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Numero do processo: 10280.001860/2005-38
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 15/02/2000
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL
SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 15/02/2000
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Numero da decisão: 3803-001.600
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/02/2000 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/02/2000 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
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FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/02/2000 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Relator Participaram ainda do presente julgamento os Conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Andréa Medrado Darzé, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Amazônia Celular S/A declarou a compensação de direito creditório advindo de pagamentos indevidos, efetuados em 15/02/2000, a título de Contribuição para o PIS/Pasep, Fl. 499DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/05/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/05/2011 por ALEXANDRE KERN 2 com débito de Cofins referentes a maio de 2003, no valor de R$ 7.245,50. A DRF de jurisdição não reconheceu o direito creditório e, via de consequência, não homologou a compensação declarada. Sobreveio reclamação, julgada improcedente pela DRJ/BEL3ª Turma. O Acórdão nº 0112.184, de 7 de outubro de 2008, fls. 115 a 127, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, por lhes falecer eficácia normativa, na forma do artigo 100, II, do Código Tributário Nacional. FALTA DE ESCRITURAÇÃO E DOCUMENTAÇÃO. MOTIVAÇÃO DE DECISÃO DENEGATÓRIA. A análise de questão prévia, relacionada à falta de escrituração e da respectiva documentação, impede o trabalho da autoridade fiscal no sentido de investigar a veracidade das informações registradas na DCTF, constituindo esta circunstância a motivação da decisão denegatória. DESPACHO DECISÓRIO. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. AUSÊNCIA. A falta de indicação de dispositivos normativos no despacho decisório não induz, de si mesma, a qualquer nulidade, na medida em que o contribuinte se defende de fatos e não de normas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 DIREITO CREDITÓRIO. PROFUNDIDADE DO EXAME. No pedido de restituição, o direito respectivo deve ser analisado em toda sua completude, inexistindo legislação que vede a ampla apuração do direito creditório do contribuinte por parte do fisco, que poderá investigar de forma abrangente a existência ou não do crédito pleiteado. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LIVROS FISCAIS E CONTÁBEIS. GUARDA. ÔNUS DA PROVA. Em caso de pedido de restituição, deve o contribuinte permanecer na guarda dos livros e documentos a ele relativos enquanto durar o processo administrativo ou judicial, na medida em que possui o encargo probatório quanto ao fato constitutivo de seu direito. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS NÃO COMPROVADOS. Fl. 500DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/05/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/05/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10280.001860/200538 Acórdão n.º 380301.600 S3TE03 Fl. 189 3 Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando inexistente o crédito apontado como compensável. Solicitação Indeferida O arrazoado de fls. 132 a 142, após protestar pela tempestividade do apelo, e resumir os fatos relacionados com a demanda, digressiona sobre o dever de colaboração do contribuinte na instrução do processo, repete os termos da reclamação, valendose de doutrina de Alberto Xavier, para exonerarse de qualquer obrigação de produção de provas outras das constantes nos autos. Entende que, no presente caso, a origem do crédito tem como base as apurações contábeis, refletidas em demonstrativos fiscais entregues ao Fisco, comprovando a utilização de créditos nos exatos termos apurados e informados, cabendo ao Fisco o ônus de impugnar os lançamentos ou revisar seus critérios. Em assim não procedendo, a prova de existência do crédito deverá ser feita apenas com a disponibilização fiscal em DCTF. Na continuação, disserta sobre os fundamentos dos atos administrativos, para acusar a autoridade fiscal de evadirse de seu dever funcional de verificação da ocorrência de fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito postulado pelo contribuinte. Argumenta tocar ao Fisco efetuar as diligências necessárias ao conhecimento do objeto da tributação, em obediência ao art. 142 do CTN, que vincula a atuação dos agentes e autoridades fiscais. Os poderes vastíssimos de fiscalização e de acesso aos documentos de toda natureza dos contribuintes prestase à descoberta da verdade material, enquanto pressuposto da adequada aplicação da lei fiscal. Diz que o Fisco desconsiderou o crédito ao seu alvedrio sem justificar tal conduta e o Despacho Decisório não logrou fundamentar de forma legal a exigência fiscal, pois, embora tenha tido acesso a toda a documentação requerida (com exceção do LRAICMS) da Requerente, não indicou de forma individualizada as supostas irregularidades, nem o fundamento legal para deixar de analisar os demonstrativos apresentados. Rechaça a pretensão do Fisco de rediscutir a base de cálculo de tributo relativo a período decaído, por constituirse uma situação jurídica consolidada, já que se reporta a período pretérito alcançado pela homologação tácita, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN, a que se sujeita a contribuição. Cita jurisprudência administrativa. Considera desarrazoada a objeção do Fisco ao reconhecimento de crédito apurado pela Requerente, em relação ao ano de 1999, pois representa exigência a destempo de comprovação de fatos relativos a períodos decaídos. Reitera a correção dos procedimentos da Requerente, que indicou nos PER/DCOMP o seu crédito e facultou ao fisco elementos probatórios suficientes à averiguação do crédito, apresentando, conforme reconhecido pela própria Fazenda, documentação demonstrando a apuração do crédito e a sua aptidão para extinguir os débitos do processo, enquanto o Fisco apresentou alegações genéricas sem demonstrar qualquer irregularidade acerca dos demonstrativos contábeis apresentados. Menciona doutrina sobre o dever de prova por parte da autoridade administrativa. Acusa o despacho decisório de transferir tal dever (e não ônus) ao contribuinte, em face se sua incapacidade de demonstrar a ocorrência de fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito postulado, quando deveria se dar o inverso, cabendo ao Fisco indicar as evidências seguras que infirmassem as declarações fiscais e os registros contábeis apresentados à autoridade administrativa. Pede reforma para o fim de reconhecimento do direito creditório e homologação da compensação declarada. Fl. 501DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/05/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/05/2011 por ALEXANDRE KERN 4 É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 132 a 142 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJBEL3ª Turma nº 0112.184, de 7 de outubro de 2008. Compulsando os autos, às fls. 60 e 61, constato que o PARECER SEORT/DRF/BEL N° 236/2008, sobre o qual se amparou o Despacho Decisório, deu conta de que, instado a apresentar cópia autenticada do Livro de Apuração e Saída do ICMS, conforme documento na folha 13, o interessado limitouse a apresentar um demonstrativo contábil (15 a 41), que não supriu a informação solicitada pela Fiscalização. À míngua de cópias de registros contábeis referentes aos meses solicitados, a autoridade fiscal competente para examinar o pleito considerou inviabilizada a análise da pretensão do direito creditório. Em sede de recurso voluntário, o interessado retoma o argumento de que a documentação acostada aos autos é suficiente para a comprovação do direito creditório, invocando o princípio da verdade material e a perda do direito de rediscutir as bases de cálculo de períodos de apuração já alcançados pela homologação tácita. Ora, em se tratando de uma relação processual probatória, os procedimentos de restituição/compensação exigem do sujeito passivo a comprovação do direito que entende possuir. Não existe, propriamente, a obrigação de provar, senão com o risco de que, em não se cumprindo o ônus probatório, não se venha a alcançar sucesso em sua pretensão. Inversamente do que ocorre nos casos em que se trata de lançamento de ofício, nos processos envolvendo restituição/compensação o ônus da prova do direito é do sujeito passivo, já que lhe cabe a iniciativa e o interesse em ver reconhecido seu direito ao crédito. A jurisprudência administrativa emanada do Conselho de Contribuintes é firme nesse sentido, conforme exemplificam as ementas dos seguintes Acórdãos: VALORES A REPETIR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. INDEFERIMENTO. Pedido de Restituição deve ser acompanhado da demonstração dos' valores pagos a maior ou indevidamente e da comprovação respectiva, de modo a permitir a regular apuração do quantum a repetir sem a qual os créditos não podem ser reconhecidos, ainda que o direito se apresente plausível. (Acórdão n° 203 11.106, de 30/06/2006 da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes) PIS. FATURAMENTO. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO/ COMPENSAÇÃO. ELEMENTO DE PROVA. O pedido de restituição ou compensação deverá vir acompanhado da prova ou elementos suficientes para possibilitar a apuração do valor recolhido a maior, sob pena da inviabilização da determinação da liquidez e da certeza do valor a repetir. Fl. 502DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/05/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/05/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10280.001860/200538 Acórdão n.º 380301.600 S3TE03 Fl. 190 5 (Acórdão n° 20310.937, de 23/05/2006, da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes) Assim, a natureza da relação processual própria dos processos de restituição/compensação atribui ao sujeito passivo o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito que pleiteia, não cabendo à autoridade administrativa suprir o encargo que é da pleiteante. Neste contexto, a falta de comprovação dos créditos que a contribuinte alega possuir, além de enfraquecer a defesa, é razão suficiente para que a compensação não seja homologada, pois a simples menção do valor creditório, sem a devida comprovação, inviabiliza o reconhecimento do direito. Mesmo na fase contenciosa do procedimento administrativo fiscal, que ora se desenrola, o requerente, enquanto manifestante, poderia produzir a prova necessária para a demonstração de seu direito, em face da aplicação analógica do § 4º do art. 16 do PAF, autorizada pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 30 de dezembro de 2008. O interessado, contudo, não se dignou a fazêlo, talvez esperando que a autoridade fiscal suplementasse a sua vontade e o intimasse a tanto. Omitiuse em trazer ao processo qualquer prova conclusiva a propósito das bases de cálculo da contribuição para o período em que alega o direito creditório. Ao contrário, em vez de tentar comprovar a regularidade das deduções procedidas na base de cálculo, o recorrente preferiu tergiversar, afirmando ser defeso ao Fisco discutir a base de cálculo de tributo relativo a período decaído. Em fim, inexiste nos autos qualquer prova conclusiva da base de cálculo da Cofins para o período em que alega o direito creditório, não se podendo operar, portanto, a liquidez e certeza de seus eventuais créditos. Conclusão Com essas considerações e com os fundamentos da decisão recorrida que, forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, adoto como razão de decidir e passam a fazer parte integrante desse voto, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 4 de maio de 2011 Alexandre Kern Fl. 503DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/05/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/05/2011 por ALEXANDRE KERN 6 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 10280.001860/200538 Interessada: AMAZÔNIA CELULAR S/A Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 380301.600, de 4 de maio de 2011, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 4 de maio de 2011. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 504DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/05/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/05/2011 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10980.914105/2009-51
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PROVA. ÔNUS DO
DECLARANTE.
É ônus do sujeito passivo comprovar as alegações contidas em sua defesa, sobretudo tratando-se de utilização, em declaração de compensação, de crédito de pagamento que considera indevido.
Assunto: Normas de Direito Tributário
Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. FALTA DE
COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Inexistindo comprovação do direito creditório informado na Declaração de Compensação deve ser não homologada a compensação declarada.
