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Numero do processo: 15374.942875/2009-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.545
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos propostos pelo relator.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Dias Correa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos propostos pelo relator. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Dias Correa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos propostos pelo relator. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Dias Correa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 42 87 5/ 20 09 -5 6 Fl. 299DF CARF MF Processo nº 15374.942875/200956 Resolução nº 1402000.545 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório: Tratase de Recurso Voluntário interposto por DISTRIBUIDORA DE PAPÉIS SÃO NICOLAU LTDA interposto em face de decisão da DRJ do Rio de Janeiro que por unanimidade de votos decidiu negar provimento a manifestação de inconformidade apresentada pela não apresentação de documentação comprobatória. A presente Declaração de Compensação (DCOMP) não foi homologada por ausência de crédito disponível. A DCOMP foi apresentada informando crédito referente a pagamento a maior de IRPJ referente ao DARF antes arrecadado. A DCOMP não foi homologada, pois o DARF pleiteado teria sido utilizado para quitar débito de código outro. Segundo a Manifestação de Inconformidade houve um erro no preenchimento da DCTF, tendo sido apresentada a competente DCTF retificadora. Em seu julgamento a DRJ afirma que a DCTF somente foi retificada posteriormente após a ciência do despacho decisório de não homologação. Para a DRJ o contribuinte deveria ter comprovado a o erro nos termos do art. 147, §1° do CTN. Nessa toada, afirma não terem sido entregues documentos comprobatórios, não sendo adequada a mera entrega da DCTF. Em seu Recurso Voluntário a recorrente reitera que houve um erro no preenchimento da DCTF, tendo sido apresentada a competente DCTF retificadora tão somente em relação aos percentuais de recolhimento, oportunidade em que anexou as notas fiscais emitidas no período. É o relatório. Voto: Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1402000.535, de 22.02.2018, proferida no julgamento do Processo nº 15374.939594/200916, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1402000.535): O recurso foi tempestivamente interposto e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, portanto, merecer conhecimento. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 15374.942875/200956 Resolução nº 1402000.545 S1C4T2 Fl. 4 3 Conforme se depreende do relatório o motivo de ter sido indeferida a manifestação de inconformidade apresentada foi a apresentação de DCTF diminuindo o valor do débito tributário sem a apresentação de comprovação idônea. Nos presentes autos foram juntadas as notas fiscais juntadas com o presente Recurso demonstram que a Recorrente exerceu atividades de comércio submetidas ao percentual de presunção de 8%, e não prestação de serviços submetidas ao percentual de presunção de 32%, o que justificaria a redução do imposto devido apresentado na DCTF. Assim, justificada a retificação da DCTF para menor deve ser reconhecido que o crédito pleiteado não foi utilizado para quitar o referido débito, premissa adotada pela d. DRJ, e, portanto, deve ser reconhecida a compensação pleiteada. No entanto, muito embora reconhecido o direito creditório é necessária sua quantificação pela autoridade competente, nos termos da Súmula 84, ao que necessário seu retorno à unidade de origem.. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 301DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.908927/2013-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Sep 21 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
VENDAS POR COOPERATIVAS COM EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO.
Os créditos de que trata o art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002, vinculados a vendas feitas por cooperativas com a exclusão da base de cálculo de que tratam o art. 15 da Medida Provisória n° 2.158-35, de 2001, o art. 1° da Lei n° 10.676, de 2003, e o art. 17 da Lei n° 10.684, de 2003, não representam a isenção sobre as vendas correspondentes, mas somente a redução no montante a recolher da contribuição. É incabível o ressarcimento de saldo credor das contribuições com fundamento no art. 17 da Lei n° 11.033/2004 c/c o art. 16 da Lei n° 11.116/2005 na hipótese de receita de venda no mercado interno tributada.
Numero da decisão: 3302-011.503
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-011.501, de 24 de agosto de 2021, prolatado no julgamento do processo 10783.908923/2013-28, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Lima Abud, Walker Araujo, Larissa Nunes Girard, Jose Renato Pereira de Deus, Paulo Regis Venter (suplente convocado), Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Ausente o conselheiro Vinicius Guimaraes, substituído pelo conselheiro Paulo Regis Venter.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 VENDAS POR COOPERATIVAS COM EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. Os créditos de que trata o art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002, vinculados a vendas feitas por cooperativas com a exclusão da base de cálculo de que tratam o art. 15 da Medida Provisória n° 2.158-35, de 2001, o art. 1° da Lei n° 10.676, de 2003, e o art. 17 da Lei n° 10.684, de 2003, não representam a isenção sobre as vendas correspondentes, mas somente a redução no montante a recolher da contribuição. É incabível o ressarcimento de saldo credor das contribuições com fundamento no art. 17 da Lei n° 11.033/2004 c/c o art. 16 da Lei n° 11.116/2005 na hipótese de receita de venda no mercado interno tributada.
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CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. Os créditos de que trata o art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002, vinculados a vendas feitas por cooperativas com a exclusão da base de cálculo de que tratam o art. 15 da Medida Provisória n° 2.158-35, de 2001, o art. 1° da Lei n° 10.676, de 2003, e o art. 17 da Lei n° 10.684, de 2003, não representam a isenção sobre as vendas correspondentes, mas somente a redução no montante a recolher da contribuição. É incabível o ressarcimento de saldo credor das contribuições com fundamento no art. 17 da Lei n° 11.033/2004 c/c o art. 16 da Lei n° 11.116/2005 na hipótese de receita de venda no mercado interno tributada. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-011.501, de 24 de agosto de 2021, prolatado no julgamento do processo 10783.908923/2013-28, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Lima Abud, Walker Araujo, Larissa Nunes Girard, Jose Renato Pereira de Deus, Paulo Regis Venter (suplente convocado), Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Ausente o conselheiro Vinicius Guimaraes, substituído pelo conselheiro Paulo Regis Venter. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 89 27 /2 01 3- 14 Fl. 251DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-011.503 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.908927/2013-14 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se do PER n° 19442.72583.241109.1.1.10-6598, contendo créditos de PIS Mercado Interno no valor de R$ 69.820,71 acumulados durante o 1º trimestre/2009, o qual foi parcialmente deferido pela autoridade fiscal. De acordo com o parecer que integra e ampara a aludida decisão, o crédito ressarcível foi parcialmente reconhecido em razão de a autoridade fiscal ter reclassificado como apenas dedutíveis os créditos indevidamente vinculados pela empresa às receitas não tributadas, em razão das exclusões da base de cálculo admitidas às sociedades cooperativas, os quais foram apurados sobre bens e serviços utilizados como insumos, bens para revenda (embalagens), encargos de depreciação e despesas com energia elétrica. Cita SC Cosit n° 65/2014. Ciente dessa decisão, argumentou a Recorrente que as exclusões de base de cálculo destacadas nada mais são do que o reconhecimento da não incidência tributária sobre o ato cooperativo. Cita decisões do STJ nesse sentido. Mesmo que não seja considerado como não incidência, o ato cooperado é caso de isenção, ainda que parcial, de acordo com o posicionamento do STF nos autos do RE n° 174.478. O ato cooperativo é excluído da mesma forma como se excluem as receitas isentas ou sujeitas à alíquota zero. Cita SC Disit09 n° 46/2013. A Delegacia Regional de Julgamento da Receita Federal do Brasil julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. O contribuinte foi intimado do Acórdão e ingressou com Recurso Voluntário alegando, em síntese: Da possibilidade de ressarcimento dos créditos decorrentes da exclusão da base de cálculo do ato cooperativo - caso de não incidência ou isenção parcial previsto em Lei; DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS Ante o exposto requer: 1. Recebimento tempestivo da presente Impugnação, sob a denominação de Recurso Voluntário, dado que esta é tempestiva e adequada ao cumprimento de seus objetivos; 2. Declaração de procedência do presente Recurso Voluntário, com o efetivo ressarcimento dos créditos pleiteados, nos termos da fundamentação. É o relatório. Fl. 252DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-011.503 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.908927/2013-14 Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: - Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3 a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. O contribuinte foi intimado do Acórdão, por via eletrônica, em 17 de agosto de 2020, às e-folhas 197. O contribuinte ingressou com Recurso Voluntário, em 16 de setembro de 2020, e-folhas 198. O Recurso Voluntário é tempestivo. Da Controvérsia. Da possibilidade de ressarcimento dos créditos decorrentes da exclusão da base de cálculo do ato cooperativo - caso de não incidência ou isenção parcial previsto em Lei; Passa-se à análise. A Cooperativa Agropecuária Centro Serrana, nome fantasia Coopeavi, é uma cooperativa de produção agropecuária que no período fiscalizado realizou as seguintes atividades: a) Fabricação de Ração; b) Recria; c) Beneficiamento de ovos; d) Beneficiamento do café; e) Lojas Agrícolas. Apresentou Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica, ano- calendário 2008, sob o regime de tributação do lucro real, ficando sujeita à apuração do PIS/Pasep pela sistemática da não-cumulatividade nos termos da Lei n° 10.637/02. Neste caso, o valor da contribuição para o PIS/Pasep resulta na aplicação da alíquota de 1,65% incidente sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, não integrando a base de cálculo da contribuição as receitas decorrentes das saídas previstas no §3° do art. 1° e art. 5° da Lei n° 10.637/02. É admitido às sociedades cooperativas de produção agropecuária as deduções da base de cálculo de que trata o art. 15 da Medida Provisória no 2.158-35, de 24 de agosto de 2001 e o art. 17 da Lei no 10.684, de 30 de maio de 2003, conforme estabelecido no art. 10, inciso VI c/c com o art. 15, inciso V da Lei n° 10.833/03. A contribuinte apurou os créditos de PIS e COFINS a partir das exclusões da base de cálculo admitidas às sociedades cooperativas, quais sejam, sobre bens e serviços utilizados como insumos, bens para revenda (embalagens), encargos de depreciação e despesas com energia elétrica e fez o requerimento de ressarcimento, nos termos do artigo 17 da Lei 11.033/2005. Fl. 253DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-011.503 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.908927/2013-14 A Coopeavi, ora Recorrente, considerou as exclusões da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins previstas no art. 15 da Medida Provisória n° 2.158-35/01 e no art. 17 da Lei n° 10.684/03, admitidas às sociedades cooperativas de produção agropecuária, sujeitas ao regime não cumulativo, por força do inciso VI do art. 10 da Lei 10.833/2003, como vendas efetuadas com não-incidência das contribuições, as enquadrando no art. 17 da Lei n° 11.033/2004, motivo pelo qual solicitou ressarcimento dos créditos vinculados a essas operações. O PARECER SEFIS/DRF/VIT/ES N° 54/2017 assim se pronunciou (e-folhas 15 e seguintes): A Coopeavi adquiriu mercadorias de não associados para a fabricação de ração destinadas a: aves, suínos, bovinos, caprinos, ovinos e equinos, classificadas na Nomeclatura Comum do Mercosul (NCM) n° 2909.90.10 - Preparações destinadas a fornecer ao animal a totalidade dos elementos nutritivos necessários para uma alimentação diária racional e equilibrada (alimentos compostos completos) e NCM n° 1005.90.10 - Outros espécies de milho em grão. Em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal n° 03, a Cooperativa informou que as rações produzidas no período fiscalizado foram comercializadas no mercado interno para os associados e terceiros. E que as receitas com as vendas desses produtos “(...) foram oferecidas à tributação das alíquotas básicas de PIS/COFINS. Contudo as receitas oriundas de operações com cooperados foram deduzidas da base de cálculo do PIS/COFINS tendo como base o art. 15, da MP 2.158/35 01. Conforme informado no item 09 do Termo de Intimação 03”. Diante desse fato, a Cooperativa foi intimada, através do Termo de Intimação Fiscal n° 05, a informar o motivo de ter solicitado ressarcimento dos créditos do PIS/Cofins incidentes sobre os insumos utilizados na fabricação das rações, pois conforme já verificado neste parecer, os créditos vinculados às operações de vendas tributadas no mercado interno não são passíveis de compensação e nem de ressarcimento, somente podem ser utilizados para dedução do débito da própria contribuição. Abaixo, segue alguns trechos extraídos da resposta da Cooperativa: “O fornecimento de bens e mercadorias aos cooperados, bem como, a industrialização de produtos entregues pelos cooperados à cooperativa constitui ato cooperativo, nos termos do art. 79 da Lei n° 5.764/71 ”. “Ainda, nos termos do Parágrafo Único do art. 79, o ato cooperativo não implica em operação de mercado. Diante disso, os atos cooperativos não estão sujeitos às contribuições para o PIS e COFINS, caracterizada pela não incidência das contribuições”. “Para confirmar tal enquadramento, a própria legislação inerente as contribui- ções, como é o caso do art. 15 da MP n° 2.158-35/2001, permite as sociedades cooperativas a exclusão da base de cálculo das contribuições, valores correspondentes a operações que caracterizam o ato cooperativo, como é o caso das receitas de vendas de bens e mercadorias a associados, quando vinculadas diretamente à atividade econômica dos mesmos, o que reflete, em termos práticos, em não incidência das contribuições para o PIS/Pasep e para a Cofins sobre as mesmas ”. (grifo nosso) “Em relação aos créditos de PIS e COFINS vinculados à não incidência decor- rente do ato cooperativo, dispõe o art. 17 da Lei n° 11.033/2004 sobre a possibi- lidade de manutenção dos créditos vinculados a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins”. Verifica-se que a Coopeavi considerou as exclusões da base de cálculo do PIS/Cofins previstas no art. 15 da Medida Provisória n° 2.158-35/01 e no art. 17 da Lei n° 10.684/03, admitidas às sociedades cooperativas de produção Fl. 254DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-011.503 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.908927/2013-14 agropecuária, sujeitas ao regime não-cumulativo, por força do inciso VI do art. 10 da Lei n° 10.833/03, como vendas efetuadas com não-incidência das contribuições, enquadrando-as no art. 17 da Lei n° 11.033/04, motivo pelo qual solicitou ressarcimento dos créditos vinculados a essas operações. Faz-se necessário mencionar que o art. 15 da Medida Provisória n° 2.158- 35/2001 e o art. 17 da Lei n° 10.684/03, ao listar as exclusões permitidas na base de cálculo das contribuições para o PIS/Cofins das sociedades cooperativas, não faz qualquer referência à natureza dos atos praticados como atos cooperativos ou não cooperativos, mas sim as operações realizadas com o associado. (Grifo e negrito nossos) Assim, a autoridade fiscal verificou que os créditos pleiteados em ressarcimento pela Coopeavi na verdade estão vinculados à receita de venda tributada no mercado interno. O Despacho Decisório deferiu parcialmente o pedido de restituição / ressarcimento apresentado no PER/DCOMP (e-folhas 139): A fiscalização verificou que os créditos pleiteados em ressarcimento pela Coopeavi, na verdade estão vinculados à receita de venda tributada no mercado interno, sendo esse o motivo da glosa. Acórdão da Delegacia Regional de Julgamento julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, pronunciando-se assim às folhas 03 daquele documento: Com efeito, a não-incidência configura-se em face da própria norma de tributação, ou norma descritora da hipótese de incidência do tributo. Esta norma descreve a situação de fato que, se e quando realizada, faz nascer o dever jurídico de pagar o tributo. Tudo o que não esteja abrangido por tal descrição constitui hipótese de não incidência tributária. Em outras palavras, tudo que não é hipótese de incidência tributária é, naturalmente, hipótese de não incidência tributária pura ou simples. Há também as situações em que o legislador, por pura opção, expressamente se manifesta para afirmar que não há incidência em determinada situação fática, situação conhecida como não incidência juridicamente qualificada. A exclusão da base de cálculo, por seu turno, se configura como a hipótese prevista em lei na qual, embora existente a situação fática que faz nascer o dever jurídico de pagar o tributo - hipótese de incidência, por opção do legislador, autoriza-se, no momento da apuração, a exclusão de valores da base de cálculo tributável. Note-se que tais exclusões não correspondem a uma retirada de parte da base de cálculo, que deixa de ser tributada. Na verdade, as referidas exclusões não correspondem a parte das receitas das cooperativas. A título de exemplo, tomemos a exclusão do valor repassado ao associado. Esse valor não corresponde ao valor de venda das mercadorias pela cooperativa; corresponde sim ao valor de aquisição dessas mercadorias (valor que o associado recebe). Não se está, portanto, retirando parte da receita das cooperativas do campo de incidência das contribuições. A receita continua no campo de incidência. O que se retira, nesse caso, na verdade, está na categoria de despesas, como o valor repassado ao associado. Em outras palavras, toda a receita é tributada. O que se tem, na realidade, é uma redução do montante devido do tributo, que não corresponde nem a isenção e nem a não incidência. (Grifo e negrito nossos) Fl. 255DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-011.503 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.908927/2013-14 É alegado às folhas 02 e seguintes do Recurso Voluntário: No acórdão exarado fora afastada a aplicação da Solução de Consulta Disit 09 n° 46/2013, apresentada pela contribuinte, por ter sido reformada pela Solução de Divergência Cosit n° 1/2019. Ocorre que a Solução de Divergência Cosit n° 1/2019 prevê que os créditos provenientes da exclusão da base de cálculo são passíveis de compensação ou ressarcimentos nos casos de previsão legal específica. Senão vejamos: COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE DE DESCONTO DE CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A exclusão da base de cálculo das receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização do produto do associado não inibe a possibilidade do desconto de crédito em relação aos insumos dessas atividades, desde que previsto no art. 23 da IN SRF n° 635, de 2006. Esses créditos não são passíveis de compensação com outros tributos ou de ressarcimento, exceto em caso de previsão legal específica. Já a Solução de Consulta Disit 09 n° 46/2013 prevê os artigos legais que baseiam o pedido, nos seguintes termos: NÃO CUMULATIVIDADE. