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Numero do processo: 12963.000136/2007-03
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/02/2006 a 30/04/2007
ARGÜIÇÃO DE TEMPESTIVIDADE.
A defesa apresentada fora do prazo legal, se suscitada a preliminar de tempestividade, esta será observada. Não sendo acolhida a preliminar, não se conhecerá das demais questões argüidas.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2403-000.443
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em não
conhecer do recurso por intempestividade.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: IVANCIR JÚLIO DE SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/2006 a 30/04/2007 ARGÜIÇÃO DE TEMPESTIVIDADE. A defesa apresentada fora do prazo legal, se suscitada a preliminar de tempestividade, esta será observada. Não sendo acolhida a preliminar, não se conhecerá das demais questões argüidas. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso por intempestividade. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Ivacir Júlio de Souza Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Cid Marconi Gurgel de Souza e Eivanice Canário da Silva (suplente). Ausentes, os Conselheiros Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 304DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 03/04/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 05/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 2 Relatório Tratase de processo de Auto de Infração DEBCAD n° 37.081.6315, lavrado em 17/07/2007, tendo a interessada tomado conhecimento da em 19/07/2007, conforme fls. 01 dos autos. A empresa foi autuada por não ter atendido a solicitação fiscal para exibição dos seguintes documentos e livros relacionados com as contribuições para a Seguridade Social: recibos de pagamento de prólabore informados em GFTP; recibos de pagamento de honorários do contabilista com os devidos descontos da contribuição previdenciária; comprovantes de pagamento de salários dos segurados registrados nas, folhas 041 a 06 do Livro próprio; escrituração contábil — Livros Diário, Razão, Plano de 'Contas ou Livro Caixa, na forma do regime de tributação; Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social na competência 13 (décimo terceiro salário) de 2006; Laudo Técnico de Condições Ambientais emitido por profissional credenciado pelo Ministério do Trabalho e Controle Médico de Saúde Ocupacional PCMSO, n o período de 02/2006 a 04/2007, conforme consta no Relatório Fiscal da Infração e Anexo às fls. 12/13. Tal fato configurou infração prevista no art. '33, §§ 2° e 3° da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, c/c o art. 232 e 233 do Regulamento da Previdência SocialRPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 6 de maio de 1999. Em decorrência da infração ao dispositivo acima descrito, foi aplicada uma multa, nos termos dos artigos 92 e 102 da Lei n° 8.212/91, c/c art. 283, inciso II, alínea "j" e art. 373 do RPS, atualizada pela Portaria MPS n° 142, de 1.1 de abril de 2007, no valor de R$ 11.951,21 (onze mil, novecentos e cinqüenta e um real, vinte e um centavos), conforme descrito no Relatório Fiscal da Multa Aplicada às fls 12 Consta do relato fiscal que não ficaram configuradas as circunstâncias agravantes previstas no art. 290 do RPS, nem da atenuante prevista no art. 291 do mesmo Regulamento. Foram juntadas, ainda, pela autoridade lançadora, cópias de diversos documentos que serviram de base para a autuação, conforme fls. 14/83. A autuada apresentou a impugnação em 03/09/2007. (fls. 89/96), alegando em síntese o que se relata a seguir. Em preliminar, arguiu a tempestividade da impugnação assegurando que a notificação foi recebida em 02/08/2007 juntamente com o , Termo de Encerramento da Ação FiscalTEAF emitido em 30/07/2007 e entregue a empresa em 02/08/2007. No mérito, apresenta a sinopse da autuação e diz que é garantido pela Constituição o direito ao contraditório e a ampla defesa nos processos administrativos, e ainda, que exercendo o seu direito de defesa impugna o Auto de Infração e apresenta os documentos exigidos pelo fisco, esclarecendo que procedeu de boafé. Continua, afirmando que por ter corrigido a falta no prazo para impugnação e por atender a todos os requisitos do art. 291, § 1° do Decreto n° 3.048/99, faz jus ao direito de relevação da multa e caso não seja esse o entendimento 'requer que a multa seja atenuada. Fl. 305DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 03/04/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 05/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 12963.000136/200703 Acórdão n.º 240300.443 S2C4T3 Fl. 297 3 Requer também a realização de diligências para verificação, dos documentos apresentados e que a defesa seja recebida no efeito susPensivo. Por fim, visando comprovação de suas alegações a impugnante juntou aos autos cópias dos seguintes documentos: Procuração "Ad Judicia" (fls. 98); Folha de rosto do AI ora impugnado (ciência em 19/07/2007, às fls. 101); TEAF às fls. 102; Folha de rosto da NFLD n° 37.081.6358 (ciência em 02/08/2007, às fls. 103); Contrato Social (fls. 104/106); Relação de honorários do contador do ano de 2006; declarações do contador dos anos de 2006 e 2007; recibos de honorários do ri contador de 01/2007 a 05/2007; recibos de prólabore de 03/2006 a 02/2007; folhas 01 a 09 do , livro Diário n° 02, emitido em 27/08/2007, não autenticado, referente ao' período de 01/01/2007 a 30/04/2007; folhas 01 a 06 do livro Razão n° 02, emitido em 27/08/2007, referente( ao período de 01/01/2007 a 30/04/2007; protocolo de envio de arquivos Conectividade Social e relatórios referentes à GFIP da competência 13/2006 enviada no dia 03/09/2007; folhas de pagamento de salário, de prólabore e de autônomos das competências 03/2006 a 04/2007, inclusive segunda parcela do décimo terceiro salário de 2006 emitida em 03/09/2007, Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional, período de 07/2007 a 07/2008; Programa de Prevenção de Riscos Ambientais, período de 07/2007 a 07/2008; Livro Razão n° 01 referente ao exercício de 2006, autenticado na JUCEMG sob o n° 03.097.002 em 31/08/2007; Livro Diário n° 01 referente ao exercício de 2006, autenticado na JUCEMG sob o n° 03.097.001 em 31/08/2007; folhas 02 e 03 de livro Caixa n°01 referente ao ano de 2006 (fls. 107/255). Tendo em vista o vencimento do prazo para impugnação em 20/08/2007 sem que houvesse manifestação do contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Poços de Caldas declarou a revelia do autuado e lavrou o respectivo "Termo de Revelia" em 03/09/2007 (fls. 85). Através do Oficio n° 127/2007/SARAC/EAC/2, de 03/09/2007, foi encaminhado ao interessado uma via do Termo de Revelia ' (fls. 86/87). Em 13/09/2007, após a apresentação da defesa intempestiva com argüição de tempestividade, foi enviado o Oficio' n° 165/2007/SARAC/EAC/2 solicitando a desconsideração do referido Termo de Revelia (fls. 88 e 258). 1 Através da Manifestação relativa ao Oficio n° 127/2007/SARAC/EAC/2, apresentada em 17/09/2007 (fls. 259/263), o autuado tornou a afirmar o direito ao contraditório e a ampla defesa, assegurou tempestividade da defesa e requereu a ineficácia do Termo de Revelia. Fl. 306DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 03/04/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 05/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 4 DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, a 6ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Juiz De Fora (MG ) DRJ/JFA emitiu Acórdão n° 0917.700 6, mantendo procedente o lançamento sob os argumentos de que a defesa apresentada fora do prazo legal não será apreciada, salvo se suscitada a preliminar de tempestividade, observando se que, não sendo esta acolhida, deixarseá de examinar as demais questões argüidas. DO RECURSO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário onde reiterou as alegações que fizera em instancia “ad quod ” e requer sejam conhecidas suas alegações. Afirma às fls. 287, ser incontestável que a contagem do prazo previsto no relatório Instrução para o contribuinte IPC começa após o recebimento do último documento que complete a Notificação, qual seja, o Termo de Encerramento da Ação Fiscal. E que nessa linha de raciocínio a defesa administrativa feita pela recorrente foi tempestiva, tendo em vista que o Termo de Encerramento da Ação Fiscal TEAF (documento integrante da notificação fiscal) foi emitido em 30/07/2007 e recebido pela empresarecorrente em 02/08/2007. Relembra que na folha de rosto da NFLD constam os anexos integrantes da notificação, dentre eles, o Termo de Encerramento da Ação Fiscal TEAF É o relatório. Fl. 307DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 03/04/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 05/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 12963.000136/200703 Acórdão n.º 240300.443 S2C4T3 Fl. 298 5 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE Em preliminar, a recorrente suscitou em primeira instância, e reiterou em sede de recurso, a tempestividade da impugnação afirmando que procedera a entrega da defesa dentro do prazo legal. É cediço que sempre que o recurso for interposto em prazo maior do que o legalmente previsto, a jurisprudência entende que não se deve recebêlo, tendo em vista o fenômeno da preclusão. Ocorre que sendo suscitada preliminar de tempestividade é cabível tal verificação.Entretanto, restando intempestiva a impugnação, não se instaura a fase litigiosa do procedimento e não se examina as demais questões argüidas. No processo em comento, o contribuinte afirmou em sua defesa e reiterou em sede de recurso, que foi intimado em 02/08/2007 do lançamento objeto desta NFLD alegando que prazo para a devida contestação expirou em 03/09/2007, data do protocolo de sua impugnação: “ Assim, a defesa administrativa feita pela recorrente foi tempestiva, tendo em vista que o Termo de Encerramento da Ação Fiscal TEAF (documento integrante da notificação fiscal) foi emitido em 30/07/2007 e recebido pela empresarecorrente em 02/08/2007.” Relevante notar que a recorrente desconsiderou a data da notificação assinada por sua sóciagerente em 19/07/2007 e se apoiou no erro formal sanável que não implicou em prejuízo para o contribuinte dos equivocados registros de um dos anexos daquela ou seja no TEAF. Desse modo, sem êxito, em primeira instância, se conheceu da impugnação no que se referiu à preliminar suscitada, instaurandose o litígio somente em relação à argüição de tempestividade. Cumpre destacar que diferente do que alega, de acordo com o registro de fl. 01, a recorrente foi notificada em 19/07/2007 conforme abaixo : “ Nos termos dos arts. 2° e 30 da Lei 11.457 de 16/03/2007, fica o contribuinte notificado do levantamento objeto da presente NFLD.” A discriminação dos fatos geradores, das contribuições devidas, dos períodos a que se referem e a fundamentação legal consta expressamente dos seguintes anexos, os quais fazem parte integrante desta notificação: ( grifei) Fl. 308DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 03/04/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 05/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 6 IPC Instruções para o Contribuinte DAD Discriminativo Analítico do Débito DSD Discriminativo Sintético do Débito RL Relatório de Lançamentos FLD Fundamentos Legais do Débito REPLEG Relatório de Representantes Legais VINCULOS Relatório de Vínculos MPF Mandado de Procedimento Fiscal TIAF Termo de Início da Ação Fiscal TIAD Termo de Intimação para Apresentação de Documentos AGD Auto de Apreensão, Guarda e Devolução de Documentos TEAF Termo de Encerramento da Ação Fiscal REFISC Relatório Fiscal (grifei) Para pagamento, parcelamento ou impugnação deverão ser observadas as instruções constantes do relatório IPC Instruções para o Contribuinte, que segue anexo, devendo o contribuinte dirigirse à unidade de atendimento da Receita Federal do Brasil. ” Às fls. 02 a 03, contêm nos itens 2 a 2.6 instruções específicas à respeito de IMPUGNAÇÃO orientando , inclusive, sobre os prazos. Às fls. 11, sem ter se traduzido em prejuízo para o contribuinte, caracterizando simples erro formal escusável, posto que sanável, consta o confuso anexo Termo de Encerramento da Ação fiscal, registrando ter sido emitido com data de 30/07/2007, assinado pelo Auditor Fiscal com data anterior, de 17/07/2007 e recebido pela Sócia Gerente com data de 02/08/2007. Entretanto, a CIÊNCIA DA AUTUAÇÃO ocorreu de fato e de direito em 19/07/2007 quando a notificada assinou que recebera na oportunidade inclusive o TEAF – Termo de Encerramento da Ação Fiscal como anexo parte integrante da notificação em comento conforme fl. 01. Aduz que na forma do preceituado no artigo 293, § 1o do Decreto 3.048/99, o autuado terá prazo de trinta dias, a contar da ciência para impugnar a autuação: "Art. 293. (...) Fl. 309DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 03/04/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 05/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 12963.000136/200703 Acórdão n.º 240300.443 S2C4T3 Fl. 299 7 Art. 293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, será lavrado autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) § 1o Recebido o autodeinfração, o autuado terá o prazo de trinta dias, a contar da ciência, para efetuar o pagamento da multa de ofício com redução de cinqüenta por cento ou impugnar a autuação. ( Redação dada pelo Decreto n° 6.103, de 2007). ” ( grifei) A empresa exorta às fls 251 o conteúdo do anexo IPC, subitem 2.3 da instrução para o contribuinte: “ Dessa forma, a autuada teve o prazo de 30 (trinta) dias para apresentação de sua defesa administrativa (impugnação ao Auto de Infração), conforme subitem 2.3 da Instrução para o Contribuinte IPC e, ainda, que para a contagem do prazo será excluído o dia da ciência efetiva e incluindo o dia do vencimento, conforme subitem 2.3, letra "a", verificase que o prazo inicial é 03/08/07 e o prazo final para apresentação da impugnação é dia 01/09/07” Referindose justo ao primeiro anexo parte integrante da notificação assinada por sua sócia gerente em 19/07/2007 que vem a ser o IPC – Instruções para o contribuinte a empresa, contradizendose, afirma que só tomou ciência da autuação em 02/08/2007. Sua evidente contradição encerra a conclusão. Por tudo que foi exposto, o prazo de 30 (trinta) dias para apresentação de impugnação terminou em 20/08/2007. Tendo o contribuinte protocolado sua defesa apenas em 03/09/2007, configurouse, portanto, a intempestividade. Afastada a hipótese de tempestividade em sede impugnação, restou impedida a apreciação das demais matérias tratadas. Isto posto, tendo sido intempestiva a impugnação em primeira instância não se instaurou a fase litigiosa do procedimento, status este que deve ser mantido em instância “ad quem”. Se o indivíduo não exercita seu direito no prazo ou termo legal, perde a faculdade processual de ação, ocorre então o que se denomina preclusão temporal. Segundo Maria Helena Diniz ( Dicionário Jurídico. São Paulo: Saraiva, 1998, p. 678.) , genericamente, podese definir a preclusão como a "perda de um direito subjetivo processual pelo seu nãouso no tempo e no prazo devidos" Um dos princípios jurídicos mais conhecidos de todos os tempos encontrase no brocardo latino: "dormientibus non sucurrit jus". De fato, o direito não socorre aos que dormem no processo. E é nesse sentido também que disciplina a Lei n° 9.784/99 na dicção do artigo 63, I: “ Artigo 63. O recurso não será conhecido quando interposto: I fora do prazo; ” Fl. 310DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 03/04/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 05/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 8 Desse modo, por intempestiva a impugnação e não tendo por isso se instaurado a fase litigiosa do procedimento, NÃO CONHEÇO DO RECURSO. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Fl. 311DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 03/04/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 05/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI
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Numero do processo: 10768.720822/2007-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1402-000.037
Decisão: RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Nome do relator: CARLOS PELÁ
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TURMA DRJRJ1 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) Albertina Silva dos Santos Lima Presidente (assinada digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima.. Fl. 481DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/03/2011 por CARLOS PELA Assinado digitalmente em 13/03/2011 por CARLOS PELA, 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10768.720822/200777 Resolução n.º 140200.037 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório Tratase de processo que envolve compensação de créditos de CSLL do ano calendário de 2002 com as estimativas de IRPJ dos meses de outubro e dezembro de 2003. O crédito da CSLL, por sua vez, originouse de base de cálculo negativa, tendo em vista o excesso de recolhimento de estimativas no ano de 2002. As estimativas dos meses de fevereiro e março de 2002, contudo, foram liquidadas mediante compensação com créditos de PIS/PASEP, requeridos através do processo administrativo 10070.002100/200190. Todavia, o crédito requerido nesse processo foi indeferido pela DRF, de sorte que as estimativas não foram consideradas liquidadas e, por conseqüência, inexiste o referido saldo negativo de CSLL do ano de 2002. Com base nesta constatação, a DRF indeferiu a compensação das estimativas de outubro e dezembro de 2003. Inconformada, a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, em que alega: a) a compensação objeto destes autos foi indeferida, em vista de o Acórdão n° 1315.464, proferido pela 5' Turma da DRJ/RJ011, ter negado provimento a pedido de ressarcimento a titulo de PIS/PASEP, objeto do Processo n° 10070.002100/200190; b) todavia, a 2' Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, através do Acórdão n°20218.569, de 11/12/2007, reformou a decisão proferida pela DRJ, reconhecendo o direito de a recorrente fazer jus aos créditos de PIS/PASEP; e, conseqüentemente, à compensação tratada nestes autos deve ser homologada; c) de mais a mais, não há como indeferir pedido de compensação cujos créditos utilizados estão pendentes de julgamento final, conforme pronunciamento do 2° Conselho de Contribuintes reproduzido às fls.97/98; e d) desse julgamento, extraise que "enquanto pendente de julgamento pedido de restituição/ressarcimento, cujos créditos foram utilizados para compensação de débitos, pendente também remanescerá o pedido de compensação". A DRJ, por sua vez, houve por bem manter a decisão de primeira instância, por entender que o crédito utilizado pela Contribuinte não é líquido e certo, uma vez que depende do desfecho de outro processo administrativo. Ainda inconformada, a Contribuinte apresenta recurso voluntário, em que sustenta que o crédito pleiteado no processo administrativo 10070.002100/200190 foi reconhecido pelo extinto 2º. Conselho de Contribuinte, por meio do Acórdão 20218.569 e as compensações efetuadas foram finalmente homologadas. Sustenta também que o fato de pender ainda o julgamento do Recurso Especial interposto pela PGFN contra o acórdão referido não é motivo para negar a compensação, uma vez que a última decisão sobre o caso foilhe favorável. Entende que enquanto não julgado o processo vinculado, não se pode indeferir a compensação. Requer, por fim, a nãoincidência da taxa Selic sobre os débitos. Fl. 482DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/03/2011 por CARLOS PELA Assinado digitalmente em 13/03/2011 por CARLOS PELA, 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10768.720822/200777 Resolução n.º 140200.037 S1C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator Conheço do Recurso por ser tempestivo, por atender aos requisitos de admissibilidade e por conter matéria de competência deste Conselho. Os casos de compensação têm sido fontes de inúmeros problemas no âmbito deste CARF quando, sendo relacionados com outros processos do mesmo período, são decididos isoladamente. Este problema, contudo, encontra solução no próprio regimento interno do CARF, que determina sejam julgados ao mesmo tempo, reunidos para decisão conjunta, nos termos do artigo 6º. Verbis: “Art. 6° Verificada a existência de processos pendentes de julgamento, nos quais os lançamentos tenham sido efetuados com base nos mesmos fatos, inclusive no caso de sujeitos passivos distintos, os processos poderão ser distribuídos para julgamento na Câmara para a qual houver sido distribuído o primeiro processo.” No caso de impossibilidade de reunião dos processos, é o caso de suspender o julgamento deste, nos termos do artigo 265, IV. “a” do Código de Processo Civil, por aplicação subsidiária. do julgamento de outra c Penso que é o caso do presente processo, cuja solução tem relação direta com outro processo, citado na própria decisão da DRJ. Posto isso, penso que é o caso de suspender o julgamento deste processo, que deve retornar à Unidade de origem e lá permanecer até que a Câmara Superior de Recursos Fiscais decida o Recurso Especial manejado pela PGFN no Processo 10070.002100/200190, uma vez que a decisão deste processo depende inteiramente o desfecho daquele. Sala das Sessões, em 24 de fevereiro de 2011 (assinada digitalmente) Carlos Pelá Fl. 483DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/03/2011 por CARLOS PELA Assinado digitalmente em 13/03/2011 por CARLOS PELA, 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 10825.900488/2006-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 25 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1402-000.045
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência nos termos da presente Resolução. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Antonio José Praga de Souza, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Viviani Aparecida Bacchmi e Frederico Augusto Gomes de Alencar. Fl. 213DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 01/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 06/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10825.900488/200621 Resolução n.º 140200.045 S1C4T2 Fl. 140 2 Relatório Laboratório Bauru de Patologia Clínica S/C recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 5ª Turma da DRJ Ribeirão Preto/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 01/09, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos (Cofins) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). Por intermédio do despacho decisório de fls. 10/12, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls.15/16, na qual alega, em síntese, que o despacho decisório não homologou a compensação declarada em razão das declarações (DIPJ e DCTF) originais apresentadas, utilizarem integralmente o valor recolhido para quitação de débitos. A par disso, a contribuinte encaminha em anexo as respectivas declarações retificadoras e os pagamentos de impostos indevidos ou maiores, que resultou no crédito utilizado nas compensações. Ao final, requer o acolhimento da presente manifestação de inconformidade e a improcedência da cobrança dos valores compensados.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 1421.613 (fls. 104107) de 25/11/2008, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação da contribuinte sob o argumento de que o reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido, o que, no presente caso, não teria ocorrido, entendimento representado em sua ementa, a seguir transcrita. “RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 16/03/2009 (A.R. de fl. 110), a interessada interpôs recurso voluntário em 14/04/2009 (fls. 111115) onde repisa os argumentos trazidos em sua impugnação. É o relatório. Fl. 214DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 01/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 06/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10825.900488/200621 Resolução n.º 140200.045 S1C4T2 Fl. 141 3 VOTO Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. De se atentar, inicialmente, que o assunto tratado no presente processo é idêntico àquele constante em diversos processos da mesma empresa, cuja análise neste Colegiado foi levada a efeito pelo ilustre Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva. Nesse sentido, comungando com o entendimento ali esposado, peço vênia ao ilustre Conselheiro para adotar os fundamentos de sua lavra, apresentados nos parágrafos a seguir. À luz do parágrafo único do artigo 142 do CTN, a atividade de lançamento, assim entendido como o procedimento tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido e identificar o sujeito passivo, é atividade administrativa vinculada e obrigatória. Quer nos casos de lançamento de ofício, quer nas hipóteses de lançamento por homologação em que o sujeito passivo, por conta própria, identifica a matéria tributável, base de cálculo, a alíquota incidente e, quando devido, realiza o pagamento, não há faculdade, em relação a nenhuma das partes, para exigir ou deixar de pagar tributo previsto em lei. A garantia constitucional consagrada no artigo 150, I, que veda à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios “exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça”, também contém a obrigação do contribuinte de pagar, com exatidão, os tributos legalmente fixados. Tal comando constitucional advém do princípio da legalidade consagrado no artigo 5º, II, da Constituição de 1988 e não é novo em nosso direito, pois já se encontrava previsto nas constituições anteriores e no artigo 97 do Código Tributário Nacional. Nos casos de pagamento a menor cabe ao Fisco, nos termos do artigo 142 do CTN, por lançamento de ofício, exigir a diferença. Efetuado pagamento a maior, diante da impossibilidade de se exigir tributo além do montante fixado em lei, cabe à Administração proceder a restituição, que nos casos de pessoa jurídica pode darse mediante compensação, conforme previsto no artigo 170 do CTN. Ainda em relação à compensação, o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as modificações introduzidas pelas Leis nº 10.637, de 2002 e Lei nº 10.833, de 2003, dispõe “in verbis”: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada ao caput pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002, DOU 31.12.2002 Ed. Extra, com efeitos a partir de 01.10.2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 10.637, de Fl. 215DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 01/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 06/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10825.900488/200621 Resolução n.º 140200.045 S1C4T2 Fl. 142 4 30.12.2002, DOU 31.12.2002 Ed. Extra, com efeitos a partir de 01.10.2002. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002, DOU 31.12.2002 Ed. Extra, com efeitos a partir de 01.10.2002). No caso dos autos, a prevalecer o argumento de que a parte recorrente, tributada com base no lucro presumido, no segundo trimestre de 1999, recolheu tributo levando em consideração base de cálculo de 32% (trinta e dois por cento), quando o correto, em tese, seria 8% (oito por cento), não há o que se falar em extinção do direito de postular a compensação, visto que tal direito foi exercido no decorrer do anocalendário de 2003, conforme especificado na PER/DCOMP de fls. 01/09. Superada a questão acima, adentro ao mérito donde se extrai que o contrato social de fls. 117/120 e a alteração contratual de fls. 121/125, datada de 11/03/2003, dão conta de que a recorrente se constitui de Laboratório que tem por objeto social a atuação no campo de “análises clínicas, abrangendo o campo de bioquímica, hematologia, hormônios, imunologia, microbiologia, parasitologia e citologia”, cuja base de cálculo do imposto de renda é de 8% (oito por cento) e não 32% (trinta e dois por cento), conforme já decidiu o Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 1.116.399/BA, julgado sob o regime de recurso repetitivo de que trata o artigo 543C do Código de Processo Civil). Neste sentido, segue a seguinte ementa: RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. ALÍQUOTA REDUZIDA. ARTIGO 15, PARÁGRAFO 1º, INCISO III, ALÍNEA "A", DA LEI Nº 9.249/95. SERVIÇOS HOSPITALARES. APOIO DIAGNÓSTICO POR LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS. 1. Restam compreendidas no conceito de "serviços hospitalares" (artigo 15, parágrafo 1º, inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249/95, antes das alterações da Lei nº 11.727/2008) as atividades típicas de prestação de serviços de apoio diagnóstico por imagem e laboratório de análises clínicas, permitindose quanto a estas a incidência do percentual reduzido de 8% relativamente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, excluídas as simples consultas médicas ou atividades de cunho administrativo (cf. REsp nº 1.116.399/BA, julgado sob o regime do artigo 543C do Código de Processo Civil). 