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Numero do processo: 16327.915405/2009-48
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
CPMF. PER/DCOMP. MODIFICAÇÃO DO OBJETO DO PLEITO. INADMISSIBILIDADE.
O pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação.
PER/DCOMP. ERRO MATERIAL. RETIFICAÇÃO. DÉBITO. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
A manifestação de inconformidade e o recurso voluntário não constituem veículos idôneos para a retificação do débito informado no PER/DCOMP pelo sujeito passivo. Não obstante o erro ocorrido, uma vez constituído o débito por meio da PER/DCOMP, a sua retificação deve ocorrer mediante documento retificador específico, antes da intimação do despacho decisório, que será apreciado pela autoridade competente da Receita Federal em conjunto com o pedido de restituição, ressarcimento, reembolso ou de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3802-003.693
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Efetuou sustentação oral pela recorrente a Dra. Priscila Fernandes Dalla Costa, OAB/SP nº. 306.114.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 CPMF. PER/DCOMP. MODIFICAÇÃO DO OBJETO DO PLEITO. INADMISSIBILIDADE. O pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação. PER/DCOMP. ERRO MATERIAL. RETIFICAÇÃO. DÉBITO. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. A manifestação de inconformidade e o recurso voluntário não constituem veículos idôneos para a retificação do débito informado no PER/DCOMP pelo sujeito passivo. Não obstante o erro ocorrido, uma vez constituído o débito por meio da PER/DCOMP, a sua retificação deve ocorrer mediante documento retificador específico, antes da intimação do despacho decisório, que será apreciado pela autoridade competente da Receita Federal em conjunto com o pedido de restituição, ressarcimento, reembolso ou de compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Efetuou sustentação oral pela recorrente a Dra. Priscila Fernandes Dalla Costa, OAB/SP nº. 306.114.
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PER/DCOMP. MODIFICAÇÃO DO OBJETO DO PLEITO. INADMISSIBILIDADE. O pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação. PER/DCOMP. ERRO MATERIAL. RETIFICAÇÃO. DÉBITO. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. A manifestação de inconformidade e o recurso voluntário não constituem veículos idôneos para a retificação do débito informado no PER/DCOMP pelo sujeito passivo. Não obstante o erro ocorrido, uma vez constituído o débito por meio da PER/DCOMP, a sua retificação deve ocorrer mediante documento retificador específico, antes da intimação do despacho decisório, que será apreciado pela autoridade competente da Receita Federal em conjunto com o pedido de restituição, ressarcimento, reembolso ou de compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 54 05 /2 00 9- 48 Fl. 1490DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Efetuou sustentação oral pela recorrente a Dra. Priscila Fernandes Dalla Costa, OAB/SP nº. 306.114. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 14a Turma da DRJ de Ribeirão Preto – SP (fls. 1.429/1.443), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pelo recorrente, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Anocalendário: 2006 DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. APROVEITAMENTO EM DCOMP ANTERIOR. DIREITO INEXISTENTE. As informações sobre o direito de crédito e os débitos compensados assinaladas em Declaração de Compensação integram a essência do encontro de contas entre contribuinte e Fazenda Pública e definem os limites da compensação, não podendo ser alterados em sede de manifestação de inconformidade. Não se homologa compensação de débito com direito de crédito já inteiramente comprometido em DCOMP anterior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: A contribuinte apresentou Declaração de Compensação (nº 31738.20169.240608.1.3.047804) pretendendo a extinção de débito próprio com direito de crédito decorrente de suposto pagamento a maior de CPMF. Por meio de despacho decisório, a unidade local não homologou a compensação declarada por inexistência de crédito. Segundo a Fl. 1491DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.915405/200948 Acórdão n.º 3802003.693 S3TE02 Fl. 1.491 3 decisão, cruzamento de informações mantidas pela Administração Fiscal acusara que o pagamento indicado como efetuado a maior estava integralmente alocado a débito confessado em DCTF, não havendo, portanto, saldo disponível para suportar a compensação declarada. Inconformada, a interessada interpôs manifestação de inconformidade reiterando o direito ao crédito e mencionando a retificação da DCTF à qual o pagamento fora alocado na íntegra. Referida manifestação foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal em Campinas. Entendeu a DRJ que a contribuinte não teria comprovado a liquidez e certeza do crédito aproveitado. Os autos subiram à segunda instância administrativa. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais deu provimento parcial ao recurso voluntário apresentado contra a decisão da DRJ Campinas, para que a compensação fosse novamente apreciada, havendo entendido aquele colegiado que a apresentação da DCTF retificadora alterando o valor do débito ao qual fora vinculado o pagamento indicado como feito a maior, desconstituiria a causa original da não homologação, impondose o novo exame do feito. Encaminhados os autos à origem, a unidade de jurisdição emitiu novo despacho decisório no qual informa que: A DCOMP nº 31728.20169.240608.1.3.047804, objeto deste processo referese exclusivamente ao DARF de nº 2564601681, período de apuração 30/04/2006, código dereceita 5869, no valor original de R$ 90.781.838,15, data de arrecadação 08/05/2006. Com base neste mesmo DARF o interessado apresentou ainda as seguintes Declarações de Compensação DCOMP: [seguese tabela com as compensações que teriam se utilizado do mesmo DARF, totalizando débitos de R$ 153.023,59] O despacho relata que a contribuinte foi intimada a apresentar documentos relativos ao alegado direito de crédito. Informa ainda a autoridade fiscal que a documentação apresentada comprovaria a cobrança indevida de CPMF do cliente listado em tabela presente no despacho decisório, assim como do correspondente estorno, em um total de R$ 2.470,00. A seguir, conclui o despacho decisório: O interessado comprovou um crédito de pagamento indevido ou a maior no valor de R$ 2.470,00 [...] mas transmitiu, utilizando este crédito, declarações de compensação em um valor original total de R$ 153.023,49 [...]Na PER/DCOMP nº 38578.06682.260506.1.3.044440, com informação do crédito relativo a PER/DCOMP nº 31738.20169.1.3.047804, objeto deste processo, foi informado um crédito de R$ 1.701,18, totalmente utilizado na própria PER/DCOMP. Fl. 1492DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Não restando crédito disponível, propomos a não homologação da PER/DCOMP nº 31738.20169.240608.1.3.047804. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade argumentando que: a) o crédito em questão referese à CPMF recolhida a maior no valor de R$ 153.023,49 que tem origem em retenções indevidas sobre movimentações financeiras de diversos clientes, sendo o montante utilizado em diversas declarações de compensação; b) atendendo a intimação fiscal, foram apresentados apenas os documentos relativos à formação do direito de crédito aproveitado na DCOMP examinada (R$ 24.881,67) e não o conjunto probatório de todo o crédito apurado no pagamento; daí porque os valores comprovados não seriam suficientes para a homologação de todas as compensações; c) ademais, cumpre salientar que, da parcela de R$ 24.881,67 objeto do PER/DCOMP, a Manifestante efetuou a comprovação de R$ 21,749,12, todavia a RFB reconhece apenas a existência de R$ 2.470,00; a diferença de R$ 19.270,12 de CPMF, estornada de 02 clientes compõe outro documento de arrecadação erroneamente incluído na presente DCOMP; d) desta forma, resta demonstrado que o Manifestante possui o crédito pleiteado e, ainda, por se tratar de tributo retido e, posteriormente, devolvido ao correntista, resta comprovado que este assumiu o ônus financeiro do pagamento da CPMF quando efetuou o estorno aos clientes, sendo, portanto, o detentor do crédito, nos termos do artigo 166 do CTN; portanto, em observância ao princípio da verdade material, as provas trazidas aos autos devem ser acolhidas, pois demonstram o recolhimento a maior e o erro no preenchimento da DCTF. A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 24/01/2014 (ciência eletrônica, fl. 1.449). Inconformada, a mesma apresentou, em 10/02/2014, o recurso voluntário de fls. 1.451/1.458, onde, além dos argumentos já aduzidos na primeira instância, ressalta que: a) o crédito em questão referese à CPMF recolhida a maior no valor de R$ 153.023,49, que tem origem em retenções indevidas de clientes, e foi utilizado em diversas compensações, conforme demonstrado no quadro; b) o Fisco não homologou a compensação pleiteada sob argumento que não restou crédito disponível e tal entendimento foi mantido pela DRJ que, equivocadamente, concluiu que não se homologa compensação de débito com direito de crédito já inteiramente comprometido em DCOMP anterior. Ressalta que a referida decisão não se fundamentou na análise da documentação comprobatória apresentada, mas sim, no fato de o Recorrente ter indicado em seu PER/DECOMP uma compensação inicial na qual todo o crédito informado já havia sido consumido. c) da leitura da decisão recorrida, constatase que a autoridade julgadora retorna a análise de condições formais para o deferimento da compensação, ignorando o que já foi decidido pelo CARF, que privilegiou a comprovação da existência de crédito – Princípio da Verdade Material – em detrimento do erro da Declaração, que, na oportunidade, restringiase ao erro na DCTF. Fl. 1493DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.915405/200948 Acórdão n.º 3802003.693 S3TE02 Fl. 1.492 5 d) no caso em tela, de fato, o Recorrente incorreu em dois equívocos no preenchimento do PER/DECOMP: (i) indicou em sua declaração de compensação uma DECOMP inicial, de nº 38578.06682.260506.1.3.044440, cuja discussão era totalmente independente desta e (ii) informou, em relação a parte do crédito, um DARF errado; e) na visão da autoridade julgadora, muito embora o crédito tenha sido comprovado, o Recorrente por ter mencionado no presente PER/DECOMP, o de nº 38578.06682.260506.1.3.044440, teria o direito somente ao crédito informado nessa declaração, no importe de R$ 1.701,18, totalmente consumido nesse primeiro pedido de DECOMP. Destaca que o referido crédito não foi utilizado em outra DCOMP, pois tratase de créditos distintos; f) o valor comprovado nos autos se refere, tão somente, ao PER/DECOMP n° 31738.20169.240608.1.3.047804, que cabia ao Recorrente comprovar o montante de R$ 24.881,67 (crédito original), que foi composto pela forma apresentada; g) do montante de R$ 24.881,67, esclareceu sobre a origem e comprovação do crédito de R$ 21.749,12, sendo que desse total o Fisco reconheceu apenas a existência de R$ 2.470,00. Isto porque, a diferença de R$ 19.270,12 de CPMF, estornada de 02 clientes, originouse de um outro DARF, no valor de R$ 115.492.903,20, mas, por equívoco de preenchimento do PER/DECOMP, esse DARF não foi informado. h) requer, caso o CARF considere necessário, a retificação de ofício do PER/DECOMP nº 31738.20169.240608.1.3.047804, com a exclusão da informação acerca do PER/DECOMP inicial, nos termos do artigo 147, § 2º, do CTN. Por fim, de todo o exposto, alega que restou comprovada a existência do indébito tributário que originou a compensação em tela e em observância ao princípio da verdade material sobre a formal, as provas trazidas aos autos devem ser acolhidas, requer que seja dado provimento ao seu recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra A ciência (eletrônica) da decisão recorrida se deu em 24/01/2014. Por sua vez, o recurso voluntário foi apresentado em 10/02/2014, tempestivamente, portanto. No mais, o recurso preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Extraise dos autos que o Recorrente apresentou Declaração de Compensação nº 31738.20169.240608.1.3.047804, pretendendo a extinção de débito próprio com direito de crédito decorrente de suposto pagamento a maior de CPMF. A DRF de origem não homologou a compensação declarada por inexistência de crédito, não havendo, portanto, saldo disponível para suportar a compensação declarada na referida DCOMP. Fl. 1494DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Inconformada, a interessada interpôs manifestação de inconformidade reiterando o direito ao crédito e mencionando a retificação da DCTF à qual o pagamento fora alocado na íntegra. Entendeu a DRJ que a contribuinte não teria comprovado a liquidez e certeza do crédito aproveitado. Então, os autos subiram à segunda instância administrativa. Consta dos autos que fora transmitida pela internet DCTF retificadora. Analisando todo o acima exposto, o CARF deu provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, decidindo no sentido de que a compensação fosse novamente apreciada, havendo entendido que a apresentação da DCTF retificadora, alterando o valor do débito ao qual fora vinculado o pagamento indicado como feito a maior, desconstituiria a causa original da não homologação, impondose o novo exame do feito. Em cumprimento ao Acórdão nº 330201.720 (fls. 69/73), a unidade de jurisdição emitiu novo despacho decisório (fls. 1.374/1.376), que no texto, a autoridade fiscal reconhece que o Recorrente comprova um crédito de pagamento indevido em valor inferior ao total dos débitos compensados, conforme abaixo transcrito: (...) A DCOMP nº 31728.20169.240608.1.3.047804, objeto deste processo, referese exclusivamente ao DARF de nº 2564601681, período de apuração 30/04/2006, código de receita 5869, no valor original de R$ 90.781.838,15, data de arrecadação 08/05/2006. Com base neste mesmo DARF o interessado apresentou ainda as seguintes Declarações de Compensação DCOMP: [seguese tabela com as compensações que teriam se utilizado do mesmo DARF]. Na sequência, conclui o despacho decisório que: (...) O interessado comprovou um crédito de pagamento indevido ou a maior no valor de R$ 2.470,00 [...] mas transmitiu, utilizando este crédito, declarações de compensação em um valor original total de R$ 153.023,49 [...] Na PER/DCOMP nº 38578.06682.260506.1.3.044440, com informação do crédito relativo a PER/DCOMP nº 31738.20169.1.3.047804, objeto deste processo, foi informado um crédito de R$ 1.701,18, totalmente utilizado na própria PER/DCOMP. Não restando crédito disponível, propomos a não homologação da PER/DCOMP nº 31738.20169.240608.1.3.047804. Nesse contexto, assim se posicionou a decisão a quo, a respeito da compensação tratada na DCOMP nº 31738.20169.240608.1.3.047804: (...) Como relatado, os autos retornam a esta Delegacia de Julgamento por força de acórdão prolatado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que determinou novo exame da compensação declarada pela contribuinte. Entendeu aquele colegiado que a apresentação de DCTF retificadora teria alterado a situação jurídica na qual se baseara o despacho decisório de não homologação, devendose reexaminar a existência do direito creditório. Fl. 1495DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.915405/200948 Acórdão n.º 3802003.693 S3TE02 Fl. 1.493 7 Em novo despacho decisório, a unidade de origem reconheceu a existência de pagamento a maior. Porém, não haveria como homologar a presente declaração de compensação já que o direito de crédito estaria integralmente comprometido na absorção de débito declarado em outra DCOMP (g.n). O Recorrente, em seu recurso, alega que o crédito em questão referese à CPMF recolhida a maior no valor de R$ 153.023,49, que teve origens em retenções indevidas de clientes, e foi utilizado em diversas compensações. Que da leitura da decisão recorrida constatase que a autoridade julgadora retorna a análise de condições formais para o deferimento da compensação, ignorando o que já foi decidido pelo CARF, que privilegiou a comprovação da existência de crédito – Princípio da Verdade Material – em detrimento do erro da Declaração, que, na oportunidade, restringiase ao erro na DCTF. Alega que a DRJ não homologou a compensação pleiteada sob argumento que não se homologa compensação de débito com direito de crédito já inteiramente comprometido em DCOMP anterior. Ressalta que a referida decisão não se fundamentou na análise da documentação comprobatória apresentada, mas sim, no fato de o Recorrente ter indicado em seu PER/DECOMP, uma compensação inicial na qual todo o crédito informado já havia sido consumido. Informa que no caso em tela, de fato, o Recorrente incorreu em dois equívocos no preenchimento do PER/DECOMP: (i) indicou em sua declaração de compensação uma DECOMP inicial, de nº 38578.06682.260506.1.3.044440, cuja discussão era totalmente independente desta e (ii) informou, em relação a parte do crédito, um DARF errado e que na visão da autoridade julgadora, muito embora o crédito tenha sido comprovado, o Recorrente por ter mencionado no presente PER/DECOMP, o de nº 38578.06682.260506.1.3.044440, teria o direito somente ao crédito informado nessa declaração, no importe de R$ 1.701,18, totalmente consumido nesse primeiro pedido de DECOMP. Destaca que o referido crédito não foi utilizado em outra DCOMP, pois tratase de créditos distintos. Aduz que do montante de R$ 24.881,67, esclareceu sobre a origem e comprovação do crédito de R$ 21.749,12, sendo que desse total o Fisco reconheceu apenas a existência de R$ 2.470,00. Isto porque, a diferença de R$ 19.270,12 de CPMF, estornada de 02 clientes, originouse de um outro DARF, no valor de R$ 115.492.903,20, mas, por equívoco de preenchimento do PER/DECOMP, esse DARF não foi informado. Ao final de seu recurso, requer que “caso o CARF considere necessário, a retificação de ofício do PER/DECOMP nº 31738.20169.240608.1.3.047804, com a exclusão da informação acerca do PER/DECOMP inicial, nos termos do artigo 147, § 2º, do CTN”. Registrese que no recurso apresentado pelo Recorrente na época, bem como no Acórdão proferido pelo CARF, restringiase ao erro no preenchimento da DCTF e da retificadora, conforme se observa na ementa do Acórdão: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/04/2006 CPMF. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. Fl. 1496DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, sendo consequência de sua apresentação, após a não homologação de compensação por ausência de saldo de créditos na DCTF original, a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte No entanto, agora na presente discussão, observase que a não homologação da compensação teve como motivação que o Recorrente transmitiu sua DCOMP compensando débito com suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, e verificado que as características do direito de crédito compensado estariam integralmente comprometidas na absorção de débito declarado em outra DCOMP. O Recorrente, em seu recurso, reafirma a existência de pagamento a maior, mas admite erro na informação no PER/DECOMP, vejase trecho abaixo reproduzido: (...) no caso em tela, de fato, o Recorrente incorreu em dois equívocos no preenchimento do PER/DECOMP: (i) indicou em sua declaração de compensação uma DECOMP inicial, de nº 38578.06682.260506.1.3.044440, cuja discussão era totalmente independente desta e (ii) informou, em relação a parte do crédito, um DARF errado. (...) requer, que caso o CARF considere necessário, a retificação de ofício do PER/DECOMP nº 31738.20169.240608.1.3.04 7804, com a exclusão da informação acerca do PER/DECOMP inicial, nos termos do artigo 147, § 2º, do CTN”. Ou seja, o Recorrente apresentou uma declaração de compensação cujo crédito informado inexiste na base de dados da Receita Federal (por estar inteiramente comprometido na compensação de outra dívida, não restando saldo disponível para outra compensação), não podendo agora, em sede de contencioso, modificar o âmbito de seu pedido, como corretamente asseverou a instância recorrida. Em referência a este fato, vejase trecho do Acórdão recorrido: Com efeito, na DCOMP sob exame (fl. 22), a contribuinte assinala que o direito de crédito compensado fora informado em outra declaração de compensação, a de nº 38578.06682.260506.1.3.044440. Confirase: (...). Esse último documento traz, portanto, as características que definem a natureza e a dimensão do direito de crédito aproveitado na declaração de compensação ora em análise. A citada DCOMP que contém as características do pagamento indevido indica o montante do direito de crédito: R$ 1.701,18 (fl. 1.342), como se vê na sequência: (...). Esse valor, como se vê, foi integralmente vinculado à compensação do débito informado naquela mesma declaração. Ou seja, o direito de crédito cujo aproveitamento foi formalizado na DCOMP objeto do presente exame está Fl. 1497DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.915405/200948 Acórdão n.