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES E DEDUÇÕES. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. Os ajustes de base de cálculo da Contribuição ao PIS/Pasep previstos no art. 11, II e V, da IN SRF n° 635, de 2006, não impedem a manutenção dos créditos porventura apurados na forma do art. 3o da Lei n° 10.637, de 2002, e do art. 3o da Lei 10.833, de 2003, consoante previsto no art. 17 da Lei n° 10.033, de 2004. Ou seja, a Solução de Divergência não modificou a Solução de Consulta nesse ponto, tão somente deixou de apontar os artigos legais específicos para a fundamentação do pleito, que, de igual forma, se mantém hígidos, assim como o embasamento técnico para o pleito da cooperativa. Assim sendo, o entendimento de que a Solução de Divergência afasta o direito ao crédito da cooperativa é um equívoco, visto que desconsidera totalmente que existem vendas a cooperados que permitem a exclusão da base de cálculo de PIS e COFINS, que perfazem nitidamente uma não incidência tributária, que está prevista no artigo 17 da Lei 11.033/2005: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. A consequência lógica disso consta no artigo 16 da Lei n° 11.116/2005, que autoriza a compensação e/ou ressarcimento dos créditos do PIS e COFINS, apurados em virtude do disposto no artigo 17 da Lei n° 11.033/04: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis n°s 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano-calendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II - pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Em síntese, é assegurado às Sociedades Cooperativas o direito de manutenção e ressarcimento dos créditos do PIS e COFINS no caso concreto. Sobre a receita da venda, de produtos igualmente tributados pelas contribuições, a cooperativa não recolhe PIS/Pasep e COFINS sobre a totalidade da base de cálculo inicialmente gerada, posto que possui uma peculiaridade reconhecida em Fl. 256DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3302-011.503 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.908927/2013-14 lei, qual seja, as já referidas exclusões de base de cálculo, previstas no artigo 15 da MP n° 2.158-35/2001, artigo 17 da lei n° 10.684/03 e do artigo 1° da lei n° 10.676/03. As exclusões de base de cálculo destacadas nada mais são do que o reconhecimento da não incidência tributária sobre o ato cooperativo, com intento de dar às cooperativas o adequado tratamento tributário previsto na Constituição Federal. (Grifo e negrito nossos) - MP n° 2.158-35, de 2001: Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: I - os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II - as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III - as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV - as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V - as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. § 1o Para os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. § 2o Relativamente às operações referidas nos incisos I a V do caput: I - a contribuição para o PIS/PASEP será determinada, também, de conformidade com o disposto no art. 13; II - serão contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas. - Lei n° 10.684/03: Art. 17. Sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória n o 2.158- 35, de 24 de agosto de 2001, e no art. 1 o da Medida Provisória n o 101, de 30 de dezembro de 2002, as sociedades cooperativas de produção agropecuária e de eletrificação rural poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público - PIS/PASEP e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS os custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando da sua comercialização e os valores dos serviços prestados pelas cooperativas de eletrificação rural a seus associados. Ao contrário do que defende a interessada, o fato é que as exclusões da base de cálculo permitidas às sociedades cooperativas conforme autorização legal inscrita no art 15 da MP n° 2.158-35, de 2001 e no art. 17 da Lei n° 10.684/03, não constituem caso de isenção, não incidência, suspensão ou alíquota zero, situações cujos créditos correspondentes podem ser aproveitados por ressarcimento ou compensação. Tratam-se de receitas normalmente tributadas e que tem a possibilidade de serem Fl. 257DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9718.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9718.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9718.htm#art3 Fl. 8 do Acórdão n.º 3302-011.503 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.908927/2013-14 excluídas da base de cálculo exclusivamente por força da condição particular relacionada à natureza jurídica do vendedor que no caso é sociedade cooperativa. Nesse sentido, Solução de Consulta Cosit n° 65, de 2014: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep. EMENTA: REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS DE COOPERATIVA. (...) 4. A dúvida principal da consulente é saber se a aquisição de produtos junto a cooperativas impede o aproveitamento de créditos no regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. 5. Inicialmente esclareça-se que o cálculo e o aproveitamento de créditos no regime de apuração não cumulativa está limitado às situações e condições previstas na legislação, especialmente no art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002, e da Lei n° 10.833, de 2003. Não há na legislação vedação ao aproveitamento de créditos pelo simples fato de o produto ou serviço ser adquirido de cooperativa. 6. De acordo com o art. 3°, § 2°, II, da Lei n° 10.637, de 2002, e da Lei n° 10.833, de 2003, a aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições não dá direito a crédito. [...] 7. As receitas das cooperativas, regra geral, estão sujeitas ao pagamento das contribuições. As exclusões da base de cálculo às quais as cooperativas têm direito não se confundem com não incidência, isenção, suspensão ou redução de alíquota a 0 (zero) nas suas vendas, o que impediria o aproveitamento de crédito por parte dos compradores de seus produtos. As sociedades cooperativas, além da incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre o faturamento, também apuram a Contribuição para o PIS/Pasep com base na de salários relativamente às operações referidas na MP n° 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, art. 15, I a V. [negritos acrescidos] 8. [...] 9. Assim, para aproveitamento de créditos nas aquisições junto a cooperativas, deve-se observar as mesmas normas vigentes para a apuração de créditos em relação a aquisições tributária a ser resolvida. Basta aplicar literalmente a legislação referente à situação descrita na consulta, sendo vedada a apuração de créditos em relação às aquisições não sujeitas ao pagamento das contribuições.[...] Conclusão 13. Pelo exposto, conclui-se que: 14. A aquisição de produtos junto a cooperativas não impede o aproveitamento de créditos no regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, observados os limites e condições previstos na legislação. (Grifo e negrito nossos) O trecho em negrito é bastante claro ao desvincular as exclusões de base de cálculo autorizadas às sociedades cooperativas do campo das isenções, suspensão ou incidência de alíquota zero. A possibilidade de serem excluídas da base cálculo em razão da situação particular da vendedora, não tira o caráter de receitas tributáveis ao produto das vendas das cooperativas. Portanto, não se confundindo com não incidência, isenção, suspensão ou alíquota zero, as receitas cuja exclusão da base de cálculo as cooperativas têm direito devem ser consideradas como receitas tributadas no cálculo do percentual de rateio para fins de segregação entre os créditos aproveitáveis por ressarcimento/compensação e os que somente podem ser descontados da contribuição apurada. Fl. 258DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3302-011.503 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.908927/2013-14 Nesse mesmo sentido Solução de Consulta Cosit n° 383, de 2017: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep VENDAS POR COOPERATIVAS COM EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. Os créditos de que trata o art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002, vinculados a vendas feitas por cooperativas com a exclusão da base de cálculo de que tratam o art. 15 da Medida Provisória n° 2.158-35, de 2001, o art. 1° da Lei n° 10.676, de 2003, e o art. 17 da Lei n° 10.684, de 2003, não podem em regra ser compensados com outros tributos nem ressarcidos. Contudo, podem ser compensados e ressarcidos os mesmos créditos vinculados a vendas feitas por cooperativas com alíquota zero, isenção, suspensão ou não incidência. Dispositivos Legais: Medida Provisória n° 2.158-35, de 2001, art. 15; Lei n° 10.676, de 2003, art. 1°; Lei n° 10.684, de 2003, art. 17; Lei n° 11.033, de 2004, art. 17; e IN RFB n° 635, de 2006, art. 15. (...) Em suma, a cooperativa, ao efetuar a venda de produtos a terceiros, aufere receita que compõe a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. No entanto, essa base de cálculo é ajustada mediante as exclusões previstas em lei. Em razão disso, exsurge a dúvida se tais exclusões permitem a manutenção, o ressarcimento e a compensação dos créditos apurados com fundamento no art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002, e do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003, vinculados a tais operações. Para o deslinde da questão, releva entender a natureza jurídica dessas exclusões da base de cálculo. Note-se que tais exclusões não correspondem a uma retirada de parte da base de cálculo, que deixa de ser tributada. Na verdade, as referidas exclusões não correspondem a parte das receitas das cooperativas. A título de exemplo, tomemos a exclusão do valor repassado ao associado. Esse valor não corresponde ao valor de venda das mercadorias pela cooperativa; corresponde sim ao valor de aquisição dessas mercadorias (valor que o associado recebe). Não se está, portanto, retirando parte da receita das cooperativas do campo de incidência das contribuições. A receita continua no campo de incidência. O que se retira, na verdade, está na categoria de despesas, como o valor repassado ao associado. Em outras palavras, toda a receita é tributada. O que se tem, na realidade, é uma redução do quantum debeatur do tributo, que não corresponde nem a isenção, nem a suspensão, nem a alíquota zero e nem a não incidência. Não se admite, portanto, que os créditos vinculados a essas operações das cooperativas possam ser mantidos e, consequentemente, ser compensados ou ressarcidos nos termos do art. 17 da Lei n o 11.033, de 2004, e do art. 16 da Lei n° 11.116, de 18 de maio de 2005. Esclareça-se, contudo, que nada obsta que a cooperativa, ao vender produtos sujeitos a isenção, suspensão, alíquota zero ou não incidência não possa utilizar os créditos do art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002, e do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003, vinculados a essas vendas, para fins de compensação ou ressarcimento. (Grifo e negrito nossos) (...) Também a já mencionada Solução de Divergência Cosit n° 1/2019, ratifica esse entendimento: A questão que exsurge é se as exclusões da base de cálculo das cooperativas podem ser comparadas a isenção ou a outra forma de não tributação favorecida Fl. 259DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3302-011.503 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.908927/2013-14 pelo art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004, de modo a permitir a compensação e o ressarcimento dos créditos vinculados a essas receitas. Tal questão foi pormenorizadamente examinada na Solução de Consulta Cosit n° 387, de 30 de agosto de 2017, publicada no Diário Oficial da União (DOU) de 12/09/2017 (disponível na íntegra no sítio eletrônico da RFB <http://idg.receita.fazenda.gov.br/>), o que vincula, nos termos do art. 9° da Instrução Normativa RFB n° 1.396, de 16 de setembro de 2013, o entendimento da RFB acerca da matéria. (...) Resta, portanto, claro que as exclusões de base de cálculo realizadas pelas cooperativas não correspondem a isenção, suspensão, alíquota zero ou não incidência, de modo que os créditos vinculados à receita de venda de cooperativas não podem, em regra, ser aproveitados para fins de compensação ou de ressarcimento. A exceção a essa regra seriam os créditos vinculados a receitas de exportação, a receitas decorrentes de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS ou a outras receitas a que a legislação especificamente autorize a compensação e o ressarcimento. Trago ainda jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 PIS/COFINS. CRÉDITOS. RECEITAS DE VENDAS NÃO TRIBUTADAS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. EQUIPARAÇÃO. ISENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS/Pasep e da Cofins não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações, cabendo também o ressarcimento ou a compensação do saldo credor acumulado no trimestre nessas condições. No entanto, no caso das sociedades cooperativas, as exclusões da base de cálculo dessas contribuições previstas art. 15 da Medida Provisória n° 2.158-35 não representam a isenção sobre as vendas correspondentes, mas somente a redução no montante a recolher da contribuição. É incabível o ressarcimento de saldo credor das contribuições com fundamento no art. 17 da Lei n° 11.033/2004 c/c o art. 16 da Lei n° 11.116/2005 na hipótese de receita de venda no mercado interno tributada. Recurso Voluntário negado” (Processo n° 10950.904136/2011-76; Acórdão n° 3402-006.547; Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra; sessão de 24/04/2019) (nosso destaque) Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 PIS/COFINS. CRÉDITOS. RECEITAS DE VENDAS NÃO TRIBUTADAS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. EQUIPARAÇÃO. ISENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS/Pasep e da Cofins não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações, cabendo também o ressarcimento ou a compensação do saldo credor acumulado no trimestre nessas condições. No entanto, no caso das sociedades cooperativas, as exclusões da base de cálculo dessas contribuições previstas art. 15 da Medida Provisória n° 2.158-35 não Fl. 260DF CARF MF Documento nato-digital http://idg.receita.fazenda.gov.br/ Fl. 11 do Acórdão n.º 3302-011.503 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.908927/2013-14 representam a isenção sobre as vendas correspondentes, mas somente a redução no montante a recolher da contribuição. É incabível o ressarcimento de saldo credor das contribuições com fundamento no art. 17 da Lei n° 11.033/2004 c/c o art. 16 da Lei n° 11.116/2005 na hipótese de receita de venda no mercado interno tributada. Recurso Voluntário negado” (Processo n° 10950.904136/2011-76; Acórdão n° 3402-006.547; Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra; sessão de 24/04/2019) (nosso destaque) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2006 PIS/COFINS. CRÉDITOS. RECEITAS DE VENDAS NÃO TRIBUTADAS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. EQUIPARAÇÃO. ISENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS/Pasep e da Cofins não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações, cabendo também o ressarcimento ou a compensação do saldo credor acumulado no trimestre nessas condições. No entanto, no caso das sociedades cooperativas, as exclusões da base de cálculo dessas contribuições previstas art. 15 da Medida Provisória n° 2.15835 não representam a isenção sobre as vendas correspondentes, mas somente a redução no montante a recolher da contribuição. É incabível o ressarcimento de saldo credor das contribuições com fundamento no art. 17 da Lei n° 11.033/2004 c/c o art. 16 da Lei n° 11.116/2005 na hipótese de receita de venda no mercado interno tributada. (Processo n° 14090.000023/2009-11; Acórdão n° 3302-007.741; Relator Conselheiro José Renato Pereira de Deus; sessão de 19/11/2019) Portanto, incabível o ressarcimento de saldo credor das contribuições com fundamento no art. 17 da Lei n° 11.033/2004 c/c o art. 16 da Lei n° 11.116/2005 na hipótese de receita de venda no mercado interno tributada. Sendo assim, conheço do Recurso Voluntário e nego provimento ao recurso do contribuinte. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Redator Fl. 261DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3302-011.503 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.908927/2013-14 Fl. 262DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10530.900496/2014-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 25 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Sep 13 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 30/11/2009
Ementa:
PROVAS. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO
De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo e a consequente homologação das compensações declaradas.
A produção de provas é facultada das partes, mas constitui-se em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não o sendo praticado no tempo certo, surgem consequências gravosas, dentre elas a perda do direito de o fazê-lo posteriormente, pois nesta hipótese, opera-se o fenômeno denominado de preclusão temporal.
Numero da decisão: 3302-011.629
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Lima Abud, Walker Araujo, Larissa Nunes Girard, Jose Renato Pereira de Deus, Paulo Regis Venter (suplente convocado), Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Ausente o conselheiro Vinicius Guimaraes, substituído pelo conselheiro Paulo Regis Venter.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2009 Ementa: PROVAS. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo e a consequente homologação das compensações declaradas. A produção de provas é facultada das partes, mas constitui-se em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não o sendo praticado no tempo certo, surgem consequências gravosas, dentre elas a perda do direito de o fazê-lo posteriormente, pois nesta hipótese, opera-se o fenômeno denominado de preclusão temporal.
