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Numero do processo: 10783.906280/2008-11
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003
VEÍCULO DE DIVULGAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. DESCONTO| PADRÃO DE AGÊNCIA. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Os veículos de divulgação não podem excluir da base de cálculo da Cofins, por falta de previsão legal, o valor devido às agências de publicidade, a título de desconto padrão de agência.
Numero da decisão: 3803-004.720
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 VEÍCULO DE DIVULGAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. DESCONTO| PADRÃO DE AGÊNCIA. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os veículos de divulgação não podem excluir da base de cálculo da Cofins, por falta de previsão legal, o valor devido às agências de publicidade, a título de desconto padrão de agência.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 VEÍCULO DE DIVULGAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. DESCONTO| PADRÃO DE AGÊNCIA. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os veículos de divulgação não podem excluir da base de cálculo da Cofins, por falta de previsão legal, o valor devido às agências de publicidade, a título de desconto padrão de agência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 62 80 /2 00 8- 11 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/11/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação DComp nº 15526.94179.150704.1 3.048230, fls. 103/107, utilizando como crédito pagamento supostamente a maior de Cofins Cumulativa, relativa ao mês de junho de 2003, no valor de R$ 1.710,39. Despacho Decisório eletrônico, de 25 de setembro de 2008, da DRF/Vitória, fl. 35, não homologou a DComp pelo fato de o DARF indicado foi integralmente utilizado para quitação de débito da Contribuinte, antes declarado em DCTF, não restando saldo a ser utilizado nesta DComp. Em manifestação de inconformidade apresentada, fls. 3 a 18, a Contribuinte alegou que: a) a redação do artigo 1o das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03 é similar à do art. 3o, §1°, da Lei n° 9.718/98, norma que a precedeu e que foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal; b) tais contribuições, portanto, não podem nem devem incidir sobre receitas não auferidas pela pessoa jurídica, a exemplo do que ocorre com os valores recebidos pela cessão de seu espaço para agências de publicidade, tendo em vista que tais valores não permanecem em seu faturamento, pois são repassados às mencionadas agências; c) para que haja a incidência em comento não basta que a pessoa jurídica tenha receitas, entendida esta de acordo com a normatização contábil, mas também, é imprescindível que tais receitas sejam efetivamente auferidas, isto é, verdadeiramente percebidas. É imperioso que os valores decorrentes do faturamento tenham efetivamente ingressado nos cofres da Requerente, para composição do seu patrimônio, o que corresponde ao conceito jurídico de faturamento; d) sabendo que tais valores não deveriam ter sido incluídos na base de cálculo da Cofins e do PIS, e, tendo em vista a existência de débitos das mesmas contribuições, aproveitou os créditos decorrentes do pagamento a maior na compensação com tais débitos. Ao fim, protestou pela realização de diligência destinada à produção de prova pericial. Em julgamento da lide a DRJ/Rio de Janeiro II contrapôsse aos argumentos da Manifestante em decisão ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/07/2003 VEÍCULO DE DIVULGAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. DESCONTO| PADRÃO DE AGÊNCIA EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os veículos de divulgação não podem excluir da base de cálculo da Cofins por falta de previsão legal, o valor devido às agências de publicidade, título de desconto padrão de agência. PEDIDO DE PERÍCIA. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/11/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10783.906280/200811 Acórdão n.º 3803004.720 S3TE03 Fl. 154 3 A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não ss justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado por meio de documentos carreados aos autos. Cientificada da decisão em 13 de dezembro de 2011, irresignada, apresentou recurso voluntário, 125/142, em 29 de dezembro de 2011, em que manejou os mesmos argumentos trazidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele conheço. O fato jurídico em torno do qual a Contribuinte disputa o direito de não incluir seus valores na base de cálculo da contribuição é no seu dizer cessão de seu espaço para agências de publicidade, sob o argumento de que tais valores não permanecem em seu faturamento, sendo a estas repassados. A Recorrente é lacônica na exposição desse fato constitutivo do seu direito, deixando de referir acerca da sua dinâmica operacional envolvendo as agências e os anunciantes, de sorte a identificar no desenvolvimento da sua defesa o seu liame com direito aplicável no campo privado das relações jurídicas e, via de consequência, a regramatriz da incidência tributária para a espécie. A falta dessa menção impelenos a considerar o que regem as NormasPadrão da Atividade Publicitária, expedidas pelo Conselho Executivo de NormasPadrão[1] [2] , órgão privado de regulação das práticas no tópico Das Relações entre Agências, Anunciantes e 1 O Conselho Executivo das NormasPadrão CENP é uma entidade criada por entidades de classe do mercado publicitário para zelar pela observância das NormasPadrão da Atividade Publicitária, documento básico com recomendações e princípios éticos que buscam assegurar as melhores práticas comerciais no relacionamento mantido entre os principais agentes da publicidade brasileira. 2 Compete ao Conselho Executivo das NormasPadrão ou simplesmente CENP: a) avaliar e propor eventuais alterações a este instrumento e a seus anexos, face à dinâmica da evolução da atividade; b) esclarecer os interessados sobre o sentido de suas regras; c) outorgar os “Certificados de Qualificação Técnica” de que trata o item 2.5.1 deste instrumento; d) credenciar os institutos de pesquisa e seus respectivos serviços e informações, conforme previsto no item 2.5.4 deste instrumento; e) promover em conjunto com as Entidades participantes deste acordo o permanente aperfeiçoamento dos padrões qualitativos do mercado nos seus três segmentos, inclusive no que toca à ativa e leal concorrência dos que nele atuam. 7.2 O Fl. 155DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/11/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Veículos, em disciplina ao que dispõem a Lei nº 4.680/65 e os Decretos nº 57.690/66 e 4.563/02: 2.4 O Anunciante é titular do crédito concedido pelo Veículo com a finalidade de amparar a aquisição de espaço, tempo ou serviço, diretamente ou por intermédio de Agência de Publicidade. 2.4.1 A Agência de Publicidade que intermediar a veiculação atuará sempre por ordem e conta do Anunciante, observado o disposto nos itens 2.4.1.1 a 2.4.1.3. 2.4.1.1 É dever da Agência de Publicidade cobrar, em nome do Veículo, nos prazos estipulados, os valores devidos pelo Anunciante, respondendo perante um e outro pelo repasse do “Valor Faturado” recebido ao Veículo. 2.4.1.2. A fatura do Veículo será encaminhada ao Anunciante por meio da Agência de Publicidade. 2.4.1.3 Tendo em vista que o fator confiança é fundamental no relacionamento comercial entre Veículo, Anunciante e Agência e sendo esta última depositária dos valores que lhes são encaminhados pelos Clientes/Anunciantes para pagamento dos Veículos e Fornecedores de serviços de propaganda, fica estabelecido que, na eventualidade da Agência reter indevidamente aqueles valores sem o devido repasse aos Veículos e/ou Fornecedores, terá suspenso ou cancelado seu Certificado de Qualificação Técnica concedido pelo CENP. 2.4.2 Em virtude de prévio e expresso ajuste, o Anunciante poderá repassar por meio do Veículo a importância correspondente ao “DescontoPadrão”, observado que nesta hipótese o Veículo somente poderá faturar ou contabilizar como receita própria a parcela correspondente ao “Valor Faturado”. 2.4.3 Excepcionalmente, nos termos de prévio e expresso ajuste, o Anunciante, poderá efetivar diretamente os pagamentos correspondentes ao “Valor Faturado” e ao “DescontoPadrão”, respectivamente, ao Veículo e à Agência de Publicidade. De se ver que a relação jurídica se dá entre o Anunciante e o Veículo de Comunicação, sendo desta para o primeiro a fatura do valor bruto, contabilizando o pagamento correspondente como receita própria do Veículo. A normatização não exclui a excepcionalidade do prévio e expresso ajuste quanto à mecânica de segregação dos efeitos comerciais e, consequentemente, os fiscais, no bojo relação contratual, conforme itens 2.4.2 e 2.4.3, o que não se há de considerar, por não ser este o ponto invocado e descrito pela Recorrente. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/11/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10783.906280/200811 Acórdão n.º 3803004.720 S3TE03 Fl. 155 5 Como receita própria, ocorrente no recinto da regra básica fixada para este tipo de relação negocial, a exclusão da base de cálculo há de ser autorizada por lei específica, o que não se verificar haver no texto da Lei nº 10.637/2002 e Lei nº 10;833/2003, como, inclusive, não o aponta a Recorrente. Por falta da previsão legal vislumbro é que vem de ser sucinta na descrição do fato e parcimoniosa no fundamento jurídico, erigindo o seu argumento em torno da digressão sobre o alcance da expressão receitas auferidas. Lembro que as Soluções de Consulta vinculam a Administração Tributária apenas ao consulente e não compõem o acervo da legislação tributária nos termos do art. 96 do Código Tributário Nacional, estando inviabilizado o argumento que invoca a de nº 17, de 30 de abril de 2007, da SRRF 4ª RF/Disit. Enfim, bem andou a decisão recorrida, não merecendo reparo, pelo que corroborando os fundamentos ali fixados NEGO provimento ao recurso. É como voto. Sala das sessões, 23 de outubro de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 157DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/11/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10875.908097/2009-10
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-002.059
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1881; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 101 1 100 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10875.908097/200910 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802002.059 – 2ª Turma Especial Sessão de 24 de setembro de 2013 Matéria COFINSCOMPENSAÇÃO Recorrente TECNOSUL DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ELETROELETRÔNICOS E INFORMÁTICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 80 97 /2 00 9- 10 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte (fls. 79): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. A DRJ manteve a não homologação, porque, apesar da retificação da Dctf após o despacho decisório, não houve comprovação, por meio de documentação hábil, idônea e suficiente, do erro no preenchimento da declaração. A Recorrente, nas razões de fls. 86 e ss., alega que a cópia do Darf extraída da página da Receita Federal, por meio de certificação digital, seria prova da existência de crédito disponível para compensação. Pleiteia, assim, o recebimento do recurso voluntário e o seu integral provimento. É o relatório. Voto Fl. 102DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10875.908097/200910 Acórdão n.º 3802002.059 S3TE02 Fl. 102 3 Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 09/03/2012 (fls. 84), interpondo recurso tempestivo em 29/03/2012 (fls. 97). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. A compensação, consoante destacado, não foi homologada porque o Recorrente transmitiu o PER/Dcomp sem a retificação da Dctf. Em circunstâncias dessa natureza, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados da Turma: “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). Fl. 103DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 “COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10875.908097/200910 Acórdão n.º 3802002.059 S3TE02 Fl. 103 5 O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) No presente caso, o Recorrente limitouse a retificar a Dctf, sem apresentar qualquer prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Portanto, nada justifica a reforma da decisão recorrida, porque cabe ao interessado o ônus da prova nos pedidos de compensação e de restituição. Votase pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 105DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 13047.000039/00-24
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/1995 a 30/04/1995
PIS. PRESCRIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 5 (CINCO) ANOS PARA HOMOLOGAR (ARTIGO 150, § 4º, DO CTN) MAIS 5 (CINCO) ANOS PARA PROTOCOLAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (ARTIGO 168, I DO CTN). IRRETROATIVIDADE DO ARTIGO 3º DA LC 118/2005. ARTIGO 65-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Este Conselho está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932 (tese dos 5 + 5), para pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido protocolados antes da aplicação, em 09/06/2005, da Lei Complementar 118, a qual não é interpretativa, conforme entendimento do STF. Em se tratando a contribuição para o PIS de tributo sujeito a lançamento por homologação, bem como do fato de o pedido de restituição/compensação ter sido protocolado em 12/05/2000, antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, plenamente cabível a aplicação do prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, § 4º, do CTN somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I, desse mesmo diploma legal para o contribuinte pleitear restituição/compensação. Assim, reconheço o direito de o contribuinte pleitear restituição/compensação da totalidade dos valores de PIS objeto dos presentes autos, os quais se referem ao período de apuração de abril de 1995.
Recurso Extraordinário Negado.
Numero da decisão: 9900-000.781
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Nanci Gama - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martínez López, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Mércia Helena Trajano DAmorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: NANCI GAMA
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/1995 a 30/04/1995 PIS. PRESCRIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 5 (CINCO) ANOS PARA HOMOLOGAR (ARTIGO 150, § 4º, DO CTN) MAIS 5 (CINCO) ANOS PARA PROTOCOLAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (ARTIGO 168, I DO CTN). IRRETROATIVIDADE DO ARTIGO 3º DA LC 118/2005. ARTIGO 65A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Este Conselho está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932 (tese dos 5 + 5), para pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido protocolados antes da aplicação, em 09/06/2005, da Lei Complementar 118, a qual não é interpretativa, conforme entendimento do STF. Em se tratando a contribuição para o PIS de tributo sujeito a lançamento por homologação, bem como do fato de o pedido de restituição/compensação ter sido protocolado em 12/05/2000, antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, plenamente cabível a aplicação do prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, § 4º, do CTN somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I, desse mesmo diploma legal para o contribuinte pleitear restituição/compensação. Assim, reconheço o direito de o contribuinte pleitear restituição/compensação da totalidade dos valores de PIS objeto dos presentes autos, os quais se referem ao período de apuração de abril de 1995. Recurso Extraordinário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 04 7. 00 00 39 /0 0- 24 Fl. 263DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Nanci Gama Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martínez López, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Mércia Helena Trajano D’Amorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão de nº 0203.820, proferido pela Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que, por maioria de votos, negou provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional para reconhecer o direito de o contribuinte pleitear, em 12/05/2000, restituição/compensação de valores de PIS relativos ao período de apuração de abril de 1995. Para tanto, a Segunda Turma considerou que o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de valores de PIS nos presentes autos seria de 5 (cinco) anos contados a partir da publicação da Resolução do Senado Federal de nº 49, a qual suspendeu a execução dos inconstitucionais DecretosLeis 2.445 e 2.449, ambos de 1988. Inconformada, a Fazenda Nacional, com fulcro nos artigos 9º e 43 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, interpôs recurso extraordinário com base no acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais utilizado como paradigma, qual seja, o de nº 0400.810, para aduzir que o prazo para pleitear restituição/compensação é de 5 (cinco) anos contados a partir da data de extinção do crédito tributário conforme previsão dos artigos 165 e 168, I, do CTN. O acórdão paradigma restouse assim ementado: “PEDIDO DE RESTITUIÇÃO – ILL – O direito de pleitear restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito Fl. 264DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13047.000039/0024 Acórdão n.º 9900000.781 CSRFPL Fl. 249 3 tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos I e II, e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido.” A Recorrente complementa, ainda, que o advento da Lei Complementar 118/2005 teria encerrado definitivamente a controvérsia sobre o tema, tendo em vista que o seu artigo 3º prevê que “para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei”. E, entendendo que aludido dispositivo deteria caráter interpretativo, a Fazenda Nacional alega que caberia a sua aplicação retroativa nos presentes autos, conforme previsão do artigo 106, I, do CTN. A Recorrente alega, também, a necessidade de observância ao disposto no Ato Declaratório SRF nº 96, de 1999, o qual considera que “o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário”. O i. Presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais reconheceu o dissídio jurisprudencial e deu seguimento ao recurso extraordinário. Regularmente intimado, o contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 548/561, por meio das quais requereu fosse negado provimento ao recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora O recurso extraordinário é tempestivo, razão pela qual passo a analisar seus pressupostos de admissibilidade em conformidade ao Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 147/2007. Primeiramente, quanto à divergência entre acórdãos recorrido e paradigma, entendo ter a mesma sido devidamente demonstrada. Isso porquê ao passo que o acórdão recorrido respaldou o entendimento de que o prazo de 5 (cinco) anos, para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributo sujeito a lançamento por homologação (PIS), se inicia a partir da edição do ato normativo que dispensa o pagamento desse tributo, o acórdão paradigma respaldou entendimento de que o prazo de 5 (cinco) anos, para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributo sujeito a lançamento por homologação (ILL), se inicia a partir da data da extinção do crédito tributário “sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro”. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Quanto aos demais pressupostos de admissibilidade previstos nos artigos 9º e 43 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº 147/20071, o qual é aplicado por força do artigo 4º do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº 256/20092, também entendo terem os mesmos sido devidamente demonstrados, razão pela qual conheço do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. A controvérsia aduzida nos presentes autos cingese, basicamente, em determinar o prazo para o contribuinte pleitear restituição dos valores de PIS recolhidos com base nas sistemáticas instituídas pelos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.448/88, os quais tiveram suas execuções suspensas por força da Resolução do Senado Federal de nº 49/95, publicada com base em decisão do STF que reconheceu as suas inconstitucionalidades. Conforme se infere do relatório, o acórdão recorrido entendeu que o prazo para pleitear restituição deve ser de 5 (cinco) anos contados a partir da data da publicação de aludida Resolução do Senado Federal. Em contrapartida, a Fazenda Nacional entende que o prazo para pleitear restituição é de 5 (cinco) anos contados a partir da data de extinção do crédito tributário, ocorrida em abril de 1995, e que, portanto, o pedido de restituição, protocolado em 12/05/2000, já estaria prescrito. Considerando que o artigo 62A3 do atual Regimento Interno do CARF, qual seja, o aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, vincula os Conselheiros do CARF às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em sede de recurso especial repetitivo, cabe a esta Relatora aplicar ao presente caso o entendimento do STF consubstanciado no julgamento do RE nº 566.621, bem como o entendimento do STJ objeto do julgamento do REsp nº 1.002.932. De acordo com referida jurisprudência, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação será, para os pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118 ocorrida em 09/06/2005, o de 10 (dez) anos, ou seja, 5 (cinco) anos para homologar (artigo 150, § 4º, do CTN) mais 5 (cinco) anos, a partir dessa homologação, para pleitear restituição (artigo 168, I, do CTN). E, em se tratando a contribuição para o PIS de tributo sujeito a lançamento por homologação, bem como do fato de o pedido de restituição/compensação ter sido protocolado antes do dia 09/06/2005 (vigência da LC 118/05), plenamente aplicável ao presente caso a tese dos 5 (cinco) anos mais 5 (cinco) anos objeto do REsp nº 1.002.932, por força da decisão do STF objeto do RE nº 566.621. 1 “Art. 9º Compete ao Pleno julgar recurso extraordinário de decisão de Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Turma ou o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais.” 2 “Art. 4º Os recursos com base no inciso I do art. 7º, no art. 8º e no art. 9º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, interpostos contra os acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à vigência do Anexo II desta Portaria, serão processados de acordo com o rito previsto nos artigos 15 e 16, no art. 18 e nos artigos 43 e 44 daquele Regimento. (Redação dada pela Portaria MF nº 446, de 27 de agosto de 2009).” 3 “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Fl. 266DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13047.000039/0024 Acórdão n.º 9900000.781 CSRFPL Fl. 250 5 O acórdão do Supremo Tribunal Federal restou assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Em face do exposto, conheço do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, voto no sentido de lhe negar provimento para afastar a prescrição do pedido de restituição/compensação, protocolado em 12/05/2000, no que se refere à totalidade dos valores de PIS, os quais são relativos ao período de apuração de abril de 1995. Nanci Gama Fl. 268DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 10980.009213/2008-20
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DEDUÇÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA - PRECLUSÃO.