Numero da decisão: 3803-003.241
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PROVA. ÔNUS DO DECLARANTE. É ônus do sujeito passivo comprovar as alegações contidas em sua defesa, sobretudo tratando-se de utilização, em declaração de compensação, de crédito de pagamento que considera indevido. Assunto: Normas de Direito Tributário Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Inexistindo comprovação do direito creditório informado na Declaração de Compensação deve ser não homologada a compensação declarada.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2014-07-18T16:58:15Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2014-07-18T16:58:15Z; Last-Modified: 2014-07-18T16:58:15Z; dcterms:modified: 2014-07-18T16:58:15Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:5d671c6c-a275-4b1a-8d51-4ebb3bdb2c2a; Last-Save-Date: 2014-07-18T16:58:15Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2014-07-18T16:58:15Z; meta:save-date: 2014-07-18T16:58:15Z; pdf:encrypted: true; modified: 2014-07-18T16:58:15Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2014-07-18T16:58:15Z; created: 2014-07-18T16:58:15Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2014-07-18T16:58:15Z; pdf:charsPerPage: 1792; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:created: 2014-07-18T16:58:15Z | Conteúdo => S3TE03 Fl. 1 1 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.914105/200951 Recurso nº 929.605 Voluntário Acórdão nº 3803003.241 – 3ª Turma Especial Sessão de 18 de julho de 2012 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente AGENCIA MARÍTIMA TRANSATLÂNTICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PROVA. ÔNUS DO DECLARANTE. É ônus do sujeito passivo comprovar as alegações contidas em sua defesa, sobretudo tratandose de utilização, em declaração de compensação, de crédito de pagamento que considera indevido. Assunto: Normas de Direito Tributário Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Inexistindo comprovação do direito creditório informado na Declaração de Compensação deve ser não homologada a compensação declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 0633.556, de 14 de setembro de 2011, da DRJCuritiba/PR, fls. s/nº, que considerou improcedente a manifestação de inconformidade. A Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação nº 41912.30568.280406.1.3.04-5302, fl. 05 a 10, em 28/04/2006, por meio da qual compensou débitos de IRPJ do 1º Trim/2006. Na DComp foi utilizado o crédito de pagamento indevido no valor de R$ 17.501,84, relativo à Cofins do mês de novembro/2004, do total recolhido de R$ 22.239,95. A DRFCuritiba, não homologou a compensação, por meio do despacho decisório de 11/05/2009, fl. 01, fundada no fato de que o DARF discriminado na DComp fora integralmente utilizado para quitação do débito de Cofins do período de apuração de novembro de 2004, não restando saldo de crédito disponível para a compensação do débito indicado. A interessada apresentou manifestação de inconformidade, fls. 11 a 16, em que alegou que: a) dentre as atividades desenvolvidas, realiza a prestação de serviços para armadores estrangeiros e, até pouco tempo, desconhecia a lei que traz o benefício da não incidência da contribuição para o Pis/Pasep e da Cofins sobre receitas decorrentes das operações de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; b) os armadores estrangeiros são representados no território nacional por empresas brasileiras. Os pagamentos efetuados a estes representantes são suportados pelo primeiro, conforme a legislação brasileira, que remete previamente ao país divisas suficientes para fazer frente às despesas assumidas com a passagem de seus navios por águas e portos nacionais; c) as Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 exigem somente duas condições para a não incidência das contribuições: que o tomador, pessoa física ou jurídica, esteja domiciliado no exterior, e que o pagamento seja realizado em moeda conversível; d) os serviços prestados para armadores estrangeiros atendem a estas duas condições, embora o serviço seja executado totalmente em território brasileiro e aqui seja verificado o seu resultado, uma vez que o tomador está domiciliado no exterior e sua contraprestação acarreta a entrada de divisas; e) os representantes são meros repassadores de recursos do exterior, atuando em nome dos armadores, por imposição das leis brasileiras, e que esta intermediação não é suficiente para descaracterizar a não incidência das contribuições, uma vez que toda atividade exercida pela empresa é desenvolvida exclusivamente para uma empresa estrangeira; f) existe um nexo causal entre o pagamento que representa a entrada de divisas e a prestação de serviços à pessoa estrangeira, e que este nexo é evidenciado pela legislação do Bacen, a qual autoriza esse tipo de transação; Fl. 241DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10980.914105/200951 Acórdão n.º 3803003.241 S3TE03 Fl. 2 3 g) preenche todos os requisitos para fazer jus ao benefício e relatou que ingressara com o pedido de restituição e compensação dos valores não prescritos. Indicou o valor do faturamento com a prestação de serviços ao armador estrangeiro, o valor da contribuição que entende ter pago indevidamente e a correção do indébito até a data da apresentação da DComp. h) ressaltou que as notas fiscais de prestação de serviços permitem correlacionar a atividade que desenvolve à desenvolvida pelos armadores estrangeiros em águas nacionais e que as disponibilizará para conferência no momento em que forem requisitadas. Com esses argumentos a interessada requereu o acolhimento da manifestação de inconformidade, o cancelamento do procedimento administrativo adotado pela DRF/Curitiba e a homologação da compensação declarada. Em julgamento da lide, a DRJCuritiba destacou que a compensação tributária pressupõe que o sujeito passivo tenha um crédito líquido e certo contra a Fazenda Pública, conforme dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Sob essa premissa legal, sustentou que a Contribuinte não trouxe ao processo qualquer prova material ou documental para amparar sua principal alegação de direito ao crédito decorrente da não incidência da contribuição sobre as receitas de prestação de serviços a pessoa jurídica domiciliada no exterior, conforme exigida pelo art. 16, III, do Decreto n° 70.235/72 e do artigo 333, do Código de Processo Civil. Aduziu que a manifestante fez juntar ao processo um simples demonstrativo de apuração do crédito, o qual traz a indicação das notas fiscais relativas aos serviços prestados, tendose colocado à disposição para a sua apresentação posterior. Cientificada da decisão em 17 de outubro de 2011, irresignada, a interessada apresentou recurso voluntário em 09 de novembro de 2011, em que repisa os mesmos termos da manifestação de inconformidade e anexa cópias dos contratos anuais de prestação de serviço de agenciamento marítimo, firmados com o armador estrangeiro, P&O Nedlloyd. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa O recurso é tempestivo, e atende a todos os requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A suma dos argumentos da Recorrente é que o pagamento da COFINS utilizado como crédito na DComp sob análise foi calculado sobre receitas de prestação de serviços para pessoa jurídica localizada no exterior, representativa ingresso de divisas, não sujeitas à incidência das contribuições, a teor do do art. 6º, inciso II, da Lei nº 10.833/2003, verbis: Fl. 242DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ALEXANDRE KERN 4 Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...] II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) A razão de decidir da DRJ/Curitiba resumese na falta de comprovação do alegado pela manifestante. Com efeito, a Interessada não respaldou a defesa com documentação contábil e fiscal, únicos elementos autorizados legalmente para aferição de bases de cálculo, para identificação das receitas, de sorte a, no caso, viabilizar a verificação de não incidência da contribuição sobre a exclusiva receita de prestação de serviços ao armador estrangeiro que a Interessada representa no Brasil. A decisão recorrida observou: “a contribuinte [...] juntou ao processo, desacompanhado de documentação contábil e fiscal comprobatória, um simples demonstrativo de apuração do crédito”. No recurso voluntário, reitero, a declarante replica o mesmo argumento trazido na manifestação de inconformidade, e nele agrega o mesmo demonstrativo do crédito utilizado na DComp, em que apresenta a receita auferida do armador estrangeiro e o valor do pagamento indevido da contribuição. Informou a Defendente, em ambas as instâncias, que “dentre as atividades desenvolvidas realiza a prestação de serviços para armadores estrangeiros”. Suas atividades estão descritas no objeto social, constante da cláusula terceira do contrato social consolidado, fl. 24, anexo ao recurso voluntário, ipsis litteris: Agência Marítima, Entidade Estivadora, Operadora Portuária, Agenciamento de navios, Representações Comerciais, Comissária de Despachos Aduaneiros, Prestação de Serviços e Assessoria Técnica em cargas e encomendas e Participações Societárias em outras empresas. Como representante do armador, esta pessoa jurídica, além de angariar cargas para a sua Contratante, executa todos os procedimentos que têm pertinência com o movimento dessas cargas, inclusive quanto à contratação de transporte rodoviário e serviços de armazéns, segundo os termos do contrato de prestação de serviços firmado com a P&O Nedlloyd. Para fazer frente ao cumprimento do contrato, a Agência Marítima Transatlântica movimenta duas contas bancárias. A primeira, para controle do custeio da atividade da Contratante, P&O Nedlloyd, intermediada pela Contratada. A segunda, para as remessas de receitas da Contratante. Os registros contábeis, notadamente contas a pagar, contas a receber e caixa, são feitos separadamente dos da Contratada, de modo que a posição financeira líquida da Contratante possa ser estabelecida a qualquer tempo, consoante cláusula do contrato. Dos termos avençados no contrato deflui a preponderante característica da Agência Marítima Transatlântica como repassadora de recursos financeiros da P&O Nedlloyd para cobertura dos custos e despesas desta nas operações relativas aos fretamentos, serviços de intermediação pelos quais, podese ter como certo, aufere suas próprias receitas representantes de ingressos de divisas. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10980.914105/200951 Acórdão n.º 3803003.241 S3TE03 Fl. 3 5 Contudo, não se perca de vista o leque de atividades previsto no objeto social da Agência Marítima Transatlântica Ltda., a indicar a possibilidade da existência de outras relações de negócios, além da que estabelece com a P&O Nedlloyd, sujeitas à incidência da contribuição, como o prova o débito que a Interessada reconhece como efetivo em cada período de apuração. Dessas observações acima registradas, ressalta a insuficiência do único elemento que a Defendente trouxe na manifestação de inconformidade, vale dizer, o demonstrativo espelhado acima, para demonstrar a propriedade e a medida das receitas de prestação de serviços desta Contratada exclusivamente decorrente do contrato em foco. Mesmo indicado na decisão recorrida que os elementos de prova consubstanciavamse na escrita ou documentação contábil e fiscal, a Recorrente não suprimiu esta lacuna no recurso voluntário, limitandose a anexar cópias dos contratos de prestação de serviços à P&O Nedlloyd, ineptos para aferição dos valores controversos e, portanto, para ateste da verossimilhança das alegações. Assim, nada a reparar na decisão recorrida, que a mantenho por seus próprios fundamentos, o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e a art. 333 do CPC1, segundo os quais é ônus da Defendente carrear aos autos a prova de sua alegação de ser detentora de crédito perante a RFB, não cabendo a este Órgão provêla em substituição àquela, mediante diligência, coligindo os elementos de sua escrita contábil e fiscal, que são de privativo conhecimento da Interessada e se encontram sob seu estrito controle. Em vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 18 de julho 2012 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa 1 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. (...) Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ALEXANDRE KERN 6 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 10980.914105/200951 Interessada: AGENCIA MARÍTIMA TRANSATLÂNTICA LTDA. Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 3803003.241, de 18 de julho de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 18 de julho de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 245DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10950.004773/2007-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 11 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Thu Aug 27 00:00:00 UTC 2020
Numero da decisão: 1302-000.845