º 3802003.693 S3TE02 Fl. 1.494 9 inteiramente comprometido na compensação de outra dívida, não restando saldo disponível para outra compensação (g.n). E prossegue, concluindo: (...) É esse quadro que dá sustentação ao novo despacho decisório emitido pela unidade local. A nova análise do direito de crédito encomendada pela decisão do CARF resultou na verificação da existência de pagamento a maior cuja compensação não fora formalizada pela contribuinte na DCOMP que veiculou o direito de crédito limitandoo à cifra de R$ 1.701,18, inteiramente consumida na própria DCOMP n° 38578.06682.260506.1.3.044440 (g.n). É sabido que o documento intitulado Declaração de Compensação (DCOMP) se presta, assim, a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. De fato, o pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação, posto que tal procedimento desnature o próprio objeto do processo. Eventual manifestação da instância julgadora sobre a legitimidade de crédito tributário não admitido junto à autoridade responsável pelo exame de pedidos dessa natureza representaria verdadeira usurpação da competência da referida autoridade, o que também não se pode admitir. Como é sabido, pois essa matéria foi regrada por diversos atos da RFB ao normatizar o art. 74, da Lei nº 9.430/96, que tanto a alteração de qualquer uma das características do débito compensado como do pagamento afirmado como feito a maior (data de vencimento, data de recolhimento, valor, CNPJ, período de apuração, data do fato gerador, código de receita de tributo, etc), só podem ser efetivadas mediante a transmissão da correspondente DCOMP retificadora, respeitadas as condições estabelecidas pela legislação, entre elas a inexistência de despacho decisório que decida sobre a DCOMP original (art. 56 a 59 da IN SRF 600/2005 e 76 a 79, da IN RFB nº 900/2008). Com efeito, como é cediço, a compensação que, nos termos do art. 170 do CTN, pressupõe liquidez e certeza dos créditos, é levada a efeito por meio de declaração capaz de extinguir o débito tributário sob condição da sua ulterior homologação, nos termos dos parágrafos 1º e 2º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme a redação que lhes foi fornecida pela Lei nº 10.637, de 2002. Portanto, cabe ao Fisco analisar se cabe ou não homologar uma compensação declarada. Noutro giro, os parágrafos sétimo a nono do mesmo art. 74 da mesma Lei nº 9.430, de 1996, incluídos pela Lei nº 10.833, de 20033, indicam as consequências da não homologação da DCOMP, bem assim o objeto do litígio instaurado em razão da apresentação de manifestação de inconformidade. Fl. 1498DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 Focado nesses parâmetros, entendo que o pleito do sujeito passivo não merece acolhida, pois não cabe a este Colegiado ir além da análise do ato de não homologação da Declaração de Compensação e tal ato, como decidido pelo acórdão recorrido, não merece reparo. Observamse vários julgados desta Corte que no caso do preenchimento dos dados do PER/DCOMP, cuja finalidade é a comunicação à administração tributária de um crédito e de um débito, os quais se extinguirão mutuamente, o erro na discriminação de qualquer um dos dois é claramente substancial, não podendo ser considerado simples erro formal. Neste sentido, quanto ao princípio da verdade material em detrimento do formalismo, que deve nortear o processo administrativo fiscal, alegado pelo Recorrente, temos em conta que a DCOMP faz parte de maneira inseparável à compensação. A pesquisa da verdade material se dá em relação às informações assinaladas na DCOMP. Não se trata de investigar minuciosamente da existência ou não do pagamento a maior no montante mencionado pela contribuinte. No caso da compensação, as informações sobre o débito e o crédito inscritas na DCOMP, como dito, fazem parte da essência da compensação. Por fim, temos em conta ainda que como se sabe, tratandose a CMPF de tributo pago por terceiros, cabendo ao interessado, na condição de contribuinte de fato, tão somente a obrigação por seu recolhimento, o direito à sua restituição/compensação se subsume, a teor do disciplinado pelo art. 166 do CTN. É fato que o Recorrente juntou cópia de demonstrativo dos extratos das contas correntes que receberam os créditos e dos valores estornados dos clientes, visando corroborar as suas alegações de que suportou o ônus de pagamento da CPMF indevidamente retida. Conclusão Sendo essas as considerações que reputo suficientes e necessárias à resolução da lide, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 1499DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 13629.000748/2005-90
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2003, 2004
CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. DEVER DE COLABORAÇÃO DO PARTICULAR.
Convertido processo em diligência, o contribuinte não atende ao demandado, bem como não prova o que alega. Em sendo assim, o dever de investigação que decorre do princípio da verdade material pressupõe o exercício do dever correlato de colaboração do particular. Recurso ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-003.733
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2003, 2004 CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. DEVER DE COLABORAÇÃO DO PARTICULAR. Convertido processo em diligência, o contribuinte não atende ao demandado, bem como não prova o que alega. Em sendo assim, o dever de investigação que decorre do princípio da verdade material pressupõe o exercício do dever correlato de colaboração do particular. Recurso ao qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 00 07 48 /2 00 5- 90 Fl. 381DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Contra a empresa foi lavrado auto de infração de PIS/Pasep no valor total de R$ 8.035,26 (fls. 06 e seguintes) em função das irregularidades apontadas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 21 e seguintes; A empresa apresenta impugnação (fls. 256 e seguintes), na qual alega que: O AuditorFiscal ao apurar o que deveria ser recolhido e, portanto, depositado judicialmente, inseriu indevidamente –na base de cálculo das contribuições PIS e da Cofins, valores que já foram por elas tributados em regime de “recolhimento monofásico”, ou por “substituição tributária”; A taxa SELIC não pode ser usada, pois não é índice juridicamente válido para ser aplicado a título de juros moratórios, uma vez que possui indisfarçável natureza financeira, sendo inconstitucional sua incidência para atualização de tributos recolhidos em atraso; É o breve relatório. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/JFA no 0921.106, de 08/10/2008, proferida pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2003, 2004 PROVA DOCUMENTAL A prova documental deve ser apresentada com a impugnação, sob pena de não prosperar as alegações da impugnante. TAXA SELIC Incabível a discussão da taxa SELIC, em sede administrativa. Lançamento Procedente O julgamento foi no sentido de julgar procedente o lançamento. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Argumenta a recorrente que foram incluídos na base de cálculo das contribuições, valores que teriam sido tributados no regime de substituição tributária, Fl. 382DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13629.000748/200590 Acórdão n.º 3802003.733 S3TE02 Fl. 382 3 Diante do princípio da verdade material, dos fatos relevantes, o processo foi convertido em diligência à repartição de origem, nos termos da Resolução de n° 3201000196, de 01/03/2011, para que a empresa esclarecesse e comprovasse valores reclamados do litígio e posterior parecer conclusivo da fiscalização. Em resposta ao solicitado, a fiscalização informa que o contribuinte foi intimado, em 13/09/2011, e reintimado, em 18/10/2011, a informar, apresentando documentos probantes, todos os valores que o mesmo alega, na Impugnação e no Recurso Voluntário, terem sido tributados em regime de recolhimento monofásico ou por substituição tributária que o Fisco não considerou e por consequência não foram excluídos ao se apurar a base de cálculo da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS. No entanto, decorridos os prazos para apresentação da resposta, a cooperativa não atendeu ás intimações. O processo digitalizado foi a mim redistribuído. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de Auto de Infração de PIS/Pasep, em decorrência das irregularidades conforme Termo de Verificação Fiscal. Ou seja, diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago, cujo crédito tributário encontrase com exigibilidade suspensa, por força de processos judiciais. O Termo de Verificação Fiscal esclarece que: .............. a Cooperativa impetrou mandados de segurança, insurgindose contra a sua equiparação às demais para efeito de tributação e contra a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, na forma estipulada na legislação indicada, obtendo a segurança parcial, assim discriminada: 1) PROCESSO 2000.00387327 Mandado de Segurança impetrado contra as alterações introduzidas pela Lei 9.718/98. Na sentença de 11 de outubro de 2000 foi concedida parcialmente a segurança para suspender a cobrança da COFINS, indeferindo o pleito sobre o PIS. O processo encontra se em fase de Apelação em Mandado de Segurança, na Oitava Turma do Tribunal Regional Federal, Primeira Região; 2)PROCESSO 2001.38.00.0030235Mandado de Segurança impetrado contra as alterações introduzidas pelas Leis 9.532/1997 e 9.718/1998 e Medida Provisória 2.11332/2001. Na sentença de 19/07/2001 foi concedida a segurança para suspender a exigibilidade do PIS e da COFINS na forma prevista Fl. 383DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 nos normativos citados. O processo encontrase em fase de Apelação em Mandado de Segurança, na Oitava Turma do Tribunal Regional Federal, Primeira Região. A Cooperativa efetuou o recolhimento das contribuições, mediante depósitos judiciais, conforme relação de pagamentos. ........................ Como já observado, anteriormente, em sede de argumento, no âmbito de recurso voluntário, a empresa ainda persiste e rebate,nos seguintes termos: “Tratase de lançamento tributário com o escopo de prevenir a decadência do PIS, tendo em vista a exigibilidade suspensa por decisões proferidas nos autos dos processos 2001.38.00.0030235 e 2000.38.00.0073275. No entanto a fiscalização houve por bem lavrar auto de infração para prevenir a decadência, apontando suposta insuficiência de depósitos judiciais, que também estão sendo realizados, não obstante a vigência das decisões que suspendem a exigibilidade do PIS. As supostas diferenças apontadas são decorrentes da comercialização de produtos sujeitos à incidência monofásica das contribuições e, portanto, sujeitos à aliquota zero. Entendera, entretanto, a DRJ que a Impugnante não teria logrado comprovar suas alegações e, por isso, manteve o lançamento, o que, com o devido respeito, não pode prevalecer.” Também, registro que a decisão a quo ressalta, conforme, trecho extraído abaixo: “Apesar da empresa insistir que foram incluídos na base de cálculo das contribuições, valores que teriam sido tributados no regime de substituição tributária, em momento algum ela aponta quais seriam esses valores. Também na documentação apresentada com a impugnação, não é possível apurálos. É importante registrar que o auditorfiscal ao calcular as diferenças de contribuição devidas, já considerou valores relativos à tributação monofásica, como se pode ver na planilha “DEMONSTRATIVO DA SITUAÇÃO FISCAL APURADA”, de fl. 25. Assim caberia à impugnante apontar quais valores não foram considerados pela autoridade autuante, e por consequência não foram excluídos da base de cálculo na citada planilha.” Pois bem, observase que na planilha de FATURAMENTO BRUTO PIS x COFINS e DEMONSTRATIVO DA SITUAÇÃO FISCAL estão relacionados o valores do faturamento, das deduções permitidas para a apuração da base de cálculo da contribuição, no período de janeiro/1999 a julho/2004, nos termos dos artigos 22, da Lei 9.715/1998 e 9.718/1998. Os valores foram extraídos da documentação fiscal e contábil e das planilhas do contribuinte, sendo constatadas as diferenças entre os valores declarados e/ou depositados judicialmente. Como descrito no Termo Fiscal, a partir de maio/2004, mediante termo de opção emitido pela empresa e encaminhado à Receita Federal, ou a partir de agosto/2004, vigência da norma do art. 21, da Lei 10.865/2004, que alterou o inciso VI, da Lei 10.833; do Fl. 384DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13629.000748/200590 Acórdão n.º 3802003.733 S3TE02 Fl. 383 5 Art. 4 °, da Lei 10.892/2004 e dos Arts. 1° e 4° da IN SRF 433/2004, o regime de apuração do PIS passou a ser o da nãocumulatividade. De acordo com o documento não foi feita a opção prescrita pelas normas supracitadas, razão pela qual o regime foi considerado pela fiscalização, na apuração da contribuição devida, a partir de agosto/2004, em que pese ter a empresa adotado a nãocumulatividade, a partir de junho de 2004 para cálculo da contribuição, para fins de depósitos judiciais, planilha e informações na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF. Como a empresa insistiu que foram incluídos na base de cálculo das contribuições, valores que teriam sido tributados no regime de substituição tributária, em nenhum momento indicou esses valores. Não foi possível apurar esses valores na documentação apresentada com a impugnação, como ressaltou a decisão de primeira instância, bem como foi dada chance à mesma para provar o que alega, conforme intimação e reintimação à mesma, demanda através da citada Resolução pelo CARF. Verificase que a recorrente traz informativos à Receita Federal, sem contudo, não aduz provas relativas à materialidade do que afirma. Enfim, não foram acostadas aos autos prova documental que dá suporte ao seu pleito. No que tange à prova, é de se observar o esclarecimento de Paulo Celso B. Bonilha (Da Prova no Processo Administrativo Tributário, 2ª Edição, Dialética, São Paulo, 1997): “Embora de maior amplitude, o poder de prova das autoridades administrativas deve ser, por uma questão de princípio, distinto do direito de prova a ser exercido pela Fazenda na relação processual. Essa conclusão elementar decorre da própria estrutura da relação processual administrativa, visto que ela pressupõe modos de atuação distintos da Administração: não se confundem as atribuições de defesa da pretensão fiscal e a de julgamento, por isso mesmo desempenhadas por órgãos autônomos. Essas premissas, a nosso ver, justificam as seguintes assertivas: o poder instrutório das autoridades de julgamento (aqui englobamos a de preparo) deve se nortear pelo esclarecimento dos pontos controvertidos , mas sua atuação não pode implicar invasão dos campos de exercício de prova do contribuinte ou da Fazenda. Em outras palavras, o caráter oficial da atuação dessas autoridades e o equilíbrio e imparcialidade com que devem exercer suas atribuições, inclusive a probatória, não lhes permite substituir as partes ou suprir a prova que lhes incumbe carrear para o processo.” (grifei) Se a defesa entende que a verdade material não está contida nos documentos apresentados à fiscalização, deveria trazer ao processo elementos probantes do contrário, desde quando, é um direito seu apresentar as provas que julgar necessárias para reforçar seu ponto de vista. Concluise, pois, que cabe ao recorrente trazer aos autos todos os dados que entende comprovadores dos fatos que alega e que entende como suficientes para reformar o lançamento. De forma contrária, o mesmo alega, mas não prova. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Em derradeiro, a exigência de juros de mora à taxa Selic, constitui matéria sumulada pelo Carf, nos termos da súmula n 3 que assim dispõe: Súmula nº 3. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais.” Dessa forma, aplicase a súmula acima. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 386DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 15374.977648/2009-41
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1803-000.105