2. Recurso especial provido.(REsp 837.913/SC, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/11/2010, DJe 19/11/2010). "DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO 'SERVIÇOS HOSPITALARES'. INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. Fl. 216DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 01/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 06/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10825.900488/200621 Resolução n.º 140200.045 S1C4T2 Fl. 143 5 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão 'serviços hospitalares' prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de 'serviços hospitalares' apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão 'serviços hospitalares', constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que 'a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares'. 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'. 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decidida anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). Fl. 217DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 01/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 06/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10825.900488/200621 Resolução n.º 140200.045 S1C4T2 Fl. 144 6 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido." (Resp 1116399/BA, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/10/2009, DJe 24/02/2010). O artigo 62 do Regimento Interno do CARF, com a redação dada pela Portaria nº 586, de 22/12/2010, dentre as quais se destaca o acréscimo do artigo 62A, dispõe que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, à luz do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, há que se reconhecer que a base de cálculo dos Laboratórios de Análises Clínicas, em relação às receitas destas atividades, quanto ao IRPJ é de 8% (oito por cento) e não 32% (trinta e dois por cento). Quanto aos aspectos até aqui enfrentados, ao que se depreende do acórdão recorrido, não há divergência. A controvérsia surge em relação à instrução da impugnação. A impugnação foi desacolhida porque a parte recorrente deixou de apresentar documentos que a autoridade julgadora considerou essenciais, dentre os quais a Declaração do Imposto de Renda, documento este que, à época, ainda não havia sido retificado e que, ao meu sentir, por estar em poder da Administração esta, à luz do artigo 29, segunda parte, artigo 36, segunda parte e artigo 37, todos da Lei nº 9.784, de 1999, podia ter juntado aos autos. Ao meu sentir, quando da impugnação em relação ao pedido de compensação não homologado, que tenha por objeto controvérsia relacionada à base de cálculo, a parte recorrente deve apresentar: a) cópia do contrato social que vigorava no período de apuração do crédito em discussão; b) cópias das DCTFs referentes aos períodos dos alegados pagamentos a maior, junto com a correspondente DIPJ, identificando a base de cálculo aplicada e a natureza dos rendimentos. c) cópia dos comprovantes de pagamento e/ou extinção dos débitos tributários por compensação; d) quadro demonstrativo referente ao período do alegado pagamento a maior, indicando a natureza da origem da receitas (comércio, prestação de serviços, atividades de laboratórios, etc.), a base de cálculo considerada, o valor pago à época, o quanto seria devido se aplicado base de cálculo de 8% (oito por cento) e não de 32% (trinta e dois por cento) e, finalmente, os valores pagos a maior; e) nos casos de pagamentos a maior, com débitos subseqüentes, deverá a requerente fazer constar do quadro acima quando isto se deu, em que valores e em que forma (DCTF, DCOMP, etc.). ISSO POSTO, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para: Fl. 218DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 01/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 06/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10825.900488/200621 Resolução n.º 140200.045 S1C4T2 Fl. 145 7 (i) que a requerente seja intimada para, no prazo de 30 (trinta) dias, prestar as informações constantes nas letras “a” a “e”, acima referidas; (ii) após juntada dos documentos apresentados, a fiscalização deverá lançar manifestação analisando a veracidade das informações trazidas aos autos, informando a efetividade dos valores alegadamente pagos ou compensados, em cada um dos períodos; (iii) na análise de que trata o item anterior, a autoridade preparadora também deverá analisar se o mesmo crédito, se existente, foi ou está sendo objeto de compensação em outros processos e, caso afirmativo, em que montantes. (iv) após a manifestação da fiscalização, deverá a parte interessada ser intimada para se manifestar no prazo de 15 (quinze) dias, devendo os autos, juntamente com eventuais processos conexos, retornarem ao CARF para exame do mérito. É o voto. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar. Fl. 219DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 01/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 06/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 16327.000290/2007-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1401-000.241
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini Dias, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes De Mattos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .0 00 29 0/ 20 07 -2 3 Fl. 698DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0520.11338.O9SU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.000290/200723 Resolução nº 1401000.241 S1C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO O presente processo foi colocado em julgamento no dia 31 de julho de 2011, tendo o mesmo sido convertido em diligência para que a Autoridade Fiscal promovesse as seguintes medidas, in verbis: Seja identificada a disponibilidade dos DARF’s apresentados pela Recorrente, imputando os mesmos aos respectivos anoscalendário aos quais fazem referência; seja apurado o saldo negativo dos anoscalendário analisados no presente processo, levandose em consideração os pagamentos realizados com imputação em referidos anoscalendário; seja apurada a existência do direito creditório cuja restituição é pleiteada neste feito, levandose e consideração o valor encontrado nos itens anteriores; 3) seja formalizado relatório conclusivo da diligência; 4) seja promovida a notificação do contribuinte acerca do resultado dadiligência. Conforme identificado pelo resultado de diligência constante do documento de fls. 646, o Agente Fiscal identificou que o pagamento no valor de R$ 639.563,05, pago em 29/12/1999, “permaneceu disponível para utilização pelo interessado por cinco anos, quando este direito prescreveu”. É o relatório, no necessário. Fl. 699DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0520.11338.O9SU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.000290/200723 Resolução nº 1401000.241 S1C4T1 Fl. 4 3 VOTO O relatório da diligência identificou que, em resposta ao item 1 da diligência, o valor de R$639.563,05 estava disponível. Todavia, ignorouse por completo o restante da requisição deste Colegiado, no que toca aos demais pontos da diligência. Proponho, assim, sejam os presentes autos devolvidos à unidade preparadora da Receita Federal do Brasil, com orientação expressa de observância dos critérios adotados pela resolução nº 1401000.091. Ressalto que a questão relativa à aplicação, ou não, da prescrição, é questão de mérito submetida a julgamento perante este Conselho, e que será oportunamente apreciada pelo Colegiado. Nesse sentido, a diligência prestase à elucidação da matéria de fato, trazendo os subsídios necessários ao convencimento dos julgadores. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 700DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0520.11338.O9SU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA em 18/11/2013 16:03:00. Documento autenticado digitalmente por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA em 18/11/2013. Documento assinado digitalmente por: JORGE CELSO FREIRE DA SILVA em 11/12/2013 e ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA em 18/11/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 03/05/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP03.0520.11338.O9SU Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 2971CAB7A02E97E75BA771321685E0598045D9DD Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 16327.000290/2007-23. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 13864.000498/2010-72
Data da sessão: Tue Oct 26 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Mar 14 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/11/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO.
Caracteriza-se a divergência jurisprudencial quando, em face de situações fáticas similares, relacionada a pagamento de PLR em periodicidade inferior a um semestre, os julgados em confronto aplicam soluções distintas, evidenciando a divergência de interpretação da norma que rege a matéria.
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. ABONO. REMUNERAÇÕES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. CARÁTER HABITUAL E VINCULADO AO SALÁRIO. INAPLICABILIDADE DO ATO DECLARATÓRIO 16/2011 DA PGFN.
A importância paga, devida ou creditada aos segurados empregados a título de abonos não expressamente desvinculados do salário, por força de lei, integra a base de cálculo das contribuições para todos os fins e efeitos, nos termos do artigo 28, I, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.528/97.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PERIODICIDADE MÁXIMA. DESCUMPRIMENTO. NATUREZA REMUNERATÓRIA.
O descumprimento do § 2º, do art. 3ª, da Lei nº 10.101/2000 que descreve a vedação do pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, implica incidência de contribuição previdenciária em relação a todos os pagamentos feitos a título de PLR.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS. RETROATIVIDADE BENIGNA.
De acordo com a jurisprudência pacificada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, após as alterações promovidas na Lei nº 8.212/1991 pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, em se tratando de obrigações previdenciárias principais, a retroatividade benigna deve ser aplicada considerando-se a nova redação do art. 35 da Lei 8.212/1991, que fixa o percentual máximo de 20% para a multa moratória. Nota SEI nº 27/2019/CRJ/PGACET/PGFN-ME.
Numero da decisão: 9202-010.017
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Ana Cecilia Lustosa da Cruz (relatora), João Victor Ribeiro Aldinucci, Marcelo Milton da Silva Risso e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que conheceram parcialmente, apenas quanto ao abono e à retroatividade benigna. No mérito, acordam, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial para restabelecer a exigência relativamente à PLR e ao abono, vencidos os conselheiros Ana Cecilia Lustosa da Cruz (relatora), João Victor Ribeiro Aldinucci e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa.
(documento assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício
(documento assinado digitalmente)
Ana Cecilia Lustosa da Cruz Relator
(documento assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Joao Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Marcelo Milton da Silva Risso, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente),
Nome do relator: Não informado
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/11/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. Caracteriza-se a divergência jurisprudencial quando, em face de situações fáticas similares, relacionada a pagamento de PLR em periodicidade inferior a um semestre, os julgados em confronto aplicam soluções distintas, evidenciando a divergência de interpretação da norma que rege a matéria. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. ABONO. REMUNERAÇÕES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. CARÁTER HABITUAL E VINCULADO AO SALÁRIO. INAPLICABILIDADE DO ATO DECLARATÓRIO 16/2011 DA PGFN. A importância paga, devida ou creditada aos segurados empregados a título de abonos não expressamente desvinculados do salário, por força de lei, integra a base de cálculo das contribuições para todos os fins e efeitos, nos termos do artigo 28, I, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.528/97. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PERIODICIDADE MÁXIMA. DESCUMPRIMENTO. NATUREZA REMUNERATÓRIA. O descumprimento do § 2º, do art. 3ª, da Lei nº 10.101/2000 que descreve a vedação do pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, implica incidência de contribuição previdenciária em relação a todos os pagamentos feitos a título de PLR. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS. RETROATIVIDADE BENIGNA. De acordo com a jurisprudência pacificada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, após as alterações promovidas na Lei nº 8.212/1991 pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, em se tratando de obrigações previdenciárias principais, a retroatividade benigna deve ser aplicada considerando-se a nova redação do art. 35 da Lei 8.212/1991, que fixa o percentual máximo de 20% para a multa moratória. Nota SEI nº 27/2019/CRJ/PGACET/PGFN-ME.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2022-03-09T15:57:50Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2022-03-09T15:57:50Z; Last-Modified: 2022-03-09T15:57:50Z; dcterms:modified: 2022-03-09T15:57:50Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2022-03-09T15:57:50Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2022-03-09T15:57:50Z; meta:save-date: 2022-03-09T15:57:50Z; pdf:encrypted: true; modified: 2022-03-09T15:57:50Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2022-03-09T15:57:50Z; created: 2022-03-09T15:57:50Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; Creation-Date: 2022-03-09T15:57:50Z; pdf:charsPerPage: 2393; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2022-03-09T15:57:50Z | Conteúdo => CSRF-T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13864.000498/2010-72 Recurso Especial do Procurador Acórdão nº 9202-010.017 – CSRF / 2ª Turma Sessão de 26 de outubro de 2021 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado TOWER AUTOMOTIVE DO BRASIL LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/11/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. Caracteriza-se a divergência jurisprudencial quando, em face de situações fáticas similares, relacionada a pagamento de PLR em periodicidade inferior a um semestre, os julgados em confronto aplicam soluções distintas, evidenciando a divergência de interpretação da norma que rege a matéria. