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Numero do processo: 10735.722088/2011-44
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue Nov 21 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2007
INTEMPESTIVIDADE.
A tempestividade é pressuposto intransponível para o conhecimento do recurso. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão. Não se conhece das razões de mérito contidas na peça recursal intempestiva.
Numero da decisão: 2002-008.015
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário por intempestividade.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo de Sousa Sateles - Presidente e Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Freitas de Souza Costa, Thiago Alvares Feital, Marcelo de Sousa Sateles (Presidente).
Nome do relator: MARCELO DE SOUSA SATELES
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2007 INTEMPESTIVIDADE. A tempestividade é pressuposto intransponível para o conhecimento do recurso. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão. Não se conhece das razões de mérito contidas na peça recursal intempestiva.
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A tempestividade é pressuposto intransponível para o conhecimento do recurso. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão. Não se conhece das razões de mérito contidas na peça recursal intempestiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário por intempestividade. (documento assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sateles - Presidente e Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Freitas de Souza Costa, Thiago Alvares Feital, Marcelo de Sousa Sateles (Presidente). Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Em desfavor da contribuinte acima identificada, foi emitida Notificação de Lançamento (fl. 3), relativamente ao ano-calendário de 2007, na qual foi lançado crédito tributário concernente ao Imposto de Renda da Pessoa Física – suplementar (código 2904), no valor de R$ 8.324,55, acrescido de multa de ofício (75%) e juros de mora. 2. Na Declaração de Ajuste Anual (DAA) a contribuinte havia informado saldo a restituir no valor de R$ 1.658,24. 3. De acordo com a “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, referido lançamento decorrera da seguinte infração, conforme imagem do processo à fl. 4: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 72 20 88 /2 01 1- 44 Fl. 102DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-008.015 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10735.722088/2011-44 (...) 4. A contribuinte apresenta impugnação (fl. 2), alegando em síntese, que os rendimentos relacionados como omissos são isentos pela existência de moléstia grave prevista em lei. É o relatório. Cientificado da decisão de primeira instância em 12/09/2016, a qual julgou a impugnação improcedente, o sujeito passivo interpôs, em 09/11/2016, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que: a) os rendimentos são isentos por ser portador(a) de moléstia grave, conforme documentos comprobatórios juntados aos autos É o relatório. Voto Conselheiro(a) Marcelo De Sousa Sateles - Relator(a) Pressuposto de Admissibilidade Os artigos 5° e 33 do Decreto 70.235, de 1972 estabelecem as regras para contagem do prazo de interposição do recurso voluntário: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia do início e incluindo-se o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. No presente caso, a Recorrente tomou ciência da decisão de piso em 12/09/2016 (e-fls. 66 e 67), tendo apresentado seu recurso voluntário em 09/11/2016 (e-fls. 69), logo o recurso está intempestivo, pois o prazo recursal encerrou-se em 13/10/2016. Fl. 103DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-008.015 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10735.722088/2011-44 Logo, não se conhece das razões de mérito contidas na peça recursal intempestiva. Conclusão Por todo o exposto, voto por não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestividade. (documento assinado digitalmente) Marcelo De Sousa Sateles Fl. 104DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10925.906138/2011-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Fri Nov 24 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009
PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. ACOLHIMENTO DAS RAZÕES DE DECIDIR DO DESPACHO DECISÓRIO. DESNECESSIDADE DE ENFRENTAMENTO DE TODOS OS ARGUMENTOS.
A decisão não precisa enfrentar todas as questões trazidas na peça recursal, se os fundamentos constantes no voto são suficientes para afastar a pretensão da parte recorrente, assim como não há irregularidade ou supressão de instância no acolhimento das razões de decidir do despacho decisório.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009
PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMOS. CONCEITO. BENS E SERVIÇOS APÓS A DECISÃO DO STJ.
Insumo, para fins de apropriação de crédito de PIS e Cofins, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Ainda assim, para serem considerados insumos geradores de créditos destas contribuições, no sistema da não cumulatividade, os bens e serviços adquiridos e utilizados em qualquer etapa do processo de produção de bens e serviços destinados à venda, devem observar os critérios de essencialidade ou relevância em cotejo com a atividade desenvolvida pela empresa.
PIS NÃO CUMULATIVO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
Para fato constitutivo do direito de crédito o contribuinte deve demonstrar de forma robusta ser detentor do referido crédito por ele pleiteado.
PIS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. INSUMO. MATERIAL DE EMBALAGEM PARA TRANSPORTE. DIREITO A CRÉDITO.
Consideram-se insumos, enquadráveis no critério de essencialidade e relevância, os materiais das embalagens utilizadas para viabilizar o transporte de mercadorias.
PIS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. INSUMO. ENERGIA ELÉTRICA. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. MULTA POR ATRASO NO PAGAMENTO.
Somente se permite o desconto de créditos em relação à energia elétrica quando esta for efetivamente consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; não se incluindo em citados gastos as despesas com taxa de iluminação pública, multas por atraso no pagamento da energia faturada e outros serviços diversos.
PIS NÃO CUMULATIVO. INSUMO. DESPESAS COM ALUGUÉIS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA NATUREZA DA DESPESA E SUA RELAÇÃO COM O PROCESSO PRODUTIVO DA EMPRESA.
A utilização de créditos relativos a despesas com alugueis na apuração das contribuições não cumulativas pressupõe a comprovação da autenticidade das operações que os geraram e sua adequação às disposições legais, inclusive no que diz respeito a sua relação com o processo produtivo da empresa.
PIS NÃO CUMULATIVO. INSUMO. DESPESAS COM ALUGUEIS. PAGAMENTOS EFETUADOS EM BENEFÍCIO DE PESSOA FÍSICA.
Dispêndios com aluguéis em favor de pessoa física não são passíveis de gerar crédito das contribuições no regime da não cumulatividade.
PIS NÃO CUMULATIVO. INSUMO. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DE DACON E DCTF OU APRESENTAÇÃO DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO E DA NÃO UTILIZAÇÃO PRÉVIA DO CRÉDITO.
Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da existência do crédito e de sua não utilização prévia.
PIS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA.
Não faz jus ao crédito presumido da contribuição a pessoa jurídica que terceiriza a sua produção (industrialização por encomenda), visto que não é essa pessoa jurídica quem de fato produz as mercadorias, requisito essencial para fruição do benefício.
PIS NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. CORREÇÃO MONETÁRIA. DECISÃO STJ. SEDE DE REPETITIVOS.
Conforme decisão em julgamento de REsp, realizado sob o rito dos recursos repetitivos, é devida a correção monetária no ressarcimento de crédito escritural excedente de tributo sujeito ao regime não cumulativo, inclusive no caso de crédito presumido.
A Súmula CARF nº 125 deve ser interpretada no sentido de que, no ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros enquanto não for configurada uma resistência ilegítima por parte do Fisco.
Numero da decisão: 3201-010.784
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário nos seguintes termos:
(I) por unanimidade de votos, para reconhecer o direito à aplicação de juros Selic sobre os valores eventualmente ressarcidos em função de reversão de glosas, a partir do 361º dia subsequente ao da protocolização do Pedido de Ressarcimento e
(II) por maioria de votos, para reconhecer o direito de desconto de créditos, observados os requisitos da lei, em relação aos dispêndios com (i) aquisição de embalagens (caixas, fitas adesivas, filmes e barbantes), (ii) frete na aquisição desses produtos utilizados como embalagens e (iii) depreciação do medidor de vazão. Vencidos os conselheiros Ana Paula Pedrosa Giglio (Relatora) e Ricardo Sierra Fernandes, que negavam provimento ao pedido de reconhecimento destes créditos.
Designada para redigir o voto vencedor a conselheira: Tatiana Josefovicz Belisário.
(documento assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ana Paula Pedrosa Giglio - Relator
(documento assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis (Presidente), Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ricardo Sierra Fernandes, Tatiana Josefovicz Belisário, Márcio Robson Costa, Mateus Soares de Oliveira e Ana Paula Pedrosa Giglio.
Nome do relator: ANA PAULA PEDROSA GIGLIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário nos seguintes termos: (I) por unanimidade de votos, para reconhecer o direito à aplicação de juros Selic sobre os valores eventualmente ressarcidos em função de reversão de glosas, a partir do 361º dia subsequente ao da protocolização do Pedido de Ressarcimento e (II) por maioria de votos, para reconhecer o direito de desconto de créditos, observados os requisitos da lei, em relação aos dispêndios com (i) aquisição de embalagens (caixas, fitas adesivas, filmes e barbantes), (ii) frete na aquisição desses produtos utilizados como embalagens e (iii) depreciação do medidor de vazão. Vencidos os conselheiros Ana Paula Pedrosa Giglio (Relatora) e Ricardo Sierra Fernandes, que negavam provimento ao pedido de reconhecimento destes créditos. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira: Tatiana Josefovicz Belisário. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Presidente (documento assinado digitalmente) Ana Paula Pedrosa Giglio - Relator (documento assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis (Presidente), Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ricardo Sierra Fernandes, Tatiana Josefovicz Belisário, Márcio Robson Costa, Mateus Soares de Oliveira e Ana Paula Pedrosa Giglio.
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. ACOLHIMENTO DAS RAZÕES DE DECIDIR DO DESPACHO DECISÓRIO. DESNECESSIDADE DE ENFRENTAMENTO DE TODOS OS ARGUMENTOS. A decisão não precisa enfrentar todas as questões trazidas na peça recursal, se os fundamentos constantes no voto são suficientes para afastar a pretensão da parte recorrente, assim como não há irregularidade ou supressão de instância no acolhimento das razões de decidir do despacho decisório. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMOS. CONCEITO. BENS E SERVIÇOS APÓS A DECISÃO DO STJ. Insumo, para fins de apropriação de crédito de PIS e Cofins, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Ainda assim, para serem considerados insumos geradores de créditos destas contribuições, no sistema da não cumulatividade, os bens e serviços adquiridos e utilizados em qualquer etapa do processo de produção de bens e serviços destinados à venda, devem observar os critérios de essencialidade ou relevância em cotejo com a atividade desenvolvida pela empresa. PIS NÃO CUMULATIVO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Para fato constitutivo do direito de crédito o contribuinte deve demonstrar de forma robusta ser detentor do referido crédito por ele pleiteado. PIS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. INSUMO. MATERIAL DE EMBALAGEM PARA TRANSPORTE. DIREITO A CRÉDITO. Consideram-se insumos, enquadráveis no critério de essencialidade e relevância, os materiais das embalagens utilizadas para viabilizar o transporte de mercadorias. PIS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. INSUMO. ENERGIA ELÉTRICA. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. MULTA POR ATRASO NO PAGAMENTO. Somente se permite o desconto de créditos em relação à energia elétrica quando esta for efetivamente consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; não se incluindo em citados gastos as despesas com taxa de iluminação pública, multas por atraso no pagamento da energia faturada e outros serviços diversos. PIS NÃO CUMULATIVO. INSUMO. DESPESAS COM ALUGUÉIS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA NATUREZA DA DESPESA E SUA RELAÇÃO COM O PROCESSO PRODUTIVO DA EMPRESA. A utilização de créditos relativos a despesas com alugueis na apuração das contribuições não cumulativas pressupõe a comprovação da autenticidade das operações que os geraram e sua adequação às disposições legais, inclusive no que diz respeito a sua relação com o processo produtivo da empresa. PIS NÃO CUMULATIVO. INSUMO. DESPESAS COM ALUGUEIS. PAGAMENTOS EFETUADOS EM BENEFÍCIO DE PESSOA FÍSICA. Dispêndios com aluguéis em favor de pessoa física não são passíveis de gerar crédito das contribuições no regime da não cumulatividade. PIS NÃO CUMULATIVO. INSUMO. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DE DACON E DCTF OU APRESENTAÇÃO DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO E DA NÃO UTILIZAÇÃO PRÉVIA DO CRÉDITO. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da existência do crédito e de sua não utilização prévia. PIS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. Não faz jus ao crédito presumido da contribuição a pessoa jurídica que terceiriza a sua produção (industrialização por encomenda), visto que não é essa pessoa jurídica quem de fato produz as mercadorias, requisito essencial para fruição do benefício. PIS NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. CORREÇÃO MONETÁRIA. DECISÃO STJ. SEDE DE REPETITIVOS. Conforme decisão em julgamento de REsp, realizado sob o rito dos recursos repetitivos, é devida a correção monetária no ressarcimento de crédito escritural excedente de tributo sujeito ao regime não cumulativo, inclusive no caso de crédito presumido. A Súmula CARF nº 125 deve ser interpretada no sentido de que, no ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros enquanto não for configurada uma resistência ilegítima por parte do Fisco.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2023-09-25T13:30:58Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-09-25T13:29:38Z; Last-Modified: 2023-09-25T13:30:58Z; dcterms:modified: 2023-09-25T13:30:58Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:02967db2-7191-4919-a5d8-a3fb629a009c; Last-Save-Date: 2023-09-25T13:30:58Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-09-25T13:30:58Z; meta:save-date: 2023-09-25T13:30:58Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-09-25T13:30:58Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-09-25T13:29:38Z; created: 2023-09-25T13:29:38Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 35; Creation-Date: 2023-09-25T13:29:38Z; pdf:charsPerPage: 2171; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-09-25T13:29:38Z | Conteúdo => S3-C 2T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10925.906138/2011-15 Recurso Voluntário Acórdão nº 3201-010.784 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de julho de 2023 Recorrente CBL - COMPANHIA BRASILEIRA DE LÁCTEOS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. ACOLHIMENTO DAS RAZÕES DE DECIDIR DO DESPACHO DECISÓRIO. DESNECESSIDADE DE ENFRENTAMENTO DE TODOS OS ARGUMENTOS. A decisão não precisa enfrentar todas as questões trazidas na peça recursal, se os fundamentos constantes no voto são suficientes para afastar a pretensão da parte recorrente, assim como não há irregularidade ou supressão de instância no acolhimento das razões de decidir do despacho decisório. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMOS. CONCEITO. BENS E SERVIÇOS APÓS A DECISÃO DO STJ. Insumo, para fins de apropriação de crédito de PIS e Cofins, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Ainda assim, para serem considerados insumos geradores de créditos destas contribuições, no sistema da não cumulatividade, os bens e serviços adquiridos e utilizados em qualquer etapa do processo de produção de bens e serviços destinados à venda, devem observar os critérios de essencialidade ou relevância em cotejo com a atividade desenvolvida pela empresa. PIS NÃO CUMULATIVO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Para fato constitutivo do direito de crédito o contribuinte deve demonstrar de forma robusta ser detentor do referido crédito por ele pleiteado. PIS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. INSUMO. MATERIAL DE EMBALAGEM PARA TRANSPORTE. DIREITO A CRÉDITO. Consideram-se insumos, enquadráveis no critério de essencialidade e relevância, os materiais das embalagens utilizadas para viabilizar o transporte de mercadorias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 61 38 /2 01 1- 15 Fl. 360DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-010.784 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.906138/2011-15 PIS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. INSUMO. ENERGIA ELÉTRICA. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. MULTA POR ATRASO NO PAGAMENTO. Somente se permite o desconto de créditos em relação à energia elétrica quando esta for efetivamente consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; não se incluindo em citados gastos as despesas com taxa de iluminação pública, multas por atraso no pagamento da energia faturada e outros serviços diversos. PIS NÃO CUMULATIVO. INSUMO. DESPESAS COM ALUGUÉIS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA NATUREZA DA DESPESA E SUA RELAÇÃO COM O PROCESSO PRODUTIVO DA EMPRESA. A utilização de créditos relativos a despesas com alugueis na apuração das contribuições não cumulativas pressupõe a comprovação da autenticidade das operações que os geraram e sua adequação às disposições legais, inclusive no que diz respeito a sua relação com o processo produtivo da empresa. PIS NÃO CUMULATIVO. INSUMO. DESPESAS COM ALUGUEIS. PAGAMENTOS EFETUADOS EM BENEFÍCIO DE PESSOA FÍSICA. Dispêndios com aluguéis em favor de pessoa física não são passíveis de gerar crédito das contribuições no regime da não cumulatividade. PIS NÃO CUMULATIVO. INSUMO. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DE DACON E DCTF OU APRESENTAÇÃO DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO E DA NÃO UTILIZAÇÃO PRÉVIA DO CRÉDITO. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da existência do crédito e de sua não utilização prévia. PIS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. Não faz jus ao crédito presumido da contribuição a pessoa jurídica que terceiriza a sua produção (industrialização por encomenda), visto que não é essa pessoa jurídica quem de fato produz as mercadorias, requisito essencial para fruição do benefício. PIS NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. CORREÇÃO MONETÁRIA. DECISÃO STJ. SEDE DE REPETITIVOS. Conforme decisão em julgamento de REsp, realizado sob o rito dos recursos repetitivos, é devida a correção monetária no ressarcimento de crédito escritural excedente de tributo sujeito ao regime não cumulativo, inclusive no caso de crédito presumido. A Súmula CARF nº 125 deve ser interpretada no sentido de que, no ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros enquanto não for configurada uma resistência ilegítima por parte do Fisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 361DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-010.784 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.906138/2011-15 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário nos seguintes termos: (I) por unanimidade de votos, para reconhecer o direito à aplicação de juros Selic sobre os valores eventualmente ressarcidos em função de reversão de glosas, a partir do 361º dia subsequente ao da protocolização do Pedido de Ressarcimento e (II) por maioria de votos, para reconhecer o direito de desconto de créditos, observados os requisitos da lei, em relação aos dispêndios com (i) aquisição de embalagens (caixas, fitas adesivas, filmes e barbantes), (ii) frete na aquisição desses produtos utilizados como embalagens e (iii) depreciação do medidor de vazão. Vencidos os conselheiros Ana Paula Pedrosa Giglio (Relatora) e Ricardo Sierra Fernandes, que negavam provimento ao pedido de reconhecimento destes créditos. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira: Tatiana Josefovicz Belisário. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Presidente (documento assinado digitalmente) Ana Paula Pedrosa Giglio - Relator (documento assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis (Presidente), Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ricardo Sierra Fernandes, Tatiana Josefovicz Belisário, Márcio Robson Costa, Mateus Soares de Oliveira e Ana Paula Pedrosa Giglio. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº 03-082.227, exarado pela 4ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Brasília/DF, em sessão de 25/10/2018, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte acima identificada, relativa ao Pedido de Ressarcimento de PIS não cumulativo – mercado interno, do 2º trimestre/2009 (PER nº 02954.41927.160311.1.5.10-9598). A Manifestação de Inconformidade (fls 29/79), instruída com os documentos de fls. 80/283, foi proposta contra o Despacho Decisório nº 0452/2012 (fl. 06/26), que reconheceu parcialmente o valor de direito creditório pleiteado. Do total requerido de R$ 242.668,41, relativo ao PIS do 2º Trimestre de 2009, reconheceu-se a parcela de R$ 191.389,32. Restou, portanto, em lide o saldo remanescente não reconhecido de R$ 51.279,09. De acordo com o relatório fiscal (Despacho Decisório), a autoridade fiscal constatou a inclusão de produtos/serviços que considerou não serem passíveis de Fl. 362DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-010.784 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.906138/2011-15 enquadramento no conceito de insumo, os quais consequentemente foram glosados, quais sejam: - materiais de embalagem para permitir ou facilitar o transporte (barbantes, caixas, rolos fita, etiquetas, filmes e fitas adesivas); - despesas de energia elétrica (taxa de iluminação pública, multas por atraso no pagamento de faturas de energia e conta denominada “outros serviços diversos”); - despesas de aluguéis (imóveis utilizados na atividade administrativa e despesas de locação não comprovadas); - despesas com frete (transporte de mercadorias não enquadradas como insumo ou não aptas ao crédito presumido), - créditos decorrentes de bens do ativo imobilizado (créditos oriundos de períodos anteriores não retificados nem comprovados, bens não empregados no processo produtivo e enquadramento incorreto do prazo de recuperação); - créditos presumidos de atividades agroindustriais (relativos ao período em que a empresa não estava realizando a produção de mercadorias de origem animal ou vegetal; a produção estava sendo efetuada por encomenda a empresas terceirizadas). Autoridade administrativa procedeu, ainda, à verificação e retificação do percentual de rateio a ser aplicado sobre os créditos na proporção entre receitas oriundas do mercado interno tributável e não tributável. Do procedimento levado a efeito pela empresa, ocorreu a discordância em relação à classificação efetuada em razão das receitas oriundas de parcela do Soro de Leite (relativa a produto não destinado a consumo humano) e da integralidade do Queijo Colonial, reclassificando-as e, consequentemente, alterando o percentual de rateio das receitas tributáveis e não tributáveis. A interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade (fls 29/79) na qual se insurgiu contra a decisão nos seguintes pontos: - discordância em relação à reclassificação das receitas derivadas do soro de leite identificado pela fiscalização como não sendo destinado a consumo humano, para classificá-las como tributáveis ou não, e, consequentemente alterando o rateio proporcional dos créditos de PIS/Cofins. Defende que todo o soro produzido pela empresa seria destinado ao consumo humano. Não discorda da reclassificação relativa ao queijo colonial; - existiria previsão legal para a integralidade do ressarcimento pleiteado pela empresa em razão do conceito ampliado de “insumo” de acordo coma definição do STJ; - argumenta que a integralidade do crédito pleiteado seria passível de ressarcimento/restituição. Entende que teria apurado o crédito que solicitou via PER, de acordo com a legislação vigente. Reforça que todos os insumos glosados fariam parte do processo produtivo da empresa. Menciona individualmente as glosas dos bens entendidos pela autoridade fiscal como não incluídos no conceito de insumo ou não aptos para geração de créditos: embalagens secundárias (caixas, fitas, etiquetas e barbantes), energia elétrica, alugueis, fretes, bens do ativo imobilizado e créditos presumidos de atividades agroindustriais; - requer a aplicação de correção monetária para as glosas que entende indevidas, com utilização da taxa Selic, a ser calculada desde a data do protocolo do pedido de Fl. 363DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-010.784 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.906138/2011-15 ressarcimento (alternativamente requer a atualização monetária a partir do 360° dia a partir do protocolo do pedido de compensação). Ressalta o seu direito ao crédito de PIS/Cofins apurado pelo regime não cumulativo, transcrevendo a legislação pertinente, listando as operações que não foram aceitas, demonstrando as razões de seu entendimento quanto à legitimidade dos créditos por ela apurados. Requereu a procedência do recurso e a consequente homologação integral do crédito pleiteado. Em 25/10/2018, a 4ª turma da DRJ Brasília proferiu o acórdão nº 03-082.227 onde, por unanimidade de votos indeferiu integralmente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo interessado e mantendo as glosas aos créditos pleiteados, conforme definido no Despacho Decisório. Irresignada, a parte veio a este colegiado, através do Recurso Voluntário de fls 312/339, no qual alega em síntese as mesmas questões levantadas na Manifestação de Inconformidade, acrescentando apenas um novo pedido: - preliminar de nulidade do Acórdão de primeira instancia por entender que o mesmo deixou de enfrentar os argumentos por ela apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, utilizando-se unicamente dos termos do Despacho Decisório o que lhe teria cerceado a defesa além de suprimir uma instância de julgamento. Voto Vencido Conselheira Ana Paula Pedrosa Giglio, Relatora. Admissibilidade do recurso O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, de sorte que dele se pode tomar conhecimento. Do Processo A Recorrente apresentou Pedido de Ressarcimento de créditos de PIS, vinculado às receitas de mercado interno não tributável, referente ao 2º trimestre de 2009, no valor de R$242.668,41. O crédito pleiteado foi homologado parcialmente tendo sido indeferido o valor de R$51.279,20 em razão de irregularidades fiscais, quanto aos seguintes aspectos: (i) rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não- cumulatividade em relação ao produto “soro de leite” na parte considerada como não destinada ao consumo humano, bem como em relação à escrituração de créditos dos seguintes itens: (ii) aquisição de bens utilizados como insumo (caixas, barbantes, etiquetas e fitas classificados pela empresa como embalagens); Fl. 364DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-010.784 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.906138/2011-15 (iii) aquisição de serviços utilizados como insumo (fretes de compra de insumos e de produtos glosados); (iv) despesas de energia elétrica relativas à taxa de iluminação pública, multas por atraso e outros custos não especificados; (v) despesas de aluguéis que não possuíam contrato de locação ou pagos a pessoa física; (vi) bens do ativo imobilizado (a) não relacionados diretamente com o processo produtivo da empresa ou (b) relativos a períodos anteriores sem retificação das declarações ou comprovação de sua não utilização ou ainda (c) cujo enquadramento foi considerado incorreto em relação ao prazo de recuperação utilizado pela empresa; (vii) créditos presumidos de atividades agroindustriais, nos casos em que a empresa terceirizou sua produção. Da Preliminar de Nulidade do Acórdão de Primeira Instancia Requer a nulidade do acordão da DRJ Brasília por entender que não ocorreu a devida análise dos argumentos apresentado em sua Manifestação de Inconformidade, caracterizando cerceamento de defesa e supressão de instancia. Alega que o acórdão apenas teria reproduzido o Despacho Decisório sem confrontá-lo com as alegações apresentadas. Defende que as decisões administrativas devem obrigatoriamente abranger toda a argumentação e estar embasadas em fundamentos legais claros e abrangentes, de acordo com o previsto na Lei nº 9.784, de 1999. O exame do Acórdão de fls 286 a 306 revela que, o mesmo decidiu quanto a Manifestação de Inconformidade apresentada no processo nº 10925.906138/2011-15. A decisão tratou das questões efetivamente ligadas ao processo, não trazendo matéria estranha ou deixando de analisar conteúdos ligados ao enfrentamento da lide ou aos principais argumentos trazidos pelo sujeito passivo em sua peça de defesa. Ressalte-se que a decisão não necessita enfrentar todas as questões trazidas na peça recursal, se os fundamentos constantes no voto são suficientes para afastar a pretensão da parte recorrente. No caso concreto, o Acórdão deixa claro que ainda que seguindo o fio condutor do Despacho Decisório, foram analisados os itens de maior relevância, levando em consideração as explicações do contribuinte, assim como os documentos por ele apresentados, em cotejo com os elementos colhidos na fase de fiscalização que antecedeu o despacho decisório o qual indeferiu parcialmente os pleitos de utilização de créditos do PIS para o período. O fato de tomar como base o Despacho Decisório, cujos argumentos adotou como razões de decidir, por si só, não traz consigo nulidade por cerceamento de defesa ou supressão de instância. Apenas demonstra que a autoridade decisória estava de acordo com os termos da análise manual do caso efetuada pela Delegacia da Receita Federal em Joaçaba. Da mesma forma, o não acolhimento das teses apresentadas pela manifestante não acarretaria a nulidade pleiteada. Dê-se especial ênfase ao requerimento para que se considerasse o conceito mais amplo de insumos (analisado detalhadamente nas fls 302/305 do Acórdão), bem como aquele que pleiteou a correção pela SELIC dos créditos que eventualmente venham ser reconhecidos (fls 305/306). Argumentos estes de principal relevância na Manifestação de Inconformidade apresentada. Fl. 365DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3201-010.784 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.906138/2011-15 Em assim sendo, indefere-se o pedido de nulidade do Acórdão de primeira instância, por não se vislumbrar prejuízo à parte ou cerceamento do exercício de sua defesa. Do Rateio Proporcional dos Créditos Inicialmente, ocorreu discordância entre as partes a respeito da reclassificação das receitas (entre tributáveis e não tributáveis) que levaram a um novo rateio relativo aos créditos no que diz respeito ao soro de leite. Não houve oposição da parte no que diz respeito ao queijo colonial. Explica-se. A empresa possuía tanto receitas tributáveis quanto não tributáveis e foi necessário realizar a segregação proporcional a estes créditos, dividindo-os em duas categorias de receitas de acordo coma sua proporção em relação aos custos, despesas e encargos que são comuns a mais de um produto. A contribuinte optou pelo rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não-cumulatividade do PIS e da Cofins. Para definição dos percentuais de rateio, a empresa segregou as receitas oriundas do mercado interno tributável, daquelas oriundas do mercado interno que seriam não tributáveis, especificando os produtos que compuseram cada um dos subtotais. Em procedimento de auditoria (inclusive in loco), a autoridade fiscalizadora concluiu por concordar majoritariamente com as decisões da empresa neste quesito, entretanto, foi detectada a existência de dois casos em que a autoridade entendeu como incorretamente classificados: - Soro de leite: ao contrário do que imputou a recorrente em sua contabilidade, o soro de leite quando não se destine a consumo humano não pode ser classificado como alíquota zero, nos termos do inciso XIII, do art. 1º, da Lei 10.925, de 2004. Por sua vez, o soro de leite destinado ao consumo humano foi mantido no rol de produtos sujeitos à alíquota zero de PIS/Cofins. - Queijo colonial: este tipo de queijo não foi contemplado com a redução de alíquota a zero, nos termos do inciso XII, do art. 1º da Lei 10.925/2004. A redução a zero da alíquota de um tributo é uma modalidade de exoneração tributária e, portanto, importa renúncia de receita. Sua interpretação, tratando-se de norma de exceção, não possibilita ampliações ou analogias. A recorrente argumentou que a classificação do soro de leite seguiu a legislação que estabelece a redução de alíquota para zero para este caso (inciso XII, artigo 1º, da Lei 10.952, de 2004), tendo em vista que todo o soro por ela produzido se destinaria a consumo humano. Não teceu objeções no que diz respeito à reclassificação do queijo colonial. Requereu o reconhecimento da incidência da alíquota zero sobre a integralidade das operações relativas ao soro de leite, concordando com a reclassificação relativa ao queijo colonial. O Acórdão recorrido manteve as alterações dos percentuais de rateio efetuadas pela autoridade fiscal, a qual contestou a classificação de parte do soro de leite como sujeito à alíquota zero (aquela parte que verificou não ser destinado ao consumo humano), bem como a classificação do queijo colonial. Fl. 366DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3201-010.784 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.906138/2011-15 Em seu recurso, a empresa sustenta que possuiria dois registros internos para o produto “soro de leite”. Um com a descrição simples (soro de leite) e o outro com a descrição completa (soro de leite para consumo humano), entretanto ambos seriam referentes à mesma mercadoria, a qual seria vendida para outras empresas como matéria prima para fabricação de produtos alimentícios destinados ao consumo humano. A duplicação dos cadastros, por si só, não seria suficiente para demonstrar que o registro denominado unicamente como “soro de leite” seria referente a produto não destinado ao consumo humano. Tal fato não justificaria a reclassificação de parte do soro para considerá-la como tributável. Argumenta, ainda, que a nomenclatura utilizada nas notas fiscais não seria suficiente para presumir que o produto não tenha sido destinado para consumo humano. Traz os documentos de fls 98 a 110 no intuito de demonstrar suas argumentações. O soro de leite é um subproduto da produção de queijos e é rico em proteínas de alto valor biológico. É gerado na produção de queijo e usualmente vira matéria prima para produtos lácteos, como bebidas e suplementos (whey protein). Cabe mencionar que existem diferentes tipos de soro de leite e nem todos são adequados para o consumo humano. Para que seja destinado ao consumo humano o soro deve passar por processo de fabricação e controle de qualidade específico para garantir sua segurança e qualidade. O soro de leite comercializado para consumo humano é obtido durante a produção de queijos e outros produtos lácteos por meio de métodos controlados e higiênicos. Ele é processado para remover impurezas, como resíduos de gorduras, bactérias e outros contaminantes, passando posteriormente por pasteurização para eliminar possíveis microrganismos patogênicos. Além disso, o soro de leite destinado ao consumo humano é frequentemente submetido a exames laboratoriais para verificar sua composição nutricional e garantir que esteja de acordo com os padrões de qualidade e segurança. O soro de leite, entretanto, pode ser processado de maneiras diferentes para outros usos e nem todos os tipos de soro de leite são