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto da Relatora. Ausente justificadamente o Conselheiro Henrique Heiji Erbano.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto da Relatora. Ausente justificadamente o Conselheiro Henrique Heiji Erbano. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. RELATÓRIO A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 0564.57143.221008.1.3.045401, em 22.10.2008, fls. 0407, utilizandose do pagamento a maior de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), código 0220, no valor de R$112.418,99 contido no DARF no valor de R$807.326,69 recolhido em 30.04.2008, apurado pelo lucro real, correspondente ao período de apuração do primeiro trimestre de 2008. Esse crédito foi utilizado para fins de compensação do débito de IRPJ, código 0220, no valor de R$117.129.35, correspondente ao período de apuração do terceiro trimestre de 2008, com vencimento em 31.10.2008. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 77 64 8/ 20 09 -4 1 Fl. 420DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15374.977648/200941 Resolução nº 1803000.105 S1TE03 Fl. 421 2 Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 26, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Limite do crédito analisado correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 112.418,99. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Características do DARF discriminado no PER/DCOMP PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA VALOR TOTAL DO DARF DATA DE ARRECADAÇÃO 31/03/2008 0220 807.326,69 30/04/2008 UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP NÚMERO DO PAGAMENTO VALOR ORIGINAL TOTAL PROCESSO(PR)/ PERD/COMP(PD)/DÉBITO(DB) VALOR ORIGINAL UTILIZADO 4631887931 807.326,69 Db: cód 0220 PA 31/03/2008 807.326,69 [...] Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, fls. 1325. Afirma que “não identificamos essa DComp na empresa, solicitamos que seja cancelada. Todos os valores do IRPJ foram compensados.” Diz que não teve ciência do Despacho Decisório Eletrônico e ainda que: Após diversas idas à RFB com o intuito de tentar entender os motivos ao indeferimento das Per/DComp’s identificamos que falhamos em não efetuar o cancelamento da DComp em referência. Portanto a DComp supramencionada deve ser cancelada, pois, outra Per/DComp que está substituindo a mesma. Quanto ao valor informado como devedor pelo Despacho Decisório, informamos que não existe débito em aberto para a empresa, já que todos os pagamentos efetuados [coincidem] com as DCTF’s Retificadoras. Pedimos que seja observada a DCTF Retificadora do período [...]. A DCTF Retificadora demonstra o valor correto do débito, e verificando o conta corrente na base de dados da RFB pode ser observado que os valores pagos [...] batem com o valor do débito declarado pela DCTF Retificadora [...]. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15374.977648/200941 Resolução nº 1803000.105 S1TE03 Fl. 422 3 Conclui: Diante do exposto, pedimos: 1) Que o Manifesto de Inconformidade seja considerado tempestivo, já que não recebemos nenhum comunicado da Receita Federal do Brasil e não fomos notificados pelo Diário Oficial da União, e nos termos da fundamentação supra; 2) Que seja revisto o Processo da DCOMP e que a mesma seja cancelada de ofício extinguindose o valor do débito (não homologado) em aberto até a presente data, em conformidade comas DCTF’s Retificadoras registradas na base de dados da [RFB] no mesmo período a que se refere o [...] presente Per/DComp; 3) Que a referida DCOMP seja cancelada de ofício; 4) Que os débitos sejam baixados da base de dados da Receita Federal do Brasil de forma que estes não sejam mais impeditivos para emissão da Certidão Negativa de Débitos (CND) da empresa. Está registrado como ementa do Acórdão da 3ª Turma da DRJ/RJO I /RJ nº 12 35.711, de 14.02.2011, fls. 154169: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE. INTIMAÇÃO POSTAL. INTIMAÇÃO POR EDITAL. Acolhida a preliminar de tempestividade, a manifestação de inconformidade deve ser conhecida. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CANCELAMENTO. INVIABILIDADE. O pedido de cancelamento ou de retificação da Dcomp deve ser gerado a partir do programa PER/DCOMP. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. IRPJ QUOTAS. Indeferido o pedido de cancelamento da Dcomp, mantémse o Despacho Decisório recorrido, que não reconheceu o direito creditório alegado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Notificada em 07.04.2011, fl. 180, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 03.05.2011, fls. 182184 e 209221, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge, reiterando os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15374.977648/200941 Resolução nº 1803000.105 S1TE03 Fl. 423 4 Acrescenta que: I Preliminarmente No anocalendário de 2008, a tributação da Recorrente estava submetida ao lucro real de apuração trimestral. Baseada nessa forma foi apresentada uma única Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ, de n° 1682151, entregue em 1611012009, conforme recibo n°: 06.01.06.04.4803 [...] II — Dos Fatos Ocorre que a [RFB] vem cobrando débito inexistente sobre apuração do [IRPJ] referente ao 3º trimestre de 2008. Tratase de cobrança indevida posto que a Recorrente extinguiu os débitos a partir do pagamento e compensação do tributo. Foi apresentada, para o mês de competência setembro de 2008, a [DCTF] Retificadora n° 1890356037 [...], ora ativa, entregue em 04/06/2009, constando a constituição do débito no valor de R$177.882,56 [...]. Nesta declaração não foi apresentada a vinculação da liquidação do débito, já que o sistema da RFB não permite que seja feito dessa forma, por conta do prazo de pagamento ser posterior a data do registro da referida DCTF. Da mesma forma, para o mês de competência dezembro de 2008, foi apresentada a [DCTF] Retificadora, n° 1840377126 [...], ora ativa, entregue em 04/06/2009. Nas fichas destinadas ao trimestre anterior contém as informações sobre "o pagamento do débito de R$177.882,56 [...], feito em 3 (três) cotas, que foram vinculadas aos créditos, conforme abaixo: Descrição do débito e dos pagamentos efetuados Vr Principal 0220 Vr Multa 3252 Vr Juros 2807 Vr Total Pago/ Compensado Débito apurado a ser pago em três cotas nos valores de: R$59.294,19 (venc. 31/10/08), R$59.294,19 (venc. 30/11/08) e R$59.294,18 (venc. 31/12/08), conforme declarado na DCTF nº 1840377126 entregue em 04/06/2009 177.882,56 0,00 0,00 DARF pago em 31/10/2008 (40.088,37) 0,00 0,00 (40.088,37) DCOMP Original 26103.08314.030609.1.3.049480 (22.965,60) (4.593,12) (1.752,27) (29.310,99) DARF pago em 29/06/2009 (40.306,77) (8.061,35) (8.061,35) (51.443,52) DCOMP Original 26103.08314.030609.1.3.049480 (15.220,60) (3.044,12) (1.161,33) (19.426,05) DARF pago em 29/06/2009 (59.294,18) (11.858,83) (4.524,14) (75.677,15) DARF pago em 21/12/2010 (3.766,82) (753,36) (794,04) (5.314,22) Total do saldo credor a favor do contribuinte 3.759,78 Isto posto, foram sanadas todas as questões referentes aos débitos e créditos e cumpridas as obrigações acessórias relativas ao pagamento do tributo [IRPJ], no escopo acima, tendo a Recorrente encerrado corretamente o período de apuração do ano calendário de 2008, restando ainda saldo credor remanescente no valor de R$3.759,78 [...], para fins de compensação. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15374.977648/200941 Resolução nº 1803000.105 S1TE03 Fl. 424 5 A despeito disso, para surpresa da Recorrente, foi recebida notificação de cobrança, exigindo o pagamento do valor de R$117.129,35 [...], gerado como débito para o 3º trimestre de 2008. Ocorre que tal cobrança foi realizada com base em informações equivocadas, tendo em vista que os débitos da Requerente junto à [RFB] já haviam sido quitados. Verificouse, porém, que restou em aberto, não cancelada por umas falha sistêmica, uma Per/Dcomp de n°: 05064.57143.221008.1.3.045401 [...], que deu a impressão de dívida não paga, gerando todo esse desconforto. O que por todo o exposto não pode prosperar. Dessa Per/DComp equivocada [...], se deu o Despacho Decisório de n° 848611272, onde constava a não homologação da compensação a princípio declarada na Per/DComp, sob o n°: 05064.57143.221008.1.3.045401 [...] por constatar a inexistência de crédito. Agiu certo o julgador, quanto à inexistência de créditos na referida Per/DComp [...], ao que não se opõe a Recorrente, pelas razões acima fartamente fundamentadas. Mas, por oportuno, da decisão que indeferiu a homologação do crédito (por inexistência), foi aberto o processo administrativo fiscal de n° 15374.977648/200941, que cobra por uma dívida já quitada. Ocorre que o débito gerado é inexistente, posto que não existe cota devida não paga. O débito foi levantado com base em uma informação equivocada, que ainda consta no sistema, quando deveria ter sido desconsiderada, por não expressar a verdade dos fatos. Situação que espelha, grave falha no sistema por não vincular as informações prestadas nas declarações. No tempo, a Requerente informou através de Manifesto de Inconformidade sobre o ocorrido [...], ressaltando o equívoco e a cobrança indevida da dívida, porém não teve seu pleito deferido, razão pela qual requer a tutela [...] para ver reconhecida a situação que de fato ocorreu, sob pena de grave prejuízo da Recorrente, requerendo por fim seja desconsiderada a Per/DComp não cancelada, de n°: 05064.57143.221008.1.3.045401 [...] declarado como inexistente o débito cobrado indevidamente, com a referida baixa no sistema; e reconhecido o valor de saldo credor remanescente para fins de compensação. II — Do Mérito [...] Não se vislumbra porém, no texto acima, impedimento legal para que a Per/DComp [...] seja cancelada de ofício, como argumenta a Relatora. O texto apenas trata da responsabilidade do sujeito passivo. Ocorre que a Per/DComp [...] não pode ser tratada como ato absoluto e irrevogável, menos ainda como fato gerador de tributação. [...] No caso em tela houve falha do não cancelamento da Per/DComp [...] que buscava compensar com um crédito inexistente uma dívida, da mesma forma, inexistente (como corretamente apurado). Não reconhecido o crédito pelo Fisco, este agiu corretamente. Porém, no que se trata da dívida, a mesma segue em cobrança, a despeito de ser indevida. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15374.977648/200941 Resolução nº 1803000.105 S1TE03 Fl. 425 6 Manter a cobrança indevida, pelo fato da impossibilidade de se cancelar a [...] Per/DComp [...], significa considerar essa declaração como fato gerador do tributo, o que é absurdamente ilegal. [...] Feito o pagamento ou compensação do tributo, não existindo a dívida, deve a cobrança ser cancelada, sob pena de, em caso de pagamento em duplicidade, sofrer incidência de repetição de indébito de tributo na forma do art. 165 e 166 do CTN. [...] Por tudo isso, deve ser desconsiderada a Per/DComp [...] em questão, e reconhecida a inexistência da dívida de [IRPJ] referente ao 3º trimestre de 2008. Ressaltese que a decisão de Primeira Instância somente trata da inexistência do crédito, mas em momento algum se atém à inexistência do débito, quanto a isso a decisão é totalmente omissa. As informações que fundamentaram a decisão não estão corretas, tendo em vista que não foi apreciada a totalidade dos fatos alegados. Podese verificar que em nenhum momento a Relatora fez menção à DIPJ do anocalendário de 2008 [...], o que comprovaria todas as alegações da Recorrente quanto à falta de certeza e liquidez da cobrança. A Recorrente, pelo presente, não questiona ou defende a existência do crédito tributário. É bem certo que o crédito não existe. Em outra via também temse que o débito cobrado não existe , assertiva que não pode ser desprezada. [...] Pelo exposto, imperioso se faz que seja revista a decisão da primeira instância, sendo reformada em parte, a fim que seja desconsiderada a cobrança gerada pela Per/DComp n°: 05064.57143.221008.1.3.045401 [...] declarado inexistente o débito indevidamente cobrado no processo fiscal de n° 15374.977.6481200941; reconhecido o valor de saldo credor para fins de compensação; e por fim, deferida a extinção do feito. Conclui: O débito encontrase devidamente quitado. Resta saldo credor remanescente para fins de compensação. Ocorre, que diante de diversas declarações enviadas à Receita Federal, conforme todo o farta ente exposto e documentado nos termos acima, restou uma Per/DComp [...] que, por falha . sistêmica, não foi cancelada, e expressa uma inverdade. Isso indica que em sistema consta uma declaração de dívida que não pode ser considerada para cobrança de débitos, por expressar uma situação inverídica e, portanto, inválida. O que se espera é que tendo em vista a comprovação da quitação do débito, impassível de contestação, pelas provas apresentadas, seja declarada totalmente inexistente [...] a cobrança feita pela Recorrida, sendo simplesmente desconsiderada a Per/DComp [...] em questão. Deve ainda o débito ser baixado do sistema da [RFB] a fim de evitar maiores prejuízos à Recorrente. Desta forma, por todas as considerações feitas no presente, a Recorrente pede: 1) que seja declarado totalmente inexistente o débito cobrado pela RFB, em processo administrativo fiscal, do que ora se recorre; Fl. 425DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15374.977648/200941 Resolução nº 1803000.105 S1TE03 Fl. 426 7 2) que seja baixada do sistema da RFB todas as cobranças relativas ao 3° trimestre do anocalendário de 2008, por estarem devidamente quitadas; 3) que seja reconhecido o valor remanescente, no montante de R$3.759,78 [...], como saldo credor a compensar; 4) que seja cancelada e/ou desconsiderada a Per/DComp nº 05064.57143.221008.1.3.045401 [...]. para que surta seus devidos e legais efeitos. À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a Recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal e concedendose o crédito fiscal, ora reclamados. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. VOTO Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). A Recorrente discorda do procedimento fiscal em relação ao valor do débito constante no Per/DComp, tãosomente, ao argumento de que está extinto. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Ainda, o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional 1. 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15374.977648/200941 Resolução nº 1803000.105 S1TE03 Fl. 427 8 Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Tendo em vista as peculiaridades dos presentes autos, em sucedendo e com observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto por converter o julgamento na realização de diligência para que a autoridade preparadora da Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente cotejar as informações fornecidas pela Recorrente e com os registros internos da RFB, tais como Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e os pagamentos efetuados para aferir a verossimilhança, a clareza, a precisão e a congruência das informações indicadas pela Recorrente: (a) o valor correto do débito referente ao IRPJ referente ao 3º trimestre de 2008; (b) a extinção mencionado do débito, em conformidade com a planilha; (c) o cancelamento do débito erroneamente confessado e se for o caso o respectivo cancelamento do Per/DComp nº 0564.57143.221008.1.3.045401, se constatada a duplicidade confissão de débito em relação ao mesmo fato gerador da obrigação tributária. A autoridade designada ao cumprimento da diligência solicitada deverá elaborar o Relatório Fiscal circunstanciado e conclusivo sobre os fatos averiguados, em especial relativamente ao débito de IRPJ do 3º trimestre de 2008. A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes às diligências efetuadas e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito dessas questões com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes2 . (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 2 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição da República. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10880.979212/2009-53
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/10/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ.
Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.566
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 92 12 /2 00 9- 53 Fl. 30DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.979212/200953 Acórdão n.º 3801004.566 S3TE01 Fl. 4 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (fls. 01 e 02) relativa ao pagamento indevido ou maior de COFINS cód. 2172, no montante de R$ 112,17, ocorrido em 15/10/2004, com débito próprio de COFINS cód. 2172. A DCOMP em tela, transmitida pela interessada em 18/11/2005, foi analisada de forma eletrônica pelo sistema de processamento da Receita Federal do Brasil RFB que emitiu o Despacho Decisório de fl. 03, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da requerente, que não homologou a compensação declarada por inexistência do crédito. Segundo o Despacho Decisório o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Inconformado, o contribuinte por meio de seu representante legal, impugnou o despacho decisório manifestando a sua inconformidade às fls. 07, na qual deduz as alegações a seguir discriminadas A requerente tem como objeto social o transporte rodoviário de cargas e na execução desses serviços seus veículos estão sujeitos ao pagamento de pedágio nas diversas estradas brasileiras. Por força do artigo 2o da Lei n° 10.209/2001, o valor do vale pedágio não é considerado receita operacional ou rendimento tributável da empresa não constituindo base de incidência de contribuições social ou previdenciarias. Portanto os valores recebidos a título de pedágio pela Requerente, obrigatoriamente destacados no campo especifico do conhecimento de transporte rodoviário, conforme prevê o § único do mesmo artigo 2o da Lei n° 10.209/2001, não deveriam ter composto a base de cálculo do PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Ocorre que por desconhecimento até então pela Requerente desse fato, os valores relativos ao pedágio vinham sendo considerados como receita da empresa e, conseqüentemente, incluídos na base de calculo de PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Tendo tomado conhecimento da não incidência dos impostos federais sobre os valores recebidos a título de pedágio, a Requerente efetuou levantamento dos valores pagos a maior relativos ao prazo prescricional, e efetuou pedido de restituição conforme PER/DCOMP n° 00459. 59362. 141105. 1.2. 042847, relativo ao período de apuração set/2004. Nesse período, Fl. 31DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.979212/200953 Acórdão n.º 3801004.566 S3TE01 Fl. 5 3 conforme poderá ser constatado pela planilha anexa, foram destacados nos conhecimentos de transporte o valor correspondente a R$ 3. 738,86, relativo ao pedágio, valor esse que não deveria ter integrado a base de cálculo do imposto. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇAO PARA O FINANCIAMENTO I›A SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/10/2004 DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário repisando, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade, solicitando ainda que o julgamento seja transformado em diligência, a fim de que sejam devidamente comprovadas todas as alegações da Recorrente. É o Relatório. Fl. 32DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.979212/200953 Acórdão n.º 3801004.566 S3TE01 Fl. 6 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração do PIS e da Cofins que teriam sido pagos a maior. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. Por certo, a análise automática do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior pleiteado em restituição ou utilizado em declaração de compensação é realizada considerando o saldo disponível do pagamento nos sistemas de cobrança, não se verificando efetivamente o mérito da questão, o que será viável somente a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. A recorrente alega que o crédito em debate teve origem na inclusão na base de cálculo de PIS e COFINS de valores recebidos a título de pedágio pela Requerente mas que por força do artigo 2° da Lei n.° 10.209/2001 não é considerado como receita operacional ou rendimento tributável da empresa, não constituindo base de incidência de contribuições sociais ou previdenciárias. De fato, o Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, que regulamenta a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins devidas pelas pessoas jurídicas em geral, previa a exclusão da receita bruta das empresas transportadoras de carga do valor recebido a título de ValePedágio instituído pela Lei nº 10.209, de 2001, in verbis: Art. 34. As empresas transportadoras de carga, para efeito da apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir da receita bruta o valor recebido a título de ValePedágio, quando destacado em campo específico no documento comprobatório do transporte (Lei nº 10.209, de 23 de março de 2001, art. 2º , alterado pelo art. 1º da Lei nº 10.561, de 13 de novembro de 2002). Parágrafo único. As empresas devem manter em boa guarda, à disposição da SRF, os comprovantes de pagamento dos pedágios cujos valores foram excluídos da base de cálculo. No entanto, a Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito ou mesmo cópia dos conhecimentos de transporte, nos quais estivessem destacados os Fl. 33DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.979212/200953 Acórdão n.º 3801004.566 S3TE01 Fl. 7 5 valores recebidos do ValePedágio, conforme prevê o artigo 2° da Lei n.° 10.209/2001. Se limitou, tãosomente, a apresentar uma planilha na qual estaria a relação dos conhecimentos de transporte onde os valores de pedágio foram destacados, porém sem nenhum documento que a embasasse. Apesar da prevalência do princípio da Verdade Material no âmbito do processo administrativo, o pedido de diligência da requerente deveria estar acompanhado dos elementos que pudéssemos considerar como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência dos argumentos apresentados, o que não se verifica no caso em tela. A mera inércia da requerente não pode ser suprida por diligência. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR o pedido de compensação. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 34DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13609.001011/2009-56
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2008
COMBUSTÍVEIS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. COMPENSAÇÃO.