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IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2009 Ementa: PROVAS. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo e a consequente homologação das compensações declaradas. A produção de provas é facultada das partes, mas constitui-se em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não o sendo praticado no tempo certo, surgem consequências gravosas, dentre elas a perda do direito de o fazê-lo posteriormente, pois nesta hipótese, opera-se o fenômeno denominado de preclusão temporal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Lima Abud, Walker Araujo, Larissa Nunes Girard, Jose Renato Pereira de Deus, Paulo Regis Venter (suplente convocado), Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Ausente o conselheiro Vinicius Guimaraes, substituído pelo conselheiro Paulo Regis Venter. Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 90 04 96 /2 01 4- 92 Fl. 489DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-011.629 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10530.900496/2014-92 O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório emitido eletronicamente, referente ao PER/DCOMP nº 18399.21517.310114.1.3.04-5184. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP com crédito de PIS/PASEP, Código de Receita 6912, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 28/12/2009, no valor de R$421.407,42. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificado do Despacho Decisório em 20/05/2014, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 20/06/2014, tratando, inicialmente, sobre a tempestividade e a suspensão da exigibilidade. Afirma que, na entrega do Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (Dacon) e da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do período especificado apurou um débito de PIS/PASEP no montante de R$ 420.021,35, tendo efetuado pagamento em Darf. Tendo percebido que os valores declarados como devidos não correspondiam à realidade, apresentou a retificação do Dacon, apurando um débito de PIS/PASEP de R$ 354.511,78. Com isso, identificou a existência de indébito tributário, que deveria ser objeto de pedido de restituição/compensação. Ato contínuo, apresentou o PER/DCOMP nº 18399.21517.310114.1.3.04-5184, objetivando utilizar o crédito apurado para quitação de débitos. Na parte que trata da comprovação das parcelas não homologadas, o manifestante alega que incorreu em erro formal ao manter a identificação na sua DCTF do valor originalmente devido, realizando as compensações por meio de PER/DCOMP com base no Dacon retificador, bem como nos pagamentos efetivamente realizados por meio de Darf. Assevera que os Darf que constituem o direito ao crédito do requerente foram efetivamente pagos e já se encontravam registrados nos sistemas da própria Receita Federal, sendo, portanto, plenamente possível a correção da omissão apresentada. Ao que parece, apegou-se a fiscalização ao erro formal do requerente, que não retificou a DCTF. Contudo, a falta de retificação da DCTF não é motivo hábil a justificar a não homologação da compensação, posto que o Dacon retificador e também os Darf pagos confirmam a existência do crédito. Acrescenta que, antes de decidir acerca da inexistência do crédito, o julgador poderia ter decidido pela conversão do julgamento em diligência. O manifestante faz ainda referência à legislação pertinente e jurisprudência a respeito do assunto em pauta, para destacar que, havendo a comprovada apuração do crédito (diferença entre o valor apurado no Dacon original e no retificador) decorrente de pagamento a maior que o devido (Darf), não há que se falar em negativa na compensação por erro formal, facilmente identificado documentalmente. Ademais, há previsão legal específica que garante o direito à utilização de créditos de PIS/Cofins, motivo pelo qual não podem ser criadas barreiras formais por instrumentos infra-legais, o que só afirma a prevalência da verdade material sobre a forma. É por isso que não se pode exigir a retificação das declarações fiscais do contribuinte para que se possa fazer jus ao seu direito creditório. Ressalta que, no caso em análise, Fl. 490DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-011.629 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10530.900496/2014-92 houve inclusive a retificação do Dacon do período, não havendo, todavia, por erro formal, a retificação da correlata DCTF. Observa ainda que as atuais instruções normativas da Receita Federal, quanto ao recolhimento de PIS e Cofins na EFD-Contribuições (que substituiu o Dacon), deixam assente que apenas "preferencialmente" os créditos precisam ser reconhecidos na escrituração fiscal do contribuinte. Faz também referência à jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). Ao final, requer o manifestante a suspensão da exigibilidade do crédito cuja compensação não foi homologada até o julgamento definitivo do processo em tela, nos termos do art. 74, § 11, da Lei nº 9.430, de 1996, c/c art. 151, III, do Código Tributário Nacional (CTN). No mérito, requer seja determinada a homologação da compensação pretendida, tendo em vista a comprovação do crédito tributário utilizado, ensejando a extinção do suposto débito, em atenção ao disposto no art. 156, II, do CTN. Protesta ainda pela realização de perícia ou diligência fiscal, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, caso entendido como necessária à apuração do quanto alegado e confirmação do crédito tributário utilizado pelo requerente devidamente declarado em sua DIPJ. A 2ª Turma da DRJ em Belém (PA) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 02-66.444, de 18 de agosto de 2015, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2009 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Manifestação de Inconformidade Improcedente Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário ao CARF, no qual repisa boa parte da manifestação de inconformidade, inovando apenas nos seguintes pontos: a) Que o Despacho Decisório pautou-se na suposta utilização dos créditos indicados pela ora Recorrente na PER/DCOMP para quitação de outros débitos ("motivo"). Restando demonstrado que há créditos em valores superiores aos débitos, não há motivos para manutenção do Despacho Decisório, devendo este ser reformado, por perda da sua validade. Sendo inviável a modificação do "motivo" para sua manutenção. Entretanto, conforme se observa do Acórdão guerreado, decidiu-se por manter a não homologação da compensação pretendida sob o fundamento de que o indébito alegado pela ora Recorrente apenas poderia ser comprovado mediante análise dos documentos pertinentes ao erro ocorrido no levantamento do tributo apurado originalmente e que deu origem à retificação da DACON. Em outras palavras, a DRJ/BHE inovou nos presentes autos, sustentando, quando do julgamento da Manifestação de Inconformidade, que seria imprescindível à homologação da compensação que a Recorrente apresentasse provas dos créditos posteriormente considerados que deram ensejo à retificação da DACON; Fl. 491DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-011.629 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10530.900496/2014-92 b) Possibilidade de utilização de créditos de PIS/Cofins, com base nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Que os créditos tomados pela Recorrente decorrem, em sua grande maioria, de serviços essenciais à manutenção de sua produção, tais como Serviços de transporte de ácido sulfúrico e demais componentes químicos, britagem, calderaria e solda, bem como de produtos como tirante, resina, rolamento, dentre outros. Termina petição requerendo o acolhimento do recurso para fins de reconhecer a existência de créditos em favor da recorrente e a consequente homologação da declarações apresentadas. Alternativamente, requer a realização de perícia para a confirmação do direito alegado. É o breve relatório. Voto O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. Diligência O pedido de diligência deve ser indeferido, pois como já se pronunciou a decisão de piso, o ônus da prova, nas situações em que temos o requerimento de restituição e compensação de créditos supostamente indevidos, recai sobre o sujeito passivo, sendo certo que, não há que se falar em obrigatoriedade de diligência por parte da autoridade fiscal, uma vez que toadas as provas documentais deveriam ter sido apresentadas junto com a manifestação de inconformidade da recorrente. Devemos ter em mente que não é cabível a realização de diligência para suprir prova que deveria ter sido apresentada em manifestação de inconformidade, vale dizer, o procedimento de diligência não se afigura como remédio processual destinado a suprir a injustificada omissão probatória daquele sobre o qual recai o ônus do prova. Certo é que não podemos deixar de observar que existem regras processuais claras, que regem o contencioso administrativo, regulando a instrução probatória, não cabendo ao julgador afastar tais regras em face de aplicação indevida de eventuais princípios. Assim, a aplicação de princípios como aquele do formalismo moderado ou da verdade material não deve abrir caminho para o afastamento de regras que servem para a concretização de outros princípios jurídicos, sobretudo, os processuais. Pelo exposto nego a diligência pleiteada. Mérito A instância a quo, utilizou como razão de decidir a falta de provas do direito creditório, de acordo com trecho do voto condutor do acórdão recorrido, verbis: No caso, o recorrente não comprova erro que possa alterar o fundamento do despacho decisório. Na falta de comprovação do erro, a divergência entre os valores informados em Dacon e DCTF afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento do pedido de restituição ou da compensação. A retificação de Dacon, sem que se aponte objetivamente o erro ocorrido no levantamento do tributo apurado originalmente, fazendo-se acompanhar dos Fl. 492DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-011.629 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10530.900496/2014-92 documentos comprobatórios pertinentes, não é capaz de evidenciar a existência de pagamento indevido ou a maior no período considerado. Também o Darf, por si só, não constitui prova de pagamento indevido ou a maior; antes atesta tão somente o pagamento de débito originalmente declarado. Ainda que tivesse sido transmitida a DCTF retificadora, a mera retificação, operada após a ciência do despacho decisório e sem suporte em nenhum outro elemento de prova, não se prestaria para comprovação do pagamento indevido ou a maior. É bom lembrar que a retificação da DCTF não produzirá efeitos quando tiver como objetivo reduzir débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (art. 9º, § 2o, I, c, da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24/12/2010). A retificação da DCTF atesta apenas a alteração do valor do débito anteriormente confessado, mas não comprova o erro que levou ao suposto pagamento indevido ou a maior do tributo apurado originalmente, de forma a conferir a necessária certeza e liquidez ao crédito postulado. Registre-se ainda que a legislação citada pelo manifestante no tocante ao PIS e à Cofins está inserida no contexto da regulação de aproveitamento de créditos para fins de observância das regras do regime de não-cumulatividade, não operando qualquer efeito no tratamento de indébito tributário, sem que seja demonstrado inequivocamente erro na apuração original do tributo. Convém mencionar que a recorrente em sua manifestação de inconformidade não identificou o motivo do erro no preenchimento do DACON, e acostou apenas cópias do DARF, do DACON retificador e da Per/Dcomp. Em sede de recurso voluntário, a recorrente alegou que o erro no valor a recolher da contribuição se deu pela desconsideração dos créditos referentes a não-cumulatividade das contribuições. Buscou demonstrar os créditos que teria direito por intermédio de planilhas e cópias de notas fiscais. Contudo, não há um demonstrativo da apuração da base de cálculo da contribuição e dos créditos a serem descontados, somente planilhas que consolidam as notas fiscais e os possíveis créditos. Pela luz da legislação processual brasileira, quer judicial ou administrativa, é defeso às partes apresentar prova documental em momento diverso do estabelecido na norma processual - no do Processo Administrativo Fiscal na data da apresentação da impugnação/manifestação de inconformidade – a menos que (§ 4º do art. 16 do Decreto 70.235/1972): a) Fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Analisando os autos, verifica-se que a situação fática não se enquadra em nenhuma das hipóteses enumeradas acima. De outro lado, não se pode olvidar que a produção de provas é facultada às partes, mas constitui-se em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não o sendo praticado no tempo certo, surge para a parte consequências gravosas, dentre elas a perda do direito de o fazê-lo posteriormente, pois nesta hipótese, opera-se o fenômeno denominado de preclusão, isto porque, o processo é um caminhar para frente, não se admitindo, em regra, realização de instrução probatória tardia, pertinente a fases já ultrapassadas. Daí, não tendo sido produzida a tempo, em primeira instância, não se admite que se faça em fases posteriores, sem que haja justificativa plausível para o retardo. Fl. 493DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-011.629 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10530.900496/2014-92 Noutro giro, que o princípio da verdade material não é remédio para todos os males processuais; não pode nem deve servir de salvo conduto para que se desvirtue o caminhar para frente, o ordenamento e a concatenação dos procedimentos processuais - essência de qualquer processo administrativo ou judicial. Na realidade, a verdade material contrapõe-se ao formalismo exacerbado, presente no Processo civil, mas, de maneira alguma, priva o procedimento administrativo das necessárias formalidades. Daí se dizer que no Processo Administrativo Fiscal convivem harmonicamente os princípios da verdade material e da formalidade moderada. De sorte que se busque a verdade real, mas preservando as normas processuais que asseguram a segurança, a celeridade, a eficiência e o bom andamento do processo. Diante do exposto, e como não foram acostados, no momento processual previsto na legislação, elementos probatórios que identificassem e provassem o recolhimento indevido, nego provimento ao recurso. Conclusão Ex positis, afasto o pedido de diligência e nego provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 494DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10380.724417/2014-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2202-000.749
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Theodoro Vicente Agostinho (Suplente convocado).
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Theodoro Vicente Agostinho (Suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10380.724417/201400, em face do acórdão nº 1667.078, julgado pela 14ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SPO), no qual os membros daquele colegiado entenderam julgar improcedentes as impugnações apresentadas pela contribuinte e pela devedora solidária (Hapvida Assistência Médica Ltda.). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .7 24 41 7/ 20 14 -0 0 Fl. 5523DF CARF MF Processo nº 10380.724417/201400 Resolução nº 2202000.749 S2C2T2 Fl. 5.524 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem, que assim relatou os fatos: Relatório 1. O presente processo administrativo é constituído por sete Autos de Infração (AI), lavrados pela Fiscalização contra a empresa em epígrafe, relativos a contribuições sociais devidas no período de 01/01/2009 a 31/12/2009: ● DEBCAD nº 51.053.6107 AIOP onde foram apurados valores referentes a contribuições devidas à Seguridade Social: parte da empresa e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), previstas no art. 22, incisos I, II e III, da Lei 8.212/91, incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados e contribuintes individuais .O crédito corresponde ao montante, incluindo juros e multa, de R$ 23.786.196,29 (vinte e três milhões, setecentos e oitenta e seis mil, cento e noventa e seis reais e vinte e nove centavos), consolidado em 21/05/2014 ● DEBCAD nº 51.053.6123 AIOP onde foram apurados valores referentes às contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, descontados pela empresa das remunerações pagas aos mesmos e não repassados à Seguridade Social. O crédito corresponde ao montante, incluindo juros e multa, de R$ 1.794,29 (mil setecentos e noventa e quatro reais e vinte e nove centavos), consolidado em 21/05/2014. ● DEBCAD nº 51.053.6131 AIOP onde foram apurados valores referentes às contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, não descontados das remunerações pagas aos mesmos. O crédito corresponde ao montante, incluindo juros e multa, de R$ 2.823.916,64 (dois milhões, oitocentos e vinte e três mil, seiscentos e dezesseis reais e sessenta e quatro centavos), consolidado em 21/05/2014 ● DEBCAD nº 51.053.6140 –AIOA onde foi aplicada a multa por descumprimento da obrigação acessória prevista no art.32, inciso I, da Lei 8.212/91, (deixar de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Seguridade Social). A multa aplicada corresponde ao montante de R$ 5.438,61 (cinco mil, quatrocentos e trinta e oito reais e sessenta e um centavos), em 02/06/2014. O valor da multa foi agravado (triplicado) em virtude da reincidência específica. ● DEBCAD nº 51.053.6158 –AIOA onde foi aplicada a multa por descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 32, inciso II, da Lei 8.212/91, (deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos). A multa aplicada corresponde ao montante de R$ 36.256,86 (trinta e seis mil, duzentos e cinqüenta e seis reais e oitenta e seis centavos), em 02/06/2014. O valor da multa foi agravado (duplicado) em virtude da reincidência genérica. Fl. 5524DF CARF MF Processo nº 10380.724417/201400 Resolução nº 2202000.749 S2C2T2 Fl. 5.525 3 ● DEBCAD nº 51.053.6166 –AIOA onde foi aplicada a multa por descumprimento da obrigação acessória prevista no art.33, parágrafos 2º e 3º, da Lei 8.212/91, (deixar de exibir qualquer documento ou livro relacionado com as contribuições previdenciárias, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira). A multa aplicada corresponde ao montante de R$ 36.256,86 (trinta e seis mil, duzentos e cinqüenta e seis reais e oitenta e seis centavos), em 02/06/2014. O valor da multa foi agravado (duplicado) em virtude da reincidência genérica ● DEBCAD nº 51.053.6174 –AIOA onde foi aplicada a multa por descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 31, caput, da Lei 8.212/91, (deixar a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra de reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços para o recolhimento á Seguridade Social). A multa aplicada corresponde ao montante de R$ 3.625,74 (três mil, seiscentos e vinte e cinco reais e setenta e quatro centavos) em 02/06/2014. O valor da multa foi agravado (duplicado) em virtude da reincidência genérica. 1.1. No Relatório Fiscal (fls. 201/218) é informado que autuada se considerada isenta das contribuições patronais apesar da sua isenção ter sido cancelada em 28/10/2009, por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/FOR Nº 137, com efeitos a partir de 01/01/2004. Contra referida decisão foi apresentada manifestação de inconformidade, que foi apreciada pela DRJ/Fortaleza, que se pronunciou pela manutenção do cancelamento do benefício fiscal. Segundo a Fiscalização, a entidade apresentou recurso ao CRPS, que foi indeferido conforme teor do acórdão exarado no PT 10380.011346/200914, datado de 22/01/2014, razão pela qual a entidade permanece sem direito à isenção previdenciária desde de 01/01/2004. 1.2. Também consta no Relatório Fiscal que, além do cancelamento de isenção acima mencionado, a autuada também A) não declarou em GFIP todos os segurados categoria 13 (contribuintes individuais – trabalhadores autônomos), nas competências 01/2009 a 07/2009 e não efetuou os descontos e os recolhimentos das contribuições, por eles devidas; B) nas competências em que houve declaração de segurados nas GFIP’s (08/2009 a 12/2009), ainda assim foram encontrados valores não declarados em GFIP, bem como não houve o pagamento total das contribuições dos segurados; C) em relação às despesas, não demonstrou, em sua contabilidade, de forma individualizada, nenhum valor gasto com gratuidades, fato este que, além de embasar a aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória – AIOA CFL 34, também dá ensejo à perda da isenção previdenciária; D) descumpriu uma série de obrigações acessórias estabelecidas pela legislação tributária, que deram causa à lavraturas dos AIOA DEBCAD 51.053.6140, 51.053.6166 e 51.053.6174, que fazem parte do presente processo . Fl. 5525DF CARF MF Processo nº 10380.724417/201400 Resolução nº 2202000.749 S2C2T2 Fl. 5.526 4 1.3. Consoante fatos e fundamentos legais apontados no Relatório Fiscal, a autoridade lançadora verificou a existência de pressupostos caracterizadores do instituto de grupo econômico da Fundação Ana Lima em relação à empresa HAPVIDA Assistência Médica – CNPJ 63.554.067/000198. Assim, foi feita a caracterização do grupo econômico com atribuição da responsabilidade solidária pelo débito à referida empresa, conforme Termo de Sujeição.Passiva Solidária nrs 01 (fls. 534/538). 