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Flávio Machado Vilhena Dias, Andréia Lúcia Machado Mourão, Cléucio Santos Nunes, Mauritania Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (documento assinado digitalmente) Ricardo Marozzi Gregorio - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Flávio Machado Vilhena Dias, Andréia Lúcia Machado Mourão, Cléucio Santos Nunes, Mauritania Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (documento assinado digitalmente) Ricardo Marozzi Gregorio - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Flávio Machado Vilhena Dias, Andréia Lúcia Machado Mourão, Cléucio Santos Nunes, Mauritania Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto por RDM INDUSTRIA E COMERCIO DE MAQUINAS LTDA, contra acórdão que julgou improcedente a impugnação apresentada diante de auto de infração lavrado no âmbito da DRF/Maringá-PR. Em seu relatório, a decisão recorrida assim descreveu o caso: Trata o presente processo de 2 autos de infração (fl. 03/04), consubstanciando a exigência de multa por atraso na entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF. Os autos referem-se respectivamente aos seguintes períodos de apuração: - 1° a 4° trimestres de 2003, com prazo de entrega em 15/05/2003, 15/08/2003, 14/11/2003 e 13/02/2004, no valor de R$ 77.406,91 (fl. 3); - 1° a 4° trimestres de 2004, com prazo de entrega em 14/05/2004, 13/08/2004, 12/11/2004 e 18/02/2005, no valor R$ 149.996,24 (fl. 4); RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 50 .0 04 77 3/ 20 07 -6 4 Fl. 195DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 1302-000.845 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10950.004773/2007-64 A entrega das DCTF’s do primeiro autos se deu em 18/07/2007, enquanto a do último auto se deu 19/07/2007. O fundamento legal da exigência encontra-se descrito no campo 5 (“Descrição dos fatos e Fundamentação Legal”) do referido auto. Cientificada em 05/09/2007 (fls. 35 e 36), a interessada apresentou, tempestivamente, em 27/09/2007 a impugnação de fls. 01/02, na qual alega que houve erro no preenchimento das DCTF's dos períodos em questão. Argumenta que foi desenquadrada do Simples Federal, tendo, portanto que entregar as DCTF’s em atraso. Desse modo, ao preencher as DCTF 's em atraso teria se equivocado e incluído nestas os valores de impostos e contribuições que haviam sido exigidos em lançamento de oficio, contrariando disposição do art. 6°, §1°, da IN 255 de 2002. Percebendo o equívoco, teria, então, retificado os valores da DCTF 's, não havendo tempo hábil, porém, para se impedir a lavratura dos referidos autos de infração. À fl. 38, despacho da DRF/Maringá atestando a tempestividade da impugnação. A DRJ/Curitiba verificou que as retificadoras foram entregues zeradas e somente após a ciência dos autos. Acrescentou que não se justificaria a alegação de que as DCTF originais continham apenas valores lançados de ofício porque os códigos dos débitos informados se referiam a lançamento espontâneo. Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário onde, essencialmente, insiste que houve erro de fato no preenchimento das DCTF originais. Os anos-calendário de 2003 e 2004 foram desenquadrados do SIMPLES FEDERAL em procedimento de ofício que, no ano de 2007, resultou na lavratura de autos de infração. Por entender que a exclusão de ofício a obrigava à entrega das DCTF, preencheu-as com os valores daqueles autos de infração. Quando tomou conhecimento das multas aplicadas de acordo com este processo, tratou de retificar as DCTF zerando os seus valores. Sustenta que os valores exigidos em lançamento de ofício não devem ser informados em DCTF na conformidade do que prevê o § 1°, do art. 6°, da IN nº 255/02, bem como o § 1°, do art. 9°, da IN nº 695/06. Junta cópias do Termo de Verificação Fiscal e demonstrativos consolidados dos referidos autos de infração, demonstrativo dos débitos consolidados em parcelamento (que se refeririam àqueles lançados com os autos de infração) e cópias das DCTF originais e retificadoras. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Como pode ser constatado a partir das informações contidas no processo, a empresa foi autuada após procedimento de fiscalização que resultou, relativamente aos anos- calendário de 2003 e 2004, na sua exclusão do regime do SIMPLES FEDERAL e no lançamento de ofício do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Com efeito, o Termo de Verificação Fiscal e os demonstrativos consolidados juntados com o recurso (fls. 58 a 68) permitem concluir que os valores dos tributos que haviam sido informados em Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica Fl. 196DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 1302-000.845 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10950.004773/2007-64 - SIMPLES foram aproveitados nos autos de infração que consubstanciaram os lançamentos daqueles tributos segundo a sistemática do lucro real trimestral. Portanto, há verossimilhança nas alegações da contribuinte no que diz respeito à erro de fato na entrega das DCTF. E, com efeito, o § 1°, do art. 6°, da IN nº 255/02, é categórico quanto à não inclusão de débitos lançados de ofício no âmbito das DCTF. Veja-se: Art. 6º A DCTF conterá informações relativas aos seguintes impostos e contribuições federais: (...) § 1º Na DCTF não serão informados os valores de impostos e contribuições exigidos em lançamento de ofício. Tal regra foi também replicada nas instruções normativas que a sucederam sobre o assunto. Nada obstante, acerca dos referidos autos de infração, a recorrente só juntou os demonstrativos consolidados dos créditos tributários constituídos (fls. 66 a 68). De modo que, só se pode ter a informação totalizada dos tributos lançados. Não se sabe quais foram os tributos lançados por período de apuração para que se pudesse comparar com os valores informados nas DCTF originais (extratos misturados com os das DCTF retificadoras, juntados conforme fls. 84 a 182) e, assim, garantir que não foram confessados débitos para além dos alcançados pelos autos de infração. Ademais, os valores indicados no demonstrativo dos débitos consolidados em parcelamento (fls. 70 a 83), que se refeririam àqueles lançados com os autos de infração, decididamente não conferem com os valores informados naquelas mesmas DCTF originais. Apesar dessas inconsistências, é bastante plausível que os débitos informados nas DCTF originais (cuja entrega em atraso motivou o lançamento das multas objeto do presente processo) não foram encaminhados para cobrança porque não correspondiam a novos fatos geradores efetivamente ocorridos (já que houve uma ação fiscal envolvendo os mesmos tributos e anos-calendário consolidando os créditos tributários do período). Neste caso, não obstante as inconsistências, haveria que se concordar com o reclamado erro de fato. Assim, por prudência, considero conveniente que o presente julgamento seja convertido em diligência para que a unidade de origem adote as seguintes providências: a) Verifique se as DCTF retificadoras foram homologadas; b) Verifique se os débitos informados nas DCTF originais que motivaram o lançamento das multas objeto do presente processo foram encaminhados para cobrança e se eles são distintos dos créditos tributários constituídos com os autos de infração referidos no Termo de Verificação Fiscal e demonstrativos consolidados juntados com o recurso (fls. 58 a 68); c) Em caso de parcial afirmativa ao item anterior, demonstrar os débitos que se enquadram naquela condição e a base de cálculo remanescente para as multas aplicadas; Fl. 197DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 1302-000.845 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10950.004773/2007-64 d) Dê ciência à empresa dos elementos juntados na diligência para que esta, querendo, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias. É como voto. (documento assinado digitalmente) Ricardo Marozzi Gregorio Fl. 198DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 13629.000044/98-36
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 303-01.127
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, declinar competência ao
Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, em razão da matéria na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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I. MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO 'CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA I, , , ' ! Proc,esso n° Recurso n° Sessão de Recorrente Recorrida 13629.000044/98-36 129741 23 de março de 2006. CONSTRUTÉCNICOS CARVALHO & GOMES DRJ - JUIZ DE FORA/MG RESOLUÇÃO N° 303-01.127 . Vistos? relatados e discutidos os presentes autos. t • RES'OLVEM os Meml;>ros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de. Contribuintys, por unanimiqade de votos, declinar competência ao Egrégio Primdro Conselho 'de Contribuintes, em razão da matéria 'na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, . FormalizadO em: Participarm;n, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Zenaldü Loibman, .Nanci Gama, Sérgio de Castro Neves, Sílvio Marcos Barcelos Fiúza, MarcieI Eder Costa, Nilton Luiz Bartoli e Tarásio Campelo Borges. . Pela clareza das informações prestadas, adoto o relatório proferido J pela DRI- JUIZ DE FORAlMG, oqual passo a transcrevê-lo: "CONSTRUTÉCNICOS. CARVALHO & GOMES LTDA.; acima identificada, solicitou em 26 de janeiro de 1998 compensação dos .tributos e contribuições recolhidos através de DARFs referentes a período's posteriores a janeiro/1997 com os v.alores devidos calculados na forma do SIMPLES, conforme Pedido'de Compensação às fl. 1/4. Não concordando com a carta cobrança expedida, a contribuinte manifesta à fl. 187 sua inconformidade, alegando o que segue: fez a -opção pelo SIMPLES -em 21/11/1997; até a data da opção "era enquadrado no regime de Lucro Presumido; recolheu dentro do prazo .todos os tributos .devidos; solicitou a compensação dos .referidos impostos para.o SIMPLES; a SRF reconheceu seu direito- , creditório; não pode' concordar com a cobrança, pois não. houve recolhimepto em atraso." RELATÓRIO 13629.000044/98-36 303-01.127 Processo nO REsolução nO . '- Em despacho às fl~. 07/08, a, DRF/GV A: reconheceu o direito cre<;litóríopleiteado, permitindo a compensação de R$ 2.859,89, com base no artigo 66 da Lei n.o 8.383/1991 eno artigo 74 da Lei n.o 9.439/1996, coma regulamentação contida na IN SRF n.o 021/1997, em seus artigos 1°, 5° e 12 parágrafo 10, a qual estipula que a compensação será efetuada entre quaisquer ~ributos ou contribuições sob administração da SRF, ainda que não sejam da mesma espécie nem tenham_ idêntica destinação constitucional. Cientificada da.Decisão a qual julgou procedente os lançamentos, fls: 189/191, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, -tempestivo, em. 26/02/2003, conforme documentos de fls. 195, repetindo as razões coi1tid(;lsna peça inicial. . Promoveu o arrolamento de becs cómo ~~ nos tenhOs do artigo 33 do Decreto 70235/72. (fi. 196)2 " . .\j' o processo foi encaminhado, à SOART da DRF/CFN para os - procedimentoS de compensação, quando se tomou necessário intimar a contribuinte -'para 'que prestasse informações sobre sua declaração de rendimentos. Em resposta, foi formulado por ela novo. Pedido - de Compensação,. à fl. 50, corrigindo débitos anteriormente informados. Com base na nova situação, e ~m consonância com os elementos às fls. 52/80, fo~am elaborados pela autoridade preparadora' _o~ demonstrativos às fls. 81/82, os quais apontam para a existência de um saldo remanescente a pagar de R$ 360,99 que, atualizado até milio/2000, perfaz R$ 643,38, Subiram então os autos a este Colegiado, tendo sido distribuídos, por sorteio, a este Relator, em Sessão realizada no dia 06/12/2005. 13629.000044/98-36 303~ot.127 \ . 3 / I \ É o relatório. Processà. nO REsolução nO '- . .. , Processo nO REsolução nO 13629.000044/98-36 303-01.127 VOTO Conselheiro Marciel Eder Costa, Relator Trata o presente processo de pedido de compensação dos tributos e contribuições recolhidos através de DARFs referentes a períodos posteriores a jandro/1997 com os valores devidos calculados na forma do SIMPLES, sendo que devida cúmpt:msáção resultou na exigência de um crédito tribut'árío. De fato, pela disposição contida no art. 9°, Inciso XIV, do , Regimento Interno do~ Conselhos de Contribuintes, temos que compete ao Terceiro Conselho de Contribuintes o julgamento dos Recursos que versem ,sobre a aplicação da legislação referente aO,SIMPLE~. Neste sentido: "Art. 9° Compete ao Terceiro Conselho de Contribuintes julgar os recurso.s de oficio e voluntários de decisão de primeira instância sobre aplicação 'da legislação referente a: XIV - Sistema Integrado ,de Pagament~ de Impostos e Contribuições' das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte(SIMPLES). " , Por seu turno, dispõe a L~i 9.317/96 que institui o Sistema Integrado. de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES, com alterações posteriores: "Art. 17. Compei:e~ à Secretaria da Receita Federal as atividades de arrecadação, cobrança, fiscalizàção e tributação dos impostos e contribuições pagos, de conformidade com o SIMPLES. J 10•Aos processos de determinação e eXlgencia,dos créditos tributários e de consulta, relativos aos impostos e contribuições de1!idos dé conformidade com o SIMPLES, aplicam'-seas normas relativas 'ao imposto de renda. f ]O A celebração de convênio, na forma do art. 4'0, implica delegar co'mpetência à Secretaria da Re ral, para p exercício das atividades de que trata este ar. igo, nos ter'm do art. ,70 da Lei nO ,5.172, de 25 de outubro de 19 6 (Sistema Tribut '0 Nacional). Diante da normativa legal ora transcrita, tem-se que, compete ao Terceiro Conselho de Contribuintes o julgamento dos casos. (recursos de oficio e voluntários) que dizem respeito à aplicação da legislação do SIMPLES, desde que estes hão representem a exigência do créditq tributário, pois se assim resultarem a competência pertence ao Primeiro Conselho de Contribuintes, P9r força do parágrafo primeiro do art. 17 da lei supra transcrita, ou seja, pelo fato de competir ào Primeiro Conselho o exame daJilatéria relativa ao I osto de Renda, a teor do art: 7°, caput do Regimento- Interno dos Conselhos de Co /. . uintes. ' Processo nO REsolução nO 13629.000044/98-36 303-01.127 S 3° O convênio a que se r~fere o parágrafo anterior poderá, também, disciplinar á forma de' participação das Un'idades Federadas nas atividades dejiscalização. Da Omissão de Receita Art. 18. Aplicam-se d microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de reeeita existentes nas legislações de. regência dos impostos e contribuições de que trata esta Lei" desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem' obrigadas aquelas pessoas jurídicas. " ( grifo nosso) d " decli~ar competência paFa julgamento do ' se ho de Contribuintes, pela fundamentação 5 ,/ 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005
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Numero do processo: 13433.000386/2004-43
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1999, 2000
DECADÊNCIA. Nos termos do artigo 173, I do CTN, passado o transcurso do qüinqüênio legal, extinto se encontra o direito de constituição do crédito tributário, nos termos do artigo 156, V, do CTN. Precedentes da 1ª Seção deste E. Conselho e do C. STJ (Resp. n. 973.73).
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Justificados e comprovados os
valores que deram origem à variação patrimonial positiva, é de se afastar a acusação fiscal.