Com o fim do instituto da substituição tributária nas operações com combustíveis, a partir de 1° de julho de 2000, é incabível, por falta de previsão legal, qualquer modalidade de ressarcimento ao consumidor final, pessoa jurídica, dos valores do PIS e da COFINS, na aquisição feita diretamente à distribuidora.
Numero da decisão: 1801-002.152
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2008 COMBUSTÍVEIS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. COMPENSAÇÃO. Com o fim do instituto da substituição tributária nas operações com combustíveis, a partir de 1° de julho de 2000, é incabível, por falta de previsão legal, qualquer modalidade de ressarcimento ao consumidor final, pessoa jurídica, dos valores do PIS e da COFINS, na aquisição feita diretamente à distribuidora.
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BASE DE CÁLCULO. ICMS. Os valores correspondentes ao ICMS das empresas optantes do regime de tributação do lucro presumido não podem ser excluídos da base de cálculo do IRPJ, por falta de previsão legal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL EXERCÍCIO: 2008 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. ICMS. Os valores correspondentes ao ICMS das empresas optantes do regime de tributação do lucro presumido não podem ser excluídos da base de cálculo da CSLL, por falta de previsão legal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2008 COMBUSTÍVEIS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. COMPENSAÇÃO. Com o fim do instituto da substituição tributária nas operações com combustíveis, a partir de 1° de julho de 2000, é incabível, por falta de previsão legal, qualquer modalidade de ressarcimento ao consumidor final, pessoa jurídica, dos valores do PIS e da COFINS, na aquisição feita diretamente à distribuidora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008 COMBUSTÍVEIS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. COMPENSAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 10 11 /2 00 9- 56 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE A LBUQUERQUE Processo nº 13609.001011/200956 Acórdão n.º 1801002.152 S1TE01 Fl. 185 2 Com o fim do instituto da substituição tributária nas operações com combustíveis, a partir de 1° de julho de 2000, é incabível, por falta de previsão legal, qualquer modalidade de ressarcimento ao consumidor final, pessoa jurídica, dos valores do PIS e da COFINS, na aquisição feita diretamente à distribuidora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório SANTOS E DIAS TRANSPORTES E CARVOEJAMENTO LTDA., pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 02 29.146 (fl. 146), pela DRJ Belo Horizonte, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. O processo trata de pedido de restituição (fl. 2) de IRPJ e CSLL de indébitos surgidos pela exclusão da base de cálculo desses tributos dos valores correspondentes ao ICMS devido. Também solicita restituição de PIS e Cofins relativos à aquisição de combustíveis. Em seguida, houve a apresentação de declaração de compensação de nº 08539.35740.280709.1.3.045417 (fl.52). O pedido de restituição foi indeferido e a DCOMP não foi homologada, nos termos do despacho decisório de fl. 60. A autoridade julgadora a quo assim resumiu a lide (fl. 147): O contribuinte acima identificado apresenta manifestação de inconformidade (fls. 67/81) contra o despacho decisório de fls 56/58, que indeferiu seu pedido de restituição de fls. 01, não homologando a compensação vinculada, nos termos resumidos a seguir. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE A LBUQUERQUE Processo nº 13609.001011/200956 Acórdão n.º 1801002.152 S1TE01 Fl. 186 3 Narrando os fatos considerados pela repartição na formalização do presente processo, no que tange à Cofins e ao PIS, defende o reconhecimento de seu direito à restituição uma vez que as leis editadas feriram o preceito contido no art. 150, § 7° da Constituição Federal, porquanto a extinção do regime de substituição tributária pelas distribuidoras e refinarias de petróleo e a criação do regime monofásico com a manutenção da • mesma carga tributária prejudicaram o contribuinte, porque no preço dos combustíveis adquiridos diretamente das distribuidoras encontrase embutido o mesmo encargo tributário, sem que haja a possibilidade de devolução ao contribuinte do dinheiro arrecadado mediante operação de venda inexistente. Em relação ao IRPJ e À CSLL, propugna pela exclusão do ICMS da base de cálculo, em face de sua indevida e inconstitucional inclusão, por juridicamente não poder ser incluído em nenhum dos conceitos correspondentes ao faturamento ou à receita, uma vez que coro estes não guarda relação, a exemplo do entendimento exarado pelo STF, tratandose de receita pertencente ao erário. Requerendo a atualização do crédito tributário pela Selic, sustenta a procedência da manifestação de inconformidade. A DRJ considerou a manifestação de inconformidade. A decisão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 30/05/2008 a 31/12/2008 Normas Gerais de Direito A argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 30/05/2008 a 31/12/2008 Normas Gerais de Direito A argüição de inconstitucional idade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURíDICA – IRPJ Período de apuração: 15/07/2004 a 20/03/2008 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE A LBUQUERQUE Processo nº 13609.001011/200956 Acórdão n.º 1801002.152 S1TE01 Fl. 187 4 Base de cálculo Os valores correspondentes ao ICMS das empresas optantes do regime de tributação do lucro presumido, por expressa falta de previsão legal, não podem ser excluídos da base de cálculo do imposto. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO – CSLL Período de apuração: 15/07/2004 a 20/03/2008 Base de cálculo Os valores correspondentes ao ICMS, por expressa falta de previsão legal, não podem ser excluídos'da base de cálculo da contribuição. Cientificado dessa decisão em 10/12/2010, por via postal (fl. 152), o contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário (fl. 154), em 06/01/2011, trazendo os argumentos sintetizados a seguir. i) O contribuinte formulou pedido administrativo visando à restituição dos valores pagos a título de PIS e de COFINS, atualizados, no período compreendido entre 30 de maio de 2008 e 31 de dezembro de 2008, que incidiram sobre as aquisições de combustíveis, no importe de R$ 212.357,81; ii) as leis que extinguiram o regime de substituição tributária fizeram tabula rasa o preceito contido no art. 150, §7º da Constituição Federal1; iii) a partir do momento em que se extinguiu o regime da substituição tributária do PIS e da COFINS pelas distribuidoras e refinarias de petróleo, e se manteve a mesma carga tributária cobrada pelas refinarias, tornase óbvio que o único prejudicado foi o contribuinte porque no preço dos combustíveis adquiridos diretamente das distribuidoras se encontra embutido o mesmo encargo tributário que antes existia sob a roupagem da substituição tributária. Com isso, o contribuinte ficou impedido de obter a restituição dos valores de PIS e COFINS pagos, o que caracteriza o locupletamento sem causa; iv) também foi violado o preceito contido no art. 110, do CTN, porque o fisco tornou inaplicável, por via reflexa, a norma estatuída no citado §7°, do art. 150, do CTN; v) a extinção da substituição tributária por meio de medidas provisórias não encontra o menor amparo legal porque afronta o disposto no art. 246, da CF/88, que, por sua vez, impede que medidas provisórias regulamentem texto da Constituição cuja redação tenha sido alterada por emendas constitucionais datadas a partir de janeiro de 1995 até setembro de 2001; 1 § 7.º A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de imposto ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE A LBUQUERQUE Processo nº 13609.001011/200956 Acórdão n.º 1801002.152 S1TE01 Fl. 188 5 vi) o contribuinte pleiteou também a restituição de valores pagos a título de IRPJ e de CSLL decorrente da exclusão das bases de cálculo dos referidos tributos dos valores destinados ao ICMS. Tais valores correspondem a R$ 3.817,30 de IRPJ e R$ 3.435,54 de CSLL. O período de apuração dos referidos créditos é compreendido entre 15 de julho de 2004 e 20 de março de 2008; vii) somente é possível que exista a tributação através do IRPJ e da CSLL quando há lucro auferido; viii) mesmo no regime de apuração do lucro presumido, onde se lê que os tributos (IRPJ e CSLL) incidirão sobre a receita bruta de vendas, a base de cálculo não pode extravasar o valor do negócio; ix) cumpre ressaltar que o valor do ICMS não deve ser considerado como receita, pois sua arrecadação não gera resultado que possa aumentar o patrimônio das empresas. O ICMS configura uma entrada passageira na empresa, pois segue para o fisco estadual; x) o valor do ICMS, por equivalência à tese da sua exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS, não pode ser incluído na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por não ser incluído no conceito de "faturamento". É o relatório Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo digno de conhecimento. O contribuinte alega ter créditos de PIS e COFINS oriundos de compras de combustível realizadas junto a empresas distribuidoras no ano 2008 (gasolina e óleo diesel). Nessa época, o regime de substituição tributária das refinarias de petróleo, estabelecido no artigo 4º da Lei nº 9.718, de 1998, já havia sido extinto por força da Lei nº 9.990, de 2000. Conforme a nova redação desse dispositivo, as refinarias são exclusivamente contribuintes, não respondendo mais pelas contribuições devidas por outros participantes da cadeia produtiva. Assim, cada elo da cadeia produtiva desses combustíveis passou a ser responsável pelo recolhimento de PIS e Cofins sobre seu próprio faturamento. Contudo, a Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, reduziu a zero as alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre a venda dos combustíveis, quando realizada por distribuidoras e comerciantes varejistas: Art. 42. Ficam reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: Igasolinas, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e GLP, auferida por distribuidores e comerciantes varejistas; Fl. 188DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE A LBUQUERQUE Processo nº 13609.001011/200956 Acórdão n.º 1801002.152 S1TE01 Fl. 189 6 Na espécie, o contribuinte adquiriu combustíveis de distribuidoras, ocasião em que houve a incidência de PIS e COFINS na alíquota zero. Portanto, o crédito do recorrente tem liquidação zero. Ademais, tendo sido tributado pelo lucro presumido, o contribuinte não está sujeito ao regime nãocumulativo do PIS e da COFINS, em razão da vedação contida no artigo 10, II, da Lei nº 10.833, de 2003. Em seu favor, o contribuinte traz argumentos de natureza econômica que, embora tenham relevância na avaliação e planejamento de uma política tributária, não são capazes de influenciar a análise jurídica da presente lide, baseada apenas em fontes do Direito. Como se sabe, o julgador administrativo está impedido de deixar de aplicar a lei em razão de alegada inconstitucionalidade, conforme o artigo 26A do Decreto nº 70.235, de 1972. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Assim, entendo correta a decisão a quo, quando não reconheceu o direito creditório de PIS e Cofins. O mesmo se diz da decisão que não reconheceu o direito creditório de IRPJ e CSLL, para o qual adoto as razões da decisão recorrida: Quanto à exclusão do ICMS da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, temse que o art. 31 da Lei n° 8.981, de 1995, estabelece o conceito de receita bruta, para fins de apuração do lucro presumido, como sendo o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia, deduzidas as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador. Observese que a legislação referente ao IRPJ a à CSLL, para as empresas que optaram pelo lucro presumido, não apresenta qualquer embasamento legal permitindo a exclusão pretendida, porquanto o ICMS, por guardar proporcionalidade com o preço da venda ou dos serviços, é imposto incidente sobre a venda, constituindo, portanto, a receita bruta ou faturamento da empresa. Portanto, situados dentro do campo de incidência da exação, tais valores, por falta de previsão legal, não podem ser excluídos da base de cálculo. Registrese também que a previsão de exclusão do ICMS a que se refere o § único do art. 31 da referida lei é relativa a aquisições em que o vendedor atua na condição de substituto tributário do adquirente, não sendo este o caso do interessado. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE A LBUQUERQUE Processo nº 13609.001011/200956 Acórdão n.º 1801002.152 S1TE01 Fl. 190 7 Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão de primeiro grau. (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 190DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE A LBUQUERQUE
score : 1.0
Numero do processo: 10320.000517/99-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 10/11/1997
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM.
É incabível a aplicação de preferência tarifária percentual quando o produto importado é comercializado por terceiro pais, sem que tenham sido atendidos os requisitos previstos na legislação de regência.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3101-001.738
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por voto de qualidade, negou-se provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Luiz Roberto Domingo (Relator), Valdete Aparecida Marinheiro e Elias Fernandes Eufrásio. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. O Conselheiro José Henrique Mauri, cuja vista dos autos lhe foi concedida na sessão anterior, substituiu o Conselheiro Amauri Amora Câmara Júnior. Acompanhou o julgamento a Dra.Vanessa A. Baesse, OAB/DF nº 32.576, advogada do sujeito passivo.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente
Luiz Roberto Domingo Relator
Rodrigo Mineiro Fernandes Relator Designado
EDITADO EM: 09/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri (Suplente), Valdete Aparecida Marinheiro, Amauri Amora Câmara Junior (Suplente), Elias Fernandes Eufrásio (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 10/11/1997 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM. É incabível a aplicação de preferência tarifária percentual quando o produto importado é comercializado por terceiro pais, sem que tenham sido atendidos os requisitos previstos na legislação de regência. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por voto de qualidade, negou-se provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Luiz Roberto Domingo (Relator), Valdete Aparecida Marinheiro e Elias Fernandes Eufrásio. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. O Conselheiro José Henrique Mauri, cuja vista dos autos lhe foi concedida na sessão anterior, substituiu o Conselheiro Amauri Amora Câmara Júnior. Acompanhou o julgamento a Dra.Vanessa A. Baesse, OAB/DF nº 32.576, advogada do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres - Presidente Luiz Roberto Domingo Relator Rodrigo Mineiro Fernandes Relator Designado EDITADO EM: 09/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri (Suplente), Valdete Aparecida Marinheiro, Amauri Amora Câmara Junior (Suplente), Elias Fernandes Eufrásio (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Rodrigo Mineiro Fernandes.
