impugnante conclui que por se tratar de um dever assumido perante o ente licitante, qual seja, o dever de complementar a aposentadoria do exfuncionários dos bancos sucedidos, tratase de despesa necessária, além de usual e normal às atividades bancários desenvolvidas, nos termos do artigo 299 do RIR/99. Por fim, aduz a contribuinte que as despesas em questão possuem a natureza de provisões técnicas, que também seriam dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por previsão do artigo 336, do RIR/99. A solução do litígio encontrase em se determinar se os “juros sobre o passivo atuarial” e a “perda atual não reconhecida” têm natureza de despesa (como defende a impugnante) ou de provisão (como entende a fiscalização), e, no caso de ser provisão, se encontra, ou não, autorização na legislação tributária para sua dedução. Antes de se investigar a natureza dos valores em tela, cumpre comentar o argumento apresentado pela defesa de que o Edital de Venda do Banco Meridional do Brasil S.A.,elaborado pelo Banco Central do Brasil, faz lei entre a impugnante, ganhadora do leilão e o Poder Público. Não resta qualquer dúvida de que o edital de licitação obriga a administração e o vencedor do certame. A leitura das disposições contidas na Lei nº 8.666, de 21/06/1996 e no Decretolei 2.300, de 21/11/1986 (vigente até a edição da referida Lei), que tratam especificamente de licitações e contratos da Administração Pública, dá a dimensão da importância dos termos contidos no edital de licitação. Esta questão é pacífica. Cabe destacar o excerto do Edital de Venda do Banco Meridional do Brasil S/A transcrito pela impugnante às fls.1808: 4.3. O(s) novo(s) acionista(s) controlador(es) do MERIDIONAL e seus eventuais sucessores, a qualquer título, inclusive em decorrência de posterior cessão e transferência de ações, estará(ão) obrigado(s), solidariamente, de forma irrevogável e irretratável, a cumprir rigorosamente as seguintes obrigações especiais, exercendo para tal, se necessário, seu direito de voto nas Assembléias Gerais de maneira a: Fl. 15233DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 46 (...) III assegurar o pagamento dos benefícios existentes, até a extinção dos mesmos, devidos pelo MERIDIONAL, por sucessão nas respectivas obrigações, aos beneficiários e àqueles que, inscritos nas entidades assistenciais Associação dos Funcionários do Banco da Província do Rio Grande do Sul S.A, a Caixa de Auxílio dos Funcionários do Banco Nacional do Comércio S.A. e o Instituto Assistencial Sulbanco, ainda dependam de preenchimento das condições para obter os benefícios. De fato, o pagamento da complementação da aposentadoria dos ex funcionários dos bancos sucedidos não está em discussão. É obrigação assumida pelo adquirente quando se sagrou vencedor no processo de licitação relativo à alienação de ações ordinárias nominativas e preferenciais nominativas do capital social do Banco Meridional do Brasil S/A, então de titularidade da União Federal. Observese, ainda, que não foi o valor do pagamento desse benefício que foi objeto de glosa, mas, sim, os valores deduzidos a título de “DESP JUROS SOBRE PASSIVO ATUARIAL” e “PERDA ATUARIAL NÃO RECONHECIDA”, que fazem parte do passivo atuarial líquido total a ser provisionado. Conforme assinalou o AuditorFiscal autuante no Termo de Verificação Fiscal, a contribuinte, em respostas às intimações fiscais, entre outros documentos apresentou o laudo de fls.734/740, no qual consta o anexo de fls.738/740, cujo item 2.7 se refere a “Passivo/(Ativo) atuarial líquido a ser provisionado”, no valor de R$138.303.000,00 em 31/12/2005, que abrange tanto o item 10.2 – Juros sobre as obrigações atuariais, no valor de R$26.439.000,00 em 2005, como item 10.4.a – Perda atuariais não reconhecidas, no valor de R$24.105.000,00 em 2005, ambos deduzidos do resultado do exercício. Provisões segundo o “Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações” – Sétima Edição – Ed. Altas S/A – São Paulo – 2007, pág. 312, de autoria dos Professores Sérgio de Iudícibus, Eliseu Martins e Ernesto Rubens Gelbeke, “são reduções de ativo ou acréscimos de exigibilidade que reduzem o Patrimônio Líquido, e cujos valores ainda não são totalmente definidos. Representam, assim, expectativas de perdas de ativos ou estimativas de valores a desembolsar que, apesar de financeiramente ainda não efetivadas, derivam de fatos geradores contábeis, já ocorridos; isto é dizem respeito a perdas economicamente incorridas (...) ou a prováveis valores a desembolsar originados de fatos já acontecidos (...)”. Ora, a natureza dos valores em comento é provisão, pois decorrem de cálculo atuarial que tem por finalidade trazer a valor presente desembolsos futuros necessários ao adimplemento de cláusula prevista no edital de licitação, relacionada especificamente ao pagamento da complementação da aposentadoria dos exempregados dos bancos sucedidos. Também convém lembrar que, para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, não importa que, pelas normas da contabilidade ou da legislação especial, devam as previsões ser constituídas, pois apenas serão dedutíveis aquelas expressamente autorizadas pela legislação tributária de regência do imposto/contribuição. Assim, estabelecido que a natureza da “DESP JUROS SOBRE PASSIVO ATUARIAL” e da “PERDA ATUARIAL NÃO RECONHECIDA” é de provisão, resta estabelecer se tal provisão é dedutível, ou não, para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Embora já anteriormente mencionado, repitase que apenas (i) as provisões técnicas de constituição obrigatória das companhias de seguros, de capitalização e das Fl. 15234DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001696/201029 Acórdão n.º 1301001.361 S1C3T1 Fl. 25 47 entidades de previdências privada (art. 13, inciso I, da Lei n°9.249 de 1995 e art. 336 do RIR/99); (ii) a provisão para pagamento de remuneração de férias (art. 4° do DecretoLei n°1.730, de 1979, e art. 13, inciso I, da Lei n° 9.249, de 1995 e art. 337 do RIR/99) e (iii) a provisão para pagamento de remuneração correspondente ao 13° salário (art. 13, inciso I, da Lei n° 9.249, de 1995 e art. 338 do RIR/99) têm previsão da legislação tributária para serem deduzidas do lucro líquido para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Portanto, as provisões em comento, relativas a JUROS SOBRE PASSIVO ATUARIAL e a PERDA ATUARIAL NÃO RECONHECIDA, não são dedutíveis para fins de apuração do imposto de renda e da CSLL, portanto se trata de PROVISÕES cuja dedução não está autorizada na legislação de regência. Por serem provisões e não “despesas de contribuição para providência privada”, resta prejudicada a pretensão da interessada de querer deduzir os valores em comento, portanto a limitação imposta no artigo 361 do RIR/99 se aplica apenas aos casos de contribuições não compulsórias e, de fato, incorridas. Art. 361. São dedutíveis as contribuições não compulsórias destinadas a custear planos de benefícios complementares assemelhados aos da previdência social, instituídos em favor dos empregados e dirigentes de pessoa jurídica (Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, inciso V). §1º determinação do lucro real, a dedução deste artigo, somada às de que trata o art. 363, cujo ônus seja da pessoa jurídica, não poderá exceder, em cada período de apuração, a vinte por cento do total dos salários dos empregados e da remuneração dos dirigentes da empresa, vinculados ao referido plano (Lei nº 9.532, de 1997, art. 11, §2º). §2º O somatório das contribuições que exceder o valor a que se refere o parágrafo anterior deverá ser adicionado ao lucro líquido para efeito, de determinação do lucro real (Lei nº 9.532, de 1997, art. 11, §3º). Se por hipótese, se tratasse de contribuição compulsória, imposta, portanto, pela legislação trabalhista, não resta dúvida de que, uma vez incorrido despesa, que atendesse aos pressupostos do artigo 299 do RIR/99, estaria assegurada a sua dedutibilidade para fins de apuração do imposto de renda e da CSLL. Frisese, como já exposto, que não é o caso de contribuição para entidade de previdência privada com vistas a custear benefícios complementares assemelhados aos da previdência social, instituídos em favor dos empregados e dirigentes a pessoa jurídica. Deste modo, não se cogita da aplicação do artigo 361 acima transcrito. Destacase também que não se aplica ao caso o artigo 336, do RIR/99, uma vez que nem a questão diz respeito a provisões técnicas obrigatórias das companhias de seguro e de capitalização, e nem a contribuinte é uma entidade de previdência privada. Por oportuno, registrase que o artigo Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) já se pronunciou a respeito dessa matéria no acórdão nº 101936101, Sessão de 12/07/2000, conforme trecho da ementa, abaixo transcrito: Fl. 15235DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 48 IRPJ PROVISÕES NÃO AUTORIZADAS – COMPLEMENTAÇÃO DE PROVENTOS DE APOSENTADORIA – Apenas são dedutíveis as provisões expressamente autorizadas pela legislação do Imposto de Renda. Não são dedutíveis, para fins de apuração do lucro real, por falta de previsões expressa, os valores provisionados para fazer face a desembolsos futuros com plano de complementação de aposentadoria e pensões, suportados pela pessoa jurídica, a favor de seus empregados. (Acórdão 101936101, Sessão de 12/07/2000). Das Despesas de Comissão CP Convênio A fiscalização verificou a dedução indevida, para fins de apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL, do valor de R$ 6.625.945,60, relativo à conta interna 946303, denominada “DESP C/ COMISSÕES CP CONVÊNIO”. Intimada a detalhar as “Outras Adições” (Ficha 09/linha 20 da DIPJ), a empresa apresentou a planilha de fls.429/434. Nessa planilha, observase que para o item em pauta a empresa nada adicionou. O autuante expôs ainda que o Razão da conta interna 946303 foi apresentada pela contribuinte às fls.502/503, constando referências no histórico (coluna “Observação”) a comissões e tributos sobre elas incidentes. Por meio dos Termos de Intimação de nos 33, 34, 35, 36, 37 e 38, a contribuinte foi intimada e reintimada a apresentar a documentação comprobatória da despesa em questão, tendo trazido aos autos os documentos de fls.742/1538, que, após a análise da fiscalização, comprovaram apenas uma parcela da despesa escriturada, a saber, R$ 2.448.180,95, de um total de R$9.074.126,55. Em sede de impugnação, a contribuinte alega que tais despesas são relativas a comissões pagas pela intermediação de terceiros em operações de crédito pessoal, sendo que as condições de pagamentos das referidas comissões teriam sido acertadas ente as partes de forma livre e independente, de acordo com os parâmetros vigentes de mercado. Sendo assim, a impugnante conclui que a despesas em pauta seriam dedutíveis, nos termos dos art.299, do RIR/99. A fim de comprovar o alegado, a empresa trouxe aos autos os documentos de fls.3746/12827, listados na planilha de fls.1812/1860. Numa análise inicial da planilha de fls.57/105, verificase que os dados foram tabulados pela impugnante de forma totalmente desordenada, fato que também se constata nos documentos de fls.3746/12827, que foram acostados aos autos sem qualquer critério de organização, tanto assim que os documentos de fls.3746/12827 não seguiram nem mesmo a sequência dos dados da tabela de fls.1812/1860. No tocante ao conteúdo dos documentos de fls.3746/12827, oberva que a documentação procura ser dividida em subconjunto, compostos de cópias de: a) Correios eletrônicos da contribuinte; b) Planilhas denominadas “PLANILHA (sic) DE PAGAMENTO DE PROMOTORA” e “PLANILHA (sic) DE COMISSIONAMENTO DE PROMOTORA”; c) Notas fiscais; Fl. 15236DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001696/201029 Acórdão n.