Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,276)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,704)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,062)
- Primeira Turma Ordinária (16,046)
- Primeira Turma Ordinária (16,020)
- Segunda Turma Ordinária d (15,770)
- Segunda Turma Ordinária d (14,393)
- Primeira Turma Ordinária (12,998)
- Primeira Turma Ordinária (12,361)
- Segunda Turma Ordinária d (12,352)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,404)
- Quarta Câmara (84,620)
- Terceira Câmara (67,201)
- Segunda Câmara (55,443)
- Primeira Câmara (19,959)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,266)
- 1ª SEÇÃO (6,825)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,384)
- Segunda Seção de Julgamen (114,111)
- Primeira Seção de Julgame (76,334)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,957)
- Câmara Superior de Recurs (37,862)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,618)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,405)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,749)
- HELCIO LAFETA REIS (3,622)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,217)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,724)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,481)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10930.007801/2002-29
Turma: Segunda Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2006
Ementa: DEDUÇÕES - DESPESA MÉDICA GLOSADA - ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE - Cabe ao contribuinte, mediante apresentação de meios probatórios consistentes, comprovar a efetividade da despesa médica para afastar a glosa.
Recurso negado.
Numero da decisão: 102-47.467
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, José Raimundo Tosta Santos e Romeu Bueno de Camargo (Relator) que provêem parcialmente o recurso. Designada a Conselheira Silvana Mancini Karam para redigir o voto vencedor.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Romeu Bueno de Camargo
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200603
ementa_s : DEDUÇÕES - DESPESA MÉDICA GLOSADA - ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE - Cabe ao contribuinte, mediante apresentação de meios probatórios consistentes, comprovar a efetividade da despesa médica para afastar a glosa. Recurso negado.
turma_s : Segunda Câmara
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2006
numero_processo_s : 10930.007801/2002-29
anomes_publicacao_s : 200603
conteudo_id_s : 4204882
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 22 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 102-47.467
nome_arquivo_s : 10247467_143358_10930007801200229_010.PDF
ano_publicacao_s : 2006
nome_relator_s : Romeu Bueno de Camargo
nome_arquivo_pdf_s : 10930007801200229_4204882.pdf
secao_s : Primeiro Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, José Raimundo Tosta Santos e Romeu Bueno de Camargo (Relator) que provêem parcialmente o recurso. Designada a Conselheira Silvana Mancini Karam para redigir o voto vencedor.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2006
id : 4687954
ano_sessao_s : 2006
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:22:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713042858159636480
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-07T15:54:41Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-07T15:54:41Z; Last-Modified: 2009-07-07T15:54:41Z; dcterms:modified: 2009-07-07T15:54:41Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-07T15:54:41Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-07T15:54:41Z; meta:save-date: 2009-07-07T15:54:41Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-07T15:54:41Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-07T15:54:41Z; created: 2009-07-07T15:54:41Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2009-07-07T15:54:41Z; pdf:charsPerPage: 1210; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-07T15:54:41Z | Conteúdo => MINISTÉRIO DA FAZENDA -tíJ) PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n° : 10930.00780112002-29 Recurso n° : 143.358 Matéria : IRPF — Exs.: 1998 a 2001 Recorrente : MARCOS ABEL LOPES DE MENEZES Recorrida : 4a TURMA/DRJ-CURITIBA/PR Sessão de : 22 de março de 2006 Acórdão n° : 102-47.467 DEDUÇÕES - DESPESA MÉDICA GLOSADA - ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE - Cabe ao contribuinte, mediante apresentação de meios probatórios consistentes, comprovar a efetividade da despesa médica para afastar a glosa. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por MARCOS ABEL LOPES DE MENEZES. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, José Raimundo Tosta Santos e Romeu Bueno de Camargo (Relator) que provêem parcialmente o recurso. Designada a Conselheira Silvana Mancini Karam para redigir o voto vencedor. V--1 LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO PRESIDENTE SILVANA MANCINI KARAM REDATORA DESIGNADA FORMALIZADO EM: 1 4 0E7.. 2006 ecrnh Processo n° : 10930.007801/2002-29 Acórdão n° : 102-47.467 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: NAURY FRAGOSO • TANAKA e BERNARDO AUGUSTO DUQUE BACELAR (Suplente convocado)(\ ' , 1 1 F , I I 2 Processo n° :10930.00780112002-29 Acórdão n° : 102-47.467 Recurso n° : 143.358 Recorrente : MARCOS ABEL LOPES DE MENEZES RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela 4a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba/PR que manteve integralmente o lançamento decorrente de glosa de despesas médicas nos exercícios de 1998 a 2001. A decisão recorrida manteve a glosa das despesas médicas deduzidas pelo contribuinte por entender que os recibos juntados aos autos são insuficientes para comprovar as despesas médicas, uma vez que não indicam o paciente atendido nem comprovam o efetivo pagamento e a prestação dos serviços. Ressalta a DRJ que o art. 11, § 3 0, do Decreto-Lei n° 5.844/43 estabelece expressamente que o contribuinte pode ser instado a comprovar as despesas médicas ou justifica-las, deslocando para ele o ônus probatório. Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual alega, em síntese: a) que quando o Fisco reputa os recibos inábeis para respaldar as deduções de despesas médicas, está dizendo que a declaração contida neles não corresponde ou não espelha a realidade do fato declarado, ou seja, está dizendo que os recibos são ideologicamente falsos; b) que o ônus da prova cabe a quem alega a falsidade; c) que o art. 8°, da Lei n° 9.250/95 exige que a dedução de despesas médicas esteja comprovada por recibos que contenham indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF de 3 Processo n° : 10930.00780112002-29 Acórdão n° : 102-47.467 quem os recebeu, requisitos todos preenchidos pelos documentos presentes nos autos; d) que a lei tributária não impõe a comprovação da forma ou do meio pelo qual se fez o pagamento; e) que a legislação civil também confere legitimidade aos recibos habilitando-os à dedutibilidade postulada; Às fls. 204 consta relação de bens e direitos para arrolamento. 1, É o Relatório. 4 Processo n° :10930.007801/2002-29 Acórdão n° : 102-47.467 VOTO VENCIDO Conselheiro ROMEU BUENO DE CAMARGO, Relator Conforme relatado, discute-se o lançamento decorrente de glosa de deduções de despesas médicas referente aos exercícios de 1998 a 2001. Da análise dos elementos contidos nos autos, verifica-se que se trata de determinar se os recibos apresentados pelo Recorrente são suficientes ou não para comprovar a efetiva realização daquelas despesas. A Lei n° 8.383/91, estabelece as condições para a dedução das despesas com tratamento de saúde: "Art. 11. Na declaração de ajuste anual (art. 12) poderão ser deduzidos: I - os pagamentos feitos, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas provenientes de exames laboratoriais e serviços radiológicos; § 1 0 O disposto no inciso I: c) é condicionado a que os pagamentos sejam especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento" (grifo nosso). Da análise dos referidos recibos juntados pelo Recorrente com o fim de comprovar despesas médicas, vê-se que aqueles de fls. 29/69 preenchem os requisitos formais definidos em lei como condição para a dedutibilidade da despesa, de maneira que não cabe ao Auditor-Fiscal desconsiderá-los em virtude da ausência de descrições pormenorizadas ou pela ausência de outros comprovantes de pagamento, como cópias de cheques, faturas de cartão de crédito, dentre outros. 5 Processo n° : 10930.007801/2002-29 Acórdão n° : 102-47.467 Os recibos emitidos por profissionais de saúde, nos quais conste o nome do beneficiário do tratamento, nome do profissional, CPF deste e o número do seu registro no respectivo órgão profissional, devem ser considerados idôneos até prova em contrário. Uma vez que o Auditor-Fiscal desconfie da veracidade das informações veiculadas nesses documentos, cabe a ele a prova da falsidade. Não é lícito exigir do contribuinte comprovações outras que não as exigidas em lei. Assim, não existente prova da inidoneidade dos recibos, conclui-se pelo cancelamento da glosa das despesas médicas. Por outro lado, os recibos de fls. 24/28, emitidos pela Dra. Sílvia Castanho Di Creddo Galletto, não trazem o nome do beneficiário do serviço médico, que, como dito acima, é um dos requisitos legais para a dedutibilidade do gasto. Desta forma, conclui-se pela manutenção da glosa somente em relação a estes últimos recibos. Pelo exposto, conheço do recurso por tempestivo e apresentado na forma da lei para julga-lo parcialmente procedente, mantendo apenas as glosas das despesas efetuadas com a Dra. Silvia Castanho Di Creddo Galletto e com a Dra. Caroline Savi. Sala das Sessões-DF, em 22 de março de 2006. jor R* MEU BUENO DE r AM Á RGO 6 . Processo n° : 10930.00780112002-29 Acórdão n° : 102-47.467 VOTO VENCEDOR Conselheira SILVANA MANCINI KARAM, Redatora designada Trata-se de Auto de Infração lavrado em 13.12.2002 no qual se imputa ao sujeito passivo a dedução indevida de despesas médicas nos anos calendários de 1997 a 2000, exercícios de 1998 a 2001. A multa aplicada é de 75%. O Recorrente foi intimado a apresentar os recibos originais, acompanhados de outros meios de prova, referentes aos pagamentos deduzidos I, nas declarações de rendimentos apresentadas, efetuados aos seguintes I, profissionais médicos: Silvia Castanhedo do Creddo Galleto (ano calendário de 1997); Caroline Savi (ano calendário de 1998), Marcelo Ferraz de Freitas (ano calendário de 1998) e Helena Maria Fabiano Gomes (anos calendários de 1999 e 2000). Os recibos emitidos pela profissional Dr. Silvia C. Creddo Galletto foram considerados pela r. Fiscalização, inábeis para fins de dedução porque não continham todos os elementos apontados na legislação como necessários a boa I 1identificação do serviço prestado, especialmente, a especificação do paciente i atendido. Além disso, informam a prestação de tratamento médico e a despesa 1 pleiteada é despesa médica odontológica. 1 Os recibos emitidos pela profissional Dra. Caroline Savi, foram considerados inábeis para fins de dedução também porque não preenchiam os requisitos legais, especialmente, com relação a falta de especificação ao nome do paciente atendido. Igual tratamento foi dados pela autoridade fazendária aos recibos emitidos pelo profissional Dr. Marcelo Ferraz de Freitas, nos quais não constavam a identificação do paciente.ji 7 Processo n° : 10930.00780112002-29 Acórdão n° : 102-47.467 Os recibos emitidos pela profissional Dra. Helena Maria Fabiano Gomes, de igual modo continham o mesmo vício e foram considerados inábeis para fins de abatimento de despesa médica. Ao encerrar a fiscalização, a autoridade fiscal menciona em seu relatório a filiação do Recorrente ao plano de saúde UNIMED e sua atividade profissional como médico. Foram trazidos aos autos cópias de extratos bancários para comprovar o saque de dinheiro para pagamento das despesas. Contudo, a DRJ de origem cotejou as datas dos saques com as datas em que as despesas foram realizadas e não encontrou a devida co-relação. O Recorrente apresentou termos de declarações firmados pelos profissionais que prestaram os serviços. Entretanto, esses documentos não foram considerados suficientes para comprovar a efetiva realização da despesa. Por essa razão foi mantida a glosa e a multa de 75%. Os recibos devidamente preenchidos, contendo nome e registro do profissional no órgão competente, endereço completo, número de CPF, identificação do paciente e do serviço prestado, valor e nome daquele que pagou a despesa, tornam-se documentos suficientes para fins de dedução de despesa médica, uma vez que a legislação de regência, qual seja, o artigo 80 parágrafo 1°, Inciso III, do RIR/99, FACULTA a indicação do cheque somente na hipótese de ausência de outros elementos , "verbis": " Art. 80 - Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como, as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses dentárias Parágrafo 1 0. — O disposto neste artigo .... III — limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e numero de inscrição no Cadastroyç 8 Processo n° : 10930.007801/2002-29 Acórdão n° : 102-47.467 Pessoas Físicas — CPF ou no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica — CNPJ de quem os recebeu, podendo na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Quando os recibos emitidos pelos profissionais da área médica, por ausência de um ou mais dos elementos acima indicados, deixam de oferecer a certeza necessária para manutenção da dedução praticada pelo contribuinte, o ônus da prova se inverte, devendo contribuinte fornecer outros meios que supram os vícios dos documentos apresentados. Nessas hipóteses, tenho entendido que, em geral, um termo de declaração firmado pelo profissional, claramente identificado, com endereço, nome da clínica se for o caso, CNPJ ou CPF, conforme o caso, tipo de tratamento, detalhando enfim, com maior clareza os serviços prestados e confirmando os valores recebidos costumam suprir as falhas dos recibos e atender as exigências da legislação. Ainda assim, a análise dos fatos, de todo contexto probatório dos autos, do montante gasto em relação ao rendimento auferido, a evolução do rendimento e das despesas, se estas forem injustificadas, são elementos subjetivos que não podem deixar de influenciar a análise do julgador. 1 Caso os vícios apresentados nos recibos não sejam plenamente supridos por outros meios de prova, a única conclusão possível a meu ver, é a glosa do recibo, com a correta aplicação da multa de 75%, nos termos do artigo 44, inciso 1 I da Lei 9430/96. Isto é, chamado a comprovar a despesa praticada, o contribuinte não apresentou elementos de prova suficientes para a manutenção do abatimento , pretendido. O que não se pode admitir é a autoridade fiscal, sem os elementos objetivos de fraude efetivamente praticada, aplicar a multa de 150%. Ou, em outras 1palavras, é defeso à autoridade fiscal, com base em elementos subjetivos --- que,e. 9 Processo n° : 10930.007801/2002-29 Acórdão n° : 102-47.467 prestam exclusivamente a formar os contornos do juízo de valor ---- aplicar a penalidade de 150%, cabível exclusivamente nas hipóteses de fraude comprovada, cujo ônus cabe ao agente da fiscalização. No caso vertente, o que se verifica é que além dos recibos, o contribuinte trouxe aos autos outros meios, porém também insuficientes para suprir os vícios dos primeiros. Os termos de declaração apensados são singelos e limitam-se a confirmar os recibos emitidos, sem detalhar o tratamento realizado ou conferir segurança ao documento e suprir as faltas e vícios dos recibos originais. Os extratos bancários apensados também não contribuem para modificar esta conclusão na medida em que os saques não têm co-relação com as datas das despesas praticadas. Nestas condições, com a devida vênia do i. conselheiro relator, entendo por NEGAR provimento ao recurso, mantendo-se a decisão da DRJ de origem em sua íntegra. Sala das Sessões - DF, 22 de março de 2006. s_j1/4-42 SILVANA MANCINI KARAM lo Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10880.041522/90-78
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jul 28 00:00:00 UTC 1998
Data da publicação: Tue Jul 28 00:00:00 UTC 1998
Ementa: ITR - O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural do exercício de 1990 foi lançado com base em dados fornecidos pela última declaração apresentada pela contribuinte, caso estes se encontrassem desatualizado, a interessada deveria ter providenciado nova declaração. Recurso que se nega provimento.
Numero da decisão: 201-71852
Decisão: Por unanimidade de votos negou-se provimento ao recurso.
Nome do relator: Valdemar Ludvig
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 199807
ementa_s : ITR - O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural do exercício de 1990 foi lançado com base em dados fornecidos pela última declaração apresentada pela contribuinte, caso estes se encontrassem desatualizado, a interessada deveria ter providenciado nova declaração. Recurso que se nega provimento.
turma_s : Primeira Câmara
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 28 00:00:00 UTC 1998
numero_processo_s : 10880.041522/90-78
anomes_publicacao_s : 199807
conteudo_id_s : 4444676
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 201-71852
nome_arquivo_s : 20171852_106354_108800415229078_003.PDF
ano_publicacao_s : 1998
nome_relator_s : Valdemar Ludvig
nome_arquivo_pdf_s : 108800415229078_4444676.pdf
secao_s : Segundo Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Por unanimidade de votos negou-se provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 28 00:00:00 UTC 1998
id : 4684124
ano_sessao_s : 1998
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:21:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713042858162782208
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-01-29T12:41:41Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-01-29T12:41:41Z; Last-Modified: 2010-01-29T12:41:41Z; dcterms:modified: 2010-01-29T12:41:41Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-01-29T12:41:41Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-01-29T12:41:41Z; meta:save-date: 2010-01-29T12:41:41Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-01-29T12:41:41Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-01-29T12:41:41Z; created: 2010-01-29T12:41:41Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2010-01-29T12:41:41Z; pdf:charsPerPage: 1280; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-01-29T12:41:41Z | Conteúdo => ,...) I 7 . 2.Q PUBLrADO NO D. O. U. ,.• n o •AS'l - -'1.',, C De..I.g.../ () 1L/ 19 9 142.Y.... 40:4. SVir:AÀikAr-A;uuzzit(: .„.-'r:W MINISTÉRIO DA FAZENDA C Rubrica 5.t• > .-,, ta SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES , ,.. Processo : 10880.041522/90-78 Acórdão : 201-71.852 •Sessão . 28 de julho de 1998 Recurso : 106.354 Recorrente : COMPANHIA SUL RIOGRANDENSE DE IMÓVEIS Recorrida : DRJ em Campinas - SP ITR - O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural do exercício de 1990 foi lançado com base em dados fornecidos pela última declaração apresentada pela contribuinte, caso estes se encontrassem desatualizados, a interessada deveria ter providenciado nova declaração. Recurso que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: COMPANHIA SUL RIOGRANDENSE DE IMÓVEIS. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Geber Moreira. Sala das Sessões, em 28 de julho de 1998 / / Luiza - - . ,..lante de Moraes ' em e .nta 40agialli0 a __n111~, Rel , e r i Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Rogério Gustavo Dreyer, Ana Neyle Olímpio Holanda, Jorge Freire, João Beijas (Suplente) e Sérgio Gomes Velloso. Fclb/fclb 1 f ;¡ MINISTÉRIO DA FAZENDA '*V SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10880.041522/90-78 Acórdão : 201-71.852 Recurso : 106.354 Recorrente : COMPANHIA SUL RIOGRANDENSE DE IMÓVEIS RELATÓRIO A interessada impugna a exigência consignada na Notificação de fls. 18, referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural do exercício de 1990, de sua propriedade, localizada no Município de Campos Novos Paulista - SP, com área de 3.025,0 ha, alegando em suma que: - o Valor da Terra Nua - VTN tributado no lançamento impugnado é 19,69 vezes maior que o de 1989; e - no decorrer do ano de 1990 possuía aproximadamente 4.650 cabeças de gado bovino destinado a engorda, o que descaracteriza ser o imóvel latifúndio improdutivo. A autoridade julgadora de primeira instância indefere a impugnação em decisão fundamentada no argumento de que o lançamento contestado foi efetuado com base nas normas gerais para fixação do ITR, vigentes à época e, com base nas informações de que dispunha o órgão lançador. Inconformada, a impugnante apresenta recurso voluntário a este Colegiado, reiterando suas razões de defesa já apresentadas na fase impugnatória. Às fls. 104, encontram-se as Contra-Razões apresentadas pela Douta Procuradoria da Fazenda Nacional propugnando pela procedência do lançamento. É o relatório. 2 ,tet 4j04-• N,* 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10880.041522/90-78 Acórdão : 201-71.852 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR VALDEMAR LUDVIG Tomo conhecimento do recurso por tempestivo e apresentado dentro das formalidades legais. A Secretaria da Receita Federal, ao assumir a fiscalização e arrecadação do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, por força do disposto na Lei n. 8.022, de 12/04/90, processou o lançamento do imposto deste exercício sobre bases mantidas no cadastro do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária - INCRA. Pela legislação vigente à época, mais precisamente pelo Decreto n° 84.685/80, os contribuintes do ITR não estavam obrigados a apresentar declarações de informações todos os anos, somente o faziam aqueles contribuintes que em função de alterações processadas em suas propriedades, estariam sujeitos a uma tributação mais benéfica. No caso da requerente, a Secretaria da Receita Federal, ao processar o lançamento referente ao imóvel em questão, o fez com base em informações cadastrais prestadas em 1987, por serem as mais atualizadas existentes naquele momento. Quanto aos valores expressos na exigência fiscal, estes encontram consonância com a legislação vigente na época, a qual por intermédio da Portaria Interministerial n° 560, de 27 de setembro de 1990, fixou em 90,737 (noventa inteiros e setecentos e trinta e sete milésimos) o coeficiente de atualização do Valor da Terra Nua para o exercício de 1990, em relação ao valor fixado para 1989. Face ao exposto e tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido negar provimento ao recurso. É o voto. Sala d. s Sessões, em 28 de julho de 1998 /./ .0. V 10 1 14 Maill;`"; 3
score : 1.0
Numero do processo: 10930.002583/2005-89
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2006
Ementa: DECADÊNCIA - AJUSTE ANUAL - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação, hipótese em que o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos, contados de 31 de dezembro de cada ano-calendário questionado.
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO VIA ADMINISTRATIVA - ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL - É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº. 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, DE 1996 - Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS - PERÍODO-BASE DE INCIDÊNCIA - APURAÇÃO MENSAL - TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL - Os valores dos depósitos bancários não justificados, a partir de 1º de janeiro de 1997, serão apurados, mensalmente, à medida que forem creditados em conta bancária e tributados como rendimentos sujeitos à tabela progressiva anual (ajuste anual).
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA - As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.
DESPESAS MÉDICAS - REQUISITOS PARA DEDUÇÃO - As despesas médicas, assim como todas as demais deduções, dizem respeito à base de cálculo do imposto que, à luz do disposto no art. 97, IV, do Código Tributário Nacional, estão sob reserva de lei em sentido formal. Assim, a intenção do legislador foi permitir a dedução de despesas com a manutenção da saúde humana, podendo a autoridade fiscal perquirir se os serviços efetivamente foram prestados ao declarante ou a seus dependentes, rejeitando de pronto aqueles que não identificam o pagador, os serviços prestados ou não identificam, na forma da lei, os prestadores de serviços ou quando esses não sejam habilitados. Da mesma forma, pode a autoridade fiscal rejeitar os valores deduzidos a título de despesas médicas relativas aos dependentes, se o contribuinte não fizer prova da relação de dependência existente.
DEDUÇÃO DE PENSÃO JUDICIAL - A pensão alimentícia, além da comprovação do seu efetivo pagamento, deve estar definida em sentença ou acordo homologado judicialmente, para que seja considerada como dedução na declaração.
DEPENDENTES - ESPOSA - FILHO - NETO - Esposa e filho que apresentam declaração em separado, informando rendimentos por eles auferidos, não podem ser considerados dependentes para efeito de dedução do imposto de renda. Se o filho não for considerado, para fins tributários, dependente do pai, por via de conseqüência o neto também não poderá ser, exceto se o contribuinte detenha a guarda judicial.
SANÇÃO TRIBUTÁRIA - MULTA QUALIFICADA - JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa qualificada seja aplicada, exige-se que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº. 4.502, de 1964. A prestação de informações ao fisco em resposta à intimação emitida divergentes de dados levantados pela fiscalização, a movimentação bancária desproporcional aos rendimentos declarados, mesmo de forma continuada, bem como a apuração de depósitos bancários em contas de titularidade do contribuinte não justificados, independentemente do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996.
Preliminar de decadência acolhida.
Preliminar de nulidade rejeitada.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 104-21.739
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de quebra de sigilo bancário e ACOLHER a preliminar de decadência relativa ao exercício de 2000. No mérito, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%, bem como restabelecer a dedução relativa a um dependente, no exercício de 2003, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Beatriz Andrade de Carvalho votaram pela conclusão quanto à decadência.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Nelson Mallmann
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200607
turma_s : Quarta Câmara
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2006
numero_processo_s : 10930.002583/2005-89
anomes_publicacao_s : 200607
conteudo_id_s : 4168169
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 104-21.739
nome_arquivo_s : 10421739_149287_10930002583200589_093.PDF
ano_publicacao_s : 2006
nome_relator_s : Nelson Mallmann
nome_arquivo_pdf_s : 10930002583200589_4168169.pdf
secao_s : Primeiro Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de quebra de sigilo bancário e ACOLHER a preliminar de decadência relativa ao exercício de 2000. No mérito, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%, bem como restabelecer a dedução relativa a um dependente, no exercício de 2003, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Beatriz Andrade de Carvalho votaram pela conclusão quanto à decadência.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2006
id : 4687563
ano_sessao_s : 2006
ementa_s : DECADÊNCIA - AJUSTE ANUAL - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação, hipótese em que o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos, contados de 31 de dezembro de cada ano-calendário questionado. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO VIA ADMINISTRATIVA - ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL - É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº. 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, DE 1996 - Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS - PERÍODO-BASE DE INCIDÊNCIA - APURAÇÃO MENSAL - TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL - Os valores dos depósitos bancários não justificados, a partir de 1º de janeiro de 1997, serão apurados, mensalmente, à medida que forem creditados em conta bancária e tributados como rendimentos sujeitos à tabela progressiva anual (ajuste anual). PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA - As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. DESPESAS MÉDICAS - REQUISITOS PARA DEDUÇÃO - As despesas médicas, assim como todas as demais deduções, dizem respeito à base de cálculo do imposto que, à luz do disposto no art. 97, IV, do Código Tributário Nacional, estão sob reserva de lei em sentido formal. Assim, a intenção do legislador foi permitir a dedução de despesas com a manutenção da saúde humana, podendo a autoridade fiscal perquirir se os serviços efetivamente foram prestados ao declarante ou a seus dependentes, rejeitando de pronto aqueles que não identificam o pagador, os serviços prestados ou não identificam, na forma da lei, os prestadores de serviços ou quando esses não sejam habilitados. Da mesma forma, pode a autoridade fiscal rejeitar os valores deduzidos a título de despesas médicas relativas aos dependentes, se o contribuinte não fizer prova da relação de dependência existente. DEDUÇÃO DE PENSÃO JUDICIAL - A pensão alimentícia, além da comprovação do seu efetivo pagamento, deve estar definida em sentença ou acordo homologado judicialmente, para que seja considerada como dedução na declaração. DEPENDENTES - ESPOSA - FILHO - NETO - Esposa e filho que apresentam declaração em separado, informando rendimentos por eles auferidos, não podem ser considerados dependentes para efeito de dedução do imposto de renda. Se o filho não for considerado, para fins tributários, dependente do pai, por via de conseqüência o neto também não poderá ser, exceto se o contribuinte detenha a guarda judicial. SANÇÃO TRIBUTÁRIA - MULTA QUALIFICADA - JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa qualificada seja aplicada, exige-se que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº. 4.502, de 1964. A prestação de informações ao fisco em resposta à intimação emitida divergentes de dados levantados pela fiscalização, a movimentação bancária desproporcional aos rendimentos declarados, mesmo de forma continuada, bem como a apuração de depósitos bancários em contas de titularidade do contribuinte não justificados, independentemente do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996. Preliminar de decadência acolhida. Preliminar de nulidade rejeitada. Recurso parcialmente provido.
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:22:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713042858164879360
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-17T17:03:01Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-17T17:02:58Z; Last-Modified: 2009-08-17T17:03:01Z; dcterms:modified: 2009-08-17T17:03:01Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-17T17:03:01Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-17T17:03:01Z; meta:save-date: 2009-08-17T17:03:01Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-17T17:03:01Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-17T17:02:58Z; created: 2009-08-17T17:02:58Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 93; Creation-Date: 2009-08-17T17:02:58Z; pdf:charsPerPage: 2340; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-17T17:02:58Z | Conteúdo => _ ... MINISTÉRIO DA FAZENDAviciçn;. : ir' W1e,:-I" '-k-, PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.00258312005-89 Recurso n°. : 149.287 Matéria : IRPF - Ex(s): 2000 a 2003 Recorrente : NATANAEL STOCHI Recorrida : 4a TURMA/DRJ-CURITIBA/PR Sessão de : 27 de julho de 2006 Acórdão n°. : 104-21.739 DECADÊNCIA - AJUSTE ANUAL - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação, hipótese em que o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos, contados de 31 de dezembro de cada ano-calendário questionado. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO VIA ADMINISTRATIVA - ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL - É licito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n°. 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI N°. 9.430, DE 1996 - Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS - PERÍODO-BASE DE INCIDÊNCIA - APURAÇÃO MENSAL - TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL - Os valores dos depósitos bancários não justificados, a partir de 1° de janeiro de 1997, serão apurados, mensalmente, à medida que forem creditados em conta bancária e tributados como rendimentos sujeitos à tabela progressiva anual (ajuste anual). PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA - As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão- somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. — MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 DESPESAS MÉDICAS - REQUISITOS PARA DEDUÇÃO - As despesas médicas, assim como todas as demais deduções, dizem respeito à base de cálculo do imposto que, à luz do disposto no art. 97, IV, do Código Tributário Nacional, estão sob reserva de lei em sentido formal. Assim, a intenção do legislador foi permitir a dedução de despesas com a manutenção da saúde humana, podendo a autoridade fiscal perquirir se os serviços efetivamente foram prestados ao declarante ou a seus dependentes, rejeitando de pronto aqueles que não identificam o pagador, os serviços prestados ou não identificam, na forma da lei, os prestadores de serviços ou quando esses não sejam habilitados. Da mesma forma, pode a autoridade fiscal rejeitar os valores deduzidos a título de despesas médicas relativas aos dependentes, se o contribuinte não fizer prova da relação de dependência existente. DEDUÇÃO DE PENSÃO JUDICIAL - A pensão alimentícia, além da comprovação do seu efetivo pagamento, deve estar definida em sentença ou acordo homologado judicialmente, para que seja considerada como dedução na declaração. DEPENDENTES - ESPOSA - FILHO - NETO - Esposa e filho que apresentam declaração em separado, informando rendimentos por eles auferidos, não podem ser considerados dependentes para efeito de dedução do imposto de renda. Se o filho não for considerado, para fins tributários, dependente do pai, por via de conseqüência o neto também não poderá ser, exceto se o contribuinte detenha a guarda judicial. SANÇÃO TRIBUTARIA - MULTA QUALIFICADA - JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de oficio de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa qualificada seja aplicada, exige-se que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 1964. A prestação de informações ao fisco em resposta à intimação emitida divergentes de dados levantados pela fiscalização, a movimentação bancária desproporcional aos rendimentos declarados, mesmo de forma continuada, bem como a apuração de depósitos bancários em contas de titularidade do contribuinte não justificados, independentemente do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n°. 9.430, de 1996. Preliminar de decadência acolhida. ()4.9 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 Preliminar de nulidade rejeitada. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por NATANAEL STOCHI. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de quebra de sigilo bancário e ACOLHER a preliminar de decadência relativa ao exercício de 2000. No mérito, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%, bem como restabelecer a dedução relativa a um dependente, no exercício de 2003, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Beatriz Andrade de Carvalho votaram pela conclusão quanto à decadência. .12-tiGL /mARIA HELENA COTTA PRESIDENTE N 7S-0 Iv/1 b/77N 1752 LATOR". - FORMALIZADO EM: . 1 g AGC 2006 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros OSCAR LUIZ MENDONÇA DE AGUIAR, HELOISA GUARITA SOUZA, GUSTAVO LIAN HADDAD e REMIS ALMEIDA ESTOL. 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 Recurso n°. : 149.287 Recorrente : NATANAEL STOCHI RELATÓRIO NATANAEL STOCHI, contribuinte inscrito no CPF/MF sob o n°. 223.049.839-87, com domicilio fiscal na cidade de Londrina, Estado do Paraná, à Rua Emma Anna Oldemberg Astafieff, n°. 137 - Bairro Jardim Itambaracá, jurisdicionado a DRF em Londrina - PR, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 1291/1304, prolatada pela Quarta Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba - PR, recorre, a este Primeiro Conselho de Contribuintes, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 1310/1331. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, em 03/08/05, o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 1230/1242), com ciência através de AR em 06/08/05 (fls. 1248), exigindo-se o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 1.273.835,96 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a titulo de imposto de renda pessoa física, acrescidos da multa de lançamento de ofício qualificada de 150% e dos juros de mora de, no mínimo, 1% ao mês, calculado sobre o valor do imposto de renda relativo aos exercícios de 2000 a 2003, correspondente, respectivamente, aos anos- calendário de 1999 a 2002. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização, onde se constatou as seguintes irregularidades: 01 - RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS - OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VINCULO EMPREGATICIO RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA: Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.00258312005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 trabalho com vinculo empregaticio, conforme descrito no Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal. Infração capitulada nos artigos 1°, 2°, 3° e §§, da Lei n°. 7.713, de 1988; artigos 1° ao 3°, da Lei n°. 8.134, de 1990; e artigo 1° da Lei n°. 9.887, de 1997. 02 - DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (AJUSTE ANUAL) - DEDUÇÃO INDEVIDA DE PREVIDÊNCIA OFICIAL: Dedução indevida da base de cálculo com despesas de Previdência Oficial pleiteada indevidamente, conforme demonstrado no Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal. Infração capitulada no artigo 8°, inciso II, alínea "d" da Lei n°. 9.250, de 1995. 03 - DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (AJUSTE ANUL) - DEDUÇÃO INDEVIDA DE DEPENDENTE: Efetuamos a glosa de deduções com dependentes, pleiteadas indevidamente, conforme demonstrado no Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal. Infração capitulada nos artigos 8°, inciso II, alínea "c" e 35, da Lei n°. 9.250, de 1995. 04 - DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (AJUSTE ANUL) - DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS: Glosa de deduções com despesas médicas, pleiteadas indevidamente, conforme descrito no Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal. Infração capitulada no artigo 8°, inciso II, alínea "a" e §§ 2° e 3°, 35, da Lei n°. 9.250, de 1995. 05 - DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (AJUSTE ANUAL) - DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO JUDICIAL: Glosa de deduções com pensão judicial, pleiteada indevidamente, conforme descrito no Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal. Infração capitulada no artigo 8°, inciso II, alínea 1" da Lei n°. 9.250, de 1995. 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.00258312005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 06 - DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (AJUSTE ANUAL) - DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESA COM INSTRUÇÃO: Glosa de despesas com instrução, pleiteada indevidamente, conforme demonstrado no Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal. Infração capitulada no artigo 8°, inciso II, alínea "b" da Lei n°. 9.250, de 1995. 07 - COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO - COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE: Glosa de Imposto de Renda Retido na Fonte pleiteado indevidamente, conforme descrito no Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal. Infração capitulada no artigo 12, inciso V, da Lei n°. 9.250, de 1995. 08 - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA: Omissão de rendimentos caracterizados por valores creditados em conta de depósitos ou de investimentos, mantidas em instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme descrito no Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal. Infração capitulada no artigo 42 da Lei n°. 9.430, de 1996. A Auditora-Fiscal da Receita Federal, responsável pela constituição do crédito tributário, esclarece, ainda, através do Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal (fls. 1196/1229), entre outros, os seguintes aspectos: - que o contribuinte em questão havia sido fiscalizado (processo n°. 10930.002206/2001-16) em decorrência dos trabalhos de malha. Em fase de impugnação, a DRJ - Curitiba apurou que o contribuinte além do CPF 029.996.129-07 (objeto da autuação), detinha também o CPF 223.049.839-87, apresentando declaração em duplicidade nos exercícios de 2000 e 2001; 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 - que intimado pelo setor da malha da DRF Londrina, o contribuinte negou possuir dois CPFs (fl. 1126) e ter apresentado declaração com o n°. de CPF 029.996.129-07 (cópias às fls. 1098 a 1104), apesar de ter apresentado a impugnação do processo 10930.002206/2001-16 identificando-se como portador do CPF 029.996.129-07; - que o julgamento do lançamento conforme acórdão 5731 de 18/03/04 tornou improcedente o lançamento em vista da negativa de autoria da declaração do IRPF/2000, pelo contribuinte da origem desta declaração havendo declaração de nulidade por erro na identificação do sujeito passivo (fls. 1143 e 1144); - que a decisão da DRJ diz ainda que cabe à DRF de origem tomar as providências para cancelar o CPF em questão, bem como a declaração objeto do presente lançamento do IRPF; - que com vistas a apurar a verdade dos fatos e a eventual incidência de tributos, foram emitidos dois mandados de procedimento fiscal, um para cada CPF, a seguir (a) MPF n°. 0910200200400041-3 para o CPF 223.049.839-87; e (b) MPF 0910200200400106-1 para o CPF 029.996.129-07 - autorização de reexame às fls. 1127; - que para facilitar o manuseio do processo, os documentos referentes ao MPF 0910200200400041-3 encontram-se às fls. 02 a 366, os documentos referentes ao MPF 0910200200400106-1 encontram-se às fls. 367 a 474. A partir da folha 475 estão anexados os documentos comuns, inclusive os extratos bancários das contas movimentadas com os dois CPFs; - que buscando mais informações sobre o contribuinte que evidenciasse a possível utilização dos dois CPFs, em consulta ao sistema RENAVAN foi constatado que o contribuinte Natanael Stochi, de posse do CPF 029.996.129-07, foi proprietário de um veículo Audi A-4 placas CBN 5479. O Chefe do Detran PR encaminhou recibos de 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 transferência do veiculo em questão (fls. 399). O endereço constante no recibo de alienação é o mesmo do escritório contábil MAXICON. A assinatura constante no documento quando da sua alienação a Luzia Bernardo da Silva foi reconhecida pelo Cartório Simoni (fls. 399- verso); - que o Cartório Simoni, em atendimento à intimação, informou que não foi encontrado nenhum cartão de assinatura em nome de Natanael Stochi com CPF n°. 029.996.129-97, entretanto anexou cópia de três cartões de assinaturas com o CPF 223.049.839-87 e um cartão sem o número de CPF (fls. 386 a 389); - que em resposta ao termo de inicio de ação fiscal emitido, o contribuinte em 07/04/04 informou que desconhece o uso do CPF 029.996.129-07 e que seu CPF é o n°. 223.049.839-87 (fl. 371 e 372); - que como o contribuinte efetuou movimentação financeira com ambos os CPFs e não tendo havido atendimento à intimação para apresentação dos extratos bancários, foi solicitada a emissão de RMF para o CPF 223.049.839-87 (fls. 88/91); - que recebidos os extratos bancários, e feita a conciliação bancária, o contribuinte (CPF 223.049.839-87) foi intimado em 22/11/04 (fls. 133/134) a comprovar as origens dos recursos relativos aos depósitos/créditos efetuados em contas bancárias do fiscalizado, conforme planilha anexa ao termo de intimação fiscal; - que o contribuinte apresentou cópia de folhas do Livro de Registro de Notas Fiscais de Serviços Prestados pela empresa Maxi Kom Pinturas S/C Ltda. (fls. 195/230), diversas declarações de outras pessoas que dizem terem utilizado a conta- corrente do contribuinte pra depósitos (fls. 289/312) bem como uma declaração assinada por Jaide Alves da Silva - gerente (fls. 286 e 288), informando que o Sr. Natanael Stochi administrou uma obra contratada com a empresa Monte Belo Empreendimentos Imobiliários 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.00258312005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 Ltda, onde utilizou suas contas bancárias para recebimentos de serviços prestados, e efetuando pagamentos dos demais funcionários; - que em 28/02/05 o contribuinte apresentou documento onde juntou os expedientes com firma reconhecida (fls. 286 a 312), informando também que as pessoas que prestaram as declarações anexadas às fls. 289/312 são pessoas de seu circulo de trabalho ou de amizade, razão pela qual utilizaram a conta corrente do contribuinte; - que as declarações de utilização da conta-corrente do contribuinte não foram suficientes para comprovar a movimentação bancária, bem como a declaração assinada por Jaide Alves da Silva, em nome da empresa Maxikom. A última declaração foi considerada inconsistente tendo em vista a diligência realizado sob amparo do MPF n°. 00910200200400207-6 na empresa Maxi-Kon Pinturas S/C Ltda. Quando constatou-se que a empresa não existe e tampouco os sócios foram localizados; - que ao se comprar as fichas cadastrais e de assinaturas encaminhadas pelas instituições financeiras movimentadas com o CPF 029.996.129-97 (fls. 1040 a 1044 - Unibanco/Banco Bandeirantes) com as fichas cadastrais das instituições financeiras cuja movimentação bancária foi realizada com o CPF 223.049.839-87 (fls. 476 a 477 - Banco Bradesco, fls. 583 - HSBC; fls. 670 a 677 - Banco Sudameris; fls. 879 a 881 - Banco real; fls. 976 e 977 - Caixa Econômica Federal: fls. 991 - Nossa Caixa) confirmou-se por derradeiro, tratar-se da mesma pessoa que estava efetuando movimentação financeira com dois CPFs; - que de posse dos documentos constantes e aos fatos expostos neste processo fiscal, apurou-se então o Imposto de Renda devido pelo contribuinte nos anos- calendário 1999, 2000, 2001 e 2002, conforme descrito a seguir. As infrações apuradas serão objeto de lançamento de oficio no auto de infração anexo a este termo. O lançamento será efetuado no CPF 223.049.839-87, cuja titularidade o contribuinte Natanael Stochi não contestou. 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 Em sua peça impugnatória de fls. 1253/1268, apresentada, tempestivamente, em 06/09/05, o autuado se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida a impugnação para tornar insubsistente o auto de infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: - que com a edição da Lei n°. 7.713, de 1988, e legislação superveniente, entre outras, as Leis n°s 8.134, de 1990, 8.383, de 1991 e 9.430, de 1996, o imposto de renda das pessoas físicas passou a ser devido mensalmente, na medida em que os rendimentos e ganhos de capital fossem percebidos; - que, neste sentido, veja-se que a atuação se deu em 06/08/05, logo, tem- se por atingidos pela decadência os fatos geradores ocorridos no período anterior há 05 anos contados da data da autuação, ou seja, no período anterior a 06/08/00; - que o artigo 42 da Lei n°. 42 da Lei n°. 9.430, de 1996 por revelar total antinomia com o que prescreve o § 4° do artigo 5° da Lei Complementar n°. 105, de 2001, foi revogado não podendo mais a administração tributária arbitrar o imposto de renda sobre a soma dos depósitos bancários cuja origem não foi possível ao contribuinte comprovar, cabendo ao fisco apurar tais origens e a base de cálculo real a ser tributada; - que mesmo que superadas as razões anteriores ( o que não se admite ou espera que possa vir a ocorrer), o lançamento também peca pela nulidade relacionada à desconsideração infundada de elementos probatórios apresentados e também pela nulidade relacionada à falta de diligência quanto a tais elementos apresentados; - que no caso desses autos, o contribuinte, quando intimado a comprovar as origens dos recursos relativos aos depósitos/créditos efetuados nas contas bancárias fiscalizadas, apresentou as justificativas e documentos de fls. 193, relativamente ao ano de 2000, as quais foram aceitas com relação aos depósitos e transferências de valores e datas coincidentes com os cheques citados; 10 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 - que apresentou também cópia de folhas do Livro de Registro de Notas Fiscais de Serviços Prestados pela empresa Maxi Kom Pinturas S/C Ltda. (fls. 195/203), juntamente com declarações de outras pessoas que afirmaram terem utilizado a conta- corrente do contribuinte para depósitos (fls. 289/312), bem como, uma declaração assinada por Jaide Alves da Silva - gerente (fis. 286/288), informando que o contribuinte administrou uma obra contratada com a empresa Monte Belo Empreendimentos Imobiliários Ltda., onde utilizou suas contas bancárias para recebimentos de serviços prestados, tendo também efetuado o pagamento dos demais funcionários; - que, no entanto, ao julgar esses documentos, a autoridade fiscal manifestou-se singelamente dizendo apenas que "as declarações de utilização da conta- corrente do contribuinte não foram suficiente para comprovar a movimentação bancária, bem como a declaração assinada por Jaide Alves da Silva, em nome da empresa Maxi Kom. A última declaração foi considerada inconsistente tendo em vista a diligência realizada sob amparo do MPF n°. 00910200200400207-6 na empresa Maxi-Konn Pinturas S/C Ltda. Quando constatou-se que a empresa não existe e tampouco os sócios foram localizados"; - que tal julgamento é incompatível com os princípios que regem a matéria tributária. A fiscalização deve sempre buscar a apuração real da base de cálculo dos tributos em detrimento de apuração arbitrada ou presumida desta. Com base nas declarações prestadas, era seu dever, no mínimo, ter buscado informação junto aos declarantes a respeito dos depósitos e transferências por ele realizado, sobre na hipótese vertente, consoante se infere do próprio auto de infração, a fiscalização para modo considerando o interesse comum dos mesmos quanto à apuração dos fatos; - que da mesma forma, o fato da diligência efetuada a destempo junto à empresa Maxi-Kom Pinturas S/C Ltda., ter restado infrutífera, não indica absolutamente nada e também não se presta para afastar as provas apresentadas pelo contribuinte. A 11 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.00258312005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 questão temporal é elemento atenuante e excludente da conclusão havida, pois é certo que quando da realização das operações a empresa estava presente; - que a rigor do que prevêem os §§ 5° e 6° do art. 42 da Lei n°. 