Resta preclusa a matéria questionada apenas na fase recursal, não debatida na primeira instância e considerada como tal não-impugnada na decisão recorrida.
DEDUÇÃO. IRPF. CURSO PREPARATÓRIO PARA VESTIBULAR.
Por absoluta falta de previsão legal, as despesas realizadas com cursos preparatórios para vestibular não podem ser deduzidas sob a rubrica de dedução com despesas com instrução.
DEDUÇÃO. PREVIDÊNCIA PRIVADA.
Quando a fiscalização glosa a dedução com previdência privada unicamente em razão de apresentação de documento que identifique o beneficiário do plano, cabe ao contribuinte a apresentação de documento contendo a identificação correta do beneficiário sob pena de se manter tal glosa.
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. INDÍCIO DE INIDONEIDADE. COMPROVAÇÃO EFETIVO PAGAMENTO. POSSIBILIDADE.
Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado.
Preliminar Rejeitada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-003.105
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida, Márcio Henrique Sales Parada, José Valdemir da Silva, Eivanice Canário da Silva e Tânia Mara Paschoalin.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Eivanice Canário da Silva.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 DEDUÇÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA - PRECLUSÃO. Resta preclusa a matéria questionada apenas na fase recursal, não debatida na primeira instância e considerada como tal não-impugnada na decisão recorrida. DEDUÇÃO. IRPF. CURSO PREPARATÓRIO PARA VESTIBULAR. Por absoluta falta de previsão legal, as despesas realizadas com cursos preparatórios para vestibular não podem ser deduzidas sob a rubrica de dedução com despesas com instrução. DEDUÇÃO. PREVIDÊNCIA PRIVADA. Quando a fiscalização glosa a dedução com previdência privada unicamente em razão de apresentação de documento que identifique o beneficiário do plano, cabe ao contribuinte a apresentação de documento contendo a identificação correta do beneficiário sob pena de se manter tal glosa. DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. INDÍCIO DE INIDONEIDADE. COMPROVAÇÃO EFETIVO PAGAMENTO. POSSIBILIDADE. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado.
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MATÉRIA NÃO IMPUGNADA PRECLUSÃO. Resta preclusa a matéria questionada apenas na fase recursal, não debatida na primeira instância e considerada como tal nãoimpugnada na decisão recorrida. DEDUÇÃO. IRPF. CURSO PREPARATÓRIO PARA VESTIBULAR. Por absoluta falta de previsão legal, as despesas realizadas com cursos preparatórios para vestibular não podem ser deduzidas sob a rubrica de dedução com despesas com instrução. DEDUÇÃO. PREVIDÊNCIA PRIVADA. Quando a fiscalização glosa a dedução com previdência privada unicamente em razão de apresentação de documento que identifique o beneficiário do plano, cabe ao contribuinte a apresentação de documento contendo a identificação correta do beneficiário sob pena de se manter tal glosa. DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. INDÍCIO DE INIDONEIDADE. COMPROVAÇÃO EFETIVO PAGAMENTO. POSSIBILIDADE. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 92 13 /2 00 8- 20 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10980.009213/200820 Acórdão n.º 2801003.105 S2TE01 Fl. 106 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida, Márcio Henrique Sales Parada, José Valdemir da Silva, Eivanice Canário da Silva e Tânia Mara Paschoalin. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente em exercício. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Eivanice Canário da Silva. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 4a Turma da DRJ/CTA (Fls. 60), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Trata o presente processo de Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, às fls. 08/14, lavrada em face da revisão da declaração de ajuste anual do exercício de 2005, anocalendário de 2004, que exige R$ 7.381,23 de imposto suplementar, R$ 5.535,92 de multa de ofício de 75% e encargos legais. Consoante descrição dos fatos do Auto de Infração à fl. 10/12, foram constatadas deduções indevidas de: (a) previdência privada (R$ 7.900,00) por falta de comprovação do beneficiário, (b) despesas de instrução (R$ 3.912,00), por falta de previsão legal para dedução de despesas com cursos prévestibulares e língua estrangeira, e (c) despesas médicas, no valor de R$ 15.028,83, referentes às profissionais Cristina M V B Barbosa (R$ 2.100,00), Janaina F Souza (R$ 2.200,00) e Mariusa C A Zaleski (R$ 1.655,00), por falta de comprovação do efetivo desembolso; além de R$ 3.964,00 relativos a Érika S Romanini por falta de comprovação; R$ 100,00 pagos à Cirurgia Ap. Digestivo de não dependente; R$ 60,00 de instrum. cirúrgica, e R$ 4.949,83 de despesas havidas com a Unimed por falta de identificação dos beneficiários e respectivos valores. Teriam sido aceitos R$ 1.363,98 do beneficiário Leancarlo. Cientificada em 03/06/2008 (fl. 58), a interessada apresentou, em 27/06/2008, a impugnação de fls. 02/05, instruída com os Fl. 106DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10980.009213/200820 Acórdão n.º 2801003.105 S2TE01 Fl. 107 3 documentos de fls. 06/46, onde, após breve relato dos fatos, argumenta, que inobstante os esclarecimentos prestados foi surpreendida com a Notificação de Lançamento ora questionada, posto que as glosas não têm qualquer procedência, eis que realizadas e por ela pagas, conforme documentos apresentados. Embora já apresentados à fiscalização, diz estar juntando aos autos os comprovantes de pagamentos efetuados à Icatu Hartford Seguros S/A, no valor de R$ 7.900,00, atinente a plano de previdência privada própria; boletos bancários em seu nome emitidos pelo Colégio Dom Bosco, referentes às despesas de instrução do dependente Leancarlo, no valor de R$ 1.914,00 e; relativamente às despesas médicas: 12 recibos emitidos por: Cristina Marli Villas Boas Barbosa (R$1.929,00), Janaina Freitas de Souza (R$ 2.200,00) e 10 recibos de Mariusa Cunha A Zaleski (R$ 1.655,00), e comprovantes de pagamentos à Unimed no valor de R$ 6.852,56. Aduz que as despesas relativas à Érika S Romanini (R$ 3.964,00) e AM Consulta (R$ 60,00), não teriam sido pleiteadas em sua DIRPF. Enfatiza que diversos pagamentos das despesas médicas foram efetuadas em moeda corrente, conforme já esclareceu anteriormente, por meio de relatório apresentado em 17/03/2008. Elabora demonstrativo, onde apura saldo de imposto a pagar de R$ 5.340,70, dos quais já teria pago R$ 4.964,16, restando apenas 376,54 de imposto suplementar a ser recolhido. Por fim, requer o acolhimento das suas razões e a improcedência da exigência imposta. Solicitouse a diligência de fl. 59, atendida pela juntada dos documentos de fls. 60/70. Passo adiante, a 4ª Turma da DRJ/CTA entendeu por bem julgar a impugnação procedente em parte, em decisão que restou assim ementada: MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase como nãoimpugnada a matéria com a qual a contribuinte concorda ou não se manifesta expressamente. DEDUÇÃO. PREVIDÊNCIA PRIVADA. COMPROVAÇÃO. Mantémse a glosa da dedução da contribuição à previdência privada, quando os pagamentos não restarem comprovados por documentação hábil e idônea. DESPESAS DE INSTRUÇÃO. CURSO PREPARATÓRIO. VESTIBULAR. As despesas havidas com cursos preparatórios para Vestibular não se enquadram na definição legal de ensino fundamental, médio, superior ou profissionalizante, não podendo, por conseguinte, ser deduzidas na apuração da base de cálculo do imposto na declaração de ajuste anual. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE PRÓPRIO. COMPROVAÇÃO. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10980.009213/200820 Acórdão n.º 2801003.105 S2TE01 Fl. 108 4 Comprovado o direito à dedução de despesas havidas com o plano de saúde próprio, cabe proceder ao ajuste correspondente no lançamento. DESPESAS MÉDICAS. EFETIVO DESEMBOLSO PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual está sempre vinculada à comprovação prevista em lei e restringese aos pagamentos efetuados pelos contribuintes, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, podendo ser exigida a demonstração do efetivo desembolso e prestação dos serviços, que não se considera suprida pela apresentação de relação de supostos saques que não coincidem em data e valor com os recibos apresentados. Cientificada em 16/08/2011 (Fls. 84), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 09/09/2011 (fls. 85 a 89), argumentando em síntese: (...) 2.2. – A Declaração do IRPF da recorrente foi RETIFICADA justamente para excluir as despesas de instrução, lançandose como dedutível na RETIFICADORA, a importância de R$ 1.914,00, sendo que na DIRPF retificada, havia sido lançado o valor de R$ 3.912,00, conforme comprovase pelas cópias juntados aos autos. 2.3. – Desta forma, a impugnação às glosas, foram efetuadas pela recorrente com base na Declaração RETIFICADORA, e ao que faz transparecer, a decisão da 4ª T. baseouse na DIRPPF RETIFICADA. (...) 3.3 – Ora, quando da solicitação de esclarecimentos pela Auditoria, foi apresentadolhe justamente o Informe de Rendimentos fornecido pela Icatu Hartford, o qual serviu de base para lançamento da declaração de ajuste, sendo este, o único documento legal exigido pelo RIR e pelas normas emanadas da SRF para dedução dos pagamentos efetuados a título de previdência privada. 3.4. – Para corroborar o ora alegado, a recorrente junta ao presente, mais uma vez, o referido Informe de Rendimentos, inobstante já constar dos autos do processo administrativo, eis que anexado `impugnação. (...) 3.6. – Portanto, a dedução efetuada a título de pagamento à previdência privada, está respaldada em documento idôneo e legítimo previsto na legislação, e tem como beneficiária a recorrente, não havendo assim, qualquer procedência para a sua glosa, uma vez que atendida as exigências legais, devendo pois, ser reformada a decisão. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10980.009213/200820 Acórdão n.º 2801003.105 S2TE01 Fl. 109 5 (...) 4.3. – Conforme depreendese da Declaração RETIFICADORA anexa aos autos, consta como dependente da recorrente, seu filho LEANCARLO MAFRA CAMARGO, é a única despesa lançada a título de educação, foi o pagamento efetuado ao Colégio Dom Bosco Ltda, no valor de R$ 1.914,00, conforme comprovantes apresentados à Auditora quando do atendimento ao Termo de Esclarecimentos, e não de R$ 3.912,00 conforme menciona a decisão da C. Turma, sendo que referidos pagamentos foram juntados aos autos quando da impugnação. 4.4. – Referidas despesas estão perfeitamente enquadradas nos requisitos previstos no texto legal acima citado, e foram cabalmente comprovadas perante o fisco em esclarecimentos prestados. (...) 4.7. – Por fim, cumpre esclarecer que, quando da revisão fiscal pela despesa a este título, no valor de R$1.272,00, não havendo motivo e fundamento para não acatar o saldo restante, eis que, todos os pagamentos foram comprovados. 5.5. – Ora, a recorrente não só comprovou as despesa efetuadas por ela e por seu dependente – (LEANCARLO) através da prestação dos recibos devidamente assinados e identificados pelos médicos, como também, apresentou à Auditora através do Termo de Esclarecimento, a relação de cada pagamento efetuado com cheque próprio, e identificação do banco sacado, cujos comprovantes estão anexados aos autos do processo administrativo. 5.6. – Assim sendo, todos os requisitos exigidos conforme previsto no art. 80, parágrafos e seus incisos do RIR/99, foram plenamente atendidos, não havendo motivo e fundamento para serem glosados. (...) 6.1. – Quanto às diferenças do IRPF atinente às despesas não impugnadas, no valor de R$ 376,54, a recorrente informa que foi objeto de pedido de parcelamento, de acordo com as cópias em anexo, tendo recolhido a 1ª parcela em 30/08/2011, conforme depreendese do DARF ora acostado. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10980.009213/200820 Acórdão n.º 2801003.105 S2TE01 Fl. 110 6 Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Preliminarmente, a Recorrente contesta a parte da decisão da DRJ que considerou não impugnada a parte relativa a despesas com instrução no valor de R$1.998,00. Segundo a contribuinte houve sim a contestação desta glosa e informa que Declaração Retificadora, entregue antes do início dos procedimentos fiscais, teria excluído tal valor das deduções com despesas com instrução. Compulsando os autos, percebo que a contribuinte realmente não contesta tal dedução. Chegando, inclusive a apresentar cálculos Para melhor ilustrar, a recorrente anexa ainda ao presente, cópia da Decl. de Ajuste Anual do IR/PF do ano calendário sub exame, como se retificadora fosse, onde demonstrase os seguintes resultados: (pág 05 dos autos) Penso que tal argumento “como se retificadora fosse” se deve ao fato de que a Declaração Retificadora, entregue em 29/08/2005, constante na página 53 dos autos, informa o mesmo valor de dedução com despesas com instrução apresentado na Declaração Original; qual seja R$3.912,00. Deste modo, correto foi o entendimento da DRJ em considerar tal matéria não impugnada. Não impugnada a matéria não há como dela tomar conhecimento em sede recursal. Ademais, ressaltase que a fase recursal tem como fundamento o princípio do duplo grau de cognição, o qual atende ao princípio da ampla defesa. Nas palavras de JAMES MARINS: “A idéia de revisão recursal dos julgamentos administrativos ou judiciais atende a necessidades de qualidade e segurança da prestação estatal julgadora e é imperativo jurídico expresso no art. 5º, LV, da CF/88. Representa, o direito a recurso, manifestação axiomática do direito à ampla defesa. Denominase de “hierárquico” o recurso que submete a revisão da decisão a órgão julgador, monocrático ou colegiado, de hierarquia superior, competente para reapreciação e rejulgamento da lide fiscal. (Direito processual tributário brasileiro: administrativo e judicial. 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. Pg. 196)”. Da afirmação acima é possível compreender que o recurso tem como objetivo a revisão da decisão da DRJ. Dentro deste enfoque, fica estabelecida limitação ao Recorrente, no sentido de possuir prazo específico para alegar toda a defesa que entenda necessária, de modo que, passada esta fase depois de iniciado o processo administrativo, o Recorrente não pode, no recurso, alegar matéria não impugnada. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10980.009213/200820 Acórdão n.º 2801003.105 S2TE01 Fl. 111 7 Caso contrário, terse ia a análise inicial de defesa na fase recursal, o que causaria enorme contradição, pois não haveria quem analisasse em fase de recurso os argumentos levantados apenas em etapa recursal. Este colegiado até tem entendido que a aplicação do princípio da preclusão não pode ser levado às últimas conseqüências, por força do princípio da verdade material; contudo tal entendimento tem sido aplicado quanto a preclusão da apresentação de provas, e não quanto a preclusão de matéria não impugnada. Quanto a dedução com previdência privada, percebo que a fiscalização glosou tal despesas unicamente em razão da falta de apresentação de documentos que identificassem o beneficiário; in verbis: Glosa por falta de documentos comprobatórios que identifique o beneficiário.(pág.10 dos autos) Dentro deste contexto, a contribuinte tratou de anexar os documentos de folhas 22 e 23 dos autos; que, segundo a mesma, a indicariam como beneficiária. Ocorre que o documento que trata do plano PGBL, considerado dedutível, realmente não indica o beneficiário do plano de previdência privada. Desde modo, permanece a falta de comprovação de ser a contribuinte beneficiária do plano de previdência privada; não saneando a contribuinte a única falha apontada pela autoridade lançadora. Quanto as despesas com instrução que restaram em litígio, posto que impugnadas, entendo no mesmo sentido da DRJ. Realmente, por ausência de previsão legal, as despesas com curso preparatório para vestibular não podem ser deduzidas sob a rubrica de despesas com instrução. Assim, como as despesas com instrução em tela se referem a curso preparatório para vestibular, freqüentado pelo dependente Leancarlo Mafra Camargo, junto ao Colégio Dom Bosco, correto foi o procedimento da autoridade lançadora em glosar tais deduções. Quanto as glosas das despesas médicas, verifico que resta em litígio as despesas com as profissionais Cristina M V B Barbosa no valor de R$ 2.100,00, Janaina F Souza, no valor de R$~2.200,00, Mariusa C A Zaleski, no valor de R$ 1.665,00 por falta de comprovação do efetivo desembolso coincidente em data e valores, com a profissional Erika S Romanini R$ 3.964,00, por falta de comprovação, com Cirurgia Ap Digest R$ 100,00 beneficiário não dependente, e com Unimed, no valor de R$ 2.196,96, por falta de identificação dos beneficiários. Como se observa, grande parte do litígio trata de comprovação de despesas médicas em que a autoridade fiscal fundamenta na insuficiência dos recibos, sem vinculação do pagamento como forma de comprovação do pagamento, exigindo que, quando restar dúvida quanto à idoneidade do documento, essas condições devam ser comprovadas por outros meios, cumulativamente com o fato de a contribuinte não ter comprovado o efetivo pagamento de despesas médicas com diversos profissionais, apesar de ter sido regularmente intimada. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10980.009213/200820 Acórdão n.º 2801003.105 S2TE01 Fl. 112 8 Por sua vez, a contribuinte afirma que a apresentação dos recibos é suficiente para o afastamento das glosas e que apresentou para a fiscalização relação dos pagamentos realizados com cheques próprios, com comprovantes anexados. Em casos desta natureza, tenho o entendimento de que, a princípio, os recibos emitidos por profissionais legalmente habilitados que atendam às formalidade legais são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas, mas, em havendo fortes indícios de que a documentação é inidônea, existe o direitodever de o fisco intimar a contribuinte a comprovar o efetivo desembolso e prestação do serviço. Assim, a decisão sobre a dedutibilidade ou não da despesa médica merece análise caso a caso, consoante os elementos trazidos aos autos, tanto pelo fisco como pelo contribuinte, os quais serão decisivos para a formação da livre convicção do julgador. Tomo como ponto de partida a imputação feita no lançamento e nela vejo apontamento de indícios em desfavor dos documentos apresentados pela recorrente. De fato, a DRJ tratou de salientar que: “...além de haver similitude de preenchimento e grafia nos grupos de recibos, o que sugere a forte possibilidade de terem sido emitidos conjuntamente (os de fls. 27/34, embora refiramse a duas profissionais distintas, transparecem terem sido emitidos pela mesma pessoa), com dados aleatórios e com o fim de deduzir despesas inexistentes, ressalvada a comprovação dos pagamentos, o que a impugnante não logrou fazer.”( página 79 dos autos) Há ainda nos autos a a evidência de que a contribuinte, apesar de possuir plano de saúde da Unimed, realizou despesas médicas correspondentes a aproximadamente vinte e nove por cento dos seus rendimentos. Logo, entendo há nos autos elementos que permitam a fiscalização afastar a idoneidade dos documentos apresentados pela contribuinte para fazer jus às deduções pleiteadas e exigir a comprovação dos efetivos pagamentos. Portanto, como não constam nos autos provas dos efetivos pagamentos, tais como cheques ou extratos bancários, as glosas devem ser mantidas. Quanto as demais despesas médicas que não se foi exigido o efetivo pagamento, adoto integralmente o entendimento da DRJ, que assim se manifestou: “Em contrapartida não lhe assiste razão quanto à despesa de R$ 3.964,00 relativa à Erica de Souza Romanini, posto que pleiteada, conforme relação de pagamentos efetuados à fl. 43. Assim, mantémse a glosa do referido montante por falta de qualquer comprovação.” “Quanto às despesas havidas com o plano de saúde da Unimed, de pronto,não há como acolher as despesas referente à beneficiária Nilza de Lourdes Tavares, CPF 098.668.33968 (R$ 3.291,62), conforme fl. 70, por não se tratar de dependente da Fl. 112DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10980.009213/200820 Acórdão n.º 2801003.105 S2TE01 Fl. 113 9 interessada (fl. 53 e 55), pois, apresentou declaração própria em modelo simplificado,” (página 78 dos autos) Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por rejeitar a preliminar suscitada, e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 113DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 10/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN
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Numero do processo: 10882.902901/2008-79
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001
Ementa:
NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. PROVAS.