º 1301001.361 S1C3T1 Fl. 26 49 d) Consultas aos sistemas informatizados da contribuinte, “CONSULTA DE DOCS” e “INCLUSÃO DE PAGAMENTOS”; e) Lançamentos contábeis por lote; f) Inclusões do cadastramento dos lançamentos contábeis, indicando contas a débito e crédito, com o respectivo histórico; g) Recibos. Compulsando os documentos em questão observase que os registros contábeis dos itens (e) e (f) não trazem qualquer registro de histórico que permita identificar o evento ao qual estão relacionados, sendo que os lançamentos por lote (item e) são completamente lacônicos ao trazerem apenas o código do histórico como “PG COM CP CONV” e “IR FONTE RET”, além de deixarem em branco os campos de identificação de quem teria realizado e validado tais lançamentos. No que diz respeito aos registros do cadastramento dos lançamentos contábeis (item f), a totalidade dos documentos apresentado pela contribuinte traz o respectivo histórico em branco. Logo, os registros contábeis apresentados não são suficientes para sustentar o pleito da contribuinte. Quanto os demais documentos apresentados, somente as cópias de notas fiscais (item e) e recibos (item g) foram produzidos de forma externa à contribuinte, uma vez que os correios eletrônicos (item a), as planilhas de pagamento e comissionamento (item b), bem como as consultas aos sistemas informatizados (item d), são todos documentos confeccionados pela própria contribuinte. Ou seja, os únicos elementos não produzidos pela contribuinte, que poderiam amparar as alegações da empresa, são justamente as cópias de notas fiscais e recibos. Tal constatação é corroborada pela própria impugnante, que, na planilha de fls.1812/1860, faz menção apenas as notas fiscais e recibos. É necessários então analisar as notas fiscais e recibos mencionados na planilha de fls.1812/1860, que a contribuinte afirma ter acostado às fls.3746/12827, a fim de identificar se assiste razão à impugnante. A partir da leitura da planilha de fls.1812/1860, verificase a existência de registros como pontos de interrogação a partir da fls.1822, bem como traços na fls.1860, que denotam de maneira inequívoca que a própria impugnante não conseguiu ler parte das provas. De fato, a análise os documentos de fls.3746/12827 demonstra a existência de vários documentos ilegíveis, cujas respectivas folhas dos autos são relacionadas na tabela a seguir, os quais, portanto, são inaptos a suportar os argumentos da contribuinte. Relação de Documentos Ilegíveis – Comissão CP Convênio Números de folhas dos autos 4457 7409 7978 8347 8468 10322 12120 4458 7530 7979 8348 8470 10326 12151 4482 7808 7992 8349 8480 10353 12222 4490 7827 7993 8350 8482 10985 12223 Fl. 15237DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 50 4492 7839 8020 8352 8913 11105 12315 4494 7852 8021 8356 8928 11106 12398 4568 7853 8034 8367 8929 11247 12425 6802 7861 8035 8377 8938 11248 12434 6803 7862 8088 8378 8947 11258 12450 6817 7875 8089 8390 9761 11259 12459 6818 7876 8130 8391 9899 11698 12466 6831 7887 8131 8403 9901 11699 12475 6832 7888 8157 8413 9940 11885 12498 6844 7900 8158 8414 10050 11886 12499 6845 7901 8189 8425 10058 11957 12536 6871 7912 8273 8426 10076 11965 12668 6872 7923 8301 8434 10095 12067 12711 6884 7924 8305 8436 10105 12077 12728 6885 7936 8306 8438 10106 12078 12781 6895 7937 8331 8446 100115 12086 12382 8696 7960 8333 8448 10124 12099 12390 6897 7961 8335 8450 10283 12109 7028 7974 8337 8458 10292 12110 7029 7976 8346 8466 10311 12119 Além disso, as notas fiscais e os recibos relacionados na tabela a seguir também não servem como subsídio para a impugnante, tendo em vista que não possuem a indicação de um algum elemento essencial, tal como data de emissão, número do documento ou valor, tanto em função da falta de legibilidade, quanto por ausência de informação (indicada na tabela como “não consta”). (...) A tabela de fls.1812/1860 também possui elementos em duplicidade, como fica claro nos registros da empresa “ASPUB – Associação Beneficente dos Servidores Públicos do Brasil” de fls.1818, em que constam repetidas as informações dos valores de R$ 926,91 e R$540,22. Por sua vez, os documentos de fls.3746/12827 permitem identificar documentos que sequer se relacionam ao anocalendário objeto da despesa glosada, como as notas fiscais de fls.8970 e 8971, emitidas em 30/12/2004. Após a exclusão das notas fiscais e recibos irregulares expostos nas considerações anteriores, foi elaborado o “Anexo 2 – Notas Fiscais e Recibos – Comissão CP Convênio”, parte integrante do presente voto, por meio do qual foram relacionados os campos de “Discriminação dos Serviços” das respectivas notas fiscais. Da análise das referidas discriminações dos serviços, resta evidente que as notas fiscais e recibos não indicam de maneira pormenorizada os serviços prestados, uma vez que há apenas a descrição resumida e genérica dos respectivos serviços, conforme o resumo a seguir: (...) Pela tabela acima é possível observar que a contribuinte não esclareceu qual a correlação existente entre a própria empresa e as prestadoras de serviço. Cabe destacar que diversas notas fiscais fazem menção a relações da natureza contratual entre a contribuinte e as Fl. 15238DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001696/201029 Acórdão n.º 1301001.361 S1C3T1 Fl. 27 51 prestadores de serviços, descritas como “prestação de serviços conforme contrato”, o que refuta a alegação da impugnante de que as comissões teriam sido acertadas entre as partes de forma livre e independente. Ressaltese que, mesmo trazendo uma vultosa quantidade de documentos aos autos, acostados às fls.3746/12827, ainda assim a impugnante não apresentou nenhum contrato que amparasse as despesas lançadas a título de “comissões de CP convênio”, e tampouco apresentou qualquer prova que indicasse a que convênios se refeririam as notas fiscais e recibos em questão. Cumpre notar que as notas fiscais e recibos não especificam quaisquer operações de concessão de crédito pessoal, tendo em vista que não indicam o nome de clientes, valores, contratos, ou condições em que teriam ocorrido as operações alegadas pela impugnante. Ao contrário do defendido pela contribuinte, as provas acima analisadas nem provam a natureza e nem demonstram a efetividade das despesas, motivo pelo qual deve ser mantida a glosa efetuada pela fiscalização. Das Despesas de PIS e COFINS A fiscalização verificou que a contribuinte deduziu na Ficha05/Linha 13 – PIS/Pasep da DIPJ o valor de R$4.037.882,12 e na Ficha 05/Linha 14 – Cofins o valor de R$ 24.848.505,35, totalizando a dedução de R$28.886.387,47. Em DCTF, a empresa declarou débitos apurados de R$3.714.275,56 para o PIS e R$23.161.788,36, valores inferiores aos deduzidos para fins de cálculo do IRPJ e da CSLL, com uma diferença de R$323.606,56 para o PIS e R$1.686.718,99 para a COFINS. Nos “Demonstrativos de Adição” de fls.436 e 442, consta uma adição de R$909.035,98 a título de “Outras Adições – PIS/COFINS”. Prossegue a fiscalização afirmando que o valor de PIS e COFINS que poderia ser deduzido é de apenas R$26.876.061,92, apurado e declarado em DCTF, tendo sido deduzida a quantia de R$ 28.886.387,47, do que resulta uma dedução a maior de R$2.010.325,55. Conclui o AuditorFiscal autuante que, como ocorreu a adição a título de “PIS e COFINS ExtraContábil” nas Fichas 09 e 17, de apenas R$909.035,98 houve a redução indevida de R$1.101.289,57 nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL do anocalendário de 2005, pelo que cabe a formalização dos correspondentes lançamentos tributários. Alega a impugnante que as despesas efetivas e dedutíveis são as contribuições devidas no período, sendo que parte delas teria sido paga pela impugnante. Conforme valores declarados em DCTF, e o restante retido na fonte, de acordo com os comprovantes de fls.2286/2237. Ainda, segundo a impugnante, o valor das despesas incorridas com PIS e COFINS abrange não apenas o montante a pagar declarado em DCTF, R$26.876.061,92, como também o total das contribuições devidas em 2005, declarado no DACON, às fls.2328/2355. A fim de analisar o pleito da contribuinte, cabe, inicialmente, especificar quais foram os comprovantes apresentados juntamente com a impugnação, bem como quais Fl. 15239DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 52 foram os valores declarados nos DACON dos 1º, 2º, 3º e 4º trimestres de 2005. Nesse sentido, elaboraramse as tabelas a seguir: (...) Da tabela “Comprovantes apresentados pela Impugnante – PIS e COFINS” verificase que, ao contrário do alegado impugnante, não foi trazido aos autos nenhum comprovantes de retenção na fonte de PIS ou COFINS. Os documentos em questão se referem somente a comprovantes de arrecadação e Declarações de Compensação relativos oos códigos de receita 4574 (PIS – Entidades Financeiras e Equiparadas) e 7987 (COFINS – Entidades Financeiras e Equiparadas). Ademais, os valores declarados nos DACON e DCTF são inconsistentes, já que, embora a impugnante reconheça às fls.1861 que o valor declarado em DCTF foi de R$26.876.061,92, por outro lado calculase, por meio da soma dos valores totais declarados nas DACON de PIS a pagar (R$3.570.359,21) e COFINS a pagar (R$23.160.316,35), um total de R$26.730.675,56. Reiterese que os DACON foram informados valores de PIS retido, PIS – “Outras deduções” e COFINS retido, nos montantes, respectivamente, de R$195.751,72, R$143.597,20 e R$899.425,97, conforme os totais das tabelas acima reproduzidas, sem que, no entanto, a contribuinte apresentasse qualquer documento hábil e idôneo que subsidiasse tais quantias. Por fim, a alegação de que o valor das despesas incorridas corresponderia aos totais das contribuições devidas nos DACON não resiste à análise das declarações de fls.2328/2355, pois, enquanto houve a dedução de despesas nos valores de R$4.037.882,12 (PIS) e R$24.848.505,35 (COFINS), por outro lado os totais das contribuições devidas nos DACON foram, respectivamente, de R$3.909.708,13 e R$24.059.742,32. Pelo exposto, os argumentos da impugnante relativos à glosa de despesas de PIS e COFINS são improcedentes. Do Crédito de CSLL Relativo ao art.8º da MP nº 2.158/2001 Contribuinte questiona os cálculos efetuados pela fiscalização para apuração da CSLL, ao alegar que não teriam sido considerados créditos detidos pela contribuinte relativos ao art.8º, da MP nº 2.158/2001. Nesse sentido, a contribuinte apresentou a planilha de fls.2364, juntamente com o registro do LALUR de fls.2369, por meio dos quais informa a existência de um valor referente a crédito de CSLL, constituído à alíquota de 18% e apurado sobre as bases negativas de CSLL dos anoscalendários de 1996, 1997 e 1998, no valor de R$38.576.909,32. Cumpre destacar que a contribuinte é instituição financeira mencionada no §1º, do art. 22, da Lei nº 8.212, de 24.07.1991, e portanto pode optar pela escrituração e compensação do critério previsto no art.8º, da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001. Art. 1º A alíquota da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/PASEP, devida pelas pessoas jurídicas a que se refere o §1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, fica reduzida para sessenta e cinco centésimos por cento em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999. [...] Fl. 15240DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001696/201029 Acórdão n.º 1301001.361 S1C3T1 Fl. 28 53 Art. 8º As pessoas jurídicas referidas no art.1º, que tiverem base de cálculo negativa e valores adicionados, temporariamente, ao lucro líquido, para efeito de apuração da base de cálculo da CSLL, correspondentes a períodos de apuração encerrados até 31de dezembro de 1998, poderão optar por escriturar, em seu ativo, como crédito compensável com débitos da mesma contribuição, o valor equivalente a dezoito por cento da soma daquelas parcelas. §1º A pessoa jurídica que optar pela forma prevista neste artigo não poderá computar os valores que serviram de base de cálculo do referido crédito na determinação da base de cálculo da CSLL correspondente a qualquer período de apuração posterior a 31 de dezembro de 1998. §2º A compensação de crédito a que se refere este artigo somente poderá ser efetuado com até trinta por cento de saldo da CSLL remanescente, em cada período de apuração, após a compensação de que trata o art.8º da Lei nº 9.718, de 1998, não sendo admitida, em qualquer hipótese, a restituição de seu valor ou sua compensação com outros tributos ou contribuições, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Da leitura da norma em questão, extraise que o crédito compensável criado pelo legislador corresponde a um benefício fiscal facultativo, com características bem peculiares e especialmente conferido às instituições financeiras elencadas no §1º, do art. 22, da Lei nº 8.212/91. Ou seja, a compensação em apreço não se confunde com a compensação referida no inciso II, do art. 156, e nos arts.170 e 170A, do Código Tributário Nacional, que é modalidade de extinção do crédito tributário. Tanto é assim que a própria MP nº 2.15835/2001 não admite restituição do crédito ou sua compensação com outros tributos, e tampouco a sua atualização monetária. Portanto, não se tratá de direito creditório de natureza semelhante àquele objeto de Pedidos de Compensação e de Declarações de Compensação (DCOMP). Observase ainda que a compensação prevista no art. 8º da MP nº 2.158 35/2001 também não se confunde com a compensação de BC Negativa da CSLL. Nesta, trata se de determinar a base de cálculo sobre a qual incide a CSLL, enquanto naquela, estáse a falar de um benefício facultativo, que importa em redução da CSLL a pagar, e que, por ser norma excepcional, pode ser usufruído pelo contribuinte sob condições estritas, tais como: escrituração de crédito no ativo, nãoexclusão dos correspondentes valores adicionados temporariamente até 31/12/1998, dentre outras. Sendo assim, dado o caráter excepcional do crédito compensável criado pelo legislador, calculado pela aplicação do percentual de 18% sobre o valor da base de cálculo negativa e das adições temporárias havidas em 31/12/1998, resta evidente que o gozo do benefício fiscal há de se efetivar dentro dos escritos termos da lei, sendo incabível interpretála de forma extensiva. O texto legal, acima reproduzido, indica que à contribuinte que desejar gozar do benefício fiscal – que é facultativo – cumpre escriturar o crédito em seu ativo e utilizálo por ocasião de sua compensação com a CSLL em cada período de apuração. Nesse diapasão, é de se concluir que o crédito compensável em questão somente pode ser utilizado para a apuração e o recolhimento tempestivo do débito de CSLL, jamais para liquidar débitos posteriormente lançados em procedimento de ofício. Fl. 15241DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 54 Destarte, é de se concluir que a compensação do crédito de 18% calculado sobre a base de cálculo negativa de CSLL e sobre os valores adicionados temporariamente, correspondentes a períodos de apuração encerrados até 31/12/1998, constitui faculdade a ser tempestivamente exercida pela contribuinte por ocasião da apuração, escrituração e recolhimento de débito da CSLL, não sendo admitida a referida compensação para liquidar o débito de CSLL lançado de ofício. Portanto, a apuração da CSLL efetuada pela fiscalização não merece reparos, sendo incabível o pleito da impugnante acerca da compensação, no lançamento de ofício, de crédito de CSLL apurados conforme o art.8º, da MP nº 2.158/2001. Da Multa de Ofício Isolada – Decadência Quanto às multas isoladas pela falta de recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e de CSLL, a contribuinte alega a decadência do direito de o Fisco proceder aos lançamentos relativos a junho, julho, agosto, setembro e novembro do anocalendário de 2005, com fulcro no §4º, do art. 150, do CTN. Também defende não poder prevalecer a cobrança de multas isoladas sobre eventual ausência de recolhimento de estimativas após o encerramento do período base, bem como contesta a cobrança cumulativa a multa isolada com a multa de ofício calculada sobre o imposto e contribuição apurados no ajuste anual. No que se refere à alegada decadência do direito de o Fisco proceder ao lançamento da multa isolada, há de se observar, primeiramente que o AuditorFiscal autuante consignou no Termo de Verificação Fiscal nº 02/2008.001018, de acordo com a tabela de fls.1695, que não houve recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL nos meses de junho, julho, agosto, setembro e novembro do anocalendário de 2005. Acerca da questão, a jurisprudência administrativa tem adotado o seguinte entendimento: a) para fins de cômputo do prazo de decadência, tendo havido pagamento antecipado (sujeito portanto à homologação), aplicase a regra do §4º, do art. 150, do CTN, contandose o prazo a partir da data da ocorrência do fato gerador. (...) b) para fins de cômputo de prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art.173, inciso I do CTN, pouco importando se houve ou não declaração, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. (...) Deste modo, em relação às multas pela falta de recolhimento das estimativas de IRPJ e CSLL de junho, julho, agosto, setembro e novembro do anocalendário de 2005, meses em que a contribuinte não efetuou recolhimentos, há de se aplicar, para fins de cômputo do prazo de decadência, a regra contida no artigo 173, inciso I, do CTN, ou seja, cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Sendo assim, para as estimativas ora em análise, a multa isolada de 50% só poderia ser lançada a partir de 31/12/2005, tendo em vista que, dentro do próprio ano calendário, o lançamento de ofício exigiria as estimativas de IRPJ e CSLL acrescidas de juros e multa de ofício vinculada de 75%. Fl. 15242DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001696/201029 Acórdão n.