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. ABONO. REMUNERAÇÕES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. CARÁTER HABITUAL E VINCULADO AO SALÁRIO. INAPLICABILIDADE DO ATO DECLARATÓRIO 16/2011 DA PGFN. A importância paga, devida ou creditada aos segurados empregados a título de abonos não expressamente desvinculados do salário, por força de lei, integra a base de cálculo das contribuições para todos os fins e efeitos, nos termos do artigo 28, I, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.528/97. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PERIODICIDADE MÁXIMA. DESCUMPRIMENTO. NATUREZA REMUNERATÓRIA. O descumprimento do § 2º, do art. 3ª, da Lei nº 10.101/2000 que descreve a vedação do pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, implica incidência de contribuição previdenciária em relação a todos os pagamentos feitos a título de PLR. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS. RETROATIVIDADE BENIGNA. De acordo com a jurisprudência pacificada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, após as alterações promovidas na Lei nº 8.212/1991 pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, em se tratando de obrigações previdenciárias principais, a retroatividade benigna deve ser aplicada considerando-se a nova redação do art. 35 da Lei 8.212/1991, que fixa o percentual máximo de 20% para a multa moratória. Nota SEI nº 27/2019/CRJ/PGACET/PGFN-ME. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 04 98 /2 01 0- 72 Fl. 859DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9202-010.017 - CSRF/2ª Turma Processo nº 13864.000498/2010-72 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Ana Cecilia Lustosa da Cruz (relatora), João Victor Ribeiro Aldinucci, Marcelo Milton da Silva Risso e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que conheceram parcialmente, apenas quanto ao abono e à retroatividade benigna. No mérito, acordam, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial para restabelecer a exigência relativamente à PLR e ao abono, vencidos os conselheiros Ana Cecilia Lustosa da Cruz (relatora), João Victor Ribeiro Aldinucci e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. (documento assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício (documento assinado digitalmente) Ana Cecilia Lustosa da Cruz – Relator (documento assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Joao Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Marcelo Milton da Silva Risso, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Relatório Trata-se de Recurso Especial interposto pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 2301-003.382, proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, em 13 de fevereiro de 2019, no qual restou consignado o seguinte trecho da ementa, e-fls. 675 e seguintes: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/11/2007 REMUNERAÇÃO CONCEITO Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de trabalho. PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS A Participação nos Resultados (PPR) é extensiva aos ocupantes de cargo de liderança, pois estes contribuem diretamente para o resultado da empresa, não havendo razão para distinção entes eles e os empregados subordinados. Os acordos coletivos demonstram que os pagamentos efetuados respeitaram a periodicidade de 02 (duas) parcelas ao ano, dentro de limite de um semestre civil. Inexistência de incidência de contribuições previdenciárias. ABONO ÚNICO NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os abonos únicos, previstos em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, Fl. 860DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9202-010.017 - CSRF/2ª Turma Processo nº 13864.000498/2010-72 conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 16/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional PGFN. ABONO ESPECIAL DE FÉRIAS A rubrica intitulada “Abono Especial de Férias” paga em desacordo com a legislação previdenciária integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial. LISTA DE CO-RESPONSÁVEIS. Os diretores ou sócios somente poderão constar na lista de co-responsáveis do lançamento fiscal como mera indicação nominal de representação legal, mas não para os efeitos de atribuição imediata de responsabilidade solidária, visto que deverão ser observadas as condições previstas no artigo 135, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte No que se refere ao Recurso Especial, fls. 695, houve sua admissão por meio de Despacho de fls. 734 e seguintes, para rediscutir as matérias: a) abono único b) cálculo mais benéfico da multa aplicada; c) periodicidade para caracterização de PLR. Em seu recurso, aduz a Procuradoria indica como paradigma o Acórdão nº 2302-003.598 da 3ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, 2ª Seção, e aduz, em síntese, que: a) despeito da expressão “abono” nem sempre ser empregada em seu sentido técnico, como ocorre no caso do art. 1443, da CLT, onde o legislador utiliza o termo para se referir à parcela suplementar de férias, paga em decorrência de previsão em regulamento empresarial, acordo ou convenção coletiva de trabalho, é incontroversa a natureza salarial da verba, uma vez que se trata de valor pago em decorrência do contrato de trabalho (onerosidade). b) os tribunais trabalhistas não deixam dúvida quanto à integração do abono ao salário do empregado para todos os efeitos legais. c) pelo teor das informações colacionadas pela fiscalização e nos termos da manifestação de insurgência do contribuinte (impugnação e recurso voluntário), nota-se que o abono tem vinculação com o salário mediante a fixação de percentuais sobre ele estipulados. d) não merece ser aplicada a jurisprudência do STJ ao caso (e, por conseqüência, o disposto no Ato Declaratório PGFN nº 16/2011), isso porque não se está diante daquelas hipóteses ali tratadas. e) trata-se de lançamento de contribuição previdenciária sobre abonos pagos aos segurados empregados por força de Acordo Coletivo de Trabalho, instrumentos válidos e eficazes. No entanto, tais alegações não têm o condão de alterar o lançamento. f) o conceito de salário-de-contribuição, indicados nos arts. 22 e 28 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, não se restringe apenas ao salário base do trabalhador, tem como núcleo a remuneração de forma mais ampliada, alcançando outras importâncias pagas pelo empregador, sem importar a forma de retribuição ou o título. g) de acordo com o art. 457, § 1º, da CLT, todo abono tem cunho salarial, integrando, pois, o salário-de-contribuição, presunção que só pode ser elidida por expressa disposição legal em contrário h) vedada à Convenção e ao Acordo Coletivos de Trabalho retirar força jurígena de norma de incidência tributária em vigor i) no que se refere à multa, O artigo 35 da Lei nº 8.212/91 na nova redação conferida pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, não pode ser entendido de forma isolada do contexto legislativo no qual está inserido; j) tratando-se de lançamento de ofício, a multa a ser aplicada é aquela prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96. Fl. 861DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9202-010.017 - CSRF/2ª Turma Processo nº 13864.000498/2010-72 k) não há como se adotar outro entendimento senão o de que a multa de mora prevista no art. 35, da Lei nº 8.212/91 em sua redação antiga (revogada) está inserida em sistemática totalmente distinta da multa de mora prescrita no art. 61 da Lei nº 9.430/96. l) na espécie, não houve recolhimento espontâneo do tributo devido. Houve isto sim lançamento de ofício, logo, inarredável a aplicação das disposições específicas da legislação previdenciária. m) o pagamento de participação nos lucros e resultados em desacordo com os dispositivos legais da lei 10.101/00 enseja a incidência de contribuições previdenciárias, posto a não aplicação da regra do art. 28, §9º, “j” da Lei 8.212/91, o que se verificou nos autos. Intimado em 11/08/2016, o sujeito passivou apresentou Contrarrazões, como se observa às fls. 1402, alegando em síntese: a) ausência de objeto válido para o recurso especial, pois os acórdãos indicados pela Procuradoria não se adequam às especificidades apresentados no processo, portanto ausente a demonstração de similitude fática. Assim, o Recurso Especial deve ser inadmitido por ausência de prequestionamento. b) no mérito, há previsão em normas coletivas e expressa exclusão das referidas verbas da base de cálculo para o recolhimento de contribuições previdenciárias, deve ser mantida a decisão que reconheceu a natureza não salarial da referida verba. c) Quanto à multa aplicável ao caso, não restam dúvidas de que, "em respeito ao art. 106 do CTN, inciso 11, alínea "c", deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte.". d) em relação ao pagamento da PLR, ficou cabalmente demonstrado o respeito da recorrida à legislação competente, motivo pelo qual não existem argumentos que descaracterizem o plano realizado. e) não há que se falar em pagamento da PLR em período inferior a um semestre civil, haja vista que o pagamento de uma parcela ocorre em julho (adiantamento) e, a outra, somente em fevereiro do outro ano, ou seja, a PLR só é paga 7 meses após o pagamento do adiantamento. f) em nenhum dos anos acima citados houve violação da regra de pagamento de PLR em periodicidade inferior a um semestre civil. Pelo contrário, a! recorrida sempre efetuou seus pagamentos respeitando um período de 7 meses, ou seja, a PLR de cada ano sempre respeitou a regra de periodicidade prevista na lei. É o relatório. Voto Vencido Na presente ação fiscal, foram efetuados os seguintes lançamentos: .1 DEBCAD nº 37.311.715-9 – COMPROT nº 13864.000492/2010-03 - Referente a parte empresa ( 20% e SAT) 1.2 DEBCAD nº 37.311.716-7 – COMPROT nº 13864.000497/2010-28 - Referente ao desconto de empregado; 1.3 DEBCAD nº 37.311.717-5 – COMPROT nº 13864.000498/2010-72 - Referente a Terceiros; 1.4 DEBCAD nº 37.311.713-2 – COMPROT nº 13864.000494/2010-94 - Referente ao Auto de Infração (Obrigação Acessória) Fundamento Legal : 68. Fl. 862DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9202-010.017 - CSRF/2ª Turma Processo nº 13864.000498/2010-72 • AI 'n° 37.311.714,0 - por não declaração e/ou declaração incorreta de fatos geradores, de contribuições previdenciárias em GFIP. De conformidade com o narrado, foram três as matérias que subiram para rediscussão, que são: a) abono único; b) cálculo mais benéfico da multa aplicada; c) periodicidade para caracterização de PLR. Convém salientar que esse Colegiado, em 26 de março de 2019, analisou processos semelhantes relativos ao mesmo Sujeito Passivo, de relatoria do Conselheiro Pedro Paulo no qual constou a seguinte ementa: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. ABONO. REMUNERAÇÕES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. CARÁTER HABITUAL E VINCULADO AO SALÁRIO. INAPLICABILIDADE DO ATO DECLARATÓRIO 16/2011 DA PGFN. A importância paga, devida ou creditada aos segurados empregados a título de abonos não expressamente desvinculados do salário, por força de lei, integra a base de cálculo das contribuições para todos os fins e efeitos, nos termos do artigo 28, I, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.528/97. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. SÚMULA CARF Nº 119. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PERIODICIDADE MÁXIMA. DESCUMPRIMENTO. NATUREZA REMUNERATÓRIA. O descumprimento do § 2º, do art. 3ª, da Lei nº 10.101/2000 que descreve a vedação do pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, implica incidência de contribuição previdenciária em relação aos pagamentos feitos a título de PLR. Naquela ocasião, restou assim decidido pela CSRF: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer integralmente do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, que conheceu parcialmente do recurso, apenas quanto à retroatividade benigna, e as conselheiras Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que conheceram parcialmente, apenas quanto ao abono e à retroatividade benigna. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial para aplicação da Súmula CARF nº 119. Feitas essas colocações, passo à análise quanto ao conhecimento. 1. Do conhecimento Fl. 863DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 9202-010.017 - CSRF/2ª Turma Processo nº 13864.000498/2010-72 Quanto à periodicidade do pagamento da PLR, cabe salientar que o Recurso não merece ser conhecido, pois não demonstrada a divergência jurisprudencial suscitada, pelo que se depreende da leitura do constante do acórdão recorrido e do acórdão utilizado como paradigma: Acórdão Recorrido 8. No tocante à periodicidade do pagamento, observo que os instrumentos coletivos colacionados demonstram que os pagamentos relativos ao PPR foram previstos para fevereiro de 2007 e fevereiro de 2008, respeitando sempre o período inferior ao semestre civil. Ademais, por acordo com os sindicatos o contribuinte efetuou a antecipação de parte desse pagamento, mas, mesmo assim, limitou-se a fazer a totalidade do pagamento em 02 (duas) parcelas, e dentro do período legalmente exigido. 