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PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM. É incabível a aplicação de preferência tarifária percentual quando o produto importado é comercializado por terceiro pais, sem que tenham sido atendidos os requisitos previstos na legislação de regência. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por voto de qualidade, negouse provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Luiz Roberto Domingo (Relator), Valdete Aparecida Marinheiro e Elias Fernandes Eufrásio. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. O Conselheiro José Henrique Mauri, cuja vista dos autos lhe foi concedida na sessão anterior, substituiu o Conselheiro Amauri Amora Câmara Júnior. Acompanhou o julgamento a Dra.Vanessa A. Baesse, OAB/DF nº 32.576, advogada do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Presidente Luiz Roberto Domingo – Relator Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Designado EDITADO EM: 09/10/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 05 17 /9 9- 71 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri (Suplente), Valdete Aparecida Marinheiro, Amauri Amora Câmara Junior (Suplente), Elias Fernandes Eufrásio (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Relatório Tratase de pedido de restituição apresentado pela Recorrente, decorrente de informação equivocada contida na Declaração de Importação que majorou a base de cálculo do Imposto de Importação, por inclusão indevida do valor do frete na base de calculo do imposto de importação, pela inobservância do art. 10 do Decreto 2.256/97, que excluía, da base de calculo dos tributos incidentes sobre a importação, o custo do frete incorrido no transporte realizado em embarcações registradas no REB Registro Especial Brasileiro. A Autoridade Fiscal, por sua vez, aduz que encontrou uma divergência no rol de documentos apresentados pela Recorrente (fls. 12/13), consistente no fato de que o certificado de origem não coincide com a fatura comercial, pois, cada documento informa um pais diferente como o exportador da mercadoria. Além disso, a Fiscalização também argumenta que a triangulação, como defendida pela Recorrente só se tornou possível com o advento da Resolução 232 da ALADI, introduzida em nosso ordenamento pelo Decreto 2.865/98, o que não abrange os fatos relatados nestes autos, posto terem ocorrido em data pretérita: Fls. 15 A fiscalização através da Revisão Aduaneira procedida pelo Saana constatou que não se aplicam as disposições da Resolução 232 do Comitê de Representantes da ALADI, incorporada em nossa legislação pelo Decreto 2.865, publicado em 08/12/1998, que alterou o Acordo 91, à espécie dos autos, visto que a importação ocorreu antes do inicio da vigência da referida norma, inviabilizando o Certificado de Origem ALD 971101301 para fins de obtenção da redução tarifária pleiteada. Portanto, após a Revisão Aduaneira constatase que não houve pagamento a maior. Intimada do teor da decisão, a Recorrente apresenta sua Manifestação de Inconformidade (fls. 19/37), julgada improcedente pela DRJ de Fortaleza/CE, com base na seguinte ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA NO ÂMBITO DA ALADI. CERTIFICADO DE ORIGEM Para fruição de preferência tarifária em acordo internacional, firmado no âmbito da Associação LatinoAmericana de Integração (ALADI), a mercadoria importada deve estar amparada por Certificado de Origem da citada associação. Constatandose a insuficiência dos valores pagos a titulo de imposto, não resta caracterizado pagamento a maior do que o devido, que pudesse dar ensejo à restituição. Solicitação Indeferida. Intimada desta decisão em 26/06/2008 (fls. 65), a Recorrente interpôs seu Recurso Voluntário (fls.68/96) em 10/07/2008, aduzindo, em síntese, que se trata de matéria Fl. 147DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10320.000517/9971 Acórdão n.º 3101001.738 S3C1T1 Fl. 129 3 reiteradamente decidida pelo Conselho de Contribuintes em seu favor e que são inaplicáveis ao caso as multas cobradas pela expedição fora do prazo do Certificado de origem e em razão deste não conter as especificações pretendidas pelo Fisco; que se trata de decisão nula, posto contrariar orientação sistêmica da S.R.F, além de aduzir o descumprimento do art. 10 da Resolução 78 da ALADI e que a triangulação é necessária para o alargamento dos prazos de pagamento dos derivados de Petróleo, mas isto não significa que o produto tenha sido adquirido em outro pais não membro da ALADI e, finalmente, requer perícia técnica. Sob apreciação da 1ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, o julgamento do Recurso foi convertido em diligência, Resolução n° 30100.086, de 18/03/2010, nos seguintes termos: Ainda que a mercadoria tenha sido remetida do porto de origem (Venezuela) diretamente para o Brasil, verifico que a fiscalização ampara seu entendimento nas seguintes irregularidades formais: (i) inexatidão do Certificado de Origem por mencionar a fatura originária da venda direta para o Brasil sem mencionar a triangulação; e (ii) fatura comercial em desacordo com as exigências regulamentares. Entendo que para deslinde da questão, é necessário o conhecimento e a verificação de documento que não esta acostado aos autos, deste modo, voto por CONVERTER 0 JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para determinar que a repartição de origem intime a Recorrente para que traga aos autos cópia do da Invoice de emissão da PDVSA referida no Certificado de Origem, primeira operação da triangulação. Os autos retornaram da diligência com petição da Recorrente e cópia das invoices e faturas das três operações da triangulação comercial. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Luiz Roberto Domingo Conheço do Recurso por atender aos requisitos de admissibilidade. O ponto fulcral da questão trazida pela Recorrente não é nova e conta com diversos julgados que ratificam a preferência tarifária, se e quando, houver a interveniência de terceiro de país não signatária do Acordo Internacional, mas somente se a mercadoria foi remetida diretamente do país produtor (Venezuela) para o Brasil. Entendo que a Certificação de Origem, como o próprio nome diz é documento que atesta a origem da mercadoria, sua nacionalidade ou procedência primária. O privilégio dado pelo Acordo Internacional não é pessoal, mas objetivo, ou seja, dáse preferência a atos comerciais que tenha por objeto mercadorias originárias dos países signatários, o que permite a intermediação, desde que seja preservada a integridade da mercadoria. E esse foi o objetivo das exceções criadas pelo art. 4º, da Resolução ALADI/CR nº 78 – Regime Geral de Origem (RGO), aprovada pelo Decreto nº 98.836, de Fl. 148DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 1990, o de tratar das circunstâncias em que se mantém a preferência tarifária, quando preservada a origem da mercadoria importada, ou, pelo menos, quando se é possível comprovar tal preservação de origem. Nesse sentido adoto o excelente voto condutor do Acórdão nº. 30329.776, de 06 de junho de 2001 de lavra do Ilustre Conselheiro Irineu Bianchi: “Entende a fiscalização que a recorrente perdeu o direito de redução pleiteado, pelos seguintes motivos: a) divergência constatada entre o número da fatura comercial informada no Certificado de Origem e o da fatura apresentada pelo importador como documento de instrução das respectivas declarações de importação e; b) a operação intentada pelo importador (triangulação comercial) não está acobertada pelas normas que regem os acordos internacionais no âmbito da ALADI. Observase que a ação fiscal não impugna a validade dos Certificados de Origem e nem das Faturas Comerciais, pelo que, afastase de imediato a alegação da recorrente no sentido de ter ocorrido prejuízo quanto a ver suprimida a diligência prevista no art. 10 da Resolução nº 78 da ALADI, que prevê a consulta entre os Governos, sempre e antes da adoção de medidas no sentido da rejeição do certificado apresentado. Assim, válidos os documentos apresentados no desembaraço aduaneiro, ao menos no seu aspecto formal, entendo que o deslinde do conflito passa necessariamente pela análise dos atos praticados pela recorrente, vale dizer, se foram realizados atos contrários aos requisitos preceituados na legislação de regência, capazes de gerar a perda do benefício tarifário. A fruição dos tratamentos preferenciais achase normatizada no art. 4º, da Resolução ALADI/CR nº 781 – Regime Geral de Origem (RGO), aprovada pelo Decreto nº 98.836, de 1990, 4º, in verbis: CUARTO. Para que las mercancias originarias se beneficien de los tratamientos preferenciales, las mismas deben haber sido expedidas directamente del país exportador al país importador. Para tales efectos, se considera como expedición directa: a) Las mercancias transportadas sin pasar por el território de algún país no participante del acuerdo. b) Las mercancias transportadas en tránsito por uno o más países no participantes, com o sin transbordo o almacenamiento temporal, bajo la vigilancia de la autoridade aduanera competente em tales países, siempre que: i) el tránsito esté justificado por razones geográficas o por consideraciones relativas a requerimientos del transporte; ii) no estén destinadas al comercio, uso o empleo en el país de tránsito; y iii) no sufran, durante su transporte y depósito, ninguna operación distinta a la carga y descarga o manipuleo para mantenerlas en buenas condiciones o assegurar su conservación. 1 Texto consolidado, extraído diretamente do site www.aladi.org ,contendo as disposições das Resoluções nºs 227, 232 e dos Acordos 25, 91 e 215 do Comitê de Representantes Fl. 149DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10320.000517/9971 Acórdão n.º 3101001.738 S3C1T1 Fl. 130 5 O caput do dispositivo em comento, combinado com sua letra “a”, estabelece, de forma expressa e clara, que é requisito para a fruição dos tratamentos preferenciais, que as mercadorias tenham sido expedidas diretamente do país exportador ao país importador, considerandose expedição direta, as mercadorias transportadas sem passar pelo território de algum país não participante do acordo.” Notese que as prova carreada aos autos demonstram que as mercadorias foram expedidas diretamente da Venezuela para o Brasil não tendo aportado em outro País o que comprova que interveniência do terceiro não participante foi meramente negocial. Continua a voto condutor: “As hipóteses perfiladas na letra “b”, segundo entendo, destinamse àqueles casos em que, fisicamente, a mercadoria passe por terceiro país não participante do acordo, e por isto mesmo não se aplicam ao presente caso. É que a análise dos documentos apresentados demonstra que embora a ocorrência de triangulação comercial, as mercadorias foram transportadas diretamente da Venezuela para o Brasil, e apenas virtualmente passaram pelas Ilhas Cayman. Logo, sob o ponto de vista da origem das mercadorias, não há nenhuma dúvida de que as mesmas são procedentes da Venezuela, país signatário do Tratado de Montevidéu, ficando atendido o requisito para que a importadora se beneficiasse do tratamento preferencial. Entendo, outrossim, que o conteúdo do Certificado de Origem e as divergências que podem causar no confronto com as Faturas Comercias, não podem embasar a negativa ao benefício pretendido. Com efeito, analisando a dicção do art. 434, caput, do Regulamento Aduaneiro, verificase que o mesmo determina que no caso de mercadoria que goze de tratamento tributário favorecido em razão de sua origem, a comprovação desta mesma origem será feita por qualquer meio julgado idôneo. Já o parágrafo único faz ressalva em relação às mercadorias importadas de paísmembro da Associação LatinoAmericana de Integração (ALADI), quando solicitada a aplicação de reduções tarifárias negociadas pelo Brasil, caso em que a comprovação da origem se fará através de certificado emitido por entidade competente, de acordo com modelo aprovado pela citada Associação. A previsão legal acima achase perfilada com o que estabelece o art. 7º, da Resolução ALADI/CR nº 782 – Regime Geral de Origem (RGO) , aprovada pelo Decreto nº 98.836, de 1990. A finalidade precípua do Certificado de Origem, na forma do dispositivo legal citado e nos termos da NOTA COANA/COLAD/DITEG N° 60/97, de 19 de agosto de 1997, acostada pela recorrente às fls. 179/181, é tratarse de : “... um documento exclusivamente destinado a acreditar o cumprimento dos requisitos de origem pactuados pelos países membros de um determinado Acordo ou Tratado, com a finalidade específica de tornar efetivo o benefício derivado das preferências tarifárias negociadas”. 2 Texto consolidado, extraído diretamente do site www.aladi.org ,contendo as disposições das Resoluções nºs 227, 232 e dos Acordos 25, 91 e 215 do Comitê de Representantes Fl. 150DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 Já o art. 8º determina que as mercadorias incluídas na declaração que acredita o cumprimento dos requisitos de origem estabelecidos pelas disposições vigentes, deverá coincidir com a que corresponde a mercadoria negociada classificada de conformidade com a NALADI/SH e com a que foi registrada na fatura comercial que acompanha os documentos apresentados para o despacho aduaneiro. Analisando e confrontando cada uma das DIs e respectivos documentos complementares (Certificado de Origem, Bill of Lading, Faturas Comerciais), apresentados para despacho, verificase que a descrição das mercadorias é a mesma, não se constatando qualquer divergência, o que reforça o entendimento de que as operações atenderam ao disposto no art. 4º, letra “a”, da Resolução nº 78. Resta uma análise no que se refere à triangulação comercial, apontada pelo fisco como causa para a negativa do benefício pleiteado. A mesma NOTA COANA/COLAD/DITEG N° 60/97, de 19 de agosto de 1997, antes referenciada, traz importante constatação, sendo pertinente a respectiva transcrição: “Na triangulação comercial que reiteramos, é prática frequente no comércio moderno, essa acreditação não corre riscos, pois se trata de uma operação na qual o vendedor declara o cumprimento do requisito de origem correspondente ao Acordo em que foi negociado o produto, habilitando o comprador, ou seja, o importador a beneficiarse do tratamento preferencial no país de destino da mercadoria. O fato de que um terceiro país fature essa mercadoria é irrelevante no que concerne à origem. O número da fatura comercial aposto na Declaração de Origem é uma condição coadjuvante com essa finalidade. Importante notar ainda que, em ambos os casos (ALADI e MERCOSUL), não há exigência expressa de apresentação de duas faturas comerciais. No caso MERCOSUL, se obriga apenas que na falta da fatura emitida pelo interveniente, se indique, na fatura apresentada para despacho (aquela emitida pelo exportador e/ou fabricante), a modo de declaração jurada, que “esta se corresponde com o certificado, com o número correlativo e a data de emissão, e devidamente firmado pelo operador”. A lacuna apontada na referida NOTA restou preenchida através da Resolução nº 232 do Comitê de Representantes da ALADI, incorporada ao ordenamento jurídico pátrio pelo Decreto nº 2.865, de 7 de dezembro de 1988, que alterou o Acordo 91 e deu nova redação ao art. 9º da Resolução 78, prevendo: “Quando a mercadoria objeto de intercâmbio, for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não membro da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, na área relativa a "observações", que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que em definitivo será o que fature a operação a destino. Na situação a que se refere o parágrafo anterior e, excepcionalmente, se no momento de expedir o certificado de origem não se conhecer o número da fatura comercial emitida por um operador de um país, a área correspondente do certificado não deverá ser preenchida. Nesse caso, o importador apresentará à administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justifique o fato, onde deverá indicar, pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a operação de importação.” “...” Fl. 151DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10320.000517/9971 Acórdão n.º 3101001.738 S3C1T1 Fl. 131 7 Por outra via, se a PIFCO for qualificada como operadora, nos termos da Resolução 78, fica evidente que a norma em apreço não foi observada, visto que os Certificados de Origem contêm, em sua totalidade, o número da Fatura Comercial emitida pela empresa venezuelana. Na primeira hipótese, como entendido pela decisão singular, retornase à situação, justamente aquela analisada pela NOTA COANA antes mencionada, no sentido de que as triangulações comerciais são práticas frequentes e que não prejudicam a acreditação estampada no Certificado de Origem, caso em que, os requisitos para a fruição do benefício estão atendidos. Na segunda hipótese, configurase a inobservância ao disposto na Resolução 78, porquanto com o desembaraço aduaneiro, a recorrente, na qualidade de importadora, deveria apresentar uma declaração juramentada justificando a razão pela qual no campo relativo a “observações” do Certificado de Origem não foi preenchido, informando ainda os números e datas das faturas comerciais e dos certificados de origem que ampararam as operações de importação. Mas nestas alturas cabe averiguar se a não entrega da declaração juramentada tem o condão de desqualificar as operações como hábeis à fruição do tratamento diferenciado ou mesmo, se o conjunto de documentos apresentados no desembaraço suprem as informações que deveriam constar do aludido documento. A única justificativa plausível e racional para a exigência de uma declaração juramentada é a consideração de que, no ato do desembaraço, seria apresentada apenas a fatura emitida pelo operador. Não é o caso presente, uma vez que todos os documentos utilizados nas ditas triangulações, foram apresentados à autoridade aduaneira, de sorte que as informações que deveriam constar da mencionada declaração já se acham presentes nos mesmos, suprindo, ao meu ver, toda e qualquer exigência legal. Não vislumbro, assim, qualquer motivo para descaracterizar as operações realizadas sob o pálio do tratamento tributário favorecido, segundo o espírito que norteou a elaboração da Resolução nº 78.” Os documentos acostados aos autos mantêm a rastreabilidade documental do produto importado, comprovando sua origem, verificase que a fatura/invoice CORPOVEN nº 9710M007 (fls. 117) que ampara a operação menciona o Certificado de Origem n° ALD 971101301CS (fls.120), de venda da Querosene de aviação (JET 1), para a Petrobras, a fatura da Petrobras n° SB033/97 (fls.118) que ampara a venda – operação financeira – para a Braspetro Oil Service Brasoil, nas Ilhas Cayman, e por fim a Invoce da Brasoil nº BSLSB 085/97, que ampara a importação e fecha a triangulação, de modo que, os documentos emitidos e devidamente apresentados demonstram a correspondência e mantêm a rastreabilidade, permitindo identificar sem qualquer dúvida a origem da mercadoria, pressuposto para reconhecimento da preferência tarifária e, por via de conseqüência, deferimento da restituição. Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário Luiz Roberto Domingo – Relator Fl. 152DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 Voto Vencedor Inobstante os relevantes argumentos trazidos pelo Ilustre Conselheiro Relator, ouso descordar de suas conclusões, pela a formalidade requerida nos atos aduaneiros, como medida de controle e segurança dos atos praticados. Ainda que os documentos acostados aos autos permitam a rastreabilidade documental do produto importado, verificase que não foram adotados os procedimentos formais necessários à comprovação da origem. A formalidade exigida na interpretação das normas de origem refletem tanto aspectos do regime jurídico tributário como aspectos do regime jurídico aduaneiro. A formalidade, do ponto de vista tributário, é exigida como um mecanismo de garantia da segurança jurídica, através de seu componente da previsibilidade do ato, cuja clareza das regras e sua observância traz, tanto para o contribuinte quanto para a administração tributaria, um ambiente de estabilidade e segurança. O componente da previsibilidade da segurança jurídica atua através da tipicidade cerrada que norteia a avaliação do cumprimento dos pressupostos inerentes ao Acordo. Também atua como um componente da segurança jurídica a previsão de interpretação literal de isenções e exclusões do crédito tributário, expressamente prevista no art. 111, incisos I e II do CTN, como vetor interpretativo. Sob o ponto de vista aduaneiro, a formalidade requerida nos atos praticados junto à administração aduaneira, não reflete uma mera obrigação acessória e burocrática, mas se caracteriza como medida de controle e segurança dos atos aduaneiros praticados. Toda a análise das normas infraconstitucionais aduaneiras e operações de comércio exterior devem ter como referência a obediência ao controle aduaneiro, por expressa determinação constitucional (art. 237 da CF). Desta forma, com base nos documentos acostados aos presentes autos, entendo que está correta a desqualificação efetuada pela autoridade fiscal do Certificado de Origem ALD 1971101301CS para a fruição da preferência tarifária em razão da origem acordadas no âmbito da ALADI, visto que o certificado de origem aponta fatura comercial diversa da que instruiu o despacho de importação, prejudicando o devido controle aduaneiro e as regras de origem. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 153DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, A ssinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10166.911827/2009-58