Não cabe à Administração empreender esforços probatórios devidos pelo Contribuinte, uma vez que, de seu dever exercitá-los por se tratar de recuperação de créditos por ele pleiteados não presentes nos autos provas de internação na Zona Franca de Manaus. O não acatamento da indevida pretensão não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.500
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Joel Miyazaki e Otacílio Dantas Cartaxo votaram pelas conclusões. O Conselheiro Henrique Pinheiro Torres apresentará declaração de voto.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. PROVAS. Não cabe à Administração empreender esforços probatórios devidos pelo Contribuinte, uma vez que, de seu dever exercitálos por se tratar de recuperação de créditos por ele pleiteados não presentes nos autos provas de internação na Zona Franca de Manaus. O não acatamento da indevida pretensão não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Joel Miyazaki e Otacílio Dantas Cartaxo votaram pelas conclusões. O Conselheiro Henrique Pinheiro Torres apresentará declaração de voto. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 29 01 /2 00 8- 79 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902901/200879 Acórdão n.º 9303002.500 CSRFT3 Fl. 159 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório A ora Recorrente, irresignada com a decisão proferida pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, com ementa dotada dos seguintes termos, NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do decretolei nº 288/67. (grifado) interpõe Recurso Especial, com exame de admissibilidade favorável nº 3400 00.143, sob os argumentos de que tal decisão não pode ser mantida em razão da existência de julgados contrários ao entendimento articulado, no sentido de ser possível a utilização de crédito de PIS e COFINS após o anocalendário de 2000 e, inclusive, que determinam à DRF de origem realizar diligências para comprovar a veracidade do crédito. Reverbera também a impertinência do prejuízo decorrente do fato de despacho eletrônico que não cuidou de averiguar a existência ou não de crédito nas operações com empresas da ZFM/ALC mesmo tendo ela apresentado documentação contábil idônea com informes do conteúdo de notas fiscais comprovadoras da operação de comercialização de produtos. Indica como relevante que o “procedimento de PER/DCOMP não é suficiente para demonstrar o crédito tributário, e, justamente para isso, é que se aguarda a instauração de processo administrativo tributário.” Continua elencando os seguintes aspectos: “incabível a restrição do crédito com base na Medida Provisória nº 2.15835/2001, tendo em vista que todas as remessas a empresas localizadas na Zona Franca de Manaus são equiparadas a exportação, sendo patente a isenção da operação tributário quanto as contribuição de PIS e COFINS; o entendimento do Douto Relator, e acolhido por sua maioria na Douta 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, não pode ser Fl. 159DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902901/200879 Acórdão n.º 9303002.500 CSRFT3 Fl. 160 3 ratificado por não ter respaldo com o ordenamento jurídico e com o que vem sendo decidido por este Egrégio Conselho. Ou seja, não é imbróglio da Recorrente a alegação de ter direito a compensar o crédito de PIS e COFINS, pois as compradoras de seus produtos se localizavam na ZFM, logo é pertinente a aplicação da isenção da não – incidência desta contribuição, em razão da equiparação destas remessas à exportação; após julho de 2004, a legislação expressamente prevê alíquota zero para estas contribuições nas vendas de mercadorias realizadas com pessoas jurídicas situadas na Zona Franca de Manaus por equiparação à exportação; há precariedade no v. acórdão, em razão de não ter respeitado o princípio da busca pela verdade material, tanto é verdade, que aproveita a oportunidade para trazer à baila julgado paradigma que determina a necessidade da DRF fazer diligência para aferir o direito creditório; importante se faz reparar o artigo 1º do Decreto nº 2.346/97, o qual prevê que os atos da Administração Pública devem se pautar pelas orientações dos Tribunais Superiores, o que foi desconsiderado pela DRJ/CPS.” Registra excertos do acórdão recorrido: “Analisadas pela DRJ Campinas, as manifestações não foram acolhidas, ainda que tenha sido reconhecido que a empresa àquela altura já retificara a DCTF, pondoas em conformidade com as compensações pretendidas. Para não reconhecer o direito creditório, a DRJ ratificou o entendimento administrativo, do Parecer nº 1.789/2002, de que até o período de apuração dezembro de 20000 não há qualquer ato que conceda isenção a tais vendas ou qualquer outra forma de desoneração. No entender da administração, apenas no período compreendido entre 22 de dezembro de 20000 e 25 de julho de 2004 há isenção quando as vendas para a ZFM se enquadrem, ademais, nas disposições dos incisos IV, VI, VIII ou IX da Medida Provisória 2.037 e suas reedições. A partir de 26 de julho de 2004, passou a haver desoneração, sob a forma de redução a zero das alíquotas, para toda e qualquer venda realizada para aquela região, mesmo que não enquadrada nas disposições acima. Destarte, continua o Relator, para os recolhimentos relativos a fatos geradores ocorridos até 21 de dezembro de 200000 afirmou não haver o direito alegado. Para os recolhimentos relativos ao período compreendido entre 22 de dezembro de 20000 e 26 de julho de 2004 afirmou que caberia à empresa provar que as vendas se enquadram nas disposições acima o que, sozinha, a planilha juntada não consegue fazer. Para recolhimentos posteriores a julho de 2004 afirmou não ter a empresa juntado qualquer elemento comprobatório de sue direito, como lhe competia, nem mesmo a mencionada planilha.” Fl. 160DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902901/200879 Acórdão n.º 9303002.500 CSRFT3 Fl. 161 4 Destaca a impropriedade do comportamento da DRJ, uma vez que, pelo princípio da prudência, não determinou diligências para averiguar a ocorrência de remessas aos estabelecimentos localizados na ZFM, e que apesar de confirmar a existência de crédito, o mesmo não restou comprovado pela ora Recorrente, tudo sob o pálio de não considerar pertinente a substituição do contribuinte no que tange a uma instrução probatória. O acórdão recorrido registra que existem casos em que a Administração possa suprir a ausência de um dado documento cuja apresentação deveria ter sido promovida pela parte desde que o documento em questão esteja na posse da administração e seja difícil ou impossível apresentação tempestiva pela parte, como por exemplo, nos casos de DARF´s e declarações entregues. Alega que muito embora tais argumentos sejam dignos de consideração, não há como concordar com eles, uma vez que, em nenhum momento, a ora Recorrente foi intimada a apresentar documentos que a Fiscalização entenderia pertinentes para comprovar os créditos declarados nas DCOMP´s. Transcreve excerto do acórdão referente ao Recurso Voluntário nº 145.668, verbis: “Em face do exposto, voto pelo provimento parcial do presente recurso voluntário reconhecendo à recorrente o direito de repetir/compensar os indébitos decorrentes das contribuições para o PIS e COFINS apuradas e pagas sobre receitas de vendas de mercadorias efetuadas para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, no período de 22.12.2000 a 31.12.2003, que comprovadamente foram internalizada naquela zona franca, cabendo a DRF de origem exigir a documentação necessária à comprovação das internações bem como a apuração dos valores a serem repetidos/compensados.” Diz que essa decisão demonstra a divergência analítica, fazendo com que este Conselho conviva com opiniões diferentes. Por essas razões, argumenta que o acórdão recorrido deve ser reformado para que o processo baixe em diligência, a fim de que seja intimada a Recorrente para apresentação de toda a documentação para o fim de homologação do crédito pleiteado, até mesmo porque nunca existiu oportunidade para exibição de documentos, uma vez que o crédito tributário foi indeferido por meio de despacho decisório eletrônico. Transcreve vários trechos de acórdãos deste Conselho que contemplam abordagens sobre os princípios da verdade material e da oficialidade. Afirma novamente que o objetivo deste Recurso é a reforma do acórdão recorrido para que sejam homologados todos os pedidos de compensação realizados com créditos de 2000 a 2005. Ainda transcreve parte do acórdão recorrido para provar a existência de entendimento diferente em outra Turma e Câmara da 3ª Seção, verbis: “Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava se referindo, genericamente, às venda à AFM, ou, mais claramente, está ela a dizer Fl. 161DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902901/200879 Acórdão n.º 9303002.500 CSRFT3 Fl. 162 5 que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na AFM não se equipara “a exportação de mercadorias para o exterior” de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior, está simplesmente delimitadolhe o alcance como compete aos parágrafos. Tal reconhecimento deve ficar claro, não implica que após deixar o parágrafo (a partir de 22 de dezembro de 2000) tenha passado a existir a isenção pretendida. Para que isenção haja, já o disse, é preciso que ato legal a explicite, visto que só o decretolei 288 não basta. Mas tampouco há isenção apena porque a compradora lá esteja. Nos recursos ora em exame que abrangem aquele período, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante nos acórdãos que o analisam de que “haveria direito” no período de 22 de dezembro de 20000 a 25 de julho de 2004, mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há direito na forma requerida.” Destaca que a equiparação à exportação dos atos de comércio praticados com a Zona Franca de Manaus impede a existência do acórdão recorrido. Rechaça a alegação de imbróglio feita no Recurso Voluntário, uma vez que o mesmo registrou a existência de direito creditório no período após 2000. Transcreve ainda excertos do acórdão paradigma nº 330100.311, confirmando a tese da ora Recorrente, verbis: “ As receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços e/ou de serviços para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus para consumo e/ou industrialização, realizadas até a data de 21.12.2000 estavam sujeitas à Cofins, tornandose isenta dessa contribuição somente a partir de 22.12.2000. REPETIÇÃO. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO As contribuições para o PIS e COFINS apuradas e pagas sobre as receitas de vendas de mercadorias e serviços para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, referente ao período de 22.12.2000 a 31.12.2001, constituem indébitos tributários passíveis de restituição e/ou compensação, cabendo à autoridade administrativa competente homologar a compensação dos débitos fiscais declarados até o limite do montante do crédito financeiro apurado.” Alega que essa decisão fornece suporte para justificar a procedências de suas razões uma vez que a partir de 22.12.2000 foram consideradas isentas as remessas para estabelecimentos localizados na ZFM, referentemente as contribuições para o PIS e COFINS. Tece considerações sobre o posicionamento hierárquico da Lei nº 5.172/66 (CTN) como lei complementar e acrescenta que qualquer alteração em seu conteúdo somente será plausível se acontecer por via de norma situada no mesmo nível do CTN, como é o caso do Ato Complementar nº 35/67 – publicado na mesma data do DecretoLei nº 288/67 – cujo § 2º, inciso II, do art. 7º assim preleciona: “§ 2º Para os efeitos de aplicação do disposto neste artigo, além da mercadoria objeto de operação de exportação, considerase destinada ao exterior a remetida: Fl. 162DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902901/200879 Acórdão n.º 9303002.500 CSRFT3 Fl. 163 6 II – aos armazéns gerais alfandegados, entrepostos aduaneiros e zonas francas; Assim, argumenta que nenhuma lei ordinária ou ato administrativo do Poder Executivo poderá alterar uma lei complementar. Considera que o conteúdo do art. 7º do Ato Complementar nº 35/67 destina se às exportações porque, confirmando a imunidade nas exportações para o antigo ICM, conforme já previa o § 5º, do art. 24, da Constituição de 1967, estende a mesma imunidade nas exportações para o IPI e insere no mundo jurídico uma nova situação quando concede tratamento fiscal igualitário a exportação para as remessas de mercadorias para as zonas francas. Transcreve excerto do voto do Ministro Sepúlveda Pertence em Medida Cautelar concedida na ADin nº 3101 (DJ 16.04.1993), verbis: “A plausibilidade da arguição suscitada faz relevante a questão constitucional proposta. Certo, ao esforço de demonstração da invalidade nas normas questionadas, fezse necessário seu cotejo com preceitos subconstitucionais: em particular, o artigo 4º do DecretoLei nº 288/67 (...), e o artigo 49 do mesmo diploma (...); o art. 5º da Lei Complementar nº 4/69, que manteve em vigor, dandolhe hierarquia complementar, o referido artigo 4º, do DL 288/67”. Conclui enfatizando que todas as vendas para empresas situadas n Zona Franca de Manaus caracterizam exportações para fins fiscais e devem ter o mesmo tratamento tributário na conformidade do entendimento dos Tribunais Superiores, e registra – entre outras – algumas considerações finais: “È dever da Administração Pública perquirir, aferir, buscar a verdade material, ou seja, deve a Fiscalização exigir a documentação necessária à comprovação das internações bem como a apuração dos valores a serem repetidos/compensados. Deste modo, a Recorrente acredita que este entendimento é o mais adequado ao caso em comento do que o exposto no v. acórdão vergastado, isto porque, a Recorrente não pode ter o seu direito tolhido, tão somente, porque em nenhum momento foi intimada a apresentar documentação. (...) As planilhas juntadas são documentos idôneos até prova em contrário, desta feita, é necessário que esta Colenda Câmara reforme o v. acórdão guerreado, a fim de que seja concedido à Recorrente utilizarse de seu crédito para compensálo com os débitos pretendidos;” Por fim articula os pedidos: “ a) seja reconhecido integralmente o crédito tributário, pois a partir de 22.12.2000 ficou expressamente determinado que não incidiria PIS e COFINS, pois tais receitas não devem ter incidência de tais contribuições pois as remessas a ZFM são equiparadas a exportação; Fl. 163DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902901/200879 Acórdão n.º 9303002.500 CSRFT3 Fl. 164 7 (...) d) com supedêneo no v. acórdão paradigmático, seja determinada diligências no processo administrativo para que a fiscalização efetivamente investigue a existência do crédito tributário, por meio da documentação juntada aos autos e por meio de outros documentos fiscais e contábeis necessários para formar a sua convicção.” Contrarrazões articuladas pela Fazenda Nacional inicia por dizer que a pretensão da Contribuinte para que a fiscalização produza as provas que a ela caberia realizar é improcedente, em razão do que preleciona o art. 333 do CPC que incumbe o ônus da prova ao autor. Afirma que esse dispositivo aplicado ao contexto da compensação tributária confirma a atribuição do contribuinte quanto à produção de prova da certeza e liquidez do crédito que alega ter perante o Fisco, cabendo a este último, uma vez provado o crédito se não homologálo, provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo daquele. Continua alegando que no campo da compensação deve o contribuinte provar a existência de crédito líquido e certo declarado e que, quando não se desincumbe da efetivação dessa prova, fica impedido por direito de exigir que a autoridade fiscal demonstre qualquer elemento contrário à pretensão. Oferece lição da jurista Fabiana Del Padre Tomé, sobre o ônus da prova no processo administrativo fiscal, verbis: “O direito à produção probatória decorre da liberdade que tem a parte de argumentar e demonstrar a veracidade de suas alegações, objetivando convencer o julgador. Visto por outro ângulo, o direito à prova implica a existência de ônus segundo o qual determinado sujeito do processo tem a incumbência de comprovar os fatos por ele alegados, sob pena de não o fazendo, ver frustrada a pretendida aplicação do direito material. Desse modo, a prova dos fatos constitutivos cabe a quem pretenda o nascimento da relação jurídica, enquanto a dos extintivos, impeditivos ou modificativos compete a quem os alega.” Insiste declarando que qualquer exceção à regra geral deve constar em texto de lei, como, por exemplo, presente no Direito do Consumidor, não cabendo à autoridade julgadora promovêla com base em juízo de equidade. Oferece destaque ao fato de somente com o oferecimento de manifestação de inconformidade, instauradora do litígio, é que a Administração terá oportunidade de conhecer os motivos do contribuinte, examinálos e homologar ou não a compensação comunicada e, se nela não se encontrarem presentes as provas que caberia apresentar, sem dúvidas, não será possível reconhecer qualquer nulidade de decisão desconhecendo o direito creditório pretendido. Discorre sobre a legislação que cuida do PIS e da COFINS relativamente à exportação para o exterior para defender a inexistência da isenção pretendida pela ora Recorrente e menciona o art. 2º da Lei nº 10.996/2004, que reduziu a 0 (zero) as alíquotas das Contribuição ao PIS/COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas Fl. 164DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902901/200879 Acórdão n.º 9303002.500 CSRFT3 Fl. 165 8 ao consumo ou à industrialização na ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora desse ambiente, para argumentar que se antes existisse isenção, não haveria necessidade de novo instrumento normativo para instituíla. Alega também que as principais normas isencionais existentes são as do art. 150 da Constituição e dos arts. 111, 176 e 177 do CTN, que se fundamentam no princípio de ser a isenção uma exceção feita expressamente à regra jurídica de tributação, tornando, por essa razão, interpretação muito restritiva e, portanto, somente diante de hipóteses clara e explicitamente consagradas pelo legislador é que o favor tributário da isenção se materializa. Para tanto, transcreve diversos precedentes judiciais sobre a exigência de interpretação literal e restritiva da norma isencional. Discorre ainda sobre a ausência de norma isentiva para o tema ora em discussão e rebate a pretensão do que denominou de isenção indireta, porque não prevista em lei e, portanto, não se coadunando com as características do instituto tributário, tal como fixadas pela ordem jurídica em vigor. Chama a baila o fato de que as contribuições para a seguridade social não podem ser, in casu, isencionadas, sob pena de afronta ao art. 195 da CF/88 que determina ser ela financiada por toda a sociedade e transcreve excerto do Informativo STF nº 155. Rebate a possibilidade de aplicação do DecretoLei nº 288/67 ao presente caso, uma vez que o seu artigo 4º é claro ao afirmar que os efeitos fiscais à vista dos quais estabelece a equiparação das vendas à ZFM à exportação para o estrangeiro, são, exclusivamente, aqueles vigentes à época da edição dessa norma. Por conseguinte, continua, como na data do DecretoLei não existia isenção da COFINS e do PIS porque não insculpidos no mundo jurídico, não é plausível pretender a extensão da isenção a essas Contribuições Sociais, tudo também em homenagem a interpretação restritiva das regras sobre isenção, como já mencionado. Alega também que o art. 177 do CTN veda o alcance da isenção a tributos instituídos posteriormente a concessão, salvo disposição de lei em contrário. Transcreve lição da professora Mizabel Derzi, “O CTN não diz expressamente, nem ALIOMAR BALEEIRO ressalta, mas parece evidente que o art. 177 é inteiramente aplicável, com as restrições nele registradas, às isenções incondicionais, concedidas por prazo indeterminado. Essas são inteiramente revogáveis exatamente porque concedidas como favorecimento ou renúncia.” Diz ainda inexistir dúvidas de que o benefício não pode ser estendido às remessas de produtos à ZFM, pelo simples fato de não haver sido contemplado no objetivo da norma e assim, caso se faça a interpretação em sentido contrário estaria este Conselho criando norma isentiva sem supedâneo legal. Conclui pelo afastamento da hipótese de isenção das Contribuições para o PIS e COFINS e, em razão disto, pela manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902901/200879 Acórdão n.