Numero da decisão: 2802-001.307
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR
PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ
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Nos termos do artigo 173, I do CTN, passado o transcurso do qüinqüênio legal, extinto se encontra o direito de constituição do crédito tributário, nos termos do artigo 156, V, do CTN. Precedentes da 1ª Seção deste E. Conselho e do C. STJ (Resp. n. 973.73). ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Justificados e comprovados os valores que deram origem à variação patrimonial positiva, é de se afastar a acusação fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. EDITADO EM: 09/02/2012 Fl. 333DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 09/02/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Versam os autos sobre o Auto de Infração de fls. 65 a 71, no qual é cobrado o Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativamente aos anoscalendário de 1998 e 1999, no valor total de R$ 10.883,60 (dez mil, oitocentos e oitenta e três reais e sessenta centavos), acrescido de multa de lançamento de oficio e juros de mora, calculados até 31/08/2004, perfazendo um crédito tributário total de R$ 29.037,06 (vinte e nove mil, trinta e sete reais e seis centavos). O Auto de Infração foi lavrado em virtude de terem sido constatadas as seguintes infrações à legislação tributária, descritas às fls. 58 a 64 do Relatório Fiscal e às fls. 66 e 67 do Auto de Infração: 1 — omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens (fato gerador em 31/12/1999, no valor de R$ 3.038,00); 2 — omissão de rendimentos, tendo em vista a variação patrimonial a descoberto (fato gerador em 31/12/1999, no valor de R$ 15.723,62); 3 — compensação indevida de imposto de renda retido na fonte (fato gerador em 31/12/1998, no valor de R$ 13.303,84); e 4 — classificação indevida de rendimentos na declaração de ajuste anual do imposto de renda pessoa física (fato gerador em 31/12/1998, no valor de R$ 33.223,80). O contribuinte apresentou impugnação de fls. 75 a 112, juntamente com a documentação de fls. 113 a 228, alegando, em síntese: preliminarmente, que o lançamento referente ao anocalendário de 1998 encontrase abrangido pela decadência, nos termos dos arts. 150, § 4º e 149, parágrafo único, ambos do Código Tributário Nacional, uma vez que a ciência do lançamento ocorreu em 13/09/2004. Ademais, sendo mensal o fato gerador do imposto de renda pessoa fisica, nos termos das leis n° 7.713/1988, n° 8.134/1990 e n° 8.383/1991 e do art. 2°, § 2°, do Decreto n° 3.000/1999, o direito de revisão dos fatos geradores correspondentes aos meses de março e abril de 1999, já havia decaído, quando da ciência do lançamento, em setembro de 2004; que, ainda em sede de preliminar, houve falhas relativas aos procedimentos adotados pela fiscalização, uma vez que o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) autorizador da fiscalização tem validade apenas até 10/09/2003 (fls. 1) e referese unicamente ao período de 01/1998 a 12/1998. Que a Portaria SRF n° 3.007/2001, em seus artigos 4° e 13, § 2°, determina a ciência do contribuinte do início do procedimento fiscal bem como das prorrogações do MPF. Que somente tomou ciência da prorrogação do MPF, vencido desde 10/09/2003, em 03/08/2004, por meio do Termo de fls. 53 e demonstrativo de fls. 04. Dessa forma, os Termos de Intimação datados de 02/03/2004 (fl. 48), de 29/03/2004 (fls. 50) e de 26/07/2004 (fl. 52), carecem de validade legal. Ademais, houve falta disciplinar do servidor, haja vista a extensão da fiscalização para o anocalendário de 1999, concedida somente em 08/09/2004 (fls. 03), fato do qual só tomou conhecimento por ocasião do lançamento. Assim, todas as intimações, à exceção do Termo de Início de Fiscalização, são ilegais, razão pela qual o contribuinte não se viu obrigado a atendêlas. Pede, portanto, sejam desconsideradas tais intimações, bem como as conclusões inseridas no Relatório Fiscal, sobre a falta de atendimento; que os rendimentos pagos pela Prefeitura de Pau dos Ferros, constam do comprovante de rendimentos relativo ao anocalendário de 1998, documento que foi remetido à DRF Mossoró por meio da correspondência de fls. 43 e anexado à fl. 46. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 09/02/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13433.000386/200443 Acórdão n.º 280201.307 S2TE02 Fl. 7 3 Requer a desconsideração do rendimento no valor de R$ 3.038,00, apurado pela fiscalização, em relação ao anocalendário de 1999, por já tributados no anocalendário de 1998. Pede, também sejam aceitas as comprovações de retenção na fonte, no valor de R$ 13.303,84, para o anocalendário de 1998, visto que efetivamente recolhidos aos cofres públicos, mais precisamente, à Prefeitura Municipal de Pau dos Ferros, conforme previsto no inciso I, do art. 158 da CF/88 e documentos de arrecadação municipal (DAM), anexados ao processo. Ademais, os recolhimentos foram contabilizados a crédito da conta 1721.01.04 do Município, como atesta a declaração do Exmo. Sr. Prefeito daquela cidade e balancetes dos meses de março e abril de 1999; que os valores recebidos da Prefeitura de Pau dos Ferros decorrem da prestação de serviços de transporte de cargas, como comprovam as notas fiscais de serviços, emitidas pela referida Prefeitura, tendo havido, inclusive, recolhimento de 2% a título de Imposto sobre Serviços (ISS). Que as cargas transportadas correspondem a piçarra e pedra calcárea, objeto de contratos de prestação de serviços firmados em 14/05/1998 e 20/08/1998. Que esses materiais não foram adquiridos pelo transportador, mas simplesmente recolhidos da natureza, mais precisamente na zona rural e circunvizinhanças do Município de Pau dos Ferros, conforme declaração de testemunha anexada ao processo. Que todo o valor das notas fiscais referese ao custo do transporte, decorrente da distância entre os locais de retirada dos materiais e de entrega. Por essa razão, pede o cancelamento constante do item 4.1 de fls. 63, para restabelecer o valor corretamente declarado; que, em relação ao acréscimo patrimonial a descoberto, informa que, ao contrário do relatado pela fiscalização à fl. 64, procurou atender às intimações, apesar de considerálas nulas porquanto feitas sem autorização para o ano de 1999. Afirma que tudo foi efetuado em dinheiro, haja vista não possuir, naquele ano, conta bancária. Que não fez constar de sua declaração qualquer valor referente a dinheiro em cofre, nem o direito de receber os R$ 3.038,00 relativos à nota fiscal de n.° 140, por mero equívoco. Que, para demonstrar não ter havido qualquer acréscimo patrimonial a descoberto, elaborou demonstrativo, considerando como consumidos 60% dos valores recebidos, percentual máximo previsto na legislação, em que se verifica haver sobra de recursos em abril de 1999. Por fim, que a fiscalização deixou de reajustar, nos dois anos, o valor de desconto padrão de 20%, o que requer seja retificado. A decisão a quo, rejeitou as alegações do Recorrente; ntretanto, deu provimento em parte à Impugnação apresentada, apenas para excluir do cálculo do desconto simplificado do imposto, nota fiscal cancelada no valor de R$ 3.038,00. Em Voluntário, requer o cancelamento do Auto, com fulcro nas mesmas razões já expostas na Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator Pela impossibilidade de verificação quanto à tempestividade do recurso, dele conheço. Por revogada a exigência de arrolamento de bens para fins de seguimento de recurso voluntário, deixo de analisar a preliminar argüida. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 09/02/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO 4 Acolho a alegação de decadência referente ao IRPF, anocalendário 1998, por se tratar de situação abrangida pelo decidido em sede recurso repetitivo, pelo STJ, Resp n. 973.733, cuja diretriz indica a aplicação da regra de contagem prevista no artigo 173, I do CTN. Por se tratar de fato gerador referente ao anocalendário 1998, sem que tenha ocorrido qualquer antecipação de pagamento, o dies a quo se deu em 1/1/1999, sendo o dies ad quem em 1/1/2004. Por sua vez, a intimação do Auto somente se deu em 13/9/2004. Logo, é de se reconhecer a caducidade dos créditos referente ao anocalendário 1998. A 1a. Turma da 2a. Câmara da 1a. Seção deste E. Conselho, em recente decisão, decidiu exatamente nesse sentido: CARF 1a. Seção / 1a. Turma da 2a. Câmara / ACÓRDÃO 1201 00.425 em 24/02/2011 IRPJ E REFLEXOS OMISSÃO DE RECEITAS ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL EMENTA Anocalendário: 2002, 2003 AUTORIDADE FISCAL. COMPETÊNCIA. É válido o lançamento formalizado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo (Súmula CARF nº 27). MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). O descumprimento do prazo previsto no MPF para realização da ação fiscal não invalida o lançamento efetuado pela autoridade tributária. Assunto IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002,2003 DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A alegação de que os depósitos em conta correntes bancária têm origem em contratos de mútuo celebrados com pessoas ligadas deve estar amparada em um conjunto probatório robusto, sendo insuficiente a apresentação do instrumento contratual. DECADÊNCIA. Aplicação do artigo 173, inciso I, do CTN, quando não há pagamento do IRPJ e da CSLL. Contagem do prazo a partir do primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato gerador. Reconhecimento da decadência do IRPJ e da CSLL do ano calendário de 2002, visto que o prazo decadencial se iniciou em 01/01/2003, com término do prazo em 31/12/2007. Lançamento efetuado apenas em 24/12/2008.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício. Por unanimidade de votos, AFASTAR a preliminar de nulidade do auto de infração. Por maioria de votos, ACATAR a decadência para os créditos de IRPJ e CSLL relativos ao ano calendário de 2002. Vencidos, neste ponto, os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos e Marcelo Cuba Netto (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rafael Correia Fuso. Quanto ao mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 09/02/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13433.000386/200443 Acórdão n.º 280201.307 S2TE02 Fl. 8 5 Publicado no DOU em: 21.06.2011 Recorrente: MONT BLANC EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA. Recorrida: FAZENDA NACIONAL. Quanto ao ano calendário 1999, não acolho o pleito de reconhecimento da decadência, por ter se dado o lançamento dentro do qüinqüênio a que se refere o artigo 173, I do CTN. Rejeito a alegação de vício no procedimento de fiscalização, por ter se dado além dos prazos estipulados no MPF e por não ter sido intimado sobre as prorrogações de prazo sucessivamente concedidas. Com efeito, a jurisprudência do CARF considera que o MPF é mero instrumento de controle interno da administração tributária. Assim, eventuais vícios nesse instrumento não tem a força de macular o lançamento tributário ultimado com respeito aos termos do artigo 142 do CTN. Em recente decisão da CSRF (processo n.º 10235.000197/2005 08), tal entendimento foi ratificado. Este E. Sodalício já decidiu que eventuais prorrogações do MPF não precisam ser notificadas ao contribuinte, bastando que haja MPF válido à data da lavratura: Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF 2a. Seção 2a. Turma da 4a. Câmara. Processo n° 36204.003242/200618 Recurso n° 150.905 Voluntário. Acórdão n° 240200.172 4' Câmara/2 Turma Ordinária . Sessão de 27 de outubro de 2009 MPF NULIDADE – INEXISTÊNCIA. A intimação do contribuinte da prorrogação da ação fiscal ocorrida posteriormente ao término da vigência do MPF anterior não representa qualquer nulidade, assim como não é nulo o lançamento cientificado ao contribuinte após o término da vigência do MPF. Reconhecida a caducidade dos créditos referentes ao anocalendário 1998, resta apenas julgar a acusação de acréscimo patrimonial a descoberto relativa ao anocalendário 1999, a seguir. De acordo com a fiscalização, o Recorrente realizou gastos/dispêndios com pagamentos efetuados à Prefeitura Municipal de Pau dos Ferros no valor total de R$ 18.761,62 (dezoito mil, setecentos e sessenta e um reais e sessenta e dois centavos), conforme documentos anexos (fls. 33 a 37), pagando R$ 14.896,19 (quatorze mil, oitocentos e noventa e seis reais e dezenove centavos) no mês de março (fls. 33 a 36) e R$ 3.865,43 (três mil, oitocentos e sessenta e cinco reais e quarenta e três centavos) no mês de abril (fl. 37). O cotejo entre a renda disponível e as aplicações de recursos conhecidas culminou com a elaboração do "Demonstrativo de Variação Patrimonial" anexo (fls. 56 e 57) e integrante do presente auto de Fl. 337DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 09/02/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO 6 infração, comprovam que o contribuinte realizou nos meses de março e abril de 1999 gastos incompatíveis com os rendimentos recebidos no mesmo período. A alegação de que o Recorrente não mantinha conta bancária e que os valores se encontravam guardados em espécie, merece acolhida. Isso porque, é mais do que plausível que os valores apurados nos Demonstrativos de fls. 56 e 57, não caracterizem acréscimo patrimonial a descoberto e tenham origem nos pagamentos feitos pela própria Prefeitura de Pau dos Ferros, por se referirem a suposto IRRF não retido pela Prefeitura e “cobrado” do Recorrente, conforme documentos de fls. 33 a 37. Pelo exposto, conheço e dou provimento integral ao Recurso Voluntário, para reconhecer a caducidade dos créditos tributários referentes ao anocalendário de 1998, como único efeito e sem importar em eventual reconhecimento de direito creditório, e para reconhecer a comprovação das origens dos dispêndios realizados no anocalendário de 1999. É como voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 338DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 09/02/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 13227.000132/2007-11
Turma: Segunda Turma Especial
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 392-00.005
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Turma Especial do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: MARIA DE FATIMA OLIVEIRA SILVA