1.4. Foi emitida Representação Fiscal para Fins Penais, tendo em vista que o sujeito passivo, em tese, praticou as condutas tipificadas nos art. 168, 337A, inciso III, ambos do Decreto Lei nº 2.848/40 (Código Penal) e, ainda, no art. 2º da Lei 8.137/90. Referida Representação Penal é objeto do PT nº 10380.722704/201477, apensado ao presente processo. 1.5. Na mesma ação fiscal também foram lavrados os AI DEBACD 51.053.6115 e 51.053.6182 que fazem parte do processo 10380.722703/201422 e, ainda, o AI DEBCAD 51.053.6190 que faz parte do processo 10380.724286/201452. DA IMPUGNAÇÃO DA AUTUADA 2. Cientificada dos Autos de Infração em 25/06/2014 (fls. 539/540) a autuada, dentro do prazo legal, contestou as autuações em 25/07/2014, por meio do instrumento de fls. 5263/5300, onde traz, em síntese, as alegações a seguir expostas. 2.1. Alega que como houve antecipação de pagamento, mesmo que parcial, em todas as competências, é manifesta a decadência dos créditos lançados, nas competências 01/2009 a 05/2009, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN, conforme Súmula Vinculante nº 8 do STF, tendo em vista que somente foi cientificada dos lançamentos em 25/06/2014. Cita jurisprudência do CARF 2.2. Sustenta que é imprescindível que lhe seja devolvido o prazo para a apresentação de impugnação, uma vez que junto com a notificação dos autos de infração não foram disponibilizados todos os documentos neles referenciados. Enfatiza que o Fisco somente lhe disponibilizou cópias dos autos quando restavam menos de 10 dias para o término do prazo para impugnação, fato este que causou cerceamento do seu direito de defesa. 2.3. Argumenta que nos AI DEBCAD 51.053.6107, 51.053.6131 e 51.053.6123, houve ofensa ao Princípio da Autonomia dos Estabelecimentos, tendo em vista que foram lançados, na matriz, créditos que seriam devidos pelas filiais que, por sua vez, têm personalidades distintas e inscrições próprias no CNPJ,. Cita jurisprudência do STJ. 2.4. A seguir passa a sustentar que os fatos descritos pela autoridade fiscal não podem ensejar a cobrança de contribuições previdenciárias. Para tanto, alega que, antes ou depois do Ato Declaratório Executório DRF/FOR nº 137, que cancelou a sua isenção, sempre esteve devidamente certificada como Entidade Beneficente de Assistência Social pelo Ministério competente, razão pela qual sempre teve e continua tendo direito à isenção prevista no § 7º do art. 195 da CF. Fl. 5526DF CARF MF Processo nº 10380.724417/201400 Resolução nº 2202000.749 S2C2T2 Fl. 5.527 5 Alega, ainda, que o referido Ato Executivo, incluído no mundo jurídico apenas em 28/10/2009, não poderia retroagir seus efeitos, sob pena de afrontar o §4º do art. 55 da Lei 8.212/91, tendo em vista que a própria Administração reconhecia, para o período anterior, a imunidade da entidade em virtude da emissão de Ato Concessório 2.5. Sustenta que a legislação que disciplinava a matéria, como não poderia deixar de ser, para preservar a boafé das relações jurídicas, em nenhum momento autorizou a retroatividade do cancelamento da isenção. A ideia de retroação dos efeitos do cancelamento surgiu tão somente no Decreto 3.048/1999, que aprovou o Regulamento da Previdência Social, que no § 6º do seu art. 206, na tentativa de regulamentar o disposto na Lei 8.212/91, acabou por criar, de forma ilegal, nova regra jurídica (restritiva de direito), ultrapassando o limite regulamentador, afrontando o principio da legalidade previsto no CF. 2.6. Após as considerações acima, solicita que seja reconhecido o seu Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social emitido pelo Ministério competente declarandose inexigíveis a integralidade das autuações levantamentos CONT INDIVIDUAL GFIP, CONT INDIVIDUAL N GIFP, CONT EMPRACSA GFIP, e CONT EMPRESA EMPREGADO. Subsidiariamente, que se reconheça que o Ato Executivo DRF/FOR n° 137 somente poderá produzir efeitos a partir de 28/10/2009,declarandose inexigíveis todos os lançamentos anteriores à referida data. 2.7. Em relação aos créditos lançados, cuja base de cálculo foram as remunerações pagas ao Segurados Categoria 13 , a impugnante alega que houve um equívoco por parte da autoridade fiscal, uma vez que a tabela SEGURADO CATEGORIA 13 continha valores entregues pelo SUS à Fundação que, por conta e ordem do ente pagador, realiza o pagamento dos profissionais de saúde que prestaram atendimento aos usuários do SUS Hospital Ana Lima. Sustenta que, dos valores entregues pelo SUS, a Fundação Ana Lima realiza a retenção do imposto de renda da pessoa física — daí porque tais valores constam da DIRF e repassa o restante do dinheiro ao profissional de saúde. De outra sorte, não há recolhimento de contribuição previdenciária, uma vez que a Fundação Ana Lima não é tomadora dos serviços pagos, mas sim os usuários do Sistema Único de Saúde 2.8. Conclui que, por esta razão, constatase que a análise da autoridade fiscal tem como base premissa equivocada, porque os profissionais credenciados, nominados de "SEGURADOS CATEGORIA 13", não lhes prestaram serviços, mas sim ao SUS, que, por sua vez, foi quem efetivamente efetuou o pagamento, sendo insubsistente as autuações. Solicita, então, que na hipótese de não acatamento de suas razões, sejam determinadas as diligências necessárias para confirmar o procedimento adotado pelo SUS para pagamento dos médicos credenciados que atendem no Hospital Ana Lima, de modo de expurgar os lançamentos resultantes dos levantamentos CN – CONT INDIVIDUAL N GFIP e IF – CONTRIBUIÇÃO CONT. INDIVIDUAL, contidos nos DEBCAD’s 51.053.6107 e 51.053.6131). 2.9. No item 72 e seguintes da defesa, a impugnante alega que inexistem as diferenças entre DIRF e GFIP apontadas pela autoridade fiscal, que deram causa aos lançamentos sobre a remuneração a SEGURADOS CATEGORIAS 1 e 7. Alega que a autoridade fiscal Fl. 5527DF CARF MF Processo nº 10380.724417/201400 Resolução nº 2202000.749 S2C2T2 Fl. 5.528 6 deixou de considerar que embora alguns pagamentos sejam realizados em determinado mês, o recolhimento da contribuição previdenciária se dá em momento distinto por causa da competência do valor pago. 2.10. Sustenta que é absolutamente corriqueira a diferença encontrada pela autoridade fiscal, por um simples motivo: a DIRF tem como data base a data do efetivo pagamento, enquanto que a GFIP leva em conta a competência do pagamento. Cita como exemplos, pagamentos de férias a determinados empregados não gozadas integralmente dentro do mesmo mês (itens 75 e 76 da Impugnação). 2.11. Com base nos exemplos trazidos e dos documentos amostrais acostados aos autos, solicita que sejam cancelados os lançamentos originados da tabela "SEGURADOS CATEGORIAS 1 E 7", que embasaram o levantamento EN CONT EMPRESA EMPREGADO. Caso não seja este o entendimento do órgão julgador, requer que sejam os autos baixados em diligência para apurar a total insubsistência desses lançamentos, uma vez que não houve omissão de base de cálculo de contribuição previdenciária. 2.12. Com relação ao crédito apurado no DEBCAD 51.053.6123, a impugnante alega que o lançamento foi feito sem motivação, na medida em que a autoridade fiscal apenas indicou, de forma lacônica, que nas competências 01/2009 a 13/2009, não houve o recolhimento dos valores descontados dos segurados empregados, o que configuraria, em tese, crime de apropriação indébita. 2.13. Salienta que, em contraponto com que exige a Lei Federal (motivação) e o que exige a Portaria da RFB nº 2.439/2010 (exposição minuciosa dos fatos), percebese que, in casu, a autoridade fiscal, ao apenas afirmar que "o sujeito passivo deixou de recolher parte das contribuições descontadas dos segurados empregados", sem indicar a origem de tal diferença, acabou por violar o direto de defenderse de um ato administrativo devidamente motivado e, no caso, para efeito de crime, de um ato administrativo com a exposição minuciosa dos fatos. 2.14. Quanto à glosa de valores compensados, que deu causa ao crédito constituído no DEBCAD 51.053.6107, a impugnante deduz que a mesma não tem qualquer procedência, tendo em vista que a compensação foi realizada conforme a legislação que rege a matéria. Sustenta que apurou crédito relativo a contribuições recolhidas em período anterior e o utilizou em período posterior, sendo que todas as compensações foram objeto de análise quando da renovação de CND, razão pela qual a autuação correspondente é improcedente. 2.15. A partir do item 95 da defesa interposta a impugnante passa a argumentar que são insubsistentes as multas aplicadas por descumprimento de obrigações acessórias, objeto dos AIOA DEBCAD 51.053.6140, 51.053.6158, 51.053.6166 e 51.053.6174, tendo em vista que, uma vez demonstradas indevidas as obrigações principais, não haveria que se falar na aplicação de sanções acessórias que deveriam igualmente ser desconstituídas. 2.16. Sustenta que a exigência insculpida no inciso III do art. 32 da Lei 8.212/91 é a prestação de todas as informações e esclarecimentos necessários à fiscalização, na forma estabelecida pela RFB, obrigação Fl. 5528DF CARF MF Processo nº 10380.724417/201400 Resolução nº 2202000.749 S2C2T2 Fl. 5.529 7 esta que fora absolutamente cumprida de forma satisfatória e transparente durante a auditoria fiscal. 2.17. Deduz que não se pode entender que ao fixar que as informações devam ser prestadas "na forma por ela estabelecida" (na exata dicção legal) que a norma esteja fixando que a informação será prestada especificamente na forma estabelecida pelo auditor fiscal, salientando que a forma legalmente oponível por essa autoridade é tão somente aquela decorrente da lei e das melhores práticas contábeis e não qualquer exigência 2.18. Alega, ainda, que há falta coerência às autuações que impõem multas por descumprimento de obrigações acessórias e, na mesma toada, consegue apurar o suposto tributo devido aliás, em regra, adotando a maior base de cálculo do tributo possível. Conclui que se a autoridade administrativa não só foi capaz de chegar ao valor supostamente devido, adotando premissas que são inegavelmente prejudiciais ao contribuinte, não há porque apenálo duplamente. 2.19. Segundo a impugnante, na caso em questão, as exigências da autoridade fiscal transbordaram o limite daquilo que é útil e importante para o processo de fiscalização, na medida que adentrou em detalhes relativos ao sistema do controle das operações, fazendo exigências qualitativas extemporâneas flagrantemente fora da moldura legal, razão pela qual as autuações estão eivadas de vício e devem, portanto, ser anuladas. 2.20. Por fim, a impugnante argumenta que nos Autos de Infração nos 51.053.6140, 51.053.6158, 51.053.6166 e 51.053.6174, as multas por descumprimento de obrigação acessória foram duplicadas, ou até mesmo triplicadas, a depender do caso, com base em suposta reincidência, entretanto, apesar da clareza do art. 290 do Decreto n° 3.048/1999, que embasa a majoração das multas, a autoridade fiscalizadora não indicou qual teria sido a anterior autuação aplicada à impugnante que autorizaria o agravamento da pena ante a suposta reincidência, tampouco se deteve a indicar que os requisitos caracterizadores da reincidência estavam presente. 2.21. Conclui que não há dúvidas quanto à flagrante ofensa ao dever de motivação no caso, por não constar os motivos explícitos que levaram a autoridade a agravar as penas aplicadas, razão pela qual são absolutamente nulos, nesse ponto, os auto de infração n°' 51.053.6140, 51.053.6158, 51.053.6166 E 51.053.6174. Dos Pedidos 3. Ante o exposto, a autuada, ora impugnante, fez os seguintes pedidos: a) que seja acatada a preliminar de decadência do crédito, incidente sobre o valor aqui discutido b) seja determinada a exclusão de todos os créditos decorrentes de fatos geradores que tenham ocorrido nas atividades desenvolvidas pelas filiais, os quais foram indevidamente lançados em desfavor da matriz; c) que haja devolução integral do prazo para a apresentação/complementação de impugnação, sob pena de violação manifesta ao contraditório e à ampla defesa; Fl. 5529DF CARF MF Processo nº 10380.724417/201400 Resolução nº 2202000.749 S2C2T2 Fl. 5.530 8 d) que, no mérito, sejam julgados improcedentes os autos de infração em referência e cancelada a totalidade dos débitos fiscais objetos das autuações ora impugnadas, incluídos os débitos principais, multas e juros, bem como os autos de infração que culminaram na aplicação de multas em razão do suposto descumprimento de obrigações acessórias. DA IMPUGNAÇÃO DA RESPONSÁVEL SOLIDÁRIA 4. A responsável solidária também apresentou impugnação, requerendo a exclusão da responsabilidade solidária, alegando, em síntese, que não integra qualquer grupo econômico, de fato e de direito, com Fundação Ana Lima. 4.1. Para tanto, sustenta que para a caracterização de um grupo econômico é primordial a existência de uma empresa controladora com subordinação das demais integrantes, inclusive no que concerne às atividades desempenhadas, conforme posicionamento consolidado do CARF (cita acórdão). 4.2. Alega que mesmo que restasse caracterizado o grupo econômico, o fato de haver pessoas jurídicas que pertençam ao mesmo grupo econômico, por si só, não enseja a responsabilidade solidária, tendo em vista que a solidariedade não se presume, nos termos do art. 265 do Código Civil, sobretudo em sede de direito tributário (cita jurisprudência); 4.3. Sustenta que a sujeição passiva solidária não se aplica às obrigações acessórias por interpretação do caput do art. 152 da IN RFB nº 971/2009, mesmo nos casos em que seja caracterizado o grupo econômico, razão pela qual, casa seja mantida a responsabilidade sobre as obrigações principais, não pode e não deve responder pelas obrigações acessórias. 4.4. Por fim, quanto ao mérito, alega que em razão de não dispor das informações necessárias à completa demonstração da autuação, adere às razões de impugnações que foram ou que vierem a ser apresentadas pela Fundação Ana Lima, que certamente terá plenas condições de demonstrar a ilegalidade dos lançamentos. A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pela contribuinte. Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 5421/5464, onde são reiterados os argumentos já lançados na impugnação. Também foi apresentado pela responsável solidária Hapvida Assistência Médica Ltda. recurso voluntário às fls. 5479/5487. O presente processo foi incluído em pauta, sendo proferida a Resolução nº 2202 000.696, tendo assim se manifestado o Conselheiro Relator: "Analisando os autos, verificase que o presente caso temos que a data da ciência do acórdão da DRJ se deu pelo decurso de prazo, em 14/04/2015, conforme documentos de fls. 5416 e 5417. O recurso voluntário apresentado pela contribuinte de fls. 5421/5464 não possui nenhuma informação quanto a data de seu protocolo. Não Fl. 5530DF CARF MF Processo nº 10380.724417/201400 Resolução nº 2202000.749 S2C2T2 Fl. 5.531 9 há carimbo ou qualquer outra informação que nele conste que permita verificar a data em que este foi protocolado. Igualmente ocorre com o recurso voluntário às fls. 5479/5487 apresentado pela Hapvida Assistência Médica Ltda., que também não possui data de protocolo. Registrase que não foi juntado pela Unidade da Receita Federal do Brasil de origem qualquer informação quanto a tempestividade do recurso, ou ainda, outro documento que permita concluir que os recursos voluntários são tempestivos. Assim, diante da incerteza quanto a tempestividade dos recursos voluntários apresentados, necessária a conversão em diligência. Ante o exposto, encaminho meu voto pela conversão do julgamento em diligência para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de origem informe a data de protocolo do recurso voluntário de fls. 5421/5464, apresentado pela contribuinte (Fundação Ana Lima), bem como que informe a data de protocolo do recurso voluntário de fls. 5479/5487, apresentado por Hapvida Assitência Médica Ltda.. Com a juntada das informações, necessária a intimação dos recorrentes para, querendo, se manifestarem no prazo legal. Após,retornem os autos a este Conselho para prosseguimento do julgamento." Em resposta a diligência, à fl. 5519, foi manifestado pela unidade preparadora o seguinte: "Confirmamos a data de 13/05/2015, como protocolo da peça recursal, momento em que restiuimos (sic) os autos para demais providências." É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator. Nos presentes autos foi proferida a Resolução de nº 2202000.696, para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de origem informe a data de protocolo do recurso voluntário de fls. 5421/5464, apresentado pela contribuinte (Fundação Ana Lima), bem como que informe a data de protocolo do recurso voluntário de fls. 5479/5487, apresentado por Hapvida Assistência Médica Ltda.. Após, com a juntada das informações, necessária a intimação dos recorrentes para, querendo, se manifestarem no prazo legal. Em resposta a diligência, à fl. 5519, foi manifestado pela autoridade preparadora o seguinte: "Confirmamos a data de 13/05/2015, como protocolo da peça recursal, momento em que restiuimos (sic) os autos para demais providências." Fl. 5531DF CARF MF Processo nº 10380.724417/201400 Resolução nº 2202000.749 S2C2T2 Fl. 5.532 10 Após, foi intimada a contribuinte Fundação Ana Lima, conforme fl. 522. Não consta nos autos que houve intimação da responsável solidária, igualmente recorrente, Hapvida Assiatência Médica Ltda.. Ocorre que neste processo administrativo fiscal há dois recursos voluntários, um interposto pela contribuinte e outro pela responsável solidária: · Recorrente Fundação Ana Lima (recurso voluntário de fls. 5421/5464; · Recorrente Hapvida Assistência Médica Ltda (recurso voluntário de fls. 5479/5487). Em ambos os recursos não há a informação da data de protocolo. A unidade preparadora da RFB veio confirmar que seria a data de 13/05/2015 a do protocolo da peça recursal, sem contudo referir a qual das peças recursais identificar a qual seria, se a da contribuinte Fundação Ana Lima ou a da Hapvida Assistência Médica Ltda., de modo que não há como saber qual dos recursos é tempestivo e de qual segue sem se ter a informação. Afinal, qual dos recursos foi protocolizado em 13/05/2015? E o outro, quando foi? Estas perguntas seguem sem respostas. Ainda, verifico que não consta nos autos a data da intimação do resultado do julgamento da DRJ da recorrente Hapvida Assistência Médica Ltda., assim, necessário também que a unidade preparadora se manifeste da data em que foi intimada a referida empresa, ou que não foi intimada. Por oportuno, manifesto meu entendimento de que não sendo possível que a Unidade da Receita Federal do Brasil de origem apresente as informações requeridas, por não possuílas, seria o caso de conhecer dos recursos por tempestivos. No entanto, não foi afirmado pela unidade preparadora da RFB de que não havia a informação, mas tão somente procedeu ela a juntada de informação incompleta e insuficiente para apreciação da tempestividade dos recursos. Além do mais, deixou de ser intimada a responsável solidária Hapvida Assistência Médica Ltda do retorno da diligência, contrariando o que havia sido determinado por Resolução deste Conselho. Assim, diante da incerteza quanto a tempestividade dos recursos voluntários apresentados, necessária a conversão em diligência. Ante o exposto, encaminho meu voto novamente pela conversão do julgamento em diligência para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de origem informe: 1. a data de protocolo do recurso voluntário de fls. 5421/5464, apresentado pela contribuinte (Fundação Ana Lima); 2. a data de protocolo do recurso voluntário de fls. 5479/5487, apresentado por Hapvida Assistência Médica Ltda.; 3. a data em que foi intimada Hapvida Assistência Médica Ltda do acórdão da DRJ; ou que diga que esta não foi intimada, se for o caso. Fl. 5532DF CARF MF Processo nº 10380.724417/201400 Resolução nº 2202000.749 S2C2T2 Fl. 5.533 11 Com a juntada das informações, necessária a intimação de ambas as recorrentes (Fundação Ana Lima e Hapvida Assitência Médica Ltda.) para elas, querendo, se manifestarem no prazo legal. Após, retornem os autos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. Fl. 5533DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.008453/2004-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1401-000.586
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Autoridade Administrativa se manifeste em relação ao alegado erro material constante do seu relatório de diligência, apontado pela recorrente às e-fls. 809/814.
(assinado digitalmente).
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora.
(assinado digitalmente).
