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Numero do processo: 10380.724500/2010-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1302-000.171
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do presente processo, tendo em vista o que determina o art. 62-a do RICARF.
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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MACEDO S. A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do presente processo, tendo em vista o que determina o art. 62a do RICARF. Marcos Rodrigues de Mello – relator e presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Eduardo de Andrade, Paulo Roberto Cortez, Marcio Rodrigo Frizzo e Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira. Fl. 886DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/06 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10380.72450/201047 Resolução n.º 1302000.171 S1C3T2 Fl. 2 2 Relatório. O processo versa sobre lançamento tributário consubstanciado em auto de infração de IRPJ (fls. 02/12), no valor global de R$19.196.730,78. A infração designada pelo auditor fiscal foi de exclusão/compensação não autorizada na apuração do lucro real, nas seguintes modalidades: (i) exclusão indevida de provisões não dedutíveis; (ii) exclusão indevida de pagamento do PAES; e (iii) inobservância do limite de 30% na compensação de prejuízos. 2. Segundo a autoridade fiscal: Com efeito, a empresa que protagonizou as exclusões, em 31/12/2006, foi J MACÊDO S/A, CNPJ 72.027.014/000100, localizada na Rua Benedito Macêdo, n° 79, Cais do Porto, CEP 60.180000, na cidade de FortalezaCe, incorporada, naquele mesmo dia, por ÁGUIA S/A, CNPJ 14.998.371/000119, com sede social na Via Centro, n° 374, BR 324, Km 20, Centro Industrial de Aratu, na cidade de Simões Filho, Estado da Bahia, que, digase de passagem, é pertencente ao mesmo grupo econômico e tem patrimônio liquido menor do que o da incorporada (a menor incorporou a maior) e vultosos prejuízo fiscal (da ordem de R$ 100.000.000.00) e base de cálculo negativa de contribuição social (cerca de R$ 83.000.000.00). Por relevante, notese que a incorporadora, Águia S/A, CNPJ 14.998.371/000119, no evento da incorporação, assumiu o nome empresarial e o endereço social de J MACÊDO S/A, CNPJ 72.027.014/000100. Assim, agora, temos duas J MACÊDO, uma, a incorporadora (antiga Águia S/A, CNPJ 14.998.771/000119), e a outra, a incorporada, de CNPJ 72.027.014/000100, que fez a exclusão indevida na DIPJ apresentada por motivo da incorporação, na data já citada. Por essa razão, o lançamento está sendo efetuado contra a sucessora, J MACÊDO S/A, CNPJ 14.998.371/0001 19. 3. Irresignado, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 329/356) contra o lançamento, em 23/11/2010, com as seguintes alegações: ILEGALIDADE DA GLOSA DA EXCLUSÃO DE PROVISÕES Caso, porém, o evento que a provisão garantia não venha ou não mais possa se concretizar, a provisão deverá ser revertida, sendo excluído o valor provisionado na apuração do lucro real e, simultaneamente, reconhecido no resultado do exercício. Nesse exato sentido é a didática lição da Conselheira SANDRA MARIA FARONI no voto proferido no Acórdão n.° 10195.899, de 6 de dezembro de 2006: ‘É inquestionável que a pessoa jurídica pode constituir as provisões consideradas necessárias para refletir sua real situação econômicofinanceira, devendo, todavia, adicionar ao lucro líquido as provisões consideradas indedutíveis, para efeito de apuração do Lucro Real. Nesse caso, no período em que ocorrer a reversão contábil da provisão previamente adicionada, o valor revertido pode ser excluído do lucro líquido para apuração do lucro real. Para justificar a exclusão são necessários dois pressupostos: (1) que quando da constituição da provisão o respectivo valor tenha sido adicionado ao lucro líquido para fins de apuração do lucro real; (2) que tenha ocorrido a reversão contábil da parcela excluída, isto é, que o referido valor tenha sido contabilizado como receita do exercício, o que justifica a exclusão, dado que já ocorrera a tributação quando da constituição da provisão’. Os procedimentos acima indicados, quais sejam, adição das provisões não dedutíveis no momento da sua constituição e a sua exclusão, seja por ocasião do pagamento da obrigação provisionada, seja em razão de sua reversão (motivada pela não verificação do evento), com a contabilização do valor provisionado como receita do exercício, foram rigorosamente observados pela IMPUGNANTE. Fl. 887DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/06 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10380.72450/201047 Resolução n.º 1302000.171 S1C3T2 Fl. 3 3 Sucede, no entanto, que a produção da prova documental de todos os eventos em questão é um processo complexo, que demanda uma verificação analítica de todos e cada um dos lançamentos contábeis dos valores provisionados de modo a poder identificar com precisão a sua respectiva adição na apuração do lucro real no ano de formação da provisão. Ocorre que para comprovar a adição de cada um dos valores referentes às provisões excluídas, a IMPUGNANTE necessitava fazer um levantamento dos registros contábeis dos anos anteriores, de modo a identificar com precisão e clareza o ano em que as provisões a que respeitam foram constituídas. E, nesse particular, enquanto foi mais simples comprovar provisões individuais de valores relevantes, como, por exemplo, a provisão "Vr. Ref IPI Dinel incorporado no PAEX" no valor de R$ 4.797.838,63, adicionada ao lucro real no ano de 2003 (doc. n.° 2), já não é tão fácil vincular as provisões de obrigações trabalhistas, eis que o valor adicionado por ocasião da constituição das provisões corresponde ao somatório dos valores estimados dos pedidos formulados em todas as reclamações trabalhistas ajuizadas contra a IMPUGNANTE, ao passo que os valores efetivamente pagos são, na maioria das vezes, distintos por refletirem os termos de acordos entabulados entre as partes. Essa peculiaridade faz com que as provisões para reclamações trabalhistas acabem tendo um caráter global e genérico, sendo adicionados os valores das contingências estimados com base nos pedidos formulados nas ações numa única conta que constitui um conjunto uno e indivisível, por outro lado, as exclusões, quando realizadas, observam rigorosamente os termos dos acordos celebrados, em valores, via de regra, inferiores aos inicialmente pedidos pelos reclamantes, o que, aliás, aponta para a adição de uma provisão maior do que a obrigação efetivamente materializada. Todas essas considerações servem para justificar as razões pelas quais a IMPUGNANTE não conseguiu, no prazo assinalado pela Fiscalização, realizar a vinculação entre a prévia adição dos valores provisionados e sua posterior exclusão. Na verdade este trabalho vinha sendo realizado pela IMPUGNANTE quando foi surpreendida com a notificação da lavratura dos autos de infração. A parte do trabalho que já se encontra concluída comprova, como se pode ver da documentação anexada (doc. n.° 3), que valores provisionados, excluídos em 2006, foram adicionados em períodos anteriores, ou mesmo no próprio anobase de 2006, e correspondem a obrigações pagas naquele mesmo ano. No que concerne às provisões objeto de reversão em 2006, a IMPUGNANTE esclarece que os lançamentos contábeis que comprovam referida reversão, cuja localização os autos de infração alegam não ter sido possível efetuar, foram devidamente apresentados à fiscalização, em atendimento ao Termo de Início de Procedimento Fiscal, em meio magnético, como determina o Ato Declaratório Executivo COFIS n.° 15, de 23 de outubro de 2001. Em relação às mesmas, a IMPUGNANTE também comprova através da documentação anexa (doc. n.°4) os anos de sua formação, bem como o lançamento a crédito de resultado do exercício do seu respectivo valor. No que respeita aos demais itens, notadamente as provisões trabalhistas, a IMPUGNANTE considera imprescindível a realização ou de diligência ou de perícia contábil para que seja esclarecido se as exclusões de provisões não dedutíveis levadas a cabo no exercício de 2006 e glosadas pelos autos de infração, teriam sido objeto de adição na apuração do lucro real em exercícios anteriores, em valor compatível com o de sua posterior exclusão. Assim, em obediência ao disposto no art. 16, IV, do Decreto n.° 70.235/72, a IMPUGNANTE requer, desde já, a realização das providências em questão e indica em separado, em documento anexo à presente impugnação (doc. n.° 5), para facilidade de identificação, o perito e respectiva qualificação, bem como formula os quesitos que deverão ser respondidos pela perícia contábil, norteando os respectivos trabalhos. ILEGALIDADE DA GLOSA DA EXCLUSÃO DO PAES No que respeita à glosa da exclusão no valor de R$ 4.169.101,14, referente a pagamentos ao parcelamento especial instituído pela Lei n.° 10.684, de 30 de maio de 2003 (PAES), a IMPUGNANTE esclarece que se trata de valores correspondentes a créditos de IPI sobre Fl. 888DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/06 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10380.72450/201047 Resolução n.º 1302000.171 S1C3T2 Fl. 4 4 operações não tributadas, apropriados no passado pela IMPUGNANTE e tratados como créditos a compensar. Com a glosa pelo Fisco das compensações levadas a efeito com utilização de referidos créditos de IPI pela IMPUGNANTE, esta procedeu à provisão dos respectivos valores (R$ 17.895.063,92), adicionandoos ao lucro real, como determina a legislação fiscal, como se verifica da documentação anexa (lançamentos contábeis e Lalur doc. n.° 6). Com a criação do PAES, a IMPUGANTE optou, em 2005, pela inclusão do valor da dívida em referido programa (cfr. doc. n.° 7), dando baixa na provisão anteriormente constituída, e registrando os valores no "contas a pagar". Muito embora pelo regime de competência já pudesse a IMPUGNANTE ter procedido à exclusão do valor da provisão anteriormente constituída e adicionada ao lucro real a esse título, atendendo a orientação de seus auditores fiscais optou por somente proceder a referida exclusão pelo regime de caixa, por ocasião do efetivo pagamento das parcelas em que a dívida havia sido dividida no PAES, o que somente veio a ocorrer em 2006 (doc. n.° 8). ILEGALIDADE DA GLOSA DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS Com efeito, no ano de 1999, no contexto de um amplo processo de reestruturação de negócios das empresas relacionadas (doc. n.° 9), os ativos operacionais da Águia S/A foram integralmente transferidos para a empresa J. Macedo Alimentos do Nordeste S/A, empresa que passou a concentrar as operações de alimentos. A partir daquela data, a Águia assumiu funções de holding pura, detentora de participações nas sociedades relacionadas. O novo modelo de negócios do Grupo exigiu a adoção de uma série de medidas visando melhorar as sinergias operacionais com (i) organização e concentração das atividades de produção e comercialização de farinhas de trigo, massas, biscoitos, misturas para bolos, etc; (ii) segregação das atividades que não se referiam a estes negócios; (iii) enxugamento de estruturas ociosas; (iv) eliminação de estruturas duplicadas; e (v) priorização da manutenção de empresas localizadas em regiões incentivadas. Foi precisamente no contexto de tal reestruturação que a IMPUGNANTE incorporou a J. Macedo S/A (CNPJ 72.027.014/000100), assim como também no mesmo período outras empresas relacionadas foram extintas. O fato de a IMPUGNANTE ter passado a adotar a denominação da incorporada, aliás, a sua denominação tradicional e pela qual é nacionalmente reconhecida não é suficiente para desqualificar a operação, acoimandoa de artificial e com intuito puramente fiscal. Há muito se pacificou o entendimento de que, deparandose o administrador com dois caminhos igualmente legítimos para atingir um mesmo fim, um dos quais também apresenta um melhor resultado do ponto de vista econômicofiscal em comparação ao outro, não lhe é exigível optar pelo mais oneroso. O que importa ter presente é que a operação de incorporação seria realizada de qualquer forma e que a escolha do modelo levou em consideração, entre outros fatores, é inegável, a intenção de preservar o estoque de prejuízos fiscais legitimamente registrados pela Águia S/A no período em que exercia atividade industrial. Calça, aliás, como uma luva lição de MARIAM SEIF, Relatora de acórdão doutrinário sobre a matéria quando Presidente do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. O direito à compensação dos prejuízos apurados em exercícios anteriores com o lucro do exercício está na base da própria sistemática da legislação do imposto de renda que incide sobre o somatório dos ganhos e perdas apurados pelas pessoas jurídicas. A ratio legis por trás desta nova sistemática estava em limitar o montante da compensação anual, assegurando ao Fisco uma tributação mínima, mas, por outro lado, reconhecendo o direito do contribuinte à compensação do montante integral dos prejuízos, conquanto diferida no tempo, como revela EDSON VIANNA DE BRITO, tido como mentor intelectual da norma. Como se vê tal Fl. 889DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/06 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10380.72450/201047 Resolução n.º 1302000.171 S1C3T2 Fl. 5 5 norma jamais teve por intuito que a limitação de 30% fosse uma restrição definitiva ao direito do contribuinte à compensação de seus prejuízos fiscais. Pelo contrário, veio ela permitir a utilização dos prejuízos remanescentes em períodos posteriores por prazo indeterminado. É isso, aliás, o que se infere da exposição de motivos da Medida Provisória n.° 998/95, reedição das Medidas Provisórias n° 947/95 e 972/95, que deu origem, por conversão, à Lei n.° 9.065/95. Esse elemento histórico e finalístico da norma, por si só, já é suficiente para demonstrar que, na sistemática adotada pela lei, só há sentido em se aplicar o limite de 30% se os prejuízos fiscais puderem ser compensados por prazo indeterminado. A tais elementos somase ainda a interpretação dada pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, que apenas considera válido o limite de 30% estabelecido inicialmente na Lei n.° 8.981/95, e tornado permanente pela Lei n.° 9.065/95, em razão de ter tornado possível a compensação integral dos prejuízos, em vista da abolição do prazo prescricional. É o que se conclui do acórdão relativo ao REsp n.° 183.155, assim ementado (no mesmo sentido, confirase os acórdãos relativos aos julgamentos do AgRg no REsp 499.175/SP; e REsp n.° 168.379/PR). . A lógica do sistema pretendido pelo legislador quando da instituição da limitação de 30%, que assegurou a compensação do montante integral dos prejuízos fiscais, deixa de existir quando ocorre a extinção da pessoa jurídica, tendo em vista incidir nesta hipótese a limitação especial prevista no art. 33 do DecretoLei n.° 2.341/87. A derrogação excepcional ao princípio da sucessão universal importa, nestes casos, na perda integral dos prejuízos acumulados, uma vez que não há a possibilidade jurídica de uma compensação futura devido à intransmissibilidade do direito, que se extingue, definitivamente e em sua totalidade, com a incorporação. Ora, quando a pessoa jurídica extinta não possui lucros do exercício compensáveis com seus prejuízos fiscais não se pode falar em conflito entre os limites previstos no DecretoLei n.° 2.341/87 e na Lei n.° 9.065/95. Mas o mesmo já não ocorre quando a pessoa jurídica a ser extinta tem resultados positivos, capazes de isoladamente absorver seus prejuízos pela compensação. A aplicação cumulativa do limite de 30% nestes casos corresponde a uma desconsideração definitiva e já não mais temporária dos prejuízos, resultando em um decréscimo patrimonial. O pressuposto de aplicação do limite de 30%, consistente em reconhecerlhe a natureza de mero diferimento do direito à compensação dos prejuízos, deixa de existir neste caso. Nesta circunstância, a limitação quantitativa não mais representa a postergação do direito à compensação dos prejuízos fiscais, como pretendeu o legislador, mas a sua efetiva perda. Por tal razão é que, na hipótese de extinção da pessoa jurídica, falta o pressuposto lógico e intrínseco do art. 15 da Lei n.° 9.065/95, consistente na garantia de compensação futura dos prejuízos, por prazo indeterminado, pressuposto este que torna incompatível a aplicação de tal limite com o preceito do art. 33 do DecretoLei n° 2.341/87, que impede a sua transmissão para a sucessora. E mais, ao se admitir a hipótese de que ambas as limitações pudessem conviver, se estaria permitindo a tributação do patrimônio do contribuinte em violação ao art. 43 do CTN e em contrariedade com o espírito da Lei n.° 9.065/95. Daí é que a única interpretação conforme a finalidade da norma e que permite validamente harmonizar tais limites com o nosso sistema tributário é a de que o limite de 30% fica afastado naqueles casos em que seja aplicável a limitação contida no art. 33 do DecretoLei n.° 2.341/87. Isto se dá porque a regra especial do art. 33 do DecretoLei n.° 2.341/87 prevalece sobre a limitação geral estabelecida pela Lei n.° 9.065/95, quando houver a extinção da pessoa jurídica em razão de fusão, cisão ou incorporação. Em matéria tributária, aplicamse, em especial, as regras de interpretação previstas nos arts. 107 e 108 do CTN. Ora, a interpretação segundo os princípios gerais de direito tributário e de direito público conduzem à conclusão inequívoca de que o limite de 30% à compensação dos prejuízos não pode se aplicar cumulativamente com a perda do direito, pois interpretação contrária conduziria à ofensa aos princípios da capacidade contributiva, do não confisco e da vedação à tributação do patrimônio. [Aduziu decisões administrativas] Fl. 890DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/06 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10380.72450/201047 Resolução n.º 1302000.171 S1C3T2 Fl. 6 6 OS ERROS COMETIDOS PELO AUTO DE INFRAÇÃO Para além das razões atrás desenvolvidas, que conduzem à total invalidade das exigências formuladas pelos autos de infração contra a IMPUGNANTE, passase de seguida a demonstrar os erros incorridos pela fiscalização na apuração do montante de tais exigências, pelo que, ainda que as mesmas viessem a ser mantidas por este órgão julgador, o que se admite apenas a título de argumentação, deverá, o seu valor, ser necessariamente recalculado, computandose as despesas com o Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT e a redução de imposto devido à incidência do lucro da exploração. IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DE MULTA DE SUCESSOR Por fim, a IMPUGNANTE se insurge contra a cobrança da multa de ofício formulada pelos autos de infração, tendo em vista que a mesma tem natureza punitiva, e, como tal, caráter personalíssimo, não podendo transbordar da pessoa do infrator, não sendo, assim, aplicável a eventuais sucessores, como é o caso da IMPUGNANTE em relação à J. Macedo S/A. Isso mesmo já restou pacificado na jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais e dos extintos Primeiro e Segundo Conselhos de Contribuintes, como se depreende das seguintes ementas de acórdãos proferidos por aqueles órgãos. 4. O sujeito passivo também anexou os documentos de fls. 357/502, 506/584 e 587/684. 5. A DRJ decidiu: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006 PROVISÃO INDEDUTÍVEL. EXCLUSÃO. PRESSUPOSTOS. LALUR. ADIÇÃO NO PERÍODO DE SUA CONSTITUIÇÃO. CONTROLE NA PARTE B. COMPROVAÇÃO. Para justificar a exclusão de provisão indedutível, tornase necessário ao contribuinte comprovar: que, no período de formação da provisão, o referido valor tenha sido adicionado ao lucro líquido para fins de apuração do lucro real; a demonstração de controle efetivo da provisão na parte B do LALUR. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE TRINTA POR CENTO. Inexiste previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima do limite máximo de trinta por cento do lucro real, ainda que seja na época da incorporação da sociedade empresária. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2006 PERÍCIA. ENCARGO PROBATÓRIO. A realização de perícia não se presta para produção de provas que o sujeito passivo possuía o encargo probatório de trazer ao processo, juntamente com a impugnação. Fl. 891DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/06 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10380.72450/201047 Resolução n.º 1302000.171 S1C3T2 Fl. 7 7 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2006 MULTA DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE SOB CONTROLE COMUM. Podese responsabilizar o sucessor pelas infrações anteriormente cometidas pela sociedade incorporada, quando provado nos autos do processo que as sociedades, incorporadoras e incorporadas, estavam sob controle comum. A recorrente tomou ciência do acórdão em 11/08/2011e apresentou recurso em 12/09/2011, onde reafirma os argumentos apresentados em sede de impugnação. Fl. 892DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/06 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10380.72450/201047 Resolução n.º 1302000.171 S1C3T2 Fl. 8 8 Voto O recurso é tempestivo e deve ser conhecido, mas os autos não se encontram em condições para permitir o julgamento por este colegiado. Dispõe o RICARF: Um dos temas que levou à interposição do recurso foi a possibilidade de compensação integral de prejuízos, matéria declarada sob repercussão geral pelo STF no RE 591.340. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência para aguardo do que for decidido no citado RE. (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello relator Fl. 893DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/06 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 14751.000142/2005-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1302-000.150
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, baixar o processo em diligência nos termos do voto do relator.
Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Anocalendário: 2000, 2001 ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURIDICA Anocalendário: 2000, 2001. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, baixar o processo em diligência nos termos do voto do relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marcos Rodrigues de Mello Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Diniz Raposo e Silva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira e Marcos Rodrigues Mello. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.447 2 Relatório ENERGISA PARAÍBA DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S/A. (anteriormente denominada SOCIEDADE ANÕNIMA DE ELETRIFICAÇÃO DO PARAÍBA SAELPA), já qualificada, inconformada com a decisão da 3ª Turma da DRJ de Recife/PE, recorre a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Contra a empresa foram lavrados Autos de Infração para exigência de crédito tributário de IRPJ e CSLL de R$ 6.112.616,03, aí já incluidos principal, juros e multa, referentes aos fatos geradores ocorridos nos anos calendários de 2000 e 2001, cujos enquadramentos legais encontramse discriminados nos respectivos autos de infração. Os valores do IRPJ devido resultam de divergências constatadas entre os valores declarados nas DCTFs e os devidos, apurados com base nas receitas de vendas dos serviços registrados no livro Registro dos Serviços Prestados n° 01 e Declarações de Serviço, (cópias anexas de folhas 39/82 e 83/118), respectivamente apurados nos demonstrativos de fls. 13/36. Foi elaborado auto de infração complementar da CSLL, referente à falta de recolhimento do adicional da referida contribuição, tendo em vista a base de cálculo da CSLL apurada no lançamento de folhas relativa ao ano calendário de 2000. Segundo a descrição dos fatos (fls 0507) e do Relatório Fiscal (fls. 19127), foram apuradas infrações decorrentes de glosas de despesas, adições e exclusões indevidas do lucro real relativas à contabilização do Acordo Geral do Setor Elétrico, nos seguintes termos: 001 IRPJ CUSTOS DOS BENS OU SERVIÇOS VENDIDOS GLOSA DE CUSTO. A) R$ 10.434.423,05 de energia comprada faturamento complementar. Nota Fiscal emitida pela CHESF n° 5342 no valor de [RS 10.908.181,17 R$ 473.758,12], pelos depósitos bancários efetuados pela SAELPA, referente ao faturamento complementar, conforme acordo do setor elétrico (faturamento dos contratos iniciais deveriam ser reduzidos na ordem de 2% a 3%, em função do racionamento de energia elétrica, ocorrido entre jun/2001 e fev/2002, que reduziu o consumo de energia elétrica na ordem de 20%, o que implicou na emissão das faturas de junho a novembro de 2001, pela CHESF, reduzidas de 20% do montante inicialmente contratado), correspondente a 17% (20% 3%) dos montantes contratados no período de junho a novembro de 2001, em função do Termo Aditivo n°01 ao Contrato Inicial de Compra e Venda de Energia Elétrica, celebrado entre SAELPA e CHESF. Energia não fornecida à CHESF, não é custo em 2001, é direito a recuperar (ativo circulante ou realizável a longo prazo Parecer COS1T n° 26). INFRAÇÃO: A SAELPA não adicionou este valor na apuração do lucro real (despesa indedutível art.249, I, 251 e §único, 290, I e 300, do RIR/99). B) R$ 2.871.961,74 de energia comprada em dez/2001 – estornos não adicionados. Provisão CHESF dez/2001 R$ 12.084.922,43. Complemento CHESF abr a dez R$ 11.096.782,02. Relativo à diferença entre os dois lançamentos contábeis na conta ENERGIA COMPRADA – INICIAL (DÉBITO), nos valores de R$ 12.084.922,43 e R$ 11.096.782,02, respectivamente, custos levado à apuração do resultado do exercício, e os valores comprovados pela CHESF, através das notas fiscais 5324 e 5342, nos montantes de (R$ 11.973.825,10 R$ 2.098.505,44) e (R$ 10.908.181,17 R$ 473.758,12). CHESF: Nota Fiscal emitida pela CHESF 5324 no valor de R$ 11.973.825,10, Fl. 2DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.448 3 referente ao faturamento pela demanda/energia contratada (menos) 3 x R$ 699.501,81 = R$ 2.098.505,44 (estornos de cada parcela de pagamento igual R$ 3.291.773,22, totalizando R$ 9.875.319,66 de pagamentos efetuados pela SAELPA). INFRAÇÃO: A SAELPA não adicionou os valores dos estornos na apuração do lucro real (despesa indedutível art.249, 1,251 e §único, 290,1 e 300, do RIR/99). C) R$ 70.342.053,18 de compra de energia. Provisionamento da compra de energia no mercado atacadista no ano calendário de 2001 diferença entre a implementação do acordo e o efetivamente recebido do mercado atacadista referente a lançamentos contábeis na conta 615.03.3.5.4.1 – subconta 4103 Energia Comprada Curto Prazo, contrapartida na conta 211.01.2 Suprimento de Energia Elétrica Subconta Energia de curto prazo (custo levado à apuração do resultado do exercício). INFRAÇÃO: A SAELPA não adicionou este valor na apuração do lucro real (despesa indedutível art.249, I, do RIR/99). 002 GLOSAS DE VARIAÇÕES MONETÁRIAS PASSIVAS. A) R$ 10.359.592,48. INFRAÇÃO: A SAELPA contabilizou, sem amparo legal, a atualização monetária dos débitos de ICMS parcelados (tendo o estado da Paraíba dispensado as respectivas atualizações — juros e multa), no anocalendário de 2000, nos valores de R$ 3.106.397,18, r$ 6.377.734,28, r$ 286.745,25 e r$ 588.715,77 e não adicionou ao lucro líquido na apuração do lucro real (art.251 e §único, 299 e §§ 1° e 2 0, e 377, do RIR/99). 003 ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL CUSTO/DESPESA INDEDUTÍVEL. INFRAÇÃO: despesas indedutíveis art.249, i, do 12112/99. A) R$ 13.452.296,34 Provisão para créditos de liquidação duvidosa — da redução dos títulos provisionados em 2001 "títulos provisionados em 2000 por X e também provisionados em 2001 por X Y" Redução no montante de títulos provisionados em 2000 aplicada por majoração indevida dos valores provisionados fls.54 a 57, fato este reconhecido pela SAELPA. Fundamentase a autuação na existência de 904.370 registros de títulos provisionados (RIR/99, art. 340, § 1° perdas com créditos decorrentes de suas atividades), com o mesmo número de matrícula e a mesma data de vencimento, onde somando estes registros temse R$ 58.121.067,24 e R$ 44.673.929,56, em 2000 e 2001, respectivamente. Intimada a SAELPA a justificar o motivo da redução dos valores relativos a determinados consumidores informou que: "A Saelpa em 2001 emitiu em torno de pelo menos 9 milhões de contas de energia elétrica, que com certeza forçam correções no faturamento inicial. Adicionalmente, em face da privatização da Empresa, ocorreram alterações nos Sistemas de Faturamento e Arrecadação que também contribuíram para o seu incremento do número de contas Fl. 3DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.449 4 corrigidas e outro fator de relevância em 2001, que veio a incrementar de forma significativa as correções de contas de energia elétrica foi o Programa de Racionamento do Governo Federal ". “Esses fatos foram relevantes nas alterações das contas informadas pelo Senhor Fiscal no Termo de Constatação e Intimação Fiscal que ora justificamos." B) R$ 265.600,00 Provisão p/cred de liquidação duvidosa provisão de cheques sem provisão de fundos (valor referente pdd para cheques em cobrança a mais de 120 dias), por ter sido constatado que os cheques com data de emissão até 30/06/2004 constam da relação de cheques devolvidos e que vários cheques foram emitidos após 30/06/2000, período que não é permitido considerálos como perda com recebimento pela legislação vigente. C) R$ 1.690.105,00 Provisão para créditos de liquidação duvidosa Dispêndio a reembolsar de difícil recebimento. Salários de funcionários da SAELPA cedidos (liberados) a outros órgãos do Estado e Prefeituras no período anterior à privatização da empresa, sendo os mais relevantes, nos anos de 1998 e 1999, pelo honorários advocatícios ao Sr. Carlos Frederico Nóbrega Farias. D) R$ 399.351,00 Provisão para créditos de liquidação duvidosa Provisão para ajustes do contas a receber Para ajustar a diferença existente entre o saldo contábil e comercial, do contas a receber de contas de energia elétrica (diferença ente o saldo do relatório do setor de faturamento e arrecadação e o saldo contábil — saldo do balancete superior ao de sua comercialização. Valor indedutível por força do art. 13, I da Lei nº 9.249/95, devendo ser adicionada ao LLE para apuração do Lucro Real. E) R$ 4.813.022,08 – Provisão para créditos de liquidação duvidosa Diferença entre os valores provisionados e adicionados no anocalendário de 2000, com 120.123 registros fl. 51. Da análise das provisões constituídas em 2000, com 1.939.934 registros, totalizando R$ 81.839.140,61 e dos títulos a receber que foram adicionados especificamente na apuração do Lucro Real, com 294.731 registros, perfazendo R$ 28.766.429,00, constatouse a existência de vários títulos que foram provisionados no ano calendário de 2000 com um valor "X", e por entendêla indedutível, a SAELPA efetuou uma adição ao lucro líquido por "XY", Y igual a R$ 4.813.022,08. F) R$ 161.806,19 Provisão para créditos de liquidação duvidosa Provisão para baixa de conta de serviços prestados a terceiros Valores de difícil recebimento de serviços prestados a terceiros, no valor de R$ 122.114,00 (setdez/1999, não recebidas até 11/2000) e R$ 39.691,20 (perda em 11/2000), não tendo a SAELPA apresentado as notas fiscais que respaldam os serviços prestados, apenas relatórios por ela elaborados, além de que, vários serviços tiveram como beneficiária a própria SAELPA e os materiais utilizados denotam ampliação, aperfeiçoamento ou modernização da rede de distribuição. G) R$ 324.321,86 Títulos provisionados e não adicionados ao LLE Provisão para crédito de liquidação duvidosa anocalendário de 2000 empresas intimadas (Cerâmica Elizabeth S/A, Nortelas S/A, gráfica Santa Merta Ltda. Indústria de Bebidas Antártica da Paraíba S/A, Myrtel Empreendimentos Hoteleiros Ltda. e Agar Brasileiro Indústria e Comércio Ltda.) não correspondência dos valores dos títulos provisionados pela SAELPA com os constantes nas respectivas faturas. H) R$ 62.939,20 Exclusão da provisão de cheques em cobrança, no valor de R$ 265.600,00, dos cheques da relação DFFR, correspondente a valores em duplicidade, cheques acima de R$ 5.000,00 e cheques vencidos a menos de 180 dias. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.450 5 I) R$ 8.836,35 Exclusão da provisão de cheques em cobrança, no valor de R$ 265.600,00, dos cheques da relação do faturamento, correspondente a valores em duplicidade. J) R$ 187.339,79 Provisão para créditos de liquidação duvidosa Provisão de títulos superiores a R$ 30.000,00 vencidos a mais de um ano, sem comprovação de ter sido iniciado e mantido os procedimentos judiciais para o recebimento, sem comprovação de sua constituição. K) R$ 7.936.588,47 Provisão de crédito de liquidação duvidosa a título judicial A fiscalização constatou: 1°) que a SAELPA não observou as regras da legislação do IRPJ para contabilização das perdas de títulos de liquidação duvidosa "a SAELPA não emitiu a fatura complementar referente ao aumento questionado judicialmente (20%) – no caso de empresas mercantis, a operação será caracterizada pela emissão da fatura, mesmo que englobe mais de uma nota fiscal – IN SRF n° 93/1997, art. 24, § 5"; 2°) não correspondência dos valores de alguns títulos provisionados com os constantes nas respectivas faturas, além de inconsistências entre os títulos constantes do arquivo judicial.xls e o arquivo títulos a receber em 2001 "títulos provisionados a título de ações judiciais que não constam na relação de títulos a receber L) R$ 2.348.826,44 Provisão constituída em 31/12/2001. Títulos vencidos entre 01/07/2001 e 31/12/2001, menos de 6 meses. M) R$ 228.966,25 Da provisão constituída em 31/12/2001. Existência de 25 registros de títulos vencidos entre 01/01/2001 e 30/06/2001, acima de R$ 5.000,00, menos de 01 ano. N) R$ 2.500.237,26 Baixa de contas incobráveis, referente ao registro da baixa de contas de consumidores das classes residencial, industrial, comercial e rural, vencidas até 01/01/98, de valores R$ 0,01 a R$ 5.000,00, já provisionadas em 31/12/2000 e não adicionadas na apuração do lucro real em 31/12/2000 e 31/12/2001 duplicidade de provisão. O) R$ 998.992,23 Títulos provisionados e não adicionados ao LLE Provisão para crédito de liquidação duvidosa Anocalendário de 2001 Empresas intimadas (Cerâmica Elizabeth S/A, Nortelas S/A, Gráfica Santa Myrtel Ltda., Indústria de Bebidas Antarctica da Paraíba S/A, Myrtel Empreendimentos Hoteleiros Ltda e Agar Brasileiro Indústria e Comércio Ltda). Não correspondência dos valores dos títulos provisionados pela SAELPA com os constantes nas respectivas faturas. 004 EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL EXCLUSÕES INDEVIDAS R$ 7.896.751,95 – Provisão para créditos de liquidação duvidosa no ano calendário de 2001. Valor revertido de provisão constituída. Da análise da DIPJ (fls. 184) e do LALUR (fls. 296) constatouse que a SAELPA excluiu na apuração do lucro real a importância de R$ 7.896.751,95, a título de reversão de provisão para devedores duvidosos. A SAELPA foi intimada a apresentar os títulos recebidos constituintes do valor excluído e o ato da legislação do IR que a autorizou, tendo informado que o procedimento que apurou em dez/2001 R$73.942.388,66 e R$ 7.896.751,95, é inferior ao apurado em dez/2000 e resulta da operação: Fl. 5DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.451 6 Provisão constituída até dez/2000 contas baixadas em 2001 + contas incluídas na provisão em 2001 contas corrigidas em 2001 que se encontravam na provisão em 2000, foi realizada em conformidade com as regas definidas pela ANEEL contidas no manual de contabilidade do serviço público de energia elétrica, onde mensalmente são efetuadas reversões do saldo da provisão constituída até o mês anterior, efetuandose nova provisão, de conformidade com os parâmetros definidos (contas de energia vencidas, parcelamentos com TCD, contas questionadas na justiça, parcelamento com SINED e contas de energia renegociadas), levandose em consideração a posição do "Contas a Receber" do mês em curso, e que, com base no art 250, do RIR/99, excluiu na determinação do L.Real a reversão de provisões consideradas indedutíveis na sua constituição e posteriormente ajustou na contabilidade. Intimada a informar o lançamento pelo recebimento de uma conta de energia elétrica que já tenha havido constituição da provisão para devedores duvidosos, respondeu: a) pelo recebimento da conta: D 111.01.2 contas bancárias a vista C 112.01.1 fornecimento b) pela reversão da provisão: D 112.61.0001 provisão para crédito liquidação duvidosa C 615.05.19.96.9601 outras despesas reversão c) pela recuperação do valor da conta de energia elétrica D 112.01.1 fornecimento C 112.61.0001 provisão para crédito liquidação duvidosa "Com efeito, temse que a SAELPA não apresentou os títulos que foram recebidos que compõem o valor de R$ 7.896.751,95, contevese em justificar o cálculo do valor. Sabese que neste valor está o de R$ 2.500.327,26, provisionado, conforme o item 5.1.3.1. deste relatório." 5.1.3.1. Baixa de contas incobráveis R$ 2.500.327,26 contas vencidas até 01/01/1998 já foram provisionadas acarretando numa constituição em duplicidade. Infração: "tal fato, exclusão indevida, enseja a sua cobrança de ofício nos termos do art. 250, i, do rir/99). Os valores do IRPJ devido resultam de divergências constatadas entre os valores declarados nas DCTF`s e os devidos apurados com base nas receitas de vendas dos serviços registrados no livro registro dos serviços prestados n° 01 e declarações de serviço, cópias anexas de folhas 39/82 e 83/118, respectivamente apurados nos demonstrativos de fls. 13/36. Inconformada quanto aos autos de infração de folhas a contribuinte apresentou, impugnação tempestiva, alegando em síntese o seguinte: I – Tempestividade: alega ser tempestiva a impugnação. II Preliminarmente: MPF Requer a nulidade do MPF que estava expirado no momento da lavratura do Auto de Infração e pela falta de ciência formal da continuação dos trabalhos. Acrescenta que o registro de Fl. 6DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.452 7 prorrogação não supre o vício procedimental e, ainda, que as intimações após a data do término do MPF sejam nulas por violar o disposto no art. 13 da Portaria SRF n° 3.007/2001c/alterações posteriores, pois o referido dispositivo limita as prorrogações a um prazo máximo de 30 dias cada; III – Dos fatos: Das supostas irregularidades na dedução de despesas não dedutíveis nos exercícios 2000 e 2001: AnoCalendário 2000 Auto de Infração Valor Pág . Variação Monetária do Parcelamento ICMS 10.359.592,48 91/109 Dispêndio a reembolsar pessoal cedido 1.690.105,00 24/109 Provisão p/perdas c/ Ser. Prest. – ODS 161.806,19 29/109 Dif. de valor provisionado x adicionados 4.813.022,08 33/109 Provisão de títulos sup. a R$ 30.000,00 187.339,79 34/109 Prov. títulos Reduzidos em 2001 x 2000 13.542.296,34 36/109 Prov. dif. faturas conf. c/ consumidor. 324.321,86 59/109 Provisão p/ ajuste contas a receber 399.351,00 27/109 Provisão p/ cheques devolvidos 265.600,00 27/109 Provisão p/ ch. Devolvidos – duplicidade 62.939,20 22/109 Provisão p/ ch. Devolvidos – duplicidade 8.836,53 23/109 AnoCalendário 2001 Auto de Infração Valor Pág . Não adiciono no Lalur fatura complementar de energia do período abril/Nov 2001(racionamento) 10.434.423,05 85/109 Diferença despesas compra energia CHESF 2.871.961,74 82/109 Energia comprada do MAE – Curto prazo 70.342.053,18 62/109 Provisão p/ cons. Com processo judicial 7.936.58,47 51/109 Provisão diferença faturas conf. c/ consumidor 998.992,23 59/109 Exclusões indevidas no Lalur 7.896.751,95 97/109 Baixa de contas vencidas até 01/01/98 2.500.237,26 41/109 Provisão de títulos sup. A R$ 5.000,00 228.966,25 50/109 Provisão de tít. Venc. Entre 07 à 12 de 2001 2.348.826,44 51/109 Fl. 7DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.453 8 IV – Do Direito: A) AnoCalendário 2000: 4.A.1) Glosa da Variação Monetária do Parcelamento do ICMS (R$ 10.359.592,48): a) A não observância dos princípios da contabilidade, notadamente o que estabelece os lançamentos pelo regime de competência, inclusive a teor do Ato Declaratório Normativo COSIT n° 52, de 28/09/1994, o qual o próprio fiscal faz referência, restando evidenciado que a empresa deve aterse ao sobredito regime; b) O contrato de parcelamento reza que deve ser aplicado, quando couber, qualquer outro índice ou critério adotado pelo SEFIN. Sendo assim, apesar das informações da Recebedoria de Rendas indicar que não houve atualização monetária pela UFIR em 2000, existiu atualização por outro indice, aplicado a partir de novembro de 2000. Posteriormente foi editada a Portaria GSF n° 002, de 05/01/2001, instituindo o IGPDI em substituição a UFIR, a partir de 2001, o que implicou no fechamento do exercício para SAELPA apenas em janeiro de 2000, lançandose a correção monetária em dezembro de 2000; 4.A.2) Não Adição do Dispêndio com Pessoal Cedido (à reembolsar R$ 1.690.105,00): a) São custos de natureza salarial, relativos a faturas de reembolso não quitadas pelos órgãos do Estado e Prefeituras sobre os salários de empregados da SAELPA a eles cedidos, por meio de documentos formais de cessão; b) Ainda, por ter sido uma Sociedade de Economia Mista controlada pelo Governo Estadual, confundiase com o próprio Governo, sendo as cessões de funcionários ordem do próprio Governador e não liberações; c) Caso não houvesse as cessões dos funcionários, os salários dos mesmos teriam sido lançados como custo operacional, dedutível do lucro tributável. 4.A.3) Não Adição da Despesa com Provisão por Perdas com Serviços Prestados a Terceiros ODS (R$ 161.806,19). a) Refuta o apego da autoridade fiscalizadora as notas fiscais dos serviços não apresentadas, não levando em consideração as despesas realizadas e comprovadas, bem como os documentos que respaldam a execução dos serviços, sendo os mesmos documentos idôneos a comprovar os fatos por ele descritos; b) Que ficou demonstrado que referidos valores não foram recebidos, caracterizando perda, cuja provisão é admitida. 4.A.4) Não Adição da Diferença dos Valores Provisionados e Adicionados (R$ 4.813.022,08). a) Segundo a fiscalização, a autuada adicionou ao LLE, para apuração do L.R. de 2000, R$ 28.766.429,00, de títulos à receber vencidos ou a vencer, sendo encontrado, entre 31/12/2001 e 30/12/2000, uma diferença de R$ 4.813.022,08, que não foi adicionada ao LLE, sendo que essa Fl. 8DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.454 9 diferença corresponde exatamente às faturas pagas, o que implica que o montante de 2001 é menor que o de 2000. 4.A.5) Não Adição da Provisão de Títulos Superiores à R$ 30.000,00 (R$ 187.339,79). a) Que "A impugnante revendo seus demonstrativos de cálculo da época verificou a inconsistência tendo efetuado a provisão a menor, razão pela qual acata o ajuste e efetuará as devidas correçães em seus registros". Ressalta, contudo, que o ajuste não implica na reversão do prejuizo fiscal do referido exercicio. 4.A.6) Não Adição da Provisão de Títulos Reduzidos em 2001 x 2000 (R$ 13.452.296,34) a) Que a autuação realizada sobre a diferença entre os anos de 2000 e 2001 teve por causa um lapso do fiscal autuante, uma vez que inverteu os anos, afirmando que o montante da provisão de 2000 é inferior ao de 2001, quando, na verdade, a realidade é exatamente o contrário. 4.A.7) Não Adição da Provisão da Diferença das Faturas Consumidores Intimados (R$ 324.321,86). a) Que "A impugnante revendo seus demonstrativos de cálculo da época reconhece a correção do lançamento efetuado pelo auditor e fará o devido ajuste no LALUR 2000". Ressalta, contudo, que o ajuste não implica na reversão do prejuízo fiscal do referido exercício. 4.A.8) Não Adição da Provisão para Ajuste de Contas a Receber (R$ 399.351,00). a) Que "A impugnante reconhece a correção do lançamento efetuado pelo auditor em relação a esse item e fará o devido ajuste no LALUR de 2000". Ressalta, contudo, que o ajuste não implica na reversão do prejuízo fiscal do referido exercício 4.A.9) Não Adição da Provisão para Cheques Devolvidos (R$ 265.600,00). a) Que "A impugnante reconhece a correção do lançamento efetuado pelo auditor em relação a esse item e fará o devido ajuste no LALUR 2000". Ressalta, contudo, que o ajuste não implica na reversão do prejuízo fiscal do referido exercício. 4.A.10) Não Adição da Provisão para Cheques Devolvidos Duplicidade (R$ 62.939,20). a) Que "A impugnante reconhece a correção do lançamento efetuado pelo auditor em relação a esse item e fará o devido ajuste no LALUR 2000". Ressalta, contudo, que o ajuste não implica na reversão do prejuízo fiscal do referido exercício. 4.A.11) Não Adição da Provisão para Cheques Devolvidos Duplicidade (R$ 8.836,53). a) Que "A impugnante reconhece a correção do lançamento efetuado pelo auditor em relação a esse item e fará o devido ajuste no LALUR de 2000". Ressalta, contudo, que o ajuste não implica na reversão do prejuízo fiscal do referido exercício. B) AnoCalendário 2001: Fl. 9DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.455 10 4.B.1) Da Indedutibilidade da Provisão para Crédito de Liquidação Duvidosa. Consumidores com Medidas Judiciais (R$ 7.936.588,47). a) Quanto à divergência de informações encontradas pela fiscalização em face das diligências realizadas junto a alguns clientes da SAELPA (correspondente a 80% do valor da fatura original), informa que: b) "Contabilizou as faturas dos clientes que haviam ajuizado ações na justiça utilizando a tarifa total (cheia e original), sem considerar a redução de 20% nas tarifas de energia elétrica determinada pelos decisões judiciais, muito embora fizesse a emissão das notas fiscais/contas de energia elétrica para os clientes pelo valor reduzido”. c) Desta maneira restaram para a impugnante valores a receber daqueles clientes em um montante de R$ 7.936.588,47. d) Os valores complementares, da ordem, portanto de 20%, pendentes no Contas a Receber, foram objeto de provisão pela Impugnante conforme parâmetros para a constituição de provisão para Devedores Duvidosos, definidos pela ANEEL.” e) Apresenta como provas do que alega cópia do CE n° 016/2001DFIN, pela qual a SAELPA solicita à SEFIN do Estado da Paraíba compensação do ICMS recolhido sobre os 20% dos faturamentos e cópias das Notas Fiscais dos consumidores citados pela fiscalização para comprovar que continuavam pendentes até 30/12/2001. 