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MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA TURMA ESPECIAL Processo n° 13227.000132/2007-11 Recurso n° 142.339 Assunto Solicitaçdo de Diligência Resolução n° 392-00.005 Data 18 de novembro de 2008 Recorrente NILO KLEBER JUNIOR - ME Recorrida DRJ-BELEM/PA RESOLUÇÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Segunda Turma Especial do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, nos termos do voto da relatora. MARIA DE FÁTIMA OL RA SILVA Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Alberto Pinheiro Gomes e Alcoforado e Francisco Eduardo Orcioli Pires e Albuquerque Pizzolante. Processo n.° 13227.000132/2007-11 Resolução n.° 392-00.005 CC0371-92 Fls. 62 RELATÓRIO A empresa acima identificada recorre a este Conselho de Contribuintes, de Acórdão prolatado pela 2 Turma de Julgamento da delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belém/PA, face sua exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), através do Ato Declaratório Executivo DRF/JIP no 540.143, de 02 de agosto de 2004 (11.10), a partir de 1/01/2002, por desenvolver atividade considerada impeditiva de sua permanência no regime e pela prática reiterada de infração à legislação tributária. A fundamentação legal da exclusão da empresa em questão reside na justificativa de ocorrência da situação excludente nos termos do inciso XIII do art.9°, da Lei n° 9.317/1996, abaixo transcrito: "Art. 9" Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: XIII — que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, atol-, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico , químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professorjorna lista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida." Como parte do meu relato, adoto o relatado pelo I. relator do decisuni a quo: V.Cuida o processo de Manifestação de Inconformidade, fls. 26/30, contra a Decisão que manteve a condição de EXCLUIDA do SIMPLES a empresa em epígrafe, fls. 20/21.. 2.0 motivo da exclusão é a vedação do inciso XIII cio art. 9" da Lei 9.317/1996, que impede que empresas que atuem em atividades assemelhadas às de engenheiro ingressem no regime tributário do SIMPLES. No caso em tela o contribuinte exerce as atividades de Instalação, reparação e manutenção de máquinas e aparelhos de refrigeração e de intermediários cio comércio de peps e acessórios para máquinas e aparelhos de refrigeração. 3.Em suas razões o contribuinte alega o seguinte: - Que sejam apreciadas os argumentos transcritos na peça inicial administrativa; 2 - Que a decisão prolatada confronta os arts. 05 e 106 do Código Tributário Nacional — Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966; Processo n.° 13227.000132/2007-11 ResolucAo n.° 392-00.005 CC03/T92 Fls. 63 - Que a matéria deve ser vista no âmbito constitucional, não podendo a lei ordinária sobrepor a constituição, ao direito do contribuinte que lhe solicitar a sua devida aplicabilidade, inclusive com a retroatividade; Cita o art. 5", LV; 145 a 149-A e 170 a 181 da Constituição Federal; a imposição de encargos tributários que são direitos do contribuinte ser excluído chega as aras da inconstitucionalidade; - Que não permitido utilizar tributo com efeito de confisco, citando o,art. 150, IV da Constituição Federal; atentando este confisco contra o direito da propriedade e segurança jurídica, sendo indevido na inflação c/c hoje; - Que, quando solicitadas certidões que sejam expedidas no caráter negativo em z face do efeito suspensivo; - Que se faça a devida produção da prova pericial, para que seja comprovado o faturamento nos termos que a Lei a contento estabelece e enquadra a contribuinte; - Que seja reconsiderada a decisão administrativa, para que ao final a empresa permaneça no SIMPLES — Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas." O acórdão lavrado pela 2" Tunna da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA decidiu pelo indeferimento da solicitação da contribuinte, mantendo o Ato Declaratório Executivo DRF/JIP n° 540.143, nos termos da ementa que se transcreve: "Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES. Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006 EXCLUSÃO. MANUTENÇÃO E REPARO DE EQUIPAMENTOS. Não podem optar pelo Simples as pessoas jurídicas que prestem serviços de manutenção e reparação de máquinas e equipamentos, pois essa atividade é exercida por profissionais coin habilitação legalmente exigida ou a eles assemelhados. INCONSTITUCIONALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade de dispositivos legais. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade até decisdo em contrario do Poder Judiciário. Solicitação Indeferida" Discordando da decisão de la instancia, a interessada apresentou tempestivo recurso voluntário a este Colegiado, reiterando os argumentos apresentados na impugnação (fls. 46/49). o relatório. 3 Processo n.° 13227.000132/2007-11 Resolue5o n.° 392-00.005 CC03/T92 Fls. 64 VOTO Conselheira Maria de Fátima Oliveira Silva, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo, e por conter matéria de competência deste E. Terceiro Conselho de Contribuintes. 0 presente processo cuida de pedido de nulidade do Ato Declaratório Executivo DRF/JIP n° 540.143, de 02 de agosto de 2004, que excluiu a interessada do SIMPLES, a partir de janeiro de 2002. Em sua irresignação insurge-se no tocante A data de inicio de sua exclusão do Simples, alegando que a lei não poderia retroagir, pois se o ADE data do ano de 2004, este não poderia surtir efeito a partir de 01/01/2002. Alega também, que os preceitos legais que embasam o procedimento administrativo não pode se sobrepor os dispositivos constitucionais. Questiona a utilização do tributo corn efeito de confisco e não deve ser confundido corn penalidade. Em sua peça recursal, a recorrente alega que desde o inicio sua atividade é a de manutenção de aparelhos de refrigeração em veículos, e, que de acordo corn o Código de Atividade Econômica é Instalação, Reparação e Manutenção de Máquinas e Aparelho de Refrigeração, porém o certo é que a empresa dedica-se à prestação de pequenos serviços. Questiona a situação de uma empresa que, tomando por base o exercício de 2003, teve uma receita de RS4.274,28 (quatro mil, duzentos e setenta e quatro reais e vinte e oito centavos), impossível seria sua sobrevivência corn outro tipo de tributação que não pelo pagamento simplificado. Ora, a recorrente que teve oportunidade de apresentar, juntamente com a peça recursal, a teor do § 4°, do art. 16, do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, documentos a bem comprovar a veracidade de suas informações, quais sejam: 0 Contrato Social da empresa e alterações, Notas Fiscais de Prestação de Serviço de forma a demonstrar o tipo de serviço que verdadeiramente executa, Notas Fiscais de Venda de Mercadorias, referentes a mercadoria por ela comercializada, demais documentos que servissem como meios de prova corn vistas a firmar entendimento do alegado que se aprecia, não o fez. Dessa forma, ante a impossibilidade de firmar convicção sobre a matéria em litígio, voto no sentido de que seja convertido o presente julgamento em diligência, retornando o processo ao órgão de origem a fim de que seja diligenciada junto à empresa Nilo Kleber Junior — ME, a real atividade por ela exercida, bem como, junto As Notas Fiscais de Prestação de Serviço e de Venda de Mercadorias, emitidas nos anos calendário de 2000 e 2001, fazendo autenticar as vias constantes dos talondrios, procedendo a devida análise, retornando, posteriormente a este Colegiado, com o devido parecer conclusivo da diligência em questão, para prosseguir no julgamento. Sala das Sessões, em 18 de novembro de 2008 MARIA DE FATIMZLI5)3A'S'ILVA - Relatora 4
score : 1.0
Numero do processo: 10166.907972/2009-34
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
Ementa: COMPENSAÇÃO. FORMALISMO MODERADO.
RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À
REPETIÇÃO DO INDÉBITO.
A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3803-003.035
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 Ementa: COMPENSAÇÃO. FORMALISMO MODERADO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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FORMALISMO MODERADO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] ALEXANDRE KERN Presidente. [assinado digitalmente] JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues. Fl. 34DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Relatório Tratase de declaração de compensação transmitida em 14/11/2006, onde busca a contribuinte compensar crédito, código de receita 2172, do período de apuração de novembro de 2004, decorrente de pagamento a maior ou indevido. A DRF em Brasília não homologou a compensação tendo em vista que o DARF discriminado no Per/Dcomp foi integralmente utilizado para quitar débitos da contribuinte não restando saldo credor para compensar a dívida declarada. Cientificada em 18/06/2009, apresentou manifestação de inconformidade em 20/07/2009, na qual alega que: De janeiro de 2004 a fevereiro de 2006 pagou a Cofins e o Pis sobre a totalidade da venda de mercadorias, sem a exclusão da base de cálculo dos produtos monofásicos. Sendo a atividade da empresa Bar e Restaurante, com grande volume de venda de Chopp, cervejas e refrigerantes, foram pagos um valor maior, tendo em vista a não observância do tratamento tributário adequado. Tomando conhecimento do erro na apuração dos impostos, fez DIRPJ retificadora do período, corrrigindo as informações referentes ao PIS e Cofins, passando a compensar os valores pagos a maior na quitação do PIS e Cofins dos meses seguintes a partir de março/2006, através do PER/Dcomp. Ao tomar conhecimento dos Despachos Decisórios, procurou o Plantão Fiscal, apresentando todos os documentos a respeito do assunto. O Fiscal de Plantão informou a necessidade de apresentar as DCTF retificadoras, alterando o valor devido e informando o valor pago a maior, para que a Receita possa apurar o valor do crédito que posteriormente seria compensado através de Dcomp. Assim, retificou a DCTF para que a receita possa, processando as informações contidas nas DCTF retificadoras, baixar os débitos referentes aos Despachos Decisórios. A DRJ em Brasília manteve o despacho decisório por entender que o contribuinte não trouxe aos autos os documentos contábeis e fiscais que comprovassem a liquidez e certeza do crédito, ou seja, do pagamento supostamente realizado a maior. Consignou, ainda que a competência para apreciar declarações retificadoras (DCTF, DIPJ, Dcomp, etc) é do Delegado da Receita Federal de jurisdição do sujeito passivo, não cabendo a esta Turma de Julgamento se manifestar a respeito, por falta de previsão legal. Eis a ementa do julgado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário:2004 Compensação – Impossibilidade Necessidade da Liquidez e Certeza do Crédito do Sujeito Passivo. A lei somente autoriza a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo. No caso, o crédito do contribuinte resultaria de suposto pagamento a maior, o qual foi totalmente utilizado para quitar contribuição devida e declarada, portanto, inexistente. Retificação de Declaração – Admissibilidade e Competência para Apreciar. Fl. 35DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10166.907972/200934 Acórdão n.º 3803003.035 S3TE03 Fl. 2 3 A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. A competência para apreciar declarações retificadoras é do Delegado da Receita Federal de jurisdição do sujeito passivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, após ciência do acórdão retro (28/10/2011), apresentou Pedido de Revisão de Ofício em 25/11/2011, o qual pelo princípio do formalismo moderado e pela instrumentalidade das formas será aceito como se recurso voluntário fosse, na qual repisa os argumentos da manifestação de inconformidade e requer a homologação da compensação apresentada. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. A defesa da ARMAZÉM DO FERREIRA BAR E RESTAURANTE LTDA fundamentase na ocorrência de erro de fato no preenchimento da DCTF tendo em vista que calculou o recolhimento da Cofins e do PIS sobre a totalidade da venda de mercadorias, sem a exclusão da base de cálculo dos produtos monofásicos, o que representaria boa parte de suas receitas. Diante disso, apresentou DCOMP, acreditando na existência de crédito tributário a seu favor em decorrência deste erro. No caso em tela, observase que o contribuinte somente retificou a DCTF em 14/07/2009, após a ciência do despacho decisório –passados quase três anos após a transmissão da Dcomp. Eis a controvérsia que ora se analisa. Salientamos que não existe norma na legislação de regência condicionando a apresentação do Per/Dcomp à prévia retificação da DCTF, apesar de este ser um procedimento lógico. O comando empregado pela decisão a quo para rejeitar o pedido consubstanciado na manifestação de inconformidade, qual seja, o inciso III do § 2º do art. 11 da IN RFB nº 786/2007, abaixo reproduzido, se refere ao início do procedimento fiscal strictu sensu, ou seja, aquele que visa constituir o crédito tributário, o que não é o caso, uma vez que o tributo já foi pago pelo contribuinte: Art . 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. Fl. 36DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por ALEXANDRE KERN 4 §1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração origináriamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. §2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada sobre o início de procedimento fiscal. (grifei) Desta feita, não há impedimento legal algum para a retificação da DCTF em qualquer fase do pedido de compensação, porém, o mesmo somente será deferido após a retificação da DCTF de ofício ou por iniciativa do contribuinte. Este também é o entendimento partilhado pela 3ª SJ/3ª C/ 3ª TO deste Conselho.1 Através da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, o contribuinte presta as informações relativas a valores de débitos de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal bem como o respectivos valores dos créditos, tais como pagamentos, parcelamentos ou compensações. Tendo em vista o caráter de confissão de dívida característico do documento, não há o que repreender no despacho que não homologou a compensação se quando do encontro de constas a autoridade fiscal constatou que o DARF indicado na declaração de compensação já havia sido integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo credor para compensar. Isto porque a Receita Federal não tinha conhecimento do equívoco cometido pela Recorrente na apuração da contribuição objeto do pedido de compensação à época. O mesmo não se pode falar da DRJ que, ao tomar conhecimento do equívoco cometido pela Interessada, a qual transmitiu a DCTF retificadora, sob a justificativa de haver recolhido o PIS/Pasep e Cofins sobre a totalidade das vendas, sem a exclusão dos produtos monofásicos, tinha o dever de verificar o alegado, mormente ante o princípio da verdade material, mas não o fez sob o pretexto de que não detinha a competência para a análise de DCTFs retificadoras. Salutar destacar que os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela Administração, desde que não lesem o interesse público nem causem prejuízo a terceiros2. 1 Acórdão nº 330200811 do Processo 10530901535200821; Acórdão nº 330200810 do Processo 10530901534200886; Acórdão nº 330200812 do Processo 10530901536200875; Acórdão nº 330200809 do Processo 10530901533200831. 2 art. 55 da Lei nº 9.784/99. Fl. 37DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10166.907972/200934 Acórdão n.º 3803003.035 S3TE03 Fl. 3 5 Em contradição ao princípio da verdade formal, aclamado e inerente ao processo judicial, temos que no processo administrativo fiscal deve o julgador se pautar pela verdade material, princípio segundo o qual a autoridade administrativa competente não limita seu exame ao que foi alegado pelas partes, podendo e devendo buscar todos os elementos que possam influir no seu convencimento. Nos dizeres de Odete Medauar: 3 O princípio da verdade material ou real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar as decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos. Para tanto, tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Assim, no tocante a provas, desde que obtidas por meios lícitos (como impõe o inciso LVI do art. 5º da CF), a Administração detém liberdade plena de produzilas. Aliado ao princípio retro mencionado, apontamos o formalismo moderado dos atos a serem praticados pelo administrado, princípio este cristalizado no final do artigo 2º, inciso IX, da Lei 9.784/99: “...adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado graus de certeza e respeito aos direitos dos administrados”. O quase informalismo evidenciado no PAF, tem o fito de facilitar o acesso do contribuinte ao processo sem, contudo, lançar mão dos ritos e formas inerentes a todos os procedimentos para garantir o mínimo de segurança jurídica às partes. O processo administrativo deve ser simples, despido de exigências formais excessivas, tanto mais que a defesa pode ficar a cargo do próprio contribuinte, nem sempre familiarizado com os meandros processuais. Quanto ao montante do crédito a que tem direito a ora Recorrente, fica ressalvado o direito de a RFB determinar a base de cálculo do período de apuração de novembro de 2005, apurar o tributo devido, e verificar se o valor pleiteado está correto. Apesar de ter se omitido na apresentação dos documentos e lançamentos contábeis que permitissem à autoridade competente identificar a ocorrência do fato gerador, a base de cálculo sujeita à tributação e o correspondente tributo devido, observamos que tal direito não lhe foi oportunizado haja vista que o que determinou o indeferimento do seu pleito foi entrega da DCTF retificadora posteriormente ao despacho decisório, realidade esta que não podemos aceitar. Superado o óbice, há que se determinar o retorno dos autos para que seja oportunizado ao mesmo a entrega da escrituração fiscal e contábil aptas a demonstrar o valor eventualmente recolhido a maior. Ante o exposto, voto por reformar o acórdão proferido pela DRJ em Brasília, que não adentrou o mérito, e determinar o retorno dos autos àquela Autoridade Julgadora, para proferição de nova decisão, arredandose o óbice erigido (a necessidade de prévia retificação da DCTF como condição para análise de declaração de compensação de indébitos), em face das alegações recursais de erro na declaração. [assinado digitalmente] Jorge Victor Rodrigues Relator 3 A Processualidade do Direito Administrativo, São Paulo, RT, 2ª edição, 2008, Pág. 131. Fl. 38DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por ALEXANDRE KERN 6 Fl. 39DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10768.028837/96-57
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Oct 20 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Wed Oct 20 00:00:00 UTC 2004
Ementa: ITR - SUJEIÇÃO PASSIVA - O contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio, ou o seu possuidor a qualquer título, nos termos do artigo 31 do Código Tributário Nacional.