9.430, de 1996, os valores creditados e pertencentes a terceiros devem ser tributados sobre este, e não sobre a pessoa interposta. Sucessivamente e ainda na mesma linha de raciocínio, quando tais valores forem mantidos em conjunto, sua soma será dividida entre as partes para efeitos de tributação; - que para a aplicação da multa qualificada de 150% é necessário prova robusta e cabal do evidente intuito de fraude, coisa que o contribuinte jamais teve e ato que também não praticou; - que comprovou validamente através do documento de fl. 24 o pagamento a mensalidade à UNIMED em nome de Luiza Bernardo da Silva; - que comprovou validamente através do documento de fl. 27 o pagamento da mensalidade à UNIMED em nome de Natanael Stochi; - que comprovou validamente através do documento de fl. 25 o pagamento de pensão alimentícia, sendo esse fato reforçado pelo documento de fl. 26, que trata da averbação de seu divórcio; - que o fato de o dependente Fernando Cristian Stochi ter apresentado declaração em separado não exclui seu direito à dedução, vez que o declarante não perde a condição de dependente diante desse fato; - que a falta de pagamento do imposto pela empresa retentora Maxi Kom Pinturas S/C Ltda. não se constitui em fundamento para a glosa de dedução de iRRF pleiteada pelo contribuinte, uma vez que desse fato cabe à fiscalização buscar o valor junto 12 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 à pessoa jurídica que deixou de efetuar o pagamento. A fiscalização não pode, com efeito, transferir tal ônus ao contribuinte. Esse ato é vedado e não encontra fundamento no ordenamento jurídico vigente; - que a falta de pagamento do imposto pela empresa retentora Agro Mercosul Ltda. não se constitui em fundamento para a glosa da dedução de IRRF pleiteada pelo contribuinte, uma vez que desse fato cabe à fiscalização buscar o valor junto à pessoa jurídica que deixou de efetuar o pagamento; - que o filho e neto do contribuinte são de fato seus dependentes ( e nem é possível supor ao contrário), dessa forma, dada a materialidade da questão, é direito do contribuinte deduzir as despesas incorridas com a instrução e medicamentos dos mesmos; também é seu direito deduzir a pensão alimentícia paga à sua esposa, vez que decorrente de comando legal. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, a Quarta Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba - PR decide julgar parcialmente procedente o lançamento mantendo, em parte, o crédito tributário lançado, com base, em síntese, nas seguintes considerações: - que deve-se mencionar, inicialmente, que não havendo contestação por parte do contribuinte em relação à omissão de rendimentos recebidos do Instituto Nacional do Seguro Social, no ano calendário de 2001, e da glosa de despesas com instrução e de previdência oficial, nos anos-calendário de 1999, 2000 e 2002, devem ser consideradas como matérias não-litigiosas, nos termos do art. 17 do Decreto n°. 70.235, de 1972, acrescido pelo art. 67 da lei n°. 9.532, de 1997, mas que isoladamente não gera imposto de renda a pagar; - que em relação à preliminar de decadência argüida, relativamente ao período anterior a 06/08/00, ou seja, para os fatos geradores ocorridos no período anterior 13 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 há 5 anos contados da data da autuação, cientificada em 06/08/05, cabe assinalar que, sobre o tema, é conhecida a existência de diversas correntes defendidas por juristas e doutrinadores, amparando-se em decisões administrativas e judiciais, apontando para as mais variadas linhas de entendimentos, contudo, é preciso lembrar que, no caso, em se tratando de lançamento correspondente à dedução indevida de despesas da base de cálculo do imposto de renda e do imposto de renda na fonte, esses valores somente são conhecidos pelo fisco quando da apresentação da Declaração de Ajuste Anual por parte do contribuinte, ou seja, é nesse momento que se oferecerá à tributação o rendimento auferido, diminuindo as deduções pleiteadas, e apurando o quantum de imposto devido. Isso porque o fato gerador do imposto de renda de pessoa física é um exemplo clássico de tributo que se enquadra na classificação de fato gerador complexivo, apurado no ajuste anual, ou seja, aqueles que se completam após o transcurso de um determinado período de tempo e abrange um conjunto de fatos e circunstâncias que, isoladamente considerados, são destituídos de capacidade para gerar a obrigação tributária exigível; - que assim é que a base de cálculo da declaração de rendimentos abrange todos os rendimentos tributáveis recebidos durante o ano-calendário diminuídos das deduções pleiteadas; - que, logo, tratando-se de lançamento de ofício em razão de glosa de deduções indevidas da base de cálculo do imposto, o prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário obedece à regra geral expressamente prevista no art. 173, do Código Tributário Nacional, ou seja, o direito de proceder ao lançamento decai somente após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; - que tendo sido efetuada a entrega da Declaração de Ajuste Anual, relativamente ao ano-calendário de 1999, em 28/04/00 (fl. 1105), o termo inicial para contagem do prazo qüinqüenal é 10 de janeiro de 2001, já que o fisco somente poderia efetuar o lançamento após a data de entrega da DM que contém informações pertinentes à 14 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 ocorrência do fato gerador. Assim sendo, não há que se falar em decadência do lançamento cuja ciência se deu em 06/08/05 (fl. 1248); - que em relação à alegação de arbitramento da base de cálculo, cabe ressaltar que o lançamento foi realizado sob a égide do art. 42 da Lei n°. 9.430, de 1996, c/c o art. 40 da Lei n°. 9.481, de 1997; - que, dessa forma, é a própria legislação estabelecendo uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento, ou seja, a própria lei definiu que os depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de rendimentos e não meros indícios de omissão; - que, por outro lado, não encontra respaldo a tese do interessado de houve a revogação tácita do art. 42 da Lei n°. 9.430, de 1996, por revelar, no seu entender, antinomia com o § 4° da Lei Complementar n°. 105, de 2001. A\ LC n°. 105 veio apenas instituir novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas, enquanto que o dispositivo trazido pela Lei n°. 9.430, de 1996, trata de tributação de valores mantidos em contas bancárias sem a correspondente comprovação da origem dos recursos, por caracterizá-los como rendimentos omitidos; - que, no presente caso, o interessado busca justificar a origem dos recursos por meio de declarações prestadas por terceiros, onde afirmam terem se utilizados das contas bancárias do autuado para a realização de depósitos (fls. 289/312). Há de se ressaltar, de início, que declarações e outros termos apresentados de forma isolada não são documentos hábeis suficientes para comprovar as operações a que se referem, já que, como é sabido, podem ser feitos a qualquer tempo, com o teor que convier e trazendo 15 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 valores de acordo com os interesses das próprias partes, que os tornam pouco convincentes. Note-se que o art. 131 do Código Civil dispõe que "As declarações constantes de documentos assinados presumem-se verdadeiras em relação aos signatários". Tais documentos apresentados geram uma presunção que é restrita aos signatários, não alcançado terceiros e, portanto, o sujeito ativo da obrigação tributária, que mantém uma relação jurídica distinta e completamente independente daquela entre os signatários. As alegações deveriam estar baseadas em outros documentos que não deixassem margem à dúvida quanto à consistência da operação. Veja-se que, no caso, foram acostadas 23 declarações de terceiros, alegando a utilização de diversas contas correntes do interessado. É difícil conceber, mesmo que restasse comprovada essa inusitada transação, que não houvesse controle desses depósitos, já que teriam sido efetuados em diversas de suas contas por uma quantidade grande de pessoas. Não há na impugnação apresentada qualquer justificativa para essas operações que, diga-se, é incomum no mundo real. Por outro lado, se houvesse os depósitos, apenas que por simples "empréstimo" da conta bancária, obviamente, existiu o retorno desses numerários aos verdadeiros donos dos recursos e, portanto, bastaria comprovar, seja por meio de transferência bancária ou cópias de cheques, os valores então devolvidos, para, aí sim, descaracterizar que os recursos tiveram origem em rendimentos que ficaram à margem de tributação; - que o mesmo entendimento se aplica à Declaração trazida às fls. 286/288. Nessa declaração, assinada por Jaide Alves da Silva, se intitulando como "Gerente", declara que a empresa Maxi Kom Pinturas S/C Ltda. "manteve em seu quadro de funcionários o Sr. Natanael Stochi no período de ( ) e que nesse período, o Sr. Natanael administrou uma obra contratada com a empresa Monte Belo Empreendimentos Imobiliários Ltda., utilizando suas contas bancárias para recebimentos dos serviços prestados, e efetuando pagamento dos demais funcionários...". A seguir relaciona diversos depósitos efetuados nas contas do Banco Real e do Banestado, cuja origem teria sido a quitação de Notas Fiscais de Serviços emitidas pela Maxi Kom Pinturas S/C Ltda., no período de 03/2000 a 10/2000 (fls. 195/230). Deve-se registrar, primeiramente, que o Sr. Jaide Alves da Silva, que afirmou a declaração na qualidade de "Gerente" da Maxi Kom, não trouxe aos autos comprovação de que teria 16 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.00258312005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 poderes para fazer essa declaração com o responsável pela empresa. No quadro societário da empresa consta como sócios o sr. Ibiapino Palácio Leite e a sra Julia Neres Guedes (fl. 1.289). Não ficou esclarecido porque a declaração deixou de ser assinada por um dos proprietários, que são os verdadeiros responsáveis. Talvez\isso comprove o fato de a fiscalização, em diligências efetuadas, não ter localizado a empresa, nem mesmo os seus sócios, e que motivou a declaração de inaptidão do CNPJ da empresa (fl. 1202). Na referida declaração deixou de ser consignado o período em que o contribuinte fez parte do quadro de funcionários - ficando o espaço "em branco" - e que teria administrado a obra contratada com a Monte Empreendimentos. Embora o interessado, diga-se, e não os proprietários da empresa Maxi Kom Pinturas, tenha trazido cópia do Registro de Notas Fiscais de Serviços Prestados (fls. 263/283), em consulta efetuado ao Sistema IRPJ da Receita Federal, constata-se que nos últimos anos têm sido entregues Declarações "Inativas" em nome da empresa, inclusive no período de 2000, que corresponde às datas das Notas Fiscais de Serviços trazidas aos autos (fl. 1290), ou seja, houve a emissão de notas fiscais, mas não a sua declaração ao Fisco para efeitos de tributação. Não há como compreender tal situação já que, conforme Termo de Depoimento prestado pelo contribuinte (fls. 74/77), ele afirma: que é sócio do escritório Maxicom Contabilidade> que foi sócio da empresa Maxicon Prestadora de Serviços Burocráticos S/C Ltda. vendida ao Sr. lbiapino Palácio Leite; que a empresa Maxi Kom Pinturas foi aberta por seu escritório com o mesmo endereço, apenas para efeito de receber correspondência; que desconhece o paradeiro do Sr. lbiapino; e que entrega regularmente as declarações do imposto de renda dessa empresa. Nesse ponto também é incompreensível como o contribuinte que diz ter administrado uma obra em nome da empresa Maxi Kom, sabedor das notas emitidas, já que, segundo sua afirmação, os recebimentos foram depositados em suas contas bancárias, apresenta declaração de inatividade do imposto de renda pessoa jurídica em nome daquela; - que de qualquer forma, inda que haja coincidência de valores, somando-se algumas notas fiscais, com alguns depósitos efetuados, e que se queira afirmar que houve a identificação da fonte de recursos, obviamente, essa identificação não corresponde, de forma alguma, a exigida comprovação da origem dos recursos trazida pelo art. 42 da Lei n°. 17 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.00258312005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 9.430, de 996. Não basta para justificar a origem dos recurso pura e simplesmente a identificação de sua origem, deve-se, sobretudo, estar comprovada, mediante documentação hábil e idônea, a natureza jurídica das operações realizadas, ou seja, não é suficiente a mera identificação de quem efetuou o depósito, mas, é imprescindível demonstrar a finalidade ou o motivo pelo qual o crédito foi realizado. Em suma, a origem do crédito deve estar justificada de forma hábil e não apenas identificada. Sendo certo que nenhum valor "brota" em contas bancárias da noite para o dia, mas sempre existe alguém ou algum lançamento que dá origem a esse crédito, não cabe apenas a identificação da pessoa que realizou o depósito, remeteu ou creditou um determinado valor na conta corrente, caso contrário, bastaria simplesmente que o titular da conta apresentasse recibos de depósitos identificados, cheques nominais, ou documentos que identificassem o remetente de remessas para justificar créditos em sua conta bancária. Sem dúvida alguma, não é esse o intuito da Lei, pois, se assim fosse, não haveria qualquer sentido prático na sua aplicação ou mesmo qualquer controvérsia sobre a sua edição. No caso aqui tratado, se houve o recebimento de quitações das notas fiscais de serviços emitidas pela Maxi Kom Pinturas, por certo deveria haver, de igual modo, o retorno dos recursos à empresa, seja pelo pagamento de salários, despesas ou por qualquer outra forma que demonstrasse o retorno desses numerários e ficasse caracterizada apenas a movimentação em sua conta bancária de recursos pertencentes a terceiros. Isso seria facilmente comprovado por meio de cheques, transferências bancárias etc, descaracterizando a omissão de rendimentos lançadas; - que em relação à forma de tributação dos rendimentos considerados omitidos por falta de comprovação de origem de recursos dos depósitos bancários, agiu corretamente a fiscalização ao imputar ao contribuinte apenas a metade do valor dos depósitos e créditos efetuados nos meses e setembro a dezembro de 2003, na conta 19.394-1, do Bradesco S/A, por tratar-se de conta conjunta (fls. 476/478), nos termos do § 6° do art. 42 da Lei n°. 9.430, de 1996, com as alterações trazidas pelo art. 58 da Lei n°. 10.637, de 2002. Já a pretendida aplicação do § 5° do mesmo art. 42, somente seria possível a tributação em nome de terceiro, na condição de efetivo titular da conta de 18 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 depósito ou de investimento, se houvesse caracterizado que os valores creditados nessas contas a esses pertenciam, evidenciando interposição de pessoa. Não é o caso dos autos, já que não há dúvidas quanto à titularidade das contas bancárias em nome do contribuinte, apenas a sua alegação é de que as "emprestou" para que terceiros as utilizassem para a realização de depósitos, situação essa que também não restou comprovada; - que no que tange à glosa de dependentes, o art. 77 do RIR199, matriz legal trazida pela Lei n°. 9.250, de 1995, art. 4 0, III, permite a dedução, na determinação da base de cálculo do imposto de renda, as situações ali especificadas; - que em relação a seu filho Fernando Cristian Stochi, pelo fato de haver apresentado declaração em seu próprio nome, informando tanto rendimentos por ele auferidos, nos valores de R$ 15.000,00 em 1999 e R$ 2.000,00 em 2000, quanto bens e direitos existentes (fls. 1283/1284), não há como considerá-lo como dependente nesses anos-calendários; no ano-calendário de 2002, completou 22 anos de idade e não houve comprovação de estar cursando estabelecimento de ensino superior. O mesmo entendimento deve ser aplicado a Sra. Luzia Bernardes da Silva, que teve rendimentos declarados nos anos-calendário de 1999 (R$ 20.661,00 -fl. 1285) e de 2002 (R$ 15.325,80 - fl. 1286) e, embora não tenha apresentado declaração de ajuste no ano-calendário de 2000, obteve rendimentos no período de R$ 800,00 (fl. 1287). Quanto ao menor Daniel Fernando, neto do contribuinte (fl. 40), somente poderia ser considerado como dependente, para efeito do imposto de renda, com a apresentação de guarda judicial; - que nos casos de pensão alimentícia, consoante o art. 78 do RIR199, somente pode ser admitida como dedução da base de cálculo sujeita à incidência do imposto, a importância paga em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais. No caso, não se demonstrou a existência de decisão ou acordo judicial, tão-somente a Averbação de Divórcio e a Declaração da beneficiária do 19 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 recebimento de valores a titulo de pensão alimentícia (fls. 25/26), que se constitui, na inexistência de decisão judicial em mera liberalidade do contribuinte; - que quanto a dedução com despesas médicas, a declaração da Unimed trazida à O. 27 não contem a assinatura do emitente e, portanto, não pode ser considerado como documento hábil para comprovar a dedução pleiteada. Aliás, embora o interessado já tivesse tomado conhecimento da recusa desse documento por parte da fiscalização, não procurou trazer à impugnação quaisquer comprovantes de pagamento ou mesmo a normalização do documento de forma a comprovar de forma efetiva as mensalidades pagas àquela entidade; - que no tocante à glosa do IRF, no valor de R$ 3.495,00, no ano-calendário de 1999, da Comercial de Confecções Palaguedes Ltda., não há reparos a serem feitos. Como foi registrado pela fiscalização: (a) não houve a apresentação do Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção do Imposto de Renda na Fonte, e sequer a comprovação de que houve o recebimento de rendimentos com o respectivo desconto do imposto na fonte; (b) a fonte pagadora Comercial de Confecções Palaguedes Ltda. não informou à Receita Federal quaisquer rendimentos pagos ao contribuinte no período (fl. 1133); (c) em diligência fiscal, constatou-se que a empresa nunca entrou em funcionamento; e (d) os sócios da Confecções Palaguedes, sr. Ibipiano Palácio Leite e sra. Jidá Neres Guedes não foram localizados e foram adquirentes das quotas de capital da Maxicon Prestadora de Serviços Burocráticos S/C Ltda., que pertencia anteriormente ao contribuinte e seu filho (fls. 36/37); - que no ano-calendário de 2000, foi desconsiderado o valor do imposto de renda na fonte declarado de R$ 2.280,00, da Maxi Kom Pinturas S/C Ltda. Nesse caso, foi apresentado o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção do Imposto de Renda na Fonte da empresa Maxi Kom Pinturas S/C Ltda. (fl. 38) e houve a apresentação de Dirf em nome da fonte pagadora (fl. 1135). Entretanto, em virtude dos fatos apurados pela fiscalização, não há como considerar que o valor do imposto de renda na fonte foi 20 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Prodesso n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 efetivamente retido pela fonte pagadora. De plano, verificou-se a inexistência de qualquer recolhimento do imposto retido por parte da Maxi Kom (fl. 1134). Embora a falta de pagamento do imposto retido pela fonte pagadora não seja motivo suficiente para efetuar a glosa, no caso, outros fatos contribuem para a desconsideração do IRF pleiteado: (a) a empresa Maxi Kom Pinturas S/C Ltda. tem o mesmo endereço cadastral da Maxicon Contabilidade, da qual o contribuinte é sócio: (b) conforme alegação do próprio contribuinte, a empresa Maxi Kom Pinturas S/C Ltda. utilizava-se de sua conta bancária para realização de depósitos; (c) em diligências efetuadas, os sócios da Maxi Kom não foram encontrados; e (d) o Comprovante de Rendimentos Pagos foi emitido em nome da Maxi Kom, mas assinado por Jaide Alves da Silva, pessoa não identificada nos autos, seja pela falta de CPF ou mesmo o cargo que ocupa na empresa, e sequer comprovou se detinha poderes para emitir o Comprovante. Assim, pela falta de comprovação da efetiva retenção do imposto pela fonte e diante dos fatos trazidos aos autos, não há como aceitar a compensação do imposto de renda na fonte pleiteado. Veja-se que tanto o Comprovante de Rendimentos poderia ser perfeitamente assinado sem qualquer prejuízo ao responsável pela emissão, quanto à Dirf que foi apresentada, já que os endereços da fonte pagadora e do escritório do qual o contribuinte é sócio são os mesmos. Dessa forma, não se trata apenas de negar a compensação do imposto de renda na fonte por falta de recolhimento por parte da fonte pagadora, como defende o autuado, mas, sobretudo, pela efetiva comprovação da retenção sofrida; - que quanto ao imposto de renda na fonte atribuído à fonte pagadora Agro Mercosul Ltda., em virtude das constatações apuradas em relação às demais fontes pagadoras; pela falta de recolhimento do imposto que foi informado como retido (fi. 1141); pela discrepância entre as assinaturas do mesmo responsável nos Comprovantes de Rendimento dos anos-calendário de 2001 e 2002 (fls. 47 e 64); e, principalmente, pela não comprovação do efetivo recebimento dos serviços prestados com a respectiva retenção na fonte, é de se manter a glosa efetuada; 21 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 - que a aplicação da multa de oficio qualificada de 150% tem lugar quando se comprove tratar-se de casos de evidente intuito de fraude como definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 1964; - que verifica-se que a fraude se caracteriza em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à Fazenda Pública, num propósito deliberado de se subtrair no todo ou em parte a uma obrigação tributária. Nesses casos, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, especifico, de causar dano à fazenda pública, onde se utilizando de subterfúgios escamoteiam a ocorrência do fato gerador ou retardam o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária. Ou seja, o dolo é elemento especifico da sonegação, da fraude e do conluio, que os diferenciam da mera falta de pagamento do tributo ou da simples omissão de rendimentos na declaração de ajuste, seja pelos mais variados motivos que se aleguem; - que pela análise do que consta dos autos, há elementos suficientes para a caracterização do intuito fraudulento. Restando evidenciado que o contribuinte, ao longo de quatro anos-calendário, movimentava recursos financeiros em montante muito superior aos rendimentos declarados, não tendo sido capaz de justificar os ingressos em suas contas bancárias, outra não é a conclusão de que houve, concretamente, conduta tendente a manter distante da tributação montantes significativos de rendimentos auferidos, O que parece razoável, diante do quadro analisado, é que o montante dos rendimentos omitidos, constatados por presunção, pode perfeitamente consubstancia a caracterização do dolo, no caso de estar vinculada e evidenciada de que isto ocorreu ao longo de um período. Ou seja, a desproporção entre a movimentação bancária do contribuinte e sua declaração de rendimentos e a prática reiterada dessa situação leva, conjuntamente, a um quadro mais consistente acerca da aferição do dolo. Não se trata, no caso, da demonstração de que pequenos ingressos nas contas bancárias se mantiveram sem justificação e de que tais omissões se referissem a um período específico, o que poderia até ser traduzida numa possível conduta involuntária, chegando-se a conclusão de que a imposição da penalidade 22 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.00258312005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 qualificada não seria justificável. Entretanto, à luz do que foi trazido aos autos, a situação é bastante distinta, tornando-se absolutamente inverossímil a idéia de que o contribuinte teria cometido meros equívocos; - que fato de igual relevância para caracterização do dolo é a utilização por parte do contribuinte de dois números de CPF para abrir e movimentar contas bancárias; - que, por outro lado, não se vislumbra a existência de evidente intuito de fraude, para efeitos de agravamento da multa de ofício, nas infrações decorrentes de omissão de rendimentos do INSS, das glosas de deduções e do imposto de renda na fonte pleiteado, devendo ser reduzida a exigência para o percentual de 75%, na forma do inciso I do art. 44 da Lei n°. 9.430, de 1996. A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1999 1 2000, 2001, 2002 EMENTA: DECADÊNCIA. O direito de constituir o crédito tributário decai após 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte à entrega da declaração de ajuste, uma vez que o lançamento somente poderia ter sido efetuado depois que o fisco tomou conhecimento das deduções pleiteadas indevidamente pelo declarante. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LNÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei n°. 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo, quando não restar devidamente comprovada a fonte dos recursos, já que declarações apresentadas de forma isolada não são documentos hábeis suficientes para justificar as operações de depósitos bancários. 23 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.00258312005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 DEPENDENTES Esposa e filho que apresentam declaração em separado, informando rendimentos por eles auferidos, não podem ser considerados dependentes para efeito de dedução do imposto de renda. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Somente é passível de dedução da base de cálculo do imposto os valores pagos em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. DESPESAS MÉDICAS. Documento apresentado sem assinatura do emitente não pode ser considerado como hábil para justificar a dedução a esse título da base de cálculo do imposto. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A existência de movimentação bancária desproporcional aos rendimentos declarados pelo contribuinte ao longo de quatro anos-calendário consecutivos, mantendo à margem da tributação montantes significativos de ganhos, aliado ao fato de ter se utilizado de dois CPF em contas bancárias movimentadas em seu nome, justifica a imposição da penalidade agravada; devendo, contudo, ser reduzida a multa de oficio para 75% quanto às infrações que não caracterizarem evidente intuito de fraude. Lançamento Procedente em Parte." Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 08/12/05, conforme Termo constante às fls. 1306/1309, o recorrente interpôs, tempestivamente (09/01/06), o recurso voluntário de fls. 1310/1331, instruido pelos documentos de fls. 1332/1353 no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nos mesmos argumentos apresentados na fase impugnatória. Consta às fls. 1354 a observação de que foi feito o arrolamento de bens, objetivando o seguimento ao recurso administrativo, sem exigência do prévio depósito de 24 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.00258312005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 30% a que alude o art. 10, da Lei n. 09.639, de 1998, que alterou o art. 126, da Lei n° 8.213, de 1991, com a redação dada pela Lei n° 9.528, de 1997, combinado com o art. 32 da Lei n°. 10.522, de 2002. É o Relatório. 25 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.00258312005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 VOTO Conselheiro NELSON MALLMANN, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Câmara. É de se ressaltar, que não havendo contestação por parte do contribuinte em relação à omissão de rendimentos recebidos do Instituto Nacional do Seguro Social, no ano calendário de 2001, e da glosa de despesas com instrução e de previdência oficial, nos anos-calendário de 1999, 2000 e 2002, estas matérias estão consideradas como não- litigiosas. Da análise dos autos do processo se verifica, que a motivação inicial para instaurar o procedimento fiscal foi o fato de que o contribuinte em questão havia sido fiscalizado (processo n°. 10930.002206/2001-16) em decorrência dos trabalhos de malha. Em fase de impugnação, a DRJ - Curitiba apurou que o contribuinte além do CPF 029.996.129-07 (objeto da autuação), detinha também o CPF 223.049.839-87, apresentando declaração em duplicidade nos exercidos de 2000 e 2001. Posteriormente, em razão do não atendimento, por parte do suplicante, das intimações emitidas pela fiscalização para que apresentasse os extratos bancários, a autoridade Administrativa Fiscal da DRF em Londrina - PR procedeu à devida requisição aos estabelecimentos bancários envolvidos, após devidamente recebidos e através da análise destes documentos a autoridade fiscal apurou a omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósitos, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea 26 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 a origem dos recursos utilizados nessas operações já na vigência do artigo 42, da Lei 9.430, de 1996. Somado a esta irregularidade a fiscalização constatou ainda omissão rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, bem como deduções indevidas de despesas médicas, dependentes, instrução, previdência oficial, pensão judicial e compensação indevida de imposto de renda retido na fonte. O suplicante solicita o provimento ao seu recurso, tanto nas razões preliminares como nas razões de mérito, para tanto apresenta preliminar de decadência dos fatos geradores anteriores a 06/08/2000 e preliminar de nulidade do lançamento baseada na tese de quebra de sigilo bancário de forma irregular e da impossibilidade da aplicação retroativa da Lei Complementar n° 105, de 2001 e por fim razões de mérito sobre lançamentos efetuados sobre depósitos bancários e deduções de despesas. Desta forma, a discussão neste colegiado se prende as preliminares de decadência e de nulidade do lançamento sob o entendimento de que houve a decadência para os fatos geradores anteriores a 06/08/2000, bem como houve irregularidades na quebra do sigilo bancário (aplicação de forma retroativa da Lei n°. 10.174 e da Lei Complementar n°. 105, ambas de 2001) e, no mérito, a discussão se prende sobre o artigo 42 da Lei n°. 9.430, de 1996, que prevê a possibilidade de se efetuar lançamentos tributários por presunção de omissão de rendimentos, tendo por base os depósitos bancários de origem não comprovada e deduções de despesas. Quanto a preliminar de nulidade do lançamento argüida pelo suplicante, sob o entendimento de que tenha ocorrido ofensa aos princípios constitucionais do devido processo legal, entendendo que a autoridade lançadora feriu diversos princípios fundamentais, quais sejam: utilização da Lei n°. 10.174, de 2001 e Lei Complementar n°. 105, de 2001, para solicitar os extratos bancários do suplicante e quebra do sigilo bancário de forma incorreta, não cabe razão ao suplicante pelos motivos que se seguem. 27 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 O aspecto divergente estaria no entendimento que o suplicante tem de que o lançamento não pode prosperar em razão de que as provas fiscais teriam sido obtidas por autoridades fazendárias através de procedimentos inteiramente ilícitos, sob o entendimento de que o fato ocorrido foi uma solicitação indevida dos extratos bancários, ou seja, houve a quebra do sigilo bancário de forma irregular e obtenção de provas por meios ilícitos. Por tudo que dos autos consta, não houve qualquer irregularidade na obtenção dos extratos bancários que deram origem ao lançamento em discussão. De se ver. Não há dúvidas, que toda a controvérsia de fato resume-se na discussão do sigilo de informações no Mercado Financeiro e de Capitais, ou seja, sigilo bancário. O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5° e 6° do artigo 38, da Lei n°. 4.595, de 1964 e no artigo 8° da Lei n°. 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Apesar de existir intermináveis discussões quanto à natureza do sigilo bancário, entendo que tal garantia, insere-se na esfera do direito à privacidade, traduzido no artigo 5°, inciso X, da Constituição Federal. Por outro lado, entendo que o direito à privacidade não é ilimitado, tendo em vista o princípio da convivência de liberdades. Assim, não se pode, sob o manto da privacidade, pretender acobertar indistintamente qualquer irregularidade que seja objeto de apuração pelo fisco, ou seja, os direitos e garantias individuais previstos na Constituição 28 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 Federal não se prestam a servir de manto protetor a comportamentos abusivos, e nem tampouco devem prevalecer diante de fatos que possam constituir crimes. Sejam eles crimes tributários ou não. Não tenho dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preserva-se a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocá-la para abster-se de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. Da mesma forma, a quebra do sigilo bancário não afronta aos incisos X e XII do art. 5° da Constituição Federal de 1988. O Supremo Tribunal Federal já decidiu que: "Ementa: Inquérito. Agravo regimental. Sigilo bancário. Quebra. Afronta ao artigo 5°, X e XII, da CF: Inexistência. (...). I - A quebra do sigilo bancário não afronta o artigo 5°, X e XII, da Constituição Federal (Precedentes: PET. 577). (.-.)- (Ac. Do Plenário do Supremo Tribunal Federal, no AGRINQ-897/DF, rel. Min. Francisco Rezek, j. em 23.11.94)." Ora, é cediço que o sigilo bancário não tem caráter incontestável nem absoluto, pois deve sempre estar submetido, como direito individual que é, aos interesses da sociedade em geral e, por conseguinte, ao interesse maior da preservação dos comandos estabelecidos pela lei. 29 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 Diz a Lei n°4.595, de 1964: "Art. 38 - As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. § 1° As informações e esclarecimentos ordenados pelo Poder Judiciário, prestado pelo Banco Central da República do Brasil ou pelas instituições financeiras, e a exibição de livros e documentos em juízo, se revestirão sempre do mesmo caráter sigiloso, só podendo a eles ter acesso às partes legítimas na causa, que deles não poderão servir-se para fins estranhos à mesma. § 2° O Banco Central da República do Brasil e as instituições financeiras públicas prestarão informações ao Poder Legislativo, podendo, havendo relevantes motivos, solicitar sejam mantidas em reserva ou sigilo. § 3° As Comissões Parlamentares de Inquérito, no exercício da competência constitucional e legal de ampla investigação obterão as informações que necessitarem das instituições financeiras, inclusive através do Banco Central da República do Brasil. § 4° Os pedidos de informações a que se referem os §§ 2° e 3°, deste artigo, deverão ser aprovados pelo Plenário da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal e, quando se tratar de Comissão Parlamentar de Inquérito, pela maioria absoluta de seus membros. § 5° Os agentes fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados somente poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, quando houver processo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. § 6° O disposto no parágrafo anterior se aplica igualmente à prestação de esclarecimentos e informes pelas instituições financeiras às autoridades fiscais, devendo sempre estas e os exames ser conservados em sigilo, não podendo ser utilizados senão reservadamente." Nos termos da lei, acima mencionada, o sigilo bancário será quebrado sempre que houver processo instaurado e a autoridade fiscalizadora considerar necessário, pois é sabido que os estabelecimentos vinculados ao sistema bancário não poderá eximir-se 30 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 de fornecer à fiscalização, em cada caso especificado pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal, cópias das contas correntes de seus depositantes ou de outras pessoas que tenham relações com tais estabelecimentos, nem de prestar informações ou quaisquer esclarecimentos solicitados, se a autoridade fiscal assim o julgar necessário, tendo em vista a instrução de processo para qual essas informações são requeridas. É evidente, que a possibilidade da quebra do sigilo bancário é de natureza excepcional, e o artigo 38 da Lei n° 4.595, de 1964, arrola as oportunidades em que terceiros tem acesso ao conhecimento de dados e informações de operações realizadas no mercado financeiro pelos seus investidores/clientes. Os parágrafos, do artigo anteriormente citado, estabelecem, de forma clara, quais são as autoridades que tem acesso a estas informações, ou seja, Poder Judiciário (§ 1°); Poder Legislativo (§ 2°); Comissões Parlamentares de Inquérito (§ 3°) e os agentes fiscais do Ministério da Fazenda e dos Estados (§§ 5° e 6°). O texto acima estabelece com clareza a obrigatoriedade que os bancos tinham de permitir aos agentes fiscais o exame dos registros de contas de depósitos. Para isto, bastaria demonstrar a existência de processo fiscal e declarar que tal documentação era indispensável à investigação em curso. Desta forma, entendo que fica demonstrado que, já em 1964, os bancos estavam obrigados a fornecer à fiscalização documentação a respeito de transações com seus clientes. Não há como discordar que a expressão "processo instaurado" se refere ao "processo administrativo fiscal", já que em caso contrário não haveria a necessidade de existirem os parágrafos 5° e 6° do referido diploma legal. Assim, fica evidenciado que para a Administração Tributária Federal ter acesso a informações relativo às atividades e operações no mercado financeiro e de capitais 31 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.00258312005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 realizadas pelos contribuintes pessoas físicas e/ou jurídicas, estaria condicionada a observância de certos requisitos, quais sejam: ter processo administrativo fiscal instaurado; que as informações a serem solicitadas fossem indispensáveis e que estas informações não poderiam ser reveladas a terceiros. Já, por outro lado, em 1966, a Lei n°. 5.172 (Código Tributário Nacional) promoveu alterações no dispositivo acima transcrito, eliminando a exigência de prévia existência de processo. No art. 197 o Código Tributário Nacional dispõe: "Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: II - os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras." Após a edição do Código Tributário Nacional, o Decreto n°. 1.718, de 1979 reforçou a obrigatoriedade que têm as Instituições Financeiras de prestar informações às autoridades fiscais. No art. 2° daquele ato legal foi estabelecido: "Continuam obrigados a auxiliar a fiscalização dos tributos sob administração do Ministério da Fazenda, ou quando solicitados a prestar informações, os estabelecimentos bancários, inclusive as Caixas Econômicas, os Tabeliães e Oficiais de registro, o Instituto Nacional de Propriedade Industrial, as Juntas Comerciais ou as repartições e autoridades que as substituírem, as Bolsas de Valores e as empresas corretoras, as Caixas de Assistência, as Associações e Organizações Sindicais, as Companhias de Seguros, e demais entidades ou empresas que possam, por qualquer forma, esclarecer situações para a mesma fiscalização." Já no comando da Lei n°. 8.021, de 1990, esta obrigatoriedade é mais abrangente incluindo Bolsa de Valores e Assemelhadas, além das Instituições Financeiras, cuja redação diz o seguinte: 32 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 "Art. 7° - A autoridade fiscal do Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento poderá proceder a exames de documentos, livros e registros das bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas, bem como solicitar a prestação de esclarecimentos e informações a respeito de operações por elas praticadas, inclusive em relação a terceiros. Art. 8° - Iniciado o procedimento fiscal, a autoridade fiscal poderá solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no art. 38 da Lei n°. 4.595, de 31 de dezembro de 1964. Parágrafo único - As informações, que obedecerão às normas regulamentares expedidas pelo Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento, deverão ser prestadas no prazo máximo de dez dias úteis contados da data da solicitação, aplicando-se, no caso de descumprimento desse prazo, a penalidade prevista no § 1° do art. 7°." Evidente está, diante das normas legais acima transcritas, que as instituições financeiras não podem invocar o dever de sigilo bancário quando da efetivação, por parte da Fazenda Pública, de pedido de informações acerca de um terceiro, existindo processo administrativo fiscal que permita tal solicitação. Não há que se falar, portanto, em quebra do sigilo bancário, uma vez que a autoridade fazendária encontra-se legalmente obrigada a manter os dados recebidos sob sigilo, conforme impõe o parágrafo 6° do artigo 38 da Lei n°4.595, de 1964. Os dispositivos legais acima citados, não foram declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, dão respaldo ao procedimento da fiscalização. Por esta razão, rejeita-se o argumento de que os documentos foram obtidos de forma ilícita. O sigilo bancário, face à farta legislação existente, não pode ser argüido com a finalidade de negar informações ao fisco. A Lei n°. 8.021, de 1990 revoga, para fins fiscais, a obrigatoriedade das instituições financeiras a conservar sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços 33 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 prestados, estabelecido no art. 38 da Lei n°. 4.595, de 1964. Este último dispositivo legal já estabelecia em seus parágrafos 5° e 6° que: "5° - Os agentes fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados somente poderão proceder a exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, quando houver processo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. 6° - O disposto no parágrafo anterior se aplica igualmente à prestação de esclarecimentos e informes pelas instituições financeiras às autoridades fiscais, devendo sempre estas e os exames ser conservados em sigilo, não podendo ser utilizados senão reservadamente." Resta claro, portanto, a possibilidade de a administração fazendária solicitar aos estabelecimentos bancários às informações que esses detenham em relação aos contribuintes para os quais exista procedimento fiscal em andamento, sem que seja necessário demonstrar os motivos que conduziram a tal requisição. Agora sob o comando da Lei Complementar n°. 105, de 10 de janeiro de 2001, esta condição é indiscutível, cuja redação diz o seguinte: "Art. 10 As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. § 3° Não constitui violação do dever de sigilo: I - a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II - o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; 34 - MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 III - o fornecimento das informações de que trata o § 2° do art. 11 da Lei n°. 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV - a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V - a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI - a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2°, 30 , 40 , 50 , 60, t e 9° desta Lei Complementar. (...) Art. 6° As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (-..) Art. Revoga-se o art. 38 da Lei n°. 4.595, de 31 de dezembro de 1964." A edição desse dispositivo de lei complementar se fez indispensável, em virtude de divergência interpretativa que havia sido estabelecida acerca do tema, especialmente em face de decisão de uma das Turmas do Superior Tribunal de Justiça, no qual ficou assentado que o termo "processo", empregado no artigo 38, € 5°, da Lei n°. 4.595, de 31 de dezembro de 1964, se referia a processo judicial e não processo administrativo, que a expressão autoridade competente se referia à autoridade judiciária, não a autoridade administrativo-fiscal. 35 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 Cuidou, assim, o preceptivo legal em questão - que revogou expressamente, em seu artigo 13,0 artigo 38 da Lei n°. 4.595, de 1964 -, de chancelar uma exceção à regra do sigilo bancário já prevista na lei anterior, agora com toda a clareza, sem deixar margem à interpretação equivocada ou distorcida, ao declarar expressamente que o processo mencionado é o administrativo; que a autoridade competente, para fins da lei, é a administrativa. Ora, se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Nesse sentido, leia-se a opinião de Bernardo Ribeiro de Moraes, contido no Compêndio de Direito Tributário, Ed. Forense, 1a. Edição, 1984, pág. 746: "O sigilo dessas informações, inclusive o sigilo bancário, não é absoluto. Ninguém pode se eximir de prestar informações, no interesse público, para o esclarecimento dos fatos essenciais e indispensáveis à aplicação da lei tributária. O sigilo, em verdade, não é estabelecido para ocultar fatos, mas sim, para revestir a revelação deles de um caráter de excepcionalidade. Assim, compete à autoridade administrativa, ao fazer a intimação escrita, conforme determina o Código Tributário Nacional, estar diante de processos 36 4. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 administrativos já instaurados, onde as respectivas informações sejam indispensáveis." Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os Auditores-Fiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Da mesma forma, discordo daqueles que defendem a ilegalidade da aplicação retroativa da Lei Complementar n° 105, de 2001, sob o argumento que em face ao princípio constitucional que veda a aplicação retroativa da lei, a mesma (LC n° 105, de 2001), não poderia ter sido tomada pelas autoridades fiscais para respaldar a obtenção e o exame da movimentação bancário do ano calendário de 1998. Ora, é sabido que a matéria relativa à aplicação da lei no tempo pelo lançamento, é regulada no art. 144 e parágrafos da Lei n°. 5.172, de 1966- CTN, que diz: "Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. 37 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.00258312005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 § 1° Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros." Nesta hipótese, a tese é de que a Lei Complementar n°. 105, de 2001, não poderia retroagir, já que não tem natureza procedimental e sim dispõe de conteúdo material, cuja aplicação retroativa é vedada pelo disposto nos artigos 105, 106 e 144, "caput", do CTN. Ora, é sabido que as leis de procedimento, como o é a Lei Complementar n°. 105, de 2001, são aplicáveis ao processo no estado em que se encontra, já que a mesma não é lei tributária, ou seja, não é uma lei cuja natureza jurídica seja estabelecer qualquer matéria tributável. Indiscutivelmente é sabido que o "caput" do art. 144 do CTN se refere à regra de direito material, ou seja, regula o ato administrativo do lançamento em seu conteúdo substancial, enquanto que os seus parágrafos contêm solução aplicável ao procedimento fiscal, processo ou aspecto formal do lançamento. É evidente que o § 1° do art. 144 do CTN, regula matéria diferente de seu "caput", nota-se que consagra a regra da aplicação imediata da legislação vigente ao tempo do lançamento, quando tenha instituído novos critérios de apuração ou de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. Nesse diapasão, o tributarista Jose Souto Maior Borges, em sua obra "Lançamento Tributário" - r edição, Malheiros Editores Ltda. - ao tratar do direito intertemporal e lançamento, assim preleciona: 38 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 "Lançamento está, aí, no art. 144, caput, no sentido de ato do lançamento. O vocábulo é, no Código Tributário Nacional, plurissignificativo. Ora é referido ao ato, ora ao procedimento que o antecede. Diversamente, já no seu § 1° o art. 144 reporta-se ao procedimento administrativo de lançamento. A este se aplica, ao contrário, a legislação que posteriormente à data do fato jurídico tributário tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas ou outorgando ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. O art. 144, § 1°, disciplina o procedimento administrativo do lançamento, em contraposição ao caput desse dispositivo, que se aplica ao ato de lançamento. Duas realidades normativas diversas e submetidas, por isso mesmo, a disciplina jurídica nitidamente diferenciada no Código Tributário Nacional. Ao ato de lançamento aplica-se, em qualquer hipótese, a legislação contemporânea do fato jurídico tributário. Ao procedimento de lançamento, todavia, aplica-se legislação que, se confrontada temporalmente com o fato jurídico tributário, venha posteriormente e estabelecer as alterações estipuladas no § 1° do art. 144. Se não sobrevier ao fato jurídico - enquanto in fieri o procedimento de lançamento - legislação nova, aplicar-se-lhe-á também a legislação coetânea à data do fato jurídico tributário." Da mesma forma, existem julgados no âmbito do Poder Judiciário que respaldam o entendimento anteriormente citado, conforme se pode constatar nas decisões abaixo transcritas: Sentença proferida pelo Tribunal Regional Federal da Quarta Região, nos autos de Agravo de Instrumento n°. 2001.04.01.045127-8/SC, da qual se faz necessário à transcrição da ementa do julgado: "TRIBUTÁRIO. REPASSE DE DADOS RELATIVOS A CPMF PARA FINS DE FISCALIZAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. SIGILO BANCÁRIO. O acesso da autoridade fiscal a dados relativos à movimentação financeira dos contribuintes, no bojo de procedimento fiscal regularmente instaurado, não afronta, a priori, os direitos e garantias individuais de inviolabilidade da intimidade, da vida privada, da honra e da imagem das pessoas e de inviolabilidade do sigilo de dados, assegurados no art. 5°, incisos X e XII da CF/88, conforme entendimento sedimentado no tribunal. No plano 39 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 infraconstitucional, a legislação prevê o repasse de informações relativas a operações bancárias pela instituição financeira à autoridade fazendária, bem como a possibilidade de utilização dessas informações para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a imposto e contribuições e para lançamento do crédito tributário porventura existente (Lei 8.021/90, Lei 9.311196, Lei 10.174/2001, Lei Complementar 105/2001). As disposições da Lei n°. 10.174/2001 relativas à utilização das informações da CPMF para fins de instauração de procedimento fiscal relacionado a outros tributos não se restringem a fatos geradores ocorridos posteriormente à edição da lei, pois, nos termos do art. 144, § 1°, do CTN, aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas." Sentença proferida pela 1° Turma do Tribunal Regional Federal da Quarta Região, nos autos de Agravo de Instrumento n°. 2002.04.01.003040-0/PR, da qual se faz necessário à transcrição da ementa do julgado: "TRIBUTÁRIO. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. LCP n°. 105/01. procedimento de fiscalização. Quebra de sigilo. Inocorrência. 1. a Lei 10.174/01, que deu nova redação ao § 3° do art. 11 da Lei n°. 9.311, permitindo o cruzamento de informações relativas a CPMF para a constituição de crédito tributário pertinente a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, disciplina o procedimento de fiscalização em si, e não os fatos econômicos investigados, de forma que os procedimentos iniciados ou em curso a partir de janeiro 2001 poderão valer- se dessa informações, inclusive para alcançar fatos geradores pretéritos, (CTN art. 144, § 1°). Trata-se de aplicação imediata da norma, não se podendo falar em retroatividade. 2. O art. 60 da Lei Complementar n°. 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentada pelo Decreto n°. 3.724/01, autoriza a autoridade fiscal a requisitar informações acerca da movimentação financeira do contribuinte, desde que já instaurado o procedimento de fiscalização e o exame dos documentos sejam indispensáveis à instrução, preservando o caráter sigiloso da informação. 