º 9303002.500 CSRFT3 Fl. 166 9 Voto Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Relator O Recurso preenche condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. As vertentes do presente litígio a serem examinadas dizem respeito a existência ou não de comprovação pela ora Recorrente dos atos negociais levados a efeito com a Zona Franca de Manaus e se tais atos, quanto ao PIS e a COFINS, estariam contidos na abrangência de isenção. Quanto a primeira vertente, ao compulsar os autos constato, no texto da Manifestação de Inconformidade, que a ora Recorrente apresentou à Secretaria da Receita Federal do Brasil Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), não homologado por inexistência de crédito tributário. O Despacho Decisório Eletrônico de não homologação tem o seguinte conteúdo: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” No Recurso Voluntário a ora Recorrente informa que anexou à Manifestação de Inconformidade já mencionada, relação das notas fiscais que compõem o crédito tributário e alega também que se tivesse sido intimada para apresentar outros documentos certamente a glosa da compensação não teria ocorrido. De todos sabido, inicialmente, que a obrigação de provar cabe ao Fisco quando materializa lançamento tributário identificando o fato gerador e o montante do tributo devido. Do mesmo modo, cabe – exclusivamente – ao Contribuinte quando na busca de ser ressarcido por tributo pago indevidamente ou em montante maior do que o devido, ofertar as provas necessárias e suficientes à liquidez e certeza de seus créditos. De primevo, a mim parece que uma simples relação contendo as operações com a ZFM representadas por números de notas fiscais, com CNPJ´s e Inscrição Estadual e ainda o crédito apurado, não substitui a prova da internalização dos produtos, nem as cópias de balancetes, livros diário e razão, onde as receitas de vendas estratificariam, sem dúvidas, a confirmação das operações efetivadas. O julgamento administrativo deve ter como norte o Princípio da Verdade Material. É certo, com isto não se está querendo dizer que o processo administrativo claudicará quando o dever de provar cabível ao Contribuinte não for exercitado. De todos sabido que as declarações de compensação não comportam espaço para as provas do Contribuinte relativamente a seus créditos, somente é possível o Fl. 166DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902901/200879 Acórdão n.º 9303002.500 CSRFT3 Fl. 167 10 conhecimento pelo Fisco relativamente ao fato de existir ou não, débitos. A partir daí, do levantamento da conta corrente do Contribuinte, a administração pode examinar o conteúdo do direito pleiteado seguindo as normas de regência. In casu, não havia registro de créditos disponíveis no ambiente da Administração. Por outro lado, espaço suficiente houve nos autos para produção de informações elucidativas quanto à internação dos produtos na ZFM pela ora Recorrente, principalmente a partir da oferta feita por ela da Manifestação de Inconformidade provocada pela não homologação de seus créditos. Não localizei ferimento aos princípios do contraditório e da ampla defesa neste processo, até mesmo porque inocorreu restrição à produção de provas. Mesmo que o instituto da preclusão quanto à juntada de documentos tenha que ser respeitado quando o sujeito passivo não protestar na impugnação ou manifestação de inconformidade, pela juntada posterior e nem apresentar justificativa legal para tanto, exceção poderá ocorrer na presença de força maior ou argumentos supervenientes, aspectos esses não produzidos nos autos. Indo agora para a vertente segunda de que as vendas para a ZFM se equiparam à exportação para o estrangeiro, para mim indiscutível que as receitas decorrentes de exportação não têm incidência das contribuições sociais de intervenção no domínio econômico de que trata o art. 149 da CF/88, uma vez que, observandose as regras estatuídas pelo art. 7º da LC 70/91 e pelo art. 5º da Lei nº 10.637, concluise que as vendas à Zona Franca de Manaus são equiparadas às exportações, conforme pacificação jurisprudencial do E. STJ a exemplo do Ag 1.295.452/DF, REsp. 817.847 SC, REsp.653.975/RS, entre outras. Portanto, não vislumbro procedência em se considerar as operações de vendas exclusivamente vinculadas ao que prelecionam os incisos IV, VI, VIII ou IX da MP 2037, constatando se a atividade da empresa compradora tem inscrição no Registro Especial Brasileiro para embarcações; seja comercial exportadora inscrita na SECEX; seja trading company ou ship´s Chandler, ao contrário, inclinome aos que entendem que toda e qualquer empresa que efetue vendas para a ZFM estará efetuando exportação. De outra banda, filiome ao entendimento do Ministro Teori Albino Zavascki quando do REsp. 1084.380/RS, em 29.03.09, pontuou: “Nos termos do art. 40 do ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT, da Constituição de 1988, a Zona Franca de Manaus ficou mantida “com suas características de área de livre comercio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, por 25 ano, a partir da promulgação da Constituição”. Ora, entre as “características” que tipificam a ZAFM destacase esta de que trata o art. 4º do Decreto Lei 288/67, segundo o qual “a exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na ZFM, ou reexportação pra o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro”. Portanto, durante o período previsto no art. 40 do ADCT e enquanto não alterado ou revogado o art. 4º so SL Fl. 167DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902901/200879 Acórdão n.º 9303002.500 CSRFT3 Fl. 168 11 288/67, há de se considerar que, conceitualmente, as exportações para a ZFM são, para efeitos fiscais, exportações para o exterior. Logo, a isenção relativa à COFINS e ao PIS é extensiva à mercadoria destinada à ZF. O DL 288/67 é originalmente um decretolei, porém está sendo considerado pelos doutrinadores após a EC 1/69 como tendo eficácia de lei complementar uma vez que cuida de matéria tributária que atinge todos os entes federativos. Foi, portanto, esse dispositivo recepcionado pela Constituição de 1988 e constitucionalizados seus dispositivos, atingindo efeitos até 2013 e tendo seus comandos elastecidos pela EC 42/66 até 2023. Para os que argumentam que somente os tributos existentes na época da edição do DL 288/67 aproveitariam a isenção, vem a Medida Cautelar em ADI 23489, não acatando tal argumento, determinando que novos tributos encontravamse abrangidos pelo artigo 40 do ADCT que foi criado para tornar diferenciado o ambiente jurídico da ZFM e teve seu prazo de vigência alterado pela EC 42 até 2023. Em razão do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto em face de não terem sido processadas as necessárias comprovações relativas ao crédito pretendido pela Recorrente. Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Declaração de Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres A presente declaração de voto fazse necessária em razão de haver concordância no resultado do julgamento, mas divergências inconciliáveis nas razões de decidir. A teor do relatado, duas sãos as questões trazidas a debate: a ausência de lastro probatório mínimo a referendar o pedido de restituição formulado; e, ii) o próprio mérito do pleito, consistente na repetição de PIS/Cofins incidentes sobre as vendas a empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, que a recorrente defende estar amparada por isenção fiscal. Inicialmente, deve ser enfrentada a questão referente ao ônus da prova. A recorrente defende em seu especial que o Fisco não envidou todos os esforços no sentido de transparecer a realidade dos fatos, de forma a possibilitar a constatação da ocorrência Fl. 168DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902901/200879 Acórdão n.º 9303002.500 CSRFT3 Fl. 169 12 ou não do direito do crédito pleiteado pela Recorrente. Ainda segundo a defesa, é certo o dever da Fiscalização, da DRJ diligenciar para requerer toda documentação necessária, a fim de buscar a realidade dos fatos e, se o caso, decidir em prol da Recorrente. Esta questão de a quem pertence o ônus da prova é muito bem definida no Código de Processo Civil, mais precisamente no art. 333 que assevera: Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Na realidade, esse artigo nada mais representa do que a positivação do princípio geral de direito, segundo o qual, o ônus da prova recai sobre aquele que alega. Desde Roma já se conhecia esse princípio, verbalizado no brocardo, alegar e não provar é o mesmo que não alegar. A síntese da distribuição do ônus da prova é muito fácil de compreender: todo aquele que demandar alguém tem o dever de provar o direito objeto de sua demanda. No caso de auto de infração, cabe ao Fisco demonstrar as razões de fato e de direito que embasam a acusação fiscal. De outro lado, nos pedidos de repetição de indébito, incumbe ao sujeito passivo a prova do pagamento indevido ou a maior que o devido. Sobre a necessidade de as partes produzirem as provas necessárias à formação da convicção do julgador, preciosas as palavras do Conselheiro Gilson Rosenburg Filho, em julgamento de caso análogo ao aqui em debate. “Um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência. A certeza vai se formando através dos elementos da ocorrência do fato que são colocados pelas partes interessadas na solução da lide. Mas não basta ter certeza, o julgador tem que estar convencido para que sua visão do fato esteja a mais próxima possível da verdade. Como o julgador sempre tem que decidir, ele deve ter bom senso na busca pela verdade, evitando a obsessão que pode prejudicar a justiça célere. Mas a impossibilidade de conhecer a verdade absoluta não significa que ela deixe de ser perseguida como um relevante objetivo da atividade probatória. A verdade encontra se ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar idéias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificarse de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. Posto isto, concluímos que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é formar a convicção do julgador. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebracabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o Fl. 169DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902901/200879 Acórdão n.º 9303002.500 CSRFT3 Fl. 170 13 convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar verossimilhança às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador.” Em outro giro, ao contrário do que quer fazer parecer a defesa, o princípio da verdade material não é remédio para todos os males processuais; não serve para inverter o ônus da prova, tampouco dispensa o demandante de provar o direito alegado. Na realidade, a verdade material contrapõese ao formalismo exacerbado, presente no Processo civil, mas, de maneira alguma, priva o procedimento administrativo das necessárias formalidades. Tampouco altera o papel a ser desempenhado pelas partes. Daí se dizer que no Processo Administrativo Fiscal convivem harmonicamente os princípios da verdade material e da formalidade moderada. De sorte que se busque a verdade real, mas preservando as normas processuais que asseguram a segurança, a celeridade, a eficiência e o bom andamento do processo. Releva ainda transcrever excerto do acórdão recorrido, para arrimar este voto. Sem esquecer as devidas homenagens, com a palavra o Nobre Relator, o Conselheiro Júlio César Alves Ramos: “Não considero caber à Administração a instrução probatória em substituição ao contribuinte nem é isso o que esta Casa tem reconhecido, como postula o recurso. Realmente, há decisões que determinam que a Administração supra a ausência de um dado documento cuja apresentação deveria ter sido promovida pela parte. Mas tal entendimento não tem o alcance pretendido na defesa. Limitase ele aos casos em que o próprio documento já esteja de posse da administração e tenha sido difícil ou impossível à parte sua apresentação tempestiva. Isso se dá, por exemplo, com documentos tais como DARF e declarações entregues. Nesses termos, descabível indeferir uma compensação que aponte com clareza o recolhimento indevido (data, código de recolhimento) simplesmente porque a empresa não tenha juntado sua cópia nos autos, o mesmo se passando com a DCTF ou a DIPJ comprovadamente entregues. Aqui, diferentemente, o que se tem é a necessidade, no entender da instância de piso, de apurar se as vendas alegadas se enquadram nas disposições dos incisos IV, VI, VIII ou IX da MP 2037. Tal apuração passa pela constatação da atividade da empresa compradora e dos requisitos postos na legislação: inscrição no REB, ser comercial exportadora inscrita na SECEX, ser trading company ou ser ship’s Chandler. Nenhum deles se encontra expresso em qualquer documento interno em posse da SRF. Por fim, quanto ao período em que, sem qualquer condição, não deveria ter sido recolhido PIS nem COFINS sobre tais vendas – a partir de julho de 2004 – a empresa nada juntou nos autos que comprovasse as vendas alegadas. O recurso alega que a DRJ estaria obrigada, ainda assim, a promover as diligências que pudessem permitir a ela, recorrente, apresentar suas provas. Não está. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902901/200879 Acórdão n.º 9303002.500 CSRFT3 Fl. 171 14 De fato, ausente por completo a prova quando primeiramente se defende a empresa, o máximo que temos admitido é a apresentação da mesma em grau de recurso. Notese que, ao fazêlo, ultrapassase a letra fria do decreto 70.235 que a exige, impreterivelmente no momento da apresentação da “impugnação”. Só o fazemos, pois, em respeito ao princípio da verdade material, quando o elemento probante trazido extemporaneamente tem a força de desconstituir lançamento que houver sido mantido pela sua ausência. Do contrário, estarseia a afrontar o princípio constitucional da legalidade. Novamente não é o que se passa aqui. A empresa não aproveitou a oportunidade de coligir e apresentar a prova faltante. Pelo contrário, limitase a postular que a decisão seria nula porque não determinara a DRJ as diligências que a poderiam provar. Ocorre que as diligências previstas no Decreto 70.235 a isso não se destinam. Deveras, elas objetivam apenas permitir a formação da convicção do julgador quando os elementos presentes nos autos não sejam suficientes. Nesse sentido, houvesse a empresa trazido aos autos alguma “prova”, a exemplo da planilha elaborada para o outro período, que constituísse ao menos indício de que as vendas realmente ocorreram, justificarseia um exame mais detalhado. Como já dito, neste último período nada há. Rejeito, por isso, as alegações de nulidade contra a decisão atacada e passo ao mérito.” Diante de todo o exposto, entendo ser totalmente descabida a pretensão da recorrente no sentido de se baixar os autos ao órgão de origem, com a determinação de que a Fiscalização seja instada a apontar, pormenorizadamente, quais documentos a demandante deveria apresentar para provar o seu direito. A ausência da prova do direito alegado, por si só, autoriza o indeferimento da pretensão da recorrente, e por conseguinte, torna prejudicada a análise do mérito do direito pleiteado. Em relação à isenção da contribuição sobre as remessas para a ZFM, essa matéria sequer poderia ser enfrentada por este colegiado, haja vista que não houve prova de tais remessas. Todavia, como o relator enfrentou a matéria – isenção das contribuições nas vendas para a Zona Franca Manaus – trazendo argumentos com os quais não posso concordar, passo a expor o meu posicionamento sobre o tema. Inicialmente verificase que o sujeito passivo defende a isenção sob alegação de que tais vendas equivaleriam, para todos os efeitos, à exportação para exterior; de outro, a Fazenda Nacional entende que tais receitas devem compor a base de cálculo dessas contribuições, como determina a legislação de regência desses tributos. A meu sentir, razão não assiste à recorrente, pois a pretendida isenção, veiculada no DecretoLei nº 288/1967, não poderia alcançar os tributos ora em análise, posto Fl. 171DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902901/200879 Acórdão n.º 9303002.500 CSRFT3 Fl. 172 15 que, norma inserta no CTN, mais precisamente no inciso II do 1art. 177, veda, expressamente, a extensão de isenções a tributos instituídos posteriormente à sua concessão, o que é, absolutamente, o caso dos autos. Demais disso, o caput do art. 176 do CTN exige que a lei concessiva de isenção especifique quais os tributos a que se aplica, e sendo o caso, o prazo de sua duração. Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares. Ora, por razões óbvias, o citado decretolei não poderia fazer referência a essas contribuições, visto que elas ainda não existiam à data da edição desse ato legal. Aliás, à época dos fatos objeto destes autos, não havia qualquer dispositivo legal concedendo isenção ou exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins no tocante às receitas de vendas para adquirentes situados na Zona Franca de Manaus. Desta feita, não há como conceder o benefício pleiteado. Observese, por oportuno que a regra é a incidência dessas contribuições sobre todas as receitas componentes do faturamento das pessoas jurídicas, sendo exceção a não incidência, exclusões de base de cálculo ou isenções. Demais disso, como é de sabença geral, as exceções devem vir expressa na lei, e nenhuma lei, até a data dos fatos, dispôs sobre qualquer isenção ou exclusão dessas receitas da base de cálculo das contribuições em foco. Essas as razões pelas quais nego provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres 1 Art. 177. Salvo disposição de lei em contrário, a isenção não é extensiva: I .................................................................. II aos tributos instituídos posteriormente à sua concessão. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 11020.722273/2011-58
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2006 a 01/03/2009
VERBAS PAGAS A TÍTULO DE PLANO DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS. AUSÊNCIA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS EM RELAÇÃO A PARCELA ADICIONAL PAGA AOS EMPREGADOS COM CARGOS DE CHEFIA E GERÊNCIA, MEDIANTE, EXCLUSIVO, ARBÍTRIO DA DIREÇÃO DA EMPRESA. VERBAS PAGAS A TÍTULO DE PLANO DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS EM FAVOR DE CONTRIBUINTE INDIVIDUAIS. VALORES QUE SE REVESTEM DA CARACTERÍSTICA DE VERBA REMUNERATÓRIO DANDO ENSEJO A CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. A MULTA PUNITIVA POR DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL DEVE SER APLICADA NOS TERMOS DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-002.923