RECURSO VOLUNTÁRIO DESPROVIDO.
Numero da decisão: 303-31.650
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: NILTON LUIZ BARTOLI
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ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 20 de outubro de 2004 gLn44,:LO ANELISE DAUDT PRIETO Presidente • BARTO,:, - elator Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ZENALDO LOIBMAN, SÉRGIO DE CASTRO NEVES, NANCI GAMA, SILVIO MARCOS BARCELOS FIÚZA, MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM e MARCIEL EDER COSTA. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional MARIA CECILIA BABOSA. MA/4 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 127.549 ACÓRDÃO N° : 303-31.650 RECORRENTE : EDMOND AZIZ BARUQUE RECORRIDA : DRJ/BRASÍLIA/DF RELATOR(A) : NILTON LUIZ BARTOLI RELATÓRIO Tem por objeto o presente processo, pedido de restituição a titulo de valores supostamente recolhidos ao Imposto Territorial Rural, pertinentes ao Pedido de Parcelamento realizado pelo contribuinte, conforme documentos de fls. 01/05. • Denota-se que o Pedido de Parcelamento engloba os imóveis rurais cadastrados sob os números 921114017906-3 e 921114013234-2, contudo, às fls. 78 o contribuinte expressamente requer o cancelamento do pedido de parcelamento ora formulado, requerendo a partir de então, a restituição dos valores recolhidos ao ITR pertinente à Fazenda Pirambeba, esta cadastrada sob o n° 921114013234-2. O mesmo já fora apreciado por esta Egrégia Câmara, nos termos do Relatório e Voto de fls. 230/234, oportunidade na qual se decidiu por converter o julgamento em diligência, com o fim de obter esclarecimentos acerca dos imóveis mencionados pelo contribuinte. Retornam os autos para julgamento, com os documentos de fls. 238/247 e a informação da Delegacia da Receita Federal de Palmas/TO, às fls. 249. É o relatório. 4IP 2 i?• MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 127.549 ACÓRDÃO N° : 303-31.650 VOTO Ultrapassada a análise da presença dos requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, passo ao julgamento dos presentes autos. Inicialmente, cabe ressaltar que o cerne da questão encontra-se na inconformidade do contribuinte com a Decisão n° 0276/99 (fls. 103/104), proferida pela Delegacia da Receita Federal no Rio de Janeiro, que indeferiu seu pedido de restituição de valores recolhidos antecipadamente em Pedido de Parcelamento a título do Imposto Territorial Rural, pertinente aos imóveis rurais cadastrados sob os números 921114.013234-2 e 921114.017906-3. -AL -New Importante ressaltar, em busca de esclarecimento dos presentes autos, que, embora o Pedido de Parcelamento juntado às fls. 01/05 diga respeito aos imóveis supra mencionados, o contribuinte ao peticionar às fls. 78, requer o cancelamento do referido pedido de parcelamento, requerendo então a restituição do que fora recolhido antecipadamente quanto à Fazenda Pirambeba (cadastrada sob o n° 921114.013234-2). Pois bem, a análise dos presentes autos deve ater-se somente ao que diga respeito à Fazenda Pirambeba. Com relação aos demais imóveis mencionados pelo contribuinte em sua manifestação de fls. 117/118, os mesmos não são objeto do presente, uma vez que o mesmo originou-se com o peticionário de fls. 78 que diz respeito somente à restituição do que fora recolhido quanto à Fazenda Pirambeba. 4IP Ainda que assim não fosse, não haveria nada referente a estes imóveis que pudesse ser restituído, conforme informação da Delegacia da Receita Federal em Palmas/TO de que não foram localizados pagamentos para os lançamentos de ITR para os exercícios de 1987 a 1991 de referidos imóveis. A mesma informação atesta que foram realizados pagamentos a título de antecipação do parcelamento referente aos imóveis 921114.017906-3 e 921114.013234-2, portanto, nos cabe analisar as peculiaridades destes dois imóveis. Com relação ao imóvel cadastrado sob o n° 921114.017906-3, nada tenho a acrescentar ao que fora decidido em primeira instância, pela qual, inclusive, foram cancelados os débitos constantes do referido imóvel, já que os documentos juntados aos autos "comprovam que a sua área total estava encravada dentro da "Fazenda Mumcuba", com área total de 3.800 ha, imóvel este arrecadado 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 127.549 AC ORDÃO N° : 303-31.650 matriculado em nome da União Federal, em 29 de julho de 1985, sob o n° 843, no Livro 2-B, fls. 247, no Cartório de Registro de Imóveis de Tocantinópolis — TO." Com relação ao imóvel cadastrado sob o n° 921114.013234-2, a alegação do contribuinte é de que a referida área estava sendo ocupada e explorada há muitos anos por posseiros e que, portanto, não era detentor da propriedade da mesma, tendo inclusive renunciado ao seu direito de propriedade em favor do Estado do Tocantins. Pois bem, alega o contribuinte não ser sujeito passivo da relação tributária por ter perdido a posse do imóvel pela invasão de posseiros. Ocorre que, ainda que detentor de apenas um dos aspectos da propriedade, caberá ao contribuinte o recolhimento do Imposto Territorial Rural, nos termos do artigo 29 do Código Tributário Nacional, que prescreve: 2 "Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município." • O que se confirma pelo artigo 31 do mesmo diploma legal, que determina que o "contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título." Destaque-se que propriedade, domínio útil e posse são conceitos que o Direito Tributário vai haurir junto ao Direito Civil, para o fim de definir precisamente os fatos geradores do ITR, e dele extraímos o conceito de que o proprietário do bem pode dele fazer uso, pode perceber-lhe os frutos, e pode dele desfazer-se como bem desejar, salvo cláusula específica de inalienabilidade, de origem legal ou contratual. Pode, também, exigir que terceiro, que do bem se haja injustamente apossado, impedindo ou embaraçando o exercício desses poderes pelo proprietário, o restitua. Desta forma, ainda que o contribuinte tenha sofrido turbação de sua posse por terceiros, enquanto o registro do imóvel estiver em seu nome é legítima a cobrança do ITR, tendo em vista que o mesmo perdura como proprietário do imóvel. Nestes termos, entendo que não há que se modificar o entendimento demonstrado pelo julgador de primeira instância, pelo que, nego provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, - • o de outubro de 2004 ON #0./ BART I - Relator 4 Page 1 _0029100.PDF Page 1 _0029200.PDF Page 1 _0029300.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10640.005144/2007-55
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 28 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Fri Sep 11 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2003
DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Os recibos de pagamento não tem valor absoluto para comprovação do efetivo pagamento de despesas médicas, podendo a Fiscalização exigir outros meios de prova.
DEDUÇÕES. PREVIDÊNCIA PRIVADA E FAPI.
A contribuição para previdência privada paga pelo contribuinte e que preencha os requisitos definidos na legislação do IR é dedutível da base de cálculo do ajuste anual.
Numero da decisão: 2001-003.530
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restaurar a dedução de pagamento referente à previdência privada, no valor de R$ 667,76.
(documento assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito - Presidente
(documento assinado digitalmente)
André Luis Ulrich Pinto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luis Ulrich Pinto, Fabiana Okchstein Kelbert, Honório Albuquerque de Brito e Marcelo Rocha Paura.