3. O acesso à informação junto a instituições financeiras, para fins de apuração de ilícito fiscal, não configura ofensa ao principio da inviolabilidade do sigilo bancário, desde que cumpridas as formalidades exigidas pela Lei Complementar n°. 105/01 e pelo Decreto n°. 3.724/01 ". Recentemente, a questão em debate já foi objeto de exame pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), o qual tende por firmar jurisprudência de que a regra do artigo 6° 40 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.00258312005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 da Lei Complementar n° 105, de 2001 é de natureza procedimental (CTN, art. 144, I), de sorte que nada impede a autoridade fiscal dela se servir para obter informações bancárias pretéritas de contribuintes sob fiscalização. A titulo de exemplo, veja-se o teor do acórdão da Primeira Turma do aludido tribunal, proferido em 02/12/03 no julgamento do Recurso Especial n°. 506.232 - PR (Diário da Justiça de 16/02/04 - p. 00211): "EMENTA TRIBUTÁRIO. NORMAS DE CARÁTER PROCEDIMENTAL. APLICAÇÃO INTERTEMPORAL. UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES OBTIDAS A PARTIR DA ARRECADAÇÃO DA CPMF PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO REFERENTE A OUTROS TRIBUITOS. RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1° DO CTN. 1. O resguardo de informações bancárias era regido, ao tempo dos fatos que permeiam a presente demanda (ano de 1998), pela Lei 4.595/64, reguladora do Sistema Financeiro Nacional, e que foi recepcionada pelo art. 192 da Constituição Federal com força de lei complementar, ante a ausência de norma regulamentadora desse dispositivo, até o advento da Lei Complementar 105/2001. 2. O art. 38 da Lei 4.595/64, revogado pela Lei Complementar 105/2001, previa a possibilidade de quebra do sigilo bancário apenas por decisão judicial. 3. Com o advento da Lei n°. 9.311/96, que instituiu a CPMF, as instituições financeiras responsáveis pela retenção da referida contribuição, ficaram obrigadas a prestar à Secretaria da Receita Federal informações a respeito da identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações bancárias, sendo vedado, a teor do que preceituava o § 3° do art. 11 da mencionada lei, a utilização dessas informações para a constituição de crédito referente a outros tributos. 4. A possibilidade de quebra do sigilo bancário também foi objeto de alteração legislativa, levada a efeito pela Lei Complementar 105/2001, cujo art 6° dispõe: "Art. 6 As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente." 41 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.00258312005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 5.A teor do que dispõe o art. 144, § 1° do Código Tributário Nacional, as leis tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, ao passo que as leis de natureza material só alcançam fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. 6. Norma que permite a utilização de informações bancárias para fins de apuração e constituição de crédito tributário, por envergar natureza procedimental, tem aplicação imediata, alcançando mesmo fatos pretéritos. 7.A exegese do art. 144, § 1° do Código Tributário Nacional, considerada a natureza formal da norma que permite o cruzamento de dados referentes à arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito relativo a outros tributos, conduz à conclusão da possibilidade da aplicação dos artigos 6° da Lei Complementar 105/2001 e 1° da Lei 10.174/2001 ao ato de lançamento de tributos cujo fato gerador se verificou em exercício anterior à vigência dos citados diplomas legais, desde que a constituição do crédito em si não esteja alcançada pela decadência. 8. lnexiste direito adquirido de obstar a fiscalização de negócios tributários, máxime porque, enquanto não extinto o crédito tributário a Autoridade Fiscal tem o dever vinculativo do lançamento em correspondência ao direito de tributar da entidade estatal. 9.Recurso Especial provido." Em síntese é de se concluir, que as leis que regulam os aspectos formais do lançamento têm aplicação imediata, ou seja, passam a regular a atividade de lançamento na data em que o ato é exercido, ainda que a lei tenha vigência posterior à ocorrência da obrigação. Essa compreensão é perfeitamente válida para as leis que tenham instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, visando à ampliação de poderes de investigação das autoridades fiscais. É de se concluir, que na situação analisada, com a entrada em vigor da Lei Complementar n° 105, de 2001, foi facultado à autoridade fiscalizadora obter diretamente das instituições, sem necessidade de ordem judicial, extratos de contas bancárias e outros documentos de contribuintes submetidos à fiscalização, inclusive de períodos pretéritos à edição da aludida lei. 42 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 Como também, nesta linha de pensamento argumentativo, não há que falar em ato jurídico perfeito, coisa julgada e direito adquirido, para contestar a aplicação da Lei Complementar n°. 105, de 2001, uma vez que esses institutos não alcançam normas de caráter adjetivo, externas aos aspectos concernentes do fato gerador, e que visam à melhoria dos processos de fiscalização e apuração, como é o caso dos dispositivos legais combatidos. Da mesma forma, não encontra respaldo a tese do interessado de houve a revogação tácita do art. 42 da Lei n°. 9.430, de 1996, por revelar, no seu entender, antinomia com o § 4° da Lei Complementar n°. 105, de 2001. A LC n°. 105 veio apenas instituir novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas, enquanto que o dispositivo trazido pela Lei n°. 9.430, de 1996, trata de tributação de valores mantidos em contas bancárias sem a correspondente comprovação da origem dos recursos, por caracterizá-los como rendimentos omitidos. Quanto a preliminar de decadência relativo aos fatos geradores anteriores 06/08/2000, levantada pelo suplicante, sob o argumento de que o lançamento de imposto de renda das pessoas físicas é mensal, fico com a corrente que entende que a modalidade de lançamento a que se sujeita o imposto sobre a renda de pessoas físicas é a do lançamento por homologação, cujo fato gerador se completa no encerramento do ano-calendário e em assim sendo, o imposto lançado relativo ao exercício de 2000, correspondente ao ano- calendário de 1999 se encontrava alcançado pelo prazo decadencial na data da ciência do auto de infração (06/08/05 - fls. 1248), de acordo com a regra contida no artigo 150, § 4 0, do Código Tributário Nacional. É de se ressaltar, que em situações como dos autos é de suma importância se analisar, inicialmente, a possibilidade da qualificação da multa de lançamento de ofício, já 43 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.00258312005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 que a análise do prazo decadencial depende da possibilidade ou não da multa ser qualificada. Neste processo, em especial, se faz necessário ressaltar, que independentemente do teor da peça impugnatória e da peça recursal incumbe a este colegiado, verificar o controle interno da legalidade do lançamento, bem como, observar a jurisprudência dominante na Câmara, para que as decisões tomadas sejam as mais justas possíveis, dando o direito de igualdade para todos os contribuintes. Não tenho dúvidas, que quando se trata de questões preliminares, tais como: nulidade do lançamento, decadência, erro na identificação do sujeito passivo, intempestividade da petição, erro na base de cálculo, aplicação de multa, etc, são passíveis de serem levantadas e apreciadas pela autoridade julgadora independentemente de argumentação das partes litigantes. Faz se necessário esclarecer, que o julgador independe de provocação da parte para examinar a regularidade processual e questões de ordem pública ai compreendido o princípio da estrita legalidade que deve nortear a constituição do crédito tributário. Assim sendo, neste processo, se faz necessário à evocação da justiça fiscal, no que se refere à multa qualificada aplicada, decorrente do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, que prevê sua aplicação nos casos de evidente intuito de fraude, conforme farta Jurisprudência emanada deste Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Como se vê nos autos, o contribuinte foi autuado sob a acusação de omissão de rendimentos. O auto de infração noticia a aplicação da multa de lançamento de ofício qualificada de 150%, sob o frágil argumento da existência de movimentação bancária desproporcional aos rendimentos declarados ao longo de quatro anos-calendário 44 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 consecutivos, mantendo à margem da tributação montante significativos de ganhos, aliado ao fato de ter se utilizado de dois CPF em contas bancárias movimentadas em seu nome. Constata-se, ainda, que conforme o Auto de Infração, as parcelas tributadas constituem omissão de rendimentos tendo por base valores lançados com base em extratos bancários na vigência da Lei n° 9.430, de 1996, sem a justificação da devida origem. Da análise dos autos, verifica-se que a autoridade lançadora entendeu ser perfeitamente normal aplicar a multa de lançamento de ofício qualificada na constatação de omissão de rendimentos apurados através de depósitos bancários não comprovados, sob o argumento que nesses casos é possível inferir que o contribuinte deixou deliberadamente de informar rendimentos auferidos em sua Declaração de Ajuste Anual valores que transitaram em contas bancárias representativas de rendimentos tributáveis ocasionando o retardamento do imposto a pagar, com habitualidade e em valores expressivos, bem como prestou informações ao fisco, em resposta à intimação, divergente de dados levantados pela fiscalização com intuito de reduzir o seu imposto de renda, formando a convicção de que a multa de ofício qualificada é aplicável já que está comprovado nos autos a intenção dolosa e fraudulenta na conduta adotada pelo contribuinte, com o propósito específico de impedir ou retardar o conhecimento das infrações, ocultando rendimentos auferidos e não declarados. Ora, a prestação de informações ao fisco, em resposta à intimação, divergente de dados levantados pela fiscalização ou a falta de inclusão, na Declaração de Ajuste Anual, de valores que transitaram em contas bancárias, de titularidade do recorrente, representativas de rendimentos tributáveis ocasionando o retardamento do imposto a pagar, independentemente da habitualidade e do montante utilizado, caracteriza falta simples de omissão de rendimentos, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n°. 9.430, de 1996, pelas razões abaixo expostas. 45 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.00258312005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 Da análise, dos autos do processo, é cristalino a conclusão de que a multa qualificada foi aplicada em decorrência de que a autoridade fiscal entendeu que estaria caracterizado o evidente intuito de fraude, já que o contribuinte teria deixado deliberadamente de informar rendimentos auferidos em sua Declaração de Ajuste Anual valores que transitaram em contas bancárias representativas de rendimentos tributáveis ocasionando o retardamento do imposto a pagar, com habitualidade e em valores expressivos, bem como prestou informações ao fisco, em resposta à intimação, divergente de dados levantados pela fiscalização com intuito de reduzir o seu imposto de renda. Assim, não há dúvidas que a qualificação da multa tem origem na prestação de informação ao fisco, em resposta à intimação emitida divergente de dados levantados pela fiscalização, bem como a falta de comprovação dos depósitos bancários através da apresentação de documentação hábil e idónea. Ora, com a devida vênia, o máximo que poderia ter acontecido é que sobre os depósitos não comprovados e não informados na Declaração de Ajuste Anual, deveria ser constituído o lançamento do crédito tributário respectivo a titulo de omissão de rendimentos (presunção legal), o que a meu ver caracterizam irregularidade simples penalizada pela aplicação da multa de lançamento de ofício normal de 75%, já que a irregularidade apontada jamais seria motivo para qualificação da multa. A aplicação da multa de lançamento de ofício qualificada, decorrente do art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, atualmente aplicada de forma generalizada pela autoridade lançadora, deve obedecer toda cautela possível e ser aplicada, tão somente, nos casos em que ficar nitidamente caracterizado o evidente intuito de fraude, conforme farta Jurisprudência emanada do Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Sem dúvida que se trata de questão delicada, pois para que a multa de lançamento de ofício se transforme de 75% em 150% é imprescindível que se configure o 46 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 evidente intuito de fraude. Este mandamento se encontra no inciso II do artigo 957 do Regulamento do Imposto de Renda, de 1999, ou seja, para que ocorra a incidência da hipótese prevista no dispositivo legal referendado, é necessário que esteja perfeitamente caracterizado o evidente intuito de fraude. Deve-se ter sempre, em mente, o principio de direito de que a "fraude não se presume", devem existir, sempre, dentro do processo, provas sobre o evidente intuito de fraude. Como se vê o art. 957, II, do Regulamento do Imposto de Renda, de 1999, sucedâneo do art. 992, II, Regulamento do Imposto de Renda de 1994, que representa a matriz da multa qualificada, reporta-se aos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502/64, que prevêem o intuito de se reduzir, impedir ou retardar, total ou parcialmente, o pagamento de uma obrigação tributária, ou simplesmente, ocultá-la. Com a devida vênia dos que pensam em contrário, a simples omissão de receitas ou de rendimentos; a simples declaração inexata de despesas, receitas ou rendimentos; a classificação indevida de receitas / rendimentos na Declaração de Ajuste Anual ou a falta de inclusão de algum valor, bem ou direito na Declaração de Bens ou Direitos, não tem, a principio, a característica essencial de evidente intuito de fraude. Da mesma forma, a prestação de informações ao fisco, em resposta à intimação emitida divergente de dados levantados pela fiscalização ou a movimentação habitual de valores expressivos em contas bancárias de titularidade do contribuinte sem a devida declaração no imposto de renda (Declaração de Ajuste Anual), não evidencia o evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n°. 9.430, de 1996. Além do mais, o que pesa realmente no presente caso é que o lançamento foi realizado pela falta de comprovação de depósitos bancários que autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos, porém por si só, é insuficiente para amparar a aplicação de multa qualificada. No mesmo sentido, estaria a prestação de informações contrárias das 47 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 que a fiscalização teria levantado, com o objetivo de reduzir a base de cálculo tributável, motivo que poderia no máximo ser um indicativo de que sobre tais rendimentos deveria ser constituído o lançamento e cobrado o crédito tributário respectivo, mas jamais será indicativo de evidente intuito de fraude. Nos casos de lançamentos tributários tendo por base a presunção legal de omissão de rendimento, vislumbra-se um lamentável equívoco por parte da autoridade lançadora. Nestes lançamentos, acumulam-se duas premissas: a primeira que os depósitos bancários não justificados deve ser considerados omissão de rendimentos; a segunda que a falta de inclusão dos rendimentos omitidos na Declaração de Ajuste Anual, em razão da habitualidade e expressividade, estariam a evidenciar o evidente intuito de sonegar ou fraudar imposto de renda. Quando a autoridade lançadora age deste modo, aplica, no meu modo de entender, incorretamente a multa de ofício qualificada, pois, tais infrações não possuem o essencial, qual seja, o evidente intuito de fraudar. A prova, neste aspecto, deve ser material; evidente como diz a lei. Este equívoco praticado pelo fisco provoca, em certos casos, um transtorno irreparável ao contribuinte. Como se sabe, toda vez que é aplicada a multa qualificada, além do problema tributário, surge a questão penal tributária, materializada na representação fiscal para fins penais, partindo do pressuposto que a conduta praticada pelo contribuinte tipifica, em tese, um ilícito penal previsto na Lei n°8.137, de 1990. Com efeito, a qualificação da multa, nestes casos, importaria em equiparar uma simples infração fiscal de omissão de rendimentos, facilmente detectável pela fiscalização, as infrações mais graves, em que seu responsável surrupia dados necessários ao conhecimento da fraude. A qualificação da multa, nestes casos, importaria em equiparar uma prática claramente identificada, aos fatos delituosos mais ofensivos à ordem legal, nos quais o agente sabe estar praticando o delito e o deseja, a exemplo: da adulteração de comprovantes, da nota fiscal iniclônea, movimentação de conta bancária em nome fictício, movimentação bancária em nome de terceiro ("laranja"), movimentação bancária em nome 48 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.00258312005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 de pessoas já falecidas, da falsificação documental, do documento a título gracioso, da falsidade ideológica, da nota fiscal calçada, das notas fiscais de empresas inexistentes (notas frias), das notas fiscais paralelas, do subfaturamento na exportação (evasão de divisas), do superfaturamento na importação (evasão de divisas), etc. O fato de alguém, pessoa jurídica, não registrar as vendas, no total das notas fiscais na escrituração, pode ser considerado, de plano, com evidente intuito de fraudar ou sonegar o imposto de renda? Obviamente que não. O fato de uma pessoa física receber um rendimento e simplesmente não declará-lo é considerado com evidente intuito de fraudar ou sonegar? Claro que não. Ora, se nestas circunstâncias, ou seja, a simples não declaração não se pode considerar como evidente intuito de sonegar ou fraudar é evidente que nos casos de presunção legal de omissão de rendimentos é semelhante, já que a principio, a autoridade lançadora tem o dever legal de cobrar o imposto sobre a omissão de rendimentos, já que o contribuinte esta pagando imposto a menor, ou seja, deixou de declarar rendimentos auferidos e não trouxe provas para ilidir a acusação. Este fato não tem o condão de descaracterizar o fato ocorrido, qual seja, a de simples omissão de rendimentos por presunção legal. Por que não se pode reconhecer na simples omissão de rendimentos / receitas, a exemplo de omissão no registro de compras, omissão no registro de vendas, passivo fictício, passivo não comprovado, saldo credor de caixa, suprimento de numerário não comprovado ou créditos bancários cuja origem não foi comprovada tratar-se de rendimentos / receitas já tributadas ou não tributáveis, embora clara a sua tributação, a imposição de multa qualificada? Por uma resposta muito simples. É porque existe a presunção de omissão de rendimentos, por isso, é evidente a tributação, mas não existe a prova da evidente intenção de sonegar ou fraudar. O motivo da falta de tributação é diverso. Pode ter sido, omissão proposital, equívoco, lapso, negligência, desorganização, etc. 49 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 Se a premissa do fisco fosse verdadeira, ou seja, que a simples omissão de receitas ou de rendimentos; a simples declaração inexata de receitas ou rendimentos; a classificação indevida de receitas / rendimentos na Declaração de Ajuste Anual; a falta de inclusão de algum valor / bem / direito na Declaração de Bens ou Direitos ou Direitos, a simples glosa de despesas por falta de comprovação ou a falta de declaração de algum rendimento recebido, através de crédito em conta bancária, pelo contribuinte, daria por si só, margem para a aplicação da multa qualificada, não haveria a hipótese de aplicação da multa de ofício normal, ou seja, deveria ser aplicada a multa qualificada em todas as infrações tributárias, a exemplo de: passivo fictício, saldo credor de caixa, declaração inexata, falta de contabilização de receitas, omissão de rendimentos relativo ganho de capital, acréscimo patrimonial a descoberto, rendimento recebido e não declarado e glosa de despesas, etc. Já ficou decidido por este Primeiro Conselho de Contribuintes que a multa qualificada somente será passível de aplicação quando se revelar o evidente intuito de fraudar o fisco, devendo ainda, neste caso, ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos, conforme se constata nos julgados abaixo: Acórdão n°. 104-18.698, de 17 de abril de 2002: "MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO QUALIFICADA - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA - Justifica-se a exigência da multa qualificada prevista no artigo 4°, inciso II, da Lei n° 8.218, de 1991, reduzida na forma prevista no art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, pois o contribuinte, foi devidamente intimado a declinar se possuía conta bancária no exterior, em diversas ocasiões, faltou com a verdade, demonstrando intuito doloso no sentido de impedir, ou no mínimo retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador decorrente da percepção dos valores recebidos e que transitaram nesta conta bancária não declarada." Acórdão n°. 104-18.640, de 19 de março de 2002: 50 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 "MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO QUALIFICADA - FRAUDE - JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA - Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de oficio de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa de 150% seja aplicada, exige-se que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 1964. A falta de inclusão, como rendimentos tributáveis, na Declaração de Imposto de Renda, de valores que transitaram a crédito em conta corrente bancária pertencente ao contribuinte, caracteriza falta simples de omissão de rendimentos, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do art. 992, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 1994." Acórdão n°. 104-19.055, de 05 de novembro de 2002: "MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO QUALIFICADA - JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de oficio de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa de 150% seja aplicada, exige-se que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 1964. A falta de esclarecimentos, bem como o vulto dos valores omitido pelo contribuinte, apurados através de fluxo financeiro, caracteriza falta simples de presunção de omissão de rendimentos, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do art. 992, inciso II do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 1994." Acórdão n°. 102-45-584, de 09 de julho de 2002: "MULTA AGRAVADA - INFRAÇÃO QUALIFICADA - APLICABILIDADE - A constatação nos autos de que o sujeito passivo da obrigação tributária utilizou-se de documentação inidônea a fim de promover pagamentos a beneficiários não identificados, e considerando que estes pagamentos não transitaram pelas contas de resultado econômico da empresa, vez que, seus valores foram levados e registrados em contrapartida com contas do Ativo Permanente, não caracteriza o tipo penal previsto nos arts. 71 a 73 da lei n° 4.503/64, sendo inaplicável à espécie a multa qualificada de que trata o artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430 de 27 de dezembro de 1996." 51 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 Acórdão n°. 101-93.919, de 22 de agosto de 2002: "MULTA AGRAVADA - CUSTOS FICTÍCIOS - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - Restando comprovado que a pessoa jurídica utilizou-se de meios inidôneos para majorar seus custos, do que resultou indevida redução do lucro sujeito à tributação, aplicável é a penalidade exasperada por caracterizado o evidente intuito de fraude." Acórdão n°. 104-19.454, de 13 de agosto de 2003: "MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO QUALIFICADA - JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de oficio de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa de 150% seja aplicada, exige-se que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 1964. A dedução indevida de despesa médica/instrução, rendimento recebido de pessoa jurídica não declarados, bem como a falta de inclusão na Declaração de Ajuste Anual, como rendimentos, os valores que transitaram a crédito (depósitos) em conta corrente pertencente ao contribuinte, cuja origem não comprove caracteriza, a princípio, falta simples de redução indevida de imposto de renda e omissão de rendimentos, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do art. 992, inciso II do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 1994, já que a fiscalização não demonstrou, nos autos, que a ação do contribuinte teve o propósito deliberado de impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, utilizando-se de recursos que caracterizam evidente intuito de fraude." Acórdão n°. 104-19.534, de 10 de setembro de 2003: "DOCUMENTOS FISCAIS INIDÔNEOS - MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA - LANÇAMENTO POR DECORRÊNCIA - SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS - No lançamento por decorrência, cabe aos sócios da autuada demonstrar que os custos e/ou despesas foram efetivamente suportadas pela sociedade civil, mediante prova de recebimento dos bens a que as referidas notas fiscais aludem. A utilização de documentos ideologicamente falsos -" notas fiscais frias "-, para 52 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 comprovar custos e/ou despesas, constitui evidente intuito de fraude e justifica a aplicação da multa qualificada de 150%, conforme previsto no art. 728, inc. III, do RIR/80, aprovado pelo Decreto n°. 85.450, de 1980." Acórdão n.°. 104-19.386, de 11 de junho de 2003: "MOVIMENTAÇÃO DE CONTAS BANCÁRIAS EM NOME DE TERCEIROS E/OU EM NOME FICTÍCIOS - COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE DE EMPRESA DESATIVADA - MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO QUALIFICADA - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA - Cabível a exigência da multa qualificada prevista no artigo 4°, inciso II, da Lei n°. 8.218, de 1991, reduzida na forma prevista no art. 44, II, da Lei n°. 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 1964. A movimentação de contas bancárias em nome de terceiros e/ou em nome fictício, devidamente, comprovado pela autoridade lançadora, circunstância agravada pelo fato de não terem sido declarados na Declaração de Ajuste Anual, como rendimentos tributáveis, os valores que transitaram a crédito nestas contas corrente cuja origem não comprove, somado ao fato de não terem sido declaradas na Declaração de Bens e Direitos, bem como compensação na Declaração de Ajuste Anual de imposto de renda na fonte como retido fosse por empresa desativada e com inscrição bloqueada no fisco estadual, caracterizam evidente intuito de fraude nos termos do art. 992, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 1994 e autoriza a aplicação da multa qualificada. Acórdão n°. 106-12.858, de 23 de agosto de 2002: "MULTA DE OFICIO - DECLARAÇÃO INEXATA - A ausência de comprovação da veracidade dos dados consignados nas declarações de rendimentos entregues, espontaneamente ou depois de iniciado o procedimento de oficio, implica em considerá-las inexatas e, nos termos da legislação tributária vigente, autoriza a aplicação da multa de setenta e cinco por cento nos casos de falta de declaração ou declaração inexata, calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo." Acórdão n°. 101-93.251, de 08 de novembro de 2000: 53 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 "MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. AGRAVAMENTO. Comprovado o evidente intuito de fraude, a penalidade aplicável é aquela prevista no artigo 44, II, da Lei n°. 9.430, de 1996." É um princípio geral de direito, universalmente conhecido, de que as multas e os agravamentos de penas pecuniárias ou pessoais, devem estar lisamente comprovadas. Trata-se de aplicar uma sanção e, neste caso, o direito faz com cautela, para evitar abusos e arbitrariedades. O evidente intuito de fraude não pode ser presumido. Como também é pacífico, que a circunstância do contribuinte quando omitir em documento, público ou particular, declaração que nele deveria constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que deveria ser escrita, com o fim de prejudicar a verdade sobre o fato juridicamente relevante, constitui hipótese de falsidade ideológica. Para um melhor deslinde da questão, impõe-se invocar o conceito de fraude fiscal, que se encontra na lei. Em primeiro lugar, recorde-se o que determina o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n°. 3.000, de 1999, nestes termos: "Art. 957 - Serão aplicadas as seguintes multas sobre a totalidade ou diferença do imposto devido, nos casos de lançamento de ofício (Lei n°. 8.218/91, art. 4°) (...) II - de trezentos por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis." A Lei n°. 4.502, de 1964, estabelece o seguinte: "Art. 71 - Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: 54 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, na sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal, na sua natureza ou circunstância materiais. Art. 72 - Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73 - Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72." Como se vê, a fraude se caracteriza em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à Fazenda Pública, num propósito deliberado de se subtrair no todo ou em parte a uma obrigação tributária. Nesses casos, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano à fazenda pública, onde se utilizando de subterfúgios se esconde a ocorrência do fato gerador ou retardam o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária. Nos casos de realização das hipóteses de fato de conluio, fraude e sonegação, uma vez comprovadas estas e por decorrência da natureza característica desses tipos, o legislador tributário entendeu presente o "intuito de fraude". Em outras palavras, a fraude é um artificio malicioso que a pessoa emprega com a intenção de burlar, enganar outra pessoa ou lesar os cofres públicos, na obtenção de benefícios ou vantagens que não lhe são devidos. A falsidade ideológica consiste na omissão, em documento público ou particular, de declaração que dele deveria constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração 55 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.00258312005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 falsa ou diversa da que deveria ser escrita, com o fim de criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante. Juridicamente, entende-se por má-fé todo o ato praticado com o conhecimento da maldade ou do mal que nele se contém. É a certeza do engano, do vício, da fraude. O dolo implica conteúdo criminoso, ou seja, a intenção criminosa de fazer o mal, de prejudicar, de obter o fim por meios escusos. Para caracterizar dolo, o ato deve conter quatro requisitos essenciais: (a) o ânimo de prejudicar ou fraudar; (b) que a manobra ou artifício tenha sido a causa da feitura do ato ou do consentimento da parte prejudicada (c) uma relação de causa e efeito entre o artifício empregado e o benefício por ele conseguido; e (d) a participação intencional de uma das partes no dolo. Como se vê, exige-se, portanto, que haja o propósito deliberado de modificar a característica essencial do fato gerador do imposto, quer pela alteração do valor da matéria tributável, quer pela exclusão ou modificação das características essenciais do fato gerador, com a finalidade de se reduzir o imposto devido ou evitar ou diferir seu pagamento. Inaplicável nos casos de presunção simples de omissão de rendimentos 1 receitas ou mesmo quando se tratar de omissão de rendimentos 1 receitas de fato. No caso de realização da hipótese de fraude, o legislador tributário entendeu presente, ipso facto, o "intuito de fraude". E nem poderia ser diferente, já que por mais abrangente que seja a descrição da hipótese de incidência das figuras tipicamente penais, o elemento de culpabilidade, dolo, sendo-lhes inerente, desautoriza a consideração automática do intuito de fraudar. O intuito de fraudar referido não é todo e qualquer intuito, tão somente por ser intuito, e mesmo intuito de fraudar, mas há que ser intuito de fraudar que seja evidente. 56 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.00258312005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 O ordenamento jurídico positivo dotou o direito tributário das regras necessárias à avaliação dos fatos envolvidos, peculiaridades, circunstâncias essenciais, autoria e graduação das penas, imprescindindo o intérprete, julgador e aplicador da lei, do concurso e/ou dependência do que ficar ou tiver que ser decidido em outra esfera. Do que veio até então exposto necessário se faz ressaltar, como aspecto distintivo fundamental, em primeiro plano o conceito de evidente, como qualificativo do "intuito de fraudar", para justificar a aplicação da multa de lançamento de oficio qualificada. Até porque, faltando qualquer deles, não se realiza na prática, a hipótese de incidência de que se trata. Segundo o Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, tem-se que: "EVIDENTE. <Do lat. Evidente> Adj. - Que não oferece dúvida; que se compreende prontamente, dispensando demonstração; claro, manifesto, patente. EVIDENCIAR - V.t.d 1. Tornar evidente; mostrar com clareza; Conseguiu com poucas palavras evidenciar o seu ponto de vista. P. 2. Aparecer com evidência; mostrar-se, patentear-se." De Plácido e Silva, no seu Vocabulário Jurídico, trazendo esse conceito mais para o âmbito do direito, esclarece: "EVIDENTE. Do latim evidens ,claro, patente, é vocábulo que designa, na terminologia jurídica, tudo que está demonstrado, que está provado, ou o que é convincente, pelo que se entende digno de crédito ou merecedor de fé." Exige-se, portanto, que haja o propósito deliberado de modificar a característica do fato gerador do imposto, quer pela alteração do valor da matéria tributável, quer pela exclusão ou modificação das características essenciais do fato gerador, com a finalidade de se reduzir o imposto devido ou evitar ou diferir seu pagamento. 57 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 Quando a lei se reporta à evidente intuito de fraude é óbvio que a palavra intuito não está em lugar de pensamento, pois ninguém conseguirá penetrar no pensamento de seu semelhante. A palavra intuito, pelo contrário, supõe a intenção manifestada exteriormente, já que pelas ações se pode chegar ao pensamento de alguém. Há certas ações que, por si só, já denotam ter o seu autor pretendido proceder, desta ou daquela forma, para alcançar, tal ou qual, finalidade. Intuito é, pois, sinônimo de intenção, isto é, aquilo que se deseja, aquilo que se tem em vista ao agir. O evidente intuito de fraude floresce nos casos típicos de adulteração de comprovantes, adulteração de notas fiscais, conta bancária em nome fictício, falsidade ideológica, notas calçadas, notas frias, notas paralelas, etc., conforme se observa na jurisprudência abaixo: Acórdão n°. 104-19.621, de 04 de novembro de 2003: "COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTOS ATRAVÉS DA EMISSÃO DE RECIBOS RELATIVO A OBRIGAÇÕES JÁ CUMPRIDAS EM ANOS ANTERIORES - MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO QUALIFICADA - CARACTERIZAÇÃO DE EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA - Cabível a exigência da multa qualificada prevista no artigo 4°, inciso II, da Lei n°. 8.218, de 1991, reduzida na forma prevista no art. 44, II, da Lei n°. 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 1964. Caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do artigo 992, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 1994, autorizando a aplicação da multa qualificada, a prática reiterada de omitir na escrituração contábil o real destinatário e/ou causa dos pagamentos efetuados, como forma de ocultar a ocorrência do fato gerador e subtrair-se à obrigação de comprovar o recolhimento do imposto de renda na fonte na efetivação dos pagamentos realizados. Sendo que para justificar tais pagamentos o contribuinte apresentou recibos relativos à operação de compra de imóveis, cuja obrigação já fora cumprida em anos anteriores pelos verdadeiros obrigados: Acórdão n°. 103-12.178, de 17 de março de 1993: 58 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.00258312005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 "CONTA BANCÁRIA FICTÍCIA - Apurado que os valores ingressados na empresa sem a devida contabilização foram depositados em conta bancária fictícia aberta em nome de pessoa física não encontrada e com movimentação pelas representantes da pessoa jurídica, está caracterizada a omissão de receita, incidindo sobre o imposto apurado a multa majorada de 150% de que trata o art. 728, III, do RIR/80." Acórdão n°. 101-92.613, de 16 de fevereiro de 2000: "DOCUMENTOS EMITIDOS POR EMPRESAS INEXISTENTES OU BAIXADAS - Os valores apropriados como custos ou despesas, calcados em documentos fiscais emitidos por empresas inexistentes, baixadas, sem prova efetiva de seu pagamento, do ingresso das mercadorias no estabelecimento da adquirente ou seu emprego em obras, estão sujeitos à glosa, sendo legítima a aplicação da penalidade agravada quando restar provado o evidente intuito de fraude." Acórdão n°. 104-14.960, de 17 de junho de 1998: "DOCUMENTOS FISCAIS A TITULO GRACIOSO - Cabe à autuada demonstrar que os custos/despesas foram efetivamente suportados, mediante prova de recebimento dos bens e/ou serviços a que as referidas notas fiscais aludem. A utilização de documentos fornecidos a título gracioso, ideologicamente falsos, eis que os serviços não foram prestados, para comprovar custos/despesas, constitui fraude e justifica a aplicação de multa qualificada de 150%, prevista no artigo 728, III, do RIR/80." Acórdão n°. 103-07.115, de 1985: "NOTAS CALÇADAS - FALSIDADE MATERIAL OU IDEOLÓGICA - A nota fiscal calçada é um dos mais gritantes casos de falsidade documental, denunciando, por si só, o objetivo de eliminar ou reduzir o montante do imposto devido. Aplicável a multa prevista neste dispositivo." Acórdão n°. 104-17.256, de 12 de julho de 2000: 59 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.00258312005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 "MULTA AGRAVADA - CONTA FRIA - O uso da chamada "conta fria", com o propósito de ocultar operações tributáveis, caracteriza o conceito de evidente intuito de fraude e justifica a penalidade exacerbada." É de se ressaltar, que não basta que atividade seja ilícita para se aplicar à multa qualificada, deve haver o evidente intuito de fraude, já que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Assim, entendo que, no caso dos autos, não se percebe a prática de ato doloso para a configuração do ilícito penal. A informação, de que o suplicante deixou de lançar rendimentos em valores expressivos e com habitualidade, para mim caracteriza motivo de lançamento de multa simples sem qualificação. Para concluir é de se reforçar, mais uma vez, que a simples glosa de despesas ou a simples omissão de rendimentos não dá causa para a qualificação da multa. A infração a dispositivo de lei, mesmo que resulte diminuição de pagamento de tributo, não autoriza presumir intuito de fraude. A inobservância da legislação tributária tem que estar acompanhada de prova que o sujeito empenhou-se em induzir a autoridade administrativa em erro quer por forjar documentos quer por ter feito parte em conluio, para que fique caracterizada a conduta fraudulenta. Desta forma, só posso concluir pela inaplicabilidade da multa de lançamento de oficio qualificada, devendo a mesma ser reduzida para aplicação de muita de oficio normal de 75%. Diante da desqualificação da multa de lançamento de ofício, só posso concordar que ocorreu a decadência, relativo ao ano-calendário de 1999, baseado na 60 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 jurisprudência, deste Conselho de Contribuintes, que firmou entendimento no sentido de que a modalidade de lançamento a que se sujeita o imposto sobre a renda de pessoas físicas é a do lançamento por homologação, cujo fato gerador se completa no encerramento do ano- calendário e em assim sendo, o imposto lançado relativo ao exercício de 2000, já se encontrava alcançado pelo prazo decadencial na data da ciência do auto de infração (031051105), de acordo com a regra contida no artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. Como se sabe, a decadência é na verdade a falência do direito de ação para proteger-se de uma lesão suportada; ou seja, ocorrida uma lesão de direito, o lesionado passa a ter interesse processual, no sentido de propor ação, para fazer valer seu direito. No entanto, na expectativa de dar alguma estabilidade às relações, a lei determina que o lesionado dispõe de um prazo para buscar a tutela jurisdicional de seu direito. Esgotado o prazo, o Poder Público não mais estará à disposição do lesionado para promover a reparação de seu direito. A decadência significa, pois, uma reação do ordenamento jurídico contra a inércia do credor lesionado. Inércia que consiste em não tomar atitude que lhe incumbe para reparar a lesão sofrida. Tal inércia, dia a dia, corrói o direito de ação, até que ele se perca - é a fluência do prazo decadencial. Deve ser esclarecido, que os fatos geradores das obrigações tributárias são classificados como instantâneos ou completivos. O fato gerador instantâneo, como o próprio nome revela, dá nascimento à obrigação tributária pela ocorrência de um acontecimento, sendo este suficiente por si só (imposto de renda na fonte). Em contraposição, os fatos geradores completivos são aqueles que se completam após o transcurso de um determinado período de tempo e abrangem um conjunto de fatos e circunstâncias que, isoladamente considerados, são destituídos de capacidade para gerar a obrigação tributária exigível. Este conjunto de fatos se corporifica, depois de determinado lapso temporal, em um fato imponível. Exemplo clássico de tributo que se enquadra nesta classificação de fato gerador completivo é o imposto de renda da pessoa física, apurado no ajuste anual. 61 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.00258312005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 Aliás, a despeito da inovação introduzida pelo artigo 2°. da Lei n°. 7.713, de 1988, pelo qual estipulou-se que "o imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, a medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem recebidos", há que se ressaltar a relevância dos arts. 24 e 29 deste mesmo diploma legal e dos arts. 12 e 13 da Lei n°. 8.383, de 1991 mantiveram o regime de tributação anual (fato gerador complexivo) para as pessoas físicas. Não há dúvidas, que a base de cálculo da declaração de rendimentos abrange todos os rendimentos tributáveis recebidos durante o ano-calendário diminuído das deduções pleiteadas. Não é sem razão que o § 2° do art. 2° do decreto n°. 3.000, de 1999 - RIR199, cuja base legal é o art. 2° da lei n°. 8.134, de 1990, dispõe que: "O imposto será devido mensalmente à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no art. 85". O ajuste de que trata o artigo 85 do RIR199 refere-se à apuração anual do imposto de renda, da declaração de ajuste anual, relativamente aos rendimentos percebidos no ano-calendário. É de se observar, ainda, que para as infrações relativas à omissão de rendimentos, tem-se que, embora as quantias sejam recebidas mensalmente, o valor apurado será acrescido aos rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual, submetendo-se à aplicação das alíquotas constantes da tabela progressiva anual. Portanto, no presente caso, não há que se falar de fato gerador mensal, haja vista que somente no dia 31/12 de cada ano se completa o fato gerador complexivo objeto da autuação em questão. Em relação ao cômputo mensal do prazo decadencial, como dito anteriormente, é de se observar que a Lei n°. 7.713, de 1988, instituiu, com relação ao imposto de renda das pessoas físicas, a tributação mensal à medida que os rendimentos forem auferidos. Contudo, embora devido mensalmente, quando o sujeito passivo deve apurar e recolher o imposto de renda, o seu fato gerador continuou sendo anual. Durante o 62 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.00258312005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 decorrer do ano-calendário o contribuinte antecipa, mediante a retenção na fonte ou por meio de pagamentos espontâneos e obrigatórios, o imposto que será apurado em definitivo quando da apresentação da Declaração de Ajuste Anual, nos termos, especialmente, dos artigos 90 e 11 da Lei n°. 8.134, de 1990. É nessa oportunidade que o fato gerador do imposto de renda estará concluído. Por ser do tipo complexivo, segundo a classificação doutrinária, o fato gerador do imposto de renda surge completo no último dia do exercício social. Só então o contribuinte pode realizar os devidos ajustes de sua situação de sujeito passivo, considerando os rendimentos auferidos, as despesas realizadas, as deduções legais por dependentes e outras, as antecipações feitas e, assim, realizar a Declaração de Imposto de Renda a ser submetida à homologação do Fisco. Ora, a base de cálculo da declaração de rendimentos abrange todos os rendimentos tributáveis recebidos durante o ano-calendário. Desta forma, o fato gerador do imposto apurado relativamente aos rendimentos sujeitos ao ajuste anual se perfaz em 31 de dezembro de cada ano. Nesse contexto, deve-se atentar com relação ao caso em concreto que, embora a autoridade lançadora tenha discriminado o mês do fato gerador, o que se considerou para efeito de tributação foi o total de rendimentos percebidos pelo interessado no ano-calendário em questão sujeitos à tributação anual, conforme legislação vigente. Desta forma, após a análise dos autos, tenho para mim, que na data da lavratura do Auto de Infração, não estava extinto o direito da Fazenda Pública de constituir crédito tributário relativo ao exercício de 2000, ano-calendário de 1999, já que acompanho a corrente que entende que o lançamento na pessoa física se dá por homologação, cujo marco inicial da contagem do prazo decadencial é 31 de dezembro do ano-calendário em que ocorreu o fato gerador do imposto de renda questionado, ou seja, o fisco teria prazo legal até 31/12/04, para formalizar o crédito tributário discutido neste exercício. 63 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.00258312005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 Como é sabido, o lançamento é o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, identificar o seu sujeito passivo, determinar a matéria tributável e calcular ou por outra forma definir o montante do crédito tributário, aplicando, se for o caso, a penalidade cabível. Com o lançamento constitui-se o crédito tributário, de modo que antes do lançamento, tendo ocorrido o fato imponivel, ou seja, aquela circunstância descrita na lei como hipótese em que há incidência de tributo, verifica-se, tão somente, obrigação tributária, que não deixa de caracterizar relação jurídica tributária. É sabido, que são utilizados, na cobrança de impostos e/ou contribuições, tanto o lançamento por declaração quanto o lançamento por homologação. Aplica-se o lançamento por declaração (artigo 147 do Código Tributário Nacional) quando há participação da administração tributária com base em informações prestadas pelo sujeito passivo, ou quando, tendo havido recolhimentos antecipados, é apresentada a declaração respectiva, para o juste final do tributo efetivamente devido, cobrando-se as insuficiências ou apurando-se os excessos, com posterior restituição. Por outro lado, nos precisos termos do artigo 150 do CTN, ocorre o lançamento por homologação quando a legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, a qual, tomando conhecimento da atividade assim exercida, expressamente a homologa. lnexistindo essa homologação expressa, ocorrerá ela no prazo de 05(cinco) anos, a contar do fato gerador do tributo. Com outras palavras, no lançamento por homologação, o contribuinte apura o montante e efetua o recolhimento do tributo de forma definitiva, independentemente de ajustes posteriores. Neste ponto está a distinção fundamental entre uma sistemática e outra, ou seja, para se saber o regime de lançamento de um tributo, basta compulsar a sua legislação e verificar quando nasce o dever de cumprimento da obrigação tributária pelo sujeito 64 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 passivo: se dependente de atividade da administração tributária, com base em informações prestadas pelos sujeitos passivos (lançamento por declaração), hipótese em que, antes de notificado do lançamento, nade deve o sujeito passivo; se, independente do pronunciamento da administração tributária, deve o sujeito passivo ir calculando e pagando o tributo, na forma estipulada pela legislação, sem exame do sujeito ativo - lançamento por homologação, que, a rigor técnico, não é lançamento, porquanto quando se homologa nada se constitui, pelo contrário, declara-se à existência de um crédito que já está extinto pelo pagamento. Por decadência entende-se a perda do direito de o fisco constituir o crédito tributário, pelo lançamento. Neste aspecto a legislação de regência diz o seguinte: Lei n°. 5.172, de 25 de outubro de 1966- Código Tributário Nacional: "Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa nos seguintes casos: VII - quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em beneficio daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. 65 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 4°. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Depreende-se, desse texto, que o prazo decadencial é único, ou seja, de cinco anos e o tempo final é um só, o da data da notificação regular do lançamento, porém, o termo inicial, ou seja, a data a partir da qual flui a decadência é variável, como se observa abaixo: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, item I); II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal o lançamento anteriormente efetuado (CTN, art. 173, item II); III - da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento (CTN, art. 173, parágrafo único); 66 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 IV - da data da ocorrência do fato gerador, nos tributos cujo lançamento normalmente é por homologação (CTN, art. 150, § 4°); V - da data em que o fato se tornou acessível para o fisco, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando o lançamento normal do tributo é por homologação (CTN, art. 149, inciso VII e art. 150, § 4°). Pela regra geral (art. 173, I), o termo inicial do lustro decadencial é o 1° dia do exercício seguinte ao exercício em que o lançamento poderia ter sido efetuado (contribuinte omisso na entrega da declaração de rendimentos). O parágrafo único do artigo 173 do CTN altera o termo inicial do prazo para a data em que o sujeito passivo seja notificado de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. É claro que esse parágrafo só tem aplicação quando a notificação da medida preparatória é efetivada dentro do 1° exercício em que a autoridade poderia lançar. Já pelo inciso II do citado artigo 173 se cria uma outra regra, segundo a qual o prazo decadencial começa a contar-se da data da decisão que anula o lançamento anterior, por vício de forma. Assim, em sintese, temos que o lançamento só pode ser efetuado dentro de cinco anos, contados de 10 de janeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, a menos que nesse dia o prazo já esteja fluindo pela notificação de medida preparatória, ou o lançamento tenha sido, ou venha a ser, anulado por vício formal, hipótese em que o prazo fluirá a partir da data de decisão. Se tratar de revisão de lançamento, ela há de se dar dentro do mesmo qüinqüênio, por força da norma inscrita no parágrafo único do artigo 149. 