º 1301001.361 S1C3T1 Fl. 29 55 Como o lançamento da multa isolada sobre as estimativas não recolhidas em 2005 somente poderia ter sido efetuado a partir de 1º/01/2006, termo inicial para a contagem do prazo decadencial é 1º/01/2007 (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado). Deste modo, o prazo para o Fisco realizar o lançamento relativamente às multas isoladas em apreço expirarseá em 1º/01/2012. Tendo sido o lançamento efetuado em 17/12/2010, é certo que o lançamento das multas isoladas não havia sido alcançado pela decadência. Convém reforçar que a contribuinte, ao infringir a legislação de regência, deixando de pagar ou recolher tributo (IRPJ/CSLL Estimativa e IRPJ/CSLL no ajuste) e não declarar ou prestar declaração inexata, ficou sujeita à multa de ofício prevista no art.44 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 15/06/2007, que assim dispõe: (...) Por fim, a decisão recorrida manteve as multas isoladas e a incidência dos juros sobre a multa de ofício pelos fundamentos já conhecidos, julgandose assim, procedente o lançamento. Devidamente cientificada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando os fatos sucedidos, e argumentando na sequência pela necessidade de conversão do julgamento em diligência para os fins de comprovar todos os seus argumentos, arrazoando especificadamente em cada item o motivo pelo qual entende imprescindível a realização da diligência. Passou a recorrente, a exemplo do expediente adotado na Impugnação, a defender cada item glosado, argumentando, em apertado resumo, que em relação à CONTA “ESCROW”, os ”recebimentos de escrow” apontados pela fiscalização como sendo omissão de receita não representam qualquer acréscimo patrimonial, mas, reembolso de valores/recomposição do patrimônio, em razão do contrato de compra e venda e do preço acordado entre a matriz espanhola do Banco Santander Central Hispano S/A (compradora) e o Banco Bozano Simonsen Financial Holdings Ltd (vendedor), que não se confunde com renda ou lucro. No tocante à glosa das “PROVISÕES PARA CONTINGÊNCIAS TRABALHISTAS E DESPESAS DE OUTRAS PROVISÕES”, aduziu que as sobreidtas despesas representam montantes efetivamente despendidos, como demonstrado e comprovado no curso da ação fiscal, motivo pelo qual, tratandose de despesas operacionais, foram corretamente deduzidas pelo contribuinte, com base no art. 299 do RIR/99. Em relação ao item “OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS”, argumentou, também em resumo, que como instituição financeira e sociedade anônima, o regular funcionamento da empresa está condicionado à contratação de serviços administrativos que geraram as referidas despesas. Assim, os gastos que compõem a conta "Outras Despesas Operacionais" representam despesas de natureza operacional, que são dedutíveis para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Quanto às “DESPESAS COM REMUNERAÇÃO DE INTERVENIÊNCIA DE TERCEIROS (SISTEMA “EN”, aduziu que tais despesas se referem à equalização de taxa paga ao cliente em contratos de CDCI (Contrato de Abertura de Crédito para Financiamento a Consumidor Final) nos casos em que a taxa ajustada entre o recorrente e o cliente é menor que Fl. 15243DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 56 a taxa ajustada entre o cliente e seus compradores (consumidor final) e que apresentou à Fiscalização cópias do livro razão, explicação acerca da natureza da conta contábil destinada ao registro dessa operação e o contrato padrão de CDCI, os quais demonstram a origem e composição dessas despesas, de sorte que não se poderia admitir que tais despesas sejam simplesmente desconsideradas e tidas como indedutíveis, uma vez que relacionadas ao objeto social do contribuinte na qualidade de instituição financeira. Seguiu defendendo que em relação à “DESPESA AUTORIZADA PARA RESULTADO DE AGÊNCIA”, foram apresentadas cópias do Livro Razão demonstrando os lançamentos contábeis referentes à conta interna contábil 946488, em que foram registradas as despesas em análise e foi esclarecido que a referida conta se destina a registrar as despesas com pendências oriundas de diferenças apuradas pelos sistemas operacionais da recorrente nas agências e nos departamentos, sendo que a fiscalização e DRJ desconsideraram a documentação contábil apresentada e as explicações prestadas pelo recorrente, mas a antiga Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte já entendeu que a escrita contábil faz sim prova em favor do contribuinte, cabendo à fiscalização produzir provas em sentido contrário (Acórdão 10706.966), de sorte que os argumentos da fiscalização e da DRJ, não demonstram a indedutibilidade de tais valores, em vista dos requisitos trazidos pelo artigo 299 do RIR, mas apenas e tão somente a mera presunção desses fatos, desprezando o que está comprovado nas demonstrações contábeis apresentadas, o que não pode legitimar os lançamentos de ofício ora combatidos. No Mais, quanto às “DESPESAS DE COMISSÃO CP CONVÊNIO”, defendeu que conforme documentos comprobatórios e esclarecimentos prestados durante o procedimento de Fiscalização, tais despesas são relativas a comissões pela intermediação de terceiros nas operações de concessão de crédito pessoal, tratandose, portanto, de despesa normal, usual e necessária à realização do objeto social do Banco recorrente, por consequência, dedutível para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL (art.299, do RIR/99). No que toca às “DESPESAS DE PIS E COFINS”, argumentou que a diferença entre o valor declarado em DCTF e o deduzido em DIPJ decorre do fato de que na DCTF foram indicados apenas os valores a pagar para o PIS e da COFINS, enquanto o valor total deduzido como despesa representa o montante efetivamente devido no anocalendário 2005, sendo que as despesas efetivas, que são dedutíveis, são as contribuições devidas e recolhidas no período e a comprovação dos pagamentos acostados aos autos demonstra que os recolhimentos efetuados a título de PIS e COFINS superam o valor deduzido e apesar da divergência entre a DCTF e DIPJ, não há duvida de que o recorrente efetuou recolhimento de PIS e COFINS suficientes as despesas incorridas. Insistiu na ”ILIQUIDEZ E INCERTEZA DO AUTO DE INFRAÇÃO – AUSÊNCIA DE COMPENSAÇÃO COM CRÉDITO DE CSLL”, mencionando que caso não acolhidos os argumentos acima expostos, suficientes para reforma da decisão recorrida, ainda assim os autos de infração não merecem subsistir dada a existência de nulidade insanável, consistente no erro de cálculo, cometido pela fiscalização, na apuração dos valores devidos. De fato, com base no com o art. 8º da MP 2.15835/2001, o recorrente apurou e escriturou créditos de CSLL, conforme documentação anexada aos autos. Contudo, pela análise dos cálculos de CSLL a pagar elaborados nos autos de infração, a Autoridade Fiscal não considerou os créditos detidos pelo contribuinte e deixou de compensálos com 30% dos supostos débitos apurados. Caso a fiscalização tivesse efetuado a compensação dos créditos, como seria de rigor, teria apurado valores bem inferiores aos exigidos. Nesse sentido, restam não atendidos os requisitos de liquidez e certeza exigidos pelo art. 149 do CTN para a validade do lançamento de ofício. Fl. 15244DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001696/201029 Acórdão n.º 1301001.361 S1C3T1 Fl. 30 57 Por fim, arrazoou acerca da inaplicabilidade da “MULTA ISOLADA”, porquanto calculada sobre as estimativas mensais de IRPJ e de CSLL e sobre as quais teria se operado a decadência do direito de o Fisco proceder ao lançamento, conforme estabelecido no § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional (CTN) e, de qualquer forma, seria impossível a cobrança da multa isolada após o enceramento do período base objeto de lançamento de ofício, bem como sua duplicidade com outra penalização. Tornou a argumentar a “EXIGÊNCIA DA CSLL RELATIVA AO ANO CALENDÁRIO 2006 – NECESSIDADE DE SOBRESTAMENTO DO PROCESSO”, ao argumento de que no TVF nº 03, a fiscalização entendeu pela lavratura de auto de infração para constituir e exigir a CSLL referente ao anocalendário 2006, afirmando que, com a lavratura da presente autuação e recomposição da BC da CSLL, ano calendário 2005, bem como dos lançamentos objeto dos PAF´s nº 16643.000055/201074 e 16643.000144/201011, teria o recorrente compensado indevidamente base de cálculo negativa de CSLL, ano calendário de 2006. Dessa forma, considerando que a manutenção ou não de base negativa de CSLL a ser compensada depende da manutenção dos lançamentos nos processos administrativos citados, é necessário o sobrestamento do presente processo no que diz respeito a esse ponto, até que seja proferida decisão definitiva nos referidos autos, insurgindose ainda contra a aplicação dos juros sobre a multa de ofício. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas Contrarrazões, defendendo a manutenção da decisão recorrida, iniciandose pela desnecessidade de realização de diligência ou perícia, porquanto o recorrente apenas alega, genericamente, a necessidade de diligência, não apresentado, objetivamente, razões plausíveis a fundamentar seu pedido, donde se conclui pela desnecessidade da medida e pretensão de protelar o desfecho do processo administrativo fiscal que lhe é desfavorável. No mais, passou a descortinar cada item da glosa, apresentando substanciosas razões para manutenção da decisão recorrida e, por conseguinte, das imputações da fiscalização. Posteriormente, o recorrente apresentou complemento ao Recurso Voluntário, arguindo em relação à conta “Escrow”, que os valores excluídos foram recebidos, conforme amplamente demonstrado nos autos, a título de recomposição patrimonial em virtude de contrato de compra e venda celebrado (em 18/01/00) entre a empresa Bozano, Simonsen Financial Holdings Ltd, e o Banco Santander Central Hispano S/A, não configurando, portanto, renda ou lucro para fins de tributação pelo IRPJ e CSLL, destacando que após a interposição do Recurso, no dia 23/11/2011, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais reconheceu, por unanimidade de votos, no processo administrativo n° 16327.002123/200717, que trata sobre a mesma matéria ora em análise, a improcedência do lançamento fiscal. Passou na sequência a destacar trecho do voto proferido pelo Relator Valmir Sandri, ao afirmar que “ao prover os recursos para seu pagamento, o sócio não proporcionou nenhum acréscimo patrimonial ao Recorrente, mas apenas neutralizou o decréscimo que lhe causara, ao seremlhe atribuídos lucros a maior (ou prejuízos a menor) que os existentes naqueles períodos. Dessa forma, a formalização dos registros contábeis dos fatos que compuseram a operação não altera seus efeitos fiscais.". É o relatório. Fl. 15245DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 58 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Tal como circunstanciado no minudente relatório elaborado acima, cuidase na espécie de autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, relativos aos anoscalendário 2005 e 2006 (fls. 1.721 e 1.729), tendo a Fiscalização apurado (fls. 1.649 a 1.714), com chancela da decisão impugnada, os seguintes fatos: i) RECEBIMENTO DE ESCROW: não houve trânsito por resultado do ingresso de R$ 41.860.374,45 (anocalendário 2005) e R$ 123.903.182,70 (anocalendário 2006), a título de “Recebimentos Escrow”, que acarretou acréscimo de patrimônio, materializado na conta 1.8.8.85.004 VALORES A RECEBER DE SOCIEDADES LIGADAS, conta interna 305031 – GRAND CAYMANBSB, tampouco adição nas fichas 09 e 17 da DIPJ, e segundo apurouse, estes ingressos configuram receita não operacional passível de tributação, de sorte que por inexistir previsão legal de isenção, ficou caracterizada a infração de omissão de receita não operacional; ii) PROVISÕES PARA CONTIGÊNCIAS TRABALHISTAS: não foram atendidos os requisitos legais na dedução de R$ 24.094.392,72, efetuado pela contribuinte na Linha 30 da Ficha 05 da DIPJ, a título de “DESP PROV CONTIGÊNCIAS TRABALHISTAS”, com a correspondente adição nas Fichas 09 e 17 da DIPJ de apenas R$ 4.788.433,73, restando R$ 19.305.959,00 a justificar e comprovar, porquanto a contribuinte teria justificado com documentação comprobatória apenas para o valor de R$ 4.0140851,01, resultando indevida a dedução de R$ 15.291.107,00 nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL do anocalendário 2005; iii) DESPESAS DE OUTRAS PROVISÕES: não demonstração dos requisitos legais na dedução de R$ 4.898.589,93, anocalendário 2005, efetuada pelo contribuinte na Linha 30 da Ficha 05 da DIPJ, a título de “DESP DE OUTRAS PROVISÕES”, sem que tenha havido a correspondente adição nas Fichas 09 e 17 da DIPJ; iv) DESP FININTERV TERCEIROS – SISTEMA “EN”: não comprovação do valor de R$ 8.479.470,36, anocalendário 2005, deduzido a título de DESP FIN INTERV TERCEIROS SISTEMA, não obstante a contribuinte tenha sido intimada e reintimada para apresentação da documentação pertinente; v) DESP AUTORIZ P/ RESULTADO AGÊNCIAS: não comprovação do valor de R$ 2.657.265,19, anocalendário 2005, deduzido a título de DESP AUTORIZ P/ RESULTADO – AGÊNCIAS, apesar das inúmeras oportunidades concedidas ao contribuinte para apresentação da documentação comprobatória, bem assim do fundamento jurídico da dedutibilidade; vi) OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS II: não comprovação do valor de R$ 2.193.761,95, anocalendário 2005, deduzido a título de OUTRAS DESPESAS Fl. 15246DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001696/201029 Acórdão n.