9. Diante desses elementos, entendo que, neste tópico, o recurso voluntário do Contribuinte deve ser provido, com a exoneração do crédito tributário aqui imputado. Acórdão paradigma 2302-00.256 A recorrente pagou a verba participação nos lucros em desacordo com a legislação específica. A recorrente descumpriu o disposto no § 2º, art. 3º, da Lei 10.101, ao fazer mais de um pagamento em periodicidade inferior a um semestre civil. Qualquer parcela paga em desacordo com a legislação integra em sua totalidade o salário-de-contribuição. (...). Além de ser pago em periodicidade inferior a um semestre civil, o que já é suficiente para manter a autuação, a recorrente não atendeu ao comando previsto no art. 2º da Lei 10.101. As regras claras e objetivas quanto ao direito substantivo referem-se à possibilidade de os trabalhadores conhecerem previamente, no corpo do próprio instrumento de negociação, quanto irão receber a depender do lucro auferido pelo empregador se os objetivos forem cumpridos Nota-se que, nos presentes autos, o voto vencedor consignou entendimento de que foi respeitada a periodicidade mínima, e que, por acordo entre sindicatos, o contribuinte efetuou a antecipação de parte desse pagamento, mas, mesmo assim, limitou-se a fazer a totalidade do pagamento em 02 (duas) parcelas, e dentro do período legalmente exigido. E o acórdão paradigma não trata de antecipação de pagamento, apenas, em breve passagem, destaca que, dentre outros vários descumprimentos da norma relativa à PLR, houve pagamento em periodicidade inferior a um semestre civil. Portanto, não se mostra possível inferir a existência de similitude fática entre os julgados, de modo que não se identifica a divergência jurisprudencial suscitada. Além disso, observando o teor do acórdão recorrido e do paradigma, observa-se, não obstante a impossibilidade de se aferir a situação fática do paradigma, que este afirma a necessidade de cumprimento da periodicidade inferior a um semestre civil, no mesmo sentido do acórdão vergastado, que entendeu cumprido tal requisito. Assim, voto em não conhecer do recurso, nessa parte. Quanto às demais matérias, abono e retroatividade, conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, como bem destacado no Acórdão 9202-007.664, que tratou de situação análoga, nos seguintes termos: Sobre o abono único aduz a Contribuinte, em sede de contrarrazões, que o paradigma trata de um abono especial, como antecipação salarial. Compulsando os acórdãos indicados como paradigma, contudo, verifico que ali se cuida de situações similar à do Fl. 864DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 9202-010.017 - CSRF/2ª Turma Processo nº 13864.000498/2010-72 Recorrido: abonos concedidos em convenção coletiva de trabalho, definidos como um percentual do salário base, com um teto predeterminado, e dividido em parcelas. Sobre a alegação de que não foi prequestionada a aplicação do art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, a alegação também não procede, é que a matéria em discussão não é especificamente a aplicação deste ou daquele dispositivo, mas a do critério para a definição da penalidade aplicável em razão do retroatividade benigna, e esta questão foi inequivocamente tratada no Recorrido 2. Do mérito Mantenho a decisão recorrida, quanto à PLR. Sobre esse tema, sustenta a Recorrente, em suma: A lei ainda veda a distribuição dos valores em periodicidade inferior a um semestre civil ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. No caso, o requisito da periodicidade não foi observado pelo contribuinte, razão que desnatura todos os pagamentos efetuados a título de participação nos lucros e resultados. Nessa esteira, cumpre registrar que a classificação de determinada verba como “participação nos lucros” exige de maneira imprescindível o estrito cumprimento dos requisitos legais. No caso em estudo, restou demonstrado que a participação nos lucros foi efetivada em desacordo com os parâmetros legais, razão pela qual não pode ser admitida a sua exclusão do salário de contribuição. Por outro lado, sustenta a recorrida que: Por sua vez, no tocante ao pagamento de PLR, a União Federal alega que a periodicidade prevista na época das autuações (6 meses de diferença entre os pagamentos) não foi observada. Entretanto, tal alegação não deve prosperar, na medida em que foram comparados programas de PLR de anos DISTINTOS. Vejamos. Conforme demonstrado, os valores relativos à PLR possuem data de pagamento sempre para o mês de fevereiro do ano seguinte. Entretanto, o programa também prevê o pagamento de um adiantamento, que ocorre sempre em julho do ano vigente (ano base para apuração do pagamento dos valores). Desta forma, em relação ao plano válido para 2006 (ano base de apuração 2006), houve um adiantamento em julho/2006 e o pagamento da efetiva PLR em fevereiro/2007. Da mesma forma, em relação ao plano válido para 2007 (ano base de apuração 2007), houve um adiantamento em julho/2007 e o pagamento da efetiva PLR em fevereiro/2008. Sendo assim, não há que se falar em pagamento da PLR em período inferior a um semestre civil, haja vista que o pagamento de uma parcela ocorre em julho (adiantamento) e, a outra, somente em fevereiro do outro ano, ou seja, a PLR só é paga 7 meses após o pagamento do adiantamento Assim, entendo que não restou vulnerado o requisito da periodicidade, razão pela qual mantenho a decisão a quo. No que se refere ao abono, a Recorrente argumenta, em síntese: Cumpre ratificar o quanto já exposto no tópico antecedente no sentido da não aplicabilidade do disposto no Ato Declaratório nº 16/2011, no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2114 /2011 ao presente caso. Vale destacar o entendimento ventilado no Ato Declaratório nº 16/2011 e no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2114 /2011, com base na jurisprudência do STJ:“nas ações judiciais Fl. 865DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 9202-010.017 - CSRF/2ª Turma Processo nº 13864.000498/2010-72 que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária”. Logo, diante dos trechos destacados, verifica‑se, em cotejo com as convenções coletivas de trabalho, não se trata de parcela desvinculada do salário. (...). Cumpre relembrar as disposições das convenções coletivas de trabalho colacionadas aos autos: Convenção Coletiva de Trabalho/2005 “B — As empresas concederão, em caráter especial e eventual, na forma do artigo 144, da CLT, aos seus empregados, Abono Especial, totalmente desvinculado do salário, equivalente a 24% (vinte e quatro por cento) do salário base vigente em 1º de janeiro de 2005, em três parcelas, na forma e condição a seguir explicitada:” Convenção Coletiva de Trabalho/2006 “B ‑ As empresas concederão aos seus empregados, Abono Especial eventual e em caráter especial, totalmente desvinculado do salário, na forma do artigo 144, da CLT, equivalente a 13,50% (treze virgula cinqüenta por cento) do salário base vigente de outubro de 2006, em três parcelas de 4,50% (quatro virgula cinqüenta por cento), cada uma, nas datas e condições a seguir explicitadas:” Convenção Coletiva de Trabalho/2007 “B — As empresas concederão, em caráter especial e eventual, no forma do art. 144, da CLT, aos seus empregados, Abono Especial, totalmente desvinculado do salário, equivalente a 19,00% (dezenove por cento) do salário, em duas parcelas, na forma e condição a seguir explicitadas:” Em cotejo, cumpre trazer à lume excertos do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2114 /2011 que subsidiou a edição de Ato Declaratório, verbis: “3. A análise em comento decorre da existência de decisões reiteradas de ambas as Turmas de Direito Público do Superior Tribunal de Justiça STJ no sentido de que o abono único, disposto em Convenção Coletiva de Trabalho, quando desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não é passível de incidência de contribuição previdenciária. 4. O entendimento sustentado pela União em juízo é o de que o abono único, concedido em Convenção Coletiva de Trabalho, sofre a incidência de contribuição previdenciária, porquanto ostenta natureza salarial. 5. Ocorre que o Poder Judiciário tem entendido diversamente, restando assente no âmbito do STJ o posicionamento segundo o qual o abono único, estabelecido em Convenção Coletiva de Trabalho, a teor do art. 28, § 9º, alínea “e”, item 7, da Lei nº 8.212, de 1991, não integra a base de cálculo do salário‑de‑contribuição quando o seu pagamento carecer do requisito da habitualidade o que revela a eventualidade da verba e não se encontrar atrelado ao pleno e efetivo exercício da atividade laboral. (...) 8. Veja abaixo outras decisões nesse sentido, que expressam a pacífica e consolidada jurisprudência do STJ sobre a matéria: (...) 9. Por conseguinte, o STJ consagra, de modo pacífico, o entendimento no sentido de que o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, sendo desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não sofre a incidência de contribuição previdenciária.” Pelo teor das informações colacionadas pela fiscalização e nos termos da manifestação de insurgência do contribuinte (impugnação e recurso voluntário), nota‑se que o abono tem vinculação com o salário mediante a fixação de percentuais sobre ele estipulados. Fl. 866DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 9202-010.017 - CSRF/2ª Turma Processo nº 13864.000498/2010-72 Pela redação dos dispositivos convencionados, é inquestionável a natureza contraprestativa da verba, paga como decorrência do contrato de trabalho celebrado entre o notificado e seus empregados. É também livre de dúvidas, o enquadramento da verba na previsão contida no §1º do art. 457, da CLT, donde se deflui a natureza jurídica de salário da parcela paga. Diante de todo o exposto, fica claro que não merece ser aplicada a jurisprudência do STJ ao caso (e, por conseqüência, o disposto no Ato Declaratório PGFN nº 16/2011), isso porque não se está diante daquelas hipóteses ali tratadas. O colegiado Recorrido assim se pronunciou: ABONO SALARIAL Trata-se de levantamento referente ao pagamento de abono único, para os empregados da filial 0001/89, previsto em acordo coletivo de trabalho. Conforme observado pela recorrente, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional PGFN emitiu o Ato Declaratório nº 16/2011, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2114 /2011 pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 09/12/2011, autorizando a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária”, Diante do citado Ato, e considerando que o Decreto 70.235/72 estabelece que o disposto no caput do art. 26A não se aplica aos casos de lei ou ato normativo que fundamente crédito tributário objeto de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, e que a Lei 10.522/2002, citada no art. 26 A, determina que os créditos tributários já constituídos relativos à matéria de que trata o seu artigo 19 devem ser revistos de ofício pela autoridade lançadora, entendo que devam ser excluídos do débito, por provimento, a contribuição lançada incidente sobre o pagamento da verba intitulada Abono Salarial, por não integrar o salário de contribuição, uma vez que foi objeto de acordo coletivo e pago sem habitualidade. Entendo que o acórdão vergastado não merece reparos, uma vez que o fato de o abono utilizar do salário como base de cálculo do abono não atribui à verba a natureza salarial. Assim, entendo que não há distinção da hipótese dos autos suficiente para afastar a incidência do parecer mencionado, seja em razão do parcelamento do abono ou da forma utilizada para o seu cálculo. No que tange à retroatividade da multa aplicada, sustenta a Recorrente para se averiguar sobre a ocorrência da retroatividade benigna no caso concreto, a comparação entre normas deve ser feita entre o art. 35, da Lei nº 8.212/91 em sua redação antiga (revogada) e o art. 35‑A da LOPS. Acerca do tema, esta Câmara Superior de Recursos Fiscais vinha se posicionando no sentido de que a retroatividade benigna deveria ser aplicada mediante a comparação entre o somatório das multas previstas no inciso II do art. 35 e nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei n° 8.212/1991, na redação anterior à MP 449/2008, e a multa prevista no art. 35-A da mesma lei, acrescentado pela Medida Provisória referida, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, conforme estabelecido na Portaria PGFN/RFB nº 14/2009. Até porque, esse entendimento havia inclusive sido pacificado na esfera administrativa, mediante a edição da Súmula CARF nº 119. Fl. 867DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 9202-010.017 - CSRF/2ª Turma Processo nº 13864.000498/2010-72 Ocorre que a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, por meio da Nota SEI nº 27/2019/CRJ/PGACET/PGFN-ME, inclui a matéria aqui tratada na lista de dispensa de contestar e recorrer, em virtude da jurisprudência pacificada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que a retroatividade benigna deve ser aplicada considerando-se a redação do art. 35 da Lei 8.212, de 1991, conferida pela Lei nº 11.941, de 2009, que fixa o percentual máximo de 20% para a multa moratória, porque, de acordo com o entendimento da Corte Superior, o novel dispositivo caracteriza-se como norma superveniente mais benéfica em matéria de penalidades na seara tributária, a teor do art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN. Ademais, o entendimento contido na Nota SEI nº 27/2019/CRJ/PGACET/PGFN-ME foi reafirmado pelo PARECER SEI Nº 11.315/2020/ME. Em vista disso, e considerando-se a revogação da Súmula CARF nº 119, entendo pela manutenção da decisão recorrida, que é no mesmo sentido da jurisprudência pacificada no STJ. Diante do exposto, voto em conhecer do recurso parcialmente quanto ao abono e à retroatividade da multa aplicada, e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz. Voto Vencedor Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, Redator-designado. Divergi inicialmente da Relatora quanto ao conhecimento do recurso relativamente à matéria Periodicidade para Caracterização da PLR. Entendeu a Relatora que não restou demonstrada a divergência uma vez que o recorrido e o paradigma concordam em que deve ser cumprida a periodicidade mínima de 6 meses e que, apenas, no caso do recorrido se entendeu cumprido esse requisito, considerando que teria havido mera antecipação de pagamento. Não vejo a questão dessa forma. É certo que no caso do recorrido o fundamento do voto foi o de que os pagamentos fora da periodicidade referir-se-iam a antecipações, o que não se teria no paradigma. Ocorre que o paradigma é claro quanto diz que “qualquer parcela paga em desacordo com a legislação integra em sua totalidade o salário-de-contribuição”, em fazer distinção entre antecipação ou não. Portanto, a posição do paradigma é frontalmente oposta à do recorrido. Note-se que a divergência não se estabelece entre a tese de que deve ser observada ou não a periodicidade da lei, mas à interpretação do dispositivo da Lei nº 8.212, de 1.991 (art. 28, § 9º, “j”) quando se refere a “pagamentos feitos de acordo com lei específica.” No caso do recorrido se entendeu que pagamentos feito fora da periodicidade, e não importa se se trata de antecipação ou não, pois a Lei nº 10.101, de 2000, art. 3º, § 2º veda o pagamento