67 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 É inconteste que o Código Tributário Nacional e a lei ordinária asseguram à Fazenda Nacional o prazo de cinco (cinco) anos para constituir o crédito tributário. Como se vê a decadência do direito de lançar se dá, pois, com o transcurso do prazo de cinco anos contados do termo inicial que o caso concreto recomendar. Há tributos e contribuições cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de efetuar o pagamento antes que a autoridade o lance. O pagamento se diz, então, antecipado e a autoridade o homologará expressamente ou tacitamente, pelo decurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador. Assim, sendo exceção o recolhimento antecipado, fixou o CTN, também, regra excepcional de tempo para a prática dos atos da administração tributária, onde os mesmos cinco anos, da regra geral (art. 173 do CTN), já não mais dependem de uma carência inicial para o início da contagem, uma vez que não se exige a prática de atos administrativos prévios. Ocorrido o fato gerador, já nasce para o sujeito passivo à obrigação de apurar e liquidar o tributo, sem qualquer participação do sujeito ativo que, de outra parte, já tem o direito de investigar a regularidade dos procedimentos adotados pelo sujeito passivo a cada fato gerador, independente de qualquer informação ser-lhe prestada. Ora, próprio CTN fixou períodos de tempo diferenciados para atividade da administração tributária. Se a regra era o lançamento por declaração, que pressupunha atividade prévia do sujeito ativo, determinou o art. 173 do CTN, que o prazo qüinqüenal teria início a partir "do dia primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado", imaginando um tempo hábil para que as informações pudessem ser compulsadas e, com base nelas, preparando o lançamento. Essa é a regra básica da decadência. De outra parte, sendo exceção o recolhimento antecipado, fixou o CTN, também, regra excepcional de tempo para a prática dos atos da administração tributária, 68 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 onde os mesmos cinco anos já não mais dependem de uma carência para o inicio da contagem, uma vez que não se exige a prática de atos administrativos prévios. Ocorrido o fato gerador, já nasce para o sujeito passivo à obrigação de apurar e liquidar o crédito tributário, sem qualquer participação do sujeito ativo que, de outra parte, já tem o direito de investigar a regularidade dos procedimentos adotados pelo sujeito passivo a cada fato gerador, independente de qualquer informação ser-lhe prestada. É o que está expresso no § 4°, do artigo 150, do CTN. Nesta ordem, refuto, também, o argumento daqueles que entendem que só pode haver homologação se houver pagamento e, por conseqüência, como o lançamento efetuado pelo fisco decorre da falta de recolhimento de imposto de renda, o procedimento fiscal não mais estaria no campo da homologação, deslocando-se para a modalidade de lançamento de ofício, sempre sujeito à regra geral de decadência do art. 173 do CTN. É fantasioso. Em primeiro lugar, porque não é isto que está escrito no caput do art. 150 do CTN, cujo comando não pode ser sepultado na vala da conveniência interpretativa, porque, queiram ou não, o citado artigo define com todas as letras que "o lançamento por homologação (...) opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa". O que é passível de ser ou não homologada é a atividade exercida pelo sujeito passivo, em todos os seus contornos legais, dos quais sobressaem os efeitos tributários. Limitar a atividade de homologação exclusivamente à quantia paga significa reduzir a atividade da administração tributária a um nada, ou a um procedimento de obviedade absoluta, visto que toda quantia ingressada deveria ser homologada e, a contrário sensu, não homologando o que não está pago. Em segundo lugar, mesmo que assim não fosse, é certo que a avaliação da suficiência de uma quantia recolhida implica, inexoravelmente, no exame de todos os fatos sujeitos à tributação, ou seja, o procedimento da autoridade administrativa tendente à 69 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.00258312005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 homologação fica condicionado ao "conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, na linguagem do próprio CTN". Faz-se necessário lembrar que a homologação do conjunto de atos praticados pelo sujeito passivo não é atividade estranha à fiscalização federal. Ora, quando o sujeito passivo apresenta declaração com prejuízo fiscal num exercício e a fiscalização reconhece esse resultado para reduzir matéria a ser lançada em período subseqüente, ou no mesmo período-base, ou na área do IPI, com a apuração de saldo credor num determinado período de apuração, o que traduz inexistência de obrigação a cargo do sujeito passivo. Ao admitir tanto a redução na matéria lançada como a compensação de saldos em períodos subseqüentes, estará a fiscalização homologando aquele resultado, mesmo sem pagamento. Assim, não tenho dúvidas de que a base de cálculo da declaração de rendimentos de pessoa física abrange todos os rendimentos tributáveis, não tributáveis e tributados exclusivamente na fonte recebidos durante o ano-calendário. Desta forma, o fato gerador do imposto apurado relativamente aos rendimentos sujeitos ao ajuste anual se perfaz em 31 de dezembro de cada ano. O tributo oriundo de imposto de renda pessoa física, a partir do ano- calendário de 1990, se encaixa na regra do art. 150 do CTN, onde a própria legislação aplicável (Lei n°. 8.134/90) atribui aos contribuintes o dever, quando for o caso, da declaração anual, onde os recolhimentos mensais do imposto constituem meras antecipações por conta da obrigação tributária definitiva, que ocorre no dia 31 de dezembro do ano-base, quando se completa o suporte fático da incidência tributária. É da essência do instituto da decadência a existência de um direito não exercitado pela inércia do titular desse direito, num período de tempo determinado, cuja conseqüência é a extinção desse direito. 70 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 Em assim sendo, não estava correto, na data da lavratura do auto de infração, a Fazenda Nacional constituir crédito tributário com base em imposto de renda pessoa física, relativo ao ano-calendário de 1999. O prazo qüinqüenal para que o fisco promovesse o lançamento tributário relativo aos fatos geradores ocorridos em 1999, começou, então, a fluir em 31/12/99, exaurindo-se em 31/12/04, tendo tomado ciência do lançamento, em 06/08/05, conforme consta às fls. 1248, já estava, na data da ciência do Auto de Infração, decaído o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo a este exercício. Assim, é de se acolher a preliminar de decadência relativo ao exercício de 2000, correspondente ao ano-calendário de 1999. Quanto à omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários o recorrente alega, em síntese, a falta de previsão legal para embasar lançamentos tendo por base tributável depósitos bancários, já que no seu entender a movimentação financeira, objeto da análise da autoridade fiscal tem origem na utilização por parte de terceiros de suas contas bancárias, bem como entende que a movimentação financeira somente pode ser utilizada para o cômputo da base de cálculo do IR quando aliada a sinais exteriores de riqueza, e no caso em questão, pela inexistência de indícios de acréscimo patrimonial, o fisco não poderia ter utilizado a movimentação financeira como meio de arbitramento do imposto, por total inexistência do respectivo fato imponível. Ora, ao contrário do pretendido pela defesa, o legislador federal pela redação do inciso XXI, do artigo 88, da Lei n°. 9.430, de 1996, excluiu expressamente da ordem jurídica o § 5° do artigo 6°, da Lei n°. 8.021, de 1990, até porque o artigo 42 da Lei n°. 9.430, de 1996, não deu nova redação ao referido parágrafo, bem como soterrou de vez o malfadado artigo 9°. do Decreto-lei n°. 2.471, de 1988. Desta forma, a partir dos fatos geradores de 01/01/97, quando se tratar de lançamentos tendo por base valores constantes 71 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.00258312005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 em extratos bancários, não há como se falar em Lei n°. 8.021, de 1990, ou Decreto-lei n°. 2.471, de 1988, já que os mesmos não produzem mais seus efeitos legais. É notório, que no passado os lançamentos de crédito tributário baseado exclusivamente em cheques emitidos, depósitos bancários e/ou de extratos bancários, sempre tiveram sérias restrições, seja na esfera administrativa, seja no judiciário. Para por um fim nestas discussões o legislador introduziu o artigo 42 da Lei n°. 9.430, de 1996, caracterizando como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantido junto à instituição financeira, em relação as quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, estipulando limites de valores para a sua aplicação, ou seja, estipulou que não devem ser considerados créditos de valor individual igual ou inferior a doze mil reais, desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de oitenta mil reais. Apesar das restrições, no passado, com relação aos lançamentos de crédito tributário baseado exclusivamente em depósitos bancários (extratos bancários), como já exposto no item inicial deste voto, não posso deixar de concordar com a decisão singular, que a partir do ano de 1997, com o advento da Lei n. 9.430, de 1996, existe o permissivo legal para tributação de depósitos bancários não justificados como se "omissão de rendimentos" fossem. Como se vê, a lei instituiu uma presunção legal de omissão de rendimentos. É conclusivo, que a razão está com a decisão de Primeira Instância, já que no nosso sistema tributário tem o principio da legalidade como elemento fundamental para que flore o fato gerador de uma obrigação tributária, ou seja, ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Seria por demais mencionar, que a Lei Complementar não pode ser conflitada ou contraditada por legislação ordinária. E que, ante o princípio da reserva legal /-1-7 72 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 (CTN, art. 97), e o pressuposto da estrita legalidade, ínsito em qualquer processo de determinação e exigência de crédito tributário em favor da Fazenda Nacional, insustentável o procedimento administrativo que, ao arrepio do objetivo, finalidade e alcance de dispositivo legal, imponha ou venha impor exação. Assim, o fornecimento e manutenção da segurança jurídica pelo Estado de Direito no campo dos tributos assume posição fundamental, razão pela qual o princípio da Legalidade se configura como uma reserva absoluta de lei, de modo que para efeitos de criação ou majoração de tributo é indispensável que a lei tributária exista e encerre todos os elementos da obrigação tributária. À Administração Tributária está reservado pela lei o direito de questionar a matéria, mediante processo regular, mas sem sobra de dúvida deve se atrelar à lei existente. Com efeito, a convergência do fato imponivel à hipótese de incidência descrita em lei deve ser analisada à luz dos princípios da legalidade e da tipicidade cerrada, que demandam interpretação estrita. Da combinação de ambos os princípios, resulta que os fatos erigidos, em tese, como suporte de obrigações tributárias, somente, se irradiam sobre as situações concretas ocorridas no universo dos fenômenos, quando vierem descritos em lei e corresponderem estritamente a esta descrição. Como a obrigação tributária é uma obrigação ex lege, e como não há lugar para atividade discricionária ou arbitrária da administração que está vinculada à lei, deve-se sempre procurar a verdade real à cerca da imputação, desde que a obrigação tributária esteja prevista em lei. Não basta a probalidade da existência de um fato para dizer-se haver ou não haver obrigação tributária. 73 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 Neste aspecto, apesar das intermináveis discussões, não pode prosperar os argumentos do recorrente, já que o ônus da prova em contrário é da defesa, sendo a legislação de regência cristalina, conforme o transcrito abaixo: Lei n°. 9.430, de 27 de dezembro de 1996: "Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1° O valor das receitas ou rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II - no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4° Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira?. 74 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 Lei n°. 9.481, de 13 de agosto de 1997: "Art. 4°. Os valores a que se refere o inciso II do § 3°. do art. 42 da Lei n°. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a ser R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente." Lei n°. 10.637, de 30 de dezembro de 2002: "Art. 58. O art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar acrescido dos seguintes §§ 5° e 6°: "Art. 42. (...). § 5° Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem à terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6° Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares."." Instrução Normativa SRF n°. 246, 20 de novembro de 2002: Dispõe sobre a tributação dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira em relação aos quais o contribuinte pessoa física, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos. Art. 1° Considera-se omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, cuja origem dos recursos o contribuinte, regularmente intimado, não comprove mediante documentação hábil e idônea. § 1° Quando comprovado que os valores creditados em conta de depósito ou de investimento pertencem à terceiro, evidenciando interposição de 75 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 pessoa, a determinação dos rendimentos é efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 2° Caracterizada a omissão de rendimentos decorrente de créditos em conta de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos dos titulares tenha sido apresentada em separado, o valor dos rendimentos é imputado a cada titular mediante divisão do total dos rendimentos pela quantidade de titulares. Art. 2° Os rendimentos omitidos serão considerados recebidos no mês em que for efetuado o crédito pela instituição financeira. Art. 3° Para efeito de determinação dos rendimentos omitidos, os créditos serão analisados individualizadamente. § 1° Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o somatório desses créditos não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), dentro do ano- calendário. § 2° Os créditos decorrentes de transferência entre contas de mesmo titular não serão considerados para efeito de determinação dos rendimentos omitidos." Da interpretação dos dispositivos legais acima transcritos podemos afirmar que para a determinação da omissão de rendimentos na pessoa física, a fiscalização deverá proceder a uma análise preliminar dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, onde se deve observar os seguintes critérios: I - não serão considerados os créditos em conta de depósito ou investimento decorrentes de transferências de outras contas de titularidade da própria pessoa física sob fiscalização; II - os créditos serão analisados individualizadamente, ou seja, a análise dos créditos deverá ser procedida de forma individual (um por um); 76 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 III - nesta análise não serão considerados os créditos de valor igual ou inferior a doze mil reais, desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de oitenta mil reais (com a exclusão das transferências entre contas do mesmo titular); IV - todos os créditos de valor superior a doze mil reais integrarão a análise individual, exceto os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física fiscalizada; V - no caso de contas em conjunto cuja declaração de rendimentos tenham sido apresentadas em separado, os lançamentos de constituição de créditos tributários efetuados a partir da entrada em vigor da Lei n° 10.637, de 2002, ou seja, a partir 31/12/02, deverão obedecer ao critério de divisão do total da omissão de rendimentos apurada pela quantidade de titulares; VI - quando comprovado que os valores creditados em conta de depósito ou de investimento pertencem à terceiro evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos é efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento; VII - os rendimentos omitidos, de origem não comprovada, serão apurados no mês em que forem recebidos e estarão sujeitos, com multa de ofício, na declaração de ajuste anual, conforme tabela progressiva vigente à época. Pode-se concluir, ainda, que: I - na pessoa jurídica os créditos serão analisados de forma individual, com exclusão apenas dos valores relativos a transferências entre as suas próprias contas bancárias, não sendo aplicável o limite individual de crédito igual ou inferior a doze mil reais e oitenta mil reais no ano-calendário; 77 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 II - caracteriza omissão de receita ou rendimento, desde que obedecidos os critérios acima relacionados, todos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações, desde que regularmente intimada a prestar esclarecimentos e comprovações; III - na pessoa física a única hipótese de anistia de valores é a existência de créditos não comprovados que individualmente não sejam superiores a doze mil reais, limitado ao somatório, dentro do ano-calendário, a oitenta mil reais; IV - na hipótese de créditos que individualmente superem o limite de doze mil reais, sem a devida comprovação da origem, ou seja, sem a comprovação, mediante apresentação de documentação hábil e idônea que estes créditos (recursos) tem origem em rendimentos já tributados, não tributáveis ou que estão sujeitos a normas específicas de tributação, cabe a constituição de crédito tributário como se omissão de rendimentos fossem, desde que regularmente intimado a prestar esclarecimentos e comprovações; V - na hipótese de créditos não comprovados que individualmente não superem o limite de doze mil reais, entretanto, estes créditos superam, dentro do ano- calendário, o limite de oitenta mil reais, todos os créditos sem a devida comprovação da origem, ou seja, sem a comprovação, mediante apresentação de documentação hábil e idônea que estes créditos (recursos) tem origem em rendimentos já tributados, não tributáveis ou que estão sujeitos a normas específicas de tributação, cabe a constituição de crédito tributário como se omissão de rendimentos fossem, desde que regularmente intimado a prestar esclarecimentos e comprovações; VI - os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, 78 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 submeter-se-ão às normas de tributação especifica previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos; VII - para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00, dentro do ano-calendário. Como se vê, nos dispositivos legais retromencionados, o legislador estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos. Não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, tem-se a autorização legal para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que os recursos depositados traduzem rendimentos do contribuinte. É evidente que nestes casos existe a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais o contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é renda tributável. Faz-se necessário mencionar, que a presunção criada pela Lei n°. 9.430, de 1996, é uma presunção relativa passível de prova em contrário, ou seja, está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do contribuinte, em instituições bancárias. A simples prova em contrário, ônus que cabe ao contribuinte, faz desaparecer a presunção de omissão de rendimentos. Por outro lado, a falta de justificação faz nascer à obrigação do contribuinte para com a Fazenda Nacional de pagar o tributo com os devidos acréscimos previstos na legislação de regência, já que a principal obrigação em matéria tributária é o recolhimento do valor correspondente ao tributo na data aprazada. A falta de recolhimento no vencimento acarreta em novas obrigações de juros e multa que se convertem também em obrigação principal. Assim, desde que o procedimento fiscal esteja !astreado nas condições imposta pelo permissivo legal, entendo que seja do recorrente o ónus de provar a origem dos recursos depositados em sua conta corrente, ou seja, de provar que há depósitos, 79 " MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 devidamente especificados, que representam aquisição de disponibilidade financeira não tributável o que já foi tributado. Desta forma, para que se proceda à exclusão da base de cálculo de algum valor considerado, indevidamente, pela fiscalização, se faz necessário que o contribuinte apresente elemento probatório que seja hábil e idôneo. É evidente, que depósitos bancários de origem não comprovada se traduzem em renda presumida, por presunção legal luris tantum". Isto é, ante o fato material constatado, qual seja depósitos/créditos em conta bancária, sobre os quais o contribuinte, devidamente intimado, não apresentou comprovação de origem, a legislação ordinária autoriza a presunção de renda relativamente a tais valores (Lei n° 9.430/96, art. 42). Indiscutivelmente, esta presunção em favor do fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem dos recursos questionados. Pelo exame dos autos se verifica que o recorrente, embora intimado a comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em suas contas bancárias, nada esclareceu de fato, nem ao menos atendeu as intimações. Não há dúvidas, que a Lei n°. 9.430, de 1996, definiu, portanto, que os depósitos bancários, de origem não comprovada, efetuados a partir do ano-calendário de 1997, caracteriza omissão de rendimentos e não meros indícios de omissão, estando, por conseguinte, sujeito à tributação pelo Imposto de Renda nos termos do art. 3°, § 4°, da Lei n°. 7.713, de 1988. Ora, no presente processo, a constituição do crédito tributário decorreu em face de o contribuinte não ter provado com documentação hábil ou idônea a origem dos recursos que dariam respaldo aos referidos depósitos/créditos, dando ensejo à omissão de 80 _ _ _ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.00258312005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 receita ou rendimento (Lei n°. 9.430/1996, art. 42) e, refletindo, conseqüentemente, na lavratura do instrumento de autuação em causa. Ademais, à luz da Lei n°. 9.430, de 1996, cabe ao suplicante, demonstrar o nexo causal entre os depósitos existentes e o benefício que tais créditos tenham lhe trazido, pois somente ele pode discriminar que recursos já foram tributados e quais se derivam de meras transferências entre contas. Em outras palavras, como destacado nas citadas leis, cabe a ele comprovar a origem de tais depósitos bancários de forma tão substancial quanto o é a presunção legal autorizadora do lançamento. Além do mais, é cristalino na legislação de regência (§ 3° do art. 42 da Lei n°. 9.430, de 1996), a necessidade de identificação individualizada dos depósitos, sendo necessário coincidir valor, data e até mesmo depositante, com os respectivos documentos probantes, não podendo ser tratadas de forma genérica e nem por médias. A legislação é bastante clara, quando determina que a pessoa física está obrigada a guardar os documentos das operações ocorridas ao logo do ano-calendário, até que se expire o direito de a Fazenda Nacional realizar ações fiscais relativas ao período, ou seja, até que ocorra a decadência do direito de lançar, significando com isto dizer que o contribuinte tem que ter um mínimo de controle de suas transações, para possíveis futuras solicitações de comprovação, ainda mais em se tratando de depósitos de quantias vultosas. Nos autos ficou evidenciado, através de indícios e provas, que o suplicante recebeu os valores questionados neste auto de infração. Sendo que neste caso está clara a existência de indícios de omissão de rendimentos, situação que se inverte o ônus da prova do fisco para o sujeito passivo. Isto é, ao invés de a Fazenda Pública ter de provar que o recorrente possuía fontes de recursos para receber estes valores ou que os valores são outros, já que a base arbitrada não corresponderia ao valor real recebido, competirá ao suplicante produzir a prova da improcedência da presunção, ou seja, que os valores 81 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.00258312005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 recebidos estão lastreados em documentos hábeis e idóneos, coincidentes em datas e valores. A presunção legal júris tantum inverte o ônus da prova. Neste caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimento (fato jurídico tributário), nos termos do art. 334, IV, do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. Não tenho dúvidas, que o efeito da presunção "juris tantum" é de inversão do ônus da prova. Portanto, cabia ao sujeito passivo, se o quisesse, apresentar provas de origem de tais rendimentos presumidos. Oportunidade que lhe foi proporcionada tanto durante o procedimento administrativo, através de intimação, como na impugnação, quer na fase ora recursal. Nada foi acostado que afastasse a presunção legal autorizada. cristalino a redação da legislação pertinente ao assunto, ou seja, é transparente que o artigo 42 da Lei n°. 9.430, de 1996, definiu que os depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de rendimentos e não meros indícios de omissão, razão pela qual não há que se estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita, ou mesmo restringir a hipótese fática à ocorrência de variação patrimonial ou a indícios de sinais exteriores de riqueza, como previa a Lei n°. 8.021, de 1990. Não tenho dúvidas, que a responsabilidade pela apresentação das provas do alegado compete ao contribuinte que praticou a irregularidade fiscal. Como também é de se observar que no âmbito da teoria geral da prova, nenhuma dúvida há de que o ônus probante, em principio, cabe a quem alega determinado fato. Mas algumas aferições complementares, por vezes, devem ser feitas, a fim de que se tenha, em cada caso concreto, a correta atribuição do ônus da prova. 82 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 Em não raros casos tal atribuição do ônus da prova resulta na exigência de produção de prova negativa, consistente na comprovação de que algo não ocorreu, coisa que, à evidência, não é admitida tanto pelo direito quanto pelo bom senso. Afinal, como comprovar o não recebimento de um rendimento? Como evidenciar que um contrato não foi firmado? Enfim, como demonstrar que algo não ocorreu? Não se pode esquecer que o direito tributário é dos ramos jurídicos mais afeitos a concretude, à materialidade dos fatos, e menos à sua exteriorização formal (exemplo disso é que mesmos os rendimentos oriundos de atividades ilícitas são tributáveis). Nesse sentido, é de suma importância ressaltar o conceito de provas no âmbito do processo administrativo tributário. Com efeito, entende-se como prova todos os meios de demonstrar a existência (ou inexistência) de um fato jurídico ou, ainda, de fornecer ao julgador o conhecimento da verdade dos fatos. Não há, no processo administrativo tributário, disposições específicas quanto aos meios de prova admitidos, sendo de rigor, portanto, o uso subsidiário do Código de Processo Civil, que dispõe: "Art. 332. Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda a ação ou defesa." Da mera leitura deste dispositivo legal, depreende-se que no curso de um processo, judicial ou administrativo, todas as provas legais devem ser consideradas pelo julgador como elemento de formação de seu convencimento, visando à solução legal e justa da divergência entre as partes. 83 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.00258312005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 Assim, tendo em vista a mais renomada doutrina, assim como dominante jurisprudência administrativa e judicial a respeito da questão vê-se que o processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu à hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de recurso do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independentemente até mesmo do que foi alegado. A jurisprudência deste Primeiro Conselho de Contribuintes é clara a respeito do ônus da prova. Pretender a inversão do ônus da prova, como formalizado na peça recursal, agride não só a legislação, como a própria racionalidade. Assim, se de um lado, o contribuinte tem o dever de declarar, cabe a este, não à administração, a prova do declarado. De outro lado, se o declarado não existe, cabe a glosa pelo fisco. O mesmo vale quanto à formação das demais provas, as mesmas devem ser claras, não permitindo dúvidas na formação de juizo do julgador. Faz-se necessário consignar, que o interessado foi devidamente intimado a comprovar mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados / creditados em sua conta corrente, o que não o fez, permitindo, assim, ao Fisco, lançar o crédito tributário aqui discutido, valendo-se de uma presunção legal de omissão de rendimentos. Nesse sentido, compete ao interessado não só alegar, mas também provar, por meio de documentos, hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores, que tais valores não são provenientes de rendimentos omitidos. Portanto, sem respaldo as alegações do autuado que devidamente intimado a comprovar a origem dos depósitos listados no anexo à intimação não produziu provas no sentido de elidi-la. Como se vê, teve o suplicante, seja na fase fiscalizatória, fase impugnatória ou na fase recursal, oportunidade de exibir documentos que comprovem as alegações apresentadas. Ao se recusar ou se omitir à produção dessa prova, em qualquer fase do 84 _ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 processo, a presunção "juris tantum" acima referida, necessariamente, transmuda-se em presunção lure et de jure", suficiente, portanto, para o embasamento legal da tributação, eis que plenamente configurado o fato gerador. Quanto às pretensas provas apresentadas pelo suplicante fico com a decisão de primeira instância, razão pela qual peço vênia ao nobre relator do voto condutor do aresto questionado para fazer minhas as suas palavras que abaixo transcrevo: "No presente caso, o interessado busca justificar a origem dos recursos por meio de declarações prestadas por terceiros, onde afirmam terem se utilizados das contas bancárias do autuado para a realização de depósitos (fls. 289/312). Há de se ressaltar, de inicio, que declarações e outros termos apresentados de forma isolada não são documentos hábeis suficientes para comprovar as operações a que se referem, já que, como é sabido, podem ser feitos a qualquer tempo, com o teor que convier e trazendo valores de acordo com os interesses das próprias partes, que os tornam pouco convincentes. Note-se que o art. 131 do Código Civil dispõe que "As declarações constantes de documentos assinados presumem-se verdadeiras em relação aos signatários". Tais documentos apresentados geram uma presunção que é restrita aos signatários, não alcançado terceiros e, portanto, o sujeito ativo da obrigação tributária, que mantém uma relação jurídica distinta e completamente independente daquela entre os signatários. As alegações deveriam estar baseadas em outros documentos que não deixassem margem à dúvida quanto à consistência da operação. Veja-se que, no caso, foram acostadas 23 declarações de terceiros, alegando a utilização de diversas contas correntes do interessado. É difícil conceber, mesmo que restasse comprovada essa inusitada transação, que não houvesse controle desses depósitos, já que teriam sido efetuados em diversas de suas contas por uma quantidade grande de pessoas. Não há na impugnação apresentada qualquer justificativa para essas operações que, diga-se, é incomum no mundo real. Por outro lado, se houvesse os depósitos, apenas que por simples "empréstimo" da conta bancária, obviamente, existiu o retorno desses numerários aos verdadeiros donos dos recursos e, portanto, bastaria comprovar, seja por meio de transferência bancária ou cópias de cheques, os valores então devolvidos, para, aí sim, descaracterizar que os recursos tiveram origem em rendimentos que ficaram à margem de tributação. O mesmo entendimento se aplica à Declaração trazida às fls. 286/288. Nessa declaração, assinada por Jaide Alves da Silva, se intitulando como 85 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 "Gerente", declara que a empresa Maxi Kom Pinturas S/C Ltda. "manteve em seu quadro de funcionários o Sr. Natanael Stochi no período de ( ) e que nesse período, o Sr. Natanael administrou uma obra contratada com a empresa Monte Belo Empreendimentos Imobiliários Ltda., utilizando suas contas bancárias para recebimentos dos serviços prestados, e efetuando pagamento dos demais funcionários...". A seguir relaciona diversos depósitos efetuados nas contas do Banco Real e do Banestado, cuja origem teria sido a quitação de Notas Fiscais de Serviços emitidas pela Maxi Kom Pinturas S/C Ltda., no período de 03/2000 a 10/2000 (fls. 195/230). Deve-se registrar, primeiramente, que o Sr. Jaide Alves da Silva, que afirmou a declaração na qualidade de "Gerente" da Maxi Kom, não trouxe aos autos comprovação de que teria poderes para fazer essa declaração com o responsável pela empresa. No quadro societário da empresa consta como sócios o sr. Ibiapino Palácio Leite e a sra Julia Neres Guedes (fl. 1.289). Não ficou esclarecido porque a declaração deixou de ser assinada por um dos proprietários, que são os verdadeiros responsáveis. Talvez\ isso comprove o fato de a fiscalização, em diligências efetuadas, não ter localizado a empresa, nem mesmo os seus sócios, e que motivou a declaração de inaptidão do CNPJ da empresa (fl. 1202). Na referida declaração deixou de ser consignado o período em que o contribuinte fez parte do quadro de funcionários - ficando o espaço "em branco" - e que teria administrado a obra contratada com a Monte Empreendimentos. Embora o interessado, diga-se, e não os proprietários da empresa Maxi Kom Pinturas, tenha trazido cópia do Registro de Notas Fiscais de Serviços Prestados (fls. 263/283), em consulta efetuado ao Sistema IRPJ da Receita Federal, constata-se que nos últimos anos têm sido entregues Declarações "Inativas" em nome da empresa, inclusive no período de 2000, que corresponde às datas das Notas Fiscais de Serviços trazidas aos autos (fl. 1290), ou seja, houve a emissão de notas fiscais, mas não a sua declaração ao Fisco para efeitos de tributação. Não há como compreender tal situação já que, conforme Termo de Depoimento prestado pelo contribuinte (fls. 74/77), ele afirma: que é sócio do escritório Maxicom Contabilidade> que foi sócio da empresa Maxicon Prestadora de Serviços Burocráticos S/C Ltda. vendida ao Sr. Ibiapino Palácio Leite; que a empresa Maxi Kom Pinturas foi aberta por seu escritório com o mesmo endereço, apenas para efeito de receber correspondência; que desconhece o paradeiro do Sr. Ibiapino; e que entrega regularmente as declarações do imposto de renda dessa empresa. Nesse ponto também é incompreensível como o contribuinte que diz ter administrado uma obra em nome da empresa Maxi Kom, sabedor das notas emitidas, já que, segundo sua afirmação, os recebimentos foram depositados em suas contas bancárias, apresenta declaração de inatividade do imposto de renda pessoa jurídica em nome daquela. 86 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 De qualquer forma, inda que haja coincidência de valores, somando-se algumas notas fiscais, com alguns depósitos efetuados, e que se queira afirmar que houve a identificação da fonte de recursos, obviamente, essa identificação não corresponde, de forma alguma, a exigida comprovação da origem dos recursos trazida pelo art. 42 da Lei n°. 9.430, de 996. Não basta para justificar a origem dos recurso pura e simplesmente a identificação de sua origem, deve-se, sobretudo, estar comprovada, mediante documentação hábil e idônea, a natureza jurídica das operações realizadas, ou seja, não é suficiente a mera identificação de quem efetuou o depósito, mas, é imprescindível demonstrar a finalidade ou o motivo pelo qual o crédito foi realizado. Em suma, a origem do crédito deve estar justificada de forma hábil e não apenas identificada. Sendo certo que nenhum valor "brota" em contas bancárias da noite para o dia, mas sempre existe alguém ou algum lançamento que dá origem a esse crédito, não cabe apenas a identificação da pessoa que realizou o depósito, remeteu ou creditou um determinado valor na conta corrente, caso contrário, bastaria simplesmente que o titular da conta apresentasse recibos de depósitos identificados, cheques nominais, ou documentos que identificassem o remetente de remessas para justificar créditos em sua conta bancária. Sem dúvida alguma, não é esse o intuito da Lei, pois, se assim fosse, não haveria qualquer sentido prático na sua aplicação ou mesmo qualquer controvérsia sobre a sua edição. No caso aqui tratado, se houve o recebimento de quitações das notas fiscais de serviços emitidas pela Maxi Kom Pinturas, por certo deveria haver, de igual modo, o retorno dos recursos à empresa, seja pelo pagamento de salários, despesas ou por qualquer outra forma que demonstrasse o retorno desses numerários e ficasse caracterizada apenas a movimentação em sua conta bancária de recursos pertencentes a terceiros. Isso seria facilmente comprovado por meio de cheques, transferências bancárias etc, descaracterizando a omissão de rendimentos lançadas. No tocante à alienação de um imóvel urbano, contendo 02 casa, situado em Icaraírna/PR, no valor de R$ 50.000,00, em fevereiro de 2002, ao sr. João dos Santos, falecido em 30/12/2003 (fl. 329), cuja transação não foi confirmada por seu filho Dercísio Jessue dos Santos que informou, em depoimento levado a termo (fl. 327), "que o seu pai não dispunha de recursos conhecidos para aquisição do imóvel e que o único imóvel constante do inventário do pai é a residência onde o sr. João dos Santos morava e onde atualmente reside o sr. Dercísio Jessue dos Santos", não há como considerar como origem de recursos, seja pelo fato de não haver a comprovação da operação, seja porque o contribuinte, embora intimado, não informou a data nem os valores recebidos (fl. 359), de forma a comprovar os depósitos e/ou créditos bancários, coincidentes em datas e valores, que tiveram como origem essa transação. 87 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.00258312005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 Em relação à forma de tributação dos rendimentos considerados omitidos por falta de comprovação de origem de recursos dos depósitos bancários, agiu corretamente a fiscalização ao imputar ao contribuinte apenas a metade do valor dos depósitos e créditos efetuados nos meses e setembro a dezembro de 2003, na conta 19.394-1, do Bradesco S/A, por tratar-se de conta conjunta (fls. 476/478), nos termos do § 6° do art. 42 da Lei n°. 9.430, de 1996, com as alterações trazidas pelo art. 58 da Lei n°. 10.637, de 2002. Já a pretendida aplicação do § 5° do mesmo art. 42, somente seria possível a tributação em nome de terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento, se houvesse caracterizado que os valores creditados nessas contas a esses pertenciam, evidenciando interposição de pessoa. Não é o caso dos autos, já que não há dúvidas quanto à titularidade das contas bancárias em nome do contribuinte, apenas a sua alegação é de que as "emprestou" para que terceiros as utilizassem para a realização de depósitos, situação essa que também não restou comprovada. Em resumo, na hipótese em litígio, a Fazenda Pública tem a possibilidade de exigir o imposto de renda com base na presunção legal e a prova para infirmar tal presunção há de ser produzida pelo contribuinte que é a pessoa interessada para tanto. Caberia, sim, ao suplicante, em nome da verdade material, contestar os valores lançados, apresentando as suas contra razões, porém, calcadas em provas concretas, e não, simplesmente, ficar argumentando que a prova é do fisco para não cooperar no ato de fiscalização, sem a demonstração do vínculo existente, num universo de contradições, para pretender derrubar a presunção legal apresentada pelo fisco, já que o dever da guarda dos contratos e documentário das operações, juntamente com a informação dos valores pagos/recebidos é do próprio suplicante, não há como transferir para a autoridade lançadora tal ônus. Para o deslinde da questão sobre a glosa de despesas se faz necessário invocar a Lei n°. 9.250, de 1995, verbis: "Art. 8° A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: 88 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 (...). II - das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; b) a pagamentos efetuados a estabelecimento de ensino relativamente à educação pré-escolar, de 1° e 2° e 3° graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite individual de R$ 1.700,00 (um mil e setecentos reais); c)à quantia de R$ 1.080,00 (um mil e oitenta reais) por dependente; d) às contribuições para a Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; e)às contribuições para as entidades de previdência privada domiciliadas no País, cujo ónus tenha sido do contribuinte, destinada a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social; f) às importâncias pagas a titulo de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais; g) às despesas escrituradas no Livro Caixa, previstas nos incisos I a III do art. 6° da Lei n°. 8.134, de 27 de dezembro de 1990, no caso de trabalho não-assalariado, inclusive dos leiloeiros e dos titulares de serviços notariais e de registro. (...). § 2° O disposto na alínea "a" do inciso II: (...). II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - 1-7 89 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.00258312005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes - CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (—). § 3° As despesas médicas e de educação dos alimentados, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração, observado, no caso de despesas de educação, o limite previsto na alínea "b" do inciso II deste artigo. (...). Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4°, inciso III, e 8°, inciso II, alínea "c" poderão ser considerados como dependentes: I - o cônjuge, II - o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III - a filha, o filho, a enteada ou enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV - o menor pobre, até 21 anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V - o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até 21 anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI - os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VII - o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. Como se depreende da legislação acima transcrita, a dedução de despesas médicas, de instrução e contribuições à previdência oficial, na declaração do contribuinte está condicionada a comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados no ano-calendário, e 90 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.00258312005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 a pensão alimentícia, além da comprovação do efetivo pagamento, deve estar precisamente definida em sentença ou acordo homologado judicialmente. Ademais, a dedução de despesas médicas, na declaração, restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte para o seu próprio tratamento ou de seus dependentes e, quando requisitados, os gastos devem ser comprovados, com documentos originais que indiquem o nome, endereço e número de inscrição no CPF ou CNPJ de quem os recebeu. Como se vê dos autos, em relação a seu filho Fernando Cristian Stochi, pelo fato de haver apresentado declaração em seu próprio nome, informando tanto rendimentos por ele auferidos, nos valores de R$ 15.000,00 em 1999 e R$ 2.000,00 em 2000, quanto bens e direitos existentes (fls. 1283/1284), não há como considerá-lo como dependente nesses anos-calendário. Por outro lado, no ano-calendário de 2002, completou 22 anos de idade e houve comprovação de estar cursando estabelecimento de ensino superior, conforme se constata às fls. 1351/1352. Deve ser considerado como dependente. Quanto a Sra. Luzia Bemardes da Silva, que teve rendimentos declarados nos anos-calendário de 1999 (R$ 20.661,00 - fl. 1285) e de 2002 (R$ 15.325,80- fl. 1286) e, embora não tenha apresentado declaração de ajuste no ano-calendário de 2000, obteve rendimentos no período de R$ 800,00 (fl. 1287). Estes rendimentos não foram adicionados aos rendimentos do contribuinte, razão pela qual não pode ser considerado como dependente. Quanto ao menor Daniel Fernando, neto do contribuinte (fl. 40), somente poderia ser considerado como dependente, para efeito do imposto de renda, com a apresentação de guarda judicial. 91 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.00258312005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 Nos casos de pensão alimentícia, consoante o art. 78 do RIR/99, somente pode ser admitida como dedução da base de cálculo sujeita à incidência do imposto, a importância paga em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais. No caso, não se demonstrou a existência de decisão ou acordo judicial, tão- somente a Averbação de Divórcio e a Declaração da beneficiária do recebimento de valores a título de pensão alimentícia (fls. 25/26), que se constitui, na inexistência de decisão judicial em mera liberalidade do contribuinte. Quanto a dedução com despesas médicas, a declaração da Unimed trazida à fl. 27 não contém a assinatura do emitente e, portanto, não pode ser considerado como documento hábil para comprovar a dedução pleiteada. Aliás, embora o interessado já tivesse tomado conhecimento da recusa desse documento por parte da fiscalização e por parte da decisão de Primeira Instância, não procurou trazer ao recurso quaisquer comprovantes de pagamento ou mesmo a normalização do documento de forma a comprovar de forma efetiva as mensalidades pagas àquela entidade. No ano-calendário de 2000, foi desconsiderado o valor do imposto de renda na fonte declarado de R$ 2.280,00, da Maxi Kom Pinturas S/C Ltda. Nesse caso, foi apresentado o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção do Imposto de Renda na Fonte da empresa Maxi Kom Pinturas S/C Ltda. (fl. 38) e houve a apresentação de Dirf em nome da fonte pagadora (fl. 1135). Entretanto, em virtude dos fatos apurados pela fiscalização, não há como considerar que o valor do imposto de renda na fonte foi efetivamente retido pela fonte pagadora. De plano, verificou-se a inexistência de qualquer recolhimento do imposto retido por parte da Maxi Kom (fl. 1134). Embora a falta de pagamento do imposto retido pela fonte pagadora não seja motivo suficiente para efetuar a glosa, no caso, outros fatos contribuem para a desconsideração do IRF pleiteado: (a) a empresa Maxi Kom Pinturas S/C Ltda. tem o mesmo endereço cadastral da Maxicon Contabilidade, da qual o contribuinte é sócio: (b) conforme alegação do próprio contribuinte, a empresa Maxi Kom Pinturas S/C Ltda. utilizava-se de sua conta bancária para realização 92 . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.002583/2005-89 Acórdão n°. : 104-21.739 de depósitos; e (c) em diligências efetuadas, os sócios da Maxi Kom não foram encontrados. Assim, pela falta de comprovação da efetiva retenção do imposto pela fonte e diante dos fatos trazidos aos autos, não há como aceitar a compensação do imposto de renda na fonte pleiteado. Quanto ao imposto de renda na fonte atribuído à fonte pagadora Agro Mercosul Ltda., em virtude das constatações apuradas em relação às demais fontes pagadoras; pela falta de recolhimento do imposto que foi informado como retido (fl. 1141); pela discrepância entre as assinaturas do mesmo responsável nos Comprovantes de Rendimento dos anos-calendário de 2001 e 2002 (fls. 47 e 64); e, principalmente, pela não comprovação do efetivo recebimento dos serviços prestados com a respectiva retenção na fonte, é de se manter a glosa efetuada. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de ACOLHER a preliminar de decadência relativo ao ano-calendário de 1999; REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, DAR provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a a 75%, bem como restabelecer a dedução de um dependente (do filho Fernando Cristian Stochi), relativo ao ano-calendário de 2002. Sala das Sessões - DF, em 27 de julho de 2006 fiZCSO‘ "MANN 93 Page 1 _0011500.PDF Page 1 _0011600.PDF Page 1 _0011700.PDF Page 1 _0011800.PDF Page 1 _0011900.PDF Page 1 _0012000.PDF Page 1 _0012100.PDF Page 1 _0012200.PDF Page 1 _0012300.PDF Page 1 _0012400.PDF Page 1 _0012500.PDF Page 1 _0012600.PDF Page 1 _0012700.PDF Page 1 _0012800.PDF Page 1 _0012900.PDF Page 1 _0013000.PDF Page 1 _0013100.PDF Page 1 _0013200.PDF Page 1 _0013300.PDF Page 1 _0013400.PDF Page 1 _0013500.PDF Page 1 _0013600.PDF Page 1 _0013700.PDF Page 1 _0013800.PDF Page 1 _0013900.PDF Page 1 _0014000.PDF Page 1 _0014100.PDF Page 1 _0014200.PDF Page 1 _0014300.PDF Page 1 _0014400.PDF Page 1 _0014500.PDF Page 1 _0014600.PDF Page 1 _0014700.PDF Page 1 _0014800.PDF Page 1 _0014900.PDF Page 1 _0015000.PDF Page 1 _0015100.PDF Page 1 _0015200.PDF Page 1 _0015300.PDF Page 1 _0015400.PDF Page 1 _0015500.PDF Page 1 _0015600.PDF Page 1 _0015700.PDF Page 1 _0015800.PDF Page 1 _0015900.PDF Page 1 _0016000.PDF Page 1 _0016100.PDF Page 1 _0016200.PDF Page 1 _0016300.PDF Page 1 _0016400.PDF Page 1 _0016500.PDF Page 1 _0016600.PDF Page 1 _0016700.PDF Page 1 _0016800.PDF Page 1 _0016900.PDF Page 1 _0017000.PDF Page 1 _0017100.PDF Page 1 _0017200.PDF Page 1 _0017300.PDF Page 1 _0017400.PDF Page 1 _0017500.PDF Page 1 _0017600.PDF Page 1 _0017700.PDF Page 1 _0017800.PDF Page 1 _0017900.PDF Page 1 _0018000.PDF Page 1 _0018100.PDF Page 1 _0018200.PDF Page 1 _0018300.PDF Page 1 _0018400.PDF Page 1 _0018500.PDF Page 1 _0018600.PDF Page 1 _0018700.PDF Page 1 _0018800.PDF Page 1 _0018900.PDF Page 1 _0019000.PDF Page 1 _0019100.PDF Page 1 _0019200.PDF Page 1 _0019300.PDF Page 1 _0019400.PDF Page 1 _0019500.PDF Page 1 _0019600.PDF Page 1 _0019700.PDF Page 1 _0019800.PDF Page 1 _0019900.PDF Page 1 _0020000.PDF Page 1 _0020100.PDF Page 1 _0020200.PDF Page 1 _0020300.PDF Page 1 _0020400.PDF Page 1 _0020500.PDF Page 1 _0020600.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10880.033124/93-11
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Aug 19 00:00:00 UTC 1998
Data da publicação: Wed Aug 19 00:00:00 UTC 1998
Ementa: IRPJ - NULIDADE DE LANÇAMENTO - A notificação de lançamento como ato constitutivo do crédito tributário deverá conter os requisitos previstos no art. 142 do CTN e art. 11 do PAF. A ausência desse requisito formal implica em nulidade do ato constitutivo do lançamento.