º 1301001.361 S1C3T1 Fl. 31 59 OPERACIONAIS, sem prejuízo da intimação e reintimação para apresentar documentação e informações relativas ao fundamento jurídico da dedutibilidade; vii) – DESP JUROS SOBRE PASSIVO ATUARIAL: o contribuinte deduziu o valor de R$ 26.439.000,00, anocalendário 2005, a título de DESP JUROS S/PASSIVO ATUARIAL. A partir de documentação apresentada à fiscalização, constatouse que os valores deduzidos têm natureza jurídica de provisão, porém não se enquadram entre as hipóteses de dedutibilidade autorizada pelo RIR/99; viii) – PERDA ATUARIAL NÃO RECONHECIDA: dedução de R$ 24.105.000,00, anocalendário 2005, a título de PERDA ATUARIAL NÃO RECONHECIDA. A partir de documentação apresentada à fiscalização, constatouse que os valores deduzidos têm natureza jurídica de provisão, porém não se enquadram entre as hipóteses de dedutibilidade autorizada pelo RIR/99; ix) – DESPESAS DE COMISSÃO CP CONVÊNIO: dedução do valor de R$ 9.074.126,55, anocalendário 2005, a título de DESP C/ COMISSÕES CP CONVÊNIO. Intimado e reintimado, apresentou documentação comprobatória apenas de R$ 2.448.180,85, razão pela qual a diferença foi objeto de lançamento de ofício; x) – DEDUÇÃO DE COFINS E PIS: o contribuinte deduziu na DIPJ ano calendário 2005, os valores de R$ 4.037.882,12 e R$ 24.848.505,35, respectivamente, a título de PIS e COFINS. Em DCTF declarou débitos apurados de R$ 3.714,275,56 para o PIS e R$ 23.161.788,36 para COFINS, resultando numa dedução a maior de R$ 2.010.325,55 a título desses tributos. xi) – CSLL: as infrações identificadas nos anoscalendário 2005 e 2006, influenciaram na base de cálculo da estimativa do IRPJ e CSLL, determinando a sua recomposição. A partir dos valores de pagamento não efetuados foi calculada multa de ofício no percentual de 50% (art. 44, II, ‘b’, da Lei n.º 9.430/96). Sendo estas as glosas levadas a efeito, seguindo o critério de enfrentamento da decisão recorrida e o modelo de impugnação contido no Recurso Voluntário, apresentase conveniente uma análise de cada item, facilitando assim a compreensão e deslinde do feito em apreço. I – DAS ALEGAÇÕES PRELIMINARES Considerando o mister proposto no parágrafo precedente, de enfrentar cada item da autuação, merece análise preliminar a alegação da recorrente de necessidade de conversão do julgamento em diligência, para, como alegou a contribuinte, “comprovar a legitimidade de todas as alegações formuladas em defesa”. Quer me parecer, pela simples proposição lançada pela contribuinte de que a perícia/diligência se prestaria para “comprovar todas as alegações”, que seu pleito é sobremodo genérico e com nítida feição protelatória. Com efeito, nada há especificadamente alegado que evidencie a necessidade da pretendida diligência, evidenciandose ao contrário, que a matéria tributável está perfeitamente delineada, de sorte que a presença deste ou daquele documento comprobatório é questão que influenciará na procedência ou não do lançamento, não implicando com isso, que Fl. 15247DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 60 se deva promover novo procedimento fiscalizatório para “comprovar os argumentos de defesa”. Tanto é assim, que a decisão impugnada, certa ou errada, enfrentou satisfatoriamente todas as imputações da fiscalização e os argumentos e provas da defesa, conquanto os tenha refutado. Insisto, portanto, que a correção ou não do conteúdo decisório é matéria que será avaliada adiante, mas nada há que revele a necessidade da pretendida diligência. Sendo assim, ratifico o entendimento da decisão impugnada no sentido de rejeitar o pleito de conversão do julgamento em diligência. II – DO MÉRITO Superada a questão preliminar, segundo a qual atestouse desnecessária a conversão do julgamento em diligência, apresentase oportuno o enfretamento do mérito envolvido na presente autuação, cuidando assim, de analisarse cada uma das glosas levadas a efeito. II.1 – RECEBIMENTOS DA CONTA “ESCROW” Mediante a precitada glosa, a Fiscalização concluiu que a recorrente omitiu das bases de cálculo do IRPJ e CSLL, anoscalendário 2005 e 2006, receitas não operacionais no valor de R$ 41.860.374,35 e R$ 123.903.182,70, respectivamente, correspondentes ao ingresso de recursos no patrimônio a título de “recebimento Escrow” (conta COSIF 1.8.8.85.004 e conta interna 305031), sendo que os valores recebidos na conta Escrow decorrem do contrato de compra e venda do Grupo Meridional e no negócio jurídico em comento figuraram como vendedor Bozano, Simonsen Financial Holdings Ltd. e comprador Banco Santander Central Hispano S/A. A recorrente tem sustentado que os valores excluídos foram recebidos a título de recomposição patrimonial, em virtude de contrato de compra e venda celebrado em 18/01/00 entre as empresas acima aludidas, não configurando, destarte, renda ou lucro para fins de tributação pelo IRPJ e CSLL. Como noticiado pela própria Procuradoria da Fazenda Nacional em suas Contrarrazões, no negócio jurídico que desencadeou os pagamentos glosados, em que figuraram como vendedor Bozano, Simonsen Financial Holdings Ltd. e comprador Banco Santander Central Hispano S/A, ficou disposto na cláusula 5.1 do instrumento que “o Vendedor assume total responsabilidade por quaisquer prejuízos que possam surgir para o Grupo e/ou para o Comprador como consequência de qualquer violação pelo Vendedor de seus compromissos, de suas Declarações e Garantias ou de ambos. Além disso, o Vendedor obrigase a indenizar totalmente o Grupo ou o Comprador, de acordo com a escolha do comprador por (i) qualquer diferença a menor entre a contraprestação líquida efetivamente obtida na alienação dos Ativos não Operacionais e o seu respectivo Valor Intermediário, como mais precisamente disposto na Cláusula 6.1.; (ii) quaisquer prejuízos (incluindo honorários ou despesas) que possa surgir para o Grupo dos Processos Judiciais Remanescentes, no valor que ultrapassar as provisões contidas nas Demonstrações Financeiras Pro Forma Auditadas para cada Processo Judicial remanescente e (iii) quaisquer passivos contingentes.” Temse um panorama, segundo o qual a recorrente entende que pela aludida cláusula o vendedor ficou obrigado a indenizarlhe por qualquer obrigação contingente, assim entendida como “qualquer obrigação real ou em potencial do Grupo não prevista ou Fl. 15248DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001696/201029 Acórdão n.º 1301001.361 S1C3T1 Fl. 32 61 integralmente prevista nas Demonstrações Financeiras Pro Forma Auditadas, inclusive, entre outras, quaisquer obrigações tributárias ou fiscais, a menos que outro recurso específico para compensação econômica esteja previsto no Contrato”, sendo que os valores glosados foram meros cumprimentos da obrigação assumida pelo vendedor e ocorreram por meio da abertura de uma conta no Banco Santander Brasil Internacional Ltda., denominada “conta de caução” (escrow account), pela qual o vendedor efetuava os depósitos necessários para o cumprimento das obrigações assumidas no item 5.1 do contrato, sendo que os valores foram recebidos, portanto, a título de reembolso, pois não efetuou o pagamento de dívidas próprias, mas sim de responsabilidade do antigo Grupo Meridional. Presente o argumento da recorrente e tal como fez em petição de complemento ao Recurso Voluntário, para deslindar esta questão não se pode distanciarse do que esta Turma Julgadora decidiu por ocasião do julgamento do processo administrativo n° 16327.002123/200717, no qual analisandose coincidente operação, envolvendo as mesmas partes, decidiuse que “ao prover os recursos para seu pagamento, o sócio não proporcionou nenhum acréscimo patrimonial ao Recorrente, mas apenas neutralizou o decréscimo que lhe causara, ao seremlhe atribuídos lucros a maior (ou prejuízos a menor) que os existentes naqueles períodos.” Com efeito, ao analisarse aquele caso, no qual a fiscalização, em vista da mesma transação aqui discutida, acusava o contribuinte de, indevidamente, não ter computado no seu resultado "ingressos não decorrente das atividades operacionais da pessoa jurídica, caracterizado pelo recebimento de valor contratual e livremente avençado pelas partes", manifestando entendimento de que se tratava de renda tributável, da espécie acréscimo patrimonial de que trata o art. 43, II, do Código Tributário Nacional, o relator, eminente Dr. Valmir Sandri, propôs que se identificassem as partes envolvidas, fazendo a seguinte e coincidente listagem: “1 Bozano, Simonsen Holding Ltd., sociedade com sede nas Ilhas Cayman (Bozano Holding Cayman) (CONTRATANTE VENDEDOR); 2. Banco Santander Central Hispano S/A., com sede em Madri (BSCH Espanha). (CONTRATANTE COMPRADOR); 3. Banco Meridional S/A., com sede em Porto Alegre, Rio Grande do Sul (OBJETO DO CONTRATO); 4. Banco Bozano, Simonsen S/A., CNPJ 33.517.640/000122, (que posteriormente teve sua denominação alterada para Banco Santander S/A.), sociedade controlada por Banco Meridional S/A.; 5. Banco Santander S/A. (o Recorrente), CNPJ 90.400.888/000142, nova denominação adotada, após reestruturação societária, por Banco Santander Banespa S/A.”. Após segregar as partes, visando assim demonstrar o papel de cada uma na operação, o relator do precedente em descortino, que, aliás, para além de mero precedente se traduz em caso paradigmático com as mesmas partes envolvidas, delineou o que nominou de “resumo das operações”, para imediatamente aludir a cláusula 5.1, que acima mencionei e que trazia em seu bojo o dever de o vendedor indenizar o comprador, concluindose também nos termos do contrato, que o comprador e o vendedor se obrigaram a abrir uma conta de caução no exterior (Escrow Account), sendo Agente de Caução, conforme aditivo de 05/05/2000, o Fl. 15249DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 62 Banco Santander Brasil International Ltd. E após a assinatura do contrato (original em 18/01/2000, e aditivo em 05/05/2000), foi lavrado auto de infração contra o Banco Bozano, Simonsen S/A. (que mais tarde teve sua denominação alterada para Banco Santander S/A.), quanto a fatos ocorridos no período de 1995 a 1998, surgindo assim a obrigação contingente que nos termos do contrato era de responsabilidade do vendedor, Bozano Simonsen Holdings Ltd. (Cayman). Ainda em sede de julgamento do PA 16327.002123/200717, consagrouse que o contribuinte havia pagado, na qualidade de sucessor do Banco Bozano, Simonsen S/A., débito fiscal determinado, de sorte que, nos termos do contrato de compra e venda firmado, Bozano Holdings (Cayman) era responsável por essa obrigação fiscal, o comprador (BSCH Espanha) informou ao vendedor (Bozano HoldingsCayman) que o Banco Santander S/A. (o Recorrente) adiantaria os recurso para o pagamento, e que esse valor seria retirado da conta de caução, sendo que o Recorrente, ao efetuar o pagamento da obrigação fiscal, contabilizou o valor correspondente como "Valores a Ressarcir de sociedades ligadas — BSB Cayman", consagrandose que toda a questão discutida naquele processo girava em torno desse valor, que correspondia à obrigação fiscal do antigo Banco Bozano, Simonsen S/A., quitada pelo então Recorrente. Marcado o limite objetivo naquele caso, assentou o Relator que a Fiscalização considerara que ao ser ressarcido do valor correspondente ao pagamento dos DARFs por uma coligada no exterior, o Recorrente obteve um acréscimo patrimonial (receita não decorrente de sua atividade operacional) que deveria ter sido oferecida à tributação e que por outro lado, argumentava o Recorrente que não obteve nenhum acréscimo patrimonial, que o valor recebido foi um reembolso, porque teria adiantado os recursos para fins de pagamento de responsabilidade de Bozano Hoding, recursos esses que estavam depositados na conta de caução para esse fim. Com esta consideração factual conclusiva, o relator apresentou entendimento, sufragado pela unanimidade da Turma Julgadora, inclusive por mim na qualidade de vogal, de que o Recorrente estava a confundir duas obrigações: (1) obrigação própria, na condição de sucessora do Banco Bozano, Simonsen S.A. (CNPJ 33.517.640/000122), de pagar o crédito tributário objeto do processo administrativo fiscal que ali se aludia e (2) obrigação de Bozano, Simonsen Holdings Ltd (Cayman) de indenizar sua controladora Santander Central Hispano S/A (Espanha) por obrigação contingente, nos termos do contrato, coincidente ao que aqui se aventa. Não escapou ao Relator o conteúdo do Parecer Técnico Contábil do destacado Professor Eliseu Martins, acerca do correto tratamento contábil dos recursos pagos pelo Bozano, Simonsen Financial Holdings Ltd., e que deram origem aos lançamentos litigados, revelando dissenso do doutrinador ao pontuar que sua conclusão, contudo, rogando a mais respeitosa vênia, era equivocada por ter partido de uma premissa também equivocada de que a indenização (reembolso) era devida ao Banco Santander S.A.