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 06 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.842
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB/DF nº 26.345.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB/DF nº 26.345. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes- Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB/DF nº 26.345. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .9 11 82 7/ 20 09 -5 8 Fl. 179DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10166.911827/200958 Resolução nº 3801000.842 S3TE01 Fl. 180 2 Trata o presente processo de compensação declarada que, conforme apontado pela Recorrente, tem origem em crédito referente a valor indevidamente recolhido a título de CIDE, apurada no período de janeiro de 2006 a janeiro de 2007 sobre remessas ao exterior para pagamento de licença de uso ou de direitos de comercialização de programas de computador. A compensação não foi homologada, sob a alegação de inexistência do crédito informado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da contribuinte. A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade apontando os aspectos legais estabelecidos em conformidade com o artigo 21 da Lei 11.452, de 27 de fevereiro de 2007, que contemplou a nãoincidência da referida contribuição a partir de janeiro de 2006 e informou que feito o pagamento tem direito à devolução dos mesmos. A DRJ, em seu julgamento, não reconheceu o direito creditório da contribuinte, entendendo improcedente sua Manifestação de Inconformidade. Baseou seu entendimento no fato de a contribuinte não ter juntado aos autos documentos fiscais e contábeis imprescindíveis à constatação da existência do crédito solicitado, fazendose o conjunto probatório incapaz de aferir certeza e liquidez do crédito pretendido, bem assim, entende que a DCTF retificadora apresentada o foi em data posterior à ciência do despacho decisório. O acórdão de fls. restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2006 APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a inexistência do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Irresignada com a decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário fundamentandose no princípio da verdade material, juntou aos autos documentos relativos às compensações com o fito de demonstrar que foram devidamente registradas na Fl. 180DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10166.911827/200958 Resolução nº 3801000.842 S3TE01 Fl. 181 3 contabilidade do sujeito passivo, ponderando serem suficientes para constatação da certeza e liquidez do crédito ora pretendido, quais sejam: a) DARF comprobatória do recolhimento indevido, comprovando o pagamento indevido no período de junho de 2006, instruído na PER/DCOMP; b) Cópia do Livro Razão Analítico do exercício de 2007, em que se verifica o estorno do montante recolhido na subconta CIDE – Remessas Exterior, também instruído na PER/DCOMP; c) Cópia do Livro Razão Consolidado do exercício de 2006, em que se verifica o lançamento referente ao mês de junho de 2006; d) Cópias das DCTFs original e retificadora. Requereu seja a presente compensação homologada. É o que importa relatar. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10166.911827/200958 Resolução nº 3801000.842 S3TE01 Fl. 182 4 Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. Primeiramente, é preciso apontar que não há impedimento para retificação da DCTF após o despacho decisório e antes de remessa dos créditos para inscrição em dívida ativa da União. Vejamos que a Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008 no seu artigo 11 prescreve : Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou, III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. A norma é clara a estabelecer que a DCTF somente não poderia ser retificada nas situações em que já houvesse remessa dos montantes para inscrição do montante declarado em dívida ativa ou houvesse início de procedimento fiscal, o que não ocorreu no presente caso. Conforme relatado, o ponto crucial da lide consiste na ausência de elementos probatórios capazes de aferir o direito ao crédito solicitado decorrente do suposto pagamento indevido a título de CIDE incidente sobre remessas ao exterior de remunerações pagas pela licença de uso ou de direitos de comercialização de softwares, com base nos artigos 20 e 21 da Lei 11.452/2007 que delimitou expressamente o campo de abrangência da Lei 10.168/2000 ao instituir a nãoincidência da CIDE a partir de janeiro de 2006, assim expresso: Art. 20. O art. 2º da Lei n.º 10.168, de 29 de dezembro de 2000, alterado pela Lei n.º 10.332, de 19 de dezembro de 2001, passa a vigorar acrescido do seguinte § 1º A: "Art. 2º ................................................................................. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10166.911827/200958 Resolução nº 3801000.842 S3TE01 Fl. 183 5 § 1ºA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. (...) Art. 21. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos em relação ao disposto no art. 20 a partir de 1º de janeiro de 2006. Certo é que a supracitada norma contempla a nãoincidência da CIDE para remunerações pagas ao exterior vinculadas a contratos de licenciamento de uso de programas de computador e, nesta esteira, fazse necessário averiguar o objeto da relação contratual, ou seja, é certo que os pagamentos dos contratos relativos ao licenciamento de uso ou direito de software, não obrigam ao pagamento da CIDE, desde 1º de janeiro de 2006, sendo que, tendo havido tal pagamento a Recorrente possui indébito possível de creditamento. Entretanto, apesar da Recorrente ter juntado documentos e comprovantes de pagamento tenho que os mesmos são insuficientes para se apurar se realmente se relacionam a remunerações pagas ao exterior vinculadas a contratos de licenciamento de uso de programas de computador, de modo que apenas mediante o confronto dos documentos contábeis com o contrato de licenciamento, licença de uso de software ou documento semelhante é que essa Turma poderá evidenciar se o pagamento efetivamente se deu por esse motivo. Nesse sentido, voto para baixar em diligência à Delegacia de origem para determinar ao contribuinte que apresente: 1. A cópia autenticada do Contrato referente de Licença de Uso ou de Direito de Programas de Computador ou documento que ateste o efetivo motivo do pagamento e cópia das notas fiscais (ou invoices, devidamente traduzidas) correspondentes; 2. Retorne o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl, Relator Fl. 183DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720977/2012-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
DECADÊNCIA. LUCRO PRESUMIDO. REGIME DE CAIXA. O contribuinte que optar pelo regime de caixa, para efeitos de determinar o lucro presumido, tem como termo inicial da contagem do prazo decadencial o último dia do trimestre do ano calendário correspondente ao recebimento da receita.
LIVRO DE REGISTRO DE INVENTÁRIO. AUSÊNCIA. Se a contabilidade fornece os dados que seriam extraídos do livro, a sua ausência não pode suportar a desconsideração de dados que puderam ser extraídos dos próprios registros contábeis.
DIPJ. INCORREÇÃO NO PREENCHIMENTO. Se a contabilidade apresenta informações confiáveis sobre a composição dos estoques, o errôneo preenchimento da declaração somente pode ser entendido como descumprimento de obrigação acessória, sendo, portanto, erro escusável
RECEITA DE VENDA DE IMÓVEIS. ATIVIDADE IMOBILIÁRIA. ANÁLISE DO CONTEXTO. O simples fato de o imóvel estar alugado é insuficiente para desvirtuar a sua característica de estoque. Deve-se avaliar o contexto operacional para concluir acerca da correta contabilização do ativo.
Numero da decisão: 1401-001.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGARAM provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 DECADÊNCIA. LUCRO PRESUMIDO. REGIME DE CAIXA. O contribuinte que optar pelo regime de caixa, para efeitos de determinar o lucro presumido, tem como termo inicial da contagem do prazo decadencial o último dia do trimestre do ano calendário correspondente ao recebimento da receita. LIVRO DE REGISTRO DE INVENTÁRIO. AUSÊNCIA. Se a contabilidade fornece os dados que seriam extraídos do livro, a sua ausência não pode suportar a desconsideração de dados que puderam ser extraídos dos próprios registros contábeis. DIPJ. INCORREÇÃO NO PREENCHIMENTO. Se a contabilidade apresenta informações confiáveis sobre a composição dos estoques, o errôneo preenchimento da declaração somente pode ser entendido como descumprimento de obrigação acessória, sendo, portanto, erro escusável RECEITA DE VENDA DE IMÓVEIS. ATIVIDADE IMOBILIÁRIA. ANÁLISE DO CONTEXTO. O simples fato de o imóvel estar alugado é insuficiente para desvirtuar a sua característica de estoque. Deve-se avaliar o contexto operacional para concluir acerca da correta contabilização do ativo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGARAM provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Karem Jureidini Dias.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 DECADÊNCIA. LUCRO PRESUMIDO. REGIME DE CAIXA. O contribuinte que optar pelo regime de caixa, para efeitos de determinar o lucro presumido, tem como termo inicial da contagem do prazo decadencial o último dia do trimestre do ano calendário correspondente ao recebimento da receita. LIVRO DE REGISTRO DE INVENTÁRIO. AUSÊNCIA. Se a contabilidade fornece os dados que seriam extraídos do livro, a sua ausência não pode suportar a desconsideração de dados que puderam ser extraídos dos próprios registros contábeis. DIPJ. INCORREÇÃO NO PREENCHIMENTO. Se a contabilidade apresenta informações confiáveis sobre a composição dos estoques, o errôneo preenchimento da declaração somente pode ser entendido como descumprimento de obrigação acessória, sendo, portanto, erro escusável RECEITA DE VENDA DE IMÓVEIS. ATIVIDADE IMOBILIÁRIA. ANÁLISE DO CONTEXTO. O simples fato de o imóvel estar alugado é insuficiente para desvirtuar a sua característica de estoque. Devese avaliar o contexto operacional para concluir acerca da correta contabilização do ativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGARAM provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 09 77 /2 01 2- 17 Fl. 1285DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 2 Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Karem Jureidini Dias. Fl. 1286DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.720977/201217 Acórdão n.º 1401001.225 S1C4T1 Fl. 1.286 3 Relatório Tratase de recurso interposto de ofício pela 2ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro 1, cujos membros acordaram, por unanimidade de votos, dar provimento à impugnação para exonerar o contribuinte dos autos de infração por meio dos quais foram exigidos o IRPJ, no valor de R$33.462.939,43, e a CSLL, no valor de R$ 12.053.138,19, acrescidos da multa de 75% e dos encargos moratórios. Por descrever os fatos com a riqueza de detalhes necessária para a compreensão da controvérsia, adoto e transcrevo o relatório elaborado pela DRJ: Trata o processo dos autos de infração lavrados pela Defis/SP, referentes aos segundo, terceiro e quarto trimestres anocalendário de 2007, por meio dos quais são exigidos do interessado o imposto de renda da pessoa jurídica – IRPJ, no valor de R$ 33.462.939,43 (fls. 388/393 e termo de verificação às fls. 371/387), e a contribuição social sobre o lucro líquido – CSLL, no valor de R$ 12.053.138,19 (fls. 394/399), acrescidos da multa de 75% e dos encargos moratórios. 2A autuação decorreu da apuração de ganhos de capital não acrescidos à base de cálculo do lucro presumido, para efeitos das tributações do IRPJ e da CSLL, no regime de caixa. 2.1O interessado foi intimado a apresentar a documentação das operações imobiliárias realizadas no anocalendário de 2007, cujas receitas totalizaram R$ 166.420.965,69. Estas operações decorreram das construções de edifícios averbados no Cartório de Registro de Imóveis em 9/8/2000 (Prédio na Rua Benedito Lapin), 20/8/2002 (Edifício Paris), 24/7/2003 (Edifícios Metropolitan/Platinum) e 31/3/2004 (Edifício Hungria). 2.2Apesar de o interessado ter apresentado a declaração de IRPJ com a indicação da atividade econômica de construção de edifícios, a ficha 61B, que indica os estoques, foi preenchida com valor igual a zero, tanto no início quanto no final do ano. Também não foi apresentado o livro registro de inventário. 2.3Na assembleia geral extraordinária de 8/3/2007, registrada na Junta Comercial do Est. de S. Paulo – JUCESP em 23/3/2007, ainda sob a denominação de Terra Alta S/A, os acionistas do interessado deliberaram por unanimidade sobre a alteração do objeto social da sociedade. Foram excluídas as atividades de construção de imóveis, comércio de material para construção e compra e venda de imóveis. A atividade do interessado passou a ser de administração de bens próprios e de terceiros, com a possibilidade de participar em outras sociedades (fls. 39/41). 2.4Em função das datas de aquisições dos imóveis comercializados, dos imóveis se encontrarem alugados quando vendidos, do interessado não apresentar o registro de inventário e não indicar na declaração de IRPJ o valor do estoque dos Fl. 1287DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 4 imóveis destinados a vendas, a fiscalização concluiu que os imóveis deveriam ser classificados no ativo permanente e as operações de vendas serem tributadas como ganhos de capital. O procedimento do interessado foi o de tributar as receitas de vendas dos imóveis como receita bruta da atividade ao percentual de 8% para o IRPJ e de 12% para a CSLL (declaração de IRPJ às fls. 81/96). 2.5Para apuração do ganho de capital, foram considerados os seguintes valores (fls. 326/327): (1) alíquota de 15% mais adicional de 10% sobre o ganho de capital (2) alíquota de 9% sobre o ganho de capital 3Cientificado das exigências em 3/5/2012 (fls. 393 e 399), o interessado apresentou a impugnação em 1/6/2012 (fls. 405/459), na qual alegou, em síntese, que: reconheceu as receitas das vendas dos imóveis pelo regime de caixa e as tributou na sistemática do lucro presumido, como receita bruta da atividade, aplicando os percentuais de 8% (IRPJ) e 12% (CSLL) para fins de cálculo do lucro tributável; caso seja adotado o entendimento da fiscalização, de que os valores das vendas dos imóveis possuam a natureza de ganho de capital, ocorreu a decadência do direito de lançar. A IN nº 93/1997, em seu art. 36, §2º, estabelece que para as demais receitas, como ganho de capital, o lucro presumido será determinado pelo regime de competência. A exceção a essa regra é o art. 13 da Lei nº 9.718/1998, que prevê a possibilidade de opção entre o regime de competência ou caixa somente para a receita bruta; partindo da premissa do Fisco, as receitas das vendas dos imóveis deveriam ter sido reconhecidas pelo regime de competência, ou seja, em 26/12/2006, quando houve a venda dos imóveis; na data de lavratura dos autos de infração (3/5/2012), já havia operado a decadência, com base no art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional – CTN; a falta de escrituração do livro registro de inventário e o incorreto preenchimento da declaração de IRPJ não passam de descumprimentos de obrigações acessórias; os imóveis vendidos foram efetivamente contabilizados na conta de estoque (ativo circulante), conforme livro diário juntado (fls. 551/560); o programa de preenchimento da declaração de IRPJ de 2008 orienta que os imóveis destinados à venda deveriam ser indicados na linha 36A/05 (imóveis destinados à venda) e não na linha 36A/04 (estoques); as vendas dos imóveis ocorreram no dia 26/12/2006, conforme instrumentos particulares de compra e venda, livros razão e diário juntados às fls. 514/560. Na época o seu objeto social previa a compra e venda de imóveis (artigo 2 do estatuto social – fls. 581/586); Fl. 1288DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.720977/201217 Acórdão n.º 1401001.225 S1C4T1 Fl. 1.287 5 a alteração no objeto social ocorreu mais de três meses após a venda dos imóveis; ainda que no objeto social não conste a atividade, para fins tributários o que é levado em consideração é a atividade exercida, conforme art. 15 da Lei nº 9.249/1995; o art. 30 da Lei nº 8.981/1995 é claro no sentido de que os valores recebidos relativos a vendas de unidades imobiliárias compõem a base de cálculo do lucro presumido. O dispositivo não faz qualquer menção ao objeto social, mas tão somente à atividade exercida; da doutrina e das resoluções do Conselho Federal de Contabilidade podese concluir que no imobilizado se registram os bens destinados ao uso próprio do titular, como meio para consecução da sua atividade econômica. No estoque são registrados os bens a serem vendidos; os apartamentos do Edifício Paris, assim como o terreno da Rua Benedito Lapin, não se encontravam alugados. O fato de parte dos imóveis ter sido alugada não é evidência suficiente para concluir que a única destinação daqueles seria a exploração de investimento sob a forma de aluguel; o período longo de permanência do imóvel com o titular não altera a qualificação jurídicocontábil do bem; a fiscalização descuidouse dos aspectos necessários à formação de um juízo fundamentado: destinação econômica dos imóveis e o modelo de negócios adotado pelas empresas do mercado imobiliário; à época era parte do grupo societário ao qual pertence a renomada construtora e incorporadora JHSF, cuja atuação encontrase indissociavelmente relacionada ao setor imobiliário (fls. 591/209). Neste contexto, construiu imóveis (prédios, complexos comerciais etc) sempre com vistas a promover a sua venda; o Edifício Paris é um dos mais sofisticados edifícios residenciais da cidade de S. Paulo e nunca teve unidades alugadas. As unidades foram oferecidas ao público, conforme prospectos de fls. 610/719; os imóveis Metropolitan, Platinum e Edifício Hungria também se destinavam à venda, conforme prospectos de fls. 720/790, reforçado pelo relatório de fls.791/797 e correspondência de fls. 799/800; em 13/6/2002 concedeu autorização de venda da integralidade dos Edifícios Platinum e Metropolitan a uma corretora de imóveis (fls. 802/803); na comercialização de prédios inteiros o comprador busca investimento e, por consequência, retorno do valor aplicado, mediante o recebimento de aluguéis. Daí que nas propostas são informados os valores dos aluguéis em curso, das unidades comercializadas, de forma que fique evidenciado o potencial do empreendimento; o aluguel dos imóveis é uma exigência comercial, normal e necessária na venda de imóveis para o público investidor; Fl. 1289DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 6 nos contratos de locação há previsão de alienação a qualquer momento do imóvel; o prazo de construção e venda decorre do padrão do imóvel; a não apresentação do livro de registro de inventário ensejaria o arbitramento do lucro e a base de cálculo seria 9,6% dos valores recebidos; a manter a requalificação das receitas auferidas, deveria ser abatido os valores recolhidos; o ano de 2007 já foi objeto de procedimento fiscal, conforme documento de fl. 1254. 