Lançamento anulado.
Numero da decisão: 104-16536
Decisão: Por unanimidade de votos, ANULAR o lançamento.
Nome do relator: José Pereira do Nascimento
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 199808
ementa_s : IRPJ - NULIDADE DE LANÇAMENTO - A notificação de lançamento como ato constitutivo do crédito tributário deverá conter os requisitos previstos no art. 142 do CTN e art. 11 do PAF. A ausência desse requisito formal implica em nulidade do ato constitutivo do lançamento. Lançamento anulado.
turma_s : Quarta Câmara
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 19 00:00:00 UTC 1998
numero_processo_s : 10880.033124/93-11
anomes_publicacao_s : 199808
conteudo_id_s : 4170608
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 104-16536
nome_arquivo_s : 10416536_015092_108800331249311_004.PDF
ano_publicacao_s : 1998
nome_relator_s : José Pereira do Nascimento
nome_arquivo_pdf_s : 108800331249311_4170608.pdf
secao_s : Primeiro Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Por unanimidade de votos, ANULAR o lançamento.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 19 00:00:00 UTC 1998
id : 4683767
ano_sessao_s : 1998
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:21:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713042858183753728
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-12T16:35:50Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-12T16:35:50Z; Last-Modified: 2009-08-12T16:35:50Z; dcterms:modified: 2009-08-12T16:35:50Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-12T16:35:50Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-12T16:35:50Z; meta:save-date: 2009-08-12T16:35:50Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-12T16:35:50Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-12T16:35:50Z; created: 2009-08-12T16:35:50Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2009-08-12T16:35:50Z; pdf:charsPerPage: 1202; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-12T16:35:50Z | Conteúdo => . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10880.033124/93-11 Recurso n°. : 15.092 Matéria : IRPJ — Ex: 1991 Recorrente : SANTA ADÉLIA DE INCORPORAÇÕES IMOBILIÁRIAS LTDA. Recorrida : DRJ em SÃO PAULO -SP Sessão de : 20 de agosto de 1998 Acórdão n°. : 104-16.536 IRPJ - NULIDADE DE LANÇAMENTO - A notificação de lançamento como ato constitutivo do crédito tributário deverá conter os requisitos previstos no art. 142 do CTN e art. 11 do PAF. A ausência desse requisito formal implica em nulidade do ato constitutivo do lançamento. Lançamento anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por SANTA ADÉLIA DE INCORPORAÇÕES IMOBILIÁRIAS LTDA. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, ANULAR o lançamento, nos termos do relatório e voto que passam integrar o presente julgado. LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO PRESIDENTE Á-4-Ad .0" do NASCI i n ENTO RELATOR FORMALIZADO EM: 25 SET 1998 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros NELSON NIALLMANN, MARIA CLÉLIA PEREIRA DE ANDRADE, ROBERTO WILLIAM GONÇALVES, ELIZABETO CARREIRO VARÃO, JOÃO LUÍS DE SOUZA PEREIRA e REMIS ALMEIDA ESTOL. G ,;n_r i C.,,,1 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10880.033124/93-11 Acórdão n°. : 104-16.536 Recurso n°. : 15.092 Recorrente : SANTA ADÉLIA DE INCORPORAÇÕES IMOBILIÁRIAS LTDA. RELATÓRIO Contra a contribuinte acima mencionada foi emitida a Notificação de lançamento de fls. 13, relativo ao IRPJ do exercício de 1991, emitido em 07.05.93, vencido em 30.06.93. ' Inconformada, apresenta impugnação de fls. 01/03, em 30.06.93, alegando que os erros detectados em revisão interna da Receita Federal, um deles ocorreu foi realmente erro no preenchimento da Declaração de Imposto de Renda, solicitando que procedam sobre eles os devidos tramites internos para invalidar a ocorrência citada na notificação, sendo que com relação ao outro erro apurado, foi efetuado recolhimento dos valores originais com os acréscimos que julgaram cabíveis, que referida diferença estão "sub i judice" conforme guia de depósito judicial anexado a impugnação. A decisão monocrática , não tomou conhecimento da impugnação, por ter sido apresentada fora do prazo legal. Ciente da decisão em 08.12.95, a interessada protocola o recurso de fls. 45/53, em 22.12.95, onde reitera as razões já produzidas, afirmando ser tempestiva a ,impugnação. A Fazenda Nacional apresenta contra-razões às fls. 69f70, requerendo para que seja negado provimento recurso. É o Relatóri . ... 2 ccs . n:-.:4 MINISTÉRIO DA FAZENDA4, :0;,' PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES AP QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10880.033124/93-11 Acórdão n°. : 104-16.536 VOTO Conselheiro JOSÉ PEREIRA DO NASCIMENTO, Relator O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. De início cabe -observar que,-a autoridade julgadora singular entendeu por considerar intempestiva a impugnação apresentada em 30.06.93, levando em conta que a contribuinte tivera ciência do lançamento em 19.05.93, conforme AR de fls. 36. 1 Entretanto, observou este relator que, fora dada à contribuinte prazo até 30.06.95, para efetuar o pagamento do débito reclamado, de sorte que esta deve ser considerada também a data limite para a impugnação do lançamento. Trata-se de notificação emitida por processo eletrônico para exigir da contribuinte o recolhimento do IRPJ suplementar relativo ao exercício de 1991, acrescido de multa de ofício e juros de mora. , Entende esse relator que, antes de adentrar ao mérito da questão, deve o julgador observar se forma cumpridos os requisitos formais do lançamento. . Neste particular, cumpre observar que a notificação de lançamento que deu origem a exigência, encontra-se de deficiência formal, uma vez que não atendeu ao requisito fprevisto no artigo 11 do decre n° 70235/72, que impõe para os casos de notificação emitida por meio eletrônico, q conste expressamente o nome, cargo e matricula da 3 ccs - MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10880.033124/93-11 Acórdão n°. : 104-16.536 autoridade responsável pela notificação. A ausência desse requisito formal implica em nulidade no lançamento, uma vez que foi emitido em desacordo com o disposto no art. 11 do Decreto n° 70235/72. Destarte, a notificação de lançamento de fls. 03 está contaminada pelo vício da nulidade, já que não dispõe de tais requisitos. Diante do exposto, voto no sentido de se anular o lançamento, face o disposto do art. 142 do CTN e no artigo 11 do Decreto 70.235/72. Sala das Sessões - DF, em 19 de ag. to de 1998 , . ' JOS -~ ASCIM TO 4 ccs
score : 1.0
Numero do processo: 10930.000057/99-10
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2000
Data da publicação: Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2000
Ementa: PROGRAMA DE INCENTIVO À APOSENTADORIA - NÃO-INCIDÊNCIA - Os rendimentos recebidos em razão da adesão aos planos de incentivo à aposentadoria são meras indenizações, reparando o beneficiário pela perda involuntária do emprego. A causa do pagamento é a rescisão do contrato de trabalho, sendo irrelevante o fato de o contribuinte receber rendimentos da previdência oficial.
Recurso provido.
Numero da decisão: 104-17524
Decisão: Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso.
Nome do relator: João Luís de Souza Pereira
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200007
ementa_s : PROGRAMA DE INCENTIVO À APOSENTADORIA - NÃO-INCIDÊNCIA - Os rendimentos recebidos em razão da adesão aos planos de incentivo à aposentadoria são meras indenizações, reparando o beneficiário pela perda involuntária do emprego. A causa do pagamento é a rescisão do contrato de trabalho, sendo irrelevante o fato de o contribuinte receber rendimentos da previdência oficial. Recurso provido.
turma_s : Quarta Câmara
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2000
numero_processo_s : 10930.000057/99-10
anomes_publicacao_s : 200007
conteudo_id_s : 4170532
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 104-17524
nome_arquivo_s : 10417524_121595_109300000579910_008.PDF
ano_publicacao_s : 2000
nome_relator_s : João Luís de Souza Pereira
nome_arquivo_pdf_s : 109300000579910_4170532.pdf
secao_s : Primeiro Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2000
id : 4686841
ano_sessao_s : 2000
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:22:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713042858184802304
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-10T19:55:34Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-10T19:55:34Z; Last-Modified: 2009-08-10T19:55:34Z; dcterms:modified: 2009-08-10T19:55:34Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-10T19:55:34Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-10T19:55:34Z; meta:save-date: 2009-08-10T19:55:34Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-10T19:55:34Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-10T19:55:34Z; created: 2009-08-10T19:55:34Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2009-08-10T19:55:34Z; pdf:charsPerPage: 1032; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-10T19:55:34Z | Conteúdo => -- -C MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ''s,•"---t.t.t '. QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.000057/99-10 Recurso n°. : 121.595 Matéria : IRPF - Ex.: 1995 Recorrente : ORLANDO RICCI Recorrida : DRJ em CURITIBA-PR Sessão de : 12 de julho de 2000 Acórdão n°. : 104-17.524 PROGRAMA DE INCENTIVO À APOSENTADORIA - NÃO-INCIDÊNCIA - Os rendimentos recebidos em razão da adesão aos planos de incentivo à aposentadoria são meras indenizações, reparando o beneficiário pela perda involuntária do emprego. A causa do pagamento é a rescisão do contrato de trabalho, sendo irrelevante o fato de o contribuinte receber rendimentos da previdência oficial. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ORLANDO RICCI. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. , LE MARIA SCHERRER LEITÃO PRESIDENTE nfratt . t J A1O LUí DE . I, U .1p REIRA • A TOR 4).-i. MINISTÉRIO DA FAZENDA tirl.z0; PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES /-ct';:tte QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.000057/99-10 Acórdão n°. : 104-17.524 FORMALIZADO EM: 18 AN 2000 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros NELSON MALLMANN, MARIA CLÉLIA PEREIRA DE ANDRADE, SÉRGIO MURILO MARELLO (Suplente convocado), JOSÉ PEREIRA DO NASCIMENTO, ELIZABETO CARREIRO VARÃO, e REMIS ALMEIDA ESTOL. 2 %-74 4 z y MINISTÉRIO DA FAZENDA 44 - PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.000057/99-10 Acórdão n°. : 104-17.524 Recurso n°. : 121.595 Recorrente : ORLANDO RICCI RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário contra decisão monocrática que manteve o indeferimento de restituição do IRPF relativo ao exercício de 1995 formulado pelo sujeito passivo em razão de ter aderido programa de incentivo à aposentadoria promovido pelo ex- empregador. Às fls. 01, o sujeito passivo formula Pedido de Restituição informando Ter recebido rendimentos denominados Gratificação Especial decorrentes da adesão a Programa de Demissão Voluntária promovido pela Cia. Paranaense de Energia (COPEL). Sustenta que tais rendimentos possuem natureza indenizatória e requer a restituição do valor de 16.237,78 UFIR, tudo conforme o requerimento de fls. 02/03. Junto os documentos de fls. 04/13. A Delegacia da Receita Federal em Londrina-PR indeferiu o pleito do sujeito passivo através de decisão (fls. 32/34) que recebeu a seguinte ementa: APOSENTADORIA INCENTIVADA Somente não se sujeitam ã incidência do imposto de renda retido na fonte nem na Declaração de Ajuste Anual rendimentos decorrentes de adesão a Programa de Demissão Voluntária, não estando abrangidos os rendimentos decorrentes de incentivo à aposentadoria (IN SRF n° 165/98 e AD SRF n° 3/99). 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA Ihs, ti.' PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES C QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.000057/99-10 Acórdão n°. : 104-17.524 Inconformado, o sujeito passivo, através do requerimento de fls. 37/40 ratifica os termos do pedido inicial, desta vez citando precedentes jurisprudenciais. Pela decisão de fls. 43/47, a Delegacia da Receita da Receita Federal de Julgamento em Curitiba-PR indeferiu o pleito do sujeito passivo, fundamentando o decisum no fato de que, por força do princípio da estrita legalidade, os valores recebidos a titulo de incentivo à aposentadoria são tributáveis. Às fls. 51/54 o sujeito passivo apresenta recurso voluntário a este Colegiado, no qual, em suma, ratifica suas manifestações anteriores. Processado regularmente em primeira instância, o recurso é remetido a este Conselho para apreciação do recurso voluntário interposto. É o Relatório. 4 • MINISTÉRIO DA FAZENDA 4 tati.," PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.000057/99-10 Acórdão n°. : 104-17.524 VOTO Conselheiro JOÃO LUÍS DE SOUZA PEREIRA, Relator Conheço do recurso vez que é tempestivo e com o atendimento dos demais pressupostos de admissibilidade. A matéria em discussão nestes autos restringe-se a questão de saber se a não-incidência do imposto de renda relativa aos chamados Planos de Desligamento Voluntário também se estende aos Planos ou Programas de Incentivo à Aposentadoria. Este Colegiado, após alguma hesitação inicial, entendeu que os valores recebidos a título de adesão a programas de desligamento voluntário estavam fora da esfera de incidência do imposto. Cabe enfatizar que jamais reconhecemos qualquer isenção neste particular. As decisões deste Colegiado concluíram pela não-incidência do imposto, coisa bem diversa das isenções. Como bem esclarece o eminente jurista JOSÉ LUIZ BULHÕES PEDREIRA adverte que 'Conceito legal do fato gerador é a idéia abstrata usada pela lei para te--5 5 r' MINISTÉRIO DA FAZENDA4(a-;:, • Ifr t..:1/41st; PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.000057/99-10 Acórdão n°. : 104-17.524 representar, genericamente, a situação de fato cuja ocorrência faz nascer a obrigação tributária; mas cada obrigação particular não nasce do conceito legal de fato gerador, e sim de acontecimento concreto compreendido nesse conceito" (cfr. Imposto sobre a Renda - Pessoas Jurídicas, Justec-Editora, 1979, vol. 1, pág. 166/7). Mas, quais foram os motivos que levaram ao entendimento de que os valores recebidos a título de incentivo ao desligamento compreendem hipótese de não- incidência do imposto? Inegavelmente, as decisões proferidas caracterizaram a natureza meramente indenizatória de tais rendimentos. Por sua vez, a conclusão pela indenização decorre da constatação de que os planos de incentivo ao desligamento não têm nada de voluntários. A suposta adesão ao "planos" não se manifesta em ato voluntário do beneficiário dos rendimentos, daí porque as verbas recebidas caracterizam, na verdade, uma indenização. Vale dizer, na retribuição devida a alguém pela reparação de uma perda ocorrida por fato que este - o beneficiário - não deu causa. As indenizações, portanto, restringem-se a restabelecer o status mio ante do património do beneficiário motivada pela compensação de algo que, pela vontade do próprio, não se perderia. Nesta ordem de idéias, as reparações estão fora da esfera de incidência do imposto, já que não acrescem o patrimônio. Portanto, chega-se à conclusão que os rendimentos oriundos do planos de desligamento voluntário, recebidos no bojo das denominadas verbas rescisórias, estão a reparar a perda involuntária do emprego, indenizando, portanto, o beneficiário pela perda de algo que este, voluntariamente, repito, não perderia. - .4/,.. -a-rgri MINISTÉRIO DA FAZENDA nÇ PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.000057/99-10 Acórdão n°. : 104-17.524 E nem se diga que a adesão aos referidos planos ou programas se dá de forma voluntária. A uma, porque não seria crível que aquele que se desligasse da empresa durante a vigência do "plano" pudesse receber, tão somente, as verbas previstas em lei. A duas, porque como bem asseverou o Min. DEMÓCRITO REINALDO, "no programa de incentivo à dissolução do pacto laborai, objetiva a empresa (ou órgão da administração pública) diminuir a despesa com a folha de pagamento de seu pessoal, providência que executaria com ou sem o assentimento dos trabalhadores, em geral, e a aceitação, por estes, visa a evitar a rescisão sem justa causa, prejudicial aos seus interesses" (Recurso Especial n° 126.767/SP, STJ, Primeira Turma, DJ 15/12/97). Nesta mesma ordem de idéias, decido em relação aos rendimentos recebidos a título de incentivo à aposentadoria. Parecem-me equivocadas as manifestações que pretendem fazer incidir o imposto pelo fato do contribuinte continuar a receber rendimentos - de aposentadoria - após a adesão ao Plano. Com todo o respeito aos que pensam de forma diversa, vejo que a causa para o recebimento da indenização é a mesma, isto é, o rompimento do contrato de trabalho por motivo alheio à vontade do empregado. Esta é a verdadeira causa para o recebimento da gratificação. Se o contribuinte permanecerá recebendo outros rendimentos, se tais rendimentos decorrem da aposentadoria, pouco importa, porque nenhuma destas circunstâncias deu causa ao recebimento da indenizaçã. 7 U---r»,-t MINISTÉRIO DA FAZENDA nt..... 5 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES •)--- -: QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10930.000057/99-10 Acórdão n°. : 104-17.524 Por todo o exposto, DOU provimento ao recurso, para o fim de reformar a decisão recorrida e reconhecer o direito à restituição dos valores do imposto de renda exigidos em razão dos rendimentos recebidos a titulo de indenização por adesão ao Programa de Concessão de Gratificação Especial 04 promovido pelo empregador. Sala das Sessões - DF, em 12 de julho de 2000 1 I .,. i Jo '0 LUÍS DE TUZA, REIRA 8 Page 1 _0021500.PDF Page 1 _0021600.PDF Page 1 _0021700.PDF Page 1 _0021800.PDF Page 1 _0021900.PDF Page 1 _0022000.PDF Page 1 _0022100.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10907.001984/2002-66
Turma: Oitava Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2006
Ementa: CONTRATO DE ARRENDAMENTO DE INSTALAÇÕES PORTUÁRIAS - Tendo as partes - pessoa jurídica de direito privado e autarquia estadual - atribuído a vínculo contratual a natureza jurídica de “arrendamento”, não compete à autoridade administrativa apreciar a alegação de que se trata de “contrato de concessão”. Ademais, a medida seria inócua, uma vez que não existe diretriz fiscal e contábil determinando ou autorizando tratamento excepcional para operações da espécie, envolvendo o reconhecimento imediato no ativo diferido e no passivo do valor contratado, sendo que todos os encargos serão despendidos ao longo do prazo de vigência do vínculo contratual. Ademais, não houve pagamento antecipado pelo direito e nem obtenção de financiamento pela arrendatária.
Recurso negado.
Numero da decisão: 108-08.801
Decisão: ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Margil Mourão Gil Nunes
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200604
ementa_s : CONTRATO DE ARRENDAMENTO DE INSTALAÇÕES PORTUÁRIAS - Tendo as partes - pessoa jurídica de direito privado e autarquia estadual - atribuído a vínculo contratual a natureza jurídica de “arrendamento”, não compete à autoridade administrativa apreciar a alegação de que se trata de “contrato de concessão”. Ademais, a medida seria inócua, uma vez que não existe diretriz fiscal e contábil determinando ou autorizando tratamento excepcional para operações da espécie, envolvendo o reconhecimento imediato no ativo diferido e no passivo do valor contratado, sendo que todos os encargos serão despendidos ao longo do prazo de vigência do vínculo contratual. Ademais, não houve pagamento antecipado pelo direito e nem obtenção de financiamento pela arrendatária. Recurso negado.
turma_s : Oitava Câmara
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2006
numero_processo_s : 10907.001984/2002-66
anomes_publicacao_s : 200604
conteudo_id_s : 4219426
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Dec 14 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 108-08.801
nome_arquivo_s : 10808801_142831_10907001984200266_013.PDF
ano_publicacao_s : 2006
nome_relator_s : Margil Mourão Gil Nunes
nome_arquivo_pdf_s : 10907001984200266_4219426.pdf
secao_s : Primeiro Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2006
id : 4685185
ano_sessao_s : 2006
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:21:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713042858186899456
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-13T18:36:38Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-13T18:36:37Z; Last-Modified: 2009-07-13T18:36:38Z; dcterms:modified: 2009-07-13T18:36:38Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-13T18:36:38Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-13T18:36:38Z; meta:save-date: 2009-07-13T18:36:38Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-13T18:36:38Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-13T18:36:37Z; created: 2009-07-13T18:36:37Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; Creation-Date: 2009-07-13T18:36:37Z; pdf:charsPerPage: 1719; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-13T18:36:37Z | Conteúdo => rf: !C_ :-t MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTESI ; - :i*Cet:1> OITAVA CÂMARA Processo n°. :10907.001984/2002-66 Recurso n°. :142.831 Matéria : IRPJ — EX.: 2004 Recorrente : TCP - TERMINAL DE CONTEINERES DE PARANAGUÁ S.A. Recorrida : l a TURMA/DRJ-CURITIBA/PR Sessão de : 27 DE ABRIL DE 2006 Acórdão n°. :108-08.801 CONTRATO DE ARRENDAMENTO DE INSTALAÇÕES PORTUÁRIAS - Tendo as partes - pessoa jurídica de direito privado e autarquia estadual - atribuído a vínculo contratual a natureza jurídica de "arrendamento", não compete à autoridade administrativa apreciar a alegação de que se trata de "contrato de concessão". Ademais, a medida seria inócua, uma vez que não existe diretriz fiscal e contábil determinando ou autorizando tratamento excepcional para operações da espécie, envolvendo o reconhecimento imediato no ativo diferido e no passivo do valor contratado, sendo que todos os encargos serão despendidos ao longo do prazo de vigência do vínculo contratual. Ademais, não houve pagamento antecipado pelo direito e nem obtenção de financiamento pela arrendatária. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por TCP - TERMINAL DE CONTEINERES DE PARANAGUÁ S.A. ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. DORI PADkAN PRE D NTE' 1,5ct.4.4fif • " G I L ,'•U - • 4, GIL NUNES RELATOR . et", p FORMALIZADO EM: J H Á! CUIA Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: NELSON LÕSSO FILHO, IÇAREM JUREIDINI DIAS, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, ALEXANDRE SALLES STEIL, JOSÉ CARLOS TEIXEIRA DA FONSECA e JOSÉ HENRIQUE LONGO. e 1: MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA Processo n°. : 10907.001984/2002-66 Acórdão n°. :108-08.801 Recurso n°. :142.381 Recorrente : TCP - TERMINAL DE CONTEINERES DE PARANAGUÁ S.A. RELATÓRIO A empresa TCP — TERMINAL DE CONTEINERES DE PARANAGUÁ S.A. entrou em agosto de 2002 com Pedido de Restituição de IRPJ e CSLL, fls. 01/06, em razão de recolhimentos feitos indevidamente no período de junho de 1999 a junho de 2002, tendo em vista o prejuízo fiscal ocorrido no referido período. Acompanhou pedido de restituição no valor de R$8.210.767,87, • cópias dos razões contábeis e do balancete ajustado (Anexo1), guias DARF's objetos de restituição/compensação (Anexo 2), demonstrativos de resultado após ajustes de balanço (Anexo 3), e demonstrativo do cálculo da restituição (Anexo 4), doc. fls. 07/95. Às fls. 96/100 ocorreu Despacho Decisório n° 15/2003 — SAORT da exarado pela Delegacia da Receita Federal em Paranaguá indeferindo o pedido, com a seguinte conclusão: - do Indeferimento do Pedido Desta forma, o contrato que o contribuinte possui com a APPA não pode ser caracterizado como arrendamento mercantil financeiro pelos seguintes motivos: • no arrendamento mercantil financeiro é indispensável a presença de instituição financeira durante a operação de financiamento, sendo suas operações submetidas ao controle e fiscalização do Banco Central do Brasil, segundo normas estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional. • o arrendatário não conta, ao final do contrato, com a opção de compra do bem arrendado, muito menos que este seja livremente pactuado. Pelos motivos expostos, uma vez que de acordo com a legislação aplicável o contrato entre a empresa TCP - Terminal de Contêineres de Paranaguá S/A e o Governo do Estado do Paraná por intermédio da APPA não pode ser caracterizado como uma operação de 'arrendamento mercantil financeiro", proponho o indeferimento do pedido (te. de fi. 01." 2 tzt.-.1.;;; MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ' :f2ft..rzt1 OITAVA CÂMARA Processo n°. :10907.001984/2002-66 Acórdão n°. 108-08.801 Inconformada com indeferimento da restituição, com ciência em 24/0312003, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade protocolizada em 23/04/2003, em cujo arrazoado de 05.1071116, alega em apertada síntese o seguinte: - A autora por licitação publica firmou contrato de concessão de serviço público denominado "Contrato de Arrendamento de Instalação Portuária" em 1997 com o Governo do Estado do Paraná, por intermédio da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA), assumindo a responsabilidade de ampliar, modernizar e explorar onerosamente o terminal de contêineres e veículos do Porto de Paranaguá; - Assumiu o compromisso irretratável e irrevogável de remunerar a APPA, durante o período de concessão, por 25 (vinte e cinco) anos, a quantia mínima de 150.000.000,00 (cento e cinqüenta milhões de reais), devidamente corrigida, entre valores mensais fixos e variáveis; - Até 31 de dezembro de 2001, por erro, deixou de registrar contabilmente pelo regime de competência, (artigo 187, § 1°, a que está obrigada a observar, utilizando-se do regime de caixa) esse direito contratual e também a correspondente obrigação nascida do contrato; - Corrigiu o erro através do lançamento contábil do direito de utilização dos ativos do Poder concedente a débito de uma conta de ativo imobilizado, para ser amortizado em 25 anos e a obrigação (contrapartida do débito) a crédito de uma conta do passivo exigível de curto e longo prazos; "(e 3 , MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA Processo n°. : 10907.001984/2002-66 Acórdão n°. : 108-08.801 - Com as correções contábeis caracterizou-se a existência de um prejuízo fiscal e contábil nos períodos anteriores de junho de 1999 a junho de 2002 e conseqüentemente, um recolhimento indevido do IRPJ e da CSLL: - Tudo foi confirmado pelo relatório da auditoria externa elaborado pela Ernest & Young, doc. fls. 117/132; - Em momento algum o SAORT observou a necessidade da correção do procedimento contábil, limitando-se a tentar distinguir a natureza jurídica do contrato, fato que não tem relação com o pedido de restituição; - A real natureza jurídica do contrato discutido é de concessão pública e, é de se notar, que os recolhimentos se deram numa fase de pré-operacionalidade da empresa, onde não poderia gerar qualquer tipo de resultados positivos; Anexa ainda a contribuinte em suas argumentações, um parecer elaborado pelo jurista Dr. Romeu Felipe Bacellar Filho, doc. fls.140/185, dando guarida a situação da consulente. Foi elaborada uma proposta pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba, doc. fls. 188/190, que se realizasse diligência com os seguintes dizeres: "(i) ser juntada cópia do contrato entre a contribuinte e a APPA; e (ii) ser dada à contribuinte a oportunidade de trazer a lume eventuais pareceres de que dispõe acerca da necessidade, utilidade ou mesmo possibilidade técnica dos lançamentos por ela escriturados e que vêm a ser o fundamento fático do pedido de restituição tratado nestes autos. Esta providencia se me afigura de especial importância para possibilitar que esta Turma Julgadora aprecie devidamente todos os aspectos da controvérsia — diretamente em face de eventual instância administrava superior — futuras alegações embasadas em possíveis pareceres já existente e qu eventualmente venham à colação no futuro." 4 • MINISTÉRIO DA FAZENDA tis»k4 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES '-: 15 OITAVA CÂMARA Processo n°. : 10907.001984/2002-66 Acórdão n°. :108-08.801 A DRF de Paranaguá emitiu a Intimação número 09/04 em 29/06/2004, doc. fls. 191, cumprida pela contribuinte em 16/07/2004 juntando os documentos solicitados ás fls. 195/465. Em 05 de agosto de 2004, foi prolatado o Acórdão DRJ/CTA n° 6.721, doc. fls. 466/480, onde a Autoridade Julgadora "a quo" indeferiu a solicitação de restituição, expressando seu entendimento por meio da seguinte ementa: "CONTRATO DE ARRENDAMENTO DE INSTALAÇÕES PORTUÁRIAS. RECONHECIMENTO, NO ATIVO, DO DIREITO DE EXPLORAR O PORTO, EM CONTRAPA TIDA AO RECONHECIMENTO, NO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO RELATIVA AOS PAGAMENTOS DE TODO O PERÍODO DO ARRENDAMENTO. INVIABILIDADE O arrendamento de instalações portuárias não materializa arrendamento financeiro, e sim arrendamento operacional. Por essa razão, por força da NBCT 10, do Conselho Federal de Contabilidade, tais operações caracterizam-se, essencialmente, como uma operação de aluguel e seu contrato não deve ser objeto de inclusão nas contas patrimoniais, devendo ser controlado em contas de compensação. Nessa hipótese, são incorretos os lançamentos contábeis que registrem, no ativo diferido, o direito de explorar o terminal, em contrapartida ao registro no exigível da obrigação correspondente ao total das prestações assumidas relativamente a todo o período do arrendamento. CONTRATO DE ARRENDAMENTO DE INSTALAÇÕES PORTUÁRIAS. ATRIBUIÇÃO, PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA, DE NATUREZA JURÍDICA DIVERSA (CONTRATO DE CONCESSÃO) INVIABILIDADE. AUSÉNCIA DE EFEITOS PRÁTICOS EM FACE DAS NORMAS CONTÁBEIS. Tendo as parles - pessoa jurídica de direito privado e autarquia estadual - atribuído a vínculo contratual a natureza jurídica de "arrendamento", não compete à autoridade administrativa apreciar a alegação de que se trata de `contrato de concessão". Ademais, a medida seda inócua, uma vez que não existe diretriz contábil determinando ou autorizando tratamento contábil excepcional para operações da espécie, envolvendo o reconhecimento imediato, no passivo, de todos os encargos que se tomarem devidos ao longo do prazo de vigência do vínculo contratual. --1).!t :t. MINISTÉRIO DA FAZENDA 4 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA Processo n°. : 10907.00198412002-66 Acórdão n°. : 108-08.801 ATIVO DIFERIDO. AMORTIZAÇÃO EM PRAZO SUPERIOR A DEZ ANOS. IMPOSSIBILIDADE Por força do § 3° do art. 183 da Lei n° 6.404, de 1976, não podem ser registrados no ativo diferido recursos a serem amortizados em prazo superior a dez anos." Cientificada da decisão de primeira instância em 24/08/2004 e novamente irresignada, apresentou seu recurso voluntário, protocolizado em 22/09/2004, em cujo arrazoado de fls.487/497 repisa os mesmos argumentos expendidos na manifestação do inconformismo, ou seja: - Por processo licitatório firmou contrato de concessão de serviço público, denominado "Contrato de Arrendamento de Instalação Portuária", com o Governo do Estado do Paraná, por intermédio da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA), sob a égide das Leis n° 8.663/93, que dispõe sobre concorrência pública e, Lei n°. 8.630/93 que dispõe sobre a Concessão da exploração dos portos organizados e instalações portuárias; - Protocolou pedido de restituição de IRPJ e CSLL recolhidos indevidamente no penado de junho de 1999 a junho de 2002, em razão de revisão de procedimentos contábeis para contabilizar ativo e passivo relacionado ao contrato, bem como ajuste inflacionário sobre o saldo devedor; - Após correta contabilização apurou-se prejuízo fiscal e contábil nos períodos anteriores (junho de 1999 a junho 2002) e conseqüentemente um recolhimento indevido de IRPJ e CSLL: - Que o contrato reflete direitos e obrigações à contribuinte, os quais eram objeto de reajuste no contrato, sendo estes os motivos da correção contábil dos lançamentos que geraram os prejuízos nos períodos anteriores, espelhando melhor seu resultado, não permitindo a distribuição de dividendos injustos; fr MINISTÉRIO DA FAZENDA flt PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA Processo n°. :10907.001984/2002-66 Acórdão n°. :108-08.801 - Cada centavo apurado deve ser aplicado em equipamentos e obras de melhoria, ampliação e modernização de um porto público, que serão incorporadas ao patrimônio público da União, não sendo distribuído aos sócios, os valores de restituição pleiteados; - O lucro desta atividade é representado pela diferença entre o preço do serviço cobrado dos armadores nacionais e internacionais e todos os demais custos, inclusive impostos, gerados pelo negócio em si; - Que não é o caso de planejamento tributário, mesmo porque a correção ativa prevista no contrato e que está sendo realizada pela empresa, se encarrega por si só de, ao longo do tempo, anular a correção passiva realizada; - Não cabe a análise da DRJ de que o contrato é de arrendamento puro e simples e sim tratar-se de contrato de concessão pública; - Que a alegação de que o ativo diferido só poderia ser efetuado em 10 anos, só prejudicaria o fisco, pois a despesa de amortização ao invés de ser realizada em 25 anos conforme o contrato, sendo amortizada em 10 anos teria despesa maior e estaria se diminuindo a base tributária; - Que por falta de normas especificas para a contabilização de Contratos de Concessão a recorrente se baseou nos artigos, 299, 325 e 375 do RIR/99. Não houve arrolamento de bens e direitos por se tratar de pedido de restituição. 4. 7 • . •., .; MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES > OITAVA CÂMARA Processo n°. :10907.001984/2002-66 ' Acórdão n°. :108-08.801 A recorrente apresentou memorial, que submetido ao Colegiado, sendo aprovada sua anexação.. Os documentos em cópia ora trazidos pela recorrente foram: Solução de Consulta SRRF 9a. RF DISIT No. 046 de 31 de janeiro de 2005; Ementa da Consulta 21/05 de 28.012005; e um Memória de Cálculo para Pagamento IRPJ e Contribuição Social 2.005. Como de praxe foi encaminhado ao Sr. Procurador da Fazenda Nacional para sua ciência. É o Relatório. .0‘ 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA ;',,p/-:,-;‘", PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTESrf;› OITAVA CÂMARA Processo n°. : 10907.001984/2002-66 Acórdão n°. :108-08.801 VOTO Conselheiro MARGIL MOURA° GIL NUNES, Relator O recurso preenche os requisitos de sua admissibilidade, e dele tomo conhecimento. O contrato da contribuinte com o Governo do Estado do Paraná, por intermédio da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA), se enquadra na natureza jurídica típica dos contratos de concessão, independente da denominação de "Contrato de Arrendamento". A contribuinte foi constituída pelas acionistas pessoas jurídicas Redram, Soifer, Tucumann, TCB do Brasil, Terminai de Contenidors de Barcelona, PATTAC, GALIGRAIN e A. Perez Y Cia., quando foi celebrado o Terceiro Aditivo ao Contrato de Arrendamento n° 020/98, doc. fls. 236/251, como arrendatária, devidamente autorizada pela entidade Pública concedente. É de se observar que a contribuinte assumiu através de licitação pública, a exploração de serviço público dos terminais de contêineres e veículos do Porto de Paranaguá, sob condição de: ampliar, modernizar e explorar onerosamente o terminal de contêineres e veículos do Porto de Paranaguá; e do compromisso de remunerar a APPA, durante o período de concessão, sendo determinada a remuneração conforme cláusula Décima Segunda, fls.201, em valores mensais fixos por metro quadrado, e em valores variáveis por determinadas movimentações. A quantia de 150.000.000,00 (cento e cinqüenta milhões de reais), atribuída pela "Cláusula Oitava — Valor, foi uma estimativa do valor do contratado, não sendo uma aplicação de recursos para aquisição do direito de exploração. 9 j, „ Coe.Y.t: MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Itt> OITAVA CÂMARA Processo n°. :10907.001984/2002-66 Acórdão n°. : 108-08.801 Todos os valores do contrato estão sujeitos a reajustes, conforme previsto na Cláusula Décima Quarta, fls. 202, pela variação do IGPM/FGV. Já é pacifico o entendimento neste Egrégio Conselho de que no caso de exploração de serviços públicos através de contratos de concessão, geralmente por longo prazo, é necessário refletir contabilmente as variações ativas e passivas decorrentes das aquisições do direito de exploração, como também dos financiamentos obtidos para a realização do negócio. Devendo assim serem contabilizadas tanto as amortizações do ativo, como também as despesas do financiamento a longo prazo. Foi assim decido em caso semelhante pela Terceira Câmara deste Primeiro Conselho de Contribuintes do MF pelo Acórdão 103-21180 de 18/03/2003, cuja ementa se transcreve: *RR/ - CONCESSÃO DE SERVIÇO PÚBLICO. AMORTIZAÇÃO - Os gastos com projetos e obras de melhoramento e recuperação de pista e respectivos acessos, efetuados em rodovias objeto de concessão, bem como os gastos iniciais de natureza administrativa, por representarem capital aplicado na aquisição de direitos cuja existência ou exercício tenham duração limitada, deverão ser amortizados em prazo não superior a 10 (dez) anos, a partir do início da operação normal ou do exercício em que passem a ser usufruídos os benefícios deles decorrentes." Outro acórdão em semelhante caso, com provimento por unanimidade à recorrente, Acórdão 101-94337 de 09/09/2003, foi assim ementado: "PERÍODO PRÉ - OPERACIONAL. Os custos, encargos ou despesas, registrados no ativo diferido que contribuirão para a formação do resultado de mais de um período de apuração devem ser amortizados a partir do início das operações, independentemente do resultado positivo ou de lucro. Quando a implantação da empresa se processar por etapas, cada fase da implantação deve ser bem definida, a fim de que as to , tf--isk-.t MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CAMAFtA Processo n°. :10907.001984/2002-66 Acórdão n°. : 108-08.801 amortizações das despesas pré-operacionais fiquem vinculadas a cada etapa (PN/CST n° 11055). IRPJ. APURAÇÃO DE RESULTADOS. RECEITAS E DESPESAS. Na apuração de resultados de um período, devem os custos, despesas operacionais e encargos devem ser computados com as receitas, consoante comando expresso no artigo 187, inciso I e II e § 1°, letra 'a' e 'b', da Lei n" 6.404/76 e artigo r do Decreto-lei n° 1598/77." No caso dos autos devem ser considerados como dedutiveis pelo regime de competência, as despesas financeiras incorridas, as variações monetárias passivas decorrentes de reajustamento do valor financiado com base em índice contratualmente ewencado, por se tratar de caso de contrato de concessão para exploração de terminal portuário efetuado entre o particular e o ente público. Não teria havido no procedimento da contribuinte nenhuma afronta aos princípios contábeis geralmente aceitos e nem mesmo à Lei Fiscal, ao registrar os fatos, e não os atos, concernentes ao contrato de concessão assumido pelo regime de competência. Ocorre, contudo, que não se verificou fato algum que merecesse registro contábil, mas apenas um ato administrativo, para o qual se deu o registro contábil, como se fosse um fato modificativo do patrimônio da pessoa jurídica. Foi apenas um ato, foi firmado um contrato de concessão entre o contribuinte e a APPA — Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina. Os registros contábeis são originários de fatos administrativos e não atos administrativos. No máximo a contribuinte poderia retratar em seu Balanço Patrimonial a existência de tal contrato, se quisesse registrar tal ato em rubricas do grupo de Compensação, e não em contas patrimoniais. Não houve aquisição de um Direito de Exploração mediante pagamento da importância pactuada em contrato, aliás a importância contabilizada foi descrita como valor estimado do contrato. liv. (C9 11 . . . ..,. . • . , . 4.:2.1:-.t. MINISTÉRIO DA FAZENDA44 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 0.-n!̀ r> OITAVA CÂMARA Processo n°. :10907.001984/2002-66 Acórdão n°. :108-08.801 Os pagamentos mensais contratados é que deveriam ser contabilizados como custos operacionais, como fixado na cláusula décima segunda, e não uma amortização mensal de um valor global estimado, que não poderia ser considerado como ativo diferido. Tampouco poderia ser considerado uma dívida inexistente, no passivo circulante ou exigível a longo prazo. Os valores que foram ou serão despendidos pelo contribuinte, durante a execução do contrato, serão considerados como benfeitorias em imóveis de terceiros, e como neste contrato não passíveis de indenização ao seu final, podem ser amortizadas no curso do contrato de concessão. Esta determinação está contida na Lei n°. 4.506, de 1964, art. 58, Decreto-Lei n°. 1.598 de 1977, art. 15, § 1°, e retratados nos artigo 324 e 325 do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto 3.000/99, "in verbis": "Art. 324. Poderá ser computada como custo ou encargo, em cada período de apuração, a importância correspondente à recuperação do capital aplicado, ou dos recursos aplicados em despesas que contribuam para a formação do resultado de mais de um período de apuração. Art. 325. Poderão ser amortizados: 1- o capital aplicado na aquisição de direitos cuja existência ou exercício tenha duração limitada, ou de bens cuja utilização pelo contribuinte tenha o prazo legal ou contratualmente limitado, tais como: a) omissis... b) investimento em bens que, nos termos da lei ou contrato que regule a concessão de serviço público, devem reverter ao poder concedente, ao fim do prazo da concessão, sem indenização; c) omissis... ci) d) custos das construções ou benfeitorias em bens locados ou arrendados, ou em bens de terceiros, quando não houver direito ao recebimento de seu valor" Entendo como incorreto o procedimento contábil da contribuinte, registrando no ativo diferido (amortizável) e, no passivo circulante e exigível a I ngo 12 • • 4.1 is. _ . ; MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • P , OITAVA CÂMARA Processo n°. :10907.001984/2002-66 Acórdão n°. : 108-08.801 prazo o valor do contrato firmado com a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina APA, com os reflexos tributários pretendidos. Por tudo exposto, entendo como correta as conclusões do acórdão recorrido indeferindo a restituição pleiteada, pelo que nego provimento ao recurso voluntário. É o voto. Sala das Sessões - DF, em 27 de abril de 2006. ' MARGIL / ss .e, GILNUNEs 13 Page 1 _0001900.PDF Page 1 _0002000.PDF Page 1 _0002100.PDF Page 1 _0002200.PDF Page 1 _0002300.PDF Page 1 _0002400.PDF Page 1 _0002500.PDF Page 1 _0002600.PDF Page 1 _0002700.PDF Page 1 _0002800.PDF Page 1 _0002900.PDF Page 1 _0003000.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10880.064567/92-37
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jun 16 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Thu Jun 16 00:00:00 UTC 2005
Ementa: PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. A apresentação da impugnação suspende o início da contagem da prescrição em virtude da consolidação do lançamento somente ocorrer por ocasião da decisão definitiva na esfera administrativa. A partir da ciência da decisão definitiva, inicia-se o prazo para a fazenda cobrar o seu crédito já líquido e certo, e também o prazo prescricional. Este é o entendimento, não só deste Tribunal Administrativo, mas também do Supremo Tribunal Federal. ( CTN arts. 151 e 174)
OMISSÃO DE RECEITA - PASSIVO FICTÍCIO – O fato da maior parte do passivo tido inicialmente como fictício ter sido comprovado, não invalida o lançamento daquilo que efetivamente constou como obrigação e intimado o contribuinte não comprova ter liquidado no período seguinte.