(pessoa jurídica domiciliada no Brasil), quando, na realidade, era devida ao Banco Santander Central Hispano S.A. (pessoa jurídica domiciliada na Espanha). O entendimento que ficou sufragado no PA 16327.002123/200717, foi de que para o Santander Central Hispano S/A., a indenização recebida do vendedor Bozano, Simonsen Holding Ltd. (o valor sacado da conta de caução e repassado ao Recorrente) equivale, em última análise, uma redução do preço pago pelas ações do Meridional, para ajustálo ao valor líquido da contingência, todavia, para o Recorrente, não teria natureza de indenização, ou reembolso por encargos pagos em nome de terceiros, como sustentado pela defesa naquele e neste caso, porquanto o encargo era seu, na qualidade de sucessor do autuado Fl. 15250DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001696/201029 Acórdão n.º 1301001.361 S1C3T1 Fl. 33 63 e o contrato pelo qual a sociedade espanhola (BSCH) adquiriu de Bozano Holdings as ações do Meridional (preço de venda, condições de pagamento, indenizações, etc.), produziria efeito no resultado apurado pelas duas partes contratantes, mas não influencia o resultado da sociedade adquirida (e suas sucessoras). Portanto, apenas para deixar assentada a premissa, pois o como se verá adiante o resultado foi favorável à contribuinte, é importante deixar assentado que não se reconheceu naquela sede a natureza de indenização ou reembolso aos valores recebidos na conta “Escrow”. O que se concluiu naquele feito, foi que não houve para o Recorrente, um acréscimo patrimonial tributável, como havia entendido a fiscalização, representado por ingresso de recursos decorrentes de atividade não operacional, pois, de fato, as despesas com tributos eram de anos anteriores (1995 a 1998), e, por tal motivo, não haviam sido contabilizadas naqueles anos (provisionados), provocaram aumento indevido do resultado daqueles períodos (podendo, eventualmente, tais resultados ter sido disponibilizado aos sócios), de sorte que ao prover os recursos para seu pagamento, o sócio não proporcionou nenhum acréscimo patrimonial ao Recorrente, mas apenas neutralizou o decréscimo que lhe causara, ao seremlhe atribuídos lucros a maior (ou prejuízos a menor) que os existentes naqueles períodos, concluindose que a formalização dos registros contábeis dos fatos que compuseram a operação não altera seus efeitos fiscais e que na realidade, o que ocorreu foi que o valor (por hipótese, 1.000 unidades monetárias) correspondente a IR e CSLL lançados de ofício (Processo n° 10768.008506/0095, anoscalendário de 1995 a 1998 – que gerou o pagamento que posteriormente desencadeou o depósito na conta Escrow) não foi provisionado e se, em 2003, o lançamento tornouse definitivo e o Recorrente, Santander S.A. (antigo Meridional) recebeu do seu único acionista (Santander Hispano) os recursos para pagar o débito, de forma a neutralizar os efeitos da disponibilização nos anos de 1995 a 1998, de lucros inexistentes (correspondentes às despesas com tributos não reconhecidas). O que se considerou, portanto, foi tratarse, em última análise, de absorção de prejuízo à conta de sócio, que a jurisprudência deste Conselho reconhece não representar ganho tributável, mencionando os acórdãos 10806.493, de 19/04/2001, e 10709.575, de 16 de dezembro de 2008 e, decidiuse, portanto, que uma vez que a despesa com os tributos não afetou o resultado dos períodos objeto do lançamento, e os recursos que ingressaram no caixa do Recorrente não puderam ser configurados como acréscimo patrimonial, não haveria como prevalecer a presente exigência. Vejase diante disso, que o fundamento para a improcedência daquela glosa foi de que o valor recebido na conta Escrow não representou naquela hipótese acréscimo patrimonial tributável por acepção típica aquele caso, sufragandose o entendimento de que à Recorrente não se aplicava o conceito de indenização ou reembolso, sendo importante para o deslinde do feito, deixar assentado que a exemplo daquele caso, os valores aqui mencionados ao serem providos os recursos para seu pagamento, o sócio não proporcionou nenhum acréscimo patrimonial ao Recorrente, mas apenas neutralizou o decréscimo que lhe causara, ao seremlhe atribuídos lucros a maior (ou prejuízos a menor) que os existentes naqueles períodos, já que as dívidas eram anteriores à transação de compra e venda que implicou nos depósitos na conta Escrow. Fl. 15251DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 64 Sendo assim, neste tópico específico entendo que não há acréscimo patrimonial a ser tributado e encaminho meu voto no sentido de reformar a decisão recorrida, neste tópico, e cancelar a glosa levada a efeito. II.2 – DAS PROVISÕES PARA CONTIGÊNCIAS TRABALHISTAS E DESPESAS DE OUTRAS PROVISÕES Seguindo a ordem das imputações feitas ao Recorrente, conveniente o enfretamento da glosa relativa às Provisões para Contingências Trabalhistas, sendo certo que o Recorrente tem defendido o equívoco da Fiscalização e da decisão recorrida ao considerarem indedutíveis as provisões com contingências trabalhistas que alega terem se materializado em efetiva sucumbência, ou seja, tornaramse despesas incorridas. Após elaborar detida planilha na qual demonstra numericamente os valores que teriam sido efetivamente dispendidos com sucumbências e acordos trabalhistas, cujo montante representaria R$ 19.305.959,00, asseverou a recorrente que diante da dita planilha a Fiscalização dispunha de meios para e condições de diligenciar perante os respectivos foros e confirmar as sucumbências que derem origem às referidas despesas, mas não o fez, glosando as por presunção sem a devida investigação. O próprio Recorrente alegou que não desconhece que os referidos processos trabalhistas tramitaram por diversas comarcas do Brasil, sendo extremamente difícil obter o comprovante de todos os pagamentos e depósitos realizados, mas relembrou que a decisão recorrida indeferiu seu pedido de diligência por considerar que o processo se achava suficientemente instruído para julgamento, de sorte que não poderia, como o fez, entender que a prova deveria ter sido juntada com a Impugnação. Neste ponto específico da controvérsia instaurada, entendo que assiste razão à decisão recorrida ao considerar que o contribuinte não se desincumbiu, intimado para tanto, do mister de comprovar documentalmente que os valores glosados a título de provisões se efetivaram em despesas incorridas. Correta a alegação da Procuradoria ao aduzir que “é ônus do contribuinte produzir prova de que as provisões não dedutíveis tornaramse perdas efetivas e que elas atendem aos requisitos do artigo 299 do RIR/99. É um fato constitutivo do direito do contribuinte de poder deduzilas da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL.”. Ora sendo inconteste esta premissa, não se pode olvidar que no intuito de comprovar as contingências trabalhistas, o Recorrente apresentou apenas razões contábeis com os lançamentos efetuados no fluxo contábil das provisões trabalhistas, a despeito de inúmeras vezes, a Fiscalização têlo intimado a justificar a diferença entre o valor das despesas de provisão para contingências trabalhistas deduzidas e respectiva adição na DIPJ, apresentando a documentação comprobatória da efetividade das despesas. Segundo a Recorrente, no entanto, apresentou documentos comprobatórios apenas do valor de R$ 4.917.888,36, bem abaixo do valor que deduzido a título de pagamento de ações trabalhistas, sendo certo que Fiscalização já entendeu justificado o montante de R$ 4.014.851,01 e, portanto, restou R$ 15.291.107,00 sem prova e que resultaram em redução indevida da base de cálculo do IRPJ e CSLL. Não se infirma, em hipótese alguma, a premissa de que a escrituração faz prova em favor do contribuinte, é que novamente assiste razão à Procuradoria quando aduz não ser possível prova por amostragem, de sorte que o Recorrente apresentou documentação que atestou o efetivo dispêndio de determinados valores, subsidiando e validando sua escrituração, nas não foi capaz de fazêlo integralmente, de sorte que não se pode ao mero fundamento de Fl. 15252DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001696/201029 Acórdão n.º 1301001.361 S1C3T1 Fl. 34 65 que a contabilidade faz prova em seu favor chancelar uma dedução sem a devida comprovação que a provisão se tornou efetiva despesa. Sendo assim, em relação aos valores que o Recorrente não apresentou efetiva prova da despesa incorrida com sucumbência e/ou acordo trabalhista, entendo que deva prevalecer a decisão recorrida, devendose exonerar os lançamentos, no entanto, em relação aos valores comprovados, por acordos trabalhistas, sentenças ou acórdãos, desde que acompanhados do efetivo pagamento. Quanto aos valores escriturados a título de “OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS II”, como bem atestou a decisão recorrida a contribuinte não carreou aos autos qualquer elemento que subsidiasse os lançamentos contábeis, evidenciando a efetiva despesa e seus atributos para a dedutibilidade, de sorte que se deve prestigiar o entendimento segundo o qual as provisões dedutíveis são aquelas constantes da legislação tributária, o que não é o caso dos autos, conclusão que nos leva a assinalar que cabia à recorrente produzir provas de provas de que as provisões em discussão tornaramse despesas pagas ou incorridas e também passíveis de dedução (artigo 299 RIR/99). Como não o fez, correto o lançamento efetuado, e a decisão recorrida. II.3 – DAS DESPESAS DE OUTRAS PROVISÕES Sob este título entendeu a Fiscalização e a decisão recorrida que o contribuinte não teria demonstrado os requisitos legais na dedução de R$ 4.898.589,93, ano calendário 2005, efetuada pelo contribuinte na Linha 30 da Ficha 05 da DIPJ, a título de “DESP DE OUTRAS PROVISÕES”, sem que tenha havido a correspondente adição nas Fichas 09 e 17 da DIPJ. A contribuinte tem sustentado, desde a Impugnação, que do valor de R$ 4.898.589,93, uma parcela de R$ 1.491.067,15 referese a valores despendidos no exercício do seu objeto social, e a parcela restante, no valor de R$ 3.407.522,78, aduz que teria adicionado à base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Tais argumentos foram enfrentados pela decisão recorrida, que ao meu sentir conferiu correta avalição e sopesou as ditas ‘provas’ produzidas pela contribuinte. Com efeito, como bem destacado no aresto impugnado, na escrituração do recorrente (fls. 500 – 501), constou o histórico de “Provisão para Ativos”, incluídas referências a provisões para ativos, contingências administrativas e devedores diversos, no valor total de R$ 4.898.589,93, tendo a Fiscalização assentado que o recorrente nada adicionou na Ficha 09/Linha 20 da DIPJ, em relação a este valor. Reputou a Fiscalização e a decisão recorrida, que o valor do Razão, citado acima, conferiu com o valor deduzido, mas o exame do histórico evidenciou que as despesas em questão nutriam caráter de provisões não dedutíveis, ou seja, a conclusão foi por não se verificar presentes os requisitos autorizadores da dedutibilidade. Sendo assim, quer me parecer um tanto frágil a alegação da contribuinte de que a parcela do valor deduzido, no importe de R$ 1.491.067,15, “se refere a valores efetivamente despendidos pelo Recorrente no exercício do seu objeto social”. Presente o fundamento da glosa, falta dos requisitos da dedutibilidade, cumpria à contribuinte comprovar para além do efetivo dispêndio a natureza dos valores e seus atributos para dedutibilidade. Fl. 15253DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 66 Aliás, como já assentou a decisão recorrida o contribuinte trouxe apenas seus apontamentos contábeis e um memorial de cálculo (fls. 1.792 – 1.793), que não se prestam, por si só, a infirmar as constatações da Fiscalização. Em relação à diferença de R$ 3.407.522,78, alega o recorrente que não haveria falar em dedução indevida, porquanto a aludida diferença fora adicionada à base de cálculo do IRPJ e da CSLL, tendo a decisão recorrida se manifestado no sentido de estar ausente tal comprovação. II.4 – DAS DESPESAS COM REMUNERAÇÃO DE INTERVENIÊNCIA DE TERCEIROS Tal como registrado acima, a Fiscalização entendeu que houve dedução indevida da quantia de R$ 8.479.470,36, porquanto o recorrente não teria apresentado a documentação que comprovasse natureza e a efetividade dessa despesa, registrandose que não seriam suficientes, no mister comprobatório, a comprovação e demonstração dos apontamentos contábeis, sendo imperiosa a apresentação da documentação que justificasse a citada despesa, apontando os beneficiários, os contratos e detalhando os valores. Apreciando este item da acusação fiscal, a decisão recorrida reportou que o contribuinte acostou aos autos cópias dos contratos de CDCI que teria gerado as despesas com equalização de taxas incorridas no AC 2005 (fls. 2.393 – 3.097), que refletiriam nas cópias do Livro Razão apresentados à Fiscalização (fls. 505 – 606), atestando que foram juntadas as planilhas que