Luiz Augusto de Souza Gonçalves- Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Autoridade Administrativa se manifeste em relação ao alegado erro material constante do seu relatório de diligência, apontado pela recorrente às efls. 809/814. (assinado digitalmente). Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. (assinado digitalmente). Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório. Tratase de recurso voluntário interposto por Prosegur Brasil S/A Transportadora de Valores e Segurança. contra o acórdão de nº 0218.515 4 a Turma da DRJ/BHE, que por unanimidade de votos reconheceu parte do direito creditório referente ao saldo negativo de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais DIPJ do anocalendário de 2002, conforme o Despacho RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .0 08 45 3/ 20 04 -6 8 Fl. 860DF CARF MF Processo nº 10680.008453/200468 Resolução nº 1401000.586 S1C4T1 Fl. 861 2 Decisório de fls. 409 e s.s., cujo conteúdo foi mantido integralmente após a manifestação de inconformidade, restando em litígio o direito creditório no valor de R$ 531,647,53, resultado das seguintes considerações: Isto porque, conforme relatado no Despacho Decisório: O contribuinte acima qualificado, apresentou, em 05/05/2003 (fls. 02/06), 13/06/2003 (fls. 07/13 e 118/221), 15/07/2003 (fls. 14/117), 12/08/2003 (fls.222/226 e 232/237), 11/09/2003 (fls. 227/231) 13/10/2003 (fls. 238/241, 250/254), 14/11/2003 (fls. 242/245, 246/249, 255/258 e 259/262), 17/11/2003 (fls. 263/266, 267/270 e 271/274) diversas Declarações de Compensação, relativas ao crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ, exercício 2003, ano calendário 2002, com débitos de IRPJ, da COFINS e do PIS dos períodos de apuração janeiro a outubro de 2003. [...] Da análise dos documentos que instruem os autos, especialmente, através da cópia da DIPJ/2003, quanto ao IRPJ, consta do item 18 da Ficha 12A de sua declaração de rendimentos um saldo negativo de R$ 5.192.175,09 ( cinco milhões, cento e noventa e dois mil, cento e setenta e cinco reais e nove centavos) folha 281. Tendo apurado uma base de cálculo negativa no ano, este saldo teve origem nos R$ 3.010.866,71 (três milhões, dez mil, oitocentos e sessenta e seis reais, e setenta e um centavos) a título de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, R$ 13.763,38 ( treze mil, setecentos e sessenta e três reais e trinta e oito centavos) como Imposto de Renda Retido na Fonte por órgão público federal e R$ 2.167.545,01 ( dois milhões, cento e sessenta e sete mil, quinhentos e quarenta e cinco reais e um centavo). Dos R$ 4.019.190, 55 retidos na fonte a título de imposto de renda sobre prestação de serviços e aplicações financeiras R$ 3.980J337.14 bem como retido por órgão público federal R$ 23.380,30 /através do Extrato, Sief/DIRF (fl. 105) pelo CNPJ da matriz, comprovase R$ 2.265.101,99 e por meio da tabela que consta às fls. 325 a 327 de retenção nas filiais, comprovase R$ 1.549.096,93 , totalizando R$ 3.814.198,92 (três milhões, oitocentos e catorze mil, cento e noventa e oito reais e noventa e dois centavos). Juntase ainda às folhas 328/401 telas do sistema SIEF/DIRF. O valor acima citado encontra respaldo na documentação apresentada pelas fontes pagadoras constante deste processo às fls. 293/318 e nas Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF apresentadas à Secretaria da Receita Federal e constantes do sistema SIEF/DRF. Assim, com base nos elementos apresentados, podese reconhecer o direito do contribuinte ao crédito de R$ 3.814.198,92 ( três milhões, oitocentos e catorze mil, Fl. 861DF CARF MF Processo nº 10680.008453/200468 Resolução nº 1401000.586 S1C4T1 Fl. 862 3 cento e noventa e oito reais e noventa e dois centavos), referente ao saldo comprovado de IRPJ constante da Ficha 12A/Linha 18 da DIPJ/2003. Em sua manifestação de inconformidade, questionou o não reconhecimento do IRRF no valor de R$212.436,55, que arguiu estar comprovado nos autos e do não reconhecimento do IRPJ pago por estimativa no valor de R$319.210,98, que disse ser originário de juros recebidos no exterior. Apreciada a manifestação de inconformidade, o Despacho decisório foi mantido, mediante as seguintes considerações: A autoridade fiscal procedeu à análise detalhada de todas as DIRF entregues no anocalendário de 2002, cujo beneficiário foi a requerente, fls. 330/403, a partir das quais foram elaborados os demonstrativos de IRRF de fls. 554/567. A contribuinte foi cientificada desses atos processuais e teve oportunidade de se manifestar e ainda apresentar provas de suas alegações. Contudo, não foram juntados aos autos quaisquer fatos ou fundamentos de direto supervenientes àqueles que já tenham sido objeto de exame detalhado pela autoridade fiscal, que obedeceu ao princípio da estrita legalidade (art. 37 da Constituição Federal). Os argumentos da requerente desacompanhados da demonstração probatória de sua materialização não têm o efeito de suprimir a fundamentação constante no Despacho Decisório DRF/BHE, fls. 568/571. Logo, não cabem reparos ao entendimento fiscal. A requerente discorda do não reconhecimento do IRPJ pago por estimativa no valor de R$319.210,98, que diz ser originário de juros recebidos no exterior. [...] A requerente não instruiu os autos com o documento de que imposto de renda incidente na Argentina foi efetivamente reconhecido pelo Consulado da Embaixada Brasileira. Nesse sentido, ela não comprovou o pressuposto fundamental previsto em lei para fruir do direito de compensar o imposto de renda incidente na Argentina com o imposto de renda incidente no Brasil no valor de R$319.210,98. As alegações da requerente desprovidas de comprovação efetiva de sua materialização não são suficientes para elidir a fundamentação expressa no Despacho Decisório DRF/BHE, fls. 568/571. Por conseguinte, o pronunciamento fiscal deve prevalecer. Inconformada, interpôs Recurso Voluntário visando a reforma do julgado homologando o crédito cuja origem restou amplamente comprovada nos autos, bem como determinandose a conversão do presente julgamento em diligência, para que a Fiscalização de domicílio do contribuinte analise os documentos fiscais e contábeis se necessários que suportam os demais créditos de IR informados pela empresa em sua DIPJ/2003, anocalendário 2002, e homologue integralmente, ao final, as compensações relacionadas. Apreciados os argumentos da Recorrente, pela Resolução 110300.024, os autos foram baixados em diligência as seguintes providências: Fl. 862DF CARF MF Processo nº 10680.008453/200468 Resolução nº 1401000.586 S1C4T1 Fl. 863 4 01) – Faça a conciliação entre os valores das fontes individualizadas pelo Fisco às fls. 481 e as inconsistências apontadas pelo contribuinte (grifo nosso) no presente Recurso Voluntário; 02) – Manifestese sobre o documento apresentado pelo contribuinte às fls. 643, relativo as retenções na fonte do imposto de renda realizadas na Argentina e se os mesmos são suficientes para comprovar o crédito alegado pelo contribuinte; 03) – Realizadas as diligências acima, intimar o contribuinte para se manifestar sobre as mesmas, no prazo legal. Realizada a diligência solicitada, sobreveio o Relatório Fiscal, sobre o qual a Recorrente foi instada a se manifestar, tendo, em relação ao item I, reclamado a ocorrência de erro material no resultado da diligência, de modo que apesar de a fiscalização reconhecer integralmente o direito creditório da Requerente após a análise dos documentos juntados, bem como consulta ao sistema da DIRF da RFB, se equivocou ao indicar que o real valor apurado totalizaria R$ 103.050,80 e não R$ 108.337,37, o que consequentemente representou um reconhecimento de crédito a menor na quantia de R$ 11.921,23 e não R$ 17.207,81. Já em relação ao Item II, argumentou que após a diligência restou corroborada a validade do crédito pleiteado, no montante de R$ 319.210,98. É o relatório do essencial. Fl. 863DF CARF MF Processo nº 10680.008453/200468 Resolução nº 1401000.586 S1C4T1 Fl. 864 5 Voto. Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. O recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele conheço. Item I IRRF sobre prestação de serviços, rendimentos de aplicação financeira e juros sobre capital próprio. Em relação ao IRRF discutido nos autos, temos que o Relatório de diligência fiscal chegou às seguintes conclusões: Em relação ao item 01 (um) acima, as inconsistências apontadas pelo contribuinte são as seguintes: 1) “ Divergências de valores entre os informes de rendimentos, DIRF e os créditos considerados pela fiscalização 1.a) No caso da Filial de CNPJ nº 17.428.731/005870 o valor apurado pela Fiscalização no montante de R$ 91.129,57 (fls. 577) é diferente do valor declarado na DIRF de R$ 112.994,98 (fls. 368), enquanto que o valor apurado pela Recorrente com base nos Informes de Rendimentos totalizam R$ 103.050,80, fazendo jus neste caso, ao direito creditório da diferença de no mínimo R$ 11.921,23. Diante da impossibilidade de identificação dos valores que geraram essa diferença, por não existir nos autos da PTA em epígrafe a discriminação dos valores considerados pela fiscalização em DIRF por tomador de serviços, a Recorrente apresenta em anexo todos os informes de rendimentos que justificaram a apropriação dos créditos de IRF dessa filial (doc 1).” APURAÇÃO: Conforme consulta ao sistema da DIRF da RFB, fl. 786, consta nesta o valor de R$ 112.994,98 da mesma forma apontada na fl. 368. Uma vez que o contribuinte apurou e considerou o montante de R$ 103.050,80 tal valor deve ser acatado, gerando uma diferença a favor do contribuinte no valor de R$ 11.921,23. 1.b) “ Erro cometidos pelos tomadores no preenchimento nos informes de rendimentos e na DIRF 1.b.1) “Na filial CNPJ nº 17.428.731/007571 (fls. 579), embora tenha sido acostado informe de rendimento expedido pelo Banco do Estado de Santa Catarina S/A (fls. 332) no valor de R$ 71.749,81, o mesmo foi ignorado pela Fiscalização por inconsistência no número do CNPJ do Beneficiário. A fonte pagadora após notificada pela Recorrente emitiu DIRF retificadora (doc. 02).” APURAÇÃO: Conforme consulta ao sistema da DIRF da RFB, fl. 787, consta nesta o valor de R$ 71.749,81, tendo como beneficiário o CNPJ acima, entretanto esta informação foi conhecida pela RFB apenas após a retificação da citada DIRF ocorrida em 08/09/2008, sendo reconhecida a diferença a favor do contribuinte no valor acima indicado. 1.b.2) “O mesmo erro foi cometido pelo tomador inscrito sob o CNPJ 00.358.042/000107 que informou em sua DIRF o pagamento do IRF no valor de R$ 9.213,65 o CNPJ de beneficiário diverso da Recorrente. Nesse caso, o equívoco Fl. 864DF CARF MF Processo nº 10680.008453/200468 Resolução nº 1401000.586 S1C4T1 Fl. 865 6 cometido pelo tomador de serviço foi identificado pela Recorrente e retificado por seu cliente, conforme documento anexo (doc. 03).” APURAÇÃO: Com base na informação do contribuinte com a apresentação do documento de fl. 767, mesmo com a consulta ao sistema da DIRF da RFB, fl. 788 a 789, não confirmando a informação prestada, uma vez que a DIRF referida não foi retificada, mas considerando o comprovante de rendimentos apresentado, o valor pleiteado de R$ 9.213,65 deverá ser considerado como crédito a favor do reclamante. 1.b.3) “No mesmo sentido, no CNPJ matriz da Recorrente o tomador de serviço inscrito sob o CNPJ 92.702.067/000196, emitiu o Informe de Rendimentos no valor de R$ 4.345,89 com o CNPJ de empresa incorporada pela Recorrente (CNPJ 62.210.901/000165) (doc. 04). Com efeito, o fiscal não considerou as retenções desse tomador como parte integrante do crédito de saldo negativo pelo fato de ter havido equívoco por parte do tomador de serviço na informação em DIRF do número do CNPJ da empresa prestadora, o que não justifica a sua desconsideração por se tratar de crédito de empresa sucedida.” APURAÇÃO: Conforme consultas aos sistemas da DIRF e do CNPJ da RFB, fl. 790, consta nesta o valor de R$ 4.345,89, tendo como beneficiário o CNPJ acima, que foi efetivamente incorporado pelo reclamente, gerando uma diferença a favor do contribuinte no valor acima indicado. 1.c) “ Créditos comprovados mediante apresentação de informes de rendimentos e declarados em DIRF não considerados pela fiscalização” 1.c.1) “Como indício adicional que fundamenta a necessidade de revisão do procedimento fiscal, temse a comprovação dos créditos apropriados pela Recorrente por meio dos informes de rendimentos apresentados à fiscalização que não foram reconhecidos em sua integralidade. As diferenças detectadas pela Recorente podem ser assim sumariadas: (...) .” APURAÇÃO: Tomadores dos serviços: 1.c.1.1) CNPJ: 04.164.616/000159 – TNL PCS S.A. Com base na informação do contribuinte com a apresentação do documento de fl. 769, apesar das consultas ao sistema da DIRF da RFB, fl. 791, não confirmarem a informação apresentada, uma vez que a DIRF referida não foi retificada, contudo conforme comprovante apresentado deve ser acatado o valor de R$ 18.210,26 como crédito da reclamante. 1.c.1.2) CNPJ: 56.669.187/000175 – Arvin Exhaust do Brasil Ltda Com base na informação do contribuinte com a apresentação do documento de fl. 770, apesar das consultas ao sistema da DIRF da RFB, fl. 792 a 793, não confirmarem a informação apresentada, uma vez que a DIRF referida não foi retificada, contudo conforme comprovante apresentado deve ser acatado o valor de R$ 941,52 como crédito da reclamante. 1.c.1.3) “Cabe ainda destacar que os créditos de IRF recolhidos sob o código 6190 não foram considerados em sua integralidade, embora tenham estejam declarados na DIRF dos tomadores de serviços, cuja divergência encontrase abaixo sumariada a seguir ..... “ – fl. 692. Fl. 865DF CARF MF Processo nº 10680.008453/200468 Resolução nº 1401000.586 S1C4T1 Fl. 866 7 Conforme consultas ao sistema da DIRF da RFB, fls. 794 a 797, constam nestas os valores apontados de R$ 1.130,64, R$ 5.232,42 e R$2.305,14, totalizando R$ 8.668,20, com o código de retenção 6190, tendo como beneficiário o reclamante em suas filiais 0029, 0039 e 0042, gerando uma diferença a favor do contribuinte no valor de R$ 4.402,90, uma vez que o código de retenção ora discutido (6190) é composto pelos seguintes tributos (IR= 4,8%, CSLL= 1%, Cofins=3% e PIS=0,65%), conforme Instrução Normativa SRF/STN/SFC nº 23, de 02/03/2001 Anexo I. 1.d) “ Créditos decorrentes de juros sobre o capital próprio recebidos. 1.d.1) “A Recorrente recebeu no ano Base de 2002 Juros sobre capital próprio de sua investida, Prosegur Sistemas de Segurança – CNPJ 74.224.163/000194. Sobre o citado rendimento houve a incidência na fonte de IRF, devidamente retido, declarado e recolhido pela Fonte Pagadora, no valor de R$ 46.576,74 (doc. 07). Por um equívoco somente nesta oportunidade a Fonte Pagadora prestou as informações na DIRF (doc. 08). Considerando que o valor é parte integrante do saldo declaração da Recorrente no Ano Base 2002, o mesmo deve ser analisado e considerado pela Fiscalização” (fls. 690/693); ” ” APURAÇÃO: Conforme consulta ao sistema da DIRF da RFB, fl. 798, consta nesta o valor de R$ 46.576,74, tendo como beneficiário o CNPJ do reclamante, entretanto esta informação foi conhecida pela RFB apenas após a retificação da citada DIRF ocorrida em 10/09/2008, gerando uma diferença a favor do contribuinte no valor acima indicado. Conforme anotado em relatório, o Recorrente manifestouse reclamado a ocorrência de erro material no resultado da diligência, de modo que apesar de a fiscalização reconhecer integralmente o direito creditório da Requerente após a análise dos documentos juntados, bem como consulta ao sistema da DIRF da RFB, se equivocou ao indicar que o real valor apurado totalizaria R$ 103.050,80 e não R$ 108.337,37, o que consequentemente representou um reconhecimento de crédito a menor na quantia de R$ 11.921,23 e não R$ 17.207,81. A argüição do contribuinte é razoável e merece ser considerada, principalmente porque, tais valores já haviam sido defendidos por ele em sede de Recurso Voluntário, quando mencionou que “No caso da filial de CNPJ 17.428.731/005870 o valor apurado pela Fiscalização no montante de R$ 91.129,57 (fl. 563) é diferente do valor declarado na DIRF de R$ 112.994,98 (FL. 366), enquanto que o valor apurado pela recorrente com base nos informes de rendimentos totalizam R$ 108.337,37, fazendo jus neste caso ao direito creditório da diferença de no mínimo R$ 17.207,81. Desta forma, considerando a ocorrência de erro material quanto ao resultado da diligência, entendo por bem, retornar os autos a autoridade autora do Relatório de fl. , a fim de que possa se manifestar sobre o erro argüido e se for o caso corrigilo, a fim de que seja exaurida qualquer dúvida quando ao exato valor do crédito a ser aproveitado pelo contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Fl. 866DF CARF MF
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Numero do processo: 13804.004251/2005-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 17 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.772
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto
Paulo Roberto Duarte Moreira- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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Winderley Morais Pereira Presidente Substituto Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Relatório Tratase o presente processo de pedido de ressarcimento de Cofins, relativo a receitas de exportação, referente a em outubro de 2004 e diversos meses de 2005. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: 4. O caso submetido à apreciação desta DRJ versa sobre declaração de compensação apresentada pela empresa Perdigão Agroindustrial S/A (incorporada posteriormente por BRF – Brasil Foods S/A), com o objetivo de compensar débitos próprios com supostos créditos de Cofins oriundos de operações de exportação, os quais teria apurado em outubro de 2004 e diversos meses de 2005 pelo regime não cumulativo e com fundamento no art. 6°, § 1°, da lei n° 10.833/2003. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 04 .0 04 25 1/ 20 05 -7 2 Fl. 3149DF CARF MF Processo nº 13804.004251/200572 Resolução nº 3201000.772 S3C2T1 Fl. 3 2 5. A declaração citada, apresentada em 04/11/2005, ocupa as fls. 1/8 dos autos. 6. Dada a complexidade da matéria e a necessidade de apurar a liquidez e certeza dos créditos informados pela requerente, a Divisão de Orientação e Análise Tributária (DIORT) da DERAT/SPO, em despacho de 22/08/2007 (fls. 74/75), determinou o envio do processo principal e seus apensos à DEFIS/SP para a realização de auditoria fiscal. 7. As autoridades tributárias incumbidas da diligência elaboraram em 22/07/2009 a informação fiscal anexa às fls. 88/90, na qual declaram em síntese que o sujeito passivo não apresentou a documentação mencionada no Termo de Início de Ação Fiscal (fls. 78/83), reiterado pelo Termo de Reintimação constante nas fls. 85/86, o que as impediu de analisar os créditos reivindicados. 8. Retornando os autos à DERAT/SP, a DIORT emitiu em 07/10/2009 o Parecer Decisório anexo às fls. 91/95, no qual se exprime nos seguintes termos: “Diante do exposto, indefiro o pedido de restituição e, como conseqüência, não homologo as compensações constantes das declarações de compensação vinculadas aos processos em tela, pela falta de comprovação dos créditos pleiteados, nos termos da legislação tributária vigente.” (fl. 94) 9. Intimado da decisão por via postal em 10/12/2009 (fl. 96 – v.), a interessada apresentou em 30/12/2009 a manifestação de inconformidade anexa às fls. 107/125, cujo teor resumo a seguir, acompanhada de diversos documentos (fls. 126/181). Resumo I. Apresenta inicialmente um quadro demonstrativo na fl. 108, no qual expõe minuciosamente o conteúdo da declaração de compensação ora examinada, informando a natureza dos débitos, bem como os respectivos valores, códigos e períodos de apuração. II. Afirma que o “histórico do objeto” emitido pelos Correios e anexo à fl. 84 indica meramente a data de entrega do Termo de Início de Fiscalização, não contendo o aviso de recebimento com o nome e assinatura do recebedor. Acrescenta que o setor responsável da empresa não recebeu o aludido documento, o que a levou a solicitar aos Correios informações acerca do nome do recebedor no intuito de averiguar se teria havido extravio no interior de suas dependências. III. Assevera que, ao receber o Termo de Reintimação, entrou em contato com os auditores fiscais por intermédio de seu patrono, a fim de obter cópia do Termo de Início de Fiscalização e solicitar prorrogação do prazo de 5 dias concedido para a entrega dos arquivos magnéticos, tendo em vista que o art. 2o da IN SRF n° 86/2001 lhe facultava prazo de 20 dias para cumprir tal exigência. IV. Observando que, além de indeferir o pedido de prorrogação, os auditores fiscais não aceitaram os arquivos magnéticos que lhes foram Fl. 3150DF CARF MF Processo nº 13804.004251/200572 Resolução nº 3201000.772 S3C2T1 Fl. 4 3 apresentados após o decurso do prazo de 5 dias, assinala que o prazo de atendimento da segunda intimação também deveria ser de 20 dias, visto que, embora possuam discricionariedade para decidir se devem reintimar ou não o contribuinte, não podem as ditas autoridades fixar o prazo a ser cumprido, quando este se encontra previsto em diploma legal. Entende portanto que a fixação do referido prazo constitui ato vinculado, diferentemente do envio de nova intimação, a seu ver ato discricionário da autoridade administrativa. V. Ressalta ademais ser desnecessária a verificação dos arquivos magnéticos pertinentes à contabilidade da empresa, alegando que, para atestar a existência e a validade dos créditos de Cofins apurados, bastaria analisar seus documentos fiscais, que sempre estiveram à disposição do Fisco, consistindo basicamente em DIPJ, DCTF, DACON, notas fiscais, livros de registro de entradas e saídas, etc. VI. Salienta a impossibilidade de apresentar no exíguo prazo de 5 dias os documentos requisitados, em virtude de seu volume expressivo, o qual se deve à quantidade de informações solicitadas e de lançamentos correspondentes. VII. No tocante ao item “6” do Termo de Início de Fiscalização, afirma que as notas fiscais de entrada e saída nele mencionadas sempre estiveram à disposição do Fisco e continuam a sua disposição. VIII. Esclarece que os créditos de cofins pleiteados, como consta no demonstrativo anexo à fl. 2, provêm de custos, despesas e encargos vinculados a receitas de exportação e que os apurou na forma da lei n° 10.833/2003, declarandoos devidamente na DIPJ e no DACON IX. Ressalta que as autoridades fiscais, além de não abordar nenhum aspecto relativo à inexistência do direito creditório ou do seu quantum, não comprovaram que ele seja ficto ou inventado. X. Voltando a mencionar o DACON, o demonstrativo de créditos de Cofins anexo à fl. 2, a DCTF e a DIPJ, assinala que os auditores fiscais não lhes questionaram a veracidade ou validade. XI. Declara que, ao não apreciar os arquivos magnéticos, a DIPJ (fichas 24 e 25), o DACON, a DCTF, as notas fiscais de saída e de entrada e os livros fiscais, que sempre estiveram à disposição do Fisco, o autor do parecer decisório impugnado feriu os princípios da instrumentalidade processual e da verdade material. XII. Afirma haver juntado aos autos 1 DVD contendo os arquivos magnéticos solicitados, assim como cópia física dos seguintes documentos: DACON, Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais — DACON e Demonstrativo do Crédito de Cofins (“Anexo 2”). XIII. Finalmente, estribada em diversos julgados do Conselho de Contribuintes transcritos nas fls. 115/124, requer que — na linha desses precedentes e em nome do princípio da verdade material — este órgão judicante anule o presente processo a partir do despacho decisório e determine que a autoridade a quo analise o pedido de restituição à luz dos documentos e arquivos magnéticos trazidos aos autos, “deferindose, por conseguinte, o pedido de restituição e Fl. 3151DF CARF MF Processo nº 13804.004251/200572 Resolução nº 3201000.772 S3C2T1 Fl. 5 4 homologandose as compensações declaradas vinculadas ao presente processo” (fl. 125). 10. É o relatório. O pleito foi indeferido no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão 1625.463 de 27/05/2010, proferida pelos membros da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP, cuja ementa dispõe, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. A falta de comprovação do crédito informado não permite a homologação das compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a recorrente apresentou recurso voluntário, tempestivamente, onde repisou os argumentos anteriormente apresentados. Submetido a julgamento nesta Turma Ordinária, em preliminar, fora suscitada dúvida quanto à regularidade da ciência ao contribuinte do Mandado de Procedimento Fiscal e do Termo de Início de Ação Fiscal, realizada por via postal (Correios, com AR). Por conseguinte, com unanimidade de votos, a Turma decidiu pela conversão do julgamento em DILIGÊNCIA, através da Resolução de n° 3201000.573, de 25/01/2016 (fls. 3.114/3.119) para que a unidade de origem anexasse aos autos cópias do AR, nos termos abaixo: Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. O litígio versa sobre pedido de compensação de débito próprio com crédito da Cofins apurada sob o regime não cumulativo oriundo de operações de exportação de mercadorias para o exterior. Indeferido o pleito e mantida a decisão pela instância a quo, a Recorrente comparece a este Colegiado Administrativo alegando, preliminarmente, a nulidade do Despacho Decisório, ao fundamento de cerceamento ao seu direito de defesa. Argumenta que, através do Termo de Início de Ação Fiscal de fls. 85/90, teria sido intimada a apresentar, no prazo de 5 (cinco) dias, uma série de documentos e arquivos magnéticos referentes a compensações de débitos seus com créditos de PIS/Cofins, solicitação que, no entanto, sustenta jamais ter chegado ao seu conhecimento, embora conste nos autos extrato dos Correios indicando que a entrega se deu em 17/04/2009 (fl. 91). Posteriormente, em 29/05/2009, foi Fl. 3152DF CARF MF Processo nº 13804.004251/200572 Resolução nº 3201000.772 S3C2T1 Fl. 6 5 reintimada a apresentar, também no prazo de 5 (cinco) dias, os documentos e arquivos antes solicitados (Termo de Reintimação de fls. 92/93), que foi recebido em 24/06/2009, conforme cópia do Aviso de Recebimento AR de fls. 94. Assevera que, em face do exíguo prazo para a apresentação dos documentos e arquivos magnéticos, o que estaria em desacordo com o disposto no art. 2° da Instrução Normativa – IN SRF n° 86, de 2001, solicitou a dilação de prazo à fiscalização, pedido que, todavia, foi indeferido, “não tendo sido aceita a apresentação de qualquer documento à fiscalização após 29 de junho de 2009 (5 dias após o recebimento do Termo de Reintimação)”. Em seguida, a unidade de origem prolatou a sua decisão, negando, por falta de comprovação do crédito vindicado, o pedido formulado pela Recorrente. Pois bem. De início, verificamos existir uma irregularidade na intimação que teria ocorrido por meio do primeiro Termo de Início de Ação Fiscal: não há nos autos prova de que tenha sido recebido no endereço cadastral da Recorrente, uma vez que não anexado aos autos o AR correspondente, mas apenas informação unilateral, extraída do site dos Correios, de que a entrega teria ocorrido em 17/04/2009. A lei processual, contudo, exige a prova do recebimento, vale dizer, a assinatura do recebedor, que não necessariamente precisa ser o representante legal do contribuinte, sendo perfeitamente válida a intimação mesmo que o AR tenha sido firmado por membro de sua família ou pelo porteiro do prédio onde mora ou onde funciona o seu estabelecimento. É o que estabelece o art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação dada pelo Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997: Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo;” (g.n.) Considerar, tal como considerou a decisão recorrida, que o simples histórico da entrega do AR, extraído do sítio eletrônico dos Correios, constituiria documento oficial dotado de fé pública, demandando, para que se o infirme, prova em contrário, significa exigir da Recorrente apresentar prova negativa do fato da intimação, algo absolutamente impossível de ser realizado. Ante o exposto, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a unidade de origem anexe aos autos cópia do AR correspondente à primeira intimação cuja data de realização consta do extrato dos Correios de fl. 91. Ao término do procedimento, devem os autos retornar a este Colegiado para julgamento. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 3153DF CARF MF Processo nº 13804.004251/200572 Resolução nº 3201000.772 S3C2T1 Fl. 7 6 Retornou da unidade de origem com a juntada dos seguintes documentos: a) Cópia do Ofício 101/2016, de 04/05/2016 (fl. 3.127) – RFB/Delex encaminhado aos Correios (GENCO). b) Cópia do Ofício 8449/2016, de 11/05/2016 (fl. 3.129/3.131) – GENCO/SPM – GMRO01/DEOPE/VIENC encaminhado à RFB. O Ofício 101/2016 fora encaminhado à Genco – Gerência de Encomendas da Diretoria São Paulo Metropolitana dos Correios, que é setor dos correios responsável por manter informações sobre as encomendas, solicitando a 2ª via do AR nº SX604609249BR A resposta dos Correios deuse por intermédio do Ofício 8449/2016 que, em síntese, afirmou não mais dispor do documento, e informou que o Sr. Josué Mendes da Silva é quem havia recebido a correspondência (Termo de Início) cujo AR é o de nº SX604609249BR O processo foi redistribuído e encaminhado a este Conselheiro para prosseguimento, de forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator. A Diligência fora cumprida nos exatos termos em que fora solicitada. Contudo, entendo imprescindível a ciência de seu resultado à recorrente para que não se caracterize cerceamento ao direito de defesa. Ante todo o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM NOVA DILIGÊNCIA para que a Unidade de Origem cientifique a interessada quanto ao resultado da diligência para, se desejar, manifestese no prazo de 30 (trinta) dias, exclusivamente acerca dos documentos acostados Ofícios nºs. 101/2016 (da RFB) e 8449/2016 (dos Correios). Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. É como voto. Paulo Roberto Duarte Moreira. Fl. 3154DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.003643/2007-55
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 27 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Aug 10 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2007
RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. SIMILITUDE FÁTICA. AUSÊNCIA.
A ausência de similitude fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas torna estes inaptos para demonstrar a divergência de interpretação, inviabilizando o conhecimento do recurso.
Numero da decisão: 9202-009.638
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Pedro Paulo Pereira Barbosa, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Marcelo Milton da Silva Risso, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim (Suplente Convocado) e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente(s) o conselheiro(a) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2007 RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. SIMILITUDE FÁTICA. AUSÊNCIA. A ausência de similitude fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas torna estes inaptos para demonstrar a divergência de interpretação, inviabilizando o conhecimento do recurso.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Pedro Paulo Pereira Barbosa, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Marcelo Milton da Silva Risso, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim (Suplente Convocado) e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente(s) o conselheiro(a) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. SIMILITUDE FÁTICA. AUSÊNCIA. A ausência de similitude fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas torna estes inaptos para demonstrar a divergência de interpretação, inviabilizando o conhecimento do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Pedro Paulo Pereira Barbosa, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Marcelo Milton da Silva Risso, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim (Suplente Convocado) e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente(s) o conselheiro(a) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Trata-se de recurso especial interposto pelo sujeito passivo em face do acórdão 2803-002.861, de recurso voluntário, e que foi parcialmente admitido pela Presidência da 3ª Câmara da 2ª Seção, para que seja rediscutida a seguinte matéria: inexistência de grupo econômico. Segue a ementa e o registro da decisão nos pontos que interessam: GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações tributárias decorrentes da Lei 8.212/91, não comportando benefício de ordem. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 00 36 43 /2 00 7- 55 Fl. 1145DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9202-009.638 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10530.003643/2007-55 A decisão foi assim registrada: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. A fiscalização identificou a existência de um grupo econômico integrado pelas empresas DISTRIBUIDORA BARREIRAS DE ALIMENTOS LTDA, NOVA COLINA ADMINISTRADORA DE BENS PATRIMONIAIS LTDA e CEREALISTA CASTRO LTDA, as quais foram consideradas como devedoras do crédito tributário constituído neste processo, consistente de contribuições previdenciárias patronais e parte dos segurados. Em seu recurso especial, e no que foi objeto de admissibilidade prévia, o sujeito passivo basicamente alega que: - conforme acórdão paradigma 2403-001.630, mesmo que fosse provada a existência do grupo econômico, isso não seria motivo suficiente para as empresas incluídas serem consideradas como solidárias. A Fazenda Nacional foi intimada do acórdão de recurso voluntário, do recurso especial e do seu exame de admissibilidade, e apresentou contrarrazões, nas quais basicamente pediu o desprovimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci – Relator 1 Conhecimento O recurso especial é tempestivo, visto que interposto dentro do prazo legal de quinze dias (art. 68, caput, do Regimento Interno do CARF), mas não foi demonstrada a existência de divergência na interpretação da legislação tributária (art. 67, § 1º, do Regimento), de modo que o apelo não deve ser conhecido. A fim de demonstrar a divergência, a recorrente acostou o paradigma 2403- 001.630, segundo o qual “o fato de haver Pessoas Jurídicas que pertençam ao mesmo grupo econômico, por si só, não enseja a responsabilidade solidária, na forma prevista no artigo 124 do CTN.” (vide ementa). Ainda de acordo com o paradigma, “mesmo que fosse provada a existência do grupo econômico, isso não seria motivo suficiente para as empresas incluídas serem consideradas como responsáveis solidárias”. No presente caso, todavia, a decisão recorrida não está fundada apenas na existência de grupo econômico, mas também na alegada existência do que denominou de grupo econômico de fato e no interesse comum de todas as empresas solidárias na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, ex vi do art. 124, I, do Código Tributário Nacional. Veja-se que a decisão recorrida textualmente afirmou que a autoridade fiscal aplicou corretamente o citado art. 124, I. Ficou comprovada nos autos a utilização do mesmo espaço físico, meus sócios (parentes), utilização de um mesmo empregado em várias empresas do grupo econômico, administração unificada, mesmo responsável dos recursos humanos para o grupo, pagamento de despesa de uma empresa paga por outra do grupo, dentre outros constantes dos autos. [...] Fl. 1146DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9202-009.638 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10530.003643/2007-55 Deste modo, em que pese o recurso voluntário trazido pelo recorrente, não sendo demonstrado que os argumentos e fundamentos da autoridade fiscal estão em desacordo com a legislação mencionada na notificação fiscal e na decisão recorrida, está caracterizado o grupo econômico de fato e a responsabilidade solidária, nos termos do art. 30, inciso IX da Lei 8.212/91 e art. 121 e 124, inciso II, do CTN. [...] O recorrente não comprova que a tese da autoridade fiscal utilizada no lançamento estava equivocada, apenas menciona de maneira genérica a impossibilidade de se aplicar a solidariedade para uma pessoa que não tenha participado do fato gerador. Entretanto, não contesta os argumentos da fiscalização, em especial a utilização de um mesmo empregado para as empresas do grupo econômico. O art. 30, IX, da Lei 8.212/91 está em vigor. Assim, o argumento de que a responsabilidade tributária pelo fato de existir grupo econômico requer lei complementar, tão somente, não é suficiente para provocar a desconstituição do crédito fiscal. O artigo 30, IX, da Lei 8.212/91 foi aplicado considerando o art. 124, I, do CTN. (com destaques) Logo, confrontando-se ambos os julgados, conclui-se inexistir divergência interpretativa em face de situações semelhantes. Em sendo assim, voto por não conhecer do recurso. 2 Conclusão Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso especial do sujeito passivo. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 1147DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 15374.972271/2009-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 25 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Sep 14 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 20/06/2007
PROVAS. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO
De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo e a consequente homologação das compensações declaradas.
A produção de provas é facultada das partes, mas constitui-se em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não o sendo praticado no tempo certo, surgem consequências gravosas, dentre elas a perda do direito de o fazê-lo posteriormente, pois nesta hipótese, opera-se o fenômeno denominado de preclusão temporal.
Numero da decisão: 3302-011.672
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Lima Abud, Walker Araujo, Larissa Nunes Girard, Jose Renato Pereira de Deus, Paulo Regis Venter (suplente convocado), Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Ausente o conselheiro Vinicius Guimaraes, substituído pelo conselheiro Paulo Regis Venter.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 20/06/2007 PROVAS. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo e a consequente homologação das compensações declaradas. A produção de provas é facultada das partes, mas constitui-se em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não o sendo praticado no tempo certo, surgem consequências gravosas, dentre elas a perda do direito de o fazê-lo posteriormente, pois nesta hipótese, opera-se o fenômeno denominado de preclusão temporal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Lima Abud, Walker Araujo, Larissa Nunes Girard, Jose Renato Pereira de Deus, Paulo Regis Venter (suplente convocado), Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Ausente o conselheiro Vinicius Guimaraes, substituído pelo conselheiro Paulo Regis Venter.