de “qualquer antecipação ou distribuição” em periodicidade inferior a um semestre, não excluía a verba do conceito de salário-de-contribuição; no caso do paradigma se afirmou peremptoriamente que “qualquer parcela paga em desacordo com a legislação” integra o salário- de-contribuição. Para se aferir a divergência não se faz necessária a perfeita identidade entre os fatos analisados num e noutro julgado, mas apena a similitude entre esses fatos, associada à divergência de soluções, e isso se tem claramente neste caso. Fl. 868DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 9202-010.017 - CSRF/2ª Turma Processo nº 13864.000498/2010-72 Entendo demonstrada a divergência, razão pela qual, conheço do recurso. Também divergi da Relatoria quanto ao mérito relativamente às matérias abono único e periodicidade para caracterização de PLR. Quanto à primeira matéria – abono único – entendo, diferentemente da relatoria e na esteira da jurisprudência predominante desta Câmara Superior, que a verba em questão sujeita-se à incidência da contribuição previdenciária. No caso em análise, entendeu o Acórdão Recorrido que o abono atende aos requisitos definidos no parecer PGFN nº 2114, de 2011 e do Ato Declaratório PGFN nº 16/2001, que autoriza a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária”. Sobre o ponto, reproduzo o seguinte fragmento do voto condutor do julgado: Diante do citado Ato, e considerando que o Decreto 70.235/72 estabelece que o disposto no caput do art. 26A não se aplica aos casos de lei ou ato normativo que fundamente crédito tributário objeto de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, e que a Lei 10.522/2002, citada no art. 26A, determina que os créditos tributários já constituídos relativos à matéria de que trata o seu artigo 19 devem ser revistos de ofício pela autoridade lançadora, entendo que devam ser excluídos do débito, por provimento, a contribuição lançada incidente sobre o pagamento da verba intitulada Abono Salarial, por não integrar o salário de contribuição, uma vez que foi objeto de acordo coletivo e pago sem habitualidade. A Fazenda Nacional se insurge contra a decisão aduzindo que o abono em questão tem vinculação com o salário “mediante a fixação de percentuais sobre ele estipulados”, e portanto não satisfaz os critérios legalmente estabelecidos para sua exclusão da base de cálculo da contribuição social. Pois bem, a matéria está disciplinada no art. 28, I e § 9º, “e”, item 7, da Lei nº 8.212, de 1991. Confira-se: Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição: I - para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; [...] e) as importâncias: [...] 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; Conflitos sobre a interpretação do dispositivo foram solucionadas pelo Superior Tribunal de Justiça que, em decisões reiteradas, consagrou o entendimento de que abonos pagos por força de Convenção Coletiva, quando expressamente desvinculadas do salário e com eventualidade não integram a base de cálculo da Contribuição Social. Essas decisões levaram a Fl. 869DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 9202-010.017 - CSRF/2ª Turma Processo nº 13864.000498/2010-72 Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional a editar o Parecer PGFN/CRJ nº 2114/2011 e, com base neste, o Ato Declaratório nº 16/2011 pelos quais autoriza “a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante” sobre os referidos abonos, observadas as condições acima referidas. Diante desse quadro, para a solução da lide não há outro caminho que não o de verificar se o abono em questão satisfaz essas condições, quais sejam, terem sido pagas por força de convenção coletiva, serem pagas com eventualidade e serem desvinculadas do salário. No presente caso, a Convenção Coletiva de Trabalho, na Cláusula 1, item B (e-fls. 342) prevê o referido abono, nos seguintes termos: B – As empresas concederão, em caráter especial e eventual, na forma do art. 144, da CLT, aos seus empregados, Abono Especial, totalmente desvinculado do salário, equivalente a 24% (vinte e quatro por cento) do salário vigente em 1º de janeiro de 2005, em três parcelas, na forma e condição a seguir especificada: B.1. Os empregados que em 1º de janeiro de 2005, percebiam salário até 3.270,00 (três mil, duzentos e setenta reais), terão a primeira parcela do Abono Especial equivalente a 8% (oito por cento), a ser paga até 06 de dezembro de 2005; a segunda parcela, equivalente a 8% (oito por cento), a ser paga até janeiro de 2006. B.2. Os empregados que em primeiro de janeiro de 2005, percebiam salários iguais ou superiores a R$ 3.270,00 (três mil, duzentos e setenta reais), terão direito ao abono especial, em três parcelas, que serão pagas nas seguintes condições: [...] As convenções Coletivas para os anos de 2006 e 2007 trazem cláusula idêntica, alterando apenas os percentuais (e-fl. 355). Quanto à habitualidade, a referida verba foi paga, pelos menos, nos anos de 2005, 2006 e 2007, em cada ano em 3 parcelas, o que, a meu juízo, lhe retira o caráter de eventualidade, embora a Convenção afirme o contrário. Convenhamos que o pagamento, em três anos consecutivos (pelo menos) de uma vantagem aos empregados não pode ser tida como eventual! Ademais, o conceito de eventual não se confunde com o de não habitual. Eventual pode ser aquilo que é inesperado, imprevisto, fortuito e, evidentemente, uma verba cujo pagamento foi previamente pactuado em Convenção Coletiva de Trabalho não pode ser tida como imprevista. Finalmente, sobre a desvinculação do salário, verifica-se que o referido abono é fixado como um percentual deste, e, portanto, proporcional ao salário recebido pelos empregados, o que indica sua vinculação ao salário do empregado. Ao se fixar o abono como percentual do salário, tendo este, portanto, como base de cálculo, o acordo o vincula definitivamente um ao outro. O que se percebe é que o abono, da forma como concedido, representa, efetivamente uma parcela do salário. Aliás, é sintomático que sua previsão integre o artigo que trata do aumento de salários. O fato de a Convenção referir que os tais abonos estão desvinculados dos salários em nada altera o fato de que, dada sua fixação em termos de percentuais do salário do beneficiário, há evidente vinculação entre um e outro. Fl. 870DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 9202-010.017 - CSRF/2ª Turma Processo nº 13864.000498/2010-72 O presente caso, portanto, não se enquadra na hipótese de exclusão da incidência da contribuição sobre o abono prevista no inciso art. 28, § 9º, alínea “e”, item 7, da Lei nº 8.212, tampouco na situação referida na PGFN/CRJ nº 2114/2011 e no Ato Declaratório nº 16/2011. O recurso da Fazenda Nacional, portanto, deve ser provido nesta parte. Quanto ao PLR e sua periodicidade, a Lei nº 8.212/1991, trouxe na alínea “j” do § 9º do seu art. 28 a hipótese de não incidência tributária contida no inciso XI, do art. 7º da CF/88, excluindo do campo de tributação das contribuições previdenciárias as importâncias pagas, creditadas ou devidas a título de PLR, sempre que estas verbas forem pagas de acordo com a lei própria de regência, in casu, a Lei nº 10.101/2000: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991: Art. 28 – [...] §9º Não integram o salário-de-contribuição: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. Por sua vez, a Lei nº 10.101, de 2000 regulou a participação dos trabalhadores nos lucros, e ao fazê-lo estabeleceu parâmetros bem definidos e que não podem ser desprezados. Confira-se: Lei nº 10.101 de 19 de dezembro de 2000: Art.1º Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7º, inciso XI, da Constituição. Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I - comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II - convenção ou acordo coletivo. §1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, O acordo deve ser assinado antes do início do cumprimento das metas, ou seja, antes de iniciado o período de apuração da PLR, não se aceitando a assinatura depois que parte das metas já foram cumpridas ou quando os resultados já são conhecidos. §2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. [...] Art. 3º A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §1º Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. Fl. 871DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 9202-010.017 - CSRF/2ª Turma Processo nº 13864.000498/2010-72 §2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. §3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. §4º A periodicidade semestral mínima referida no §2o poderá ser alterada pelo Poder Executivo, até 31 de dezembro de 2000, em função de eventuais impactos nas receitas tributárias. §5º As participações de que trata este artigo serão tributadas na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, como antecipação do imposto de renda devido na declaração de rendimentos da pessoa física, competindo à pessoa jurídica a responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento do imposto. Art. 4º Caso a negociação visando à participação nos lucros ou resultados da empresa resulte em impasse, as partes poderão utilizar-se dos seguintes mecanismos de solução do litígio: I – Mediação; II – Arbitragem de ofertas finais. §1º Considera-se arbitragem de ofertas finais aquela que o árbitro deve restringir-se a optar pela proposta apresentada, em caráter definitivo, por uma das partes. §2º O mediador ou o árbitro será escolhido de comum acordo entre as partes. §3º Firmado o compromisso arbitral, não será admitida a desistência unilateral de qualquer das partes. §4º O laudo arbitral terá força normativa independentemente de homologação judicial. Como ressaltado anteriormente, a regra é a incidência da contribuição sobre os rendimentos pagos, o que pode se realizar sobre diferentes rubricas. A exclusão à regra geral é exceção, regra especial. E, logicamente, aquilo que não está na exceção, está na regra geral. Ora, se, no caso, a norma especial prevê que somente se exclui do salário de contribuição os valores correspondentes a PLR distribuídos na forma preconizada em lei, qualquer pagamento feito fora dessas condições deve ser enquadrado na regra geral, isto é, integra o salário-de-contribuição. É a lei nº 10.101, de 2000 que estabelece as condições para a participação dos empregados nos lucros das empresas. E, como vimos, o art. 28, § 9º, “j”, da Lei nº 8.212, de 1991 remete a hipótese de exclusão dos pagamentos do PLR à lei. E como veremos, no presente caso, os pagamento foram realizados em desacordo ao que estabelece o art. 3º, § 2º, da Lei nº 10.101, de 2000. Pois bem, no caso concreto, para os anos de 2006 e 2007 embora o acordo previsse o pagamento apenas em fevereiro de 2007 e fevereiro de 2008, para cada ano se previa um adiantamento, tendo sido efetivamente pagos valores a título de PLR em fevereiro de 2006, julho de 2006, fevereiro de 2007 e julho de 2007, portanto, em cada ano, em periodicidade inferior a 6 meses (Relatório fiscal, fl. 105) O acórdão recorrido entendeu que, como o plano previa o pagamento apenas uma vez a cada ano, atendia ao requisito legal quanto à periodicidade, entendendo que o adiantamento não altera essa periodicidade. Divirjo desse entendimento. Quando a lei se refere a periodicidade evidentemente está a se referir aos pagamentos e não à previsão de incidência do benefício. E se é assim, Fl. 872DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 9202-010.017 - CSRF/2ª Turma Processo nº 13864.000498/2010-72 tratando-se de adiantamento ou não, tendo havido mais de um pagamento a cada ano, é forçoso concluir pela violação da regra da periodicidade. Nesse sentido, inclusive, já se pronunciou o Tribunal Regional Federal da Primeira Região. Confira-se: APELAÇÃO CIVEL AC 31295 MG 2002.38.00.0312951 (TRF1) Data de publicação: 29/11/2005 PROCESSUAL CIVIL, CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE DA SENTENÇA. REJEIÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA. ART. 7º , XI , DA CF/1988 . AUTO- APLICABILIDADE. PAGAMENTOS EM PERÍODOS INFERIORES A UM SEMESTRE. DESCARACTERIZAÇÃO DA PARTICIPAÇÃO EM LUCROS. LEI Nº 10.101 , de 2000, ART. 3º , § 2º. VERBA HONORÁRIA. CONDENAÇÃO DA FAZENDA PÚBLICA. APLICAÇÃO DO ART. 20 , § 4º , DO CPC . [...] 3. Todavia, após a vigência da Medida Provisória nº 794 , de 29.12.1994, convertida na Lei nº 10.101 , de 2000, a distribuição de valores em periodicidade inferior a um semestre civil descaracteriza a participação em lucros, em face da vedação contida no art. 3º , § 2º , dos referidos atos legislativos. [...] Esta também tem sido a posição predominante neste Colegiado, inclusive no sentido de que todos os pagamentos feitos estão sujeitos à Contribuição Social, e não apenas os pagamentos da segunda parcela. Cito o Acórdão nº 9202-005.516, proferido na seção de 25/05/2017, de relatoria da Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, assim ementado, na parte pertinente ao caso: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PERIODICIDADE MÁXIMA. DESCUMPRIMENTO. NATUREZA REMUNERATÓRIA DE TODAS AS PARCELAS. O descumprimento do § 2º, do art. 3ª, da Lei nº 10.101/2000 que descreve a vedação do pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, implica incidência de contribuição previdenciária em relação a todos os pagamentos de PLR e não apenas em relação às parcelas excedentes. Ante o exposto, dou provimento ao recurso também quanto a esta matéria. Em conclusão, conheço do recurso interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, dou-lhe provimento parcial para restabelecer a exigência relativamente à PLR e ao abono salarial. Documento assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 873DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13942.720091/2014-19
Data da sessão: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. ERRO MATERIAL.
Os Embargos de Declaração prestam-se para sanar omissão, contradição ou obscuridade ou corrigir erro material.
Numero da decisão: 3401-010.393
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-010.372, de 14 de dezembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10945.900581/2014-89, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Ronaldo Souza Dias Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Luis Felipe de Barros Reche, Carolina Machado Freire Martins e Ronaldo Souza Dias (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente o conselheiro Mauricio Pompeo da Silva.