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para determinar a aplicação da multa punitiva benéfica, do artigo 32 - A - I, que foi introduzido pela Lei 11.941/2009, conversão da MP 449/2008, na Lei 8.212/91, em relação ao DEBCAD 37.261.176-7.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2006 a 01/03/2009 VERBAS PAGAS A TÍTULO DE PLANO DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS. AUSÊNCIA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS EM RELAÇÃO A PARCELA ADICIONAL PAGA AOS EMPREGADOS COM CARGOS DE CHEFIA E GERÊNCIA, MEDIANTE, EXCLUSIVO, ARBÍTRIO DA DIREÇÃO DA EMPRESA. VERBAS PAGAS A TÍTULO DE PLANO DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS EM FAVOR DE CONTRIBUINTE INDIVIDUAIS. VALORES QUE SE REVESTEM DA CARACTERÍSTICA DE VERBA REMUNERATÓRIO DANDO ENSEJO A CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. A MULTA PUNITIVA POR DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL DEVE SER APLICADA NOS TERMOS DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrente TRAMONTINA CENTRAL DE ADMINISTRAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2006 a 01/03/2009 VERBAS PAGAS A TÍTULO DE PLANO DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS. AUSÊNCIA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS EM RELAÇÃO A PARCELA ADICIONAL PAGA AOS EMPREGADOS COM CARGOS DE CHEFIA E GERÊNCIA, MEDIANTE, EXCLUSIVO, ARBÍTRIO DA DIREÇÃO DA EMPRESA. VERBAS PAGAS A TÍTULO DE PLANO DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS EM FAVOR DE CONTRIBUINTE INDIVIDUAIS. VALORES QUE SE REVESTEM DA CARACTERÍSTICA DE VERBA REMUNERATÓRIO DANDO ENSEJO A CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. A MULTA PUNITIVA POR DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL DEVE SER APLICADA NOS TERMOS DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para determinar a aplicação da multa punitiva benéfica, do artigo 32 A I, que foi introduzido pela Lei 11.941/2009, conversão da MP 449/2008, na Lei 8.212/91, em relação ao DEBCAD 37.261.1767. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 22 73 /2 01 1- 58 Fl. 392DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11020.722273/201158 Acórdão n.º 2803002.923 S2TE03 Fl. 393 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11020.722273/201158 Acórdão n.º 2803002.923 S2TE03 Fl. 394 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.261.0617, objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da empresa, em razão da Participação nos Lucros ou Resultados – PLR – parte patronal e SAT, bem como o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.321.1759, objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da empresa, em razão da Participação nos Lucros ou Resultados – PLR – parte devida a outras entidade e fundos – terceiros, e, ainda, do o Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA DEBCAD 37.321.1767, CFL.68, em razão de apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, parágrafo 3º, acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV, parágrafo 5º., também, acrescentado pela Lei 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4º., do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC, de fls. 21 a 44, com período de apuração de 12/2006 a 02/2009, conforme Termo e Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 46 e 47. O sujeito passivo foi cientificado das autuações, em 29/0612011, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, de fls. 03; 10 e 17, respectivamente. O contribuinte apresentou petição de defesa com suas razões, as fls. 223 a 253, acompanhada dos documentos, de fls. 254 a 311. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 312 a 314 e 316. Consta, as fls. 315, Termo de Apensação (1), onde consta que a este processo foi juntado por apensação o PROCESSO: 11020.722426/201167. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1041.629 6ª, Turma DRJ/POA, em 29/11/2012, fls. 317 a 337. No qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 20/02/2013, conforme AR, de fls. 346. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 351 a 374, recebido, em 18/03/2013, conforme carimbo de recepção, de fls. 351, acompanhado dos documentos, de fls. 375 a 386. Mérito. Fl. 394DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11020.722273/201158 Acórdão n.º 2803002.923 S2TE03 Fl. 395 4 · que a recorrente promoveu pagamento diferenciado aos seus empregados com cargo de chefia e de gerência, mas tais pagamentos foram realizados dentro da lei e oferecidos a todos os trabalhadores e observando suas políticas meritocrática, incluindose está no artigo 28, § 9º, “j”, da Lei 8.212/91, uma vez que os pagamentos não possuem natureza salarial estão excluídos da incidência previdenciária, cita doutrina e o STJ; · que tais pagamentos são incertos e eventuais e assim se conformam ao artigo 28, § 9º, “e”, “7”, da Lei 8.212/91, pois a recorrente pode não alcançar seus objetivos, estando os pagamentos previsto na cláusula 3.4.1 do acordo firmando entre a comissão de empregados e a empresa, possuindo este regras claras e objetivas; · que o pagamento de valores diferenciados está previsto nos acordos de 2006/2007 entre 0,5 e 4 vezes o valor do salário base do empregado, bem como a comissão autorizou tal pagamento diferenciado nos acordos de 2002/2007 e não em 28/08/2008 como alega o fisco, conforme termo de declaração; · que cargos idênticos exercidos em setores ou seções diferentes podem corresponder a salários diferentes, o que se reflete no PPR, pois empregados com salários diferentes recebem uma participação igual ao seu salário mensal, mas que dezessete colaboradores recebem um tratamento e participação diferenciada, o que se explicará; · que não há tratamento diferenciado, pois todos com cargo, função e responsabilização idêntica têm o mesmo tratamento, o contrário não premiaria o mérito, pois as pessoas que mais se empenham, possibilitam maiores resultados e possuem maiores responsabilidades têm maiores méritos, cita decisão da DRJ/RJ1 Acórdão 1236.214 onde a fazenda reconhece que a recorrente não violou a lei, o que enfraquece a autuação, devendo esta ser afastada; · que os ditos programas passaram pela aprovação dos sindicatos, estando o programa de acordo com o artigo 7º, XI; 195, I e 201, § 4º,d a CF/88 c/c o artigo 28, § 9º, “j”, da Lei 8.212/91 e da Lei 10.101/2000, cita doutrina; · que a cobrança de contribuição do PPR dos diretores/administradores, também, não prospera, uma vez que estas não ostentam natureza salarial, sendo inconstitucional a sua exigência, cita doutrina · que o artigo 12, I, “a”, da Lei 8.212/91 define os segurados obrigatórios empregados, o RPS faz o mesmo, cita a CLT e o enunciado 229 do TST, estando equivocada a decisão recorrida ao dizer que incide a contribuição por não serem os diretores empregados, cita decisão do TRF4, não havendo ilegalidade na participação destes no plano PLR; Fl. 395DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11020.722273/201158 Acórdão n.º 2803002.923 S2TE03 Fl. 396 5 · que os juros não podem ser mantidos da forma como estabelecidos, pois o artigo 34, da Lei 8.212/91 foi revogado pela MP 449/2008, além do que a SELIC não se aplica, pois contém índice de atualização, cita doutrina; · que os juros moratórios não podem ser mantidos, pois o artigo 36, da Lei 8.212/91 foi revogado, não podendo haver, também, a incidência de juros sobre as multas de ofício aplicadas, como decidido pelo CARF; · que não havendo a prática de nenhuma ilegalidade pela recorrente, deve ser reconhecida a inexistência de imposição legal dos pretensos fatos geradores como base de cálculo, bem como a desnecessidade de declarálos em GFIP; · Ao final espera a recorrente: a) recebimento do recurso; b) devendo este ser conhecido e provido, reconhecendose que nada deve a recorrente. A autoridade preparadora considerou o recurso tempestivo, fls. 391. Os autos subiram ao CARF, fls. 391. É o Relatório. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11020.722273/201158 Acórdão n.º 2803002.923 S2TE03 Fl. 397 6 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Ficou demonstrado de forma clara, objetiva e evidente que a empresa apesar de instituir um plano de participação nos resultados estabeleceu neste regras diferenciadas para pagamento adicional a seus empregados com cargo de chefia e gerência, pagamento adicional este que não se submetia as regras da Lei 10.101/2000, mas sim a critérios subjetivos da diretoria da empresa por ocasião do pagamento, conforme consta do subitens 6.1.3.1.1.4 a 6.1.3.1.1.7.6, do REFISC, de fls. 21 a 44, observese o que diz a DRJ sobre o assunto. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11020.722273/201158 Acórdão n.º 2803002.923 S2TE03 Fl. 398 7 Assim sendo, com esses esclarecimentos fica evidente que a verba paga não atende aos requisitos do artigo 28, § 9º, alínea “e”, item “7”, da Lei 8.212/91, haja vista que pago em desacordo com a lei de regência da matéria Lei 10.101/2000. Os pagamentos não são incertos e nem eventuais, pois é dá natureza dos mesmos que se atinja a determinados parâmetros e metas para o seu recebimento, mas uma vez atingidos tais objetivos, o pagamento é obrigatório, bem como não é eventual, pois cuidase de um direito incorporado ao patrimônio do trabalhador que não pode ser suprimido. A previsão do pagamento adicional no acordo do plano de participação nos resultados é irrelevante se este viola as determinações legais para a espécie, sendo aplicável no caso o artigo 123, caput, da Lei 5.172/66. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11020.722273/201158 Acórdão n.º 2803002.923 S2TE03 Fl. 399 8 A alegação de que empregados com mesmo cargo, mas que atuem em setores ou seções diferentes podem corresponder ao recebimento de salários diferentes, viola o direito dos trabalhadores e a CLT, que em seu artigo quinto diz: “Art. 5º A todo trabalho de igual valor corresponderá salário igual, sem distinção de sexo.” . Aliás, a doutrina e a jurisprudência sobre equiparação salarial não deixam dúvidas sobre isso, observese. Assim, para a configuração da equiparação salarial mister se faz o atendimento dos seguintes requisitos: (a) identidade de funções; (b) trabalho de igual valor; (c) mesma localidade; (d) mesmo empregador; (e) simultaneidade na prestação do serviço; (f) inexistência de quadro organizado em carreira. 1 Processo: 14. 000139082.2011.5.03.0075 RO (013902011075 03002 RO) Órgão Julgador: Oitava Turma Relator: Marcio Ribeiro do Valle Revisor:Denise Alves Horta Vara de Origem: 1a. Vara do Trabalho de Pouso Alegre Publicação:06/03/2012 Divulgação: 05/03/2012. DEJT. Página 132. Boletim: Não. EMENTA: EQUIPARAÇÃO SALARIAL. REQUISITOS. O artigo 461 da CLT assegura o pagamento de salário igual a todos os empregados que, prestando serviços ao mesmo empregador e na mesma localidade, desempenhem funções idênticas, com a mesma produtividade e perfeição técnica, desde que a diferença de tempo de serviço na função entre eles não ultrapasse dois anos. A teor do estipulado no item VIII da Súmula 06 do C. TST, em matéria de equiparação salarial, cabe ao empregado a prova do fato constitutivo de seu direito, qual seja, a identidade de funções exercida entre ele e o paradigma citado. Se, no caso dos autos, o Reclamante se desincumbiu de seu ônus a contento, eis que restou comprovada a identidade funcional com o paradigma apontado, não apresentando a Reclamada prova dos fatos extintivos, modificativos ou impeditivos do direito à equiparação salarial, impõese manter a sentença que acolheu a pretensão equiparatória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de Recursos Ordinários, interpostos em face de decisão proferida pelo douto Juízo da 1ª Vara do Trabalho de Pouso Alegre, em que figuram, como Recorrentes, MEDABIL SISTEMAS CONSTRUTIVOS S.A. e RAFAEL NUNES PEREIRA, e, como Recorridos, OS MESMOS. (o grifo é meu). Assim um eventual e suposto não cumprimento de obrigações trabalhistas não justifica o não cumprimento das obrigações tributárias. Ademais, a existência ou não de salários diferentes em razão da mesma função é irrelevante para a solução do presente caso, valendo o mesmo entendimento para o tratamento diferenciado para dezessete trabalhadores, pois não é a existência de salários diferenciados e sim o pagamento de PLR diferenciado e em desacordo com a lei, que deu ensejo ao lançamento, devido a ausência de critérios claros e objetivos no acordo do PLR em 1 Martins, Sergio Pinto. Direito do Trabalho. 15ª Eduação. Editora Atlas. São Paulo. 2002. págins 276. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11020.722273/201158 Acórdão n.º 2803002.923 S2TE03 Fl. 400 9 relação ao acréscimo em favor desses profissionais, que segundo a autoridade lançadora ficou submetido completa e exclusivamente aos critérios e arbítrio da empresa e nada mais, conforme trecho do REFISC transcrito acima. A decisão da DRJ/RJ1 não se aplica ao caso, pois não há identidade jurídica entre os casos tratados, naquela decisão cuidouse de dedução de custos operacionais para definição do lucro em razão da apuração do IRPJ e no presente de verbas que integram ou não da base de cálculo da contribuição social previdenciária. A aprovação do sindicato da categoria profissional em relação ao acordo do PLR em nada implica que este esteja dentro das regras e normas que regem a tributação, pois aquela entidade não detém competência legal sobre esta matéria, sendo isso irrelevante, pois a função do sindicato é proteger e privilegiar o direito do trabalhador e não definir e determinar norma ou regra de tributação. Aliás, como já esclarecido anteriormente aplicase aqui o artigo 123, caput, da Lei 5.172/66. Nos termos da legislação a seguir colacionada não cabe a este órgão se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei. Os agentes da Administração devem obediência ao artigo 37, caput, da CRFB/88 c/c o artigo 116, III, da Lei 8.112/90 c/c o artigo 26 – A, do Decreto 70.235/72 introduzido pelo artigo 25, da Lei 11.941/2009. Além do que, no CARF a questão está inserida na Portaria MF 256/2009 Regimento Interno do CARF, artigo 62, abaixo transcrito, estando tal matéria sumulada no âmbito desse colegiado. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A interpretação do termo lei, aqui deve ser restritiva e não ampliativa, pois a CRFB/88 diz que o Supremo Tribunal Federal – STF é o seu guardião. O agente lançador e o órgão julgador a quo deixaram claro que em relação as competências 01/2007; 01/2008 e 01/2009 foi exigida contribuição previdenciária em relação, respectivamente, aos Senhores Clovis Tramontina; Eduardo Scomazzon e Ildo Paludo Clovis Tramontina; Eduardo Scomazzon; Ildo Paludo; Inácio Chies e Joselito Gusso, e por fim Clovis Tramontina; Eduardo Scomazzon; Ildo Paludo; Inácio Chies e Joselito Gusso, uma vez que todos se enquadram na condição de contribuintes individuais, pois são sócios da recorrente, o que fica evidente e comprovado pela alteração nº 07, do Contrato Social da empresa, conforme fls. 100 a 106, sendo que a regra de isenção do artigo 28, § 9º, alínea “e” item “7”, aplicase, exclusivamente, aos empregados e não aos contribuintes individuais. A própria decisão do TRF4 suscitada e transcrita pela recorrente deixa isso claro veja a passagem abaixo. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11020.722273/201158 Acórdão n.º 2803002.923 S2TE03 Fl. 401 10 A citação acima esclarece a questão em relação ao diretor não empregado a participação nos lucros é salário de contribuição e quanto ao diretor empregado, também, será, sua participação no lucro, base de cálculo da contribuição, se este estiver em posição de vantagem em relação aos demais trabalhadores, sendo justamente isso o que a recorrente advogou o tempo todo. A revogação do artigo 34, da Lei 8.212/91 pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009 em nada afeta a aplicação de juros no lançamento tributário, uma vez que a mesma lei alterou a redação do artigo 35 e introduziu o artigo 35 A, na Lei 8.212/91 e estes se reportam, respectivamente, ao artigo 61 e ao artigo 44, da Lei 9.430, sendo que o primeiro prevê a aplicação de multa moratória e juros de mora (SELIC) e o segundo a substituição da multa moratório por multa de ofício, quando o lançamento se der pelo fisco. A utilização da taxa SELIC é absolutamente admitida e normal na esfera tributária. O artigo 35, da Lei 8.212/91, assim o determina, bem como é admitida pela Súmula 4 do CARF e pelos nossos tribunais superiores – STJ e STF. Aliás, o próprio CARF tem Súmula sobre o assunto. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. O STJ assim se posiciona, sendo inclusive compatível com o artigo 161, § 1º da Lei 5.172/66 para este tribunal superior. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. AFERIÇÃO DA NECESSIDADE DE PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL. ANÁLISE DOS REQUISITOS FORMAIS DA CDA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 7/STJ. PAGAMENTO NÃO EFETUADO. NÃO OCORRÊNCIA DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. PRECEDENTE REGIDO PELA SISTEMÁTICA DO ART. 543C, DO CPC. 1. "Avaliar a necessidade da produção de prova pericial atrai o óbice contido na Súmula 7/STJ, haja vista tal providência demandar o revolvimento do substrato fáticoprobatório permeado nos autos" (AgRg no Ag 989.493/SP, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 23/06/2008). 2. A investigação acerca do preenchimento dos requisitos formais da CDA que aparelha a execução fiscal demanda, necessariamente, a revisão do substrato fático probatório contido nos autos, providência que não se coaduna com a via eleita, conforme vedação expressa da Súmula 7/STJ. 3. É inaplicável o benefício do art. 138 do CTN ao tributo confessado e nãopago pelo contribuinte. 4. A Primeira Seção desta Corte, quando do julgamento do REsp. n. 1.111.175/SP, Fl. 401DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11020.722273/201158 Acórdão n.º 2803002.923 S2TE03 Fl. 402 11 de relatoria da Ministra Denise Arruda, pacificou entendimento, pela sistemática do art. 543C, do CPC, no sentido da legalidade da Taxa Selic, a qual incide sobre o crédito tributário a partir de 1º.1.1996 não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária tendo em vista que o art. 39, § 4º da Lei n. 9.250/95 preenche o requisito do § 1º do art. 161 do CTN. 5. O presente agravante regimental tratou, também, de questões diversas daquelas pacificadas em sede de recurso repetitivo, pelo que deixo de aplicar a multa prevista no § 2º do art. 557 do CPC. 6. Agravo regimental não provido.(AGA 200900895519, MAURO CAMPBELL MARQUES, STJ SEGUNDA TURMA, 28/09/2010) (grifo meu). A SELIC em recente julgamento do STF no sistema da Repercussão Geral Tema nº 214, no RE 212.209, em 08/06/2011, foi considerada cabível e compatível com a seara tributária, conforme sua página de notícias, assim pensa, também, o STJ, observese os textos. O Plenário do Supremo Tribunal Federal (SFT) ratificou, ontem, quartafeira (18), por maioria de votos, jurisprudência firmada em 1999, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 212209, no sentido de que é constitucional a inclusão do valor do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual, Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) na sua própria base de cálculo. A decisão foi tomada no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 582461, interposto pela empresa Jaguary Engenharia, Mineração e Comércio Ltda .contra decisão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP), que entendeu que a inclusão do valor do ICMS na própria base de cálculo do tributo – também denominado “cálculo por dentro” – não configura dupla tributação nem afronta o princípio constitucional da não cumulatividade. No caso específico, a empresa contestava a aplicação, pelo governo de São Paulo, do disposto no artigo 33 da Lei paulista nº 6.374/89, segundo o qual o montante do ICMS integra sua própria base de cálculo. Súmula Em 23 de setembro de 2009, o Plenário do STF reconheceu repercussão geral à matéria suscitada no RE. Após a decisão do RE, o presidente da Corte, ministro Cezar Peluso, propôs que fosse editada uma súmula vinculante para orientar as demais cortes nas futuras decisões de matéria análoga. Assim, uma comissão da Corte vai elaborar o texto da súmula para ser posteriormente submetido ao Plenário. O caso A decisão da Justiça paulista afastou a alegação da empresa de que o artigo 13, parágrafo 1º, da Lei Complementar (LC) nº 87/96 (que prevê a inclusão do valor do ICMS na sua própria base de cálculo), bem como o artigo 33 da lei paulista nº 6.374/89, no mesmo sentido, conflitariam com a Constituição Fl. 402DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11020.722273/201158 Acórdão n.