Nome do relator: ANDRE LUIS ULRICH PINTO
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COMPROVAÇÃO. Os recibos de pagamento não tem valor absoluto para comprovação do efetivo pagamento de despesas médicas, podendo a Fiscalização exigir outros meios de prova. DEDUÇÕES. PREVIDÊNCIA PRIVADA E FAPI. A contribuição para previdência privada paga pelo contribuinte e que preencha os requisitos definidos na legislação do IR é dedutível da base de cálculo do ajuste anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restaurar a dedução de pagamento referente à previdência privada, no valor de R$ 667,76. (documento assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) André Luis Ulrich Pinto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luis Ulrich Pinto, Fabiana Okchstein Kelbert, Honório Albuquerque de Brito e Marcelo Rocha Paura. Relatório Trata-se de notificação de lançamento originado da revisão da DIRPF/2004, cujo crédito tributário equivalente a R$ 8.831,16 já foi recolhido, diante de dedução indevida de previdência privada na quantia de R$ 804,00, dedução indevida com despesas de instrução referentes a R$ 3.996,00 e dedução indevida de despesas médicas no valor de R$ 12.100,00. Devidamente notificada sobre o lançamento, a Recorrente apresentou impugnação alegando, em síntese: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 51 44 /2 00 7- 55 Fl. 133DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-003.530 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10640.005144/2007-55 a) sobre a glosa de despesas com instrução, esclarece que Orlando Luiz de Souza Moreira, consiste no pai de Débora Dias Moreira e Bárbara Dias Moreira, sendo essas dependentes da contribuinte; b) os pagamentos de contribuição a previdência privada foram efetuados em débito em conta corrente sob título SERIT, conforme extratos bancários; c) possui renda suficiente para suportar despesas médicas declaradas, sendo que os valores pagos aos profissionais não são tão expressivos que não possibilitem a sua realização em espécie. A Recorrente instruiu a sua impugnação com os seguintes documentos: (i) certidão de nascimento das filhas (fls. 09 e 10); (ii) recibos médicos (fl. 11 e 12/ 18 à 31); (iii) declaração de pagamento escolar (fls. 32 e 33); (iv) extrato de conta corrente (fls. 37 à 48). Na ocasião do julgamento da impugnação apresentada pela ora Recorrente, a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, proferiu o acórdão 09-28.610 – 4ª Turma da DRJ/JFA, indeferindo o pedido de diligência e, no mérito, considerar procedente em parte a impugnação, por entender que a Recorrente não apresenta provas satisfatórias. Dessa forma, todas as glosas referentes a despesas médicas foram mantidas conforme o que se verifica do quadro colacionado abaixo: Profissional Médico Valor da Dedução Resultado DRJ Patrícia Ortolani Louzada R$4.930,00 Glosa Mantida André Cid de Araújo R$2.480,00 Glosa Mantida Frederico Fortes Carvalho Silva R$5.000,00 Glosa Mantida Irresignada com v. acórdão a quo, a Recorrente interpôs recurso voluntário para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais alegando, em síntese: I. a título de contribuição à previdência privada o valor de R$ 804,00 foram apresentados como comprovantes de débitos em conta sob título de SERIT; II. comprovar através de documentação bancária os pagamentos efetuados a título de despesas médicas, informadas em declaração. É o relatório. Voto Conselheiro André Luis Ulrich Pinto , Relator. Fl. 134DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-003.530 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10640.005144/2007-55 O recurso é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme descrito linhas acima, cinge-se a controvérsia sobre a dedução indevida de previdência privada e FAPI; e dedução de despesas médicas com os profissionais Patrícia Ortolani Louzada (R$ 4.930,00); André Cid de Araújo (R$ 2.480,00); Frederico Fortes Carvalho Silva (R$ 5.000,00) da base de cálculo do IRPF. Dessa forma, para facilitar a compreensão sobre a fundamentação do presente voto, passo a analisar, isoladamente, os argumentos da Recorrente. Despesas médicas Como é sabido, as deduções de despesas médicas estão condicionadas à comprovação, por meio de recibo com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes - CGC de quem os recebeu, é o que estabelece o art. 8º, §2º, III, da Lei nº 9.250/1995. Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: I - de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II - das deduções relativas: (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: (...) III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes - CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Ademais disso, estabelece o art. 73, do RIR/99, que “todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora.”, sendo certo que também merece destaque a norma do § 1º, do mesmo art. 73, que permite a glosa, sem audiência do contribuinte, de dedução exagerada. Veja-se. Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Portanto, cabe à Autoridade Fiscal, quando do procedimento de fiscalização, verificar se as informações e recibos apresentados pelo contribuinte são suficientes para comprovar a despesa médica, podendo, caso julgue necessário, exigir a comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas. Fl. 135DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del5844.htm#art11%C2%A73 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del5844.htm#art11%C2%A74 Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-003.530 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10640.005144/2007-55 Neste sentido, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ao julgar caso análogo, manifestou entendimento de que a apresentação de recibos e declaração do profissional não é suficiente para comprovação da despesa médica, sendo necessário que o contribuinte apresente outros elementos de comprovação quando solicitado pela Autoridade Fiscal. Veja-se. Numero do processo: 13706.000168/2009-66 Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção Seção: Segunda Seção de Julgamento Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 BRT 2019 Data da publicação: Thu Sep 19 00:00:00 BRT 2019 Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano- calendário: 2004 DESPESAS MÉDICAS . COMPROVAÇÃO. A dedução com despesas médicas somente é admitida se comprovada com documentação hábil e idônea. Os recibos não fazem prova absoluta da ocorrência do pagamento, devendo ser apresentados outros elementos de comprovação, quando solicitados pela autoridade fiscal. Numero da decisão: 2001-001.426 Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para manter as glosas das deduções feitas a título de despesas médicas referentes aos prestadores Isabel de Souza Leão, Clinica P. Medeiros e Oral Clinica Odontologia, totalizando R$ 7.890,00, e manter o crédito tributário lançado correspondente acrescido da multa de ofício de 75% e juros de mora, e para restabelecer a dedução de despesas médicas pagas ao plano Itauseg Saúde SA, no valor de R$ 8.414,64. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Honório Albuquerque de Brito, Fernanda Melo Leal e Marcelo Rocha Paura. Nome do relator: HONORIO ALBUQUERQUE DE BRITO No caso em tela, merece destaque o fato de que a autuação se baseou na falta da comprovação da efetividade dos pagamentos. Nesse sentido, veja-se a fundamentação utilizada pela Autoridade Fiscal para motivar o ato de lançamento: Chamou a atenção desta autoridade lançadora o elevado valor constante dos recibos em relação ao usualmente cobrados pelos serviços de psicologia, fisioterapia e odontologia, considerando-se a renda líquida anual da contribuinte. Intimada comprovar, através de documentação bancária (cópia de cheques nominais microfilmados, extratos bancários em que constem saques com compatibilidade de datas e valores, ordem de pagamento ou tranferências eletrônicas), os pagamentos efetuados a títulos de despesas médicas, informados em sua declaração aos profissionais liberais, a declarante alegou que foram todos realizados em espécie (...) de qualquer modo, os extratos bancários apresentados não comprovam compatibilidade de datas e valores. Diante do exposto, por falta de comprovação do efetivo pagamento, todas as despesas declaradas como pagas à Patricia Ortolani louzada, André Cid de Araújo e Frederico Fortes Carvalho Silva, no valor de R$ 12.410,00 foram glosadas. Assim, quando solicitado pelo Auditor Fiscal, a comprovação do efetivo pagamento aos profissionais de saúde é elemento essencial para que os comprovantes sejam considerados idôneos, sem os quais, a dedução não pode ser admitida. Os documentos trazidos aos autos não são hábeis para atestar gastos dedutíveis posto que não os acompanha qualquer comprovação de que realmente houve o desembolso de recursos com as despesas de saúde alegadas. Fl. 136DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2001-003.530 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10640.005144/2007-55 Dedução de previdência privada e FAPI Nos termos do art. 4º, V, da Lei nº 9.250/1995 e do art. 74, II, do RIR/1999, podem ser deduzidos, nas declarações de rendimentos, os pagamentos efetuados com as contribuições para as entidades de previdência privada domiciliadas no País, cujo ônus tenha sido do contribuinte, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social, desde que não ultrapasse o limite definido. No caso em tela, pretende a Recorrente ver deduzida da base de cálculo do IRPF o valor de R$ 804,00 pago à UNIMED SEGURADORA, inscrita no CNPJ do MF sob o nº 92.863.505/0001-06, a título de seguro de renda por incapacidade temporária. Em consulta ao sítio eletrônico da SUSEP, verifica-se que a referida seguradora está autorizada a operar desde 13/02/1990. Conforme ao que se verifica a partir da leitura do acórdão a quo, a glosa foi mantida pela DRJ/JFA em razão da insuficiência de comprovação dos pagamentos à previdência privada, com base no entendimento de que os extratos de fls. 37/48 não se prestam para esse fim sem a demonstração de que os lançamentos sob a rubrica “SERIT” correspondem à espécie em destaque. Divirjo deste entendimento. A partir dos documentos juntados pela Recorrente, mais precisamente os extratos de conta corrente (fls. 37/48) e a declaração que instrui o recurso voluntário (fls. 119), é forçoso o reconhecimento de parte dos pagamentos a título de previdência privada. No entanto, não vejo como reconhecer a totalidade dos valores declarados pela Recorrente a este título. Isso porque, apesar do valor expresso na declaração emitida pela corretora de seguros juntada às fls. 119 destes autos, a análise dos extratos bancários apresentados pela Recorrente indica o pagamento do valor de R$ 667,76. Veja-se: Data Rubrica valor folhas 22/01/2003 SERIT0103 R$ 60,00 37 21/02/2003 SERIT0203 R$ 60,00 38 24/03/2003 SERIT0303 R$ 60,00 39 23/04/2003 SERIT0403 R$ 60,00 40 22/05/2003 SERIT0503 R$ 60,00 41 23/06/2003 SERIT0603 R$ 60,00 42 04/08/2003 SERIT0703 R$ 60,00 44 05/09/2003 SERIT0803 R$ 60,00 45 06/10/2003 SERIT0903 R$ 60,00 46 05/11/2003 SERIT1003 R$ 60,00 47 05/12/2003 SERIT1203 R$ 67,76 48 Total R$ 667,76 Dessa forma, deve ser restaurada a dedução de pagamento referente à previdência privada, no valor de R$ 667,76. Fl. 137DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2001-003.530 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10640.005144/2007-55 Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito dar-lhe parcial provimento para restaurar a dedução de pagamento referente à previdência privada, no valor de R$ 667,76. (documento assinado digitalmente) André Luis Ulrich Pinto Fl. 138DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10865.906161/2009-39
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL
SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3803-003.202
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto vencedor que integram o presente julgado. Vencido o Relator, que votou pela conversão do julgamento em diligência. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Alexandre Kern.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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conteudo_txt : Metadados => date: 2014-07-14T16:29:19Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2014-07-14T16:29:19Z; Last-Modified: 2014-07-14T16:29:19Z; dcterms:modified: 2014-07-14T16:29:19Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:70cbb991-bcee-407a-b971-f07dc3e1fd31; Last-Save-Date: 2014-07-14T16:29:19Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2014-07-14T16:29:19Z; meta:save-date: 2014-07-14T16:29:19Z; pdf:encrypted: true; modified: 2014-07-14T16:29:19Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2014-07-14T16:29:19Z; created: 2014-07-14T16:29:19Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2014-07-14T16:29:19Z; pdf:charsPerPage: 1795; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:created: 2014-07-14T16:29:19Z | Conteúdo => S3TE03 Fl. 100 1 99 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.906161/200939 Recurso nº 922.721 Voluntário Acórdão nº 3803003.202 – 3ª Turma Especial Sessão de 17 de julho de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INCIDÊNCIA MONOFÁSICA PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente J.C.R. BENEFICIAMENTO DE MATERIAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto vencedor que integram o presente julgado. Vencido o Relator, que votou pela conversão do julgamento em diligência. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Alexandre Kern. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Redator designado [assinado digitalmente] Juliano Eduardo Lirani Relator Fl. 100DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI 2 Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira e Jorge Victor Rodrigues. Relatório O contribuinte supra descrito apresenta Recurso Voluntário contra decisão denegatória de PER/DCOMP eletrônico referente ao recolhimento a maior de PIS/Pasep referente ao PA de 30.06.2003. O despacho eletrônico anexo fls. 06 indeferiu o pedido de homologação da compensação com fundamento no fato de que o “suposto” pagamento a maior não foi comprovado pelo contribuinte. Na manifestação de inconformidade anexa fls. 11/14 o contribuinte sustentou que a partir de 1º de novembro de 2002 a Lei n.º 10.485/2002 reduziu para zero a alíquota da COFINS e PIS/Pasep incidentes sobre as receitas auferidas com a venda e industrialização por encomenda de autopeças. Afirmou ainda que com a edição da Lei n.º 10.865/2004 foi afastado o regime monofásico do setor automotivo, retornando a incidência do PIS e da Cofíns a todos os componentes da cadeia, a partir de 1º de agosto de 2004. Alegou ainda ter recolhido indevidamente PIS e COFINS durante o período de dezembro de 2002 ao final de julho de 2004, incidente sobre suas receitas de venda e industrialização sob encomenda de autopeças relacionadas nos anexos I e II da Lei n 10.485/2002 e por essa razão tem direito a homologação da compensação desses créditos, embora não tenha retificado a DCTF para informar a alteração do valor correto devido. Por fim, o contribuinte alegou na Manifestação de Inconformidade que não informou o número do recibo da DCOMP na correspondente DCTF, sendo que, por outro equívoco, pagou o tributo informado nesta DCOMP por meio de DARF, ocasionando um pagamento em duplicidade (Darf e Dcomp). As fls. 26/28 sobreveio a Decisão n.º 1428.870 4 º Turma da DRJ/POR, cuja ementa foi lavrada com o seguinte teor: A s s u n t o : C o n t r i b u i ç ã o p a r a o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/06/2003 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. O direito creditório só é passível de ser reconhecido se lastreado em documentação fiscal e contábil, demonstrada nos autos pelo contribuinte. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Extraise da decisão atacada que os julgadores de primeiro grau têm ciência de que a alíquota do PIS e COFINS foi reduzida a zero relativamente à receita bruta de venda de produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei n.º 10.485/2002 dos produtos classificados nos códigos da TIPI mencionados no art. 1º desta Lei. Entretanto, a decisão recorrida concluiu que o direito creditório pleiteado não restou comprovado por meio de documentação idônea, uma vez que o contribuinte não demonstrou que toda ou parte das receitas auferidas foram provenientes de venda de produtos classificados nos códigos da TIPI, conforme definido no art. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 10865.906161/200939 Acórdão n.º 3803003.202 S3TE03 Fl. 101 3 1º da Lei n.º 10.485/2002, logo o motivo do indeferimento decorreu da ausência de provas, segundo a decisão recorrida. Em Recurso Voluntário, anexo fls. 30/40 o contribuinte alega nulidade da decisão de primeiro grau, com fundamento no art. 59, II do Decreto n.