destinados a consumo humano. Existem variedades que são usadas como ingredientes em produtos não alimentícios, como suplementos para animais e produtos industriais. Quando o soro de leite é destinado a consumo humano, ele faz jus ao benefício da alíquota zero (inciso XIII do art. 1º da Lei 10.925/2004) o que não ocorre nos casos em que o soro é destinado a outros usos. Em análise às argumentações e documentos trazidos aos autos, constata-se que apesar das afirmativas trazidas tanto na Manifestação de Inconformidade quanto no Recurso Voluntário, não ocorreu por parte do sujeito passivo a produção de nenhum tipo de demonstração de que as conclusões da autoridade careciam de fundamento. Com os elementos trazidos aos autos não seria possível verificar a efetividade da argumentação aduzida no sentido de que apesar de existirem duas contas diferentes para este produto, tratava-se do mesmo elemento. Caberia, neste caso, à empresa demonstrar que apesar de possuírem contas diversas e não terem sido especificados expressamente como para consumo humano nas notas fiscais de venda, a parte glosada pela fiscalização era também destinada ao consumo humano, fazendo jus ao benefício da alíquota zero para o PIS/Cofins. Tal comprovação não seria deveras complexa, tendo em vista todo o processo que sofre o soro para garantir a segurança alimentar. Também poderia ter sido demonstrado que os compradores deste soro somente se dedicam a fabricar unicamente alimentos para consumo humano. Entretanto, tal comprovação não foi trazida aos autos. Fl. 367DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3201-010.784 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.906138/2011-15 Os documentos de fls 98 a 109 não se prestam a demonstrar que as empresas ali listadas (através de seus cartões de CNPJ) foram efetivamente as adquirentes dos produtos registrados unicamente como “soro de leite”; e nem mesmo que aquelas empresas fabriquem unicamente produtos para consumo humano (a BR Foods e a Sooro Concentrado Indústria de Produtos Lácteos inclusive possuem linhas de produtos para nutrição animal). Em razão de o caso tratar de compensação tributária, modalidade de extinção do crédito tributário, aceita somente sob determinadas condições, tem-se em síntese que esta pressupõe: (i) a existência de créditos e débitos do próprio contribuinte; (ii) que a compensação deve ser realizada com créditos líquidos e certos e (iii) que o ônus da prova do cumprimento destes requisitos incumbe ao contribuinte. A situação que se verifica nos autos revela que o contribuinte não se desincumbiu do ônus de comprovar documentalmente o direito alegado. Os documentos acostados são insuficientes à comprovação da existência do crédito, o que seria imprescindível para confirmar a procedência da alegação. Coloque-se, inicialmente, que no que se refere à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas, a legislação processual administrativo-tributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é o princípio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem alega tem o dever de provar. A regra maior que rege a distribuição do ônus da prova encontra amparo no art. 373 do Código de Processo Civil, in verbis: “Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. §1° Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. §2° A decisão prevista no §1o deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil. §3° A distribuição diversa do ônus da prova também pode ocorrer por convenção das partes, salvo quando: I- recair sobre direito indisponível da parte; II- tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. §4° A convenção de que trata o §3° pode ser celebrada antes ou durante o processo.” O dispositivo transcrito é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal. A obrigação de provar está expressamente atribuída à Autoridade Fiscal quando realiza o lançamento tributário e para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito/ressarcimento. Este também tem sido o entendimento deste Conselho, conforme é possível verificar nas ementas de Acórdãos abaixo transcritas: Fl. 368DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 3201-010.784 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.906138/2011-15 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2013 a 31/01/2013 PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. A busca pela verdade material não representa remédio processual destinado a suprir injustificada omissão probatória daquele sobre o qual recai o ônus da prova, nem pode se dar às custas de regras jurídicas que servem, em última instância, à concretização de princípios importantes do sistema jurídico”. ÔNUS DA PROVA DO CRÉDITO RECAI SOBRE O CONTRIBUINTE. Como se pacificou a jurisprudência neste Tribunal Administrativo, o ônus da prova é devido àquele que pleiteia seu direito. Portanto, para fato constitutivo do direito de crédito o contribuinte deve demonstrar de forma robusta ser detentor do crédito. (Acórdão 3003-001.603, de 10/02/2021. Processo nº 10830.903527/2013-00. Relatora: Ariene d'Arc Diniz e Amaral) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Em processos decorrentes da não homologação de declaração de compensação, deve o Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito. No âmbito do processo administrativo fiscal, constando perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, o ônus da prova sobre o direito creditório recai sobre o contribuinte, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. (Acórdão 3302-012.164, de 28/10/2021. Processo nº 15374.963912/2009-60. Relatora: Denise Madalena Green. Voto Vencedor: Jorge Lima Abud) Ainda sobre ônus da prova em compensação de créditos transcreve-se entendimento da 3a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no acórdão de n° 9303-005.226, a qual se adotou neste voto: “... o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso se repita, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações.” (Destacou-se) Fl. 369DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 3201-010.784 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.906138/2011-15 Em assim sendo, fica mantido o rateio efetuado pela fiscalização, não havendo reparo a ser feito nesta questão em relação à decisão de primeira instância. Novo Conceito de Insumo Conforme mencionado, verifica-se que o cerne da presente lide envolve a matéria do aproveitamento de créditos de PIS e Cofins apurados no regime não cumulativo e a consequente análise sobre o conceito jurídico de insumo dentro de nova sistemática para os itens glosados pela fiscalização. Tais itens serão analisados individualmente no presente voto, em tópicos a seguir. Cabe inicialmente tecer algumas considerações sobre a forma de interpretação do conceito de insumo a ser adotada neste voto. A sistemática da não-cumulatividade para as contribuições do PIS e da Cofins foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (Cofins). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autoriza-se a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. O princípio da não-cumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignando-se a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a Cofins. A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da não-cumulatividade do PIS/Cofins. Por meio da Instrução Normativa nº 247, de 2002 (com redação dada pelas Instruções Normativas nºs 358/2003- art. 66 e nº 404/2004- art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento de PIS/Cofins. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos foi excessivamente restritiva, assemelhando-se ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). As Instruções Normativas RFB nºs 247, de 2002 e 404, de 2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo fosse diretamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximando-se da legislação do IPI trouxe critério demasiadamente restritivo, contrariando a finalidade da sistemática da não-cumulatividade das contribuições do PIS/Cofins. Entendeu-se igualmente impróprio para conceituar insumos adotar-se o parâmetro estabelecido na legislação Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (do IRPJ), pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99), poder-se-ia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecer-se o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. O Superior Tribunal de Justiça acabou por definir tal critério ao julgar, pela sistemática dos recursos repetitivos, o recurso especial nº 1.221.170-PR, no sentido de reconhecer a aplicação Fl. 370DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 3201-010.784 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.906138/2011-15 de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na conceituação de insumo para os créditos de PIS/Cofins não cumulativos. Em 24.4.2018, foi publicado o acórdão do STJ, que trouxe a seguinte ementa: “TRIBUTÁRIO PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO- CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543-C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual-EPI. 4. Sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam-se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte.” (Destacou-se) O acórdão do REsp, ao ser proferido pela sistemática dos recursos repetitivos (tendo já ocorrido o julgamento de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional), determina que os Conselheiros já estão obrigados a reproduzir referida decisão, em razão de disposição contida no Regimento Interno do Conselho. Para melhor subsidiar e elucidar o adequado direcionamento das instruções contidas no acórdão do STJ traz-se a NOTA SEI PGFN/MF nº 63/2018, a qual melhor esclarece a forma de interpretação do conteúdo da decisão do Tribunal: “41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente Fl. 371DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 3201-010.784 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.906138/2011-15 empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Busca-se uma eliminação hipotética, suprimindo-se mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo." (Destacou-se) Com tal Nota, restou claro, assim, que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Ademais, tal ato ainda reflete sobre o “teste de subtração” que deve ser feito para fins de se definir se determinado item seria ou não essencial à atividade do sujeito passivo. Eis o item 15 da Nota da PGFN: “15. Deve-se, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poder-se-ia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente - cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observa-se que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividade-fim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste de subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques.” Nessa linha, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da Cofins, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para torná-lo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Assim, para que determinado bem ou serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS/Cofins, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva comprovação destas características. Fl. 372DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 3201-010.784 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.906138/2011-15 Dos Bens Utilizados como Insumos Produtos Classificados como Embalagens (caixas, fitas adesivas, filmes e barbantes) A autoridade fiscal glosou uma série de créditos relativos a bens que entendeu terem sido declarados indevidamente como embalagens O motivo da glosa foi o entendimento de que o desconto de créditos apurados sobre a aquisição de insumos vinculados à produção de bens para venda não se estende aos materiais utilizados para permitir ou facilitar o transporte dos produtos, uma vez que essa operação não integra o processo produtivo. Entendeu que o insumo “embalagem” deveria ser considerado como tal somente quando integrasse o processo produtivo. As embalagens quando não incorporadas ao produto durante o processo de industrialização, mas apenas após a conclusão do processo produtivo, e que se destinam tão somente ao transporte de produtos acabados, não poderiam gerar direito a crédito. Asseverou que estes são bens que não sofrem alterações em decorrência da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, destinando-se tão-somente a manter as mercadorias em condições eficientes de operação. O Acórdão recorrido manteve a glosa dos créditos apurados pela recorrente em relação à aquisição dos bens (embalagens), por entender que estes não se caracterizam no conceito legal de “insumo”, assim como não se enquadrariam em outras hipóteses geradoras de crédito. Tais despesas não seriam, portanto, passíveis de crédito de PIS e Cofins por não estarem relacionadas diretamente à produção dos bens vendidos pela empresa. A recorrente argumenta que estes itens não seriam apenas utilizados para o transporte das mercadorias, mas sim, fariam parte de uma última fase do processo produtivo, sendo essenciais para a comercialização de seus produtos. Seriam “embalagens personalizadas, contendo informações e descrições das mercadorias e vendidas em conjunto com os mesmos”. Além disso, as caixas de papelão, fitas adesivas, filmes e barbantes também seriam essenciais para a operacionalização da empresa e não apenas para a comercialização dos produtos, mas também para o armazenamento adequado dos produtos. Estes itens garantiriam o correto acondicionamento, transporte e proteção das mercadorias até que estas sejam entregues ao consumidor final. A falta dos mesmos comprometeria a finalidade da produção e poderia prejudicar a qualidade e segurança dos produtos. Os produtos glosados pela Fiscalização foram os abaixo relacionados (tabela retirada do Despacho Decisório, fl.13): Fl. 373DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 3201-010.784 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.906138/2011-15 As aquisições em análise se referem, portanto, a “caixas, fitas adesivas, filmes e barbantes”, destinadas a facilitar a operacionalização, armazenagem e transporte dos produtos. A parte alega que, tais materiais auxiliam na prevenção de contaminação ou de alteração das características dos bens transportados. Mencione-se que não se trata de embalagens que se incorporam ao produto durante o processo de fabricação, de modo a valorizá-lo através de sua apresentação (também conhecidas como embalagens primárias ou de apresentação). Ao contrário, têm sua utilização somente após a finalização do processo produtivo do bem, especificamente para a operacionalização e o transporte das mercadorias. Este foi o motivo que gerou a glosa de seus respectivos créditos por parte da fiscalização, a qual entendeu que estes materiais não poderiam ser considerados insumos de produção. A fim de facilitar a compreensão das diferenças entre os tipos de embalagem em discussão, foram trazidas as imagens abaixo, as quais são meramente ilustrativas uma vez que o presente processo não dispõe das imagens reais dos produtos fabricados pela empresa. As figuras acima trazem exemplos de embalagens para produtos lácteos que usualmente são tratadas como insumos para fins de crédito de Pis e/ou Cofins. As embalagens Fl. 374DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 3201-010.784 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.906138/2011-15 análogas a estas, também conhecidas como embalagens de apresentação, não foram glosadas pela fiscalização. Isto porque as embalagens de apresentação já encontram consenso na jurisprudência para permitir seu creditamento no cálculo de PIS/Cofins não cumulativos. Em continuação ao comparativo, foram trazidas outras imagens que se encontram abaixo e que trazem exemplos dos produtos glosados pela fiscalização. Neste segundo caso, as imagens seguiram as descrições contidas na tabela elaborada pela fiscalização reproduzida acima (tabela retirada do Despacho Decisório, fl.13). Fica mais clara a diferenciação arguida pela autoridade que efetuou a glosa dos créditos. São insumos destinados a embalagens secundárias, ou seja, não aquelas em que os produtos estão contidos, mas sim as destinadas a posterior transporte, movimentação e comercialização. Caixas Pallets de Papelão com tampa Rolos fita 50x50 Fita adesiva transparente 40X100 lisa Fita Adesiva 45x1200 Etiqueta Térmica 60x60 Filme Strech 500x0,17 manual Fl. 375DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 3201-010.784 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.906138/2011-15 Barbante de algodão nº 4 A questão deste tópico é definir se as embalagens chamadas secundárias devem ou não ser consideradas como insumos para fins de geração de crédito de PIS/Cofins, de acordo com o novo conceito delimitado pela decisão do STJ acima mencionada. Ou seja, se segue o critério de essencialidade ou relevância, considerando-se a imprescindibilidade de determinado item para o desenvolvimento da atividade econômica especifica desempenhada pelo contribuinte. Lembrando do alerta da PGFN de que “não basta que as despesas sejam importantes, inclusive para o êxito da empresa no mercado. As despesas devem ser necessariamente essenciais para o desenvolvimento da atividade principal do contribuinte”. Em relação a este tema especifico das embalagens para transporte, o Conselho Superior de Recursos Fiscais debruçou-se quando da análise do recurso de divergência do processo nº 10380.907954/2012-13. O Acórdão paradigma, de relatoria de Rodrigo da Costa Pôssas, fez a análise já com base na decisão vinculante do STJ, entendendo pela impossibilidade do direito ao crédito relativo a tais embalagens “não pelo papel que desempenham (sem dúvida são essenciais às atividades empresariais), mas por serem empregados em momento pós-produtivo...”, ou seja, não fariam parte do processo industrial. Transcreve-se abaixo trecho da mencionada decisão em razão de sua grande similaridade com o presente processo: “A jurisprudência desta Turma é” no sentido de admitir como insumos com direito a crédito o material das embalagens para transporte quando necessários à preservação da integridade e qualidade dos produtos, em casos como o de produtos alimentícios e móveis. (...) No caso concreto, pesquisando na Internet, vi que se trata de uma indústria que vende “amêndoas” de castanhas de caju inteiras, em pedaços e granuladas, farinha de castanha e pasta de castanha. Quanto á embalagem destes produtos, na Informação Fiscal (fls. 35 a 40) se se diz o seguinte: “Na análise do “Descritivo do Processo Industrial” e seus anexos, observou-se que, após os procedimentos de pesagem, higienização e classificação, as castanhas de caju são embaladas em dois tipos de embalagens primárias: sacos aluminizados de 22,68 kg ou de 11,34 kg ou latas de 11,34 kg, e, logo após, são acondicionadas em caixas de papelão para destinação final ao comprador (importador). Na descrição das etapas do processo industrial consta que o produto beneficiado é acondicionado em dois tipos de embalagens, sendo uma primária (saco ou lata) e a outra secundária (caixa de papelão) que acomoda as castanhas já embaladas. (...) De acordo com a descrição do processo produtivo (etapa PRO040 – Embalagem) apresentado pela interessada, na produção de amêndoa da castanha de caju o acondicionamento se dá da seguinte forma: Fl. 376DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 3201-010.784 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.906138/2011-15 “As amêndoas podem ser embaladas em 2 tipos de embalagem primária. 1) O saco metalizado é colocado dentro da caixa de papelão (embalagem secundária) com a boca aberta para cima e em seguida é acondicionado à balança para receber a produção oriunda do PRO039. 2) O balde é acondicionado à balança para receber a produção do PRO039 e em seguida a produção é colocada no funil cuja lata de 18 kg fica acoplada a este. Após enchimento da caixa ou lata o produto é destinado à etapa de vácuo. Em ambas as caixas de papelão (para saco e lata) estão descritas informações tais como: tipo de amêndoas, validade, fabricante, importador, peso líquido e bruto. São utilizadas dois tipos de caixa de papelão como embalagem secundária. A caixa de 50 e 25 lbs para saco aluminizado e a caixa de papelão para 2 latas de 18 litros.” Como se verifica na descrição apresentada pela empresa interessada, a caixa de papelão é utilizada para acondicionar mais de uma embalagem primária (saco ou lata), e, pelas informações que são descritas nas referidas caixas, compreende-se que tais embalagens prestam-se ao transporte do produto (castanhas em sacos ou em latas) ao importador.” O Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05/2018 (Itens 55 e 56) diz que não são passíveis de creditamento os gastos ocorridos após o encerramento do processo produtivo, “salvo exceções justificadas”, dentre as quais não estão as embalagens para transporte. O transporte é uma fase posterior ao processo produtivo, isto não se discute, e não foi diferente a visão STJ no julgamento de um Agravo em uma ação na qual uma indústria de móveis também pede o reconhecimento do direito creditório na aquisição de embalagens para transporte (AgRg no REsp nº 1.125.253/SC, Dje 27/04/2010): PROCESSUAL CIVIL - TRIBUTÁRIO - PIS/COFINS - NÃO CUMULATIVIDADE - INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE - EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO - É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, quando utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos. Esta decisão não é “diretamente” aplicável, não pelo fato não ser vinculante, mas por exigir que a operação de venda inclua o transporte do produto e o vendedor arque com os custos, o que levaria a análise para o Inciso IX, do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, que não é o caso. Mas, mesmo assim, a trouxe à colação, pois é no Inciso II que se fundamenta e traz um condicionante que representa um importante diferencial na análise desta questão. Vejamos o que prescreve o dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes...” Considera o STJ o transporte uma fase da operação de venda, havendo que ser considerados os insumos nela utilizados para proteção das mercadorias, pois, conforme diz o Ministro Relator em seu Voto, “Para se efetivar a entrega, necessário se faz o transporte e, para transportar preservando as características, necessário embalar as mercadorias”. Fl. 377DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 3201-010.784 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.906138/2011-15 É a mesma condição que colocamos em nossas decisões: quando necessárias à preservação da integridade e qualidade dos produtos, enquadrando estas embalagens nas “exceções justificadas” de itens aplicados após o encerramento do processo produtivo, mas essenciais para a venda, a que eles são destinados. Ocorre, no entanto, que, no caso concreto, estamos à vista de um produto que já se encontra devidamente protegido com sua chamada embalagem “primária” (o próprio contribuinte chama de embalagem “secundária” ou “externa” a de transporte). Trata-se de castanhas de caju, embaladas em sacos metalizados ou em latas metálicas, de 18 litros. Isto não é o bastante para a preservação da sua integridade e qualidade?? Se não, quais seriam estes agentes “externos ou indesejáveis” capazes de alterar as suas características, embaladas desta forma?? Pela leitura dos dispositivos da Instrução Normativa MAPA Nº 36/2006, só se vê a descrição dos produtos e a realização de uma inspeção macroscópica, em embalagens e suportes de madeira (não no produto), buscando sinais ou sintomas de pragas. E, ainda que a inspeção fosse interna, microscópica, que “pragas” poderiam atingir as castanhas, dentro de sacos ou latas metálicas?? Assim, a condicionante estabelecida pelo STJ e em nossas decisões, aqui não se verifica. E não é pelo simples fato de ser uma indústria de produtos alimentícios que a decisão já é no sentido de admitir o crédito, pressupondo que a embalagem sempre atenderia a este requisito, conforme se demonstra com o Acórdão nº 9303-011.613, de 21/07/2021, de relatoria do ilustre Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 EMBALAGENS PARA TRANSPORTE DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS. CRÉDITOS. As despesas incorridas com embalagens para transporte de produtos alimentícios, desde que destinados à manutenção, preservação e qualidade do produto, enquadram-se na definição de insumos dada pelo STJ, no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR. E este grifo não é meu; o Dr. Jorge Freire faz questão de colocá-lo, até na Ementa, “gizando” esta premissa também no Voto Condutor: “Cediço que o processo de produção de bens, em regra, encerra-se com a finalização das etapas produtivas do bem e que o processo de prestação de serviços geralmente se encerra com a finalização da prestação ao cliente. Consequentemente, os bens e serviços empregados posteriormente à finalização do processo de produção ou de prestação não são considerados insumos, salvo exceções justificadas, como ocorre com os itens exigidos para que o bem ou serviço produzidos possam ser comercializados. Por conseguinte, gize-se, só dão direito a crédito com gastos de embalagens quando indispensáveis as mesmas para a manutenção, preservação e qualidade do produto.” As embalagens em discussão são “secundárias”, somente visando à maior facilidade no transporte (no caso das latas, acondiciona duas delas, de 18 litros), não sendo indispensáveis para a preservação da integridade e qualidade dos produtos, não havendo assim, o direito ao crédito nas suas aquisições.” (Destacou-se) O caso em tela segue a mesma linha da decisão do CSRF acima transcrita: Trata- se de embalagens secundárias e seus acessórios, incluídas após o processo produtivo e que se destinam a facilitar o transporte, manuseio e comercialização dos produtos da empresa, não sendo indispensáveis para a preservação da integridade e qualidade dos produtos. É certo que estão compreendidos no conceito de insumos os custos essenciais à conclusão do processo produtivo e à manutenção e garantia da integridade da mercadoria, Fl. 378DF CARF MF Original Fl. 20 do Acórdão n.º 3201-010.784 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.906138/2011-15 notadamente dos produtos alimentícios, desde que efetivamente demonstrados que estas embalagens (ou outros custos que se façam necessários) efetivamente se destinam a este fim e não somente a facilitar o transporte e a comercialização. Ressalte-se, entretanto, que há diferentes casos a serem analisados de acordo com a situação, a área e forma de atuação de cada empresa. Há casos em que as caixas secundárias utilizadas em empresas produtoras de alimentos são efetivamente destinadas a manter as características dos produtos, sua qualidade e segurança. Isto ocorre, em especial, em casos em que o transporte das mercadorias se faz em veículos não refrigerados. Mas não há nem nos autos, nem nas peças de defesa da empresa menção a este tipo de situação. Abaixo se retrata exemplo deste segundo tipo de embalagem também utilizada para transporte. Faz-se isto apenas com o intuito de exemplificação das diferenças entre os dois tipos de embalagens: aquelas que se destinam unicamente à operacionalização e transporte e as que são necessárias para a manutenção das características dos produtos, inclusive à sua qualidade e segurança. Modelos de embalagens para transporte de produtos lácteos destinadas a garantir a manutenção das características do produto Com este comparativo, verifica-se que os itens de embalagem glosados pela fiscalização fazem parte do primeiro grupo de embalagens secundárias: aquelas que se destinam unicamente a facilitar a operacionalização e o transporte das mercadorias produzidas. Com base nesta constatação, mantem-se a glosa efetuada pela fiscalização dos créditos referentes aos itens destinados a embalagens secundárias, ou para transporte. Das Despesas com Energia Elétrica Foram glosados alguns valores relativos à energia elétrica para efeitos de creditamento de PIS Cofins. A glosa referiu-se a valores da fatura que não eram intitulados como “consumo”. Destaca a autoridade que somente se permite o desconto de créditos em relação à energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, não se incluindo em citados gastos as despesas classificadas como: “taxa de iluminação pública, multas por atraso no pagamento da energia faturada e outros serviços diversos”, os quais foram integralmente glosados. A recorrente argumenta que estes valores estariam vinculados ao consumo de energia no processo produtivo da empresa e deveriam ser incluídos nos custos de energia elétrica Fl. 379DF CARF MF Original Fl. 21 do Acórdão n.º 3201-010.784 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.906138/2011-15 consumida. Isto porque não haveria restrição legal impedindo o creditamento de Pis e Cofins sobre a totalidade das despesas de energia consumida nos estabelecimentos da empresa, sem qualquer restrição adicional. A exclusão destes valores da base de cálculo dos créditos seria uma interpretação restritiva e equivocada, além de violar o princípio da não cumulatividade. Em relação à energia elétrica destaque-se que o crédito referente a ela própria fora devidamente reconhecido, apenas os “acessórios cobrados juntamente com as faturas de energia elétrica”, conforme caracterizou (indevidamente) a recorrente, foram glosados. Tais “acessórios” são a taxa de iluminação pública e multas por atraso no pagamento das despesas de energia elétrica. Não assiste razão à Recorrente em sua irresignação, pois mesmo considerando a interpretação vigente para o conceito de insumo, mais liberal que a adotada ao tempo da decisão recorrida, não se coaduna com a ideia de essencial ao seu processo produtivo, e, assim, ser suscetível de geração de crédito a despesa relativa à taxa de iluminação pública, muito menos multa por atraso no pagamento da fatura, ou qualquer outro “acessório de mesma espécie”. Além disso, a lei especificou em dispositivo próprio, no art. 3º inciso III, a despesa de energia elétrica como geradora de crédito, fora de qualquer discussão acerca do conceito citado. Assim, os “acessórios” da energia elétrica devem ser discutidos no âmbito do inciso III, do art. 3º, não dentro do conceito geral de insumo. De fato, o inciso III, do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, não autoriza incluir tais “acessórios” na base de cálculo dos créditos, mas tão-somente a despesa com a própria energia consumida no estabelecimento da empresa: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) III - energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica;” (Destacou-se) O texto legal não autoriza ao intérprete incluir outras despesas, a título de acessórios, além da despesa de energia na base de cálculo de créditos. Ademais, o caso da multa por atraso ensejaria vantagem indevida ao usuário em mora, em relação ao usuário pontual, premiando e incentivando a inadimplência. E o tributo (taxa ou contribuição de iluminação pública) por sua própria natureza não pode ser considerado um acessório do preço pago pelo consumo de energia. Decisões neste sentido possuem precedentes neste Conselho, conforme se reproduz abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/07/2013 a 30/09/2013 CRÉDITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. MULTA POR ATRASO. VEDADO. Somente se permite o desconto de créditos em relação à energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, não se incluindo em citados gastos as despesas com taxa de iluminação pública, multas por atraso no pagamento da energia faturada e outros serviços diversos. (Acórdão 3002-002.569, de 10/02/2021. Processo nº 13227.900245/2014-30. Relator: WAGNER MOTA MOMESSO DE OLIVEIRA) Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 380DF CARF MF Original Fl. 22 do Acórdão n.º 3201-010.784 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.906138/2011-15 Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não cumulatividade os valores gastos com o consumo de eletricidade, não sendo considerados créditos os valores pagos a outro título as empresas concessionárias de energia elétrica. (Acórdão 9303-006.627de 10/02/2021. Processo nº 10920.001868/2007-83. Relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS) A taxa de iluminação pública, tributo cobrado pelos munícipios, e a multa, cobrada pela concessionária em razão da mora do usuário, assim como “outros serviços diversos” não podem gerar crédito a favor do contribuinte. Desta forma, não cabem reparos à decisão de primeira instância no que diz respeito à glosa dos créditos destas despesas com energia elétrica. Das Despesas com Alugueis O Despacho Decisório e o Acórdão de primeira instancia reconheceram apenas parcialmente os créditos pleiteados em decorrência de despesas da empresa com o pagamento de aluguéis, glosando as demais por considerá-las não comprovadas. De acordo com o entendimento fiscal, existem imóveis para os quais foram detectadas situações impeditivas à concepção de direito creditório. Foram glosados os créditos de alugueis pagos a pessoa jurídica sem a devida comprovação de sua utilização no processo produtivo da empresa. A recorrente deixou de apresentar os contratos de locação e seus respectivos aditivos, assim como qualquer outro tipo de comprovação que pudesse demonstrar que os imóveis locados eram utilizados no processo produtivo da empresa. Ainda assim, a CBL argumenta que todos os imóveis objeto de questionamento por parte da fiscalização, à época dos fatos geradores do crédito, eram utilizados em atividades próprias da empresa, o que justificaria o entendimento de que tais despesas seriam passíveis de gerar crédito de PIS/Cofins Dentre as despesas com alugueis de imóveis declaradas, as seguintes careceram de comprovação de acordo com a descrição contida no Despacho Decisório: Locador: Distribuidor de Bebidas Baldissera Ltda - Não foi apresentado o contrato de locação e os comprovantes de pagamento indicam que o locador trata-se de pessoa física e não da empresa indicada como locadora. Locador: Silvestri Logística e Transportes Ltda - Não foi apresentado o contrato de locação. Locador: Menpar Administração e Participações SA - Relativamente a este locador, foram glosados apenas parte dos valores da memória de cálculo (R$3.306,00/R$5.290,00/R$1.894,00/R$7.936,00/R$5.044,50/R$15.000,00), uma vez que não constam em nenhum dos contratos declarados e apresentados. Por este motivo foram considerados inaptos à geração de crédito. Locador: Latbom Indústria e Comércio de Laticínios Ltda - Os comprovantes de pagamento apresentados com a Manifestação de Inconformidade (fls 212/222) indicam Fl. 381DF CARF MF Original Fl. 23 do Acórdão n.º 3201-010.784 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.906138/2011-15 recolhimentos efetuados em nome de pessoas físicas. Ademais, para a fiscalização foi apresentado somente um comprovante de pagamento no valor de R$8.000,00 que era referente à Guia para depósito judicial trabalhista (fls 223 e 229), cujo reclamado seria a própria empresa LATBOM, documento este que não se presta à comprovação de despesa de aluguel. A recorrente argumenta que possui contratos de locação com pessoas jurídicas, cujos imóveis locados eram utilizados em suas atividades e estes estariam de acordo com a legislação. Tais contratos, entretanto, não foram apresentados em nenhum momento do presente processo (com exceção do contrato de locação celebrado com a empresa Latbom que consta as fls 248/268). Alega, ainda, que teria apresentado comprovantes de pagamento dos mesmos com sua Manifestação de Inconformidade. Tal argumentação também não condiz com a realidade do processo. Somente foram fornecidos comprovantes que alegadamente seriam de pagamento das despesas de aluguel com a empresa Latbom, mas os comprovantes estão em nome de pessoas físicas e não da empresa locadora. A auditoria fiscal concluiu que estas últimas transações (com a empresa Latbom) não podem ser consideradas como geradoras de crédito de PIS, pois os depósitos efetuados em conta corrente de pessoa física não são capazes de comprovar a efetiva existência e continuidade do contrato (e seu aditivo) trazido no intuito de justificar as despesas de aluguel declaradas. Ainda que o locador de fato fosse uma pessoa física, tal despesa não seria passível de gerar crédito das contribuições. Entende-se que não restaram comprovadas as despesas com alugueis que haviam sido glosadas pelo Despacho Decisório com as quais concordou a decisão a quo. Conforme mencionado anteriormente neste voto, caberia ao interessado apresentar as comprovações dos créditos que pleiteia. Desta forma, devem ser mantidas as glosas relativas às despesas com aluguel, em razão da ausência de comprovação do direito pela parte interessada. Das Despesas com Bens do Ativo Imobilizado A contribuinte fez a opção pela apuração do crédito relativo a despesas com bens destinados ao ativo imobilizado com base no valor de aquisição (de acordo com o previsto na Lei nº 10.833, de 2003, abaixo transcrita). Tal fato lhe conferiu condição de aproveitar o crédito no prazo de 4 anos, calculado pela aplicação da alíquota correspondente ao PIS ou a COFINS. Há previsão legal, ainda, de exceções em casos específicos para aproveitamento no prazo de 24 meses. “Art. 3 o Do valor apurado na forma do art. 2 o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; VII - edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII - bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; Fl. 382DF CARF MF Original Fl. 24 do Acórdão n.