4.B.2) Não Adição ao LALUR da Fatura Complementar de Energia do Período de Abril à Novembro de 2001 (Racionamento – R$ 10.434.423,05). a) Da solicitação de diligência. A fim de melhor comprovar o alegado a impugnante requereu, sob pena de cerceamento de defesa, que se proceda a diligências e pedidos de esclarecimento acerca das operações Compra e Venda de Energia e Demanda Contratada do setor energético, as quais deverão ser fornecidas pela Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL (situada na SGAN, n° 603, módulo 5, CEP 70830030, Brasília/DF) bem como pela Companhia Hidroelétrica do São Francisco CHESF (situado na Rua Delmiro Gouveia, n° 333 Bongi Recife Pernambuco CEP 50761901) b) O mercado de energia operava rigidamente por meio de contratos de compra e venda, sendo que qualquer excedente era comercializado no mercado atacadista de energia. Com o início do racionamento o Governo determinou a redução dos contratos iniciais de fornecimento de energia elétrica, sendo que, durante aquele período, a SAELPA pagou os contratos obedecendo a essa redução, e a CHESF, da mesma forma, emitiu faturas cobrança com essa redução, originandose um débito de compra de energia da SAELPA para com a CHESF, oriundo dessa diferença de percentual. c) A SAELPA efetuou os registros dá operações de comercialização com base em estimativas observando os princípios fundamentais da contabilidade. Com a definição final do percentual de redução a ser considerado pelas empresas, chegouse, no caso da SAELPA, a um valor a ser pago a CHESF de R$ 10.434.423,05 (08/2002). d) Referido valor somente foi conhecido em agosto de 2002, quando a CHESF emitiu correspondência dirigida a SAELPA. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.456 11 e) Que em dezembro de 2001 a SAELPA contabilizou o valor de R$ 11.096.782,02, para fins de efeitos contábeis. f) O que o fiscal equivocadamente entendeu que esse valor não poderia ser levado a despesa em 31.12.2001, para fins de dedução do IRPJ (ou adicionado ao LLE), tendo em vista não ter havido o fornecimento de energia, sendo a emissão da fatura complementar para atender o acordo do setor de elétrico, com a finalidade de compensar perdas de receitas. g) Que tal conclusão contraria frontalmente não só os fatos, mas a legislação vigente à época, conforma já especificado, bem como o contrato inicial formalizado entre SAELPA e CHESF (complemento do valor do contrato inicial de compra e venda de energia do exercício de 2001), devendo ainda o fiscal levar em consideração o princípio da competência do exercício, bem como emissão da fatura complementar, que se deu em dezembro de 2001. 4.B.3) Glosa das Diferenças de Despesas com Compra de Energia a CHESF R$ 2.871.961,74 (2001). a) Que não merecem acatamento as glosas dos valores estornados da NF n° 5324 (R$ 2.098.505,44), da diferença entre o valor contabilizado e o constante da nota no valor de R$ 111.097,33, bem como o estorno da NE n° 5342, no valor de R$ 473.758,12 e a diferença entre o valor contabilizado e o constante da nota no valor de R$ 188.600,85, totalizando R$ 2.871.961,74, pois essas despesas fundamentamse no que determinam os contratos iniciais e a legislação vigente no período de racionamento (regras e princípios contábeis) e, ainda, de acordo com os fatores econômicos efetivos. b) Que em função do racionamento de energia em 2001 a parcela de demanda de todos os contratos foi reduzida em 2,1%, assim, em dezembro de 2001, contabilizou com este percentual de redução as diferenças de despesa com compra de energia adquirida da MESE e o valor da energia comprada em dezembro (Conta 615.03.3.5.41): RS 12.084.922,43 Energia Dezembro R$ 11.096.782,02 Energia Complementar AbrDez/2001 c) Que em dezembro de 2001 as empresas de energia e o Governo firmaram o Acordo Geral do Sistema elétrico que implicou para as distribuidoras pagarem às geradoras, durante o programa emergencial, os valores dos contratos iniciais e equivalentes com redução de 2,341%, resultando, com a aplicação do referido percentual para a energia adquirida da CHESF e o valor da energia comprada em dezembro (Conta 615.03.3.5.41): R$ 9.875.319,66 Energia Dezembro (Diferença: R$ 2.209.602,77) R$ 13.122.235,30 Energia Complementar AbrDez./2001 I) R$ 2.209.602,77 (diferença apontada pela NE 5324) corresponde a diferença entre o valor contabilizado pela SAELPA e o indicado pela CHESF; II) R$ 662 358,97 referese à subtração do valor registrado pela SAELPA, que na época desconhecia a emissão da Nota Fiscal e o valor efetivamente devido após o ajuste; Fl. 11DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.457 12 III) RS 11.096.782,02 corresponde ao valor registrado pela SAELPA quando ainda desconhecia o ajuste da fatura complementar. Assim, o valor glosado corresponde à variação das duas Notas Fiscais emitidas pela CHESF e que à época dos lançamentos não tinham sido enviadas nem eram de conhecimento da SAELPA. 4.B.4) Não Adição da Energia Comprada no Mercado Atacadista de Energia (MAE) Curto Prazo (R$ 70.342.053,18). a) Relativamente a este ítem a fiscalização entendeu que os respectivos valores contabilizados não poderiam ser dedutíveis. Tais valores se referem à diferença entre os valores efetivamente recebidos do Mercado Atacadista de Energia Elétrica MAE e aqueles devidos depois da implementação do Acordo do Setor Elétrico, a qual o Fiscal entendeu como custo/despesa indedutível, concluindo que a SAELPA indevidamente deixou de adicionar na apuração do lucro real a quantia de R$ 70.342.053,18. b) Requer, sob pena de cerceamento de defesa, que sejam feitas diligências e pedidos de esclarecimentos à ANEEL e a CHESF acerca das operações de compra e venda de energia e demanda contratada do setor energético; c) Que foi efetuada a contabilização dos valores relativos à aquisição de energia elétrica do MAE, seguindose criteriosamente o principio da competência, de acordo com o extrato por ele emitido; d) Que o fiscal levou em consideração o levantamento apresentado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – CCEE (nova denominação de Mercado Atacadista de Energia – MAE), equivocandose, pois os termos utilizados nas suas considerações não condizem com a mateliaridade dos fatos e das regras da contabilidade. e) Diante dessas informações, o Auditor Fiscal entendeu que os valores apresentados pela SAELPA como custo de energia comprada, e que foram informados pelo próprio MAE à época, no valor de R$ 70.342.053,18, não poderiam ser entendidos como despesa/custo dedutivel, posto se tratar de provisionamento". f) Não se pode entender dessa forma, uma vez que o valor da compra de energia naquele momento foi realizado e lançado como custo operacional, posto que esses eram os números apresentados pelo MAE. g) Que se não houvesse sido lançada a referida despesa/custo, estarseia majorando fraudulentamente o lucro do exercício; h) Que tendo como premissa que energia é custo para SAELPA, lançouse o custo na apuração do lucro real com base na planilha do MAE: • 611.03.3.1.0.2 Suprimento de Energia subconta 0002 Energia Curto Prazo R$ 6.036.832,43; • 615.03.3.5.4.1 Operações com Energia subconta 4103 Energia Comprada Curto Prazo R$ 70.342.053,18. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.458 13 4.B.5) Provisão de Diferenças de Faturas Confirmadas com o Consumidor (R$ 998.992,23). a) Que revendo seus demonstrativos de cálculo da época verificou inconsistência tendo efetuado a provisão a menor, razão pela qual acata o ajuste e efetuará as devidas correções em seus registros. 4.B.6) Exclusões no LALUR Indevidas (R$ 7.896.751,95). a) A reversão da provisão foi o resultado apurado referente à movimentação ocorrida ao exercício de 2001. a) Que calculou provisão para crédito de liquidação duvidosa mensalmente, em conformidade com as regras definidas pela ANEEL contidas no Manual de Contabilidade do Serviço Público de Energia Elétrica, para fazer face a eventuais perdas na realização de créditos considerados de difícil recebimento e que mensalmente são feitas reversões do saldo da provisão constituída no mês anterior, apurandose em Dez/2001 o montante de R$ 73.942.388,66, valor esse inferior em R$ 7.896.751,95 àquele apurado até Dez/2000, que era de R$ 81.839.140,61; b) Os R$ 73.942.388,66 corresponde à Provisão constituída em Dez/2000 (R$ 81.839.140,61), menos contas baixadas em 2001 de R$ 0,01 a R$ 5.000,00 vencidas até Dez/1997 (R$ 29.878.752,27), mais contas incluídas em 2001 (R$ 34.833.228,65), menos contas corrigidas em 2001 que se encontravam na provisão em 2000 (R$ 12.851.228,33). 4.B.7) Baixa de Contas Vencidas até 01/01/1998 (R$ 2.500.237,26). Que "A impugnante reconhece a correção do lançamento efetuado pelo auditor em relação a esse item e fará o devido ajuste no LALUR 2000". Ressalta, contudo, que o ajuste não implica na reversão do prejuízo fiscal do referido exercício. 4.B.8) Provisão de Títulos Superiores à R$ 5.000,00 (R$ 228.966,25). Que "A impubmante reconhece a correção do lançamento efetuado pelo auditor em relação a esse item e fará o devido ajuste no LALUR 2000". Ressalta, contudo, que o ajuste não implica na reversão do prejuízo fiscal do referido exercicio. 4.B.9) Provisão de Titulos Vencidos entre Julho e Dezembro de 2001 (RS 2.348.826,44) Que "A impugnante reconhece a correção do lançamento efetuado pelo auditor em relação a esse item e fará o devido ajuste no LALUR 2000". Ressalva, contudo, que o ajuste não implica na reversão do prejuízo fiscal do referido exercício. V e VI) Da Multa com Caráter Confiscatório. Da Regra mais Benéfica para o Contribuinte. a) Que, em virtude da regra estatuída pela alinea "c", do inciso II, do art. 106 do CTN, deve ser aplicada a penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, ou seja, deverá ser aplicada a multa menos severa no caso em análise, qual seja, a multa de 20% sobre o valor do tributo. Faz referência a jurisprudência para balizar seu argumento. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.459 14 A 3ª Turma da DRJ no Recife/PE, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de nulidade, indeferiu o pedido de perícia e considerou parcialmente procedentes os lançamentos do IRPJ e da CSLL, mantendo, respectivamente, os montantes de R$ 2.068.928,65 e R$ 447.900,06 e excluindo os valores de R$ 17.849,05 e R$ 6.425,67, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001 LUCRO REAL. CONCESSIONÁRIAS DE ENERGIA ELÉTRICA. PROVISIONAMENTO EM 2001 DOS CUSTOS DE ENERGIA INICIALMENTE CONTRATADA NÃO CONSUMIDA EM FUNÇÃO DO ACORDO DO SETOR ELÉTRICO (RACIONAMENTO). Assim como a receita gerada pela aplicação da sobretarifa, de que trata o § 1° do artigo 40 da Lei n° 10.438/2002, os custos resultantes do acordo do setor elétrico, em função do racionamento de energia, deverão compor, em 2001, direito a recuperar da empresa (ativo circulante ou realizável a longo prazo) e somente comporão a apuração da base de cálculo do IRPJ, referente aos períodos em que ocorrer o efetivo consumo de energia sobre o qual incidiu a cobrança, à medida e na proporção de sua efetivação, sendo o tributo apurado de acordo com a lei vigente em cada um desses períodos, por força do artigo 144 do CTN. GLOSA DE DESPESAS OPERACIONAIS. CUSTOS E DESPESAS. CONDIÇÕES DE DEDUTIBILIDADE (2000 e 2001). Para que sejam dedutíveis, os gastos incorridos, além de atender às condições legais de necessidade, usualidade, ficam sujeitos à comprovação documental da ocorrência e quitação. LUCRO REAL. EXCLUSÕES NÃO AUTORIZADAS NA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA (2001). Glosamse os valores excluídos pelo contribuinte que não estão autorizados pela legislação tributária ou não estão devidamente comprovados. Assunto: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2000, 2001 LUCRO REAL. CONCESSIONÁRIAS DE ENERGIA ELÉTRICA. PROVISIONAMENTO EM 2001 DOS CUSTOS DE ENERGIA CONTRATADA NÃO CONSUMIDA EM FUNÇÃO DO ACORDO DO SETOR ELÉTRICO (RACIONAMENTO). Assim como a receita gerada pela aplicação da sobretarifa, de que trata o §1° do artigo 4° da Lei n° 10.438/2002, os custos resultantes do acordo do setor elétrico, em função do racionamento de energia, deverão compor, em 2001, direito a recuperar a empresa (ativo circulante ou realizável a longo prazo) CSLL, referente aos períodos em que ocorrer o efetivo consumo de energia sobre o qual incidiu a cobrança, à medida e na proporção de sua Fl. 14DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.460 15 efetivação, sendo o tributo apurado de acordo com a lei vigente em cada um desses períodos, por força do artigo 144 do CTN. GLOSA DE DESPESAS OPERACIONAIS. CUSTOS E DESPESAS. CONDIÇÕES DE DEDUTIBILIDADE (2000 e 2001). Para que sejam dedutíveis, os gastos incorridos, além de atender às condições legais de necessidade, usualidade, ficam sujeitos à comprovação documental da ocorrência e quitação. LUCRO REAL. EXCLUSÕES NÃO AUTORIZADAS NA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA (2000). Glosamse os valores excluídos pelo contribuinte que não estão autorizados pela legislação tributária ou não estão devidamente comprovados. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2000, 2001. PRELIMINAR DE NULIDADE. VÍCIOS. Estando o lançamento revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto n.° 70 235/72, sem preterição do direito de defesa, não há falar em nulidade do procedimento fiscal. O Mandado de Procedimento Fiscal, sob a égide da Portaria que o criou, é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, não implicando nulidade do procedimento fiscal as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBELTDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Lançamento Procedente em Parte Em função da extensão do relatório a DRJ fez uma tabela correlacionando os subítens do lançamento com a impugnação: AUTO DE INFRAÇÃO IMPUGNAÇÃO SUBÍTEM VALOR TRIBUTÁVEL SUBÍTEM ARGUMENTO 1 A R$ 10.434.423,05 4.B.2 IMPUGNADO 1 B R$ 2.871.961,74 4.B.3 IMPUGNADO Fl. 15DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.461 16 1 C R$ 70.342.053,18 4.B.4 IMPUGNADO 2 R$ 10.359.592,48 4.A.1 IMPUGNADO 3 A R$ 13.452.296,34 4.A.6 IMPUGNADO 3 B R$ 265.600,00 4.A.9 LANÇ. ACATADO 3 C R$ 1.690.105,00 4.A.2 IMPUGNADO 3 D R$ 399.351,00 4.A.8 LANÇ. ACATADO 3 E R$ 4.813.022,08 4.A.4 IMPUGNADO 3 F R$ 161.806,19 4.A.3 IMPUGNADO 3 G R$ 324.321,86 4.A.7 LANÇ. ACATADO 3 H R$ 62.939,20 4.A.10 LANÇ. ACATADO 3 I R$ 8.836,53 4.A.11 LANÇ. ACATADO 3 J R$ 187.339.79 4.A.5 LANÇ. ACATADO 3 K R$ 7.936.588,47 4.B.1 IMPUGNADO 3 L R$ 2.348.826,44 4.B.9 LANÇ. ACATADO 3 M R$ 228.966,25 4.B.8 LANÇ. ACATADO 3 N R$ 2.500.237,26 4.B.7 LANÇ. ACATADO 3 O R$ 998.992,23 4.B.5 LANÇ. ACATADO 4 R$ 7.896.751,95 4.B.6 IMPUGNADO Ciente da decisão de primeira instância em 13/04/2009, a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo em 13/05/2009, onde repete os argumentos trazidos na fase impugnatória, acrescentando em síntese o seguinte: A) Do anocalendário 2000: Da glosa da variação monetária do parcelamento de ICMS de R$ 10.359.592,48. Afirmou a fiscalização ter constatado que a Recorrente havia contabilizado como despesa financeira a variação monetária do ICMS. Conforme transcrito no próprio Relatório de Trabalho Fiscal, a Recebedoria de Rendas da Secretaria de Finanças do Estado da Paraíba, informou que os débitos de ICMS com vencimento em 2000 e pagos naquele mesmo ano não sofreram atualização monetária, pois a UFIR permaneceu "congelada", ao passo em que os débitos vencidos em 2000 e recolhidos após o ano de 2000 passaram a ser corrigidos, a partir de janeiro de 2000, até maio de 2003 pelo IGP DI (FGV). Apesar da clareza da resposta do Fisco paraibano, que confirmou a aplicação de atualização monetária desde janeiro de 2000 sobre os débitos vencidos e não pagos naquele ano, o r. auditor fiscal concluiu ter a Recorrente contabilizado, "sem amparo legal, atualização monetária dos débitos de ICMS no anocalendário de 2000". Fl. 16DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.462 17 O Acórdão da Delegacia de Julgamento, ao tratar deste item do Auto de Infração, manteve a autuação sob o argumento de que a Recorrente não teria "nenhuma prova, que não por ela mesma produzida, de que, sobre seus débitos de ICMS sobre os quais versa o lançamento incidiram (sic) atualização monetária (juros e multa). Ora as As regras legais atinentes à possibilidade de dedução da variação monetária correspondente às obrigações tributárias vigentes em 2000 encontramse consubstanciadas no entendimento contido no Ato Declaratório Normativo COSIT n° 52. No caso em tela, a Recorrente celebrou, em 15/7/2000, um parcelamento com o Estado da Paraíba, relativamente a Débito Fiscal de ICMS em 36 (trinta e seis) parcelas mensais e sucessivas, acrescidas de mora, juro e correção monetária, quando couber, atualizado pela UFIR ou outro critério adotado pela DEFIN para correção de tributos. Do citado parcelamento, 3 (três) parcelas foram pagas em 2000, sem correção, uma vez que não houve variação da UFIR naquele ano. O saldo devedor em 2000, contudo, foi corrigido conforme determinação da Portaria GSF n° 002, de 05.01.2001, do Secretário das Finanças, publicada no DOE PB de 06.01.2001, a qual instituiu a aplicação do IGPDI em substituição da extinta UFIR a partir de janeiro de 2000, para débitos não pagos naquele ano. A Recorrente então contabilizou em 2000 o valor das atualizações monetárias incidentes sobre o saldo devedor, de acordo com a variação do IGPDI contida na Tabela acima referida. Tais valores estão demonstrados na Planilha de Parcelamento ICMS (doc.06), para mais fácil visualização. Ao ao reconhecer no ano de 2000 a despesa decorrente da incidência do IGPDI naquele ano, a recorrente somente deu cumprimento ao principio da competência, reconhecendo que tal despesa, apesar de ainda não desembolsada, foi incorrida naquele ano. diante dos fundamentos apresentados acima, a recorrente requer que seja reconhecido e homologado como despesa o valor contabilizado de R$ 10.359.592,48 Da glosa de custos Diferença entre os valores provisionados e adicionados no AnoCalendário de 2000 (R$ 4.813.022,08). Afirma o auditor ter constatado que vários títulos a receber da Recorrente teriam sido provisionados no anocalendário de 2000 e adicionados ao lucro líquido na apuração do lucro real daquele mesmo exercício fiscal. Ainda segundo ele de um total de 294.731 títulos totalizando R$ 28.766.429,00 a parcela de 120.123 títulos teriam sido provisionados por um valor X e adicionados ao lucro líquido por um valor inferior, X Y. Essa diferença de valor, Y, totalizaria R$ 4.813.022,08, e seria um custo/despesa indedutível, o que ensejaria sua cobrança de ofício. A DRJ manteve a autuação por não ter a Recorrente apresentado provas documentais. Ao contrário do afirmado pelo auditor, não há qualquer diferença entre o valor dos 294.731 títulos provisionados por R$ 28.766.429,00 e o valor pelo qual esses mesmos títulos foram lançados ao lucro líquido na apuração do lucro real. Ponto inconteste, afirmado pelo próprio auditor fiscal, é que os citados títulos foram provisionados, contabilmente, no anocalendário de 2000 por R$ 28.766.429,00. Toda a celeuma decorre do equívoco do auditor, ao indicar que tais títulos teriam sido computados no lucro líquido para apuração do lucro real por valor inferior ao provisionado. Fl. 17DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.463 18 Demonstrando exatamente o contrário, ou seja, que o valor computado no lucro líquido para apuração do lucro real foi exatamente igual ao valor provisionado (R$ 28.766.429,00) a Recorrente apresenta cópia da fls. 25 do LALUR do exercício de 2000 (doc.07), juntamente com a pág.06 da DIPJ do mesmo exercício (doc.08), ambas contendo o mesmo valor provisionado, (no caso da DIPJ, o valor compõe o lançamento de linha 3. Despesas operacionais Parcelas Não Dedutíveis), então adicionado na apuração do lucro real. Razão porque a autuação não tem amparo e foi equivocada. Da glosa de Custos Provisões constituídas em 2000 e repetidas em 2001 Diferença de provisão 2000/2001. (R$ 13.452.296,34). Afirma o auditor ter constatado 904.370 registros com os mesmos número de matricula e data de vencimento, que totalizavam R$ 58.121.067,24 (2000) e R$ 44.673.929,56 (2001). Segundo o auditor, a diferença encontrada em 2000 ("X") e 2001 ("X Y"), seria de R$ 13.452.296,34 e representaria o montante no qual a provisão para créditos de liquidação duvidosa teria sido indevidamente majorada no anocalendário de 2000. A partir dessa presunção, ele concluiu que essa parcela da provisão para créditos de liquidação duvidosa teria sido integralmente utilizada para apuração do lucro real enquanto perda dedutível. Curiosamente, o auditor realizou outro lançamento tributário sob o mesmo fundamento, no valor de R$ 7.896.751,95, com base na diferença entre o valor total da provisão para créditos de liquidação duvidosa de 2000 (R$ 81.839.140,61) e 2001 (R$ 73.942.388,66). Destaquese que os valores tomados por base para o lançamento ora recorrido, R$ 58.121.067,24 em 2000 e R$ 44.673.929,56 em 2001, eram parcelas integrantes da provisão para créditos de liquidação duvidosa ("PDD") de 2000 (R$ 81.839.140,61) e 2001 (R$ 73.942.388,66), respectivamente. O auditor efetuou lançamentos distintos, um para a parte e outro para o todo (doc.09 e 10 fls.09 e 10 do Lalur e pag.6 da DIPJ 2002). A DRJ ao tratar deste item manteve a autuação simplesmente por não ter a Recorrente apresentado provas documentais, ignorando os argumentos aduzidos, sobretudo o da verdade material. Inicialmente, impõese destacar o claro bis in idem configurado pela duplicidade de autuações com base no mesmo fato. Pela diferença entre a PDD de 2000 e 2001, o auditor já efetuou o lançamento constante do item 5.5 do Relatório Fiscal defendido no presente Recurso. Não pode ele, com base na diferença entre parciais que compõem o saldo das referidas provisões, efetuar novo lançamento, em adição ao já existente. Não bastasse a ocorrência do bis in idem, tratase de autuação baseada pura e simplesmente em presunções ilegais: de que o valor provisionado em 2001 seria o correto, e não o de 2000 e, que a diferença entre o valor dos títulos nos dois anos foi deduzida na apuração do lucro real de 2000. Se a administração tributária pudesse, a seu bel prazer, cobrar tributos com base em meras suposições, o contribuinte ficaria à mercê das interpretações da autoridade fiscal. Presunção não é base de cálculo de imposto, devendo esse tipo de expediente ser rechaçado do procedimento administrativo fiscal. Ao comparar registros com o mesmo número de matricula e a mesma data de vencimento, na database dezembro/2000 e dezembro/2001, o auditor confunde registros de sistema com títulos representativos de dívida. Os registros de sistema representam o total do débito de um Fl. 18DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.464 19 determinado cliente, que pode ter mais de uma unidade de consumo conectada à rede elétrica. Uma rede de supermercados com diversas filiais, por exemplo. Fato é que qualquer desses consumidores pode pagar uma fatura de energia elétrica de uma unidade de consumo e deixar de pagar a de outra. Com isso, o valor do registro, de um ano para o outro pode reduzir normalmente, sem que tenha havido qualquer erro por parte da Recorrente. Não demonstrou o auditor ter sido a contabilização de 2000 excessiva, nem tampouco ter resultado em qualquer benefício fiscal indevido para a Recorrente. Na verdade, ao adotar a presunção de ilegalidade, furtouse de perquirir a verdade dos fatos. Por conseqüência de todo o exposto requer a Recorrente que seja reconhecido o bis in ide, e a ilegalidade da presunção na qual se baseou o lançamento, devendo ser anulada a autuação de tais valores. B) Do anocalendário 2001: Provisão para Crédito Liquidação Duvidosa. Consumidores com medidas judiciais.