4 A competência do julgamento foi prorrogada para a DRJ/RJO por meio da Portaria Sutri nº 513, de 24/4/2013, publicada no DOU de 25/4/2013. 5 É o relatório. Submetida a Impugnação à apreciação da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro I, esta proferiu o acórdão nº 1257.822 (fls. 1.259/1.267), assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 LUCRO PRESUMIDO. TRIBUTAÇÃO DAS RECEITAS PELO REGIME DE CAIXA. PRAZO DECADENCIAL. O contribuinte que tributar suas receitas pelo regime de caixa, para efeitos de determinar o lucro presumido, tem como termo inicial da contagem do prazo decadencial o último dia do trimestre do ano calendário correspondente ao recebimento da receita. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2007 LUCRO PRESUMIDO. REGISTROS CONTÁBEIS. LIVRO DE REGISTRO DE INVENTÁRIO. PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DE IMPOSTO SOBRE A RENDA. EFEITOS. Nas situações em que os registros contábeis permitem a apuração dos custos dos imóveis vendidos, eventuais erros no preenchimento da declaração de IRPJ ou a não escrituração do registro de inventário devem ser vistos como erro escusável ou descumprimento da obrigação acessória. LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADE IMOBILIÁRIA. DESTINAÇÃO DOS IMÓVEIS. RECEITA DA ATIVIDADE OU GANHO DE CAPITAL NA VENDA DO IMÓVEL. CARACTERIZAÇÃO. A destinação dos imóveis, se para auferir renda de aluguel ou se destinado à venda, para caracterização da receita da atividade ou ganho de capital na venda do imóvel, precisa ser analisada dentro do contexto do mercado imobiliário e do tipo de imóvel. O fato de o imóvel estar alugado e posteriormente vir a ser vendido, por si só, é insuficiente para caracterizar a operação como sujeita à apuração do ganho de capital. Também é inoportuna a caracterização de ganho de capital sob o Fl. 1290DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.720977/201217 Acórdão n.º 1401001.225 S1C4T1 Fl. 1.288 7 argumento do tempo decorrido entre a aquisição/construção do imóvel e sua venda. REGIME DE CAIXA PARA APURAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. DIFERIMENTO NO RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA. NATUREZA DA RECEITA. A regra geral para apurar o lucro é o de reconhecimento das receitas pelo regime de competência. Excepcionalmente a legislação permite o contribuinte tributar suas receitas pelo regime de caixa, que se demonstra como um diferimento no recolhimento do imposto. Portanto, ainda que o contribuinte tenha alterado seu objeto social, a natureza da receita é aquela na data da venda. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano calendário: 2007 LANÇAMENTO REFLEXO. Inexistindo fatos novos a serem apreciados, o decidido no lançamento matriz aplicase ao lançamento reflexo. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Tendo em vista que o valor total do crédito tributário exonerado excedeu R$1.000.000,00, a autoridade de primeira instância interpôs recurso de ofício que passa a ser analisado por esta Turma Julgadora. É o relatório. Fl. 1291DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 8 Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, relator: O recurso preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Decadência De acordo com a Instrução Normativa SRF nº 104/98, o critério de reconhecimento na medida do recebimento (regime de caixa) é aplicável às receitas de venda de bens ou direitos ou de prestação de serviços. Dessa forma, o contribuinte que optar pelo regime de caixa, para efeitos de determinar o lucro presumido, tem como termo inicial da contagem do prazo decadencial o último dia do trimestre do ano calendário correspondente ao recebimento da receita. Tendo o Auto de Infração sido lavrado em 03.05.2012, considerase decaído o direito do Fisco de lançar os tributos relativos ao primeiro trimestre de 2007. Mantenho, portanto, a decisão a quo. Da tributação do ganho de capital Conforme descrito no relatório, a Autoridade Fiscal desconsiderou a tributação apurada pelo contribuinte com base nos seguintes fundamentos (fl. 381): Finalmente, como acima relatado, se observarmos: 3.4.1 – As datas de aquisição/construção, nos revelando o tempo em que o imóvel permaneceu em seu balanço contábil, corroborando pelas matrículas dos imóveis; 3.4.2 – O destino dado aos mesmos desde sua aquisição e edificação através de recebimentos de aluguéis, conforme é mencionado nas próprias escrituras, descritas no sub item 3.3 acima,bem como na contabilidade do contribuinte, inclusive do balanço, encerrado no ano calendário de 2006 o qual demonstra a existência de receitas de aluguéis; 3.4.3 – A falta de livro de inventário para possibilitar e identificar os estoques, custos e apropriações referentes a atividade de construção e incorporação imobiliária, conforme estabelece a legislação pertinente sobre a atividade, acima relatada, tal fato também é corroborado pela constante declaração em suas DIPJs de anos anteriores de estoques inexistentes, com valores 0,00 nos itens referentes ao estoque que deveria ser extraído dos livros necessários a atividade de construção e comercialização de imóveis. 3.4.4 – Os fatos acima demonstrados, caracterizam, a intenção de investimento de longo prazo, de investir nos mesmos, para fruição de rendimentos, através da obtenção de rendas de bens de capital, e os imóveis, objeto dessas vendas, deveriam estar Fl. 1292DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.720977/201217 Acórdão n.º 1401001.225 S1C4T1 Fl. 1.289 9 classificados no balanço contábil encerrado em 31/12/2006, e balanços anteriores, classificálos no ativo permanente, sub grupo ativo imobilizado, conforme disciplina a Lei nº 6.404/76 em seu artigos 178, §1º alínea c, e, artigo 179 inciso IV, bem como, e, posteriormente, como veio a estabelecer a Lei nº 11.638/2007, em seu artigo 178, §1º alínea b, (ativo não circulante composto por ativo realizável a longo prazo, investimentos, imobilizado e intangível), e a tributação dos resultados dessas operações submetidas a apuração do ganho de capital. Apesar da confusa exposição de ideias do Auditor Fiscal, verificase que a presente autuação baseouse: i) na falta de apresentação do livro registro de inventário; ii) na constatação que o grupo estoque estava zerado nas DIPJs; iii) na destinação dos imóveis que foram vendidos, e, na visão do Auditor Fiscal, não poderiam ser tratados como venda de estoque, mas sim de imobilizado, tendose em vista que a locação de imóveis desvirtuaria a característica de estoque e passaria a ser imobilizado. Em relação à falta de apresentação do livro de registro de inventário, entendo tratarse de livro auxiliar dos registros contábeis e, portanto, sua ausência deve ser avaliada em concomitância com as informações trazidas pelos próprios registros contábeis. Isso porque, se a contabilidade fornece os dados que seriam extraídos do livro, a sua ausência não pode suportar a desconsideração de dados que puderam ser extraídos dos próprios registros contábeis. Frisase: a Autoridade Fiscal alega que a falta do livro de registro de inventário impossibilitou a identificação dos estoques, custos e apropriações referentes a atividade de construção e incorporação imobiliária. Entretanto, além de tais dados não serem tão relevantes para a apuração pelo lucro presumido, eles puderam ser extraídos dos registros contábeis (que foram inclusive utilizados pela fiscalização na apuração da base de cálculo). No mesmo sentido, quanto ao preenchimento incorreto das DIPJs (tendo os estoques zerados), se a contabilidade apresenta informações confiáveis sobre a composição dos estoques, o errôneo preenchimento da declaração somente pode ser entendido como descumprimento de obrigação acessória, sendo, portanto, erro escusável. A questão crucial dos presentes autos de infração encontrase na destinação dos imóveis: i) se o fato de estarem alugados descaracterizaria a condição de estoques; e ii) se a alteração do objeto social promovida assembleia geral extraordinária de 08.03.2007 (na qual foram excluídas as atividades de construção de imóveis, comércio de material para construção e compra e venda de imóveis, passando a ser a de administração de bens próprios e de terceiros, com a possibilidade de participar em outras sociedades (fls. 39/41)) seria suficiente para descaracterizar a receita auferida como operacional. Quanto à correta classificação contábil, fazse necessário depreender o conceito de estoque. De acordo com o Manual de Contabilidade Societária1, os estoques são bens tangíveis ou intangíveis adquiridos ou produzidos pela empresa com o objetivo de venda ou utilização própria no curso normal de suas atividades. No mesmo sentido, o Pronunciamento Técnico CPC 16 (R1) define estoques como ativos (a) mantidos para venda no curso normal dos negócios; (b) em processo de 1 Manual de contabilidade societária. Sérgio Iudícibus...[et. al.]. São Paulo: Atlas,2010, p. 72. Fl. 1293DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 10 produção para venda; ou (c) na forma de materiais ou suprimentos a serem consumidos ou transformados no processo de produção ou na prestação de serviços. É de se observar, ainda, que, como muito bem explicado pelo Professor Eliseu Martins no Parecer Técnico que instruiu a Impugnação (fl. 1.222), em nenhuma das citações está presente a ideia de tempo em que tais produtos podem ou devem ficar disponíveis para venda de forma a serem classificadas como estoque. Ou seja, o prazo de realização da venda não altera a natureza do ativo: o fato de determinado produto ser realizado no prazo de dias meses ou até mesmo anos não modifica sua natureza de estar disponível para venda. Assim, um estoque somente deixa de sêlo quando ele deixa de estar disponível para venda, quando o destino dado àquele produto se modifica. Por outro lado, de acordo com o art. 179 da Lei 6.404/76, compõem o ativo imobilizado os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens. Ressaltase que a redação antiga do artigo supracitado (antes da alteração realizada pela Lei nº 11.638/07) dispunha que compunham o ativo imobilizado os direitos que tenham por objeto bens destinados à manutenção das atividades da companhia e da empresa, ou exercidos com essa finalidade, inclusive os de propriedade industrial ou comercial. Nota se, portanto, que não houve nenhuma alteração substancial no que se propõe a analisar nos presentes autos. Portanto, para ser classificado como imobilizado o ativo deve ser mantido para uso na produção ou fornecimento de mercadorias e serviços ou para fins administrativos e devese esperar a sua utilização por mais de um ano (tendo em vista que tratase de ativo não circulante). Notase, portanto, que ativos imobilizados não estão disponíveis para a venda, como ocorre no caso dos estoques. Assim, levandose em consideração que a contribuinte integra um dos maiores grupos do setor de incorporação do país (JHSF) esperase que os imóveis por ela adquiridos ou por ela construídos estariam disponíveis para venda, já que este é o principal objeto do grupo. Além disso, a intenção de venda foi amplamente comprovada por meio dos diversos materiais publicitários apresentados na Impugnação (fls. 610 a 814). Diante da intenção clara de venda, não se pode admitir que os ativos deveriam ser classificados como imobilizados, como concluiu a Autoridade Fiscal. Sob a ótica da intenção dos administradores, é fato que tais ativos deveriam estar (e estavam efetivamente) classificados como estoque. Passase a analisar, então, se o fato de alguns dos ativos estarem alugados desconfiguraria sua classificação nos estoques. Primeiramente é importante ressaltar que, dentre os empreendimentos imobiliários apresentados e objeto da presente autuação, apenas o denominado Paris era um prédio residencial. Os demais eram prédios comerciais. Como demonstrou a contribuinte, as unidades do empreendimento Paris não foram alugadas antes da venda, o que afasta – de imediato – a sua desconfiguração como estoque. E, como bem observou o Professor Eliseu Martins em seu parecer (fl. 1.227), como se trata de um prédio de apartamentos de alto padrão, o público consumidor não está interessado, a priori, na realização de um investimento que irá gerar retorno financeiro, mas sim, na aquisição de uma moradia. E como tal, quanto mais novo o apartamento, melhor. O fato do imóvel nunca ter sido habitado, de ser um prédio novo, de ter todas as facilidades nele Fl. 1294DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.720977/201217 Acórdão n.º 1401001.225 S1C4T1 Fl. 1.290 11 existentes novas, é um fator de incremento do valor de venda. Assim, um apartamento desse tipo que já tenha sido alugado irá ter seu valor de mercado reduzido. Dessa forma, alugar os referidos apartamentos reduziria o seu valor de venda. E, exatamente por isso, a contribuinte vendeu todas as unidades novas, sem nenhuma locação anterior. Entretanto, algumas unidades dos demais empreendimentos foram alugadas antes da venda. Ocorre que, estáse falando de locação de imóveis comerciais, em que os potenciais compradores estão interessados tanto na eventual valorização do imóvel quanto nos fluxos de caixa futuros que tais imóveis podem gerar. Assim, é da característica do comprador de imóvel comercial a ótica da aquisição do ativo como investimento, no intuito de gerar retorno financeiro. Portanto, se o imóvel a ser vendido já estiver com um contrato de locação atrelado, o investimento se torna muito mais atraente para o potencial comprador, sendo esse um fator de incremento do valor de venda. Assim, o simples fato de o imóvel estar alugado não descaracteriza a destinação de venda e, consequentemente, sua contabilização como estoque. Ao contrário: em algumas hipóteses o fato de o imóvel já estar locado ajudaria na venda e aumentaria o preço (tendose em vista que o comprador levará em consideração os fluxos de caixa futuros). Por fim, destacase que, mesmo se os imóveis não estivessem disponíveis pra venda, o fato de eles estarem alugados com o intuito de obtenção de rendimentos não os classificaria como imobilizado e sim com investimento. Fixadas as premissas de intenção de venda e da impossibilidade de descaracterizar o ativo como estoque pelo simples fato de ele estar locado, passase a analisar a questão da alteração do objeto social. Alega a Autoridade Fiscal que a contribuinte alterou seu objeto social em 13/03/2007, excluindo as atividades de construção de imóveis, comércio de material para construção e compra e venda de imóveis, sendo que passou a ter como objeto social apenas a administração de bens próprios e de terceiros e a participação em outras sociedades. Sendo assim, se não mais era objeto da sociedade a compra e venda de imóveis, ela não poderia registrálos no estoque. De início observase que as vendas objeto da tributação ocorreram antes da alteração do objeto social. O que ocorreu após a referida alteração foi o recebimento das vendas. Assim, a argumentação da Autoridade Fiscal não merece prosperar, já que, quando a contribuinte vendeu os imóveis, a atividade de compra e venda ainda fazia parte de seu objeto social. Dessa forma, a realização das receitas ocorreu no momento da venda (regime de competência). Entretanto, para efeitos fiscais e para quem opta pelo regime de caixa, recolhese os tributos quando da concretização econômica. Frisase: o regime contábil é sempre o da competência. Portanto, o reconhecimento das receitas deuse no momento em que constava a atividade de compra e venda no objeto social da contribuinte, sendo assim, receita operacional. Além disso, o fato de ainda constar no objeto social da contribuinte a atividade de administração de imóveis próprios já a autorizaria a comercializálo, pois, nos dizeres da decisão a quo a administração não compreende somente a atividade de alugar, pagar taxas e impostos ou promover a manutenção. Segundo o dicionário Aurélio, um dos Fl. 1295DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 12 significados é a “gestão de negócios públicos ou particulares”. Na situação do interessado, gerir seus imóveis pode muito bem incluir atividade de venda (fl. 1.266). Finalmente, se i) foi comprovada a intenção de venda dos imóveis; ii) se a locação prévia de imóveis comerciais não desvirtua a característica de estoque; iii) a atividade de compra e venda de imóveis constava no objeto social da contribuinte na época da realização das vendas, não pode ser outra a conclusão de que se trata de receita operacional e, portanto, correta apuração dos tributos pela contribuinte. Diante do exposto, nego provimento ao recurso de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Fl. 1296DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA
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Numero do processo: 10108.000011/2005-68
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 06/10/2000
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE AFASTADA. O recurso especial de divergência previsto no Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, tem como requisito a demonstração da divergência entre casos com identidade de situações fáticas, comprovada mediante confronto de acórdãos. A divergência deve ocorrer entre Câmaras de Conselho de Contribuintes ou desta CSRF. Se não preenchido o pressuposto, o recurso, nesse aspecto não há de ser admitido.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9303-002.376
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Turma do Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial por falta de paradigma.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Maria Teresa Martínez López - Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Ivan Allegretti (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente)
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma do Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial por falta de paradigma. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Maria Teresa Martínez López - Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Ivan Allegretti (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente)