º 3201-010.784 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.906138/2011-15 IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...) §1 o Observado o disposto no §15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2 o desta Lei sobre o valor (...) III - dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; (...) §3º O direito ao crédito aplica-se, exclusivamente, em relação: I – aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II - aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III- aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do dispositivo da Lei. §4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê-lo nos meses subsequentes. (...) § 14. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III, do § 1 o deste artigo, relativo à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2 o desta Lei sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal.” (Destacou-se) A autoridade fiscal, entretanto, constatou a existência de três situações que impediriam o aproveitamento de tais créditos: 1. Crédito oriundo de períodos anteriores - no mês de abril de 2009, foi adicionado ao crédito referente àquele período o valor de R$ 210.176,22, que, seria referente à “diferença aproveitada em 04/2009”, composta por resíduos de suposto crédito levantado entre janeiro de 2008 e março de 2009, ou seja, créditos extemporâneos que não poderiam ter sido utilizados; Neste caso, a defesa argumenta que a legislação permite que o crédito não utilizado em determinado mês poder ser aproveitado nos meses seguintes. Defende que não seria aceitável impor ao contribuinte a obrigação de retificar as declarações de um ano inteiro para utilizar os créditos não aproveitados na época própria. A autoridade administrativa deveria buscar a verdade material, autorizando o uso do crédito extemporâneo ao invés de ater-se a formalidades. Neste caso específico, a autoridade fiscal e decisória concordam com o argumento de que existe a possibilidade de aproveitamento de crédito em meses subsequentes. Entretanto, ressaltam que a glosa ocorreu em razão de a parte não haver seguido os procedimentos administrativos necessários para a demonstração da existência do crédito possibilitando sua utilização. Esclarece a fiscalização que “deveria a contribuinte retificar os demonstrativos (Dacon) dos meses em que efetivamente ocorreram as respectivas despesas, bem como requerer o crédito em processo relativo ao período correspondente, a fim de ter direito aos referidos créditos”. Efetivamente, os créditos dessa natureza tem a peculiaridade de terem sua origem em determinado mês (ou período de apuração) e serem adjudicados em mês ou meses subsequentes, portanto a destempo ou de forma extemporânea. Nesse sentido, a legislação Fl. 383DF CARF MF Original Fl. 25 do Acórdão n.º 3201-010.784 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.906138/2011-15 própria da Contribuição ao PIS e da Cofins contém parágrafo 4º, artigo 3º, respectivamente, da Lei nº10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, dispositivo que é cristalino no sentido de que “o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê-lo nos meses subsequentes”. Existem, entretanto, obrigações acessórias relacionadas com o registro e com o aproveitamento dos créditos extemporâneos, assim como com a necessidade de retificação de informações anteriormente transmitidas ao Fisco (DACON e a DCTF), para que o aproveitamento dos créditos extemporâneos de PIS e Cofins sejam validados pela RFB. Com efeito, as pessoas jurídicas obrigadas ao Demonstrativo de Apuração das Contribuições (DACON) devem manter controle de todas as operações que influenciam a apuração dos valores de PIS e Cofins, assim como dos valores dessas contribuições eventualmente utilizados. O controle deverá abranger as informações necessárias para a segregação de receitas, de forma a viabilizar a apuração dos créditos decorrentes de custos, despesas e encargos comuns incorridos por pessoa jurídica sujeita, parcialmente, ao regime de apuração não cumulativa das contribuições para o PIS e Cofins e, ainda, para a segregação dos créditos comuns vinculados às receitas auferidas nas operações com o mercado interno e externo, com a finalidade de apurar o montante dos créditos ressarcíveis de PIS e Cofins em cada trimestre. Caso não tenha sido cumprida esta obrigação acessória, é no mínimo necessário que seja feita a apresentação de alguma outra prova inequívoca da existência do crédito pleiteado e de sua não utilização. Seria possível, portanto, flexibilizar a formalidade de retificação das declarações, mas unicamente nos casos em que o contribuinte demonstre claramente a existência do crédito e da ausência de utilização deste crédito extemporaneamente registrado. Esse também é o entendimento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no sentido de que o aproveitamento de crédito extemporâneo prescinde de retificação da DACON e DCTF, mas demanda algum outro tipo de comprovação da existência e não utilização dos créditos pleiteados, a saber: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009 CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DACON. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização. (Acórdão 3302-008.834, de 29/07/2020. Processo nº 11080.722319/2010-43. Relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação da existência do direito creditório, seja para crédito extemporâneo ou não. (Acórdão 3201-009.383, de 22/11/2021. Processo nº 13884.902389/2012-15. Relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA) Fl. 384DF CARF MF Original Fl. 26 do Acórdão n.º 3201-010.784 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.906138/2011-15 2. Bens não empregados no processo produtivo - valores referentes à aquisição de máquinas, equipamentos e bens estranhos ao processo produtivo: bens destinados à venda. (impressor térmico para medidor de vazão). A autoridade esclarece que efetuou procedimento de diligência in loco da unidade fabril do contribuinte. Na ocasião constatou que existiam bens que não eram utilizados diretamente no processo produtivo da empresa. Menciona expressamente o impressor térmico para medidor de vazão (único equipamento cujo crédito foi glosado por este motivo). Esclarece que este equipamento destina-se a aferir o fluxo de entrada do leite in natura oriundo dos fornecedores da CBL, de modo a controlar e conferir se o volume ingressado está de acordo com o volume informado na nota fiscal emitida pelo produtor. A recorrente, por sua vez, argumenta que seus procedimentos estariam respaldados na legislação. A legislação daria permissão expressa para o creditamento em relação a: máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Além disto, entende que a legislação também estabeleceria que o direito ao crédito se aplica aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no país, aos custos e despesas incorridos e pagos a pessoa jurídica domiciliada no país e aos bens e serviços adquiridos e custos e despesas incorridos a partir do mês em que se inicia a aplicação da lei. O cerne desta lide é verificar se o equipamento denominado impressor térmico para medidor de vazão pode ou não ser considerado parte do processo produtivo da empresa. A fiscalização negou aproveitamento de crédito sobre o custo deste ativo sob o argumento de que não estaria relacionado diretamente ao seu processo produtivo. Ainda que pudesse ser efetivamente parte deste processo como alega a peça de defesa, não foi apresentado nenhum tipo de prova ou demonstração, seja em sua Manifestação de Inconformidade, seja no Recurso Voluntário, sobre a utilização de tais equipamentos na fabricação de seus produtos. Ao que se pode verificar com as informações trazidas aos autos, o equipamento em questão é utilizado em etapa prévia ao processo produtivo, quando do recebimento de seus insumos, mormente do leite in natura. Neste caso, não é possível verificar a imprescindibilidade e a importância de deste item para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Da mesma forma, não se vislumbra a essencialidade e/ou relevância deste bem para o processo produtivo. Embora seja aparente sua utilidade para a empresa, tal elemento não se mostra essencial e inseparável do processo produtivo ou ainda que sua falta prive o produto final de sua qualidade, quantidade ou suficiência. Devem, portanto, ser mantidas as glosas dos créditos apurados sobre os ativos denominado impressor térmico para medidor de vazão em razão da não comprovação de sua participação no processo produtivo da empresa. Fl. 385DF CARF MF Original Fl. 27 do Acórdão n.º 3201-010.784 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.906138/2011-15 3. Enquadramento incorreto do prazo de recuperação - enquadramentos incorretos quanto ao prazo de aproveitamento dos créditos, para bens classificados nas NCMs 90328982, 84122900, 84143000 e 90270090 que não se referem a bens que poderiam ser recuperados em 24 meses. Neste tópico específico não houve manifestação da interessada, tanto em sua Manifestação de Inconformidade quanto no Recurso Voluntário. Desta forma, considera-se não contestada a glosa efetuada pela autoridade tributária. Dos Créditos Presumidos na Atividade Agroindustrial O procedimento de fiscalização verificou que durante o 2º, 3º e 4º trimestres de 2009 (o presente processo trata do 2º trimestre de 2009) a CBL não realizava produção de bens em seu estabelecimento, utilizando-se somente do instituto da industrialização por encomenda. Consequentemente, concluiu pela total improcedência da utilização de crédito presumido de atividades agroindustriais da empresa para estes períodos específicos. Em função deste fato, efetuou glosas na utilização de créditos presumidos relacionados às aquisições de leite in natura, realizadas pela recorrente nestes trimestres de 2009 em razão do entendimento de que naquele período a empresa não poderia ser caracterizada como produtora de laticínios. Justificou estas glosas com base no fato de que a legislação somente autorizaria a dedução da contribuição para o PIS e a Cofins, calculado sobre a aquisição dos bens de pessoa física, quando utilizados como insumos na produção ou fabricação de produtos de origem animal ou vegetal, destinados à venda, adquiridos no mês (artigo 8º, da Lei nº 10.925, de 2004). Estaria descumprido, portanto, o primeiro requisito a ser cumprido pelo contribuinte postulante ao crédito presumido que é a condição de efetivo produtor das mercadorias elencadas no dispositivo legal. A recorrente destaca que a utilização destes créditos estaria respaldada na legislação. Argumenta que embora parte da produção seja realizada por meio de industrialização por encomenda, possuía na ocasião também unidades próprias em funcionamento. Informa que parte das aquisições de leite in natura foi aplicada em seu próprio processo produtivo, o que justificaria o reconhecimento dos créditos presumidos. Contesta também a interpretação de que as aquisições de leite in natura destinadas à industrialização por encomenda não gerariam crédito presumido. Isto porque haveria disposição expressa em lei sobre o direito ao crédito para empresas que produzem tais mercadorias. Reitera que é produtora de mercadorias derivadas do leite, realizando parte da produção em seus próprios estabelecimentos e outra parte era realizada por meio de encomenda a outras empresas. As remessas para industrialização por encomenda seriam necessárias para aperfeiçoar sua capacidade produtiva. Todas as aquisições de matéria prima seriam realizadas pela recorrente, a qual arcaria com os ônus tributários incidentes sobre estas compras. As produções por encomenda, portanto, não deveriam retirar sua característica de produtora, pois sua atividade principal continua a ser a produção de mercadorias de origem animal. A Recorrente alega que o Acórdão sob exame manteve a decisão da DRF que estabeleceu uma exigência não prevista em lei, qual seja a de que o contribuinte produza, por si próprio, a mercadoria posteriormente vendida. Defende que o direito ao crédito presumido Fl. 386DF CARF MF Original Fl. 28 do Acórdão n.º 3201-010.784 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.906138/2011-15 pertenceria àquele que adquire o produto de pessoas físicas e arca com o ônus tributário destas aquisições. A própria afirmação feita pela defendente já demonstra que não estão satisfeitos todos os requisitos constantes no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004 para a utilização do crédito presumido. O direito ao crédito presumido em razão de atividade agroindustrial é concedido às pessoas jurídicas que produzam as mercadorias de origem animal ou vegetal nele discriminadas, destinados à alimentação humana ou animal, calculado sobre os bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. A pessoa jurídica faz jus ao crédito presumido somente quando ela própria produz, o que significa, no presente caso, quando ela própria executa as várias etapas do processo de produção. No caso em exame, a fiscalização verificou qua a empresa não executou o processo de produção das bebidas lácteas e dos queijos no período, e sim, encomendou a produção à outra pessoa jurídica. Na hipótese deste processo de transformação ser efetuado por outra pessoa jurídica mediante industrialização por encomenda, o interessado não produz efetivamente e, portanto, não faz jus ao crédito presumido previsto na legislação. Embora a empresa afirme que executou parcela da produção comercializada, a fiscalização não verificou este fato e não há nenhum tipo de demonstração que possa corroborar a afirmativa da defesa neste sentido. Da mesma forma não foi possível constatar que a empresa se responsabilizou pelos custos da matéria prima relativa aos produtos que foram industrializados por encomenda. A questão reside, portanto, em saber se o conceito “pessoas jurídicas que produzam” pode ser aplicado às pessoas jurídicas que “contratam a produção”, ou seja, se o fato do processo de transformação do produto haver sido realizado por outra pessoa impediria ou não a fruição do benefício legal do crédito presumido para a agroindústria. Tais termos definitivamente não são sinônimos e efetivamente não podem ser equiparados, especialmente em se tratando de critério para concessão de benefício fiscal (ao qual se aplica o artigo 111 do CTN). Quando a lei menciona que a pessoa jurídica deve produzir o bem, automaticamente exclui a situação em que a pessoa jurídica “manda industrializar o bem”. Estes são institutos distintos. Como consequência desta impossibilidade exegética é forçoso concluir que a Recorrente não atendeu às condições dispostas na legislação que rege o instituto do crédito presumido para atividades agroindustriais. Esta controvérsia, relativa à outra empresa, já foi objeto de deliberação por parte deste CARF, merecendo destaque o Acórdão n. 3002-000.843, da Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. “Em sua defesa, o contribuinte reconheceu que a produção se dava mediante encomenda, tornando, portanto, incontroverso tal fato. Contudo, argumentou que a lei prevê que a pessoa jurídica produza os produtos em questão, mas que não exigiria que esta industrialização/produção fosse efetuada pela própria pessoa jurídica. Entendo que não é esta a correta interpretação da norma em epígrafe. Ao dispor que o benefício será concedido “às pessoas jurídicas que produzam” aquelas mercadorias, é certo que essa produção não poderia ser realizada por terceiros. Até porque, como é cediço, em razão do disposto no art. 111 do Código Tributário Nacional, as normas que concedem benefício fiscal devem ser interpretadas restritivamente.”. (Destacou-se) Fl. 387DF CARF MF Original Fl. 29 do Acórdão n.º 3201-010.784 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.906138/2011-15 Neste mesmo sentido é possível citar também as seguintes decisões: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2006 CRÉDITO PRESUMIDO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. IMPOSSIBILIDADE. Não faz jus ao crédito presumido da contribuição a pessoa jurídica que terceiriza a sua produção (industrialização por encomenda), visto que não é essa pessoa jurídica quem de fato produz as mercadorias, requisito essencial para fruição do benefício. (Acórdão 3302-010.220, de 08/02/2021. Processo nº 16349.000043/2009-31. Relator: RAPHAEL MADEIRA ABAD) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Ano-calendário: 2010, 2011 AGROINDÚSTRIA. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. CRÉDITO PRESUMIDO. IMPOSSIBILIDADE. Até 31 de dezembro de 2011, enquanto aplicadas as disposições do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, aos produtos da posição 09.01 da NCM, a remessa de café in natura para terceiros, a fim de que estes realizassem as atividades previstas no seu § 6º, não dava direito à apuração do crédito presumido tratado no caput do mesmo artigo, haja vista descumprir o requisito de que a pessoa jurídica adquirente do insumo agrícola fosse a produtora da mercadoria destinada à venda. (Acórdão 3201-008.429, de 14/06/2021. Processo nº 13656.720954/2014-83. Relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA) Dessa forma, entende-se correta a glosa feita pela fiscalização em relação a utilização do crédito presumido relativo à produção de terceiros, feita por encomenda. Despesas com Operações de Frete na Compra de Insumos Foram glosados também créditos referentes a fretes decorrentes de existência do que a autoridade fiscal considerou serem dois casos impeditivos ao aproveitamento de créditos de PIS não cumulativo (reflexos das glosas). São eles: 1. Transporte de mercadorias não enquadradas no conceito de insumo (aquelas que haviam sido previamente glosadas); 2. Transporte de mercadorias não aptas ao crédito presumido (créditos presumidos da atividade agroindustrial, previamente glosados). Quanto ao item 1, foram glosados os fretes referentes ao transporte das mercadorias cujo crédito foi glosado em função de não se enquadrarem no conceito de insumo (embalagens secundárias ou para transporte) Tais mercadorias encontram-se integralmente descritas na tabela de item já analisado, e que podem ser de forma breve assim resumidas: “etiquetas térmicas 60 x 60MM branca”, “filme strech 500x0,17 Manual”, “fita adesiva transparente 48x100 lisa”, “barbante de algodão nº 4” e “caixa de papelão”(lista completa encontra-se na tabela do Despacho Decisório, fl.13). Fl. 388DF CARF MF Original Fl. 30 do Acórdão n.º 3201-010.784 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.906138/2011-15 No que concerne ao item 2, foram glosados os fretes referentes às mercadorias classificadas pelo contribuinte como geradoras do crédito presumido de que trata a Lei 10.925, de 2004. Este impedimento é decorrência da glosa imposta pela fiscalização ao crédito presumido de agroindústria, em razão de terceirização integral da produção (produção por encomenda) questão também já analisada detalhadamente em item anterior. Em resumo, significa que as glosas ocorreram, não em razão de tratar-se de frete de compra (como entendeu a parte), mas sim em função de o produto transportado não dar direito a crédito. Uma vez que em não ha direito ao crédito, seja em função de as mercadorias não se enquadrarem no conceito de insumo, seja por não fazerem jus a crédito presumido de agroindústria, não há que se falar em crédito sobre as despesas de transporte das mercadorias inicialmente classificadas nesta condição. Em sua defesa traz a argumentação de que os serviços de transporte de suas compras seriam essenciais ao seu processo produtivo, pois dependeria desta matéria prima (leite in natura) adquirida de produtores rurais da região e que teria arcado com os custos destes transportes. A movimentação dos insumos e produtos em elaboração estaria diretamente relacionada ao processo produtivo da empresa e seria um serviço relevante e inerente deste. Aparentemente, a empresa compreendeu mal este item, tendo em vista que o Despacho Decisório não efetuou glosas relativas aos fretes de compra, não tendo sido instaurado litigio quanto a este ponto. Já com relação aos fretes de itens destinados a embalagens secundárias que foram glosados, a empresa reitera serem essenciais para o bom desenvolvimento de sua atividade, devendo ser qualificados como insumos todos os elementos desde a coleta do leite até a venda do produto. Menciona que a RFB reconhece o direito ao crédito de transporte de insumos entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, quando necessários ao processo produtivo. Assim, entende que tais glosas deveriam ser revertidas, pois os serviços de frete seriam essenciais e indispensáveis para o desenvolvimento regular de suas atividades. Estes serviços se enquadrariam no conceito de insumo estabelecido pelo STJ qua abrangeria todos os bens e serviços relativos ao processo produtivo, inclusive os que viabilizam a prestação de serviços ou a sua produção. Como os fretes contratados de pessoa jurídica teriam sido integralmente tributados pelas contribuições de PIS e Cofins, a glosa de sua utilização como crédito iria contra o princípio da não cumulatividade. Em se tratando de valor que integra o custo de aquisição, a possibilidade de apropriação de crédito calculado sobre a despesa com frete deve ser determinada em função da possibilidade ou não de apropriação de crédito em relação aos bens transportados. Ou seja, cabe verificar se o bem adquirido inclui-se no conceito de insumo como gerador de crédito das contribuições, pois, se for permitido o creditamento em relação ao bem adquirido, os itens integrantes de seu custo de aquisição poderão ser incluídos no valor-base para cálculo do montante do crédito, salvo se houver alguma vedação à inclusão. O contrário também é verdadeiro, se não for permitido o creditamento em relação ao bem adquirido, os itens integrantes de seu custo de aquisição também não permitirão a apuração de créditos. Assim, tendo em vista que os itens geradores de crédito foram glosados, não há como se acolher o pleito de que o frete a eles relativo possa ser utilizado como gerador de crédito no cálculo do PIS/Cofins. Devem, portanto, ser mantidas as glosas relativas as despesa de frete. Fl. 389DF CARF MF Original Fl. 31 do Acórdão n.º 3201-010.784 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.906138/2011-15 Da Correção Monetária Finalmente, a interessada requer a aplicação da taxa Selic para correção monetária dos créditos que acredita terem sido indevidamente glosados e que venham a ser posteriormente revertidos. Argumenta que ainda que seu recurso seja integralmente deferido e seus créditos reconhecidos, seria necessário reparar a lesão sofrida devido à resistência injustificada da autoridade tributária em reconhecê-los, pois não seria adequado ter de arcar com o ônus decorrente destas glosas. Pleiteia que a correção seja aplicada desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento até a devida disponibilização dos créditos, de acordo com a Súmula nº 411 do STJ e do artigo 39, §4º, da Lei n 9.250, de 1995. De fato, os REsp nº 1.767.945/PR e nº 1.768.060/RS, julgados em 12/02/2020 pelo Superior Tribunal de Justiça, sob o rito dos recursos repetitivos serviram como precedentes para fixação da tese sob o Tema nº 1003, produzindo, assim, interpretação vinculante para este colegiado (por força do art. 62, parágrafo 2º, de Ricarf), mas com a contagem efetuada de forma diversa da pleiteada pelo recurso. A referida decisão foi firmada nos seguintes termos: Tema nº 1003: “O termo inicial da correção monetária de ressarcimento de crédito escritural excedente de tributo sujeito ao regime não cumulativo ocorre somente depois de escoado o prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo pelo Fisco (art. 24 da Lei n. 11.457/2007)”. A Súmula CARF nº 125, portanto, deve ser interpretada no sentido de que, no ressarcimento do PIS e da Cofins não cumulativas incide correção monetária ou juros nos casos em que for configurada a resistência ilegítima por parte do Fisco, a desnaturar a característica do crédito como meramente escritural. Nesse mesmo sentido, os seguintes acórdãos, cuja ementa transcreve-se na parte que interessa para a matéria em questão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 PEDIDO DE RESSARCIMENTO COM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO VINCULADA. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. RESISTÊNCIA ILEGÍTIMA. SÚMULA CARF Nº 125. Conforme decidido no julgamento do REsp 1.767.945/PR, realizado sob o rito dos recursos repetitivos, é devida a correção monetária no ressarcimento de crédito escritural excedente de tributo sujeito ao regime não cumulativo, permitindo, dessa forma, a correção monetária inclusive no ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas. A Súmula CARF nº 125 deve ser interpretada no sentido de que, no ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros apenas enquanto não for configurada uma resistência ilegítima por parte do Fisco, a desnaturar a característica do crédito como meramente escritural. Conforme decidido no julgamento do REsp 1.767.945/PR, o termo inicial da correção monetária de ressarcimento de crédito escritural excedente de tributo sujeito ao regime não cumulativo ocorre somente após escoado o prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo pelo Fisco. (Acórdão 3401-008.364, de 21/10/2020. Processo nº 10140.903519/2011-61. Relator: LÁZARO ANTÔNIO SOUZA SOARES) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 Fl. 390DF CARF MF Original Fl. 32 do Acórdão n.º 3201-010.784 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.906138/2011-15 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. JUROS SELIC Nos termos do REsp nº 1.767.945/PR, julgado sob o rito dos recursos repetitivos, são devidos juros Selic sobre o pedido de ressarcimento de créditos escriturais de PIS e COFINS, a partir do 361º dia subsequente ao da protocolização do pedido. A demora em proferir decisão configura oposição ilegítima. A vedação à incidência de juros prevista na Súmula CARF nº 125 e no art. 13 da Lei nº 10.833/03 aplicar-se-á tão somente quando o Fisco não opuser resistência ilegítima ao aproveitamento do crédito. (Acórdão 3001-001.911, de 16/06/2021. Processo nº 10935.009380/2008-16. Relator: MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA) Em assim sendo, cabe determinar a aplicação de juros Selic sobre os valores eventualmente ressarcidos em função de reversão de glosas, a partir do 361º dia subsequente ao da protocolização do Pedido de Ressarcimento (PER) quando se verificar a existência de resistência ilegítima por parte do Fisco. Conclusão Diante do exposto, voto no seguinte sentido: 1) rejeitar as questões preliminares propostas 2) no mérito, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, acolhendo o pedido de correção monetária e negando provimento nos demais pleitos, mantendo integralmente o crédito tributário em discussão. (documento assinado digitalmente) Ana Paula Pedrosa Giglio Voto Vencedor Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário - Redatora designada Designada para redação do voto vencedor, reproduzo o entendimento adotado pela maioria da Turma Julgadora relativamente às seguintes glosas: - materiais de embalagem para permitir ou facilitar o transporte (barbantes, caixas, rolos fita, etiquetas, filmes e fitas adesivas) e respectivas despesas com frete; De acordo com o julgamento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.221.170, “o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado Fl. 391DF CARF MF Original Fl. 33 do Acórdão n.º 3201-010.784 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.906138/2011-15 item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Na hipótese dos autos, restou comprovado que os materiais de embalagem são utilizados no transporte dos produtos lácteos alimentícios produzidos pela Recorrente. Ainda que se possa afirmar que estas embalagens teriam natureza secundária, destinadas a facilitar a operacionalização e o transporte das mercadorias produzidas, ainda assim restaria caracterizada a sua relevância (importância) para o transporte. Por exemplo, a amarração de diversas embalagens individuais em lotes ou em caixas, possibilitam a sua movimentação, carga, descarga e armazenagem por meio de pallets ou por empilhamento, o que não seria possível caso os produtos fossem mantidos apenas em suas embalagens individuais. Esta operação de movimentação e armazenagem precisa ser efetiva, econômica e célere, ainda mais por se tratarem de gêneros alimentícios perecíveis, como os produtos lácteos. Logo, resta evidente a sua relevância. Nesse sentido, colhem-se precedentes deste CARF: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 NÃO CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. Não se conhece do Recurso Especial quando a recorrente não logra êxito em trazer arestos que demonstrem divergência em relação aos itens - se passíveis ou não de constituição de crédito das contribuições não cumulativas - que pretende rediscutir; não sendo, por conseguinte, suficiente para ressurgir com o debate desses itens apenas com a comprovação de divergência de entendimento em relação ao conceito de insumos. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. RECONHECIMENTO DE DIREITO AO CRÉDITO. EMBALAGEM PARA TRANSPORTE. POSSIBILIDADE. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser diretamente ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Nessa linha, deve-se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre embalagens de transporte (embalagens plásticas, fitas de aço, cantoneiras plásticas). (Acórdão nº 9303-014.072, de 20/06/2023) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/10/2018 a 31/12/2018 CRÉDITO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE No âmbito do regime não cumulativo, independentemente de serem de apresentação ou de transporte, os materiais de embalagens utilizados no processo produtivo, com a finalidade de deixar o produto em condições de ser transportado, são considerados insumos de produção e, nessa condição, geram créditos básicos das referidas contribuições. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CRÉDITOS. SUSPENSÃO. VEDAÇÃO. Fl. 392DF CARF MF Original Fl. 34 do Acórdão n.º 3201-010.784 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.906138/2011-15 O art. 3o , § 2o, II, da Lei n° 10.833/03, introduzido pela Lei n° 10.865/04, veda o crédito do valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. FRETES COMPRAS PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. POSSIBILIDADE Os fretes pagos na aquisição de produtos integram o custo dos referidos insumos e são apropriáveis no regime da não cumulatividade do PIS e da COFINS, ainda que o produto adquirido não tenha sido onerado pelas contribuições. Trata-se de operação autônoma, paga à transportadora, na sistemática de incidência da não-cumulatividade. Sendo os regimes de incidência distintos, do produto (combustível) e do frete (transporte), permanece o direito ao crédito referente ao frete pago. JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA NA APURAÇÃO DOS CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Conforme decidido no julgamento do REsp 1.767.945/PR, realizado sob o rito dos recursos repetitivos, é devida a correção monetária no ressarcimento de crédito escritural da não cumulatividade acumulado ao final do trimestre, permitindo, dessa forma, a correção monetária inclusive no ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas. Para incidência de SELIC deve haver mora da Fazenda Pública, configurada somente após escoado o prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo pelo Fisco, nos termos do art. 24 da Lei n. 11.457/2007. Aplicação do o art. 62, § 2º, do Regimento Interno do CARF. A Súmula CARF nº 125 deve ser interpretada no sentido de que, no ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros apenas enquanto não for configurada uma resistência ilegítima por parte do Fisco, a desnaturar a característica do crédito como meramente escritural. (Acórdão nº 3401-011.731, sessão de 27/06/2023) Do mesmo modo, devem ser revertidas as glosas incorridas com os fretes na aquisição de tais produtos. Veja-se que na compreensão da i. Relatora “tendo em vista que os itens geradores de crédito foram glosados, não há como se acolher o pleito de que o frete a eles relativo possa ser utilizado como gerador de crédito no cálculo do PIS/Cofins”. Ou seja, a simples reversão da glosa, mesmo no entendimento do voto condutor, já permite o direito ao crédito postulado. - créditos decorrentes de bens do ativo imobilizado (créditos oriundos de períodos anteriores não retificados nem comprovados, bens não empregados no processo produtivo e enquadramento incorreto do prazo de recuperação); Na hipótese dos autos o crédito apropriado pela contribuinte, conforme critério de depreciação sobre bens do ativo imobilizado, decorre da aquisição do equipamento impressor térmico para medidor de vazão. Conforme constatação fiscal, o equipamento destina-se a aferir o fluxo de entrada do leite in natura oriundo dos fornecedores da CBL, de modo a controlar e conferir se o volume ingressado está de acordo com o volume informado na nota fiscal emitida pelo produtor. Entendeu-se, tanto na origem, como no Acórdão recorrido, que este bem não está diretamente ligado ao processo produtivo. Diverge-se, contudo, desse entendimento. O controle de vazão das matérias primas utilizadas na produção compreende etapa do próprio processo produtivo, sendo de suma importância e relevância a esta atividade econômica, nos termos já apostos no tópico precedente, considerando especialmente a singularidade desse processo produtivo. Fl. 393DF CARF MF Original Fl. 35 do Acórdão n.º 3201-010.784 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.906138/2011-15 Acrescenta-se, nesse aspecto, destaque realizado na Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF, citando trecho do voto proferido pela Ministra Regina Helena nos autos do REsp nº 1.221.170: Observação 1. Observa-se que o STJ adotou a interpretação intermediária acerca da definição de insumo, considerando que seu conceito deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Deve-se, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância. Vale destacar que os critérios de essencialidade e relevância estão esclarecidos no voto da Ministra Regina Helena Costa, de maneira que se entende como critério da essencialidade aquele que “diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou serviço”, a)”constituindo elemento essencial e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço” ou “b) quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”. Por outro lado, o critério de relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja: a) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva” b) seja “por imposição legal.” Pelo exposto, o voto é por DAR PARCIAL PROVIMENTO, em maior extensão relativamente ao voto da i. Relatora, para reconhecer o direito de desconto de créditos, observados os requisitos da lei, em relação aos dispêndios com (i) aquisição de embalagens (caixas, fitas adesivas, filmes e barbantes), (ii) frete na aquisição desses produtos utilizados como embalagens e (iii) depreciação do medidor de vazão. É como voto. (documento assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário - Redatora designada Fl. 394DF CARF MF Original
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Numero do processo: 13839.901889/2015-28
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Nov 20 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/10/2013 a 31/10/2013
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO OFERTADO PELO SUJEITO PASSIVO. ATRIBUTOS. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DA PROVA. AUTOR DO FEITO.