ARRENDAMENTO MERCANTIL. Não havendo concentração de valores em determinado período, o fato do valor ínfimo residual, não justifica a glosa dos valores pagos a título de arrendamento de bens.
Numero da decisão: 105-15.178
Decisão: ACORDAM os Membros da QUINTA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de prescrição intercorrente, e, no mérito DAR provimento PARCIAL ao
recurso para afastar a tributação calcada na glosa de despesa com arrendamento mercantil. Ausente, momentaneamente o conselheiro Eduardo da Rocha Schmidt.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
Nome do relator: Nadja Rodrigues Romero
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200506
ementa_s : PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. A apresentação da impugnação suspende o início da contagem da prescrição em virtude da consolidação do lançamento somente ocorrer por ocasião da decisão definitiva na esfera administrativa. A partir da ciência da decisão definitiva, inicia-se o prazo para a fazenda cobrar o seu crédito já líquido e certo, e também o prazo prescricional. Este é o entendimento, não só deste Tribunal Administrativo, mas também do Supremo Tribunal Federal. ( CTN arts. 151 e 174) OMISSÃO DE RECEITA - PASSIVO FICTÍCIO – O fato da maior parte do passivo tido inicialmente como fictício ter sido comprovado, não invalida o lançamento daquilo que efetivamente constou como obrigação e intimado o contribuinte não comprova ter liquidado no período seguinte. ARRENDAMENTO MERCANTIL. Não havendo concentração de valores em determinado período, o fato do valor ínfimo residual, não justifica a glosa dos valores pagos a título de arrendamento de bens.
turma_s : Quinta Câmara
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 16 00:00:00 UTC 2005
numero_processo_s : 10880.064567/92-37
anomes_publicacao_s : 200506
conteudo_id_s : 4257601
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 105-15.178
nome_arquivo_s : 10515178_141792_108800645679237_015.PDF
ano_publicacao_s : 2005
nome_relator_s : Nadja Rodrigues Romero
nome_arquivo_pdf_s : 108800645679237_4257601.pdf
secao_s : Primeiro Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da QUINTA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de prescrição intercorrente, e, no mérito DAR provimento PARCIAL ao recurso para afastar a tributação calcada na glosa de despesa com arrendamento mercantil. Ausente, momentaneamente o conselheiro Eduardo da Rocha Schmidt.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 16 00:00:00 UTC 2005
id : 4684357
ano_sessao_s : 2005
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:21:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713042858190045184
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-15T15:39:31Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-15T15:39:30Z; Last-Modified: 2009-07-15T15:39:31Z; dcterms:modified: 2009-07-15T15:39:31Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-15T15:39:31Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-15T15:39:31Z; meta:save-date: 2009-07-15T15:39:31Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-15T15:39:31Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-15T15:39:30Z; created: 2009-07-15T15:39:30Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; Creation-Date: 2009-07-15T15:39:30Z; pdf:charsPerPage: 1692; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-15T15:39:30Z | Conteúdo => : • CCOI/CO5 Fls. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA ‘qP • : ap PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES "tir- ';: 712-fn > QUINTA CÂMARA Processo n° 10880.064567/92-37 Recurso n° 141.792 Voluntário Matéria IRPJ - e OUTROS Ex(S): 1989 Acórdão n° 105- 15.178 Sessão de 16 de junho de 2005 Recorrente F. L. SMIDTH LTDA. Recorrida 1' TURMA/DRJ -CURITIBA/PR PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. A apresentação da impugnação suspende o início da contagem da prescrição em virtude da consolidação do lançamento somente ocorrer por ocasião da decisão definitiva na esfera administrativa. A partir da ciência da decisão definitiva, inicia-se o prazo para a fazenda cobrar o seu crédito já líquido e certo, e também o prazo prescricional. Este é o entendimento, não só deste Tribunal Administrativo, mas também do Supremo Tribunal Federal. ( CTN arts. 151 e 174) OMISSÃO DE RECEITA - PASSIVO FICTÍCIO — O fato da maior parte do passivo tido inicialmente como fictício ter sido comprovado, não invalida o lançamento daquilo que efetivamente constou como obrigação e intimado o contribuinte não comprova ter liquidado no período seguinte. ARRENDAMENTO MERCANTIL. Não havendo concentração de valores em determinado período, o fato do valor ínfimo residual, não justifica a glosa dos valores pagos a título de arrendamento de bens. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso apresentado pela F. L. SMIDTH LTDA ACORDAM os Membros da QUINTA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de prescrição intercorrente, e, no mérito DAR provimento PARCIAL ao recurso para afastar a tributação calcada na glosa de despesa com arrendamento mercantil. Ausente, momentaneamente o conselheiro Eduardo da Rocha Schmidt. . , • Processo n.° 10880.064567/92-37 CCOI/CO5 . Acórdão n.° 105- 15.178 Fls. 2 J *VIS • , S. P ESIDENTE e RELATOR "AD HOC" FORMALIZADO EM: 30 NOV 2007 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: NADJA RODRIGUES ROMERO, DANIEL SAHAGOFF, ADRIANA GOMES REGO, CLÁUDIA LÚCIA PIMENTEL MARTINS DA SILVA, IRINEU BIANCHI e JOSÉ CARLOS PASSUELLO. .' • Processo ri•° 10880.064567/92-37 CCOI/CO5 Acórdão s. 105- 15.178 Fls. 3 Relatório F. L. SMIDTH LTDA, já qualificado nos autos, inconformado com a decisão contida no acórdão n° 5.238 de 18.12.03, proferido pela 1 3 Turma da DRJ em Curitiba PR, apresenta recurso voluntário a este colegiado, objetivando a reforma do a resto. Adoto o relatório da DRJ. Lavraram-se contra a epigrafada autos de infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), da Contribuição para o Programa de Integração Social (Pis), modalidade Faturamento, e da Contribuição ao Fundo de Investimento Social (Finsocial), modalidade Faturamento, relativos ao exercício de 1989, conforme se vê de fls. 554 a 558 (IRPJ), 922 a 924 (CSLL), 1.012 a 1.014 (IRRF), 1.101 a 1.103 (Pis Faturamento) e 1.189 a 1.191 (Finsocial Faturamento), respectivamente. 2. Decorreram esses procedimentos fiscais da constatação de ter havido, naquele período: 1. passivo fictício, relativamente a parte da conta "Fornecedores"; 2. não-reconhecimento de variação monetária ativa de depósito judicial; 3. ausência de comprovação da efetiva prestação de serviços relativos a despesas com comissões; 4. despesas indedutíveis de arrendamento mercantil, em face da estipulação de valor residual mínimo; 5. ativo imobilizado lançado como despesa; 6. despesa indedutível de pagamento de aluguel para moradia de funcionários; 7. ausência de contabilização de receita não operacional (doação); e 8. ativo diferido lançado como despesa. 3. Como enquadramentos legais foram citados os seguintes artigos: a) 157, § 1 2, 158, 172, 180, 191, e §§, 193, 197, 209, II, "h", 235, e §§, 239, 254, 289, 344 e 387, 1 e II, do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n2 85.450, de 4 de dezembro de 1980 (RIR/1980) (IRPJ); b) 22, e §§, da Lei n2 7.689, de 15 de dezembro de 1988 (CSLL); ., • Processo n.• 10880.064567/92-37 CC01/CO5 Acórdão ri.° 10$- 15.178 Fls. 4 c) 82 do Decreto-lei n2 2.065, de 26 de outubro de 1983 c/c 35 da Lei n2 7.713, de 22 de dezembro de 1988 (IRRF); d) 32, alínea "b", e 62, parágrafo único, da Lei Complementar n9 7, de 7 de setembro de 1970, c/c 42, alínea "b", e § 1 2, e 72, e §§, do Regulamento anexo à Resolução n2 174, de 25 de fevereiro de 1971, do Banco Central do Brasil, item 3, e subitens, da Norma de Serviço CEF/Pis n2 2, de 27 de maio de 1971, 1 2, parágrafo único, da Lei Complementar n2 17, de 12 de dezembro de 1973, 1 2, V, e § 22, do Decreto-lei n2 2.445, de 29 de junho de 1988, 11 da Lei ri 2 7.689, de 15 de dezembro de 1988, Lei n2 7.691, de 15 de dezembro de 1988, Lei n 2 7.714, de 29 de dezembro de 1988, e 52 da Lei n2 8.019, de 11 de abril de 1990 (Pis Faturamento); e e) 1 2, §1 2, do Decreto-lei n2 1.940, de 25 de maio de 1982, r, 16,80 e 83, do Regulamento do Finsocial (Recofis) aprovado pelo Decreto n2 92.698, de 21 de maio de 1986, c/c 22 do Decreto-lei n2 2.397, de 21 de dezembro de 1987, 1 2 da Lei n2 7.691, de 15 de dezembro de 1988, 28 da Lei n2 7.738, de 9 de março de 1989, 72 da Lei n2 7.787, de 30 de junho de 1989, 1 2 da Lei n2 7.894, de 24 de novembro de 1989, e 1 2 da Lei n9 8.147, de 28 de dezembro de 1990 (Finsocial Faturamento). 4. Os créditos constituídos correspondem a 90.808,93 Ufir (IRPJ), 18.161,77 Ufir (CSLL), 23.673,05 Ufir (IRRF), 594,13 Ufir (Pis Faturamento) e 568,14 Ufir (Finsocial Faturamento), multa de oficio de 50 % (cinqüenta por cento) e juros de mora. 5. Instruem o feito fiscal Termo de Início de Fiscalização, intimações e respectivas respostas, Termos de Verificação ri2s 01 a 08, Termo de Encerramento de Ação Fiscal, Relatório Final de Fiscalização, e cópias de auto de infração de IRPJ e de documentos já mencionados (fls. 1 a 447, 449 a 553, 559 e 560, 891 a 921, 981 a 1.011, 1.070 a 1.100 e 1.158 a 1.188). 6. Cientificada da pretensão fazendária em 23/10/1992, sexta-feira (fls. 558, 924, 1.014, 1.101 e 1.189), tempestivamente, em 09/12/1992, após prorrogação de prazo (fls. 562 a 564, 926 a 928, 1.016 a 1.018, 1.105 a 1.107 e 1.193 a 1.195), apresenta a autuada impugnações de fls. 565 a 590, 929 a 931, 1.019 e 1.020, 1.108 e 1.109 e 1.196 e 1.197, nelas argumentando, em síntese: Processo o' 10880.064567/92-37 MOUCOS Ao5rdão n.• 105- 15.178 Fls. 5 a) que foi autuada por, supostamente, praticar diversas irregularidades, como descrito e detalhado nos Termos de Verificação, em número de 8 (oito), que fazem parte integrante do auto de infração; b) que, após analisar tais Termo de Verificação, por questões práticas, resolveu recolher o imposto lançado (e seus acréscimos) referente aos Termos de n2s 03, 05, 06 e 08, muito embora entenda que nada é devido; c) que entende que os fatos apontados como irregulares nos Termos de Verificação n2s 01, 02, 04 e 07 não correspondem à realidade e, destarte, o crédito tributário exigido não é devido; d) que, no tocante ao Termo de n 2 01 (passivo fictício), é uma empresa industrial que fornece bens de capital para diversas empresas de grande porte no mercado nacional, estatais inclusive; e) que, usualmente, contrata diversos subfomecedores que lhe vendem inúmeros bens; O que, sendo essas operações e fornecimentos de longo prazo e de elevados valores, e diante do costume do mercado, recebe e paga diversos adiantamentos; g) que todos os pagamentos realizados antes da entrega do bem são, invariavelmente, registrados na conta de "Adiantamentos a Fornecedores"; h) que, quando da quitação, compensava a conta de "Adiantamentos a Fornecedores" com a conta de "Fornecedores", muito embora, com relação a alguns fornecedores, nem sempre esse procedimento tenha sido realizado; I) que, de qualquer maneira, no final do período, a pendência da conta passiva – "Fornecedores" – guardava correspondência com a mesma pendência na conta ativa – "Adiantamentos a Fornecedores" —, descaracterizando, completamente, a presunção de omissão de receita, pela inexistência de Passivo Fictício; j) que, se falha houve, é contábil, e não pode embasar a presunção fiscal; k) que, com efeito, faltou, tão-somente, o registro contábil debitando a conta de "Fornecedores' (passivo) e, como contrapartida, creditando a conta de "Adiantamentos a Fornecedores" (ativo); Processo n.° 10880.064567/92-37 CCOI/CO5 Acórdão n.° 105- 15.178 Fls. 6 I) que, indevida, pois, a exigência deste tópico, embasada em presunção fiscal que desconsiderou referida situação; m) que, com relação ao Termo de Verificação n 2 02 (depósito judicial), o montante desse depósito corresponde ao mútuo realizado com a empresa Cimento Mauá S/A., sendo essa empresa responsável por tal contingência fiscal, pois, em decorrência de obrigações contratuais, assumiu todo e eventual encargo financeiro tributário existente no fornecimento dos bens/mercadorias realizado pela impugnante; n) que não reconheceu a variação monetária sobre esse depósito, na apuração de seu lucro, por entender que esse procedimento não lhe é exigido; o) que, antes do deslinde do processo, na data da liberação do depósito, ou, ainda, após o trânsito em julgado da lide, é que a renda efetivamente é auferida; p) que, anteriormente, não há renda, apenas expectativa de renda; q) que, mesmo que assim não se entenda, há de se ressaltar que não houve nenhum prejuízo para o Fisco, uma vez que não contabilizou a correspondente variação monetária passiva da conta "Adiantamentos Especiais de Clientes", que anularia o efeito do eventual reconhecimento da variação monetária ativa do depósito judicial; r) que, quanto ao Termo de Verificação n2 04 (arrendamento mercantil), o tema "dedutibilidade de despesas de arrendamento mercantil" tem merecido insistente "perseguição" pela Receita Federal, quase sempre seguida de invariável refutação pelos contribuintes, gerando, atualmente, decisões administrativas e julgados judiciais favoráveis às empresas; s) que os contratos de arrendamento mercantil atenderam plenamente à legislação vigente na ocasião, qual seja, a Lei n 2 6.099, de 1974, e a regulamentação editada pelo Banco Central do Brasil, órgão responsável pela normatização dos procedimentos do leasing e responsável, também, pela fiscalização das empresas arrendadoras; t) que as prestações foram estabelecidas de forma linear, não tendo havido concentração exagerada no início do contrato (a variação mensal decorreu unicamente da inflação); . • Processo n.• 10880.064567/92-37 CCOI/CO5 Acórdão n.° 105- 15.178 Fls. 7 u) que o ínfimo valor residual foi estabelecido por conveniência das partes, e não é vedado pelo Banco Central, a quem incumbe regulamentar as condições dos contratos de arrendamento mercantil v) que é irrelevante o valor maior ou menor do "preço para opção de compra", seja ele fixado desde logo no próprio contrato, seja ele decorrente de fixação posterior, segundo critério pré-estabelecido; w) que a Coordenação do Sistema de Tributação, no Parecer Normativo CST n2 18, de 1987, admite que o preço para exercício de opção de compra seja Irrisório"; x) que a alegação fiscal de que "... a fixação do valor residual do bem objeto da operação em valor simbólico desvirtua a essência do contrato de leasing e dos princípios em que se assenta, convertendo-o em instrumento de compra e venda a prazo" confronta a própria posição da CST, no citado Parecer Normativo CST n218, de 1987; y) que, logo, não há que se falar em adição ao lucro real das despesas de contratos de leasing, uma vez que estas se referem a despesas operacionais e, portanto, dedutíveis do IRPJ; z) que, relativamente ao Termo de Verificação n2 07 (omissão de receita não operacional), esse valor corresponde a um depósito judicial realizado como garantia de instância num processo no qual se discute a cobrança contra si, realizada pela Fazenda Federal, a titulo do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) não recolhido, supostamente devido em virtude do fornecimento de equipamentos e de sua montagem para a empresa compradora, Cimento Mauá S/A.; aa)que, diante dessa cobrança do Fisco Federal, ficou acertado, como prova o Contrato de Mútuo, que a compradora, Cimento Mauá S/A., assumiria o ônus financeiro de garantir o Juízo, para evitar os efeitos da mora, ou até para evitar reais prejuízos para a impugnante, responsabilizando-se, também, pela condução técnica do processo e por todos os outros custos; bb)que, como exposto, essa operação foi documentada por um Contrato de Mútuo, no qual todos os fatos ficaram suficientemente esclarecidos, não pairando nenhuma dúvida sobre a sua legalidade e existência; Processo n.° 10880.064567/92-37 CCOUCO5 Acórdão n.° 105- 15.178 Fls. 8 cc) que não pode a fiscalização pretender descaracterizá-lo, argumentando inexistir neste, por exemplo, prazo, data e juros; dd)que o contrato mencionado reveste-se de todas as formalidades exigidas pela legislação civil, constando a data da última folha deste; ee)que o prazo, estipulado numa cláusula de condição resolutiva, subordina o contrato e o prazo de pagamento do empréstimo a um evento futuro e incerto, quando, então, o valor depositado seria devolvido (na hipótese de ganho do processo judicial) ou corresponderia, definitivamente, aí sim, a uma receita da impugnante, como indenização pelo prejuízo sofrido (o pagamento do tributo exigido no processo); ff) que a estipulação de juros não é obrigatória e, em muitos contratos, só é estipulada cláusula de correção monetária que, nesse contrato, é óbvio, está atrelada aos mesmos índices utilizados para a correção dos depósitos judiciais; gg)que inexiste "aquisição de renda" que justifique a tributação desses valores recebidos da Cimento Mauá S/A.; hh)que esse Termo de Verificação n2 07 está correlacionado com o de n2 02, no qual fica claro ter sido o numerário recebido depositado judicialmente; ii) que, só no final do processo, quando do seu deslinde, é que, eventualmente, a impugnante adquirirá a "renda", se perder o processo, pois somente nesse instante o valor "mutuado" passaria a pertencer a ela; jj) que, por enquanto, vige a cláusula de "condição suspensiva" do contrato, que, por si, não caracteriza "aquisição" de renda; kk)que a operação de mútuo dos numerários ocorreu para possibilitar que fossem realizados os depósitos judiciais, como, inclusive, claramente reconheceu a fiscalização; II) que não há razão para descaracterizar o mútuo, transformando-o em doação; mm) que o entendimento da Fiscalização também não merece prosperar com relação a este tópico; nn)que, relativamente à CSLL, as despesas indedutíveis para o IRPJ não o são para essa contribuição, conforme as normas que regulam sua base de cálculo; . , Processo n.° 10880.064567/92-37 CCOI/CO5 Acórdão n.° 105- 15.178 Fls. 9 oo)que, nesse pormenor, é improcedente esse auto de infração, porque sua base de cálculo não teria sido indevidamente diminuída, no tocante às despesas indedutiveis; e pp)que o período lançado é o findo em 31/12/1988, tendo o Supremo Tribunal Federal, recentemente, julgado inconstitucional a cobrança dessa contribuição sobre o lucro apurado em 1988. Requer, ao final, seja efetuada perícia com o objetivo da verificação da existência de pendência de contas no Passivo ("Fornecedores") e no Ativo ("Adiantamentos a Fornecedores"), indicando, para tanto, o seu perito e os quesitos a serem respondidos. Levado a julgamento a 1° Turma da DRJ em Curitiba Preto decidiu por maioria de votos pela procedência parcial dos lançamentos, calcada nas razões de decidir traduzidas na ementa abaixo transcrita. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1989 Ementa: PASSIVO FICTÍCIO. PENDÊNCIA NO ATIVO E NO PASSIVO. Somente será improcedente a presunção de omissão de receita se a alegada pendência, no Passivo, de obrigações, compensável com idêntica pendência em conta de Ativo, sendo ambos os saldos divergentes entre si, for devidamente demonstrada, com todos os lançamentos contábeis pertinentes, inclusive os de compensação no período subseqüente. DEPÓSITOS JUDICIAIS. VARIAÇÃO MONETÁRIA ATIVA. INSUBSISTÊNCIA. Evidenciado nos autos que a empresa não reconhecera como ente redutor do seu lucro líquido os efeitos da variação monetária passiva defluentes de depósito judicial, descabe a exigência a título desta mesma rubrica como receita. ARRENDAMENTO MERCANTIL. VALOR RESIDUAL MÍNIMO. Caracterizam-se como de compra e venda, sujeitando-se às normas previstas no art. 235 e §§ do RIR de 1980, os contratos que, embora se revistam da forma de arrendamento mercantil, pactuem valor residual irrisório. . , • Processo n.• 10880.064567/92-37 CCOI/CO5 Acórdão n.°105- 15.178 Fls. 10 DOAÇÃO. NÃO-CARACTERIZAÇÃO. Não se confunde com doação o ajuste em que uma das partes, por força de compromisso anterior, se obriga a arcar com todos os possíveis encargos fiscais decorrentes de decisão sua, e que podem vir a atingir a outra parte. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 1989 Ementa: LEI 7.689, DE 1988. NORMA LEGAL DECLARADA INCONSTITUCIONAL. Fica cancelado o lançamento referente à CSLL, incidente sobre o resultado apurado no período-base encerrado em 31/12/1988 (art. 18, I, da Lei n2 10.522, de 2002). Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 1989 Ementa: IRRF. PIS FATURAMENTO. FINSOCIAL FATURAMENTO. ORIENTAÇÃO DECISÕRIA. Dada a íntima relação existente entre os fatos motivadores da exigência do IRPJ e aqueles relativos às do IRRF, do Pis Faturamento e do Finsocial Faturamento, e não havendo nenhuma argumentação específica, estende-se, a estas últimas, a orientação decisória adotada naquela. IMPUGNAÇÃO. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 04/02/1991 a 29/07/1991 Ementa: JUROS DE MORA. TRD. EXCLUSÃO. Ficam excluídos os juros moratórios calculados com base na Taxa Referencial Diária (TRD), no período de 04/02/1991 a 29/07/1991, remanescendo, nesse período, juros de mora à razão de 1 °A. (um por cento) ao mês, de acordo com a legislação pertinente. Inconformado com a decisão de Primeira Instância a empresa, apresentou o recurso de folhas 1.315 a 1.341, argumentando em epítome, o seguinte. PRELIMINAR — PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE Argumenta que os lançamentos foram realizados em 1.992 e somente em 2003, onze anos depois é que foram julgados pela Primeira Instância, não sendo a matéria complexa injustificada fora a demora, pelo que entende decaído o direito da União em virtude da prescrição intercorrente. 97 Processo n.°10880.064567/92-37 CCOI/CO5 Acórdão n.• 105- 15.178 FIs.II MÉRITO B — Passivo fictício. Argumenta que a maioria 70% dos pagamentos foram comprovados documentalmente e afastada portanto a presunção de omissão de receitas pela DRJ. Diz não ter lógica a atitude da DRJ pois o procedimento adotado era o mesmo para todos os fornecedores. Passa a descrever a forma do relacionamento com os fornecedores. Conclui que de acordo com a documentação apresentada não há passivo fictício a ser tributado. Passa a demonstrar um a um os fornecedores, Fabrica de Aços Paulista S/A, Aços Villares S/A, Villares In. De Base S/A e Electro Aço Autona S/a, com a documentação que no seu entendimento mostraria a inexistência da base tributável. Diz ter ocorrido em relação aos fomecedores citados o mesmo que ocorrera para o fornecedor Aumund do Brasil S/A. Conclui que os valores quitados e baixados no período subseqüente e, em 31.12.88, guardavam idêntica correspondência com a conta do ativo "adiantamentos a Fornecedores, razão pela qual merece ser reformada a decisão nesse particular. Pede se for o caso a realização de diligência. ARRENDAMENTO MERCANTIL Afirma recorrente que os contratos apresentados atenderam plenamente a Lei 6.099/74 e Resolução BACEN 980/84. A sociedade arrendadora não tem nenhuma ligação com a arrendatária. Não houve concentração de pagamentos no início dos contratos e ínfimo valor não é motivo que acarrete a vedação do tratamento como arrendamento e, por conseguinte o direito de deduzir as prestações como despesa. IRROTROATIVIDADE DE LEIS — APLICAÇÃO TAXA SELIC E TRD SOBRE FATOS GERADORES OCORRIDOS ANTERIORMENTE. Argumenta o recorrente que para a cobrança dos juros moratórios não foi observado o princípio da irretroatividade das leis, pois tanto a SELI como a TRD não existiam na época da ocorrência dos fatos geradores. .92 .. • Processo n.• 10880.064567/92-37 CO31/CO5 Acórdão n.° 105- 15.178 Fls. 12 Invoca o artigo 144 do CTN dizendo que não se aplica somente ao principal, mas também aos acessórios, juros e multa. INAPLICABILIDADE DA TAXA DE JUROS SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Argumenta que a multa de oficio tem natureza punitiva, e sendo uma sanção, e na medida em que existe uma forma de indenização com os juros de mora e correção monetária, toma-se abusiva a incidência de juros sobre a multa de oficio. Solicita então a exclusão da correção monetária e dos juros sobre a multa de oficio e se assim não entender que os juros sejam calculados a 1% ao mês a partir da impugnação. Pede o provimento do recurso. i?É o relatório • Processo n.° 10880.064567/92-37 CCOI/CO5 Acórdão n.* 105- 15.178 Fls. 13 Voto Conselheiro JOSE CLOVIS ALVES, Relator "AD HOC" O recurso é tempestivo dele tomo conhecimento. Inicialmente cabe informar que o acórdão está sendo formalizado somente agora novembro de 2.007 em razão da saída da transferência da conselheira relatora para o 2° Conselho de contribuintes e a renúncia do conselheiro designado para redigir o voto, Daniel Sahagoff. PRELIMINAR — PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE Argumenta que os lançamentos foram realizados em 1.992 e somente em 2003, onze anos depois é que foram julgados pela Primeira Instância, não sendo a matéria complexa injustificada fora a demora, pelo que entende decaído o direito da União em virtude da prescrição intercorrente. Não assiste razão à recorrente, primeiro porque o crédito encontra-se suspenso, segundo em virtude de ausência de legislação que determine a perda do direito por parte da União em virtude da demora no curso do contencioso administrativo. Ressalte-se que o processo administrativo tem efeito constitutivo e declaratório, assim somente após o seu término é que pode se falar na existência de crédito e uma eventual perda do direito na demora em se cobrar o valor constituído. Rejeito a preliminar. MÉRITO PASSIVO FICTÍCIO. Inicialmente cabe salientar a desnecessidade de diligência uma vez que as provas colacionadas aos autos são suficientes para formação da convicção. Em relação a essa matéria cabe salientar, que a única forma de se comprovar a inexistência de passivo fictício é demonstrando documentalmente que a quitação dos títulos que passaram em aberto foram efetivamente quitados no ano seguinte. Não há como se dar provimento com base em estatísticas, em mapas ou demonstrativos sem a prova efetiva da quitação supra mencionada. ' Processo n.° 10880.064567/92-37 CC01/CO5 Acórdão n.° 105- 15.128 Fls. 14 Confirmo a decisão de primeira instância, com os argumentos nela contidos como se aqui estivessem escritos. ARRENDAMENTO MERCANTIL Afirma recorrente que os contratos apresentados atenderam plenamente a Lei 6.099/74 e Resolução BACEN 980/84. A sociedade arrendadora não tem nenhuma ligação com a arrendatária. Não houve concentração de pagamentos no início dos contratos e ínfimo valor não é motivo que acarrete a vedação do tratamento como arrendamento e, por conseguinte o direito de deduzir as prestações como despesa. Em relação a esta matéria assiste razão à recorrente, adoto como razão de decidir os argumentos expendidos no voto vencido da decisão atacada como se aqui estivesse escrita. IRROTROATIVIDADE DE LEIS — APLICAÇÃO TAXA SELIC E TRD SOBRE FATOS GERADORES OCORRIDOS ANTERIORMENTE. Argumenta o recorrente que para a cobrança dos juros moratórios não foi observado o princípio da irretroatividade das leis, pois tanto a SELI como a TRD não existiam na época da ocorrência dos fatos geradores. Invoca o artigo 144 do CTN dizendo que não se aplica somente ao principal, mas também aos acessórios, juros e multa. Embora seja matéria de execução, não me furto a examinar. A TRD foi afastada pela decisão de primeira instância. Quanto aos juros com base na taxa SELIC é matéria já sumulada pelo 1° CC, SUMULA N° 4, e incide a partir de abril de 1.995, nos períodos pretéritos deve ser regido pela legislação anterior. INAPLICABILIDADE DA TAXA DE JUROS SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Argumenta que a multa de oficio tem natureza punitiva, e sendo uma sanção, e na medida em que existe uma forma de indenização com os juros de mora e correção monetária, toma-se abusiva a incidência de juros sobre a multa de ofício. . . • Processo n.° 10880.064567/92-37 CCOI/CO5 Acórdão n.• 105- 15.178 Fls. 15 Solicita então a exclusão da correção monetária e dos juros sobre a multa de ofício e se assim não entender que os juros sejam calculados a 1% ao mês a partir da impugnação. Não assiste razão à recorrente, pois inexiste previsão legal para a dispensa de correção monetária que é nada mais que uma atualização monetária, ou seja, trazer para o momento atual, ou até a data em que vigorou a correção, o valor devido. Quanto aos juros são devidos sobre a multa conforme artigo 63 da Lei 9.430/96. Assim conheço do recurso como tempestivo rejeito a preliminar de prescrição intercorrente e no mérito voto para dar-lhe provimento parcial para afastar a tributação calcada na glosa de despesa com arrendamento mercantil. Sala das Sessões, em 16 de junho de 2005 Á ) P JO = Liii• ALVi . Page 1 _0006100.PDF Page 1 _0006200.PDF Page 1 _0006300.PDF Page 1 _0006400.PDF Page 1 _0006500.PDF Page 1 _0006600.PDF Page 1 _0006700.PDF Page 1 _0006800.PDF Page 1 _0006900.PDF Page 1 _0007000.PDF Page 1 _0007100.PDF Page 1 _0007200.PDF Page 1 _0007300.PDF Page 1 _0007400.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10925.001222/2004-11
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Sep 22 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Fri Sep 22 00:00:00 UTC 2006
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – Não restando comprovada a ocorrência de preterição do direito de defesa nem de qualquer outra hipótese expressamente prevista na legislação, não há que se falar em nulidade do lançamento. Se a autuada revela conhecer as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as de forma meticulosa, com impugnação que abrange questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
PIS – RECEITAS DE EXPORTAÇÃO – ISENÇÃO – São isentas da contribuição para o PIS as receitas da exportação de mercadorias para o exterior, de vendas realizadas pelo produtor-vendedor às empresas comerciais exportadoras desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior, bem como de vendas efetuadas com o fim específico de exportação para o exterior a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA – APLICABILIDADE – É aplicável a multa de ofício qualificada de 150%, naqueles casos em que, no procedimento de ofício, constatado resta que à conduta do contribuinte esteve associado o evidente intuito de fraude, caracterizado pela prática reiterada de omissão de receitas.
Numero da decisão: 101-95.774
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir da tributação as parcelas devidamente comprovadas relativas às exportações realizadas nos anos de 2001 e
2004, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri e João Carlos de Lima Júnior que também reduziram a multa de ofício para 75%.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Paulo Roberto Cortez
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : PIS - ação fiscal (todas)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200609
ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – Não restando comprovada a ocorrência de preterição do direito de defesa nem de qualquer outra hipótese expressamente prevista na legislação, não há que se falar em nulidade do lançamento. Se a autuada revela conhecer as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as de forma meticulosa, com impugnação que abrange questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. PIS – RECEITAS DE EXPORTAÇÃO – ISENÇÃO – São isentas da contribuição para o PIS as receitas da exportação de mercadorias para o exterior, de vendas realizadas pelo produtor-vendedor às empresas comerciais exportadoras desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior, bem como de vendas efetuadas com o fim específico de exportação para o exterior a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA – APLICABILIDADE – É aplicável a multa de ofício qualificada de 150%, naqueles casos em que, no procedimento de ofício, constatado resta que à conduta do contribuinte esteve associado o evidente intuito de fraude, caracterizado pela prática reiterada de omissão de receitas.
turma_s : Primeira Câmara
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 22 00:00:00 UTC 2006
numero_processo_s : 10925.001222/2004-11
anomes_publicacao_s : 200609
conteudo_id_s : 4155868
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 15 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 101-95.774
nome_arquivo_s : 10195774_144015_10925001222200411_018.PDF
ano_publicacao_s : 2006
nome_relator_s : Paulo Roberto Cortez
nome_arquivo_pdf_s : 10925001222200411_4155868.pdf
secao_s : Primeiro Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir da tributação as parcelas devidamente comprovadas relativas às exportações realizadas nos anos de 2001 e 2004, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri e João Carlos de Lima Júnior que também reduziram a multa de ofício para 75%.