relacionaram os citados contratos, para então concluir, que analisando estes documentos, constavase a presença de documentos duplicados sendo certo que a leitura dos indigitados contratos não demonstraria a ocorrência das despesas glosadas e nenhuma faria menção a qualquer despesa relacionada, concluindose que o recorrente apresentou o valor consolidado da despesa, de R$ 8.479.470,36, sem subdividir o montante em parcelas, de maneira que fosse possível estabelecer eventual correlação entre a despesa total e os contratos apresentados. Em sede de Recurso Voluntário o contribuinte tem reiterado que as despesas glosadas referemse à equalização de taxa paga ao cliente em contratos de CDCI, nos casos em que a taxa ajustada entre o Banco recorrente e o cliente é menor que a taxa ajustada entre o cliente e seus compradores (consumidor final), passando a discorrer sobre a natureza de tais contratos, para adiante reafirmar a planilha na qual constariam os beneficiários que geraram as despesas glosadas. Novamente não verifico reparos a serem feitos neste ponto da decisão recorrida. Seguramente o recorrente não se desincumbiu de comprovar tais despesas, conquanto tenha apresentado cópia do razão da conta interna 946434 e mesmo que argumente que a decisão recorrida não o contemplou em sua totalidade, é fato que destes documentos constam basicamente informações em código, que não permitem a identificação, com segurança, da formação da aludida despesa. Ademais, o recorrente limitouse a reiterar os esclarecimentos de que a conta é “utilizada para registrar as despesas referentes aos encargos assumidos perante terceiros (varejo) pela intermediação na concessão de operações de crédito ao consumidor (CDCI), em nada afastando a constatação da Fiscalização e da decisão recorrida de que não houve a necessária identificação dos beneficiários das despesas em pauta, tampouco os respectivos contratos ou o demonstrativo das diferenças de taxas, sem as quais, não há como afastar o entendimento da decisão recorrida, porquanto não se tem um detalhamento que identifique os Fl. 15254DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001696/201029 Acórdão n.º 1301001.361 S1C3T1 Fl. 35 67 lojistas beneficiários, acompanhado dos respectivos contratos versando os valores exatos, ou documentação que valide os valores lançados. Ausente um conjunto de informações com valor probatório, por si só o esclarecimentos sobre o funcionamento da conta e contabilização geral, sem segregação, não justificam o registro da despesa, razão pela qual, neste item, a decisão recorrida não merece qualquer reparo. II.5 – DAS DESPESAS AUTORIZADAS PARA RESULTADO DAS AGÊNCIAS Neste item a Fiscalização reputou que o contribuinte não teria comprovado o valor de R$ 2.657.265,19 no anocalendário 2005, deduzido a título de DESP AUTORIZ P/ RESULTADO – AGÊNCIAS, apesar das inúmeras oportunidades concedidas para apresentação da documentação comprobatória, bem assim do fundamento jurídico da dedutibilidade. A decisão recorrida, por seu turno, entendeu que o contribuinte limitouse a alegar que a Fiscalização não teria produzido prova de que as despesas em análise não seriam dedutíveis, mas, para além deste argumento, nada teria esclarecido e comprovado em relação à conta COSIF 8.1.9.99.006 conta interna 946488. O recorrente insiste que a decisão recorrida desconsiderou a documentação contábil apresentada no curso da fiscalização, bem assim os esclarecimentos prestados em respostas às intimações, comprobatórios, segundo ele, da natureza e efetividade das despesas em análise. Tornou a insistir que foram anexadas cópias do Livro Razão demonstrado os lançamentos contábeis referentes à conta interna 946488, na qual foram registradas as tais despesas, aduzindo, novamente, que a conta em questão prestase a registrar despesas com pendências oriundas de diferenças apuradas pelos sistemas operacionais nas agências e nos departamentos, cujos descontos são todos realizados pelo sistema eletrônico, nas contas correntes de cada beneficiário, de modo que não existe outra prova possível de tais dispêndios além dos próprios registros contábeis do recorrente, porquanto seria inviável a obtenção dos extratos bancários de todos os clientes que receberam tais descontos, arrematando que, tratandose as despesas de devolução de tarifas ou juros que representaram receitas já tributadas em momento anterior, não haveria como negar o caráter de dedutibilidade destas despesas. Novamente andou bem a decisão recorrida ao entabular que a escrituração contábil faz prova em favor da contribuinte desde que instruída com elementos que deem suporte aos tais registros. Com efeito, nem mesmo se precisa negar o caráter de dedutibilidade de eventuais devoluções feitas aos clientes porquanto, na espécie, o recorrente sequer consegue dar lastro documental a evidenciar que os valores glosados de fato foram despesas suportadas nesta finalidade. Diante da glosa implementada, cumpria sim ao recorrente demonstrar de forma clara e induvidosa os fatos que deram origem à sua escrituração e conseqüente dedutibilidade, não o fazendo, subsiste o entendimento da decisão recorrida. Fl. 15255DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 68 II.6 – DAS DESPESAS DE JUROS SOBRE O PASSIVO ATUARIAL E DA PERDA ATUARIAL NÃO RECONHECIDA Neste item especificamente, a Fiscalização apurou dedução considerada indevida dos valores de R$ 26.439.000,00 e de R$ 24.105.000,00, relativos às contas internas 945879 e 946393. A contribuinte sustenta em seu Recurso Voluntário que estes valores correspondem a despesas operacionais, necessárias e obrigatórias, tendo sido destinados à complementação da aposentadoria dos exempregados do Banco da Província do Rio Grande do Sul, Banco Industrial e Comercial do Sul S/A e Banco Nacional do Comércio, obrigação assumida por ele em virtude da aquisição do Banco Meridional do Brasil S/A. Sustenta na mesma ordem de idéias que a obrigação constava do edital na aquisição das instituições financeiras citadas acima, de sorte que lhe era compulsória o que acarretaria a dedutibilidade, e da mesma forma, já que constante de edital, não haveria como negar a sua efetividade como despesa e não mera provisão. A solução do litígio encontrase em se os juros sobre o passivo atuarial” e “a perda atual não reconhecida” tem natureza de despesa ou de provisão, e no caso de ser provisão, se encontra, ou não, autorização da legislação tributária para sua dedução. Entendo que andou bem a decisão recorrida a natureza jurídica dos valores em comento é de provisão, pois decorrem de cálculo atuarial que tem por finalidade trazer a valor presente desembolsos futuros necessários ao adimplemento de cláusula prevista no edital de licitação relacionada especificamente ao pagamento da complementação da aposentadoria dos exempregados dos bancos sucedidos. Ocorre que, na legislação tributária contempla como dedutíveis do lucro líquido para fins de dedução da base de cálculo do IRPJ e CSLL, as provisões técnicas de constituição obrigatória das companhias de seguros de, capitalização e das entidades de previdência privada, a previsão para remuneração de férias e a provisão para pagamento de remuneração correspondente ao 13 salário. Portanto, as provisões em comento, relativas a JUROS SOBRE O PASSIVO ATUARIAL e a PERDA ATUARIAL NÃO RECONHECIDA, não são dedutíveis por se tratar de provisões que cuja dedução não estão autorizadas pela legislação de regência. Pelo que se verifica as despesas em questão, não se revestem dos atributos de dedutibilidade impondo a manutenção deste tópico da decisão impugnada. II.7 – DAS DESPESAS DE COMISSÃO CP CONVÊNIOS Neste tópico específico da glosa, a Fiscalização constatou que a contribuinte deduziu o valor de R$ 9.074.126.55, a título de DESP C/ COMISSÕES CP CONVÊNIO, sem, contudo, comprovar a efetividade da despesa deduzida em sua integralidade, apresentando documentação comprobatório tão somente do valor de R$ 2.448.180,95, o que resultou na glosa da diferença. Insiste a recorrente, a exemplo do que argumentou em sede de Impugnação, que o referido valor se refere à despesa normal, usual e necessária, porquanto atrelada às comissões pagas pela intermediação de terceiros nas operações de concessão de crédito pessoal, sendo que a documentação apresentada em sede de impugnação, consistentes em contratos e notas fiscais, faria faz prova da natureza e efetividade da despesa em questão. Fl. 15256DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001696/201029 Acórdão n.º 1301001.361 S1C3T1 Fl. 36 69 Entendo que a decisão recorrida bem avaliou a questão ao dispor que a a documentação apresentada pela recorrente não permite criar o necessário lastro entre as depsas e a alegada origem, pagamento de comissão a terceiros, não espelhando, por exemplo, a que convênios se referiam as notas fiscais e recibos acostados aos autos. O esforço da contribuinte de apresentar elevada quantidade de documentos, mas que não atrela sua correlação direta com os valores deduzidos, não conduz à conclusão de as despesas efetivamente ocorreram, tampouco, que se caracterizam como normal, necessária e usual, faltandolhe comprovar que as despesas foram contratadas, assumidas e pagas, situação que não ocorre nos autos, seja demonstrada a sua estrita conexão com a atividade explorada e com a manutenção da fonte de receita. Como bem assentou o órgão da Procuradoria, para que tal condição fosse satisfeita, seria necessário que os lançamentos contábeis correspondentes estivessem lastreados em documentação que permita aferir os requisitos legais para a sua dedutibilidade. Tais fundamentos também se aplicam para a dedução indevida do valor de R$ 2.193.761,95, a título de OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS, que a contribuinte alega, genericamente, se tratar de valores condicionado à contratação de serviços administrativos, sem, no entanto, apresentar qualquer documentação comprobatória da ocorrência da despesa. Por tais razões, prevalece a decisão recorrida nestes tópicos. II.8 – DAS DESPESAS DE PIS E COFINS No tópico em análise, a Fiscalização considerou que a recorrente deduziu a DIPJ, a título de PIS e COFINS, valores acima dos declarados em DCTF, o que gerou a exclusão indevida de R$ 1.101.289,57 nas bases de cálculo do IRPJ e CSLL do anocalendário 2005, fato que ensejou o lançamento de ofício ora questionado. Sustenta a contribuinte, em resumo, ter demonstrado pela documentação juntada aos autos que os recolhimentos efetuados a título desses tributos superam o valor deduzido e, apesar da divergência apontada pela autoridade fiscal, não haveria dúvidas acerca dos recolhimentos de PIS e COFINS suficientes a justificar as despesas deduzidas. A despeito dos argumentos da contribuinte este tópico da decisão recorrida também não merece qualquer censura. Em verdade, os documentos apresentados pelo contribuinte para comprovar os recolhimentos que diz superarem os valores deduzidos da base do IRPJ e CSLL foram minuciosamente analisados pela DRJ, que após elaborar três planilhas demonstrativas dos valores, concluiu que da tabela “Comprovantes apresentados pela Impugnante – PIS e COFINS” ao contrário do alegado pela recorrente, não foi trazido aos autos nenhum comprovante de retenção na fonte de PIS ou COFINS, porquanto os documentos em questão se referiam aos comprovantes de arrecadação e Declarações de Compensação relativos aos códigos de receita 4574 (PIS – Entidades Financeiras e Equiparadas) e 7987 (COFINS Entidades Financeiras e Equiparadas). Assentouse ainda, com o mesmo acerto, que os valores declarados nos DACON e DCTF são inconsistentes, já que, embora a reconheça às folhas 1861 que o valor declarado em DCTF foi de R$ 26.876.061,92, por outro lado calculouse, por meio da soma Fl. 15257DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 70 dos valores totais declarados nas DACON de PIS a pagar (R$ 3.570.359,21) e COFINS a pagar (R$ 23.160.316,35), um total de R$ 26.730.675,56. Tem razão a decisão recorrida, portanto, ao proclamar que nos DACON foram informados valores de PIS retido, PIS – “Outras deduções” e COFINS retido, nos montantes, respectivamente, de R$ 195.751,72, R$ 143.597,20 e R$ 899.425,97, sem que a contribuinte apresentasse qualquer documento hábil e idôneo que subsidiasse tais quantias. Outro fundamento da decisão recorrida que encerra a questão dáse ao verificar que a alegação de que o valor das despesas incorridas corresponderia aos totais das contribuições devidas nos DACON não resiste à análise das declarações de fls. 2328 2355, pois, enquanto houve a dedução de despesas nos valores de R$ 4.037.882,12 (PIS) e R$ 24.848.505,35 (COFINS), por outro lado os totais das contribuições devidas nos DACON foram, respectivamente, de R$ 3.909.708,13 e R$ 24.059.742,32. Por tais razões subsiste a decisão recorrida neste tópico específico. II.8 – DA ALEGEDA AUSÊNCIA DE COMPENSAÇÃO COM CRÉDITO DE CSLL – ILIQUIDEZ DO AUTO DE INFRAÇÃO Neste tópico sustenta a recorrente que os autos de infração hospedam vício de iliquidez, porquanto na apuração dos valores devidos, desconsiderouse que a recorrente apurou, com base no artigo 8º da MP 2.15835/2001, créditos de CSLL, sendo que a fiscalização não os considerou e deixou de compensálos com 30% dos supostos débitos apurados, o que resulta na iliquidez e incerteza do crédito exigido. A decisão recorrida concluiu que muito embora a recorrente seja instituição financeira e que o artigo 8º da MP nº 2.15835/2001 confira às instituições financeiras que “tiverem base de cálculo negativa e valores adicionados, temporariamente, ao lucro líquido, para efeito de apuração da base de cálculo da CSLL, correspondentes a períodos de apuração encerrados até 31 de dezembro de 1998, poderão optar por escriturar, em seu ativo, como crédito compensável com débitos da mesma contribuição, o valor equivalente a dezoito por cento da soma daquelas parcelas”, não se aplicaria a dita regra por ser benefício fiscal que a contribuinte poderia usufruir na apuração da sua base de cálculo, incabível por ocasião do lançamento de ofício. Equivocado, data vênia, o entendimento sufragado no acórdão recorrido neste tópico específico. Ora, como bem salientou a decisão recorrida tratase de benefício fiscal a ser interpretado em sua acepção literal, de sorte que não encontro no indigitado dispositivo teor que dê suporte à exclusão de tais compensações em caso de lançamento de ofício. Não prospera o entendimento da decisão recorrida de que a compensação em trato constituía faculdade da contribuinte por ocasião da apuração, escrituração e recolhimento da CSLL, ora, se a contribuinte exerceu tal opção, sobrevindo a glosa da Fiscalização não se poderia ignorar este benefício fiscal. Diante disso, encaminho meu voto no sentido de reformar a decisão recorrida determinando que na apuração da CSLL glosada se leve em conta o benefício do artigo 8º da MP nº 2.15835/2001. II.9 – DA ALEGADA DECADÊNCIA EM RELAÇÃO À MULTA ISOLADAS. Fl. 15258DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001696/201029 Acórdão n.