Incumbe ao contribuinte o ônus de provar que o crédito por ele ofertado em Declaração de Compensação apresenta os atributos de liquidez e certeza de que trata o artigo 170 do Código Tributário Nacional.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/10/2013 a 31/10/2013
DCTF. PREENCHIMENTO. ERRO. CONHECIMENTO. AUTORIDADE FISCAL. GARANTIA DO DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO ADMINISTRATIVA.
Compete à Autoridade Fiscal, da unidade da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil de circunscrição do sujeito passivo, a apreciação e a decisão completa acerca de matérias relevantes até então desconhecidas, reiniciando-se, dadas as especificidades do caso concreto, o processo administrativo fiscal, evitando-se, assim, supressão de instâncias e garantindo-se, em decorrência, o duplo grau de jurisdição administrativa.
Numero da decisão: 1001-003.129
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada, e, no mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que em novo Despacho Decisório a autoridade fiscal se pronuncie quanto ao crédito pleiteado, dado o que veio a constar dos autos, sem prejuízo das medidas que entender pertinentes, retomando-se, a partir de então, a marcha regular do processo, sob o rito do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972.
(documento assinado digitalmente)
Fernando Beltcher da Silva Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Roberto Adelino da Silva, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Fernando Beltcher da Silva.
Nome do relator: FERNANDO BELTCHER DA SILVA
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2013 a 31/10/2013 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO OFERTADO PELO SUJEITO PASSIVO. ATRIBUTOS. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DA PROVA. AUTOR DO FEITO. Incumbe ao contribuinte o ônus de provar que o crédito por ele ofertado em Declaração de Compensação apresenta os atributos de liquidez e certeza de que trata o artigo 170 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2013 a 31/10/2013 DCTF. PREENCHIMENTO. ERRO. CONHECIMENTO. AUTORIDADE FISCAL. GARANTIA DO DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO ADMINISTRATIVA. Compete à Autoridade Fiscal, da unidade da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil de circunscrição do sujeito passivo, a apreciação e a decisão completa acerca de matérias relevantes até então desconhecidas, reiniciando-se, dadas as especificidades do caso concreto, o processo administrativo fiscal, evitando-se, assim, supressão de instâncias e garantindo-se, em decorrência, o duplo grau de jurisdição administrativa.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2023-11-14T20:01:39Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-11-14T20:01:39Z; Last-Modified: 2023-11-14T20:01:39Z; dcterms:modified: 2023-11-14T20:01:39Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-11-14T20:01:39Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-11-14T20:01:39Z; meta:save-date: 2023-11-14T20:01:39Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-11-14T20:01:39Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-11-14T20:01:39Z; created: 2023-11-14T20:01:39Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2023-11-14T20:01:39Z; pdf:charsPerPage: 2052; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-11-14T20:01:39Z | Conteúdo => S1-TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13839.901889/2015-28 Recurso Voluntário Acórdão nº 1001-003.129 – 1ª Seção de Julgamento / 1ª Turma Extraordinária Sessão de 7 de novembro de 2023 Recorrente SAINT-GOBAIN DISTRIBUIÇÃO BRASIL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2013 a 31/10/2013 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO OFERTADO PELO SUJEITO PASSIVO. ATRIBUTOS. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DA PROVA. AUTOR DO FEITO. Incumbe ao contribuinte o ônus de provar que o crédito por ele ofertado em Declaração de Compensação apresenta os atributos de liquidez e certeza de que trata o artigo 170 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2013 a 31/10/2013 DCTF. PREENCHIMENTO. ERRO. CONHECIMENTO. AUTORIDADE FISCAL. GARANTIA DO DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO ADMINISTRATIVA. Compete à Autoridade Fiscal, da unidade da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil de circunscrição do sujeito passivo, a apreciação e a decisão completa acerca de matérias relevantes até então desconhecidas, reiniciando-se, dadas as especificidades do caso concreto, o processo administrativo fiscal, evitando-se, assim, supressão de instâncias e garantindo-se, em decorrência, o duplo grau de jurisdição administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada, e, no mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que em novo Despacho Decisório a autoridade fiscal se pronuncie quanto ao crédito pleiteado, dado o que veio a constar dos autos, sem prejuízo das medidas que entender pertinentes, retomando-se, a partir de então, a marcha regular do processo, sob o rito do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. (documento assinado digitalmente) Fernando Beltcher da Silva – Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 18 89 /2 01 5- 28 Fl. 133DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1001-003.129 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13839.901889/2015-28 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Roberto Adelino da Silva, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Fernando Beltcher da Silva. Relatório Cuida-se de Recurso Voluntário do contribuinte em epígrafe contra o Acórdão n° 11-59.038, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife/PE. Na origem, a ora Recorrente apresentara Declaração de Compensação (“DComp”), mediante a qual intentara liquidar débito lançando mão de crédito alusivo a pagamento efetuado a maior para a estimativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido de outubro de 2013. Referido recolhimento se dera em 29 de novembro de 2013, no montante de R$ 545.680,41, e o indébito reclamado pela pessoa jurídica foi de R$ 108.366,84. A autoridade fiscal proferiu Despacho Decisório denegando o direito creditório, ao argumento de que o valor da estimativa paga fora integralmente alocado ao correspondente débito. Sobreveio Manifestação de Inconformidade do contribuinte, cujas alegações resumem-se ao adiante transcrito: JUSTIFICATIVA: Identificamos divergência na análise do crédito, uma vez que o mesmo não foi utilizado para restituição ou compensação anteriormente a DCOMP n° 14216. 13647.141114.1.3.04-7021. O crédito no valor total de R$ 108.366,84 corresponde a pagamento a maior referente apuração de CSLL de OUTUBRO/2013 no valor de R$ 437.313,57. O valor pago foi de R$ 545.680,41. O crédito foi utilizado para compensação da COFINS apurada em OUTUBRO/2014 no valor de R$ 119.626,15. Anexou àquele primeiro apelo: cópia do Despacho Decisório; atos societários e documentos de representação; cópia da ficha 16 da Declaração de Informações Econômico- Fiscais da Pessoa Jurídica (“DIPJ”) do ano-calendário 2013; e cópia da DComp. Em 31 de janeiro de 2018, o colegiado de primeira instância decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, pois: (i) o valor da estimativa devida pelo contribuinte encontrava-se confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (“DCTF”), no exato montante pago; (ii) apesar de a DCTF não haver sido retificada, poderia o julgador afastar eventual erro de fato em seu preenchimento, desde que não extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário e houvesse prova inequívoca da falha cometida pelo contribuinte; (iii) a única instrução probatória do crédito pretendido pelo contribuinte foi a ficha da DIPJ, onde se assinala que o valor devido da estimativa em comento alcançaria R$ 437.313,57; (iv) contudo, a DIPJ possui valor meramente informativo: e (v) a ausência de prova (livros contábeis e fiscais, bem como documentos fiscais) nos autos de que a apuração contida na DIPJ representaria a realidade, de modo a se chegar à conclusão de que o contribuinte de fato cometera erro de preenchimento da DCTF, resulta na negativa do crédito postulado. Irresignada, volta-se a Recorrente ao CARF. Em síntese, alega e requer: (i) a ficha da DIPJ trazida ao processo em sede de Manifestação de Inconformidade comprovaria o alegado; Fl. 134DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1001-003.129 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13839.901889/2015-28 (ii) a turma julgadora, caso entendesse necessária instrução probatória adicional, deveria converter o julgamento em diligência, alternativa contida no Parecer Normativo Cosit n° 2/2015; (iii) ao decidir como decidiu, sem diligência prévia e devida motivação, o colegiado incorreu em nulidade, já que ignorou o princípio da verdade real, traduzida nas informações prestadas em DIPJ; (iv) a idoneidade dos dados contidos na DIPJ se atesta pela regular escrita contábil, transmitida via Sistema Público de Escrituração Digital; (v) o Livro Diário transmitido à RFB via SPED contém todos os lançamentos contábeis realizados pela Recorrente em outubro de 2013, os quais podem ser visualizados sintética e claramente em memória de cálculo que anexa ao recurso, a qual confirma que o valor da estimativa da CSLL naquele mês seria de R$ 437.313,57; (vi) os demais elementos trazidos em sede do recurso (balancete, Livro de Apuração do Lucro Real e os Livros Razão das contas CSLL a Recolher e CSLL antecipada) corroboram o alegado; (vii) admite-se a produção de prova adicional a qualquer momento, como assim reza o Parecer Normativo Cosit n° 8/2014; e (viii) requer que a decisão recorrida seja anulada ou reformada, a fim de que seja reconhecido o direito creditório e homologada a compensação; e (ix) alternativamente, postula pela conversão do julgamento do Recurso Voluntário em diligência e pela produção posterior de provas. É o Relatório. Voto Conselheiro Fernando Beltcher da Silva, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e cumpre os demais requisitos de admissibilidade, pelo que dele conheço. Deve-se destacar, de início, que os presentes autos versam sobre direito creditório postulado pela Recorrente. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, o crédito deve ser líquido e certo, cujos atributos devem ser comprovados pelo autor do feito, o contribuinte. Nos termos do § 11 do art. 74 da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplica-se às manifestações de inconformidade e aos recursos voluntários referentes às declarações de compensação o rito estabelecido no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, o Fl. 135DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1001-003.129 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13839.901889/2015-28 qual estabelece, em seu art. 16, que a impugnação mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir (grifou-se). Nessa mesma linha, de que o ônus de provar os fatos alegados, constitutivos do direito pleiteado, é do autor do feito, faço, adicionalmente, referência ao art. 36 da Lei n.º 9.784, de 29 de janeiro de 1999, e ao inciso I do art. 373 do Código de Processo Civil. Quanto à Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, é cediço que sua natureza é meramente informativa e que sequer constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência de qualquer crédito tributário nela indicado pelo contribuinte, sendo essa matéria pacificada no Conselho a ponto de restar sumulada, cujo pronunciamento é de observância obrigatória (art. 45, inciso VI, do Anexo II do Regimento Interno do Carf, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015): Súmula CARF nº 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. Eventual crédito do contribuinte deve encontrar lastro na respectiva documentação comprobatória, devendo a referida documentação estar disponível para avaliação do Fisco até que encerrados os processos que tratam da repetição do indébito (art. 264 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, de teor replicado no art. 278 do Decreto n° 9.580, de 22 de novembro de 2018). Passando a outro tema, digo que a comprovação do erro formal arguido é condição sine qua non para seu afastamento, especialmente quando se intenta convencer da suposta falha cometida ao confessar tributo em DCTF. Nessa toada, é pacificada a compreensão deste Conselho, traduzida na Súmula CARF n° 164: A retificação de DCTF após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição ou que não homologou a declaração de compensação é insuficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se fundamenta a retificação. Por seu turno, o julgador a quo foi diligente na busca por informações na base de dados da RFB, chegando à didática conclusão de que as inconsistências e a ausência de provas redundassem em um pleito de crédito duvidoso e ilíquido. Saliento que o julgador administrativo deve lançar-se tão somente sobre a situação colocada nos autos, não lhe competindo, na tentativa de suprir deficiências causadas pela Recorrente, substituí-la na obrigação de produção de provas do fato por esta alegado, preponderando, ao fim e ao cabo, o princípio do livre convencimento conferido à autoridade julgadora (art. 29 do Decreto n° 70.235, de 1972). Assim, há que se rejeitar a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente. Passa-se ao mérito. De pronto, conheço das provas trazidas nessa fase do contencioso, haja vista a exceção de que trata a alínea “c” do § 4º do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972. Fl. 136DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1001-003.129 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13839.901889/2015-28 Na memória de cálculo anexa ao recurso, consta que a Recorrente provisionara R$ 1.469.175,41 a título da CSLL a Recolher, acumulada até 31 de outubro de 2013 (conta 43700089). Desse montante, deduzira R$ 923.495,00 (antecipações, duodécimos e CSLL retida na fonte) e outros R$ 108.366,84 (“Compensação de anos anteriores”), resultando numa CSLL a pagar de R$ 437.313,57. Os R$ 1.469.175,41 estão de fato assinalados no balancete que abrange o período de 1º de janeiro a 31 de outubro de 2013 (fl. 119) e no Lalur (fl. 121). O lançamento no Razão da conta “Contribuição Social a Recolher” em 31/10/2013 indica que foram provisionados R$ 437.313,57, referentes à estimativa do mês (fl. 123). Já o Razão da conta “Contribuição Social Antecipada” (fl. 123) informa que em 1º/08/2013 nela foi registrado lançamento de “Contr.Social antec.2012, valor p/PERDCOMP”, no valor de R$ 108.366,85, além de fazerem-se remissões a outras compensações (estimativas de junho e julho de 2013). Nota-se que o valor do crédito pretendido pela Recorrente guarda identidade com o da “Compensação de anos anteriores”, disposto na planilha, e com o lançado na conta “Contribuição Social Antecipada”. Mas tal “compensação”, nem as demais registradas nas contas referidas, foram submetidas à análise da autoridade fiscal nesses autos, sendo certo que tais providências do sujeito passivo, caso confirmadas e validadas, impactam na averiguação do crédito em litígio, já que a apuração da CSLL se acumula ao longo do ano. Ante o exposto, rejeito a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, dou provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que em novo Despacho Decisório a autoridade fiscal se pronuncie quanto ao crédito pleiteado, dado o que veio a constar dos autos, sem prejuízo das medidas que entender pertinentes, retomando-se, a partir de então, a marcha regular do processo, sob o rito do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. É como voto. (documento assinado digitalmente) Fernando Beltcher da Silva Fl. 137DF CARF MF Original
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Numero do processo: 10325.000113/2009-42
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed Nov 29 00:00:00 UTC 2023
Numero da decisão: 2003-000.112
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à Unidade de Origem, para que esta intime a fonte pagadora Prefeitura Municipal de Imperatriz/MA para que: (i) se manifeste sobre as informações lançadas na DIRF retificadora entregue em 15/10/2005 às 14:04h, com especial destaque para os rendimentos declarados como pagos ao contribuinte e, (ii) apurada a existência de erro, promova a retificação da DIRF de forma a excluir as informações inexatas nela lançadas relativas ao ano-calendário de 2003.
(documento assinado digitalmente)
Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Wilderson Botto - Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleber Ferreira Nunes Leite, Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente).
Nome do relator: WILDERSON BOTTO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à Unidade de Origem, para que esta intime a fonte pagadora Prefeitura Municipal de Imperatriz/MA para que: (i) se manifeste sobre as informações lançadas na DIRF retificadora entregue em 15/10/2005 às 14:04h, com especial destaque para os rendimentos declarados como pagos ao contribuinte e, (ii) apurada a existência de erro, promova a retificação da DIRF de forma a excluir as informações inexatas nela lançadas relativas ao ano-calendário de 2003. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleber Ferreira Nunes Leite, Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente). Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida (fls. 19/23): Contra o contribuinte, acima identificado, foi lavrada Notificação de Lançamento - Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF, fls. 04/07, relativo ao ano-calendário de 2003, exercício de 2004, para formalização de exigência e cobrança de crédito tributário no valor total de R$ 8.298,22, incluindo multa de ofício e juros de mora. A infração apurada pela Fiscalização, relatada na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fl. 06, foi: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 25 .0 00 11 3/ 20 09 -4 2 Fl. 38DF CARF MF Original Fl. 2 da Resolução n.º 2003-000.112 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10325.000113/2009-42 Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vinculo e/ou sem Vínculo Empregatício Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil constatou-se omissão de rendimentos do trabalho com vinculo e/ou sem vínculo empregatício, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 13.000,00, recebido(s) pelo titular e/ou dependentes, da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo. Na apuração do imposto devido foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 115,53. Prefeitura Municipal de Imperatriz Os dispositivos legais infringidos e a penalidade aplicável encontram-se detalhados às fls. 05/07. Inconformado com a exigência, a qual tomou ciência em 05/01/2009, fl. 09, o contribuinte apresentou impugnação em 28/01/2009, fls. 02/03, com as alegações a seguir parcialmente transcritas: “(...), 01 - Surpreendeu-se o requerente com a Notificação de Lançamento acima epigrafada, por desconhecer tais rendimentos, bem como sua omissão em 2004, tudo conforme consta das cópias anexas. 02 - O Requerente buscou então esclarecer a veracidade de tais lançamentos junto ao Órgão competente do Município de Imperatriz/Ma. 03 - Fora constatado que houve equivoco nas informações prestadas pelo Município junto à Receita Federal. 04 - Sendo assim, o Requerente fora informado pela Contabilidade do Município que apresentaria as devidas correções, informando à Receita Federal, evitando assim que o Requerente a ser penalizado pagando um valor indevido. 05 - Dos esclarecimentos, uma vez procedidas as devidas retificações, roga o requerente a V. Exa., que se digne a tornar sem efeitos os ditos lançamentos, considerando sanado o equívoco, evitando prejuízos ao Requerente.” É o relatório. A decisão de primeira instância, por unanimidade, manteve o lançamento do crédito tributário exigido, encontrando-se assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2003 OMISSÃO RENDIMENTO. Prevalece o lançamento de ofício de rendimentos do trabalho recebidos de pessoas jurídicas, quando não oferecidos à tributação na Declaração de Ajuste Anual. Cientificado da decisão, em 09/07/2013 (fls. 29/30), o contribuinte, em 02/08/2013, interpôs recurso voluntário (fls. 31/36), insurgindo-se contra manutenção da autuação, alegando, em apertada síntese, preliminarmente, da atribuição de efeito suspensivo a presente recurso, nos termos do art. 151, III do CTN, bem como da desnecessidade da realização de depósito recursal, por força do ADI RFB nº 9, de 05/06/2007. No mérito, repisa as alegações da peça impugnatória, no sentido de que não recebeu da Prefeitura Municipal de Imperatriz/MA os rendimentos tidos por omitidos, inclusive lhe tendo sido informado pela municipalidade tratar-se de equívoco na transmissão da DIRF, além de se comprometer a promover a respectiva correção. Requer, ao final, a nulidade da decisão recorrida e, caso assim não se entenda, seja Fl. 39DF CARF MF Original Fl. 3 da Resolução n.º 2003-000.112 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10325.000113/2009-42 diligenciado à municipalidade para que confirme, de fato, a ocorrência do pagamento realizado ou informe acerca de alguma retificação a promover neste sentido. É o relatório. Voto Conselheiro Wilderson Botto – Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. O litígio recai sobre a omissão de rendimentos do trabalho com ou sem vínculo empregatício, no valor de R$ 13.000,00 com IRRF de R$ 115,53, constada em sede de revisão da DAA/2004, buscando, por oportuno, nessa seara recursal, obter nova análise do processado, no sentido do afastamento da omissão apurada, porquanto tal rendimento foi indevidamente declarado pela fonte pagadora. Pois bem. Da análise dos autos constato que, em relação aos rendimentos tidos por omitidos, paira dúvida razoável sobre os valores informados na DIRF retificadora entregue em 15/10/2005 (fls. 18) – lançados como pagos no ano-calendário de 2003, no valor de R$ 13.000,00 com IRRF de R$ 115,53 (código 0561) – sendo certo que o Recorrente refuta veementemente tal registro, alegando que não recebeu os valores informados. Portanto, sobe pena de injusta fiscal, torna-se imperioso saber se, de fato, a municipalidade promoveu eventuais pagamentos ao contribuinte no ano-calendário de 2003, cuja informação entendo ser de suma importância ao deslinde da controvérsia recursal instaurada, sobretudo levando-se em conta que o mesmo contesta a correção e veracidade dos registros contidos na DIRF, questionando a idoneidade os informes nela lançados. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem intime a fonte pagadora Prefeitura Municipal de Imperatriz/MA para que: (i) se manifeste sobre as informações lançadas na DIRF retificadora entregue em 15/10/2005 às 14:04h, com especial destaque para os rendimentos declarados como pagos ao contribuinte e, (ii) apurada a existência de erro, promova a retificação da DIRF de forma a excluir as informações inexatas nela lançadas relativas ao ano-calendário de 2003. (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 40DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 15586.001240/2009-10
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Quando não comprovadas as origens dos valores depositados em conta corrente nem o fato de que sejam oriundos de receita já tributada, materializa-se a presunção de omissão de receitas.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2006, 2007
OMISSÃO DE RECEITAS. COMPROVAÇÃO DE QUE NÃO SE TRATA DE DEPÓSITOS. EXCLUSÃO.
Antecipações de crédito em favor da empresa não configuram depósitos bancários e devem ser deduzidas da base tributável, a fim de evitar a incidência em duplicidade.
PIS E COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO.
O reconhecimento da apuração pela sistemática do lucro real no ano-calendário sob análise implica a utilização do modalidade não-cumulativa de tributação para o PIS e para a COFINS.
OMISSÃO DE RECEITAS. RECORRÊNCIA. MULTA QUALIFICADA DE 150%. CABIMENTO.
Quando as provas carreadas aos autos pelo Fisco evidenciam a intenção dolosa de evitar o conhecimento da ocorrência do fato gerador, pela prática reiterada de desviar receitas da tributação, cabe a aplicação da multa qualificada.
Numero da decisão: 1201-001.005
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Quando não comprovadas as origens dos valores depositados em conta corrente nem o fato de que sejam oriundos de receita já tributada, materializa- se a presunção de omissão de receitas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006, 2007 OMISSÃO DE RECEITAS. COMPROVAÇÃO DE QUE NÃO SE TRATA DE DEPÓSITOS. EXCLUSÃO. Antecipações de crédito em favor da empresa não configuram depósitos bancários e devem ser deduzidas da base tributável, a fim de evitar a incidência em duplicidade. PIS E COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. O reconhecimento da apuração pela sistemática do lucro real no ano- calendário sob análise implica a utilização do modalidade não-cumulativa de tributação para o PIS e para a COFINS. OMISSÃO DE RECEITAS. RECORRÊNCIA. MULTA QUALIFICADA DE 150%. CABIMENTO. Quando as provas carreadas aos autos pelo Fisco evidenciam a intenção dolosa de evitar o conhecimento da ocorrência do fato gerador, pela prática reiterada de desviar receitas da tributação, cabe a aplicação da multa qualificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. í / Fl. 1746DF CARF MF Cópia autenticada administrativamente Documento de 15 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.1123.10031.YW0M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 15 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.1123.10031.YW0M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n° 15586.001240/2009-10 SI-C2T1 Acórdão n.° 1201-001.005 Fl. 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. EDITADO EM: Fran co de Sales Ri eiro de Queiroz — Presidente Roberto — Relator j'A A c.71/i c Oci4 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Marcelo Cuba Neto, Roberto Caparroz de Almeida, André Almeida Blanco, Rafael Correia Fuso e Luis Fabiano Alves Penteado. 2 Fl. 1747DF CARF MF Cópia autenticada administrativamente Documento de 15 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.1123.10031.YW0M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 15 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.1123.10031.YW0M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n° 15586.001240/2009-10 SI-C2T1 Acórdão n.° 1201-001.005 Fl. 4 Relatório Trata-se de Auto de Infração de IRPJ e reflexos, dos anos-calendário de 2006 e 2007, por exclusão do Contribuinte do regime de tributação do Simples. A questão debatida nos autos diz respeito a diversas circunstâncias, que foram consideradas pela autoridade fiscal para a realização dos respectivos lançamentos. Por bem descrever os fatos, reproduzo, a seguir, o relatório elaborado na decisão recorrida: Trata-se de autos de infração contra empresa optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples). Foram apurados os seguintes créditos tributários: Ano-calendário de 2006 a) IRPJ— Simples R$ 22.274,32 (lis. 947/950); b) PIS/Pasep — Simples R$ 16.356,84 (lis. 955/958); c) CSLL — Simples R$ 23.010,74 (fis. 963/966); Cofins — Simples R$ 67.839,94 (lh. 971/974); e) INSS— Simples R$ 194.222,75 (lls. 979/982). Ano calendário de 2007 a) IRPJ Lucro Presumido R$ 83.885,64 (fls. 986/989); b) PIS/Pasep R$ 34.869,66 (lis. 1009/1011); c) CSLL Lucro Presumido R$ 57.046,45 (fls. 993/996); d) Cofins R$ 158.157,10 (fls. 1001/1004). Sobre esses valores incidiram a multa de ofício de 150% e os juros de mora. Segundo o auto de infração de IRPJ (fis. 949), foi imputada à empresa a seguinte infração: Omissão de Receitas. Depósitos Bancários não Escriturados. Os autos de infração de CSLL, Cofins, PIS/Pasep e INSS são meros reflexos da matéria apurada no lançamento do IRPJ. Os enquadramentos legais podem ser observados nos campos respectivos de cada lançamento. Os fatos geradores lançados referem-se aos meses de janeiro a dezembro de 2006 e aos quatro trimestres de 2007. Fl. 1748DF CARF MF Cópia autenticada administrativamente Documento de 15 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.1123.10031.YW0M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 15 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.1123.10031.YW0M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n° 15586.001240/2009-10 SI-C2T1 Acórdão o.' 1201-001.005 Fl. 5 Segundo o Termo de Verificação Fiscal de fls. 890/898, foram estes os fatos e circunstancias que levaram à autuação: a) Após o contribuinte não apresentar os extratos bancários das contas correntes e dos cartões de crédito, conforme solicitado em intimação (fls. 03/05), foram emitidas as Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), conforme fls. 202/203, 248/249, 485/486 e 560/561. b) Em seguida à emissão dos RMFs, o contribuinte apresentou inicialmente parte dos extratos bancários exigidos, e no mês de julho de 2009 apresentou à fiscalização os extratos dos seguintes bancos e administradoras de cartão de crédito: - Redecard (jis. 204/247); - Cia. Brasileira de Meios de Pagamento — Visa (fls. 150/559); - Unibanco S/A (l7s. 487/559); - Banco Bradesco (lls. 562/733). c) De posse desses documentos, constatou a fiscalização que a fiscalizada escriturou e declarou apenas parte das suas receitas; e que a fiscalizada, após ser intimada ( fls.752 e ss.) a comprovar a origem dos depósitos bancários nos anos de 2006 e 2007, apresentou documentação que denominou de relação contendo as informações das origens dos depósitos bancários dos anos de 2006 e 2007, conforme fls. 780 e ss. d) Segundo sua resposta, a origem da maioria dos depósitos se refere a recebimento de venda de mercadorias; contudo, alguns desses créditos se referem a empréstimos e créditos de empréstimos. e) Após intimação a respeito desses créditos (fls. 809/811), a fiscalizada juntou os documentos de fls. 814/822, os quais se referem a notas promissórias, contratos de mútuo e declaração do banco; e que com base nessas informações, já excluindo os créditos bancários que entendeu justificados, a fiscalização elaborou a planilha anexa ao Termo de Verificação (11s. 899 e ss.), na qual estão discriminadas as receitas mensais referentes a cartões de crédito e débito, por matriz e filial. fi A tabela de fls. 893 apresenta o resumo dos créditos informados como vendas, dos créditos com vendas por cartão de crédito, das receitas declaradas (DPJSI, fls. 829/869) e da diferença a tributar. g) Com relação ao I° semestre de 2007, dos valores do IRPJ, da CSLL, do PIS/Pasep e da Cofins apurados com base na receita bruta conhecida, foram deduzidos os valores declarados pelo contribuinte no regime do Simples, conforme se vê nas planilhas de fls. 894, e nos campos específicos dos autos de infração. h) Em vista do apurado, foi caracterizada a omissão de receitas da atividade, haja vista que se trata de vendas de mercadorias Fl. 1749DF CARF MF Cópia autenticada administrativamente Documento de 15 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.1123.10031.YW0M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 15 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.1123.10031.YW0M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n° 15586.001240/2009-10 SI-C2TI Acórdão n.