(R$7.936.588,47. No relatório de trabalho fiscal, o auditor fiscal constatou a indedutibilidade da provisão do valor, correspondente às contas de energia elétrica de clientes que ingressaram na Justiça questionando os reajustes tarifários de 1986. A DRJ deixou de apreciar os fundamentos expostos, por não ter a Recorrente apresentado provas documentais correspondentes. Durante o ano de 2001, diversas faturas de clientes que ingressaram na justiça questionando os reajustes tarifários de 1986 foram emitidas, em cumprimento a decisões judiciais, por 80% do valor integral. Por um equívoco contábil da Requerente, os 20% restantes foram levados a tributação como faturamento e, pendentes no Contas a Receber, foram objeto de provisão pela Recorrente conforme parâmetros para constituição de provisão para Devedores Duvidosos. Em razão do equívoco cometido quando da emissão de faturamento de receita em 80% (oitenta por cento) e 20% de provisão de devedores duvidosos, houve o devido estorno no LALUR, de forma que não afetou o lucro líquido do exercício. Tal equívoco ocorreu em virtude da Recorrente não ter cumprido, de imediato, a determinação de redução das ações judiciais. Uma vez que a empresa constatou que aqueles valores de PDD não podiam ser lançados na rubrica de contas a receber, buscou o seu devido estorno, não acarretando qualquer prejuízo ao erário público. Prosseguir com o entendimento do fiscal seria praticar o estorno de um lançamento irregular. A Recorrente anexa relatório de todos os consumidores com débitos oriundos de redução de tarifa, totalizando o valor de R$ 7.936.588,47, os quais foram objeto de estorno. Ainda como meio de prova do alegado, a Recorrente anexou cópia da CE n°. 016/2001DFIN, pela qual a Saelpa solicita à Secretaria de Finanças do Estado da Paraíba compensação do ICMS recolhido sobre os 20% (vinte por cento) desses faturamentos, bem como Notas Fiscais relativas aos consumidores citados pelo auditor em seu relatório para comprovar que essas contas continuavam pendentes até 31/12/2001. Da Glosa de Custos – Faturamento Complementar(R$ 10.434.423,05). Este item referese à contabilização de faturas de compra de energia elétrica, pela Recorrente, junto à Companhia Hidroelétrica do São Francisco CHESF, no ano de 2001. Tratase, de fato, da nota fiscal Fl. 19DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.465 20 n° 5342, emitida pela CHESF, no valor de R$ 10.908.181,17 R$ 473.758,12 (ajuste), em vista dos depósitos/créditos bancários feitos pela ENERGISA (Saelpa), referente ao faturamento complementar relativo ao fornecimento de energia do ano de 2001. Sustenta o auditor que tais valores não poderiam ser Considerados como custo, mas sim como um ativo circulante ou recuperável a longo prazo. Tal entendimento equivocado decorreu da escusável falta de conhecimento técnico acerca do funcionamento e da regulação do setor elétrico brasileiro, vigentes à época. Por esse desconhecimento, o fiscal acabou confundindo o objeto da autuação (faturamento de energia comprada) com a Recomposição Tarifária Extraordinária – RTE. A DRJ não analisou os argumentos da recorrente, atendose simplesmente a transcrever na íntegra o Parecer COSIT nº 26. o r. julgador manteve a linha de pensamento equivocada do r. auditor fiscal, vinculando o pagamento da nota fiscal n° 5342 da CHESF à sobretarifa objeto do Parecer COSIT n° 26/2002, quando na verdade, esse dois fatos não guardam entre si qualquer relação. Em 2001, o setor elétrico era regulado, principalmente, pelas Leis n° 9.648, de 27 de maio de 1998 e n° 9.427, de 26 de dezembro de 1996. O art. 12 da Lei n° 9.648/1998, em seu §2°, estabelecia que a compra e venda de energia elétrica nos sistemas elétricos interligados seriam realizadas no âmbito do Mercado Atacadista de Energia Elétrica MAE, observado o disposto no art. 10, que tratava dos contratos iniciais. A Recorrente tinha, em 2001, um contrato de compra e venda de energia em vigor com a CHESF, celebrado em 25 de janeiro de 2000 (doc.16) Seu Anexo I apresenta as quantidades contratadas e as tarifas do contrato inicial. O montante de energia contratado para 2001, com a CHESF, correspondeu a 396 MW médios. Tais montantes mensais foram registrados no MAE considerando o disposto no Parágrafo Primeiro da Cláusula 11 do Contrato. Para fins de informação, a Recorrente apresenta a tabela lª (doc.17), que apresenta os montantes mensais contratados e adquiridos em 2001, bem como teriam sido os correspondentes faturamentos, caso não houvesse sido decretado o racionamento de energia. Para cada mês, as tarifas e os faturamentos foram obtidos conforme Cláusula 14 do contrato inicial. Na Região Nordeste, onde se localiza a Recorrente, o racionamento de energia elétrica foi decretado pelo Poder Concedente a partir de junho de 2001. CHESF, então, conforme recomendação da Associação Brasileira das Empresas Geradoras de Energia Elétrica ABRAGE, efetuou, a partir de junho de 2001, o faturamento provisório tomando por base as quantidades contratadas, ajustadas pelo percentual da meta de racionamento estabelecida pela Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica GCE, conforme faturas e respectivas correspondências de encaminhamento, todas anexas (docs.18). Com isto, a CHESF passou a faturar, a título provisório, a energia contratada pela Recorrente com uma redução de 20%. A tabela 1.b, anexa, consolida os valores mensais faturados, em MWH (quantidade de energia faturada) e Reais. Somente em dezembro de 2001 foi estabelecido pelo §8° do art.2° da Resolução GCE n° 091, de 21 de dezembro de 2001, a metodologia para o fator de redução a ser aplicado aos contratos iniciais durante o período de vigência do racionamento. Esta metodologia foi posteriormente detalhada no art.5° da Resolução ANEEL n° 31; de 24 de janeiro de 2002, senão vejamos: (doc.19) Em face da cláusula 6 do aditivo (04.07.02) ao contrato inicial da CHESF SAELPA (doc.20) reduziramse os montantes contratados no período de Fl. 20DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.466 21 vigência do racionamento. Para o período de junho a dezembro de 2001, ficou definido que seria aplicado o fator de redução previsto no art.5° da Resolução ANEEL n° 031, de 2002. Finalmente, apenas em 12 de agosto de 2002, os fatores de redução aplicáveis ao ano de 2001 foram definitivamente informados pela ANEEL por meio do Ofício Circular n° 761/2002 SFFSRE/ANEEL (doc.21), correspondendo a 0,93638 de junho a dezembro de 2001, ou seja, uma redução de 6,362%. A tabela 1.c (anexa doc.17) apresenta os valores que deveriam ter sido faturados pela Saelpa considerando este fator de redução. • Verificouse, então, que a SAELPA havia consumido um volume de energia equivalente a 93,638% do contrato inicial, mas apenas 80% tinha sido faturado e recebido pela CHESF. Dessa diferença originouse um débito de compra de energia da Energisa (Saelpa) para com a CHESF. Conseqüentemente, a CHESF emitiu faturamento complementar contra a Saelpa relativo à diferença entre o valor que deveria ter sido faturado em 2001 com base no Ofício Circular n° 761/2002SFFSRE/ANEEL (tabela 1c doc.17) e aquele objeto do faturamento preliminar ( tabela 1b), correspondendo a R$ 10.434.423,05 (tabela 1d doc.17). A SAELPA, até então, havia efetuado o registro contábil das operações de comercialização, realizadas com base em estimativas elaboradas pela sua própria administração, observando os princípios fundamentais da contabilidade. Assim, em dezembro de 2001, a SAELPA registrou o valor de R$ 11.096.782,02 para fins de efeitos contábeis, tendo em vista a definição, à época, dos redutores pelos órgãos competentes. Posteriormente, com a determinação em definitivo do Fator de Redução, foram efetuados os devidos ajustes, nos valores de R$ 473.758,12 e R$ 188.600,85 (receitas levadas à tributação no exercício de 2002 – vide Diário doc. XX anexo), resultando no valor líquido de R$ 10.434.423,05. De acordo com o site da Agência Nacional de Energia Elétrica: "A Recomposição Tarifária Extraordinária é um instrumento que se destina à compensação pelas perdas de receita das concessionárias, impostas pelo Programa Emergencial de Redução do Consumo de Energia Elétrica, e acumuladas no período de 10 de janeiro a 25 de outubro de 2001. A recomposição foi estabelecida mediante a aplicação dos seguintes percentuais de reajuste: 2,9% para as classes Residencial e Rural; 7,9% para as demais classes, excluídos os consumidores de Baixa Renda, os Serviços Executados e os suprimentos entre empresas, conforme legislação citada nos anexos." Depreendese da leitura do próprio Parecer COSIT n° 26/2002, que "as concessionárias de energia elétrica tiveram redução de suas margens de lucro, seja devido à diminuição do faturamento, seja pelo aumento de custos não gerenciáveis". E que "visando a recomposição do equilíbrio econômicofinanceiro de contratos de concessão a que se refere o dispositivo acima transcrito (art. 28 da MP n° 2.198/2001), a MP n° 14, de 21 de dezembro de 2001, em seu artigo 4°, assim dispôs: Fl. 21DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.467 22 "Art. 4º A ANEEL procederá à recomposição tarifária extraordinária prevista no art. 28 da Medida Provisória no 2.1985, de 24 de agosto de 2001, sem prejuízo do reajuste tarifário anual previsto nos contratos de concessão de serviços públicos de distribuição de energia elétrica. § 1° A recomposição tarifária extraordinária de que trata o caput será implementada por meio de aplicação às tarifas de fornecimento de energia elétrica dos seguintes índices: I 2,9%, para os consumidores integrá ntes das Classes Residencial e Rural; e II 7,9%, para os demais consumidores. (. . . ) " Ora, a perda de receita da Recorrente em virtude do racionamento de 2001, a ser compensada de forma diferida pela RTE, não se confunde com o valor pago à CHESF pela energia consumida naquele ano. Como é de conhecimento comum, a mercadoria energia tem uma peculiaridade que a difere das demais. Não se armazena energia na distribuição. Não há estoque. A distribuidora, simplesmente, contrata uma quantidade de energia com a geradora, que passa a ter a obrigação de gerar esse montante de energia e lançálo no sistema interligado. A distribuidora tem, então, o direito de vender energia nessa quantidade, pois foi ela quem pagou ao gerador. No caso, a Recorrente havia contratado com a CHESF o fornecimento de 2.058.271,448 MWH para o ano de 2001, pelo preço de R$ 76.509.921,18. Por conta do racionamento, a CHESF, inicialmente, faturou apenas 80% do contrato (1.646.617,159 MWh, pelo preço de R$ 61.207.936,96). Quando, finalmente, em agosto de 2002, a ANEEL apurou o fator de redução e determinou qual havia sido a quantidade de energia vendida pela CHESF para a SAELPA no ano de 2001, contatouse que havia sido entregue o montante de 1.927.324,218 MWh, o que totalizava o preço de R$ 71.642.360,01, resultando numa diferença a pagar de R$ 10.434.423,05, valor esse, então faturado de forma complementar pela CHESF. Frisese, foi uma despesa efetivamente incorrida no ano de 2001. Um custo necessário para sua operação (venda de.,energia) e, por conseguinte, dedutível. O fato de a Recorrente ter sofrido prejuízos em razão do racionamento, e de ter recebido do Poder Concedente um reequilíbrio econômicofinanceiro do contrato de concessão de maneira diferida (RTE) não faz, absolutamente, com que a despesa incorrida no ano de 2001 com compra de energia destinada a seu mercado consumidor deixe de ser considerada custo dedutível. Não há como se pretender aplicar o Parecer COSIT n° 26/2002 sobre algo que não é RTE! Entendemos que resta exaustivamente demonstrado que não se pode confundir o objeto da autuação (despesa com energia consumida em 2001) com a RTE (valores incluídos na fatura de energia elétrica dos consumidores a partir de 2002, para reequilíbrio econômicofinanceiro do contrato de concessão). o Auditor Fiscal deveria levar em consideração o Princípio da Competência do exercício, bem como a emissão da fatura complementar, que se deu em dezembro de 2001. Entende a requerente, em vista do exposto, que se essa despesa operacional foi confirmada com o valor apurado pela Chesf na competência de 2001, por tratarse de complemento do valor do contrato inicial de compra e venda de energia do exercício de 2001, tal despesa deve ser Fl. 22DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.468 23 considerada como custo do resultado para apuração do exercício, uma vez que esse valor foi relativo ao período de comercialização, cuja competência referese ao exercício de 2001. Temse como regra que os valores serão apurados considerando o período de comercialização, e, no caso, esses períodos:,foram os meses de abril a dezembro/01, portanto, foram eles reconhecidos naquela competência. Diferenças de Despesas com Compra de Energia da CHESF (R$ 2.871.961,74). O fiscal solicitou informações à Companhia Hidroelétrica do São Francisco CHESF e, com base na resposta obtida, entendeu que havia divergências entre os valores escriturados pela SAELPA e os valores constantes da emissão das notas fiscais da Chesf, relativas a essas contas. O Auditor Fiscal, então, glosou os valores estornados da nota fiscal n° 5324 em R$ 2.098.505,44, bem como a diferença entre o valor contabilizado e o constante da nota no valor de R$ 111.097,33. Da mesma forma, glosou o estorno da nota fiscal n° 5342, no valor de R$ 473.758,12, e a diferença entre o valor contabilizado e o constante daquela nota, no valor de R$ 188.600,85, totalizando a glosa de R$ 2.871.961,74, como despesa/custo indedutível para a apuração do lucro real no anocalendário de 2001. A DRJ entendeu que somente são dedutíveis na apuração do lucro real os custos e despesas efetivamente realizados e apoiados em documentação hábil e idônea. Os procedimentos realizados pela ora Recorrente, tiveram suporte na época pelo seu órgão regulador, bem como pelas disposições do Setor Elétrico, a saber ANEEL, ABRAGE, GCE, através de expedição de resoluções. Ademais, todos os lançamentos contábeis tiveram suporte no que determina os contratos iniciais de fornecimento de energia elétrica, a legislação vigente no período de racionamento e os fatores econômicos efetivos. No período objeto da fiscalização, em razão do racionamento de energia, as parcelas de demanda e a energia de todos os contratos iniciais foram reduzidas em 2,1% em cada mês. Esse fator de redução foi divulgado pela ABRADEE Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica, durante o processo de negociação com o Governo Federal. Em dezembro de 2001, o governo e as empresas de energia elétrica firmaram o Acordo Geral do Setor Elétrico com as concessionárias distribuidoras e as geradoras de energia elétrica, com o intuito de garantir o equilíbrio econômicofinanceiro dos contratos existentes e a recomposição de receitas relativas ao período de vigência do Programa Emergencial de Redução do Consumo de Energia Elétrica (Racionamento / "Programa Emergencial"). Tal acordo abrangia (i) as perdas de margem incorridas pelas distribuidoras e geradoras no período de vigência do citado Programa Emergencial, (ii) os custos adicionais da Parcela A . para o período de 1/01/2001 a 25/10/2001, (iii) a parcela dos custos com a compra de energia no âmbito do Mercado Atacadista de Energia (MAE), denominada "energia livre", realizadas até dezembro de 2002 e (iv) a substituição do direito contratual previsto no Anexo V dos Contratos Iniciais (compra e venda de energia). Assim, as distribuidoras alcançadas por essa recomposição tarifária extraordinária teriam que pagar às geradoras, durante o Programa Emergencial, os valores dos contratos iniciais e equivalentes, com redução proporcional àquela aplicada às distribuidoras. Essa redução foi definida em 2,341%. Fl. 23DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.469 24 A Recorrente demonstra através do Extrato contábil (doc.22 anexo 09 da impugnação) que efetuou a contabilização em dezembro de 2001 dos valores relativos à diferença de despesas com compra de energia elétrica adquirida da CHESF, bem como o valor da compra de energia elétrica para o mês de dezembro de 2001, de acordo com os demonstrativos de cálculos efetuados à época (doc.23 anexo 10 da impugnação). Com base na informação detida no momento do lançamento contábil (antes da definição final do fator de redução), a SAELPA efetuou os cálculos utilizando o Fator de Redução 2,1%. Como bem colocado pelo Senhor Fiscal, e diante do exposto acima, a Saelpa efetuou a contabilização na conta contábil 615.03.3.5.41 subconta 4101 dos valores de energia comprados da CHESF em montantes de: (i) R$12.084.922,43 energia comprada de dezembro de 2001, e (ii) R$11.096.782,02 valor complementar de valores de energia comprada de abril a dez de 2001. Os documentos hábeis e idôneos que serviram de base para os registros contábeis dos valores de R$ 11.096.782,02 e R$ 12.084.922,43 foram apresentados pela Recorrente no momento da fiscalização, tendo sido, no entanto, desconsiderados pelo Fiscal, que desprezou a correção de tais valores contabilizados com fator de redução (2,1%), relativo ao período de abril a dezembro de 2001. O lançamento de R$ 11.096.782,02 referese ao somatório encontrado após a aplicação do fator de redução de 2,1% sobre o valor do contrato inicial de compra e venda de energia elétrica do período de abril a novembro de 2001. E o lançamento de R$ 12.084.922,43 é o valor contrato inicial de compra e venda de energia elétrica para o mês de dezembro de 2001, já aplicado o fator de redução de 2,1%. Em um segundo momento, após a celebração do Acordo Geral do Setor Elétrico, foi utilizado pela Recorrente o fator de redução de 2,341% para o cálculo da diferença de despesas com compra de energia elétrica adquirida da CHESF, e de 20% sobre o valor da compra de energia elétrica (contrato inicial) para o mês de dezembro de 2001, apurandose os valores de R$13.122.235,30 em vez de R$11.096.782,02 e de R$9.875.319,66 em vez de R$12.084.922,43, respectivamente. Logo, a diferença apontada para a nota fiscal da Chesf n° 005324, no valor de R$ 2.209.602,77, referese ao valor contabilizado pela SAELPA e o valor indicado pela Chesf, com o redutor de 20% (vinte por cento). Com relação à diferença citada na nota fiscal n° 005342, no valor de R$ 662.358,97, a mesma referese à subtração do valor registrado pela SAELPA, e o valor efetivamente devido após o ajuste. O valor contábil registrado em dezembro de 2001 pela SAELPA (R$ 11.096.782,02) foi assim calculado em função de que também se desconhecia o ajuste da fatura complementar, o que se deu apenas em meados de 2002. Destaquese que as diferenças de R$ 2.209.602,77 e de R$ 662.358,97, acima esclarecidas e que totalizam R$ 2.871.961,74, foram levadas à tributação no exercício fiscal de 2002, quando houve a definitiva indicação do valor devido pelo MAE, conforme se comprova do lançamento contido no Diário (doc. XX anexo). Fl. 24DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.470 25 Diante do esclarecimento acima, fica caracterizado que o valor glosado pelo Auditor Fiscal é justamente a variação decorrente das duas notas fiscais emitidas pela Chesf. Em razão dos fundamentos apresentados acima, não é possível outra conclusão que não seja o reconhecimento da legalidade e correção do valor total contabilizado sobre a rubrica de despesa/custo, relativo as despesas de Compra de Energia à CHESF, bem como seu lançamento contábil em 31.12.2001. Da Glosa de Custos Provisionamento da Compra de Energia no Mercado Atacadista no AnoCalendário de 2001 – R$ 70.342.053,18. Este item do auto de infração referese à contabilização, em 31/12/2001, da energia comprada no Mercado Atacadista de Energia Elétrica MAE, no valor de R$ 70.342.053,18. Percebese, novamente, que o auditor confunde o custo da energia consumida no ano 2001 com a RTE, aplicando indevidamente o diferimento previsto no Parecer COSIT n° 26/2002. É, pois, equivocada a conclusão do auditor, de que teria a SAELPA, indevidamente, deixado "de adicionar na apuração do lucro real a importância de R$ 70.342.053,18, por ser tal custo/despesa indedutível. O Acórdão da DRJ novamente, descuidou de analisar os argumentos da então impugnante, atendose simplesmente a aplicar o Parecer COSIT n° 26, de 26 de setembro de 2002. Não bastasse, ainda negou pedido de diligência requerido que teria esclarecido definitivamente a celeuma. De acordo com o sitio eletrônico da Receita Federal do Brasil, "provisões são expectativas de obrigações ou de perdas de ativos resultantes da aplicação do principio contábil da Prudência. São efetuadas com o objetivo de apropriar no resultado de um período de apuração, segundo o regime de competência, custos ou despesas que provável ou certamente ocorrerão no futuro." Ou seja, provisões são sempre criadas para atender, segundo o principio da competência, a apropriação de custos e despesas que se concretizarão no futuro Definitivamente, não é o caso dos lançamentos glosados pelo auditor. Tais lançamentos do Livro Diário n° 127, contidos nas fls. 3.835, 3.836 e 3.838 dos autos, apesar de terem sido denominados "PROVISÃO COMPRA MAE", não são provisões, pois retratam custos e despesas efetivamente ocorridos a cada mês de 2001. Aqueles valores, que totalizam R$ 70.342.053,18, representam o custo da energia comprada pela Recorrente no MAE a cada mês de 2001, a fim de atender seu mercado consumidor. Como já explicado no tópico do presente recurso relativo à compra de energia junto à CHESF, o suprimento de energia da Saelpa em 2001 era proveniente de seu Contrato Inicial com a geradora Chesf, (doc.16 Contrato da CHESF), complementado por Contratos Iniciais de compra das concessionárias de distribuição Companhia Energética do Ceará, Companhia Energética de Pernambuco e Companhia Energética do Rio Grande do Norte. Esta energia comprada visava ao atendimento da carga de seus consumidores, bem como ao suprimento de energia para a Celpe, a Cosem e a Companhia Energética da Borborema, mediante Contratos Iniciais de venda de energia elétrica. Fl. 25DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.471 26 Para fins de esclarecimentos, notese que as diretrizes e condições para os Contratos Iniciais entre distribuidoras foram estabelecidas pela Resolução ANEEL n° 44, de 01/02/01(anexo). Os montantes mensais de energia contratada e respectivas tarifas foram homologados pelas Resoluções ANEEL n° 45, de 10/02/01, e n° 173, de 10/05/01 (docs.24 a 26). Sabendose, assim, quais eram os contratos iniciais da Recorrente no inicio de 2001, temse que a Energisa dispunha de sobras de energia dentro do seu planejamento anual, o que lhe permitia vender diretamente a outras distribuidoras de energia por meio de contratos bilaterais, na forma do art. 12 da Lei n° 9.648/1998. Em 17 de abril de 2001, antes que se falasse em racionamento de energia elétrica, a Energisa celebrou contratos bilaterais de venda de energia para a Companhia Força e Luz Cataguazes – Leopoldina e empresa Energética de Sergipe S.A. (docs. 27 e 28). Como conseqüência do racionamento de energia elétrica, foi celebrado o Acordo Geral do Setor Elétrico, do qual constou a instituição da Recomposição Tarifária Extraordinária RTE, assim como a obrigatoriedade de celebração, por cada distribuidora, de um "Acordo de Compra de Sobras Líquidas Contratuais" com as geradoras. Destaquese que o "Acordo de Compra de Sobras Liquidas Contratuais" não tem absolutamente nenhuma vinculação com a RTE. Enquanto esta visava, como explicado, o restabelecimento do equilíbrio econômico financeiro dos contratos de concessão, mediante a reposição de perdas das distribuidoras, o "Acordo de Compra de Sobras Líquidas Contratuais" tinha por objetivo redistribuir as eventuais sobras de energia das distribuidoras para as geradoras, como forma incentivo ao setor de geração. Assim, a