º 70.235/72 tendo em vista que a mesma desconsiderou o direito a ampla defesa e contraditório, pois o Fisco não o intimou a apresentar documentos e deixou de reconhecer o direito creditório sob o argumento de que não foram apresentada prova contábil que fizesse lastro com o direito pretendido, quando na realidade é obrigação da Fazenda Nacional realizar diligência e buscar informações no sentido de apurar a existência do crédito. Afirmou que o cerne da questão neste processo se refere a discussão da alíquota zero da contribuição incidente sobre as receitas auferidas com a venda e com a industrialização por encomenda relacionadas nos anexos I e II da Lei nº 10.845/02, durante o período compreendido entre dezembro de 2002 a julho de 2004. Argumenta ter acontecido equívoco da não retificação da DCTF informando sobre a alteração do valor efetivamente devido de PIS e COFINS, isto é, deveria ter informado na DCTF que sobre estas contribuições incidia alíquota zero, razão pela qual houve o pagamento a maior do tributo no período de apuração em tela. Neste sentido, ressalta o contribuinte que por não ter acontecido a retificação da DCTF, o despacho decisório concluiu pela inexistência de crédito para fazer frente aos débitos apontados no PER/DCOMP. Assim, com fulcro no princípio da verdade material o contribuinte solicita que seja homologada a Dcomp apresentada e que seja cancelado o saldo devedor constante no despacho decisório, principalmente porque agora trás em seu recurso voluntário planilha contendo relação de notas fiscais objeto de recolhimento indevido de PIS e COFINS e notas fiscais por amostragem, conforme se observa dos DOCUMENTOS 2 e 3, respectivamente. Por fim, requer que seja homologada a Dcomp e seja cancelado o saldo devedor apurado. Voto Vencido Conselheiro Juliano Eduardo Lirani, Relator O recurso é tempestivo e por isso merece ser analisado. Conforme relatado, tratase de decisão denegatória de pedido de compensação em razão de pagamento a maior de PIS/Pasep, sob o argumento de que o pagamento indevido não foi comprovado pelo contribuinte. Retirase da decisão recorrida, que os julgadores de primeiro grau concluíram não ter trazido o contribuinte “quaisquer” elementos de prova por meio das quais a Fazenda Nacional pudesse verificar quais receitas do período apontado se referem efetivamente a Fl. 102DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI 4 industrialização por encomenda, principalmente se os produtos estariam relacionados nos códigos da TIPI listados nos anexo I e II à Lei 10.845/2002. Já compulsando os autos, constatase que o despacho decisório foi emitido de forma eletrônica e se limitou a indeferir o pedido por falta de comprovação do crédito apontado para realizar a compensação pleiteada. Acontece que em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte teceu comentários a respeito da incidência da alíquota zero da COFINS para as operações de industrialização por encomenda de autopeças relacionadas nos anexos I e II da Lei n 10.485/2002 e informou também ter recolhido indevidamente o tributo, pois indicou valores equivocados em DCTF. É verdade que em sua Manifestação de Inconformidade não trouxe elementos probatórios capazes de derruir a premissa fazendária de ausência de crédito e por conta disso a DRJ concluiu pelo indeferimento do pedido. Entretanto, agora em seu recurso voluntário o contribuinte trouxe importantes provas da existência do crédito, ou seja, planilha contendo relação de notas fiscais objeto de recolhimento indevido de PIS e COFINS e notas fiscais, ainda que por amostragem. Com efeito, “data vênia”, entendimento contrário, manifesto posicionamento de que os autos devem ser encaminhados à repartição de origem, com o propósito de que a fiscalização intime o contribuinte a apresentar todas as notas fiscais relacionadas na referida planilha, bem como lançamentos contábeis, relatório do seu processo produtivo e demais documentos que entenda necessários para a apuração do direito creditório. Alertase ainda para o fato de que em momento algum ocorreu a intimação, por parte da Fazenda Nacional, para que o contribuinte apresentasse qualquer documento fiscal. Assim, ainda que seja ônus do sujeito passivo colacionar aos autos provas constitutivas do seu direito, por outro lado também é verdade que uma vez trazidos pelo contribuinte elementos de provas do seu direito, ainda que posteriormente a decisão da DRJ, não deve ser criado óbice a apuração da verdade material. Ante o exposto, considerando o contido no art. 18, inciso I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF – Portaria MF n 256/2008 – que prevê a realização de diligências para suprir deficiências do processo, bem como o princípio da verdade material, proponho que se converta o julgamento em diligência à repartição de origem para que se proceda à verificação se os produtos sob os quais ocorreu a industrialização por encomenda estão relacionados nos códigos da TIPI listados nos anexo I e II à Lei 10.845/2002, pois tal constatação é fundamental para a apuração do direito crédito. Sala das Sessões, em 17 de julho de 2012 Juliano Eduardo Lirani Voto Vencedor Conselheiro Alexandre Kern, Redator designado A compensação declarada não foi homologada porque o pagamento apontado como indevido estava integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A decisão recorrida, por sua vez, não reconheceu o direito creditório reivindicado, no valor de R$ Fl. 103DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 10865.906161/200939 Acórdão n.º 3803003.202 S3TE03 Fl. 102 5 36,79, mantendo o Despacho Decisório atacado, porque o interessado não trouxe quaisquer elementos de prova que permitisse a verificação de se toda ou parte das receitas daquele período referemse à industrialização por encomenda especificamente daqueles produtos classificados nos códigos da TIPI listados nos anexo I e II à Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002. Fazendo tabola rasa das regras processuais de preclusão e apoiandose em noção arrevesada do princípio da verdade material, o redator, equivocadamente, propôs a conversão do julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal de jurisdição sobre o contribuinte produzisse a prova que toca ao interessado produzir, nos momentos processuais adequados. Evidentemente, a 3ª Turma Especial, à exceção do Conselheiro Juliano Eduardo Lirani, jamais respaldaria tal proposição. A natureza extintiva –ainda que condicionada a ulterior homologação – da Declaração de Compensação, impõe que o interessado assegurese que crédito oposto no encontro de contas seja líquido e certo, já no momento da transmissão da Dcomp, sob pena de não têlo homologado. Mesmo na fase contenciosa do procedimento administrativo fiscal, que ora se desenrola, quando já não mais teria espontaneidade para retificar a DCTF1,o requerente, enquanto manifestante, poderia produzir a prova necessária para a demonstração de seu direito, em face da aplicação analógica do § 4º do art. 16 do PAF, autorizada pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 30 de dezembro de 2008, apresentando, não apenas as alegações que fez, vazias, pois desacompanhadas de qualquer embasamento documental, mas de documentação contábilfiscal idônea e hábil para demonstrar o erro cometido e afastar o atributo de irretratabilidade da confissão feita na DCTF. O que o recorrente – e o relator também não pode esperar é que a autoridade fiscal suplemente a sua vontade e o intime a tanto. Matéria de extremada importância em sede processual é a referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas. Com efeito, da delimitação do onus probandi depende a definição de grande parte das responsabilidades processuais. Assim é nas relações de direito privado e, igualmente, nas relações de direito público, dentre as quais as relacionadas à imposição tributária. Neste campo, a legislação processual administrativotributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o principio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim é que, nos casos de lançamentos de oficio, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; pelo contrário, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do artigo 9° do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento "deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito". De outro lado, ao contribuinte a legislação 1 Súmula CARF No. 33 A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI 6 impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, como expresso no inciso III do artigo 16 do mesmo Decreto nº 70.235, de 1972, que determina que a impugnação conterá "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Esse, portanto, o quadro nos lançamentos de oficio: à autoridade fiscal incumbe provar, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito; ao contribuinte, cabe o ônus de provar o teor das alegações que contrapõe às provas ensejadoras do lançamento. Já nos casos de repetição de indébito, como no presente processo, entretanto, o quadro resta um pouco modificado, como a seguir se verá. Quando a situação posta se refere à restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito. Tanto é assim que a Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que rege atualmente os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários, assim expressa em vários de seus dispositivos: Art. 3° A restituição a que se refere o art. 2° poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § Iº A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante cio Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. [..1 § 4° Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3° serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. [..1 Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito. inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada. mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 10865.906161/200939 Acórdão n.º 3803003.202 S3TE03 Fl. 103 7 Como se percebe, em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prerrequisito ao conhecimento do pleito. E o que se deve ter por documentos comprobatórios do crédito? Por óbvio que os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito; sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. É certo que as normas acima transcritas prevêem a realização de diligências, por parte da autoridade fiscal, destinadas à verificação da exatidão das informações trazidas pelos contribuintes, mas é preciso ter em conta que tal previsão não existe com o fim de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo contribuinte/pleiteante; em outras palavras, as diligências servem para esclarecer pontos duvidosos específicos, e não para que a autoridade fiscal, diante da falta de comprovação da existência do crédito, supra tal omissão do contribuinte. No caso específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, o contribuinte cumpre o ônus que a legislação lhe atribui, quando traz os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. E tal demonstração, no caso das pessoas jurídicas, está, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. Em regra, portanto, cumpre ao contribuinte vincular registros contábeis a documentos fiscais, estabelecendo com clareza a natureza das operações por eles instrumentadas, não lhe sendo lícito simplesmente juntar uma massa de documentos ao processo, sem indicação individualizada de a quais registros se referem. A atividade de "provar" não se limita, no mais das vezes, a simplesmente juntar documentos aos autos; nos casos em que se tem inúmeros registros associados a inúmeros documentos, provar significa associar registros e documentos de forma individualizada, do mesmo modo que, no caso das provas indiciárias, exigese a contextualização dos fatos por via do cruzamento dos indícios. Não é tarefa do julgador contextualizar os elementos de prova trazidos pelo contribuinte no caso de um pedido de restituição, compensação ou ressarcimento, tanto quanto não é contextualizar os elementos de prova trazidos pela autoridade fiscal no âmbito de um lançamento de oficio. Quem acusa deve provar, contextualizando os elementos de prova que evidenciam a infração; da mesma forma, quem pleiteia repetição deve provar a existência do direito creditório, contextualizando os elementos de prova que evidenciam o indébito. Não é lícito ao julgador, tanto em sede de apreciação de lançamento de oficio, quanto em sede de pleito repetitório, dispensar a autoridade lançadora ou o pleiteante, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles; tanto quanto não lhe é lícito valer se das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas Fl. 106DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI 8 questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. Dentro deste quadro, percebese que quando a Instrução Normativa SRF nº 900, de 2008, acima parcialmente transcrita, prevê a "realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas", não está querendo dizer que, diante de qualquer pleito repetitório apresentado, deve a autoridade fiscal diligenciar para fins de verificar, de oficio, a existência do crédito pleiteado. O que o ato legal quer dizer, e isto sim, é que, apresentado o pedido e constatado que o contribuinte demonstrou, por documentos e registros contábeis individualmente associados, a origem dos créditos pleiteados, pode a autoridade fiscal, se dúvidas remanescerem em relação a questões pontuais (natureza da operação em um ou outro registro, falta de clareza de algum documento ou registro etc.), demandar por diligências para dirimir tais dúvidas. Por certo que o ato legal não quer, com a previsão da realização das diligências, transferir para a autoridade fiscal ou para o julgador administrativo a responsabilidade pela produção probatória atribuída originariamente ao contribuinte no caso dos pedidos de repetição de indébito. E é isso que ocorreria, por exemplo, se fossem promovidas diligências no caso, por exemplo, em que o contribuinte, junto com seu pleito, nada aporta aos autos além de suas alegações, ou traz apenas uma listagem genérica de créditos e uma massa de documentos fiscais sem vinculação recíproca; neste caso, a promoção das diligências estaria suprindo, irregularmente, a omissão do contribuinte, o que não é processualmente admissível. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo principio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido princípio destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento e por via de diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação. Se, de um lado é certo que o DARF informado no PER/Dcomp comprova um recolhimento, de outro, inexiste nos autos qualquer prova de que o pagamento seja indevido. Há tãosomente a alegação do requerente, ora recorrente. Nada mais. E, em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). A esse propósito, reportome à Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. De acordo com o seu art. 36, que regulamenta o sistema de distribuição da carga probatória no Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do requerente: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 10865.906161/200939 Acórdão n.º 3803003.202 S3TE03 Fl. 104 9 No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC). A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça também corrobora esse entendimento: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) Fl. 108DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI 10 TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) À falta da prova do erro, capaz de afastar o atributo de irretratabilidade da confissão de dívida, milita contra a alegação do requerente a presunção de que o pagamento não lhe confere qualquer direito creditório porque foi alocado a débito espontaneamente confessado em DCTF. O recorrente poderia objetar que, dada sistemática declaratória atual do procedimento de compensação, não lhe foi oportunizada a comprovação do crédito, originado do pagamento indevido. Objeção improcedente. Bastaria que o contribuinte, prévia e espontaneamente, retificasse a DCTF respectiva, conforme lhe autorizava o art. 10 da Instrução Normativa SRF no 482, de 21 de dezembro de 2004, então vigente, e o próprio processamento eletrônico do PER/Dcomp lhe deferiria o crédito pleiteado, transferindo para o Fisco o ônus da posterior verificação do seu procedimento. Mesmo na fase contenciosa do procedimento administrativo fiscal, que ora se desenrola, quando já não mais teria espontaneidade para retificar a DCTF,o requerente, enquanto manifestante, poderia produzir a prova necessária para a demonstração de seu direito, em face da aplicação analógica do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, autorizada pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 2008. O recorrente, contudo, limitouse a apresentar planilha de bases de cálculo, sem o necessário lastro na sua escrita contábil e em documentação idônea e hábil para atestar a liquidez e a certeza do crédito oposta na compensação declarada. Nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 17 de julho de 2012 Alexandre Kern Fl. 109DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI
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