° 1201-001.005 Fl. 6 efetuadas via cartões de débito e de crédito, além dos créditos nas contas correntes serem informados como sendo de "recebimento de venda" pelo contribuinte. i) Dado que a pessoa jurídica optou pela apuração do Imposto de Renda com base na sistemática do Simples, como se pode observar pela DPJSI apresentada, referente ao ano-calendário 2006, essa foi a forma de tributação adotada pelo Fisco para apuração do crédito tributário, sendo que a base de cálculo e as alíquotas para tributação com base no Simples se deram de acordo com o art. 186 e 188 do Decreto n° 3.000/99 (RIR, de 1999). j) Unia vez que a empresa extrapolou o limite de receita bruta de R8 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais) no ano- calendário de 2006, determinada pela alínea "b", no inciso lido artigo 13 da Lei n° 9.317/96, alterado pelo art. 1" da Lei n° 11.307/2006, a empresa foi excluída do Simples, com efeitos a partir de 01 de janeiro de 2007, nos termos do inciso IV do artigo 15 da Lei no 9.317/96, conforme Ato Declaratório DRF/VTA n° 138/2009 (fis. 825/827). k) Quanto ao 1" semestre do ano-calendário 2007, dado que o contribuinte apresentou Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica (=SI — fls. 847/869), tal declaração foi desconsiderado pela fiscalização, em virtude da referida exclusão do Simples a partir de 01 de janeiro de 2007. I) Quanto ao 2° semestre de ano-calendário 2007, o contribuinte apresentou Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ - fls. 870/880), com base na sistemática do Lucro Presumido; sendo que ao longo do ano de 2007 o contribuinte recolheu Imposto de Renda Pessoa Jurídica COM o código 2089, referente ao Lucro Presumido (lis. 881/886). Dessa forma, a fornza de tributação adotada pelo Fisco para apuração do crédito tributário foi o Lucro Presumido, conforme determina o artigo 26, § I° da Lei n°9.430/96. m) No entender da fiscalização, os fatos apurados caracterizam a intenção fraudulenta do contribuinte em se eximir dos tributos devidos, haja vista que esse omitiu de maneira contumaz e reiterada, por dois anos consecutivos, receitas que deveriam constar em suas Declarações Simplificadas de Pessoa Jurídica (PJSI) do ano 2006, assim como na DIPJ e DCTF do ano- calendário 2007, conforme tabela abaixo: Fl. 1750DF CARF MF Cópia autenticada administrativamente Documento de 15 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.1123.10031.YW0M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 15 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.1123.10031.YW0M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n° 15586.001240/2009-10 Acórdao n.° 1201-001.005 SI-C2TI Fl. 7 An.o- <.s.A Imadkio Receita o.purzda Receita dcarada ..—..., Rocia omitida 2006 3.462_307,02 531.7]7,40 2.830.589,62 2007 5.419.541,73 313.432,02 5.106.05 ,76 Ano- calench ria Receita apurax.12 Receita es Dife:ença criturada 2006 3.462.307,02 2.333.649,51 L128.65751 2007 i 5,419.5413 k4,333„5 . 36.005,24 n) Dessa forma, foram lançados os tributos com a multa qualificada de 150%, conforme a Lei n° 9.430/96, alterada pela Lei n° 11.488/2007. o) Menciona a fiscalização que foi elaborada representação fiscal para fins penais por meio do processo 15586.001335/2009-04. Da impugnação Em 15/12/2009, a itnpugnante, por meio da peça de fls. 1022/1034, apresentou sua impugnação ao lançamento, alegando, em síntese, o que se segue: 1. que foram computados indevidamente como receitas auferidas ingressos que correspondem a adiantamentos de recebíveis pertinentes às faturas do Cartão Visa; 2. que quanto às rubricas dos extratos denominadas "Desconto de Orpag", a simples leitura do termo Desconto já induz a uma interpretação de que foi feita unia operação financeira tendo como fim uni adiantamento de crédito, ou, em outras palavras, U111financiamento com base na confiança,. 3. que tudo leva crer que esse lançamento a crédito na conta corrente é um beneficio concedido pelo banco; 4. que o termo Orpag é unia abreviação de ordem de pagamento, sendo que o Bradesco informou «is. 1046) que Desconto de Orpag refere-se a "...antecipação pelo banco dos recebimentos do cartão de crédito Visa (operação de desconto comercial); logo, é necessário excluir do lançamento todos os valores consignados referentes a esse rubrica, conforme tabela que apresenta; 5. que os créditos com a expressão Desconto de Orpag somam R$ 165.455,93, em 2006, e R$ 407.578,96, em 2007; Fl. 1751DF CARF MF Cópia autenticada administrativamente Documento de 15 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.1123.10031.YW0M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 15 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.1123.10031.YW0M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n° 15586.001240/2009-10 SI-C2T1 Acórdão n.° 1201-001.005 Fl. 8 6. que no que toca aos extratos do Unibanco, o mesmo se dá, sendo que aqui a descrição se refere a Crédito de operação de desconto de cheque e/ou duplicatas; 7. que esses créditos de desconto de cheques e duplicatas foram de R$ 55.448,13, em 2006, e de R$ 24.297,26, em 2007; conforme planilha de cálculos que apresenta; Ano-calendário de 2006 8. que com relação a 2006, fazendo a apuração mensal das receitas, somando-se os valores dos depósitos — com a exclusão das operações de empréstimos antes mencionadas — mais as vendas nos cartões de crédito, a impugnante chegou aos novos valores de receitas tributáveis para o referido ano, conforme tabela de fls. 1.047/1.081 e tabela resumo abaixo reproduzida: Mês/Ano Total de Receitas Receita Declarada (MI) Omissão jan/06 193.563,88 76.385,00 117.178,88 fev/06 212.543,51 106.108,80 106.434,71 mar/06 271.897,54 102.655,64 169.241,90 abr/06 246.890,02 47.968,56 198.921,46 rnaii06 225.106,44 35.908,74 189.197,70 jun./06 190.915,36 27.860,25 163.055,11 215.226,35: 184.936,63 jul/06 246.853,06 31.626,71 ago/06 217.648,02 32.711,39 set/06 270.980,05 43.219,94 227.760,11 out/06 370.284,67 41.411,02 328.873,65 nov/06 342.440,16 40.526,11 301.914,05 dez/06 452.280,25 45.335,24 406.945,01 Total 2006 3.241.402,96 631.717,40 2.609.685,56 9. que os valores devidos de tributos conforme tais demonstrativos, excetuados os mencionados empréstimos / descontos e a multa de 150%, são matéria não impugnada e estão inclusos no Refis Especial da Lei n° 11.941, de 2009; Primeiro semestre de 2007 10. que o mesmo vale para o primeiro semestre de 2007, em relação ao qual foi tributada pelo lucro presumido; 11. que do montante a ser tributado devem igualmente serem desconsiderados os valores dos descontos (Orpag Bradesco e Desconto cheque/duplicata Unibanco R$ 206.261,55) antes mencionado, de maneira que o montante tributável no primeiro trimestre passa de R$ 758.331,12, para R$ 552.069,57, conforme planilhas de fls. 1.082/1.083; Fl. 1752DF CARF MF Cópia autenticada administrativamente Documento de 15 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.1123.10031.YW0M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 15 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.1123.10031.YW0M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n° 15586.001240/2009-10 SI-C2TI Acórdào n.° 1201-001.005 Fl. 9 12. que os valores devidos de tributos conforme tais demonstrativos, excetuados os mencionados empréstimos / descontos e a multa de 150%, são matéria não impugnada e estão inclusos no Refis Especial da Lei n° 11.941, de 2009; Segundo semestre de 2007 13. que com relação aos dois últimos trimestres de 2007, houve inconsistência no lançamento no que toca ao regime tributável adotado pela fiscalização; pois, ao contrário do alegado pelo Fisco, ela não fizera recolhimentos do IRP.I devido em 2007 pelo código 2089, correspondente ao lucro presumido, haja vista que quanto ao primeiro semestre do ano recolhera os tributos pela sistemática do Simples, sendo que os recolhimentos feitos em 2007 sob o código 2089 referem-se a pagamento de parcelamento do 1RPJ dos anos-calendário de 2002 e 2003, conforme processo administrativo n° 11543.000544/2006-54 e documentos que anexa; 14. que, segundo a legislação, a opção pelo lucro presumido é manifestada pelo pagamento sob o código da forma de apuração, o que não se deu; 15. que embora tenha entregado a D1PJ como tivesse apurado o IRPJ pelo lucro presumido, tal fato representa equívoco do contador, que, para não perder aprazo de entrega, preencheu a declaração pelo lucro presumido com valores em branco; 16. que seu regime de tributação para o 2° semestre de 2007 foi do lucro real trimestral, conforme sua DCTF apresentada em 05/04/2008 e os Darf de recolhimento de PIS/Pasep e de Cofins sob o regime não cumulativo dessas contribuições; 17. que os recolhimentos sob a sistemática da não cumulatividade dessas contribuições indicam claramente que sua tributação se dava pela lucro real; 18. que promoveu a apuração correta dos seus tributos pela sistemática do lucro real com relação ao segundo semestre de 2007 e entregou à fiscalização todos esses elementos para avaliação da auditoria; 19. que apurou prejuízo fiscal nos terceiros e quarto trimestres de 2007, conforme declaração correta pelo lucro real do período (cópia anexa), na qual se vê que suas receitas ali lançadas são em muito superiores aos valores de omissão de receitas apurados pela fiscalização no mesmo período; logo, a totalidade do crédito tributário referente ao 2° trimestre de 2007 é improcedente; 20. que as planilhas que acosta demonstram o alegado, bem como as parcelas não impugnadas e parceladas no Refis Especial; Multa qualificada de 150% Fl. 1753DF CARF MF Cópia autenticada administrativamente Documento de 15 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.1123.10031.YW0M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 15 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.1123.10031.YW0M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n° 15586.001240/2009-10 SI-C2T1 Acórdão n.° 1201-001.005 Fl. 10 21. que é indevida a multa, pois jamais foi sugerido que o recorrente tenha feito depósitos em conta de interposta pessoa, ou que tenha se valido de falsificações de documentos para omitir receitas; 22. que houve apenas declaração inexata, não se configurando o intuito defraude, como alegado pela fiscalização; 23. que a jurisprudência administrativa é predominante no sentido de que a qualificação da multa só deve se dar se comprovado o intuito doloso. Na sessão de 21 de maio de 2010, a 9a Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil do Rio de Janeiro julgou procedente em parte a impugnação. A decisão prolatada divide-se em quatro partes, conforme os temas abordados, cuja demonstração pode ser sintetizada da seguinte forma: a) manter os créditos lançados de IRPJ, CSLL, Cofins, PIS/Pasep e INSS sob a modalidade do Simples relativamente ao ano-calendário de 2006, conforme abaixo: Simples RS Voto 2006 Lançado Não impugnado Em litígio Cancelado Mantido a)IRPJ -Simples 22.274,32 17,050,69 5.223,63 0,00 5.223,63 b)PIS/Pasep -Simples 16.356,84 12.571,64 3.785,20 0,00 3.785,20 c)CSLL -Simples 23.010,74 17.580,73 4.693,59 0,00 4.693,59 d)Cofins -Simples 67.839,94 53.846,69 13.993,25 0,00 13.993,25 e)INSS - Simples 194.222,75 152,835,69 41.387,06 0,00 41.387,06 b) manter como lançado o IRPJ e a CSLL relativamente aos dois primeiros trimestres de 2007; e cancelar o lançamento de IRPJ e de CSLL relativamente aos dois últimos trimestres de 2007, conforme abaixo: Fl. 1754DF CARF MF Cópia autenticada administrativamente Documento de 15 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.1123.10031.YW0M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 15 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.1123.10031.YW0M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n° 15586.001240/2009-10 SI-C2T1 Acórdão n.° 1201-001.005 Fl. 11 IRPJ RS Voto 2007 Lançado Não impugnado Em litígio Cancelado Mantido 1' trim 13.981,17 12.121,04 1.860,13 0,00, 1.860,13 2° trim 19.685,38 17.925,45 1.759,93 0,00 1.759,93 3 trina 23.866,36 0,00 23.866,36 23.866,36 0,00 4° trim 26.352,73 0,00 26.352,73 26.352,73 0,00 83.885,64 30.046,49 53,839,15 50.219,09 3.620,06 CSLL RS Voto 2007 Lançado Não impugnado Em litígio Cancelado Mantido 1° trina 10.166,80 9.132,32 1.034,48 0,00 1.034,48 2' trim 13.281,34 12,058,21 1.223,13 0,00 1.223,13 3° trina 16.127,84f 0,00 16.127,84 16.127,84 0,00 4° trina 17.470,47 0,00 17.470,47 17.470,47 0,00 57.046,45 21.190,53 35.855,92 33.598,31 2.257,61 c) manter o lançamento do PIS/Pasep e da Cofins relativamente aos meses de 2007, conforme demonstrativo abaixo: Voto 2007 Lançado Não impugnado Eni litígio Cancelado Mantido PIS / PASEP 34.869,66 13.307,83 21.561,83 0,00 21.561,83 COF1NS 158.157,10 58.640,64 99.516,46 0,00 99.516,46 d) manter como lançada a multa qualificada de 150% sobre os créditos mantidos neste voto, juntamente com os juros de mora. Contra o crédito mantido na decisão, a interessada interpôs Recurso Voluntário, reproduzindo os mesmos argumentos apresentados na impugnação, com ênfase em quatro pontos essenciais, que serão apreciados no mérito deste voto. Os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento. É o relatório. /10 Fl. 1755DF CARF MF Cópia autenticada administrativamente Documento de 15 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.1123.10031.YW0M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 15 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.1123.10031.YW0M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n° 15586.001240/2009-10 SI-C2T1 Acórdão n.° 1201-001.005 Fl. 12 Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. A Recorrente apresenta seus argumentos a partir de quatro pontos principais, que foram mantidos na decisão de primeira instância, a saber: 1. A equiparação das operações de antecipação de recebíveis VISA e do desconto de cheques e/ou duplicatas como depósitos, o que implicaria dupla tributação; 2. A manutenção da cobrança do PIS pela sistemática cumulativa no segundo semestre de 2007, mesmo com a empresa tributando sua receita pelo lucro real trimestral; 3. A manutenção da cobrança da COFINS pela sistemática cumulativa no segundo semestre de 2007, mesmo com a empresa tributando sua receita pelo lucro real trimestral; 4. A manutenção da multa qualificada de 150%, mesmo com toda a movimentação financeira realizada em contas da titularidade da pessoa jurídica. Esses pontos serão analisados individualmente no presente voto, até em razão da afirmação, trazida pela Recorrente, de todo o restante do saldo não impugnado foi incluído no parcelamento especial previsto pela Lei n. 11.941/2009. Pois bem. Alega a Recorrente que empréstimos concedidos pelo Bradesco, sob a rubrica "Desconto de ORPAG" teriam sido considerados como depósitos, quando se tratariam, na verdade, de antecipações de créditos relativos a vendas com o cartão VISA. Nas palavras da Recorrente: No dia aprazado, a VISA faz o depósito do haver da Bullus no Bradesco [no extrato aparece o valor com a letra C na frente] e a instituição financeira se ressarce do empréstimo e faz o seguinte LANÇAMENTO no extrato: 00007 Desconto Comer [vide Carta do Bradesco às fls.1.0,16 — NR: estamos anexando a via original desta Declaração neste Recurso]. Esse lançamento aparece a débito no extrato, sendo de igual valor ao depósito da VISA. Fl. 1756DF CARF MF Cópia autenticada administrativamente Documento de 15 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.1123.10031.YW0M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 15 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.1123.10031.YW0M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 12 Processo o' 15586.001240/2009-10 SI-C2T1 Acórdão o.' 1201-001.005 Fl. 13 Caso consideremos os DOIS CRÉDITOS como depósito, teríamos tributação dupla.. A Recorrente informa que a operação decorrente da expressão "Desconto de ORPAG" foi explicada pelo próprio banco, conforme documento original acostado aos autos: Bradesco A QUEM INTERESSAR POSSA Discriminamos abaixo os lançamentos em conta: 00895 DESCONTO ORPAG — (Crédito) trata-se de antecipação efetuada pelo Banco dos recebimentos do cartão de crédito VISA (Operacão de Desconto Comercial) 00080 VDA CARTÃO CRED — (Crédito) trata-se dos créditos VISA referentes às vendas já antecipadas. DESCONTO DE ORPAG" 00007 DESCONTO COMER — (Débito) trata-se de baixa dos valores que já foram antecipados pelo Banco na Operação "DESCONTO DE ORPAG". Obs: nos extratos quando aparece 00080 VDA CARTÃO CRED (Crédito) e logo abaixo 00007 DESCONTO COMER (débito) é porque já foi feito unia operação de Empréstimo/Desconto anteriormente "0895 DESCONTO ORPAG" BANCO BRADESCO S/A Ag 1895 /PRAIA DO CANTO/ES Gislaine L. S. Schettino Matr.: 78695 Em razão disso, haveria um crédito pelo adiantamento feito pelo Bradesco e um débito quando do depósito feito pela VISA que, inclusive, seriam empresas independentes. A Recorrente elabora uma tabela com os demonstrativos desses descontos, que totalizam, para o ano-calendário de 2006, R$ 165.455,93 e para o ano-calendário de 2007 R$ 407.578,96, valores que deveriam ser excluídos da base tributável por não serem depósitos bancários (fls. 1.641 a 1.644). A alegação da Recorrente é plausível e, em princípio, confere com as informações constantes dos extratos bancários cedidos pelo Bradesco, de fls. 983 a 1.145. Entendo que isso, aliado às explicações prestadas pela gerente do banco corroboram a tese da Recorrente, de que tais valores não configuram depósitos bancários e devem, portanto, ser deduzidos da base tributável nos anos de 2006 e 2007, a fim de evitar a incidência em duplicidade. No caso dos empréstimos concedidos pelo Unibanco, que aparecem nos extratos de fls. 904 a 970, os valores indicados na planilha conferem com aqueles trazidos Fl. 1757DF CARF MF Cópia autenticada administrativamente Documento de 15 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.1123.10031.YW0M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 15 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.1123.10031.YW0M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n° 15586.001240/2009-10 S1-C2T1 Acórdão n.° 1201-001.005 Fl. 14 pelos extratos bancários, à exceção da diferença de um real no lançamento do dia 31 de março de 2006, visto que o extrato indica R$ 3.813,46 em vez de R$ 3.814,46 informado na planilha. Assim, tendo em vista que as operações correspondem a descontos de cheques ou duplicatas, entendo também ser correto o argumento da Recorrente, no sentido de que não se trata de depósitos, razão pela qual seus montantes devem ser excluídos das bases tributáveis dos anos de 2006 e 2007. No que tange à tributação do PIS e da COFINS na modalidade cumulativa, mantida pela decisão recorrida para o segundo semestre de 2007, entendo, na esteira dos argumentos da Recorrente, que houve contradição do julgador, pois este expressamente reconheceu, para o período, que o contribuinte estava sujeito à sistemática do Lucro Real trimestral: Em nosso caso, várias são as circunstâncias que nos habilitam a confirmar que a interessada não só não optara pelo lucro presumido no segundo semestre de 2007, como também submetia-se à sistemática do lucro real trimestral como alegou. Se a própria decisão reconheceu a sistemática do lucro real para o período é forçoso decidir que se aplicam, a essas contribuições, a modalidade não cumulativa prevista nas Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente colaciona aos autos cópias das DACON do segundo semestre de 2007 (fls. 1.682 e ss.), nas quais declara e apura o PIS e a COFINS pela sistemática não cumulativa, aplicada às empresas sujeitas ao lucro real. Ora, se a decisão recorrida reconheceu que o regime de tributação no período era o do lucro real, não vislumbro motivo para manter a autuação do PIS e da COFINS nos moldes lançados, pela sistemática cumulativa. Isso não impede que os valores declarados pela Recorrente sejam revistos ou analisados, mas tal circunstância refoge ao tema debatido neste processo. Aqui, temos uma automática relação de causa e efeito: ao ser reconhecido o regime deve-se, por decorrência lógica, a ele aplicar as regras de regência, até porque segundo o que consta dos autos, a Recorrente utilizou, nesse sentido, a sistemática correta de apuração. Por fim, o último tema do Recurso diz respeito à qualificação das multas. Neste ponto, entendo que agiu corretamente a autoridade lançadora, ao aplicar o disposto no artigo 44, II, da Lei n. 9.630/94. Como é cediço, a aplicação da exasperação deve decorrer de conduta fraudulenta do contribuinte, conforme capitulação dos artigos 71, 72 e 73 da da Lei n. 4.502/64. O argumento da acusação fiscal foi de que o Contribuinte, durante dois anos consecutivos, 2006 e 2007, declarou à Receita Federal valores muito inferiores aos de sua efetiva movimentação financeira. Na verdade, os valores declarados também foram inferiores àqueles escriturados nos próprios livros da Recorrente, o que, na minha opinião, revela a intenção dolosa de fraudar o fisco, com a consequente sonegação dos tributos devidos. Fl. 1758DF CARF MF Cópia autenticada administrativamente Documento de 15 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.1123.10031.YW0M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 15 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.1123.10031.YW0M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n° 15586.001240/2009-10 SI-C2TI Acórdão n.° 1201-001.005 Fl. 15 Aqui não se cuida da mera omissão de receitas ou da simples ausência de pagamentos, pois o Contribuinte é pessoa jurídica bem organizada, com várias lojas no ramo de informática e faturamento significativo. Como agravante a isso, temos o fato de que o dolo se caracteriza pela tentativa de manter, indevidamente, o regime de tributação do Simples, menos oneroso e destinado, precipuamente, às empresas de menor capacidade contributiva, situação em que não se enquadra a Recorrente. De se notar que a autoridade fiscal, após analisar detalhadamente os extratos apresentados pelas instituições bancárias e os livros do Contribuinte, constatou que a qualificação da multa de oficio se fundamenta justamente nas discrepâncias apuradas, tanto em razão das receitas omitidas quanto aos montantes escriturados, sempre muito inferiores aos declarado à Receita Federal, conforme demonstram os quadros a seguir: Quadro 1 — Omissão de Receitas Ano Calendário Receita Apurada Receita Declarada Receita Omitida 2006 3.462.307,02 631.717,40 2.830.589,62 2007 5.419.541,78 313.482,02 5.106.059,76 Quadro 2 — Receitas Escrituradas Ano Calendário Receita Apurada Receita Escriturada Diferença 2006 3.462.307,02 2.333.649,51 1.128.657,51 2007 5.419.541,78 4.383.536,54 1.036.005,24 Portanto, as omissões no presente caso não decorrem de simples erros ou falta de pagamento, mas da efetiva intenção de iludir a administração tributária quanto aos montantes devidos, razão pela qual entendo pertinente a qualificação da multa. Conclusão Em síntese, analisados os principais temas trazidos na peça recursal, já considerada a parte exonerada pela decisão de primeira instância e os valores que o contribuinte confessou no parcelamento, temos: 1. Cabe excluir do montante dos depósitos não justificados os valores relativos aos "Descontos de ORPAG" do Bradesco e aos "Créditos de Operação com cheques/duplicatas" do Unibanco, conforme tabela a seguir: Fl. 1759DF CARF MF Cópia autenticada administrativamente Documento de 15 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.1123.10031.YW0M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 15 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.1123.10031.YW0M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n° 15586.001240/2009-10 SI-C2TI Acórdão n.° 1201-001.005 Fl. 16 Valor total Valor excluído Bradesco Valor Excluído Unibanco Valor Mantido 2006 1.058.982,27 165.455,93 55.447,13 838.079,21 2007 1.968.443,00 407.578,96 24.297,26 1.536.566,78 2. Excluir, para o segundo semestre de 2007, os créditos apurados do PIS e da COFINS na modalidade cumulativa, que haviam sido mantidos na decisão recorrida (conforme item c), de fls. 1.588), no valor de R$ 21.561,83 (PIS) e R$ 99.516,46 (COFINS). 3. Manter a multa qualificada de 150% para todos os créditos remanescentes deste voto. 4. Manter todos os demais créditos, conforme considerados na decisão de primeira instância. Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso e, no mérito, DOU-LHE PARCIAL provimento, nos termos dos itens 1 a 4 acima transcritos. É como voto. Rbberto oz de Almeida - Relator 15 Fl. 1760DF CARF MF Cópia autenticada administrativamente Documento de 15 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.1123.10031.YW0M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 15 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.1123.10031.YW0M. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. A página de autenticação não faz parte dos documentos do processo, possuindo assim uma numeração independente. Documento autenticado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Corresponde à fé pública do servidor, referente à igualdade entre as imagens digitalizadas e os respectivos documentos ORIGINAIS. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado ao processo em 21/10/2014 10:36:00 por ANDREA FERNANDES GARCIA. Documento autenticado digitalmente em 21/10/2014 10:36:00 por ANDREA FERNANDES GARCIA. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 21/11/2023. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP21.1123.10031.YW0M Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 829C228C4172B00F298801D946A7D50FC4EEDFB9 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 15586.001240/2009-10. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo. Page 1 Page 2 Page 3 Page 4 Page 5 Page 6 Page 7 Page 8 Page 9 Page 10 Page 11 Page 12 Page 13 Page 14 Page 15
score : 1.0
Numero do processo: 18470.726483/2019-13
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Nov 13 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2015
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO DISSOCIADA DO QUADRO FÁTICO-JURÍDICO VERSADO NO ACÓRDÃO-RECORRIDO. INEXISTÊNCIA DE OBJETO RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso voluntário que versa sobre questão jurídica autônoma, que não faz parte da fundamentação, nem do dispositivo, do acórdão-recorrido.
Numero da decisão: 2001-006.673
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Honório Albuquerque de Brito, Marcelo Rocha Paura e Thiago Buschinelli Sorrentino.
Nome do relator: THIAGO BUSCHINELLI SORRENTINO
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RECURSO VOLUNTÁRIO. ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO DISSOCIADA DO QUADRO FÁTICO- JURÍDICO VERSADO NO ACÓRDÃO-RECORRIDO. INEXISTÊNCIA DE OBJETO RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso voluntário que versa sobre questão jurídica autônoma, que não faz parte da fundamentação, nem do dispositivo, do acórdão-recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Honório Albuquerque de Brito, Marcelo Rocha Paura e Thiago Buschinelli Sorrentino. Relatório Adoto o relatório elaborado por ocasião do julgamento da impugnação: Trata-se de Notificação de Lançamento (fls. 05/09) lavrada após revisão da Declaração de Ajuste Anual do Exercício 2016/Ano-Calendário 2015 por omissão de rendimentos recebidos do Ministério da Saúde, CNPJ 00.394.544/0192-85, no valor de R$22.499,13. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 64 83 /2 01 9- 13 Fl. 37DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-006.673 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 18470.726483/2019-13 Assim, foi apurado o imposto suplementar, no valor de R$ 6.187,26, acrescido de multa de ofício e juros de mora (calculados até 28/09/2018), resultando no crédito tributário de R$ 12.294,08. A impugnação apresentada (fl. 04, repetida na fl. 16) questiona em preliminar, a tempestividade, alegando que só em 03/06/2019, quando se dirigiu à RFB para resolver outras pendências, inteirou-se dos fatos e tomou conhecimento da Notificação de Lançamento, verificando que a pessoa que assina o recebimento no AR não é moradora do seu endereço fiscal. Quanto aos fatos, alega que apresentou Declaração Retificadora baseada em novo Informe de Rendimentos recebido após a entrega da declaração original, onde alterou para os seguintes valores: Proventos de aposentadoria R$ 43.799,16 e Rendimentos Isentos (maior de 65 anos) R$ 24.403,11. Como já era maior de 65 anos em 2015, tinha direito por lei à isenção, o que não foi reconhecido pela fiscalização. Extrato do Processo emitido (fl.18). É o relatório. O órgão julgador de origem houve por bem manter o lançamento, ao não conhecer da impugnação. Cientificado em 21/02/2022 do acórdão que julgou a impugnação, o recorrente interpôs recurso voluntário (09/03/2020), no qual se alega, em síntese, a aplicabilidade de isenção. Ante o exposto, pede-se a desconstituição do crédito tributário. É o relatório. Voto Não conheço do recurso voluntário, porquanto suas razões estão dissociadas da fundamentação adotada no acórdão-recorrido. As razões de impugnação e respectivo pedido voltam-se exclusivamente ao debate de questões substanciais relativas à validade do crédito tributário e das glosas realizadas pela autoridade lançadora. Não há alegação relativa à perda do prazo para impugnação (preclusão temporal). Desse modo, as razões recursais, ao limitarem-se a apresentar argumento referente ao mérito, estão dissociadas do objeto possível projetado a partir da impugnação e do acórdão- recorrido, de modo a impedir o conhecimento da irresignação. Nesse sentido, confiram-se os seguintes precedentes: Numero do processo: 10469.905882/2009-02 Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção Seção: Primeira Seção de Julgamento Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2019 Data da publicação: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2019 Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2004 RECURSO VOLUNTÁRIO QUE NÃO ENFRENTA OU ATACA OS FUNDAMENTOS DO ACÓRDÃO. ALEGAÇÕES DISSOCIADAS DAS RAZÕES DE DECIDIR. NÃO CONHECIMENTO Fl. 38DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-006.673 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 18470.726483/2019-13 Não se conhece de Recurso Voluntário no qual não são enfrentados diretamente os fundamentos do acórdão a quo. Cabe ao contribuinte impugnar as razões lançadas no acórdão atacado, buscando demonstrar a existência de erro in procedendo ou in judicando, a merecer a declaração de nulidade da decisão ou a sua reforma. Optando o contribuinte por fazer considerações totalmente divorciados dos fundamentos da decisão vergastada, resta malferido a dialeticidade exigida entre decisão recorrida e razões do recurso, de modo que falece o recurso da respectiva adequação ou regularidade formal. Numero da decisão: 1002-000.829 Numero do processo: 18239.002979/2010-11 Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção Seção: Segunda Seção de Julgamento Data da sessão: Thu Dec 16 00:00:00 UTC 2021 Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2022 Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO DISSOCIADA DO QUADRO FÁTICO-JURÍDICO VERSADO NO ACÓRDÃO-RECORRIDO. INEXISTÊNCIA DE OBJETO RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso voluntário que versa sobre questão jurídica autônoma, que não faz parte da fundamentação, nem do dispositivo, do acórdão-recorrido. ALEGADO PAGAMENTO IGNORADO PELA AUTORIDADE FISCAL. QUESTÃO AUTÔNOMA PREJUDICIAL. ANÁLISE OBRIGATÓRIA PELA AUTORIDADE PREPARADORA Deve a autoridade preparadora ou equivalente examinar a alegação de pagamento, de modo a confirma-la ou infirmá-la e, com base nessa análise, imputar o recolhimento e extinguir total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso. Numero da decisão: 2001-004.880 Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator Fl. 39DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 12266.723512/2012-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Fri Nov 17 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 02/08/2008
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Súmula CARF nº 126 - A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS. ANÁLISE. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF.
A autoridade fiscal e os órgãos de julgamento não podem, invocando a proporcionalidade, a razoabilidade ou qualquer outro princípio, afastar a aplicação de lei tributária válida e vigente, pois o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA/ADUANEIRA. INTENÇÃO DO AGENTE. EXTENSÃO E EFEITOS DO ATO. DEMONSTRAÇÃO. DESNECESSIDADE. RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
Nos termos da lei, salvo disposição em contrário, a responsabilidade por infrações independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
INTERPRETAÇÃO MAIS BENÉFICA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. INAPLICÁVEL NA ESPÉCIE.
A chamada interpretação benéfica cabe ser aplicada apenas nas situações de dúvida quanto à interpretação da lei que define infrações.
INOVAÇÃO DOS ARGUMENTOS DE DEFESA EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO. PRELIMINAR DE NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO CONTENDO MÚLTIPLAS PENALIDADES. ILEGITIMIDADE PASSIVA.
Não se conhece de matérias em sede recursal fundamentada em argumentos díspares daqueles apresentados na fase de defesa administrativa anterior, por preclusão, pois viola o princípio da dialeticidade e suprime instância, exceção cabível apenas quanto àquelas de ordem pública.
MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIA. CONHECIMENTO ELETRÔNICO. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÃO ANTERIORMENTE PRESTADA. INAPLICABILIDADE DA PENA.
Alteração ou retificação das informações prestadas anteriormente não se configura como prestação de informação fora do prazo, para efeito de aplicação da multa.