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo e a consequente homologação das compensações declaradas. A produção de provas é facultada das partes, mas constitui-se em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não o sendo praticado no tempo certo, surgem consequências gravosas, dentre elas a perda do direito de o fazê-lo posteriormente, pois nesta hipótese, opera-se o fenômeno denominado de preclusão temporal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Lima Abud, Walker Araujo, Larissa Nunes Girard, Jose Renato Pereira de Deus, Paulo Regis Venter (suplente convocado), Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Ausente o conselheiro Vinicius Guimaraes, substituído pelo conselheiro Paulo Regis Venter. Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: Trata o processo de Manifestação de Inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório (Rastreamento nº 848605008), emitido em 07/10/2009, pela DERAT Rio de Janeiro, que não homologou a compensação declarada por meio do Per/Dcomp nº 16107.90059.271107.1.3.04-8790, uma vez que o crédito informado de R$ 70.932,57, AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 97 22 71 /2 00 9- 34 Fl. 378DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-011.672 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.972271/2009-34 correspondente ao pagamento de COFINS (código 5856), efetuado em 20/06/2007, já estava integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. Cientificada da decisão administrativa, em 20/10/2009, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, em 19/11/2009, argumentando que o crédito decorre de erro cometido quando do preenchimento da DCTF original, do mês de 31/05/2007, onde indevidamente informou o débito de Cofins de R$ 355.656,15 e não R$ 0,00. Mas que já retificou e transmitiu nova DCTF corrigindo os valores.. A 3ª Turma da DRJ em Curitiba (PR) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06-51333, de 18 de março de 2015, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 20/06/2007 RETIFICAÇÃO DE DCTF POSTERIOR À NÃO HOMOLOGAÇÃO DA DCOMP. A retificação de declaração já apresentada à RFB somente é válida quando acompanhada dos elementos de prova que demonstrem a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração original (art. 147, § 1º, do CTN). Manifestação de Inconformidade Improcedente Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário ao CARF, no qual repisa boa parte da manifestação de inconformidade, inovando apenas nos seguintes pontos: a) Que a Recorrente é uma empresa que presta exclusivamente serviços de reboque de embarcação, sob a intermediação obrigatória de uma agência de navegação, também denominada agência marítima, por força do § 2 o , do art. 4 o , da IN RFB N° 800/2007, às empresas transportadoras marítimas (armadores) sediadas e domiciliadas no exterior, cujas embarcações são oriundas do estrangeiro e que atracam em diversos portos brasileiros para importação e exportação de mercadorias. São serviços prestados a pessoas jurídicas domiciliadas no exterior e que geram ao País ingresso de divisas. Assim, todos os pagamentos oriundos do exterior recebidos pela Recorrente em decorrência desses serviços não estão afetados pela contribuição em causa, pois a origem do crédito decorre de receitas auferidas na prestação de serviços para pessoa jurídica domiciliada no exterior e, consequentemente, culminando com o ingresso de divisas no território nacional. Assim, consoante inciso II, do art. 6 o , da Lei n° 10.833/03 e inciso II do art. 5°, da Lei n° 10.637/02, na redação dada pelo art. 21° da Lei 10.865/04 e ainda pela IN SRF n° 247, de 21 de novembro de 2002, não incidem a contribuição para o PIS/PASEP e para a COF1NS sobre as receitas oriundas de serviços prestados a pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, no caso em tela transportadores estrangeiros; b) Que os serviços de reboque de embarcações firmados entre a Recorrente e os transportadores estrangeiros, possuem a figura, como já referido, do interveniente denominado agente marítimo, que representa o transportador estrangeiro no Brasil, intervindo na contratação e repassando os pagamentos dos serviços prestados. Com efeito, esses pagamentos não geram a incidência do PIS e da COFINS, por serem receitas oriundas do exterior com o Fl. 379DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-011.672 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.972271/2009-34 consequente ingresso de divisas no País e, por via de consequência, podem ser excluídos da DCTF se indevidamente lançados; c) Que resta comprovado o direito da Recorrente ao crédito decorrente da não incidência do PIS e da Cofins sobre a receita oriunda da prestação de serviços de agenciamento marítimo ao transportador estrangeiro, pessoa jurídica domiciliada no exterior, cujo pagamento configura efetivo ingresso de divisas no País. Termina petição requerendo o acolhimento do recurso para fins de reconhecer a existência de créditos em favor da recorrente e a consequente homologação da declarações apresentadas. Alternativamente, requer a realização de perícia para a confirmação do direito alegado. É o breve relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. Diligência O pedido de diligência deve ser indeferido, pois como já se pronunciou a decisão de piso, o ônus da prova, nas situações em que temos o requerimento de restituição e compensação de créditos supostamente indevidos, recai sobre o sujeito passivo, sendo certo que, não há que se falar em obrigatoriedade de diligência por parte da autoridade fiscal, uma vez que toadas as provas documentais deveriam ter sido apresentadas junto com a manifestação de inconformidade da recorrente. Devemos ter em mente que não é cabível a realização de diligência para suprir prova que deveria ter sido apresentada em manifestação de inconformidade, vale dizer, o procedimento de diligência não se afigura como remédio processual destinado a suprir a injustificada omissão probatória daquele sobre o qual recai o ônus do prova. Certo é que não podemos deixar de observar que existem regras processuais claras, que regem o contencioso administrativo, regulando a instrução probatória, não cabendo ao julgador afastar tais regras em face de aplicação indevida de eventuais princípios. Assim, a aplicação de princípios como aquele do formalismo moderado ou da verdade material não deve abrir caminho para o afastamento de regras que servem para a concretização de outros princípios jurídicos, sobretudo, os processuais. Pelo exposto nego a diligência pleiteada. Mérito A instância a quo, utilizou como razão de decidir a falta de provas do direito creditório, de acordo com trecho do voto condutor do acórdão recorrido, verbis: Portanto, a retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, situação não comprovada nos autos, já que não existe qualquer demonstração da redução do débito. Fl. 380DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-011.672 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.972271/2009-34 Em suma, instaurado o contencioso administrativo, qualquer alteração nas declarações prestadas deve estar comprovada pela demonstração do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e suficiente, consistente na escrituração contábil/fiscal do contribuinte, passível de confirmar a efetiva natureza da operação, a ocorrência do fato gerador do tributo, a base de cálculo e a alíquota aplicável, para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário. Convém mencionar que a recorrente em sua manifestação de inconformidade não identificou o motivo do erro no preenchimento da DCTF, e acostou apenas cópias da DCTF retificadora e da Per/Dcomp. Em sede de recurso voluntário, a recorrente alegou que o erro no preenchimento da DCTF se deu em virtude da inclusão dos valores referentes a serviços prestados a pessoas jurídicas domiciliadas no exterior e que geram ao País ingresso de divisas. Apresentou como provas os contratos de câmbio que comprovam o ingresso de divisas no País oriundas do exterior, a Solução de Consulta n° 185, de 28/06/2007, a Memória do Crédito, a relação de Notas Fiscais, o Razão Contábil, Dacon, Guias de Recolhimento, DCTF original e retifícadora e a Lista das Bandeiras dos Navios Estrangeiros rebocados pela Recorrente. Pela luz da legislação processual brasileira, quer judicial ou administrativa, é defeso às partes apresentar prova documental em momento diverso do estabelecido na norma processual - no do Processo Administrativo Fiscal na data da apresentação da impugnação/manifestação de inconformidade – a menos que (§ 4º do art. 16 do Decreto 70.235/1972): a) Fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Analisando os autos, verifica-se que a situação fática não se enquadra em nenhuma das hipóteses enumeradas acima. De outro lado, não se pode olvidar que a produção de provas é facultada às partes, mas constitui-se em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não o sendo praticado no tempo certo, surge para a parte consequências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazê-lo posteriormente, pois nesta hipótese, opera-se o fenômeno denominado de preclusão, isto porque, o processo é um caminhar para frente, não se admitindo, em regra, realização de instrução probatória tardia, pertinente a fases já ultrapassadas. Daí, não tendo sido produzida a tempo, em primeira instância, não se admite que se faça em fases posteriores, sem que haja justificativa plausível para o retardo. Noutro giro, que o princípio da verdade material não é remédio para todos os males processuais; não pode nem deve servir de salvo conduto para que se desvirtue o caminhar para frente, o ordenamento e a concatenação dos procedimentos processuais - essência de qualquer processo administrativo ou judicial. Na realidade, a verdade material contrapõe-se ao formalismo exacerbado, presente no Processo civil, mas, de maneira alguma, priva o procedimento administrativo das necessárias formalidades. Daí se dizer que no Processo Administrativo Fiscal convivem harmonicamente os princípios da verdade material e da formalidade moderada. De sorte que se busque a verdade real, mas preservando as normas processuais que asseguram a segurança, a celeridade, a eficiência e o bom andamento do processo. Fl. 381DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-011.672 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.972271/2009-34 Diante do exposto, e como não foram acostados, no momento processual previsto na legislação, elementos probatórios que identificassem e provassem o recolhimento indevido, nego provimento ao recurso em face da preclusão consumativa. É como voto. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 382DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13884.721785/2012-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 09 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Sep 02 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2008
ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. COMPROVAÇÃO. SÚMULA CARF N° 122.
A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA).
ITR. VALOR DA TERRA NUA - VTN. ARBITRAMENTO COM BASE NO SIPT. POSSIBILIDADE.
A apresentação de Laudo de Avaliação de imóvel rural elaborada em desacordo com as prescrições da NBR 14653-3 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) é ineficaz para afastar o valor da terra nua arbitrado com base nos dados do Sistema de Preços de Terras (SIPT).
Numero da decisão: 2401-009.688
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer a área de reserva legal declarada de 1.873,0 ha.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Rodrigo Lopes Araújo, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. COMPROVAÇÃO. SÚMULA CARF N° 122. A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA). ITR. VALOR DA TERRA NUA - VTN. ARBITRAMENTO COM BASE NO SIPT. POSSIBILIDADE. A apresentação de Laudo de Avaliação de imóvel rural elaborada em desacordo com as prescrições da NBR 14653-3 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) é ineficaz para afastar o valor da terra nua arbitrado com base nos dados do Sistema de Preços de Terras (SIPT). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer a área de reserva legal declarada de 1.873,0 ha. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (documento assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Rodrigo Lopes Araújo, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 72 17 85 /2 01 2- 43 Fl. 508DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-009.688 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13884.721785/2012-43 Relatório ABRAS DA UNA AGROINDUSTRIA, AGRICULTURA E COMERCIO LTDA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 1 a Turma da DRJ em Brasília/DF, Acórdão nº 03-061.375/2014, às e-fls. 284/297, que julgou procedente o lançamento fiscal, referente ao Imposto sobre a Propriedade Rural - ITR, em relação ao exercício 2008, conforme Notificação de Lançamento, às fls. 03/08, e demais documentos que instruem o processo. Trata-se de Notificação de Lançamento nos moldes da legislação de regência, contra a contribuinte acima identificada, constituindo-se crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente dos seguintes fatos geradores: Área de Reserva Legal não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou a isenção da área declarada a título de reserva legal no imóvel rural. O Documento de Informação e Apuração do ITR [DIAT] foi alterado e os seus valores encontram-se no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. De acordo com o artigo 111 da Lei nº 5172/66 [CTN], interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário e outorga de isenção. (...) Valor da Terra Nua declarado não comprovado Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653-3 da ABNT, o valor da terra nua declarado. No Documento de Informação e Apuração do ITR [DIAT], o campo valor da terra nua por ha [VTN/ha] foi arbitrado considerando o valor obtido no Sistema de Preços de Terra [SIPT], e o valor total da terra nua foi calculado multiplicando-se esse VTN/ha arbitrado pela área total do imóvel. O Sistema de Preços de Terra [SIPT] da RFB, instituído através da Portaria SRF nº 447, de 28/03/02, é alimentado com os valores recebidos das Secretarias Estaduais ou Municipais de Agricultura ou entidades correlatas, sendo que esses valores são informados para cada município/UF, de localização do imóvel rural, e exercício [AC da DITR]; assim foram obtidos os dados para os respectivos campos: município, UF e exercício. Os valores do DIAT encontram-se no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. COMPLEMENTO DA DESCRIÇÃO DOS FATOS: A Declaração de ITR do sujeito passivo incidiu em Malha Fiscal, nos parâmetros, Áreas Ambientais e Cálculo do Valor da Terra Nua. Em relação à Área Utilizada na atividade rural o sujeito passivo informou na Declaração de Informação e Apuração do ITR DIAT -2010, no quadro Distribuição da Área do Imóvel Rural, 1.873,0 ha como Área de Reserva Legal e, 600,0 ha como Área de Interesse Ecológico, visando a exclusão desta área da incidência do ITR. Regularmente intimado o interessado respondeu parcialmente as exigências contidas no Termo de Intimação Fiscal de n° 08120/00001/2011, no que se refere à comprovação das áreas Ambientais declaradas. Para a área declarada como Reserva Legal (74% da área total), o sujeito passivo não apresentou um documento essencial para fins de exclusão da tributação, que é a comprovação da respectiva área a margem da inscrição Fl. 509DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-009.688 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13884.721785/2012-43 da matricula do imóvel, no Registro de imóveis competente, na data da ocorrência do respectivo fato gerador (...) Nota-se também, na declaração apresentada, uma incompatibilidade em relação à caracterização dos diferentes tipos de áreas ambientais, pois o sujeito passivo apresenta documentação onde é informado que grande parte da área total do imóvel está dentro do Parque Estadual da Serra do Mar, o que impediria inclusive o manejo sustentado como acontece com as áreas caracterizadas como de Reserva Legal a qual no caso em pauta corresponderia a 74% da área total. (...) Quanto ao Valor da Terra Nua VTN, o sujeito passivo não apresentou Laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT com fundamentação e grau de precisão II. No Laudo apresentado pelo contribuinte, não foi citado nem descrito nenhum dado amostral específico para justificar a pretensa utilização do Método Comparativo de Dados de Mercado; tampouco, foi apresentado critério objetivo para justificar a origem do valor enviado pelo contribuinte como o VTN total do imóvel de R$ 1.864.121,44 (...) Desta forma, considerando-se o exposto, lavrou-se o presente lançamento de ofício, exercício 2008, em cumprimento ao disposto no artigo 14 da Lei n° 9.393 de 19/12/1996, acatando-se a área declarada como área coberta de florestas nativas, glosando-se a ´ra declarada como reserva legal e glosando-se o valor da terra nua apresentado pelo sujeito passivo. A contribuinte, regularmente intimada, apresentou impugnação requerendo a decretação da improcedência do feito. Por sua vez, a Delegacia Regional de Julgamento em Brasília/DF entendeu por bem julgar procedente o lançamento, conforme relato acima. Regularmente intimada e inconformada com a Decisão recorrida, a autuada, apresentou Recurso Voluntário, às e-fls. 303/324, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa às alegações da impugnação, motivo pelo qual adoto o relatório da decisão de piso: - transcreve o art. 10 da Lei nº 9.393/1996, para alegar a existência da área de reserva legal declarada na DITR; - faz menção à Informação DPL nº 019/91, emitida pela Secretaria do Estado do Meio Ambiente, que cita que “grande parte da área está dentro do Parque Estadual da Serra do Mar”; que “toda a área está sob tombamento” e que “...indicou esta área como Zona de Proteção Adicional, ou seja, recomendam usos de preservação e conservação, pesquisa científica, educação ambiental e ecoturismo, desde que apresentem plano de manejo"; - transcreve os art. 1º, 2º, 4º e 6º do Decreto n° 10.251, de 30 de agosto de 1977, que criou o Parque Estadual da Serra do Mar; - afirma que a Resolução n° 40, de 06/06/1985, veiculada pelo Estado de São Paulo, regulamentou o tombamento da área da Serra do Mar no Estado de São Paulo, englobando a propriedade rural sobre a qual está incidindo o ITR para o exercício de 2008; - assim, de acordo com a Instrução Normativa SRF n° 256/2002, a área da Fazenda Abras do Una, inserida no Parque Estadual da Serra do Mar, é área não tributável para fins de ITR; Fl. 510DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-009.688 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13884.721785/2012-43 - a área de propriedade da Impugnante, abrangida pelo Parque Estadual da Serra do Mar, assim declarada desde 1991, é área de preservação ambiental, de domínio do Governo do Estado de São Paulo, cuja utilização é vedada, conforme devidamente informado na DITR do exercício 2008; - anexa cópia do Termo de Responsabilidade de Preservação da Área Verde, equivalente à maior parte do imóvel, bem como da Escritura Pública de Declaração, lavrada em 19/01/2001, e do laudo de utilização do imóvel, os quais destacam a existência da área de reserva legal com a extensão de 1.873,0 ha; - constou do Ato Declaratório n° 19/91, emitido pela Secretaria do Estado do Meio Ambiente, que toda a área está sob tombamento e qualquer uso deve ter aprovação do CONDEPHAAT - Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Turístico do Estado; - não só por estar inserida no Parque Estadual da Serra do Mar, mas também por se tratar de área tombada e reservada ao desenvolvimento de atividades ecológicas, a referida propriedade é considerada imprestável para qualquer exploração, sobretudo a exploração econômica, e, portanto, nos termos da legislação vigente, é área não- tributável; - faz citação de conceito doutrinário para afirmar que a área de reserva legal definida e instituída por dispositivo legal é uma forma de limitação administrativa; - por meio da Lei nº 4.771/1965, foi instituída e delimitada a área de reserva legal, que assume essa condição mesmo sem a apresentação de ADA e/ou registro ou averbação na matrícula do imóvel; - faz citação de jurisprudência do CARF, para fundamentar suas alegações de desnecessidade da averbação e do requerimento do ADA; - afirma que consta averbado na matrícula o Termo de Responsabilidade de Preservação da Área Verde equivalente à maior parte do imóvel, estabelecido na Ação Civil Pública n° 748/94, de forma que é cristalina a existência da área de reserva legal no imóvel; - na Escritura Pública de Declaração, foi declarado o compromisso de preservação e recuperação da área de reserva legal; - em caso análogo ao presente, relativo ao ITR do Exercício 2006 do mesmo imóvel, após a realização de lançamento para a cobrança de suposta diferença decorrente de discussão sobre a existência da área de reserva legal, a DRJ/CGE proferiu decisão que reconheceu a existência da área de reserva legal; - tratando-se do mesmo imóvel, é evidente que se reconhecida a existência da área de reserva legal para o exercício 2006, igual tratamento deverá ser dispensado para o exercício de 2008, considerando se tratar da mesma área; - enumera os documentos necessários para comprovar as áreas de interesse ambiental, conforme indicado pelo IBAMA, para afirmar que resta claro que a própria Administração Pública entende que o ADA não seria o único documento comprobatório das áreas de interesse ambiental; - transcreve jurisprudência do STJ e do TRF-1ª Região, bem como entendimento doutrinário, para referendar seus argumentos; Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornando-o sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 511DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-009.688 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13884.721785/2012-43 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira, Relator. Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. DA ÁREA DE RESERVA LEGAL Conforme depreende-se da Notificação de Lançamento, o fiscal basicamente entendeu por bem glosar a área de reserva legal por não restar comprovada sua averbação na matricula do imóvel, senão vejamos: Regularmente intimado, o interessado respondeu parcialmente às exigências contidas no Termo de Intimação Fiscal de n° 08120/00001/2011, no que se refere ã comprovação das Áreas Ambientais declaradas. Para a área declarada como Reserva Legal (74% da área total), o sujeito passivo não apresentou um documento essencial para fins de exclusão da tributação, que é a comprovação da averbação da respectiva área à margem da inscrição da matrícula do imóvel, conforme preceitua o Art. 11, § 1° da IN 256 de 11/12/2002. Em face disto, a área declarada como sendo de reserva legal Por outro lado, o Acórdão de Impugnação afirma que o contribuinte comprovou a averbação das áreas antes da ocorrência do fato gerador, mas que o lançamento se sustenta por não haver ADA tempestivo para a totalidade da área (e-fl. 290), in verbis: No presente caso, às fls. 73/76, verifica-se que no documento de registro do imóvel denominado “Fazenda Abras do Una” (Registro de Imóveis com matrícula 14.680, Livro nº 2 – Av. 9), especificamente às fls. 185, foi averbada, em 18/05/2001, uma área correspondente a 68,8% da área total do imóvel, a título de preservação de área verde. Além desse documento, foi apresentada a “Escritura Pública de Declaração”, de fls. 188/189, emitida em 19/01/2001, que também informa o compromisso da proprietária do imóvel em manter a reserva florestal equivalente a 1.873,0 ha, correspondente ao percentual citado anteriormente. Entretanto, a averbação tempestiva da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel, de 1.873,0 ha, não supre a necessidade de se comprovar também a exigência relativa ao ADA. Na realidade, a primeira exigência, cumprida pela requerente, constitui apenas requisito para preenchimento e entrega do ADA no IBAMA. Por sua vez, a recorrente, em síntese, aduz que a área foi devidamente averbada na matricula do imóvel, além da área esta inserida dentro dos limites do Parque Estadual Serra do Mar. Pois bem! A recorrente trouxe aos autos a matricula do imóvel (e-fls. 181/187), onde é possível observar a averbação da área de reserva legal correspondente a 68,8% do terreno matriculado. Se já não fosse o bastante, a dimensão da área averbada coincide com a área especificada no Termo de Responsabilidade da ARL (e-fl. 190) e da Escritura Pública de compromisso de tal preservação (e-fls. 188/189). Diante disso, constata-se que a matrícula autoriza a declaração de uma área de reserva legal averbada de 1.873,0 ha. Especificamente quanto ao argumento da DRJ sobre a necessidade de apresentação do ADA, além de extrapolar a motivação da acusação, não subsiste tal exigência para referida área, em face de jurisprudência sumulada deste Tribunal: Fl. 512DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-009.688 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13884.721785/2012-43 Súmula CARF nº 122 A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA). (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Neste diapasão, deve ser restabelecida a área de reserva legal correspondente a 1.873,0 ha averbada na matricula do imóvel. DO VALOR DA TERRA NUA – VTN Da análise das peças do presente processo, verifica-se que a Autoridade Fiscal entendeu que o VTN declarado estava subavaliado, tendo em vista o valor constante do Sistema de Preço de Terras (SIPT), instituído pela Receita Federal, em consonância ao art. 14, caput, da Lei 9.393/96, razão pela qual o VTN declarado para o imóvel na DITR/2008, de R$ 1.030.801,00 (R$ 409,37/ha), foi aumentado para R$ 15.229.065,44 (R$ 6.048,08/ha), valor este apurado com base no SIPT da Receita Federal, instituído em consonância com o art. 14 da Lei 9.393/1996. O valor arbitrado de R$ 6.048,08/ha corresponde ao menor VTN/ha , por aptidão agrícola (terras de campos), para o exercício de 2008, dos imóveis rurais localizados no município de São Sebastião-SP, com base nos valores fornecidos pela Secretaria Estadual de Agricultura, nos termos do § 1º do art. 14 da Lei 9.393/1996, conforme tela SIPT de fls. 17. Na fase de intimação, a Contribuinte apresentou o laudo de avaliação de fls. 53/66, e anexos de fls. 67/109, elaborado por profissional habilitado e acompanhado da necessária ART, de fls. 92/94. O referido laudo indicou o VTN de R$ 1.864.121,44, entretanto, a autoridade não acatou esse valor, conforme consta da descrição dos fatos (fls. 04), por entender que o referido laudo não foi apresentado conforme estabelecido na NBR 14653-3 da ABNT. Ressaltou, ainda, que, no laudo, não foi citado nem descrito nenhum dado amostral específico para justificar a pretensa utilização do Método Comparativo de Dados de Mercado, tampouco foi apresentado critério objetivo para justificar a origem do VTN indicado, que corresponderia a R$ 740,31/ha (R$ 1.864,121,44 : 2.518,0 ha). Para comprovação do valor fundiário do imóvel, a preços da época do fato gerador do imposto (1º/01/2008, art. 1º caput e art. 8º, § 2º, da Lei 9.393/96), a Contribuinte foi intimada a apresentar “Laudo Técnico de Avaliação”, elaborado por profissional habilitado (engenheiro agrônomo/florestal), com ART devidamente anotada no CREA, em conformidade com as normas da ABNT (NBR 14.653-3). Nesta fase, bem como foi na defesa inaugural, a Contribuinte não fornece outro laudo, tampouco se reporta especificamente ao VTN, contudo, no recurso, apresenta quadro onde indica as alterações feitas pela fiscalização, colocando-as em negrito, inclusive a que diz respeito ao arbitramento do VTN. Procedendo à análise do laudo apresentado na fase de intimação, verifica-se que o autor do trabalho indica a utilização do método comparativo, mas conforme descrito pela Autoridade Fiscal, às fls. 04, de fato não foi citado nem descrito nenhum dado amostral específico para justificar o VTN indicado, de R$ 740,31/ha (R$ 1.864,121,44 : 2.518,0 ha). Em se tratando do Valor da Terra Nua, é imprescindível a apresentação de “Laudo de Avaliação” emitido por profissional habilitado, acompanhado de ART, devidamente anotada no CREA, que atenda, ainda, aos requisitos das Normas da ABNT (NBR 14.653-3), principalmente no que diz respeito à metodologia utilizada e às fontes eventualmente Fl. 513DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-009.688 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13884.721785/2012-43 consultadas, de modo a demonstrar, de forma convincente, o valor fundiário do imóvel, a preços de 01/01/2008, além da existência de características particulares desfavoráveis, que pudessem justificar a utilização de um VTN/ha abaixo do arbitrado pela fiscalização com base no SIPT. Ocorre que, mesmo ciente dos motivos que levaram a Autoridade Fiscal a rejeitar esse laudo, a requerente não providenciou a elaboração de um “Laudo de Avaliação – Complementar” ou mesmo de um novo “Laudo de Avaliação”, que atendesse às normas da ABNT (NBR 14.653-3), com pontuação suficiente para enquadrá-lo com grau II de fundamentação e precisão, conforme exigido pela autoridade fiscal. Assim, deve ser mantido o valor da terra nua arbitrado pela autoridade lançadora. Apenas a titulo de esclarecimento, como a área de reserva legal foi reconhecida no tópico anterior, caberá a unidade de origem recalcular o grau de utilização da terra, bem como demais implicações do reconhecimento da isenção no cálculo do imposto. Por todo o exposto, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO para restabelecer a área de reserva legal de 1.873,0 ha, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (documento assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 514DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10120.730838/2013-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-000.915
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que o processo seja redistribuído, por conexão, à Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara desta Terceira Seção.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que o processo seja redistribuído, por conexão, à Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara desta Terceira Seção. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferimento do ressarcimento da contribuição (PIS/Cofins) pleiteado, decisão essa lastreada em relatórios fiscais elaborados pela Fiscalização, em que se detectaram divergências em relação às informações prestadas pelo contribuinte no Dacon, na Escrituração Fiscal Digital das Contribuições (EFD Contribuições) e nos arquivos digitais de notas fiscais. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia alegado (i) cerceamento do seu direito de defesa (motivação genérica do despacho decisório), (ii) relação RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .7 30 83 8/ 20 13 -4 1 Fl. 3338DF CARF MF Processo nº 10120.730838/201341 Resolução nº 3301000.915 S3C3T1 Fl. 3.339 2 de causa e efeito existente entre este e o processo administrativo nº 10120.725.254/201516 (auto de infração), (iii) o conceito de insumo na não cumulatividade das contribuições abrange qualquer gasto estritamente necessário para a obtenção das receitas que são a sua base de cálculo, (iv) direito a crédito em relação a fretes entre estabelecimentos da empresa (matérias primas e produtos acabados), às despesas com armazenagem e frete extemporâneos, às despesas com armazenagem consideradas indevidamente como prescritas, a bens e serviços utilizados como insumos e a despesas com material de uso e consumo e (v) crédito presumido (biodiesel, produtos destinados à alimentação e farelo de girassol). A Delegacia de Julgamento (DRJ) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, afastando todos os itens pleiteados pelo contribuinte por falta de previsão legal, bem como em razão da ausência de comprovação eficaz do direito creditório pleiteado. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu o reconhecimento do seu direito, repisando os mesmos argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade. Foram juntados aos autos contratos, memorandos de exportação, telas do Siscomex e do Sisbacen, documentos de confirmação de exportação, Danfe, notas fiscais de armazenagem e notas fiscais de compra de sebo. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3301000.908, de 25/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 10120.730834/201363, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301000.908): O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Tendo em vista o princípio da verdade material, que é diretriz básica de todo o processo administrativo fiscal, verificamos que a contenda se originou da análise de créditos pleiteados em Pedido Eletrônico de Ressarcimento, de créditos de PIS/COFINS não cumulativos. A fiscalização procedeu à auditoria das rubricas das receitas e despesas, em especial os bens para revenda, bens utilizados como insumos, serviços utilizados como insumos, fretes e despesas de armazenagem. Neste quadro, destacamos os seguintes fatos : OS CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS 1 – Com relação à recorrente : em seu recurso voluntário, no item 2.4 – das despesas de armazenagens e fretes extemporâneos (fls. 277 dos autos digitais), a recorrente, citando Fl. 3339DF CARF MF Processo nº 10120.730838/201341 Resolução nº 3301000.915 S3C3T1 Fl. 3.340 3 Acórdãos do CARF, expõe que “quanto a este tópico, entendeu a fiscalização por glosar o aproveitamento de créditos com despesas de armazenagem incorridas no período ali mencionado. Isso ocorreu porque, segundo a autoridade administrativa, o aproveitamento de tais créditos foi extemporâneo, já que a recorrente teria informado, nos DACON de junho de 2011, o total das despesas com armazenagem havidas no período de fevereiro de 2004 a maio de 2011.” no item 2.4.28 (fls. 284 dos autos digitais) a recorrente afirma que “ por fim, no tocante ao argumento constante do Acórdão recorrido, de que o fiscal não chegou a analisar a qualidade do crédito e, por isso, inexistem liquidez e certeza do mesmo, também não assiste razão, pois, ao fisco foi disponibilizada toda a documentação comprobatória dos gastos, tais como os Contratos e Notas Fiscais de Armazenagem aqui anexados por amostragem (Doc_Comprabatórios0030 a 0058)”. a recorrente junta documentos de fls. 309 a 3204 dos autos digitais, em fase de recurso voluntário 2 – Com relação ao Acórdão DRJ : o Acórdão DRJ, ao analisar este item (fls 227 a 230 dos autos digitais) deixa claro que “ a fiscalização glosou créditos decorrentes de despesas com armazenagem e fretes incorridas no período de fevereiro/2004 a junho/2011 informados no DACON de junho de 2011, sob o argumento de que o aproveitamento de crédito extemporâneo não é válido á luz da legislação vigente. Ressaltou ainda da necessidade da impugnante retificar os DACON correspondentes para pleitear o crédito extemporâneo.” o mesmo Acordão DRJ, ainda analisando este item (fls 230 dos autos digitais), informa que ' quarto, a fiscalização não atestou a validade dos créditos, uma vez que o próprio auditor da ação fiscal disse “se o crédito pudesse ser apurado e informado a qualquer momento no Dacon, inviabilizaria a fiscalização das contribuições, já que qualquer procedimento teria que abranger desde o mês em que a pessoa a ser sujeita ao regime da não cumulatividade”. O período fiscalizado se restringiu a 04/2010 a 06/2012, e o crédito extemporâneo é a partir de 2004. Assim ,entendo que inexiste liquidez e certeza do crédito, nem cabe à DRF, nem a esta DRJ, apurar/reconhecer crédito não declarado, ou diverso do declarado, pela contribuinte.”. 3 – Com relação ao Relatório de Fiscalização : ainda com relação a este mesmo item, os Relatórios de Fiscalização – PER (fls. 30 a 44 dos autos digitais) e Processos (fls. 45 a 51 dos autos digitais) elaborados pela fiscalização, mais especificamente o Relatório de Fiscalização PER, traz em seu item I.D – Despesas de Armazenagem Extemporâneas, uma análise dos créditos apurados neste período. Entretanto, é de se salientar as seguintes afirmações : “ 13. Na consolidação das despesas de armazenagem e fretes nas operações de venda feitas a partir das planilhas apresentadas pelo contribuinte, constante da planilha anexa ao TIF Nº 9, há despesas de armazenagem incorridas no período de fevereiro/2004 a outubro/2011.' “ 14. Conforme apurado e para fins de registro, a fiscalização verificou que os valores das despesas de armazenagem incorridas no período de abril/2010 a Fl. 3340DF CARF MF Processo nº 10120.730838/201341 Resolução nº 3301000.915 S3C3T1 Fl. 3.341 4 maio/2011 não foram informados nos respectivos Dacons. Quanto aos anteriores, não foi possível verificar tal fato, até porque o período de fevereiro/2004 a março/2010 não é objeto do presente procedimento.' (grifos nossos) “16. Se tal procedimento fosse válido, ainda assim os valores estariam incorretos, conforme quadro abaixo…..” “17. Este quadro e a planilha em anexo “Extemporaneidade – Despesas de Armazenagem e Fretes nas Vendas – RELATÓRIO” foram elaborados a partir da planilha mencionada no item I.E a seguir, feitos os devidos ajustes, para considerar válida, se assim fosse possível, a apropriação extemporânea dos créditos e, supondo que as despesas de armazenagem de fevereiro/2004 a março/2010 não tenham sido apropriadas em período diverso do aqui fiscalizado' (grifos nossos) “ 18. Contudo, entendemos que tal procedimento não é válido á luz da legislação, conforme demonstraremos a seguir.” neste Relatório a fiscalização, interpretando a legislação a seu modo, entende que os créditos extemporâneos devem ser analisados em fase de apuração e fase de utilização, sendo que a fase de apuração obedece aos requisitos impostos pela legislação á apuração dos créditos básicos, para concluir seu raciocínio de que os créditos extemporâneos não podem ser utilizados fora dos seus períodos de apuração. DA AUSÊNCIA DE INCLUSÃO DE DOCUMENTOS FISCAIS EM ARQUIVOS DIGITAIS o Acórdão DRJ, ao analisar o item Dos Bens Utilizados como Insumos – da Glosa (indevida) de créditos do PIS/PASEP e COFINS pela suposta ausência de inclusão de documentos fiscais em arquivos digitais, ás fls. 230 – 231 dos autos digitais, informa que “ A fiscalização diz que apenas os créditos das notas fiscais (uso e consumo) de aquisição de pessoa jurídica e constante dos arquivos digitais foram consideradas. Informa que as notas fiscais não encontradas nos arquivos digitais e cujos valores foram desconsiderados na apuração dos créditos de PIS e Cofins estão relacionadas na planilha "Rateio Notas Fiscais NÃO Encontradas". Por outro lado, narra a impugnante que, embora tenha se manifestado a despeito do equívoco da fiscalização, dado que as notas fiscais geradoras de créditos de PIS/PASEP e COFINS constavam do arquivo da EFD/Fiscal, parte dos créditos foram glosados pelo auditor (planilha "Rateio Notas Fiscais NÃO encontradas"). Para demonstrar que as notas fiscais listadas na planilha foram informadas no EFD/Fiscal, a requerente anexou o "DOC.06", informando o número da linha em que os documentos fiscais estão registradas no arquivo digital transmitido (número do recibo de entrega do arquivo e data de sua transmissão). Se as notas fiscais são de pessoas jurídicas e registradas nos arquivos digitais transmitidos para o SPED das respectivas competências, não vejo motivo em manter a glosa dos créditos das notas fiscais não localizadas pela fiscalização (As notas fiscais não localizadas está listada na planilha denominada "Rateio Notas Fiscais NÃO encontradas ). Ocorre que as notas fiscais juntadas pela contribuinte são de pessoas físicas ou foram (inferese) incluídas nos arquivos digitais (SPED) de outros períodos de competência/apuração11. Reproduzo parcialmente o "DOC.06 para demonstrar tal constatação.” Fl. 3341DF CARF MF Processo nº 10120.730838/201341 Resolução nº 3301000.915 S3C3T1 Fl. 3.342 5 já a recorrente, em sua defesa, em relação ao mesmo item, no seu recurso voluntário, ás fls. 293 dos autos digitais afirma que “ 2.7.1.5. Nesse diapasão, o Acórdão combatido buscou descaracterizar as provas carreadas pela Recorrente, afirmando que, dentre outras impropriedades, as aquisições foram realizadas de pessoas físicas. 2.7.1.6. Entretanto, ilustres Conselheiros, o que ocorreu é que a planilha juntada pela Recorrente foi em formato de "exceli", o qual, como é de conhecimento geral, despreza a informação do numeral "0" quando colocado a esquerda. Essa ação, comum em arquivos nesse formato (exceli), fez com que o CNPJ dos fornecedores que se encontram nessa situação (zero a esquerda) pareçam se referir a CPF (Exemplo: Fornecedor com CNPJ 00.048.496/000173 segue na planilha contida no DOC. 03 da Impugnação com o número 484.960.000173). 2.7.1.7. Sobreleva reiterar, como abordado em linhas anteriores, que eventual erro formal cometido no cumprimento de obrigação acessória transmitida ao banco de dados da Receita Federal do Brasil, não possui o condão de obstar direito que assiste ao contribuinte, especialmente se se provar ser este irrefutável, como o é na situação em testilha. 7. Assim, diante destes fatos narrados, entendo que o presente processo não está em condições de julgamento, antes de que tais pontos sejam esclarecidos. 8. Neste diapasão, entende este Conselheiro que o presente processo deve ser alvo de diligência, para que se esclareçam tais pontos. CONCLUSÃO 9. Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que a unidade de origem : a) diante do fato de os documentos acostados ás fls. 309 a 3.204 se constituírem em fato novo, manifestese a fiscalização sobre tais documentos; b) analise a origem, natureza, validade e pertinência dos créditos extemporâneos apropriados, mesmo sem as DACON/DCTF retificadoras, para quantificálos, desprezando os critérios de apuração exigidos para os créditos básicos e considerando a data de prescrição como a data de emissão da nota de fiscal de aquisição ou contabilização de tais créditos; c) manifestese a respeito das alegações da recorrente a respeito do erro formal na informação constante da planilha Excell quanto às aquisições de pessoas físicas ou jurídicas, se são procedentes ou não; d) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados; e) cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação. 10. Entretanto, diante da petição de fls. 3.234, apresentada pela recorrente, verificase que já existe processo vinculado a este, por conexão, em trâmite pela 1ª Turma Ordinária da Quarta Câmara da 3ª Seção deste CARF, de nº 10120.725254/201516. 11.Assim, diante deste fato, deve ser este processo redistribuído, por conexão, para a Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara desta Terceira Seção. Fl. 3342DF CARF MF Processo nº 10120.730838/201341 Resolução nº 3301000.915 S3C3T1 Fl. 3.343 6 Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que se esclareçam os seguintes pontos: a) diante do fato de os documentos acostados às fls. 406 a 3.288 se constituírem em fato novo, manifestese a fiscalização sobre tais documentos; b) analise a origem, natureza, validade e pertinência dos créditos extemporâneos apropriados, mesmo sem as DACON/DCTF retificadoras, para quantificálos, desprezando os critérios de apuração exigidos para os créditos básicos e considerando a data de prescrição como a data de emissão da nota de fiscal de aquisição ou contabilização de tais créditos; c) manifestese a respeito das alegações da recorrente a respeito do erro formal na informação constante da planilha Excell quanto às aquisições de pessoas físicas ou jurídicas, se são procedentes ou não; d) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados; e) cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação. Entretanto, diante da petição de fls. 3.234 a 3.237 do processo paradigma (10120.730834/201363), apresentada pela recorrente, abrangendo os demais processos com recursos repetitivos, verificase que já existe processo vinculado a este, por conexão, em trâmite pela 1ª Turma Ordinária da Quarta Câmara da 3ª Seção deste CARF, de nº 10120.725254/201516. Assim, diante deste fato, deve ser este processo redistribuído, por conexão, para a Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara desta Terceira Seção. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 3343DF CARF MF
score : 1.0