Recorrente celebrou o "Acordo de Compra de Sobras Líquidas Contratuais" (doc.29), sendo o conceito de sobras definido na cláusula l', como a diferença, se positiva, entre: (i) Contratos Iniciais e Equivalentes, acrescidos da quota de Itaipu e da geração própria; e (i.1.) Carga de cada concessionária de distribuição referenciada ao Centro de Gravidade correspondente (referir ao centro de gravidade significa acrescentar à carga sua respectiva parcela das perdas elétricas no sistema nacional de transmissão, conforme calculado pelo Mercado Atacadista de Energia). Como a Energisa não é quotista de Itaipu, nem tampouco possui geração própria, a oferta contabilizada pelo MAE correspondeu a seus contratos iniciais de compra, deduzidos dos contratos iniciais de venda. Logo, sua carga referenciada ao Centro de Gravidade correspondeu à carga associada a seus consumidores finais (apurada pelo MAE nos pontos de medição das conexões com o sistema de transmissão da CHESF e com os sistemas de distribuidoras vizinhas), acrescida das perdas na rede básica alocadas à Energisa na contabilização do MAE. Acontece que os contratos bilaterais de venda de energia celebrados com a CFLCL e a ENERGIPE não foram considerados para o cálculo das sobras, pois, com base no disposto no inciso III do § 5° do art. 2° da Resolução GCE n° 091, de 21/12/01, não foram considerados como equivalentes aos contratos iniciais. Esse entendimento foi ratificado por meio do item I do Despacho ANEEL n° 288, de 16/05/02, anexo, que não relacionou tais contratos como equivalentes aos iniciais. Como conseqüência, acabou a recorrente sendo obrigada a comprar no Mercado Atacadista de Energia a quantidade de energia necessária para honrar os contratos bilaterais. Fl. 26DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.472 27 Como exposto, o Acordo de Compra de Sobras Líquidas Contratuais resultou em exposição ("compra" de energia no mercado de Curto prazo do MAE) da Recorrente correspondente aos montantes vendidos para a CFLCL e Energipe, registrados no MAE. Esta exposição foi valorada ao preço da energia no mercado de curto prazo (na ocasião denominado PMAE) no submercado Nordeste, que correspondeu a R$ 684/MWh de 1° de junho até a 21 de setembro e R$ 562,15/MWh de 22 de setembro até 31 de dezembro de 2001 (valores constantes do site da CCEE,entidade que sucedeu o MAE). Desta feita, a Recorrente foi obrigada a pagar pela energia que foi obrigada a comprar no MAE durante o ano de 2001, para ter lastro para cumprir seus contratos bilaterais de venda de energia. Sendo assim, os Agentes do Setor Elétrico, entre esses a ora Recorrente, solicitaram do MAE o posicionamento sobre essas contas, a fim de formalizar os lançamentos contábeis do exercício. No entanto, em razão do Comunicado 1AS 017/02 (doc. 30), as empresas foram informadas que o MA ,ao poderia divulgar os valores relativos às contabilizações, a energia comercializada no Mercado Atacadista referente ao exercício de 2001 em razão de processo ajuizada pelas Centrais Elétricas Brasileiras Eletrobrás em face da ANEEL, ASMAE e outras. Nessa situação, apenas em 28 de fevereiro de 2002, é que houve a divulgação aos Agentes do Demonstrativo provisório e aproximado, de natureza meramente informativa contendo os melhores números para se proceder ao registro contábilfinanceiro, formalizado mediante a CIAS 0347/2002, com a denominação de Provisionamento 2001 e Formulação Algébrica referente ao Acordo de Racionamento (doc.31). Dessa forma, os números que constam no demonstrativo divulgado no Comunicado acima, registram os valores disponíveis às distribuidoras e geradoras, resultado das compras e vendas de energia no MAE. Os valores constantes da coluna "Montante Financeiro Mensal (R$) representam os créditos e débitos decorrentes das sobras ou déficits de energia em cada mês (que resultam do balanço entre oferta e consumo), valoradas ao PMAE (Preço MAE). Percebese, então, que, o valor de R$ 70.342.053,18, detalhado na tabela 2 (doc.32), resulta dos valores devedores mensais relativos à Recorrente, apurados pelo MAE, constantes da coluna Montante Financeiro Mensal (R$) do anexo Resultados do Provisionamento 2001, acrescido do valor de R$ 71.396,26, informado pelo MAE como Ajuste MAE compra jan a ago/00 (doc.33). Resta, portanto, inequivocamente demonstrado que: (1) Provisionamento foi a denominação utilizada pelo MAE quando informou o valor devido pela Recorrente pela energia adquirida no mercado de curto prazo nos meses de 2001. O fato de constarem da escrituração contábil lançamentos com indicação desse nome não transforma tais lançamentos em provisões. Pelo contrário, o fato de tais lançamentos representarem despesas incorridas no ano de 2001, não custos futuros, é suficiente para afastar qualquer entendimento naquele sentido, sendo certo não se tratar de provisão, mas sim de despesa operacional; (ii) O auditor confundiu o Acordo de Compra de Sobras Líquidas Contratuais com a RTE, quando a única ligação entre esses dois fatos é o momento histórico. Como demonstrado, a despesa de R$ 70.342.053,18 decorreu da obrigatoriedade de aquisição de energia no mercado de Fl. 27DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.473 28 curto prazo pela Energisa, para honrar as vendas de energia efetuadas, não tendo qualquer vinculação com a sobre tarifa criada para os exercícios subseqüentes com a finalidade de reequilibrar econômica e financeiramente seu contrato de concessão pela perda de receita em 2001 (RTE). Frisese, o valor pago a título de energia comprada no MAE foi uma despesa efetivamente incorrida no ano de 2001. Um custo necessário para sua operação e, por conseguinte, dedutível. Vale repetir a mesma observação já feita neste recurso voluntário: o fato de a Recorrente ter sofrido prejuízos em razão do racionamento, e de ter recebido do Poder Concedente um reequilíbrio econômicofinanceiro do contrato de concessão de maneira diferida (RTE) não faz, absolutamente, com que a despesa incorrida no ano de 2001 com compra de energia destinada a suprir seus contratos bilaterais deixe de ser considerada custo dedutível. Não há como se pretender aplicar o Parecer COSIT n° 26/2002 sobre algo que não é RTE ! Entendemos que resta exaustivamente demonstrado que não se pode confundir o objeto da autuação (despesa com energia revendida em 2001) com a RTE (valores incluídos na fatura de energia elétrica dos consumidores a partir de 2002, para reequilíbrio econômicofinanceiro do contrato de concessão). A Energisa com base no Princípio do Conservadorismo, e de posse dos números apresentados em planilha do MAE, que indicou a compra naquele mercado, lançou tal despesa como custo dedutível na apuração do lucro real, para o exercício de 2001, em virtude da observância do princípio da competência e em função da planilha informativa apresentada pelo MAE. Nesse sentido, seguiu determinação do Manual de Contabilidade do Serviço Público de Energia Elétrica, no item 6.3.16, que trata da Comercialização de Energia Elétrica no Âmbito do Mercado Atacadista de Energia Elétrica – MAE. Como acima explicitado, naquele momento os números contidos na planilha apresentada pelo MAE eram os únicos valores conhecidos a título de despesa para compra de energia no MAE. Em face disso, a planilha do MAE era, definitivamente, o documento hábil e idôneo que indicava o valor a ser levado a custo como compra de energia no Mercado. Portanto para o exercício de 2001, fazendo correspondência ao extrato emitido pelo Mercado Atacadista de Energia, a Saelpa contabilizou: 611.03.3.1.0.2 Suprimento de Energia Subconta 0002 Energia de Curto Prazo R$6.036.832,43 e; 615.03.3.5.4.1 Operações com energia elétrica Subconta: 4103 Energia Comprada Curto Prazo R$70.342.053,18. Diante do exposto acima, fica claro e evidenciado o equívoco do fiscal em aumentar a base tributável do Imposto de Renda, e por reflexo da CSLL ao glosar a citada despesa de R$70.342.053,18. Outrossim, o Auditor Fiscal em seus procedimentos, deixou de requisitar informações perante a ANEEL, a fim de atestar os lançamentos de despesas efetuadas em cada exercício. Tais custos reconhecidos pela ANEEL servem de base para a autorização das revisões das tarifas de energia. Em razão dos fundamentos apresentados acima, requer a recorrente, sob pena de cerceamento de defesa, seja deferido o pedido de diligências com pedidos de esclarecimento acerca das operações de Compra e Venda de Energia junto à CCEE Câmara de Comercialização de Energia Fl. 28DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.474 29 Elétrica (nova denominação do Mercado Atacadista de Energia), com endereço na Alameda Santos, 745 9° Andar, Cerqueira César São Paulo SP, CEP: 01419 001, seja dado provimento ao recurso. Exclusões no Lalur Indevidas (R$ 7.896.751,95). Segundo o auditor, da análise dos arquivos da empresa, constatouse a existência de vários registros onde os valores provisionados em 2000 são superiores aos de 2001. Dessa forma, entendeu que houve uma majoração indevida de R$ 12.851.228,33 que representaria o montante no qual a provisão para créditos de liquidação duvidosa teria sido indevidamente majorada. A partir dessa presunção, o auditor concluiu que essa parcela da provisão para créditos de liquidação duvidosa teria sido integralmente utilizada para apuração do lucro real enquanto perda dedutivel. A DRJ ao tratar deste item, deixou de apreciar os fundamentos expostos, por não ter a Recorrente apresentado as provas documentais correspondentes. As provisões comparadas pelo fiscal não serviram para reduzir o lucro tributável, logo, o que a fiscalização fez foi glosar a diferença entre provisões de dois exercícios subseqüentes, por pura presunção. Presunção não é base de cálculo de qualquer imposto, devendo esse tipo de expediente ser rechaçado do procedimento administrativo fiscal. Diante do relatório do trabalho fiscal, não demonstrou o auditor ter sido a contabilização de 2000 excessiva, nem tampouco ter resultado em qualquer beneficio fiscal indevido para a Recorrente. Na verdade, ao adotar a presunção de ilegalidade, furtouse de perquirir a verdade dos fatos, o que fere de nulidade a exação lançada. O fato é que, para à constituição da provisão de devedores duvidosos em dezembro de 2001 foram utilizados os seguintes parâmetros contas de energia vencidas há mais de 90 dias da classe residencial, com mais de 180 dias da classe comercial e com mais de 360 dias das classes industrial, rural, poder público, iluminação pública e serviço público: parcelamentos com TCD (Termos de Confissão de Dívidas) vencidos com o mesmo período das contas de energia acima especificadas; Contas de energia de consumidores que estão questionando na justiça (aumento de tarifa em 1986), com o mesmo prazo definido para as contas de energia (acima); Parcelamentos com SINED (Sistema de Negociação de Débitos), utilizouse como parâmetro o montante das parcelas vencidas; Contas de energia renegociadas, montante referente ao débito de consumidores que foram renegociados, deduzido da base apurada. Com esses parâmetros, em dezembro de 2001, apurouse o montante de R$ 73.942.388,66, valor esse inferior em R$ 7.896.751,95 àquele apurado até dezembro/2000 que era de R$ 81.839.140,61. O Artigo 249 do RIR/99 dispõe a regra geral sobre os ajustes (adições) para a determinação do Lucro Real. Na apuração do Lucro Real, conforme Lei n° 9.249/95, artigo 13, são considerados valores indedutíveis, as constituições de provisões, exceto as relacionadas com a Fl. 29DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.475 30 legislação trabalhista, bem como, as perdas no recebimento de créditos excedentes aos limites legais definidos nos artigos 90 a 12 da Lei n° 9.430/96. Assim como nas adições, também nas exclusões não existe uma relação especifica, cabendo ao contribuinte adequar as situações legais. Em regra, as exclusões permitem o diferimento das receitas ou a sua não tributação. O RIR/99, dispôs sobre este assunto: Art. 250: "Na determinação do lucro real,poderão ser excluídos do lucro liquido: I , os valores cuja dedução seja autorizada por este Decreto e que não tenham sido computados na apuração do lucro liquido do período de apuração; II os resultados, rendimentos receitas e quaisquer outros valores incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto não sejam comparados no lucro real Dessa forma, também são consideradas como "Outras Exclusões" a Reversão de Provisões, consideradas indedutíveis (art. 13 da Lei n° 9.249/96) na sua constituição e posteriormente ajustadas na contabilidade. Como já bem demonstrado, a recorrente quando do fechamento do exercício de 2001, efetuou a comparação dos valores das Provisões de Devedores Duvidosos constituída até dezembro de 2001 vis à vis aquela de dezembro de 2000, tendo apurado uma reversão de provisão da ordem de R$7.896.751,95. Tal reversão da provisão foi o resultado apurado referente à movimentação ocorrida no exercício de 2001 que envolveu contas baixadas, novas contas que foram incluídas na provisão, como também correção de contas de energia elétrica. Por todo o exposto, requer a Recorrente seja reconhecida a ilegalidade da presunção na qual se baseou o lançamento tributário em comento, devendo ser anulada a autuação no que concerne a tais valores. Quanto aos subitens referente ao dispêndio a reembolsar de pessoal cedido (R$ 1.690.105,00) e provisões para perdas com serviços prestados – ODS (R$ 161.806,19) a Recorrente reconhece a procedência dos lançamentos e afirma que efetuará os ajustes contábeis necessários. É o Relatório. Fl. 30DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.476 31 Voto Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva O recurso é tempestivo e preenche todos os requisitos do Decreto nº 70.235/72. Por isso dele conheço. De início, cumpre destacar que estando o lançamento revestido das formalidades previstas no Decreto n.° 70 235/72, sem preterição do direito de defesa, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Foi oferecida à interessada a oportunidade de apresentar, no prazo legal, a peça de defesa acompanhada de todos os meios de prova a ela inerentes. Ademais, o enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e a indicação dos enquadramentos legais não propiciam a nulidade do ato em litígio. É pacífica a jurisprudência deste Conselho no sentido de que o MPF é mero instrumento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo, sendo que eventuais irregularidades nele contidas não ensejam a nulidade do lançamento ou prejuízo para o contribuinte. No caso em tela inexistiu cerceamento de defesa nem qualquer ato ou omissão da autoridade que implicasse em prejuízo ou preterição do direito de defesa uma vez que o contribuinte teve ciência de todos os elementos de que necessitava para sua defesa, ficando afastada, portanto, qualquer hipótese de nulidade. Quanto ao suposto caráter confiscatório da multa de 75%, também não assiste razão ao contribuinte, já que a cobrança em questão se dá nos termos da legislação pertinente. A aplicação da multa de ofício, decorrente de infrações identificadas no transcurso de procedimento de fiscalização, provém de vinculação ao princípio da legalidade que se encontra adstrita à Administração Tributária Federal, cabendo restritamente à autoridade administrativa imputála na forma da legislação de regência. No caso a sanção imputada ao sujeito passivo tem fundamento legal nos termos do art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996, que estabelece a aplicação de multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento fora do prazo, sem acréscimo de multa moratória, de falta de declaração, e nos de declaração inexata, portanto, diversamente daquilo que aventa na peça impugnatória. Assim, diante da configuração das infrações praticadas pelo sujeito passivo, conforme expresso no corpo dos aludidos autos de infração, fica notório que a aplicação de multa encontrase plenamente em consonância com a legislação vigente. No que tange aos itens objeto da autuação, os mesmos merecem o seguinte tratamento: Fl. 31DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.477 32 1 – Os valores abaixo descriminados o Recorrente não impugnou ou desistiu do recurso, razão porque deles não tomo conhecimento e devem ser mantidos de plano: 1.1 R$ 265.600,00 (não impugnado). 1.2 R$ 1.690.105,00 (desistência no recurso). 1.3 R$ 399.351,00 (não impugnado). 1.4 R$ 161.806,19 (desistência no recurso). 1.5 R$ 324.321,86 (não impugnado). 1.6 R$ 62.939,20 (não impugnado). 1.7 R$ 8.836,53 (não impugnado). 1.8 R$ 187.339,79 (não impugnado). 1.9 R$ 2.348.826,44 (não impugnado). 1.10 R$ 228.966,25 (não impugnado). 1.11 R$ 2.500.237,26 (não impugnado). 1.12 R$ 998.992,23 (não impugnado). 2 – Compulsando os autos, constato que das matérias impugnadas e recorridas constato que o processo não se encontra em condições de julgamento. Apresento, pois, proposta de realização de diligência pela Delegacia Regional de Julgamento de Recife/Pernambuco, solicitando esclarecimentos à CCEE – Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, e de perícia contábil para apreciação dos quesitos abaixo propostos: 2.1 obtenção de esclarecimento acerca das operações de Compra e Venda de Energia junto à CCEE Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (nova denominação do Mercado Atacadista de Energia), com endereço na Alameda Santos, 745, 9º Andar, Cerqueira César São Paulo, SP, CEP: 01419 001, na forma como exposto no item B.4 do recurso voluntário. 2.2 justificar se a dedução referente à Glosa no valor de R$ 70.342.053,18 referese ao custo da energia consumida e/ou comercializada em 2001. Isto tendo em vista os documentos a seguir, arrolados pela Recorrente: Contrato Inicial com a CHESF (doc. 7 da Impugnação fls. 4.134 a 4.182); Contratos de Venda de Energia para a Companhia Força e Luz CataguazesLeopoldina – CFLCL (fls. 3.650 a 3.659 / doc. 27 do Recurso Voluntário – fls. 4.609 a 4.618); Fl. 32DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.478 33 Contratos de Venda de Energia para a Empresa Energética de Sergipe SA – Energipe (fls. 3.660 a 3.669 / doc. 28 do Recurso Voluntário – fls. 4.619 a 4.628); Comunicado CIAS 017/2002 da ASMAE (doc. 11 da Impugnação fls. 4.189 a 4.191 / doc. 30 do Recurso Voluntário fls. 4.645 a 4.647); Resoluções ANEEL n° 44/2001; n° 45/2001 e n° 173/2001 (diretrizes e condições para a contratação de energia) (doc. 24 a doc. 26 – fls. 4.580 a 4.607); Acordo de Compra de Sobras Líquidas Contratuais (doc. 29 – fls. 4.629 a 4.644); Comunicado CIAS 0347/2002 (doc. 31 – fls. 4.650 a 4.671); Tabela 2 (doc. 32 – fls. 4.672 a 4.674), em que se demonstra a composição do valor da glosa de R$ 70.342.053,18, resultante dos valores devedores mensais, apurados pelo MAE, constantes da coluna “Montante Financeiro Mensal (R$)” do anexo “Resultado do Provisionamento 2001”, acrescido do valor de R$ 71.396,26, informado pelo MAE como “Ajuste MAE compra jan a ago/00” (doc. 33 – fls. 4.675 a 4.683). 2.3. Queira o ilustre expert esclarecer se a dedução referente à Glosa no valor de R$ 10.434.423,05 diz respeito ao custo da energia consumida e/ou comercializada no exercício de 2001. Para tanto, solicita a Recorrente sejam analisados os documentos que se encontram anexos aos autos, tais como: Nota Fiscal CHESF n° 5342, no valor de R$ 10.908.181,17 e estorno no valor de R$ 473.758,12 (doc. 06 da Impugnação – fls. 4132/ 4133); Contrato inicial de Compra e Venda de Energia com a CHESF, de 25.01.2000 (doc. 07 da Impugnação – fls. 4134/ 4182); Correspondência da CHESF sob o n° CRDFTE049/2002, de 21.08.2002, informando o Despacho n° 493/2002 e o Ofício Circular n° 761/2002, ambos da SFFANEEL, os quais informavam o valor de R$ 10.434.423,05 referente à fatura complementar (doc. 08 da Impugnação – fls.4183/ 4184); Tabela demonstrativa das faturas da CHESF referentes ao período compreendido entre junho de 2001 a dezembro de 2001 – tabelas 1b, 1c e 1d (doc. 17 – fls. 4520); Faturas da CHESF (doc. 18 – fls. 4521 a 4556); Resolução ANEEL n° 31, de 24.01.2002 (doc. 19 – fls. 4557 a 4567); Aditivo ao Contrato Inicial entre a CHESF e a SAELPA, em 04.07.2002 (doc. 20 – fls. 4568 a 4576); Fl. 33DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.479 34 Ofício Circular n° 761/2002SFFSER/ANEEL (doc. 21 – fl. 4579). 2.4. Demonstrar se a Glosa no montante de R$2.871.961,74 corresponde ao somatório dos valores de R$2.209.602,77 e de R$662.358,97 que dizem respeito à diferença entre o valor contabilizado pela SAELPA e o valor indicado pela CHESF, respectivamente, nas notas fiscais n°s 5324 e 5342, em decorrência dos fatores de redução definidos pelo setor elétrico em virtude do Programa Emergencial de Redução de Consumo de Energia – Racionamento de Energia, visto em 2001. Pede a Recorrente que se leve em consideração os documentos juntados por ela ao presente feito, conforme abaixo: Extrato contábil através do qual se demonstra a contabilização, em dezembro de 2001, dos valores relativos à diferença de despesas com compra de energia elétrica adquirida da CHESF (doc. 09 da Impugnação – fls. 4185/ 4186); Valor da compra de energia elétrica para o mês de dezembro de 2001, de acordo com os demonstrativos de cálculo (doc. 10 da Impugnação – fls. 4187/ 4188). 2.5. Esclarecer se a Glosa correspondente ao valor de R$ 10.359.592,48 diz respeito à variação monetária do parcelamento de ICMS, em cumprimento às regras estatuídas pelo Estado da Paraíba. Tais informações encontramse devidamente comprovadas por meio da documentação juntada pela Recorrente ao processo, senão, vejase: Ofício n° 021/2005/RRIP da Recebedoria de Rendas da Secretaria de Finanças, que encaminha o Ofício CA nº 009/2005, informando que a parcela do débito parcelado pela Recorrente, não paga em 2000, foi corrigida, a partir de janeiro daquele mesmo exercício, pelo IGPDI (FGV) – (fls. 2352 a 2354); Adesão ao parcelamento de débitos de ICMS, relativos ao período entre dezembro de 1998 e fevereiro de 2000, em 36 (trinta e seis) parcelas a serem acrescidas de mora, juros e correção monetária (doc. 01 da Impugnação – fls. 3926 a 3837); Portaria GSF n° 02, de 05.01.2001, da Secretaria de Finanças do Estado da Paraíba, que instituiu o IGPDI em substituição à UFIR (doc. 02 da Impugnação – fls. 3939); Planilha em que demonstra o valor das atualizações calculadas pela variação do IGPDI (doc. 03 da Impugnação – fls. 3941). Fl. 34DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.480 35 2.6 Confirmar se, no que tange à Glosa no valor de R$ 7.936.588,47, objeto da Provisão para Crédito de Liquidação Duvidosa referente a consumidores que ingressaram com medidas judiciais visando à redução tarifária, se a Recorrente procedeu ao devido estorno no LALUR, não se afetando a constituição do Lucro Real e a apuração do IRPJ do exercício de 2001. É de ver que toda a alegação da Recorrente encontrase devidamente embasada em prova documental anexada aos autos, a saber: CE n° 016/2001DFIN (doc. 04 da Impugnação – fls. 3943/ 3945); Notas Fiscais relativas aos consumidores citados pela fiscalização (doc. 05 da Impugnação – fls. 3946/ 4131); Comprovação de estorno da provisão para devedores duvidosos, oriundos de redução de tarifa, totalizando o valor de R$7.936.588,47 (doc. 11 – fls. 4401 e 4402); Listagem dos números das ações de clientes que fazem parte do grupo que obteve decisão judicial determinando a redução de suas faturas de energia no percentual de 20% (doc. 12 – fls. 4403 a 4409); Relatório em que constam os valores que constituíram a provisão para devedores duvidosos, oriundos de redução de tarifa, totalizando o valor de R$7.936.588,47, os quais foram objeto de estorno (doc. 13 – fls. 4411 a 4476). Assim sendo, solicito diligência para resposta da quesitação apresentada, a fim de que sejam esclarecidas as eventuais contradições porventura ainda existentes, em honras ao Princípio da Verdade Material e em consideração aos direitos ao devido processo legal e à ampla defesa do contribuinte. Diante do relatório que faz parte do presente voto esclareço que as matérias que ainda se encontram em litígio são: 1 DA NÃO ADIÇÃO AO LALUR DA FATURA COMPLEMENTAR DE ENERGIA DO PERÍODO DE ABRIL A NOVEMBRO DE 2001 – RACIONAMENTO DE ENERGIA ELÉTRICA R$ 10.434.423,05 2 GLOSA DAS DIFERENÇAS DE DESPESAS COM COMPRA DE ENERGIA DA CHESF R$ 2.871.961,74 ok 3 DA NÃO ADIÇÃO DA ENERGIA COMPRADA NO MAE MERCADO ATACADISTA DE ENERGIA R$ 70.342.053,18 ok Fl. 35DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL Processo nº 14751000142/200510 Resolução n.º 1302000.150 S1C3T1 Fl. 1.481 36 4 DA GLOSA DA VARIAÇÃO MONETÁRIA DO PARCELAMENTO ICMS R$ 10.359.592,48 5 ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL CUSTO/DESPESA INDEDUTÍVEL R$ 13.452.296,34 6 PROVISÃO PARA CRÉDITOS DE LIQUIDAÇÃO DUVIDOSA – DIFERENÇA ENTRE VALORES PROVISIONADOS E ADICIONADOS R$ 4.813.022,08 7 DA INDEDUTIBILIDADE DA PROVISÃO PARA CRÉDITO DE LIQUIDAÇÃO DUVIDOSA. CONSUMIDORES COM MEDIDAS JUDICIAIS R$ 7.936.588,47 (memorial) 8 PROVISÃO PARA CRÉDITOS DE LIQUIDAÇÃO DUVIDOSA EM 2001 R$ 7.896.751,95 Por todo o exposto, voto no sentido de baixar o processo em diligência para que a DRJ se pronuncie sobre a documentação, conforme descrito no voto acima produzido, uma vez que diversos documentos não foram sequer citados pela autoridade julgadora que se limitou a afirmar que os mesmos não existiam. Aproveitando as diligências a serem realizada e como forma de esclarecimento e de se evitar o cerceamento de defesa que seja deferido o pedido de diligências e pedidos de esclarecimento acerca das operações de compra e Venda de Energia junto à CCEE Câmara de Comercialização Energia Elétrica, com endereço na Alameda Santos, 745 9' Andar, Cerqueira César São Paulo SP, CEP: 01419001, com os seguintes quesitos: (i) Os valores contidos no documento "Resultados do Provisionamento 2001 (doc.32 anexo) possuem natureza de Recomposição Tarifária Extraordinária RTE? (ii) Os valores contidos no documento "Resultados do Provisionamento 2001são relativos à energia comprada e utilizada no ano de 2001 pela SAELPA, ou relativos a despesas/custos de exercícios futuros (2002 em diante) , provisionados em 2001? (ASSINADO DIGITALMENTE) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Fl. 36DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL
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Numero do processo: 10945.003168/2005-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 13 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 1401-000.008
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: VALMAR FONSECA DE MENEZES
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materia_s : CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
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I • ";-- .• • ':',..;, MINISTÉRIO DA FAZENDA i CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 10945,003168/2005-83 Recurso n° 155,878 Voluntário Resolução n" 1401-00.008 — 4" Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 13 de maio de 20009 Matéria CSLL - ANO-CALENDÁRIO: 2001 e 2002 Recorrente PILÃO AMIDOS LTDA, Recorrida 2a TURMA/DRJ-CURITIBA/PR Vistos, relatados e discutidos os presente autos, Resolvem os membEss do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligênf ia nos termos do voto do relatar, , I/ Lk1g MARCO V , 1 AUS NEDER DE LIMA - Presidente ----------- ,. . - t.J, .. ? -A-L-MAR -":~ A DE " NEZES — Relator EDITADO EM: Og jul 2010 Participaram, da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Marcos Vinicius, Albertina Silva Santos de Lima, Marcos Shigueo Takata, Hugo Correia Sotero, Valmar Fonseca de Menezes, Silvia Bessa Ribeiro Biax e Carlos Alberto Gonçalves Nunes 1 Processo ri 10945 003168/2005-83 S1 -C4 1'2 Resolução n " 1401-00,008 Fl 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir. "Trata o processo de autos de infração de multa isolada por falta de recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido sobre a base estimada, 2. O auto de infração (fls,3181322) exige o recolhimento de R$ 1.112286,81 de multa isolada. Foram apuradas as seguintes infrações, relatadas no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 303/315: • Multas Isoladas — Falta de Recolhimento da CSLL sobre Base de Cálculo Estimada: nos períodos de 01/2000 e 1212001, Enquadramento legal no art. 44, §1°, inciso IV da Lei if 9,430, de 27 de dezembro de 1996, 3. Cientificada em 05/12/2005, conforme fls. 318 e 321, tempestivamente, em 04/01/2006, a interessada apresentou impugnação aos lançamentos, às fls. 326/373, através de representante legal, conforme fls. 379/380, acompanhada dos documentos de fls. 381/449, que se resume a seguir: a. Argüi o transcurso da decadência, já que, tratando-se de lançamento de oficio, em revisão de lançamento por homologação, operou-se a decadência em relação a diversos fatos geradores, pois transcorridos mais de cinco anos entre aqueles ocorridos antes de 05/12/2000 e a notificação do ato fiscal, em 05/12/2005; b, No mérito, contesta o lançamento por omissão de receita — saldo credor de caixa, pois a diferença de valor credor na conta caixa não é decorrente da existência de receita não contabilizada, e sim da forma de lançamento contábil realizado pela autuada Afirma que alguns lançamentos a crédito foram realizados observando o mesmo dia da aquisição do insumo/serviço e não o da sua efetiva liquidação, ou seja, apesar de a empresa ter registrado em sua contabilidade que o crédito ocorrera na data da aquisição de bens ou serviços, de fato a disponibilidade e movimentação financeira para aquele crédito somente ocorrera em dias subseqüentes, com o efetivo pagamento do insumo/serviço adquirido e, por conseqüência, quando já havia uma receita perfeitamente compatível. Junta o movimento de caixa recomposto com o lançamento dos créditos e débitos a partir da data de sua efetiva disponibilização, sendo que, assim, nenhuma diferença persiste; c. Ainda com respeito à infração "Saldo Credor de Caixa", a impugnante requer seja determinada a realização de perícia para certificar-se da inexistência de omissão de receitas. Nomeia como seu perito, o Sr. Antônio Renato Dellandrea, brasileiro, casado, contador, inscrito no CRC/SC sob o n° 010163/0- 7, CPF 292.672.699-68, com endereço profissional à R. dos Pioneiros, 313, 1° andar, Centro, na cidade de Rio do Sul/SC, e formula os seguintes quesitos: 1) Nos lançamentos contábeis da conta caixa dos meses de outubro e novembro de 2000 e janeiro de 2001 a autuada considerava a data das aquisições ou a data de sua efetiva liquidação para os créditos? E para as receitas, nos lançamentos a débito, houve registros posteriores (muitas vezes no final do mês) à data do ‘,S' 2 Processo n° 10945003168/2005-83 S1-C4T2 Resolução n.° 1401-00A08 Fl 3 efetivo ingresso das receitas? 2) Recompondo a conta caixa, mediante o lançamento a crédito e débito de conformidade com a exata data da efetiva saída ou ingresso de recursos, com base nos documentos de suporte, persiste saldo credor em algum dia?; d. Com relação à glosa de despesas operacionais e encargos não necessários à atividade da empresa, alega que a autuada aderiu ao PAES a fim de regularizar sua situação fiscal e o valor referente foi lançado como despesa, excluindo-se da apuração do lucro real, inexistindo qualquer vedação legal para tal apropriação. Com a promulgação da Lei n° 9.981/95 o art. 80 da Lei 8,541/92 deixou de ter eficácia jurídica, devendo a hipótese ser analisada exclusivamente sob a ótica do §1° do art. 41 da Lei n° 9.891/95, único dispositivo legal que dá supedâneo à matéria, Lembra que a lei complementar n° 104/2001 acrescentou os incisos V e VI ao art.. 151 do CTN, referentes à concessão de medida liminar ou tutela antecipada em outras espécies de ação judicial, e ao parcelamento, como novas hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito Tributário. Entretanto, a litigante lembra que até a presente data não foi editada qualquer outra lei ordinária modificando a redação do § 1' do art. 41 da Lei 8,981/95, no sentido de que essas novas hipótese de suspensão sejam impeditivas à dedutibilidade para fins de determinação do lucro real. Assim, inexistindo vedação legal, não há amparo legal para a glosa efetivada pela autoridade fiscal; e. Reclama da glosa das despesas operacionais apropriadas pela autuada referentes a multas, em vista de o direito à dedutibilidade das multas suportadas pelos contribuintes, como custos ou despesas, ter cunho constitucional. Conclui que ao não deduzir do lucro tributável o valor correspondente à multa paga pelo contribuinte, este restará penalizado novamente, através do aumento da base tributável e, conseqüentemente, do quantum devido de imposto de renda. Assevera que não há como se negar que, do ponto de vista econômico, a multa é uma despesa, um gasto necessário para o cumprimento de uma sanção pecuniária, para a regularização da atividade do infrator, indicativa de conta de prejuízo ou perda, sem representar aplicação para posterior auferimento de resultado. Daí não há como conceber que não possa ser dedutivel para fins de apuração do montante tributável, a multa de qualquer natureza, sem arranhar o conceito jurídico de renda, que é definido pelo CTN como a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica, mediante o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; f. No que se refere à glosa de despesas operacionais — depreciação de bens do ativo imobilizado, considera insubsistente, eis que a fundamentação apontada pelo auditor é improcedente, mormente porque toda a documentação relativa, devidamente por ele discriminada, foi apresentada pela autuada no procedimento fiscal. Entende que a autuada forneceu toda a documentação e informação necessária, solicitadas pela fiscalização, sendo perfeitamente passível de ser verificado através dela os requisitos legais necessários para o cômputo como custo ou encargo de depreciação, razão pela qual não se pode admitir a glosa dos custos e encargos dos mesmos, firmados pela fiscalização aleatoriamente, Afirma que a fiscalização não se deu ao trabalho de analisar os documentos e arquivos enviados; ,,- - .. , 3 Processo o' 10945 003168/2005-83 81-01-1 2 Resolução n ° 1401-00.008 FI. 4 g. Quanto aos ganhos de capital — alienação de bens do ativo permanente, com base no aumento do valor dos bens do ativo objeto de integralização de capital, discorda do entendimento do fiscal no sentido de que houve alienação, já que o que ocorreu foi integralização de capital subscrito em outra sociedade mediante bens integrantes do ativo imobilizado, figura que não se confunde com alienação. Discorda da decisão da autoridade fiscal, que entendeu que o laudo de avaliação elaborado pela Consultaria e Assessoria Júnior Empresarial da Universidade para o Desenvolvimento do Alto Vale do Itajaí CAJE é inservível para o fim de reavaliação de bens do ativo permanente. Afirma que o laudo técnico de avaliação é dispensável, já que a operação empreendida pela impugnante é mera contrapartida decorrente de aumento de valor na integralização de capital social; h. Mesmo defendendo a dispensabilidade do laudo, contesta a desqualificação do laudo pelo fiscal, já que o CAJE é uma associação civil idônea, devidamente inscrita no CNPJ, sob o n° 02.268 212/0001-80, tendo como objetivo o estudo, a coordenação, a colaboração com os poderes públicos e demais associações, assessoria e consultoria empresarial. Além disso, a autoridade fiscal não impugnou o conteúdo do laudo, sequer questionou os valores nele apurados, o que confronta com a legislação vigente; i. Ainda com relação à alienação com ganho de capital, discorda da pretensão do auditor fiscal em adicionar o valor desses bens ao lucro líquido pata fins de determinar o lucro real, com aplicação analógica do § 3' do art. 434 do RIR/99. Além do fato de a analogia ser incompatível com o art. 108, § 1° do CTN, tal dispositivo foi revogado pelo art, 40 da Lei 9,959/00, que dispões que, a partir de 01/01/2000, não apenas o momento em que a reserva de reavaliação dos bens será computada na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, com também dispensou qualquer laudo de reavaliação; j. No que concerne a suposta omissão de receitas — arrendamento/aluguel, em razão do contrato de arrendamento firmado com a empresa Pilão Química Ltda, no valor de R$ 6.000,00, entre 09/2000 a 12/2001, afirma que, apesar da existência do contrato, este acabou não surtindo os efeitos desejados pela não execução do objeto primordial, que era a utilização dos bens arrendados pela arrendatária Pilão Química Ltda. Assim, como a autuada nada auferiu e muito menos teve acréscimo patrimonial em decorrência do contrato, não deve prevalecer o lançamento sobre a suposta omissão de receitas. Esclarece que a declaração de fl. 243 foi interpretada de forma equivocada pelo auditor fiscal. A declaração prestada pelo contador indica que não houve a contabilização dos valores relativos ao contrato de arrendamento, e jamais no sentido de declarar que houve o recebimento das importâncias mensais pela empresa autuada e que estas não teriam sido contabilizadas. Assim, afirma que não há qualquer documento que corrobore a assertiva do auditor fiscal no sentido de que a empresa autuada recebera os valores decorrentes do contrato de arrendamento firmado com a empresa Pião Química Ltda. A fim de extirpar qualquer dúvida sobre a declaração, junta nova declaração firmada pelo referido contador, esclarecendo sua intenção e objetivo; 4 Processo n 10945 003168/2005-83 S1-C4T2 Resolução n° 1401-00,008 Fl. 5 k, Protesta contra a multa isolada por falta de recolhimento de CSLL mensal/estimativa, que somente tem lugar na hipótese de prejuízo fiscal anual, segundo a melhor interpretação do inciso IV do § 1° do art. 44 da Lei n° 9,430/96. Além disso, a exigência da penalidade de forma dupla não se sustenta, pois seria permitir a dupla penalização do mesmo evento com interesse fiscal, Argumenta que o fato mais visível é o da multa isolada exigida para o mês de novembro de 2000, de R$ 1,010.100,88, que corresponde a 150% da CSLL tido como devida sobre o alegado ganho de capital (R$ 7.490.088,00) supostamente verificado na integralização de capital com bens do ativo permanente da autuada, ao mesmo tempo em que é exigida a multa de R$ 2779,789,38, juntamente com o imposto, relativos ao lucro líquido apurado para o ano calendário de 2000, em face da adição ao resultado do mesmo valor de R$ 7.490.088,00, ou seja, o ganho supostamente verificado naquela integralização; I. Repudia a aplicação da multa de 150%, que foi aplicada em relação ao ganho de capital, que decorreu de um equívoco grotesco em relação à classificação jurídica do ato praticado pela autuada, pois restou mais do que comprovado que inexistiu venda de bens do ativo, compra de cotas etc., uma vez que a operação foi de integralização de capital subscrito em outra empresa mediante conferência de bens do ativo permanente. Entende que a aplicação da presente multa é totalmente descabida, pois não houve ato capaz de caracterizar sonegação nem fraude ou crime contra a ordem Tributária, em qualquer dos tipos. Ressalta que se trata de construção ilógica a afirmação de que os sócios da empresa Pilão Amidos Ltda e Pilão Química Ltda planejaram a operação de integralização de capital com seus bens reavaliados para o fim de eximirem-se do pagamento de tributos relativos a ganho de capital. m. Reclama que tal posicionamento se afigura em um equívoco gigantesco, já que fiscalização, presa na idéia do ganho de capital originariamente concebida, esqueceu que a autuada, na efetivação da venda das quotas da empresa Pilão Química Ltda, se um dia ocorrer, deverá, por força do art. 439, § único, inciso 1 do RIR/99, realizar proporcionalmente a reserva de reavaliação constituída pela diferença entre o valor contábil original e o de integralização no capital da investida, adicionado o correspondente valor ao lucro líquido do período em que ser verificar o evento, para fim de apuração do lucro real. E nem poderia ser diferente, pois mesmo que tudo tivesse sido previsto antecipadamente — como insinuou a fiscalização -, tratar-se-ia de procedimento lícito, que não produziria resultado fiscal diverso se a autuada tivesse prometido a venda bens de seu ativo imobilizado de menor valor por um valor maior, pois somente com o exercício da opção por parte da Avebe é que haveria alienação capaz de gerar ganho de capital; n. Quanto à infração relativa ao contrato de arrendamento firmado com a empresa Pilão Química Ltda, alega que também não subsiste a autuação, pois, conforme amplamente demonstrado, a autuada não omitiu do fisco qualquer receita não operacional, pois os valores que a autoridade fiscal considerou como ingresso de receitas, em verdade, jamais entraram no caixa da autuada. Assim, não tendo havido qualquer omissão por parte da autuada com o objetivo de ,ifraudar o fisco, de abe a aplicação da multa de 150%, pois não houve intuito de ... „.. \ ,,,..--, ^- s Processo n° 10945,003168/2005-83 S1-C412 Resolução n ° 1401-00,008 Fl 6 sonegação, não se verificando, portanto, a hipótese prevista no art. 71 da Lei 7,502/64, Não estando presentes, pois, os pressupostos autorizadotes da qualificação da multa, deve ela, se mantida, ser reduzida para o patamar de 75%; o. Requer a produção de todos os meios de prova admitidos em direito, especificando já a documental e a pericial; p. Em 07/04/2006, esta Delegacia da Receita Federal de Julgamento solicitou diligência junto à DRF de Foz do Iguaçu/PR, atinentes à omissão de receitas por saldo credor de caixa e por arrendamento/aluguel, conforme despacho de fl. 452, q. Às fls. 454/512 consta o resultado das diligências efetuadas pela mesma autoridade fiscal; IP A Delegacia de Julgamento proferiu decisão, nos termos da ementa transcrita adiante: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREI TO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2000, 2001 DECADÊNCIA CSLL. A decadência das contribuições que compõem o orçamento da seguridade social ocorre dez anos após o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ser constituído pelo lançamento. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBU1 ÁRIA Ano-calendário: 2000, 2001 PEDIDO DE PERÍCIA PRESCINDIBILIDADE PROVA DOCUMENTAL. APRESENTAÇÃO NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO, Indefere-se pedido de perícia, por ser prescindível, quando a interessada pretende produzir provas de suas alegações, quando já poderia tê-las apresentado na impugnação, e deixou de fazê-lo, tendo portanto precluído de seu direito de apresentação de prova documental, e não sendo caso das exceções legalmente previstas, ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2000, 2001 OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. CONTABILIZAÇÃO NO ÚLTIMO DIA DO MÊS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS ALEGAÇÕES, Correto o lançamento, a título de omissão de receitas por saldo credor de caixa, constatado em sua contabilidade, quando o contribuinte, apesar de alegar que contabilizava suas receitas no último dia útil do mês, e não nas datas de liquidação das faturas, não apresentou qualquer documentação tendente a comprovar a veracidade de suas alegações. GLOSA DE DESPESAS. PARCELAMENTO. DEDUÇÃO CONDICIONADA À ANÁLISE DOS TRIBUTOS PARCELADOS Nem todo tributo objeto de parcelamento é dedutível na determinação do lucro real, já que pode contemplar os expressamente vedados, como a CSLL, assim como aqueles 6 Processo n° 10945 003168/2005-83 81-C4T2 Resolução ri .° 1401-00..008 F1 7 que já foram apropriados como despesas nos respectivos períodos de competência, sendo, portanto, correta a glosa quando o contribuinte não traz aos autos qualquer informação tendente a atestar a viabilidade da pleiteada dedução, GLOSA DE DESPESAS. MULTA POR INFRAÇÕES FISCAIS. MULTA DE OUTRAS NATUREZAS. INDEDUTIBILIDADE. Correta a glosa de despesas lançadas a título de multa, eis que as multas por infração fiscal somente são dedutíveis quando de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo, e as de natureza não-Tributárias são indedutiveis por falta do requisito de necessidade ou usuabilidade, GLOSA DE DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. AUSÊNCIA DE PLANILHA DE CÁLCULO. CONSTITUIÇÃO DE RESERVAS DE REAVALIAÇÃO SEM REFERÊNCIA ÀS CONTAS AFETADAS DO ATIVO IMOBILIZADO. Correta a glosa de despesas quando o contribuinte deixa de apresentar planilha de cálculo e controle das despesas de depreciação contabilizadas pela empresa, e constitui reservas de reavaliação sem as respectivas contrapartidas em contas do ativo imobilizado, impossibilitando ao autuante saber quais bens tiveram seus valores acrescentados, a fim de examinar a exatidão dos valores de despesa de depreciação REAVALIAÇÃO DE BENS NA SUBSCRIÇÃO DE CAPITAL, NECESSIDADE DE LAUDO PERICIAL. AUSÊNCIA DE ELEMENTOS PARA EXAME DA RESERVA DE REAVALIAÇÃO. ADIÇÃO AO LUCRO LÍQUIDO. A reavaliação de bens na subscrição de capital não prescinde do competente laudo pericial de reavaliação de bens, que, tendo sido apresentado sem os requisitos legais previstos, e tendo o contribuinte deixado de fornecer elementos que possibilitassem ao autuante o exame da veracidade dos dados contabilizados na reserva de reavaliação, autorizam a adição do valor da reserva constituída ao lucro líquido para efeito de apuração do lucro real. OMISSÃO DE RECEITAS. CONTRATO DE ARRENDAMENTO, DESPESA CONTABILIZADA NA ARRENDATÁRIA IRRELEVÂNCIA DO NÃO RECEBIMENTO DO RENDIMENTO. Correto o lançamento por omissão de receitas de arrendamento, quando comprovado o auferimento da receita pela existência de contrato e pela contabilidade do arrendatário, descabendo alegar falta de recebimento do rendimento, uma vez que a escrituração de receitas e despesas regem-se pelo regime de competência, que as reconhece abstraídas do efetivo pagamento MULTA ISOLADA„ FALTA DE RECOLHIMENTO DA ESTIMATIVA DA CSLL. REDUÇÃO PARA 50%, RETROATIVIDADE BENIGNA, É devida a multa isolada pela falta de recolhimento da estimativa da CSLL, impondo- se, porém, a redução do percentual para 50%, em face de legislação superveniente ao lançamento, por força do princípio da retroatividade benigna Lançamento procedente em parte Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme petição de fl. xx, inclusive repisando argumentos. É o relatório. 1 Processo e 10945.003168/2005-83 S1-C412 Resolução n° 1401-00.008 Fl 8 VOTO Conselheiro VALMAR FONSECA DE MENEZES, Relator Verificamos, inicialmente, que entre as alegações trazidas pela contribuinte na peça recursal, que repetem as alegações da peça impugnatória, há uma alegação que diz respeito ao contrato de arrendarnenteo mercantil. Neste aspecto o contribuinte alegou n a peça impugnatória que tal operação não teria ocorrido e que, embora contabilizado na empresa arrendatária, não foi contabilizado na autuada justamente por que a operação não ocorreu. Ele afirma categoricamente que a operação não ocorreu. O próprio relator da decisão recorrida, em despacho anterior à decisão,de acordo com o Presidente da turma julgadora, determinou a realização de diligência com objetivo claro de que fosse verificada a existência da operação de arrendamento, as fis. 452, que "solicita que o autuante proceda às necessárias diligências no sentido de comprovar o não a realização do contrato de arrendamento." No entanto, o autuante ao responder a diligência, não cumpriu a determinação da DRJ, e ao contrário, tece considerações sobre regimes de caixa e competência e afirma, inclusive, este fato (ver informações do próprio autuante na resposta à diligência). Diante do exposto, voto no sentido de que seja convertido o presente julgamento em diligência para apuração da verdade material dos fatos, concluindo-se a diligência determinada pela instância a giro. dehb4 2 1, 1 VA 4 ONSE MENEZES a
score : 1.0
Numero do processo: 10680.015698/2008-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1302-000.082
Decisão: RESOLVEM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto que deste formam parte integrante.