Numero da decisão: 3201-010.895
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do Recurso Voluntário, por inovação dos argumentos de defesa (preclusão) e, na parte conhecida, em rejeitar as questões preliminares arguidas e, no mérito, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-010.885, de 22 de agosto de 2023, prolatado no julgamento do processo 12266.720836/2013-15, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis (Presidente), Ricardo Sierra Fernandes, Márcio Robson Costa, Mateus Soares de Oliveira, Tatiana Josefovicz Belisário e Ana Paula Pedrosa Giglio.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 02/08/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Súmula CARF nº 126 - A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS. ANÁLISE. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF. A autoridade fiscal e os órgãos de julgamento não podem, invocando a proporcionalidade, a razoabilidade ou qualquer outro princípio, afastar a aplicação de lei tributária válida e vigente, pois o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA/ADUANEIRA. INTENÇÃO DO AGENTE. EXTENSÃO E EFEITOS DO ATO. DEMONSTRAÇÃO. DESNECESSIDADE. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. Nos termos da lei, salvo disposição em contrário, a responsabilidade por infrações independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. INTERPRETAÇÃO MAIS BENÉFICA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. INAPLICÁVEL NA ESPÉCIE. A chamada interpretação benéfica cabe ser aplicada apenas nas situações de dúvida quanto à interpretação da lei que define infrações. INOVAÇÃO DOS ARGUMENTOS DE DEFESA EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO. PRELIMINAR DE NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO CONTENDO MÚLTIPLAS PENALIDADES. ILEGITIMIDADE PASSIVA. Não se conhece de matérias em sede recursal fundamentada em argumentos díspares daqueles apresentados na fase de defesa administrativa anterior, por preclusão, pois viola o princípio da dialeticidade e suprime instância, exceção cabível apenas quanto àquelas de ordem pública. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIA. CONHECIMENTO ELETRÔNICO. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÃO ANTERIORMENTE PRESTADA. INAPLICABILIDADE DA PENA. Alteração ou retificação das informações prestadas anteriormente não se configura como prestação de informação fora do prazo, para efeito de aplicação da multa.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do Recurso Voluntário, por inovação dos argumentos de defesa (preclusão) e, na parte conhecida, em rejeitar as questões preliminares arguidas e, no mérito, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-010.885, de 22 de agosto de 2023, prolatado no julgamento do processo 12266.720836/2013-15, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis (Presidente), Ricardo Sierra Fernandes, Márcio Robson Costa, Mateus Soares de Oliveira, Tatiana Josefovicz Belisário e Ana Paula Pedrosa Giglio.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2023-11-17T11:59:17Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-11-17T11:59:17Z; Last-Modified: 2023-11-17T11:59:17Z; dcterms:modified: 2023-11-17T11:59:17Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-11-17T11:59:17Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-11-17T11:59:17Z; meta:save-date: 2023-11-17T11:59:17Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-11-17T11:59:17Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-11-17T11:59:17Z; created: 2023-11-17T11:59:17Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; Creation-Date: 2023-11-17T11:59:17Z; pdf:charsPerPage: 2272; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-11-17T11:59:17Z | Conteúdo => S3-C 2T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 12266.723512/2012-58 Recurso Voluntário Acórdão nº 3201-010.895 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de agosto de 2023 Recorrente MOL (BRASIL) LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 02/08/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Súmula CARF nº 126 - A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS. ANÁLISE. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF. A autoridade fiscal e os órgãos de julgamento não podem, invocando a proporcionalidade, a razoabilidade ou qualquer outro princípio, afastar a aplicação de lei tributária válida e vigente, pois o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA/ADUANEIRA. INTENÇÃO DO AGENTE. EXTENSÃO E EFEITOS DO ATO. DEMONSTRAÇÃO. DESNECESSIDADE. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. Nos termos da lei, salvo disposição em contrário, a responsabilidade por infrações independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. INTERPRETAÇÃO MAIS BENÉFICA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. INAPLICÁVEL NA ESPÉCIE. A chamada interpretação benéfica cabe ser aplicada apenas nas situações de dúvida quanto à interpretação da lei que define infrações. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 6. 72 35 12 /2 01 2- 58 Fl. 255DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-010.895 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12266.723512/2012-58 INOVAÇÃO DOS ARGUMENTOS DE DEFESA EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO. PRELIMINAR DE NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO CONTENDO MÚLTIPLAS PENALIDADES. ILEGITIMIDADE PASSIVA. Não se conhece de matérias em sede recursal fundamentada em argumentos díspares daqueles apresentados na fase de defesa administrativa anterior, por preclusão, pois viola o princípio da dialeticidade e suprime instância, exceção cabível apenas quanto àquelas de ordem pública. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIA. CONHECIMENTO ELETRÔNICO. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÃO ANTERIORMENTE PRESTADA. INAPLICABILIDADE DA PENA. Alteração ou retificação das informações prestadas anteriormente não se configura como prestação de informação fora do prazo, para efeito de aplicação da multa. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do Recurso Voluntário, por inovação dos argumentos de defesa (preclusão) e, na parte conhecida, em rejeitar as questões preliminares arguidas e, no mérito, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-010.885, de 22 de agosto de 2023, prolatado no julgamento do processo 12266.720836/2013-15, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis (Presidente), Ricardo Sierra Fernandes, Márcio Robson Costa, Mateus Soares de Oliveira, Tatiana Josefovicz Belisário e Ana Paula Pedrosa Giglio. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº 107-001.710 exarado DRJ, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte acima identificada. O Auto de Infração foi aplicado em virtude da aplicação de multas por descumprimento de obrigação de prestar informação sobre veículo ou carga pelo transportador ou seu mandatário, na forma e no prazo estabelecidos pela Receita Federal. Fl. 256DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-010.895 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12266.723512/2012-58 A autuada foi cientificada do Auto de Infração para o qual apresentou tempestivamente sua impugnação na qual se insurgiu contra os seguintes pontos, em síntese: -a impugnante estaria amparada pelo instituto da denuncia espontânea por haver prestado as informações antes do início de qualquer procedimento fiscal; - a multa estaria a ferir princípios constitucionais (proporcionalidade reserva legal e razoabilidade); - boa fé da autuada; - ausência de dano à Fazenda Pública ou embaraço a fiscalização (a responsabilidade pelas infrações não poderia ser imputada de forma objetiva); - não teria havido descumprimento dos prazos para prestação de informação e sim retificação das informações prestadas posteriormente aos referidos prazos; - necessidade de aplicação de interpretação mais benigna ao contribuinte; - as penalidades não deveriam estar sendo cobradas individualmente e sim por embarcação; - os prazos cobrados pelo Auto de Infração estariam suspensos em razão do artigo 50 da Instrução Normativa RFB nº 800, de 2007. Requereu a nulidade do lançamento. Foi exarado Acórdão de Impugnação n° 107-001.710 no qual foi proferida decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação, mantendo a multa aplicada. Inconformada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos pontos da impugnação, às quais acrescentou as seguintes inovações nas teses de defesa: - tempestividade do recurso; - nulidade do Auto de Infração por cerceamento de defesa, em razão da aplicação de várias penalidades no mesmo Auto o que seria proibido pela legislação e inviabilizaria a plena defesa; - ilegitimidade passiva, tendo em vista que a obrigação de prestação de informações seria do transportador e a empresa atuava como agente marítimo. Requer a reforma do Acórdão recorrido, julgando totalmente procedente este recurso e cancelando a multa. É o relatório. Fl. 257DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-010.895 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12266.723512/2012-58 Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Da Admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade, por isso dele toma-se conhecimento. Do Processo No presente caso foi lavrado Auto de Infração para cobrança da multa em razão da não prestação de informação sobre carga, ou sobre as operações que execute na forma e prazo previstos pela RFB. Tal multa está prevista na alínea "e", do inciso IV, do art. 107, do Decreto-Lei n° 37, de 1966 (com redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833, de 2003), abaixo transcrita, em relação às 113 ocorrências: “Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: (...) IV - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada ir empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a- porta, ou ao agente de carga.” (Destacou-se) Em relação à prestação de “informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute” no Siscomex Carga, para conferir efetividade à referida norma, foi editada a Instrução Normativa RFB n° 800, de 2007, que estabeleceu a forma e o prazo para a prestação das referidas informações. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal que integra o presente Auto de Infração (fl. 05), a conduta que motivou a imputação da multa em questão foi deixar de “prestar as informações sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executou, identificadas em Tabela anexa, parte constante deste Auto, na forma e no prazo estabelecidos pela RFB, na Instrução Normativa RFB n° 800, de 27 de dezembro de 2007 e Ato Declaratório Executivo Corep n° 3, de 28 de março de 2008”. Entretanto, conforme planilha de fls 13/15 as referidas informações teriam sido prestadas a destempo, ensejando a aplicação das multas. Tendo a Recorrente trazido vários argumentos a fim de afastar a penalidade, ora discutida, estes serão analisados ponto a ponto para fique mais ordenado o presente voto. Das Matérias não Arguidas em Sede de Impugnação Fl. 258DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-010.895 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12266.723512/2012-58 (Ilegitimidade passiva, múltiplas penalidade em um mesmo Auto de Infração) No Recurso Voluntário apresentado a parte trouxe ao processo novas argumentações que não haviam sido apresentadas à autoridade julgadora a quo, quais sejam: ilegitimidade passiva e nulidade do Auto de Infração por cerceamento de defesa, em razão de terem sido penalizadas múltiplas infrações em um só AI. Em sua defesa a contribuinte expõe uma série de situações fáticas e jurídicas, que entende laborar a seu favor, inovando o litígio. O limite da lide, entretanto, deve circunscrever-se unicamente aos termos da impugnação. Em relação a estes argumentos trazidos no Recurso Voluntário verifica-se que extrapolam o que foi aduzido na Impugnação, constituindo inovação recursal. A pretensão da Recorrente é reabrir matéria preclusa, o que é rejeitado pelo ordenamento processual civil em vigor, e rechaçado pelo Código de Processo Administrativo Fiscal de que trata o Decreto nº 70.235 de 1972, que assim dispõem sobre o tema: “Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente;); c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” Desta forma, a matéria objeto do Auto de Infração que não foi contestada por ocasião da apresentação da Impugnação deve ser considerada como não impugnada e, em virtude da preclusão consumativa, tornou-se definitiva na esfera do processo administrativo fiscal. Tivesse a Recorrente, exposto as razões colacionadas com o Recurso Voluntário em sua Impugnação, as autoridades julgadoras de primeira instancia poderiam as ter apreciado. Não há como se superar os argumentos decisórios da instância de origem, pois as alegações trazidas no Recurso Voluntário não são de ordem pública, razão pela qual, não podem ser conhecidas de ofício. A jurisprudência é pacífica em relação a esta matéria: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2007 INOVAÇÃO RECURSAL. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente deduzida em manifestação de inconformidade. Opera-se a preclusão do direito alegar novos fatos em sede recursal. O limite da matéria em julgamento é Fl. 259DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-010.895 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12266.723512/2012-58 delimitado pelo que vier a ser alegado em impugnação ou manifestação de inconformidade.” Processo nº: 10980.920569/2012-01. Acórdão nº 3003-001.812, de 15/06/2021 Relatora: Conselheira Ariene d’Arc Diniz e Amaral. “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1997 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INOVAÇÃO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. Constitui inovação recursal a alegação, deduzida na fase recursal, de fundamento jurídico não suscitado na impugnação e não apreciado pela instância a quo.” Processo nº 16327.001740/2000-85. Acórdão nº 1201-005.549, de 08/12/2021. Relator: Conselheiro Jeferson Teodorovicz. “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2009 a 30/11/2009 INOVAÇÃO DOS ARGUMENTOS DE DEFESA. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. A inovação dos argumentos de defesa, em sede de recurso voluntário, viola as regras do processo administrativo fiscal, dada a ocorrência de preclusão consumativa.” Processo nº 12448.918544/2012-00. Acórdão nº 3002-002.069, de 16/09/2021. Relator: Conselheiro Paulo Régis Venter. Nestes termos, no caso ora em análise, operou-se o instituto da preclusão em razão a estes temas não anteriormente abordados, razão pela qual, estes tópicos recursais não devem ser conhecidos. Do Mérito Da Denúncia Espontânea No que diz respeito ao mérito, a Recorrente inicia requerendo o reconhecimento da ocorrência da denúncia espontânea para fins de exclusão da multa em debate, sob a alegação de que as informações prestadas a destempo o foram antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório referente ao cumprimento dessas obrigações. As infrações objeto do presente processo, entretanto, ocorrem quando da violação da forma ou do prazo previsto para prestação de informações no sistema informatizado da RFB. Seria, portanto, incabível a aplicação do instituto da denúncia espontânea nos casos em que o atraso na prestação de informações é a própria conduta combatida. Tal é o entendimento contido na Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), abaixo transcrita: “Súmula CARF nº 126 -A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010." (Destacou-se) A impossibilidade deste caso é de natureza lógica. Ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São Fl. 260DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3201-010.895 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12266.723512/2012-58 dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Cita-se, ainda, a respeito deste tema, a Solução de Consulta Interna Cosit nº 08, de 2016, que possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PENALIDADES PECUNIÁRIAS ADMINISTRATIVAS. Somente é possível admitir denúncia espontânea, tributária ou administrativa, se não for violada a essência da norma, suas condições, seus objetivos e, consequentemente, se for possível a reparação. Inadmissível a denúncia espontânea para tornar sem efeito norma que estabelece prazo para a entrega de documentos ou informações, por meio eletrônico ou outro que a legislação aduaneira determinar.” Afasta-se, assim, a aplicação da denúncia espontânea. Dos Princípios Constitucionais Quanto às alegações de que o Auto de Infração estaria a ferir a reserva legal, violando princípios constitucionais e da administração pública, importa compreender que o mesmo foi lavrado com base em normas vigentes. Neste sentido, a autoridade fiscal deve cumprir as determinações legais e normativas de forma plenamente vinculada, não podendo, sob pena de responsabilidade funcional, desrespeitar as normas da legislação tributária, em observância ao art. 142, parágrafo único, do CTN. Código Tributário Nacional “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Não cabe, portanto, a este Colegiado afastar autuação sob o argumento de que representaria ofensa a princípio constitucional, jurídico ou administrativo: o raio de cognição do julgador administrativo restringe-se à apuração da ocorrência (ou não), no caso concreto, da hipótese de incidência da sanção normativamente cominada. O afastamento de multa, em especial da norma que prevê a sanção cominada, sob o argumento de que a sanção representaria afronta a princípios constitucionais, tais como razoabilidade, proporcionalidade, não confisco ou qualquer outro, significaria nítida declaração, incidenter tantum, de inconstitucionalidade das normas jurídicas que prescrevem a referida sanção. Tal atribuição de controle de constitucionalidade não é dada a este Conselho. A apreciação desta matéria por parte deste Colegiado encontra óbice na Súmula nº 02, cujo teor transcreve-se a seguir: Fl. 261DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3201-010.895 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12266.723512/2012-58 “Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Assim sendo, não há como se conhecer do argumento de que foram feridos princípios constitucionais, tal como apresentado no Recurso Voluntário interposto. Do Caráter Objetivo da Multa Alegou também a Recorrente que não teria causado dano ao Erário ou prejuízo à fiscalização e que a todo o momento agiu de boa-fé. Desta forma, não deveriam ter sido aplicadas as multas em análise. Quanto a este tema, vale a pena ressaltar que o caráter punitivo da reprimenda possui natureza objetiva, ou seja, dá-se independentemente da vontade do contribuinte ou de eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais. Eis que a responsabilidade neste caso, independe da intenção do agente ou responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do Código Tributário Nacional, in verbis: “Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.” Corroborando com entendimento acima exposto, a responsabilidade por infrações aduaneiras, prevista no artigo 602, parágrafo único e no artigo 603, I, do Decreto nº 4.543, de 2002 (Regulamento Aduaneiro), respectivamente, resolvem a questão: “Art. 602. Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte de pessoa física ou jurídica, de norma estabelecida ou disciplinada neste Decreto ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completa-lo. Parágrafo único. Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, da natureza e da extensão dos efeitos do ato.” “Art. 603. Respondem pela infração: I. conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie;” (Destacou-se) Sendo assim, a legislação aduaneira adota a responsabilidade de natureza objetiva, ou seja, não importa o elemento volitivo para ser caracterizada a infração, estendendo a responsabilidade pela infração a todos que concorrem para a sua prática ou dela se beneficiem. Em assim sendo, não deve acolhido o argumento da recorrente de que o atraso em prestar as informações à RFB não teria causado prejuízo à fiscalização ou dano ao Erário e de que teria agido de boa-fé todo o tempo. Fl. 262DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3201-010.895 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12266.723512/2012-58 Da Interpretação Mais Benéfica No que se refere ao pedido de interpretação mais favorável ao sujeito passivo, os argumentos da recorrente não podem ser acolhidos. Isto porque o art. 112 do CTN que prevê este tipo de interpretação deve ser aplicado apenas em situações nas quais restem dúvidas a respeito da interpretação da legislação tributária. Tal requisito não se verifica no caso em análise, ante a objetividade com que está redigido o já mencionado art. 107, IV, “e”, do Decreto-Lei n° 37, de 1966, dispositivo que se prestou à capitulação legal da infração. Do Prazo para Prestação das Informações A recorrente também se insurge contra a aplicação das penalidades levantadas pelo Auto de Infração, argumentando que seria o caso de não aplicabilidade da multa, em razão dos fatos geradores terem ocorrido em datas anteriores a 1º de abril de 2009. Isto em razão do disposto no artigo 50, da Instrução Normativa RFB n° 800, de 2007. Esclareça-se. A regulamentação prevista na mencionada IN RFB, em seu artigo 22, assim dispunha no período da ocorrência dos fatos geradores: “Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I - as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II - as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: a) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, quando o item de carga for granel; b) dezoito horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, para os demais itens de carga; c) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos CAB, BCN e ITR e respectivos CE; d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a descarregar em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e III - as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. § 1 º Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. § 2º As rotas de exceção e os correspondentes prazos para a prestação das informações sobre o veículo e suas cargas serão registrados no sistema pela Coordenação Especial de Vigilância e Repressão (Corep), a pedido da unidade da RFB com jurisdição sobre o porto de atracação, de forma a garantir a proporcionalidade do prazo em relação à proximidade do porto de procedência. § 3 º Os prazos e rotas de exceção em cada porto nacional poderão ser consultados pelo transportador. § 4º O prazo previsto no inciso I do caput, se reduz a cinco horas, no caso de embarcação que não esteja transportando mercadoria sujeita a manifesto.” Fl. 263DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 3201-010.895 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12266.723512/2012-58 (Destacou-se) No período em referência, ano de 2008, os prazos citados estavam suspensos, conforme mencionado no recurso. No entanto, de acordo com o art. 50, da norma em exame, o interessado estava obrigado a informar as cargas transportadas em momento anterior à atracação da embarcação em porto no país, o que se faz com o registro dos conhecimentos eletrônicos: “Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009.( Redação dada pela IN RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008 ) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I. a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II. as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País.” (Destacou-se) Verifica-se, portanto, que a infração está plenamente tipificada na conduta realizada pela recorrente. Havia prazo certo para apor no sistema as informações sobre a carga transportada no veículo na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (no caso específico, até o momento da atracação da embarcação). A recorrente teria deixado de prestá-las, de acordo com o entendimento da autoridade aduaneira. Neste ponto é salutar esclarecer que embora o caput do artigo 50, da Instrução Normativa RFB nº 800, de 2007 tenha expressamente postergado a vigência do artigo 22 para 01/04/2009 (redação dada pela Instrução Normativa RFB n° 899, de 2008), o Parágrafo único deste mesmo artigo estabeleceu prazo inequívoco - antes da atracação da embarcação em porto no País - para prestação das informações relacionadas às cargas. Portanto, embora não se aplique o prazo previsto no artigo 22 (48 horas), há que se respeitar o prazo determinado no artigo 50: antes da atracação. Cumpre lembrar que ao ser estabelecido na norma um prazo determinado para prestação de informação, não cabe nem à autoridade aduaneira, nem ao julgador administrativo aumentar ou diminuir referido prazo. Assim, havendo momento certo até o qual a informação deva ser prestada, é até o fim deste prazo fatal que deve ser aposta a informação no sistema. O atraso, seja de um segundo, seja de muitos dias configura o não cumprimento da obrigação no prazo determinado pela norma de regência. Conclui-se que, no caso em exame, a perda de prazo se deu pela inclusão/retificação do conhecimento eletrônico agregado em tempo posterior ao do registro da atracação da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. E ainda que o fato gerador tenha ocorrido antes do período previsto pela Instrução Normativa (01/04/2009), as informações deveriam ter sido prestadas até o momento determinado na norma: antes da atracação da embarcação. Da Alegação de Retificação das Informações Fl. 264DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 3201-010.895 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12266.723512/2012-58 A empresa sustenta, ainda, que teria cumprido as obrigações acessórias reclamadas. Argumenta que não ocorreu prestação de informação extemporânea, mas simples alterações ou retificações de informações anteriormente prestadas. Tomando como base o relato da autoridade aduaneira e a legislação referida no lançamento, vê-se que a infração imputada consistiu em retificar dados do Conhecimento Eletrônico-CE em momento posterior ao prazo fixado em ato normativo da RFB, como se verifica na tabela constante às fls 13/15, parte integrante do Auto de Infração, parcialmente abaixo reproduzida. Para melhor compreensão da matéria, se faz necessário esclarecer que o Auto de Infração combatido traz a descrição de 113 ocorrências, referentes a diferenças nos peso, NCM e tara (havendo também um caso de retificação de CNPJ). Tal informação pode ser obtida nos Extratos de Conhecimento Eletrônico e nos pedidos de retificação a eles anexados que se encontram nos documentos de fls 32 a 411. Estas mesmas informações foram mencionadas no Recurso Voluntário, mas encontram-se melhor detalhadas na peça de defesa apresentada na primeira instância, na planilha de fls 415 a 418. Na mencionada planilha fica evidenciado que o que ocorreu nestes 113 casos foi retificação das informações anteriormente prestadas e não prestação de informações após o prazo legal. Sobre este tema, o próprio ente tributante, se manifestou por meio da Solução de Consulta Interna COSIT nº 02, de 2016, quando considerou inaplicável a penalidade em comento em casos específicos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. CONTROLE ADUANEIRO DAS IMPORTAÇÕES. INFRAÇÃO. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIA. A multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas “e” e “f” do Decreto- Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, é aplicável para cada informação não prestada ou prestada em desacordo com a forma ou prazo estabelecidos na Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. Dispositivos Legais: Decreto-Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966; Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007.” (Destacou-se) Fl. 265DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 3201-010.895 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12266.723512/2012-58 No mesmo sentido desta Solução de Consulta Interna Cosit, foi acolhida a tese de que a alteração ou retificação das informações prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, para efeito de aplicação da multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas “e” e “f” do Decreto-Lei nº 37, de 1966. Foi julgada, por unanimidade de votos, situação bastante semelhante. A decisão proferida apresenta a seguinte ementa: “Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 05/05/2008, 30/05/2008, 02/06/2008 MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIA. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÃO ANTERIORMENTE PRESTADA. Alteração ou retificação das informações prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, para efeito de aplicação da multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas “e” e “f” do Decreto-Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, de acordo com a Solução de Consulta Cosit nº 2/2016. Recurso Voluntário Provido” Processo nº 11968.000473/2008-61. Acórdão nº 3301-005.219; de 27/09/2018. Relator Conselheiro Valcir Gassen. Não foi, entretanto, decisão única. A jurisprudência deste Colegiado também alberga o entendimento manifestado pela RFB, no sentido de que a retificação de informações de CE não se sujeita à penalidade que coíbe a prestação de informações extemporâneas. Abaixo foram transcritas ementas de alguns processos decididos desta mesma forma: “Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 30/07/2008, 12/08/2008, 03/10/2008 RETIFICAÇÃO DE CONHECIMENTO ELETRÔNICO. INAPLICABILIDADE DA PENALIDADE. As alterações ou retificações de informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes na operações de comércio exterior não se configuram como prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, na hipótese, a aplicação da multa prevista no art. 107, IV, e, do Decreto-lei nº 37/1966. Processo n° 10711.724479/2013-33. Acórdão nº 3003-001.921, de 21/07/2021. Relatora: Lara Moura Franco Eduardo. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETIFICAÇÃO DE CONHECIMENTO ELETRÔNICO. INAPLICABILIDADE DA PENALIDADE. A retificação do conhecimento eletrônico de carga informado dentro do prazo estabelecido no art. 22 da IN SRF no 800/2007 não enseja a aplicação da penalidade aduaneira estabelecida no art. 107, IV, “e” do Decreto-lei no 37/66. Processo nº 10921.720222/2013-37. Acórdão nº 3001-000.695, de 22/01/2019. Relator: Marcos Roberto da Silva. Configura-se, portanto, situação que se enquadra nos casos mencionados pela Cosit. A documentação acima mencionada deixa claro que as informações relativas às cargas foram prestadas dentro do prazo legal. Entretanto, em função de discrepâncias foi necessário efetuar a correção das mesmas. Sendo assim não ocorreu a subsunção do caso à norma que prevê a multa ora em discussão. Fl. 266DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 3201-010.895 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12266.723512/2012-58 Desta forma, para atuar em consonância com o estabelecido no art. 106, II, do CTN, na Instrução Normativa RFB nº 1.473, de 2014 e na Solução de Consulta Interna nº 2 Cosit, de 2016, faz-se necessário afastar as multas impostas em função do caso em análise tratar eminentemente de retificação de informações anteriormente prestadas (e não de atraso na prestação de informações). Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do Anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de não conhecer de parte do Recurso Voluntário, por inovação dos argumentos de defesa (preclusão) e, na parte conhecida, em rejeitar as questões preliminares arguidas e, no mérito, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Fl. 267DF CARF MF Original
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Numero do processo: 10660.720034/2015-99
Turma: Quinta Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Thu Nov 16 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2013
PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO RURAL. FUNRURAL E SENAR. SUB-ROGAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA ADQUIRENTE.
No período posterior à Lei nº 10.256/2001, são devidas pelo produtor rural pessoa física as contribuições incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural, ficando a pessoa jurídica adquirente responsável pela retenção e recolhimento dessas contribuições em virtude da sub-rogação prevista em lei.
Numero da decisão: 2005-000.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Milton da Silva Risso, Mario Hermes Soares Campos, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente).