º 1301001.361 S1C3T1 Fl. 37 71 Em relação a este tema a contribuinte formula alegação de decadência do direito de lançar, pugnando pela aplicação da regra prevista no artigo 150, § 4º do CTN. Com efeito, o auto de infração trata de estimativas não recolhidas durante o anocalendário 2005 e o lançamento foi realizado em dezembro de 2010, de sorte que ao considerar a Jurisprudência do STJ e verificar que não houve recolhimento a título de IRPJ e CSLL por Estimativa nos meses de junho, julho, agosto, setembro e novembro do ano calendário 2005, refutase a alegação de decadência formulada pela contribuinte, porquanto aplicase a regra do artigo 173, inciso I do CTN. Todavia, ausente o fato decadencial, não olvido que as multa isoladas são absolutamente indevidas eis que as exigência se deram ante o não recolhimento integral das bases estimadas no anocalendário 2005. Sabidamente, até o advento da Lei n° 8.383/91, o IRPJ e a CSLL eram apurados em sistema de "base anual", ou seja, os fatos econômicos integrantes do fato gerador desses tributos ocorriam ao longo do anobase e somente em 31 de dezembro eram quantificados, de maneira a propiciar a aferição da base de cálculo sobre a qual incidia a exação. Também é de vasto conhecimento, que após a edição da referida norma, o IRPJ e a CSLL passaram a ser apurados em sistema de "bases correntes", ou seja, na medida em que os fatos econômicos integrantes do fato gerador ocorrem, quantificase as bases de cálculo naquele mesmo mês e o contribuinte efetua mensalmente o pagamento desses tributos, por meio dos denominados “recolhimentos por estimativa”. Decorre desta mesma sistemática o fato de que, ao final do anobase (31 de dezembro) o contribuinte deve elaborar sua declaração de ajuste, com a finalidade de verificar se o montante que foi pago ao longo do ano excede ou fica aquém do que realmente é devido. Resulta daí, que somente ao final do anobase é que o contribuinte verifica o montante definitivo de IRPJ e da CSLL a pagar ou, eventualmente, a restituir, confrontandose os valores devidos com os valores pagos por estimativa, pelo que, independentemente do sistema de apuração (base anual/bases correntes), o fato jurídico tributário do IRPJ e da CSLL permaneceu anual, porquanto somente em 31 de dezembro é que se tem a base de cálculo definitiva para a apuração dessas exações. Em outras palavras, os recolhimentos efetuados com base na estimativa nada mais são do que uma antecipação do tributo que será devido no encerramento do períodobase, já que mensalmente, o que se dá é apenas o "pagamento do imposto determinado sobre base de cálculo estimada" (artigo 2°, caput), sendo que materialidade tributada, como não poderia deixar de ser, é o lucro real apurado em 31 de dezembro de cada ano (§ 3° do artigo 2º). Decorre destas constatações, que a contribuição verdadeiramente devida, é apenas apurada ao final do ano e o recolhimento mensal não resulta de outro fato gerador distinto do relativo ao período de apuração anual, contrário disso, corresponde a mera antecipação provisória de um recolhimento, em complementação de fato gerador e uma base de cálculo positiva que se estima venha ou possa vir a ocorrer no final do período. Aliás, tanto é provisória e em complementação de evento que mesmo durante o período de apuração, o contribuinte pode suspender o recolhimento se o valor acumulado Fl. 15259DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 72 pago exceder o valor calculado com base no lucro real do período em curso consoante regra do artigo 35 da Lei n° 8.981/95, e o valor do recolhimento por estimativa é deduzido do valor do imposto e da contribuição devida ao final do período (artigo 2º, § 4°, IV da Lei n° 9.430/96). Temse, portanto, que essas premissas encerram constatação inarredável de que a multa isolada, prevista atualmente no inciso III, aliena "a" do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, somente pode ser exigida caso o Fisco verifique a falta de recolhimento dos tributos, ou recolhimento insuficiente, com base em estimativas mensais, antes do término do anobase. Diante disso, sendo lavrado o auto de infração após o encerramento do ano base, como ocorreu no caso dos autos, eventuais insuficiências de recolhimento do IRPJ e da CSLL não mais poderão ser punidas pela exigência da multa isolada, conforme tem decidido, reiteradamente, as instâncias administrativas, desde o extinto Conselho de Contribuintes até o presente momento com o CARF, confirase, exemplificativamente, o teor de alguns julgados: "IRPJ MULTA ISOLADA Encerrado o período de apuração do imposto de renda, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter sua eficácia, uma vez que prevalece a exigência do imposto efetivamente devido apurado, com base no lucro real, em declaração de rendimentos apresentada tempestivamente. O mesmo ocorre, no caso de ocorrência de prejuízo fiscal no exercício. Revelase, portanto, improcedente a cominação de multa." (Ac. 10321.253). "PENALIDADE. MULTA ISOLADA LANÇAMENTO DE OFÍCIO FALTA DE RECOLHIMENTO PAGAMENTO POR ESTIMATIVA Não comporta a cobrança de multa isolada em lançamento de ofício, por falta de recolhimento da Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido devido por estimativa em ajustes efetuados pela fiscalização após o encerramento do ano calendário. Recurso Provido." (Acórdão 10707047). Tal como verificado nos julgados acima, citados, repitase, apenas para exemplificar, pois seria desnecessário reportar o vasto repertório jurisprudencial da matéria, observase que a penalidade de multa isolada lançada nos presente autos não pode prosperar, já que o lançamento, formalizado por auto de infração, é posterior ao encerramento do anobase, motivo pelo qual, deve ser reformada a decisão em questão. II.10 – DOS JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Em relação a esta alegação da contribuinte, a exemplo do que tenho sustentado em casos semelhantes, entendo que não há dúvidas, segundo a dicção do art. 161 do CTN, do acréscimo de juros de mora sobre o crédito não adimplido no vencimento, porquanto deflui da análise sistemática dos artigos 113, 139 e 161 do CTN que a multa de ofício (penalidade pecuniária), por integrar o crédito tributário, recebe igualmente o acréscimo moratório de juros. III – CONCLUSÃO Em vista de todo o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário. Sala das Sessões, 04 de dezembro de 2014. (assinado digitalmente) Fl. 15260DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001696/201029 Acórdão n.º 1301001.361 S1C3T1 Fl. 38 73 Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 15261DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 05/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 11080.005835/00-94
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2000
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. ENERGIA ELÉTRICA.
Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário.
RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO.
Numero da decisão: 9303-002.744
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, emnegar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Nanci Gama e Rodrigo Cardozo Miranda declararam-se impedidos de votar.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso (Substituto convocado), Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2000 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. ENERGIA ELÉTRICA. Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11080.005835/00-94
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5393282
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 9303-002.744
nome_arquivo_s : Decisao_110800058350094.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 110800058350094_5393282.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, emnegar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Nanci Gama e Rodrigo Cardozo Miranda declararam-se impedidos de votar. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso (Substituto convocado), Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto).
dt_sessao_tdt : Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
id : 5684976
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:31:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047251353337856
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1643; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 422 1 421 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11080.005835/0094 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303002.744 – 3ª Turma Sessão de 14 de novembro de 2013 Matéria IPI Crédito presumido Recorrente BRASKEM S/A (SUCESSORA POR INCORPORAÇÃO DE OPP QUÍMICA S/A) Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO EXERCÍCIO: 2000 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. ENERGIA ELÉTRICA. Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, emnegar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Nanci Gama e Rodrigo Cardozo Miranda declararamse impedidos de votar. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 58 35 /0 0- 94 Fl. 436DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso (Substituto convocado), Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). Relatório Cuidase de recurso especial fundado nos artigos 5º, II e 7º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF 55/98, então em vigor, em face do Acórdão no 20400.862, exarado em 06/12/2005, que negou provimento ao recurso voluntário interposto inadmitindo a inclusão das aquisições de energia elétrica, GLP e óleo mineral de alta viscosidade no cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96. Irresignado, o contribuinte aviou recurso especial sustentando que houve prequestionamento referente à inclusão de água clarificada, combustíveis e energia elétrica, em que pese reconhecer que o acórdão foi específico em relação à energia elétrica, o GLP e o óleo mineral, asseverando que a correta interpretação do art. 2º da Lei nº 9.363/96 impõe a admissão do valor integral das aquisições de matériasprimas e produtos intermediários utilizado no processo, ainda que não haja seu contato físico com o produto em fabricação. Voto Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram todos cumpridos e respeitadas a formalidades previstas no RICARF. Como mencionado no relatório, a presente lede cingese na inclusão, ou não, da energia elétrica no crédito presumido de IPI que trata a Lei nº 9.363/96. Basta uma leitura na súmula 19 do CARF para chegarmos à conclusão que o presente recurso não deve ser conhecido. Ademais não houve a comprovação que a energia elétrica fora empregada diretamente sobre a matéria prima ou fora consumida em contato direto com o produto, como ocorre em alguns casos. A recorrente apenas faz uma exposição jurídica, visando dar uma caráter abrangente, a fim de se equiparar a energia elétrica à matéria prima e produtos intermediários. Não há como concordar com a interpretação pretendida pela recorrente, ademais após a edição da súmula nº 19 do CARF. Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Assim, voto por NEGAR provimento ao Recurso Especial. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 11080.005835/0094 Acórdão n.º 9303002.744 CSRFT3 Fl. 423 3 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 438DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10384.000270/2006-19
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Período de apuração: 01/01/2003 a 30/05/2003
CSLL - MULTA ISOLADA - FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA.
O artigo 44 da Lei n° 9.430/96 estipula que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é a base de cálculo apurada em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade isolada quando a apurada base de cálculo negativa da contribuição ao final d o exercício.
Numero da decisão: 1803-001.752
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Sérgio Rodrigues Mendes e Maria Elisa Bruzzi Boechat, nos termos do relatório e voto que integra o presente julgado. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Walter Adolfo Maresch e Meigan Sack Rodrigues pois exoneravam a exação por outros fundamentos.
(assinado digitalmente)
Carmem Ferreira Saraiva - Presidente
(assinado digitalmente)
Victor Humberto da Silva Maizman - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (na Presidência à época do julgamento), Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Roberto Armond Ferreira da Silva (Suplente Convocado)e Maria Elisa Bruzzi Boechat (Suplente Convocado).