º 2803002.923 S2TE03 Fl. 403 12 Federal (CF) no que diz caber a lei complementar definir os fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes dos impostos. Considerou legítima, ainda, a aplicação da taxa Selic e da multa de 20% sobre o valor do imposto corrigido. (grifos meus). Esta casa de justiça vem assim decidindo. EMBARGOS DECLARATÓRIOS – ESCLARECIMENTOS. Em se tratando de situação concreta a reclamar esclarecimentos, impõese prover os declaratórios sem o empréstimo de eficácia modificativa. TAXA SELIC – DÉBITO TRIBUTÁRIO. O Tribunal, na sessão plenária de 18 de maio de 2011, apreciando o Recurso Extraordinário nº 582.461/SP, assentou a legalidade da aplicação da taxa Selic para fins tributários. (AI 760894 AgRED, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em 03/04/2012, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe084 DIVULG 30042012 PUBLIC 02052012 RET v. 15, n. 85, 2012, p. 139141) (realce meu) O artigo 36, da Lei 8.212/91 foi revogado a muito pela Lei 8.218/91, passando tal assunto a ser disciplinado pela MP 1.571/97 e suas reedições até sua conversão na Lei 9.528/07 a disciplinar o juros moratórios, sendo impertinente a alegação da recorrente. Além do que, devese observar a legislação de regência do lançamento, haja vista que esta nos termos do artigo 144, caput, da Lei 5.172/66 se reporta a data da ocorrência do fato gerador e o presente crédito tem contribuições para os anos de 2007 e 2008 época em que os dispositivos legais estavam em vigor, pois alterados apenas em 12/2008, assim só se aplicariam a contribuição da competência 01/2009 ou retroativamente se mais benéficos artigo 106, II, “c”, da Lei 5.172/66. Não há a incidência de juros sobre multa de ofício, basta ver os lançamento de per si para o DEBCAD 37.261.0617, o relatório Fundamentos Legais do Débitos – FLD, de fls. 06 a 08, nas rubricas “601 ACRÉSCIMOS LEGAIS – MULTA” e “602 ACRÉSCIMOS LEGAIS – JUROS” esclarecem a questão, basta ler os tópicos. No que tange ao DEBCAD 37.261.1759, o relatório Fundamentos Legais do Débitos – FLD, de fls. 13 a 15, nas rubricas “601 ACRÉSCIMOS LEGAIS – MULTA” e “602 ACRÉSCIMOS LEGAIS – JUROS” esclarecem a questão, basta ler os tópicos. Relativamente, ao DEBCAD 37.261.1767, por tratarse de multa punitiva por descumprimento de dever instrumental, ou seja, obrigação acessória lei estabelece se patamar, o que esta devidamente esclarecido no item 6.2.1.5, do REFISC, fls. 40 e 41. Assim, não há aplicação de juros sobre multa de ofício. Todavia, a multa do DEBCAD 37.261.1767 foi aplicada nos termos da legislação em vigor à época do fato gerador, artigo 32, §§ 4º e 5º, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11020.722273/201158 Acórdão n.º 2803002.923 S2TE03 Fl. 404 13 Contudo, o artigo 32 – A I, foi introduzido pela Lei 11.941/2009, conversão da MP 449/2008 passando a ser mais benéfico e, assim, deve ser aplicado, em respeito ao artigo 106, II, “c”, da Lei 5.172/66. Assim com esses esclarecimentos rejeito todas as alegações de mérito, suscitadas pela recorrente, mas de ofício reconheço a aplicação da multa punitiva benéfica como esclarecido. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito darlhe provimento parcial, para determinar a aplicação da multa punitiva benéfica, do artigo 32 – A I, que foi introduzido pela Lei 11.941/2009, conversão da MP 449/2008, na Lei 8.212/91, em relação ao DEBCAD 37.261.1767. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 13850.000099/2010-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1301-000.098
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
documento assinado digitalmente
Plínio Rodrigues Lima
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. “documento assinado digitalmente” Plínio Rodrigues Lima Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 50 .0 00 09 9/ 20 10 -6 1 Fl. 2336DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/1 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13850.000099/201061 Resolução nº 1301000.098 S1C3T1 Fl. 999 2 RELATÓRIO EMBRAER EMPRESA BRASILEIRA DE AERONÁUTICA S/A, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas, São Paulo, que indeferiu pedido veiculado por meio de Manifestação de Inconformidade, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de pedido de reconhecimento de direito creditório, cumulado com pedido de compensação, envolvendo crédito relativo a saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica do quarto trimestre do anocalendário de 2007, no montante de R$ 3.127.868,05. Dos autos, podem ser extraídas as seguintes informações: i) a DCOMP submetida à análise é retificadora de outra anteriormente entregue; ii) a título de antecipações, referida DCOMP aponta os seguintes valores: IR pago no exterior: R$ 17.736.992,74; Imposto retido na Fonte: R$ 23.228.836,17 Total: R$ 40.965.828,91 iii) a DCOMP original foi objeto de análise automática, cancelada em virtude da apresentação do documento retificador; e iv) a análise do pedido passou a ser feita de forma manual, tomando por base a DCOMP retificadora. Transcrevo, abaixo, fragmentos do relato contido na decisão de primeira instância acerca das glosas promovidas por meio do Despacho Decisório nº 0079/2010 (fls. 367/374). 1. IR Retido na Fonte afirma que não teriam sido comprovadas as retenções no valor total de R$ 134.008,14, efetuadas pelas seguintes fontes pagadoras: CNPJ Fonte Cód. Valor 00.394.429/003045 6147 46.945,23 00.394.429/007202 6147 83.557,18 00.394.429/011650 6147 3.505,73 134.008,14 [...] 2. IR Pago no Exterior conforme transcrição abaixo: 7) Imposto Pago no Exterior: Fl. 2337DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/1 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13850.000099/201061 Resolução nº 1301000.098 S1C3T1 Fl. 1000 3 A empresa considerou pagamentos de imposto de renda no exterior na dedução do imposto devido na DIPJ do quarto trimestre de 2007 no valor total de R$ 17.736.992,74. [...] Na verificação dos pagamentos acima, APURAMOS: a) O contribuinte não descontou prejuízos compensados, para efetuar o cálculo do limite do pagamento compensável. A empresa compensou os valores de Lucros adicionados ao Lalur, conforme se observa da cópia DIPJ (fls. 308) Lucro Real R$ 180.604.755,09 menos Prejuízos Compensados R$ 54.181.426,53 = Lucro Real após a Compensação de Prejuízos R$ 126.723.328,56, portanto o lucro do exterior adicionado foi reduzido pela compensação de prejuízos, o que deve ser reduzido do cálculo do lucro no exterior adicionado para apurarse o imposto compensável PAGO NO EXTERIOR. O mesmo procedimento com relação à compensação da base de cálculo negativa da CSLL (fls. 362), compensou R$ 41.564.296,82 de CSLL Negativa, descontada do valor da Base de Cálculo de R$ 170.506.294,66, restando base de cálculo R$ 128.941.997,84 (fls. 362). Fund: IN 213/02, art. 14 §7°. O tributo pago no exterior, passível de compensação, será sempre proporcional ao montante dos lucros, rendimentos ou ganhos de capital que houverem sido computados na determinação do lucro real. b) O contribuinte considerou pagamentos efetuados para Países fora da Espanha pela controlada da Espanha, tendo deduzido sem previsão legal esses tributos do imposto devido no Brasil. Vide demonstrativo (fls. 306) apresentado pelo contribuinte. O contribuinte também deduziu do IR Devido no Brasil, Fontes descontadas em países, como a China e França: Juros pagos por serviços China 463.677,41 Juros pagos por serviços China 547.697,13 Mútuo com a Each 962.803,40 1.974.177,94 [...] Da leitura dos dispositivos apontados inferese que o imposto compensável pela matriz domiciliada no Brasil é aquele apurado e pago, pela filial, no País em que esta última está domiciliada no caso a agência situada em Espanha – e incidente sobre os lucros por esta apurados. (Consulta 190 SRRF/8a RF/DISIT de 09/10/2003). c) O contribuinte não comprovou pagamentos com documentos hábeis referente a pagamentos no exterior, considerados no valor do IR pago no exterior, a saber: Código de Processo Civil Lei n° 5.869, de 1973, art. 157; Lei n° 6.015, de 1973, art. 129, §6°, e art. 148; Código Civil Lei n° 10.406, de 2002, art. 224; e Decreto nº 13.609, de 1943, art 18; PN CST no 250, de 1971. Fl. 2338DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/1 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13850.000099/201061 Resolução nº 1301000.098 S1C3T1 Fl. 1001 4 O contribuinte não apresentou documento hábil para o crédito US$ 791.756,04. O documento apresentado é um extrato de razão contábil (fls. 142). O contribuinte não apresentou documentação hábil para crédito, também não é dedutível conforme item “b”. Juros pagos por serviços China 463.677,41 Juros pagos por serviços China 547.697,13 Mútuo com a Each 962.803,40 1.974.177,94 d) Com base nos elementos comentados nos itens “a” até “c” deste item 7, Imposto de Renda no exterior, recalculamos o imposto de renda pago no exterior, conforme demonstrativos que se seguem: [...] D5) Glosas Efetuadas na Revisão Interna DIPJ Valores Admitidos Valores Glosados IR Pago no Exterior 17.736.992,74 7.233.867,32 10.503.125,42 CSLL Exterior 3.886.913,28 2.832.099,00 1.054.814,28 I. Fonte Não comprovado 134.008,14 TOTAIS 21.623.906,02 10.065.966,32 11.691.947,84 RESULTADO VALORES Saldo Negativo IRPJ da DIPJ 9.365.996,77 Saldo Negativo Ajustado para Devedor 1.271.136,79 CSLL 1.054.814,28 (GRIFOS DO ORIGINAL) Manifestação de Inconformidade às fls. 376/409. A já citada 5a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas, apreciando a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 0532.685, de 16 de fevereiro de 2011, pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. O referido julgado restou assim ementado: MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. GLOSA DE IRRF. ATIVIDADES MERCADO INTERNO. Fica definitivamente constituída na esfera administrativa a matéria não expressamente impugnada pela autuada, precluindo o direito de apresentar qualquer contestação a esse respeito em instância superior. SOBRESTAMENTO DO PROCESSO. IMPOSSIBILIDADE. A Administração Pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final (Principio da Oficialidade). Se até mesmo em caso de pendência de decisão Fl. 2339DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/1 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13850.000099/201061 Resolução nº 1301000.098 S1C3T1 Fl. 1002 5 definitiva no Poder Judiciário, instância superior e autônoma em relação à. esfera administrativa, descabe o sobrestamento do processo administrativo, igual conclusão se impõe quando há pendência de decisão administrativa definitiva relativa a exigência formalizada de ofício no período. REVISÃO DA DIPJ. IMPUGNAÇÃO DE IDÊNTICO TEOR. MATÉRIA JÁ APRECIADA. ADOÇÃO DAS MESMAS RAZÕES DE DECIDIR. Adotase no presente julgamento as mesmas razões de decidir proferidas em acórdão desta turma de julgamento que manteve a reversão do saldo negativo de IRPJ em saldo a pagar, no litígio instaurado contra lançamento decorrente de revisão da DIPJ/2008, cuja impugnação apresenta teor idêntico à presente manifestação de inconformidade. SALDO NEGATIVO. SISTEMA SIEFPERDCOMP. BAIXA PARA TRATAMENTO MANUAL. ANTECIPAÇÕES NÃO CONFIRMADAS. RECOMPOSIÇÃO DO AJUSTE. SALDO A PAGAR. Não comprovando a manifestante a regularidade de parte das antecipações glosadas pelo sistema SCC, confirmase a recomposição do ajuste elaborada no Despacho Decisório recorrido, e a conseqüente não validação do crédito apontado na DCOMP em análise. IMPOSTO DE RENDA. PAGAMENTOS NO EXTERIOR. COMPROVAÇÃO HÁBIL. O pagamento de imposto de renda efetuado no exterior deve ser comprovado mediante documento devidamente traduzido e reconhecido pelo órgão arrecadador do respectivo país e pela representação diplomática brasileira. Dispensase o citado reconhecimento quando comprovado que a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado. IRPJ. REQUISITOS DE DEDUTIBILIDADE. IR PAGO NO EXTERIOR. LUCROS DE CONTROLADAS. IMPOSTO RETIDO. JUROS DE MÚTUO E SERVIÇOS NO EXTERIOR. RECEITAS AUFERIDAS DIRETAMENTE. Na apuração do IRPJ são dedutíveis os valores do imposto incidente sobre lucros disponibilizados à controladora, recolhidos no país de domicílio de empresas controladas, bem como sobre rendimentos auferidos no exterior por serviços prestados diretamente e ganhos de capital, desde que atendidos os requisitos legais de: (i) computação no lucro real do lucro/rendimento auferido no exterior; (ii) observância do limite do imposto incidente no Brasil na compensação do imposto sobre os referidos lucros; (iii) comprovação do recolhimento, com tradução juramentada, em documento reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que o imposto for devido. DCOMP. CRÉDITO INEXISTENTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Considerando que o saldo negativo de IRPJ apontado como crédito na DCOMP em litígio foi convertido em saldo devedor mediante lançamento de ofício, mantido nesta instância do contencioso administrativo, não se homologa a compensação do débito a ele vinculada. Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 640/698, por meio do qual sustenta: Fl. 2340DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/1 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13850.000099/201061 Resolução nº 1301000.098 S1C3T1 Fl. 1003 6 a necessidade de sobrestamento do presente processo até o julgamento do processo administrativo nº 13884.720014/201077, que tem por objeto o lançamento de ofício decorrente das glosas efetuadas por meio do Despacho Decisório nº 0079/2010 (fls. 367/374); o reconhecimento pela autoridade julgadora de primeira instância e pela Fiscalização, nos autos do processo administrativo nº 13884.720014/201077, da existência de crédito passível de compensação; a impossibilidade de cobrança de estimativa de imposto de renda após o encerramento do período; a inexistência de matéria não impugnada; a inaplicabilidade da Solução de Consulta nº 190/03; a (indevida) inovação do critério jurídico; a regularidade das compensações com os tributos pagos pelas controladas indiretas; a impossibilidade de tributação dos lucros apurados pelas controladas em países com os quais o Brasil celebrou tratado para evitar a dupla tributação. A Fazenda Nacional, amparada nas disposições do parágrafo 2º do art. 48 do Regimento Interno deste Colegiado, apresentou contrarrazões ao recurso interposto em que, em apertada síntese, alega: ser desnecessário o sobrestamento do processo, além de inexistir previsão no Decreto nº 70.235, de 1972, nesse sentido; ausência de contestação específica em relação à glosa de IRRF no montante de R$ 134.008,14; distinção entre o presente processo administrativo e o de nº 13884.720014/201077; abordagem integral, por parte da Turma Julgadora de primeira instância, dos argumentos de defesa apresentados pela contribuinte; inocorrência de inovação por parte da decisão de primeiro grau; equívoco da contribuinte ao concluir que a Solução de Consulta nº 190, de 2003, fundamentou, de alguma forma, a não homologação do pedido de compensação; necessidade de a apuração dos resultados de cada controlada ser efetuada, para fins tributários, em separado, independentemente da forma pelo qual o controle é exercido; necessidade, para fins de compensação do tributo pago sobre lucros no exterior, que tais lucros sejam computados no lucro real e que sejam apresentadas as demonstrações financeiras correspondentes a eles, de forma individualizada, sendo vedada a compensação de forma consolidada; Fl. 2341DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/1 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13850.000099/201061 Resolução nº 1301000.098 S1C3T1 Fl. 1004 7 ausência de documentos comprobatórios dos resultados apurados em cada uma das controladas da contribuinte, para a devida correlação do percentual de sua participação nos lucros e correspondentes recolhimentos realizados em Portugal e na China; ausência de documentação hábil capaz de possibilitar a compensação do imposto pago no exterior incidente sobre lucros auferidos por controlada. É o Relatório. Fl. 2342DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/1 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13850.000099/201061 Resolução nº 1301000.098 S1C3T1 Fl. 1005 8 VOTO Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Aprecio, de início, o argumento da Recorrente no sentido de que o julgamento do presente processo deve ser sobrestado até que a controvérsia instaurada por meio do processo administrativo nº 13884.720014/201077 seja definitivamente solucionada. O presente processo, protocolizado em 25 de março de 2010, conforme informação constante no sistema de controle de processos do Ministério da Fazenda (COMPROT), trata de Declaração de Compensação, por meio da qual a contribuinte busca extinguir débitos com crédito relativo a saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica do quarto trimestre do anocalendário de 2007 no montante de R$ 9.365.996,77. A Delegacia da Receita Federal em São José dos Campos, São Paulo, por meio do Despacho Decisório nº 0079/2010 (fls. 367/374), cientificado à contribuinte em 15 de abril de 2010 (fls. 374/verso), promovendo glosas relacionadas a elementos formadores do crédito pleiteado (imposto pago no exterior e imposto retido na fonte), concluiu pela inexistência do referido crédito, motivo pelo qual deixou de homologar as compensações requeridas. Paralelamente, por meio do processo administrativo nº 13884.720014/201077, protocolizado em 29 de março de 2010, conforme informação constante no sistema de controle de processos do Ministério da Fazenda (COMPROT), a Delegacia da Receita Federal em São José dos Campos deflagrou procedimento fiscal contra a contribuinte, do qual resultou a lavratura de auto de infração cujas irregularidades imputadas são exatamente as que foram apontadas no Despacho Decisório nº 0079/2010, isto é, glosas de imposto pago no exterior e de imposto retido na fonte. Com o devido respeito ao pronunciamento da autoridade julgadora de primeira instância, que foi acolhido pela ilustre representante da Fazenda nas contrarrazões apresentadas ao recurso voluntário interposto, penso, na linha do sustentado pela Recorrente, que o presente processo guarda inteira conexão com o de nº 13884.720014/201077, eis que o reconhecimento do direito creditório ora submetido à apreciação deste Colegiado depende, diretamente, da análise da procedência das glosas que serviram de suporte para o lançamento de ofício. À evidência, estamos diante de dois feitos administrativos que têm origem no mesmo fato, qual seja, a glosa de parcelas formadoras do resultado negativo apurado pela contribuinte (imposto de renda retido na fonte e imposto pago no exterior). O primeiro, tendo por conseqüência o não reconhecimento do direito creditório derivado do citado resultado negativo apurado, o segundo, provocado pela transformação do resultado negativo em positivo, exigindo, assim, a formalização da exigência por meio do lançamento de ofício. Não me parece razoável que tais feitos possam ser apreciados de forma independente, pois, nesse caso, correse o risco de que sejam produzidos resultados conflitantes relativamente à mesma apuração do saldo final do imposto. Fl. 2343DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/1 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13850.000099/201061 Resolução nº 1301000.098 S1C3T1 Fl. 1006 9 Diante de tais circunstâncias, conduzo meu voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a SECRETARIA desta Terceira Câmara providencie a redistribuição do presente processo conjuntamente com o de nº 13884.720014/201077, para fins de julgamento. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 2344DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/1 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por PLINIO RODRIGUES LIMA
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Numero do processo: 13116.001071/2009-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3403-000.527
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vice-presidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti.