dt_sessao_tdt : Fri Sep 22 00:00:00 UTC 2006
id : 4686534
ano_sessao_s : 2006
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:22:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713042858195288064
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-08T13:11:17Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-08T13:11:15Z; Last-Modified: 2009-07-08T13:11:17Z; dcterms:modified: 2009-07-08T13:11:17Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-08T13:11:17Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-08T13:11:17Z; meta:save-date: 2009-07-08T13:11:17Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-08T13:11:17Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-08T13:11:15Z; created: 2009-07-08T13:11:15Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; Creation-Date: 2009-07-08T13:11:15Z; pdf:charsPerPage: 1883; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-08T13:11:15Z | Conteúdo => MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES •k;;',J;t5,..,,,,, PRIMEIRA CÂMARA Processo n°. : 10925.001222/2004-11 Recurso n°. : 144.015 Matéria : PIS/PASEP — Exs: 2002 a 2004 Recorrente : BRASIL FRUTAS COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO LTDA. Recorrida : 4' TURMA — DRJ — FLORIANÓPOLIS - SC Sessão de :22 de setembro de 2006 Acórdão n° :101-95.774 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL -- NULIDADE — CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA — Não restando comprovada a ocorrência de preterição do direito de defesa nem de qualquer outra hipótese expressamente prevista na legislação, não há que se falar em nulidade do lançamento Se a autuada revela conhecer as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as de forma meticulosa, com impugnação que abrange questü3c preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. PIS — RECEITAS DE EXPORTAÇÃO — ISENÇÃO — São isentas da contribuição para o PIS as receitas da exportação de mercadorias para o exterior, de vendas realizadas pelo produtor-vendedor às empresas comerciais exportadoras desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior, bem como de vendas efetuadas com o fim específico de exportação para o exterior a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA — APLICABILIDADE -- É aplicável a multa de ofício qualificada de 150%, naqueles casos em que, no procedimento de ofício, constatado resta que à conduta do contribuinte esteve associado o evidente intuito de fraude, caracterizado pela prática reiterada de omissão de receitas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recursos interpostos por BRASIL FRUTAS COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO LTDA. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no PROCESSO N°. : 10925.001222/2004-11 ACÓRDÃO N°. : 101-95774 mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir da tributação as parcelas devidamente comprovadas relativas às exportações realizadas nos anos de 2001 e 2004, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri e João Carlos de Lima Júnior que também reduziram a multa de ofício para 75%. ..----------- - MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS PRESIDENTE .---D PAULO `" • gt - - O RTEZ RELATOR FORMALIZADO EM: .7 rw 7, ,--)nr),,f., f, Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL, SANDRA MARIA FARONI, CAIO MARCOS CÂNDIDO e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JUNIOR. 2 PROCESSO N°. : 10925.001222/2004-11 ACÓRDÃO N°. : 101-95.774 Recurso n°. :144.015 Recorrente : BRASIL FRUTAS COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO LTDA. RELATÓRIO BRASIL FRUTAS COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO LTDA., já qualificada nos presentes autos, interpõe recurso voluntário a este Colegiado ,fls 673/687) contra o Acórdão n° 4.606, de 16/09/2004 (fls. 657/667), proferido pela colenda 4a Turma de Julgamento da DRJ em Florianópolis - SC, que julgou parcialmente procedente o lançamento consubstanciado no auto de infração de PIS/PASEP, fls. 06. Consta do Relatório da Atividade Fiscal (fls. 17/24), que a autuação se deu em razão da "omissão sistemática e reiterada de receitas na declaração — falta de recolhimento da contribuição para o PIS sobre receitas omitidas". Pelo confronto dos registros contábeis com as DIPJs e DCTFs entregues à Secretaria da Receita Federal, foram apurados valores tributáveis não incluídos nestas declarações, o que justificou o lançamento de ofício para fins de formalização das diferenças inadimplidas. A multa de ofício aplicada foi de 150%, tendo em vista a prática reiterada de omissão de receitas no período compreendido entre fevereiro de 2001 a março de 2004. Inconformada, a interessada apresentou a impugnação de fls. 519/528. A Colenda Turma de Julgamento de primeira instância decidiu pela manutenção parcial da exigência tributária, conforme acórdão citado, cuja ementa tem a seguinte redação: 3 PROCESSO N°. : 10925.00122212004-11 ACÓRDÃO N°. : 101-95.774 Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração . 01/01/2001 a 31/03/2001, 01/06/2001 a 31/01/2002, 01/03/2002 a 31/03/2002, 01/06/2002 a 31/05/2003, 01/08/2003 a 31/03/2004 RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. ISENÇÃO - São isentas do PIS as receitas da exportação de mercadorias para o ext.,. ior, de vendas realizadas pelo produtor-vendedor às empresas comerciais exportadoras desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior, bem como de vendas efetuadas com o fim específico de exportação para o exterior a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Normas Gerais de Direito Tributário INFRAÇÕES FISCAIS. RESPONSABILIDADE OBJETIVA DO AGENTE - A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Não exime a responsabilidade da pessoa jurídica, nem de seus administradores, a alegação de inexistência de dolo ou culpa na prática da infração, ou mesmo a de que tais atos foram praticados por prepostos, à sua revelia; tem a empresa a obrigação legal de ser diligente na gestão de suas operações. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE - É aplicável a multa de ofício qualificada de 150%, naqueles casos em que, no procedimento de ofício, constatado resta que à conduta do contribuinte esteve associado o evidente intuito de fraude. Processo Administrativo Fiscal CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA — Descabida a argüição de cerceamento do direito de defesa, quando se constata que o auto de infração contém todos os elementos necessários à perfeita compreensão das razões de fato e de direito que fundamentaram o lançamento de ofício. Lançamento Procedente em Parte Ciente da decisão de primeira instância em 22/10/2004 (fls. 672) e com ela não se conformando, a contribuinte recorre a este Colegiado por meio do recurso voluntário apresentado em 19/11/2004 (fls. 673), alegando, em síntese, o seguinte: a) que houve cerceamento do direito de defesa, eis que não teve acesso a todos os documentos que compõem o processo de fiscalização, notadamente aqueles mencionados peia 4 fr PROCESSO N°. : 10925.00122212004-11 ACÓRDÃO N°. : 101-95.774 autoridade fiscal como prova da infração praticada contribuinte. De nada adianta ao contribuinte o fato do fisco informar no auto de infração que o mesmo está embasado nos documentos de folhas tais e tais, se ele, contribuinte não teve e nem terá acesso a esses documentos; b) que não procede a afirmação das autoridade julgadoras quando dizem que ao contribuinte foi dada a possibilidade de acessar o processo junto à repartição fiscal, pois na intimação (1 a página do auto de infração) não consta tal informação, c) que, embora as autoridade julgadoras não admitam, são muitas as irregularidades formais no processo de fiscalização, cerceando por completo o direito de defesa assegurado constitucionalmente ao contribuinte; d) que a decisão recorrida manteve indevidamente a multa qualificada de 150%, pois está explicitada no inciso I do art. 44, da Lei 9430/96 que a multa de 75% se aplica aos casos de "falta de declaração e nos de declaração inexata', não deixando margem outro tipo de interpretação como fizeram as autoridades lançadoras e como querem as autoridades julgadoras, mesmo sem fundamentação de qualquer espécie. Não há que se falar em majoração da multa, pois o contribuinte só não recolheu a totalidade do imposto devido em razão de declaração inexata prestada por seu contador quando do preenchimento da DCTF; e) que a decisão recorrida reconheceu em parte o direito do contribuinte à exclusão da incidência do PIS sobre as receitas de exportação, asseverando, em relação ao mês de fevereiro de 2001, somente foi comprovada a importância de R$ 87.420,00, ao invés dos R$ 111.020,00. Em relação ao de março de 2001, o contribuinte comprovou o montante de receitas de exportação de R$ 108.506,00, que supera o valor de R$ 84.906,00, que foi o limite da autuação a esse título; f) que na conferência dos valores lançados com as notas apresentadas na impugnação, a autoridade julgadora utilizou_ 5 ç(j2 PROCESSO N°. : 10925.001222/2004-11 ACÓRDÃO N°. : 101-95.774 se, para tal fim, das notas fiscais emitidas pela empresa exportadora, encontrando uma diferença de R$ 23.600,00 a menor no mês de fevereiro e a maior no mês de março Referida diferença de R$ 23.600,00, se refere à nota fiscal n° 962 que, embora emitida em fevereiro, as respectivas mercadorias só foram exportadas no mês seguinte, ou no mês de março, daí a diferença a maior em um mês e a menor em outro; g) que, com relação às exportações realizadas no exercício de 2002, a autoridade julgadora afirma: "(b) em relação a 2002: os valores reclamados pela contribuinte já haviam sido excluídos durante a ação fiscal, nada havendo, portanto, a ser expurgado'. Acontece que em nenhum lugar do auto de infração consta qualquer prova de que tais valores foram excluídos. Houvesse um demonstrativo com as exclusúc-,, facilmente poderíamos comprovar se os valores das exportações foram ou não excluídos da base de cálculo do auto de infração; h) que, não ficando provado que tal exclusão ocorreu, a mesma deve ser feita por esse Conselho de Contribuintes em razão da inexistência de prova da infração apontada no lançamento. Para que não paire qualquer dúvida sobre o volume das exportações realizadas e sobre os valores a serem excluídos do auto de infração, estamos anexando cópias autenticc,,-las das folhas do livro Registro de Saídas acompanhadas das respectivas notas fiscais de exportação; i) que, em relação as exportações realizadas no exercício de 2004, a decisão recorrida assevera: "os valores reclamados pelo contribuinte não podem ser excluídos em face da não comprovação das operações de exportação'. Tal afirmação é uma inverdade, pois foram juntadas cópias das notas fiscais relativas às remessas para exportação, entretanto o que a autoridade julgadora queria era que fossem juntadas notas da empresa exportadora o que estamos fazendo agoc-, 6 PROCESSO N°. : 10925.001222/2004-11 ACÓRDÃO N°. : 101-95.774 juntamente com cópias autenticadas das folhas do iro Registro de Saídas de Mercadorias, onde tais operações foram registradas; j) que, comprovadas as exportações na forma exigida pela autoridade julgadora, os valores correspondentes devem ser cancelados e excluídos do auto de infração. Às fls. 799, o despacho da DRF em Joaçaba - SC, com encaminhamento do recurso voluntário, tendo em vista o atendimento dos pressupostos para a admissibilidade e seguimento do mesmo, manifestando-se, inclusive, a respeito da tempestividade do mesmo É o relatório. 7 PROCESSO N°. : 10925.001222/2004-11 ACÓRDÃO N°. :101-95.774 VOTO Conselheiro PAULO ROBERTO CORTEZ, Relator O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. A recorrente suscita preliminar de nulidade do lançamento pela ocorrência de cerceamento do direito de defesa decorrente da falta de acesso aos documentos que deram origem à lavratura do auto de infração. Contudo, registre-se que a recorrente deveria fazer a indispensável prova de que ficou impossibilitada do acesso aos livros contábeis fiscais, bem como à documentação correspondente para o exame dos registros neles inseridos ou mesmo para a obtenção da cópia dos mesmos a fim de fundamentar com elementos suficientes seus argumentos de defesa. Mas tal não ocorreu, pois em todas as oportunidades que teve, a recorrente não trouxe aos autos qualquer elemento que provasse as medidas tomadas no sentido buscar o acesso aos seus documentos. No caso, cabe à interessada a comprovação da impossibilidade de acesso à documentação para exame ou cópia e o ônus de provar o fato extintivo do lançamento de ofício (art. 233, II, do Código de Processo Civil), tendo em vista que o mesmo foi formalizado de acordo com as normas legais. Assim, não restou evidenciado que a recorrente exerceu o seu direito de petição aos órgãos públicos para buscar as provas necessárias. Limitou- se a alegar que não teve acesso aos meios que julga necessário para desincumbir- se daquele ônus. 8 PROCESSO N°. : 10925.001222/2004-11 ACÓRDÃO N°. : 101-95.774 Não consta dos autos qualquer elemento que dê guarida ..:,,: argumentos expostos pela defesa, pelo contrário, pois de acordo com as suas alegações reprisadas na presente instância, sem aduzir quaisquer fatos novos, limita-se a afirmar que envidou esforços para ter acesso aos livros e documentos fiscais, porém, nenhuma prova trouxe que auxiliasse a sua defesa. Por outro lado, a fiscalização, durante a ação fiscal, procedeu regularmente às intimações que entendeu necessárias, concedendo prazo para as respostas e/ou juntada de documentos. Tal fato é inquestionável, pois durante o transcurso da ação fiscal, a recorrente apresentou a justificativa e procedeu ao atendimento parcial das intimações recebidas. Também durante a fase litigiosa, após a formalização do lançamento, a contribuinte utilizou seu direito de defesa, insurgindo-se contra a exigência perante a turma de julgamento em primeiro grau e também na fase recursal, na presente instância. Assim, pode-se afirmar que teve todas as oportunidades previstas pela norma legal para exercer a ampla defesa. Dos autos conclui-se que as razões expostas em relação a não disponibilização dos livros contábeis e fiscais, assim como os respectivos documentos não correspondem à realidade dos autos, conquanto não buscou utilizar seu direito constitucional de acesso aos documentos anteriormente apreendidos, tampouco para a obtenção de cópias que seriam suficientes à comprovação do que alega. Nesse sentido, cabe reproduzir o bem fundamentado voto condutor da decisão recorrida, quando rejeita o cerceamento do direito de defesa: A alegação posta mostra-se, à evidência, incompreensível, especialmente considerando-se a circunstância de que a ora impugnante apresenta-se representada por advogado, profissional este que, se supõe, esteja familiarizado com o trato processual dos atos praticados em sede contenciosa. Diz-se isto por conta do fato de que é extremame e comum a 9 PROCESSO N°. : 10925.001222/2004-11 ACÓRDÃO N°. : 101-95.774 prática de vários atos processuais (em especial as intimações acerca de tudo quanto corre no curso procedimental), sem que a íntegra do processo precise estar anexada aos documentos lavrados com o fim de formalizar aqueles atos Por exemplo, quando a alguém que é parte num litígio é dada ciência de que alguma decisão, interlocutória ou final, foi tomada pelo julgador, não é necessário que tal comunicação seja feita por via do encaminhamento de uma cópia da íntegra do procwso; tanto é assim que, para o caso de a parte necessitar „Ar,: qualquer elemento constante dos autos para exercer seu direito de defesa, pode ela solicitar acesso ao processo, até mesmo requerendo cópias, certidões etc. Deste modo, repita-se, é incompreensível que a contribuinte e seu advogado não tenham intuído que as referências da autoridade fiscal a determinadas folhas não estivessem relacionadas não com o conteúdo estrito do Auto de Infração, mas com a íntegra do processo como um todo É mais que razoável que o Auto de Infração, que é o documento que finaliza o procedimento de ofício, faça menção a documentos que estão juntados aos autos, sem que a íntegra destes documentos referenciados precise ser, no momento da ciência da autuação ao sujeito passivo, também entregue ao autuado Como se sabe, não raramente os processos estão compoJtos por vários volumes, muitos deles predominantemerild formados por documentos obtidos junto ao próprio contribuinte fiscalizado, não havendo razão para que, no momento da entrega do Auto de Infração, seja também entregue uma cópia de todo o processo. No caso concreto de que aqui se trata, o processo tem aproximadamente 700 folhas, distribuídas em quatro volumes, sendo a quase totalidade do conteúdo destes volumes composta por cópias de livros fiscais, por cópias de declarações e por planilhas entregues pela contribuinte à Secretaria da Receita Federal, ou seja, por documentos fornecidos pela própria fiscalizada e dos quais, por conseqüência lógica, tinha ela inteiro conhecimento. Deste modo, se em condições normais já não seria razoável à contribuinte alegar a seu favor o fato de que não lhe for em entregues todos os documentos que compõem a íntegra do processo — dado que lhe bastaria, no prazo de 30 dias de que dispunha para impugnar o Auto de Infração, solicitar vistas e requerer as cópias que entendesse necessárias à sua defesa -, no caso específico que aqui se tem a reclamação fica ainda mais despropositada, pois nada há nos autos que não tenha sido levantado apenas no âmbito dos documentos fornecidos pela própria contribuinte durante a ação fiscal. Em outras palavras, não se pode dizer que o direito de defesa da contribuinte tenha sido minimamente cerceado. Evidência maior disto é que, no contexto da impugnação interposta, pode-se perceber que o conteúdo das infrações diagnosticadas pela autoridade fiscal foi devidamente compreendido pela contribuinte, cl/Í) 10 PROCESSO -N°. : 10925.001222/2004-11 ACÓRDÃO N°. : 101-95.774 A respaldar ainda mais a convicção de que a contrib,;.nte sempre soube, com precisão, o teor das irregularidaob praticadas, está o fato de que ela própria, depois de iniciada a ação fiscal, apresentou declarações retificadoras tendentes ao reconhecimento dos valores levantados de ofício pela autoridade fiscal. Ora, é certo que tais declarações retificadoras não puderam ser aceitas (pelas razões já postas no item 1 deste voto), mas evidenciam elas a aquiescência da contribuinte quanto aos valores lançados no Auto de Infração, e só aquiesce com alguma coisa aquele que entende a exata extensão do que lhe é atribuído Pelo exposto, conclui-se que inexiste nos autos qualquer evidência que denote a existência de obstaculização ou dificultação do exercic;., cio direito de defesa da contribuinte. Os argumentos apresentados pela defesa demonstram a tentativa de desvigoramento da imposição fiscal por via de alegações de natureza formal que vai de encontro com a verdade dos fatos estampada nos autos. É certo que não lhe foram entregues cópias das 700 folhas do processo, mas isto, considerando-se a possibilidade que tinha a contribuinte de acessar o processo na repartição fiscal e o fato de que os documentos eram justamente aqueles que ela havia fornecido à autoridade fiscal, não represnta qualquer vício procedimental. Pelos motivos expostos, rejeito a preliminar de nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa. MÉRITO Quanto ao mérito, trata-se de exigência decorrente do procedimento fiscal levado a efeito em relação ao IRPJ, devendo, por conseguinL, ter a mesma decisão daquela proferida do processo n° 10925.001221/2004-69, no qual foi mantido o lançamento de ofício. 11 PROCESSO N°. : 10925.001222/2004-11 ACÓRDÃO N°. :101-95.774 Porém, por se tratar de exigência de COF1NS, a recorrente argumenta que a decisão recorrida reconheceu em parte do direito que lhe cabe em relação à exclusão da incidência da contribuição para o PIS sobre as receitas de exportação. Nesse sentido, a Medida Provisória n° 2.158-35/2001, trou, alterações nas regras de tributação em relação às contribuições para o PIS e COFINS, tendo isentado as receitas com exportação, conforme abaixo: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1° de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: II - da exportação de mercadorias para o exterior; [ -.1 VIII - de vendas realizadas pelo produtor-vendedor ás empresas comerciais exportadoras nos termos do Decreto-Lei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX-de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; [...] § 10 São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. Diante disso, não persiste qualquer dúvida no sentido de que as receitas com exportação são isentas da contribuição para o PIS. A decisão de primeiro grau acolheu em parte a defesa apresentada, bem como os documentos juntados aos autos na peça impugnatória, excluindo da exigência parte dos valores considerados comprovados, conforme os excertos abaixo, extraídos do voto condutor: Por fim, no item 4, às folhas 526 e 527, alega a contribuinte que a autoridade fiscal teria deixado de excluir da base de 12 PROCESSO N°. : 10925.001222/2004-11 ACÓRDÃO N°. : 101-95.774 cálculo do PIS as receitas de vendas destinadas à exportaç5o As operações de exportação teriam sido realizadas ein fevereiro e março de 2001, fevereiro e março de 2002 e fevereiro, março e abril de 2004 Junta documentos que comprovariam o conteúdo destas operações. Pois bem, diante do teor do dispositivo legal, há que se verificar, agora, se a contribuinte fez prova das operações de exportação que alega ter realizado nos anos de 2001, 2002 e 2004, nos montantes que indica em sua impugnação, à folha 527. Tais montantes são. (a) 2001: R$ 195..926,00 (R$ 111.020,00 referente a fevereiro e R$ 84.906,00 referente a março); (b) 2002:R$ 455.301,00 (R$ 256,992,12 referente a fevereiro e R$ 198.308,88 referente a março); (c) 2004:R$ 827.920,88 (R$ 97.843,68 referente a fevereiro, R$ 533.257,16 referente a março e R$ 196 820,04 referente a abril). Antes de se analisar os documentos trazidos pela impugnante, importa desde já dizer que os valores relativos a 2002, no montante de R$ 455„301,00 já haviam sido acatados pela autoridade fiscal, que os excluiu da tributação, como se pode inferir do Relatório Fiscal, à folha 18, e ao Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada, à folha 34. É que em relação exportações de 2002, a autoridade fiscal já as tinha localizado nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal Passando-se à análise das operações realizadas em 2001 e 2004, percebe-se que parte delas deve ser também excluída Demonstrar-se-á. De início, deve-se ressaltar que a autoridade fiscal, ao checar a realização das exportações por parte da contribuinte, limitou- se, à evidência do que dos autos consta, a pesquisar nos sistemas da SRF aquelas realizadas por ela em nome próprio, deixando de aprofundar as investigações (por meio de intimações complementares ao sujeito passivo, por exemplo) no sentido de verificar se as operações não poderiam ter sido realizadas por via de alguma das outras hipóteses previstas no artigo 14 da MP n..° 2.158-35/2001, ou seja, por meio de L.ma empresa comercial exportadora ou por meio de empresas exportadoras registradas na SECEX. Ocorre que, ao menos em relação a parte das operações ocorridas nos anos de 2001 e 2004, foi exatamente uma destas hipóteses que ocorreu concretamente: ao invés de realizar as operações diretamente (como em 2002), a contribuinte as vendeu, com o fim específico de exportação, a uma empresa exportadora, com 13 PROCESSO N°. : 10925.001222/2004-11 ACÓRDÃO N°. : 101-95.774 isto preservando seu direito a ver também estas operações contempladas com a isenção. Os documentos que a contribuinte trouxe com a impugnação comprovam a realização das exportações na forma como alegado, no que se refere a parte do ano de 2001. Como se vê às folhas 578 a 605, a contribuinte vendeu produtos para a empresa LPD Importação e Exportação Ltda., para tanto emitindo notas fiscais com a expressa menção de qL, os produtos se destinavam à exportação (ver, por exemplo, notas às folhas 580 e 582). Além de trazer as notas relativas às suas vendas para a LPD, juntou cópias das notas emitidas pela própria LPD para fins de instrumentar a exportação (ver, por exemplo, as notas às folhas 579 e 581) e as cópias dos Extratos dos Registros de Exportação relativos à exportação de cada conjunto de operações/notas (ver, por exemplo, o Extrato à folha 578). É certo que a existência dos Extratos dos Registros de Exportação não é prova concludente, definitiva, insofismável de que a exportação ocorreu, mas o conjunto de documentos trazidos representa evidência razoável e suficiente da alegação da contribuinte. Todos estes documentos, é de se ressaltar, possuem estreita consonância. Como exemplo, tem-se que o Registro de Exportação n,' 01/0174405-001, emitido em 28/02/2001 (Tulha 578), atesta a exportação, por parte da LPD, da mesma quantidade e qualidade de maças indicadas nas notas fiscais emitidas pela contribuinte nas suas vendas à LPD (folhas 580 e 582) e nas notas fiscais emitidas pela LPD para a instrumentação da exportação (folhas 579 e 581). Além disso, as datas de emissão das notas fiscais e do registro da exportação se coadunam perfeitamente. O mesmo acontece com todas as demais operações instrumentadas pelos documentos às folhas 578 a 605. Assim, em relação ao ano de 2001, tem-se como comprovada a realização de operações de exportação por meio da venda para empresas exportadoras. Ocorre, entretanto, que não é a íntegra dos valores reclamados pela contribuinte em sua impugnação que poderão ser excluídos. É que em relação ao mês de fevereiro de 2001, só há documentos comprovando R$ 87..420,00 de receitas com exportação (soma das notas às folhas 580, 582, 586 e 590); assim, ao invés dos R$ 111.020,00 alegados à folha 527, só estão comprovados R$ 87.420,00. Já em relação ao mês de março de 2001, a íntegra do valor reclamado pela contribuinte restou comprovado, em verdade, pelas notas às folhas 593, 596, 599, 602 e 605, está atestado um valor total de receitas com exportação na ordem de R$ 108.506,00, que supera o valor de R$ 84.906,00 reclamado pela contribuinte e que foi o limite da autuação a este título. Quanto às operações alegadas pela contribuinte em relação aos meses do ano de 2004, não se pode aqui adotar a mesma conclusão tomada em relação aos meses de fevereiro e março de 2001. É que em relação a 2004, a contribuinte limitous a trazer notas fiscais por ela emitidas com o fi de instrumeniar 14 PROCESSO N°. 10925.001222/2004-11 ACÓRDÃO N°. 101-95.774 as vendas para pretensas empresas exportadoras (folhas G23 a 654), deixando de juntar, como o fez em relação a 20u-i, documentos outros que atestem a efetiva exportação dos bens vendidos (como tais, as notas fiscais emitidas pelas empresas exportadoras para fins de documentar a exportação e/ou os registros de exportação atestando a efetiva ocorrência da exportação). Assim, em relação a 2004 o pleito da contribuinte não pode ser acatado, pelo menos à vista do que juntou aos autos Em conclusão, a alegação da contribuinte apreciada neste item mostra-se procedente em parte, Como resumo, tem-se que' (a) em relação a 2001: devem ser excluídas da base de cálculo levantada na ação fiscal os valores de R$ 87.420,00 (em relação a fevereiro) e de R$ 84.906,00 (em relação a março); (b) em relação a 2002: os valores reclamados pela contribuir [e) já haviam sido excluídos durante a ação fiscal, nada havendo, portanto, a ser agora expurgado; (c) em relação a 2004: os valores reclamados pela contribuinte não podem ser excluídos em face da não comprovação das operações de exportação. Em razão do acima decidido, tem-se que em relação ao mês de fevereiro de 2001 a base de cálculo correta passa a ser R$ 51.780,53, que é resultado da exclusão do valor de R$ 87.420,00 da base de cálculo apurada pela autoridade fiscal (R$ 139.200,53, como indicado à folha 29). Com isso, o valor do principal passa a ser de R$ 336,57 (aliquota de 0,65%), o que resulta, com a exclusão do "valor declarado/Refis" de R$ 241,80 (folha 29), num valor efetivamente devido de R$ 94,77 Assim, do valor lançado de R$ 663,00 (folha 09), deve ser cancelada a parcela de R$ 568,23 (R$ 663,00 — R$ 94,77) Em relação ao mês de março de 2001 a base de cálculo correta passa a ser R$ 94.659,00, que é resultado da exclusão do valor de R$ 84,906,00 (apesar de ter restado comprovado um valor maior, o limite é a exclusão pleiteada) da base de cálculo apurada pela autoridade fiscal (R$ 179.565,00, como indicado à folha 29). Com isso, o valor do principal passa a ser de R$ 615,29 (alíquota de 0,65%), o que resulta, com a exclusão do "valor declarado/Refis" de R$ 480,32 (folha 29), num valor efetivamente devido de R$ 134,97, Assim, do valor lançado de R$ 686,84 (folha 09), deve ser cancelada a parcela de R$ 551,87 (R$ 686,84— R$ 134,97). Na peça recursal, a contribuinte retorna aos autos insistindo nos argumentos apresentados na defesa inicial, tendo juntado aos autos os documentos de fls. 690/797. 15 PROCESSO N°. : 10925.00122212004-11 ACÓRDÃO N°. : 101-95.774 Do exame das justificativas expostas e dos documentos trazidos ao processo conclui-se que a recorrente tem razão em relação ao valor de R$ 23.600,00 constante no lançamento, relativo ao mês de fevereiro de 2001. Referida importância, correspondente à nota fiscal n° 962 (ver fls. 690), foi escriturada no dia 06/03/2001, conforme comprova o Registro de Saídas (fls. 691), devendo, portanto, ser excluída da exigência. Com relação às exportações realizadas no ano de 2002, a decisão recorrida rejeitou os argumentos da contribuinte por entender que os valores reclamados já haviam sido excluídos durante a ação fiscal. Ao examinar as notas fiscais apresentadas pela recorrente, e a base de cálculo apurada pela autoridade fiscal, conclui-se que não merece reparos a decisão recorrida, eis que em relação ao mês de fevereiro de 2002, correspondente aos documentos de fls. 701/710, sequer houve lançamento a tia L; de PIS, eis que o autuante constatou que todas as receitas corresponderam a exportação. Da mesma forma ocorreu no mês de março de 2002, cuja base de cálculo tributada foi de R$ 10.798,46, enquanto que a recorrente apresenta diversas notas fiscais de exportação (fls. 711/719), em valor infinitamente superior, chegando-se a conclusão de que efetivamente a fiscalização, ao lavrar o auto de infração, excluiu as receitas correspondentes a exportações. Quanto às operações relativas ao ano de 2004, a recorrente junta aos autos os documentos de fls. 715 a 792, quais sejam: cópia do Registro de Saídas; cópia das notas fiscais por ela emitidas, destinadas à exportação; cópia das notas fiscais emitidas pela empresa exportadora; bem como cópia dos Extratos de Declaração de Despacho (Siscomex — Exportação), cujos valores totalizam em: fevereiro de 2004: R$ 97.843,68; março de 2004: R$ 533.257,16; abril de 2004.: R$ 196.820,04. Dessa forma, sou pelo provimento parcial do recurso volunti-io„ gep, para excluir as seguinte parcelas: 16 PROCESSO N°. : 10925.001222/2004-11 ACÓRDÃO N° : 101-95774 Janeiro de 2001: R$ 23.600,00; fevereiro de 2004: R$ 97.843,68; março de 2004: R$ 533.257,16; e abril de 2004: R$ 196.820,04. MULTA QUALIFICADA Em relação à exasperação da multa de oficio para 150%, mantenho-a integralmente como lançada, porquanto, a recorrente, conforme minudentemente exposto no termo fiscal, ao longo de vários trimestres --;ue compõem os anos de 2000 a 2004, rendimentos em percentuais expressivos, no caso, mais de 70% de sua receita bruta em vários períodos-base (ver tabela à folha 53). Ou seja, houve reiteramento de conduta e expressividade de valores a evidenciar a existência não de meros e localizados erros materiais, mas de comportamento consistente no tempo destinado a não levar à tributação grande parte dos valores tributáveis. O fato de os valores tributáveis terem sido levantados da própria escrituração da contribuinte não serve ao afastamento da caracterização do intuito fraudulento. É que, como se sabe, entre as várias possibilidades de subtração de valores à tributação está a de, reiteradamente, deixar de levar à DIPJ e à DCTF a íntegra das receitas auferidas registradas na escrituração. Em verdade, a conduta elisiva pode manifestar-se por várias formas, bastando para tal que fique identificada a intenção, consistente no tempo, de subtrair valores tributáveis à tributação. De tal sorte, há que se dizer que o intuito fraudulento está sim devidamente caracterizado no presente processo, o que torna correta a aplicação da multa qualificada de 150%. CONCLUSÃO 17 PROCESSO N°. : 10925.001222/2004-11 ACÓRDÃO N°. :101-95.774 Em face do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e, quanto ao mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da tributação as parcelas devidamente comprovadas, relativas às exportações realizadas nos anos de 2001 e 2004 Brasília (DF), em 22 I e setembro de 2006 PAULO -e-ár RI O CIRTEZgi 18 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1 _0001600.PDF Page 1 _0001700.PDF Page 1 _0001800.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10880.044589/93-06
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Oct 22 00:00:00 UTC 1999
Data da publicação: Fri Oct 22 00:00:00 UTC 1999
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS - NULIDADE DO LANÇAMENTO - É nula a exigência fiscal constituída através de lançamento que não atenda às normas previstas nos artigos 142 do CTN e 11 do Decreto nº 70.235/72.
Preliminar acolhida.
Numero da decisão: 106-11024
Decisão: por unanimidade de votos, acolher a preliminar de nulidade do lançamento levantada pelo Relator.
Nome do relator: Ricardo Baptista Carneiro Leão
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 199910
ementa_s : NORMAS PROCESSUAIS - NULIDADE DO LANÇAMENTO - É nula a exigência fiscal constituída através de lançamento que não atenda às normas previstas nos artigos 142 do CTN e 11 do Decreto nº 70.235/72. Preliminar acolhida.
turma_s : Sétima Câmara
dt_publicacao_tdt : Fri Oct 22 00:00:00 UTC 1999
numero_processo_s : 10880.044589/93-06
anomes_publicacao_s : 199910
conteudo_id_s : 4194412
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 106-11024
nome_arquivo_s : 10611024_119874_108800445899306_009.PDF
ano_publicacao_s : 1999
nome_relator_s : Ricardo Baptista Carneiro Leão
nome_arquivo_pdf_s : 108800445899306_4194412.pdf
secao_s : Primeiro Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : por unanimidade de votos, acolher a preliminar de nulidade do lançamento levantada pelo Relator.
dt_sessao_tdt : Fri Oct 22 00:00:00 UTC 1999
id : 4684205
ano_sessao_s : 1999
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:21:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713042858213113856
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-26T16:30:15Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-26T16:30:15Z; Last-Modified: 2009-08-26T16:30:15Z; dcterms:modified: 2009-08-26T16:30:15Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-26T16:30:15Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-26T16:30:15Z; meta:save-date: 2009-08-26T16:30:15Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-26T16:30:15Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-26T16:30:15Z; created: 2009-08-26T16:30:15Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2009-08-26T16:30:15Z; pdf:charsPerPage: 1219; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-26T16:30:15Z | Conteúdo => W --.:: MINISTÉRIO DA FAZENDA:Zi. k, PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES j:171:4:5 SEXTA CÂMARA Processo n°. : 10880.044589193-06 Recurso n°. : 119.874 Matéria : IRPF - Ex.: 1992 Recorrente : CARLOS ROBERTO JOAQUIM Recorrida : DRJ em SÃO PAULO - SP Sessão de : 22 DE OUTUBRO DE 1999 Acórdão n°. : 106-11.024 NORMAS PROCESSUAIS - NULIDADE DO LANÇAMENTO - É nula a exigência fiscal constituída através de lançamento que não atenda às normas previstas nos artigos 142 do CTN e 11 do Decreto n° 70.235/72. Preliminar acolhida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por CARLOS ROBERTO JOAQUIM. ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, ACOLHER a preliminar de nulidade do lançamento levantada pelo Relator, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. aira. • DRIG S DE OLIVEIRA PfI TE ca". RI ARDO BAPTISTA CARNEIRO LEÃO RELATOR FORMALIZADO EM: 2 2 NOV 1999 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros SUELI EFIGÊNIA MENDES DE BRUTO, LUIZ FERNANDO OLIVEIRA DE MORAES, THAISA JANSEN PEREIRA, ROMEU BUENO DE CAMARGO e WILFRIDO AUGUSTO MARQUES. Ausente, justificadamente, a Conselheira ROSANI ROMANO ROSA DE JESUS CARDOZO. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10880.044589193-06 Acórdão n°. : 106-11.024 Recurso n°. : 119.874 Recorrente : CARLOS ROBERTO JOAQUIM RELATÓRIO CARLOS ROBERTO JOAQUIM, já identificado nos autos, solicitou, em 27/01/93, através do documento de solicitação de retificação do lançamento, SRL, a fl. 01, alteração dos valores informados em sua declaração de rendimentos do exercício de 1992, referentes aos rendimentos recebidos de pessoa jurídica e as deduções de dependentes e despesa médicas. À fl. 03, consta notificação de lançamento emitida por processamento eletrônico, emitida em 07/01/93, que reduziu a restituição do imposto de renda do exercício de 1992, ao alterar os valores dos rendimentos recebidos de pessoa jurídica e do imposto de renda retido na fonte. Às fls. 14 a 16, consta cópia da declaração de rendimentos do exercício de 1992, onde o recorrente informa na página 01 da declaração como rendimento recebido de pessoa jurídica, o valor de 7.989.325, e na página 04 da referida declaração, o mesmo valor como rendimento isento, sem apresentar qualquer valor na linha referente a rendimentos de pessoas jurídicas. A fl. 08 consta correspondência ao Delegado da Receita Federal em São Paulo, justificando o pedido de retificação. Alega que é portador de moléstia grave, recebendo benefícios previdenciários desde o ano de 1989, e que de acordo com o manual de imposto de renda de pessoa física (1992), fl.11, item 03,1inha 06, isenção por moléstia grave, estaria isento do referido imposto. Em face disto, requer a devolução da quantia de Cr$ 1.177.775,00, devidamente atualizada a partir das datas dos descontos em folha, por ter sido indevidamente descontada de seus salários no ano base de 1991, como empregado do 2 _ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10880.044589/93-06 Acórdão n°. : 106-11.024 Banespa S.A. Serviços técnicos e Administrativos. Mexa declarações de dois médicos, datadas de dezembro de 1992, atestando que o recorrente não está em condições de desempenhar suas atividades profissionais. Às fls. 12 a 14, constam cópias de comunicação de resultado de exame médico do INPS, tendo o recorrente como segurado, concluindo pela incapacidade para o trabalho, datadas de setembro de 1990,outubro de 1991 e outubro de 1992. A fl. 11, consta cópia de documento emitido pelo INSS, comunicando ao interessado que lhe foi concedido o beneficio de auxilio doença A DRF/São Paulo/Leste, à fl. 22/23, indeferiu o pedido argumentando o seguinte: O beneficio da isenção pleiteada abrange especificamente os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e demais anomalias enunciadas no inciso IX do artigo 22 do RIR/80, e Lei 7.713/88,artigo 6, XIV, com base em conclusões da medicina especializada; A isenção é de caráter geral e permanente, não ensejando por parte desta unidade administrativa qualquer ato atinente à concessão do beneficio em questão, cabendo apenas ao interessado providenciar junto à fonte pagadora as medidas necessárias à não tributação dos rendimentos percebidos; O valor recebido a título de auxílio doença constitui rendimento tributável na fonte, mesmo quando concedido em decorrência de moléstia grave, qualquer que seja a fonte pagadora, e; 3 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10880.044589/93-06 Acórdão n°. : 106-11.024 Os rendimentos recebidos a titulo de auxilio doença somente receberam isenção a partir de 01/01/93 por força do artigo 48 e 57 da Lei 8.541/92. Cientificado do indeferimento em 07/11/94, conforme documento de fl. 27, a representante dos bens deixados pelo contribuinte, inconformada, apresentou impugnação em 07/12/94, fls. 28 a 31. A impugnante, em sua defesa relata a evolução da moléstia que acometeu o contribuinte o qual veio a falecer em 1993, alegando que em 04/05/89 o mesmo teve de se socorrer da Previdência Social, que, no entanto, lhe ofertaram apenas o auxilio doença Afirma que o contribuinte continuou seu combate inglório de 1989 a 1993 quando veio a falecer sem que tivesse conseguido a aposentadoria. Que sua invalidez já era permanente desde 1985, requerendo a reforma do indeferimento para que a situação do contribuinte falecido seja considerada análoga à da aposentadoria com a conseqüente devolução das importâncias que lhe foram indevidamente descontadas na fonte. A decisão recorrida, fls. 35/36, manteve o indeferimento do pedido sob a seguintes ementa: INCLUSÃO DE RENDIMETNOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA — Mantido o lançamento por não se tratar de proventos de aposentadoria motivado por moléstia grave, mas_ . de rendimento recebido a titulo de auxilio doença, nano sendo este contemplado pela isenção prevista na Lei 7.713/88, artigo 6°, XIV. Cientificado da decisão em 18/06/98, conforme O. 37 verso, a interessada apresentou recurso às fls. 38 a 41, trazendo as mesmas alegações 4 ?)37 _ _ - • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10880.044589/93-06 Acórdão n°. : 106-11.024 apresentadas na peça impugnatória, relatando novamente a moléstia, acrescentando que por tudo o que se descreveu não é possível que esse órgão seja a tal ponto insensível que não compreenda que o auxílio doença percebido pelo "de cujus" só na se convolara em aposentadoria, pelos critérios irracionais aplicados pelo INSS quando do exame de tais casos. Finaliza requerendo a analogia do auxílio doença com a aposentadoria ou opcionalmente que o artigo 48 e 57 da Lei 8.541/92 retroaja em benefício do "de cujus" como aplicado em Direito Penal e Tributário. É o Relatório. E — — — ; e a _ = _- ; - - - 2 - E E 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, Processo n°. : 10880.044589/93-06 Acórdão n°. : 106-11.024 VOTO Conselheiro RICARDO BAPTISTA CARNEIRO LEÃO, Relator O recurso apresentado não traz qualquer indicação quanto a data em que foi entregue na repartição. Em face disto considero tempestiva sua - apresentação e dele tomo conhecimento. _ Trata o presente processo de solicitação de restituição de valores pagos a título de imposto de renda no ano base de 1991, em virtude de-_ o recorrente entender que se tratava de rendimentos isentos por ser ele portador _ de moléstia grave, síndrome da imunodeficiència adquirida. -- Inicialmente deve-se notar que entre os documentos apresentados na impugnação, encontra-se cópia da notificação de lançamento à . fl. 03, indicando que o recorrente solicitou a SRL em face da referida notificação ter alterado o valor do rendimento recebido de pessoa jurídica, considerando como tal, o valor informado como rendimento isento na pagina 04 da referida declaração. Portanto, o presente litígio foi originado pela notificação de: lançamento emitida por processamento eletrônico de dados. Referidas - - notificações de lançamento tem provocado decisões de nulidade pelas diversas - Câmaras do Primeiro Conselho de Contribuintes, quando o mesmo não atende_ _ _ Aaos requisitos formais exigidos pela legislação que versa sobre a matéria. 6 312( _ _ _ _ -- - MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10880.044589/93-06 Acórdão n°. : 106-11.024 No presente caso, a notificação de fl. 03 não atendeu aos pressupostos elencados no artigo 11 do Decreto n° 70.235/72, em especial relativamente à omissão do nome, cargo e matrícula da autoridade responsável pela notificação. Convém salientar que o dispositivo em causa, através de seu parágrafo único, no caso de notificação de lançamento emitida por processamento eletrônico de dados, como no caso em questão, só faz dispensa da assinatura. Neste aspecto, a administração se pronunciou através da Instrução Normativa SRF 94/97 determinando que o lançamento de imposto decorrente de revisão interna se dará por auto de infração na forma estabelecida no artigo 5° da citada IN que dispõe o seguinte: "Artigo 5°. Em conformidade com o disposto no artigo 142 da Lei n°5.172 de 25 de outubro de 1966( CTN ) o auto de infração lavrado de acordo com o artigo anterior conterá obrigatoriamente: I - a identificação do sujeito passivo; II - a matéria tributável, assim entendida a descrição dos fatos e a base de cálculo; • III - a norma legal infringida; IV - o montante do tributo ou contribuição; V - a penalidade aplicável; _ e VI - o nome, o cargo, o número de matrícula e a assinatura do AFTN autuante; 1 VII — a intimação para o sujeito passivo pagar ou impugnar a -1 exigência no prazo de trinta dias contado a partir da data da ciência do A z lançamento? 7 I _ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10880.044589/93-06 Acórdão n°. : 106-11.024 Ainda no mencionado ato administrativo, ficou estabelecido no artigo 6°, que será declarada a nulidade do lançamento efetuado em desacordo com o artigo 5°. Tendo em vista que a notificação de lançamento deixou de atender a requisitos previstos no artigo 11 do Decreto n° 70.235/72, e em face do disposto na IN 94/97, deixo de apreciar o mérito para propor a nulidade do lançamento objeto do presente recurso, observando que é lícito ao fisco constituir novo lançamento com base no artigo 173 inciso II do CTN, em razão da exigência estar sendo anulada por vício formal. Sala das Sessões - DF, em 22 de outubro de 1999 ///del RICARDO BAPTISTA CARNEIRO LEÃO - _ 8 .52S( MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10880.044589193-06 Acórdão n°. : 106-11.024 INTIMAÇÃO Fica o Senhor Procurador da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho de Contribuintes, intimado da decisão consubstanciada no Acórdão supra, nos termos do parágrafo 2°, do artigo 44, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, Anexo II da Portaria Ministerial n° 55, de 16/03/98 (DOU. de 17/03/98). Brasília - DF, em 2 2 Nrev' 1999 IMA diW:DRI iSDEOLIVEIRA • • r" 9. -NTE DA SEXTA CÂMARA Ciente em 2 4 NOV 1999 m 40 E if PROCURA: e • AZ1 ND • ZACIONAL 9 Page 1 _0015600.PDF Page 1 _0015700.PDF Page 1 _0015800.PDF Page 1 _0015900.PDF Page 1 _0016000.PDF Page 1 _0016100.PDF Page 1 _0016200.PDF Page 1 _0016300.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10925.002606/2004-43
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2006
Ementa: DECADÊNCIA – LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO – PIS. A contribuição ao PIS não está entre aquelas elencadas na Lei 8.212/91, sendo o seu prazo decadencial regulado pelo Código Tributário Nacional. Conforme o estabelecido no § 4º do art. 150 do CTN, se a lei não fixar prazo para a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando o prazo decadencial é regido pelo art. 173 e inciso I do CTN, contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte em que o crédito tributário poderia ser lançado.
CONTRIBUIÇÕES – LANÇAMENTO DE OFÍCIO – DECADÊNCIA – ART. 150 e 173 DO CTN – APLICAÇÃO – Tendo a Suprema Corte, de forma reiterada, proclamado a natureza tributária das contribuições de seguridade social, determinando, pois, em matéria de decadência, a lei e o direito aplicável, por força do que dispõe o art. 146, III, b da Constituição Federal, aplicam-se às regras do CTN em detrimento das dispostas na Lei Ordinária 8.212/91. Interpretação mitigada do disposto na Portaria MF 103/02, isto em face do disposto na Lei 9.784/99 que manda o julgador, na solução da lide, atuar conforme a lei e o Direito.
COMPETÊNCIA PARA O LANÇAMENTO. O lançamento é privativo da autoridade administrativa, investida dessa competência, que é exclusiva do Auditor Fiscal da Receita Federal, conforme art. 142 do CTN, Lei nº 2.354/54, Decreto nº 2.225/85 e art. 6º da Lei nº 10.593/2002.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA -
PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receitas com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. Cabe o arbitramento do lucro, com fundamento no art. 47, inciso III, da Lei nº 8.981/95, na situação em que a contribuinte regularmente intimada a apresentar os livros e documentos de sua escrituração, deixa de apresentá-los.
PENALIDADE - MULTA QUALIFICADA. Estão presentes os pressupostos legais para imposição da multa de que trata o art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplica-se às exigências reflexas, o mesmo tratamento dispensado ao lançamento da exigência principal, em razão de sua íntima relação de causa e efeito.