Nome do relator: LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA
1.0 = *:*
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Câmara busque tal processo junto à 4ª. Câmara da 1ª. Sessão do CARF e o apense a este para que ambos possam ser julgados em conjunto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto que deste formam parte integrante. “documento assinado digitalmente” MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. “documento assinado digitalmente” LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello, Irineu Bianchi, Wilson Fernandes Guimarães, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, André Ricardo Lemes da Silva. Relatório Em 11122008, a contribuinte foi notificada do lançamento de IRPJ. Foi, contra a contribuinte MINAS DA SERRA lavrado o Auto de Infração (fls. 02/08), que formalizou a exigência do crédito tributário referente a IRPJ, no valor de R$ 2.680.539,27, já acrescidos multa e encargos legais, assim fundamentado: Fl. 481DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA, Assinado di gitalmente em 04/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por LAVI NIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA Processo nº 10680.015698/200875 Resolução n.º 1302000.082 S1C3T2 Fl. 469 2 “Lançamento de oficio que ora se faz, para sanar irregularidade, tendo em vista vicio de natureza material apontado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em seu acórdão n° 0118.087 2' Turma da DRJ/. Em razão de conflito entre o Auto de Infração e o Termo de Verificação Fiscal, o lançamento anterior, formalizado através do processo administrativo fiscal de n° 10680.020638/200793, foi anulado. O contribuinte pretendeu se respaldar nas ações judiciais que impetrou para fins de proceder às exclusões acima demonstradas. Porém, são totalmente descabidas estas exclusões pelo que passamos a relatar com base nas cópias das partes do processo judicial, fornecidas. Antes, porém, realçamos que o valor glosado representa o cálculo efetuado pelo contribuinte em função de suas ações judiciais, como mostram as memórias de cálculo da empresa que anexamos a esse processo. Ao atender aos termos de intimações fiscais, a empresa nos mostrou que o histórico "Encargos e baixas diferença CM IPC/13TNF' se refere ao expurgo do índice de janeiro/1989 e aos dispositivos da Lei n° 8.200/1991, que questionam na esfera judiciária. Para discutir o expurgo do índice da janeiro/1989, impetraram o Mandado de Segurança preventivo com Pedido de Liminar n° 94.00131100, em 10/06/2004. O pleito da empresa é "deduzir fiscalmente as despesas de 1989,computandose a variação do 1PC de janeiro de 1989 de 70,28%, substituindose a OTN de NCzS 6,92, pela 01N de NCzS 10,51, na base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social apurados a partir de 1994, como se fosse ajuste de exercícios anteriores, com todos os efeitos daí decorrentes, tais como os de depreciação, amortização e baixa dos bens do ativo permanente, com a conseqüente correção dos prejuízos fiscais". Consta do lançamento: 01. GLOSA DE PREJUÍZOS FISCAIS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE, SALDO DE PREJUÍZOS INSUFICIENTES, no ano de 2003. 02. EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. EXCLUSÕES INDEVIDAS, a título de prejuízos originados em anos de 2002, inclusive, e anteriores, decorrentes da exclusão integral, em anos anteriores, de CM IPC/BTNF, sem provimento jurisdicional pelo STJ. A contribuinte havia ingressado com Mandado de Segurança para pleitear o expurgo inflacionário de 1990 sobre a correção monetária de balanço e segundo a autoridade fiscal no ano de 2001 o STJ proibiu tal procedimento. O saldo de prejuízo fiscal precisaria ser por essa decisão ser revisado. Cientificada do lançamento em 11/12/2009, a contribuinte apresentou a impugnação protocolada em 09/01/2009, com a argumentação a seguir sintetizada. (i) É nulo o lançamento, pois trata de matéria tributável já tributada, revista de ofício sem autorização do artigo 149 do Fl. 482DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA, Assinado di gitalmente em 04/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por LAVI NIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA Processo nº 10680.015698/200875 Resolução n.º 1302000.082 S1C3T2 Fl. 470 3 CTN, ainda pendente de análise pelo Conselho de Contribuintes, em outro processo por força de recurso. (ii) É intempestivo o lançamento, pois se esgotou o prazo de cinco anos para a glosa de prejuízos fiscais declarados. (iii) Se ao mérito chegar, é inválido pois são legítimas as exclusões e a compensação de prejuízos realizadas pela contribuinte. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte acordou, por unanimidade de votos, considerar procedente em parte o lançamento, para, conforme consta do acórdão: rejeitar as preliminares de nulidade; acatar a decadência da glosa de prejuízos fiscais relativamente aos anos calendárioS de 1995 e 1996; manter parcialmente a exigência do IRPJ para o anocalendário de 2003, no valor de R$ 934.049,16, multa de ofício de 75% de 700.536,87, acrescida de juros de mora. A DRJ entendeu que os prejuízos compensados em 2003 têm relação com dedução de IPCBTNF em anos anteriores e fez o ajuste do saldo de prejuízos compensados nesse ano, admitindo as práticas realizadas em anos anteriores. Cientificada do acórdão em 21/05/2009, vem a contribuinte, inconformada, apresentar a impugnação (fls. 429 e seguintes) protocolada em 18/06/2009, com as alegações a seguir sintetizadas. (i) O lançamento em questão fora lavrado para corrigir o vício material de anterior lançamento, à margem das hipóteses previstas pelo artigo 149 do CTN, considerando ainda que o lançamento anterior é objeto de discussão em processo diverso. Não é admitido novo lançamento na pendência de julgamento do anterior. (ii) Como a ciência do lançamento deuse em 11122008, na realidade a revisão dos prejuízos fiscais anteriores ao ano de 2002, inclusive, compensados em 2003, já está decaída. (iii) Improcedente a glosa realizada pela Autoridade Fiscal, uma vez que se fundamenta na falta de provimento jurisdicional em processo que discute expurgos inflacionários e os respectivos índices no ano de 1990, quando na realidade a dedução das despesas com a diferença de correção monetária IPC/BTNF do ativo permanente no ano de 1989 não tem relação com o objeto da ação judicial e decorre da mera aplicação da Lei 8.200/91. (iv) A diferença de correção monetária do IPC/BTNF, como qualquer outra, é despesa operacional dedutível necessária para a apuração efetiva do lucro real, sob pena de se tributar Fl. 483DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA, Assinado di gitalmente em 04/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por LAVI NIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA Processo nº 10680.015698/200875 Resolução n.º 1302000.082 S1C3T2 Fl. 471 4 correção monetária do capital, que à época não era reconhecida como renda. (v) O Acórdão, ao fundamentar o lançamento em interpretação da lei nº. 8.200/91, trouxe nova fundamentação ao lançamento, não utilizada pela autoridade lançadora. O Acórdão faz uma elação entre o saldo credor de correção monetária e a diferença IPC/BTNF do ativo permanente para sugerir que se não houve tributação do saldo credor não pode haver dedução da depreciação, baixa, etc, da correção monetária do ativo permanente. Essa relação, além de não guardar qualquer procedência diante da redação da Lei, não consta no lançamento fiscal. (vi) Assim, é nulo o Acórdão, pois não compete a autoridade julgadora trazer novos fundamentos ao lançamento. (vii) Quanto à infração imputada à contribuinte, compensação indevida de prejuízos fiscais, o Fisco teria que elaborar uma listagem que relaciona o prejuízo declarado pela empresa e o apurado pela fiscalização, desde 1994 até 2003, promovendo a alteração de apuração dos vários períodos envolvidos e o reflexo disso em 2003, justificando a razão pela qual entende indedutível a correção monetária do IPC/BTNF, em anos anteriores, e a relação disso com a decisão judicial de 2001. (viii) Contudo, a autoridade fiscal não fez isso, optou por glosar em 2003 a integralidade da diferença de IPC/BTNF deduzida em anos anteriores com base em decisão judicial de assunto absolutamente distinto e inepto para justificar o lançamento, o que é procedimento integralmente equivocado ocasionando erro material insanável nas instâncias posteriores. (ix) A DRJ visou corrigir o erro do lançamento refazendo fundamentação e cálculos, mas extrapolou a previsão do art. 141 do CTN. É o relatório. Voto Analisando o documento 4 anexo à impugnação da contribuinte, às folhas 328 e seguintes, efetivamente verifico que o objeto do lançamento efetuado e discutido no processo administrativo 10680.020638/200793 é idêntico ao objeto autuado posteriormente neste caso, antes do trânsito em julgado daquele anterior. Efetivamente, em sessão de 17062008, a DRJ cancelou o lançamento efetuado de 2003, relativo à glosa do prejuízo fiscal compensado. A autoridade fiscal glosara o prejuízo fiscal da contribuinte, mas como houve Divergência entre o Auto de Infração, que apura um valor de IRPJ para o ano de 200,3 e o Termo de Verificação Fiscal, que traz valores diferentes, a autoridade julgadora entendeu que havia Vicio de Fl. 484DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA, Assinado di gitalmente em 04/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por LAVI NIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA Processo nº 10680.015698/200875 Resolução n.º 1302000.082 S1C3T2 Fl. 472 5 Natureza Material pela contradição e cancelou a glosa de prejuízo fiscal feita no ano calendário de 2003. Notese que o prejuízo havia sido glosado pela revisão de anos anteriores, em decorrência de a autoridade fiscal ter discordado da dedução da diferença de correção monetária IPC/BTNF de 1989, tendo em conta ainda a ação judicial que pedia a diferença de correção monetária de 1990. Eis o teor da decisão da DRJ: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURIDICA IRPJ Exercido: 2003,2004 Correção Monetária Complementar da diferença IPC/BTNF. Efeitos da Ação Judicial O contribuinte teve reconhecido, judicialmente, o direito de aplicar, em janeiro de 1989, . correção monetária com o índice de 42,72% no seu Balanço de 1989, que abrange tanto as contas do ativo quanto do passivo. • Exclusões Indevidas. A correção monetária pela diferença IPC/BTNF, instituída pela Lei n° 82000, de 1991, dos prejuízos fiscais apurados até 31/12/1989, poderá ser excluída do lucro líquido na determinação do lucro real, a partir do períodobase de 1993; nas condições e nos 1 percentuais estabelecidos pela legislação. Os encargos de depreciação, amortização, exaustão ou custo dos bens baixados a qualquer titulo, relativos à diferença de correção monetária complementar IPC/BTNF, adicionados ao lucro liquido para efeito de determinação do lucro real, nos períodosbase de 1991 e 1992, poderão ser excluídos na determinação do lucro real em qualquer períodobase iniciado a partir de 1993. Voto: anular o lançamento de IRPJ do anocalendário de 2003. Verifico então que a decisão da DRJ no processo 10680.020638/200793 ainda está passível de recurso de ofício e que em sorteio de fevereiro de 2011 o processo foi destinado ao relator Antônio José Praga de Souza que o retirou de pauta para julgamento em conjunto com este processo. Este processo foi sorteado a mim em julho de 2010 e, dada a conexão das duas matérias, voto no sentido de converter este julgamento em diligência para que a Secretaria da 3a Câmara possa, por favor, executar as seguintes atividades. a) Localizar o processo 10680.020638/200793, junto à presidência da Quarta Câmara da Primeira Seção. b) Apensar tal processo a este para julgamento conjunto. c) Obter autorização da Quarta Câmara da Primeira Seção para redistribuição de ambos a esta Relatora da 2ª. Turma da 3ª. Câmara para que o julgamento possa ser prosseguido ou, caso Fl. 485DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA, Assinado di gitalmente em 04/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por LAVI NIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA Processo nº 10680.015698/200875 Resolução n.º 1302000.082 S1C3T2 Fl. 473 6 contrário, distribuir ambos para aquela 4ª. Câmara para julgamento. É como voto. LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA Relatora. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA, Assinado di gitalmente em 04/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por LAVI NIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA
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Numero do processo: 10880.930082/2013-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 11 00:00:00 UTC 2022
Numero da decisão: 3301-001.080
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, sobrestar o processo até o julgamento final no CARF do processo administrativo n° 19311.720077/2014-28. Vencidos os Conselheiros Liziane Angelotti Meira e Winderley Morais Pereira, que votaram pelo prosseguimento do julgamento.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: Não se aplica
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Vencidos os Conselheiros Liziane Angelotti Meira e Winderley Morais Pereira, que votaram pelo prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de Despacho Decisório (Eletrônico), que não reconheceu o direito de crédito relativo pleiteado através de PER/DCOMP, e não homologou as compensações vinculadas. O crédito pleiteado foi apurado pelo estabelecimento filial, inscrito no CNPJ sob nº 61.186.888/006558. Os motivos do indeferimento foram a constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado, a ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal e a redução do saldo credor do trimestre, passível de ressarcimento, resultante de débitos apurados em procedimento fiscal. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 30 08 2/ 20 13 -3 7 Fl. 1505DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10880.930082/201337 Resolução nº 3301001.080 S3C3T1 Fl. 3 2 Foi lavrado auto de infração objeto do processo administrativo 19311.720077/201428, para exigir diferenças de imposto não recolhidos em função do aproveitamento dos referidos créditos. Foi apresentada manifestação de inconformidade tempestiva, na qual consta a alegação inicial de que diante da relação direta entre os objetos do presente processo administrativo e do processo 19311.720077/201428, o exame das compensações deve aguardar a decisão definitiva a respeito do mérito deste último. Entende a impugnante que o imediato indeferimento das compensações importaria enriquecimento sem causa do Fisco, com cerceamento de defesa e supressão de instância de discussão na esfera administrativa. Por outro lado, o sobrestamento não causaria prejuízo à Fazenda Pública, porque o crédito tributário relativo aos débitos declarados já foi constituído, nos termos do art. 74, § 6º da Lei nº 9.430/1996, estando com a exigibilidade suspensa até julgamento final deste processo administrativo, conforme §§ 7º a 11 do mesmo dispositivo legal. Defende ainda, no mérito, o direito ao crédito pleiteado. O colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, nos termos do Acórdão nº :10051.733. Em recurso voluntário, a empresa requer o afastamento da aplicação do art. 25 da IN n° 1300/2012; o sobrestamento deste processo ou o julgamento em conjunto deste processo com o de n° 19311.720077/201428. Reitera os termos de sua manifestação de inconformidade quanto à legitimidade do direito creditório, para, ao final, requerer o provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3301001.074, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.930077/201324, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi, em parte, contrária ao meu entendimento pessoal, pois fui vencido na votação da questão do sobrestamento dos autos. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301001.074): "O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. A empresa requer o sobrestamento do presente processo até o julgamento final do processo n° 19311.720077/201428 ou o julgamento em conjunto. Fl. 1506DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10880.930082/201337 Resolução nº 3301001.080 S3C3T1 Fl. 4 3 Como já relatado, o auto de infração constituiu IPI oriundo das glosas do crédito considerados como indevidos. Assim, se o lançamento no processo n° 19311.720077/201428 fosse julgado improcedente, os créditos seriam restabelecidos para análise da compensação, porquanto o saldo credor de IPI é o objeto do PER/DCOMP. Dispõe o art. 6° do RICARF que: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; (...) § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. Ocorre que a não homologação das declarações de compensação decorreu das conclusões da ação fiscal que auditou os créditos pleiteados. Com a glosa dos créditos, a reconstituição da escrita fiscal resultou na apuração de diferenças de IPI, que foram lançadas em auto de infração que é objeto do processo administrativo n° 19311.720077/201428. O auto de infração teve a seguinte descrição da infração: “O estabelecimento industrial não efetuou o recolhimento do imposto (IPI), de janeiro de 2009 a setembro de 2010, por se utilizar de créditos do IPI, como se devido fosse, na aquisição de insumos de estabelecimentos na Amazônia Ocidental, conforme Termo de Verificação Fiscal.” Por conseguinte, a ausência do direito creditório, o que gerou a lavratura de auto de infração, é objeto do processo n° 19311.720077/201428. Logo, a sorte do presente processo depende do deslinde do processo do auto de infração. Em consulta ao sítio do CARF, “andamento processual”, verificase que o processo n° 19311.720077/201428 já foi julgado em sede de Recurso Especial, embora ainda não tenha transitado em julgado: Fl. 1507DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10880.930082/201337 Resolução nº 3301001.080 S3C3T1 Fl. 5 4 Desse modo, voto pela conversão do julgamento em diligência para que o presente processo seja sobrestado e aguarde na 3ª Câmara o encerramento do processo n° 19311.720077/201428. Após, os autos devem ser serem devolvidos a esta Relatora para prosseguimento do julgamento." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência para que o presente processo seja sobrestado e aguarde na 3ª Câmara o encerramento do processo nº 19311.720077/201428. Após, os autos deverão ser devolvidos a este Relator para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 1508DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10805.000481/2002-11
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Mar 06 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Mar 06 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 107-00.694
Decisão: RESOLVEM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento do recurso em diligencia, nos termos do voto da relator.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: JAYME JUAREZ GROTTO
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Numero do processo: 15983.000672/2007-51
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 01/04/2007
DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. DECADÊNCIA: Reconhecida a decadência do período de 01/1997 a
08/2002, por força da Súmula Vinculante nº 8, do STF que declarou
inconstitucional os arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que previa prazo de decadência de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, aplicando-se o art. 150, § 4º do CTN para reconhecer que decai em 05 (cinco) anos da data do fato gerador o direito da Fazenda constituir o crédito tributário atinente às contribuições previdenciárias, independentemente de antecipação
ou não de pagamento.
CERCEAMENTO DE DEFESA: Não caracterizado o cerceamento de defesa,
é de ser rejeitada a argüição de nulidade do procedimento.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE: O CARF não se pronuncia sobre matéria tributária constitucional, nos termos da Súmula nº 2
do CARF.