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Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vicepresidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti. Relatório Versa o presente sobre PER/DCOMP de fls. 2 a 291, transmitidos entre 05/06/2007 e 15/06/2007, para compensação de créditos de Contribuição para o PIS/PASEP referentes aos quatro trimestres de 2005 (decorrentes do art. 17 da Lei no 11.033/2004) com débitos de IRPJ e CSLL da empresa, totalizando originalmente a utilização de créditos de R$ 11.349,25 (1o semestre), R$ 10.927,08 (2o semestre), R$ 40.951,85 (3o semestre) e R$ 48.267,65 (4o semestre). 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 31 16 .0 01 07 1/ 20 09 -1 1 Fl. 822DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13116.001071/200911 Resolução nº 3403000.527 S3C4T3 Fl. 822 2 No despacho decisório de fls. 592 a 612, que homologa parcialmente a compensação, narrase que a fiscalização iniciou a análise pelo ano de 2004, visto que o DACON referente a 01/2005 já trazia saldo de R$ 155.189,80, referente a 2004. Em 2004, o contribuinte: (a) utilizou, nos DACON de 2004, documentos relacionados a venda para entrega futura (CFOP 5116, 5117, 6616 e 6117), quando deveria ter lançado as notas de faturamento do período (CFOP 5922 e 6922), em consonância com o fato gerador da Contribuição para o PIS/PASEP estabelecido no art. 1o da Lei no 10.637/2002; (b) apurou (por ter lançado incorretamente as remessas nos DACON, ao invés dos faturamentos) créditos de Contribuição para o PIS/PASEP de forma incorreta até o mês 07/2004, quando a alíquota dos bens que vendia ainda não estava reduzida a zero; (c) utilizou também em relação aos créditos notas de simples remessa, em lugar de notas de faturamento do período; (d) não justificou a linha “outras operações com direito a crédito” (até julho de 2004); (e) não justificou os valores da linha “serviços utilizados como insumos” de janeiro a julho de 2004; e (f) justificou os lançamentos de agosto a dezembro de 2004 com “despesas financeiras decorrentes de empréstimos”, em desconformidade com a nova redação do inciso V do art. 3o da Lei no 10.637/2002. Assim, ao invés de o contribuinte migrar saldo credor de R$ 155.189,80 para 2005, tem, em verdade, valores a pagar de Contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa em quase todos os meses de 2004 (consolidados na tabela de fl. 604). Ademais, não há pagamento nem confissão em relação aos períodos de 02/2004 a 12/2004. No ano de 2005, a análise foi mais simples, tendo em vista que a maioria dos bens adquiridos, produzidos, vendidos e revendidos pela empresa já estão com alíquota zero. De início, devem ser retirados os “créditos de meses anteriores” em janeiro de 2005. Analisandose os itens que possibilitam a geração de crédito na Lei no 10.637/2002, a fiscalização efetuou glosas em relação a combustíveis e lubrificantes, que não são insumos para produzir fertilizantes, efetuandose reapropriação do aproveitamento de créditos entre o primeiro e o segundo trimestres. Como resultado, foram reconhecidos créditos nos valores de R$ 5.231,68 (2o semestre), R$ 31.743,72 (3o semestre) e R$ 41.398,53 (4o semestre), homologandose até tal montante as compensações. Foi ainda lavrado o Auto de Infração de fls. 613 a 622 (com ciência ao sujeito passivo em 08/12/2009), para exigência dos valores de Contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa do anocalendário de 2004, devidos e não confessados pelo contribuinte (março a dezembro), no total de R$ 1.282.490,20 (valor original acrescido de multa por falta de recolhimento75%, e juros de mora). Na manifestação de inconformidade em relação à não homologação das compensações, apresentada em 07/01/2010 (fls. 640 a 647), sustentase que: (a) o entendimento do fisco é equivocado, pois “considerou como sendo operações de venda para entrega futura meros faturamentos antecipados”, nos quais o momento do reconhecimento da receita é o da tradição da mercadoria (e não da emissão das notas fiscais de simples faturamento); (b) no “faturamento antecipado” o vendedor ainda não possui os produtos a serem vendidos, e o que existe é um compromisso sobre uma venda a se realizar posteriormente (reconhecendose a receita no momento da efetiva entrega da mercadoria), enquanto que na “venda para entrega futura” a mercadoria vendida é colocada à disposição do comprador, que opta por retirála a posteriori (reconhecendose a receita no momento da emissão da nota fiscal de faturamento); (c) no caso dos autos, todas as notas fiscais objeto dos ajustes tratavamse, em verdade, de faturamento antecipado, vez que a empresa vendedora ainda não dispunha das mercadorias em seu estoque, no momento da venda (o que é usual no ramo de fabricação de adubos e defensivos agrícolas), como atestam os próprios adquirentes, Fl. 823DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13116.001071/200911 Resolução nº 3403000.527 S3C4T3 Fl. 823 3 em documento anexo; (d) também as “compras para recebimento futuro” são, na verdade, “adiantamentos para futuras retiradas”, sem que as empresas fornecedoras tivesse a posse das mercadorias vendidas, surgindo o direito de crédito no momento da tradição da mercadoria (e não da emissão da nota fiscal de faturamento antecipado); (e) o fato de ter a empresa recebido mercadorias em consignação não impede que sejam por ele (consignatário) comercializadas com terceiro, antes mesmo da efetiva aquisição (nota fiscal de faturamento), e havendo a venda, ocorre o fato gerador das contribuições (como entendeu o CARF no Acórdão no 20213543), cabendo o creditamento (conforme entendeu a RFB na Solução de Consulta no 55/2005); (f) grande parte das vendas, na empresa, ocorrem no mesmo mês em que as mercadorias são recebidas em consignação, devendo ser afastado o lançamento, por insegurança na determinação da infração; e (g) ainda que ao obrigação de provar a acusação seja do fisco, a empresa está envidando esforços para produzir prova em relação a suas alegações. Como impugnação ao auto de infração lavrado, apresentase, ainda em 07/01/2010, a peça de fls. 666 a 683, na qual se reitera a argumentação da manifestação de inconformidade, acrescentandose que (a) tratandose a Contribuição para o PIS/PASEP de tributo lançado por homologação, houve decadência (conforme art. 150, § 4o do CTN) em relação ao período anterior a dezembro de 2004, tendo em vista que a ciência da autuação se deu em 08/12/2009, e a ausência de recolhimento não desnatura o lançamento, conforme já assentou a CSRF (Acórdãos CSFR/0105.779 e 0105.825), sendo que o que ocorreu nos autos foi recolhimento a menor (por insuficiência de créditos a descontar, e não ausência de pagamento), como se percebe pela própria planilha do autuante, que lança “diferenças”; e (b) não incidem juros de mora sobre a multa de ofício. Em 12/04/2012 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 706 a 717), no qual se acorda unanimemente em julgar improcedente a manifestação de inconformidade e manter o auto de infração. No julgamento (da manifestação de inconformidade e da impugnação, efetuado de forma conjunta), concluise que: (a) o argumento de que o direito a crédito surge no momento da tradição da mercadoria quando estas não estejam em estoque (faturamento antecipado) não encontra guarida no art. art. 1o da Lei no 10.637/2002, e os casos analisados são de “venda para entrega futura”, conforme registrado nos Livros de Apuração do ICMS; (b) nas compras para recebimento futuro, ou em consignação, o direito de crédito surge no momento da tradição, e não da emissão da nota fiscal de faturamento antecipado; (c) o direito pleiteado não é líquido e certo, visto que está a depender de provas a serem ainda produzidas pela empresa; (d) em relação à decadência, não havendo pagamento espontâneo, passa a ser aplicada a regra do art. 173, I do CTN, conforme entendimento já externado pelo STJ no REsp no 739.694/MG, e, como não houve pagamento no caso concreto, a decadência ocorreria somente após 31/12/2009, cabendo destacar que a jurisprudência colacionada pela recorrente não vincula o julgador; (e) tanto o imposto como a multa de ofício compõem o crédito tributário, não podendo ser afastados pelo julgador os juros de mora incidentes sobre a multa de ofício, visto que incidem sobre o “crédito tributário”. Cientificada da decisão de piso em 11/05/2012 (AR à fl. 719), a empresa apresenta recurso voluntário (fls. 720 a 752, também abarcando o julgamento tanto do auto de infração quanto da manifestação de inconformidade, efetuado de forma conjunta pela DRJ), em 08/06/2012, no qual reitera a argumentação pela decadência em relação ao lançamento efetuado, sobre a não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, e as teses de que: (a) as operações classificadas como “venda para entrega futura” são, de fato, faturamento antecipado (agregando a expressão “adiantamento de cliente” para designar o faturamento Fl. 824DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13116.001071/200911 Resolução nº 3403000.527 S3C4T3 Fl. 824 4 antecipado, e mencionando o teor das Soluções de Consulta no 08/2009, no 200/2009 e no 136/2010); e (b) nas compras para recebimento futuro, ou em consignação, o direito de crédito surge no momento da tradição, e não da emissão da nota fiscal de faturamento antecipado. Apresenta ainda relação de notas fiscais de faturamento e entrega, buscando identificar valores e quantidades de produtos não entregues, e cópia do registro de inventário (em consonância com o balancete do período), para demonstrar que os produtos listados não faziam parte do rol de produtos acabados. Acrescenta ainda relatório de engenheiro agrônomo descrevendo com precisão as características das indústrias misturadoras de fertilizantes (como a recorrente), com enfoque especial sobre o ciclo de produção e comercialização, buscando comprovar que pelas características do mercado, seria inviável a recorrente deter as mercadorias por ela produzidas em estoque no primeiro semestre do ano, o que justifica a intensificação da produção no segundo semestre. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. É de se destacar, de início, que a argumentação em sede de recurso voluntário (que, repitase, abarca tanto a decisão da DRJ no que se refere à autuação quanto na matéria pertinente à não homologação da compensação) restringese a tornar controversos quatro tópicos, dois deles específicos ao auto de infração (decadência e incidência de juros de mora sobre a multa de ofício), e os demais pertinentes tanto à análise para efeitos de reconhecimento do direito creditório quanto à avaliação da subsistência das operações classificadas como “venda para entrega futura” e operações classificadas como “compras para recebimento futuro” ou em consignação. Em relação à “venda para entrega futura”, ou ao “faturamento antecipado”, tratados tanto no despacho decisório do processo de compensação quanto na autuação, incumbe destacar o que segue: enquanto o fisco sustenta a incidência de Contribuição para o PIS/PASEP quando da emissão das notas de faturamento, e não com a tradição da mercadoria (remetendo ao art. 1o da Lei no 10.637/2002), a recorrente defende que há uma diferença entre “faturamento antecipado” (no qual o vendedor ainda não possui os produtos a serem vendidos, e o que existe é um compromisso sobre uma venda a se realizar posteriormente, devendo ser reconhecida a receita no momento da efetiva entrega da mercadoria) e “venda para entrega futura” (na qual a mercadoria vendida é colocada à disposição do comprador, que opta por retirála a posteriori, devendo ser reconhecida a receita no momento da emissão da nota fiscal de faturamento). A legislação do imposto de renda pessoa jurídica encampou as diretrizes contábeis da lei das sociedades anônimas, estendendoas às demais sociedades mercantis Fl. 825DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13116.001071/200911 Resolução nº 3403000.527 S3C4T3 Fl. 825 5 (Regulamento do Imposto de Renda RIR, Decreto no 3.000/1999, art. 274, § 1o). Em decorrência, adotou, como regra geral, o regime econômico das mutações patrimoniais, denominado “regime de competência” (Lei no 6.404/1976LSA, art. 177), em contraposição ao regime financeiro ou “regime de caixa”, pelo qual as receitas e despesas são de regra lançadas contra ingressos e saídas de caixa ou bancos. Pelo regime de competência, as receitas são reconhecidas quando realizadas ou ganhas, embora não recebidas, e as despesas são apropriadas quando incorridas, ainda que não pagas (LSA, art. 187, § 1o). Em relação à Contribuição para o PIS/PASEP, tomase como ponto de partida a norma legal que rege a matéria (Lei no 10.637/2002): “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (...)” (grifo nosso) Uma primeira leitura levaria à conclusão a que chega o fisco, de que o auferimento de receita independe de haver a tradição da mercadoria. Contudo, tal raciocínio equivaleria a atribuir à contribuição sempre o “regime de caixa”, o que não parece guardar relação com a legislação que rege tais espécies tributárias. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, na sistemática não cumulativa, é a receita bruta, utilizandose, no citado art. 1o da Lei no 10.637/2002, a expressão “receita auferida”. Mas isso de forma alguma implica dizer que se está a impor o regime de caixa. Pelo contrário. No sítio web da Receita Federal, no tópico referente a “Contribuição para o PIS/Pasep e COFINS”, encontrase a seguinte orientação: “423. Além das receitas decorrentes da venda de bens imóveis, em quais casos o PIS/Pasep e a Cofins são apuradas pelo regime de caixa? As pessoas jurídicas poderão adotar o regime de caixa para efeito de incidência dessas contribuições, quando estiverem submetidas ao regime de tributação do imposto de renda com base no lucro presumido e adotarem o mesmo critério em relação ao IRPJ e CSLL (MP no 2.15835, de 2001, art. 20; e IN no 247, de 2002, art. 85).” (grifo nosso) A regra, assim, também para as contribuições, é o regime de competência. Em um contrato de compra e venda a propriedade só se adquire pelo comprador, sendo móvel o bem, com a tradição (Lei no 10.406/2002CC, art. 1.267): “Art. 1.267. A propriedade das coisas não se transfere pelos negócios jurídicos antes da tradição. Parágrafo único. Subentendese a tradição quando o transmitente continua a possuir pelo constituto possessório; quando cede ao adquirente o direito à restituição da coisa, que se encontra em poder de terceiro; ou quando o adquirente já está na posse da coisa, por ocasião do negócio jurídico.” Fl. 826DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13116.001071/200911 Resolução nº 3403000.527 S3C4T3 Fl. 826 6 Destarte, no mesmo momento em que o vendedor deve registrar a operação de venda, surge para o comprador a obrigação de pagar pela mercadoria recebida, bem como de efetuar o registro dessa obrigação em sua contabilidade, tendo como contrapartida o ingresso dos bens no estoque e o respectivo crédito. É o que dispõe o inciso II do art. 3o da Lei no 10.637/2002. “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, (...); (Redação dada pela Lei no 10.865/2004) (...) § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei no 10.865/2004) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês;” Em relação aos bens (e serviços) utilizados como insumo, esse dispositivo estabelece como marco temporal a data da aquisição, assim compreendida a data da tradição dos produtos (ou da prestação dos serviços) e não a do pagamento ou crédito em favor do fornecedor. Daí o elevado número de Soluções de Consulta no âmbito da RFB em consonância com a alegação da recorrente: “Solução de Consulta n. 136, de 26/11/2010 ASSUNTO:Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: FATURAMENTO ANTECIPADO. RECONHECIMENTO DA RECEITA. REGIME DE COMPETÊNCIA. No caso de faturamento antecipado, assim entendido o faturamento realizado nas situações em que o vendedor ainda não fabricou o bem que foi objeto do contrato de compra e venda, a receita da venda deverá ser computada no período de apuração em que o referido bem ficar disponível para o comprador, quando integrará a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep.” “Solução de Consulta n. 200, de 08/06/2009 ASSUNTO:Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins EMENTA:FATURAMENTO ANTECIPADO. RECONHECIMENTO DA RECEITA. REGIME DE COMPETÊNCIA. Os valores recebidos a título de adiantamento de pagamento referente a futuras prestações de serviços de construção por empreitada, registrados no passivo da pessoa jurídica prestadora dos serviços como “faturamento antecipado” devem compor a receita bruta, para fins de apuração da base de cálculo da Cofins no período de apuração em que o serviço for efetivamente executado. Fl. 827DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13116.001071/200911 Resolução nº 3403000.527 S3C4T3 Fl. 827 7 “Solução de Consulta nº 39 de 28 de Fevereiro de 2007 ASSUNTO: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples EMENTA: VENDA PARA ENTREGA FUTURA. RECONHECIMENTO DA RECEITA. REGIME DE COMPETÊNCIA. No caso de venda para entrega futura, em que o contribuinte possui o bem em estoque, a receita deverá ser computada no período de apuração da operação, pois o bem já está disponível ao comprador e a vendedora passa a ser mera depositária.” “Solução de Consulta n° 5, de 30 de janeiro de 2013 (Pág. 30 OU1) ASSUNTO: Simples Nacional EMENTA: Faturamento antecipado. Reconhecimento da receita bruta. Regime de competência. Na hipótese de faturamento antecipado, isto é, aquele cuja receita é auferida sob condição, qual seja, a de produzir a mercadoria ou adquirila do fornecedor para revenda, não há custo incorrido, pelo que, no caso de opção pelo regime de competência, o reconhecimento da receita deve ser realizado quando for concluída a fabricação ou por ocasião da compra do produto, adquirido para revenda.” Tais entendimentos foram rechaçados pela DRJ, e aparentemente não tomados em conta na autuação e no indeferimento do direito creditório. Contudo, nos parece consoante a legislação o procedimento indicado como adotado pela recorrente, em que pese não ter sido analisado por este CARF nenhum Livro Fiscal da empresa. Tomando em conta a argumentação aqui exposta, a questão probatória (que era aparentemente secundária ao julgador de piso) adquire relevo, mas é de difícil verificação por este CARF, que não está de posse da escrituração contábil da empresa, de modo a verificar a escorreição das alegações de direito, e sua correspondência à escrituração fiscal. Pelo exposto, voto no sentido de converter em diligência o presente processo, para que a unidade local verifique se a argumentação de direito expressa pela recorrente (de que adota o regime de competência, computando no momento da tradição os faturamentos antecipados, assim como as compras para recebimento futuro e compras em consignação) guarda consonância com a escrituração fiscal da empresa. Sendo compatível a escrituração com as alegações de direito, deve a autoridade local ainda apurar, considerando a adoção do regime de competência, eventuais diferenças restantes em relação aos créditos solicitados, bem como em relação ao valor lançado. Tal análise deverá tomar em conta os lançamentos contábeis efetuados em relação ao período de que trata o presente processo, e considerar as notas fiscais apresentadas às fls. 754 a 771, no que forem pertinentes com os valores glosados ou lançados. Após a emissão do relatório de diligência, dêse ciência à recorrente, observandose os ditames do parágrafo único do art. 35 do Decreto no 7.574/2011, para que se manifeste em trinta dias, devolvendose os autos a este colegiado. Fl. 828DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13116.001071/200911 Resolução nº 3403000.527 S3C4T3 Fl. 828 8 Rosaldo Trevisan Fl. 829DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 10983.912168/2009-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO.