Nome do relator: VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201307
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Período de apuração: 01/01/2003 a 30/05/2003 CSLL - MULTA ISOLADA - FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. O artigo 44 da Lei n° 9.430/96 estipula que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é a base de cálculo apurada em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade isolada quando a apurada base de cálculo negativa da contribuição ao final d o exercício.
turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10384.000270/2006-19
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5398060
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 17 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1803-001.752
nome_arquivo_s : Decisao_10384000270200619.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN
nome_arquivo_pdf_s : 10384000270200619_5398060.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Sérgio Rodrigues Mendes e Maria Elisa Bruzzi Boechat, nos termos do relatório e voto que integra o presente julgado. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Walter Adolfo Maresch e Meigan Sack Rodrigues pois exoneravam a exação por outros fundamentos. (assinado digitalmente) Carmem Ferreira Saraiva - Presidente (assinado digitalmente) Victor Humberto da Silva Maizman - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (na Presidência à época do julgamento), Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Roberto Armond Ferreira da Silva (Suplente Convocado)e Maria Elisa Bruzzi Boechat (Suplente Convocado).
dt_sessao_tdt : Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
id : 5709235
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:31:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047251356483584
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2302; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 2 1 1 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10384.000270/200619 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803001.752 – 3ª Turma Especial Sessão de 10 de julho de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO Recorrente SERVI SAN VIGILÂNCIA E TRANSPORTE DE VALORES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/01/2003 a 30/05/2003 CSLL MULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. O artigo 44 da Lei n° 9.430/96 estipula que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é a base de cálculo apurada em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade isolada quando a apurada base de cálculo negativa da contribuição ao final d o exercício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Sérgio Rodrigues Mendes e Maria Elisa Bruzzi Boechat, nos termos do relatório e voto que integra o presente julgado. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Walter Adolfo Maresch e Meigan Sack Rodrigues pois exoneravam a exação por outros fundamentos. (assinado digitalmente) Carmem Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Victor Humberto da Silva Maizman Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (na Presidência à época do julgamento), Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Roberto Armond Ferreira da Silva (Suplente Convocado)e Maria Elisa Bruzzi Boechat (Suplente Convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 00 02 70 /2 00 6- 19 Fl. 201DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 05/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por CARMEN FE RREIRA SARAIVA Processo nº 10384.000270/200619 Acórdão n.º 1803001.752 S1TE03 Fl. 3 2 Relatório O processo versa sobre lançamento tributário consubstanciado no auto de infração de multa exigida isoladamente sobre valores devidos de CSLL por estimativa (fls. 02/08), no valor global de R$333.007,52, referente aos fatos geradores ocorridos nas seguintes datas: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003. A ciência do auto de infração se deu em 28/01/2006 (fl. 107). A infração designada pelo auditor fiscal diz respeito a falta de recolhimento da CSLL por estimativa. Para a determinação dos valores autuados, a autoridade fiscal aduziu a planilha de fl. 08. Por sua vez a empresa apresentou impugnação sustentando ser indevida a exigência da multa isolada, em especial pelo fato de que nos anos calendários de 2.002, 2.003 e 2.004 efetuou pagamento/compensação a titulo de antecipação da CSLL maiores do que o montante efetivamente devido, conforme cópias das DIPJs ora anexados aos autos. Em sede de cognição ampla, a DRJ refutou a alegação da impugnante sob o fundamento de que autos não constam balancetes em que se demonstre a base de cálculo da CSLL dos diversos períodos em curso. Todavia, com respaldo a regra prevista no artigo 106, II do CTN, a DRJ minorou a penalidade para 50% tendo em vista a aplicação da retroatividade benigna. Inconformada com a decisão, a empresa apresentou Recurso Voluntário sustentando os mesmos argumentos lançados na oportunidade da impugnação. É o simples relatório. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 05/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por CARMEN FE RREIRA SARAIVA Processo nº 10384.000270/200619 Acórdão n.º 1803001.752 S1TE03 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman Relator Admito o Recurso Voluntário por observar os requisitos legais, mormente quanto a sua tempestividade. Pois bem, a penalidade encontrase atualmente sob a égide dos artigos 2° e 44, inciso II da Lei n°9.430/96, com as alterações promovidas pela Lei no 11.488, de 2007. O autor do procedimento fiscal autuou a Recorrente por falta ou insuficiência de recolhimento da CSLL calculada sobre a base estimada, no anocalendário de 2003, relativo aos meses de Janeiro, Fevereiro, Março, Abril e Maio. Todavia, ao meu ver tornase imprescindível analisar a regra normativa em questão com o artigo 37, da Lei n° 8.981/95: "Art. 37 – Sem prejuízo dos pagamentos mensais do imposto, as pessoas jurídicas obrigadas ao regime de tributação com base no lucro real (art. 36) e as pessoas jurídicas que não optarem pelo regime de tributação com base no lucro presumido (art. 44) deverão, para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou ser compensado, apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada anocalendário ou na data de extinção." Assim, ao interpretar o enunciado normativo que resultou na exigência da referida multa isolada incidente sobre diferenças de Imposto de Renda Pessoa Jurídica/CSLL não recolhidas mensalmente, entendo que a mesma apenas tem aplicabilidade se verificada após encerrado o anocalendário, a ausência de recolhimento ou recolhimento a menor da exação. Ou seja, após o encerramento do período, o balanço final (de dezembro) é que balizará a pertinência do exigido sob a forma de estimativa, pois esse acumula todos os meses do próprio anocalendário. Nesse momento, ocorre juridicamente o fato gerador do tributo e podese conhecer o valor devido pelo contribuinte. Se não há tributo devido, tampouco há base de cálculo para se apurar o valor da penalidade. Se o lançamento é efetuado antes do fim do exercício portanto antes dos ajustes apuração do lucro, base de cálculo do IRPJ e da CSLL devidos a base para imposição da sanção é aquela devida por antecipação e calculada até aquele momento. Naquele momento, inclusive, não há autorização para constituição de obrigação principal definitiva tributo especialmente porque o mesmo ainda não se quantificou definitivamente porque não concluído o fato gerador. No caso vertente, restou demonstrado através da DIPJ apresentada pela Recorrente que no exercício de 2.003 a mesma efetuou pagamento a maior a título de CSLL. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 05/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por CARMEN FE RREIRA SARAIVA Processo nº 10384.000270/200619 Acórdão n.º 1803001.752 S1TE03 Fl. 5 4 Em virtude do exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário a fim de exonerar a Recorrente da penalidade imposta. É como voto. (assinado digitalmente) Victor Humberto da Silva Maizman Fl. 204DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 05/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por CARMEN FE RREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 14766.000143/2009-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA AOS AUTOS DE OUTRO RECURSO. NÃO APRESENTAÇÃO DE PROTOCOLO.
Não se conhece de Recurso Voluntário juntado extemporaneamente nos autos, que a Recorrente não comprovar o protocolo realizado no prazo do exato Recurso referente ao caso concreto.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3403-003.117
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Rogério Sawaya Batista - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA AOS AUTOS DE OUTRO RECURSO. NÃO APRESENTAÇÃO DE PROTOCOLO. Não se conhece de Recurso Voluntário juntado extemporaneamente nos autos, que a Recorrente não comprovar o protocolo realizado no prazo do exato Recurso referente ao caso concreto. Recurso Voluntário Não Conhecido.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 14766.000143/2009-11
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5395112
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3403-003.117
nome_arquivo_s : Decisao_14766000143200911.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
nome_arquivo_pdf_s : 14766000143200911_5395112.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
dt_sessao_tdt : Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
id : 5695063
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:31:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047251359629312
conteudo_txt : Metadados => date: 2014-10-24T01:42:24Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2014-10-24T01:42:24Z; Last-Modified: 2014-10-24T01:42:24Z; dcterms:modified: 2014-10-24T01:42:24Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:6336c6c4-7c7f-46d6-b17c-0921e5a655a8; Last-Save-Date: 2014-10-24T01:42:24Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2014-10-24T01:42:24Z; meta:save-date: 2014-10-24T01:42:24Z; pdf:encrypted: true; modified: 2014-10-24T01:42:24Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2014-10-24T01:42:24Z; created: 2014-10-24T01:42:24Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2014-10-24T01:42:24Z; pdf:charsPerPage: 1497; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2014-10-24T01:42:24Z | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 6.142 1 6.141 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14766.000143/200911 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403003.117 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 23 de julho de 2014 Matéria SOLICITAÇÃO DE DILIGENCIA Recorrente ENGARRAFADORA IGARASSU LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA AOS AUTOS DE OUTRO RECURSO. NÃO APRESENTAÇÃO DE PROTOCOLO. Não se conhece de Recurso Voluntário juntado extemporaneamente nos autos, que a Recorrente não comprovar o protocolo realizado no prazo do exato Recurso referente ao caso concreto. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 76 6. 00 01 43 /2 00 9- 11 Fl. 239DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 2 Luiz Rogério Sawaya Batista Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator). Relatório Trata o presente processo de Pedido de Compensação de créditos oriundos de pedido de Ressarcimento de IPI, controlado no Processo Administrativo nº 19647.004126/200418 No pedido original a Recorrente requer o reconhecimento do valor creditório referente a aquisição de insumos isentos e tributados à alíquota zero em formulário de papel, aprovado pela IN SRF nº 210/2002. O pedido de ressarcimento foi considerado não declarado em razão do entendimento da Administração Tributária que à época do protocolo do pedido de compensação, já existia a obrigação de transmissão por via eletrônica, sendo vedado a utilização do formulário em papel aprovado na IN SRF nº 210/2002. Diante da decisão no processo administrativo nº 19647.004126/200418, que não reconheceu o direito creditório, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Recife/PE decidiu pelo indeferimento do pedido de compensação constante do presente processo. A empresa foi cientificada do despacho decisório e inconformada, impugnou a decisão, alegando que possui decisão judicial que lhe garante o crédito pleiteado no processo administrativo nº 19647.004126/200418 e que a obrigação para envio do pedido de compensação em formulário de papel, somente passou a vigorar com a publicação da IN SRF nº 460/2004 em 18/10/2004 e o descumprimento da transmissão pela internet (obrigação acessória), não possui o condão de legitimar a cobrança do crédito tributário, somente sendo possível, a aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, por meio do Acórdão de nº 1130.366, decidiu não conhecer das alegações referentes ao crédito do IPI por tratar se de decisão prolatada em outro processo e negou provimento quanto ao restante da impugnação. A decisão da DRJ foi assim ementada: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/0112004 a 31/03/2004 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. MATÉRIA DE OUTRO PROCESSO. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 14766.000143/200911 Acórdão n.º 3403003.117 S3C4T3 Fl. 6.143 3 Extrapola o mérito pertinente ao presente processo qualquer análise acerca do despacho decisório proferido nos autos do processo n° 19647.004126/200418. As alegações contra aquela decisão devem ser veiculadas naquele processo, descabendo neste autos qualquer consideração a esse respeito. Não se toma conhecimento das razões de mérito pertinentes ao objeto do outro processo administrativo acima mencionado. RESSARCIMENTO DE IPI. AQUISIÇÃO DESONERADA DO 1PI.CONCOMITÂNCIA DE OBJETO COM AÇÃO JUDICIAL EM CURSO. Não se conhece do mérito coincidente com o objeto de ação judicial em curso impetrada pela interessada, devendo prevalecer a decisão final a ser exarada pelo Poder Judiciário. DIREITO CREDITORIO SUB JUDICE. VEDAÇÃO A HOMOLOGAÇÃO ADMINISTRATIVA DAS COMPENSAÇÕES APRESENTADAS. Foge ao alcance da decisão judicial liminarmente exarada a pretensão de imediata homologação administrativa que, além de tudo, enquanto não haja respaldo de decisão judicial transitada em julgado, tal pretensão esbarra em óbice legal intransponível noart.170A do CTN. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” A Recorrente foi cientificada da decisão da DRJ em 17/11/2010 por meio do Aviso de Recebimento – AR a fl. 82. Sendo apresentado Recurso Voluntário à fls. 84 a 134, em 8/11/2010, estranhamente, a data é anterior à ciência da decisão de primeira instância. No corpo do Recurso apresentado, consta ainda, a informação que a sua interposição é contra a decisão prolatada no Acórdão nº 1120.481 exarado pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, aparentemente a decisão refere se ao Processo Administrativo nº 19647.020646/200800. A seguir, o Recurso discute um Auto de Infração referente ao lançamento da COFINS Cumulativa e Não Cumulativa lavrado contra a Recorrente. A teor do relatado o Recurso Voluntário apresentado não corresponde ao presente processo. Cita claramente outro acórdão e trata de matéria diversa, qual seja Auto de Infração de COFINS Cumulativa e Não Cumulativa, quando a discussão do presente processo trata da não homologação de Pedido de Compensação com créditos de IPI. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 4 As informações apuradas levam a conclusão que o caso que se apresenta pode tratar se de um equivoco nos procedimentos da Unidade Preparadora que juntou aos autos Recurso Voluntário referente a outro processo ou então que realmente o Recurso ora em discussão refere se ao presente processo e não deveria ser conhecido, visto faltar motivação ao mesmo, em razão da discussão não trazer nenhum questionamento contra a decisão da primeira instância. A par destes fatos a definição da situação do Recurso Voluntário apresentado e a sua correspondência ao presente feito é condição precípua para o andamento do julgamento. Para solucionar a questão, buscando a verdade material dos fatos e considerando o principio da informalidade processual aplicável em determinadas situações ao Processo Administrativo Fiscal, a Câmara entendeu ser necessário o retorno dos autos ao órgão de origem para que a autoridade preparadora confirme se o Recurso Voluntário constante à fls.84 a 134 foi protocolada contra a decisão da autoridade a quo à fls. 64 a 77 e caso não sejam estes os fatos informe se o presente processo foi objeto de interposição de Recurso Voluntário, sendo esta a situação, proceda a juntada do recurso ao presente processo. Em seguida, sejam os autos devolvidos a este Colegiado para retomada do julgamento. Não consta nos autos informação da origem, mas sim juntada, pela Recorrente, do Recurso Voluntário que teria sido apresentado no processo nº 14766000143/200911, com a alegação de que o protocolo gera um outro número, o Recuso nº 19647.011009/201059, que já se encontraria no CARF. O Recurso Voluntário juntado tem como data 16 de dezembro de 2010, mas não há um protocolo, apenas e tão somente uma cópia assinada, e a Recorrente junta um comprovante de autuação do processo 19647.011009/201059. É o Relatório. Voto Não se deve conhecer do Recurso Voluntário. Não há protocolo! Apenas uma via assinada datada de 16 de dezembro de 2010, contendo o número do presente processo, com um comprovante de autuação de um outro processo, o processo nº 19647.020646/200800, este sim protocolado em 08 de novembro de 2010. Assim, a Recorrente não demonstrou o protocolo de seu Recurso Voluntário, sendo, com todo o respeito, falacioso o argumento de que tal protocolo seria de exclusivo controla da Receita Federal e que ele teria gerado o número de Recurso idêntico a um outro processo da Recorrente. Ante o exposto, não conheço do Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Fl. 242DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 14766.000143/200911 Acórdão n.º 3403003.117 S3C4T3 Fl. 6.144 5 Fl. 243DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA
score : 1.0