MULTA DE MORA: Recálculo da multa para que seja aplicada a mais
benéfica ao contribuinte por força do art. 106,II, “c” do CTN.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 2403-000.336
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para nas preliminares acatar a decadência das competências de 01/97 a 07/2002 com base no Art. 150, § 4º do CTN. Votou pelas conclusões o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que se recalcule a multa de mora,
com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao Art. 35, caput, da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido na questão de multa de mora o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: MARCELO MAGALHÃES PEIXOTO
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APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. DECADÊNCIA: Reconhecida a decadência do período de 01/1997 a 08/2002, por força da Súmula Vinculante nº 8, do STF que declarou inconstitucional os arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que previa prazo de decadência de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, aplicando se o art. 150, § 4º do CTN para reconhecer que decai em 05 (cinco) anos da data do fato gerador o direito da Fazenda constituir o crédito tributário atinente às contribuições previdenciárias, independentemente de antecipação ou não de pagamento. CERCEAMENTO DE DEFESA: Não caracterizado o cerceamento de defesa, é de ser rejeitada a argüição de nulidade do procedimento. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE: O CARF não se pronuncia sobre matéria tributária constitucional, nos termos da Súmula nº 2 do CARF. MULTA DE MORA: Recálculo da multa para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106,II, “c” do CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para nas preliminares acatar a decadência das competências de 01/97 a 07/2002 com base no Art. 150, § 4º do CTN. Votou pelas conclusões o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao Art. 35, caput, da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido na questão de multa de mora o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, 11/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente. Marcelo Magalhães Peixoto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari , Marcelo Magalhães Peixoto, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza e Marthius Savio Cavalcante Lobato. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, 11/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15983.000672/200751 Acórdão n.º 240300.336 S2C4T3 Fl. 115 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD DEBCAD, consolidada em 30/08/2007, cientificado o contribuinte aos 04/09/2007, correspondente às contribuições previdenciárias devidas e não recolhidas relativas à parte empresa, as incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados contribuintes individuais, as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e aos Terceiros. O período de lançamento do débito corresponde às competências de 05/2000; 04/2002, 10/2005 correspondentes às diferenças de acréscimos legais apuradas pela autoridade fiscal e, 01/97 a 13/1999; 10/05 a 04/07, quanto as contribuições sociais previdenciárias. Inconformada, a recorrente contestou o lançamento, através do instrumento de fls. 65/76, alegando em síntese: o cerceamento de defesa, pela ausência de apontamento dos dispositivos legais desrespeitados pela empresa; a ocorrência da decadência, diante da aplicabilidade dos artigos 173 e 174 do Código Tributário Nacional e, por fim; a inconstitucionalidade do Decreto nº 4.729/03 que introduziu várias alterações no Regulamento da Previdência Social (Decreto n.°3.048/1999), dentre elas a do inciso II, do §5°, do artigo 201, que amplia o elenco de segurados obrigatórios na condição de contribuinte individual, mediante o acréscimo do citado inciso II, atribuindose ao sócio cotista a dupla condição de segurado obrigatório. Deste modo, pleiteou a recorrente pelo provimento da defesa para tornar insubsistente a NFLD impugnada. A DRJ julgou pela procedência do lançamento (fls. 89/95), rejeitando os argumentos apresentados pela Recorrente, consagrando a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 45 da Lei 8.212/91, bem como afastando o suposto vício de inconstitucionalidade presente no Decreto nº 4.729/03, alegando que referida legislação não amplia o rol de segurados obrigatórios na condição de contribuinte individual, mas tão somente estipula critérios de apuração de base de cálculo, pois o inciso II, do § 5º, do art. 201, do respectivo Decreto somente é aplicável no caso de não haver comprovação efetiva dos valores pagos ou creditados aos segurados contribuinte individuais. Inconformada, a empresa interpôs Recurso Voluntário (fls. 98/109), sob os mesmos argumentos de sua defesa. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, 11/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 4 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator. O Recurso preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8 nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõe o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional: CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) De acordo com o art. 103A, da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 vincula toda a Administração Pública, inclusive este Colegiado: CF/88 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal, poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. In casu, como se trata de contribuições sociais previdenciárias que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, contase o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, independentemente da ocorrência ou não de antecipação de pagamento, logo, se as competências das contribuições lançadas referemse ao período de 01/1997 a Fl. 4DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, 11/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15983.000672/200751 Acórdão n.º 240300.336 S2C4T3 Fl. 116 5 13/1999 e 10/2005 a 04/2007, seu prazo decadencial corresponde ao período de 01/2002 a 13/2004 e 10/2010 a 04/2012. O lançamento de NFLD das referidas contribuições previdenciárias ocorreu em 30/08/2007 (conforme fl. 1), portanto, é certo que ocorreu o fenômeno da decadência de parte do crédito tributário (período 01/1997 a 13/1999, bem como daquelas apuradas em 05/2000 e 04/2002), nos termos do art. 150, § 4º do CTN. Quanto à parte do crédito que não sofreu decadência, vale dizer que; descabe o argumento de cerceamento do direito de defesa, uma vez que não caracterizadas as alegadas irregularidades no procedimento fiscalizatório, inclusive quanto a omissões do dispositivo legal que fundamenta a NFLD (Fls. 39/46). No mérito, quanto à alegação de inconstitucionalidade do Decreto nº 4.729/03, que introduziu várias alterações no Decreto nº 3.048/99, especialmente no que se refere ao art. 201, § 5º, inciso II, que, conforme argumentação da Recorrente, teria ampliado o elenco de segurados obrigatórios na condição de contribuinte individual, atribuindose a sócio cotista a dupla condição de segurado obrigatório, não há o que se pronunciar, posto que o CARF não é competente para se pronunciar sobre matéria constitucional nos termos da Súmula nº 02 do CARF, abaixo transcrita: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Multa de mora A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35, da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabelece que os débitos referentes a contribuições não recolhidas no prazo previsto em lei, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática (princípio da retroatividade benigna), impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 5DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, 11/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 6 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Diante do exposto, manifestome pelo provimento parcial do recurso para reconhecer a decadência das competências do período de 01/1997 a 07/2002 (inclusive) e para determinar o recalculo da multa de mora, de acordo com o determinado no art. 35, caput, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 6DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, 11/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
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Numero do processo: 16024.000039/2009-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1301-000.095
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: WiILSON FERNANDES GUIMARÃES
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ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. “documento assinado digitalmente” Plínio Rodrigues Lima Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 24 .0 00 03 9/ 20 09 -3 5 Fl. 1710DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/1 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000039/200935 Resolução nº 1301000.095 S1C3T1 Fl. 918 2 RELATÓRIO PRODUTORA DE CHARQUE ROSARIAL LTDA (ATUAL ROSARIAL ALIMENTOS S/A), já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, São Paulo, que manteve, na íntegra, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS) e multa isolada1, relativas ao anocalendário de 2005, formalizadas a partir da imputação de omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, e insuficiência de recolhimento de antecipações obrigatórias (estimativas). Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação2 ao feito fiscal (fls. 794), por meio da qual ofereceu, em síntese, os seguintes argumentos: que os extratos bancários demonstrariam que as movimentações financeiras poderiam ser facilmente detectadas no Livro Razão e no Livro Diário, esclarecendo a origem dos créditos alegados como receita omitida; que tais créditos seriam decorrência de empréstimos bancários a título de conta garantida e até mesmo empréstimos financeiros firmados com as citadas entidades financeiras, e que as operações bancárias de desconto de títulos, liquidação de empréstimos e liquidação de cobrança poderiam ser facilmente vistas no movimento dos citados livros. A 3a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, analisando os feitos fiscais e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 1430.869, de 16 de setembro de 2010, pela procedência dos lançamentos. O referido julgado restou assim ementado: DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. 1 Na decisão de primeira instância consta informação de que a MULTA ISOLADA foi exigida por meio do processo administrativo nº 16024.000040/200960, anexado ao presente em virtude de determinação judicial. 2 Esclarece a autoridade julgadora de primeiro grau que a impugnação foi dirigida especificamente para o processo nº 16024.000040/200960, que tratou do lançamento da multa isolada, mas, sentença proferida em mandado de segurança determinou a reunião dos processos, estabelecendo que a referida impugnação produzisse efeito em relação a todos os autos de infração lavrados. Fl. 1711DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/1 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000039/200935 Resolução nº 1301000.095 S1C3T1 Fl. 919 3 A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 865/866, por meio do qual sustentou: que as movimentações bancárias podem ser esclarecidas se confrontadas com os Livros Razão, Diário e Registro de Saídas, onde constam os registros dos fatos geradores da receita; que, como a empresa realiza inúmeras operações financeiras com diversos estabelecimentos bancários, grande parte da movimentação são transferências de conta; que, ao analisar os extratos, até mesmo valores creditados e estornados pelo próprio banco foram postos como receita omitida; que solicitou documentação junto às instituições financeiras; que os créditos bancários são decorrência de empréstimos a título de conta garantida e até mesmo empréstimos firmados com entidades financeiras, que deve ser promovida uma nova apreciação dos contratos, extratos, Livros Diário, Razão e de Registros Fiscais, bem como das próprias notas fiscais de saída e de todo documento que se fizer necessário. Por ocasião dos debates que antecederam a apreciação da lide nesta segunda instância, representante da autuada esclareceu que protocolizou junto à secretaria desta Terceira Câmara documentos que, apesar de não representarem provas distintas das que já haviam sido aportadas ao processo, possibilitariam uma maior compreensão dos seus argumentos de defesa. Em virtude de tal argumentação, a 2ª Turma Ordinária desta 3ª Câmara decidiu, por meio da Resolução nº 1302000.152, de 15 de março de 2012, acolher a juntada da documentação trazida pela contribuinte. É o Relatório. Fl. 1712DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/1 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000039/200935 Resolução nº 1301000.095 S1C3T1 Fl. 920 4 VOTO Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata a lide de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, reflexos e multa isolada, relativas ao anocalendário de 2005, formalizadas a partir da imputação de omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, e insuficiência de recolhimento de antecipações obrigatórias (estimativas). Tais exigências foram integralmente mantidas pela autoridade julgadora de primeira instância. Na mesma linha da argumentação expendida na peça impugnatória, a contribuinte sustenta em sede de recurso que as movimentações bancárias podem ser esclarecidas se confrontadas com os Livros Razão, Diário e Registro de Saídas, onde constam os registros dos fatos geradores da receita. Diz que, como realiza inúmeras operações financeiras com diversos estabelecimentos bancários, grande parte da movimentação são transferências de conta. Argumenta que, ao analisar os extratos, até mesmo valores creditados e estornados pelo próprio banco foram postos como receita omitida. Informa que solicitou documentação junto às instituições financeiras e que os créditos bancários são decorrência de empréstimos a título de conta garantida e até mesmo empréstimos firmados com entidades financeiras. Adita que deve ser promovida uma nova apreciação dos contratos, extratos, Livros Diário, Razão e de Registros Fiscais, bem como das próprias notas fiscais de saída e de todo documento que se fizer necessário. Acolhendo petição apresentada por ocasião do julgamento em segunda instância, a 2ª Turma Ordinária desta 3ª Câmara decidiu converter o referido julgamento em diligência para que fosse juntada ao processo documentação que, segundo a contribuinte, comprovam que os créditos bancários em que se presumiu que são representativos de receitas omitidas dizem respeito a fatos outros. Em petição protocolada neste Colegiado em 28 de fevereiro de 2012, a contribuinte sustenta que a movimentação financeira tida como não justificada pela autoridade fiscal decorre de operações de transferências bancárias entre contas de mesma titularidade; pagamentos de cheques devolvidos; resgate de títulos próprios; redução de saldo devedor de CPMF; e depósitos bancários realizados indevidamente, posteriormente estornados pela instituição financeira. A Recorrente requer, ao final da petição, a conversão do julgamento em diligência para que a documentação juntada seja devidamente analisada ou o provimento do recurso voluntário interposto. Superada por meio da Resolução nº 1302000.152 a questão do acolhimento da documentação trazida pela contribuinte por ocasião do julgamento em segunda instância, penso que a ela deve ser dispensado tratamento igual ao que seria dado caso os elementos que a compõem tivessem sido apresentados por meio do recurso voluntário interposto. Fl. 1713DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/1 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000039/200935 Resolução nº 1301000.095 S1C3T1 Fl. 921 5 Assim, diante da existência de indícios de que valores que deveriam ter sido excluídos do montante a tributar (créditos decorrentes de transferências de outras contas bancárias da própria contribuinte, entre outros), foram inadvertidamente ali mantidos, conduzo meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a unidade administrativa de jurisdição promova a análise da documentação juntada pela contribuinte por meio da petição protocolada em 28 de fevereiro de 2012. Sala das Sessões, em 06 de novembro de 2012 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 1714DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/1 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por PLINIO RODRIGUES LIMA
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Numero do processo: 12689.000725/93-12
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 1996
Numero da decisão: 301-01.017
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência ao INT através da Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: JOÃO BAPTISTA MOREIRA
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" MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA PROCESSO N° SESSÃO DE RECURSO N° RECORRENTE RECORRIDA 12689-000725/93-12 27 de março de 1996 116.689 MET ANOR SIA - MET ANOL DO NORDESTE ALFÃNDEGA - PORTO DE SALVADOR - BA RESOLUÇÃO N° 301-1017 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. .'I •,.' • RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência ao INT através da Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasilia-DF, em 27 de março de 1996 MOAC P.reSiôente o 5 SE T 1996 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ, ISALBERTO ZAVÃO LIMA, FAUSTO DE FREITAS E CASTRO NETO, MARIA DE FÁTIMA PESSOA DE MELLO CARTAXO, LEDARUIZ DAMASCENO E LUIZ FELIPE GALVÃO CALHEIROS mfciac 116689 ,:'. MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA .1 RECURSO N° RESOLUÇÃO N° RECORRENTE RECORRlDA RELATOR(A) 116.689 301-1017 MET ANOR S/A - MET ANOL DO NORDESTE ALFÃNDEGA - PORTO DE SALVADOR - BA JOÃO BAPTISTA MOREIRA RELATÓRIO .1 •• , ti Adoto o Relatório integrante da Decisão Recorrida, de fls. 44 et seqs, ut infra: "Neste processo foi lavrado Auto de Infração às fls. 01/14 em virtude de ato de revisão aduaneira das D.I' s nO001497 e 001480 de 06/12/90 por acreditar a Fiscalização que o contribuinte atribuiu alíquota de 0% para o 1.1. para a mercadoria "Catalizador a Base de Óxido de Cobre e Óxido de grânulos", usada na sintese do metanol a partir de cargas de alimentação gasosa ou líquida à base de hidrocarbonetos (gás natural, gás de refinaria ou nefta), baseado no EX da Portaria MEFP 356/90, que beneficia com alíquota de 0% para o 1.1.o "Catalizador a base de óxido de zinco e cobre, próprio para purificação de hidrogênio em processo de reforma de gás natural", quando deveria ter usado a alíquota normal de 40% para o LL, visto que utilizou o catalizador no processo de mistura de óxidos de carbono (CO e C02) e hidrogênio proveniente da reforma de gás natural, conforme resposta enviada pelo mesmo à Intimação nO052/93, e o EX da citada Portaria só beneficia este catalizador quando usado para purificação de hidrogênio em reforma de gás natural. Deixou, desta forma, de recolher aos cofres da Fazenda Nacional a importância de 33.418,88 UFIR's referente ao LP.L vinculado e de 286.628,98 UFIR's referente ao 1.1., ambos recolhidos a menor, mais acréscimos legais cabiveis. Apresentando, tempestivamente, sua impugnação às fls. 38/40 o autuado alega que catalizadores à base de óxido de cobre e zinco são utilizados normalmente em reações quimicas em que o elemento hidrogênio esteja presente, na forma de reagente ou produto; que os reagentes utilizados pela METANOR provem da reforma de gás natural; que estes catalizadores são também utilizados em reações de hidrogenação e desidrogenação, geralmente em conexão com compostos orgânicos oxigenados, e na purificação de gases, especialmente para remoção de traços de oxigênio enxofre; e que como o catalizador importado é a base de óxido de cobre e zinco, a reação de hidrogenação dos óxidos de carbono satisfaz o Ex da Portaria MEFP 356/90, pois os produtos são oriundos dos processos de reforma de gás natural e o catalizador é próprio para síntese do metanol e purificação de hidrogênio, ambos comercializados pela empresa, acredita fazer jus à redução de 0% para o LL com base na citada Portaria, e solicita que o auto seja julgado improcedente. Manifestando-se às fls 42 o fiscal autuante diz não concordar com as pretensões da interessada, uma vez que a mesma não demonstrou que utilizou o catalizador para purificação de hidrogênio em processo reforma de gás natural, e sim no processamento de mistura de óxidos de carbono e hidrogênio proveniente da reforma de 2 : MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONlRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA e RECURSO N° RESOLUÇÃO N° 116.689 301-1017 • • e' gás natural. Ou seja, o catalizador foi utilizado em etapa posterior à reforma de gás natural e o EX da Portaria 356/90 só beneficia com redução de aliquota para o 1.1. o catalizador quando utilizado para "purificação de hidrogênio em processo de reforma de gás natural". Opina pela manutenção na íntegra do auto. A Autoridade a quo, às fls. 44, assim decidiu: Revisão Declaração de importação. Redução indevida da aliquota do 1.1.. Recolhimento a menor do LP.L e do 1.1. Auto de Infração. Ação Fiscal PROCEDENTE. Com tempestividade, foi interposto o recurso de fls. 49 et seqs, que leio para meus pares. É o relatório 3 ,.' MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA 11 RECURSO N° RESOLUÇÃO N° 116.689 301-1017 VOTO • Verifica-se nos autos que a desclassificação foi intentada, em assunto de grande complexidade, sem a assistência de laudo pericial de amostra do produto. Há grande confrontação argumentativa entre as partes, mas nada que pudesse levar a uma formação de juizo sobre a matéria. Assim sendo e tendo em vista que a parte em seu recurso pede a produção de provas para amparar seu arrozoado, voto no sentido de transformar o julgamento em diligência, através da repartição de origem, junto ao INT, intimada ambas as partes a apresentarem os quesitos que julguem necessários ao deslinde da controvérsia e os deste julgador: - O produto importado é um catalizador á base de zinco e cobre~ - Tem, ainda, a propriedade de purificar hidrogênio decorrente do processo de reforma do gás natural? •• S'l'd~;;"~, . JOÃ1BAPTf~MÓREIRA I R ' ATOR • 4 00000001 00000002 00000003 00000004
score : 1.0
Numero do processo: 10380.007253/2008-04
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do Fato Gerador: 29/05/2008
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONTABILIZAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Constitui infração deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de, forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-000.287
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado por unanimidade de voto, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do Fato Gerador: 29/05/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONTABILIZAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constitui infração deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de, forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1505; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 111 1 110 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.007253/200804 Recurso nº 416.571 Voluntário Acórdão nº 240300.287 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 1 de dezembro de 2010 Matéria OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Recorrente SLS TERCEIRIZAÇÃO DE SERVIÇOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do Fato Gerador: 29/05/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONTABILIZAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constitui infração deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de, forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado por unanimidade de voto, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente e Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto e Cid Marconi Gurgel de Souza. Ausente o Conselheiro Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 116DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/02/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO Assinado digitalmente em 11/02/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Fortaleza, Acórdão 08 – 15.461 5ª Turma, que julgou procedente o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária acessória. Segundo a fiscalização, o lançamento decorre do fato de a recorrente deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e parágrafos 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. O Relatório Fiscal, folhas 15 e 16, assim detalha os eventos que motivaram o auto de infração: A empresa exerce a atividade de prestação de serviços de manutenção , limpeza e conservação de prédios, edifícios e locação de mãodeobra de qualquer natureza , para vários tomadores . Apresentou a Contabilidade no Ano de 2004 registrando os lançamentos de folha de pagamento nas contas , sem subtítulos, ou centro de custos. Contas : 32102.0001 Salários e Ordenados, 32102.0004Rescisão 32102.0005Férias e 32102.0009 13° Salário, não separando por tomador e nem separando as remunerações que são fatos geradores de contribuições previdenciárias , das que não são, como na conta 32102.0004 Rescisão do mês de agosto/2004 que não houve a separação de fatos geradores. Foram lançados na Conta 34201.00282 Despesas Diversas , pagamentos que tem natureza específica de salários (Gratificações ). Jun/2004 Pagt.gratificações Benedito Jesus Ferreira conf. Diário 6, dia 2 ,Ict 2 , cta 3420100282 Jun/2004 Pagt.gratificações Gilberto Oliveira de Carvalho conf. Diário 6, dia 2 ,Lçt 3 , cta 3420100282 Jun/2004 Pagt.gratificações Francisco Ediglê conf. Diário 6, dia 2 ,Lçt 4 , cta 3420100282 Ago/2004 Pagt.gratificações Aline conf. Diário 6, dia 10 ,Lçt 4, cta 3420100282 Set/2004 Pagt.gratificações Benedito de Jesus conf. Diário 6, dia 3 ,Lçt 1 , cta 3420100282 Set/2004 Pagt.gratificações Fco Ediglê conf. Diário 6, dia 3 ,Lçt 2 , cta 3420100282 Fl. 117DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/02/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO Assinado digitalmente em 11/02/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10380.007253/200804 Acórdão n.º 240300.287 S2C4T3 Fl. 112 3 Out/2004 Pagt.gratificações Aline conf. Diário 6, dia 30 ,Lçt 15 , cta 3420100282 Out/2004 Pagt.gratificações Isabel Cristina conf. Diário 6, dia 30 ,Lçt 16 , cta 3420100282 Nov/2004 Pagt.gratificações Isabel Cristina conf. Diário 6, dia 8 ,Lçt 10 , cta 3420100282 Nov/2004 Pagt.gratificações Aline conf. Diário 6, dia 8 ,Lçt 12 , cta 3420100282 Dez/2004 Pagt.gratificações Isabel Cristina conf. Diário 6, dia 7 ,Lçt 2 , cta 3420100282 Dez/2004 Pagt.gratificações Benedito de Jesus conf. Diário 6, dia 7 ,Lçt 4 , cta 3420100282 Registra também o relatório Fiscal ter anexado, por amostragem, cópias do Diário e do Razão e da Folha de Pagamento. Inconformada com a decisão da DRJ, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 91 a 106, onde alega, em síntese, que: • O vale alimentação distribuído aos empregados não constitui salário de contribuição. • Questiona a multa sobre a obrigação principal. • Discorre sobre a verdade material e requer realização de perícia, além de juntada posterior de documentos necessários à ampla via probatória, formula quesitos e indica assistente técnico. É o Relatório. Fl. 118DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/02/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO Assinado digitalmente em 11/02/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões levantadas pela recorrente. Inicialmente cabe registrar alguns equívocos no recurso apresentado. Constato que a ação fiscal resultou em 12 autos de infração e que o recurso menciona questões não presentes neste processo e presentes em lançamento de obrigação principal. Lembro que este processo trata de descumprimento de obrigação acessória. Este lançamento está baseado na obrigação de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; previsto no inciso II da Lei 8.212/91. Art. 32. A empresa é também obrigada a: II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; Analisando o Relatório Fiscal e seus anexos, constatase que foram incluídas na mesma conta contábil pagamentos que são fatos geradores de contribuições sociais e pagamentos que não são fatos geradores, bem como lançando de remuneração (fatos geradores) em conta de Despesas Diversas. Entendo bem caracterizada a infração e pelo fato de o quesito formulado quando da solicitação da perícia não se relacionar com a presente autuação, indefiro o pedido. Conclusão À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 119DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/02/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO Assinado digitalmente em 11/02/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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