Numero da decisão: 107-08.729
Decisão: ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade e de pedido de diligência, ACOLHER a preliminar de decadência em relação ao PIS até fatos geradores de novembro de 1998, e por maioria de votos, ACOLHER a preliminar
de decadência em relação à COFINS até 11/98 e da CSLL até 09/98, vencidos os Conselheiros Marcos Vinicius Neder de Lima e Albertina Silva Santos de Lima. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Natanael Martins e, no mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
Nome do relator: Albertina Silva Santos de Lima
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200609
ementa_s : DECADÊNCIA – LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO – PIS. A contribuição ao PIS não está entre aquelas elencadas na Lei 8.212/91, sendo o seu prazo decadencial regulado pelo Código Tributário Nacional. Conforme o estabelecido no § 4º do art. 150 do CTN, se a lei não fixar prazo para a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando o prazo decadencial é regido pelo art. 173 e inciso I do CTN, contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte em que o crédito tributário poderia ser lançado. CONTRIBUIÇÕES – LANÇAMENTO DE OFÍCIO – DECADÊNCIA – ART. 150 e 173 DO CTN – APLICAÇÃO – Tendo a Suprema Corte, de forma reiterada, proclamado a natureza tributária das contribuições de seguridade social, determinando, pois, em matéria de decadência, a lei e o direito aplicável, por força do que dispõe o art. 146, III, b da Constituição Federal, aplicam-se às regras do CTN em detrimento das dispostas na Lei Ordinária 8.212/91. Interpretação mitigada do disposto na Portaria MF 103/02, isto em face do disposto na Lei 9.784/99 que manda o julgador, na solução da lide, atuar conforme a lei e o Direito. COMPETÊNCIA PARA O LANÇAMENTO. O lançamento é privativo da autoridade administrativa, investida dessa competência, que é exclusiva do Auditor Fiscal da Receita Federal, conforme art. 142 do CTN, Lei nº 2.354/54, Decreto nº 2.225/85 e art. 6º da Lei nº 10.593/2002. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receitas com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Cabe o arbitramento do lucro, com fundamento no art. 47, inciso III, da Lei nº 8.981/95, na situação em que a contribuinte regularmente intimada a apresentar os livros e documentos de sua escrituração, deixa de apresentá-los. PENALIDADE - MULTA QUALIFICADA. Estão presentes os pressupostos legais para imposição da multa de que trata o art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplica-se às exigências reflexas, o mesmo tratamento dispensado ao lançamento da exigência principal, em razão de sua íntima relação de causa e efeito.
turma_s : Sétima Câmara
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2006
numero_processo_s : 10925.002606/2004-43
anomes_publicacao_s : 200609
conteudo_id_s : 4178406
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 29 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 107-08.729
nome_arquivo_s : 10708729_145714_10925002606200443_025.PDF
ano_publicacao_s : 2006
nome_relator_s : Albertina Silva Santos de Lima
nome_arquivo_pdf_s : 10925002606200443_4178406.pdf
secao_s : Primeiro Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade e de pedido de diligência, ACOLHER a preliminar de decadência em relação ao PIS até fatos geradores de novembro de 1998, e por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência em relação à COFINS até 11/98 e da CSLL até 09/98, vencidos os Conselheiros Marcos Vinicius Neder de Lima e Albertina Silva Santos de Lima. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Natanael Martins e, no mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2006
id : 4686723
ano_sessao_s : 2006
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:22:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713042858220453888
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-14T13:11:25Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-14T13:11:25Z; Last-Modified: 2009-07-14T13:11:25Z; dcterms:modified: 2009-07-14T13:11:25Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-14T13:11:25Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-14T13:11:25Z; meta:save-date: 2009-07-14T13:11:25Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-14T13:11:25Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-14T13:11:25Z; created: 2009-07-14T13:11:25Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 25; Creation-Date: 2009-07-14T13:11:25Z; pdf:charsPerPage: 2426; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-14T13:11:25Z | Conteúdo => - _7 MINISTÉRIO DA FAZENDAn •Amy PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ‘S "-*-1."11± SÉTIMA CÂMARA 2r:,:tt Cias Processo n° : 10925.002606/2004-43 Recurso n° : 145714 Matéria : IRPJ e OUTROS— Ex(s). 1999 a 2003 Recorrente : EMERSON CESAR ZABLOSKI - ME Recorrida : 3° TURMA/DRJ — FLORIANÓPOLIS/SC Sessão de : 20 DE SETEMBRO DE 2006. Acórdão n° : 107-08.729 DECADÊNCIA — LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO — PIS. A contribuição ao PIS não está entre aquelas elencadas na Lei 8.212/91, sendo o seu prazo decadencial regulado pelo Código Tributário Nacional. Conforme o estabelecido no § 4° do art. 150 do CTN, se a lei não fixar prazo para a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando o prazo decadencial é regido pelo art. 173 e inciso I do CTN, contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte em que o crédito tributário poderia ser lançado. CONTRIBUIÇÕES — LANÇAMENTO DE OFICIO — DECADÊNCIA — ART. 150 e 173 DO CTN — APLICAÇÃO — Tendo a Suprema Corte, de forma reiterada, proclamado a natureza tributária das contribuições de seguridade social, determinando, pois, em matéria de decadência, a lei e o direito aplicável, por força do que dispõe o art. 146, III, b da Constituição Federal, aplicam-se as regras do CTN em detrimento das dispostas na Lei Ordinária 8.212/91. Interpretação mitigada do disposto na Portaria MF 103/02, isto em face do disposto na Lei 9.784/99 que manda o julgador, na solução da lide, atuar conforme a lei e o Direito. COMPETÊNCIA PARA O LANÇAMENTO. O lançamento é privativo da autoridade administrativa, investida dessa competência, que é exclusiva do Auditor Fiscal da Receita Federal, conforme art. 142 do CTN, Lei n° 2.354/54, Decreto n° 2.225/85 e art. 6° da Lei n° 10.593/2002. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei n° 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receitas com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Cabe o arbitramento do lucro, com fundamento no art. 47, inciso III, da Lei n° 8.981/95, na situação em que a contribuinte regularmente intimada a apresentar os livros e documentos de sua escrituração, deixa de apresentá-los. • , MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA '4a» Processo n° :10925.000260612004 43 Acórdão n° :107-08.729 PENALIDADE - MULTA QUALIFICADA. Estão presentes os pressupostos legais para imposição da multa de que trata o art. 44, inciso II, da Lei n°9.430/96. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplica-se às exigências reflexas, o mesmo tratamento dispensado ao lançamento da exigência principal, em razão de sua intima relação de causa e efeito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por EMERSON CESAR ZABLOSKI ME. ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade e de pedido de diligência, ACOLHER a preliminar de decadência em relação ao PIS até fatos geradores de novembro de 1998, e por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência em relação à COFINS até 11/98 e da CSLL até 09/98, vencidos os Conselheiros Marcos Vinicius Neder de Lima e Albertina Silva Santos de Lima. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Natanael Martins e, no mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Á MA f' ["11 IUS NEDER DE LIMA PRE IDENTE AdtititA t kl IA NATANAEL MAS REDATOR DESIGNADO FORMALIZADO EM: 29 JAN 2007 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: LUIZ MARTINS VALERO, CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, RENATA SUCUPIRA DUARTE, HUGO CORREIA SOTERO e NILTON PESS. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA V. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES— SÉTIMA CAMARA Processo n° : 10925.002606/2004-43 Acórdão n° : 107-08.729 Recurso n° : 145714 Recorrente : EMERSON CESAR ZABLOSKI - ME ( RELATÓRIO I — DA AUTUAÇÃO Trata o presente processo, de auto de infração, que resultou na exigência do IRPJ dos anos-calendário de 1998 a 2002 e contribuições decorrentes (CSLL, PIS, COFINS). A ciência do auto de infração foi dada a 13.12.2004. Foi aplicada multa de 150%. A infração foi descrita como omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários não contabilizados e cuja origem não foi comprovada, mediante documentação hábil e idônea. Foram infringidos os art. 27, inciso 1, e 42 da Lei n° 9.430/96 e arts. 532 e 537 do RIR199. O lucro foi arbitrado, porque a contribuinte foi intimada a apresentar os livros e documentos de sua escrituração e deixou de apresentá-los, com enquadramento legal até 31.03.99, no art. 47, inciso III, da Lei n°8.981/95 e a partir de 01.04.99, no art. 530, inciso III do RIR/99. Consta no Relatório da atividade fiscal, parte integrante do auto de infração, as seguintes informações: a)A expedição do MPF decorreu de requisição da Justiça Federal, conforme documentos de fls. 89-96; b) Ao procurar a contribuinte para dar ciência do inicio da ação fiscal, a fiscalização constatou que no endereço da empresa, existia de outro estabelecimento que não possuía qualquer vínculo com o titular da fiscalizada e foi informada de que a empresa EMERSON CESAR ZABLOSKI havia fechado há alguns 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA esk,44 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 3.g' $ SÉTIMA CÂMARA •27(4-40:1.>. • Processo n° : 10925.00260612004-43 Acórdão n° : 107-08.729 anos e que o proprietário, Sr. Emerson César Zabloski, trabalhava no Supermercado Zabloski, na esquina daquele mesmo quarteirão. Localizado o Sr. Emerson e esclarecido do início da ação fiscal, o mesmo recusou-se a assinar o termo de início. Foi lavrada Declaração de recusa, fls. 121, e posteriormente foi encaminhado, pelos correios, o MPF, o termo de início da ação fiscal e cópia da Declaração de recusa. A contribuinte foi intimada a apresentar cópia dos atos constitutivos e alterações, Livros Caixa ou Diário e Razão, Livros de Saída, Apuração do ICMS e eventuais livros auxiliares de escrituração, os extratos de contas correntes bancárias e de aplicações financeiras do período examinado (fls. 120); • c) Regularmente intimada, a contribuinte não atendeu à intimação e tampouco solicitou qualquer informação ou esclarecimento adicional que pudesse demonstrar algum interesse no atendimento; d) A quebra do sigilo bancário foi formalizada pela Justiça Federal em 08.10.2004 (fls. 99-104); e) Foi pedido ao Banco do Estado de Santa Catarina, os extratos bancários. De posse dos extratos se constatou que a empresa movimentou recursos da ordem de R$ 7 milhões, por meio de 20 contas diferentes, com maior concentração da movimentação nos anos de 1998 e 1999, revelando de início incompatibilidade com as declarações de inatividade entregues à Receita Federal. O A contribuinte foi intimada, a esclarecer a origem dos recursos de valor superior a R$ 500,00 (fls. 123-157) e também foi reiterada a intimação para apresentação dos livros contábeis e fiscais, com O objetivo de se aferir a regular contabilização dos recursos movimentado. A contribuinte não atendeu à intimação; g) Concluiu a fiscalização que ficou caracterizada a omissão de receitas relativos a depósitos bancários de origem não comprovada, e arbitrou o lucro com base na alíquota de 9,6% (atividade cadastrada como minimercado); h) A multa qualificada (art. 44, inciso II da Lei n° 9.430/96) foi aplicada porque a contribuinte apresentou ao longo de 5 anos, declaração simplificada na situação de inativa, movimentando no período R$ 7 milhões por meio de 20 contas bancárias, e que embora tenha sido baixada no fisco estadual, não o fez junto ao fisco 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA £: -1‘...„ PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARAlis Processo n° : 10925.00260612004-43 Acórdão n° : 107-08.729 federal, e que sua conduta indica que não teria sentido manter seu CNPJ ativo ao longo de todos esses anos, a não ser que tencionasse, de forma deliberada, servir-se dele única e exclusivamente para credencia-la a movimentar contas bancárias e que essa seria uma prática reiterada, consciente e premeditada e que sua intenção foi a de eximir-se totalmente do pagamento de tributos. Concluiu que a conduta da contribuinte configura, em tese, intuito de fraude. II— DA IMPUGNAÇÃO E DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A contribuinte questionou a competência do AFRF para o lançamento do crédito tributário, a decadência em relação às exigências dos anos- calendário de 1998 e 1999, a multa de oficio, o arbitramento do lucro, a apuração do crédito tributário por falta de análise dos extratos e requer que sejam requisitadas ao BESC, informações sobre suas contas bancárias (fls. 565). Afirma que a única conta bancária de sua movimentação e titularidade é a de n° 012.258-0, sendo que as demais contas relacionadas são transitórias, abertas pela própria instituição financeira e destinavam-se tão somente a contabilização de operações de desconto de cheques pré-datados recebidos pela empresa, sendo que o valor liquido era creditado na conta, sendo que a conta dita pelos auditores, como sendo de movimentação também da impugnante, permanecia com valores negativos até o pagamento dos cheques descontados. A TJ considerou que ocorreu a decadência do direito da Fazenda Nacional lançar os fatos geradores do IRPJ, somente dos 3 primeiros trimestres de 1998, com base no art. 173, inciso I, do CTN, uma vez que considerou que foi constatada a atitude dolosa da contribuinte e que além disso a empresa nada recolheu de tributos. Em relação aos demais lançamentos, concluiu que não ocorreu a decadência, pois, se filia à tese dos 10 anos. Discordou dos demais argumentos da contribuinte. III — DO RECURSO VOLUNTÁRIO MINISTÉRIO DA FAZENDA à*P.. - PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 1,39 SÉTIMA CÂMARA 444.'.?.;1> Processo n° : 10925.002606/2004-43 Acórdão n° : 107-08.729 A decisão de primeira instância foi dada em 31.03.2005 e o recurso foi apresentado em 15.04.2005. Conforme informação da autoridade administrativa houve arrolamento de bens, no processo n° 10.925.002608/2004-32. Argüi a preliminar de decadência, em relação ao quarto trimestre de 1998 para o IRPJ, porque o lançamento deveria ser feito ao final do trimestre e, para o PIS, COFINS e CSLL, porque entende que o art. 173, inciso I do CTN prevalece sobre o art. 45, inciso I, da Lei n° 8.212/91, por ter força de Lei Complementar e porque compete à Receita Federal apurar essas contribuições e não a Seguridade Social. Também argüi que caso seja reconhecida que a apuração e constituição dessas contribuições é de competência da Seguridade Social, que, então, seja anulada a constituição dessas exigências. Pede que o procedimento seja anulado ante a falta de competência dos auditores fiscais para efetuar o lançamento, exigir tributos, aplicar multas, conforme item 2.1. de seu recurso. Alega que com base no art. 2° e 3° da Portaria SRF 1.265/99, a fiscalização é um procedimento fiscal que somente poderá ser iniciado após ordem da autoridade competente, denominada, MPF, que deve conter vários elementos, definidos no art. 7°, sem os quais não terá validade, entre os quais, deve conter a natureza do procedimento fiscal a ser executado (fiscalização ou diligência) e que, no MPF-F, constante dos autos há determinação especifica para que os auditores fiscais fiscalizem. Com base no art. 3° da Portaria diz que o procedimento de fiscalização, nada mais é do que a verificação do cumprimento das obrigações tributárias, se estas estão corretas e se for constatada alguma irregularidade, esta deve ser objeto de relatório e auto de fiscalização, não cabendo aos auditores que efetuaram a fiscalização, a lavratura do auto de infração e a notificação para pagamento do tributo. 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA _; PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .tt. : v1; SÉTIMA CÂMARA );;t4.484:-> Processo n° : 10925.00260612004-43 Acórdão n° : 107-08.729 Conclui que a ordem emanada pela autoridade competente foi tão somente para fiscalização e por essa razão não tinham os auditores fiscais, competência para atuarem como lançadores e lavrarem o auto de infração, sendo, portanto, o ato nulo. Pede a anulação do acórdão recorrido, para que a 3a• Turma de Julgamento providencie a coleta da prova requerida na impugnação. Em relação a esse argumento afirma que a única conta corrente bancária de sua movimentação e titularidade é a conta n° 012.258-0, sendo que as demais contas mencionadas são contas transitórias, abertas pela própria instituição financeira e destinavam-se tão somente à contabilização de operações de "desconto" de cheques pré-datados recebidos pela impugnante, sendo que o valor liquido da operação era creditado na conta, sendo que a conta dita pelos auditores como sendo de movimentação também da impugnante, permanecia com valores negativos até o pagamento dos cheques "descontados". Diz que esses fatos eram facilmente constatáveis junto à instituição financeira e que a própria transitoriedade da conta e o pequeno número de transações revelam este fato e que não seria crível e regular que uma empresa mantivesse tamanho número de contas em uma mesma instituição financeira. Requer dentro das regras constitucionais de ampla defesa, em cumprimento ao disposto no inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.225/72, e cumprindo- se por inteiro as disposições referentes à quebra do sigilo bancário, seja requisitado ao BESC, as informações sobre as transações efetivadas e efetuadas nas contas bancárias citadas pela fiscalização. Reforça que essa produção de provas demonstraria o erro cometido pelos agentes públicos, não só na análise dos documentos, como também na forma desta análise e que ao deixar de apreciar seu pedido. Em relação ao mérito, afirma que os auditores fiscais, com poderes para acesso e prática de ações tendentes a verificar a origem de todas as ações tendentes a 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA int PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES bi.ft& SÉTIMA CÂMARA Processo n° : 10925.002606/2004-43 Acórdão n° : 107-08.729 verificar a origem e licitude de lançamentos e operações financeiras, que a quebra de sigilo com autorização judicial proporcionou, limitaram-se a juntar aos autos, cópias dos extratos bancários e cópia de cheques de terceiros, e somando valores aleatórios, chegaram à absurda movimentação financeira descrita, mas, que deixaram de efetuar completa verificação e análise dos extratos acostados, e que nem mesmo perquiriram a administração do banco sobre os fatos. Afirma que os auditores fiscais limitaram-se a somar valores, sem ao menos cruzar as contas, sem ao menos verificar do que se tratava, se eram lançamentos a débito ou a crédito e que a existência de diversas contas com pequeno número de operações era fato que levaria qualquer pessoa a investigar a fundo os fatos. Quanto ao arbitramento do lucro, afirma ser medida extrema e que é imprescindível por parte do fisco, a abertura formal de prazo para apresentação da documentação, em obediência ao devido processo legal. Afirma que foi desatendido o disposto no art. 148 do CTN, pois, caberia aos autuantes, o ônus da prova de haver procedido anteriormente à constituição da dívida fiscal, a instauração de processo regular de arbitramento exigível. Cita doutrina. Acrescenta que o arbitramento como efetuado se choca também com o § 6° do art. 6° da Lei n° 8.021/90, que trata das regras para tributação dos acréscimos patrimoniais e dos sinais exteriores de riqueza e cujo parágrafo citado dispõe que qualquer que seja a modalidade escolhida para o arbitramento, será sempre levada a efeito aquela que mais favoreça o contribuinte. Argüi que a forma que a autoridade fiscal aplicou não é a forma mais favorável ao contribuinte, mas sim a que, embora sem amparo legal, e aplicada com base exclusivamente em presunção subjetiva da autoridade lançadora é favorável, exclusivamente ao fisco. Com base no § 2° do art. 6° da Lei n° 8.021/90, conclui que se tratando de tributação diferenciada em que os lucros são arbitrados pela autoridade lançadora, a legislação de regência definiu regras especificas para o exercício desse arbitramento não havendo, pois, que se falar em presunção de lucro presumido e que a 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA erátewit PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ncfj-:t."0 SÉTIMA CAMARA Processo n° : 10925.002606/2004-43 Acórdão n° : 107-08.729 autoridade fiscal deve efetuar o lançamento em obediência à legislação por ser ato vinculado nos termos do art. 30 e 142 do CTN. Discorda da aplicação das multas de 75% (sio) e de 150%, por serem ilegais e porque devem acompanhar todo o lançamento tributário. É o relatório. 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA rt..2 • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES itL 1- SÉTIMA CÂMARAgçk 4:4174.4>, Processo n° : 10925.0002606/2004-43 Acórdão n° : 107-08.729 VOTO VENCIDO Conselheira - ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Relatora. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Em relação à alegação da contribuinte de que o acórdão é nulo, porque não teria sido apreciado seu pedido de requisição de informações ao BESC sobre as transações relacionadas com as contas bancárias citadas pela fiscalização, entendo que a mesma não procede, pois, esse argumento consta do relatório e a TJ considerou que se a contribuinte entendesse que a instituição financeira poderia apresentar algum esclarecimento, poderia ter tomado essa providência, pois o ônus da prova por. presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96 é da contribuinte. Logo, rejeito a preliminar de nulidade do acórdão. Pelas mesmas razões, não acato seu pedido de requisição de informações ao BESC sobre as transações relativas às contas bancárias, pois, entendo que a contribuinte poderia ter trazido aos autos as provas que entendesse necessária à sua defesa. A recorrente pede que o procedimento seja anulado ante a falta de competência dos auditores fiscais para efetuar o lançamento, exigir tributos, e aplicar multas, pois pela Portaria SRF n° 1.265/99, somente teriam competência para fiscalizar, mas, não para lançar. Não assiste razão à interessada, posto que a mencionada Portaria dispõe sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para a 10 MINISTÉRIO DA FAZENDA trie,e4 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES '1,,..:11:(44 SÉTIMA CÂMARA Processo n° : 10925.002606/2004-43 Acórdão n° : 107-08.729 execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF, entretanto, não trata da competência para fazer o lançamento. Sobre competência para fazer o lançamento, deve-se lembrar do disposto no art. 142 do CTN, na Lei n° 2.354/54, Decreto n° 2.225/85 e art. 6° da Lei n° 10.593/2002. Da leitura desses dispositivos legais se conclui que o lançamento é indelegável e privativo da autoridade administrativa, investida dessa competência, que é exclusiva do Auditor Fiscal da Receita Federal. Não há acusação de que o servidor que fez o lançamento não seja Auditor Fiscal da Receita Federal. Portanto, deve ser rejeitada essa preliminar. Em relação à argüição da preliminar de decadência, para o IRPJ do quarto trimestre do ano-calendário de 1998 (para os trimestres anteriores a Turma Julgadora acatou a preliminar de decadência) e do ano-calendário de 1999, conforme demonstrativos de fls. 525 a 528, foi apurado pelo Lucro Real trimestral. Logo, ocorreram os fatos geradores trimestrais em 31.12.98, 31.03.99, 30.06.99, 30.09.99 e 31.12.99. A ciência dos autos se deu em 28.09.2004. Foi aplicada a multa de 150%. A CSLL acompanha a apuração trimestral. Para o PIS e COFINS, no ano de 1999, os fatos geradores ocorreram mensalmente de 28.02.99 a 31.12.99 e mensalmente até 12/98, em relação ao ano-calendário de 1998. No lançamento por homologação, segundo o § 4° do art. 150 do CTN, se a lei não fixar prazo para a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando o prazo decadencial é regido pelo art. 173 do CTN, e é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte em que o crédito tributário poderia ser lançado. Logo, deve ser apreciado se está comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. 11 MINISTÉRIO DA FAZENDA .11;!..t.,- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA sZir Processo n° : 10925.002606/2004-43 Acórdão n° : 107-08.729 A multa qualificada (art. 44, inciso II da Lei n° 9.430/96) foi aplicada, segundo a fiscalização, porque a contribuinte apresentou ao longo de 5 anos, declaração simplificada na situação de inativa, movimentando no período R$ 7 milhões por meio de 20 contas bancárias, e que embora tenha sido baixada no fisco estadual, não o fez junto ao fisco federal, e que sua conduta indica que não teria sentido manter seu CNPJ ativo ao longo de todos esses anos, a não ser que tencionasse, de forma deliberada, servir-se dele única e exclusivamente para credencia-la a movimentar contas bancárias e que essa seria uma prática reiterada, consciente e premeditada e que sua intenção foi a de eximir-se totalmente do pagamento de tributos. Concluiu que a conduta da contribuinte configura, em tese, intuito de fraude. O caput do art. 44, inciso II, da Lei n°9.430/96, determina que, no de lançamento de oficio será aplicada multa de 150% , nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n°4.502/64, os quais estão transcritos a seguir: 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. 12 • MINISTÉRIO DA FAZENDA te:t4 .4; PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA Processo n° : 10925.00260612004-43 Acórdão n° : 107-08.729 Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. A empresa apresentou para todos os anos-calendário objeto da autuação, declaração de inatividade, e movimentou expressiva movimentação financeira sem que tenha sido comprovada a origem dos recursos, conforme se verá adiante. Está claro que teve o objetivo de impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação principal, enquadrando-se no conceito de evidente intuito de fraude de que trata o art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, devendo o lançamento da multa qualificada ser mantido. Assim, o lançamento relativo ao fato gerador ocorrido no último trimestre de 1998, somente poderia ter sido efetuado a partir de 01.01.1999, e tem como termo inicial para a contagem do prazo decadencial, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado, que no caso, se deu em 01.01.2000. O início da contagem deu-se em 01.01.2000, e em 28.09.2004, data da ciência do auto de infração, ainda não havia decorrido o prazo de 5 anos previsto no art. 173 do CTN, para a exigência do IRPJ. Logo, rejeito a preliminar de decadência para o fato gerador ocorrido no último trimestre de 1998 (também não ocorreu a decadência para os fatos geradores ocorridos em 1999, seja do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS). Quanto às contribuições sociais, a Turma Julgadora, manteve essas exigências, sob o argumento de as regras de contagem de prazo decadencial das contribuições sociais se regem pelo art. 45 da Lei n°8.212/91. Discordo da Turma Julgadora em relação ao PIS, pois essa contribuição não está entre as elencadas na Lei n° 8.212/91, sendo o seu prazo decadencial regulado pelo Código Tributário Nacional. 13 • MINISTÉRIO DA FAZENDA If PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES v st,-:; ;TIC SÉTIMA CÂMARA?OS ick" •;M-C-45. Processo n° : 10925.00260612004-43 Acórdão n° : 107-08.729 Logo, para o PIS decaiu o direito da Fazenda Nacional fazer o lançamento dos fatos geradores ocorridos até 11/98. Em relação ao lançamento da CSLL e da COFINS, o lançamento deve prevalecer, posto que o prazo decadencial para lançamento dessas contribuições é de 10 anos em razão dos fundamentos tratados a seguir. O § 4° do art. 150 do CTN dispõe que se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador. Se nesse prazo a Fazenda Pública não se pronunciar, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário. Então, o próprio CTN estabelece que o prazo para a homologação pode ser fixado por lei, o que abrange a lei ordinária e não contraria o disposto no art. 146, inciso III, alínea "b", que dispõe que normas gerais em matéria de legislação tributária relativa a decadência devem ser estabelecidas por lei complementar, no caso, o CTN, que as estabeleceu. Não há, portanto, impedimento legal para que uma lei ordinária fixe prazo maior para homologação das Contribuições Sociais. O art. 45 da Lei n° 8.212/91, dispôs sobre o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos. Extingue-se esse direito após 10 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. O Titulo VI dessa norma dispõe sobre as fontes de financiamento da Seguridade Social e enumera as contribuições a que estão obrigadas a União, o segurado e as empresas. Dentre as contribuições a cargo das empresas, há referência às provenientes do faturamento e do lucro destinadas à Seguridade Social. Conclui-se que deve ser rejeitada a preliminar de decadência para o lançamento da COFINS e da CSLL. 14 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 7t":" SÉTIMA CÂMARA Processo n° : 10925.002606/2004-43 Acórdão n° : 107-08.729 Em relação ao mérito, a contribuinte afirmou em seu recurso de que a única conta corrente bancária de sua movimentação e titularidade é a conta n° 012.258-0, e que as demais contas bancárias eram contas transitórias, que se destinavam somente à contabilização de operações "de desconto" de cheques pré- datados recebidos, e que a sua conta permanecia com valores negativos até o pagamento dos cheques descontados A movimentação financeira das 20 contas bancárias, que totaliza para todos os anos, o valor de R$ 7.041.442,56, é pela conta de n° 012.258-0, que a recorrente se refere como sendo aquela de sua movimentação e titularidade, que foi movimentada a maior parte dos recursos, equivalente a 97,88% desse total (R$ 3.932.629,14 em 1998, R$ 2.673.437,74 em 1999 e toda a movimentação dos anos de 2000 a 2002, de R$ 286.225,00, que totaliza R$ 6.892.291,88). As demais contas se referem aos anos de 1998 e 1999. Levando-se em conta a movimentação financeira do 4° trimestre de 1998, em diante, a movimentação das contas menores é inferior a 2% do total movimentado. A contribuinte, não trouxe aos autos prova de que a movimentação financeira dessas contas de menor valor movimentado esteja inserida na conta n° 012.258-0, e o ônus da prova de acordo com o art. 42 da Lei n°9.430/96 é seu. A recorrente afirma que os auditores fiscais limitaram-se a juntar aos autos, cópias dos extratos bancários e cópia de cheques de terceiros, e somando valores aleatórios, chegaram à absurda movimentação financeira descrita, mas, que deixaram de efetuar completa verificação e análise dos extratos acostados, e que nem mesmo perquiriram a administração do banco sobre os fatos. Afirma que os auditores fiscais limitaram-se a somar valores, sem ao menos cruzar as contas, sem ao menos verificar do que se tratava, se eram lançamentos a débito ou a crédito e que a existência de diversas contas com pequeno número de operações era fato que levaria qualquer pessoa a investigar a fundo os fatos. 15 • MINISTÉRIO DA FAZENDAe•.4, PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA ,:tz,z(W> Processo n° : 10925.00260612004-43 Acórdão n° : 107-08.729 Em relação a essas alegações, às fls. 126 a 156, consta a relação de valores creditados nas contas correntes da contribuinte. Verifica-se que os autuantes foram criteriosos, na apuração dos créditos, porque, por exemplo, no mês de janeiro de 1998, o histórico relativo a "lib. empres." no valor de R$ 26.000,00, não foi incluído na autuação (fls. 160), nem o crédito relativo a "Lib. TD" no valor de R$ 47.366,46 (fls. 165), nem o crédito de R$ 15.700,00 com o histórico de "créd. Ecc" de fls. 168, nem o crédito no valor de R$ 26.660,05 com o histórico de "EST. Fl. LCG". Também se observa que os valores dos créditos inferiores a R$ 500,00 não foram computados na operação. Logo, não assiste razão à recorrente quando afirma que a fiscalização somou créditos e débitos de suas contas correntes, na apuração das exigências. Em relação ao arbitramento do lucro, a contribuinte foi intimada a apresentar os livros e documentos de sua escrituração e deixou de apresentá-los. A autoridade fiscal, com fundamento no art. 47, inciso III, da Lei n° 8.981/95, arbitrou o lucro. O disposto no art. 148 do CTN, diz respeito a outra matéria, que se refere a cálculo do tributo com base ou que tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, portanto, matéria distinta do arbitramento efetuado. Quanto ao disposto no art. 6° e § 6° e da Lei n° 8.021/90, referido dispositivo diz respeito à tributação das pessoas físicas. Portanto, a fiscalização ao arbitrar o lucro, não infringiu o disposto no art. 3° e 142 do CTN e, a apuração da omissão de receita foi realizada com a fundamentação no art. 42 da Lei n° 9.430/96, que dispõe sobre uma presunção legal, e somente a comprovação da origem dos recursos, cujo ônus lhe compete, faria prova a seu favor. Portanto, levando em conta que foi regularmente intimada, cabe à recorrente a comprovação da origem dos recursos com documentação hábil e idônea, o que não logrou efetuar. 16 • MINISTÉRIO DA FAZENDA 3. • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES tee 1'7 SÉTIMA CAMARA ‘1P Processo n° : 10925.002606/2004-43 Acórdão n° : 107-08.729 Pelas razões expostas, oriento meu voto para rejeitar as preliminares de nulidade e o pedido de diligência, acolher a preliminar de decadência do PIS até o fato gerador de 11/98, e no mérito negar provimento ao recurso. ALBERTINA SI VA SANTOS DE IMA 17 MINISTÉRIO DA FAZENDA 0.4t4 k•-• • • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 44 .0 SÉTIMA CAMARA Processo n° : 10925.00260612004-43 Acórdão n° : 107-08.729 VOTO VENCEDOR Conselheiro - NATANAEL MARTINS, Relator: Em relação ao voto vencido, discordo da relatora apenas em relação ao prazo de decadência do direito da Fazenda Nacional lançar a COFINS e a CSLL. Com relação à contagem do prazo decadencial dessas contribuições, não obstante a posição de muitos de que não caberia a este órgão colegiado, integrante do Poder Executivo, negar aplicação a dispositivo legal em vigor, enquanto não reconhecida sua inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, no caso em espécie, ouso dela divergir, especialmente no que se refere à aplicação do artigo 45 da pré-falada Lei n° 8.212/91, porque, como se verá, não se está aqui a simplesmente negar vigência a uma lei, mas, sim, a de aplicar a lei que especificamente deve reger a matéria. Com efeito, para esclarecer tal discordância, mister rememorar a moderna classificação das espécies tributárias já diversas vezes exaltada pela Colenda Suprema Corte e claramente dissecada no voto proferido pelo Excelentíssimo Ministro Carlos Velloso, no julgamento do RE n° 138.284/CE, datado de 1° de julho de 1992, ou seja, posteriormente à edição da Lei n°8.212/91: "As diversas espécies tributárias, determinadas pela hipótese de incidência ou pelo fato gerador da respectiva obrigação (CTN, art. 4°), são as seguintes: a) impostos (CF, arts. 145, I, 153, 154, 155 e 156); b) as taxas (CF, art. 145, II); c) as contribuições, que podem ser assim classificadas: c.1. de melhoria (CF, ar. 145, III); c.2. parafiscais (CF, art. 149), que são: c.2.1. sociais, c.2.1.1. de seguridade social (CF, art. 195, I, II, III), c.2.1.2. outras de seguridade social (CF, art. 195, parág. 4°), 18 e' • MINISTÉRIO DA FAZENDA ' PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 'ev22 -). 1, SÉTIMA CÂMARA Processo n° : 10925.002606/2004-43 Acórdão n° : 107-08.729 c.2.1.3. sociais gerais (o FGTS, o salário-educação, CF, art. 212, parág. 50, contribuições para o SESI, SENAI, SENAC, CF, art. 240); c.3. especiais: c.3.1 de intervenção no domínio econômico (CF, art. 149) e c.3.2. corporativas (CF, art. 149). Constituem, ainda, espécie tributária: d) os empréstimos compulsórios (CF, art. 148)." Depreende-se da classificação tributária erigida pelo Ministro Carlos Veloso e acima reproduzida que as contribuições sociais, portanto, têm natureza tributária. E tal posicionamento do Pretório Excelso, como dito, não é isolado, o que se atesta pela transcrição de importantes manifestações do irretocável Ministro Moreira Alves, escolhidas dentre tantas outras manifestações dos Ministros daquela Corte: "Sendo, pois, a contribuição instituída pela Lei n° 7.689/88 verdadeiramente contribuição social destinada ao financiamento da seguridade social, com base no inciso I do artigo 195 da Carta Magna, segue-se a questão de saber se essa contribuição tem, ou não, natureza tributária em face dos textos constitucionais em vigor. Perante a Constituição de 1988, não tenho dúvida em manifestar-me afirmativamente." (RE n° 146.733/SP; j. 29.06.1992) "Esta Corte, ao julgar o RE 146.733, de que fui relator, e que dizia respeito à contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas instituída pela Lei n° 7.689/88, firmou orientação no sentido de que as contribuições sociais destinadas ao financiamento da seguridade social têm natureza tributária, embora não se enquadrem entre os impostos." (Ação Declaratória de Constitucionalidade n° 1-1 Distrito Federal; j. 1°.12.1993) Desse modo, afigura-se inconteste a natureza tributária da contribuição social instituída pela Lei n° 7.689/88, assim como de qualquer outra contribuição social. Tal afirmação, contudo, não esgota a questão, porquanto a natureza tributária das contribuições sociais acarreta-lhes conseqüência de suma importância ao deslinde da controvérsia instaurada nestes autos, qual seja, a sua submissão às normas gerais de tributação veiculadas por lei complementar. Retomando-se o voto do ilustre Ministro Carlos Velloso acima transcrito parcialmente, o qual, lembre-se, trata da figura das contribuições sociais no novel ordenamento, infere-se que: 19 • MINISTÉRIO DA FAZENDA t. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA wn. • Processo n° : 10925.00260612004-43 Acórdão n° : 107-08.729 "(...) A questão da prescrição e da decadência, entretanto, parece-me pacificada. É que tais institutos são próprios da lei complementar de normas gerais (art. 146, III, b). Quer dizer, os prazos de decadência e de prescrição inscritos na lei complementar de normas gerais (CTN) são aplicáveis, agora, por expressa previsão constitucional, às contribuições parafiscais (CF, art. 146, III, b; art. 149)? Corroboram esse entendimento diversas manifestações do Egrégio Supremo Tribunal Federal, o que se atesta pela transcrição de trechos de votos da lavra do Ministro limar Gaivão, proferidos, respectivamente, no julgamento dos já citados RE n° 146.733/SP e Ação Declaratória de Constitucionalidade 1-1/DF: "A contribuição social instituída pela Lei n° 7.689/88 está prevista no art. 195 da Constituição Federal. O dispositivo e seus incisos e parágrafos definem o tributo (caput), os contribuintes (inciso I e parágrafo 8°) e a base de cálculo. Nada deixaram, como se vê, para eventual lei complementar, que, assim, não faz falta. A sua instituição, por isso, pôde ser autorizada por meio de lei (ordinária), no caput do art. 195, sendo certo que as «normas gerais» a que está sujeita hão de ser encontradas na lei complementar que, entre nós, já regula a matéria prevista no art. 146, III, b, da CF? "Na verdade, no que tange à base de cálculo, as vedações constitucionais são circunscritas às hipóteses de taxas relativamente aos impostos (art. 145, par. 2°) e de impostos da competência residual da União, no que diz respeito aos demais impostos, federais, estaduais ou municipais (art. 154, I). Não referem, pois, às contribuições sociais, como as de que se trata, em relação as quais se limitou, no art. 149, a declarar sujeitas às normas do artigo 146, III e 150, I e III, além do disposto no art. 195, par. 6°." Com efeito, dúvidas não hão de remanescer acerca da submissão das contribuições sociais, dentre elas as de que ora se trata, às normas gerais referidas no artigo 146, III, da Carta Magna, as quais estão contidas no Código Tributário Nacional. Isso a despeito da desnecessidade de lei complementar para sua instituição, conforme também já decidiu a Egrégia Suprema Corte. Dita o referido artigo 146, III, da Constituição Federal que: 20 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ItHE SÉTIMA CÂMARA .0174:t Processo n° : 10925.002606/2004-43 Acórdão n° : 107-08.729 Art. 146. Cabe à lei complementar: “(...) III — estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; (...)" (grifos nossos) No Código Tributário Nacional - Lei n° 5.172/66, alçada à categoria de lei complementar quando da sua recepção pelo ordenamento vigente -, a decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário está prevista, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, no artigo 150, § 40 , e, para os demais tributos, no artigo 173, I. Tratando-se de tributos sujeitos ao regime de lançamento por homologação, como de fato se trata, aplica-se à espécie o artigo 150, § 4°, do CTN, o qual dita que se operará a decadência em cinco anos "(...) a contar da ocorrência do fato gerador (...)". E nem se alegue que o artigo 45 da Lei n° 8.212/91 referir-se-ia a regra específica de decadência aplicável às contribuições destinadas à Seguridade Social, haja vista que, como visto à exaustão, determina a Constituição Federal que a decadência em matéria tributária deve ser tratada por lei complementar. Ou seja, sendo inegável a natureza tributária da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, está ela, pois, sujeita ao mencionado mandamento constitucional devidamente regulamentado no Código Tributário Nacional. Não se trata, aqui, como já de início asseverado, de negar aplicação a dispositivo vigente de lei ainda não declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal e, por via de conseqüência, de negar vigência à Portaria MF 103/2002 que delimitou a competência dos Conselhos de Contribuintes, mas, sim, de eleger, entre dois dispositivos de lei, aquele que mais se adapta ao ordenamento vigente. 21 MINISTÉRIO DA FAZENDA t-,4"--1_"te PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES "4. tEr SÉTIMA CÂMARA-0P._ z.zix '44-41P Processo n° : 10925.002606/2004-43 Acórdão n° : 107-08.729 Ensina o Ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira, em lição de atualidade e profundidade indiscutíveis, que: "A interpretação das leis não deve ser formal, mas sim, antes de tudo, real, humana, socialmente útil. (...) Se o juiz não pode tomar liberdades inadmissíveis com a lei, julgando 'contra legem', pode e deve, por outro lado, optar pela interpretação que mais atenda às aspirações da Justiça e do bem comum" (RSTJ 26/384) Ora, não se está a tratar aqui tão-somente da aplicação da Lei n° 8.212/91, mas também do Direito, haja vista que, repisando regra comezinha do direito processual, ao julgador cabe aplicar a Lei e o Direito. Ninguém menos que Miguel Reale, elucidando o pensamento sempre vivo do saudoso jurista italiano Tullio Ascarelli, brilhantemente ensina que: "O ato interpretativo, segundo Ascarelli, não se reduz a mera inferência lógica a partir de regras de direito, tomadas como premissas, mas ao contrário, representa uma valoração a partir de paradigmas normativos. (...) Como se vê, Ascarelli estava convencido, e este é um dos seus grandes méritos, que não pode haver interpretação que não envolva uma preferência valorativa, segundo parâmetros normativos, os quais delimitam a função criadora do intérprete, mas não a suprimem. Interpretar é valorar, ou seja, optar entre valores compatíveis com a estrutura normativa. Todo intérprete, por mais isento ou neutro que queira ser, jamais poderá libertar-se, primeiro, de seu coeficiente pessoal axiológico e, em segundo lugar, do coeficiente social de preferência inerente à sociedade a que ele pertence, ou ao "tempo histórico" que está vivendo. O advogado, o teórico ou o juiz são, antes de mais nada, homens inseridos num contexto de valorações e de preferências. Antes do jurista, há, em suma, a consciência, que é, ao mesmo tempo, uma realidade psíquica, com motivações económicas, morais, religiosas, as quais não podem deixar de condicionar o ato interpretativo. Para chegar a uma "interpretação concreta", Ascarelli adota a tese desenvolvida por um grande mestre da Teoria do Estado, Herman Heller, segundo o qual a interpretação não se põe no fim, como resultado do ordenamento, mas sim no começo do ordenamento, o que quer dizer que ela condiciona o sistema normativo. Por outras palavras, o ordenamento - 22 • MINISTÉRIO DA FAZENDAe e' - -e • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Ct: SÉTIMA CÂMARA Processo n° : 10925.00260612004-43 Acórdão n° : 107-08.729 jurídico só se torna pleno graças à mediação hermenêutica, ou, mais propriamente, graças ao trabalho criador do intérprete. (...)." ("A teoria da interpretação segundo Tullio Ascarelli", in Revista de Direito Mercantil, Industrial, Econômico e Financeiro n° 38, p. 75). Aliás, se dúvidas outrora houvesse quanto a função judicante na esfera administrativa, estas se dissiparam com o advento da Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, aplicável no âmbito do processo administrativo tributário federal, que, solenemente, proclamou que "nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de atuação conforme a lei e o Direito" (art. 2o., par. Único, inciso I). Nessa vereda, diga-se que a questão não se põe ao extremo de reputar inconstitucional esta ou aquela norma, mas sim de interpretar o Direito vigente, como princípio ao exercício das funções de um órgão judicante. Isso, pois, afastada a "consciência" do julgador, esvaziada estaria a tarefa desse Egrégio Colegiado, mormente considerando que a interpretação é instrumento imprescindível a qualquer operador do Direito. Deveras, não se há de fechar os olhos ao fato de que a Constituição incumbiu à lei complementar a competência para disciplinar o instituto da decadência em matéria tributária, competência esta exercida pelo Código Tributário Nacional e aplicável às contribuições sociais, conforme interpretação pacífica engendrada do Egrégio Supremo Tribunal Federal, guardião da Constituição Federal. Remetendo-se novamente a atenção à supra transcrita lição de Miguel Reate, frise-se que "o ordenamento jurídico só se .torna pleno graças à mediação hermenêutica". É, portanto, lançando-se mão dessa mediação hermenêutica, e de nada mais, que se aplica ao caso concreto o artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional (comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação) ao invés do artigo 45 da Lei n°8.212/91, privilegiando-se a plenitude do ordenamento jurídico. 23 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES \*:.:r-it4:r4 SÉTIMA CÂMARA ."rer5 Processo n° : 10925.002606/2004-43 Acórdão n° : 107-08.729 Outro giro e se mais não bastasse, não se pode negar que precedentes jurisprudenciais declaratórios da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91 também devem ser sopesados na verificação da aplicação da lei ao caso concreto, a exemplo do acórdão oriundo do julgamento da Argüição de Inconstitucionalidade n° 63.912, incidente no Agravo de Instrumento n° 2000.04.01.092228-3/PR, cuja ementa é a seguir transcrita: "Argüição de Inconstitucionalidade. Caput do artigo 45 da Lei n°8.212/91. É inconstitucional p caput do artigo 45 da Lei n° 8.212/91 que prevê o prazo de 10 anos para que a seguridade social apure e constitua seus créditos, por invadir área reservada à lei complementar, vulnerando, dessa forma, o art. 146, III, b, da Constituição Federal." (TRF 43 Região — Corte Especial — DJ 05.09.2001) Nesse sentido, se o julgador possui em mãos instrumentos cujo manejo possibilita a aplicação ao caso concreto de norma harmónica com o ordenamento jurídico, pode e deve fazê-lo. Não se há de esperar que o Egrégio Supremo Tribunal Federal reconheça a inconstitucionalidade apontadà via declaração efetuada pelo controle difuso, cuja extensão de efeitos a todos os contribuintes reclamaria a edição de Súmula do Senado Federal, ato de discricionariedade indiscutível. Assim, se é certo que os Conselhos de Contribuintes devem se pautar segundo suas regras de competência judicante, não menos certo é o fato de que no exercício dessa atividade, cuja competência deriva do Decreto 70.235172, lei ordinária como proclamado pelo Poder Judiciário devem os julgadores, por força dos princípios emergentes na Lei já citada Lei 9.784/99, aplicar o direito cabível à espécie. É justamente em face dessa realidade contextuai que se deve tomar a referida Portaria MF 103/02 como veiculadora de regras não exaustivas de competência. Noutras palavras, quando a lei e o direito aplicável emergirem de forma inconteste, sobretudo quando derivado de reiteradas manifestações ou de decisões definitivas de Tribunais Superiores, especialmente do Supremo Tribunal Federal 24 •• MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 44"'C't.1 SÉTIMA CAMARA Processo n° : 10925.002606/2004-43 Acórdão n° : 107-08.729 quando este, de forma definitiva, já tenha feito o devido controle de constitucionalidade, o órgão judicante não somente pode como deve aplicá-los. Assim, considerando que a ciência do auto de infração se verificou em 13 de dezembro de 2004, e foi aplicada a multa qualificada, é de se reconhecer a decadência do direito da Fazenda Nacional, lançar a CSLL dos fatos geradores ocorridos até 09/98 e da COFINS dos fatos geradores ocorridos até 11/98, por aplicação da norma contida no art. 150 e § 4°, combinado com o artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional ao caso concreto. CONCLUSÃO De todo o exposto, acolho a preliminar de decadência suscitada também para a CSLL dos fatos geradores até 09/98 e para a COFINS dos fatos geradores ocorridos até 11/98. É como voto. Sala das Sessões —DF, em 20 de setembro de 2006. 13/44,1,440 • NATANAEL MAR INS 25 (1/ Page 1 _0054600.PDF Page 1 _0054700.PDF Page 1 _0054800.PDF Page 1 _0054900.PDF Page 1 _0055000.PDF Page 1 _0055100.PDF Page 1 _0055200.PDF Page 1 _0055300.PDF Page 1 _0055400.PDF Page 1 _0055500.PDF Page 1 _0055600.PDF Page 1 _0055700.PDF Page 1 _0055800.PDF Page 1 _0055900.PDF Page 1 _0056000.PDF Page 1 _0056100.PDF Page 1 _0056200.PDF Page 1 _0056300.PDF Page 1 _0056400.PDF Page 1 _0056500.PDF Page 1 _0056600.PDF Page 1 _0056700.PDF Page 1 _0056800.PDF Page 1 _0056900.PDF Page 1
score : 1.0