O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, deve-se apreciar as provas trazidas pelo contribuinte.
RecusoVoluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-002.114
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 27/01/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas trazidas pelo contribuinte. RecusoVoluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 91 21 68 /2 00 9- 43 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por ALEXANDRE GOMES 2 EDITADO EM: 27/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de Declaração de Compensação Dcomp cujo objeto é a compensação de débito do contribuinte com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de COFINS. Adoto, por bem retratar o caso dos autos, o relatório utilizado no acórdão de impugnação: Trata o presente processo de Declaração de Compensação transmitida em 24/06/2009, por meio da qual a contribuinte, acima identificada, intenta compensar débito próprio com um crédito decorrente de pagamento indevido ou efetuado a maior a titulo de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — COFINS (cód. 5856), apurado em 28/02/2006. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC pela não homologação da compensação (Despacho Decisório juntado aos autos), fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, pois o valor do "DARF discriminado no PER/DCOMP", no valor de R$ 105.219,87, havia sido "integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte", no caso um débito descrito como "Db: cód 5856 PA 28/02/2006", não restando, portanto "crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada com a não homologação de sua compensação, encaminhou a contribuinte Manifestação de Inconformidade, onde preliminarmente, alega nulidade da "notificação lançada" em razão de haver cerceamento. Argumenta que "...a indicação genérica da legislação supostamente aplicável à matéria não é o mesmo que constituir devidamente o crédito tributário pelo lançamento" e que o "despacho decisório não foi conclusivo quanto ao motivo pelo qual não homologou a compensação". Nesse sentido, remete ao art. 142 do CTN e aduzindo que este "estabelece que a constituição do crédito tributário através do lançamento fiscal é procedimento formal que objetiva a aferição do crédito possibilitando a defesa do reclamante" e que foi impedida de exercer plenamente seu direito de defesa pois "o fisco indica a legislação aplicável apenas genericamente, não citando sequer o inciso, alínea ou parágrafo aplicado ao caso quando utilizase para a fundamentação o art. 74 da Lei 9430/96 e os artigos 165 do CTN". No mérito, alega que transmitiu DCTF com "equivoco na apuração dos valores devidos" mas que em 24/07/2009 e em 23/09/2009 apresentou, respectivamente, a DCTF e o Dacon Fl. 137DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10983.912168/200943 Acórdão n.º 3302002.114 S3C3T2 Fl. 137 3 retificadores "quando passou a deter um crédito passível de compensação". Segue argumentando que agiu em conformidade com os ditames legais no caso, o art. 11 da IN RFB no 903/2008 e art. 14 da IN RFB n° 940/2009 , desta feita, não podendo ser punida com a não homologação da compensação pretendida. Conclui defendendo que em sendo admissivel a "homologação de compensação se DCTF retificadora foi entregue antes de despacho decisório" (cita acórdão da DRJ do Rio de Janeiro que decidiu nesse sentido), mais ainda o é no caso da retificadora ser entregue antes do envio do PER/DCOMP, que alega ser o seu caso. Pede a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e a homologação compensação. É o relatório. Irresignado com o teor do acórdão de impugnação, o contribuinte protocolizou recurso voluntário, aduzindo em síntese que: a) preliminarmente, o despacho decisório é nulo por falta de motivação; b) a Recorrente possui um crédito valorado de R$105.219,88 passível de compensação; c) não há previsão legal em rejeitar a DCTF retificadora. É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE GOMES Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Em resumo, a Recorrente advoga a existência de pagamentos indevidos e junta ao processo a DCTF retificadora transmitida em data anterior ao despacho decisório exarado pela DRF. Por outro lado, o Acórdão reccorido assim fundamenta sua decisão: Compulsando os autos, verificase que a contribuinte na data de apresentação da DCOMP, em 24/06/2009, não havia ainda retificado a DCTF, o que só veio a fazer em 24/07/2009. Ou seja, a compensação, que como se sabe opera hoje efeitos imediatos, foi formalizada sem que estivesse juridicamente firmada a existência do pagamento indevido alegado, o que retira do crédito indicado a liquidez e certeza que a lei impõe para que possa ser objeto de repetição, motivo pelo qual a não homologação promovida pela DRF/Florianópolis/SC foi correta. Como já me manifestei neste colegiado, entendo que a retificação da DCTF é medida que obriga a autoridade a promover a verificação dos créditos alegados pelo contribuinte. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por ALEXANDRE GOMES 4 A existência de pagamento indevido ou a maior em nenhum momento foi avaliada pela DRF de Florianópolis, que se limitou a informar que o alegado crédito estava totalmente alocado a outros débitos conforme informado em DCTF. Ora, como tenho me manifestado em diversas ocasiões, no âmbito do processo administrativo impera o princípio da verdade material, que obriga a autoridade administrativa a analisar exaustivamente os fatos alegados pelos contribuintes, solicitando inclusive diligencias e apresentação de novas provas das alegações existentes no processo administrativo fiscal. A existência de informação na DCTF em nada altera a existência ou não do pagamento a maior, ainda mais quando se tratar a DCTF de instrumento de controle da própria Receita Federal. Sobre este tema, são elucidativas as conclusões exaradas pelo eminente Conselheiro Walber José da Silva, que assim se manifestou no processo nº 10283.900064/200983, julgado recentemente por esta turma: Concluindo: à mingua de previsão legal, a falta de apresentação de DCTF retificadora, ou a sua apresentação após a emissão do Despacho Decisório, por si só, não se constitui em motivo para o indeferimento do pedido de restituição e, conseqüentemente, para a não homologação da compensação declarada pela Recorrente. Deve, portanto, a autoridade administrativa da RFB apurar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado considerando todas as provas trazidas aos autos e outras que julgar imprescindível para apurar a verdade material e formar sua convicção. Nesta linha de pensar, a autoridade preparadora deve promover a análise da liquidez e certeza do alegado crédito, com base nos documentos existentes dos autos e outros mais que entender necessários tendo por norte o principio da verdade material, e, no caso de serem os créditos suficientes, homologar as compensaçãoes fefetuadas. Caso contrário, sejam compensados os débitos declarados até o limite dos créditos existentes e intimada a contribuinte para a apresentação de manifestação de inconformidade contra a homologação parcial das compensações. Pro todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao presente recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 139DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10983.912168/200943 Acórdão n.º 3302002.114 S3C3T2 Fl. 138 5 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por ALEXANDRE GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 13888.005202/2010-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2006 a 31/10/2006
RETROATIVIDADE DA EXCLUSÃO DO SIMPLES. IMCOMPETÊNCIA DO CARF.
No tocante à questão da retroatividade da exclusão do SIMPLES, registra-se que não esta Corte não possui competência para tal análise.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ALÍQUOTA SAT.
Não é correto o entendimento de que a não há especificação ou motivação da alíquota de 3% cobrada a titulo de SAT, quando os fundamentos estão no cabeçalho do Relatório Fiscal e encontra-se descrito o CNAE do contribuinte, que é o código através do qual se apura a alíquota do SAT aplicável, conforme previsto na legislação.
MULTA APLICA. MAIS BENÉFICA.
Mantem-se a decisão da DRJ, visto que foi aplicada a multa mais benéfica ao contribuinte, posto que houve descumprimento de obrigação acessória, não cabendo, portanto, nenhuma alteração referente a este tema.
Numero da decisão: 2302-002.822
Decisão: Recurso Voluntário não provido.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, Por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2006 a 31/10/2006 RETROATIVIDADE DA EXCLUSÃO DO SIMPLES. IMCOMPETÊNCIA DO CARF. No tocante à questão da retroatividade da exclusão do SIMPLES, registra-se que não esta Corte não possui competência para tal análise. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ALÍQUOTA SAT. Não é correto o entendimento de que a não há especificação ou motivação da alíquota de 3% cobrada a titulo de SAT, quando os fundamentos estão no cabeçalho do Relatório Fiscal e encontra-se descrito o CNAE do contribuinte, que é o código através do qual se apura a alíquota do SAT aplicável, conforme previsto na legislação. MULTA APLICA. MAIS BENÉFICA. Mantem-se a decisão da DRJ, visto que foi aplicada a multa mais benéfica ao contribuinte, posto que houve descumprimento de obrigação acessória, não cabendo, portanto, nenhuma alteração referente a este tema.
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Recorrente J C F METALÚRGICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2006 a 31/10/2006 RETROATIVIDADE DA EXCLUSÃO DO SIMPLES. IMCOMPETÊNCIA DO CARF. No tocante à questão da retroatividade da exclusão do SIMPLES, registrase que não esta Corte não possui competência para tal análise. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ALÍQUOTA SAT. Não é correto o entendimento de que a não há especificação ou motivação da alíquota de 3% cobrada a titulo de SAT, quando os fundamentos estão no cabeçalho do Relatório Fiscal e encontrase descrito o CNAE do contribuinte, que é o código através do qual se apura a alíquota do SAT aplicável, conforme previsto na legislação. MULTA APLICA. MAIS BENÉFICA. Mantemse a decisão da DRJ, visto que foi aplicada a multa mais benéfica ao contribuinte, posto que houve descumprimento de obrigação acessória, não cabendo, portanto, nenhuma alteração referente a este tema. Recurso Voluntário não provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, Por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 52 02 /2 01 0- 31 Fl. 189DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 6/11/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 13888.005202/201031 Acórdão n.º 2302002.822 S2C3T2 Fl. 3 2 Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Relatório Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação acessória (AIDEBCAD nº 37.258.0459), fundamento 78, lavrado em 30/10/2010, em face da pessoa jurídica de direito privado J C F Metalúrgica Ltda, inscrita no CNPJ sob o nº 00.714.954/000166, no valor de R$ 3.500,00 (três mil e quinhentos reais) , tendo como fato gerador a não informação nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP das competências 04 a 10/2006 de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, infringindo assim o disposto no art.32, IV, da Lei 8.212/91 acrescentando pela Lei nº 9.528/97 e redação da MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009. No Relatório Fiscal, o Auditor Fiscal informa que o Contribuinte, ora Recorrente, foi excluída de ofício do Simples conforme despacho decisório vinculado ao processo 13888.004463/201034, já cientificado em 30/09/2010, por pratica reiterada da infração tributaria, culminando com o Ato Declaratório Executivo nº 96 de 06/09/2010, com ciência na mesma data. Afirma a Autoridade Fiscal, em seu relatório, que a respectiva atuação refere se à obrigação acessória, vez que houve o recolhimento nesta competência das contribuições descontadas dos segurados, porém essas informações foram omitidas das GFIP entregues. Ciente da autuação, a Recorrente apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de janeiro (RJ), entendido pela improcedência da impugnação. Segue ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2006 a 31/10/2006 EXCLUSÃO DO SIMPLES. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. O ato de exclusão ex officio do Simples constitui procedimento destinado a alterar o regime tributário a que se submete o contribuinte, medida esta que deverá ser implementada pela autoridade fiscal, no momento em que verificar quaisquer das condições impeditivas previstas no art. 14 da Lei nº 9.317, de 1996. E os efeitos serão retroativos, observadas as hipóteses Fl. 190DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 6/11/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 13888.005202/201031 Acórdão n.º 2302002.822 S2C3T2 Fl. 4 3 previstas no art. 15 desta mesma lei, estando, a eventual constituição de crédito tributário sujeita aos prazos de decadência estabelecidos no CTN. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP COM INFORMAÇÕES INCORRETAS OU OMISSAS. Constitui infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória, a apresentação de Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP com informações incorretas ou omissas. MULTA. A conduta “declarar em atraso” passou a ser definida como infração a partir da MP nº 449, de 03/12/2008 (D.O.U. de 04/12/2008), convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009 (D.O.U. de 28/05/2009), cabendo a respectiva multa para GFIP entregues a partir de 04/12/2008, ainda que relativas a competências anteriores a 12/2008, uma vez que o fato gerador da infração ocorre na data da entrega em atraso. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Recorrida foi notificada da presente decisão, por meio de A.R., tomando ciência da notificação no dia 10/04/2012. Apresentando Recurso Voluntário em 23/04/2012, aduzindo as seguintes alegações: a) A decadência abordada deve ser desconsiderada, posto não ser matéria abordada na defesa. b) A retroatividade da exclusão do SIMPLES ofende ao princípio da irretroatividade das leis, bem como ofende a razoabilidade e a segurança jurídica. A exclusão deve produzir efeitos apenas a partir da publicação do ato declaratório 96/2010 e não a partir de 1° de janeiro de 2006. Porquanto, o auto de infração deve ser julgado improcedente. c) Incabível a aplicação da multa no caso concreto, na medida em que não houve omissões / incorreções nos documentos entregues, posto terem sido elaborados e entregues segundo as exigências do SIMPLES. d) Não resta claro se a multa aplicada foi a menos severa, já que o Fisco omite em que amparou seu cálculo. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Fl. 191DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 6/11/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 13888.005202/201031 Acórdão n.º 2302002.822 S2C3T2 Fl. 5 4 Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator. Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o Recurso tempestivo, passo ao seu exame. Da exclusão do SIMPLES Conforme dispõe o Acórdão da 1ª instância, foi excluída do SIMPLES FEDERAL, por intermédio do Ato Declaratório Executivo – ADE nº 96 de 06/09/2010, da DRF em Piracicaba, em razão de ter incorrido na causa excludente prevista no art. 14º, inc. V, da Lei nº 9.317/1996 – prática reiterada de infração à legislação tributária. Em relação a esta temática, verificase que os optantes pelo Simples devem promover imediatamente a sua exclusão quando observarem qualquer situação impeditiva à sua permanência neste benefício. Isto é feito por meio de alteração cadastral, segundo dicção do art. 13, inciso I e § 1º da Lei nº 9.317, de 1996. Ao realizar este tipo de pedido de exclusão, a lei autoriza, apenas e tão somente nesta hipótese, que os efeitos da exclusão passassem a vigorar apenas a partir do ano subsequente (art. 15, I do ato normativo citado). Todavia, caso não ocorra à devida comunicação por parte do contribuinte, a exclusão darseá de ofício, como ocorreu no presente caso. Salientase que a competência para excluir de ofício ME ou EPP do Simples Nacional é da RFB e das Secretarias de Fazenda ou de Finanças do Estado ou do Distrito Federal, segundo a localização do estabelecimento, e, tratandose de prestação de serviços incluídos na competência tributária municipal, a competência será também do respectivo Município. Assim foi feito, exatamente nos termos da lei, operando os efeitos da exclusão a partir do mês seguinte em que foi constatada a situação impeditiva. Ademais, no tocante a afirmativa de que o impedimento sempre existiu, analisase que esta não procede, visto que a causa não foi exercício de atividade vedada, como sustenta a Recorrente, mas sim de prática reiterada de crime tributário de omissão de receita. Em comum acordo com o entendimento da DRJ/RJ, não há que se falar na figura do indeferimento da opção, e sim na exclusão do regime, como realmente foi feito, haja vista a verificação da ocorrência da causa de exclusão após o ingresso no regime especial de tributação. Esta constatação da existência de uma situação impeditiva está caracterizada nos autos do processo 13888.004463/201034. Ocorre que quanto aos argumentos sobre a retroatividade da exclusão do SIMPLES, tais alegações não serão objeto de análise, tendo em vista que fazem parte do processo administrativo relativo à sua exclusão, não podendo ser analisadas e conhecidas na presente oportunidade. Esse entendimento está consubstanciado nos artigos 2º e 3º do Regimento Interno do CARF – Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009 –, que estabelecem as atribuições (competências) específicas de cada órgão dessa Corte Administrativa. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 6/11/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 13888.005202/201031 Acórdão n.º 2302002.822 S2C3T2 Fl. 6 5 Regimento Interno do CARF Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009: Art. 2°. À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (...) V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLES Nacional); ................................................................................................ Art. 3°. À Segunda Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (....) IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3° da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007. Diante disso, quanto à questão da retroatividade da exclusão do SIMPLES, registrase que esta Corte não possui competência para tal análise. Da multa aplicada Concernente à multa aplica, vislumbrase que já foi aplicada a multa mais benéfica ao contribuinte, posto que houve descumprimento de obrigação acessória, não cabendo, portanto, nenhuma alteração referente a este tema. Senão vejamos: De acordo com a apresentação, pela Recorrente, das GFIP das competências de 04 a 10/2006 com ausência de recolhimento, a fiscalização constatou que esta Empresa deixou de declarar ao Fisco na forma, prazo e condições estabelecidos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS a que se refere a Lei nº 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inciso IV, acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997, com redação dada pela MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 6/11/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 13888.005202/201031 Acórdão n.º 2302002.822 S2C3T2 Fl. 7 6 Em decorrência desta infração, foi aplicada a multa prevista no art. 32A, caput, inciso II e §§ 1º, 2º e 3º da Lei nº 8.212/91, com redação dada pela MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009,visto que esta penalidade se enquadra como a mais benéfica para o contribuinte, em respeito ao art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional. Nesta senda, temse que o valor da multa de 2% (dois por cento) ao mês calendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, limitada a 20% (vinte por cento), observada a multa mínima de R$ 500,00 (quinhentos reais) para este caso. Com isso, percebese que esta é a multa menos gravosa para o presente caso, uma vez que a quantia calculada pelo Auditor Fiscal é menor ao mínimo estabelecido em lei e que o disposto no artigo 32, § 4º da Lei 8.212/91 estabelece penalidade mais severa para o caso de entrega de GFIP com omissão de informações. Importa consignar que, no tocante ao cerceamento de defesa, isto não ocorreu, pois consta no Relatório Fiscal que a penalidade aplicada foi a mais benéfica para o contribuinte, conforme demonstrado nos autos do processo 13888.005199/201056, a este apensado. Diante disso, mantenho o disposto no Acórdão da DRJ pelo motivos acima aduzidos. Conclusão Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário para NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Sala das Sessões, em 16 de outubro de 2013 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 194DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 6/11/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI
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