Nome do relator: SHEILA AIRES CARTAXO GOMES
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COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO RURAL. FUNRURAL E SENAR. SUB-ROGAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA ADQUIRENTE. No período posterior à Lei nº 10.256/2001, são devidas pelo produtor rural pessoa física as contribuições incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural, ficando a pessoa jurídica adquirente responsável pela retenção e recolhimento dessas contribuições em virtude da sub-rogação prevista em lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Milton da Silva Risso, Mario Hermes Soares Campos, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto – DRF/RPO, que julgou procedentes Autos de Infração relativos a contribuições devidas à Seguridade Social pelo sujeito passivo na condição de ente equiparado ã empresa, bem como ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa e riscos ambientais do trabalho - SAT/GILRAT (Auto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 00 34 /2 01 5- 99 Fl. 328DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2005-000.131 - 2ª Sejul/5ª Turma Extraordinária Processo nº 10660.720034/2015-99 de Infração DEBCAD n° 51.067.415-1) e ao Terceiro SENAR (Auto de Infração DEBCAD n° 51.067.417-8), no período compreendido pelas competências 01/2010 a 12/2013. Por bem narrar o lançamento, bem como os termos da impugnação, reproduzo a exposição contida no relatório da recorrida: Segundo a fiscalização, trata-se de auditoria realizada, relativa às contribuições previdenciárias, com fulcro no Mandado de Procedimento Fiscal n° 061600.2014.00654, Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, com ciência em 08/09/2014, relativo ao exercício de 2010, e Termo de Intimação Fiscal n° 001, com ciência em 20/10/2014 acrescentando os exercícios de 2011,2012 e 2013. Apurou-se as contribuições sociais, destinadas à Seguridade Social, referente à contribuição devida sobre a comercialização de produtos rurais, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e as contribuições destinadas a Outras Entidades e Fundos - Terceiros (SENAR). As contribuições devidas foram apuradas com base em arquivos digitais SPED - exercícios de 2010 a 2013, e relatórios de aquisição de produtos rurais - café, milho e lenha, apresentados pela empresa. Os arquivos digitais apresentados foram validados através do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais - SVA, sendo os códigos de identificação n° d49781d5-30101727-bf6433c2-33e45efd (exercício de 2010), 90be920a-b7d54956- 993056e0-2de97862 (exercício de 2011), 8e925ae5-e0709862-4el23577-9dl03133 (exercício de 2012) e e08086db-lfdf567c-0f9dbdde-9f74bb75 (exercício de 2013). Os débitos lançados referem-se a contribuições sociais não declaradas na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP em épocas próprias, sendo que o valores declarados antes do início da ação fiscal, assim como as guias de recolhimentos normais da empresa, relacionadas a tais fatos, não foram considerados para este Auto de Infração, e eventuais débitos relativos a valores declarados em GFIP serão notificados por meio eletrônico. FATO GERADOR A autuada apresentou Mandado de Segurança n° 2002.38.00.007485-0, através do qual pleiteou tutela jurisdicional para que fosse garantido o seu direito de não se submeter ao recolhimento da contribuição social e do respectivo adicional, previstos no art. 25, I e II da Lei n° 8.212/91, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção de seus cooperados - empregadores rurais pessoas físicas, sendo dado provimento para conceder a segurança, desobrigando a impetrante de recolher as contribuições sociais. Por estar a entidade amparada por liminar, o crédito das contribuições sociais apurado está de acordo com a Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art 63 (exigibilidade suspensa) e Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 151, incisos IV e V. Trata-se este levantamento de diferença de contribuições apuradas sobre a aquisição de produtos rurais, sem depósito judicial e/ou pagamentos efetuados através de GPS, nas competências que estão devidamente identificadas nos Anexos que acompanham o Relatório Fiscal. Nos Anexos I e II encontram-se demonstradas as bases de cálculos e os valores das contribuições sociais devidas sobre a comercialização da produção rural e para outras entidades Nos Anexos IB, ID , UB e IIC encontram-se demonstrados os valores devidos das diferenças apuradas, sem depósitos judiciais efetuados e/ou recolhimentos das contribuições sociais e para terceiros. Fl. 329DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2005-000.131 - 2ª Sejul/5ª Turma Extraordinária Processo nº 10660.720034/2015-99 Devidamente intimado sobre o lançamento, comparece o contribuinte aos autos ofertando o instrumento de impugnação de fls. 202/204, aduzindo, em síntese, que: AUTO DE INFRAÇÃO - DEBCAD - 51.067.415-1 1) Pela autuação em destaque foi apurado um suposto crédito tributario de R$ 26.105,98, o qual somado aos juros e multa totaliza o valor de RS 50.418,29. Todavia, a apuração não procede eis que pelos levantamentos e discriminação dos fatos geradores constantes dos anexos, vê-se que há um equívoco em relação ao valor considerado como base de cálculo para a apuração dos valores devidos a título de imposto. 2) É que no valor que consta das notas fiscais de comercialização dos produtos, encontra-se embutido o valor do imposto (FUNRURAL), como destacado no pé das notas, no quadro denominado "dados adicionais". A título de exemplo e por amostragem, juntou-se com a defesa, as notas fiscais inclusas onde encontra-se destacado no quadro "dados adicionais", o valor do FUNRURAL embutido no preço do produto. 3) Assim, para cálculo do valor do imposto há de ser deduzido aquele valor destacado do FUNRURAL embutido no preço do produto, sob pena de se estar cobrando imposto sobre imposto, ou seja, de estar havendo uma bi-tributação com evidente prejuízo ao contribuinte. 4) Procedendo-se à dedução referida acima, constata-se pelos próprios levantamentos da Receita e discriminação dos fatos geradores, que não procede o crédito tributário apurado já que inexistem diferenças de contribuições sobre aquisição de produtos rurais. AUTO DE INFRAÇÃO - DEBCAD - 51.067.417-8 5) No caso dessa autuação, foi apurado um suposto crédito tributário de RS 5.805,49, o qual somado aos juros e multa totaliza o valor de RS 11.810,10. Todavia, mais uma vez, a apuração não procede eis que também aqui há uni equívoco em relação ao valor considerado como base de cálculo para a apuração dos valores, conforme se constata pela análise dos levantamentos e da discriminação dos fatos geradores constantes dos anexos. 6) É que no mês de março/2011 houve um recolhimento a maior do FUNRURAL no montante de R$ 3.508,48, resultado de equívoco no ato de preenchimento da guia de recolhimento respectiva. Assim, foi recolhido a maior no FUNRURAL e a menor no SENAR. O levantamento da Receita que apurou a base de cálculo para levantamento do suposto crédito tributário, acabou por considerar, apenas, o recolhimento menor, desconsiderando o maior. O equívoco não justifica ou fundamenta a cobrança do valor apurado, carecendo o mesmo de embasamento legal. 7) Postula pela admissão da impugnação e cancelamento dos Autos de Infração. A exigência foi mantida no julgamento de primeiro grau (fls. 240/259), em acórdão que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2013 LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR A DECADÊNCIA. O crédito tributário não declarado que seja objeto de discussão judicial ainda não superada por decisão definitiva deve ser lançado de ofício a fim de prevenir a decadência. Fl. 330DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2005-000.131 - 2ª Sejul/5ª Turma Extraordinária Processo nº 10660.720034/2015-99 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda Pública com o mesmo objeto, antes ou posteriormente à autuação, implica renúncia à instância administrativa. A contribuinte foi cientificada da decisão em 21/06/2016 (AR de fl. 282), apresentando o recurso voluntário em 18/07/2016 (fls. 284/299), no qual reitera a linha argumentativa da impugnação, e acrescentando as seguintes ponderações, no que se refere ao DEBCAD nº 51.067.415-1: - reafirma que o valor do Funrural já está embutido na nota fiscal, devendo ser excluído no cálculo dos tributos exigidos, sob pena de bi tributação; - a ausência de nota fiscal de venda deve-se ao fato de que a nota fiscal de entrada representa a transação de venda entre o associado e a cooperativa, o que está de acordo com a legislação aplicável; - a Coopama não reteve o valor do Funrural, mas sim depositou judicialmente, com recursos próprios, a quantia correspondente, no que considera ser, indiretamente, um ressarcimento desse valor ao cooperado. - junta documentos de prestação de contas referentes às notas fiscais acostadas aos autos, no qual consta discriminação de valores de Funrural. No que se refere ao DEBCAD nº 51.067.417-8, cinge-se a afirmar que o recolhimento a maior refere-se à competência abril/2011, tratando-se de guia de depósito judicial já entregue à fiscalização. É o relatório. Voto Conselheira Sheila Aires Cartaxo Gomes, Relatora. O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. Sintetizando os termos da lide, tem-se que a contribuinte tem ação judicial contestando a incidência de contribuições devidas pela cooperativa, previstas nos incisos I e II do art. 25 da Lei 8.212/91, incidentes sobre a comercialização da produção rural adquirida de pessoa física. Não obstante, cabe notar de início não haver concomitância na espécie, pois se trata de lançamento realizado com vistas a prevenir a decadência, e referente apenas às diferenças de contribuições sobre a aquisição de produtos rurais, relativamente às quais a fiscalização entendeu não haverem sido depositados em juízo nem recolhidas em GPS. Fl. 331DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2005-000.131 - 2ª Sejul/5ª Turma Extraordinária Processo nº 10660.720034/2015-99 A contribuinte defende que inexistem tais diferenças, e que elas seriam devidas a um pagamento a maior feito em guia preenchida equivocadamente (DEBCAD nº 51.067.417-8), ou, no caso do DEBCAD nº 51.067.415-1, corresponderiam ao Funrural que estaria embutido nas notas fiscais de entrada, e que teria sido depositado em juízo. Pois bem, no que tange especificamente ao DEBCAD nº 51.067.415-1, importa assinalar que a contribuinte juntou com a impugnação uma série de notas fiscais de entrada, na qual constam apontamentos no campo “Dados adicionais”, relativos ao valor do Funrural associado à respectiva operação, seja sob o título “FUNRURAL” (fls. 207/210), seja sob a sigla “FR” (fls. 211/217). Em algumas outras notas, consta, ainda, a anotação “Funrural não retido e recolhido pela Coopama...Ressarcimento recebido pelo destinatário” (fls. 218/226). Consoante relatado mais acima, a DRJ considerou que os documentos em questão não eram aptos a comprovar que o valor do Funrural estava incluído no valor de emissão das notas fiscais, levantando dúvidas sobre a pertinência da utilização de nota fiscal de entrada para a aquisição da produção rural pela cooperativa, sobre as referências ao ressarcimento presentes em parte das notas, e sobre a existência de depósito ou pagamento desses valores. Foi observado, ainda, que os valores utilizados pelo Fisco são vinculados a notas fiscais constantes do SPED, correspondendo apenas ao valor das mercadorias, por isso deveria ter sido depositado na sua integralidade, o que não ocorreu no particular. Por seu turno, a contribuinte, no recurso voluntário, reitera que o Funrural está incluído nas notas fiscais, não podendo ser calculado o tributo devido sobre esse valor sob pena de bi-tributação, que não são emitidas notas fiscais de venda pois se trata de operação entre a cooperativa e seus cooperados, sendo apropriada ao invés disso a emissão de notas fiscais de entrada, e que realiza recolhimentos via depósito, com recursos próprios, para seus cooperados, daí se justificando as referências a ressarcimento constantes em algumas das notas. Nessa linha, junta documentos intitulados “PREST. DE CONTAS”, que estão associados a algumas das notas carreadas ao processo quando da impugnação. Considerando que as alegações de recurso em nada diferem daquelas apresentadas em sede de impugnação, estando as conclusões alcançadas pelo órgão julgador de primeira instância em consonância com o entendimento perfilhado por esta Relatora, em vista do disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF, não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adoto os fundamentos da decisão recorrida, mediante transcrição do inteiro teor de seu voto condutor neste particular, in verbis: O presente processo administrativo fiscal assume nítida semelhança substancial com a matéria contida nos Autos de Infração integrantes do processo administrativo fiscal nº 10660.720037/2015-22. Em verdade, a única diferença entre ambos é que nos Autos de Infração constantes deste processo que agora se aprecia (DEBCAD nºs 51.067.415-1 e 51.067.417-8) os valores lançados se referem a notas fiscais de aquisição de produção rural supostamente não consideradas pelo contribuinte quando da composição dos valores depositados em juízo nos autos da ação de mandado de segurança nº 2002.38.00.007485-0, em trâmite pela Justiça Federal da 1a. Região, ainda sem trânsito em julgado, vez que aguarda pronunciamento do Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário nº 718.874/RS reconhecido como de repercussão geral. Fl. 332DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2005-000.131 - 2ª Sejul/5ª Turma Extraordinária Processo nº 10660.720034/2015-99 Já em relação aos Autos de Infração DEBCAD nºs 51.067.414-3 e 51.067.416-0, integrantes dos autos do processo administrativo nº 10660.720037/2015-22, os valores lançados correspondem aos valores depositados em juízo pelo contribuinte. Ocorre, contudo, que o contribuinte traz aos autos questionamentos específicos que merecem a atenção deste Colegiado. Efetivamente, argumenta o fato de no valor das notas fiscais consideradas pela fiscalização já estar embutida a contribuição previdenciária, que o contribuinte chama de “FUNRURAL”. Diante deste fato, argumenta que caso não tivesse havido a consideração do valor já embutido, conforme campo “dados adicionais” das notas fiscais, não haveria a divergência apontada pela fiscalização em relação aos valores de base de cálculo adotados para efeito de depósito. Às fls. 207/226 o contribuinte junta algumas notas de entrada de produção rural adquirida, onde consta, efetivamente, no campo “dados adicionais” a menção a um valor devido a título de “FUNRURAL”. De seu turno, a fiscalização deixa claro que: 3. As contribuições devidas foram apuradas com base em arquivos digitais SPED - exercícios de 2010 a 2013, e relatórios de aquisição de produtos rurais - café, milho e lenha, apresentados pela empresa. 4. Os arquivos digitais apresentados foram validados através do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais - SVA, sendo os códigos de identificação n° d49781d5-30101727-bf6433c2-33e45efd (exercício de 2010), 90be920a-b7d54956- 993056e0-2de97862 (exercício de 2011), 8e925ae5- e0709862-4e123577-9d103133 (exercício de 2012) e e08086db-1fdf567c- 0f9dbdde-9f74bb75 (exercício de 2013). Assim, este contexto parece ensejar a dúvida se o valor da nota fiscal constante do arquivo digital SPED foi o total da nota, sem segregação do valor informado a título de “FUNRURAL” no campo “dados adicionais”. Ainda, a fiscalização apresentou vários anexos totalizadores de bases de cálculo com e sem depósito judicial, relativas à aquisição de milho, lenha (consolidadas) e café (fls. 68/77 –Anexos I, IB, ID, II, IIB e IIC). Ato contínuo, às fls. 88/120 constam planilhas de aquisição de café (fls. 88/102) e milho e lenha (fls. 104/120). O contribuinte, nos documentos de fls. 207/226, junta as seguintes notas fiscais, por amostragem: a) fls. 207/210: notas referentes às competências 01, 04, 06 e 09/2010; b) fl. 211: nota referente à competência 12/2010; c) fls. 212/216: notas referentes às competências 01, 04, 06 e 09 e 12/2011; d) fls. 217/221: notas referentes às competências 01, 04, 06 e 09 e 12/2012; e e) fls. 222/226: notas referentes às competências 01, 04, 06 e 09 e 12/2013. Comparando-se as notas acima indicadas com as planilhas de fls. 88/120, tem-se que: a) fls. 207/210: notas referentes às competências 01, 04, 06 e 09/2010: As notas se referem à aquisição de café. b) fl. 211: nota referente à competência 12/2010: idem ao anterior. c) fls. 212/216: notas referentes às competências 01, 04, 06 e 09 e 12/2011: As notas referem-se à aquisição de café. A planilha relativa à aquisição de café (fls. 93/94, referente ao ano de 2011) somente abrange a competência 01/2011. A nota fiscal relativa a esta competência, fl. 212, emitida em nome de José Sólon de Lima Junior, em 20/01/2011, pelo valor de R$ 27.231,54 consta da relação apresentada pela fiscalização. Fl. 333DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2005-000.131 - 2ª Sejul/5ª Turma Extraordinária Processo nº 10660.720034/2015-99 A nota em si não traz qualquer menção a “FUNRURAL”, apenas indicando uma sigla “FR”, com um valor de R$ 625,80. c.1) Contudo, ressalta-se que o valor de R$ 27.231,54 é resultado da soma dos itens constantes da nota (R$ 27.082,44 e R$ 149,10) não havendo qualquer dedução de contribuição embutida. d) fls. 217/221: notas referentes às competências 01, 04, 06 e 09 e 12/2012: d.1) nota fiscal de fl. 217: idêntico ao item “c” e subitem “c.1”, acima (valor da nota corresponde ao somatório dos itens adquiridos e não consta “FUNRURAL”, mas apenas “FR”). d.2) notas fiscais de fls. 218/221: valor da nota corresponde ao somatório das mercadorias adquiridas; há menção de “Funrural não retido e recolhido pela Coopama ...” e “Ressarcimento recebido pelo destinatário” e) fls. 222/226: notas referentes às competências 01, 04, 06 e 09 e 12/2013: idêntico contexto em relação ao subitem “d.2” acima. Diante dos documentos apresentados pelo sujeito passivo e das verificações acima feitas, tem-se que: Em primeiro lugar, todas as notas apresentas às fls. 207/226 constituem notas fiscais de entrada, isto é, emitidas pelo próprio contribuinte em favor dos produtores rurais pessoas físicas, não se tratando da própria nota fiscal de venda destes ou de qualquer outro documento que comprove que o valor da operação seja inferior àquele constante das notas fiscais de entrada. É evidente que, por se tratar de produtores rurais pessoas físicas, sem qualquer inscrição no CNPJ ou CEI, não têm talonário de notas fiscais. Contudo, o contribuinte, ao afirmar em um documento fiscal que efetuou uma restituição de contribuição ao produtor, mesmo a despeito da não ter feito a retenção, deve provar este fato por algum elemento, não bastando a sua mera informação no documento fiscal que emite como validador da entrada da mercadoria. Outrossim, é curioso ler a descrição de algumas notas: “Funrural não retido e recolhido pela Coopama ...” e “Ressarcimento recebido pelo destinatário”. Se não houve retenção, não há o que ser ressarcido, pois este comportamento pressupõe que o adquirente realize um desconto do valor total da nota, ou seja, a retenção. Se não houve retenção, como ele mesmo afirma na nota fiscal, de forma que o sujeito passivo tenha efetuado o pagamento integral da nota fiscal, não há o que ressarcir ou restituir ao produtor rural pessoa física. Aliás, sobre o dever de retenção da contribuição, dispõe a Lei nº 8.212/91, ainda não revogada nesta parte por pronunciamento erga omnes do Poder Judiciário: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: I - 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; II - 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. ... omissis ... Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: I - a empresa é obrigada a: Fl. 334DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2005-000.131 - 2ª Sejul/5ª Turma Extraordinária Processo nº 10660.720034/2015-99 ... omissis ... III - a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; IV - a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam sub- rogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; Portanto, se o contribuinte afirma nos documentos fiscais que não reteve e, ainda assim, realizou um ressarcimento ao produtor rural, resta inequívoco que deve ser considerado, como base de cálculo à contribuição por sub-rogação o valor total da nota fiscal. Em segundo lugar, em nenhuma das notas apresentadas pelo contribuinte há a demonstração de que os valores totais abrangem valores devidos à contribuição que deveria ter sido retida. Ao contrário, os valores das notas fiscais representam apenas o valor das mercadorias adquiridas dos produtores rurais. Ademais, não há nos autos qualquer elemento que permita concluir que o contribuinte realizou o pagamento do valor da nota fiscal acrescido do suposto valor informado a título de “FUNRURAL”. Mas, ainda que houvesse, esta questão seria absolutamente irrelevante. A base de cálculo considerada pela fiscalização não é determinada pelo valor que o contribuinte efetivamente pagou ou deixou de pagar, mas sim pelo valor da produção rural adquirida; certamente, nas hipóteses nas quais haja o cabimento legal de desconto, este deve ser considerado no abatimento da base de cálculo a ser considerada. Portanto, não há prova do fato do contribuinte ter “ressarcido” o adquirente, ou ter pago o valor da nota fiscal com o abatimento de contribuição, e ainda que houvesse, seriam desprovidos de relevância estes fatos. Também não é crível que o produtor rural tenha feito um cálculo prévio de forma que o valor unitário da mercadoria já abranja, proporcionalmente, o valor da contribuição da empresa adquirente. Em terceiro lugar, mesmo nos casos onde há a previsão simples da expressão “FUNRURAL” no campo “dados adicionais”, não se pode presumir que o contribuinte tenha efetivamente recolhido o valor ali indicado. Isto porque, como ele bem informa, está discutindo a exação e depositando os valores devidos em juízo, de forma que a apuração feita pela fiscalização de que houve divergências entre os valores depositados e os valores oriundos das notas fiscais de aquisição, comprova que não houve o seu recolhimento (depósito judicial). Em quarto lugar, a apuração da fiscalização se baseou em dois elementos: a) de um lado, o valor de notas fiscais constantes dos arquivos digitais (SPED), que, como visto, correspondem somente ao valor das mercadorias, sem qualquer contribuição embutida; e, b) os valores do depósito. Dessa maneira, apurando-se um valor devido de contribuição total sobre os valores das notas fiscais, chega-se ao valor que deveria ter sido depositado na integralidade; deduzindo-se deste o valor efetivamente depositado em juízo, chega-se ao valor que, embora devido, não foi recolhido pelo contribuinte, e, portanto, não se sujeita à eventual conversão em renda, caso infrutífera a ação judicial. Fl. 335DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 2005-000.131 - 2ª Sejul/5ª Turma Extraordinária Processo nº 10660.720034/2015-99 Portanto, com a devida vênia, ouso discordar do entendimento apresentado pelo contribuinte diante da inexistência de indícios mínimos de veracidade e lógica em seu argumento. Quanto ao Auto de Infração DEBCAD nº 51.067.417-8, sustenta o contribuinte que na competência 03/2011 houve um recolhimento a maior do “FUNRURAL” no montante de R$ 3.508,48, resultado de equívoco no ato de preenchimento da guia de recolhimento respectiva. Assim, foi recolhido a maior no FUNRURAL e a menor no SENAR. O levantamento da Receita Federal do Brasil que apurou a base de cálculo para levantamento do suposto crédito tributário, acabou por considerar, apenas, o recolhimento menor, desconsiderando o maior. O equívoco não justifica ou fundamenta a cobrança do valor apurado, carecendo o mesmo de embasamento legal. A alegação do contribuinte é confusa, pois: (i) não se sabe se o contribuinte se refere propriamente a recolhimento ou a depósito judicial; (ii) não está claro se o recolhimento a maior refere-se à competência 03/2011, realizado em abril de 2011, ou à competência 02/2011, realizado em março de 2011; (iii) não indica em relação a qual estabelecimento o recolhimento se refere; e, (iv) não fornece sequer uma cópia do documento de arrecadação. Diante deste quadro, abstenho-me da verificação dos depósitos, vez que impraticável esta tarefa no processo administrativo, já que estes elementos somente constam do processo judicial. Parto, também, das premissas segundo as quais o contribuinte se refere a recolhimentos propriamente ditos e leva em consideração os valores indicados nos autos do processo administrativo. O Anexo Relatório de Documentos Apresentados – RDA demonstra que: a) na competência 02/2011, somente foi apresentada uma única Guia da Previdência Social – GPS, no valor de R$ 6.382,69, no código de recolhimento 2615, recolhida em 18/03/2011; e, b) na competência 03/2011, somente foi apresentada uma única Guia da Previdência Social – GPS, no valor de R$ 1.440,68, no código de recolhimento 2615, recolhida em 19/04/2011. Não há qualquer recolhimento que se amolde aos parâmetros fornecidos pelo contribuinte. Vejamos no sistema Plenus/Águia: (omissis) Portanto, o conta corrente do contribuinte deixa claro inexistir qualquer documento de arrecadação, seja na competência 02/2011, seja na competência 03/2011, no valor de R$ 3.508,48. Outrossim, não se pode considerar que este valor seja apenas uma parte de outro recolhimento, uma vez que o contribuinte não apresenta qualquer elemento documental que possa demonstrar o erro de cálculo na apuração dos valores devidos. Ante o exposto, de rigor considerar improcedente a pretensão do contribuinte, por ausência de mínimo suporte probatório ou elemento que permita a busca das informações pretendidas quanto à consideração do recolhimento. Por oportuno, cabe deixar claro ao contribuinte que a futura prova do recolhimento indevido pode ser objeto de processo específico de restituição e/ou retificação de GPS, a ser postulados junto aos órgãos da Receita Federal do Brasil de sua circunscrição territorial. Diante do exposto, concluo pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo- se integralmente os créditos tributários constituídos pelos Autos de Infração DEBCAD nºs 51.067.415-1 e 51.067.417-8. Fl. 336DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 2005-000.131 - 2ª Sejul/5ª Turma Extraordinária Processo nº 10660.720034/2015-99 Conclusão Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes Fl. 337DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10932.000825/2007-41
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/2001 a 30/04/2007
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. OUTRAS ENTIDADES OU FUNDOS.
São devidas contribuições sociais destinadas a Terceiros a cargo da empresa sobre as remunerações dos segurados empregados que lhes prestam serviços.
TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
MULTA. RETROATIVIDADE. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-002.584
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, para aplicar a multa prevista no art. 35-A da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 11.941, de 2009, que deve ser comparada à multa do lançamento,
prevalecendo a mais favorável ao contribuinte.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Recorrente SIWA TRATAMENTO TERMICO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2001 a 30/04/2007 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. OUTRAS ENTIDADES OU FUNDOS. São devidas contribuições sociais destinadas a Terceiros a cargo da empresa sobre as remunerações dos segurados empregados que lhes prestam serviços. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA. RETROATIVIDADE. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para aplicar a multa prevista no art. 35A da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 11.941, de 2009, que deve ser comparada à multa do lançamento, prevalecendo a mais favorável ao contribuinte. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 08 25 /2 00 7- 41 Fl. 194DF CARF MF Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP22.1019.09215.EF8C. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10932.000825/200741 Acórdão n.º 2803002.584 S2TE03 Fl. 195 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 195DF CARF MF Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP22.1019.09215.EF8C. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10932.000825/200741 Acórdão n.º 2803002.584 S2TE03 Fl. 196 3 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n° 37.075.7637/2007, lavrado contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal, se refere a contribuições previdenciárias relativas à contribuição da empresa (quota patronal), financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GIILRAT, e destinadas a Outras Entidades (SESI, SENAI, INCRA, SEBRAE e Salário Educação), competências 11/2001 a 04/2007. Constituem fatos geradores das contribuições lançadas as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais, cujos valores foram extraídos das folhas de pagamentos. Foram examinadas as Folhas de Pagamento e as Guias de Recolhimento ao FGTS e de Informação à Previdência Social — GFIP. Os valores se referem aos seguintes levantamentos: AF — Aferição Indireta : remuneração apurada mediante aferição indireta, de acordo com art. 33, § 6°, da Lei 8.212/91, nas competências 08/2003, 09/2003, 12/2005 e 03/2006; para as competências de 08/2003, 09/2003 e 12/2005, a aferição indireta teve por base os valores constantes do Relatório Anual de Informações Sócias — RAIS fornecida pelo contribuinte; para a competência de 02/2006, o valor decorrente da aferição indireta teve por base a média aritmética das competências do ano de 2006; os valores a título de prólabore, para todas as competências abrangidas pela aferição indireta (08/2003, 09/2003, 12/2005 e 03/2006), foi utilizada a média aritmética das competências dos anos de 2003, 2005 e 2006, respectivamente; S1 — Segurados Folha: Remuneração paga aos segurados empregados, competências 11/2001 a 12/2005 e 08/2006, e remuneração a título de prólabore, paga aos contribuintes individuais, competências de 05/2003 a 12/2005 cujos valores não foram declarados em GFIP; S11 — Segurados Folha: Remuneração paga aos segurados empregados, competências 01/2006 a 07/2006 e 09/2006 a 04/2007, e remuneração a título de prólabore, paga aos contribuintes individuais, competências de 01/2006 a 04/2007 cujos valores foram declarados em GFIP. DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO Fl. 196DF CARF MF Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP22.1019.09215.EF8C. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10932.000825/200741 Acórdão n.º 2803002.584 S2TE03 Fl. 197 4 O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal, apresentando impugnação. A decisão do órgão julgador de primeira instância administrativa fiscal deu provimento parcial ao lançamento, mantendo o período de 12/2001 a 04/2007, excluindo a competência 13/2001. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O contribuinte foi cientificado da decisão, apresentando recurso voluntário, alegando em síntese: a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e que todas as intimações sejam feitas na pessoa do advogado, sob pena de nulidade; a decadência das anteriores a 12/2002, nos termos do artigo 150, §4o, do CTN; a nulidade do lançamento pela falta de comprovação dos valores apontados como devidos. O ônus da prova de demonstrar a existência da dívida é do Fisco, sendo que na espécie não restou demonstrada a efetiva ocorrência dos fatos geradores das contribuições, tampouco a necessidade de se utilizar do ilegal método da aferição indireta; as matérias argüidas podem e devem ser conhecidas pelo Conselho, mesmo quando tratar de inconstitucionalidade de leis, na medida em que tal poder é inerente e necessário ao exercício do ofício judicante outorgado aos tribunais no processo administrativo tributário; a ilegalidade da base de cálculo adotado. A pretensa incidência da exação sobre total recebido por pessoas físicas não encontra meios de prevalecer frente ao ordenamento jurídico vigente, eis que muitas das verbas que a RFB contando com suas normas internas deve ter incluído em seus cálculos, como por exemplo, participação nos lucros, reembolso de despesas, alimentação e outros, não têm caráter remuneratório; a ilegalidade da cobrança ao SEBRAE, SAT, INCRA; a multa e os juros são confiscatórios; a ilegalidade da taxa selic; protesta por todos os meios de prova existentes; por fim, requer a nulidade do lançamento fiscal. Não houve contrarrazões. É o relatório. Fl. 197DF CARF MF Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP22.1019.09215.EF8C. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10932.000825/200741 Acórdão n.º 2803002.584 S2TE03 Fl. 198 5 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, fl. 193, e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual será analisado. Decorre do art. 151, inciso III, do CTN, a suspensão da exigibilidade do Crédito Tributário, impossibilitando o fisco de inscrever em divida ativa. Destarte, a exigibilidade do crédito permanecerá suspensa enquanto não estiver definitivamente julgada na esfera administrativa. Indeferese o pedido de intimações na pessoa do patrono ou advogado, pois na atual fase do procedimento elas são feitas por via postal, endereçadas ao domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo, nos termos do Decreto 70.235, de 1972, art. 23, § 4º, com a redação que lhe foi dada pela Lei 11.196/2005. DECADÊNCIA Quanto à questão relativa à fluência do prazo decadencial, a mesma deve ser analisada. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de nº 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei 8.212/1991, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo, então Fl. 198DF CARF MF Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP22.1019.09215.EF8C. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10932.000825/200741 Acórdão n.º 2803002.584 S2TE03 Fl. 199 6 o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Caso contrário, aplicase a regra do art 173, inciso I, do CTN. Para o lançamento em questão, conforme Relatório Discriminativo Analítico de Débito – DAD, fls. 6/22, não constam recolhimentos prévios para as competências lançadas. Assim, devese utilizar a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; O lançamento fiscal se refere às competências 11/2001 e 04/2007. O contribuinte foi cientificado em 7/12/2007, fl. 2. Assim, correta a decisão recorrida que manteve o período de 12/2001 a 04/2007, excluindo a competência 13/2001. O lançamento para a competência 12/2001 só poderia ocorrer em janeiro/2002. Assim a contar a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (1/01/2003), a decadência só ocorreria a partir de 1/01/2008. DO LANÇAMENTO Consta do relatório fiscal, fls. 52/54, que as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais empresários (a titulo de prólabore) foram apuradas mediante aferição indireta de acordo com parágrafo 6o, art. 33 da Lei 8.212191, por ter o contribuinte deixado de apresentar as folhas de pagamentos e os Livros Diários/Razão para o período de 08/2003,09/2003,12/2005 e 03/2006, cujos valores não foram declarados em GFIP. Os valores foram obtidos da RAIS apresentada e pela média aritmética dos valores de pró labore apresentados. 5.1 AF Aferição Indireta Referese a remuneração apurada aos segurados empregados e aos segurados empresários a titulo de prólabore mediante aferição indireta de acordo com parágrafo 6., art.33 da Lei 8.212191, por ter deixado de apresentar as folhas de pagamentos e os Livros Diários/Razão conforme Auto de Infração n.37.075.7653, para o período de 082003,092003,122005 e 032006, cujos valores não foram declarados em GFIP Guia de Recolhimento de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social,portanto sem redução de multa. (...) Os valores dos S. C.Salário de Contribuição, mediante aferição indireta, para as competências de 0803,0903 e 1205, foram obtidos através dos valores constantes da RAIS Relatório Anual de Informações Sociais fornecidos pela empresa, e para a competência de 0206 a aferição indireta foi feita pela média aritmética das competências do ano de 2006. Os valores de prólabore, mediante aferição indireta, para as competências 0803, 0903, 1205 e 0206, foram obtidos através da média aritmética das competências dos anos de 2003, 2005 e 2006 respectivamente. Fl. 199DF CARF MF Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP22.1019.09215.EF8C. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10932.000825/200741 Acórdão n.º 2803002.584 S2TE03 Fl. 200 7 5.2 N1Folha Normal Referese a remuneração paga aos segurados empregados, no período de 112001 a 122005 e 082006 e a remuneração paga aos segurados empresários a titulo de prólabore para o período de 052003 a 122005, cujos valores não foram declarados em GFIPGuia de Recolhimento de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, portanto sem redução de multa. 5.3N11Folha Normal Referese a remuneração paga aos segurados empregados ,no período de 012006 a 072006 e 092006 a 042007 e a remuneração paga aos segurados empresários a titulo de prólabore para o período de 012006 a 042007, cujos valores não foram declarados em GFIP portanto 0com redução de multa. Como se pode notar dos autos, a autoridade fiscal demonstrou os cálculos adotados e os fundamentos legais que embasaram o lançamento, fls. 40/43. Os valores e alíquotas estão demonstrados no relatório Discriminativo Analítico de Débito – DAD, fls. 6/22. Assim sendo, não procede o argumento do contribuinte de que falta a comprovação dos valores apontados como devidos. Na falta de apresentação pelo contribuinte dos documentos, folhas de pagamentos e livros diários e razão, a fiscalização pode inscrever de ofício importância que reputar devida, podendo apurar por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário, nos termos do art. 33 e parágrafos da Lei 8.212/91. Art. 33.Ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11; e ao Departamento da Receita Federal (DRF) compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. § 1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e do Departamento da Receita Federal (DRF) o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta lei. § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e o Departamento da Receita Federal Fl. 200DF CARF MF Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP22.1019.09215.EF8C. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10932.000825/200741 Acórdão n.º 2803002.584 S2TE03 Fl. 201 8 (DRF) podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. § 4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta lei. § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. A aferição indireta efetuado pela fiscalização encontra respaldo no art. 33 e parágrafos da Lei 8.212/91. A base de cálculo (saláriodecontribuição) das contribuições lançadas encontra respaldo no art. 28, incisos I e III, da Lei 8.212/91, sendo a totalidade dos rendimentos para o empregado e a remuneração auferida no mês para o contribuinte individual. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei n'9.528, de 10.12.97) III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o §5o; (Redação dada pela Lei n°9.876, de 1999). Destarte, não procede o argumento do contribuinte quanto à ilegalidade da base de cálculo adotado. O embasamento é legal (Lei 8.212/91). O lançamento foi pautado com base nas folhas de pagamento e RAIS. Desse modo, também não procede o argumento de que a Fl. 201DF CARF MF Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP22.1019.09215.EF8C. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10932.000825/200741 Acórdão n.º 2803002.584 S2TE03 Fl. 202 9 participação nos lucros, reembolso de despesas, alimentação e outros, não têm caráter remuneratório. Até mesmo, pelo motivo do lançamento fiscal não trata dessas rubricas. CONTRIBUIÇÃO PARA O SAT/GIILRAT Quanto à improcedência da exigência da contribuição patronal prevista no art. 22, II, da Lei 8.212/91, destinada ao Seguro de Acidente de Trabalho (SAT/GIILRAT) temos que seguindo os princípios constitucionais tributários e nos moldes do art. 97 do Código Tributário Nacional (CTN) a Lei 8.212/91 tratou da instituição da referida contribuição para o financiamento dos benefícios em razão da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GIILRAT), definindo o seu fato gerador, fixando a base de cálculo e as alíquotas aplicáveis, restando ao decreto apenas a regulamentação da aludida contribuição, o qual, por sua vez, estabelece os graus de risco conforme a atividade precípua da empresa. Inclusive, o Supremo Tribunal Federal (STF) já se manifestou a respeito do SAT, aduzindo pela desnecessidade de Lei Complementar para instituição da sobredita contribuição, bem como que não há ofensa aos art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal, consoante à ementa a seguir transcrita: Processo RE 343446RE RECURSO EXTRAORDINÁRIO, Relator(a) CARLOS VELLOSO, STF Ementa: CONSTITUCIONAL.TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT.Lei 7.787/89, arts. 3º e 4º; Lei 8.212/91, art. 22, II, redação da Lei 9.732/98. Decretos 612/92, 2.173/97 e 3.048/99. C.F., artigo 195, § 4º; art. 154, II; art. 5º, II; art. 150, I. I. Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para oSAT. II. O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III. As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido. Processo AIAgR 713780AIAgR AG.REG. NO AGRAVO DE INSTRUMENTO, Relator(a) ELLEN GRACIE, STF Ementa: DIREITO CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. Fl. 202DF CARF MF Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP22.1019.09215.EF8C. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10932.000825/200741 Acórdão n.º 2803002.584 S2TE03 Fl. 203 10 CONTRIBUIÇÃO PARA O SEBRAE. ENTIDADES NÃO INTEGRANTES. OBRIGATORIEDADE. CONTRIBUIÇÃO PARA O SAT. CONSTITUCIONALIDADE. 1. Autonomia da contribuição para o SEBRAE alcançando mesmo entidades que estão fora do seu âmbito de atuação, ainda que vinculadas a outro serviço social, dado o caráter de intervenção no domínio econômico de que goza. Precedentes. 2. A decisão agravada fundouse em precedente do Plenário que resolveu a controvérsia referente à cobrança da contribuição para o custeio do SAT(RE 343.446). Nesse julgamento, afastouse a alegação de ofensa ao princípio da legalidade,bem como se ressaltou que eventual conflito entre a lei instituidora da contribuição ao SAT e os decretos que a regulamentaram é questão de índole ordinária, insuscetível de apreciação em sede de apelo extremo. Precedentes. 3. Agravo regimental improvido. Processo AAARES 200900179092AAARES AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL..NUM: Relator(a) HUMBERTO MARTINS, STJ, SEGUNDA TURMA, Fonte DJE DATA:17/11/2009 RIOBTP VOL.:00247 PG:00167 Ementa TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA –SAT– PARÂMETROS ESTABELECIDOS POR DECRETO – LEGALIDADE– APLICAÇÃO DA SÚMULA 351/STJ – INOVAÇÃO RECURSAL EM AGRAVO REGIMENTAL – IMPOSSIBILIDADE. A contribuinte não formulou pedido subsidiário quanto à limitação do alcance do termo "atividade preponderante" ao grau de risco de cada estabelecimento identificado pelo respectivo CNPJ, razão por que se impõe reconhecer a inovação do pedido recursal. Agravo regimental improvido. O Superior Tribunal de Justiça – STJ, também decidiu pela constitucionalidade da contribuição ao SAT e que não há ofensa ao princípio da legalidade tributária a definição regulamentar do grau de periculosidade das atividades desenvolvidas pelas empresas para fins de incidência do Seguro de Acidente do Trabalho SAT. Processo AGA 200802767992AGA AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO – 1135933, Relator(a) BENEDITO GONÇALVES, STJ, PRIMEIRA TURMA, Fonte DJE DATA:04/11/2009 Ementa: PROCESSUAL CIVIL.TRIBUTÁRIO.AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO FISCAL.CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS AO INCRA E AO SAT. LEGALIDADE. TAXA SELIC. LEGITIMIDADE. PRONUNCIAMENTO DA PRIMEIRA SEÇÃO SOB O RITO DO ART. 543C, DO CPC. REQUISITOS DE VALIDADE DA CDA. REVISÃO. SÚMULA 7 DESTE TRIBUNAL. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES. 1. O exame da alegação de que a CDA não preenche os requisitos de validade encontra óbice na Súmula 7 do STJ. Precedentes. 2. No julgamento dos EREsp 297.215/PR, Fl. 203DF CARF MF Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP22.1019.09215.EF8C. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10932.000825/200741 Acórdão n.º 2803002.584 S2TE03 Fl. 204 11 da relatoria do eminente Ministro Teori Albino Zavascki, DJ de 12/09/2005, decidiuse que não há ofensa ao princípio da legalidade tributária a definição regulamentar do grau de periculosidade das atividades desenvolvidas pelas empresas para fins de incidência do Seguro de Acidente do Trabalho SAT. 3. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, mediante pronunciamento sob os auspícios da regra prevista no art. 543C do CPC (REsp 977.058/RS, DJ de 10/11/2008) firmou o posicionamento no sentido de que, por se tratar de contribuição especial de intervenção no domínio econômico, a contribuição ao Incra, destinada aos programas e projetos vinculados à reforma agrária e suas atividades complementares, foi recepcionada pela Constituição Federal de 1988 e continua em vigor até os dias atuais, pois não foi revogada pelas Leis 7.787/89, 8.212/91 e 8.213/91, não existindo, portanto, óbice a sua cobrança, mesmo em relação às empresas urbanas. (grifo nosso). 4. Entendimento desta Casa Julgadora pela aplicação da taxa Selic, a partir de 1º/1/96 (vigência da Lei 9.250/95), na atualização monetária do indébito tributário.(REsp 1.111.175/SP, Rel. Min. Denise Arruda, Primeira Seção, DJ de 1/7/2009, feito submetido à sistemática do art. 543C do CPC). 5. Agravo regimental não provido. Assim, a contribuição ao SAT/GIILRAT está de acordo com a legislação vigente, sendo perfeitamente exigível. DAS CONTRIBUIÇÕES AO INCRA Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. A legislação corrente, em especial o art. 94, da Lei 8212/91, o DecretoLei 1.146, de 31 de dezembro de 1970, e a Lei Complementar 11/71, (art. 15, II), disciplinam a matéria. O DecretoLei 1.146, dê 31 de dezembro de 1970, que consolidou as disposições legais criadas pela Lei 2.613/55, incluindose o INCRA, manteve o adicional de 0,4% sobre a contribuição das empresas, "verbis": Art 1º As contribuições criadas pela Lei nº 2.613, de 23 de setembro 1955, mantidas nos têrmos dêste DecretoLei, são devidas de acôrdo com o artigo 6º do DecretoLei nº 582, de 15 de maio de 1969, e com o artigo 2º do DecretoLei nº 1.110, de 9 julho de 1970: I Ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA: 1 as contribuições de que tratam os artigos 2º e 5º dêste DecretoLei; 2 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o art. 3º dêste Decretolei. II Ao Fundo de Assistência do Trabalhador Rural FUNRURAL, 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o artigo 3º dêste Decretolei. Fl. 204DF CARF MF Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP22.1019.09215.EF8C. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10932.000825/200741 Acórdão n.º 2803002.584 S2TE03 Fl. 205 12 Art 2º A contribuição instituída no " caput " do artigo 6º da Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955, é reduzida para 2,5% (dois e meio por cento), a partir de 1º de janeiro de 1971, sendo devida sôbre a soma da fôlha mensal dos salários de contribuição previdenciária dos seus empregados pelas pessoas naturais e jurídicas, inclusive cooperativa, que exerçam as atividades abaixo enumeradas: ... Art.3". É mantido o adicional de 0.4% (quatro décimos por cento) à contribuição prvidenciária das empresas instituido no §4º, do artigo 6" da lei n. 2.613, de 23 de setembro de 1955, com a modificação do artigo 35, §2°, item VIII, da Lei n. 4.683, de 29 de novembro de 1965. Art.4°. Cabe ao Instituto Nacional de Previdência Social 1NSS arrecadar as contribuições de que tratam os artigos 2° e 3º deste DecretoLei(...). A Lei Complementar 11/71, (art. 15, II), elevou o adicional ao FUNRURAL para 2,4% (dois e quatro décimos por cento), determinando a contribuição ao INCRA em 0,2% (dois décimos por cento): Art. 15. Os recursos para o Custeio do Programa de Assistência ao Trabalhador Rural provirão das seguintes fontes: I da contribuição de 2% (dois por cento) devida pelo produtor sabre o valor comercial dos produtos /trais, e recolhida: a) pelo adquirente, Consignatário ou cooperativa que ficam sub rogados, Para êsse fim, em tôdas as obrigações do produtor; b) pelo produtor, quando ele próprio industrializar seus produtos vendêlos, no varejo, diretamente ao consumidor. II da contribuição de que trata o art. 3º do Decretolei n" 1.146, de 31 de dezembro de 1970 a qual fica elevada para 2,6% (dois e seis décimos por cento), cabendo 2,4% dois e quatro décimos por cento) ao FUNRURAL". Com o advento da Lei 7.787/89 (art. 3°, §1°), foram suprimidas as alíquotas pertinentes ao PRORURAL/FUNRURAL, sendo mantida a destinada ao INCRA, no valor de 0,2%. É irrelevante o fato do Impetrante não estar vinculado ao meio rural para ser contribuinte da exação em evidência, ante aos princípios da universalidade do custeio da Seguridade Social (arts.194, I, e 195 da CF/88) e da igualdade tributária. Nesse sentido é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça. PROCESSUAL CIVIL EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL E INCRA EMPRESA URBANA LEGALIDADE ORIENTAÇÃO DESTA PRIMEIRA SEÇÃO, SEGUINDO A JURISPRUDÊNCIA DO STF RECURSO NÃO ADMITIDO SÚMULA 168/STJ AGRAVO Fl. 205DF CARF MF Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP22.1019.09215.EF8C. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10932.000825/200741 Acórdão n.º 2803002.584 S2TE03 Fl. 206 13 REGIMENTAL AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA MERA REPETIÇÃO DAS RAZÕES DOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA IRRESIGNAÇÃO MANIFESTAMENTE INFUNDADA RECURSO NÃO CONHECIDO, COM APLICAÇÃO DE MULTA. 1. Nos termos da orientação desta Primeira Seção e do Supremo Tribunal Federal, é legítimo o recolhimento da contribuição social para o FUNRURAL e INCRA pelas empresas urbanas. Considerando que o acórdão embargado corroborou esse entendimento, correta é a aplicação da Súmula 168 desta Corte Superior. 2. Não tendo a agravante rebatido especificamente os fundamentos da decisão recorrida, limitandose a reproduzir as razões oferecidas nos embargos de divergência, é inviável o conhecimento do recurso. 3. Tratandose de agravo interno manifestamente infundado, impõese a condenação da agravante ao pagamento de multa de 10% (dez por cento) sobre o valor corrigido da causa, nos termos do art. 557, § 2º, do Código de Processo Civil. 4. Agravo interno não conhecido, com aplicação de multa. (AgRg nos EREsp 530802/GO. Primeira Seção. Relatora Ministra DENISE ARRUDA. Julgamento 13/04/2005. DJ 09/05/2005, p. 291) (sem grifos no original). “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. INCRA. CONTRIBUIÇÃO. EXIGIBILIDADE. NATUREZA JURÍDICA. CIDE. NÃOREVOGAÇÃO PELAS LEIS N. 8.212/91 E 8.213/91. 1. É pacífico o entendimento desta Corte Superior acerca da exigibilidade da contribuição devida ao Incra, mesmo em relação às empresas urbanas, a qual não foi revogada pelas Leis n. 8.212/91 e 8.213/91, tendo em conta a natureza dessa exação (de intervenção no domínio econômico). Precedentes. 2. Recurso especial nãoprovido.” (REsp 733.747/CE, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/09/2008, DJe 29/10/2008) Quanto as alegações de inconstitucionalidade da exação, aplico a súmula nº 02 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONTRIBUIÇÃO AO SEBRAE Fl. 206DF CARF MF Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP22.1019.09215.EF8C. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10932.000825/200741 Acórdão n.º 2803002.584 S2TE03 Fl. 207 14 A contribuição ao Sebrae é devida pela empresas, nos termos do art. 8, §3o da Lei 8.029/90, com a redação dada pela Lei 8.154/90, dado o caráter de intervenção no domínio econômico de que goza. É Constitucional, independe da exigibilidade de contraprestação direta em favor do contribuinte, não sendo necessária lei complementar para sua instituição. São as decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal – STF: Processo REED 576659REED EMB.DECL.NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO , Relator(a) ELLEN GRACIE , Sigla do órgão STF Decisão: A Turma, à unanimidade, conheceu dos embargos de declaração como agravo regimental e, a este, negou provimento, nos termos do voto da Relatora. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Cezar Peluso. 2ª Turma, 24.03.2009. Ementa: DIREITO TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. CONTRIBUIÇÃO PARA O SESC E SENAC. OFENSA CONSTITUCIONAL INDIRETA OU REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO PARA O SEBRAE. ENTIDADES NÃO INTEGRANTES. OBRIGATORIEDADE. 1. Embargos de declaração recebidos como agravo regimental, consoante iterativa jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. 2. A controvérsia sobre as contribuições vertidas para o SESC e para o SENAC tem fundamento infraconstitucional. Precedentes. 3. Autonomia da contribuição para o SEBRAE alcançando mesmo entidades que estão fora do seu âmbito de atuação, ainda que vinculadas a outro serviço social, dado o caráter de intervenção no domínio econômico de que goza. Precedentes. 4. Agravo regimental improvido. Referência Legislativa: LEGFED LEI008029 ANO1990 LEI ORDINÁRIA .... Processo AIAgR 613469AIAgR AG.REG.NO AGRAVO DE INSTRUMENTO , Relator(a) CÁRMEN LÚCIA , Sigla do órgão STF Decisão: A Turma negou provimento ao agravo regimental no agravo de instrumento, com imposição de multa, nos termos do voto da Relatora. Unânime. 1ª. Turma, 23.10.2007. Descrição: Acórdãos citados: RE 437839 AgR, RE 535655 ED, AI 655354 AgR. Número de páginas: 8. Análise: 19/12/2007, RHP. ..DSC_PROCEDENCIA_GEOGRAFICA: SP SÃO PAULO Ementa: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES AO SESC, SENAC E SEBRAE. AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO. 1.Contribuições ao Sesc e Senac. Controvérsia decidida com fundamento na legislação infraconstitucional. Ofensa constitucional indireta. 2. Fl. 207DF CARF MF Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP22.1019.09215.EF8C. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10932.000825/200741 Acórdão n.º 2803002.584 S2TE03 Fl. 208 15 Contribuição ao Sebrae: Constitucionalidade. Inexigibilidade de contraprestação direta em favor do contribuinte. Precedentes. 3. Imposição de multa de 1% do valor corrigido da causa. Aplicação do art. 557, § 2º, c/c arts. 14, inc. II e III, e 17, inc. VII, do Código de Processo Civil. Referência Legislativa: LEGFED LEI005869 ANO1973 ART 0014 INC00002 INC00003 ART00017 INC00007 ART00557 PAR00002 CPC1973 CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL ... Processo REAgR 429521REAgR AG.REG.NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO , Relator(a) JOAQUIM BARBOSA , Sigla do órgão STF Decisão: Negouse provimento, decisão unânime. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Celso de Mello. Presidiu, este julgamento, o Senhor Ministro Carlos Velloso. 2ª Turma, 29.03.2005. Ementa: EMENTA:CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS SEBRAE. INSTITUIÇÃO POR MEIO DE LEI ORDINÁRIA. CONSTITUCIONALIDADE. A decisão agravada está em perfeita consonância com o entendimento firmado pelo Plenário desta Corte, ao julgar o RE 396.266, rel. Ministro Carlos Velloso, DJ 27.02.2004. Entendeuse, nesse julgamento, que a cobrança da contribuição destinada ao SEBRAE é constitucional, não sendo necessária lei complementar para sua instituição. Enfatizouse, ainda, não ser necessária a vinculação direta entre o contribuinte e o benefício decorrente da aplicação dos valores arrecadados. Assim sendo, o fato de a parte ora recorrente não estar vinculada ao SESI/SENAI, não a desobriga da contribuição ora em exame. Agravo regimental a que se nega provimento. Referência Legislativa: LEGFED LEI008029 ANO1990 (Redação dada pela Lei1854/1990) LEGFED LEI008154 ANO1990 Ademais, o TRF1 já se pronunciou afirmando que a jurisprudência pátria já se manifestou pela constitucionalidade e legalidade das contribuições ao SEBRAE e INCRA, como segue: TRF1 APELAÇÃO CIVEL AC 15321 BA 2003.33.00.0153211 (TRF1) Data de publicação: 14/11/2008. Ementa:TRIBUTÁRIO.CONSTITUCIONAL. PROCESSUAL CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA. ILEGITIMIDADE DO INCRA. EFEITO DEVOLUTIVO. QUESTÕES NÃO APRECIADAS PELO JUÍZO A QUO. CONTRIBUIÇÕES AO SESC/SENAC/SEBRAE/INCRA. CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE DA COBRANÇA. 1. Tanto o INCRA, como o Fl. 208DF CARF MF Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP22.1019.09215.EF8C. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10932.000825/200741 Acórdão n.º 2803002.584 S2TE03 Fl. 209 16 INSS tem legitimidade para figurar como litisconsortes passivos necessários nos feitos em que se discute a exigibilidade da contribuição ao INCRA. 2. O efeito devolutivo autoriza o Tribunal apreciar questões não apreciadas pelo juízo a quo, incidindo na espécie as normas contidas no artigo 515 , §§ 1º e 3º do CPC . 3. Tratandose de pedido declaratório de inexistência de relação jurídica que obrigue a impetrante a recolher as contribuições em tela, a ofensa ao alegado direito líquido e certo renovase a cada recolhimento das exações ora questionadas, razão pela qual afastase a decadência do mandamus e a prescrição. 4. Não se mostra inepta a Inicial do mandado de segurança, porque a norma que instituiu a contribuição ao INCRA tem efeitos concretos passíveis de serem afastados pela via mandamental. 5. Desnecessidade de citação do SEBRAE/UF e da APEX para figurarem no pólo passivo da presente demanda como litisconsortes passivos necessários. 6. A jurisprudência pátria já se manifestou pela constitucionalidade e legalidade das contribuições ao SESC, SENAC,SEBRAE e INCRA. 7. Apelação da impetrante não provida. Apelação do SESC e SENAC provida e parcialmente providas as apelações do SEBRAE e do INSS. Remessa oficial provida. TAXA SELIC Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA. LEGALIDADE. NÃO CONFISCATÓRIA. A multa aplicada no lançamento fiscal encontra respaldo na lei 8.212/91, conforme demonstrado no relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD. Aplicada a multa na forma da lei não pode ser considerada confiscatória, pois este juízo de admissibilidade já foi feito pelo poder legislativo quando da sua aprovação. Cabe a autoridade administrativa aplicar as determinações legais e zelar pelo cumprimento da obrigação tributária, respeitando o princípio da legalidade. A lei em vigor, cuja invalidade ou inconstitucionalidade não foi declarada, deve ser cumprida pela administração pública por força do ato vinculado. Não é possível, no âmbito administrativo, afastar aplicação de legislação nos termos do art. 26A do Decreto nº. 70.325/72, acrescentado pela MP nº 449/2008. RETROATIVIDADE BENIGNA DA MULTA As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação nos termos do art. 150 do CTN. Corrobora com o entendimento o Superior Tribunal de Justiça STJ, REsp 289181/MG. A multa aplicada pela Lei 8.212/91, na redação introduzida pela Lei 11.941/2009, estabelece a distinção entre multa de mora (art. 35) e a multa de ofício (art. 35 A). Suas aplicações devem seguir formas distintas, aplicandose para a multa de mora o art. 61 da Lei 9.430/96, e para a multa de ofício o art. 44 da Lei 9.430/96. Este entendimento, também, é corroborado pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ no Processo AGRESP 200601560547. Fl. 209DF CARF MF Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP22.1019.09215.EF8C. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10932.000825/200741 Acórdão n.º 2803002.584 S2TE03 Fl. 210 17 A multa de mora, art. 35 da Lei 8.212/91, deve ser aplicada para pagamento fora do prazo previsto na legislação e será calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso limitada a 20% (vinte por cento), nos termos do art. 61 da Lei 9.430/96. A multa de ofício, art. 35A da Lei 8.212/91, deve ser aplicada nos termos do art. 44 da Lei 9.430/96 (I 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II 50%, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal). O lançamento de ofício está previsto no art. 149 do CTN: Outrossim, o Supremo Tribunal Federal – STF fixou entendimento no sentido de que as cominações impostas por meio de lançamento de ofício decorrem do fato de omissão na declaração e recolhimento intempestivos da contribuição, nos termos do Processo REAgR 241087. O julgado é acompanhado pelo STJ, REsp 330519/RS, e Tribunais Federais TRF3ª Região, AC 94.03.0108363/SP, e TRF1ª Região, AC 1997.01.00.0475312/DF; que compreendem que deve ser efetuado o lançamento de ofício quando constatada diferença a menor, ou inexistência de pagamento, ou irregularidades na declaração de tributos sujeitos a lançamento por homologação (omissão ou inexatidão). As alterações trazidas pela Lei 8.212/91 quanto à aplicação da multa devem ser observadas no caso objeto de análise, buscando o disposto nos artigos 106, inciso II, e 112, ambos do CTN, no sentido de se analisar e aplicar a norma que for mais benéfica ao contribuinte. A análise será realizada pela comparação entre os valores das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei 11.941, de 2009; por descumprimento de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei 11.941, de 2009; e por multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei 8.212, de 1991, acrescido pela Lei 11.941, de 2009. Ante ao exposto, por se tratar de valores de diferenças não recolhidas na época própria (recolhimento intempestivo da contribuição) e nem declaradas em GFIP, refere se a lançamento de ofício. Assim, a multa a ser aplicada será a do art. 35A da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 11.941, de 2009, que deve ser comparada à multa do lançamento, prevalecendo a mais favorável ao contribuinte. O contribuinte protesta por todos os meios de prova existentes, entretanto, até o presente julgamento não trouxe outras provas que pudessem ser analisadas. O crédito tributário encontrase revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts. 97 e 114, todos do CTN, com período apurado, discriminação dos fatos geradores por intermédio do Relatório de Lançamento – RL contendo a competência (mês e ano), a base de cálculo, a discriminação da observações; e, ainda, o Discriminativo Analítico de Débito – DAD que informa as alíquotas e os valores das contribuições previdenciárias devidas; a Instrução para o Contribuinte – IPC; os Fundamentos Legais do Débito – FLD; a identificação do contribuinte, identificação do Auditor Fiscal notificante, Relatório Fiscal; e demais informações constantes dos autos, consoante artigo 33 da Lei 8.212/91. CONCLUSÃO Fl. 210DF CARF MF Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP22.1019.09215.EF8C. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10932.000825/200741 Acórdão n.º 2803002.584 S2TE03 Fl. 211 18 Pelo exposto, voto em dar provimento parcial ao recurso para aplicar a multa prevista no art. 35A da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 11.941, de 2009, que deve ser comparada à multa do lançamento, prevalecendo a mais favorável ao contribuinte. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 211DF CARF MF Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP22.1019.09215.EF8C. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA em 15/08/2013 17:38:25. Documento autenticado digitalmente por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA em 15/08/2013. Documento assinado digitalmente por: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA em 15/08/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 22/10/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP22.1019.09215.EF8C Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 386FF99A341CDD3F180E5C0DBD336561C630A9EB Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10932.000825/2007-41. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10945.722053/2017-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 23 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed Nov 22 00:00:00 UTC 2023
Numero da decisão: 3401-002.800
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade local especifique e quantifique de forma detalhada e objetiva cada um dos créditos constantes do presente processo que porventura tenham relação com as ações judiciais ajuizadas pela contribuinte, bem como apresentar cópia integral dos processos judiciais indicados no voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido na Resolução nº 3401-002.785, de 23 de agosto de 2023, prolatada no julgamento do processo 10945.720056/2016-43, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Renan Gomes Rego, Fernanda Vieira Kotzias, Ricardo Rocha de Holanda Coutinho (suplente convocado), Carolina Machado Freire Martins, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Marcos Roberto da Silva (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA
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conteudo_txt : Metadados => date: 2023-11-21T13:55:12Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-11-21T13:55:12Z; Last-Modified: 2023-11-21T13:55:12Z; dcterms:modified: 2023-11-21T13:55:12Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-11-21T13:55:12Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-11-21T13:55:12Z; meta:save-date: 2023-11-21T13:55:12Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-11-21T13:55:12Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-11-21T13:55:12Z; created: 2023-11-21T13:55:12Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2023-11-21T13:55:12Z; pdf:charsPerPage: 2274; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-11-21T13:55:12Z | Conteúdo => 0 S3-C 4T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10945.722053/2017-25 Recurso Voluntário Resolução nº 3401-002.800 – 3ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de agosto de 2023 Assunto CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Recorrente FRIMESA COOPERATIVA CENTRAL Interessado FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade local especifique e quantifique de forma detalhada e objetiva cada um dos créditos constantes do presente processo que porventura tenham relação com as ações judiciais ajuizadas pela contribuinte, bem como apresentar cópia integral dos processos judiciais indicados no voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido na Resolução nº 3401-002.785, de 23 de agosto de 2023, prolatada no julgamento do processo 10945.720056/2016-43, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Renan Gomes Rego, Fernanda Vieira Kotzias, Ricardo Rocha de Holanda Coutinho (suplente convocado), Carolina Machado Freire Martins, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Marcos Roberto da Silva (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado na resolução paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou a Manifestação de Inconformidade procedente em parte, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que acolhera em parte o Pedido de Ressarcimento apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente ao crédito de PIS. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 45 .7 22 05 3/ 20 17 -2 5 Fl. 3841DF CARF MF Original Fl. 2 da Resolução n.º 3401-002.800 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10945.722053/2017-25 Cientificada do despacho decisório, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, que foi julgada procedente em parte, cujos fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido estão consubstanciados na ementa que transcrevo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2013 a 30/09/2013 INSUMO. CONCEITO. CRITÉRIOS PARA AFERIÇÃO. O conceito de insumo para fins de apuração de créditos da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. O critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço: a) constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço; ou b) quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. O critério da relevância, por seu turno, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja a) pelas singularidades de cada cadeia produtiva; ou b) por imposição legal. FRETE. COMPRA. CRÉDITO. Inexiste previsão legal expressa para o cálculo de crédito sobre o valor do frete na aquisição. Esse é permitido apenas quando o bem adquirido for passível de creditamento, e na mesma proporção em que se der esse creditamento, já que o frete compõe o custo de aquisição devidamente comprovado, integra o valor de aquisição dos insumos e deve seguir o regime de crédito desses. REGIME NÃO CUMULATIVO. ATIVIDADES LABORATORIAIS RELACIONADAS AO PROCESSO PRODUTIVO. INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os custos relacionados às atividades laboratoriais, por meio dos quais se aferem aspectos ligados ao processo produtivo, caracterizam-se como relevantes e essenciais ao processo de industrialização de produtos alimentícios, razão pela qual deve ser reconhecido o direito aos créditos deles decorrentes. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL. Os equipamentos de proteção individual (EPI) fornecidos a trabalhadores alocados pela pessoa jurídica nas atividades de produção de bens ou de prestação de serviços podem ser considerados insumos, para fins de apuração de créditos das contribuições para o PIS e da Cofins. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO, REPARO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS DO PROCESSO PRODUTIVO. Os custos/despesas incorridos com serviços de manutenção e reparo de máquinas e equipamentos do processo produtivo do contribuinte, por força da decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo, constituem insumos do processo industrial do contribuinte, para efeitos de aproveitamento de créditos da contribuição. BENS E SERVIÇOS. AQUISIÇÃO. NÃO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITO. Não gera direito ao crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. CRÉDITO. Inexiste previsão legal para apuração de crédito a descontar das contribuições não-cumulativas sobre valores Fl. 3842DF CARF MF Original Fl. 3 da Resolução n.º 3401-002.800 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10945.722053/2017-25 relativos a fretes de transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Cientificada da decisão da DRJ, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, no qual repisa os principais argumentos de defesa trazidos na peça anterior. Após a chegada ao CARF, foi juntada informação relacionada ao cumprimento da sentença de 2º grau transitada em julgado no referido MS nº 5010055-57.2016.404.7002. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado na resolução paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, dele, portanto, tomo conhecimento. No entanto, entendo que o processo não se encontra em condições de julgamento. Na origem, trata-se de Pedido de Ressarcimento – PER nº 05324.49122.310314.1.1.11-6970 de crédito de Cofins com incidência não- cumulativa no montante de R$ 2.724.353,67, relativo ao 1º trimestre de 2013, seguido de Declarações de Compensação – Dcomp relativas ao mesmo crédito. Conforme relatado, a análise do crédito pleiteado foi iniciada em razão de liminar concedida nos autos do Mandado de Segurança nº 5012243- 57.2015.4.04.7002/PR, que posteriormente veio transitar em julgado, ao que parece favoravelmente ao contribuinte, havendo inclusive depósito em conta corrente. A informação que registra a emissão de Ordens Bancárias faz menção a uma série de processos administrativos, incluindo o presente. Veja-se: Fl. 3843DF CARF MF Original Fl. 4 da Resolução n.º 3401-002.800 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10945.722053/2017-25 É de se registrar ainda que a despeito de ter sido mencionada a juntada nos presentes autos do Acórdão do TRF4, o documento de fls. 3760-3761 encontra- se em branco. Além disso, busquei diretamente no site do respectivo Tribunal, contudo, o processo corre em segredo de justiça: Depreende-se dos autos que o Mandado de Segurança n° 501224357.2015.4.04.7002/PR foi impetrado para apreciação imediata de pedidos administrativos (fls. 74-77): 1. FRIMESA COOPERATIVA CENTRAL ajuíza o presente mandado de segurança em face do Delegado da Receita Federal de Foz do Iguaçu, requerendo a concessão de Tutela Antecipada para determinar que a autoridade impetrada seja compelida a apreciar imediatamente seus pedidos administrativos n' 10945.900462/2013-45; 10945.900457/2013-32; 10945.900458/2013-87; 10945.900466/2013-23; 10945.900455/2013-43; 10945.900454/2013-07; 10945.900461/2013-09; 10945.900464/2013-34; 13942.720141/2013-87; 13942.720142-2013-21; 13942.720143/2013-76; 13942.720144/2013-11; 13942.720137/2013-19; 13942.720138/2013-63; 13942.720139/2013-16; 13942.720140/2013-32; 13942.720061/2014-11; 13942.720060/2014-68; 13942.720069/2014-79; 13942.720070/2014-01; 13942.720059/2014-33; 13942.720058/2014-99; 13942.720071/2014-48; 13942.720072/2014-92; 13120.68552.310314.1.1.10-0804; 04164.06029.310314.1.1.10-1955; 17087.82654.300414.1.1.10-1707; 02083.52977.300414.1.1.10-3061; 25259.83204.310314.1.1.08-9169; 20802.88787.310314.1.1.08-1370; 12856.48082.300414.1.1.08-5561; 22909.17362.300414.1.1.08-7385; 05324.49122.310314.1.1.11-6970; 16674.90037.310314.1.1.11-6081; Fl. 3844DF CARF MF Original Fl. 5 da Resolução n.º 3401-002.800 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10945.722053/2017-25 16762.58643.300414.1.1.11-6328; 35741.38894.300414.1.1.11-1491; 02566.83729.310314.1.1.09-4010; 00893.01773.310314.1.1.09-0504; 36961.51515.300414.1.1.09-0971 e 36794.70980.300414.1.1.09-5087, visto que já transcorridos mais de 360 dias do protocolo administrativo. Às fls. 3744 e seguintes consta ainda a minuta de possivelmente outro processo judicial, verificando-se a inicial de uma “Ação Declaratória cumulada com Condenatória”, com os seguintes pedidos: Nesse contexto, é bastante provável concomitância entre as causas de pedir de ações judiciais propostas pela contribuinte e o arrazoado constante do recurso. Adotando-se o sistema uno de jurisdição, consagrado no art. 5º, inciso XXXV, da Constituição Federal, cabe ao Poder Judiciário decidir definitivamente inclusive em matéria administrativa, obstando qualquer efeito de eventual decisão de mérito divergente que venha a ser proferida pela Administração. Fl. 3845DF CARF MF Original Fl. 6 da Resolução n.º 3401-002.800 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10945.722053/2017-25 O alcance da concomitância deve ser delimitado objetivamente, sendo reconhecida apenas quando o objeto do processo administrativo é realmente o mesmo daquele discutido na via judicial, prevalecendo a exigência da tríplice identidade entre as demandas – mesmas partes, causa de pedir e pedido. Apenas quando não houver identidade absoluta, matérias diferenciadas poderão ser analisadas pelo julgador administrativo. Por tudo isso, não entendo possível o prosseguimento do julgamento no CARF, tendo em vista que para o correto deslinde da controvérsia faz-se necessário que sejam indicados os reais reflexos do processo judicial sobre todos os créditos tributários ainda em discussão no presente feito. Assim, entendo pertinente a conversão do julgamento em diligência, para que a unidade local especifique e quantifique de forma detalhada e objetiva cada um dos créditos constantes do presente processo que porventura tenham relação com as ações judiciais ajuizadas pela contribuinte, bem como apresentar cópia integral dos processos judiciais indicados no presente voto. Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º , 2º e 3º do art. 47 do Anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido na resolução paradigma, no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a unidade local especifique e quantifique de forma detalhada e objetiva cada um dos créditos constantes do presente processo que porventura tenham relação com as ações judiciais ajuizadas pela contribuinte, bem como apresentar cópia integral dos processos judiciais indicados no voto condutor. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente Redator Fl. 3846DF CARF MF Original
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