Nome do relator: Oswaldo Gonçalves de Castro Neto
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conteudo_txt : Metadados => date: 2022-03-15T19:08:12Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2022-03-15T19:08:12Z; Last-Modified: 2022-03-15T19:08:12Z; dcterms:modified: 2022-03-15T19:08:12Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2022-03-15T19:08:12Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2022-03-15T19:08:12Z; meta:save-date: 2022-03-15T19:08:12Z; pdf:encrypted: true; modified: 2022-03-15T19:08:12Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2022-03-15T19:08:12Z; created: 2022-03-15T19:08:12Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2022-03-15T19:08:12Z; pdf:charsPerPage: 1893; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2022-03-15T19:08:12Z | Conteúdo => S3-C 4T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13942.720091/2014-19 Recurso Embargos Acórdão nº 3401-010.393 – 3ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de dezembro de 2021 Embargante LAR COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. ERRO MATERIAL. Os Embargos de Declaração prestam-se para sanar omissão, contradição ou obscuridade ou corrigir erro material. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo- lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-010.372, de 14 de dezembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10945.900581/2014-89, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Luis Felipe de Barros Reche, Carolina Machado Freire Martins e Ronaldo Souza Dias (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente o conselheiro Mauricio Pompeo da Silva. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Embargos de Declaração contra decisão proferida por esta Turma e assim ementada: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 94 2. 72 00 91 /2 01 4- 19 Fl. 64759DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-010.393 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13942.720091/2014-19 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A matéria não impugnada e a impugnada de maneira genérica em tempo e modo próprios não deve ser conhecida por este Colegiado. DIALETICIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Para ser conhecido o recurso é necessário o enfrentamento dos fundamentos da decisão atacada. REVISÃO. LANÇAMENTO. RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 159. Não é necessária a realização de lançamento para glosa de ressarcimento de Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS não-cumulativos, ainda que os ajustes se verifiquem na base de cálculo das contribuições. DECADÊNCIA. ART. 150 § 4 o CTN. GLOSAS. NÃO APLICAÇÃO. Não se aplica o disposto no art. 150, § 4 o , do Código Tributário Nacional (CTN) no caso de análise de solicitação de crédito em despacho decisório, por não se tratar a operação de lançamento. NÃO INCIDÊNCIA. PIS. COFINS. EXPORTAÇÃO INDIRETA. COMERCIAL EXPORTADORA. A não incidência de Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, descrita no artigo 14, inciso VIII, da MP 2.158-35/2001, exige prova de que a venda se destinou a exportação, ou seja, prova de que a mercadoria foi efetivamente exportada. ISENÇÃO. PIS. COFINS. EXPORTAÇÃO INDIRETA. TRADING COMPANY. O artigo 1 o do Decreto 1.248/1972 isenta de Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS a exportação indireta por meio de Trading Company desde que os bens a exportar sejam enviados diretamente a armazém alfandegado, embarque ou para regime de entreposto extraordinário na exportação. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. VENDA NO MERCADO INTERNO. VENDAS NÃO TRIBUTADAS. Impossível a exclusão da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS das vendas no mercado interno e das vendas não tributadas, eis que não compõem, a priori, a base de cálculo das exações. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. FRETES. O artigo 15 da MP 2.158-35/2001 não trata de essencialidade, mas de especialização concernente a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e serviços da mesma natureza. Assim, salvo prova da especialização do frete, impossível a dedução. EXCLUSÃO. CUSTO AGREGADO. MÃO-DE-OBRA. O conceito de custo agregado descrito pelo § 8 o do artigo 11 da IN SRF 635/2006 é amplo, e não vincula o custo agregado ao gasto com salário ou ainda com remuneração, limitando-se o artigo a tratar de dispêndios com mão-de-obra, ou seja, todos os valores pagos e benefícios concedidos às pessoas que prestam serviço ao contribuinte. Fl. 64760DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-010.393 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13942.720091/2014-19 INSUMOS. PALLETS. MATERIAL DE EMBALAGEM. Não é possível a concessão de crédito não cumulativo de Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS ao pallet, salvo quando i) estes constituam embalagem primária do produto final, ii) quando sua supressão implique a perda do produto ou de sua qualidade, ou iii) quando exista obrigação legal de transporte em determinada embalagem. FRETE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal de crédito referente a Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS para frete de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE. A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei 11.033/2004 não se refere a créditos cuja aquisição é vedada em lei. SÚMULA CARF 157. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. MERCADORIA PRODUZIDA. O percentual da alíquota do crédito presumido das agroindústrias de produtos de origem animal ou vegetal, previsto no art. 8 o da Lei 10.925/2004, será determinado com base na natureza da mercadoria produzida ou comercializada pela referida agroindústria, e não em função da origem do insumo que aplicou para obtê-lo. Intimada, a Embargante opôs Embargos de Declaração, apontando uma série de omissões, contradições e erros de fato no julgado. Os Embargos foram acolhidos apenas e tão somente no tópico despesas com armazenagem e frete na operação de venda, isto porque, dentre as matérias declaradas preclusas por esta Turma, o tópico em questão foi, efetivamente, aventado tanto em sede de Manifestação de Inconformidade quanto em Recurso Voluntário. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: A fiscalização glosa em tópico específico as DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA porquanto: Dentre as Notas Fiscais apresentadas pela Embargante “foram identificados fretes sem comprovação de origem, destino e/ou produto transportado” o que torna impossível a análise da natureza do frete; Fretes entre armazéns da Embargante não geram créditos das contribuições quer estes sejam de produtos acabados, quer sejam de insumos; Quatro fretes referem-se a aquisição de ativo imobilizado. Fl. 64761DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-010.393 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13942.720091/2014-19 A Embargante em sede de Manifestação de Inconformidade apresentou o seguinte argumento sobre o tema: “Dentre os inúmeros fundamentos da decisão que merecem reforma, a recorrente destaca as glosas a seguir relacionadas: (...)(d3) fretes sobre a aquisição de bem não sujeito ao pagamento das contribuições e tributação monofásica e fretes de transferência entre estabelecimentos (itens 86 a 87 e 107, Informação Fiscal SEORT/EQMAC/DRF FOZ 06/2016)”. Com a máxima vênia ao ilustre Presidente desta Turma, quer parecer que, para inaugurar a lide administrativa a impugnação deve ser específica, apontar, ao menos os motivos de fato que deveriam levar ao afastamento do fundamento, o que no presente caso - sem prejuízo da vasta sabedoria do combativo patrono da Embargante - não se apresenta verdadeiro. Aliás, a Ementa do Voto destaca que “para ser conhecido o recurso é necessário o enfrentamento dos fundamentos da decisão atacada”. Pelo exposto, admito, porquanto tempestivo, e rejeito os Embargos de Declaração. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar os Embargos de Declaração. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Fl. 64762DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 11330.001016/2007-07
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/2000 a 31/05/2000
DECADÊNCIA.CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 45 DA LEI 8.212/91. SUMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF.
O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos dos arts. 150, § 4º ou 173, I, ambos do CTN, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal que declara inconstitucional o art. 45, da Lei 8.212/91, dispositivo esse que previa prazo de decadência de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2403-000.493
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acatar a preliminar de decadência total com base nos critérios estabelecidos tanto na Art. 173, I, CTN; quanto no Art. 150, § 4º, CTN.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: MARCELO MAGALHÃES PEIXOTO
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ART. 45 DA LEI 8.212/91. SUMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF. O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos dos arts. 150, § 4º ou 173, I, ambos do CTN, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal que declara inconstitucional o art. 45, da Lei 8.212/91, dispositivo esse que previa prazo de decadência de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acatar a preliminar de decadência total com base nos critérios estabelecidos tanto na Art. 173, I, CTN; quanto no Art. 150, § 4º, CTN. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente. Marcelo Magalhães Peixoto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari (presidente da turma), Marcelo Magalhães Peixoto (vicepresidente), Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza e Renato Coelho Borelli (suplente). Fl. 104DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, 29/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 2 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD DEBCAD, consolidada em 17/07/2007, cientificado o contribuinte aos 18/07/2007, correspondente às contribuições previdenciárias devidas e não recolhidas relativas à parte da empresa, ao seguro de acidente de trabalho (SAT), incluindo o adicional do SAT, e às destinadas aos Terceiros, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados que lhe prestaram serviço, referente ao período de 05/2000. Inconformada, a recorrente contestou o lançamento, através do instrumento de fls. 33/38, pleiteando pela declaração da decadência do direito de lançar do Fisco, para tornar insubsistente a NFLD impugnada. A DRJ julgou pela procedência do lançamento (fls. 58/64), rejeitando os argumentos apresentados pela Recorrente, entendendo pela aplicação do prazo decadencial decenal, previsto no art. 45, I e II, da Lei 8.212/91. Inconformada, a empresa interpôs Recurso Voluntário (fls. 68/73), sob os mesmos argumentos de sua defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto O Recurso preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8 nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõe o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional: CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, Fl. 105DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, 29/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 11330.001016/200707 Acórdão n.º 2403000.493 S2C4T3 Fl. 105 3 tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) De acordo com o art. 103A, da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 vincula toda a Administração Pública, inclusive este Colegiado: CF/88 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal, poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. In casu, como se trata de contribuições sociais previdenciárias que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, contase o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial) ou, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte. Logo, se as contribuições em apreço referemse à competência de maio de 2000, seu prazo decadencial ocorreu em maio de 2005 (nos termos do art. 150, § 4º, do CTN) ou em janeiro de 2006 (nos termos do art. 173, I, do CTN). Ocorre que a consolidação da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD DEBCAD, correspondente às contribuições previdenciárias supostamente devidas, somente se deu em 17/07/2007, com ciência do contribuinte aos 18/07/2007 (conforme fl. 01), portanto, é certo que ocorreu o fenômeno da decadência do crédito tributário em sua íntegra, tanto nos termos do art. 150, § 4º, quanto pela aplicação do art. 173, inciso I, ambos do CTN, conseqüentemente, encontrandose, portanto, extinto o crédito tributário por força do inciso V, do art. 156, do CTN. A decadência é matéria de ordem pública que deve ser declarada a qualquer tempo e até mesmo de oficio. Do exposto, manifestome pelo PROVIMENTO do presente Recurso Voluntário para reconhecer a decadência dos créditos lançados, com base nos critérios estabelecidos tanto no art. 173, I, do CTN, quanto no art. 150, § 4º, CTN. Marcelo Magalhães Peixoto Relator Fl. 106DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, 29/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 4 Fl. 107DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, 29/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
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Numero do processo: 10510.720003/2007-41
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1402-000.092
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 305DF CARF MF Emitido em 27/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10510.720003/200741 Resolução n.º 140200.092 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório O presente processo referese a DCOMP. A demanda teve início quando do proferimento do despacho decisório de fls. 192/202, que reduziu o saldo negativo da CSLL, de R$ 1.162.422,82 para R$ 868.090,23, sob a alegação de que a compensação das parcelas de estimativas, dos meses de fevereiro, março, maio e junho de 2003, não havia sido confirmada, conforme processos administrativos 10510.000508/200362 (fevereiroR$ 94.394,50 e março R$ 45.052,78) e 10510.901063/200682 (maioR$ 65.078,00 e junho R$ 89.807,31). Os débitos não homologados constam do item “c” da conclusão do despacho decisório 1245/08, de fls. 192/202. Portanto, a demanda se relaciona diretamente com a matéria discutida no proc. 10510.000508/200362, originado do despacho decisório 573/07, que indeferiu compensação tributária de débitos do IRPJ, CSLL, IRRF e COFINS, com saldo negativo do IRPJ e da CSLL, apurados nos anoscalendário de 1997 e 1999, que à época encontravase à espera de julgamento pelo CARF, enquanto que o processo 10510.901063/200682 está englobado no proc. 10510.900384/200660, que também encontravase à espera de julgamento no CARF. Ressaltase da decisão da Turma Julgadora: a) não foi reconhecido o crédito pleiteado de R$ 294.332,59, oriundo das estimativas mensais de fevereiro, março, maio e junho do anocalendário de 2003, que comporia o saldo negativo da CSLL desse anocalendário, por serem objeto de compensações não homologadas; b) Salientou que somente a partir de 31.10.2003, com a vigência da MP 135/2003, convertida na lei 10833/2003, é que a declaração de compensação começou a constituir confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados; c) Consoante informado no despacho decisório, as DCOMP por meio das quais foram declaradas as compensações dos débitos relativos às estimativas de janeiro a março de 2003 foram apresentadas antes de 31.10.2003, razão pela qual os valores referentes àquelas estimativas foram desconsiderados no ajuste anual do anocalendário de 2003, e tais débitos foram excluídos da cobrança dos processos 10510.000508/200363 e 10510.901063/200682, c) ainda que o crédito fosse reconhecido, ainda assim ele não seria suficiente para extinguir o débito do IRPJ relativo à estimativa de março de 2004, no valor de R$ 113.441,55; tal valor foi recolhido conforme DARF que apresentou. O recurso foi interposto em 25.03.2010 e a ciência da decisão da Turma Julgadora se deu em 24.02.2010 Afirma a recorrente, que a matéria tratada no processo 10510.000508/200362 diz respeito à (i) utilização de créditos tributários relativos ao anocalendário de 1997, cuja compensação não foi homologada por terem sido alcançados segundo a Turma Julgadora, pelo instituto da decadência, (ii) indeferimento da retificação da DIPJ do anocalendário de 1999, realizada para excluir da incidência tributária do IRPJ e da CSLL, os juros sobre o capital Fl. 306DF CARF MF Emitido em 27/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10510.720003/200741 Resolução n.