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RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE AFASTADA. O recurso especial de divergência previsto no Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, tem como requisito a demonstração da divergência entre casos com identidade de situações fáticas, comprovada mediante confronto de acórdãos. A divergência deve ocorrer entre Câmaras de Conselho de Contribuintes ou desta CSRF. Se não preenchido o pressuposto, o recurso, nesse aspecto não há de ser admitido. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma do Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial por falta de paradigma. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Maria Teresa Martínez López Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Ivan Allegretti (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 10 8. 00 00 11 /2 00 5- 68 Fl. 636DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/ 05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO 2 Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente) Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo contribuinte (fls. 585/613), valendose da prerrogativa facultada pelo inciso II, artigo 7.°, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais RICSRF, aprovado o pela Portaria n.° 147, de 25/06/2007, publicada no DOU de 28.06.2007, contra a decisão da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, que negou provimento, por unanimidade de votos, ao recurso voluntário, mediante o Acórdão n.° 30133801, de 24/04/2007 (fls. 555/566), assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 06/10/2000 Ementa: PRELIMINARES. ILEGITIMIDADE DE PARTE. IMPOSSIBILIDADE DE AUTUAÇÃO FISCAL. PECULIARIDADE DO CONTRATO DE PERMISSÃO DA EADI. FALTA DE PROCESSO ADMINISTRATIVO. As preliminares devem ser rejeitadas quando não representam a situação Mica processual dos autos, eis que o depositário é responsável direto pela obrigação fiscal decorrente de extravio de mercadoria sob sua custódia, sendo devida á. autuação fiscal por meio de processo administrativo ainda que na vigência de contrato de permissão. ATO DE VISTORIA ADUANEIRA FALTA DE MERCADORIA. RESPONSABILIDADE DO DEPOSITÁRIO. O depositário responde pela falta de mercadorias sob sua custódia, incumbindolhe o pagamento do tributo correspondente. Inteligência do artigo 479, do regulamento Aduaneiro. Cabível a multa do art. 479, do Regulamento Aduaneiro. Cabível a multa do art. 521, II "b" do RA, em face de haver ocorrido extravio de mercadoria, apurado em ato de vistoria aduaneira. VOLUME NÃO LOCALIZADO EM LOCAL SOB CONTROLE ADUANEIRO. PENALIDADE. Aplicase ao responsável pelo recinto sob controle aduaneiro a multa de R$ 1.000,00 (mil reais) por volume depositado, que não seja localizado, nos termos da alínea "a", do inciso VII, do art. 107, do Decretolei 37/66, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10833/03. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Consta do relatório da decisão recorrida o que a seguir transcrevo: Foi apreendida pela Policia Federal carga composta de 1549 pneumáticos da marca Goodyear, sob o fundamento de descaminho e depositadas no recinto alfandegado administrado pelo interessado. Aplicada pela Receita Federal a pena de perdimento as mercadorias, foi constatada a falta de 431 unidades em relação Fl. 637DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/ 05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10108.000011/200568 Acórdão n.º 9303002.376 CSRFT3 Fl. 635 3 à nota fiscal que acompanhava as mercadorias apreendidas e ao Auto de Entrega lavrado pela Policia Federal. Apesar dos lacres apostos ao semireboque que continha as mercadorias não apresentarem sinal de violação, fiscalização imputa responsabilidade pela falta ao depositário e ora interessado, conforme consignado em relatório de Presença Fiscal as fls. 43/51 e documentos anexos de fls. 52/161. Entende a fiscalização que "a mercadoria faltante foi subtraída de dentro da carreta bait por meio ardiloso, pois foi efetuada sem o rompimento dos lacres, porém com retirada dolosa da (s) portas (s) traseiras (s) e posteriormente colocação da (s) mesma (s), sem danificar os dispositivos de lacração, o que isentaria, em tese, a responsabilidade do depositário, mas que no caso não o isenta face a responsabilidade objetiva do Recinto Alfandegado prevista na Legislação Aduaneira pertinente e em Contrato Administrativo de Permissão celebrado com a Administração Pública", fls. 06. Em conseqüência, foram lavrados os Autos de Infração de fls. 1/40, para constituição de oficio de créditos tributários relativos aos tributos incidentes sobre a importação imposto de importação, imposto sobre produtos industrializados, contribuição para o programa de integração social e de formação do patrimônio do servidor público (PIS/PASEP) e contribuição para o financiamento da contribuição social (COF1NS), acrescidos das respectivas multas de oficio e para o lançamento de multas por volumes depositados e não localizados e de multa relativa a conversão da pena de perdimento, equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias faltantes. Pretende a Recorrente seja revisto o julgado. Alega que a multa em face do extravio de mercadoria (pneus) não poderia a ela se aplicar, ao fundamento que a mercadoria em questão não estaria abarcada pelo controle aduaneiro, já que não teria havido o seu regular desembaraço com suas conseqüências legais. Traz como paradigma o Acórdão nº 30329932, cuja ementa, está assim redigida: Acórdão n.° 30329932 folha 601 RECINTO ALFANDEGADO. MERCADORIA SOB CUSTÓDIA. ROUBO TOTAL DA CARGA. 0 fiel depositário, responsável pela custódia de mercadoria sob controle aduaneiro, é responsável pelos impostos e multas cabíveis. Não cabível a cobrança do IPI e multa, uma vez que não houve ocorrência do fato gerador, ou seja, o desembaraço da mercadoria. Idem para a multa do Controle Administrativo da Importações, por falta de Guia, uma vez que a mesma é devida no despacho, pelo importador. Fl. 638DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/ 05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO 4 Recurso voluntário improvido. Por meio de Despacho, o recurso foi admitido sob entendimento de terem sido observados os pressupostos legais. A Fazenda Nacional, em suas contrarrazões, argúi o não conhecimento do recurso. No mérito, pede a manutenção da decisão recorrida. Alega (sic): Ora, ainda que no bojo da fundamentação do acórdão da DRJ tenhase decidido de maneira diametralmente oposta ao que se decidiu neste Egrégio Conselho de Contribuintes, a sua fundamentação não se presta a divergência. A uma, porque Delegacia de Julgamento e Conselho de Contribuintes são instâncias diversas. A duas, porque o Conselho de Contribuintes tem competência territorial nacional, enquanto as Delegacias de Julgamento são regionalizadas. A três, porque a matéria sequer foi objeto de tratamento pelo Conselho de Contribuintes, porque o valor exonerado não alcançou o valor de alçada a permitir a devolução da matéria o que implicou em sua preclusão. É o relatório. Voto Conselheira MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ, Relatora Passo à análise de apreciação da preliminar dos pressupostos processuais. Este exame preliminar sobre o cabimento do recurso denominase juízo de admissibilidade, transposto o qual, em sentido favorável ao recorrente, passará o órgão recursal ao juízo de mérito do recurso. A contribuinte traz como paradigma o Acórdão nº 30329932, cuja ementa, está assim redigida: Acórdão n.° 30329932 folha 601 RECINTO ALFANDEGADO. MERCADORIA SOB CUSTÓDIA. ROUBO TOTAL DA CARGA. 0 fiel depositário, responsável pela custódia de mercadoria sob controle aduaneiro, é responsável pelos impostos e multas cabíveis. Não cabível a cobrança do IPI e multa, uma vez que não houve ocorrência do fato gerador, ou seja, o desembaraço da mercadoria. Idem para a multa do Controle Administrativo da Importações, por falta de Guia, uma vez que a mesma é devida no despacho, pelo importador. Fl. 639DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/ 05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10108.000011/200568 Acórdão n.º 9303002.376 CSRFT3 Fl. 636 5 Recurso voluntário improvido. Consta do exame de admissibilidade: A redação da ementa acima é cópia fiel da emitida no julgamento de primeira instância DRJ/São Paulo, assim fundamentada, em síntese, folha 603: Diante do exposto, concluise que: 1.º) ocorreu o fato gerador do Imposto de Importação quando a mercadoria entrou no território aduaneiro; 2.°) quanto ao IPI, o fato gerador deste não ocorreu, uma vez que não houve o desembaraço da mercadoria; 3.°) o desaparecimento da carga, por qualquer que tenha sido o motivo, representou prejuízo para a Fazenda Pública, uma vez que a mercadoria importada foi internada no Pais, e o crédito tributário deve ser exigido. E cabível a multa do art. 44, inciso II, mas não a multa prevista no art. 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, uma vez que a Guia de Importação ou documento equivalente, quando exigida, é dever do importador apresentála por ocasião do despacho. Da leitura dos textos acima, entrevejo a discordância como a decisão hostilizada, no tocante A. cobrança do IPI e multa, citadas na ementa da primeira instancia (fl. 196) e confirmada por este conselho, sem qualquer alteração. Isto posto, estão cumpridos os requisitos a admissibilidade contidos no caput e § 2.°, do artigo 15 do RICSRF, motivo pelo qual admito o paradigma apresentado quanto a lide da cobrança de IPI e multa para, de acordo com o estabelecido no § 6.°, do mesmo artigo 15, conceder a via especial ao pleito. Dispõe o Regimento Interno dos então Conselhos de Contribuintes, à época vigente, ser cabível recurso especial à CSRF de decisão que tenha dado à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha de outra Câmara de Conselho de Contribuintes ou desta CSRF (Portaria MF nº 147/2007). Muito embora a ementa (acima reproduzida) tenha conduzido a erro, de fato o acórdão invocado como paradigma decidiu apenas matéria afeta à responsabilidade tributária do fiel depositário. As demais matérias citadas na ementa, foram decididas, de forma favorável ao interessado, em primeira instância (DRJ), que pelo valor exonerado não ter ultrapassado ao limite, não subiram ao então Conselho de Contribuintes. Nesse sentido, reproduzo excertos do voto (paradigma): Portanto, como fiel depositária, a Recorrente tem a responsabilidade legal da custódia da mercadoria sob controle aduaneiro, o que pressupõe a sua guarda enquanto esta não Fl. 640DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/ 05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO 6 for liberada pela autoridade aduaneira, o que vale dizer que, caso ocorra dano, extravio ou roubo, enquanto durar essa custódia, ela responde pelo pagamento dos tributos decorrentes. Assim, a matéria tratada no acórdão, invocado como paradigma pela contribuinte (responsabilidade do fiel depositário) não subiu para análise deste Colegiado e as demais matérias (cobrança de IPI e multa), equivocadamente constantes da ementa, não foram prequestionadas pelo então Conselho de Contribuintes. O prequestionamento consiste na exigência legal, prevista no Regimento do CARF, de o órgão de segunda instancia ter se pronunciado expressamente sobre a matéria objeto do recurso. Logo, em não tendo sido comprovada a divergência entre o confronto de acórdãos, com o pedido pela recorrente não há como se conhecer do recurso especial. CONCLUSÃO Em razão do exposto voto no sentido de não conhecer do recurso especial. Sala das Sessões, em 14 de agosto de 2013 MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ Fl. 641DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/ 05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720255/2009-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
Ementa:
IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE.
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula CARF nº 12)
IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV.
Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda.
ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI..
Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda (art. 176 do CTN).
IRPF. MULTA. EXCLUSÃO.
Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos.
Numero da decisão: 2201-001.742
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares arguidas pelo recorrente. No mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA e MARIA HELENA COTTA CARDOZO, que negaram provimento, e RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA e RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, que deram provimento integral ao recurso.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Relator
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente
EDITADO EM: 01/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Nome do relator: Eduardo Tadeu Farah
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 Ementa: IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula CARF nº 12) IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI.. Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda (art. 176 do CTN). IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos.
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RESPONSABILIDADE. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula CARF nº 12) IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI.. Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda (art. 176 do CTN). IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. 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Vencidos os Conselheiros PEDRO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 02 55 /2 00 9- 17 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 2 PAULO PEREIRA BARBOSA e MARIA HELENA COTTA CARDOZO, que negaram provimento, e RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA e RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, que deram provimento integral ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente EDITADO EM: 01/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Relatório Adoto o relatório de primeira instância por bem traduzir os fatos da presente lide até aquela decisão. Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 172.999,24, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) o lançamento fiscal é improcedente, pois teve como objeto valores recebidos pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não estão sujeitos à incidência do imposto de renda, em razão do seu caráter indenizatório, conforme legislação instituidora da referida verba; b) a constitucionalidade do art. 5º da Lei Estadual nº 8.730, de 2003, que trata da natureza indenizatória da verba recebida, somente poderia ser questionada mediante procedimento legalmente estabelecido; Fl. 128DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.720255/200917 Acórdão n.º 2201001.742 S2C2T1 Fl. 3 3 c) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; d) A fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração. Foi determinada diligência fiscal para que o órgão de origem adotasse as medidas cabíveis para ajustar o lançamento fiscal ao Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que, em razão de jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça, concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexistisse outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visassem obter a declaração de que, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, deveriam ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global. A 3ª Turma da DRJ em Salvador/BA julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada da decisão de primeira instância, Heloisa Pinto de Freitas Vieira Graddi apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Cuidam os presentes autos de lançamento originário de verbas recebidas do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. Antes de adentrarmos no mérito da questão insta examinar, de antemão, a preliminar aventada pela defesa. Ilegitimidade da União Federal e Ilegitimidade Passiva da Contribuinte Quanto à alegada ilegitimidade ativa para exigir o tributo penso que o art. 153, inciso III, da Constituição Federal atribui a União competência exclusiva para legislar sobre imposto de renda e proventos de qualquer natureza. Assim, em que pese o produto da arrecadação do IRRF pertencer ao Estado da Bahia, tal fato não tem o condão de alterar a competência da União relativa ao Imposto sobre a Renda, conforme prevê o art. 6º, parágrafo único, do Código Tributário Nacional (CTN). Além do mais, não procede à alegação de que a União não poderia exigir o imposto pela falta de retenção do Estado da Bahia, pois o contribuinte, na qualidade de beneficiário dos rendimentos, não pode se furtar da tributação do imposto porque a fonte pagadora não procedeu à retenção. A lei ao disciplinar a elaboração da Declaração Anual de Ajuste expressamente determina a inclusão na base de cálculo do imposto de todos os rendimentos percebidos no ano, independentemente de ter ou não havido retenção do imposto na fonte (artigos 7º e 8º da Lei nº 9.250, de 26/12/1995). É neste sentido a Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Destarte, imprópria a tentativa de vincular a responsabilidade tributária tão só ao Estado da Bahia. Quanto ao mérito, verifico que as verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios de URV” advêm de diferenças salariais ocorridas na conversão da remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real. Logo, as verbas recebidas visam recompor parte do salário e, neste sentido, configurase fato gerador do tributo, pois se trata de aquisição de disponibilidade econômica de renda, conforme prevê o artigo 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Fl. 130DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.720255/200917 Acórdão n.º 2201001.742 S2C2T1 Fl. 4 5 Portanto, a definição prevista no artigo 43 do CTN se subsume ao caso em questão, isto porque as quantias percebidas pelo contribuinte de fato constitui produto do trabalho (salário). Sobre a imposição da multa de ofício, penso que a mesma deve ser excluída, pois o sujeito passivo foi de fato induzido ao erro pela fonte pagadora. É cediço que o comprovante de rendimento elaborado pela fonte pagadora classificou a referida verba como rendimentos isentos e não tributáveis, e ao apresentar sua Declaração de Ajuste o sujeito passivo meramente copiou os dados constantes do comprovante, acreditando estar agindo de forma correta. Assim, se houve erro no apontamento da natureza dos rendimentos tributáveis auferidos, em verdade, este erro não foi provocado pelo sujeito passivo. Deste modo, o erro é escusável e, portanto, inaplicável a multa de ofício. Aliás, nesta vertente, vem decidindo a Câmara Superior de Recursos Fiscais, a exemplo da ementa destacada: IRPF – MULTA DE OFÍCIO Não é possível imputar ao contribuinte a prática de infração de omissão de rendimentos quando seu ato partiu de falta da fonte pagadora, que elaborou de forma equivocada o comprovante de rendimentos pagos e imposto retido na fonte. O erro, neste caso, revelase escusável, não sendo aplicável a multa de ofício. Recurso especial negado. (Ac. CSRF/0400.045, Rel. Cons. Wilfrido Augusto Marques, julgado em 08.06.2005) Destarte, deve ser excluída a multa de ofício aplicada ao lançamento em exame. Por fim, o julgador não está obrigado a rebater todas as questões levantadas pela defesa, mormente quando os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão (art. 31 do Decreto nº. 70.235, de 1972). Esse entendimento é pacifico neste Órgão Administrativo, consoante a ementa destacada: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – DEFESA DO CONTRIBUINTE APRECIAÇÃO Conforme cediço no Superior Tribunal de Justiça STJ, a autoridade julgadora não fica obrigada a manifestarse sobre todas as alegações do recorrente, nem a todos os fundamentos indicados por ele ou a responder, um a um, seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. (REsp 874793/CE, julgado em 28/11/2006). (Acórdão 10248620) Ante o exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de ilegitimidade ativa e passiva e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir a aplicação da multa de ofício. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 131DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10580.720255/200917 Recurso nº: 923.424 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201001.742. Brasília/DF, 14 de agosto de 2012 Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 132DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.720255/200917 Acórdão n.º 2201001.742 S2C2T1 Fl. 5 7 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH
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