º 140200.092 S1C4T2 Fl. 3 3 próprio, (iii) divergência no valor do imposto de renda retido na fonte, informado na DIPJ, com o montante apurado pela autoridade administrativa. Explica que as estimativas de CSLL dos meses de fevereiro, março, maio e junho de 2003, que foram glosados pelo despacho decisório mencionado reduziram o saldo negativo do tributo, tornandoo insuficiente para a realização da compensação tributária em discussão, o que produziu um efeito cascata, uma vez que a redução do saldo negativo do ano calendário de 1999, provocou a glosa dos saldos negativos dos exercícios posteriores, e consequentemente, a não homologação das compensações efetuadas pela recorrente, no ano calendário de 2003, por meio do acórdão recorrido. Alega que diante da relação de causa e efeito existente entre a discussão contida neste processo e a que está em discussão nos processos 10510.000508/200362 e 10510.901063/200682, que trata do anocalendário de 1999, automaticamente, o litígio seria resolvido, face ao efeito cascata, que acarretará aquele processo no saldo negativo da CSLL, do anocalendário de 2003; afirma que na remota hipótese desse fato não ocorrer, a recorrente recolherá o valor devido em 1999, o que consequentemente legitimará o crédito glosado pelo acórdão ora guerreado. Ao final, ratifica as razões expendidas na manifestação de inconformidade e esta informa o pagamento do IRPJ de março de 2004, no valor de R$ 113.441,55, uma vez que constou no despacho decisório, que ainda que o crédito fosse reconhecido totalmente, ainda assim, ele não seria suficiente para extinguir o débito do IRPJ relativo à estimativa de março de 2004. Transcrevo da decisão de primeira instância as razões expendidas na manifestação de inconformidade: • a presente demanda correlacionase, diretamente, com a matéria discutida no processo n° 10510.000508/200362, originado do Despacho Decisório n° 573/2007, que indeferiu compensação de débitos do IRPJ, CSLL, IRRF e Cofins, dentre os quais os relativos às estimativas de IRPJ dos meses de janeiro a março de 2003, com saldo negativo do IRPJ e da CSLL, apurados nos anoscalendário de 1997 e 1999, que se encontra atualmente à espera de julgamento por esse Tribunal Administrativo; • assim, impõese que seja suspensa a cobrança dos débitos não homologados, diante da relação de causa e efeito existente entre as parcelas não homologadas objeto da presente Manifestação de Inconformidade com o direito creditório que está sendo discutido nos processos n° 10510.000508/200362 e 10510.901.063/200682; • deve o julgamento da presente Manifestação de Inconformidade aguardar a decisão a ser proferida nos Processos n° 10510.000508/200362 e 10510.901.063/200682, por esse Egrégio Tribunal Administrativo; • na remota possibilidade de a Requerente não ter o direito creditório restabelecido nos Processos n° 10510.000508/200362 e 10510.901.063/200682, será recolhido o valor devido em 1999 e, automaticamente, o crédito glosado pelo Despacho Decisório ora guerreado estará legitimado o que comprova que, se mantidas as duas glosas, ocorrerá duplicidade de exigência tributária; Fl. 307DF CARF MF Emitido em 27/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10510.720003/200741 Resolução n.º 140200.092 S1C4T2 Fl. 4 4 • a exclusão da cobrança constante dos processos n° 10510.000508/200362 e 10510.901.063/200682, efetuada pela autoridade administrativa, consoante afirmativa desta, do ponto de vista processual é inadequada, uma vez que, na fase em que se encontra o referido processo, falta a autoridade administrativa da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Aracaju, competência para proceder a qualquer ajuste no Despacho Decisório anteriormente proferido; • diante desse fato, espera a Requerente que seja declarada a improcedência do Despacho Decisório ora contestado; • por fim informa que efetuou o pagamento da parcela de R$113.441,55, conforme comprovam cópias dos DARF anexos; Este é o relatório. Voto Conselheira Albertina Silva Santos de Lima O recurso atende às condições de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de PER/DCOMPs, cujo crédito referese ao saldo negativo da CSLL do anocalendário de 2003, que foi reduzido pela autoridade administrativa de R$ 1.162.422,82 para R$ 868.090,23, em razão da não homologação de compensação de créditos, sob controle dos processos 10510.000508/200362 e 10510.900384/200660 (que englobou o processo 10510.901063/200682) com débitos de estimativas dos meses de fevereiro, março, maio e junho de 2003. O processo 10510.000508/200362, trata da compensação de débitos com créditos oriundos de saldos negativos do IRPJ e da CSLL, dos anoscalendário de 1999 e 1997. O recurso foi julgado por este colegiado, na sessão de 05.07.2010, que determinou, por maioria de votos, que a DRJ prosseguisse no julgamento relativo ao direito da Fazenda Pública se pronunciar a respeito da apreciação da retificação de declarações após decorridos mais de cinco anos de sua apresentação, matéria não apreciada na decisão de primeira instância, bem como, que prosseguisse no julgamento do mérito do pedido de restituição relativo ao anocalendário de 1997. A PFN interpôs recurso especial contra a decisão o qual, em 13.05.2001, foi admitido pela Presidência da 4ª Câmara, que determinou o retorno dos autos à unidade de origem, para ciência do contribuinte e abertura de prazo para oferecimento de contrarazões. Em relação ao processo nº 10510.900384/200660 (que englobou o processo 10510.901063/200682), o julgamento do recurso foi convertido em diligência para as seguintes providências, transcritas a partir do voto condutor da Resolução nº 130200.087, de 30.06.2011: Fl. 308DF CARF MF Emitido em 27/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10510.720003/200741 Resolução n.º 140200.092 S1C4T2 Fl. 5 5 a) converter o presente julgamento em diligência, para que primeiramente, a DRF/AJU informe quais débitos das DCOMP do processo 10510.003258/200231 foram compensados para que se verifique a existência de crédito relativo às estimativas compensadas relativas aos seguintes períodos de apuração: Janeiro/2002 (R$46.755,73), Fevereiro/2002 (R$41.439,83), Março/2002 (R$39.062,73), Abril/2002 (R$74.829,35), Maio/2002 (R$45.302,69). b) o presente processo deverá aguardar na DRF/AJU até o primeiro retorno àquela unidade do PA nº . 10510.000508/200362, devendo, então, nesta oportunidade, ser a ele apensado; c) quando sobrevier decisão final administrativa no processo 10510.000508/200362, deverá a DRJ/AJU reencaminhar o presente processo (apensado, na forma acima) a este colegiado, para que seja retomado o presente julgamento. O recurso voluntário em apreciação não está em condições de ser julgado. Devese converter o julgamento em diligência para que o processo aguarde na Unidade de origem, a decisão administrativa final dada aos litígios a que se referem os processos 10510.000508/200362 e 10510.900384/200660, quando o presente processo deverá retornar a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Porém, antes do retorno do processo, a autoridade administrativa deverá elaborar relatório conclusivo relativo à suficiência ou não dos créditos de que tratam esses processos, para a compensação com as estimativas dos meses de fevereiro, março, maio e junho de 2003 que compõem o saldo negativo do anocalendário de 2003, o qual deverá ser cientificado à interessada, que poderá apresentar manifestação no prazo de 30 dias, se entender necessário. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Relatora Fl. 309DF CARF MF Emitido em 27/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10945.900600/2014-77
Data da sessão: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. ERRO MATERIAL.
Os Embargos de Declaração prestam-se para sanar omissão, contradição ou obscuridade ou corrigir erro material.
Numero da decisão: 3401-010.382
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-010.372, de 14 de dezembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10945.900581/2014-89, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Ronaldo Souza Dias Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Luis Felipe de Barros Reche, Carolina Machado Freire Martins e Ronaldo Souza Dias (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente o conselheiro Mauricio Pompeo da Silva.
Nome do relator: Oswaldo Gonçalves de Castro Neto
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OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. ERRO MATERIAL. Os Embargos de Declaração prestam-se para sanar omissão, contradição ou obscuridade ou corrigir erro material. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo- lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-010.372, de 14 de dezembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10945.900581/2014-89, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Luis Felipe de Barros Reche, Carolina Machado Freire Martins e Ronaldo Souza Dias (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente o conselheiro Mauricio Pompeo da Silva. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Embargos de Declaração contra decisão proferida por esta Turma e assim ementada: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 06 00 /2 01 4- 77 Fl. 64761DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-010.382 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10945.900600/2014-77 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A matéria não impugnada e a impugnada de maneira genérica em tempo e modo próprios não deve ser conhecida por este Colegiado. DIALETICIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Para ser conhecido o recurso é necessário o enfrentamento dos fundamentos da decisão atacada. REVISÃO. LANÇAMENTO. RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 159. Não é necessária a realização de lançamento para glosa de ressarcimento de Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS não-cumulativos, ainda que os ajustes se verifiquem na base de cálculo das contribuições. DECADÊNCIA. ART. 150 § 4 o CTN. GLOSAS. NÃO APLICAÇÃO. Não se aplica o disposto no art. 150, § 4 o , do Código Tributário Nacional (CTN) no caso de análise de solicitação de crédito em despacho decisório, por não se tratar a operação de lançamento. NÃO INCIDÊNCIA. PIS. COFINS. EXPORTAÇÃO INDIRETA. COMERCIAL EXPORTADORA. A não incidência de Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, descrita no artigo 14, inciso VIII, da MP 2.158-35/2001, exige prova de que a venda se destinou a exportação, ou seja, prova de que a mercadoria foi efetivamente exportada. ISENÇÃO. PIS. COFINS. EXPORTAÇÃO INDIRETA. TRADING COMPANY. O artigo 1 o do Decreto 1.248/1972 isenta de Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS a exportação indireta por meio de Trading Company desde que os bens a exportar sejam enviados diretamente a armazém alfandegado, embarque ou para regime de entreposto extraordinário na exportação. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. VENDA NO MERCADO INTERNO. VENDAS NÃO TRIBUTADAS. Impossível a exclusão da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS das vendas no mercado interno e das vendas não tributadas, eis que não compõem, a priori, a base de cálculo das exações. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. FRETES. O artigo 15 da MP 2.158-35/2001 não trata de essencialidade, mas de especialização concernente a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e serviços da mesma natureza. Assim, salvo prova da especialização do frete, impossível a dedução. EXCLUSÃO. CUSTO AGREGADO. MÃO-DE-OBRA. O conceito de custo agregado descrito pelo § 8 o do artigo 11 da IN SRF 635/2006 é amplo, e não vincula o custo agregado ao gasto com salário ou ainda com remuneração, limitando-se o artigo a tratar de dispêndios com mão-de-obra, ou seja, todos os valores pagos e benefícios concedidos às pessoas que prestam serviço ao contribuinte. Fl. 64762DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-010.382 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10945.900600/2014-77 INSUMOS. PALLETS. MATERIAL DE EMBALAGEM. Não é possível a concessão de crédito não cumulativo de Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS ao pallet, salvo quando i) estes constituam embalagem primária do produto final, ii) quando sua supressão implique a perda do produto ou de sua qualidade, ou iii) quando exista obrigação legal de transporte em determinada embalagem. FRETE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal de crédito referente a Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS para frete de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE. A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei 11.033/2004 não se refere a créditos cuja aquisição é vedada em lei. SÚMULA CARF 157. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. MERCADORIA PRODUZIDA. O percentual da alíquota do crédito presumido das agroindústrias de produtos de origem animal ou vegetal, previsto no art. 8 o da Lei 10.925/2004, será determinado com base na natureza da mercadoria produzida ou comercializada pela referida agroindústria, e não em função da origem do insumo que aplicou para obtê-lo. Intimada, a Embargante opôs Embargos de Declaração, apontando uma série de omissões, contradições e erros de fato no julgado. Os Embargos foram acolhidos apenas e tão somente no tópico despesas com armazenagem e frete na operação de venda, isto porque, dentre as matérias declaradas preclusas por esta Turma, o tópico em questão foi, efetivamente, aventado tanto em sede de Manifestação de Inconformidade quanto em Recurso Voluntário. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: A fiscalização glosa em tópico específico as DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA porquanto: Dentre as Notas Fiscais apresentadas pela Embargante “foram identificados fretes sem comprovação de origem, destino e/ou produto transportado” o que torna impossível a análise da natureza do frete; Fretes entre armazéns da Embargante não geram créditos das contribuições quer estes sejam de produtos acabados, quer sejam de insumos; Quatro fretes referem-se a aquisição de ativo imobilizado. Fl. 64763DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-010.382 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10945.900600/2014-77 A Embargante em sede de Manifestação de Inconformidade apresentou o seguinte argumento sobre o tema: “Dentre os inúmeros fundamentos da decisão que merecem reforma, a recorrente destaca as glosas a seguir relacionadas: (...)(d3) fretes sobre a aquisição de bem não sujeito ao pagamento das contribuições e tributação monofásica e fretes de transferência entre estabelecimentos (itens 86 a 87 e 107, Informação Fiscal SEORT/EQMAC/DRF FOZ 06/2016)”. Com a máxima vênia ao ilustre Presidente desta Turma, quer parecer que, para inaugurar a lide administrativa a impugnação deve ser específica, apontar, ao menos os motivos de fato que deveriam levar ao afastamento do fundamento, o que no presente caso - sem prejuízo da vasta sabedoria do combativo patrono da Embargante - não se apresenta verdadeiro. Aliás, a Ementa do Voto destaca que “para ser conhecido o recurso é necessário o enfrentamento dos fundamentos da decisão atacada”. Pelo exposto, admito, porquanto tempestivo, e rejeito os Embargos de Declaração. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar os Embargos de Declaração. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Fl. 64764DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13864.000129/2009-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1401-000.106
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA
SEÇÃO DE JULGAMENTO, em converter o julgamento em diligência. Ausente, momentaneamente,o Conselheiro Maurício Pereira Faro.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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